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Numero do processo: 13603.900700/2010-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Constatada a omissão no acórdão embargado quanto a matéria sobre a qual a turma deveria se pronunciar, conhece-se dos embargos para supri-la, sem efeitos modificativos na decisão recorrida.
COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. OFERECIMENTO DAS RECEITAS À TRIBUTAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA.
Rejeita-se a alegação de que teria ocorrido a homologação tácita prevista no art. 150, § 4º do CTN, o que impediria o Fisco de rever a tributação das receitas financeiras que teriam sido tributadas em anos-calendário anteriores, em obediência ao regime de competência, na medida em que o contribuinte sequer se desincumbiu de demonstrar que o fato gerador de parte das receitas informadas no comprovante de retenção do ano de 2001, ocorreu em anos anteriores.
Numero da decisão: 1301-001.896
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer os embargos para, no mérito, negar-lhes provimento.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Gilberto Baptista e Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Constatada a omissão no acórdão embargado quanto a matéria sobre a qual a turma deveria se pronunciar, conhece-se dos embargos para supri-la, sem efeitos modificativos na decisão recorrida. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. OFERECIMENTO DAS RECEITAS À TRIBUTAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Rejeita-se a alegação de que teria ocorrido a homologação tácita prevista no art. 150, § 4º do CTN, o que impediria o Fisco de rever a tributação das receitas financeiras que teriam sido tributadas em anos-calendário anteriores, em obediência ao regime de competência, na medida em que o contribuinte sequer se desincumbiu de demonstrar que o fato gerador de parte das receitas informadas no comprovante de retenção do ano de 2001, ocorreu em anos anteriores.
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Saldo negativo de IRPJ Embargante CNH INDUSTRIAL LATIN AMÉRICA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Constatada a omissão no acórdão embargado quanto a matéria sobre a qual a turma deveria se pronunciar, conhecese dos embargos para suprila, sem efeitos modificativos na decisão recorrida. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. OFERECIMENTO DAS RECEITAS À TRIBUTAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Rejeitase a alegação de que teria ocorrido a homologação tácita prevista no art. 150, § 4º do CTN, o que impediria o Fisco de rever a tributação das receitas financeiras que teriam sido tributadas em anoscalendário anteriores, em obediência ao regime de competência, na medida em que o contribuinte sequer se desincumbiu de demonstrar que o fato gerador de parte das receitas informadas no comprovante de retenção do ano de 2001, ocorreu em anos anteriores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer os embargos para, no mérito, negarlhes provimento. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 07 00 /2 01 0- 39 Fl. 681DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13603.900700/201039 Acórdão n.º 1301001.896 S1C3T1 Fl. 681 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Gilberto Baptista e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. Fl. 682DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13603.900700/201039 Acórdão n.º 1301001.896 S1C3T1 Fl. 682 3 Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos em face do Acórdão nº 1301 001.815, de 05/03/2015, proferido pela 1ª Turma desta 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF que, por unanimidade de votos, negou provimento ao recurso voluntário, entendimento este que restou consubstanciado na seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. OFERECIMENTO DO RENDIMENTO À TRIBUTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte que pleiteia a restituição/compensação tributária o ônus da prova quanto ao fato constitutivo de seu direito e não ao Fisco. A apresentação do comprovante anual de retenção para fins de compensação do imposto de renda retido na fonte, nos termos do art. 55 da Lei nº 7.450/1985, é condição necessária, mas não suficiente para autorizar a compensação do IRRF na apuração do imposto devido. O sujeito passivo deve comprovar que os rendimentos foram incluídos na determinação do lucro tributável, conforme expressa previsão legal. Cientificada em 27/08/2015, a interessada interpôs embargos de declaração em 01/09/2015, suscitando a existência de omissão no acórdão embargado que não teria se pronunciado sobre a impossibilidade de se rever as apurações da embargante ocorridas há mais de 5 (cinco) anos, tendo em vista o efeito homologatório previsto no art. 150, § 4º do CTN, quanto ao oferecimento à tributação das receitas de aplicação financeira. Indica jurisprudência de turmas do CARF neste sentido. Ao final requer que sejam conhecidos e acolhidos os embargos de declaração, para sanar a omissão apontada com o pronunciamento desta turma julgadora a respeito da impossibilidade de se rever as apurações da embargante ocorridas há mais de cinco anos, tendo em vista o efeito homologatório previsto no art. 150, § 4º do CTN. Os embargos foram admitidos, nos termos do art. 65, §§ 2º e 7º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF. nº 343/2015. É o relatório. Fl. 683DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13603.900700/201039 Acórdão n.º 1301001.896 S1C3T1 Fl. 683 4 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Os embargos foram opostos tempestivamente e preenchem os requisitos de admissibilidade. Deles conheço. A embargante suscita a existência de omissão no acórdão embargado que não teria se pronunciado sobre a impossibilidade de se rever as apurações da embargante ocorridas há mais de 5 (cinco) anos, tendo em vista o efeito homologatório previsto no art. 150, § 4º do CTN, quanto ao oferecimento à tributação das receitas de aplicação financeira Examinando o acórdão embargado e manifestação da interessada apresentada em face do relatório de diligências, verifico que, de fato, o acórdão recorrido foi omisso na apreciação da alegação de que ocorreu a homologação tácita da tributação dos rendimentos auferidos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Entendo que não assiste razão à recorrente quanto ao alegado. O presente processo trata de reconhecimento do direito creditório pleiteado pela interessada por meio de PerDcomp, no qual indicou que a existência de saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário 2001. Na composição do saldo negativo apurado, a recorrente incluiu valores relativos ao IRRF que incidiu sobre rendimentos de aplicações financeiras. Conforme asseverado no acórdão embargado, a exigência de que os valores dos rendimentos tenham sido submetidos à tributação, como condição para a compensação do respectivo IRRF, decorre da previsão legal expressa no art. 2º , § 4º, inc. III da Lei nº 9.430/1996 1. Assim, além de apresentar o comprovante de retenção, deve o contribuinte comprovar que ofereceu o rendimento respectivo a tributação. No caso concreto verificouse que, no anocalendário em que os valores do IRRF foram aproveitados, os valores oferecidos à tributação foram muito inferiores aos informados pelas fontes pagadoras. A recorrente alegou que tais diferenças decorrem do fato de 1 Lei 9.430/1996: Art. 2o ... [...] § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. Fl. 684DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13603.900700/201039 Acórdão n.º 1301001.896 S1C3T1 Fl. 684 5 ter oferecido os valores em períodos anteriores, observando o regime de competência, no entanto não se desincumbiu de provar o alegado. Mesmo tendo sido deferida diligência, por ela mesmo solicitada em sede de recurso voluntário, na qual foi oferecida a oportunidade de comprovar suas alegações, a recorrente limitouse a alegar que não possuía mais os registros contábeis e comprovantes das respectivas aplicações financeiras, tendo em vista o longo tempo decorrido desde que os contratos foram firmados. Ora, não há como acolher a alegação de que ocorreu a homologação tácita do oferecimento à tributação das receitas financeiras na medida em que a recorrente sequer consegue demonstrar que elas tiveram seus fatos geradores, pelo regime de competência, em períodos anteriores ao que o IRRF foi retido. Notese que não se está diante de situação em que o Fisco altera a base de cálculo de apuração do imposto (do próprio anocalendário ou de anos anteriores) alterando, em consequência, o saldo negativo pleiteado. Portanto, descabe falar da homologação tácita prevista no art. 150, § 4º do CTN. O que se buscou que fosse comprovado, durante todo o processo, foi o oferecimento das receitas financeiras respectivas à tributação (no próprio ano ou em anos anteriores) com vistas ao reconhecimento do crédito líquido e certo (ao saldo negativo de IRPJ) alegado pela interessada na sua PerDcomp, e autorizar a compensação pleiteada, nos termos do art. 170 do CTN. Infelizmente a interessada não se desincumbiu de seu mister. Ante ao exposto, conduzo meu voto no sentido de conhecer dos embargos para suprir a omissão alegada para, no mérito, rejeitar as alegações da embargante. É como voto. Sala de Sessões, em 20 de janeiro de 2016. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Fl. 685DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 13603.900700/201039 Acórdão n.º 1301001.896 S1C3T1 Fl. 685 6 Fl. 686DF CARF MF Impresso em 11/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 09 /03/2016 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
score : 1.0
Numero do processo: 10830.720137/2008-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 19/03/2004 a 18/04/2006
Ementa:
DANO AO ERÁRIO. UTILIZAÇÃO DE RECURSOS DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO. MULTA NO VALOR EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO.
Configura-se a ocultação do responsável pela operação mediante simulação, a informação na Declaração de Importação de que se trata de uma operação por conta própria, quando, na realidade, é por conta e ordem de terceiro.
A importação de mercadorias com a utilização de recursos de terceiro presume-se por conta e ordem desse para fins de sua responsabilização pela infração e do atendimento aos requisitos estabelecidos pela Receita Federal em ato normativo para atuação por conta e ordem.
DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO. DESNECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PREJUÍZO AO ERÁRIO.
O dano ao Erário é presumido quando se configura as infrações tipificadas no art. 23 do Decreto-lei nº 1.455/76, não havendo necessidade de se comprovar o efetivo prejuízo ao Erário.
Tendo ocorrido o cometimento da infração de "ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros" na importação, veiculada pelo art. 23, V do Decreto-lei nº 1.455/76, está caracterizado o dano ao Erário.
OCULTAÇÃO DO RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. MULTA CESSÃO DE NOME. RETROATIVIDADE BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE.
Não se aplica a retroatividade benigna para a redução da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, pelo cometimento da infração por dano ao erário veiculada pelo artigo 23, V do Decreto-Lei 1.455/76, ao montante da multa cominada no artigo 33 da Lei 11.488/2007, que é substitutiva da declaração de inaptidão do CNPJ de sociedades empresárias inidôneas.
Numero da decisão: 3402-002.802
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro, que votou por dar provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente o Dr. Eduardo de Carvalho Borges, OAB/SP 153.881.
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente
(assinado digitalmente)
MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 19/03/2004 a 18/04/2006 Ementa: DANO AO ERÁRIO. UTILIZAÇÃO DE RECURSOS DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO. MULTA NO VALOR EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. Configura-se a ocultação do responsável pela operação mediante simulação, a informação na Declaração de Importação de que se trata de uma operação por conta própria, quando, na realidade, é por conta e ordem de terceiro. A importação de mercadorias com a utilização de recursos de terceiro presume-se por conta e ordem desse para fins de sua responsabilização pela infração e do atendimento aos requisitos estabelecidos pela Receita Federal em ato normativo para atuação por conta e ordem. DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO. DESNECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PREJUÍZO AO ERÁRIO. O dano ao Erário é presumido quando se configura as infrações tipificadas no art. 23 do Decreto-lei nº 1.455/76, não havendo necessidade de se comprovar o efetivo prejuízo ao Erário. Tendo ocorrido o cometimento da infração de "ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros" na importação, veiculada pelo art. 23, V do Decreto-lei nº 1.455/76, está caracterizado o dano ao Erário. OCULTAÇÃO DO RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. MULTA CESSÃO DE NOME. RETROATIVIDADE BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE. Não se aplica a retroatividade benigna para a redução da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, pelo cometimento da infração por dano ao erário veiculada pelo artigo 23, V do Decreto-Lei 1.455/76, ao montante da multa cominada no artigo 33 da Lei 11.488/2007, que é substitutiva da declaração de inaptidão do CNPJ de sociedades empresárias inidôneas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro, que votou por dar provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente o Dr. Eduardo de Carvalho Borges, OAB/SP 153.881. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 19/03/2004 a 18/04/2006 Ementa: DANO AO ERÁRIO. UTILIZAÇÃO DE RECURSOS DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO. MULTA NO VALOR EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. Configurase a ocultação do responsável pela operação mediante simulação, a informação na Declaração de Importação de que se trata de uma operação por conta própria, quando, na realidade, é por conta e ordem de terceiro. A importação de mercadorias com a utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem desse para fins de sua responsabilização pela infração e do atendimento aos requisitos estabelecidos pela Receita Federal em ato normativo para atuação por conta e ordem. DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO. DESNECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PREJUÍZO AO ERÁRIO. O dano ao Erário é presumido quando se configura as infrações tipificadas no art. 23 do Decretolei nº 1.455/76, não havendo necessidade de se comprovar o efetivo prejuízo ao Erário. Tendo ocorrido o cometimento da infração de "ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros" na importação, veiculada pelo art. 23, V do Decretolei nº 1.455/76, está caracterizado o dano ao Erário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 01 37 /2 00 8- 21 Fl. 1785DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 2 OCULTAÇÃO DO RESPONSÁVEL PELA OPERAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. MULTA CESSÃO DE NOME. RETROATIVIDADE BENIGNA. IMPOSSIBILIDADE. Não se aplica a retroatividade benigna para a redução da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, pelo cometimento da infração por dano ao erário veiculada pelo artigo 23, V do DecretoLei 1.455/76, ao montante da multa cominada no artigo 33 da Lei 11.488/2007, que é substitutiva da declaração de inaptidão do CNPJ de sociedades empresárias inidôneas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro, que votou por dar provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente o Dr. Eduardo de Carvalho Borges, OAB/SP 153.881. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em São Paulo II que julgou improcedente a impugnação da contribuinte. Trata o processo de auto de infração, lavrado na Alfândega do Aeroporto Internacional de Viracopos em Campinas/SP, em 26/05/2008, para a exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro de mercadoria que não foi localizada ou foi consumida, no montante de R$ 6.862.174,77, relativamente a importações realizadas no período de 19/03/2004 a 18/04/2006. A fiscalização fundamentou a autuação com base, em síntese, nos seguintes fatos e fundamentos: No caso em tela, temos como fato que o contribuinte ADAIME realizou diversas importações (315 DI), caracterizando tais operações como sendo "importação própria" (Campo 4 da DI), deixando de indicar o verdadeiro "Adquirente" (Campo 5 da DI). Como será comprovado, tais importações ocorreram por Fl. 1786DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10830.720137/200821 Acórdão n.º 3402002.802 S3C4T2 Fl. 1.786 3 conta e ordem de terceiros, tendo havido então uma SIMULAÇÃO. Apresentamos no Anexo I, fls. 60 a 76, dados fiéis extraídos do SISCOMEX, representando todas as 315 DI relativas a este Auto de Infração, contendo parte das informações prestadas pelo contribuinte. Neste documento transcrevemos parte do conteúdo da ficha "importador", onde destacamos o campo 5 "ADQUIRENTE" constando a informação "O Próprio Importador", texto este inserido automaticamente quando o campo 4 é preenchido na modalidade "Importação Própria". Será provado que a ADAIME, ao registrar tais Declarações de Importação DI desta maneira, simulando ser importador por conta própria, promoveu a ocultação do sujeito passivo, real interessado na operação, responsável solidário pelos tributos, provedor dos recursos financeiros ali empregados. Tanto as explicações dadas pela ADAIME quanto os termos contratuais apresentados indicam, de forma cristalina, que a empresa atuou meramente como prestadora de serviços de despacho aduaneiro, sem qualquer interesse direto sobre as mercadorias importadas. Também, os recursos financeiros necessários para pagamento dos custos das importações (impostos, taxas alfandegárias, armazenagem, etc.) foram previamente fornecidos pela DHL à Adaime. As cláusulas compactuadas entre a ADAIME e a DHL WORDWIDE EXPRESS BRASIL LTDA são bastantes para demonstrar a natureza de prestação de serviço realizada pela ADAIME, identificar a real interessada que determina qual a mercadoria a ser importada (DHL) e a origem dos recursos aplicados (DHL). Evidente está que a DHL WORDWIDE EXPRESS BRASIL LTDA é quem determina quando e quais serão as mercadorias a serem importadas e arca antecipadamente com a totalidade dos custos envolvidos. Não há qualquer motivação do importador ADAIME em promover a nacionalização das mercadorias se não por força de um contrato de prestação de serviços através do qual é remunerado mensalmente. Conforme já citado no item 3 deste Termo de Constatação, a Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no seu artigo 27, estabeleceu que a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos art. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Todos os elementos inseridos no contrato vêm a caracterizar indiscutivelmente a proposta de realização de importações pela ADAIME por conta e ordem da DHL WORLDWIDE EXPRESS BRASIL LTDA. Fl. 1787DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 4 O gráfico a seguir ilustra a forma de atuação das empresas. As explicações, contratos e demais documentos apresentados à fiscalização encontram ressonância na escrita fiscal do contribuinte. Através da análise do Livro Razão é possível identificar as contas contábeis utilizadas para registro dos recursos envolvidos nas operações de importação. (...) nesta mesma conta contábil denominada "DHL Worldwide Exp. Brasil Ltda 442", foram contabilizados os recursos enviados pela empresa DHL à Adaime para fazer frente ao pagamento dos tributos e demais despesas de importação, lançados a crédito, tendo como contrapartida a conta contábil "Banco Had c/c 21.7255", a débito. Estes quatro exemplos demonstram o adiantamento de recursos, prévios ao registro das DI, em montante compatível com as despesas de importação, ou seja, gastos com II, IPI, ICMS, PIS, COFINS, armazenagem etc. As demais importações seguiram o mesmo modelo. (...) constatase que a conta "DHL Worldwide Exp. Brasil Ltda 442" (Conta 1.1.2.01.0053) representou urna verdadeira conta corrente entre as empresas DHL e ADAIME, sendo nela debitados os custos incorridos nas importações e creditados os valores recebidos da DHL em adiantamentos para importação e pagamentos dos serviços. No ano de 2005 as empresas ADAIME e DHL passaram a adotar um novo procedimento: ao invés da DHL efetuar o adiantamento DI por DI, como nos exemplos em 2004, os recursos passaram a ser enviados à ADAIME sempre que necessário, em valores diversos, de modo a manter a conta corrente entre ambas sempre com saldo suficiente para os pagamentos devidos. A conta contábil denominada "DHL Worldwide Exp. Brasil Ltda 467" (Conta 2.1.1.07.0074) passou a representar esta tal conta corrente, registrando os recebimentos em adiantamento e Fl. 1788DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10830.720137/200821 Acórdão n.º 3402002.802 S3C4T2 Fl. 1.787 5 os pagamentos das despesas de importação da operação ADAIME X DHL X INTEL. Neste Livro Razão 2005, Anexo V, fls. 82 a 200, foram por mim grifados e anotados os diversos lançamentos referentes às importações. Como exemplo, nas fls. 164, relativa a conta Banco Hail c/c 27.6277, foram por mim grifados e anotados diversos pagamentos relativos ao débito automático Siscomex e suas respectiva DI, enquanto que, nas fls. 141 a 169 foram por mim grifados e anotados os diversos ADIANTAMENTOS da DHL ADAIME para a realização das importações. Também, na conta "DHL Worldwide Exp. Brasil Ltda 467", de fls. 172 a 200, foram por mim grifados e anotados tais ADIANTAMENTOS (contra partida). Na conta "Serviços de Despachos Aduaneiros — 285" foram por mim grifados os pagamentos mensais pelos serviços. Assim, constatase que a conta "DHL Worldwide Exp. Brasil Ltda 467" (Conta 2.1.1.07.0074) representou urna verdadeira conta corrente entre as empresas DHL e ADAIME, sendo nela debitados os custos incorridos nas importações e creditados os valores recebidos da DHL em adiantamentos para as importações. No ano de 2006 as empresas ADAIME e DHL mantiveram o mesmo procedimento do ano anterior: os recursos eram enviados à ADAIME sempre que necessário, em valores diversos, de modo a manter a conta corrente entre ambas sempre com saldo suficiente para os pagamentos devidos. Também, nesta mesma conta contábil denominada "DHL Worldwide Exp. Brasil (Trycon) 593" foram contabilizados os recursos enviados pela empresa DHL à Adaime para fazer frente ao pagamento dos tributos e demais despesas de importação, lançados crédito, tendo como contrapartida a conta contábil "Banco Itaú c/c 21.7255", à débito. (...) Assim, constatase que a conta "DHL Worldwide Exp. Brasil (Trycon) 593" (Conta 2.1.1.07.0082) representou urna verdadeira conta corrente entre as empresas DHL e ADAIME, sendo nela debitados os custos incorridos nas importações e creditados os valores recebidos da DHL em adiantamentos para as importações. Conclusão: nestas operações de importações com o exportador 3COM a escrituração contábil e documentos conexos também comprovam cabalmente que a ADAIME atuou meramente como prestadora de serviços, recebendo recursos da DHL, real interessada nas mercadorias importadas, tendo ocorrido, de fato, a importação por conta e ordem de terceiros. Em suma, conforme consta nos contratos celebrados entre a DHL (USA) e as empresas 3Com e Intel, ambas também dos Estados Unidos, a DHL foi contratada pelas referidas empresas 3Com e Intel para importar peças em garantia e de reposição, sem cobertura cambial, com a finalidade de atender os Fl. 1789DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 6 respectivos clientes das citadas empresas no Brasil, podendo terceirizar tais serviços. Considerando tudo o que foi apresentado neste Termo de Constatação Fiscal, parte integrante e indissociável do Auto de Infração correspondente, nos anexos de I a VII e demais documentos, restou provado que a ADAIME, ao registrar no sistema SISCOMEX diversas Declarações de Importação — DI simulou ser importador por conta própria, promovendo a ocultação do sujeito passivo, real interessado na operação, responsável solidário pelos tributos, provedor dos recursos financeiros ali empregados. Todas as importações relativas a este auto de infração, cuja relação encontrase nas Anexo I, fls. 60 a 76, foram realizadas com exclusivo interesse e utilização de recursos da empresa DHL WORLDWIDE EXPRESS BRASIL LTDA, ou seja, efetivamente por sua conta e ordem, tendo sido ocultada pela ADAIME. A ocultação do real sujeito passivo nas operações de importação é infração considerada pela legislação como dano ao Erário, sendo punível com a pena de perdimento da mercadoria, conforme Art. 23, inciso V e parágrafo 1 0, do DecretoLei n° 1.455/76, com redação dada pelo art. 59 da Lei n° 10.637/02 (art. 59 da Medida Provisória N° 66, de 2002),regulamentado pelo art. 604, inciso II e 618, inciso XXII, do Decreto n° 4.543/02 (Regulamento Aduaneiro). Para tanto, foi proposta a aplicação da pena de perdimento da mercadoria através do PAF 10831.002.529/200802 (as mercadorias localizadas e apreendidas estão relacionadas na planilha de fls 37 a 45 do ANEXO I). Considerando que não foi possível localizar a totalidade das mercadorias importadas irregularmente, proponho que a pena de perdimento a ser aplicada seja convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro através deste auto de infração 41)(Decretolei n° 1.455, de 1976, art. 23, § 3°, com a redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002, art. 59 c/c art. 618, § 1 °, do Decreto n° 4.543/02 Redação dada pelo Decreto n°4.765, de 24.6.2003). A vinculação da DHL WORLDWIDE EXPRESS BRASIL LTDA ao fato gerador no qual tinha interesse econômico produz, desde logo, a sujeição passiva por solidariedade. A responsabilidade neste caso, prevista no inciso I do art. 124 do CTN, é presumida, objetiva. Adicionalmente, devese ressalvar que, mesmo que o importador e o adquirente não contabilizem corretamente a operação por conta e ordem efetivamente realizada, nem cumpram com todos os requisitos e condições estabelecidos na legislação que trata desse assunto, ainda assim, o real adquirente das mercadorias será o responsável solidário pelas obrigações fiscais geradas pela importação efetivada, por força da presunção legal expressa no artigo 27 da Lei n° 10.637 de 30 de dezembro de 2002, em virtude de que dela são os recursos utilizados na operação. Fl. 1790DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10830.720137/200821 Acórdão n.º 3402002.802 S3C4T2 Fl. 1.788 7 Destarte, não só a empresa é parte legitima para figurar no pólo passivo da obrigação tributária, como ainda está sujeita as disposições contidas no art. 95 do mesmo Decretolei n°37/66, com a redação dada pelo art. 78 da Medida Provisória n°2.158/2001, ora transcrito: "Art. 95. Respondem pela infração: V — conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por conta e ordem deste, por intermédio de pessoa jurídica importadora." Em face desta situação, comprovado o interesse comum no fato, imputamos a empresa DHL WORDWIDE EXPRESS BRASIL LTDA como responsável solidária das importações. O valor aduaneiro das mercadorias foi calculado através das informações prestadas pelo contribuinte, quando do registro das 315 DI, conforme consta na planilha de fls. 02 a 196 do Anexo VII, perfazendo o valor total de R$ 6.862.174,77. Cientificada do auto de infração, a contribuinte ADAIME IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA apresentou impugnação, alegando, em síntese, conforme consta na decisão recorrida: A fiscalização foi encerrada por meio do Termo de Encerramento MPF n° 0817700.2006000891, no qual se concluiu que as importações efetuadas pela Impugnante não apresentaram nenhuma característica de interposição fraudulenta. No mesmo ato, contudo, foi determinado o prosseguimento da fiscalização para se apurar a ocorrência de "eventuais outras irregularidades ". E após diligente processo fiscalizatório sobreveio o presente auto de infração, surpreendentemente lavrado justamente por alegada "interposição fraudulenta de terceiros na importação" cuja presença havia sido afastada na fiscalização anterior iniciada com esta finalidade especifica. O auto de infração deixa de apontar qualquer conduta fraudulenta ou simulada das autuadas com propósito de ocultar o "real" importador dos bens desembaraçados pela Impugnante, assim como o eventual resultado prático (ilegal) daí advindo. Todos os documentos e esclarecimentos solicitados pela Fiscalização foram prontamente apresentados. A ausência de tais elementos (a existência de fraude ou a simulação); a total inexistência do intuito de se obter injusto proveito; e a absoluta falta de prejuízo ao Erário, descaracteriza por completo a infração. NULIDADE DA AUTUAÇÃO FISCAL Para o cálculo da multa a ser aplicada, correspondente ao valor das mercadorias importadas, a fiscalização deveria ter considerado o valor destacado nas declarações de importação a Fl. 1791DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 8 titulo de CIF, descontandose os montantes correspondentes ao seguro e frete, de maneira que a penalidade aplicada representasse tão somente o valor das mercadorias apreendidas, nos termos da lei. Assim, verificase diferença entre o real valor das importações efetuadas pela Adaime e os valores considerados pela autoridade administrativa, que sequer foram especificados no auto de infração, ensejando sua absoluta nulidade. DA NÃO CONFIGURAÇÃO DA INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS NA IMPORTAÇÃO Os fatos levantados pela autoridade fiscal não autorizam a aplicação dos dispositivos legais suscitados. No caso em tela não há qualquer referência à eventual fraude ou simulação realizada pela Impugnante. Na realidade, a autoridade aduaneira entendeu ter ocorrido a importação por conta e ordem de terceiro, meramente com base no relacionamento comercial existente entre a Impugnante e a empresa DHL. A Impugnante foi contratada para importar aparelhos e peças de reposição das empresas Intel Corporation e 3COM Corporation, a serem utilizados na substituição gratuita de aparelhos e peças defeituosas, em razão de contrato de garantia com seus clientes no Brasil. Na visão das autoridades fiscais, a DHL seria a "real" importadora dos bens, na qualidade de efetiva destinatária dos mesmos, porquanto encarregada de proceder à logística da distribuição das mercadorias aos consumidores, no Brasil, dos exportadores estrangeiros consumidores que, em última análise, são os verdadeiros destinatários finais das mercadorias importadas. Dai a concluir que houve fraude ou simulação vai um longo e inultrapassável caminho. Mesmo porque ausente qualquer motivação para tanto. Os tributos foram regularmente recolhidos e tratandose de importação sem cobertura cambial, não há sentido falar em ocultação do provedor financeiro das importações. O fato é que não há apontado no auto de infração qualquer fraude ou ato simulado a configurar a interposição fraudulenta, que justificaria a aplicação da pena de perdimento sugerida. A própria fiscalização realizada junto à Impugnante com o fim especifico de avaliar a presença de tais elementos, concluiu pela inexistência de interposição fraudulenta (vide doc. 03 e fl. 28 do auto de infração). Nos casos em que a suposta importação por conta e ordem de terceiro não decorre de fraude, mas resulta de interpretação controversa das relações comerciais existentes entre a importadora e um terceiro, para se definir quem seria o efetivo destinatário das mercadorias, se faz imperiosa a presença de Fl. 1792DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10830.720137/200821 Acórdão n.º 3402002.802 S3C4T2 Fl. 1.789 9 prejuízo ao Erário para justificar a eventual aplicação da pena de perdimento. INEXISTÊNCIA DE OUTROS ELEMENTOS QUE CARACTERIZEM A IMPORTAÇÃO COMO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO As importações conduzidas pela Impugnante foram corretamente realizadas na modalidade de importação direta. Como bem evidenciado nos autos deste procedimento administrativo, a Impugnante foi contratada para importar aparelhos e peças de reposição das empresas Intel Corporation e 3COM Corporation, a serem utilizados na substituição gratuita de aparelhos e pegas defeituosas, em razão de contrato de garantia com seus clientes no Brasil. Nessa condição, as mercadorias foram importadas sem cobertura cambial, ou seja, sem remessa de valores ao exterior. E também não circularam no patrimônio da Impugnante, ou no patrimônio da DHL. O fato das mercadorias terem sido importadas sem cobertura cambial, por si só invalida o argumento da Fiscalização de que as importações foram realizadas com recursos próprios da DHL. O fato de a DHL adiantar valores para as despesas de importação, configura mero acerto comercial, irrelevante para configuração da importação por conta e ordem de terceiros ou da interposição fraudulenta, em que se procura ocultar o real provedor de recursos financeiros ao exterior. No caso sob análise, todos os valores adiantados eram devidamente contabilizados pela Impugnante e pela DHL, não havendo qualquer espécie de ocultação, como inclusive a fiscalização pôde constatar. A Instrução Normativa n° 225/2002, em seu artigo 1°, parágrafo único, define como a importador por conta e ordem de terceiro aquele que promove, em seu nome, a importação de mercadoria adquirida por outra pessoa. Aqui não houve a importação de mercadoria adquirida por terceiro, na medida em que os bens foram importados sem cobertura cambial, para a reposição de peças defeituosas dos clientes das fabricantes americanas no Brasil. Seria incorreto afirmar, portanto, que a Impugnante procedeu à importação, em nome próprio, de bem adquirido pela DHL, porque jamais adquiriu referida mercadoria, mas apenas cumpriu, como a Impugnante (cada uma em sua etapa e dentro das obrigações assumidas), os serviços de logística de entrega das mercadorias das exportadoras estrangeiras entregues aos seus consumidores em razão de contrato de garantia. Ambas as empresas a Impugnante e a DHL são devidamente remuneradas por suas respectivas atividades, não havendo como Fl. 1793DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 10 desconsiderar a Impugnante como diretamente interessada nas importações. O fato de a Impugnante auferir rendimento e lucro com a operação, tira sua condição de mera intermediária. Caso contrário, ao prevalecer o entendimento da autoridade aduaneira que simplesmente desconsidera a relação comercial existente entre Impugnante e a DHL nem mesmo esta seria a real importadora das mercadorias em tela, já que, em última análise, as mercadorias importadas eram destinadas aos clientes das exportadoras estrangeiras. Diante deste cenário, não há como se configurar as importações ora fiscalizadas como sendo por conta e ordem de terceiros, uma vez que a real e única importadora das mercadorias foi a Impugnante. DA INEXISTÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO E DE VANTAGEM INDEVIDA AS AUTUADAS O auto de infração em tela não constata qualquer prejuízo ao Erário que pudesse resultar na aplicação da pena de perdimento e conseqüente multa no valor integral das mercadorias. Com efeito, a caracterização do delito punível com a medida extrema da pena de perdimento, está intimamente ligada à idéia de dolo especifico, ou seja, de consciência, pelo praticante do ato, da ocorrência de expediente fraudulento com vistas à obtenção de vantagem que não teria se procedesse de forma diferente. Não é o caso dos autos. Como se verificou na ocasião do encerramento do procedimento para verificação de eventual interposição fraudulenta de terceiros (previsto na IN ° 228/2002 MPF n° 08177002006000891), não houve qualquer irregularidade nas importações efetuadas pela Impugnamte. O auto de infração impugnado em momento algum aponta, de forma especifica e direta, qualquer prejuízo incorrido pelo Erário em relação aos fatos abrangidos na fiscalização. Nesse sentido, a autoridade aduaneira expõe os prejuízos que condutas desta natureza podem causar, mas deixam de relacionar, no caso concreto, qual o prejuízo resultante das importações fiscalizadas. Não houve remessa de valores ao exterior por pessoa interposta, porquanto as importações foram realizadas sem cobertura cambial, nos termos da lei, na medida em que se tratam de mercadorias abrangidas por contrato de garantia. Também não há que se falar em violação a preço de transferência ou outras questões fiscais, porquanto as mercadorias eram entregues de forma gratuita aos clientes das exportadoras, para substituição de peças defeituosas em garantia. Ausente sequer indicio de dano, não há não há fundamento a sustentar a aplicação de pena tão drástica como é a pena de perdimento das mercadorias importadas. Fl. 1794DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10830.720137/200821 Acórdão n.º 3402002.802 S3C4T2 Fl. 1.790 11 Junta textos da Jurisprudência Administrativa e Judicial. DA OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA PROPORCIONALIDADE, DA RAZOABILIDADE E DO NÃO CONFISCO. Se a finalidade visada pelo legislador ao instituir os procedimentos previstos na Instrução Normativa n° 225/2004 foi a de evitar a sonegação de impostos e ocultação fraudulenta dos importadores das mercadorias, e tendo em vista que no caso em tela a Impugnante recolheu todos os impostos devidos, não causou nenhum dano ao erário, contabilizou corretamente a operação, não seria esta relação de causa e efeito, de meio e fim, que haveria entre a aplicação de tão elevada multa e a finalidade da lei. A manutenção da multa combatida significaria a aprovação do confisco a que foi submetida à Impugnante, em violenta afronta ao artigo 150, IV da Constituição Federal. DA RELEVAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO E SUBSTITUIÇÃO POR MULTA INCIDÊNCIA DO ARTIGO 655 DO REGULAMENTO ADUANEIRO Uma vez demonstrado que as supostas infrações apontadas pela autoridade aduaneira não resultaram em falta ou insuficiência de recolhimento de tributo federal tanto que silente o auto de infração neste sentido , bem como considerando a ausência de intuito doloso das autuadas porquanto não auferir= qualquer proveito com as supostas infrações tornase um direito da Impugnante a aplicação do artigo em tela, com a relevado da pena de perdimento aplicada e sua substituição pela multa prevista no artigo 637 do mesmo Diploma Legal. DO PEDIDO Diante dos argumentos e documentos trazidos na presente impugnação, requerse seja julgado totalmente improcedente o auto de infração em tela, cancelandose a pena de perdimento proposta às mercadorias. Subsidiariamente, pedese a relevação da pena de perdimento imposta às mercadorias, nos termos do artigo 655 do Regulamento Aduaneiro. Cientificada também do auto de infração, a DHL WORLDWIDE EXPRESS BRASIL LTDA protocolizou impugnação, valendose dos mesmos argumentos aduzidos pela contribuinte ADAIME IMPORTACAO E EXPORTACAO LTDA, inclusive com pedido idêntico. A 1a Turma de Julgamento da Delegacia de São Paulo (SP) julgou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão n° 17058.278, de 15 de março de 2012, cuja ementa segue abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Fl. 1795DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 12 Data do fato gerador: 18/01/2002 A empresa realizou importações no período de Janeiro/2002 a Junho/2006, colocandose na condição de importador e real adquirente das mercadorias. Os recursos financeiros necessários para pagamento dos custos das importações (impostos, taxas alfandegárias, armazenagem, etc.) foram previamente fornecidos por terceiro. Ao incluir no cálculo da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria os montantes correspondentes ao seguro e frete, como reclama o impugnante, a fiscalização agiu pautada na legislação aplicável. O controle aduaneiro foi violado mediante fraude e simulação. O dano ao Erário decorreu dessa conduta ilícita tendente a burlar a Administração Aduaneira, consoante inciso V, artigo 23 do Decreto Lei 1.455/76. Pelo teor do caput do artigo 655, c/c Artigo 654 do Decreto 4.543/02, a relevação da pena de perdimento é de competência exclusiva do Sr. Ministro de Estado da Fazenda, portanto foge do âmbito da competência da Delegacia Regional de Julgamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignadas com a decisão da primeira instância administrativa, as autuadas apresentaram recurso voluntário ao CARF, onde alegam, em breve síntese, que: Houve um procedimento fiscal anterior, autorizado pelo MPF n° 0817700.2006000891, no qual se concluiu que as importações efetuadas pelo recorrente não apresentaram qualquer característica de interposição fraudulenta. No mesmo ato, foi determinado o prosseguimento da fiscalização para se apurar a ocorrência de "eventuais outras irregularidades". Neste contexto, sobreveio o lançamento fiscal lavrado com fundamento na suposta "interposição fraudulenta de terceiros na importação", cuja presença já havia sido descartada na fiscalização anterior; O lançamento tributário deixa de apontar qualquer conduta fraudulenta ou simulada das autuadas com propósito de ocultar ao real importador dos bens desembaraçados pela recorrente Adaime, assim como o eventual resultado prático (ilegal) daí advindo; Todos os documentos esclarecimentos solicitados pela fiscalização foram prontamente apresentados, de forma que nada fora escondido ou ocultado das autoridades aduaneiras; A sociedade DHL Worldwide Express requereu à sua subsidiária no Brasil, DHL Express (Brasil) Ltda, que procedesse a logística das peças de reposição em garantia para os clientes da Intel e da 3COM Corporation no Brasil. Neste contexto, a subsidiária brasileira DHL Express, cujo objeto Fl. 1796DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10830.720137/200821 Acórdão n.º 3402002.802 S3C4T2 Fl. 1.791 13 social é o armazenamento e logística de distribuição de mercadorias, ficou responsável pela operacionalização do sistema logístico e distribuição das peças de reposição a serem utilizadas na substituição gratuita de aparelhos e peças defeituosas como garantia pelos clientes da Intel Corporation e 3COM Corporation. Todavia, por exercer a DHL Express atividades de armazém geral, caso realizasse a importação, muito embora as peças de reposição não fossem comercializadas, poderia a fiscalização entender por ofensa ao disposto no art. 8°, §4°, do Decreto n° 1.102/1903. Por esse motivo, a Adaime foi contratada pela DHL para importar, nacionalizar e remeter as partes e peças de reposição ao seu estabelecimento, para fins de armazenagem e distribuição; Como se pode observar, o despacho das peças e aparelhos de reposição era realizado pela Adaime, sendo a DHL responsável pela armazenagem e distribuição das referidas peças e aparelhos aos clientes das mencionadas empresas estrangeiras. Tratandose de peças de reposição, para substituição gratuita de aparelhos e peças defeituosas adquiridos com garantia, a importação era realizada sob a modalidade de importação sem cobertura cambial, ou seja, sem o dispêndio de qualquer quantia para as empresas estrangeiras em contraprestação. Vale dizer, neste tipo de operação não há pagamento da mercadoria ao exterior e, portanto, não ocorre a contratação de câmbio. Frise se, não há remessa para o exterior, haja vista que as peças decorrem de contrato de garantia. Dessa forma, dúvidas não restam que as importações de peças, abrangidas por contrato de garantia, realizadas pelos recorrentes não implicaram em qualquer remessa para o exterior, razão pela qual não se configura a interposição fraudulenta de terceiros em operações de comércio exterior; Para aplicação da pena de perdimento pela fiscalização necessária a presença de expediente fraudulento ou de simulação. No caso em tela, não há qualquer referência à eventual fraude ou simulação realizada pela recorrente, uma vez que a autoridade aduaneira entendeu ter ocorrido a importação por conta e ordem, meramente com base no relacionamento comercial existente entre a DHL e a Adaime; Todos os tributos devidos na importação foram regularmente recolhidos e, por tal razão, não há sentido falar em ocultação do provedor financeiro das importações; A importação ocorrida sem cobertura cambial foi realizada para cumprir o contrato de garantia das peças. Portanto, não houve a comercialização das peças em questão a justificar possível concorrência desleal que afetaria o mercado interno; A fiscalização fundamentou o lançamento em presunção simples correspondente à ilação, segundo a qual teriam sido utilizados recursos de terceiros que teriam ordenado a importação das mercadorias. Tratase, assim, do emprego de prova indiciaria na lavratura do auto de infração, na medida em Fl. 1797DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 14 que a presunção simples é vista com um indício de prova insuficiente para fundamentar a aplicação da pena de perdimento; O fato de a DHL adiantar valores para as despesas com importação configura mero acerto comercial, irrelevante para configuração de importação por conta e ordem de terceiros ou de interposição fraudulenta, em que se procura ocultar o verdadeiro provedor de recurso financeiros ao exterior; No caso em questão não houve a importação de mercadoria adquirida por terceiro, na medida em que os bens foram importados, sem cobertura cambial, para a reposição de peças defeituosas dos clientes no Brasil das sociedades estrangeiras Intel e 3COM. Nesse passo, é incorreto afirmar que a Adaime procedeu a importação em nome próprio de bem adquirido pela DHL. Isso porque a DHL jamais adquiriu as referidas mercadorias, mas apenas cumpriu os serviços de logística de entrega das peças e aparelhos, em razão de contrato de garantia; Como ficou demonstrado que a DHL não era a adquirente da mercadoria, porquanto as importações foram realizadas sem cobertura cambial, assim deve ser excluída do polo passivo do lançamento; Por fim, caso o entendimento seja no sentido de que foram acobertados os reais beneficiários da operação de comércio exterior os clientes no Brasil das empresas Intel e 3COM deve ser aplicado o disposto no art. 33 da Lei n° 11.488/2007, ou seja, 10% do valor da mercadoria; A multa aplicada não se refere a tributo, logo, não é justificável a atualização pela taxa Selic. Mediante a Resolução nº 3402000.619, da 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 26 de novembro de 2013, o julgamento foi convertido em diligência para que a Unidade de Origem anexasse aos autos cópia integral de todos os processos judiciais das recorrentes, DHL WORLDWIDE EXPRESS BRASIL LTDA e ADAIME IMPORTAÇAO E EXPORTAÇÃO LTDA, que se referissem à matéria discutida neste processo. A Unidade de Origem levantou, por intermédio da ProcuradoriaSeccional da Fazenda Nacional em Campinas/SP, que as três ações movidas pelas empresas DHL WORLDWIDE EXPRESS BRASIL LTDA e ADAIME IMPORTAÇAO E EXPORTAÇÃO LTDA que tramitavam na Subseção Judiciária de Campinas não tinham como objeto o presente processo administrativo. Instada a manifestarse acerca da diligência as duas empresas apresentaram cópias das iniciais das demandas judiciais, confirmando a não existência de concomitância com o presente processo administrativo. É o relatório. Voto Fl. 1798DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10830.720137/200821 Acórdão n.º 3402002.802 S3C4T2 Fl. 1.792 15 Conselheira MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA O recurso único apresentado pelas duas autuadas atende aos requisitos de admissibilidade. Superada, na diligência, a possibilidade de concomitância deste processo administrativo com algum dos processos judiciais, tomase conhecimento do recurso voluntário. Passase a analisar o recurso voluntário segundo seus próprios tópicos: A "ENQUADRAMENTO LEGAL DO LANÇAMENTO FISCAL" Insurgemse as recorrentes em face do fato de, não obstante a ação fiscal anterior, encerrada por meio do TERMO DE ENCERRAMENTO MPF N° 0817700.2006000891, no qual se teria concluído que as importações efetuadas pela Recorrente ADAIME não apresentaram qualquer característica de INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA, no presente processo a conclusão foi em sentido contrário. Sobre essa questão é de se esclarecer que a fiscalização anterior tratava do procedimento especial para verificação da origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência dos recursos necessários à prática das operações de comércio exterior, previsto na Instrução Normativa SRF nº 228/2002, o qual é assim iniciado: Art. 4º O procedimento especial será iniciado mediante intimação à empresa para, no prazo de 20 dias: I comprovar o seu efetivo funcionamento e a condição de real adquirente ou vendedor das mercadorias, mediante o comparecimento de sócio com poder de gerência ou diretor, acompanhado da pessoa responsável pelas transações internacionais e comerciais; e II comprovar a origem lícita, a disponibilidade e a efetiva transferência, se for o caso, dos recursos necessários à prática das operações. (...) Nesse sentido foi que a autoridade fiscal, conforme trecho transcrito pelas recorrentes, ressalvou que, apesar de não estar caracterizada a prática presumida de interposição fraudulenta em face da falta de comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos (IN SRF nº 228/2002), seria necessária a apuração de outras possíveis irregularidades em outra ação fiscal: "A necessidade deste MPF surgiu a partir do relatório fiscal elaborado quando do encerramento de fiscalização, anteriormente realizada neste contribuinte (MPF 0817700 2006 0089 1) que, apesar de não ter evidenciado elementos de interposição fraudulenta de que trata a IN SRF 228/02, destacou possíveis irregularidades nas suas importações realizadas sem cobertura cambial, ensejando a imediata Fl. 1799DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 16 abertura de nova fiscalização, alterandose apenas o foco da análise", (fl. 07 do Processo Administrativo destaques das Recorrentes) Com efeito, concluiu a fiscalização, ao final da presente ação fiscal, pelo cometimento da infração disposta no art. 23, V do Decreto nº 1.455/76, punível com a multa equivalente ao valor aduaneiro, nos termos do seu § 3o: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3º A pena prevista no § 1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002)(Vide) (...) Nesse ponto, cabe ressaltar que a conclusão desta ação fiscal foi pela efetiva ocultação do sujeito passivo mediante simulação, definida no inciso V do art. 23 do Decreto Lei nº 1.455/76, sendo que a ação fiscal anterior tinha concluído pela não ocorrência da prática presumida de interposição fraudulenta, cuja definição é veiculada pelo §2° do mesmo artigo, caracterizada pela não comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados nas importações realizadas no período fiscalizado. De forma que não há qualquer irregularidade no procedimento fiscal que culminou com o presente auto de infração. Não obstante as recorrentes tenham, sim, colaborado com o procedimento fiscal, os documentos apresentados vieram aos autos por solicitação da fiscalização, após a perda da espontaneidade das recorrentes, nos termos do art. 102 do Decretolei nº 37/66: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 1800DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10830.720137/200821 Acórdão n.º 3402002.802 S3C4T2 Fl. 1.793 17 b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Não procede também a alegação das recorrentes de que a fiscalização teria deixado de apontar conduta fraudulenta ou simulada, eis que, conforme demonstra trecho transcrito da autuação, apurouse que a recorrente ADAIME informou, nas declarações de importação, que se trataria de importação própria, quando, em verdade, tais operações ocorreram por conta e ordem de terceiro, o que caracteriza simulação: (...) No caso em tela, temos como fato que o contribuinte ADAIME realizou diversas importações (315 DI), caracterizando tais operações como sendo "importação própria" (Campo 4 da DI), deixando de indicar o verdadeiro "Adquirente" (Campo 5 da DI). Como será comprovado, tais importações ocorreram por conta e ordem de terceiros, tendo havido então uma SIMULAÇÃO. Apresentamos no Anexo I, fls. 60 a 76, dados fiéis extraídos do SISCOMEX, representando todas as 315 DI relativas a este Auto de Infração, contendo parte das informações prestadas pelo contribuinte. Neste documento transcrevemos parte do conteúdo da ficha "importador", onde destacamos o campo 5 "ADQUIRENTE" constando a informação "O Próprio Importador", texto este inserido automaticamente quando o campo 4 é preenchido na modalidade "Importação Própria". Será provado que a ADAIME, ao registrar tais Declarações de Importação DI desta maneira, simulando ser importador por conta própria, promoveu a ocultação do sujeito passivo, real interessado na operação, responsável solidário pelos tributos, provedor dos recursos financeiros ali empregados. (...) Considerando tudo o que foi apresentado neste Termo de Constatação Fiscal, parte integrante e indissociável do Auto de Infração correspondente, nos anexos de I a VII e demais documentos, restou provado que a ADAIME, ao registrar no sistema SISCOMEX diversas Declarações de Importação — DI simulou ser importador por conta própria, promovendo a ocultação do sujeito passivo, real interessado na operação, responsável solidário pelos tributos, provedor dos recursos financeiros ali empregados. (...) Fl. 1801DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 18 Sobre a ocorrência da simulação no caso presente, é relevante mencionar os argumentos apresentados na sentença, ainda não transitada em julgado, proferida no mandado de segurança nº 0011944.80.2009.403.6105, extraída do sítio do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que trata da mesma ação fiscal, envolvendo os mesmos fatos e contribuintes do processo em análise, relativamente ao auto de infração para a aplicação da pena de perdimento das mercadorias que puderam ser localizadas: (...) 5. Da verificação do acerto da qualificação de simulação feito pela autoridade aduaneira A simulação está prevista no CCB/2002 nos seguintes termos: "Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados. 2º Ressalvamse os direitos de terceiros de boafé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado. Art. 168. As nulidades dos artigos antecedentes podem ser alegadas por qualquer interessado, ou pelo Ministério Público, quando lhe couber intervir. Parágrafo único. As nulidades devem ser pronunciadas pelo juiz, quando conhecer do negócio jurídico ou dos seus efeitos e as encontrar provadas, não lhe sendo permitido suprilas, ainda que a requerimento das partes." Sobre o tema, PABLO STOLZE GAGLIANO e RODOLFO PAMPLONA FILHO, in Novo Curso de Direito CivilParte Geral, 13ª edição, Vol.I, Saraiva, 2011, p. 408, lecionam o seguinte a respeito da simulação: "2.6. Simulação(...) É um defeito que não vicia a vontade do declarante, uma vez que este mancomunase de livre vontade com o declaratório para atingir fins espúrios, em detrimento da lei ou da própria sociedade. Tratase, pois, de um vício social, que, mais do que qualquer outro defeito, revela a frieza de ânimo e pouco respeito ao ordenamento jurídico. No Direito Civil Brasileiro, a simulação poderá ser: a) absoluta neste caso, o negócio formase a partir de uma declaração de vontade ou uma confissão de dívida emitida para não gerar efeito jurídico algum. Criase uma situação jurídica irreal, lesiva do interesse de terceiro, por meio da prática de ato jurídico aparentemente perfeito, embora substancialmente ineficaz.(...) Fl. 1802DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10830.720137/200821 Acórdão n.º 3402002.802 S3C4T2 Fl. 1.794 19 b) relativa (dissimulação) Neste caso, emitese uma declaração de vontade ou confissão falsa com o propósito de encobrir ato de natureza diversa, cujos efeitos, queridos pelo agente, são proibidos por lei. Denominamos esta hipótese de simulação relativa objetiva.(...)" (g.n) A simulação exige, para sua configuração, os seguintes requisitos: a) divergência entre a vontade interna e a vontade manifestada no negócio ostensivo; b) acordo das partes quanto ao negócio dissimulado; e c) intenção deliberada de enganar terceiras pessoas. Vejamos agora se as condutas sob julgamento mereceram ter sido qualificadas como simuladas. 5.1. Condutas das autoras perante a autoridade fiscal aduaneira O parágrafo único do art. 1º da IN SRF n. 225/2002, estabelece que se entende por importador por conta e ordem de terceiro a pessoa jurídica que promover, em seu nome, o despacho aduaneiro de importação de mercadoria adquirida por outra, em razão de contrato previamente firmado, que poderá compreender, ainda, a prestação de outros serviços relacionados com a transação comercial, como a realização de cotação de preços e a intermediação comercial. Compulsando as provas coligidas nos autos, entendo que a autoridade aduaneira agiu em estrita sintonia com a legislação aplicada ao qualificar a realidade fática verificada como importação por conta e ordem de terceiro oculto. Senão vejamos: importador pessoa jurídica: ADAIME; contrato previamente firmado: há contrato entre a ADAIME e a empresa DHL EXPRESS (BRAZIL) LTDA para que aquela importe produtos que são do interesse exclusivo desta; a verdadeira adquirente das mercadorias era, de fato, a DHL EXPRESS (BRAZIL) LTDA, empresa que, em decorrência de contratos celebrados no exterior com a INTEL e a 3COM tem o dever de providenciar a entrega aos clientes brasileiros de tais empresas (INTEL e 3COM) de peças e aparelhos substitutivos das peças e aparelhos defeituosos; as notas fiscais de movimentação da mercadoria eram movimentadas no nome da ADAIME; a ADAIME declarou falsamente perante a autoridade aduaneira, quando do preenchimento da DI, que era a importadora e adquirente dos produtos importados, o que, conforme esclarecido acima, não condiz com a realidade; a verdadeira interessada nas importações (DHL EXPRESS (BRAZIL) LTDA) só veio a ser revelada com a instauração da Fl. 1803DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 20 fiscalização pela autoridade aduaneira e após a requisição de documentação da ADAIME, vale dizer: ao longo dos três anos que foram objeto de fiscalização, a importadora não se preocupou em informar o fisco da existência do negócio celebrado com a DHL EXPRESS (BRAZIL) LTDA. Realcese que não era necessário que a fiscalização fizesse uso do art. 27 da Medida Provisória n. 2.158352001 para chegar à conclusão que as operações de importação foram realizadas efetivamente por conta e ordem da DHL EXPRESS (BRAZIL) LTDA, uma vez que os lançamentos contábeis são prova bastante disso. Deste contexto se tira que: a) a ADAIME e a DHL EXPRESS (BRAZIL) LTDA agiram em descompasso com a legislação aduaneira ao não trazerem ao conhecimento da aduana, até o momento em que instados pela autoridade pública, os documentos comprobatórios das relações negociais que mantinham e que demonstram que, na realidade, a verdadeira adquirente era a DHL EXPRESS (BRAZIL) LTDA e não a ADAIME, conduta que realiza objetivamente no plano material a previsão da hipótese legal do art.167, 1º, inc. I, do CCB; b) a ADAIME prestou declaração não verdadeira à Aduana consubstanciada na assertiva de que, além de importadora, era também a adquirente das mercadorias, quando, na realidade, a verdadeira adquirente era a DHL EXPRESS (BRAZIL) LTDA, conduta que realiza objetivamente no plano material a previsão da hipótese legal do art. 167, 1º, inc. II, do CCB. Por seu turno, do ponto de vista subjetivo, a intenção de agir em desconformidade com a lei também está demonstrada pelo inerente conhecimento técnico das autoras acerca das operações envolvendo importação e as respectivas modalidades, quais sejam: importação por conta própria, importação por conta e ordem e importação por encomenda. Com efeito, a ADAIME é empresa cujo objeto social (fl. 31) abrange o comércio, importação e exportação de máquinas, equipamentos, componentes elétricos e eletrônicos etc., a prestação de serviços de consultoria, assessoria e planejamento em importação, exportação, de todo e qualquer serviço de infra estrutura de operações de comércio exterior etc., ou seja, é empresa seguramente familiarizada com as três modalidades de importação previstas na lei. A DHL EXPRESS (BRAZIL) LTDA é subsidiária de uma multinacional que, pelas atividades que desenvolve, é logicamente afeita ao transporte internacional e às modalidades de importação previstas na legislação nacional. A ciência de que agia em desconformidade com a lei ao contratar a ADAIME está exposta na inicial desta ação, quando as autoras registram que a DHL contratou a ADAIME porque temia não poder efetuar, em nome próprio, as importações necessárias ao cumprimento de obrigações contratuais assumidas no exterior. Fl. 1804DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10830.720137/200821 Acórdão n.º 3402002.802 S3C4T2 Fl. 1.795 21 Destarte, os descumprimentos da legislação aduaneira sob julgamento não podem ser tributados a erro ou a desconhecimento da lei, mas sim à livre e deliberada intenção de deixar de cumprir a legislação aduaneira. Conclusão: está configurada a simulação porque, perante a autoridade aduaneira, quem estava importando e adquirindo as mercadorias era a empresa ADAIME e não a DHL EXPRESS (BRAZIL) LTDA. Por seu turno, a DHL EXPRESS (BRAZIL) LTDA, objetivando cumprir as obrigações assumidas no plano internacional, violou a legislação aduaneira, ao contratar a ADAIME para importar em nome próprio e se declarar inveridicamente como a real adquirente das mercadorias. (...) [grifos desta Relatora] Neste Conselho Administrativo também já foi proferida decisão nesse sentido. Como bem consignou, em seu Voto, o Relator Rodrigo Mineiro Fernandes, no Acórdão nº 3101001.789 – 3ª Seção do CARF/ 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária (vide trecho abaixo), de 11 de dezembro de 2014, a "simulação ocorre quando o importador ostensivo declara a operação como sendo por conta própria, mas, na realidade, é por conta e ordem de terceiros ou por encomenda": (...) Já a simulação, dentro da definição de Alberto Xavier como “um caso de divergência entre a vontade (vontade real) e a declaração (vontade declarada), procedente de acordo entre o declarante e o declaratório e determinada pelo intuito de enganar terceiros”, está claramente caracterizada na ocultação do sujeito passivo. Recorro também ao conceito civilista de simulação, previsto no §1º do art. 167 da Lei nº 10.406, de 2002 (Código Civil): (...) A simulação ocorre quando o importador ostensivo declara a operação como sendo por conta própria, mas, na realidade, é por conta e ordem de terceiros ou por encomenda. A natureza da operação declarada é uma (importação por conta própria) e na realidade é outra (importação por conta e ordem de terceiros ou por encomenda). Também é encontrado no direito aduaneiro a previsão de simulação, dada pela IN SRF Nº 228/2002 (grifo nosso): Art. 13. A prestação de informação ou a apresentação de documentos que não traduzam a realidade das operações comerciais ou dos verdadeiros vínculos das pessoas com a empresa caracteriza simulação e falsidade ideológica ou material dos documentos de instrução das declarações aduaneiras, sujeitando os responsáveis às sanções penais cabíveis, nos termos do Código Penal (Decretolei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940) ou da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, Fl. 1805DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 22 além da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, nos termos do art. 105 do Decretolei nº 37, de 18 de novembro de 1966. A ocultação do sujeito passivo nas operações de importação impacta de forma direta na obrigação tributária, em seu elemento pessoal, qual seja, a sujeição passiva, caracterizando a fraude. Da mesma forma, a omissão da informação do real importador ou responsável pela operação na Declaração de Importação, evadindose do devido controle aduaneiro na importação, caracterizase como simulação, visto que ocorre a divergência entre a vontade e a declaração, procedente de acordo entre o declarante e o declaratório e determinada pelo intuito de enganar terceiros, no caso a fiscalização aduaneira. Na ocultação fraudulenta ou simulatória, o sujeito passivo fica a margem da relações obrigacional tributária e do devido controle aduaneiro. (...) B "A SUPOSTA INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS NA IMPORTAÇÃO" Informam as recorrentes que a empresa estrangeira DHL WORLDWIDE EXPRESS requereu a sua subsidiária no Brasil, a recorrente DHL EXPRESS LTDA., que procedesse à logística das peças de reposição em garantia para os clientes da INTEL e da 3COM CORPORATION NO BRASIL. No entanto, tendo em vista a proibição de os "armazéns gerais" exercer a comercialização das mercadorias, disposta no art. 8º, §4o do Decreto n° 1.102/1903, a recorrente ADAIME foi contratada pela recorrente DHL EXPRESS para importar, nacionalizar e remeter as partes e peças importadas ao seu estabelecimento, para fins de ARMAZENAGEM E DISTRIBUIÇÃO. Argumentam que a fiscalização, em momento algum, descaracterizou a IMPORTAÇÃO SEM COBERTURA CAMBIAL ou mesmo questionou os contratos que demonstram terem sido as peças importadas para SUBSTITUIÇÃO GRATUITA, assim, não tendo havido a remessa de divisas ao exterior, não se configuraria a interposição fraudulenta de terceiros como pretendido pela fiscalização. No entanto, a tese das recorrentes não pode prosperar, vez que essa questão não integra o tipo infracional de "ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros" na importação. Desta forma, para que se caracterize a infração de ocultação do responsável pela importação mediante simulação, é irrelevante se houve ou não remessa de valores ao exterior em razão da operação. Certamente que, conforme alegam as recorrentes, é lícito importar sem cobertura cambial peças para substituição gratuita em garantia, mas, desde que, obviamente, em observância as demais normas da legislação tributária e aduaneira, in casu, quanto à identificação dos reais envolvidos na operação. Conforme apurado pela fiscalização e até admitido pelas recorrentes, as importações foram todas efetuadas pela recorrente ADAIME no interesse da outra recorrente DHL EXPRESS, a qual também adiantou à primeira os valores correspondentes aos tributos e despesas da importação, conforme bem pontuado na autuação: (...) Fl. 1806DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10830.720137/200821 Acórdão n.º 3402002.802 S3C4T2 Fl. 1.796 23 Tanto as explicações dadas pela ADAIME quanto os termos contratuais apresentados indicam, de forma cristalina, que a empresa atuou meramente como prestadora de serviços de despacho aduaneiro, sem qualquer interesse direto sobre as mercadorias importadas. Também, os recursos financeiros necessários para pagamento dos custos das importações (impostos, taxas alfandegárias, armazenagem, etc.) foram previamente fornecidos pela DHL à Adaime. Quando a operação de comércio exterior é realizada com a utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, conforme estabelecido no art. 27 da Lei nº 10.637/2002, para fins de aplicação dos arts. 77 a 81 da Medida Provisória nº 2158 35/2001. Assim, tendo em vista que, comprovadamente, a importação foi efetuada no interesse de terceira empresa, a qual também repassou os recursos para importadora realizar a importação, restou caracterizada a importação por conta e ordem de terceiro. Não obstante se caracterizasse uma importação por conta e ordem, a recorrente ADAIME informou nas declarações de importação que seria uma importação direta, na qual ela própria seria adquirente das mercadorias, quando deveria ter seguido o procedimento previsto nos artigos 2º e 3º da Instrução Normativa SRF nº 225/20021, apresentando previamente à fiscalização o contrato de prestação de serviços com a outra recorrente DHL EXPRESS para a sua habilitação para atuar por conta e ordem de terceiro no comércio exterior, bem como informando, em campo próprio das declarações de importação a identificação da verdadeira interessada nas mercadorias importadas (DHL EXPRESS), em consonância com a fatura comercial na qual também seria necessária identificála. Assim, restando, nos autos, configurada a infração de ocultação do responsável pelas importações mediante simulação, não se verifica qualquer lesão à verdade material como alegado pelas recorrentes. C "INEXISTÊNCIA DE OUTROS ELEMENTOS A FUNDAMENTAR A APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO" 1 Art. 2º A pessoa jurídica que contratar empresa para operar por sua conta e ordem deverá apresentar cópia do contrato firmado entre as partes para a prestação dos serviços, caracterizando a natureza de sua vinculação, à unidade da Secretaria da Receita Federal (SRF), de fiscalização aduaneira, com jurisdição sobre o seu estabelecimento matriz. Parágrafo único. O registro da Declaração de Importação (DI) pelo contratado ficará condicionado à sua prévia habilitação no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), para atuar como importador por conta e ordem do adquirente, pelo prazo previsto no contrato. Art. 3º O importador, pessoa jurídica contratada, devidamente identificado na DI, deverá indicar, em campo próprio desse documento, o número de inscrição do adquirente no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJ). § 1º O conhecimento de carga correspondente deverá estar consignado ou endossado ao importador, configurando o direito à realização do despacho aduaneiro e à retirada das mercadorias do recinto alfandegado. § 2º A fatura comercial deverá identificar o adquirente da mercadoria, refletindo a transação efetivamente realizada com o vendedor ou transmitente das mercadorias. Fl. 1807DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 24 Como já dito, para o cometimento da infração de ocultação do responsável pela importação mediante simulação, é irrelevante se houve ou não remessa de valores ao exterior em razão da operação, vez que essa questão não integra o tipo infracional. Embora o art. 1º, §1º da Instrução Normativa SRF nº 225/2002 refirase a "importação de mercadoria adquirida por outra", a importação por conta e ordem de terceiro não está restrita a casos em que ocorra uma compra e venda internacional. No caso presente, não pairam dúvidas de que a importação efetuada por uma das recorrentes se deu no interesse da outra recorrente DHL EXPRESS, a qual, embora não tenha comprado as mercadorias, necessitava de importálas para, nas suas palavras, "cumprir os serviços de logística de entrega das peças e aparelhos, em razão de contrato de garantia com as empresas estrangeiras". Ademais, nos termos do art. 27 da Lei nº 10.637/2002 c/c o art. 80 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, ora transcritos, a operação de importação realizada com recursos de terceiros presumese por conta e ordem deste, para fins de atendimento aos requisitos e condições estabelecidos pela Receita Federal do Brasil, por meio da Instrução Normativa SRF nº 225/2002: Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no2.15835, de 24 de agosto de 2001. Art.80. A Secretaria da Receita Federal poderá: Iestabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora por conta e ordem de terceiro; e IIexigir prestação de garantia como condição para a entrega de mercadorias, quando o valor das importações for incompatível com o capital social ou o patrimônio líquido do importador ou do adquirente. Conforme apurado pela fiscalização junto à contabilidade das recorrentes, o que, inclusive, é matéria incontroversa nos autos, houve adiantamento de recursos da DHL EXPRESS para a ADAIME para o pagamento das despesas de importação, de forma que essas operações deveriam, mas não foram, ter sido registradas com o atendimento aos requisitos estabelecidos na Instrução Normativa SRF nº 225/2002. D "A INEXISTÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO" Sustentam as recorrentes que não teria sido demonstrado o efetivo prejuízo ao Erário para o cabimento da pena de perdimento, vez que as importações foram realizadas sem cobertura cambial e com o pagamento de todos os tributos incidentes nas importações. No entanto, as hipóteses de "dano ao Erário", definidas pelo legislador ordinário no art. 23 do Decretolei n° 1.455/76, tratamse de autênticas presunções legais de dano ao Erário, não se fazendo necessária qualquer comprovação adicional de efetivo prejuízo financeiro ao Erário ou à atividade fiscalizatória. Quando ocorrem, no mundo concreto, as infrações tipificadas nos incisos desse dispositivo legal, está presumido o dano ao Erário. Tendo, no caso sob análise, ocorrido o cometimento da infração de "ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, Fl. 1808DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10830.720137/200821 Acórdão n.º 3402002.802 S3C4T2 Fl. 1.797 25 mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros" na importação, veiculada pelo art. 23, V do Decretolei nº 1.455/76, está caracterizado o "dano ao Erário". Nessa linha, também é importante transcrever os argumentos apresentados na sentença proferida no mandado de segurança nº 0011944.80.2009.403.6105, já citado, que trata da mesma ação fiscal que deu origem ao presente processo: (...) 6. Do dano ao erário Vulneração à Transparência das operações de importação ante o Estado Brasileiro A finalidade precípua da legislação aduaneira é a regulação do comércio exterior a fim de resguardar os interesses fazendários nacionais, em todo o território aduaneiro (art. 15, Decreto n. 6.759/2009). Dentre os interesses fazendários nacionais estão a proteção à indústria nacional, o equilíbrio entre importações e exportações, a identificação dos bens importados e dos importadores, a proteção da saúde dos residentes em território nacional, além de outros. Dentro desta linha de pensamento, é possível identificar claramente que uma das diretrizes que norteia a legislação aduaneira é, sem dúvida, a perseguição pela transparência nas importações, vale dizer: o Estado Brasileiro, no exercício de soberania estatal, quer saber quem está importando, quando está importando, de quem está importando, como está importando, porque está importando e por quanto está importando. Impõese esclarecer que a legislação aduaneira não se destina, precipuamente, a instituir tributos aduaneiros. Diversamente, os tributos em matéria aduaneira têm uma finalidade mais extrafiscal do que fiscal, o que quer dizer que se destinam a servir mais de instrumento de regulação das políticas de importação e de exportação do que de instrumento de arrecadação tributária. Neste passo, quando a legislação menciona dano ao erário não se deve entender a expressão dano como restrita ao recolhimento dos tributos e dos dispêndios comumente exigidos nas importações. Diversamente, a expressão tem uma amplitude mais ampla de modo a abranger a violação dos bens jurídicos tutelados pela lei aduaneira. Ressaltase que a aceitação da tese das autoras reduziria toda a legislação relativa à importação por conta e ordem de terceiro a um nada jurídico, já que a negativa de informação do importador a respeito da modalidade de importação que efetuar não resultaria em aplicação de penalidade alguma se os tributos e demais dispêndios da importação tiverem sido recolhidos tempestivamente. Neste passo, o bem jurídico tutelado pelas normas que cuidam da importação por conta e ordem de terceiro é a transparência das operações de importação ante o Estado Brasileiro. Fl. 1809DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 26 Aliás, a violação a diretriz de transparência das operações de importação é muito mais grave do que o mero não recolhimento dos tributos devidos porque subtrai do Estado Brasileiro o conhecimento de quem está importando e inviabiliza qualquer trabalho de fiscalização nas importações efetuadas. Em face do direito positivado, mesmo tendo recolhidos os tributos e as taxas devidos em relação aos objetos importados, subsiste íntegra a simulação voltada a ocultar o real adquirente da mercadoria, conduta que é capitulada no art. 23, inc. V, do Decretolei n. 1.455/76 e para a qual é cominada a pena de perdimento. No presente caso, as autoras afirmam que, porque os tributos e taxas foram recolhidos, não há que se falar em dano. Porém, nos termos da fundamentação jurídica acima, o recolhimento dos tributos e taxas é irrelevante para afastar a infração à legislação aduaneira voltada a proteção da transparência nas importações. De tudo se conclui que os danos ao erário consubstanciados na violação à diretriz de transparência das operações de importação estão provados, pelo que subsiste a responsabilidade administrativa das infratoras. [grifos da Relatora] Nesse mesmo sentido já decidiu a 3ª Seção deste CARF, no Acórdão nº 3101001.789 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária (Sessão de 11 de dezembro de 2014, Relator: Rodrigo Mineiro Fernandes), conforme ementa e parte do Voto que se seguem: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 29/07/2009, 19/08/2009 DANO AO ERÁRIO. UTILIZAÇÃO DE RECURSOS DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. MULTA DE VALOR EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. A importação de mercadorias com a utilização de recursos de terceiros presumese por conta e ordem deste. O registro da Declaração de Importação sem a efetiva identificação do responsável pela operação viola o controle aduaneiro e caracterizase como dano ao Erário, sujeitando à aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas consumidos ou não localizadas. DANO AO ERÁRIO. OCULTAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. INFRAÇÃO DE MERA CONDUTA. CARACTERIZAÇÃO. O dano ao Erário decorrente da ocultação das partes envolvidas na operação comercial que fez vir a mercadoria do exterior é hipótese de infração “de mera conduta”, que se materializa quando o sujeito passivo oculta a intervenção de terceiro, independentemente do prejuízo tributário perpetrado. MULTA POR CESSÃO DE NOME NA IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO NÃO COMPROVADA. NÃO CONFIGURAÇÃO DA INFRAÇÃO. Fl. 1810DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10830.720137/200821 Acórdão n.º 3402002.802 S3C4T2 Fl. 1.798 27 Em caso de inexistência nos autos de comprovação da encomenda prévia, de participação na operação comercial que resultou na importação, ou do pagamento prévio, ainda que parcial, não resta configurada a ocultação de terceiros na operação de importação e o tipo infracional previsto no art. 33 da Lei 11.488/2006. Recurso Voluntário Provido em Parte (...) VOTO (...) A ocultação do sujeito passivo mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta de terceiros consiste em uma infração tipificada como dano ao Erário, conforme previsto no art. 23, inciso V, do DecretoLei 1.455/1976, independentemente de se identificar qual a vantagem (financeira ou não) efetivamente obtida com as operações. Marco Antônio Abdo4, em brilhante explanação sobre o tema, apontou a diferença entre o conceito de dano ao Erário do conceito de dano que é utilizado no Direito Civil: não está relacionado à ocorrência de lesão patrimonial ou moral; não requer, necessariamente, considerações sobre questão do pagamento de tributos, salvo nos casos em que tal fato é previsto no tipo aduaneiro; e alcança somente as situações elencadas pelo art. 23 do Decretolei nº 1.455/1976, c/c art. 105 do Decretolei nº 37/1966, de forma taxativa, sendo inclusive aplicável a bens imunes ou isentos. Tal interpretação decorre da identificação do bem tutelado pelo Direito Aduaneiro, o controle, ao invés do caráter meramente arrecadatório do Direito Tributário. Importase, na análise da infração, a violação do controle aduaneiro mediante fraude ou simulação, e que o dano ao Erário decorreu dessa conduta ilícita tendente a burlar a Administração Aduaneira. (...) [grifos desta Relatora] O recolhimento de todos os tributos devidos ou a ausência de cobertura cambial não são hábeis a afastar o cometimento de infração tipificada em lei, cuja penalidade correspondente será aplicada com o atendimento ao devido processo legal. Relativamente às vantagens que poderiam, em tese, ser auferidas pela ocultação do sujeito passivo na importação, mencionadas na decisão recorrida, elas dizem respeito a alguns motivos que levaram o legislador ordinário a tutelar a transparência acerca dos sujeitos envolvidos na importação, tipificando como infração a sua ocultação mediante fraude ou simulação. De forma que, para o presente processo, importa considerar somente se configurados a autoria e materialidade da infração prevista em lei para a aplicação da penalidade, e não os motivos que levaram o legislador ordinário a tipificar tal conduta como infração. E "A MULTA APLICÁVEL" Fl. 1811DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 28 Requerem as recorrentes a exclusão da DHL EXPRESS do polo passivo da autuação, vez que não teria adquirido as mercadorias, o que não pode ser deferido em face do disposto no art. 27 da Lei nº 10.637/2002 c/c o art. 78 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, que dispõe sobre a presunção de importação por conta e ordem para fins de responsabilização do terceiro que adiantou os recursos para a importação: Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Art. 78. O art. 95 do DecretoLei nº 37, de 1966, passa a vigorar acrescido do inciso V, com a seguinte redação: "V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora." (NR) As recorrentes requerem também a redução da multa ao montante de 10%, nos termos do art. 33 da Lei 11.488/2007, transcrito abaixo, por retroatividade benigna: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Quanto a essa questão, entendo que não merece qualquer reparo a decisão recorrida, pelos seus próprios fundamentos, que considerou que, tratandose de infrações distintas a infração que ora se julga e aquela prevista no art. 33 da Lei 11.488/2007, que tutelam bens jurídicos diversos, não seria o caso de aplicação da retroatividade benigna. A decisão recorrida, inclusive, encontra sustentação em julgado anterior desta 3ª Seção deste Carf, cuja ementa e parte do Voto Vencedor ora se transcreve: Processo n° 10314.010132/200744 Acórdão n° 310100.431 1ª Camara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de maio de 2010 Redator do voto vencedor: Tarásio Campelo Borges ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 10/09/2003 a 08/06/2005 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. O dano ao erário nas infrações enumeradas no caput do artigo 23 do Decretolei 1.455, de 1976, com as modificações introduzidas pela Lei 10.637, de 2002, não é fato típico para a exigência da multa cominada no artigo 33 da Lei 11.488, de 2007, substitutiva da inaptidão do CNPJ de sociedades empresárias inidôneas. Fl. 1812DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10830.720137/200821 Acórdão n.º 3402002.802 S3C4T2 Fl. 1.799 29 Recurso de Oficio Provido. (...) Voto Vencedor Peço vênia à eminente relatora para discordar de suas conclusões relativamente à aplicação do princípio da retroatividade benigna de que cuida o artigo 106, inciso II, alínea "c", do Código Tributário Nacional, porquanto entendo equivocada a pressuposta coincidência entre tipicidades de penas eminentemente cumulativas: o artigo 23 do Decretolei 1.455, de 7 de abril de 1976, com as modificações introduzidas pela Lei 10.637, de 2002, pune o dano ao erário[1]; enquanto o artigo 33 da Lei 11.488, de 15 de junho de 2007 [2] é pena substitutiva da inaptidão do CNPJ de sociedades empresárias inidôneas [3]. Por conseguinte, se distintos os fatos típicos dessas multas, não há se falar em aplicação do principio da retroatividade benigna em face da superveniência do artigo 33 da Lei 11.488, de 2007. Nesse sentido, julgado da Segunda Turma do Tribunal Regional Federal da 4a Região, verbis: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. DILAÇÃO PROBATÓRIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. OCULTAÇÃO DO VERDADEIRO IMPORTADOR. PENA DE PERDIMENTO DAS MERCADORIAS. LEGALIDADE. ARTIGO 33 DA LEI N° 11.488, DE 15 DE JUNHO DE 2007. NÃO REVOGAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO ARTIGO 23 DO DECRETOLEI N" 1.455, DE 1976. AUSÊNCIA DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO. 5. O artigo 33 da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, não tem o condão de afastar a pena de perdimento, porquanto não implicou em revogação do artigo 23 do DL n° 1.455/76, com a redação dada pela Lei n° 10.637/2002. Isso porque, a pena de perdimento atinge, em verdade, o real adquirente da mercadoria, sujeito oculto da operação de importação. A pena de multa de 10% sobre a operação, prevista no referido dispositivo legal, revelase como pena pessoal da empresa que, cedendo seu nome, faz a importação, em nome próprio, para terceiros. O parágrafo único do aludido artigo, por sua vez, estatui que "à hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei n" 9.430, de 27 de dezembro de 1996". Essa complementação legal, constante do parágrafo único, abona o entendimento de que não houve a revogação da pena de perdimento para a hipótese retratada nos autos. Antes o confirma, porquanto exclui, expressamente, apenas a possibilidade da aplicação da sanção de inaptidão do CNPJ. Quanto as demais penas, permanecem incólumes, havendo a previsão, agora também, da pena pecuniária, nos termos do caput do aludido preceptivo. Improvimento da apelação. (AMS 200572080051666, OTÁVIO ROBERTO PAMPLONA, TRF4 SEGUNDA TURMA, 01/08/2007) Fl. 1813DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 30 Com essas considerações, dada a ausência do pressuposto para a aplicação do principio da retroatividade benigna, dou provimento ao recurso de oficio. F "A ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA" Alegam as recorrentes que, na AUSÊNCIA de qualquer vantagem na operação e de DANO AO ERÁRIO, uma vez que todos os impostos devidos teriam sido regularmente recolhidos, não se justificaria a ATUALIZAÇÃO da MULTA, objeto do lançamento, pela taxa SELIC. Como já exposto, o dano ao Erário é presumido com o cometimento da infração que resultou na aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, a qual, como todas as multas moratórias ou punitivas, está sujeita à correção monetária, nos termos da Súmula nº 45 do extinto TFR (DJ de 14/10/1980), para recomposição do valor da moeda. Também a alegada ausência de vantagem na operação em nada afetaria a incidência da atualização monetária, vez que a "correção monetária não se constitui em um plus; não é uma penalidade, sendo, tãosomente, a reposição do valor real da moeda, corroído pela inflação. Portanto, independe de culpa das partes litigantes" (Primeira Turma, AgRg no REsp n. 258.039/PR , relator Ministro José Delgado, DJ de 23.10.2000). De forma que incabível excluir a atualização monetária da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria de que trata o presente processo. Por fim, quanto ao pedido de intimação pessoal do patrono das recorrentes, o art. 23 da Lei nº 70.235, de 1972, não prevê a possibilidade de a intimação darse na pessoa do advogado, tampouco o Regimento Interno do CARF apresenta regramento nesse sentido. Assim, por todo o exposto acima, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. [Assinatura Digital] MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Fl. 1814DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA
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Numero do processo: 10783.725298/2011-19
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA E DEVIDA A TERCEIROS - CARTÃO ALIMENTAÇÃO - INCIDÊNCIA.
O auxílio-alimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador - PAT. Entretanto, quando pago habitualmente e em pecúnia (assim também considerados os pagamentos via cartões ou tickets), por empregador não inscrito no PAT, a verba está sujeita às referidas contribuições.
No caso, o contribuinte não estava inscrito no PAT e efetuou o pagamento em forma de cartão alimentação.
Numero da decisão: 9202-003.730
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente.
Gerson Macedo Guerra - Relator.
EDITADO EM: 25/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente. Gerson Macedo Guerra - Relator. EDITADO EM: 25/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra.
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O auxílioalimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Entretanto, quando pago habitualmente e em pecúnia (assim também considerados os pagamentos via cartões ou tickets), por empregador não inscrito no PAT, a verba está sujeita às referidas contribuições. No caso, o contribuinte não estava inscrito no PAT e efetuou o pagamento em forma de cartão alimentação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente. Gerson Macedo Guerra Relator. EDITADO EM: 25/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 52 98 /2 01 1- 19 Fl. 398DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra. Relatório O crédito tributário objeto da presente discussão foi materializado na lavratura de autos de infração para cobrança de contribuições a cargo da sociedade empresária, incidentes sobre os pagamentos efetuados aos segurados empregados e contribuições devidas às outras entidades e fundos, referentes ao período compreendido entre 01/2009 a 12/2010. A Auditoria Fiscal apurou que o contribuinte realizava a distribuição de CARTÕES ALIMENTAÇÃO aos funcionários. Constatouse, ainda, a ausência de contra partida por parte dos funcionários (desconto em folha), bem como a ausência de inscrição no Programa de alimentação ao Trabalhador – PAT. Houve a interposição de impugnação, julgada improcedente pela DRJ, seguida da interposição de Recurso Voluntário pelo contribuinte ao CARF, que originou a decisão exarada pela 3ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 2ª Sessão de Julgamento, onde ficou consignado o seguinte: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 ALIMENTAÇÃO EM TICKET. CARÁTER INDENIZATÓRIO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. De acordo com o entendimento do STJ, não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos ao empregado a título de alimentação, eis que, independente da forma como tal benefício é ofertado, não há como desqualificar o seu caráter indenizatório. Recurso Voluntário Provido.” Regularmente intimada, a União, tempestivamente, interpôs Recurso Especial de divergência, onde: 1. Invoca como paradigma decisões exaradas pela 1ª e 2ª Turmas Ordinárias da 4ª Câmara, da 2ª Sessão de Julgamento, onde fica patente o entendimento de que incide contribuições previdenciárias sobre o auxílio alimentação que não for concedido in natura, sendo o fornecimento de tickets aos segurados considerado pagamento em espécie; e 2. Argumenta no seguinte sentido: a. De acordo com o artigo 28, da Lei 8.212/91, entendese como salário de contribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, aí incluídos os ganhos habituais sob forma de utilidades; Fl. 399DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10783.725298/201119 Acórdão n.º 9202003.730 CSRFT2 Fl. 399 3 b. Apenas está excluída do saláriodecontribuição a parcela in natura recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei 6.321/76; c. Os valores relativos aos cartões alimentação fornecidos devem integram o salário contribuição, pois não se enquadram como prestação in natura; d. O PAT não admite o fornecimento do auxílio alimentação em pecúnia, a teor do disposto no artigo 4º, do Decreto 5/1991; e. A interpretação das regras que tratam da exclusão de parcelas da base de cálculo das contribuições deve ser literal, em obediência ao artigo 111, I do CTN. Traz decisões do STJ nesse sentido; f. Nos termos da súmula 67, oriunda da Turma Nacional de Uniformização de Jurisprudência dos Juizados Especiais Federais, “o auxílioalimentação recebido em pecúnia por segurado filiado ao Regime Geral de Previdência Social integra o salário de contribuição e sujeitase à incidência de contribuição previdenciária”. Regularmente intimado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, Contra Razões ao Recurso da Fazenda, alegando, em resumo: 1. Não haver incidência das contribuições previdenciárias sobre o auxílio alimentação oferecido mediante Cartão Alimentação, pois tal verba possui natureza indenizatória, não salarial; 2. As próprias convenções coletivas de trabalho inclusas nos autos asseveram que tal benefício não se integra ao salário; Além do alegado, o contribuinte relaciona decisões do TST e STJ sobre o tema, bem como traz decisão do STF, que reconheceu a natureza indenizatória do pagamento de vale transporte em pecúnia, afastando incidência das contribuições previdenciárias, para analogicamente, sustentar a argumentação em relação ao cartão alimentação. É o relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra, Relator Divergência nitidamente demonstrada, dúvidas não há quanto ao cabimento do Recurso Especial da União. Conforme disposto no artigo 22, da Lei 8.218/91, a contribuição da empresa, destinada à Seguridade Social, incide sobre sobre o total das remunerações pagas, devidas ou Fl. 400DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Conforme dispõe o § 2º do artigo 22 em questão, não integram a remuneração as parcelas de que trata o § 9º do art. 28, que, em sua alínea “c”, indica “a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976.” Pela Portaria 03/2002 do MTE, o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), instituído pela Lei nº. 6.321, de 14 de abril de 1976, tem por objetivo a melhoria da situação nutricional dos trabalhadores, visando a promover sua saúde e prevenir as doenças profissionais. Pelo seu artigo 3º, é possível inferir que o PAT é destinado, prioritariamente, ao atendimento dos trabalhadores de baixa renda, isto é, aqueles que ganham até cinco salários mínimos mensais. Entretanto, as empresas beneficiárias poderão incluir no Programa, trabalhadores de renda mais elevada, desde que esteja garantido o atendimento da totalidade dos trabalhadores que percebam até cinco saláriosmínimos e o benefício não tenha valor inferior àquele concedido aos de rendimento mais elevado, independentemente da duração da jornada de trabalho (art. 3º, parágrafo único, da Portaria nº. 03/2002). Ao que me parece, a mens legis da alínea “c”, do § 9º, do artigo 28 em questão está calcada no estímulo aos contribuintes em investirem na alimentação dos trabalhadores de baixa renda, de modo a fornecerlhes condições nutricionais mínimas para a execução do trabalho. Admitese que o estímulo também alcance trabalhadores não considerados de baixa renda, desde que estes tenham exatamente o mesmo acesso que os demais. Percebam, que o objetivo da norma é garantir aos trabalhadores o acesso ao conteúdo nutricional mínimo exigido para a execução de suas atividades laborativas, de modo a promover sua saúde e prevenir as doenças profissionais. Não está contida no espírito da norma a atribuição de vantagens via auxílio à alimentação. Contudo, o que se vê na realidade atual são empregadores oferecendo altos valores em tickets refeição e alimentação, objetivando complementar a remuneração dos trabalhadores contratados e ainda se valer de benesse fiscal. Entendo que não foi esse o desejo do legislador. Com base nisso é que as mais recentes decisões do STJ vêm fincando o entendimento de que o auxílioalimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no PAT. Por outro lado, quando pago habitualmente e em pecúnia, a verba está sujeita a referida contribuição, quando o empregador não estiver inscrito no PAT. É o que se pode notar do decidido no AgRg no REsp 1493587 / RS, cuja ementa abaixo transcrevo: “Ementa TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. FOLHA DE SALÁRIOS. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM PECÚNIA. INCIDÊNCIA. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10783.725298/201119 Acórdão n.º 9202003.730 CSRFT2 Fl. 400 5 1. A jurisprudência desta Corte pacificouse no sentido de que o auxílioalimentação in natura não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. 2. Entretanto, quando pago habitualmente e em pecúnia, a verba está sujeita a referida contribuição. Precedentes: REsp 1196748/RJ, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 28/09/2010; AgRg no AREsp 5810/SC, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 10/06/2011; AgRg no Ag 1392454/SC, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 25/11/2011; AgRg no REsp 1.426.319/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 13/5/2014. 3. Agravo regimental não provido. (Processo AgRg no REsp 1493587 / RS Relator(a) Ministro BENEDITO GONÇALVES; Órgão Julgador T1 PRIMEIRA TURMA; Data do Julgamento 12/02/2015; Data da Publicação/Fonte DJe 23/02/2015) Esse entendimento tem perdurado inclusive quando o pagamento do auxílio alimentação ocorre na forma de tickets, conforme decidido no AgRg no REsp 1.474.955 / RS: “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. FÉRIAS GOZADAS. INCIDÊNCIA. MATÉRIA JULGADA SOB O O RITO DOS RECURSOS REPETITIVOS. RESP 1.230.957/RS. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO EM TICKETS. INCIDÊNCIA DA REFERIDA CONTRIBUIÇÃO. PRECEDENTES. 1. A Primeira Seção desta Corte, no julgamento do REsp 1.230.957/RS, processado nos termos do art. 543C do Código de Processo Civil, firmou a compreensão no sentido de que o pagamento de férias gozadas possui natureza remuneratória, razão pela qual incide a contribuição previdenciária. 2. Conforme entendimento deste Superior Tribunal, o auxílio alimentação pago in natura não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária, esteja ou não a empresa inscrita no PAT; por outro lado, quando pago habitualmente e em pecúnia, incide a referida contribuição, como ocorre na hipótese dos autos em que houve o pagamento na forma de tickets. Precedentes: REsp 1.196.748/RJ, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe 28/09/2010; AgRg no Ag 1.392.454/SC, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, DJe 25/11/2011; AgRg no REsp 1.426.319/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe 13/05/2014. 3. Agravo regimental a que se nega provimento.” Nesse contexto, voto por dar provimento ao Recurso da União. Gerson Macedo Guerra Relator Fl. 402DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Fl. 403DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 15586.001086/2007-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/03/2000 a 30/09/2007
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL.
O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória.
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RELEVAÇÃO DA MULTA. CORREÇÃO DA FALTA NO PRAZO DE DEFESA. PEDIDO IMPLÍCITO. CONCESSÃO.
Para o período da presente lavratura, cabe a relevação da penalidade, pois se trata de infrator primário, que corrigiu a falta até a decisão de primeira instância e não incorreu outras circunstâncias agravantes.
MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO E OCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO INCORRETA OU OMISSA EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. COMPARAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. DISPOSITIVO APLICÁVEL.
Havendo lançamento de ofício e ocorrendo simultaneamente declaração de fatos geradores na GFIP com erros ou omissões, a multa aplicada com base na legislação revogada deve ser comparada com aquela prevista no art. 35-A da Lei n. 8.212/1991, para definição da norma mais benéfica.
CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE O VALOR DAS FATURAS RELATIVAS A SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS INTERMEDIADOS POR COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE. DESNECESSIDADE DE DECLARAÇÃO NA GFIP.
Conforme decisão definitiva do STF, em processo com repercussão geral reconhecida, é inconstitucional a contribuição incidente sobre as faturas relativas a serviços prestados por cooperados intermediados por cooperativa de trabalho, não subsistindo a obrigação das empresas de declararem os valores correspondentes na GFIP.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 2402-004.689
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/03/2000 a 30/09/2007 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RELEVAÇÃO DA MULTA. CORREÇÃO DA FALTA NO PRAZO DE DEFESA. PEDIDO IMPLÍCITO. CONCESSÃO. Para o período da presente lavratura, cabe a relevação da penalidade, pois se trata de infrator primário, que corrigiu a falta até a decisão de primeira instância e não incorreu outras circunstâncias agravantes. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO E OCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO INCORRETA OU OMISSA EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. COMPARAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. DISPOSITIVO APLICÁVEL. Havendo lançamento de ofício e ocorrendo simultaneamente declaração de fatos geradores na GFIP com erros ou omissões, a multa aplicada com base na legislação revogada deve ser comparada com aquela prevista no art. 35-A da Lei n. 8.212/1991, para definição da norma mais benéfica. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE O VALOR DAS FATURAS RELATIVAS A SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS INTERMEDIADOS POR COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE. DESNECESSIDADE DE DECLARAÇÃO NA GFIP. Conforme decisão definitiva do STF, em processo com repercussão geral reconhecida, é inconstitucional a contribuição incidente sobre as faturas relativas a serviços prestados por cooperados intermediados por cooperativa de trabalho, não subsistindo a obrigação das empresas de declararem os valores correspondentes na GFIP. Recurso de Ofício Negado.
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DESCUMPRIMENTO. PRAZO DECADENCIAL. O fisco dispõe de cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ocorreu a infração, para constituir o crédito correspondente à penalidade por descumprimento de obrigação acessória. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RELEVAÇÃO DA MULTA. CORREÇÃO DA FALTA NO PRAZO DE DEFESA. PEDIDO IMPLÍCITO. CONCESSÃO. Para o período da presente lavratura, cabe a relevação da penalidade, pois se trata de infrator primário, que corrigiu a falta até a decisão de primeira instância e não incorreu outras circunstâncias agravantes. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO E OCORRÊNCIA DE DECLARAÇÃO INCORRETA OU OMISSA EM RELAÇÃO A FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES. COMPARAÇÃO DA MULTA MAIS BENÉFICA. DISPOSITIVO APLICÁVEL. Havendo lançamento de ofício e ocorrendo simultaneamente declaração de fatos geradores na GFIP com erros ou omissões, a multa aplicada com base na legislação revogada deve ser comparada com aquela prevista no art. 35A da Lei n. 8.212/1991, para definição da norma mais benéfica. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE O VALOR DAS FATURAS RELATIVAS A SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS INTERMEDIADOS POR COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE. DESNECESSIDADE DE DECLARAÇÃO NA GFIP. Conforme decisão definitiva do STF, em processo com repercussão geral reconhecida, é inconstitucional a contribuição incidente sobre as faturas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 10 86 /2 00 7- 14 Fl. 776DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 relativas a serviços prestados por cooperados intermediados por cooperativa de trabalho, não subsistindo a obrigação das empresas de declararem os valores correspondentes na GFIP. Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 777DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15586.001086/200714 Acórdão n.º 2402004.689 S2C4T2 Fl. 777 3 Relatório Tratase de recurso de ofício interposto pela 13.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ no Rio de Janeiro I (RJ) contra o seu Acórdão n.º 1225.065, que julgou improcedente em parte a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.110.2812. A lavratura em questão referese à aplicação de multa pelo fato do sujeito passivo haver deixado de declarar na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP os pagamentos por serviços médicos prestados por cooperados intermediados por cooperativas de trabalho. Apresentada a defesa, a DRJ decidiu afastar por decadência o período até 11/2001 e, a partir de 12/2002, a penalidade foi objeto de relevação. Para as competências mantidas no AI, 12/2001 a 11/2002, a multa foi calculada levandose em conta a legislação posterior a ocorrência dos fatos geradores, art. 32 A, I, da Lei n.º 8.212/1991, que foi considerada menos gravosa ao sujeito passivo. Dessa decisão, a DRJ recorreu de ofício ao CARF. Cientificada da decisão de primeira instância, a empresa resolveu quitar a parte remanescente do crédito. É o relatório. Fl. 778DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso de ofício atende aos pressupostos de admissibilidade, posto que o valor exonerado foi de R$ 1.064.825,76 (um milhão, sessenta e quatro mil, oitocentos e vinte e cinco reais e setenta e seis centavos), portanto acima do valor mínimo fixado pela Portaria MF n.º 03, de 03/01/20081. Decadência É cediço que, com a declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n.º 8.212/1991 pela Súmula Vinculante n.º 08, editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12/06/2008, o prazo decadencial para as contribuições previdenciárias passou a ser aquele fixado no CTN. Quanto à norma a ser aplicada para fixação do marco inicial para a contagem do quinquídio decadencial, o CTN apresenta três normas que merecem transcrição: Art. 150 (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. ....................................................................................... Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; 1 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. Fl. 779DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15586.001086/200714 Acórdão n.º 2402004.689 S2C4T2 Fl. 778 5 II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. (...) A jurisprudência majoritária do CARF, seguindo entendimento do Superior Tribunal de Justiça (Recurso Especial n.º 973.733/SC, julgado na sistemática do art. 543C do CPC) tem adotado o § 4.º do art. 150 do CTN para os casos em que há antecipação de pagamento do tributo, ou até nas situações em que não havendo a menção à ocorrência de recolhimentos, com base nos elementos constantes nos autos, seja possível se chegar a uma conclusão segura acerca da existência de pagamento antecipado. O art. 173, I, tem sido tomado para as situações em que comprovadamente o contribuinte não tenha antecipado o pagamento das contribuições, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação e também para os casos de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória. Por fim, o art. 173, II, merece adoção quando se está diante de novo lançamento lavrado em substituição ao que tenha sido anulado por vício formal. O caso em tela trata de aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, devese, portanto, aferir a decadência pela regra do inciso I do art. 173 do CTN. Considerandose que a ciência do lançamento ocorreu em 29/11/2007, já não poderiam ser lançadas as multas relativa às competências de 03/2000 a 11/2001. Assim, não há reparos a serem feitos quanto a esse ponto decidido pelo órgão recorrente. Relevação da penalidade Verificase da decisão recorrida que, valendose da regra constante no artigo 291, §1° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, o contribuinte saneou a infração ainda no curso da ação fiscal e requereu a relevação da multa aplicada. A correção da infração para o período de 12/2002 a 09/2007 foi reconhecida pela própria autoridade lançadora. Por entender que a então impugnante satisfez os requisitos normativos, a DRJ dispensou a multa para as competências de 12/2002 a 09/2007. De fato, os autos demonstram que a empresa era primária no cometimento de infrações à legislação previdenciária, corrigiu a falta para as competências relevadas antes da decisão de primeira instância e requereu o benefício. Assim, por estarem presentes os requisitos normativos para relevação da multa, encaminho por manter o que ficou decidido pela DRJ quanto a esse ponto. Aplicação da norma mais benéfica Para o período remanescente, 12/2001 a 11/2002, o órgão recorrente efetuou o cálculo da penalidade pela regra do art. 32A, I, da Lei n.º 8.212/1991, introduzido pela MP n.º 449/2008, posteriormente convertida na Lei n.º 11.941/2009. Fl. 780DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Nesse ponto eu discordo do entendimento lançado na decisão recorrida. De fato, com o advento da Medida Provisória MP n.º 449/2008, convertida na Lei n. 11.941/2009, houve profunda alteração no cálculo das multas decorrentes de descumprimento das obrigações acessórias relacionadas à GFIP. Na sistemática anterior, a infração de omitir fatos geradores em GFIP era punida com a multa correspondente a cem por cento da contribuição não declarada, ficando a penalidade limita a um teto calculado em função do número de segurados da empresa. Quanto havia lançamento da obrigação principal relativo aos fatos geradores não declarados, o sujeito passivo ficava também sujeito à aplicação da multa pelo inadimplemento da obrigação principal, num percentual do valor principal que variava de acordo com a fase processual do lançamento, ou seja, quanto mais cedo o contribuinte quitava o débito, menor era a multa imposta. Com a nova legislação, há duas sistemáticas de aplicação da multa. Inexistindo o lançamento das contribuições, aplicase apenas a multa de ofício prevista no art. 32A da Lei n. 8.212/1991, que é calculada a partir de um valor fixo para cada grupo de 10 informações incorretas ou omitidas, nos seguintes termos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (...) Todavia pelo art. 35A da mesma Lei, também introduzido pela Lei n. 11.941/2009, ocorrendo o lançamento da obrigação principal, a penalidade decorrente do erro ou omissão na GFIP fica incluída na multa de ofício constante no crédito constituído. Deixa, assim, de haver cumulação de multa por descumprimento da obrigação acessória e multa pelo não pagamento do tributo, condensandose ambas em valor único. Vejam o diz o dispositivo: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. É que o art. 44, I, da Lei n. 9.430/19962 prevê que, havendo declaração inexata ou omissa de tributo, acompanhado da falta de recolhimento do mesmo, devese aplicar a multa ali especificada. Como já exposto, nessas situações, a multa agora é una para ambas as infrações, descumprimento das obrigações principal e acessória. 2 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Fl. 781DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 15586.001086/200714 Acórdão n.º 2402004.689 S2C4T2 Fl. 779 7 Diante das considerações acima expostas, não há como se aplicar na situação em tela o art. 32A da Lei n. 8.212/1991, como laborou a DRJ, posto que houve na espécie lançamento das contribuições correlatas. A situação sob enfoque pede a aplicação do art. 35A da mesma Lei, o qual pode ou não ser mais benéfico ao contribuinte, posto que, para os casos em que o teto para aplicação da multa previsto na legislação revogada fica muito abaixo do valor da contribuição não declarada, há a possibilidade do valor da penalidade aplicada com fulcro na sistemática legal anterior situarse num patamar inferior àquela calculada com base na norma atual. Todavia, a economia processual grita para que neguemos totalmente provimento ao recurso de ofício. Explico. É que o inciso IV do art. 22 da Lei n.º 8.212/1991, com redação dada pela Lei n.º 9.876/1999, foi declarado inconstitucional pelo STF e, portanto, a falta de declaração na GFIP das faturas emitidas por cooperativas de trabalho deixou de representar descumprimento de obrigação acessória. Assim, a luz da jurisprudência do STF a infração em tela inexiste. Assim, seria um total desprezo ao princípio constitucional da eficiência da administração pública, previsto no "caput" do art. 37 da Carta Magna, ressuscitar parte da multa que sabemos não é devida em razão da decisão da Corte Máxima que, em sessão plenária realizada em 23/04/2014, ao decidir sobre o RE n. 595.838, declarou por unanimidade a inconstitucionalidade do dispositivo questionado, em julgamento, com repercussão geral reconhecida, que teve o seguinte resultado: “O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, deu provimento ao recurso extraordinário e declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 9.876/1999. Votou o Presidente, Ministro Joaquim Barbosa. Ausente, justificadamente, o Ministro Gilmar Mendes. Falaram, pelo amicus curiae, o Dr. Roberto Quiroga Mosquera, e, pela recorrida, a Dra. Cláudia Aparecida de Souza Trindade, Procuradora da Fazenda Nacional. Plenário, 23.04.2014.” Contra essa decisão a Fazenda Nacional opôs embargos de declaração, que foram rejeitados por unanimidade pela Corte em julgamento, cuja ata foi publicada no DJE em 20/02/2015. Segundo o inciso I do § 1.º do art. 62 do Regimento Interno RI do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015, a contrário senso, esse tribunal administrativo deve afastar a aplicação de dispositivos declarados inconstitucionais por decisão definitiva do STF. Nesse sentido, cabível a declaração de improcedência do auto de infração, haja vista que não haveria a obrigação da entidade de declarar na GFIP os pagamentos à Cooperativa de Trabalho, uma vez que estes não se sujeitam à incidência de contribuições, conforme decisão da Corte Constitucional. Por esse motivo, mesmo não concordando com o critério de aplicação na norma mais benéfica para fixação da multa, encaminho por negar provimento ao recurso necessário. Fl. 782DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 Conclusão Voto por negar provimento ao recurso de ofício. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 783DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12 /2015 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/12/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 15578.000245/2008-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
OMISSÃO OU CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.
Rejeitam-se os embargos de declaração quando não caracterizadas as aduzidas omissão ou contradição na decisão recorrida, fundamento único do recurso.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3301-002.730
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados pelo sujeito passivo, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Fez sustentação oral pelo embargante o advogado Paulo César Caetano OAB/ES 4892.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Cássio Schappo.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 OMISSÃO OU CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. Rejeitam-se os embargos de declaração quando não caracterizadas as aduzidas omissão ou contradição na decisão recorrida, fundamento único do recurso. Embargos rejeitados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados pelo sujeito passivo, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pelo embargante o advogado Paulo César Caetano OAB/ES 4892. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Cássio Schappo.
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Interessado CUSTÓDIO FORZZA COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 OMISSÃO OU CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. Rejeitamse os embargos de declaração quando não caracterizadas as aduzidas omissão ou contradição na decisão recorrida, fundamento único do recurso. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados pelo sujeito passivo, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pelo embargante o advogado Paulo César Caetano OAB/ES 4892. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Cássio Schappo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 57 8. 00 02 45 /2 00 8- 35 Fl. 1531DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 2 Relatório Em sessão transcorrida em 22 de outubro de 2013, a Segunda Turma Especial desta Terceira Seção do CARF deu parcial provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, nos termos do acórdão nº 3802002.114, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 MATÉRIA NÃO CONHECIDA Não se conhece de argumento que não guarda relação com o objeto da contenda. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. SUPOSTA OFENSA AO DIREITO AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. O direito processual tem como regra o princípio da instrumentalidade das formas, segundo o qual, com respeito à nulidade do processo, somente àquela que sacrifica os fins de justiça deve ser declarada pela autoridade julgadora. Assim, a nulidade por cerceamento ao direito de defesa exige seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito por parte do sujeito passivo. Não há nulidade quando a recorrente tem pleno conhecimento dos atos processuais objeto do processo e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados, retratado nas robustas alegações aduzidas em sua peça recursal. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. EXAME ADSTRITO ÀS CONDIÇÕES DA AÇÃO E ÀS CONDIÇÕES DE PROCEDIBILIDADE. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO SOBRE A INEXISTÊNCIA MATERIAL DO FATO. COISA JULGADA QUANTO AOS FATOS NARRADOS PELO MINISTÉRIO PÚBLICO. INOCORRÊNCIA. A sentença penal não faz coisa julgada quanto à materialidade dos fatos se estes não são objeto de apreciação e, portanto, não fundamentam o trancamento da ação penal, restrito à análise das condições da ação e de sua procedibilidade. Realidade em que a extinção da ação penal inaugurada pelo Ministério Público Federal não foi motivada por eventual pronunciamento jurígeno excludente do envolvimento da recorrente com os fatos narrados na denúncia, mas em vista da impossibilidade de tipificação das condutas em crime contra a ordem tributária (Lei nº 8.137/90) antes do lançamento definitivo do tributo (Súmula Vinculante do STF nº 24). PROVA. DEPOIMENTOS E MENSAGENS COM TRATATIVAS DE NEGOCIAÇÕES COMERCIAIS DA EMPRESA. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE EVENTUAL ELEMENTO QUE PUDESSE VIR A CARACTERIZAR A ILEGALIDADE DA PROVA. VIOLAÇÃO AO SIGILO DE DADOS DA EMPRESA PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE NULIDADE. Os depoimentos constituem importante elemento probatório e não podem ser invalidados por simples alegações, sem prova, de eventual suspeição ou vício de consentimento. A legislação tributária federal garante à Administração Tributária pleno acesso a documentos, inclusive magnéticos, fiscais e não fiscais, do contribuinte, bem como a depoimentos de terceiros, ressalvadas as vedações Fl. 1532DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 15578.000245/200835 Acórdão n.º 3301002.730 S3C3T1 Fl. 2.479 3 legais, como forma de averiguar o fiel cumprimento das obrigações tributárias, não podendo a garantia constitucional à privacidade revestirse de instrumento à salvaguarda de práticas ilícitas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP E DA COFINS. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS A PARTIR DE BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS E COM BASE EM CUSTOS E DESPESAS LEGALMENTE AUTORIZADOS. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis no 10.637 de 2002 e 10.833/2003 autorizam o desconto de créditos calculados com base em bens e serviços utilizados como insumos diretamente relacionados à atividade da empresa, bem como apurados a partir de custos e despesas passíveis de creditamento/desconto da contribuição, desde que satisfeitas as condições legais impostas pela norma em evidência. No referido regime, a Lei não contempla creditamento inerente a despesas com combustíveis, a menos que os mesmos possam ser enquadrados como insumos, ou seja, se aplicados diretamente no processo produtivo, e não em fases alheias a referido processo, como no caso analisado, em que os combustíveis foram utilizados nos veículos de propriedade da recorrente, empresa que se dedica ao beneficiamento de café. Também, não existe previsão legal para o desconto de créditos relacionados ao pagamento, a pessoas jurídicas, de serviços de assessoria. Todavia, por serem considerados insumos, os gastos com serviços de corretagem de compra de matériaprima utilizada na fabricação de produtos destinados à venda integram a base de cálculo do crédito do PIS e da COFINS. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 PRESCRIÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONFESSADO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO. Os pedidos de compensação, formalizados mediante declaração própria, tem natureza de confissão de dívida, sendo, pois, “instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados” (§ 6o do artigo 74 da Lei nº 9.430/96). Com a apresentação da declaração de compensação é inaugurada uma nova situação jurídica para o crédito tributário, válida a partir do momento em que definitivamente constituída, uma vez que este, mesmo outrora declarado em DCTF, passa a ter nova feição relativamente à natureza escolhida pelo sujeito passivo para proceder à sua extinção O prazo prescricional para a exigência dos débitos confessados em declaração de compensação é de 5 (cinco) anos, contados da data da entrega da referida declaração. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO INTEGRALMENTE DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. Fl. 1533DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 4 A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez dos créditos alegados impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso ao qual se dá provimento em parte. Em sede de embargos de declaração, aduz a interessada que a decisão vergastada fora omissa na medida em que não teria enfrentado a questão da competência (atribuição) da Turma Especial para julgar questão envolvendo centenas de milhões de reais e, de outro lado, há também contradição, uma vez que o Relator informa que se trata de questão que ultrapassa R$ 890 milhões de reais e, ainda assim, analisou a matéria. (destaque do original) Insurgese ainda a embargante contra a utilização de prova que não consta dos autos, eis que estavam nos autos do processo nº 15586.000089/201117. Nesse sentido, aduz que "[...] a Turma não teve acesso aos documentos relacionados pelo relator do processo, já que todos estão no processo nº 15586.000089/201117". Assim teria havido "[...] prejuízo à defesa do contribuinte, na medida em que os demais Conselheiros não puderam analisar as provas contidas [...]" no aludido processo. Nesse sentido, ressalta, ainda, o seguinte: A nulidade poderia ter sido contornada se o pedido de unificação dos processos tivesse sido deferido, o que não ocorreu, apesar da insistência da contribuinte. Diante desta realidade, o acórdão é nulo por ausência de suporte probatório e não unificação deste processo ao de número 15586.000089/201117. Uma violação da ampla defesa e do contraditório. É crucial que tal questão seja analisada pela Turma, já que estes pontos (não unificação dos processos e não disponibilização do processo n. 15586.000089/201117 aos demais Conselheiros) não foram analisados. (grifo nosso) Na sequência, a interessada reafirma a necessidade de unificação dos processos, e aduz que a Solução de Consulta nº 65, de 31/03/2014, da COSIT, "[...] reconhece o direito ao aproveitamento do crédito integral de PIS e COFINS sobre as aquisições de café das cooperativas agropecuárias, até dezembro de 2011". Referese ainda à Lei nº 12.995/2014, direito superveniente que deveria ser aplicado, já que, "[...] através de seu art. 23, alterou a Lei nº 12.599/2012, permitindo a compensação com outros tributos administrados pela RFB e o ressarcimento em espécie dos créditos presumidos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS". Para tanto alicerçase no artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. No item 2.4 de sua petição de embargos a interessada aduz que muitos dos depoimentos favoráveis à recorrente não teriam sido analisados, "[...] apenas foram mencionados os supostamente não favoráveis". E no item 2.5 diz ter ocorrido omissão grave do relator por este não haver informado em que provas se baseou para afastar a boafé da suplicante. Ressalta que "no caso dos autos, há glosas de créditos relativas a empresas que sequer há o número do CNPJ nos autos, muito menos há depoimentos ou outros documentos que afastem a boafé da embargante". Tais omissões, defende, "levam à nulidade do acórdão". Fl. 1534DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 15578.000245/200835 Acórdão n.º 3301002.730 S3C3T1 Fl. 2.480 5 A embargante continua sua argumentação ressaltando que não teriam sido analisados seus argumentos inerentes ao pedido de diligência e de perícia. Igualmente, não teria sido apreciada a questão relacionada ao reflexo da glosa de créditos sobre o imposto de renda e sobre a contribuição social sobre o lucro líquido. Por todo o exposto, requer que o colegiado se manifeste acerca dos seguintes pontos: a) da incompetência da Turma julgadora para processar e julgar o pleito; b) a "nova" necessidade de unificação dos 36 processos diante do advento da Solução de Consulta COSIT nº 65/2014 e da Lei nº 12.995/2014; c) a nulidade do acórdão pelo uso de documentos apenas presentes nos autos do processo nº 15586.000089/201117; d) a existência de provas favoráveis à recorrente que nem sequer foram citadas no acórdão; e) a não existência de provas sobre muitas empresas e a presunção de boafé; f) "A LIMITAÇÃO ESPACIAL, TEMPORAL E QUANTITATIVA DOS DEPOIMENTOS E DOCUMENTOS APRESENTADOS PELO FISCO, já que as provas, apesar de usadas de forma generalizada pela Fiscalização, vinculamse apenas a poucos lugares, a períodos determinados e a valores reduzidos"; g) a necessidade de diligências / produção de provas; h) "a inexistência de provas que vinculem gestores da 'Custodio Forzza' a condutas de máfé a impossibilidade de imputar uma conduta de máfé a pessoa jurídica"; i) "sobre a necessidade de recalcular o IR/CSLL a pagar em razão das glosas dos créditos fiscais de PIS/COFINS ou, pelo menos, sobre a suspensão da prescrição do direito de pedir a restituição do IRPJ e CSLL recolhidos sobre os créditos glosados, visto que tal fato se consumará somente se for mantida a decisão de não homologar os créditos glosados. Registrase que os tributos compensado e cobrados nestes autos são, exatamente o IRPJ e CSLL compensados, cujos créditos compõem a base de cálculo de ambos". Formalizados os embargos, os autos foram movimentados para este conselheiro, relator originário do processo, em obediência ao disposto nos parágrafos 5º e 6º do artigo 49 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. É o relatório. Voto Fl. 1535DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 6 A ciência da decisão recorrida se deu em 06/08/2015, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fls. 1496. Por sua vez, a petição de embargos de declaração foi protocolizada em 11/08/2015. Assim, considerando o disposto no artigo 5º, caput e parágrafo único, do Decreto nº 70.235/721, resta claro que a petição em tela foi apresentada dentro do prazo cinco dias contados da ciência do acórdão para a interposição dos embargos de declaração (artigo 65, § 1o, do Anexo II do RICARF – aprovado pela Portaria MF no 343, de 09/06/2015). Há, pois, que se conhecer da petição em tela. A primeira argumentação suscitada pela embargante diz respeito a suposta omissão concernente à competência (atribuição) da Turma Especial para julgar o pleito, o qual, segundo alega, ultrapassaria os 890 milhões de reais. Tal argumento, com efeito, não merece prosperar, eis que, conforme ressaltado no relatório objeto da decisão vergastada, "a lide diz respeito a pedido de ressarcimento onde os créditos reclamados correspondem ao PIS/Pasep não cumulativo exportação do primeiro trimestre de 2005 (valor pleiteado: R$ 287.116,91)" (grifei). Diferentemente do que afirma a embargante, o mencionado valor de R$ 890 milhões de reais não se relaciona a crédito tributário lançado ou a direito creditório glosado, mas sim ao total das notas fiscais levantadas pela fiscalização em nome de empresas de fachada, conforme seguinte trecho extraído da decisão guerreada: Conforme relatado, a lide decorre de ação fiscal cujo procedimento e documentação estão acostados aos autos do processo n° 15586.000089/201117 (ao qual nos reportaremos com freqüência), onde a fiscalização relata a apropriação indevida de créditos pelo regime da não cumulatividade do PIS e da COFINS por parte da recorrente, calculados sobre os valores das notas fiscais de aquisição de café em grãos, quando o correto seria a apropriação de créditos presumidos nos termos do artigo 8° da lei n° 10.925/2004, com a redação dada pelo artigo 29 da Lei n° 11.051, de 29/12/2004. Entendeu a fiscalização que as aquisições de café pela recorrente foram contabilizadas em nome de diversas empresas de fachada, utilizadas para dissimular a real aquisição da mercadoria proveniente de pessoas físicas (produtores rurais/maquinistas), e assim se apropriar de crédito em montante superior ao autorizado pela lei. Segundo a informação fiscal que subsidiou o despacho decisório, a análise e recomposição dos saldos desde janeiro de 2005 demonstrou que a recorrente apropriouse de créditos integrais fictos. Em face da reclamante foram levantadas notas fiscais em nome de empresas de fachada (“laranjas”) em montantes que ultrapassaram o valor de R$ 890 milhões nos anos de 2005 a 2009. (grifouse) Assim, o colegiado julgador – Turma Especial – em nada ofendeu ao disposto no artigo 2o, § 2o, da então vigente Portaria MF no 256, de 22/06/2009, segundo o qual "a competência das turmas especiais fica restrita ao julgamento de recursos em processos de valor inferior ao limite fixado para interposição de recurso de oficio pela autoridade julgadora de primeira instância". Tal limite, a teor do disposto na Portaria MF no 3, de 03/01/2008, é de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). 1 Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Fl. 1536DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 15578.000245/200835 Acórdão n.º 3301002.730 S3C3T1 Fl. 2.481 7 Logo, concluise que a Turma julgadora decidiu em processo cujo valor em litígio encontrase dentro de limite estabelecido para Turma Especial. Efetivamente, a questão da incompetência de Turma Especial para o julgamento do feito não foi aduzida pela interessada em seu recurso voluntário. Esta, em homenagem aos princípios do devido processo legal, da ampla defesa e da economia processual, dentre outros, defendeu apenas a necessidade de juntada dos 36 processos da empresa, o que fez com fundamento no § 3º do artigo 18 da Lei nº 10.833/03, na Portaria RFB nº 666/08, e em princípios que norteiam o processo administrativo dispostos na Lei nº 9.784/99. Tal questão foi sim enfrentada pelo colegiado julgador, conforme seguinte trecho do voto que alicerçou sua decisão: Dos argumentos em defesa da nulidade da decisão de primeira instância Dentre os argumentos em prol da nulidade da decisão de primeira instância, o sujeito passivo defende a necessidade de juntada dos 36 processos da empresa que dizem respeito à mesma matéria, a fim de evitar decisões contraditórias e homenagear os princípios do devido processo legal, da ampla defesa, da economia processual, dentre outros. Fundamentase no § 3º do artigo 18 da Lei nº 10.833/03, na Portaria RFB nº 666/08, bem como nos princípios que norteiam o processo administrativo elencados pela Lei nº 9.784/99. Da fundamentação legal adotada pelo sujeito passivo, a Portaria RFB nº 666/08, de fato, prevê a formalização de um único processo administrativo ou a juntada por anexação (artigo 3º), dentre outras hipóteses, relativamente a “Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas” (artigo 1º, inciso IV). Contudo, não compete a este Conselho questionar procedimento diverso adotado pela Receita Federal que não implique em prejuízo ao direito de defesa do sujeito passivo. Com efeito, muito embora seja nítida a conexão processual entre os pedidos de ressarcimento reportados pela recorrente, não há nada nos autos que alicerce o reclamado cerceamento ao seu direito, uma vez que os elementos comprobatórios do indeferimento do pedido são todos de pronto acesso ao sujeito passivo, notadamente na presente conjuntura de uso do processo digital, em que as peças podem ser acessadas eletronicamente com grande facilidade. Digo isso, inclusive, em relação ao processo nº 15586.000089/201117, ao qual foram acostadas as provas e documentos produzidos durante a fiscalização realizada em face da empresa recorrente, como, aliás, está consignado na informação fiscal que subsidiou a decisão objeto dos presentes autos. Tendo a interessada irrestrito acesso aos autos, não há que se cogitar em prejuízo para sua defesa. A suplicante se socorre também no § 3º do artigo 18 da Lei nº 10.833/03, bem como em princípios que norteiam o processo administrativo dispostos na Lei nº 9.784/99. Relativamente ao § 3º do artigo 18 da Lei nº 10.833/03, este determina apenas a juntada das peças que tratam da manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação e da correspondente impugnação da multa de ofício Fl. 1537DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 8 decorrente de diferenças apuradas, dentre outras, em declaração de compensação (art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001). Logo, não obriga à juntada de todos os processos conexos do mesmo sujeito passivo. Já em relação aos princípios do processo administrativo reportados pela Lei nº 9.784/99, não vislumbro nos autos nada que represente ofensa ao direito de defesa da solicitante que pudesse redundar na nulidade de qualquer ato decisório contidos em suas peças, como já ressaltado. O Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009) também trata da distribuição conjunta de processos conexos. Tal preceito, contudo, não é de natureza cogente, posto que apenas faculta referenciado procedimento, como revela o verbo que integra o núcleo normativo do artigo 6o do Anexo II do Regimento em tela, abaixo transcrito e destacado: Art. 6° Verificada a existência de processos pendentes de julgamento, nos quais os lançamentos tenham sido efetuados com base nos mesmos fatos, inclusive no caso de sujeitos passivos distintos, os processos poderão ser distribuídos para julgamento na Câmara para a qual houver sido distribuído o primeiro processo. Parágrafo único. Os processos referidos no caput serão julgados com observância do rito previsto neste Regimento. (grifo nosso) No mais, reiterese que a não adoção dos procedimentos perquiridos pela recorrente, por não trazerem prejuízo para a defesa, não tem o condão de dar ensejo à nulidade da decisão de primeira instância, até porque o direito processual tem como regra o princípio da instrumentalidade das formas, que traz como consequência, com respeito à nulidade do processo, que somente àquela que sacrifica os fins de justiça do processo deve ser declarada pela autoridade. Tal princípio está assente nos artigos 563 e 566 do Código de Processo Penal2. No âmbito do Código de Processo Civil, dispõe o artigo 244 que, Quando a lei prescrever determinada forma, sem cominação de nulidade, o juiz considerará válido o ato se, realizado de outro modo, lhe alcançar a finalidade. A inocorrência de prejuízo para a defesa também afasta a hipótese de nulidade fundada na ausência de análise de prorrogação do prazo para a juntada de documentos, posto que não demonstrado eventual prejuízo decorrente da citada conduta omissiva. [...] Vêse, pois, que o colegiado julgador, de forma fundamentada, afastou a arguída nulidade da decisão de primeira instância pela negativa de juntada dos 36 processos em nome da interessada. Na oportunidade, foi abordada a inexistência de prejuízo para sua defesa, já que "os elementos comprobatórios do indeferimento do pedido são todos de pronto acesso ao sujeito passivo, notadamente na presente conjuntura de uso do processo digital, em que as peças podem ser acessadas eletronicamente com grande facilidade". Isso vale para o alegado "[...] prejuízo à defesa do contribuinte, na medida em que os demais Conselheiros não puderam analisar as provas contidas [...]" no processo nº 15586.000089/201117, processo este onde foram acostadas as provas e documentos produzidos durante a fiscalização realizada em face da empresa recorrente. 2 Art. 563. Nenhum ato será declarado nulo, se da nulidade não resultar prejuízo para a acusação ou para a defesa. Art. 566. Não será declarada a nulidade de ato processual que não houver influído na apuração da verdade substancial ou na decisão da causa. Fl. 1538DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 15578.000245/200835 Acórdão n.º 3301002.730 S3C3T1 Fl. 2.482 9 Fato é que foram efetivamente analisados todos os argumentos aduzidos pela suplicante concernente a suposto prejuízo ao seu direito defesa, razão pela qual não há que se falar em suposta omissão na decisão vergastada no que concerne a essa questão. A embargante assevera que a Solução de Consulta nº 65, de 31/03/2014, da COSIT, "[...] reconhece o direito ao aproveitamento do crédito integral de PIS e COFINS sobre as aquisições de café das cooperativas agropecuárias, até dezembro de 2011". Referese ainda à Lei nº 12.995/2014, direito superveniente que deveria ser aplicado, já que, "[...] através de seu art. 23, alterou a Lei nº 12.599/2012, permitindo a compensação com outros tributos administrados pela RFB e o ressarcimento em espécie dos créditos presumidos da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS". Ora, a própria data de expedição dos atos normativos retrocitados, ambos do ano de 2014, revela que a argumentação não merece ser acatada em sede de embargos de declaração, eis que a decisão guerreada foi proferida anteriormente, em 22/10/2013. Logo, não se pode admitir tal argumentação em sede de embargos de declaração, eis que os mesmos são modalidade recursal destinada a sanear acórdão eivado de "[...] obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma" (conf. caput do artigo 65 do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015). Com efeito, não se pode alegar omissão ou contradição em relação a argumento fundado em atos normativos que nem sequer existiam à época em que fora proclamada a decisão contestada. Embargos de declaração não são via de rediscussão de direito. A embargante também aduz que muitos dos depoimentos favoráveis à recorrente não teriam sido analisados, "[...] apenas foram mencionados os supostamente não favoráveis". No item 2.5 relata haver omissão grave do relator por este não haver informado em que provas se baseou para afastar a boafé da suplicante. Ressalta que "no caso dos autos, há glosas de créditos relativas a empresas que sequer há o número do CNPJ nos autos, muito menos há depoimentos ou outros documentos que afastem a boafé da embargante". Tais omissões, defende, "levam à nulidade do acórdão". Não obstante, a leitura do extenso voto condutor da decisão embargada revela que o conjunto probatório foi detalhadamente examinado, tendo o colegiado julgador entendido haver razões suficientes para fundamentar sua decisão no sentido da caracterização do ilícito tributário. Vale ressaltar que na decisão em tela foi examinada e rechaçada suposta nulidade da decisão de primeira instância pelo fato de a DRJ não ter apreciado alguns argumentos do sujeito passivo, conforme trecho do voto que alicerçou a decisão embargada, que ora transcrevo: A nulidade também é reclamada pelo fato de a DRJ, segundo alega a reclamante, não ter apreciado argumentos e documentos objeto da manifestação de inconformidade, notadamente quanto à “regularidade das pessoas jurídicas apelidadas de ‘fictícias’ pela fiscalização”. A decisão de primeira instância também teria sido omissa concernente a depoimentos segundo os quais os gestores da recorrente “[...] não sabiam que as atacadistas não recolhiam seus tributos ou que não laboravam na atividade para a qual foram criadas [...]”, bem como no tocante aos lançamentos formalizados dentro da mesma operação de Fl. 1539DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 10 fiscalização, ao princípio da boafé, ao fato de a Receita Federal haver permitido o funcionamento das empresas que hoje afirma não existentes, dentre outros. Igualmente, entendo que isso também não leva à nulidade da decisão vergastada, posto que esta se apresenta devidamente motivada em argumentos que alicerçam suficientemente a convicção a que chegou o Colegiado a quo. Com efeito, não é indispensável que a decisão se reporte pontualmente a todas as alegações apresentadas pelo reclamante, e isso não obstante o disposto no artigo 31 do Decreto nº 70.235/72, o qual determina que a decisão deve “[...] referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências” (grifo nosso). De fato, o Superior Tribunal de Justiça, bem como este Conselho, tem adotado a postura de não exigir a apreciação exaustiva de todos os argumentos aduzidos na impugnação, mas isso desde que a autoridade julgadora de primeira instância tenha encontrado razões suficientes para fundamentar sua decisão sobre as matérias em litígio, como ocorreu no caso presente. Nesse sentido, o seguinte julgado: PAF – NULIDADE DA DECISÃO / CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O julgador não está obrigado a contestar item por item os argumentos expendidos pela parte quando analisa a matéria de mérito, conforme decisão do STJ – Resp 652.422 – (2004/0099087 0) RET n 43 – maio/junho/2005, p.136:5691 – “VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535 DO CPC – INOCORRÊNCIA – TRIBUTÁRIO – ICMS – MANDADO DE SEGURANÇA – AUTORIZAÇÃO PARA IMPRESSÃO DE DOCUMENTOS FISCAIS – DÉBITOS COM A FAZENDA PÚBLICA – PRINCÍPIO DO LIVRE EXERCÍCIO DA ATIVIDADE ECONÔMICA – ART. 170, PARÁGRAFO ÚNICO DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL – SÚMULA Nº 547 DO STF – MATÉRIA CONSTITUCIONAL – NORMA LOCAL – RESSALVA DO ENTENDIMENTO DO RELATOR. 1. Inexiste ofensa ao artigo 535 do CPC, quando o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater um a um os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão (...) 6. Recurso não conhecido.” (1º CC, Acórdão 10808866, sessão de 25/06/2006, relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro). Afastamse, pois, todos os argumentos em prol da nulidade da decisão de primeira instância. Como se vê, permanece a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão, pressupostos sem os quais não há como acolher os embargos de declaração da reclamante. Fl. 1540DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS Processo nº 15578.000245/200835 Acórdão n.º 3301002.730 S3C3T1 Fl. 2.483 11 A embargante ressalta também que não teriam sido analisados seus argumentos inerentes ao pedido de diligência e de perícia. De fato, consta do relatório objeto da decisão recorrida que a suplicante requereu diligência ou perícia para juntada aos autos dos processos em que houve lançamentos vultosos de PIS e COFINS, uma vez que não é lícito à Receita Federal impor referidas contribuições duas vezes sobre a mesma cadeia produtiva; necessário também a juntada aos autos vários depoimentos mencionados no relatório fiscal, em homenagem ao direito de defesa da recorrente. Não obstante, essas questões foram devidamente apreciadas na decisão embargada, como comprova o seguinte trecho de seu correspondente voto condutor: A suplicante alega a ocorrência de bis in idem em vista das autuações formalizadas pela Receita Federal contra empresas atacadistas e seus responsáveis solidários pela sonegação de tributos nas operações de compra e venda de café de produtores rurais. Segundo entende, as autuações contra “centenas de pessoas físicas e jurídicas” representaria “dupla imposição de PIS e COFINS sobre uma mesma base de cálculo, violação clara da não cumulatividade”. Tal argumento, todavia, também não merece prosperar, pois os procedimentos de fiscalização contra cada sujeito passivo são autônomos e individualizados – ressalvada a possibilidade de responsabilização solidária –, apesar de, no caso, decorrer de uma operação para investigação de um setor econômico específico. No mais, não existe fundamento legal que legitime aduzido mecanismo compensatório proposto pelo sujeito passivo, o que também descarta a necessidade de diligência ou perícia para a juntada aos autos dos processos em que houve lançamentos do PIS e da COFINS em face das outras empresas envolvidas. (grifouse) Também assevera a embargante que não teria sido apreciada a questão relacionada ao reflexo da glosa de créditos sobre o imposto de renda e a contribuição social sobre o lucro líquido. De fato, o colegiado recorrido não conheceu do argumento em tela, eis que o mesmo não integra o litígio, restrito à apropriação indevida de créditos pelo regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS por parte da recorrente, calculados sobre os valores das notas fiscais de aquisição de café em grãos, quando o correto seria a apropriação de créditos presumidos nos termos do artigo 8° da lei n° 10.925/2004, com a redação dada pelo artigo 29 da Lei n° 11.051, de 29/12/2004. Assim, a Turma recorrida acolheu o voto que, nessa parte, não conheceu do recurso, conforme trecho abaixo transcrito: Da admissibilidade parcial do recurso Conforme relatado, a ciência da decisão recorrida se deu em 30/04/2013 (fls. 273). Por sua vez, o recurso voluntário de fls. 276/350 foi apresentado em 28/05/2013, tempestivamente, portanto. Contudo, muito embora os demais requisitos de admissibilidade se encontrem presentes, há argumentos apresentados no recurso que não Fl. 1541DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS 12 podem ser conhecidos, uma vez que não tem relação com a lide objeto dos autos. Digo isso em relação ao aduzido direito para recalcular e a pedir restituição do IRPJ e da CSLL calculados sobre os créditos de PIS e COFINS lançados como receitas, mas não homologados, sob o argumento de que tais importâncias integram a base de cálculo de ambos os tributos. Tal pedido, decerto, não compreende a matéria objeto do litígio, razão pela qual não pode ser conhecida. Portanto, e considerando, ainda, a competência material para o julgamento do feito, conheço do recurso, ressalvada a observação supra, posto que atendidos os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Diante de tudo o que foi acima exposto vêse que nenhum dos argumentos apresentados pelo sujeito passivo se subsume ao disposto no caput do artigo 65 do anexo II do Regimento Interno do CARF3, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, uma vez demonstrado que o acórdão embargado não padece de "obscuridade, omissão ou contradição", e que a embargante, com sua argumentação, vislumbra, na verdade, rediscutir o direito, o que é inadmissível em sede de embargos de declaração. Da conclusão Diante do exposto, e considerando que o acórdão recorrido não está eivado de vício que justifique a oposição de embargos de declaração, voto para que seja rejeitado o recurso formalizado pelo sujeito passivo, visto que este carece de pressuposto essencial à sua legitimação. Sala de sessões, em 10 de dezembro de 2015. Francisco José Barroso Rios – Relator 3 Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Fl. 1542DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 19/12/2015 por FRANCISCO JOSE BARR OSO RIOS
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Numero do processo: 10980.007119/2008-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Dec 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
Ementa:: RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO.
O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância, ex vi do disposto no art. 33 do Decreto nº. 70.235, de 1972.
Recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma conhecimento, visto que, nos termos do art. 42 do mesmo diploma, a decisão de primeira instância já se tornou definitiva.
Numero da decisão: 1301-001.862
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestivo, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Filho, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004 Ementa:: RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância, ex vi do disposto no art. 33 do Decreto nº. 70.235, de 1972. Recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma conhecimento, visto que, nos termos do art. 42 do mesmo diploma, a decisão de primeira instância já se tornou definitiva.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestivo, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Filho, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).
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O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância, ex vi do disposto no art. 33 do Decreto nº. 70.235, de 1972. Recurso apresentado após o prazo estabelecido, dele não se toma conhecimento, visto que, nos termos do art. 42 do mesmo diploma, a decisão de primeira instância já se tornou definitiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestivo, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Filho, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 71 19 /2 00 8- 36 Fl. 425DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 2 Relatório Trata o presente processo trata dos autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica/IRPJ (fls. 3843 e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido/CSLL (fls. 45 50), por meio dos quais se exige da contribuinte o crédito total de R$ 1.563.888,28, incluindo juros moratórios calculados até 30/04/2008), conforme Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo (fls. 01). O motivo do lançamento se encontra descrito no auto de infração do IRPJ nos seguintes termos: “insuficiência de recoolhimento ou de declaração do imposto de renda devido nos quatro trimestres do ano calendário de 2003 e no primeiro trimestre de 2004, apurado pelo confronto dos dados obtidos através das Declarações de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica/DIPJ de fls. 03 a 14 com os valores declarados em DCTF fls. 09 e 20 e/ou recolhimentos efetuados de fls. I0 e 21, conforme demonstrativo abaixo; Os fundamentos legais do lançamento se encontram discriminados no campo próprio de cada auto de infração. Consta dos autos o Termo de Sujeição Passiva Solidária de fls. 52, lavrado pelos motivos nele declinados nos seguintes termos: "1. A empresa encontrase na situação de INAPTA, perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil, em decorrência de ação fraudulenta, por esta registrada em nome de interpostas pessoas. 2. Conforme documentos as fls. 37, Sironi Antonio Cavagnoli assume a titularidade da empresa, sendo proprietário de 99% das quotas de capital. 3. Foi desconsiderada a personalidade jurídica da empresa GIRO COMÉRCIO DE PNEUS LIDA, sendo responsável, portanto, 0 sócio de fato, conforme artigos 124, inciso I, e 135, inciso I, do Código Tributário Nacional Lei n” 5.1 72/66. 4. A empresa, durante os anos calendário de 2003 e 2004, recolheu a menor os valores devidos do Imposto de Renda Pessoa Jurídica /IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Liquido/CSLL, PIS e COFINS, o que resultou na lavratura de Autos de Infração, que totalizaram RS 1.653.938,23. A pessoa jurídica autuada e 0 sujeito passivo solidário foram cientificados, sendo que em 25/06/2008, o sujeito passivo solidário, Sironi Antonio Cavagnoli apresentou a impugnação de fls. 60/75, veiculando as alegações adiante sintetizadas: 1 Apontamento de erros nos cálculos Com relação à CSLL, afirma que, no 4° trimestre de 2003, o valor pago foi de Ršlš 25.822,54, do qual foi considerado pela fiscalização apenas a importância de R$ 24.072,48. Reclama o crédito no importe de R$ 'l.750,06. Reportandose ao IRPJ, afirma que no mesmo trimestre o valor pago totaliza aR$ 29.074,98, mas foi considerado pela fiscalização apenas a importância de Rflš 27.104,49. Reclama a diferença, no montante de R$ 1.970,49. 2. Ilegalidade da Taxa SELIC Fl. 426DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10980.007119/200836 Acórdão n.º 1301001.862 S1C3T1 Fl. 12 3 Em extenso arrazoado, inquina de ilegal a cobrança de juros moratórios calculados com base na taxa SELIC. Ao filial, pleiteia o reconhecimento da ilegalidade da taxa SELIC e sua substituição pelo percentual de 1%, previsto no § l.“ do art. l6'l do CTN. 3. Redução da multa Manifesta inconformismo contra o percentual da multa lançada e arremata seu raciocínio argumentando que os percentuais de multas fiscais impostos podem ser revistos pelo Poder Judiciário, já que nenhuma lesão ou ameaça de lesão a direito escapará do controle judicial, que detém amplos poderes para adequar, no caso concreto, a limitação ao poder de impor multas aos princípios constitucionais ou, em controle abstrato, retirar do ordenamento norma que imponha multa fiscal inconstitucional. Finaliza requerendo: a) a realização de perícia nos cálculos que constam em anexo ao auto de infração; b) seja reconhecida a ilegalidade da taxa SELIC, excluída ou afastada do débito e determinada a aplicação do § l° do art. 161 do CTN; c) a redução da multa imposta e respectiva gradaçao da multa, por ser excessiva, desproporcional e ferir os princípios da razoabilidade das leis, do nãoconfisco, da capacidade contributiva, da legalidade e outros. A DRJ/CURITIBA decidiu a matéria consubstanciada pelo Acórdão 06 28.485, de 30 de setembro de 2010, julgando improcedente a impugnação, tendo sido lavrada a seguinte ementa: Assumo: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA/IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS RECOLHiDOS. Os valores recolhidos a título de multa e juros moratórios, por possuírem natureza distinta, não devem ser deduzidos do valor dos tributos lançados. ALEGAÇÕES VOLTADAS CONTRA A LEGISLAÇÃO. O julgamento administrativo materializa mecanismo de controle da legalidade do lançamento, assim entendida a adequação entre este e a legislação de regência. Por isso, O julgador administrativo carece da competência de dispensar, reduzir ou substituir os consectários multas e juros moratórios previstos na legislação de regência. LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicase ao lançamento decorrente (CSLL), no que couber, O que restar decidido com relação ao lançamento matriz, relativo ao IRPJ. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido É relatório. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 4 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O Recurso Voluntário impetrado pelo responsável solidário Sr. SIRONI ANTONIO CAVAGNOLI, não merece ser acolhido, pois constatase que não foi respeitado o prazo legal para a sua interposição. De ressaltar que a empresa autuada deixou de apresentar impugnação inicial e conseqüentemente não apresenta o recurso em segunda instância. Vêse dos autos, às fls. 356, que a peça recursal foi protocolizada na data de 26 de novembro de 2010 (sextafeira), conforme atesta o carimbo receptor da DRF/CURITIBA (Secat)). Consta dos autos “AR” às fls.354 de intimação no endereço tributário do contribuinte responsável com ciência em 13 de outubro de 2010 (quarta feira). Portanto, o prazo recursal esgotouse em 12/11/2010 (sextafeira), ou seja, 30 dias a partir do dia seguinte à ciência (14/10/2010). Logo, intempestivo nos termos do artigo 33 do PAF, verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. E, mais, no caso, tornase definitiva a decisão prolatada em primeira instância, conforme expresso no art. 42, I, do mesmo diploma legal acima citado: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; Assim, considerando que não cumprido o prazo previsto no art. 33 do Decreto nº. 70.235, de 1972, para interposição do recurso voluntário contra a decisão exarada em primeira instância, conduzo meu voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário, por perempto. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 428DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10980.007119/200836 Acórdão n.º 1301001.862 S1C3T1 Fl. 13 5 Fl. 429DF CARF MF Impresso em 23/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 21/ 12/2015 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 23/12/2015 por WILSON FERNANDES GU IMARAES
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000102/2004-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998, 01/12/2000 a 31/12/2000, 01/06/2001 a 30/06/2001
EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. CORREÇÃO.
Verificada inexatidão material devida a lapso manifesto no acórdão embargado, especificamente no que diz respeito à indicação da data em que ocorreu a sessão de julgamento, impõe-se a sua devida correção.
Embargos inominados acolhidos.
Numero da decisão: 3201-002.030
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos inominados, nos termos do voto do relator.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Cassio Shappo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998, 01/12/2000 a 31/12/2000, 01/06/2001 a 30/06/2001 EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. CORREÇÃO. Verificada inexatidão material devida a lapso manifesto no acórdão embargado, especificamente no que diz respeito à indicação da data em que ocorreu a sessão de julgamento, impõe-se a sua devida correção. Embargos inominados acolhidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos inominados, nos termos do voto do relator. Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Cassio Shappo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario.
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MULTA Recorrente DOCEPAR S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998, 01/12/2000 a 31/12/2000, 01/06/2001 a 30/06/2001 EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL. CORREÇÃO. Verificada inexatidão material devida a lapso manifesto no acórdão embargado, especificamente no que diz respeito à indicação da data em que ocorreu a sessão de julgamento, impõese a sua devida correção. Embargos inominados acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos inominados, nos termos do voto do relator. Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Cassio Shappo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 01 02 /2 00 4- 86 Fl. 388DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 2 Tratase de despacho proferido por autoridade administrativa, informando que o Acórdão nº 3202001.488, de 26/02/2015, foi formalizado com o número de outro processo administrativo (fl. 382). É a seguinte a ementa do acórdão embargado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998, 01/12/2000 a 31/12/2000, 01/06/2001 a 30/06/2001 PIS DECADÊNCIA Tendo sido constituído o crédito tributário dentro do prazo de dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, não se caracteriza a decadência. IMPUGNAÇÃO PROVA A prova documental deve ser apresentada pelo contribuinte no momento da impugnação do lançamento. AÇÃO JUDICIAL CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE Não há que se falar em suspensão da exigibilidade do crédito tributário, quando o provimento judicial obtido pelo sujeito passivo já havia sido reformado, favoravelmente à Fazenda Nacional, em data anterior ao início do procedimento Fiscal. Lançamento Procedente O processo julgado pela então 2ª Turma Ordinária desta 2ª Câmara versava sobre auto de infração, por meio do qual se constituiu crédito tributário decorrente da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, referente aos períodos de apuração 01/98 a 12/98, 12/00 e 06/01, no valor total de R$ 886.041,55, incluídos multa proporcional e juros de mora. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o que importa relatar. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Como já se antecipou, a unidade de origem informa que o Acórdão nº 3202 001.488, de 26/02/2015, foi, por equívoco, formalizado com o número de outro processo administrativo. É, com efeito, o que houve, visto que, em vez do nº 18471.000102/200486, registrouse, no campo próprio, o n.º 10945.720325/201329. Assim, recebo o despacho em referência como embargos inominados, destinado a corrigir apenas o número do processo, mantendose inalterado tudo o que antes já decidido quanto ao litígio. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 18471.000102/200486 Acórdão n.º 3201002.030 S3C2T1 Fl. 388 3 Ante o exposto, nos termos do art. 66 do atual Regimento Interno deste Conselho Administrativo, conheço e acolho os embargos inominados, sem efeitos modificativos, apenas para corrigir, no Acórdão nº 3202001.488, de 26/02/2015, o número do processo, que passa a ser 18471.000102/200486, mantendose tudo o que já decidido pela então 2ª Turma Ordinária desta 2ª Câmara. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 390DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 9/02/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.720426/2007-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Não demonstrada a ocorrência dos pressupostos que ensejam a oposição de embargos declaratórios, devem os mesmos serem rejeitados.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3402-002.950
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Jorge Olmiro Lock Freire - relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Não demonstrada a ocorrência dos pressupostos que ensejam a oposição de embargos declaratórios, devem os mesmos serem rejeitados. Embargos rejeitados.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Jorge Olmiro Lock Freire - relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Não demonstrada a ocorrência dos pressupostos que ensejam a oposição de embargos declaratórios, devem os mesmos serem rejeitados. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. Antonio Carlos Atulim Presidente. Jorge Olmiro Lock Freire relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 04 26 /2 00 7- 49 Fl. 299DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos em tempo hábil pelo contribuinte, em face do Acórdão nº 3402002.801, de 09/12/2015. Inicialmente averba que o aresto foi omisso em relação alegação da inexistência de vedação legal de crédito vinculado a processo administrativo em trâmite e da inaplicabilidade do art. 74, § 3º, IV, da Lei 9.430. Aduz que foi alegado no recurso que a Lei 9.430/96 não traz vedação da utilização de créditos controlados em processo administrativo anterior, pontuando que ao aplicar o art. 170 fora do contexto das normas que regulam a compensação "deuse eficácia imediata à vedação de compensação que foi trazida para o ordenamento jurídico em momento posterior aos fatos discutidos nos autos", sendo que a compensação inserta nestes autos foi protocolada em 21/08/2004, antes da MP 219/04, convertida na Lei 11.051/04. Entende, ainda, que houve omissão no acórdão por não ter se manifestado sobre o fato alegado de que as compensações "foram realizadas apenas como instrumento de demonstração de compensações anteriormente registradas em DCTF e na contabilidade da fundação". Isso porque nas datas de entrega das DCTF o processo administrativo que contem os pagamentos indevidos não havia sido apreciado pela RFB. Entende relevante tal questão que "foi ignorada pelo voto condutos", porque, entende, "se as compensações foram submetidas a RFB (declaradas nas DCTF) em momento que não havia indeferimento do seu pedido de restituição (antes de 2003), na linha sustentada pelo acórdão embargado não porque negarse o direito de ver reconhecida a compensação. Alega ainda "contradição/obscuridade" porque a decisão deuse por voto de qualidade, sendo que os julgadores vencidos votaram por converter o julgamento em diligência para que se aguardasse o julgamento do processo onde se discute o mérito. Averba que "a tese vencida revelase mais adequada no momento do processo no qual se discute o direito creditório". E sentencia: "...se a expectativa é que o crédito seja prontamente reconhecido não há sentido em obrigar a embargante a recolher todos os tributos compensados para em seguida valerse novamente do crédito reconhecido". Finaliza que a decisão embargada reconhece a possibilidade de legitimarse compensação, citando excerto da mesma. Pede, ao fim, que "seja retificado o julgado para determinarse novo julgamento com a participação de Conselheiros aptos para o julgamento com o pleno e exaustivo exame de todas matérias recursais". É relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, relator. Cediço que o objeto dos embargos tem como fulcro permitir que a decisão seja a mais hígida possível, de modo a permitir sua execução, sem margem à dúvida, quer quanto ao seu teor quer quanto à sua liquidação. Contudo, espantame como vem sendo usada no CARF de forma promíscua para suspender a exigibilidade de crédito indevidamente compensado, nos termos do julgado. Fora essa "tática", são usados recorrentemente com o fim de que seja novamente julgado o que já foi, como se tratassem de embargos com conteúdo Fl. 300DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10830.720426/200749 Acórdão n.º 3402002.950 S3C4T2 Fl. 300 3 infringente, natureza que lhes falecem. Esse é o teor dos presentes embargos: "rejulgar" o já julgado. Para tal fim, satisfeitos seus requisitos, se presta o Recurso à CSRF. A questão controversa nos autos e objeto do julgamento do aresto embargado, que contou com sustentação oral do patrono da então recorrente, foi simplesmente que não pode o contribuinte levar a efeito compensação se o crédito objeto da mesma não é líquido e certo, e ponto. Ainda mais como no caso dos autos em que o crédito "nasceu" de uma tese jurídica. Em suma, não há omissão no aresto que tenha ensejado qualquer prejuízo a defesa, pois a decisão teve como fundamento legal o não atendimento ao artigo 170 do CTN, porque o crédito quando da compensação era incerto e ilíquido, portanto contrariando os termos daquela norma. Demais disso, é firme jurisprudência do STJ no sentido de que o julgado não tem que enfrentar um a um dos argumentos de defesa, se em seu bojo a motivação é suficiente e inteligível para definir o direito controverso. Transcrevo um precedente ilustrativo dessa posição: Destacase, ainda, que, tendo encontrado motivação suficiente para fundar a decisão, não fica o órgão julgador obrigado a responder, um a um, todos os questionamentos suscitados pelas partes, mormente se notório seu caráter de infringência do julgado. (1a. Turma, AgRg no AREsp 12.346/RO, Rel. Min. ARNALDO ESTEVES LIMA, DJe 26.08.2011.) (sublinhei) Quanto à alegada "contradição/obscuridade", pelos próprios termos articulados pela embargante, não houve. O que ela pretende, equivocadamente e com recurso impróprio, é fazer valer sua pretensão a qualquer custo, chegando a asseverar, inacreditável, "que a tese vencida revelase mais adequada", como se o resultado do julgamento tivesse distinto valor por ter sido julgado por voto de qualidade. A decisão decidiu o direito. Contudo, "se a decisão embargada implicaria apenas em prejuízos e desencaixes financeiros para a fundação", tal questão é alheia ao julgado. Por fim, ao alegar que a decisão "de forma obscura e até contraditória", reconhecendo a possibilidade de legitimarse a compensação nos termos do excerto transcrito nos embargos, resta patente o fim procrastinatório da fundação. Onde está a contradição ou obscuridade quando a decisão embargada asseverou que descabe compensação com crédito incerto e ilíquido, mas que uma vez liquidado ele pode ser usado em ulterior compensação? Com esses fundamentos, não demonstrados os pressuposto regimentais que os ensejam, voto no sentido rejeitar os embargos. assinado digitalmente Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 301DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Fl. 302DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 21/03/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 22/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10120.005282/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2002 a 31/07/2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ALEGAÇÃO DE OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. Tendo em vista que restou devidamente comprovado a ocorrência de vício no corpo do acórdão do voto condutor, os embargos devem ser acolhidos de modo a sanar o equívoco.
Embargos acolhidos em parte.
Numero da decisão: 2402-004.878
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os embargos de declaração para sua retificação no que tange à contradição e, nas demais questões, rejeitá-las.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ALEGAÇÃO DE OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. Tendo em vista que restou devidamente comprovado a ocorrência de vício no corpo do acórdão do voto condutor, os embargos devem ser acolhidos de modo a sanar o equívoco. Embargos acolhidos em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os embargos de declaração para sua retificação no que tange à contradição e, nas demais questões, rejeitálas. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 52 82 /2 00 7- 11 Fl. 679DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/0 2/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos em face do v. acórdão 2402 00.382, prolatado por esta Eg. Turma, o qual restou assim ementado: " ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/06/2002 a 31/07/2004 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SÚMULA N. 08 DO STF. ART. 173, I DO CTN.Ê de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento das contribuições previdenciárias. NFLD. RETENÇÃO SOBRE SERVIÇOS PRESTADOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃODEOBRA. OBRIGAÇÃO DO TOMADOR DOS SERVIÇOS. Nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91, o tomador de serviços deve efetuar a retenção de 11% sobre os valor das notas fiscais emitidas para pagamento de serviços realizados mediante cessão de mãodeobra, efetuado, ainda, o seu recolhimento aos cofres públicos. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE" Sustenta a embargante que o acórdão foi omisso na apreciação de alegações e fatos sobre os quais deveria se pronunciar. Aponta que a omissão caracterizase pelo fato de que não houve manifestação sobre: 1. o pedido de apresentação das planilhas de levantamento do lançamento, solicitadas pela contribuinte ao fisco, em sede de impugnação; 2. a premissa de que o fato do crédito ter sido apurado por aferição indireta ou não, não interfere na obrigação do fisco de justificar seus atos; 3. No que se refere a preliminar de nulidade trazida no recurso voluntário, aponta que a afirmativa constante no acórdão embargado, no sentido de que a DRJ apreciou a matéria de defesa constante na impugnação é inverídica, eis que esta apreciação foi absolutamente superficial. 4. Acresce que mesmo nos casos de aferição indireta o fisco tem a obrigação e o dever de produzir as provas, as razões de fato e de direito que justificam o crédito lançado, assim como os cálculos, raciocínios e fundamentos legais da apuração da quantia devida. 5. Que todas as alegações trazidas em sede de impugnação e recurso voluntário podem ser comprovadas por documentos de posse do fisco. 6. a indicação de que sobre determinadas notas fiscais não havia a necessidade de retenção, não merecendo guarida a assertiva do v. acórdão Fl. 680DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/0 2/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10120.005282/200711 Acórdão n.º 2402004.878 S2C4T2 Fl. 3 3 recorrido no sentido de que a recorrente não trouxe prova de tal desnecessidade em sua defesa. 7. apresentação e juntada de notas fiscais de retenção, acompanhadas das respectivas guias de recolhimento Defende, também, que a decadência deveria ter sido reconhecida com base no art. 150, 4o do CTN, ante a existência de pagamentos de contribuições no período. Aduz que não só à autoridade lançadora, mas principalmente aos julgadores compete o dever e o ônus de investigar, diligenciar, demonstrar e provar a ocorrência do fato jurídico tributário. Por fim aponta a ocorrência de contradição entre o período de apuração das contribuições lançadas informadas na ementa do acórdão e o informado no relatório. Da análise das razões, foram prestadas as devidas informações à ilustre presidência da Turma, com a determinação da inclusão do feito em pauta de julgamentos. É o relatório. Fl. 681DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/0 2/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. MÉRITO Das Omissões Inicialmente, passo a analisar as omissões elencadas pela parte nos itens 01 a 07, constantes do relatório supra. Sobre o assunto, a embargante aponta uma série de omissões incorridas pelo v. acórdão embargado. São elas omissões quanto: 1. o pedido de apresentação das planilhas de levantamento do lançamento, solicitadas pela contribuinte ao fisco, em sede de impugnação; 2. a premissa de que o fato do crédito ter sido apurado por aferição indireta ou não, não interfere na obrigação do fisco de justificar seus atos; 3. No que se refere a preliminar de nulidade trazida no recurso voluntário, aponta que a afirmativa constante no acórdão embargado, no sentido de que a DRJ apreciou a matéria de defesa constante na impugnação é inverídica, eis que esta apreciação foi absolutamente superficial. 4. Acresce que mesmo nos casos de aferição indireta o fisco tem a obrigação e o dever de produzir as provas, as razões de fato e de direito que justificam o crédito lançado, assim como os cálculos, raciocínios e fundamentos legais da apuração da quantia devida. 5. Que todas as alegações trazidas em sede de impugnação e recurso voluntário podem ser comprovadas por documentos de posse do fisco. 6. a indicação de que sobre determinadas notas fiscais não havia a necessidade de retenção, não merecendo guarida a assertiva do v. acórdão recorrido no sentido de que a recorrente não trouxe prova de tal desnecessidade em sua defesa. 7. apresentação e juntada de notas fiscais de retenção, acompanhadas das respectivas guias de recolhimento Pois bem, da análise de tais argumentações, tenho que todas elas são impertinentes a serem tratadas no presente recurso. Vislumbro que não se tratam de omissões perpetradas quando do julgamento do recurso voluntário, mas, em verdade, de alegações que Fl. 682DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/0 2/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10120.005282/200711 Acórdão n.º 2402004.878 S2C4T2 Fl. 4 5 demonstram o nítido caráter infringente dos presentes embargos, pois se voltam contra aquilo o que restou decidido quando do julgamento embargado, traduzindo mero descontentamento da parte com relação ao resultado do julgamento. As alegações n. 02, 04 e 05, que se referem à necessidade de que o Fisco prove a ocorrência do fato gerador, mesmo em caso de aferição indireta, bem como da existência de documentos de posse do fisco que provem as alegações do contribuinte, foram tratadas no seguinte excerto do acórdão, o qual, inclusive demonstra que no presente processo não se discute lançamento por aferição indireta. Confirase: "De fato, o presente caso não é de aferição indireta, pois conforme se percebe do relatório fiscal, o fato gerador e o cálculo das contribuições devidas foi decorrente de notas fiscais de prestação de serviços mediante a cessão de mão deobra, apresentadas à fiscalização pelo recorrente sem que sobre estas fosse comprovado o recolhimento da exação devida, nos termos do art. 22 da Lei 8.212/91, de modo que se fez imperiosa a lavratura da NFLD. Não subiste, portanto, a necessidade de que o auditor fiscal, no relatório fiscal justificasse a utilização do procedimento de aferição indireta, uma vez que este não foi utilizado exatamente por não ser o seu caso, já que o lançamento foi efetuado com base em documentação idônea espontaneamente apresentada pelo contribuinte." Ademais, a devida motivação e justificativa dos atos tomados pelo Fisco, sobretudo quanto ao lançamento, o que também se refere a suposta omissão indicada pela embargante no item 02 foi considerada como dentro da legalidade, conforme se percebe da seguinte passagem do acórdão. Vejamos: "Também não há que se falar em qualquer nulidade do relatório fiscal por não deter a clareza e os elementos que lhe são característica essencial. Ao revés, depreendese do mesmo que todos os elementos relativos ao período do lançamento, a descrição do fato gerador, fundamentação legal, indicação das notas fiscais utilizadas, foram totalmente indicados de forma que o recorrente pudesse compreendêlo em sua inteireza e exercer completamente o direito da ampla defesa e do contraditório. Acresçase, por oportuno, que ao analisar detidamente o relatório fiscal, assim justificou o fiscal notificante a ocorrência do fato gerador: "Da análise dos documentos apresentados a fiscalização verificouse a existência de várias notas fiscais emitidas por prestadores de serviços, sujeitas a retenção prevista na Lei n. 9.711, de 20 de novembro de 1998. Tratase da retenção de 11% (onze por cento) incidente sobre o valor bruto das notas fiscais relativas a prestação de serviços mediante cessão de mãode obra, contratados pela notificada." Fl. 683DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/0 2/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 6 Melhor sorte não aufere a recorrente no que se refere a sua irresignação constante no item 06, já que, trouxe argumentação insuficiente no recurso voluntário a satisfazer sua pretensão, não sendo o presente momento processual apto a regularizar tal omissão. Sobre o assunto, assim constou no acórdão embargado: "Quanto a alegação de que constaram do lançamento notas fiscais sobre quais não incide a contribuição previdencidria, por não consistirem em serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, cumpria ao recorrente, ao menos, trazer elementos que comprovem suas alegações no sentido de elidir a tributação sobre a nota fiscal respectiva, já que se trata de prestação de serviços incluídos no rol do art. 31, §4° da Lei 8.212/91 e art. 219, §2° do Decreto 3.048/99 Nem mesmo o recorrente fez constar em suas razões recursais os motivos pelos quais entende que sobre referidas notas não deveria incidir a contribuição. Apenas limitouse em discordar de tal situação, sem nem mesmo justificar o porque. Logo, não trouxe aos autos o recorrente qualquer justificativa plausível, prova ou qualquer outro elemento capaz de elidir a e exigência das contribuições tributárias exigidas por meio da NFLD, motivo pelo qual, e sendo, merecem ser mantidas." Ademais, também foi objeto de analise a irresignação constante no item 03 das supostas omissões dos embargos: "No que se refere a preliminar de nulidade do acórdão proferido pela DRJ de Brasilia, depreendese que, ao contrário daquilo que sustentado pelo contribuinte, este analisou a matéria objeto da impugnação ofertada pelo contribuinte. A 5a Turma de Julgamento da DRJ de Brasilia, julgou que o procedimento fiscal levado a efeito pela auditoria fiscal observou os ditames legais, especialmente aquilo o que disposto no art. 37 da Lei 8.212/91, sendo que, entendeu ser a tese defesa do contribuinte totalmente alheia ao que discutido nos autos do presente processo, já que impugnou, em verdade, a impossibilidade do fiscal terse valido do procedimento de aferição indireta para o lançamento das contribuições objeto da NFLD ora combatida." As planilhas dos levantamentos efetuados pela fiscalização, irresignação trazida no item 01, constam dos autos e tal questão fora, ainda, apontada no v. acórdão embargado, cabendo ao contribuinte contraporse às mesmas no prazo de defesa. E, por fim, as conclusões adotadas pelo v. acórdão embargado levaram em consideração todas as notas fiscais e demais documentos juntados aos autos, de sorte que não há qualquer omissão a ser tratada com relação ao item 07, considerando, ainda que a omissão a ser tratada em sede de embargos de declaração é aquela com relação a algum dos pedidos de Fl. 684DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/0 2/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 10120.005282/200711 Acórdão n.º 2402004.878 S2C4T2 Fl. 5 7 fato formulados pela parte, e não com relação a todas as provas por ela juntadas aos autos, sobretudo quando consideradas coo inservíveis a comprovar os fatos sustentados pela parte. Assim tratou o acórdão sobre o assunto: "Logo, não trouxe aos autos o recorrente qualquer justificativa plausível, prova ou qualquer outro elemento capaz de elidir a e exigência das contribuições tributárias exigidas por meio da NFLD, motivo pelo qual, e sendo, merecem ser mantidas." Quanto ao prazo decadencial, justificando a adição do art. 173, I, do CNT, assim constou do acórdão a expressa indicação da inexistência de pagamentos: "No caso dos autos, conforme demonstrado no relatório fiscal de fls. 233/236, verifico restar claro que não houve qualquer pagamento ou mesmo antecipação do pagamento das contribuições sociais devidas, o que atrai, para efeitos de verificação do prazo decadencial, a incidência da regra constante do art. 173, I do CTN" Assim, não restam dúvidas acerca da pretensão da parte de rediscutir totalmente o mérito do julgamento levado a efeito no recurso voluntário, de modo que não merecer qualquer sorte de acolhimento as supostas omissões elencadas acima (itens 01 a 07). Da Contradição Passo a analisar a contradição apontada, situação única que, a meu ver, justificou a inclusão dos embargos em pauta de julgamentos. No que se refere ao período do lançamento, nas fls. 03 do voto condutor do acórdão, constou o seguinte: “O período do lançamento compreende os fatos geradores ocorridos entre 01/2000 a 09/2006, tendo sido o contribuinte cientificado em 08/06/2007.” E na ementa, ao contrário do período indicado no parágrafo precedente, constou o período de 06/2002 a 07/2004. Assim, verifico a ocorrência da apontada contradição, que passa a ser sanada, pela nova redação que passo a dar ao referido parágrafo. Logo, onde constava a seguinte redação: “O período do lançamento compreende os fatos geradores ocorridos entre 01/2000 a 09/2006, tendo sido o contribuinte cientificado em 08/06/2007.” Leiase: “O período do lançamento compreende os fatos geradores ocorridos entre 06/2002 a 07/2004, tendo sido o contribuinte cientificado em 08/06/2007.” Fl. 685DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/0 2/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 8 Ante o exposto, ACOLHO OS EMBARGOS para reratificar o v. acórdão embargado, tão somente para sanar o vício relativo apontada contradição. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 686DF CARF MF Impresso em 25/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/0 2/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
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Numero do processo: 10783.725441/2011-72
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Oct 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2007, 2008
RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIDO.
A apresentação, por protocolo ou via postal, fora do prazo legal de 30(trinta) dias a contar da intimação da decisão de primeira instância administrativa é considerado intempestivo, não preenchendo os requisitos de admissibilidade. Logo, não pode ser conhecido.
Numero da decisão: 2803-004.152
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator ad hoc na data da formalização.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 2007, 2008 RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIDO. A apresentação, por protocolo ou via postal, fora do prazo legal de 30(trinta) dias a contar da intimação da decisão de primeira instância administrativa é considerado intempestivo, não preenchendo os requisitos de admissibilidade. Logo, não pode ser conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA.
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NÃO CONHECIDO. A apresentação, por protocolo ou via postal, fora do prazo legal de 30(trinta) dias a contar da intimação da decisão de primeira instância administrativa é considerado intempestivo, não preenchendo os requisitos de admissibilidade. Logo, não pode ser conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em razão da intempestividade. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 54 41 /2 01 1- 72 Fl. 2309DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10783.725441/201172 Acórdão n.º 2803004.152 S2TE03 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), RICARDO MAGALDI MESSETTI, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA. Fl. 2310DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10783.725441/201172 Acórdão n.º 2803004.152 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui reproduzo o relato deixado pelo conselheiro, constante nos sistemas do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro, segue o relatório. Tratase de Recurso Voluntário que busca a reforma de decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento que manteve integralmente o lançamento do crédito tributário oriundo de incidência de contribuições ao SAT, referente ao período de 01.01.2007 a 30.08.2008. Do julgamento de primeira instância, foi realizada a ciência do contribuinte no dia 27 de dezembro de 2013, sextafeira (AR de fls. 1877 dos autos digitais). O recurso foi protocolizado no dia 05 de fevereiro de 2014, quartafeira (fls 1885 dos autos digitais). Os autos vieram a presente 3ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARFMF para apreciação e julgamento do recurso voluntário. Os autos vieram à turma especial. É o relatório. Fl. 2311DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10783.725441/201172 Acórdão n.º 2803004.152 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC. Esclareço que aqui reproduzo as razões de decidir do então conselheiro, constantes dos sistemas do CARF, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro, segue o voto. O recurso foi interposto intempestivamente, o que impede a sua admissibilidade. O contribuinte tomou ciência do Acórdão recorrido em 27 de dezembro de 2013, e o prazo para interposição de recurso é de 30 (trinta) dias, considerandose que na contagem é excluído o dia da intimação, passando a contar a partir de 30 de dezembro de 2013, o prazo venceria no dia 28 de janeiro de 2014, quartafeira. Contudo, nos autos o comprovante protocolo do recurso demonstra a data como 05 de fevereiro de 2014, no oitavo dias após o final do prazo, logo fora do prazo normativo (art. 33 do Decreto n° 70.235/72), preculindose o direito de apresentação do recurso voluntário. Isso posto, voto por NÃO CONHECER O RECURSO VOLUNTÁRIO, por intempestividade, mantendose o lançamento. Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Fl. 2312DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10783.725441/201172 Acórdão n.º 2803004.152 S2TE03 Fl. 6 5 Fl. 2313DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 13/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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