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Numero do processo: 10380.901405/2006-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO.
Comprovada a existência do direito creditório, e observadas as demais normas que regem a compensação de indébitos tributários no âmbito federal, é de se homologar a compensação declarada.
Numero da decisão: 1201-001.303
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Ronaldo Apelbaum (Vice-presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada).
Nome do relator: MARCELO CUBA NETTO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Comprovada a existência do direito creditório, e observadas as demais normas que regem a compensação de indébitos tributários no âmbito federal, é de se homologar a compensação declarada.
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INDÚSTRIA E COMÉRCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Comprovada a existência do direito creditório, e observadas as demais normas que regem a compensação de indébitos tributários no âmbito federal, é de se homologar a compensação declarada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente e Relator Participaram do presente julgado os Conselheiros: Marcelo Cuba Netto (Presidente), Roberto Caparroz de Almeida, João Otávio Oppermann Thomé, Ronaldo Apelbaum (Vicepresidente), Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contra o acórdão nº 0818.795, exarado pela 4ª Turma da DRJ em Fortaleza CE. Conforme consta dos autos, a interessada transmitiu a declaração de compensação (DCOMP) nº 05877.21146.310305.1.7.042792, retificadora da DCOMP nº 07104.93256.150803.1.3.042050, informando como direito creditório o IRPJ por estimativa pago indevidamente em 28/06/2002, no valor de R$ 1.478.407,86 (fls. 2/6). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 14 05 /2 00 6- 97 Fl. 428DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10380.901405/200697 Acórdão n.º 1201001.303 S1C2T1 Fl. 3 2 A autoridade local, no entanto, decidiu não homologar a referida DCOMP sob o argumento de que a contribuinte já havia incluído o referido pagamento no cálculo do saldo negativo do IRPJ relativo ao anocalendário de 2002, e que esse saldo negativo foi objeto da DCOMP nº 00181.50555.190906.1.7.022640 (fls. 18/21). Proposta manifestação de inconformidade, o órgão de primeiro grau decidiu pelo indeferimento do pleito da interessada (fls. 81/86). Irresignada, a contribuinte interpôs recurso voluntário pedindo, ao final, a reforma da decisão de primeira instância, sob as seguintes alegações, em síntese (fls. 89/101): a) não houve duplicidade no aproveitamento do direito creditório. Do saldo negativo do anocalendário de 2002, no montante de R$ 9.827.493,78, apenas parte, no valor de R$ 6.176.531,66, foi empregado na DCOMP nº 00181.50555.190906.1.7.022640. O direito creditório restante é, portanto, suficiente à liquidação dos débitos informados na DCOMP de que cuida o presente processo; b) em que pese a contribuinte haver apontado a origem do direito creditório ora contestado como sendo pagamento indevido de estimativa de IRPJ, tal fato não impede o Fisco de, em observância ao princípio da verdade material, reconhecêlo como sendo oriundo de saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2002. Levados os autos a julgamento esta Turma resolveu pela sua conversão em diligência, nos seguintes termos (fls. 124/126): Tendo em vista todo o exposto, voto pela conversão do presente julgamento em diligência, a fim de que: a) seja informado se o saldo negativo apontado pela contribuinte em sua DIPJ/2003 é ou não suficiente para compensar os débitos contidos na DCOMP de fls. 2/6, considerando ainda a utilização desse mesmo direito creditório nas DCOMPs 00181.50555.190906.1.7.022640, 29575.77699.310505.1.3.0450 34 e 13746.38331.010405.1.7.047700, além de outras eventualmente existentes, bem como em pedido de restituição; b) seja elaborado relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, bem como outras que a autoridade julgar pertinentes; c) seja a interessada cientificada do relatório de diligência e concedido prazo de 20 dias para, se assim lhe convier, apresentar contrarrazões. Realizada a diligência, a autoridade local elaborou relatório onde informa o seguinte (fls. 272/275): À vista das conclusões já externadas através do Acórdão nº 0821.214 3ª Turma da DRJ/FOR (processo nº 10380.911993/200915), observase que não remanesce direito creditório a título de SN IRPJ, exercício 2003, encontrandose atualmente o processo que trata da DCOMP com crédito (nº 00181.50555.190906.1.7.022640) e demais, em recurso voluntário junto ao CARF. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10380.901405/200697 Acórdão n.º 1201001.303 S1C2T1 Fl. 4 3 Segundo planilha de cálculo anexada aos autos, caso o administrado venha a ter êxito em sua tese de improcedência da cobrança da multa de 20% (multa de mora), haja vista a ocorrência da denúncia expontânea, remanesceria crédito e, ao final, a DCOMP nº 13746.38331.010405.1.7. 047700, seria HOMOLOGADA EM PARTE e as demais (05877.21146.310305.1.7.042792 e 29575.77699.310505.1.3.045034) NÃO HOMOLOGADAS por inexistência de crédito. No entanto, em vista do impasse, constatandose a conexão dos autos ora em análise, proponho que os mesmos sejam anexados ao processo nº 10380.911993/200915, na qual o interessado está litigando a existência de direito creditório oriundo de SN IRPJ, exercício de 2003 (mesma matéria aqui tratada), para ao final de seu julgamento, seja verificada a ocorrência de saldo remanescente de SN IRPJ passível de homologação dos débitos questionados nos processos nº 10380.901404/200642, 10380.901405/200697 e 10380.720618/201004. CONCLUSÃO Em função de tudo o que anteriormente foi exposto, concluo pela inexistência de direito creditório, proveniente de saldo negativo de IRPJ, passível de compensação dos débitos objeto das DCOMP's nº 14124.57849.150803.1.3.040397, 05877.21146.31 0305.1.7.042792 e 29575.77699.310505.1.3.045034. Como medida salutar, propõese que os processos nº 10380.901404/2006 42, 10380.901405/200697 e 10380.720618/201004 sejam anexados aos autos do PA nº 10380.911993/200915, haja vista a conexão existente entre os mesmos. (...) Regularmente cientificada, a interessada apresentou contrarrazões ao relatório de diligência (fl. 270 e ss.) onde reitera as razões expostas no recurso voluntário. Voto Conselheiro Marcelo Cuba Netto, Relator. 1) DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O recurso atende aos pressupostos processuais de admissibilidade estabelecidos no Decreto nº 70.235/72 e, portanto, dele devese tomar conhecimento. 2) DO DIREITO CREDITÓRIO No caso, a interessada cometeu erro no preenchimento da DCOMP objeto do presente processo uma vez que, ao invés de informar como origem de seu direito creditório o saldo negativo do IRPJ apurado na DIPJ/2003, apontou pagamento indevido da estimativa do IRPJ ocorrido em 28/06/2002 (código 2362). Fl. 430DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10380.901405/200697 Acórdão n.º 1201001.303 S1C2T1 Fl. 5 4 Este Conselho vem acolhendo a retificação de erros de fato cometidos no preenchimento da DCOMP desde que, observadas as normas legais que regem o assunto, reste comprovada a existência do direito creditório. Nesse sentido foi solicitada diligência com vistas a verificar se, após a realização de outras compensações e de eventual pedido de restituição, a interessada ainda possuía saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ/2003 em montante suficiente para promover a compensação sob exame. A diligência, entretanto, limitouse a reproduzir as conclusões contidas no acórdão nº 0821.214, exarado pela 3ª Turma da DRJ em Fortaleza nos autos do processo nº 10380.911993/200910, onde é afirmado que, diante das compensações informadas na DCOMP nº 00181.50555.190906.1.7.022640, objeto daquele processo, a ora recorrente não mais possuiria saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ/2003. Ocorre que, conforme se observa na DIPJ/2003 (fl. 7), a contribuinte apurou saldo negativo de IRPJ no montante R$ 9.827.493,78. Por sua vez, no âmbito do mencionado processo nº 10380.911993/200910 a interessada informa compensação desse direito creditório no montante de, apenas, R$ 6.176.531,66 (vide cópia da DCOMP à fl. 141 e ss. do presente processo). Ainda que a autoridade local não tenha respondido a contento o quesito "a" do pedido de diligência, formo convencimento de que não houve compensação a maior do saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ/2003, no valor original de R$ 9.827.493,78, haja vista o demonstrativo a seguir: Processo nº DCOMP Ativa nº Valor Compensado 10380.901404/200642 13746.38331.010405.1.7.047700 1.016.656,78 10380.901405/200697 05877.21146.310305.1.7.042792 43.906,00 10380.720618/201004 29575.77699.310505.1.3.045034 346.739,38 10380.911993/200910 00181.50555.190906.1.7.022640 6.176.531,66 Total 7.583.833,82 Corrobora esse entendimento o demonstrativo apresentado pela interessada nas contrarrazões ao relatório de diligência, referente a todas as compensações do saldo negativo de IRPJ do ano de 2002 (fl. 293). Ademais, tendo em vista que o crédito pleiteado no âmbito do processo nº 10380.911993/200910 foi considerado no demonstrativo acima, não há razão para acolherse a sugestão da autoridade diligenciante no sentido de reunião dos quatro processos. 3) CONCLUSÃO Tendo em vista todo o exposto, voto por da provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Fl. 431DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10380.901405/200697 Acórdão n.º 1201001.303 S1C2T1 Fl. 6 5 Fl. 432DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 10735.720075/2008-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE DE DOCUMENTAÇÃO. DIREITO À AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO.
Em homenagem ao princípio da ampla defesa e do contraditório, as peças apresentadas nos autos devem ser analisadas pelas instâncias julgadoras.
Numero da decisão: 1402-001.978
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão da Delegacia de Julgamento para que outra seja proferida com apreciação dos documentos trazidos aos autos, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Presidente), FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR e DEMETRIUS NICHELE MACEI.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE DE DOCUMENTAÇÃO. DIREITO À AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO. Em homenagem ao princípio da ampla defesa e do contraditório, as peças apresentadas nos autos devem ser analisadas pelas instâncias julgadoras.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1799; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 421 1 420 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10735.720075/200835 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402001.978 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 8 de dezembro de 2015 Matéria IRPJ Recorrente SEPETIBA TECON S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE DE DOCUMENTAÇÃO. DIREITO À AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO. Em homenagem ao princípio da ampla defesa e do contraditório, as peças apresentadas nos autos devem ser analisadas pelas instâncias julgadoras. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão da Delegacia de Julgamento para que outra seja proferida com apreciação dos documentos trazidos aos autos, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Presidente), FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR e DEMETRIUS NICHELE MACEI. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 72 00 75 /2 00 8- 35 Fl. 421DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10735.720075/200835 Acórdão n.º 1402001.978 S1C4T2 Fl. 422 2 Relatório Sepetiba Tecon S.A. recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 9ª Turma da DRJ Rio de Janeiro 01/RJ, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Tratase de diversos pedidos de restituição cumulados com declarações de compensação apresentadas em meio eletrônico e em formulário constantes deste processo e de dos de nºs 10070.000064/200391, 10070.000463/200352 e 10070.000745/200393 (apensos), dos quais se extrai, em resumo, o seguinte: O crédito referese a saldo negativo de IRPJ do ano de 2002 (exercício 2003); Os PER/DCOMP eletrônicos que se encontram ativos (ver relação de fls. 278/284) trazem a informação de que o crédito já consta do processo administrativo nº 10070.000064/200391 ou do PER/DCOMP nº 17121.39960.160503.1.3.026990 (fls. 25/28); O PER/DCOMP nº 17121.39960.160503.1.3.026990, que já foi retificado, em duas ocasiões, pelos de nºs 34304.81030.150703.1.7.025600 (fls. 29/32) e 31238.18614.080807.1.7.024084 (fls. 33/36), por sua vez, tem a informação de que o crédito já fora informado no processo administrativo nº 10070.000064/200391. O mesmo se observa nos pedidos retificadores; Os Pedidos de Restituição e as Declarações de Compensação constantes das fls. 1/2 e 39/40 do processo administrativo nº 10070.000064/200391, em apenso, informam que a restituição referese a imposto de renda retido na fonte sobre aplicações financeiras durante o ano de 2002, conforme demonstrativos e documentos bancários de fls. 10/38; do processo administrativo nº 10070.000064/200391, em apenso; e Os Pedidos de Restituição e as Declarações de Compensação constantes das fls. 1/2 dos processos administrativos nºs 10070.000463/200352 e 10070.000748/200393, apensos, informam que a restituição fora originalmente pleiteada nos autos do processo nº 10070.000064/200391. Por meio do Despacho Decisório nº 315/2007 e do Parecer de mesmo número, a DRF em Nova Iguaçu, nos autos do processo nº 10070.00064/200391, indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações declaradas (fls. 48/52 do processo apenso nº 10070.000064/200391 e cópias às fls. 220/224 deste, 14/18 do 10070.000463/200352 e 10/14 do 10070.000748/200393). Em 14/02/2008, a DRF em Nova Iguaçu deu ciência, via postal, da Carta Cobrança nº 081/2008 (fls. 58/59 do processo nº 10070.000064/200391, em apenso) com a exigência dos débitos declarados na DCOMP. Por meio do Despacho Decisório nº 316/2007 e do Parecer de mesmo número, a DRF em Nova Iguaçu, nos autos do processo nº 10070.00463/200352, tendo em vista a análise efetuada relativa ao processo nº 10070.000064/200391, deixou de homologar as compensações declaradas (fls. 20/22 do processo apenso 10070.000463/200352). Em 14/02/2008, a DRF em Nova Iguaçu deu ciência, via Fl. 422DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10735.720075/200835 Acórdão n.º 1402001.978 S1C4T2 Fl. 423 3 postal, da Carta Cobrança nº 082/2008 (fls. 28/29 do processo nº 10070.000463/200352, em apenso) com a exigência dos débitos declarados na DCOMP. Por meio do Despacho Decisório nº 317/2007 e do Parecer de mesmo número, a DRF em Nova Iguaçu, nos autos do processo nº 10070.00748/200393, tendo em vista a análise efetuada relativa ao processo nº 10070.000064/200391, deixou de homologar as compensações declaradas (fls. 16/18 do processo apenso 10070.000748/200393). Em 14/02/2008, a DRF em Nova Iguaçu deu ciência, via postal, da Carta Cobrança nº 083/2008 (fls. 25/26 do processo nº 10070.000748/200393, em apenso) com a exigência dos débitos declarados na DCOMP. Por meio do Despacho Decisório de fl. 227 que aprova o Parecer nº 199/2008, a DRF em Nova Iguaçu, nos autos deste processo, tendo em vista a análise efetuada relativa ao processo nº 10070.000064/200391, deixou de homologar as compensações declaradas (fls. 226/227). Em 02/06/2008, a Interessada tomou ciência, via postal (fl. 253), do despacho decisório. Em 28/04/2008, a Interessada retirou cópias integrais dos processos apensos, no total de 105, conforme DARF de fl. 61 do processo 10070.000064/200391, com cópias às fls. 30 do 10070.000463/200352 e 29 do 10070.000748/200393. Discordando dos despachos decisórios antes mencionados, a Interessada apresentou, em 02/07/2008, manifestação de inconformidade de fls. 237/245 referente ao presente processo e, em 24/07/2008, aditamentos relacionados aos processos nºs 10070.000064/200391, 10070.000463/200352 e 10070.000748/200393, constantes, respectivamente, de suas fls. 76/77, 48/49 e 43/44. É o Relatório.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 12 27.681 (fls. 296302) de 11/12/2009, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2002 DIREITO CREDITÓRIO ANALISADO ANTERIORMENTE. PRECLUSÃO. Constatado que o direito creditório foi indeferido em decisão que se tornou definitiva pelo decurso do prazo legal, constante de processo administrativo anterior, descabe novo exame em razão do fenômeno da preclusão, que se opera, devendose adotar a decisão anteriormente tomada.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 29/12/2009 (A.R. de fl. 347) a interessada interpôs recurso voluntário em 28/01/2010 (fls. 304313, comprovante à fl. 344) onde repisa os argumentos apresentados em sua impugnação. É o relatório. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10735.720075/200835 Acórdão n.º 1402001.978 S1C4T2 Fl. 424 4 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Resumo da lide Tratase de diversos pedidos de restituição cumulados com declarações de compensação apresentadas em meio eletrônico e em formulário constantes deste processo e de dos de nºs 10070.000064/200391, 10070.000463/200352 e 10070.000745/200393 (apensos), A restituição, ou direito creditório, fora originalmente pleiteada nos autos do processo nº 10070.000064/200391. Por meio do Despacho Decisório nº 315/2007 e do Parecer de mesmo número, a DRF em Nova Iguaçu, nos autos do processo nº 10070.00064/200391, indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações declaradas (fls. 48/52 do processo apenso nº 10070.000064/200391 e cópias às fls. 220/224 deste, 14/18 do 10070.000463/2003 52 e 10/14 do 10070.000748/200393). Em 14/02/2008, a DRF em Nova Iguaçu deu ciência, via postal, da Carta Cobrança nº 081/2008 (fls. 58/59 do processo nº 10070.000064/200391, em apenso) com a exigência dos débitos declarados na DCOMP. Por meio do Despacho Decisório nº 316/2007 e do Parecer de mesmo número, a DRF em Nova Iguaçu, nos autos do processo nº 10070.00463/200352, tendo em vista a análise efetuada relativa ao processo nº 10070.000064/200391, deixou de homologar as compensações declaradas (fls. 20/22 do processo apenso 10070.000463/200352). Em 14/02/2008, a DRF em Nova Iguaçu deu ciência, via postal, da Carta Cobrança nº 082/2008 (fls. 28/29 do processo nº 10070.000463/200352, em apenso) com a exigência dos débitos declarados na DCOMP. Por meio do Despacho Decisório nº 317/2007 e do Parecer de mesmo número, a DRF em Nova Iguaçu, nos autos do processo nº 10070.00748/200393, tendo em vista a análise efetuada relativa ao processo nº 10070.000064/200391, deixou de homologar as compensações declaradas (fls. 16/18 do processo apenso 10070.000748/200393). Em 14/02/2008, a DRF em Nova Iguaçu deu ciência, via postal, da Carta Cobrança nº 083/2008 (fls. 25/26 do processo nº 10070.000748/200393, em apenso) com a exigência dos débitos declarados na DCOMP. Por meio do Despacho Decisório de fl. 227 que aprova o Parecer nº 199/2008, a DRF em Nova Iguaçu, nos autos deste processo, tendo em vista a análise efetuada relativa ao processo nº 10070.000064/200391, deixou de homologar as compensações declaradas (fls. 226/227). Em 02/06/2008, a Interessada tomou ciência, via postal (fl. 253), do despacho decisório. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10735.720075/200835 Acórdão n.º 1402001.978 S1C4T2 Fl. 425 5 Da preliminar de nulidade do despacho decisório por preterição do direito de defesa Não vislumbro a preliminar de nulidade suscitada. Inicialmente, cabe esclarecer que, no âmbito do processo administrativo fiscal, as hipóteses de nulidade são taxativamente previstas nos arts. 59 e 60 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (Grifouse). Nesses termos, o cerceamento do direito de defesa pode ser cogitado em face de despachos e decisões. O que se observa, porém, é que a empresa demonstra ter pleno conhecimento da matéria objeto do despacho decisório, tendo em vista ter apresentado detalhadas impugnação e recurso. Ademais, constatase que o despacho decisório foi lavrado por pessoa competente, não ensejando sua nulidade. Nessa esteira, rejeito a preliminar de nulidade do despacho decisório em análise. Do mérito Conforme relatado, o crédito informado nos PER/DCOMP referese ao saldo negativo do IRPJ do ano de 2002, que já fora objeto, originalmente, do processo nº 10070.000064/200391, em cujos autos, a DRF – Nova Iguaçu já se manifestou, por meio do Despacho Decisório datado de 04/12/2007, acostado às fls. 220/224 deste processo, pelo indeferimento do pedido de restituição. Segundo consta na decisão recorrida, a interessada foi notificada de tal Despacho Decisório, de nº 315/2007 (fl. 226), em 14/02/2008, ocasião em que tomou ciência, via postal, da Carta de Cobrança nº 081/2008 da Agência de Itaguaí (fl. 59 do processo 10070.000064/200391, em apenso). Posteriormente, em 28/04/2008, a Interessada, ao retirar cópia daquele processo, novamente fora cientificada do Despacho Decisório e do Parecer em que se baseou (fl. 63 do processo 10070.000064/200391, em apenso). Fl. 425DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10735.720075/200835 Acórdão n.º 1402001.978 S1C4T2 Fl. 426 6 No entanto, no entender da autoridade julgadora de 1a instância, a Manifestação de Inconformidade (fls. 76/77 do processo 10070.000064/200391, em apenso), relacionada ao Despacho Decisório atinente ao processo nº 10070.000064/200391, que recebeu o nome de “aditamento à sua Manifestação de Inconformidade”, só foi apresentada em 24/07/2008, já ultrapassado o prazo para sua interposição, o que transformava em definitiva a decisão tomada naquele despacho decisório. Vejase o excerto da decisão recorrida, no que interessa. Vale acrescentar que a única Manifestação de Inconformidade apresentada se refere ao processo principal (fls. 237/245, com cópias às fls. 65/73 do processo apenso nº 10070.000064/200391, 35/43 do processo apenso nº 10070.000463/2003 52 e 32/40 do processo apenso nº 10070.000748/200393) e que os demais requerimentos interpostos, constantes das fls. 48/49 e 43/44, respectivamente, dos processos apensos nºs 10070.000463/200352 e 10070.000748/200393, referemse a “aditamento à sua Manifestação de Inconformidade” e se relacionam aos processos em que se encontram. Dessa forma, impõese o não conhecimento do pleito da Interessada em relação ao reconhecimento do direito creditório relativo ao saldo negativo do IRPJ do ano de 2002 (exercício 2003), em razão de este crédito já ter sido objeto de análise realizada quando dos pedidos de compensação constantes do processo nº 10070.000064/200391. Em seu recurso, a interessada apresenta outra versão, fls. 310/311: 27. Em que pese inegável a correlação entre ambos os processos (deste e do de nº 10070.000064/200391), a premissa que serviu de fundamento para a decisão recorrida é absolutamente falaciosa, já que partiu dos pressupostos de que seria (i) intempestiva a Manifestação de Inconformidade apresentada nos autos do Processo Administrativo n° 10070.000064/200391; bem assim (ii) entendeu que o processo por último mencionado teria se findado, inexistindo possibilidade de alterarse a decisão que porventura tenha sido proferida no mesmo (neste ponto, ressaltese que a ora Recorrente desconhece qualquer decisão que tenha negado provimento à Manifestação de Inconformidade que protocolou naquele processo). 28. Com relação ao primeiro argumento, resta claro, muito claro até, a sua incorreção, visto que a decisão Recorrida, quando da apuração da intempestividade nos autos do Processo Administrativo n° 10070.000064/200391, levou em consideração como data de protocolo da Manifestação de Inconformidade, a data em que foi apresentado com arrimo no Princípio da Verdade Material , o "Aditamento à Manifestação de Inconformidade". 29. O referido aditamento, é certo, foi protocolado pela ora Recorrente naquele processo na data de 24/07/2008 (doc.03), como muito bem observado na decisão combatida. 30. Contudo, a Manifestação de Inconformidade houvera sido protocolada em data anterior àquela, qual seja, 08/02/2008, tendo retornado o Aviso de Recebimento, relativo ao protocolo realizado através dos Correios, em 14/02/2008 (doc. 01)! 31. Em sendo assim, resta evidente que inocorreu a preclusão suscitada na decisão vergastada, posto que o recurso apresentado no Processo Administrativo n° 10070.000064/200391, levandose em consideração a sua correta data de interposição, não é intempestivo! Fl. 426DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10735.720075/200835 Acórdão n.º 1402001.978 S1C4T2 Fl. 427 7 Os documentos acostados ao processo por ocasião do recurso voluntário são: i) cópia de o que a recorrente chama de manifestação de inconformidade ao despacho decisório contido no processo nº 10070.000064/200391, fls. 317/319, e; ii) a suposta comprovação da data de envio da citada manifestação, de 08/02/2008, AR de fls. 320/321. Da leitura da peça trazida aos autos às fls. 317/319, que a recorrente quer fazer crer seja a manifestação de inconformidade ao despacho decisório contido no processo nº 10070.000064/200391, constatase que ali se trata, tãosomente, de um pedido de prorrogação do prazo para apresentação de defesa por mais trinta dias. Vejase, nesse sentido, o que prescrevem os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72 e alterações, in verbis. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) ... De fato, na peça apresentada não há qualquer alusão a motivos de fato e de direito em que se fundamenta, pontos de discordância, razões e provas que possuir, ou a pedido de diligência ou perícia, mas tãosomente a um pedido de prorrogação do prazo para apresentar sua manifestação de inconformidade. Entretanto, em que pese entender que não se pode conhecer tal peça, de fls. 317/319, como manifestação de inconformidade da interessada, reconheço que os documentos acostados (a peça que a recorrente chama de manifestação de inconformidade ao despacho decisório contido no processo nº 10070.000064/200391, fls. 317/319, e a suposta comprovação da data de envio da citada manifestação, de 08/02/2008, AR de fls. 320/321) não foram analisados na decisão atacada. Nessa esteira, para que não haja supressão de instância e prejuízo à ampla defesa da autuada, encaminho meu voto no sentido de anular a decisão da Delegacia de Julgamento para que outra seja proferida com apreciação dos documentos trazidos aos autos (a peça que a recorrente chama de manifestação de inconformidade ao despacho decisório contido no processo nº 10070.000064/200391, fls. 317/319, e a suposta comprovação da data de envio Fl. 427DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10735.720075/200835 Acórdão n.º 1402001.978 S1C4T2 Fl. 428 8 da citada manifestação, de 08/02/2008, AR de fls. 320/321), levando em consideração que os processos devem ser apreciados em conjunto e que o principal é o de nº 10070.000064/2003 91. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 428DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 15504.014524/2008-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 21/12/2006
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR A EMPRESA DE PROMOVER A DECLARAÇÃO E ENTREGA DA GFIP. ALTERAÇÃO NO ORDENAMENTO JURÍDICO. LEI NOVA QUE CONCEDE ANÍSTIA À INFRAÇÃO. APLICABILIDADE AO FATO PRETÉRITO.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente).
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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OUTROS DADOS. Recorrente TRANSPORTADORA ITACOLOMY LIMITADA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 21/12/2006 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DEIXAR A EMPRESA DE PROMOVER A DECLARAÇÃO E ENTREGA DA GFIP. ALTERAÇÃO NO ORDENAMENTO JURÍDICO. LEI NOVA QUE CONCEDE ANÍSTIA À INFRAÇÃO. APLICABILIDADE AO FATO PRETÉRITO. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente). Marco Aurélio de Oliveira Barbosa. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto, Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 45 24 /2 00 8- 40 Fl. 198DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15504.014524/200840 Acórdão n.º 2202003.095 S2C2T2 Fl. 199 2 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal contempla o Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA DEBCAD 37.056.7498, CFL.67, que consiste em deixar a empresa de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento definido em Regulamento, os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo, conforme previsto na Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, parágrafo 3º e 9º, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, inciso IV e parágrafos 2º, 3º e 4º., do "caput" do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, com período de apuração 01/1996 a 12/2005, conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, de fls. 18 a 20. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 22/12/2006, conforme AR, de fls. 38. O contribuinte apresentou sua defesa/impugnação, em 09/01/2007, conforme espelho do sistema SIPPS, as fls. 42, a defesa está acostada, as fls. 44 a 61, acompanhada dos documentos, de fls. 63 a 71. A impugnação foi considerada tempestiva, fls. 73. O órgão julgador de primeiro grau emitiu a Decisão Notificação DN nº 11 401.4/0158/2007, datado, de 23/07/2007, fls. 75 a 81. No qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 19/03/2007, conforme comprovante de recebimento, de fls. 85. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 93, com razões recursais, as fls. 95 a 123, recebido, em 18/04/2007, conforme espelho do sistema SIPPS, de fls. 91, acompanhado dos documentos, de fls. 125 a 133. As razões recursais não serão sumariadas, o que se explicará no voto. O órgão preparador reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 137. O recurso acabou por ser admitido, em 20/11/2009, em razão da Súmula Vinculante 21, do STF, conforme, fls. 185 a 193. Os autos foram remetidos ao CARF, fls. 193. O sorteio e distribuição a esse conselheiro ocorreu, em 12/02/2015, Lote 06, fls. 196 . É o Relatório. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15504.014524/200840 Acórdão n.º 2202003.095 S2C2T2 Fl. 200 3 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira Relator O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Retenção. O presente processo ficou retido e sua solução foi retardada em razão dos recentes acontecimentos que afetaram o normal funcionamento do CARF, situação, absolutamente, fora do alcance do presente conselheiro. Mérito. Antes da apresentação dos autos para julgamento o ordenamento jurídico foi inovado pela Lei 13.097/2015, publicada no DOU em 20.01.2015 com vigência dos artigos 48 a 50, na data de publicação da citada lei. Ocorre que o artigo 49 citado e abaixo reproduzido dá expressa anistia as multas previstas no artigo 32 – A, da Lei 8.212/91. Art. 49. Ficam anistiadas as multas previstas no art. 32A da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, lançadas até a publicação desta Lei, desde que a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega. O artigo 32 – A citado acima prevê as seguintes infrações, observese o texto legal transcrito. Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 200DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15504.014524/200840 Acórdão n.º 2202003.095 S2C2T2 Fl. 201 4 Da leitura do texto legal supramencionado verificase que três são as infrações possíveis: 1. apresentar a GFIP com informações incorretas ou omissas, caput do artigo 32 A e parágrafo I; 2. deixar de apresentar GFIP, caput do artigo 32 A e parágrafo II; 3. apresentar GFIP fora do prazo, caput do artigo 32 A e parágrafo II; No caso vertente a recorrente foi autuada por ter praticado a conduta a seguir descrita: deixar a empresa de informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento definido em Regulamento, os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo, conforme previsto na Lei 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso IV, parágrafo 3º e 9º, acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, inciso IV e parágrafos 2º, 3º e 4º., do "caput" do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99 Com a entrada em vigor do artigo 32 – A como supramencionado, a infração passou a ter essa descrição: deixar a empresa de informar mensalmente a RFB, por intermédio do documentos a que se refere o art. 32, inciso IV, da Lei 8.212, de 24.07.91, os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse da mesma. Observese que a diferença básica está na citação “do nome da sujeito ativo e parte da descrição legal”. Evidenciase, assim, que a infração anterior é idêntica a nova infração, mas apenas com uma outra roupagem, descrição e com pequena alteração da capitulação legal. Desta forma, penso que a multa aplicada nesse auto de infração está abarcada pela anistia concedida pela Lei 13.097/2015, ainda, que tal lei só cite o artigo 32 – A, da Lei 8.212/91 na redação dada pela MP 449/2008 convertida na Lei 11.941/2009, e várias são as razões que me levam a essa conclusão. A uma, porque o artigo 108, I, da Lei 5.172/66 admite o emprego da analogia em matéria tributária, pois como diz o Supremo Tribunal Federal – STF, no AI 835.442 – RJ, 09/04/2013, R. Ministro Luiz Fux. 2. As transcrições revelam similaridade entre este caso e aquele que está com repercussão geral reconhecida. Aplicação das regras de hermenêutica jurídica segundo as quais: Ubi eadem ratio ibi idem jus (onde houver o mesmo fundamento haverá o mesmo direito) e Ubi eadem legis ratio ibi eadem dispositio Fl. 201DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15504.014524/200840 Acórdão n.º 2202003.095 S2C2T2 Fl. 202 5 (onde há a mesma razão de ser, deve prevalecer a mesma razão de decidir). A duas, porque o contribuinte não se defende do dispositivo legal infringido, mas sim da imputação, que a ele é feita e no caso como demonstrado a imputação é a mesma apenas o dispositivo legal é outro ou foi alterado, observese. DIREITO PROCESSUAL CIVIL. DIREITO TRIBUTÁRIO. ANULATÓRIA DE DÉBITO. MULTA. APELAÇÃO CONHECIDA PARCIALMENTE. AUSÊNCIA DE ENTREGA DE DCTF'S. OMISSÃO. LANÇAMENTO DE DÉBITO. REGULARIDADE. LEGALIDADE DA EXIGÊNCIA. ARTIGO 115 DO CTN. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. MULTA. VALIDADE. SENTENÇA MANTIDA. 1. A apelação da autora merece ser conhecida apenas em parte, pois, veicula, em suas razões, questão dissociada do quanto decidido ao pugnar pela redução do valor da multa, assunto não ventilado no pedido inicial e que refoge aos limites da lide posta. 2. No caso dos autos, a ação foi ajuizada visando a obter a decretação de nulidade da NFLD que aplicou à autora multa pela falta de entrega de DCTF's, em dado período, bem como para determinar a devolução de qualquer valor indevidamente pago a esse título. 3. O CTN admite, no art. 115, que a lei pode estabelecer, no interesse da administração tributária, obrigações acessórias a serem cumpridas pelo contribuinte no sentido de praticar ou não condutas outras, além da obrigação principal, consistente no dever legal de recolher o tributo devido, uma vez ocorrido o fato gerador dessa obrigação. 4. Em face disso, o Decretolei nº 2.065/1983, no art. 11, impôs ao contribuinte a obrigação de informar ao Fisco, por meio de declaração constante de formulário padronizado, no caso, denominado de DCTF, quanto aos seus créditos ou débitos tributários, sob pena de sujeitarse à multa por informação inexata, incompleta ou omitida. 5. Na verdade, referido dever legal já decorria do disposto no Decretolei nº 1.968/1982, tendo, posteriormente, o Decretolei nº 2.124/1984, autorizado o ministro da Fazenda a eliminar ou instituir outras obrigações acessórias relativas a tributos federais. 6. Verifica se, pois, da breve remissão legislativa, que a DCTF não foi instituída por meio da Instrução Normativa nº 73/1994, ou qualquer outra subseqüente, pois, como não poderia deixar de ser, esta apenas baixou normas para esclarecer e orientar os contribuintes quanto ao preenchimento dos formulários com as informações a serem prestadas, inclusive por meio eletrônico. Assim sendo, resta claro que a obrigação de prestar informações ao Fisco, por meio das DCTF's, decorre de lei, não havendo falar em vulneração do princípio da legalidade. 7. Precedentes do Superior Tribunal de Justiça e desta Corte Regional. 8. No caso dos autos, a notificação de lançamento, emitida em 23.09.1998, não registra vícios, falhas ou irregularidades, posto que a fiscalização foi minuciosa ao elencar as razões de fato e de direito que ensejaram a lavratura, inclusive com o demonstrativo da apuração do crédito tributário, estando suficientemente motivado a fim de possibilitar a defesa da autora, que não teve Fl. 202DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15504.014524/200840 Acórdão n.º 2202003.095 S2C2T2 Fl. 203 6 dificuldade em impugnar a exigência, não havendo falar ofensa aos princípios da legalidade, da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, nem tampouco configurado qualquer prejuízo ao contribuinte. 9. Frisese, por relevante no caso, que a indicação da base legal da multa ainda que inadequada, incompleta ou até errônea, não invalida o lançamento quando os fatos estiverem devidamente narrados, pois o contribuinte se defende dos fatos e não da capitulação constante da autuação. Ademais, sequer exige fundamentação exaustiva quando restar claro, como no caso em tela, que a multa imposta decorreu do descumprimento da obrigação acessória consistente na entrega das declarações, portanto, aplicada dentro dos parâmetros legais. 10. Ademais, a autuação fiscal constituiuse em ato administrativo e este goza da presunção de legalidade e veracidade que somente pode ser afastada mediante prova robusta a cargo do administrado, e, no caso, não logrou este provar as suas alegações. 11. Em suma, a prestação de informações ao fisco por meio de DCTF's é dever legal, constituindose em obrigação acessória que, uma vez descumprida, sujeita os omissos ao pagamento de multa, impondose, pois, a manutenção da sentença que julgou improcedente o pedido. 12. Conheço em parte da apelação e na parte conhecida, negolhe provimento. AC 00022008319994036114 AC APELAÇÃO CÍVEL – 786915 JUIZ CONVOCADO VALDECI DOS SANTOS TRF3 TERCEIRA TURMA eDJF3 Judicial 1 DATA:31/08/2012. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. CDA PRESUNÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ NÃO ABALADA. 1 O fato de não constar os dispositivos legais na NFLD não a invalida, pois que, conforme informado fls. 16, estava acompanhada do relatório fiscal no qual relacionados os dispositivos infringidos. Além disso, os fatos imputados foram devidamente descritos, possibilitando, assim a defesa, o exercício do contraditório na via administrativa. Registrase que no âmbito administrativo houve recurso até a segunda esfera recursal. 2 Como bem anotado na sentença, sobre ser Associação Cultural e Recreativa sem fins lucrativos, referida alegação não passou do campo das meras alegações, vez que não cuidou sequer de juntar a documentação a tal respeito. Aliás, registrese, que ao defender participação de funcionários nos fulcros e mesmo sem resultados ele está justamente contradizendo a sua afirmação de não ter fins lucrativos. 3 No tocante à afirmativa da embargante de que nada deve, é ver que, assim como vislumbrado no parágrafo antecedente, ela não fez prova contraria á presunção de certeza e liquidez da certidão de divida ativa, assim não se desincumbindo de ônus probatório que era seu, conforme artigo 333, I, do CPC. 4 Apelação improvida. AC 864106719984010000 AC APELAÇÃO CIVEL – 864106719984010000. JUIZ FEDERAL GRIGÓRIO CARLOS DOS SANTOS. TRF1. 5ª TURMA SUPLEMENTAR. eDJF1 DATA:05/10/2012 PAGINA:1894 (promovi os realces). Fl. 203DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15504.014524/200840 Acórdão n.º 2202003.095 S2C2T2 Fl. 204 7 A três, porque segundo a doutrina citada abaixo a anistia exclui a infração e não a capitulação legal imposta. “A anistia não se confunde com a remissão. Esta pode dispensar o tributo, ao passo que a anistia fiscal é limitada à exclusão das infrações cometidas anteriormente à vigência da lei, que a decreta.” 1 Aliás, é isso que diz o artigo 180, da Lei 5.172/66, a seguir transcrita. Art. 180. A anistia abrange exclusivamente as infrações cometidas anteriormente à vigência da lei que a concede, não se aplicando: A quatro, porque além disso temos que observar o que diz o artigo 112, III e IV, da Lei 5.172/66, ou seja, havendo dúvida quanto a imputabilidade e a natureza da penalidade aplicável, por ser a "anistia perdão da falta, da infração, que impede o surgimento do credito tributário correspondente à multa respectiva" [Hugo de Brito, 2006: 248], devese decidir a favor do contribuinte. Assim, não há razão jurídica para se aplicar a anistia a uma infração e não a aplicar a infração idêntica, apenas porque o dispositivo legal é outro, ou seja, mudou houve alteração na lei, mas manutenção da infração. Lembro, ainda, que em verdade o dispositivo legal a prevalecer não seria o antigo, artigo 32, IV, §4º, mas sim o artigo 32 – A – I, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 11.941/2009, uma vez que o artigo 106, II, “c”, da Lei 5.172/66 determina a aplicação da legislação que comine penalidade menos severa e isso vinha sendo aplicado sistematicamente pelo menos na 3ª TE/3ª Câmara/2ª Seção/CARF. 1 Direito Tributário Brasileiro. 7a edição. Rio de Janeiro. 1975, p. 533. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 15504.014524/200840 Acórdão n.º 2202003.095 S2C2T2 Fl. 205 8 Com esses esclarecimentos, entendo aplicável ao caso a anistia. CONCLUSÃO: Ante o exposto voto por conhecer do recurso para no mérito darlhe provimento. (Assinado Digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/03/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 11075.000029/2004-76
Turma: Segunda Turma Especial
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Jun 01 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Sep 30 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 30/06/2003
INFRAÇÕES E PENALIDADES. É lícita a exigência da multa regulamentar quando o estabelecimento promove a venda ou a exposição à venda de cigarros com selos falsos.
PRESENÇA DE PERITO. Não há previsão legal que obrigue a presença de perito no momento da apreensão de mercadorias com selos de legitimidade duvidosa.
Numero da decisão: 2802-000.052
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Evandro Francisco Silva Araújo (Relator), Ivan Allegretti e Adélcio Salvalágio.
Nome do relator: Hélcio Lafetá Reis
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É lícita a exigência da multa regulamentar quando o estabelecimento promove a venda ou a exposição à venda de cigarros com selos falsos. PRESENÇA DE PERITO. Não há previsão legal que obrigue a presença de perito no momento da apreensão de mercadorias com selos de legitimidade duvidosa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Evandro Francisco Silva Araújo (Relator), Ivan Allegretti e Adélcio Salvalágio. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 00 00 29 /2 00 4- 76 Fl. 46DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11075.000029/200476 Acórdão n.º 2802000.052 S2TE02 Fl. 47 2 Na condição de relator ad hoc neste processo, reproduzo o relatório elaborado pela DRJ Porto Alegre/RS, que muito bem descreve os fatos controvertidos nos autos: Tratase de auto de infração fls. 03/08, lavrado pela fiscalização da DRF Uruguaiana para exigência, do estabelecimento retro qualificado, da multa regulamentar no valor de R$ 5.000,00, em razão de terem sido encontrados em seu poder 20 selos de controle falsos, apostos em maços de cigarro da marca`"777 Blue", conforme laudo pericial n° 009/03, fls. 09/10. 2. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fl. 06, foram encontrados em poder do estabelecimento os selos de controle falsos, como referido acima, o que enseja a cominação da penalidade prevista no art. 33, inciso IV, do DecretoLei n° 1.593, de 21 de dezembro de 1977, alterado pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002. 3. O contribuinte foi cientificado do lançamento em 15 de janeiro de 2004, conforme Aviso de Recebimento na fl. 12. Inconformado, apresentou, tempestivamente, impugnação a esse lançamento, fls. 13/18, instruída com o documento da fl. 19, alegando, em síntese, o seguinte: 3.1 Após breve relato dos fatos, alegando o principio da boafé, diz que adquiriu os cigarros de fornecedor habitual, e que não poderia saber que os selos eram falsos, pois não tem condições técnicas e material adequado para poder determinar se os selos dos produtos adquiridos eram falsos, além de que não há legislação que obrigue o comerciante a fiscalizar os produtos industrializados, comprados através de notas fiscais aparentemente legais. 3.2 Acrescenta que, na apreensão do produto, não estavam presentes os peritos, não sendo válido o termo de apreensão. 3.3 Diz que não está sendo cumprido o Código de Defesa do Consumidor, que, em seu art. 55 e parágrafo 1°, determina a responsabilidade da União, Estados, Distrito Federal e Municípios na fiscalização e controle da produção e serviços e o mercado de consumo. 3.4 Requer, ao final, a procedência da impugnação apresentada. A decisão da DRJ Porto Alegre/RS que indeferiu o pedido restou ementada da seguinte forma: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 30/06/2003 INFRAÇÕES E PENALIDADES. É licita a exigência da multa regulamentar quando o estabelecimento promove a venda ou a exposição à venda de cigarros com selos falsos. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11075.000029/200476 Acórdão n.º 2802000.052 S2TE02 Fl. 48 3 CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR. A Lei n° 8.078, de 1990, não se aplica na relação entre administração tributária e contribuinte, uma vez que a mesma trata sobre a relação entre consumidor e fornecedor. PRESENÇA DE PERITO. Não há previsão legal que obrigue a presença de perito no momento da apreensão de mercadorias com selos de legitimidade duvidosa. Lançamento Procedente Cientificado da decisão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reiterou seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Considerando o teor da decisão final da turma julgadora, encaminho o presente voto, na condição de relator ad hoc, no mesmo sentido da DRJ Porto Alegre/RS, dispensandose a reprodução, neste voto, do inteiro teor do voto condutor do acórdão recorrido presente às fls. 24 a 25. Dessa forma, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É o voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Fl. 48DF CARF MF Impresso em 30/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10940.002688/2008-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. JUSTIÇA FEDERAL. FONTE PAGADORA INSS. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART. 62 § 2º.
No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, mas o cálculo do imposto deverá considerar os períodos a que se referirem os rendimentos, evitando-se, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido, caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. Jurisprudência do STJ e do STF, com aplicação da sistemática dos Arts. 543 - B e 543 - C do CPC. Art. 62, § 2º do RICARF determinando a reprodução do entendimento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.042
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, vencidos os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA e EDUARDO DE OLIVEIRA que deram provimento parcial ao recurso para serem aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. O Conselheiro PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO deu provimento, pelas conclusões.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Wilson Antônio de Souza Correa, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: Marcio Henrique Sales Parada
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JUSTIÇA FEDERAL. FONTE PAGADORA INSS. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA DO STJ E STF. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART. 62 § 2º. No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, mas o cálculo do imposto deverá considerar os períodos a que se referirem os rendimentos, evitandose, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido, caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. Jurisprudência do STJ e do STF, com aplicação da sistemática dos Arts. 543 B e 543 C do CPC. Art. 62, § 2º do RICARF determinando a reprodução do entendimento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, vencidos os Conselheiros MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA e EDUARDO DE OLIVEIRA que deram provimento parcial ao recurso para serem aplicadas aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas progressivas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte. O Conselheiro PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO deu provimento, pelas conclusões. Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 00 26 88 /2 00 8- 61 Fl. 44DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10940.002688/200861 Acórdão n.º 2202003.042 S2C2T2 Fl. 45 2 Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Wilson Antônio de Souza Correa, Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório, em parte, aquele elaborado pela Autoridade Julgadora de 1ª instância, por bem descrever os fatos (fl. 20), complementandoo ao final: Por meio do Auto de Infração de fls.04/07, exigese do contribuinte R$ 7.305,51 de imposto suplementar, R$ 5.479,13 de multa de oficio de 75% e R$ 860,58 de juros de mora sobre o imposto suplementar, calculados até maio de 2008. 0 lançamento, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 05, referese 5. constatação de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica quando confrontados com o valor dos rendimentos informados pela fonte pagadora em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), na base de cálculo relativa ao exercício de 2007, anocalendário de 2006. (...) 0 contribuinte juntou jurisprudência a respeito e requer que o presente recurso seja julgado procedente em todos os seus efeitos, para ao final: a) declarar o direito do autor a incidência do imposto de renda sobre o valor recebido acumuladamente, a titulo de aposentadoria, de acordo com as alíquotas e tabelas vigentes na data em que cada parcela era devida; b) declarar que os juros moratórios pagos sobre tais parcela são isentos de imposto de renda,(...) Ao analisar a manifestação de inconformidade do contribuinte, conforme acima resumido, a DRJ em Curitiba/PR concentrouse em assentar que o artigo 12 da Lei nº 7.713, de 1988 (reproduzido no artigo 56 do RIR/1999), determinava que no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas necessárias à sua percepção. Completou que a tributação incidiria inclusive sobre a atualização monetária e os juros de mora. Assim, reputou improcedente a Impugnação. Fl. 45DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10940.002688/200861 Acórdão n.º 2202003.042 S2C2T2 Fl. 46 3 Cientificado dessa Decisão em 05/09/2011 (AR na folha 25), o Contribuinte, ainda inconformado, apresentou recurso voluntário em 29/09/2011, com protocolo na folha 26, onde repete os mesmos argumentos da Impugnação, informando que os rendimentos em questão foram recebidos em decorrência de ação judicial que determinou ao INSS a revisão de seu benefício previdenciário; que fora incluído na Lei nº 7.713, de 1998, o artigo 12A, defendendo sua aplicação retroativa, por serlhe mais benéfica; a jurisprudência do STJ sobre a forma de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente e mais uma vez PEDE que seja provido seu recurso, reformandose o Acórdão recorrido, para declarar que a tributação devese dar de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes em cada período a que se referem os rendimentos, isentos de tributação os juros de mora e a impossibilidade do Fisco executar lançamento e cobrança sobre esta verba. O recurso foi apreciado por este Conselho em Sessão de 17 de abril de 2013, tendo a 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara decidido pelo sobrestamento do julgamento, uma vez que versa sobre incidência de imposto sobre rendimentos recebidos acumuladamente, matéria então submetida à "repercussão geral" pelo STF, no RE 614.406, e observandose disposição regimental interna então vigente. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Já assentara este Conselho, na Resolução mencionada no Relatório, que (fl. 37): Diante disso e dos demais documentos que constam nos autos, inconteste que há no presente litígio crédito tributário cuja base de cálculo é decorrente de rendimentos recebidos acumuladamente. Também destaco que observara a DRJ (fl. 21): Quanto à omissão de rendimentos, cumpre observar que o presente lançamento decorre de ação revisional de benefícios de aposentadoria movida contra o Instituto nacional de Seguro Social INSS, que resultou no montante a receber de R$ 45.856,93. Deste total, foram descontados R$1.375,71, a titulo de IRRF, conforme extrato da DIRF na fl. 16. O contribuinte aponta que os rendimentos referemse à revisão do benefício no período compreendido entre 10/1998 e 11/2004, e o extrato da DIRF (fl. 17/8) confirma que são decorrentes de ação judicial. Fl. 46DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10940.002688/200861 Acórdão n.º 2202003.042 S2C2T2 Fl. 47 4 DOS RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REVISÃO/IMPLANTAÇÃO DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. Portanto, o lançamento versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo Contribuinte, decorrentes de ação judicial de revisão de benefício previdenciário, em face do INSS. Tais rendimentos, que se referem a períodos pretéritos (10/1998 e 11/2004), foram tributados integralmente no mês em que foram recebidos, em 2006, como se depreende da Notificação de Lançamento. Observase que a tributação deuse, então, na forma do artigo 12 da Lei nº 7.713/1988, que determina que, nesses casos, o imposto incide sobre o total dos rendimentos, no mês do recebimento do valor, diminuído das despesas com a ação judicial necessárias ao recebimento. Ocorre, entretanto, que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, sobre a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente no mês do recebimento do crédito, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do Código de Processo Civil (CPC), em decisão assim ementada: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Em 23/10/2014, a Suprema Corte assim decidiu, em relação à matéria: Fl. 47DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10940.002688/200861 Acórdão n.º 2202003.042 S2C2T2 Fl. 48 5 IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal em negar provimento ao recurso extraordinário, por maioria, vencida a relatora, Ministra Ellen Gracie, em sessão presidida pelo Ministro Ricardo Lewandowski, na conformidade da ata do julgamento e das respectivas notas taquigráficas. Voto. Ministra Ellen Gracie Relatora: O Acórdão recorrido considerou inconstitucional o art. 12 da Lei 7.713/88, que determinou a incidência do imposto por ocasião do recebimento dos valores, sobre a sua totalidade. Entendeu violados os princípios da isonomia, da capacidade contributiva e da proporcionalidade, nos termos do que restou sintetizado na ementa do acórdão relativo à argüição de inconstitucionalidade julgada pela Corte Especial daquele Tribunal Regional Federal da 4ª Região: (...) Voto Ministro Marco Aurélio Redator do Acórdão: Não passa pela minha cabeça que o sistema possa apenar o contribuinte duas vezes. Explico melhor: o contribuinte não recebe as parcelas na época devida. É compelido a ingressar em Juízo para ver declarado o direito a essas parcelas e, recebendo as posteriormente, há a junção para efeito de incidência do Imposto de Renda, surgindo, de início, a problemática da alíquota, norteada pelo valor recebido. (...) Qual é a consequência de se entender de modo diverso do que assentado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região? Haverá, como ressaltado pela doutrina, principalmente a partir de 2003, transgressão ao princípio da isonomia. Aqueles que receberam os valores nas épocas próprias ficaram sujeitos a certa alíquota. O contribuinte que viu resistida a satisfação do direito e teve que ingressar em Juízo será apenado, alfim, mediante a incidência de alíquota maior. Mais do que isso, tem se o envolvimento da capacidade contributiva... (...) Fl. 48DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10940.002688/200861 Acórdão n.º 2202003.042 S2C2T2 Fl. 49 6 Ou seja, o fato de o direito haver sido resistido e de se ter que acionar garantia inerente à cidadania, que é a do ingresso em Juízo, implicaria a majoração da alíquota. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) também já havia se manifestado sobre a matéria, como lembraramse os Ministros do STF, inclusive atribuindo aos recursos a sistemática dos “repetitivos”, sobre a interpretação a ser dada ao dispositivo da Lei nº 7.713/1988, em comento. Vejamos: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. (grifei) 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008.(grifei) (REsp 1.118.429 / SP RECURSO ESPECIAL 2009/00557226. Ministro HERMAN BENJAMIN (1132). DJe 14/05/2010) TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. (...). ACÓRDÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ QUANTO AO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO DE PARCELAS PAGAS ACUMULADAMENTE EM CUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL. TEMAS JÁ JULGADOS PELA SISTEMÁTICA INSTITUÍDA PELO ART. 543C DO CPC. 1.... 2. Em relação ao ponto do recurso especial em que a Procuradoria da Fazenda Nacional alega contrariedade ao art. 12 da Lei n. 7.713/88 e impugna o capítulo do acórdão do Tribunal de origem sob a rubrica "Da incidência mês a mês do imposto de renda", consta da decisão ora agravada que o mencionado recurso não procede porque a decisão proferida pelo Tribunal de origem está em consonância com a orientação firmada pela Primeira Seção do STJ, por ocasião do julgamento do recurso repetitivo REsp 1.118.429/SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), cuja ementa assim enuncia: "O imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." Fl. 49DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10940.002688/200861 Acórdão n.º 2202003.042 S2C2T2 Fl. 50 7 3. Ao dispor sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, o art. 12 da Lei 7.713/88 disciplina o momento da incidência do imposto de renda, porém nada diz a respeito das alíquotas aplicáveis a tais rendimentos. Assim, no julgamento do recurso especial, não ocorreu violação do art. 97 da Constituição da República, tampouco contrariedade à Súmula Vinculante n. 10/STF. Como já proclamou a Quinta Turma, ao julgar os EDcl no REsp 622.724/SC (Rel. Min. Felix Fischer, REVJMG, vol. 174, p. 385), "não há que se falar em violação ao princípio constitucional da reserva de plenário (art. 97 da Lex Fundamentalis) se, nem ao menos implicitamente, foi declarada a inconstitucionalidade de qualquer lei".(sublinhei) 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no AgRg no REsp 1332443 / PR AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES 2012/0138520 DJe 08/02/2013) Outrossim, diz ALEXANDRE DE MORAES que “assim como podemos afirmar que o STF é o guardião da Constituição, também podemos fazêlo no sentido de ser o STJ o guardião do ordenamento jurídico federal” . Continuando, o autor diz que em relação ao recurso especial, ensinanos o Ministro do STJ Sálvio de Figueiredo Teixeira, tratarse: “de modalidade de recurso extraordinário latu sensu, destinado, por previsão constitucional, a preservar a unidade e autoridade do direito federal, sob inspiração de que nele o interesse público, refletido na correta interpretação da lei, deve prevalecer sobre os interesses das partes...”(MORAES. Alexandre, Direito Constitucional, 15ª ed., São Paulo : Atlas, 2004, p. 496 e 498)(sublinhei) Para REGINA HELENA COSTA, “a aplicação reiterada das normas jurídicas por órgãos do Poder Judiciário constrói pensamento hábil a orientar a conduta dos jurisdicionados, bem como influenciar a atuação dos legisladores e administradores na busca de aperfeiçoamentos e modificações que o ordenamento jurídico requer.”(sublinhei) Assim, conclui a Ministra do STJ e livredocente em Direito Tributário, que: “Nos dias atuais, inegável o papel da jurisprudência como fonte do direito. Conquanto não ostente a mesma importância que apresenta nos países que adotam o sistema da common law, a jurisprudência tem ganho cada vez mais visibilidade, especialmente no campo tributário, à vista do elevado grau de litigiosidade existente nessa seara.” (COSTA. Regina Helena, Curso de Direito Tributário, 2ª ed. São Paulo : Saraiva, 2012, p. 47)(destaquei) O que os Tribunais Superiores ratificam, na minha modesta leitura, seguindo aliás a melhor doutrina, é que existem, dentre outros, dois aspectos distintos do fato gerador: Aspecto quantitativo do Fato Gerador: neste aspecto, destacam se a base de cálculo e a alíquota. Na operação de lançamento tributário, após a verificação da ocorrência do fato gerador, da Fl. 50DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10940.002688/200861 Acórdão n.º 2202003.042 S2C2T2 Fl. 51 8 identificação do sujeito passivo e da determinação da matéria tributável, há que se calcular o montante do tributo devido aplicandose a alíquota sobre a base de cálculo. Esta é, pois, uma ordem de grandeza própria do aspecto quantitativo do fato gerador. Aspecto temporal do Fato Gerador: é de fundamental importância esse aspecto para definição da lei aplicável, segundo o princípio tempus regit actum. Esse aspecto diz respeito ao momento da consumação ou da ocorrência do fato gerador, ....(HARADA. Kiyoshi. Direito Financeiro e Tributário, 23ª ed, Atlas : São Paulo, 2014, p. 544/545) Observo assim a aplicação do artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF: Artigo 62, § 2º. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Considerando que a jurisprudência do STJ já havia se posicionado pela forma como deveria ser interpretado o art. 12 da Lei nº 7.713/1988 e, mais recentemente, o STF entendeu pela sua inconstitucionalidade do dispositivo, verifico então que existe erro de cunho material na apuração do montante devido, por aplicação incorreta da fórmula para apuração do imposto sobre os rendimentos recebidos acumuladamente (aspecto quantitativo da hipótese de incidência) e observo a determinação contida no Art. 62, § 2º caput do Regimento Interno do CARF, como fundamento para decidir. Vinhamse verificando, na jurisprudência deste CARF, decisões no seguinte sentido, no tocante a esta matéria: Acórdão 2201002.387 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de abril de 2014 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para aplicar aos rendimentos recebidos acumuladamente a tabela progressiva vigente à época em que os valores deveriam ter sido pagos ao Contribuinte, nos termos do voto do relator. Transcrevo e destaco daquele Voto: Releva tratarse de rendimento recebido acumuladamente para incidir na regra do art. 62A, do Regimento Interno deste Conselho, pouco importando a espécie ou a natureza do rendimento recebido, se trabalhista, previdenciário ou outro, importa ser rendimento acumulado tributado. Pois bem, a autuação levou em consideração o rendimento total recebido, de forma acumulada, sem separar o período de cada competência. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10940.002688/200861 Acórdão n.º 2202003.042 S2C2T2 Fl. 52 9 Por essa razão é necessário provimento parcial ao recurso para o recalculo da autuação. Pois bem, como se observa aqui, neste Voto, concordo em parte com o entendimento lá proferido pela Colenda Turma Ordinária, contudo, peço vênia para divergir em relação à parte que entende ser cabível devolver à Receita Federal os autos, para que se faça novo cálculo do tributo devido, aplicando as tabelas progressivas vigentes à época de cada competência (mês) dos rendimentos recebidos. Isso porque o artigo 142 do CTN dispõe que o ato de lançamento constituise na atividade atinente à autoridade administrativa para: verificar a ocorrência do fato gerador e determinar a matéria tributável (antecedentes), calcular o montante devido e identificar o sujeito passivo (consequentes). Portanto, esses elementos constituemse em aspectos da hipótese de incidência tributária. Socorrendome mais uma vez na doutrina de REGINA HELENA COSTA: Os aspectos pessoal e quantitativo compõem o chamado "consequente" da hipótese de incidência tributária, isto é, descrita a materialidade e indicadas as coordenadas espacial e temporal do fato no antecedente da norma, exsurge uma relação jurídica mediante a qual um sujeito possui o direito de exigir o tributo e outro sujeito o dever de pagálo (aspecto subjetivo), apontandose o valor da prestação correspondente (aspecto quantitativo).(Op. Cit. p. 205) Ora, se houve equívoco reconhecido na apuração do montante devido (aspecto quantitativo da hipótese de incidência) o lançamento encontrase viciado e, para sanar o problema, necessário ser feito um novo lançamento. Não é possível, data maxima venia, "corrigir" ou "emendar" um lançamento onde se reconhece que houve erro na apuração do tributo, por aplicação equivocada de alíquotas indevidas sobre bases de cálculo acumuladas. Não entendo que se trate de mero erro de forma, de inobservância de aspectos formais, mas que esteve ferida a própria substância do lançamento, na aferição do montante devido. Porque, observando o processo tributário, forma é aquilo que existe para garantir às partes o exercício de seus direitos, como por exemplo a ampla defesa e o livre acesso ao judiciário. Cito: "... porque as formalidades se justificam como garantidoras da defesa do contribuinte; não são um fim, em si mesmas, mas um instrumento para assegurar o exercício da ampla defesa. (PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p.1197) E, em ordem prática, suponhase que efetuada nova apuração e encaminhada a cobrança o sujeito passivo dela discorde. Como se darão a impugnação e recurso, nos termos das normas reguladoras do processo administrativo fiscal? Recomeça a fase litigiosa do procedimento? De forma análoga, se o Fisco identifica incorretamente o sujeito passivo, cobrando de Tício quando o contribuinte ou responsável é Mélvio, não se pode simplesmente Fl. 52DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10940.002688/200861 Acórdão n.º 2202003.042 S2C2T2 Fl. 53 10 alterar a ficha de identificação do Auto de Infração e exigir o tributo, agora corretamente, encaminhando a notificação de cobrança, após o julgamento de recurso daquele, a esse. É necessário um novo lançamento, porque se feriram aspectos substanciais da hipótese de incidência tributária. Nesses casos, o novo lançamento só seria possível enquanto não decaído o direito da Fazenda Pública e observadas todas as normas pertinentes, na legislação tributária. Assim sendo, deixo de tratar aqui sobre a tributação ou não dos juros de mora, questão também levantada pelo Recorrente. É que consoante jurisprudência assente nos tribunais superiores, o julgador não é obrigado a se manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater aos fundamentos indicados por elas ou a se manifestar acerca de todos os argumentos presentes na lide, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. Pelo exposto, VOTO por dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de ação judicial em face do INSS e pagos pela pessoa jurídica Caixa Econômica Federal, no valor de R$ 45.856,93, consubstanciada na Notificação de Lançamento. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 53DF CARF MF Impresso em 22/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /01/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 21/01/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10283.001738/97-42
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/1991 a 30/06/1996
DECADÊNCIA.
A modalidade de lançamento por homologação se dá quando o contribuinte apura o montante tributável e efetua o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Na ausência de pagamento não há que se falar em homologação, regendo-se o instituto da decadência pelos ditames do art. 173 do CTN.
PIS-FATURAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO - Tendo o Poder Judiciário declarado inconstitucionais os Decretos-leis nºs 2.445/88 e 2.449/88, voltam a ser aplicáveis as disposições das Leis Complementares nºs 7/70 e 17/73 e as alterações posteriores que com as mesmas sejam consentâneas.
Conforme Leis Complementares n° 7/70 e 17/73, o fato gerador da contribuição é o faturamento; a base de cálculo, o faturamento de seis meses atrás e a alíquota 0,75%. Em conseqüência, não pode prosperar o lançamento que, com base em legislação ordinária, declarada inconstitucional pelo STF, adote base de cálculo e alíquota que não estejam em conformidade com as estabelecidas na lei complementar.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3402-002.911
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e dar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Leiner Salinas, OAB/SP nº 185.499.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/1991 a 30/06/1996 DECADÊNCIA. A modalidade de lançamento por homologação se dá quando o contribuinte apura o montante tributável e efetua o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Na ausência de pagamento não há que se falar em homologação, regendo-se o instituto da decadência pelos ditames do art. 173 do CTN. PIS-FATURAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO - Tendo o Poder Judiciário declarado inconstitucionais os Decretos-leis nºs 2.445/88 e 2.449/88, voltam a ser aplicáveis as disposições das Leis Complementares nºs 7/70 e 17/73 e as alterações posteriores que com as mesmas sejam consentâneas. Conforme Leis Complementares n° 7/70 e 17/73, o fato gerador da contribuição é o faturamento; a base de cálculo, o faturamento de seis meses atrás e a alíquota 0,75%. Em conseqüência, não pode prosperar o lançamento que, com base em legislação ordinária, declarada inconstitucional pelo STF, adote base de cálculo e alíquota que não estejam em conformidade com as estabelecidas na lei complementar. Recurso Voluntário Provido
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2177; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 1.420 1 1.419 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.001738/9742 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.911 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de fevereiro de 2016 Matéria PISFATURAMENTO AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente TECTOY INDÚSTRIA DE BRINQUEDOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/1991 a 30/06/1996 DECADÊNCIA. A modalidade de lançamento por homologação se dá quando o contribuinte apura o montante tributável e efetua o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Na ausência de pagamento não há que se falar em homologação, regendose o instituto da decadência pelos ditames do art. 173 do CTN. PISFATURAMENTO. AUTO DE INFRAÇÃO Tendo o Poder Judiciário declarado inconstitucionais os Decretosleis nºs 2.445/88 e 2.449/88, voltam a ser aplicáveis as disposições das Leis Complementares nºs 7/70 e 17/73 e as alterações posteriores que com as mesmas sejam consentâneas. Conforme Leis Complementares n° 7/70 e 17/73, o fato gerador da contribuição é o faturamento; a base de cálculo, o faturamento de seis meses atrás e a alíquota 0,75%. Em conseqüência, não pode prosperar o lançamento que, com base em legislação ordinária, declarada inconstitucional pelo STF, adote base de cálculo e alíquota que não estejam em conformidade com as estabelecidas na lei complementar. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e dar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 17 38 /9 7- 42 Fl. 1420DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Proferiu sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Leiner Salinas, OAB/SP nº 185.499. Relatório Trata o presente processo de exigência da Contribuição para o Programa de Integração Social (PISFaturamento), em virtude de a autuada não ter efetuado o recolhimento relativo aos fatos geradores de 10/91 a 09/95 e 06/96, totalizando o crédito tributário no valor de R$ 5.908.326,82, nele incluídos a multa de oficio e os juros moratórios calculados até 31/03/97. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: "(...) O lançamento de oficio tem como enquadramento legal os seguintes dispositivos: artigo 3°, alínea "b", da Lei Complementar n° 7/70 c/c art. 1°, parágrafo único, da Lei Complementar 17/73, c/c os art. 3° e 4° da Lei 7.691/88; art.69, inciso IV, da Lei 7.799/89, com a redação dada pelo art.5° da Lei n°8.019/90; art.2°, inciso IV, da Lei 8.218/91; art.53, inciso IV, da Lei 8.383/91; art.83, inciso III, da Lei 8.981/95 e arts. 2°, inciso I, 3°, 8°, inciso I, e 9° da MP 1.249/95 e suas reedições. Cientificada da autuação em 23/04/97, a interessada apresentou impugnação em 21/05/97 alegando o seguinte (fls.172/180): recolhe mensalmente a contribuição para o PIS instituída pela Lei Complementar n°7/70 com as alterações legislativas posteriores; a Resolução n° 49/95 retirou do ordenamento jurídico a incidência dos Decretosleis 2.445/88 e 2.449/88, considerados inconstitucionais por decisão do S.T.F no julgamento do RE n° 148.7542, voltando a imperar a Lei Complementar n° 7/70; pela LC 7/70, as empresas comerciais devem recolher o PIS à razão de 0,75%, calculado sobre a base de cálculo retroativa sem qualquer indexação (art.6°, parágrafo único); desde julho/88 (início da vigência dos Decretosleis) até novembro/91 (quando passou a depositar judicialmente os valores da contribuição em questão) recolheu a contribuição ao PIS de forma indevida, lastreada em leis inconstitucionais, vez que tomava o faturamento do próprio mês de pagamento, quando o correto seria utilizar como base de cálculo o faturamento de Fl. 1421DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10283.001738/9742 Acórdão n.º 3402002.911 S3C4T2 Fl. 1.421 3 seis meses anteriores ao do fato gerador, existindo um crédito a favor da requerente até hoje não aproveitado; inexiste relação jurídica que obrigue a requerente ao recolhimento da contribuição ao PIS de acordo com os aludidos Decretosleis, vez que os mesmos foram declarados inconstitucionais em ação judicial específica, sendo coisa julgada (art.5°, XXXVI, CF); o crédito da requerente resulta de duas vertentes; 1) os pagamentos a maior efetuados diretamente para a requerida sem a observância da correta base de cálculo (faturamento retroativo em seis meses; 2) levantamento a menor das importâncias depositadas judicialmente; existe norma genérica que autoriza a compensação de créditos tributários devidos pelo contribuinte com créditos líquidos e certos do mesmo sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art.170, do CTN); a Lei 8.383/91, art.66, propiciou a compensação de tributos e contribuições federais recolhidos a maior ou indevidamente contra as mesmas espécies de exações correspondentes a períodos subsequentes; a Lei 9.430/96, o Decreto 2.138/97 e a IN 21/97 reconheceram a possibilidade da utilização de crédito do contribuinte para a quitação de seus débitos perante o Erário; a multa imposta é indevida, vez que somente se aplica aos contribuintes que agem com dissimulação, dolo, má fé e propositadamente e maliciosamente com o intuito de burlar o Fisco e pagar menos tributo, o que não é o caso da requerente, já que apresentou comunicação espontânea informando que passaria a compensar seus créditos com futuros recolhimentos do PIS; Por fim, solicita Perícia, formulando os quesitos que julga necessários para realização do exame". Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL EMENTA: PISFATURAMENTO Tendo o Poder Judiciário declarado inconstitucionais os Decretosleis nºs 2.445/88 e 2.449/88, voltam a ser aplicáveis as disposições das Leis Complementares nºs 7/70 e 17/73 e as alterações posteriores que com as mesmas sejam consentâneas. PERÍCIA É indeferida a pretensão quando demonstrada a sua prescindibilidade perante os fatos e ante os motivos apresentados como justificativa pela impugnante. Fl. 1422DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 LANÇAMENTO PROCEDENTE Em 03/02/1998 (fl. 283), a Recorrente foi cientificado da Decisão nº DRJ/MNS/n° 012/98 11.010 (DRJ em Manaus AM), de 15/01/1998, às fls. 270/278. Inconformada, em 20/02/98 (fl. 284), apresentou o Recurso Voluntário de fls. 284/289, reafirmando as argumentações já apresentadas na impugnação, reforçando no que se refere ao que segue: (i) que recolheu mensalmente a Contribuição para o PIS, com base em Decretosleis inconstitucionais; (ii) que há sentença judicial específica, com trânsito em julgado, reconhecendo o direito da recorrente; (iii) que o recolhimento foi efetuado, tomandose por base de cálculo o próprio mês do fato gerador, quando a base cálculo deveria ter retroagido em 6 meses; (iv) houve cerceamento de defesa, pela autoridade de primeira instância, por ter indeferido o pedido de perícia; (v) que juntou aos autos o Laudo Pericial Contábil e os respectivos Demonstrativos de apuração de fls. 290/325; e (vi) obteve liminar em Mandado de Segurança Individual, fls. 426/427, para que o recurso voluntário seja recepcionado sem a condição da aprovação do depósito prévio. Atendendo o artigo 1° da Portaria MF n° 260/95 e alterações posteriores, manifestase a Procuradoria da Fazenda Nacional, sugerindo que seja mantida decisão monocrática (fls. 428/431). Em 27/04/1999, o Segundo Conselho de Contribuintes (2ºCC), os Membros da Terceira Câmara, resolvem, por unanimidade de votos, converter o julgamento em DILIGÊNCIA nº 20300.744, nos seguintes termos (fls. 435/438): " (...) O recurso é tempestivo e, tendo atendido os demais pressupostos para sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. A empresa está sendo cobrada por não ter recolhido a Contribuição para o PIS, fato que é contestado pela requerente, conforme detalhado no relatório. Por outro lado, verificamos que, às fls. 270/309, são explicados em detalhes os procedimentos da interessada para realizar compensações e deixar de recolher a contribuição. Nestes termos, para que se encontre melhor respaldo para a formação de convicção, converto o julgamento do presente recurso voluntário em diligência, junto à repartição fiscal de origem, via DRJ de ManausAM, para que a autoridade fazendária pronunciese sobre o Laudo e relatórios apresentados, esclarecendo, ponto a ponto, o que foi levando pelos documentos (grifei). Em 16/11/2006, a DRF de Manaus (AM), em cumprimento à solicitação da Diligência aprovado pelo Segundo Conselho de Contribuintes, que tinha como objeto "para Fl. 1423DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10283.001738/9742 Acórdão n.º 3402002.911 S3C4T2 Fl. 1.422 5 que a autoridade fazendária pronunciese sobre o Laudo e relatórios apresentados, esclarecendo, ponto por ponto, o que foi levantado pelos documentos". Em seu Relatório de Diligência (fls. 522/531), o Fisco esclareceu, primeiramente, que o referido Laudo Técnico acompanhado dos Demonstrativos, encontrase anexado às fls. 290/325. O Fisco destaca no documento que "Os esclarecimentos apresentados por esta Diligência são incluídos por meio de observações (ponto a ponto), em cada quesito do Laudo, com a análise dos Relatórios, conforme reproduzido, abaixo (...): Posteriormente, o Contribuinte encaminhou documentação, encaminhada ao Senhor Delegado da Receita Federal em Manaus, referente ao processo em tela, que juntei sob a forma de anexos, tendo o exame da diligência se atido exclusivamente às postulações do Voto proferido pelo Conselho de Contribuintes". A seguir, destacaremos trechos do referido Relatório de Diligência Fiscal (fls. 522/531), reproduzindo alguns dos quesitos examinados pelo Fisco e contidos no Laudo Pericial (itens 13, 14 e 15), considerados mais importantes para o deslinde desta questão: 13 (Recorrente) Informe o Sr. Perito, se, após o devido levantamento em favor da empresa e as devidas compensações por ela realizadas, existe saldo de contribuições ao PIS favorável à empresa. R. (perito): Sim, existe saldo de contribuições ao PIS favorável à empresa no montante de 2.211.715,4062 ufir, equivalente a R$ 2.014.430,41 (dois milhões, catorze mil, quatrocentos e trinta reais e quarenta e um centavos) em janeiro de 1997, conforme demonstra a resposta ao quesito seguinte e anexo V. (Diligência Fisco) ESCLARECIMENTO/OBSERVAÇÃO: NÃO EXISTE O SALDO ACIMA EXPOSTO. A RESPOSTA DO QUESITO SEGUINTE (14) CONSIDERA COMO CRÉDITO O VALOR DE R$ 2.779.615,15 PROVENIENTE DA DEMONSTRAÇÃO REFERENTE AO QUESITO 10. ESTE VALOR, CONVERTIDO POR BASE JANEIRO DE 1997, EQUIVALE A 3.051.839,2120 UFIR, QUE É O RESULTANTE DA DIFERENÇA ENTRE O MONTANTE RECOLHIDO (6.796.819,0394 UFIR. — ANEXO III, PG. 4, FL.295) E O MONTANTE QUE DEVERIA SER RECOLHIDO, NOS TERMOS DAS LEIS COMPLEMENTARES 7/70 E 17/73 (3.744.979,8262 UFIR — ANEXO IV, PG 4, FL. 302). COMO COMPROVADO NA OBSERVAÇÃO AO QUESITO 10, ESTE VALOR ESTÁ SUBAVALIADO EM FUNÇÃO DE A EMPRESA TER UTILIZADO COMO FATO GERADOR DA CONTRIBUIÇÃO A BASE DE CÁLCULO RETROATIVA EM SEIS MESES, SEM AS CORREÇÕES PREVISTAS NA LEGISLAÇÃO (VER TAMBÉM O EXEMPLO CONFORME PLANILHA AUXILIAR DILIGÊNCIA). 14 (Recorrente) Qual o valor desse saldo? Fl. 1424DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 R (perito): O quadro a seguir procura demonstrar o saldo favorável a empresa, de forma resumida, e como foi construido, devidamente convertido em reais, pela UFIR de janeiro de 1997. (Diligência Fisco) ESCLARECIMENTO/OBSERVAÇÃO: CONFORME CONSTATAÇÃO DEMONSTRADA NA OBSERVAÇÃO AO QUESITO 13, NÃO EXISTE O SALDO ACIMA ALEGADO. 15 (Recorrente) O valor do auto de infração, em conseqüência, é insubsistente? Porque? R. (Perito): O auto de infração é insubsistente. Existe, ainda, um crédito favorável a empresa no montante de R$ 2.014.430,41 (dois milhões, catorze mil, quatrocentos e trinta reais e quarenta e um centavos). (Diligência Fisco) ESCLARECIMENTO/OBSERVAÇÃO: O SALDO ACIMA MENCIONADO FOI DEMONSTRADO NO QUESITO 13 E É PROVENIENTE DE UM CRÉDITO QUE NÃO EXISTE, CONFORME DEMONSTRADO NA OBSERVAÇÃO AO QUESITO 13 E DEMAIS. Isto posto, vejase abaixo a conclusão a que se chegou o Relatório de Diligencia elaborado pelo Fisco (fl. 531): ASSIM, POR TUDO O EXPOSTO NAS OBSERVAÇÕES AOS QUESITOS E EXEMPLIFICADO NA PLANILHA AUXILIAR DILIGÊNCIA, O VALOR LANÇADO NO AUTO DE INFRAÇÃO É INTEIRAMENTE SUBSISTENTE (grifei). Os autos, então, retornaram a este Conselho e em 17/12/2007. O Segundo Conselho, após exame das informações contidas no Relatório de Diligência do Fisco e das considerações da Recorrente, toma nova decisão, prolatando uma nova Resolução (Diligência) nº 20300.856, nos seguintes termos: (fls. 537/539). "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais exigidos pelo Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço. Deixo, preliminarmente, de apreciar a questão da decadência parcial dos valores lançados nos moldes em que apontado pela ora recorrente para, socorrendome na elaboração deste voto dos comandos previamente estipulados pelo Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, registrar que a exigência é combatida mediante a argüição dos seguintes elementos: uma especifica e relativa a direito creditório reconhecido em ação judicial, como observado no resultado da diligência fiscal realizada; e outra compensação mais genérica, cujos créditos são da própria recorrente. Como o litígio sobre os créditos da cedente é objeto do Processo Administrativo n° 13804.001277/9427, ainda não julgado na esfera dos Conselhos de Contribuintes, e como a decisão final naquele deve ser levada em conta neste, convém que este processo seja julgado após aquele. Fl. 1425DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10283.001738/9742 Acórdão n.º 3402002.911 S3C4T2 Fl. 1.423 7 Não há como proferir uma decisão em segunda e última instância num pleito envolvendo compensação quando a liquidez e certeza do crédito são discutidas em outro processo, que ainda não tem decisão definitiva. Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, determinando que se aguarde a decisão final no Processo n° 13804.001277/9427. Após o término daquele devem ser acostadas ao presente processo cópias das decisões lá proferidas, com retorno destes autos a esta Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, para apreciação". Em 18/02/2008, a Recorrente foi devidamente intimada da referida Resolução (fl. 543). Em 04/12/2009, a DRF de Manaus, elabora o Termo de Diligência Fiscal e solicitação de Documentos, referente aos seguintes processos: n°s 10283.001738/9742, 10283.002873/200766, 13804.001277/9427, 10283.001364/9774 e 10283005.404/200537, intimando a Recorrente a apresentar os elementos abaixo especificados, referente ao período de julho de 1988 a novembro de 1996 (Livros e documentos contábeis e fiscais): 1 Livros Diário e Razão (Lucro Real); 2 DARF do FINSOCIAL, PIS e COFINS s/faturamento; 3 Comprovar com certidão de pé e objeto, atualizada, o trânsito em julgado da ação que concedeu o direito creditório. Em 28/07/2010, o Fisco conclui o Relatório de Diligência nº 001 (fls.597/601), consignando suas conclusões, as quais destacamos abaixo os seguintes trechos: "(...) 2 INFORMAÇÕES RELATIVAS AOS QUESITOS FORMULADOS na Resolução n. 20300.856, de 191007 (fls. 532/5) do Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes (atual CARF): 2.1 Destacamos inicialmente que refizemos os cálculos dos débitos de PIS/Faturamento lançados no auto de infração (de outubro/91 a setembro/95 e junho/96) com observância do critério de semestralidade determinado no voto do Sr. Relator (fls. 531), apurandose saldo credor a favor do sujeito passivo ao invés de debito de PIS nos referidos meses, conforme abaixo informaremos (vide item 6). 2.2 Anexamos cópia autêntica do Termo de Encerramento de Diligência relativo ao procedimento determinado pela DRJ BelémPA no processo fiscal n. 10.804001277/9427 (pedido de restituição e compensação de PIS/Faturamento) no sentido de ser verificado que os débitos e créditos referentes aos meses (fatos geradores) lançados no auto de infração ora analisado foram EXCLUÍDOS (SEGREGADOS)do exame da restituição pleiteada naquele processo fiscal. 2.3 Desse modo, salvo melhor juízo, , entendemos que o presente processo fiscal deverá ser devolvido ao Egrégio CARF para ser analisado o seu mérito. Fl. 1426DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 2.4 Assim sendo, passamos a informar sobre os novos cálculos do PIS/Faturamento devido nos meses lançados no auto de infração e da comparação destes débitos apurados com os respectivos recolhimentos, considerados no lançamento, mas com utilização do programa SAPO (sistema operacional de apoio), versão 4.002, de uso interno da SRFB, única ferramenta disponível para o fim de confrontar valores de débitos com valores recolhidos (créditos). 3 Com objetivo de apurar os débitos de PIS/Faturamento lançados no auto de infração com base nas disposições legais anteriores a julho/88, elaboramos a planilha Demonstrativo do PIS Devido Lei Complementar n° 7/1970, abrangendo os meses de outubro/91 (vencido em 111191) a setembro/95 (vencido em 101095) e junho/96 (vencido em 150796), obedecendo ao critério da semestralidade e considerando o sexto mês anterior ao da data de vencimento da efetiva contribuição ou depósito do PIS na CEF. 4 Na elaboração da planilha acima citada, cumpre destacar o disposto no artigo 6° e seu parágrafo único da citada LC n° 7/70 (abaixo transcrito) que dispõe que a contribuição, com base no faturamento, será processada mensalmente, no sentido de efetivo recolhimento e/ou pagamento, sem referência ao mês do fato gerador, a partir do mês de julho/71. Assim sendo, elegemos o mês anterior ao da efetiva contribuição (vencimento e/ou prazo de pagamento) como período de apuração (fato gerador) somente para fins de conversão das contribuições (nos anos de 1989, 1990 e 1992 a 1995), em BTNF e em UFIR, e para mera indicação na Listagem de Débitos / Saldos Remanescentes geradas no programa SAPO (verbis): "Art. 6° A efetivação dos depósitos no Fundo correspondente à contribuição referida na alínea "b" do artigo 3° será processada mensalmente a partir do de 1° de julho de 1971". Parágrafo único A contribuição de julho será calculada com base com base no faturamento de janeiro; a de agosto, com no faturamento de fevereiro; e assim sucessivamente". 5 Relativamente às datas de vencimentos dos débitos de PIS apurados, foi utilizada a regra prevista na Norma de Serviço CEF/PIS nº 2/71, de 27/05/1971, de que as contribuições de que trata este item (contribuições para o PIS/Faturamento) deverão ser recolhidas à rede bancária até o dia 10 (dez) de cada mês. 6 Dessa forma e partir dos débitos de PIS/Faturamento lançados e dos DARF de recolhimentos apresentados e depósitos judiciais (no percentual convertido em renda da União), considerados no Demonstrativo de Imputação de Pagamentos de fls. 9/15, volume I, procedemos os cálculos dos valores de eventuais saldos devedores ou credores de PIS/Faturamento, conforme os anexos relatórios Listagem de Débitos / Saldos Remanescentes n. 001/10 (AUTO PIS FATURAM), Listagem de Créditos/Saldos Remanescentes n. 001/10, Demonstrativo Analítico de Compensação n. 001/10 e Demonstrativo de Correção até 05/2010 dos Créditos Remanescentes n. 001/10, e verificamos que os totais dos pagamentos de PIS (créditos) SUPERAM os totais dos débitos, restando um saldo a favor do Fl. 1427DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10283.001738/9742 Acórdão n.º 3402002.911 S3C4T2 Fl. 1.424 9 sujeito passivo no valor total de R$ 1.194.168,39 (um milhão, cento e noventa e quatro mil, cento e sessenta e oito reais e trinta e nove centavos), em 240610, a ser restituído ou compensado pelo sujeito passivo. 7 No cálculo resultante do crédito de PIS acima referido foram INCLUÍDOS os valores de 4 (quatro) DARF de recolhimentos de PIS abaixo relacionados, todos constantes dos autos do processo n. 10.804001.277/9427 (fls. 217, 218 e 219, volume II) e cujas cópias anexamos a este processo, por se tratarem de pagamentos relativos a fatos geradores lançados no auto de infração, a saber: 7.1 DARF pago em 150196, no valor total de R$ 22. 001,06, referente o mês de junho/95; 7.2 DARF pago em 150296, no valor total de R$ 48.015,81, referente o mês de julho/95; 7.3 DARF pago em 150396, no valor total de R$ 70.772,98, referente o mês de agosto/95; e' 7.4 DARF pago em 150496, no valor o:tal de R$ 124.787,55, referente o mês de setembro/95. 8 Os valores das vendas brutas mensais. , (faturamento) são os mesmos constantes no auto de infração de PIS/Faturamento ora analisado e nos documentos planilha (fls. 169/173) e Laudo Pericial Contábil e Anexos (fls. 270/305) constantes dos autos do processo fiscal n. 10.804001.277/9427 (volume II), cuja cópia do Laudo e do Termo de Encerramento de Diligência anexamos aos autos deste processo fiscal. 9 Este procedimento de diligência fiscal abrange somente os débitos de PIS/Faturamento e os respectivos recolhimentos lançados no auto de infração ora analisado, ou seja, débitos e recolhimentos nos meses de outubro/91 a setembro/95 e junho/96, muito embora tais débitos estavam originalmente inseridos no pedido de restituição e compensação pleiteado no processo fiscal n. 10.804001.277/9427, ora também em procedimento de diligência por esta Fiscalização. 10 O Saldo credor de PIS a favor do sujeito passivo, no valor total de R$ 1.194.168,39, poderá ser incluído no pedido pleiteado nos autos do processo fiscal n. 10.804001277/9427, a critério do sujeito passivo, por ser anterior a data de lavratura do auto de infração de PIS/Faturamento, em 230497. 11 Por fim, cientificamos o sujeito passivo de que, nos pontos em que discordar dos procedimentos e fatos ora relatados, poderá apresentar, no prazo de 10 (dez) dias, por escrito, manifestação de inconformidade com suas razões e alegações, endereçadas diretamente ao Sr. Chefe do Serviço de Orientação e Análise Tributária (SEORT) da DRFB/Mánaus/AM (art. 44 da Lei 9.784/99)". Verificase nos autos que também foi acostado o Termo de Encerramento de Diligência nº 003 (cópia autêntica as fls. 589/594 ), relativo ao procedimento determinado Fl. 1428DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 10 pela DRJBelém (PA) no processo fiscal nº 10804001277/9427, correspondente ao pedido de restituição e compensação de PIS/Faturamento, no sentido de ser verificado que os débitos e créditos referentes aos meses (fatos geradores) lançados neste Auto de Infração ora analisado, foram EXCLUÍDOS (SEGREGADOS) do exame da restituição pleiteada naquele processo fiscal. Vejase trechos reproduzidos: "(...) Quanto ao processo fiscal n. 10.283001738/9742, de 10 0797, que trata da cobrança de PIS/Faturamento lançado em auto de infração relativo aos meses de outubro/91 a setembro/95 e junho/96, também em trâmite neste SEFIS para realização de diligência fiscal determinada pelo Egrégio Conselho de Contribuintes MANTINHA RELAÇÃO com o objeto deste processo fiscal na medida que, antes da lavratura do auto de infração exigido naquele processo, em 230497, os débitos lançados de oficio compunham o pedido de restituição e compensação pleiteado neste processo fiscal. Assim sendo, conforme novamente informado no item 4 abaixo, a relação existente entre este processo fiscal e o processo fiscal nº 10.283001.738/9742 era o fato de que os débitos de PIS/Faturamento e os respectivos recolhimentos relativos aos meses lançados e exigidos de ofício estarem originalmente incluídos neste processo fiscal, no entanto, após a formalização do lançamento, os débitos exigidos de oficio deverão submeter se a decisão administrativa que os considerem improcedentes, razão pela qual foram excluídos deste processo fiscal. 2.4 Em resposta ao item 9D, temos a esclarecer que anexamos nos autos deste processo fiscal cópia autêntica de Termo de Encerramento de Diligência Fiscal relatando os fatos apurados no procedimento relativo ao citado processo fiscal n. 10.283 001.738/9742, de 100797, de PIS/Faturamento lançado em auto de infração, onde foi apurado saldo a favor do sujeito passivo no valor total de R$ 1.194.168,39, atualizado em 2406 10" (grifo nosso). Ressaltese que o resultado da análise do PAF nº 10804001277/9427, objeto do Termo de Diligência nº 003 acima citado, foi exatamente, na época, a motivação levado a efeito, para a conclusão da Resolução nº 20300.856, de 19/10/2007, expedida pelo Segundo Conselho de Contribuintes. Vejase: "Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, determinando que se aguarde a decisão final no Processo n° 13804.001277/9427". Após tomar ciência, em 06/08/2010 a empresa protocola sua manifestação e considerações sobre as referidas Diligências, nos seguintes termos: a) que Recorrente apresentou recurso voluntário para reverter a decisão de 1ª instancia e naquela ocasião, foi juntado Laudo demonstrado o erro de cálculo do Fisco que formalizou o lançamento de oficio, além de ratificada as alegações quanto ao direito ao crédito de PIS e a compensação por ela realizada; b) que o então Segundo Conselho de Contribuintes, atual CARF, por sua vez, converteu o julgamento em diligência, a fim de que a Receita Federal se manifestasse quanto ao Laudo apresentado; Fl. 1429DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10283.001738/9742 Acórdão n.º 3402002.911 S3C4T2 Fl. 1.425 11 c) a DRF procedeu à verificação, como se vê do relatório de diligência elaborado à época em 16/11/2006. Naquela oportunidade a Requerente se manifestou e deixou claro o seguinte: (i) que houve erro quando do cálculo no lançamento de ofício (ratificação fiscal). Na observação referente à resposta ao "item do laudo" foi relatado que a Recorrente obteve decisão judicial especifica (transitada em julgado em 22/06/1994 processo n° 91.290793), que afastou a aplicação dos Decretosleis nºs 2.445/88 e 2.449/88, mantendo o dever de cumprir a Lei Complementar nº 7/70. Apesar disso foi confirmado pela própria fiscalização que o lançamento de oficio foi feito com base nos ditames dos Decretosleis 2.445/88 e 2.449/88. (ii) da extinção dos valores exigidos por compensação no processo nº 13804.001277/9427. Foi afirmado no trabalho de diligência fiscal que a Recorrente efetuou a compensação dos valores devidos a titulo de PIS nos períodos exigidos no auto de infração em comento, com créditos apurados no processo administrativo acima mencionado. d) aduz que, o resultado da diligência fiscal revelou que com base nos pagamentos feitos pela Recorrente no período autuado, há saldo suficiente para extinguir os valores devidos nos meses lançados neste auto de infração e, ainda sobressalente passível de aproveitamento por ela nos autos do processo nº 13804.001277/9427. Confirase: "(...) verificamos que os totais de pagamento de PIS (créditos) SUPERAM os totais dos débitos, restando um saldo a favor do sujeito passivo no valor de R$ 1.194.168.39 (...)". Por fim, pede urgência no julgamento, face ao tempo que se iniciou este processo e pelas razões expostas, solicita o cancelamento do auto de Infração. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Admissibilidade do recurso A recorrente foi cientificada das referidas decisões em todas as fases processuais, apresentou seu recurso e manifestações tempestivamente e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Da alegada decadência Alega a Recorrente em seu recurso, haver decadência de parte dos valores exigidos. O recorrente foi cientificado da lavratura do Auto de Infração em 03/04/2007, ocasião em que ocorreu o lançamento do PIS do período de 10/1991 a 09/1995 e 06/96. Alega, portanto, já extinto o crédito tributário referente às competências anteriores a abril de 2002, em face do transcurso do prazo decadencial previsto no parágrafo 4o, do artigo 150, do Código Tributário Nacional. Fl. 1430DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 12 Pois bem. O Plenário do Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212, de 1991, que fixava em 10 anos o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário pelo lançamento. Deste julgamento resultou a edição da Súmula Vinculante n° 8, com o seguinte teor: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. (DJe nº 112/2008, p. 1, em 20/6/2008. DO de 20/6/2008, p. 1.). Afastada a aplicação do artigo 45 da Lei n° 8.212, de 1991, toma seu lugar, para fins de definição do termo inicial do prazo decadencial, são dois os dispositivos legais a serem consultados, quais sejam, o artigo 173, inciso I, e o art. 150, § 4°, ambos do CTN. No presente caso, em que não houve pagamento do PIS (somente depósitos judiciais), a regra a ser seguida é a do artigo 173, I, do CTN, o qual estabelece que o prazo para a constituição do crédito tributário é de 5 anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele que poderia ser exigido. No entanto, para os períodos de apuração de 1991 em que não houve pagamento antecipado, a contagem do prazo da decadência iniciase a partir de 1º de janeiro de 1992, encerrandose em 31 de dezembro de 1996. Como a impugnante tomou ciência do lançamento em 23/04/1997 (fl. 5/6), ocorreu a decadência referente aos períodos entre os meses de outubro a dezembro/1991 e janeiro a abril/1992, como asseverado pela contribuinte. A mesma argumentação não deve prosperar em relação aos períodos de apuração relativamente aos fatos geradores a partir do mês de maio/1992, que, de diferente modo, não foram afetados pela decadência. Cumpre destacar que a existência de decisão judicial suspendendo a exigibilidade do crédito tributário de maneira alguma interfere na contagem do prazo decadencial. Portanto, pelos fatos e fundamentos acima, fica caracterizada de forma parcial, referente aos períodos entre os meses de outubro a dezembro/1991 e janeiro a abril/1992, a ocorrência da propalada decadência. Do erro de cálculo no lançamento Consta nos autos que a Recorrente obteve decisão judicial especifica (transitada em jul gado em 22/06/1994 processo n° 91.290793), que afastou a aplicação dos Decretosleis 2.445/88 e 2.449/88, mantendo o dever de cumprir a Lei Complementar nº 7/70. Apesar disso foi confirmado pela própria fiscalização que o lançamento de oficio foi feito com base nos ditames dos Decretosleis 2.445/88 e 2.449/88. O resultado da diligência fiscal solicitada pelo Conselho de Contribuintes, deixa evidente que o lançamento foi feito de forma incorreta e que os valores, de fato, devidos a título de PIS, foram compensados nos autos do processo administrativo n° 13804.001277/94 Fl. 1431DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10283.001738/9742 Acórdão n.º 3402002.911 S3C4T2 Fl. 1.426 13 27. No entanto, verificase que na fase de análise da Diligência, tais valores foram excluídos (segregados) nos respectivos processos. Vejase: (...) "2.1 Destacamos inicialmente que refizemos os cálculos dos débitos de PIS/Faturamento lançados no auto de infração (de outubro/91 a setembro/95 e junho/96) com observância do critério de semestralidade determinado no voto do Sr. Relator (fls. 531), apurandose saldo credor a favor do sujeito passivo ao invés de debito de PIS nos referidos meses, conforme abaixo informaremos (vide item 6). 2.2 Anexamos cópia autêntica do Termo de Encerramento de Diligência relativo ao procedimento determinado pela DRJ BelémPA no processo fiscal n. 10.804001277/9427 (pedido de restituição e compensação de PIS/Faturamento) no sentido de ser verificado que os débitos e créditos referentes aos meses (fatos geradores) lançados no auto de infração ora analisado foram EXCLUÍDOS (SEGREGADOS) do exame da restituição pleiteada naquele processo fiscal". O Supremo Tribunal Federal declarou, no julgamento do RE n° 148.754 2, que tanto o Decretolei n° 2.445/88, como o Decretolei n° 2.449/88, são inconstitucionais, em face do disposto na Emenda Constitucional n° 1.169, art. 55, II: "Por não tratarem propriamente de tributo ou de finanças públicas (inciso II do art. 55 da E.C. n° 1/69) ou de qualquer das matérias previstas nos incisos I e III do mesmo dispositivo, mas, sim, de contribuição Social..." A Lei Complementar n° 7, de 7/70, instituiu o PIS (art. 1°). No art. 3º, "b", estabeleceu como fato gerador o faturamento, e no art. 6°, que a base de cálculo da contribuição em dado mês seria o faturamento de seis meses atrás. O Senado Federal, em face da declaração de inconstitucionalidade declarada pelo Plenário da Suprema Corte, suspendeu a vigência dos referidos Decretoslei, através da Resolução n° 49/95 (D.O.U de 10/10/95), afastando a sua aplicabilidade em relação a todos os contribuintes, com efeitos "ex tunc". Assim, não poderia prosperar a exigência do PISFaturamento, na sua forma original, porque o lançamento não observou o disposto no art. 6° da Lei Complementar n° 07/70, que determina que a base de cálculo da contribuição em tela é o faturamento de seis meses atrás. No entanto, no curso da Diligência determinada pelo Conselho de Contribuintes, tais inconsistências foram sanadas e a Recorrente teve a oportunidade de se defender. Do Auto de Infração PIS sobre o faturamento Como já dito, trata o presente processo de exigência da Contribuição para o Programa de Integração Social (PISFaturamento), em virtude de a autuada não ter efetuado o recolhimento relativo aos fatos geradores de 10/91 a 09/95 e 06/96. Conforme se depreende do Relatório Fiscal de fls. 38/42, o lançamento somente ocorreu porque o Fisco entendeu que não havia até o àquele momento qualquer dispositivo judicial que autorizasse tal compensação da forma como o contribuinte desejava, qual seja: base de cálculo retroativa a seis meses atrás, sem aplicação da correção monetária. Fl. 1432DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 14 No entanto, verificase que a Recorrente, obteve decisão judicial específica, que foi transitada em julgado em 22/06/1994 processo n° 91.290793, que culminou pelo afastamento da aplicação dos Decretosleis nº 2.445/88 e 2.449/88, mantendo o dever da Recorrente de cumprir a Lei Complementar nº 7/70. Assim, após o trânsito em julgado de referida ação, a interessada voltou a ser obrigada ao recolhimento da contribuição ao PIS nos moldes da LC 7/70, ou seja, sobre o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, bem como obteve o direito à restituição dos valores que pagou a mais a esse título. Consta dos autos que em agosto/1994 antes, portanto, da vigência das Instruções Normativas nºs 21/97 e 73/97, apurou os valores pagos a maior (excluindo os depósitos judiciais que já haviam sido objeto de parcial levantamento), os atualizou monetariamente e procedeu à compensação, como lhe permitia a Lei nº 8.383/91 (sem as formalidades e os formulários instituídos pelas INs de 1997), passando, a partir daí, a compensar a contribuição ao PIS, a cada vencimento. Argumenta a Recorrente que a compensação foi realizada contabilmente pela empresa e informada ao Fisco (comunicação espontânea à RFB), o que deu origem ao PAF n° 13804.001277/9427, portanto, antes do início do procedimento de fiscalização em comento. É fato também que no referido Auto de Infração esta sendo exigido a Contribuição do PIS Faturamento calculada pela desconformidade com os preceitos legais e, também em relação a períodos que foram objeto de compensação, sem que antes houvesse uma eventual decisão administrativa proferida no processo n° 13804.001277/9427. Nesse sentido, podese ressaltar que o PAF nº 10804001277/9427 acima citado, foi objeto da motivação levado a efeito, para a conclusão da Resolução nº nº 203 00.856, de 19/10/2007, expedida pelo Segundo Conselho de Contribuintes. Vejase: "Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência, determinando que se aguarde a decisão final no Processo n° 13804.001277/9427". Nesse diapazão, com a conclusão dos Relatórios de Diligência nº 001 e nº 0003, podese abordar as seguintes considerações: a) Quanto ao Relatório de Diligência nº 003 (fls. 589/594): Afirma o Relatório que no que se refere a cobrança de PIS/Faturamento lançado em auto de infração relativo aos meses de outubro/91 a setembro/95 e junho/96, antes da lavratura do auto de infração exigido neste processo, em 230497, os débitos lançados de oficio compunham o pedido de restituição e compensação pleiteado no processo fiscal nº 13804.001277/9427. Constatouse, conforme a Diligência que "(...) após a formalização do lançamento, os débitos exigidos de oficio deverão submeterse a decisão administrativa que os considerem improcedentes, razão pela qual foram excluídos deste processo fiscal". No item 2.4 do referido Relatório ficou circunstanciado que "(...) Em resposta ao item 9D, temos a esclarecer que anexamos nos autos deste processo fiscal cópia autêntica de Termo de Encerramento de Diligência Fiscal relatando os fatos apurados no procedimento relativo ao citado processo fiscal n. 10.283001738/9742, de 100797, de PIS/Faturamento lançado em auto de infração, onde foi apurado saldo a favor do sujeito passivo no valor total de R$ 1.194.168,39, atualizado em 240610". Fl. 1433DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10283.001738/9742 Acórdão n.º 3402002.911 S3C4T2 Fl. 1.427 15 b) Quanto ao resultado do Relatório de Diligência nº 001 (fls. 597/601): Em relação às informações relativas aos quesitos formulados na Resolução n. 20300.856, de 191007 (fls. 537/539) do Segundo Conselho de Contribuintes (atual CARF), que foi objeto da Diligência acima referenciada, reproduzimos os seguintes pontos importantes para as conclusões (destaques e grifos nosso): (...) "2.1 Destacamos inicialmente que refizemos os cálculos dos débitos de PIS/Faturamento lançados no auto de infração (de outubro/91 a setembro/95 e junho/96) com observância do critério de semestralidade determinado no voto do Sr. Relator (fls. 531), apurandose saldo credor a favor do sujeito passivo ao invés de debito de PIS nos referidos meses, conforme abaixo informaremos (vide item 6). 2.2 Anexamos cópia autêntica do Termo de Encerramento de Diligência relativo ao procedimento determinado pela DRJ BelémPA no processo fiscal n. 10.804001277/9427 (pedido de restituição e compensação de PIS/Faturamento) no sentido de ser verificado que os débitos e créditos referentes aos meses (fatos geradores) lançados no auto de infração ora analisado foram EXCLUÍDOS (SEGREGADOS) do exame da restituição pleiteada naquele processo fiscal. 2.3 Desse modo, salvo melhor juízo, , entendemos que o presente processo fiscal deverá ser devolvido ao Egrégio CARF para ser analisado o seu mérito (...). "(...) 6 Dessa forma e partir dos débitos de PIS/Faturamento lançados e dos DARF de recolhimentos apresentados e depósitos judiciais (no percentual convertido em renda da União), considerados no Demonstrativo de Imputação de Pagamentos de fls. 9/15, volume I, procedemos os cálculos dos valores de eventuais saldos devedores ou credores de PIS/Faturamento, conforme os anexos relatórios Listagem de Débitos / Saldos Remanescentes n. 001/10 (AUTO PIS FATURAM), Listagem de Créditos/Saldos Remanescentes n. 001/10, Demonstrativo Analítico de Compensação n. 001/10 e Demonstrativo de Correção até 05/2010 dos Créditos Remanescentes n. 001/10, e verificamos que os totais dos pagamentos de PIS (créditos) SUPERAM os totais dos débitos, restando um saldo a favor do sujeito passivo no valor total de R$ 1.194.168,39 (um milhão, cento e noventa e quatro mil, cento e sessenta e oito reais e trinta e nove centavos), em 240610, a ser restituído ou compensado pelo sujeito passivo (...). "(...) 8 Os valores das vendas brutas mensais. , (faturamento) são os mesmos constantes no auto de infração de PIS/Faturamento ora analisado e nos documentos planilha (fls. 169/173) e Laudo Pericial Contábil e Anexos (fls. 270/305) constantes dos autos do processo fiscal n. 10.804001.277/9427 (volume II), cuja cópia do Laudo e do Termo de Encerramento de Diligência anexamos aos autos deste processo fiscal. Fl. 1434DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 16 9 Este procedimento de diligência fiscal abrange somente os débitos de PIS/Faturamento e os respectivos recolhimentos lançados no auto de infração ora analisado, ou seja, débitos e recolhimentos nos meses de outubro/91 a setembro/95 e junho/96, muito embora tais débitos estavam originalmente inseridos no pedido de restituição e compensação pleiteado no processo fiscal n. 10.804001.277/9427, ora também em procedimento de diligência por esta Fiscalização. 10 O Saldo credor de PIS a favor do sujeito passivo, no valor total de R$ 1.194.168,39, poderá ser incluído no pedido pleiteado nos autos do processo fiscal n. 10.804001277/9427, a critério do sujeito passivo, por ser anterior a data de lavratura do auto de infração de PIS/Faturamento, em 230497. Cabe registrar que a exigência é combatida pela Recorrente mediante a argüição dos seguintes elementos: (i) um especifico e relativo ao direito creditório reconhecido em ação judicial, como observado no resultado da diligência fiscal realizada; (ii) compensação mais genérica, cujos créditos são da própria recorrente. Como o litígio sobre os créditos da Recorrente foi objeto do Processo Administrativo n° 10.804001277/9427 (pedido de restituição e compensação de PIS/Faturamento incluindo os períodos objeto do Auto de Infração), cuja análise teve como resultado a Informação do Fisco no Relatório de Diligência nº 003 (acostados aos autos às fls.....), e ficou estabelecido na Resolução do Conselho de Contribuintes que a "decisão final naquele deve ser levada em conta neste, convém que este processo seja julgado após aquele"; Consta do Termo de Diligência nº 003, que analisou o processo nº 10.804 001277/9427, o seguinte trecho abaixo reproduzido: "(...) Quanto ao processo fiscal n. 10.283001738/9742, de 10 0797, que trata da cobrança de PIS/Faturamento lançado em auto de infração relativo aos meses de outubro/91 a setembro/95 e junho/96, também em trâmite neste SEFIS para realização de diligência fiscal determinada pelo Egrégio Conselho de Contribuintes, MANTINHA RELAÇÃO com o objeto deste processo fiscal na medida que, antes da lavratura do auto de infração exigido naquele processo, em 230497, os débitos lançados de oficio compunham o pedido de restituição e compensação pleiteado neste processo fiscal. Por outro lado no Termo de diligência nº 001 que se refere a este processo, ficou consignado que: "(...) 2.2 Anexamos cópia autêntica do Termo de Encerramento de Diligência relativo ao procedimento determinado pela DRJ BelémPA no processo fiscal n. 10.804001277/9427 (pedido de restituição e compensação de PIS/Faturamento) no sentido de ser verificado que os débitos e créditos referentes aos meses (fatos geradores) lançados no auto de infração ora analisado foram EXCLUÍDOS (SEGREGADOS) do exame da restituição pleiteada naquele processo fiscal". Fl. 1435DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10283.001738/9742 Acórdão n.º 3402002.911 S3C4T2 Fl. 1.428 17 "(...) 6 Dessa forma e partir dos débitos de PIS/Faturamento lançados e dos DARF de recolhimentos apresentados e depósitos judiciais (no percentual convertido em renda da União) (...), verificamos que os totais dos pagamentos de PIS (créditos) SUPERAM os totais dos débitos, restando um saldo a favor do sujeito passivo no valor total de R$ 1.194.168,39 (um milhão, cento e noventa e quatro mil, cento e sessenta e oito reais e trinta e nove centavos), em 240610, a ser restituído ou compensado pelo sujeito passivo (...). "(,,,) 10 O Saldo credor de PIS a favor do sujeito passivo, no valor total de R$ 1.194.168,39, poderá ser incluído no pedido pleiteado nos autos do processo fiscal n. 10.804001277/9427, a critério do sujeito passivo, por ser anterior a data de lavratura do auto de infração de PIS/Faturamento, em 230497". Desta forma, partindose dos fatos acima elencados e analisandose o resultado das Diligências (nº 001 e 003) concluídas pelo Fisco, revela que com base nos pagamentos feitos pela Recorrente, no período autuado (relativo aos meses de outubro/91 a setembro/95 e junho/96), que há saldo suficiente para extinguir os valores devidos nos meses lançados neste Auto de Infração e, ainda restando um valor, passível de aproveitamento pela interessada nos autos do PAF nº 13804.001277/9427. Conclusão Diante das considerações e fundamentos acima expostos, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e DAR provimento ao recurso voluntário, cancelando o respectivo de Auto de Infração. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Relator Fl. 1436DF CARF MF Impresso em 03/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 02/03/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 10580.731827/2011-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
ART. 150 RIR/99 EQUIPARAÇÃO DE PESSOA FÍSICA À TRIBUTAÇÃO DAS PESSOAS JURÍDICAS ATIVIDADE ECONÔMICA. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE
Deve o contribuinte comprovar que desempenha atividade econômica, em nome próprio e com fim de lucro, a justificar a equiparação da tributação da pessoa física à jurídica, prevista no art. 150, II, do RIR/99.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL.
O art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas.
No entanto, não se trata de presunção legal de receita, as transferências bancárias entre contas da mesma titularidade, as quais, devem ser excluídas.
Recurso Provido em Parte
Numero da decisão: 2301-004.490
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
João Bellini Júnior - Presidente.
Alice Grecchi - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Bellini Junior (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE Deve o contribuinte comprovar que desempenha atividade econômica, em nome próprio e com fim de lucro, a justificar a equiparação da tributação da pessoa física à jurídica, prevista no art. 150, II, do RIR/99. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. O art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens indicadas. No entanto, não se trata de presunção legal de receita, as transferências bancárias entre contas da mesma titularidade, as quais, devem ser excluídas. Recurso Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 18 27 /2 01 1- 08 Fl. 733DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Alice Grecchi Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros João Bellini Junior (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até a apresentação da impugnação pelo contribuinte, adoto de forma livre o relatório do Acórdão proferido pela 3ª Turma da DRJ/SDR, nº 1532.518, constante em fls. 681/689: A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador (BA) emitiu em nome do contribuinte acima identificado Auto de Infração (fls. 3/7) referente ao imposto de renda pessoa física, exercício 2009; anocalendário 2008, em procedimento de fiscalização. Detectada omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, de R$ 4.638.495,98 (fls. 10/26), apurouse imposto de renda suplementar de R$ 1.273.856,11. Consta no Termo de Verificação Fiscal (fls. 28/30) que o contribuinte, intimado, apresentou extratos de suas contas bancárias (Caixa Econômica Federal e Bradesco) cuja análise resultou em intimação para comprovar a origem dos depósitos bancários relacionados em demonstrativos próprios (fls. 220/238). Atendendo à intimação, o contribuinte apresentou recibos assinados sem data e sem indicação de valor, declarações de representação em leilões, notas de arrematação de penhor e contratos de penhor (fls. 242/371), que analisados não permitiu a identificação, muito menos a correlação com os depósitos/créditos efetuados em suas contas correntes. Daí, caracterizada a omissão de rendimentos porque os depósitos não foram comprovados, com o lançamento formalizado no Auto de Infração. Qualificada a multa de ofício para 150% porque não foram declarados os rendimentos revelados pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Também formalizada Representação Fiscal para Fins Penais no processo 10580.731828/201144. O contribuinte impugna o lançamento (fls. 379/399) e alega que os depósitos são as receitas decorrentes da atividade de compra e venda de ouro e as saídas de numerário das contas correntes são os desembolsos do custo de aquisição do ouro vendido, e o lançamento contêm equívocos jurídicos de tal magnitude que o torna nulo. De pronto, há erro de direito insuperável devido à adoção de regras da tributação de pessoa física quando a sua atividade (compra e venda de ouro Fl. 734DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10580.731827/201108 Acórdão n.º 2301004.490 S2C3T1 Fl. 734 3 mercadoria) é equiparada às das pessoas jurídicas para efeito de tributação do imposto de renda, conforme dispõe o art. 150, § 1º, inciso I do RIR, de 1999, assim com jurisprudências do antigo Conselho de Contribuintes e desta Delegacia de Julgamento. O correto seria a tributação pelo lucro real com a adoção do arbitramento (art. 532 do RIR). Ademais, o endereço constante no Auto é notadamente comercial. Observa que o balancete anexado “Resultados Mensais da Compra e Venda de Materiais Nobres” (fl. 485) que será justificado com cópias de cheques solicitadas ao Bradesco e à Caixa Econômica Federal, prova que na verdade, em 2008, foi apurado prejuízo, e não resultado positivo passível de cobrança de imposto de renda. A presunção de omissão de receitas não é penalidade e basta comparar as entradas (receitas ditas omitidas) com as saídas (desembolsos para aquisição de ouro) para constatar a impropriedade de considerar a receita como lucro. Indica também que sua atividade é de negócios pois não possui emprego ou outra atividade de renda. O autuante ainda imputou como base de cálculo as entradas integrais dos depósitos bancários, abandonando as contrapartidas destas receitas, que são os débitos nestas mesmas contas bancárias (custo de aquisição do ouro revendido). E mais, no Extrato de Movimentação Financeira, anexo ao Auto de Infração, há uma série de valores, evidentemente, estorno de depósitos (cheques devolvidos) que o auditor entendeu como novos depósitos e os incluiu no cômputo dos valores identificados como receitas omitidas (renda). Tais estornos devem ser excluídos da base de cálculo. Há ainda, transferências interbancárias, identificadas no documento em anexo “Transcrição de Extrato Bancário” (fls. 405/483), lançamentos estes identificados sob o histórico de “Transferência” que também devem ser excluídos da base de cálculo. Alega ainda a inexistência de qualquer acréscimo patrimonial. A nulidade não pode depender apenas de vícios formais (art. 59 do decreto 70.235, de 1972). Não são suficientes à regularidade do Auto de Infração apenas a qualificação do autuado e a competência do autuante, pois não é possível aproveitar lançamento com erros essenciais quanto ao conteúdo da autuação (erro de fato) e quanto à tipificação destes fatos (erro de direito). Vício de direito decorrente do equívoco em autuarse a pessoa física e não a empresa individual de fato, equiparada à pessoa jurídica por imposição legal (art. 150, do RIR), como comprova diversas decisões do Conselho de Contribuintes. Também não há enquadramento legal da infração. Os fatos imputados ao contribuinte são impertinentes como comprovam o balancete de todos os negócios procedidos em 2008 e refletidos nos extratos bancários e o demonstrativo com discriminação dos leilões de jóias arrematadas. Para corroborar estas assertivas solicitou cópias de todos os cheques emitidos e dos avisos de débito/crédito. Insurgese contra a representação fiscal para fins penais e requer o sobrestamento de qualquer conduta ou ação interna que resulte na comunicação/representação ao Ministério Público. Requer diligência para apurar todas as aquisições nos leilões assim como quebra do sigilo de todas as operações nas contas correntes e de a requisição sas Fl. 735DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 cópias dos cheques, bem como a nulidade do Auto de Infração e o cancelamento de crédito tributário lançado. Anexados à impugnação planilhas denominadas “Transcrição Extrato Bancários” (fls. 405/483); “Resultados Mensais da Compra e Venda de Materiais Nobres”(Doc 4 fl. 485); “Relação de Arremates de Contrato de Penhor”, bem como cópias de contratos de penhor, comprovantes de pagamento de arrematação, notas de arrematação e recibos de entrada de garantias (Doc 5 fls. 487/598) e declaração de terceira pessoa (fl. 599) e extratos de contas bancárias (Doc 6 fls. 602/679). A Turma de Primeira Instância, julgou procedente em parte a impugnação, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito, poupança ou de investimento mantida em instituição financeira cuja origem dos recursos utilizados nessas operações não é comprovada mediante documentação hábil e idônea pelo responsável. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. MULTA QUALIFICADA INAPLICÁVEL. A constatação de rendimentos omitidos correspondentes a depósitos de origem não comprovada, baseandose em presunção legal, não pode servir, por si só, para estabelecer o intuito de fraude que justificaria a aplicação da multa de ofício qualificada de 150%. (g.n.) O contribuinte foi cientificado do Acórdão n° 1532.518 da 3ª Turma da DRJ/SDR em 12/06/2013 (fl. 692). Sobreveio Recurso Voluntário em 15/07/2013 (fls. 693/712), no qual, o contribuinte, em suma, ratificou as razões da impugnação. É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado possui os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Fl. 736DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10580.731827/201108 Acórdão n.º 2301004.490 S2C3T1 Fl. 735 5 NULIDADE DO LANÇAMENTO EQUIPARAÇÃO À PESSOA JURÍDICA Aduz o recorrente que a Fiscalização deveria têlo equiparado à pessoa jurídica, como dispõe o art. 150, II, do RIR/99, pois exerce atividade econômica com fim especulativo de lucro – comércio. Não assiste razão ao recorrente. Prevê o art. 150 do RIR/99 que: Art. 150. As empresas individuais, para os efeitos do imposto de renda, são equiparadas às pessoas jurídicas (Decreto Lei nº 1.706, de 23 de outubro de 1979, art. 2º) § 1º São empresas individuais: I – as firmas individuais (Lei nº 4.506, de 1964, art. 41, § 1º, alínea “a”); II –as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços (Lei nº 4.506, de 1964, art. 41, § 1º, alínea “b”); III – as pessoas físicas que promoverem a incorporação de prédios em condomínio ou loteamento de terrenos, nos termos da Seção II deste Capítulo (DecretoLei nº 1.510, de 27 de dezembro de 1976, art. 10, inciso I). Portanto, para que o contribuinte pessoa física possa ser equiparado à empresas individuais, deve preencher os requisitos constantes no inciso II, do art. 150 acima transcrito, isto é, deve explorar atividade econômica, habitual e profissionalmente, com fim especulativo de lucro. No caso, o recorrente não logrou êxito em comprovar que exercia tal atividade, pois embora tenha acostado aos autos numerosa quantidade de Notas de Arrematação de ouro a fim de comprovar que exercia a atividade de Ourives, o mesmo não demonstrou a correlação das referidas Notas de Arrematação com os depósitos bancários autuados. Assim, considerando que inexistem nos autos provas da atividade comercial supostamente desenvolvida pelo contribuinte, que dariam origem aos créditos bancários autuados, rejeitase a preliminar de nulidade arguida pelo recorrente. MÉRITO DEPÓSITOS BANCÁRIOS No mérito, quanto à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, tal omissão respaldase no art. 849 do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda), o qual regulamenta o art. 42 da Lei 9.430/1996, tendo ambos redação semelhante, e inclusive, o art. 849 faz referência expressa ao art. 42 da supracitada Lei. Fl. 737DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 Art. 849. Caracterizamse também como omissão de receita ou de rendimento, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil ou idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42). (grifei) O art. 42, caput da Lei nº 9.430/96, assim dispõe: “caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. No regime jurídico do art. 42 da Lei 9.430/1996 há uma presunção legal relativa, vez que, intimado para comprovar a origem dos depósitos, o contribuinte tem o ônus de comprovar cada crédito de forma individualizada. A presunção em favor do Fisco não se configura como mera suposição e transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. É função do Fisco, entre outras, comprovar os créditos dos valores em contas de depósito ou de investimento, analisar a respectiva declaração de ajuste anual e intimar o beneficiário desses créditos a apresentar os documentos/informações/esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o art. 42 da Lei n° 9.430/1.996. Todavia, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. O recorrente não se desincumbiu do ônus imposto pela presunção legal relativa, vez que do exame das peças constituintes dos autos, o interessado, não obstante tivesse ampla oportunidade de fazêlo, não logrou comprovar, nem na fase de autuação, nem na fase impugnatória e no presente recurso, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados nas contas bancárias indicadas pelo Fisco. Portanto, verificada a ocorrência da hipótese descrita em lei, qual seja, de que o contribuinte recebeu depósitos e eximiuse de comprovar, depósito por depósito, mediante documentação hábil e idônea a sua origem, correta é a autuação. Cabe frisar que o objeto da tributação não foi o depósito bancário ou a aplicação financeira, em si, mas a omissão de rendimentos representada e exteriorizada pelo mesmo, vez que, os depósitos bancários são utilizados unicamente como instrumento de arbitramento dos rendimentos presumidamente omitidos. Contudo, dá análise dos autos, especialmente do documento acostado pelo contribuinte no recurso, qual seja, "Autorização para Transferência Eletrônica de Fundos Interbancária" (fl. 727), deve ser excluído da presente autuação os respectivos valores de R$80.000,00, no Banco Bradesco, em 30/04/2008, cuja operação está descrita no extrato bancário como "TRANSF AG DINH", bem como o valor de R$ 80.000,00, na Caixa Econômica Federal, em 02/05/2008, operação descrita como " CRED TED", pois embora tais operações tratemse de transferência bancária entre contas da mesma titularidade, estes valores foram tributados duplamente, conforme se verifica do Demonstrativo anexo ao Auto de Infração, em fls. 14 e 24 (PDF). Fl. 738DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10580.731827/201108 Acórdão n.º 2301004.490 S2C3T1 Fl. 736 7 Portanto, deve ser excluído da base de cálculo da presente autuação o valor de R$ 160.000,00 (cento e sessenta mil reais). Ante o exposto, voto no sentido de REJEITAR A PRELIMINAR DE NULIDADE, e no mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso para, excluir da base de cálculo do tributo lançado o valor de R$ 160.000,00 (cento e sessenta mil reais). (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 739DF CARF MF Impresso em 04/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/03/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 04/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 12709.000046/2009-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 25/11/2008
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA.
Não há que se cogitar de nulidade quando o auto de infração preenche os requisitos legais, o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 142 do CTN ou nos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 1972
LANÇAMENTO. AÇÃO JUDICIAL.
A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não impede o lançamento, decorrente de atividade vinculada e obrigatória, necessária para evitar a decadência do direito de lançar.
ESFERA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Nacional, com o mesmo objeto do auto de infração, configura renúncia às instâncias administrativas no tocante a mesma matéria. Súmula CARF Nº 1.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-002.822
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam membros da 3ª Câmara, 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer da parte do recurso que trata do mérito e negar provimento ao recurso quanto a nulidade do auto de infração, nos termos do voto do relator, que integra o presente julgamento.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 25/11/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade quando o auto de infração preenche os requisitos legais, o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 142 do CTN ou nos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 1972 LANÇAMENTO. AÇÃO JUDICIAL. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário não impede o lançamento, decorrente de atividade vinculada e obrigatória, necessária para evitar a decadência do direito de lançar. ESFERA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Nacional, com o mesmo objeto do auto de infração, configura renúncia às instâncias administrativas no tocante a mesma matéria. Súmula CARF Nº 1. Recurso Voluntário Não Conhecido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam membros da 3ª Câmara, 1ª Turma Ordinária da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer da parte do recurso que trata do mérito e negar provimento ao recurso quanto a nulidade do auto de infração, nos termos do voto do relator, que integra o presente julgamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 70 9. 00 00 46 /2 00 9- 87 Fl. 164DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 12709.000046/200987 Acórdão n.º 3301002.822 S3C3T1 Fl. 163 2 Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. Luiz Augusto do Couto Chagas Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 12709.000046/200987 Acórdão n.º 3301002.822 S3C3T1 Fl. 164 3 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Florianópolis/SC: Versa o presente processo sobre os autos de infração lavrados, às fls. 02/15, relativos à falta de recolhimento da COFINS Importação e do PIS Importação, incidentes sobre a importação de mercadoria estrangeira, através da Declaração de Importação (DI) n.º 09/00455890, registrada em 13/07/2009. Informa a auditoria fiscal que o contribuinte efetuou depósito judicial, sob amparo do Mandado de Segurança nº 2008.70.00.0195699, da 8a. Vara Cível da Justiça Federal de Curitiba PR. Regularmente cientificada (fl. 41), em 27/02/2009, a autuada apresentou impugnação (fls. 43/71), em 26/03/2009, na qual, em síntese: Informa que obteve do Poder Judiciário, através do Mandado de Segurança nº 2008.70.00.0195699, medida liminar determinando a liberação do equipamento importado – um equipamento para tratamento por braquieterapia e acessórios — Gammamed Plus — objeto da fatura n° 092920081, LI n° 08/25448651, independentemente do recolhimento efetivo do PIS/COFINS. Preliminarmente, alega nulidade porque o lançamento em tela foi lavrado antes mesmo de se operar qualquer infração fiscal ou descumprimento de pagamento desses tributos tendo em vista que o crédito tributário se encontra suspenso por força de depósito do seu montante integral nos termos do artigo 151, II do CTN, num verdadeiro cerceamento do seu direito de recolher seus impostos sem sanções de qualquer espécie e dentro dos prazos e das prerrogativas legais emanadas da própria Legislação Federal Tributária. Portanto, o presente Auto de Infração carece inteiramente de objeto. Aduz que, em razão de o depósito do montante integral do crédito ficar vinculado à decisão final no processo Judicial, sendo convertido em renda em caso de a demanda ser julgada favorável ao fisco, não há que se falar nem mesmo em lançamento para fins de prevenir a decadência. Afirma que é explícita a proibição de instauração de procedimento fiscal em casos de suspensão da exigibilidade dos tributos por força de decisão judicial, conforme consta no Decreto 70.235/72, em seu art. 62. Também o art. 63 e parágrafos 1° e 2° da Lei 9.430/96 estabelecem a proibição em cominar qualquer multa ou penalidade administrativa aos tributos que estão com a exigibilidade suspensa por forca de liminar judicial. Assim a elaboração dos presentes autos de infração é ilegal e intempestiva, razão pela qual merecem ser anulados. Aduz que as informações estão confusas e desordenadas, fulminando o Auto de Infração de nulidade em razão da imprecisa descrição dos fatos e enquadramentos legais. Alega que o Auto de Infração foi lavrado com base em legislação revogada pelo Decreto n° 6759/09 Novo Regulamento Aduaneiro, devendo ser reconhecida a Fl. 166DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 12709.000046/200987 Acórdão n.º 3301002.822 S3C3T1 Fl. 165 4 sua nulidade, até porque não permite determinar com segurança a infração, gerando prejuízos à defesa. Argui que há ausência de indicação precisa de qual dispositivo legal restou violado e em que extensão, em vista dos inúmeros dispositivos legais lançados no auto de infração. Afirma que há suspensão da exigibilidade do crédito e litispendência entre o presente processo administrativo e o processo judicial citado. Aduz que não houve renúncia à via administrativa pela impugnante, pois foi a fiscalização federal que lavrou o Auto de Infração ora impugnado na pendência de ação judicial previamente ajuizada pela contribuinte, obrigandoa a promover a presente Impugnação no prazo legal, sob pena de prescrever seu direito de defesa administrativa. E não se diga que dita impugnação seria desnecessária, uma vez que se assim não o fizesse, precluiria o seu direito de contestar o crédito constituído, além de servir para impedir o avanço dos indevidos atos de cobrança por parte da Fazenda Pública. No mérito, traz diversos argumentos a respeito da inconstitucionalidade da Lei nº 10.865/2004, especialmente pela ofensa ao princípio da isonomia, e da necessidade de instituição das novas contribuições por Lei Complementar. Questiona a base de cálculo prevista na aludida lei, que não encontra amparo na Constituição Federal. Assim, requer a nulidade do lançamento, ou, alternativamente, o sobrestamento do processo administrativo até o trânsito em julgado do processo judicial correspondente; na impossibilidade, requer a apreciação do mérito da presente impugnação, sob pena de cerceamento do seu direito de defesa, e a total improcedência do presente Auto de infração. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis SC considerou o lançamento procedente, com a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 25/11/2008 LANÇAMENTO. AÇÃO JUDICIAL. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário paralisa os atos executórios de cobrança, mas não suspende a prática do ato administrativo de lançamento, decorrente de atividade vinculada e obrigatória, necessária para evitar a decadência do poder de lançar. ESFERA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Nacional, com o mesmo objeto do auto de infração, configura renúncia às instâncias administrativas no tocante a mesma matéria. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 12709.000046/200987 Acórdão n.º 3301002.822 S3C3T1 Fl. 166 5 No recurso voluntário a recorrente repete os argumentos trazidos na impugnação e acrescenta que o recurso não pretende discutir a matéria em discussão no processo judicial Nº 2008.70.00.0195699 na Justiça Federal de Curitiba/PR, mas sim os vícios constantes do Auto de Infração. É o Relatório. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 12709.000046/200987 Acórdão n.º 3301002.822 S3C3T1 Fl. 167 6 Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator. Preenchidos os requisitos formais de admissibilidade, conheço do recurso voluntário. Tratase de auto de infração de PIS, com valor originário de R$ 9.436,89 e de Cofins, com valor originário de R$ 43.466,92, lavrados na importação e sem o lançamento de multa de ofício. O lançamento foi realizado para prevenir a decadência de crédito suspenso, por força de liminar e depósito apresentado, nos autos do Mandado de Segurança Nº. 2008.70.00.0195699, e nos termos do que dispõe o art. 151 do CTN. Os tributos devidos no registro da Declaração de Importação Nº. 09/0045589 0, por força da lei, foram lançados com a exigibilidade suspensa. Nulidade: A recorrente alega que há vícios no lançamento passíveis de nulidade, especialmente na descrição dos fatos e enquadramento legal, porque ocasionam cerceamento ao seu direito de defesa. Não assiste razão à recorrente. O auto de infração possui a descrição exata da situação fática que culminou no lançamento, bem como a sua correta tipificação legal. A própria recorrente deu causa ao auto de infração, uma vez que optou pela via judicial para questionar os tributos objetos dos lançamentos. Portanto, não pode alegar não saber do que se trata. Pelo teor do recurso apresentado, em que a recorrente demonstra haver compreendido perfeitamente o motivo da autuação, dele se defendendo amplamente, concluise não ter ocorrido preterição ao seu direito de defesa, iniciandose com eficácia o contraditório neste processo administrativo. O presente Auto de Infração foi lavrado corretamente, com base em legislação vigente à época dos fatos geradores, tendo em vista a data de registro da DI ocorrer em 13/01/2009, portanto, antes da vigência do aludido Decreto n° 6759, de 05/02/2009. Assim, considero validos os autos de infração em tela, por não padecerem de quaisquer irregularidades ou vícios que ensejem a sua nulidade. Fl. 169DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 12709.000046/200987 Acórdão n.º 3301002.822 S3C3T1 Fl. 168 7 A recorrente também insurgese contra a constituição e a manutenção do presente crédito tributário, em vista do depósito judicial, argumentando que tal procedimento afronta princípios constitucionais, o seu direito de recorrer ao judiciário e a própria decisão judicial. Entendo que também não assiste razão à recorrente. A constituição do crédito tributário, destinada a prevenir a decadência está prevista no art. 63 da Lei nº 9.430/96, que dispõe: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Sendo constituído o crédito tributário através do competente auto de infração, a sua exigibilidade é que poderá ser suspensa de acordo com o art. 151 do CTN (Lei nº 5.172/1966): Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; VI o parcelamento. Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela conseqüentes. Dispõe o CTN, no seu art. 151, que a concessão de liminar ou de tutela antecipada, em alguma espécie de ação judicial, suspende, tão somente, a exigibilidade do crédito tributário. Não impede, portanto, a sua constituição. Assim, o lançamento deve ser constituído, por força da atividade vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142 do CTN. Fl. 170DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 12709.000046/200987 Acórdão n.º 3301002.822 S3C3T1 Fl. 169 8 O processo administrativo fiscal terá o seu seguimento normal, com a execução de todos os procedimentos administrativos pertinentes, exceção feita apenas aos atos executórios que dizem respeito à exigibilidade do crédito, que terão que aguardar os desfechos do processo judicial, com a sentença judicial final, ou, a perda da eficácia da medida liminar ou tutela antecipada concedida. Portanto, nenhuma violação à lei ou desobediência ao Poder Judiciário ocorreu no caso em tela, porque a constituição do crédito tributário pelo lançamento, neste caso, visa a prevenir a decadência. Nos casos em que a matéria está sendo discutida no Poder Judiciário, com a sua exigibilidade suspensa, a cobrança somente será exercida acaso a decisão seja favorável à Fazenda Pública. Mérito: O processo diz respeito à exigência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS não recolhidas quando do registro da Declaração de Importação n.º 09/00455890, e que foram depositadas e discutidas em juízo no Mandado de Segurança nº 2008.70.00.019569 9, da 8a. Vara Cível da Justiça Federal de Curitiba – PR. Na ação judicial, a impetrante insurgese contra a exigência do PIS e COFINSImportação sobre os seguintes equipamentos: a) Equipamento para tratamento por braquiterapia e acessórios Grammamed Plus, objeto da fatura nº 092920081, LI nº 08/25448651; b) Aparelho de Ultrassom Sonoline G20, objeto da fatura nº BR 871114, LI nº 08/14194980, na forma da Lei nº 10.865/2004. Entende que a exigência afronta a Constituição Federal, considerando a necessidade de sua instituição por lei complementar e ofensa ao princípio da isonomia. Defende o conceito de valor aduaneiro previsto na Constituição e corrente no âmbito do comércio exterior. A Sentença (fls. 96/104), confirmando a liminar anteriormente deferida, concedeu parcialmente a segurança para que a autoridade aduaneira exigisse as contribuições da Lei nº 10.865/2004 tendo por base o valor aduaneiro definido no Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre tarifas e Comércio – GATT, promulgado pelo Decreto nº 1.355/1994, aplicandose, no que couber, a Instrução Normativa SRF nº 327, de 09/05/2003. Assim, os mesmos argumentos foram apresentados, em síntese, no mérito do recurso voluntário. Portanto, constatado que existe concomitância entre a questão colocada para a apreciação administrativa e aquela levada ao Poder Judiciário, concluo que esta autoridade julgadora deve se eximir do exame dos argumentos suscitados. Constatase que o assunto é sumulado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, que publicou, no DOU de 22/12/2009, a Súmula nº 01, conforme abaixo: Fl. 171DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 12709.000046/200987 Acórdão n.º 3301002.822 S3C3T1 Fl. 170 9 Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Em consulta ao sítio da Justiça Federal em Curitiba/PR, verificase que ainda não houve o trânsito em julgado do processo Nº 2008.70.00.0195699. Portanto, esta autoridade julgadora está impedida de conhecer desta parte do recurso voluntário que pretende discutir a mesma matéria levada à decisão do Poder Judiciário. Também, no tocante às alegações de inconstitucionalidade, ressalvo a incompetência do CARF quanto a questões que se referem à ilegalidade de decretos e atos normativos federais ou inconstitucionalidade de leis, pois essa competência foi atribuída, em caráter privativo, ao Poder Judiciário, de acordo com a Constituição Federal de 1988, art. 102, I, a e III, b. O assunto também é sumulado pelo CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Constatase que, de maneira correta, não foi lançada a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, em vista da suspensão de exigibilidade do crédito tributário, nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430/1996. Conclusão: 1) Nulidade: Em relação a nulidade do Auto de Infração, voto por negar provimento ao recurso voluntário. 2) Mérito: Voto no sentido de não conhecer da parte do recurso voluntário que pretende discutir o mérito dos tributos lançados, por se tratar de mesma matéria levada à decisão do Poder Judiciário. Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 172DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL Processo nº 12709.000046/200987 Acórdão n.º 3301002.822 S3C3T1 Fl. 171 10 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 04 /02/2016 por LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, Assinado digitalmente em 08/02/2016 por ANDRADA MARCIO CA NUTO NATAL
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Numero do processo: 12898.000263/2010-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Sep 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2006
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. DO PRÍNCIPIO DA VERDADE MATERIAL. OBSERVÂNCIA. DA MULTA. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA.
Não tendo se verificado nenhum dos motivos ensejadores de nulidade previstos na legislação tributária, não há que se falar em nulidade.
A autuação fiscal, quanto à análise dos documentos, deu-se de forma legítima. Dessa forma não há razão para acolher a tese de inobservância ao principio da verdade material.
As novas regras trazidas pelo artigo 32-A são, a priori, mais benéficas que as anteriores, posto que nelas há limites inferiores. Assim, nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, a multa deve ser reduzida para adequá-la ao artigo 32-A.
Numero da decisão: 2301-003.777
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a); III) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; Redator: Mauro José Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator e redator ad hoc na data da formalização.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES (Relator), MAURO JOSE SILVA (Redator).
Nome do relator: Damião Cordeiro de Moraes
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INEXISTÊNCIA. DO PRÍNCIPIO DA VERDADE MATERIAL. OBSERVÂNCIA. DA MULTA. APLICAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. Não tendo se verificado nenhum dos motivos ensejadores de nulidade previstos na legislação tributária, não há que se falar em nulidade. A autuação fiscal, quanto à análise dos documentos, deuse de forma legítima. Dessa forma não há razão para acolher a tese de inobservância ao principio da verdade material. As novas regras trazidas pelo artigo 32A são, a priori, mais benéficas que as anteriores, posto que nelas há limites inferiores. Assim, nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, a multa deve ser reduzida para adequála ao artigo 32A. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a); III) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 02 63 /2 01 0- 21 Fl. 1461DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Wilson Antonio de Souza Correa e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; Redator: Mauro José Silva. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator e redator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), ADRIANO GONZÁLES SILVÉRIO, WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES (Relator), MAURO JOSE SILVA (Redator). Fl. 1462DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 12898.000263/201021 Acórdão n.º 2301003.777 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório 1. Tratase de Recurso Voluntário interposto por CENTRO INTEGRADO DE ESTUDOS E PROGRAMAS DE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL em face de acórdão proferido pela 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada, bem como manteve o crédito tributário. 2. De acordo com o relatório fiscal (fls. 20/26), o fato gerador das contribuições previdenciárias objeto deste processo constitui o não recolhimento das contribuições devidas, relativas ao pagamento de remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços. Há, ainda, no relatório fiscal a menção de que o período do débito abrangeu as competências compreendidas entre 06/2006 a 12/2006. 3. Além disso, o relatório fiscal aponta que: “4. Da Ação Fiscal: Durante a ação fiscal foram analisados, dentre outros, os seguintes documentos, apresentados pelo contribuinte: Folhas de pagamento apresentadas em meio digital, validados através do sistema SVA, conforme relatório de validação anexo. Folhas de pagamento apresentadas em papel Livro Diário apresentados em meio digital, validados através do sistema SVA, conforme relatório de validação anexo. Notas Fiscais de cooperativas de trabalho Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social GFIP. Em análise às informações da folha de pagamento de empregados, confrontadas com os lançamentos contábeis e os valores declarados em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, verificouse que, no período fiscalizado, parte da remuneração paga aos contribuintes individuais não foi declarada na GFIP, bem como o recolhimento das contribuições incidentes sobre estes valores era inferior ao total devido. Demonstramos esses valores não declarados e não recolhidos, nos anexos 1 e 2. (...) 7. Os valores das rubricas consideradas na apuração deste Al não foram declarados em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Fl. 1463DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 Serviço e Informações à Previdência Social GFIP. Tal fato deu ensejo a uma omissão de informações à Secretaria da Receita Federal do Brasil, violandose, dessa forma, a norma imperativa inscrita no artigo 32, IV da Lei n° 8.212/1991. 8. A omissão de fato gerador em GFIP configura, "em tese", crime contra a Seguridade Social, tipificado no inciso III, do artigo 337A do Código Penal DecretoLei n°. 2.848 de 07/12/1940, acrescido pela Lei n°. 9.983 de 14/07/2000, sendo, por esta razão, formalizado processo de Representação Fiscal para Fins Penais Comprot n° 12898.000265/2010 10 a ser encaminhado às autoridades competentes. (...) A MP n° 449, trouxe alterações na Lei 8212/91, introduzindo o art. 35A, o qual determina que, nos casos de lançamento de ofício das contribuições previdenciárias, deve ser aplicada a multa disposta no art. 44 da Lei 9.430/96, ou seja, "75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata". Portanto, a multa de ofício de 75% a ser aplicada após a MP n° 449/2008 substitui as seguintes multas que seriam aplicadas pela legislação anterior: multa de mora de 24% aplicada no lançamento da obrigação principal devida; e multa aplicada pela infração relativa à omissão de fatos geradores em GFIP (Código de Fundamentação Legal CFL 68). Tendo em vista que as infrações praticadas possuem fatos geradores ocorridos anteriormente a 04/12/2008, data da entrada em vigor da MP n° 449/2008, a multa aplicada observa o princípio da retroatividade benigna (Código Tributário Nacional CTN, art. 106, inc. II, c), comparandose a multa imposta pela legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador com a imposta pela legislação superveniente. A comparação mês a mês encontrase discriminada no anexo 3 deste A l.” 4. O contribuinte foi cientificado da constituição do crédito tributário em 16.03.2010 (fls. 26 e 50) e, em 15/04/2010, apresentou Impugnação tempestiva. 5. Ao analisar a Impugnação do contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) proferiu acordão (fls. 1307/1317), que resta ementado da seguinte forma: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2006 a 31/12/2006 DOCUMENTAÇÃO. APRESENTAÇÃO. PRAZO. Fl. 1464DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 12898.000263/201021 Acórdão n.º 2301003.777 S2C3T1 Fl. 4 5 Os documentos devem ser apresentados juntamente com a impugnação, dentro do prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência, sob pena de preclusão. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. Incabível a nulidade pela alegação de cerceamento de defesa quando o crédito tributário apurado foi devidamente motivado, apresentandose o documento lavrado dentro das determinações legais vigentes. MULTA. CONCOMITÂNCIA DA MULTA DE MORA COM A MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. Tendo em vista o princípio da retroatividade benigna previsto no Código Tributário Nacional, no período do lançamento é cabível a aplicação da regra que mais beneficia o contribuinte quando da apuração das multas. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” 6. Inconformado com a decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 1349/1359), no qual argui, em sede preliminar, a nulidade da decisão recorrida por cerceamento de seu direito de defesa. Seu argumento é de que o auditor fiscal presumiu a ocorrência do fato gerador que ensejou o dever de recolher as contribuições sociais, fazendoo confrontando o total da contribuição devida e o total recolhido em GFIP sem se atentar ao fato de que nem todos os lançamentos constantes do Livro Diário constituem valores pagos a contribuintes individuais ou cooperativas. Nesse particular, o contribuinte postula a nulidade do auto de infração em razão de vício material (erro no cômputo da base de cálculo). 7. Adentrando ao mérito recursal, o contribuinte assegura que o auditor fiscal desprezou o princípio da verdade material, que deve reger o Direito Tributário. Para isso, menciona ter o auditor fiscal partido de presunção ao autuálo sem, contudo, conferir a conta vinculada à despesa constituída e os demais documentos apresentados, que demonstram a realidade fática. 8. Em seguida, tece considerações acerca da impossibilidade de concomitância da aplicação da multa de ofício com a multa de mora. Indica que no presente caso deve incidir apenas a multa prevista no artigo 35A, do Código Tributário Nacional, visto que ocorreu lançamento de ofício e que não houve pagamento espontâneo. 9. Sem contrarrazões por parte da Fazenda Nacional, os autos foram encaminhados a esta Turma para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. É o relatório. Fl. 1465DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA 6 Voto Vencido Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto vencido ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para redigir o voto. Esclareço que aqui reproduzo as razões de decidir do então conselheiro, com as quais não necessariamente concordo. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que dele conheço. DAS PRELIMINARES 2. Em preliminar, o recorrente argui nulidade do auto de infração sob o argumento de cerceamento de seu direito de defesa, posto que o auditor fiscal teria presumido a ocorrência do fato gerador sem, contudo, se ater aos documentos acostados aos autos e à realidade fática. Atribui a isso a ocorrência de vício material do auto de infração por erro no cômputo do fato gerador. 3. No entanto, vislumbro que essa premissa é equivocada. Isso porque o fato gerador foi devidamente identificado, assim como a base de cálculo e os documentos dos quais foram extraídos os valores lançados. Além disso, o relatório fiscal apresentou de forma bastante minuciosa, com a exposição clara e precisa, as razões da constituição do crédito tributário, demonstrando que o auditor fiscal se ateve à realidade fática que deriva da análise documental. Vejamos (fls. 22): “Para o cálculo da diferença devida foi realizado o confronto entre o total da contribuição devida relativa aos pagamentos a cooperativas de trabalho e contribuintes individuais e o total recolhido através de Guia da Previdência SocialGPS (cod 2100) com valores recolhidos exclusivamente para o Instituto Nacional do seguro SocialINSS. Foi executado tal procedimento pelo fato de não ser possível distinguir as guias referentes a contribuintes individuais daquelas que se referem a cooperativas de trabalho, já que ambos os documentos possuem recolhimentos exclusivamente para o Fl. 1466DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 12898.000263/201021 Acórdão n.º 2301003.777 S2C3T1 Fl. 5 7 Instituto Nacional do seguro SocialINSS, sem valores destinados a outras entidades . As diferenças estão demonstradas no anexo 2. 7. Os valores das rubricas consideradas na apuração deste Al não foram declarados em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP. Tal fato deu ensejo a uma omissão de informações à Secretaria da Receita Federal do Brasil, violandose, dessa forma, a norma imperativa inscrita no artigo 32, IV da Lei n° 8.212/1991. (...) 9. As basesdecálculo, as contribuições lançadas, as deduções efetuadas, os recolhimentos considerados, as alíquotas aplicadas, os percentuais de multa, por período de vigência encontramse discriminadas no "Discriminativo do Débito DD", anexo a este Al.” 4. Outrossim, não se encontram presentes nenhum dos motivos previstos no art. 59 do Decreto 70.235/72 que ensejariam a decretação de nulidade. Há que se ressaltar, ainda, que o ato do auditor fiscal foi devidamente motivado e fundamentado com a legislação pertinente, possuindo os requisitos de eficácia necessários para a sua validade. 5. Pelas razões acima, não há que se falar em nulidade do auto de infração por vício material. DO MÉRITO a) DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL 6. O recorrente afirma inobservância aos ditames do princípio da verdade material por parte do auditor fiscal quando da constituição do crédito tributário. Apontou que houve a presunção de que todos os valores contidos nas Guias da Previdência Social – GPS seriam oriundos de uma prestação de serviços de autônomos ou de cooperativas. 7. No entanto, não foi isto o que ocorreu neste caso concreto. A partir das provas trazidas pelo próprio contribuinte, é de fácil percepção que o auditor fiscal apenas constatou a existência de contribuições sociais não recolhidas pela recorrente, quando comparou o total da contribuição devida relativa aos pagamentos a cooperativas de trabalho e aos contribuintes individuais com o total recolhido através de Guia da Previdência Social – GPS. 8. As tabelas elaboradas pelo auditor fiscal, nos anexos do seu relatório (fls. 27/49), são suficientemente claras no sentido de demonstrar o que efetivamente o recorrente deixou de recolher a título de contribuições previdenciárias relativas ao pagamento de remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços. Fl. 1467DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA 8 9. Tendo sido verificada a autuação fiscal, quanto à análise dos documentos, deuse de forma legítima, não há razão para acolher a tese que a contribuinte apresenta, motivo pelo qual nego provimento ao recurso nesta parte. b) DO VALOR DA MULTA APLICADA 10. No que tange ao valor da multa aplicada, essa matéria deve ser revista tendo em vista a superveniência de legislação mais benéfica no que se refere a penalidade por descumprimento de obrigação acessória. 11. Segundo o relatório fiscal, o quantum da multa aplicada correspondeu a 75% para algumas competências e 25% para outras do valor das contribuições devidas e não declaradas em GFIP, no período objeto da autuação. 12. Ocorre que a Lei n.º 11.941, de 2009, alterou a Lei n.º 8.212/91 para abrandar os valores da multa aplicada: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e. II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3º deste artigo. § 1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2º Observado o disposto no § 3º deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou . II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e. II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” 13. Diante da regulamentação acima exposta, é possível identificar as regras do artigo 32A: a) é regra aplicável a uma única espécie, dentre tantas outras existentes, de declaração: a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; Fl. 1468DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 12898.000263/201021 Acórdão n.º 2301003.777 S2C3T1 Fl. 6 9 b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. 14. Nesse momento, passo a examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. 15. O inciso II do artigo 32A manteve a desvinculação entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. 16. Dessa forma, depreendese da leitura do inciso que o sujeito passivo estará sujeito à multa prevista no artigo, mesmo nos casos em que efetuar o pagamento em sua integralidade, ou seja, cem por cento das contribuições previdenciárias. 17. E fazendo uma comparação do referido dispositivo com o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996 (que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais) percebese que as regras diferem entre si, pois as multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. ... Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições ... Fl. 1469DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA 10 Multas de Lançamento de Ofício Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinquenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. 18. Outra diferença é que as multas elencadas no artigo 44 justificamse pela necessidade de realização de lançamento pelo fisco, já que o sujeito passivo não efetuou o pagamento, sendo calculadas independentemente do decurso do tempo, eis que a multa de ofício não se cumula com a multa de mora. A finalidade é exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, dados esses que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. 19. Feitas essas considerações, tenho por certo que as regras postas no artigo 44 aplicamse aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. No que se refere à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, devese observar o preceito por meio do qual a norma especial prevalece sobre a geral, uma vez que o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente a uma espécie de declaração que é a GFIP, devendo assim prevalecer sobre as regras do artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 o qual se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não pode ser aplicado o artigo 43 da mesma lei: “Auto de Infração sem Tributo Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” 20. Resumindo, é possível concluir que para a aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria, sendo irrelevante a existência ou não pagamento/recolhimento e qual tenha sido a multa aplicada no documento de constituição do crédito relativo ao tributo devido. Fl. 1470DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 12898.000263/201021 Acórdão n.º 2301003.777 S2C3T1 Fl. 7 11 21. Quanto à cobrança de multa nesses lançamentos, realizados no período anterior à MP n° 449/2008, entendo que não há como aplicar o artigo 35A, pois poderia haver retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. 22. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da MP n° 449/1996 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à MP n° 449/1996 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de ofício. Seguem transcrições: “Art.35.Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. Art.35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Redação anterior do artigo 35: Fl. 1471DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA 12 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa;” 23. No que tange aos autos de infração referentes à GFIP, que foram lavrados antes da MP n° 449/1996, importa que seja feita a análise quanto à aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” 24. E como pode ser notado, as novas regras trazidas pelo artigo 32A são, a priori, mais benéficas que as anteriores, posto que nelas há limites inferiores, senão vejamos: no caso da falta de entrega da GFIP e omissão de fatos geradores, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária, no primeiro caso; e será de R$ 20,00 por grupo de 10 informações omitidas ou incorretas, no segundo caso. 25. Portanto, nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, a multa deve ser reduzida para adequála ao artigo 32A. Fl. 1472DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 12898.000263/201021 Acórdão n.º 2301003.777 S2C3T1 Fl. 8 13 Porém, nos casos em a multa contida no auto de infração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras, não há como se falar em retroatividade. 26. Razão pela qual entendo que os valores impostos pelo fisco devem ser retificados, conforme o novo regramento do citado artigo 32A, eis que mais benéfico para o contribuinte. 27. Neste ponto, dou provimento parcial ao recurso para a multa prevista no art. 32A da Lei n.º 8.212/91, se mais benéfica ao contribuinte. Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento. CONCLUSÃO Diante do exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO PARCIAL, apenas para a multa prevista no art. 32A da Lei n.º 8.212/91, se mais benéfica ao contribuinte. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Fl. 1473DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA 14 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Oliveira Redator designado ad hoc na data da formalização. Esclareço que o conselheiro redator, responsável pelo voto vencedor, não deixou registrado, arquivado, nos sistemas do CARF, seu voto, com suas razões, que levaram o colegiado a decidir pelo resultado consignado em ata. Conseqüentemente, reproduzo somente o resultado, a fim de não extrapolar a determinação e a competência que possuo. CONCLUSÃO: Devido ao exposto, reproduzo o resultado, de responsabilidade do redator original, devidamente consignado em ata, que foi: a) por dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente; b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente; e c) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Redator ad hoc do voto vencedor Fl. 1474DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 12898.000263/201021 Acórdão n.º 2301003.777 S2C3T1 Fl. 9 15 Fl. 1475DF CARF MF Impresso em 23/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 16/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 10380.004586/2006-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Dec 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2006
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Não há que se cogitar de nulidade quando o auto de infração preenche os requisitos legais, o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 142 do CTN ou nos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 1972.
INTIMAÇÃO NO DOMICILIO FISCAL. DESNECESSIDADE DE RECEBIMENTO PELO REPRESENTANTE LEGAL DA PESSOA JURÍDICA.
É válida a intimação via postal remetida ao endereço da pessoa jurídica que consta do Cadastro da Fazenda Nacional, ainda mais quando a mesma exerce suas atividades normalmente no endereço indicado. A lei processual não exige que a ciência de recebimento do Auto de Infração seja dada por representante legal da empresa, sendo válido o recebimento e ciência aposta por qualquer pessoa que receber o AR no endereço indicado.
RMF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DOS DOCUMENTOS. APRESENTAÇÃO PARCIAL.
A apresentação parcial de documentos efetuada após o vencimento do prazo não afasta a aplicação da multa em relação ao atraso ocorrido. A multa do art. 31 da Lei 10.637/2002 corresponde a 2% por mês-calendário ou fração de atraso e aplicada sobre o montante total das operações realizadas.
BASE DE CÁLCULO DA MULTA. TOTAL DOS VALORES REQUISITADOS.
A base de cálculo da multa de que trata o art. 31 da Lei nº 10.637/2002 é o valor total das operações objeto da requisição. Não cabe neste momento a análise do tipo de operação que foi realizada, sendo irrelevante tratar-se de operações que posteriormente foram objetos de estorno bancário.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3301-002.721
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente e relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal (presidente da turma), Franciso José Barroso Rios, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Jose Henrique Mauri, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade quando o auto de infração preenche os requisitos legais, o processo administrativo proporciona plenas condições à interessada de contestar o lançamento e inexiste qualquer indício de violação às determinações contidas no art. 142 do CTN ou nos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 1972. INTIMAÇÃO NO DOMICILIO FISCAL. DESNECESSIDADE DE RECEBIMENTO PELO REPRESENTANTE LEGAL DA PESSOA JURÍDICA. É válida a intimação via postal remetida ao endereço da pessoa jurídica que consta do Cadastro da Fazenda Nacional, ainda mais quando a mesma exerce suas atividades normalmente no endereço indicado. A lei processual não exige que a ciência de recebimento do Auto de Infração seja dada por representante legal da empresa, sendo válido o recebimento e ciência aposta por qualquer pessoa que receber o AR no endereço indicado. RMF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DOS DOCUMENTOS. APRESENTAÇÃO PARCIAL. A apresentação parcial de documentos efetuada após o vencimento do prazo não afasta a aplicação da multa em relação ao atraso ocorrido. A multa do art. 31 da Lei 10.637/2002 corresponde a 2% por mêscalendário ou fração de atraso e aplicada sobre o montante total das operações realizadas. BASE DE CÁLCULO DA MULTA. TOTAL DOS VALORES REQUISITADOS. A base de cálculo da multa de que trata o art. 31 da Lei nº 10.637/2002 é o valor total das operações objeto da requisição. Não cabe neste momento a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 45 86 /2 00 6- 10 Fl. 397DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10380.004586/200610 Acórdão n.º 3301002.721 S3C3T1 Fl. 398 2 análise do tipo de operação que foi realizada, sendo irrelevante tratarse de operações que posteriormente foram objetos de estorno bancário. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal (presidente da turma), Franciso José Barroso Rios, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Jose Henrique Mauri, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10380.004586/200610 Acórdão n.º 3301002.721 S3C3T1 Fl. 399 3 Relatório Por economia processual adoto o relatório elaborado pelo Conselheiro Antônio Zomer, quando a Segunda Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes adotou a Resolução nº 20201194, de 12/02/2008, abaixo transcrito: Trata este processo de auto de infração lavrado para exigência de multa por não atendimento de Requisição de Movimentação Financeira RMF, fls. 02/05, do qual o contribuinte foi cientificado em 26/05/2006. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, o banco autuado tomou ciência, em 24/02/2006, do Oficio nº 101/2006, expedido pelo Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal em Fortaleza, que lhe encaminhou, em anexo, uma via da Requisição de Movimentação Financeira (RMF) nº 03.1.01.002006000041, na qual se requisitava cópia da documentação comprobatória dos lançamentos de valor igual ou superior a R$ 50.000,00, efetuados a débito ou a crédito em conta corrente bancária de titularidade da empresa que estava sendo fiscalizada e que detinha conta na instituição financeira oficiada. As operações objeto da requisição haviam sido realizadas no período de 07/02/2001 a 19/02/2002, conforme extratos bancários emitidos pelo autuado e quadro demonstrativo do seu valor, atingindo o montante de R$ 15.662.733,15. Como o prazo para atendimento da RMF expirouse em 21/03/2006 e as informações não foram prestadas pelo Banco até 22/05/2006, a fiscalização aplicou a multa prevista no art. 31 da Lei nº 10.637/2002, ou seja, de 2% por mêscalendário ou fração de atraso, incidente sobre o valor das operações objeto da requisição, totalizando 6%, a qual foi majorada em 100% (cem por cento), por força do disposto no parágrafo único do citado art. 31, c/c o § 22, inciso II, do art. 30 do mesmo diploma legal. Juntamente com a ciência da multa lançada, foi a instituição financeira reintimada a apresentar as informações requeridas, ocasião em que foi informada de que poderia sofrer nova autuação, com fundamento no parágrafo único do art. 31, c/c o § 3º do art. 30, da Lei nº 10.637/2002. Irresignado, o contribuinte impugnou o lançamento, alegando, em síntese, que: o Decreto nº 3.724/2001 estabelece determinados critérios a serem observados por ocasião da requisição de documentos pela Receita Federal às instituições financeiras. Dentre estes critérios, em seu art. 42, § 1º, enumera, em numerus clausus, os destinatários das requisições, que só pode ser o presidente de instituição financeira ou seu preposto, ou o gerente da agência; no entanto, o oficio nº 101/2006 e a referida requisição, encaminhados pelo correio, foram recepcionados por Zenilson Silva, que não possui a qualificação descrita no decreto, ou seja, não é pessoa qualificada para receber este tipo de intimação, já que sequer faz parte do quadro de funcionários da instituição; portanto, é nula a referida intimação, entregue a pessoa que não possuía poderes para recepcionála, porque o setor competente não os recebeu em tempo Fl. 399DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10380.004586/200610 Acórdão n.º 3301002.721 S3C3T1 Fl. 400 4 hábil para prestar o devido atendimento. Conseqüentemente, não é cabível a aplicação da penalidade imposta à impugnante, uma vez que se fundou em intimação falha, com descumprimento do disposto no art. 42, § 1º, do Decreto nº 3.724/2001; em que pese a nulidade da intimação, assim que teve conhecimento da existência da RMF, a impugnante passou a adotar as medidas para o pronto atendimento do que foi requerido, posto que jamais pretendeu retardar o cumprimento ou deixar de atender o pedido de informações encaminhado pela autoridade fiscal; o oficio em questão foi devidamente respondido, em duas etapas, sendo que a primeira delas foi concluída em data anterior ao recebimento da intimação do auto de infração ora impugnado, conforme se verifica das cópias das respostas ora anexadas (doc. 01 e 02); o valor da multa ora arbitrado não atende ao disposto na legislação vigente, porque o art. 31 da Lei nº 10.637/2002 estipula que, na falta de apresentação dos elementos a que se refere o art. 62 da Lei Complementar nº 105/2001, ou a sua apresentação de forma inexata ou incompleta, sujeita a pessoa jurídica à multa equivalente a 2% do valor das operações objeto da requisição, apurado por procedimento fiscal junto à própria pessoa jurídica, por mêscalendário ou fração de atraso, limitada a 10% (dez por cento), observado o valor mínimo de R$ 50.000,00; o prazo para resposta do ofício, segundo informado pelo próprio agente fiscal, esgotouse em 21/03/2006. O auto de infração foi lavrado em 22/05/2006, data em que se havia passado exatos dois meses do prazo para entrega das informações. Sendo assim, considerada a remota hipótese de ser válida a intimação, a pena base deveria ser de 4% do valor das operações e não de 6%, percentual inadvertidamente aplicado pelo agente fiscal; desta forma, está incorreto o valor do auto de infração, já que a pena base utilizando o valor das operações, deveria ser de R$ 626.509,32. Assim, deve ser declarado nulo o auto de infração, uma vez que os valores lançados não condizem com o dispositivo legal dito infringido. Ao final, requer seja desconstituído o auto de infração ou, em ordem sucessiva, que seja revisto o valor da multa imposta, considerando para arbitramento da pena base o intervalo de dois meses entre o prazo estipulado para resposta ao pedido de informações e a constituição do lançamento. Se só for acolhido o pedido de revisão do valor da penalidade, de 6% para 4%, requer a manutenção do direito de optar pelo pagamento com 50% (cinqüenta por cento) de desconto, tendo como base o valor correto, bem como a não incidência de quaisquer encargos moratórios. A DRJ em Fortaleza — CE manteve integralmente o lançamento, conforme Acórdão nº 089.455, de 10/11/2006, assim ementado: "Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2006 EXECUÇÃO DE RMF. FALTA OU MORA DO REQUERIDO NA PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. MULTA. Cabe a multa prevista no art. 31 da Lei n°10.637/2002 quando a instituição financeira, requerida a prestar informações para Fl. 400DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10380.004586/200610 Acórdão n.º 3301002.721 S3C3T1 Fl. 401 5 efeito de execução de RMF, não as presta ou as fornece com mora. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2006 NULIDADE INOCORRÊNCIA. Descabe a nulidade do lançamento quando a exigência Fiscal foi lavrada por pessoa competente e os elementos contidos no lançamento deixam evidente a origem dos valores apurados pelo Fisco e o sujeito passivo, pelo teor de sua impugnação, revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas. INTIMAÇÃO NO DOMICILIO FISCAL. DESNECESSIDADE DE RECEBIMENTO PELO REPRESENTANTE LEGAL DA PESSOA JURÍDICA. É válida a intimação via postal remetida ao endereço da pessoa jurídica que consta do Cadastro da Fazenda Nacional, ainda mais quando a mesma exerce suas atividades normalmente no endereço indicado. A lei processual não exige que a ciência de recebimento do Auto de Infração seja dada por representante legal da empresa, sendo válido o recebimento e ciência aposta por qualquer pessoa que receber o AR no endereço indicado. Lançamento Procedente". No recurso voluntário, a instituição financeira autuada reedita as mesmas razões de defesa, acrescentando, sob o título "Do cerceamento de defesa", o seguinte: não bastasse a nulidade da intimação, vale consignar que a recorrente teve o seu acesso aos autos negado em 22/06/2006, após ter sido cientificada da autuação, porque o processo ainda se encontrava na Secretaria da Receita Federal em Fortaleza [sic]. Só em 30/06/2006 os autos foram disponibilizados para consulta, porém, ao requerer cópia integral do processo, foilhe requerido um prazo de 15 dias para o seu fornecimento; decorridos os quinze dias, a Deinf — SP não só não entregou as cópias solicitadas e pelas quais já havia pago R$ 55,00, como informou que o pedido não mais poderia ser atendido por aquela unidade, uma vez que os autos já haviam retornado para a Secretaria em Fortaleza [sic]; a multa aplicada aproximase dos dois milhões de reais. Foram solicitadas 171 cópias de documentos relacionados com a movimentação financeira de uma cliente, os quais somados ultrapassam o valor de R$ 15.000.000,00. Apesar disto, só depois do julgamento da DRJ é que a autuada pode verificar que o lançamento alcançou o total da movimentação requisitada, sem se levar em conta a parte que já havia sido atendida com a remessa de grande parte dos documentos; outro ponto de fundamental importância é o fato de que a recorrente nunca pode constatar a inequívoca existência de procedimento fiscal administrativo instaurado contra o averiguado no procedimento indicado na RMF, uma vez que a falta desta comprovação é causa de nulidade do lançamento, como já decidiu o Conselho de Contribuintes ao julgar o Recurso nº 107.231; Fl. 401DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10380.004586/200610 Acórdão n.º 3301002.721 S3C3T1 Fl. 402 6 cabe, ainda, evidenciar a confusão generalizada patrocinada pela Secretaria da Fazenda em Fortaleza [sic], a qual, no rodapé da Intimação nº 1250/2006, fez constar que o local de atendimento era a Deinf — SP — Rua Avanhandava — Fortaleza — CE. A instituição financeira continua sem saber onde estão os autos, se em São Paulo ou em Fortaleza. Com relação ao valor da multa, requer a revisão da base de cálculo para exclusão dos seguintes documentos que foram solicitados em duplicidade: 1) o lançamento datado de 23/07/2001, com histórico "DEV. CHQ. DEPÓSITO", de nº 0000218, no valor de R$ 56.250,00 (fl. 01 do demonstrativo), referese à devolução do mesmo cheque nº 0000218, datado de 29/05/2001 (fl. 02); 2) o lançamento datado de 19/04/2001, com histórico "CH COMPENSADO", no valor de R$ 67.000,00 (fl. 01) é o mesmo cheque que foi devolvido no dia 23/04/2001 (fl. 01). Segundo o recorrente, após os devidos acertos, o valor da multa deveria ser de no máximo R$ 641.780,65, que corresponde ao percentual de 4,13% da base de cálculo de R$ 15.539.483,15. Para chegar ao percentual de 4,13%, a recorrente utilizouse de percentuais proporcionais ao número de dias de atraso ocorrido em cada mêscalendário. Por fim, requer a nulidade do lançamento devido à irregularidade da intimação e ao cerceamento do seu direito de defesa. Sucessivamente, requer a desconstituição do lançamento por erro na quantificação da multa exigida, ou a correção da base de cálculo e a redução do percentual decorrente dos meses de atraso para 4,13%. Se só o último pedido for admitido, requer lhe seja garantido o pagamento com o desconto de 30% e sem quaisquer outros encargos moratórios. Por fim, a Segunda Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes proferiu a Resolução nº 20201194, determinando a realização de diligência para que a repartição de origem informasse as seguintes questões: "1) se houve atendimento parcial da RMF na mesma data da ciência do auto de infração e em que montante da base de cálculo da multa lançada. Caso tenha havido postagem de documentação ou o seu recebimento em unidade da Secretaria da Receita Federal na data de ciência do lançamento, deve ser elaborado um demonstrativo da parte atendida da intimação; 2) se os valores de R$ 56.250,00 e de R$ 67.000,00 foram, de fato, incluídos em duplicidade na base de cálculo do lançamento. Se positiva esta resposta, deve ser elaborado um demonstrativo da nova base de cálculo e do valor da multa devida. Ao término da diligência, deve ser dado ciência ao recorrente para que o mesmo possa manifestarse sobre a mesma no prazo de dez dias. Findo este prazo, deve o processo ser devolvido a esta Câmara para prosseguimento." Ao realizar a diligência, o Serviço de Fiscalização da DRF/Fortaleza elaborou o Relatório Fiscal de fls. 259/261, com as seguintes conclusões, em síntese: que não é possível saber a data/hora da postagem do referido documento de atendimento parcial das informações, pois este é um controle de competência do contribuinte que deveria ter juntado estes elementos. Ao informar que o Auto de Infração foi lavrado em Fl. 402DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10380.004586/200610 Acórdão n.º 3301002.721 S3C3T1 Fl. 403 7 22/05/2006 e sua ciência realizada em 26/05/2006, data do atendimento parcial, destaca que por ocasião da lavratura os documentos não tinham ainda sido apresentados, caracterizando assim a infração capitulada no art. 31 da Lei nº 10.637/2002; quanto aos documentos que teriam sido entregues parcialmente em 26/05/2006, informa ser impossível a elaboração do demonstrativo requisitado na resolução do CARF, pois em tal documento consta que eram "cópias de alguns dos cheques" e "alguns dos documentos". Assevera porém que esta informação seria irrelevante pois a base de cálculo para a aplicação da multa é o "valor das operações da requisição" e não de eventual parte não atendida; em relação ao valor de R$ 56.250,00 que estariam duplicados em decorrência da devolução duas vezes do mesmo cheque, afirma "que não se trata de operação única, mas de duas operações distintas, ocorridas com mais de um mês de diferença entre elas..."; a respeito do valor de R$ 67.000,00 que também estariam duplicados, a diligência conclui: "não se trata de operação única, ainda que decorrente de um mesmo fato, mas de duas operações distintas, ou seja: a compensação do cheque e a sua posterior devolução. Ciente do citado relatório fiscal de diligência, a recorrente manifestou a sua discordância da seguinte forma, em síntese: contestando a alegada impossibilidade de checagem da data e também do que foi apresentado no atendimento parcial da RMF realizado em 26/05/2006, afirma que "todas as informações que o Auditor Fiscal afirma desconhecer estão nos autos do processo administrativo movido em face da empresa BNL Balcão de Negócios Ltda., que deu origem à Requisição de Movimentação Financeira n°. 03.1.01.0020006000041. Naqueles autos devem ter sido juntadas as respostas enviadas pelo Defendente, com todos os documentos anexados, além dos envelopes que contém as respectivas datas de postagem, todos indispensáveis para o cumprimento da diligência determinada pelos Ilustres Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes". Neste sentido defende a determinação de nova diligência para o atendimento do solicitado; defende a exclusão dos valores lançados em duplicidade, pois o valor de R$ 56.250,00, cheque nº 0000218, foi lançado duas vezes à compensação e devolvido nas duas vezes e o de R$ 67.000,00 tratase de um cheque apresentado à compensação e devolvido no dia seguinte. É o relatório. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10380.004586/200610 Acórdão n.º 3301002.721 S3C3T1 Fl. 404 8 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso deve ser conhecido. NULIDADE DO LANÇAMENTO O contribuinte solicita a nulidade do lançamento. Aponta vício na intimação da RMF, pois referida intimação não teria sido recebida nem pelo presidente do banco e nem pelo gerente da agência. Alega ainda cerceamento do direito de defesa, pois a unidade preparadora teria dificultado que ele obtivesse vistas do processo. Esclareço que não vislumbrei no auto de infração constante do presente processo, qualquer mácula que pudesse tornálo nulo. Prescreve o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 8.748/93: Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Todos os atos praticados no presente processo foram executados por pessoa competente e sem preterição do direito de defesa. Cumpre verificar que foram observados os requisitos fundamentais à validade do ato administrativo. Art. 10, inc. III e IV do Decreto 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: (...). III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável. Por sua vez, assim dispõe o art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a Fl. 404DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10380.004586/200610 Acórdão n.º 3301002.721 S3C3T1 Fl. 405 9 matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Verificase que constam adequadamente descritos os fatos apurados pela autoridade, a fundamentação legal, a matéria tributável, os valores apurados e os fatos motivadores da autuação, permitindo ao contribuinte conhecer todos os elementos componentes da ação fiscal e, assim, propiciandolhe todos os meios para livre e plenamente manifestar suas razões de defesa. O contribuinte aponta especificamente que houve vício na intimação da Requisição de Movimentação Financeira RMF, defendendo o entendimento de que o art. 4º, § 1º, inc. III e IV do Decreto nº 3.724/2001, determinaria que a sua entrega só seria válida se recebida pelo presidente da instituição financeira ou seu preposto ou o gerente da agência. Não tem como prosperar este raciocínio. Este dispositivo determina somente a quem será dirigida a RMF. Quanto à validade da intimação, quem a disciplina é o art. 23 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (...) No caso a intimação está corretamente endereçada ao domicílio fiscal do sujeito passivo, bem como a prova de seu recebimento. Não existe previsão legal que limite a sua validade, determinando que sua entrega seja efetuada diretamente a determinadas pessoas. O dispositivo legal citado pelo contribuinte determina a quem deve ser dirigida a intimação, no que foi corretamente atendido quando do preenchimento da RMF. Somente no recurso voluntário o contribuinte alega que houve nulidade por cerceamento do direito de defesa, pois a autoridade administrativa teria dificultado o seu acesso ao processo. Tratase de argumentação desprovida de provas. Mas mesmo que provadas não haveria como haver cerceamento do direito de defesa, pois consta dos autos que o contribuinte foi cientificado da autuação por meio do Ofício nº 284/2006/DRF/FOR/Sefis, de 23/05/2006. Consta do ofício, fl. 109, que foi encaminhado ao contribuinte "cópia do Auto de Infração, com todos os seus anexos...". Embora o Aviso de Recebimento AR não tenha sido localizado, o contribuinte atesta em sua impugnação que o recebeu em 26/05/2006. Tendo recebido cópia do auto de infração e todos os seus anexos, não é cabível a alegação de cerceamento de direito de defesa. Além disto o contribuinte demonstra em sua impugnação perfeito entendimento da acusação que lhe é imputada. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10380.004586/200610 Acórdão n.º 3301002.721 S3C3T1 Fl. 406 10 Outra alegação que deve ser afastada de plano é de que o contribuinte "nunca pode constatar a inequívoca existência de procedimento fiscal administrativo instaurado contra o averiguado no procedimento indicado na RMF, uma vez que a falta desta comprovação é causa de nulidade do lançamento". Esta não foi a realidade dos fatos. O contribuinte tomou conhecimento da Requisição de Informações sobre a Movimentação Financeira RMF, fl. 8, e conforme demonstrado a atendeu em atraso. A RMF está assinada pela autoridade competente, no caso o Delegado da Receita Federal de Fortaleza e nela consta com clareza os dados do procedimento fiscal instaurado contra o contribuinte BNL Balcão de Negócios Ltda, cujos documentos estavam sendo requisitados. Por outro lado, em sua manifestação relativa à realização da diligência determinada pelo CARF, fls. 264/267, ele afirma que "todas as informações que o Auditor Fiscal afirma desconhecer estão nos autos do processo administrativo movido em face da empresa BNL Balcão de Negócios Ltda...". Portanto afasto a preliminar de nulidade do auto de infração. MÉRITO A primeira questão colocada pelo contribuinte é que na data da ciência da autuação, em 26/05/2006, o contribuinte havia apresentado boa parte dos documentos solicitados na RMF, portanto a multa deveria ter sido aplicada somente sobre a parte remanescente dos documentos que não foram apresentados e tomando somente estes como base de cálculo. Realmente consta o documento de resposta, datado do dia 26/05/2006. fls. 135/136, por meio do qual o contribuinte informa o atendimento parcial da RMF. Nele consta que foram entregues alguns cheques e alguns documentos, deixando claro que o restante da documentação seria entregue em breve. Em seguida, documento datado de 07/06/2006, fls. 137/138, dão conta da entrega da documentação remanescente. Sensibilizada com este argumento, a Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes determinou a realização de diligência para que fosse verificada a data/hora da entrega da primeira parte da documentação, ou seja, qual teria sido a data da recepção do documento datado de 26/05/2006, data esta que coincide com a data da ciência do lançamento. Na realização da diligência, o Auditor Fiscal, disse não ser possível a checagem desta data e também não seria possível separar quais documentos teriam sido entregues naquela ocasião. Ressalta que este controle deveria estar a cargo do contribuinte. O contribuinte, acho até que com razão, contestou dizendo que estas informações estariam nos documentos da fiscalização referente ao contribuinte a que se referiam os documentos bancários requisitados. Neste sentido até solicita que seja realizada nova diligência com este mister. Ocorre que entendo que a obtenção destas informações não têm qualquer utilidade prática para o destino do presente lançamento. A busca destas informações nos passa a ideia de que havendo o contribuinte apresentado parte da documentação, ou até mesmo, ela completa, antes da lavratura do auto de infração este perderia seu objeto. Isto é o que pede o contribuinte, ou seja, que a base de cálculo da multa fosse reduzida na proporção dos documentos entregues nesta data. Não há como concordar com este argumento. Vejamos o que dispõe a legislação quanto à multa aplicada: Lei Complementar nº 105/2001 Fl. 406DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10380.004586/200610 Acórdão n.º 3301002.721 S3C3T1 Fl. 407 11 Art. 6o As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Lei nº 10.637/2002 Art. 30. A falta de prestação das informações a que se refere o art. 5o da Lei Complementar no 105, de 10 de janeiro de 2001, ou sua apresentação de forma inexata ou incompleta, sujeita a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I R$ 50,00 (cinqüenta reais) por grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas; II R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário ou fração, independentemente da sanção prevista no inciso I, na hipótese de atraso na entrega da declaração que venha a ser instituída para o fim de apresentação das informações. § 1o O disposto no inciso II do caput aplicase também à declaração que não atenda às especificações que forem estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal, inclusive quando exigida em meio digital. § 2o As multas de que trata este artigo serão: I apuradas considerando o período compreendido entre o dia seguinte ao término do prazo fixado para a entrega da declaração até a data da efetiva entrega; II majoradas em 100% (cem por cento), na hipótese de lavratura de auto de infração. § 3o Na hipótese de lavratura de auto de infração, caso a pessoa jurídica não apresente a declaração, serão lavrados autos de infração complementares até a sua efetiva entrega. Art. 31. A falta de apresentação dos elementos a que se refere o art. 6o da Lei Complementar no 105, de 10 de janeiro de 2001, ou sua apresentação de forma inexata ou incompleta, sujeita a pessoa jurídica à multa equivalente a 2% (dois por cento) do valor das operações objeto da requisição, apurado por meio de procedimento fiscal junto à própria pessoa jurídica ou ao titular da conta de depósito ou da aplicação financeira, bem como a terceiros, por mêscalendário ou fração de atraso, limitada a 10% (dez por cento), observado o valor mínimo de R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais). Fl. 407DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10380.004586/200610 Acórdão n.º 3301002.721 S3C3T1 Fl. 408 12 Parágrafo único. À multa de que trata este artigo aplicase o disposto nos §§ 2o e 3o do art. 30.(Destaquei) Da leitura dos dispositivos acima transcritos concluise que a multa é aplicada tanto pela falta de apresentação quanto de sua entrega em atraso, ou ainda, quando de sua apresentação de forma inexata ou incompleta. Determina que a base de cálculo é o valor das operações objeto da requisição. Portanto, evidente que na data da lavratura do auto de infração, o contribuinte não tinha apresentado a documentação solicitada, estava em mora, e sua apresentação parcial na data da ciência do lançamento, em nada afeta o seu conteúdo, mesmo que esta apresentação tenha sido efetuada antes da ciência. O fato gerador da multa está definitivamente realizado na data da lavratura do auto de infração, perfeitamente tipificado na legislação citada, a qual não prevê nenhum paliativo para o fato de que ocorra o saneamento da falta em momento posterior. PERCENTUAL DE APLICAÇÃO DA MULTA Fato inequívoco é que o prazo que o contribuinte detinha para atender a intimação decorrente da RMF, venceu em 21/03/2006 e o auto de infração foi lavrado em 22/05/2006, data portanto do fato gerador da multa prevista no art. 31 da Lei nº 10.637/2002. O percentual de multa aplicado foi de 6%, sendo 2% por mêscalendário ou fração de atraso, contados da seguinte forma de acordo com a decisão recorrida: 2% da fração do mês de março = 22 a 31/03/2006 2% do mêscalendário de abril = 01 a 30/04/2006 2% da fração do mês de maio = 01 a 22/05/2006 Apesar de entender que a aplicação neste contexto gera distorções estranhas, como por exemplo, o contribuinte que se atrasar do dia 31/03 até o dia 01/05 (32 dias de atraso) pagaria os mesmos 6% do atraso aplicados entre os dias 01/03 até 31/05 (92 dias de atraso). Porém, salvo melhor entendimento, a multa foi aplicada exatamente como delimitada na lei, a qual determina a aplicação de 2% por mêscalendário ou fração de atraso. Portanto no caso houve atraso de um mês calendário e duas frações dos meses de março e maio. Em conclusão correta a aplicação da multa de 6%. BASE DE CÁLCULO DA MULTA A fiscalização utilizou como base de cálculo da multa o valor de R$ 15.662.733,15, que é o total das operações requisitadas junto ao contribuinte. Estas operações estão relacionadas às fls. 9/12. Porém o contribuinte pede que sejam retirados os valores de R$ 56.250,00 que seriam relativos ao cheque nº 0000218 que foi devolvido por duas vezes e o valor de R$ 67.000,00 que também estaria duplicado. Segue abaixo transcrição de trecho da manifestação do Auditor Fiscal responsável pela diligência: (...) Com relação aos valores para os quais alegou inclusão em duplicidade, vejamos cada um deles: Fl. 408DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10380.004586/200610 Acórdão n.º 3301002.721 S3C3T1 Fl. 409 13 a) R$ 56.250,00 Nos extratos bancários, fls. 29 e 41, as operações estão assim retratadas: 23/04/2001 DEV.CHQ.DEPOSITO 0000218 56.250,00 29/05/2001 DEV.CHQ.DEPOSITO 0000218 56.250,00 Vêse, pois, que não se trata de operação única, mas de duas operações distintas, ocorridas com mais de um mês de diferença entre elas. As devoluções são de depósitos distintos, pois, senão, teria havido estorno do débito em duplicidade, o que não se localiza nos extratos que compuseram a autuação. b) R$ 67.000,00 Pelos extratos de fls. 28 e 29, temos: 19/04/2001 *CH COMPENSADO 0100109 67.000,00 20/04/2001 DEVOLUCAO CHEQUE 0260362 67.000,00 Vislumbrase, aqui, também, que não se trata de operação única, ainda que decorrente de um mesmo fato, mas de duas operações distintas, ou seja; 1. a compensação do cheque; e 2. a sua posterior devolução. Por todo o exposto somos pela manutenção integral do feito." (...) Pela coincidência dos valores ficaria uma dúvida se tratam ou não de operações de crédito e posterior devolução ou estorno. Porém entendo que esta conclusão é irrelevante para o deslinde da questão. Acontece que pela leitura do art. 31 da Lei nº 10.637/2002, acima transcrito, a base de cálculo da multa é o valor das operações objeto da requisição. Naturalmente que estes valores incluem o valor total do que foi requisitado, compondo portanto a base de cálculo da multa. Somente após o atendimento integral da intimação é que seriam objetos de análise para verificação se compõem ou não a receita tributável do contribuinte que era o alvo direto da fiscalização. Por fim, cabe ressaltar ao recorrente que não existe previsão legal para que seja aplicado o desconto de 30% sobre o valor da multa no caso de pagamento após conhecimento da presente decisão e, muito menos, o afastamento dos encargos moratórios previstos em lei, pedidos estes aduzidos na parte final do seu recurso. Desta forma, diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 409DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10380.004586/200610 Acórdão n.º 3301002.721 S3C3T1 Fl. 410 14 Fl. 410DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 16/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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