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Numero do processo: 10920.005593/2007-57
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
CRÉDITO PRESUMIDO. SERVIÇOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS.
Os serviços de industrialização adquiridos de terceiros somente integram o cálculo do crédito presumido de IPI nos casos, devidamente comprovados, em que o produto beneficiado, ao retornar ao estabelecimento do encomendante, se submete a novo processo de industrialização na condição de matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem.
ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento.
Numero da decisão: 3803-003.844
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para retificar a decisão embargada, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e Fábia Regina Freitas (suplente).
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 CRÉDITO PRESUMIDO. SERVIÇOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. Os serviços de industrialização adquiridos de terceiros somente integram o cálculo do crédito presumido de IPI nos casos, devidamente comprovados, em que o produto beneficiado, ao retornar ao estabelecimento do encomendante, se submete a novo processo de industrialização na condição de matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. ACOLHIMENTO. Acolhemse os Embargos de Declaração por ter sido confirmada a obscuridade alegada pelo Embargante, uma vez que inocorrera a intempestividade de interposição do Recurso Voluntário que havia sido atestada na decisão combatida. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 CRÉDITO PRESUMIDO. SERVIÇOS ADQUIRIDOS DE TERCEIROS. Os serviços de industrialização adquiridos de terceiros somente integram o cálculo do crédito presumido de IPI nos casos, devidamente comprovados, em que o produto beneficiado, ao retornar ao estabelecimento do encomendante, se submete a novo processo de industrialização na condição de matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para retificar a decisão embargada, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 55 93 /2 00 7- 57 Fl. 549DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.005593/200757 Acórdão n.º 3803003.844 S3TE03 Fl. 550 2 (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e Fábia Regina Freitas (suplente). Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos por Normóveis Indústria Comércio e Participações Ltda. (fls. 360 a 362), com amparo nos artigos 65 do Regimento Interno do CARF e 535 do Código de Processo Civil, em que se alega a ocorrência de omissão e obscuridade no acórdão nº 380302.033, de 6 de outubro de 2011, prolatado por esta 3ª Turma Especial, em que se decidiu por não se conhecer do Recurso Voluntário em razão da intempestividade de sua apresentação. O presente processo se originara de pedidos de ressarcimento de créditos básicos e de crédito presumido de IPI (fls. 1 a 56), cumulados com declarações de compensação, transmitidos eletronicamente pelo contribuinte supra identificado, totalizando o montante de R$ 264.529,47. Submetidos à apreciação da repartição de origem, deferiuse parte do ressarcimento, no total de R$ 191.817,27, e homologaramse as compensações até o limite do direito creditório, tendo sido excluídos os valores referentes a aquisições de serviços, sendo acatados apenas os relativos a aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem. Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 317 a 321) e requereu o reconhecimento do direito ao ressarcimento, bem como o deferimento das compensações, alegando que se trataria de créditos relativos a produtos industrializados por encomenda, passíveis de ressarcimento, conforme jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), pelo fato de se tratar de serviço que se agrega ao custo de aquisição da matériaprima, integrando, portanto, o crédito presumido de IPI.. A DRJ Ribeirão Preto/SP não reconheceu o direito creditório (fls. 337 a 339), tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. AQUISIÇÕES DE SERVIÇOS. Somente as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, conforme a conceituação albergada pela legislação tributária, podem ser computados na apuração Fl. 550DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.005593/200757 Acórdão n.º 3803003.844 S3TE03 Fl. 551 3 da base de cálculo do incentivo fiscal, nos termos da Lei n° 9.363, de 1996. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Segundo a autoridade julgadora de primeira instância, a “mera aquisição de prestação de serviço, tratandose ou não de industrialização por encomenda, não se enquadra em nenhuma das hipóteses de incidência, definidas no art. 2° da Lei n° 9.363, de 1996, para fins de apuração do crédito presumido do IPI, uma vez que não é a hipótese propriamente de aquisição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem a ser utilizados no processo produtivo” (fl. 338). Segundo o relator a quo, a inclusão de despesas com serviço de industrialização por encomenda somente passou a ser admitida no cálculo do crédito presumido de IPI com o advento da Lei 10.276/2001. Não satisfeito, o contribuinte recorreu a este Conselho e reiterou seu pedido, repisando os mesmos argumentos. Segundo o então Recorrente, “o serviço de industrialização por encomenda é um beneficiamento realizado por terceiros e equivale ao insumo utilizado no processo produtivo, sendo que os valores despendidos a este titulo agregamse ao valor das aquisições de matériasprimas, eis que constituem uma atividade meio para posterior industrialização”, tendo sido “justamente para esclarecer este aspecto muitas vezes mal compreendido que surgiu a Lei 10.276/2001, evitando que o produtor exportador deixe de receber o beneficio a que faz juz” (fl. 350). O Recurso Voluntário foi considerado intempestivo (fls. 353 a 354), em razão do que o contribuinte apresentou os Embargos de Declaração, alegando que, diferentemente do atestado na decisão embargada, a intimação para a ciência da decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP se dera em 2 de fevereiro de 2010, e não em 27 de janeiro do mesmo ano, tendo em vista que, nesta última data, havia recebido pelo correio apenas a carta cobrança, desacompanhada de qualquer fundamentação acerca do indeferimento de sua defesa administrativa, sendo que, somente na primeira data apontada, foi que obteve ciência pessoal da decisão recorrida na Agência da Receita Federal do Brasil em São Bento do Sul/SC, quando lhe foi informado que o prazo para recurso se iniciaria a partir de então. Após a interposição dos embargos, a DRF Joinville/SC se manifestou nos autos (fl. 365), confirmando as informações apresentadas pelo ora Embargante, atestando a tempestividade do Recurso Voluntário. O Presidente da 3ª Turma Especial, por meio do despacho nº 380300.170, de 21 de setembro de 2012 (fls. 543 a 544), designou o conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira para informar sobre a admissibilidade da petição como embargos de declaração contra o acórdão indigitado, tendo este se posicionado favoravelmente por meio do despacho nº 3803 00.183, de 2 de outubro de 2012. É o relatório. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.005593/200757 Acórdão n.º 3803003.844 S3TE03 Fl. 552 4 Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Os embargos são intempestivos e dele tomo conhecimento. As informações relativas às datas de ciência do acórdão da DRJ Ribeirão Preto/SP e de apresentação do Recurso Voluntário, afirmadas tanto pelo Embargante quanto pela repartição de origem, conforme acima relatado, podem ser comprovadas nos autos (fls. 339verso e 347), em razão do que se deve afastar a perempção por intempestividade na interposição do Recurso Voluntário atestada no acórdão embargado. Passase, então, à análise do Recurso Voluntário. Conforme acima relatado, restou controvertida nos autos apenas a questão relativa à possibilidade de creditamento de aquisições de serviços por encomenda, alegando o Recorrente que se trata de serviços que se agregam às matériasprimas utilizadas no processo industrial e, portanto, passíveis de inclusão no cálculo do crédito presumido de IPI, em contraposição à afirmativa da Fiscalização de que tais serviços não se referem a aquisições de matériasprimas, produtos intermediários ou material de embalagem. Devese destacar que o Recorrente faz suas alegações apenas de forma genérica, não apontando de forma específica as aquisições a que se reporta ao defender seu direito, nem trazendo aos autos outros elementos probatórios além daqueles juntados pela Fiscalização. No Livro Registro de Apuração do IPI (fls. 65 a 76), constam, dentre outras, rubricas relacionadas a aquisições genericamente identificadas como “industrialização efetuada por outra empresa” e, nas notas fiscais de fls. 219, 239, 247 e 257, consta a informação “mão de obra de industrialização”, sem haver qualquer vínculo a aquisições de matériasprimas, produtos intermediários ou material de embalagem (insumos). A Lei nº 9.363/1996 estipula que, para fins de cálculo do crédito presumido do IPI, o valor das matérias primas, dos produtos intermediários e do material de embalagem será computado observandose a legislação tributária que rege a incidência das contribuições Cofins e para o PIS e, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do IPI. O Regulamento do IPI (Decreto nº 4.544/2002), em seu art. 164, inciso I, prescreve que o creditamento do imposto abarca o valor das matérias primas e dos produtos intermediários que, embora não se integrando ao produto final, sejam consumidos no processo de industrialização. Nesse sentido, a aquisição de serviços de industrialização pode ser computada no cálculo do crédito presumido de IPI apenas nas hipóteses em que tais serviços sejam aplicados em produtos que serão absorvidos no processo industrial do contribuinte na condição de matériasprimas, produtos intermediários ou material de embalagem1. Os serviços 1 Nesse sentido: acórdão nº 0202.937, de 29/1/2008; 330201.495, de 21/3/2012; 930300.788, de 2/2/2012; dentre outros. Fl. 552DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.005593/200757 Acórdão n.º 3803003.844 S3TE03 Fl. 553 5 de beneficiamento realizados por terceiros que não se encaixam nessa condição não acarretam incremento no valor de insumos, não podendo ser incluídos no cálculo do crédito presumido. Não foram juntados aos autos documentos que comprovassem que os serviços de “mão de obra de industrialização” teriam sido prestados no beneficiamento de produtos utilizados no processo de industrialização, quando do seu retorno ao estabelecimento do Recorrente. Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, “prevalece o princípio do dispositivo, de modo que a atividade probatória deve se desenvolver dentro dos limites do pedido formulado pelo contribuinte. O regime jurídico da prova nesta classe de processos administrativos tributários aproximase muito mais do regime jurídico da prova do processo civil, com as peculiaridades decorrentes do fato de que a prova é produzida e apreciada no âmbito administrativo” 2 Dessa forma, salientese que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em documentos apresentados e informações prestadas pelo sujeito passivo, inexistindo, nos casos da espécie, autorização legal para a inversão do ônus da prova. Nesse contexto, voto por ACOLHER os embargos interpostos pelo contribuinte e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator 2 BIANCHINI, Marcela Cheffer. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo tributário e os princípios da verdade material e da ampla defesa. Brasília: ESAF, 2008, p. 25. (Disponível em: www.esaf.fazenda.gov.br/ esafsite/biblioteca/monografias/marcela_cheffer.pdf. Consulta realizada em 3 de setembro de 2012). Fl. 553DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.005593/200757 Acórdão n.º 3803003.844 S3TE03 Fl. 554 6 Fl. 554DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/03/2013 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 15889.000164/2010-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2007
DIREITO DE DEFESA. NÃO APRECIAÇÃO DA TOTALIDADE DOS ARGUMENTOS. CIÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO SEM CÓPIA INTEGRAL DO PROCESSO. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA.
A declaração de nulidade ocorre quando a decisão, por omissão do julgador, não contempla matéria devidamente impugnada pela defesa. A autoridade julgadora não está vinculada aos argumentos oferecidos no recurso, devendo manifestar-se de forma fundamentada, com base no seu livre convencimento acerca das provas nos autos e o direito que entende aplicável ao caso.
A ciência dos autos de infração sem apresentação de copia integral do processo à autuada não implica cerceamento do direito de defesa do contribuinte, que podia compulsá-lo e obter, junto à repartição as cópias que entendesse necessárias.
IRPJ. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INDEDUTIBILIDADE DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL, PIS E COFINS LANÇADOS DE OFÍCIO.
A dedutibilidade dos tributos segundo o regime de competência, para cálculo do Lucro Real, está restrita aos valores constantes da escrituração comercial, não alcançando os valores das contribuições lançadas de ofício sobre receitas omitidas.
ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS.
As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados (Súmula CARF nº 2).
JUROS DE MORA. TAXA DE JUROS SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 1201-000.707
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em AFASTAR as preliminares de nulidade suscitadas. Por voto de qualidade, em NEGAR provimento ao recurso, quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos os conselheiros Regis Magalhães Soares de Queiroz, André Almeida Blanco e Cristiane Silva Costa, que davam provimento. Quanto às demais matérias, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2007 DIREITO DE DEFESA. NÃO APRECIAÇÃO DA TOTALIDADE DOS ARGUMENTOS. CIÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO SEM CÓPIA INTEGRAL DO PROCESSO. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. A declaração de nulidade ocorre quando a decisão, por omissão do julgador, não contempla matéria devidamente impugnada pela defesa. A autoridade julgadora não está vinculada aos argumentos oferecidos no recurso, devendo manifestar-se de forma fundamentada, com base no seu livre convencimento acerca das provas nos autos e o direito que entende aplicável ao caso. A ciência dos autos de infração sem apresentação de copia integral do processo à autuada não implica cerceamento do direito de defesa do contribuinte, que podia compulsá-lo e obter, junto à repartição as cópias que entendesse necessárias. IRPJ. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INDEDUTIBILIDADE DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL, PIS E COFINS LANÇADOS DE OFÍCIO. A dedutibilidade dos tributos segundo o regime de competência, para cálculo do Lucro Real, está restrita aos valores constantes da escrituração comercial, não alcançando os valores das contribuições lançadas de ofício sobre receitas omitidas. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados (Súmula CARF nº 2). JUROS DE MORA. TAXA DE JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em AFASTAR as preliminares de nulidade suscitadas. Por voto de qualidade, em NEGAR provimento ao recurso, quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos os conselheiros Regis Magalhães Soares de Queiroz, André Almeida Blanco e Cristiane Silva Costa, que davam provimento. Quanto às demais matérias, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 DIREITO DE DEFESA. NÃO APRECIAÇÃO DA TOTALIDADE DOS ARGUMENTOS. CIÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO SEM CÓPIA INTEGRAL DO PROCESSO. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. A declaração de nulidade ocorre quando a decisão, por omissão do julgador, não contempla matéria devidamente impugnada pela defesa. A autoridade julgadora não está vinculada aos argumentos oferecidos no recurso, devendo manifestarse de forma fundamentada, com base no seu livre convencimento acerca das provas nos autos e o direito que entende aplicável ao caso. A ciência dos autos de infração sem apresentação de copia integral do processo à autuada não implica cerceamento do direito de defesa do contribuinte, que podia compulsálo e obter, junto à repartição as cópias que entendesse necessárias. IRPJ. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INDEDUTIBILIDADE DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL, PIS E COFINS LANÇADOS DE OFÍCIO. A dedutibilidade dos tributos segundo o regime de competência, para cálculo do Lucro Real, está restrita aos valores constantes da escrituração comercial, não alcançando os valores das contribuições lançadas de ofício sobre receitas omitidas. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados (Súmula CARF nº 2). JUROS DE MORA. TAXA DE JUROS SELIC. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15889.000164/201046 Acórdão n.º 120100.707 S1C2T1 Fl. 373 2 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em AFASTAR as preliminares de nulidade suscitadas. Por voto de qualidade, em NEGAR provimento ao recurso, quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Vencidos os conselheiros Regis Magalhães Soares de Queiroz, André Almeida Blanco e Cristiane Silva Costa, que davam provimento. Quanto às demais matérias, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Regis Magalhães Soares de Queiroz, Claudemir Rodrigues Malaquias, André Almeida Blanco e Cristiane Silva Costa. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto com fundamento no art. 33 do Decreto nº 70.235/72, em face do Acórdão nº 1435.366, de 29.09.2011, proferido pela e. 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão PretoSP. Os autos de infração foram lavrados para constituir o crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) (fls. 03/08); Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) (fls. 35/30); Contribuição para o PIS/Pasep (fls. 09/16 e 31/38) e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) (fls.17/24 e 39/46), em decorrência de infrações apuradas no anocalendário de 2007. Conforme o Termo de Verificação Fiscal (fls. 48/60), as diferenças apuradas referemse a: i) omissão de receita, em razão da não contabilização de rendimentos auferidos informados pela fonte pagadora; e ii) falta e/ou insuficiência de recolhimento das contribuições Fl. 373DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15889.000164/201046 Acórdão n.º 120100.707 S1C2T1 Fl. 374 3 PIS/Pasep e Cofins, apuradas com base em diferenças entre a DACON e os valores escriturados. Os valores relativos aos fatos geradores verificados encontramse indicados nos corpos dos autos de infração, nos quais também constam os enquadramentos legais respectivos, atingindo o crédito tributário consolidado o montante de R$ 1.868.794,47 na data da lavratura, compreendendo os valores dos tributos e contribuições, acrescidos da multa de ofício de 75%, e dos juros de mora calculados até 30.06.2010. Após ciência do lançamento, a Recorrente apresentou impugnação (fls. 276/312) com a seguinte linha argumentativa, em síntese: a) preliminarmente, alega que o Auto de Infração do IRPJ não menciona o enquadramento legal do “Imposto Adicional”; b) após reproduzir diversas ementas do CARF sobre o tema, e excertos de obras de renomados tributaristas, pleiteia a nulidade do lançamento, em razão da falta de menção ou menção errônea do enquadramento legal; c) pretende, também, a nulidade dos Autos de Infração, arguindo cerceamento do direito de defesa, pois a Fiscalização não teria anexado aos referidos Autos os elementos constantes no sistema eletrônico da RFBDIRF, especificamente, as DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras, e citadas no Termo de Verificação Fiscal, como parte integrante dos documentos de lançamento; d) alega ainda em sede de preliminar, que houve cerceamento do direito de defesa, uma vez que seu domicílio fiscal é o município de Lençois PaulistaSP, onde existe uma agência da Receita Federal, e as vistas ao processo foram disponibilizadas na cidade de BauruSP; e) no mérito, postula a dedução dos valores tributados a título de Pis e Cofins das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL; f) insurgese, também, contra a exigência de juros de mora com base na taxa Selic, assim como, a sua aplicação sobre a multa exigida, por entendêla inconstitucional; g) pretende, por fim, que o órgão administrativo de primeira instância se pronuncie sobre as inconstitucionalidades da legislação referenciada nos autos; A autoridade julgadora de primeira instância, ao apreciar a argumentação da defesa, julgou improcedente a impugnação, mantendo integralmente o crédito tributário exigido, conforme decisão assim ementada, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA ENQUADRAMENTO LEGAL. INEXISTÊNCIA. Descritos os fatos imputados à autuada de forma clara e minuciosa, e trazendo os autos de infração a capitulação legal Fl. 374DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15889.000164/201046 Acórdão n.º 120100.707 S1C2T1 Fl. 375 4 pertinente, ainda que mediante referência a artigos do Regulamento do Imposto de Renda, não há vício de formalização do lançamento, nem cerceamento ao direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CIÊNCIA DOS AUTOS DE INFRAÇÃO SEM CÓPIA INTEGRAL DO PROCESSO. INOCORRÊNCIA. A ciência dos autos de infração sem apresentação de cópia integral do processo à autuada não implica cerceamento do direito de defesa do contribuinte, que podia compulsálo e obter as cópias que entendesse necessárias, providências não adotadas no caso. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. LOCALIZAÇÃO DO PROCESSO. Comprovado que o Processo encontravase na ARF do domicílio da contribuinte, inócua a alegação de cerceamento de defesa. OMISSÃO DE RECEITAS. COMISSÕES E CORRETAGENS. VALORES NÃO CONTABILIZADOS E NÃO TRIBUTADOS. Constatada omissão de receitas, não contestada pelo contribuinte, relativa a falta de contabilização e da tributação de comissões e corretagens recebidas, mantémse a exigência fiscal. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. BASE DE CÁLCULO DO IRPJ. DEDUÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E PARA A COFINS LANÇADOS DE OFÍCIO. A dedução dos tributos segundo o regime de competência, para cálculo do lucro real, alcança de imediato os valores constantes da escrituração comercial. Quanto aos valores da contribuição para o Pis e para a Cofins lançados de ofício, a dedução obedecendo ao regime de competência deve ser efetivada na apuração do lucro real do período de apuração em que se opera a constituição definitiva do crédito tributário lançado. LANÇAMENTOS DECORRENTES. PIS. COFINS. CSLL. O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual quando não há razão de ordem jurídica para lhe conferir julgamento diverso. JURISPRUDÊNCIA. DOUTRINAS A análise de processos fiscais no âmbito administrativo obedece de forma irrestrita aos atos legais que comandam as disciplinas em discussão, assim como o manifesto entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO Fl. 375DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15889.000164/201046 Acórdão n.º 120100.707 S1C2T1 Fl. 376 5 É defeso à autoridade administrativa pronunciarse sobre inconstitucionalidade/legalidade de leis e atos normativos do poder público. Impugnação Improcedente.” Ante a decisão desfavorável, cientificada em 21.11.2011, a contribuinte recorre a este Conselho por meio do recurso voluntário (fls. 341/368), protocolizado em 13.12.2011. Repisa em seu recurso as alegações trazidas na impugnação, asseverando que ocorreu cerceamento do seu direito de defesa. Em sua argumentação, aduz o seguinte: Preliminarmente: a) quanto a não apreciação de argumentos, que a autoridade julgadora de primeira instância não apreciou os seguintes argumentos: i) o direito ao recebimento da íntegra do auto de infração, conforme o disposto no art. 9º do PAF; e ii) a afirmação de que, com base no Parecer PGFN nº 436/96, os órgãos administrativos podem decidir com fundamento na inconstitucionalidade de lei e que tais pareceres possuem efeito vinculante (fls. 351/352); que a autoridade julgadora deveria ter se pronunciado expressamente sobre todos os argumentos da Recorrente, sob pena de nulidade da decisão, por cerceamento do direito defesa. Menciona diversos acórdãos deste Conselho, que anulam a decisão da DRJ em razão da não apreciação de todos os argumentos de defesa da impugnante (fls. 352/357); b) quanto ao enquadramento legal, assevera a Recorrente que não foi informado a base legal para exigência do Imposto Adicional e que o citado art. 288 do RIR/1999 não é a disposição legal infringida; c) quanto a não entrega dos autos de infração integralmente, argumenta que os dispositivos do PAF não amparam a afirmação de que a legislação determina “apenas a ciência do lançamento”; que a exigência da entrega integral do auto de infração está no art. 9º, que não há como comparar documentos das fontes pagadoras com “registros da RFB” que não são de seu conhecimento; e que o que se discute não é o fato dos documentos estarem nos autos, mas se tais documentos devem ser entregues ao contribuinte pela autoridade fiscal (fls. 359); d) quanto à localização do processo, que houve erro por parte da Receita Federal ao informar que o processo estaria disponível ao contribuinte para vistas em Bauru e não em Lençois Paulista, seu domicílio; e que isto provocou cerceamento de seu direito de defesa (fls. 361); e) inconstitucionalidades, sustenta a defesa o dever da autoridade administrativa apreciar a inconstitucionalidade e ilegalidade dos dispositivos legais aplicáveis. No mérito: f) quando à dedução do PIS e da COFINS, alega serem dedutíveis tanto as despesas como os custos não contabilizados; que é cabível a dedução de despesas não contabilizadas quando se apura receitas também não contabilizadas, conforme decidiu o Conselho no acórdão nº 1072.174 (fls. 362/363); Fl. 376DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15889.000164/201046 Acórdão n.º 120100.707 S1C2T1 Fl. 377 6 g) quanto aos juros de mora, alega que o CARF deve apreciar a aplicação da taxa Selic, não obstante a matéria ser objeto de Súmula; e que o questionamento dos juros de mora sobre a multa de ofício dever ser apreciado pelas instâncias administrativas, sem contudo, aduzir em sua argumentação, razões de direito para seu afastamento; h) quanto à jurisprudência citada, alega que a sua não aplicação obriga o julgador a motivar seu ato, “com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos”, sob pena de nulidade. Ao final, requer seja julgado procedente o recurso, declarandose as nulidades e improcedências demonstradas. É o relatório. Voto Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/1972 (PAF), razão pela qual dele tomo conhecimento. A matéria a ser apreciada por este colegiado cingese em verificar se houve, no curso do processo, o alegado cerceamento do direito de defesa da Recorrente. Quanto às questões de fundo que embasaram a autuação, a contestação abrange somente i) a dedução da base de cálculo do IRPJ dos valores lançados de ofício a título de PIS e COFINS; e ii) a incidência dos juros de mora com base na taxa Selic e sua aplicação sobre a multa de ofício. De plano, cumpre consignar que a Recorrente, da mesma forma que o fez quando da impugnação, não questiona as irregularidades que deram origem ao lançamento, quais sejam, i) a apuração de receitas omitidas, verificadas entre as informações prestadas pelas fontes pagadoras nas DIRF e os valores escriturados; e ii) as diferenças apuradas de PIS e COFINS pelo cotejo entre a escrituração da Recorrente e as DACON apresentadas à Receita Federal. A insurgência da Recorrente está centralizada nas alegações de nulidade do lançamento, por suposto cerceamento do seu direito de defesa. Questões preliminares a) Quanto a não apreciação de todos os argumentos da defesa A Recorrente informa que a autoridade de primeira instância, ao apreciar sua impugnação, deixou de analisar todos os argumentos apresentados pela defesa. Aponta que os seguintes argumentos não foram apreciados: i) o direito ao recebimento da íntegra do auto de infração, conforme o disposto no art. 9º do PAF; e ii) a afirmação de que, com base no Parecer PGFN nº 436/96, os órgãos administrativos podem decidir com fundamento na inconstitucionalidade de lei e que tais pareceres possuem efeito vinculante (fls. 351/352). Não assiste razão à Recorrente, pois as matérias foram devidamente abordadas pelo órgão julgador, sem preterimento do seu direito de defesa. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15889.000164/201046 Acórdão n.º 120100.707 S1C2T1 Fl. 378 7 A questão do não recebimento do auto de infração, juntamente com os demais documentos do processo, foi enfrentada pela autoridade julgadora, cuja manifestação foi devida e claramente fundamentada. O inconformismo da Recorrente com a decisão não se converte em hipótese de nulidade do julgado, pelo não acatamento de seus argumentos. Ademais, caberia à defesa, aduzir elementos jurídicos que demonstrassem que a não apreciação de determinado dispositivo legal influenciou substancialmente a decisão que lhe foi desfavorável. No entanto, não há em sua peça recursal argumentação alguma que fundamente a alegada omissão da autoridade julgadora. Quanto às inconstitucionalidades suscitadas e a não referência ao Parecer PGFN, a Recorrente, da mesma forma, apenas alega a sua não referência na decisão sem, contudo, apontar em que medida o ato interpretativo da Procuradoria da Fazenda indicaria que a decisão seria em sentido inverso. Aliás, compulsandose o acórdão da DRJ, verificase que o órgão julgador abordou amplamente a matéria, justificando a impossibilidade jurídica de se apreciar a inconstitucionalidade das leis no âmbito administrativo. Com base no art. 26A do Decreto nº 70.235/1972 (PAF), rechaçou a pretensão da defesa, concluindo ser inócuo suscitar que os órgãos administrativos apreciem alegações de inconstitucionalidade e ilegalidade. Em suma, não se verifica, in casu, hipótese de nulidade da decisão em razão da não consideração de todos os argumentos tecidos pela Recorrente. A declaração de nulidade ocorre quando a decisão, por omissão do julgador, não contempla matéria devidamente impugnada pela defesa. A autoridade julgadora não está vinculada aos argumentos oferecidos no recurso, devendo manifestarse de forma fundamentada, com base no seu livre convencimento acerca das provas nos autos e o direito que entende aplicável ao caso. Em razão disso, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa pela não apreciação de todos os argumentos apresentados pela Recorrente. b) Quanto ao enquadramento legal do “Imposto Adicional” A Recorrente alega que a Fiscalização não teria feito menção ao dispositivo legal relativo ao Imposto Adicional exigido da contribuinte. Entendo não merecer acolhida os argumentos da contribuinte. A autoridade fiscal embasou os autos de infração em relatório fiscal minucioso, no qual descreve o procedimento de auditoria, as provas colhidas, as conclusões e a motivação para o lançamento, elaborando também detalhados demonstrativos de apuração das receitas omitidas. Os autos de infração, que trazem todos os requisitos formais exigidos pela lei, fazem um resumo da irregularidade cometida e remetem ao relatório fiscal, demonstrando os cálculos dos tributos, dos juros e da multa aplicada. Para cada infração foi citada a legislação aplicável, não havendo maiores dificuldades para relacionála com os fatos que ensejaram o lançamento. No tocante ao imposto adicional, o próprio art. 288 do RIR/99, citado pelo autuante no enquadramento legal, cuja base legal é o artigo 24 da Lei nº 9.249, de 1995, faz Fl. 378DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15889.000164/201046 Acórdão n.º 120100.707 S1C2T1 Fl. 379 8 menção expressa à sua exigência. No caso, o enquadramento legal aplicável foi citado e a descrição dos fatos realizada no Termo de Constatação Fiscal foi detalhada e completa, não deixando dúvidas acerca das infrações imputadas ao Recorrente. Além disso, tanto pela peça impugnatória quanto pelo Recurso, o contribuinte revelou pleno conhecimento das acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas em alentada defesa. Assim, não se ventila a menor possibilidade de que a defesa do contribuinte tenha sido cerceada. c) Quanto a não entrega do auto de infração e dos demais documentos A defesa sustenta que os dispositivos do PAF não amparam a afirmação de que a legislação determina “apenas a ciência do lançamento”; que a exigência da entrega integral do auto de infração está no art. 9º. Acrescenta que não há como comparar documentos das fontes pagadoras com “registros da RFB” que não são de seu conhecimento e que o que se discute não é o fato dos documentos estarem nos autos, mas se tais documentos devem ser entregues ao contribuinte pela autoridade fiscal. Também neste ponto, não assiste razão à Recorrente. Como bem pontuou a autoridade de primeira instância, a irresignação da contribuinte é indevida, pois a legislação determina, como pressuposto de validade do ato, apenas a ciência do lançamento (art. 10, inciso V, e art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972). Cumpre destacar que a lei garante ao contribuinte vistas ao processo e obtenção de cópias. E, no caso, não há qualquer registro de que a contribuinte tenha agido nesse sentido, e, muito menos, que tenha encontrado qualquer óbice ao exercício desse direito. Aliás, o alegado prejuízo à defesa da Recorrente não se verificou concretamente. Apesar de seu alentado inconformismo, o presente recurso não aponta em que medida o não conhecimento integral do processo junto à repartição efetivamente prejudicou sua defesa. Não consta dos autos que a ciência do lançamento promovida mediante cópias dos autos de infração e seus demonstrativos e planilhas, inclusive o Termo de Verificação Fiscal, foram insuficientes para contestar a autuação. Desta forma, deve também ser afastada esta alegação de nulidade. d) Quanto à localização do processo A defesa sustenta ainda, que os autos de Infração seriam nulos em razão do processo físico ter ficado à sua disposição na DRF em Bauru, distante do seu domicílio fiscal, em Lençóis Paulista, o que também configuraria cerceamento do direito de defesa. Mais uma vez, entendo que não assiste razão à Recorrente. Conforme destacado pelo acórdão da DRJ, a autoridade fiscal após ter dado ciência dos Autos de Infração à contribuinte, encaminhou o Processo ao Chefe da Fiscalização Fl. 379DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15889.000164/201046 Acórdão n.º 120100.707 S1C2T1 Fl. 380 9 da DRF/Bauru que, por sua vez, endereçou o Processo à ARF/Lençois Paulista (fls 275). Do mesmo modo, a impugnação foi entregue pela contribuinte na ARF/Lençóis Paulista como nos dá conta o documento de fls. 276. Concluise que o processo permaneceu na ARF/Lençóis Paulista, onde a contribuinte teve acesso aos autos e a totalidade dos documentos pertinentes para produzir sua defesa. Ademais, cumpre ressaltar que a Recorrente apresentou seu recurso voluntário após decorridos apenas vinte dos trinta dias de prazo que dispunha. Isto permite inferir que de modo algum houve prejuízo para a defesa da Contribuinte. Pelas razões acima expostas, não configurado o alegado cerceamento do direito de defesa, pelos diversos motivos aventados pela Recorrente. Impõese, assim, o afastamento das preliminares de nulidade suscitadas. e) Inconstitucionalidades A Recorrente, de forma genérica e não pontual, assevera que a autoridade administrativa deve se pronunciar sobre a inconstitucionalidade e ilegalidade dos atos legais. Não há como acatar esta pretensão da defesa. O fato do órgão julgador administrativo absterse de apreciar arguições de inconstitucionalidade decorre de expresso comando legal contido no art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, verbis: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 380DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15889.000164/201046 Acórdão n.º 120100.707 S1C2T1 Fl. 381 10 c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) (...)” (destacouse) No âmbito deste Conselho, o entendimento de que os órgãos julgadores administrativos não podem manifestarse sobre matéria constitucional foi pacificado por meio da Súmula CARF nº 2, cuja observância é obrigatória pelos seus membros, conforme o art. 72, caput, do Regimento Interno, verbis: Súmula Carf nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A autoridade administrativa não possui, portanto, competência para apreciar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, cuja prerrogativa pertence exclusivamente aos órgãos do Poder Judiciário. Mérito Como dito acima, relativamente aos fundamentos da autuação, a Recorrente não apresentou nenhum questionamento jurídico quanto às infrações que lhe foram imputadas, bem como quanto aos valores apurados, que serviram de base para o cômputo do imposto e das contribuições objeto do lançamento. a) Dedução do PIS e da COFINS lançados de ofício A Recorrente alega que são dedutíveis tanto as despesas como os custos não contabilizados, verificados no procedimento de ofício. Entende que é cabível a dedução de despesas não contabilizadas quando se apura receitas também não contabilizadas, conforme decidiu o Conselho no acórdão nº 1072.174 (fls. 362/363). Não deve, entretanto, prosperar o entendimento da defesa. Com relação a esta matéria, compartilho do entendimento exarado por diversas decisões deste Conselho, no sentido de que somente podem afetar bases de cálculo lançadas de ofício o valor dos tributos e contribuições devidamente contabilizados pelo contribuinte. O tratamento tributário a ser dado a esta dedutibilidade deve levar em consideração apenas os valores constantes de escrituração contábil e devidamente declarados pelo contribuinte, não se adequando a situações de apuração de infrações, onde receitas não foram escrituradas e, por conseqüência, ocorreu uma redução indevida do resultado do exercício. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15889.000164/201046 Acórdão n.º 120100.707 S1C2T1 Fl. 382 11 As despesas tributárias são dedutíveis no períodobase a que competirem, procedimento inaplicável a situações nas quais a fiscalização apura valores subtraídos à tributação, não se adaptando ao lançamento de ofício, passível de ser impugnado, que pode ser alterado e até mesmo cancelado. A dedução dos tributos segundo o regime de competência, para cálculo do lucro real, alcança somente os valores constantes da escrituração comercial. Isso não quer dizer que a impugnante não usufruirá da dedução da despesa correspondente aos valores lançados de ofício. Quanto a estes valores apurados pelo Fisco, a dedução, obedecendo ao regime de competência, se dá na apuração do lucro real do período correspondente a constituição definitiva do crédito tributário lançado. Uma vez que não o fez no momento correspondente à aplicação do regime de competência, poderá fazêlo quando efetivamente pagar ou, mesmo antes, logo que contabilizá la, desde que não esteja com a exigibilidade suspensa, em razão de eventual discussão administrativa do débito. A dedutibilidade dos impostos e contribuições está vinculada à efetiva escrituração. Nas hipóteses em que o contribuinte, por não reconhecer a ocorrência do fato gerador dos tributos, é submetido ao lançamento de ofício em relação aos valores não escriturados regulamente, a dedutibilidade só será possível a partir da constituição do crédito tributário, até então inexistente. Cientificado do auto de infração e não sendo instaurada a fase litigiosa do processo administrativo, o que suspende a exigibilidade do crédito tributário, o contribuinte poderá deduzir integralmente do lucro real os valores correspondentes aos tributos e contribuições objetos do lançamento de ofício. Somente a partir da constituição definitiva do crédito lançado de ofício é que as despesas tributárias são dedutíveis. Por tais fundamentos, deve ser negada a solicitação da Recorrente quanto a dedução na base de cálculo do imposto de renda, lançado de ofício, dos tributos e contribuições exigidos nos lançamentos decorrentes. b) Juros de Mora (Selic) e sobre a Multa de Ofício Quanto aos juros de mora, requer a Recorrente que seja apreciada a aplicação da taxa Selic, não obstante a matéria ser objeto de Súmula; e, da mesma forma, a aplicação dos juros de mora sobre a multa de ofício. No que tange a exigência de juros de mora, calculados com base na taxa Selic, nos termos do art. 61, caput e § 3º, c/c art. 5º, § 3º, da Lei nº 9.430/1996, incidentes sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, a matéria já foi pacificada no âmbito deste Conselho, conforme o enunciado da Súmula CARF nº 4, cuja observância é obrigatória pelos seus membros, conforme o art. 72, caput, do Regimento Interno, verbis: “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à Fl. 382DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15889.000164/201046 Acórdão n.º 120100.707 S1C2T1 Fl. 383 12 taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Quanto à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, a exigência tem por fundamento o disposto no art. 61 da Lei nº. 9.430/1996, verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º. de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] § 3º. Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º. do art. 5º., a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. A multa de ofício é débito para com a União e decorre de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos termos dos seguintes dispositivos do CTN: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. [...] Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. [...] Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Em razão das expressas disposições legais, o crédito tributário não integralmente pago no vencimento deve ser acrescido de juros de mora. E o crédito tributário é definido como aquele decorrente da obrigação principal, que tem por objeto não apenas o pagamento do tributo, mas também da penalidade pecuniária e, nesse sentido, sequer se poderia afirmar que a multa de ofício não seria decorrente da exigência de tributos e contribuições. A própria Lei nº. 9.430, de 1996, no artigo 43, prevê expressamente a incidência de juros de mora sobre a multa de mora e os juros de mora devidos, isolada ou conjuntamente, e não teria sentido admitir a incidência dos juros de mora sobre a multa de mora e sobre os próprios juros de mora lançados de ofício e afastar a incidência nos casos de Fl. 383DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15889.000164/201046 Acórdão n.º 120100.707 S1C2T1 Fl. 384 13 multa objeto de lançamento de ofício. Este tratamento distinto não se justifica frente ao sistema sancionatório tributário vigente. Quanto à natureza jurídica, a multa de ofício é inequivocamente um débito para com a União, decorrente, portanto, de tributos e contribuições administrados pela SRF e, em conseqüência, sujeitase, da mesma forma que os demais débitos, à incidência de juros de mora a partir de seu vencimento. Os julgados deste Conselho vêm seguindo este entendimento, como se verifica das ementas de acórdãos recentes, verbis: “JUROS SOBRE MULTA — sobre a multa de oficio devem incidir juros a taxa Selic, após o seu vencimento, em razão da aplicação combinada dos artigos 43 e 61 da Lei n°9.430/96.” (Acórdão 120200.138– 1a. Seção. 2a. Câmara. 1a. Turma Ordinária. Sessão de 30/07/2009. Relator Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes). “JUROS SOBRE MULTA. A multa de oficio, segundo o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago, consistente na diferença entre o tributo devido e aquilo que fora recolhido, Não procede o argumento de que somente no caso do parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Isso porque a previsão contida no dispositivo referese à aplicação de multa isolada sem crédito tributário, Assim, nada mais lógico que venha dispositivo legal expresso para fazer incidir os juros sobre a multa que não torna como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa.” (Acórdão 140100.155 – 1a. Seção. 4a. Câmara. 1a. Turma Ordinária. Sessão de 28 de janeiro de 2010. Relator Conselheiro Antonio Bezerra Neto). No mesmo sentido é o julgado recente da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, proferido no Acórdão 910100.539, em sessão realizada em 11 de março de 2010 de relatoria da Conselheira Viviane Vidal Wagner, verbis: “JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.” Pela precisão e clareza, vale a transcrição dos seguintes excertos do referido julgado: O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15889.000164/201046 Acórdão n.º 120100.707 S1C2T1 Fl. 385 14 De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Convertese em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de oficio a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1º, do CTN: [...] A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de oficio proporcional. A multa de oficio é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago" (§1º). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tomandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de oficio, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. [...] A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido, ainda, a Súmula CARF nº 5, que pode ser aplicada ao caso: Fl. 385DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15889.000164/201046 Acórdão n.º 120100.707 S1C2T1 Fl. 386 15 Súmula CARF nº.5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Com base nestas considerações e sob a égide dos dispositivos legais vigentes, devem ser afastadas as pretensões da recorrente, mantendose a exigência dos juros de mora calculados com base na taxa Selic, devidos, inclusive, sobre a multa lançada de ofício. c) Quanto à vinculação à jurisprudência A Recorrente alega, pelos seus termos, que a autoridade julgadora deve observar a jurisprudência do órgão e que a sua não aplicação obriga o julgador a motivar seu ato, com a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, sob pena de nulidade por desobediência à lei. Não há como acolher as ponderações da Recorrente. A atividade administrativa de controle do lançamento tributário obedece os atos legais que comandam as disciplinas em discussão. É sob a ótica das normas em vigor à época da ocorrência dos fatos, presumidamente legais e constitucionais, enquanto sua validade não é afastada pelas instâncias competentes, que se procede a resolução dos litígios administrativos. Os posicionamentos jurisprudenciais trazidos pela Recorrente para fundamentar seu entendimento não vinculam este Colegiado. Os entendimentos assentados pelas decisões não possuem o chamado efeito vinculante, ante a inexistência de lei que lhes atribua a eficácia normativa pretendida pela defendente, podendo cada instância decidir com base na livre convicção motivada sobre os elementos constantes do processo. Ainda que as decisões colacionadas fossem emanadas pelo Supremo Tribunal Federal, elas somente alcançariam terceiros, não participantes da lide, nas hipóteses previstas no Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997, o que não se configurou na espécie. Ademais, as normas legais tributárias, uma vez publicadas, revestemse da presunção de constitucionalidade e de legalidade, devido à natureza jurídica obrigacional de caráter público que encerram. E, pela estrita subordinação ao princípio da legalidade a que se submetem as autoridades administrativas, dentre elas as deste Conselho, devem tais autoridades, dentro da suas esferas de competência, tão somente velar pelo fiel cumprimento daquelas normas. Assim, não se vislumbra vício jurídico algum nas decisões supostamente proferidas em divergência a outros julgados. Por todo o exposto, AFASTO as preliminares suscitadas para, no mérito, NEGAR provimento ao recurso, mantendose integralmente a decisão de primeira instância. É como voto. Fl. 386DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS Processo nº 15889.000164/201046 Acórdão n.º 120100.707 S1C2T1 Fl. 387 16 (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Relator Fl. 387DF CARF MF Impresso em 25/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS, Assinado digitalmente em 2 5/05/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 25/05/2012 por CLAUDEMIR RO DRIGUES MALAQUIAS
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Numero do processo: 11080.100479/2008-12
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2006 MULTA ATRASO DCTF: O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal - SRF, sujeitar-se-á à multa de dois por cento ao mês-calendário ou fração, limitada a 20%, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, podendo ser reduzida à metade quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio. (Art. 7 o., II, § 1 o.e 2° da Lei n° 10.426, de 2002, com a redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004)
Numero da decisão: 1801-001.158
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1753; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 94 1 93 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.100479/200812 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 180101.158 – 1ª Turma Especial Sessão de 12 de setembro de 2012 Matéria Multa Atraso DCTF Recorrente GREMIO FOOT BALL PORTO ALEGRENSE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 MULTA ATRASO DCTF: O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, sujeitarseá à multa de dois por cento ao mêscalendário ou fração, limitada a 20%, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, podendo ser reduzida à metade quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio. (Art. 7o., II, § 1o.e 2° da Lei n° 10.426, de 2002, com a redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 104DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/09/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, e Ana de Barros Fernandes. Relatório Recorre a interessada a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF – contra decisão da 6a. Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre/RS que, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação apresentada contra notificação de lançamento que exige multa por atraso na entrega da DCTF. Contra a empresa em epígrafe foi lavrada a notificação de lançamento de fl. 12 que exige multa por atraso na entrega da DCTF do mês de julho de 2006, no valor de R$ 62.500,99, correspondente a 20% calculados sobre o montante total de tributos declarados na DCTF de R$ 312.504,98. Cientificada, apresentou impugnação tempestiva (fls. 01/11) invocando a nulidade da exigência por ausência de assinatura do chefe do órgão expedidor ou servidor autorizado. Seria nula, ainda, a exigência, pela inobservância dos princípios da proporcionalidade e razoabilidade, pois se trataria de simples descumprimento de obrigação acessória em valores comparados ao da obrigação principal já adimplida, o que caracterizaria verdadeiro confisco, considerado inconstitucional. A 6a. Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre/RS julgou improcedente a impugnação. Aquela autoridade considerou a legalidade do ato que prescinde de assinatura por ter sido emitido por processo eletrônico (fls. 65/69). Quanto aos argumentos de inconstitucionalidade da notificação de lançamento observou que a exigência encontrase fundamentada em lei e que alegações dessa categoria não poderiam ser opostas aos órgãos de julgamento administrativo pois lhes faltaria competência para apreciálas. Notificada da decisão, em 16/12/2009 (AR fl. 75), apresentou a interessada, em 15/01/2010, o recurso voluntário de fls. 76/90. Nas razões de defesa reitera as alegações de nulidade do ato por falta de assinatura e pelos seus efeitos confiscatórios, acrescentando que o cálculo da penalidade, com acréscimo de 2% sobre cada mês de atraso caracterizaria também bis in idem. Nesse contexto os órgãos administrativos de julgamento teriam função administrativa judicante e poderiam reconhecer a inconstitucionalidade de dispositivos legais. Aduz que se os tributos devidos foram adimplidos não haveria interesse na aplicação de multa por atraso de entrega de obrigação acessória pois não se verificaria dano ao erário – “o cumprimento do principal extingue o acessório...” Entende que a multa aplicada nos casos em que o valor declarado foi adimplido não poderia ser o mesmo que a multa aplicada quando não há pagamento do valor apresentado ao Fisco, o que caracterizaria bis in idem. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/09/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11080.100479/200812 Acórdão n.º 180101.158 S1TE01 Fl. 95 3 Pondera que a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória atrelada ao tributo declarado como devido seria inteiramente desarrazoada, pois não guarda qualquer relação de proporcionalidade entre a falta cometida e a sanção aplicada. Ao final pede pela improcedência da exigência. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. No que toca à alegada nulidade da notificação de lançamento por ausência de assinatura de chefe ou outro servidor limitome a ratificar as razões de decidir da Turma Julgadora de 1a. instância, ou seja, o parágrafo único do artigo 11 do Decreto n º 70.235, de 1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal determina que a notificação de lançamento emitida eletronicamente prescinde de assinatura. Afasto, portanto, a invocada nulidade da exigência. No mérito verificase que a DCTF do mês de julho de 2006, que deveria ter sido apresentada pela empresa recorrente até 08/09/2006, somente foi apresentada em 03/07/2008, ou seja, passados vinte e três (23) meses do prazo final para sua apresentação. Diante da impontualidade foi lavrada a multa calculada em 2% ao mês de atraso ou fração, limitada a 20% que, in casu, corresponde a 20% sobre o montante total dos tributos declarados, de R$ 312.504,98, importando, assim, na exigência de crédito tributário no valor de R$ 62.500,99. Tudo nos exatos termos da legislação indicada no próprio corpo da notificação de lançamento art. 7° da Lei n° 10.426, de 24/04/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei n° 11.051, de 29/12/2004, já reproduzida nos autos e que ora se transcreve uma vez mais: Art. 7o. O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.051, de 2004) (...) Fl. 106DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/09/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; (...) 2o. Observado o disposto no § 3o., as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio; (...) Quanto a todos os demais argumentos de defesa, que podem ser resumidos em alegações de ilegalidade e inconstitucionalidade de comandos normativos legitimamente inseridos no sistema jurídico, cumpre transcrever o posicionamento consentâneo deste órgão, constante da seguinte súmula: Súmula CARF n º. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por todo o exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 107DF CARF MF Impresso em 26/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 12/09/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 16327.720807/2011-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009
COOPERATIVAS DE CRÉDITO. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. ATO COOPERATIVO DE INTERMEDIAÇÃO. NÃO-INCIDÊNCIA DO IRPJ E DA CSLL
Na linha da jurisprudência nacional, as receitas obtidas pelas cooperativas de crédito por meio da aplicação financeira de recursos de seus cooperados não são passíveis de tributação pelo IRPJ, vez que decorrentes de atos cooperativos.
A Primeira Seção do STJ pacificou o entendimento de que toda movimentação financeira das cooperativas de crédito - incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados, bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado - constitui ato cooperativo.
A aplicação de recursos da cooperativa de crédito em instituições financeiras não-cooperadas constitui típico ato cooperativo de intermediação, e não ato não-cooperativo, da forma como pretendeu a fiscalização.
Numero da decisão: 1301-001.082
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(Assinado digitalmente)
PLINIO RODRIGUES LIMA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima , Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier..
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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APLICAÇÕES FINANCEIRAS. ATO COOPERATIVO DE INTERMEDIAÇÃO. NÃOINCIDÊNCIA DO IRPJ E DA CSLL 1 Na linha da jurisprudência nacional, as receitas obtidas pelas cooperativas de crédito por meio da aplicação financeira de recursos de seus cooperados não são passíveis de tributação pelo IRPJ, vez que decorrentes de atos cooperativos. 2 A Primeira Seção do STJ pacificou o entendimento de que toda movimentação financeira das cooperativas de crédito incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados, bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado constitui ato cooperativo. 3 A aplicação de recursos da cooperativa de crédito em instituições financeiras nãocooperadas constitui típico ato cooperativo de intermediação, e não ato nãocooperativo, da forma como pretendeu a fiscalização. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 08 07 /2 01 1- 81 Fl. 908DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 2 PLINIO RODRIGUES LIMA Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Plínio Rodrigues Lima , Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.. Relatório Por bem apresentar a discussão havida nos autos, reproduzo o relatório trazido pela r. decisão recorrida: Tratase de impugnação (fls. 724 a 751) a Auto de Infração de IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA – IRPJ (fls. 662 a 679), por (DEDUÇÃO DE DESPESAS COM) PROVISÕES NÃO AUTORIZADAS e EXCLUSÕES/COMPENSAÇÃO NÃO AUTORIZADAS, e de CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL reflexa (fls. 680 a 697), e de MULTA DE OFÍCIO ISOLADA, por FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA, referente aos anoscalendário de 2005, 2006, 2007, 2008 e 2009, lavrado pela DEINF/SPO, em 14/07/2011. 2. O crédito tributário assim constituído foi composto dos valores a seguir discriminados : IRPJ ............................................................................................. R$ 13.248.514,05 JUROS DE MORA (cálculos válidos até 30/06/2001)..................... R$ 3.571.618,14 MULTA DE OFÍCIO ....................................................................... R$ 9.936.385,52 MULTA ISOLADA ........................................................................ R$ 5.964.006,44 TOTAL ........................................................................................... R$ 32.720.524,15 CSLL ............................................................................................. R$ 6.765.411,66 JUROS DE MORA (cálculos válidos até 30/06/2001)..................... R$ 1.681.776,15 MULTA DE OFÍCIO ....................................................................... R$ 5.074.058,73 MULTA ISOLADA ........................................................................ R$ 2.558.070,29 TOTAL ........................................................................................... R$ 16.079.316,83 3. Como enquadramento legal do lançamento, o autuante assinala, quanto ao IRPJ, para a infração “Exclusões/Compensações não autorizadas na Apuração do Lucro Real – Resultados de Sociedades Cooperativas”, os artigos 182 e 250, inciso I, do RIR/99 (fl. 674), e para a infração “Provisões não autorizadas”, o artigo 13, inciso I, da Lei nº 9.249/95, com as alterações do artigo 14 da Lei nº 9.430/96, os artigos 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 229 e 335 do RIR/99 (fl. 673). Com respeito à CSLL, consigna, para as Processo 16327.720807/201181 iinfrações “Exclusões Indevidas” e Fl. 909DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 16327.720807/201181 Acórdão n.º 1301001.082 S1C3T1 Fl. 3 3 “Provisões não Dedutíveis e Apuração incorreta da CSLL”, o artigo 2º e parágrafos, da Lei nº 7.689/88, o artigo 1º da Lei nº 9.316/96, o artigo 28 da Lei nº 9.430/96, o artigo 37 da Lei nº 10.637/02, e o artigo 3º da Lei nº 7.689/88, com as alterações introduzidas pelo artigo 17 da Lei nº 11.727/08 (fl. 692). Para a Multa Isolada, indica os artigos 222 e 843 do RIR/99, c/c o artigo 44, parágrafo 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, o artigo 44, inciso II, alínea b, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo artigo 14 da Medida Provisória nº 351/07(fls. 676, 677 e 695). Para os Juros de Mora, oferece como fundamento legal o artigo 28, c/c o artigo 6º, parágrafo 2º, da Lei nº 9.430/96, e, para a Multa de ofício, o artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96 (fls. 667 e 685). 4. No Termo de Verificação (fls. 698 a 718), a autoridade fiscal noticia que : i) o autuado teria optado pelo regime de apuração anual no período de 2005 a 2009 porque, embora não tenha efetuado pagamentos de estimativas, teria levantado mensalmente balanços de suspensão, aplicáveis somente aos optantes pela apuração anual, nos termos do artigo 35 da Lei nº 8.981/95, balancetes esses que teriam evidenciado a inexistência de valor a pagar de estimativas mensais, consoante cópias juntadas das DIPJ´s (fls. 214 a 335); ii) no período de 2005 a 2009, teria havido predominância de aplicação dos recursos da cooperativa em operações de renda fixa, em detrimento de sua atividade principal, a saber, a concessão de financiamentos rurais aos cooperados, conforme demonstrativo que apresenta (fl. 701); o próprio autuado, no item 16 (fls. 342 e 343) da peça impugnatória apresentada no processo anterior, conexo, de nº 16327.001506/201073, admite haver excesso de captação de recursos, o que significaria que, para a consecução dos objetivos da Cooperativa, não haveria necessidade de recorrer a recursos externos; iii) o autuado, após intimado, não teria apresentado os valores das despesas de captação a serem contrapostos às receitas obtidas em aplicações de renda fixa lançadas na rubrica COSIF 7.1.5.10.000 “Rendas de Títulos de Renda Fixa”, segregados por ato cooperativo e ato nãocooperativo; isto porque não teria apurado os resultados dos atos cooperativos separadamente dos atos nãocooperativos, em contrariedade ao determinado no artigo 87 da lei das cooperativas, a Lei nº 5.764/71; iv) dado não terem sido segregados, os valores escriturados de “Despesas de Obrigações por Empréstimos e Repasses” teriam sido, então, integralmente alocados, no presente lançamento, como operações com cooperados, restando inviabilizado o confronto das referidas receitas com possíveis despesas de captação ou quaisquer outras despesas; v) na apuração das bases de cálculo do presente lançamento fiscal teriam sido deduzidas, das receitas, apenas as despesas operacionais indiretas e adicionados os resultados nãooperacionais, chegandose a valores líquidos das receitas financeiras “Rendas de Título de Renda Fixa”, não oferecidos à tributação do IRPJ e da CSLL, de R$ 16.266.957,88, para 2007, R$ 18.482.713,96, para 2008, e R$ 13.031.768,73, para 2009, valores esses obtidos de operações com nãocooperados, conforme demonstrativos apresentados (fls. 707 a 711); vi) o autuado teria, ainda, deduzido indevidamente despesas, na apuração do Lucro Real dos anoscalendário de 2005 a 2009, a título de “Provisão para o Imposto de Fl. 910DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 4 Renda”, registradas na conta 8.1.9.99.02.0017, “Outras Contribuições Diversas “ e incluídas na rubrica “Outras Despesas Operacionais”, na Ficha 05 das DIPJ´s dos referidos anos , dedução esta vedada expressamente pelas normas fiscais, em específico, pelo artigo 339 do RIR/99; assim, teriam sido apurados valores tributáveis, para lançamento, de R$ 2.601.979,62, para 2005, R$ 972.487,84, para 2006, R$ 1.086.854,10, para 2007, R$ 1.673.952,55, para 2008, e R$ 1.333.611,21, para 2009; vii) a exclusão de resultados de operações com não cooperados, pelo autuado, nos anoscalendário de 2007 a 2009, causara diminuição indevida das estimativas mensais, em razão do que teria sido aplicada a multa isolada prevista no artigo 44, inciso II, alínea b, da Lei nº 9.430/96, consoante demonstrativo apresentado (fls. 714 e 715). 5. Cientificado do lançamento em 14/07/2011 (fls. 672, 678, 690 e 696), o autuado protocolizou impugnação em 12/08/2011 (fl. 724), apresentando as seguintes informações e questionamentos, em resumo: i) em PRELIMINAR, o lançamento seria improcedente e ilegal por ter aplicado o regime de apuração anual, que, consoante o artigo 3º da Lei nº 9.430/96, seria de exclusiva opção do autuado, mediante o pagamento da primeira parcela, que não a teria exercido, ao invés de trimestral que seria o usual, nos termos do artigo 1º da Lei nº 9.430/96; ii) no lançamento teria sido utilizado critério de apuração de base de cálculo de tributos sem dedução das despesas de captação e de juros; conteria erro de fundamentação porque teria considerado que todas as despesas com captação de recursos para empréstimo rural seriam relacionadas a ato cooperativo, tributandose, em conseqüência, todoo resultado das operações de mercado realizadas junto às instituições privadas não cooperadas; pelo lançamento, as despesas de obrigações e repasses seriam decorrentes de financiamentos voltados à atividade rural dos cooperados, e, assim, teriam sido consideradas como despesas com cooperados, não sendo deduzidas das receitas obtidas junto às instituições financeiras não cooperadas; iii) sem levar em consideração essas despesas, o lucro da Cooperativa chegaria a 36% de sua receita bruta, índice que jamais alcançara, mesmo porque não seria essa sua finalidade; iv) seria irrelevante a argumentação da fiscalização de que tais despesas somente poderiam ser reconhecidas se estivessem fundadas em demonstrativos e lançamentos contábeis que segregassem os valores relativos a atos cooperativos e a atos não cooperativos; isto, por conta da Resolução do Banco Central nº 3442/2007 que impede as cooperativas de crédito impedidas de operarem com terceiros; inexistiria a possibilidade de segregação de operações, vez que todas as aplicações nas cooperativas centrais e nas instituições financeiras seriam revertidas para o cooperado; v) também não teriam sido deduzidas as despesas de atividades financeiras de renda fixa, pagas aos cooperados, tal como qualquer instituição financeira teria direito; não se teria sido levado em conta que as rendas de títulos de renda fixa são totalmente revertidas a favor dos cooperados; vi) não teriam, ainda, sido deduzidos das despesas em operações de mercado, os depósitos de aviso prévio gerados pelos cooperados, que correspondem a aplicações de Fl. 911DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 16327.720807/201181 Acórdão n.º 1301001.082 S1C3T1 Fl. 4 5 dinheiro de cooperados em instituições financeiras não cooperadas, para garantias na captação de empréstimos aos cooperados; vii) em caso semelhante, a DRJ do Rio de Janeiro teria julgado improcedente lançamento objeto do PAF nº 16327.001506/201073, sob a razão de que se as receitas financeiras de renda fixa foram consideradas como decorrentes de operações com não cooperados, as despesas correlatas deveriam ser deduzidas na apuração do resultado com não cooperados; viii) no MÉRITO, o lançamento seria improcedente porque toda a movimentação financeira da cooperativa de crédito, incluindo a captação de recursos, bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado, constituiriam ato cooperativo, consoante entendimento do STJ manifestado na súmula 262/2002, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF e da doutrina, cujos excertos colaciona; ix) não teria sentido tributaremse as aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas de crédito, pois estas seriam a fonte de sua atividade para realizar operações com seus associados, não podendo a forma de tributação das cooperativas de crédito ser equiparada à das instituições financeiras, pois o objetivo de ofertar crédito aos cooperados não descaracterizaria sua natureza de cooperativa; x) a resistência da autoridade julgadora administrativa em admitir entendimento uníssono do STJ sobre a questão, além de implicar pesado ônus de sucumbência quando o contribuinte opta por discutir a matéria no âmbito judicial, macularia os princípios norteadores da atividade administrativa, entre os quais, os da legalidade, finalidade, economia, moralidade, eficiência e razoabilidade; xi) a incidência de IRPJ e da CSLL sobre as rendas de títulos de renda fixa na cooperativa implicaria bitributação sobre o mesmo fato imponível, tendo em conta que as referidas rendas pertenceriam ao cooperado, não à cooperativa; xii) as provisões apuradas pela autoridade fiscal como indedutíveis não teriam tido efeito na apuração do imposto e da contribuição social, no período de 2007 a 2009, porque os resultados apurados no referido período de fiscalização contemplariam os resultados declarados na DIPJ desses exercícios; xiii) a multa isolada aplicada seria ilegal não somente pela nulidade do lançamento argüida em Preliminar, como também por inexistência de resultado (tributável) apurado. (...) Analisando os fundamentos da impugnação apresentada pela contribuinte, entendeu a douta DRJ em São Paulo I (SP) pela sua improcedência, mantendo a autuação efetivada em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 Fl. 912DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 6 AUTO DE INFRAÇÃO. COOPERATIVA DE CRÉDITO. REGIME DE APURAÇÃO ANUAL. INEXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTO. OPÇÃO DECLARADA EM DIPJ. NÃO APLICAÇÃO DO REGIME TRIMESTRAL. A inexistência de recolhimento de estimativa não constitui, por si só, razão para a aplicação do regime de apuração trimestral do IRPJ e da CSLL, quando o contribuinte entrega DIPJ consignando expressamente a opção pelo regime anual, além de apresentar demonstrativos de apuração mensal, que, embora não registrem valores a recolher, indicam terem sido levantados os balanços de suspensão previstos nas normas que disciplinam o regime anual. APLICAÇÕES FINANCEIRAS EM INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS NÃO COOPERATIVAS. ATO NÃO COOPERATIVO SUJEITO À TRIBUTAÇÃO. As aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas de crédito em instituições financeiras não cooperativas não se caracterizam como atos cooperativos, incidindo o imposto de renda sobre o resultado obtido nessas aplicações, consoante expressamente previsto em norma legal. APURAÇÃO DO RESULTADO LÍQUIDO FINANCEIRO DE ATOS NÃO COOPERATIVOS. IMPUTAÇÃO DE DESPESAS FINANCEIRAS. A imputação de despesas financeiras a receitas financeiras, para fins de obtenção do resultado financeiro líquido de aplicações de Cooperativa de Crédito em instituições financeiras não cooperativas, somente pode ser admitida se fundada em demonstrativos e lançamentos contábeis que segreguem os valores concernentes aos atos cooperativos e aos atos nãocooperativos, e evidenciem a vinculação das despesas às aplicações realizadas. BITRIBUTAÇÃO. INOCORRÊNCIA. PREVALÊNCIA DO PRINCÍPIO DA ENTIDADE. Pelo princípio da entidade, que norteia as regras contábeis, societárias e das associações, o patrimônio da cooperativa não se confunde com o patrimônio do associado, e, assim, inexiste bitributação pela incidência de tributos sobre as rendas de aplicação financeira auferidas pela cooperativa junto às instituições financeiras, rendimentos estes que integram apenas o patrimônio da cooperativa. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. CABIMENTO. A pessoa jurídica que opta pelo regime de pagamento mensal do imposto ou contribuição, determinado sobre base de cálculo estimada, está sujeita à multa isolada sobre o valor eventualmente não recolhido. CSLL. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. As normas fiscais disciplinadoras do lançamento de IRPJ aplicamse ao da CSLL, no que cabíveis. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente intimada no dia 21/12/2011 (Quartafeira), a contribuinte protocoliza então, no dia 20/01/2012 (Sextafeira), o seu recurso voluntário (indevidamente intitulado “impugnação”), aduzindo, em suas razões, a existência de vício formal da decisão, relativa ao período autuado, destacando que a autuação seria relativa aos períodos de 2007, 2008 e 2009, apenas, não abarcando, por isso, os períodos de 2005 e 2006. Fl. 913DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 16327.720807/201181 Acórdão n.º 1301001.082 S1C3T1 Fl. 5 7 Após os apontamentos acima, a recorrente então passa a explorar os seus fundamentos de defesa, reproduzindo, inclusive, os termos da impugnação antes apresentada, a partir dos tópicos abaixo elencados: III.1 – Questões preliminares de mérito III.1.1 – Da irregularidade e da ilegalidade da apuração de ofício do IRPJ e da CSLL – A fiscalização utiliza critério para a apuração da base de cálculo sem dedução das despesas de captação de juros III.1.2 – Da nulidade material do auto de infração – vício na majoração da Base de Cálculo – do erro de fundamentação e da ilegalidade do auto de infração, em razão da não exclusão da base de cálculo dos valores relativos a despesas de empréstimos III. 2 – Do mérito III.2.1 – Improcedência do lançamento fiscal do IRPJ e CSLL: A apuração trimestral, nos termos do art. 1o c/c art. 3o da Lei no 9.430/96 impõe que a opção pelo regime de apuração é direito subjetivo do contribuinte, que deve ser respeitado pela fiscalização III.2.2 – Da improcedência do lançamento fiscal, porque toda a movimentação financeira das cooperativas de crédito, incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado, constitui ato cooperativo III.2.3 – Da posição jurisprudencial: exegese adotada pelo STJ e seguida pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF Em síntese, esse é o relatório. Fl. 914DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 8 Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Sendo tempestivo o recurso voluntário, dele conheço. Analisando os primeiros apontamentos trazidos pela recorrente, insta destacar, antes de qualquer outra análise meritória, aqueles relativos aos apontamentos acerca de supostos “equívocos” da decisão recorrida, necessários, aqui, para o adequado saneamento do feito. Nessas circunstâncias, relevante se faz o destaque às considerações relativas ao período apurado, que, no entender da recorrente, não abrangeria os anos de 2005 e 2006, mas apenas aos anos de 2007, 2008 e 2009. Compulsando os autos, entretanto, verifico, nos termos da autuação originariamente lavrada, que a quantificação do crédito tributário exigido na espécie, por certo, abrange todo o período mencionado pela r. decisão de origem, não vislumbrando, assim, o equívoco invocado pela recorrente. Além dessas considerações, a contribuinte destaca, ainda que em sede preliminar, apontamentos a respeito da nulidade da autuação e/ou, também, questões relativas à forma de apuração dos montantes dos débitos, matérias essas que, com a devida vênia, entendo trataremse do próprio mérito da autuação, somente podendo ser apreciadas ao final, acaso eventualmente mantida a autuação. Por essas razões, passemos à análise do mérito do recurso interposto. Do regime de apuração do IRPJ e da CSLL A primeira questão colocada em debate nos presentes autos, referese à discussão em torno da forma de apuração dos montantes devidos pela empresa, tendo em vista a (suposta) “opção” feita pela contribuinte a respeito da forma de apuração do IRPJ e da CSLL, considerada pela fiscalização como sendo a “anual”, ao passo que a defendente sustenta que estaria sujeita à apuração “trimestral”, nos termos destacados pelas disposições do art. 1o da Lei 9.430/96. De fato, as disposições contidas na Lei 9.430/96 evidenciam que, a partir de sua vigência, a apuração dos montantes devidos a título de IRPJ (e, por simetria, também a CSLL), como regra, deveria ser feita por períodos trimestrais, sendo que, a opção pela tributação sob o regime anual careceria de expressa manifestação da contribuinte, conforme, inclusive, expressamente contido nos apontamentos seguintes: Art. 1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. Fl. 915DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 16327.720807/201181 Acórdão n.º 1301001.082 S1C3T1 Fl. 6 9 § 1º Nos casos de incorporação, fusão ou cisão, a apuração da base de cálculo e do imposto de renda devido será efetuada na data do evento, observado o disposto no art. 21 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. § 2° Na extinção da pessoa jurídica, pelo encerramento da liquidação, a apuração da base de cálculo e do imposto devido será efetuada na data desse evento. (...) Art. 3º A adoção da forma de pagamento do imposto prevista no art. 1º, pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime do lucro real, ou a opção pela forma do art. 2º será irretratável para todo o anocalendário. Parágrafo único. A opção pela forma estabelecida no art. 2º será manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou de início de atividade. Analisando a questão posta em debate, a r. decisão assim então expressamente assentou: 10. Adentrando o exame de MÉRITO, insta notar, por primeiro, quanto ao regime de apuração anual do IRPJ e da CSLL adotado pela autoridade fiscal, que nada há nos documentos, informações e demonstrativos apresentados pelo autuado, a indicar que tenha ele optado pelo regime de apuração trimestral do IRPJ e da CSLL para os anos calendário de 2005 a 2009. Ao contrário, a documentação acostada é farta no sentido de evidenciar que, efetivamente, sua opção foi pelo regime de apuração anual desses tributos. Basta observar que nas Fichas 01 – Dados Iniciais das DIPJ´s relativas aos anoscalendário de 2005, 2006, 2007, 2008 e 2009, está expressamente consignada, no item “Apuração do IRPJ e da CSL”, a opção “Anual”. Além disso, apresentou, nessas Declarações, as Fichas 11 – “Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa” e as Fichas 16 – “ Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido por Estimativa” (fls. 218 , 219, 22, 223,225 a 228, 241 a 244, 246 a 249, 264 a 268, 270 a 274, 290 a 293, 295 a 298, 318 a 321 e 323 a 326), embora sem valor de tributo a recolher. Forneceu, também, Demonstrativos Mensais da CSLL para o período de 2005 a 2009 (fls. 465 a 476, 503 a 514, 541 a 552, 580 a 590, e 647 a 658), sem contribuição a recolher. A apresentação dessas declarações e demonstrativos mensais confirma a constatação da autoridade (fl. 700, 2º parágrafo) de que, para produzir tais documentos, teve o autuado de elaborar balanços de suspensão de recolhimento, estes previstos na lei somente para o regime de apuração anual de IRPJ e CSLL. (Grifos nossos) A controvérsia estabelecida, portanto, referese à análise a respeito da (im)prescindibilidade da manifestação da opção pela apuração anual a partir do recolhimento do tributo referente ao mês de janeiro do anocalendário (ou do início das atividades, sendo o caso), ou se esta poderia ser verificada a partir de outros elementos manifestados pela contribuinte. Em que pese a inexigência, a princípio, de qualquer manifestação de opção pela contribuinte para a adoção da sistemática de apuração trimestral (como parece supor o primeiro trecho destacado da decisão de origem), insta destacar que, a rigor, a inexistência do recolhimento da estimativa do mês de janeiro do respectivo anocalendário, por si só, também Fl. 916DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 10 não impõe – em presunção jure et de jure , a aplicação daquela sistemática, da forma como pretende a recorrente. A realidade fática contida nos documentos que instruem o feito – sobretudo as Declarações apresentadas pela contribuinte , demonstram que, de fato, a forma de apuração dos tributos pretendida pela contribuinte nos referidos períodos forma manifestada como sendo a de apuração anual, inexistindo o recolhimento, de fato, pura e simplesmente em decorrência da suposta não apuração de saldo de tributo a pagar. Apenas a título de destaque, cumpre ressaltar que, nestes autos, não se está a admitir que a fiscalização promova a “opção” não manifestada pela contribuinte de apuração anual do IRPJ e da CSLL, mas apenas, e simplesmente, que, diante da inexistência de recolhimento do tributo (tanto pela sistemática de estimativas mensais, quanto pela forma de apuração trimestral do imposto nos vencimentos respectivos), deve a fiscalização valerse das demais informações por ela (a contribuinte) disponibilizadas, buscando, a partir dela, a verificação do regular adimplemento das respectivas obrigações tributárias. Nessa linha, inclusive, verificase que os próprios precedentes invocados pela contribuinte corroboram essa tese, sendo destacável, por exemplo, das razões contidas no julgamento do Acórdão 10321.639 (citado no Recurso Voluntário), o seguinte relevante trecho: “As declarações de rendimentos, juntadas aos autos às fls. 1151, 1179 e 1199, respectivamente correspondentes aos anoscalendário 98, 99 e 2000, atestam que a opção pelo lucro real anual não foi exercida pela recorrente. Até porque, as declarações foram apresentadas como entidade imune/isenta, desobrigada da CSLL, e não como pessoa jurídica sujeita à apuração da base de cálculo pelas normas do lucro real, que se constituiu requisito para a apuração pela forma alternativa dos recolhimentos mensais associados à apuração anual da contribuição social.” (Acórdão 10321.639, de 16/06/2004, Processo 10166.003203/200370, 3a Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, fls. 05) Como se verifica, a realidade fática contida nos presentes autos é completamente diversa daquela destacada, sendo certo que, havendo, em todas as declarações apresentadas pela contribuinte, a expressa opção pela apuração anual do IRPJ e da CSLL, a inexistência do comprovante de recolhimento dos tributos relativos ao mês de janeiro dos respectivos anoscalendário não acarreta a conclusão de que a tributação deveria ser apurada pela sistemática trimestral, restando pois adequadas as considerações da fiscalização em considerar a apuração anual dos tributos nesta oportunidade. Diante dessas razões, não vejo reparos na decisão, nem tampouco na autuação, que, adotando as informações prestadas pela própria contribuinte, verifica a ausência de recolhimento do tributo devido, promovendo a apuração dos montantes devidos com a aplicação da sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL, mesmo inexistindo, neste caso, o recolhimento de que trata o parágrafo único do Art. 3o da Lei 9.430/96. Rejeito portanto, neste particular, as razões da recorrente. Da análise do conceito de “ato cooperativo” Perfilhando as razões recursais, agora, insta destacar a discussão mantida nos autos relativas à configuração (ou não) dos atos praticados pela contribuinte – sobretudo no que se refere à aplicação de recursos em instituições financeiras nãocooperadas – e as conseqüências tributárias delas decorrentes. Fl. 917DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 16327.720807/201181 Acórdão n.º 1301001.082 S1C3T1 Fl. 7 11 Em primeira análise, insta destacar que, conforme aqui antes já devidamente apontado, trata a contribuinte de específica “cooperativa de crédito”, tendo como objetivo o fomento de seus cooperados, promovendo a captação de recursos, a oferta de empréstimos e, ainda, a realização de aplicações financeiras, conforme, inclusive, especificamente destacado por seus estatutos. A r. decisão recorrida, analisando a argumentação trazida pela contribuinte impugnante, rejeitaa, destacando as disposições da legislação de regência (art. 79 da Lei 5.764/71) e, ainda, as disposições da própria IN SRF 333/2003, que, tratando especificamente da matéria, destaca em seu art. 1o que “as aplicações financeiras realizadas pelas cooperativas de crédito em outras instituições financeiras, não cooperativas, não se caracterizam como atos cooperativos, incidindo o imposto de renda sobre o resultado obtido pela cooperativa nessas aplicações”. A matéria, entretanto, há tempos vem sendo discutida nas esferas administrativa e judicial, havendo, a respeito desse tema específico, relevantes precedentes deste CARF, conforme destaca o seguinte aresto: Nº Recurso 158035 Número do Processo 16327.001215/200518 Órgão Julgador Quinta Câmara/Primeiro Conselho de Contribuintes Contribuinte COOPERATIVA CENTRAL DE CREDITO DE SAO PAULO CENTRAL SICREDI SP Tipo do Recurso Recurso Voluntário Dar Provimento Por Unanimidade Data da Sessão 18/09/2008 Relator(a) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Nº Acórdão 10517222 Tributo / Matéria Decisão Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2002 e 2003 Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO COOPERATIVA DE CRÉDITO APLICAÇÕES FINANCEIRAS ATOS COOPERATIVOS NÃO INCIDÊNCIA DE IRPJ Em virtude do peculiar regime jurídico aplicável às cooperativas, o IRPJ não incide sobre os resultados dos atos cooperativos. As receitas obtidas pelas cooperativas de crédito por meio da aplicação financeira de recursos de seus cooperados não são passíveis de tributação pelo IRPJ, vez que decorrentes de atos cooperativos. Ademais, como toda a receita obtida no mercado financeiro é, posteriormente, repassada aos cooperados, não há de se falar em renda por parte da cooperativa central e sim de seus associados. CSLL NÃO INCIDÊNCIA SOBRE ATOS COOPERATIVOS RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO COM O LANÇAMENTO DE IRPJ O lançamento de CSLL guarda estreita relação de causa e efeito com o lançamento de IRPJ, porquanto é dele decorrente. Assim, julgado improcedente o lançamento de IRPJ, o lançamento de CSLL, também, será. Recurso voluntário provido. Esse entendimento, é importante destacar, encontrase em consonância com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, que, em inúmeros julgados, já de longa data destaca a caracterização como ato cooperativo, o investimento no mercado financeiro efetivado Fl. 918DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 12 pelas cooperativas de crédito, conforme se verifica, inclusive, nos seguintes importantes precedentes daquela Corte: Processo AgRg no AgRg no REsp 717126 / SC AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2005/00075378 Relator(a) Ministro HERMAN BENJAMIN (1132) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 09/02/2010 Data da Publicação/Fonte DJe 24/02/2010 Ementa PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. APLICAÇÕES FINANCEIRAS. ATOS COOPERATIVOS. IMPOSTO DE RENDA. NÃOINCIDÊNCIA. SÚMULA 262/STJ. INAPLICABILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REVISÃO. MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido de que os atos cooperativos típicos – assim entendidos aqueles praticados entre as cooperativas e seus associados ou entre os associados e as cooperativas, ou ainda entre cooperativas, para a consecução dos objetivos sociais – não geram receita ou lucro, consoante disposto no art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971. 2. A Primeira Seção do STJ pacificou o entendimento de que toda movimentação financeira das cooperativas de crédito – incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados, bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado – constitui ato cooperativo. 3. Inferese que, se as aplicações financeiras das cooperativas de crédito, por serem atos cooperativos típicos, não geram receita, lucro ou faturamento, o resultado positivo decorrente desses negócios jurídicos não sofre a incidência do Imposto de Renda. 4. Acresçase que os julgados que deram origem ao enunciado da Súmula 262/STJ não analisaram a situação específica das cooperativas de crédito, cuja atividade básica está relacionada à gerência financeira dos recursos creditícios dos associados. 5. Provido o Recurso Especial para reformar o acórdão recorrido quanto ao mérito, fazse necessária a apreciação pelo STJ dos honorários advocatícios devidos pelo sucumbente. Tratase de aplicação do direito à espécie. 6. No caso concreto, inverto os honorários advocatícios, restabelecendo os valores fixados na sentença, a qual condenou a União ao pagamento da verba honorária em 5% (cinco por cento) do valor atribuído à causa (R$ 805.433,30 – oitocentos e cinco mil, quatrocentos e trinta e três reais e trinta centavos), corrigido monetariamente, dado o elevado valor conferido à demanda. 7. Essa inversão é possível, pois, de acordo com a jurisprudência deste Tribunal Superior, "1. O STJ, ao aplicar o direito à espécie, após conhecer do recurso especial, rejulga a causa (...). 2 Possibilidade de fixação de honorários advocatícios em percentual inferior ao mínimo de 10% (dez por cento), quando vencida a Fazenda Pública, mediante a aplicação do art. 20, § 4º do CPC" (AgRg no REsp 418.640/DF, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJ 2.6.2003). Na mesma linha de entendimento: "conhecido o recurso, é possível ao STJ, desde logo, aplicar o direito à espécie, nos termos do art. 257 do seu Regimento Interno, não havendo que se falar em supressão de instância. 3. O valor dos honorários foi fixado com razoabilidade, no mínimo legal, devendo ser ressaltado o fato de que a tese defendida pela parte só veio a ser acolhida na Fl. 919DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 16327.720807/201181 Acórdão n.º 1301001.082 S1C3T1 Fl. 8 13 instância Superior, demandando acompanhamento profissional contínuo, que merece ser prestigiado" (EDcl REsp 1.130.634/RS. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, Dje 15.12.2009). 8. Agravo Regimental do Ministério Público não provido e Agravo da Fazenda Nacional parcialmente provido tãosomente para inverter os honorários advocatícios, restabelecendo a condenação da União, fixada na sentença, ao pagamento dos ônus sucumbenciais em 5% sobre o valor da causa, atualizado monetariamente. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça: "A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental do Ministério Público e proveu parcialmente o agravo regimental da Fazenda Nacional, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)Relator(a)." Os Srs. Ministros Mauro Campbell Marques, Eliana Calmon, Castro Meira e Humberto Martins votaram com o Sr. Ministro Relator. Processo AgRg no REsp 823207 / MG AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2006/00094230 Relator(a) Ministro HERMAN BENJAMIN (1132) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 26/05/2009 Data da Publicação/Fonte DJe 21/08/2009 Ementa PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. SOCIEDADES COOPERATIVAS DE CRÉDITO. COFINS. ATOS COOPERATIVOS. NÃOINCIDÊNCIA. 1. O ato cooperativo típico, nos termos do art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971, não implica operação de mercado nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, o que afasta a incidência da Cofins sobre o resultado de tal atividade. 2. O STJ assentou o entendimento de que, em se tratando de cooperativas de crédito, toda a sua movimentação financeira, incluindo a captação de recursos, a realização de empréstimos aos cooperados, bem como a efetivação de aplicações financeiras no mercado, constitui ato cooperativo, não havendo incidência do PIS e da Cofins. Precedentes do STJ. 3. Agravo Regimental não provido. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça: "A Turma, por unanimidade, negou provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do(a) Sr(a). Ministro(a)Relator(a)." Os Srs. Ministros Mauro Campbell Marques, Eliana Calmon, Castro Meira e Humberto Martins votaram com o Sr. Ministro Relator. Nos fundamentos dos arestos aqui mencionados, verificase que, na análise específica da atuação própria das cooperativas de crédito, destacase que, tratandose de pessoas jurídicas de direito privado sem fins lucrativos, essas são constituídas com o objetivo de facilitação do acesso ao crédito a seus cooperados, destacandose de sua atuação própria, as seguintes formas de atuação no mercado financeiro: a) Captação de recursos dos cooperados para concessão de empréstimos a outros cooperados – ato cooperativo típico; Fl. 920DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA 14 b) Aplicação de recursos dos cooperados no mercado financeiro – ato cooperativo de intermediação; c) Participação da cooperativa no capital social de bancos ou outras empresas – atos não cooperados. No caso tratado nos presentes autos, conforme se verifica, a fiscalização considerou como ato não cooperado o ato praticado pela cooperativa de crédito de aplicação dos recursos captados dos cooperados em fundos de investimento, utilizando, para tanto, instituições financeiras não cooperadas. Ocorre que, conforme apontado, em que pese toda a discussão ainda existente em relação à matéria, é relevante destacar que a aplicação de recursos pela cooperativa de crédito, na oportunidade, é apresentada como alternativa para a obtenção de rentabilidade dos recursos dos cooperados, sendo, portanto, conforme destacado, ato próprio da cooperativa de crédito, configurado como ato cooperativo de intermediação e não como ato nãocooperativo, da forma como pretendido pela fiscalização Diante dessas razões, entendo que, neste ponto, assiste razão à recorrente, devendo assim ser considerado como ato cooperado a aplicação de recursos da cooperativa no mercado financeiro, e, por essa razão, completamente indene à incidência do IRPJ e da CSLL, devendo, nesses termos, ser efetivamente reformada a r. decisão de origem. Em face da adoção desse entendimento, verifico a completa superação de todos os demais elementos discutidos nos autos, tendo em vista que todos eles, absolutamente, decorreriam, especificamente, na caracterização de tributação dessas verbas, o que aqui, conforme destacado, restara pois completamente afastado. Os apontamentos preliminares, por oportuno, restam pois completamente superados, tendo em vista a insubsistência da autuação promovida. Por essas razões, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto, reconhecendo como ato cooperativo o investimento de recursos da cooperativa de crédito em fundos de investimento de instituições financeiras não cooperadas, sendo este, conforme demonstrado, um dos objetivos estatutários da própria cooperativa, sendo, portanto, inviável a incidência do IRPJ e da CSLL sobre os valores assim captados, e, por essa razão, completamente inviável a manutenção do lançamento efetivado. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER – Relator Fl. 921DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA Processo nº 16327.720807/201181 Acórdão n.º 1301001.082 S1C3T1 Fl. 9 15 Fl. 922DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 03/04/2013 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por PLINIO RO DRIGUES LIMA
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Numero do processo: 19515.000126/2010-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
LUCRO ARBITRADO. FALTA DE ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL.
A ausência de escrituração regular dos livros comerciais e fiscais autoriza o arbitramento do lucro.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO.
A prestação de declaração zerada, por mais de um ano calendário, em descompasso com alta movimentação financeira do contribuinte no mesmo período autoriza a qualificação da multa de ofício.
APLICAÇÃO DA TAXA DE JUROS SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
SOLIDARIEDADE. ART. 124, I, CTN. FUNDAMENTO JURÍDICO DA
RESPONSABILIDADE NÃO DECLINADO. EQUIPARAÇÃO À RESPONSABILIDADE. INOCORRÊNCIA.
A solidariedade prevista no art. 124, I, CTN, não se equipara a hipótese de responsabilidade, e não prescinde da correta fundamentação jurídica da responsabilidade tributária, a qual deve ser declinada pela autoridade fiscal.
Numero da decisão: 1302-000.960
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso em relação ao sujeito passivo Bento de Abreu Agrícola; por maioria de votos, em negar provimento ao recurso em relação ao sujeito passivo Gilvan Basílio da Silva, vencido o Conselheiro Marcio Frizzo, e por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso em relação ao sujeito passivo Usinas Brasileiras Açúcar e Álcool Ltda.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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FALTA DE ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. A ausência de escrituração regular dos livros comerciais e fiscais autoriza o arbitramento do lucro. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. A prestação de declaração zerada, por mais de um ano calendário, em descompasso com alta movimentação financeira do contribuinte no mesmo período autoriza a qualificação da multa de ofício. APLICAÇÃO DA TAXA DE JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. SOLIDARIEDADE. ART. 124, I, CTN. FUNDAMENTO JURÍDICO DA RESPONSABILIDADE NÃO DECLINADO. EQUIPARAÇÃO À RESPONSABILIDADE. INOCORRÊNCIA. A solidariedade prevista no art. 124, I, CTN, não se equipara a hipótese de responsabilidade, e não prescinde da correta fundamentação jurídica da responsabilidade tributária, a qual deve ser declinada pela autoridade fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso em relação ao sujeito passivo Bento de Abreu Agrícola; por maioria de votos, em negar provimento ao recurso em relação ao sujeito passivo Gilvan Basílio da Silva, Fl. 1301DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 19515.000126/201092 Acórdão n.º 1302000.960 S1C3T2 Fl. 1.302 2 vencido o Conselheiro Marcio Frizzo, e por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso em relação ao sujeito passivo Usinas Brasileiras Açúcar e Álcool Ltda. (assinado digitalmente) WALDIR VEIGA ROCHA – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha (presidente em exercício da turma), Diniz Raposo e Silva, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Eduardo de Andrade, Paulo Roberto Cortez e Márcio Rodrigo Frizzo. Fl. 1302DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 19515.000126/201092 Acórdão n.º 1302000.960 S1C3T2 Fl. 1.303 3 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 2ª Turma da DRJ/SP1, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa que abaixo reproduzo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracteriza omissão de receita os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação, aos quais, o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITA DA ATIVIDADE. Caracterizam omissões de receitas as disponibilidades obtidas pela venda de produtos de fabricação própria, as quais não foram informadas em DIPJ. LUCRO ARBITRADO. A falta de apresentação de livros contábeis e ausência de reconstituição da escrita submetem o contribuinte ao arbitramento do lucro. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS, COFINS e CSLL. Aplicase aos lançamentos decorrentes ou reflexos o decidido sobre o lançamento que lhes deu origem, por terem suporte fático comum. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: BENTO DE ABREU AGRÍCOLA LTDA, empresa acima identificada, foi submetida a procedimento fiscal. Durante a realização dos trabalhos de auditoria, a autoridade fiscal apesar de ter solicitado à interessada a documentação, constante nos termos de intimações, a contribuinte nada apresentou de comprobatório para justificar os lançamentos constantes nos extratos bancários apurados no curso da fiscalização, conforme Fl. 1303DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 19515.000126/201092 Acórdão n.º 1302000.960 S1C3T2 Fl. 1.304 4 descrição contida no Termo de Constatação de fls. 104/106, cujos fatos geradores ocorreram nos anoscalendário de 2005 e 2006. Conforme o documento elaborado pela autoridade fiscal, houve a caracterização de omissão de receitas de duas naturezas: 1) lançamentos decorrentes da atividade do sujeito passivo, oriundos da venda de produtos de fabricação própria não declarados em DIPJ, num quantitativo de R$ 17.519.435,60, para o ano calendário de 2005 e de R$ 17.529.541,75 para o anocalendário de 2006, e, 2) lançamentos na conta corrente bancária não comprovados, os quais não foram justificados pela contribuinte, no valor total de R$ 30.330.566,78 para o ano calendário de 2005 e de R$ 30.129.061,48 para o anocalendário de 2006. Em virtude de reiteradas omissões em informar a receita operacional na DIPJ e de não manter documentação, para a comprovação dos referidos valores auferidos em sua conta bancária, a Fiscalização lavrou multa qualificada nos presentes autos de 150% sobre os valores dos tributos e contribuições apurados Para a aferição das receitas, omitidas da venda de mercadorias de produção própria, foram analisadas as notas fiscais de vendas emitidas pela empresa, ora fiscalizada, e no caso dos valores lançados em conta bancária, por meio da verificação dos depósitos bancários, cujos extratos foram requisitados por intermédio de RMF (incisos VII e XI do art.3° do Decreto n° 3.724/2001) às instituições financeiras, as quais a fiscalizada efetuou transações. Em análise das DIPJ's dos anoscalendário de 2005 e 2006, a autoridade fiscal verificou também a existência do sócio Gilvan Basílio da Silva, CPF MF n° 191.959.07491, como participante direto na condição de administrador do evento de omissão de receitas, tendo procedido a lavratura do Termo de Sujeição Passiva Solidária de fls. 188/189 para compor a lide como responsável tributário. Foi, também, juntamente lavrado com o presente Auto de Infração, o Termo de Sujeição Passiva Solidária de fls.184/185 em 01/03/2010, por ser a contribuinte Usinas Brasileiras Açúcar e Álcool Ltda, CNPJ MF n° 03.827.433/000103, sócia majoritária da contribuinte, ora fiscalizada. Em decorrência das faltas apuradas, foram lavrados em 08/02/2010, os seguintes Autos de Infração, cientificados em 09/02/2010 (fl. 181): • Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ (fls. 136/141): Total do crédito tributário, R$ 5.776.464,21, incluídos o tributo, multa e juros de mora. Fundamento legal citado às fls. 138/139 e 141; • Contribuição para o Programa de Integração Social PIS (fls. 148/153): Total do crédito tributário, R$ 1.609.779,9 2, incluídos o tributo, multa e os juros de mora. fundamento legal citado à fl. 153; • Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS (fls. 160/165): Total do crédito tributário, R$ 7.429.755,36, incluídos o tributo, multa e os juros de mora. Fundamento legal citado à fl. 165; • Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (lis. 172/178): Total do crédito tributário, R$ 2.663.091,55, incluídos o tributo, multa e os juros de mora. Fundamento legal citado à fl. 177. A contribuinte BENTO DE ABREU AGRÍCOLA LTDA foi cientificada em 09/02/2010 (fls.181 e 183) e os responsáveis solidários Gilvan Basílio da Silva, CPF MF n° 191.959.07491 e a Usinas Brasileiras Açúcar e Álcool Ltda, CNPJ MF n° 03.827.433/000103 em 06/03/2010 (fls.187 e 191). A BENTO DE ABREU Fl. 1304DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 19515.000126/201092 Acórdão n.º 1302000.960 S1C3T2 Fl. 1.305 5 AGRÍCOLA LTDA apresentou defesa de fls. 389/396 em 08/03/2010, o responsável solidário Gilvan Basílio da Silvia, CPF MF n° 191.959.07491, protocolou impugnação de fls.295/306 em 05/04/2010 e a Usinas Brasileiras Açúcar e Álcool Ltda, CNPJ MF n° 03.827.433/000103, entregou peça impugnatória de fls. 197/206 também em 05/04/2010, alegando, em síntese, que: 1. Impugnação da BENTO DE ABREU AGRÍCOLA LTDA de fls.389/396 apresentada em 08/03/2010: • A venda de canadeaçúcar para a produção de álcool combustível é isenta de tributação; • Os valores depositados na conta do Banco do Brasil referemse a financiamento para a compra de maquinário agrícola; • Já os montantes depositados na conta do Banco UN1BANCO referemse a venda de canadeaçúcar sendo que todos os impostos foram devidamente recolhidos na ocasião de cada operação; • A CF/88 e a jurisprudência do STF entendem não ser cabível a cobrança de tributos sobre álcool hidratado para fins carburantes bem como, por conseqüência, da venda de canadeaçúcar destinada para tal intento; • As contribuições sociais como possuem natureza tributária seguem o mesmo raciocínio da nãotributação já exposta; • O presente auto de infração é nulo, pois os cálculos da autoridade fiscal estão equivocados uma vez que foram arbitrados de forma discricionária; • A apresentação de DIPJ's com valores zerados foi orientação dada pela própria RFB, em virtude de a contabilidade da interessada não estar fechada, bastando apenas retificar as mesmas depois do acerto contábil. No entanto, ao tentar transmitir as referidas DIPJ's houve a recusa por ter expirado o prazo para sua apresentação; • Quanto à multa aplicada nos autos, esta é desproporcional, confiscatória e inaplicável, pois não houve dolo quando da apresentação das DIPJ's. 2. Impugnação da Usinas Brasileiras Açúcar e Álcool Ltda, CNPJ MF n° 03.827.433/000103 de fls. 197/206 apresentada em 05/04/2010: • O simples fato de ser sócia da empresa, ora autuada, não gera presunção de que esta tenha interesse na inadimplência daquela; • A venda de canadeaçúcar para a produção de álcool combustível é isenta de tributação. Os valores depositados nas contas das instituições financeiras referemse às vendas, ora citadas, cujos tributos foram pagos na ocasião das operações da empresa; • A CF/88 e a jurisprudência do STF entendem não ser cabível a cobrança de tributos sobre álcool hidratado para fins carburantes bem como, por conseqüência, da venda de canadeaçúcar destinada para tal intento; Fl. 1305DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 19515.000126/201092 Acórdão n.º 1302000.960 S1C3T2 Fl. 1.306 6 • As contribuições sociais como possuem natureza tributária seguem o mesmo raciocínio da nãotributação já exposta; • O presente auto de infração é nulo, pois os cálculos da autoridade fiscal estão equivocados uma vez que foram arbitrados de forma discricionária; • A apresentação de DIPJ's com valores zerados foi orientação dada pela própria RFB, em virtude de a contabilidade da interessada não estar fechada, bastando apenas retificar as mesmas depois do acerto contábil. No entanto, ao tentar transmitir as referidas DIPJs houve a recusa por ter expirado o prazo para sua apresentação; • Quanto à multa aplicada nos autos, esta é desproporcional, confiscatória e inaplicável, pois não houve dolo quando da apresentação das DIPJ's; • Pede o afastamento da solidariedade passiva bem como indevidos os juros acima de 1% ao mês e a multa ora exigida nos autos. • Pede o afastamento da solidariedade passiva bem como indevidos os juros acima de 1% ao mês e a multa ora exigida nos autos. 3. Impugnação de Gilvan Basílio da Silva, CPF MF n° 191.959.07491 de fls.295/306 em 05/04/2010: • Não praticou nenhum ato caracterizado como excesso de poder ou prática de ilegalidade ou contrário ao estatuto social não devendo, dessa maneira, ser responsabilizado pela cobrança ora efetuada na presente infração. O responsável pelo adimplemento tributário é da pessoa jurídica e não do sócio; • O simples fato de ser sócia da empresa, ora autuada, não gera presunção de que esta tenha interesse na inadimplência de tributos daquela; • A venda de canadeaçúcar para a produção de álcool combustível é isenta de tributação. Os valores depositados nas instituições financeiras referemse às vendas, ora citadas, cujos tributos foram pagos na ocasião das operações da empresa; • A CF/88 e a jurisprudência do STF entendem não ser cabível a cobrança de tributos sobre álcool hidratado para fins carburantes bem como, por conseqüência, da venda de canadeaçúcar destinada para tal intento; • As contribuições sociais como possuem natureza tributária seguem o mesmo raciocínio da nãotributação já exposta; • O presente auto de infração é nulo, pois os cálculos da autoridade fiscal estão equivocados uma vez que foram arbitrados de forma discricionária; • A apresentação de DIPJ's com valores zerados foi orientação dada pela própria RFB, em virtude de a contabilidade da interessada não estar fechada, bastando apenas retificar as mesmas depois do acerto Fl. 1306DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 19515.000126/201092 Acórdão n.º 1302000.960 S1C3T2 Fl. 1.307 7 contábil. No entanto, ao tentar transmitir as referidas DIPJ's houve a recusa por ter expirado o prazo para sua apresentação; • Quanto à multa aplicada nos autos, esta é desproporcional, confiscatória e inaplicável, pois não houve dolo quando da apresentação das DIPJ's; • Pede o afastamento da solidariedade passiva bem como indevidos os juros acima de 1% ao mês e a multa ora exigida nos autos. A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, repisou os argumentos expendidos na impugnação. É o relatório. Fl. 1307DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 19515.000126/201092 Acórdão n.º 1302000.960 S1C3T2 Fl. 1.308 8 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. Os recurso são tempestivos, e portanto, deles conheço. Arbitramento do Lucro por não apresentação da escrita A recorrente teve seu lucro arbitrado, nos termos do art. 530, I, do RIR/99, pois não apresentou, intimado (01/10/2008 – fl. 04/05) e reintimado (08/02/2010), os livros contábeis exigidos pela fiscalização. A legislação tributária prescreve ao contribuinte os deveres de escriturar, guardar e apresentar, quando exigidos, os livros de escrituração contábil, sendo lícito à fiscalização apurar, como o fez, o lucro pelo critério do lucro arbitrado quando desatendidos tais deveres. Alegada Isenção de tributos A alegada impossibilidade de tributação nos termos do art. 155, §3º da CF/88, pela atividade do contribuinte se caracterizar como comercialização de canadeaçúcar destinada a fabricação de combustível não se sustenta. Com efeito, o mencionado artigo exclui a cobrança de qualquer outro imposto sobre operação, estando, assim, desde já excluídas da alegação as cobranças de PIS, Cofins e CSLL, por serem contribuições. Por outro lado, a cobrança de IRPJ se dá a título de tributação sobre a renda e não sobre a comercialização, descabendo, assim, maiores considerações sobre sua procedência e exclusão do texto legal argüido. Não se vê, assim, quaisquer deslizes na apuração feita, a qual se deu por forma direta, com base nas informações prestadas por clientes e de forma indireta, com base nos depósitos em conta corrente cuja origem não restou justificada. Ressaltese que a autoridade fiscal consignou (fl. 105) no termo de constatação que efetuou a exclusão dos valores creditados em conta cujo remetente, acaso identificado, fosse cliente elencado na tributação efetuada de forma direta. Ademais, nenhum elemento foi fornecido pela recorrente em suas alegações, que se limitaram aos argumentos retóricos. Fl. 1308DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 19515.000126/201092 Acórdão n.º 1302000.960 S1C3T2 Fl. 1.309 9 Multa de Ofício Qualificada – Reiteração da Conduta e Prestação de Declaração Falsa A multa de 150% foi aplicada pela autoridade, que vislumbrou o evidente intuito de fraude nas seguintes condutas: regularidade da omissão por dois anoscalendário consecutivos; prestação de declaração falsa (zerada), verificada vultosa movimentação financeira. Tendo em vista que a declaração de rendimentos é o meio que a Administração Tributária possui para averiguar o cumprimento das obrigações do sujeito passivo, entendo que a conduta de falseála, reduzindolhe os valores de receita bruta, demonstra intenção de esconder do Fisco a ocorrência de fatos geradores. Provada a redução, entendo caracterizado o intuito de fraude, o qual autoriza a exasperação da multa. Demais disso, a reiteração da conduta juntase, como elemento de convicção, para demonstração do dolo, verificandose que não há erro isolado, mas verdadeiro modus operandi caracterizado na prática da conduta ilícita. Juros Selic O CTN é norma recebida pela Constituição Federal de 1988 com status de lei complementar porque veicula, dentre outras, normas gerais sobre crédito tributário, tal qual preconizado pelo art. 146, III, “b”, daquela Carta Magna. Neste mister, estipula como regra geral a cobrança de juros no percentual de 1%, permitindo, contudo, que regra específica, veiculada por lei, estipule de forma diversa, como ocorre com o §3º do art.61 da Lei nº 9.430/96, aplicável ao caso. Ademais, a Súmula CARF nº4, de observância obrigatória por todos os membros do Órgão, resolve a questão, ao prescrever como escorreita a cobrança dos débitos para com a União relativos a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal de acordo com a taxa Selic para títulos federais. Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmulas 4 do 1º e 3º CC e 3 do 2º CC Solidariedade Usinas Brasileiras Açúcar e Álcool é vinculada ao crédito por termo de sujeição passiva solidária, porque entendeu a autoridade haver solidariedade passiva (art. 124, I, do CTN) desta sócia majoritária, que detém 99,9% do capital social com a autuada. Fl. 1309DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 19515.000126/201092 Acórdão n.º 1302000.960 S1C3T2 Fl. 1.310 10 Gilvan Basílio da Silva é vinculado ao crédito por termo de sujeição passiva solidária porque entendeu a autoridade que atuou como administrador, e infringiu lei (art. 135, III e art. 124, I, CTN), por prestar declaração falsa à autoridade tributária (DIPJ zerada). Relativamente à primeira relacionada, a atribuição de solidariedade, nos termos do art. 124, I, do CTN não se amolda à situação fática apresentada. O referido dispositivo, inserto no Capítulo IV do Código, “Sujeito Passivo”, não se destina a prescrever hipóteses de responsabilidade, as quais são definidas no Capítulo V, “Responsabilidade Tributária”, mas a dispor sobre a relação entre os sujeitos passivos (contribuintes, contribuinte e responsável, ou responsáveis, conforme prescreve o art. 121) coobrigados, uma vez já consolidada sua condição de contribuinte ou responsável. No caso vertente resta demonstrado que a pessoa jurídica à qual a autoridade fiscal atribuiu a solidariedade do art. 124, I, do CTN se beneficiou do fato gerador ulteriormente descoberto na fiscalização. Porém, tal condição não é bastante para a finalidade buscada pela fiscalização. Há que se declinar o fundamento de direito que faz nascer a responsabilidade tributária desta pessoa (dentre as hipóteses previstas nos art. 128 a 137 do CTN), situação que as obriga ao crédito tributário, para, então, afirmarse sobre a solidariedade delas com o contribuinte. Neste sentido, vale a lição de MISABEL ABREU MACHADO DERZI1, para quem A solidariedade não é espécie de sujeição passiva por responsabilidade indireta, como querem alguns. O Código Tributário Nacional, corretamente, disciplina a matéria em seção própria, estranha ao Capítulo V, referente à responsabilidade. É que a solidariedade é simples forma de garantia, a mais ampla das fidejussórias. Quando houver mais de um obrigado no pólo passivo da obrigação tributária (mais de um contribuinte, ou contribuinte e responsável, ou apenas uma pluralidade de responsáveis), o legislador terá de definir as relações entre os coobrigados. Se são eles solidariamente obrigados, ou subsidiariamente, com benefício de ordem ou não, etc. A solidariedade não é, assim, forma de inclusão de um terceiro no pólo passivo da obrigação tributária, apenas forma de graduar a responsabilidade daqueles sujeitos que já compõem o pólo passivo. Desta forma, merece reparo a atribuição de solidariedade ao caso, nos termos do art. 124, I, do CTN, podendo, contudo, a Fazenda Nacional, em futura execução fiscal, efetuar o correto enquadramento legal, e reunir novamente a pessoa jurídica beneficiária do fato gerador descoberto pela fiscalização ao vínculo obrigacional. Relativamente ao segundo relacionado, Gilvan Basílio da Silva, devidamente constituído único administrador da pessoa jurídica autuada nos termos do contrato social, não há como excluílo do pólo passivo. Não obstante a supressão de tributos praticada, houve ainda a prestação de declaração falsa, situação que viola leis tributárias e penais. Além disso, há reiteração da conduta no tempo, afastando a mera alegação de erro. 1 ALIOMAR BALEEIRO E MISABEL ABREU MACHADO DERZI, Direito Tributário Brasileiro, Forense, 11ª ed, 2002, Rio de Janeiro. Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 19515.000126/201092 Acórdão n.º 1302000.960 S1C3T2 Fl. 1.311 11 Desta forma, entendo correta a sua responsabilização, nos termos do art. 135, III, do CTN. Assim, voto para negar provimento aos recursos de Bento de Abreu Agrícola e de Gilvan Basílio da Silva, e dar provimento ao Recurso Voluntário de Usinas Brasileiras Açúcar e Álcool, para afastar sua solidariedade passiva. Sala das Sessões, 08 de agosto de 2012. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 19/09/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por WALDIR VEIGA ROCHA
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Numero do processo: 10730.900933/2009-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição para o PIS/PASEP CLÁUSULA DE REAJUSTE. PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As receitas originárias de contratos de fornecimento de serviços firmados até 31/10/2003 submetem- se à incidência cumulativa, desde que observados os termos e condições consolidados pela IN SRF 658/06, não desnaturando o requisito do preço predeterminado a previsão de cláusula de reajuste com base no IGPM.
Numero da decisão: 3402-001.889
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto do relator.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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PREÇO PREDETERMINADO. REGIME DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. As receitas originárias de contratos de fornecimento de serviços firmados até 31/10/2003 submetem se à incidência cumulativa, desde que observados os termos e condições consolidados pela IN SRF 658/06, não desnaturando o requisito do preço predeterminado a previsão de cláusula de reajuste com base no IGPM. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso nos termos do voto do relator. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator e Presidente Substituto Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva e Mario Cesar Fracalossi Bais (Suplente). Relatório Fl. 394DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 8/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10730900933/200954 Acórdão n.º 3402001889 S3C4T2 Fl. 310 2 Como forma de elucidar os fatos ocorridos, colaciono o relatório do acórdão hostilizado, verbis: Tratase de Declaração de Compensação Eletrônica (27120.16189.310106.1.3.044091) – não homologada de débito de IRPJ (cód. 236201), relativo ao período de apuração de Dez/05, com crédito oriundo de pagamento considerado indevido, a título de PIS (cód. 6912), recepcionada pela RFB em 31/01/2006, tudo conforme se verifica na cópia da Perd/Comp constante dos autos (fls. 233/238). A autoridade fiscal decidiu não homologar a compensação efetuada, pois entendeu inexistir o direito creditório declarado (fl. 239). Cientificada da decisão (fl. 243 e 245), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 01/08), alegando em resumo que: 1. reconhece que parte da compensação efetuada fora indevida, pois usou taxa selic acumulada em percentual incorreto; 2. quanto ao restante da compensação declarada, a incorreção é do despacho decisório; 3. contribuiu involuntariamente para o equívoco do despacho decisório, pois prestou informações incorretas em documentos fiscais; 4. firmou contratos a preços predeterminados, antes de 31/10/03 com FURNAS, GERASUL/TRACTEBEL e CERJ/AMPLA (dois contratos), aprovados pela ANEEL, e com prazo de duração superior a um ano; 5. as receitas decorrentes de tais contratos estavam sujeitas ao PIS cumulativo (artigo 10 da Lei nº 10.833/03), mas equivocadamente foram declaradas como sujeitas ao PIS não cumulativo; 6. ao perceber as falhas retificou sua contabilidade, mas olvidou de retificar sua DCTF; 7. erros de fato no cumprimento de obrigações acessórias não impedem o reconhecimento do direito de crédito, pois houve recolhido a maior; 8. em relação à diferença da contribuição cumulativa recolhida a menor, decidiu adotar a postura excessivamente conservadora de extinguila novamente acrescida de juros e multa de mora. A contribuinte requer a homologação da compensação declarada. Em 20/04/10, a contribuinte, em Aditamento à Manifestação de Inconformidade, solicita juntada de novas peças aos autos (fl. 247). Fl. 395DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 8/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10730900933/200954 Acórdão n.º 3402001889 S3C4T2 Fl. 311 3 A 5ª Turma da DRJRIO II julgou improcedente a manifestação de inconformidade, pois entendeu, após análise dos contratos firmados com empresas fornecedoras de energia, descaber a troca do regime nãocumulativo para o cumulativo, que geraria, em tese, o crédito pleiteado. A inconformada, então, interpôs recurso voluntário ao CARF requerendo, em síntese, a nulidade da decisão da DRJ, pois entendeu que a autoridade julgadora não apreciou todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, vez que ignorou a existência do Ofício nº 1431/2006SFF/ ANEEL. Requereu alternativamente reconhecimento do direito creditório e homologação das compensações declaradas. A 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara do CARF, acolhendo razão do recorrente (inexistência de apreciação do mencionado Ofício), decidiu anular o acórdão recorrido, determinando o proferimento de uma nova decisão de primeira instância, a fim de examinar a aplicabilidade do Ofício SFF/ANELL nº 1431/2006 ao caso em questão. Retornou, então, estes autos ao Colegiado para novo julgamento do contencioso. A 5ª Turma da DRJ/RJII julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 1339467, de 25/01/2012, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/07/2005 Preço Predeterminado. Subsistência. Até a primeira alteração. A permanência no regime cumulativo do PIS e da Cofins, na hipótese prevista no inciso XI, artigo 10 da Lei nº 10.833/03, depende do caráter predeterminado do preço, que subsiste somente até a implementação, após 31/10/03, da primeira alteração do preço decorrente da aplicação de cláusula contratual de reajuste, salvo situações excepcionais legalmente previstas. Não sendo caso de exceção, o contrato regido com cláusula de reajuste com base no IGPM, sucedâneo do IPCr. Ofício ANEEL. Irrelevância no domínio de norma tributária. Ofício da Superintendência da Aneel nada interfere na aplicação das normas tributárias, seja em razão da forma inadequada adotada, seja porque carece a autoridade que o subscreve competência para alterar ou interpretar a legislação tributária, mormente quando seu conteúdo é estranho ao domínio fiscal, referindose apenas ao mercado de energia elétrica. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, requerendo, em síntese, que as receitas auferidas em Fl. 396DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 8/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10730900933/200954 Acórdão n.º 3402001889 S3C4T2 Fl. 312 4 decorrência dos contratos com FURNAS, com GERASUL TRACTEBEL e com CERJAMPLA estavam sujeitas à apuração do PIS e da Cofins pelo regime cumulativo, pois foram celebrados antes de 31/10/2003, têm prazo de vigência superior a um ano, têm como objeto o fornecimento de energia e contêm previsão de preço predeterminado. Termina sua petição postulando que sejam consideradas as razões jurídicas nelas expostas para reconhece o direito creditório pleiteado e homologar a compensação declarada. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator A impugnação foi apresentada com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dela tomo conhecimento e passo a apreciar. A recorrente alega que, equivocadamente apurou a contribuição com incidência nãocumulativa, quando o correto, segundo seu entendimento, seria com incidência cumulativa. Contudo, a autoridade julgadora de primeira instância assim não entendeu e manteve a não homologação da compensação do débito fiscal declarado sob o fundamento de que a contribuição é devida pelo regime não cumulativo, inexistindo, portanto, o crédito (indébito) financeiro declarado. Portanto, a pedra angular da lide posta nos autos restringese a decidir se o recorrente deveria apurar o PIS e a Cofins no regime cumulativo ou no regime nãocumulativo. A Lei nº 10.637, de 30/12/2002, que instituiu a contribuição para o PIS com incidência nãocumulativa assim dispõe: “Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. (...).” Posteriormente, a Lei nº 10.833, de 29/12/2003, que instituiu a Cofins com incidência nãocumulativa dispôs: Fl. 397DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 8/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10730900933/200954 Acórdão n.º 3402001889 S3C4T2 Fl. 313 5 “Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...). XI – as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...); b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; (...).” Por sua vez, o art. 15, desta mesma lei, com vigência a partir de 01/05/2004, determinou: “Art. 15. Aplica se à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...); V – nos incisos VI, IX a XXV do caput e no § 2º do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004 Assim, de conformidade com estes dispositivos, as receitas decorrentes de contratos de fornecimento de bens e/ ou serviços, a preço predeterminado, com prazo superior a 1 (um) ano, a priori, estariam sujeitas à contribuição para o PIS com incidência cumulativa. A Instrução Normativa SRF nº 658, de 4 de julho 2006, dispôs sobre a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, in verbis: Do Âmbito de Aplicação Art. 1º Esta Instrução Normativa disciplina a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre as receitas decorrentes dos tipos de contratos que especifica, quando firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003. Do Regime de Incidência Art. 2º Permanecem tributadas no regime de cumulatividade, ainda que a pessoa jurídica esteja sujeita à incidência não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: I com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil; Fl. 398DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 8/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10730900933/200954 Acórdão n.º 3402001889 S3C4T2 Fl. 314 6 II com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; III de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem assim os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas em processo licitatório até aquela data; e IV com prazo superior a 1 (um) ano, de revenda de imóveis, desmembramento ou loteamento de terrenos, incorporação imobiliária e construção de prédio destinado à venda. Do Preço Predeterminado Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Art. 4º Na hipótese de pactuada, a qualquer título, a prorrogação do contrato, as receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de 2003 sujeitarse ão à incidência nãocumulativa das contribuições. Nos termos da legislação supracitada, mantêmse no regime cumulativo as receitas das pessoas jurídicas advindas de contratos firmados anteriormente a 31/10/2003, com prazo superior a 1 (um) ano, de fornecimento de bens a preço predeterminado,. Regressando aos autos, entendo que não há lide sobre três dos quatro requisitos para a exclusão das receitas advindas dos contratos com as FURNAS, com a GERASUL/TRACTEBEL e com a CERJ/AMPLA do regime da nãocumulativida, quais sejam: o fornecimento é de energia um bem sem nenhuma dúvida todos os contratos foram Fl. 399DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 8/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10730900933/200954 Acórdão n.º 3402001889 S3C4T2 Fl. 315 7 celebrados antes de 31/03/2003 e com prazos superiores a 1(um) ano. Resta, então, o último requisito que prevê a necessidade do preço ser predeterminado. A primeira instância entendeu que a legislação impõe a inclusão das receitas no regime nãocumulativo quando ocorrer a primeira alteração de preço do fornecimento do bem. No caso em questão, teria ocorrido a partir de 10/2004 nos contratos firmados com FURNAS e GERASUL e a partir de 01/2004 no contrato firmado com a CERJ. A recorrente apresenta o Ofício nº 1431/2006SFF/ANELL, cujo assunto é uma consulta sobre os ajustes de preços previstos em cláusulas contratuais, para defender que os reajustes praticados não descaracterizaram o preço predeterminado. A Delegacia de Julgamento assim se pronunciou sobre a aplicação do Oficio mencionado e sua relevância na descaracterizava do caráter predeterminado do preço, verbis: O oficio, em geral, é peça de comunicação entre as pessoas jurídicas que não inclui entre as suas finalidades a de revogar, modificar ou alterar regras jurídicas vigentes legitimamente inseridas no contexto jurídico de um ordenamento legal. As normas citadas legais e infralegais determinam completamente a conduta a ser adotada pelos contribuintes, servindo de pauta plena na apreciação administrativa e até mesmo judicial. Assim, se o ofício especificamente citado de algum modo alterou aquelas regras excedeu o seu domínio de atuação, devendo ser rejeitado nesta função, e se apenas ratificou os termos das normas pertinentes tornase irrelevante para a decisão. Pensar de modo contrário violaria não apenas aquelas regras, mas o próprio princípio constitucional da legalidade, insculpido no art. 5º, inciso II, da Carta de 88: (...) Ora, não se reconhece no ofício mencionado – ou qualquer outro – caráter legal, nem força normativa para complementar a legislação de regência da matéria tratada, mormente quando se trata do campo tributário, onde prevalece ainda o principio da legalidade especial, também contemplado na Carta no seu art. 150, § 6º: A regra constitucional acima citada não apenas põe em relevo a segurança jurídica, constituindose em garantia para o próprio contribuinte, como impede eventual discriminação ou favorecimento caso se perpetrasse por meio de atos administrativos (mesmos os normativos), sem falar de ofícios, ou, quem sabe, memorandos ou emails, alterações em dispositivos legais regentes das matérias citadas: “subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão”. E o caso em exame, não há dúvida, implica redução da base de cálculo por meio da permissão da mudança, ao arrepio da lei, do regime da não cumulatividade para o cumulativo, de onde, afinal de contas, decorreria o alegado crédito. Fl. 400DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 8/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10730900933/200954 Acórdão n.º 3402001889 S3C4T2 Fl. 316 8 De fato, a pretensão heterodoxa de complementar o disposto na Lei por meio de ofício afronta o Código Tributário Nacional, Lei nº 5.172/66, conforme se depreende do seu art. 100, que autoriza a complementação da legislação tributária, entre outros, mediante atos normativos, excluindo, portanto, atos de mera comunicação: “Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I – os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III – as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV – os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios”. O ofício citado não se subsume em nenhuma destas hipóteses, particularmente naquela contemplada pelo inciso I, pois nem é ato normativo nem fora expedido por autoridade competente na esfera da Administração Pública Direta Federal. Ademais, a expedição de atos normativos com efeitos tributários é atividade situada fora do escopo legal da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), que tem a finalidade de regular (e fiscalizar) o mercado de energia elétrica, sendo lhe vedado adentrar por via oblíqua no domínio da tributação: LEI Nº 9.427, DE 26 DE DEZEMBRO DE 1996 (...) Art. 2º. A Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL tem por finalidade regular e fiscalizar a produção, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica, em conformidade com as políticas e diretrizes do governo federal. Portanto, completamente estranha às atividades da ANEEL legalmente definidas a função de interpretar, e muito menos a de instituir, regras de natureza tributária. Aliás, o Ofício nem mesmo é da Diretoria da ANEEL, mas da Superintendência de Fiscalização Econômica e Financeira. Por outro lado, ad argumentandum tantum, se examinado o conteúdo do ofício discutido verseá que não corresponde ao que determina a lei a sua conclusão – na interpretação do contribuinte de que o uso do IGPM não descaracteriza o preço predeterminado. O fundamento da conclusão repousa no art. 27, caput e inciso II do § 1º, da Lei nº 9.069/2006. A invocação do dispositivo legitimase na referência do §3º, do Art. 3º, da IN SRF nº 658/2006, antes citado, aqui reproduzido a fim de Fl. 401DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 8/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10730900933/200954 Acórdão n.º 3402001889 S3C4T2 Fl. 317 9 proporcionar uma visão sistemática do regramento do ponto controverso Instrução Normativa SRF nº 658/2006 “Art.3º. Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. (...) §3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado”. (...) Lei nº 9.069/2006 CAPÍTULO IV Da Correção Monetária “Art. 27. A correção, em virtude de disposição legal ou estipulação de negócio jurídico, da expressão monetária de obrigação pecuniária contraída a partir de 1º de julho de 1994, inclusive, somente poderá darse pela variação acumulada do Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr. § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I – (...) II – aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados;” Ora, do primeiro dispositivo destacado (§3º, art. 3º, da IN 658/06) se extraem claramente duas regras: (1) “Não descaracteriza o preço predeterminado o reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção”; (2) “Não descaracteriza o preço predeterminado o reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995”. Os contratos da contribuinte – acima analisados não se subsumem à primeira regra (custo de produção), pois os ajustes Fl. 402DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 8/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10730900933/200954 Acórdão n.º 3402001889 S3C4T2 Fl. 318 10 acordados não se baseiam, muito menos são calculados, com base na contabilidade de custo da empresa, mas em índice geral de preços (no caso o IGPM). Pela mesma razão, também não se subsumem à segunda regra (variação ponderada dos insumos), pois o índice para espelhar a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados não pode ser um índice geral de preços de toda a economia (tal como o IGPM), mas um índice necessariamente mais específico, senão no nível de empresa pelo menos no plano setorial. Concluise,portanto, que o tipo de reajuste aplicado nos contratos da contribuinte não se excepcionam da regra contida no §2º, do art. 3º, da IN 658/06. O exame do segundo dispositivo citado acima (art. 27, caput e inciso II do § 1º, da Lei nº 9.069/2006) corrobora a conclusão acima, pois o caput do art. 27 estabelece uma regra geral de correção monetária mediante um índice geral (na época o IPCr), mas a regra derivada do inciso II, § 1º, art. 27, excepciona justamente os contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens, prestar ou fornecer serviços para entrega futura. O caso dos autos é regido pela regra geral (caput do art. 27), não pela regra excepcional (inciso II, § 1º, art. 27), porque o IGPM nada mais que um índice geral tal como o IPCr, e, neste sentido, são equivalentes. Notese que o próprio ofício, que ora se analisa, admite que o IGPM seja uma espécie de sucedâneo do IPCr, mais ainda, admite – em consonância com a Lei – que este não se aplica ao caso de venda de bens (ou prestação de serviços) para entrega futura, como acontece na situação dos autos: “Nos termos do dispositivo ora citado, a regra geral é no sentido de que a correção monetária de quaisquer negócios jurídicos seja calculada com base no IPCr (índice de Preços ao Consumidor — série r). Nada obstante, no caso de fornecimento de bens e serviços a serem produzidos, a regra geral não se aplicaria, sendo que o índice de reajuste deveria per calculado/reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a Variação ponderada dos custos dos Insumos utilizados”. No entanto, a Superintendência da ANEEL profere conclusão contraditória e ambígua ao enunciar que o IGPM é índice que se amolda ao comando legal do art. 27 da Lei nº 9.069/95 e, conseqüentemente, ao art. 109 da Lei nº 11.196/05 e ao § 3º do art. 3º da Instrução Normativa SRF nº 658, de 4 de julho de 2006. E essa ambigüidade suscitou a interpretação da contribuinte no sentido de que poderia permanecer no regime cumulativo autorizado pela ANEEL, provocando a compensação declarada com crédito indevido, que pensou existir a partir da premissa de que o reajuste nos seus contratos não descaracterizava o caráter predeterminado do preço. Contudo, a interpretação do ofício que o torna útil, revelase quando é referenciado no objeto próprio de regulação da ANEEL: o mercado de energia elétrica. Nesta interpretação Fl. 403DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 8/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10730900933/200954 Acórdão n.º 3402001889 S3C4T2 Fl. 319 11 teleológica, o Ofício esclarece que, com a extinção do IPCr, o IGPM poderá ser utilizado nos contratos de fornecimento de energia elétrica para fins de reajuste de preço, nada interferindo, porém, no atributo de predeterminação do preço nos contratos para entrega futura para fins tributários Agora digo eu. Respeito a análise feita pela Delegacia de Julgamento, contudo, discordo da sua conclusão. Conforme dito alhures, a APINE – Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica – protocolou consulta com fins de averiguar a possibilidade do “enquadramento dos índices utilizados para reajuste de preços dos contratos de compra e venda de energia elétrica celebrados anteriormente a 31/10/2003, nas disposições do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069/95 e, consequentemente, no art. 109 da Lei nº 11.196/05 e no § 3º da IN SRF nº 658/06, sejam eles o IGPM ou quaisquer previstos nos contratos padronizados, nos contratos aprovados e/ou homologados pela ANEEL ou contratos celebrados com condições específicas, com base na regulamentação vigente à época”. Em resposta à consulta foi apresentado o Ofício 1431/2006SFF/ANELL, com a seguinte conclusão: (...) Resta, portanto, hialino que o IGPM é índice que se amolda ao comando legal do art 27 da Lei nº 9.069/95 e, consequentemente, no art. 109 da Lei nº 11.196/05 e no § 3º da instrução Normativa SRF nº 658, de 04 de julho de 2006. (...) De outra parte, resta ainda esclarecer que, conquanto tais fatos não tenham sido objeto da Nota Técnica nº 224/2006 – SFF/ANEEL, de 16 de junho de 2006, os demais índices previstos nos contratos aprovados e/ou homologados pela ANEEL, bem como nos contratos celebrados com condições específicas, com base na regulamentação vigente à época, na medida em que visam exatamente refletir a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, mantendo o poder de compra da moeda, enquadramse nas disposições do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069/95 e consequentemente, nas disposições do art. 109 da Lei nº 11.196/05 e no §3º do art. 3º da IN SRF nº 658/06. Nos termos da consulta formalizada pela APINE – Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Energia Elétrica, a correção do preço por índices previstos nos contratos aprovados e/ou homologados pela ANEEL, bem como nos contratos celebrados com condições específicas, com base na regulamentação vigente à época, não descaracteriza o preço predeterminado. A ANEEL é a agência do governo competente para homologar as tarifas e seus reajustes, segundo as respectivas naturezas e fundamentos econômicos. Deste modo, uma Fl. 404DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 8/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10730900933/200954 Acórdão n.º 3402001889 S3C4T2 Fl. 320 12 sua resposta oficial sobre a natureza do reajuste não pode ser descartada por outro órgão do governo, sob pena de arranhar a segurança jurídica que sustenta o direito pátrio. Feitas estas considerações, retornando aos autos, constatase que: a) O contrato celebrado com a FURNAS, foi aprovado em 22.06.1998, pela Resolução ANEEL nº 192/98, e que previa na cláusula 28 do contrato reajuste com base na variação do IGPM; b) O contrato o celebrado com GERASUL, também foi aprovado em 22.06.1998, pela mesma Resolução ANEEL n ° 192/98, e que previa na cláusula 28 do contrato reajuste com base na variação do IGPM; c) Os contratos celebrados com a CERJ/AMPLA (i) em 26.06.2002 e (ii) em 21.07.2003, foram aprovados pelo Oficio n° 696/2003SFF/ANEEL, de 04.06.2003, e pelos Despachos ANEEL nos 874/2003 e 445/2004, e que previam na cláusula 12 e na cláusula 15, respectivamente, de cada contrato reajuste com base na variação do IGPM. Portanto, todos os contratos foram aprovados pela ANEEL e possuíam cláusula de reajuste em seu bojo, de sorte que fica evidente que os reajustes praticados foram dentro dos limites previstos na legislação, de forma a não descaracterizar o preço como predeterminado. Assim sendo, não vejo motivos para apurar a Cofins pelo regime da não cumulatividade. Forte nestes argumentos, dou provimento parcial ao recurso para permitir a apuração do PIS referente ao mês de junho de 2005 no regime cumulativo. Os autos devem retornar a Unidade de Origem para que seja apurado um eventual indébito e compensado com os créditos tributários indicados pelo recorrente. É como voto. Sala das Sessões, em 25/09/2012 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 405DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 8/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 10730900933/200954 Acórdão n.º 3402001889 S3C4T2 Fl. 321 13 Fl. 406DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 8/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 10166.902462/2008-90
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1801-000.078
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(documento assinado digitalmente)
Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira Relator
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (documento assinado digitalmente) Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira – Relator Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Magda Azario Kanaan Polanczyk, Maria de Lourdes Ramirez, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão que manteve despacho decisório, que não homologou a PERDCOMP transmitida em 18/11/2004, para compensar débitos no valor de R$ 9068,62, com créditos de CSLL, recolhidos sob a rubrica de estimativa mensal, referente ao período de apuração de 31/12/1999. Com efeito, consta no despacho decisório, que o alegado crédito original de R$ 5816,20 foi integralmente utilizado para o pagamento da CSLL, PA 31/12/1999, não restando saldo a ser compensado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .9 02 46 2/ 20 08 -9 0 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 04/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.902462/200890 Resolução nº 1801000.078 S1TE01 Fl. 3 2 Inconformado o contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade alegando em síntese: Que o total declarado como CSLL devida no 4º Trimestre de 1999, conforme DIPJ, foi R$ 1.111,91, o qual foi devidamente compensado com 1/3 da COFINS efetivamente paga no período. Que portanto o crédito total utilizado na perdcomp, originário da DARF paga 31/01/2000, no valor de 5816,20 está efetivamente disponível e que portanto a PERDCOMP deve ser homologada. A decisão da DRJ de Brasília manteve o despacho decisório baseandose fundamentalmente no argumento da falta de provas do crédito do contribuinte. Intimada em 05/07/2011, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário tempestivo na data de 03/08/2011, alegando, no mérito que seu crédito é líquido e certo, para tanto colaciona Acórdão da Segunda Turma de julgamento, que reconheceu seu direito creditório. E o relatório Voto Afastos as preliminares de nulilidade, por ter a decisão recorrida enfrentado todas as questões postas pela Recorrente. No mérito, a decisão recorrida merece reparos, não estando a lide devidamente saneada para julgamento. Primeiramente, há de ser reconhecido o erro de fato do contribuinte ao recolher a CSLL sob o código de “pagamento por estimativa”. Neste sentido, a mesma relatora da decisão ora recorrida, em caso análogo do mesmo contribuinte, reconheceu o erro de fato e a possibilidade de se considerar os pagamentos feitos por estimativa, como se fossem pela sistemática do Lucro Real Trimestral, conforme abaixo: “Acórdão 0343.429; 2ª Turma da DRJ/BSB; Sessão de 06 de junho de 2011; Processo 10166.902267/200860. (...)Reconhecendo que a recorrente incorreu em erro de fato ao recolher o IRPJ sob o código de “estimativas”, vez que tanto sua DIPJ quanto sua DCTF declararam o imposto sob a sistemática do Lucro Real Trimestral.” Na mesma decisão admitiuse que o pagamento feito pelo contribuinte pudesse ser considerado como pagamento de IRPJ pelo Lucro Real Trimestral, e não como pagamento de IRPJ por estimativa: “Comprovado erro de fato no pagamento do IRPJ por estimativa. Contribuinte declarou em DCTF e DIPJ pagamento trimestral do tributo. Alocação automática do pagamento com o código de recolhimento por estimativa ao débito confessado em DCTF e declarado em DIPJ como pagamento trimestral do IRPJ.” Adicione ainda, o fato de o contribuinte anexar aos autos prova do recolhimento de CSLL para os períodos em litígio, conforme fls53 dos autos. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 04/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.902462/200890 Resolução nº 1801000.078 S1TE01 Fl. 4 3 Outrossim, a Recorrente transcreve em seu recurso decisão da mesma Turma julgadora da DRJ, que consultando, os sistemas da Receita reconheceu o crédito do contribuinte para o mesmo período ora questionado. Nesta esteira o direito creditório do contribuinte deve ser analisado pelo cotejo entre o valor declarado como devido no trimestre e o montante efetivamente pago na respectiva competência, considerandose os eventuais créditos decorrentes do pagamento de COFINS, sendo imprescindível a conversão do julgamento em diligência para verificação dos valores efetivamente pagos pelo contribuinte assim como suas destinações. . Havendo saldo credor, ou seja, admitindose que tenha recolhido valor acima do declarado, a título de CSLL para a competencia informada, haveria de ser reconhecido o direito creditório do contribuinte. Essa é a regra geral disposta no artigo 165, inciso I do CTN: “Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido” Em decisão proferida em caso análogo, decidiu a 1ª Turma da 1ª Secção do CARF, que os valores recolhidos indevidamente a título de antecipação mensal, no lucro real, podem ser compensados desde o momento do recolhimento, de acordo com a regra geral estabelecida no CTN. ACÓRDÃO 110100.303 Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF 1a. Seção 1a. Turma da 1a. Câmara (Data da Decisão: 20/05/2010 Data de Publicação: 17/09/2010) CARF 1º Seção / 1a. Turma da 1 a. Câmara / ACÓRDÃO 110100.303 em 20/05/2010 DCOMP PGIM IRPJ ASSUNTO: imposto sobre a renda de pessoa jurídica irpj período de apuração: 01/04/2003 a 30/04/2003 nulidade da decisão RECORRIDA. Argumento de defesa não apreciado, cerceamento ao direito de defesa não caracterizado. Não há prejuízo à validade da decisão que deixa de se manifestar sobre item da defesa, se este não foi exposto de forma a se caracterizar como questão controvertida, e assim exigir a atenção da autoridade julgadora. Pagamento indevido ou a maior estimativas. Erro na base de calculo. Os rendimentos de aplicações financeiras não integram a base de cálculo para fins de apuração das estimativas apuração do indébito, compensação admissibilidade somente são dedutiveis do irpj apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a LEI. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de ocom.p, inclusive com o próprio irpj apurado no ajuste anual, mas sem a dedução daquele excedente, e considerando, também, os acréscimos moratórios incorridos desde 1º de fevereiro do ano subseqiiente, na forma da LEI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 04/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10166.902462/200890 Resolução nº 1801000.078 S1TE01 Fl. 5 4 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão RECORRIDA e dar provimento parcial ao recurso para reconhecimento o direito creditório pleiteado e homologar a compensação do debito com os acréscimos moratórios pertinentes, ate o limite do valor atualizado do credito na data da entrega da dcomp, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Votou pelas conclusões o conselheiro carlos eduardo de almeida guerreiro, por se tratar de pagamento indevido e dcomp verificados antes de 29/10/2004 Publicado no DOU em: 17.09.2010 Recorrente: (...)Recorrida: DRJ Ribeirão preto/sp No entanto, a verificação do valor efetivamente recolhido pelo contribuinte a título de CSLL no período de apuração trimestral, assim como o valor pago a título de COFINS, origem de seu crédito de CSLL, assim como suas respectivas alocações não foi procedido pela autoridade julgadora de primeira instância, sendo esta análise fundamental para o deslinde da questão. Com base no exposto e em face das provas carreadas aos autos pela |Recorrente, voto pela conversão do julgamento em diligência, com retorno dos autos à unidade de jurisdição da recorrente para que seja analisado o mérito do pedido, ou seja, a origem e a procedência do crédito pleiteado, em face da sua contabilidade, registros no Sapli, outros pedidos de restituição/compensação com origem no mesmo crédito, vinculação a outros processos administrativos fiscais, formação do saldo negativo no final do ano calendário etc. A autoridade designada para realização da diligência deverá elaborar um relatório fiscal sobre os fatos apurados. Da realização da diligência deverá ser dada ciência ao contribuinte para que, querendo, manifestese sobre seu resultado. Observo que a empresa tem outros processos que versam sobre Per/Dcomp cujos créditos tributários são estimativas recolhidas durante o mesmo anocalendário, devendo ser analisados conjuntamente pela autoridade a quo Cumpridas as formalidades de praxe, os autos deverão retornar a este conselheirorelator. (documento assinado digitalmente) Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira – Relator Fl. 125DF CARF MF Impresso em 10/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 04/12/2012 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/12/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10825.900893/2008-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2000 Ementa: DCTF. INSTRUMENTO HÁBIL À CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. O débito confessado por meio de DCTF só pode ser alterado mediante retificação desta, que deve ocorrer no prazo de cinco anos. A DCTF entregue pelo sujeito passivo se constitui em instrumento por meio do qual o contribuinte informa o valor do crédito tributário apurado em favor do Fisco. Havendo erro na apuração a parte interessada tem prazo de cinco anos para retificá-la. O prazo quinquenal de que trata o artigo 149, parágrafo único, do CTN, é aplicável tanto ao Fisco quanto do contribuinte. Decorrido o prazo de cinco anos não é lícito ao sujeito passivo retificar a DCTF para alterar o valor apurado no passado, objetivando diminuir o imposto a pagar e fazer aflorar créditos a serem utilizados por meio de compensação. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação pressupõe a existência de crédito do devedor para com o credor. No momento em que o sujeito passivo não retificou a DCTF, antes do prazo decadencial, não fez com que se materializasse o valor pago a maior, cujo montante pretende utilizar, mediante compensação, para extinguir outros débitos. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.177
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório o voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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INSTRUMENTO HÁBIL À CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. O débito confessado por meio de DCTF só pode ser alterado mediante retificação desta, que deve ocorrer no prazo de cinco anos. A DCTF entregue pelo sujeito passivo se constitui em instrumento por meio do qual o contribuinte informa o valor do crédito tributário apurado em favor do Fisco. Havendo erro na apuração a parte interessada tem prazo de cinco anos para retificála. O prazo quinquenal de que trata o artigo 149, parágrafo único, do CTN, é aplicável tanto ao Fisco quanto do contribuinte. Decorrido o prazo de cinco anos não é lícito ao sujeito passivo retificar a DCTF para alterar o valor apurado no passado, objetivando diminuir o imposto a pagar e fazer aflorar créditos a serem utilizados por meio de compensação. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DA EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação pressupõe a existência de crédito do devedor para com o credor. No momento em que o sujeito passivo não retificou a DCTF, antes do prazo decadencial, não fez com que se materializasse o valor pago a maior, cujo montante pretende utilizar, mediante compensação, para extinguir outros débitos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório o voto que integram o presente julgado. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10825.900893/200819 Acórdão n.º 1402001.177 S1C4T2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Marcelo de Assis Guerra, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 572DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10825.900893/200819 Acórdão n.º 1402001.177 S1C4T2 Fl. 0 3 Relatório A alteração contratual de fls. 54/58, datada de 11/11/2003, indica que em tal data a recorrente manteve o objeto social no campo de “análises clínicas, abrangendo o campo de bioquímica, hematologia, hormônios, imunologia, microbiologia, parasitologia e citologia”. A DIPJ fls. 14/27, entregue em 24/04/2008, demonstra que a interessada protocolizou declaração retificadora do período de 01/01/2000 a 31/12/2000, indicando ser tributada na sistemática do lucro presumido e base de cálculo de 8% (oito por cento). A DCTF de fls. 28/36, entregue em 26/03/2008, tratase de declaração retificadora referente ao terceiro trimestre de 2000. Às fls. 28/48 constam as DCTF’s retificadoras referentes aos primeiro trimestre de 2000 e quarto trimestre de 2004. Pelo que alega a recorrente, tendo constatado pagamento a maior, isto é, feito levando em consideração a base de cálculo de 32%, a parte tratou de fazer as respectivas compensações. Todavia, não vieram aos autos os comprovantes de pagamento apurados com a base de cálculo de 32% (trinta e dois por cento) e tampouco a DCTF do período de 2000. O acórdão de fls. 60 e seguintes não homologou o procedimento de compensação sob o fundamento de que o direito creditório não estava devidamente comprovado. Em síntese, no caso concreto, alega a recorrente que ao calcular o imposto devido em relação ao primeiro trimestre de 2000 utilizou base de cálculo de 32% (trinta e dois por cento), quando o correto seria 8% (oito por cento). Assim, pagou imposto a maior no ano de 2000 e, em 2004, “antes de seu crédito ser atingido pela decadência” realizou as compensações indicadas nas DCTF’s de fls. 27 e seguintes, no montante de R$ 35.384,00. Em ocasião anterior, quando examinou a matéria, este colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que viessem aos autos os seguintes elementos: a) cópia do contrato social que vigorava no período de apuração do crédito em discussão; b) cópias das DCTF`s referentes aos períodos dos alegados pagamentos a maior, junto com a DIPJ de cada um dos trimestres, identificando a base de cálculo aplicada e a natureza dos rendimentos; c) cópia dos comprovantes de pagamento e/ou extinção dos débitos tributários por compensação; d) quadro demonstrativo referente ao período do alegado pagamento a maior, indicando a natureza da origem da receitas (comércio, prestação de serviços, atividades de laboratórios, etc.), a base de cálculo considerada, o valor pago à época, o quanto seria devido se aplicado base de cálculo de 8% (oito por cento) e não de 32% (trinta e dois por cento) e, Fl. 573DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10825.900893/200819 Acórdão n.º 1402001.177 S1C4T2 Fl. 0 4 e) nos casos de pagamentos a maior, com débitos subsequentes, deverá a requerente fazer constar do quadro acima quando isto se deu, em que valores e em que forma (DCTF, DCOMP etc). No decorrer do procedimento de diligência, em atendimento à autoridade fiscal, a recorrente trouxe a estes autos e/ou a processos sobre a mesma matéria, examinados nesta sessão, documentos e planilhas contendo os seguintes elementos: (I) demonstrativo da apuração do imposto a recuperar no ano de 2000; (II) atualização e utilização por compensação do imposto a recuperar; (III) alteração contratual vigente à época dos fatos, onde se verifica que o objeto social permaneceu inalterado; (IV) quadro demonstrativo em face de faturamento obtido com pessoas jurídicas, em cada trimestre, com retenções de IRRF (ano de 2000); (V) quadro demonstrativo em face de faturamento obtido com pessoas jurídicas, em cada trimestre, sem retenções de IRRF (ano de 2000); (VI) quadro demonstrativo em face de faturamento obtido com pessoas, físicas em cada trimestre, sem retenções de IRRF (ano de 2000); (VII) quadro resumo contendo o faturamento com IRF, o faturamento sem IRRF, o faturamento com IRRF e a soma destes três montantes em cada trimestre do anocalendário de 2000; (VIII) quadro demonstrativo das retenções do IRRF por trimestre, indicando cada uma das fontes (ano de 2000); (IX) livro razão referente ao período a que se refere os itens anteriores (ano 2000); (X) DIPJ retificadora referente ao ano de 2000; (XI) DCTFs retificadoras referentes a trimestres do anocalendário de 2000, enviadas somente em 2008; (XII) informe de rendimentos e de imposto retido por cada uma das fontes pagadoras referente ao ano de 2000, sendo que o maior faturamento diz respeito ao Ministério da Saúde, identificado como sendo “serviços hospitalares”. De posse das informações fornecidas pela parte interessada a autoridade fiscal elaborou o termo de verificação destacando os seguintes pontos: a) que o alegado direito creditório da recorrente referese à diferença pelo de ter recolhido tributos considerando base de cálculo de 32%, quando o correto, segundo seu entendimento, seria 8%; Fl. 574DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10825.900893/200819 Acórdão n.º 1402001.177 S1C4T2 Fl. 0 5 b) que esta diferença resultante entre 1998 e 2003 gerou mais de 180 PER/COMP; c) para facilitar a compreensão da matéria a autoridade fez análise por ano calendário, indicando o trimestre, o pagamento, a data do pagamento, o número do pedido de compensação e a localização dos autos. d) destacou a autoridade fiscal que para um mesmo Darf existem vários pedidos de compensação a serem controlados em diversos processos que se encontram em diferentes locais, conforme quadro que segue: e) Além do quadro acima, levando em consideração a DIPJ retificadora e as DCTFs retificadoras, a autoridade fiscal elaborou o seguinte demonstrativo: Fl. 575DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10825.900893/200819 Acórdão n.º 1402001.177 S1C4T2 Fl. 0 6 Intimada dos levantamentos feitos pela autoridade fiscal, a recorrente manifestouse destacando os seguintes pontos: a) que dos demonstrativos apurados no exaustivo trabalho da autoridade fiscal notouse algumas divergências entre a receita declarada e a receita informada em DIRF. Igualmente, percebeuse pequenas divergências entre as retenções que foram utilizadas em compensações; b) relativamente às divergências de receitas e retenções declaradas, esclarece a recorrente que a contabilização da receita era feita pela nota fiscal e o aproveitamento da retenção na fonte pelo recebimento; c) por outro lado, esclarece a recorrente que o valor da nota fiscal emitida nem sempre correspondia ao pagamento, pois existiam glosas, ainda que indevidas, pelos tomadores dos serviços; d) que os valores sem DIRF, mais representativos, são do SUS e do SEPREM, ambos órgãos públicos a quem a recorrente solicitou os devidos comprovantes, sendo que a SEPREM os forneceu e o SUS informou que tais informações somente podiam ser obtidas por meio de diligências em Brasília, pois a verba para a saúde tem origem no Ministério da Saúde que repassa para os Estados e Municípios. e) destaca, ainda, que o processo documental do SUS é diferente, pois não existe nota fiscal de serviço, mas sim relatórios que são auditados, para os quais são emitidos ofícios com estimativa de pagamento. Neste sentido a recorrente apresenta exemplos. f) Junto com a manifestação em relação ao levantamento feito pela autoridade fiscal a contribuinte juntou documentos separados por anos (1998, 1999 e 2000). g) para cada ano e para cada empresa que apresentou problemas de falta ou de divergência de valores a contribuinte elaborou planilha contendo: 1. o ano da ocorrência; 2. o nome da empresa – fonte pagadora; 3. o nº atribuído a esta empresa que irá identificálo no razão; 4. o CNPJ da fonte pagadora; 5. o Banco onde eram creditados os rendimentos; 6. o faturamento líquido e a retenção em cada mês. A planilha acima referida foi instruída com cópias de notas fiscais, onde por vezes constam anotadas as glosas, novo cálculo de retenções, valor líquido pago, data de pagamento e extrato onde se encontra registrado o crédito e, por vezes, o nome do pagador. A título de exemplo de glosa ocorrida a contribuinte menciona a nota fiscal nº 2035, de 30091998, no valor original de R$ 1008,30, com glosa de R$ 45,00. Assim, o valor da referida nota passou a ser R$ 963,30 (R$ 1.008,00 – R$ 45,00 ,00 = R$ 963,30). Sobre este valor houve retenções de R$ 81,40, o que resultou em recebimento líquido de 881,90. É o relatório. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10825.900893/200819 Acórdão n.º 1402001.177 S1C4T2 Fl. 0 7 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. Antes de adentrar ao mérito faço questão de registrar o excelente trabalho de confecção de planilhas elaboradas tanto pela fiscalização quanto pela contribuinte. O atuar de uma facilitou no trabalho da outra e ambas propiciaram melhor esclarecimentos aos fatos. Do retorno da diligência, levando em consideração seu objeto social da recorrente, os tomadores dos serviços e demais dados existentes nos autos, já analisados quando da conversão do processo em diligência, resultei convencido de que, à luz do que foi decidido no REsp nº 1.116.399/BA, julgado sob o regime de recurso repetitivo de que trata o artigo 543C, do Código de Processo Civil, que nos termos do artigo 62A, do Regimento Interno, deve ser observado por este colegiado, a base de cálculo da tributação efetivamente era de 8%. Deixo de transcrever os fundamentos constantes do REsp nº 1.116.399/BA porque já o fiz quando da resolução que converteu o processo em diligência. Porém, a questão que diz respeito ao deslinde deste processo não está relacionada à base de cálculo e tampouco ao montante dos valores retidos na fonte. À luz do parágrafo único do artigo 142 do CTN, a atividade de lançamento, assim entendido como o procedimento tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido e identificar o sujeito passivo, é atividade administrativa vinculada e obrigatória. Quer nos casos de lançamento de ofício, quer nas hipóteses de lançamento por homologação em que o sujeito passivo, por conta própria, identifica a matéria tributável, a base de cálculo, a alíquota incidente, o quanto devido e realiza o pagamento, não há faculdade, em relação a nenhuma das partes, para exigir ou deixar de pagar tributo previsto em lei. A garantia constitucional consagrada no artigo 150, I, da CF, que veda à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios “exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça”, também contém a obrigação do contribuinte de pagar, com exatidão, os tributos previstos no ordenamento jurídico. Tal comando constitucional advém do princípio da legalidade consagrado no artigo 5º, II, da Constituição de 1988, e não é novo em nosso direito, pois já se encontrava previsto nas Constituições anteriores e no artigo 97, do Código Tributário Nacional. Nos casos de pagamento a menor cabe ao Fisco, nos termos do artigo 142 do CTN, por lançamento de ofício, exigir a diferença. Efetuado pagamento a maior, diante da impossibilidade de se exigir tributo além do montante fixado em lei, cabe à Administração Fl. 577DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10825.900893/200819 Acórdão n.º 1402001.177 S1C4T2 Fl. 0 8 proceder a restituição, que nos casos de pessoa jurídica pode darse mediante compensação, conforme previsto no artigo 170, do CTN. Ainda em relação à compensação, o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as modificações introduzidas pela Lei nº 10.637, de 2002 e Lei nº 10.833, de 2003, dispõe “in verbis”: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada ao caput pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002, DOU 31.12.2002 Ed. Extra, com efeitos a partir de 01.10.2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002, DOU 31.12.2002 Ed. Extra, com efeitos a partir de 01.10.2002. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002, DOU 31.12.2002 Ed. Extra, com efeitos a partir de 01.10.2002).” Quando examinei o processo pela primeira vez o fiz partindo da premissa de que a contribuinte, quando formulou os pedidos de compensação, havia retificado as DCTFs, sem proceder o mesmo em relação à DIPJ. Tendo por norte esta premissa entendi que as DCTF`s entregues eram documentos hábeis para constituir os débitos tributários nelas contidos, assim como para informar que tais débitos foram pagos mediante compensação. Assim, não havia o que se falar em decadência. Apesar dos fundamentos acima, como as DCTFs retificadoras não se encontravam nos autos, converti o julgamento em diligência solicitando que viessem aos autos ditos documentos. Se retificada a DCTF antes da extinção do direito da recorrente, ao meu sentir, em análise preliminar, não havia como negar a compensação ora analisada. Ocorre que a DCTF também foi retificada após o decurso do prazo de cinco anos. Assim, a premissa inicialmente considerada quando da conversão do processo em diligência, com a informação vinda aos autos, mostrouse inexistente. Nos termos do artigo 147 e seguintes do Código Tributário Nacional o lançamento pode darse por a) declaração; b) homologação e c) de ofício. No caso, interessanos o lançamento por homologação que à luz do artigo 150, do CTN, ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de identificar a matéria tributável, apurar o quanto devido e realizar o pagamento, cabendo à autoridade administrativa homologar a atividade praticada pelo sujeito passivo ou, em discordando, efetuar o lançamento de ofício. Fl. 578DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10825.900893/200819 Acórdão n.º 1402001.177 S1C4T2 Fl. 0 9 Quando o sujeito passivo, no lançamento por homologação, identifica a matéria tributável, apura a base de cálculo e calcula o valor do tributo devido, informandoo à Administração Tributária por meio de DCTF, temse a constituição de um crédito em favor do Fisco. Neste caso é o sujeito passivo que apura o valor que reconhece devido ao sujeito ativo. Por outro lado, quando o Fisco, em lançamento por declaração ou de ofício, apura o valor do imposto devido e notificao ao sujeito passivo, tem o credor o prazo de cinco anos para exigir o respectivo tributo, sob pena de prescrição. Pelo que se depreende do artigo 149, parágrafo único, este lapso temporal de 5 (cinco) anos também se verifica nos casos em que o sujeito passivo, nos lançamentos por homologação, comete erros na constituição do crédito. Por hipótese, se constituiu crédito tributário considerando base de cálculo além da devida, lhe é assegurado o prazo de cinco anos para retificar o ato de constituição do débito, no caso a DCTF. O prazo quinquenal de que trata o artigo 150, parágrafo único, do CTN, é prazo aplicável tanto em favor do Fisco quanto do contribuinte para retificarem o lançamento nas hipóteses admitidas em lei. Decorrido tal prazo não é lícito ao fisco fazer exigência em face do contribuinte e, tampouco, este pode retificar DCTF para diminuir o valor anteriormente constituído. O contribuinte precisa entender que ao entregar a DCTF está constituindo crédito em favor do Fisco. Se houver erro pode retificála no prazo de 5 (cinco) anos. Contudo, decorrido tal prazo extinguese o direito da parte em retificar a DCTF. Por fim, para que não se diga que o colegiado tangenciou sobre ponto relevante em relação ao qual deveria manifestarse, deixo consignado que o fato do sujeito passivo ter entregue pedido de compensação dentro do período de cinco anos não altera o resultado do julgamento. A compensação pressupõe um crédito do devedor para com o credor. Assim, no momento em que o sujeito passivo não retificou sua DCTF, dentro do período de 5 (cinco) anos, não fez aflorar o crédito pretendido que, mediante compensação, poderia utilizar para pagamento de outro tributo. ISSO POSTO, voto no sentido de negar provimento ao recurso por reconhecer a impossibilidade de retificação da DCTF depois de decorridos 5 (cinco) anos de sua entrega. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 579DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 25/09/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 21/09/2012 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA
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Numero do processo: 10530.723062/2009-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004, 2005, 2006
PERÍCIA OU DILIGÊNCIA.
Indefere-se o pedido de perícia ou diligência quando a sua realização revele-se prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora.
NULIDADE - CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL - INEXISTÊNCIA
As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL
Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
PEDIDO DE PERÍCIA - INDEFERIMENTO
É de ser indeferido o pedido de perícia contábil quando a prova que se pretende formular com a perícia era de exclusiva responsabilidade do sujeito passivo.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
ILEGITIMIDADE PASSIVA
A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF no.32).
ÔNUS DA PROVA.
Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. A simples alegação em razões defensórias, por si só, é irrelevante como elemento de prova, necessitando para tanto seja acompanhada de documentação hábil e idônea para tanto.
Indeferir Pedido de Perícia
Preliminares rejeitadas
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-002.119
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de realização de diligência suscitada pelo Conselheiro Rafael Pandolfo. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo e Pedro Anan Junior. Por unanimidade de votos, indeferir o pedido de perícia e rejeitar as preliminares suscitadas pela Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral, o seu representante legal, Dr. Pedro César Ivo Trindade Mello, inscrito na OAB/BA sob o nº 29.505.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann Presidente
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Relator
Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odmir Fernandes.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006 PERÍCIA OU DILIGÊNCIA. Indefere-se o pedido de perícia ou diligência quando a sua realização revele-se prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. NULIDADE - CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL - INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. PEDIDO DE PERÍCIA - INDEFERIMENTO É de ser indeferido o pedido de perícia contábil quando a prova que se pretende formular com a perícia era de exclusiva responsabilidade do sujeito passivo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ILEGITIMIDADE PASSIVA A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF no.32). ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. A simples alegação em razões defensórias, por si só, é irrelevante como elemento de prova, necessitando para tanto seja acompanhada de documentação hábil e idônea para tanto. Indeferir Pedido de Perícia Preliminares rejeitadas Recurso negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de realização de diligência suscitada pelo Conselheiro Rafael Pandolfo. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo e Pedro Anan Junior. Por unanimidade de votos, indeferir o pedido de perícia e rejeitar as preliminares suscitadas pela Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral, o seu representante legal, Dr. Pedro César Ivo Trindade Mello, inscrito na OAB/BA sob o nº 29.505. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Relator Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odmir Fernandes.
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Indeferese o pedido de perícia ou diligência quando a sua realização revele se prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. NULIDADE CARÊNCIA DE FUNDAMENTO LEGAL INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NULIDADE DO PROCESSO FISCAL Se foi concedida, durante a fase de defesa, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos, bem como se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. PEDIDO DE PERÍCIA INDEFERIMENTO É de ser indeferido o pedido de perícia contábil quando a prova que se pretende formular com a perícia era de exclusiva responsabilidade do sujeito passivo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 30 62 /2 00 9- 03 Fl. 1345DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ILEGITIMIDADE PASSIVA A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF no.32). ÔNUS DA PROVA. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. A simples alegação em razões defensórias, por si só, é irrelevante como elemento de prova, necessitando para tanto seja acompanhada de documentação hábil e idônea para tanto. Indeferir Pedido de Perícia Preliminares rejeitadas Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de realização de diligência suscitada pelo Conselheiro Rafael Pandolfo. Vencidos os Conselheiros Rafael Pandolfo e Pedro Anan Junior. Por unanimidade de votos, indeferir o pedido de perícia e rejeitar as preliminares suscitadas pela Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral, o seu representante legal, Dr. Pedro César Ivo Trindade Mello, inscrito na OAB/BA sob o nº 29.505. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Odmir Fernandes. Fl. 1346DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.723062/200903 Acórdão n.º 2202002.119 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor da contribuinte, ADAILZA SANTOS DE OLIVEIRA, foi lavrado auto de infração do imposto de renda apurado com base em depósitos bancários de origem não comprovada, efetuados em 2005. O imposto resultante foi de R$ 2.953.330,49, elevandose a exigência para R$ 6.295.319,26 com os acréscimos legais. De acordo com o relatório fiscal (fls. 11/19), a contribuinte, intimada a comprovar a origem dos depósitos, apresentara livros caixa e relatórios de vendas de diversas empresas que teriam efetuado os depósitos em sua conta (fls. 657/669). Afirmava que agia como representante destas empresas, que estão relacionadas às fls. 670/671. Apresentava contrato social da Fenícia Eletrodomésticos e da Comercial de Móveis Rio Una, em nome de seus filhos menores, e de outra empresa em nome de seu pai e mãe. A sua conta funcionaria como um caixa central destas empresas, que estão sediadas em diversos municípios, “com a finalidade de ter seu domínio e controle”, como se expressa às fls. 674. Os depósitos teriam se originado das vendas do dia à dia destas empresas, e da sua conta também teriam saído os recursos para pagamentos das suas despesas. Julgadas insuficientes as provas e justificativas apresentadas, a contribuinte voltou a ser intimada em diversas ocasiões para que apresentasse documentos hábeis comprovando a origem dos créditos. Por fim, apresentou a planilha às fls. 676/1091, onde procurava relacionar individualizadamente os valores das vendas e pagamentos das empresas com a movimentação em sua conta bancária pessoal. O autuante, após análise de todos os documentos apresentados no curso da ação fiscal, chega às seguintes conclusões (fls. 15). Para verificar a justificativa da contribuinte que os valores creditados eram de origem das vendas comerciais de suas lojas, a Fiscalização analisou os Livros Caixa de cada empresa. Nessa análise se constatou que a escrita contábil dessas empresas só apresentava a escrituração de receitas de vendas e despesas, não constando escrituração das movimentações financeiras/bancárias. A contribuinte, ao entregar os Livros Caixa à Fiscalização, não conseguiu comprovar os depósitos em sua contacorrente, pois os Livros Caixa não cumpriram as obrigações acessórias exigidas no art. 7º, § 1º, alínea “a” da Lei nº 9.317/96 (art. 190, parágrafo único, inciso I do RIR/99), que obriga que esses livros contábeis possuam escrituração da sua movimentação financeira, inclusive bancária. Em resumo, os Livros Caixas não apresentavam nenhum registro escritural de movimentação financeira e bancária da sua atividade comercial ou qualquer outra por ventura existente, não podendo estabelecer qualquer vínculo com os depósitos realizados na contacorrente da fiscalizada. (...) foi entregue uma planilha com relação dos pagamentos e despesas efetuadas pelas firmas. Mais uma vez a contribuinte não conseguiu comprovar o ingresso de recursos em sua conta corrente, apresentando informações somente dos débitos em suas Fl. 1347DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 contas, isto é, saídas de dinheiro para pagamentos/ transferências. Quanto à última planilha apresentada (fls. 676/1091), traça os seguintes comentários (fls. 16): Em 15/07/2009, a contribuinte entregou à Fiscalização nova planilha contendo valores de vendas, despesas e depósitos bancários. Ao analisar esses novos documentos, a Fiscalização concluiu que mais uma vez a contribuinte não conseguiu de forma hábil e idônea comprovar cada um dos créditos financeiros ocorridos em sua conta corrente, pois apresentou de forma genérica e com ausência de documentos individuais, planilha com valores de vendas, despesas, pagamentos e depósitos que não guardam relação entre si. As provas apresentadas foram assim julgadas insuficientes para comprovar a origem dos depósitos, os quais foram então considerados rendimentos omitidos, com base no art. 42 da Lei n° 9.430/1999. Como esclarece o relatório fiscal, os valores mensais destes depósitos, que totalizaram no ano R$ 10.752.170,90, foram obtidos a partir dos depósitos a que se refere a planilha que integrou o Termo de Intimação Fiscal cientificado em 15/10/2008 (fls. 36/169). Os argumentos da impugnante são, em síntese, os seguintes (fls. 1099/1148): 1. Comprovara durante a fiscalização a origem dos depósitos bancários em sua conta ao demonstrar que a mesma fora utilizada para a movimentação de recursos de diversas empresas das quais era representante, funcionando a sua conta como caixa único central para recebimento do produto das vendas e para efetuar as despesas com o pagamento de fornecedores e até mesmo obrigações trabalhistas. As provas demonstrando estes fatos foram indevidamente desconsideradas pelo autuante. 2. O lançamento realizado sem consideração das provas e indícios da real procedência dos depósitos está desprovido de certeza na determinação do crédito tributável e do sujeito passivo, pois havia comprovado que os recursos são das empresas indicadas. Apresenta procurações das mesmas designandoa para o exercício da sua gestão financeira (fls. 1173/1186), acrescentando ainda declarações confirmatórias dos gerentes destas empresas (1187/1204). Todos estes elementos obrigariam a uma investigação mais aprofundada por parte do Fisco, para que pudesse determinar a forma adequada de tributação. O imposto lançado em desprezo aos fatos e à lógica não se sustenta no mundo fático, fere o bom senso e atenta contra a razoabilidade. 3. Houve cerceamento do direito de defesa, uma vez que os depósitos incluídos no lançamento não foram relacionados individualizadamente pelo autuante, como requer a lei, tendo sido relacionados apenas os valores globais de cada mês (fls. 14). Não há no auto de infração planilha que identifique os valores individuais, pois a relação que fora entregue durante a fiscalização não pode servir para este fim, pois não está a salvo de erros. Como não pode identificar os depósitos, se vê impedida de apresentar defesa, o que implica nulidade do lançamento. 4. Declarara, comprovara e confessara que os recursos não lhe pertenciam; que as empresas não são suas; que era mera gerente de recursos de terceiros; que não possui patrimônio compatível Fl. 1348DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.723062/200903 Acórdão n.º 2202002.119 S2C2T2 Fl. 4 5 com a movimentação financeira que lhe está sendo atribuída; que os recursos depositados serviam para cobrir as despesas das pessoas jurídicas depositantes, e não para aquisição patrimonial ou consumo próprios. Deveria assim ser afastada a sua responsabilidade pessoal para ser considerada como pessoa interposta, cabendo o lançamento somente contra os reais titulares da conta bancária, como determina a lei. 5. O autuante aponta irregularidades na escrituração dos livros caixa das empresas como razão para não admitilos como provas das origens dos depósitos. Não poderia, porém, a pessoa física, como mera representante destas empresas, arcar com as consequências fiscais das irregularidades da escrituração das pessoas jurídicas representadas. 6. O autuante constatou que as empresas escrituraram vendas suficientes para cobrir os depósitos bancários em questão. A falta de registro da conta bancos não pode significar que esta escrituração seja imprestável como prova. Ademais, não foi levado em conta que as despesas registradas nestes livros caixa correspondiam a valores sacados na sua conta pessoal, para o que apresentou durante a fiscalização cópias dos cheques emitidos, acompanhados de relação, entre outros, dos fornecedores que os sacaram, dos impostos pagos, dos salários dos empregados, todas estas despesas das pessoas jurídicas. 7. O autuante presume indevidamente, em seu demonstrativo às fls. 17, que os rendimentos tenham sido pagos por pessoas jurídicas, quando a autuada comprovara não haver recebido qualquer rendimento de prestação de serviços, tendo tão somente operado como gestora dos recursos financeiros das pessoas jurídicas que representava. Se não recebeu rendimentos de pessoas jurídicas pela prestação de serviços, o procedimento do autuante somente poderia indicar que considerou os depósitos como provenientes da atividade comercial. Mas neste caso a tributação não poderia ser efetuada contra a pessoa física, que se equipararia necessariamente à pessoa jurídica. 8. Mesmo que os recursos depositados na conta da pessoa física correspondessem a vendas omitidas pelas pessoas jurídicas (o que se admite apenas para argumentar), a sua tributação não poderia ser efetuada contra a pessoa física, à alíquota de 27,5%, mas sim na sistemática própria da tributação das pessoas jurídicas. 9. Na eventualidade de não serem acatadas as razões acima, cabe excluir da base de cálculo os pagamentos que comprovadamente realizou em favor das empresas que representava. 10. Devem ser excluídos da base de cálculo os cheques bloqueados ou devolvidos. A DRJ julga a impugnação improcedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004, 2005, 2006 Fl. 1349DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o sujeito passivo revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Comprovada a legitimidade do lançamento efetuado de ofício e cumpridas as formalidades legais dispostas em lei para sua efetivação, afastamse, por improcedentes, as preliminares argüidas. OMISSÃO DE RENDIMENTOS PROVENIENTES DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1997, a Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base em valores depositados em conta bancária para os quais o titular não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. GUARDA DE DOCUMENTOS. PRAZO PRESCRICIONAL. Os documentos relativos aos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram, nos termos do art. 195, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. O ônus da prova existe afetando tanto o Fisco como o sujeito passivo. Não cabe a qualquer delas manterse passiva, apenas alegando fatos que a favorecem, sem carrear provas que os sustentem. Assim, cabe ao Fisco produzir provas que sustentem os lançamentos efetuados, como, ao contribuinte as provas que se contraponham à ação fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado do acórdão proferido pela DRJ, o contribuinte interpôs recurso voluntário, onde reitera argumentos da impugnação. Enfatizando o seguintes pontos: Indica que o relator de primeira instância não apreciou razões de defesa, na medida em que fez tabula rasa de circunstâncias elementares ao deslinde do feito; Da nulidade do auto de infração em razão da não individualização dos depósitos, segundo o qual não teria sido explicitado a forma como as consolidações mensais utilizadas na base de cálculo foram obtidas; Da nulidade do auto de infração em razão das certeza dos elementos de convicção utilizados na autuação, tendo em vista que as provas apresentadas ao longo do processo teriam provado que a recorrente utilizava a sua conta corrente como caixa único e conta corrente conjunta; Esta demonstrado nos autos que os depósitos realizados na conta de titularidade da impugnante referemse a vendas realizadas nos estabelecimentos comerciais. Tais constatações aliadas as declarações fornecidas pelos gerentes de empresa e ás procurações Fl. 1350DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.723062/200903 Acórdão n.º 2202002.119 S2C2T2 Fl. 5 7 conferindo poderes de mandato a Adailza desconstituem a presunção de que os depósitos bancários realizado são renda; Da apresentação de elementos de prova relativos a situação da recorrente como mandatária – gestora dos recursos financeiros de terceiros. Entende o recorrente que os elementos de prova nos autos ao longo do processo administrativo permitiram o autuante conhecer a situação da recorrente como mandatária dos recurso financeiros de terceiros; Da improcedência do lançamento fiscal por falta de subsunção dos fatos ocorridos com a hipótese de incidência, sendo a recorrente interposta pessoa das empresas depositantes. Uma vez demonstrado que a recorrente agiu em nome de terceiros, a mesma poderia ser considerada como interposta pessoa das empresas que depositaram dinheiro e cheques diretamente na sua conta bancária. Nesse contexto inexiste a possibilidade de responsabilização pessoal da mandatária hábil a gerar contra si obrigação tributária. Da possibilidade dos livros fiscais das empresas mandantes serem utilizados como meio de prova eficaz da existência de caixa único e conta corrente bancário conjunta das empresas depositantes. Da elisão da presunção de omissão de receitas, da necessidade de acolhimento de provas produzidas. Da improcedência do auto de infração em razão do erro na identificação do sujeito passivo, tratamento da pessoa física como pessoa jurídica no exercício da atividade empresarial, uma vez que a pessoa física autuada não é sócia das empresas depositantes, mas mera mandatária, não é razoável aduzir que os valores depositados possuíram a natureza de prolabore ou dividendos; Da redução da base de cálculo em face da comprovada realização de depósitos bancários em favor de terceiros; Do erro da fiscalização relativo a não exclusão de cheques devolvidos ou bloqueados; Das nulidades dos acórdão e vícios contidos no julgamento realizado pela DRJ, tendo em vista que ofendeu o princípio da ampla defesa e do contraditório. Indicando como falhas os seguintes pontos: Da falha da instrução processual, ao não considerar as provas apresentadas, procurações outorgadas, declarações de gerentes, cheque no. 853.804 (que comprova pagamento realizados a partir da conta), comprovantes de pagamentos e demonstrativos denominados Anexo 1 , 2 e 3. Acrescenta que diligências não foram realizadas; Da nulidade decorrente de omissões e do acórdão recorrido, uma vez que os pontos suscitados na impugnação não foram apreciados na acórdão; Dos equívocos contidos no acórdão recorrido ao não apreciar as nulidade do auto de infração, do erro na identificação do sujeito passivo e das provas que atestam esse fato; da condição de pessoa interposta; Da inconsequente ilação do acórdão recorrida relativo a ocorrência de fraude que supostamente séria hábil a imputar obrigação tributária a recorrente, da legitimidade passiva. Destaca dois equivocos no arrazoado da DRJ, primeiro que o valor total da vendas deveria corresponder aos valores depositados na conta corrente da mandatária e o segundo referese a utilização dos artigos 923 e 925 do RIR/99 para tentar afastar o caráter probatório dos livros fiscais apresentados, que são aplicados somente no contexto para pessoas jurídicas. Fl. 1351DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 O julgador deveria ter instruído o processo, como admitir a instrução do processo como ouvida de testemunhas, depoimentos de representes legais das empresas, preferiu realizar ilações sem provas. Da necessidade de expurgar da base de cálculo os cheques e depósitos bloqueados; Indica que não houve acréscimo patrimonial resultante dos depósitos. Reitera pedido de diligência. É o relatório. Fl. 1352DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.723062/200903 Acórdão n.º 2202002.119 S2C2T2 Fl. 6 9 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da Preliminar de nulidade do Auto de Infração Nos presentes autos, não ocorreu nenhum vício para que o procedimento seja anulado, como bem discorreu a autoridade recorrida, os vícios capazes de anular o processo são os descritos no artigo 59 do Decreto 70.235/1972 e só serão declarados se importarem em prejuízo para o sujeito passivo, de acordo com o artigo 60 do mesmo diploma legal. Constatado que as infrações apuradas foram adequadamente descritas nas peças acusatórias e no correspondente Relatório de Procedimento Fiscal, e que o contribuinte, demonstrando ter perfeita compreensão delas, exerceu o seu direito de defesa, não há que se falar em nulidade do lançamento. As razões para não se aceitar os argumentos do recorrente estão claramente demonstrados tanto no Termo de Verificação do Auto de Infração como na Decisão recorrida. Entendo que não procede a alegação de que a defesa teria sido prejudicada. Uma vez que isso não impediu que o contribuinte apresentase ampla defesa suscitando vários pontos. Ao apreciar as questão de nulidade do auto de infração assim se pronunciou a autoridade recorrida: A impugnante argúi cerceamento do direito de defesa por não terem sido relacionados os depósitos incluídos no auto de infração. Não é o que se verifica. Os depósitos estão individualmente listados na planilha de fls. 36/169, à qual se reporta expressamente o autuante. O impugnante poderia sempre demonstrar que a soma das parcelas individuais não corresponde aos totais indicados no auto de infração (o que não demonstra), ou então poderia comprovar a origem de qualquer um dos depósitos listados, para se beneficiar com a sua exclusão da base tributável. Alega, por exemplo, que não foram excluídos os cheques devolvidos e os depósitos bloqueados, mas não aponta qualquer depósito nestas condições que estivesse incluído no relatório em questão; nem é o que se verifica, pois somente os depósitos desbloqueados e os cheques liberados estão aí incluídos. Não procede também a sua afirmação de que se presumiu no lançamento que os rendimentos omitidos teriam sido pagos por pessoas jurídicas. Como se observa às fls. 05, a capitulação da infração especifica somente a omissão constatada, não determinando qual teria sido a origem dos rendimentos omitidos, se pagos por pessoas físicas ou jurídicas. A menção de “rendimentos recebidos de pessoas jurídicas” na tabela de fls. 17, não se refere à classificação dos rendimentos omitidos, pois esta informação está em coluna à parte, e o fato de estar na mesma linha resulta evidentemente da necessidade imposta pela Fl. 1353DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 disposição gráfica da tabela adotada. Ademais, o documento formal de constituição do crédito tributário não são os anexos, mas sim o próprio auto de infração, às fls. 03/10, que identifica claramente os fatos apurados. Não havendo reparos a realizar, é de se rejeitar a preliminar. Da Preliminar de Nulidade da Decisão Recorrida A decisão de primeira instância atende os requistos exigidos peloa legislação. Destaquese que julgador não está obrigado a contestar, item por item, os argumentos expendidos pela parte quando analisa a matéria: de mérito, (STJ Resp 652.422 2004/00990870) RET n 43 maio/junho/2005, p.136:5691). Os elementos de prova presentes nos autos não firmaram a convicção naquele julgador. Destaquesse adicionalmente, o julgador formará livremente a sua convicção, nos termos do art. 29 do dec. 70.235/72. Acrescentese, por pertinente, que o indeferimento de pedido de perícia oposto à autoridade julgadora de primeira instância, assim como a não apreciação, na esfera administrativa, de inconstitucionalidade de lei vigente, não configuram cerceamento de defesa. No que toca aos elemento de prova apresentados a autoridade recorrida assim se pronunciou: O impugnante não trouxe durante a fiscalização nem traz agora qualquer prova hábil e idônea da origem dos créditos em sua conta bancária. Os documentos que apresenta estão desprovidos de elementos objetivos de prova, pois se trata de meras declarações, suas e de terceiros, sem qualquer vínculo direto com os fatos que deveriam ser comprovados, como é o caso das procurações que anexa. Todos eles podem ser verdadeiros, e ainda assim a origem dos depósitos pode não ter qualquer relação com os fatos alegados. Trouxera os livros contábeis das empresas, mas se verificou que não apontavam qualquer coincidência entre as vendas aí registradas e as entradas na sua conta bancária. Ademais, se comprovaram inábeis, pois não cumprem as condições legais básicas, não trazendo sequer registro da conta bancos. A impugnante entende haver apresentado elementos de prova e indiciários que seriam suficientes para desautorizar a aplicação da presunção de rendimentos omitidos com base em depósitos bancários de origem não comprovada; que a autoridade lançadora estaria agora obrigada a investigar a realidade das suas alegações e a buscar nas pessoas jurídicas que indicara as evidências para o lançamento do imposto. Desse modo não há a nulidade pleiteada pelo recorrente, as provas apresentadas foram objeto de analise, porém julgadas precárias para o propósito a que se destinam. Do Pedido de Diligência Descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. Por outro lado, as perícias devem limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. Assim, a perícia técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao Fl. 1354DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.723062/200903 Acórdão n.º 2202002.119 S2C2T2 Fl. 7 11 aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. É de ser indeferido o pedido de perícia contábil quando a prova que se pretende formular com a perícia era de exclusiva responsabilidade do sujeito passivo. Particularmente no caso de lançamento por depósitos bancários onde o ônus da prova é do recorrente. Por último, respeitando opiniões divergentes, indeferese o pedido de perícia ou diligência quando a sua realização revelese prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora. Da Ilegitimidade Passiva Incabível a alegação de ilegitimidade passiva, uma vez que está comprovado nos autos o uso de conta bancária em nome próprio, para efetuar a movimentação de valores tributáveis, situação que torna lícito o lançamento sobre o próprio titular da conta. Sobre esse ponto o CARF já consolidou entendimento: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF No.32) É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas conclusivas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Sobre o argumento de que a recorrente seria pessoa interposta, assim se pronunciou a autoridade recorrida: “Os indícios e procurações com os quais a impugnante procura comprovar a sua função de “gestora de recursos financeiros”, se pudessem ser considerados como provas de interposição, demonstrariam antes, e até pela proximidade de parentesco, o encontro de vontade das partes para o recebimento de recursos não declarados. A relação familiar e as qualificações da autuada impedem que seja equiparada a uma mera pessoa interposta, a um “laranja”, desprovido de instrução e recursos, vítima das suas próprias carências e da falta de escrúpulos de terceiros, mesmo porque fora ela própria a responsável pela movimentação da sua conta, não havendo passado procuração para que fosse movimentada por terceiros. Incabível assim a aplicação do § 5º do artigo 42 da Lei 9.430/1996, que determina que a tributação seja efetuada contra o titular de fato da conta bancária. Não há indícios neste caso de que o titular de fato não seja também o titular de direito. Neste caso, havendo a comunidade de interesses, poderseia antes afirmar que a responsabilidade tributária seria solidária, sendo ineficaz a argumentação de que os recursos deveriam ser tributados na pessoa jurídica, a menos que fosse demonstrada a regular contabilização e tributação destes recursos, mediante documentação hábil e idônea. Se a interessada, ao alegar a sua condição de pessoa interposta, traz meras alegações desprovidas de provas quanto à origem dos Fl. 1355DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 depósitos, poderá estar tentando induzir a fiscalização contra supostos titulares de fato, contra os quais sabe que não se sustentará o lançamento, por falta de provas. Por isso o lançamento sobre rendimentos omitidos, correspondentes depósitos de origem não comprovada, somente pode deixar de ser efetuado contra o titular da conta bancária se ficar comprovada a interposição de pessoas, o que aqui não ocorreu.” Em sintese, verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova que demonstrem a origem dos depositos, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Da Presunção baseada em Depósitos Bancários O lançamento fundamentase em depósitos bancários. A presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do sujeito passivo, em instituições financeiras, ou seja, pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996, temse a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade do fisco juntar qualquer outra prova. Via de regra, para alegar a ocorrência de “fato gerador”, a autoridade deve estar munida de provas. Mas, nas situações em que a lei presume a ocorrência do “fato gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso, ao Fisco cabe provar tãosomente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico tributário (obtenção de rendimentos). No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda Pessoas Jurídicas” (JustecRJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa questão: O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso. Assim, o comando estabelecido pelo art. 42 da Lei nº 9430/1996 cuida de presunção relativa (juris tantum) que admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao sujeito passivo a sua produção. Nesse passo, como a natureza nãotributável dos depósitos não foi comprovada pelo contribuinte, estes foram presumidos como rendimentos. Assim, deve ser mantido o lançamento. Antes de tudo cumpre salientar que a presunção não foi estabelecida pelo Fisco e sim pelo art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o seguinte poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos). Assim, não cabe ao julgador discutir se tal presunção é equivocada ou não, pois se encontra totalmente vinculado aos ditames legais (art. 116, inc. III, da Lei n.º 8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário (art. 142 do Código Tributário Nacional CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que importem a negação de vigência e eficácia do preceito legal que, de modo inequívoco, estabelece a presunção legal de omissão de receita ou de rendimento sobre os valores Fl. 1356DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.723062/200903 Acórdão n.º 2202002.119 S2C2T2 Fl. 8 13 creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput, da Lei n.º 9.430/1996). É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim, a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi devidamente comprovada pelo contribuinte, é certa também a ocorrência de omissão de rendimentos à tributação, cabendo ao contribuinte o ônus de provar a irrealidade das imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal em nome do contribuinte. Ao apreciar as razões do contribuinte assim se pronunciou a autoridade recorrida: Notase portanto a coerência do arrazoado da autoridade recorrida, afastando os argumentos que o recorrente suscitou na impugnação e que agora no recurso reitera mais uma vez. Ainda que o recorrente tenha argumentado que a origem dos recursos seriam de atividade empresariais, cabe ao recorrente demonstrar o que alega. Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos utilizados para acobertar seus acréscimos patrimoniais. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Da Provas Apresentadas É oportuno para o caso concreto, recordar a lição de MOACYR AMARAL DOS SANTOS: “Provar é convencer o espírito da verdade respeitante a alguma coisa.” Ainda, entende aquele mestre que, subjetivamente, prova ‘é aquela que se forma no espírito do juiz, seu principal destinatário, quanto à verdade deste fato”. Já no campo objetivo, as provas “são meios destinados a fornecer ao juiz o conhecimento da verdade dos fatos deduzidos em juízo.” Assim, consoante MOACYR AMARAL DOS SANTOS, a prova teria: a) um objeto são os fatos da causa, ou seja, os fatos deduzidos pelas partes como fundamento da ação; b) uma finalidade a formação da convicção de alguém quanto à existência dos fatos da causa; c) um destinatário o juiz. As afirmações de fatos, feitas pelos litigantes, dirigemse ao juiz, que precisa e quer saber a verdade quanto aos mesmos. Para esse fim é que se produz a prova, na qual o juiz irá formar a sua convicção. Podese então dizer que a prova jurídica é aquela produzida para fins de apresentar subsídios para uma tomada de decisão por quem de direito. Não basta, pois, apenas demonstrar os elementos que indicam a ocorrência de um fato nos moldes descritos pelo emissor da prova, é necessário que a pessoa que demonstre a prova apresente algo mais, que Fl. 1357DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 transmita sentimentos positivos a quem tem o poder de decidir, no sentido de enfatizar que a sua linguagem é a que mais aproxima do que efetivamente ocorreu. A recorrente apresenta argumentos verossímeis, entretanto não logrou comprovar individualizadamente os depósitos realizados, caberia a mesma apresentar provas conclusiva que firmassem a convicção no julgador. Ademais, cabe a recorrente por força da presunção legal, compete a ela provar a natureza especifica de cada depósitos, na medida em que, ninguém melhor do que ela própria trazer o comprovante de cada depósito. Dessa forma, cabe a máxima de que “allegatio et non probatio, quase non allegatio” (alegar e não provar é quase não alegar). Do erro na base de cálculo Indica a recorrente que teria ocorrido erro na base de cálculo, pela inclusão de depósitos bloqueado, entretanto da análise do elementos do processo não se alcança essa conclusão. A luz da análise do processo não se identificou qualquer deficiência na base de cálculo, tal como argumentado. Ante ao exposto, voto por indeferir o pedido de pericia, rejeitar as preliminares e no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1358DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 09/03/2013 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
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Numero do processo: 10925.000651/2009-78
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. VÍCIOS. INOCORRÊNCIA.
Cabem Embargos de Declaração somente quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma.
Numero da decisão: 3803-003.954
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani, João Alfredo Eduão Ferreira e José Luiz Feistauer de Oliveira (Suplente).
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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VÍCIOS. INOCORRÊNCIA. Cabem Embargos de Declaração somente quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa – Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani, João Alfredo Eduão Ferreira e José Luiz Feistauer de Oliveira (Suplente). Relatório Tratase de Embargos de Declaração (fls. 752 a 755) interpostos pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) contra o Acórdão nº 380303.223, de 17 de julho de 2012, da 3ª Turma Especial da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 06 51 /2 00 9- 78 Fl. 758DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10925.000651/200978 Acórdão n.º 3803003.954 S3TE03 Fl. 759 2 Fiscais (CARF), com fulcro no art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RI/CARF). O contribuinte apresentara Pedidos de Ressarcimento e Declarações de Compensação (PER/DCOMP), pleiteando o reconhecimento do direito creditório no valor de R$ 17.271,02., relativo a créditos de PIS não cumulativo, pleito esse que veio a ser reconhecido apenas em parte pela repartição de origem, assim como pela DRJ Florianópolis/SC. A repartição de origem glosou os créditos considerados não abrangidos pelo conceito de insumos (matériasprimas, produtos intermediários, material de embalagem de apresentação) e os relativos a serviços e outros bens não aplicados ou consumidos na produção. Glosaramse, também, os encargos de depreciação decorrentes de bens não utilizados na produção. A Manifestação de Inconformidade do contribuinte foi julgada parcialmente procedente pela DRJ Florianópolis/SC, cujo acórdão restou ementados nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2003 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. Para efeito da nãocumulatividade das contribuições, há de se entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelando o à necessidade na fabricação do produto e na consecução de sua atividadefim (conceito econômico), mas adstrito ao que determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando a caracterização do insumo à sua aplicação direta ao produto em fabricação. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens de apresentação geram direito aos créditos relativos as suas aquisições, sendo consideradas como tais aquelas que se integram ao produto durante o processo de industrialização e tenham como finalidade a apresentação do produto ao consumidor final, contendo rótulos destinados ao propósito de promover ou valorizar o produto. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades fisicas ou químicas, utilizadas em máquinas e equipamentos que efetivamente respondam diretamente por todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no Pais, geram direito à apuração de créditos a serem descontados do PIS/Pasep, desde que não estejam obrigadas a serem incluidas no ativo imobilizado, nos termos da legislação vigente. Fl. 759DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10925.000651/200978 Acórdão n.º 3803003.954 S3TE03 Fl. 760 3 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. ATIVO IMOBILIZADO. DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas os bens do ativo permanente que estejam diretamente associados ao processo produtivo é que geram direito a crédito, a título de depreciação, no âmbito do regime da não cumulatividade. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITORIO. ONUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTANCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Cientificado da decisão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, que veio a ser julgado parcialmente procedente por esta Turma Especial, cujo acórdão foi ementado da seguinte forma: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL, DO INFORMALISMO MODERADO E DA AMPLA DEFESA. OFENSA. INOCORRÊNCIA. Inocorre ofensa aos princípios da verdade material, do informalismo moderado e da ampla defesa quando a Administração tributária atua em conformidade com a legislação tributária, material e processual, bem como com as informações e os elementos probatórios presentes nos autos. Fl. 760DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10925.000651/200978 Acórdão n.º 3803003.954 S3TE03 Fl. 761 4 PRECLUSÃO. TRÂNSITO EM JULGADO. MATÉRIA NÃO CONHECIDA. Não se conhece de matéria não impugnada na primeira instância, contestada apenas em grau de recurso, em face da ocorrência de preclusão. Transita em julgado a matéria impugnada na primeira instãncia, não acatada pela autoridade julgadora a quo, mas não reapresentada em grau de recurso. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. INSUMOS. Na não cumulatividade das contribuições sociais, o elemento de valoração é o total das receitas auferidas, o que engloba todo o resultado das atividades que constituem o objeto social da pessoa jurídica, e o direito ao creditamento alcança todos os bens e serviços, úteis ou necessários, utilizados como insumos diretamente na produção, e desde que efetivamente absorvidos no processo produtivo que constitui o objeto da sociedade empresária. MATERIAL DE EMBALAGEM. DIREITO AO CRÉDITO. No regime da não cumulatividade da contribuição para o PIS e da Cofins, há direito à apuração de créditos sobre as aquisições de bens utilizados na embalagem para transporte, cujo objetivo é a preservação das características do produto vendido. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. DEPRECIAÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. Em relação aos bens do ativo imobilizado, com expectativa de utilização no processo produtivo por mais de um ano, os créditos serão calculados com base no valor do encargo de depreciação/amortização incorrido no período, observados os demais requisitos exigidos pela lei. CREDITAMENTO. BENS CONSUMIDOS DURANTE O PROCESSO PRODUTIVO. INSUMOS. Dão direito a crédito as aquisições de insumos consumidos durante o processo produtivo na identificação, na marcação e no tratamento das matériasprimas e dos produtos finais destinados à venda. Cientificada da decisão, a PGFN, com fulcro no art. 65 do Anexo II do Regimento do CARF, interpôs Embargos de Declaração, alegando a ocorrência de contradição e omissão no acórdão embargado, pelo fato de a Turma Especial ter passado ao largo do disposto no art. 31 da Lei nº 10.865, de 2004, que instituiu restrições na utilização de créditos de PIS e Cofins relativos à depreciação ou à amortização de bens e direitos de ativos imobilizados. Fl. 761DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10925.000651/200978 Acórdão n.º 3803003.954 S3TE03 Fl. 762 5 Registrou, ainda, o Embargante, que a discussão a respeito da constitucionalidade do art. 31 da Lei nº 10.865, de 2004, encontrarseia sob apreciação no Supremo Tribunal Federal (STF), tendo sido o recurso extraordinário nº 599.316 submetido à regra da repercussão geral, pendente de julgamento, em razão do que não poderia esta Turma se valer da regra contida no art. 62A do RI/CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Os embargos são tempestivos e deles tomo conhecimento. A PGFN interpõe os embargos invocando o teor do art. 31 da Lei nº 10.865, de 2004, cujo teor é transcrito na sequência: Art. 31. É vedado, a partir do último dia do terceiro mês subseqüente ao da publicação desta Lei, o desconto de créditos apurados na forma do inciso III do § 1º do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30 de abril de 2004. § 1o Poderão ser aproveitados os créditos referidos no inciso III do § 1o do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, apurados sobre a depreciação ou amortização de bens e direitos de ativo imobilizado adquiridos a partir de 1º de maio. § 2o O direito ao desconto de créditos de que trata o § 1º deste artigo não se aplica ao valor decorrente da reavaliação de bens e direitos do ativo permanente. § 3o É também vedado, a partir da data a que se refere o caput, o crédito relativo a aluguel e contraprestação de arrendamento mercantil de bens que já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica. O artigo legal supra restringiu o direito ao creditamento em relação aos bens do ativo imobilizado adquiridos a partir de 1º de maio de 2004, matéria essa que se encontra, conforme apontado pelo Embargante, em discussão no Supremo Tribunal Federal (STF), sob a égide da repercussão geral. Equivocou o Embargante ao afirmar que, em razão do fato de a matéria se encontrar pendente de julgamento no STF na sistemática aduzida, esta Turma não poderia pronunciarse sobre a aplicação da Lei nº 10.865, de 2004, por lhe falecer competência para exercer controle de constitucionalidade, pois, nos termos do parágrafo único do art. 1º da Portaria CARF nº 001, de 3 de janeiro de 2012, o sobrestamento do julgamento de recursos no Fl. 762DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10925.000651/200978 Acórdão n.º 3803003.954 S3TE03 Fl. 763 6 CARF, nas situações da espécie, somente se aplica quando o STF determina o sobrestamento de processos relativos à mesma matéria, o que não corresponde ao caso sob comento. Considerando o cerne dos embargos interpostos pela PGFN, qual seja, a ausência de pronúncia da Turma quanto às restrições impostas pelo art. 31 da Lei nº 10.865, de 2004, relativamente ao creditamento calculado com base nos encargos de depreciação e amortização de bens do ativo imobilizado, tornase imperioso destacar trecho da ementa em que tal matéria restou apreciada. Eis o teor do referido trecho da ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2003 a 30/12/2003 (...) BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO. DEPRECIAÇÃO. DIREITO A CRÉDITO. Em relação aos bens do ativo imobilizado, com expectativa de utilização no processo produtivo por mais de um ano, os créditos serão calculados com base no valor do encargo de depreciação incorrido no período, observados os demais requisitos exigidos pela lei. (grifei e sublinhei) Verificase do excerto supra que constou no acórdão, expressamente, a ressalva de que o direito ao creditamento em razão da natureza das máquinas e equipamentos utilizados no parque fabril da pessoa jurídica deveria ser reconhecido desde que respeitados todos os demais requisitos legais que regem a matéria. Não se fez menção expressa ao art. 31 da Lei nº 10.865, de 2004, pelo fato de que tal questão não fora abordada na repartição de origem, nem na Delegacia de Julgamento, muito menos pelo contribuinte, tratandose, em verdade, de uma dentre outras exigências legais, a que a autoridade administrativa deverá se ater no momento da execução do acórdão, além do requisito já atestado pelo Colegiado da destinação dos bens do ativo imobilizado – questão essa que se tornou o centro da discussão no presente processo. Nesse sentido, tendo a Turma constatado que parte dos bens do ativo imobilizado que havia sido glosada na repartição de origem se referia a máquinas e equipamentos empregados no processo produtivo, essa condição, para fins de provimento do pleito do contribuinte, encontrase pendente da averiguação das demais condições que não foram objeto de discussão no processo, como, exemplificativamente, terem sido os bens adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País (art. 3º, § 3º, incisos I, da Lei nº 10.833, de 2003), terem sido os custos e despesas pagos ou creditados a pessoas jurídicas domiciliadas no País (art. 3º, § 3º, incisos II, da Lei nº 10.833, de 2003), terem sido tributados pela contribuição na origem (art. 3º, § 2º, inciso II, da Lei nº 10.833, de 2003), dentre outras, inclusive – e não poderia ser diferente – o requisito previsto no art. 31 da Lei nº 10.865, de 2004. Fl. 763DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10925.000651/200978 Acórdão n.º 3803003.954 S3TE03 Fl. 764 7 Nesse sentido, voto por REJEITAR os embargos, em razão da inexistência dos vícios apontados pela PGFN. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 764DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 p or BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 04/03/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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