Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,712)
- Primeira Turma Ordinária (16,211)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,078)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,784)
- Segunda Turma Ordinária d (14,416)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,379)
- Segunda Turma Ordinária d (12,361)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,416)
- Quarta Câmara (84,742)
- Terceira Câmara (67,310)
- Segunda Câmara (55,745)
- Primeira Câmara (20,136)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,275)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,843)
- Segunda Seção de Julgamen (114,408)
- Primeira Seção de Julgame (76,513)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,882)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,918)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,503)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,419)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13706.100025/2008-72
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
PAGAMENTO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. COMPROVAÇÃO.
Comprovado que o pagamento da pensão alimentícia decorre de acordo homologado judicialmente há que ser restabelecida a dedução glosada pelo lançamento fiscal.
RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. DEDUÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DE PERÍODOS ANTERIORES. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 33.
É inadmissível a retificação de declaração de rendimentos por iniciativa do próprio declarante, depois de iniciada a ação fiscal.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2802-003.236
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a dedução da pensão alimentícia no valor de R$5.390,00 (cinco mil, trezentos e noventa reais), nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Vinicius Magni Verçosa, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 PAGAMENTO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. COMPROVAÇÃO. Comprovado que o pagamento da pensão alimentícia decorre de acordo homologado judicialmente há que ser restabelecida a dedução glosada pelo lançamento fiscal. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. DEDUÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DE PERÍODOS ANTERIORES. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 33. É inadmissível a retificação de declaração de rendimentos por iniciativa do próprio declarante, depois de iniciada a ação fiscal. Recurso voluntário provido em parte.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13706.100025/2008-72
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5398672
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2802-003.236
nome_arquivo_s : Decisao_13706100025200872.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JACI DE ASSIS JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 13706100025200872_5398672.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a dedução da pensão alimentícia no valor de R$5.390,00 (cinco mil, trezentos e noventa reais), nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Vinicius Magni Verçosa, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
id : 5720020
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:32:00 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047250996822016
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1753; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 140 1 139 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13706.100025/200872 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802003.236 – 2ª Turma Especial Sessão de 5 de novembro de 2014 Matéria IRPF Recorrente SEVERINO ANTONIO RODRIGUES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 PAGAMENTO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. COMPROVAÇÃO. Comprovado que o pagamento da pensão alimentícia decorre de acordo homologado judicialmente há que ser restabelecida a dedução glosada pelo lançamento fiscal. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. DEDUÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DE PERÍODOS ANTERIORES. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 33. É inadmissível a retificação de declaração de rendimentos por iniciativa do próprio declarante, depois de iniciada a ação fiscal. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para restabelecer a dedução da pensão alimentícia no valor de R$5.390,00 (cinco mil, trezentos e noventa reais), nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 10 00 25 /2 00 8- 72 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Vinicius Magni Verçosa, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento que alterou o valor do imposto de renda a restituir declarado para R$ 1.435,55, fls. 10 a 14 (processo digitalizado), em virtude da constatação de: a) dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$14.145,35, relativas a tratamento de saúde da mãe do contribuinte sem que esta tem figurado como sua dependente na declaração de ajuste anual, e; b) glosa do valor de R$ 5.390,00, correspondente à parte da pensão alimentícia. Na impugnação apresentada, fls. 01 a 04, instruída com documentos, o contribuinte alegou, em síntese, que: 1. possui moléstia grave irreversível, conforme documentação anexa; 2. já entregou a documentação das despesas médicas realizadas com o tratamento de saúde de sua mãe, conforme protocolo, em anexo. Afirma que a sustentava com alimentos e tratamento médico; 3. junta aos autos prova das despesas com pensão alimentícia judicial, devendo ser cancelada a glosa implementada pela fiscalização. Além da pensão descontada pela fonte pagadora, também teria direito à dedução, como pensão judicial, dos aluguéis recebidos em face do imóvel da Rua Barão de Mesquita, n° 48, apto. 405, tendo sido homologado judicialmente; 4. informa que a pensão era paga a sua exesposa para repasse ao seu filho; 5. pede que seja considerado o valor de R$ 25.802,43 de previdência oficial que a época não logrou deduzir tal valor, pois o sistema não teria permitido; 6. pede o cancelamento do lançamento. Examinando a impugnação, a DRJ no Rio de Janeiro, fls. 83 a 88, a julgou improcedente, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física I R P F Anocalendário: 2005 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS DECLARADOS. REVISÃO DE OFÍCIO. Não tendo a fiscalização alterado os rendimentos tributáveis declarados pela contribuinte, não compete à Delegacia da Receita Federal de Julgamento analisar os rendimentos que foram relacionados na declaração de ajuste anual do sujeito passivo, tendo em vista que caracterizaria uma revisão de oficio, o que escapa à competência desta instância julgadora, em respeito ao que dispõe o art. 229, da Portaria do Ministro da Fazenda n° 587/10. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13706.100025/200872 Acórdão n.º 2802003.236 S2TE02 Fl. 141 3 Somente podem ser deduzidas despesas médicas que se enquadrem nos termos e requisitos previstos na Lei. Não são dedutíveis as despesas médicas com pessoa não relacionada como dependente na declaração de ajuste anual, por completa falta de previsão legal. DEDUÇÕES. RECEITA DE ALUGUEL. PENSÃO ALIMENTÍCIA. Pode ser deduzido como pensão judicial o valor de receita de aluguel desde que sejam cumpridos os seguintes requisitos: que o pagamento da pensão corresponda ao mesmo anocalendário da declaração de ajuste anual; que haja prova nos autos de que o valor entregue ao alimentado é de fato aquele proveniente da receita de aluguel; seja trazido o contrato assinado e comprovado que o alimentante efetivamente recebeu o aluguel e o repassou ao alimentado. Impugnação Improcedente Cientificado em 18/10/2011, fls. 91, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 17/11/2011, fls. 94/95, alegando, em síntese, que: possui, de fato, doença de Parkinson; com isso, pretende justificar que as despesas com seu tratamento e com a aquisição de remédios são de alto custo e vão muito além do que é permitido de dedução; apresenta documento pericial do INSS, declaração médica e última receita, notas fiscais emitidas em 2010 e 2011, como exemplo; requer que sejam consideradas as despesas médicas para tratamento de saúde de sua mãe, devido ao fato de também ser portadora da doença de Parkinson e não possuir condições para a manutenção do tratamento e que, em 26/12/2005 veio morar com o requerente; as despesas decorreram de internação hospitalar, cirurgia e ortopedia, cujas despesas ela não tinha como arcar; quanto à prova do recebimento do aluguel repassado ao filho a título de pensão alimentícia, já teria apresentado a cópia do contrato de locação. A prova do pagamento da pensão alimentícia pode ser feita em consulta às declarações de exercícios anteriores, pelos recibos de depósitos, no exercício de 1995, feitos na conta de seu filho, Daniel Jannotti Nogueira Rodrigues e, ainda, pela declaração do filho confirmando o recebimento dos valores; entende não ser justo a não aceitação do pedido feito em relação à dedução de contribuição à previdência oficial realizada em 19/04/1995; requer a restituição integral do valor declarado. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator Fl. 142DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Pretende o recorrente que seja restabelecida a dedução das despesas médicas, glosadas pela Notificação de Lançamento por ter sido constatado se referirem ao tratamento de saúde de pessoa que não figurou com dependente na declaração de ajuste anual apresentada pelo contribuinte. Para tanto, alega que por ser, tanto ele, quanto sua mãe, portadores da doença de Parkinson, os gastos com os respectivos tratamentos e das aquisições de remédios seriam de alto custo e iriam muito além do que é permitido para dedução. A esse respeito, porém, a decisão recorrida deixou claro que, nos termos do inciso II, § 2º, do art. 8º, a dedução de despesas médicas restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Do exame da declaração de ajuste anual, fls. 77, constatase que inexiste dependentes nela relacionados no campo 8. Portanto, não havendo o contribuinte relacionado sua mãe dentre as pessoas consignadas como dependente em sua declaração de ajuste anual, não há como deduzir os valores desembolsados para tratamento de saúde desta. Quanto à glosa da dedução pleiteada a título de pensão alimentícia, a decisão recorrida relacionou os seguintes requisitos que deveriam ser cumpridos para que o rendimento auferido de aluguel fosse deduzido como pagamento de pensão alimentícia: 1. que o pagamento da pensão correspondesse ao mesmo ano calendário da declaração de ajuste anual; 2. que existisse prova nos autos de que o valor entregue ao alimentado seria de fato aquele proveniente da receita de aluguel. Para tanto seria imprescindível a juntada do contrato de aluguel com a assinatura do suposto locatário; 3. que fosse comprovado no processo que o alimentante efetivamente teria recebido o respectivo aluguel e posteriormente repassado ao alimentado. Segundo, ainda, a decisão recorrida, os documentos juntados pelo impugnante, fls. 25 a 42 (fls. 44 a 68 do processo digitalizado), não lograram justificar as condições apontadas nos itens 1 a 3 acima citados. Examinando tais documentos, bem como os de fls. 103 a 115, trazidos pelo contribuinte em função das razões de decidir de primeira instância, verificase que recorrente cumpriu os requisitos mencionados pela decisão recorrida, haja vista que juntou o contrato de locação de imóvel, petição dirigida ao Juiz de Direito da 5ª Vara de Família requerendo a homologação do acordo que estabeleceu o repasse do aluguel recebido a título de pensão alimentícia, os recibos de depósitos realizados em conta corrente bancária mantida pelo alimentado, Daniel Jannotti Nogueira Rodrigues, e, ainda, declaração firmada por este último atestando o recebimento da pensão alimentícia depositada em sua conta corrente bancária. Esses documentos analisados conjuntamente formam conjunto probatório capaz de dar suporte à comprovação da dedução da pensão alimentícia decorrente de acordo ratificado judicialmente, fls. 38, há que ser restabelecida a dedução do valor de R$5.390,00, glosada pelo lançamento. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13706.100025/200872 Acórdão n.º 2802003.236 S2TE02 Fl. 142 5 Quanto ao valor das contribuições previdenciárias referentes a anos anteriores que o contribuinte recolhera no anocalendário de 2005, fls. 116, o contribuinte pretende sua dedução da base de cálculo apurada em razão do lançamento de ofício, sob a alegação de que o sistema teria rejeitado a dedução do valor pago ao INSS. A esse respeito, esclareçase ao contribuinte que, embora a legislação permita que essas contribuições, exceto em relação aos acréscimos legais, possam ser consideradas como dedução na declaração de ajuste anual, o pleito efetuado pelo recorrente implica em retificação de declaração de rendimentos, procedimento inadmissível quando realizado após o lançamento de ofício, consoante art. art. 147, que assim dispõe: “Art. 147. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou excluir tributo, só é admissível mediante comprovação de erro em se funde, e antes de notificado o lançamento.” Quanto a esse aspecto, a CSRF editou a Súmula CARF nº 33, nos seguintes termos: “Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício.” Voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer a dedução da pensão alimentícia no valor de R$5.390,00 (cinco mil, trezentos e noventa reais). (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 144DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.917791/2011-51
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
INCONSTITUCIONLIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. BASE DE CÁLCULO DA COFINS
O Supremo Tribunal Federal pacificou o entendimento de que a COFINS deve incidir sobre o faturamento. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, este Conselho deve seguir as decisões proferidas pelo plenário do STF.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA.APURAÇÃO DO CRÉDITO. VERDADE MATERIAL
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Havendo prova nos autos que foi recolhido valor a maior do que o devido, deve-se conceder o direito ao creditamento, inclusive na carência de DCTF retificadora, pelo princípio da verdade material.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-004.434
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Flavio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004 INCONSTITUCIONLIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. BASE DE CÁLCULO DA COFINS O Supremo Tribunal Federal pacificou o entendimento de que a COFINS deve incidir sobre o faturamento. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, este Conselho deve seguir as decisões proferidas pelo plenário do STF. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA.APURAÇÃO DO CRÉDITO. VERDADE MATERIAL Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Havendo prova nos autos que foi recolhido valor a maior do que o devido, deve-se conceder o direito ao creditamento, inclusive na carência de DCTF retificadora, pelo princípio da verdade material. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10830.917791/2011-51
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5395875
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3801-004.434
nome_arquivo_s : Decisao_10830917791201151.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10830917791201151_5395875.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Flavio de Castro Pontes.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
id : 5700662
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047251005210624
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1916; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 8 1 7 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.917791/201151 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801004.434 – 1ª Turma Especial Sessão de 15 de outubro de 2014 Matéria NORMAS GERAIS DE DIRIETO TRIBUTÁRIO Recorrente MINASA TRADING INTERNATIONAL SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 INCONSTITUCIONLIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. BASE DE CÁLCULO DA COFINS O Supremo Tribunal Federal pacificou o entendimento de que a COFINS deve incidir sobre o faturamento. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, este Conselho deve seguir as decisões proferidas pelo plenário do STF. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PROCEDÊNCIA.APURAÇÃO DO CRÉDITO. VERDADE MATERIAL Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Havendo prova nos autos que foi recolhido valor a maior do que o devido, devese conceder o direito ao creditamento, inclusive na carência de DCTF retificadora, pelo princípio da verdade material. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 77 91 /2 01 1- 51 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges, Paulo Antônio Caliendo Velloso Da Silveira, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Flavio de Castro Pontes. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10830.917791/201151 Acórdão n.º 3801004.434 S3TE01 Fl. 9 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10830.917791/201151, contra o acórdão nº 0948.366, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Juiz de Fora (DRJ/JFA), na sessão de julgamento de 04 de dezembro de 2013, em que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim os relatou: “O interessado transmitiu o PER/DCOMP nº 23443.88822.050406.1.2.041649, visando a restituição do crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior, código 2172, efetuado em 15/9/2003, e/ou compensação dos débitos nela declarados com o mesmo crédito; A DRF Campinas/SP emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não reconhece o direito creditório e/ou não homologa as compensações pleiteadas; A empresa apresenta manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese que; a) DA FORÇA CONSTITUTIVA DO PERDCOMP. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO; b) DA LEGITIMIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO. VALORES INDEVIDAMENTE RECOLHIDOS SOBRE DEMAIS RECEITAS. INCONSTITUCIONALIDADE DO §1°, ART. 3º, DA LEI 9.718/98; c) DOS EFEITOS DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. DA INVALIDADE (INEFICÁCIA) DAS DECLARAÇÕES PREENCHIDAS COM BASE NO DISPOSITIVO DECLARADO INCONSTITUCIONAL; d) DA PROVA DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO REQUERIDO; e) DO PEDIDO DE DILIGÊNCIA; É o breve relatório.” A DRJ de Juiz de Fora (DRJ/JFA) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Colaciono a ementa do referido julgado: Fl. 66DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA 4 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI Não cabe ao julgador administrativo apreciar a matéria do ponto de vista constitucional. COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. PIS/PASEP COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. CONTROLE DIFUSO. A decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito de recurso extraordinário, que reconheceu a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições, surte efeitos jurídicos apenas entre as partes envolvidas no processo, eis que proferida em sede de controle difuso de constitucionalidade, não produzindo efeitos erga omnes, não podendo beneficiar ou prejudicar terceiros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário em que expõe: 1 Pela inconstitucionalidade do 1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98, julgada em regime de repercussão geral, RE 585.235MG, deve ser reconhecido o crédito de COFINS, conforme art. 62A do Regimento Interno do CARF; 2 Desnecessidade de retificação da DCTF para o reconhecimento do crédito, entendendo ser a DCOMP instrumento hábil para constituição de crédito; 3 Comprovação do direito a crédito pela apuração de crédito baseada na cópia da ficha razão com o registro e outras receitas e cópia da ficha razão da conta de tributos a recolher. É o sucinto relatório. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10830.917791/201151 Acórdão n.º 3801004.434 S3TE01 Fl. 10 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. Base de cálculo da Cofins O direito a creditamento pleiteado está consubstanciado na inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, pelo Plenário do STF, ao ampliar o conceito de receitas para envolver todas as receitas auferidas pela empresa, sem a observação do tipo de atividades ou a classificação destas. “.(...) CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1ºdo artigo 3º da Lei nº9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada.” (Recurso Extraordinário nº 358.273, Rel. Min. Marco Aurélio)” Não há dúvida sobre o direito a crédito decorrente da inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3ª da Lei nº 9.718/98, devendo ser aplicado o entendimento da Suprema Corte por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, na redação dada recentemente pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010: Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA 6 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B.} § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifos e destaques nossos) Nestes termos, entendo que assiste razão ao contribuinte, devendo ser reconhecido o crédito de COFINS pelo recolhimento a maior da contribuição durante a vigência do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 cuja inconstitucionalidade restou reconhecida pelo Pleno do STF. Da comprovação do crédito e da prescindibilidade da retificadora A controvérsia do caso reside no fato de o contribuinte ter realizado pedido de compensação/restituição sem ter feito retificadora da DCTF. No Conselho, dentro do procedimento de compensação, a declaração retificadora seria o instrumento de apuração de direito líquido e certo do contribuinte, devendo ser realizada anteriormente ao pedido de compensação. Não obstante ao apontado, existe a predominância do entendimento de que a DCTF retificadora poderá ser apresentada após o despacho decisório de negou o crédito, desde que sejam apresentados documentos contábeis suficientes, como os apresentados à fl. 23/27, para comprovar que o crédito alegado na PERDCOMP e a correção da DCTF de fato transparecem o direito. A exigência apontada é reflexo dos julgamentos das turmas do Conselho. Esse entendimento nada mais é que a primazia da verdade material em detrimento da forma e procedimento. Isto é, uma vez exigida a juntada de documentação contábil que comprove o valor lançado de DCTF retificadora como crédito, abrese à discussão da matéria de fato, entendose que a contabilidade da empresa possui força probatória para a constituição de direito creditório, superior a mera declaração deste. Uma vez comprovado, pela contabilidade da empresa, o recolhimento da COFINS com inclusão de todas as receitas auferidas pela empresa na base de cálculo por exigência legal e que, pela posterior extinção desta exigência, a empresa teria direito a crédito, resta comprovada a prescindibilidade da apresentação da DCTF retificadora por ter o contribuinte apresentado documentação contábil condizente ao direito pretendido. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10830.917791/201151 Acórdão n.º 3801004.434 S3TE01 Fl. 11 7 Possuo o entendimento que o julgamento exige o claro convencimento sobre a liquidez e certeza da existência do crédito, sendo que a ausência de documentos suficientes para a declaração de sua certeza exige a realização de diligências. Nas situações onde o direito de crédito é certo, sendo necessária tão somente a apuração de sua liquidez entendo que é possível o provimento do pedido, com a subseqüente liquidação posterior pela autoridade fiscal. Entendo que deve ser dado provimento ao presente recurso voluntário, devendo ser homologada a PerDcomp de fl. 31/33, com a sua apuração pela Delegacia de Origem. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, devendo a liquidez do crédito ser apurada pela Delegacia de Origem. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 10/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11128.007288/2006-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 29/01/2002
IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. TEMPLO DE QUALQUER CULTO. DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. IPI E II. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DA DESTINAÇÃO DOS BENS IMPORTADOS. ART. 36 DA LEI 9.784/1999 E ART. 29 DO PAF.
A imunidade concedida aos templos de qualquer culto pelo art. 150, VI, letra b, da Constituição Federal abrange o IPI e o II, incidentes no desembaraço aduaneiro de bens importados diretamente por entidades religiosas, os quais sejam destinados a integrar seu patrimônio e estejam relacionados a suas finalidades essenciais.
O enquadramento de bens importados como sendo vinculados às finalidades das referidas entidades deverá pautar-se em análise objetiva de cada caso concreto, levando-se em consideração as finalidades da instituição, conforme estabelecidas em seus atos constitutivos, a qualidade e quantidade dos bens importados, bem assim outros critérios que fundamentem a vinculação com as finalidades essenciais da entidade.
Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, desde que fundamentada.
A perda da documentação contábil e fiscal da entidade e a natureza não específica dos bens importados impedem a análise acerca da utilização destes na finalidade social da recorrente, que é o pressuposto do indébito alegado, cujo ônus da prova é da contribuinte, nos termos do art. 36 da Lei nº 9.784/1999.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário da empresa.
Luis Eduardo Garrossino Barbieri Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Eduardo Garrossino Barbieri (Presidente Substituto), Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda, Charles Mayer De Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Paulo Roberto Stocco Portes.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 29/01/2002 IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. TEMPLO DE QUALQUER CULTO. DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. IPI E II. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DA DESTINAÇÃO DOS BENS IMPORTADOS. ART. 36 DA LEI 9.784/1999 E ART. 29 DO PAF. A imunidade concedida aos templos de qualquer culto pelo art. 150, VI, letra b, da Constituição Federal abrange o IPI e o II, incidentes no desembaraço aduaneiro de bens importados diretamente por entidades religiosas, os quais sejam destinados a integrar seu patrimônio e estejam relacionados a suas finalidades essenciais. O enquadramento de bens importados como sendo vinculados às finalidades das referidas entidades deverá pautar-se em análise objetiva de cada caso concreto, levando-se em consideração as finalidades da instituição, conforme estabelecidas em seus atos constitutivos, a qualidade e quantidade dos bens importados, bem assim outros critérios que fundamentem a vinculação com as finalidades essenciais da entidade. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, desde que fundamentada. A perda da documentação contábil e fiscal da entidade e a natureza não específica dos bens importados impedem a análise acerca da utilização destes na finalidade social da recorrente, que é o pressuposto do indébito alegado, cujo ônus da prova é da contribuinte, nos termos do art. 36 da Lei nº 9.784/1999. Recurso voluntário negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 11128.007288/2006-27
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5401806
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3202-001.346
nome_arquivo_s : Decisao_11128007288200627.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
nome_arquivo_pdf_s : 11128007288200627_5401806.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário da empresa. Luis Eduardo Garrossino Barbieri Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Eduardo Garrossino Barbieri (Presidente Substituto), Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda, Charles Mayer De Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Paulo Roberto Stocco Portes.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2014
id : 5737632
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:32:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047251044007936
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2319; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 420 1 419 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11128.007288/200627 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202001.346 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de outubro de 2014 Matéria IMUNIDADE. IPI. II. TEMPLO. Recorrente ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DA IGREJA DE JESUS CRISTO DOS SANTOS DOS ÚLTIMOS DIAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 29/01/2002 IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. TEMPLO DE QUALQUER CULTO. DECLARAÇÃO DE IMPORTAÇÃO. IPI E II. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DA DESTINAÇÃO DOS BENS IMPORTADOS. ART. 36 DA LEI 9.784/1999 E ART. 29 DO PAF. A imunidade concedida aos templos de qualquer culto pelo art. 150, VI, letra “b”, da Constituição Federal abrange o IPI e o II, incidentes no desembaraço aduaneiro de bens importados diretamente por entidades religiosas, os quais sejam destinados a integrar seu patrimônio e estejam relacionados a suas finalidades essenciais. O enquadramento de bens importados como sendo vinculados às finalidades das referidas entidades deverá pautarse em análise objetiva de cada caso concreto, levandose em consideração as finalidades da instituição, conforme estabelecidas em seus atos constitutivos, a qualidade e quantidade dos bens importados, bem assim outros critérios que fundamentem a vinculação com as finalidades essenciais da entidade. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, desde que fundamentada. A perda da documentação contábil e fiscal da entidade e a natureza não específica dos bens importados impedem a análise acerca da utilização destes na finalidade social da recorrente, que é o pressuposto do indébito alegado, cujo ônus da prova é da contribuinte, nos termos do art. 36 da Lei nº 9.784/1999. Recurso voluntário negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 72 88 /2 00 6- 27 Fl. 420DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário da empresa. Luis Eduardo Garrossino Barbieri – Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Eduardo Garrossino Barbieri (Presidente Substituto), Gilberto de Castro Moreira Junior, Rodrigo Cardozo Miranda, Charles Mayer De Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Paulo Roberto Stocco Portes. Relatório Trata o presente processo de pedido de restituição (fls. 1 e seguintes) de valores pagos a título de Imposto de Importação (I.I.) e Imposto sobre Produtos Industrializados (I.P.I.), na importação relativa à Declaração de Importação n° 02/00842832, registrada em 29/01/02 (fls. 44/48) por entender a requerente que goza da imunidade tributária prevista no artigo 150, inciso VI, alínea "b" da Constituição Federal de 1988, para o II e IPI importação, conforme reconhecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, através de despacho de fls. 56,determinando a retificação da Declaração de Importação constante dos autos. Intimado a apresentar documentos contábeis e fiscais comprobatórios de que as mercadorias em exame integraram seu patrimônio e estão relacionadas à finalidade essencial da entidade, o contribuinte informou da dificuldade em obter a documentação contábil exigida, haja vista que a importação ocorrera há mais de cinco anos e limitouse a apresentar a declaração solicitada pela autoridade fiscal de que não houve o repasse ou aproveitamento do crédito de IPI nesta operação. O despacho decisório e a decisão de primeira instância, diante da falta de comprovação documental, negaram integralmente o pedido de restituição e em recurso o contribuinte reitera suas alegações iniciais, ou seja, que o indeferimento não foi precedido por qualquer vistoria "in loco", além de proferido sem que a autoridade fiscal tivesse esgotado as possibilidades daquilo que queria ver provado, o que teria cerceado seu direito de defesa, pois foilhe negado o direito de produzir, de forma integral, as provas pertinentes; que constrói e mantém Templos, sendo certo que todos os produtos importados na DI ora em discussão foram instalados em capelas de sua construção, conforme pode ser verificado em diligência ao local; e anexa decisões administrativas proferidas por outras unidades da Receita Federal, favoráveis à restituição, para material semelhante. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11128.007288/200627 Acórdão n.º 3202001.346 S3C2T2 Fl. 421 3 Iniciado o julgamento do recurso voluntário, a douta Turma, seguindo o voto do Conselheiro MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA decidiu converter o julgamento em diligência. Observese: Entendo que o processo, no seu estado atual não comporta julgamento, portanto, VOTO por converter o julgamento em diligência para que a autoridade preparadora providencie a intimação do recorrente desta decisão e, para que, seja feita diligência ao estabelecimento do recorrente para a verificação dos documentos fiscais e contábeis da recorrente, visando apurar a veracidade da alegação produzida em sua impugnação e repetida no corpo deste recurso voluntário, especialmente quanto à utilização dos produtos importados na Dl ora em discussão em capelas de sua construção e da não utilização dos créditos correspondentes de IPI, nem a transferência do encargo financeiro. Com o objetivo de atender à diligência determinada pelo CARF, intimouse a ora recorrente para apresentar documentação comprobatória da utilização dos bens importados para seu objetivo social, tendo a contribuinte informado, em síntese, que a documentação em questão era guardada por uma empresa terceirizada, INTERFILE, cujo galpão fora incendiado, conforme demonstra inquérito judicial, anexado aos autos, e petição informando à Receita Federal desse acontecimento, sendo possível, contudo, o exame in loco da utilização dos bens importados pela fiscalização. A recorrente acrescentou, ainda, que possui Solução de Consulta, reconhecendo seu direito à imunidade tributária e que, em outra DI, a SAORT do Aeroporto de Viracopos concordou com a retificação da declaração, por ter verificado a utilização dos bens importados em templos da associação. Em seqüência à resposta da contribuinte, foi exarada a seguinte informação fiscal: Sra Chefe, Em atendimento à requisição do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais no citado processo para que seja feita diligência ao estabelecimento do recorrente para verificação dos documentos fiscais e contábeis, através da Intimação n° ..., foi solicitado ao contribuinte que apresentasse seus documentos fiscais e contábeis com o objetivo de apurar a veracidade da alegação quanto: • Utilização dos produtos importados em capelas de sua construção; • Utilização dos créditos correspondentes de IPI e; • Não transferência do encargo financeiro; Em resposta á intimação citada o sujeito passivo alega que os documentos fiscais e contábeis solicitados foram destruídos em um incêndio, conforme inquérito policial apresentado. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI 4 O contribuinte requer, em substituição à apresentação da documentação solicitada, que seja realizada vistoria dos bens in loco. No presente caso, quando se deseja apurar a veracidade da alegação da utilização dos créditos correspondentes de IPI e a não transferência do encargo financeiro, entendo não ser possível reconhecer a veracidade das alegações diante da impossibilidade das verificações contábeis e fiscais, tendo em vista a alegação do contribuinte em não possuir os documentos necessários, devido ao incêndio. Cabe lembrar que cabe ao contribuinte zelar pela guarda dos livros e documentos enquanto durar o respectivo processo administrativo. Através do inquérito policial, notase que o incêndio acorreu em 04/07/2011, quase três anos após a ciência da primeira intimação, em 02/09/2008, demonstrando, assim, que o mesmo já não os possuía á época. Quanto à utilização dos produtos importados em capelas de sua construção e levando em consideração a alegação do requerente que se coloca a disposição para demonstrar in loco que os bens importados são de seu patrimônio, entendo mais uma vez, que cabe ao contribuinte o encargo de provar que estes bens são de seu patrimônio, através de documentos fiscais e contábeis, como, por exemplo, o livro Registro de Inventário, notas fiscais e outros documentos que achar pertinente. Sua solicitação para que se substitua à apresentação da documentação por uma vistoria dos bens in loco, não se justifica, pois somente uma visita não seria suficiente para comprovar tal alegação, uma vez que os bens, aqui em questão, são bens que não contém especificidade, isto é, numero de serie, numero de identificação, bens que não contém identificação individual. Importante citar ainda mais dois agravantes: • As descrições genéricas apresentadas nas declarações de importação (fls. 53 a 56) a saber: "SILENCIADOR PARA GERADOR COM TUBO CONECTOR FLEXIVEL; INTERRUPTOR PARA TRANSFERIR ELETRICIDADE A GERADOR”, que impossibilita a precisa identificação dos mesmos in loco. • As descrições genéricas apresentadas na fatura comercial n°TCA3C100071A (fl49) a saber: "Eletrical transfer switch for Generator Mode! 500 DFED Engine Generator Set, Dieser e "Silencer system, containing Flex connector tubmg and Silencer for Generatof, que impossibilita a precisa identificação dos mesmos in loco. • Já se passaram mais de 9 anos da importação das mercadorias, sendo essas, em muitos casos, bens não duráveis: cola para isolação, isolação de duto, etc. Posto isto, proponho o encaminhamento deste processo ao CARF para continuidade do julgamento. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11128.007288/200627 Acórdão n.º 3202001.346 S3C2T2 Fl. 422 5 À sua consideração. Com a informações acima transcritas, o processo foi remetido para o CARF para julgamento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e, por isso, merece ser apreciado. A Recorrente possui o direito à imunidade tributária na importação de bens, reconhecido nos processos de consulta SRRF 8ª RF DISIT 227/2004 (IPI) e 254/2004 (II), ambos juntados aos autos, cujas ementas são as seguintes: Solução de Consulta nº 227/2004 EMENTA: IMUNIDADE. TEMPLOS DE QUALQUER CULTO. A imunidade concedida aos templos de qualquer culto pelo art. 150, VI, letra “b”, da Constituição Federal não abrange o IPI incidente nas saídas de produtos industrializados dos estabelecimentos industriais ou equiparados. É devido o imposto nas saídas desses bens quando adquiridos por aquelas entidades, mesmo que sejam destinados a integrar seu patrimônio e estejam relacionados ao desempenho de suas finalidades essenciais. Está, todavia, abrangido pela imunidade prevista no precitado dispositivo constitucional o IPI incidente no desembaraço aduaneiro de bens importados diretamente por entidades religiosas, os quais sejam destinados a integrar seu patrimônio e estejam relacionados a suas finalidades essenciais. O enquadramento de bens importados como sendo vinculados às finalidades das referidas entidades deverá pautarse em análise objetiva de cada caso concreto, levandose em consideração as finalidades da instituição, conforme estabelecidas em seus atos constitutivos, a qualidade e quantidade dos bens importados, bem assim outros critérios que fundamentem a vinculação com as finalidades essenciais da entidade. ***** Solução de Consulta nº 254/2004 Fl. 424DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI 6 EMENTA: IMPORTAÇÃO. TEMPLOS DE QUALQUER CULTO. IMUNIDADE RELATIVAMENTE AO IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO E IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. ABRANGÊNCIA. A importação, por entidade que se enquadra no art. 150, VI, b, da CF, de artigos com significado religioso, destinados a atender suas finalidades essenciais, está abrangida pela imunidade dos templos de qualquer culto constante da Constituição Federal, estendendose ao Imposto sobre a Importação e ao Imposto sobre Produtos Industrializados, por se tratar de operações de bens vinculados às finalidades essenciais da entidade religiosa. O enquadramento dos bens importados como vinculados às finalidades essenciais a entidade religiosa deverá pautarse em análise objetiva em cada caso concreto, levandose em consideração as finalidades da instituição conforme prevista em seus atos constitutivos, a qualidade e quantidade dos bens importados, assim como outros critérios que fundamentem a vinculação com as finalidades essenciais da entidade. As mencionadas soluções de consulta constantes dos autos deixam claro, que para o reconhecimento da imunidade do IPI e II na importação de bens, é necessário “o enquadramento de bens importados como sendo vinculados às finalidades das referidas entidades deverá pautarse em análise objetiva de cada caso concreto, levandose em consideração as finalidades da instituição, conforme estabelecidas em seus atos constitutivos, a qualidade e quantidade dos bens importados, bem assim outros critérios que fundamentem a vinculação com as finalidades essenciais da entidade”. Concordo com o entendimento das soluções de consulta mencionadas, no sentido de reconhecer o direito da Recorrente à imunidade do IPI e do II, incidentes na importação de bens condizentes a sua finalidade social. Dessa forma, o litígio restringese à valoração dos elementos comprobatórios, nos termos do art. 29 do PAF. Nesse sentido, o CARF proferiu Resolução para que fosse feita diligência ao estabelecimento do recorrente para a verificação dos documentos fiscais e contábeis da recorrente, visando apurar a veracidade da alegação da Recorrente, de que utilizou os bens importados para suas finalidades sociais. Entretanto, como constatado na Diligência, a recorrente informou que não possuía os documentos fiscais e contábeis solicitados, pois estes foram destruídos em um incêndio, conforme inquérito policial apresentado, mas que, segundo a entidade, a vistoria dos bens in loco permitiria ver que os bens foram incorporados ao seu patrimônio ou destinados à sua finalidade social. Na ótica da autoridade preparadora, porém, uma visita in loco não seria suficiente para comprovar tal alegação, uma vez que a natureza dos bens, aqui em questão (silenciador para gerador com tubo conector flexível; interruptor para transferir eletricidade a gerador etc.), são bens que não contém especificidade, isto é, número de série, número de identificação. Concordo com as conclusões da diligência, realizada pela autoridade preparadora. Efetivamente, a natureza dos bens importados não permitem sua vinculação com Fl. 425DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI Processo nº 11128.007288/200627 Acórdão n.º 3202001.346 S3C2T2 Fl. 423 7 as finalidades essenciais da entidade, sendo do particular o ônus da prova, nos pedidos de restituição, que fundamentou o indébito alegado, nos termos do art. 36 da Lei nº 9.784/1999. Diante do exposto, voto do sentido de NEGAR provimento ao recurso. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 426DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 27/10/2014 por LUIS ED UARDO GARROSSINO BARBIERI
score : 1.0
Numero do processo: 10980.723636/2012-32
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
AUTO DE INFRAÇÃO. DEFESA SUBSTANCIAL. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA.
Se o Auto de Infração descreve suficientemente os fatos, bem como a verificação, feita pelo Auditor Fiscal, da ocorrência do fato gerador, do montante tributável e da penalidade aplicável, permitindo o pleno exercício do direito de defesa, não há nulidade do lançamento, mormente quando a defesa substancial realizada na impugnação e no recurso voluntário demonstram que o contribuinte teve adequado conhecimento das infrações imputadas e exerceu seu direito a ampla defesa.
MUDANÇA DA FUNDAMENTAÇÃO PARA A GLOSA NA FASE CONTENCIOSA. NÃO CABIMENTO. UNIÃO ESTÁVEL. COMPROVAÇÃO. DEDUÇÃO. DEPENDENTE. ENTEADA.CABIMENTO.
Não é legítima a manutenção da glosa com fundamentação diversa da constante no lançamento, notadamente quando não há elementos seguros para rejeitar os indícios trazidos pela recorrente acerca da união estável há mais de cinco do ano-calendário da autuação e há previsão legal para dedução de dependente referente a enteados.
DESPESAS MÉDICAS. INSTRUMENTAÇÃO CIRÚRGICA. DESPESA INDEDUTÍVEL
Não é dedutível a despesa com instrumentação cirúrgica por falta de previsão legal, notadamente quando comprovada por recibo cujo signatário não é identificado como médico e no qual não é informado o endereço do emitente.
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. In casu, no lançamento não foram apontados indícios em desfavor da presunção de veracidade e idoneidade dos recibos e da declaração fornecida pelo profissional nem qualquer descumprimento de qualquer requisito legal inerente a estes documentos.
IRPF. JUROS MORA. AÇÃO TRABALHISTA NO CONTEXTO DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. RENDIMENTO ISENTO. ENTENDIMENTO DO STJ DE REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA NO CARF.
Quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não, os juros de mora são isentos. Precedente do STJ julgado no rito do art. 543-C do Código de Processo Civil - CPC, portanto de reprodução obrigatória no CARF por força do art. 62-A do Regimento Interno. Esclarecimento do alcance do julgado no EDCL no REsp 1227133 pelos julgados posteriores, sobretudo a partir do REsp 1089720/RS.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ACÓRDÃO. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. DESNECESSIDADE DE REBATER TODOS OS ARGUMENTOS EMPREGADOS NO RECURSO VOLUNTÁRIO.
O órgão julgador não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. No caso dos autos, demonstrado que a exclusão dos juros de mora da base de cálculo é suficiente para que seja excluída a omissão de rendimentos de ação trabalhista, é dispensável a apreciação das outras alegações recursais que tinham a mesma finalidade.
INDEDUTIBILIDADE DO IRRF REFERENTE A RENDIMENTOS DE TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE NA FONTE.
É correta a glosa do IRRF relativo aos rendimentos de tributação exclusiva na fonte. No caso dos autos, o erro da distribuição dos rendimentos atribuído à fiscalização não afetou a percentagem alusiva aos rendimentos de tributação exclusivamente na fonte. Assim, o recorrente não demonstrou que a glosa tenha sido indevida.
PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. ERRO DE FATO. BASE DE CÁLCULO DO LANÇAMENTO OBJETO DE CONTESTAÇÃO.
Sanável, a qualquer tempo, o erro de fato havido no preenchimento da declaração de rendas, cujo processamento deu origem à exigência, para assegurar a apuração do tributo conforme a verdade material comprovada nos autos.
ISENÇÃO. APOSENTADORIA POR INVALIDEZ DECORRENTE DE ACIDENTE DE TRABALHO.
São isentos os proventos de aposentadoria motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, quando a patologia for comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios.
RENDIMENTOS DIVERSOS DE APOSENTADORIA. DOENÇA DECORRENTE DE ACIDENTE DE TRABALHO. ISENÇÃO NÃO APLICÁVEL.
A isenção dos portadores de moléstias graves não se aplica em relação aos rendimentos cuja natureza de aposentadoria não foi comprovada pelo recorrente.
PERÍCIA. PEDIDO REJEITADO.
Acolhida a alegação inerente ao restabelecimento da despesa médica, fica sem efeito o pedido de pericia correspondente. É inadequado o pedido de perícia para mensurar a base de cálculo que se insere dentre as matérias apreciadas no mérito da impugnação e do recurso voluntário.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2802-003.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos conhecer na íntegra o recurso voluntário e , no mérito, por unanimidade DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para (a) restabelecer a dedução de dependente relativa a Priscila Soares Correa; (b) restabelecer a dedução de R$14.000,00 (quatorze mil reais) a título de despesas médicas; (c) excluir do lançamento a omissão de rendimentos da ação trabalhista; e (d) excluir da base de cálculo do lançamento o valor correspondente aos rendimentos declarados relativos ao INSS, nos termos do voto do relator. Vencido, em preliminar, o Conselheiro Ronnie Soares Anderson que não conhecia do recurso no ponto em que se alegou o direito à isenção em decorrência de moléstia grave.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 06/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201411
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10980.723636/2012-32
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5398678
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2802-003.211
nome_arquivo_s : Decisao_10980723636201232.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
nome_arquivo_pdf_s : 10980723636201232_5398678.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos conhecer na íntegra o recurso voluntário e , no mérito, por unanimidade DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para (a) restabelecer a dedução de dependente relativa a Priscila Soares Correa; (b) restabelecer a dedução de R$14.000,00 (quatorze mil reais) a título de despesas médicas; (c) excluir do lançamento a omissão de rendimentos da ação trabalhista; e (d) excluir da base de cálculo do lançamento o valor correspondente aos rendimentos declarados relativos ao INSS, nos termos do voto do relator. Vencido, em preliminar, o Conselheiro Ronnie Soares Anderson que não conhecia do recurso no ponto em que se alegou o direito à isenção em decorrência de moléstia grave. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator. EDITADO EM: 06/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
id : 5720040
ano_sessao_s : 2014
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 AUTO DE INFRAÇÃO. DEFESA SUBSTANCIAL. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Se o Auto de Infração descreve suficientemente os fatos, bem como a verificação, feita pelo Auditor Fiscal, da ocorrência do fato gerador, do montante tributável e da penalidade aplicável, permitindo o pleno exercício do direito de defesa, não há nulidade do lançamento, mormente quando a defesa substancial realizada na impugnação e no recurso voluntário demonstram que o contribuinte teve adequado conhecimento das infrações imputadas e exerceu seu direito a ampla defesa. MUDANÇA DA FUNDAMENTAÇÃO PARA A GLOSA NA FASE CONTENCIOSA. NÃO CABIMENTO. UNIÃO ESTÁVEL. COMPROVAÇÃO. DEDUÇÃO. DEPENDENTE. ENTEADA.CABIMENTO. Não é legítima a manutenção da glosa com fundamentação diversa da constante no lançamento, notadamente quando não há elementos seguros para rejeitar os indícios trazidos pela recorrente acerca da união estável há mais de cinco do ano-calendário da autuação e há previsão legal para dedução de dependente referente a enteados. DESPESAS MÉDICAS. INSTRUMENTAÇÃO CIRÚRGICA. DESPESA INDEDUTÍVEL Não é dedutível a despesa com instrumentação cirúrgica por falta de previsão legal, notadamente quando comprovada por recibo cujo signatário não é identificado como médico e no qual não é informado o endereço do emitente. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. In casu, no lançamento não foram apontados indícios em desfavor da presunção de veracidade e idoneidade dos recibos e da declaração fornecida pelo profissional nem qualquer descumprimento de qualquer requisito legal inerente a estes documentos. IRPF. JUROS MORA. AÇÃO TRABALHISTA NO CONTEXTO DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. RENDIMENTO ISENTO. ENTENDIMENTO DO STJ DE REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA NO CARF. Quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não, os juros de mora são isentos. Precedente do STJ julgado no rito do art. 543-C do Código de Processo Civil - CPC, portanto de reprodução obrigatória no CARF por força do art. 62-A do Regimento Interno. Esclarecimento do alcance do julgado no EDCL no REsp 1227133 pelos julgados posteriores, sobretudo a partir do REsp 1089720/RS. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ACÓRDÃO. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. DESNECESSIDADE DE REBATER TODOS OS ARGUMENTOS EMPREGADOS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. O órgão julgador não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. No caso dos autos, demonstrado que a exclusão dos juros de mora da base de cálculo é suficiente para que seja excluída a omissão de rendimentos de ação trabalhista, é dispensável a apreciação das outras alegações recursais que tinham a mesma finalidade. INDEDUTIBILIDADE DO IRRF REFERENTE A RENDIMENTOS DE TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE NA FONTE. É correta a glosa do IRRF relativo aos rendimentos de tributação exclusiva na fonte. No caso dos autos, o erro da distribuição dos rendimentos atribuído à fiscalização não afetou a percentagem alusiva aos rendimentos de tributação exclusivamente na fonte. Assim, o recorrente não demonstrou que a glosa tenha sido indevida. PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. ERRO DE FATO. BASE DE CÁLCULO DO LANÇAMENTO OBJETO DE CONTESTAÇÃO. Sanável, a qualquer tempo, o erro de fato havido no preenchimento da declaração de rendas, cujo processamento deu origem à exigência, para assegurar a apuração do tributo conforme a verdade material comprovada nos autos. ISENÇÃO. APOSENTADORIA POR INVALIDEZ DECORRENTE DE ACIDENTE DE TRABALHO. São isentos os proventos de aposentadoria motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, quando a patologia for comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios. RENDIMENTOS DIVERSOS DE APOSENTADORIA. DOENÇA DECORRENTE DE ACIDENTE DE TRABALHO. ISENÇÃO NÃO APLICÁVEL. A isenção dos portadores de moléstias graves não se aplica em relação aos rendimentos cuja natureza de aposentadoria não foi comprovada pelo recorrente. PERÍCIA. PEDIDO REJEITADO. Acolhida a alegação inerente ao restabelecimento da despesa médica, fica sem efeito o pedido de pericia correspondente. É inadequado o pedido de perícia para mensurar a base de cálculo que se insere dentre as matérias apreciadas no mérito da impugnação e do recurso voluntário. Recurso voluntário provido em parte.
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:32:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047251051347968
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2244; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 300 1 299 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.723636/201232 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802003.211 – 2ª Turma Especial Sessão de 04 de novembro de 2014 Matéria IRPF Recorrente OLIVA METZGER ZYTKOWSKI Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 AUTO DE INFRAÇÃO. DEFESA SUBSTANCIAL. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Se o Auto de Infração descreve suficientemente os fatos, bem como a verificação, feita pelo Auditor Fiscal, da ocorrência do fato gerador, do montante tributável e da penalidade aplicável, permitindo o pleno exercício do direito de defesa, não há nulidade do lançamento, mormente quando a defesa substancial realizada na impugnação e no recurso voluntário demonstram que o contribuinte teve adequado conhecimento das infrações imputadas e exerceu seu direito a ampla defesa. MUDANÇA DA FUNDAMENTAÇÃO PARA A GLOSA NA FASE CONTENCIOSA. NÃO CABIMENTO. UNIÃO ESTÁVEL. COMPROVAÇÃO. DEDUÇÃO. DEPENDENTE. ENTEADA.CABIMENTO. Não é legítima a manutenção da glosa com fundamentação diversa da constante no lançamento, notadamente quando não há elementos seguros para rejeitar os indícios trazidos pela recorrente acerca da união estável há mais de cinco do anocalendário da autuação e há previsão legal para dedução de dependente referente a enteados. DESPESAS MÉDICAS. INSTRUMENTAÇÃO CIRÚRGICA. DESPESA INDEDUTÍVEL Não é dedutível a despesa com instrumentação cirúrgica por falta de previsão legal, notadamente quando comprovada por recibo cujo signatário não é identificado como médico e no qual não é informado o endereço do emitente. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Recibos emitidos por profissionais da área de saúde com observância aos requisitos legais são documentos hábeis para comprovar dedução de despesas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 36 36 /2 01 2- 32 Fl. 300DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 médicas, salvo quando comprovada nos autos a existência de indícios veementes de que os serviços consignados nos recibos não foram de fato executados ou o pagamento não foi efetuado. In casu, no lançamento não foram apontados indícios em desfavor da presunção de veracidade e idoneidade dos recibos e da declaração fornecida pelo profissional nem qualquer descumprimento de qualquer requisito legal inerente a estes documentos. IRPF. JUROS MORA. AÇÃO TRABALHISTA NO CONTEXTO DE RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. RENDIMENTO ISENTO. ENTENDIMENTO DO STJ DE REPRODUÇÃO OBRIGATÓRIA NO CARF. Quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho, em reclamatórias trabalhistas ou não, os juros de mora são isentos. Precedente do STJ julgado no rito do art. 543C do Código de Processo Civil CPC, portanto de reprodução obrigatória no CARF por força do art. 62A do Regimento Interno. Esclarecimento do alcance do julgado no EDCL no REsp 1227133 pelos julgados posteriores, sobretudo a partir do REsp 1089720/RS. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ACÓRDÃO. FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. DESNECESSIDADE DE REBATER TODOS OS ARGUMENTOS EMPREGADOS NO RECURSO VOLUNTÁRIO. O órgão julgador não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. No caso dos autos, demonstrado que a exclusão dos juros de mora da base de cálculo é suficiente para que seja excluída a omissão de rendimentos de ação trabalhista, é dispensável a apreciação das outras alegações recursais que tinham a mesma finalidade. INDEDUTIBILIDADE DO IRRF REFERENTE A RENDIMENTOS DE TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE NA FONTE. É correta a glosa do IRRF relativo aos rendimentos de tributação exclusiva na fonte. No caso dos autos, o erro da distribuição dos rendimentos atribuído à fiscalização não afetou a percentagem alusiva aos rendimentos de tributação exclusivamente na fonte. Assim, o recorrente não demonstrou que a glosa tenha sido indevida. PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. ERRO DE FATO. BASE DE CÁLCULO DO LANÇAMENTO OBJETO DE CONTESTAÇÃO. Sanável, a qualquer tempo, o erro de fato havido no preenchimento da declaração de rendas, cujo processamento deu origem à exigência, para assegurar a apuração do tributo conforme a verdade material comprovada nos autos. ISENÇÃO. APOSENTADORIA POR INVALIDEZ DECORRENTE DE ACIDENTE DE TRABALHO. São isentos os proventos de aposentadoria motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, quando a patologia for comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10980.723636/201232 Acórdão n.º 2802003.211 S2TE02 Fl. 301 3 RENDIMENTOS DIVERSOS DE APOSENTADORIA. DOENÇA DECORRENTE DE ACIDENTE DE TRABALHO. ISENÇÃO NÃO APLICÁVEL. A isenção dos portadores de moléstias graves não se aplica em relação aos rendimentos cuja natureza de aposentadoria não foi comprovada pelo recorrente. PERÍCIA. PEDIDO REJEITADO. Acolhida a alegação inerente ao restabelecimento da despesa médica, fica sem efeito o pedido de pericia correspondente. É inadequado o pedido de perícia para mensurar a base de cálculo que se insere dentre as matérias apreciadas no mérito da impugnação e do recurso voluntário. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos conhecer na íntegra o recurso voluntário e , no mérito, por unanimidade DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para (a) restabelecer a dedução de dependente relativa a Priscila Soares Correa; (b) restabelecer a dedução de R$14.000,00 (quatorze mil reais) a título de despesas médicas; (c) excluir do lançamento a omissão de rendimentos da ação trabalhista; e (d) excluir da base de cálculo do lançamento o valor correspondente aos rendimentos declarados relativos ao INSS, nos termos do voto do relator. Vencido, em preliminar, o Conselheiro Ronnie Soares Anderson que não conhecia do recurso no ponto em que se alegou o direito à isenção em decorrência de moléstia grave. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 06/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Julianna Bandeira Toscano, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física do exercício 2008, anocalendário 2007, que reduziu a restituição declarada de R$50.124,91 para R$12.818,08, decorrente de a autoridade fiscal ter apurado (a) omissão de R$78.910,51 de rendimentos recebidos acumuladamente do Banco Itaú S/A; (b) omissão de rendimentos a Fl. 302DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 título de pensão alimentícia das filhas Geovana e Fernanda, no valor de R$6.280,32; (c) glosa de R$1.129,50 de dedução de contribuição à previdência privada/FAPI referente à filha Geovana por não ser a mesma dependente; (d) glosa de dedução de dependente relativa à enteada Priscila Soares Correa; (e) glosa de dedução de despesas médicas, uma por ser de natureza indedutível (instrumentadora cirúrgica), outra por ser do anocalendário seguinte e limitada à despesa própria, outra por falta de comprovação do pagamento (R$150,00, R$16.500,00 e R$14.000,00, respectivamente); e (f) glosa de parte do IRRF compensado, referente a Banco Itaú S/A (R$4.704,23). Requereu prioridade com amparo no Estatuto do Idoso. Na impugnação, a contribuinte alegou nulidade do lançamento devido a cerceamento do direito de defesa, isenção dos proventos por ser portadora de doença provocada por acidente de trabalho, errônea forma de tributar os rendimentos recebidos acumuladamente, não incidência do imposto sobre os juros de mora; isenção de FGTS e férias indenizadas; erro da proporção dos rendimentos não tributáveis, tributáveis e de tributação exclusiva; não tributação da pensão recebida por Geovana que não foi declarada como dependente e, sendo mantida essa infração, que seja deduzida a despesa médica com essa filha, que por engano foi informada como contribuição à previdência privada; direito à dedução da enteada em decorrência da união estável, em conformidade com o art. 1595 do Código Civil e do Parecer 153/03 da Advocacia Geral do Senado; dedutibilidade e comprovação das despesas médicas comprovadas, porém glosadas; indevida glosa de IRRF devido ao erro na distribuição percentual dos rendimentos e requereu perícia. A decisão recorrida restabeleceu a dedução de despesa médica de R$16.500,00 e excluiu a omissão de rendimentos relativa à pensão alimentícia de Fernanda Carolina Metzger Zytkowski por não ter sido declarada como dependente (R$3.140,16); Na parte em que indeferiu a impugnação, o acórdão recorrido tem, em síntese, a fundamentação abaixo: a) o lançamento permitiu à impugnante compreender perfeitamente todos os aspectos relacionados à medida fiscal, o que é demonstrado pelo teor da impugnação apresentada, em que se discute à exaustão as divergências existentes; b) o pedido de reconhecimento de isenção dos proventos não pode ser provido pela DRJ porque se trataria de retificação da Declaração de Ajuste Anual, o que não caracteriza litígio, logo estranho à competência das DRJ, que somente pode apreciar litígio circunscrito às infrações apuradas no lançamento; não obstante, a fim de orientar a impugnante sobre o pleito a ser apreciado perante a Delegacia da Receita Federal do Brasil informa que b.1) o laudo de fls. 94 “não se destina a reconhecer a existência de “doença ocupacional”, mas a submeterse a provimento judicial que teria sido obtido em 2004”; b.2) não há comprovação inequívoca de que os rendimentos auferidos do INSS e do FUNBEP sejam decorrentes de aposentadoria ou reforma, destacandose que sobre os do INSS, em 2007, houve a retenção de imposto de renda na fonte, o que se incompatibilizaria com a citada obtenção de decisão judicial definitiva, em 2004, que teria reconhecido a existência de “doença ocupacional” ou “acidente de trabalho”, b.3) os documentos de fls. 95/96, consistentes em extratos de sistemas de dados do Ministério da Previdência e Assistência Social/Instituto Nacional do Seguro Social, são insuficientes para comprovar a natureza dos rendimentos pagos pelo INSS em 2007, seja Fl. 303DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10980.723636/201232 Acórdão n.º 2802003.211 S2TE02 Fl. 302 5 porque não fazem referência específica aos rendimentos do ano em questão, seja porque meramente compostos de siglas cuja nomenclatura não se encontra explicitada. c) os efeitos do Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009 foram suspensos pelo Parecer PGFN/CRJ/Nº 2331/2010, a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente é feita pelo regime instituído pelo art. 12 da Lei 7.713/1988, a alteração introduzida pelo art. 12 A (Lei 12.350/2010) não tem eficácia em relação ao anocalendário 2007; d) os juros de mora são tributáveis por força do parágrafo único do art. 16 da Lei 4.506/1964; e) a natureza das verbas recebidas na ação trabalhista não é definida no acordo trabalhista; na ausência de comprovação diversa, o procedimento de classificar as verbas com base no cálculo pericial está correto; f) comprovado que foram recebidos rendimentos sujeitos a tributação exclusivamente na fonte, está correto o procedimento de imputar proporcionalmente o IRRF possível de compensação no ajuste anual; g) não foi comprovada a união estável há mais de 5 anos; as declarações (fls. 78/81) foram elaboradas posteriormente aos fatos que pretendem narrar; são insuficientes; h) não há previsão legal para deduzir despesas com instrumentadora cirúrgica e a impugnante limitouse a descrever o ocorrido, não contestando a razão empregada no lançamento; i) a despesa glosada por falta de comprovação do efetivo pagamento é elevada (R$14.000,00); cabe ao Fisco tomar as cautelas necessárias a preservar o interesse público implícito na defesa da correta apuração do tributo, o que se infere da interpretação do art. 11, § 4º, do DecretoLei nº 5.844, de 1943 e não se confunde com negativa de curso à moeda nacional; principalmente quando se verifica que a contribuinte declarou rendimentos exclusivamente de pessoas jurídicas (fl. 136), que foram auferidos por meio de instituição bancária (fls. 107/121), o que permitiria fazer prova da movimentação financeira que desse suporte aos supostos pagamentos, ainda que em espécie, principalmente pelos valores significativos que cada um dos recibos alegados contém (10 x R$ 1.400,00, às fls. 97/100), que não se encontram evidenciados nos extratos bancários apresentados (fls. 107/121); pelos valores alegados, se verdadeiros, os tratamentos seriam de complexidade razoável, passíveis de comprovação de efetivo serviço por meio de registros formais de atendimento, como receituários, exames, laudos, avaliações, fichas de acompanhamento, etc., espécie de prova que a interessada não carreou aos autos; as ponderações de ordem subjetiva apenas se destinam à formação da convicção a respeito da força probante dos elementos trazidos ao processo. No caso, é inegável que, havendo dúvidas quanto à existência fática das despesas médicas, deve ser exigida a comprovação do efetivo pagamento como condição para que se acolha a dedução correspondente; e j) deficiência probatória não deve ser suprida por perícia; o correto valor a ser tributado também não é matéria que deva ser solucionada por perícia. A notificação da decisão de primeira instância realizouse por via postal, com data de expedição em 10/10/2012, sem que tenha sido anotada a data do recebimento. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 O recurso voluntário foi interposto em 30/10/2012 assentados nas alegações adiante resumidas: 1. cerceamento do direito de defesa pois, ao tributar rendimentos classificandoos de forma diferente ao que foi homologado na ação judicial e glosar deduções, a autoridade fiscal não demonstrou clara e objetivamente as razões do indeferimento do pleito da contribuinte veiculado na Declaração de Ajuste Anual, o que enseja nulidade do lançamento, conforme disposto no inciso II do art. 59 do Decreto n° 70.235/1972 e precedentes deste Conselho; 2. tem direito a isenção sobre os proventos de aposentadoria pagos pelo INSS (R$25.459,04) e da Funbep Fdo P Multipatrocinado (R$7.335,76), por ser portadora de patologia M 65 (sinovite e tenossinovite), desde 01/01/1993, o que foi reconhecido em sentença judicial como doença ocupacional (acidente de trabalho); o que deve ser reconhecido no âmbito deste processo administrativo, posto que vedada a retificação de declaração após iniciado o procedimento fiscal e em virtude dos princípios da economia processual e da desburocratização do serviço público; sobre esse ponto, há litígio instaurado com a impugnação e o Fisco tem o dever de rever de ofício o lançamento ao tomar conhecimento do erro material; por envolver decisão sobre restituição de tributos o pedido inserese na competência das Delegacia da Receita Federal de Julgamento DRJ; 3. diversamente do que considerou o acórdão recorrido, o laudo de fls. 94 reportase expressamente, no preâmbulo, como destinado a comprovar a isenção de imposto de renda; ademais, não faria sentido o laudo ter sido emitido, em 2011, para fins da ação judicial cujo provimento fora obtido em 2004; devem ser aplicadas as Súmula CARF nº 43 e 63; 4. errônea tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente, os quais devem ser tributados segundo as tabelas mensais alusivas aos períodos em que deveriam ter sido recebidos, em separado dos rendimentos normais (art. 12A da Lei 7.713/1988), consoante Parecer PGFN/CRJ 287/2009 e jurisprudência do STJ; cita o acórdão 280200.650, de 09/02/2011; 5. os juros de mora recebidos em ação trabalhista possuem natureza indenizatória e não se sujeitam à incidência do imposto de renda; 6. caso não acolhidos os pleitos anteriores, não se pode adotar os cálculos da petição inicial para determinar os rendimentos isentos, tributáveis exclusivamente na fonte e os tributáveis, pois (a) nos cálculos do FGTS não foram projetados o acréscimo da multa de 40%; (b) a projeção percentual da Receita Federal é tão falha que pode ser comprovada quando se constata que considerou os rendimentos isentos no valor de R$26.495,48, ao passo que apenas o FGTS corresponde a R$31.532,16, não correspondendo ao cálculo final da sentença (fls. 1252, da RT 1321/2002); (c) as férias indenizadas são isentas R$523,87); (d) a classificação dos rendimentos entre isentos, tributáveis e tributáveis exclusivamente na fonte foi definida na ação trabalhista, não podendo ser desvirtuados pela fiscalização tributária, o que caracteriza excesso de exação; o FGTS está incluído no valor bruto recebido (fls. 128); (e) o lançamento está errado no cálculo do 13º salário; dos isentos (não inclui a multa de 40% do FGTS); cita o acórdão 280200.537, de 19/10/2010, acerca da não tributação do FGTS; (f) estão incorretos os percentuais de cada espécie de rendimentos; partindose do rendimento total incontroverso de R$336.495,37, os rendimento sujeitos à tributação normal representam 76,26% (R$256.611,37), recaindo proporcionalmente a dedução dos honorários de advogado, deve ser excluído R$26.039,92 da omissão lançada; Fl. 305DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10980.723636/201232 Acórdão n.º 2802003.211 S2TE02 Fl. 303 7 7. tem direito à dedução de dependente relativa à enteada Priscila Soares Correa, nascida em 23/10/1989, filha de seu companheiro Antônio Correia com quem vive em união estável desde 2002; prova a união estável com declarações de união estável, Declarações de Ajuste Anual de ambos com o mesmo endereço; transferências bancárias recebidas do companheiro; 8. tem direito a deduzir a despesa com instrumentadora cirúrgica e com o dentista Gustavo Santos Depieri, esta última no valor de R$14.000,00, pois está comprovado que a recorrente foi a paciente, conforme recibos e declaração anexos; exigida a prova de pagamento por meio de registros bancários, demonstra que o fluxo financeiro conjunto seu e do seu companheiro é compatível com os saques para fazer frente às despesas da unidade familiar; os saques coincidem com datas aproximadas, o profissional não foi declarado inidôneo, os recibos são documentos hábeis e idôneos e o profissional forneceu declaração ratificando a prestação do serviço e o recebimento do pagamento, bem como a declaração dos respectivos rendimentos; cita precedentes, legislação tributária, normas sobre desburocratização; pareceres da Receita Federal e normas administrativas que impõem ao AuditorFiscal o dever de apurar a inidoneidade de documentos, o que não ocorreu e demonstra a idoneidade dos recibos; 9. a recorrente colocase a disposição para, se necessário, ser submetida a perícia, para a qual indica peritos e quesitos; 10. a glosa de IRRF decorreu da errônea distribuição dos rendimentos efetuada pela Fiscalização. O processo encontrase classificado como de tramitação prioritária e foi distribuído a este Relator, por sorteio, durante a sessão de agosto de 2014. É o Relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Não foi anotada, no Aviso de Recebimento, a data de seu recebimento. O recurso foi interposto antes mesmo de completar 30 dias da data de expedição da correspondência., portanto é tempestivo. O recursos também atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Preliminar Não procede a alegação de que o lançamento (descrição dos fatos às fls. 58/66) teria cerceado seu direito de defesa. O Auto de Infração descreveu suficientemente os fatos, bem como a verificação, feita pelo Auditor Fiscal, da ocorrência do fato gerador, do montante tributável e da penalidade aplicável, permitindo o pleno exercício do direito de defesa, não há nulidade do lançamento, mormente quando a defesa substancial realizada na impugnação e no recurso Fl. 306DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 voluntário demonstram que o contribuinte teve adequado conhecimento das infrações imputadas e exerceu seu direito a ampla defesa. Mérito As infrações contestadas no recurso voluntário são: 1) omissão de rendimentos decorrentes de ação trabalhista (fls. 58); 2) dedução indevida da enteada como dependente (fls. 62); 3) despesas com instrumentadora cirúrgica; 4) despesa com odontólogo; 5) compensação indevida de IRRF. Da dedução de dependente relativa à enteada Priscila Soares Correa O motivo da glosa foi a não apresentação da guarda judicial (fls. 62). Ocorre que se trata de enteada e na notificação de lançamento fora consignado que a enteada estava sob guarda do seu pai (Antônio Correa), companheiro da recorrente, o que, por si só, não desabona a declaração de dependência relativa à enteada. Nesse caso, a Fiscalização deveria ter exigido outros elementos de convicção, sequer verificou se o Sr. Antônio Correa declarou a filha como sua dependente ou averiguou se existia de fato a união estável. Foi após a impugnação que surgiu novo motivo para a manutenção da glosa: a falta de comprovação do interstício que a legislação tributária estabelece para a existência de união estável e, conseqüentemente, direito a deduzir como dependente os enteados. Não é legítima a manutenção da glosa com fundamentação diversa da constante no lançamento, notadamente quando não há elementos seguros para rejeitar os indícios trazidos pela recorrente acerca da união estável no período de 2002 a 2009, a saber: a identidade de endereço nas DIRPF (fls. 70 e 77), as declarações de terceiros, sob as penas da lei, relativamente à união estável e criação e educação da enteada (fls. 78/80) e do Sr. Antônio Correa (fls. 81). Devese restabelecer a dedução de dependente relativa a Priscila Soares Correa. Da despesa médica com instrumentação cirúrgica O recorrente tão somente relata a razão da glosa. Não demonstra as razões de fato e de direito em que se baseia seu inconformismo. O acórdão recorrido já anotara essa deficiência na impugnação a qual assentarase exclusivamente no recibo de fls. 100. As despesas com instrumentação cirúrgica não estão contempladas na lei como dedutíveis (art. 8°, II, alínea a, da Lei nº 9.250, de 1995), notadamente quando essa despesa não consta da conta hospitalar. No caso dos autos, a despesa é representada pelo recibo de fls. 100, cujo signatário é identificado apenas pelo nome e CPF; não há indicação como médico nem seu endereço. No mesmo sentido: Acórdão 2802002.665, de 22/01/2014. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. COMPROVAÇÃO PARCIAL. Incabível a dedução como despesas médicas dos gastos com a prestação de serviços realizada por profissional na área de instrumentação. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10980.723636/201232 Acórdão n.º 2802003.211 S2TE02 Fl. 304 9 Recurso voluntário provido em parte. Da despesa médica com odontologia Quanto à despesa com o odontólogo Gustavo Santos Depieri a autoridade lançadora anotou que a glosa decorre da falta de comprovação de que a recorrente arcou financeiramente com a despesas e que “não basta a mera exibição de recibos sem a vinculação dos pagamentos”, da forma indicada em intimação: cópia de cheque nominal, transferência bancária, cartão de crédito, saque assinalado no extrato bancário ou outra forma de comprovação da origem do recurso (fls. 64). Em casos dessa natureza, a princípio, os recibos emitidos por profissionais legalmente habilitados que atendam às formalidade legais são hábeis a comprovar as deduções pleiteadas, mas, em havendo fortes indícios de que a documentação é inidônea, existe o direito dever de o fisco intimálo a comprovar por outros meios o desembolso e a prestação do serviço. A dedutibilidade ou não da despesa médica merece análise caso a caso, consoante os elementos trazidos aos autos, tanto pelo fisco como pelo contribuinte e o ponto de partida é a imputação feita no lançamento, se nele não há apontamento de indícios em desfavor dos documentos apresentados pelo recorrente, não há elementos que permitam afastar a idoneidade dos documentos apresentados pelo requerente para fazer jus às deduções pleiteadas. Os documentos comprobatórios estão acostados às fls. 97/100 e 105, recibos e declaração, respectivamente. Em que pese a relevância das preocupações do julgador de primeira instância, o devido processo legal exige que o processo caminhe sempre para frente e que o contribuinte arque com o ônus de defenderse unicamente da imputação que lhe foi feita no auto de infração. Não cabe ao julgador ocupar o papel da autoridade lançadora no sentido de comprovar a inidoneidade dos recibos e, ainda que haja imperfeições na lei que, em tese, permitam a deturpação do benefício fiscal, não é lícito ao julgador, na tentativa de corrigir essas imperfeições, ampliar a imputação fiscal e com isso aumentar as exigências comprobatórias ao contribuinte sem base legal. Não havendo sequer um conjunto forte de indícios em desfavor dos recibos e da declaração do odontólogo e, enquanto não houver disciplina legal mais adequada, atende ao verdadeiro interesse público privilegiar o devido processo legal e as demais garantias ínsitas ao Estado Democrático de Direito, cujos valores superam eventual perda arrecadatória. A dedução de R$14.000,00 deve ser restabelecida a título de despesas médicas. Da omissão de rendimentos (juros de mora, férias indenizadas, FGTS, rendimentos recebidos acumuladamente) Os rendimentos lançados como omitidos decorreram de ação trabalhista no contexto de rescisão de contrato de trabalho (fls. 131), portanto, deve ser observado o quanto decidido pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ no REsp 1089720/RS, julgado em 10/10/2012 e publicado em 28/11/2012, no qual foi proferido entendimento de que, como regra geral, incide o IRPF sobre os juros de mora, todavia uma das exceções é que são isentos de IRPF os Fl. 308DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 juros de mora quando pagos no contexto de despedida ou rescisão do contrato de trabalho,em reclamatórias trabalhistas ou não. Isto é, quando o trabalhador perde o emprego, os juros de mora incidentes sobre as verbas remuneratórias ou indenizatórias que lhe são pagas são isentos de imposto de renda. No mesmo sentido há o REsp 1234377/RS, julgado em 04/06/2013, publicado em 12/06/2013; AgRg no AgRg no AREsp 190821/RS, Data do Julgamento 28/05/2013, Data da Publicação 04/06/2013; AgRg no AREsp 18626/RS, Data do Julgamento 28/05/2013, Data da Publicação 04/06/2013. Às fls. 133/134 consta o demonstrativo das verbas no qual a autoridade lançadora baseouse para distribuir os rendimentos entre tributáveis ou não. Nesse demonstrativo constam juros de mora da ordem de R$107.580,22 (tributáveis) mais R$835,10(não tributáveis). De outro giro, no detalhamento dos cálculos no lançamento (fls. 59) esses valores estão incluídos como rendimentos tributáveis Notese que, no lançamento, os rendimentos não tributáveis foram computados como R$16.015,73. O acórdão recorrido consignou (fls. 176) que o lançamento amparase nos cálculos periciais de fls. 1202 a 1211 e 1261 do processo trabalhista, enquanto o contribuinte baseiase na discriminação do acordo. Ocorre que as folhas do processo trabalhista mencionadas pela autoridade lançadora não constam dos autos, razão pela qual essa premissa da autoridade lançadora não pode prevalecer sobre as folhas juntadas aos autos pela contribuinte (fls. 128/129 e novamente às fls. 133/134). A contribuinte alegou cerceamento do direito de defesa em relação ao lançamento, o qual foi rejeitado pela autoridade julgadora de primeira instância, que também reputou não contestada expressamente a discriminação das verbas, contudo na impugnação – e agora no recurso voluntário – há sim contestação da distribuição percentual das verbas. A autoridade julgadora estabeleceu ônus do contribuinte de comprovar que foram incluídos no lançamento rendimentos isentos, quando o correto teria sido exigir que o Fisco apontasse as provas da premissa do lançamento. O acórdão recorrido adotou como fundamento que os juros de mora são tributáveis. Vejamos excerto da ementa: AÇÃO TRABALHISTA. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária, por expressa determinação legal. Notese que, ao contrário do que se infere do acórdão recorrido, os demonstrativos de fls. 128/129 não tem característica de qualquer conduta tendente a contrariar interesses do Fisco, pois trataram os juros de mora quase que integralmente como tributáveis. Nessas circunstâncias, não há razão para desconsiderar os documentos de fls. 128/129 (novamente às fls. 133/134) como hábeis a demonstrar a existência de juros de mora Fl. 309DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10980.723636/201232 Acórdão n.º 2802003.211 S2TE02 Fl. 305 11 de valor superior ao que foi computado como rendimentos isentos e à própria omissão de rendimentos (fls. 58). O julgador não está obrigado a rebater, um a um, todos os argumentos deduzidos pelo recorrente, basta apreciar com clareza, ainda que de forma sucinta, as questões essenciais ao julgamento, tal como jurisprudência consolidada nas Cortes Superiores (EDcl no Ag 1279319 / RS, REsp 1264897 / PE, AgRg no Ag 1299462 / MG, EDcl no REsp 811416 / SP, etc), dessa forma, dispensável apreciar demais alegações recursais que almejavam excluir do lançamento a omissão de rendimentos da ação trabalhista. Portanto, deve ser excluída do lançamento a omissão de rendimentos da ação trabalhista. Da glosa do IRRF O valor glosado correspondeu à parcela proporcional que corresponde aos rendimentos de tributação exclusivamente na fonte, que não poderia ter sido computada no ajuste anual (fls. 65). Demonstrado logo acima o erro na distribuição das verbas, somente uma nova discriminação das verbas segundo a natureza tributável no ajuste anual, exclusivamente na fonte ou não tributáveis poderia identificar qual o exato valor de IRRF compensável no ajuste anual. É incontroverso o total dos rendimentos (R$336.495,37, fls. 58 e 226). Para afastar a glosa, a recorrente deveria demonstrar que o percentual dos rendimentos de tributação exclusivamente na fonte é inferior ao que foi considerado no lançamento. Contudo, a recorrente alega o contrário, pois enquanto a autoridade lançadora computou rendimentos dessa natureza como sendo R$13.620,37 (fls. 58), a recorrente sustenta ter sido de R$24.964,96 (fls. 226), o que conduziria a uma glosa ainda maior. Assim, o erro da distribuição dos rendimentos atribuído à fiscalização não afetou a percentagem alusiva aos rendimentos de tributação exclusivamente na fonte. Sem razão a recorrente neste ponto. Da isenção sobre os proventos de aposentadoria Não obstante não ter havido infração nesse ponto, a discussão afeta diretamente a base de cálculo do lançamento. Assim, em sendo comprovado que a base de cálculo assentase em erro de fato na classificação do rendimentos é possível a correção do erro na fase contenciosa. Não admitir a correção de eventual erro de fato comprovado atentaria contra princípios específicos do processo administrativo fiscal, como os da busca da verdade material, do formalismo moderado, da economia processual e, em última análise, iria de encontro ao dever de auto tutela da Administração, ao princípio da legalidade tributária e a uma finalidade própria do processo administrativo fiscal que é a redução de litigiosidade em juízo, poupando a Administração de ônus sucumbenciais decorrentes de uma execução fiscal indevida. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 12 Todavia, em se tratando de erro de fato, cabe ao contribuinte provar inequivocamente o erro que alega existir em sua Declaração de Ajuste Anual. Ainda que buscando dar um teor de mero esclarecimento, o acórdão recorrido consignou diversos óbices ao reconhecimento da isenção: b.1) o laudo de fls. 94 “não se destina a reconhecer a existência de “doença ocupacional”, mas a submeterse a provimento judicial que teria sido obtido em 2004”; b.2) não há comprovação inequívoca de que os rendimentos auferidos do INSS e do FUNBEP sejam decorrentes de aposentadoria ou reforma, destacandose que sobre os do INSS, em 2007, houve a retenção de imposto de renda na fonte (fls. 71), o que se incompatibilizaria com a citada obtenção de decisão judicial definitiva, em 2004, que teria reconhecido a existência de “doença ocupacional” ou “acidente de trabalho”, b.3) os documentos de fls. 95/96, consistentes em extratos de sistemas de dados do Ministério da Previdência e Assistência Social/Instituto Nacional do Seguro Social, são insuficientes para comprovar a natureza dos rendimentos pagos pelo INSS em 2007, seja porque não fazem referência específica aos rendimentos do ano em questão, seja porque meramente compostos de siglas cuja nomenclatura não se encontra explicitada. O laudo de fls. 94 foi emitido por perito médico do INSS e tem natureza de homologação da natureza da doença definida em sentença judicial, à medida que na parte final do laudo, o perito médico informa que a doença reconhecida na sentença judicial dos autos 26/2001, de 16/01/2004, caracterizase como doença ocupacional (acidente de trabalho), o que autoriza classificar a doença como prevista no rol da lei 7.713/1988 c/c art. 30 da Lei 9.250/1995, mormente quando o documento de fls. 96 corrobora sua aposentadoria por “invalidez acidente de trabalho” em 11/06/2003 (DIB). Assim, a Declaração de Ajuste Anual com a descrição da contribuinte como aposentada e a declaração de recebimento de rendimentos do INSS não pode levar a outra conclusão que não seja o recebimento de proventos de aposentadoria. Ademais, embora o julgador de primeira instância não esteja obrigado a conhecer de antemão as siglas empregadas nos documentos da Previdência Social, tratamse de documentos públicos e usuais da área previdenciária, que desde o advento da Lei 11.457/2007 tem sido empregados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Anotese que DIB significa Data de Início do Benefício. O fato de o laudo do INSS somente ter sido emitido em 2011 explica porque o INSS reteve o imposto em 2007. Temse por comprovado que os rendimentos do INSS são proventos de aposentadoria, logo deve reconhecer a isenção e excluílos da base de cálculo do lançamento. Por outro lado, a recorrente não apontou documentação alguma que comprove a natureza dos rendimentos recebidos do Funbep Fdo P Multipatrocinado (R$7.335,76), de forma que não comprovou um dos requisitos para a isenção relativa a esses rendimentos. O lançamento deve ser mantido hígido nesse ponto. Do pedido de perícia Como foi acolhida a alegação inerente à despesa médica, fica sem efeito o pedido de pericia correspondente. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10980.723636/201232 Acórdão n.º 2802003.211 S2TE02 Fl. 306 13 Não merece reparo o acórdão recorrido quando indica a inadequação da perícia para mensurar a base de cálculo que se insere dentre as matérias apreciadas no mérito da impugnação e agora do recurso voluntário. Diante do exposto, devese DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para (a) restabelecer a dedução de dependente relativa a Priscila Soares Correa; (b) restabelecer a dedução de R$14.000,00 (quatorze mil reais) a título de despesas médicas; (c) excluir do lançamento a omissão de rendimentos da ação trabalhista; e (d) excluir da base de cálculo do lançamento o valor correspondente aos rendimentos declarados relativos ao INSS. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 312DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10980.009737/2007-30
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/07/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. COMPROVAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o., DO CTN.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com que a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nas demais situações.
SÚMULA CARF nº 99.
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No presente caso, existe, nos autos, evidência de recolhimento antecipado para as competências lançadas, devendo-se assim aplicar, para fins de reconhecimento de eventual decadência, o disposto no citado art. 150, § 4°, do CTN.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-003.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
EDITADO EM: 23/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201409
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1998 a 31/07/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. COMPROVAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o., DO CTN. O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com que a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nas demais situações. SÚMULA CARF nº 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No presente caso, existe, nos autos, evidência de recolhimento antecipado para as competências lançadas, devendo-se assim aplicar, para fins de reconhecimento de eventual decadência, o disposto no citado art. 150, § 4°, do CTN. Recurso especial negado.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10980.009737/2007-30
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5388402
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 9202-003.375
nome_arquivo_s : Decisao_10980009737200730.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 10980009737200730_5388402.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator EDITADO EM: 23/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Elias Sampaio Freire.
dt_sessao_tdt : Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
id : 5659350
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:29:58 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047251060785152
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2302; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 3.530 1 3.529 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10980.009737/200730 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.375 – 2ª Turma Sessão de 18 de setembro de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SENTINELA VIGILÂNCIA S/C LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/07/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. COMPROVAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o., DO CTN. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com que a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nas demais situações. SÚMULA CARF nº 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. No presente caso, existe, nos autos, evidência de recolhimento antecipado para as competências lançadas, devendose assim aplicar, para fins de reconhecimento de eventual decadência, o disposto no citado art. 150, § 4°, do CTN. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 97 37 /2 00 7- 30 Fl. 3530DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 10980.009737/200730 Acórdão n.º 9202003.375 CSRFT2 Fl. 3.531 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator EDITADO EM: 23/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD – referente a contribuições destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração paga a segurados, correspondentes à contribuição da empresa, à contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) e às contribuições devidas aos Terceiros. Abrange a referida NFLD, de número 35.882.2556 (fls. 01 a 1305), as competências de 01/1998 a 07/2005, com ciência ao sujeito passivo em 24/04/2006 (fl. 1.307). O Acórdão nº 2.40200.271, da 2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 1691 a 1699), julgado na sessão plenária de 28 de outubro de 2009, por unanimidade de votos, optou por não conhecer do recurso de ofício. Por maioria de votos, decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário, para, nas preliminares, declarar extintas as contribuições apuradas até a competência 11/2000, anteriores a 12/2000, pela aplicação do I, Art. 173 do CTN, com exceção das contribuições apuradas nos levantamentos DAL, FP1 e FRE, para os quais, para todas as competências até 03/2001, anteriores a 04/2001, considerou os débitos lançados como fulminados pelo efeito decadencial, dada a existência de recolhimentos considerados e a conseqüente aplicação da regra constante do § 4o, Art. 150, do CTN. No mérito, se negou provimento por unanimidade ao recurso voluntário. Transcrevese, a seguir, ementa e a decisão do julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 31/07/2005 DECADÊNCIA. Fl. 3531DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 10980.009737/200730 Acórdão n.º 9202003.375 CSRFT2 Fl. 3.532 3 O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. GFIP. Informações prestadas em GFIP constituemse em termo de confissão de dívida, na hipótese do seu não recolhimento. RECURSO DE OFÍCIO NÃO CONHECIDO E RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4 a câmara / 2a turma ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para, nas preliminares, declarar extintas as contribuições apuradas até a competência 11/2000, anteriores a 12/2000, pela aplicação do I, Art. 173 do CTN, com exceção das contribuições apuradas nos levantamentos DAL, FP1 e FRE, em que todas as competências até 03/2001, anteriores a 04/2001, estão extintas, pois há recolhimentos considerados e a regra aplicada foi a do § 4o , Art. 150 do CTN, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Cleusa Vieira de Souza e Rogério de Lellis Pinto, que votaram em aplicar integralmente o § 4o , Art. 150 do CTN. No mérito, foi negado provimento por unanimidade. Contra essa decisão, a Fazenda Nacional manejou recurso especial de divergência com fulcro no art. 67, inciso II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009 (fls. 1704 a 1732), onde defendeu: a) Que o recurso de ofício deveria ser conhecido, uma vez que, na forma de decisão proferida pela 1a. Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes, constante do Acórdão n° 20171110, de 16 de outubro de 1997 (assim adotado como paradigma para esta 1a. matéria), o valor exonerado a ser utilizado para fins de apuração dos requisitos do Recurso de Ofício deve ser aquele apurado na data da decisão administrativa, devidamente atualizado monetariamente e não o valor originário do débito, na forma adotada pelo recorrido. Expõe, a propósito, ainda, que, segundo a Teoria do Isolamento, a lei processual nova só terá eficácia quanto aos atos processuais futuros, respeitada a eficácia dos atos já praticados na vigência da lei velha, garantindose, assim, o direito processual adquirido, sendo que, na época em que proferido o Acórdão Recorrido de 1a. instância, vigia a Portaria MF n° 375, de 2001, que determinava o limite para interposição de recurso de ofício de R$ 500.000,00 (limite abaixo do montante exonerado no âmbito do Acórdão de 1a. instância), não havendo, assim, que se falar em aplicação dos novos requisitos trazidos pela Portaria MF n° 3, de 2008. Assim, caracterizada divergência, entendendo a Fazenda Nacional que se devia ter conhecido do referido recurso de ofício. b) Entendeu, ainda, a Fazenda Nacional de que, para fins de aplicação do art. 150, §4o. do CTN na contagem do prazo decadencial, o recolhimento parcial deve ser considerado não por levantamento, como realizado pelo vergastado, mas por rubrica, na forma Fl. 3532DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 10980.009737/200730 Acórdão n.º 9202003.375 CSRFT2 Fl. 3.533 4 defendida pela Primeira Turma Ordinária da 3a. Câmara da 2a. Seção do CARF, no Acórdão n° 230100.218, de 05 de maio de 2009, adotado como paradigma para fins desta segunda matéria. Propugna, assim, a recorrente pela reforma do recorrido, de forma a que: a) se a Câmara Superior de Recursos Fiscais decidir pelo conhecimento do recurso de ofício, determine o retorno dos autos para sua apreciação pelo colegiado de 2a. instância, ou; b) caso entenda não estar superado o limite de alçada do reexame necessário, reforme o acórdão recorrido, no sentido de aplicar a regra prevista no art. 150 §4o. do CTN somente para as rubricas onde conste o lançamento de pagamentos nos levantamentos indicados no demonstrativo do débito. O recurso especial foi admitido parcialmente por meio do despacho de fls. 1733 a 1736. Negouse seguimento quanto à matéria de conhecimento do recurso de ofício, por não estar caracterizada a existência de identidade de situações fáticas, uma vez que, enquanto no caso do paradigma a autoridade recorrente desonerou a autuada do recolhimento de uma importância que, na data da sua decisão, estava abaixo do limite de alçada previsto no artigo 34, inciso I. do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, por outro lado, no acórdão recorrido tratase de situação em que houve alteração na norma processual que define o limite de alçada durante o trâmite do feito. Quanto à matéria de recolhimento por rubricas para fins de contagem do prazo decadencial, o recurso foi regularmente admitido. Devidamente cientificada do recurso especial da Fazenda Nacional, a contribuinte não ofertou contrarrazões. É o relatório. Fl. 3533DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 10980.009737/200730 Acórdão n.º 9202003.375 CSRFT2 Fl. 3.534 5 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade quanto à matéria admitida e, portanto, dele conheço. Faço notar que, tendo em vista a admissibilidade parcial do recurso especial da Fazenda Nacional, resumese a matéria litigiosa à aplicação do art. 150 § 4o. do CTN para fins de contagem do efeito decadencial em determinados levantamentos objeto de lançamento, enquanto, segundo o recorrente, era de se aplicar o art. 173, I do CTN, uma vez que somente o recolhimento das rubricas objeto de lançamento caracterizaria antecipação de pagamento, ensejando a aplicação do referido art. 150, §4o., do CTN . Mais especificamente, verifico, a partir do disposto no voto vencedor (fl. 1695) e considerando também inexistir recurso especial de iniciativa do contribuinte, que se limita agora o litígio aos débitos objeto dos levantamentos DAL, FP1 e FRE, para os quais o vergastado declarou como extintos os lançamentos realizados para as competências até 03/2001 (inclusive), a partir da aplicação do disposto no art. 150, §4o. do CTN, uma vez caracterizada a antecipação de recolhimentos, seja por se tratarem de débitos oriundos de diferenças de acréscimos legais (os quais pressupõem recolhimento, fls. 12 a 19), seja pela constatação de recolhimentos a partir dos demonstrativos de fls. 31, 32 e 50. A propósito, a decadência dos tributos lançados por homologação é questão tormentosa que vem dividindo a jurisprudência administrativa e judicial há tempos. No âmbito dos antigos Conselhos de Contribuintes, e agora no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, praticamente todas as interpretações possíveis já tiveram seu espaço. É notório que as inúmeras teses que versam sobre o assunto surgiram do fato do nosso Código Tributário Nacional CTN possuir duas regras de decadência, uma para o direito de constituir o crédito tributário (art. 173), e outra para o direito de não homologar o pagamento antecipado de certos tributos previstos em lei (art. 150, §4o). Apesar de serem situações distintas, o efeito atingido é o mesmo, pois, uma vez homologado tacitamente o pagamento, o crédito tributário estará definitivamente extinto, não se permitindo novo lançamento, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Na verdade, a celeuma não está no prazo da decadência, que é de cinco anos nas duas situações, mas na data de início de sua contagem. Enquanto o art. 173 fixa essa data no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou no dia em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o art. 150, §4o, determina o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Pacificando essa discussão, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, órgão máximo de interpretação das leis federais, firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. Fl. 3534DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 10980.009737/200730 Acórdão n.º 9202003.375 CSRFT2 Fl. 3.535 6 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/0176994 0), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Fl. 3535DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 10980.009737/200730 Acórdão n.º 9202003.375 CSRFT2 Fl. 3.536 7 (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observese que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário. Recentemente, a Portaria MF no 586, de 21 de dezembro de 2010, introduziu o art. 62A no Regimento Interno do CARF RICARF, com a seguinte redação: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Desta forma, este CARF forçosamente deve abraçar a interpretação do Recurso Especial nº 973.733 – SC, de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nos demais casos. A polêmica, no caso em questão, em verdade, está na existência ou não de pagamento antecipado. A propósito, faço notar, ainda, que editou este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a Súmula no 99, aprovada por esta 2a. Turma desta Câmara Superior em 09 de dezembro de 2013 e que assim reza: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Ou seja, para fins de aplicação da Súmula supra na situação sob análise, é fundamental que se verifique se há recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte nas competências dos fatos geradores a que se referem a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo destes recolhimentos, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração, a fim de que se possa decidir pela aplicação, para fins de contagem do prazo decadencial, do disposto no art. 150, §4o. da Lei no Fl. 3536DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 10980.009737/200730 Acórdão n.º 9202003.375 CSRFT2 Fl. 3.537 8 5.172, de 1966 (no caso de existência de recolhimento, ainda que parcial) ou do art. 173, I do mesmo Código (no caso da inexistência de recolhimento). Compulsando os autos, verifico, em linha com o voto vencedor do recorrido, que os elementos de fls. 12 a 19, 31, 32 e 50 são suficientes para caracterizar a existência de recolhimento de valores a título de contribuição previdenciária para as competências de 12/2000 a 03/2001. Assim, devem ser considerados como fulminados pela decadência os débitos lançados referentes a tais competências e decorrentes dos levantamentos ainda em litígio (DAL, FP1 e FRE), uma vez estabelecidas: a) a necessidade de contagem do prazo decadencial na forma estabelecida pelo art. 150, § 4o. do CTN e b) a ciência do lançamento somente ocorrida em 04/2006. Concluise, destarte, não haver qualquer reparo a ser feito ao Acórdão guerreado nesta seara. Assim, diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional para, no mérito, negarlhe provimento, mantendose a contagem do prazo decadencial na forma do disposto no art. 150, §4o. da Lei no 5.172, de 1966, e o consequente reconhecimento da decadência para as competências até 03/2001 (inclusive), para os levantamentos DAL, FP1 e FRE. É como voto. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 3537DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/10/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS
score : 1.0
Numero do processo: 16561.000001/2008-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
OBSCURIDADE. SANEAMENTO.
Uma vez constatada obscuridade no Acórdão embargado tal vício deve ser sanado, porém no caso concreto, o esclarecimento não produziu qualquer efeito modificativo no resultado do Acórdão embargado.
Numero da decisão: 1401-001.230
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM ACOLHER os embargos, tão somente para sanar a obscuridade, porém sem lhes emprestar efeitos infringentes.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 OBSCURIDADE. SANEAMENTO. Uma vez constatada obscuridade no Acórdão embargado tal vício deve ser sanado, porém no caso concreto, o esclarecimento não produziu qualquer efeito modificativo no resultado do Acórdão embargado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 16561.000001/2008-02
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5393350
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1401-001.230
nome_arquivo_s : Decisao_16561000001200802.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ANTONIO BEZERRA NETO
nome_arquivo_pdf_s : 16561000001200802_5393350.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM ACOLHER os embargos, tão somente para sanar a obscuridade, porém sem lhes emprestar efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
id : 5685044
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047251063930880
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1661; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 1.875 1 1.874 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16561.000001/200802 Recurso nº 99.999 Embargos Acórdão nº 1401001.230 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 31 de julho de 2014 Matéria Embargos de declaração Embargante FAZENDA NACIONAL Interessado BOMBARDIER TRANSPORTATION BRASIL LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 OBSCURIDADE. SANEAMENTO. Uma vez constatada obscuridade no Acórdão embargado tal vício deve ser sanado, porém no caso concreto, o esclarecimento não produziu qualquer efeito modificativo no resultado do Acórdão embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM ACOLHER os embargos, tão somente para sanar a obscuridade, porém sem lhes emprestar efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 00 01 /2 00 8- 02 Fl. 1875DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO 2 Relatório Tratase de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO da PFN em que se alega obscuridade no Acórdão nº 1401001.051, proferido por esta 1a Turma da 4ª Câmara da 1a Seção do CARF, que, por unanimidade de votos, DERAM provimento ao recurso em face da DECADÊNCIA, e NÃO CONHECERAM do recurso de ofício por prejudicado, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 DECADÊNCIA. PRESENÇA DE PAGAMENTOS. REGRA DO ART. 150, § 4o DO CTN. EVENTO DE INCORPORAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DO FATO GERADOR. O lançamento por homologação ocorre quando o sujeito passivo da obrigação tributária apura o montante tributável e efetua o pagamento do imposto devido, ainda que parcialmente, sem prévio exame da autoridade administrativa, hipótese em que a contagem do prazo decadencial, quando há pagamento e quando ausentes dolo, fraude ou simulação, se rege pelo disposto no art. 150, § 4o, do CTN, como foi o caso. O fato gerador do IRPJ e da CSLL das sociedades optantes pelo lucro real anual que, via de regra materializase em 31 de dezembro, se antecipa, no que concerne à decadência, para a data do evento de incorporação por meio da qual a Recorrente absorveu patrimônio de outra pessoa jurídica, fato este que ensejou também a entrega antecipada da DIPJ, fechando o balanço da incorporada até o mês da ocorrência do evento de incorporação (inteligência do art. 5º da Lei n. 9.959/2000). A Embargante às fls. 1853/1861 levanta um ponto de obscuridade no acolhimento da decadência: O eminente relator do julgado, em análise do decurso decadencial para a fiscalização efetuar o lançamento de ofício, entendeu que deveria ser aplicado in casu o art. 150, § 4S, do CTN, pela seguinte razão: "Outrossim, identifico nos autos a ocorrência de pagamentos na forma de retenções de IRRF, portanto, adotase a regra do art. 150 §4S, do CTN." Contudo, esta procuradoria acredita que restou configurada certa obscuridade na forma como o voto restou consignado. Isso porque não ficou claro no voto condutor do aresto ora embargado se as retenções de IRRF que o ilustre relator considerou como "pagamento antecipado" do IRPJ devido, foram as eventuais retenções sofridas pelo autuado ou as retenções por ele efetuadas. Isso porque, a exemplo da ficha 42A da DIPJ/2002 apresentada pelo autuado, o mesmo efetuou retenções de IRRF referente a rendimentos pagos por ele a seus dirigentes. Contudo estas retenções não são referentes a impostos por ele devidos, Por outro lado, caso o eminente relator esteja se referindo a retenções sofridas pelo sujeito passivo autuado, acreditase que, apenas para fins de elucidação das Fl. 1876DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16561.000001/200802 Acórdão n.º 1401001.230 S1C4T1 Fl. 1.876 3 razões de decidir, tais retenções deveriam ser especificadas no voto condutor do aresto. mas sim a imposto de renda devido pelas pessoas físicas beneficiárias dos rendimentos pagos Da análise perfunctória dos embargos, entendendo estarem presentes todos os requisitos de admissibilidade para apreciação pela Turma foi efetuado despacho propondo ao Presidente da Quarta Câmara da Primeira Seção para apreciação e submissão dos embargos ao plenpario, nos termos do art.65, §3º, do Anexo II do RICARF, o que foi aceito. É o relatório. Fl. 1877DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO 4 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos embargos de declaração. Conforme relatado, a Embargante alega obscuridade no voto na medida em que não restou claro se o que foi considerado como pagamentos antecipados para efeito de aplicação da regra decadencial do art. 150, parágrafo 4º do CTN, tratarseia de retenções sofridas pelo sujeito passivo ou retenções efetuadas. De fato, reconheço a obscuridade, pois o voto foi genérico nesse aspecto não especificando as páginas onde se encontravam referidas retenções e a natureza delas, muito embora como se verá a melhor especificação dos fatos não conduzirá à mudança de resultado. As retenções a que me referi no voto em embargado são as retenções sofridas pela Bombardier, relativamente a suas aplicações financeiras, conforme documentos de fls. 14 e 48 acostados nos autos pela própria fiscalização; mas tal esclarecimento não muda em nada tudo quanto foi decidido no acórdão embargado, pois referidas retenções equivalem à pagamento antecipado para efeito de aplicação da regra decadencial do art. 150, parágrafo 4º do CTN, conforme já foi inclusive decidido pela CSRF (AC. 9101001.142 – 1a Turma da CSRF – Relatora: Karem Jureidini Dias. Sessão 02 de agosto de 2011). Por todo o exposto, acolhese os embargos tão somente para sanar a obscuridade, porém sem lhes emprestar efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 1878DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 10183.003506/2010-11
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. JUSTIÇA DO TRABALHO. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA DO STJ.
No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, mas o cálculo do imposto deverá considerar os períodos a que se referirem os rendimentos, evitando-se, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido, caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. Interpretação da lei conforme jurisprudência do STJ.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.750
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Ewan Teles Aguiar e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: Marcio Henrique Sales Parada
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. JUSTIÇA DO TRABALHO. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, mas o cálculo do imposto deverá considerar os períodos a que se referirem os rendimentos, evitando-se, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido, caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. Interpretação da lei conforme jurisprudência do STJ. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Primeira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10183.003506/2010-11
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5397936
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 17 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2801-003.750
nome_arquivo_s : Decisao_10183003506201011.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : Marcio Henrique Sales Parada
nome_arquivo_pdf_s : 10183003506201011_5397936.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Ewan Teles Aguiar e Marcio Henrique Sales Parada.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
id : 5703940
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047251078610944
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1926; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 206 1 205 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.003506/201011 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801003.750 – 1ª Turma Especial Sessão de 08 de outubro de 2014 Matéria IRPF Recorrente LEVI SALIÉS FILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. JUSTIÇA DO TRABALHO. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, mas o cálculo do imposto deverá considerar os períodos a que se referirem os rendimentos, evitandose, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido, caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. Interpretação da lei conforme jurisprudência do STJ. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal relativa à omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida que negava provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 35 06 /2 01 0- 11 Fl. 206DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10183.003506/201011 Acórdão n.º 2801003.750 S2TE01 Fl. 207 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Ewan Teles Aguiar e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Este processo já foi objeto de análise anteriormente, por esta Turma Especial, em Sessão de 16 de maio de 2013. Na ocasião, como Relator, elaborei o seguinte relatório: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade do contribuinte recorrente com a Notificação de Lançamento constante da fl. 144 e ss., originada a partir de procedimento de revisão em sua declaração de ajuste anual, do exercício de 2009, onde se verifica a seguinte descrição dos fatos: “Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, decorrentes de Ação Trabalhista. Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente em virtude de processo judicial trabalhista, no valor de R$ 144.473,16, auferidos pelo titular e/ou dependentes. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 4.066,32.” Foi apresentada impugnação ao lançamento, conforme fls. 1, onde contribuinte alega, em síntese, que: Na análise do pedido de antecipação de processamento de declaração que incidiu em malha e apresentada espontaneamente à Receita Federal do Brasil, teve seu pedido negado e inda foi autuado por omissão, mas acredita que houve uma interpretação equivocada dos valores apresentados que passará a demonstrar: Partindo da sentença proferida conforme cópia dos autos do Processo n° 00891.2002.001.23.005, bem como nos termos do Laudo Pericial juntado, temse as seguintes verbas: “indenizatórias, tributação exclusiva e tributáveis”; Em consulta ao plantão fiscal da Receita Federal do Brasil, no intuito de dirimir eventuais dúvidas, fora aconselhado a fazer uma planilha demonstrando todos os valores recebidos, que culminou na entrega da quarta declaração retificadora, planilha que está anexa a seu requerimento. Portanto, vem requerer a impugnação e o devido cancelamento da Notificação de Lançamento, haja vista que procedeu conforme orientação, não omitindo rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica, decorrentes de Ação Trabalhista, e requerer a Fl. 207DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10183.003506/201011 Acórdão n.º 2801003.750 S2TE01 Fl. 208 3 ratificação em todos os termos de sua Declaração Retificadora n° 4. O contribuinte anexou decisões judiciais, da Justiça Trabalhista, onde se discutiu o pagamento de verbas de naturezas diversas, em decorrência de contrato de trabalho que manteve com pessoa jurídica, recebendo, por fim, o “total bruto” de R$ 306.891,64, como informa o documento de fl. 52. A 4º Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, em Campo Grande/MS, após analisar pormenorizadamente a natureza das verbas trabalhistas recebidas, os cálculos apresentados pelo contribuinte e os valores lançados pela autoridade fiscal, concluiu que: “Conforme verificado acima, considerandose os valores informados pelo perito judicial, a apuração do imposto implica um valor de imposto suplementar ainda maior do que o apurado pela autoridade lançadora. Isso decorre, em grande parte, do fato de a autoridade lançadora ter considerado a totalidade do IRRF (sem excluir a parcela relativa ao décimo terceiro salário). Uma vez que, após a edição da Medida Provisória nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, que revogaram o parágrafo único do art. 15 do Decreto nº 70.235, de 1972, não existe mais previsão para agravamento da exigência no julgamento de primeira instância, a exigência deverá permanecer na forma como foi lançado o crédito tributário”. Inconformado com a decisão de 1ª instância, o contribuinte apresentou recurso voluntário onde repisa cálculos de valores recebidos, brutos e líquidos, manifestase sobre verbas isentas ou não tributáveis, acrescenta que a Receita Federal, de “forma totalmente equivocada, ilegal e abusiva” desconsiderou tais valores que o recorrente “legalmente excluiu da tributação” e os caracterizou como omissão de rendimentos. Por fim, requer que “seja provido o presente recurso reconhecendose a nulidade da autuação”, bem como que seja reconhecida a não incidência do imposto sobre algumas das verbas recebidas em decorrência de rescisão de contrato de trabalho, mediante decisões da justiça trabalhista. Decidiuse então pelo sobrestamento do julgamento, considerando que, no presente caso, temse que o auto de infração objeto deste processo versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte e, ante o reconhecimento da repercussão geral do tema pela Corte Suprema, com a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, vinhase sobrestando os julgamentos dos recursos atinentes, neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), até que ocorresse o julgamento final do Recurso Extraordinário, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nº 446, de 27 de agosto de 2009, e nº 586, de 21 de dezembro de 2010. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10183.003506/201011 Acórdão n.º 2801003.750 S2TE01 Fl. 209 4 Com a revogação de dispositivos regimentais que determinavam o sobrestamento, nesses casos, volta o processo à pauta de julgamentos. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). DOS RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. O lançamento versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo Contribuinte, decorrentes de ação trabalhista, como descreve a Autuação, na folha 144/145. Tais rendimentos, que se referem a verbas de várias naturezas, compreendidas no período entre 01/1995 e 11/2000, como se verifica nos documentos de folhas 70 e ss, na Sentença Judicial na folha 13 e ss. e na decisão do TRT, na folha 27, foram tributados integralmente nos meses em que foram recebidos, janeiro de 2008 e junho de 2008, como se depreende da Notificação de Lançamento. Observase que a tributação deuse, então, na forma do artigo 12 da Lei nº 7.713/1988, que determina que, nesses casos, o imposto incide sobre o total dos rendimentos, no mês do recebimento do valor, diminuído das despesas com a ação judicial necessárias ao recebimento. Ocorre, entretanto, que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, sobre a tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente no mês do recebimento do crédito, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal Federal, o qual reconheceu a repercussão geral do tema e determinou o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do Código de Processo Civil (CPC), em decisão assim ementada: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Fl. 209DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10183.003506/201011 Acórdão n.º 2801003.750 S2TE01 Fl. 210 5 Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Ante o reconhecimento da repercussão geral do tema pela Corte Suprema, com a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, vinhase sobrestando os julgamentos dos recursos atinentes, neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), até que ocorresse o julgamento final do Recurso Extraordinário, conforme disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações das Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, que assim dispõe: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Por sua vez, o art. 2º da Portaria CARF n° 1, de 03 de janeiro de 2012, estabelece que: Art. 2º Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1º. Contudo, os §§1º e 2º do art. 62A do Regimento do CARF foram revogados em decisão do Sr. Ministro da Fazenda, publicada no DOU de 20 de novembro de 2013: PORTARIA No 545, DE 18 DE NOVEMBRO DE 2013 Altera o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministro de Estado da Fazenda. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10183.003506/201011 Acórdão n.º 2801003.750 S2TE01 Fl. 211 6 O MINISTRO DE ESTADO DA FAZENDA, no uso das atribuições que lhe conferem os incisos I e II do parágrafo único do art. 87 da Constituição Federal e o art. 4º do Decreto nº 4.395, de 27 de setembro de 2002, resolve: Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62 A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. A (in)constitucionalidade ainda não foi declarada pelo Pretório Excelso e o dispositivo de lei permanece em vigor. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), contudo, já se manifestou, inclusive atribuindo aos recursos a sistemática dos “repetitivos”, sobre a interpretação a ser dada ao dispositivo da Lei nº 7.713/1988, em comento. Vejamos: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. (grifei) 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008.(grifei) (REsp 1118429 / SP RECURSO ESPECIAL 2009/00557226. Ministro HERMAN BENJAMIN (1132). DJe 14/05/2010) TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF. (...). ACÓRDÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ QUANTO AO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO DE PARCELAS PAGAS ACUMULADAMENTE EM CUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL. TEMAS JÁ JULGADOS PELA SISTEMÁTICA INSTITUÍDA PELO ART. 543C DO CPC. 1.... 2. Em relação ao ponto do recurso especial em que a Procuradoria da Fazenda Nacional alega contrariedade ao art. 12 da Lei n. 7.713/88 e impugna o capítulo do acórdão do Tribunal de origem sob a rubrica "Da incidência mês a mês do imposto de renda", consta da decisão ora agravada que o mencionado recurso não procede porque a decisão proferida pelo Tribunal de origem está em consonância com a orientação firmada pela Primeira Seção do STJ, por ocasião do julgamento Fl. 211DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10183.003506/201011 Acórdão n.º 2801003.750 S2TE01 Fl. 212 7 do recurso repetitivo REsp 1.118.429/SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), cuja ementa assim enuncia: "O imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." 3. Ao dispor sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, o art. 12 da Lei 7.713/88 disciplina o momento da incidência do imposto de renda, porém nada diz a respeito das alíquotas aplicáveis a tais rendimentos. Assim, no julgamento do recurso especial, não ocorreu violação do art. 97 da Constituição da República, tampouco contrariedade à Súmula Vinculante n. 10/STF. Como já proclamou a Quinta Turma, ao julgar os EDcl no REsp 622.724/SC (Rel. Min. Felix Fischer, REVJMG, vol. 174, p. 385), "não há que se falar em violação ao princípio constitucional da reserva de plenário (art. 97 da Lex Fundamentalis) se, nem ao menos implicitamente, foi declarada a inconstitucionalidade de qualquer lei".(sublinhei) 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no AgRg no REsp 1332443 / PR AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES 2012/0138520 DJe 08/02/2013) Houve inclusive a edição do Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009 que sedimentou o entendimento de que não pode prevalecer a tributação integral de verbas recebidas acumuladamente segundo a tabela progressiva vigente no mês do recebimento. É fato também que esse Parecer da PGFN foi posteriormente revogado, mas de tal sobreveio o AD PGFN nº 1/2009, com o seguinte teor, que transcrevemos, registrando que se encontra suspenso: “ATO DECLARATÓRIO Nº 1, DE 27 DE MARÇO DE 2009 O PROCURADOR GERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, desta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 13/05/2009, DECLARA que fica autorizada a dispensa de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas Fl. 212DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10183.003506/201011 Acórdão n.º 2801003.750 S2TE01 Fl. 213 8 e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global.". JURISPRUDÊNCIA: Resp 424225/SC (DJ 19/12/2003); Resp 505081/RS (DJ 31/05/2004); Resp 1075700/RS (DJ 17/12/2008); AgRg no REsp 641.531/SC (DJ 21/11/2008); Resp 901.945/PR (DJ 16/08/2007). “SUSPENSÃO DE ATO DECLARATÓRIO. (Suspende o Ato Declaratório nº 1, de 27 de março de 2009 (DOU de 14.05.2009, Seção I, p. 15), que dispõe sobre a dispensa de recursos nos casos de imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, em face do acolhimento de Repercussão Geral pelo STF dos RREE 614.406 e 614.232). Rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente. O imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos. Ato Declaratório nº 1, de 27 de março de 2009 (DOU de 14.05.2009, Seção I, p. 15), editado pelo ProcuradorGeral da Fazenda Nacional com fundamento no PARECER PGFN/CRJ 287/2009, aprovado pelo Ministro da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 13.05.2009, Seção I, p. 9. Reconhecimento de Repercussão Geral nos RREE 614.406 e 614.232. Suspensão (Parecer PGFN nº 2.331, de 27.03.2010). Assim o Parecer PGFN/CRJ nº 287, de 12 de fevereiro de 2009, aprovado por Despacho do Ministro da Fazenda publicado no Diário Oficial da União em 13 de maio de 2009, teve os seus efeitos suspensos em 27/10/2010, por intermédio do Parecer PGFN/CRJ nº 2.331/2010, o que significa dizer que a sua aplicação se restringe aos lançamentos efetuados no período de produção de seus efeitos (13/05/2009 a 27/03/2010). Outrossim, diz ALEXANDRE DE MORAES que “assim como podemos afirmar que o STF é o guardião da Constituição, também podemos fazêlo no sentido de ser o STJ o guardião do ordenamento jurídico federal” . Continuando, o autor diz que em relação ao recurso especial, ensinanos o Ministro do STJ Sálvio de Figueiredo Teixeira, tratarse: “de modalidade de recurso extraordinário latu sensu, destinado, por previsão constitucional, a preservar a unidade e autoridade do direito federal, sob inspiração de que nele o interesse público, refletido na correta interpretação da lei, deve prevalecer sobre os interesses das partes...”(MORAES. Alexandre, Direito Constitucional, 15ª ed., São Paulo : Atlas, 2004, p. 496 e 498)(sublinhei) Para REGINA HELENA COSTA, “a aplicação reiterada das normas jurídicas por órgãos do Poder Judiciário constrói pensamento hábil a orientar a conduta dos jurisdicionados, bem como influenciar a atuação dos legisladores e administradores na busca de aperfeiçoamentos e modificações que o ordenamento jurídico requer.”(sublinhei) Assim, conclui a Ministra do STJ e livredocente em Direito Tributário, que: “Nos dias atuais, inegável o papel da jurisprudência como fonte do direito. Conquanto não ostente a mesma importância Fl. 213DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10183.003506/201011 Acórdão n.º 2801003.750 S2TE01 Fl. 214 9 que apresenta nos países que adotam o sistema da common law, a jurisprudência tem ganho cada vez mais visibilidade, especialmente no campo tributário, à vista do elevado grau de litigiosidade existente nessa seara.” (COSTA. Regina Helena, Curso de Direito Tributário, 2ª ed. São Paulo : Saraiva, 2012, p. 47)(destaquei) No Recurso Especial (REsp 1118429 / SP) ao qual foi atribuída a sistemática dos “repetitivos”, acima transcrito, tratase de revisão de benefício previdenciário, uma vez que era esse o caso que estava em julgamento. Contudo, observo que o Tribunal Superior vem aplicando a mesma tese também aos rendimentos recebidos acumuladamente em virtude de sentença judicial trabalhista. Vejamos: Resp 383.309/SC. Recurso Especial 2001/01569679 Relator Ministro João Otávio de Noronha.Data do julgamento 07/03/2006 TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA. 1. O recebimento de remuneração em virtude de sentença trabalhista que determinou o pagamento da URP no período de fevereiro de 1989 a setembro de 1990 não se insere no conceito de indenização, constituindose complementação de caráter nitidamente remuneratório, ensejando, portanto, a cobrança de imposto de renda. 2. O Superior Tribunal de Justiça vem entendendo que cabe à fonte pagadora o recolhimento do tributo devido. Porém, a omissão da fonte pagadora não exclui a responsabilidade do contribuinte pelo pagamento do imposto, o qual fica obrigado a declarar o valor recebido em sua declaração de ajuste anual. 3. No cálculo do imposto incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente em decorrência de decisão judicial, devem ser aplicadas às alíquotas vigentes à época em que eram devidos referidos rendimentos. 4. .... 5. Recurso especial parcialmente provido. (sublinhei/destaquei) No mesmo sentido: Resp 704.845/PR Recurso ESPECIAL 2004/01654173, Relator Ministro Mauro Campbell Marques, julgado em 19/08/2008. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. RESPONSABILIDADE PELO Fl. 214DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10183.003506/201011 Acórdão n.º 2801003.750 S2TE01 Fl. 215 10 RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA E CONTRIBUINTE. INCLUSÃO DE MULTA. RENDIMENTOS ACUMULADOS. ALÍQUOTA APLICÁVEL 2. No cálculo do imposto incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente em decorrência de decisão judicial, devem ser aplicadas as alíquotas vigentes à época em que eram devidos os referidos rendimentos. (destaquei). Destaco também a data dessas decisões, sendo uma de 2006 e outra de 2008, portanto, há muito que o Tribunal vem aplicando tal entendimento. Ainda, no REsp 783.724/RS Recurso Especial 2005/01589590, Rel. Ministro Castro Meira, data do julgamento em 15/08/2006, o Relator bem demonstra que a aplicação da interpretação que deve ser dada ao artigo 12 da Lei nº 7.713/1988, em relação à forma de apurar o valor do tributo incidente sobre rendimentos recebidos acumuladamente, não se distingue em relação ao motivo da demora no recebimento, sejam benefícios previdenciários, onde a fonte pagadora seria o INSS, ou verbas trabalhistas, com fonte pagadora privada, citando, indiscriminadamente, como fundamento para decidir, uma e outra situação. Transcrevo do Voto: (...) O artigo 12 da Lei 7.713/88 dispõe que o imposto de renda é devido na competência em que ocorre o acréscimo patrimonial (art. 43 do CTN), ou seja, quando o respectivo valor se tornar disponível para o contribuinte. Prevê o citado dispositivo: "Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização." O dispositivo citado não fixa a forma de cálculo, mas apenas o elemento temporal da incidência. Assim, no caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, como dispõe o art. 12 da Lei 7.713/88, mas o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referirem os rendimentos. Nesse sentido, há inúmeros precedentes de ambas as Turmas de Direito Público, como se observa das seguintes ementas(...) (sublinhei) O que o STJ entende, na minha modesta leitura, seguindo aliás a melhor doutrina, é que existem, dentre outros, dois aspectos distintos do fato gerador, e que o artigo 12 da Lei nº 7.713/1998 rege o aspecto temporal, mas não o aspecto quantitativo: Aspecto quantitativo do Fato Gerador: neste aspecto, destacam se a base de cálculo e a alíquota. Na operação de lançamento tributário, após a verificação da ocorrência do fato gerador, da identificação do sujeito passivo e da determinação da matéria tributável, há que se calcular o montante do tributo devido aplicandose a alíquota sobre a base de cálculo. Esta é, pois, Fl. 215DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10183.003506/201011 Acórdão n.º 2801003.750 S2TE01 Fl. 216 11 uma ordem de grandeza própria do aspecto quantitativo do fato gerador. Aspecto temporal do Fato Gerador: é de fundamental importância esse aspecto para definição da lei aplicável, segundo o princípio tempus regit actum. Esse aspecto diz respeito ao momento da consumação ou da ocorrência do fato gerador, ....(HARADA. Kiyoshi. Direito Financeiro e Tributário, 23ª ed, Atlas : São Paulo, 2014, p. 544/545) Considerando que a jurisprudência do Tribunal Superior, a quem compete promover a interpretação última da lei federal, já se posicionou pela forma como deve ser interpretado o art. 12 da Lei nº 7.713/1988, esclarecendo que não se trata de negarlhe aplicação ou muito menos de conferirlhe inconstitucionalidade, verifico então que existe erro de cunho material na apuração do montante devido, por aplicação incorreta da legislação, destoante de interpretação dada pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Especial, usando essa interpretação como fonte de aplicação do direito e fundamento para decidir. Assim sendo, desnecessário discutir sobre a natureza das verbas envolvidas. CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO por dar provimento ao recurso para cancelar a exigência fiscal consubstanciada na Notificação de Lançamento de fls. 144 a 147. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 216DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 06 /11/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN
score : 1.0
Numero do processo: 14120.000255/2005-33
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000, 2001, 2003
Processo Administrativo Fiscal.
PEDIDO IMPLÍCITO.
Compõem a lide todas as conseqüências da decisão recorrida.
No caso, tendo sido restabelecida a multa qualificada, por comprovação do intuito doloso, é forçosa a aplicação da regra decadencial prevista no art. 173, I do CTN.
IRPF. DEDUÇÕES INDEVIDAS. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICAÇÃO.
Caracterizado o evidente intuito de fraude, mediante a constatação de conluio, fraude ou sonegação, a multa de ofício deve ser qualificada.
Recurso especial conhecido e provido.
Numero da decisão: 9202-003.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka (relator), Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Gustavo Liana Haddad e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Alexandre Naoki Nishioka Relator
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Redator-Designado
EDITADO EM: 29/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201409
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2000, 2001, 2003 Processo Administrativo Fiscal. PEDIDO IMPLÍCITO. Compõem a lide todas as conseqüências da decisão recorrida. No caso, tendo sido restabelecida a multa qualificada, por comprovação do intuito doloso, é forçosa a aplicação da regra decadencial prevista no art. 173, I do CTN. IRPF. DEDUÇÕES INDEVIDAS. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICAÇÃO. Caracterizado o evidente intuito de fraude, mediante a constatação de conluio, fraude ou sonegação, a multa de ofício deve ser qualificada. Recurso especial conhecido e provido.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 14120.000255/2005-33
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5398698
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 9202-003.333
nome_arquivo_s : Decisao_14120000255200533.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
nome_arquivo_pdf_s : 14120000255200533_5398698.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka (relator), Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Gustavo Liana Haddad e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Alexandre Naoki Nishioka Relator (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Redator-Designado EDITADO EM: 29/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Elias Sampaio Freire.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
id : 5720496
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:32:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047251092242432
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1914; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 278 1 277 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 14120.000255/200533 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.333 – 2ª Turma Sessão de 17 de setembro de 2014 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado RONALDO PINHEIRO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2000, 2001, 2003 Processo Administrativo Fiscal. PEDIDO IMPLÍCITO. Compõem a lide todas as conseqüências da decisão recorrida. No caso, tendo sido restabelecida a multa qualificada, por comprovação do intuito doloso, é forçosa a aplicação da regra decadencial prevista no art. 173, I do CTN. IRPF. DEDUÇÕES INDEVIDAS. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICAÇÃO. Caracterizado o evidente intuito de fraude, mediante a constatação de conluio, fraude ou sonegação, a multa de ofício deve ser qualificada. Recurso especial conhecido e provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka (relator), Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Gustavo Liana Haddad e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 12 0. 00 02 55 /2 00 5- 33 Fl. 241DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 14120.000255/200533 Acórdão n.º 9202003.333 CSRFT2 Fl. 279 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Alexandre Naoki Nishioka – Relator (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – RedatorDesignado EDITADO EM: 29/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (suplente convocado), Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo e Elias Sampaio Freire. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em 13 de abril de 2010 (efls. 199/207), em face do Acórdão n° 280100.296 (efls. 192/196), do qual a Recorrente teve ciência em 13 de abril de 2010 (efl. 197) e cuja conclusão foi a seguinte: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos declaratórios para reratificar o Acórdão nº 19400.095, de 09/12/2008, declarar extinto o direito de a Fazenda efetuar o lançamento relativo ao anocalendário 1999, rejeitar as preliminares arguidas pelo recorrente e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a dedução de pensão alimentícia judicial no valor de R$ 2.532,50, relativa ao exercício 2003, e desqualificar a multa de ofício agravada, reduzindoa ao percentual de 112,5%, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.” O acórdão teve a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2000, 2001, 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO – Constatada a omissão de fundamentação no voto acerca de matéria sobre a qual a Turma se pronunciou, cabível a interposição de embargos declaratórios, reretificandose o acórdão para sanar a falta. IRPF – DECADÊNCIA – AJUSTE ANUAL – LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO – Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, aplicase o prazo de cinco Fl. 242DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 14120.000255/200533 Acórdão n.º 9202003.333 CSRFT2 Fl. 280 3 anos previsto no §4º, art. 150, do CTN, sendo incabível a manutenção de exigência formalizada após o decurso desse prazo. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA – CONFIGURAÇÃO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE – INOCORRÊNCIA – Incabível a aplicação de multa de ofício qualificada não estando devidamente configurado o evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502 de 30 de novembro de 1964. Embargos acolhidos. Preliminar acolhida. Recurso provido parcialmente” (efl. 192). Alega a Recorrente que “a exclusão da multa qualificada no presente caso com base no argumento de que não restou suficientemente comprovado o intuito fraudulento do contribuinte, além de incompatível com os documentos carreados aos autos, diverge do entendimento adotado em casos semelhantes por outros órgãos julgadores deste Conselho de Contribuintes” (efl. 201), apontando como paradigmas os Acórdãos 10248342 e 101 94095 e pedindo, ao final, a aplicação da multa qualificada e, conseqüentemente, o afastamento da decadência. O recurso foi admitido por meio da decisão de efls. 213/215, não tendo havido a apresentação de contrarrazões pelo contribuinte. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator Inicialmente, necessário se faz esclarecer que a qualificação da multa diz respeito apenas às despesas médicas relativas à Sociedade Beneficente de Campo Grande (Santa Casa), que informou não ter prestado qualquer tipo de atendimento ao contribuinte e seus dependentes nos anoscalendário de 1999, 2000 e 2002. Quanto às demais despesas, foi aplicada a multa de ofício de 75%. No que se refere à qualificação da multa, o recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço, adotando como fundamento a decisão de efls. 213/215. Relativamente à contagem do prazo decadencial, muito embora haja pedido específico de afastamento da decadência, a Recorrente não trouxe nenhum acórdão divergente, motivo pelo qual, quanto a este aspecto, o recurso não pode ser conhecido. De fato, o Regimento Interno do CARF traz, em seu artigo 67, a hipótese de cabimento e os requisitos de admissibilidade do recurso especial, nos seguintes termos: “Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 14120.000255/200533 Acórdão n.º 9202003.333 CSRFT2 Fl. 281 4 § 1° Para efeito da aplicação do caput, entendese como outra câmara ou turma as que integraram a estrutura dos Conselhos de Contribuintes, bem como as que integrem ou vierem a integrar a estrutura do CARF. § 2° Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, ou que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de primeira instância. § 3° O recurso especial interposto pelo contribuinte somente terá seguimento quanto à matéria prequestionada, cabendo sua demonstração, com precisa indicação, nas peças processuais. § 4° Na hipótese de que trata o caput, o recurso deverá demonstrar a divergência argüida indicando até duas decisões divergentes por matéria. § 5° Na hipótese de apresentação de mais de dois paradigmas, caso o recorrente não indique a prioridade de análise, apenas os dois primeiros citados no recurso serão analisados para fins de verificação da divergência. § 6° A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. § 7° O recurso deverá ser instruído com a cópia do inteiro teor dos acórdãos indicados como paradigmas ou com cópia da publicação em que tenha sido divulgado ou, ainda, com a apresentação de cópia de publicação de até 2 (duas) ementas. § 8° Quando a cópia do inteiro teor do acórdão ou da ementa for extraída da Internet deve ser impressa diretamente do sítio do CARF ou da Imprensa Oficial. § 9º As ementas referidas no § 7º poderão, alternativamente, ser reproduzidas no corpo do recurso, desde que na sua integralidade. § 10. O acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado. § 11. É cabível recurso especial de divergência, previsto no caput, contra decisão que der ou negar provimento a recurso de ofício.” Nos termos do caput do artigo 67 do atual Regimento Interno, o recurso especial somente é cabível em virtude de divergência jurisprudencial. Esta deve ser demonstrada analiticamente pelo Recorrente, o que somente foi feito em relação à multa qualificada. Superada a admissibilidade, passo à análise do mérito do recurso. Discutese, no presente caso, sobre os critérios para aplicação da multa qualificada de que trata o art. 44 da Lei n.º 9.430/96, nos termos dos artigos 71 a 73 da Lei n.º 4.502/64. Nesse sentido, a legislação de regência exige, para a qualificação da multa de ofício, a existência de conluio, fraude ou sonegação. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 14120.000255/200533 Acórdão n.º 9202003.333 CSRFT2 Fl. 282 5 A existência de conluio, na forma descrita pelo art. 73 da Lei 4.502/74, é aquela resultante da prova, nos autos, de que efetivamente houve um ajuste entre partes visando sonegar ou fraudar o fisco. A fraude, por sua vez, é caracterizada a partir da tentativa de redução ou exclusão do montante tributável. Por fim, no que atine à sonegação, é ela entendida ex vi legis como “tôda (sic) ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente”. Conforme se extrai dos autos, notadamente do acórdão recorrido, a multa aplicada na hipótese de deduções indevidamente pleiteadas relativamente à Sociedade Beneficente de Campo Grande foi desqualificada porque entendeu o órgão julgador que “ficou frágil a necessária comprovação de que se trata de caso de evidente intuito de fraude, tornandose indevida a imposição da multa de ofício qualificada”. Entendo, todavia, que merece reforma o acórdão recorrido neste ponto específico, pois presente a sonegação, decorrente do fato de o Recorrido ter deliberadamente diminuído a base de cálculo do imposto. Conforme se depreende do documento acostado na e fl. 28 dos autos, em resposta ao Termo de Intimação Fiscal de 16/03/2005, a Sociedade Beneficente de Campo Grande informou não constar em seus sistemas qualquer atendimento ao contribuinte ou aos seus dependentes, o que por si só tem o condão de demonstrar o intuito de fraudar a lei tributária. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de conhecer em parte do recurso e, na parte conhecida, dar provimento ao recurso, para restabelecer a multa qualificada aplicada em relação às despesas médicas com a Sociedade Beneficente Campo Grande (Santa Casa). (Assinado digitalmente) Alexandre Naoki Nishioka Fl. 245DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 14120.000255/200533 Acórdão n.º 9202003.333 CSRFT2 Fl. 283 6 Voto Vencedor Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Designado Em que pesem a clareza e objetividade do Voto do Relator, conhecendo apenas em parte o recurso guerreado, peço vênia para divergir. Com efeito, no acórdão recorrido, havia sido afastada a qualificação da multa de ofício, por não ter sido considerado devidamente comprovado o intuito doloso do contribuinte e, por via de conseqüência, aplicado a regra decadencial do art. 150 § 4º do CTN. Ocorre que, por unanimidade de votos, acompanhando o voto do Conselheiro Relator, a multa qualificada foi restabelecida, por restar comprovado o intuito doloso. Nesse diapasão, o relator entendeu que, para tratamento das duas matérias, quais sejam, a qualificação da multa e a decadência, deveria ter sido trazido aos autos acórdão paradigma que tratasse de forma divergente cada uma delas e, portanto, conheceu em parte do recurso (apenas no que diz respeito à qualificação da multa). Entretanto, meu entendimento é o de que a matéria referente à qualificação alcança a totalidade da discussão em comento. Esclareço que estamos aqui diante de uma questão que tem conseqüências descritas em lei, quais sejam: comprovado o dolo; necessariamente, temos (a) multa qualificada e (b) decadência aplicada nos termos do art. 173, I do CTN. Ora, no caso, foi apontado paradigma em que, em situação semelhante, houve julgamento divergente, com o entendimento de que o dolo estaria comprovado. Assim, abrese para apreciação do colegiado da Câmara Superior todas as respectivas conseqüências: (a) a qualificação da multa e (b) a decadência. Portanto, voto no sentido de conhecer do recurso em sua integralidade. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 246DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.932259/2009-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
RESTITUIÇÃO.COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e com o acréscimo de juros à taxa SELIC acumulados a partir do mês subsequente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n°. 900/2008.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório pois a apreciação da restituição/compensação restringe-se somente a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1302-001.561
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Vencidos os conselheiros Marcio Frizzo e Hélio Araújo que davam provimento integral ao recurso.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Pollastri Gomes da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Gilberto Baptista, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2006 RESTITUIÇÃO.COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e com o acréscimo de juros à taxa SELIC acumulados a partir do mês subsequente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n°. 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório pois a apreciação da restituição/compensação restringe-se somente a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10980.932259/2009-25
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5400267
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1302-001.561
nome_arquivo_s : Decisao_10980932259200925.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 10980932259200925_5400267.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Vencidos os conselheiros Marcio Frizzo e Hélio Araújo que davam provimento integral ao recurso. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior - Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Gilberto Baptista, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior
dt_sessao_tdt : Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
id : 5731293
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:32:15 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047251103776768
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2121; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 95 1 94 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.932259/200925 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302001.561 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de outubro de 2014 Matéria PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Recorrente FAURECIA AUTOMOTIVE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 RESTITUIÇÃO.COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e com o acréscimo de juros à taxa SELIC acumulados a partir do mês subsequente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n°. 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório pois a apreciação da restituição/compensação restringese somente a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Vencidos os conselheiros Marcio Frizzo e Hélio Araújo que davam provimento integral ao recurso. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 22 59 /2 00 9- 25 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 2 (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Gilberto Baptista, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior Fl. 96DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.932259/200925 Acórdão n.º 1302001.561 S1C3T2 Fl. 96 3 Relatório Em 27/02/2007 a interessado transmitiu o PER/DCOMP nº 26436.64479.270207.1.3.048058, de fls. 4144, postulando compensação de crédito de pagamento indevido/maior de estimativa IRPJ (cod. 2362), referente ao PA 12/2006, no valor de R$ 1.108.656,79. Através do Edital de fls. 02, afixado em 09/02/2010, deuse como cientificado o interessado, do Despacho Decisório de fls. 01, da DRF/Curitiba, que não homologou o PER/DCOMP, nos seguintes termos: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP : 1.108.656,79. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. CARACTERÍSTICAS DO DARF Em 19/11/2009, o contribuinte interpôs a manifestação de inconformidade de fls. 09 a 10, instruída com os documentos de fls. 04 a 14, alegando em síntese o seguinte: que recolheu valor a maior do que a estimativa apurada ficando caracterizado pagamento indevido a ser restituído. que essa restituição poderá ocorrer tanto com a compensação do pagamento a maior com o imposto apurado na estimativa subseqüente, quanto com a compensação com outros tributos vincendos. que o pagamento indevido da parcela de estimativa não está condicionado ao fechamento do período de apuração anual, por isso, se foi realizado equivocadamente essa diferença deve ser prontamente restituída ou compensada com outros tributos, inclusive com as estimativas subseqüentes. por fim, assevera que esses pagamentos a maior não foram utilizados para a compensação das estimativas subseqüentes e nem para a composição do saldo negativo do período, assim seria liquido e certo o direito de utilizálo na compensação de outros tributos. Cita jurisprudência administrativa para sustentar sua tese. A 1ª Turma da DRJ/CTA, pelo Acórdão nº 0633.491, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa a seguir: Fl. 97DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 4 ASSUNTO: NORMAS DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário:2006 PER/DCOMP. NÃOHOMOLOGAÇÃO. PGTO INDEVIDO OU A MAIOR. PARCELA ESTIMATIVA IRPJ. NECESSIDADE DE DEDUÇÃO COM O DEVIDO NO FINAL DO PERÍODO DE APURAÇÃO OU COMPOR O SALDO NEGATIVO. VIGÊNCIA INSRF 600/2005. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda ou de CSLL a título de estimativa mensal somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Cientificado da decisão em 14/02/2012, apresentou recurso voluntário, em 13/03/2012, reiterando os argumentos apresentados em sua impugnação e aduzindo em síntese o seguinte: que o acórdão proferido pela DRJ/Curitiba confirmou a decisão proferida em primeiro grau, confirmando a necessidade do aproveitamento do crédito ao final do período de apuração ou nas estimativas subsequentes, consoante dispunha a INSRF nº 600/2005: “(...) em cumprimento ao disposto no art 170 do CTN, do parágrafo 14 do art 74 da Lei 9.430/96 e da INSRF600/2005, na hipótese de a origem do Direito Creditório ser parcela mensal de estimativa, o direito de compensação está condicionado a que utilize o mesmo para compor o Saldo Negativo do imposto ou da contribuição referente ao recolhimento, e, uma vez constituído o referido Saldo, efetuar compensação tributária indicando como origem o Saldo Negativo.” que conforme se verifica nos documentos apresentados anteriormente (DIPJ e DCTF), os valores em discussão originamse em pagamento a maior, sendo possível a sua utilização para a compensação com outros tributos, ainda que não tenham composto o saldo negativo do período. que a aplicação da IN nº 600/2005 não tem sido recepcionada nas instâncias superiores de julgamento, pelo que, com o devido respeito, também se mostra equivocado o acórdão proferido pela Turma de Julgamento que o direito aos créditos é líquido e certo para compensações que são válidas e devem ser homologadas que o pagamento indevido não está condicionado ao fechamento do período anual, mas decorre do pagamento do imposto em valor superior ao efetivamente apurado para determinada estimativa. que a INSRF nº 600/2005 é ilegal pois não pode afastar o direito à restituição e à compensação dos valores pagos indevidamente que lhe é assegurado em Lei. que o art. 165 do CTN, dá o direito ao sujeito passivo à restituição total ou parcial do tributo, no caso de pagamento espontâneo indevido ou maior que o devido em Fl. 98DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.932259/200925 Acórdão n.º 1302001.561 S1C3T2 Fl. 97 5 face da legislação tributária aplicável. Da mesma forma, o art. 74 da lei n° 9.430/96 garante a restituição de tributo, cujo recolhimento tenha se mostrado superior ao exigível. que, tanto o CTN como a Lei não fixaram prazo para o gozo do direito creditório, de modo que não caberia à uma Irstrução Normativa fazêlo. A exigência é arbitrária e traz inevitável prejuízo de que estes possam ser atualizados ou corrigidos monetariamente apenas ao final do período. que este é o entendimento do CARF, em diversos julgados, senão vejamos: Acórdão: 1801000.481. Data da Sessão: 21/02/2011 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Ano calendário: 2001. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Tendo o sujeito passivo comprovado o pagamento a maior de estimativa, fica caracterizado o indébito na data de seu recolhimento e, com acréscimo de juros à taxa SELIC acumulados a partir do mês subsequente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP.Vistos. relatados e discutidos os presentes autos. Acórdão: 1401000.420. Data da Sessão: 26/01/2011 ESTIMATIVA APURADA POR MEIO DE BALANÇO OU BALANCETE SUSPENSÃO REDUÇÃO. IRPJ. CSLL RECOLHIMENTO INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE. A apuração do montante a ser pago a cada mês a título de estimativa não se faz 'pela mera composição do percentual de estimativa com a receita bruta; mas sim pela composição do percentual de estimativa com a receita bruta, deduzido o montante pago no mês anterior apurado segundo o balancete de suspensão/redução. Dessa feita, caso o contribuinte recolha, à título de estimativa, montante superior àquele devido segundo o balancete por ele registrado, referido excesso não será levado à composição do tributo adiantado para fins do ajuste anual, tratandose. pois, de tributo pago 'indevidamente, podendo o mesmo ser restituído. IN SRF n° 460/04. IN n° 600/05. A vedação das instruções normativas em reconhecer a possibilidade de devolução de valores pagos indevidamente ã título de estimativa e que não integraram o crédito de tributo pago no curso do ano pelo regime de balancete suspensão/redução quando do ajuste anual, toma referidas instruções normativas ilegais. vale frisar que a IN 900/2008, posterior a INSRF nº 600/2005, veio a corrigir este abuso, permitindo a compensação de pagamentos indevidos sem condicionar seu uso na composição do saldo negativo. desta forma, passou a ser reconhecido o direito a compensação das estimativas recolhidas à maior, já no período subsequente ao pagamento indevidamente realizado. Essa Fl. 99DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 6 alteração legislativa se deu pela supressão à antiga restrição que havia no então artigo 10 da IN nº 600/2005. as autoridades administrativas passaram então a decidir incluslive pela aplicação retroativa da Instrução Normativa n° 900/2008, o que fizeram no intuito de confirmar a possibilidade de utilização dos pagamentos imediatamente, inclusive em relação aos períodos anteriores à vigência da nova IN, vejamos: Acórdão: 1801000.530 ; Jata da Sessão: 29/03/2011 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Anocalendário: 2003. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ apurado no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e com o acréscimo de juros à taxa SELIC acumulados a partir do mês subsequente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n°. 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta questão, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. deste modo, com o devido respeito, não há que se falar em nao reconhecimento do crédito em virtude do entendimento expedido pela INSRF 600/2005. este também foi o entendimento da Superintendência da Receita Federal da 9a Região Fiscal, conforme a Solução de Consulta n° 285/09: Data da Decisão: 17/07/2009 Data de Publicação: 03/08/2009 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ. Ementa: SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei n° 9.430, de 1996, arts. '2o e 6o; Lei n° 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF n° 3, de 2000; IN RFB n° 900, de 2008, arts. 2o a 4°e 34. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.932259/200925 Acórdão n.º 1302001.561 S1C3T2 Fl. 98 7 esse também é o entendimento da DRJ/Porto Alegre, que decidiu, no acórdão de n° 1014266, que o pagamento a maior da estimativa configurase como um pagamento indevido, podendo o contribuinte utilizarse do excedente para a compensação de outros tributos. ACÓRDÃO N° 1014266 de 31 de Outubro de 2007 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ EMENTA: w IRPJ. COMPENSAÇÃO.I SALDO NEGATIVO. O direito à restituição do indébito se extingue após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário. Em se tratando de saldos negativos do IRPJ e da CSLL o termo inicial para contagem do prazo é mês subseqüente à entrega da declaração. Os recolhimentos que não correspondam às parcelas da estimativa apuradas no curso do anocalendário devem ser tratados como recolhimento indevidoJiniciando a contagem do prazo da data do pagamento. IRPJ. COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. UTILIZAÇÃO EM COMPENSAÇÕES ANTERIORES. Demonstrado que os saldos negativos utilizados na compensação em exame já foram utilizados em compensações anteriores, incabível a restituição/compensação dos valores já utilizados. IRRF. RESTITUIÇÃO. COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, jacompanhada das provas hábeis, da certeza e liquidez quanto ao crédito que pretende ver reconhecido junto à Fazenda Pública. No caso' do IRRF incidente sobre receitas computadas na apuração do lucro real,'deduzido na apuração do imposto anual, a comprovação deve ser! efetuada mediante os..... Número do Recurso: 151427 Relaton José Qóvis Alves Decisão: Acórdão 10516205 ! Ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA A MAIOR QUE O DEVIDO. O valor do recolhimento a título de estimativa maior que o devido segundo as regras que está submetido o lucro real anual, é passível de compensação/restituição, a partir do mês seguinte. O valor que está vinculado à apuração no final do ano é a estimativa recolhida de acordo com a legislação de regência do referido sistema. resta demonstrada a possibilidade de utilização do pagamento indevido ou a maior de IRPJ, relativo à estimativa de dezembro de 2006, para a compensação de outros tributos, motivo pelo qual a compensação deve ser homologada e os débitos baixados. É o relatório. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 8 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10980.932259/200925 Acórdão n.º 1302001.561 S1C3T2 Fl. 99 9 Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, razão porque dele conheço. A questão que se coloca para análise nestes autos se refere à possibilidade de havendo recolhimento indevido ou a maior no cálculo e pagamento de estimativas mensais no curso do anocalendário e, se isto geraria um indébito a favor do contribuinte passível de restituição e compensação. No caso a DRJ não aceitou a compensação das estimativas da Recorrente, por entender que: “A pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda ou de CSLL a título de estimativa mensal somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período.” No entanto, diante das inúmeras decisões do CARF foi editada a súmula CARF nº 84, que dermenia o seguinte: Sùmula CARF nº 84: o pedido de realização de perícia por não atender ao disposto do inc. IV, do art. 16, do Decreto n.º 70.235/72, na medida em que não veio acompanhado dos quesitos referentes aos exames desejados e do nome, endereço e qualificação do perito. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de comensação/restituição de indébitos em recolhimentos por estimativa mensal, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora. Determino, pois, o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 103DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 10 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10945.720214/2011-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ART. 135, DO CTN.
O artigo 135 só encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. Caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica. Isto porque, se o ato do administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, quem está praticando o ato será a sociedade, e não o sócio, devendo a pessoa jurídica responder pelo pagamento do tributo.
ART. 132 DO CTN. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA NA CISÃO PARCIAL.
Embora não conste expressamente do rol do art. 132 do CTN, a cisão da sociedade é modalidade de mutação empresarial sujeita, para efeito de responsabilidade tributária, ao mesmo tratamento jurídico conferido às demais espécies de sucessão (REsp 970.585/RS, 1ª Turma, Min. José Delgado, DJe de 07/04/2008).
MULTA DE OFÍCIO. SUCESSÃO. EMPRESAS SOB CONTROLE COMUM.
Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. (Súmula CARF nº 47)
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE.
Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos e não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para o percentual de 150% depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não houve dolo por parte do contribuinte, logo incabível a aplicação da multa qualificada.
Numero da decisão: 1402-001.601
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75% e excluir do pólo passivo os coobrigados Vilson Pilati. José Alcioni de Souza e Valdomiro Pilati. Vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Frederico Augusto Gomes de Alencar que votaram pela manutenção da multa no moldes do lançamento. Designado para redigir o voto vencedor em relação à multa o Conselheiro Carlos Pelá. Em primeira votação, foram vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Moisés Giacomelli Nunes da Silva que davam provimento em maior extensão para excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201403
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006 TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ART. 135, DO CTN. O artigo 135 só encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. Caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica. Isto porque, se o ato do administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, quem está praticando o ato será a sociedade, e não o sócio, devendo a pessoa jurídica responder pelo pagamento do tributo. ART. 132 DO CTN. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA NA CISÃO PARCIAL. Embora não conste expressamente do rol do art. 132 do CTN, a cisão da sociedade é modalidade de mutação empresarial sujeita, para efeito de responsabilidade tributária, ao mesmo tratamento jurídico conferido às demais espécies de sucessão (REsp 970.585/RS, 1ª Turma, Min. José Delgado, DJe de 07/04/2008). MULTA DE OFÍCIO. SUCESSÃO. EMPRESAS SOB CONTROLE COMUM. Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. (Súmula CARF nº 47) MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos e não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para o percentual de 150% depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não houve dolo por parte do contribuinte, logo incabível a aplicação da multa qualificada.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10945.720214/2011-51
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5384695
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 02 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1402-001.601
nome_arquivo_s : Decisao_10945720214201151.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : LEONARDO DE ANDRADE COUTO
nome_arquivo_pdf_s : 10945720214201151_5384695.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75% e excluir do pólo passivo os coobrigados Vilson Pilati. José Alcioni de Souza e Valdomiro Pilati. Vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Frederico Augusto Gomes de Alencar que votaram pela manutenção da multa no moldes do lançamento. Designado para redigir o voto vencedor em relação à multa o Conselheiro Carlos Pelá. Em primeira votação, foram vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Moisés Giacomelli Nunes da Silva que davam provimento em maior extensão para excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto
dt_sessao_tdt : Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
id : 5645260
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:29:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047251222265856
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2287; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10945.720214/201151 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402001.601 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 11 de março de 2014 Matéria OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente V. PILATI EMPRESA DE TRANSPORTES RODOVIÁRIOS LTDA. e coobrigados: VILSON PILATI, JOSÉ ALCIONI DE SOUZA, VALDOMIRO PILATI e EXELLENCE PARTICIPAÇÕES E LOGÍSTICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 TRANSPORTE DE CARGA. TERCEIRIZAÇÃO. Se a empresa de transportes contrata o serviço em seu nome, o que abrange toda a documentação a ele pertinente, a operação de repasse a terceiros para execução de parcela do serviço pactuado desacompanhado de documentos fiscais diferenciadores do contrato original caracteriza subcontratação e não agenciamento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ART. 135, DO CTN. O artigo 135 só encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. Caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica. Isto porque, se o ato do administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, quem está praticando o ato será a sociedade, e não o sócio, devendo a pessoa jurídica responder pelo pagamento do tributo. ART. 132 DO CTN. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA NA CISÃO PARCIAL. Embora não conste expressamente do rol do art. 132 do CTN, a cisão da sociedade é modalidade de mutação empresarial sujeita, para efeito de responsabilidade tributária, ao mesmo tratamento jurídico conferido às demais espécies de sucessão (REsp 970.585/RS, 1ª Turma, Min. José Delgado, DJe de 07/04/2008). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 72 02 14 /2 01 1- 51 Fl. 2652DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10945.720214/201151 Acórdão n.º 1402001.601 S1C4T2 Fl. 3 2 MULTA DE OFÍCIO. SUCESSÃO. EMPRESAS SOB CONTROLE COMUM. Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. (Súmula CARF nº 47) MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INAPLICABILIDADE. INOCORRÊNCIA DE FRAUDE. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos e não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. A qualificação da multa para o percentual de 150% depende não só da intenção do agente, como também da prova fiscal da ocorrência da fraude ou do evidente intuito desta, caracterizada pela prática de ação ou omissão dolosa com esse fim. Na situação versada nos autos não houve dolo por parte do contribuinte, logo incabível a aplicação da multa qualificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para reduzir a multa de ofício ao percentual de 75% e excluir do pólo passivo os coobrigados Vilson Pilati. José Alcioni de Souza e Valdomiro Pilati. Vencidos os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto e Frederico Augusto Gomes de Alencar que votaram pela manutenção da multa no moldes do lançamento. Designado para redigir o voto vencedor em relação à multa o Conselheiro Carlos Pelá. Em primeira votação, foram vencidos os Conselheiros Carlos Pelá e Moisés Giacomelli Nunes da Silva que davam provimento em maior extensão para excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO – Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Carlos Pelá – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto Fl. 2653DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10945.720214/201151 Acórdão n.º 1402001.601 S1C4T2 Fl. 4 3 Relatório Por bem resumir a controvérsia, adoto o relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: Trata o processo de autos de infração exigindo impostos e contribuições, devido a fiscalização motivada por diferenças identificadas entre as receitas declaradas e escrituradas; o contribuinte apresentou a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica –DIPJ do anocalendário 2006 pelo lucro presumido porém, como o resultado de fiscalização anterior, relativa ao ano calendário 2005, evidenciou excesso de receitas em relação ao limite admitido para a sistemática, além de o livro Caixa não conter toda a movimentação financeira da empresa, entre outros defeitos, foi a empresa excluída do lucro presumido e, na impossibilidade de apurar o lucro segundo a contabilidade para fins de apuração pelo lucro real, tendo em vista que, intimada, não apresentou a necessária escrituração contábil/fiscal de acordo com a legislação, foi efetuado o lançamento pelo lucro arbitrado, com base no arts. 224, 518, 519, 530, I, III e IV, 532 do Regulamento do Imposto de Renda RIR de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999): a. Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, págs. 1.283/1.290, no valor de R$ 1.541.350,38, devido a: i. omissão de receitas operacionais de transporte/venda de gado, fatos geradores em 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006; base legal nos art. 532, do RIR de 1999; ii. outras receitas omitidas: ágio decorrente de precatórios, descontos obtidos e outras receitas; fatos geradores em 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006; base legal no art. 536, do RIR de 1999; b. contribuição ao Programa de Integração Social – PIS, págs. 1.291/1.298, no valor de R$ 380.215,53 sobre as receitas omitidas; fatos geradores mensais de 31/01/2006 a 31/12/2006, com base legal nos arts. 1º e 3º da Lei Complementar nº 7, de 07 de setembro de 1970; arts. 2º, I, “a” e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51 do Decreto nº 4.524, de 2002; c. Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, págs. 1.299/1.306, no valor de R$ 1.754.849,25 sobre as receitas omitidas; fatos geradores mensais de 31/01/2006 a 31/12/2006; base legal nos arts. 2º, II e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002; d. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, págs. 1.307/1.313, no valor de R$ 667.348,37, relativo a: i. Lucro arbitrado, fatos geradores em 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006; exigida com base no art. 2º e §§ da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988; art. 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; art. 29 da Lei nº 9.430, de 1996; art. 37 da Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002; Fl. 2654DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10945.720214/201151 Acórdão n.º 1402001.601 S1C4T2 Fl. 5 4 ii. Sobre receita não operacional omitida, fatos geradores em 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006; base legal no art. 2º e §§ da Lei nº 7.689, de 1988; art. 29 da Lei nº 9.430, de 1996; art. 37 da Lei nº 10.637 de 2002. 2. Sobre os impostos e contribuições devidos apurados exigese multa de ofício de 150% do art. 44, I da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e do art. 44, I, § 1º da mesma lei, com a redação dada pelo art. 18 da Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006; e juros de mora segundo o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430, de 1996. 3. Às págs. 1.264/1.282, no Termo de Verificação Fiscal TVF, estão descritos os procedimentos de fiscalização e a autuação. 4. Às págs. 1.318/1.325, constam Termos de Sujeição Passiva Solidária nº 001, dirigido a Vilson Pilati; nº 002 – a José Alcioni de Souza; nº 003 a Valdomiro Pilatti, todos com base nos arts. 124, I e 135, III do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966; e o Termo de Sujeição Passiva Solidária nº 004 dirigido à Exellence Participações e Logística Ltda, com base no art. 132, do CTN. 5. Cientificado em 29/03/2011, em 29/03/2001 pág. 1.326, Vilson Pilati apresentou a tempestiva impugnação de págs. 1.337/1.346, em 25/04/2011, por meio de seu representante legal de págs. 1.347/1.351. 6. Informa que o mérito da autuação está sendo impugnado pela V Pilati Empresa de Transportes Rodoviários Ltda. 7. Se declara sócioadministrador da empresa e reclama que sua inclusão como sujeito passivo solidário é medida dissociada da realidade fática e jurídica, por isso a impugna, 6 protestando pela ausência dessa solidariedade e requerendo sua exclusão do pólo passivo da medida fiscal. 8. Afirma inexistir solidariedade passiva do art. 124, I do CTN, porque o instituto não admite presunção e noticia a solidariedade natural em que duas ou mais pessoas são naturalmente codevedores solidários do imposto, ou seja, citando autor, o interesse comum na realização do fato jurídico tributário é o que define o aparecimento da solidariedade entre os devedores, ou bilateralidade no seio do fato tributário como incidência de IPTU em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel; e outro autor, no sentido de que a solidariedade não é forma de inclusão de um terceiro no pólo passivo da obrigação tributária, mas forma de graduar a responsabilidade daqueles sujeitos que já compõem o pólo passivo; que segundo a jurisprudência o elemento balizador para caracterizar a solidariedade é a prática de atos ou omissões por parte de terceiros, que concorram para o não recolhimento do tributo pelo contribuinte. 9. Resume que a solidariedade do art. 124, I do CTN é objetiva e abrange todos os que já integravam o pólo passivo da relação jurídicotributária, situação que não atinge o impugnante, que não integra o pólo passivo dos tributos ora lançados. 10. Quanto ao art. 135 do CTN, tratase de responsabilidade subjetiva, devendo ser comprovada a conduta do agente; afirma que a presente exigência tributária, suspensa devido à impugnação por V. Pilati Empresa de Transportes Rodoviários Ltda, não configura a “infração de lei” descrita no caput do art. 135 do CTN, porque, segundo jurisprudência, o simples inadimplemento da obrigação tributária não caracteriza infração à lei; que gestão com excesso de poderes ou infração à lei ou contrato é a gestão fraudulenta com intuito de lesar o credor tributário deliberadamente, ou a dissolução irregular da sociedade, sem a devida Fl. 2655DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10945.720214/201151 Acórdão n.º 1402001.601 S1C4T2 Fl. 6 5 quitação dos tributos pelos representantes legais da empresa; que os próprios autuantes reconheceram que a V Pilatti apresentou regularmente as devidas declarações, portanto não houve evidente intuito de fraude; cita jurisprudência administrativa no sentido de que a multa qualificada só se aplica em casos de existência real e comprovada a de fraude ou de comprovado intuito de fraude, não comportando presunção de nenhuma espécie; que a simples omissão de receitas não representa por si só, caracterização de fraude. 11. No que tange à cisão parcial da V Pilati Empresa de Transportes Rodoviários Ltda, que resultou na constituição da Exellence Participações e Logísticas, respeitou o ordenamento jurídico, tendo sido informado a todos os órgãos com interessa na movimentação patrimonial/fiscal, e não há prova de qualquer conduta irregular a autorizar a inclusão do impugnante por essa operação. 12. Cientificado em 23/03/2011, pág. 1.326, José Alcioni de Souza apresentou a tempestiva impugnação de págs. 1.352/1.362, em 25/04/2011, por meio de seu representante legal de págs. 1.363/1.366. 13. Informa que o mérito da autuação está sendo impugnado pela V Pilati Empresa de Transportes Rodoviários Ltda. 14. Se declara sócioadministrador da empresa e reclama que sua inclusão como sujeito passivo solidário é medida dissociada da realidade fática e jurídica, por isso a impugna, protestando pela ausência dessa solidariedade e requerendo sua exclusão do pólo passivo da medida fiscal, nos mesmos temos da impugnação já resumida apresentada por Vilson Pilati. 15. Cientificado conforme págs. 1.3211, 1.329/1.332, Valdomiro Pilatti apresentou a tempestiva impugnação de págs. 1.367/1.377, em 25/04/2011, em 25/04/2011, por meio de seu representante legal de págs. 1.378/1.381, acompanhada dos documentos de págs. 1.382/1.392. 16. Informa que o mérito da autuação está sendo impugnado pela V Pilati Empresa de Transportes Rodoviários Ltda. 17. Declara que foi sóciocotista da empresa e reclama que sua inclusão como sujeito passivo solidário é medida dissociada da realidade fática e jurídica, por isso a impugna, protestando pela ausência dessa solidariedade e requerendo sua exclusão do pólo passivo da medida fiscal, 18. Esclarece que, conforme Instrumento Particular de Cessão Onerosa de Quotas Sociais, Confissão de Dívida e Outras Avenças, Ata de Reunião de Sócios e 20ª Alteração do Contrato Social, que anexa, retirouse da sociedade em 27/03/2006; que as distribuições de lucros que recebeu se referem a exercícios anteriores, não recebidos até a sua retirada da sociedade, não implicam na sua inclusão no pólo passivo deste processo administrativo; cita que a jurisprudência tem afastado a responsabilidade do sócio nessas situações, pois é necessário que o sócio esteja na gerência da empresa, quando da ocorrência do fato gerador; que a retirada do sócio antes que se constate a infração fiscal não permite que o mesmo seja posto como responsável solidário pela dívida. 19. E discorre sobre a solidariedade dos arts. 124, I e 135 do CTN, nos mesmos termos da impugnação já resumida apresentada por Vilson Pilati, e sobre a cisão parcial da V. Pilati que originou a Exellence, a fim de concluir que não se lhe aplicam. Fl. 2656DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10945.720214/201151 Acórdão n.º 1402001.601 S1C4T2 Fl. 7 6 20. Cientificado em 24/03/2011, pág. 1.326, Exellence Participações e Logística Ltda apresentou a tempestiva impugnação de págs. 1.393/1.398, em 25/04/2011, por meio de seu representante legal de págs. 1.399/1.402, com os documentos de págs. 1.403/1.510. 21. Informa que o mérito da autuação está sendo impugnado pela V Pilati Empresa de Transportes Rodoviários Ltda. 22. Declara que é pessoa jurídica de direito privado, tendo como objeto social a participação societária em empresas controladas, coligadas e ligadas, como cotista ou acionista, realização de investimentos em bens e direitos próprios, logísticas, transporte rodoviário de cargas líquidas e a granel e atividade agrícola e pastoril em terras próprias ou de terceiros e reclama que sua inclusão como sujeito passivo solidário é medida dissociada da realidade fática e jurídica, por isso a impugna, protestando pela ausência dessa solidariedade e requerendo sua exclusão do pólo passivo da medida fiscal, e sucessivamente, a limitação da responsabilidade aos tributos lançados. 23. Entende que a imposição de solidariedade, com base no art. 132 do CTN, que estabelece a responsabilidade da pessoa jurídica resultante de fusão, transformação ou incorporação, foi devido à impugnante ter sido constituída em razão de cisão parcial da V. Pilati, mas, afirma vigorar a regra da tipicidade cerrada no Direito Tributário, não havendo que se falar na extensão da regra que trata esse artigo a fim de alcançar a responsabilidade da empresa resultante da cisão. 24. Com relação ao art. 207, do RIR de 1999, eventual imposição esbarraria no art. 146, III, “b” da Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 CF de 1988, ou seja, porque somente lei complementar tem o condão de impor a responsabilidade, o que é acolhido pela jurisprudência. 25. Destaca que eventual responsabilidade do impugnante se limita aos tributos, não alcançando a multa, pois o art. 132 do CTN não menciona essa exigência; cita jurisprudência. 26. Cientificado em 24/03/2011, pág. 1.317, V.Pilati Empresa de Transportes Rodoviários Ltda apresentou a tempestiva impugnação de págs. 1.511/1.539, em 25/04/2011, por meio de seu representante legal de págs. 1.540/1.543, mais os documentos de págs. 1.544/1.918. 8 27. Argui, em preliminar, com base no art. 150 e § 4º do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, a decadência do lançamento referente a fatos geradores anteriores a 24/03/2006, haja vista a ciência da autuação ter sido em 24/03/2011, e cita jurisprudência administrativa sobre decadência de tributos sujeitos ao lançamento por homologação. 28. No mérito, afirma não terem ocorrido as supostas infrações fiscais pois não foram consideradas as peculiaridades da atividade de serviços de transporte rodoviário de cargas; que não pode ser arbitrado o lucro com lastro na contabilidade do autuado; pleiteia deduções da receita tributável em relação às contribuições PIS e Cofins, das receitas de exportações e do ICMS; contesta a aplicação de multa qualificada de 150% por violar o princípio da proporcionalidade. 29. Sobre as peculiaridades da atividade de serviços de transporte rodoviário de cargas, explica que é freqüente receber solicitações de clientes em volume que extrapola sua capacidade operacional e nestes casos, atua meramente como intermediário, agenciado terceiros, pessoas físicas ou jurídicas, que, obviamente, Fl. 2657DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10945.720214/201151 Acórdão n.º 1402001.601 S1C4T2 Fl. 8 7 recebem a maior parcela da receita; dessa forma, embora os valores transitem pelas contas correntes do impugnante, na prática, são receitas desses terceiros e como tal contabilizadas. 30. Por isso afirma que não ocorreu a insuficiência de recolhimentos de tributos autuada. 31. Cita acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF sobre base de cálculo na atividade de agenciamento de cargas ser o valor deste serviço. 32. Reclama que não pode haver arbitramento do lucro, medida extrema admitida somente depois de esgotados todos os demais meios de apuração do lucro efetivamente auferido e somente se a contabilidade for desclassificada por apresentar vícios que impossibilitem a apuração, se apresentou a contabilidade em arquivo digital aos fiscais e estes se utilizaram dos dados nela contidos (transcreve trechos do TVF para provalo), além de que apresentou a DIPJ pelo lucro presumido e a exclusão dessa sistemática efetuada pelos autuantes em 12/2008, retroativa a 2006, baseouse em presunção de que o contribuinte teria, no anocalendário 2005, extrapolado o limite de receita bruta permitido, pois tal receita bruta foi definida na autuação, processo administrativo nº 10945.002647/200825, lavrado em 12/2008, cujo recurso se encontra pendente no CARF, portanto, não é definitivo. 33. Pelo exposto, afirma que a autuação poderia ter sido pelo lucro presumido ou pelo lucro real , por conseguinte, a autuação pelo lucro arbitrado, deve ser julgada improcedente. 34. Admitindo, apenas para argumentar, que restem dúvidas quanto aos valores declarados e recolhidos, informa que significativa parcela do faturamento está isenta da Cofins e do PIS, conforme art. 149, § 2º, I da Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 CF de 1988, e art. 14, II, III e V e § 1º da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, porque são transporte de mercadorias destinadas à exportação ou exportação direta. 35. Por isso, os recolhimentos que efetuou de PIS e Cofins estão alinhados com as receitas auferidas em 2006 e, para corroborar, junta demonstrativos dos valores das prestações alcançadas pela isenção, segregadas por filial (doc. 03) e planilhas detalhadas, gravadas em mídia eletrônica (doc. 04), bem como cópias do Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas – CTRC (doc. 05), por amostragem, comprovando as receitas isentas de PIS e Cofins. 36. Quanto à receita tributável pela Cofins e PIS, ainda que fossem exigíveis, afirma que deve ser deduzido o valor do ICMS; historia que o art. 195, I da CF de 1988, estabeleceu a hipótese de base de cálculo de contribuição social sobre o faturamento, que entende ser a receita auferida na venda de mercadorias e serviços, constituindose em norma padrão de incidência; que o legislador infraconstitucional deixou de excluir, da base de cálculo da Cofins e PIS, o ICMS sobre operação ou prestação do próprio contribuinte, apesar de essa parcela também não constituir receita própria do contribuinte, quando determinou no art. 3º, § 2º, I da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, a exclusão do ICMS quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; que a Emenda Constitucional EC nº 20, de 1998, alterou o art. 195 da CF de 1988, no sentido de que as contribuições sociais incidirão sobre receita ou faturamento, mas mesmo essa mudança tendo confirmado o entendimento de que as contribuições só incidem sobre a receita própria do contribuinte e não sobre verbas incluídas na nota fiscal que não ingressam no patrimônio deste, a fiscalização continua exigindo Cofins e PIS Fl. 2658DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10945.720214/201151 Acórdão n.º 1402001.601 S1C4T2 Fl. 9 8 também sobre a parcela do ICMS próprio; afirma que a Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2002, e a Lei nº 10.833, de 28 de dezembro de 2003, foram editadas com base na citada EC, sendo que a “definição do tipo tributário depende da análise de integração de dois fatores: base de cálculo e hipótese de incidência, consoante o princípio constitucional da tipologia tributária previsto implicitamente nos arts. 145, § 2º e 154, I da CF de 1988; e transcreve voto de ministro do Supremo Tribunal Federal – STF, no sentido de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo. 37. Aduz que, no seu caso, o recolhimento da Cofins e PIS pode ser feito no regime cumulativo da Lei nº 9.718, de 1989, ou não cumulativo, conforme as Leis nº 10.637, de 2002 (PIS) e nº 10.833, de 2003 (Cofins). 38. Finalmente, em razão da distribuição da ADC 18/DF no STF, devem ser sobrestadas as exigências da Cofins e PIS, até decisão final, a fim de confirmar os valores efetivamente devidos pelo impugnante. 39. Contesta a aplicação de multa qualificada de 150% por violar o princípio da proporcionalidade; afirma que as razões alinhadas pelo autuante no TVF para caracterizar a fraude, conforme previsto nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, não são suficientes para provar que houve ação ou omissão dolosa do contribuinte; que não foi demonstrado claramente fraude; que a mera alegação de insuficiência de recolhimento de tributo é insuficiente para caracterizá la, especialmente se o autuante afirma que o contribuinte apresenta regularmente as diversas declarações e estas são compatíveis, ou seja, atesta que o autuado cumpre regularmente suas obrigações o que é comportamento diverso de quem age com evidente intuito de fraude; por isso, a majoração da multa de ofício é incabível. 40. Aduz que o fato de existir outra autuação referente ao ano de 2005 não corrobora a tese de fraude e dolo, porque a referida autuação ainda pende de julgamento e aquela medida fiscal foi lavrada em 2008 , isto é, depois de apurados e recolhidos os tributos referentes a 2006 e, naquela autuação, a fiscalização não entendeu como dolosa, aplicando a multa de 75%; e que as fichas cadastrais a que se refere o autuante revelam apenas o que se discutiu nos autos, ou seja, o faturamento bruto do impugnante é superior ao de suas receitas próprias, na medida em que contempla também receita de terceiros, que transitaram temporariamente por suas contas. 41. Afirma que a qualificação da multa violou ao princípios da razoabilidade e proporcionalidade, instrumento fundamental para controle de constitucionalidade dos atos normativos, e a penalidade pecuniária excessiva de 150% configura uma forma indireta de burlar o comando constitucional que veda o confisco. 42. Invoca também o art. 112 do Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, visando aplicação de penalidade menos gravosa ao contribuinte, afirmando que insuficiência (que foi o caso) e falta de recolhimento de tributos são situações distintas, o que pressupõe imposição de penalidades também distintas. 43. Por isso, afigurase desproporcional a penalidade aplicada, dado que há alternativa menos gravosa para o caso. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba prolatou o Acórdão 0635.253 (sessão de 19/01/2012) negando provimento integralmente à impugnação apresentada, em decisão consubstanciada na seguinte ementa: Fl. 2659DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10945.720214/201151 Acórdão n.º 1402001.601 S1C4T2 Fl. 10 9 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO DO DOLO. DECADÊNCIA. O termo inicial de contagem do prazo decadencial se desloca para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso de imposto e contribuição da modalidade de lançamentos por homologação, se comprovada a existência de dolo. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRAZO. Na hipótese em que o recolhimento dos tributos sujeitos a lançamento por homologação ocorre em desconformidade com a legislação aplicável e, por conseguinte, se procede ao lançamento de ofício segundo o art. 149 do CTN, o termo de início de contagem do prazo decadencial de cinco anos subsume se ao art. 173, I do CTN, isto é, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. MULTA QUALIFICADA. DOLO. SONEGAÇÃO. Aplicase multa qualificada às exigências de imposto e contribuições sonegados, estando caracterizada a sonegação. MULTA QUALIFICADA. 150%. PERCENTUAL. LEGALIDADE Constatada a sonegação, a multa qualificada aplicável é aquela em percentual de 150% determinado expressamente em lei. MULTA QUALIFICADA. 150%. PERCENTUAL. CONFISCO. Considerações acerca da inconstitucionalidade do percentual de multa instituído pela lei tratamse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. LEI TRIBUTÁRIA. INTERPRETAÇÃO MAIS BENIGNA. ART. 112 DO CTN. Se, diante das provas contidas nos autos, inexistem dúvidas quanto à prática de infração tributária e à penalidade aplicável ao caso, não há que se falar em interpretação mais favorável, pois o lançamento é ato administrativo vinculado RESPONSABILIDADE PASSIVA SOLIDÁRIA. CISÃO. ART. 132 DO CTN. O art. 132 do CTN não faz menção expressa à modalidade da cisão porque este conceito apenas foi normatizado após a edição do CTN, pela Lei nº 6.404, de 1976, o que não afasta sua inclusão entre as hipóteses de responsabilidade tributária por sucessão. Fl. 2660DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10945.720214/201151 Acórdão n.º 1402001.601 S1C4T2 Fl. 11 10 SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. EMPRESA RESULTANTE DE CISÃO PARCIAL DA AUTUADA. DÉBITOS COM FATOS GERADORES ANTERIORES À CISÃO. É responsável solidariamente a empresa que absorveu parcela do patrimônio de empresa que sofreu cisão parcial, pelos débitos da sociedade cindida cujos fatos geradores sejam anteriores à cisão. CISÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO SUCESSOR. MULTAS. A responsabilidade tributária do sucessor abrange, além dos tributos devidos pelo sucedido, as multas moratórias ou punitivas, desde que seu fato gerador tenha ocorrido até a data da sucessão. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR São sujeitos passivos solidários da obrigação tributária da pessoa jurídica os sócios administradores que se vincularam ativamente às situações ocorridas e aos atos praticados durante sua gestão ou administração, que levaram à constatação de sonegação dos tributos devidos pela empresa e ao esvaziamento patrimonial, sem justificativa, da empresa, em favor de outra da qual são eles mesmos os sócios administradores. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR QUE SE RETIROU DA SOCIEDADE. É responsável solidário o sócio administrador que se retirou da sociedade, pelos débitos tributários relativos aos fatos geradores contemporâneos ao seu gerenciamento até a data da sua saída. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006 TRANSPORTE DE CARGA. SUBCONTRATAÇÃO. OPERAÇÃO DISTINTA DE AGENCIAMENTO. A operação em que a transportadora contrata o serviço de transportes com o seu cliente, emite o conhecimento de frete e recebe em seu nome o valor total lá constante, caracteriza a venda de serviços de transporte e aperfeiçoa o fato gerador dos tributos calculados com base no faturamento; a operação posterior, em que a transportadora repassa a terceiros um valor inferior ao recebido sem a emissão de qualquer novo documento fiscal, referente à execução parcial do serviço de transporte, caracteriza subcontratação e não agenciamento. CONTRATO DE AGENCIAMENTO. CARACTERÍSTICAS. O contrato de agenciamento é aquele pelo qual uma pessoa, o agente, assume, em caráter não eventual e sem vínculo de dependência, a obrigação de exercer habitualmente a Fl. 2661DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10945.720214/201151 Acórdão n.º 1402001.601 S1C4T2 Fl. 12 11 intermediação de negócios em favor do preponente; nesse conceito não se inclui a subcontratação, aleatória e eventual, de caminhoneiros autônomos, para executar serviço de transporte de carga que fora anteriormente contratado, em nome próprio e com emissão do respectivo Conhecimento de Transporte Rodoviário de Carga CTRC. RECEITA BRUTA. OMISSÃO. COMISSÃO DE AGENCIAMENTO DE CARGA. ARGUMENTO NÃO PROCEDENTE. Descabida a alegação de que a receita tributável seria apenas parcela recebida referente a alegada comissão de agenciamento de carga, se o contribuinte tem como objeto social transporte rodoviário de cargas líquidas e a granel e atividade agropecuária, ou seja, a atividade de agenciamento de cargas não consta do objeto social, e utilizouse do percentual de oito por cento para apurar a base tributável pelo IRPJ na sistemática do lucro presumido. DIPJ LUCRO PRESUMIDO. EXCESSO DE RECEITAS ANO ANTERIOR. ARBITRAMENTO DO LUCRO. A apuração se dá pelo critério do lucro arbitrado, se o contribuinte optou, indevidamente, pela tributação com base no lucro presumido ao qual não estava autorizado por ter excedido o limite de receitas no ano anterior. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. PIS. COFINS. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. ISENÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Cópia de amostragem de comprovantes de pagamento de saldos referentes a cartasfrete, a caminhoneiros subcontratados, referentes a entregas de mercadorias em país vizinho, não são prova suficiente de que o contribuinte tenha auferido receitas de prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas e, conseqüentemente, descabida a pretensão de isenção de PIS e Cofins sobre tais pretensas receitas, apenas demonstradas em planilhas. PIS. COFINS. LUCRO ARBITRADO. INCIDÊNCIA CUMULATIVA. Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins vigentes anteriormente à legislação que institui a incidência nãocumulativa as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro arbitrado. PIS. COFINS. RECEITA BRUTA. BASE DE CÁLCULO. ICMS. Fl. 2662DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10945.720214/201151 Acórdão n.º 1402001.601 S1C4T2 Fl. 13 12 eventual, de caminhoneiros autônomos, para executar serviço de transporte de carga que fora anteriormente contratado, em nome próprio e com emissão do respectivo Conhecimento de Transporte Rodoviário de Carga CTRC. RECEITA BRUTA. OMISSÃO. COMISSÃO DE AGENCIAMENTO DE CARGA. ARGUMENTO NÃO PROCEDENTE. Descabida a alegação de que a receita tributável seria apenas parcela recebida referente a alegada comissão de agenciamento de carga, se o contribuinte tem como objeto social transporte rodoviário de cargas líquidas e a granel e atividade agropecuária, ou seja, a atividade de agenciamento de cargas não consta do objeto social, e utilizouse do percentual de oito por cento para apurar a base tributável pelo IRPJ na sistemática do lucro presumido. DIPJ LUCRO PRESUMIDO. EXCESSO DE RECEITAS ANO ANTERIOR. ARBITRAMENTO DO LUCRO. A apuração se dá pelo critério do lucro arbitrado, se o contribuinte optou, indevidamente, pela tributação com base no lucro presumido ao qual não estava autorizado por ter excedido o limite de receitas no ano anterior. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL. PIS. COFINS Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase aos lançamentos reflexos o decidido no principal. PIS. COFINS. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. ISENÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Cópia de amostragem de comprovantes de pagamento de saldos referentes a cartasfrete, a caminhoneiros subcontratados, referentes a entregas de mercadorias em país vizinho, não são prova suficiente de que o contribuinte tenha auferido receitas de prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas e, conseqüentemente, descabida a pretensão de isenção de PIS e Cofins sobre tais pretensas receitas, apenas demonstradas em planilhas. PIS. COFINS. LUCRO ARBITRADO. INCIDÊNCIA CUMULATIVA. Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins vigentes anteriormente à legislação que institui a incidência nãocumulativa as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro arbitrado. PIS. COFINS. RECEITA BRUTA. BASE DE CÁLCULO. ICMS. Somente o ICMS cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário, pode ser Fl. 2663DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10945.720214/201151 Acórdão n.º 1402001.601 S1C4T2 Fl. 14 13 excluído da receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins. Devidamente cientificados, o sujeito passivo e os coobrigados apresentaram recurso voluntário (peça única) ao CARF ratificando em essência as razões expedidas na peça impugnatória. É o Relatório Fl. 2664DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10945.720214/201151 Acórdão n.º 1402001.601 S1C4T2 Fl. 15 14 Voto Vencido Conselheiro LEONARDO DE ANDRADE COUTO O recursos apresentados pelo sujeito passivo e pelos coobrigados, em peça única foram tempestivos e interpostos por agente devidamente legitimado, motivo pelo qual deles conheço. Relativamente ao recurso formalizado pela pessoa jurídica, foi suscitada em preliminar a ocorrência da decadência parcial em relação aos fatos geradores anteriores a 24/03/2006, considerando a data de ciência em 24/03/2011, pela aplicação da regra prevista no § 4º, do art. 150, do CTN. A decisão quanto a essa matéria dependerá da análise das razões que levaram à qualificação da multa, o que será feito em momento posterior deste voto. Receita de terceiros – agenciamento: No mérito, a recorrente insiste no argumento de que teria formalizado contrato de agenciamento com caminhoneiros autônomos, e assim parte dos valores recebidos pertenceria a esses terceiros. Não foi apresentado qualquer do documento que indicasse a formalização de contratos de agenciamento nos moldes suscitados. No mais, a questão foi enfrentada de forma inapelável pela decisão recorrida, conforme trecho abaixo transcrito não especificamente contestado pela interessada, e que adoto como minhas razões: [....] A impugnante declara que age em nome próprio, contratando os serviços de transportes com os seus clientes e emitindo o respectivo CTRC no valor total da operação, em outras palavras, vende serviços de transporte; como às vezes a demanda é maior que sua capacidade instalada de caminhões, contrata terceiros a quem repassa a operação do transporte; recebe do seu cliente pelo serviço prestado e em seguida, repassa o pagamento que convencionou ao terceiro que subcontratou; o ato que pratica, consistente em repassar o serviço já contratado para caminhoneiros autônomos e pessoas jurídicas, não comporta o rótulo de agenciamento, pelo contrário, é uma mera subcontratação. 71. Existem empresas que se dedicam ao agenciamento de fretes ou cargas; tratase de atividade prevista na Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE, sob o código:“63.401/ 04 Agenciamento de Cargas”; ocorre, por exemplo, quando alguém se estabelece com a finalidade específica de intermediar a contratação de serviços de transportes; mas, devese frisar que, para que o agenciamento efetivamente ocorra, necessário será que o contrato de transporte, ainda que verbal, seja firmado entre a empresa proprietária da carga e o transportador (no caso, o caminhoneiro autônomo), pessoa física ou jurídica, o qual deveria emitir o conhecimento de transporte ou documentação equivalente. Fl. 2665DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10945.720214/201151 Acórdão n.º 1402001.601 S1C4T2 Fl. 16 15 72. O contrato de agenciamento é aquele pelo qual uma pessoa, o agente, assume, em caráter não eventual e sem vínculo de dependência, a obrigação de exercer habitualmente a intermediação de negócios em favor do preponente; nesse conceito não se inclui a subcontratação, aleatória e eventual, de caminhoneiros autônomos, para executar serviço de transporte de carga que fora anteriormente contratado, em nome próprio e com emissão do respectivo Conhecimento de Transporte Rodoviário de Carga CTRC. 73. Na Secretaria de Finanças do Município de Curitiba, por exemplo (e nos demais municípios também), existe o código de atividades: “634010300 – Agenciamento de Cargas”, destinado a contribuintes que efetivamente exerçam tal atividade. Por óbvio, quando tais contribuintes prestam seus serviços, emitem o documento adequado, ou seja, a nota fiscal de serviços, e se debitam do imposto incidente, o ISS, o que não ocorre no caso da litigante que recolhe o ICMS, conforme declara ao reclamar que este deveria ser deduzido da base de cálculo do PIS e Cofins, contradizendo a própria alegação de ser prestadora de serviços; evidenciase que a litigante não recolhe ISS ao município como prestadora de serviços nem escritura serviços e, por outro lado, escritura e recolhe ICMS, devido ao Estado pela atividade de transporte. 74. A atividade agenciamento estaria bem caracterizada na hipótese de a empresa encaminhar o caminhoneiro autônomo ao proprietário da carga, de sorte a propiciar o surgimento de um novo vínculo contratual, entre este e o caminhoneiro, referente ao serviço de transporte. O trabalho do agenciador consiste em aproximar as partes, proprietário da carga e o transportador, e estes formalizam um outro contrato autônomo, e se outorgam, mutuamente, os documentos respectivos, o que não ocorre no presente caso. 75. A interessada emite CTRC e, conforme especifica a legislação, excluemse do campo da agência as vendas em nome próprio. 76. A propósito, conforme explica Humberto Theodoro Júnior, em artigo publicado no site http://www.mundojuridico.adv.br/html/artigos/documentos/texto3 01.htm: O agente faz da intermediação de negócios sua profissão. Não pratica a compra e venda das mercadorias do representado. Presta serviço tendente a promover a compra e venda, que será concluída pelo preponente. Por isso, na linguagem tradicional do direito brasileiro esse agente recebia o nome de “representante comercial autônomo” (Lei nº 4.886, de 09.12.65). O novo Código Civil, a exemplo do direito europeu, abandonou o nomem iuris de “representante comercial”, substituindoo por “agente”. Sua função, porém, continua sendo exatamente a mesma do representante comercial autônomo. (Grifouse.) 77. Confirmase, do exposto, que o contribuinte contrata com seus clientes serviço de transporte e não de intermediação, por isso, não há como o litigante sustentar que o pagamento recebido dos clientes não é receita sua, pois é, e corresponde ao preço do serviço contratado; o seu papel junto aos seus clientes não é o de agenciador de cargas, mas de empresa que oferece serviço de transporte e assume a responsabilidade de receber, transportar e entregar a carga no local contratado. [.....] Fl. 2666DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10945.720214/201151 Acórdão n.º 1402001.601 S1C4T2 Fl. 17 16 Arbitramento do Lucro: No que se refere ao arbitramento do lucro, o Termo de Verificação Fiscal foi exaustivo na descrição das omissões praticadas pelo sujeito passivo e que implicaram no arbitramento do lucro. Originalmente, como decorrência do auferimento em 2005 de receita em valor muito superior ao limite para apuração de resultado pelo lucro presumido, a Fiscalização iria apurar o lucro real. Entretanto como não foram apresentados os Livros Diário nem o Razão de 2006 e tampouco as demonstrações financeiras, o arbitramento mostrouse inevitável, ainda que tenha sido apresentada contabilidade em meio digital, conforme ressaltado no Termo de Verificação. Registrese ainda que o Livro Caixa de 2006 não traz a escrituração completa da movimentação financeira, o que obrigaria a pessoa jurídica originalmente tributada pelo lucro presumido a manter escrituração na forma da lei comercial e fiscal. Descumprida essa obrigação formal, impõemse o arbitramento. Quanto à isenção das receitas de exportação, não foi demonstrado que a prestação do serviço de transporte tenha sido contratada por pessoa jurídica domiciliada no exterior e nem que o pagamento a ele referente representasse ingresso de divisas no país, nos termos da legislação de regência (art. 14, III e § 1º, da MP nº 2.15835/2001). A exclusão do ICMS da base de cálculo dos contribuições ao PIS e à Cofins carece de base legal. Ainda que a matéria esteja sob discussão no STF, apenas decisão definitiva do Pretório Excelso pode modificar tal circunstância. Qualificação da multa Relativamente à multa qualificada, a princípio assistiria razão à demandante quanto à inexistência de dolo, pois a significativa diferença entre o valor da receita declarada e aquele apurado pela Fiscalização poderia em tese ser explicada pela simples diferença de entendimento quanto aos valores repassados aos caminhoneiros autônomos. Entretanto, duas circunstâncias constituemse em agravantes no caso em tela. A primeira delas consiste no fato de o sujeito passivo ter declarado no período sob exame o valor de R$ 33.278.006,56 como fretes pagos. Considerando que o valor da omissão apurada foi de R$ 68.133.115,74; mesmo que por hipótese a argumentação da interessada fosse considerada pertinente, ainda assim restaria uma diferença de R$ 34.855.109,18 sem qualquer amparo. Assim, o argumento da diferença de entendimento cairia por terra. A segunda, ainda mais grave, consiste no preenchimento de pedido de financiamento junto ao BNDES/FINAME, onde a requerente informou como receita bruta para o ano de 2006 o valor de R$ 70.581.428,54; montante esse próximo da omissão apurada pelo Fisco e muito superior ao declarado à Receita Federal (R$ 9.638.409,04). Nesse caso, firmei meu convencimento de que não houve uma simples omissão ou fornecimento de informações inexatas, mas sim a prestação de declaração falsa à Fl. 2667DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10945.720214/201151 Acórdão n.º 1402001.601 S1C4T2 Fl. 18 17 autoridade tributária, motivo pelo qual entendo que mostrase correta a imputação da multa qualificada. O suposto caráter confiscatório da multa aplicada é matéria de caráter constitucional, fora da competência desta Corte administrativa. Decadência Como conseqüência, não há qualquer alteração na decisão recorrida em relação à contagem do prazo decadencial. Sujeição passiva tributária: A Fiscalização lavrou Termo de Sujeição Passiva Tributária em nome dos sócios pessoas físicas Vilson Pilati, José Alcioni de Souza e Valdomiro Pilati; e também em nome da empresa Exellence Participações e Logística a qual, como decorrência de cisão parcial da autuada, recebeu a maior parte do imobilizado da cindida. Em relação aos coobrigados pessoas físicas, a autoridade lançadora manifestouse nos seguintes termos: Vêse que o autuante menciona de forma genérica a “prática de infrações à lei, descritas nesse Termo de Verificação Fiscal”. Esse termo descreve irregularidades tributárias que implicaram na formalização do auto de infração contra a pessoa jurídica, inclusive com multa qualificada, mas não faz qualquer menção específica à prática de atos infracionais pelos coobrigados pessoas físicas. Para aplicação do art. 135, do CTN, é necessário preliminarmente que seja identificado expressamente qual ato infracional gerou o enquadramento e quem o praticou. Mas não é só isso. O artigo 135 só encontra aplicação quando o ato de infração à lei societária, contrato social ou estatuto cometido pelo administrador for realizado à revelia da sociedade. Caso não o seja, a responsabilidade tributária será da pessoa jurídica. Isto porque, se o ato do administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, quem está Fl. 2668DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10945.720214/201151 Acórdão n.º 1402001.601 S1C4T2 Fl. 19 18 praticando o ato será a sociedade, e não o sócio, devendo a pessoa jurídica responder pelo pagamento do tributo. Importante destacar que a infração à lei capaz de gerar a responsabilidade do administrador é aquela de natureza societária. Afinal, o que objetiva este artigo é justamente responsabilizar o administrador que age à revelia dos interesses da sociedade, e a forma com a qual ele age de tal modo é descumprindo as normas societárias que prescrevem que a sua atuação deve observar os interesses da empresa, dentro de determinados limites. 1 Sob essa ótica, com todo respeito à autoridade lançadora entendo que não houve a precisa identificação da prática de atos pelo sócio administrador que justificasse a responsabilização nos termos efetuados. Por esse motivo, conduzo meu voto no sentido de excluir do pólo passivo os coobrigados pessoas físicas. No que se refere à empresa Exellence Participações e Logística, a responsabilização decorreu da aplicação do art. 132, do CTN, que trata da responsabilidade por sucessão. Em sua defesa, a recorrente sustenta que o dispositivo em questão trata da responsabilidade por sucessão no caso de empresas fusionadas, transformadas ou incorporadas, sem qualquer menção à empresas cindidas, como ocorre na situação presente. Nesse ponto, não assiste razão à demandante. O art. 207, do Decreto nº 3000/99, transcrito no Termo de Verificação, deixa clara a responsabilidade da pessoa jurídica sucessora, que receber parcela do patrimônio de sociedade cindida, pelos tributos devidos pela sucedida. A jurisprudência dos tribunais superiores também caminha nesse sentido: TRIBUTÁRIO. DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCRO. PRESUNÇÃO. EMPRÉSTIMO A VICEPRESIDENTE DA EMPRESA. 1. A empresa resultante de cisão que incorpora parte do patrimônio da outra responde solidariamente pelos débitos da empresa cindida. Irrelevância da vinculação direta do sucessor do fato gerador da obrigação .(Resp 970585/RS – T1 – Primeira Turma – sessão de 04/03/2008, DJe 07/04/2008 – Ministro José Delgado) Do exposto, entendo que deve ser mantida a sujeição passiva solidária da pessoa jurídica Exellence Participações e Logística. 1 BARCELOS, Soraya Marina. A responsabilidade dos administradores prevista no art. 135, III do CTN: hipótese de responsabilidade solidária, subsidiária ou exclusiva?. Jus Navigandi, Teresina, ano 16, n. 3089, 16 dez. 2011 . Disponível em: <http://jus.com.br/artigos/20662>. Acesso em: 23 dez. 2013. Fl. 2669DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10945.720214/201151 Acórdão n.º 1402001.601 S1C4T2 Fl. 20 19 Em relação à multa, a sucessora e sucedida estão sob controle comum, conforme contratos sociais e alterações. Prevalece assim a Súmula CARF nº47, de Enunciado: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. Daí porque a responsabilidade solidária abrange a integralidade do lançamento. Em resumo do voto, manifestome no sentido de negar provimento ao recurso da autuada e da coobrigada Exellence Participações e Logística Ltda.; e dar provimento ao recurso dos coobrigados pessoas físicas para excluílos do pólo passivo . LEONARDO DE ANDRADE COUTO Relator Voto Vencedor CONSELHEIRO CARLOS PELÁ Divergi do ilustre relator em uma pequena parte do seu voto, acompanhando o em todo o restante. A minha única divergência se reporta à qualificação da multa de ofício. Eis as razões da divergência: A Lei nº. 9.430/96 determina a qualificação da multa proporcional de ofício, majorandoa de 75% para 150%, nas hipóteses em que a conduta evasiva do contribuinte tenha sido imbuída de sonegação e/ou fraude, remetendo às configurações hipotéticas de ambas as figuras definidas na Lei nº 4.502/64. Os respectivos textos são os seguintes: Lei nº 9.430/96 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Lei nº 4.502/64 Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Fl. 2670DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10945.720214/201151 Acórdão n.º 1402001.601 S1C4T2 Fl. 21 20 II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Como se percebe, o conluio não chega a ser uma terceira hipótese qualificadora autônoma. Para sua configuração como qualificadora, é necessário, portanto, que haja sonegação e/ou fraude orquestradas por meio de ajuste doloso entre duas ou mais pessoas (físicas ou jurídicas). Assim, a qualificação da multa proporcional de ofício deve ser feita apenas quando a autoridade fiscal identificar e comprovar a ocorrência de sonegação e/ou fraude. E apenas pode ser considerado sonegação ou fraude, para essa finalidade, aquilo que esteja em conformidade com o preceito estabelecido pelos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64. Portanto, a partir das características textuais das definições empreendidas pelos artigos 71 e 72, para fins de qualificação da multa proporcional de ofício, temos que a sonegação e a fraude são condutas (ação ou omissão) dolosas. Com isso, para qualificar a multa proporcional de ofício, a autoridade fiscal deve identificar e comprovar a ocorrência da conduta dolosa do sujeito passivo, ou seja, o ânimo (vontade ou intenção) do agente de prejudicar ou fraudar, a conduta (ação ou omissão) intencional perniciosa. Noutra palavras, exigese convicção, por meio de um conjunto probatório suficiente, de que o sujeito passivo agiu de máfé e cometeu a conduta dolosa de sonegação e/ou fraude. Por essa razão, é que distinguir entre a elisão (protegida pelo ordenamento) e a evasão (por ele repelida) tem se mostrado tarefa árdua, que tem suscitado controvérsias nos debates doutrinários e nos julgamentos deste Conselho. É que, conforme já foi dito por diversos autores, levar em conta tão somente elemento subjetivo do autor (vontade, ânimo, intenção) para distinguir a evasão da elisão não é suficiente, motivo pelo qual tanto se critica a redação dos dispositivos em comento. Ora, numa e noutra situação (evasão e elisão), o intuito do autor é o mesmo: não pagar tributo, pagálo a menor ou em data mais afastada, de sorte que a diferença deverá ser buscada noutro elemento. Por tudo isso também, é que a doutrina e a jurisprudência deste Conselho sempre reconheceram que a prova da fraude pode ser indiciária (e quase sempre o é), composta por uma soma de elementos convergentes para a conclusão da existência dessa falsidade. Fl. 2671DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10945.720214/201151 Acórdão n.º 1402001.601 S1C4T2 Fl. 22 21 Daí a necessidade deste Conselho, como órgão de julgamento dotado de quadros técnicos e, de alguma forma, orientador da conduta da administração e dos contribuintes, se esforçar no sentido de procurar estabelecer/sistematizar outros elementos/indícios para a distinção entre elisão e evasão fiscal, de modo a reduzir a níveis toleráveis o grau de subjetivismo que por certo sempre existirá no enfrentamento do tema. A experiência estrangeira revela que o estabelecimento de referidos parâmetros, ao mesmo tempo em que não "engessa" a qualificação dos fatos na medida em que não define a priori se determinado tipo de negócio é legítimo ou não para fins fiscais , confere certa racionalização no exame dos casos futuros pelo órgão julgador, mesmo que seja para rever ou aprofundar determinado parâmetro anteriormente fixado pelo mesmo órgão. Feitas essas considerações, tendo em vista a necessidade de prova cabal do cometimento do ilícito fiscal que envolva sonegação e/ou fraude como condição para a qualificação da multa de ofício, e, como não há forma de adentrar à psique de quem praticou os atos para aferir com exatidão a existência de tal intenção, mister se faz examinar a exteriorização dos atos para verificar se houve coerência entre as formas de direito privado adotadas e aquilo que efetivamente se praticou e se as partes assumiram todas as conseqüências e ônus, de toda sorte (jurídico, fiscais, operacionais, negociais, etc.) da forma jurídica adotada. Ao longo dos anos, tornouse possível identificar alguns exemplos de elementos/indícios levados em conta pela jurisprudência deste Conselho na determinação da licitude de planejamentos tributários. Podemos citar: a) a natureza dos meios utilizados para sua consecução: na fraude, atuam meios ilícitos (falsidade, adulteração de documentos, etc) e, na elisão, os meios são lícitos. Portanto, o primeiro ponto a ser observado é sempre a licitude dos atos praticados. Os atos praticados devem ser lícitos, possíveis e não vedados pelo ordenamento; b) como conseqüência disso, exigese: a não caracterização de simulação. Os atos praticados devem ser reais e não simulados. Lembrando que, como simulação, entendem se todas as hipóteses em que existe uma divergência entre a vontade real, efetiva, e a vontade declarada por quem pratica o ato. c) o momento da utilização dos meios: Anterioridade ao fato gerador. Temse constatado uma diferença temporal entre a elisão e a evasão. Por essa razão, devese verificar se os atos foram praticados antes ou depois da materialização da hipótese de incidência prevista hipoteticamente em lei. Nesse passo, se o ato ou negócio jurídico foi praticado antes da ocorrência do respectivo fato gerador, podese estar diante de uma elisão fiscal, porém se praticado posteriormente estará constatada uma evasão fiscal. Essa diferenciação baseada na cronologia busca consagrar a licitude da elisão com base na falta de corporificação do fato gerador da obrigação tributária, já que esta, de acordo com o art. 113, § 1º do CTN, surge, somente, com a ocorrência daquele. Portanto, a elisão seria não entrar na relação fiscal e evasão seria dela sair. Como requisitos para a caracterização de simulação, também podemos citar alguns elementos/indícios levados em consideração: a) a existência de propósito negocial; ou seja, a existência de outras razões econômicas, negociais, patrimoniais ou de outra ordem, para justificar os atos praticados; Fl. 2672DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10945.720214/201151 Acórdão n.º 1402001.601 S1C4T2 Fl. 23 22 b) a publicidade das ocorrências; c) a proximidade de datas entre fatos sucessivos ou a inexplicada diferenciação de valores entre eles; d) a ocorrência de operações dentro do mesmo grupo econômico, ou entre pessoas ligadas por algum vínculo de associação; e) a motivação para simular; f) o retorno a situação original, mediante o desfazimento do negócio jurídico simulado ou a neutralização de seus efeitos através de outros atos ou negócios simultâneos ou subseqüentes. Não se cuida, com isso, de tributar o ato segundo o resultado econômico por ele perpetrado, no moldes da teoria da interpretação econômica incompatível com o princípio da legalidade, eis que, como já foi dito, o contribuinte tem o direito de, dentre duas ou mais alternativas juridicamente viáveis para atingir determinado objetivo econômico ou de outra natureza, adotar aquela que seja menos onerosa do ponto de vista fiscal. Entretanto, ao escolher uma alternativa, ainda que motivado pelo objetivo de redução da carga tributária, deve o contribuinte assumir todas as conseqüências e ônus dela decorrentes e deve haver coerência jurídica, no âmbito do direito privado, entre a forma adotada e sua implementação prática, mesmo que referida forma não esteja sendo adotada para o seu fim típico ou tradicional, caracterizando o negócio jurídico indireto, plenamente viável em nosso ordenamento. Apenas as operações do contribuinte que mascarem determinada transação econômica e jurídica, ocultando, por formas artificiosas, a realidade, configuram operações simuladas. Considerando isso, a qualificação da multa de ofício, só tem sido permitida, pela jurisprudência desse Conselho, quando efetivamente se verificam procedimentos fraudulentos que envolvam adulteração de documentos comprobatórios (notas fiscais, contratos, escrituras públicas, dentre outros), notas fiscais calçadas, notas fiscais frias, notas fiscais paralelas, notas fiscais fornecidas a título gracioso, contabilidade paralela (Caixa 2), conta bancária fictícia, falsidade ideológica, declarações falsas ou errôneas (quando apresentadas reiteradamente), interposição de pessoas (laranjas), etc. Com a devida vênia dos que pensam em contrário, a simples omissão de receitas ou de rendimentos; a simples declaração inexata de despesas, receitas ou rendimentos; a classificação indevida de receitas/rendimentos na DIPJ ou Declaração de Ajuste Anual; a falta de comprovação da efetividade de uma transação comercial e/ou de um ato; a inclusão e/ou falta de inclusão de algum valor, bem ou direito na Declaração de Bens ou Direitos; não evidenciam, por si só, o evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º do artigo 44, da Lei nº. 9.430/96. A celebração de negócio jurídico válido, cuja escolha decorre da autonomia da vontade e livre iniciativa do particular, implicando a ausência de subsunção do fato à norma tributária, acarretando o enquadramento à norma tributária que prescreva exigências menos onerosas ou assegurando benefícios fiscais, é perfeitamente lícita e não susceptível de Fl. 2673DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10945.720214/201151 Acórdão n.º 1402001.601 S1C4T2 Fl. 24 23 desconsideração pela autoridade administrativa. Dessa maneira, havendo preferência por certa forma, é inaceitável que esta seja ignorada pela simples razão de seu resultado econômico vir a ser semelhante ao de outra forma, diferenciadamente tributada. Mesmo porque, como bem lembrou a doutrina de Luiz Regis Prado, há pouco tempo, prevalecia o entendimento de que a adoção de formas lícitas era suficiente a garantir a economia tributária visada com a seqüência de atos, independente do seu tempo ou ausência de qualquer propósito negocial. Assim, no passado, ao pesquisar a jurisprudência vacilante e a doutrina divergente, os contribuintes poderiam entender que agiam licitamente. Ora, no caso presente, a Recorrente acreditou, e continua a acreditar, que suas ações foram lícitas. A ação do contribuinte, conforme se vê de inúmeros outros casos semelhantes neste CARF, decorre da interpretação equivocada de que parte das receitas que recebe e repassa aos contratados não são receitas próprias da sua atividade, mas receitas que pertencem a terceiros e que a estes devem ser repassadas diretamente, sem transitar pelo seu resultado. O mesmo se diga da diferença entre a receita omitida e o valor repassado aos caminhoneiros, haja vista que neste ponto também não há indícios de cometimento de fraude de qualquer natureza, mas uma simples omissão de receita. Não me convence também a alegação de que houve fraude contra a administração tributária na declaração dada ao BNDES para fins de obtenção de financiamento. Revela, antes de tudo, uma ação deliberada de enganar o Banco para obter financiamento, coisa também bastante comum. Em suma, não me pareceu ter a fiscalização se desincumbido de demonstrar a presença de fraude, nos termos acima expostos, na atuação do contribuinte perante o Fisco. Por tudo isso, entendo que a multa de lançamento de ofício qualificada, decorrente do art. 44, § 1º, da Lei n°. 9.430, de 1996, aplicada, muitas vezes, de forma generalizada pelas autoridades lançadoras, deve obedecer toda cautela possível e ser aplicada, tão somente, nos casos em que ficar nitidamente caracterizado o evidente intuito de fraude. E, uma vez que, no caso dos autos, não se percebe, por parte do contribuinte, a prática de ato doloso para a configuração do ilícito fiscal, estou convencido de que a qualificação da multa de ofício foi exacerbada, devendo ser excluída. (assinado digitalmente) Carlos Pelá – Redator designado. Fl. 2674DF CARF MF Impresso em 02/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CARL OS PELA, Assinado digitalmente em 01/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
