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Numero do processo: 10435.722051/2009-86
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Dec 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVA DE IRPJ/CSLL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO. IRRELEVÂNCIA.
Não se reconhece o crédito a título de pagamento indevido de estimativa de IRPJ/CSLL, quando ele se esgota na quitação da antecipação, ainda que seja apurado saldo negativo ao final do período.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVA DE IRPJ/CSLL. RECOLHIMENTO FEITO APÓS ENCERRAMENTO DO PERÍODO. REPETIÇÃO. DESCABIMENTO. OBRIGAÇÃO NATURAL.
Tal qual a dívida prescrita e a obrigação natural a estimativa de IRPJ/CSLL após o encerramento do período são inexigíveis juridicamente, mas, uma vez quitadas, não cabe repetição, o que impede a utilização do pagamento da estimativa como crédito na compensação, quando ele se esgota na quitação da antecipação, descaracterizando o caráter indevido do pagamento.
Numero da decisão: 1801-001.783
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Roberto Massao Chinen - Relator
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Leonardo Mendonça Marques, Maria de Lourdes Ramirez e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: ROBERTO MASSAO CHINEN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVA DE IRPJ/CSLL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO. IRRELEVÂNCIA. Não se reconhece o crédito a título de pagamento indevido de estimativa de IRPJ/CSLL, quando ele se esgota na quitação da antecipação, ainda que seja apurado saldo negativo ao final do período. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVA DE IRPJ/CSLL. RECOLHIMENTO FEITO APÓS ENCERRAMENTO DO PERÍODO. REPETIÇÃO. DESCABIMENTO. OBRIGAÇÃO NATURAL. Tal qual a dívida prescrita e a obrigação natural a estimativa de IRPJ/CSLL após o encerramento do período são inexigíveis juridicamente, mas, uma vez quitadas, não cabe repetição, o que impede a utilização do pagamento da estimativa como crédito na compensação, quando ele se esgota na quitação da antecipação, descaracterizando o caráter indevido do pagamento.
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CRÉDITO DE PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVA DE IRPJ/CSLL. NÃO CARACTERIZAÇÃO. APURAÇÃO DE SALDO NEGATIVO. IRRELEVÂNCIA. Não se reconhece o crédito a título de pagamento indevido de estimativa de IRPJ/CSLL, quando ele se esgota na quitação da antecipação, ainda que seja apurado saldo negativo ao final do período. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PAGAMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVA DE IRPJ/CSLL. RECOLHIMENTO FEITO APÓS ENCERRAMENTO DO PERÍODO. REPETIÇÃO. DESCABIMENTO. OBRIGAÇÃO NATURAL. Tal qual a dívida prescrita e a obrigação natural a estimativa de IRPJ/CSLL após o encerramento do período são inexigíveis juridicamente, mas, uma vez quitadas, não cabe repetição, o que impede a utilização do pagamento da estimativa como crédito na compensação, quando ele se esgota na quitação da antecipação, descaracterizando o caráter indevido do pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 72 20 51 /2 00 9- 86 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Roberto Massao Chinen Relator Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Leonardo Mendonça Marques, Maria de Lourdes Ramirez e Ana de Barros Fernandes. Relatório Trata o processo de Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n° 34041.49144.200807.1.3.043588, às fls. 02/06, em que foram declarados crédito de pagamento de estimativa de IRPJ (código 2089) do período 11/2001, pago em 18/10/2002, no valor originário de R$ 841,96, e débitos de estimativa de CSLL do período 11/2003. Por meio do despacho decisório de fls. 35/37, emitido em 16/12/2009, a DRF/Sete Lagoas não homologou a compensação. Foi interposta manifestação de inconformidade, que foi julgada improcedente pela DRJ/Belo Horizonte, conforme acórdão de fls. 75/81, prolatado em 30/08/2012, sendo mantida a decisão de não homologação. Cientificada da decisão em 10/12/2012, conforme AR de fl. 83, tempestivamente, em 09/01/2013, o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário de fls. 85/94, que se resume a seguir: a. Destaca que contencioso administrativo orientase pelo princípio da verdade material, por meio do qual a autoridade tributária, por exemplo, ao analisar as discussões acerca dos procedimentos de compensação e, por conseguinte, da higidez do direito de crédito, deve se pautar pela ampla e irrestrita apreciação dos fatos e das provas carreadas ao processado, com a mitigação dos formalismos, como sedimentado na jurisprudência do CARF; b. Alega ser incontroverso, porque admitido no despacho decisório de nãohomologação da compensação e na própria decisão recorrida, que a Recorrente efetuou o recolhimento da estimativa mensal da competência de novembro/2001 do IRPJ em 18 de outubro de 2002 no valor de R$ 629,60, ou seja, após o encerramento do ano base de 2001 e, por inferência lógica, a apuração da aludida contribuição social efetivamente devida com base no lucro real; c. Afirma que recolheu em excesso as antecipações das estimativas mensais (R$ 35.391,92), tendose em consideração o valor devido ao final do respectivo anobase (R$ 32.391,92), dando ensejo à formação de saldo negativo do IRPJ no importe de R$ 2.969,02 (cinco mil e novecentos e setenta reais e quarenta e sete centavos); d. Pondera que disto resulta que o recolhimento da estimativa do IRPJ da competência de novembro/2001 em 18 de outubro de 2002representa indiscutível pagamento indevido e, pois, indébito tributário passível de compensação, uma vez que compõe o excesso de recolhimento das aludidas antecipações efetuadas no anobase de 2001 acima apontado e apenas recolhido aos cofres públicos tardiamente, ou melhor, em 18 de outubro de 2002; e. Argumenta que o indevido recolhimento realizado em 18 de outubro de 2002 mostrouse absolutamente desnecessário, haja vista que, encerrado o anobase de 2001, com a apuração do valor de IRPJ com fincas no lucro real já se confirmara o excesso das antecipações mensais ante a apuração anual e final. E corrobora a natureza de indébito deste montante o entendimento consagrado na jurisprudência administrativa de que, encerrado o período de apuração, descabe o lançamento de ofício, como sedimentado no verbete sumular Fl. 101DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10435.722051/200986 Acórdão n.º 1801001.783 S1TE01 Fl. 3 3 aprovado na sessão de 10 de dezembro de 2012 pela Primeira Turma da egrégia CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS. E que a situação retratada no presente contencioso administrativo, exige a aplicação do mesmo posicionamento no tocante à lançamento de multa isolada, como sedimentado no âmbito desta Corte Administrativa; f. Aduz que a caracterização como indébito do recolhimento de IRPJ em apreço se deve ao fato de ter sido efetuado em 18 de outubro de 2002, quando já apurado o tributo devido nos parâmetros do lucro real e, por conseguinte, conhecido que o pagamento efetuado excedia o montante devido a tal importante. De tal sorte que, outra vez mais, o raciocínio expendido pela Recorrente encontra respaldo na Solução de Consulta Interna n° 19, de 05 de dezembro de 2011; g. Entende ser indene de dúvidas que o recolhimento da estimativa de IRPJ da competência de novembro/2001 em 18 de outubro de 2002, configura pagamento a maior/indevido, sendo passível de repetição, com esteio nos artigos 165, inciso I e 168 inciso I do CTN, inclusive com a incidência da taxa SELIC, como assentado na jurisprudência do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS; h. Anota que, na sistemática do IRPJ de estimativa1 mensal, portanto, o pagamento em referência foi realizado após o fim do exercício fiscal de 2001, não podendo, em razão disso, ser tratado como um pagamento antecipado por estimativa. Não havia o quê se estimar, de modo que o referido pagamento somente pode ser tido como pagamento indevido, nos termos da Solução de Consulta Interna n° 19/2011, e que constitui norma de natureza tributária a ser observada pela administração fazendária, a teor do art. 100, III, do CTN. Logo, não resta dúvida de que o valor pago a título de estimativa de IRPJ referente à competência de novembro de 2001 em 18 de outubro de 2002 foi indevido. O ano calendário havia já se encerrado e a Recorrente não apenas encontravase plenamente regular perante o Fisco, como tinha valores a dele receber, valores estes, aliás, muito superiores ao do indébito em voga; i. Conclui que, ao contrário da conclusão assentada na decisão exarada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte, o prazo prescricional correlato somente se extinguiria daí a 05 (cinco) anos, logo na data de 18 de outubro de 2007. Como em 20 de agosto de 2007, anteriormente ao decurso do mencionado prazo, a Recorrente, segundo já relatado, transmitiu eletronicamente a Declaração de Compensação n° 34041.49144.200807.1.3.043588, o seu direito de crédito ainda era suscetível de ser apropriado por aproximadamente mais 04 (quatro) meses. Em que pese o entendimento manifesto na decisão administrativa ora recorrida, o prazo de 05 (cinco) anos para a repetição de indébito, expresso nos arts. 165, I, e 168, I, do CTN, não se perfez. A decisão ora impugnada, portanto, deve ser reformada. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Massao Chinen, Relator. Conheço do recurso interposto, por tempestivo. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Mérito. Inicialmente, convém mencionar a existência de diversos processos do mesmo contribuinte tratando do mesmo fato, qual seja, a compensação com crédito de pagamento indevido de estimativas de IRPJ ou CSLL do mesmo ano calendário de 2001. Esses processos foram distribuídos para julgamento nesta Primeira Turma Especial da Terceira Câmara da Primeira Seção do CARF. Como a solução do litígio é a mesma, opto por julgar todos esses processos, concomitantemente. PER/DCOMP PROCESSO PERÍODO DE APURAÇÃO MOTIVO DA SITUAÇÃO DA DECLARAÇÃO GRUPO DE TRIBUTO 34053.30745.200807 .1.3.046228 10435.722052/200921 11/2001 INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO IRPJ 02583.36356.200807 .1.3.048052 10435.722050/200931 11/2001 INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO IRPJ 09573.07503.200807 .1.3.046403 10435.721965/200920 11/2001 INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO CSLL 34041.49144.200807 .1.3.043588 10435.722051/200986 11/2001 INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO IRPJ 10555.89488.220807 .1.3.041652 10435.722024/200911 11/2001 INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO CSLL Verificase que a DRF de origem não homologou a compensação sob a justificativa de que o indigitado pagamento compôs o valor de estimativa de IRPJ do período novembro de 2001, que foi apurado na DIPJ/2002 no valor total de R$ 10.087,30. A autoridade administrativa também informou que ao final do período a empresa apurou saldo negativo de IRPJ, no valor de R$ 2.969,02, mas que o aproveitamento desse crédito não seria mais possível em vista do transcurso da decadência, já que a declaração de compensação foi transmitida em 20/08/2007, mais de cinco anos, portanto, da data da apuração do crédito. Na impugnação, o contribuinte alegava que havia se equivocado na natureza do crédito, que, em vez de ser pagamento indevido, seria de saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2001. E que a utilização desse crédito em compensação não estaria decaído, por força de decisões do STJ, baseadas na tese dos cinco mais cinco, que ainda seriam aplicáveis para pagamentos indevidamente recolhidos antes da Lei Complementar n° 118/2005. A DRJ refutou esse entendimento, com base em decisão do STF, posteriormente acolhida pelo STJ, no sentido de que o prazo qüinqüenal se aplica para as ações ajuizadas após a entrada em vigor da Lei Complementar n° 118/2005, ainda que os pagamentos tenham sido efetuados anteriormente à vigência da referida lei. Colacionouse o seguinte julgado do STJ: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. ARTIGO 4° DA LC 118/2005. RE N. 566.621/RS. REPERCUSSÃO GERAL. PRAZO PRESCRICIONAL QUINQUENAL. AÇÕES AJUIZADAS APÓS A VIGÊNCIA DA LC N. 118/2005. DIREITO INTERTEMPORAL. AÇÃO AJUIZADA EM DATA POSTERIOR. 1. Os embargos de declaração são cabíveis quando a decisão padece de omissão, contradição ou obscuridade, consoante dispõe o art. 535 do CPC, bem como para sanar a ocorrência de erro material. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10435.722051/200986 Acórdão n.º 1801001.783 S1TE01 Fl. 4 5 2. Os embargos aclaratórios não se prestam a adaptar o entendimento do acórdão embargado à posterior mudança jurisprudencial. Excepcionase essa regra na hipótese do julgamento de recursos submetidos ao rito do artigo 543C do Código de Processo Civil, haja vista o escopo desses precedentes objetivos, concernentes à uniformização na interpretação da legislação federal. Nesse sentido: EDcl no AgRg no REsp 1.167.079/PE, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, Dje 4/3/2011; EDcl na AR 3.701/BA, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, DJe 4/5/2011; e EDcl.nos EDcl nos EDcl nos Edcl no REsp.790.318/RS, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, Dje 25/5/2010. 3. Pelas mesmas razões, estendese esse entendimento aos processos julgados sob o regime do artigo 543B do Código de Processo Civil. 4. O Supremo Tribunal Federal, ao reconhecer a repercussão geral da matéria no RE 566.621/RS, proclamou que o prazo prescricional de cinco anos, previsto na Lei Complementar n. 118/20005, somente se aplica às ações ajuizadas após 9.6.2005. 5. Na espécie, a ação de repetição de indébito foi ajuizada em 13.1.2010, data posterior à vigência da LC n° 118/2005, sendo aplicável, portanto, o prazo prescricional de cinco anos. 6. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para reconhecer a prescrição das parcelas anteriores ao quinquênio do ajuizamento da ação. (STJ, EDcl no Agravo em REsp 8.122/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, Primeira Turma, julgado em 27/09/2011) No recurso voluntário, a recorrente mudou sua estratégia, e volta a pedir a compensação com crédito de pagamento indevido de estimativa de IRPJ do período 11/2001. O pleito é insubsistente, pois, como já explicou a DRF/Sete Lagoas, no despacho decisório, o pagamento foi utilizado para quitação das estimativas de novembro de 2001. De fato, conforme consta na DIPJ/2002, à fl. 11, o contribuinte apurou suas estimativas com base na receita bruta, e obteve, para o mês de novembro de 2001, o valor de R$ 10.087,30. A relação de pagamentos efetuados pelo contribuinte encontrase às fls. 12/13. Somandose a parcela do principal de todos os pagamentos de estimativas, temse o seguinte demonstrativo: CÓDIGO RECEITA PERÍODO VENCIMENTO DATA ARRECADAÇÃO VALOR PRINCIPAL 5993 Novembro/2001 28/12/2001 19/12/2001 5.133,95 2089 Novembro/2001 28/12/2001 18/10/2002 629,60 2089 Novembro/2001 28/12/2001 25/11/2002 2.161,88 5993 Novembro/2001 28/12/2001 13/12/2002 2.161,88 TOTAL 10.087,30 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 No caso, o pagamento que foi oferecido como crédito da presente Per/Dcomp foi o efetuado na data de 18/10/2002, com valor total de R$ 841,96 e principal de R$ 629,60, que foi totalmente utilizado para quitar a estimativa de IRPJ do período 11/2001, o que derruba a alegação de que teria havido pagamento indevido. Na peça de defesa a recorrente argumenta que o recolhimento foi desnecessário, porque, encerrado o anobase de 2001, com a apuração do valor de IRPJ com já se confirmara o excesso das antecipações mensais ante a apuração anual e final. Que, conforme entendimento sumulado do CARF, encerrado o período de apuração, descabe o lançamento de ofício. Os argumentos não convencem. O fato de a empresa ter apurado saldo negativo de IRPJ não implica que houve pagamento indevido de estimativa. Tratase de duas grandezas fiscais de naturezas distintas. A estimativa é uma antecipação do tributo, devida em cada mês do ano em que o contribuinte optou pelo regime do lucro real anual. Já o IRPJ apurada ao final do ano é o próprio tributo. Cada uma dessas duas obrigações tem seu próprio regime de apuração e formas de exigibilidade. A estimativa pode ser calculada tanto em função da receita bruta como com base em balancete de redução e suspensão. No caso, o contribuinte optou pela primeira alternativa, que resultou num valor a pagar de R$ 10.087,30. E o imposto devido ao final do ano é calculada na forma da ficha 12 da DIPJ, que leva em conta uma série de deduções, entre elas as estimativas quitadas. Quanto à exigibilidade, enquanto o imposto pode ser constituído de ofício, é certo que a estimativa não comporta essa forma de lançamento, cabendo somente multa isolada pela falta de recolhimento, conforme art. 16 da Instrução Normativa SRF nº 093, de 24/12/1997 e súmula 82 do CARF. Entretanto, a impossibilidade da exigência não induz ao direito de repetição, como pensa equivocadamente a recorrente. O regime de exigibilidade da estimativa guarda nítida semelhança com aquilo que a doutrina denomina de obrigação natural. Em apertada síntese, tratase de obrigações imperfeitas ou incompletas, justamente por lhes faltar o atributo da exigibilidade jurídica; contudo, uma vez pagas espontaneamente pelo devedor, não cabe repetição. O exemplo clássico da obrigação natural é a dívida prescrita, a qual, apesar de o credor estar impossibilitado de cobrála judicialmente, não pode ser restituída se o devedor, espontaneamente, quitoua. Confirase o seguinte trecho doutrinário, da lavra de Sílvio de Salvo VENOSA, que anota que essa figura foi contemplada no Código Civil, em seu artigo 882: As obrigações naturais são obrigações incompletas. Apresentam como características essenciais as particularidades de não serem judicialmente exigíveis, mas, se forem cumpridas espontaneamente, será tido por válido o pagamento, que não poderá ser repetido (há a retenção do pagamento, soluti retentio). [...] A legislação é quase inteiramente omissa quanto ao regime dessa classe de obrigação, o que transporta para a doutrina a missão de fixar seus parâmetros. [...] O atual Código substitui a terminologia obrigação natural por “obrigação juridicamente inexigível” (art. 882). (VENOSA, Sílvio de Salvo. Direito Civil: Teoria Geral das Obrigações e Teoria Geral dos Contratos. São Paulo: Atlas, 2006, 6ª ed. p. 3031). Art. 882. Não se pode repetir o que se pagou para solver dívida prescrita, ou cumprir obrigação judicialmente inexigível. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10435.722051/200986 Acórdão n.º 1801001.783 S1TE01 Fl. 5 7 Tampouco socorre a litigante a Solução de Consulta Interna Cosit n° 19/2011, cuja ementa se transcreve abaixo, que deu natureza interpretativa ao art. 11 da IN RFB n° 900/2008, possibilitando a aplicação retroativa da supressão da vedação da compensação de crédito de pagamento indevido de estimativa de IRPJ e CSLL. Ou seja, é possível oferecer como crédito o pagamento de estimativa, mas, claro, desde que ele seja indevido, o que não é o caso em apreço. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2º e 74; IN SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. CONCLUSÃO. Por todo o exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Roberto Massao Chinen Fl. 106DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES 8 Fl. 107DF CARF MF Impresso em 13/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 09/12/201 3 por ROBERTO MASSAO CHINEN, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 19515.000305/2010-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Feb 06 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2401-000.332
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presente autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Ausente justificadamente a conselheira Carolina Wanderley Landim. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 00 30 5/ 20 10 -2 0 Fl. 900DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.000305/201020 Resolução nº 2401000.332 S2C4T1 Fl. 3 2 RELATÓRIO O presente Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP, lavrado sob o n. 37.171.3439, em desfavor da recorrente, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela destinada a terceiros, levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas na qualidade de empregados, na competência 05/2005. Conforme relatório fiscal, fl. 13 a 15, constituem fatos geradores das contribuições previdenciárias lançadas neste AI, os valores das contribuições apuradas do montante lançado na DIPJ 2006 ANO CALENDÁRIO 2005 ficha 06 A item 48 ( Participações de Empregados ) e folha de pagamento ( SUPERAÇÃO ) apresentada e cujos pagamentos efetuados não foram declarados em GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social. Foi utilizado o código de levantamento SI Base de Cálculo Sem Identificada Nominal e Não Declarada em GFIP. Ainda conforme descrito pelo auditor os motivos pelo qual os valores não foram considerados como PLR (excluídos do conceito de salário de contribuição) é o fato de não estar de acordo com a lei 10.101 de 19/12/2000, Art. 2°. § 1°: Acordo referente ano de 2004 firmado em 01/06/2004, o acordo tem que ser pactuado previamente este foi no meio do ano. 1. Os beneficiários do programa conforme determinado na cláusula quarta e parágrafos primeiro ao sexto do presente acordo não foram identificados na sua totalidade, mesmo sendo solicitado por varias vezes. 2. Nas cláusulas quinta, sexta e parágrafo único e sétima do presente acordo fala em participação nos resultados e é condicionado ao cumprimento de metas e o indicador para apuração será o EBITDA, que é calculado considerando o procedimento usual adotado na empresa : Margem Operacional expurgados os Valores da Depreciação, dos Impostos e das Despesas Financeiras e para medição será utilizado valores finais do ano 2004 em comparação com os valores constantes do Planejamento Operacional PO do RCCO Corporativo que será feita pela Diretoria de Finanças e Controle Corporativa, portanto entendendo este auditor que as regras não são objetivas, e fica prejudicada a sua mensuração com base na documentação deficiente apresentada. 3. As cláusulas oitava, nona e parágrafo único falam em valor do prêmio, base de pagamento usando média de comissões, horas extras, que ficaram impossibilitadas de análise visto que não foram apresentadas as folhas de pagamento com os referidos cálculos e valores motivo pelo qual foram lavrados Ais CFL 30 e 35. 4. Já na cláusula décima primeira é mencionado GRUPO ESPECIAL que também não foram identificados na sua totalidade mesmo sendo a empresa notificada por varias vezes conforme TIFs anexas. 5. 4. A empresa apresentou vários arquivos, planilhas, folhas de pagamento, ( ano 2006 ou sem a verba de participação nos resultados paga em 2005 referente ao acordo de 2004 ) em diversos momentos porém sempre sem informar, esclarecer e justificar através de documentos os valores que deram origem e identificando nominalmente o montante de Fl. 901DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.000305/201020 Resolução nº 2401000.332 S2C4T1 Fl. 4 3 R$ 1.314.172,96 lançado na DIPJ 2006 ANO CALENDÁRIO 2005 ficha 06 A item 48 como Participações de Empregados, mesmo sendo notificada especificamente para isso. Destacase que realizou a autoridade fiscal o comparativo entre a multa mais benéfica, considerando que o AI foi lavrado já na vigência da MP 449, convertida na lei 11.941/2009. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 19/02/2010, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido dia 22/02/2010. Não conformada com a autuação, foi apresentada defesa pela autuada, fls. 160 a 201. Foi exarada a Decisão de primeira instância que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 557 a 587. ASSUNTO: O U T R O S TRIBUTOS O U CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/05/2005 a 31/05/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PARCELAS INTEGRANTES. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS DA EMPRESA EM DESACORDO COM A LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. Considerase saláriodecontribuição, para o empregado, a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma. O pagamento a segurado empregado de participação nos lucros ou resultados da empresa, em desacordo com a lei específica, integra o salário de contribuição. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO. LIMITES. A competência da Justiça do Trabalho limitase a determinar o recolhimento das contribuições previdenciárias provenientes das sentenças condenatórias em pecúnia que proferir, e dos valores objeto de acordo homologado, que integrem o saláriodecontribuição. I Nos casos extrajudiciais, é indiscutível a competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil j (RFB) para apuração e cobrança das contribuições previdenciárias e devidas a Terceiros, dado o caráter de que se reveste a atividade administrativa do lançamento, que é vinculada e obrigatória. TERCEIROS. SALÁRIO EDUCAÇÃO. SEBRAE. INCRA. SESC O salário educação previsto no art. 212, § 5o da Constituição Federal é devido pelas empresas, calculado com base na alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título aos segurados empregados, de acordo com a Lei 9.424/96 e Lei n° 9.766/98. O Supremo Tribunal Federal reconheceu sua constitucionalidade através da súmula n.° 732 do Supremo Tribunal Federal. Fl. 902DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.000305/201020 Resolução nº 2401000.332 S2C4T1 Fl. 5 4 Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 597 a 644. Em síntese, a recorrente repete as mesmas alegações já apresentadas em sua impugnação, quais sejam: 6. Preliminarmente, Indica erro na sujeição passiva, já que o AI foi lavrado contra pessoa jurídica extinta desde 31.12.2007, conforme demonstrado por meio do cartão CNPJ. É entendimento pacífico desde Conselho que não pode ser lançado débito contra pessoa extinta, conforme acordão CSRF/0105.352 e outros que cita. 7. No mérito, afirma que mesmo estando regulares os procedimentos por ela adotados foram lavrados nesta ação fiscal 09 autos de infração, discriminandoos às fls. 165/166. 8. Considerando os critérios estabelecidos na lei, frisese que a empresa cumpriu todos os critérios, quais sejam: 8.1. O acordo de PLR da recorrente resultou de negociação entre empresa e seus funcionários, havendo representante sindical da categoria. Todas as partes assinaram devidamente o acordo, tendo o mesmo sido arquivado na entidade sindical. 8.2. Está claro que o acordo cumpriu também as exigências quanto a fixação dos direitos substantivos e regras adjetivas, onde deverão constar nas regras mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo. (cláusulas de quinta a décima segunda). 8.3. Foi devidamente arquivado no sindicato conforme documento 10 da impugnação. 8.4. Não substitui, nem complementa a remuneração devida a qualquer empregado, considerando que o pagamento deuse n ano de 2005 em uma única vez, sem modificar a remuneração devida, inclusive sendo pago no mesmo momento do salário de abril. 8.5. Foi observada a periodicidade de um semestre civil, como determina a lei. 8.6. Não houve impasse, já que o acordo foi devidamente assinado por todas as partes envolvidas. 8.7. Quanto ao momento em que tem que ser firmado, entende a Câmara superior de Recursos Fiscais que há obrigatoriedade legal de se acordar antes do fim do período a que se refere o acordo, como ocorreu no presente caso. 8.8. Por fim, quanto individualização dos funcionários argumenta que a lei em momento algum exige a individualização de metas, razão pela qual a exigência da fiscalização quanto a identificação dos beneficiários. Ou seja, resta demnostrado quem são os beneficiários do plano: todos os empregados da recorrente e seus estagiários sem discriminação alguma. 9. Quanto a desconformidade da GFIP, é obvio que só se declara em GFIP valores passíveis de tributação. Fl. 903DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.000305/201020 Resolução nº 2401000.332 S2C4T1 Fl. 6 5 10. Transcreve o art. 28, I, da lei 8.212/91 que conceitua o salário de contribuição, salientando que o legislador reconhece como tal o montante dos valores auferidos pelo trabalhador como contraprestação do trabalho por ele prestado e de forma habitual, independente de sua espécie, sendo tal montante a base de cálculo das contribuições previdenciárias, sendo que no §9° deste mesmo dispositivo legal estão discriminadas verbas que não compõe o salário de contribuição, pois tendo em vista sua natureza, não representam remuneração pela trabalho desenvolvido. Esse o caso da PLR (art.28, §9°, "j"). 11. Quanto à PLR, por ser um direito constitucional do trabalhador previsto no art. 7o , XI, da CF, de maneira alguma poderá ser suprimido, e não há que se falar em incidência de qualquer encargo fiscal. Explicitando o objetivo constitucional de proteção ao trabalhador e desoneração das verbas a ela destinadas a título de PLR, transcreve doutrina a respeito. 12. Diante do exposto, resta demonstrado que não há incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos aos funcionários a título de PLR, pois não há amparo constitucional para a manutenção desta Autuação, mormente porque os valores em questão não trazem os requisitos necessários ao seu enquadramento na classe das remunerações sujeitas ao saláriodecontribuição, que são (i) habitualidade, (ii) periodicidade, (iii) regularidade e (iv) contraprestação pelo trabalho. 13. Ressalta que a contribuição ao GILRAT não poderia ter sido instituída com base na competência residual da União Federal de criar outras fontes de custeio para o financiamento da Seguridade Social,competência essa, expressamente, prevista no artigo 195, § 4 o , da Constituição Federal, cujo dispositivo, apenas pode ser utilizado se observado o disposto no artigo 154, inciso I, também, da Carta Magna. A União Federal só pode instituir novos tributos, não expressamente previstos, através da Lei Complementar. 14. Ademais, mesmo que não fossem aceitos os argumentos de inconstitucionalidade da Contribuição ao Seguro de Acidente de Trabalho, a exigência desta contribuição permaneceria indevida, pelo descumprimento dos artigos 195, parágrafo 4°, e 154, inciso I, da Constituição Federal, j á que seu fato gerador e sua base de cálculo são idênticos aos de outra contribuição existente, que é a contribuição previdenciária geral prevista no art. 195 da CF. 15. No presente caso, não há qualquer descrição da Fiscalização em relação ao grau de risco das atividades desempenhadas pela Impetrante, sendo que a tributação destinada ao GILRAT depende de tal classificação, sem a qual, de acordo com o artigo 22, II, da Lei n°8.212/91, não há possibilidade de incidência da alíquota devida. 16. Cita o disposto no § I o do artigo 161 do Código Tributário Nacional e afirma ser indevida a imposição de juros de mora sobre a multa de ofício lançada, e não paga no vencimento, por ausência de previsão legal. Transcreve decisões do Conselho de Contribuintes a respeito. 17. Ademais, mesmo que não fossem aceitos os argumentos de inconstitucionalidade da Contribuição ao Seguro de Acidente de Trabalho, a exigência desta contribuição permaneceria indevida, pelo descumprimento dos artigos 195, parágrafo 4°, e 154, inciso I, da Constituição Federal, j á que seu fato gerador e sua base de cálculo são idênticos aos Fl. 904DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.000305/201020 Resolução nº 2401000.332 S2C4T1 Fl. 7 6 de outra contribuição existente, que é a contribuição previdenciária geral prevista no art. 195 da CF. 18. No presente caso, não há qualquer descrição da Fiscalização em relação ao grau de risco das atividades desempenhadas pela Impetrante, sendo que a tributação destinada ao GILRAT depende de tal classificação, sem a qual, de acordo com o artigo 22, II, da Lei n°8.212/91, não há possibilidade de incidência da alíquota devida. 19. Cita o disposto no § I o do artigo 161 do Código Tributário Nacional e afirma ser indevida a imposição de juros de mora sobre a multa de ofício lançada, e não paga no vencimento, por ausência de previsão legal. Transcreve decisões do Conselho de Contribuintes a respeito. 20. Requer que seja integralmente provido, com a reforma do acordão recorrido, sendo reconhecido o acordo PLR entre a recorrente e os funcionários. É o relatório. Fl. 905DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.000305/201020 Resolução nº 2401000.332 S2C4T1 Fl. 8 7 VOTO Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação constante nos autos, razão pela qual passo as preliminares ao exame do mérito. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO QUANTO A INDICAÇÃO INDEVIDA DO SUJEITO PASSIVO Quanto ao lançamento referirse a pessoa jurídica extinta, notese que ditos argumentos não foram trazidos na impugnação, razão pela qual dita matéria não foi apreciada pelo julgador de primeira instância, tendo sido colacionados argumentos apenas quanto a nulidade do procedimento, pelo incorreta indicação do sujeito passivo na fase recursal. Todavia, a apreciação por parte deste colegiado, só se faz possível quanto a essa matéria, após a manifestação da autoridade fiscal sobre ditos argumentos, uma vez que o recorrente alega que, quando da realização do lançamento, a Pessoa Jurídica TVA, encontrava se extinta pela incorporação. A apreciação dessa matéria, nessa oportunidade, sem que a DRFB tenha a possibilidade de apresentar seus fundamentos, importa violação ao amplo exercício do contraditório e da ampla defesa, razão pela qual deve o processo ser convertido em diligência, a fim de que a autoridade fiscal se manifeste acerca das alegações trazidas pelo recorrente sobre encontrarse a empresa extinta no momento da realização do procedimento fiscal. CONCLUSÃO Face o exposto voto por converter o julgamento em diligência. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 906DF CARF MF Impresso em 06/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/12/2013 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 10380.729734/2011-61
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006, 2007
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. CUMULAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. JURISPRUDÊNCIA DA CSRF. IMPOSSIBILIDADE.
A Jurisprudência da CSRF milita no sentido da impossibilidade de aplicação concomitante de multa de ofício e multa isolada, por incidirem sobre a mesma base de cálculo, nos termos do Acórdão CSRF nº 01-04.987, de 15/6/2004. Multa isolada que se desconstitui.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-002.525
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir a multa isolada, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente
(assinado digitalmente).
Carlos André Ribas de Mello Relator.
EDITADO EM: 19/01/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, justificadamente, o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006, 2007 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. CUMULAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. JURISPRUDÊNCIA DA CSRF. IMPOSSIBILIDADE. A Jurisprudência da CSRF milita no sentido da impossibilidade de aplicação concomitante de multa de ofício e multa isolada, por incidirem sobre a mesma base de cálculo, nos termos do Acórdão CSRF nº 01-04.987, de 15/6/2004. Multa isolada que se desconstitui. Recurso provido.
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CUMULAÇÃO DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. JURISPRUDÊNCIA DA CSRF. IMPOSSIBILIDADE. A Jurisprudência da CSRF milita no sentido da impossibilidade de aplicação concomitante de multa de ofício e multa isolada, por incidirem sobre a mesma base de cálculo, nos termos do Acórdão CSRF nº 0104.987, de 15/6/2004. Multa isolada que se desconstitui. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para excluir a multa isolada, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente (assinado digitalmente). Carlos André Ribas de Mello – Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 97 34 /2 01 1- 61 Fl. 4073DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/ 01/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 EDITADO EM: 19/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Júnior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, justificadamente, o Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (fls.02 e ss. da numeração CARF que doravante passa a ser considerada, já que ausente ou irregular a numeração original nos presentes autos) lavrada em decorrência de revisão de Declaração de ajuste Anual do imposto de Renda referente aos Exercícios 2007 e 2008, Anos Calendário 2006 e 2007, em razão de suposta omissão de rendimentos recebidos de pessoa física, decorrentes de trabalho sem vínculo empregatício. Conforme Termo de Verificação Fiscal (fls.20 e ss.) que acompanha e integra o auto de infração, a autuação originouse de procedimento de fiscalização manejado em face do contribuinte Roney Ribeiro Ponte, em razão de suposta incompatibilidade entre os rendimentos declarados por este e sua movimentação financeira, com base no recolhimento de CPMF, procedimento no qual emergiu a certa altura o nome do contribuinte objeto do presente administrativo. Observese que no conjunto das ações desencadeadas em face de Roney Ribeiro Ponte, consta a expedição pela Fiscalização de Requisição de Movimentação Financeira ao Banco do Brasil (fl.602). Por fim, além da multa de ofício, impôsse ao contribuinte multa isolada no percentual de 50%. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresenta impugnação de fls. 40144015, alegando, em síntese, que deseja pagar o valor principal devido, insurgindose apenas contra a multa isolada, requerendo o “apartamento do referido processo em relação à impugnação da referida multa, para que seja procedido o parcelamento do restante do crédito tributário exigido”. Atendendose ao requerido pelo contribuinte, deuse o apartamento, versando os presentes autos atualmente apenas sobre a imposição da multa isolada. Em 24/11/2009, por meio da petição de fl. 140, o impugnante solicita a juntada de copia da decisão proferida pela 11ª turma desta DRJ SP2 (fls. 141/145), no processo nº 10845.001187/200765. Em julgamento, a 1ª Turma da DRJ/FOR, em sessão realizada no dia 12/01/2012, por unanimidade, julgou procedente o lançamento, ao fundamento de que constitui matéria não impugnada a omissão de rendimentos e a multa de ofício, já transferidas para outro processo administrativo a requerimento do contribuinte; que, em se tratando de rendimentos que estariam sujeitos a recolhimento através de carnêleão, a imposição da multa isolada teve fundamento no artigo 44, §1o, inciso III, da Lei n. 9430/1996, aplicável a fatos geradores ocorridos nos anos de 2006 e 2007, não se vislumbrando ilegalidade; cita ainda os termos a Instrução Normativa SRF 46/1997, no mesmo sentido; que no caso presente, a multa isolada apenou, nos termos das normas supra, o não recolhimento do imposto mensal e a multa de ofício, aplicada com base no inciso II, do mesmo artigo antes referido, incidiu sobre o imposto suplementar apurado da declaração de ajuste. Fl. 4074DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/ 01/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10380.729734/201161 Acórdão n.º 2802002.525 S2TE02 Fl. 4.074 3 Cientificado da supramencionada decisão, o contribuinte tempestivamente interpôs Recurso Voluntário, a fl. 4047 e ss., atacando a decisão exarada pela DRJ e, revolvendo os argumentos esgrimidos em sua impugnação, irresignase exclusivamente quanto à imposição da multa isolada por falta de antecipação do IRPF, sob a afirmação de que há bis in idem, na imposição de duas multas com idêntica base de cálculo. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. O recurso deve ser recebido, por tempestivo, naquilo que constitui o seu objeto, isto é, a irresignação quanto à manutenção da imposição de multa isolada. De fato, reiteradas decisões do CARF estabelecem que é vedada a cumulação de multa de ofício e multa isolada no período objeto do lançamento impugnado, por incidirem sobre a mesma base de cálculo, desde que verificada a concomitância quando do lançamento de ofício, nos termos do que decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão CSRF nº 0104.987, de 15/6/2004. Isto posto, dou provimento ao recurso, tão somente para excluir do lançamento a imposição da multa isolada. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 4075DF CARF MF Impresso em 03/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 19/ 01/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.723457/2010-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não pode ser acolhida preliminar de nulidade, por suposta falta de indicação do diploma legal infringido, com fundamento no inciso IV do art. 10 do decreto n.o 70.235/72, quando minuciosamente, o lançamento descreve as razões e fatos que considera infrações à legislação fiscal, dando conhecimento da sua origem e permitindo ao contribuinte a ampla defesa.
REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE.
O lançamento fiscal bem coloca a questão, e sobre ela, em todas as fases do processo, foi assegurada oportunidade de contestação pela Recorrente. Os valores pagos, diferenciando aqueles efetuados a pessoas físicas e jurídicas, assim como a existência da SCP constituem pontos que estão amplamente contestados, com elementos suficientes nos autos, não vislumbrando com isto, razões para a realização de perícia.
DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DO PRAZO DO ART. 173, I DO CTN.
Não prospera alegação do Recorrente, favorável à aplicação do prazo decadencial previsto no par. 4o do art. 150 do CTN, em função de eventual recolhimento de imposto de renda pelas pessoas físicas, apurado em suas respectivas DIRPF, não só em função da falta de comprovação do mesmo, assim como, notadamente, pelo falto de não ser objeto do lançamento.
SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SIMULAÇÃO.
No direito tributário, o conteúdo prevalece sobre a forma. Se o conteúdo fático não guarda qualquer simetria com a relação societária que se tentou desenhar, é caso de simulação. As Sociedades em Conta de Participação estão regidas pelas disposições específicas do Código Civil; dentre as quais há a proibição de os sócios participantes prestarem serviços em nome da Sociedade em Conta de Participação. Presente a simulação, é devida a multa agravada, em percentual de 150%.
Numero da decisão: 2102-002.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares e não reconhecer o pedido decadencial. Nas demais questões de mérito, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso, mantendo a exação fiscal. Vencido o Conselheiro Atilio Pitarelli (relator), que dava provimento ao recurso nas demais questões de mérito, cancelando o lançamento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Assinado digitalmente
JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
Presidente na data da formalização
Assinado digitalmente
ATILIO PITARELLI
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Nubia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: ATILIO PITARELLI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não pode ser acolhida preliminar de nulidade, por suposta falta de indicação do diploma legal infringido, com fundamento no inciso IV do art. 10 do decreto n.o 70.235/72, quando minuciosamente, o lançamento descreve as razões e fatos que considera infrações à legislação fiscal, dando conhecimento da sua origem e permitindo ao contribuinte a ampla defesa. REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. O lançamento fiscal bem coloca a questão, e sobre ela, em todas as fases do processo, foi assegurada oportunidade de contestação pela Recorrente. Os valores pagos, diferenciando aqueles efetuados a pessoas físicas e jurídicas, assim como a existência da SCP constituem pontos que estão amplamente contestados, com elementos suficientes nos autos, não vislumbrando com isto, razões para a realização de perícia. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DO PRAZO DO ART. 173, I DO CTN. Não prospera alegação do Recorrente, favorável à aplicação do prazo decadencial previsto no par. 4o do art. 150 do CTN, em função de eventual recolhimento de imposto de renda pelas pessoas físicas, apurado em suas respectivas DIRPF, não só em função da falta de comprovação do mesmo, assim como, notadamente, pelo falto de não ser objeto do lançamento. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SIMULAÇÃO. No direito tributário, o conteúdo prevalece sobre a forma. Se o conteúdo fático não guarda qualquer simetria com a relação societária que se tentou desenhar, é caso de simulação. As Sociedades em Conta de Participação estão regidas pelas disposições específicas do Código Civil; dentre as quais há a proibição de os sócios participantes prestarem serviços em nome da Sociedade em Conta de Participação. Presente a simulação, é devida a multa agravada, em percentual de 150%.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares e não reconhecer o pedido decadencial. Nas demais questões de mérito, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso, mantendo a exação fiscal. Vencido o Conselheiro Atilio Pitarelli (relator), que dava provimento ao recurso nas demais questões de mérito, cancelando o lançamento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Assinado digitalmente JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente na data da formalização Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Nubia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não pode ser acolhida preliminar de nulidade, por suposta falta de indicação do diploma legal infringido, com fundamento no inciso IV do art. 10 do decreto n.o 70.235/72, quando minuciosamente, o lançamento descreve as razões e fatos que considera infrações à legislação fiscal, dando conhecimento da sua origem e permitindo ao contribuinte a ampla defesa. REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. O lançamento fiscal bem coloca a questão, e sobre ela, em todas as fases do processo, foi assegurada oportunidade de contestação pela Recorrente. Os valores pagos, diferenciando aqueles efetuados a pessoas físicas e jurídicas, assim como a existência da SCP constituem pontos que estão amplamente contestados, com elementos suficientes nos autos, não vislumbrando com isto, razões para a realização de perícia. DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DO PRAZO DO ART. 173, I DO CTN. Não prospera alegação do Recorrente, favorável à aplicação do prazo decadencial previsto no par. 4o do art. 150 do CTN, em função de eventual recolhimento de imposto de renda pelas pessoas físicas, apurado em suas respectivas DIRPF, não só em função da falta de comprovação do mesmo, assim como, notadamente, pelo falto de não ser objeto do lançamento. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SIMULAÇÃO. No direito tributário, o conteúdo prevalece sobre a forma. Se o conteúdo fático não guarda qualquer simetria com a relação societária que se tentou desenhar, é caso de simulação. As Sociedades em Conta de Participação estão regidas pelas disposições específicas do Código Civil; dentre as quais há a proibição de os sócios participantes prestarem serviços em nome da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 34 57 /2 01 0- 40 Fl. 2008DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assi nado digitalmente em 21/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Sociedade em Conta de Participação. Presente a simulação, é devida a multa agravada, em percentual de 150%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares e não reconhecer o pedido decadencial. Nas demais questões de mérito, por maioria de votos, em NEGAR provimento ao recurso, mantendo a exação fiscal. Vencido o Conselheiro Atilio Pitarelli (relator), que dava provimento ao recurso nas demais questões de mérito, cancelando o lançamento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Assinado digitalmente JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente na data da formalização Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Nubia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Tratase de Recurso Voluntário face decisão da 5a Turma da DRJ/POA, de 18 de abril de 2.011 (fls. 1885 a 1926), que por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Recorrente, mantendo a exigência fiscal no valor total de R$ 4.655.783,57, sendo R$ 4.421.512,90 a título de multa e R$ 234.270,67 de juros isolados. O procedimento que originou este processo iniciouse em 14/01/2.010, quando a Recorrente, localizada no município de Porto Alegre RS foi intimada através dos Termos de Início de Ação Fiscal a apresentar várias informações, livros e documentos neles relacionados, que após pedido de dilação de prazo para cumprimento, foram gradativamente atendidos, a partir de 12/03/2010. Após novas solicitações de documentos, atendidas pelo Recorrente, foi lavrado Auto de Infração em 31/08/2010, onde constam dois itens, sendo o primeiro, de Multas Isoladas, pela falta de retenção ou recolhimento do IRRF, mencionando para cada mês o valor respectivo, de 31 de janeiro de 2005 a 31/12/2009, e no item 002 – Juros Isolados, em função da falta/atraso na retenção ou recolhimento do IRRF, também constando, a exemplo do item anterior, os valores mensais daqueles períodos (fls. 1625/1.634), dele fazendo parte minucioso Termo de Verificação Fiscal, constante às fls. 1.637/1.668. Fl. 2009DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assi nado digitalmente em 21/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.723457/201040 Acórdão n.º 2102002.135 S2C1T2 Fl. 3 3 A multa descrita no auto de infração está fundamentada no art. 9o da lei n.o 10.426/2002 e os juros no par. 3o, art. 61 da lei n.o 9.430/96. Fazendo um breve resumo da origem do Auto de Infração, constante do Termo de Verificação Fiscal, onde os fatos estão pormenorizadamente colocados, a autuada é originária da Associação dos Médicos do Hospital Mãe de Deus, sem fins lucrativos até 11/10/2002, quando passou a atuar como uma sociedade de médicos com fins econômicos e responsabilidade limitada ao capital social, a princípio, com o nome de AMEMB SAÚDE LTDA., e posteriormente, face à introdução do Código Civil vigente, a partir do ano de 2.002, passou à denominação atual, que é AMEMB SAÚDE SOCIEDADE SIMPLES LTDA. Consta ainda no Auto de Infração (fl. 1638), que em 2.003, “visando lesar os interesses da Fazenda Nacional”, a autuada celebrou um “negócio jurídico simulado”, com a constituição de uma empresa sob o regime de conta de participação, denominada AMEMB SAÚDE HMD, onde ela ocupava a posição de sócia ostensiva, e na de sócios participantes, os mesmos médicos e pessoas jurídicas prestadoras dos serviços que antes integravam o quadro de associados da ASSOCIAÇÃO DOS MÉDICOS MÃE DE DEUS, inicialmente referida. Uma vez constituída a sociedade em conta de participação, a Recorrente, na condição de sócia ostensiva passou a celebrar contratos para a prestação de serviços médicos com diversas instituições que administravam planos de saúde, recebendo em contrapartida, a remuneração pelos mesmos, que eram prestados por pessoas físicas ou mesmo através de profissionais que constituíram pessoas jurídicas, sócios participantes, que atendiam os clientes/conveniados dos planos de saúde, angariados pela sócia ostensiva. Então, estes eram sempre os mesmos sócios participantes da conta de participação onde a Recorrente figurava como sócia ostensiva, que recolhia os tributos sobre os valores recebidos, efetuava a retenção de uma taxa administrativa para então, pagar diretamente aos sócios participantes da sociedade em conta de participação, na proporção em que os atendimentos eram por eles efetuados, porém, não a título de remuneração pelos serviços à Recorrente, mas sim, como distribuição de lucros decorrentes da sociedade em conta de participação. Conforme consta na fl. 1639, a acusação decorre da interpretação do autuante, de que houve simulação com a constituição da sociedade em conta de participação levada a efeito pela Recorrente em comunhão de interesses com os médicos e pessoas jurídicas que lhe prestavam serviços, e teve por finalidade: Fl. 2010DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assi nado digitalmente em 21/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Por estas razões, foi desconsiderada a natureza dos pagamentos efetuados pela sociedade em conta de participação como distribuição de lucros, e sim, como retribuição aos serviços médicos prestados à Recorrente, passando a tratálos de honorários, sujeitos portanto, quer na condição de pessoas físicas ou jurídicas, de prestadores de serviços, cujos valores pagos são normalmente tributáveis ao imposto de renda na fonte. Apuradas as bases de cálculo a que estariam sujeitos os pagamentos efetuados, sobre eles foram aplicados, às pessoas físicas, os percentuais previstos na tabela progressiva mensal, com base nos arts. 620, 628, 629, 641, 674 e 675, cuja responsabilidade pela retenção e pagamento consta do art. 717, todos do RIR. Sobre os pagamentos às pessoas jurídicas, conforme prescrito nos arts. 647 e 648 do RIR, sobre eles aplicado o percentual de 1,5%, cuja responsabilidade pela retenção e pagamento também é tratada no art. 717 deste diploma legal. Foi também aplicada multa de ofício qualificada no percentual de 150%, por entender a autoridade fiscal autuante que a conduta da Recorrente seria dolosa, tipificadas nos arts. 71 e 73 da lei n.o 4.502/64. Notificada da lavratura do Auto de Infração, tempestivamente, a Recorrente apresentou impugnação em 1o de outubro de 2.010, que após transcrição do Termo de Verificação Fiscal está assim resumida na decisão recorrida: A autuada, por meio de seu advogado (procuração à fls. 1.720), impugnou os lançamentos (fls. 1.6711.718) com os documentos de fls. 1.719/1.875, alegando, em síntese, sob os seguintes títulos/subtítulos, o seguinte: Procuradores: Koch & Koch Knijnik Advogados I – Histórico da AMEMD e da criação da SCP Sob este título, a defesa apresenta um histórico da Associação dos Médicos do Hospital Mãe de Deus (Associação), onde consta a finalidade, objetivos e atividades exercidas. Posteriormente, em decorrência de suas práticas empresariais, foi deliberada a sua transformação em sociedade simples de responsabilidade limitada, cuja denominação atual é AMEMD Saúde Sociedade Simples Ltda (AMEMD). Também descreve a criação da AMEMD SAÚDE HMD – Sociedade em Conta de Participação (SCP), seus sócios e objetivos. Acrescenta que o contrato estabelece que os sócios participantes podem assumir obrigações em nome individual e em seu próprio endereço, além de responderem individualmente por erro médico e qualquer responsabilidade civil ou criminal decorrente de seus atos profissionais. Registra também que, apesar de todos os sócios possuírem o mesmo número de quotas, o contrato da SCP prevê a distribuição desproporcional do resultado, calculado com base na receita proporcionada por cada sócio, independentemente de sua contribuição para o patrimônio especial da SCP, e que é creditado ao sócio como distribuição de lucros da SCP. II – O lançamento fiscal Sobre esse assunto a defesa descreve as principais conclusões do fisco que determinaram a lavratura do Fl. 2011DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assi nado digitalmente em 21/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.723457/201040 Acórdão n.º 2102002.135 S2C1T2 Fl. 4 5 auto de infração, concluindo que as divergências apontadas são contrárias à lei e procedidas por inadvertência do ente fiscalizador. III – Preliminar de nulidade do auto de lançamento Depois de transcrever os arts. 142 do CTN e 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, a defesa reclama que a autuação não observou o disposto no art. 10, IV, c/c, inciso III do art. 11 do citado decreto, porquanto a constituição da SCP e a distribuição de resultados aos seus participantes, não infringe qualquer disposição de lei tributária ou civil, sendo ilação do fisco a ocorrência de simulação na constituição dessa SCP. Transcrevendo entendimentos da doutrina e jurisprudência sobre o tema, a defesa registra que o lançamento é um ato essencialmente formal, não admitindo erros, omissões e supressões de etapas, tornandose nulo ou anulável quando isso acontece. Dessa forma, aponta que não havendo fundamentação jurídica para embasar a descaracterização da SCP denota excessiva carga de discricionariedade do ente tributante, seguida de infundada atribuição de simulação, que não vieram acompanhadas de fundamento jurídico. IV – O direito Além da preliminar de nulidade do auto de infração, entende que por razões de direito a exação não merece prosperar, pelas seguintes razões: l. Da sociedade em conta de participação Depois de transcrever o art. 981 do Código Civil (CC) e descrever a organização e funcionamento da SCP, a defesa conclui que, se o sócio participante exercer o objeto social dessa sociedade, simplesmente assume o risco de ter sobre si os efeitos do art.993, § único, do CC, mas em nada contribui para a “suposta desconsideração” da sociedade. Em outras palavras, expõe apenas a si, não a sociedade. Em apoio a suas alegações, juntou parecer de juristas sobre o tema (doc. 06). 2. Desconsideração dos efeitos da SCP pelo Fisco Diz a impugnante que, na SCP em questão, era a AMEMD, na qualidade de sócia ostensiva, que contratava com os planos de saúde, emitia faturas e notas fiscais, recolhia os tributos devidos e assumia toda a parte negocial perante terceiros. Entretanto, o atendimento aos pacientes, simples beneficiários dos planos de saúde (contratantes), era realizado pelos sócios participantes da SCP. Dessa forma, não há razão para descaracterizar a SCP por tais práticas, na medida em que não é vedada a prestação de serviços pelos sócios participantes, sendo apenas estes responsáveis solidários pelo cumprimento das obrigações assumidas pela AMEMD com terceiros em nome da SCP quando exercerem, em nome próprio, a atividade objeto da SCP. Fl. 2012DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assi nado digitalmente em 21/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 Observa que os sócios participantes não realizavam o objeto da SCP – a atividade é unicamente o atendimento do beneficiário de plano de saúde. Por outro lado, o objeto da SCP não era o atendimento a pacientes, mas apenas congregar os interesses dos médicos associados em suas relações com hospitais e planos de saúde. Dessa forma, citando doutrina, a defesa reclama que a RFB não pode descaracterizar a SCP e tratar a operação como uma simulação. A impugnante também alega que não prospera o entendimento do fisco sobre a inexistência de affectio societatis entre os sócios ostensivo e participantes, pois o objeto da SCP está em sintonia com o exato conceito de SCP, segundo J. X. Carvalho de Mendonça: “trabalhando um, alguns ou todos os associados em seu nome individual para lucro comum”. Observa que o fundamental para esta autuação fiscal é o fato de os médicos associados receberem, por meio da SCP, rendimentos decorrentes do atendimento aos beneficiários dos planos de saúde e hospitais (atividade do sócio participante, não da SCP), viabilizados pelos contratos firmados pelo sócio ostensivo em nome da SCP, e não rendimentos decorrentes de esforços próprios engendrados na ampliação dos negócios firmados pela SCP (atividade do sócio ostensivo e da SCP). Acrescenta, ainda, que não há fundamento fático para a alegação da fiscalização de que a SCP estaria desnaturada por violação ao art. 991 do CC, vez que não há provas no Termo de Constatação Fiscal de que os sócios participantes teriam contribuído pessoalmente para ampliar a celebração de contratos de prestação de serviços médicos, quando agiriam, então, como sócios ostensivos no exercício da atividade social da SCP. Ademais, diz a defesa, desconsiderar a forma de constituição de sociedade em conta de participação é afastar, em última análise, as leis, normas e princípios que a regem. Acrescenta que o STF não mais aceita o afastamento da aplicação da lei impositiva, nos termos enunciados na Súmula Vinculante n° 10. Transcreve ementa de julgado sobre o tema. Continuando, a defesa questiona o outro argumento utilizado pelo Fisco para descaracterizar a SCP que a distribuição dos resultados era feita de forma desproporcional à contribuição de cada sócio à formação do patrimônio da SCP. Alega que não pode ser aceito, pois há amparo no art. 1007 do CC. A defesa também se refere à nova normatização introduzida pelo NCC, que além de ampliar o conceito de sociedade, de empresário, permitiu que a contribuição para o negócio, além da contribuição financeira feita pelos sócios para o patrimônio especial, no acervo SCP, se dê, por força da aplicação subsidiária das regras da sociedade simples (art. 996 NCC), Fl. 2013DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assi nado digitalmente em 21/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.723457/201040 Acórdão n.º 2102002.135 S2C1T2 Fl. 5 7 através da contribuição em serviços feita pelos sócios (art. 997, V do NCC). Na sequência, citando dispositivos legais, alega que os lucros ou dividendos, quando pagos ou creditados, estão isentos do imposto de renda. Novamente, a defesa trata da questão que envolve o affectio societatis na atuação entre a impugnante, a SCP e seus sócios. Diz que não há como negar a existência de um objetivo comum entre os sócios participantes e a AMEMD, ressaltando que, na origem, os sócios participantes da SCP estavam congregados em uma associação sem fins lucrativos, já demonstrando a intenção clara de atividade comum, conjunta e consensual, nítido traço de sociedade. Destaca que o fato de os sócios participantes terem supostamente outorgado "procurações sem objeto definido" para o sócio ostensivo constituir a SCP revela nítida congruência de interesses entre estes, evidenciando a presença do affectio societatis. Acrescenta que, se existisse somente uma sociedade de fato, a tributação se daria como outra pessoa jurídica. Ao final desse tópico, conclui que está demonstrada nos autos a efetiva existência da sociedade. 3. Da simulação Diz a defesa que a RFB presumiu que haveria uma subcontratação dos médicos pela AMEMD para que estes executassem o objeto dos contratos firmados em nome desta com os planos de saúde e o Hospital, razão pela qual os valores pagos aos sócios participantes da SCP seriam rendimentos tributáveis pela prestação de serviços a pessoa jurídica (AMEMD). Na sequência, depois de transcrever o art. 167 do CC e entendimentos da doutrina sobre o assunto em destaque, a defesa alega que com a constituição da SCP, não ocorreu a ocultação de nenhum traço da relação jurídica entre as partes: a SCP expande os negócios, com contratos, associações, parcerias, na qualidade de sócia ostensiva, e os médicos, então sócios participantes, prestam os serviços em nome próprio diretamente aos pacientes. Registra que o simples fato de os sócios da SCP prestarem serviços não descaracteriza a natureza da sociedade e a sua constituição, após a transformação da Associação em AMEMD, ocorreu em respeito à legislação tributária. Acrescenta que perde força a imputação de simulação descrita nos autos, pois é possível verificar claramente a existência de motivação suficiente para a organização das atividades da AMEMD e dos médicos associados da forma em que “engendrada” (SCP) sem que o único objetivo fosse não tributar Fl. 2014DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assi nado digitalmente em 21/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 sobre os pagamentos efetuados. Assim, havendo motivo justo, não há simulação. O suposto dolo para evitar a lei tributária não está presente, pois a maioria dos pagamentos efetuados aos sócios participantes, aproximadamente 80%, está abaixo do limite de isenção do IR. Consigna que não seria plausível que constituíssem uma SCP com o objetivo de simular uma situação jurídica para que 20% de todos os recebimentos não fossem tributados. A defesa também discorda da aplicação da multa sobre valores que estão abaixo dos valores mínimos de isenção, de acordo com o art. 724 do RIR/99. Ao final, a defesa destaca que todos os atos realizados pelas partes observam a legislação vigente, não havendo qualquer discordância entre a vontade e declaração. “Os efeitos jurídicos do negócio realizado correspondem ao pretendido e ao formalizado pelas partes”. 4. Da multa qualificada A defesa inicia a contestação desta exigência, alegando que basta a intenção do contribuinte de reduzir a carga fiscal para que o negócio seja desconsiderado e represente dolo, justificando a aplicação da multa de ofício. Contudo, diz a impugnante, não há dolo nos atos praticados e não houve nenhuma conduta para reduzir a carga fiscal, pois toda a forma de exercício de suas atividades foi mantida tal qual antes da constituição da SCP. Depois de transcrever ementas de acórdãos do CARF sobre esta questão, diz que a multa de 150% sobre o valor corrigido além de inviabilizar qualquer tipo de pagamento, chega a um verdadeiro confisco, que é vedado pela Constituição Federal. Em apoio a esses argumentos estão transcritos entendimentos da doutrina e ementas de julgados. Ao final, a defesa alega que ainda que seja mantido o lançamento, o que admite somente para argumentar, impõese a redução da multa em decorrência do princípio in dúbio contra fiscum. 5. Decadência A impugnante defende que sobre as exigências relativas aos meses de janeiro, fevereiro, março, abril, maio, junho, julho e agosto de 2005 deve ser reconhecida a decadência, nos termos do art. 150, § 4º, do CTN. Em amparo a esses argumentos, estão transcritos entendimentos da doutrina e ementas de acórdãos do CARF. Acrescenta que a existência ou não do pagamento é irrelevante para fins de aplicação do prazo decadencial previsto no referido dispositivo legal, da mesma forma consoante entendimentos da jurisprudência administrativa da RFB e publicações sobre o tema. 6. Conclusões A defesa conclui o seguinte: Fl. 2015DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assi nado digitalmente em 21/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.723457/201040 Acórdão n.º 2102002.135 S2C1T2 Fl. 6 9 os argumentos em que se fundou a RFB para desconsiderar os efeitos fiscais da SCP são totalmente improcedentes, na medida em que a única conseqüência da suposta prestação de serviços pelo sócio participante seria a sua responsabilidade solidária perante terceiros, assim como também não é vedada a distribuição desproporcional dos resultados obtidos pela SCP em relação ao capital investido; também não houve ato dissimulado praticado pelas partes, pois a vontade real correspondente perfeitamente à vontade formalizada nos atos de constituição da SCP; desde a transformação da ASSOCIAÇÃO em sociedade simples, com a criação da SCP, os sócios participantes e ostensivo sempre visaram ao objetivo comum da SCP; há claro affectio societatis entre sócio ostensivo e participantes da SCP, sendo que tal medida conjunta, inclusive, permitiu a regularização da atuação da então ASSOCIAÇÃO, que não poderia estar praticando atos negociais na qualidade de entidade sem fins lucrativos; a demonstração de que 80% dos pagamentos sequer resultou em tributação (conforme demonstra tabela que cobre período de 5 anos) torna evidente que o intuito da SCP nunca foi o de obter vantagem indevida em detrimento do Fisco; ainda que prevaleça a simulação imputada à AMEMD, a multa deve ser reduzida de 150% para 75%, tendo em vista não ter restado caracterizado o evidente intuito de fraude ou qualquer das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964; ainda, há que se reconhecer a decadência parcial das exações no período de janeiro à agosto de 2010. 7. Perícia A defesa requereu a realização de perícia, indicou o assistente técnico e formulou os quesitos, pois entende que há necessidade de produção de provas para aferição da regular existência da SCP, da natureza jurídica dos resultados distribuídos aos sócios e das bases de cálculo das exigências que, segundo seu entendimento, pelo baixo valor, estariam dispensadas de retenção. Os quesitos estão listados à fl. 1.716 dos autos. Dos requerimentos A impugnante requer: sejam acolhidas as PRELIMINARES retro suscitadas de nulidade dos procedimentos e do próprio auto de infração, desconstituindose o inquinado Auto de Infração e cancelandose o débito fiscal reclamado; caso não acolhidas, no todo ou em parte, as preliminares retro suscitadas, no mérito, seja DESCONSTITUÍDO o inquinado Auto de Infração, tornando INEXIGÍVEIS as importâncias nele Fl. 2016DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assi nado digitalmente em 21/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 10 lançadas, por absoluta ILIQUIDEZ e INCERTEZA e, ainda, diante das conclusões acima apontadas. c) Em caso de entendimento diverso do antes requerido, REQUER, outrossim seja RETIFICADO o Auto de Infração em comento, a fim de excluir ou reduzir de seu conteúdo os valores indevidos, seja, a exemplo do que ocorreu com a inobservância da dispensa de retenção, também reduzindo a multa cobrada, além de recalcular os valores eventualmente devidos, de acordo com as respectiva natureza. d) REQUER, ainda, a substituição da taxa SELIC como fator de correção, recalculando os valores eventualmente devidos com outro índice que venha a substituíla. e) Não sendo nenhum dos entendimentos anteriores o de Vossas Excelências, o que "data máxima vênia" refere pelo prazer de argumentação, requer seja o processo convertido em diligência, a fim de que possa a fiscalização, com maior segurança, aferir verdadeira natureza jurídica da SCP. f) Por fim, requer a prova pericial já requerida em tópico específico dessa Impugnação, em atendimento aos requisitos previstos no artigo 16 do Decreto 70.235/72. Por último, a defesa requer a produção de todas as provas em direito admitidas, em especial documental, declarações e testemunhas. É o relatório. O trabalho fiscal foi mantido integralmente pela decisão Recorrida, sendo objeto do Acórdão 1030.887, e recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/05/2005 a 31/12/2009 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Possuindo o auto de infração todos os requisitos necessários à sua formalização, nos termos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e se não forem verificados os casos taxativos enumerados no art. 59 do mesmo decreto, o lançamento não é nulo. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Deve ser indeferida a solicitação de perícia acerca de matéria que não demande conhecimento técnico especializado próprio de perito e, também, porque a prova requerida devia ter sido apresentada pelo sujeito passivo juntamente com a impugnação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/2005 a 31/12/2009 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. A modalidade de lançamento por homologação se dá quando o contribuinte apura o montante tributável e efetua o pagamento Fl. 2017DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assi nado digitalmente em 21/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.723457/201040 Acórdão n.º 2102002.135 S2C1T2 Fl. 7 11 do imposto sem prévio exame da autoridade administrativa. Na ausência de pagamentos, não há que se falar em homologação, regendose o instituto da decadência pelos ditames que emanam do art. 173, I, do CTN, diante do qual se conta o prazo a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Período de apuração: 31/01/2005 a 31/12/2009 MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA ISOLADOS. FALTA DE RETENÇÃO DO IMPOSTO. BENEFICIÁRIOS: PESSOAS FÍSICAS. Comprovada a falta de retenção do imposto com natureza de antecipação do devido na declaração de ajuste anual dos beneficiários, após o termo final do prazo fixado para entrega dessas declarações, é devido pela fonte pagadora dos rendimentos a multa de ofício e os juros de mora isolados. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA ISOLADOS. FALTA DE RETENÇÃO DO IMPOSTO. BENEFICIÁRIOS: PESSOAS JURÍDICAS. Comprovada a falta de retenção do imposto com natureza de antecipação do devido na declaração do imposto de renda anual dos beneficiários, após o termo final do prazo fixado para entrega dessas declarações, nas ocorrências de pagamento ou o crédito em favor de pessoas jurídica pela prestação de serviços de natureza profissional, é devido pela fonte pagadora dos rendimentos a multa de ofício e os juros de mora isolados. PROVAS INDICIÁRIAS. A comprovação material de uma dada situação fática pode ser feita, em regra por uma prova única, direta, concludente por si só; ou por um conjunto de indícios que, isoladamente, nada atestam, mas agrupados têm o condão de estabelecer a certeza daquela matéria de fato. SIMULAÇÃO. Comprovada a simulação por meio do conjunto indiciário convergente, cabe à Fazenda Pública desconsiderar os efeitos dos atos viciados, para que se operem consequências no plano da eficácia tributária, independentemente de prévia manifestação judicial a respeito da validade do ato viciado. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. NATUREZA JURÍDICA DOS RENDIMENTOS PAGOS AOS SÓCIOS. VERDADE MATERIAL. Demonstrado que as atividades e os negócios jurídicos desenvolvidos possuem aspectos diversos da realidade formal, onde os sócios participantes da conta participação prestavam Fl. 2018DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assi nado digitalmente em 21/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 12 serviços ao sócio ostensivo, os valores pagos por este em decorrência desses contratos devem ser classificados segundo a sua efetiva natureza jurídica, como rendimentos tributáveis de prestação de serviços, que correspondem a verdade material dos fatos, e não lucros isentos do Imposto de Renda, que é a versão apresentada pela autuada. DOLO. LESÃO À ORDEM TRIBUTÁRIA. Temse que cada ato ilícito carrega uma determinada carga de lesão à ordem tributária, onde determinadas condutas são tão graves a ponto de, por si só, imediatamente consubstanciarem o intuito doloso. Outros procedimentos, de menor poder ofensivo, se analisados individualmente não caracterizam a ação premeditada, no entanto, podem evidenciar o dolo quando reiteradamente praticados ao longo de um determinado tempo ou pela forma como foram executados, onde emergem os subterfúgios utilizados pelo contribuinte para lesar o Fisco. MULTA QUALIFICADA ISOLADA. EXIGIBILIDADE. Estando configurado o intuito de fraude na simulação, utilizada para evitar o pagamento do tributo, mantémse a multa qualificada isolada de 150%. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO A vedação contida na Constituição Federal sobre a utilização de tributo, e não da multa, com efeito de confisco é dirigida ao legislador, não se aplicando aos lançamentos de ofício efetuados em cumprimento das leis tributárias regularmente aprovadas. JUROS DE MORA. SELIC A utilização da taxa SELIC no cálculo dos juros moratórios encontra respaldo na legislação regente, não podendo ser dispensada. Em grau de Recurso Voluntário a este colegiado, resumidamente, aduz a Recorrente: Preliminarmente: o auto de infração é nulo, uma vez que não atende ao inciso IV do art. 10 c/c 11, inciso III do decreto n.o 70.235/72, porquanto a SCP e a distribuição de resultados aos seus participantes, após tributada a totalidade da receita bruta pelo regime do lucro presumido, não infringe disposição da lei tributária ou civil, resultando o auto de infração de ilações do fisco, portanto, sem respaldo legal, apenas por ser mais favorável ao fisco, questão esta não enfrentada pela decisão recorrida; o Termo de Verificação Fiscal é contraditório, pois afirma que a autuação não se desenvolverá no sentido de impugnar a existência ou a validade do negócio jurídico em razão da qual foi constituída a sociedade em conta de participação e de outro lado, após referência aos arts. 148 e 149 do RIR afirmar que foi simplesmente a equiparação das sociedades em conta de participação às pessoas jurídicas em geral, mas isto apenas para fins de recolhimento dos tributos federais. O deferimento da realização da perícia se faz imprescindível, para constatação da regular existência da SCP e da sua natureza jurídica, até mesmo pelo reflexo da decisão deste processo para um universo de aproximadamente 500 médicos que se agregaram Fl. 2019DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assi nado digitalmente em 21/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.723457/201040 Acórdão n.º 2102002.135 S2C1T2 Fl. 8 13 não só para alcançar serviços médicos a um número maior de pacientes, mas também para otimizar custos de administração e partilhar dos resultados líquidos remanescentes, afastando com isto a presunção fiscal de que “os sócios participantes da conta de participação prestavam serviços ao sócio ostensivo (....)” Mesmo entendendo ilegal e indevida a imposição da multa isolada e juros, por não haver a alegada prestação de serviços a justificar a retenção do IRRF, houve decadência dos meses de janeiro a agosto de 2005, pois o par. 1o do art. 622 do RIR/99 estabelece a apuração mensal e o art. 113 do CTN que a obrigação tributária principal nasce com a ocorrência do fato gerador, aplicandose no caso, o prazo previsto no par. 4o do art. 150 do CTN, face à sua característica de lançamento por homologação do imposto de renda, não prosperando a alegação da decisão recorrida, de que faltou o pagamento do imposto para a aplicação deste prazo, pois os médicos sócios da SCP, enquanto contribuintes e beneficiários de outros rendimentos, procederam seus respectivos pagamentos de IRPF, seja através de carnê leão, seja quando da Declaração de Ajuste Anual. Quanto ao mérito: como histórico e origem da autuada, que os valores pagos pelos planos de saúde à Associação que a precedeu, eram oferecidos à tributação pela sistemática do lucro presumido, repassando aos associados o valor líquido correspondente ao serviço prestado a cada profissional, sendo esta sistemática mantida com a transformação da Associação em sociedade limitada e quando da constituição da SCP, independente da sua participação na constituição da sociedade, assim, absolutamente contrária a afirmação da decisão recorrida (fl. 1702), de que com a constituição destas, houve alteração para não tributar. Com publicidade e transparência, buscouse apenas legalizar a prática anterior, na associação, recolhendo a sociedade agora, de todos os tributos. A sociedade em conta de participação está prevista no Código Civil e a doutrina a considera uma sociedade sui generis, com a figura do sócio ostensivo, que a administra em conta de participação, obrigase perante terceiros e exerce a atividade constitutiva do objeto social, enquanto o sócio participante obrigase apenas perante o sócio ostensivo, art. 991 do CC, e conforme prevê o art. 993, caso o sócio participante exerça o objeto social, responderá solidariamente pelas obrigações que intervier em nome da sociedade, mantidas todas as demais características de uma sociedade, inclusive, tributárias; Na SCP era a recorrente, na qualidade de sócia ostensiva, que contratava com os planos de saúde, emitia faturas e notas fiscais, recolhia os tributos e assumia toda a parte negocial perante terceiros. O atendimento aos pacientes, beneficiários dos planos de saúde, era realizado pelos sócios participantes da SCP. Assim, não há razão para descaracterizar a SCP por tais praticas, uma vez que não é vedada a prestação de serviços pelos sócios participantes, que tornamse responsáveis, perante terceiros, quando exercem em nome próprio, atividade objeto da SCP. Destaca ainda que nada alteraria se os sócios participantes da SCP estivessem dentro da Recorrente, procedendo com o mesmo modus operandi da SCP, nada alteraria, pois os lucros, após as deduções devidas, seriam distribuídos com o mesmo tratamento, qual seja, isentos do imposto de renda retido na fonte, razão pela qual, não traduzem qualquer simulação ou ilegalidade; Para os sócios participantes, a SCP é relevante para que os mesmos possam se dedicar exclusivamente nas questões técnicas, deixando para a sócia ostensiva todas as questões negociais, ampliando o universo de contratações que decorrem da complexa Fl. 2020DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assi nado digitalmente em 21/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 14 operacionalidade junto a planos de saúde e questões burocráticas da sociedade, de cunho administrativo e até mesmo tributário, não justificando portanto, a alegação de que a participação dos sócios depende principalmente do investimento e não no atendimento aos beneficiários dos contratos firmados, conforme é objeto da SCP, expressamente constante na cláusula 2a do seu contrato social, o que se harmoniza com os interesses dos médicos e empresas prestadoras de serviços, constituindo assim, o affectio societatis , tornando assim contraditória a afirmação do autuante, da sua inexistência; Mostrase contraditória a afirmação da decisão recorrida, de que a Recorrente não teria apresentado os registros contábeis e demonstrativos de apuração dos valores pagos de serviços prestados individualmente, para fazer constar depois, à fl. 1921, com referências aos números das planilhas apresentadas; também não pode prosperar a alegação da manutenção da exigência fiscal, pelo fato de ser a distribuição do lucro desproporcional à participação na sociedade, uma vez que esta está expressamente prevista nas cláusulas 17a e 20a do contrato social, o que encontra respaldo no art. 1007 do Código Civil, que ressalta, “salvo disposição em contrário”, e as normas da sociedade simples, subsidiariamente, aplicamse à sociedade em conta de participação, conforme estabelece o art. 996 do Código Civil, constatando assim, inexistência de irregularidade ou ilegalidade na Recorrente, uma vez que legal a contribuição em serviços feitas pelos sócios (art. 997, V do NCC); O objeto da SCP não era o atendimento a pacientes, mas apenas o de congregar médicos associados em suas relações com hospitais e planos de saúde, tendo sua atuação fundamentada no par. único do art. 991 da lei n.o 10.406/2002, não havendo provas no Termo de Constatação Fiscal, de que os sócios participantes teriam contribuído pessoalmente para a ampliação de contratos de prestação de serviços médicos, ocasião em que agiriam como sócios ostensivos; o art. 110 do CTN veda a alteração da definição , conteúdo e alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado e desconsiderar a constituição de sociedade em conta de participação, é afastar leis, normas e princípios que a regem, o que só seria possível com a declaração judicial da sua inconstitucionalidade, citando precedente do TRF da 4a Região, que afastou a desconstituição de sociedade desta natureza, sem comprovação de caráter fraudulento, da pretensão fiscal de reconhecer vínculo empregatício entre sócio ostensivo e os demais sócios; O art. 7o do decretolei n.o 2.303/86 e 149 do RIR equiparam a SCP às demais pessoas jurídicas para fins da apuração dos resultados e da tributação dos lucros apurados e distribuídos. A partir de 2001, por força da IN 31/01, as sociedades em conta de participação passaram a optar pelo regime de tributação com base no lucro presumido ou real; A outorga de poderes pelos sócios participantes em instrumento público de procuração sem objetivo definido, para o sócio ostensivo, constitui mais uma evidencia do affectio societatis e não pode ser definido como indício de simulação pelo autuante, revelando sim nítida congruência de interesses entre eles, na constituição da SCP, não podendo ser aceita alegação de que constitui prática corriqueira em simulações, pois se individualizadas, implicariam na época da constituição, assinatura nos instrumentos de quase 400 pessoas, e na mesma, consta expressamente a constituição de uma sociedade em conta de participação; Também não é válida a desconsideração da sociedade em conta de participação sob o pretexto de que estavam desta forma em detrimento de uma sociedade simples, para evitar a responsabilidade pessoal em caso de responsabilidade por erro médico, uma vez que direcionada a ação de indenização à Recorrente, haveria prejuízo direto aos sócios participantes em eventual condenação, uma vez que a perda contabilizada pelo sócio ostensivo é contra a SCP; Fl. 2021DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assi nado digitalmente em 21/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.723457/201040 Acórdão n.º 2102002.135 S2C1T2 Fl. 9 15 Sem fundamento jurídico ainda, a decisão recorrida ao argumentar que está evidenciado que a atividade profissional dos sócios participantes ocorre, na prática, por prazo indeterminado, e não por 12 anos, podendo ser prorrogado, conforme conta no contrato social; O CARF já reconheceu, conforme precedentes mencionados, de sociedade de fato até mesmo sem contrato, porque não reconhecer com contrato escrito e contabilidade regular? No sentido positivo, cita doutrina e jurisprudência; A RFB presumiu haver subcontratação dos médicos pela Recorrente para que estes executassem o objeto dos contratos firmados em seu nome com os planos de saúde e o hospital, razão pela qual os valores pagos aos sócios participantes da SCP seriam rendimentos tributáveis pela prestação de serviços a pessoa jurídica (Recorrente). A constituição da SCP não constitui simulação, que só ocorre nos casos previstos no par. 1o do art. 167 do Código Civil, citando doutrina a respeito, dentre elas, de Luciano Amaro, que simulam uma compra e venda, formalizando uma doação (simulando), o que não ocorreu no presente caso, pois a constituição da SCP não foi para ocultar qualquer traço da relação jurídica, onde a SCP expande os negócios na qualidade de sócia ostensiva e os médicos, então sócios participantes, prestam os serviços em nome próprio diretamente aos pacientes; Também não se pode alegar que a SCP foi criada para que seus sócios participantes recebessem rendimentos isentos, ocultando a verdadeira natureza dos pagamentos, o que ocorreria em qualquer tipo de sociedade, mesmo com lucro presumido, constituiria, na visão do fisco, simulação, pois o que se buscou no caso, foi apenas uma adaptação da sua estrutura societária à atividade desenvolvida, não mais de Associação, sem fins lucrativos, tributada pelo lucro presumido e distribuindo resultados aos seus associados, o que permaneceu, mas por boa fé da Recorrente, com a reestruturação levada a efeito, com toda transparência e dando continuidade ao atendimento de 99 planos de saúde credenciados pela Associação; Todas as alterações societárias foram públicas, da Associação à AMEMD, inclusive, com total transparência junto ao fisco, pois esta sempre informou em sua DIRPJ a existência e o resultado da SCP; Não se pode supor dolo para evitar a legislação tributária, quando 80% dos pagamentos efetuados pela SCP são de valores abaixo do limite de isenção do imposto, não sendo plausível, que 400 médicos se associem em assembléia, para transformar a Associação em SCP, com o objetivo de simular pagamentos a 20% deles; É vedado o bis in idem, notadamente, pela falta de interesse de exigir, pois a fiscalização tem levado a termo, sistematicamente contra cada um dos sócios participantes, autos de infração exigindolhes o imposto de renda dos rendimentos declarados como isentos, acrescido de multa e juros de mora e à Recorrente, multa de oficio de 150%, o que corresponde a cobrança de imposto por via transversa, o que não deixa de constituir confisco, vedado pela Constituição Federal; Sobre a multa qualificada, a mesma não encontra respaldo na legislação, pois os arts. 71, 72 e 73 da lei n.o 4.502/64 não se aplicam ao caso, nem tão pouco, quando há conduta do contribuinte no sentido de reduzir a carga tributária, o que não ocorreu no caso, pois foi mantido o mesmo tratamento fiscal anterior à constituição da SCP, e que todos os atos foram elaborados com total transparência junto ao fisco, e em casos tais, afastada a qualificadora conforme precedentes do CARF, e ainda, que foram disponibilizados à Fl. 2022DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assi nado digitalmente em 21/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 16 fiscalização, no decorrer do seu trabalho, de todos os livros e documentos solicitados, e que o percentual de 150% inviabiliza o pagamento e constitui verdadeiro confisco, não podendo constituir a multa em tributo disfarçado, razão pela qual, caso mantida a exigência, apenas para argumentar, requer a redução do seu percentual para 75% sobre o valor do IR que não foi retido dos beneficiários dos pagamentos; Por fim, requer ainda a substituição da taxa SELIC e conversão do julgamento em diligência, para que possa a fiscalização, com maior segurança, aferir a verdadeira natureza jurídica da SCP. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Atilio Pitarelli, Relator. O recurso foi apresentado tempestivamente, atende suas condições de admissibilidade, portanto, dele conheço. Inicialmente, cabe analisar as preliminares argüidas pela Recorrente, expondo as razões pelas quais entendo que não devem ser acolhidas. Alega a Recorrente, que o Auto de Infração não atende o inciso IV do art. 10 c/c inciso III do art. 11 do decreto n.o 70.235/72, razão pela qual, estaria com o vício da nulidade. Entendo que esta preliminar não deve ser acolhida, por não vislumbrar a sua ocorrência, uma vez que o Auto de Infração preenche todos os requisitos do art. 10 do decreto n.o 70.235/72, onde os fatos estão devidamente descritos, com os dispositivos tidos pela autoridade fiscal como infringidos citados, como exigi o inciso II do art. 11 deste diploma legal, não vislumbrando assim, qualquer vício desta natureza. Com efeito, estes dispositivos foram fartamente atendidos pela autoridade fiscal autuante, que minuciosamente detalhou o seu trabalho, permitindo à Recorrente exercer o seu direito de defesa, dando a ela conhecimento de todo o desenrolar e razões que originaram o lançamento, afastando com isto, a argüição de nulidade, mesmo para aqueles que entendem que esta não está adstrita aos casos previstos no art. 59 do decreto n.o 70.235/72, que a prevê para também quando os atos são praticados por pessoa incompetente ou com preterição ao direito de defesa. Quanto à realização de perícia, também não merece reparos a decisão recorrida, que bem fundamentou o seu entendimento, pelo indeferimento, uma vez que o trabalho fiscal como afirmado acima está minuciosamente colocado, pois não se discute a regularidade operacional da sociedade em conta de participação – SCP, que assim será a seguir referida, para saber do tratamento fiscal a ela dispensado, o que foi reconhecido no trabalho fiscal, cuja origem, deuse pelo fato de desconsiderála, portanto, desnecessário saber detalhes maiores do que aqueles já constantes no processo. Assim, bem decidiu o colegiado de primeira instância, afastando esta preliminar. Também afasto a alegação de ocorrência do fenômeno da decadência, acrescentando apenas às razões constantes na decisão de primeira instancia, que por força da decisão proferida pelo STJ, o prazo para o caso em questão, contase do art. 173, I do CTN, Fl. 2023DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assi nado digitalmente em 21/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.723457/201040 Acórdão n.º 2102002.135 S2C1T2 Fl. 10 17 pela falta de comprovação do recolhimento do imposto, não podendo ser acolhida a alegação apresentada pela Recorrente na peça recursal, da hipótese aventada, de que beneficiários dos rendimentos pagaram impostos que teriam sido apurados em suas DIRPFs. Fato não comprovado e tão pouco colocado em questão. Com efeito, esta argüição também não merece maiores considerações, razão pela qual, não pode ser acolhida. Quanto ao mérito, entendo que assiste razão à Recorrente, razão pela qual, ao recurso dou provimento. Com efeito, toda a questão decorre da aceitação ou não da SCP. Se aceita, não há como vislumbrar a desqualificação da distribuição de lucros aos seus sócios participantes, para que passe a ter a natureza de remuneração por serviços prestados, como se fossem pessoas estranhas à sociedade. Inicialmente destaco o fato da SCP figurar dentre as modalidades de sociedade civil prevista no Código Civil Brasileiro. Com pequenas diferenças em relação à anterior, a criada pela Recorrente se amolda a todas elas, preenchendo as formalidades exigidas, podendo ser destacado o fato de agora facultar a participação com a prestação de serviços, ao invés de numerário, onde aos sócios participantes é facultado ingressar com os serviços especializados, conforme sua formação. Por outro lado, a sócia ostensiva tem suas atividades e atribuições definidas em contrato, que bem se amoldam aos propósitos e finalidades de uma SCP, não se confundindo com as dos sócios participantes. Relevante no meu entender, que a constituição das empresas, inicialmente a SS e seguidamente a SCP foram formalizadas com a total transparência, levando ao conhecimento do fisco a sua existência e forma de operação, não criando com isto, qualquer embaraço que dificultasse a constatação da sua existência e a forma que operava. A condição de médicos dos sócios participantes também não compromete a constituição da SCP face ao Código Civil, mais especificamente, ao art. 991, uma vez que, como bem destacou o patrono da Recorrente na peça recursal, o parágrafo único do art, 993 estabelece: Art. 993. O contrato social produz efeito somente entre os sócios, e a eventual inscrição de seu instrumento em qualquer registro não confere personalidade jurídica à sociedade. Parágrafo único. Sem prejuízo do direito de fiscalizar a gestão dos negócios sociais, o sócio participante não pode tomar parte nas relações do sócio ostensivo com terceiros, sob pena de responder solidariamente com este pelas obrigações em que intervier. (destaques do relator) Portanto, face à legislação civil, com a ressalva do parágrafo único do dispositivo supra transcrito, perfeitamente passível aos sócios participantes prestarem seus serviços em nome do sócio ostensivo, sem com isto interceder na sua atividade, que consiste em angariar clientes e convênios para a sociedade. Em momento algum do trabalho fiscal foi questionada ou colocada em dúvida a alegação da Recorrente de que a exemplo da Associação sem fins lucrativos da qual Fl. 2024DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assi nado digitalmente em 21/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 18 as empresas em questão decorreram, apurava o lucro presumido, permitindo deduzir com isto, que recolhia aos cofres da União o imposto correspondente, tal como alega ocorrer com a SCP. Assim, a apuração e recolhimento do imposto de renda pela SCP, decorrente do lucro presumido, dá a ela, na pessoa da sócia ostensiva, o cumprimento da obrigação principal junto à fiscalização, dentro do que a legislação faculta a toda e qualquer empresa. Quanto à questão central, que deu origem ao lançamento, que é o fato da distribuição de lucro e não pagamento dos serviços, diferenciando a natureza dos pagamentos, também há previsão no documento de constituição para que a mesma seja feita mensalmente, portanto, agindo dentro das previsões contratuais. Uma das razões pelas quais se repudiam os planejamentos tributários, diz respeito à concorrência desleal que eles dão origem, pois aquele que a aplica, paga menos impostos, e com uma carga tributária menor, tornase um concorrente desleal com aqueles que atuam no mesmo segmento. No presente caso isto não ocorre, pois conforme consta no próprio lançamento, a fiscalização constatou que como sócios participantes, constam pessoas físicas e jurídicas, todas com a faculdade de se sujeitarem ao lucro presumido, o que em nada diferenciaria o tratamento fiscal. Assim, não vislumbro razões para se afirmar a existência de simulação, a ponto de desclassificar a constituição da SCP, inclusive, para com isto penalizar com a aplicação da multa qualificada, de 150% (cento e cinqüenta por cento). A qualificação da penalidade fiscal elevando a multa para 150% somente é devida para os casos de flagrante dolo, fraude ou simulação, o que deve estar devidamente comprovado, e não se afigura no presente caso, uma vez que não pode se exigir de profissionais da medicina, que conheçam a legislação fiscal a ponto de detectar crimes fiscais, contrariando para isso, parecer daqueles que atuam com contabilidade e menos ainda, dos militam na área jurídica. Portanto, entendo que mesmo se procedente fosse o trabalho fiscal, o agravamento na aplicação da multa não poderia ser aplicado. Assinado digitalmente ATILIO PITARELLI Conselheiro Relator Voto Vencedor Contra a RECORRENTE, antes qualificada, foi lavrado o auto de infração para lançamento de multa e juros lançados isoladamente em decorrência da falta de retenção e recolhimento de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), referentes aos fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 31/01/2005 até 31/12/2009 (fls. 1.614 – 1.636). A infração está detalhada no Termo de Verificação Fiscal (fls. 1.637 a 1.668), que constitui parte integrante do Auto de Infração. De acordo com o largo relato da autoridade fiscal, em síntese, a AMEMD SAÚDE SOCIEDADE SIMPLES LTDA., ora RECORRENTE, simulou negócio jurídico com Fl. 2025DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assi nado digitalmente em 21/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.723457/201040 Acórdão n.º 2102002.135 S2C1T2 Fl. 11 19 a finalidade de suprimir tributo, no caso, o Imposto de Renda Retido na Fonte, quando dos pagamentos por serviços tomados/contratados de profissionais pessoas físicas e de pessoas jurídicas. Baseada em uma verdadeira engenharia jurídica, a RECORRENTE constituiu uma Sociedade em Conta de Participação, cujo objeto era a prestação de serviços médicos, com quase oitenta profissionais e pessoas jurídicas como sócios participantes, sendo ela a sócia ostensiva, prevendo que cada um deles (sócios participantes) entregavam serviços como “contribuição à sociedade” e eram “remunerados” (através de lucros) proporcionalmente aos serviços que emprestavam como sócios (como se fosse possível aos sócios participantes de uma Sociedade em Conta de Participação exercerem diretamente a atividade prevista no objeto social). No caso, entendo presente o abuso de forma da RECORRENTE, ao batizar Sociedade em Conta de Participação a relação que detinha com pessoas físicas, quando essas em verdade lhe prestavam serviços, tentando assim dissimular o fato gerador da obrigação tributária para, concomitantemente, suprimir a retenção e o recolhimento do imposto que lhe era devido. No direito tributário, como cansadamente é repetido, o conteúdo prevalece sobre a forma. Isso não significa, contudo, que a forma dos negócios jurídicos não tenha elevada importância. E, no presente caso, o estudo da forma denota que o conteúdo não guarda qualquer simetria com a relação societária que se tentou desenhar entre prestadores de serviços e a RECORRENTE. Isso porque: as Sociedades em Conta de Participação estão regidas pelas disposições específicas do Código Civil; dentre as quais salta aos olhos a proibição de os sócios participantes prestarem serviços em nome da Sociedade em Conta de Participação; a conferir: CAPÍTULO II Da Sociedade em Conta de Participação Art. 991. Na sociedade em conta de participação, a atividade constitutiva do objeto social é exercida unicamente pelo sócio ostensivo, em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade, participando os demais dos resultados correspondentes. Parágrafo único. Obrigase perante terceiro tãosomente o sócio ostensivo; e, exclusivamente perante este, o sócio participante, nos termos do contrato social. Art. 992. A constituição da sociedade em conta de participação independe de qualquer formalidade e pode provarse por todos os meios de direito. Art. 993. O contrato social produz efeito somente entre os sócios, e a eventual inscrição de seu instrumento em qualquer registro não confere personalidade jurídica à sociedade. Parágrafo único. Sem prejuízo do direito de fiscalizar a gestão dos negócios sociais, o sócio participante não pode tomar parte Fl. 2026DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assi nado digitalmente em 21/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 20 nas relações do sócio ostensivo com terceiros, sob pena de responder solidariamente com este pelas obrigações em que intervier. Art. 994. A contribuição do sócio participante constitui, com a do sócio ostensivo, patrimônio especial, objeto da conta de participação relativa aos negócios sociais. § 1oA especialização patrimonial somente produz efeitos em relação aos sócios. § 2oA falência do sócio ostensivo acarreta a dissolução da sociedade e a liquidação da respectiva conta, cujo saldo constituirá crédito quirografário. § 3oFalindo o sócio participante, o contrato social fica sujeito às normas que regulam os efeitos da falência nos contratos bilaterais do falido. Art. 995. Salvo estipulação em contrário, o sócio ostensivo não pode admitir novo sócio sem o consentimento expresso dos demais. Art. 996. Aplicase à sociedade em conta de participação, subsidiariamente e no que com ela for compatível, o disposto para a sociedade simples, e a sua liquidação regese pelas normas relativas à prestação de contas, na forma da lei processual. Parágrafo único. Havendo mais de um sócio ostensivo, as respectivas contas serão prestadas e julgadas no mesmo processo. Ou seja, se na Sociedade em Conta de Participação os sócios participantes não podem executar o objeto social, seria incorreto aceitar que os prestadores de serviços à RECORRENTE mantinham com ela uma relação societária. A simulação, como se sabe, é a desconformidade da vontade declarada com sua manifestação, falseiase a verdade fática. Empregase um negócio aparente para ocultar outro negócio realmente desejado. No dizer de Douglas Yamashita, em Elisão e Evasão de Tributos (2005, p.301), parafraseando Pontes de Miranda (Tratado de Direito Privado, 2001, t. IV, p. 379), “..na simulação querse o que não aparece e não se quer o que aparece. Na simulação relativa, segundo esse autor, “digo que vou por aqui, mas em verdade vou por ali”, enquanto na simulação absoluta dizse “vou por aqui, mas em verdade não vou a lugar nenhum”. Segundo Clóvis Beviláqua, “simulação é uma declaração enganosa de vontade, visando produzir efeito distinto do ostensivamente indicado” (Código Civil, Editora Francisco Alves, pg. 283). Considerada a verdadeira relação jurídica mantida pela RECORRENTE com as dezenas de pessoas físicas e jurídicas que lhe prestaram serviços e se passaram por sócias da Sociedade em Conta de Participação, está caracterizado o abuso de forma e a tentativa de induzir o Fisco a erro, reduzindo ou ocultando o tributo devido, o que caracteriza simulação. E, por isso, deve ser mantida a multa qualificada, por evidente intuito de fraude. Vale registrar ainda que, contrariamente ao que defende a RECORRENTE, ainda que seja possível aplicar à Sociedade em Conta de Participação, subsidiariamente e no que com ela for compatível, o disposto para a sociedade simples (art. 996 do Código Civil), é Fl. 2027DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assi nado digitalmente em 21/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.723457/201040 Acórdão n.º 2102002.135 S2C1T2 Fl. 12 21 insuperável a proibição de os sócios participantes exercerem ou executarem o objeto social de uma Sociedade em Conta de Participação, por expressa vedação da lei civil. No caso dos autos, o contrato de constituição da Sociedade em Conta de Participação chega a estabelecer até a responsabilidade pessoal e direta dos sócios participantes pelos serviços que prestassem, em clara dissonância com o Código Civil. Julgo presente, portanto, a simulação perpetrada pela RECORRENTE, sendo devida a cobrança de multas e juros como responsável pelo IRRF que deixou de ser retido nos pagamentos realizados a pessoas físicas e jurídicas que lhe prestaram serviços. Em virtude do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para manter o auto de infração em sua integralidade. Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima Conselheiro Fl. 2028DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por ATILIO PITARELLI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assi nado digitalmente em 21/11/2013 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 10120.004929/2010-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2007 a 31/10/2009
RECURSO INTEMPESTIVO
Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente.Art. 126, da Lei n(8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo 1( do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.(3048/99.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-002.927
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso pela intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Leo Meirelles do Amaral, Bianca Delgado Pinheiro.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso pela intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Leo Meirelles do Amaral, Bianca Delgado Pinheiro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 49 29 /2 01 0- 85 Fl. 1317DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório O presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado e cientificado ao sujeito passivo em 21/06/2010, referese às contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais que prestaram serviço ao município nas competências de 06/2007 a 10/2009. Após a impugnação os autos baixaram em diligência para manifestação do Fisco quanto às alegações fáticas trazidas pelo notificado. Do resultado da diligência que retificou o crédito lançado, foi dada ciência ao contribuinte e lhe concedido prazo para manifestação, após o que, Acórdão de fls. 1232/1241, julgou o lançamento procedente em parte para excluir da autuação as contribuições incidentes sobre honorários de sucumbência. Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, alegando em síntese: a) a tempestividade do recurso; b) cerceamento de defesa; c) que o relatório não explicita o fato gerador com clareza e está repleto de siglas; d) que há contribuição cobrada sobre valores a título de honorários de sucumbência; e) que é errônea a autuação sobre os policiais militares porque se trata de trabalho voluntário mediante convênio efetuado pelo município; f) que os valores cobrados sobre as rescisões já foram pagos e declarados em GFIP; g) que a multa é confiscatória. Requer que seja mantida a decisão recorrida no que se mostrou benéfico ao contribuinte; que o auto de infração seja desconstituído, declarada nula a ação fiscal e insubsistente o auto e promovido o seu arquivamento. É o relatório. Fl. 1318DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10120.004929/201085 Acórdão n.º 2302002.927 S2C3T2 Fl. 1.318 3 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Da Admissibilidade O recurso é INTEMPESTIVO, razão pela qual dele não se deve tomar conhecimento. Cientificado o sujeito passivo do Acórdão de fls. 1232/1241, em 15/04/2013, fls.1266, o prazo para interposição de recurso, que é de 30 (trinta) dias, conforme o art. 126, caput, da Lei n.º 8.213/91, combinado com o art. 305, § 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, iniciou em 16/04/2013, fruindo até 15/05/2013. Entretanto, o recurso foi interposto apenas em 16/05/2013, conforme protocolo de fl.1273, configurandose, portanto, sua intempestividade. Lei n° 8213/91 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) Regulamento da Previdência Social/ Decreto n° 3.048/99 Art.305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social e da Secretaria da Receita Previdenciária nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social, respectivamente, caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento do CRPS. (Alterado pelo Decreto nº 6.032 de 1º/2/2007 DOU DE 2/2/2007) § 1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) O recorrente alega a tempestividade do recurso porquanto a autuada somente teria tomado ciência da autuação no dia 16/04/2013. Entretanto o AR de fls. 1266, traz a data inequívoca do recebimento do auto de infração em 15/04/2013, e a intimação por via postal endereçada a pessoa jurídica legalmente constituída e com endereço conhecido é válida ainda que recebida por pessoa que não possua poderes de representação. Tal assunto, inclusive, já foi sumulado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, se consubstanciando na Súmula n.º 9: Fl. 1319DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário Pelo exposto e considerando o artigo 35, do Decreto n°70.235/72, que dispõe: “Art. 35. O recurso , mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção.” Voto por não conhecer o recurso, por falta de requisito para sua admissibilidade, mantendo a decisão de primeira instância proferida. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 1320DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 05/02/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 11845.000138/2007-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006
PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE RECURSAL.
São as alegações do recorrente que demarcam a extensão do contraditório perante o juízo ad quem, fixando os limites de aplicação da jurisdição em grau de recurso (Nery Junior, Nelson. Princípios fundamentais: teoria geral dos recursos. 5ª ed. rev. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2.000, p. 150). A falta de especificação do inconformismo - impugnação específica - acarreta o não conhecimento da razão recursal.
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES.
Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. No período anterior à Medida Provisória n° 448/2009, aplica-se o artigo 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, salvo se a multa no hoje prevista no artigo 32-A da mesma Lei nº 8.212/91 for mais benéfica, em obediência ao artigo 106, II, do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.966
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, lhe dar provimento parcial, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do art. 32-A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006 PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE RECURSAL. São as alegações do recorrente que demarcam a extensão do contraditório perante o juízo ad quem, fixando os limites de aplicação da jurisdição em grau de recurso (Nery Junior, Nelson. Princípios fundamentais: teoria geral dos recursos. 5ª ed. rev. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2.000, p. 150). A falta de especificação do inconformismo - impugnação específica - acarreta o não conhecimento da razão recursal. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. No período anterior à Medida Provisória n° 448/2009, aplica-se o artigo 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, salvo se a multa no hoje prevista no artigo 32-A da mesma Lei nº 8.212/91 for mais benéfica, em obediência ao artigo 106, II, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2307; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 421 1 420 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11845.000138/200778 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2302002.966 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de janeiro de 2014 Matéria Auto de Infração: GFIP. Fatos Geradores Recorrente CIA. DE SANEAMENTO DO TOCANTINS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006 PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE RECURSAL. São as alegações do recorrente que demarcam a extensão do contraditório perante o juízo ‘ad quem’, fixando os limites de aplicação da jurisdição em grau de recurso (Nery Junior, Nelson. Princípios fundamentais: teoria geral dos recursos. 5ª ed. rev. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2.000, p. 150). A falta de especificação do inconformismo impugnação específica acarreta o não conhecimento da razão recursal. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP com incorreções ou omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. No período anterior à Medida Provisória n° 448/2009, aplicase o artigo 32, IV, § 5º, da Lei nº 8.212/91, salvo se a multa no hoje prevista no artigo 32A da mesma Lei nº 8.212/91 for mais benéfica, em obediência ao artigo 106, II, do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, lhe dar provimento parcial, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do art. 32A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n º 11.941/2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 84 5. 00 01 38 /2 00 7- 78 Fl. 421DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Leo Meirelles do Amaral, Bianca Delgado Pinheiro e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11845.000138/200778 Acórdão n.º 2302002.966 S2C3T2 Fl. 422 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou a impugnação do contribuinte improcedente, mantendo o crédito tributário lançado (fls. 353/359). Adotamos do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 354/356), que bem resume o quanto consta dos autos: Tratase de Auto de Infração, DEBCAD nº 37.066.1745, lançado contra a empresa em epígrafe, emitido em 26/09/2007, em razão de a mesma ter infringido o dispositivo previsto no artigo 32, inciso IV, parágrafo 5º da Lei n.º 8.212/91, c/c o art. 225, IV e parágrafo 4º, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 16/17, verificouse que a empresa em questão não incluiu nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social GFIP, no período de janeiro de 2002 a dezembro de 2006, os valores correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme Anexos II, III e IV, do Relatório Fiscal. Acrescenta que os fatos geradores de contribuições previdenciárias que a empresa deixou de declarar em GFIP se referem a pagamentos efetuados aos segurados da empresa, constantes na folha de pagamento, a título de: Ajuda de Aluguel, Auxilio Alimentação (Cesta Básica, ValeAlimentação) em Desacordo com a Lei e pagamento de fretes e carretos efetuado a pessoas físicas, Contribuintes Individuais. DA PENALIDADE Em decorrência da infração ao dispositivo legal acima descrito, foi aplicada a multa no valor de R$ 2.410.295,59 (dois milhões, quatrocentos e dez mil, duzentos e noventa e cinco reais e cinquenta e nove centavos), em conformidade com o art.284, inciso II do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99 e art. 32, inciso IV, parágrafo 5º, da Lei n.º 8.212/91, que equivale a cem por cento dos valores devidos, relativos à contribuição não declarada, limitada a um multiplicador sobre o valor mínimo, em função do número de segurados, nos termos do art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.528/97, combinado com o art. 284, inciso II, do RPS, cujo valor foi atualizado pela Portaria MPS n.º 142/2007, conforme tabela Anexo I do Relatório Fiscal da Multa Aplicada, de fls. 19/20. Não foram verificadas circunstâncias atenuantes ou agravantes.. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 DA IMPUGNAÇÃO Tempestivamente, o contribuinte apresentou impugnação, fls. 84/138, acompanhado dos documentos de fls. 139/298, alegando, em síntese: Em preliminares, requer a atenuação, em 50% (cinquenta por cento) do valor da multa aplicada, haja vista a correção da falta dentro do prazo de impugnação, relativa, exclusivamente, ao item 2.1 do Relatório Fiscal da Infração da parte da folha de pagamento dos segurados empregados não declarados em GFIP. Aduz ter a fiscalização cometido vários equívocos, como considerar as informações referentes às diárias de viagem, equivocadamente apresentadas pela impugnante na rubrica contábil Lanches e Refeições, e a própria ausência de natureza salarial desse fornecimento de alimentos e lanches, concedidos aos empregados por força de cláusula contratual coletiva, que lhe atribuiu indiscutível natureza indenizatória, além de que visava, unicamente, efetivo incremento de produtividade e eficiência funcionais; Acrescenta que não são consideradas como integrantes dos salários as diárias de viagens que não excedam a 50% do salário percebido pelo respectivo empregado, como é o caso da impugnante, conforme comprovantes em anexo; Que no caso, o fornecimento de lanches e alimentos aos seus empregados, em suas próprias dependências, como através do cartão eletrônico alimentação (BRASILCARD) não sofre a incidência de contribuição previdenciária, por não apresentar natureza salarial. Que a ajuda de aluguel concedida pela impugnante em caráter seletivo a alguns de seus empregado, por força do contido na Resolução da Diretoria da empresa de nº 013/2002, anexa aos autos, que expressamente prevê a concessão do benefício somente áqueles empregados sujeitos à transferência de domicílio em razão das exigências de trabalho requeridas pela empresa é verba eminentemente indenizatória. Colaciona jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho TST para corroborar seu entendimento de que vantagens in natura como aluguel e combustível, quando concedidas em razão da real necessidade do labor não tem natureza salarial; Requer, ante o exposto a improcedência total do presente Auto de Infração. DO ADITIVO À IMPUGNAÇÃO Em 05 de maio de 2009, a impugnante protocolou, às fls. 315/322 nova impugnação alegando que arrimada nos termos do art. 106 do CTN vem requerer que seja imediatamente determinada a aplicação do art. 32A, acrescido à Lei nº 8.212/91 pela Medida Provisória nº 449/08, no caso em questão, por se tratar de norma mais benéfica, aplicada aos atos ainda não definitivamente julgados. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11845.000138/200778 Acórdão n.º 2302002.966 S2C3T2 Fl. 423 5 DA DILIGÊNCIA O processo foi encaminhado à essa DRJ para julgamento, onde se constatou divergência entre o valor total da multa constante no Anexo I do Relatório Fiscal (R$ 2.412.783,85) e o valor aplicado do auto de infração (R$ 2.410.295,59). Dessa forma, foram estes baixados em diligência, para que o auditor autuante providenciasse seu saneamento, e, em decorrência da nova sistemática de aplicação da multa, efetuasse a comparação entre as multas para detectar qual seria a mais benéfica ao contribuinte. Como resultado da diligência a autoridade autuante emitiu a Informação Fiscal, de fls. 328, onde aduz estar anexando novas planilhas, com os cálculos da multa retificados, visto as primeiras conterem incorreções decorrentes de digitação. O contribuinte foi cientificado do resultado da diligência, em 25/11/2009 (fl. 340), mas não se manifestou, tendo sido os autos devolvidos para conclusão do julgamento. É o relatório. A DRJ, como afirmado anteriormente, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário lançado (fls. 353/359). A recorrente foi intimada da decisão em 16/04/2012 (fls. 366), apresentado Recurso Voluntário em 15/05/2012 (fls. 368/405), no qual alega, em síntese: * sem especificar, que muitos dos argumentos de defesa não foram apreciados pela decisão de primeira instância; * a redução do valor da multa, decorrente da retroatividade benigna (art. 106, II, c, do CTN) das disposições trazidas à lume pela Lei n° 11.941/2009, deve ser aplicada imediatamente e não quando do pagamento, como estabeleceu o decisório a quo; * deve haver a suspensão do processamento do Auto de Infração, até o julgamento final das NFLDS´s (obrigações principais), para que se verifique, com exatidão, o verdadeiro alcance de eventuais multas acessórias hábeis de serem ainda aplicada. Ao final, requer seja dado provimento ao recurso, seja por ato decisório a ser emanado pelo CARF, seja por eventuais atos de revisão ex officio formalizados sob a égide judicante da DRJ de origem ou, sob o enfoque fiscal firmado pelo competente órgão local da RFB. É o relatório. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 6 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Apreciação de argumentos de defesa. A recorrente, sem especificar, assevera que muitos dos argumentos de defesa não foram apreciados pela decisão de primeira instância. Tal argumentação mostrase sem efeito, na medida em que a recorrente não indica quais argumentos não teriam sido apreciados, preferindo a generalidade ao invés da especificidade. Vejamos o que a melhor doutrina pontifica: Vige, no tocante aos recursos, o princípio da dialeticidade. (...) O procedimento recursal é semelhante ao inaugural de ação civil. A petição de interposição de recurso é assemelhável à petição inicial, devendo, pois, conter os fundamentos de fato e de direito que embasariam o inconformismo do recorrente, e, finalmente, o pedido de nova decisão. Tanto é assim, que já se afirmou ser causa de inépcia a interposição de recuso sem motivação. (...) São as alegações do recorrente que demarcam a extensão do contraditório perante o juízo ‘ad quem’, fixando os limites de aplicação da jurisdição em grau de recurso. As razões do recurso são elemento indispensável a que o tribunal para o qual se dirige, possa julgar o mérito do recurso, ponderandoas em confronto com os motivos da decisão recorrida. A sua falta acarreta o não conhecimento. Tendo em vista que o recuso visa, precipuamente, modificar ou anular a decisão considerada injusta ou ilegal, é necessária a apresentação das razões pelas quais se aponta a ilegalidade ou injustiça da referida decisão judicial. (...) Em nosso sentir, a exposição dos motivos de fato e de direito que levaram o recorrente a interpor o recurso, bem como o pedido de nova decisão em sentido contrário ao que restou decidido são requisitos ´essenciais´ e, portanto, ´obrigatórios´. A inexistência de razões ou de pedido de nova decisão realmente não se configura como causa de nulidade do processo, mas acarreta a sanção de proferirse juízo de admissibilidade negativo, não se o conhecendo. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11845.000138/200778 Acórdão n.º 2302002.966 S2C3T2 Fl. 424 7 (Nery Junior, Nelson. Princípios fundamentais: teoria geral dos recursos. 5ª ed. rev. e ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2.000, p. 150). Mutatis mutandis¸ os ensinamentos de Teoria Geral dos Recursos são válidos para o processo administrativo fiscal (artigo 4° da Lei de Introdução às normas de Direito Brasileiro, DecretoLei n° 4.657/42), de sorte que não merece ser conhecida a razão recursal inespecífica. Suspensão do processamento. Constituição do crédito relativo às obrigações principais. Alega a recorrente que deve haver a suspensão do processamento do Auto de Infração, até o julgamento final das NFLDS´s (obrigações principais), para que se verifique, com exatidão, o verdadeiro alcance de eventuais multas acessórias hábeis de serem ainda aplicada. Inexistem dúvidas quanto à relação de prejudicialidade suscitada pela recorrente. Ocorre que, conforme termo de encerramento da ação fiscal (fls. 16), foram lavradas cinco NFLD´s no procedimento fiscal que resultou na autuação em comento, sendo que três delas referemse ao período de apuração que coincide com o Auto de Infração de obrigações acessórias. São elas as de debcad n° 37.066.1710; 37.066.1699; e 37.066.1729. Todas as NFLD´s mencionadas, conforme telas de fls. 350 e 352 foram incluídas em parcelamento especial, espontaneamente, pela recorrente. Destarte, não há que se falar em suspensão do processamento do Auto de Infração para que se aguarde o julgamento final das NFLD´s relativas às obrigações principais. Multa. Retroatividade Benigna. A recorrente requer a redução do valor da multa, em razão da retroatividade benigna (art. 106, II, c, do CTN) decorrente das disposições trazidas à lume pela Lei n° 11.941/2009. Pleiteia seja aplicada imediatamente e não quando do pagamento, como estabeleceu o decisório a quo. Com razão a recorrente, devendo ser revista a decisão a quo não só quanto à aplicação imediata da retroatividade benigna, mas também quanto aos critérios adotados. Com efeito, o acórdão de origem reconheceu a aplicação do Parecer PGFN/CAT n° 433/2009, que, como veremos faz um somatório da multa moratória de vinte e quatro por cento pelo descumprimento da obrigação principal mais a multa de cem por cento relativas as contribuições não declaradas (obrigação acessória), comparandoas com a multa de ofício de 75% da novel legislação. Ou seja, mistura a legislação relativa à obrigação acessória com as disposições legais pertinentes aos acréscimos legais da obrigação principal. Vejamos nosso entendimento: Fl. 427DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 8 Apurado o descumprimento de obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer), compete à autoridade fiscal lavrar Auto de Infração, aplicando a penalidade correspondente, que se converterá em obrigação principal, na forma do § 3º do art. 113 do CTN. No presente caso, a obrigação acessória corresponde ao dever de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, por intermédio de documento definido em regulamento (GFIP), TODOS os dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do INSS. Ao deixar de informar fatos geradores de contribuições previdenciárias, a recorrente infringiu o artigo 32, IV, § 5º, da Lei n.º 8.212/91; e o artigo 225, IV, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, pois é obrigada a informar, mensalmente, por intermédio da GFIP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária, sendo que a apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitava o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada. A multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração, estava contida no artigo 32, § 5º, da Lei n.º 8.212/91; e no artigo 284, II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99: Art.284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: I valor equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no caput do art. 283, em função do número de segurados, pela não apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, independentemente do recolhimento da contribuição, conforme quadro abaixo: 0 a 5 segurados ½ valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo Acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração Fl. 428DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11845.000138/200778 Acórdão n.º 2302002.966 S2C3T2 Fl. 425 9 cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; e (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) III cinco por cento do valor mínimo previsto no caput do art. 283, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. § 1º A multa de que trata o inciso I, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue, sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração. § 2º O valor mínimo a que se refere o inciso I será o vigente na data da lavratura do autodeinfração. Era considerado, por competência, o número total de segurados da empresa, para fins do limite máximo da multa, que era apurada por competência, somandose os valores da contribuição não declarada, e seu valor total será o somatório dos valores apurados em cada uma das competências. Entretanto, as multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória nº 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, já na redação da Lei n.º 11.941/2009, nestas palavras: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 10 § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. Como afirmado, no caso em tela, o Fisco ao aplicar a multa fez um somatório da multa moratória de 24% pelo descumprimento da obrigação principal mais a multa de cem por cento relativas as contribuições não declaradas e comparouas com a multa de ofício de 75%. Mas, quanto à aplicação de multa no Auto de Infração de omissão de fatos geradores em GFIP, nosso entendimento é que, à luz da legislação vigente, as multas devem ser aplicadas de forma isolada, conforme o caso, por descumprimento de obrigação principal ou de obrigação acessória, da forma mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disposto no artigo 106, do Código Tributário Nacional. Embora, em algumas vezes, a obrigação acessória descumprida esteja diretamente ligada à obrigação principal, isto não significa que sejam únicas para aplicação de multa conjunta. Pelo contrário, uma subsiste sem a outra e mesmo não havendo crédito a ser lançado, é obrigatória a lavratura de auto de infração se houve o descumprimento de obrigação acessória. As condutas são tipificadas em lei, com penalidades específicas e aplicação isolada. O art. 44 da Lei n º 9.430/96, traz que a multa de ofício de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Portanto, está claro que as três condutas não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Quando o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não será aplicada a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; porém, se apesar do pagamento, não tiver declarado em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212, justamente por se tratar de condutas distintas. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 11845.000138/200778 Acórdão n.º 2302002.966 S2C3T2 Fl. 426 11 Se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9.430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. Portanto, a multa prevista no artigo 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Ocorre que pode ocorrer de o contribuinte não ter recolhido o tributo e tampouco ter declarado em GFIP. Nessa situação, temos duas infrações distintas e, conseqüentemente, duas penalidades de natureza diversa: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e, por não ter declarado em GFIP, a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Pelo exposto, é de fácil constatação que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. Acrescentese que a lei, ao tipificar essas infrações em dispositivos distintos, denota estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Assim, no caso presente, há cabimento do art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional, o qual dispõe que a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Destarte, o comparativo da norma mais favorável ao contribuinte deverá ser feito cotejando os arts. 32, § 5º, com o art. 32A, I, ambos da Lei nº 8.212/1991, sendo aplicada a multa mais favorável ao contribuinte. Pelas razões ora expendidas, CONHEÇO PARCIALMENTE do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo a penalidade a ser aplicada ao sujeito passivo ser recalculada, tomandose em consideração as disposições inscritas no art. 32 A, I, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, somente na estrita hipótese de o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso à recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN. É como voto. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 431DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 12 Fl. 432DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 03/ 02/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 04/02/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 10611.003780/2008-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 03/07/2007 a 14/05/2008
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA COMPROVADA. MULTA POR CESSÃO DO NOME APLICADA AO IMPORTADOR OSTENSIVO. CABIMENTO.
A pessoa jurídica que ceder o nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para fim de realização de operação de importação de terceiros, com a ocultação dos reais adquirentes das mercadorias, fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação, prescrita pelo art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-002.098
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 03/07/2007 a 14/05/2008 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA COMPROVADA. MULTA POR CESSÃO DO NOME APLICADA AO IMPORTADOR OSTENSIVO. CABIMENTO. A pessoa jurídica que ceder o nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para fim de realização de operação de importação de terceiros, com a ocultação dos reais adquirentes das mercadorias, fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação, prescrita pelo art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé e Nanci Gama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 61 1. 00 37 80 /2 00 8- 71 Fl. 489DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 2 Relatório Tratase de Auto de Infração (fls. 3/17) em que formalizada a exigência da multa de R$ 119.499,82, equivalente a 10% do valor aduaneiro das mercadorias importadas, em decorrência da prática da infração, caracterizada pela cessão do nome para realização de operações de comércio exterior de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários, tipificada no art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007. Segundo o Relatório de Encerramento da Ação Fiscal de fls. 23/51, que integra o referido Auto de Infração, a fiscalização concluiu que, em relação as operações de importação objeto da autuação, a autuada agira como interposta pessoa da responsável solidária Interdiesel do Brasil Ltda., a real importadora das mercadorias, com base nas constatações, que foram resumidas no excerto extraído do Relatório encartado no Acórdão recorrido, a seguir transcrito: · da análise dos extratos de conta da AH Internacional Ltda., viuse a existência de diversos depósitos bancários efetuados pela empresa Interdiesel do Brasil Ltda., os quais foram utilizados para o fechamento de Contratos de Câmbio e pagamentos de tributos de importação; · as Notas Fiscais de Entrada e de Saída emitidas logo após o desembaraço das importações, em números sequenciais, contêm idênticas quantidades de mercadorias e margens de lucro que pouco ultrapassam os custos, comprovam o repasse para o real adquirente, qual seja, a empresa Interdiesel; · foram localizadas correspondências de cunho comercial mantidas entre a AH Internacional Ltda. e a Interdiesel do Brasil Ltda., tais como: email, fax, os quais comprovam as negociações realizadas entre as referidas partes; · não foram apresentados documentos que comprovassem ser a AH Internacional Ltda. a real adquirente ou vendedora das mercadorias nas transações internacionais. Tanto os livros contábeis, extratos bancários e as correspondências comerciais retidas na empresa, sugerem a ocultação do verdadeiro responsável pelas transações; · os sócios apresentaram ao Fisco declarações que evidenciam incompatibilidade de seus bens, rendimentos, com os negócios realizados. Cientificada do procedimento fiscal, a autuada apresentou a impugnação, que foi resumida no relatório que integra a decisão recorrida, com os seguintes termos, in verbis: · da tempestividade da Peça Defensória, vez que foi intimada da autuação no dia 21/11/2008 (sextafeira); · que não teve acesso ao inteiro teor do auto de infração, apesar de, em 16/12/2008, haver solicitado cópia integral do mesmo, conforme anexo (à fl. 242), sendo que, até a apresentação dessa impugnação não havia sido atendida, pelo que requer aditamento a sua defesa, com apresentação de documentos e Fl. 490DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10611.003780/200871 Acórdão n.º 3102002.098 S3C1T2 Fl. 101 3 novas razões, após o prazo previsto no art. 15 do Decreto nº 70.235/1972, sob pena de cerceamento de seu direito; · da impossibilidade da aplicação da pena, pois todas as importações foram realizadas com estrita obediência à legislação, conforme será demonstrado tão logo se obtenha o inteiro teor da acusação fiscal. Dos pedidos: 1. que seja autorizado o aditamento sob pena de cerceamento de defesa e ao final julgada procedente a impugnação, reconhecendo a improcedência do lançamento; 2. requer também a juntada do instrumento de procuração, em anexo. DO ADITIVO Constam, às fls. 242/418, dos autos, cópias extraídas do processo de nº 10611.003620/200821, da AH Internacional Ltda (Termo de Juntada, à fl. 419) , quais sejam: pedido de cópia de inteiro teor do processo em discussão, datado de 16/12/2008; revisão das estimativas de habilitação na modalidade ordinária, datado de 19/03/2007; aditivo à impugnação, protocolizado, em 09/07/2009 ( às fls. 244/250), e anexos, nos seguintes termos: · dispõe acerca da possibilidade do aditamento, consoante já explicitado na impugnação, pelo fato de a autuada não haver obtido, dentro do prazo recursal, cópia do inteiro teor da autuação; · alega a impossibilidade da aplicação da penalidade em questão, vez que realizou todas as importações de acordo com a legislação regente, mormente quanto ao recolhimento dos tributos no desembaraço aduaneiro, não havendo falar em prejuízo ao Fisco; · em março de 2007, a Inspetoria da Receita Federal do Brasil, em Belo Horizonte (MG), deferiu pedido de “Revisão das estimativas de habilitação na modalidade ordinária”, ampliando o seu volume de importação. Desde então, a empresa estaria autorizada a importar o valor correspondente a US$ 3.643.259,00, em cada período de seis meses, nos termos do art. 5º da IN SRF 650/2006; · ao contrário do asseverado pelo auditor autuante, a autoridade administrativa que analisou a situação fiscal da empresa entendeu que a impugnante possuía capacidade financeira para realizar transações internacionais; · ressalta que a penalidade foi aplicada a mercadorias importadas no período de 07/2007 à 05/2008, e a ampliação do volume de importações foi concedida em 03/2007, o que demonstra que não merece prosperar a acusação fiscal acerca da falta de capacidade financeira; Fl. 491DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 4 · que em momento algum se restou comprovada a intenção da autuada em fraudar o Fisco, mesmo porque as operações ocorreram dentro da estrita legalidade. Logo, não havendo prova do intuito da autuada em fraudar o Fisco, descabe a aplicação da pena ora guerreada. Colaciona jurisprudência administrativa; · no intuito de comprovar que a autuada havia cedido seu nome para operações de comércio exterior supostamente praticadas pela Interdiesel, a fiscalização carreou aos autos várias notas fiscais emitidas contra aquela empresa; · que a Interdiesel era cliente da impugnante, assim como muitas outras constantes das notas fiscais em anexo, o que comprova que a impugnante não cedeu seu nome para que a Interdiesel importasse mercadorias. Caso prevaleça o entendimento de que a autuada estaria cometendo irregularidades em relação às mercadorias que foram alienadas à Interdiesel, todos os outros clientes deveriam ter sido autuados, vez que o procedimento era igual para todos, qual seja: importar e vender mercadorias já nacionalizadas, agregando, ao preço final, o lucro operacional. Dos pedidos: Em face de todo o exposto, reitera os pedidos constantes da impugnação, para reconhecer a improcedência do feito. Em 2/3/2011, o julgamento foi convertido em diligência fiscal (fls. 420/424), para que unidade preparadora adotasse as seguintes providências: · anexar aos autos, caso tenha, documentação comprobatória da disponibilização à peticionante, conforme por esta solicitado, do inteiro teor do processo para fornecimento de cópia, contendo, inclusive, a data desse atendimento, a qual servirá como data para reinício de contagem do prazo de apresentação de impugnação (trinta dias da ciência do inteiro teor da autuação), a fim de dissipar qualquer pecha acerca do amplo direito de defesa e do contraditório; · na hipótese acima, deverá ainda cientificar a impugnante, qual seja: AH Internacional, do teor da presente Resolução e dos seus resultados, assegurandolhe o prazo de trinta dias para sua eventual manifestação acerca das informações e documentos trazidos aos autos; · caso não disponha dessa referida documentação probatória, deverá a unidade preparadora intimar a autuada para que esta, em prazo determinado, faça vistas de inteiro teor dos autos, inclusive desta Resolução e de seus resultados, e, caso queira, lhe sejam fornecidas cópias necessárias, com a devida reabertura do prazo de defesa. Anexar comprovação da ciência dessa intimação e prestar esclarecimentos acerca do seu cumprimento; · anexar aos autos, demais documentos e/ou esclarecimentos que entenda necessários à instrução e julgamento do feito; Fl. 492DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10611.003780/200871 Acórdão n.º 3102002.098 S3C1T2 Fl. 102 5 A diligência fiscal foi cumprida e, por meio do Relatório de Diligência Fiscal de fl. 431, prestados os seguintes esclarecimentos: a) Não foi localizada documentação comprobatória da disponibilização à AH Internacional de cópia do referido processo. b) Os procuradores legalmente reconhecidos da AH Internacional, Sr. Gilmar Geraldo Gonçalves de Oliveira, OAB/MG sob o nº 87.750 e Sr. Cláudio Henrique Caldeira, OAB/MG sob o nº 98.642, compareceram em 21/11/2011 nesta inspetoria e foram cientificados pessoalmente do Termo de Intimação nº 021.02/2011. c) No Termo de Intimação nº 021.02/2011 o contribuinte foi intimado a comparecer em data previamente agendada neste SEFIA para vistas do Auto de Infração e respectivos documentos integrantes que compõem o processo nº 10611.003780/200871. d) Em 21/11/2011 logo após a ciência do Termo de Intimação nº 021.02/2011, seus procuradores tiveram acesso ao inteiro teor dos autos do processo nº 10611.003780/200871, no entanto, não demonstraram interesse em obter cópias de qualquer documento constante dos autos. e) Nesta data foi lavrado “Termo de Vista em Processo” constando também o recebimento de cópia da Resolução 08 002.091 – 7º Turma da DRJ/FOR de 02/03/2011, e a ciência da reabertura do prazo de 30 dias para manifestação. Em 21/12/2011, a autuada apresentou manifestação (fls. 434/442), cujas alegações foram resumidas no relatório que integra o Acórdão recorrido, com os seguintes termos, in verbis: · reitera todos os termos da impugnação apresentada em 23/12/2008; · com relação ao aditivo à impugnação anteriormente apresentado, requer sua desconsideração, mantendose, contudo, para análise, os documentos que o instruíram; · como novo aditamento, requer: 1. Da impossibilidade da aplicação contida no art. 33 da Lei 11.488/2007 – Ausência dos Requisitos Necessários; 2. Da regularidade da importações realizadas pela impugnante, vez que não houve prejuízo ao Fisco e/ou intenção delituosa, sendo descabida a penalidade aplicada; 3. A impugnante obteve a revisão do seu volume de importação em 03/2007, do que se infere que ela aferia sim capacidade financeira para realizar transações internacionais; Fl. 493DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 6 4. Não há prova do intuito da impugnante em fraudar o Fisco, sendo descabida a pena aplicada; 5. Que, desde 1999 a impugnante vem aumentando seu capital social em estrita obediência às regras contábeis, inclusive, por meio de contratos de empréstimos mantidos junto a instituições financeiras, conforme constatado pelos auditores, bem como extratos bancários acostados aos autos; 6. Por meio da quinta alteração contratual os sócios aumentaram o capital social para R$ 50.000,00 em 06/05/1999. Já em 11/06/2007, ocorreu novo aumento de capital passando para R$ 100.000,00, ex vi da 12ª alteração contratual; 7. Que os valores declarados pelos sócios nas suas respectivas Declarações de Rendimentos 2006/2007 e 2007/2008 comprovam a origem do dinheiro utilizado pelos mesmos para a realização do aumento do capital social da impugnante; inclusive, foram tais valores informados na Declaração da impugnante; 8. Que o próprio auditor fiscal afirma às fls. 04 e 08 do Relatório de Termo de Encerramento Fiscal que a impugnante comprovou a origem de recursos; 9. Portanto, não merece prosperar a acusação da não comprovação da origem dos recursos utilizados nas importações realizadas pela impugnante; 10. Que, no intuito de comprovar que a impugnante importava por conta e ordem da Interdiesel do Brasil Ltda., os auditores fiscais juntaram aos autos várias notas fiscais emitidas pela impugnante contra essa empresa; 11. Que, de fato, a Interdiesel do Brasil Ltda. era apenas cliente da impugnante, sendo que, conforme notas fiscais em anexo, havia também outros clientes, o que comprova a não ocultação do sujeito passivo; 12. No mais, caso prevaleça o entendimento de que a impugnante estaria cometendo irregularidade em relação às mercadorias que foram alienadas à Interdiesel, todos os outros clientes, conforme notas fiscais em anexo, deveriam também ter sido autuados, posto que o procedimento era o mesmo, qual seja: importar e vender mercadorias já nacionalizadas, agregando, no preço, o lucro operacional. Dos pedidos: Requer a improcedência do lançamento fiscal e o consequente cancelamento do presente Auto de Infração. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, decidiram os integrantes da Turma de Julgamento: Fl. 494DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10611.003780/200871 Acórdão n.º 3102002.098 S3C1T2 Fl. 103 7 [...] PRELIMINARMENTE REJEITAR as arguições concernentes ao cerceamento de defesa e NO MÉRITO DAR PROVIMENTO PARCIAL, nos seguintes termos: a) considerar devida a presente exação no montante de R$ 99.098,88; e b) excluir R$ 20.400,94 referente ao percentual de 10% calculado sobre valores de impostos indevidamente incluídos na base de cálculo da multa em questão. Os fundamentos que, em síntese, embasaram as referidas decisões constam dos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 03/07/2007 a 14/05/2008 ARGUIÇÃO DE OFENSA À AMPLA DEFESA. DESCABIMENTO. Estando o crédito tributário constituído no estrito rigor da lei (art. 142, caput e parágrafo único do Código Tributário Nacional), lastreado nos princípios que movem a Administração Pública (art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988 e art. 2º, caput, e parágrafo único, da Lei 9.784/1999), regularmente notificado ao sujeito passivo, e ainda instruído com robusta descrição dos fatos, escorreito enquadramento legal, e com provas hábeis a amparar a exação, não há falar em ofensa à ampla defesa. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 03/07/2007 a 14/05/2008 CESSÃO DE NOME. OPERAÇÃO DE COMÉRCIO EXTERIOR. ACOBERTAMENTO DE INTERVENIENTES. MULTA PECUNIÁRIA. SUJEIÇÃO PASSIVA. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita à multa prescrita pelo art. 33 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Para efeito da aplicação da citada penalidade, entendese por valor da operação aquele utilizado como base de cálculo do imposto de importação ou do imposto de exportação, de acordo com a legislação específica. Em 26/9/2012 (fls. 474/475), a autuada foi cientificada da referida decisão. Em 23/10/2012, apresentou o recurso voluntário de fls. 478/484, em que reafirmou os argumentos aduzidos na peça impugnatória. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 8 É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia gira em torno da aplicação da multa de 10% (dez por cento) do valor das respectivas operações de importação, motivada pela prática da infração caracterizada pela cessão do nome, com vistas à realização de operação de importação, mediante a ocultação do real importador. A referida infração e respectiva penalidade pecuniária encontramse estatuídas no art. 33 da Lei nº 11.488, de 2007, a seguir transcrito: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (grifos não originais) Segundo a fiscalização, a autuada agiu como interposta pessoa da real adquirente e importadora das mercadorias, a pessoa jurídica Interdiesel do Brasil Ltda., pois foi esta, de fato, quem forneceu os recursos financeiros utilizados no pagamento das despesas de transporte e armazenamento, liquidação dos contratos de câmbio e recolhimento dos tributos devidos na operação de importação. No procedimento fiscal em apreço, os fatos apurados pela fiscalização e relatados no Relatório de Encerramento da Ação Fiscal (fls. 23/51), que integra o questionado Auto de Infração, corroborados pela farta e robusta documentação colacionada aos autos (fls. 69/224), a meu ver, demonstram cabalmente que os recursos financeiros utilizados para pagamento das despesas de transporte e armazenagem, liquidação dos contratos de câmbio e recolhimento dos tributos devidos, relativos às operações de importação realizados pela autuada, foram fornecidos pela pessoa jurídica Interdiesel do Brasil Ltda., que, de forma dissimulada, não teve a sua condição de real adquirente e importadora das mercadorias revelada nos documentos e respectivas declarações de importação. Além disso, a recorrente não contestou tais fatos nem apresentou qualquer elemento probatório que infirmassem as conclusões apresentadas pela fiscalização, com suporte na documentação coligida aos autos. Tal conduta também materializa a infração denominada de interposição fraudulenta, tipificada no art. 23, V, do Decretolei nº 1.455, de 1976, sancionada com pena perdimento da mercadoria por dano erário ou penalidade pecuniária sucedânea de 100% (cem por cento) do valor da operação, se inviabilizada a apreensão das mercadorias, nos termos do § 3º do mesmo art. 23. Entretanto, por não ser objeto dos presentes autos, essa matéria não será aqui analisada. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO Processo nº 10611.003780/200871 Acórdão n.º 3102002.098 S3C1T2 Fl. 104 9 E uma vez comprovado o uso de recursos financeiros de terceiros, em consonância com o disposto no art. 271 da Lei nº 10.637, de 2002, por presunção, tais operações de importação são consideradas importação por conta e ordem da pessoa jurídica fornecedora de tais recursos. No caso em tela, resta demonstrado que a recorrente, de fato, cedeu o seu nome para que a real adquirente e importadora Interdiesel do Brasil Ltda., realizasse tais importações por seu intermédio e assim ficasse oculta dos órgãos de controle das atividades de comércio exterior, além de se eximir das obrigações tributários decorrentes da condição importador. Entretanto, apesar da solidez do procedimento fiscal, a recorrente alegou insubsistência da referida penalidade, porque não havia os requisitos necessários para sua aplicação, uma vez que as importações objeto da autuação foram realizadas regularmente, mormente no que tange ao recolhimento de todos os tributos devidos nas respectivas operações de importação. Não merece acolhida essa alegação, haja vista que a regularidade da operação de importação não se resume ao mero cumprimento das obrigações tributárias. Com efeito, além do aspecto tributário, no âmbito da operação de importação há outras condições que precisam ser também cumpridas pelo importador, dentre quais, destacase a comprovação da (i) condição de real adquirente e importador das mercadorias e (ii) origem licita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos utilizados nas respectivas operações, conforme exige o art. 4º2 da Instrução Normativa RFB nº 228, de 2002. Aliás, o objetivo principal do procedimento fiscal em comento, e que resultou na autuação em apreço, foi verificar o cumprimento de tais requisitos. Alegou ainda a recorrente que lhe fora conferida autorização para realizar importações no valor de US$ 3.643.259,00, o que demonstrava que ela tinha capacidade financeira para realizar as tais operações importação. Também não procede essa alegação, pois, o referido valor representa apenas uma estimativa da capacidade financeira, para fim de habilitação ordinária do importador no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), que poderá ser revista pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) a qualquer tempo, com base nas informações disponíveis em suas bases de dados ou mediante a prestação de informações adicionais pelo interessado. Portanto, ao contrário do que entendeu a recorrente, tal habilitação tem natureza precária, podendo ser revista a qualquer tempo pelo referido Órgão fiscalizador, em conformidade com o disposto nos arts. 5º e 21 da Instrução Normativa SRF nº 650, de 12 de maio de 2006. 1 "Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001." 2 "Art. 4º 0 procedimento especial será iniciado mediante intimação a empresa para, no prazo de 20 dias: I comprovar o seu efetivo funcionamento e a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias, mediante o comparecimento de sócio com poder de gerência ou diretor, acompanhado da pessoa responsável pelas transações internacionais e comerciais; e II comprovar a origem licita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações." Fl. 497DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO 10 Por fim, alegou a recorrente que, em momento algum, teve a intenção de fraudar o Fisco, logo, se não houve prova do intuito de fraude descabia a aplicação da penalidade em questão. Mais uma vez, não assiste razão à recorrente, pois, é consabido que a infração à legislação aduaneira tem natureza objetiva, portanto, independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme dispõe o art. 94 do Decretolei nº 37, de 1966, a seguir transcrito: Art. 94 Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. § 1º O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (grifos não originais) Por todas essas razões, fica demonstrada a improcedência das alegações suscitadas pela Recorrente. Por todo o exposto, NEGASE PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra a decisão de primeiro grau. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 498DF CARF MF Impresso em 24/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 07 /01/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 20/02/2014 por LUIS MARCELO GUER RA DE CASTRO
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Numero do processo: 18471.000366/2007-82
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2802-000.197
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, determinar a realização de diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Jorge Claudio Duarte Cardoso
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, determinar a realização de diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 21/11/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Dayse Fernandes Leite e Ricardo Anderle. Ausentes justificadamente os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández e Julianna Bandeira Toscano. Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2003 e 2004, anocalendário 2002 e 2003, em virtude de apuração de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. O Termo de Verificação Fiscal encontrase às fls. 49/53 e resume o procedimento de fiscalização que foi desencadeado inicialmente na operação conjunta denominada de Operação Farol da Colina (Beacon Hill) de combate a crimes financeiros, sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha, realizada simultaneamente em 8 Estados, com a participação da Polícia Federal, da Receita Federal, do Banco Central e do Ministério Público Federal. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 71 .0 00 36 6/ 20 07 -8 2 Fl. 302DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 21 /11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 18471.000366/200782 Resolução nº 2802000.197 S2TE02 Fl. 303 2 No decorrer da investigação foi verificado que valores transitaram da extinta agência do Banestado em Nova Iorque para diversas outras instituições financeiras nos EUA, entre as quais o Delta Bank. A Justiça Federal autorizou o acesso aos dados bancários das contas movimentadas no Delta Bank e com base na respectiva documentação a Equipe de Fiscalização identificou a conta Tanagran, nº 602537 mantida no Delta National Bank and Trust Company, nos EUA, em nome do recorrente, seus pais (Otávio Franzim Stipp e Lydia Capuano Stipp) e irmã (Danielle Stipp). Os depósitos bancários que deram azo ao lançamento ocorreram na supramencionada conta. Foram 3 depósitos em 2002 (02/07 – U$37.78,85; 22/10 – US$7.61,29 e 23/10 – US$6.000,00) e 1 em 2003 (01/04 – US$26.607,81). Todos cotitulares foram intimados para justificar a origem dos recursos. A intimação em nome do recorrente foi respondida por seu pai, Sr. Otávio Franzim Stipp que afirmou que todos os cotitulares desconheciam as respectivas operações bancárias, que seu filho Henry e sua filha Danielle não residiam no Brasil, desde 1993 e 1997, respectivamente. Os documentos comprobatórios da titularidade (fls. 82/112) e da movimentação bancária (fls. 17/41) foram obtidos com autorização da Justiça Federal (fls. 71/73), em investigação relativa à denominada Força Tarefa CC5. O crédito tributário apurado foi rateado na proporção de 25% para cada um dos 4 cotitulares, dando origem a este e outros três de nº 18471.000367/200727, 18471000365200738 e 18471000364200793. Na impugnação, o contribuinte alegou que não era residente no Brasil, que as DIRPF dos anocalendário 2002 e 2003 foram enviadas por engano, que não efetuou depósitos na conta apontada no lançamento, que não há prova de que é titular dessa conta; o lançamento não observou o princípio da legalidade por não se basear em absoluta certeza; na dúvida deve se beneficiar o contribuinte (art. 112 do CTN); mesmo quando a lei autoriza a presunção, é ônus da fiscalização provar a titularidade e os depósitos, mas isto não ocorreu; ilegalidade da utilização da Selic. A impugnação foi indeferida com fundamento na presunção legal do art. 42 da Lei 9.430/1996, na prova da titularidade por meio dos documentos de fls. 82/112, entre os quais se destaca o de fls. 86 referente ao cadastro da conta nº 602537 que indica os cotitulares e o endereço no Brasil (na Rua Luiz Camarra, nº 141, Rio de Janeiro) que está diretamente vinculado ao recorrente, posto que nele esteve estabelecida a pessoa jurídica Lydantar Transportes Ltda, na qual seus pais participam com 100% das cotas do capital social; quanto à Selic, apontouse a previsão legal e jurisprudência deste Conselho que reconhecem sua legalidade. O contribuinte teve ciência do acórdão em 26/04/2011. O recurso voluntário foi interposto no dia 23/05/2011 com as seguintes alegações: a) desde a fase de fiscalização, vem afirmando que desconhece as operações que deram causa ao lançamento; que não há nos autos qualquer documento original que comprove Fl. 303DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 21 /11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 18471.000366/200782 Resolução nº 2802000.197 S2TE02 Fl. 304 3 a titularidade da conta bancária e da transferência do numerário, situação que não autoriza a feitura do lançamento; e que não era residente no Brasil nos anos de 2002 e 2003; b) desde 1993 encontrase na condição de não residente no Brasil, como prescreve o inciso V do art. 3º da Instrução Normativa SRF, para comprovar juntou à impugnação comprovante de matrícula na University of London, diploma de Doctor of Philosophy e comprovantes de residência; como a fiscalização não solicitou qualquer documento para comprovar essa condição, protesta pela eventual juntada de outros documentos, se necessário; por meio da análise dos documentos é evidente que o recorrente se mudou para o exterior com animo definitivo, onde se matriculou em Universidade, eventuais retornos ao Brasil não descaracterizariam a condição de não residente, como reconhecido em precedentes deste Conselho; c) a condição de não residente prescinde da entrega da Declaração de Saída Definitiva do País, conforme Solução de Consulta nº 18 da 7ª RF e não é descaracterizada pela equivocada entrega das DIRPF dos anos 2002 e 2003; d) os rendimentos auferidos pelos não residentes no Brasil não são tributados pelo IR no Brasil; e) reitera a falta de prova de titularidade ou de depósitos o que desautoriza o lançamento por falta de certeza, e a dúvida opera em favor do contribuinte; não há qualquer ação judicial em curso no Brasil ou no exterior referente ao suposto depósito no Delta Bank, de forma que a utilização dos documentos pela Receita Federal fere os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. f) somente teve acesso a cópia de alguns documentos redigidos em língua estrangeira, referentes ao suposto depósito bancário no Delta Bank, os quais sem a tradução por tradutor juramentado não têm efeito legal (art. 224 do Código Civil e 157 do Código de Processo Civil), portanto estes documentos devem ser desentranhados do processo em respeito ao princípio da estrita legalidade (art. 37 da Constituição), entendimento este adotado em precedentes de DRJ e do CARF. O processo 18471.000367/200727 foi distribuído em 31/10/2012 para 1ª Câmara, os demais de nº 18471000365200738 e 18471000364200793 estão na 2ª Câmara aguardando distribuição. Este processo foi distribuído a este Relator em 22 novembro de 2012, porém devido a falhas na digitalização dos autos foi devolvido à Unidade Preparadora e retornou para relatoria em maio/2013. É o relatório. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Devese primeiramente analisar a questão da residência fiscal do recorrente. O conceito de residente ou não residente no Brasil é dado pelos art. 2º e 3º da Instrução Normativa SRF nº 208/202. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 21 /11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 18471.000366/200782 Resolução nº 2802000.197 S2TE02 Fl. 305 4 A redação dessa Instrução Normativa no período objeto do lançamento conceitua como residente no Brasil o brasileiro que se ausenta temporariamente do Brasil ou que se retira em caráter permanente sem entregar a Declaração de Saída Definitiva, durante os primeiros doze meses consecutivos de ausência. Ainda que a condição de não residente no Brasil, prescinda da apresentação da Declaração de Saída Definitiva do País, a entrega dessa declaração é relevante, pois significa que a saída foi permanente e, contrariamente, a não entrega implica reconhecer que a saída foi temporária. Assim, a data de entrega da Declaração de Saída Definitiva do País define a data de início da condição de não residente, ao passo que na falta de apresentação dessa declaração somente no dia seguinte após completar 12 meses consecutivos de ausência do país é que se consuma a condição de não residente (art. 3º, inciso V da Instrução Normativa SRF 208/2002). Se antes de completar 12 meses o contribuinte retorna ao Brasil a contagem do prazo é interrompida e recomeça a contar quando houver nova saída temporária (assim entendida a saída de quem não apresenta a Declaração de Saída Definitiva do País). A entrega de Declaração de Ajuste Anual dos exercícios 2003 e 2004 é indicativo de que não houve saída definitiva. Não obstante a relevância dos diversos documentos que comprovam que o recorrente mantinha vínculos acadêmicos e de aluguel de imóvel no exterior (fls. 171/180), a condição de não residente aferese pelos critérios da legislação acima comentada. No acórdão recorrido fora consignado que “os documentos acostados aos autos provam apenas que o impugnante esteve no exterior, deixando de comprovar o requerido lapso temporal, sem que tenha retornado ao Brasil”. Diante da falta de apresentação da Declaração de Saída Definitiva do País e da entrega de Declaração de Ajuste Anual e de todo quanto exposto acima, a condição de não residente somente se comprovaria após análise das entradas no Brasil e saídas do Brasil, o que o recorrente não comprovou, notadamente pela fata de juntadas do(s) passaporte(es) correspondente(s). Levando em conta tudo o que foi exposto, especialmente, (a) a prova de vínculos com o exterior, (b) o fato de, desde a fase de fiscalização, ter sido alegada a não residência no Brasil, (c) que não houve aprofundamento da autoridade fiscal sobre este ponto e (d) que o processo administrativofiscal é norteado pela busca da verdade material, resolvo: Votar pela realização de diligência para que a Unidade da Receita Federal de origem (1) intime o contribuinte a apresentar outros elementos de prova inequívoca da(s) saída(s) e entradas do (e no) Brasil que possibilitem afeir a condição de não residente no Brasil nos termos da legislação tributária; e (2) oficie o Departamento de Polícia Federal para que sejam informadas as datas em que o recorrente saiu e/ou entrou no Brasil. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 305DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 21 /11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 18471.000366/200782 Resolução nº 2802000.197 S2TE02 Fl. 306 5 Fl. 306DF CARF MF Impresso em 02/12/2013 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 21 /11/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10980.726891/2011-56
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE.
É ônus da autoridade lançadora a demonstração da matéria tributável, por meio de demonstrativos claros e precisos, sob pena de decretação da nulidade do lançamento quando a sua falta implica cerceamento do direito de defesa.
Processo Anulado
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 3403-002.566
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário e em não conhecer do recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Alexandre Kern
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ME FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. É ônus da autoridade lançadora a demonstração da matéria tributável, por meio de demonstrativos claros e precisos, sob pena de decretação da nulidade do lançamento quando a sua falta implica cerceamento do direito de defesa. Processo Anulado Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário e em não conhecer do recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antônio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 68 91 /2 01 1- 56 Fl. 95535DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALEXANDRE KERN 2 Em ação fiscal levada a efeito junto ao estabelecimento industrial de Bayonne Cosméticos Ltda. ME, a Fiscalização da DRF/CTA constatou as seguintes irregularidades: a) creditamento indevido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI com base em notas fiscais emitidas pelo próprio contribuinte, com CFOP 1.926 – Lançamento efetuado a título de reclassificação de mercadoria decorrente de formação de kit ou de sua desagregação, no valor de R$ 2.485.368,95; b) falta de escrituração de débito, no valor de R$ 377.032,19, constatada a partir do cotejo do imposto destacado nas notas fiscais de saída com os débitos escriturados no Livro Registro de Apuração do IPI – RAIPI; c) falta de declaração, na Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF respectiva, de débitos do imposto no valor de R$ 79.722,86, referentes mês de janeiro de 2008, escriturados no Livro RAIPI; d) lançamento a menor do imposto por erro de classificação fiscal na saída os seguintes produtos: PRODUTO CLASSIFICAÇÃO EMPREGADA PELO CONTRIBUINTE ALÍQUOTA (%) CLASSIFICAÇÃO ADOTADA PELA FISCALIZAÇÃO ALÍQUOTA (%) 3307.20.10 7 Deocolônias 3307.20.90 7 3303.00.20 12 3401.11.90 5 Sabonetes líquidos 3401.20.10 5 3401.30.00 10 Lenços higienizantes umedecidos 3307.20.10 7 3401.19.00 ex tarifário 01 10 3401.19.00 Sabonetes embarra, pães, pedaços ou figuras moldadas 3401.20.10 0 3401.11.90 5 Condicionadores tonalizantes 3305.90.00 ex tarifário 01 7 3305.90.00 22 Óleos corporais 3301.90.30 5 3304.99.90 22 e) lançamento a menor do imposto por erro de alíquota na saída os seguintes produtos: PRODUTO CLASSIFICAÇÃO EMPREGADA PELO CONTRIBUINTE ALÍQUOTA (%) CLASSIFICAÇÃO ADOTADA PELA FISCALIZAÇÃO ALÍQUOTA (%) Sabonetes embarra, pães, pedaços ou figuras moldadas 3401.11.90 0 3401.11.90 5 Óleos corporais 3304.99.90 5 3304.99.90 22 e) saída de produtos sem emissão da nota fiscal correspondente, caracterizada pela emissão de nota fiscal Fl. 95536DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.726891/201156 Acórdão n.º 3403002.566 S3C4T3 Fl. 95.536 3 de saída com CFOP 5926lançamento efetuado a título de baixa de estoque decorrente de perda industrial, ao arrepio das normas que regulam a matéria: NÚMERO DA NOTA CÓDIGO CFOP MÊS DA EMISSÃO VALOR DA NOTA PROPORCIONAL SOMA 274 5927 05/2008 39.988,69 275 5927 05/2008 6.400,33 276 5927 05/2008 213,08 277 5927 05/2008 14.798,82 18021 5927 02/2007 990,56 18022 5927 02/2007 61,89 18037 5927 02/2007 8.066,15 18047 5927 02/2007 584,24 18048 5927 02/2007 12.112,46 18051 5927 02/2007 3.675,67 18147 5927 03/2007 6.844,02 18148 5927 03/2007 509,56 18149 5927 03/2007 112,46 18150 5927 03/2007 28.316,42 18222 5927 04/2007 5.789,78 18223 5927 04/2007 2.436,03 18224 5927 04/2007 91,27 18225 5927 04/2007 369.840,70 18312 5927 05/2007 10.047,42 18313 5927 05/2007 5.493,11 18314 5927 05/2007 525,31 18315 5927 05/2007 45.420,66 18390 5927 06/2007 2.227,24 18391 5927 06/2007 57.439,75 18401 5927 06/2007 13.825,09 18495 5927 07/2007 15.174,67 18496 5927 07/2007 3.178,71 18498 5927 07/2007 58.987,60 18599 5927 08/2007 19.117,46 18600 5927 08/2007 4.072,65 18601 5927 08/2007 96,05 18602 5927 08/2007 18.199,58 18734 5927 09/2007 18.121,93 18736 5927 09/2007 19.176,12 18737 5927 09/2007 10.672,33 18738 5927 09/2007 82.504,39 18950 5927 10/2007 39.735,81 18951 5927 10/2007 26.846,38 18952 5927 10/2007 197,05 18953 5927 10/2007 43.059,15 19150 5927 11/2007 14.352,49 19151 5927 11/2007 12.045,29 19152 5927 11/2007 40.918,54 19153 5927 11/2007 258,56 19444 5927 01/2008 7.129,33 19445 5927 01/2008 1.160,72 19446 5927 01/2008 24,52 19447 5927 01/2008 52.755,88 19721 5927 03/2008 29.717,91 19722 5927 03/2008 124.904,74 Fl. 95537DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALEXANDRE KERN 4 NÚMERO DA NOTA CÓDIGO CFOP MÊS DA EMISSÃO VALOR DA NOTA PROPORCIONAL SOMA 19723 5927 03/2008 353,29 19747 5927 03/2008 5.102,42 19912 5927 04/2008 9.665,24 19913 5927 04/2008 2.681,97 19914 5927 04/2008 46,82 19915 5927 04/2008 36.063,59 f) saídas de produtos do estabelecimento industrial com notas fiscais sem lançamento do IPI, em descumprimento das condições que ensejaram a suspensão do imposto: i. para o estabelecimento filial de Rota Azul Transportes Ltda. – CNPJ05.252.092/000382 (depósito fechado), consolidadas nas planilhas “AI CFOP 5905 Remessa filial Rota Azul produtos.xls"; "AI CFOP 5905 Remessa filial Rota Azul óleos.xls"; "AI CFOP 5905 Remessa filial Rota Azul condicionador.xls"; "AI CFOP 5905 Remessa filial Rota Azul deocolônia.xls"; "AI CFOP 5905 Remessa filial Rota Azul sabonetes líquidos.xls" e "AI CFOP 5905 Remessa filial Rota Azul sabonetes não líquidos; ii. Para o estabelecimento matriz de Rota Azul Transportes Ltda. – CNPJ 05.252.092/000310 (atividade: prestação de serviços de transporte de carga), consolidadas nas planilhas “Al CFOP 5905 Remessa matriz Rota Azul condicionador tonalizante.xls"; "Al CFOP 5905 Remessa matriz Rota Azul condicionador.xls"; "Al CFOP 5905 Remessa matriz Rota Azul deocolônia.xls"; "Al CFOP 5905 Remessa matriz Rota Azul óleos.xls"; "Al CFOP 5905 Remessa matriz Rota Azul produtos.xls"; "Al CFOP 5905 Remessa matriz Rota Azul sabonete liquido.xls"; "Al CFOP 5905 Remessa matriz Rota Azul sabonete não liquido.xls”; iii. para o armazémgeral de São José Cargo Ltda. – CNPJ 02.277.097/000100, consolidadas nas planilhas “Al CFOP 5905 Remessa São José Cargo deocolônias.xls"; "Al CFOP 5905 Remessa São José Cargo sabonetes não líquido.xls". O demonstrativo de fls. 93.835 resume os débitos lançados: LANÇAMENTO DE OFÍCIO MÊS DA EMISSÃO IPI CONFORME RAIPI E DCTF Insuficiência de recolhimento de IPI Valores lançados sem Escrituração no RAIPI Valores escriturados não declarados em DCTF lançado de ofício CRÉDITOS GLOSADOS TOTAL APURADO DE IPI NO PERÍODO CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSTITUÍDO POR MEIO DO AI 01/2007 57.005,02 49.375,32 106.380,34 02/2007 122.736,39 37.528,11 160.264,50 Fl. 95538DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.726891/201156 Acórdão n.º 3403002.566 S3C4T3 Fl. 95.537 5 03/2007 374.100,62 78.518,79 452.619,41 04/2007 :220.J42,19 52.918,84 273.661,03 05/2007 128.088,27 93.595,78 221.684,05 06/2007 423.625,82 98.747,53 522.373,25 07/2007 176.942.61 104.866,17 281.808,68 08/2007 96.676,70 130.704,23 227.380,93 09/2007 0,00 225.319,19 225.319,19 10/2007 295.491,50 653.290,07 948.781,57 11/2007 198.605,48 571.595,72 770.201,20 12/2007 252.537,42 303.059,76 555.597,08 01/2008 0,00 610.556,42 79.722,86 690.279,28 02/2008 207.815,15 307.170,53 514.985,58 03/2008 251.892,93 455.559,11 707.452,04 04/2008 144.998,06 321.987,58 466.985,64 05/2008 263.995,61 502.790,31 356.080,76 1.122.866,58 06/2008 291.940,32 573.795,92 373.956,79 1.239.692,93 07/2008 320.545,98 869.420,45 302.852,88 1.492.819,21 08/2008 358.675,74 567.196,95 135.716,43 1.061.589,02 09/2008 267.442;85 704.925,45 705.113,79 1.677.482,09 10/2008 222.186,85 1.026.438,20 377.032,19 229.623,78 1.855.281,02 11/2008 193.871,98 1.055.438,22 1.249.310,20 12/2008 69.873,75 1.559.935,96 1.629.809,71 13.514.834,19 Totais 4.939.791,24 18.454.625,43 13.514.834,19 Sobreveio impugnação, fls. 93.842 a 93.904. A 2ª Turma da DRJ/RPO julgou impugnação procedente em parte, cancelando o lançamento referente às infrações consignadas nos itens 004 IPI LANÇADO NÃO RECOLHIMENTO OU RECOLHIMENTO A MENOR; 005 IPI LANÇADO E NÃO ESCRITURADO FALTA DE ESCRITURAÇÃO, e; 006 CRÉDITOS INDEVIDOS CRÉDITO BÁSICO INDEVIDO do Auto de Infração. O Acórdão nº 1439.386, de 28 de novembro de 2012, fls. 95.243 a 95.143, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 ÁGUAS DE COLÔNIA. Os produtos denominados pelo sujeito passivo de “deocolônias”, em que preponderam as características de perfume, classificamse no código NCM 3303.00.20. SABONETES LÍQUIDOS. Os sabonetes líquidos com elementos orgânicos tensoativos classificamse no código NCM 3401.30.00. LENÇOS HIGIENIZANTES UMEDECIDOS. Os lenços que se caracterizam como falsos tecidos impregnados em sabão ou detergentes para toucador, com propriedades tensoativas e com a função precípua de limpeza corporal e não de Fl. 95539DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALEXANDRE KERN 6 desodorização da pele e de inibição da transpiração, classificam se no código NCM 3401.19.00 Ex 01. SABONETES EM BARRAS. Os sabonetes, kits e tabletes que constituem sabões ou produtos e preparações orgânicos tensoativos em barras, pães, pedaços ou figuras moldados, classificamse no código NCM 3401.11.90. CONDICIONADORES TONALIZANTES. Os condicionadores tonalizantes são aqueles que agem nos cabelos como uma tintura suave, ou seja, apresentam na composição elementos que tingem os cabelos, ainda que temporariamente, e classificamse no código NCM 3305.90.00. ÓLEOS CORPORAIS Os óleos que se prestam precipuamente à hidratação do corpo, notadamente pés e pernas, portanto óleos corporais, todos embalados para venda a retalho, classificamse no código 3304.99.90. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 INSUFICIÊNCIA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO. Cobrase o imposto que deixou de ser lançado nas notas fiscais de saída, com a inflição de penalidade pecuniária e a incidência de juros de mora, por conta de erro de classificação fiscal e alíquota. FALTA DE RECOLHIMENTO. SAÍDAS COM LANÇAMENTO DE IMPOSTO NAS NOTAS FISCAIS, SEM ESCRITURAÇÃO NOS LIVROS FISCAIS E SEM DECLARAÇÃO EM DCTF. Cobrase, com os consectários legais, o imposto lançado nas notas fiscais de saída, mas não escriturado nos livros fiscais, não declarado em DCTF e não recolhido. OMISSÃO DE RECEITAS. VENDAS DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO DE NOTA FISCAL. Cobrase o imposto não lançado nas notas fiscais de venda, com os consectários legais, se forem descaracterizadas as remessas de produtos para destruição por deterioração e para depósito fechado ou armazémgeral. SAÍDAS COM FALTA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO NAS NOTAS FISCAIS EM VIRTUDE DO DESCUMPRIMENTO DAS CONDIÇÕES OU DA UTILIZAÇÃO INCORRETA DA SUSPENSÃO DO IMPOSTO PELO REMETENTE DO PRODUTO. Cobrase, com os acréscimos legais, o imposto não lançado nas notas fiscais de saída com suspensão do imposto se houver o descumprimento das condições para a fruição da suspensão ou a utilização incorreta do instituto pelo remetente do produto. Fl. 95540DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.726891/201156 Acórdão n.º 3403002.566 S3C4T3 Fl. 95.538 7 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ERROS MATERIAIS. CORREÇÃO. O lançamento de ofício deve ser escoimado de erros materiais (erros de cálculo, duplicidade de valores, falta de cômputo de recolhimentos registrados) alegados pelo sujeito passivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Inexiste nulidade por cerceamento do direito de defesa se o auto de infração ostentar os requisitos legais e a fundamentação do feito for suficiente em todos os aspectos. IMPUGNAÇÃO. PROVAS ADICIONAIS. PRECLUSÃO TEMPORAL. Tendo em vista a superveniência da preclusão temporal, é rejeitado o pedido de apresentação de provas suplementares, pois o momento propício para a defesa cabal é o da oferta da peça impugnatória. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. AUSÊNCIA DE REQUISITOS. PRESCINDIBILIDADE. Indeferese o pedido de perícia que não apresente seus motivos e não contenha a formulação de quesitos e a indicação do perito, e que, além de tudo, seja prescindível. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O Presidente da 2ª Turma da DRJ/RPO recorreu de ofício da decisão, em cumprimento ao que dispõe o art. 34, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com redação dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, tendo em vista que crédito tributário exonerado excede o limite de R$ 1.000.000,00, definido na Portaria MF nº 03, de 03 de janeiro de 2008. Cuidase também de recurso voluntário contra a decisão da 2ª Turma da DRJ/RPO. O arrazoado de fls. 95.353 a 95.407, em preliminar, inquina de nulidade o lançamento. A recorrente infirma o procedimento fiscal que, tal como apresentado, não teria atendido às condições e requisitos formais impostos pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional CTN, não tendo demonstrado de forma precisa a materialidade da imposição e o cálculo do montante do imposto devido, razão pela qual o lançamento deve ser considerado nulo para todos os fins de direito. Para a defesa, boa parte dos valores foi lançada por amostragem, de modo arbitrário, sem suporte em planilhas, laudos de classificação de mercadorias ou em memórias de cálculo, e sem qualquer especificação ou individualização das operações efetivamente glosadas, impedindo o pleno exercício do direito de ampla defesa por parte do contribuinte. Fl. 95541DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALEXANDRE KERN 8 Acusa o lançamento de basearse apenas em indícios e presunções subjetivas, o que teria sido inclusive corroborado pelo voto condutos da decisão recorrida, quando declinou que os lançamentos se deram em virtude de conjunto "indiciário. O procedimento, que conta com mais de 95 mil páginas, contaria com várias planilhas desconexas entre si, que não demonstram como se chegou no resultado do lançamento e tão pouco possibilitam analisar o valor autuado. A recorrente exemplifica a acusação, citando os valores constantes das fls. 93.375 até 93.400, que não apresentariam correlação com os documentos fiscais e livros apresentados pelo contribuinte, tampouco estariam referenciados com as demais planilhas e cálculos auxiliares apresentados no processo, o que elimina qualquer possibilidade de revisão ou mesmo a conferência de ditos valores (que, aparentemente correspondem à base de cálculo para o lançamento do tributo e penalidades). O grande volume de documentos e planilhas anexadas pelo Agente Fiscal no procedimento, as mesmas não estão organizadas de forma lógica, não sendo apresentados dados cruzados e referências capazes de possibilitar a interpretação dos dados. Algumas das dezenas de planilhas apresentadas chegam a apresentar mais de dez mil páginas, sem qualquer índice ou organização entre as mesmas. Não se encontra demonstradas, por exemplo, de forma individualizada para cada operação, o cálculo da alíquota, da penalidade e da diferença tributária verificada, nem tampouco resta evidenciado que foram considerados para o cálculo do lançamento, os créditos do imposto no período (conforme artigo 25 da Lei 4.502/1964 e 200, IV do RIPI/2002). A um só tempo, o lançamento teria descumprido os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, o art. 142 do CTN, pois não restou consignada a apresentação de cálculo referenciado de forma individualizada a cada operação de remessa que fora desconsiderada/glosada pela Autoridade Fiscal, nem informado, com precisão, os critérios para cálculo e composição do montante lançado. O procedimento ainda mereceria decretação de sua nulidade formal pela falta de comunicação formal à recorrente do encerramento do mandado de procedimento fiscal, causando grande surpresa a forma e o montante do crédito constituído. No mérito, os argumentos recursais foram assim sintetizados pelo próprio recorrente (fls. 95.405 a 95.407): ITEM 001 PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO A INDUSTRIAL SEM EMISSÃO DE NOTA FISCAL/VENDA SEM EMISSÃO DE NOTA FISCAL (DEMAIS CASOS) Deve ser anulado o presente auto de infração por violação ao artigo 9o, e do inciso III, do artigo 10, do Decreto 70.235/72; ainda, ofensa ao artigo 142, do Código Tributário Nacional e artigo 2o da Lei 9.784/99; Quanto ao mérito, acolher as razões de recurso e consequentemente acarretar a improcedência do lançamento em relação aos subitens 3.2.2.3 a 3.2.2.3.3 (fls. 93555 a 93593) do documento denominado "Termo de Descrição dos Fatos e Encerramento da Ação Fiscal", face à violação ao artigo 2o, parágrafo único e incisos VI e IX, e artigo 22, todos da Lei 9.874/99; insuficiência dos indícios utilizados pela agente fiscal para embasar sua simples presunção, ineficazes para manter a lavratura do lançamento fiscal; ocorrência efetiva das operações de remessa de mercadorias para armazém geral e efetivo retorno das mercadorias para remetente; observância, pela empresa recorrente, dos dispositivos legais aplicáveis aos descartes conforme artigo 65, da Lei nº 6.360/76 (Vigilância Sanitária), inciso XVIII, do artigo 10, da Lei 6.437/77 e arts. 4o e 5o da lei estadual 12.493/99 (IAP) e Decreto Regulamentador n. 6.674/2002, art. 16 e 17; Fl. 95542DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.726891/201156 Acórdão n.º 3403002.566 S3C4T3 Fl. 95.539 9 ITEM 002 PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO A INDUSTRIAL COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL DESCUMPRIMENTO DAS CONDIÇÕES DE SUSPENSÃO PELO REMETENTE DO PRODUTO Deve ser anulado o presente auto de infração por violação ao artigo 10, do Decreto 70.235/72; ainda, ofensa ao artigo 142, do Código Tributário Nacional; Quanto ao mérito, acolher as razões de recurso e consequentemente acarretar a improcedência do lançamento em relação ao subitem 3.2.2.3.4 do documento denominado 'Termo de Descrição dos Fatos e Encerramento da Ação Fiscal’, face a insuficiência dos indícios utilizados pela agente fiscal para embasar sua mera presunção; apresentação das notas que demonstram que as operações se derem ao amparo do artigo 42, inciso III do RIPI; que as notas fiscais de remessa para armazém geral observaram todos os requisitos legais consignados no artigo 482 do RIPI; ITEM 003 PRODUTO SAÍDO DO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL OU EQUIPARADO A INDUSTRIAL COM EMISSÃO DE NOTA FISCAL OPERAÇÃO COM ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL E/OU ALÍQUOTA Deve ser anulado o presente auto de infração por violação ao artigo 10, do Decreto 70.235/72; ainda, ofensa ao artigo 142, do Código Tributário Nacional; Quanto ao mérito, acolher as razões de recurso e consequentemente acarretar a improcedência do lançamento em relação às reclassificações fiscais adotadas que ensejaram a presente lavratura, face a descaracterização dos indícios utilizados pela agente fiscal para embasar sua presunção; apresentação de laudos técnicos que comprovam o acerto do procedimento da recorrente; ausência de observação aos preceitos esculpidos no art. 2o. da Lei n. 9.784/99, notadamente os princípios da proporcionalidade e razoabilidade; improcedência do presente lançamento por ausência de liquidez e certeza do crédito tributário, vez que a cobrança oriunda das reclassificações fiscais se baseia na exigência de IPI na sua integralidade, sem levar em consideração os valores já pagos pela empresa e não abatidos, de forma a considerar apenas as diferenças a serem tributadas; além disso, o excesso de exação estendeuse à aplicação da multa incidente sobre a integralidade do IPI apurado, medida que representa enriquecimento ilícito por parte do ente arrecadador. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 95.353 a 95.407 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJRPO2ª Turma nº 1439.386, de 28 de novembro de 2012. Fl. 95543DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALEXANDRE KERN 10 A decisão recorrida julgou o lançamento de ofício parcialmente procedente, para exoneração de R$ 2.407.264,42 de imposto e de R$ 1.805.448,32 de multa de lançamento de ofício. Exonerado o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa em valor superior ao fixado pela Portaria MF nº 03, de 2008, conheço do recurso de ofício impetrado pelo presidente da 2ª Turma da DRJ/RPO. Recurso voluntário Preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa Conforme relatado, a recorrente queixase de ter sido cerceado em seu direito de defesa. Enquanto impugnante, o autuado já havia arguido a nulidade do auto de infração, bradando que teria ficado impossibilitado de revisar ou de conferir os valores levantados pela fiscalização: os documentos e planilhas não foram organizados de forma lógica; não houve a individualização por operação (cálculo da alíquota, da penalidade e da diferença apurada, ou consideração de créditos existentes na escrita), ou seja, foi violado o disposto no PAF, art. 10 (não foram informados com precisão os critérios para cálculo e composição do montante lançado), e, além disso, faltariam os requisitos do CTN, art. 142. A decisão recorrida superou a arguição sob a fundamentação de que os fatos que motivaram a autuação fiscal estão descritos adequadamente e permitiram à impugnante uma defesa cabal quanto às irregularidades a ela imputadas, conforme demonstraria a própria “exuberância da peça impugnatória”, a qual combateu criteriosamente todos os pontos da autuação fiscal. Compulsando os autos, depareime com o TERMO DE DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENCERRAMENTO DA AÇÃO FISCAL às fls. 93.692 a 93.836 (TDFEAF). Ao longo de suas 145 folhas, percebese o árduo trabalho de pesquisa e o esforço do agente fiscal em bem descrever as infrações constatadas, articulando, a partir das provas manipuladas, diferentes possibilidades de capitulação legal. Penso que foi justamente a riqueza desse termo de descrição dos fatos que permitiu ao autuado defenderse das irregularidades que lhe foram imputadas, a ponto de cancelaremse os lançamentos referentes a três das seis infrações detectadas. A exuberância da peça impugnatória na verdade reflete a qualidade do referido Termo. Ademais, ao contrário do que alega a recorrente, as operações estão individualizadas, haja vista as diversas planilhas que instruem os autos. O ofício da Fiscalização, no entanto, não se resume a relatar infrações percebidas. Há um trabalho prévio de auditoria – mais importante, não tenho dúvidas – que deve ficar bem documentado nos autos, com vistas à determinação da matéria tributável e ao cálculo do montante do tributo devido, iter indispensável do procedimento administrativo de constituição de crédito tributário. Conforme relatado, o TDFEAF descreve diversas infrações, que podem ser assim sintetizadas: a) creditamento indevido b) falta de escrituração de débitos c) erro de classificação fiscal Fl. 95544DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.726891/201156 Acórdão n.º 3403002.566 S3C4T3 Fl. 95.540 11 d) falta de lançamento de débitos e) descumprimento de condições que ensejaram a suspensão do imposto Para documentar essas infrações, o TDFEAF reportase a planilhas que consolidariam a matéria tributável. São as seguintes as planilhas referidas: INFRAÇÃO REFERIDA NO TDFEAF DETALHE DA INFRAÇÃO NOME DA PLANILHA Al erro de class fiscal deocolônia 1a planilha.xls Al erro de class fiscal deocolônia 2a planilha.xls 3.2.2.2.1 Deocolônias Al erro de class fiscal deocolônia 3a planilha.xls 3.2.2.2.2 Sabonetes líquidos Al erro de class fiscal sabonete liquido.xls 3.2.2.2.3 Lenços Higienizantes Umedecidos Al erro de class fiscal lenços higienizantes.xls 3.2.2.2.4 Sabonetes em barra, pães, pedaços ou figuras moldadas Al erro de class fiscal sabonete não liquido.xls 3.2.2.2.5 Condicionadores tonalizantes Al erro de class fiscal condicionador tonalizante.xls 3.2.2.2 Erro de Classificação Fiscal 3.2.2.2.6 Óleos Corporais Al erro de class fiscal óleos.xls AI CFOP 5.927 NCM 33 3.2.2.3.1 Das operações cujas notas fiscais têm CFOP n° 5.927 Lançamento efetuado a título de baixa de estoque decorrente de perda, roubo ou deterioração. AI CFOP 5.927 NCM 34 Al CFOP 5905 Remessa filial Rota Azul produtos.xls Al CFOP 5905 Remessa filial Rota Azul óleos.xls Al CFOP 5905 Remessa filial Rota Azul condicionador.xls Al CFOP 5905 Remessa filial Rota Azul deocolonia.xls Al CFOP 5905 Remessa filial Rota Azul sabonetes liquidos.xls 3.2.2.3.2 Das operações cujas Notas Fiscais de saída de mercadorias têm o CFOP n° 5.905 com destino ao estabelecimento filial da Rota Azul Transportes Ltda Al CFOP 5905 Remessa filial Rota Azul sabonetes não liquidos.xls Al CFOP 5905 Remessa matriz Rota Azul todas nf.xls Al CFOP 5905 Remessa matriz Rota Azul condicionador tonalizante.xls Al CFOP 5905 Remessa matriz Rota Azul condicionador.xls Al CFOP 5905 Remessa matriz Rota Azul deocolônia.xls Al CFOP 5905 Remessa matriz Rota Azul óleos.xls Al CFOP 5905 Remessa matriz Rota Azul produtos.xls Al CFOP 5905 Remessa matriz Rota Azul sabonete liquido.xls Al CFOP 5905 Remessa matriz Rota Azul sabonete não liquido.xls 3.2.2.3.3 Das operações cujas Notas Fiscais de saída de mercadorias têm o CFOP n° 5.905 Remessa para depósito fechado ou ArmazémGeral, com destino ao estabelecimento matriz da Rota Azul Transportes Ltda. Al CFOP 5905 Remessa matriz Rota Azul deocolônia.xls NF Arq mag Kirey CFOP 5905.xls Notas de Entrada da São José Cargo.xls Notas de serviço da São José.xls Remessa CFOP 5905 matriz Rota Azul total das notas fiscais.xls Al CFOP 5905 Remessa São José Cargo deocolônias.xls NF Arq mag Kirey CFOP 5905.xls 3.2.2.3 Das demais infrações apuradas nas operações de saída de mercadorias e na emissão de notas fiscais de saída 3.2.2.3.4 Das operações cujas Notas Fiscais de saída de mercadorias têm o CFOP n° 5.905 destinadas a ArmazémGeral da empresa São José Cargo Ltda Al CFOP 5905 Remessa São José Cargo sabonetes não liquidos.xls 4. Da Conclusão: Apuração do IPI no período de janeiro de 2007 a dezembro de 2008 Créditos CFOP 1926 glosados.xls Compulsando os autos digitais, no intuito de localizar as planilhas referidas no TDFEAF, depareime com 57 imagens nominadas genericamente como “Planilha de cálculo” ou “Documentos diversos – outros”. Tocou então visualizálas para saber o que continham. Constatei tratarse de relatórios extraídos do sistema de auditoria “Contágil”, Fl. 95545DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALEXANDRE KERN 12 empregado pela Fiscalização da SRF. Na tabela abaixo, reproduzo o nome da imagem no processo digital, o título da planilha e as folhas do processo digital em que se inserem: NOME DA IMAGEM NOME DA PLANILHA FOLHAS DO PROCESSO Planilha de cálculo saídas 5927 NCM 33 AI 1011 a 1718 Planilha de cálculo NF saídas depósito condicionador 1719 a 1722 Planilha de cálculo NF saídas deocolonia depósito 1723 a 2310 Planilha de cálculo NF saídas depósito óleo para banho tributáveis 2311 a 2328 Planilha de cálculo NF remessa depósito filial rota azul 2329 a 3069 Planilha de cálculo NF saídas sabonete líquido depósito lçto 3070 a 3084 Planilha de cálculo NF saídas sabonetes depósito rota azul matriz AI 3085 a 3088 Planilha de cálculo NF saídas depósito cond tonalizante 3089 a 3090 Planilha de cálculo NF saídas depósito condicionador 3091 a 3092 Planilha de cálculo NF saídas deocolonia depósito 3093 a 3464 Planilha de cálculo NF saídas depósito óleo para banho tributáveis 4166 a 4209 Planilha de cálculo NF remessa depósito matriz rota azul 4210 a 4455 Planilha de cálculo NF saídas sabonete líquido depósito 4456 a 4542 Planilha de cálculo NF saídas sabonetes depósito rota azul matriz AI 4543 a 4546 Planilha de cálculo NF remessa depósito matriz 4547 a 4558 Planilha de cálculo NF saídas deocolonia tributáveis 4559 a 4562 Planilha de cálculo NF saídas sabonetes depósito rota azul matriz AI 4563 a 4564 Planilha de cálculo NF remessa depósito são josé 4565 a 4574 Planilha de cálculo NF saídas concidionador tonalizante lçto 4575 a 4820 Planilha de cálculo NF saídas deocolonia tributáveis 4821 a 15827 Planilha de cálculo NF saídas deocolonia tributáveis 15828 a 27581 Planilha de cálculo NF saídas deocolonia tributáveis 27582 a 29697 Planilha de cálculo NF saídas lenços tributáveis AI 29698 a 29797 Planilha de cálculo NF saídas sabonete líquido tributáveis 29798 a 37474 Planilha de cálculo NF saídas óleo para banho tributáveis lçto 37475 a 37476 Planilha de cálculo NF saídas óleo para banho tributáveis 37477 a 37480 Planilha de cálculo livro de saídas 37481 a 37483 Planilha de cálculo NF remessa depósito matriz 37484 a 37491 Planilha de cálculo livro de saídas 37492 a 37903 Planilha de cálculo NF remessa depósito 37904 a 37978 Planilha de cálculo livro de saídas 37979 a 37981 Planilha de cálculo NF remessa depósito filial rota azul 37982 a 38071 Planilha de cálculo NF remessa depósito filial rota azul 38072 a 38095 Planilha de cálculo livro de entradas 38096 a 38101 Planilha de cálculo NF todas completo 38102 a 38839 Documentos diversos outros notas de descarte 39024 a 39037 Documentos diversos outros livro de saídas 39038 a 39115 Documentos diversos outros livro de saídas 39116 a 40361 Documentos diversos outros livro de saídas 40362 a 41597 Documentos diversos outros livro de saídas 41598 a 42669 Documentos diversos outros livro de saídas 42670 a 43741 Documentos diversos outros livro de saídas 43742 a 43899 Documentos diversos outros livro de saídas 43900 a 43947 Documentos diversos outros livro de saídas 43947 a 45859 Documentos diversos outros livro de saídas 45860 a 45903 Documentos diversos outros livro de saídas 45904 a 46471 Documentos diversos outros livro de saídas 46472 a 48575 Fl. 95546DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.726891/201156 Acórdão n.º 3403002.566 S3C4T3 Fl. 95.541 13 NOME DA IMAGEM NOME DA PLANILHA FOLHAS DO PROCESSO Documentos diversos outros livro de saídas 48576 a 49489 Documentos diversos outros livro de saídas 49490 a 52487 Documentos diversos outros livro de saídas 52488 a 60813 Documentos diversos outros livro de saídas 60814 a 69339 Documentos diversos outros livro de saídas 69340 a 76137 Documentos diversos outros livro de saídas 76138 a 82719 Documentos diversos outros livro de saídas 82720 a 83841 Documentos diversos outros livro de saídas 83842 a 93141 Documentos diversos outros NF remessa depósito são josé 93361 a 93370 Documentos diversos outros NF saídas sabonetes totais AI 93371 a 93371 Percebese liminarmente que nenhuma das planilhas referidas no TDFEAF encontrase nos autos. Cotejandose apenas os nomes das planilhas, podese inferir que os relatórios “NF saídas deocolonia tributáveis“, “NF saídas concidionador tonalizante lçto“, “NF saídas deocolonia tributáveis“, “NF saídas deocolonia tributáveis“, “NF saídas deocolonia tributáveis“, “NF saídas lenços tributáveis AI“, “NF saídas sabonete líquido tributáveis“, “NF saídas óleo para banho tributáveis lçto“ e “NF saídas óleo para banho tributáveis“, “NF saídas sabonetes totais AI“ estejam relacionados com as seis planilhas referentes à infração 3.2.2.2 Erro de Classificação Fiscal. Fez se então necessário examinar o conteúdo desses relatórios a fim de superar a dificuldade inicial introduzida pelos nomes de planilhas não coincidentes. Iniciei com a análise da planilha “NF saídas deocolonia tributáveis”, às fls. 4.559 a 4.562, que talvez correspondesse à planilha “Al erro de class fiscal deocolônia 1a planilha.xls”, justamente a primeira a ser mencionada no TDFEAF.. A planilha contém os seguintes campo: Código do Participa nte Ano da Emiss ão Mês da Emiss ão Códig o CFO P Descriç ão CFOP Núme ro da Nota Descriç ão NCM Descrição complemen tar Valor da Nota Proporcion al SOMA Valor Unitár io SOM A Quantida de na Unidade Estatístic a SOMA Valor dos Itens (Trib+I sentos + Outro s) SOMA Valor Tribut ável pelo IPI SOMA IPI: Alíquo ta MÁXI MO IPI: Valor do Tribut o SOMA IPI: Alíquo ta confor me TIPI MÁXI MO Lança mento (Valor dos Itens x Alíq 12%) Embora conte com apenas quatro registros, todos relacionados com o produto, DEO COLONIA FLOR DE MENINA RACCO 100ML, a planilha, impressa na orientação retrato, não permite a visualização de todos os campos, obrigando à rolagem das páginas. Confesso que levei alguns instantes para perceber que o campo Código do Participante referese ao CNPJ do destinatário das saídas. O CFOP 5905, constante de todos os 4 registros da planilha, fizeram me cogitar que ela se referia, na verdade, a outra infração. Quando me deparei com um campo com o obscuro título Quantidade na Unidade Estatística SOMA, decidi examinar outra planilha. Ainda cogitando tratar de dados referentes à infração 3.2.2.2 Erro de Classificação Fiscal, passei a analisar a planilha de fls. 4.575 a 4.820, “NF saídas concidionador tonalizante lçto“. As 246 folhas da planilha representaram dificuldade inicial para o levantamento dos campos desse demonstrativo. O cinco primeiros estão logo na primeira folha. São eles: Mês da emissão Descrição complementar Número da Nota Código CFOP Valor da Nota Proporcional SOMA Rolando as folhas da planilha, constatei que os cabeçalhos, inamistosamente, não se repetem entre uma folha e outra. Encontrei novos campos na folha 83 da planilha: Fl. 95547DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALEXANDRE KERN 14 Quantidade na Unidade Estatística SOMA Valor Unitário SOMA Valor dos Itens (Trib+Isentos+Outros) SOMA Valor Tributável pelo IPI SOMA IPI: Alíquota MÁXIMO IPI: Valor do Tributo SOMA IPI: Alíquota conforme TIPI MÁXIMO Valor devido (Valor dos itens x 0,22) Na folha 165 da planilha, depareime com um último campo: Lançamento (Valor devido Valor destacado) Não encontrei totalizações. As 11.006 (onze mil e seis) folhas da planilha seguinte (“NF saídas deocolonia tributáveis, fls. 4.821 a 15.827”) desestimularamme a continuar na busca. Concluindo pela impossibilidade de aferição da matéria tributável apurada pela Fiscalização, vime então tentado a propor a meus pares a conversão do julgamento do recurso em diligência à repartição fiscal de origem para saneamento das falhas de organização do processo, afinal, as infrações foram muito bem descritas e apontavam para um conjunto indiciário consistente. Proporia as seguintes providências: a) reorganização das imagens do processo digital, nomeandoas de acordo com o que elas efetivamente contêm (por exemplo, as cópias do Livro Registro de Saídas, fls. 39.038 a 93.370, fossem batizadas de Livro Registro de Saídas e não Documentos diversos – outros; da mesma forma, que se nomeasse a cópia do Livro RAIPI das fls. 38.853 a 38.855 como tal, e não como Documentos comprobatórios); b) anexação das imagens segundo um critério lógico e consistente (a menos que fique bem explicitado o motivo, não há sentido, por exemplo, para inserir cópia do Livro Registro de Saídas, fls. 37.481 a 37.483, entre duas imagens de planilhas com levantamento de notas fiscais representativas de infrações); c) anexação somente de documentos que sejam pertinentes à autuação, fazendo referência a eles nos termo de verificação fiscal (por exemplo, às fls. 4.020 a 4.050, sob o título Documentos comprobatórios, há cópias de diversas notas fiscais, sem referência no TDFEAF, de sorte que não se sabe o que efetivamente comprovam); d) refazimento das planilhas de cálculo dos valores lançados de ofício, empregando um aplicativo que propicie relatórios mais amigáveis (Access, Excell etc.) de modo que cada registro caiba em somente uma folha, com os cabeçalhos das colunas claramente identificados incluindo somente os campo essenciais para conferência do lançamento, e com nome de campo de fácil entendimento; incluir só o código de produto, com a descrição do produto em uma tabela anexa etc., e com totalização do imposto a lançar em cada mês; Fl. 95548DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10980.726891/201156 Acórdão n.º 3403002.566 S3C4T3 Fl. 95.542 15 e) elaboração de informação fazendo a correlação entre cada item do TDFEAF e os números das folhas do processo onde foram anexadas as planilhas originais, bem como as planilhas elaboradas na diligência, acima, de modo a tornar a conferência menos demorada, explicando também a finalidade de cada planilha; f) Elaborar demonstrativo, resumindo os valores a lançar em cada período de apuração, oriundos de cada infração. Saneado nesses termos, pareceume que o processo, ao menos no que diz respeito ao lançamento por erro de classificação, poderia ser aproveitado, bastando que se confirmasse que os dados de cada nota foram corretamente relacionados em demonstrativos mais claros e concisos, tudo em nome do princípio da salvabilidade do processo (art. 250 do Código de Processo Civil – CPC Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973). Afinal, “ a moderna interpretação das regras do processo civil deve tender, na medida do possível, para o aproveitamento dos atos praticados e para a solução justa do mérito das controvérsias. Os óbices processuais não podem ser invocados livremente, mas apenas nas hipóteses em que seu acolhimento se faz necessário para a proteção de direitos fundamentais da parte, como o devido processo legal, a paridade de armas ou a ampla defesa. (...)" (REsp 746.524/SC, DJ de 16.03.2009). No entanto, analisando a necessidade de outras providências, à luz dos ajustes no lançamento promovidos pelo julgamento de primeira instância, que ensejou recurso de ofício, bem assim dos argumentos do recurso voluntário, concluí que a realização de uma diligência com esse fim, à essa altura do andamento do processo, implicaria novo prejuízo à defesa, que teria suprimida uma instância na apreciação desses documentos aportados os autos na fase recursal. E o retrocesso à fase inicial do processo equivaleria a novo lançamento, o que não se admite. Nesse contexto de desorganização dos autos, de ininteligibilidade da prova das infrações, de obstáculos intransponíveis e mesmo de falta de documentos essenciais para a determinação da matéria tributável, não obstante a qualidade do relatório fiscal que acompanha o Auto de Infração ter permitido ao sujeito passivo perfeita compreensão das infrações que lhe foram imputadas, há de se reconhecer a procedência da arguição de nulidade por cerceamento do direito de defesa. Conclusões Com essas considerações, voto por dar provimento ao recurso voluntário, acolhendo a preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa. O provimento do recurso voluntário, tal como ora reconhecido, implica a perda do objeto do recurso de ofício, que queda não conhecido. Sala de sessões, em 24 de outubro de 2013 Fl. 95549DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALEXANDRE KERN 16 Fl. 95550DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por ANGELICA DOS SANTOS GOMES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 26/10/2013 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 14751.720317/2012-20
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
AFERIÇÃO INDIRETA. LEGALIDADE. CONTABILIDADE DA EMPRESA QUE NÃO REVELA A REALIDADE DA EMPRESA.
Comprovadas irregularidades na contabilidade da empresa que distorcem completamente da realidade contábil escriturada, legitimada está a aferição indireta. Entretanto, por se tratar de método de exceção, a prova em contrário poderia ser apta a desconstitui-la, o que não ocorreu no caso concreto.
OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento - a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Diante do advento da MP 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº. 11.941/09, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, do CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, § 6º da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 284, III e art. 373 do Decreto nº 3.048/99 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32-A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, para efeitos de aplicação do princípio da retroatividade benigna, disposta no art. 106 do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.342
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para até 11/2008, para as obrigações principais, determinando o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.4300). Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para a obrigação acessória (DEBCAD 37.351.822-6), determinando o recálculo da multa até 11/2008, de acordo com o determinado no art. 32-A da Lei nº 8.212/91, com a redação também dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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LEGALIDADE. CONTABILIDADE DA EMPRESA QUE NÃO REVELA A REALIDADE DA EMPRESA. Comprovadas irregularidades na contabilidade da empresa que distorcem completamente da realidade contábil escriturada, legitimada está a aferição indireta. Entretanto, por se tratar de método de exceção, a prova em contrário poderia ser apta a desconstituila, o que não ocorreu no caso concreto. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Diante do advento da MP 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº. 11.941/09, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, “c”, do CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, § 6º da Lei nº 8.212/91 c/c o art. 284, III e art. 373 do Decreto nº 3.048/99 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, para AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 75 1. 72 03 17 /2 01 2- 20 Fl. 3469DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 efeitos de aplicação do princípio da retroatividade benigna, disposta no art. 106 do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para até 11/2008, para as obrigações principais, determinando o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.4300). Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para a obrigação acessória (DEBCAD 37.351.8226), determinando o recálculo da multa até 11/2008, de acordo com o determinado no art. 32A da Lei nº 8.212/91, com a redação também dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Júlio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 3470DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14751.720317/201220 Acórdão n.º 2403002.342 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº. 11 39.740, fls. 1318/1331, que julgou improcedente a impugnação ofertada para manter incólume o crédito previdenciário, consubstanciado nos seguintes Autos de Infração: AI DEBCAD 37.351.8196 (contribuição patronal e SAT/RAT – R$ 281.886,41); AI DEBCAD 37.351.8200 (contribuição dos segurados – R$ 135.120,34); AI DEBCAD 37.351.8218 (contribuição de Terceiros – R$ 60.389,18); AI DEBCAD 37.351.8226 (obrigação acessória do art. 32, IV e § 5º da Lei nº. 8.212/91 – R$ 25.873,92) Os Autos de Infração abrangem o período de 01/2008 a 12/2008, incluído o 13º salário, e foi lavrado em 14/12/2012, uma vez que foi constatado pela fiscalização pagamento a professores sem a formalização do contrato de trabalho, assim como, quanto aos professores regularmente contratados, a existência de dois contracheques em cada mês, na qual apenas um era oficialmente deduzido o imposto de renda e a contribuição previdenciária, denominado, pela empresa, de salário oficial, o qual, segundo a fiscalização, representa apenas 20% da remuneração real, efetivamente paga. Ademais, outras irregularidades foram constatadas, conforme detalhado no Relatório Fiscal, fls. 74/103, a seguir elencadas: Ausência de remuneração do Diretor Financeiro no período de 07/2009 a 13/2010; Ausência de remuneração do pessoal alocado para trabalhar nos concursos vestibulares; Omissão de lançamentos contábeis alusivos a pagamentos de pro labore, férias e rescisão; Omissão de receitas de mensalidades escolares; Distorções na contabilização das receitas auferidas com taxas de inscrições de vestibulares; Omissão das receitas auferidas na parceria com a ESMAT para realização de curso de pósgraduação. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação por meio de instrumento de fls.1010/1269. Fl. 3471DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 DA INFORMAÇÃO DE PARCELAMENTO Além dos DEBCAD`s objeto do processo em discussão, o auditor lavrou o processo 14751.720318/201274, referente ao período de 01/2009 a 13/2010. A parte reconheceu parcialmente o débito, tendo realizado parcelamento, conforme informado pela DRF, na fl.1317, apartando os autos gerando o número 14747.720010/201379. Os DEBCADs incluídos no parcelamento são os de número 37.393.4076, 37.393.4084, e 37.393.4092 que não são objeto do presente processo. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da então Impugnante, a 7ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento no Recife, DRJ/REC, prolatou o Acórdão n° 1139.740, fls. 1318/1331, a qual julgou improcedente a impugnação, mantendo incólume o crédito tributário, conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTABILIDADE. REMUNERAÇÃO. OMISSÃO. ARBITRAMENTO. Constatado que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. ERRO NA DECLARAÇÃO E FALTA DE RECOLHIMENTO. MULTA. CUMULAÇÃO. POSSIBILIDADE. Antes das alterações promovidas na Lei n.º 8.212/91 pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, era possível a cumulação de multa por erro na declaração com multa por falta de recolhimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. GARANTIA. Tendo sido cientificado do lançamento e aberto prazo legal para a impugnação, foi oportunizado ao sujeito passivo oferecer sua defesa com todos os meios e provas cabíveis. Assim, deuse cumprimento ao devido processo legal, restando perfeitamente atendido o princípio do contraditório e da ampla defesa. PROVAS PRODUZIDAS PELO FISCO. IMPARCIALIDADE. NÃO APLICAÇÃO. A imparcialidade é pressuposto processual dirigido aos órgãos julgadores, não tendo aplicação na produção de provas pelo Fisco, cabendo somente ao auditorfiscal decidir quais provas carrear ao lançamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 3472DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14751.720317/201220 Acórdão n.º 2403002.342 S2C4T3 Fl. 4 5 DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 1334/1348, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: A DRJ não examinou o mérito da questão por tratar o assunto de forma equivocada com relação ao período, pois tanto o período fiscalizado quanto o impugnado se refere a 01/2009 a 12/2010, sendo que o período do acórdão consta como 01/01/2008 a 31/12/2008; Ilegalidade da aferição indireta uma vez que a empresa apresenta escrituração contábil regular, inviabilizando, portanto, a possibilidade de arbitramento. É o relatório. Fl. 3473DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme documentos de fls. 197 e 213, temse que o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA SUPOSTA FALTA DE ANÁLISE DO MÉRITO POR PARTE DA DRJ Alega a Recorrente que não houve análise do mérito por parte da DRJ, uma vez que tratou do assunto de forma equivocada com relação ao período, pois tanto o período fiscalizado quanto o impugnado se refere a 01/2009 a 12/2010, sendo que o período do acórdão consta como 01/01/2008 a 31/12/2008. Entretanto, tal argumento não merece prosperar. O período de apuração do tributo realmente referese ao exercício de 2008. O Relatório Fiscal, no item 1.6, assim como na narrativa dos fatos e no recálculo da multa por infração à obrigação acessória remete os fatos geradores apenas e tão somente ao anocalendário de 2008. Para corroborar ainda mais o período do qual o presente auto de infração versa, todos os Discriminativos de Débito referemse às competências de 2008. O que houve foi mero erro de digitação na primeira página do Relatório Fiscal, fl. 74, que consignou período diverso. Mas, todos os outros elementos, conforme citados acima, retratam das competências de 2008, razão pela qual não merece prosperar o argumento suscitado. DA AFERIÇÃO INDIRETA Em suas razões recursais, a Recorrente voltase tão somente à aplicação da aferição indireta para a lavratura do Auto de Infração, uma vez que apresentava escritura contábil regular. Ocorre, entretanto, que a autoridade fiscal, para se valer da aferição indireta apresentou diversos fatores para constatação de que a contabilidade não condizia com a realidade da instituição. Isso porque a comparação realizada entre os documentos apresentados pela Recorrente e os dados constantes dos sistemas da RFB demonstraram diversas irregularidades, assim elencadas no Relatório Fiscal, fl. 96: a) Omissão de registro das remunerações pagas aos professores que trabalharam sem formalização do contrato de trabalho no período de 02/2008 a 02/2009 (item 3.1.1); Fl. 3474DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14751.720317/201220 Acórdão n.º 2403002.342 S2C4T3 Fl. 5 7 b) Omissão de registro das remunerações efetivamente pagas. Ficou constatada a existência de remunerações “extraoficias” pagas a todos os professores da instituição (item 3.1.2); c) Ausência de registro das remunerações pagas ao Diretor Financeiro Marcelo Henriques da Silva no período 07/2009 a 13/2010 (item 3.1.3); d) Ausência de registro das despesas com pessoal alocado para trabalhar nos vestibulares 2008.1, 2008.2, 2009.1, 2009.2, 2010.1 e 2010.2 (item 3.1.4); e) Omissão de registro de valores pagos a título de prólabore, férias e rescisões de contrato de trabalho (item 3.1.5); f) Omissão de registro de receitas auferidas com o recebimento de mensalidades escolares (item 3.1.6); g) Distorções nos lançamentos contábeis relativos às receitas obtidas com taxas de inscrição dos vestibulares (item 3.1.7); h) Omissão de registro das receitas decorrentes do convênio firmado com a AMATRA para cursos de pósgraduação (item 3.1.8). O somatório de tais fatores são suficientes para descartar a contabilidade da empresa, por ser imprestável à fiscalização, tendo em vista todas as irregularidades existentes, cabendo a autoridade fiscal identificar a real situação contábil da empresa e lavrar o auto de infração com base na aferição indireta. Seria impossível utilizar a GFIP ou mesmo as folhas de pagamentos para aferir diretamente a remuneração dos segurados, já que grande parte das remunerações não foram registradas nestes documentos, conforme acima informado, prejudicando a presunção de veracidade de sua escrita contábil ante a omissão. Neste sentido, cabe tecer algumas considerações acerca do arbitramento da base de cálculo/aferição indireta. O critério de apuração pelo arbitramento é método de exceção, autorizado pelo art. 33, § 6º, da Lei nº. 8.212/91 a ser utilizado quando a empresa não registra o real movimento de remuneração dos seus segurados, a partir da análise da escrituração contábil ou de qualquer outro documento, in verbis: § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Portanto, mesmo que a empresa apresente escrita contábil regular, qualquer outro documento da empresa que aponte para uma realidade contábil distorcida da escriturada, estará legitimada a autoridade fiscal a proceder com a fixação da base de cálculo mediante o critério da aferição indireta. Fl. 3475DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Por outro lado, os valores arbitrados pela autoridade fiscal estiveram passíveis de reforma na medida em que foram apurados com base na presunção legal legitimada pela aferição indireta. O arbitramento da base de cálculo teve por parâmetro documentos idôneos que possibilitaram a presunção da existência de contribuições previdenciárias a partir da descaracterização da escrituração contábil e a existência de diversas remunerações que foram evadidas da incidência tributária, a partir do extenso rol de provas trazidas aos autos pela fiscalização. Logo, diante da presunção que se instalou no presente processo, caberia à Recorrente desconstituir o crédito tributário a partir de provas contundentes, eis que, no caso em lume, o ônus da prova se inverte. É o que preceitua Marcos Vinícius Neder (NEDER, Marcos Vinícius; SANTI, Eurico Marcos Diniz de; et al. Coordenadores. A Prova no Processo Tributário. São Paulo: Dialética, 2010, p. 21): “O efeito prático das presunções legais é, uma vez provado o fato indiciário, dispensar o agente fiscal de provar o fato gerador do tributo em razão de a lei o presumir, cabendo à outra parte, para afastar a presunção, provar que o fato presumido não existiu no caso”. Uma vez que a Recorrente não apresentou provas suficientes a ilidir o montante arbitrado pela autoridade fiscal a título de base de cálculo, não há que se falar em ilegalidade da aferição indireta. DAS MULTAS APLICADAS NA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL No que se referem às multas de mora e de ofício aplicadas, mister se faz tecer alguns comentários. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Fl. 3476DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14751.720317/201220 Acórdão n.º 2403002.342 S2C4T3 Fl. 6 9 a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Fl. 3477DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA No que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da MP nº 449/08, convertida na Lei n° 11.941/09. Ela inseriu o art. 32A na Lei n° 8.212/91 e alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas ao inciso IV do art. 32 da Lei n° 8.212/91, in verbis: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 3478DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 14751.720317/201220 Acórdão n.º 2403002.342 S2C4T3 Fl. 7 11 II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Logo, quando houver descumprimento da Obrigação Acessória prevista no art. 32, IV da Lei nº 8.212/91, aplicase a multa prevista acima. Ocorre que ela deverá ser aplicada da seguinte forma: 1. Somase o total das informações incorretas ou omitidas; 2. Dividese o total em grupos de 10. Para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas será aplicada a multa de R$ 20,00 (art. 32A, I); 3. Além dessa multa, aplicase a multa de 2% ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (art. 32A, II); 4. A multa mínima a ser aplicada será de R$ 500,00, para o caso da multa prevista no inciso I e R$ 500,00 para a multa prevista no inciso II, ambos do art. 32A da Lei nº 8.212/91 (art. 32A, § 3º, II). Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, “c”, do CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, § 6º da Lei nº 8.212/91 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32A, Le Fl. 3479DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 CONCLUSÃO Do exposto, voto pelo provimento parcial ao recurso para até 11/2008, em relação às obrigações principais, determinando o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei nº 9.4300), assim como, para a obrigação acessória, determinando o recálculo da multa até 11/2008, de acordo com o determinado no art. 32A da Lei nº 8.212/91, com a redação também dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 3480DF CARF MF Impresso em 03/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 17/12 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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