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Numero do processo: 10380.722418/2009-44
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 06/10/2009
APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS NA FASE RECURSAL. POSSIBILIDADE. EMPRÉSTIMO ENTRE PESSOA FÍSICA E JURÍDICA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. DOCUMENTOS QUE DEIXAM AUSENTE A CONVICÇÃO SOBRE OS FATOS. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. AUSÊNCIA DE INSCRIÇÃO NO PAT. SITUAÇÃO FORA DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. FALTA EXCLUÍDA DA AUTUAÇÃO. APLICAÇÃO DE MULTA BENÉFICA. NOVO VALOR DETERMINADO EM LEI. AUTUAÇÃO MAIS BRANDA.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-002.770
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, a fim de que as faltas que justificaram a aplicação da multa em razão da alimentação não incluída no PAT sejam excluídas da autuação, bem como seja a multa recalculada depois dessa exclusão, considerando apenas o novo preceito secundário do artigo 32 - A, I, da Lei 8.212/91 introduzido pela Lei 11.941/2009.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior, ausentes os Conselheiros Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 06/10/2009 APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS NA FASE RECURSAL. POSSIBILIDADE. EMPRÉSTIMO ENTRE PESSOA FÍSICA E JURÍDICA. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. DOCUMENTOS QUE DEIXAM AUSENTE A CONVICÇÃO SOBRE OS FATOS. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. AUSÊNCIA DE INSCRIÇÃO NO PAT. SITUAÇÃO FORA DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. FALTA EXCLUÍDA DA AUTUAÇÃO. APLICAÇÃO DE MULTA BENÉFICA. NOVO VALOR DETERMINADO EM LEI. AUTUAÇÃO MAIS BRANDA. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, a fim de que as faltas que justificaram a aplicação da multa em razão da alimentação não incluída no PAT sejam excluídas da autuação, bem como seja a multa recalculada depois dessa exclusão, considerando apenas o novo preceito secundário do artigo 32 A, I, da Lei 8.212/91 introduzido pela Lei 11.941/2009. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 24 18 /2 00 9- 44 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.722418/200944 Acórdão n.º 2803002.770 S2TE03 Fl. 225 2 Eduardo de Oliveira. – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oseas Coimbra Júnior, ausentes os Conselheiros Amílcar Barca Teixeira Júnior e Gustavo Vettorato. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.722418/200944 Acórdão n.º 2803002.770 S2TE03 Fl. 226 3 Relatório O presente Auto de Infração – AI DEBCAD 37.229.7722, CFL.68, objetiva a aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, que consistiu em apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, parágrafo 3º, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV, parágrafo 5º., também, acrescentado pela Lei 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4º., do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração – AI, fls. 02. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento, em 26/10/2009, conforme AR, de fls. 92. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, petição com razões, acostada, as fls. 94 a 102, recebida, em 24/11/2009, estando acompanhada dos documentos, de fls. 103 a 160. A empresa impugnante foi intimada a regularizar a relação jurídico processual, fls. 161, AR, de fls. 164. A impugnante apresentou os documentos, de fls. 162 e 163. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 165 e 166. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 08021.801 5ª Turma da DRJ/FOR, em 22/09/2011, fls. 167 a 172, no qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 23/04/2012, por intermédio da intimação e do AR, de fls. 176 e a 177. Irresignada a empresa apresentou o recurso voluntário petição de interposição, as fls. 179, recebido, em 10/05/2012, com razões recursais, as fls. 180 a 192, acompanhado dos documentos, de fls. 193 a 220. As razões recursais sumariadas estão a seguir expostas. Mérito. · que a recorrente se limitou a apresentar em sua impugnação os documentos solicitado pela autoridade fiscal, em especial declarações anual de ajuste de IR de pessoa física e livro razão e diário, o que faz a prova pretendida; · que a empresa não apresentou os documentos no curso da fiscalização, pois este são de propriedade exclusiva do sócio, salvo os Fl. 226DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.722418/200944 Acórdão n.º 2803002.770 S2TE03 Fl. 227 4 livros contábeis, o que fora solicitado entre 19/05 e 25/08, ocorre porém que o Senhor Antônio Cláudio Gomes Figueiredo com 74 anos, descobriu estar acometido de gravíssimo problema cardíaco, tendo inclusive sofrido um enfarte em 2009, passando por cirurgia em setembro de 2009, ficando, assim, o sócio alheio ao que se passava na empresa, pois considerava até a hipótese de falecimento, o que impossibilitou a empresa de trazer os documentos, os recibos médico anexados comprovam as alegações; · que a decisão de primeiro grau cita outros documentos que nunca foram solicitados pela fiscalização, assim só foram trazidos aos autos neste momento e assim a recorrente não tinha como fazêlo antes, não sendo justo não admitir a juntada dos documentos apresentados com o recurso; · que os valores contabilizados como despesas de alimentação não são base de cálculo da contribuição previdenciária, não sendo o fato da não inscrição da recorrente no programa, que transforma a verba em remuneratória; · que o empréstimo feito pelo Senhor Cláudio sócio da empresa a Sucos Brasil estão comprovados pelas declarações anuais de ajuste de IR do sócio e da contabilidade da empresa, sendo o saldo devedor em 2005 da ordem de R$ 1.443.606,16 e o credor R$ 3.521.171,81, devendo a recorrente mais de R$ 2.000.000,00 ao sócio; · que a fiscalização considerou que os valores eram empréstimos, pois a recorrente não comprovou a origem dos valores no patrimônio do acionista; · que a empresa não é responsável pela origem do dinheiro emprestado pelo sócio, estando tal valor contabilizado por este nas suas declarações de IR, não podendo o fisco contestar a origem, não sendo razoável exigir que o sócio recolha contribuição previdenciária para receber de volta valor que já era seu, provando os documentos anexados a origem dos recursos; · Por fim pede: a) conhecimento do recurso e total provimento; b) anular a decisão guerreada, pois não enfrentou os argumentos em razão do PAT; c) receber os documentos apresentados junto ao recurso, reconhecendose a improcedência do auto; d) que as intimações sejam feitas na pessoa do causídico em seu endereço. O órgão preparador não se manifestou quanto a tempestividade do recurso, mas indicou sua ocorrência, fls. 223. Os autos subiram ao CARF, fls. 223. É o Relatório. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.722418/200944 Acórdão n.º 2803002.770 S2TE03 Fl. 228 5 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Inicialmente, esclareço que a lei fixa momentos específicos para que ambas as partes produzam no processo as provas com as quais pretendem demonstrar as suas alegações. Esta exigência não é sem motivos não de pode permitir que as partes eternizem o processo apresentando documentos, quando e como bem entenderem. A apresentação de documentos fora do momento processual deve ser visto com reservas e parcimônia. No entanto, isso não implica dizer que tal situação não possa ocorrer e mais, caso apresentado algum documento que este não deve ser considerado, apreciado, analisado e utilizado, pois isso seria menoscabar o princípio da legalidade e por consequência o da verdade material e este conselheiro nunca teve dificuldades e admitir tal possibilidade, pois não há razão para não aproveitar, o que se encontra nos autos. A responsabilidade pela apresentação das provas impeditivas, modificativas ou extintivas do direito do fisco cabe ao contribuinte. No curso da ação fiscal e do PAF pode é deve o contribuinte apresentar tudo que entender cabível, independentemente, de solicitação do fisco. O fisco não sabe quais os documentos produzidos pelas relações do contribuinte com a realidade dos fatos e muito menos o que o documentos que são solicitados oficialmente vão demonstrar, apenas este nos termos da máxima da experiência, artigo 335, da Lei 5.869/73 faz um previsão do que de ordinário tais documentos demonstraram, contudo muitos outros elementos poder surgir daí. Os documentos pessoais do sócio não eram e não são o único meio de a empresa demonstrar a veracidade de suas alegações, pois uma vez realizado o negócio jurídico que se diz realizado mútuo, embora a lei preveja a possibilidade de contrato verbal, envolvendo este tipo de negócio, pelo menos para fins comerciais, financeiros e tributários a forma escrita seria a mais adequada, devendo a empresa ser possuidora de uma cópia dos comprovantes que atestavam e atestam a lisura da operação, uma vez que o principal objetivo da atividade empresarial é obter lucro com ela e não o contrário, ou seja, a pessoa física sustentar como seu patrimônio pessoal a atividade empresarial. A prova dos fatos constitutivos do seus direitos ou dos fatos extintivos, modificativos e impeditivos do direito do fisco compete ao contribuinte, artigo 333, I e II, da Lei 5.869/73. Cabe ao contribuinte diligenciar e buscar os elementos que possam provar o direito que acho que possui e não ficar esperando que o fisco informe que ele deve apresentar este ou aquela documentos, pois isto não é função do fisco. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.722418/200944 Acórdão n.º 2803002.770 S2TE03 Fl. 229 6 Quando no curso da fiscalização o órgão tributante solicita aquilo que ele entende capaz de demonstrar os fatos que busca, mas cabe ao contribuinte fazer a prova daquilo que entender que seja a seu favor. Ademais, o órgão julgador de primeiro grau não pediu documento algum, apenas disse, a título de exemplo, alguns dos documentos que poderiam ter a recorrente apresentado para comprovar as alegações que fez na impugnação, mas que não comprovou. Os documentos apresentados pela recorrente não levam a convicção dos fatos que ela pretender demonstrar e as razões são simples. A análise da Declaração de Ajuste Anual do IRPF, do anocalendário 2005 e exercício 2006, e demais documentos a serem citados, nos permitem as seguintes observações. O patrimônio total da pessoa física em 2004 era de R$ 3.860.244,66, já em 2005 tal patrimônio passou para R$ 5.676.149,85, um acréscimo de R$ 1.815.905,19, sendo que em 2004 o direito junto à empresa Suco Brasil era de R$ 2.425,71 e em 2005 era de R$ 2.078.324,46 uma diferença de R$ 2.075.898,75. Os recibos juntados pela recorrente na fase recursal e que estão, as fls. 199 a 210, demonstram um empréstimo em 2005 do sócio para a empresa no valor de R$ 3.520.745,81. O contrato de mútuo, de fls. 196 a 198, datado, de 22/01/2004, em sua cláusula 1ª, diz que o valor do empréstimo será de R$ 660.000,00, a cláusula 3ª, diz que a devolução deveria ser feita até o último dia de 2004. Consta, também, dos autos, as fls. 194 e 195, o primeiro aditivo ao contrato de mútuo, datado, de 11/01/2005, onde na cláusula 1ª o objeto é o empréstimo de R$ 3.520.000,00, com validade de vinte e quatro meses, cláusula 4ª. Podese das observações acima concluir o seguinte: 1. os recibos e contratos apresentados não demonstram a regularidade dos supostos empréstimos. Não há nada que prove que estes são contemporâneos aos fatos, tal contratos não foi registrado em cartório de títulos e documentos ou notas ou algo semelhante, podendo ter sido elaborado a qualquer tempo, inclusive os recibos; 2. não há a apresentação de um único documento capaz de provar a regularidade das transferências extratos bancários, cheques compensados; 3. o suposto valor emprestado em 2005 é da ordem de 91,20% do patrimônio pessoal declarado em 2004; 4. o valor do empréstimo estipulado no contrato não bate com o valor dos recibos e o valor do direito declarado no IR de 2005 é R$ 1.442.421,35 menor que o constante dos recibos e declarado no passivo da empresa; 5. A movimentação de capital de uma para outra pessoa e viceversa não tem comprovação de tramitação ou transmissão, pois como os valores Fl. 229DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.722418/200944 Acórdão n.º 2803002.770 S2TE03 Fl. 230 7 são expressivos, o mais comum seria movimentação bancária, onde ela esta? Pois a pessoa física não teria tais valores em casa, não é a praxe em nossa realidade social. Com os esclarecimentos acima não veja como justificar as retiradas de valores do caixa da empresa em favor da pessoa física, uma vez que não há comprovação da entrada destes valores oriundos da pessoa física a favor da jurídica. A declaração do IR apresentada apenas demonstra o acréscimo patrimonial da pessoa física, o que para mim representa benefício unilateral a justificar a autuação. No que tange aos valores de alimentação pagos em parcela in natura e que por falta de inscrição da empresa no PAT foram considerados base de cálculo da contribuição previdenciária, razão não assiste ao fisco, basta ver o ato a seguir transcrito. ATO DECLARATÓRIO Nº 03 /2011 A PROCURADORA GERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: Resp nº 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp nº 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp nº 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp nº 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp nº 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp nº 977.238/RS (DJ 29/11/2007). Brasília, 20 de dezembro de 2011. ADRIANA QUEIROZ DE CARVALHO ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: II que fundamente crédito tributário objeto de: Fl. 230DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 10380.722418/200944 Acórdão n.º 2803002.770 S2TE03 Fl. 231 8 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; Assim sendo, as faltas relativas a este título devem ser excluídas da autuação, pois não justificam a sua aplicação. Deve, ainda, a autoridade local observar que com o advento da Lei 11.941/2009 novo preceito secundário foi estabelecido para a falta e nova sistemática de cálculo foi introduzida. Desta forma, deve a autoridade local em respeito ao artigo 106, II, “c”, da Lei nº 5.172/66 recalcular a multa depois da exclusão da faltas relativas a alimentação e não fazer comparação, soma ou aplicando qualquer outro critério, que não seja o estabelecido no artigo 32 – A, I, da Lei 8.212/91 introduzido pela Lei 11.941/2009. Indefiro o pedido de notificação em função e no endereço do causídico, pois no PAF a regra é a realização de notificações/intimações/comunicados em face do sujeito passivo e no domicílio tributário de eleição deste, salvo se este for rejeitado pelo fisco. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para no mérito darlhe provimento parcial, a fim de que as faltas que justificaram a aplicação da multa em razão da alimentação não incluída no PAT sejam excluídas da autuação, bem como seja a multa recalculada depois dessa exclusão, considerando apenas o novo preceito secundário do artigo 32 – A – I, da Lei 8.212/91 introduzido pela Lei 11.941/2009. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 04/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/11/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 03/12/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10882.903363/2008-30
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002
Ementa:
NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. PROVAS.
Não cabe à Administração empreender esforços probatórios devidos pelo Contribuinte, uma vez que, de seu dever exercitá-los por se tratar de recuperação de créditos por ele pleiteados não presentes nos autos provas de internação na Zona Franca de Manaus. O não acatamento da indevida pretensão não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.512
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Joel Miyazaki e Otacílio Dantas Cartaxo votaram pelas conclusões. O Conselheiro Henrique Pinheiro Torres apresentará declaração de voto.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2002 a 31/08/2002 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. PROVAS. Não cabe à Administração empreender esforços probatórios devidos pelo Contribuinte, uma vez que, de seu dever exercitálos por se tratar de recuperação de créditos por ele pleiteados não presentes nos autos provas de internação na Zona Franca de Manaus. O não acatamento da indevida pretensão não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Joel Miyazaki e Otacílio Dantas Cartaxo votaram pelas conclusões. O Conselheiro Henrique Pinheiro Torres apresentará declaração de voto. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 33 63 /2 00 8- 30 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903363/200830 Acórdão n.º 9303002.512 CSRFT3 Fl. 162 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório A ora Recorrente, irresignada com a decisão proferida pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, com ementa dotada dos seguintes termos, NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do decretolei nº 288/67. (grifado) interpõe Recurso Especial, com exame de admissibilidade favorável nº 3400 00.143, sob os argumentos de que tal decisão não pode ser mantida em razão da existência de julgados contrários ao entendimento articulado, no sentido de ser possível a utilização de crédito de PIS e COFINS após o anocalendário de 2000 e, inclusive, que determinam à DRF de origem realizar diligências para comprovar a veracidade do crédito. Reverbera também a impertinência do prejuízo decorrente do fato de despacho eletrônico que não cuidou de averiguar a existência ou não de crédito nas operações com empresas da ZFM/ALC mesmo tendo ela apresentado documentação contábil idônea com informes do conteúdo de notas fiscais comprovadoras da operação de comercialização de produtos. Indica como relevante que o “procedimento de PER/DCOMP não é suficiente para demonstrar o crédito tributário, e, justamente para isso, é que se aguarda a instauração de processo administrativo tributário.” Continua elencando os seguintes aspectos: “incabível a restrição do crédito com base na Medida Provisória nº 2.15835/2001, tendo em vista que todas as remessas a empresas localizadas na Zona Franca de Manaus são equiparadas a exportação, sendo patente a isenção da operação tributário quanto as contribuição de PIS e COFINS; o entendimento do Douto Relator, e acolhido por sua maioria na Douta 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, não pode ser Fl. 162DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903363/200830 Acórdão n.º 9303002.512 CSRFT3 Fl. 163 3 ratificado por não ter respaldo com o ordenamento jurídico e com o que vem sendo decidido por este Egrégio Conselho. Ou seja, não é imbróglio da Recorrente a alegação de ter direito a compensar o crédito de PIS e COFINS, pois as compradoras de seus produtos se localizavam na ZFM, logo é pertinente a aplicação da isenção da não – incidência desta contribuição, em razão da equiparação destas remessas à exportação; após julho de 2004, a legislação expressamente prevê alíquota zero para estas contribuições nas vendas de mercadorias realizadas com pessoas jurídicas situadas na Zona Franca de Manaus por equiparação à exportação; há precariedade no v. acórdão, em razão de não ter respeitado o princípio da busca pela verdade material, tanto é verdade, que aproveita a oportunidade para trazer à baila julgado paradigma que determina a necessidade da DRF fazer diligência para aferir o direito creditório; importante se faz reparar o artigo 1º do Decreto nº 2.346/97, o qual prevê que os atos da Administração Pública devem se pautar pelas orientações dos Tribunais Superiores, o que foi desconsiderado pela DRJ/CPS.” Registra excertos do acórdão recorrido: “Analisadas pela DRJ Campinas, as manifestações não foram acolhidas, ainda que tenha sido reconhecido que a empresa àquela altura já retificara a DCTF, pondoas em conformidade com as compensações pretendidas. Para não reconhecer o direito creditório, a DRJ ratificou o entendimento administrativo, do Parecer nº 1.789/2002, de que até o período de apuração dezembro de 20000 não há qualquer ato que conceda isenção a tais vendas ou qualquer outra forma de desoneração. No entender da administração, apenas no período compreendido entre 22 de dezembro de 20000 e 25 de julho de 2004 há isenção quando as vendas para a ZFM se enquadrem, ademais, nas disposições dos incisos IV, VI, VIII ou IX da Medida Provisória 2.037 e suas reedições. A partir de 26 de julho de 2004, passou a haver desoneração, sob a forma de redução a zero das alíquotas, para toda e qualquer venda realizada para aquela região, mesmo que não enquadrada nas disposições acima. Destarte, continua o Relator, para os recolhimentos relativos a fatos geradores ocorridos até 21 de dezembro de 200000 afirmou não haver o direito alegado. Para os recolhimentos relativos ao período compreendido entre 22 de dezembro de 20000 e 26 de julho de 2004 afirmou que caberia à empresa provar que as vendas se enquadram nas disposições acima o que, sozinha, a planilha juntada não consegue fazer. Para recolhimentos posteriores a julho de 2004 afirmou não ter a empresa juntado qualquer elemento comprobatório de sue direito, como lhe competia, nem mesmo a mencionada planilha.” Fl. 163DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903363/200830 Acórdão n.º 9303002.512 CSRFT3 Fl. 164 4 Destaca a impropriedade do comportamento da DRJ, uma vez que, pelo princípio da prudência, não determinou diligências para averiguar a ocorrência de remessas aos estabelecimentos localizados na ZFM, e que apesar de confirmar a existência de crédito, o mesmo não restou comprovado pela ora Recorrente, tudo sob o pálio de não considerar pertinente a substituição do contribuinte no que tange a uma instrução probatória. O acórdão recorrido registra que existem casos em que a Administração possa suprir a ausência de um dado documento cuja apresentação deveria ter sido promovida pela parte desde que o documento em questão esteja na posse da administração e seja difícil ou impossível apresentação tempestiva pela parte, como por exemplo, nos casos de DARF´s e declarações entregues. Alega que muito embora tais argumentos sejam dignos de consideração, não há como concordar com eles, uma vez que, em nenhum momento, a ora Recorrente foi intimada a apresentar documentos que a Fiscalização entenderia pertinentes para comprovar os créditos declarados nas DCOMP´s. Transcreve excerto do acórdão referente ao Recurso Voluntário nº 145.668, verbis: “Em face do exposto, voto pelo provimento parcial do presente recurso voluntário reconhecendo à recorrente o direito de repetir/compensar os indébitos decorrentes das contribuições para o PIS e COFINS apuradas e pagas sobre receitas de vendas de mercadorias efetuadas para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, no período de 22.12.2000 a 31.12.2003, que comprovadamente foram internalizada naquela zona franca, cabendo a DRF de origem exigir a documentação necessária à comprovação das internações bem como a apuração dos valores a serem repetidos/compensados.” Diz que essa decisão demonstra a divergência analítica, fazendo com que este Conselho conviva com opiniões diferentes. Por essas razões, argumenta que o acórdão recorrido deve ser reformado para que o processo baixe em diligência, a fim de que seja intimada a Recorrente para apresentação de toda a documentação para o fim de homologação do crédito pleiteado, até mesmo porque nunca existiu oportunidade para exibição de documentos, uma vez que o crédito tributário foi indeferido por meio de despacho decisório eletrônico. Transcreve vários trechos de acórdãos deste Conselho que contemplam abordagens sobre os princípios da verdade material e da oficialidade. Afirma novamente que o objetivo deste Recurso é a reforma do acórdão recorrido para que sejam homologados todos os pedidos de compensação realizados com créditos de 2000 a 2005. Ainda transcreve parte do acórdão recorrido para provar a existência de entendimento diferente em outra Turma e Câmara da 3ª Seção, verbis: “Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava se referindo, genericamente, às venda à AFM, ou, mais claramente, está ela a dizer Fl. 164DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903363/200830 Acórdão n.º 9303002.512 CSRFT3 Fl. 165 5 que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na AFM não se equipara “a exportação de mercadorias para o exterior” de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior, está simplesmente delimitadolhe o alcance como compete aos parágrafos. Tal reconhecimento deve ficar claro, não implica que após deixar o parágrafo (a partir de 22 de dezembro de 2000) tenha passado a existir a isenção pretendida. Para que isenção haja, já o disse, é preciso que ato legal a explicite, visto que só o decretolei 288 não basta. Mas tampouco há isenção apena porque a compradora lá esteja. Nos recursos ora em exame que abrangem aquele período, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante nos acórdãos que o analisam de que “haveria direito” no período de 22 de dezembro de 20000 a 25 de julho de 2004, mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há direito na forma requerida.” Destaca que a equiparação à exportação dos atos de comércio praticados com a Zona Franca de Manaus impede a existência do acórdão recorrido. Rechaça a alegação de imbróglio feita no Recurso Voluntário, uma vez que o mesmo registrou a existência de direito creditório no período após 2000. Transcreve ainda excertos do acórdão paradigma nº 330100.311, confirmando a tese da ora Recorrente, verbis: “ As receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços e/ou de serviços para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus para consumo e/ou industrialização, realizadas até a data de 21.12.2000 estavam sujeitas à Cofins, tornandose isenta dessa contribuição somente a partir de 22.12.2000. REPETIÇÃO. DCOMP. HOMOLOGAÇÃO As contribuições para o PIS e COFINS apuradas e pagas sobre as receitas de vendas de mercadorias e serviços para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, referente ao período de 22.12.2000 a 31.12.2001, constituem indébitos tributários passíveis de restituição e/ou compensação, cabendo à autoridade administrativa competente homologar a compensação dos débitos fiscais declarados até o limite do montante do crédito financeiro apurado.” Alega que essa decisão fornece suporte para justificar a procedências de suas razões uma vez que a partir de 22.12.2000 foram consideradas isentas as remessas para estabelecimentos localizados na ZFM, referentemente as contribuições para o PIS e COFINS. Tece considerações sobre o posicionamento hierárquico da Lei nº 5.172/66 (CTN) como lei complementar e acrescenta que qualquer alteração em seu conteúdo somente será plausível se acontecer por via de norma situada no mesmo nível do CTN, como é o caso do Ato Complementar nº 35/67 – publicado na mesma data do DecretoLei nº 288/67 – cujo § 2º, inciso II, do art. 7º assim preleciona: “§ 2º Para os efeitos de aplicação do disposto neste artigo, além da mercadoria objeto de operação de exportação, considerase destinada ao exterior a remetida: Fl. 165DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903363/200830 Acórdão n.º 9303002.512 CSRFT3 Fl. 166 6 II – aos armazéns gerais alfandegados, entrepostos aduaneiros e zonas francas; Assim, argumenta que nenhuma lei ordinária ou ato administrativo do Poder Executivo poderá alterar uma lei complementar. Considera que o conteúdo do art. 7º do Ato Complementar nº 35/67 destina se às exportações porque, confirmando a imunidade nas exportações para o antigo ICM, conforme já previa o § 5º, do art. 24, da Constituição de 1967, estende a mesma imunidade nas exportações para o IPI e insere no mundo jurídico uma nova situação quando concede tratamento fiscal igualitário a exportação para as remessas de mercadorias para as zonas francas. Transcreve excerto do voto do Ministro Sepúlveda Pertence em Medida Cautelar concedida na ADin nº 3101 (DJ 16.04.1993), verbis: “A plausibilidade da arguição suscitada faz relevante a questão constitucional proposta. Certo, ao esforço de demonstração da invalidade nas normas questionadas, fezse necessário seu cotejo com preceitos subconstitucionais: em particular, o artigo 4º do DecretoLei nº 288/67 (...), e o artigo 49 do mesmo diploma (...); o art. 5º da Lei Complementar nº 4/69, que manteve em vigor, dandolhe hierarquia complementar, o referido artigo 4º, do DL 288/67”. Conclui enfatizando que todas as vendas para empresas situadas n Zona Franca de Manaus caracterizam exportações para fins fiscais e devem ter o mesmo tratamento tributário na conformidade do entendimento dos Tribunais Superiores, e registra – entre outras – algumas considerações finais: “È dever da Administração Pública perquirir, aferir, buscar a verdade material, ou seja, deve a Fiscalização exigir a documentação necessária à comprovação das internações bem como a apuração dos valores a serem repetidos/compensados. Deste modo, a Recorrente acredita que este entendimento é o mais adequado ao caso em comento do que o exposto no v. acórdão vergastado, isto porque, a Recorrente não pode ter o seu direito tolhido, tão somente, porque em nenhum momento foi intimada a apresentar documentação. (...) As planilhas juntadas são documentos idôneos até prova em contrário, desta feita, é necessário que esta Colenda Câmara reforme o v. acórdão guerreado, a fim de que seja concedido à Recorrente utilizarse de seu crédito para compensálo com os débitos pretendidos;” Por fim articula os pedidos: “ a) seja reconhecido integralmente o crédito tributário, pois a partir de 22.12.2000 ficou expressamente determinado que não incidiria PIS e COFINS, pois tais receitas não devem ter incidência de tais contribuições pois as remessas a ZFM são equiparadas a exportação; Fl. 166DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903363/200830 Acórdão n.º 9303002.512 CSRFT3 Fl. 167 7 (...) d) com supedêneo no v. acórdão paradigmático, seja determinada diligências no processo administrativo para que a fiscalização efetivamente investigue a existência do crédito tributário, por meio da documentação juntada aos autos e por meio de outros documentos fiscais e contábeis necessários para formar a sua convicção.” Contrarrazões articuladas pela Fazenda Nacional inicia por dizer que a pretensão da Contribuinte para que a fiscalização produza as provas que a ela caberia realizar é improcedente, em razão do que preleciona o art. 333 do CPC que incumbe o ônus da prova ao autor. Afirma que esse dispositivo aplicado ao contexto da compensação tributária confirma a atribuição do contribuinte quanto à produção de prova da certeza e liquidez do crédito que alega ter perante o Fisco, cabendo a este último, uma vez provado o crédito se não homologálo, provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo daquele. Continua alegando que no campo da compensação deve o contribuinte provar a existência de crédito líquido e certo declarado e que, quando não se desincumbe da efetivação dessa prova, fica impedido por direito de exigir que a autoridade fiscal demonstre qualquer elemento contrário à pretensão. Oferece lição da jurista Fabiana Del Padre Tomé, sobre o ônus da prova no processo administrativo fiscal, verbis: “O direito à produção probatória decorre da liberdade que tem a parte de argumentar e demonstrar a veracidade de suas alegações, objetivando convencer o julgador. Visto por outro ângulo, o direito à prova implica a existência de ônus segundo o qual determinado sujeito do processo tem a incumbência de comprovar os fatos por ele alegados, sob pena de não o fazendo, ver frustrada a pretendida aplicação do direito material. Desse modo, a prova dos fatos constitutivos cabe a quem pretenda o nascimento da relação jurídica, enquanto a dos extintivos, impeditivos ou modificativos compete a quem os alega.” Insiste declarando que qualquer exceção à regra geral deve constar em texto de lei, como, por exemplo, presente no Direito do Consumidor, não cabendo à autoridade julgadora promovêla com base em juízo de equidade. Oferece destaque ao fato de somente com o oferecimento de manifestação de inconformidade, instauradora do litígio, é que a Administração terá oportunidade de conhecer os motivos do contribuinte, examinálos e homologar ou não a compensação comunicada e, se nela não se encontrarem presentes as provas que caberia apresentar, sem dúvidas, não será possível reconhecer qualquer nulidade de decisão desconhecendo o direito creditório pretendido. Discorre sobre a legislação que cuida do PIS e da COFINS relativamente à exportação para o exterior para defender a inexistência da isenção pretendida pela ora Recorrente e menciona o art. 2º da Lei nº 10.996/2004, que reduziu a 0 (zero) as alíquotas das Contribuição ao PIS/COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas Fl. 167DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903363/200830 Acórdão n.º 9303002.512 CSRFT3 Fl. 168 8 ao consumo ou à industrialização na ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora desse ambiente, para argumentar que se antes existisse isenção, não haveria necessidade de novo instrumento normativo para instituíla. Alega também que as principais normas isencionais existentes são as do art. 150 da Constituição e dos arts. 111, 176 e 177 do CTN, que se fundamentam no princípio de ser a isenção uma exceção feita expressamente à regra jurídica de tributação, tornando, por essa razão, interpretação muito restritiva e, portanto, somente diante de hipóteses clara e explicitamente consagradas pelo legislador é que o favor tributário da isenção se materializa. Para tanto, transcreve diversos precedentes judiciais sobre a exigência de interpretação literal e restritiva da norma isencional. Discorre ainda sobre a ausência de norma isentiva para o tema ora em discussão e rebate a pretensão do que denominou de isenção indireta, porque não prevista em lei e, portanto, não se coadunando com as características do instituto tributário, tal como fixadas pela ordem jurídica em vigor. Chama a baila o fato de que as contribuições para a seguridade social não podem ser, in casu, isencionadas, sob pena de afronta ao art. 195 da CF/88 que determina ser ela financiada por toda a sociedade e transcreve excerto do Informativo STF nº 155. Rebate a possibilidade de aplicação do DecretoLei nº 288/67 ao presente caso, uma vez que o seu artigo 4º é claro ao afirmar que os efeitos fiscais à vista dos quais estabelece a equiparação das vendas à ZFM à exportação para o estrangeiro, são, exclusivamente, aqueles vigentes à época da edição dessa norma. Por conseguinte, continua, como na data do DecretoLei não existia isenção da COFINS e do PIS porque não insculpidos no mundo jurídico, não é plausível pretender a extensão da isenção a essas Contribuições Sociais, tudo também em homenagem a interpretação restritiva das regras sobre isenção, como já mencionado. Alega também que o art. 177 do CTN veda o alcance da isenção a tributos instituídos posteriormente a concessão, salvo disposição de lei em contrário. Transcreve lição da professora Mizabel Derzi, “O CTN não diz expressamente, nem ALIOMAR BALEEIRO ressalta, mas parece evidente que o art. 177 é inteiramente aplicável, com as restrições nele registradas, às isenções incondicionais, concedidas por prazo indeterminado. Essas são inteiramente revogáveis exatamente porque concedidas como favorecimento ou renúncia.” Diz ainda inexistir dúvidas de que o benefício não pode ser estendido às remessas de produtos à ZFM, pelo simples fato de não haver sido contemplado no objetivo da norma e assim, caso se faça a interpretação em sentido contrário estaria este Conselho criando norma isentiva sem supedâneo legal. Conclui pelo afastamento da hipótese de isenção das Contribuições para o PIS e COFINS e, em razão disto, pela manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903363/200830 Acórdão n.º 9303002.512 CSRFT3 Fl. 169 9 Voto Conselheiro Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Relator O Recurso preenche condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento. As vertentes do presente litígio a serem examinadas dizem respeito a existência ou não de comprovação pela ora Recorrente dos atos negociais levados a efeito com a Zona Franca de Manaus e se tais atos, quanto ao PIS e a COFINS, estariam contidos na abrangência de isenção. Quanto a primeira vertente, ao compulsar os autos constato, no texto da Manifestação de Inconformidade, que a ora Recorrente apresentou à Secretaria da Receita Federal do Brasil Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), não homologado por inexistência de crédito tributário. O Despacho Decisório Eletrônico de não homologação tem o seguinte conteúdo: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” No Recurso Voluntário a ora Recorrente informa que anexou à Manifestação de Inconformidade já mencionada, relação das notas fiscais que compõem o crédito tributário e alega também que se tivesse sido intimada para apresentar outros documentos certamente a glosa da compensação não teria ocorrido. De todos sabido, inicialmente, que a obrigação de provar cabe ao Fisco quando materializa lançamento tributário identificando o fato gerador e o montante do tributo devido. Do mesmo modo, cabe – exclusivamente – ao Contribuinte quando na busca de ser ressarcido por tributo pago indevidamente ou em montante maior do que o devido, ofertar as provas necessárias e suficientes à liquidez e certeza de seus créditos. De primevo, a mim parece que uma simples relação contendo as operações com a ZFM representadas por números de notas fiscais, com CNPJ´s e Inscrição Estadual e ainda o crédito apurado, não substitui a prova da internalização dos produtos, nem as cópias de balancetes, livros diário e razão, onde as receitas de vendas estratificariam, sem dúvidas, a confirmação das operações efetivadas. O julgamento administrativo deve ter como norte o Princípio da Verdade Material. É certo, com isto não se está querendo dizer que o processo administrativo claudicará quando o dever de provar cabível ao Contribuinte não for exercitado. De todos sabido que as declarações de compensação não comportam espaço para as provas do Contribuinte relativamente a seus créditos, somente é possível o Fl. 169DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903363/200830 Acórdão n.º 9303002.512 CSRFT3 Fl. 170 10 conhecimento pelo Fisco relativamente ao fato de existir ou não, débitos. A partir daí, do levantamento da conta corrente do Contribuinte, a administração pode examinar o conteúdo do direito pleiteado seguindo as normas de regência. In casu, não havia registro de créditos disponíveis no ambiente da Administração. Por outro lado, espaço suficiente houve nos autos para produção de informações elucidativas quanto à internação dos produtos na ZFM pela ora Recorrente, principalmente a partir da oferta feita por ela da Manifestação de Inconformidade provocada pela não homologação de seus créditos. Não localizei ferimento aos princípios do contraditório e da ampla defesa neste processo, até mesmo porque inocorreu restrição à produção de provas. Mesmo que o instituto da preclusão quanto à juntada de documentos tenha que ser respeitado quando o sujeito passivo não protestar na impugnação ou manifestação de inconformidade, pela juntada posterior e nem apresentar justificativa legal para tanto, exceção poderá ocorrer na presença de força maior ou argumentos supervenientes, aspectos esses não produzidos nos autos. Indo agora para a vertente segunda de que as vendas para a ZFM se equiparam à exportação para o estrangeiro, para mim indiscutível que as receitas decorrentes de exportação não têm incidência das contribuições sociais de intervenção no domínio econômico de que trata o art. 149 da CF/88, uma vez que, observandose as regras estatuídas pelo art. 7º da LC 70/91 e pelo art. 5º da Lei nº 10.637, concluise que as vendas à Zona Franca de Manaus são equiparadas às exportações, conforme pacificação jurisprudencial do E. STJ a exemplo do Ag 1.295.452/DF, REsp. 817.847 SC, REsp.653.975/RS, entre outras. Portanto, não vislumbro procedência em se considerar as operações de vendas exclusivamente vinculadas ao que prelecionam os incisos IV, VI, VIII ou IX da MP 2037, constatando se a atividade da empresa compradora tem inscrição no Registro Especial Brasileiro para embarcações; seja comercial exportadora inscrita na SECEX; seja trading company ou ship´s Chandler, ao contrário, inclinome aos que entendem que toda e qualquer empresa que efetue vendas para a ZFM estará efetuando exportação. De outra banda, filiome ao entendimento do Ministro Teori Albino Zavascki quando do REsp. 1084.380/RS, em 29.03.09, pontuou: “Nos termos do art. 40 do ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT, da Constituição de 1988, a Zona Franca de Manaus ficou mantida “com suas características de área de livre comercio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, por 25 ano, a partir da promulgação da Constituição”. Ora, entre as “características” que tipificam a ZAFM destacase esta de que trata o art. 4º do Decreto Lei 288/67, segundo o qual “a exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na ZFM, ou reexportação pra o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro”. Portanto, durante o período previsto no art. 40 do ADCT e enquanto não alterado ou revogado o art. 4º so SL Fl. 170DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903363/200830 Acórdão n.º 9303002.512 CSRFT3 Fl. 171 11 288/67, há de se considerar que, conceitualmente, as exportações para a ZFM são, para efeitos fiscais, exportações para o exterior. Logo, a isenção relativa à COFINS e ao PIS é extensiva à mercadoria destinada à ZF. O DL 288/67 é originalmente um decretolei, porém está sendo considerado pelos doutrinadores após a EC 1/69 como tendo eficácia de lei complementar uma vez que cuida de matéria tributária que atinge todos os entes federativos. Foi, portanto, esse dispositivo recepcionado pela Constituição de 1988 e constitucionalizados seus dispositivos, atingindo efeitos até 2013 e tendo seus comandos elastecidos pela EC 42/66 até 2023. Para os que argumentam que somente os tributos existentes na época da edição do DL 288/67 aproveitariam a isenção, vem a Medida Cautelar em ADI 23489, não acatando tal argumento, determinando que novos tributos encontravamse abrangidos pelo artigo 40 do ADCT que foi criado para tornar diferenciado o ambiente jurídico da ZFM e teve seu prazo de vigência alterado pela EC 42 até 2023. Em razão do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto em face de não terem sido processadas as necessárias comprovações relativas ao crédito pretendido pela Recorrente. Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva Declaração de Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres A presente declaração de voto fazse necessária em razão de haver concordância no resultado do julgamento, mas divergências inconciliáveis nas razões de decidir. A teor do relatado, duas sãos as questões trazidas a debate: a ausência de lastro probatório mínimo a referendar o pedido de restituição formulado; e, ii) o próprio mérito do pleito, consistente na repetição de PIS/Cofins incidentes sobre as vendas a empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, que a recorrente defende estar amparada por isenção fiscal. Inicialmente, deve ser enfrentada a questão referente ao ônus da prova. A recorrente defende em seu especial que o Fisco não envidou todos os esforços no sentido de transparecer a realidade dos fatos, de forma a possibilitar a constatação da ocorrência Fl. 171DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903363/200830 Acórdão n.º 9303002.512 CSRFT3 Fl. 172 12 ou não do direito do crédito pleiteado pela Recorrente. Ainda segundo a defesa, é certo o dever da Fiscalização, da DRJ diligenciar para requerer toda documentação necessária, a fim de buscar a realidade dos fatos e, se o caso, decidir em prol da Recorrente. Esta questão de a quem pertence o ônus da prova é muito bem definida no Código de Processo Civil, mais precisamente no art. 333 que assevera: Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Na realidade, esse artigo nada mais representa do que a positivação do princípio geral de direito, segundo o qual, o ônus da prova recai sobre aquele que alega. Desde Roma já se conhecia esse princípio, verbalizado no brocardo, alegar e não provar é o mesmo que não alegar. A síntese da distribuição do ônus da prova é muito fácil de compreender: todo aquele que demandar alguém tem o dever de provar o direito objeto de sua demanda. No caso de auto de infração, cabe ao Fisco demonstrar as razões de fato e de direito que embasam a acusação fiscal. De outro lado, nos pedidos de repetição de indébito, incumbe ao sujeito passivo a prova do pagamento indevido ou a maior que o devido. Sobre a necessidade de as partes produzirem as provas necessárias à formação da convicção do julgador, preciosas as palavras do Conselheiro Gilson Rosenburg Filho, em julgamento de caso análogo ao aqui em debate. “Um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência. A certeza vai se formando através dos elementos da ocorrência do fato que são colocados pelas partes interessadas na solução da lide. Mas não basta ter certeza, o julgador tem que estar convencido para que sua visão do fato esteja a mais próxima possível da verdade. Como o julgador sempre tem que decidir, ele deve ter bom senso na busca pela verdade, evitando a obsessão que pode prejudicar a justiça célere. Mas a impossibilidade de conhecer a verdade absoluta não significa que ela deixe de ser perseguida como um relevante objetivo da atividade probatória. A verdade encontra se ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o Fl. 172DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903363/200830 Acórdão n.º 9303002.512 CSRFT3 Fl. 173 13 convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar verossimilhança às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador.” Em outro giro, ao contrário do que quer fazer parecer a defesa, o princípio da verdade material não é remédio para todos os males processuais; não serve para inverter o ônus da prova, tampouco dispensa o demandante de provar o direito alegado. Na realidade, a verdade material contrapõese ao formalismo exacerbado, presente no Processo civil, mas, de maneira alguma, priva o procedimento administrativo das necessárias formalidades. Tampouco altera o papel a ser desempenhado pelas partes. Daí se dizer que no Processo Administrativo Fiscal convivem harmonicamente os princípios da verdade material e da formalidade moderada. De sorte que se busque a verdade real, mas preservando as normas processuais que asseguram a segurança, a celeridade, a eficiência e o bom andamento do processo. Releva ainda transcrever excerto do acórdão recorrido, para arrimar este voto. Sem esquecer as devidas homenagens, com a palavra o Nobre Relator, o Conselheiro Júlio César Alves Ramos: “Não considero caber à Administração a instrução probatória em substituição ao contribuinte nem é isso o que esta Casa tem reconhecido, como postula o recurso. Realmente, há decisões que determinam que a Administração supra a ausência de um dado documento cuja apresentação deveria ter sido promovida pela parte. Mas tal entendimento não tem o alcance pretendido na defesa. Limitase ele aos casos em que o próprio documento já esteja de posse da administração e tenha sido difícil ou impossível à parte sua apresentação tempestiva. Isso se dá, por exemplo, com documentos tais como DARF e declarações entregues. Nesses termos, descabível indeferir uma compensação que aponte com clareza o recolhimento indevido (data, código de recolhimento) simplesmente porque a empresa não tenha juntado sua cópia nos autos, o mesmo se passando com a DCTF ou a DIPJ comprovadamente entregues. Aqui, diferentemente, o que se tem é a necessidade, no entender da instância de piso, de apurar se as vendas alegadas se enquadram nas disposições dos incisos IV, VI, VIII ou IX da MP 2037. Tal apuração passa pela constatação da atividade da empresa compradora e dos requisitos postos na legislação: inscrição no REB, ser comercial exportadora inscrita na SECEX, ser trading company ou ser ship’s Chandler. Nenhum deles se encontra expresso em qualquer documento interno em posse da SRF. Por fim, quanto ao período em que, sem qualquer condição, não deveria ter sido recolhido PIS nem COFINS sobre tais vendas – a partir de julho de 2004 – a empresa nada juntou nos autos que comprovasse as vendas alegadas. O recurso alega que a DRJ estaria obrigada, ainda assim, a promover as diligências que pudessem permitir a ela, recorrente, apresentar suas provas. Não está. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903363/200830 Acórdão n.º 9303002.512 CSRFT3 Fl. 174 14 De fato, ausente por completo a prova quando primeiramente se defende a empresa, o máximo que temos admitido é a apresentação da mesma em grau de recurso. Notese que, ao fazêlo, ultrapassase a letra fria do decreto 70.235 que a exige, impreterivelmente no momento da apresentação da “impugnação”. Só o fazemos, pois, em respeito ao princípio da verdade material, quando o elemento probante trazido extemporaneamente tem a força de desconstituir lançamento que houver sido mantido pela sua ausência. Do contrário, estarseia a afrontar o princípio constitucional da legalidade. Novamente não é o que se passa aqui. A empresa não aproveitou a oportunidade de coligir e apresentar a prova faltante. Pelo contrário, limitase a postular que a decisão seria nula porque não determinara a DRJ as diligências que a poderiam provar. Ocorre que as diligências previstas no Decreto 70.235 a isso não se destinam. Deveras, elas objetivam apenas permitir a formação da convicção do julgador quando os elementos presentes nos autos não sejam suficientes. Nesse sentido, houvesse a empresa trazido aos autos alguma “prova”, a exemplo da planilha elaborada para o outro período, que constituísse ao menos indício de que as vendas realmente ocorreram, justificarseia um exame mais detalhado. Como já dito, neste último período nada há. Rejeito, por isso, as alegações de nulidade contra a decisão atacada e passo ao mérito.” Diante de todo o exposto, entendo ser totalmente descabida a pretensão da recorrente no sentido de se baixar os autos ao órgão de origem, com a determinação de que a Fiscalização seja instada a apontar, pormenorizadamente, quais documentos a demandante deveria apresentar para provar o seu direito. A ausência da prova do direito alegado, por si só, autoriza o indeferimento da pretensão da recorrente, e por conseguinte, torna prejudicada a análise do mérito do direito pleiteado. Em relação à isenção da contribuição sobre as remessas para a ZFM, essa matéria sequer poderia ser enfrentada por este colegiado, haja vista que não houve prova de tais remessas. Todavia, como o relator enfrentou a matéria – isenção das contribuições nas vendas para a Zona Franca Manaus – trazendo argumentos com os quais não posso concordar, passo a expor o meu posicionamento sobre o tema. Inicialmente verificase que o sujeito passivo defende a isenção sob alegação de que tais vendas equivaleriam, para todos os efeitos, à exportação para exterior; de outro, a Fazenda Nacional entende que tais receitas devem compor a base de cálculo dessas contribuições, como determina a legislação de regência desses tributos. A meu sentir, razão não assiste à recorrente, pois a pretendida isenção, veiculada no DecretoLei nº 288/1967, não poderia alcançar os tributos ora em análise, posto Fl. 174DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10882.903363/200830 Acórdão n.º 9303002.512 CSRFT3 Fl. 175 15 que, norma inserta no CTN, mais precisamente no inciso II do 1art. 177, veda, expressamente, a extensão de isenções a tributos instituídos posteriormente à sua concessão, o que é, absolutamente, o caso dos autos. Demais disso, o caput do art. 176 do CTN exige que a lei concessiva de isenção especifique quais os tributos a que se aplica, e sendo o caso, o prazo de sua duração. Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares. Ora, por razões óbvias, o citado decretolei não poderia fazer referência a essas contribuições, visto que elas ainda não existiam à data da edição desse ato legal. Aliás, à época dos fatos objeto destes autos, não havia qualquer dispositivo legal concedendo isenção ou exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins no tocante às receitas de vendas para adquirentes situados na Zona Franca de Manaus. Desta feita, não há como conceder o benefício pleiteado. Observese, por oportuno que a regra é a incidência dessas contribuições sobre todas as receitas componentes do faturamento das pessoas jurídicas, sendo exceção a não incidência, exclusões de base de cálculo ou isenções. Demais disso, como é de sabença geral, as exceções devem vir expressa na lei, e nenhuma lei, até a data dos fatos, dispôs sobre qualquer isenção ou exclusão dessas receitas da base de cálculo das contribuições em foco. Essas as razões pelas quais nego provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres 1 Art. 177. Salvo disposição de lei em contrário, a isenção não é extensiva: I .................................................................. II aos tributos instituídos posteriormente à sua concessão. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/01/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 03/01/2014 por HENRIQUE PIN HEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10680.720507/2010-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
ITR. REDUÇÃO DO VALOR DA TERRA NUA. REQUISITOS.
Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/ha apontados no SIPT, exige-se que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, bem como, a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos.
Portanto, o arbitramento do VTN, apurado com base no SIPT, deve prevalecer sempre que o contribuinte deixar de comprovar o VTN informado na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR), por meio de laudo de avaliação, elaborado nos termos da NBR-ABNT 146533.
Recurso Negado
Numero da decisão: 2102-002.821
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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REDUÇÃO DO VALOR DA TERRA NUA. REQUISITOS. Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base no VTN/ha apontados no SIPT, exigese que o Laudo Técnico de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos essenciais das Normas da ABNT, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, bem como, a existência de características particulares desfavoráveis em relação aos imóveis circunvizinhos. Portanto, o arbitramento do VTN, apurado com base no SIPT, deve prevalecer sempre que o contribuinte deixar de comprovar o VTN informado na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR), por meio de laudo de avaliação, elaborado nos termos da NBRABNT 146533. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos Presidente (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 05 07 /2 01 0- 13 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório DO PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL Tratase de processo de autuação contra a contribuinte acima qualificada, para cobrança de Imposto sobre a Propriedade Rural – ITR, exercício 2006, no qual a interessada foi intimada do início do procedimento fiscal, através do Termo de Intimação Fiscal n° 06101/00168/2009 (fls. 05/06), para apresentação dos documentos relacionados abaixo, conforme se extraí do próprio “Termo de Intimação Fiscal”: “Apresentar cópias autenticadas ou cópias simples, acompanhadas dos originais, dos documentos discriminados a seguir: Identificação do contribuinte. Matricula atualizada do registro Imobiliário ou, em caso de posse, documento que comprove a posse e a inexistência de registro de imóvel rural. Certificado de Cadastro de Imóvel Rural CCIR do INCRA. [...] Documentos referentes à Declaração do ITR do Exercício 2005: Para comprovar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado: Laudo de avaliação do Valor da Terra Nua do imóvel emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT com grau de fundamentação e precisão II, com anotação de responsabilidade técnica ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo e preferivelmente pelo método comparativo direto de dados de mercado. Alternativamente o contribuinte poderá se valer de avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais (exatorias) ou Municipais, assim como aquelas efetuadas pela Emater, apresentando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel. Tais documentos devem comprovar o VTN na data de 1° de janeiro de 2005, a preço de mercado. A falta de comprovação do VTN declarado ensejará o arbitramento do valor da terra nua, com base nas Informações do Sistema de Preços de Terra SIPT da RFB, nos termos do artigo 14 da Lei 9.393/96, pelo VTN/ha do município de localização do imóvel para 1° de janeiro de 2005 no valor de R$: Fl. 127DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.720507/201013 Acórdão n.º 2102002.821 S2C1T2 Fl. 127 3 Valor do VTN para o Município R$ 1.211,56 . Documentos referentes à Declaração do ITR do Exercício 2006: Para comprovar o Valor da Terra Nua (VTN) declarado: Laudo de avaliação do Valor da Terra Nua do imóvel emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT com grau de fundamentação e precisão II, com anotação de responsabilidade técnica ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo e preferivelmente pelo método comparativo direto de dados de mercado. Alternativamente o contribuinte poderá se valer de avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais (exatorias) ou Municipais, assim como aquelas efetuadas pela Emater, apresentando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram â convicção do valor atribuído ao imóvel. Tais documentos devem comprovar o VTN na data de 1° de janeiro de 2006, a preço de mercado. A falta de comprovação do VTN declarado ensejará o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do Sistema de Preços de Terra SIPT da RFB, nos termos do artigo 14 da Lei 9.393/96, pelo VTN/ha do município de localização do imóvel para 1 o de janeiro de 2006 no valor de R$: Valor do VTN para o Município R$ 1.643,70.” Contra a interessada foi lavrada a Notificação de Lançamento e respectivos demonstrativos de fls. 01/04, por meio do qual fora exigido o pagamento do ITR do Exercício 2006, acrescido multa de ofício e juros moratórios, totalizando o crédito tributário em R$ 85.431,29, relativo ao imóvel rural denominado Fazenda Gongo Soco, com área declarada de 874,70 ha, NIRF 0.641.4710, localizado no município de Barão de Cocais, MG. Constou da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 02), a citação da fundamentação legal que amparou o lançamento e as seguintes informações, em suma: que, após regularmente intimada, a contribuinte não comprovou por meio de Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT, o valor da terra nua declarado, e no Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o valor da terra nua foi arbitrado, tendo como base as informações do Sistema de Preços de Terra – SIPT da RFB. Com base nesses dados, foi arbitrado o valor da terra nua VTN para 2006 em R$ 1.299,20/ha, perfazendo um total de R$ 1.136.410,24. No presente processo os valores declarados e as retificações de ofício da declaração do ITR exercício 2006 constam na fl. 03, os quais apresentam o seguinte histórico: ITR PeríodoBase 2006 Declarado, fl. 03 Retificação de ofício 19. Valor Total do Imóvel R$ 683.000,00 R$ 1.713.410,24 20. Valor das Benfeitorias R$ 577.000,00 R$ 577.000,00 22. Valor da Terra Nua R$ 106.000,00 R$ 1.136.410,24 23. Valor da Terra Nua Tributável R$ 87.821,00 R$ 941.515,88 25. Imposto Devido R$ 4.127,58 R$ 44.251,24 Diferença de Imposto (Apurado – Declarado) R$ 40.123,66 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento lavrado pelo fisco, a contribuinte apresentou impugnação em 26/04/2010 (fls. 12/22), acompanhada dos documentos de fls. 23 e seguintes, quais sejam, Laudo de Avaliação do VTN referente à 2006 (fls. 42/71), o qual apurou o valor médio do imóvel de R$ 968.389,12 (fl. 68), e demais documentos. Em síntese, a interessada alegou o que segue: • que a apuração do valor da terra nua, no caso em apreço, baseouse em critérios subjetivos, quais sejam, "os valores constantes do SIPT Sistema de Preços de Terra, instituído através da Portaria SRF n° 447 de 28.03.02", sistema este supostamente estabelecido com base no ordenamento do artigo 14 da Lei 9.393/96 para "fornecer informações relativas a valores de terras para o cálculo e lançamento do Imposto Territorial Rural"; • cita o que dispõe os artigos 2° e 3° da Portaria SRF n° 447/02, concluindo que da leitura do supracitado dispositivo que o sistema utilizado pela Receita Federal do Brasil para arbitrar o valor do imóvel rural não possibilita ao contribuinte o acesso aos dados nele inseridos, de forma a inviabilizarlhe a discordância das informações levantadas e dos cálculos efetuados pelo Fisco; • assevera que pelo fato de não serem divulgados os parâmetros e diretrizes adotados pela Receita Federal do Brasil para o estabelecimento do quantum debeatur do Imposto Territorial Rural, fica o contribuinte à mercê da forma de apuração que melhor aproveita ao Fisco, que, não está adstrita aos contornos das Leis 8.629/93 e 9.393/96, restando patente a afronta ao principio da estrita legalidade; • informa que a Lei n.° 9.393 fez referência à redação original da Lei n.° 8.629/93 e transcreve o seu art. 12, concluindo que não há garantia de que os critérios tenham sido efetivamente observados quando da avaliação fiscal; • a utilização do SlPT, nos moldes em que é realizada, ampliou o leque de discricionariedade da Receita Federal do Brasil, possibilitando alterações constantes no sistema, através da "alimentação", indiscriminada de dados pela Coordenação Geral de Fiscalização (Cofis), de forma a interferir nos critérios de quantificação tributária; • a outorga concedida à Receita Federal do Brasil, para proceder ao lançamento de oficio do tributo, nos casos especificados em Lei, por meio de "sistema por ela instituído", acabou por permitir que o órgão administrativo furtese de obedecer ao regramento estatuído na Lei; Fl. 129DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.720507/201013 Acórdão n.º 2102002.821 S2C1T2 Fl. 128 5 • diz que nos termos do artigo 142 do CTN, a atividade de lançamento é vinculada ("a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória"); • que a natureza vinculada do lançamento o sujeita à estrita observância da lei, especificamente, no caso, aos elementos que compõe a hipótese de incidência tributária; • a utilização indiscriminada do Sistema de Preços de Terras SIPT, tal qual ocorre no caso em apreço, caracteriza flagrante cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, uma vez que não lhe possibilita, o acesso as informações nele inseridas, utilizadas para lastrear o lançamento; • considerando que (i) não há garantias de que os critérios estabelecidos pela Lei n° 8.629/1993 tenham sido efetivamente observados para a apuração do VTN no presente caso; (ii) a "alimentação" indiscriminada de dados pela Coordenação Geral de Fiscalização (Cofis) no Sistema de Preços de terra SIPT interfere nos critérios de quantificação tributária; (iii) a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, devendo ser regida pelos estritos contornos dos princípios da legalidade e da motivação, e (iv) não é disponibilizado ao contribuinte o acesso as informações lançadas no SIPT para o cômputo do valor da terra nua, caracterizando afronta aos princípios da ampla defesa e do contraditório, é inconteste a nulidade da autuação vergastada; • os valores apontados no Auto de Infração superam o montante que, efetivamente, representa o valor de mercado do imóvel, conforme se infere do Laudo de Avaliação de Imóvel Rural, realizado por profissionais especializados, contratados pela Impugnante; • o valor venal do imóvel objeto desta avaliação é R$ 968.389,12 (novecentos e sessenta e oito mil, trezentos e oitenta e nove reais e doze centavos); • o Laudo de Avaliação do imóvel, em anexo, é documento hábil a revelar o desacerto do arbitramento promovido pelo Fisco, e tendo em conta o disposto no aludido artigo 148, não há como prevalecer o montante do ITR estipulado no auto de infração referente a esta parcela, devendo, quando muito, prosseguir a cobrança com base no valor de mercado da terra nua, indicado no supracitado Laudo, em consonância com o disposto no artigo 12 da Lei n.°.8.629/93; DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU Fl. 130DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 A Turma de primeira instância ao examinar a impugnação da contribuinte proferiu a seguinte decisão (excertos), fls. 82/90: “Da Nulidade do Procedimento Fiscal A contribuinte pretende a nulidade do procedimento fiscal por entender que houve cerceamento do direito de a Impugnante se defender, por não ter a Fiscalização fornecido as informações utilizadas para o arbitramento do valor da terra nua do imóvel objeto da autuação. [...] No presente caso, a notificação de lançamento identificou a irregularidade apurada (subavaliação do VTN declarado) e motivou, de conformidade com a legislação aplicada à matéria, o arbitramento de novo VTN, com base no SIPT, o que foi feito de forma clara, como se pode observar na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” de fls. 02, em consonância, portanto, com os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Nesse diapasão, em se tratando do arbitramento do VTN, consta devidamente registrado que o valor declarado foi considerado subavaliado por encontrarse abaixo do valor de mercado, obtido com base no menor VTN/ha, apontado no Sistema de Preços de Terras – SIPT, para o município onde se localiza o imóvel, nos termos do art. 14 (caput) e seu § 1º, da Lei nº 9.393/1996, conforme apresentado na Descrição dos Fatos e Enquadramento (s) Legal (ais). Portanto, comprovase tanto a origem dos valores de preços, qual seja, o SIPT, quanto a sua previsão legal. [...] Vale considerar ainda que, tendo sido intimada a apresentar Laudo Técnico de Avaliação demonstrando de maneira inequívoca o valor fundiário do imóvel, a preços daquela época, conforme fls. 05/06, a requerente não se manifestou, não comprovando, assim, o VTN. Nesse sentido, o arbitramento justificase plenamente, uma vez não foram apresentados documentos probatórios confirmando o VTN informado na declaração. A tela de fls. 08 do SIPT, indicando o VTN de R$ 1.299,20/ha utilizado pela fiscalização, esclarece quanto à origem dos valores arbitrados pela autoridade fiscal para apuração do VTN, e, em caso de dúvida quanto à sua existência, também poderia ter sido obtida a qualquer momento pela requerente junto às unidades locais da Receita Federal. Em relação à alegação de que o SIPT foi aprovado pela Portaria SRF n° 447, de 28 de março de 2002, e sua utilização é restrita aos funcionários da Receita Federal do Brasil, tratase de acesso aos sistemas internos da RFB que estão submetidas a regras de segurança, contudo, tal restrição não prejudica a publicidade das informações armazenadas no sistema, tanto que ela está anexada aos autos às fls 08. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.720507/201013 Acórdão n.º 2102002.821 S2C1T2 Fl. 129 7 [...] Do Valor da Terra Nua – VTN Na parte atinente ao cálculo do Valor da Terra Nua – VTN, entendeu a autoridade fiscal que houve subavaliação, tendo em vista o valor médio constante do Sistema de Preço de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal, em consonância ao art. 14, caput, da Lei 9.393/96, razão pela qual o VTN do imóvel foi aumentado de R$ 106.000,00 (R$ 121,18/ha), para o arbitrado de R$ 1.136.410,24 (equivalente a R$ 1.299,20/ha), correspondente ao VTN/ha médio, apontado no SIPT, exercício de 2006, para o citado Município, tela de fls. 08. Por sua vez, a Requerente apresenta, nesta fase, o “Laudo de Avaliação”, doc. de fls. 42/76, elaborado pelos engenheiros Ricardo Ambrósio de Campos (Civil) e Paulo Raele (Agrônomo), sem ART’s, devidamente anotadas no CREA/MG, onde se concluiu que o valor da terra nua do imóvel é de R$ 968.389,12 (R$ 1.107,11/ha) e solicita o seu acolhimento. Ocorre que, constatase, de imediato, que não foi apresentada a Anotação de Responsabilidade Técnica ART que, de acordo com o CREA, “é o instrumento através do qual o profissional registra as atividades técnicas solicitadas através de contratos (escritos ou verbais) para o qual o mesmo foi contratado”. [...] Portanto, a falta da necessária ART devidamente anotada no CREA/MG já é, por si só, motivo suficiente para descaracterizar o laudo de avaliação apresentado, como documento hábil, para comprovação do VTN do imóvel avaliado, pois é com a ART devidamente anotada no CREA que se considera concluído e acabado o “Laudo de Avaliação” e por se tratar de documento eminentemente técnico, somente com a ART apresentada ao órgão de classe que o laudo se considera consumado e então, o profissional identificado passa a ser responsabilizado pelo trabalho por ele realizado. Assim, não há como acatar a pretendida revisão do VTN arbitrado, pois o laudo de fls. 42/76, desacompanhado na necessária ART, devidamente anotada no CREA/MG, não constitui documento hábil, para comprovar o VTN do imóvel avaliado. Desta forma, cabe manter a tributação da “Fazenda Gongo Soco” com base no VTN arbitrado de R$ 1.136.410,24 (equivalente a R$ 1.299,20/ha). [...]” DAS RAZÕES RECURSAIS A contribuinte foi cientificada do Acórdão n° 0344.889 da 1ª Turma da DRJ/BSB em 19/10/2011 (fl. 95). Fl. 132DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 Sobreveio Recurso Voluntário em 16/11/2011 (fls. 96/108), acompanhado dos documentos de fl. 109 e seguintes, no qual a Recorrente, em síntese, reprisou as alegações da impugnação e no mérito acrescentou que logrou produzir Laudo Técnico, traduzindo o valor de mercado efetivo da terra nua, relativamente ao imóvel objeto de autuação. Aduz que no tocante às Anotações de Responsabilidade Técnica – ART, estas foram apresentadas anexas ao presente Recurso, restando atendido o requisito formal do art. 1º da Lei 6.496/77. Neste aspecto, sustenta que o simples fato de não ter sido apresentada na Impugnação a cópia da ART, não é capaz de infirmar a conclusão do laudo, isso porque, a teor do artigo 38 da Lei 9.784/99, o interessado poderá promover a juntada de provas e documentos até a prolação da decisão, o que segundo o Recorrente, se aplica no presente recurso, até que seja realizado o julgamento. Assevera que o Laudo Técnico é primordial para se confirmar ou não o Valor da Terra Nua, e que toda a atividade administrativa é guiada pelo princípio da verdade material, o qual impele os órgãos julgadores a considerar, no processamento de defesas e recursos, todos os elementos de fato inerentes à configuração da hipótese de incidência e da suposta infração verificada, ainda que eventualmente não trazidos aos autos pelas partes. Sustenta que na hipótese de não ser acolhida as alegações supra, deve ainda ser provido o presente recurso, por nulidade da decisão recorrida em razão de cerceamento ao direito de ampla defesa e ao contraditório, quando da busca pela verdade material. Diz que no caso em espécie, a autoridade tributária simplesmente se esquivou de conhecer e apreciar o Laudo de Avaliação apresentado pela contribuinte, sem sequer darlhe oportunidade para comprovar a procedência do estudo realizado, optando por uma solução que, coincidentemente, parece ser menos trabalhosa e mais oportuna ao Fisco. Requer quanto as alegações de cerceamento do direito à ampla defesa que seja declarada a nulidade do acórdão da DRJ, devolvendo os autos para a Turma julgadora prolatar nova decisão, se pronunciando sobre a ART relativamente à alegação de impropriedade do VTN arbitrado. Finalmente, requereu que o presente Recurso seja provido e decretada a total insubsistência da autuação, ante a ilegitimidade do método arbitrado, subsidiariamente, que seja admitido o Laudo de Avaliação do imóvel, e reduzido o crédito tributário, em conformidade com o VTN ali contido, ou sucessivamente que seja decretada a nulidade da decisão da DRJ e devolvidos os autos para que seja prolatada nova decisão, pronunciandose, a respeito da ART ora juntada e da consequente admissibilidade do Laudo em questão. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado, possui todos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.720507/201013 Acórdão n.º 2102002.821 S2C1T2 Fl. 130 9 O presente recurso se cinge à controvérsia do Valor da Terra Nua, arbitrado pela Receita Federal, com base no Sistema de Preços de Terras – SIPT. Inicialmente, passo à análise da preliminar de ilegitimidade do método arbitrado pela Receita Federal para apurar o Valor da Terra Nua – VTN. Quanto a preliminar suscitada, entendo que não merece prosperar, tendo em vista que a tela de fl. 08 do Sistema de Preços de Terras (SIPT), indica o VTN de R$ 1.299,20/ha, que foi utilizado pela fiscalização, e esclarece quanto a origem dos valores arbitrados para apuração do VTN, e inclusive, havendo dúvida quanto à sua existência, também poderia ter sido obtida a qualquer momento pela interessada junto às unidades locais da Receita Federal. Nesse sentido, com acerto a decisão a quo referiu que: “Em relação à alegação de que o SIPT foi aprovado pela Portaria SRF n° 447, de 28 de março de 2002, e sua utilização é restrita aos funcionários da Receita Federal do Brasil, tratase de acesso aos sistemas internos da RFB que estão submetidas a regras de segurança, contudo, tal restrição não prejudica a publicidade das informações armazenadas no sistema, tanto que ela está anexada aos autos às fls 08.” Assim, rejeito as preliminares e passo à análise do mérito. A fim de um melhor entendimento da matéria, se faz necessária a transcrição do art. 10, III, da Lei 9.393/97, que define a base de cálculo do ITR, qual seja, o Valor da Terra Nua e Valor da Terra Nua não Tributável: Art. 10 [...] III VTNt, o valor da terra nua tributável, obtido pela multiplicação do VTN pelo quociente entre a área tributável e a área total; O valor da Terra Nua, por sua vez, também é definido no mesmo artigo: §1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; A área tributável segue a mesma disciplina e encontrase definida no mesmo diploma legal: II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: Fl. 134DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 10 a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei 4771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei 7803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão ambiental; (Redação dada pela Lei 12651, de 2012). e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração;(Incluído pela Lei 11428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei 11727, de 2008). O Valor da Terra Nua deve ser combinado com o grau de utilização para a apuração da alíquota aplicável, na tabela progressiva. Para se apurar a correta mensuração da área tributável, foi oportunizada à Recorrente acostar Laudo Técnico atual, elaborado por profissional habilitado, que atenda os requisitos essenciais das normas da ABNT (NBR 14.653), hábil à comprovar o real Valor da Terra Nua, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica, devidamente anotada no CREA. Compulsando os autos, verificase que por ocasião da Impugnação a Recorrente acostou Laudo de Avaliação do VTN referente à 2006 (fls. 42/71), no qual apurou o valor médio do imóvel em R$ 968.389,12 (fl. 68), e quando do presente Recurso, acostou documento de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART (fls. 109/112). Constase que a Decisão “a quo” deixou de analisar o Laudo por ter constado de imediato que não havia sido apresentada a Anotação de Responsabilidade Técnica ART. Portanto, a falta da ART por si só, foi motivo suficiente para descaracterizar o laudo de avaliação, sem análise dos demais dados. Embora esta conselheira aceite o Laudo Técnico, por ser um documento específico de comprovação, portanto capaz de se contrapor ao valor do SIPT, que é um valor médio, o mesmo deve trazer informações específicas do VTN que está sendo avaliada. Da análise do referido Laudo, vislumbrase que este foi realizado por empresa técnica especializada (Avalicon), no entanto, não se mostra como documento hábil para revisão do VTN arbitrado pela fiscalização por não atender aos requisitos da NBR 14.6533 da ABNT. Com efeito, não há dúvidas de que o VTN declarado de R$ 780,00/ha (valor total do imóvel declarado R$ 683.000,00) encontrase, de fato, subavaliado, até prova documental hábil em contrário, por ser muito inferior ao VTN média, por hectare, de R$ 1.299,20 (fl. 08), apurado no universo das DITR/2006 referentes aos imóveis rurais localizados no município de Barão de Cocais, MG. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.720507/201013 Acórdão n.º 2102002.821 S2C1T2 Fl. 131 11 Esse valor médio por hectare corresponde ao valor médio apurado no universo das DITR exercício 2006, referentes aos imóveis rurais localizados no município de Barão de Cocais, MG, correspondendo, portanto, à média dos valores (VTN) informados pelos próprios contribuintes nas suas DITR/2006. Para contestar o VTN arbitrado para o ITR/2006, a impugnante apresentou "Laudo de Avaliação", doc. de fls. 42/71, elaborado pelo Diretor Técnico da Empresa AVALICON Ricardo Ambrósio de Campos e pelo Engenheiro Agrônomo Paulo Reale, com ART anotada no CREA, documentos de fls. 109/112, com um Valor Venal do Imóvel de R$ 968.389,12 (fl. 68). No presente caso, não haveria como restabelecer o VTN declarado pela contribuinte, ou mesmo acatar o valor apontado nesse Laudo, pois entendo que o teor do documento trazido aos autos realmente não se mostra hábil para a finalidade a que se propõe, uma vez que não segue a totalidade das normas da ABNT, não demonstrando o valor fundiário do imóvel à época da entrega do Documento de Informação e Apuração do ITR – DIAT/2006 (01.01.2006), conforme preceitua o art. 8º, §2º, da Lei 9.393/1996, nem a existência de características particulares desfavoráveis, que justificassem um VTN/ha, abaixo do arbitrado pela fiscalização com base no valor apontado no SIPT. Inicialmente, é de se ressaltar que a autoridade fiscal solicitou na intimação inicial, que o laudo de avaliação demonstrasse, para efeito de prova documental, o Valor da Terra Nua (valor fundiário), e não o valor total do imóvel (valor venal), pois a diferença entre estes conceitos é de natureza técnica, ou seja, para demonstrar o valor da terra nua é necessário partir do valor total do imóvel e retirar os valores das benfeitorias e demais bens passíveis de valoração econômica nela inseridos. Tais benfeitorias e demais bens deveriam ser objeto de avaliação por parte dos peritos, pois eles também necessitam de critérios técnicos e legais de aferição, também definidos na NBR 14.6533 da ABNT, o que não foi feito, conforme se constata no descrito no subitem 6.1. — Benfeitorias não reprodutivas do Laudo, à fl. 47, que não foram objeto de avaliação. Importante destacar que, quanto as amostras apresentadas no Laudo, não obstante totalizarem o número de 157, chama a atenção o fato de 60 fontes dessas amostras serem referentes a contratos com a própria impugnante e 68 fontes serem de opiniões de pessoas identificadas apenas pelo nome sem a especificação de suas qualificações como dispõe o item 7.4.3.8 da NBR 14.6533 da ABNT, in verbis: "7.4.3.8 Somente são aceitos os seguintes dados de mercado: () c) opiniões de engenheiro de avaliações ligados ao setor imobiliário rural; d) opiniões de profissionais ligados ao setor imobiliário rural; Outro fato que destaco é que as 157 amostras utilizadas no Laudo são iguais às amostras apresentadas em Laudo constante nos autos do Processo n° 10680.720313/2009 76, julgado na Sessão anterior de 20.11.2013, bem como nos Processos nºs 10680.720734/201031, 10680.720735/201085, 10680.722407/201013, 10680.722412/2010 26, todos processos da impugnante, não obstante os municípios de localização dos imóveis serem diversos: Barão de Cocais, Santa Bárbara e Catas Altas. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 12 Além do exposto, o Valor Venal do Imóvel constante do Laudo, a exemplo do VTN/ha originariamente declarado, também se encontra abaixo do VTN relacionado no SIPT (fl. 08), que é o VTN médio por hectare, apurado no universo das DITRs, de R$ 1.299,20, referentes aos imóveis localizados no município de Barão de Cocais, MG, para o exercício de 2006, de forma que o acatamento da pretensão da contribuinte exigiria uma demonstração que não deixasse dúvidas da inferioridade do imóvel em relação aos outros existentes na região, o que não aconteceu, no meu entendimento. Há que se ressaltar que essa comparação é realizada como subsidio para demonstrar que o VTN apontado no Laudo de Avaliação, por ser inferior ao VTN médio por hectare apurado pelos próprios contribuintes do município, não estaria condizente com a realidade dos preços de mercado praticados na região, salvo apresentação de prova inequívoca da inferioridade do imóvel em relação aos imóveis da região. Nesse sentido, é de se ressaltar, ainda, que no item 3 do Laudo (Pressupostos, ressalvas e fatores limitantes), à fl. 44, os avaliadores afirmam que "O imóvel avaliado não possui impedimentos aparentes que possam limitar sua utilização", corroborando o fato de que o VTN do imóvel não pode ser inferior a média dos VTN apurados pelos contribuintes do mesmo município de sua localização, como exposto anteriormente. Ademais, os autores do trabalho não fizeram, de maneira objetiva, a comparação qualitativa das características particulares do imóvel em comparação com as demais terras dos imóveis rurais circunvizinhos, não evidenciando, de forma inequívoca, que o mesmo possui características particulares desfavoráveis diferentes das características gerais da microrregião de sua localização, para fins de justificar a revisão do VTN arbitrado, ressaltando que tais características gerais já são levadas em consideração quando da definição dos valores incluídos no SIPT. Reiterase que a apuração do VTN a preço de mercado é disposição expressa do § 2° do art. 8° da Lei n° 9.393/1996, in verbis: “§2° O VTN refletirá o preço de mercado de terras, apurado em 1° de janeiro do ano a que se referir o DIAT, e será considerado autoavaliação da terra nua a preço de mercado." Caberia, portanto, a Recorrente apresentar um "Laudo de Avaliação" que atendesse a totalidade dos requisitos da ABNT NBR 146533, sem a supressão dos aspectos constantes do item 5 (Classificação dos bens, seus frutos e direitos), principalmente o subitem 5.2. (Classificação dos componentes dos imóveis rurais), inclusive os recursos naturais previstos no subitem 5.2.6, como os minerais, no caso de a exploração do imóvel for de mineração, demonstrando, de forma inequívoca, o valor fundiário do imóvel, a preço de mercado, em 1° de janeiro de 2006, que contivesse fundamentação e grau de precisão II, com sua demonstração inequívoca, de acordo com o subitem 9.2.2.2. da Norma, bem como a existência de características particulares desfavoráveis, que justificassem um VTN/ha abaixo do arbitrado pela autoridade fiscal com base no valor SIPT. Não tendo sido apresentado Laudo de Avaliação, de acordo com as normas da ABNT, com as exigências apontadas anteriormente, e sendo tal documento imprescindível para demonstrar que o valor fundiário do imóvel, a preço de 1°.1.2006, está compatível com a distribuição das suas áreas, de acordo com as suas características particulares e classes de exploração, não caberia alterar o VTN arbitrado pela autoridade fiscal. Ante o exposto, entendo que, a luz da legislação citada, não cabe revisar o VTN arbitrado, com o acatamento do valor venal do imóvel apresentado no Laudo de Fl. 137DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10680.720507/201013 Acórdão n.º 2102002.821 S2C1T2 Fl. 132 13 Avaliação, posto que esse documento não atende aos requisitos da ABNT NBR 146533 além de não apresentar um valor compatível com o preço de mercado da região, o que acarreta a manutenção do arbitramento do VTN efetuado pela autoridade fiscal, com base no valor apontado no SIPT. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 138DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13839.900650/2009-92
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CREDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVAÇÃO
Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus da sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem trazer aos autos prova da origem e liquidez do mesmo.
Numero da decisão: 3801-002.469
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
O Conselheiro Flavio de Castro Pontes votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, , Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu Sidney Eduardo Stahl, Relator
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CREDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVAÇÃO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus da sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem trazer aos autos prova da origem e liquidez do mesmo.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CREDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVAÇÃO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus da sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem trazer aos autos prova da origem e liquidez do mesmo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Flavio de Castro Pontes votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, , Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira Da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira, e eu Sidney Eduardo Stahl, Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 06 50 /2 00 9- 92 Fl. 116DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.900650/200992 Acórdão n.º 3801002.469 S3TE01 Fl. 118 2 Relatório A Contribuinte transmitiu em 13/01/2005 sua DCOMP compensando débito de PIS do período de apuração de dezembro/2004 com vencimento em 14/01/2005, com suposto crédito de PIS decorrente de pagamento indevido ou a maior, referente ao período de apuração de abril/2000, vencido e arrecadado em 15/05/2000.. Uma vez eletronicamente confrontadas as informações, o pleito foi indeferido por meio do Despacho Decisório de fls., sob alegação de que “foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do Contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.”. A Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que seus créditos teriam origem em pagamentos realizados à maior decorrentes do estreitamento da base de cálculo da PIS e da COFINS em vista da possibilidade de exclusão das receitas oriundas da venda de mercadorias para a Zona Franca de Manaus, uma vez reconhecida a inscontitucionalidade do artigo 14, § 2°, inciso 1º, da Medida Provisória n.º 2.03724, atual Medida Provisória n°. 2.15835, de 2001 em sede de liminar concedida nos autos da ADIN n°. 2.3489, acostando aos autos planilha demonstrativa dos valores pagos. A DRJ de origem julgou improcedente a defesa apresentada, com base na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000 PIS. VENDAS EFETUADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. DESCABIMENTO. A isenção do PIS e da COFINS prevista no art. 14 da Medida Provisória nº 2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, para vendas realizadas a empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase somente às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. Tal isenção não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1º de fevereiro de 1999 e 21 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999 e suas reedições até a Medida Provisória nº 2.03724, de 2000. Não existindo norma de desoneração aplicável, não se reconhece direito de crédito nela baseado e não se homologa a compensação que dele se aproveita. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 117DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.900650/200992 Acórdão n.º 3801002.469 S3TE01 Fl. 119 3 Irresignada com o indeferimento de seu pleito, apresenta a Recorrente o presente Recurso Voluntário, através do qual renova os argumentos utilizados em sede de Manifestação de Inconformidade, com as devidas atualizações legislativas concernentes ao tema e requerendo, por fim, a reforma da decisão recorrida e a homologação da compensação efetuada. É o que importa relatar. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.900650/200992 Acórdão n.º 3801002.469 S3TE01 Fl. 120 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, O Recurso é tempestivo e comporta os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Já é de conhecimento dessa turma o meu posicionamento acerca da impossibilidade de se tributar as vendas para a Zona Franca de Manaus pelas contribuições para o PIS e a COFINS, enquanto não alterado o artigo 4º do Decretolei 288/1967 que as equiparou às exportações. Contudo, merece exame preliminar a questão final abordada pelo acórdão recorrido, que diz respeito à comprovação do direito creditório alegado, senão vejamos: Registrese que, ainda que se admitisse a tese da contribuinte, não existem neste processo provas de que as referidas operações foram, de fato, operações destinadas à Zona Franca de Manaus nem comprovação, suportada por documentação contábil fiscal, da inclusão das receitas decorrentes dessas operações na base de cálculo do pagamento formador do apontado indébito. A contribuinte, limitouse a trazer aos autos, às fls. 10, planilha com mera menção de valores que teriam sido indevidamente recolhidos a título de Cofins e a informar que as notas fiscais de venda para a Zona Franca de Manaus encontramse à inteira disposição da Fiscalização, nada provando. Em que pese o fato deste Conselheiro compactuar com a tese meritória, há que se reconhecer, no entanto, que estamos diante de um pedido de compensação e que caberia ao contribuinte, no mínimo, demonstrar satisfatoriamente a origem de seu crédito. Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para compensação que o crédito seja líquido e certo. No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não comprovou por meio de documentos o valor e a origem do seu crédito. No processo administrativo fiscal, temse como regra que cabe àquele que pleiteia o direito, provar os fatos, prevalecendo o princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Portanto, no caso em apreço, compete ao sujeito passivo. À ora Recorrente, a comprovação de que preenche os requisitos para fruição do ressarcimento, por intermédio da presente compensação. Ademais, do mesmo modo que o Decreto n.º 70.235/1972 estabelece, em seu artigo 9°, a obrigatoriedade da autoridade fiscal traduzir por provas os fundamentos do lançamento, também atribui ao contribuinte, no inciso III do artigo 16, o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Em verdade, este dispositivo legal apenas transfere, para o processo administrativo fiscal, o sistema adotado pelo Código de Processo Fl. 119DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13839.900650/200992 Acórdão n.º 3801002.469 S3TE01 Fl. 121 5 Civil, que, em seu artigo 333, ao repartir o ônus probandi, o faz inadmitindo a mera alegação e a negação geral, a saber: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Assim, na hipótese da compensação pleiteada, recairia sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida, sendo imprescindível que as provas e argumentos tivessem sido carreadas aos autos. No caso em tela, a Recorrente limitouse a apresentar uma planilha indicativa dos supostos valores recolhidos à maior, sendo certo de que referida documentação não possui o condão de conferir a liquidez e a certeza necessárias ao deferimento da compensação. Não sendo apresentadas provas das alegações através de documentação hábil há que se negar o pedido realizado. Ante o acima exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl, Relator Fl. 120DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 14/01/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10950.902989/2011-73
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
Numero da decisão: 3803-005.117
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Curitiba/PR que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 29 89 /2 01 1- 73 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.902989/201173 Acórdão n.º 3803005.117 S3TE03 Fl. 100 2 decorrência da emissão de despacho decisório que não homologara a compensação declarada, pelo fato de que o pagamento informado já havia sido utilizado integralmente na quitação de outros débitos da titularidade do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento da totalidade do direito creditório, devidamente atualizado com base na taxa Selic, alegando que o indébito decorreria da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Segundo o então Manifestante, tratarseia, o presente caso, de tributação incidente sobre receitas financeiras e outras receitas, rubricas essas não abarcadas pelo conceito de faturamento. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de partes do Balancete, do livro Razão, do PER/DCOMP, do DARF e de planilhas por ele elaboradas. A DRJ Curitiba/PR não reconheceu o direito creditório, tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 19/07/2002 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido da contribuinte, por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de outros débitos confessados. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. JULGAMENTO PELO STF. Até que haja a manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, sobre matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo STF ou pelo STJ, nos termos dos arts. 543B e 543C do Código de Processo Civil, aplicase, ao caso, a disposição do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, relativamente à ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Apontou o relator do voto condutor do acórdão recorrido que, ainda que se superasse a questão de direito, o contribuinte não se desincumbira do ônus de comprovar o direito alegado, não tendo apresentado documentos e/ou livros fiscais e contábeis que Fl. 100DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.902989/201173 Acórdão n.º 3803005.117 S3TE03 Fl. 101 3 demonstrassem a efetiva base de cálculo da contribuição, bem como as receitas que deveriam ser excluídas em razão da alegada inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Cientificado da decisão em 12 de setembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 11 de outubro do mesmo ano e requereu o deferimento do seu pedido, alegando que o indébito decorreria da indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, mas dele não conheço, em razão dos fatos a seguir expostos. Com base no relatório supra, constatase que, diferentemente do alegado na Manifestação de Inconformidade, quando se apontou a origem do indébito como sendo a tributação indevida incidente sobre receitas financeiras e outras receitas, em desacordo com a inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, em sede de recurso, o contribuinte passa a fundamentar seu direito na indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição. Vale destacar que, na primeira instância, o ora Recorrente não fez qualquer referência à alegada incidência indevida da contribuição sobre o ICMS. É flagrante a inovação operada em sede de recurso, tratandose de matéria preclusa em razão de sua não exposição na primeira instância administrativa, não tendo sido examinada pela autoridade julgadora de piso, o que contraria o princípio do duplo grau de jurisdição, bem como o do contraditório e o da ampla defesa. A preclusão processual é um elemento que limita a atuação das partes durante a tramitação do processo, imputandolhe celeridade, numa sequência lógica e ordenada dos fatos, em prol da pretendida pacificação social. Humberto Theodoro Júnior1 nos ensina que preclusão é “a perda da faculdade ou direito processual, que se extinguiu por não exercício em tempo útil”. Ainda segundo o mestre, com a preclusão, “evitase o desenvolvimento arbitrário do processo, que só geraria a balbúrdia, o caos e a perplexidade para as partes e o juiz”. O princípio da preclusão conectase ao princípio do impulso processual e destinase “não apenas a proporcionar uma mais rápida solução do litígio, mas bem ainda a 1 HUMBERTO, Theodoro Júnior. Curso de direito processual civil. vol. 1. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 225 226. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.902989/201173 Acórdão n.º 3803005.117 S3TE03 Fl. 102 4 tutelar a boafé no processo, impedindo o emprego de expedientes que configurem litigância de máfé” 2. [A] preclusão deve ser compreendida como um instituto que envolve a impossibilidade, por regra, de, a partir de determinado momento, serem suscitadas matérias no processo, tanto pelas partes como pelo próprio juiz, visandose precipuamente à aceleração e à simplificação do procedimento. Integra sempre o objeto da preclusão, portanto, um ônus processual das partes ou um poder do juiz; ou seja, a preclusão é um fenômeno que se relaciona com as decisões judiciais (tanto interlocutória como final) e as faculdades conferidas às partes com prazo definido de exercício, atuando nos limites do processo em que se verificou. 3 Tal princípio busca garantir o avanço da relação processual e impedir o retrocesso às fases anteriores do processo, encontrandose fixado o limite da controvérsia, no Processo Administrativo Fiscal (PAF), no momento da impugnação/manifestação de inconformidade. De acordo com o art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235, de 1972, os atos processuais se concentram no momento da impugnação, cujo teor deverá abranger “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância, as razões e provas que possuir", considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante (art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972). Não é lícito inovar no recurso para inserir questão diversa daquela originalmente deduzida na impugnação/manifestação de inconformidade, devendo as inovações ser afastadas por se referirem a matéria não impugnada no momento processual devido. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso. É como voto. 2 GRINOVER, Ada Pellegrini. “Interesse da União, preclusão. A preclusão e o órgão judicial”. In: A Marcha do Processo. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2000, p. 230/241. Disponível em: http://www.ambito juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 15 abr 2013. 3 RUBIN, Fernando. A prevalência da justiça estatal e a importância do fenômeno preclusivo. Disponível em: http://www.ambito_juridico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11781. Acesso em: 16 abr 2013. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10950.902989/201173 Acórdão n.º 3803005.117 S3TE03 Fl. 103 5 (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 103DF CARF MF Impresso em 07/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/02/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 15374.904478/2008-03
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003
INCIDÊNCIA DE COFINS SOBRE A RECEITA BRUTA DAS SOCIEDADES CIVIS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS LEGALMENTE REGULAMENTADOS/ INCONSTITUCIONALIDADE
Não é competência do CARF se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária nos termos da súmula nº 2 desse Conselho.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-002.225
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, EM NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Festauer, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, EM NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes- Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Festauer, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, EM NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 44 78 /2 00 8- 03 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 12/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 15374.904478/200803 Acórdão n.º 3801002.225 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Festauer, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 12/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 15374.904478/200803 Acórdão n.º 3801002.225 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão n° 1338.126, julgado na sessão de 03 de novembro de 2011, pela 5ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento do Rio de Janeiro II (DRJ/RJ2), referente ao processo administrativo n° 15374.904478/200803 , em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresenta pela contribuinte, mantendose por conseguinte o Despacho Decisório que não reconheceu o direito creditório pleiteado. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: Trata o presente processo de compensação declarada em PER/D COMP, transmitida em 23/06/2005, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior ou indevidamente em 30/01/2004, a título de COFINS, código 2172, atinente ao período de apuração 10/2000 tinente ao período de apuração 10/2000, com débito de IRPJ e CSLL, relativos ao 4 º trimestre de 2002 e 1º trimestre de 2003 (fl.02/08). Por meio do Despacho Decisório de fl. 10, emitido eletronicamente, o Delegado da DERAT – Rio de Janeiro não homologou a compensação declarada, sob o fundamento de inexistência de crédito, uma vez que o pagamen to já havia sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte, nãorestando crédito disponível para compensação do débito informado no PER/DCOMP. Cientificada em 20/05/2008 (fl. 07/08), a Interessada apresentou, em 19/06/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 11 a 18, na qual alega, em síntese, que a) A LC 70/91 dispõe em seu art. 6º, II que são isentas da Cofins as sociedades civis que prestam serviç os relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, o que é o caso da requerente, na área de engenharia. Portanto, cabível a isenção ao caso; b) Tratase de isenção concedida por lei em caráter geral, dispensandose qualquer interferência da autoridade administrativa para sua eficácia; c) A isenção somente pode ser instituída ou revogada por Lei. A Lei 9.430/96 dispõe expressamente sobre as revogações em se u art. 88, lá não se encontrando qualquer referência à LC 70/91; Fl. 88DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 12/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 15374.904478/200803 Acórdão n.º 3801002.225 S3TE01 Fl. 5 4 d) A matéria da isenção da Cofins já se encontrava pacificada no STJ e em 02/06/2003 foi editado o enunciado da súmula 276 consolidando o entendimento que as sociedades civis de prestação de serviços profissionais são isentas da Cofins, irrelevante o regime tributário adotado; e)A mudança de entendimento jurisprudencial fere a segurança j urídica do Estado; f) O Ministro Gilmar Mendes, presidente da Suprema Corte, defende a modulação dos efeitos no tempo de uma decisão acerca da matéria,com efeitos prospectivos, o que corroborará a tese da vigência da isenção e, via de conseqüência, a segurança jurídica brasileira; g) A matéria se encontra pendente de decisão definitiva, ratificando a posição de que a antecipação do pagamento da Cofins foi indevidamente realizada; h) Tendo sido demonstrado que a antecipação do pagamento foi f eita de forma indevida, ensejase sua plena restituição, a qual, no presente caso, foi feita através de compensação. Por fim, a empresa requer a reforma do despacho decisório e a homologação da compensação. A manifestação de inconformidade foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/SPOI conta com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 COFINS. REVOGAÇÃO DE ISENÇÃO. De acordo com a Lei nº 9.430, de 1996, a partir de abril de 1997 as sociedades civis de profissão legalmente regulamentada passaram a contribuir para a COFINS, calculada com base na receita bruta da prestação de serviços, fato reconhecido, inclusive, pelo Supremo Tribunal Federal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs, em 23.05.2012, Recurso Voluntário a este Conselho, a fls.5968, onde em suas razões, requer a reforma do acórdão. É o sucinto relatório. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 12/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 15374.904478/200803 Acórdão n.º 3801002.225 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Relator Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. No presente caso, temos que o Despacho Decisório ora contestado não homologou a compensação declarada, sob o argumento de inexistência do crédito a compensar, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar débitos da pessoa jurídica. Esclareceu a recorrente que o pagamento efetuado seria indevido, por se tratar de sociedade civil de profissão regulamentada, prestando serviços de engenharia, e, como tal, estaria isenta da Cofins, nos termos do artigo 6º, inciso II, da Lei Complementar nº 70/91. Alegou, também que o STF ainda não teve uma solução definitiva sobre a matéria. De pronto, vislumbrase que não pode prosperar a pretensão do contribuinte, não só pela expressa disposição legal, uma vez que o artigo 56 da Lei nº 9.430/96 revogou o artigo 6º, inciso II, da Lei Complementar nº 70/91, quando as sociedades civis de prestação de serviços de profissão legalmente regulamentada passaram a contribuir para a seguridade social com base na receita bruta da prestação de serviços, como também pelo entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre a matéria. Por oportuno, venho transcrever o voto do Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, membro desta Câmara, na ocasião que foi Relator do Acórdão n° 3801002.096, referente ao processo n° 15374.908035/200883, julgado na sessão de 22 de agosto de 2013, ao analisar caso similar ao presente, proferiu assim seu voto: No que tange a argumentação da recorrente em relação à ilegalidade e inconstitucionalidade do artigo 56 da Lei Ordinária n.º 9.430/1996 que violaria as normas infraconstitucionais, não podendo esta revogar a isenção concedida pelo art. 6º, inc. II, da Lei Complementar n° 70/91, também nego provimento, pois a inconstitucionalidade de lei tributária não é questão de debate dentro deste Conselho de Contribuinte, conforme a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe: “Súmula CARF n.º 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Além disso, não há decisão do STF negando vigência do artigo 56 da Lei n° 9.430/1996. Ao contrário, o Plenário do Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinárion° 377.4573 julgou, por maioria, constitucional o artigo 56 da Lei n.º 9.430/1996, cuja ementa tem o seguinte teor: Fl. 90DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 12/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 15374.904478/200803 Acórdão n.º 3801002.225 S3TE01 Fl. 7 6 EMENTA: Contribuição social sobre o faturamento COFINS (CF, art. 195, I). 2. Revogação pelo art. 56 da Lei 9.430/96 da isenção concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6º, II, da Lei Complementar 70/91. Legitimidade. 3. Inexistência de relação hierárquica entre lei ordinária e lei complementar. Questão exclusivamente constitucional, relacionada à distribuição material entre as espécies legais. Precedentes. 4. A LC 70/91 é apenas formalmente complementar, mas materialmente ordinária, com relação aos dispositivos concernentes à contribuição social por ela instituída. ADC I, Rel. Moreira Alves, RTJ 156/721. 5. Recurso extraordinário conhecido mas negado Provimento. Por isso e estando em pleno vigor a legislação sobre a tributação da Cofins para as sociedades civis de prestação de serviços profissionais legalmente regulamentadas, não há que se falar em pagamento indevido ou maior que o devido, no período objeto do pedido de compensação sob a alegação de que estas sociedades estariam isentas desta contribuição Quanto as demais alegações, por superadas, deixo de apreciá las. Nesse sentido, voto por negar provimento ao presente recurso a que se refere ao apensamento requerido e não conheço das demais questões com base na súmula 2 desse Conselho. Assim, no julgamento do processo administrativo acima referido, os Conselheiros desta Colenda Câmara acordaram em, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do ilustre Conselheiro Relator acima referidos. Deste modo, por bem analisar a matéria, entendo que a referida inteligência igualmente serve para fundamentar a presente decisão. Portanto, nego provimento ao presente recurso, eis que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, consoante a Súmula n° 2 deste Egrégio Conselho. Além disso, destaco que o Plenário do Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinárion° 377.4573 julgou, por maioria, constitucional o artigo 56 da Lei n.º 9.430/1996. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso e de NÃO RECONHECER o direito creditório. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 12/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 15374.904478/200803 Acórdão n.º 3801002.225 S3TE01 Fl. 8 7 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 13/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/11/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 12/11/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 06/11/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10825.001799/2008-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO PERICIAL OFICIAL.
Uma vez definido pelo Colegiado desta Turma que é necessária a apresentação de laudo pericial oficial emitido por serviço médico da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que ateste o benefício dos proventos de aposentadoria relacionados no art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, indicando desde quando a doença foi contraída, a sua não apresentação, bem como a apresentação de documento que ateste que a moléstia foi contraída em data posterior o período pleiteado, impõe o não reconhecimento da isenção.
Recurso voluntário não provido
Numero da decisão: 2202-002.507
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Pedro Anan Junior, Marcio de Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO PERICIAL OFICIAL. Uma vez definido pelo Colegiado desta Turma que é necessária a apresentação de laudo pericial oficial emitido por serviço médico da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que ateste o benefício dos proventos de aposentadoria relacionados no art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, indicando desde quando a doença foi contraída, a sua não apresentação, bem como a apresentação de documento que ateste que a moléstia foi contraída em data posterior o período pleiteado, impõe o não reconhecimento da isenção. Recurso voluntário não provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Pedro Anan Junior, Marcio de Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt.
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO PERICIAL OFICIAL. Uma vez definido pelo Colegiado desta Turma que é necessária a apresentação de laudo pericial oficial emitido por serviço médico da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que ateste o benefício dos proventos de aposentadoria relacionados no art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, indicando desde quando a doença foi contraída, a sua não apresentação, bem como a apresentação de documento que ateste que a moléstia foi contraída em data posterior o período pleiteado, impõe o não reconhecimento da isenção. Recurso voluntário não provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Pedro Anan Junior, Marcio de Lacerda Martins, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Fabio Brun Goldschmidt. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 00 17 99 /2 00 8- 77 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por RAFAEL PANDOLFO 2 Relatório 1 Notificação de Lançamento Em revisão à Declaração de Ajuste Anual (fls.3436), a autoridade administrativa, em 28/04/08, lançou Imposto de Renda com base em omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica por dependentes, com vínculo empregatício, no anocalendário de 2006. O montante omitido seria de R$ 15.912,02, oriundo da Prefeitura Municipal de Pederneiras. Esta notificação foi impugnada pelo recorrente que alegou tratarse a omissão de um equívoco de sua parte, quando do preenchimento dos dados obrigatórios de sua Declaração de Ajuste Anual, pois não tinha conhecimento, ao exportar os dados de sua declaração do ano anterior, que sua cônjuge, anteriormente professora substituta que recebia rendimentos esporádicos, havia sido efetivada como funcionária da prefeitura e estava recebendo quantia regular. (fls.3133). Tal impugnação foi considerada como SRL – Solicitação de Retificação de Lançamento, e o contribuinte teve seu pedido parcialmente deferido, uma vez comprovados, parcialmente, os valores que deram origem à autuação. (fl.14). Posteriormente, o recorrente recebeu nova notificação (fls.1518) com novos valores e fatos, a saber: além da omissão de rendimentos advinda da Prefeitura Municipal de Pederneiras (R$ 15.912,02), foi imputada a omissão de rendimento, recebido pelo dependente Arlindo Weber (seu sogro), oriundo do Instituto Nacional do Seguro Social no montante de R$ 4.527,56. Com isso, o total do crédito tributário constituído foi de R$ 10.508,80, incluídos multa de ofício aplicada ao patamar de 75% e juros de mora. O recorrente foi notificado do resultado da SRL em 30/06/08. 2 Impugnação Indignado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação (fl.01) tempestiva, esgrimindo os seguintes argumentos: a) o senhor Arlindo Weber, seu sogro, é, efetivamente, seu dependente econômico, e foi é aposentado por invalidez pelo INSS; b) os rendimentos recebidos a título de aposentadoria pelo dependente são isentos, pois o mesmo é portador de carcinoma basocelular adenóidecístico e queilite actínia, câncer, motivo pelo qual tais valores não devem ser tributados. Anexos à impugnação foram juntados os seguintes documentos: a) perícia médica do Sr. Arlindo Weber (parecer de incapacidade para o trabalho) datada de 10/05/82; (fl.03) Fl. 127DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10825.001799/200877 Acórdão n.º 2202002.507 S2C2T2 Fl. 127 3 b) concessão de aposentadoria por invalidez pelo INSS ao Sr. Arlindo Weber; (fl.05) c) resultado de exame anatomopatológico do Sr. Arlindo Weber diagnosticando “queilite actínia” em 26/11/97; (fl.06) d) resultado de exame anatomopatológico do Sr. Arlindo Weber diagnosticando “carcionoma basocelular adenoidecístico” em 17/02/98; (fl.07) e) resultado de exame anatomopatológico do Sr. Arlindo Weber diagnosticando “carcionoma espinocelular bem diferenciado (grau 1) do lábio” em 19/09/01; (fl.08) 3 Impugnação A impugnação foi julgada improcedente pela 8ª Turma da DRJ/SP2, por unanimidade, sendo mantido o lançamento (fls.4350). Os fundamentos foram os seguintes: a) a omissão de rendimentos de R$ 15.912,02 proveniente da Prefeitura Municipal de Pederneiras para a dependente Elessandra Weber Farias não foi impugnada, motivo pelo qual deve ser mantida; c) a impossibilidade de afirmar que os rendimentos recebidos pelo dependente Arlindo Weber são isentos, pois não se pode verificar se a moléstia diagnosticada nos exames particulares corresponde a mesma do laudo do INPS, motivo pelo qual não se pode considerar existente comprovação de isenção fiscal mediante laudo emitida por serviço médico oficial de ente federado; d) os rendimentos recebidos pelos dependentes, ainda que abaixo do limite da isenção, devem ser declarados em conjunto com os do contribuinte. 4 Recurso Voluntário Notificado da decisão em 16/12/09, o recorrente, não satisfeito com o resultado do julgamento, interpôs recurso voluntário (fls.5456) em 13/01/10 repisando os argumentos da impugnação, acrescentando que realmente não impugnou a omissão de rendimentos em relação à dependente Elessandra Weber, pois em relação a essa parte do auto de infração já havia providenciado o parcelamento do débito devido. Em anexo ao recurso foram juntados os seguintes documentos: a) laudo para solicitação de autorização de internação hospitalar, em caráter de urgência, do Sr. Arlindo Weber datado de 17/09/09; (fl.56) b) termo de autorização para operação e tratamento do Sr. Arlindo Weber; (fl.57) c) laudo de exame anatomopatológico do Sr. Arlindo Weber diagnosticando “carcionoma espinocelular bem diferenciado (grau 1) do lábio” emitido em 09/09/09; (fl.58) Fl. 128DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por RAFAEL PANDOLFO 4 d) laudo de exame anatomopatológico do Sr. Arlindo Weber diagnosticando “carcionoma basocelular fibroesclerosante ulcerado” emitido em 16/03/09; (fl.59) e) laudos de exames radiológicos e tomográficos do Sr. Arlindo Weber; (fls.60 63) 5 Resolução do CARF Em 20 de junho de 2012, esta Turma Ordinária, na Resolução nº 220200.245 converteu o julgamento em diligência para que o recorrente apresentasse, no prazo de 30 dias, laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que ateste ser o dependente beneficiário de proventos de aposentadoria portador de moléstia grave relacionada no art. 6º, XIV, da Lei 7.713/88, indicando desde quando a doença foi contraída. (fls.9198 do eprocesso). Em resposta (fls.119123 do eprocesso), o recorrente apresentou laudo expedido pelo INSS declarando ser o Sr. Arlindo Weber portador da moléstia de CID 10 D 00.0 e C 00.9, sendo a data do início da doença em 16/03/09 (fl.122 do eprocesso), e informação de benefício do INSS. É o relatório. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 10825.001799/200877 Acórdão n.º 2202002.507 S2C2T2 Fl. 128 5 Voto Conselheiro Rafael Pandolfo O tema relativo à possibilidade de retroação dos efeitos do laudo oficial quando presentes evidências que atestem a existência da doença no anocalendário anterior à data de emissão do laudo restou superado por essa Turma quando da conversão do feito em diligência. Assim, apesar das ressalvas desse Relator a respeito do formalismo e da inaplicabilidade da Súmula nº 63 (pois há laudo oficial), respeitando o que foi definido pelo Colegiado dessa Turma, restringirei minha análise à apresentação do documento – laudo oficial – atestando a doença no anocalendário 2006. Intimado (fls.114116 do eprocesso) para “apresentar, no prazo de 30 dias, laudo médico pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que ateste ser o dependente beneficiário de proventos de aposentadoria portador de moléstia grave relacionada no art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, indicando desde quando a doença foi contraída”, o contribuinte acrescentou aos autos os seguintes documentos: Informação do Benefício de Aposentadoria por Invalidez do Sr. Arlindo Weber (fl.120 do eprocesso) e Laudo Declaração para Isenção do Imposto de Renda expedido pelo INSS em 26/10/12 (fl. 122 do eprocesso). O referido Laudo oficial diagnosticou que o Sr. Arlindo Weber é portador das doenças Carcinoma Basocelular Sólido e Carcinoma Basocelular Fibroesclerosante, moléstias de CID 10 D 00.00 e C 00.9. Todavia, o Laudo informa a seguinte data de início da doença: 16/03/09, ou seja, data posterior ao exercício cobrado. Ainda, refere que o prazo de validade do Laudo é temporário até 16/03/14 (neoplasia: DID + 5 anos). Assim, observo que nenhum dos documentos trazidos pelo recorrente atende à exigência fixada pela maioria desta Turma como requisito ao reconhecimento do direito à isenção no anocalendário de 2006. Noutros termos, não foi juntado laudo oficial atestando a existência da doença nesse período. Diante do exposto, entendo que deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário interposto. Rafael Pandolfo – Relator Fl. 130DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por RAFAEL PANDOLFO 6 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 04/12/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por RAFAEL PANDOLFO
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Numero do processo: 13982.001088/2010-01
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/12/2004, 31/01/2005, 30/04/2005, 31/08/2005, 30/09/2005, 30/11/2005, 31/12/2005, 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/09/2006, 30/11/2006, 31/12/2006, 28/02/2007, 30/04/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/10/2007
PIS. COFINS. PRAZO DE DECADÊNCIA. DOLO.
Nos casos em que comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial desloca-se daquele previsto no art.150 para as regras estabelecidas no art.173 (ambos do CTN), onde ficou constatado que, sob as regras deste último, não ocorreu a decadência para os fatos geradores supra indicados.
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
O direito ao contraditório e à ampla defesa é exercido após a instauração da fase litigiosa do processo administrativo fiscal, com a impugnação ao lançamento, não cabendo cogitar-se de cerceamento do direito de defesa no curso da ação fiscal.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DUPLICAÇÃO DO PERCENTUAL DA MULTA DE OFÍCIO. LEGITIMIDADE.
Constatado que na conduta da fiscalizada existem as condições previstas nos arts.71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, cabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei nº 9.430/96.
ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. FORÇA PROBANTE.
Escrituração da contabilidade da empresa somente faz prova a seu favor nos casos em que, além de observadas as disposições legais, os fatos nela registrados estejam comprovados por documentos hábeis e idôneos.
NOTA FISCAL. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE AFASTADA.
Afastada a presunção de veracidade das notas fiscais apresentadas como provas das operações comerciais da empresa, a esta cabe fornecer outros documentos, hábeis e idôneos, a fim de comprová-las.
NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. GLOSA DE CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE.
Cabe à contribuinte apresentar à fiscalização a documentação, hábil e idônea, apta a comprovar o pagamento das aquisições de mercadorias, e que o dispêndio corresponde à contrapartida de algo recebido, e em assim não o fazendo, é de se concluir, aliado a outras evidências, que as supostas aquisições não foram efetivamente recebidas/adquiridas. Assim, correto o procedimento fiscal em glosar de créditos da não cumulatividade, relativos às citadas aquisições, contabilizadas pelo contribuinte.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-001.869
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) Sidney Eduardo Stahl e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) que cancelavam o lançamento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcos Antônio Borges.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antônio Borges - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Sidney Eduardo Stahl, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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COFINS. PRAZO DE DECADÊNCIA. DOLO. Nos casos em que comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial deslocase daquele previsto no art.150 para as regras estabelecidas no art.173 (ambos do CTN), onde ficou constatado que, sob as regras deste último, não ocorreu a decadência para os fatos geradores supra indicados. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O direito ao contraditório e à ampla defesa é exercido após a instauração da fase litigiosa do processo administrativo fiscal, com a impugnação ao lançamento, não cabendo cogitarse de cerceamento do direito de defesa no curso da ação fiscal. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DUPLICAÇÃO DO PERCENTUAL DA MULTA DE OFÍCIO. LEGITIMIDADE. Constatado que na conduta da fiscalizada existem as condições previstas nos arts.71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, cabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei nº 9.430/96. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. FORÇA PROBANTE. Escrituração da contabilidade da empresa somente faz prova a seu favor nos casos em que, além de observadas as disposições legais, os fatos nela registrados estejam comprovados por documentos hábeis e idôneos. NOTA FISCAL. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE AFASTADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 10 88 /2 01 0- 01 Fl. 1027DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 13982.001088/201001 Acórdão n.º 3801001.869 S3TE01 Fl. 1.028 2 Afastada a presunção de veracidade das notas fiscais apresentadas como provas das operações comerciais da empresa, a esta cabe fornecer outros documentos, hábeis e idôneos, a fim de comproválas. NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS. GLOSA DE CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. Cabe à contribuinte apresentar à fiscalização a documentação, hábil e idônea, apta a comprovar o pagamento das aquisições de mercadorias, e que o dispêndio corresponde à contrapartida de algo recebido, e em assim não o fazendo, é de se concluir, aliado a outras evidências, que as supostas aquisições não foram efetivamente recebidas/adquiridas. Assim, correto o procedimento fiscal em glosar de créditos da não cumulatividade, relativos às citadas aquisições, contabilizadas pelo contribuinte. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) Sidney Eduardo Stahl e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) que cancelavam o lançamento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Marcos Antônio Borges. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Sidney Eduardo Stahl, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relatório Por bem descrever os fatos, transcrevo abaixo o Relatório da DRJ de Florianópolis acerca do caso presente: Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 13982.001088/201001 Acórdão n.º 3801001.869 S3TE01 Fl. 1.029 3 Por meio dos Autos de Infração As folhas 03 a 44, foram exigidas da contribuinte acima qualificada as importâncias de R$ 37.243,18 e R$ 9.543,87 a titulo, respectivamente, de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cofins, não cumulativa, e de Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, não cumulativas, acrescidas de multa de oficio de 150 % e encargos legais devidos A época do pagamento, referente a fatos geradores ocorridos no período de 31/12/2004 a 31/10/2007. Dos Lançamentos Em consulta à Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal (is) e ao Termo de Verificação Fiscal, verificase que as autuações se deram em razão da constatação da falta/insuficiência de recolhimento da contribuição para o PIS e da Cofins, que ocorreu devido a glosa de créditos da não cumulatividade aproveitados pela contribuinte, nos períodos fiscalizados. Foram glosados os créditos relativos as aquisições da empresa Tozzo e Cia Ltda, que não foram efetivamente recebidas/adquiridas pela interessada. Relata a Autoridade Fiscal que a empresa autuada logrou proveito de esquema fraudulento engendrado pela empresa Tozzo e Cia Ltda, ao utilizarse de notas fiscais graciosas (notas referentes) emitidas por esta empresa. Assim descreve .a motivação da ação fiscal e como o tal esquema era realizado: Por meio do Oficio n° 0180901217192000001(fls. 167), de 16 de outubro de 2009, a D. Juiza Substituta Dra. Lizandra Pinto de Souza disponibilizou para a Receita Federal do Brasil os dados obtidos quando da busca e apreensão na empresa Tozzo & Cia Ltda os quais se encontravam sob custódia da ForçaTarefa do Ministério Público de Santa Catarina. Da mesma forma foram encaminhados cópia da decisão de busca e apreensão (dos autos n° 018.09.0187900, dos termos de apreensão e exibição e do pedido de compartilhamento de dados(fls. 169/182/199/218). O Ministério Público de Santa Catarina descreveu para a Receita Federal do Brasil as ocorrências do dia 17 de setembro de 2009, na cidade de Chapecó (SC), quando grupo de ForçaTarefa integrado por agentes do Ministério Público de Santa Catarina e da Secretaria de Estado da Fazenda de Santa Catarina apoiados pelos órgãos de segurança (Policias Civil, Militar e Rodoviária Federal), deram cumprimento a mandados de busca e apreensão relativos a chamada "Operação Nota Referente ATZO", tendo como alvo a empresa Tozzo & Cia Ltda. Os documentos apreendidos pelo Ministério Público de Santa Catarina revelam que os responsáveis pela empresa Tozzo & Cia Ltda organizaram esquema de vendas sem notas fiscais com a conseqüente emissão de notas fiscais e duplicatas simuladas para outros destinatários. O esquema fraudulento de vendas operavase da seguinte forma: Parte das mercadorias vendidas pela empresa Tozzo & Cia Ltda Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 13982.001088/201001 Acórdão n.º 3801001.869 S3TE01 Fl. 1.030 4 eram entregues por motoristas funcionários, utilizando caminhões próprios, a destinatários que não desejavam receber nota fiscal (com intuito de revender as mercadorias também sem nota fiscál, sonegando os tributos e permitindo a permanência em regimes de tributação favorecidos como é o caso do SIMPLES). Estas entregas sem nota fiscal eram acompanhadas de um documento paralelo denominado de "Pedido ATZO". Por outro lado. para manter a regularidade do estoque de mercadorias e para beneficiar interessados em registrar créditos de ICMS, os responsáveis pela empresa Tozzo & Cia Ltda simulavam a venda de mercadorias com a emissão de notas fiscais para destinatários que não correspondiam aos verdadeiros adquirentes/recebedores das mercadorias. Tais notas fiscais eram denominadas pelos envolvidos de "Nota Referente", pois correspondia (ou se "referiam') a uma entrega de mercadoria sem nota fiscal, ou seja, referiase a um "Pedido ATZO". Sendo assim, as vendas sem nota fiscal (Pedido ATZO) geravam uma nota fiscal ideologicamente falsa (Nota Referente) contendo um destinatário. A fim de manter o controle financeiro do esquema fraudulento, a Tozzo & Cia Ltda, simulava a emissão de duplicatas que eram registradas e quitadas via Caixa, dando uma aparência de regularidade para todas as operações. O esquema fraudulento acima mencionado pode ser comprovado pela leitura dos depoimentos prestados ao Ministério Público de SC por pessoas ligadas (funcionários e prestadores de serviço) a empresa Tozzo & Cia Ltda, conforme excertos dos autos do processo judicial n° 018.09.0217192. (Fls. 238 a 258). De igual modo, o Ministério Público de SC por meio do Pedido de Compartilhamento de Dados (fls. 182 a 194/223 a 225) e no Requerimento de Busca e Apreensão (fls. 199 a 217), revela de forma didática a fraude antes mencionada. Neste passo, impende salientar que as notas fiscais com destinatários forjados, quais sejam, as chamadas "Notas Referentes" eram identificadas nos sistemas informatizados da empresa Tozzo & Cia Ltda por meio do seguinte procedimento: Tais notas eram lançadas como tendo um desconto de 0,01 %. Esta conduta resta comprovada nos depoimentos prestados ao Ministério Público de SC pelas seguintes pessoas: SILVIA LÚCIA BOROWICC, exerce a função de ADMINISTRADORA DE DADOS DA EMPPRESA TOZZO, conforme Fls. 238; ANDRE MARCOS GELHEIV, exerce a função de DESENVOLVIMENTO DO SISTEMA CONTROLE DE VENDAS E FINANCEIRO da empresa TOZZO e CIA LTDA, confome fls. 241; Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 13982.001088/201001 Acórdão n.º 3801001.869 S3TE01 Fl. 1.031 5 DÁRIO MÁNICA, exerce as funções de DESENVOLVIMENTO DE PROGRAMAS. MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS DE INFORMÁTICA E DE REDE da empresa TOZZO e CIA LTDA, conforme fls. 245; ANTONIO SERGIO NARDES FANFA, exerce a função de COORDENADOR DOS TRABALHOS DE SETOR DE CPD na empresa Tozzo e Cia Ltda, conforme fls. 250; BRUNA DE ALMEIDA PRADO exerce a função de AUXILIAR DE VENDAS na empresa Tozzo e Cia Ltda, conforme Fls. 254; MARCOS LUIZ MOREIRA exerce a função de ASSISTENTE DE VENDAS na empresa Tozzo e Cia Ltda, conforme Fls. 257. De curial importância ressaltar que as pessoas acima nominadas eram aquelas encarregadas de criar e controlar os sistema informatizados da empresa Tozzo & • Cia Ltda. Daí a relevância dos seus depoimentos. Ainda nesta senda, o Ministério Público de SC, por meio do Oficio 942/09/CIE/MP, (fls. 165), encaminhou à Receita Federal do Brasil cópia do oficio n° 3708/09 do Instituto de Criminalística, (fls. 168), contendo informações apreendidas durante a operação realizada no dia 17 de setembro de 2009 na cidade de Chapecó. Da análise dos documentos recebidos, constatouse que a empresa PROGRESSO logrou proveito do esquema fraudulento já multicitado, visto que aquela (PROGRESSO) foi beneficiária de notas fiscais graciosas (notas referentes) emitidas pela empresa Tozzo & Cia Ltda. A conclusão de que a empresa PROGRESSO se beneficiou do esquema acima relatado, qual seja, a de receber notas fiscais graciosas (notas referentes) é o fato de que o relatório resultante do exame em mídia de armazenamento computacional, e que está adunado às fls. 0319 a 339, discrimina a existência de vendas da empresa Tozzo & Cia que tiveram desconto de 0,01 % (parâmetro apontado nos depoimentos acima citados) e que apresentavam como adquirente (destinatário) da mercadoria a empresa PROGRESSO. Em relação ao procedimento fiscal, relata a Autoridade Fiscal: Ao amparo do Mandado de Procedimento Fiscal Diligência n° 09203002010001615 (fls. 124) foi efetuada diligência junto à empresa PROGRESSO a fim de obter em meio magnético os seguintes elementos: arquivos de registros contábeis; notas fiscais de entrada; livro registro de entradas relativos ao período de 2004 até 2008. O contribuinte atendeu o requestado de forma regular, conforme documento a fls. 128 a 164. Constatada utilização de notas fiscais "graciosas", propôsse o inicio de ação fiscal a fim de verificar as irregularidades na Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 13982.001088/201001 Acórdão n.º 3801001.869 S3TE01 Fl. 1.032 6 apuração de recolhimento de tributos administrados peia Receita Federal do Brasil. Identificadas pela fiscalização as notas fiscais que teriam sido utilizadas indevidamente pela empresa fiscalizada (as com destaque do desconto de 0,01%), a mesma foi regularmente intimada para comprovar com documentação hábil e idônea o recebimento das mercadorias e o efetivo pagamento das mesmas (fls. 029 a 073). Em resposta, a empresa afirmou que não tinha como comprovar documentalmente a efetiva quitação das operações representadas por estas notas. Diz a Autoridade Fiscal que essa alegação da empresa confirma os indícios apurados durante a operação de busca e apreensão realizada pelo Ministério Público de Santa Catarina e pela Secretaria de Estado da Fazenda de Santa Catarina. E conclui que, em sendo assim, a empresa "não logrou êxito na comprovação da efetiva aquisição/recebimento das mercadorias supostamente vendidas pela Tozzo e Cia Ltda." que foram listadas no anexo ao termo fiscal. Acrescenta que para que um custo possa ser aceito como dedutivel, há de se comprovar que o bem e/ou serviço correspondente foi contratado formalmente, que houve o desembolso, e que o dispêndio corresponde à contrapartida de algo recebido e que, por isso mesmo, torna o pagamento devido. E que em assim sendo, compete ao contribuinte apresentar à fiscalização a documentação, oriunda de fonte externa, hábil e idônea, apta a comprovar tais fatos, o que não se verificou no caso. Conclui que, considerando que as aquisições da empresa Tozzo e Cia Ltda. não foram efetivamente recebidas/adquiridas, adotou o procedimento de glosar os créditos de PIS e Cofins, relativos às citadas aquisições, aproveitados pelo contribuinte. Em relação ao motivo do agravamento da multa de oficio, diz: A fiscalizada utilizouse de notas fiscais cujo destinatário foi simulado pelo emitente afim de beneficiarse do creditamento dos tributos inerentes à operação, bem como para aumentar o custo dos bens vendidos, reduzindo desta forma o lucro liquido que serve de base de cálculo do imposto de renda e para a contribuição social, bem como do PIS e da COFINS a pagar. (neste caso por meio do aproveitamento de créditos indevidos). A constatação dos fatos ocorreu a partir da análise de documentos apreendidos na sede da empresa Tozzo & Cia Ltda, em ação de cumprimento de mandado de busca e apreensão cumprido pelo Ministério Público de Santa Catarina e Secretaria de Estado da Fazenda de Santa Catarina, quando desbarataram esquema amiudado no item 2 deste relato. A forma reiterada (05 anos) de utilizarse de notas fiscais inidôneas, fruto de esquema organizado para lesar os cofres Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 13982.001088/201001 Acórdão n.º 3801001.869 S3TE01 Fl. 1.033 7 públicos, caracteriza a intenção do agente (titular da empresa fiscalizada) de produzir o resultado decorrente da prática daqueles atos, que é a redução do montante dos tributos devidos. Ao inserir na escrituração contábil e fiscal documentos inidôneos, a empresa PROGRESSO retardou o conhecimento por parte da Fazenda Nacional das circunstâncias materiais da obrigação tributária principal. A prática desta inserção/utilização fez parte da rotina administrativa da empresa fiscalizada, o que comprova que a intenção do agente sempre foi de reduzir os tributos devidos. A fraude no caso vertente consistiu em utilizarse de notas fiscais de entrada de mercadoria ideologicamente falsas (não houve estas aquisições) escriturando em sua contabilidade, enquanto pagamento, valores que não foram efetivamente pagos. Por fim, relata que em restando configurado o evidente intuito de fraude fica afastada a aplicação do disposto no § 4o. do art. 150 do CTN, passando a contagem do prazo decadencial para efetivação do lançamento de oficio para o disposto no inciso I do art.173, do mesmo. E informa que foi formalizada Informação Fiscal para Fins Penais. Da Impugnação Irresignada a contribuinte impugna os lançamentos alegando a nulidade destes por violação à súmula vinculante n° 24 do STF. Com base nesta súmula afirma, em síntese, que antes da constituição definitiva de crédito tributário não há que se falar em qualquer medida penal e que no processo administrativo fiscal, portanto, houve claro descumprimento desta determinação haja vista que foram utilizadas informações colhidas em processos investigativos penais (busca e apreensão e de interceptação telefônica) sem a prévia e. definitiva constituição de créditos tributários. Alega também, preliminarmente, decadência em relação ao crédito tributário decorrente de fatos geradores ocorridos até o mês 12/2005, a teor do art. 150 §4° do CTN. A titulo de mérito, inicialmente a impugnante reclama da utilização da prova emprestada alegando que a prova foi colhida em processo legal sem observância do Devido Processo Legal. Argumenta que os Autos de Infração se apóiam "unicamente em declarações prestadas em fase de procedimento investigatório promovido pelo Ministério Público Catarinense", "colhidas na presença tão somente do parquet e de auditor da Secretaria da Fazenda de Santa Catarina", sem ter sido possibilitado a Tozzo e Cia Ltda., a Tozzo Bebidas Ltda. e tão pouco a ela própria, já que estranha àquele processo, o exercício do contraditório. Sustenta, então que a prova compartilhada deve ser tomada como mero indício que depende de confirmação com a efetiva fiscalização e obtenção de provas necessárias para a autuação, Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 13982.001088/201001 Acórdão n.º 3801001.869 S3TE01 Fl. 1.034 8 servindo os documentos compartilhados como mero ponto de partida do procedimento fiscalizatório e não como única prova da suposta infração. Segue defendendo a ilegalidade da utilização de presunção no feito fiscal, no caso, a presunção trazida por prova testemunhal de que as "Notas Referentes eram identificadas nos sistemas informatizados como tendo um desconto de 0,01%", desacompanhadas de qualquer prova material do declarado. Alega que as operações comerciais consubstanciadas por meio das notas fiscais (com desconto de 0,01%) gozam de presunção de legitimidade, que somente poderia ser afastada por meio de prova documental cabal, produzida pela fiscalização, da não entrada/pagamento das mercadorias; nesse sentido argumenta: [..1é necessária a prova da utilização de créditos dispostos em documentos fiscais que não correspondam a efetiva operação de circulação de mercadoria, o que só poderá ser verificado se apresentados, primeiramente, o documento fiscal, com sua declaração de inidoneidade, bem como, o registro de entrada do contribuinte, para que possa verificar esta não entrada/pagamento das mercadorias. (...) Era o caso de se analisar uma a uma as operações, ou, em últimos casos, uma apuração por amostragem. Verificar se houve a efetiva operação de circulação de mercadoria que gerou o crédito, para aí sim, e na existência de improbidade, elidir a presunção legal de legitimidade que cerca cada um dos documentos fiscais. Ao longo de seu arrazoado, ainda a fim de demonstrar a alegada fragilidade das provas, menciona que um excerto do depoimento de Edegar Edson Brancaglione onde este é "categórico" ao afirmar que "...há casos onde consta esse desconto de 0,01% e não ser nota fiscal REFERENTE". Por fim, alega ainda, que a ausência de prova documental contra a legalidade das operações, além do já dito, também prejudica a ampla defesa. Em relação à multa de oficio no percentual de 150%, defende: a) a aplicação do percentual de 75%, consoante a nova redação dada por meio da Lei n° 11.488/2007, aos incisos I e II do art. 44 da Lei n° 9.430/96, que antes previam percentuais de 75% e 150% e "foram reduzidos para 75% e 50%", beneficiando o contribuinte; b) a aplicação da multa de 75% sem a duplicação prevista no §1° do referido art 44 da Lei n° 9.430/96, na redação dada pela Lei n° 11.488/2007, considerando que esta lei não pode ser aplicada retroativamente em desfavor do contribuinte. Requer que seja declarada a insubsistência dos Autos de Infração. Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 13982.001088/201001 Acórdão n.º 3801001.869 S3TE01 Fl. 1.035 9 Ao analisar o lançamento, a DRJ em Florianópolis entendeu por bem julgálo totalmente procedente, nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2004, 31/01/2005, 30/04/2005, 31/08/2005, 30/09/2005, 30/11/2005, 31/12/2005, 31/01/2006, 28/02/2006, 31/03/2006, 30/09/2006, 30/11/2006, 31/12/2006, 28/02/2007, 30/04/2007, 30/06/2007, 31/07/2007, 31/10/2007 PRAZO DE DECADÊNCIA. DOLO. Na hipótese de ocorrência de dolo, iniciase a contagem do prazo de decadência do direito de a Fazenda Nacional formalizar a exigência tributária no primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o crédito tributário poderia ter sido constituído, a teor do art. 173, inc. I, do CTN. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O direito ao contraditório e a ampla defesa é exercido após a instauração da fase litigiosa do processo administrativo fiscal, com a impugnação ao lançamento, não cabendo cogitarse de cerceamento do direito de defesa no curso da ação fiscal. PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. Na instrução do processo administrativo fiscal são admissíveis como provas, elementos, informações e documentos coletados por outros órgãos oficiais e regularmente compartilhados com a Receita Federal do Brasil,limitandose o empréstimo as provas e não as conclusões do órgão em que foram coletadas. PROVA INDICIARIA. ADMISSIBILIDADE. É admissivel, na instrução do processo administrativo fiscal, a prova indiciária enquanto uma prova indireta que visa demonstrar, a partir da comprovação da ocorrência de vários fatos secundários, indiciários,tomados em conjunto, a existência do fato cuja materialidade se pretende comprovar. NOTA FISCAL. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE AFASTADA. Afastada a presunção de veracidade das notas fiscais apresentadas como provas das operações comerciais da Fl. 1035DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 13982.001088/201001 Acórdão n.º 3801001.869 S3TE01 Fl. 1.036 10 empresa, a esta cabe fornecer outros documentos, hábeis e idôneos, a fim de comproválas. LANÇAMENTO DE OFICIO. REPARTIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. Nos casos em que a autoridade fiscal comprovou, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito que deu causa ao lançamento de oficio, este somente é afastado se o contribuinte lograr provar o teor das alegações que contrapõe as provas que o ensejaram. MULTA DE OFICIO AGRAVADA. FRAUDE. APLICABILIDADE Caracterizado o evidente intuito de fraude, sobre os créditos tributários apurados em procedimento de oficio é aplicável a multa de oficio agravada de 150%. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em face da decisão proferida pela DRJ de Florianópolis, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário, arguindo, em síntese, o seguinte: 1) Nulidade do lançamento em face da violação da Súmula Vinculante nº 24 do STF (Não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no artigo 1º, incisos I a IV, da Lei nº 8.137/90, antes do lançamento definitivo do tributo.) – alega a Recorrente que embora o acórdão da DRJ afirme que não há violação desta determinação, posto que o presente processo não busca identificar a materialidade do crime na esfera penal, mas tão somente tipificar o ilícito tributário, fato é que o presente lançamento tributário evoluiu a partir de indícios coligidos na seara criminal, subvertendo o procedimento legal que a norma busca proteger. No presente caso houve claro descumprimento do que determina a Súmula mencionada, já que utilizou no procedimento administrativo fiscal informações colhidas em processos investigativos penais sem a prévia e definitiva constituição de crédito tributário. 2) A utilização da regra contida no art. 173, inciso I, do CTN, constitui exceção à regra geral, devendo ser aplicada pelo Fisco mediante a comprovação da ocorrência de fraude; 3) O auto de infração se apoia única e exclusivamente em provas emprestadas de processo distinto em que figura contribuinte estranho à presente relação jurídico tributária, do qual o Recorrente não era parte, não tomou conhecimento e sequer foi intimado, sendo mero terceiro alheio àquela lide, em total afronta à ampla defesa, ao princípio do contraditório e ao devido processo legal; 4) A presunção de que ocorreu o ilícito tributário por parte da Recorrente foi o ponto de partida que embasou toda a atividade fiscal, bem como julgada suficiente para retirar o valor das informações contidas na contabilidade da empresa Recorrente. A escrituração contábil e demais documentos fiscais da Recorrente gozam de presunção de Fl. 1036DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 13982.001088/201001 Acórdão n.º 3801001.869 S3TE01 Fl. 1.037 11 veracidade e de validade, devendo ser ilididos mediante a comprovação por parte da autoridade lançadora. 5) Incide a redução da multa de 150% para 75% consoante a nova redação dada aos incisos I e II do artigo 44 da Lei nº 9.430, de acordo com a Lei nº 11.488/07. Assim, requer a Recorrente seja desconstituído o lançamento ou, quando menos, seja reduzida a multa para o patamar de 75% do valor do tributo cobrado. É o relatório. Fl. 1037DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 13982.001088/201001 Acórdão n.º 3801001.869 S3TE01 Fl. 1.038 12 Voto Vencido Conselheiro Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Conheço do presente recurso por tempestivo e atender aos requisitos legais. Há algumas preliminares a examinar. Passo ao seu exame. A primeira preliminar levantada pelo Recorrente é a no sentido de que o Auto de Infração deve ser declarado nulo, por violar expressamente a súmula vinculante nº 24 do Supremo Tribunal Federal. De pronto, importante transcrever a referida súmula: Não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º, incisos I a IV, da Lei nº 8.137/90, antes do lançamento definitivo do tributo. Como se percebe, o texto da referida súmula não traz a possibilidade de ilações divergentes. Ela é muito clara ao dispor que só haverá tipificação penal quando houver o lançamento definitivo do crédito tributário, ou seja, quando não houver mais a possibilidade de se questionar, em âmbito administrativo, o lançamento tributário. Neste sentido, vejase a ementa do acórdão proferido no HC 81.6118, um dos paradigmas que embasou a edição da súmula nº 24 do STF: EMENTA: I. Crime material contra a ordem tributária (L.8137/90, art. 1º): lançamento do tributo pendente de decisão definitiva do processo administrativo: falta de justa causa para a ação penal, suspenso, porém, o curso da prescrição enquanto obstada a sua propositura pela falta do lançamento definitivo. 1. Embora não condicionada a denúncia à representação da autoridade fiscal (ADInMC 1571), falta justa causa para a ação penal pela prática do crime tipificado no art. 1º da L. 8137/90 – que é material ou de resultado , enquanto não haja decisão definitiva do processo administrativo de lançamento, quer se considere o lançamento definitivo uma condição objetiva de punibilidade ou um elemento normativo de tipo. 2. Por outro lado, admitida por lei a extinção da punibilidade do crime pela satisfação do tributo devido, antes do recebimento da denúncia (L. 9249/95, art. 34), princípios e garantias constitucionais eminentes não permitem que, pela antecipada propositura da ação penal, se subtraia do cidadão os meios que a lei mesma lhe propicia para questionar, perante o Fisco, a exatidão do lançamento provisório, ao qual se devesse submeter para fugir ao estigma e às agruras de toda sorte do processo criminal. 3. No entanto, enquanto dure, por iniciativa do contribuinte, o processo administrativo suspende o curso da prescrição da ação penal por crime Fl. 1038DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 13982.001088/201001 Acórdão n.º 3801001.869 S3TE01 Fl. 1.039 13 contra a ordem tributária que dependa do lançamento definitivo. (STF HC 816118 – Relator Min. Sepúlveda Pertence – DJ 13/05/2005) No presente caso, como se denota do relatório acima, o Auto de Infração foi lavrado justamente para se constituir crédito tributário supostamente omitido pelo contribuinte em suas declarações ou lançado indevidamente. Não se levantou, e nem poderia ser diferente, a hipótese de prática de algum crime pelos representantes legais do Recorrente. Eventual tipificação penal, nos exatos termos da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, só será apurada pelos órgãos competentes após o encerramento do processo administrativo, com a constituição definitiva do crédito tributário, o que, ao certo, ainda não ocorreu. Não pode prevalecer, portanto, qualquer argumentação do Recorrente no sentido de que há nulidade do Auto de Infração, tendo em vista a citada súmula. Desta forma, rejeito a preliminar levantada pelo contribuinte. Outra preliminar arguida é no sentido de que o auto de infração se apoia única e exclusivamente em provas emprestadas de processo distinto, em que figura contribuinte estranho à presente relação jurídico tributária, do qual a Recorrente não era parte, não tomou conhecimento e sequer foi intimada, sendo mero terceiro alheio àquela lide. Pois bem. No Direito Tributário, a chamada "prova emprestada" pode ser analisada sob duas perspectivas: prova emprestada processual que, nas palavras de Ada Pellegrini Grinover, é “aquela produzida num processo para nele gerar efeitos, sendo depois transportada documentalmente para outro, visando a gerar efeitos em processo distinto” (O processo em evolução. São Paulo: Forense Universitária, 1996. P. 62); e a prova emprestada tributária, consistente nas informações fornecidas por qualquer das Fazendas Públicas, obtidos por meio de procedimentos fiscalizatórios por ela realizados. A aplicação da prova emprestada processual mereceu expressa menção, na esfera tributária, do Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, em seu art. 30, § 3º: Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. (...) § 3º Atribuirseá eficácia aos laudos e pareceres técnicos sobre produtos, exarados em outros processos administrativos fiscais e transladados mediante certidão de inteiro teor ou cópia fiel, nos seguintes casos: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) quando tratarem de produtos originários do mesmo fabricante, com igual denominação, marca e especificação; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) quando tratarem de máquinas, aparelhos, equipamentos, veículos e outros produtos complexos de fabricação em série, do Fl. 1039DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 13982.001088/201001 Acórdão n.º 3801001.869 S3TE01 Fl. 1.040 14 mesmo fabricante, com iguais especificações, marca e modelo. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Não obstante o silêncio do legislador, que não costuma impor requisitos procedimentais à utilização da prova emprestada, a esta se aplicam as exigências processuais inerentes a essa modalidade probatória, como bem salienta a Professora Fabiana Del Padre Tomé, fazendose imperioso que “(i) a prova tenha sido produzida em processo envolvendo as mesmas partes; (ii) na produção da prova, cujo conteúdo se pretende transladar, tenham sido observadas as formalidades estabelecidas em lei; e (iii) haja identidade entre o fato probando do primeiro e do segundo processo.” (A prova no Direito Tributário. São Paulo: Noeses, 2008. P. 120). Vejase, portanto, que seus efeitos são admitidos “se a prova que se translada foi produzida em outro processo envolvendo as mesmas partes, pois na hipótese contrária, tendo apenas um dos sujeitos participado da produção da prova no primeiro processo, não poderá ela ser empregada em detrimento da outra, que não teve a oportunidade de interferir na sua constituição.” (Tomé, Fabiana Del Padre. A prova no Direito Tributário. São Paulo: Noeses, 2008. P. 118). Nesta mesma linha, alertam os professores Marinoni e Arenhart que não basta o translado da prova, "A legitimidade da prova emprestada depende da efetividade do princípio do contraditório. A Prova pode ser transladada de um processo a outro desde que as partes do processo para o qual a prova deve ser transladada tenham participado adequadamente em contraditório do processo em que a prova foi produzida originariamente." (MARINONI, Luiz Guilherme, Sérgio Cruz Arenhart. Manual do Processo de conhecimento. 5. Ed. rev. Atual. e Ampl. – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2006. P. 292.) Vejase, por conseguinte, que para se preservar incólume o princípio do contraditório, é indispensável que a parte do segundo processo tenha participado em contraditório do processo em que se produziu a prova que se visa aproveitar para fundamentar o direito pretendido. Em outras palavras, é essencial que a parte contra a qual a prova será utilizada tenha sido parte do processo onde a prova foi produzida. É esse o entendimento perpetrado pelo Supremo Tribunal Federal, cuja decisão, largamente reproduzida naquela Corte, dispõe o seguinte: "Prova emprestada e garantia do contraditório. A garantia constitucional do contraditório ao lado, quando for o caso, do princípio do juiz natural é o obstáculo mais freqüentemente oponível à admissão e à valoração da prova emprestada de outro processo, no qual, pelo menos, não tenha sido parte aquele contra quem se pretenda fazêla valer; por isso mesmo, no entanto, a circunstância de provir a prova de procedimento a que estranho a parte contra a qual se pretende utilizála só tem relevo, se se cuida de prova que não fora o seu traslado para o processo nele se devesse produzir no curso da instrução contraditória, com a presença e a intervenção das partes" (HC 78749/MS, 1ª. Turma, Rel: Min. Sepúlveda Pertence, julgado em 25/05/1999, DJU de 25/06/1999). Fl. 1040DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 13982.001088/201001 Acórdão n.º 3801001.869 S3TE01 Fl. 1.041 15 A prova emprestada, portanto, só deve ser admitida e considerada caso observe o contraditório, como bem assevera o Superior Tribunal de Justiça e outros Tribunais Pátrios: Informativo de Jurisprudência do STJ nº 0321 Período: 21 de maio a 1º de junho de 2007: PROVA EMPRESTADA. AÇÃO CONEXA. SEGREDO. JUSTIÇA. A Min. Relatora esclareceu que, no caso, a prova emprestada de outra ação penal somente pode ser valorada se ambas as partes tiveram integral ciência e se houve a possibilidade do exercício do contraditório. Aduziu que a vedação da presença do advogado nãoconstituído ao interrogatório de coréu em ação conexa que corre sob sigilo não constitui cerceamento de defesa se não ficou comprovado em que medida a prova influenciou o julgamento, não se evidenciando qualquer prejuízo. Também não há nulidade na sentença que analisa todas as teses defensivas, rebatendoas prontamente. Com esse entendimento, a Turma negou provimento ao recurso. RHC 20.372SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, julgado em 24/5/2007. "A doutrina e a jurisprudência se posicionam de forma favorável à prova emprestada, não havendo que suscitar qualquer nulidade (...). Constatado o exercício do contraditório e da ampla defesa" (STJ, Terceira Turma, MS 9850/DF, Rel. Min. José Arnaldo da Fonseca, DJ 09/05/2005). "Vale, porém, a prova emprestada 'colhida em regular contraditório, com a participação da parte contra quem deve operar' (JTA 111/360) ou entre as mesmas partes e a propósito do tema sobre o qual houve contrariedade. (RT 614/69, b em fundamentado, 719/166, JTA 106/207, RJTAMG 29/224)". "DIREITO PROCESSUAL CIVIL. PROVA EMPRESTADA. PRODUÇÃO DAS PROVAS. A prova emprestada, para que seja considerada, deve ter sido submetida, nos autos de origem, ao inarredável princípio do contraditório." (APC 32979/94, Reg. do Ac. 72731, 3a Turma Cível, Rela Desa Nancy Andrigui, DJU 28/09/1994, pág. 11.881) No caso sob análise, temse que o Recorrente não participou do processo original, no qual foram produzidas as provas emprestadas. Inexistiu o contraditório. Vejase que o agente fiscal assumiu como fato oponível ao Recorrente toda uma cadeia de provas, depoimentos e investigações havidas em processo de terceiro, estranho à Recorrente. Ao assim proceder, deixou de assegurar a participação da Recorrente na atividade probatória destinada à formação do convencimento do julgador. E, o que é mais grave: toda a autuação fiscal foi embasada tão somente nas provas emprestadas de processo de terceiro. A documentação contábil e fiscal da Recorrente foi totalmente desconsiderada, e o agente fiscal não empenhou esforços para demonstrar, especificamente e particularmente no que tange à Recorrente, de que esta, de fato, era co partícipe da fraude deflagrada no processo investigatório envolvendo a empresa Tozzo & Cia. Ltda.. Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 13982.001088/201001 Acórdão n.º 3801001.869 S3TE01 Fl. 1.042 16 Vejase, inclusive, que o elo probatório que liga o primeiro processo à Recorrente são depoimentos testemunhais no sentido de que as notas fiscais, emitidas pela empresa Tozzo & Cia. Ltda., com destinatários forjados, quais sejam, as chamadas "Notas Referentes", eram identificadas nos sistemas informatizados daquela empresa por meio de lançamento como tendo um desconto de 0,01 %. E, como as notas contabilizadas pela Recorrente, relativas à empresa Tozzo & Cia. Ltda., possuem o tal desconto de 0,01%, a conclusão imediata a que o agente fiscal chegou é que a Recorrente também operou em fraude fiscal, comprando notas fiscais e, através delas, obteve vantagens tributárias ilícitas. Entendo não ser necessário, aqui, enveredar na discussão em torno da deficiência do depoimento testemunhal como meio probatório no âmbito tributário. Até porque, a prova testemunhal pode ser deveras importante para certificar determinados acontecimentos. Porém, embasar um auto de infração em prova testemunhal emprestada de processo em que a Recorrente sequer foi intimada como parte interessada, e mais, em situação que poderia ser solucionada pela análise de documentos financeiros e provas periciais, pode ser mesmo temerário, além de não coadunar com o devido processo legal. O que ocorreu, no presente processo, foi a constituição de um fato jurídico baseado em indícios. Quais indícios basearam a ação fiscal? 1) ampla investigação pelo Ministério Público de Santa Catarina quanto à existência de odioso esquema de sonegação fiscal capitaneado pela empresa Tozzo & Cia. Ltda., com venda de mercadorias sem as respectivas notas fiscais, e a venda de notas fiscais desacompanhadas de mercadorias; 2) depoimentos testemunhais, no bojo daquele processo investigatório, no sentido de que as notas fiscais vendidas desacompanhadas de mercadorias eram lançadas com desconto de 0,01%; 3) o fato de que a Recorrente possui lançadas em sua contabilidade notas fiscais de compra de mercadorias da Tozzo & Cia. Ltda., com desconto de 0,01%; 4) intimação da Recorrente pelo Fisco para, no prazo de 20 dias, comprovar documentalmente o efetivo recebimento das mercadorias relacionadas nas notas fiscais emitidas pela empresa Tozzo & Cia. Ltda., com o desconto de 0,01%, bem como para explicar como se deu o pagamento destas aquisições (via boleto bancário, em carteira, transferência bancária, etc) e comprovar documentalmente o efetivo pagamento; 5) Informação da Recorrente de que não possuía documentos de comprovação dos pagamentos, em face do exíguo prazo para levantamento e apuração de tais documentos, embora também tenha reforçado o interesse de prestar os necessários esclarecimentos a fim de colaborar com a Fiscalização. O fato de a Recorrente não ter feito a comprovação requerida pelo agente fiscal foi suficiente, portanto, para confirmar todos os indícios anteriores. Presumiuse, de imediato, a ocorrência de fraude por parte da Recorrente. Acontece, porém, que fraude não se presume, mas tem que ser provada. E tal prova cabe ao fisco produzir. É indevida qualquer presunção de sonegação. Isso depende de provas, que não cabem ao contribuinte. Não existe a obrigação do contribuinte de fazer prova negativa, prova de que não sonegou. Cabe só ao fisco provar a sonegação que alega. Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 13982.001088/201001 Acórdão n.º 3801001.869 S3TE01 Fl. 1.043 17 Tal afirmação possui uma justificativa razoável: se o indício a partir do qual se constrói a conclusão permitir não só a ocorrência do fato alegado, como também outro diverso, o seu emprego para a constituição do fato jurídico tributário fica comprometido. No caso em questão, a ausência de apresentação pelo contribuinte, no prazo de 20 dias, de documentos que comprovassem a efetiva aquisição das mercadorias, pode denotar a ocorrência do fato alegado? Sim. Mas também pode significar tão somente que a Recorrente não tinha como aferir, em tempo hábil, meios documentais que comprovassem aquela aquisição. Daí a fragilidade de todo o procedimento fiscal. Vale trazer à colação as palavras de Luís Eduardo Schoueri, aplicáveis à situação descrita: “estando o sistema tributário brasileiro submetido à rigidez do princípio da legalidade, a subsunção dos fatos à hipótese de incidência tributária é mandatória para que se dê o nascimento da obrigação do contribuinte. Admitir que o mero raciocínio de probabilidade por parte do aplicador da lei substitua a prova é conceber a possibilidade – ainda que remota diante da altíssima probabilidade que motivou a ação fiscal – de que se possa exigir um tributo sem que necessariamente tenha ocorrido o fato gerador.”(Presunções simples e indícios no procedimento administrativo fiscal. In: ROCHA, Valdir de Oliveira (Coord.) Processo administrativo fiscal. São Paulo: Dialética, 1998. V. 2, p. 8586) A jurisprudência administrativa e mesmo a judicial não aceitam presunção como forma de autuação. Vejamse as seguintes decisões: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL PROVA INDIRETA A presunção legal inverte o ônus da prova em favor do fisco. Não fica, todavia, o fisco, dispensado de provar a ocorrência do fato base que autoriza a presunção IRPJ OMISSÀO DE RECEITAS PASSIVO FICTÍCIO—Não comprovado que o passivo era fictício, afastase a presunção de omissão de receita. LANÇAMENTOS DECORRENTES Aplicamse aos lançamentos decorrentes as razões de decidir e conclusão adotadas no lançamento matriz Recurso provido”. (1ª Câm., Ac. 10193730, Rel. Cons. Sandra Maria Faroni, j. 24.1.2002) Indício ou presunção não podem por si só caracterizar o crédito tributário. (2º Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, acórdão 51.841, in "Revista Fiscal" de 1970 , decisão 69). Para efeitos legais não se admite como débito fiscal o apurado por simples dedução. (idem, acórdão 50.527, Diário Oficial da União de 11.7.69, secção IV). Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 13982.001088/201001 Acórdão n.º 3801001.869 S3TE01 Fl. 1.044 18 Provas somente indiciárias não são base suficiente para a tributação... (Primeiro Conselho de Contribuintes, 1ª Câmara, Acórdão 68.574). Processo Fiscal Não pode ser instaurado com base em mera presunção. Segurança concedida. (Tribunal Federal de Recursos, 2ª Turma, Agravo em Mandado de Segurança 65.941, in "Resenha Tributária" 8). Qualquer lançamento ou multa, com fundamento apenas em dúvida ou suspeição é nulo, pois não se pode presumir a fraude que, necessariamente, deverá ser demonstrada. (Tribunal Federal de Recursos, Apelação Civil 24.955 em Diário da Justiça da União de 9 de maio de 1969). Não merece acolhimento o sistema de levantamento fiscal com ânimo em elementos aprioristicamente fixados pela fiscalização.” (Tribunal de Alçada Civil de S. Paulo, Apelação Civil 57.146, in Revista dos Tribunais, 357/394). Fraude ou sonegação, portanto, não se presumem, mas dependem de provas a cargo exclusivo do fisco. Qualquer argumentação do fisco sobre possível sonegação só tem valor se houver prova por ele produzida. O prof. Hugo de Brito Machado, em sua obra Mandado de Segurança em Matéria Tributária (Ed. Dialética, S.Paulo, 2003) fornece preciosa lição: O desconhecimento da teoria da prova, ou a ideologia autoritária, tem levado alguns a afirmarem que no processo administrativo fiscal o ônus da prova é do contribuinte. Isso não é, nem poderia ser correto em um estado de Direito democrático. O ônus da prova no processo administrativo fiscal é regulado pelos princípios fundamentais da teoria da prova, expressos, aliás, pelo Código de Processo Civil, cujas normas são aplicáveis ao processo administrativo fiscal. No processo administrativo fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador. O Supremo Tribunal Federal já reconheceu que mesmo no processo administrativo existe o contraditório, com direito a produção de provas. Vejamos trecho do voto do relator, ministro Celso de Mello, na Medida Cautelar em Mandado de Segurança 26.3580DF: A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal tem reafirmado a essencialidade do princípio que consagra o “due process of law”, nele reconhecendo uma insuprimível garantia, que, instituída em favor de qualquer pessoa ou entidade, rege e condiciona o exercício, pelo Poder Público, de sua atividade, ainda que em sede materialmente administrativa, sob pena de nulidade do próprio ato punitivo ou da medida restritiva de direitos. Precedentes. Doutrina. Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 13982.001088/201001 Acórdão n.º 3801001.869 S3TE01 Fl. 1.045 19 Assiste, ao interessado, mesmo em procedimentos de índole administrativa, como direta emanação da própria garantia constitucional do “due process of law” (CF, art. 5º, LIV) independentemente, portanto, de haver previsão normativa nos estatutos que regem a atuação dos órgãos do Estado , a prerrogativa indisponível do contraditório e da plenitude de defesa, com os meios e recursos a ela inerentes (CF, art. 5º, LV), inclusive o direito à prova. Abrangência da cláusula constitucional do “due process of law. Por estes motivos, voto para conhecer do recurso e acolher a segunda preliminar argüida, para anular o auto de infração lavrado e cancelar o respectivo débito, por violação do devido processo legal, do princípio do contraditório e do direito à ampla defesa. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 13982.001088/201001 Acórdão n.º 3801001.869 S3TE01 Fl. 1.046 20 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antônio Borges, Em que pese o entendimento da Relatora, ouso dela discordar. Conforme relatado tratase de autuação em razão da constatação da falta/insuficiência de recolhimento da contribuição para o PIS e da Cofins, que ocorreu devido a glosa de créditos da não cumulatividade aproveitados pela contribuinte, nos períodos fiscalizados, decorrentes de aquisições de terceiros representadas por notas fiscais ditas “graciosas”, tendo sido aplicada a multa de oficio de 150% em face do intuito de fraude. Em seu recurso voluntário, a contribuinte limitase a repisar as alegações da peça impugnatória já enfrentadas no voto condutor da decisão de 1a. instância, sem refutar objetivamente tais fundamentos e, principalmente, sem trazer provas da efetividade das operações. Logo, peço vênia para adotar os fundamentos da decisão de 1a. instância quanto as preliminares e aplicação da multa qualificada, a seguir transcritos, haja vista que não merecem reparos: “(...) 1 Decadência Os Autos de Infração referemse a fatos geradores ocorridos entre 31/12/2004 e 31/10/2007, e foram levados à ciência da autuada em 14/12/2010 (fls. 04 e 17). No presente caso, em restando configurado o evidente intuito de fraude – o que se verificará no tópico que trata da multa de oficio agravada , fica afastada a aplicação do disposto no § 4º do art. 150 do CTN, como pretende a contribuinte, passando a contagem do prazo decadencial para efetivação do lançamento de oficio para o disposto no inciso I do art. 173, do mesmo, ou seja, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Assim, não há que se falar em decadência em relação ao crédito tributário decorrente de fatos geradores ocorridos até o mês 12/2005, pois a contagem do prazo para a Fazenda efetuar os lançamento em relação ao fato gerador mais antigo, ocorrido em 31/12/2004, iniciouse em 01/01/2006 e expirou em 31/12/2010. Ou seja, quando o lançamento em tela se aperfeiçoou, por meio de sua ciência à autuada, em 14/12/2010, o direito da Fazenda Pública de constituir os correspondentes créditos não havia decaído. 2 Nulidade Violação de Súmula Vinculante do STF Como do relatório se vê, as autuações se deram em razão da constatação da falta/insuficiência de recolhimento da contribuição para o PIS e da Cofins, que ocorreu devido a glosa de créditos da não cumulatividade aproveitados pela contribuinte, nos períodos fiscalizados. Os créditos glosados são os relativos as aquisições da empresa Tozzo e Cia Ltda., tidos pela fiscalização como não Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 13982.001088/201001 Acórdão n.º 3801001.869 S3TE01 Fl. 1.047 21 efetivamente recebidas/adquiridas pela interessada uma vez que calcadas em documentos fiscais inidôneos. A Súmula Vinculante n° 29 do STF, a qual a contribuinte acusa ter sido violada, determina que "Não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no artigo 1º, inciso I, da Lei n° 8.137/90, antes do lançamento definitivo do tributo". Já o artigo 1°, caput e inciso I, da Lei n° 8.137/90, que diz "Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social [...], mediante as seguintes condutas: I omitir informação, ou prestar declaração falsa as autoridades fazendárias[...]". No caso vertente, ao contrário do que alega a impugnante, não houve descumprimento destas determinações, haja vista que não se pretende, no âmbito do presente processo administrativo fiscal, tipificar um "crime material contra a ordem tributária", mas apenas e tão somente um ilícito tributário, como dito acima, a falta/insuficiência de recolhimento da contribuição para o PIS e da Cofins apurada a partir da glosa de créditos da nãocumulatividade indevidamente aproveitados pela contribuinte, em razão de as operações das quais decorrem os tais créditos estarem calcadas em documentos fiscais inidôneos. Inicialmente, há que se ter em conta que a competência do contencioso administrativo fiscal restringese à apreciação da regularidade do lançamento tributário, ante a impugnação do contribuinte. Assim, muito embora as provas carreadas aos autos do processos tenham sido produzidas no âmbito de uma investigação conduzida pelo Ministério Público de Santa Catarina, fato é que estas vieram no sentido de instruir um procedimento administrativo fiscal, onde devem ser analisadas frente ao ilícito tributário que cabem provar, ilícito este que ao fim e ao cabo não acarretará, no âmbito em que se insere, qualquer imputação criminal/penal, mas única e exclusivamente administrativo fiscal, no caso, a cobrança do tributo devido acrescido dos acréscimos legais. Salientese que a multa de oficio agravada, embora tenha caráter punitivo, tem natureza de punição administrativa e não criminal, cabível nos casos em que se verifique, a partir do que consta dos autos do processo administrativo fiscal, que o contribuinte tenha incorrido, em tese, em uma das condutas previstas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Deve estar claro que na esfera administrativa somente cabe se tipificar o ilícito tributário; não se pretende, portanto, e nem seria possível, se tipificar "crime material , contra a ordem tributária", o que no caso da interessada somente poderá vir a ocorrer como conseqüência da formalização pela Autoridade Fiscal da Representação Fiscal para Fins Penais RFFP. Salientese que a Portaria SRF n.° 2.439, de 21/12/2010 que estabelece os procedimentos a serem observados na comunicação ao Ministério Público Federal de fatos que configurem, em tese, crimes contra a ordem tributária e contra a Administração Pública Federal, em detrimento da Fazenda Nacional determina expressamente, em seu artigo 2°, que o servidor da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) que constatar atos ou fatos que, em tese, configurem crime contra a ordem tributária, após a constituição do crédito tributário, deve formalizar a RFFP, perante o Delegado ou InspetorChefe da Receita Federal do Brasil responsável pelo controle do processo administrativo fiscal. De qualquer modo, a formalização da representação não representa, de pronto, instauração de ação ou investigação penal. Pelo contrário, a própria portaria dispõe, que a representação deve permanecer no âmbito da unidade de controle até a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente, devendo ser arquivada, no caso Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 13982.001088/201001 Acórdão n.º 3801001.869 S3TE01 Fl. 1.048 22 de o crédito tributário ser extinto pelo julgamento administrativo, pelo pagamento ou pela quitação do parcelamento. Como segue: Art. 4°A representação fiscal para fins penais relativa aos crimes contra a ordem tributária definidos nos arts. 1°e 2° da Lei n°8.137, de 27 de dezembro de 1990, e aos crimes contra a Previdência Social, definidos nos arts. 168A e 337A do Código Penal, será formalizada e protocolizada em até 10 (dez) dias contados da data da constituição do crédito tributário, devendo permanecer no âmbito da unidade de controle até a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente ou na ocorrência das hipóteses previstas no art. 5º, respeitado o prazo legal para cobrança amigável. Parágrafo único. Os autos da representa do, juntamente com cópia da respectiva decisão administrativa, deverão ser arquivados na hipótese de o correspondente crédito tributário ser extinto pelo julgamento administrativo, pelo pagamento ou pela quitação do parcelamento. Art. 5° Os autos da representação, ou seu arquivo digital, serão remetidos pelo Delegado ou InspetorChefe da Receita Federal do Brasil responsável pelo controle do processo administrativo fiscal ao órgão do MPF competente para promover a ação penal, no prazo de 10 (dez) dias contados da data: I do encerramento do prazo legal para cobrança amigável, depois de proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário relacionado ao ilícito penal, sem que tenha havido o correspondente pagamento; II da concessão de parcelamento do crédito tributário, ressalvados os mencionados nos incisos III, IV e V; III da exclusão da pessoa jurídica do Programa de Recuperação Fiscal (Refis) ou do parcelamento a ele alternativo, de que trata a Lei n° 9.964, de 10 de abril de 2000; IV da exclusão da pessoa jurídica do Parcelamento Especial (Paes) de que trata a Lei n°10.684, de 30 de maio de 2003; V da exclusão do parcelamento de que trata a Lei n° 11.941, de 27 de maio de 2009; ou VI da lavratura de auto de infração ou da expedição de notificavao de lançamento de que não resulte exigência de crédito tributário. Parágrafo único. Na hipótese do inciso I, deverá ser juntada aos autos da representação cópia da respectiva decisão administrativa, acrescida do despacho do Delegado ou Inspetor Chefe da unidade de controle do processo administrativo fiscal e da informação da data da decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário relacionado ao ilícito penal. Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 13982.001088/201001 Acórdão n.º 3801001.869 S3TE01 Fl. 1.049 23 Em suma, certo é que, no presente processo, não houve em relação a autuada qualquer tipificação de crime material contra a ordem tributária, antes de se tomar definitiva a exigência tributária. Improcedente é esta preliminar de nulidade. 3 Não observância do devido processo legal e do contraditório A impugnante reclama da utilização da prova emprestada alegando que a prova foi colhida em processo legal sem observância do Devido Processo Legal. Argumenta que os Autos de Infração se apóiam "unicamente em declarações prestadas em fase de procedimento investigatório promovido pelo Ministério Público Catarinense", "colhidas na presença tão somente do parquet e de auditor da Secretaria da Fazenda de Santa Catarina", sem ter sido possibilitado a Tozzo e Cia Ltda., a Tozzo Bebidas Ltda. e tão pouco a ela própria, já que estranha àquele processo, o exercício do contraditório. Incabível se falar em não observância ao devido processo legal e ao contraditório pelo fato do sujeito passivo não ter acompanhado todo o trabalho de investigação desenvolvido pela autoridade fiscal, antes da lavratura do autos. A garantia do devido processo legal, em sentido processual, compreende a garantia de ampla defesa, contraditório e o direito a uma decisão, proferida por autoridade competente, fundamentada e que ponha fim ao processo. No caso, pelo que consta dos autos, não houve, até o presente momento, qualquer ofensa ao devido processo legal, haja vista que o presente processo administrativo fiscal está se desenrolando na forma estabelecida pela legislação de regência, não tendo sido suprimida nenhuma fase processual ou direito do contribuinte. Quanto ao direito à ampla defesa e ao contraditório, garantido pelo art. 5°, inciso LV, da Constituição Federal, consiste de uma garantia do processo administrativo, isto é, da fase litigiosa do procedimento fiscal, que se inicia, nos termos do art. 14 do Decreto n° 70.235/72, com a impugnação da exigência fiscal. Já o procedimento de fiscalização, que antecede a fase litigiosa, é um procedimento inquisitório, cuja participação do contribuinte se limita ao fornecimento de informações, quando requisitado pela autoridade fiscal. Assim, a garantia constitucional ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa se opera com a inauguração do litígio, com a apresentação da impugnação tempestiva; depois de cientificado da exigência e dos elementos em que se funda, o contribuinte tem a garantia de poder impugnála, devendo para tanto serlhe franqueadas amplas condições para o exercício do direito de defesa. No caso presente, verificandose que os Autos de Infração e seus anexos permitem ao autuado amplas condições de conhecer os fundamentos da exigência e, portanto, exercer o amplo direito ao contraditório, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. Em outro momento de sua impugnação, a contribuinte alega, ainda, que a ausência de prova documental contra a legalidade das operações prejudica a ampla defesa. Também improcedente é esta alegação, haja vista que não cabia, e nem seria possível, a Autoridade Fiscal trazer prova documental da "não entrada/pagamento das mercadorias". Como será detidamente mostrado nos tópicos que seguem, em se tratando de direito de crédito, é ônus do contribuinte comprovar a efetiva ocorrência Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 13982.001088/201001 Acórdão n.º 3801001.869 S3TE01 Fl. 1.050 24 e a regularidade dos documentos em que se fundam as operações das quais este decorre. Afastase, portanto, esta preliminar de nulidade. 4 Inadmissibilidade e insuficiência das provas emprestadas para a caracterização do ilícito A impugnante sustenta, ainda que a prova compartilhada deve ser tomada como mero indicio que depende de confirmação com a efetiva fiscalização e obtenção de provas necessárias para a autuação, servindo os documentos compartilhados como mero ponto de partida do procedimento fiscalizatório e não como única prova da suposta infração. Antes de mais nada, é importante ter presente que o Decreto n.° 70.235/1972, muito embora estabeleça o ônus do agente fiscal de provar a ocorrência do ilícito fiscal (caput do artigo 9.°) e o ônus do contribuinte de provar o que alega (inciso III do artigo 16), acaba não trazendo disposições especificas acerca da produção probatória. Por conta disto é que se tem como pacifico o entendimento de que ao Processo Administrativo Fiscal – PAF aplicamse as regras do direito probatório constantes do Código de Processo Civil – CPC, com os devidos temperamentos exigidos para a mudança de contexto do direito privado para o direito público. Em assim sendo, é preciso dizer, de inicio, que o direito processual brasileiro adotou, em termos de prova, um sistema bastante aberto, fundado em muito poucas restrições à atividade probatória. E o que se infere do artigo 332 do Código de Processo Civil, que assim dispõe: Art. 332. Todos os meios legais, bem como os moralmente legítimos, ainda que não especificados neste Código, são hábeis para provar a verdade dos fatos, em que se funda a ação ou a defesa. Como se percebe, não há uma prévia hierarquização do valor probante dos meios de prova, podendose dizer que, excetuado o uso das provas ilícitas (inciso LVI do artigo 5º da Constituição Federal), podese provar qualquer situação de fato por qualquer via, ou seja, podese demonstrar a veracidade de uma dada alegação tanto por meio de uma prova direta (por exemplo, um documento que, por si só, ateste a verdade dos fatos), quanto por meio de provas indiretas (indícios, presunções legais — absolutas ou relativas , ficções legais, etc.). Cabe colocar que "A prova indiciária é uma espécie de prova indireta que visa demonstrar, a partir da comprovação da ocorrência de fatos secundários, indiciários, a existência ou a inexistência do fato principal. (...). Indicio é todo vestígio, indicação, sinal, circunstância e fato conhecido apto a nos levar, por meio do raciocínio indutivo, ao conhecimento de outro não conhecido diretamente." (in, Presunções no Direito Tributário. São Paulo: Dialética, 2001, p. 50). Um conjunto de elementos/indícios que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a inequivocidade de um fato; por esta via é que se tem a consagração da prova indiciária. Entretanto, no caso do uso das provas indiciárias (indiretas), é ônus do agente fiscal contextualizar os elementos de prova juntados, tratando de articulálos de forma tal a demonstrar a inequivocidade da conduta ilícita do contribuinte. Como meios de prova que são, seu vigor depende das conclusões que sua utilização transmite ao julgador. Desta feita, o conjunto de indícios deve conduzir a uma conclusão única, insofismável; se mais de uma conclusão restar possível, não haverá fato típico e a Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 13982.001088/201001 Acórdão n.º 3801001.869 S3TE01 Fl. 1.051 25 comprovação material não terá sido alcançada (na dúvida, não há infração). Por detrás destas exigências feitas à validação da prova indiciária, está a convicção de que, com os indícios, não se está diante da verdade real, mas de uma verdade aferida por cognição dedutiva. Quanto ao fato de os elementos de prova trazidos aos autos terem sido produzidos no âmbito de uma investigação do Ministério Público de SC, digase que nada impede que estes sejam acolhidos como meios de prova hábeis a serem analisados no âmbito do presente processo. Notese, inicialmente, a importância e conveniência do traslado de provas de um processo a outro ante o prestigio dos princípios da celeridade e da economia processual a fim de se evitar repetição desnecessária de atos processuais já esgotados com o aproveitamento de provas pretéritas, quando tais provas diante das circunstâncias fáticas não puderem ser colhidas no atual processo e forem indispensáveis a demonstração de um ilícito, que de outra forma não seria verificado. A validade da prova emprestada, entretanto, está condicionada à validade de sua produção no processo de origem e que seja submetida ao crivo do contraditório, no processo onde se busca surtam os efeitos da prova, condições estas, que à luz do que dos autos consta foram respeitadas. A prova produzida em um processo que noutro ingressa sob a forma documental, terá sua força probatória valorada pelo julgador competente, que não está adstrito a darlhe idêntico valor ao que teve nos autos em que foi produzida. Dai que se mostra improcedente a alegação da impugnante de que são inadmissíveis as informações obtidas a partir da prova testemunhal tomada perante o representante do MP e auditores fiscais de tributos estaduais, cedidas à fiscalização federal, uma vez que sua procedência depende de análise e decisão no processo judicial do qual se origina. Com efeito, a troca de informações entre os órgãos federais/estaduais/municipais é prática comum, perfeitamente aceitável processualmente, cabendo, todavia, cuidar se, como defende a doutrina majoritária, que o empréstimo seja tão somente das provas e não das conclusões do outro órgão. Esta distinção é importante e, pelo relato da autoridade autuante no seu Termo de Verificação e de Encerramento de Fiscalização percebese que este elaborou todo o seu entendimento com base nos elementos de prova carreados aos autos e, tendo concluído que houve fraude fiscal (notas fiscais inidôneas), procedeu aos lançamentos com infração tipificada com a multa de oficio agravada. Conforme relata a Autoridade Fiscal: constatada a utilização de notas fiscais graciosas, teve inicio a ação fiscal, a fim de verificar as irregularidades na apuração de recolhimento de tributos administrados pela RFB; que por meio do intimação fiscal a contribuinte foi, então, instada a comprovar, com documentação hábil e idônea, o recebimento das mercadorias e o efetivo pagamento das mesmas, referentes às notas fiscais identificadas como sendo vendas da empresa Tozzo & Cia Ltda com desconto de 0,01 %, ocasião em que esta se manifestou como podia e julgou conveniente; que esta, não logrou comprovar por nenhum meio hábil a efetiva ocorrência das operações; que sua alegação confirma os indícios apurados durante a operação de busca e apreensão realizada pelo Ministério Público de Santa Catarina e pela Secretaria de Estado da Fazenda de Santa Catarina e com os depoimentos colhidos de pessoas a ela ligadas; que, em cabendo a contribuinte apresentar a fiscalização a documentação, hábil e idônea, apta a comprovar o pagamento das Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 13982.001088/201001 Acórdão n.º 3801001.869 S3TE01 Fl. 1.052 26 aquisições, e que o dispêndio corresponde a contrapartida de algo recebido, e em assim não o fazendo, concluiu que as aquisições da empresa Tozzo e Cia LTDA não foram efetivamente recebidas/adquiridas, e assim adotou o procedimento de glosar os créditos de PIS e Cofins, relativos às citadas aquisições, aproveitados pelo contribuinte. Salientese, que ao contrario do que entende a contribuinte, os mencionados depoimentos não foram os únicos elementos, fornecidos pelo Ministério Público de SC e trazidos aos autos do presente processo, considerados na formação da convicção da Autoridade Fiscal. Destarte, resta claro em seu relato que os documentos apreendidos, pelo grupo de ForçaTarefa integrado por agentes do Ministério Público de Santa Catarina e da Secretaria de Estado da Fazenda de Santa Catarina, apoiados pelos órgãos de segurança — DEIC, Policia Civil, Agência Central de Inteligência (ACI), Policia Militar, Núcleo de Operações Especiais (NOE), Policia Rodoviária Federal e Instituto Geral de Perícias — é que revelam o esquema fraudulento engendrado pela empresa Tozzo e Cia Ltda. Não obstante digase que os vários depoimentos que informam que as tais "Notas Referentes" eram identificadas, nos sistemas informatizados da empresa Tozzo & Cia Ltda, por meio da informação de um desconto de 0,01%, adquire relevância enquanto prova da informação prestada, na medida em que caminham todos no mesmo sentido (inclusive o depoimento de Edegar Edson Brancaglione), se coadunam com os demais indícios que compõem o quadro nos autos delineado e, principalmente, foram prestados justamente pelas pessoas encarregadas de criar e controlar esses sistemas, estas que proveito nenhum tirariam de tais declarações, muito pelo contrário, podem, eventualmente, por sua participação no tal esquema ser responsabilizadas. Em relação ao depoimento de Edegar Edson Brancaglione observese que lá está dito, como alega a impugnante, que "...há casos onde consta esse desconto de 0,01% e não ser nota fiscal REFERENTE"; todavia, tal frase continua com "..., mas isso é muito raro acontecer". Como se vê, a Autoridade Fiscal tirou suas conclusões, quanto a utilização reiterada pela contribuinte de Notas Fiscais inidôneas, emitidas pela Tozzo & Cia Ltda., a partir, não só dos depoimentos de pessoas diretamente ligadas As atividades desta empresa, mas de todos as informações e elementos de prova que lhe foram fornecidos pelo Ministério Público de Santa Catarina, bem como dos elementos e respostas apresentadas pela própria fiscalizada, em respostas às intimações fiscais realizadas durante o procedimento fiscalizatório do qual resultou a lavratura dos presentes lançamentos. Assim, resta que as provas foram regularmente produzidas e trazidas aos autos e foram analisadas e acolhidas como elementos de cognição pela Autoridade Fiscal, razão pela qual é improcedente a alegação de inadmissibilidade e insuficiência destas para a caracterização do ilícito praticado pela contribuinte. 5 Ilegalidade da utilização de uma presunção para elidir presunção Defende a impugnante a ilegalidade da utilização de presunção no feito fiscal, no caso, a presunção trazida por prova testemunhal de que as "Notas Referentes eram identificadas nos sistemas informatizados como tendo um desconto de 0,01%", desacompanhadas de qualquer prova material do declarado. Alega que as operações comerciais consubstanciadas por meio das notas fiscais (com desconto de 0,01%) gozam de presunção de legitimidade, que somente poderia ser afastada por meio de prova documental cabal, produzida pela fiscalização, da não entrada/pagamento das mercadorias. Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 13982.001088/201001 Acórdão n.º 3801001.869 S3TE01 Fl. 1.053 27 Ante o argüido, coloquese que a legislação processual administrativo tributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o principio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim é que, nos casos de lançamentos de oficio, A autoridade fiscal incumbe provar, pelos meios de prova admitidos pelo direito, a ocorrência do ilícito. Ao contribuinte, cabe o ônus de provar o teor das alegações que contrapõe às provas ensejadoras do lançamento. Em análise aos autos verificase que a Autoridade Fiscal, utilizandose de meio de prova admitido em direito, claramente identificou o ilícito da contribuinte que deu causa aos lançamentos, no caso, a utilização de notas ficais inidôneas com o objetivo de se utilizar indevidamente de créditos decorrentes da não cumulatividade da contribuição para o PIS e da Cofins. A contribuinte por seu turno, nada traz em sede de impugnação para contrapor os fatos e as conclusões colocadas pela Autoridade Fiscal, limitandose tão somente a tentar afastar a validade das provas carreadas aos autos. Não se nega que a nota fiscal, por estar a sua emissão e utilização imbuída de formalismos e rigores estabelecidos legalmente, portanto de observação obrigatória pelos contribuintes, consiste, por excelência, do meio próprio para registrar e comprovar as operações comerciais das empresas, principalmente aquelas tributáveis e as capazes de gerar créditos, no âmbito de cada tributo. Assim as notas fiscais fazem prova perante o fisco na medida em que gozam de presunção (relativa) de veracidade, presunção esta somente afastada, por quem o pretenda, por meios hábeis e bastantes para tanto. No caso vertente, o quadro indiciário montado pela Autoridade Fiscal mostrase bastante e suficiente para afastar a presunção de veracidade das Notas Fiscais em questão. Razão pela qual, antes de efetuar o lançamento, oportunizou a contribuinte comprovar por outros meios, que não atos e termos de sua própria lavra, as aquisições que deram origem aos créditos dos quais vinha se utilizando ao longo do período fiscalizado. Todavia, a fiscalizada não foi capaz de apresentar nenhum comprovante de pagamento, nenhum documento de frete, ou qualquer outro documento que não fosse de sua própria emissão, capaz de atestar a efetiva ocorrência de uma operação sequer, dentre as milhares de operações listadas — perto de 2.800, ao longo de cinco anos, listadas às folhas 92 a 119 dos autos. Aqui, há que se dar razão a Autoridade Fiscal quando afirma que a falta de comprovação das operações consubstanciadas nas notas fiscais em tela se coaduna com o modus operandis da empresa, constatado a partir dos documentos apreendidos na sede da empresa Tozzo & Cia Ltda e dos depoimentos colhidos de pessoas a ela ligadas, (vendedores, funcionários de escritório, prestadores de serviço de computação e programadores), "que consistia na emissão de notas fiscais para destinatários falsos, cujo estoque era acertado com a simulação de pagamento por meio de quitação de duplicatas diretamente no caixa". Não bastasse, notese que em se tratando de direito de crédito é ônus do contribuinte comproválo. Destarte, a fim de que reste comprovado o correto e oportuno aproveitamento do crédito apurado e declarado pelo próprio contribuinte em Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, este deve ser capaz de comprovar de forma inequívoca, por meios hábeis e idôneos, a efetiva ocorrência das operações comerciais das quais este decorreria, nos moldes e valores em que declara, sob pena de não poder se utilizar do crédito pretendido. Observese que no Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 13982.001088/201001 Acórdão n.º 3801001.869 S3TE01 Fl. 1.054 28 presente caso, como o crédito foi utilizado por meio de desconto na apuração da contribuição devida, a exigência desta comprovação ocorreu no âmbito de um lançamento de oficio; todavia, se a contribuinte, de outro turno, tivesse intentado deste crédito se utilizar por meio de pedido de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório seria um prérequisito ao próprio conhecimento do pleito; desta feita na ausência dos documentos capazes de atestar, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito, o pedido repetitório ficaria inarredavelmente prejudicado em sua origem (ver art 3° e 65 da Instrução Normativa SRF n° 900, de 30 de dezembro de 2008, que rege atualmente os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários). Portanto, correta a afirmação da Autoridade Fiscal de que para um custo poder ser aceito como dedutível, cabe ao contribuinte comprovar que o "bem e/ou serviço correspondente foi contratado formalmente, que houve o desembolso, e que o dispêndio corresponde à contrapartida de algo recebido e que, por isso mesmo, torna o pagamento devido". E, afastada a presunção de veracidade das notas fiscais, por meio de elementos bastantes e suficientes para tanto, correta também é a afirmação de que "compete ao contribuinte apresentar à. fiscalização a documentação, oriunda de fonte externa, hábil e idônea, apta a comprovar tais fatos, o que não se verificou no caso". Assim, diante de tudo quanto foi dito , é que se diz que a contribuinte não logrou comprovar a efetividade das operações que deram azo ao crédito do qual se utilizou no período fiscalizado, razão pela qual reputase correto o lançamento das contribuições cujos valores foram indevidamente reduzidos à época de sua apuração. 6 Multa de Oficio Em relação à multa de oficio no percentual de 150%, defende: a) a aplicação do percentual de 75%, consoante a nova redação dada por meio Lei no 11.488/2007 aos incisos I e II do art. 44 da Lei n° 9.430/96, que antes previam percentuais de 75% e 150% e "foram reduzidos para 75% e 50%", beneficiando o contribuinte; b) a aplicação da multa de 75% sem a duplicação prevista no §1° do referido art 44 da Lei n° 9.430/96, na redação dada pela Lei n° 11.488/2007, considerando que esta lei não pode ser aplicada retroativamente em desfavor do contribuinte. Bem, como se vê a contribuinte não impugna os motivos do agravamento da multa de oficio, limitandose a tentar reduzir o percentual da multa defendendo a aplicação do art. 44 da Lei n° 9.430/96, na redação que lhe parece mais benéfica. Ocorre, que a pretensão da contribuinte não pode ser acatada, haja vista a multa de oficio ter sido regularmente aplicada, nos estritos termos legais. Vejamos. Inicialmente cabe esclarecer o contribuinte que, em respeito ao principio da irretroatividade das leis, o fato tributável regulase juridicamente pela lei em vigor na época de sua ocorrência. Já quanto ao principio da retroatividade da lei mais benigna, que se aplica em relação às penalidades, a intenção do legislador do CTN ao instituílo (art. 106) foi simplesmente livrar o infrator de uma penalidade que foi suprimida, pois a conduta que lhe dava causa deixou de ser considerada como uma infração à legislação tributária, o que não ocorreu no presente caso. Destarte, a hipótese legal de agravamento da multa de oficio, nos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, existe desde a edição da Lei n° 9.430/96, e nunca foi suprimida. E fato que a Lei 11.488/07 alterou a redação do art. 44 dessa lei, que tratava da multa aplicável em caso de lançamento de oficio, sem, Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 13982.001088/201001 Acórdão n.º 3801001.869 S3TE01 Fl. 1.055 29 no entanto, suprimir a mencionada hipótese de agravamento da multa — o que, na redação original, estava previsto no inciso II, a partir da nova redação passou a ser tratado no inciso I combinado com o §1°. No caso vertente, em consulta aos Autos de Infração verificase que a multa de oficio foi regularmente aplicada no percentual de 150%, em consonância com a legislação de regência na redação em que vigia à época dos fatos, ou seja, nos termos do inciso II do artigo 44 da Lei n° 9.430/96 e, para os fatos geradores ocorridos a partir de 15/06/2007, nos termos do inciso I e do § 10 do mesmo artigo, na redação dada pelo artigo 14 da Lei n° 11.488, de 15/06/2007. Desta feita, improcedente é o argumento da impugnante conta a aplicação da multa de oficio no percentual de 150% sobre o valor devido. (...)” Grifei. Repita se que tais fundamentos não foram objetivamente contestados no recurso voluntário, pelo que as razões de decidir da decisão recorrida podem ser adotadas neste voto, conforme disposto no art. 50 da Lei 9.784 de 1999, que se aplica subsidiariamente ao PAF(verbis): Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V decidam recursos administrativos; (...) § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...) § 3o A motivação das decisões de órgãos colegiados e comissões ou de decisões orais constará da respectiva ata ou de termo escrito.” (Grifei) Em verdade, apesar de instada desde auditoria fiscal, bem como na decisão de 1a. instância, a recorrente não apresenta um elemento de prova da efetividade dessas operações de compras. Não é crível tampouco razoável que tenha realizado perto de 2.800 aquisições de mercadorias junto a empresa Tozzo & Cia Ltda , ao longo de cinco anos, listadas às folhas 92 a 119 dos autos, mas não possua um único comprovante de pagamento, nenhum documento de frete, ou qualquer outro documento emitido por terceiros que ateste a veracidade dos negócios. Considero, pois, caracterizada a fraude fiscal, pelo que deve ser mantida a multa qualificada de 150%, afastandose também as alegações de decadência dos anos de 2004 e 2005, haja vista que para efetuar o lançamento em relação ao fato gerador mais antigo, ocorrido em 31/12/2004, o prazo iniciouse em 01/01/2006, expirando em 31/12/2010. Ou seja, quando o lançamento em tela se aperfeiçoou, por meio de sua ciência à autuada, em 14/12/2010, Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 13982.001088/201001 Acórdão n.º 3801001.869 S3TE01 Fl. 1.056 30 Diante do exposto e do que consta nos autos, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 20/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 30/10/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES
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Numero do processo: 10640.005047/2008-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. REQUISIÇÃO ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. HIPÓTESE.
As informações, referentes à movimentação bancária do contribuinte, podem ser obtidas pelo Fisco junto às instituições financeiras, no âmbito de procedimento de fiscalização em curso, quando ocorrer, dentre outros, o não fornecimento, pelo sujeito passivo, de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando regularmente intimado.
PEDIDO DE DESISTÊNCIA PARCIAL DO RECURSO. AUTUAÇÃO. VÍCIO. NULIDADE.
O pedido de desistência parcial do recurso deve identificar de forma clara e individualizada a matéria a qual o contribuinte pretende desistir. Em não havendo a referida identificação, o pedido é inepto. É nulo o pedido de desistência parcial de recurso autuado sem a identificação do agente público
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INAPLICABILIDADE DAS NORMAS ATINENTES À TRIBUTAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL.
O fato de a atividade preponderante do contribuinte ser a atividade rural não permite concluir que os depósitos existentes em sua conta referem-se a esta mesma atividade. Para tanto, é necessário que o contribuinte faça prova de que tais valores transitaram em suas contas bancárias.
NÃO ADENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES. MULTA AGRAVADA. INAPLICABILIDADE. OMISSÃO DE RENDIMENTO. DEPÓSITO BANCÁRIO
Não é cabível o agravamento da multa em 50% pelo não atendimento às intimações na forma do §2º do art. 44 da Lei nº. 9.430/96 em razão de ausência de prejuízo ao fisco proveniente da inércia da contribuinte devido à presunção legal que corre em seu favor, e contra o contribuinte, na forma do art. 42 da Lei. 9.430/96.
Numero da decisão: 2201-002.291
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de sobrestamento do julgamento do recurso, vencido o Conselheiro Guilherme Barranco de Souza. Por unanimidade de votos, declarar a nulidade do Pedido de Desistência do Recurso e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desagravar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%.
Assinado digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), EDUARDO TADEU FARAH, ODMIR FERNANDES (Suplente convocado), WALTER REINALDO FALCAO LIMA (Suplente convocado), NATHALIA MESQUITA CEIA.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. REQUISIÇÃO ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. HIPÓTESE. As informações, referentes à movimentação bancária do contribuinte, podem ser obtidas pelo Fisco junto às instituições financeiras, no âmbito de procedimento de fiscalização em curso, quando ocorrer, dentre outros, o não fornecimento, pelo sujeito passivo, de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando regularmente intimado. PEDIDO DE DESISTÊNCIA PARCIAL DO RECURSO. AUTUAÇÃO. VÍCIO. NULIDADE. O pedido de desistência parcial do recurso deve identificar de forma clara e individualizada a matéria a qual o contribuinte pretende desistir. Em não havendo a referida identificação, o pedido é inepto. É nulo o pedido de desistência parcial de recurso autuado sem a identificação do agente público OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INAPLICABILIDADE DAS NORMAS ATINENTES À TRIBUTAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL. O fato de a atividade preponderante do contribuinte ser a atividade rural não permite concluir que os depósitos existentes em sua conta referem-se a esta mesma atividade. Para tanto, é necessário que o contribuinte faça prova de que tais valores transitaram em suas contas bancárias. NÃO ADENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES. MULTA AGRAVADA. INAPLICABILIDADE. OMISSÃO DE RENDIMENTO. DEPÓSITO BANCÁRIO Não é cabível o agravamento da multa em 50% pelo não atendimento às intimações na forma do §2º do art. 44 da Lei nº. 9.430/96 em razão de ausência de prejuízo ao fisco proveniente da inércia da contribuinte devido à presunção legal que corre em seu favor, e contra o contribuinte, na forma do art. 42 da Lei. 9.430/96.
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REQUISIÇÃO ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. HIPÓTESE. As informações, referentes à movimentação bancária do contribuinte, podem ser obtidas pelo Fisco junto às instituições financeiras, no âmbito de procedimento de fiscalização em curso, quando ocorrer, dentre outros, o não fornecimento, pelo sujeito passivo, de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando regularmente intimado. PEDIDO DE DESISTÊNCIA PARCIAL DO RECURSO. AUTUAÇÃO. VÍCIO. NULIDADE. O pedido de desistência parcial do recurso deve identificar de forma clara e individualizada a matéria a qual o contribuinte pretende desistir. Em não havendo a referida identificação, o pedido é inepto. É nulo o pedido de desistência parcial de recurso autuado sem a identificação do agente público OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INAPLICABILIDADE DAS NORMAS ATINENTES À TRIBUTAÇÃO DA ATIVIDADE RURAL. O fato de a atividade preponderante do contribuinte ser a atividade rural não permite concluir que os depósitos existentes em sua conta referemse a esta mesma atividade. Para tanto, é necessário que o contribuinte faça prova de que tais valores transitaram em suas contas bancárias. NÃO ADENDIMENTO ÀS INTIMAÇÕES. MULTA AGRAVADA. INAPLICABILIDADE. OMISSÃO DE RENDIMENTO. DEPÓSITO BANCÁRIO Não é cabível o agravamento da multa em 50% pelo não atendimento às intimações na forma do §2º do art. 44 da Lei nº. 9.430/96 em razão de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 50 47 /2 00 8- 43 Fl. 227DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/01/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 ausência de prejuízo ao fisco proveniente da inércia da contribuinte devido à presunção legal que corre em seu favor, e contra o contribuinte, na forma do art. 42 da Lei. 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de sobrestamento do julgamento do recurso, vencido o Conselheiro Guilherme Barranco de Souza. Por unanimidade de votos, declarar a nulidade do Pedido de Desistência do Recurso e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desagravar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Assinado digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), EDUARDO TADEU FARAH, ODMIR FERNANDES (Suplente convocado), WALTER REINALDO FALCAO LIMA (Suplente convocado), NATHALIA MESQUITA CEIA. Relatório Por meio do Auto de Infração (fls. 04) lavrado em 14/11/08, exigese da Contribuinte o montante de R$ 259.181,91 a título de imposto de renda da pessoa física, R$ 77.702,73 referente aos juros de mora e R$ 583.159,29 referente à multa de ofício em razão da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada relativos ao anocalendário 2005, exercício 2006. A ação fiscal desenvolvida junto à contribuinte Cinira Benedita Pires, foi motivada pelo fato desta ter mantido contacorrente conjunta, durante o anocalendário de 2005, com seu esposo, Sr. João Batista Pires, alvo de fiscalização, em virtude de encontrarse omisso na entrega da DIRPF/2006, enquanto dados provenientes da DCPMF (Declarações da Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira) apontavam movimentação bancária no montante de R$ 2.760.382,92. A Contribuinte também se encontrava omissa na entrega da sua DIRPF/2006 e mesmo regularmente intimada em duas oportunidades, mantevese silente, não prestando quaisquer esclarecimentos. Assim, a fiscalização solicitou diretamente à instituição financeira o Relatório de Movimentação Financeira (RMF), o qual foi tido como base para lavratura do Auto de Infração, ora em tela, tomandose por base 50% dos depósitos de origem não Fl. 228DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/01/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10640.005047/200843 Acórdão n.º 2201002.291 S2C2T1 Fl. 3 3 comprovada na contacorrente conjunta com seu esposo, Sr. João Batista Pires, CPF 080.543.20604, no Banco Bradesco S/A, única conta mantida no período (art. 42 da Lei nº 9.430/96). A fiscalização após ter recebido as informações da instituição financeira em questão, notificou a Contribuinte para que a mesma se manifestasse acerca das movimentações apresentadas, porém mais uma vez a Contribuinte quedouse silente. A autoridade lançadora qualificou a multa com base no fato de o casal não ter entregue a DIRPF quando estava obrigado a fazêlo, o que lhes permitiu ocultar da Fazenda Nacional a percepção de rendimentos que se encontravam no campo de incidência do imposto sobre a renda e, por conseguinte, furtarse do pagamento desse tributo, configurando, portanto, sonegação nos termos do art. 71, inciso I da Lei n° 4.502/1964. A multa aplicada foi agravada, em virtude da inércia e silêncio da Contribuinte frente às intimações da fiscalização, o que acarretou uma multa de ofício total de 225%. Cientificada do Auto de Infração em 11/12/2008 às fls. 77, a Contribuinte apresentou em 09/01/2009 Impugnação de fls. 81 com as razões a seguir: § alega estar com idade avançada (aproximadamente 75 anos), ser mulher simples, produtora rural do ramo pecuarista, tendo sua subsistência baseada na criação, compra e venda de bovinos. § requer a nulidade do Auto de Infração diante da quebra do seu sigilo bancário sem autorização judicial uma vez que viola os direitos à privacidade e ao sigilo dos dados pessoais protegidos do art. 5° da CRFB/88. § entende que os procedimentos adotados pela fiscalização não correspondem à realidade dos fatos, devendo ser revistos e modificados de forma a serem adequados ao ocorrido, citando ementa de julgado do então Conselho de Contribuintes. § alega que embora os depósitos sejam de valores elevados, por ser produtora rural, da mesma forma que os valores são depositados na referida conta bancária, tais valores são retirados da mesma conta, caracterizandoos como despesas incorridas em face da atividade rural da Contribuinte (pecuária) e, portanto, dedutíveis do imposto de renda da pessoa física. Apresenta demonstrativo às fls.87 onde ao imputar as receitas e despesas no programa RFB Livro Caixa 2005, resta apurado prejuízo para o ano calendário 2005. § aponta como indicativo do alegado o fato de a Contribuinte e seu consorte terem auferido praticamente R$ 2.000.000,00 (dois milhões) de reais ao longo do ano de 2005, mas sua conta corrente encontrarse com saldo negativo de R$22.271,44 (vinte e dois mil duzentos e setenta e um reais e quarenta e quatro centavos) ao final do exercício fiscal, conforme informe de rendimentos financeiros fornecido pelo banco Bradesco, juntado aos autos. § junta documentos comprobatórios de despesas dedutíveis referentes produção rural no valor de R$ 46.184,72 que devem ser deduzidas da base de cálculo, na razão de 50% para cada cônjuge. Diante do erro na base de calculo requer, Fl. 229DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/01/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 novamente a anulação do auto, a fim de que se possa apurar, com base na realidade da contribuinte, o real imposto devido. § aponta que nos meses de abril, maio, agosto e novembro foram utilizados para composição da base de cálculo depósitos inferiores à R$ 1.000,00, desta feita, em conformidade com o art. 42, § 3°, II, da Lei 9.430/96, requer a nulidade do auto em razão da equivocada base calculo ou no mínimo a retirada de tais valores da composição da base de calculo. § insurgese contra a aplicação da multa de 225%, argumentando que o enquadramento legal citado (art. 44, II e § 2°, da Lei 9.430/96), o qual determina aplicação de multa no percentual de 50%, não se aplica ao caso em comento, posto que não se observou a existência de proventos oriundos do exterior e nem se trata a Contribuinte de pessoa jurídica. Portanto, ante a falta de fundamentação legal para a aplicação da multa, requer a anulação do lançamento. § alega que inexiste o crime de sonegação, porquanto, segundo a fundamentação legal invocada, somente poderia existir tal crime se houvesse comprovação de dolo na ação ou na omissão praticada pelo sujeito passivo. O fato de não ter se manifestado não pode ser considerada uma omissão dolosa. § afirma que o único motivo pelo qual esta não elaborava sua DIRPF seria o fato que desde o ano de 1991 não adquirira quaisquer propriedades, razão pela qual entendia não ter tido rendimentos, não sendo necessário entregar declarações. E, demonstrada a inconsistência do presente auto quanto à prática de sonegação, mais uma vez, protesta pela sua total nulidade. § protesta pela posterior juntada dos comprovantes de receitas e despesas referentes ao ano de 2005, tendo em vista que foi impossível obtêlos durante o recesso de fim de ano. Às fls. 115 a 119 consta o arrolamento de bens da contribuinte. Às fls. 121 a 4ª Turma da DRJ/JFA através do acordão 0922.713 acolheu em parte a Impugnação, nos seguintes termos: · não reconheceu a nulidade do presente procedimento administrativo fiscal diante da inocorrência de qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº. 70.235/72. · apontou que a quebra do sigilo bancário está amparada no art. 197 do CTN, bem como no art. 6° da Lei Complementar n° 105/2001, sem qualquer autorização judicial, logo, não ocorreu violação dos princípios constitucionais dos direitos a privacidade e ao sigilo dos dados pessoais (art. 5° da CRFB). · não acolheu o pleito da Contribuinte para que os valores apurados sejam tributados como rendimentos da Atividade Rural, pois a autuação tributária ocorreu com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96 – omissão de rendimentos decorrente de depósitos bancários não comprovados, onde a autoridade autuante tem autorização para considerar ocorrido o fato gerador quando o contribuinte não conseguir comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo, pois, a necessidade de o fisco juntar qualquer outra prova. Destacando ainda que tal presunção não faz qualquer ressalva quanto a existir saldo negativo na(s) conta(s) ao final do período da apuração. Somente quando comprovada a origem os valores deverão ser submetidos à tributação específica. A documentação colacionada pela Contribuinte apenas prova que ela forneceu leite a determinada sociedade e que teve gastos junto a outra, mas não servem para comprovar a origem dos depósitos. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/01/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10640.005047/200843 Acórdão n.º 2201002.291 S2C2T1 Fl. 4 5 · a tributação da atividade rural não dispensa o contribuinte de comprovar a receita por meio de documentação hábil, na forma do art. 71, §1º, do RIR, colacionando jurisprudência sobre o tema. · não acolheu a exclusão dos valores inferiores à R$ 1.000,00 (havendo adequado o valor para R$ 12.000,00 conforme alteração legislativa), pois tais valores só seriam excluídos se o somatório destes valores fossem inferiores à R$ 80.000,00 anual. · observou que a Autoridade Lançadora se equivocou ao capitular a multa no inciso II do art. 44 da Lei 9.430/96, todavia tal equívoco não autoriza, por si só, o cancelamento da multa aplicada diante da ausência de prejuízo para a Contribuinte uma vez que a acusação fiscal descreveu a conduta de forma correta propiciando ampla defesa e o contraditório do contribuinte. · acolheu a exclusão da qualificação da multa em 150% reduzindo para 75% pois a simples o simples fato de a Contribuinte não haver entregue a DIRPF não caracteriza sonegação. · manteve o agravamento da multa em 50% pois a Contribuinte deixou de atender às intimações. A Contribuinte as fls. 136 foi notificada da decisão em 18/03/2009, tendo apresentado Recurso Voluntário em 08/04/2009 requerendo em síntese os mesmos pleitos apresentados na Impugnação, bem como anexa documentação, não referente ao anocalendário autuado, com vistas a provar sua condição de produtora rural. Desta forma, junta ao Recurso Voluntário: Declaração de Produtor Rural, Guias de Trânsito Animal, Notas Fiscais Avulsas de Produtor. Desta feita, requer que seja aplicada a tributação específica do § 2º do art. 60 do RIR (Regulamento do Imposto de Renda). Ademais, alega que a comprovação da receita bruta da atividade rural para fins de tributação específica é justamente o extrato bancário utilizado pela fiscalização para a autuação. Em 12/12/2010, a Contribuinte apresenta desistência parcial do Recurso Voluntário de forma a aderir ao parcelamento previsto nos art. 1º a 13 da Lei nº. 11.941/09, argumentando que: · não é correto tributar a totalidade dos depósitos bancários não comprovados como sendo omissão de rendimentos de outra atividade, quando a Contribuinte, como é o caso em questão, apresenta rendimentos tributáveis originados, única e exclusivamente, da atividade rural, já que as receitas da atividade rural pelas suas peculiaridades gozam de tributação mais favorecida. Neste contexto, quando se tratar de contribuintes cuja atividade exercida é exclusivamente a rural, qualquer omissão deveria ser tributada nos termos da Lei n.° 8.023/90, sendo certo que na hipótese presente a própria Lei n.° 7.713/88, art. 49, exclui os rendimentos da atividade agrícola e pastoril, já que serão tributados na forma da legislação especifica. Colaciona jurisprudência sobre o tema. · ainda que não se consiga comprovar individualmente a origem dos depósitos bancários questionados pela fiscalização, não é possível deixarse de considerar que existem receitas da atividade rural que podem ser comprovadas por documentos hábeis e idôneos, agora juntados aos autos: (a) informe de rendimentos do exercício de 2005 fornecida pela empresa Polenghi Ind. Alim. Ltda. SVM atestando o auferimento de uma receita de R$ 119.727,15 relativa ao fornecimento de leite no ano de 2005 pela Fazenda Boa Vista, inscrição rural 664/0091; (b) informe de rendimentos do exercício de 2005 fornecida pela empresa Polenghi Ind. Alim. Ltda. SVM atestando o auferimento de uma receita de R$ 289.430,29 relativa a fornecimento de leite no ano de 2005 pela Fazenda Olhos D'Agua, inscrição rural 670/0029; (c) declaração de produtor rural da Fazenda Olhos D'Agua, inscrição rural 670/0127, atestando uma receita no ano de 2005 da venda de gado de corte e leite no total de R$ 327.579,66; (d) declaração de Fl. 231DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/01/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 produtor rural da Fazenda Boa Vista, inscrição rural 664/0091, atestando uma receita no ano de 2005 da venda de gado de corte no total de R$ 21.475,00. · sobre a nova base de cálculo apurada deve ocorrer a incidência da multa de ofício de 112,50% na forma do acórdão recorrido. Juntase também aos autos as declarações de ajuste relativas ao Imposto de Renda das Pessoas Físicas dos anoscalendário de 2006, 2007 e 2008, agora apresentadas para efeito de inclusão dos valores declarados no parcelamento da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, e que estabelecem prova subsidiária à formação da convicção de que a atividade rural é a única exercida pela Contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. O recurso é tempestivo, portanto dele conheço. 1. Preliminares 1.1. Obtenção de Extrato Bancário A Contribuinte pleiteia sobrestamento do processo em razão das informações obtidas para fins da autuação terem sido obtidas diretamente pela autoridade fiscal junto às instituições financeiras. Argumenta que a referida matéria encontrase em julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) e como ainda não há decisão acerca do tema, requer o sobrestamento do presente processo administrativo fiscal. Embora a possibilidade de requisição às instituições bancárias já estivesse prevista no art. 197, II do Código Tributário Nacional (CTN), somente com edição da Lei Complementar nº 105/01, regulamentada pelo Decreto nº. 3.724/01 foi autorizado à Receita Federal do Brasil a proceder à solicitação de informações bancárias junto às instituições financeiras no âmbito do processo administrativo fiscal, sem prévia autorização judicial. Confirase: “Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: II os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras;” “Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária.” Atualmente a matéria está em sede de recurso repetitivo no STF no RE 601.314/SP, min. Ricardo Lewandowski, pendente de julgamento. Nesta senda, uma vez que o art. 6º da LC 105/01 encontrase vigente e eficaz, improcedente o pleito da Contribuinte quanto à violação do direito a privacidade e o sigilo de dados garantido no art. 5º da CRFB/88, não cabendo o sobrestamento do presente processo administrativo. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/01/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10640.005047/200843 Acórdão n.º 2201002.291 S2C2T1 Fl. 5 7 Desta feita, rejeito a preliminar. 1.2. Desistência do Parcial do Recurso Na petição de fls. 179, autuada em 12/12/2010, a Contribuinte requer a desistência parcial do Recurso Voluntário interposto para possibilitar o parcelamento previsto nos art. 1º a 13 da Lei nº 11.941/09. Entretanto, não resta claro na petição juntada aos autos pela Contribuinte sobre qual parcela do Recurso Voluntário está desistindo, e nem qual valor inscreveu no parcelamento previsto na Lei nº 11.940/09, requisito necessário, na forma do art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº. 6/09, já que a requisição do benefício fiscal importa em confissão de dívida. Frisese que a desistência parcial do Recurso Voluntário somente será considerada se o débito objeto da desistência for passível de distinção dos demais débitos discutidos: “Art. 13. Para aproveitar as condições de que trata esta Portaria, em relação aos débitos que se encontram com exigibilidade suspensa, o sujeito passivo deverá desistir, expressamente e de forma irrevogável, da impugnação ou do recurso administrativos ou da ação judicial proposta e, cumulativamente, renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundam os processos administrativos e as ações judiciais, até 30 (trinta) dias após o prazo final previsto para efetuar o pagamento à vista ou opção pelos parcelamentos de débitos de que trata esta Portaria § 3º A desistência de impugnação ou recurso administrativos deverá ser efetuada mediante petição dirigida ao Delegado da Receita Federal de Julgamento ou ao Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme o caso, devidamente protocolada na unidade da RFB do domicílio tributário do sujeito passivo, no prazo previsto no caput, na forma do Anexo I . § 4º Somente será considerada a desistência parcial de impugnação e de recurso administrativos interpostos ou de ação judicial, se o débito objeto de desistência for passível de distinção dos demais débitos discutidos na ação judicial ou no processo administrativo.” A Contribuinte aparenta requerer nessa petição (desistência parcial do Recurso Voluntário) que a base de cálculo do lançamento seja reajustada com vistas a contemplar as provas colacionadas ao processo, de forma que autuação tenha como base não a omissão de rendimentos bancários, mas sim a tributação de rendimentos oriundos da atividade rural. E, uma vez ajustada a base de cálculo, conforme pleito da Contribuinte, que seja mantida a multa agravada de 112,5%, conforme decisão da DRJ e que esse crédito tributário “ajustado” seja incluído no parcelamento da Lei nº 11.941/09. Em face do pleito da Contribuinte, pairam dúvidas inclusive quanto à própria inscrição do crédito tributário em questão no parcelamento da Lei nº 11.941/09, uma vez que: · Na conclusão a Contribuinte aparenta aguardar que a presente Corte Administrativa delimite qual seria a parcela não contenciosa para então proceder a inscrição do referido crédito no benefício fiscal: Fl. 233DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/01/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 “Assim sendo, solicita aos Eminentes Conselheiros que, dando provimento ao Recurso Voluntário na forma do ADITAMENTO ora apresentado, e depois de desmembradas as parcelas não contenciosas para efeito de parcelamento, cancelem o crédito tributário recorrido determinando o arquivamento do presente processo.” · Sem a delimitação da base de cálculo da incidência tributária, não há como aplicar a multa de 112,5% para saber qual valor deveria ser inserido no parcelamento previsto pela Lei nº 11.941/09, que já deve ter sido pleiteado uma vez que o prazo para requisição era até dia 30/11/2009 (art. 12 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 06/09). “Art. 12. Os requerimentos de adesão aos parcelamentos de que trata esta Portaria ou ao pagamento à vista com utilização de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas da CSLL, na forma do art. 28, deverão ser protocolados exclusivamente nos sítios da PGFN ou da RFB na Internet, conforme o caso, a partir do dia 17 de agosto de 2009 até as 20 (vinte) horas (horário de Brasília) do dia 30 de novembro de 2009, ressalvado o disposto no art. 29.” · O documento de fls. 205, no campo dos créditos de exigibilidade suspensa, aponta que se encontra em consolidação os créditos decorrente da aplicação da Lei nº 11.941/09, mas não há identificação sobre a quais processos se relacionam. De acordo com o disposto no artigo 78 do Regulamento Interno do CARF (RICARF), contribuinte poderá desistir do recurso a qualquer tempo. Também é facultado ao contribuinte desistência parcial do recurso, desde que haja identificação clara da matéria sobre a qual a desistência ocorre. No caso em questão, haja vista os fatos anteriormente narrados, verificase que a desistência do recurso é condicionada a uma decisão futura do colegiado do CARF. Desta feita, em face da impossibilidade jurídica de um pedido de desistência de recurso condicionado, entendo que o pedido da Contribuinte é inepto. Ademais, quando da análise dos autos, verificase que o referido pedido de desistência parcial do recurso foi autuado incorretamente, sem a identificação do agente que efetuou a autuação (fls. 219) e sem a observância dos requisitos formais para a juntada de petição dessa natureza. Assim, tendo em vista que a peça de desistência parcial do recurso foi autuada em desalinho com os requisitos legais entendo nula a desistência parcial do recurso, bem como os andamentos processuais posteriores à juntada da referida peça. 2. Mérito 2.1. Omissão de receita Além de pleitear a desistência parcial do Recurso Voluntário, na petição apresentada, a Contribuinte também junta documentação no intuito de comprovar que os depósitos bancários são oriundos de atividade rural e nesse sentido, pleiteia a tributação específica. A Contribuinte busca seu reconhecimento como produtora rural para que lhe seja aplicado o arbitramento da base de cálculo do Imposto de Renda decorrente da atividade rural na forma do art. 60, §2º do Decreto 3.000/99: Fl. 234DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/01/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10640.005047/200843 Acórdão n.º 2201002.291 S2C2T1 Fl. 6 9 “Art.60. O resultado da exploração da atividade rural será apurado mediante escrituração do Livro Caixa, que deverá abranger as receitas, as despesas de custeio, os investimentos e demais valores que integram a atividade (Lei nº 9.250, de 1995, art. 18). § 2º A falta da escrituração prevista neste artigo implicará arbitramento da base de cálculo à razão de vinte por cento da receita bruta do anocalendário (Lei nº 9.250, de 1995, art. 18, § 2º).” A Contribuinte, no Recurso Voluntário, junta aos autos uma série de documentos de diversos anos, que não são objeto do presente procedimento administrativo fiscal como: Declaração de Produtor Rural; Guias de Trânsito Animal; Notas Fiscais Avulsas de Produtor. A Contribuinte não comprova a origem dos depósitos bancários, assim, busca argumentar, com base na jurisprudência do CARF, que obtém rendimentos exclusivamente da atividade rural o que acarretaria uma presunção de que estes depósitos não comprovados apurados pela fiscalização são decorrentes desta atividade, e por consequência tais valores estariam sujeitos à tributação específica para atividade rural na forma do art. 60, §2º do Decreto 3.000/99. Os documentos trazidos pela Contribuinte demonstram que o seu consorte exerce atividade rural, todavia não comprovam a exclusividade da atividade. Nas DIRPFs dos exercícios seguintes a Contribuinte declara exclusivamente rendimentos de atividade rural, todavia as referidas declarações de ajuste anual foram entregues em 26.11.09, data posterior à ciência do auto de infração lavrado em face da Contribuinte (11.12.08). Neste diapasão as referidas declarações de ajuste anual carecem de confiabilidade para comprovar fatos pretéritos a elas e objeto de fiscalização fiscal. Neste esteio, o fato de a atividade preponderante do contribuinte ser a atividade rural não permite concluir que os depósitos existentes em sua conta referemse a esta mesma atividade. Para tanto, é necessário que o contribuinte faça prova de que tais valores transitaram em suas contas bancárias. Entretanto tais provas não foram produzidas, tendo a Contribuinte se preocupado em comprovar o exercício da atividade rural e não a comprovação da origem dos depósitos exigida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96, que se provenientes da atividade rural lhes seriam aplicado o art. 60, §2º do Decreto nº 3.000/99, na forma do §2º do art. 42 da Lei nº. 9.430/96: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.” Isto posto entendese improcedente o pleito da Contribuinte para aplicação do art. 60, § 2º do Decreto nº 3.000/99, pois não comprovou a origem dos depósitos bancários mantémse, portanto, a autuação quanto a omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Em pedido alternativo, a Contribuinte pleiteia o abatimento da base de cálculo na metade dos valores das receitas de atividade rural que constam dos documentos Fl. 235DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/01/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 colacionados pela Contribuinte: a) informe de rendimentos do exercício de 2005 fornecida pela empresa Polenghi Ind. Alim. Ltda. SVM atestando o auferimento de uma receita de R$ 119.727,15 relativa a fornecimento de leite no ano de 2005 pela Fazenda Boa Vista, inscrição rural 664/0091; b) informe de rendimentos do exercício de 2005 fornecida pela empresa Polenghi Ind. Alim. Ltda. SVM atestando o auferimento de uma receita de R$ 289.430,29 relativa a fornecimento de leite no ano de 2005 pela Fazenda Olhos D'Agua, inscrição rural 670/0029; c) declaração de produtor rural da Fazenda Olhos D'Agua, inscrição rural 670/0127, atestando uma receita no ano de 2005 da venda de gado de corte e leite no total de R$ 327.579,66; d) declaração de produtor rural da Fazenda Boa Vista, inscrição rural 664/0091, atestando uma receita no ano de 2005 da venda de gado de corte no total de R$ 21.475,00. A Contribuinte não correlacionou as referidas receitas aos depósitos questionados no auto de infração, logo, não há como concluir que os depósitos sob exame são provenientes dos rendimentos que a Contribuinte juntou aos autos. 2.2. Multa Agravada A 4º Turma DRJ/JFA retirou a qualificação da multa de oficio reduzindo a multa de 150% para 75%, mas manteve a multa agravada (50%) prevista no §2º do art. 44 da Lei nº 9.430/96 em virtude da inércia da Contribuinte frente às intimações da fiscalização, o que acarretou uma multa total de 112,5%. “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. Quanto ao agravamento da multa em 50% pelo não atendimento às intimações, não entendo cabível em razão de ausência de prejuízo ao Fisco da inércia da Contribuinte devido à presunção legal que corre em seu favor, e contra o contribuinte, na forma do art. 42 da Lei nº 9.430/96. A aplicação da referida multa justificase quando a inércia do contribuinte acarreta prejuízo ou embaraço ao fisco na apuração do crédito tributário. Na hipótese de depósitos bancários não justificados o lançamento inicial já pressupõe que tais valores são rendimentos omitidos pelo contribuinte, incumbido, ao mesmo, fornecer documentos à fiscalização para ilidir a referida presunção demonstrando que os referidos depósitos não representam disponibilidade econômica, ou que já foram oferecidos à tributação ou que estariam amparados por regime especial de tributação. Desta feita, afastase multa de 50% prevista no §2º do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Conclusão Fl. 236DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/01/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10640.005047/200843 Acórdão n.º 2201002.291 S2C2T1 Fl. 7 11 Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de rejeitar a preliminar de sobrestamento do julgamento do recurso, declarar a nulidade do Pedido de Desistência do Recurso e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desagravar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 21/01/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 19515.006251/2009-72
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Dec 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO.
O Recurso Voluntário deve ser interposto no prazo previsto no art. 33 do Decreto no 70.235/1972. A inobservância deste preceito acarreta o não conhecimento do recurso apresentado.
Numero da decisão: 3403-002.529
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso, por intempestivo.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO. O Recurso Voluntário deve ser interposto no prazo previsto no art. 33 do Decreto no 70.235/1972. A inobservância deste preceito acarreta o não conhecimento do recurso apresentado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1530; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 577 1 576 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.006251/200972 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403002.529 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 22 de outubro de 2013 Matéria AICOFINS Recorrente FRIGONOVA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2003, 2004, 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO. O Recurso Voluntário deve ser interposto no prazo previsto no art. 33 do Decreto no 70.235/1972. A inobservância deste preceito acarreta o não conhecimento do recurso apresentado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso, por intempestivo. Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 62 51 /2 00 9- 72 Fl. 578DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN 2 Versa o presente sobre Auto de Infração (fls. 157 a 1621) para exigência de COFINS, em virtude da falta de declaração e recolhimento de débitos relativos aos períodos de 01/2003 a 01/2004 (regime cumulativo) e 02/2004 a 12/2005 (regime não cumulativo). O crédito tributário exigido, composto de principal, multa agravada de 112,50% e juros de mora (calculados até 30/12/2008), perfaz o montante de R$ 22.589.821,27. No Termo de Verificação Fiscal que acompanha a autuação (fls. 136 a 145), narrase que: (a) o sujeito passivo foi intimado e reintimado por diversas vezes a apresentar documentos e livros, tendo sido lavrados diversos termos de embaraço à fiscalização, pelo não atendimento das intimações; (b) no estabelecimento da empresa foi constatado que havia simples escritório administrativo; (c) a partir da décima intimação, passaram a ser solicitados bens para arrolamento; (d) na 13ª intimação, o contribuinte foi indagado sobre diferença de R$ 87.678.068,10, considerados não comprovados, referente à diferença entre os valores de créditos bancários a comprovar e a receita contabilizada; (e) a fiscalizada estava omissa na entrega das DIPJ (anos 2003 a 2005) ao início da ação fiscal, procedendo à entrega das declarações somente em 05/05/2008, sem que tenha havido entrega das respectivas DCTF; (f) as bases de cálculo da COFINS foram apuradas com base em demonstrativo fornecido pela fiscalizada, em confronto com dados constante da DIPJ; e (g) o agravamento da penalidade foi aplicado tendo em vista que a fiscalizada no início do procedimento incorreu em comportamento tendente a dificultar a ação fiscal. Em sua impugnação (fls. 168 a 214), a empresa alega que: (a) não houve embaraço à fiscalização, tendo a empresa prestado todos os esclarecimentos solicitados pelo fisco; (b) a multa é confiscatória e viola o princípio da proporcionalidade; e (c) a modificação da base de cálculo da COFINS efetuada pela Lei no 9.718/1998 é inconstitucional, e tal contribuição incide sobre o faturamento, o que não abarca o ICMS.. Em 28/04/2010 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 479 a 497), no qual se acorda unanimemente pela improcedência da impugnação, concluindose que: (a) é procedente o lançamento de débitos não declarados nem recolhidos pelo sujeito passivo; (b) com o advento da lei no 9.718/98, a base de cálculo da COFINS passou a abranger a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente da atividade ou da classificação contábil adotada; (c) as decisões do STF no controle difuso de constitucionalidade não vinculam senão as partes litigantes; (d) não compete ao julgador administrativo a análise de questões que versem sobre a constitucionalidade de norma legal regularmente editada; (e) no julgamento de primeira instância, a autoridade administrativa observará apenas a legislação de regência, assim como o entendimento da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos de observância obrigatória, não estando vinculada à jurisprudência judicial existente sobre a matéria; (f) a pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal, bem como os comprovantes dos lançamentos neles registrados, enquanto não prescritos os créditos tributários correspondentes; (g) a relutância contumaz e prolongada em atender às intimações expedidas pela autoridade fiscal caracteriza nitidamente a prática de embaraço à fiscalização, acarretando a lavratura de termo próprio (art. 919 do RIR/99 e art. 33 da lei no 9.430/96); (h) quando infrutífera a tentativa de intimar a empresa por via postal, é perfeitamente legítimo recorrer à intimação por edital, nos termos do art. 23, § 1o, do PAF; (i) a eventual substituição da autoridade administrativa responsável pela fiscalização constitui procedimento de rotina, previsto no art. 9o da Portaria RFB no 11.371/2007; e (h) sempre que o contribuinte deixar de atender, no prazo fixado, intimação para prestar esclarecimentos, ficará sujeito à aplicação de multa agravada. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 579DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 19515.006251/200972 Acórdão n.º 3403002.529 S3C4T3 Fl. 578 3 Após três tentativas frustradas (fl. 506) de cientificar a empresa no endereço informado à RFB, em 15/07/2010, 16/07/2010 e 19/07/2010, foi afixado em 16/08/2010 o Edital no 182/2010 (fl. 508) na unidade da RFB, iniciandose a contagem do prazo de 15 dias a que se refere o inciso IV do § 2o do art. 23 do Decreto no 70.235/1972. Em 14/10/2010 comparece à RFB procurador da autuada, que tem vista do processo (fl. 512). Em 29/10/2010 (fl. 523), atestase que a mesma procuradora da empresa teve acesso ao processo, extraindo cópias. Em 08/11/2010 apresentase Recurso Voluntário (fls. 524 a 571), no qual basicamente reitera a argumentação exposta na impugnação. No despacho de fl. 575, que encaminha o Recurso Voluntário ao CARF, é apontada a intempestividade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Diante da apontada intempestividade do Recurso Voluntário, é de se empreender preliminarmente a análise do tema. Dispõe o art. 23 do Decreto no 70.235/1972: “Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (...) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (...) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (...) § 2o Considerase feita a intimação: (...) Fl. 580DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN 4 IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (...) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (...)” A decisão de primeira instância foi encaminhada para o endereço correspondente ao domicílio do sujeito passivo que consta no cadastro da RFB (Av. Japão, no 843, Jardim Brasil, São Paulo/SP), endereço esse confirmado por toda a documentação carreada ao processo (inclusive a anexada pela recorrente). Sendo infrutífera por três vezes a tentativa, seguiuse a publicação de Edital, na forma do art. 23 supra, computandose o prazo de 15 a partir da data de afixação (16/08/2010). O Decreto no 70.235/1972 estabelece ainda em seus arts. 5o, 33 e 35 que: “Art. 5o Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.” “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (...) Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção.” Esgotado em 31/08/2010, assim, o prazo para interposição do recurso voluntário. É de se destacar que no documento protocolizado a título de recurso voluntário (fls. 524 a 571), em 08/11/2010, sequer se questiona a tempestividade (ou justifica a intempestividade). Inquestionável, assim, a perempção. Considerando o exposto, e configurada a perempção, voto por não conhecer do recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 581DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 19515.006251/200972 Acórdão n.º 3403002.529 S3C4T3 Fl. 579 5 Fl. 582DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ROSALDO TREVISAN
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