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Numero do processo: 10882.902911/2008-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001
Ementa:
NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. PROVAS.
Não cabe à Administração empreender esforços probatórios devidos pelo Contribuinte, uma vez que, de seu dever exercitá-los por se tratar de recuperação de créditos por ele pleiteados não presentes nos autos provas de internação na Zona Franca de Manaus. O não acatamento da indevida pretensão não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.503
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Joel Miyazaki e Otacílio Dantas Cartaxo votaram pelas conclusões. O Conselheiro Henrique Pinheiro Torres apresentará declaração de voto.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2001 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. PROVAS. Não cabe à Administração empreender esforços probatórios devidos pelo Contribuinte, uma vez que, de seu dever exercitálos por se tratar de recuperação de créditos por ele pleiteados não presentes nos autos provas de internação na Zona Franca de Manaus. O não acatamento da indevida pretensão não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Joel Miyazaki e Otacílio Dantas Cartaxo votaram pelas conclusões. O Conselheiro Henrique Pinheiro Torres apresentará declaração de voto. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 29 11 /2 00 8- 12 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902911/200812 Acórdão n.º 9303002.503 CSRFT3 Fl. 158 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório A ora Recorrente, irresignada com a decisão proferida pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, com ementa dotada dos seguintes termos, NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do decretolei nº 288/67. (grifado) interpõe Recurso Especial, com exame de admissibilidade favorável nº 3400 00.143, sob os argumentos de que tal decisão não pode ser mantida em razão da existência de julgados contrários ao entendimento articulado, no sentido de ser possível a utilização de crédito de PIS e COFINS após o anocalendário de 2000 e, inclusive, que determinam à DRF de origem realizar diligências para comprovar a veracidade do crédito. Reverbera também a impertinência do prejuízo decorrente do fato de despacho eletrônico que não cuidou de averiguar a existência ou não de crédito nas operações com empresas da ZFM/ALC mesmo tendo ela apresentado documentação contábil idônea com informes do conteúdo de notas fiscais comprovadoras da operação de comercialização de produtos. Indica como relevante que o “procedimento de PER/DCOMP não é suficiente para demonstrar o crédito tributário, e, justamente para isso, é que se aguarda a instauração de processo administrativo tributário.” Continua elencando os seguintes aspectos: “incabível a restrição do crédito com base na Medida Provisória nº 2.15835/2001, tendo em vista que todas as remessas a empresas localizadas na Zona Franca de Manaus são equiparadas a exportação, sendo patente a isenção da operação tributário quanto as contribuição de PIS e COFINS; Fl. 158DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902911/200812 Acórdão n.º 9303002.503 CSRFT3 Fl. 159 3 o entendimento do Douto Relator, e acolhido por sua maioria na Douta 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, não pode ser ratificado por não ter respaldo com o ordenamento jurídico e com o que vem sendo decidido por este Egrégio Conselho. Ou seja, não é imbróglio da Recorrente a alegação de ter direito a compensar o crédito de PIS e COFINS, pois as compradoras de seus produtos se localizavam na ZFM, logo é pertinente a aplicação da isenção da não – incidência desta contribuição, em razão da equiparação destas remessas à exportação; após julho de 2004, a legislação expressamente prevê alíquota zero para estas contribuições nas vendas de mercadorias realizadas com pessoas jurídicas situadas na Zona Franca de Manaus por equiparação à exportação; há precariedade no v. acórdão, em razão de não ter respeitado o princípio da busca pela verdade material, tanto é verdade, que aproveita a oportunidade para trazer à baila julgado paradigma que determina a necessidade da DRF fazer diligência para aferir o direito creditório; importante se faz reparar o artigo 1º do Decreto nº 2.346/97, o qual prevê que os atos da Administração Pública devem se pautar pelas orientações dos Tribunais Superiores, o que foi desconsiderado pela DRJ/CPS.” Registra excertos do acórdão recorrido: “Analisadas pela DRJ Campinas, as manifestações não foram acolhidas, ainda que tenha sido reconhecido que a empresa àquela altura já retificara a DCTF, pondoas em conformidade com as compensações pretendidas. Para não reconhecer o direito creditório, a DRJ ratificou o entendimento administrativo, do Parecer nº 1.789/2002, de que até o período de apuração dezembro de 20000 não há qualquer ato que conceda isenção a tais vendas ou qualquer outra forma de desoneração. No entender da administração, apenas no período compreendido entre 22 de dezembro de 20000 e 25 de julho de 2004 há isenção quando as vendas para a ZFM se enquadrem, ademais, nas disposições dos incisos IV, VI, VIII ou IX da Medida Provisória 2.037 e suas reedições. A partir de 26 de julho de 2004, passou a haver desoneração, sob a forma de redução a zero das alíquotas, para toda e qualquer venda realizada para aquela região, mesmo que não enquadrada nas disposições acima. Destarte, continua o Relator, para os recolhimentos relativos a fatos geradores ocorridos até 21 de dezembro de 200000 afirmou não haver o direito alegado. Para os recolhimentos relativos ao período compreendido entre 22 de dezembro de 20000 e 26 de julho de 2004 afirmou que caberia à empresa provar que as vendas se enquadram nas disposições acima o que, sozinha, a planilha juntada não consegue fazer. Para recolhimentos posteriores a julho de 2004 afirmou não ter a Fl. 159DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902911/200812 Acórdão n.º 9303002.503 CSRFT3 Fl. 160 4 empresa juntado qualquer elemento comprobatório de sue direito, como lhe competia, nem mesmo a mencionada planilha.” Destaca a impropriedade do comportamento da DRJ, uma vez que, pelo princípio da prudência, não determinou diligências para averiguar a ocorrência de remessas aos estabelecimentos localizados na ZFM, e que apesar de confirmar a existência de crédito, o mesmo não restou comprovado pela ora Recorrente, tudo sob o pálio de não considerar pertinente a substituição do contribuinte no que tange a uma instrução probatória. O acórdão recorrido registra que existem casos em que a Administração possa suprir a ausência de um dado documento cuja apresentação deveria ter sido promovida pela parte desde que o documento em questão esteja na posse da administração e seja difícil ou impossível apresentação tempestiva pela parte, como por exemplo, nos casos de DARF´s e declarações entregues. Alega que muito embora tais argumentos sejam dignos de consideração, não há como concordar com eles, uma vez que, em nenhum momento, a ora Recorrente foi intimada a apresentar documentos que a Fiscalização entenderia pertinentes para comprovar os créditos declarados nas DCOMP´s. Transcreve excerto do acórdão referente ao Recurso Voluntário nº 145.668, verbis: “Em face do exposto, voto pelo provimento parcial do presente recurso voluntário reconhecendo à recorrente o direito de repetir/compensar os indébitos decorrentes das contribuições para o PIS e COFINS apuradas e pagas sobre receitas de vendas de mercadorias efetuadas para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, no período de 22.12.2000 a 31.12.2003, que comprovadamente foram internalizada naquela zona franca, cabendo a DRF de origem exigir a documentação necessária à comprovação das internações bem como a apuração dos valores a serem repetidos/compensados.” Diz que essa decisão demonstra a divergência analítica, fazendo com que este Conselho conviva com opiniões diferentes. Por essas razões, argumenta que o acórdão recorrido deve ser reformado para que o processo baixe em diligência, a fim de que seja intimada a Recorrente para apresentação de toda a documentação para o fim de homologação do crédito pleiteado, até mesmo porque nunca existiu oportunidade para exibição de documentos, uma vez que o crédito tributário foi indeferido por meio de despacho decisório eletrônico. Transcreve vários trechos de acórdãos deste Conselho que contemplam abordagens sobre os princípios da verdade material e da oficialidade. Afirma novamente que o objetivo deste Recurso é a reforma do acórdão recorrido para que sejam homologados todos os pedidos de compensação realizados com créditos de 2000 a 2005. Ainda transcreve parte do acórdão recorrido para provar a existência de entendimento diferente em outra Turma e Câmara da 3ª Seção, verbis: Fl. 160DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902911/200812 Acórdão n.º 9303002.503 CSRFT3 Fl. 161 5 “Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava se referindo, genericamente, às venda à AFM, ou, mais claramente, está ela a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na AFM não se equipara “a exportação de mercadorias para o exterior” de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior, está simplesmente delimitadolhe o alcance como compete aos parágrafos. Tal reconhecimento deve ficar claro, não implica que após deixar o parágrafo (a partir de 22 de dezembro de 2000) tenha passado a existir a isenção pretendida. Para que isenção haja, já o disse, é preciso que ato legal a explicite, visto que só o decretolei 288 não basta. Mas tampouco há isenção apena porque a compradora lá esteja. Nos recursos ora em exame que abrangem aquele período, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante nos acórdãos que o analisam de que “haveria direito” no período de 22 de dezembro de 20000 a 25 de julho de 2004, mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há direito na forma requerida.” Destaca que a equiparação à exportação dos atos de comércio praticados com a Zona Franca de Manaus impede a existência do acórdão recorrido. Rechaça a alegação de imbróglio feita no Recurso Voluntário, uma vez que o mesmo registrou a existência de direito creditório no período após 2000. Transcreve ainda excertos do acórdão paradigma nº 330100.311, confirmando a tese da ora Recorrente, verbis: “ As receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços e/ou de serviços para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus para consumo e/ou industrialização, realizadas até a data de 21.12.2000 estavam sujeitas à Cofins, tornandose isenta dessa contribuição somente a partir de 22.12.2000. REPETIÇÃO. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO As contribuições para o PIS e COFINS apuradas e pagas sobre as receitas de vendas de mercadorias e serviços para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, referente ao período de 22.12.2000 a 31.12.2001, constituem indébitos tributários passíveis de restituição e/ou compensação, cabendo à autoridade administrativa competente homologar a compensação dos débitos fiscais declarados até o limite do montante do crédito financeiro apurado.” Alega que essa decisão fornece suporte para justificar a procedências de suas razões uma vez que a partir de 22.12.2000 foram consideradas isentas as remessas para estabelecimentos localizados na ZFM, referentemente as contribuições para o PIS e COFINS. Tece considerações sobre o posicionamento hierárquico da Lei nº 5.172/66 (CTN) como lei complementar e acrescenta que qualquer alteração em seu conteúdo somente será plausível se acontecer por via de norma situada no mesmo nível do CTN, como é o caso do Ato Complementar nº 35/67 – publicado na mesma data do DecretoLei nº 288/67 – cujo § 2º, inciso II, do art. 7º assim preleciona: Fl. 161DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902911/200812 Acórdão n.º 9303002.503 CSRFT3 Fl. 162 6 “§ 2º Para os efeitos de aplicação do disposto neste artigo, além da mercadoria objeto de operação de exportação, considerase destinada ao exterior a remetida: II – aos armazéns gerais alfandegados, entrepostos aduaneiros e zonas francas; Assim, argumenta que nenhuma lei ordinária ou ato administrativo do Poder Executivo poderá alterar uma lei complementar. Considera que o conteúdo do art. 7º do Ato Complementar nº 35/67 destina se às exportações porque, confirmando a imunidade nas exportações para o antigo ICM, conforme já previa o § 5º, do art. 24, da Constituição de 1967, estende a mesma imunidade nas exportações para o IPI e insere no mundo jurídico uma nova situação quando concede tratamento fiscal igualitário a exportação para as remessas de mercadorias para as zonas francas. Transcreve excerto do voto do Ministro Sepúlveda Pertence em Medida Cautelar concedida na ADin nº 3101 (DJ 16.04.1993), verbis: “A plausibilidade da arguição suscitada faz relevante a questão constitucional proposta. Certo, ao esforço de demonstração da invalidade nas normas questionadas, fezse necessário seu cotejo com preceitos subconstitucionais: em particular, o artigo 4º do DecretoLei nº 288/67 (...), e o artigo 49 do mesmo diploma (...); o art. 5º da Lei Complementar nº 4/69, que manteve em vigor, dandolhe hierarquia complementar, o referido artigo 4º, do DL 288/67”. Conclui enfatizando que todas as vendas para empresas situadas n Zona Franca de Manaus caracterizam exportações para fins fiscais e devem ter o mesmo tratamento tributário na conformidade do entendimento dos Tribunais Superiores, e registra – entre outras – algumas considerações finais: “È dever da Administração Pública perquirir, aferir, buscar a verdade material, ou seja, deve a Fiscalização exigir a documentação necessária à comprovação das internações bem como a apuração dos valores a serem repetidos/compensados. Deste modo, a Recorrente acredita que este entendimento é o mais adequado ao caso em comento do que o exposto no v. acórdão vergastado, isto porque, a Recorrente não pode ter o seu direito tolhido, tão somente, porque em nenhum momento foi intimada a apresentar documentação. (...) As planilhas juntadas são documentos idôneos até prova em contrário, desta feita, é necessário que esta Colenda Câmara reforme o v. acórdão guerreado, a fim de que seja concedido à Recorrente utilizarse de seu crédito para compensálo com os débitos pretendidos;” Por fim articula os pedidos: “ a) seja reconhecido integralmente o crédito tributário, pois a partir de 22.12.2000 ficou expressamente determinado que não Fl. 162DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902911/200812 Acórdão n.º 9303002.503 CSRFT3 Fl. 163 7 incidiria PIS e COFINS, pois tais receitas não devem ter incidência de tais contribuições pois as remessas a ZFM são equiparadas a exportação; (...) d) com supedêneo no v. acórdão paradigmático, seja determinada diligências no processo administrativo para que a fiscalização efetivamente investigue a existência do crédito tributário, por meio da documentação juntada aos autos e por meio de outros documentos fiscais e contábeis necessários para formar a sua convicção.” Contrarrazões articuladas pela Fazenda Nacional inicia por dizer que a pretensão da Contribuinte para que a fiscalização produza as provas que a ela caberia realizar é improcedente, em razão do que preleciona o art. 333 do CPC que incumbe o ônus da prova ao autor. Afirma que esse dispositivo aplicado ao contexto da compensação tributária confirma a atribuição do contribuinte quanto à produção de prova da certeza e liquidez do crédito que alega ter perante o Fisco, cabendo a este último, uma vez provado o crédito se não homologálo, provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo daquele. Continua alegando que no campo da compensação deve o contribuinte provar a existência de crédito líquido e certo declarado e que, quando não se desincumbe da efetivação dessa prova, fica impedido por direito de exigir que a autoridade fiscal demonstre qualquer elemento contrário à pretensão. Oferece lição da jurista Fabiana Del Padre Tomé, sobre o ônus da prova no processo administrativo fiscal, verbis: “O direito à produção probatória decorre da liberdade que tem a parte de argumentar e demonstrar a veracidade de suas alegações, objetivando convencer o julgador. Visto por outro ângulo, o direito à prova implica a existência de ônus segundo o qual determinado sujeito do processo tem a incumbência de comprovar os fatos por ele alegados, sob pena de não o fazendo, ver frustrada a pretendida aplicação do direito material. Desse modo, a prova dos fatos constitutivos cabe a quem pretenda o nascimento da relação jurídica, enquanto a dos extintivos, impeditivos ou modificativos compete a quem os alega.” Insiste declarando que qualquer exceção à regra geral deve constar em texto de lei, como, por exemplo, presente no Direito do Consumidor, não cabendo à autoridade julgadora promovêla com base em juízo de equidade. Oferece destaque ao fato de somente com o oferecimento de manifestação de inconformidade, instauradora do litígio, é que a Administração terá oportunidade de conhecer os motivos do contribuinte, examinálos e homologar ou não a compensação comunicada e, se nela não se encontrarem presentes as provas que caberia apresentar, sem dúvidas, não será possível reconhecer qualquer nulidade de decisão desconhecendo o direito creditório pretendido. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902911/200812 Acórdão n.º 9303002.503 CSRFT3 Fl. 164 8 Discorre sobre a legislação que cuida do PIS e da COFINS relativamente à exportação para o exterior para defender a inexistência da isenção pretendida pela ora Recorrente e menciona o art. 2º da Lei nº 10.996/2004, que reduziu a 0 (zero) as alíquotas das Contribuição ao PIS/COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora desse ambiente, para argumentar que se antes existisse isenção, não haveria necessidade de novo instrumento normativo para instituíla. Alega também que as principais normas isencionais existentes são as do art. 150 da Constituição e dos arts. 111, 176 e 177 do CTN, que se fundamentam no princípio de ser a isenção uma exceção feita expressamente à regra jurídica de tributação, tornando, por essa razão, interpretação muito restritiva e, portanto, somente diante de hipóteses clara e explicitamente consagradas pelo legislador é que o favor tributário da isenção se materializa. Para tanto, transcreve diversos precedentes judiciais sobre a exigência de interpretação literal e restritiva da norma isencional. Discorre ainda sobre a ausência de norma isentiva para o tema ora em discussão e rebate a pretensão do que denominou de isenção indireta, porque não prevista em lei e, portanto, não se coadunando com as características do instituto tributário, tal como fixadas pela ordem jurídica em vigor. Chama a baila o fato de que as contribuições para a seguridade social não podem ser, in casu, isencionadas, sob pena de afronta ao art. 195 da CF/88 que determina ser ela financiada por toda a sociedade e transcreve excerto do Informativo STF nº 155. Rebate a possibilidade de aplicação do DecretoLei nº 288/67 ao presente caso, uma vez que o seu artigo 4º é claro ao afirmar que os efeitos fiscais à vista dos quais estabelece a equiparação das vendas à ZFM à exportação para o estrangeiro, são, exclusivamente, aqueles vigentes à época da edição dessa norma. Por conseguinte, continua, como na data do DecretoLei não existia isenção da COFINS e do PIS porque não insculpidos no mundo jurídico, não é plausível pretender a extensão da isenção a essas Contribuições Sociais, tudo também em homenagem a interpretação restritiva das regras sobre isenção, como já mencionado. Alega também que o art. 177 do CTN veda o alcance da isenção a tributos instituídos posteriormente a concessão, salvo disposição de lei em contrário. Transcreve lição da professora Mizabel Derzi, “O CTN não diz expressamente, nem ALIOMAR BALEEIRO ressalta, mas parece evidente que o art. 177 é inteiramente aplicável, com as restrições nele registradas, às isenções incondicionais, concedidas por prazo indeterminado. Essas são inteiramente revogáveis exatamente porque concedidas como favorecimento ou renúncia.” Diz ainda inexistir dúvidas de que o benefício não pode ser estendido às remessas de produtos à ZFM, pelo simples fato de não haver sido contemplado no objetivo da norma e assim, caso se faça a interpretação em sentido contrário estaria este Conselho criando norma isentiva sem supedâneo legal. Conclui pelo afastamento da hipótese de isenção das Contribuições para o PIS e COFINS e, em razão disto, pela manutenção do acórdão recorrido. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902911/200812 Acórdão n.º 9303002.503 CSRFT3 Fl. 165 9 É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Relator O Recurso preenche condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. As vertentes do presente litígio a serem examinadas dizem respeito a existência ou não de comprovação pela ora Recorrente dos atos negociais levados a efeito com a Zona Franca de Manaus e se tais atos, quanto ao PIS e a COFINS, estariam contidos na abrangência de isenção. Quanto a primeira vertente, ao compulsar os autos constato, no texto da Manifestação de Inconformidade, que a ora Recorrente apresentou à Secretaria da Receita Federal do Brasil Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), não homologado por inexistência de crédito tributário. O Despacho Decisório Eletrônico de não homologação tem o seguinte conteúdo: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” No Recurso Voluntário a ora Recorrente informa que anexou à Manifestação de Inconformidade já mencionada, relação das notas fiscais que compõem o crédito tributário e alega também que se tivesse sido intimada para apresentar outros documentos certamente a glosa da compensação não teria ocorrido. De todos sabido, inicialmente, que a obrigação de provar cabe ao Fisco quando materializa lançamento tributário identificando o fato gerador e o montante do tributo devido. Do mesmo modo, cabe – exclusivamente – ao Contribuinte quando na busca de ser ressarcido por tributo pago indevidamente ou em montante maior do que o devido, ofertar as provas necessárias e suficientes à liquidez e certeza de seus créditos. De primevo, a mim parece que uma simples relação contendo as operações com a ZFM representadas por números de notas fiscais, com CNPJ´s e Inscrição Estadual e ainda o crédito apurado, não substitui a prova da internalização dos produtos, nem as cópias de balancetes, livros diário e razão, onde as receitas de vendas estratificariam, sem dúvidas, a confirmação das operações efetivadas. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902911/200812 Acórdão n.º 9303002.503 CSRFT3 Fl. 166 10 O julgamento administrativo deve ter como norte o Princípio da Verdade Material. É certo, com isto não se está querendo dizer que o processo administrativo claudicará quando o dever de provar cabível ao Contribuinte não for exercitado. De todos sabido que as declarações de compensação não comportam espaço para as provas do Contribuinte relativamente a seus créditos, somente é possível o conhecimento pelo Fisco relativamente ao fato de existir ou não, débitos. A partir daí, do levantamento da conta corrente do Contribuinte, a administração pode examinar o conteúdo do direito pleiteado seguindo as normas de regência. In casu, não havia registro de créditos disponíveis no ambiente da Administração. Por outro lado, espaço suficiente houve nos autos para produção de informações elucidativas quanto à internação dos produtos na ZFM pela ora Recorrente, principalmente a partir da oferta feita por ela da Manifestação de Inconformidade provocada pela não homologação de seus créditos. Não localizei ferimento aos princípios do contraditório e da ampla defesa neste processo, até mesmo porque inocorreu restrição à produção de provas. Mesmo que o instituto da preclusão quanto à juntada de documentos tenha que ser respeitado quando o sujeito passivo não protestar na impugnação ou manifestação de inconformidade, pela juntada posterior e nem apresentar justificativa legal para tanto, exceção poderá ocorrer na presença de força maior ou argumentos supervenientes, aspectos esses não produzidos nos autos. Indo agora para a vertente segunda de que as vendas para a ZFM se equiparam à exportação para o estrangeiro, para mim indiscutível que as receitas decorrentes de exportação não têm incidência das contribuições sociais de intervenção no domínio econômico de que trata o art. 149 da CF/88, uma vez que, observandose as regras estatuídas pelo art. 7º da LC 70/91 e pelo art. 5º da Lei nº 10.637, concluise que as vendas à Zona Franca de Manaus são equiparadas às exportações, conforme pacificação jurisprudencial do E. STJ a exemplo do Ag 1.295.452/DF, REsp. 817.847 SC, REsp.653.975/RS, entre outras. Portanto, não vislumbro procedência em se considerar as operações de vendas exclusivamente vinculadas ao que prelecionam os incisos IV, VI, VIII ou IX da MP 2037, constatando se a atividade da empresa compradora tem inscrição no Registro Especial Brasileiro para embarcações; seja comercial exportadora inscrita na SECEX; seja trading company ou ship´s Chandler, ao contrário, inclinome aos que entendem que toda e qualquer empresa que efetue vendas para a ZFM estará efetuando exportação. De outra banda, filiome ao entendimento do Ministro Teori Albino Zavascki quando do REsp. 1084.380/RS, em 29.03.09, pontuou: “Nos termos do art. 40 do ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT, da Constituição de 1988, a Zona Franca de Manaus ficou mantida “com suas características de área de livre comercio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, por 25 ano, a partir da promulgação da Constituição”. Ora, entre as “características” que tipificam a ZAFM destacase esta de que trata o art. 4º do Decreto Lei 288/67, segundo o qual Fl. 166DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902911/200812 Acórdão n.º 9303002.503 CSRFT3 Fl. 167 11 “a exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na ZFM, ou reexportação pra o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro”. Portanto, durante o período previsto no art. 40 do ADCT e enquanto não alterado ou revogado o art. 4º so SL 288/67, há de se considerar que, conceitualmente, as exportações para a ZFM são, para efeitos fiscais, exportações para o exterior. Logo, a isenção relativa à COFINS e ao PIS é extensiva à mercadoria destinada à ZF. O DL 288/67 é originalmente um decretolei, porém está sendo considerado pelos doutrinadores após a EC 1/69 como tendo eficácia de lei complementar uma vez que cuida de matéria tributária que atinge todos os entes federativos. Foi, portanto, esse dispositivo recepcionado pela Constituição de 1988 e constitucionalizados seus dispositivos, atingindo efeitos até 2013 e tendo seus comandos elastecidos pela EC 42/66 até 2023. Para os que argumentam que somente os tributos existentes na época da edição do DL 288/67 aproveitariam a isenção, vem a Medida Cautelar em ADI 23489, não acatando tal argumento, determinando que novos tributos encontravamse abrangidos pelo artigo 40 do ADCT que foi criado para tornar diferenciado o ambiente jurídico da ZFM e teve seu prazo de vigência alterado pela EC 42 até 2023. Em razão do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto em face de não terem sido processadas as necessárias comprovações relativas ao crédito pretendido pela Recorrente. Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Declaração de Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres A presente declaração de voto fazse necessária em razão de haver concordância no resultado do julgamento, mas divergências inconciliáveis nas razões de decidir. A teor do relatado, duas sãos as questões trazidas a debate: a ausência de lastro probatório mínimo a referendar o pedido de restituição formulado; e, ii) o próprio mérito do pleito, consistente na repetição de PIS/Cofins incidentes sobre as vendas a empresas Fl. 167DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902911/200812 Acórdão n.º 9303002.503 CSRFT3 Fl. 168 12 localizadas na Zona Franca de Manaus, que a recorrente defende estar amparada por isenção fiscal. Inicialmente, deve ser enfrentada a questão referente ao ônus da prova. A recorrente defende em seu especial que o Fisco não envidou todos os esforços no sentido de transparecer a realidade dos fatos, de forma a possibilitar a constatação da ocorrência ou não do direito do crédito pleiteado pela Recorrente. Ainda segundo a defesa, é certo o dever da Fiscalização, da DRJ diligenciar para requerer toda documentação necessária, a fim de buscar a realidade dos fatos e, se o caso, decidir em prol da Recorrente. Esta questão de a quem pertence o ônus da prova é muito bem definida no Código de Processo Civil, mais precisamente no art. 333 que assevera: Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Na realidade, esse artigo nada mais representa do que a positivação do princípio geral de direito, segundo o qual, o ônus da prova recai sobre aquele que alega. Desde Roma já se conhecia esse princípio, verbalizado no brocardo, alegar e não provar é o mesmo que não alegar. A síntese da distribuição do ônus da prova é muito fácil de compreender: todo aquele que demandar alguém tem o dever de provar o direito objeto de sua demanda. No caso de auto de infração, cabe ao Fisco demonstrar as razões de fato e de direito que embasam a acusação fiscal. De outro lado, nos pedidos de repetição de indébito, incumbe ao sujeito passivo a prova do pagamento indevido ou a maior que o devido. Sobre a necessidade de as partes produzirem as provas necessárias à formação da convicção do julgador, preciosas as palavras do Conselheiro Gilson Rosenburg Filho, em julgamento de caso análogo ao aqui em debate. “Um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência. A certeza vai se formando através dos elementos da ocorrência do fato que são colocados pelas partes interessadas na solução da lide. Mas não basta ter certeza, o julgador tem que estar convencido para que sua visão do fato esteja a mais próxima possível da verdade. Como o julgador sempre tem que decidir, ele deve ter bom senso na busca pela verdade, evitando a obsessão que pode prejudicar a justiça célere. Mas a impossibilidade de conhecer a verdade absoluta não significa que ela deixe de ser perseguida como um relevante objetivo da atividade probatória. A verdade encontra se ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902911/200812 Acórdão n.º 9303002.503 CSRFT3 Fl. 169 13 Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar verossimilhança às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador.” Em outro giro, ao contrário do que quer fazer parecer a defesa, o princípio da verdade material não é remédio para todos os males processuais; não serve para inverter o ônus da prova, tampouco dispensa o demandante de provar o direito alegado. Na realidade, a verdade material contrapõese ao formalismo exacerbado, presente no Processo civil, mas, de maneira alguma, priva o procedimento administrativo das necessárias formalidades. Tampouco altera o papel a ser desempenhado pelas partes. Daí se dizer que no Processo Administrativo Fiscal convivem harmonicamente os princípios da verdade material e da formalidade moderada. De sorte que se busque a verdade real, mas preservando as normas processuais que asseguram a segurança, a celeridade, a eficiência e o bom andamento do processo. Releva ainda transcrever excerto do acórdão recorrido, para arrimar este voto. Sem esquecer as devidas homenagens, com a palavra o Nobre Relator, o Conselheiro Júlio César Alves Ramos: “Não considero caber à Administração a instrução probatória em substituição ao contribuinte nem é isso o que esta Casa tem reconhecido, como postula o recurso. Realmente, há decisões que determinam que a Administração supra a ausência de um dado documento cuja apresentação deveria ter sido promovida pela parte. Mas tal entendimento não tem o alcance pretendido na defesa. Limitase ele aos casos em que o próprio documento já esteja de posse da administração e tenha sido difícil ou impossível à parte sua apresentação tempestiva. Isso se dá, por exemplo, com documentos tais como DARF e declarações entregues. Nesses termos, descabível indeferir uma compensação que aponte com clareza o recolhimento indevido (data, código de recolhimento) simplesmente porque a empresa não tenha juntado sua cópia nos autos, o mesmo se passando com a DCTF ou a DIPJ comprovadamente entregues. Aqui, diferentemente, o que se tem é a necessidade, no entender da instância de piso, de apurar se as vendas alegadas se enquadram nas disposições dos incisos IV, VI, VIII ou IX da MP 2037. Tal apuração passa pela constatação da atividade da empresa compradora e dos requisitos postos na legislação: inscrição no REB, ser comercial exportadora inscrita na SECEX, ser trading company ou ser ship’s Chandler. Nenhum deles se encontra expresso em qualquer documento interno em posse da SRF. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902911/200812 Acórdão n.º 9303002.503 CSRFT3 Fl. 170 14 Por fim, quanto ao período em que, sem qualquer condição, não deveria ter sido recolhido PIS nem COFINS sobre tais vendas – a partir de julho de 2004 – a empresa nada juntou nos autos que comprovasse as vendas alegadas. O recurso alega que a DRJ estaria obrigada, ainda assim, a promover as diligências que pudessem permitir a ela, recorrente, apresentar suas provas. Não está. De fato, ausente por completo a prova quando primeiramente se defende a empresa, o máximo que temos admitido é a apresentação da mesma em grau de recurso. Notese que, ao fazêlo, ultrapassase a letra fria do decreto 70.235 que a exige, impreterivelmente no momento da apresentação da “impugnação”. Só o fazemos, pois, em respeito ao princípio da verdade material, quando o elemento probante trazido extemporaneamente tem a força de desconstituir lançamento que houver sido mantido pela sua ausência. Do contrário, estarseia a afrontar o princípio constitucional da legalidade. Novamente não é o que se passa aqui. A empresa não aproveitou a oportunidade de coligir e apresentar a prova faltante. Pelo contrário, limitase a postular que a decisão seria nula porque não determinara a DRJ as diligências que a poderiam provar. Ocorre que as diligências previstas no Decreto 70.235 a isso não se destinam. Deveras, elas objetivam apenas permitir a formação da convicção do julgador quando os elementos presentes nos autos não sejam suficientes. Nesse sentido, houvesse a empresa trazido aos autos alguma “prova”, a exemplo da planilha elaborada para o outro período, que constituísse ao menos indício de que as vendas realmente ocorreram, justificarseia um exame mais detalhado. Como já dito, neste último período nada há. Rejeito, por isso, as alegações de nulidade contra a decisão atacada e passo ao mérito.” Diante de todo o exposto, entendo ser totalmente descabida a pretensão da recorrente no sentido de se baixar os autos ao órgão de origem, com a determinação de que a Fiscalização seja instada a apontar, pormenorizadamente, quais documentos a demandante deveria apresentar para provar o seu direito. A ausência da prova do direito alegado, por si só, autoriza o indeferimento da pretensão da recorrente, e por conseguinte, torna prejudicada a análise do mérito do direito pleiteado. Em relação à isenção da contribuição sobre as remessas para a ZFM, essa matéria sequer poderia ser enfrentada por este colegiado, haja vista que não houve prova de tais remessas. Todavia, como o relator enfrentou a matéria – isenção das contribuições nas vendas para a Zona Franca Manaus – trazendo argumentos com os quais não posso concordar, passo a expor o meu posicionamento sobre o tema. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902911/200812 Acórdão n.º 9303002.503 CSRFT3 Fl. 171 15 Inicialmente verificase que o sujeito passivo defende a isenção sob alegação de que tais vendas equivaleriam, para todos os efeitos, à exportação para exterior; de outro, a Fazenda Nacional entende que tais receitas devem compor a base de cálculo dessas contribuições, como determina a legislação de regência desses tributos. A meu sentir, razão não assiste à recorrente, pois a pretendida isenção, veiculada no DecretoLei nº 288/1967, não poderia alcançar os tributos ora em análise, posto que, norma inserta no CTN, mais precisamente no inciso II do 1art. 177, veda, expressamente, a extensão de isenções a tributos instituídos posteriormente à sua concessão, o que é, absolutamente, o caso dos autos. Demais disso, o caput do art. 176 do CTN exige que a lei concessiva de isenção especifique quais os tributos a que se aplica, e sendo o caso, o prazo de sua duração. Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares. Ora, por razões óbvias, o citado decretolei não poderia fazer referência a essas contribuições, visto que elas ainda não existiam à data da edição desse ato legal. Aliás, à época dos fatos objeto destes autos, não havia qualquer dispositivo legal concedendo isenção ou exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins no tocante às receitas de vendas para adquirentes situados na Zona Franca de Manaus. Desta feita, não há como conceder o benefício pleiteado. Observese, por oportuno que a regra é a incidência dessas contribuições sobre todas as receitas componentes do faturamento das pessoas jurídicas, sendo exceção a não incidência, exclusões de base de cálculo ou isenções. Demais disso, como é de sabença geral, as exceções devem vir expressa na lei, e nenhuma lei, até a data dos fatos, dispôs sobre qualquer isenção ou exclusão dessas receitas da base de cálculo das contribuições em foco. Essas as razões pelas quais nego provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres 1 Art. 177. Salvo disposição de lei em contrário, a isenção não é extensiva: I .................................................................. II aos tributos instituídos posteriormente à sua concessão. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10380.726225/2012-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
PASSIVO FICTÍCIO. PRESUNÇÃO LEGAL.
A manutenção no passivo de obrigações já liquidadas ou cuja exigibilidade o contribuinte não logre comprovar, autoriza o lançamento do IRPJ sobre a receita presumidamente omitida, nos termos do art. 12, § 3º, do DL 1598/77 e do art. 40 da Lei 9.430/96, os quais são a base legal do art. 281, III, do RIR/99.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL, COFINS E PIS.
Numero da decisão: 1302-001.254
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 PASSIVO FICTÍCIO. PRESUNÇÃO LEGAL. A manutenção no passivo de obrigações já liquidadas ou cuja exigibilidade o contribuinte não logre comprovar, autoriza o lançamento do IRPJ sobre a receita presumidamente omitida, nos termos do art. 12, § 3º, do DL 1598/77 e do art. 40 da Lei 9.430/96, os quais são a base legal do art. 281, III, do RIR/99. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL, COFINS E PIS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza. Junior, Tadeu Matosinho Márcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Cristiane Silva Costa e Waldir Veiga Rocha. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/1 2/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Versa o presente processo sobre recurso de voluntário, interposto pelo contribuinte em face do Acórdão nº 0824.051 da 3ª Turma da DRJ/FOR, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 OMISSÃO DE RECEITAS/PASSIVO FICTÍCIO. A manutenção no Passivo de obrigações já pagas e/ou incomprovadas caracteriza a existência de Passivo Fictício e autoriza a presunção de omissão de receitas. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008, 2009 DECISÕES ADMINISTRATIVAS. A teor do art. 100, inciso II, do Código Tributário Nacional, as Decisões Administrativas, mesmo proferidas por Órgãos Colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário e não podem ser estendidas genericamente a outros casos, aplicandose apenas sobre a questão em análise e vinculando as Partes envolvidas naqueles litígios. DECISÕES JUDICIAIS. A teor do art. 472 do Código do Processo Civil (CPC), bem como do art. 100, inciso II, do Código Tributário Nacional, as Decisões Judiciais, mesmo proferidas por Órgãos Colegiados, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário e não podem ser estendidas genericamente a outros casos, aplicandose apenas sobre a questão em análise e vinculando as Partes envolvidas naqueles litígios. CONSTITUCIONALIDADE. ALCANCE DO JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. A função das Delegacias da Receita Federal de Julgamento, como Órgãos de jurisdição administrativa, consiste em examinar a consentaneidade dos procedimentos fiscais com as normas legais vigentes, não lhes sendo facultado pronunciarse a respeito da conformidade da Lei, validamente editada, com os demais preceitos emanados pela Constituição Federal. POSICIONAMENTOS DE ILUSTRES JURISTAS. A Autoridade Administrativa não tem competência para apreciar alegações proferidas por Ilustres Juristas de descabimento de norma legitimamente inserida no Ordenamento Jurídico Nacional, por motivo de essa matéria ser reservada ao Supremo Tribunal Federal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009 TEMPESTIVIDADE. APRECIAÇÃO. Havendo o trintídio legal após a ciência do Lançamento sido completado em dia não útil, tempestiva será a Defesa apresentada no dia imediatamente posterior no qual haja expediente normal da Unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. PERÍCIA/DILIGÊNCIA. Indeferese pleito de perícia/diligência julgadas prescindíveis. ARGUMENTO DE NULIDADE DE AÇÃO FISCAL. Não provada violação das disposições contidas no (artigo) art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), nem nos arts. 10 e 59 do Decreto 70.235/1972, descabe o argumento de nulidade do Lançamento formalizado através de Auto de Infração. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Fl. 356DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/1 2/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.726225/201268 Acórdão n.º 1302001.254 S1C3T2 Fl. 356 3 Anocalendário: 2008, 2009 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL PIS. Aplicase às Exigências Reflexas o que foi decidido quanto à Exigência Matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas, ressalvadas as alterações exoneratórias a que se procedeu de ofício, decorrentes de novos critérios de interpretação ou de legislação superveniente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 16/10/2012 (cf. AR a fls. 325) e interpôs recurso voluntário (doc. a fls. 3625 e segs.) em 16/11/2012 (cf. termo a fls. 3779), no qual alega, em apertada síntese, as seguintes razões de defesa: a) que não adotou artifício contábil na escrituração, mas que houve equívoco contábil; b) que os agentes desconsideraram totalmente os custos de venda e as quebras de estoque; c) que os autos de infração são nulos, por cerceamento do direito de defesa, pois os autuantes não elaboraram um demonstrativo de cálculo de forma a dar o correto conhecimento da imputação feita à recorrente; d) que, se a recorrente possui livros e informações contábeis regularmente escritos e registrados, bem como laudos técnicos indicando as perdas ordinárias de produção, não há razão que justifique a utilização do arbitramento por presunção legal, restando maculada de nulidade a base de cálculo utilizada pela fiscalização; e) que são inconstitucionais as Emendas Constitucionais nºs 27/2000 e 42/2003; f) não existe a obrigação dos contribuintes ao recolheimento de 20% do valor das contribuições sociais. É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por advogado com poderes para tal, conforme procuração a fls. 267, razão pela qual dele conheço. De plano, ressalto que todas os argumentos de defesa fundados em teses de inconstitucionalidade de lei não são conhecidos por este Colegiado, pois, nos termos do art. 26 A do Decreto 70235/72, “No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”. Fl. 357DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/1 2/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Afasto também a alegação de nulidade dos autos de infração, pois eles contém todos os elementos obrigatórios previstos no art. 10 do Decreto 70235/72, logo, é improcedente a alegação de cerceamento do direito de defesa. No mérito, observo que a presunção de omissão de receita quando constatado o passivo fictício encontra amparo no art. 12 do DL 1598/77 e no art. 40 da Lei 9.430/96, os quais são a base legal do art. 281, III, do RIR/99 que está expressamente citado na parte do auto de infração denominada “Enquadramento Legal” (doc. a fls. 5). Além disso, a resposta da recorrente ao Termo de Intimação nº 3, durante o processo de fiscalização, deixa claro que havia manutenção no passivo de obrigações já liquidadas ou inexistentes, se não vejamos o preciso relato feito no Termo de Constatação e Intimação a fls. 126, in verbis: “1. O contribuinte foi regularmente intimado atraves do Termo de Intimação Fiscal Nº 3, transcorrido o prazo fixado apresentou resposta, sem adição de quaisquer documentos, que passaremos a analisar nos tópicos seguintes: 2. Quanto ao item 1 do Termo de Intimação Fiscal ni 3, o contribuinte reconhece que utilizou indevidamente a conta Ajuste de Exercicios Anteriores, porem não comprova a quitação das obrigações baixadas; 3. Quanto ao item 4 o contribuinte afirma não se tratar de obrigações para a com a empresa ANCAR, diz ter utilizado esta conta para operação de baixa de saldos remanescentes de exercicios passados de clientes diversos. Afirma ainda que se trata de obrigações já liquidadas e não baixadas por falta de parâmetro em seu sistema contábil; 4. Em relação aos itens 5 e 6, afirma ser fornecedor exclusivo das empresas MARGLASS MONTESE e MARGLASS BELEM e que é feito um encontro de contas e lançado o saldo nas contas adiantamento a clientes ou a fornecedores, porém não comprova as obrigãções registradas nestas contas: 5. Em relação aos demais itens a empresa não se manifestou; 6. Diante da resposta do contribuinte resta claro o enquadramento no art. 40 da Lei 9.430/96, caracterizando o passivo fictício através da manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada; 7. Diante de tal fato elaboramos o Demonstrativo da Omissão de Receitas, anexado ao presente termo; 8. Fica o contribuinte intimado a discriminar a quais produtos a receita omitida se refere. Para tal, foi fornecida a data e valor da receita omitida além de outros dados constantes do demonstrativo”. Diante de tão robusta prova e da ausência de argumentos de defesa e de contraprovas que pudessem ilidila, resta completamente demonstrada a procedência dos lançamentos ora sub examine. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso volutário. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 358DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/1 2/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10380.726225/201268 Acórdão n.º 1302001.254 S1C3T2 Fl. 357 5 Fl. 359DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/1 2/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10435.720181/2006-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
Normas Procedimentais.
Em obediência a norma veiculada pelo art. 62 do Regimento Interno do CARF, e conforme o seu enunciado sumular n.º 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Cofins Não Cumulativa. Aquisições a Pessoas Físicas. Apuração de Créditos. Impossibilidade.
Salvo as hipóteses expressamente previstas em Lei, dentre as quais não se encontra o produto que é objeto do presente recurso, a aquisição de insumos a pessoa física não ensejará a apuração de créditos da sistemática não cumulativa da Cofins.
Numero da decisão: 3102-001.098
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Paulo Celani, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 Normas Procedimentais. Em obediência a norma veiculada pelo art. 62 do Regimento Interno do CARF, e conforme o seu enunciado sumular n.º 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cofins Não Cumulativa. Aquisições a Pessoas Físicas. Apuração de Créditos. Impossibilidade. Salvo as hipóteses expressamente previstas em Lei, dentre as quais não se encontra o produto que é objeto do presente recurso, a aquisição de insumos a pessoa física não ensejará a apuração de créditos da sistemática não cumulativa da Cofins.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Paulo Celani, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama.
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Em obediência a norma veiculada pelo art. 62 do Regimento Interno do CARF, e conforme o seu enunciado sumular n.º 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cofins Não Cumulativa. Aquisições a Pessoas Físicas. Apuração de Créditos. Impossibilidade. Salvo as hipóteses expressamente previstas em Lei, dentre as quais não se encontra o produto que é objeto do presente recurso, a aquisição de insumos a pessoa física não ensejará a apuração de créditos da sistemática não cumulativa da Cofins. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Paulo Celani, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 72 01 81 /2 00 6- 31 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 7/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10435.720181/200631 Acórdão n.º 3102001.098 S3C1T2 Fl. 183 2 Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte epigrafado contra o Acórdão n.º 25.721, da 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Recife/PE, que entendeu pela manutenção das glosas dos créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins não cumulativa proposta pelo despacho decisório. Antes que nos debrucemos sobre as razões recursais, é conveniente que previamente revisitemos os atos e fases processuais já vencidas, pelo que passamos a reproduzir o relato empreendido pela DRJ por este assim retratálas com fidelidade: 1. Cuida o presente processo de Pedido de Restituição/Compensação, PER/DCOMP nº 12976.25649.280806.1.1.095708 (fls. 01/04), de 28/08/2006, visando o Ressarcimento de crédito da Cofins não – cumulativa Exportação, relativo ao 1º trimestre de 2006, no valor de R$ 193.043,85 (cento e noventa e três mil, quarenta e três reais e oitenta e cinco centavos). 2. O Despacho Decisório nº 517 de 10.10.2007 (fl. 110) do Delegado da Receita Federal do Brasil em Caruaru/PE, com fulcro em Parecer Fiscal (fls. 104/109), decidiu DEFERIR PARCIALMENTE o PER/DCOMP nº 12976.25649.280806.1.1.095708, no valor de R$ 119.190,08 (noventa e dezenove mil, cento e noventa reais e oito centavos). 3. Cientificada de tal decisão, em 26/09/2008 (fl. 115), a contribuinte, por intermédio de seu representante legal, apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 118/124), de 28/10/2008, em que contesta o decisum sob os seguintes argumentos: 3.1. a contribuinte é pessoa jurídica de direito privado, pertencente ao sistema agroindustrial de bovinocultura de corte, tendo por objeto social a industrialização e a comercialização de couros e peles; 3.2. para atingir seus objetivos, adquire o seu principal insumo – couro – diretamente de pessoas físicas, em percentual bem próximo da integralidade das aquisições. Em tal contexto, as Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 trazem a instituição da sistemática do PIS/Cofins não – cumulativos, as quais permitem que a base de cálculo de tais contribuições seja reduzida em virtude dos créditos sobre insumos, custos e despesas incorridos ou pagos à pessoa jurídica domiciliada no país; 3.3. entretanto, o art. 3º, § 3º, inciso I, das referidas leis ao dispor que darão direito de crédito apenas aos bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no país, restou por vedar, expressamente, o creditamento da Cofins e PIS nas aquisições de produtos de pessoas físicas; 3.4. ocorre que dita vedação ao direito de crédito não está em conformidade com a Constituição Federal, que atribui às contribuições PIS/Cofins o princípio da não – cumulatividade, que, na hipótese estabelecida no nível constitucional, não Fl. 186DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 7/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10435.720181/200631 Acórdão n.º 3102001.098 S3C1T2 Fl. 184 3 permite que haja restrições ao direito de abatimento, senão as previstas no texto constitucional; 3.5. tal afirmativa não se trata de mero exercício de argumentação, porquanto a Emenda Constitucional nº 42/2003, quando criou o sistema de não – cumulatividade para as contribuições incidentes sobre faturamento e receita bruta, permite, tão – somente, que a lei infraconstitucional apenas defina os setores para os quais será aplicado tal princípio; 3.6. ou seja, a norma infraconstitucional pode apenas definir quais grupos de contribuintes estão sujeitos à não – cumulatividade, não podendo restringir o direito de crédito decorrente de tal princípio; 3.7. não se pode admitir o provável argumento de que a CF tornou a nãocumulatividade das contribuições PIS/Cofins um instrumento de escopo extrafiscal, bastando proceder a leitura do art. 195, § 12 da CF; 3.8. se o legislador constituinte nada dispôs a respeito de limitações à não –cumulatividade estabelecida para essas contribuições, não pode o legislador infraconstitucional fazêlo sem qualquer autorização para tanto. Ao contribuinte é assegurada a não – cumulatividade plena, vedada qualquer limitação, não podendo a novel legislação beneficiar poucos segmentos econômicos em detrimento de outros, em clara ofensa a inúmeros princípios, em especial o da isonomia tributária; 3.9. reitera que o § 12 do artigo 195, da Constituição Federal não previu hipóteses de restrição de crédito quanto a insumos ou bens adquiridos de pessoas físicas, não podendo as leis nº 10.637/02 e 10.833/03 assim prever, restringindo o alcance da norma constitucional, razão pela qual a vedação de crédito nesta hipótese tornase manifestamente inconstitucional; 3.10. os produtores rurais, pessoas físicas, adquirem diversos insumos para obter o couro, todos sujeitos à incidência de PIS/Cofins, os quais evidentemente oneram os custos dos produtores pessoas físicas, sem poder ser transferido aos adquirentes do couro, logo, não havendo a possibilidade de crédito na espécie, está sendo violado, novamente, o princípio da não – cumulatividade, instituído pela Emenda Constitucional nº 42/03, o qual deve ser observado em todas as etapas do processo produtivo; 3.11. se for eliminada a possibilidade de aproveitamento, estar seia anulando o sistema não – cumulativo, pois o setor agroindustrial de curtume suportaria maior ônus tributário, pela absorção de grande de seus créditos de PIS e Cofins; 3.12. requer a reconsideração do Despacho Decisório e o deferimento da totalidade do pedido de ressarcimento. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 7/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10435.720181/200631 Acórdão n.º 3102001.098 S3C1T2 Fl. 185 4 Ao apreciar o feito, a DRJ de Recife/PE, como já enunciamos outrora, entendeu pela manutenção das glosas iniciais, assim se posicionando em relação aos argumentos do contribuinte: no que se refere as argüições de que as Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 teriam extrapolado suas competências ao vedar, sem que a Constituição Federal assim o fizesse ou outorgasse poderes a tanto, a tomada de créditos sobre as aquisições de pessoas físicas, deixou de se manifestar suscitando limitação regimental à análise quanto a constitucionalidade de leis e atos normativos; que o contribuinte não se enquadraria na hipótese do §5o, do art. 3o, da Lei n.º 10.833/2003, que assegura crédito presumido sobre aquisições de pessoas físicas àquelas empresas produtoras de bens destinados à alimentação humana ou animal. Regularmente intimado, o contribuinte apresentou oportuno recurso voluntário, pelo qual nada inova além dos argumentos já trazidos perante a instância a quo. Em face do encerramento do mandato do conselheiro relator e de que, até a presente data, não foi formalizado o acórdão, me autodesignei para tal tarefa. É o que interessa ao julgamento. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Redator Designado Reproduzo voto lido em sessão e que foi acompanhado pela unanimidade dos presentes, inclusive por este redator designado: Presentes os requisitos formais de admissibilidade recursal, passo ao respectivo exame. Da análise detida da peça recursal do contribuinte fica claro que toda a sua argumentação está no sentido de que a legislação de regência da Cofins não cumulativa, no caso, a Lei n.º 10.833/2003, ao vedar o crédito sobre as aquisições empreendidas às pessoas físicas, teria ido de encontro ao sentido da não cumulatividade da contribuição desenhada no texto constitucional. Enfim, o acatamento da pretensão do recorrente perpassaria necessariamente pelo afastamento da regra do art. 3o, §3o, inciso I, da Lei n.º 10.833/2003 sob o pálio de sêla inconstitucional, o que é vedado ao CARF por limitações regimentais, ex vi do art. 62 do seu Regimento Interno: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. O tema também merece enunciado sumular, assim vazado: Fl. 188DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 7/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10435.720181/200631 Acórdão n.º 3102001.098 S3C1T2 Fl. 186 5 Súmula n.º 2 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Da análise infraconstitucional do tema, não resta dúvidas que outra interpretação não merece ser extraída do art. 3o, §3o, inciso I, da Lei n.º 10.833/2003, senão a de que apenas as aquisições de pessoas jurídicas ensejarão o direito ao crédito. Por consectário, as aquisições de pessoas físicas estariam vedadas. Confirase a redação do dispositivo: Art.3o.(...) § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. Chamese a atenção de que o legislador criou exceções a esta regra geral, quando pelo §5o do mesmo artigo 3o acima citado assegurou crédito presumido sobre as aquisições de pessoas físicas ao produtor de bens de origem animal ou vegetal destinados à alimentação humana ou animal, em clara demonstração de que quando pretendeu a lei pretendeu conferir o crédito na hipótese versada o fez expressamente. Isto posto, nego provimento ao recurso voluntário. Luis Marcelo Guerra de Castro – Redator Designado Fl. 189DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 0 7/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10805.002145/2007-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/2002
RECURSO REVISIONAL/EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NÃO CONHECIMENTO.
Nos exatos termos do art. 60 da Portaria MPS n.° 88/2004, que aprovou o Regimento Interno do CRPS, a admissibilidade do recurso revisional é medida extraordinária e não serve para rediscussão de matéria decidida.
A decisão prolatada não feriu qualquer dispositivo legal, uma vez que o julgador analisou o caso concreto à luz das normas previdenciárias vigentes e o colegiado decidiu corretamente a demanda apresentada.
No mesmo sentido, adequando o revisional à sistemática dos embargos de declaração, mesmo assim, não há como dá razão aos recorrentes. É que não há obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, bem como não foi omitido nenhum ponto sobre o qual o Colegiado deveria se pronunciar.
Embargos Não Conhecidos
Numero da decisão: 2301-003.746
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em não conhecer do pedido de revisão, devido a ausência de fundamentação, nos termos do voto do Relator. Sustentação oral: Rodrigo Arruda Campos: OAB: 157.768/SP.
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Mauro Jose Silva.
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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NÃO CONHECIMENTO. Nos exatos termos do art. 60 da Portaria MPS n.° 88/2004, que aprovou o Regimento Interno do CRPS, a admissibilidade do recurso revisional é medida extraordinária e não serve para rediscussão de matéria decidida. A decisão prolatada não feriu qualquer dispositivo legal, uma vez que o julgador analisou o caso concreto à luz das normas previdenciárias vigentes e o colegiado decidiu corretamente a demanda apresentada. No mesmo sentido, adequando o revisional à sistemática dos embargos de declaração, mesmo assim, não há como dá razão aos recorrentes. É que não há obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, bem como não foi omitido nenhum ponto sobre o qual o Colegiado deveria se pronunciar. Embargos Não Conhecidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em não conhecer do pedido de revisão, devido a ausência de fundamentação, nos termos do voto do Relator. Sustentação oral: Rodrigo Arruda Campos: OAB: 157.768/SP. (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 21 45 /2 00 7- 18 Fl. 2474DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Mauro Jose Silva. Relatório 1. Tratase de pedido de revisão do Acórdão no 855/2005, de 03/05/2005, que anulou a NFLD nº 35.619.0595, com a seguinte ementa (fl. 2374/2379): EMENTA: PREVIDENCIARIO. CUSTEIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. ARBITRAMENTO. Ausência de fundamento Legal. Nulidade. É nulo o lançamento que não apresente todos os dispositivos legais em que se fundamenta. Infringência ao caput do art. 37 da Lei n° 8.212/91 e ao inc. IX do art. 688 da Instrução Normativa INSS/DC n° 100/2003. 2. O crédito previdenciário lançado por intermédio da NFLD se refere ao adicional â contribuição previdenciária relativa ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, destinado ao financiamento das aposentadorias especiais previstas nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213/91, tendo como fato gerador a remuneração paga aos segurados empregados considerados pela fiscalização como expostos a riscos ambientais do trabalho. 3. De acordo com o relatório fiscal (fls. ), o débito foi arbitrado com fulcro no art. 33, § 30, da Lei nº 8.212/91, por não ter sido comprovado, pela empresa, o eficaz gerenciamento do ambiente de trabalho e controle dos riscos ocupacionais existentes e por ter sido constatado, pela auditoria, nas demonstrações ambientais e demais documentos relacionados ao gerenciamento do ambiente de trabalho, inconsistência e/ ou incompatibilidade com as reais condições ambientais. 4. No entanto, conforme alegado pela contribuinte em sua impugnação e reconhecido pelo AFPS analista, não houve a verificação das reais condições ambientais pelo agente notificante, vez que não houve uma vistoria in loco. Assim, não poderia o fiscal afirmar que a documentação da empresa está incompatível com a real condição ambiental. 5. Consta do item 27 da ON (fls. 1756), que a fiscalização do INSS não desconsiderou, invalidou ou anulou documentos relacionados à Segurança do Trabalho, mas apenas constatou que os mesmos não cumprem as exigências formais. Está claro que tais irregularidades constituem infração â legislação, cabendo a aplicação de autodeinfração, o que foi feito com muita propriedade pelo agente fiscal, em consonância com os ditames legais. Contudo, essas irregularidades não implicam necessariamente na ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, objeto do presente lançamento. 6. Anulado o lançamento efetuado, o pedido de revisão foi apresentado pela auditora fiscal, ressaltando que a declaração de nulidade do lançamento trará dano de difícil reparação, "haja vista a possibilidade de o sujeito passivo, sabedor dos pontos falhos de sua Fl. 2475DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10805.002145/200718 Acórdão n.º 2301003.746 S2C3T1 Fl. 2.475 3 documentação, corrigilos com base nas observações feitas pelo fiscal notificante, impedindo um novo lançamento". Ora, tal observação caberia se o presente processo se tratasse de Auto de Infração, o que não é o caso. Como se trata de NFLD, a correção dos pontos falhos da documentação não traria dano ao INSS, pois o que importa é se realmente ocorreu o fato gerador. Ao contrário do que entende a autoridade analista, dano seria chancelar uma situação inexistente, gerando um beneficio previdenciário indevido. 7. Encaminhado o processo à 4ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social, a relatora em despacho entendeu que deveria o julgamento ser convertido em diligência a fim que se procedesse à produção da prova pericial, observando os procedimentos previstos nos art. 11, § 2°, e 12 da Portaria MPAS n° 520\04, respondendo aos quesitos apresentados pelo Contribuinte, e atestando se há ou não o gerenciamento eficaz e adequado do seu ambiente de trabalho e, por conseqüência, se seus empregados estão sujeitos a condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física. 8. A diligência solicitada foi cumprida as fls. , porém o contribuinte não fora intimado da resposta do pleito, ficando prejudicado com esta falha processual. 9. Assim, este colegiado entendeu por bem converter novamente o julgamento em diligência para que o contribuinte tomasse ciência dos laudos apresentado pelo fisco de ff. 2420 e seguintes, garantido assim o seu direito ao contraditório. 10. O Contribuinte foi cientificado por meio do Comunicado SECAT nº. 333/2012 de fl. 2457, com Aviso de Recebimento à fl. 2458. 11. Intimada do resultado da diligência anterior, a contribuinte se manifestou por meio de petição acostada às fls. 2459/2464, na qual assinala que a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) baseou sua conclusão em presunções advindas apenas da análise documental, não tendo verificado, in locu, as condições de trabalho que a empresa propiciava a seus funcionários, o que enfatiza a arbitrariedade incorrida. 12. Regressaram os autos a esta turma para a apreciação do pedido de revisão da fiscalidade. É o relatório. Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes DA ADMISSIBILIDADE 1. Os pedidos de revisão apresentados pelo fisco e contribuinte avocam o art. 60, I, do Regimento Interno do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS para defenderem que o acórdão recorrido violou literal disposição de lei. Eis o teor do dispositivo: Fl. 2476DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 “Art. 60. As Câmaras de Julgamento e Juntas de Recursos do CRPS poderão rever, enquanto não ocorrida a prescrição administrativa, de ofício ou a pedido, suas decisões quando: I violarem literal disposição de lei ou decreto;” 2. Ocorre que a decisão prolatada não feriu qualquer dispositivo legal, uma vez que o julgador analisou o caso concreto à luz das normas previdenciárias vigentes e o colegiado decidiu corretamente a demanda apresentada. 3. Nos exatos termos do art. 60 da Portaria MPS n.° 88/2004, que aprovou o Regimento Interno do CRPS, a admissibilidade do recurso revisional é medida extraordinária e não serve para rediscussão de matéria decidida. 4. No mesmo sentido, adequando o revisional à sistemática dos embargos de declaração, mesmo assim, não há como dá razão aos recorrentes. É que não há obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, bem como não foi omitido nenhum ponto sobre o qual o Colegiado deveria se pronunciar. 5. Tomando por bases essas considerações, tenho por certo que os recursos não merecem prosperar. DA NULIDADE 6. Caso esta turma entenda que o pedido de revisão há de ser admitido, no mérito não merece ser acolhido, visto estar o lançamento maculado por vício material, ante a ausência de em seu relatório fiscal, qual seja a devida motivação. 7. Compulsando a peça fiscal, a NFLD deixou de apresentar os fatos geradores de forma clara e precisa, com a identificação das contribuições devidas, o período a que se referem, os fundamentos legais do débito, o valor apurado, e o sujeito passivo da obrigação. 8. A veiculação de tais informações, na notificação fiscal de débito, é requisito essencial do lançamento, constituindo vicio insanável a ausência de quaisquer dos elementos acima mencionados. Ademais, a discriminação clara e precisa dos fatos geradores da obrigação pressupõe a indicação dos elementos de fato e de direito que, caracterizando sua ocorrência, conferem motivação ao lançamento realizado pela autoridade fiscal, possibilitando, assim, o pleno exercício do direito de defesa e do contraditório por parte do sujeito passivo do crédito constituído. 9. Não obstante isso, os atos praticados no lançamento também servem para que o julgador possa efetuar o controle de legalidade, bem como analisar as questões trazidas aos autos. A omissão de informações e procedimentos para o processo inviabiliza a compreensão exata da imputação fiscal. 10. A motivação correta do lançamento fiscal é exigida do agente público especialmente quando diz respeito à imposição de ônus ao contribuinte. Desse modo, não restam evidenciadas, de forma clara, as razões técnicas e jurídicas que determinaram o lançamento, conforme dispõe o art. 50, II, §1º, da Lei 9.784/99 e o art. 38 do Decreto 7.574/2011: “Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: Fl. 2477DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 10805.002145/200718 Acórdão n.º 2301003.746 S2C3T1 Fl. 2.476 5 II imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções; § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato.” 11. Por fim, cumpre ressaltar que sem a devida fundamentação e motivação, em consonância com o que determina a legislação que rege o processo administrativo fiscal notadamente o art. 50 da Lei n.º 9.784/99 e o art. 38 do Decreto 7.574/2011, mantenho a decisão que declarou nulo o lançamento fiscal. CONCLUSÃO 12. Pelo exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso da Fazenda Nacional, devido à ausência de fundamentação. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 2478DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 07/01 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 18050.008725/2008-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
AUTO DE INFRAÇÃO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA
A empresa é obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados contribuintes individuais a seu serviço. Artigo 4º, da Lei n.º 10.666, de 08/05/2003.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-002.853
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA A empresa é obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados contribuintes individuais a seu serviço. Artigo 4º, da Lei n.º 10.666, de 08/05/2003. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Bianca Delgado Pinheiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 87 25 /2 00 8- 81 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória lavrado em 31/10/2008 e cientificado ao sujeito passivo em 06/11/2008, por infração ao artigo 4º, da Lei n.º 10.666/2003, já que a autuada deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações dos segurados contribuintes individuais, as contribuições previdenciárias, no período de 01/2004 a 12/2004. O contribuinte impugnou a autuação, solicitando a conexão com os PAF’s 18050.008717/200835 e 18050.008718/200880, por se tratarem da matriz do lançamento, devendo esta autuação ficar sobrestada até o julgamento daqueles. Acosta as impugnações apresentadas nos referidos PAF’s e requer o provimento do recurso para que a autuação seja julgada improcedente, em face dos argumentos expendidos naqueles processos. Acórdão de fls. 71/73, pugnou pela procedência da autuação. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, reiterando o pedido trazido na impugnação e requerendo o provimento do recurso com a conseqüente improcedência da autuação. É o relatório. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 18050.008725/200881 Acórdão n.º 2302002.853 S2C3T2 Fl. 174 3 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, devendo ser conhecido e examinado. A recorrente não discutiu o mérito da autuação de ter deixado de arrecadar, mediante desconto nas remunerações pagas, as contribuições dos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviço, no período de 01/2004 a 12/2004. Tal conduta, infringiu o disposto no artigo 4º, da Lei n.º 10.666, de 08/05/2003, estando correta a autuação: Art. 4º Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 10 (dez) do mês seguinte ao da competência. A multa aplicada está de acordo com o artigo 283, inciso I, alínea “g”, do Regulamento da Previdência Social, reajustada na forma do artigo 373 do citado Regulamento, em conformidade com a Portaria MPS/MF nº 77, de 11/03/2008. As argüições da recorrente limitamse a pedir a conexão com os processos que tratam da obrigação principal de recolher as contribuições previdenciárias patronais devidas sobre a remuneração dos contribuintes individuais, expostas na Lei n.º 8.212/91, artigo 22, inciso III, que foi acrescentado pela Lei n.º 9.876/99, com vigência a partir de 03/2000. Anexa as impugnações oferecidas nos processos da obrigação principal, onde discute que nem todos os valores lançados correspondem a pagamentos efetuados a contribuintes individuais, referindose, alguns, a pagamentos de pessoas jurídicas, livres, portanto da incidência de contribuição. Com efeito, naqueles processos de obrigação principal, esta relatora optou por converter o julgamento em diligência para que o Fisco se manifestasse quanto às alegações e provas trazidas pela recorrente e emitisse parecer conclusivo quanto a existência ou não de alguns pagamentos efetuados a pessoas jurídicas. Ocorre que para o julgamento deste auto de infração pelo descumprimento de obrigação acessória de efetuar o desconto da contribuição previdenciária da remuneração dos contribuintes individuais, é irrelevante aguardar o desfecho daqueles processos, porquanto a recorrente não contestou a infração, apenas dizendo que dentre os pagamentos efetuados há alguns realizados a pessoas jurídicas, de forma que a infração persiste para os contribuintes individuais que não sofreram o desconto da contribuição devida. Assim, como a multa aplicada para a infração cometida é única e não pode ser fracionada, não vai haver alteração no valor referente à mesma, independentemente do Fl. 175DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 número de contribuintes individuais que não sofreram o desconto nas suas remunerações, conforme disposto pelo artigo 659, §4º, da Instrução Normativa n.º 03/2005: §4º Se houver materialização das demais infrações não referidas nos arts. 646 a 648, a multa será fixada por Auto de Infração, independentemente do número de ocorrências. Ainda que restasse apenas uma contribuição que não houvesse sido descontada da remuneração de um contribuinte individual, o valor da multa se manteria íntegro. Pelo exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 176DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 04/12/201 3 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10183.720523/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
PERÍCIAS E DILIGENCIAS. DESNECESSIDADE
Não fere princípio constitucional nem constitui cerceamento ao direito de defesa, quando o contribuinte possui de vários meios para provar a sua condição, sem necessariamente, recorrer a perícias ou diligências.
ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA.
A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente e de reserva legal, tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação.
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO DO CONTRIBUINTE. COMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO.
Compete à autoridade fiscal rever o lançamento realizado pelo contribuinte, revogando de ofício a isenção quando constate a falta de preenchimento dos requisitos para a concessão do favor.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. SISTEMA DE PREÇOS DE TERRA (SIPT). MÉDIA DAS DITR. LEGALIDADE.
A média das DITR corresponde ao valor médio dos VTN informados por todos os declarantes para determinado município, sendo certo que tal média contempla a localização do imóvel, a aptidão agrícola e a dimensão do imóvel, conforme disposto na legislação de regência.
VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. LAUDO DE AVALIAÇÃO.
O arbitramento do valor da terra nua, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o laudo de avaliação do imóvel apresentado pelo contribuinte, para contestar o lançamento, não seja elaborado nos termos da NBR-ABNT 146533.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-002.637
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Atílio Pitarelli, que dava provimento, e Alice Grecchi, que restabelecia a área de preservação permanente na dimensão do laudo. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura.
Nome do relator: ATILIO PITARELLI
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ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 PERÍCIAS E DILIGENCIAS. DESNECESSIDADE Não fere princípio constitucional nem constitui cerceamento ao direito de defesa, quando o contribuinte possui de vários meios para provar a sua condição, sem necessariamente, recorrer a perícias ou diligências. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA. A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente e de reserva legal, tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO DO CONTRIBUINTE. COMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO. Compete à autoridade fiscal rever o lançamento realizado pelo contribuinte, revogando de ofício a isenção quando constate a falta de preenchimento dos requisitos para a concessão do favor. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. SISTEMA DE PREÇOS DE TERRA (SIPT). MÉDIA DAS DITR. LEGALIDADE. A média das DITR corresponde ao valor médio dos VTN informados por todos os declarantes para determinado município, sendo certo que tal média contempla a localização do imóvel, a aptidão agrícola e a dimensão do imóvel, conforme disposto na legislação de regência. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. LAUDO DE AVALIAÇÃO. O arbitramento do valor da terra nua, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o laudo de avaliação do imóvel apresentado pelo contribuinte, para contestar o lançamento, não seja elaborado nos termos da NBR-ABNT 146533. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2003 PERÍCIAS E DILIGENCIAS. DESNECESSIDADE Não fere princípio constitucional nem constitui cerceamento ao direito de defesa, quando o contribuinte possui de vários meios para provar a sua condição, sem necessariamente, recorrer a perícias ou diligências. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA. A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente e de reserva legal, tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO DO CONTRIBUINTE. COMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO. Compete à autoridade fiscal rever o lançamento realizado pelo contribuinte, revogando de ofício a isenção quando constate a falta de preenchimento dos requisitos para a concessão do favor. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. SISTEMA DE PREÇOS DE TERRA (SIPT). MÉDIA DAS DITR. LEGALIDADE. A média das DITR corresponde ao valor médio dos VTN informados por todos os declarantes para determinado município, sendo certo que tal média contempla a localização do imóvel, a aptidão agrícola e a dimensão do imóvel, conforme disposto na legislação de regência. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 15/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.720523/200711 Acórdão n.º 2102002.637 S2C1T2 Fl. 274 2 VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO. LAUDO DE AVALIAÇÃO. O arbitramento do valor da terra nua, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve prevalecer sempre que o laudo de avaliação do imóvel apresentado pelo contribuinte, para contestar o lançamento, não seja elaborado nos termos da NBRABNT 146533. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Atílio Pitarelli, que dava provimento, e Alice Grecchi, que restabelecia a área de preservação permanente na dimensão do laudo. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Núbia Matos Moura. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Assinado digitalmente NÚBIA MATOS MOURA – Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, José Raimundo Tosta Santos , Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 15/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.720523/200711 Acórdão n.º 2102002.637 S2C1T2 Fl. 275 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário face decisão da 1a Turma da DRJ/CGE, de 11 de dezembro de 2009 (fls. 237/250), que por unanimidade de votos afastou as preliminares argüidas e negou provimento à impugnação apresentada tempestivamente pelo Recorrente, proprietário de uma área declarada de 9.392,5 hectares, situada no município de Alto Araguaia MT, conforme Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido de fl. 06, mantendo assim a exigência fiscal objeto do auto de infração lavrado em 25/06/2007 (fl. 08), no valor total de R$ 1.048.502,57, sendo R$ 441.307,54 de imposto suplementar, R$ 278.214,38 de juros de mora e R$ 330.980,65 de multa de ofício. Da descrição dos fatos que originaram o lançamento minuciosamente apresentados às fls. 03/04, depreendese que o mesmo decorre da glosa da declaração como Área de Preservação Permanente de 460 hectares, pela falta de comprovação da solicitação de emissão do ADA; Área de Utilização Limitada de 7.146,0 hectares, pela falta de averbação junto à matrícula do imóvel da reserva legal, assim como da apresentação do ADA e arbitramento do Valor da Terra Nua pela falta de apresentação de Laudo Técnico, arbitrando com base na média das DITRs dos contribuintes do mesmo município, sendo que o Recorrente declarou por R$ 85,17 o hectare, quando a fiscalização utilizou o valor de R$ 235,29 para a mesma medida. Notificado do lançamento o Recorrente apresentou impugnação constante das fls. 168/189, assim relatada na decisão de primeira instancia (fls. 238/239): • A reserva legal, como limitação administrativa, tem a finalidade de atender ao principio da função social da propriedade e não há necessidade de sua averbação junto ao Registro Imobiliário, por ser imposição legal, geral, unilateral e gratuita, e sua publicidade é conferida por lei; • As Áreas de interesse ambiental de preservação permanente e reserva legal e as ocupadas por benfeitorias não podem ser incluídas na base de calculo do ITR; • A Lei dispensa a prévia comprovação, por parte do declarante, das Áreas declaradas como isentas, conforme §7 0 do art. 10 da Lei n.° 9.393/1996, acrescido pela Medida Provisória n.° 2.166 67, de 2001, imputando ao fisco a obrigação de comprovar a falsidade dos dados contidos na declaração; assim, é ilegal a exigência de declaração do órgão competente como requisito da exclusão dessas Áreas da base de cálculo do ITR; as Instruções Normativas SRF n.° 60/2001 e 256/2002, ao exigir a apresentação do ADA ao Ibama como requisito para isenção do ITR, extrapolam os limites do §7° do art. 10 da Lei n.° 9.393/1996; • Transcreveu jurisprudência judicial e administrativa para amparar seu entendimento; • Pela atual legislação, para serem isentas de ITR, basta o fato de as Áreas estarem cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, conforme letra "e" do art. 10, inciso II, da Lei n.° 9.393/1996, incluído pela lei n.° 11.428, de 2006; e essa legislação retroage Fl. 307DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 15/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.720523/200711 Acórdão n.º 2102002.637 S2C1T2 Fl. 276 4 ã tributação em pauta, por não estar concluído o procedimento administrativo de lançamento tributário, como autorizado pelos artigos 105, 106 e 116 do Código Tributário Nacional; • É detentor apenas do domínio do imóvel, mas não está na posse; e, por não estar na posse do imóvel, encontrase impossibilitado de cumprir com diversos itens e exigências técnicas constantes da intimação mencionada, tais como: identificação/medição do imóvel, ADA e Laudo de Avaliação do Imóvel; • Constam dos anexos do Laudo Técnico extrato/cópia de Kb es judiciais que tem o imóvel por objeto, entre elas, de usucapião e desapropriação, que comprovam que a requerente está alijada da posse do imóvel; • No ano de 2004 protocolizou projeto junto A SEMA, visando obtenção da LAU, que se encontra suspensa em razão de várias sobreposições verificadas pelo órgão;como não obteve a LAU, não há como comprometerse em relação As APPs e ARLs, que ainda não estão definidas ou homologadas junto ao órgão ambiental; • Não tem como adentrar no imóvel para realizar avaliação e limitouse A determinação expedita do valor do domínio, tomando por base avaliação dada pela Prefeitura Municipal de Alto Araguaia/MT; o Auditor informou na Notificação de Lançamento que teria sido solicitada informação sobre preços de terras no município de localização do imóvel, não atendida; e é desnecessária diligência por constar do autos AVALIAÇÃO PARA EFEITOS FISCAIS DA PREFEITURA, PARA A FAZENDA SÃO FRANCISCO, quando de sua aquisição, que comprova o preço vigente na região e que foi base para o lançamento do ITBI, perfazendo R$ 76,48/ha, incluindo benfeitorias, o que demonstra que o valor declarado é maior que o da avaliação da prefeitura, incluindo benfeitorias, e deve ser adotado. Ao final, a interessada protestou pela juntada de todas as provas admitidas em lei, inclusive pericial e documental e apresentou quesitos e indicou perito, para o caso de não serem atendidos os pedidos formulados. A decisão recorrida (fls. 247/250), conforme destacado no início deste Relatório, manteve integralmente a exigência fiscal, com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 LEGITIMIDADE PASSIVA. São contribuintes do Imposto Territorial Rural o proprietário, o possuidor ou o detentor a qualquer titulo de imóvel rural, assim definido em lei. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 15/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.720523/200711 Acórdão n.º 2102002.637 S2C1T2 Fl. 277 5 ÁREAS ISENTAS. TRIBUTAÇÃO. Para exclusão da tributação sobre áreas de reserva legal e preservação permanente é necessária a comprovação da existência efetiva dessas áreas e cumprimento de exigência legal de entrega do ADA ao Ibama, no prazo fixado na legislação, e de averbação da reserva legal junto ao Registro de Imóveis em data anterior a da ocorrência do fato gerador do ITR. VALOR DA TERRA NUA. A base de cálculo do imposto será o valor da terra nua apurado pela fiscalização, com base no SIPT, se não existir comprovação que justifique reconhecer valor menor. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em grau de Recurso Voluntário a este colegiado (fls. 228, 2o volume), repetiu as razões da impugnação, acrescentando que: a) a Relatora da decisão recorrida prendeuse exclusivamente no fato de não haver apresentação do ADA e a averbação junto à matrícula do Registro de Imóveis, fato este que a levou a apresentar precedentes do STJ, dispensandoos, o que coloca a administração em posição contrária ao entendimento do Poder Judiciário; b) As áreas excluídas por ela e tributadas pela fiscalização decorrem das limitações impostas pela legislação, não cabendo à administração alterála, exigindo publicidade, o que lhe é dada por ela mesma, não precisando para isto da apresentação do ADA ou de averbação junto ao Cartório de Registro de Imóveis; c) Quer fazer crer a Relatora da decisão recorrida, que a existência das áreas é menos importante ou sem qualquer relevância, sem a apresentação do ADA ou da averbação na matrícula do registro do imóvel, de nada valendo o laudo técnico; d) Alega ainda que a decisão proferida simplesmente ignorou o Laudo apresentado, embora tenha destacado a sua necessidade. Do Laudo apresentado, a Recorrente ressaltou as referencias à ocupação do imóvel, a existência de florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração. Transcreveu vários precedentes deste colegiado, contrários à exigência do ADA e da averbação, todos relativos aos exercícios de 1.997 a 1.999; e) Sobre o VTN requer que seja adotada avaliação da Prefeitura Municipal de Alto Araguaia, lembrando que não está na posse do imóvel, o que a impossibilita de Fl. 309DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 15/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.720523/200711 Acórdão n.º 2102002.637 S2C1T2 Fl. 278 6 levar a efeito o levantamento topográfico/geodésico, bom como, das declarações dos confrontantes. Que a relatora da decisão recorrida equivocouse ao justificar a não aceitação do valor dado pela Prefeitura, alegando que o imóvel havia sido negociado em 1.984, mas não considerando o fato da escritura ter sido lavrada em 2001, quando foi feita a avaliação do imóvel, para efeito do recolhimento do imposto municipal, efetuado por R$ 76,48/ha, incluído o valor das benfeitorias. O valor declarado na DITR foi de R$ 85,17/ha da terra nua. O fisco arbitrou em R$ 235,29, ou seja, 276% a maior; f) Destacou ainda que no Estado de Mato Grosso as APP e RL devem ser definidas junto à SEMA – Secretaria de Estado do Meio Ambiente, através de LAU – Licença Ambiental Única. A SEMA possui todas as atribuições de responsabilidade inerentes à matéria através de um Pacto Federativo, e a ela protocolizou projeto ambiental, anexado ao Laudo Técnico, não obtendo este documento, que permitiria a apresentação do ADA e da averbação, em função de sobreposições da área, face a inúmeros pedidos neste sentido, decorrentes dos processos mencionados, e sem ele, fica impossibilitada de comprometerse em relação à APP e à RL e de dar cumprimento às obrigações a elas inerentes, e g) Caso não acatadas as alegações apresentadas, reiterou o pedido e mencionou a necessidade da realização de perícias e diligências, elencando quesitos caso sejam deferidas. É o relatório. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 15/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.720523/200711 Acórdão n.º 2102002.637 S2C1T2 Fl. 279 7 Voto Vencido Conselheiro Atilio Pitarelli, Relator. O recurso é tempestivo, em conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Preliminarmente, a exemplo da decisão proferida, afasto as preliminares argüidas que requer perícia e diligência, uma vez que há meios de provas suficientes para serem produzidas pela Recorrente, parte interessada na sua produção, além das medidas requeridas. Portanto, não vislumbro qualquer ofensa ao princípio do contraditório ou do devido processo legal, no que diz respeito ao indeferimento destas providencias. Quanto ao mérito, como relatado, duas questões se colocam neste processo, a primeira, relativa à exclusão da base de cálculo do ITR, das áreas de Preservação Permanente e da Reserva Legal, para depois, decidir sobre o VTN. As exclusões da base de cálculo do imposto, conforme expressamente consta na Notificação de Lançamento, se deram em função da não solicitação do ADA para a APP e da falta de averbação da reserva legal junto à matrícula no Registro de Imóveis e apresentação do ADA. Não obstante admitir que não providenciou a averbação na matrícula da área destinada à reserva legal, nem mesmo apresentou ADA para legitimar a exclusão das áreas declaradas com estas finalidades, a quem alega que no Estado do Mato Grosso é providenciado junto à Secretaria de Estado do Meio Ambiente SAMA, apresentou junto à impugnação, Laudo Técnico firmado por engenheiro com ART (fl. 32), elaborado em agosto de 2.007, declarando fazer uso de carta imagem de satélite com dados do ano de 2.002, apresentando fatos e circunstâncias que no entender deste Relator, comprometem a pretensão fiscal. Tomando por base estudos do Zoneamento Econômico Ecológico do Estado de Mato Grosso, à fl. 22, o engenheiro Rubimar Barreto Silveira declara que “A vegetação era composta primitivamente por 4.919,7839 ha de Contato Floresta Ombrófila / Floresta Estacional, e 4.215,9882 ha de Savana ou cerrado ... conforme atestado pelo referido Instituto, totalizando assim, 9.135,76 hectares, mencionando ainda, ter encontrado cedros, angicos, perobas, jequitibás e outras. À fl. 23 deste processo, ainda objeto do Laudo, o engenheiro afirma que o imóvel encontrase nas mãos de posseiros, sendo que o autuado/recorrente possui o domínio, existindo várias ações judiciais atestando esta condição, inclusive, de usucapião, por ele proposta, o que levou o INCRA a iniciar um processo de desapropriação, em 1.996, restando em tais circunstancias, a expectativa de obter via judicial a posse do imóvel ou a indenização pelo INCRA. Resumindo as áreas do imóvel, indica como total, 9.392,55 ha; inaproveitáveis, 4.042,58 ha; utilizadas, 5.349,96 ha. Em 20 de maio de 2004, o engenheiro florestal Éber Tadeu Vaz (fl. 88), atestou a viabilidade de projeto ambiental, nele constando área de reserva legal de 4.005,0861 ha, e APP de 1.214,24, dentre outras. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 15/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.720523/200711 Acórdão n.º 2102002.637 S2C1T2 Fl. 280 8 Os documentos relativos às ações judiciais dão conta de medidas propostas em datas posteriores ao ano base da autuação, questões da sociedade e de processos arquivados, portanto, no meu entender, de pouca valia para a solução da questão. Sobre a Notificação do INCRA objetivando a desapropriação, datado de 18 de julho de 2005, consta da fl. 124, não obstante a Federação dos Trabalhadores na Agricultura no Estado de Mato Grosso a tenha solicitado em 08 de março de 1.996 (fl. 127). Assim, exclusivamente pelo fato da não apresentação do ADA ou da falta de averbação da área da reserva legal na matrícula do imóvel, como tenho me expressado em votos proferidos até aqui, não são legalmente suficientes para afastar da exclusão da base de cálculo do ITR a APP e área de reserva legal, notadamente, quando contrariada a presunção fiscal, por documentos como o Laudo Técnico. Sobre a inexigibilidade do ADA, inúmeros são os precedentes do STJ, dentre eles: AgRg no REsp 1310972 / RS AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL2012/00387110 Relator(a) Ministro HERMAN BENJAMIN (1132) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 05/06/2012 Data da Publicação/Fonte DJe 15/06/2012 Ementa TRIBUTÁRIO. MULTA PREVISTA NO ART. 538 DO CPC. OMISSÃO CONFIGURADA. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL. RESERVA LEGAL. ISENÇÃO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. INEXIGIBILIDADE. 1. A violação do art. 538 do CPC, indicada nas razões de Recurso Especial, não foi examinada na decisão agravada, configurando omissão a ser sanada. 2. Conforme assentado no acórdão recorrido, dispensável análise detida de cada argumento pelo magistrado, bastando a adequada fundamentação da decisão, razão pela qual deve ser mantida a multa prevista no art. 538 do CPC quando protelatórios os Embargos de Declaração. 3. É cediço no Superior Tribunal de Justiça que é desnecessário apresentar o Ato Declaratório Ambiental ADA para que se reconheça o direito à isenção do ITR, mormente quando essa exigência estava prevista apenas em instrução normativa da Receita Federal (IN SRF 67/97). Fl. 312DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 15/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.720523/200711 Acórdão n.º 2102002.637 S2C1T2 Fl. 281 9 4. Agravo Regimental parcialmente provido apenas para sanar a omissão apontada, mantendo a decisão que negou seguimento ao Recurso Especial. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça: "A Turma, por unanimidade, deu parcial provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. MinistroRelator, sem destaque e em bloco." Os Srs. Ministros Mauro Campbell Marques, Cesar Asfor Rocha, Castro Meira e Humberto Martins votaram com o Sr. Ministro Relator. Sobre a dispensa da averbação na matrícula, parece ser questão pacificada entre as Turmas do STJ, a dispensa da averbação, conforme acórdão abaixo: AgRg no REsp 1315220 / MG AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL2012/00586175 Relator(a) Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA (1128) Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA Data do Julgamento 05/03/2013 Data da Publicação/Fonte DJe 12/03/2013 Ementa PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. INCLUSÃO DA ÁREA DE RESERVA LEGAL DA BASE DE CÁLCULO DO ITR. NÃO CABIMENTO. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. DESNECESSIDADE. PRECEDENTES DO STJ. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. De acordo com entendimento consolidado pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, para as áreas de preservação ambiental permanente e reserva legal, é inexigível a apresentação de ato declaratório do IBAMA ou da averbação dessa condição à margem do registro do imóvel para efeito de isenção do ITR. 2. Agravo regimental não provido. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da PRIMEIRA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Napoleão Nunes Maia Filho, Fl. 313DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 15/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.720523/200711 Acórdão n.º 2102002.637 S2C1T2 Fl. 282 10 Benedito Gonçalves, Sérgio Kukina e Ari Pargendler votaram com o Sr. Ministro Relator. Palavras de Resgate IMPOSTO SOBRE PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL, IMPOSTO TERRITORIAL RURAL. Além dos procedentes do CARF, do STJ, que é o único órgão com competência constitucional para dizer sobre a legalidade de uma norma federal, o próprio IBAMA também já se manifestou sobre a comprovação da existência da área, através de outros documentos, em substituição do ADA para o contribuinte contar com a exclusão da área na base de cálculo do ITR , no “Respostas às Perguntas mais frequentes sobre o ADA” editado em 2.012, da seguinte forma: 40- Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência das Áreas de interesse ambiental? • Ato Declaratório Ambiental – ADA e o comprovante da entrega do mesmo; • Ato do Poder Público declarando as florestas e demais formas de vegetação natural como Área de Preservação Permanente, conforme disposto Código Florestal em seu artigo 3o • Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, que especifique e discrimine as áreas de Interesse Ambiental (Área de Preservação Permanente; Área de Reserva Legal; Reserva Particular do Patrimônio Natural; Área de Declarado Interesse Ecológico; Área de Servidão Florestal ou Ambiental; Áreas Cobertas por Floresta Nativa; Áreas Alagadas para fins de Constituição de Reservatóio de Usinas Hidreléricas); (destacado pelo Relator) • Laudo de vistoria técnica do IBAMA relativo à Área de interesse ambiental; Fl. 314DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 15/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.720523/200711 Acórdão n.º 2102002.637 S2C1T2 Fl. 283 11 • Certidão do IBAMA ou de outro órgão de preservação ambiental (órgão estadual de meio ambiente - OEMA) referente à Áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada; • Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Reserva Legal; • Termo de Responsabilidade de Averbação da Área de Reserva Legal (TRARL) ou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC); • Declaração de interesse ecológico de Área imprestável, bem como, de Áreas de proteção dos ecossistemas (Ato do órgão competente, federal ou estadual - Ato do Poder Público – para Áreas de declarado interesse ecológico): Se houver uma área no imóvel rural que sirva para a proteção dos ecossistemas e que não seja útil para a agricultura ou pecuária, pode ser solicitada ao órgão ambiental federal ou estadual a vistoria e a declaração daquela como uma Área de Interesse Ecológico. • Certidão de registro ou cóia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Servidão Florestal; • Portaria do IBAMA de reconhecimento da Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). Ou seja, o IBAMA elenca uma série de documentos, que também comprovam a existência das áreas que excluem da base de cálculo do imposto, sendo um deles, atendido pelo Recorrente, que é a elaboração do Laudo Técnico, com ART, e demonstrando transparência, requereu outro, que é o reconhecimento da FEMA – Fundação Estadual do Meio Ambiente do MT, através do LAU – Licença Ambiental Única (fl. 52), não conseguindo, em função do sobrestamento, fazendo sentido a alegada invasão da área. Assim, no tocante às glosas, quer me parecer que assiste razão à Recorrente, que apresentou um Laudo Técnico, firmado por Engenheiro Agrônomo, com ART, não vislumbrando razão para dele exigir outros documentos. No tocante ao VTN, também entendo que assiste razão à Recorrente, Com efeito, na Notificação de Lançamento, a autoridade fiscal autuante fez constar: Fl. 315DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 15/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.720523/200711 Acórdão n.º 2102002.637 S2C1T2 Fl. 284 12 3.1 Arbitramento Do Valor Da Terra Nua VTN: A Lei 9.393/96 estabelece, em seu art. 14, que no caso de subavaliação do valor do imóvel, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de oficio do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de Área total, Area tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. Determina ainda que as informações sobre pregos de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1 0 , inciso II da Lei n° 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Para o município do imóvel rural em questão, apesar de solicitado As Secretarias de Agricultura Estadual e Municipal informações sobre o VTN para serem levados em consideração no estabelecimento do SIPT, não obtivemos resposta. Na hipótese de não serem fornecidos os preços de terras para um determinado município, nem pela Secretaria Estadual de Agricultura, nem pela Secretaria Municipal de Agricultura, tendo em vista o comando e a competência legal para a instituição do SIPT, nos termos do art. 14 da Lei n° 9.393, de 1996, a Receita Federal do Brasil disporá, para fins de lançamento de oficio do ITR, do preço médio do hectare obtido a partir dos valores informados nas Declarações do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR) pelo conjunto dos próprios contribuintes dos imóveis localizados em cada município. Sendo assim, os valores instituídos pela RFB para o SIPT, conforme Portaria SRF n. 447 de 28/03/02, com valores evidenciados abaixo, extratos do SIPT encontramse no processo de autuação. 0 VTN arbitrado é a média dos VTN declarados pelos contribuintes do município de localização do imóvel rural para o exercício. Com base nesses dados, foi então arbitrado o valor da terra nua VTN, conforme a seguinte demonstração: a) Area Total do Imóvel declarada/apurada = 9392,5HA b) VTN/ha de = R$235,29 c) VTN do imóvel= Area Total * VTN/há = R$2.209.961,33 (Negritamos) Como destacado acima, a autoridade fiscal utilizou para arbitrar o VTN, da média dos VTNs declarados pelos contribuintes do município de localização do imóvel rural, Fl. 316DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 15/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.720523/200711 Acórdão n.º 2102002.637 S2C1T2 Fl. 285 13 informando ainda, que não havia dados da Secretaria da Agricultura do Estado e tão pouco da Secretaria Municipal. Oportuno se faz, bem a respeito, a transcrição do art. 14 da lei n.o 9.393/96 e do art. 12 da lei n,o 8.629/93, nele referida: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Prevê o art. 12 da lei 8.629/93: Art. 12. Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: (Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) I localização do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) II aptidão agrícola; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) III dimensão do imóvel; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IV área ocupada e ancianidade das posses; (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Fl. 317DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 15/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.720523/200711 Acórdão n.º 2102002.637 S2C1T2 Fl. 286 14 § 1o Verificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA. (Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) § 2o Integram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. (Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) § 3o O Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela superavaliação comprovada ou fraude na identificação das informações. (Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Destarte, por entender que o critério utilizado pela fiscalização, tomando por base a média das DITRs dos contribuintes do município, que arbitrou em R$ 235,39 não atendem ao preceito legal, devendo permanecer o valor declarado pelo contribuinte, de R$ 85,17 (fl. 6), uma vez que o Laudo Técnico apurou R$ 76,48 o hectare (fl 30). Por todo o exposto, afasto as prelimininares argüidas, e DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do contribuinte, para excluir da tributação as áreas glosadas, e manter o VTN por ele declarado na DITR. Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Fl. 318DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 15/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.720523/200711 Acórdão n.º 2102002.637 S2C1T2 Fl. 287 15 Voto Vencedor Divirjo do ilustre relator apenas quanto ao reconhecimento das áreas de preservação permanente e de reserva legal e também quanto ao arbitramento do VTN. No presente caso, as áreas de preservação permanente e de reserva legal não podem ser acolhidas em razão da falta de apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). A partir da vigência da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, que deu nova redação à Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, a obrigatoriedade de apresentação do ADA, para fins de redução do imposto a pagar, passou a ter expressa disposição legal: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1º A. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA.(Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000)” (grifei) Do artigo acima transcrito, resta claro que, a partir do exercício 2001, a obtenção do ADA é condição necessária e obrigatória para que o contribuinte usufrua a redução do valor a pagar do ITR quanto às áreas de preservação permanente e de reserva legal, sendo certo que o ADA não pode ser substituído por outro documento, seja ele qual for, por falta de expressa previsão legal para tanto. Também não procede a alegação do recorrente de que estaria dispensado da apresentação do ADA e da averbação do área de reserva legal em razão do disposto no parágrafo 7º do artigo 10 da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, incluído pela Medida Provisória 2.16667, de 24 de agosto de 2001, nos seguintes termos: § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001) A Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN) assim se refere à responsabilidade de fazer prova para concessão da isenção de tributos: Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão. (grifei) Fl. 319DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 15/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.720523/200711 Acórdão n.º 2102002.637 S2C1T2 Fl. 288 16 (...) Por outro lado, o artigo 147 do mesmo diploma legal previu as situações em que o lançamento seria efetuado sem a necessidade de que a autoridade fiscal obtivesse, pelos seus próprios meios, as informações especificadas no artigo 142. Art. 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (...) Art. 147 O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. No mesmo sentido, o artigo 150 estabeleceu as regras que norteiam o lançamento realizado por homologação: Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. Dos artigos acima transcritos, verificase que o CTN, visando à simplificação da estrutura necessária à fiscalização e arrecadação de tributos, previu as hipóteses em que o sujeito passivo prestaria à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à efetivação do lançamento e anteciparia o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Tal modalidade de pagamento/lançamento, denominada de lançamento por homologação, hodiernamente, compreende quase que a totalidade dos tributos administrados pela União, dentre os quais se encontra o Imposto Territorial Rural. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 15/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.720523/200711 Acórdão n.º 2102002.637 S2C1T2 Fl. 289 17 Foi, sem dúvida, com base nesses preceitos legais que o legislador atribuiu ao contribuinte a responsabilidade prevista nos artigos 8º e 10º da Lei nº 9.393, de 1996, in verbis: Art. 8º O contribuinte do ITR entregará, obrigatoriamente, em cada ano, o Documento de Informação e Apuração do ITR DIAT, correspondente a cada imóvel, observadas data e condições fixadas pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O contribuinte declarará, no DIAT, o Valor da Terra Nua VTN correspondente ao imóvel. § 2º O VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1º de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado. § 3º O contribuinte cujo imóvel se enquadre nas hipóteses estabelecidas nos arts. 2º e 3º fica dispensado da apresentação do DIAT. Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. Contudo, a sistemática do lançamento por homologação não dispensa o contribuinte de fazer prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para a concessão da isenção. Com efeito, mais do que o dever geral de colaboração, a isenção de caráter especial, impõe ao beneficiário o ônus de provar o preenchimento das condições para fruição do tratamento diferenciado. Está claro que o parágrafo 7º apenas dispensa a prévia apresentação dos documentos definidos em lei, no caso a apresentação do ADA e a averbação da área de reserva legal, como necessários à fruição da isenção do ITR. Contudo, inarredável é a competência da autoridade fiscal para solicitála, posteriormente, dentro do prazo decadencial, visando a verificação do correto cumprimento da obrigação tributária por parte do contribuinte. Nestes termos, deve ser mantida a glosa das áreas de preservação permanente e de reserva legal. Quanto ao arbitramento do VTN o relator vencido afirma que o critério utilizado pela fiscalização, tomando por base a média das DITRs dos contribuintes do município, que arbitrou em R$ 235,39 não atendem ao preceito legal. Com todo o respeito, discordo daqueles que assim pensam. Para melhor analisar a questão transcrevese a seguir a legislação que trata do tema (art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996 e art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993): Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área Fl. 321DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 15/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.720523/200711 Acórdão n.º 2102002.637 S2C1T2 Fl. 290 18 tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. (...) Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos:(Redação dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Ilocalização do imóvel;(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IIaptidão agrícola;(Incluído dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) IIIdimensão do imóvel;(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) IVárea ocupada e ancianidade das posses;(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) Vfuncionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias.(Incluído dada Medida Provisória nº 2.18356, de 2001) §1oVerificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, procederseá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA.(Redação dada Medida Provisória nº 2.183 56, de 2001) A média das DITR corresponde ao valor médio dos VTN informados por todos os declarantes para determinado município, sendo certo que tal média contempla a localização, a aptidão agrícola e a dimensão do imóvel. Devese notar que dentro de um mesmo município não se tem grandes diferenças no que diz respeito à aptidão agrícola, posto que imóveis circunvizinhos tem, por natureza, a mesma aptidão agrícola, salvo as exceções, as quais devem ser demonstradas pelo contribuinte em laudo específico para o seu imóvel. E mais, na média das DITR também são observados os critérios de localização e dimensão, posto que na amostra adotada pela autoridade fiscal estão contemplados imóveis que estão, por lógico, localizados no mesmo município em que se encontra o imóvel para o qual se procede o arbitramento e também está devidamente respeitada a dimensão do imóvel, posto que na amostra, por certo, temse imóveis de pequenas, médias e grandes dimensões. Logo, a média dos VTN extraídos das DITR apresentadas por todos os contribuinte de determinado município atende perfeitamente ao disposto na legislação. Por outro lado, o Laudo, fls. 20/30, apresentado pelo contribuinte, tomou por base o valor atribuído ao imóvel, para fins de apuração do ITBI em 1984, chegando ao valor de Fl. 322DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 15/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10183.720523/200711 Acórdão n.º 2102002.637 S2C1T2 Fl. 291 19 R$ 76,48/ha. Veja que, tal avaliação é inclusive menor do que o valor adotado pelo contribuinte em sua DITR (R$ 85,17/ha). Ressaltese que é requisito obrigatório dos laudos, seja qual for o grau de fundamentação, no mínimo, três dados de mercado, efetivamente utilizados, sendo que nos graus II e III são obrigatórios no mínimo cinco dados de mercado efetivamente utilizados, sendo certo que o valor atribuído ao imóvel, para fins de apuração do ITBI em 1984, não pode ser acolhido como amostra para determinar o preço do VTN do imóvel em 2003. Logo, o laudo apresentado pelo contribuinte deixou de atender ao disposto na NBR/ABNT 14653 – parte 3, que tem por objetivo detalhar as diretrizes e padrões específicos de procedimentos para a avaliação de imóveis rurais e, nesta conformidade, deve prevalecer o arbitramento do valor da terra nua, nos moldes em que consubstanciado no lançamento. Ante o exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Fl. 323DF CARF MF Impresso em 31/10/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 15/09/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 23/09/2013 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 24/09/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 12571.720394/2012-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
VALOR DO CUSTO PARA APURAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE INVESTIMENTO AVALIADO PELO PATRIMÔNIO LÍQUIDO.
Inexiste reparos à constatação de que, tratando-se de participação que a pessoa jurídica esteja obrigada a avaliar pelo método da equivalência patrimonial, o valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação de investimento inclusive a restituição das ações a seus próprios sócios é o valor de patrimônio líquido pelo qual estiver registrado na contabilidade, deduzido/acrescido das grandezas previstas nos incisos II e III do art. 426 do RIR/99.
APURAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE INVESTIMENTO. UNICIDADE DE CRITÉRIO PARA O VALOR TOTAL DO INVESTIMENTO ALIENADO.
Correta a conclusão de que a legislação tributária preceitua que as participações societárias detidas pela pessoa jurídica devem ser avaliadas por um, dentre dois critérios, sujeitos a regras distintas, na apuração de eventual ganho de capital. Em assim sendo, não compete ao Fisco mesclar os critérios, fatiando o valor da participação societária e apurando uma parte pelo critério aplicável aos investimentos avaliados pelo custo contábil, e a outra parte pelo critério aplicável aos investimentos avaliados pela equivalência patrimonial.
Numero da decisão: 1101-000.994
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 VALOR DO CUSTO PARA APURAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE INVESTIMENTO AVALIADO PELO PATRIMÔNIO LÍQUIDO. Inexiste reparos à constatação de que, tratando-se de participação que a pessoa jurídica esteja obrigada a avaliar pelo método da equivalência patrimonial, o valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação de investimento inclusive a restituição das ações a seus próprios sócios é o valor de patrimônio líquido pelo qual estiver registrado na contabilidade, deduzido/acrescido das grandezas previstas nos incisos II e III do art. 426 do RIR/99. APURAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE INVESTIMENTO. UNICIDADE DE CRITÉRIO PARA O VALOR TOTAL DO INVESTIMENTO ALIENADO. Correta a conclusão de que a legislação tributária preceitua que as participações societárias detidas pela pessoa jurídica devem ser avaliadas por um, dentre dois critérios, sujeitos a regras distintas, na apuração de eventual ganho de capital. Em assim sendo, não compete ao Fisco mesclar os critérios, fatiando o valor da participação societária e apurando uma parte pelo critério aplicável aos investimentos avaliados pelo custo contábil, e a outra parte pelo critério aplicável aos investimentos avaliados pela equivalência patrimonial.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2423; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 2 1 1 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12571.720394/201272 Recurso nº De Ofício Acórdão nº 1101000.994 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de novembro de 2013 Matéria IRPJ/CSLL Amortização de ágio Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COOPERATIVA CENTRAL DE LATICÍNIOS DO PARANÁ LTDA (e responsável tributário CAPAL COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 VALOR DO CUSTO PARA APURAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE INVESTIMENTO AVALIADO PELO PATRIMÔNIO LÍQUIDO. Inexiste reparos à constatação de que, tratandose de participação que a pessoa jurídica esteja obrigada a avaliar pelo método da equivalência patrimonial, o valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação de investimento inclusive a restituição das ações a seus próprios sócios é o valor de patrimônio líquido pelo qual estiver registrado na contabilidade, deduzido/acrescido das grandezas previstas nos incisos II e III do art. 426 do RIR/99. APURAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE INVESTIMENTO. UNICIDADE DE CRITÉRIO PARA O VALOR TOTAL DO INVESTIMENTO ALIENADO. Correta a conclusão de que a legislação tributária preceitua que as participações societárias detidas pela pessoa jurídica devem ser avaliadas por um, dentre dois critérios, sujeitos a regras distintas, na apuração de eventual ganho de capital. Em assim sendo, não compete ao Fisco mesclar os critérios, fatiando o valor da participação societária e apurando uma parte pelo critério aplicável aos investimentos avaliados pelo custo contábil, e a outra parte pelo critério aplicável aos investimentos avaliados pela equivalência patrimonial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 57 1. 72 03 94 /2 01 2- 72 Fl. 3406DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 12571.720394/201272 Acórdão n.º 1101000.994 S1C1T1 Fl. 3 2 (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga. Fl. 3407DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 12571.720394/201272 Acórdão n.º 1101000.994 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório A 1a Turma da DRJ/Curitiba submete a reexame necessário decisão que, por unanimidade de votos, julgou PROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 19/12/2012, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 6.328.800,76. A autoridade lançadora inicia o Termo de Verificação Fiscal esclarecendo que, observados os fundamentos de acórdão do 1o Conselho de Contribuintes (atual CARF), a pessoa jurídica majorou e deduziu indevidamente custo de receita não operacional, redundando em não recolhimento de IRPJ e CSLL sobre o montante de R$ 36.688.771,58, visto que do total deduzido de R$ 66.550.178,20, apenas a parcela de R$ 29.861.406,62 seria admissível. No item III do Termo de Verificação Fiscal, o auditor responsável relata a operação que motiva a exigência, consistente em redução do capital social da Cooperativa Central de Laticínios do Paraná Ltda – CCLPL, promovida em maio/2007 mediante a entrega de ações da Batávia às cooperativas Batavo, Castrolanda e Capal. Nos autos do processo administrativo nº 10940.002633/200428 foi abordada a operação antes apreciada pelo 1º Conselho de Contribuintes, por meio da qual a CCLPL transferiu à Parmalat Ltda 51% do controle acionário da Batávia S/A. A Parmalat Ltda inicialmente subscreveu 20,49% das ações da Batávia S/A pelo valor de R$ 98.000.000,00, com ágio de R$ 86.096.422,00, o qual foi capitalizado no mesmo dia do aporte, permitindo à CCLPL reconhecer a parcela de R$ 68.458.000,00 como resultado de equivalência patrimonial não tributável. Na seqüência, a CCLPL alienou as demais ações contratadas à Parmalat Ltda por R$ 44.000.000,00, conferindolhe, no total, 51% do controle acionário da Batávia S/A. Naqueles autos, a Fiscalização afirmou que o preço desta operação representara R$ 112.458.000,00, correspondente à soma do resultado da equivalência patrimonial (R$ 68.458.000,00) e da parcela recebida de R$ 44.000.000,00. Acrescentou que o ágio não foi devidamente fundamentado, e que não se materializou a rentabilidade futura. A exigência foi mantida em 1a instância, mas apreciando recurso voluntário da interessada, a Primeira Câmara do 1o Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, acompanhou o voto do Relator Conselheiro Mário Junqueira Franco Júnior que reduziu o valor do ganho de capital para R$ 26.270.752,03. Isto porque, observando que a realização das operações de investimento com ágio, capitalização e alienação ocorreram no mesmo dia, talvez na mesma manhã, indicando não haver propósito verdadeiro de associação plena, pelo menos na parte alienada, o Conselheiro Relator asseverou que tudo não passou de uma formulação para conferir custo a ações iniciais da Recorrente, evitandose um verdadeiro ganho de capital, ainda que em valor inferior ao apontado pela fiscalização. Analisando o Protocolo de Associação, o Conselheiro Relator anotou que a verdadeira alienação foi da participação suficiente para que a Parmalat Ltda alcançasse 51% de participação, pelo preço de R$ 44.000.000,00 e se opôs à possibilidade de se transformar o ágio que deve permanecer para fomento da companhia, em trampolim de custo imediato. Asseverou que a aquisição se dá quando já garantido à Parmalat Ltda possuir 51% das ações da companhia, e que a partir daí o ágio tem a função de fomento. Fl. 3408DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 12571.720394/201272 Acórdão n.º 1101000.994 S1C1T1 Fl. 5 4 Para demonstrar o valor tributável, o Conselheiro Relator reportouse ao Protocolo de Associação, transcreveu as alterações no quadro societário da investida no dia 03/04/98, e concluiu que o ganho de capital representaria a diferença entre o valor pago por Parmalat Ltda (R$ 44.000.000,00) e o custo das ações alienadas por CCLPL (R$ 17.729.247,97). Para apurar este custo, o Conselheiro Relator determinou qual parcela do investimento da CCLPL (originalmente de R$ 46.199.994,00) seria baixado por alienação para que Parmalat Ltda passasse a deter 51% da investida, depois de esta já ter subscrito 20,49% das ações da investida, mas desconsiderando os efeitos da capitalização do ágio. Como esta operação conferira à Parmalat Ltda capital equivalente a R$ 11.903.578,00, para passar a ter 51% do capital total de R$ 58.103.578,00, necessário seria que CCLPL lhe transferisse ações equivalentes ao capital de R$ 17.729.247,97 (totalizando a participação da nova investidora em R$ 29.632.823,97), permanecendo com 49% das ações, equivalentes a R$ 28.470.746,03. Na seqüência, a capitalização do ágio de R$ 86.096.422,00 favoreceria as duas acionistas na proporção de suas participações, elevando a participação de CCLPL de R$ 28.470.746,03 para R$ 70.657.994,00, e de Parmalat Ltda de R$ 29.632.823,97 para R$ 73.541.998,00. Ao final, os cálculos do Conselheiro Relator conduzem às mesmas parcelas de capital atribuídas a cada sócio pela Fiscalização, mas com a peculiaridade de que todo o ágio aportado foi verdadeiramente utilizado para o fomento da empresa, sem servir de instrumental simulado de custo. A Fiscalização anota que referida decisão, formalizada no Acórdão nº 101 96.087, foi submetida a embargos de declaração e recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, mas como estes teriam sido rejeitados pelo CARF, a decisão teria caráter definitivo, nos termos do Regimento Interno do CARF. O auditor responsável assevera que a referida decisão tem efeito sobre o resgate de capital na CCLPL mediante entrega de ações da Batávia às cooperativas Batavo, Castrolanda e Capal, pois, ao exonerar o montante tributável de R$ 42.187.247,97, o CARF tratou o mesmo como capitalização do ágio. Demonstra que, com a capitalização do ágio, a participação da CCLPL na Batávia (R$ 28.470.746,03) foi elevada para R$ 70.657.994,00 mediante recebimento de ações em bonificação. Reportase às razões de defesa da interessada naqueles autos, no sentido de que não teve disponibilidade econômica ou jurídica do ganho de capital ali imputado (R$ 68.458.000,00), e citando os arts. 183, inciso III e 248, inciso I, da Lei nº 6.404/76, ressalta que embora a lei societária não distinga ações adquiridas das bonificadas, a lei tributária constitui estas como disponibilidade econômica e jurídica, mas trata a hipótese como isenção (art. 381 do RIR/99). E apresenta o seguinte quadro resumo das alterações conceituais resultantes do julgamento antes referido: Fl. 3409DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 12571.720394/201272 Acórdão n.º 1101000.994 S1C1T1 Fl. 6 5 A partir daí, demonstra os efeitos da conclusão de que as ações bonificadas ou recebidas sem custo, avaliadas pela equivalência patrimonial, no valor de R$ 42.187.247,97, não integrariam o custo (contábil) na apuração do ganho de capital, ou se integrasse, seria indedutível, nos termos dos arts. 381 e 419 do RIR/1999. E invoca a aplicação do art. 173, inciso I do CTN para, na ausência de pagamento, estender até 16/10/2007 o prazo para exigência do crédito tributário devido no anocalendário 2007 (e no mês de maio/2007, relativamente à apuração estimada), tendo em conta o Termo de Início do Procedimento Fiscal ocorrido em 17/10/2012, classificado como medida preparatória, na forma do art. 173, parágrafo único do CTN. Para além disso, defende a aplicação concomitante da multa proporcional e da multa isolada, e descreve os termos lavrados, anotando que a transferência das ações da Batávia S/A para as cooperativas Batavo, Castrolanda e Arapoti (Capal), realizada no ano de 2007 precedeu a alienação por estas cooperativas à Perdigão S/A (atual BRF Brasil Foods S/A), o que dificultou o acesso a algumas informações que não puderam ser prestadas pela sucessora. Conclui que na devolução de capital promovida em 30/05/2007, embora reportandose à Lei nº 9.249/95, a interessada deixou de ter em conta o parágrafo único de seu art. 22 (reproduzido no art. 419 do RIR/99), considerando que o custo contábil das 42.187.248 bonificadas seria zero. E acrescenta que: Neste caso, ao avaliar as ações bonificadas pelo patrimônio líquido da investida, a CCLPL acabou por utilizar uma das modalidades de avaliação a valor de mercado, já que, a partir daí, foi abandonado o custo histórico, ou seja, ZERO, e o valor dessas ações passou a refletir o valor patrimonial da Batávia S/A. Como já mencionado, a DRF Ponta Grossa apresentou embargos de declaração. Uma das contradições argüidas, dentro do contexto da decisão, seria como ações de investimento permanente tão relevante, cerca de 25,34% do total de 45,96%, poderiam ter sido bonificadas e sem custo para a CCLPL, pois, conforme alegações da mesma, não teria disponibilidade econômica ou jurídica, recebendo tais ações Fl. 3410DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 12571.720394/201272 Acórdão n.º 1101000.994 S1C1T1 Fl. 7 6 gratuitamente em 03/04/1998. O ágio, ou seja, o recurso necessário para as ações bonificadas, foi ônus exclusivo da Parmalat Brasil S/A, em 03/04/1998. Como os embargos foram rejeitados pelo CARF, não é mais o momento para contestação por parte desta fiscalização, quanto ao mérito do valor exonerado de R$ 42.187.247,97 (base de cálculo), mas é o momento propício para a aplicação dos efeitos do referido acórdão, cujo evento subseqüente ocorrido no ano de 2007 é fato gerador do IRPJ e da CSLL, bem como das multa isoladas por falta de recolhimento da antecipação mensal das respectivas estimativas. A autoridade lançadora apresenta seus cálculos para determinar que do total de ações alienadas em maio/2007, a parcela correspondente a 25,34% do capital de Batávia S/A representaria custo não dedutível, o que aumentou o lucro líquido do período de R$ 1.184.438,16 para R$ 37.873.209,74, e reverteu o resultado nulo para lucro real de R$ 36.688.771,58, ensejando também estimativa não recolhida em maio/2007, sobre a qual foi aplicada multa isolada de 50%. Por fim, consigna seus fundamentos para atribuir responsabilidade solidária, com fundamento no art. 124, inciso I, do CTN, às cooperativas destinatárias das ações detidas pela CCLPL em Batávia S/A. Observa peculiaridades da primeira operação que, em maio/2006, resultou na alienação de 2.391.798 ações à PDA Distribuidora de Alimentos Ltda, e complementa com o relato do acordo entre Perdigão Agroindustrial S/A e as cooperativas Batavo, Castrolanda e Arapoti, no qual a CCLPL figurou como intervenienteanuente. Assevera que a alienação se processou mediante a transferência da titularidade dessas ações da CCLPL para as cooperativas singulares para que: 1) o ganho não operacional auferido não fosse contaminado pelo lançamento tributário formalizado no processo administrativo nº 10940.002633/200428, garantido pelas ações de emissão da Batávia S/A ali arroladas; 2) as ações recebidas por bonificação e sem custo fossem indevidamente majoradas; 3) as cooperativas singulares recepcionassem estas ações com sobrevalorização; 4) o custo dedutível das cooperativas singulares fosse aumentado. Desta forma, a soma do IRPJ e da CSLL recolhidos pelas partes seria menor que os devidos na operação como um todo. Caracterizado o interesse comum na ocorrência do fato gerador do IRPJ e da CSLL sobre o ganho não operacional tributado, mas não tributado integralmente pelas partes envolvidas, a autoridade lançadora formalizou três lançamentos, nos quais dividiu o crédito tributário total apurado na CCLPL para atribuição proporcional de responsabilidade solidária a Batavo (44,95%), Castrolanda (36,53%) e Capal (18,52%). Nestes autos reside a exigência cuja responsabilidade solidária foi atribuída a Capal Cooperativa Agroindustrial. Os sujeitos passivos apresentaram uma única impugnação, na qual argüiram a nulidade do lançamento de CSLL, porque não incluída no Mandado de Procedimento Fiscal, bem como CCLPL afirmou a nulidade total da exigência contra ela formalizada porque partilhada em três autos de infração, ao passo que CAPAL sustentou a inexistência de interesse comum no fato gerador praticado pela autuada. Sustentaram: 1) que o lançamento anterior ainda não está definitivamente julgado; 2) que o valor contábil da participação da CCLPL na Batávia resultou de apropriação de resultado da equivalência patrimonial em 2006, já alcançado pela decadência; 3) que o valor contábil das ações em 2005 era R$ 24.200 milhões, evidenciando que sua atualização a R$ 66,55 milhões em 2006 nada tem a ver com o procedimento fiscal anterior; 4) o art. 18 da Fl. 3411DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 12571.720394/201272 Acórdão n.º 1101000.994 S1C1T1 Fl. 8 7 Instrução Normativa SRF nº 390/2004 e o art. 426 do RIR/99 autorizam a atribuição de valor contábil ao investimento, na apuração de ganho de capital, segundo as regras dos arts. 388 e 389 do RIR/99; 5) a legislação comercial e a legislação fiscal não autorizam desconsiderar a participação de ações bonificadas; 6) o art. 381 do RIR/99 não afeta investimentos avaliados por equivalência patrimonial; 7) o ágio pago pela Parmalat em 1998 não afeta o valor contábil do ativo da CCLPL em 2007; 8) nega a existência de alienação, mas sim mera transferência de posição em razão da redução de capital, sem obtenção de qualquer disponibilidade econômica ou jurídica decorrente de acréscimo patrimonial; 9) a ciência da decisão do CARF em 09/10/2008 não poderia se aplicada a fato gerador tributário ocorrido em 07/05/2007, em razão do art. 146 do CTN; 10) a redução de capital seria ato cooperado e, assim, não tributável; 11) a exigência de multa isolada estaria alcançada pela decadência; 12) inexistira ganho de capital a ser adicionado à apuração da estimativa; 13) a exigência concomitante de multa isolada e multa proporcional é inadmissível; 14) a multa seria confiscatória; 15) o processo administrativo nº 10940.002633/200428 não estaria definitivamente encerrado. A Turma Julgadora cancelou a exigência em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ Anocalendário: 2007 MPF INFRAÇÃO A TRIBUTO CONTIDO NO MPF E QUE TAMBÉM CONFIGURE INFRAÇÃO A OUTRO TRIBUTO NÃO MENCIONADO. Por disposição legal expressa, quando infrações apuradas, em relação a tributo contido no MPF também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa no MPF. FEITURA DO LANÇAMENTO EM TRÊS AUTOS DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. Não implica nulidade do lançamento a feitura de três autos para a mesma infração, com o propósito de permitir que cada responsável solidário seja vinculado apenas à parcela do débito sobre a qual responde, desde que o somatório dos três coincida com o valor da infração autuada. VALOR DO CUSTO PARA APURAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE INVESTIMENTO AVALIADO PELO PATRIMÔNIO LÍQUIDO. Tratandose de participação que a pessoa jurídica esteja obrigada a avaliar pelo método da equivalência patrimonial, o valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação de investimento inclusive a restituição das ações a seus próprios sócios é o valor de patrimônio líquido pelo qual estiver registrado na contabilidade, deduzido/acrescido das grandezas previstas nos incisos II e III do art. 426 do RIR/99. APURAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE INVESTIMENTO. UNICIDADE DE CRITÉRIO PARA O VALOR TOTAL DO INVESTIMENTO ALIENADO. A legislação tributária preceitua que as participações societárias detidas pela pessoa jurídica devem ser avaliadas por um, dentre dois critérios, sujeitos a regras distintas, na apuração de eventual ganho de capital. Em assim sendo, não compete ao Fisco mesclar os critérios, fatiando o valor da participação societária e apurando uma parte pelo critério aplicável aos investimentos avaliados pelo custo contábil, e a outra parte pelo critério aplicável aos investimentos avaliados pela equivalência patrimonial. Fl. 3412DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 12571.720394/201272 Acórdão n.º 1101000.994 S1C1T1 Fl. 9 8 DECORRÊNCIA. Aplicase ao lançamento decorrente, no que couber, o que restar decidido a respeito do lançamento matriz. As interessadas foram cientificadas da decisão proferida e da interposição de recurso de ofício a este Conselho (fls. 3402/3403). Fl. 3413DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 12571.720394/201272 Acórdão n.º 1101000.994 S1C1T1 Fl. 10 9 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A decisão sob reexame validamente exterioriza as justificativas para afastar as preliminares de nulidade do lançamento, quer por falta de MPF específico para exigência da CSLL, quer por ausência de lançamento da exigência total em face de CCLPL. Desnecessária, porém, a abordagem destes aspectos, na medida em que o crédito tributário foi exonerado em razão de aspectos de mérito. Apenas observese que, ao contrário do que afirma a recorrente em sustentação oral, as parcelas da exigência foram devidamente cientificadas à CCLPL, que inclusive apresentou impugnação nestes autos. Impróprio, portanto, alegar que as exigências somente foram formalizadas contra os responsáveis tributários. Quanto a estes aspectos, embora a decisão sob reexame não mencione, cumpre frisar que embora a exigência tratada nos autos do processo administrativo nº 10940.002634/200472 ainda não seja definitiva no âmbito administrativo, tal não impediria o presente lançamento. Isto porque, como bem observou a autoridade lançadora, não está mais em litígio no CARF a parte do mérito daquela exigência que repercutiu neste lançamento, vez que rejeitados os embargos da Fazenda Nacional e o recurso especial interposto pelo sujeito passivo, admitindose apenas a discussão acerca da qualificação da penalidade e da aplicação concomitante das multas de ofício proporcional e isolada. Registrese que na sessão de 23/05/2013 estas matérias foram apreciadas pela 1a Turma da CSRF, conforme Acórdão nº 9101001.625, ali delimitandose os pontos em litígio como antes referido, os quais assim circunscrevem, também, o âmbito de eventual discussão que possa decorrer dos embargos de declaração opostos em 12/08/2013, como indicam as informações processuais no âmbito do CARF. No mais, não há reparos à decisão sob reexame, especialmente no que tange aos argumentos de mérito adotados para afastar a conclusão fiscal de que teriam custo zero parte das ações entregues às sócias da pessoa jurídica em redução de seu capital social. Cabe, assim, transcrever as razões expostas pelo Julgador Wanaldir Aparecido Maia: MÉRITO Na dicção do art. 114 do CTN, o surgimento da obrigação tributária principal tem por pressuposto – necessário e suficiente a materialização, na realidade fenomênica, de uma situação que constitui seu fato gerador, verbis: “Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência.” No caso concreto, o evento fenomênico determinante do surgimento da obrigação tributária lançada é a redução do capital social escriturada pela autuada em 30/05/2007, por força da qual entregou às três cooperativas singulares que compõem seu próprio corpo social as ações que detinha na investida Batávia S/A. Dúvida não há, portanto, de que a exigência tem por fundamento ganho de capital nessa operação específica: redução de capital, mediante restituição de participação societária. Fl. 3414DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 12571.720394/201272 Acórdão n.º 1101000.994 S1C1T1 Fl. 11 10 O ganho de capital se encontra previsto, como gênero, no artigo 418 do Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 (RIR/99), verbis: “Art.418. Serão classificados como ganhos ou perdas de capital, e computados na determinação do lucro real, os resultados na alienação, na desapropriação, na baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo permanente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 31). §1º Ressalvadas as disposições especiais, a determinação do ganho ou perda de capital terá por base o valor contábil do bem, assim entendido o que estiver registrado na escrituração do contribuinte e diminuído, se for o caso, da depreciação, amortização ou exaustão acumulada (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 31, §1º). §2º O saldo das quotas de depreciação acelerada incentivada, registradas no LALUR, será adicionado ao lucro líquido do período de apuração em que ocorrer a baixa.” (Grifei). O evento eleito como fato gerador neste caso concreto – devolução de capital em bens ou direitos – se encontra disciplinado de forma expressa no mesmo Regulamento, verbis: “Art.419. Os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem transferidos ao titular ou a sócio ou acionista, a título de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 22). Parágrafo único. No caso de a devolução realizarse pelo valor de mercado, a diferença entre este e o valor contábil dos bens ou direitos transferidos será considerada ganho de capital, que será computado nos resultados da pessoa jurídica tributada com base no lucro real (Lei nº 9.249, de 1995, art. 22, §1º).” (Grifei). Constatase, portanto, a existência de uma regra geral estatuindo que o ganho de capital corresponde à diferença entre o valor recebido pelo ativo alienado e o seu custo de aquisição, representado pelo valor contábil. Essa regra geral é ligeiramente alterada no caso de devolução dos ativos em redução de capital, quando – por óbvio – não existirá um preço recebido pelos bens. Nesse caso, a devolução poderá ocorrer pelo próprio valor contábil dos bens, resultando assim na impossibilidade lógica de existir ganho de capital (VC – VC = 0). Também é possível que ocorra pelo preço de mercado do ativo. Nesse caso, a diferença entre esse e o valor contábil dos ativos será considerada ganho de capital. Ocorre, contudo, que os ativos transferidos – participações societárias , em razão de suas características intrínsecas, têm a apuração do ganho de capital sujeita a regramento especial, verbis: “Subseção V Resultado na Alienação de Investimento Avaliado pelo Custo de Aquisição Art.425. O ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento será determinado com base no valor contábil (art. 418, §1º) (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 31, §3º). (...) Avaliado pelo Valor de Patrimônio Líquido Fl. 3415DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 12571.720394/201272 Acórdão n.º 1101000.994 S1C1T1 Fl. 12 11 Art.426. O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 384), será a soma algébrica dos seguintes valores (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 33, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso V): I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real; III provisão para perdas que tiver sido computada, como dedução, na determinação do lucro real, observado o disposto no parágrafo único do artigo anterior.” É de se ver, portanto, que a apuração do ganho de capital em alienações de participações societárias sujeitase a dois critérios distintos de apuração, a depender de como estejam registradas na escrituração do alienante. Caso estejam registradas pelo custo de aquisição, a apuração se fará pela regra geral o confronto entre o preço da alienação e o custo contábil. Caso estejam registradas pelo valor correspondente à participação no patrimônio líquido da investida, o ganho de capital corresponderá à diferença entre o preço de alienação e o valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado, deduzido de eventual ágio e provisão para perdas. Essa, portanto, a regra inequívoca para o caso de alienação – para terceiros– de participações societárias. Entretanto, o caso dos autos trata de alienação de participações societárias, mas não para terceiros, e sim para os próprios sócios, em operação de redução de capital. Logo, a questão consiste em definir qual a regra a ser aplicada na mensuração de eventual ganho de capital na operação pela qual a autuada – CCLPL – , quando reduziu seu capital social, restituiu as ações que possuía na BATÁVIA às cooperativas singulares que se associaram para constituíla. Conforme se verá na sequência, a fiscalização, mesmo reconhecendo que se trata de investimento sujeito às regras de avaliação por equivalência patrimonial, entendeu que parte dessas ações, por terem sido adquiridas em decorrência de ágio pago pela PARMALAT, não teriam custo suscetível de ser confrontado com o valor da ‘alienação’, razão pela qual glosou o custo considerado pela autuada. No Termo de Verificação Fiscal o autuante registra que o lançamento tratado nestes autos foi motivado pelos fundamentos do acórdão nº 10196.087, do Primeiro Conselho de Contribuintes que, ao exonerar o montante tributável de R$ 42.187.247,97, tratou o mesmo como capitalização do ágio. No curso do seu arrazoado, o autuante argumenta que a autuada nada contribuiu ou pagou; também alega que a autuada não teve a disponibilidade econômica do mesmo e arremata, verbis: “Ora, não tendo a pessoa jurídica disponibilidade econômica ou jurídica sobre o montante, conforme o alegado no recurso voluntário, e também não tendo contribuído para a formação da referida reserva de capital, bem como considerando que o acórdão dispõe que houve capitalização do ágio, aumentando o capital social da CCLPL na Batávia S/A de R$ 28.470.746,03 para R$ 70.657.994,00, ou seja, de 28.470.746 para 70.657.994 ações, com valor nominal de R$ 1,00 por ação, ocorre a perfeita subsunção dos fatos à Fl. 3416DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 12571.720394/201272 Acórdão n.º 1101000.994 S1C1T1 Fl. 13 12 norma tributária prevista no art. 381 do Regulamento do Imposto de Renda – Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/1999) (destaques da fiscalização): Art. 381. As ações ou quotas bonificadas, recebidas sem custo pela pessoa jurídica, não importarão modificação no valor pelo qual a participação societária estiver registrada no ativo, nem serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no artigo seguinte (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 11, § 3º). Art. 382 (...) Dispõe ainda o parágrafo único do art. 419 do RIR/1999: Art. 419. Os bens e direitos do ativo da pessoa jurídica, que forem transferidos ao titular ou a sócio ou acionista, a título de devolução de sua participação no capital social, poderão ser avaliados pelo valor contábil ou de mercado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 22). Parágrafo único. No caso de a devolução realizarse pelo valor de mercado, a diferença entre este e o valor contábil dos bens ou direitos transferidos será considerada ganho de capital, que será computado nos resultados da pessoa jurídica tributada com base no lucro real (Lei nº 9.249, de 1995, art. 22, § 1º) (...) Portanto, parte do montante baixado de R$ 66.550.178,20, por devolução de capital às cooperativas Batavo, Castrolanda e Capal em maio de 2007, cujas ações bonificadas ou recebidas sem custo estavam avaliadas pela equivalência patrimonial de R$ 42.187.247,97 não integrariam o custo (contábil) na apuração do ganho de capital, ou se integrasse, seria indedutível, nos termos dos arts. 381 e 419 do RIR/1999.” A síntese do raciocínio do autuante se encontra evidenciada no seguinte excerto: “O fundamento legal para a redução do capital social, conforme o lançamento contábil da CCLPL, é o art. 22 da Lei nº 9.249/1995. No entanto, à luz do acórdão do CARF, a pessoa jurídica deixou de observar o § 1º da citada norma sobre 42.187.248 ações. Para os fins fiscais, nos termos do art. 381 do RIR/1999, o custo de aquisição, ou seja, o valor contábil para os efeitos tributários, considerada obviamente a decisão do CARF, é ZERO, conforme já salientado. Neste caso, ao avaliar as ações bonificadas pelo patrimônio líquido da investida, a CCLPL acabou por utilizar uma das modalidades de avaliação a valor de mercado, já que, a partir daí, foi abandonado o custo histórico, ou seja, ZERO, e o valor das ações passou a refletir o valor patrimonial da Batávia S/A. (...) Dando seguimento, a pessoa jurídica avaliou todas as ações pelo método da equivalência patrimonial, inclusive as ações bonificadas e recebidas em custo, salientese, indevidamente para os fins tributários, no caso destas ações.” Não consigo harmonizar a solução encontrada pela fiscalização às normas legais, conforme passo a demonstrar. Primeiro, volto no tempo e constato que a legislação contábil anterior à Lei nº 6.404, de 1976, o DecretoLei nº 2.627, de 26/09/1940, ao estipular as regras de valoração da azienda, adotava como critério o princípio geral do custo de aquisição, verbis: “Art. 129. No fim de cada ano ou exercício social, procederseá a balanço geral, para a verificação dos lucros ou prejuízos. Parágrafo único. Feito o inventário do ativo e passivo, a estimação do ativo obedecerá às seguintes regras: Fl. 3417DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 12571.720394/201272 Acórdão n.º 1101000.994 S1C1T1 Fl. 14 13 a) os bens, destinados à exploração do objeto social, avaliarseão pelo custo de aquisição. Na avaliação dos que se desgastam ou depreciam com o uso ou pela ação ao tempo ou de outros fatores, atenderseá à desvalorização respectiva, devendo ser criados fundos de amortização para assegurarlhes a substituição ou a conservação do valor; b) os valores mobiliários, matéria prima, bens destinados à alienação, ou que constituem produtos ou artigos da indústria ou comércio da sociedade, podem ser estimados pelo custo de aquisição ou de fabricação, ou pelo preço corrente no mercado ou Bolsa. Prevalecerá o critério da estimação pelo preço corrente, sempre que este for inferior ao preço do custo. Quando o preço corrente ou venal estiver acima do valor do custo de aquisição ou fabricação, se avaliados os bens pelo preço corrente, a diferença entre este e o preço do custo não será levada em conta para a distribuição de dividendos, nem para as percentagens referentes aos fundos de reserva;” (Grifei). Esse cenário alterouse radicalmente com a edição da Lei nº 6.404, de 15/12/1976, que revogou expressamente tais dispositivos e deu um novo e revolucionário regramento à matéria, conforme se lê em sua Exposição de Motivos, verbis: “Na avaliação, no balanço patrimonial, de investimento considerado relevante, o princípio geral do custo de aquisição, atualizado monetariamente, não é critério adequado, porque não reflete as mutações ocorridas no patrimônio da sociedade coligada ou controlada. Daí as normas do artigo 249 que impõem, nos casos que especifica, a avaliação com base no patrimônio líquido. Quando esses investimentos correspondem a parcela apreciável dos recursos próprios da companhia, nem mesmo o critério de avaliação com base no patrimônio líquido é suficiente para informar acionistas e credores sobre a sua situação financeira: somente a elaboração de demonstrações financeiras consolidadas, segundo as normas constantes do artigo 251, poderá proporcionar esse conhecimento”. (Grifei). Com respeito ao que releva neste momento, a mesma exposição de motivos dispõe: “Os critérios de avaliação do ativo (art. 184) são os da lei atual, com as seguintes inovações: a) (...); b) o custo de aquisição dos investimentos em outras sociedades deverá ser deduzido das perdas prováveis na realização do seu valor e não será modificado pelo recebimento de ações ou quotas bonificadas; mas os investimentos relevantes em coligadas e controladas deverão ser avaliados pelo valor de patrimônio líquido (nº II);” (Grifei). Implantouse, então, no ordenamento contábil pátrio – por força de instrumento legal (Lei nº 6.404, de 1976) – a sistemática de avaliação de investimentos relevantes com base no valor de patrimônio líquido da investida. A redação original da Lei nº 6.404, de 1976, era a seguinte: “Art. 248. No balanço patrimonial da companhia, os investimentos relevantes (artigo 247, parágrafo único) em sociedades coligadas sobre cuja administração tenha influência, ou de que participe com 20% (vinte por cento) ou mais do capital social, e em sociedades controladas, serão avaliados pelo valor de patrimônio líquido, de acordo com as seguintes normas: I o valor do patrimônio líquido da coligada ou da controlada será determinado com base em balanço patrimonial ou balancete de verificação levantado, com observância das normas desta Lei, na mesma data, ou até 60 (sessenta) dias, no máximo, antes da data do balanço da companhia; no valor de patrimônio líquido Fl. 3418DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 12571.720394/201272 Acórdão n.º 1101000.994 S1C1T1 Fl. 15 14 não serão computados os resultados não realizados decorrentes de negócios com a companhia, ou com outras sociedades coligadas à companhia, ou por ela controladas; II o valor do investimento será determinado mediante a aplicação, sobre o valor de patrimônio líquido referido no número anterior, da porcentagem de participação no capital da coligada ou controlada; III a diferença entre o valor do investimento, de acordo com o número II, e o custo de aquisição corrigido monetariamente; somente será registrada como resultado do exercício: a) se decorrer de lucro ou prejuízo apurado na coligada ou controlada; b) se corresponder, comprovadamente, a ganhos ou perdas efetivos; c) no caso de companhia aberta, com observância das normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários. § 1º Para efeito de determinar a relevância do investimento, nos casos deste artigo, serão computados como parte do custo de aquisição os saldos de créditos da companhia contra as coligadas e controladas. § 2º A sociedade coligada, sempre que solicitada pela companhia, deverá elaborar e fornecer o balanço ou balancete de verificação previsto no número I.” (Grifei). Penso, portanto, que toda e qualquer participação societária pertencente à pessoa jurídica deverá ser por ela avaliada integralmente seguindo um dentre dois critérios: a) pelo custo de aquisição; ou b) pelo valor de patrimônio líquido. Enfatizo que os critérios são alternativos e mutuamente excludentes. Não me parece possível um mesmo investimento ser fatiado e, simultaneamente, pelos dois critérios, ser avaliado e ter calculada a apuração do ganho de capital. Contudo, o Termo de Verificação Fiscal deixa inequívoco que esse é o entendimento sobre o qual se alicerça o lançamento, verbis: “APURAÇÃO DA BASE IMPONÍVEL Em um primeiro momento, a fiscalização apurou a participação percentual que pode ser efetivamente avaliado pela equivalência patrimonial da investida, a partir dos elementos fornecidos pela fiscalizada e, em especial, pela BRF Brasil Foods S/A: (tabela, omissis) A participação que efetivamente, para fins fiscais, pode ser avaliada pelo método da equivalência patrimonial é aquela com custo, ou seja, 30.768.752 ações, conforme a tabela acima. Já a relação percentual é a seguinte: Descrição Todas as ações Ações com Custo Ações Bonificadas Quantidade Valor Com Custo Valor Bonificadas Valor Ações CCLPL % 45,96% 45,96% 20,62% 20,62% 25,34% 25,34% Ações totais 149.200.000 149.200.000,00 30.768.752 30.768.752,03 37.803.568 37.803.567,97 Do total de 45,96¨% das ações, 20,62% são passíveis de avaliação pelo método da equivalência patrimonial e 25,34%, tem custo zero para fins fiscais de apuração do resultado não operacional. A apuração do custo efetivamente dedutível na apuração do resultado não operacional em maio de 2007: Fl. 3419DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 12571.720394/201272 Acórdão n.º 1101000.994 S1C1T1 Fl. 16 15 Descrição Valor A) participação na Batávia S/A, em 05/2007, segundo escrituração da CCLPL 68.573.320 66.550.178,20 ações 45,96% B) Patrimônio Líquido Batávia S/A (A : 45,96%) 144.800.213,66 C) Participação na Batávia S/A, apurada pela fiscalização sobre 37.803.568 ações 20,62% 29.861.406,62 (BX20,62%) custo dedutível D) Diferença de receita de equivalência patrimonial sobre 37.803.568 ações (25,34%), 36.688.771,58 correspondente a custo não dedutível (AC) Do montante lançado na contabilidade da CCLPL a título de investimentos avaliados pelo patrimônio líquido da Batávia S/A, de R$ 66.550.178,20, apenas R$ 29.861.406,62 é dedutível na apuração do resultado não operacional, evidentemente, para fins fiscais, como já referido. (...) Portanto, na redução do capital social ocorrida em maio de 2007, parte do montante deduzido pela CCLPL como custo, de R$ 66.550.178,20, não é dedutível, conforme demonstrado acima.” (Grifei). Não me persuado de que a legislação agasalhe a possibilidade de avaliar apenas parte das ações que a autuada possui na Batávia S/A pelo método da equivalência patrimonial e que a outra parte possa ser avaliada pelo custo de aquisição, como pretende a fiscalização. Tenho comigo que o autuante incorre em equívocos. Com efeito, o art. 248 da Lei nº 6.404, de 1996, recémtranscrito, é claro ao estatuir que, no balanço patrimonial da autuada (CCLPL), os investimentos relevantes em sociedades coligadas sobre cuja administração tenha influência, ou de que participe com 20% (vinte por cento) ou mais do capital social – como ocorre na BATÁVIA S/A serão avaliados pelo valor de patrimônio líquido. E em assim sendo, em se tratando de investimento avaliado pelo valor de patrimônio líquido, o custo histórico é uma grandeza que perde relevância já na escrituração inicial, quando deixa de ser a expressão pela qual a participação será mensurada no balanço, cedendo lugar ao valor que as ações representam no patrimônio líquido da investida. E daí em diante, cada vez que a investida alterar o valor de seu patrimônio líquido implicará alteração proporcional no ativo da investidora. Assim sendo, o investimento deverá sempre ser considerado como um todo, sem perquirir se as ações tiveram custo ou não. Irrelevante para tais investimentos, portanto, a norma veiculada no art. 381 do RIR/99. Abro um parêntese para acrescentar que também não me parece consistente a premissa esposada pelo autuante de que a autuada não teve a disponibilidade econômica ou jurídica sobre as ações recebidas em bonificação. Pelo contrário, desde o momento em que as ações já haviam sido emitidas pela Batávia S/A e o valor correspondente já fora integralizado pela Parmalat, estavam devidamente lastreadas. Logo, se essas ações possuíam substância econômica e a pessoa que as detinha (a autuada) tinha plena capacidade jurídica de delas dispor livremente, não vejo como afirmar que essa pessoa não tinha a disponibilidade econômica ou jurídica sobre essas ações. Prosseguindo, registro que a própria fiscalização não contesta que se trata de participação societária sujeita a avaliação com base no patrimônio. Aliás, a fiscalização deixa claro que não discorda que as ações originais da CCLPL – aquelas que tiveram custo efetivo – sejam avaliadas pela equivalência patrimonial. Sua discordância se restringe às ações bonificadas, em razão da ausência de custo efetivo. Fl. 3420DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 12571.720394/201272 Acórdão n.º 1101000.994 S1C1T1 Fl. 17 16 Em outras palavras, a fiscalização entende que, para fins de apuração do custo de alienação, as ações devem ser divididas em dois grupos, a saber: a) o primeiro grupo, composto pelas ações originais, emitidas em contrapartida aos ativos que a CCLPL transferiu para a BATÁVIA S/A, devem ser avaliados pela equivalência patrimonial; e b) o segundo grupo, composto pelas ações bonificadas, recebidas sem contraprestação correspondente, devem ser avaliadas pelo custo de aquisição, que no caso é zero. O excerto do Termo de Verificação Fiscal transcrito alhures, na parte que arremata o raciocínio fiscal, deixa evidenciado esse entendimento de que as ações devem ser avaliadas em parcelas distintas, pelos dois métodos, verbis: “(...) Dando seguimento, a pessoa jurídica avaliou todas as ações pelo método da equivalência patrimonial, inclusive as ações bonificadas e recebidas em custo, salientese, indevidamente para os fins tributários, no caso destas ações.” Penso que o comando legal possui caráter maniqueísta: ou todas as ações serão avaliadas pelo método de custo de aquisição; ou todas as ações serão avaliadas pelo método de equivalência patrimonial, hipótese em que não cabe perquirir se existiu um custo correspondente ou se foram recebidas em bonificação. Em verdade, a participação relevante que a contribuinte possui no capital de outra pessoa jurídica é um todo incindível e seu custo contábil para a apuração do ganho de capital – tanto na hipótese de venda das ações, como na hipótese de repasse destas aos sócios, em decorrência de redução de capital – deverá ser apurado em conformidade com o art. 426 do RIR/99, verbis: “Art.426. O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 384), será a soma algébrica dos seguintes valores (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 33, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso V): I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real; III provisão para perdas que tiver sido computada, como dedução, na determinação do lucro real, observado o disposto no parágrafo único do artigo anterior.” A meus olhos, está evidente que as 68.572.320 ações emitidas pela Batávia S/A e possuídas pela CCLPL constituíam um todo incindível que, por representar 45,96% do capital da Batávia, deveriam ser avaliadas pela CCLPL pelo método de equivalência patrimonial. Logo, se o patrimônio da Batávia S/A importava R$ 144.800.213,66, a CCLPL deveria avaliar sua participação societária em R$ 66.550.178,20 (R$ 144.800.213,66 X 45,96%). Entendo que esse é o valor contábil (custo) que deverá ser considerado para a apuração de eventual ganho de capital na baixa desse investimento. Concluo, portanto, que o lançamento está irremediavelmente comprometido, devendo ser exonerada integralmente a exigência. O voto condutor da decisão sob reexame estendese, ainda, na demonstração do momento em que ocorreu o ganho aventado pela Fiscalização. Assim diz o Julgador Wanaldir Aparecido Maia: Fl. 3421DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 12571.720394/201272 Acórdão n.º 1101000.994 S1C1T1 Fl. 18 17 Não significa, contudo, que a autuada não tenha auferido o ‘ganho’ apontado pela fiscalização no conjunto de operações que, ao cabo, implicaram a alienação das ações da Batávia S/A, pelas cooperativas que as receberam da autuada. Esse ganho ocorreu, mas se materializou no momento em que houve a efetiva integralização das ações emitidas com ágio pela BATÁVIA S/A – e não no momento da mera subscrição mediante entrega de nota promissória. A Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por meio do Acórdão nº 145.921 (fls. 1.1521.172), sabiamente entendeu que a PARMALAT não desembolsou o preço de R$ 112.458.000,00 para adquirir apenas as 44.000.000 ações. Adotouse ali o arguto entendimento de que a importância de R$ 86.096.422,00 integralizada pela Parmalat na Batávia S/A, quando já detentora de 51% de suas ações, correspondia a ágio que revertia em benefício dela própria e também da outra sócia, a CCLPL na proporção de suas participações no capital social, respectivamente de 51% e 49%. Na feliz expressão do voto: “Vejase que o valor final da participação das acionistas é exatamente o mesmo, só que todo o ágio aportado foi verdadeiramente utilizado para o fomento da empresa, sem servir de instrumental simulado de custo” Naquele momento, quando a Parmalat integralizou as ações que subscreveu com ágio, é que ocorreu o fato gerador, conforme bem evidenciado no Manual de Contabilidade da FIPECAFI, verbis: “11.7.6 Ágio na Subscrição Nos itens anteriores vimos que: a) as variações na porcentagem de participação nos aumentos de capital podem gerar diferenças no valor da equivalência patrimonial oriundas das diluições de participações de certos acionistas. Essas diferenças, como analisado no item 11.4.4, são normalmente tratadas como receita ou despesa não operacional, não surgindo qualquer ágio ou deságio; b) por outro lado, vimos nos itens anteriores ao 11.7 que surge o ágio ou deságio somente quando uma empresa adquire ações ou quotas de uma empresa já existente, pela diferença entre o valor pago a terceiros e o valor patrimonial de tais ações ou quotas adquiridas dos antigos acionistas ou quotistas. Poderíamos concluir, então, que não caberia registrar um ágio ou deságio na subscrição de ações. Entendemos, todavia, que quando da subscrição de novas ações, em que há diferença entre o valor de custo do investimento e o valor patrimonial contábil, o ágio deve ser registrado pela investidora. Essa situação pode ocorrer quando os acionistas atuais (Empresa A) de uma Empresa B resolvem admitir novo acionista (Empresa X) não pela venda de ações já existentes, mas pela emissão de novas ações a serem subscritas, pelo novo acionista. Ou quando um acionista subscreve aumento de capital no lugar de outro. O preço de emissão das novas ações, digamos $ 100 cada, representa a negociação pela qual o acionista subscritor está pagando o valor patrimonial contábil da Empresa B, digamos $ 60, acrescido de uma maisvalia de $ 40, correspondente, por exemplo, ao fato de o valor de mercado dos ativos da Empresa B ser superior a seu valor contabilizado. Tal diferença representa, na verdade, uma reavaliação de ativos, mas não registrada pela Empresa B, por não ser obrigatória. Notemos que, nesse caso, não faz sentido lógico que o novo acionista ou mesmo o antigo, ao fazer a integralização do capital, registre seu investimento pelo valor patrimonial das suas ações e reconheça a diferença como perda não operacional. Na verdade, nesse caso o valor pago a mais tem substância Fl. 3422DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 12571.720394/201272 Acórdão n.º 1101000.994 S1C1T1 Fl. 19 18 econômica bem fundamentada e deveria ser registrado como um ágio, baseado no maior valor de mercado dos ativos da Empresa B. Tal ágio seria amortizado na proporção da realização (depreciação ou baixa) dos ativos correspondentes na Empresa B. Se a empresa B vier a registrar a referida reavaliação dos ativos, o acréscimo correspondente na conta de investimento da Empresa X seria creditado contra a conta de ágio. Notemos ainda que: a) A Empresa B, ao contabilizar o aumento de capital, registrará a diferença entre o preço de emissão das ações recebido e o valor nominal das ações (e não o valor patrimonial) como Reserva de Capital, na conta específica Ágio na Emissão de Ações. Os acionistas deverão tomar todo cuidado na definição do número de ações alocado à nova emissão de capital subscrito e na base da capitalização da conta Ágio na Emissão de Ações, pois tal futura capitalização, sendo feita em benefício de todos os acionistas, inclusive os subscritos, poderá fazer retornarlhe a vantagem que se pretendia somente para o antigo acionista não subscritor. b) A Empresa A (antiga acionista), neste caso, fará o cálculo da equivalência patrimonial antes e após a emissão das novas ações, ou seja, com sua participação anterior maior sobre o patrimônio antes da emissão e após, já com sua participação diluída, sobre o novo patrimônio. A diferença deve representar um acréscimo na conta de investimento que, nesse caso, registrará como receita não operacional. Essa receita significa, em termos reais, a transformação do ganho potencial anteriormente não registrado e não realizado relativo à reavaliação não feita e que ora se realizou, pois foi paga por terceiros, dentro do preço de emissão das ações, que aumentou o patrimônio de sua controlada Empresa B. Para facilitar a compreensão, vejamos o seguinte exemplo. A Empresa A possui 100% do capital da Empresa B, sendo que em 313X1 resolve admitir um novo acionista da Empresa X através da subscrição de novas ações. Os dados contábeis das empresas A e B antes da subscrição das novas ações são: Empresa B – antes da subscrição Capital Social 4.000 ações a R$ 150 $ 600.000 Reservas de Lucros $ 200.000 Total do PL $ 800.000 Valor patrimonial da ação 800.000/4.000 ações $ 200/ação Empresa A – antes da subscrição Investimento em B 100% x $ 800.000 $ 800.000 A Empresa X efetua subscrição de 1.000 ações pelo valor de $ 250 cada uma. O Patrimônio Líquido da Empresa B teria agora uma conta de Reservas de Capital– Ágio na Subscrição de Ações no montante de $ 100.000, proveniente da diferença entre o preço pago e o valor nominal das ações [1.000 ações x ($ 250 $ 150)]. Empresa B – após a subscrição Capital Social 5.000 ações a R$ 150 $ 750.000 Reservas de capital – Ágio na subscrição das Ações $ 100.000 Reservas de Lucros $ 200.000 Fl. 3423DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 12571.720394/201272 Acórdão n.º 1101000.994 S1C1T1 Fl. 20 19 Total do PL $ 1.050.000 A participação da empresa A passa de 100% para 80%, então o valor do investimento seria: Empresa A – após a subscrição Investimento em B 80% x $ 1.050.000 $ 840.000 A diferença entre o saldo atual e o anterior da conta de investimentos é de $ 40.000 e deve ser registrada como receita não operacional.” (Grifei). Por derradeiro, urge acrescentar que o ganho acima referido é distinto daquele decorrente de variação na percentagem de participação do contribuinte no capital social da coligada ou controlada que, por força do art. 428 do RIR/99, não é computado na determinação do lucro real. A propósito, atentese para a advertência feita logo na introdução do texto, de que as variações na porcentagem de participação nos aumentos de capital podem gerar diferenças no valor da equivalência patrimonial oriundas das diluições de participações de certos acionistas, mas que tais diferenças, conforme demonstrado no item 11.4.4 do Manual, são normalmente tratadas como receita ou despesa não operacional, não surgindo qualquer ágio ou deságio, enquanto o ganho aqui analisado decorre de inequívoco ágio na subscrição de ações, pela PARMALAT. Deveria, portanto, o lançamento original, já julgado pelo Conselho de Contribuintes, ter identificado e incidido corretamente sobre esse ganho, em vez de considerar que a autuada auferiu todo o ganho na venda de apenas parte das ações que possuía na BATÁVIA. Resta patente, assim, que o julgado proferido nos autos do lançamento anterior limitou a exigência ao ganho de capital verificado no fato jurídico tributário erigido pela Fiscalização. Na medida em que esta outra receita não operacional descrita pela autoridade julgadora de 1a instância deixou de ser cogitada, não foram alcançados todos os efeitos jurídicos decorrentes da operação verificada em 1998. Em conseqüência, houve, sim, transferência de riqueza entre Parmalat Ltda e CCLPL naquela ocasião, apenas que não a título de ganho de capital. Assim, mesmo sob este ângulo, o custo zero verificado no recebimento das ações em bonificação representaria uma superveniência ativa sujeita a tributação no momento de sua aquisição, e não de sua venda. Diante do exposto, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 3424DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 12571.720394/201272 Acórdão n.º 1101000.994 S1C1T1 Fl. 21 20 Fl. 3425DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10166.007471/2005-22
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2001
ATRASO NA ENTREGA DA DCTF.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. AUSÊNCIA DE PROVA DOS EFEITOS RETROATIVOS DA EXCLUSÃO. Não subsiste a penalidade aplicada por atraso na entrega de DCTF se a autoridade administrativa não localiza o ato de exclusão e, assim, impede o controle da legalidade do ato administrativo de lançamento.
Numero da decisão: 1101-000.978
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencida a Relatora Conselheira Mônica Sionara Schpallir Calijuri, acompanhada pelo Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
MÔNICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI - Relatora
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga.
Nome do relator: MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI
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EXCLUSÃO DO SIMPLES. AUSÊNCIA DE PROVA DOS EFEITOS RETROATIVOS DA EXCLUSÃO. Não subsiste a penalidade aplicada por atraso na entrega de DCTF se a autoridade administrativa não localiza o ato de exclusão e, assim, impede o controle da legalidade do ato administrativo de lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencida a Relatora Conselheira Mônica Sionara Schpallir Calijuri, acompanhada pelo Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) MÔNICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 74 71 /2 00 5- 22 Fl. 45DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.007471/200522 Acórdão n.º 1101000.978 S1C1T1 Fl. 46 2 (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Redatora Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Nara Cristina Takeda Taga. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.007471/200522 Acórdão n.º 1101000.978 S1C1T1 Fl. 47 3 Relatório Instituto Cultural Brasil América Ltda, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília/DF que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra auto de infração formalizado em 10/06/2005, exigindo crédito tributário no valor total de R$2.866,25 relativo a multa por atraso na entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF –2001. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: “Contra a contribuinte acima identificada foi formalizado o Auto de Infração de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais do anocalendário de 2001, folha 03, no qual está sendo exigido o crédito tributário no valor de R$2.866,25. Cientificada, a contribuinte apresentou impugnação de folhas 01/02, alegando em síntese, que: era optante pelo simples, tendo o seu desenquadramento em 05/12/2003. discorda do desenquadramento e revoltada com a flagrante ilegalidade e inconstitucionalidade da medida, apresentou recurso administrativo contra a decisão, os quais foram indeferidos e, por esta razão, optou por acatar a determinação e apresentou as declarações pelo lucro real e a conseqüente entrega das DCTF/DIPJ. devido a uma interpretação descabida, arbitrária e imoral; alguém, que não foi o legislador, pois no texto da lei não há esta vedação, consegue concluir que uma escola de línguas não pode ser optante pelo simples porque a atividade é equiparada à de professor. Frisa que no quadro da empresa não tem professores. é uma vergonha a empresa receber cobrança de multa por atraso na entrega das declarações e, pergunta como poderia entregar as mesmas se a empresa estava enquadrada no simples e mesmo que tentasse entregar o sistema da Receita não permitiria. Transcreve o Art. 112 do CTN e diz que o artigo se aplica integralmente ao caso, havendo dúvida em todos os itens, os quais devem ser interpretados favoravelmente ao contribuinte, pois, a capitulação legal do fato, a natureza das circunstâncias, bem como a autoria foram decorrentes de fatores supervenientes, sobre os quais a empresa, nem qualquer outra pessoa, inclusive a Receita Federal, tinha conhecimento naquele momento.” Por fim, solicita a nulidade do Lançamento. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que: · É incompetente para julga argüição de inconstitucionalidade · A multa por entrega de DCTF em atraso é valida. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.007471/200522 Acórdão n.º 1101000.978 S1C1T1 Fl. 48 4 O acórdão transcrevese a seguir: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2001 INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE NORMAS LEGAIS A instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza,pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade e/ou ilegalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detem,com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF E cabível a exigência da multa pelo atraso na entrega da DCTF na forma em que foi consignada no auto de infração.” Cientificada da decisão de primeira instância em 02/04/2007 (fl. 24), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 23/04/2007 (fls. 25 e 26), no qual reitera os argumentos apresentados na impugnação. Adicionalmente consigna que o julgamento de 1a Instância restringiuse a analisar questões de natureza constitucional e que a decisão de 1a Instância mostrou o desconhecimento da norma e do processo pois a empresa cumpriu integralmente com as obrigações acessórias relativas ao SIMPLES. Afirma que se trata de bom senso visto que empresa estava enquadrada no SIMPLES e não podia apresentar DCTF, pois o próprio sistema da RFB não permitiria a remessa e, considerando que foi desenquadrada de ofício, não pode ser multada pela entrega em atraso das DCTF. Por fim, pede a nulidade do auto de infração. A 1a Câmara da Terceira Seção do CARF, em 27 de março de 2009 converteu o julgamento em diligência a fim de que o processo fosse instruído pelo Ato Declaratório que determinou a exclusão, bem como pelo SRS e o respectivo processo administrativo fiscal, caso tenham sido implementados (fls. 31 e 32). Para dar cumprimento à diligência, a DICAT da DRF Brasília em 05/01/2010, solicitou cópia da Solicitação de Revisão de Exclusão do Simples Federal SRS N. 01101207486, bem como o dossiê e Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Simples Federal ADE n. 0207486 lote 2 ciclo 1 à DITEC/DRF/Brasília – DF (fl. 36). Em 26/04/2010 e em 08/05/2010 a solicitação foi reiterada (fls. 37 e 38) Em 03 de novembro de 2010 a DITEC informa que não foram localizados no arquivo da DITEC os documentos solicitados, retornando o processo à DICAT da DRF Brasília (fl. 39). A DICAT informou que foi consultado o sistema SIVEX onde consta que o sistema não possui informações armazenadas relativas aos ADE dos LOTES 001 e 002 (fls. 41 e 42). Conclui pela impossibilidade de cumprimento da diligência, devolvendo ao CARF. O processo foi então redistribuído da 3a para a 1a Seção. Fl. 48DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.007471/200522 Acórdão n.º 1101000.978 S1C1T1 Fl. 49 5 Voto Vencido Conselheira MÔNICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI Retornado o processo ao CARF e a mim distribuído, passei à análise dos documentos acostados ao processo, os quais entendo serem suficientes para embasar o voto. Dispenso, portanto, o cumprimento da diligência e passo a analisar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, tempestivamente, em 23/04/2007 (fls. 25 e 26). A consulta cadastral do CNPJ mostra que a contribuinte optou pelo Simples em 01/01/1997 e foi desenquadrada em 01/11/2000 (fl. 04). O CNAE fiscal é de “cursos de línguas estrangeiras”. A página do SIVEX Sistema de Vedações e Exclusões do Simples (fl. 35) confirma os dados do cadastro do CNPJ quanto às datas de opção e exclusão do SIMPLES e mostra que a empresa apresentou a Solicitação de Revisão de Exclusão do Simples Federal. Por sua vez, na impugnação da empresa à fl. 01, está consignado que a empresa permaneceu na sistemática do SIMPLES até 05/12/2003, quando foi “arbitrariamente desenquadrada de ofício”. Consta também que, na mesma data, a empresa “optou por acatar a determinação e apresentar as declarações pelo Lucro Real e a conseqüente entrega das DCTF/DIPJ, compensandose os valores pagos no simples e parcelando diferença (...)”. O mesmo se repete no recurso, onde acrescenta que “em que pese sua discordância com fato e revoltada com a flagrante ilegalidade e inconstitucionalidade da medida, apresentou recurso administrativos contra a decisão, as quais foram indeferidos”, dizeres estes contraditórios ao que consta no extrato do CNPJ cuja consulta está datada de 09/02/2006, no tocante à data da exclusão do SIMPLES (01/11/2000) mas que não afetam o presente voto. No mesmo recurso voluntário, a contribuinte consigna que “Ciente dos riscos de demandar nestas circunstâncias, optou por acatar a determinação e apresentar as declarações pelo Lucro Real e a conseqüente entrega das DCTF/DIPJ, compensandose os valores pagos no simples e parcelando a diferença, em 05.12.2003”. O auto de infração – I foi lavrado para exigir multa no valor de R$2.866,25 devida por atraso na entrega de Declaração de Débitos e créditos Tributários Federais – DCTF 2001dos quatro trimestres do anocalendário 2001, entregues espontaneamente em 09/12/2003. Preliminarmente, entendo ser incabível a argüição de nulidade do lançamento se na sua formalização foram observados os preceitos do Art. 10 do Decreto n° 70.235/72. Ainda mais quando se constata que nos autos existem os elementos de provas necessários à solução do litígio e a infração está perfeitamente demonstrada e tipificada o que permitiu à impugnante articular perfeitamente a sua defesa, não demonstrando qualquer dúvida quanto ao ilícito fiscal que lhe foi imputado. Fl. 49DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.007471/200522 Acórdão n.º 1101000.978 S1C1T1 Fl. 50 6 Quanto ao exame da legalidade/constitucionalidade das Leis, que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF n. 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A obrigatoriedade da entrega da DCTF no anocalendário 2001 estava prevista de acordo com a IN 2O da IN SRF n. 126/98, in verbis: Art. 1 º Fica instituída a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. Art. 2 º A partir do anocalendário de 1999, as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, deverão apresentar, trimestralmente, a DCTF, de forma centralizada, pela matriz. § 1 º Para efeito do disposto nesta Instrução Normativa, serão considerados os trimestres encerrados, respectivamente, em 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário. § 2 º A declaração, gerada pelo programa DCTF 1.0. deverá ser apresentada à Secretaria da Receita Federal SRF, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores, observado o seguinte: (Redação dada pela IN SRF n º 83/99, de 12 de julho de 1999 ) I se em disquete, será entregue diretamente nas unidades da SRF; (Incluído pela IN SRF n º 83/99, de 12 de julho de 1999 ) II se utilizado o programa Receitanet, disponível neste endereço, será transmitida via Internet. (Incluído pela IN SRF n º 83/99, de 12 de julho de 1999 ) § 3 º No caso de encerramento de atividades, incorporação, fusão ou cisão, a DCTF deverá ser apresentada até o último dia útil do mês subseqüente à ocorrência do evento. No que se refere à possibilidade jurídica de aplicação de penalidade pecuniária por falta de cumprimento de obrigação acessória, essa obrigação é um dever de fazer ou não fazer que decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos, e pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Citese também a Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Portanto, não há reparos a serem feitos na decisão da recorrida. Face ao exposto, meu voto é no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) MÔNICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI – Relatora Fl. 50DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.007471/200522 Acórdão n.º 1101000.978 S1C1T1 Fl. 51 7 Voto Vencedor Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Consoante relatado, a interessada reconhece seu desenquadramento, em 05/12/2003, do Simples Federal, mas discorda de seus efeitos retroativos, em razão dos quais lhe foi aplicada multa por atraso na entrega das DCTF. Observa que estava impedida de apresentar tais declarações à época em que permanecia inserida no Simples Federal. Em razão destes fatos, a 1a Câmara da Terceira Seção do CARF converteu o julgamento em diligência para juntada do Ato Declaratório de exclusão, bem como dos atos administrativos subseqüentes em razão da solicitação de revisão interposta pelo sujeito passivo. Entendo que esta instrução era necessária, com vistas a determinar a partir de que momento o ato de exclusão, editado em 05/12/2003, teria produzido efeitos, assim tornando obrigatórias as DCTF apresentadas pelo sujeito passivo. É certo que a contribuinte teria reconhecido os valores devidos e recolhido a diferença eventualmente apurada desde o momento em que a exclusão produziu efeitos. Por sua vez, os sistemas informatizados acusam que estes efeitos retroativos teriam se produzido desde 01/11/2000. Todavia, ausente o ato de exclusão e a evidenciação de seus fundamentos legais, não é possível afirmar que a retroatividade foi regularmente imposta ao sujeito passivo. E, ainda que a contribuinte tenha optado por acatar a determinação e apresentar as declarações pelo Lucro Real e a conseqüente entrega das DCTF/DIPJ, o fato é que administrativamente discordou do lançamento das penalidades que lhe foram impostas em razão deste atraso, e submeteu a este órgão de julgamento o controle da legalidade daquele ato. Ausente, portanto, prova da exclusão da contribuinte do Simples, e demonstração dos efeitos deste ato, não há como dizer que ela estava obrigada à entrega das DCTF que ensejaram a aplicação da penalidade aqui em litígio. Estas as razões, portanto, para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Redatora designada Fl. 51DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 26/11/2013 por MONICA SIONARA SCHPALLIR CALIJURI, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10980.016850/2008-52
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 02 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1103-000.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do colegiado converter o julgamento em diligência, por unanimidade.
Aloysio José Percínio da Silva Presidente e Relator
(assinatura digital)
Participaram do julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os membros do colegiado converter o julgamento em diligência, por unanimidade. Aloysio José Percínio da Silva – Presidente e Relator (assinatura digital) Participaram do julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório O processo trata de autos de infração de IRPJ – imposto de renda pessoa jurídica (fls. 61)1 e, como tributação reflexa, de CSLL – contribuição social sobre o lucro líquido (fls. 70), com imposição de multa de ofício no percentual de 75% previsto no art. 44, I, da Lei 9.430/1996, lavrados em face da constatação das infrações adiante relacionadas: 1) falta de adição ao lucro real da parcela do lucro inflacionário de realização mínima obrigatória nos anoscalendário 2004 e 2005; 2) insuficiência de pagamento no segundo e no terceiro trimestres do ano calendário 2004, apurada mediante o cotejo de DIPJ, DCTF e pagamentos/compensações realizados. 1 As folhas dos autos estão indicadas conforme a numeração atribuída pelo sistema "eprocesso". RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .0 16 85 0/ 20 08 -5 2 Fl. 601DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.016850/200852 Resolução nº 1103000.091 S1C1T3 Fl. 3 2 A exigência da CSLL não abrangeu a infração descrita no item nº 1 e, quanto ao item nº 2, alcançou também o anocalendário 2005. Na tempestiva peça de impugnação (fls. 78), a contribuinte autuada contestou apenas o item nº 2, alegando ocorrência de equívocos no preenchimento das fichas da DIPJ, fato que "fez com que as diferenças nos recolhimentos se destacassem". Juntou documentação para comprovar a sua alegação. A 1ª Turma da DRJ/CuritibaPR julgou improcedente a parte da exigência impugnada mediante o acórdão 0627.709/2010 (fls. 282), interpondo recurso de ofício. A decisão restou assim resumida: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 DIPJ X DCTF. DIVERGÊNCIA NOS VALORES RELATIVOS AO IRPJ DEVIDO. RETIFICAÇÃO DA DIPJ APÓS O LANÇAMENTO. COMPROVAÇÃO DO ERRO DA DIPJ ORIGINAL. A apresentação de DIPJ retificadora após a ciência do auto de infração é hábil a elidir o lançamento por divergência entre o valor de IRPJ devido informado na DIPJ e na DCTF original se o contribuinte apresenta elementos comprobatórios do erro das informações prestadas na DIPJ original." A contribuinte foi cientificada da decisão no dia 15/09/2010 (fls. 299). A parcela não impugnada do crédito tributário, correspondente à infração descrita no item nº 1 acima, foi transferida para o processo nº 10980.723457/201033, permanecendo controlada neste processo (10980.016850/200852) apenas a parte excluída na decisão de primeira instância, segundo despacho de fls. 298. As DIPJ contêm indicação de apuração do IRPJ e da CSLL pelo regime do lucro real, sendo trimestral no anocalendário 2004 e anual em 2005. É o relatório. Voto Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva – Relator. O recurso reúne os pressupostos de admissibilidade. Deve, portanto, ser conhecido. Fl. 602DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.016850/200852 Resolução nº 1103000.091 S1C1T3 Fl. 4 3 O presente julgamento trata apenas do recurso de ofício em razão da exclusão pela decisão de primeiro grau da parcela do crédito tributário relativa à infração indicada como insuficiência de pagamento de IRPJ e de CSLL. As insuficiências de pagamento resultaram do cotejo das informações prestadas em DIPJ e DCTF, conforme demonstrado no quadro abaixo, em Reais (R$): a) IRPJ Período DIPJ DCTF Diferença 3º trim/2004 67.339,67 19.015,29 48.324,38 4º trim/2004 1.184.525,82 1.928,95 1.182.596,87 b) CSLL Período DIPJ DCTF Diferença 3º trim/2004 26.402,28 11.228,34 15.173,94 4º trim/2004 428.333,88 2.564,70 425.769,18 anual/2005 482.534,06 57.389,99 425.144,07 Na impugnação, a contribuinte alegou erro nas informações prestadas na DIPJ. Juntou aos autos cópia de páginas do livro Diário (fls. 202/280) e quadros indicativos de lançamentos contábeis de despesas não dedutíveis, de lucros recebidos de controlada e de equivalência patrimonial (fls. 202, 211, 222, 228, 239, 243 e 254). Com base nos registros do livro Diário, apresentou DIPJ retificadoras dos anos calendário 2004 e 2005 em 29/12/2008 (fls. 85 e 170), após o lançamento tributário realizado em 05/12/2008 (fls. 77), cujos valores coincidem com os informados em DCTF, segundo registrado na decisão recorrida. As alegações e provas apresentadas foram assim enfrentadas no acórdão de primeira instância: “Na DIPJ 2005 original, o contribuinte informou, no 4º trimestre, R$ 4.711.798,77 de resultados positivos em participações societárias e não promoveu a qualquer exclusão do lucro líquido, para fins de apuração do lucro real. Na DIPJ retificadora, informou idêntica receita, mas informou a exclusão do lucro líquido do valor de R$ 4.688.950,73, a título de ajustes por aumento do valor de investimentos avaliados pelo patrimônio líquido, além do valor de R$ 22.848,04, a título de lucros devid. Deriv. Invest. Aval. Custo de aquisição. Em razão da exclusão, o lucro real do período passou de R$ 4.762.103,28, na DIPJ original, para R$ 35.213,34, de maneira que o IRPJ a pagar reduziuse de R$ 1.184.525,82 para R$ 1.929,04. O mesmo fato aconteceu em relação à CSLL, resultando numa redução da CSLL devida no período de R$ 428.333,88 para R$ 2.564,75. Corroborando a retificação acima mencionada, o contribuinte apresentou as folhas do Livro Diário, cujo termo de autenticação foi feito em 26/04/2007, anteriormente, pois, à ciência do auto de infração, em que registra o lançamento a débito do valor do resultado de equivalência patrimonial com base no patrimônio líquido de 31/12/2004 da controlada TECONVI – Terminal de Contêineres do Vale do Itajaí, no exato valor de R$ 4.688.950,73. Portanto, o contribuinte apresentou elementos suficientes para comprovar o erro na DIPJ original, em que não procedeu à exclusão, Fl. 603DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.016850/200852 Resolução nº 1103000.091 S1C1T3 Fl. 5 4 que lhe é de direito, do valor relativo ao resultado da equivalência patrimonial em empresas controladas. Outra diferença considerável encontrada pela autoridade fiscal referese à CSLL do anocalendário 2005, em que foi declarado em DIPJ valor devido de R$ 482.534,06, enquanto o valor declarado em DCTF e/ou pago foi de apenas R$ 57.389,99. Analisandose a DIPJ original, verificase que, na ficha 09A, relativa ao IRPJ, houve a informação da exclusão do valor de R$ 5.095.110,28, como “outras exclusões”, resultando em um Lucro Real antes da compensação de prejuízos próprio período de apuração de R$ 311.303,32, o que acarretou, ao final, a ausência de lançamento tributário, pois o contribuinte informara idêntico valor de IRPJ devido na DIPJ e na DCTF. Na mesma DIPJ original, no entanto, o contribuinte não procedeu à idêntica exclusão do valor de R$ 5.095.110,28 na base de cálculo da CSLL. De fato, não foi informado qualquer valor de exclusão, conforme ficha 17 (fl. 42). Na DIPJ retificadora, o contribuinte procedeu à exclusão do valor de R$ 5.095.110,28 na ficha 17, fl. 184, de maneira que a base de cálculo da CSLL antes da compensação de base de cálculo negativa de períodos anteriores passou a ser R$ 311.303,32, exatamente o mesmo valor do Lucro Real antes da compensação de prejuízos fiscais. Ora, a retificação indicada no item anterior demonstra que o contribuinte apenas tratou a CSLL com coerência e harmonia com o que já havia sido declarado originalmente para o IRPJ. Tais exclusões referemse a “R$ 1.469.360,00 lucros distribuídos pela controlada TECONVI, lançado no livro Diário nº 171, fl. 25, R$ 320.534,11 equivalência patrimonial controlada Itajaíaçu, Diário n° 173, fl. 308; R$ 53.929,27 equivalência patrimonial controlada NS Armazéns, Diário nº 178, fl. 328; R$ 3.251.286,88 equivalência patrimonial TECONVI, Diário 174, fl. 355. Tais lançamentos referemse a valores que efetivamente podem ser excluídos da base de cálculo. Interessante, ainda, notar que a DIPJ retificadora também acrescentou R$ 44.924,01 a título de adições. Esses valores representam quase a totalidade das diferenças apuradas. Em relação às demais retificações procedidas pelo contribuinte, relatadas nas fls. 76/79, o contribuinte também apresenta cópias de folhas do Livro Diário em que tais lançamentos são registrados, e os Diários são autenticados em data anterior à ciência do auto de infração.” As DIPJ retificadoras foram apresentadas em oposição aos autos de infração, alterando valores informados nas declarações originais, como forma de demonstração da improcedência da exigência do crédito tributário. Portanto, os itens das DIPJ cujos valores foram alterados devem ter a comprovação verificada neste processo como se impugnação fossem, dispensandose o exame das adições promovidas pela contribuinte em razão do seu efeito aumentativo sobre as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, presumindose a sua correção. Neste voto, o exame se restringe, portanto, aos itens retificados redutores dos tributos na DIPJ, tomados por base na decisão recorrida para a extinção do crédito tributário decorrente dos autos de infração lavrados. Na impugnação, a contribuinte mencionou ter retificado na DIPJ a apuração do 3º trimestre de 2004 acrescentando adição de despesas não dedutíveis, exclusão de R$ 36.200,00 como lucros recebidos e compensação de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa de CSLL no valor R$ de 79.707,39. Fl. 604DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.016850/200852 Resolução nº 1103000.091 S1C1T3 Fl. 6 5 Na planilha de fls. 211 a contribuinte indicou 7 (sete) recebimentos de lucros no valor total de R$ 36.200,00, informado como exclusão a título de "Lucros Divid. Deriv. Invest. Aval. Custo Aquisição" nas fichas 09A/linha 28 (demonstração do lucro real) e na Ficha 17/linha 21 (cálculo da CSLL) da DIPJ retificadora (fls. 102 e 108). Os lançamentos individualizados no Diário são todos na conta "Part. nos Result. de Colig. e Control. 3.4.05.01 8906" sob histórico "VLR. DISTRIBUIÇÃO DE LUCRO DA CONTROLADA NSARMAZENS" (fls. 213, 214, 215, 217, 218, 220 e 221). Vêse que o histórico revela recebimento de lucros relativos a investimento em pessoa jurídica controlada, avaliado, portanto, pelo método da equivalência patrimonial. Em tais casos, o valor recebido deve ser contabilizado na própria conta patrimonial do investimento, reduzindoo, sem trânsito pela conta de resultado do período, não produzindo efeitos sobre as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Tal fato contábil registrado na contabilidade não condiz com a informação prestada na DIPJ retificadora, de exclusão do valor como se originário de lucros recebidos de investimento avaliado pelo custo de aquisição. O erro de classificação contábil descrito pode não ter efeito tributário na hipótese de comprovação de transferência do valor para a conta de resultado do período, anulandose os efeitos sobre as bases de cálculo citadas mediante outro erro, que seria a exclusão do valor de modo extracontábil, como implicitamente alega a contribuinte. Um erro anularia o outro, sem qualquer prejuízo para a Fazenda Nacional. Entretanto, faltou a comprovação da transferência do valor de R$ 36.200,00 para o resultado do período. A ausência dessa prova autoriza a conclusão de exclusão indevida do referido valor. Não foi apresentada documentação para respaldar as compensações informadas nas fichas 09A/linha 44 e 17/linha 34 da DIPJ retificadora (fls. 102 e 108), no valor de R$ 79.707,39. Cotejandose as duas DIPJ, original e retificadora, constatase que a contribuinte, muito embora nada tenha referido na impugnação, também reduziu o valor do IRPJ e da CSLL pelo acréscimo na retificadora dos itens indicados abaixo, sem apresentação de justificativas e documentação comprobatória: a) R$ 19.061,49 ficha 12A/13 IRRF (fls. 105); b) R$ 2.419,20 ficha 12A/14 IRRF/órgão público federal (fls. 105); c) R$ 5.510,21 ficha 17/47 CSLL ret. fonte p/outras PJ (fls. 108). Os itens do 3º trimestre de 2004 acima relacionados, alterados na retificadora, não foram expressa e individualmente abordados no acórdão recorrido, assim como as compensações de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL informadas. Quanto ao 4º trimestre de 2004, a contribuinte informou o acréscimo na DIPJ retificadora de adição de despesas não dedutíveis, de exclusões de lucros recebidos no valor de R$ 22.848,04 e de aumento de valor de investimento na pessoa jurídica Teconvi, avaliado pelo Fl. 605DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.016850/200852 Resolução nº 1103000.091 S1C1T3 Fl. 7 6 método da equivalência patrimonial, no valor de R$ 4.688.950,73, além de compensações de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL no valor de R$ 15.091,17. Na planilha de fls. 228 a contribuinte indicou 7 (sete) recebimentos de lucros no valor total de R$ 22.848,04, informado como exclusão na ficha 09A (demonstração do lucro real) a título de "Lucros Divid. Deriv. Invest. Aval. Custo Aquisição", linha 28, da DIPJ retificadora (fls. 103). A exclusão também constou da Ficha 17 (cálculo da CSLL), linha 21 (fls. 109). Os lançamentos individualizados no Diário são todos na conta "Part. nos Result. de Colig. e Control. 3.4.05.01 8906" sob histórico "VLR. DISTRIBUIÇÃO DE LUCRO DA CONTROLADA NSARMAZENS" (fls. 230, 232, 233, 234, 236, 237 e 238). Repetese no 4º trimestre o erro de classificação contábil ocorrido no trimestre anterior, acima comentado. Entretanto, neste período de apuração, há nos autos o registro contábil da transferência do montante de R$ 22.848,04 para a conta de resultado do período, realizado no dia 31/12/2004, conforme cópia da pág. 320 do livro Diário nº 167 (fls. 238), o que autoriza a exclusão do valor na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, em que pese o erro já mencionado. De igual modo, a exclusão de R$ 4.688.950,73 é comprovada nas pág. 306 e 320 do mesmo livro mediante o lançamento de mesmo valor a débito na conta "Teconvi S/A Term. Cntr. vale do Itajaí 1.3.01.01.02 8183" sob histórico "VLR. EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL ... TECONVI ..." e o correspondente cômputo no resultado do período (fls. 241 e 242). Não foi apresentada documentação para respaldar as compensações informadas nas fichas 09A/linha 44 e 17/linha 34 da DIPJ retificadora (fls. 103 e 109), no valor de R$ 15.091,17. Ainda acerca do 4º trimestre, percebese a redução do IRPJ e da CSLL pelo acréscimo na declaração retificadora dos itens indicados abaixo, sem qualquer menção na impugnação e exame pela turma a quo: a) R$ 3.352,96 ficha 12A/13 IRRF (fls. 105); b) R$ 604,45 – ficha 17/47 – CSLL ret. fonte p/outras PJ (fls. 109). Também não foram abordadas no acórdão recorrido as compensações de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL informadas. Na retificação da DIPJ relativa ao anocalendário 2005, a contribuinte indicou adição de despesas não dedutíveis e R$ 5.095.110,28 no item 31 da ficha 17 (Cálculo da CSLL) como "Outras Exclusões" (fls. 186). Trouxe aos autos com a impugnação cópia de páginas dos Diários nº 171, 173, 174 e 178 (fls. 244/253) para corroborar as alterações. A exclusão corresponderia à soma dos seguintes lançamentos contábeis: Lucro distribuído pela controlada Teconvi 1.469.360,00 Fl. 606DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.016850/200852 Resolução nº 1103000.091 S1C1T3 Fl. 8 7 Equivalência patrimonial controlada Iajaíaçu 320.534,11 Equivalência patrimonial controlada NS Armazéns 53.929,27 Equivalência patrimonial controlada Teconvi 1.629.660,22 Equivalência patrimonial controlada Teconvi 1.621.626,68 O primeiro lançamento indicado na tabela acima, de R$ 1.469.360,00, está registrado em 02/05/2005 nas páginas 25 e 45 do Diário nº 171, a débito da conta "HSBC Bank Brasil S/A 19130056520 1.1.01.02..01.03" e a crédito da conta "Part nos Result de Colig e Control 3.4.05.01 8906" sob histórico 1:274961/adm/VLR REC TECONVI/HSBC DISTRIBUICAO LUCROS 2004" (fls. 245/246). Ocorreu na escrituração descrita o mesmo erro de classificação contábil identificado no 3º trimestre de 2004, repetindose a falta de comprovação da transferência do valor correspondente para o resultado do período. O valor de R$ 1.629.660,22 foi transferido para o resultado do período em 31/08/2005, conforme pág. 355 do Diário nº 174 (fls. 250), o que autoriza a sua exclusão na apuração da base de cálculo da CSLL. Os demais valores, R$ 320.534,11, R$ 53.929,27, R$ 1.621.626,68, constam da página 308 do Diário nº 173 e página 328 do Diário nº 178 (fls. 248 e 252), sem as correspondentes transferências para o resultado do período. Observase em 2005 a repetição de acréscimos na DIPJ de itens redutores da CSLL sem qualquer menção na impugnação e exame pela turma a quo: a) R$ 93.391,00 ficha 17/37 B. neg. CSLL per. ant.ativ. geral (fls. 186); b) R$ 6.307,67 ficha 17/50 CSLL retida p/PJ dir priv (fls. 186); c) R$ 57.389,99 ficha 17/52 CSLL mensal paga por estimativa (fls. 186). Pelo exposto, vêse que o processo deve retornar à unidade de origem para complemento de instrução, adotandose as seguintes medidas: a) entregar cópia desta resolução à contribuinte; b) verificar a autenticidade da cópia do Diário (fls. 202/280) e atestála; c) intimar a contribuinte para comprovar os itens abaixo indicados, com base na escrituração contábil e fiscal: o cômputo no resultado do 3º trimestre de 2004 do valor de R$ 36.200,00, informado como "Lucros Divid. Deriv. Invest. Aval. Custo Aquisição" nas fichas 09A/28 (demonstração do lucro real) e 17/21 (cálculo da CSLL) da DIPJ retificadora (fls. 102 e 108); o cômputo no resultado do anocalendário 2005 dos valores de R$ 1.469.360,00, R$ 320.534,11, R$ 53.929,27 e R$ 1.621.626,68, integrantes do montante de R$ 5.095.110,28 informado em "Outras Exclusões" na linha 31/ficha 17 da DIPJ (fls. 186) como distribuição de lucros e equivalência patrimonial, conforme quadro demonstrativo deste voto (acima). Fl. 607DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10980.016850/200852 Resolução nº 1103000.091 S1C1T3 Fl. 9 8 os valores relacionados no demonstrativo abaixo, informados nas DIPJ retificadoras como deduções ou compensações na apuração das bases de cálculo, não expressamente abordados no acórdão recorrido: Período DIPJ (ficha/linha) Folha Valor (R$) 3ºtrim/2004 09A/44 Compensação de prejuízos 102 79.707,39 3ºtrim/2004 12A/13 IRRF 105 19.061,49 3ºtrim/2004 12A/14 IRRF/órgão público federal 105 2.419,20 3ºtrim/2004 17/34 Base cálc neg CSLL per ant ativ em geral 108 79.707,39 3ºtrim/2004 17/47 CSLL ret fonte p/outras PJ (Lei 10.833/2003) 108 5.510,21 4ºtrim/2004 09A/44 compensação de prejuízos 103 15.091,17 4ºtrim/2004 12A/13 IRRF 105 3.352,96 4ºtrim/2004 17/34 Base cálc.neg. CSLL per. ant. ativ. em geral 109 15.091,17 4ºtrim/2004 17/47 CSLL ret. fonte p/outras PJ (Lei 10.833/2003) 109 604,45 anual/2005 17/37 Base cálc.neg. CSLL per. ant. ativ. em geral 186 93.391,00 anual/2005 17/50 CSLL retida p/PJ dir privado (Lei 10.833/2003) 186 6.307,67 anual/2005 17/52 CSLL mensal paga por estimativa 186 57.389,99 o registro dos valores das exclusões e compensações no Lalur; A autoridade fiscal encarregada do procedimento deverá (i) examinar a comprovação apresentada pela contribuinte, (ii) elaborar relatório de diligência detalhado e conclusivo, indicando de forma individualizada os itens cuja comprovação foi acolhida ou rejeitada, ressalvadas a prestação de informações adicionais e a juntada de documentação que entender necessárias, (iii) entregar cópia do relatório à contribuinte e (iv) concederlhe prazo de 30 (trinta) dias para pronunciamento sobre o relatório de diligência, em observância às prescrições do art. 35, parágrafo único, do Decreto 7.574/2011, após o que o processo deverá retornar a esta Turma para prosseguimento do julgamento. Conclusão Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência nos termos acima propostos. Aloysio José Percínio da Silva (assinatura digital) Fl. 608DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/12/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/12/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10882.902896/2008-02
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/04/2001
Ementa:
NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. PROVAS.
Não cabe à Administração empreender esforços probatórios devidos pelo Contribuinte, uma vez que, de seu dever exercitá-los por se tratar de recuperação de créditos por ele pleiteados não presentes nos autos provas de internação na Zona Franca de Manaus. O não acatamento da indevida pretensão não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.498
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Joel Miyazaki e Otacílio Dantas Cartaxo votaram pelas conclusões. O Conselheiro Henrique Pinheiro Torres apresentará declaração de voto.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2001 a 30/04/2001 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. PROVAS. Não cabe à Administração empreender esforços probatórios devidos pelo Contribuinte, uma vez que, de seu dever exercitálos por se tratar de recuperação de créditos por ele pleiteados não presentes nos autos provas de internação na Zona Franca de Manaus. O não acatamento da indevida pretensão não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Joel Miyazaki e Otacílio Dantas Cartaxo votaram pelas conclusões. O Conselheiro Henrique Pinheiro Torres apresentará declaração de voto. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 28 96 /2 00 8- 02 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902896/200802 Acórdão n.º 9303002.498 CSRFT3 Fl. 156 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório A ora Recorrente, irresignada com a decisão proferida pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, com ementa dotada dos seguintes termos, NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do decretolei nº 288/67. (grifado) interpõe Recurso Especial, com exame de admissibilidade favorável nº 3400 00.143, sob os argumentos de que tal decisão não pode ser mantida em razão da existência de julgados contrários ao entendimento articulado, no sentido de ser possível a utilização de crédito de PIS e COFINS após o anocalendário de 2000 e, inclusive, que determinam à DRF de origem realizar diligências para comprovar a veracidade do crédito. Reverbera também a impertinência do prejuízo decorrente do fato de despacho eletrônico que não cuidou de averiguar a existência ou não de crédito nas operações com empresas da ZFM/ALC mesmo tendo ela apresentado documentação contábil idônea com informes do conteúdo de notas fiscais comprovadoras da operação de comercialização de produtos. Indica como relevante que o “procedimento de PER/DCOMP não é suficiente para demonstrar o crédito tributário, e, justamente para isso, é que se aguarda a instauração de processo administrativo tributário.” Continua elencando os seguintes aspectos: “incabível a restrição do crédito com base na Medida Provisória nº 2.15835/2001, tendo em vista que todas as remessas a empresas localizadas na Zona Franca de Manaus são equiparadas a exportação, sendo patente a isenção da operação tributário quanto as contribuição de PIS e COFINS; o entendimento do Douto Relator, e acolhido por sua maioria na Douta 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, não pode ser Fl. 156DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902896/200802 Acórdão n.º 9303002.498 CSRFT3 Fl. 157 3 ratificado por não ter respaldo com o ordenamento jurídico e com o que vem sendo decidido por este Egrégio Conselho. Ou seja, não é imbróglio da Recorrente a alegação de ter direito a compensar o crédito de PIS e COFINS, pois as compradoras de seus produtos se localizavam na ZFM, logo é pertinente a aplicação da isenção da não – incidência desta contribuição, em razão da equiparação destas remessas à exportação; após julho de 2004, a legislação expressamente prevê alíquota zero para estas contribuições nas vendas de mercadorias realizadas com pessoas jurídicas situadas na Zona Franca de Manaus por equiparação à exportação; há precariedade no v. acórdão, em razão de não ter respeitado o princípio da busca pela verdade material, tanto é verdade, que aproveita a oportunidade para trazer à baila julgado paradigma que determina a necessidade da DRF fazer diligência para aferir o direito creditório; importante se faz reparar o artigo 1º do Decreto nº 2.346/97, o qual prevê que os atos da Administração Pública devem se pautar pelas orientações dos Tribunais Superiores, o que foi desconsiderado pela DRJ/CPS.” Registra excertos do acórdão recorrido: “Analisadas pela DRJ Campinas, as manifestações não foram acolhidas, ainda que tenha sido reconhecido que a empresa àquela altura já retificara a DCTF, pondoas em conformidade com as compensações pretendidas. Para não reconhecer o direito creditório, a DRJ ratificou o entendimento administrativo, do Parecer nº 1.789/2002, de que até o período de apuração dezembro de 20000 não há qualquer ato que conceda isenção a tais vendas ou qualquer outra forma de desoneração. No entender da administração, apenas no período compreendido entre 22 de dezembro de 20000 e 25 de julho de 2004 há isenção quando as vendas para a ZFM se enquadrem, ademais, nas disposições dos incisos IV, VI, VIII ou IX da Medida Provisória 2.037 e suas reedições. A partir de 26 de julho de 2004, passou a haver desoneração, sob a forma de redução a zero das alíquotas, para toda e qualquer venda realizada para aquela região, mesmo que não enquadrada nas disposições acima. Destarte, continua o Relator, para os recolhimentos relativos a fatos geradores ocorridos até 21 de dezembro de 200000 afirmou não haver o direito alegado. Para os recolhimentos relativos ao período compreendido entre 22 de dezembro de 20000 e 26 de julho de 2004 afirmou que caberia à empresa provar que as vendas se enquadram nas disposições acima o que, sozinha, a planilha juntada não consegue fazer. Para recolhimentos posteriores a julho de 2004 afirmou não ter a empresa juntado qualquer elemento comprobatório de sue direito, como lhe competia, nem mesmo a mencionada planilha.” Fl. 157DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902896/200802 Acórdão n.º 9303002.498 CSRFT3 Fl. 158 4 Destaca a impropriedade do comportamento da DRJ, uma vez que, pelo princípio da prudência, não determinou diligências para averiguar a ocorrência de remessas aos estabelecimentos localizados na ZFM, e que apesar de confirmar a existência de crédito, o mesmo não restou comprovado pela ora Recorrente, tudo sob o pálio de não considerar pertinente a substituição do contribuinte no que tange a uma instrução probatória. O acórdão recorrido registra que existem casos em que a Administração possa suprir a ausência de um dado documento cuja apresentação deveria ter sido promovida pela parte desde que o documento em questão esteja na posse da administração e seja difícil ou impossível apresentação tempestiva pela parte, como por exemplo, nos casos de DARF´s e declarações entregues. Alega que muito embora tais argumentos sejam dignos de consideração, não há como concordar com eles, uma vez que, em nenhum momento, a ora Recorrente foi intimada a apresentar documentos que a Fiscalização entenderia pertinentes para comprovar os créditos declarados nas DCOMP´s. Transcreve excerto do acórdão referente ao Recurso Voluntário nº 145.668, verbis: “Em face do exposto, voto pelo provimento parcial do presente recurso voluntário reconhecendo à recorrente o direito de repetir/compensar os indébitos decorrentes das contribuições para o PIS e COFINS apuradas e pagas sobre receitas de vendas de mercadorias efetuadas para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, no período de 22.12.2000 a 31.12.2003, que comprovadamente foram internalizada naquela zona franca, cabendo a DRF de origem exigir a documentação necessária à comprovação das internações bem como a apuração dos valores a serem repetidos/compensados.” Diz que essa decisão demonstra a divergência analítica, fazendo com que este Conselho conviva com opiniões diferentes. Por essas razões, argumenta que o acórdão recorrido deve ser reformado para que o processo baixe em diligência, a fim de que seja intimada a Recorrente para apresentação de toda a documentação para o fim de homologação do crédito pleiteado, até mesmo porque nunca existiu oportunidade para exibição de documentos, uma vez que o crédito tributário foi indeferido por meio de despacho decisório eletrônico. Transcreve vários trechos de acórdãos deste Conselho que contemplam abordagens sobre os princípios da verdade material e da oficialidade. Afirma novamente que o objetivo deste Recurso é a reforma do acórdão recorrido para que sejam homologados todos os pedidos de compensação realizados com créditos de 2000 a 2005. Ainda transcreve parte do acórdão recorrido para provar a existência de entendimento diferente em outra Turma e Câmara da 3ª Seção, verbis: “Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava se referindo, genericamente, às venda à AFM, ou, mais claramente, está ela a dizer Fl. 158DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902896/200802 Acórdão n.º 9303002.498 CSRFT3 Fl. 159 5 que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na AFM não se equipara “a exportação de mercadorias para o exterior” de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior, está simplesmente delimitadolhe o alcance como compete aos parágrafos. Tal reconhecimento deve ficar claro, não implica que após deixar o parágrafo (a partir de 22 de dezembro de 2000) tenha passado a existir a isenção pretendida. Para que isenção haja, já o disse, é preciso que ato legal a explicite, visto que só o decretolei 288 não basta. Mas tampouco há isenção apena porque a compradora lá esteja. Nos recursos ora em exame que abrangem aquele período, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante nos acórdãos que o analisam de que “haveria direito” no período de 22 de dezembro de 20000 a 25 de julho de 2004, mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há direito na forma requerida.” Destaca que a equiparação à exportação dos atos de comércio praticados com a Zona Franca de Manaus impede a existência do acórdão recorrido. Rechaça a alegação de imbróglio feita no Recurso Voluntário, uma vez que o mesmo registrou a existência de direito creditório no período após 2000. Transcreve ainda excertos do acórdão paradigma nº 330100.311, confirmando a tese da ora Recorrente, verbis: “ As receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços e/ou de serviços para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus para consumo e/ou industrialização, realizadas até a data de 21.12.2000 estavam sujeitas à Cofins, tornandose isenta dessa contribuição somente a partir de 22.12.2000. REPETIÇÃO. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO As contribuições para o PIS e COFINS apuradas e pagas sobre as receitas de vendas de mercadorias e serviços para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, referente ao período de 22.12.2000 a 31.12.2001, constituem indébitos tributários passíveis de restituição e/ou compensação, cabendo à autoridade administrativa competente homologar a compensação dos débitos fiscais declarados até o limite do montante do crédito financeiro apurado.” Alega que essa decisão fornece suporte para justificar a procedências de suas razões uma vez que a partir de 22.12.2000 foram consideradas isentas as remessas para estabelecimentos localizados na ZFM, referentemente as contribuições para o PIS e COFINS. Tece considerações sobre o posicionamento hierárquico da Lei nº 5.172/66 (CTN) como lei complementar e acrescenta que qualquer alteração em seu conteúdo somente será plausível se acontecer por via de norma situada no mesmo nível do CTN, como é o caso do Ato Complementar nº 35/67 – publicado na mesma data do DecretoLei nº 288/67 – cujo § 2º, inciso II, do art. 7º assim preleciona: “§ 2º Para os efeitos de aplicação do disposto neste artigo, além da mercadoria objeto de operação de exportação, considerase destinada ao exterior a remetida: Fl. 159DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902896/200802 Acórdão n.º 9303002.498 CSRFT3 Fl. 160 6 II – aos armazéns gerais alfandegados, entrepostos aduaneiros e zonas francas; Assim, argumenta que nenhuma lei ordinária ou ato administrativo do Poder Executivo poderá alterar uma lei complementar. Considera que o conteúdo do art. 7º do Ato Complementar nº 35/67 destina se às exportações porque, confirmando a imunidade nas exportações para o antigo ICM, conforme já previa o § 5º, do art. 24, da Constituição de 1967, estende a mesma imunidade nas exportações para o IPI e insere no mundo jurídico uma nova situação quando concede tratamento fiscal igualitário a exportação para as remessas de mercadorias para as zonas francas. Transcreve excerto do voto do Ministro Sepúlveda Pertence em Medida Cautelar concedida na ADin nº 3101 (DJ 16.04.1993), verbis: “A plausibilidade da arguição suscitada faz relevante a questão constitucional proposta. Certo, ao esforço de demonstração da invalidade nas normas questionadas, fezse necessário seu cotejo com preceitos subconstitucionais: em particular, o artigo 4º do DecretoLei nº 288/67 (...), e o artigo 49 do mesmo diploma (...); o art. 5º da Lei Complementar nº 4/69, que manteve em vigor, dandolhe hierarquia complementar, o referido artigo 4º, do DL 288/67”. Conclui enfatizando que todas as vendas para empresas situadas n Zona Franca de Manaus caracterizam exportações para fins fiscais e devem ter o mesmo tratamento tributário na conformidade do entendimento dos Tribunais Superiores, e registra – entre outras – algumas considerações finais: “È dever da Administração Pública perquirir, aferir, buscar a verdade material, ou seja, deve a Fiscalização exigir a documentação necessária à comprovação das internações bem como a apuração dos valores a serem repetidos/compensados. Deste modo, a Recorrente acredita que este entendimento é o mais adequado ao caso em comento do que o exposto no v. acórdão vergastado, isto porque, a Recorrente não pode ter o seu direito tolhido, tão somente, porque em nenhum momento foi intimada a apresentar documentação. (...) As planilhas juntadas são documentos idôneos até prova em contrário, desta feita, é necessário que esta Colenda Câmara reforme o v. acórdão guerreado, a fim de que seja concedido à Recorrente utilizarse de seu crédito para compensálo com os débitos pretendidos;” Por fim articula os pedidos: “ a) seja reconhecido integralmente o crédito tributário, pois a partir de 22.12.2000 ficou expressamente determinado que não incidiria PIS e COFINS, pois tais receitas não devem ter incidência de tais contribuições pois as remessas a ZFM são equiparadas a exportação; Fl. 160DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902896/200802 Acórdão n.º 9303002.498 CSRFT3 Fl. 161 7 (...) d) com supedêneo no v. acórdão paradigmático, seja determinada diligências no processo administrativo para que a fiscalização efetivamente investigue a existência do crédito tributário, por meio da documentação juntada aos autos e por meio de outros documentos fiscais e contábeis necessários para formar a sua convicção.” Contrarrazões articuladas pela Fazenda Nacional inicia por dizer que a pretensão da Contribuinte para que a fiscalização produza as provas que a ela caberia realizar é improcedente, em razão do que preleciona o art. 333 do CPC que incumbe o ônus da prova ao autor. Afirma que esse dispositivo aplicado ao contexto da compensação tributária confirma a atribuição do contribuinte quanto à produção de prova da certeza e liquidez do crédito que alega ter perante o Fisco, cabendo a este último, uma vez provado o crédito se não homologálo, provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo daquele. Continua alegando que no campo da compensação deve o contribuinte provar a existência de crédito líquido e certo declarado e que, quando não se desincumbe da efetivação dessa prova, fica impedido por direito de exigir que a autoridade fiscal demonstre qualquer elemento contrário à pretensão. Oferece lição da jurista Fabiana Del Padre Tomé, sobre o ônus da prova no processo administrativo fiscal, verbis: “O direito à produção probatória decorre da liberdade que tem a parte de argumentar e demonstrar a veracidade de suas alegações, objetivando convencer o julgador. Visto por outro ângulo, o direito à prova implica a existência de ônus segundo o qual determinado sujeito do processo tem a incumbência de comprovar os fatos por ele alegados, sob pena de não o fazendo, ver frustrada a pretendida aplicação do direito material. Desse modo, a prova dos fatos constitutivos cabe a quem pretenda o nascimento da relação jurídica, enquanto a dos extintivos, impeditivos ou modificativos compete a quem os alega.” Insiste declarando que qualquer exceção à regra geral deve constar em texto de lei, como, por exemplo, presente no Direito do Consumidor, não cabendo à autoridade julgadora promovêla com base em juízo de equidade. Oferece destaque ao fato de somente com o oferecimento de manifestação de inconformidade, instauradora do litígio, é que a Administração terá oportunidade de conhecer os motivos do contribuinte, examinálos e homologar ou não a compensação comunicada e, se nela não se encontrarem presentes as provas que caberia apresentar, sem dúvidas, não será possível reconhecer qualquer nulidade de decisão desconhecendo o direito creditório pretendido. Discorre sobre a legislação que cuida do PIS e da COFINS relativamente à exportação para o exterior para defender a inexistência da isenção pretendida pela ora Recorrente e menciona o art. 2º da Lei nº 10.996/2004, que reduziu a 0 (zero) as alíquotas das Contribuição ao PIS/COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas Fl. 161DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902896/200802 Acórdão n.º 9303002.498 CSRFT3 Fl. 162 8 ao consumo ou à industrialização na ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora desse ambiente, para argumentar que se antes existisse isenção, não haveria necessidade de novo instrumento normativo para instituíla. Alega também que as principais normas isencionais existentes são as do art. 150 da Constituição e dos arts. 111, 176 e 177 do CTN, que se fundamentam no princípio de ser a isenção uma exceção feita expressamente à regra jurídica de tributação, tornando, por essa razão, interpretação muito restritiva e, portanto, somente diante de hipóteses clara e explicitamente consagradas pelo legislador é que o favor tributário da isenção se materializa. Para tanto, transcreve diversos precedentes judiciais sobre a exigência de interpretação literal e restritiva da norma isencional. Discorre ainda sobre a ausência de norma isentiva para o tema ora em discussão e rebate a pretensão do que denominou de isenção indireta, porque não prevista em lei e, portanto, não se coadunando com as características do instituto tributário, tal como fixadas pela ordem jurídica em vigor. Chama a baila o fato de que as contribuições para a seguridade social não podem ser, in casu, isencionadas, sob pena de afronta ao art. 195 da CF/88 que determina ser ela financiada por toda a sociedade e transcreve excerto do Informativo STF nº 155. Rebate a possibilidade de aplicação do DecretoLei nº 288/67 ao presente caso, uma vez que o seu artigo 4º é claro ao afirmar que os efeitos fiscais à vista dos quais estabelece a equiparação das vendas à ZFM à exportação para o estrangeiro, são, exclusivamente, aqueles vigentes à época da edição dessa norma. Por conseguinte, continua, como na data do DecretoLei não existia isenção da COFINS e do PIS porque não insculpidos no mundo jurídico, não é plausível pretender a extensão da isenção a essas Contribuições Sociais, tudo também em homenagem a interpretação restritiva das regras sobre isenção, como já mencionado. Alega também que o art. 177 do CTN veda o alcance da isenção a tributos instituídos posteriormente a concessão, salvo disposição de lei em contrário. Transcreve lição da professora Mizabel Derzi, “O CTN não diz expressamente, nem ALIOMAR BALEEIRO ressalta, mas parece evidente que o art. 177 é inteiramente aplicável, com as restrições nele registradas, às isenções incondicionais, concedidas por prazo indeterminado. Essas são inteiramente revogáveis exatamente porque concedidas como favorecimento ou renúncia.” Diz ainda inexistir dúvidas de que o benefício não pode ser estendido às remessas de produtos à ZFM, pelo simples fato de não haver sido contemplado no objetivo da norma e assim, caso se faça a interpretação em sentido contrário estaria este Conselho criando norma isentiva sem supedâneo legal. Conclui pelo afastamento da hipótese de isenção das Contribuições para o PIS e COFINS e, em razão disto, pela manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902896/200802 Acórdão n.º 9303002.498 CSRFT3 Fl. 163 9 Voto Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Relator O Recurso preenche condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. As vertentes do presente litígio a serem examinadas dizem respeito a existência ou não de comprovação pela ora Recorrente dos atos negociais levados a efeito com a Zona Franca de Manaus e se tais atos, quanto ao PIS e a COFINS, estariam contidos na abrangência de isenção. Quanto a primeira vertente, ao compulsar os autos constato, no texto da Manifestação de Inconformidade, que a ora Recorrente apresentou à Secretaria da Receita Federal do Brasil Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), não homologado por inexistência de crédito tributário. O Despacho Decisório Eletrônico de não homologação tem o seguinte conteúdo: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” No Recurso Voluntário a ora Recorrente informa que anexou à Manifestação de Inconformidade já mencionada, relação das notas fiscais que compõem o crédito tributário e alega também que se tivesse sido intimada para apresentar outros documentos certamente a glosa da compensação não teria ocorrido. De todos sabido, inicialmente, que a obrigação de provar cabe ao Fisco quando materializa lançamento tributário identificando o fato gerador e o montante do tributo devido. Do mesmo modo, cabe – exclusivamente – ao Contribuinte quando na busca de ser ressarcido por tributo pago indevidamente ou em montante maior do que o devido, ofertar as provas necessárias e suficientes à liquidez e certeza de seus créditos. De primevo, a mim parece que uma simples relação contendo as operações com a ZFM representadas por números de notas fiscais, com CNPJ´s e Inscrição Estadual e ainda o crédito apurado, não substitui a prova da internalização dos produtos, nem as cópias de balancetes, livros diário e razão, onde as receitas de vendas estratificariam, sem dúvidas, a confirmação das operações efetivadas. O julgamento administrativo deve ter como norte o Princípio da Verdade Material. É certo, com isto não se está querendo dizer que o processo administrativo claudicará quando o dever de provar cabível ao Contribuinte não for exercitado. De todos sabido que as declarações de compensação não comportam espaço para as provas do Contribuinte relativamente a seus créditos, somente é possível o Fl. 163DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902896/200802 Acórdão n.º 9303002.498 CSRFT3 Fl. 164 10 conhecimento pelo Fisco relativamente ao fato de existir ou não, débitos. A partir daí, do levantamento da conta corrente do Contribuinte, a administração pode examinar o conteúdo do direito pleiteado seguindo as normas de regência. In casu, não havia registro de créditos disponíveis no ambiente da Administração. Por outro lado, espaço suficiente houve nos autos para produção de informações elucidativas quanto à internação dos produtos na ZFM pela ora Recorrente, principalmente a partir da oferta feita por ela da Manifestação de Inconformidade provocada pela não homologação de seus créditos. Não localizei ferimento aos princípios do contraditório e da ampla defesa neste processo, até mesmo porque inocorreu restrição à produção de provas. Mesmo que o instituto da preclusão quanto à juntada de documentos tenha que ser respeitado quando o sujeito passivo não protestar na impugnação ou manifestação de inconformidade, pela juntada posterior e nem apresentar justificativa legal para tanto, exceção poderá ocorrer na presença de força maior ou argumentos supervenientes, aspectos esses não produzidos nos autos. Indo agora para a vertente segunda de que as vendas para a ZFM se equiparam à exportação para o estrangeiro, para mim indiscutível que as receitas decorrentes de exportação não têm incidência das contribuições sociais de intervenção no domínio econômico de que trata o art. 149 da CF/88, uma vez que, observandose as regras estatuídas pelo art. 7º da LC 70/91 e pelo art. 5º da Lei nº 10.637, concluise que as vendas à Zona Franca de Manaus são equiparadas às exportações, conforme pacificação jurisprudencial do E. STJ a exemplo do Ag 1.295.452/DF, REsp. 817.847 SC, REsp.653.975/RS, entre outras. Portanto, não vislumbro procedência em se considerar as operações de vendas exclusivamente vinculadas ao que prelecionam os incisos IV, VI, VIII ou IX da MP 2037, constatando se a atividade da empresa compradora tem inscrição no Registro Especial Brasileiro para embarcações; seja comercial exportadora inscrita na SECEX; seja trading company ou ship´s Chandler, ao contrário, inclinome aos que entendem que toda e qualquer empresa que efetue vendas para a ZFM estará efetuando exportação. De outra banda, filiome ao entendimento do Ministro Teori Albino Zavascki quando do REsp. 1084.380/RS, em 29.03.09, pontuou: “Nos termos do art. 40 do ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT, da Constituição de 1988, a Zona Franca de Manaus ficou mantida “com suas características de área de livre comercio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, por 25 ano, a partir da promulgação da Constituição”. Ora, entre as “características” que tipificam a ZAFM destacase esta de que trata o art. 4º do Decreto Lei 288/67, segundo o qual “a exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na ZFM, ou reexportação pra o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro”. Portanto, durante o período previsto no art. 40 do ADCT e enquanto não alterado ou revogado o art. 4º so SL Fl. 164DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902896/200802 Acórdão n.º 9303002.498 CSRFT3 Fl. 165 11 288/67, há de se considerar que, conceitualmente, as exportações para a ZFM são, para efeitos fiscais, exportações para o exterior. Logo, a isenção relativa à COFINS e ao PIS é extensiva à mercadoria destinada à ZF. O DL 288/67 é originalmente um decretolei, porém está sendo considerado pelos doutrinadores após a EC 1/69 como tendo eficácia de lei complementar uma vez que cuida de matéria tributária que atinge todos os entes federativos. Foi, portanto, esse dispositivo recepcionado pela Constituição de 1988 e constitucionalizados seus dispositivos, atingindo efeitos até 2013 e tendo seus comandos elastecidos pela EC 42/66 até 2023. Para os que argumentam que somente os tributos existentes na época da edição do DL 288/67 aproveitariam a isenção, vem a Medida Cautelar em ADI 23489, não acatando tal argumento, determinando que novos tributos encontravamse abrangidos pelo artigo 40 do ADCT que foi criado para tornar diferenciado o ambiente jurídico da ZFM e teve seu prazo de vigência alterado pela EC 42 até 2023. Em razão do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto em face de não terem sido processadas as necessárias comprovações relativas ao crédito pretendido pela Recorrente. Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Declaração de Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres A presente declaração de voto fazse necessária em razão de haver concordância no resultado do julgamento, mas divergências inconciliáveis nas razões de decidir. A teor do relatado, duas sãos as questões trazidas a debate: a ausência de lastro probatório mínimo a referendar o pedido de restituição formulado; e, ii) o próprio mérito do pleito, consistente na repetição de PIS/Cofins incidentes sobre as vendas a empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, que a recorrente defende estar amparada por isenção fiscal. Inicialmente, deve ser enfrentada a questão referente ao ônus da prova. A recorrente defende em seu especial que o Fisco não envidou todos os esforços no sentido de transparecer a realidade dos fatos, de forma a possibilitar a constatação da ocorrência Fl. 165DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902896/200802 Acórdão n.º 9303002.498 CSRFT3 Fl. 166 12 ou não do direito do crédito pleiteado pela Recorrente. Ainda segundo a defesa, é certo o dever da Fiscalização, da DRJ diligenciar para requerer toda documentação necessária, a fim de buscar a realidade dos fatos e, se o caso, decidir em prol da Recorrente. Esta questão de a quem pertence o ônus da prova é muito bem definida no Código de Processo Civil, mais precisamente no art. 333 que assevera: Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Na realidade, esse artigo nada mais representa do que a positivação do princípio geral de direito, segundo o qual, o ônus da prova recai sobre aquele que alega. Desde Roma já se conhecia esse princípio, verbalizado no brocardo, alegar e não provar é o mesmo que não alegar. A síntese da distribuição do ônus da prova é muito fácil de compreender: todo aquele que demandar alguém tem o dever de provar o direito objeto de sua demanda. No caso de auto de infração, cabe ao Fisco demonstrar as razões de fato e de direito que embasam a acusação fiscal. De outro lado, nos pedidos de repetição de indébito, incumbe ao sujeito passivo a prova do pagamento indevido ou a maior que o devido. Sobre a necessidade de as partes produzirem as provas necessárias à formação da convicção do julgador, preciosas as palavras do Conselheiro Gilson Rosenburg Filho, em julgamento de caso análogo ao aqui em debate. “Um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência. A certeza vai se formando através dos elementos da ocorrência do fato que são colocados pelas partes interessadas na solução da lide. Mas não basta ter certeza, o julgador tem que estar convencido para que sua visão do fato esteja a mais próxima possível da verdade. Como o julgador sempre tem que decidir, ele deve ter bom senso na busca pela verdade, evitando a obsessão que pode prejudicar a justiça célere. Mas a impossibilidade de conhecer a verdade absoluta não significa que ela deixe de ser perseguida como um relevante objetivo da atividade probatória. A verdade encontra se ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o Fl. 166DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902896/200802 Acórdão n.º 9303002.498 CSRFT3 Fl. 167 13 convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar verossimilhança às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador.” Em outro giro, ao contrário do que quer fazer parecer a defesa, o princípio da verdade material não é remédio para todos os males processuais; não serve para inverter o ônus da prova, tampouco dispensa o demandante de provar o direito alegado. Na realidade, a verdade material contrapõese ao formalismo exacerbado, presente no Processo civil, mas, de maneira alguma, priva o procedimento administrativo das necessárias formalidades. Tampouco altera o papel a ser desempenhado pelas partes. Daí se dizer que no Processo Administrativo Fiscal convivem harmonicamente os princípios da verdade material e da formalidade moderada. De sorte que se busque a verdade real, mas preservando as normas processuais que asseguram a segurança, a celeridade, a eficiência e o bom andamento do processo. Releva ainda transcrever excerto do acórdão recorrido, para arrimar este voto. Sem esquecer as devidas homenagens, com a palavra o Nobre Relator, o Conselheiro Júlio César Alves Ramos: “Não considero caber à Administração a instrução probatória em substituição ao contribuinte nem é isso o que esta Casa tem reconhecido, como postula o recurso. Realmente, há decisões que determinam que a Administração supra a ausência de um dado documento cuja apresentação deveria ter sido promovida pela parte. Mas tal entendimento não tem o alcance pretendido na defesa. Limitase ele aos casos em que o próprio documento já esteja de posse da administração e tenha sido difícil ou impossível à parte sua apresentação tempestiva. Isso se dá, por exemplo, com documentos tais como DARF e declarações entregues. Nesses termos, descabível indeferir uma compensação que aponte com clareza o recolhimento indevido (data, código de recolhimento) simplesmente porque a empresa não tenha juntado sua cópia nos autos, o mesmo se passando com a DCTF ou a DIPJ comprovadamente entregues. Aqui, diferentemente, o que se tem é a necessidade, no entender da instância de piso, de apurar se as vendas alegadas se enquadram nas disposições dos incisos IV, VI, VIII ou IX da MP 2037. Tal apuração passa pela constatação da atividade da empresa compradora e dos requisitos postos na legislação: inscrição no REB, ser comercial exportadora inscrita na SECEX, ser trading company ou ser ship’s Chandler. Nenhum deles se encontra expresso em qualquer documento interno em posse da SRF. Por fim, quanto ao período em que, sem qualquer condição, não deveria ter sido recolhido PIS nem COFINS sobre tais vendas – a partir de julho de 2004 – a empresa nada juntou nos autos que comprovasse as vendas alegadas. O recurso alega que a DRJ estaria obrigada, ainda assim, a promover as diligências que pudessem permitir a ela, recorrente, apresentar suas provas. Não está. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902896/200802 Acórdão n.º 9303002.498 CSRFT3 Fl. 168 14 De fato, ausente por completo a prova quando primeiramente se defende a empresa, o máximo que temos admitido é a apresentação da mesma em grau de recurso. Notese que, ao fazêlo, ultrapassase a letra fria do decreto 70.235 que a exige, impreterivelmente no momento da apresentação da “impugnação”. Só o fazemos, pois, em respeito ao princípio da verdade material, quando o elemento probante trazido extemporaneamente tem a força de desconstituir lançamento que houver sido mantido pela sua ausência. Do contrário, estarseia a afrontar o princípio constitucional da legalidade. Novamente não é o que se passa aqui. A empresa não aproveitou a oportunidade de coligir e apresentar a prova faltante. Pelo contrário, limitase a postular que a decisão seria nula porque não determinara a DRJ as diligências que a poderiam provar. Ocorre que as diligências previstas no Decreto 70.235 a isso não se destinam. Deveras, elas objetivam apenas permitir a formação da convicção do julgador quando os elementos presentes nos autos não sejam suficientes. Nesse sentido, houvesse a empresa trazido aos autos alguma “prova”, a exemplo da planilha elaborada para o outro período, que constituísse ao menos indício de que as vendas realmente ocorreram, justificarseia um exame mais detalhado. Como já dito, neste último período nada há. Rejeito, por isso, as alegações de nulidade contra a decisão atacada e passo ao mérito.” Diante de todo o exposto, entendo ser totalmente descabida a pretensão da recorrente no sentido de se baixar os autos ao órgão de origem, com a determinação de que a Fiscalização seja instada a apontar, pormenorizadamente, quais documentos a demandante deveria apresentar para provar o seu direito. A ausência da prova do direito alegado, por si só, autoriza o indeferimento da pretensão da recorrente, e por conseguinte, torna prejudicada a análise do mérito do direito pleiteado. Em relação à isenção da contribuição sobre as remessas para a ZFM, essa matéria sequer poderia ser enfrentada por este colegiado, haja vista que não houve prova de tais remessas. Todavia, como o relator enfrentou a matéria – isenção das contribuições nas vendas para a Zona Franca Manaus – trazendo argumentos com os quais não posso concordar, passo a expor o meu posicionamento sobre o tema. Inicialmente verificase que o sujeito passivo defende a isenção sob alegação de que tais vendas equivaleriam, para todos os efeitos, à exportação para exterior; de outro, a Fazenda Nacional entende que tais receitas devem compor a base de cálculo dessas contribuições, como determina a legislação de regência desses tributos. A meu sentir, razão não assiste à recorrente, pois a pretendida isenção, veiculada no DecretoLei nº 288/1967, não poderia alcançar os tributos ora em análise, posto Fl. 168DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.902896/200802 Acórdão n.º 9303002.498 CSRFT3 Fl. 169 15 que, norma inserta no CTN, mais precisamente no inciso II do 1art. 177, veda, expressamente, a extensão de isenções a tributos instituídos posteriormente à sua concessão, o que é, absolutamente, o caso dos autos. Demais disso, o caput do art. 176 do CTN exige que a lei concessiva de isenção especifique quais os tributos a que se aplica, e sendo o caso, o prazo de sua duração. Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares. Ora, por razões óbvias, o citado decretolei não poderia fazer referência a essas contribuições, visto que elas ainda não existiam à data da edição desse ato legal. Aliás, à época dos fatos objeto destes autos, não havia qualquer dispositivo legal concedendo isenção ou exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins no tocante às receitas de vendas para adquirentes situados na Zona Franca de Manaus. Desta feita, não há como conceder o benefício pleiteado. Observese, por oportuno que a regra é a incidência dessas contribuições sobre todas as receitas componentes do faturamento das pessoas jurídicas, sendo exceção a não incidência, exclusões de base de cálculo ou isenções. Demais disso, como é de sabença geral, as exceções devem vir expressa na lei, e nenhuma lei, até a data dos fatos, dispôs sobre qualquer isenção ou exclusão dessas receitas da base de cálculo das contribuições em foco. Essas as razões pelas quais nego provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres 1 Art. 177. Salvo disposição de lei em contrário, a isenção não é extensiva: I .................................................................. II aos tributos instituídos posteriormente à sua concessão. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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