Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,278)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,704)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,167)
- Primeira Turma Ordinária (16,049)
- Primeira Turma Ordinária (16,036)
- Segunda Turma Ordinária d (15,777)
- Segunda Turma Ordinária d (14,403)
- Primeira Turma Ordinária (13,018)
- Primeira Turma Ordinária (12,371)
- Segunda Turma Ordinária d (12,356)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,409)
- Quarta Câmara (84,660)
- Terceira Câmara (67,242)
- Segunda Câmara (55,630)
- Primeira Câmara (20,043)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,266)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,588)
- Segunda Seção de Julgamen (114,322)
- Primeira Seção de Julgame (76,395)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,959)
- Câmara Superior de Recurs (37,873)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,618)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,750)
- HELCIO LAFETA REIS (3,697)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,217)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,488)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10469.723360/2013-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
OMISSÃO. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. NATUREZA JURÍDICA. POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO PARA FINS DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL.
A incorporação de ações é operação societária por intermédio da qual a totalidade das ações de emissão de uma sociedade anônima é incorporada ao patrimônio de outra companhia, convertendo aquela em subsidiária integral desta. O ágio absorvido pela controlada quando da incorporação da controladora considerar-se-á adquirido e, portanto, passível de amortização dedutível para fins do imposto de renda, na medida em que justificado por laudo de avaliação constante dos autos expedido por empresa especializada independente com base em rentabilidade futura.
PAGAMENTO DO ÁGIO NA INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. COMPROVAÇÃO. PREÇO DE EMISSÃO DAS AÇÕES BASEADO EM LAUDO DE AVALIAÇÃO.
É exatamente o preço de emissão das ações da incorporadora e sua transferência aos titulares das ações incorporadas que representa o pagamento do ágio na incorporação de ações. O preço de emissão deverá estar fundamentado em valor patrimonial, de mercado ou de rentabilidade futura. Na hipótese de ter sido aprovada em assembléia geral a emissão por preço de mercado ou de rentabilidade futura, a comprovação do pagamento é possível com a apresentação de laudo de avaliação destas ações elaborado por empresa especializada e independente.
Numero da decisão: 1402-003.576
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, ACOLHER os embargos com efeitos infringentes para suprir a omissão e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Evandro Correa Dias e Paulo Mateus Ciccone que negavam provimento. A Conselheira Edeli Pereira Bessa apresentou declaração de voto. Declarou-se impedido o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves, substituído pela Conselheira Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada).
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira- Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente em Exercício).
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 OMISSÃO. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. NATUREZA JURÍDICA. POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO PARA FINS DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL. A incorporação de ações é operação societária por intermédio da qual a totalidade das ações de emissão de uma sociedade anônima é incorporada ao patrimônio de outra companhia, convertendo aquela em subsidiária integral desta. O ágio absorvido pela controlada quando da incorporação da controladora considerar-se-á adquirido e, portanto, passível de amortização dedutível para fins do imposto de renda, na medida em que justificado por laudo de avaliação constante dos autos expedido por empresa especializada independente com base em rentabilidade futura. PAGAMENTO DO ÁGIO NA INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. COMPROVAÇÃO. PREÇO DE EMISSÃO DAS AÇÕES BASEADO EM LAUDO DE AVALIAÇÃO. É exatamente o preço de emissão das ações da incorporadora e sua transferência aos titulares das ações incorporadas que representa o pagamento do ágio na incorporação de ações. O preço de emissão deverá estar fundamentado em valor patrimonial, de mercado ou de rentabilidade futura. Na hipótese de ter sido aprovada em assembléia geral a emissão por preço de mercado ou de rentabilidade futura, a comprovação do pagamento é possível com a apresentação de laudo de avaliação destas ações elaborado por empresa especializada e independente.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10469.723360/2013-62
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5958117
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1402-003.576
nome_arquivo_s : Decisao_10469723360201362.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10469723360201362_5958117.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, ACOLHER os embargos com efeitos infringentes para suprir a omissão e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Evandro Correa Dias e Paulo Mateus Ciccone que negavam provimento. A Conselheira Edeli Pereira Bessa apresentou declaração de voto. Declarou-se impedido o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves, substituído pela Conselheira Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada). (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira- Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente em Exercício).
dt_sessao_tdt : Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
id : 7591574
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:37:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051419482783744
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2238; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 111 1 110 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10469.723360/201362 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1402003.576 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 21 de novembro de 2018 Matéria IRPJ Reorganização Societária Ágio Embargante ALESAT COMBUSTÍVEIS S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 OMISSÃO. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. NATUREZA JURÍDICA. POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO PARA FINS DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL. A incorporação de ações é operação societária por intermédio da qual a totalidade das ações de emissão de uma sociedade anônima é incorporada ao patrimônio de outra companhia, convertendo aquela em subsidiária integral desta. O ágio absorvido pela controlada quando da incorporação da controladora considerarseá adquirido e, portanto, passível de amortização dedutível para fins do imposto de renda, na medida em que justificado por laudo de avaliação constante dos autos expedido por empresa especializada independente com base em rentabilidade futura. PAGAMENTO DO ÁGIO NA INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. COMPROVAÇÃO. PREÇO DE EMISSÃO DAS AÇÕES BASEADO EM LAUDO DE AVALIAÇÃO. É exatamente o preço de emissão das ações da incorporadora e sua transferência aos titulares das ações incorporadas que representa o pagamento do ágio na incorporação de ações. O preço de emissão deverá estar fundamentado em valor patrimonial, de mercado ou de rentabilidade futura. Na hipótese de ter sido aprovada em assembléia geral a emissão por preço de mercado ou de rentabilidade futura, a comprovação do pagamento é possível com a apresentação de laudo de avaliação destas ações elaborado por empresa especializada e independente. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, ACOLHER os embargos com efeitos infringentes para suprir a omissão e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Evandro Correa Dias e Paulo Mateus Ciccone que negavam provimento. A Conselheira Edeli Pereira Bessa apresentou declaração de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 33 60 /2 01 3- 62 Fl. 28799DF CARF MF Processo nº 10469.723360/201362 Acórdão n.º 1402003.576 S1C4T2 Fl. 112 2 voto. Declarouse impedido o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves, substituído pela Conselheira Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada). (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente em Exercício). Relatório Fl. 28800DF CARF MF Processo nº 10469.723360/201362 Acórdão n.º 1402003.576 S1C4T2 Fl. 113 3 Tratase de embargos de declaração interpostos por ALESAT COMBUSTÍVEIS S/A em face do r. Acórdão nº 1402002.323 de fls. 12701299, proferido por esta e. 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, em sessão realizada no dia 4 de outubro de 2016. Em breve resumo, tratase de autuação que promoveu glosa de amortização fiscal de ágio apurado, ante a ausência de laudo de avaliação, em operação de reorganização societárias ocorrida entre os anos 2006 e 2007, de incorporação de ações da recorrente pela Cia SAT. Com pouco mais de um mês para o julgamento do Recurso Voluntário a recorrente juntou aos autos o Laudo de Avaliação que, no entanto, não foi apreciado a despeito de imprescindível para determinar o custo efetivamente suportado pela Cia SAT. A decisão restou afinal assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. NATUREZA JURÍDICA. POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO PARA FINS DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL. A incorporação de ações é operação societária por intermédio da qual a totalidade das ações de emissão de uma sociedade anônima é incorporada ao patrimônio de outra companhia, convertendo aquela em subsidiária integral desta. O ágio absorvido pela controlada quando da incorporação da controladora considerarseá adquirido e, portanto, passível de amortização dedutível para fins do imposto de renda, desde que tal ágio esteja justificado por laudo de avaliação expedido por empresa especializada independente com base em rentabilidade futura. PAGAMENTO DO ÁGIO NA INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. COMPROVAÇÃO. PREÇO DE EMISSÃO DAS AÇÕES BASEADO EM LAUDO DE AVALIAÇÃO. É exatamente o preço de emissão das ações da incorporadora e sua transferência aos titulares das ações incorporadas que representa o pagamento do ágio na incorporação de ações. O preço de emissão deverá estar fundamentado em valor patrimonial, de mercado ou de rentabilidade futura. Na hipótese de ter sido aprovada em assembléia geral a emissão por preço de mercado ou de rentabilidade futura, a comprovação do pagamento somente é possível mediante a apresentação de laudo de avaliação destas ações elaborado por empresa especializada e independente. DECADÊNCIA. ÁGIO. TERMO INICIAL. AMORTIZAÇÃO. É pacífico neste Colegiado que, para início da contagem do prazo decadencial, devese ater à data de ocorrência dos fatos geradores, e não à data de contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura. Com efeito, Fl. 28801DF CARF MF Processo nº 10469.723360/201362 Acórdão n.º 1402003.576 S1C4T2 Fl. 114 4 o prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou após o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN. Portanto, a contagem do prazo decadencial deve se dar, não a partir da formação dos ágios, mas sim de sua efetiva amortização.JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.A jurisprudência atual desta Corte é unânime em reconhecer a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício que compõe o crédito tributário a partir do vencimento do lançamento até o pagamento (Acórdão 9101002.180, CSRF, 1ª Turma; Acórdão 9202 003.821, CSRF 2ª Turma; Acórdão 9303003.385, CSRF, 3ª Turma). MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS. NOVA REDAÇÃO DADA PELA MP 351/2007. APLICÁVEL À FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS A PARTIR DA COMPETÊNCIA DE DEZEMBRO DE 2006.A partir do advento da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007 a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido da estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou insuficiência, se apurada, estaria sujeita à incidência da multa de ofício. São duas materialidades distintas, uma referese ao ressarcimento ao Estado pela não entrada de recursos no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma. Entende a embargante que a decisão é omissa sobre a existência do laudo de avaliação na medida em que consta nos autos o referido relatório de avaliação das ações emitidas pela Cia SAT quando da incorporação de ações da ALE combustíveis, ainda que juntado com um mês de antecedência julgamento RV. Ante aos possíveis efeitos infringentes foi concedida vistas à PGFN para apresentação de suas contrarazões manifestandose a mesma apenas sua ciência do teor da resolução. Os embargos foram acolhidos ante a omissão presente. É o Relatório. Voto Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator Fl. 28802DF CARF MF Processo nº 10469.723360/201362 Acórdão n.º 1402003.576 S1C4T2 Fl. 115 5 A omissão de fato se faz presente no acórdão lavrado na medida em que se ignorou o laudo de avaliação anexado pela Recorrente aos autos às p. 28656/28709 que deveria ter sido analisado ainda que juntado de véspera do julgamento do recurso voluntário interposto. Já restou decidido, através do v. acórdão embargado, que a incorporação de ações, no caso concreto, foi uma operação societária na qual a totalidade das ações de uma sociedade por ações foi incorporada ao patrimônio de outra, convertendo aquela em subsidiária integral desta e o ágio absorvido pela controlada, quando da incorporação da controladora, foi considerado adquirido e, portanto, passível de amortização como despesa dedutível para fins do imposto de renda, com a ressalva de que tal ágio estivesse justificado em laudo de avaliação expedido por empresa especializada e independente, com base em rentabilidade fu tura. De igual modo decidiuse que o preço de emissão das ações da incorporadora e sua transferência aos titulares das ações incorporadas representa o pagamento do ágio na incorporação de ações. O preço de emissão deve estar fundamentado em valor patrimonial, de mercado ou de rentabilidade futura. A comprovação do pagamento somen te é possível mediante apresentação de laudo de avaliação destas ações, elaborado por empresa especializada e independente. A partir dessas premissas enunciadas no v. acórdão embargado, devese rememorar que a operação societária que ensejou ágio dedutível na incorporação de ações foi realizada entre dois grupos independentes, que fizeram um acordo prévio de associação antes de realizarem a operação de incorporação de ações para se chegar ao resultado pretendido, qual seja, que cada grupo passasse a deter 50% de participação ao final da combinação de negócios. Questão outra já decidida é que a transferência de ações representa transmissão de título de propriedade, nos t ermos do art. 9º da Lei 6.404/76. E que incorporação de ações é um instituto jurídico típico do Direito Societário com especificidades próprias tratadas no art. 252 da mesma Lei. Este CARF, através de sua CSRF, se posiciona no sentido de que a incorporação de ações constitui forma de alienação em sentido amplo (Acórdão nº 9202 00.662). Desta forma, no caso concreto, restou incontroversa a efetiva aquisição pela incorporadora (Cia Sat Participações) das ações da incorporada (Ale Combustíveis) e, posteriormente, a citada incorporadora, na condição de controladora, foi incorporada pela controlada, sua subsidiária integral, a qual passou a fazer jus à dedutibilidade do ágio verificado quando da aquisição desta empresa por aquela, na forma dos arts. 385 e 386 do RIR/99. Assim, a controvérsia tinha se resumido, por ocasião do julgamento do recurs o voluntário da ora Embargante, ao montante efetivo do ágio escriturado pela Cia Sat Participações em decorrência da aquisição de participação na Ale Combustíveis por intermédio de incorporação de ações. Fl. 28803DF CARF MF Processo nº 10469.723360/201362 Acórdão n.º 1402003.576 S1C4T2 Fl. 116 6 O laudo de avaliação de p. 691 a 753, que o valor de mercado das ações da Ale Combustíveis, no momento da incorporação, era de R$ 241.723.000,00 e não foi desqualificado pela autoridade fiscal. Mas a diferença para o valor patrimonial, que era de R$ 6.080.551,34, no importe de R$ 235.192.448,86, não foi considerado como ágio pago. Essa dúvida decorreu do fato que a fiscalização não teve, na ocasião, acesso a laudo de avaliação das novas ações emitidas pela Cia Sat a valor de merca do e, por essa razão, não aceitou o valor considerado na Ata da AGE da Cia Sat, de 03.07.2006. Ou seja, sem um laudo para amparar a entrega pela Ale Participações das ações da Ale Combu stíveis em troca das ações da Companhia Sat, não permitiria aferir o efetivo ágio pago na opera ção. Para a fiscalização, o ágio apontado de R$ 235.192.448,86 teve origem quando do lançamento das novas ações da Cia Sat Participações, quando esta adquiriu as ações da Ale Combustíveis. Neste momento, a Ale Participações entregou todas as ações da Ale Combustíveis, avaliadas em R$ 241.273.000,00 em troca de ações da Cia Sat Par, no valor de R$ 55.209.117,00, que foi o efetivo aumento de Capital Social da Cia Sat Participações. Assim, nos termos do art. 14, da Lei 6.404/76, para o caso de ações sem valor nominal, o preço de emissão das ações é fixado em assembléia geral, a qual decide se parte de seu valor será destinado à formação de reserva de capital, não havendo, na legislação, o estabelecimento de montante mínimo ou máximo a ser direcionada à referida reserva, cabend o à assembléia geral a decisão nesta parte. Para aferir o valor efetivamente pago, uma vez que não efetuado em numerár oo, mas em ações, a comprovação do pagamento demanda necessariamente tornase um pouco mais complexa e sujeita a ma maior subjetividade, fato considerado no acórd ão embargado. Desta forma, o valor patrimonial das ações existentes na Cia Sat Participações, antes do aumento de capital para a aquisição das ações da Ale Combustíveis era de R$ 1,00 para cada ação e esta foi a relação feita, na decisão embargada, que justificou a avaliação pelos sócios da Cia Sat Participações e, por conseguinte, pela assembléia geral, para o lastro econômicofinanceiro da operação. Nesse ponto há omissão a ser dirimida. O laudo de avaliação da Cia Sat Participações foi anexado ao feito pela Recorrente às p. 28656/28709, e, especificamente na p. 28706, foi apontado o valor de R$ 241.266.856,03 para a Cia Sat. Nessa perspectiva a questão posta em julgamento adquire novos subsídios elucidativos na medida em que a fiscalização entendeu que o valor fixado em assembléia geral estava amparado exclusivamente na vontade dos acionistas e, desta forma, não poderia ser levado em consideração; e a DRJ, por sua vez, entendeu que o valor do ágio seria a diferença entre os valores patrimoniais das ações “trocadas” –R$ 55.209.117,00 e R$ 6.080.551,34, ou seja, R$ 49.128.565,66, fato corroborado na decisão embargada, mas que, com a apresentação do laudo, passase a ter novos valores, quais sejam R$ 241.266.856,03 e R$ 6.080.551,34, o que redunda no reconhecimento de um ágio dedutível de R$ 235.186.304,69, o que praticamente zera os créditos tributários Fl. 28804DF CARF MF Processo nº 10469.723360/201362 Acórdão n.º 1402003.576 S1C4T2 Fl. 117 7 constituídos, na medida que em 120 meses o valor dedutível mensal seria de R$ 1.959.885,87, muito próximo ao utilizado pela Recorrente, ora Embargante, de R$ 1.959.937,07. Diante do exposto voto por julgar procedentes os presentes embargos conferindolhe, assim, efeitos infringentes para reformar a decisão antes proferida que ignorou o laudo constante dos autos. É como voto. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Declaração de Voto Conselheira Edeli Pereira Bessa Embora entenda que provas juntadas ao processo antes do julgamento devem ser examinadas pelo Colegiado, sua aceitação está condicionada ao que dispõe o Decreto nº 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 28805DF CARF MF Processo nº 10469.723360/201362 Acórdão n.º 1402003.576 S1C4T2 Fl. 118 8 Considerando que a necessidade de apresentação do laudo em questão está apontada desde a acusação fiscal, e sua existência é pressuposto da operação que motiva o presente lançamento, restam excluídas as hipóteses previstas nas alíneas "b" e "c" do §4º acima transcrito, cumprindo perquirir da impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior. Na petição de fls. 28648/28652, a interessara se reporta aos questionamentos da autoridade lançadora acerca da ausência de apresentação do laudo de avaliação para a determinação do valor das novas ações emitidas pela Cia SAT, no ato da incorporação das ações da ALE Comubstíveis, e afirma ter provado o custo de aquisição pelos meios referidos. Contudo, mesmo entendendo ser desnecessária apresentação do referido laudo, a requerente continuou em busca do mesmo para que lograsse êxito em demonstrar, de todas as formas, a improcedência das alegações realizadas pela fiscalização, ressaltando que não agiu de máfé, até porque desconheceria a efetiva existência de referido documento. O laudo apresentado, por sua vez, está acompanhado de mensagens eletrônicas expedidas a partir de 13/05/2016, nas quais representante do setor jurídico da autuada solicita a representante da empresa avaliadora "segunda via da versão final do laudo de avaliação da Empresa Satélite Distribuidora de Combustíveis (SAT), emitida pela Avaliar em maio de 2006 registrada sob o nº EST 119/2006". Em 16/05/2016 o referido laudo é enviado à solicitante, e em 02/09/2016 (fl. 28647), no mês anterior ao julgamento realizado em 04/10/2016, o documento é juntado aos presentes autos. Nestes elementos não vislumbro qualquer referência a motivo de força maior que tenha impossibilitado a apresentação oportuna do documento. Em tais circunstâncias, a 1ª Turma da CSRF tem se manifestado contrariamente à admissão da prova extemporânea: JUNTADA DOCUMENTOS. FASE RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. Apenas é admitida juntada de documentos posteriormente à apresentação de Impugnação, nas hipóteses previstas no §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72. Não demonstrada a ocorrência de uma daquelas hipóteses, não há como se conhecer prova juntada aos autos posteriormente. (Acórdão nº 9101002.774 Sessão de 6 de abril de 2017). PRECLUSÃO DE INSTÂNCIA. Ressalvados os casos expressos no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, não se pode admitir a prova trazida após a impugnação. (Acórdão nº 9101002.890 Sessão de 7 de junho de 2017). PRECLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS APÓS APRESENTAÇÃO DE RECURSO ESPECIAL. IMPOSSIBILIDADE. INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 16 §4º DO DECRETO 70.235/72. Apenas há a permissão para juntada de documentos após a apresentação de impugnação se observados os requisitos do artigo 16, §4º do Decreto 70.235/72. No caso, foram juntados documentos após a apresentação do Recurso Especial pelo Contribuinte, sem a comprovação da ocorrência de uma das situações descritas na norma acima referida. (Acórdão nº 9101003.163 Sessão de 5 de outubro de 2017). Fl. 28806DF CARF MF Processo nº 10469.723360/201362 Acórdão n.º 1402003.576 S1C4T2 Fl. 119 9 No acórdão nº 9101002.890 foram analisadas ocorrências semelhantes às verificadas nestes autos, razão pela qual adoto os fundamentos lá expostos para declarar preclusa a prova aqui apresentada: Há que se reconhecer, assim, que: (i) as novas provas apresentadas em sessão de julgamento do CARF são inéditas e não meramente complementares e já se encontravam de poder da interessada por ocasião da lavratura do auto de infração, da apresentação da impugnação e da apresentação do Recurso Voluntária e não foram ofertadas nessas oportunidades; (ii) essas novas provas não tiveram por objetivo contrapor novos fatos ou novas razões de decidir adotadas pela turma julgadora de primeira instância, já que a fundamentação para a manutenção da glosa do ágio por aquela autoridade foi exatamente a mesma adotada pelo agente fiscal não comprovação da fundamentação econômica do ágio com base em expectativa de rentabilidade futura, por ausência de documentos contemporâneos ao surgimento do ágio. Definidas essas premissas resta determinar, agora, se é possível conhecer de novas provas em face da preclusão processual expressamente prevista no §4º do art. 16 e quais as implicações, no caso, de se admitilas, ou não. De se ressaltar que, na apreciação da prova, o julgador não é totalmente livre, uma vez que o Direito estabelece regras de fixação formal da prova que regulam a conduta do julgador. São as denominadas normas de natureza "instrumentalprocessual" e disciplinam os modos e as formas nos meios de prova no processo. Cumpre ao Direito Processual regular o modo de oferecimento das provas, o momento de sua produção, as regras de sua apreciação, regulando o momento para a produção de provas periciais e diligências, a preclusão temporal do Direito probatório, o rito de julgamento dos processos, etc. Também existem normas jurídicas que impõem formalidades, solenidades, cuja finalidade é estabelecer requisitos para a validade do ato ou fato jurídico que constitui o direito da parte e sua admissibilidade como prova. Desse modo, a validade das provas depende da obediência aos condicionantes formais estabelecidos pelo direito, vinculados ao procedimento de produção da prova. Por tais razões o desenvolvimento da atividade probatória está amplamente regulamentado, submetendo julgadores, partes e tribunais a regras processuais que condicionam a validade da decisão final do processo. Nesse sentido explica Marcos Vinicius Neder1: O Decreto nº 70.235/72, por exemplo, determina que as provas devem ser acostadas pelos sujeitos na fase inicial do processo. Na instrução do processo administrativo fiscal, que ocorre após o recebimento da impugnação pelo órgão julgador de primeira instância, podem ser produzidas novas provas por iniciativa do julgador ou por requerimento do contribuinte. [...]. Após esse momento, o contribuinte terá limitações a requerer ou produzir provas no processo. O parágrafo 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 institui uma regra de preclusão probatória para o andamento lógico do processo administrativo. Decerto, a adoção de uma informalidade absoluta, com direito à prova ilimitado, poderia levar a manipulações indesejáveis e à protelação injustificada de seu término. 1 in "A Prova no Processo Tributário" São Paulo 2010 Dialética, pg.22 Fl. 28807DF CARF MF Processo nº 10469.723360/201362 Acórdão n.º 1402003.576 S1C4T2 Fl. 120 10 Em que pese o apregoado informalismo em prol da verdade material, há que se reconhecer que o Processo Administrativo Fiscal prevê a concentração dos atos probatórios em momentos préestabelecidos, tanto no que diz respeito à instrução probatória por parte da Fazenda como por parte do contribuinte, estabelecendo se, assim, em caso de inobservância do momento adequado, a necessária preclusão. A preclusão não é sanção. Não advém de ato ilícito. Mas ela foi definida processualmente para se proteger o Estado da protelação injustificada como também para garantir tratamento isonômico entre os contribuintes. Nesse sentido, Marcela Cheffer Bianchini2: Sendo assim, o próprio devido processo legal manifesta princípios outros além do da verdade material. Como visto, o processo requer andamento, desenvolvimento, marcha e conclusão. A segurança e a observância das regras previamente estabelecidas para a solução das lides constituem valores igualmente relevantes no processo. E, neste contexto, o instituto da preclusão passa a ser figura indispensável ao devido processo legal, e de modo algum se revela incompatível com o Estado de Direito ou com direito de ampla defesa ou com a busca pela verdade material. Vale destacar que, a depender da situação, a norma aceita a apresentação de provas após a impugnação. Contudo, isso é possível desde que dentro das hipóteses previstas na lei. Moacyr Amaral dos Santos ensina3: [...] o que a lei visa, precipuamente, quando traça normas para apresentação de documentos, é vedar a ocultação deles na fase de integração da lide, quer dizer, na fase da formação da questão sujeita a debate das partes e sobre a qual deverá decidir o órgão judicial. O que a lei visa é afastar ou, ao menos reduzir a possibilidade de ficarem o Juiz e as partes à mercê de surpresas consistentes no aparecimento de documentos de que a parte, premeditadamente, guarde segredo para, ocasião propícia, quando não haja mais oportunidade para discussões e mais provas, oferecêlos em juízo. Devese observar que as justificativas comumente apresentadas para o entendimento de que ocorre afronta ao princípio da ampla defesa e da verdade material, quando não são apreciadas provas apresentadas após a impugnação, são de índole constitucional e, portanto, para afastar a aplicabilidade do parágrafo 4º do art. 16, do PAF, devese declarar a sua inconstitucionalidade, mas é proibido por lei aos órgãos administrativos de julgamento, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Além disso, é preciso interpretar a lei conforme a Constituição. Ora, quando a lei excepciona as hipóteses de que trata o §4º do art. 16, ela já está contemplando todos os casos em que, por motivos de força maior, a ampla defesa não pode ser exercida anteriormente. Por tudo o quanto exposto tenho plena convicção de que as provas complementares apresentadas pela pessoa jurídica, somente por ocasião da sessão de julgamento no CARF, por serem inéditas e se encontrarem de posse da interessada desde o curso do procedimento fiscal até a apresentação da impugnação, por violarem as disposições do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, são preclusas. (destaques do original) 2 Op. Cit, pg. 37 3 "Prova Judicial no Civil e Comercial", vol. 4, Max Limonad, São Paulo, 1972, p. 416 Fl. 28808DF CARF MF Processo nº 10469.723360/201362 Acórdão n.º 1402003.576 S1C4T2 Fl. 121 11 Para além disso, observo que não há elementos seguros no referido documento para afirmálo contemporâneo às operações realizadas em 2006. Em sustentação oral, a interessada apontou que a numeração do laudo (EST 119/2006) evidenciaria sua proximidade de avaliação semelhante juntada aos autos e, de fato, constato às fls. 691/774 que avaliação da outra empresa envolvida na operação (Ale Combustíveis S/A) apresenta estrutura semelhante à do documento agora apresentado, e numeração próxima (EST 108/2006). Contudo, nele consta assinatura dos avaliadores, inclusive com carimbo da Junta Comercial do Estado de Minas Gerais datado de 07/08/2006, referências inexistentes no laudo sob exame. Logo, ainda que fosse possível afastar a preclusão, não é possível confirmar a contemporaneidade necessária para afastar o óbice apontado na acusação fiscal e reafirmado no acórdão embargado, razão pela qual discordo da atribuição de efeitos infringentes aos embargos ora apreciados. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Fl. 28809DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.100418/2009-24
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL COMPROVADA. CONHECIMENTO.
O recurso especial deve ser conhecido quando comprovada a divergência jurisprudencial e a similitude fática entre os acórdãos recorrido e aqueles indicados como paradigma. Restando bem caracterizado o dissenso com relação ao mérito - reconhecimento da nulidade de ato administrativo e cerceamento do direito de defesa - deve ter prosseguimento o apelo especial.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
DESPACHO DECISÓRIO. DESCRIÇÃO COMPLETA DOS FATOS E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. AUSÊNCIA DE NULIDADE E DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Não há nulidade do despacho decisório proferido em pedido de compensação quando descreve detalhadamente os fatos e a motivação da glosa do crédito tributário pleiteado, além de indicar a fundamentação legal para o indeferimento do pleito. Satisfazendo os requisitos da legislação que rege os atos administrativos e ausente o prejuízo de defesa às partes, razão pela qual cumpriu o ato com a sua finalidade, não há de se falar em nulidade.
Numero da decisão: 9303-007.657
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que não conheceu do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL COMPROVADA. CONHECIMENTO. O recurso especial deve ser conhecido quando comprovada a divergência jurisprudencial e a similitude fática entre os acórdãos recorrido e aqueles indicados como paradigma. Restando bem caracterizado o dissenso com relação ao mérito - reconhecimento da nulidade de ato administrativo e cerceamento do direito de defesa - deve ter prosseguimento o apelo especial. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 DESPACHO DECISÓRIO. DESCRIÇÃO COMPLETA DOS FATOS E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. AUSÊNCIA DE NULIDADE E DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há nulidade do despacho decisório proferido em pedido de compensação quando descreve detalhadamente os fatos e a motivação da glosa do crédito tributário pleiteado, além de indicar a fundamentação legal para o indeferimento do pleito. Satisfazendo os requisitos da legislação que rege os atos administrativos e ausente o prejuízo de defesa às partes, razão pela qual cumpriu o ato com a sua finalidade, não há de se falar em nulidade.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11065.100418/2009-24
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5967906
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9303-007.657
nome_arquivo_s : Decisao_11065100418200924.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS
nome_arquivo_pdf_s : 11065100418200924_5967906.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que não conheceu do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7629422
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:38:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051419497463808
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1962; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11065.100418/200924 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9303007.657 – 3ª Turma Sessão de 21 de novembro de 2018 Matéria NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado LÓTUS CALÇADOS LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL COMPROVADA. CONHECIMENTO. O recurso especial deve ser conhecido quando comprovada a divergência jurisprudencial e a similitude fática entre os acórdãos recorrido e aqueles indicados como paradigma. Restando bem caracterizado o dissenso com relação ao mérito reconhecimento da nulidade de ato administrativo e cerceamento do direito de defesa deve ter prosseguimento o apelo especial. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 DESPACHO DECISÓRIO. DESCRIÇÃO COMPLETA DOS FATOS E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. AUSÊNCIA DE NULIDADE E DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há nulidade do despacho decisório proferido em pedido de compensação quando descreve detalhadamente os fatos e a motivação da glosa do crédito tributário pleiteado, além de indicar a fundamentação legal para o indeferimento do pleito. Satisfazendo os requisitos da legislação que rege os atos administrativos e ausente o prejuízo de defesa às partes, razão pela qual cumpriu o ato com a sua finalidade, não há de se falar em nulidade. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que não conheceu do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que lhe negou provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 04 18 /2 00 9- 24 Fl. 223DF CARF MF Processo nº 11065.100418/200924 Acórdão n.º 9303007.657 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3401002.263, da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que deu provimento para anular o processo a partir do despacho decisório, consignando a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 DESPACHO DECISÓRIO QUE DESCONSIDEROU NEGÓCIO JURÍDICO PRATICADO PELO CONTRIBUINTE. FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. NULIDADE. É nulo o despacho decisório que desconsidera negócio jurídico praticado pelo contribuinte sem apontar o fundamento legal.” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs o Recurso Especial contra o r. acórdão, apresentando, em síntese, as seguintes alegações: · Segundo Despacho Decisório (por mera irregularidade denominado de “Auto de Infração”), a Fiscalização glosou o crédito tributário relativo à mão de obra fornecida pelas empresas Adão Acker e Solange Regia Moraes Matte, por entender que os segurados empregados registrados nas empresas Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte, ambas optantes pelo SIMPLES, na realidade deveriam estar registrados na Lotus Calçados Ltda.; · Nos termos do Despacho Decisório, os fatos apurados fundamentaram o entendimento de que a Lotus Calçados Ltda e os “fornecedores” Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte integram o mesmo grupo econômico, tendo sido a contratação das empresas na verdade simulada pela Lotus; · A capitulação errônea ou imprecisa do auto de infração, bem como a ausência de enquadramento legal (citação de norma jurídica), não são causas suficientes para provocar a nulidade do lançamento, ainda mais Fl. 224DF CARF MF Processo nº 11065.100418/200924 Acórdão n.º 9303007.657 CSRFT3 Fl. 4 3 quando o direito à ampla defesa foi exercido em sua plenitude, conforme previsão dos arts. 11, 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72; · A copiosa jurisprudência desta Câmara Superior tem firmado o entendimento que se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas ou, no caso, as razões do indeferimento do pedido de compensação, rebatendoas mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não somente preliminares, mas também razões de mérito, mostrase incabível a declaração de nulidade de lançamento por cerceamento de defesa, devendo prevalecer os princípios da instrumentalidade e economia processual em lugar do rigor das formas; · Não há nulidade se o fato (simulação) é descrito no Despacho Decisório e posteriormente confirmado pela DRJ, bem como se o contribuinte demonstrar ter compreendido as razões do indeferimento. Em despacho de admissibilidade, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pelo sujeito passivo, que apresentou, dentre outros, os seguintes argumentos: · Em conformidade com a legislação vigente, o sujeito passivo fez jus a PIS e Cofins não cumulativos, resultantes de incentivo à exportação, razão pela qual formulou vários pedidos administrativos de ressarcimento relativos aos 1º, 2º, 3º e 4º trimestres de 2008 e 1º e 2º trimestre de 2009; · Não há como se comparar casos totalmente desconexos, considerando o recurso interposto; · O contribuinte tinha prazo para se defender e o fez com o que tinha em mãos; · A discussão travada nas defesas do contribuinte tinha por objetivo esclarecer a forma, a licitude e a idoneidade dos atos praticados, pois o contribuinte desconhece que tenha praticado qualquer ilegalidade; · Faltou no recurso apontar de forma clara e precisa em que parte do despacho decisório da glosa foi feita a capitulação legal – hoje preclusa por decadência. É o relatório. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 11065.100418/200924 Acórdão n.º 9303007.657 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.655, de 21/11/2018, proferido no julgamento do processo 11065.001696/200908, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303007.655): "Admissibilidade A Fazenda Nacional, por meio do recurso especial, suscitou divergência jurisprudencial com relação à (a) nulidade do despacho decisório por falta de indicação de base legal quando a fundamentação é a simulação constatada pela Autoridade Fiscal; e (b) nulidade do ato fiscal por cerceamento do direito de defesa por falta de capitulação legal, quando o contribuinte demonstra em seus atos posteriores ter entendido os termos da acusação fiscal. Para comprovar o dissenso interpretativo, indicou como paradigmas os acórdãos n.º 3302 002.094 e 140100.329. Nos termos do despacho de admissibilidade s/n.º, de 25 de junho de 2015 (efls. 188 a 196), foi dado seguimento ao apelo especial, pois devidamente comprovada a divergência com relação às duas matérias. A fundamentação do ato decisório, com o qual concordou este E. Colegiado e que passa a integrar o presente voto, deuse nos seguintes termos, in verbis: [...] Trata este processo de pedido de ressarcimento do PIS nãocumulativa do 2º trimestre de 2009, com fundamento no §1o, do art. 5o, da Lei n° 10.637/02. A autoridade de jurisdição glosou o crédito relativo à mãodeobra fornecida pelas empresas Adão Acker e Solange Regia Moraes Matte por entender que essas empresas, apesar de serem formalmente empresas independentes, na verdade são do mesmo grupo econômico da Lótus Calçados Ltda (pleiteante do crédito) e que a separação dessas empresa é simulada. A DRJ em Porto Alegra/RS, após apreciar a contestação da contribuinte, manteve as glosas e o entendimento com a seguinte ementa: "PRESTAÇÃO DE SERVIÇO INEXISTÊNCIA MATERIAL E FACTUAL DE SEPARAÇÃO ENTRE A ENCOMENDANTE E A PRESTADORA DE SERVIÇOS. SIMULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO DA OPERAÇÃO GLOSA DOS CRÉDITOS FA VORÁVEISÀ CONTRIBUINTE. A realização de prestação de serviços quando a empresa encomendante e as empresas prestadoras de serviços são separadas formalmente, no papel, mas na realidade, de fato, inexiste separação, pois, materialmente, são e atuam como uma única entidade, caracteriza simulação de atos visando beneficios tributários, acarretando a ilegalidade da operação. Por conseguinte, a simulação gera a descaracterização da prestação de serviços por encomenda e a conseqüente glosa dos créditos favoráveis ao contribuinte gerados pela operação realizada de forma ilegal. Fl. 226DF CARF MF Processo nº 11065.100418/200924 Acórdão n.º 9303007.657 CSRFT3 Fl. 6 5 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido". [...] O Colegiado do CARF que apreciou o recurso voluntário decidiu pela preliminar de nulidade do despacho decisório, pois entendeu que, "no despacho decisório propriamente dito , a autoridade fiscal apontou somente o fundamento legal que dispõe que o pagamento de mãodeobra à pessoa física não gera crédito do PIS (art. 3o, § 2o, inciso I, da Lei n° 10.637/02). Todavia, os pagamentos pela mãodeobra foram realizados às terceirizadas. Esse negócio jurídico a autoridade fiscal desconsiderou, por entender ser simulado, mas não apontou qual o fundamento legal que autoriza essa desconsideração. Nesse caso, a falta de indicação do fundamento legal gera o cerceamento de defesa, haja vista que a Recorrente não sabe de qual norma a autoridade fiscal estava se apoiando para desconsiderar o negócio jurídico." [...] 1º) Sobre a nulidade do despacho decisório por falta de indicação de base legal quando a fundamentação é a simulação constatada pela autoridade fiscal: Para comprovar o dissenso foram colacionados, como paradigmas, os Acórdãos nº 3302002.094 e 140100.329. Vejamos suas ementas, transcritas na parte de interesse ao presente exame: Processo n° 11065.722835/201147 Recurso n° Voluntário Acórdão n° 3302002.094 3a Câmara / 2a Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2013 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO PIS E COFINS Recorrente FAZENDA TRADIÇÃO ALIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2008, 2009 INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. INEXISTÊNCIA MATERIAL DE SEPARAÇÃO ENTRE A ENCOMENDANTE E A PRESTADORA DE SERVIÇOS. SIMULAÇÃO. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. Quando a empresa que industrializa "por encomenda" e a encomendante são formalmente distintas e, de fato, inexiste tal separação, atuando como uma única entidade, caracteriza simulação de atos visando benefícios tributários e enseja o lançamento do crédito tributário não recolhido. MULTA DE OFÍCIO. MAJORAÇÃO. Cobrase a multa de ofício majorada se estiverem presentes as circunstâncias qualificativas, nos termos da legislação tributária. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa de ofício, nos moldes da legislação que a instituiu. Acórdão 140100.329 Processo n° 19515.000937/200445 Fl. 227DF CARF MF Processo nº 11065.100418/200924 Acórdão n.º 9303007.657 CSRFT3 Fl. 7 6 Recurso n° 174.370 Voluntário Acórdão n° 140100.329 4a Câmara / 1a Turma Ordinária Sessão de 02.09.2010 Matéria IRPJ Recorrente UNIVERSAL COMÉRCIO DE DROGAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 1999 OMISSÃO DE RECEITAS. OMISSÃO DE COMPRAS Caracteriza omissão de receitas a falta de registro de pagamento de compras, por presumir a existência prévia de omissão de vendas, gerando recursos para a aquisição de mercadorias sem seu registro contábil. OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. A falta de comprovação de valores mantidos no passivo enseja à presunção de que houve omissão das receitas correspondentes. COFINS 1/3. COMPENSAÇÃO COM A CSLL A compensação de 1/3 da COFINS com a CSLL somente era admitida quando houvesse o efetivo pagamento daquela contribuição social. ENQUADRAMENTO LEGAL INCORRETO O erro na capitulação legal ou mesmo a sua ausência não acarreta a nulidade do auto de infração quando a descrição dos fatos nele contida é exata, possibilitando ao sujeito passivo defenderse de forma ampla das imputações que lhe foram feitas. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, afastar a preliminar de nulidade e negar provimento ao recurso." (Grifos no recurso) O Acórdão recorrido decidiu pela nulidade do despacho decisório por entender que faltoulhe fundamento legal para ele desconsiderar os negócios realizados entre a contribuinte as terceirizadas. É nulo o despacho decisório que desconsidera negócio jurídico praticado pelo contribuinte sem apontar o fundamento legal. A esse respeito, ele trouxe o seguinte argumento: "...no despacho decisório propriamente dito , a autoridade fiscal apontou somente o fundamento legal que dispõe que o pagamento de mãodeobra à pessoa física não gera crédito do PIS (art. 3o, § 2o, inciso I, da Lei n° 10.637/02)." "Todavia, os pagamentos pela mãodeobra foram realizados às terceirizadas. Esse negócio jurídico a autoridade fiscal desconsiderou, por entender ser simulado, mas não apontou qual o fundamento legal que autoriza essa desconsideração." "Nesse caso, a falta de indicação do fundamento legal gera o cerceamento de defesa, haja vista que a Recorrente não sabe de qual norma a autoridade fiscal estava se apoiando para desconsiderar o negócio jurídico." "O cerceamento de defesa ficou ainda mais evidenciado, quando a Recorrente optou por se defender do Parágrafo Único, do art. 116, do CTN, que autoriza a desconsideração dos negócios jurídicos praticados com intuito de dissimulação, mas a DRJ considerou que no caso não se aplica o Parágrafo Único, do art. 116, do CTN, mas sim o art. 149, inciso VII, também do CTN. Esse fato demonstra Fl. 228DF CARF MF Processo nº 11065.100418/200924 Acórdão n.º 9303007.657 CSRFT3 Fl. 8 7 claramente que a falta de fundamento para a desconsideração do negócio jurídico entre a Recorrente e a terceirizada prejudicou na defesa da Recorrente." "Além disso, a falta de fundamentação no despacho decisório e no relatório fiscal faz com que qualquer fundamentação legal utilizada nos julgamentos posteriores (DRJ e CARF) configurem inovação de fundamento, por utilização de norma não ventilada pela delegacia de origem, como ocorreu, no presente caso, quando a DRJ utilizou o art. 149, inciso VII, do CTN, para fundamentar a desconsideração do negócio jurídico." "Com isso, por estar presente o cerceamento de defesa, devem ser declarados nulos os atos praticados desde o relatório fiscal, para que os autos retornem à delegacia de origem, para retificação da fundamentação da delegacia de origem, para que ela aponte em qual norma se apóia para descaracterizar os negócios jurídicos praticados entre a Recorrente e as empresas Adão Acker e Solange Regia Moraes Matte." (GRIFOS NOSSOS) Por sua vez, o Acórdão paradigma, para sua decisão, se fundamenta em entendimento divergente. Ele afirma que a fundamentação jurídica conforme art. 3º, § 2º, inciso I das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003 somada a descrição fática da simulação é suficiente para afastar a preliminar de nulidade por falta de capitulação legal da desconsideração dos negócios. Quando a empresa que industrializa "por encomenda" e a encomendante são formalmente distintas e, de fato, inexiste tal separação, atuando como uma única entidade, caracteriza simulação de atos visando benefícios tributários e enseja o lançamento do crédito tributário não recolhido. Para demonstrar sua alegação a recorrente traz excerto do Acórdão paradigma em que essa correspondência e conclusão ficariam evidentes: "Conforme consta do Relatório Fiscal, a empresa recorrente e as empresas Skippi Alimentos e Segma Participações pertencem à família Sérgio Luiz Kehl (pai, filhos e esposa), cujas participações societárias foram ajustadas de acordo com os interesses do Sr. Sérgio Luiz Kehl, o verdadeiro proprietário dessas empresas, com o fito de manter a Skippi (encarregada da produção) no SIMPLES e a recorrente (encarregada da comercialização) no regime não cumulativo do PIS e da Cofins, tomando crédito das exações em alíquota superior a efetivamente paga pela Skippi nas receitas faturadas contra a Fazenda Tradição." "Em sede de preliminar, a recorrente alega que no auto de infração não existe fundamentação legal e, também, inexiste pressupostos da relação empregatícia, o que enseja a nulidade do lançamento." "Enganase a recorrente porque tanto no corpo do Auto de Infração como no Relatório Fiscal consta a fundamentação legal a que se refere o art. 10 do Decreto n° 70.235/72 e, também, ficou sobejamente provado a transferência de empregados da recorrente para empresa Skippi, conforme muito bem fundamentou a decisão recorrida." "Isto posto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e do lançamento e ratifico a decisão do acórdão recorrido que rejeitou as preliminares suscitadas pela empresa interessada em sua impugnação." Quanto ao mérito, melhor sorte não tem a recorrente. (...)" (Grifos no recurso) Com essas considerações, concluo que a divergência jurisprudencial foi comprovada. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 11065.100418/200924 Acórdão n.º 9303007.657 CSRFT3 Fl. 9 8 2º) Sobre a nulidade do ato fiscal por cerceamento do direito de defesa por falta de capitulação legal, quando o contribuinte demonstra em seus atos posteriores ter entendido os termos da acusação fiscal. Para comprovar o dissenso foram colacionados os mesmos Acórdãos paradigmas analisados na matéria anterior neste despacho, razão por que deixo de duplicar a reprodução de suas ementas, uma vez que já transcritos acima. O Acórdão recorrido defende a tese que há cerceamento de defesa com a falta de indicação da fundamentação legal do fato imputado pela acusação fiscal. Nesse caso, a falta de indicação do fundamento legal gera o cerceamento de defesa, haja vista que a Recorrente não sabe de qual norma a autoridade fiscal estava se apoiando para desconsiderar o negócio jurídico. A esse respeito, ele trouxe o seguinte argumento: "... no despacho decisório propriamente dito , a autoridade fiscal apontou somente o fundamento legal que dispõe que o pagamento de mãodeobra à pessoa física não gera crédito do PIS (art. 3o, § 2o, inciso I, da Lei n° 10.637/02). Todavia, os pagamentos pela mãodeobra foram realizados às terceirizadas. Esse negócio jurídico a autoridade fiscal desconsiderou, por entender ser simulado, mas não apontou qual o fundamento legal que autoriza essa desconsideração. Nesse caso, a falta de indicação do fundamento legal gera o cerceamento de defesa, haja vista que a Recorrente não sabe de qual norma a autoridade fiscal estava se apoiando para desconsiderar o negócio jurídico. O cerceamento de defesa ficou ainda mais evidenciado, quando a Recorrente optou por se defender do Parágrafo Único, do art. 116, do CTN, que autoriza a desconsideração dos negócios jurídicos praticados com intuito de dissimulação, mas a DRJ considerou que no caso não se aplica o Parágrafo Único, do art. 116, do CTN, mas sim o art. 149, inciso VII, também do CTN. Esse fato demonstra claramente que a falta de fundamento para a desconsideração do negócio jurídico entre a Recorrente e a terceirizada prejudicou na defesa da Recorrente. Além disso, a falta de fundamentação no despacho decisório e no relatório fiscal faz com que qualquer fundamentação legal utilizada nos julgamentos posteriores (DRJ e CARF) configurem inovação de fundamento, por utilização de norma não ventilada pela delegacia de origem, como ocorreu, no presente caso, quando a DRJ utilizou o art. 149, inciso VII, do CTN, para fundamentar a desconsideração do negócio jurídico. Com isso, por estar presente o cerceamento de defesa, devem ser declarados nulos os atos praticados desde o relatório fiscal, para que os autos retornem à delegacia de origem, para retificação da fundamentação da delegacia de origem, para que ela aponte em qual norma se apóia para descaracterizar os negócios jurídicos praticados entre a Recorrente e as empresas Adão Acker e Solange Regia Moraes Matte. (GRIFOS NOSSOS) Mas o Acórdão paradigma n.º 140100.329 traz tese divergente, ao desenvolver o raciocínio e concluir que a falta de fundamentação legal da acusação fiscal não deve ser causa de nulidade por cerceamento de defesa quando o contribuinte demonstra entender o fato que lhe é imputado. O Acórdão paradigma afirma: a ausência de capitulação legal não é motivo para nulidade do auto de infração, caso o contribuinte tenha entendido os termos da acusação fiscal ou, no caso, do indeferimento do direito creditório. [...] Fl. 230DF CARF MF Processo nº 11065.100418/200924 Acórdão n.º 9303007.657 CSRFT3 Fl. 10 9 Portanto, restou devidamente comprovada a divergência jurisprudencial com relação aos dois itens contra os quais se insurgiu a Fazenda Nacional, merecendo prosseguimento o recurso especial. Mérito No mérito, não obstante os bem lançados argumentos trazidos pela Nobre Conselheira Relatora, entendeu este Colegiado por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, afastandose a declaração de nulidade do despacho decisório com base na falta de indicação de base legal e cerceamento do direito de defesa por falta de capitulação legal. O presente processo tem origem em pedido de compensação de COFINS do regime nãocumulativo efetuado pela Contribuinte, com fulcro no art. 6º, §1º, da Lei n.º 10.833/2003, transmitido em 23/07/2009, buscando compensarse do crédito relativo aos serviços de industrialização por encomenda contratados com pessoa jurídica, caracterizandose como insumos que geram direito a crédito das contribuições do PIS e da COFINS nãocumulativas. Nos termos do Despacho Decisório (efls. 61 a 69), em verificação fiscal efetuada junto à empresa foi constatado pela Fiscalização serem indevidos os créditos tributários dos quais pretendia a mesma verse compensada, pois eram relativos à mãodeobra fornecida pelas pessoas jurídicas ADÃO ACKER e SOLANGE REGIA MORAES MATTE, ambas no regime do Simples Nacional, cujos empregados, segundo entendimento da Autoridade Fiscal, deveriam estar registrados na LOTUS CALÇADOS LTDA. A Autoridade Fiscal afirmou ter havido a ocorrência de simulação na contratação das pessoas jurídicas, a partir da conclusão de que as empresas fornecedoras de mãodeobra integram o mesmo grupo econômico da Lotus Calçados Ltda, por isso foi efetuada a glosa dos valores pretendidos compensar pelo Sujeito Passivo. Na elaboração do despacho decisório, houve a descrição suficiente dos fatos e fundamentos que levaram à glosa, dos quais são transcritos os principais excertos, in verbis: [...] 3.1. Glosa de Créditos Relativos à MãodeObra: Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte Constatamos, no decorrer da ação fiscal, que no período de janeiro de 2008 a junho de 2009 o contribuinte teve como maiores fornecedores de mãodeobra as empresas Adão Acker, CNPJ n° 04.321.383/000150 e Solange Regina Moraes Matte, CNPJ n° 07.334.298/000115, conforme demonstrado no quadro a seguir: [...] Em tese, por terem sido prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no país, esses insumos e serviços de industrialização configuram operação com direito ao crédito das contribuições na sistemática da nãocumulatividade. No entanto, examinando mais detalhadamente essas operações, verificamos que, embora regularmente constituídas, estas fornecedoras não são, de fato, pessoas jurídicas independentes. Vários indícios nos levaram à conclusão de que estas, juntamente com a Lotus Calçados, formam o mesmo grupo econômico, conforme demonstraremos no decorrer do presente relatório. Fazse necessário informar que, recentemente, o estabelecimento do contribuinte esteve sob ação fiscal da RFB relativamente às contribuições previdenciárias (período: janeiro de 2004 a dezembro de 2008), da qual resultou na emissão do Auto de Infração (parte Patronal) constante do processo administrativo n° Fl. 231DF CARF MF Processo nº 11065.100418/200924 Acórdão n.º 9303007.657 CSRFT3 Fl. 11 10 11065.001415/200917. Conforme relatório do Auto de Infração, o AFRFB concluiu que os segurados empregados registrados nas empresas Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte, ambas optantes pelo SIMPLES, na realidade deveriam estar registrados na Lotus Calçados Ltda. Deste modo, o auditor caracterizou os empregados das empresas optantes pelo SIMPLES como segurados vinculados à Lotus Calçados. O fato desses empregados não estarem informados nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia Por tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP da Lotus originou a emissão pelo o auditor de Representação Fiscal Para Fins Penais, constante dos processos administrativos n° 11065.001426/200999 e n° 11065.001427/200933, tendo em vista que a conduta do contribuinte, em tese, configura a prática de ilícito previsto nas legislações previdenciária e penal. A seguir faremos a exposição dos fatos observados na presente ação fiscal e que fundamentaram o entendimento de que a Lotus Calçados Ltda juntamente com os seus "fornecedores" Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte na verdade formam o mesmo grupo econômico. a) Mesma Localização Visitando os endereços dessas empresas, chegamos a conclusão que a Lotus Calçados Ltda e Adão Acker funcionam no mesmo local, apesar dos diferentes logradouros informados em seus cadastros junto à RFB, e que o endereço da empresa Solange Regina Moraes Matte tratase de uma residência, conforme demonstraremos a seguir: . Lotus Calçados Ltda e Adão Acker Apesar de estabelecidas em endereços distintos, a primeira na Av. Senador Alberto Pasqualini, 90 (A) e a outra na Rua Saldanha da Gama, 511 (B), na realidade elas têm comunicação pelos fundos. A Lotus é a única que demonstra através de sua fachada ser um estabelecimento comercial, no entanto não apresenta nenhuma placa de identificação. Está localizada numa avenida de movimento, por tratarse de uma saída da RS239. Já a Adão Acker está estabelecida numa rua bem tranqüila. Também não havia identificação com placas da empresa Adão Acker e no número constante havia uma propriedade que parecia ser um galpão, estoque ou até mesmo acesso para a empresa Lotus. Essa ligação entre as empresas pode ser evidenciada através do mapa abaixo extraído do site http://maps.google.com.br/. [...] . Solange Regina Moraes Matte, Rua Américo Vespúcio, 59 Bairro Santa Fé em Sapiranga chegando nesse endereço constatamos tratarse de uma grande residência. Abordamos uma moradora de uma casa de frente que declarou o seguinte: "...é uma residência e o dono pelo que eu saiba é proprietário de empresa no Centro de Sapiranga...". Obtivemos, através de dados constantes nos sistemas informatizados da RFB, a informação de que a propriedade constante no endereço acima, apontada como sendo o domicílio da empresa Solange Regina Moraes Matte, na realidade é uma residência e de propriedade do Sr. Ethevaldo Arthur Konrath, CPF n° 022.763.64068, sócioadministrador da Lotus Calçados Ltda, informação esta que vem corroborar a prestada por aquela moradora. Vale esclarecermos, que a Srª Solange Regina Moraes Matte, CPF n° 478.949.03000 figura como empresária da referida empresa, cuja razão social é o seu próprio nome e além disso é esposa do Sr. Lauro Henrique Matte, CPF n° 211.995.31049, administrador e preposto da Lotus Calçados Ltda. b) Mesmo Contador Consta nas DIPJ entregues à RFB no exercício de 2008, o Sr. Fabrício Ardi Werb, CPF n° 751.694.60015, como contador das empresas Lotus, Adão Acker e Solange. c) Migração de Funcionários da Lotus Para a RecémConstituída Adão Acker Analisando a GFIP declarada pela Lotus na competência mar/2001 e a declarada pela Adão Acker na competência abr/2001, percebemos que ocorreu uma migração Fl. 232DF CARF MF Processo nº 11065.100418/200924 Acórdão n.º 9303007.657 CSRFT3 Fl. 12 11 dos funcionários da Lotus para a recémconstituída Adão Acker. O quadro abaixo demonstra que quando da criação da Adão Acker, dos 26 novos empregados contratados por ela, 15 eram oriundos da Lotus. [...] d) Empresário da Adão Acker é Exfuncionário da Lotus O Sr. Adão Acker, CPF n° 269.109.18053, figura como empresário desta recémcriada empresa (do item anterior), cuja razão social é o seu próprio nome. Curiosamente, o Sr. Adão Acker foi funcionário da Lotus Calçados, tendo sido demitido em 30/03/2001. Na competência seguinte ao seu desligamento, a sua nova empresa declarou fato gerador para Previdência Social, através da GFIP, na qual, além de seu nome, constavam os dos 15 exfuncionários da Lotus. e) Rodízio de Empregados nas Empresas Optantes Pelo SIMPLES Outro fato que também nos chamou atenção e vem corroborar nossa convicção de tratarse de grupo econômico, foi que os segurados relacionados abaixo, pertenceram, em momentos distintos, ao quadro de empregados da empresa Adão Acker e ao da Solange Regina Moraes Matte: [...] f) Emissão de Notas Fiscais Sequenciais No período analisado as empresa Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte emitiram notas fiscais em ordem seqüencial e exclusivamente para a Lotus, conforme quadros ilustrativos abaixo, extraídos das informações constantes no livro Registro de Entradas entregue em meio digital pelo contribuinte à fiscalização; g) Ausência de Patrimônio das Terceirizadas Através de Intimação, a auditoria anterior obteve declaração das empresas Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte de que as mesmas não possuíam bens de sua propriedade, o que confirmamos ao analisar a contabilidade dessas empresas. Não há registro de qualquer ativo permanente nas empresas em questão, o que vem a ser bastante incomum para uma empresa que presta um serviço para terceiros de industrialização por encomenda. Adicionalmente, analisando as informações constantes no livro Razão dessas empresas não constatamos nenhum lançamento que denotasse custos com a produção e/ou manutenção do parque fabril, somente valores pagos à mão de obra. h) Movimentação Financeira Baixa e Dependência de Aportes Financeiros A auditoria anterior constatou no exame da contabilidade das empresas Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte diversas operações com o Sr. Ethevaldo Arthur Konrath, CPF n° 022.763.64068, sócioadministrador da Lotus Calçados. Segundo relato do auditor, essas operações ocorriam "através de empréstimos com notas promissórias tentando viabilizar o Caixa das empresas". A seguir demonstraremos tais lançamentos, os quais foram extraídos do livro Razão das respectivas empresas: [...] Apesar de a empresa Adão Acker ter fornecido serviços para a Lotus Calçados num total de R$ 592.477,00 em 2008 e de R$ 393.690,00 no 1º semestre de 2009, em consulta aos sistemas informatizados da RFB verificamos que não consta movimentação financeira para a empresa Adão Acker no anocalendário 2008 e 1" semestre de 2009. Já em relação a empresa Solange Regina Moraes Matte constatamos que no período fiscalizado só ocorreu movimentação financeira no 2° semestre de 2008, num total de apenas R$ 10.432.42. Valores não compatíveis com o montante de R$ 1.249.110,00 de fornecimento de serviços para Lotus Calçados no anocalendário 2008 e de R$ 972.914,40 no 1º semestre de 2009. i) Pagamento em Dinheiro dos Serviços Prestados Pelas Empresas Adão e Solange Atendendo a solicitação do Termo de Intimação n° 001, a empresa Lotus apresentou as seguintes notas fiscais: [....] Fl. 233DF CARF MF Processo nº 11065.100418/200924 Acórdão n.º 9303007.657 CSRFT3 Fl. 13 12 A Lotus não conseguiu efetivamente comprovar o pagamento de cada uma dessas notas fiscais, informando apenas que tais pagamentos, em valores bastante expressivos, se deram através de dinheiro. Juntou simples recibos desses pagamentos e apresentou extratos bancários da conta corrente 5240X da Agência 653X do Banco do Brasil, onde identificou os valores sacados em espécie para o pagamento dessas notas. Curiosamente, no histórico do lançamento desses saques consta a informação "Folha de Pagamento". Tal fato fortalece a tese de que essas "prestações de serviços" nada mais eram do que a folha de pagamento da Lotus disfarçada. Não há nenhuma informação no histórico de tratarse de pagamento de prestação de serviços. 4. Conclusão Fica evidente que ao longo de suas existências, tanto a empresa Adão Acker, quanto a Solange Regina Moraes Matte receberam aportes financeiros da Lotus Calçados, demonstrando sua dependência econômica e reforçando os indícios de que juntas formam um grupo econômico. Do acima exposto, fica evidente que ocorreu apenas uma "contratação" simulada pela Lotus das empresas Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte em lugar dos seus próprios funcionários. Desta forma, a Lotus vem obtendo o benefício do ingresso de sua mãodeobra no sistema de tributação SIMPLES, reduzindo por conseguinte sua carga tributária previdenciária e ainda usufruindo do benefício do creditamento das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS relativamente aos serviços de industrialização por encomenda, os quais são insumos que geram direito a crédito quando contratados com pessoa jurídica. Cabe lembrar que o benefício do crédito das contribuições para o PIS/Pasep e COFINS não contempla mãodeobra paga à pessoa física (folha de salários), conforme disposição expressa constante no artigo 3º , §2°, inciso I, das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, vedação essa que não ocorre com serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país (artigo 3o , § 3o , inciso I, das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03). Tendo em vista todos os fatos e provas acima relatados, concluímos que os supostos serviços de industrialização por encomenda prestados pela Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte são na realidade os custos relativos à própria folha de pagamento da Lotus Calçados Ltda. Restou claro que as duas constituemse em parte da Lotus, formando uma única empresa. Sendo assim, o contribuinte não pode se creditar das contribuições em relação aos serviços de mãodeobra, por expressa vedação legal ao creditamento sobre a folha de salários (mãodeobra paga a pessoa física). Base Legal: Leis s n° 10.637/02 e 10.833/03, artigo 3o , § 2o; [...] Concluindo a análise, fazse necessário desconsiderar os serviços de industrialização por encomenda prestados pelas empresas Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte para efeito de cálculo de créditos das contribuições. Abaixo, listamos os totais mensais, agrupados por trimestre e anocalendário, da aquisição desses serviços e a respectiva glosa efetuada (em R$): [...] Depreendese do relato dos fatos e da fundamentação do despacho decisório os motivos determinantes para a glosa dos créditos tributários pretendidos compensar pela Contribuinte, assim como o fato de as empresas Adão Acker e Solange Regina Moraes dependerem economicamente da Lótus Calçados, fizeram com que a Autoridade Fiscal entendesse pela ocorrência de simulação na contratação da prestação de serviço de mãode Fl. 234DF CARF MF Processo nº 11065.100418/200924 Acórdão n.º 9303007.657 CSRFT3 Fl. 14 13 obra, e pela impossibilidade de lhe serem conferidos os créditos de PIS e COFINS não cumulativos. No decorrer do processo administrativo, a empresa requereu a reversão da glosa por meio da apresentação de manifestação de inconformidade e de recurso voluntário, sendo que na primeira restou claro ter compreendido a motivação do indeferimento do pedido de compensação, conforme se verifica do relato dos fatos empreendido na peça (efls. 88 a 91) e no próprio pedido de reforma do ato administrativo, in verbis: " [...] Diante de todo o exposto, demonstrada a insubsistência do Despacho Decisório DRF/NHO/2010, requer seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade e reformada a Decisão, reconhecendo a procedência do pedido em relação ao item acima relacionado, mantendose a terceirização da mão de obra, por medida de inteira Justiça" (grifouse). Ao apreciar a manifestação de inconformidade da Contribuinte, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS) afastou as preliminares de falta de fundamentação legal do despacho decisório e cerceamento do direito de defesa, julgando procedente o lançamento, consoante Acórdão n.º 1031.495, da 2ª Turma da DRJ/POA, de 20 de maio de 2011 (efls. 129 a 139). Pela clareza da abordagem do tema, entendese pertinente a transcrição dos argumentos do decisum em referência para afastar as alegações de nulidade do despacho decisório, in verbis: [...] Partindo dos pressupostos acima, vamos analisar o litígio que glosou os créditos fiscais da contribuição decorrente das notas fiscais de venda de serviços das empresas Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte, amplas optantes do SIMPLES, do período em apreço nos autos, pois estas seriam uma forma simulada da contribuinte (Lótus Calçados Ltda) de se beneficiar de mãodeobra como geradora de créditos fiscais, haja vista que os empregados destas (Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte) deveriam ser registrados como empregados da contribuinte, contrariando a legislação que proíbe o crédito sobre mãode obra. Para tanto, a DRF de origem partiu dos seguintes fatos/indícios para chegar a conclusão/presunção, conforme documento fiscal de fls.57/65, da simulação cometida em benefício da contribuinte: 1) a empresa Adão Acker tinha localização no mesmo local da contribuinte, pois os imóveis tem comunicação pelos fundos dos terrenos em que estão situadas, enquanto que a empresa Solange Regina Moraes Matte tem como local uma residência num imóvel de propriedade do sócioadministrador da contribuinte, sendo que está última tem como empresária, de mesmo nome da empresa, a esposa do administrador e preposto da contribuinte; 2) todas as empresas (Lótus Calçados Ltda, Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte) tem o mesmo contador; 3) a empresa Adão Acker, tem como empresário e fundador o sr. Adão Acker, que foi exempregado da contribuinte, tendo sido demitido em 30 de março de 2001 e iniciado as atividade da empresa em abril de 2001; 4) houve a migração de 15, do total de 26 empregados contratados, empregados demitidos da contribuinte, em 30/03/2001, para a, recém constituída, empresa Adão Acker, em 02/04/2001; 5) houve rodízio de vários empregados da empresa Adão Acker para a empresa Solange Regina Moraes Matte, demonstrando a conexão entre elas; 6) ocorreu a emissão seqüencial de notas fiscais de prestação de serviço das empresas Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte, abordando vários meses, para a contribuinte, demonstrando que a contribuinte, em alguns meses, foi a única cliente das empresas; Fl. 235DF CARF MF Processo nº 11065.100418/200924 Acórdão n.º 9303007.657 CSRFT3 Fl. 15 14 7) inexistência de patrimônio das empresas Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte, nem apresentação, no livro Razão, de custos com a produção ou manutenção, tendo somente valores pagos de mãodeobra; 8) as empresas Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte tem baixa movimentação financeira e dependência de aportes financeiros, através de empréstimos do sócio administrador da contribuinte, sendo que apesar de prestar os supostos serviços para a contribuinte em valores elevados, não consta nos sistemas de controle da RFB movimentação financeira para o anocalendário de 2008 e I o trimestre de 2009, no caso da empresa Adão Acker, e somente no 2o semestre de 2008 e em baixo valor para a empresa Solange Regina Moraes Matte; 9) os pagamentos de notas fiscais de serviços da empresas Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte pela contribuinte foram em dinheiro, apesar de serem de alto valor, sendo que o lançamento na contabilidade da contribuinte deste pagamentos (saques bancários) constava a informação "folha de pagamento", demonstrando que os pagamentos não eram dos serviços, mas da folha de pagamento destas empresas realizadas pela contribuinte. Além disso, os serviços das duas empresas somadas eram, na maior parte dos meses, a maioria dos serviços utilizados como insumo pela contribuinte no período de janeiro de 2008 a junho de 2009. Enfim, um conjunto robusto de fatos/indícios apontados pela DRF de origem para a conclusão/presunção da contratação simulada pela empresa Lótus Calçados Ltda das empresas Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte, em lugar de seus próprios funcionários, de modo a gerar benefícios tributários das contribuições de PIS e Cofins nãocumulativas. Em sua defesa, a contribuinte começa apresentando a preliminar de falta de fundamentação do Despacho Decisório, acarretando cerceamento do direito de defesa. O documento fiscal de fls. 57/65 indica a fundamentação legal que impede a utilização da mãodeobra como insumo para gerar créditos da contribuição (art.3°,§2°, inciso I das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), que fundamentou o Despacho Fiscal, sendo que este também cita a norma que regula a contribuição para fundamentar o deferimento parcial do pedido devido a glosa realizada. Logo, não houve falta de fundamentação da glosa, muito menos cerceamento de defesa, pois a contribuinte apresenta defesa de mérito, contestando as conclusões da DRF, de forma a demonstrar perfeito entendimento dos fatos que lhe foram imputados. [...] De outro lado, as nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal são tratadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.235/72, segundo os quais somente serão declarados nulos os atos na ocorrência de (a) ato ou decisão lavrado ou proferido por pessoa incompetente ou do qual (b) resulte inequívoco cerceamento do direito de defesa à parte, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 11065.100418/200924 Acórdão n.º 9303007.657 CSRFT3 Fl. 16 15 § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (grifouse) A declaração de nulidade dos atos administrativos encontrase relacionada com o princípio do prejuízo. Se não houver prejuízo às partes pela prática de determinado ato no qual se tenha considerado haver suposta irregularidade ou não observância da forma, não há de se falar na sua invalidação, ainda mais quando cumprida a sua finalidade. No caso dos autos, houve a completa descrição dos fatos que levaram à Fiscalização a concluir pela ocorrência de simulação e a indicação da capitulação legal para a glosa dos créditos pretendidos compensar pela Contribuinte. A assertiva resta evidenciada nas defesas apresentadas pela empresa, que demonstrou ter plena compreensão dos fatos que lhe estavam sendo imputados. Além disso, houve a indicação da motivação pela qual a autoridade fiscal desconsiderou o negócio jurídico relativo aos pagamentos de mãodeobra terceirizada, qual seja, a ocorrência de simulação, e, além disso, apontou o dispositivo que impede a tomada de créditos tributários de COFINS decorrentes de pagamentos efetuados a pessoas físicas. Portanto, presente a fundamentação legal do despacho decisório e inexistente o cerceamento do direito de defesa da Contribuinte, pertinente a reforma do acórdão ora recorrido para se declarar a validade do despacho decisório. Tendo em vista que o mérito do crédito tributário pleiteado não foi analisado pelo Coelgiado a quo, impõese o retorno dos autos para apreciação das matérias de mérito. Dispositivo Diante do exposto, dáse provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para declarar válido o despacho decisório e determinar o retorno dos autos ao Colegiado a quo para análise das alegações de mérito do recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento, para declarar válido o despacho decisório e determinar o retorno dos autos ao Colegiado a quo para análise das alegações de mérito do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 237DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.905682/2008-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
DESCUMPRIMENTO DE DILIGÊNCIA. INTIMAÇÃO DA CONTRIBUINTE. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA NOVA DECISÃO.
Os autos devem retornar à unidade de origem, quando não se promove a intimação do contribuinte, por solicitação da própria DRJ, sobre o resultado de diligência fiscal por ela determinada (art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972).
Numero da decisão: 3201-004.615
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que os autos retornem à unidade preparadora a fim de que se prolate novo Despacho Decisório, após intimar Recorrente a apresentar os Livros Diário e Razão, bem como outros documentos se fizerem necessários à verificação da existência do crédito.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior, Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 DESCUMPRIMENTO DE DILIGÊNCIA. INTIMAÇÃO DA CONTRIBUINTE. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA NOVA DECISÃO. Os autos devem retornar à unidade de origem, quando não se promove a intimação do contribuinte, por solicitação da própria DRJ, sobre o resultado de diligência fiscal por ela determinada (art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972).
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 11080.905682/2008-88
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5948777
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-004.615
nome_arquivo_s : Decisao_11080905682200888.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 11080905682200888_5948777.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que os autos retornem à unidade preparadora a fim de que se prolate novo Despacho Decisório, após intimar Recorrente a apresentar os Livros Diário e Razão, bem como outros documentos se fizerem necessários à verificação da existência do crédito. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior, Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
id : 7572015
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:35:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051419517386752
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1798; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 193 1 192 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.905682/200888 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201004.615 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de dezembro de 2018 Matéria PIS. RESTITUIÇÃO Recorrente CELULAR CRT SOCIEDADE ANONIMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 DESCUMPRIMENTO DE DILIGÊNCIA. INTIMAÇÃO DA CONTRIBUINTE. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA NOVA DECISÃO. Os autos devem retornar à unidade de origem, quando não se promove a intimação do contribuinte, por solicitação da própria DRJ, sobre o resultado de diligência fiscal por ela determinada (art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que os autos retornem à unidade preparadora a fim de que se prolate novo Despacho Decisório, após intimar Recorrente a apresentar os Livros Diário e Razão, bem como outros documentos se fizerem necessários à verificação da existência do crédito. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior, Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 56 82 /2 00 8- 88 Fl. 193DF CARF MF 2 Duarte Moreira). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira. Relatório A interessada apresentou pedido de restituição de PIS, cumulado com compensação de débito próprio, com origem no período de apuração de março de 2003. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra despacho decisório eletrônico emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre que não homologou a Declaração de Compensação (Dcomp) 03969.87086.111104.1.7.046043 (em destaque a data de transmissão – fls. 37 a 411). Na Dcomp, a empresa informa crédito, no valor de R$ 115.035,35, decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS cumulativo referente ao período de apuração 03/2003, arrecadado no valor total de R$ 604.713,87. O despacho decisório (fl. 42) aponta como motivo para a não homologação da compensação a inexistência de crédito, uma vez que o pagamento efetuado por meio do DARF indicado já teria sido integralmente utilizado para quitar débito confessado pelo próprio contribuinte em DCTF. Em 28/08/2008, a interessada apresenta manifestação de inconformidade (fls. 02 a 41). Alega que ocorreu erro nos valores informados em DCTF e Dcomp. Esclarece que o período de apuração do crédito seria 02/2003, tendo equivocadamente informado o mês pela data de vencimento, em março. Indica que a base de cálculo e o correto valor apurado encontramse na DIPJ, apresentando como comprovação a declaração retificadora entregue em 2006 (fls. 20 e 21). Na DIPJ, é informado o valor devido de PIS cumulativo para 02/2003 de R$ 565.772,85. Explica que o indébito advém de dois pagamentos efetuados para o período, de R$ 658.671,26 e R$ 22.136,96. Argumenta que a declaração de compensação não pode prevalecer em relação às informações contidas na contabilidade da empresa. Cabe ao Fisco verificar o substrato fático que ampara o crédito, sendo insuficiente a verificação exclusiva por processamento eletrônico. Considera comprovada a legitimidade do indébito, requerendo ser reformado o despacho para reconhecimento do crédito e homologação da compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Londrina (DRF/LON, fl. 44) atesta a tempestividade da manifestação de inconformidade e encaminha para apreciação de DRJ. Contudo, em face da divergência entre declarações prestadas e da insuficiência de comprovação da existência do crédito informado em Dcomp, a DRJ/POA decidiu encaminhar o processo em diligência à DRF jurisdicionante (fl. 47) para providenciar a análise envolvendo a demonstração e composição da base de cálculo e a apuração do PIS cumulativo referente ao período de apuração 02/2003, com a sua comprovação junto à empresa por Fl. 194DF CARF MF Processo nº 11080.905682/200888 Acórdão n.º 3201004.615 S3C2T1 Fl. 194 3 meio de documentos contábeis e/ou fiscais, devendo a DRF pronunciarse a respeito da apuração realizada. Na então unidade da jurisdição da empresa, DRF em Porto Alegre (DRF/POA), a empresa foi intimada por auditorfiscal da RFB para apresentar a documentação (fl. 48). Em resposta, a empresa apresentou a manifestação de fls. 58 a 104, indicando que os livros contábeis encontramse à disposição da fiscalização e que não localizou o balancete analítico requisitado, tendo em vista tratarse de documento muito antigo (mais de 10 anos), solicitado quando já não mais estava obrigada a conservar os documentos de comprovação fiscal, conforme art. 37 da Lei 9.430/96. Através da Informação Fiscal DRF/POA/SEORT/PJ (fls. 105 a 107), são prestadas as informações à DRJ, concluindose que não foi possível a comprovação do direito creditório, uma vez que o contribuinte não apresentou o solicitado. O processo retornou à DRJ. É o relatório. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/POA n.º 1056.896, de 01/06/2016 (fls. 112 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário (arquivo não paginável), por meio do qual alega, no que interessa ao deslinde do litígio, a nulidade do acórdão recorrido, com fundamento nas seguintes razões de defesa: Em face das alegações apresentadas pela empresa, a DRJ baixou os autos em diligência, a fim de que a unidade preparadora providenciasse a análise da demonstração e da composição da base de cálculo do PIS não cumulativo, mediante a comprovação por meio de documentos contábeis e/ou fiscais. Na sua realização, requereuse a entrega do balancete de março de 2003 e orientouse a empresa sobre o fato de que os Livros Diário e Razão deveriam ficar à disposição do Fisco, caso requeridos. A empresa respondeu a intimação, afirmando não possuir mais o balancete, em face do transcurso do tempo, mas que localizou os Livros Diário e Razão. Fl. 195DF CARF MF 4 A DRJ orientou a unidade preparadora que reabrisse o prazo para apresentação de manifestação da empresa sobre o resultado da diligência. Em face do que se passa a expor, as demais razões de defesa não serão aqui relatadas. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. Em litígio, o direito à restituição/compensação de PIS pago a maior. O pedido eletrônico foi indeferido, ao fundamento de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, localizouse pagamento integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em sua manifestação de inconformidade, a Recorrente afirma que cometeu um erro no preenchimento dos valores informados em DCTF. Diz que a base de cálculo e o valor correto da contribuição encontravamse na DIPJ, apresentando, como comprovação, a declaração retificadora entregue em 2006. Em consequência dos argumentos de defesa, a DRJ baixou os autos em diligência, para que se promovesse a análise da composição da base de cálculo do PIS não cumulativo, mediante a sua comprovação por meio de documentos contábeis e/ou fiscais. Daí emitido o Termo de Intimação de fl. 48, com o seguinte teor: Em relação ao crédito apresentado na DComp nº 03969.87086.111104.1.7.046043, alegase que houve erro quanto ao período de apuração desse crédito, devendo ser 02/2003 e não 03/2003 como constou na DComp. A Delegacia de Julgamento constatou que há "insuficiência de comprovação da existência do crédito informado em DComp" e que o contribuinte deve comprovar "por meio de documentos contábeis e/ou fiscais" a "demonstração e composição da base de cálculo e a apuração do PIS cumulativo referente ao período de apuração 02/2003". Essa demonstração deve estar acompanhada do balancete analítico desse mês de fevereiro/2003 (em meio magnético, arquivos digitais SVA1, formato PDF pesquisável). Os livros Diário e Razão desse período deverão estar à disposição desta Fiscalização, caso sejam requeridos. A demonstração deverá incluir a indicação das contas (por totais) que foram utilizadas para a composição da BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDÊNCIA CUMULATIVA, no valor de R$ 87.094.917,27 (linha 29 da Ficha 21 da DIPJ), a partir do valor de R$ 93.627.876,76 (Receita da Revenda de Mercadorias, linha 03 da mesma Ficha).Essa demonstração deve estar acompanhada do balancete analítico desse mês de março/2003 (em meio magnético, arquivos digitais SVA1, formato PDF pesquisável). Fl. 196DF CARF MF Processo nº 11080.905682/200888 Acórdão n.º 3201004.615 S3C2T1 Fl. 195 5 Os livros Diário e Razão desse período deverão estar à disposição desta Fiscalização, caso venham a ser requeridos. A demonstração deverá incluir a indicação das contas (por totais) que foram utilizadas para a composição da BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA, no valor de R$ 463.222,00 a da base de cálculo do "CRÉDITO TOTAL APURADO NO MÊS" linha 23 da Ficha 20 da DIPJ ativa (ND 1332073), "Apuração dos Créditos do PIS/PASEP Regime NãoCumulativo", no valor de R$ 324.226,42. Após requerer prorrogação de prazo, a Recorrente nada apresentou. Segundo a Informação Fiscal de fls. 105/107, informou que "não conseguiu localizar o balancete analítico requerido, tendo em vista se tratar de documento muito antigo (mais de 10 anos) referente ao mês de março de 2003. A ausência de apresentação desse documento, entretanto, não infirma a existência do direito creditório que pleiteia, mormente, levandose em consideração que a intimação ocorreu após transcorridos mais de 5 (cinco) anos da constituição do mesmo, quando já não estava obrigada a conservar os documentos que comprovam suas informações fiscais, nos termos do artigo 37 da Lei nº 9.430/96", grifouse. Afirmou, por fim, que, "dessa maneira, cabe ao fisco comprovar a suposta inexistência do direito creditório...e não o contrário". Com efeito, depois do pedido inicial de prorrogação do prazo, essa foi, de fato, a resposta da Recorrente, mas, no mesmo documento, ela também informou à fiscalização que os Livros Diário e Razão estavam à disposição do Fisco (fl. 59). Embora seja esse o contexto, vimos que a DRJ orientou a unidade preparadora a reabrir o prazo para manifestação da empresa sobre o resultado da diligência. Não houve, porém, a intimação requerida, tampouco intimação anterior para solicitar os Livros antes referidos. Após prestadas as informações, os autos retornaram à DRJ, sem que a Recorrente pudesse, inclusive, promover a sua entrega, os quais, por orientação daquela, deveriam estar a sua disposição. A nosso juízo, a falta desta intimação – previamente determinada pela DRJ – e, mais importante, a não requisição dos Livros Diário e Razão – aos quais a própria unidade preparadora havia exigido que ficassem a sua disposição – comprometeu a higidez do procedimento. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que os autos retornem à unidade preparadora a fim de que prolate novo Despacho Decisório, após intimar Recorrente a apresentar os Livros Diário e Razão, bem como outros documentos se fizerem necessários à verificação da existência do crédito. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 197DF CARF MF 6 Fl. 198DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10711.005086/2005-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 27/08/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - ÔNUS DA PROVA
É dever da fiscalização, ao lavrar o Auto de Infração, apresentar acervo probatório com razoável robustez, por meio do qual reste demonstrada a efetiva ocorrência da infração, não se prestando a tal fim laudo desacompanhado de qualquer explicação acerca da metodologia utilizada para se chegar às conclusões obtidas, impedindo inclusive que a Recorrente pudesse atacar o método, vez que foi omisso em relação a ele.
Numero da decisão: 3302-006.139
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud e Paulo Guilherme Deroulede que lhe negavam provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Raphael Madeira Abad - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado).
Nome do relator: RAPHAEL MADEIRA ABAD
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 27/08/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - ÔNUS DA PROVA É dever da fiscalização, ao lavrar o Auto de Infração, apresentar acervo probatório com razoável robustez, por meio do qual reste demonstrada a efetiva ocorrência da infração, não se prestando a tal fim laudo desacompanhado de qualquer explicação acerca da metodologia utilizada para se chegar às conclusões obtidas, impedindo inclusive que a Recorrente pudesse atacar o método, vez que foi omisso em relação a ele.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10711.005086/2005-17
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5949004
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3302-006.139
nome_arquivo_s : Decisao_10711005086200517.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : RAPHAEL MADEIRA ABAD
nome_arquivo_pdf_s : 10711005086200517_5949004.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud e Paulo Guilherme Deroulede que lhe negavam provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado).
dt_sessao_tdt : Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
id : 7572823
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:35:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051419519483904
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1706; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10711.005086/200517 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302006.139 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de novembro de 2018 Matéria IPI, IMPORTAÇÃO, PROCESSO ADMINISTRATIVO, ÔNUS DA PROVA Recorrente PERNOD RICARD BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 27/08/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ÔNUS DA PROVA É dever da fiscalização, ao lavrar o Auto de Infração, apresentar acervo probatório com razoável robustez, por meio do qual reste demonstrada a efetiva ocorrência da infração, não se prestando a tal fim laudo desacompanhado de qualquer explicação acerca da metodologia utilizada para se chegar às conclusões obtidas, impedindo inclusive que a Recorrente pudesse atacar o método, vez que foi omisso em relação a ele. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud e Paulo Guilherme Deroulede que lhe negavam provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 50 86 /2 00 5- 17 Fl. 548DF CARF MF Processo nº 10711.005086/200517 Acórdão n.º 3302006.139 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo no bojo do qual discutese a classificação fiscal de mercadoria importada, especificamente se é um "UISQUE DE MALTE" e que portanto se amoldase à descrição do EX.01 da posição 2208.30, qual seja "Destilado Alcoólico chamado de uísque de malte ("malt whisky") com teor alcoólico em volume de 59,5% GayLussac +/ 1,5% vol (59,5º +/), obtido de cevada maltada." sobre o qual se exige o IPI à alíquota de 20% ou se a mercadoria seria classificada como "outras preparações próprias para elaboração de uísque" sobre as quais o IPI incide à alíquota de 70%. Em razão da precisão com que tratou os fatos até então ocorridos no presente processo, adoto parcialmente o Relatório redigido quando da prolação da Resolução n. 3302 000.668, que por sua vez utilizouse de trechos da Resolução n. 3102000.304. "Trata o presente processo de AI lavrado para a exigência de credito tributário no valor de 668.614,00 referente a Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, multa de ofício e juros de mora em função deenquadramento em “ex” tarifário de mercadoria importada. Depreendese da descrição dos fatos do AI que a empresa em epígrafe submeteu a despacho de importação, por meio de DI n.º 01/03436936 mercadorias descritas como “63189 Bulk litros de destilado alcoólico chamado de malte uísque (MALT WHISKY) com graduação alcoólico de 59,5% Gay Lussac obtido de cevada maltada com mínimo de 3 anos de envelhecimento”, e classificoua no código NCM 2208.30.10, enquadrando as mesmas em seu “ex” tarifário 001. Durante o procedimento de verificação física, a autoridade preparadora retirou amostra do produto e encaminhou ao LABOR, que emitiu o Laudo nº 2372/01, bem como a informação técnica 040/05. Tal Laudo e informação técnica foram conclusivos no sentido de que a mercadoria se referia a “MATÉRIA PRIMA OBTIDA DE CEREAL DESTINADA À PRODUÇÃO DE UÍSQUE”, não se tratando de MALT WHISKY ou GRAIN WHISKY, tampouco de cereal não maltado, Acrescentou ainda que a graduação alcoólica era igual a 63,9%,. Em conseqüência, as mercadorias foram reenquadradas no “ex” tarifário 003 da mesma NCM 2208.30.10, sendo lavrado auto de infração para cobrança da diferença do IPI, bem como da multa prevista no art. 80, inciso I, da Lei n.º 4.502/64, com redação dada pelo art. 45 da Lei n.º 9.430/96 e juros moratórios. Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou impugnação, anexado os documentos de fls. 53 a 104. Alega Fl. 549DF CARF MF Processo nº 10711.005086/200517 Acórdão n.º 3302006.139 S3C3T2 Fl. 4 3 que, embora resultado do laudo técnico que embasou a autuação tenha constatado uma graduação alcoólica superior à que foi efetivamente utilizada na mercadoria importada, é de ser considerado que tal mercadoria constitui produto controlado pelo Ministério da Agricultura que aprovou a sua importação através da LI n.º 01/08332095. Aduz que o resultado de análise laboratorial da mercadoria em questão indica que a graduação alcoólica do produto corresponde a 59,5% GayLussac, com no mínimo 3 anos de envelhecimento, o que levou o Ministério da Agricultura a autorizar a importação e a expedir o certificado de inspeção vegetal n.º 258/2001, relativo à DI sob apreço. Neste passo, argumenta que referido certificado expedido pelo Ministério da Agricultura, autorizando a importação e a comercialização da mercadoria, após ter realizado a análise de seu conteúdo, comprova que a graduação alcoólica utilizada foi aquela declarada pelo importador, razão pela qual faz jus à aplicação da alíquota de IPI prevista no “ex” tarifário 001. Reclama que a fiscalização inobservou o princípio da verdade material ao desconsiderar a existência de certificado que, expedido por ente público, autorizou a importação sob apreço, presumindo, sem a devida comprovação, que o produto importado possuía graduação alcoólica superior a 59,5%. Em outra vertente, aduz que no caso em comento não houve prejuízo ao Erário, haja vista que, em razão do princípio da não cumulatividade que rege o IPI e acaso houvesse pago o imposto à alíquota de 70%, teria direito ao crédito consistente do valor do imposto recolhido, quando da saída da mercadoria de seu estabelecimento. Reclama também que, uma vez apurada a legalidade das importações em causa, a multa lançada de ofício é totalmente indevida e configura excesso de exação, nos termos do art. 316, § 1º, do Código Penal. Finalmente, em face do que foi exposto, requer o cancelamento do auto de infração ora hostilizado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a impugnação nos seguintes termos: EX TARIFÁRIO. ENQUADRAMENTO. O enquadramento de mercadoria em ex tarifário exige que a mesma possua todas as características previstas no mesmo. Irresignada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, basicamente reafirmando os argumentos da Impugnação ao Lançamento. Fl. 550DF CARF MF Processo nº 10711.005086/200517 Acórdão n.º 3302006.139 S3C3T2 Fl. 5 4 Alegou que “o certificado expedido pelo Ministério da Agricultura, autorizando a importação e comercialização da mercadoria, após a análise de seu respectivo conteúdo, comprova o teor de graduação alcoólica do mesmo, cuja classificação corresponde à utilizada pela RECORRENTE, não incorrendo em qualquer utilização indevida como sustentado no lançamento tributário”. Que “todos os Certificados acostados aos autos (de origem, inspeção vegetal e de análise) comprovam que a graduação alcoólica corresponde à que fora utilizada pela RECORRENTE”. Que a decisão de primeira instância desconsiderou “o CERTIFICADO DE INSPEÇÃO VEGETAL que somente foi expedido, considerando as informações constantes no CERTIFICADO DE ANALISE, onde está comprovado que o produto tratase de malte uísque, com graduação alcoólica de 59,5% (...)”. Citou decisão tomada no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil em outro Processo Administrativo Fiscal. Referiuse, mais uma vez, à verdade material. Requereu a realização de diligência para esclarecimento dos fatos. Relembrou tratarse de tributo não cumulativo, razão pela qual não haveria prejuízo ao Erário. Ao final, asseverou “que a aplicação de qualquer tipo de multa é totalmente indevida, e por isso mesmo, passível de excesso de exação”. De uma primeira análise, considerouse que os elementos constantes no processo não eram suficientes para o julgamento da lide. Naquela oportunidade esta E. Turma determinou a CONVERSÃO DO JULGAMENTO em diligência, para que a Unidade de Origem providenciasse a confecção de laudo complementar a ser elaborado pelo INT ou por congênere para esclarecer os seguintes quesitos: 1) se o produto tratase de destilado alcoólico chamado Malt Whisky? 2) se o produto tratase de destilado alcoólico chamado de uísque de cereais (Grain Whisky)? 3) se o produto tratase de preparação própria para elaboração de uísque? 4) qual o teor alcoólico em volume de produto. Intimado do resultado do julgamento, o contribuinte apresentou quesitos complementares. O INT, por sua vez, manifestase por meio do ofício nº 019/INT informando que não é acreditado para realizar a presente diligencia e, por conta disso, procedeu a devolução Fl. 551DF CARF MF Processo nº 10711.005086/200517 Acórdão n.º 3302006.139 S3C3T2 Fl. 6 5 da amostra das contraprovas. Diante disso, elas foram encaminhadas para o Labor. Posteriormente, a SECAD entendeu em manter a diligencia, reenviando as amostras ao INT, o qual solicitou o pagamento de custas para a elaboração do Parecer Técnico no importe de R$ 2.000,00, o que foi feito pelo contribuinte. O INT apresenta seu parecer técnico de fls. 354/359. Intimado do resultado da diligencia, o contribuinte se manifesta alegando que, de acordo com o LAQAM, o produto (‘malt whisky’) então examinado (i) tinha graduação alcoólica de 54,87% vol. e que (ii) não se tratava de produto acabado, assim entendido como aquele que esteja pronto para consumo. Acrescenta que o que se pode extrair do quanto está sendo verificado nos autos da presente disputa é que, até o momento, o MAPA, a d. fiscalização e o INT apresentaram conclusões divergentes sobre a graduação alcoólica do mesmo “malt whisky” importado pela Recorrente, pois: para o MAPA, referido produto teria graduação alcoólica de 59,50% vol; para a d. fiscalização, referido produto teria graduação alcoólica de 63,5% vol; para o LAQAM, o mesmo produto teria graduação de 54,87% vol. Considera que a dúvida é, por si só, razão suficiente para o cancelamento do Auto de Infração. Por fim, acrescenta que “não há divergência quanto ao fato de que o ‘malt whisky’ importado pela Recorrente tratase de matéria prima para produção da bebida ‘whisky de malte’”, que a própria legislação confirma que a bebida pronta para consumo não pode ter graduação alcoólica acima de 54% vol. Na Sessão de 23 de abril de 2014, por meio da Resolução nº 3102000.304 (fls. 471/476), os integrantes da extinta 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara deste Conselho, converteram novamente o julgamento em diligência, para que o INT complementasse o Laudo anteriormente emitido com as respostas aos seguintes quesitos: 1 A mercadoria importada pode ser identificada como matéria prima para elaboração do chamado uísque de malte (“malt whisky”)? 2 A mercadoria importada pode ser identificada como matéria prima para elaboração do chamado uísque de cereais (“grain whisky”)? 3 Outras considerações que julgar pertinentes. Cientificada do teor da referida Resolução, por meio da petição de fls. 485/489, a recorrente apresentou quesitos complementares. Fl. 552DF CARF MF Processo nº 10711.005086/200517 Acórdão n.º 3302006.139 S3C3T2 Fl. 7 6 Em atendimento ao que solicitado na referida diligência, por meio do Relatório Técnico nº 000.122/15, de 1/3/2015 (fls. 503/508), o INT apresentou as respostas aos quesitos formulados na referida Resolução, bem como os quesitos complementares apresentados pela recorrente. Em 16/11/2015, os autos retornaram a este Conselho que, mediante sorteio, foram regularmente distribuído a este Relator. Por meio da petição de fls. 526/529, no dia 19/10/2017, a recorrente comunicou que não fora cientificada do resultado da diligência, consequentemente, sob pena de afronta ao seu direito de defesa, pleiteou a retirada do processo de pauta ou a conversão do julgamento em diligência, para saneamento feito, mediante intimação da recorrente, para, no prazo de 30 dias, manifestar se sobre o resultado da diligência. Em razão do fato do processo haver retornado de diligência sem que à Recorrente houvesse sido permitido manifestarse acerca do seu resultado, a Resolução n. 3302000.668 determinou o retorno dos autos à unidade da RFB de origem para que a contribuinte fosse cientificada do inteiro teor do Relatório Técnico nº 000.122/15, de 1/3/2015, da lavra do INT, bem como lhe seja aberto prazo para manifestarse acerca das respostas do referido Relatório Técnico. (efls. 534) Contudo, não obstante a Recorrente haver sido cientificada da abertura do prazo em fevereiro de 2018 (efls. 542), ter aberto os arquivos digitais (efls. 547), passados mais de oito meses não apresentou qualquer manifestação acerca do Relatório Técnico, tendo retornado o processo para julgamento por este colegiado. É o Relatório. Voto Conselheiro Raphael Madeira Abad Relator. 1. Admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de forma tempestiva, a matéria é de competência deste colegiado e restam presentes os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A controvérsia gravita em torno da classificação fiscal da mercadoria importada, especificamente se é um "uísque de malte", como declarado, ou uma "preparação para elaboração de uísque.", com consequências tributárias diversas: Fl. 553DF CARF MF Processo nº 10711.005086/200517 Acórdão n.º 3302006.139 S3C3T2 Fl. 8 7 Vale destacar que existe uma polissemia na palavra "UISQUE DE MALTE (MALT WISKY)", significante que na forma do Decreto 2.314/97 se presta para representar tanto o "Malt Wisky" produto final, que deve ter graduação alcoólica entre 38 e 54%, como o "Malt Wisky" matéria prima para outros produtos, cuja concentração varia entre 58 e 61%, na forma da NCM acima transcrita. Para ilustrar esta diferença merece transcrição fragmento do voto proferido pelo Ilmo. Conselheiro Jorge Lima Abud na ocasião do julgamento do processo 10711.001012/200692, que resultou no acórdão 3302005.819 em sessão no dia 24/09/2018. A legislação regulatória, nos termos do Decreto n° 2.314, de 04 de setembro de 1997, vigente à época da importação, distingue em7 duas seções separadas o que é matéria prima ("destilados alcoólicos") e o que é produto final ("bebidas alcoólicas destiladas"). Por disposição expressa do Decreto n° 2.314/97, não é possível classificarem um mesmo gênero a bebida alcoólica e o destilado alcoólico. Essa distinção tem por fundamento o artigo 10° do próprio Decreto, segundo o qual bebida alcoólica (produto final) é a "bebida com graduação alcoólica acima de meio e até cinqüenta e quatro por cento em volume, a vinte graus Celsius", in verbis: Art. 10. As bebidas serão classificadas em bebida não alcoólica e bebida alcoólica. §1° Bebida não alcoólica é a bebida com graduação alcoólica até meio por cento em volume, a vinte graus Celsius. §2° Bebida alcoólica é a bebida com graduação alcoólica acima de meio e até cinqüenta e quatro por cento em volume, a vinte graus Celsius. Por disposição expressa do artigo 88 do Decreto n° 2.314/97, o destilado alcoólico possui graduação alcoólica acima de 54% e abaixo de 95%, não sendo possível, portanto, classificarem um Fl. 554DF CARF MF Processo nº 10711.005086/200517 Acórdão n.º 3302006.139 S3C3T2 Fl. 9 8 mesmo gênero a bebida alcoólica e o destilado alcoólico, in verbis: Art. 88. Destilado alcoólico simples de origem agrícola é o produto com graduação alcoólica superior a cinqUenta e quatro e inferior a noventa e cinco por cento em volume, a vinte graus Celsius, destinado à elaboração de bebidas alcoólicas, e obtido pela destilação simples ou por destiloretificação parcial seletiva de mosto, ou subprodutos provenientes unicamente de matériaprima de origem agrícola, de natureza açucarada ou amilácea, resultante da fermentação alcoólica. Por este motivo, o Decreto n° 2.314/97 trata de dois tipos de Malt Whisky: o Malt Whisky produto final; e o Malt Whisky matéria prima em artigos diversos, Um na seção separada para produto final e outro na de matérias primas." Assim, para o deslinde do presente caso é necessário classificar o produto importado em uma das duas categorias possíveis: · "uisque de malte" que se amolda à descrição do EX.01 da posição 2208.30, qual seja "Destilado Alcoólico chamado de uísque de malte ("malt whisky") com teor alcoólico em volume de 59,5% +/1,5% vol (59,5º +/ GayLussac), obtido de cevada maltada." sobre o qual se exige o IPI à alíquota de 20% ou · "outras preparações próprias para elaboração de uísque" sobre as quais o IPI incide à alíquota de 70%. Para que seja considerado um "uisque de malte", e seja enquadrado no Ex. 01 da NCM 2208.30.10, como afirma a Recorrente, é necessário que o produto possua concomitantemente as seguintes características: · Ser um uísque de malte. · Possuir teor alcoólico de 59,5% com variação de 1,5% para mais ou para menos. · Ser obtido de cevada maltada. Com o objetivo de chegar a estas conclusões este colegiado deve buscar arrimo em laudos técnicos que, com o auxílio de modernas tecnologias e expertos, estabeleça balizadas e precisas informações acerca do produto sob análise. No caso concreto há informações conflitantes: Em 06.04.2001 a importadora Seagram do Brasil Ind. e Com. Ltda registrou a Declaração de Importação n. 01/03463636 (efls. 18) descrita como "Malte Uisque (Malt Fl. 555DF CARF MF Processo nº 10711.005086/200517 Acórdão n.º 3302006.139 S3C3T2 Fl. 10 9 Wiskey) com graduação alcoólico 59,5 GayLussac obtido de cevada maltada com no mínimo 3 anos de envelhecimento, o que corresponderia ao conceito o Ex 01. Contudo, ao ser retirada amostra física do produto e submetida à análise do Laboratório de Análises do Ministério da Fazenda LABOR, foi emitido o Laudo n. 2372/01, de 23.03.2004, acompanhado da Informação Técnica n. 040/05, no sentido de que não se tratava de "Malt Whisk", mas sim de "matéria prima obtida de cereal maltado destinada à produção de uísque", com teor alcoólico de 63,9%, e não de 59,5, como teria afirmado a Recorrente. (efls. 11) Acerca deste laudo merece destaque o fato de que foi redigido em uma folha e menciona a fonte de consulta apenas como "métodos analíticos do Ministério da Agricultura". Tendo sido determinada a realização de novo laudo, onde foi facultada a elaboração de quesitos tanto por parte da Fazenda Nacional como da Recorrente, o Relatório Técnico n. 000.122/15, acostado às efls. 503 e seguintes, de lavra do Instituto Nacional de Tecnologia INT afirma, em síntese, que a amostra apresentada é um destilado com concentração alcoólica de 54.87%. Ao final do referido relatório técnico a química industrial signatária afirma que "... existem variáveis envolvidas, tais quais, tempo decorrido, armazenamento, transporte entre outros fatores que poderiam influenciar na quantificação de componentes." (efls. 354 e seguintes e 507 e seguintes) Em outras palavras, enquanto o primeiro laudo apontou para um produto de concentração alcoólica de 63,9%, superior à maxima permitida para a classificação como Uisque, o segundo laudo apontou para uma concentração de 54,87%, inferior à mínima permitida para a classificação como Uisque, que varia entre 58 e 61%, segundo a metodologia de GayLussac. Assim, em relação aos requisitos para a classificação das mercadorias, não se sabe se é um destilado alcoólico preparado a partir de cereais maltados, como atesta o próprio laudo de efls. 11 e 12 ou se é impossível afirmar tal fato, eis que o laudo do INT afirmou que não há literatura científica que oriente uma investigação acerca da origem do destilado, se proveniente de cevada maltada ou de outros cereais. Neste sentido as informações são conflitantes. Há controvérsias também acerca da sua concentração alcoólica, uma vez que a tributação é mais gravosa se o teor alcoólico do produto for superior a 59,5% com variação de 1,5% para mais ou para menos. É de se admitir uma enorme discrepância existente entre a informação apresentada pelo Contribuinte, os dados constantes no primeiro laudo realizado pelo LABOR (que aponta graduação alcoólica muito superior à máxima permitida para o enquadramento no Ex 01 da NCM), e pelo segundo laudo, realizado pelo INT, (que aponta em sentido diametralmente oposto ao primeiro laudo, ou seja graduação alcoólica muito inferior). Efetivamente, constatase que o laudo de fls. 11, que embasou a autuação, não veio acompanhado de qualquer explicação acerca da metodologia utilizada para se chegar às conclusões obtidas, impedindo inclusive que a Recorrente pudesse atacar o método, vez que foi omisso em relação a ele. Fl. 556DF CARF MF Processo nº 10711.005086/200517 Acórdão n.º 3302006.139 S3C3T2 Fl. 11 10 Por sua vez, o laudo de fls. 503 afirma que não é possível afirmar se o produto é produzido a partir de malte ou de cereais não maltados, mas possui concentração alcoólica de 54,87%, abaixo do mínimo admitido para a classificação na Ex 01 da NCM. Assim, em razão da precariedade das provas utilizadas para demonstrar o equívoco na classificação fiscal das mercadorias, voto no sentido de dar provimento integral ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Relator Fl. 557DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.007570/2004-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 10/01/1999 a 20/12/1999
DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA.
O IPI por ser tributo cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, trata-se de lançamento por homologação. É de cinco anos, a partir do fato gerador, o prazo de decadência para o Fisco constituir o crédito tributário.
Numero da decisão: 1402-003.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência e dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: EVANDRO CORREA DIAS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 10/01/1999 a 20/12/1999 DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. O IPI por ser tributo cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, trata-se de lançamento por homologação. É de cinco anos, a partir do fato gerador, o prazo de decadência para o Fisco constituir o crédito tributário.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10830.007570/2004-43
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5958537
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1402-003.610
nome_arquivo_s : Decisao_10830007570200443.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : EVANDRO CORREA DIAS
nome_arquivo_pdf_s : 10830007570200443_5958537.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência e dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
id : 7594849
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:37:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051419522629632
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1191; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1.106 1 1.105 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.007570/200443 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402003.610 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de dezembro de 2018 Matéria IPI OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente DEMARCO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 10/01/1999 a 20/12/1999 DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. O IPI por ser tributo cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, trata se de lançamento por homologação. É de cinco anos, a partir do fato gerador, o prazo de decadência para o Fisco constituir o crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência e dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 75 70 /2 00 4- 43 Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 10830.007570/200443 Acórdão n.º 1402003.610 S1C4T2 Fl. 1.107 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 10830.007570/200443 Acórdão n.º 1402003.610 S1C4T2 Fl. 1.108 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP). Adoto, em sua integralidade, o relatório do Acórdão de Recurso de Impugnação nº 1428.665 2ª Turma da DRJ/RPO, complementandoo, ao final, com as pertinentes atualizações processuais. " Com fulcro no Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI/98), aprovado pelo Decreto nº 2.637, de 25 de junho de 1998; consoante capitulação legal consignada às fls. 21 e 24, foi lavrado o auto de infração de fl. 15, em 27/12/2004, pela Auditora Fiscal da Receita Federal Maria Hermínia do Nascimento, para exigir R$ 1.360.286,62 de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), R$ 927.494,11 de juros de mora calculados até 30/11/2004 e R$ 1.020.214,50 de multa proporcional ao valor do imposto, o que representa o crédito tributário consolidado de R$ 3.307.995,23. O lançamento de ofício de IPI é parcialmente decorrente do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), sendo o processo principal de nº 10830.007571/200498, em cuja ação fiscal foi constatada omissão de receitas referente a depósitos bancários sem origem comprovada, nos anos de 1999 a 2003, nos montantes especificados nos autos, além da falta de recolhimento do IPI caracterizado pelo indeferimento de pedido de inclusão retroativa no SIMPLES, de 1999 a 2002, conforme a descrição dos fatos de fls. 16/24 e o termo de verificação de fls. 04/14 e os demonstrativos de fls. 56/69 e 164/167 (apuração efetuada com base em produto com classificação fiscal 3923.21.90 e alíquota de 15%). O representante legal da pessoa jurídica tomou ciência da peça acusativa em 28/12/2004. Em 26/01/2005, insubmissa, a empresa apresentou a impugnação de fls. 476/503, subscrita pelo mesmo representante legal, em que, em síntese, sustenta que: a) Preliminarmente: a.1) o auto de infração deve ser cancelado em razão da inexistência de MPF específico de IPI; a.2) as respostas da contribuinte teriam sido dificultadas porque os livros em que se encontram registradas as operações permaneceram em poder da fiscalização desde o atendimento à intimação de 24/08/2004, sendo eivado de ilegalidade o trabalho fiscal caracterizado pela concessão de prazos exíguos; Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 10830.007570/200443 Acórdão n.º 1402003.610 S1C4T2 Fl. 1.109 4 a.3) o lançamento é nulo pois teria havido a requisição e análise da movimentação bancária sem determinação expressa no MPF; a.4) parte do crédito tributário exigido teria sido atingido pela decadência, em virtude do decurso de prazo (5 anos), previsto no CTN, art. 150, § 4º, a partir da ocorrência do fato gerador, sendo o IPI um imposto que se caracteriza pelo lançamento por homologação, conforme jurisprudência do Conselho de Contribuintes e do STJ; b) No mérito: b.1) não há caracterização de obtenção de receita com o simples depósito ou crédito bancário; b.2) irregularidades foram cometidas na apuração da suposta receita omitida, o que revela a impertinência da alegação fiscal de que “todos” os depósitos/créditos na conta bancária da Caixa Econômica Federal, sendo que, no caso do IPI, não houve intimação específica, já que este imposto não é mera decorrência do Imposto de Renda e depende de levantamento da produção; b.3) há inconsistências na apuração: quanto ao mês de janeiro de 1999, foi considerado como receita omitida o valor de R$ 250.341,52, sendo que o total de depósitos do mês seria de R$ 121.485,54; quanto à receita declarada, houve a exclusão da alíquota de 0,50% da base de cálculo, mas não houve exclusão da mesma alíquota na base de cálculo do IPI utilizada no auto de infração; b.4) como a fiscalização foi realizada sem o comparecimento da autoridade fiscal no estabelecimento industrial, sem uma auditoria da produção para a comprovação de que a diferença encontrada decorreria da efetiva saída de produtos industrializados, não houve o levantamento e demonstração dos créditos admitidos a que faria jus a fiscalizada, ou seja, sem a observância do princípio da nãocumulatividade; b.5) não houve a devida compensação no lançamento de ofício dos pagamentos efetuados sob o sistema simplificado, tendo a autoridade fiscal se limitado a afirmar no termo de verificação que os recolhimentos na forma do SIMPLES devem ser objeto de restituição/compensação na forma da lei; ora, se a autoridade fiscal tem a competência para formular a exigência do crédito tributário, deveria, também, providenciar a compensação dos valores recolhidos indevidamente. Por fim, requer, diante da total improcedência da acusação fiscal, o acolhimento da impugnação para o cancelamento do auto de infração, a extinção do crédito tributário e o arquivamento do processo." Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 10830.007570/200443 Acórdão n.º 1402003.610 S1C4T2 Fl. 1.110 5 O Acórdão de Impugnação nº 1428.665 2ª Turma da DRJ/RPO, julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário lançado, conforme a seguinte ementa: " ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 IPI. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RECOLHIMENTOS DE SIMPLES. CÓDIGOS DE RECEITA DISTINTOS. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Tratandose de códigos de receita distintos, são insuscetíveis de compensação no âmbito do lançamento de ofício do IPI do regime comum os recolhimentos efetuados no regime do SIMPLES. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A existência de depósitos bancários sem comprovação faz presumir a ocorrência de omissão de receitas; caracterizada a omissão de receitas em lançamento de ofício respeitante ao IRPJ, cobrase, por decorrência, em virtude da irrefutável relação de causa e efeito, o IPI correspondente, com os consectários legais, mas com o expurgo de parcelas indevidas. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. SAÍDA DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS. CÁLCULO DO IMPOSTO DEVIDO. APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA MAIS ELEVADA OU DA ÚNICA PRATICADA. No caso de omissão de receitas, devido à presunção legal de saída de produtos à margem da escrituração fiscal e à conseqüente impossibilidade de separação por elementos da escrita, utilizase a alíquota mais elevada, daquelas praticadas pelo sujeito passivo, ou a única existente, para a quantificação do imposto devido. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria tributável não especificamente contestada na impugnação é reputada como incontroversa, insuscetível de posterior invocação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 DECADÊNCIA. A contagem do prazo qüinqüenal de decadência se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 10830.007570/200443 Acórdão n.º 1402003.610 S1C4T2 Fl. 1.111 6 for o caso de falta de execução de atos de iniciativa do sujeito passivo tendentes ao lançamento por homologação, incluída a antecipação de pagamento do imposto segundo o código de receita correspondente. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. LANÇAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA. O MPF representa mero instrumento de controle da Administração Tributária, sendo disciplinado por ato administrativo. Eventuais vícios, incompatibilidades entre seu objeto e o do lançamento, ou mesmo a sua própria ausência, não maculam ou evitam o procedimento do lançamento tributário, que é vinculado por lei, sob pena de responsabilidade funcional." Recurso Voluntário Inconformada com a decisão a quo, a recorrente interpôs recurso voluntário no qual reproduz os argumentos apresentados em sua Impugnação ao Lançamento, por fim, requerendo preliminarmente o reconhecimento da decadência dos débito, bem como sua improcedência. É o relatório. Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 10830.007570/200443 Acórdão n.º 1402003.610 S1C4T2 Fl. 1.112 7 Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende ao demais requisitos, motivo pelo qual dele conheço. Verificase que a recorrente apresentou desistência parcial impugnação aos lançamento de IPI, referentes aos fatos geradores de 31/12/1999 a 31/12/2003, no âmbito do parcelamento PAEX, instituído pela Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006 (fls. 917 a 919). Portanto a presente lide diz respeito somente aos lançamentos de IPI referentes aos fatos geradores de 10/01/99 a 20/12/99. Da Preliminar de decadência A recorrente reitera a inexigibilidade do crédito tributário remanescente por parte do fisco, com referência aos fatos geradores de 10/01/1999 a 20/12/1999, sob a alegação que tais períodos de apuração foram atingidos pelo prazo de decadência, nos termos do art. 150, § 4o, do Código Tributário Nacional. Destacase que nos pagamentos efetuados no âmbito do SIMPLES, a pessoa jurídica recolhe, mensalmente, todos os tributos devidos nessa sistemática, já incluídos no código de arrecadação de receita 6106 o IRPJ e as contribuições CSLL, PIS, e COFINS, dentre outros (IPI e INSS), englobando percentuais destinados a cada um dos tributos e contribuições. Verificase que a recorrente recolhimento pelo SIMPLES durante todo o período fiscalizado, conforme documentos acostados ao processo (fls. 887 a 906). Observase que a ciência do auto de infração ocorreu em 28/12/2004. Logo, assiste razão à impugnante no que concerne à decadência dos períodos de apuração de janeiro a novembro de 1999, visto que a empresa efetuou mensalmente a apuração e recolhimento dos tributos na sistemática do SIMPLES, devendo, pois, ser aplicada a regra de contagem do prazo decadencial prevista no artigo 150 §4° do CTN, que admite ao fisco o direito de exigir qualquer diferença de tributo no prazo de 5 (cinco) anos a contar do fato gerador mensal de cada um deles. Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 10830.007570/200443 Acórdão n.º 1402003.610 S1C4T2 Fl. 1.113 8 Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de acatar a preliminar de decadência para os fatos geradores de 10/01/1999 a 20/12/1999. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 1113DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.908020/2009-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE COFINS. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. NULIDADE.
Observadas as normas inerentes ao procedimento administrativo, havendo a oportunidade para esclarecer os fatos controvertidos, garante-se, assim, o exercício da ampla defesa e ao contraditório.
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DO PIS/COFINS. APLICAÇÃO DO PARADIGMA POSTERIOR SUA PUBLICAÇÃO. ART. 1.040. CPC.
O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS.
O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o no 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS.
A sistemática prevista no artigo 1.040 do Código de Processo Civil sinaliza, a partir da publicação do acórdão paradigma, a observância do entendimento do Plenário, formalizado sob o ângulo da repercussão geral. (AI 523706 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 10/04/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-109 DIVULG 01-06-2018 PUBLIC 04-06-2018)
Numero da decisão: 3201-004.863
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora exclua o ICMS da base de cálculo da Cofins, apurando o valor do crédito pleiteado, vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE COFINS. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. NULIDADE. Observadas as normas inerentes ao procedimento administrativo, havendo a oportunidade para esclarecer os fatos controvertidos, garante-se, assim, o exercício da ampla defesa e ao contraditório. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DO PIS/COFINS. APLICAÇÃO DO PARADIGMA POSTERIOR SUA PUBLICAÇÃO. ART. 1.040. CPC. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS. O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o no 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. A sistemática prevista no artigo 1.040 do Código de Processo Civil sinaliza, a partir da publicação do acórdão paradigma, a observância do entendimento do Plenário, formalizado sob o ângulo da repercussão geral. (AI 523706 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 10/04/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-109 DIVULG 01-06-2018 PUBLIC 04-06-2018)
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10855.908020/2009-70
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5966920
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-004.863
nome_arquivo_s : Decisao_10855908020200970.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10855908020200970_5966920.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora exclua o ICMS da base de cálculo da Cofins, apurando o valor do crédito pleiteado, vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
id : 7629227
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:38:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051419525775360
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2039; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10855.908020/200970 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3201004.863 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2019 Matéria COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente SATURNIA SISTEMAS DE ENERGIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE COFINS. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. NULIDADE. Observadas as normas inerentes ao procedimento administrativo, havendo a oportunidade para esclarecer os fatos controvertidos, garantese, assim, o exercício da ampla defesa e ao contraditório. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DO PIS/COFINS. APLICAÇÃO DO PARADIGMA POSTERIOR SUA PUBLICAÇÃO. ART. 1.040. CPC. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS. O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o no 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. “A sistemática prevista no artigo 1.040 do Código de Processo Civil sinaliza, a partir da publicação do acórdão paradigma, a observância do entendimento do Plenário, formalizado sob o ângulo da repercussão geral.” (AI 523706 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 10/04/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe109 DIVULG 01 062018 PUBLIC 04062018) Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora exclua o ICMS da base de cálculo da Cofins, apurando o valor do crédito pleiteado, vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe negaram provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 80 20 /2 00 9- 70 Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10855.908020/200970 Acórdão n.º 3201004.863 S3C2T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Tratase de pedido de compensação lastreado em crédito de COFINS paga a maior, em razão de o ICMS ter sido incluído na base de cálculo da contribuição. Por bem relatar os fatos, transcrevese trechos do relatório da instância a quo: (...) Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (Cofins, código de arrecadação 5856), (...). Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando o seguinte: “II. DO DIREITO A. PRELIMINARMENTE A. 1. 1a PRELIMINAR DO CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA DO CONTRADITÓRIO Dispõe o artigo 5o, LV da Constituição Federal o seguinte: "aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e amola defesa, com os meios e recursos a ela inerentes". Ora, no caso em tela, em decorrência de obrigação legal, a Defendente efetuou a sua declaração de crédito e de compensação via PER/DCOMP com base na internet, instrumento ágil e eficiente, que, entretanto, deveria ser apreciado com mais atenção por parte do fisco, o que não aconteceu no caso em tela. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10855.908020/200970 Acórdão n.º 3201004.863 S3C2T1 Fl. 4 3 Antes de indeferir de imediato, sem qualquer contraditório, o pedido da Defendente alegando a inexistência de crédito, deveria o fisco intimar a empresa a explicar a origem do crédito, quando então tudo seria provado através de documentos, uma vez que é impossível enviar qualquer informação quando a compensação é feita via internet. Tivesse a Receita Federal intimado a Defendente certamente ter seia iniciado o contraditório, a Receita Federal saberia exatamente como o crédito nasceu e o direito à ampla defesa ficaria assegurado, o que não ocorreu. A fim de combater a r. decisão, no mérito, a Defendente apresenta todos os documentos que justificam a origem do crédito e os respectivos fundamentos de ordem jurídica. Merece assim a preliminar merece ser acatada para julgar nulo o decisório e determinar que os autos retornem à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba, a fim de que todos os documentos sejam apreciados e nova decisão seja proferida. A. 2. 2ª PRELIMINAR DA SUSPENSÃO DO PRESENTE PROCESSO ADMINISTRATIVO NOS TERMOS DO ARTIGO 265. IV. "a" DO CPC ATÉ JULGAMENTO DA ADC 18 PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL O crédito utilizado pela ora Defendente referese ao PIS/COFINS pago indevidamente sobre o ICMS e a matéria já se encontra em fase de julgamento perante o STF, nos autos da ADC 18, que terá efeito "erga omnes", em que inclusive foi concedida liminar objetivando paralisar todos os processos em andamento, nos seguintes termos: "EMENTA: Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3o, § 2o, inciso I, da Lei 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3o,§ 2o, inciso I, da Lei 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal". Vêse, portanto, que o STF determinou a suspensão de todos os processos, uma vez que se tratando ação direta de constitucionalidade, o resultado do seu julgamento terá efeito "erga omnes". Assim, requer a ora Defendente que o presente processo também permaneça em suspenso, nos termos do artigo 265, IV, "a" até julgamento final da ADC 18 por parte do STF, quando então a mencionada decisão favorável ou desfavorável será aplicada no caso em tela. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10855.908020/200970 Acórdão n.º 3201004.863 S3C2T1 Fl. 5 4 A. 3. 3ª PRELIMINAR DA UNIÃO DOS PROCESSOS De forma indevida, ou seja, antes que tivesse ocorrido o trânsito em julgado pela via administrativa, a Receita Federal do Brasil em Sorocaba abriu outro Processo Administrativo de número 10855908.304/200966, relacionado com o débito para iniciar de imediato a cobrança, uma vez que até o DARF já foi emitido. Entretanto, tal procedimento não tem amparo legal, uma vez que não se pode separar o débito em um processo e o crédito em outro, pois o processo administrativo é único e tal procedimento só poderia ser feito após decisão final do processo administrativo. Tal procedimento além de ilegal, ainda prejudicou a Defendente que foi obrigada a apresentar duas defesas praticamente idênticas, ou seja, uma para o processo relacionado com o débito e outra relacionada com o crédito, havendo necessidade, portanto, que ambos os Processos sejam juntados, a fim de que as decisões sejam proferidas simultaneamente. B.QUANTO AO MÉRITO Entende a ora Defendente que os autos retornarão á Delegacia de origem, sem apreciação do mérito, a fim de que nova decisão seja proferida, agora com a apreciação dos documentos juntados e que nunca foram pedidos pelo fisco. Caso, entretanto, os dignos julgadores entenderem de forma diferente, no mérito razão também assiste à Defendente, uma vez que o crédito utilizado é legítimo e por conseqüência, legítima também é a compensação efetuada, como a seguir exposto: B.l. O CRÉDITO UTILIZADO PELA DEPENDENTE É LEGÍTIMO. UMA VEZ QUE SE TRATA DO TRIBUTO COFINS/PIS PAGO INDEVIDAMENTE SOBRE O ICMS QUE SE ENCONTRA EM JULGAMENTO PERANTE O STF O Artigo 195, § 45 assim dispõe: "Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 4o A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social, obedecido o disposto no artigo 154,1." Por sua vez, o Artigo 154, I da Carta Magna assim dispõe: "A União poderá instituir: I mediante lei complementar, impostos não previstos no Artigo anterior, desde que sejam nãocumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição;". Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10855.908020/200970 Acórdão n.º 3201004.863 S3C2T1 Fl. 6 5 Ora, apesar de todas as fontes de custeio previstas na Constituição Federal, mesmo assim o legislador constituinte ainda deixou um cheque em branco para a União criar a qualquer momento uma nova fonte de custeio, condicionando, entretanto, sua criação, apenas mediante lei complementar, o que não aconteceu no caso em tela, pois a incidência do PIS/COFINS a partir da Carta de 1988 foi introduzida pela Lei ordinária 9.718/99 e sucessivas alterações sempre através de Medidas Provisórias e Leis Ordinárias, havendo assim patente ofensa ao Artigo 195, § 4o, cominado com o Artigo 154, I da Constituição Federal. B. 2. DOS MOTIVOS PELOS QUAIS O ICMS IMPOSTO SOBRE CIRCULAÇÃO DE MERCADORIAS NÃO FAZ PARTE DO FATURAMENTO. SOB PENA DE OFENSA DIRETA AO ARTIGO 195.1. ALÍNEA "h" DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL O Artigo 195 da Constituição Federal, assim ensina: "Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, deforma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da Unido, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: Seguindo a ordem processual, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 14041.427, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. O valor do ICMS compõe a base de cálculo da Cofins não cumulativa. DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Inconformada com r. julgado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário requerendo reforma da decisão a quo por entender que: Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10855.908020/200970 Acórdão n.º 3201004.863 S3C2T1 Fl. 7 6 a) houve cerceamento do direito de defesa – ausência do contraditório; b) deve ser suspenso o processo administrativo até o julgamento da ADC 18, pelo Supremo Tribunal Federal; c) o ICMS não compõe a base de cálculo da COFINS; d) o valor pleiteado para utilização do crédito seria a diferença paga a maior por conta do ICMS estar na base de cálculo da COFINS. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.717, de 29/01/2019, proferido no julgamento do processo 10855.908014/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.717): O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos e merece ser conhecido. Inicialmente não há de se falar em cerceamento de defesa e ausência ao contraditório, uma vez, que tratase de regra, que previamente ao despacho decisório devese intimar o contribuinte para apresentar qualquer defesa. Ao ser intimado, podendo o Contribuinte apresentar sua defesa, não há qualquer supressão ao seu direito, sendo que o crédito apontado pelo contribuinte é decorrente da exclusão do ICMS. Ademais, a matéria ventilada é meramente de direito em sua primeira fase, pois, o Contribuinte alega ter direito ao crédito COFINS, diante da inclusão do ICMS na base de cálculo. Pois bem! O Supremo Tribunal Federal em repercussão geral, firmou o seguinte entendimento: "RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10855.908020/200970 Acórdão n.º 3201004.863 S3C2T1 Fl. 8 7 contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2o, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3o, § 2o, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe223 DIVULG 29092017 PUBLIC 02102017) Ressaltase que o Pretório Excelso tem aplicado o entendimento em que não é necessário aguardar o julgamento dos Embargos de Declaração do RE 574706, vejamos: COFINS E PIS – BASE DE CÁLCULO – ICMS – EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços – ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS. Precedentes: recurso extraordinário 240.785/MG, relator ministro Marco Aurélio, Pleno, acórdão publicado no Diário da Justiça de 8 de outubro de 2014 e recurso extraordinário nº 574.706/PR, julgado sob o ângulo da repercussão geral, relatora ministra Cármen Lúcia, Pleno, acórdão veiculado no Diário da Justiça de 2 de outubro de 2017. REPERCUSSÃO GERAL – ACÓRDÃO – PUBLICAÇÃO – EFEITOS – ARTIGO 1.040 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. A sistemática prevista no artigo 1.040 do Código de Processo Civil sinaliza, a partir da publicação do acórdão paradigma, a observância do entendimento do Plenário, formalizado sob o ângulo da repercussão geral. (AI 523706 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 10/04/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe109 DIVULG 01062018 PUBLIC 04062018) Finalmente, essa Turma tem adotado o posicionamento de que deve ser excluído o ICMS da base de Cálculo do PIS/COFINS, vejamos: Acórdão: 3201004.124 Número do Processo: 10880.674237/201188 Data de Publicação: 12/09/2018 Contribuinte: RHODIA POLIAMIDA E ESPECIALIDADES SA Relator(a): LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 14/09/2001 PIS BASE DE CÁLCULO ICMS EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS. O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exc Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe negavam provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andr Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10855.908020/200970 Acórdão n.º 3201004.863 S3C2T1 Fl. 9 8 Diante disso, resta prejudicado o pleito de sobrestamento do feito, concluo, o voto é no sentido de CONHECER e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora exclua o ICMS da base de cálculo da COFINS, apurando o valor do crédito." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado deu PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a unidade preparadora exclua o ICMS da base de cálculo da COFINS, apurando o valor do crédito. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 167DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15971.000162/2007-12
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
JUROS SELIC.
Os juros calculados pela Taxa Selic são aplicáveis aos créditos tributários não pagos no prazo de vencimento consoante previsão do § 1° do artigo 161 do CTN, artigo 13 da Lei n.° 9.065/95 e artigo 61 da Lei n.° 9.430/96 e Súmula no 4 do 1° Conselho de Contribuintes.
MULTA DE OFÍCIO E VEDAÇÃO AO CONFISCO.
No lançamento de oficio a multa a ser aplicada é de 75% conforme estabelece a legislação. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade administrativa aplicá-la, não lhe competindo o exame da constitucionalidade das Leis, nem deixar de aplicá-las, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal neste sentido. Art. 44, I da Lei 9.430/96.
Numero da decisão: 2001-000.961
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e redator designado
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. JUROS SELIC. Os juros calculados pela Taxa Selic são aplicáveis aos créditos tributários não pagos no prazo de vencimento consoante previsão do § 1° do artigo 161 do CTN, artigo 13 da Lei n.° 9.065/95 e artigo 61 da Lei n.° 9.430/96 e Súmula no 4 do 1° Conselho de Contribuintes. MULTA DE OFÍCIO E VEDAÇÃO AO CONFISCO. No lançamento de oficio a multa a ser aplicada é de 75% conforme estabelece a legislação. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade administrativa aplicá-la, não lhe competindo o exame da constitucionalidade das Leis, nem deixar de aplicá-las, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal neste sentido. Art. 44, I da Lei 9.430/96.
turma_s : Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 15971.000162/2007-12
anomes_publicacao_s : 201902
conteudo_id_s : 5958560
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2001-000.961
nome_arquivo_s : Decisao_15971000162200712.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : FERNANDA MELO LEAL
nome_arquivo_pdf_s : 15971000162200712_5958560.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente e redator designado (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
id : 7594912
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:37:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051419557232640
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1976; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T1 Fl. 2 1 1 S2C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15971.000162/200712 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.961 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 11 de dezembro de 2018 Matéria IRPF: DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS Recorrente VALDECIR NELSON HASS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. JUROS SELIC. Os juros calculados pela Taxa Selic são aplicáveis aos créditos tributários não pagos no prazo de vencimento consoante previsão do § 1° do artigo 161 do CTN, artigo 13 da Lei n.° 9.065/95 e artigo 61 da Lei n.° 9.430/96 e Súmula no 4 do 1° Conselho de Contribuintes. MULTA DE OFÍCIO E VEDAÇÃO AO CONFISCO. No lançamento de oficio a multa a ser aplicada é de 75% conforme estabelece a legislação. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade administrativa aplicála, não lhe competindo o exame da constitucionalidade das Leis, nem deixar de aplicálas, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal neste sentido. Art. 44, I da Lei 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 97 1. 00 01 62 /2 00 7- 12 Fl. 391DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e redator designado (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório Contra o contribuinte acima identificada foi emitida Notificação de Lançamento relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2004, anocalendário de 2003, por meio do qual foram glosadas despesas médicas no valor total de R$ 43.821,00, por falta de comprovação de pagamento, gerando um crédito tributário de imposto de renda suplementar acrescido de juros e multa de oficio. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação de fls 01 e ss, juntando documentos para tentar comprovar as despesas. Alega, em síntese, que se trata de despesa própria, consigna a anexação dos documentos probatórios correspondentes e requer o acolhimento da impugnação. Questiona aplicação da taxa Selic e Multa supostamente confiscatória. A DRJ São Paulo, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que os comprovantes fornecidos e juntados ao processo pela Contribuinte não comprovam o pagamento de despesas médicas. Ratifica a DRJ que o notificado informou em sua Declaração de Ajuste, que no ano de 2003 despendeu, apenas com despesas médicas, o importe de R$ 47.690,51, representando 74% (setenta e quatro por cento) dos rendimentos declarados pelo contribuinte. Solicitou comprovação de pagamento e o contribuinte apenas alega que foram pagos em espécie e nem extrato bancário junta para tentar comprovar as suas alegações. Em sede de Recurso Voluntário, repisa o contribuinte mesmos argumentos e fundamentos para tentar comprovar seu guerreado direito, no entanto não junta nenhuma prova documental que demonstre seu esforço em comprovar o efetivo pagamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Fl. 392DF CARF MF Processo nº 15971.000162/200712 Acórdão n.º 2001000.961 S2C0T1 Fl. 3 3 Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física os desembolsos a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou recibos médicos diversos para comprovar as despesas médicas incorridas. No entanto, a decisão de primeira instancia sustentou que o Recorrente não comprovou as despesas médicas , nos seguintes termos: “[...] O notificado informou em sua Declaração de Ajuste, que no ano de 2003 despendeu, apenas com despesas médicas, o importe de R$ 47.690,51, representando 74% (setenta e quatro por cento) dos rendimentos declarados pelo contribuinte, dos quais foram comprovados à autoridade lançadora, apenas o valor de R$ 3.869,51, sendo glosando o valor de R$ 43.821,00 por falta de comprovação do pagamento. Depreendese das legislações transcritas, principalmente as que se grifou, que todas as deduções estão sujeitas ao crivo do Fisco, Fl. 393DF CARF MF 4 e conforme consta da descrição dos fatos do Auto de Infração, fls. 159, o contribuinte foi intimado pela autoridade fiscal a comprovar a efetividade dos pagamentos , e não o fez. Com a impugnação traz a Impugnante as mesmas cópias de recibos já apresentados ao Auditor Fiscal, das quais se verifica que a maioria dos recibos nem preenchem todos os requisitos da lei, eis que sem endereço do prestador do serviço. Salientamos que a legislação tributária não dá aos comprovantes, ainda que revestidos de todas as formalidades, valor probante absoluto. Não há dúvidas de que a efetividade do pagamento a titulo de despesa médica não se comprova com a mera exibição de recibos, mormente quando os valores pleiteados, com deduções de despesas médicas, são expressivos em relação aos rendimentos.declarados. (§ 1°, art. 73 do RIR/99). A dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está, assim, condicionada a comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados. Registrese que em defesa do interesse público, é entendimento no âmbito da Receita Federal do Brasil que para gozar as deduções com despesas médicas não basta o contribuinte ter a disponibilidade de simples recibos, cabendo a este, comprovar, de forma objetiva a efetiva prestação do serviço médico e o pagamento realizado. 0 contribuinte deve ter em conta que o pagamento de despesa médica não envolve apenas ele e o profissional de saúde (prestador de serviços), mas também o Fisco caso haja intenção de se beneficiar da dedução na declaração de rendimentos. Por isso, este deve se acautelar na guarda de outros elementos de prova da efetividade do pagamento e do serviço, ainda mais quando o valor do pagamento é alto e contumaz. A emissão de recibo de pagamento serve muito bem para quitar um débito e fazer prova contra o credor, mas não para comproválo junto a terceiros interessados. A comprovação da efetivação dos pagamentos já havia sido solicitada pela autoridade fiscal, poderia o impugnante, se assim quisesse, ter juntado aos autos documentos que reforçassem a convicção de que de fato houve o pagamento como cópia de cheques, extratos bancários, transferências bancárias (TED's, DOC's), etc.. O Impugnante, em que pesem os esforços expendidos, não logrou demonstrar a efetiva transferência dos valores, e, em sua impugnação questiona qual a legislação que proíbe pagamento em dinheiro. Tendo em vista que todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação a juízo da autoridade administrativa e que estas não foram realizada Fl. 394DF CARF MF Processo nº 15971.000162/200712 Acórdão n.º 2001000.961 S2C0T1 Fl. 4 5 [...]” No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal entende que a documentação apresentada não foi suficiente para comprovar as despesas posto que não foi formada a convicção livre da autoridade fiscal. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Fl. 395DF CARF MF 6 Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se no quanto exposto de DRJ, entendo que negado provimento ao Recurso Voluntário e mantida a glosa das despesas médicas por falta de comprovação de pagamento. SELIC Juros e multa aplicada No que se refere aos tributos federais, a partir de 1º de janeiro de 1996, a taxa SELIC passou a ser o índice de juros e correção monetária a ser aplicado desde o pagamento indevido, por força do art. 39, § 4º, da Lei9.250/95. Assim, para os tributos federais iremos aplicar a taxa Selic (instituída pela Lei nº 9.250/95) e não mais o regramento previsto no Código Tributário Nacional, haja vista que ele próprio abre espaço para que cada ente da federação legisle de forma distinta quanto aos seus tributos. Repetindo: o termo inicial da fluência tanto da correção monetária quanto dos juros de mora, nos tributos federais, após 1º de janeiro de 1996, será a data do recolhimento indevido. Os demais tributos estaduais e municipais, salvo disposição em lei em sentido contrário dos respectivos entes da federação, se submetem ao regramento supramencionado contido no CTN. Nesta senda, resta claro que no caso de repetição de indébito de tributos federais, tendo que considerar como termo inicial para contagem da SELIC a data do recolhimento indevido, que no caso em comento, ocorreu em abril de 2003. Não há que se falar em outro período de termo inicial da fluência da correção monetária. No entanto, como muito bem colocado na decisão a quo, deve ser observado o pagamento já efetuado pelo contribuinte no Darf juntado aos autos do processo (fls.2) Por fim, a Súmula CARF de número 4 não traz nenhum ponto de dúvida em relação à sua aplicação. Portanto, não há discussão em relação a sua aplicação. Súmula nº 4 CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos nos períodos de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Em que pese a multa não seja tributo, mas sim penalidade que tem por fim coibir o cometimento de infrações, ainda que, hipoteticamente, fosse aplicável a questão de confisco, não compete a esta instância administrativa sopesar a exigência tributária: se é ou não demasiada. Essa tarefa assiste ao Legislador e ao Poder Judiciário. No âmbito do Poder Executivo, deve a autoridade fiscalizadora apenas cumprir a determinação legal, de forma vinculada e obrigatória, aplicando o ordenamento vigente às infrações concretamente constatadas. CONCLUSÃO: Fl. 396DF CARF MF Processo nº 15971.000162/200712 Acórdão n.º 2001000.961 S2C0T1 Fl. 5 7 Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para manter o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Voto Vencedor Conselheiro Jorge Henrique Backes, redator designado Discordo do Relator em relação às despesas médicas. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e o fundamento para lançar limitase a que recibos não comprovam pagamento de despesas médicas. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa 8 Fl. 397DF CARF MF 8 que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para o ordenamento jurídico atual. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Fl. 398DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.902655/2016-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do Fato Gerador: 25/09/2015
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-005.924
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do Fato Gerador: 25/09/2015 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13851.902655/2016-11
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5955685
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3402-005.924
nome_arquivo_s : Decisao_13851902655201611.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : WALDIR NAVARRO BEZERRA
nome_arquivo_pdf_s : 13851902655201611_5955685.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
id : 7585661
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:36:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051419561426944
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1336; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13851.902655/201611 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3402005.924 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 28 de novembro de 2018 Matéria PEDIDO DE RESTITUIÇÃO Recorrente ROMANOVA PRODUTOS E ALIMENTOS LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do Fato Gerador: 25/09/2015 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 26 55 /2 01 6- 11 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 13851.902655/201611 Acórdão n.º 3402005.924 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER), indeferido em decorrência do crédito alegado não estar disponível, por se encontrar o valor do DARF recolhido vinculado a um débito declarado. Cientificada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade em que solicitou a revisão do despacho decisório, tendo em vista que retificou a DCTF do respectivo período de apuração. Alega que diversos pagamentos de PIS/Pasep e de Cofins “foram recolhidos indevidamente, de acordo com a Lei n° 10.925, de 2004, artigo 1o, inciso XVIII – Solução de Consulta Cosit de 29/06/2016, na qual determina a redução para zero das alíquotas incidentes”. Ato contínuo, a DRJCURITIBA (PR) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06058.398. Neste Recurso, a Empresa repisou os mesmos argumentos apresentados na sua Impugnação e juntou aos autos as notas fiscais eletrônicas de vendas. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.906, de 28 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 13851.902629/201692, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402005.906): "O recurso em análise não atende a todos os requisitos de admissibilidade, pois, no que se refere especificamente à tempestividade, quando da interposição do recurso, já havia transcorrido o prazo legal. Extraise do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), dentre outros comandos, que o prazo para a interposição de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias da ciência da decisão de 1ª instância. Segue transcrito os excertos normativos que importam ao presente exame: Fl. 142DF CARF MF Processo nº 13851.902655/201611 Acórdão n.º 3402005.924 S3C4T2 Fl. 4 3 (...) Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser aplicado o ato Art.23 Farseá a intimação:. (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelosujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº9.532/97) (...) §2º Considerase feita a intimação : (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº11.196/2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº11.196, de 2005) (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (...) Temse que a data ciência do acórdão por meio eletrônico foi realizada em 27/04/2017 (fls.26). No caso sob exame, segundo a legislação de regência anteriormente transcrita, o termo final do prazo em questão ocorreu em 27/05/2017 (sábado), que por não ser dia útil, transferese o prazo para o dia 29/05/2017. Na folha 27 é demonstrado que o Recurso Voluntário somente foi apresentado no dia 31/05/2017. Portanto, o presente recurso é extemporâneo, pois foi apresentado fora do prazo legal. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 13851.902655/201611 Acórdão n.º 3402005.924 S3C4T2 Fl. 5 4 Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, assim como no paradigma, a ciência do acórdão da DRJ e a interposição do Recurso Voluntário ocorreram, respectivamente, em 27/04/2017 e 31/05/2017. Desta sorte, por absoluta identidade fática e jurídica, a decisão lá esposada pode ser perfeitamente aqui aplicada. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 144DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720099/2012-96
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
EMPRÉSTIMOS CONCEDIDOS. LIBERALIDADE. DESPESAS FINANCEIRAS. INDEDUTIBILIDADE.
À luz do art. 299 do RIR/1999, são indedutíveis as despesas decorrentes de financiamentos obtidos, quando contraídos para serem repassados, por mera liberalidade, à pessoa jurídica vinculada.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008
DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. BASE DE CÁLCULO DA CSLL. INDEDUTIBILIDADE. ARTIGO 13 DA LEI Nº 9.249/1995.
As despesas desnecessárias, nos termos do artigo 47 da Lei nº 4.506/1964, são indedutíveis na apuração da base de cálculo da CSLL, por força do artigo 13 da Lei nº 9.249/1995.
Numero da decisão: 9101-003.931
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas em relação à glosa de despesas financeiras, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura, Rafael Vidal de Araújo e Viviane Vidal Wagner, que não conheceram do recurso. No mérito, na parte conhecida, (i) quanto à CSLL, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Cristiane Silva Costa, Lívia De Carli Germano (suplente convocada) e Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada), que lhe deram provimento e (ii) quanto ao IRPJ, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado) e Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada), que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões quanto ao IRPJ a conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Re^go - Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Franco Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Viviane Vidal Wagner, Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, substituído pela conselheira Letícia Domingues Costa Braga. Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto, substituído pela conselheira Lívia De Carli Germano.
Nome do relator: FLAVIO FRANCO CORREA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 EMPRÉSTIMOS CONCEDIDOS. LIBERALIDADE. DESPESAS FINANCEIRAS. INDEDUTIBILIDADE. À luz do art. 299 do RIR/1999, são indedutíveis as despesas decorrentes de financiamentos obtidos, quando contraídos para serem repassados, por mera liberalidade, à pessoa jurídica vinculada. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2008 DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. BASE DE CÁLCULO DA CSLL. INDEDUTIBILIDADE. ARTIGO 13 DA LEI Nº 9.249/1995. As despesas desnecessárias, nos termos do artigo 47 da Lei nº 4.506/1964, são indedutíveis na apuração da base de cálculo da CSLL, por força do artigo 13 da Lei nº 9.249/1995.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 16561.720099/2012-96
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5948718
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9101-003.931
nome_arquivo_s : Decisao_16561720099201296.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : FLAVIO FRANCO CORREA
nome_arquivo_pdf_s : 16561720099201296_5948718.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas em relação à glosa de despesas financeiras, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura, Rafael Vidal de Araújo e Viviane Vidal Wagner, que não conheceram do recurso. No mérito, na parte conhecida, (i) quanto à CSLL, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Cristiane Silva Costa, Lívia De Carli Germano (suplente convocada) e Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada), que lhe deram provimento e (ii) quanto ao IRPJ, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado) e Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada), que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões quanto ao IRPJ a conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Re^go - Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Viviane Vidal Wagner, Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, substituído pela conselheira Letícia Domingues Costa Braga. Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto, substituído pela conselheira Lívia De Carli Germano.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
id : 7571793
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:35:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051419563524096
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-12-27T12:41:36Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-12-27T12:41:36Z; Last-Modified: 2018-12-27T12:41:36Z; dcterms:modified: 2018-12-27T12:41:36Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:541b2ff4-eb2e-4d81-9635-bf7190ef2dc3; Last-Save-Date: 2018-12-27T12:41:36Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-12-27T12:41:36Z; meta:save-date: 2018-12-27T12:41:36Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-12-27T12:41:36Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-12-27T12:41:36Z; created: 2018-12-27T12:41:36Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; Creation-Date: 2018-12-27T12:41:36Z; pdf:charsPerPage: 2150; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-12-27T12:41:36Z | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 1.426 1 1.425 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16561.720099/201296 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101003.931 – 1ª Turma Sessão de 5 de dezembro de 2018 Matéria DESPESAS FINANCEIRAS DEDUTIBILIDADE Recorrente LATAM (BRASIL) REPRESENTAÇÕES LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 EMPRÉSTIMOS CONCEDIDOS. LIBERALIDADE. DESPESAS FINANCEIRAS. INDEDUTIBILIDADE. À luz do art. 299 do RIR/1999, são indedutíveis as despesas decorrentes de financiamentos obtidos, quando contraídos para serem repassados, por mera liberalidade, à pessoa jurídica vinculada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. BASE DE CÁLCULO DA CSLL. INDEDUTIBILIDADE. ARTIGO 13 DA LEI Nº 9.249/1995. As despesas desnecessárias, nos termos do artigo 47 da Lei nº 4.506/1964, são indedutíveis na apuração da base de cálculo da CSLL, por força do artigo 13 da Lei nº 9.249/1995. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas em relação à glosa de despesas financeiras, vencidos os conselheiros André Mendes de Moura, Rafael Vidal de Araújo e Viviane Vidal Wagner, que não conheceram do recurso. No mérito, na parte conhecida, (i) quanto à CSLL, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Cristiane Silva Costa, Lívia De Carli Germano (suplente convocada) e Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada), que lhe deram provimento e (ii) quanto ao IRPJ, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado) e Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada), que lhe deram provimento. Votou pelas conclusões quanto ao IRPJ a conselheira Cristiane Silva Costa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 99 /2 01 2- 96 Fl. 1426DF CARF MF Processo nº 16561.720099/201296 Acórdão n.º 9101003.931 CSRFT1 Fl. 1.427 2 (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Lívia De Carli Germano (suplente convocada), Viviane Vidal Wagner, Caio Cesar Nader Quintella (suplente convocado), Letícia Domingues Costa Braga (suplente convocada) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, substituído pela conselheira Letícia Domingues Costa Braga. Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto, substituído pela conselheira Lívia De Carli Germano. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo contribuinte, em face do acórdão nº 1301002.005, assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. INDEDUTIBILIDADE. À luz do art. 299 do RIR/1999, são indedutíveis as despesas que não estejam estreitamente vinculada as atividades da empresa e a manutenção de sua fonte produtiva, sendo admitidas somente aquelas usuais ou normais aos tipos de transações, operações ou atividades da pessoa jurídica. A redução do lucro operacional com despesas decorrentes de empréstimos, por liberalidade das partes envolvidas, em detrimento da capitalização não se justifica, por se tratar de despesas não necessárias. DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. BASE DE CÁLCULO DA CSLL. INDEDUTIBILIDADE. A indedutibilidade de despesas consideradas desnecessárias também da base de cálculo da CSLL decorre do próprio conceito de resultado do exercício apurado com observância da legislação comercial. Se a despesa não é necessária, não pode ser considerada como despesa operacional quando da apuração do resultado do exercício. Caso tenha reduzido o resultado indevidamente, deve ser adicionada, tanto para a apuração do IRPJ quanto da CSLL. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.” Por meio de Despacho, a então Presidente da 3º Câmara da 1ª Seção admitiu o Recurso Especial do contribuinte em relação às seguintes matérias: Fl. 1427DF CARF MF Processo nº 16561.720099/201296 Acórdão n.º 9101003.931 CSRFT1 Fl. 1.428 3 a) dedutibilidade de despesas financeiras decorrentes de captação de recursos junto a empresa ligada no exterior mediante instrumento de dívida – divergência carcterizada apenas quanto ao acórdão nº 1402001.470; b) inaplicabilidade do requisito da necessidade à base de cálculo da CSLL; c) incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Por bem refletir os fatos relevantes, reproduzse, a seguir, o relatório de acórdão recorrido: “Quanto à descrição dos fatos, contextualiza que a LATAM BRASIL (antes sob a denominação de CREDIT SUISSE FIRST BOSTON (BRASIL) REPRESENTAÇÕES LTDA. atual nome fantasia da empresa fiscalizada) controla a LATAM BRAZIL INVESTIMENTS (BAHAMAS) LTD (LATAM BAHAMAS), localizada nas Bahamas. A propósito disso, a entidade confirmou sua posição de controle societário apenas sobre esta subsidiária no exterior. O quadro societário da LATAM BRASIL compõese da participação da Latam Brasil Investimentos (LATAM INVESTIMENTOS), CNPJ Nº 03.118.062/000190 (99,99%) e da Credit Suisse International Holding AG (localizada na Suíça). A [controladora direta da] fiscalizada, a seu turno, é controlada pela Credit Suisse First Boston Brazil Holding Bahamas Ltd (localizada nas Bahamas) com participação de 99,99% e a Credit Suisse, CNPJ nº 05.529.445/000187 (localizada em Zurique, Suíça) com 0,01%. Passando a tecer maiores comentários sobre os valores apurados nas demonstrações financeiras atinentes aos anos de 2007 e 2008, sintetiza: a) De acordo com as informações prestadas nas linhas integrantes das Fichas 09A da Declaração de Informações EconômicoFiscais de Pessoa Jurídica (DIPJ), houve o oferecimento à tributação de lucros disponibilizados no exterior conforme abaixo: Anocalendário 2007: R$ 28.879.476,17 Anocalendário 2008: R$ 445.203.386,08 Enfatiza ainda que a comparação dos valores declarados revelou um significativo incremento na adição destes valores no segundo períodobase. b) Outro ponto comunicado pela LATAM BRASIL no intróito da ação fiscal diz respeito à mudança do critério de reconhecimento das variações cambiais passivas no anobase de 2008, saindo da metodologia exercida com base no regime de caixa para o regime de competência. Acerca disto, noticiou que a fiscalizada promovia a mensuração das variações cambiais pelo regime de caixa até 31 de dezembro de 2008, conforme autorizado pelo art. 30 da MP 2.15835/2001. A partir de 1º de janeiro de 2009, passou a efetuar o reconhecimento das variações cambiais com base no regime de competência consoante preceituado no § 3º do art. 2º da Instrução Normativa SRF nº 345/2003, computandose no ano precedente (AC 2008) as despesas financeiras incorridas até o encerramento daquele períodobase. Fl. 1428DF CARF MF Processo nº 16561.720099/201296 Acórdão n.º 9101003.931 CSRFT1 Fl. 1.429 4 Sob este aspecto, os AuditoresFiscais certificaram que a referida mudança do regime contábil implicou no [sic] ajustamento dos valores computados na determinação do resultado do exercício, consoante demonstrado no quadro abaixo: Salientase que alteração do procedimento de reconhecimento da variação cambial correlacionase com lucro apurado em 31 de dezembro de 2008 pela controlada no exterior, domiciliada nas Bahamas. Acrescenta que, simultaneamente, a fiscalizada ofereceu à tributação o aludido lucro da sua controlada (R$ 445.203.386,08) e promoveu significativo reconhecimento da variação cambial passiva mensurada no mesmo exercício financeiro (R$ 722.973.074,65) em decorrência do ajuste fundamentado na alteração da metodologia contábil (de regime de caixa para regime de competência). Ressaltase ainda que as importâncias correspondentes a R$ 139.576.404,08 (variações cambiais ativas – operação liquidada) e R$ 22.148.765,53 (juros passivos – Eurobônus) refletem os ajustes de variações apuradas até 31 de dezembro de 2007, todavia, não atrelados à mudança do critério de reconhecimento contábil das despesas. Salientase que alteração do procedimento de reconhecimento da variação cambial correlacionase com lucro apurado em 31 de dezembro de 2008 pela controlada no exterior, domiciliada nas Bahamas. Acrescenta que, simultaneamente, a fiscalizada ofereceu à tributação o aludido lucro da sua controlada (R$ 445.203.386,08) e promoveu significativo reconhecimento da variação cambial passiva mensurada no mesmo exercício financeiro (R$ 722.973.074,65) em decorrência do ajuste fundamentado na alteração da metodologia contábil (de regime de caixa para regime de competência). Outrossim, os dados constantes do Balancete levantado em 31/12/2008 evidenciaram que o saldo das contas “8.1.1.15.00.0120 – Eurobônus – Variação Cambial não Realizada” e “8.1.1.15.00.0140 – “Eurobônus – Despesas de Juros” foram computados nas linhas das Fichas 6A e 9A DIPJ/2009 (anocalendário 2008), respectivamente, valores estes conexos à emissão de Eurobônus pela fiscalizada. Encerrado os comentários desenvolvidos acerca do conteúdo das demonstrações financeiras levantadas pela fiscalizada e suas repercussões provenientes da mudança do critério de reconhecimento das aludidas despesas financeiras ante a emissão os aludidos Eurobônus, inaugurouse a descrição dos atributos inerentes aos respectivos títulos creditícios. No tocante a este aspecto, assentase que as variações cambiais e outras despesas financeiras computadas no resultado fiscal provêm da operação de captação de recursos efetuada mediante emissão de Eurobônus no período de Agosto/1997 a Março/1998, consoante detalhado no TVF, totalizando aproximadamente 72,5 bilhões de Ienes: Destacam que o fiscalizado remeteu contratos intitulados de “NOTAS DEFINITIVAS”, certificado nº 6 e 7, apresentando as seguintes características: Fl. 1429DF CARF MF Processo nº 16561.720099/201296 Acórdão n.º 9101003.931 CSRFT1 Fl. 1.430 5 a) Emitente: Latam (Brasil) Representações, atual denominação de Credit Suisse First Boston (Brasil) Representações; Agente de pagamento principal: J. P. Morgan Trust Bank, Ltd. (atual denominação de Chase Trust Bank); Agente de registro: J. P. Morgan Bank Luxembourg S/A (atual denominação do Chase Manhattan Bank Luxembourg S/A); Agente Fiscal e Agente de Transferência: J. P. Morgan Chase Bank, National Association (atual denominação de The Chase Manhattan Bank). b) Especificação: Programa de notas de médio prazo em Euros de JPY 75.000.000.000,00, sendo primeira “tranche” JPY 30.714.285.714,00, segunda “tranche” JPY 26.000.000.000,00 e terceira “tranche” de JPY 15.869.387.756,00, todas com vencimento em 13/setembro/2015 e taxas de remuneração de 1,80% ao ano; c) Não obstante as afirmações do contribuinte que alegavam seu desconhecimento em relação à qualificação dos adquirentes dos títulos creditícios em referência, as “Notas Definitivas” traziam informação expressa de que a CREDIT SUISSE INVESTMENT BANK (BAHAMAS), antes denominada de CREDIT SUISSE FIRST BOSTON (BAHAMAS) LIMITED (sociedade estrangeira integrante do mesmo conglomerado) mostravase como portador registrado de uma das notas emitidas e, por conseguinte, tinha direito ao reembolso principal dos valores principais acrescidos de juros calculados a partir da data de emissão; d) De acordo com o item 1.3 dos Termos e Condições da Nota Definitiva tornavam expresso que o portador do título seria tratado pelo emitente (fiscalizada) e pelo Agente de Registro como seu proprietário absoluto do direito creditício para todos os fins de direito, independentemente de aviso de propriedade, depósito fiduciário ou qualquer documento. A partir do exame [do] conteúdo das notas definitivas certificouse que o adquirente ou proprietário absoluto dos aludidos títulos de crédito era, de fato, a CREDIT SUISSE INVESTMENT BANK (BAHAMAS), atual CREDIT SUISSE FIRST BOSTON CSFB (BAHAMAS) LIMITED., ou seja companhia integrante do conglomerado. Sendo assim, compreenderam esvaziadas as assertivas trazidas em resposta ao Termo de Intimação nº 3, de 1º/08/2012, visto que constatado que o teor das cláusulas das Notas Definitivas revelou nitidamente aqueles que detinham a titularidade do direito em face do emitente dos Eurobônus (fiscalizada). Noutra perspectiva, passaram a tratar sobre o trâmite da aplicação dos recursos obtidos por intermédio da aludida operação. Baseado nas assertivas conduzidas pelo fiscalizado, os recursos financeiros ingressados no Brasil foram registradas via operação de fechamento de câmbio e, inicialmente, investidos no país. Os valores recebidos em decorrência das emissões de Eurobônus sujeitaram se à incidência dos juros e variações cambiais durante o período, bem assim escriturados no patrimônio da sociedade em conta do passivo intitulada de “Obrigações por Títulos e Valores Mobiliários – Exterior”, cuja contrapartida, inicialmente, transitou pela conta “Caixa” e, posteriormente, em “Aplicações em Títulos e Valores Mobiliários”. Fl. 1430DF CARF MF Processo nº 16561.720099/201296 Acórdão n.º 9101003.931 CSRFT1 Fl. 1.431 6 No entanto, meses após a entrada das divisas, o fiscalizado promoveu a remessa dos recursos a título de operação de empréstimo à pessoa jurídica sediada no exterior pertencente ao grupo econômico, formulada via Transferência Internacional de Reais – TIR registrada no Banco Central do Brasil: a (LATAM HOLDINGS) LLC, localizada nas Ilhas Cayman (fls. 140/147), no total de R$ 655.186.844,66. Por ocasião da liquidação do mútuo pactuado pela CSFB (LATAM HOLDINGS) LLC, os aludidos recursos financeiros de titularidade da interligada no Brasil, ainda mesmo no exterior, foram redestinados para capitalização da LATAM (BAHAMAS), sociedade controlada pela entidade fiscalizada, portanto, convertidos em investimentos permanentes em sua subsidiária domiciliada nas Bahamas, segundo conteúdo demonstrado em Ata de Reunião do Conselho de Diretoria da subsidiária nos anos de 1998 e 1999. Noticiouse também que a importância capitalizada na subsidiária no exterior foi, na seqüência, por ela reinvestida, gerando resultados positivos que viabilizaram o pagamento de dividendos em favor da controladora no Brasil nos anos de 2007 e 2008. Pontua ainda que a fiscalizada argumentou que os ativos integrantes do patrimônio da subsidiária estrangeira decorreram especificamente de operação de aporte de Capital acrescido do resultado positivo derivado de novas aplicações de recursos levados a efeito no exterior. Sob este aspecto em particular, afirmou que os valores que ingressaram na subsidiária no exterior foram segregados no patrimônio líquido da investida através das contas de “Capital Social (Commom Shares)” e “Ágio (Aditional Paid in Capital)”. No tocante à conta “Capital (Commom Shares)” escriturouse a importância consignada no Contrato Social da subsidiária estrangeira; os valores controlados na rubrica controlada, foram mantidos no patrimônio líquido da entidade por se referirem a aporte proveniente ao desembolso do ágio na subscrição de ações, no total de R$ 529.269.316,33. Encerrada a demonstração da composição dos recursos destinados para a capitalização da subsidiária no exterior, passa a comentar sobre a operação de empréstimo pactuado entre a própria LATAM (BAHAMAS) e a CREDIT SUISSE FIRST BOSTON BRAZIL HOLDING (BAHAMAS) LIMITED, controladora indireta da empresa fiscalizada. Indagado acerca da composição do saldo da conta “EMPRÉSTIMOS A RECEBER – (LOAN – TIE NO BANK)” no valor de US$ 601.726.446,39, equivalente a R$ 1.406.234.705,21, constante do Balanço da LATAM (BAHAMAS) levantado em 31/12/2008, o fiscalizado relatou que se tratava de empréstimo concedido em 25/08/2008, à CREDIT SUISSE FIRST BOSTON BRAZIL HOLDING (BAHAMAS) LIMITED. Defronte as respostas trazidas pelo fiscalizado, ratificouse que a emissão dos Eurobônus tinha como finalidade precípua a capitalização da subsidiária no exterior. Concluíram que entre o período de 1998 a 2008, o aporte de capital repassado à subsidiária mantevese, desde o início, investido no mercado, gerando resultados positivos que viabilizaram o pagamentos de dividendos à controladora domiciliada no Brasil; operavase, assim, a situação em que a fiscalizada incorria no desembolso Fl. 1431DF CARF MF Processo nº 16561.720099/201296 Acórdão n.º 9101003.931 CSRFT1 Fl. 1.432 7 de juros oriundos da emissão dos Eurobônus; noutra perspectiva, computava os valores correspondentes aos dividendos percebidos de sua controlada em Bahamas. Exatamente em março/2008, os recursos mantidos no patrimônio da controlada foram redestinados, via empréstimo, para a CREDIT SUISSE FIRST BOSTON BRAZIL HOLDING (BAHAMAS) LIMITED, ou seja, consoante mostrado no Organograma 1, a sócia majoritária da LATAM INVESTIMENTOS que, a seu turno, exerce controle quase que absoluto sobre a empresa fiscalizada. Observandose o fluxo de recursos financeiros provenientes da emissão dos Eurobônus pelo fiscalizado, os AuditoresFiscais afirmaram que a leitura dos termos das “Notas Definitivas” indicavam que: 1) No período de 29/08/1997 a 18/03/1998 os Eurobônus foram adquiridos pela empresa do grupo: a CREDIT SUISSE INVESTIMENT BANK (BAHAMAS), atual CREDIT SUISSE FIRST BOSTON BRAZIL HOLDING (BAHAMAS) LIMITED (quadro 3); 2) De 31/08/1998 a 12/01/1999 os recursos foram transferidos, via operação de empréstimo à CSFB (LATAM HOLDINGS) LLC, igualmente, pertencente ao grupo e sediada no exterior (quadro 4); 3) De 05/10/1998 a 26/08/1999, por ocasião da liquidação das operações de empréstimo, os recursos foram enviados para capitalização da subsidiária no exterior LATAM (BAHAMAS) (quadro 5); 4) Em 25/03/2008, os recursos voltam como empréstimo para a controladora indireta do fiscalizado, a empresa CREDIT SUISSE FIRST BOSTON BRAZIL HOLDING (BAHAMAS) LIMITED. Em síntese, (1) houve o ingresso de valores no Brasil nos anos de 1997 e 1998 em face da negociação das denominadas “Notas Definitivas” (Eurobônus) através da aquisição dos títulos por empresa integrante do conglomerado; (2) entre os anos de 1998 e 1999, as importâncias foram remetidas ao exterior, via operação de empréstimo, destinada para outra companhia integrante do mesmo grupo econômico CSFB (LATAM HOLDINGS) LLC; (3) Ainda no mesmo período supracitado, as importâncias foram capitalizadas na subsidiária no exterior LATAM (BAHAMAS). O investimento destinouse à integralização de capital e pagamento de ágio na aquisição da participação societária. A subsidiária reinveste os valores ingressados em seu patrimônio e efetivam a remessa de dividendos à controlada no Brasil; (4) No anocalendário de 2008, a subsidiária no exterior promove a remessa desses recursos financeiros, novamente via empréstimo, à CREDIT SUISSE FIRST BOSTON BRAZIL HOLDING (BAHAMAS) LIMITED (controladora indireta da fiscalizada). Nesse sentido, observouse a realização de um verdadeiro looping com os mesmos recursos no âmbito interno do conglomerado derivados da emissão dos Eurobônus pela fiscalizada. A partir das análises supracitadas compreendeuse que as sucessivas operações de captação mostram que os mesmos recursos financeiros tramitaram entre empresas pertencentes do mesmo Grupo Econômico, bem assim que os lucros auferidos no exterior com base na sistemática da equivalência patrimonial não foram efetivamente tributados no Brasil, porquanto neutralizados na apuração com base no Lucro Real. Fl. 1432DF CARF MF Processo nº 16561.720099/201296 Acórdão n.º 9101003.931 CSRFT1 Fl. 1.433 8 Retirouse desse contexto que se a entrada de divisas do exterior não fosse intermediada através de empréstimos convencionados entre partes relacionadas, via aquisição de Eurobônus, mas sim ingressado mediante capitalização da LATAM (BRASIL) REPRESENTAÇÕES (fiscalizado), inexistiria a figura da variação cambial, tampouco das despesas de juros passivos. De acordo com as constatações das autoridades lançadoras, tais encargos financeiros, até mesmo, influenciaram na determinação do resultado tributável, porquanto com a alteração do critério de reconhecimento das variações cambiais passivas do regime de caixa para de competência, ensejou a neutralização dos efeitos da adição das importâncias inerentes ao lucro auferido no exterior proveniente de controlada sediada em Bahamas. Abstraiuse ainda a ocorrência de um planejamento intencional na alteração do critério de reconhecimento das aludidas despesas financeiras do regime de caixa para o regime de competência, objetivandose o cômputo integral da variação cambial passiva incorrida no ano de 2008, consoante disciplinado no § 3º da Instrução Normativa SRF nº 345/2003. A composição do patrimônio do fiscalizado indicava um Ativo composto da conta de Dividendos a Receber e, paralelamente, um Passivo representado por Empréstimos a Pagar decorrente da operação de emissão de Eurobônus; noutra ponta, a controlada sediada nas Bahamas possuía aplicações diversas no Ativo e, em contrapartida, Capital e Ágio na subscrição de ações no Patrimônio Líquido. Concluiuse a partir daí que, as despesas eram assumidas pelo fiscalizado; as receitas, por sua vez, eram concentradas em favor da controlada. Ao contrário das assertivas trazidas durante a fiscalização, as emissões de Eurobônus não proporcionaram investimentos no Brasil; Na verdade, a documentação apresentada mostra apenas que os recursos foram investidos diretamente na controlada instalada nas Bahamas, transitando no país apenas as despesas financeiras com juros e, ainda assim, de caráter meramente especulativo, visto que nada gerou de acréscimo à produção nacional. Aliás, o próprio representante da empresa fiscalizada não soube esclarecer as razões para execução de um mecanismo de operações pactuadas intragrupo. Restou evidente, no entanto, que a prática visou tão somente dirimir a apuração de base tributável decorrente da adição dos lucros auferidos de controlada situada no paraíso fiscal das Bahamas, neutralizandose seus efeitos por intermédio de variações cambiais incorridas à luz de operações firmadas com empresa do grupo que adquiriu os Eurobônus. Resumindo a situação pormenorizada nos parágrafos anteriores, os Auditores Fiscais demonstraram a composição dos Balanços da subsidiária no exterior e da fiscalizada atinentes aos anoscalendário de 2007 e 2008 (Quadro 6 do TVF). Baseado na consolidação dos dados reportados no Quadro 6, teceram os seguintes comentários finais: a) A escrituração dos Eurobônus no patrimônio da LATAM (BRASIL) REPRESENTAÇÕES (fiscalizado) efetuouse em rubrica intitulada de “Obrigações por TVM no exterior”. Os saldos em 31/12/2007 e 31/12/2008 eram de R$ R$ 1.149.652.804,09 e R$ 1.872.658.775,53, respectivamente. A diferença apresentada entre os saldos finais no encerramento dos respectivos exercícios em tela correspondem às importâncias computadas a título de variação cambial passiva resultante da operação creditícia; Fl. 1433DF CARF MF Processo nº 16561.720099/201296 Acórdão n.º 9101003.931 CSRFT1 Fl. 1.434 9 b) Dos valores escriturados no passivo da controlada no AC 2007, parcela significativa dos valores recebidos foi qualificada como ágio na subscrição de ações. No período seguinte, este montante foi transferido para a conta intitulada de “Dividendos a Pagar”, sem qualquer justificativa plausível, não apresentando nenhuma razão lógica para tanto. No seu bojo, apenas se explicaria a mutação patrimonial se a escrituração representasse um compromisso na devolução do ágio; c) O aporte de capital no patrimônio da controlada (AC 2007) foi convertido para “Empréstimos a Receber” no ano subsequente em face de operação efetuada com a controladora indireta do fiscalizado (CREDIT SUISSE FIRST BOSTON BRAZIL HOLDINGS (BAHAMAS) LTD.), mostrando que os recursos vinculados à emissão de Eurobônus retornaram a sua origem; d) Examinando a conta de investimentos da fiscalizada, constatouse que foi transferido um valor expressivo para a conta de “Dividendos a Receber de Ligadas” no curso do anocalendário de 2008, circunstância que tornou evidente a tese de devolução do ágio; e) Não obstante a escrituração levada a efeito na conta de Dividendos, observouse que não ocorreu a liquidação das notas de Eurobônus. A fiscalizada permaneceu computando valores substanciais de juros e variações cambiais incorridos em conta do passivo denominada de “Obrigações com TVM exterior juros”. Ao final do exercício financeiro de 2008, apurouse um saldo de despesas de captação de títulos e valores mobiliários no exterior – Eurobônus (despesas operacionais) composto de: R$ 722.973.074,65, a título de variação cambial não realizada e R$ 25.160.136,63 a título de juros; f) Encerra a questão, deduzindo que, se a capitalização na controlad a não fosse realizada via empréstimos, mas sim diretamente pelo Grupo, mantendose a moeda original em dólares e sem a cobrança de juros entre as partes, não ocasionaria mutações de qualquer espécie, visto que as divisas apenas circulariam entre as empresas integrantes do mesmo conglomerado. No entanto, ao tramitar essas divisas conjugandose com essas operações de mútuo passíveis de incidência de juros entre partes relacionadas houve também uma transferência significativa de valores desta natureza entre os países. Demonstraramse, assim, os mecanismos levados a efeito pelo conglomerado, Revelandose que a alternância da aplicação dos critérios de reconhecimento da variação cambial do regime de caixa para o regime de competência tornou viável a neutralização dos efeitos dos lucros auferidos pela controlada. De acordo com a análise das autoridades fiscais esse planejamento ocorreu no intervalo entre o encerramento do anobase e o prazo legal de entrega da declaração de ajuste anual do imposto de renda, visto que, neste período, projetouse os efeitos tributários a serem obtidos a partir da comparação do lucro auferido pela controlada e o montante de despesas financeiras a ser apurado diante de cada regime de reconhecimento da variação cambial. Passando a descrever a fundamentação da tributação em face da caracterização da infração tipificada no procedimento de fiscalização, assentase que entre os requisitos de admissibilidade de dedução de despesas na base de cálculo do IRPJ e da CSLL demandase a qualificação como necessárias ao exercício da atividade da empresa, consoante disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 1964 e no art. 299 do RIR/99, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99. Fl. 1434DF CARF MF Processo nº 16561.720099/201296 Acórdão n.º 9101003.931 CSRFT1 Fl. 1.435 10 Segundo seus termos retirase que as despesas operacionais são aquelas usuais ou normais ao exercício de suas operações e à manutenção da respectiva fonte produtora. No caso concreto, a usualidade e normalidade das despesas operacionais da entidade demandam uma interpretação conjugada das operações promovidas no âmbito do conglomerado. Nesse sentido, inferese que a captação dos recursos do fiscalizado integrante do mesmo grupo econômico e o investimento da subsidiária no exterior sediada nas Bahamas, bem assim a posterior alocação superveniente deste recurso no exterior, caracterizam um mecanismo anormal e não usual da gestão empresarial. Sob este prisma, demonstra os fatores que mostram a ocorrência de atos anormais de gestão; Objetivando o cumprimento dos propósitos do conglomerado, os recursos enviados como empréstimos poderiam ser integralizados no capital da fiscalizada para posterior capitalização na subsidiária no exterior, circunstâncias que evidenciam a inexistência da necessidade da emissão dos Eurobônus, bem assim da operação creditícia e a conseqüente contabilização de juros e variações cambiais; A sucessão de operações realizadas dentro do conglomerado, a começar pela obtenção dos recursos pelo fiscalizado a partir de emissão dos eurobônus e a sua aquisição por meio de empresa do mesmo grupo no período de 08/1997 a 03/1998, conjugado com o repasse posterior para outra empresa do conglomerado, via empréstimo de 31/08/1998 a 12/01/1999 e, finalmente, a capitalização da subsidiária no exterior sediada nas Bahamas em 05/10/1998 a 26/08/1999, corroboraram para as inferências de que o objetivo intragrupo era a capitalização da LATAM (BAHAMAS) e evidenciam que as transações intermediárias eram igualmente desnecessárias; A fiscalizada não detinha capacidade econômica para a efetivação do aporte de capital na subsidiária no exterior; A empresa adquirente dos Eurobônus, bem assim a qualidade de partes beneficiárias entre as credoras e devedores das operações de mútuo demonstra que as transações intermediárias de emissão de Eurobônus e os empréstimos constituíramse em mera liberalidade. Diante do todo o exposto, depreendeuse que as despesas incorridas com juros e variações cambiais mostraramse totalmente desnecessárias e não essenciais exigindo a glosa de seus valores (Quadro 7). Reforça suas inferências enfatizando o teor da ementa de decisão proferida no Acórdão nº 0910100.287, em sessão de 24 de agosto de 2009, que versou sobre matéria análoga julgada pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.” A fiscalizada, ora recorrente, opôs Embargos de Declaração, os quais foram rejeitados. Ciência do Despacho de rejeição dos Embargos no dia 07/11/2017, à efl. 1.051. Recurso Especial interposto no dia 22/11/207, à efls. 1.052. Despacho de encaminhamento à PGFN no dia 07/05/2018, para cientificála da interposição do Recurso Especial do contribuinte, à efl. 1.375. Contrarrazões da PGFN apresentadas no dia 16/05/20018, conforme efls. 1.399. Fl. 1435DF CARF MF Processo nº 16561.720099/201296 Acórdão n.º 9101003.931 CSRFT1 Fl. 1.436 11 É o relatório. Voto Conselheiro Flávio Franco Corrêa, Relator. A PGFN não contesta a admissibilidade do apelo do contribuinte. O presente Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de recorribilidade, com exceção da questão alusiva à incidência dos juros moratórios sobre a multa proporcional, que já está consolidada na Súmula CARF nº 108: “Súmula CARF nº 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.” Em face do artigo 67, § 3º, do vigente RICARF – Anexo II, não se pode conhecer de recurso contra decisão que adote entendimento de súmula de jurisprudência do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Portanto, conheço parcialmente do apelo. Mérito 1) Dedutibilidade de despesas financeiras decorrentes de captação de recursos junto a empresa ligada no exterior mediante instrumento de dívida. A recorrente emitiu eurobônus, que foram adquiridos pela pessoa jurídica Credit Suisse Investment Bank (Bahamas), atual denominação de Credit Suisse First Boston (Bahamas) Ltd. Houve três emissões de eurobônus, totalizando 72,5 bilhões de ienes, ocorridas entre agosto de 1997 e março de 1998. A citada adquirente dos eurobônus emitidos integra o grupo econômico da recorrente, Latam (Brasil) Representações Ltda, atual denominação de Credit Suisse First Boston (Brasil) Representações Ltda. A recorrente efetuou empréstimos de valores captados mediante a emissão de eurobônus a CSFB (Latam Holdings) LLC, pessoa jurídica sediada no exterior e também integrante do grupo econômico da recorrente. Esses empréstimos foram realizados entre 31/08/1998 e 12/01/1999. Entre outubro de 1998 e agosto de 1999, a referida mutuária estrangeira liquidou empréstimos que lhe foram concedidos pela recorrente, transferindo recursos para capitalizar Latam (Bahamas), subsidiária no exterior da fiscalizada. Posteriormente, em 2008, essa subsidiária, por empréstimo, transferiu recursos recebidos na capitalização a Credit Suisse France Boston Brazil Holding (Bahamas) Ltda, controladora indireta da recorrente. Até 31/12/2008, a recorrente reconhecera a variação cambial pelo regime de caixa, em consonância com o artigo 30 da MP nº 2.15835. A partir de 1º de janeiro de 2009, passou a adotar o regime de competência para o reconhecimento das variações cambiais, seguindo o previsto no artigo 2º, § 1º, da IN SRF nº 243/2003. Ao passar a adotar o regime de Fl. 1436DF CARF MF Processo nº 16561.720099/201296 Acórdão n.º 9101003.931 CSRFT1 Fl. 1.437 12 competência, tornouse obrigada a retroagir a aplicação desse regime até 31/12/2008, como prevê o artigo 2º, § 3º, da IN SRF nº 243/2003. Ao cabo do anocalendário de 2008, uma vez refeita a apuração do lucro líquido com a retroação do regime de competência, a recorrente considerou que incorrera em variação cambial passiva e juros passivos, referentes à captação de valores com a emissão de eurobônus, respectivamente nas importâncias de R$ 722.973.074,65 e R$ 25.160.136,63. Os autos revelam que os valores glosados decorreram de negócios realizados dentro do conglomerado Credit Suisse, isto é, entre partes relacionadas, submetidas a interesses comuns. Em outras palavras, são negócios “consigo mesmo”. Percebase, a propósito, que não há dinheiro novo proveniente da “captação” de recursos, pois estes já estavam dentro do próprio grupo, que decidia quando queria movimentálos internamente, usálos para obter quaisquer utilidades práticas ou aplicálos para o auferimento de renda. Aqui, os autos retratam uma movimentação intragrupo de recursos. A causa formal do impulso inicial dessa movimentação interna foi a aquisição de eurobônus emitidos pela fiscalizada. E quem deu o impulso inicial para essa movimentação de recursos, pertencentes ao próprio grupo, foi a pessoa jurídica Credit Suisse Investment Bank (Bahamas), atual denominação de Credit Suisse First Boston (Bahamas) Ltd. Essa pessoa jurídica, localizada no exterior, é a beneficiária dos juros pagos pela recorrente. Ocorre que, em 2008, a recorrente repassou recursos à pessoa jurídica estrangeira, sua controladora indireta, também mediante empréstimo. Importa considerar que esses recursos já estavam no exterior, na posse de Latam Brazil Investments (Bahamas) Ltd, controlada da recorrente. De igual modo, devese dar relevância ao fato de que esses recursos eram originários da emissão de eurobônus, adquiridos por Credit Suisse Investment Bank (Bahamas). O centro de gravidade da questão a ser decidida, sobre a necessidade das despesas glosadas, reside na aferição da necessidade da dívida contraída. O exame dessa questão duvidosa deve firmarse à luz dos parâmetros existentes no ordenamento pátrio ao tempo da ocorrência dos fatos constantes da acusação. Assim, em consonância com o artigo 299 do RIR/1999, é preciso averiguar a necessidade da despesa pela perspectiva da atividade explorada, isto é, para a consecução do objeto social da recorrente. Despesa necessária é aquela que tem intrínseca relação com as atividades corriqueiras da pessoa jurídica. Nos estatutos sociais acostados às efls. 152/162, constatase que o objeto social da recorrente não lhe caracteriza como holding do grupo econômico. Em outras palavras, não era sua função administrar o “caixa” desse grupo (isto é, as disponibilidades do grupo). Isso significa que não era de sua incumbência contrair dívidas, com a obtenção de financiamento, para solucionar dificuldades financeiras de outras pessoas jurídicas do grupo. Portanto, não se trata de despesa necessária, mas de despesa assumida por mera liberalidade. A recorrente entende que a dedução de juros contraídos por meio de empréstimos concedidos por residentes no exterior sujeitase exclusivamente à regra do artigo 22 e §§ da Lei nº 9.430/1999. Não procede essa afirmação. O disposto no artigo 299 e §§ do RIR/99 é regra geral de dedutibilidade. Por esse viés, a necessidade da despesa é questão que sempre emerge para ser decidida em conformidade com os parâmetros fixados nesse dispositivo, não obstante a eventual incidência de outras regras específicas que regulam a dedutibilidade de certas despesas, para fins de apuração do lucro tributável. Fl. 1437DF CARF MF Processo nº 16561.720099/201296 Acórdão n.º 9101003.931 CSRFT1 Fl. 1.438 13 Por essa ordem de ideias, nego provimento ao Recurso Especial do contribuinte, quanto ao tema. 2) Inaplicabilidade do requisito da necessidade à base de cálculo da CSLL: A recorrente manifesta que não se aplica o artigo 13 da Lei nº 9.249/1999, na medida em que o artigo 47 da Lei nº 4.502/1964 referese especificamente ao lucro real. Anote se a redação do artigo 13 da Lei nº 9.249/1995 vigente ao tempo dos fatos: “Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; (Vide Lei 9.430, de 1996) II das contraprestações de arrendamento mercantil e do aluguel de bens móveis ou imóveis, exceto quando relacionados intrinsecamente com a produção ou comercialização dos bens e serviços; III de despesas de depreciação, amortização, manutenção, reparo, conservação, impostos, taxas, seguros e quaisquer outros gastos com bens móveis ou imóveis, exceto se intrinsecamente relacionados com a produção ou comercialização dos bens e serviços; IV das despesas com alimentação de sócios, acionistas e administradores; V das contribuições não compulsórias, exceto as destinadas a custear seguros e planos de saúde, e benefícios complementares assemelhados aos da previdência social, instituídos em favor dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica; VI das doações, exceto as referidas no § 2º; VII das despesas com brindes. § 1º Admitirseão como dedutíveis as despesas com alimentação fornecida pela pessoa jurídica, indistintamente, a todos os seus empregados. § 2º Poderão ser deduzidas as seguintes doações: I as de que trata a Lei nº 8.313, de 23 de dezembro de 1991; II as efetuadas às instituições de ensino e pesquisa cuja criação tenha sido autorizada por lei federal e que preencham os requisitos dos incisos I e II do art. 213 da Constituição Federal, até o limite de um e meio por cento do lucro operacional, antes de computada a sua dedução e a de que trata o inciso seguinte; III as doações, até o limite de dois por cento do lucro operacional da pessoa jurídica, antes de computada a sua dedução, efetuadas a entidades civis, legalmente constituídas no Brasil, sem fins lucrativos, que prestem serviços gratuitos Fl. 1438DF CARF MF Processo nº 16561.720099/201296 Acórdão n.º 9101003.931 CSRFT1 Fl. 1.439 14 em benefício de empregados da pessoa jurídica doadora, e respectivos dependentes, ou em benefício da comunidade onde atuem, observadas as seguintes regras: a) as doações, quando em dinheiro, serão feitas mediante crédito em conta corrente bancária diretamente em nome da entidade beneficiária; b) a pessoa jurídica doadora manterá em arquivo, à disposição da fiscalização, declaração, segundo modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal, fornecida pela entidade beneficiária, em que esta se compromete a aplicar integralmente os recursos recebidos na realização de seus objetivos sociais, com identificação da pessoa física responsável pelo seu cumprimento, e a não distribuir lucros, bonificações ou vantagens a dirigentes, mantenedores ou associados, sob nenhuma forma ou pretexto; c) a entidade civil beneficiária deverá ser reconhecida de utilidade pública por ato formal de órgão competente da União. Podese ver que o caput do artigo 13 da Lei nº 9.249/1995 é aplicável à apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Esse dispositivo legal fixou a vedação de algumas deduções, independentemente da vedação estabelecida pelo artigo 47 da Lei nº 4.506/1964, que está assim redigido: “Art. 47. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da emprêsa e a manutenção da respectiva fonte produtora. § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da emprêsa. § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da emprêsa. [...]” Está patente que o artigo 47 da Lei nº 9.249/1995 é a matriz legal do artigo 299 do RIR/99. Essa matriz legal regula as despesas operacionais, estabelecendo seus contornos normativos. Calha ter em conta que, na época da edição da Lei nº 4.506/1964, a CSLL sequer existia. No entanto, o artigo 13 da Lei nº 9.249/1995 importou para a CSLL os contornos normativos de dedutitibilidade das despesas operacionais, antes aplicáveis apenas ao imposto de renda. Nesse seguir, quando não se aprova a dedutibilidade de despesa, na apuração do IRPJ, por julgála desnecessária, nos termos do artigo 47 da Lei nº 9.249/1995, também não se admite que a mesma despesa seja dedutível na apuração da base de cálculo da CSLL. Diante disso, já tendo negado provimento à dedutibilidade das despesas financeiras e da variação cambial passiva, na determinação do lucro real, cabe também negar provimento ao pleito, no tocante à dedutibilidade dessas despesas, na apuração da base de cálculo da CSLL. CONCLUSÃO: conheço parcialmente do Recurso Especial do contribuinte para, no mérito, negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 1439DF CARF MF Processo nº 16561.720099/201296 Acórdão n.º 9101003.931 CSRFT1 Fl. 1.440 15 Fl. 1440DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.900631/2011-18
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE QUANTO A CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL.
A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei.
Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.541
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201812
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE QUANTO A CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10640.900631/2011-18
anomes_publicacao_s : 201901
conteudo_id_s : 5948205
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1002-000.541
nome_arquivo_s : Decisao_10640900631201118.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
nome_arquivo_pdf_s : 10640900631201118_5948205.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
id : 7570715
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:35:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051419572961280
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1651; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 124 1 123 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.900631/201118 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.541 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 06 de dezembro de 2018 Matéria IRPJ PER/DCOMP Recorrente CEMAGEM CENTRO DE DIAGNOSTICO DE IMAGEM LTDA. ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE QUANTO A CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 90 06 31 /2 01 1- 18 Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10640.900631/201118 Acórdão n.º 1002000.541 S1C0T2 Fl. 125 2 (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efl. 83) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 76/79), proferida em sessão de 20 de janeiro de 2014, consubstanciada no Acórdão n.º 1448.166, da 14.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP (DRJ/RPO), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 03/04) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 01/04/2011 (efl. 02), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 24566.88913.040506.1.3.042820 (efls. 60/73), transmitido em 04/05/2006, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o direito creditório, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 DCOMP. CRÉDITO INTEIRAMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: Tratase de Despacho Decisório que homologou parcialmente Declaração de Compensação – DCOMP eletrônica, n.º 24566.88913.040506.1.3.042820, transmitida em 04/05/2006. Na fundamentação do ato, consta: (...). [transcreve despacho decisório efl. 02] Cientificada em 12/04/2011, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, em 29/04/2011, alegando, que de 08/2004 a 02/2005 efetuou pagamentos a maior de IRPJ, CSLL, Cofins e PIS, e que a partir de 03/2005 iniciou a compensação dos créditos gerados. Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10640.900631/201118 Acórdão n.º 1002000.541 S1C0T2 Fl. 126 3 Apresenta relação dos valores devidos no período e dos valores pagos a maior e cita um REDARF que não teria sido analisado. Junta cópia da DIPJ e do Redarf. O Despacho Decisório informa que o limite do crédito analisado, para fins de restituição, era da ordem de R$ 1.063,58, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, no entanto, analisadas as informações prestadas na declaração, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP. Informase, outrossim, que, a partir das características do crédito indicado no PER/DCOMP, foi localizado pagamento integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, de modo a não mais haver crédito disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi quitado, isto é, não foi compensado. A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose o não reconhecimento do crédito objeto da irresignação e, por conseguinte, não homologando a compensação no limite do crédito objeto do inconformismo, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: De início, é importante fixar que a DCOMP se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Invalidadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte foi realizada também de forma eletrônica: comparandose o pagamento indicado na DCOMP como origem do crédito com as confissões de débitos constantes de declarações da contribuinte, constatandose que o DARF de recolhimento informado na DCOMP estava integralmente utilizado para quitação de débitos declarados em DCTF e em outras Dcomps, não restando créditos suficientes para a compensação pleiteada. Cabe lembrar que os débitos, apresentados em DCTF e/ou em DCOMP, por expressa disposição legal (§§ 1.º e 2.º do art. 5.º do DecretoLei n.º 2.124, de 13/06/1984 c/c § 1.º do art. 8.º da Instrução Normativa SRF n.º 255, de 11/12/2002 e art. 74, § 6.º da Lei n.º 9.430/1996, respectivamente), constituem confissão de dívida. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte informa dispor de créditos gerados pelo pagamento a maior de vários tributos e vários períodos de apuração. Entretanto, na presente Dcomp, discutese apenas o crédito nela informado, no valor de R$ 1.125,14, que teria sido informado em Dcomp inicial, de n.º 15801.05562.030506.1.3.04 4509. Todavia, conforme consta dos sistemas da Receita Federal, telas de consulta abaixo, a Dcomp inicial de n.º 15801.05562.030506.1.3.044509 foi homologada com direito Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10640.900631/201118 Acórdão n.º 1002000.541 S1C0T2 Fl. 127 4 creditório reconhecido no valor de R$ 334,88, totalmente utilizado na compensação nela pleiteada, nada restando de saldo para utilização em outras Dcomps. Em face do exposto voto no sentido de considerar improcedente a manifestação de inconformidade e não reconhecido o direito creditório pleiteado na Dcomp n.º 24566.88913.040506.1.3.042820. No recurso voluntário (efl. 83), em síntese, o contribuinte apresentou os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade, inclusive denominou a petição de "manifestação de inconformidade". Em seguida, a Unidade de Origem notificou o contribuinte para sanar divergências contidas na petição recursal, pois a peça de defesa continha o nome de "manifestação de inconformidade" ao invés de "recurso voluntário" e não haviam sido Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10640.900631/201118 Acórdão n.º 1002000.541 S1C0T2 Fl. 128 5 anexados documentos de identificação pessoal que identifiquem o assinante, nem da procuração que o habilite a praticar atos extrajudiciais em nome da empresa (efl. 97). O contribuinte, atendendo a notificação, reapresentou o recurso com o nome de "recurso voluntário" (efl. 99) e juntou documentos. Em resumo, a tese de defesa, reiterada no recurso voluntário, é que o pagamento datado de 14/01/2005, no valor de R$ 133,02, "foi feito por engano em outro CNPJ, anexo xérox do Pedido de Retificação de DarfREDARF". Por fim, argumenta que no período de "08/2005 a 02/2006 foi feito a compensação, porque se apurar o débito da competência 08/2004 a 02/2006 irão verificar que os débitos fecham com os pagamento efetuados". Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade Inicialmente, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017, haja vista que as turmas extraordinárias são competentes para apreciar recursos voluntários de reconhecimento de direito creditório, até o valor em litígio de 60 (sessenta) salários mínimos, assim considerado o valor constante do sistema de controle do crédito tributário. Outrossim, a Portaria CARF n.º 111, de 20 de julho de 2018, que estabelece o momento da verificação do valor em litígio para fins de definição da competência das Turmas Extraordinárias (TE's), disciplina que a verificação do valor em litígio, para fins de definição da competência das TE's, será realizada pela Divisão de Sorteio e Distribuição da Coordenação de Gestão do Acervo de Processos (Disor/Cegap) no momento do sorteio do processo administrativo fiscal para a turma de julgamento, bem como define que permanecerá na competência das referidas turmas o recurso voluntário cujo processo administrativo fiscal sofra atualização de valor após o sorteio para a turma ou para o conselheiro relator, desde que a partir dessa atualização o valor em litígio não exceda a 120 (cento e vinte) salários mínimos. Neste caso cabe informar que o valor constante no sistema do eprocesso para o direito creditório que a contribuinte busca reconhecer está registrado como sendo de R$ 1.063,58. Observo, ainda, que, pelo princípio do informalismo, o Recurso Voluntário (efl. 83) atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10640.900631/201118 Acórdão n.º 1002000.541 S1C0T2 Fl. 129 6 admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 21/05/2014, efls. 80/81, e protocolo recursal em 17/06/2014, efl. 83), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Portanto, conheço do Recurso Voluntário (efl. 83). Por fim, quanto a petição do efl. 99, que sobreveio após notificação da Unidade de Origem para regularização processual, entendo que não deve ser conhecida por força da preclusão, uma vez que apresentada após o trintídio legal e já tendo sido apresentada a petição do efl. 83, com natureza jurídica de recurso voluntário. De toda sorte, o conteúdo da petição do efl. 99 é basicamente o mesmo da petição do efl. 83, sendo esta recebida tempestivamente e como recurso voluntário. Por conseguinte, o mérito do objeto destes autos será apreciado a seguir. Mérito Quanto ao mérito não assiste razão ao recorrente. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição de quantias recolhidas a maior ou indevidamente a título de tributo (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. O primeiro passo do PER/DCOMP é exatamente a análise do pedido de restituição; apenas se houver crédito líquido e certo se efetuará a compensação do débito Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10640.900631/201118 Acórdão n.º 1002000.541 S1C0T2 Fl. 130 7 confessado com a extinção do crédito tributário que o próprio contribuinte confessa e indica para ser objeto da quitação via compensação. No caso dos autos, a Administração Tributária não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o pagamento indevido ou a maior vindicado, negando a restituição do crédito requerido. Observase que, na análise, pelos sistemas informatizados da Receita Federal, o suposto crédito, caracterizado no PER/DCOMP, estava integralmente alocado, não havendo saldo disponível, razão pela qual do indeferimento da compensação, eis que não se reconheceu o direito creditório. Verificase que o suposto crédito de pagamento indevido ou a maior indicado no PER/DCOMP objeto desta lide já havia sido informado em outro PER/DCOMP, qual seja, n.º 15801.05562.030506.1.3.044509. Aqui nestes autos discute se apenas o crédito vindicado nos limites pleiteados (efls. 60/73). A questão é que o crédito não se comprovou como líquido e certo, aliás o PER/DCOMP n.º 15801.05562.030506.1.3.044509 foi objeto de análise sendo informada a sua alocação, não restando saldo. A decisão da DRJ bem demonstrou a situação do referido PER/DCOMP, não lhe restando saldo para utilização no PER/DCOMP em litígio neste processo, vejase: Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10640.900631/201118 Acórdão n.º 1002000.541 S1C0T2 Fl. 131 8 O fato é que o contribuinte não demonstra a comprovação do referido crédito vindicado. Os autos apontam que o crédito já foi alocado, pois já havia sido utilizado em outro PER/DCOMP e em débito próprio do contribuinte. Desta forma, o PER/DCOMP objeto da lide não possui saldo disponível, por isso não se homologou a compensação. Temse, ainda, que pontuar que não consta nos autos cópia de decisão administrativa sobre o pedido de REDARF e, além disso, o REDARF foi protocolizado após a data de transmissão do PER/DCOMP, o que retira a liquidez e certeza do crédito vindicado. Noutro prisma, o contribuinte não se desincumbiu do seu ônus probatório de provar a existência do direito creditório, não infirma o argumento da alocação do crédito, isto é, não desconstitui a afirmativa de que o crédito já foi utilizado. O que se observa de concreto é a plena ausência de certeza e liquidez. Não há provas, sequer verossimilhança, quanto a alegação da recorrente. Em realidade, o sujeito passivo não infirma as razões da decisão recorrida. Não comprova qualquer erro in iudicando ou erro in procedendo. Em suma, para a análise que foi efetivada no PER/DCOMP em comento não se comprovou o indicado crédito líquido e certo, incontroverso. A despeito dos argumentos postos no recurso, inexiste provas, mínimas que sejam, a fim de atestar, ao menos, verossimilhança das alegações. No que se refere aos argumentos da primeira instância, o contribuinte não os refuta adequadamente, inexiste base probatória nas razões recursais, de modo que, não havendo verossimilhança nas alegações, entendo por não dar razão ao sujeito passivo. Logo, a questão é que no recurso voluntário o contribuinte não logra êxito de comprovar, de modo incontroverso, a existência do seu direito a crédito, especialmente sob a ótica da natureza do crédito vindicado, qual seja, pagamento indevido ou a maior. Da forma como foi vindicado o direito creditório apresentase controverso, inexistindo certeza e liquidez, este é o fato comprovado. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10640.900631/201118 Acórdão n.º 1002000.541 S1C0T2 Fl. 132 9 Ressaltese, neste aspecto, que a demonstração e, consequente, comprovação inconteste do eventual direito creditório integra o ônus de prova atribuído ao contribuinte, notadamente quando se discute crédito objeto de pedido de compensação. Em suma, não há como comprovar, de modo líquido e certo, a certeza de eventual crédito. A prova dos autos aponta a já utilização do crédito, tendo sido demonstrada a sua alocação, que não é refutado pelo recorrente a contento. Nesse sentido entendo por bem trazer aos autos o resumo da conclusão do seguinte precedente que entendo reforçar o presente fundamento: Acórdão n.º 3001000.312 – Recurso Voluntário Sessão: 11/04/2018 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. É dever primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Não há, portanto, motivos que justifiquem uma eventual reforma da decisão proferida pela DRJ, principalmente por ser atribuição deste Colegiado o controle da legalidade. Logo, verificandose correção no julgamento a quo, bem como observando que a Administração Tributária não agiu em desconformidade com a lei, nada há que se reparar no procedimento adotado na análise do pedido transmitido pelo contribuinte. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer reparos. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe negar provimento para manter íntegra a decisão recorrida. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10640.900631/201118 Acórdão n.º 1002000.541 S1C0T2 Fl. 133 10 É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 133DF CARF MF
score : 1.0
