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Numero do processo: 10925.720272/2010-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
LIMITES DO LITÍGIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada impugnação ou manifestação de inconformidade contendo as matérias expressamente contestadas, as quais determinam os limites do litígio.
A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, nos termos do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, circunscreve-se ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial, de sorte que tudo que escape a este espectro de atribuições não deve ser apreciado por este Conselho, incluindo-se toda a matéria não impugnada ou não recorrida.
PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA CARF N. 125.
Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003.
O entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, julgado pela sistemática de recursos repetitivos, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas (PIS/Cofins), eis que, para estas há vedação legal expressa de atualização monetária, o que não ocorre para o IPI.
Recurso Voluntário negado na parte conhecida
Numero da decisão: 3402-006.434
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada impugnação ou manifestação de inconformidade contendo as matérias expressamente contestadas, as quais determinam os limites do litígio. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, nos termos do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial”, de sorte que tudo que escape a este espectro de atribuições não deve ser apreciado por este Conselho, incluindose toda a matéria não impugnada ou não recorrida. PIS/COFINS. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA CARF N. 125. Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. O entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, julgado pela sistemática de recursos repetitivos, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas (PIS/Cofins), eis que, para estas há vedação legal expressa de atualização monetária, o que não ocorre para o IPI. Recurso Voluntário negado na parte conhecida AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 72 02 72 /2 01 0- 31 Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10925.720272/201031 Acórdão n.º 3402006.434 S3C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versam os autos sobre Pedido de Ressarcimento de crédito de contribuição não cumulativa, transmitido pela Cooperativa Rio do Peixe, CNPJ nº 84.590.314/000181, posteriormente incorporada pela Cooperativa de Produção de Consumo de Concórdia. A autoridade administrativa não deferiu integralmente o pleito, em síntese, sob os seguintes fundamentos: a) as receitas de revendas da interessada gerariam créditos passíveis apenas de abatimento do valor da contribuição a pagar, mas não de ressarcimento; b) seria vedado o aproveitamento de crédito decorrente da aquisição de insumos referentes a produtos agropecuários vendidos com suspensão das contribuições; c) houve necessidade de ajuste do percentual de rateio para o ressarcimento dos créditos, pois representa a relação proporcional entre as receitas de venda de produtos produzidos com alíquota maior que zero, isentos ou não alcançados pela tributação em relação à receita total obtida; d) as receitas de revendas de produtos adquiridos com alíquota zero, isentos ou não tributáveis não gerariam direito ao crédito, conforme art. 3º, § 2º, II, Lei nº 10.637/2002; e) não seria possível a tomada de créditos em relação a produtos farmacêuticos com tributação concentrada, em virtude da vedação contida nos arts. 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. A interessada apresentou sua defesa em face da parte do despacho decisório relativa às glosas do crédito da contribuição sobre vendas e revenda de mercadorias com suspensão, com base nas Leis nºs 11.033/2004 e 11.116/2005, bem como requereu a aplicação da taxa Selic entre a data do pedido de restituição e a satisfação do crédito. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, nos termos do Acórdão nº 14075.883. Cientificada dessa decisão, a interessada interpôs o recurso voluntário ora em apreço, sustentando, em síntese: Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10925.720272/201031 Acórdão n.º 3402006.434 S3C4T2 Fl. 4 3 i) O critério de rateio adotado pela fiscalização não tem amparo legal. Não há, em toda a legislação que rege o PIS/Pasep e a Cofins, no regime não cumulativo, nada que prescreva ou autorize o procedimento adotado pela fiscalização, no sentido de excluir as receitas suspensas, isentas, alíquota zero e sem incidência, na composição do montante das receitas não tributadas. ii) A autoridade fiscal não pode se valer do prazo previsto na IN nº 660/2006 para deixar de reconhecer a suspensão da incidência de PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes de venda de suínos e leite “in natura”, sob argumento que não aplica suspensão a estes produtos. iii) A realocação da totalidade do crédito sobre a revenda de mercadorias exclusivamente para o mercado interno tributado está em evidente descompasso com as disposições legais que tratam dessa matéria. Em sintonia com as disposições do art. 17 da Lei nº 11.033/2004, o art. 16 da Lei nº 11.116/2005 erigiu comando muito claro do sentido de que o saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 e do art. 15 da Lei n° 10.865/2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário, em virtude da manutenção de crédito assegurada pelo art. 17, da Lei nº 11.033/2004, poderá ser objeto de compensação ou, então, de pedido de ressarcimento em espécie. iv) A recorrente requer o reconhecimento do direito de direito de receber o valor do seu crédito atualizado monetariamente pela taxa Selic desde a data do protocolo do seu pedido até a data do efetivo ressarcimento. Ademais, a atualização do crédito pela taxa Selic decorre também da aplicação do disposto no art. 62 do Regimento Interno do CARF, abaixo transcrito na parte pertinente, por se tratar de matéria julgada na sistemática do art. 543 C, do Código do Processo Civil pelo Superior Tribunal de Justiça (REsp 993.164). É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.431, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10925.720269/201018, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3402006.431): "Cotejandose o conteúdo da manifestação de inconformidade com o do recurso voluntário, verificase que a recorrente inova neste último em relação à matéria contestada. Na manifestação de inconformidade, a interessada somente se insurgiu em face das glosas relativas ao crédito da contribuição sobre vendas e revenda de mercadorias com Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10925.720272/201031 Acórdão n.º 3402006.434 S3C4T2 Fl. 5 4 suspensão, com base nas Leis nºs 11.033/2004 e 11.116/2005, bem como requereu a aplicação da taxa Selic entre a data do pedido de restituição e a satisfação do crédito. Posteriormente, no recurso voluntário, a recorrente traz alegações sobre outras matérias objeto do Despacho Decisório que não constaram na sua primeira defesa, quais sejam: a) recálculo efetuado pela fiscalização do índice de rateio (receita não tributada no mercado interno/receita total) para a obtenção do montante do crédito a ressarcir e b) realocação da "totalidade do crédito relativo a bens para revenda, informado na linha 01, das Fichas 06A e 16A, do Dacon, exclusivamente, para o mercado interno tributado". Nos termos dos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/721, a fase litigiosa do processo administrativo fiscal somente se instaura se apresentada a manifestação de inconformidade ou impugnação contendo as matérias expressamente contestadas, de forma que a matéria contestada submetida à primeira instância que determina os limites do litígio. A competência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, nos termos do art. 25 do Decreto nº 70.235/72, circunscrevese ao julgamento de "recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial”, de sorte que tudo que escape a este espectro de atribuições não deve ser apreciado por este Conselho, incluindose toda a matéria não impugnada ou não recorrida. O efeito devolutivo do recurso somente pode dizer respeito àquilo que foi decidido pelo órgão a quo que, por conseguinte, poderá ser objeto de revisão pelo órgão ad quem. Se não houve decisão pelo órgão a quo por não ter sido a 1 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei no 9.532, de 1997): b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997); c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei n.º 9.532, de 1997) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei n.º 9.532, de 1997). Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10925.720272/201031 Acórdão n.º 3402006.434 S3C4T2 Fl. 6 5 matéria sequer impugnada, não se há de falar em reforma do julgado nesta parte (Acórdão nº 2402006.480, de 07/08/2018, Relatora: Renata Toratti Cassini). O entendimento acima coadunase com o que tem sido decidido neste CARF, no sentido de não conhecer de matéria que não tenha sido objeto de litígio no julgamento de primeira instância, como consta nas ementas que ora se transcreve: Acórdão nº 9303004.566 – 3ª Turma /CSRF, Relator: Demes Brito, j. 08/12/2016 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/1998 a 31/12/2003 PRECLUSÃO. JULGAMENTO PELO COLEGIADO DE SEGUNDA INSTÂNCIA DE MATÉRIA NÃO SUSCITADA PELO SUJEITO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. O julgamento da causa é limitado pelo pedido, devendo haver perfeita correspondência entre o postulado pela parte e a decisão, não podendo o julgador afastarse do que lhe foi pleiteado, sob pena de vulnerar a imparcialidade e a isenção, conforme teor do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase não impugnada a matéria não deduzida expressamente no recurso inaugural, o que, por consequência, redunda na preclusão do direito de fazêlo em outra oportunidade. (...) Acórdão 3301002.475 – 3º Seção/3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, Relator: Sidney Eduardo Stahl, j. 11/11/ 2014 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano calendário: 2006, 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. O contencioso administrativo instaurase com a impugnação, que deve ser expressa, considerandose não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Não se conhece do recurso quando este pretende alargar os limites do litígio já consolidado, sendo defeso ao contribuinte tratar de matéria não discutida na impugnação. (...) Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10925.720272/201031 Acórdão n.º 3402006.434 S3C4T2 Fl. 7 6 Dessa forma, em face da preclusão, não se deve conhecer de parte da matéria do recurso voluntário relativa ao "recálculo do índice de rateio" e à "realocação de crédito relativo a bens para revenda". De outra parte, tomase conhecimento, por atender aos requisitos de admissibilidade, da parte restante do recurso voluntário relativa à correção monetária e às glosas de crédito da contribuição sobre vendas e revenda de mercadorias com suspensão, ainda que contida nos tópicos da peça recursal relativos ao índice de rateio e à realocação de crédito. O pedido de ressarcimento tem fundamento no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e no art. 16 da Lei nº 11.116/2005, que assim dispõem: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação (...) II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (...) Nesse ponto, cabe reiterar o entendimento deste Colegiado, conforme consta na ementa do Acórdão nº 3402 006.223, julgado em 26 de fevereiro de 2019 no sentido de que: "O art. 17 da Lei nº 11.033/2004, que possibilita a manutenção do crédito das operações vinculadas a vendas desoneradas das contribuições, não tem o condão de derrogar as vedações de creditamento já existentes em outras leis", sendo que tal "dispositivo possibilita apenas a manutenção do crédito já existente para aquela operação". Dessa forma, para o ressarcimento do saldo credor da contribuição com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 c/c o art. 16 da Lei nº 11.116/2005, deve haver um crédito preexistente na aquisição de determinado bem, a qual é vinculada à venda da contribuinte com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da contribuição PIS/Cofins. Alega a recorrente que "não procede o argumento lançado pela autoridade fiscal no sentido de que as vendas de suínos e de leite “in natura”, efetuadas pela recorrente, não se Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10925.720272/201031 Acórdão n.º 3402006.434 S3C4T2 Fl. 8 7 deram nas condições em que se aplicaria a suspensão do pagamento das contribuições". Argumenta que "a autoridade fiscal não pode se valer do prazo previsto na IN nº 660/2006, para deixar de reconhecer a suspensão da incidência de PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes de venda de suínos e leite “in natura”, sob argumento que não aplica suspensão a estes produtos". No entanto, especificamente no presente processo, observase da leitura atenta do Despacho Decisório que a questão da não vigência da suspensão no período de apuração (prazo prorrogado no art. 11 da IN nº 660/2006) não foi suscitada pela fiscalização e não representou nenhum óbice ao pedido de ressarcimento da interessada, como se denota nos trechos abaixo do Despacho Decisório: (...) (...)[as] operações classificadas pela contribuinte como saídas com suspensão não ocorreram as condições de suspensão elencadas na legislação de regência – é o caso da compra para revenda de suínos, que na verdade estavam sob o campo de incidência das contribuições sociais em causa. (...) Com efeito, não estão inseridos no contexto da suspensão de incidência de que trata o art. 9º da Lei nº 10.925/2004 as aquisições de produtos agropecuários para revenda –o que ocorreu em larga escala ao efetuar a compra de leitoões de associados e não associados para revendêlos a outros, além da compra de suínos para revenda a Cooperativa Central Oeste Catarinense Aurora. De fato, às aquisições para revenda não se aplica a apuração dos créditos presumidos e nem a suspensão. A concessão de favor fiscal vinculado ao requisito de destinação a consumo humano ou animal deve ser entendido como destinação imediata do produto ao consumo (produtos do art. 8º, caput, da Lei nº 10.925/2004). Conseguintemente, se a agroindústria comercializar as mercadorias produzidas para outras indústrias, sejam ou não do setor alimentício, onde serão utilizadas em novo processo industrial, resta descaracterizada a destinação ao consumo humano ou animal. (...) De outra banda, a determinação estampada na IN SRF nº 636/2006 que dispõe sobre a suspensão da exigibilidade das indigitadas contribuições é claro no sentido na impossibilidade do aproveitamento de créditos em relação as aquisições de insumos de produtos agropecuários Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10925.720272/201031 Acórdão n.º 3402006.434 S3C4T2 Fl. 9 8 vendidos com suspensão dessas contribuições. Observe se: (...) 2.2.2. Operações com suspensão da exigibilidade das contribuições. Sistema de parceria para a criação de Suínos e da Venda do leite “in natura” e cereais (milho e soja). A receita da venda de cereais (milho e soja) da venda de suínos que foram criados pelo sistema de integração e da venda de leite “in natura” ocorreu com suspensão da exigibilidade das contribuições Pis e Cofins não cumulativo de acordo com os registros contábeis e fiscais apresentados. Observese: (...) De fato, os artigos 8º e 9º da Lei nº 10.925/2004 permitem às sociedades cooperativas efetuarem a venda destes insumos com suspensão da incidência das indigitas contribuições. O artigo 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, propicia às pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, destinadas à alimentação humana ou animal, deduzir crédito presumido calculado sobre o valor dos insumos adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. Permite também, no seu § 1º, I, que as aquisições, por essas mesmas pessoas, quando efetuadas de cerealistas também tenham direito a esse crédito presumido: (...) A par do crédito presumido atribuído ao adquirente dos produtos, o artigo 9º da Lei nº 10.925/2004 determina a suspensão das contribuições, quando da venda de certos produtos agrícolas, por, entre outros, cooperativas, “litteris”: Art. 9o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (grifei) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10925.720272/201031 Acórdão n.º 3402006.434 S3C4T2 Fl. 10 9 do § 1o do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (grifouse) Os produtos relacionados no § 1º do artigo 8º, que quando de sua venda admitem suspensão, são os incluídos nos códigos NCM 09.01 (café), 10.01 a 10.08 (trigo, centeio, cevada, aveia, milho, arroz, sorgo de grão, alpiste e outros cereais) exceto os dos códigos 1006.20 (arroz descascado) e 1006.30 (arroz semibranqueado ou branqueado), 12.01 (soja) e 18.01 (cacau). Ao conceder a suspensão quando da venda desses produtos, a Lei nº 10.925/2004 também estabeleceu a vedação ao aproveitamento do crédito presumido e de créditos em geral por parte de quem vende com suspensão. Essa vedação aparece no § 4º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004: (...) 2.2.3 Apuração dos créditos de bens para revenda (Linha 1 do DACON). (...) Como regra geral, a aquisição de produtos para revenda gera direito ao crédito, no entanto, em relação aos produtos adquiridos com alíquota zero, isentos ou não alcançados pela tributação, há vedação expressa neste sentido por parte do revendedor e do produtor. (...) Dos dispositivos legais acima colacionados, verificase que a regra é a apuração de crédito em relação à aquisição de bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Todavia, o texto legal constante no art. 3º, § 2º, II, determina expressamente que não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. Nesse diapasão, possível concluir que não dá direito a crédito a aquisição de bens para revenda sujeitos à incidência da alíquota zero uma vez que o legislador determinou que não gera crédito o valor das aquisições de bens e serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições, exceto quando adquiridos com isenção, se os referidos bens forem utilizados para gerar receita tributável. (...) Em outras palavras, tendo a contribuinte adquirido créditos, na forma do art.3º, das Leis nºs 10.637, de 2002 e Fl. 257DF CARF MF Processo nº 10925.720272/201031 Acórdão n.º 3402006.434 S3C4T2 Fl. 11 10 10.833, de 2003, por haver arcado com o ônus do pagamento dos tributos incidentes na cadeia da produção, esses créditos serão mantidos, ainda que as vendas efetuadas forem efetivadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da contribuição, por determinação legal. É o caso, por exemplo, dos próprios custos suportados pela contribuinte, na operação de revenda dos seus produtos, tais como, energia elétrica, transporte, locações e outros créditos vinculados que sofreram a incidência do PIS e da Cofins. Não podendo ser incluído aí o custo das compras da mercadoria por ela revendida, quando foi afastada a tributação como no caso da ocorrência de alíquota zero ou isenção, o que é o caso da revenda de: sementes, fertilizantes, defensivos, corretivos, medicamentos, etc. Assim, o art.17 da Lei nº 11.033/2004 permite a manutenção de créditos na tributação concentrada no fabricante ou importador não sendo possível manter crédito do PIS/Pasep e da Cofins nas aquisições para revenda de produtos sujeitos à incidência monofásica ou sujeitos a alíquota zero, isentos ou não tributados e, por conseguinte, conceder ressarcimento ou compensação. Alega também a recorrente que a "lei assegura a possibilidade da compensação ou do ressarcimento para todos os créditos previstos no art. 3º, das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003 e no art. 15, da Lei nº 10.865/2004, dentre os quais constam os créditos sobre os bens adquiridos para revenda". Embora da leitura isolada de alguns trechos do Despacho Decisório pudesse parecer que a fiscalização estaria entendendo incabível o creditamento com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004 e no art. 16 da Lei nº 11.116/2005 a todos bens para revenda, isso não se confirma numa análise mais aprofundada do Despacho Decisório. Em verdade, nenhuma glosa ou ajuste de crédito foi efetuada simplesmente por se tratar de revenda, mas em face de tratar de revenda de: a) produtos agropecuários que não atenderiam às condições para a fruição do crédito presumido da agroindústria (art. 8º da Lei nº 10.925/2004) ou da suspensão da incidência da contribuição na venda prevista no art. 9º dessa Lei, vez que a revenda descaracterizaria a destinação imediata ao consumo humano ou animal; ou de b) de produtos que não dariam direito a crédito básico. Além disso, outro obstáculo ao pleito de ressarcimento da interessada quanto aos bens para revenda foi o fato de o crédito presumido da agroindústria, quando aplicável, só poderia ser utilizado para a dedução das próprias contribuições de PIS/Cofins devidas no período de apuração. Relativamente à correção monetária, alega a recorrente descumprimento do disposto no art. 24 da Lei nº 11.457/2007 e violação do princípio constitucional da razoável duração do Fl. 258DF CARF MF Processo nº 10925.720272/201031 Acórdão n.º 3402006.434 S3C4T2 Fl. 12 11 processo, requerendo a atualização monetária de eventual crédito que seja reconhecido em seu favor. No entanto, a pretensão da recorrente encontra obstáculo expresso no art. 13 da Lei nº 10.833/2003, aplicável à Cofins e também ao PIS/Pasep, por força do art. 15 dessa Lei. Além disso, a previsão legal de atualização do valor pela taxa Selic, nos termos do art. 39, §4º da Lei 9.250/1995, somente é aplicável para os casos de compensação e restituição, mas não para o ressarcimento. Ademais, como bem esclareceu o Conselheiro Relator Bernardo Motta Moreira, em seu Voto no Acórdão nº 3301 002.088, da 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, em sessão de 23/10/2013, o entendimento veiculado pelo Recurso Especial nº 1.035.847, julgado pela sistemática de recursos repetitivos prevista no artigo 543C do CPC/73, que diz respeito ao ressarcimento de créditos de IPI, não pode ser estendido para o ressarcimento de créditos das contribuições sociais não cumulativas, eis que, para essas, há, na lei, a vedação expressa de atualização monetária, o que não ocorre para o IPI. Essa matéria já está pacificada neste CARF, tendo sido objeto da Súmula abaixo, de aplicação obrigatória pelos seus membros: Súmula CARF nº 125: No ressarcimento da COFINS e da Contribuição para o PIS não cumulativas não incide correção monetária ou juros, nos termos dos artigos 13 e 15, VI, da Lei nº 10.833, de 2003. Acórdãos Precedentes: 20313.354, de 07/10/2008; 3301 00.809, de 03/02/2011; 330200.872, de 01/03/2011; 310101.072, de 22/03/2012; 310101.106, de 26/04/2012; 3301002.123, de 27/11/2013; 3302002.097, de 21/05/2013; 3403001.590, de 22/05/2012; 3801001.506, de 25/09/2012; 9303005.303, de 25/07/2017; 9303 005.941, de 28/11/2017. Assim, pelo exposto, voto no sentido de: a) não conhecer o recurso voluntário quanto à alegação de "recálculo do índice de rateio" e de "realocação dos créditos sobre revendas"; b) conhecer o restante do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. " Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por: Fl. 259DF CARF MF Processo nº 10925.720272/201031 Acórdão n.º 3402006.434 S3C4T2 Fl. 13 12 a) não conhecer o recurso voluntário quanto à alegação de "recálculo do índice de rateio" e de "realocação dos créditos sobre revendas"; b) conhecer o restante do recurso voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 260DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11634.000119/2007-27
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002, 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. HIPÓTESES DE CABIMENTO.
Os embargos de declaração são cabíveis nos casos de omissão, obscuridade e contradição.
Hipótese em que não houve a alegada omissão.
Embargos de declaração rejeitados.
Numero da decisão: 2101-002.042
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração interpostos.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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HIPÓTESES DE CABIMENTO. Os embargos de declaração são cabíveis nos casos de omissão, obscuridade e contradição. Hipótese em que não houve a alegada omissão. Embargos de declaração rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração interpostos. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Evande Carvalho Araujo, Celia Maria de Souza Murphy, Carlos André Rodrigues Pereira Lima e Eivanice Canário da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 01 19 /2 00 7- 27 Fl. 325DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/01/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11634.000119/200727 Acórdão n.º 2101002.042 S2C1T1 Fl. 182 2 Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional (fls. 172/175), em face de acórdão relatado pela Conselheira Ana Neyle Olimpio Holanda (fls. 163 e seguintes), sob a alegação de que teria havido omissão, uma vez que não se posicionou sobre o reconhecimento da decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário com base no art. 173, I, do CTN, tendo como fundamento a falta de pagamento antecipado do tributo É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator. O recurso apresentado, conquanto tempestivo, deve ser rejeitado. De fato, o texto do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF n.º 256/2009, mais especificamente em seu art. 65, caput, admite a interposição de embargos de declaração, semelhantemente ao quanto estabelecido pelo art. 535 do Código de Processo Civil pátrio, apenas e tãosomente quando demonstrada omissão, obscuridade ou contradição no acórdão recorrido: “Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma.” No presente caso, aduz a Embargante que o acórdão estaria omisso, uma vez que não se posicionou sobre o reconhecimento da decadência do direito do Fisco de constituir o crédito tributário com base no art. 173, I, do CTN, tendo como fundamento a falta de pagamento antecipado do tributo. Em que pese à irresignação da ora Embargante, fato é que inexistem, in casu, os requisitos para que sejam acolhidos os presentes embargos de declaração. A Fazenda tenta, verdadeiramente, rediscutir a decisão. Isso porque em nenhum momento a decisão recorrida foi omissa, contraditória ou obscura. De modo a formar seu convencimento, não é preciso que a autoridade julgadora se manifeste sobre todos os fundamentos que embasaram a autuação. Com efeito, o acórdão ora combatido deu provimento parcial ao recurso voluntário por entender como correto aplicar a regra de decadência em que dispõe o parágrafo 4º, do art. 150 do CTN, vez que o caso não se trata de fraude, dolo ou simulação. Entretanto, a então relatora, Conselheira Ana Neyle Olimpio Holanda, consignou, expressamente, que “por outro lado, impende observar que a atividade desenvolvida pelo contribuinte não se constitui lançamento, mas procedimento a ele vinculado, pois alberga verificações como aquela atinente à aplicação da legislação adequada, a subsunção do fato à incidência tributária, da quantificação da base de cálculo, da alíquota a Fl. 326DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/01/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 11634.000119/200727 Acórdão n.º 2101002.042 S2C1T1 Fl. 183 3 ser utilizada, o cálculo do tributo e o pagamento. É assente neste Colegiado o entendimento da subsunção do imposto sobre a renda de pessoas físicas (IRPF) à modalidade de lançamento por homologação, pois, a teor do que prevê o artigo 150, do CTN, é atribuído ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. E, operase o lançamento pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Nos termos do §4º. do referido artigo 150 do CTN, a Fazenda Pública tem o prazo de cinco anos, contado da ocorrência do fato gerador, para lançar expressamente o tributo. E, por se tratar de constituição de direito do fisco, o prazo do artigo 150, § 4° do CTN é de decadência. Portanto, não havendo lançamento expresso do IRPF no prazo de cinco anos contados da data do fato gerador, terá ocorrido a decadência do direito de constituir a exação.” Não sendo cabível a insurgência, por este meio, quanto ao resultado do julgamento, como pretende a Embargante, muito menos havendo omissão, contradição ou obscuridade a ser sanada, não merecem guarida os embargos de declaração opostos. Ainda que cabível o recurso, necessário se faz esclarecer que, de acordo com o próprio auto de infração (fls. 99 e 100), tanto no anocalendário de 2001 como no de 2002, houve antecipação de pagamento, aplicandose, portanto, nos termos da jurisprudência do STJ, o artigo 150, §4º., do CTN. Eis os motivos pelos quais entendo que os embargos de declaração devem ser REJEITADOS, mantendose, portanto, in totum, o acórdão embargado. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 327DF CARF MF Impresso em 08/02/2013 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 28/01/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10850.908399/2011-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2001 a 31/03/2001
INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3.º, §1.º DA LEI 9.718/98. MATÉRIA RECONHECIDA NO RE 357.0509 EM REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ANÁLISE DE MÉRITO. ANULAÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
A inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo do PIS e COFINS, foi reconhecida pelo STF no julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral (leading cases - RE n.º 357.9509/ RS, 390.8405/ MG, 358.2739/ RS e 346.0846/ PR) e deve ser aplicada, de forma que as receitas não operacionais da Contribuinte não integram a base de cálculo da contribuição, pois não são receitas e não integram o conceito legal, aplicável e vigente de faturamento.
Numero da decisão: 3201-005.331
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para: a) excluir da base de cálculo das Contribuições para PIS/Cofins (i) as receitas estranhas ao conceito de faturamento, acatando-se a informação da diligência fiscal, e (ii) as receitas relativas às contas "7193000602", "7193000606", e "7193000603"; e b) incluir na base de cálculo das referidas Contribuições as receitas decorrentes de taxa de administração, inscrição e manutenção ainda que contabilizadas na conta 7399900705.
(assinatura digital)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente em Exercício.
(assinatura digital)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza., substituído pelo conselheiro Marcos Roberto da Silva.
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2001 a 31/03/2001 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3.º, §1.º DA LEI 9.718/98. MATÉRIA RECONHECIDA NO RE 357.0509 EM REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ANÁLISE DE MÉRITO. ANULAÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. A inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo do PIS e COFINS, foi reconhecida pelo STF no julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral (leading cases - RE n.º 357.9509/ RS, 390.8405/ MG, 358.2739/ RS e 346.0846/ PR) e deve ser aplicada, de forma que as receitas não operacionais da Contribuinte não integram a base de cálculo da contribuição, pois não são receitas e não integram o conceito legal, aplicável e vigente de faturamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para: a) excluir da base de cálculo das Contribuições para PIS/Cofins (i) as receitas estranhas ao conceito de faturamento, acatando-se a informação da diligência fiscal, e (ii) as receitas relativas às contas "7193000602", "7193000606", e "7193000603"; e b) incluir na base de cálculo das referidas Contribuições as receitas decorrentes de taxa de administração, inscrição e manutenção ainda que contabilizadas na conta 7399900705. (assinatura digital) Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente em Exercício. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza., substituído pelo conselheiro Marcos Roberto da Silva.
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MATÉRIA RECONHECIDA NO RE 357.0509 EM REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ANÁLISE DE MÉRITO. ANULAÇÃO DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. A inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo do PIS e COFINS, foi reconhecida pelo STF no julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral (leading cases RE n.º 357.9509/ RS, 390.8405/ MG, 358.2739/ RS e 346.0846/ PR) e deve ser aplicada, de forma que as receitas não operacionais da Contribuinte não integram a base de cálculo da contribuição, pois não são receitas e não integram o conceito legal, aplicável e vigente de faturamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para: a) excluir da base de cálculo das Contribuições para PIS/Cofins (i) as receitas estranhas ao conceito de faturamento, acatandose a informação da diligência fiscal, e (ii) as receitas relativas às contas "7193000602", "7193000606", e "7193000603"; e b) incluir na base de cálculo das referidas Contribuições as receitas decorrentes de taxa de administração, inscrição e manutenção ainda que contabilizadas na conta 7399900705. (assinatura digital) Paulo Roberto Duarte Moreira Presidente em Exercício. (assinatura digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 83 99 /2 01 1- 82 Fl. 365DF CARF MF Processo nº 10850.908399/201182 Acórdão n.º 3201005.331 S3C2T1 Fl. 366 2 Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza., substituído pelo conselheiro Marcos Roberto da Silva. Relatório O presente processo administrativo fiscal trata de Recurso Voluntário de fls. 100, apresentado em face da decisão proferida pela DRJ/SP de fls. 50, que julgou a Manifestação de Inconformidade de fls. 7 improcedente e não reconheceu o direito creditório do contribuinte, nos moldes do Despacho Decisório de fls. 5. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: "O presente processo administrativo foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração estabelecida no processo eletrônico. Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta pela contribuinte por meio de seus representantes legais, conforme instrumento de mandato a fls. 038/039, em face do Despacho Decisório eletrônico resultante da apreciação do documento Pedido de Restituição nº 42463.61681.221205.1.2.040904 (fls. 002/004), protocolado em 22/12/2005, e dos demais documentos associados, por meio dos quais a contribuinte pretende ter restituído crédito no valor total de R$ 259,25. Conforme informado pela contribuinte no pedido de restituição, o valor a ser restituído é correspondente ao DARF anexado aos autos (fl. 004) com as seguintes características: A análise da liquidez e certeza do crédito pleiteado foi efetuada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em São José do Rio Preto, que, em 02/12/2011, emitiu Despacho Decisório eletrônico (fl. 005), no qual a autoridade competente indeferiu o Pedido de Restituição, com base no seguinte fundamento: o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos Fl. 366DF CARF MF Processo nº 10850.908399/201182 Acórdão n.º 3201005.331 S3C2T1 Fl. 367 3 do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição.. Cientificada do Despacho Decisório, em 23/12/2011 (fl. 006), a contribuinte ingressou, em 20/01/2012, com a manifestação de inconformidade de fls. 007/015 e documentos anexos, na qual se manifesta, em síntese, conforme o disposto a seguir. 1. Solicita a reunião dos processos administrativos nº 10850.908391/201116, nº 10850.908392/201161, nº 10850.908393/201113, nº 10850.908394/201150, nº 10850.908395/201102, nº 10850.908396/201149,nº 10850.908397/201193, nº 10850.908398/201138, nº 10850.908399/201182, nº 10850.908400/201179 e nº 10850.908401/201113, sob o argumento de que têm o mesmo objeto, qual seja a restituição de crédito decorrente de recolhimento indevido de contribuição social fundado na inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei n° 9.718/1998. Invoca para tanto os princípios da economia processual e os dele decorrentes. Cita doutrina que respalda a reunião de processos com mesmo fundamento fático e define a conexão entre ações e aponta que os processos teriam as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo objeto. Traz decisão administrativa. 2. Alega ter havido falta de aprofundamento na investigação dos fatos, pois não foi intimada a prestar quaisquer esclarecimentos a respeito da higidez de seu crédito, contrariando o disposto no art. 65, da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30/12/2008, e o art. 142, do Código Tributário Nacional, o que teria permitido à requerente demonstrar seu direito ao crédito. 3. Quanto ao mérito, sustenta que o art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, ampliou significativamente a base de cálculo da contribuição de forma inconstitucional, ao prescrever que nela fosse considerada a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, e não simplesmente seu faturamento, ofendendo frontalmente o art. 195, inciso I, da Constituição Federal, que se restringia somente ao faturamento, e o art. 110, do Código Tributário Nacional, que proíbe a alteração, pela lei tributária, da definição, do conteúdo e do alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal para definir ou limitar competências tributárias. Nesse sentido, referese à jurisprudência do STF, citando julgados, e argumenta, ainda, que a matéria já foi considerada pelo STF de repercussão geral e será objeto de sumula vinculante, conforme voto que transcreve. Reforça apontando que a Lei nº 11.941, de 27/05/2009, teria revogado o art. 3º, §1º, da Lei n° 9.718/1998, o que demonstraria que o legislador teria reconhecido a inconstitucionalidade já pacificada na jurisprudência. Quanto à posição da 2ª instância administrativa, traz exemplos de decisões dessa instância, ressaltando em Fl. 367DF CARF MF Processo nº 10850.908399/201182 Acórdão n.º 3201005.331 S3C2T1 Fl. 368 4 especial o entendimento daquele órgão de que a posição do STF nos recursos extraordinários proferida em sessão plenária deve ser aplicada pelas autoridades fazendárias em suas decisões. Reforça sua posição invocando o art. 26A, §6º, inciso I, do Decreto n° 70.235/1972, e os artigos 61A e 62, §1º, inciso I, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, disposição que já constava no regimento do órgão equivalente anterior. Em conseqüência, a base de cálculo da contribuição somente deveria incluir valores correspondentes ao faturamento. Portanto, no caso específico do presente processo, seria indevido o valor de R$ 259,25, que corresponde à parcela da contribuição calculada sobre receitas que não integram o faturamento, conforme comprovado por documentos hábeis a comprovar a existência e higidez do crédito pleiteado, o qual deve ser restituído. Conclui requerendo o acolhimento e provimento da presente manifestação de inconformidade, com o reconhecimento do direito da requerente à restituição da contribuição calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, informa que a matéria objeto da manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial e protesta prova o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia, a realização de diligências e a juntada de documentos. É o relatório." A 10ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Ribeirão Preto proferiu seu Acórdão com a seguinte Ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2001 a 31/03/2001 PAF. REUNIÃO DE PROCESSOS. NECESSIDADE DE PREVISÃO NORMATIVA. A reunião de processos administrativos no âmbito da RFB deve seguir os critérios previstos nas normas específicas, que prevêem a consolidação de matérias em um único processo e o apensamento de processos, conforme a hipótese, inexistindo previsão de julgamento conjunto. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. PROFUNDIDADE DA APRECIAÇÃO LIMITADA AO TEOR DO PEDIDO. Cabe à autoridade competente a apreciação da restituição e da compensação no limite do teor do pedido apresentado, não podendo ser caracterizado como falta de aprofundamento da análise a não apreciação de fundamento não registrado no corpo do pedido e trazido somente na contestação. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 10850.908399/201182 Acórdão n.º 3201005.331 S3C2T1 Fl. 369 5 CONSTITUCIONALIDADE. VINCULAÇÃO DO JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. PREVISÃO EXPRESSA EM ATO NORMATIVO. CONDIÇÃO NECESSÁRIA E SUFICIENTE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre constitucionalidade e o afastamento de normas sob fundamento dessa natureza depende da correspondente declaração de inconstitucionalidade ser reconhecida por ato de vinculação obrigatória expressamente previsto no ordenamento jurídico. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE SALDO A RESTITUIR. Verificado que o crédito pleiteado tem seu valor totalmente vinculado à quitação de débitos declarados em DCTF, resta impossibilitada, por falta de saldo, a restituição. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.". Os autos foram distribuídos e pautados nos moldes do regimento interno deste Conselho. Ao analisar a presente lide administrativa fiscal, esta Turma decidiu converter o julgamento em diligência (fls. 249) para que a autoridade de origem considerasse a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo. A diligência foi atendida, conforme pode ser verificado nas fls. 339 (informação fiscal) e fls. 349 (manifestação do contribuinte à informação fiscal). Em resumo, após a diligência, a fiscalização considerou as receitas financeiras e concordou com sua exclusão da base de cálculo da contribuições e reconheceu parcialmente o crédito solicitado. O contribuinte se manifestou sobre as linhas contábeis que não foram reconhecidas pela fiscalização: ressarcimento despesas legais judiciais, multas e recuperação de despesas. Relatório proferido. Voto Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 10850.908399/201182 Acórdão n.º 3201005.331 S3C2T1 Fl. 370 6 Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.º Seção de julgamento deste Conselho e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Em fls. 339, a fiscalização reconheceu a maioria do crédito solicitado pelo contribuinte, conforme trecho reproduzido a seguir: "Conclusão 18. Por conseguinte, devem ser incluídas na base de cálculo da Cofins do contribuinte as receitas operacionais registras nas seguintes contas do plano de contas do contribuinte no periodo em análise: 7193000602 RESSARCIMENTO DESP LEGAIS JUDICIAIS 7193000605 RECUPERAÇÃO DE DESPESAS 7193000606 RECUPERAÇÃO DE MULTAS 19. Refazendo a apuração do PIS e da COFINS dos períodos de apuração de nov/2000 a abr/2001 e de jun/2001 a set/2001, com base nos demonstrativos e registros contábeis que constam dos autos, incluindo na base de cálculo todas as receitas operacionais e excluindo as receitas financeiras, estranhas ao conceito de faturamento, temos a seguinte apuração: 20. Comparando o PIS apurada na diligência com o valor do DARF apontado no PER nº 42463.61681.221205.1.2.04 Fl. 370DF CARF MF Processo nº 10850.908399/201182 Acórdão n.º 3201005.331 S3C2T1 Fl. 371 7 0904, aqui em análise, e tendo em vista que o reconhecimento do crédito se limita ao valor pedido pelo contribuinte, concluo pelo RECONHECIMENTO PARCIAL do direito creditório no valor de R$ 259,25, referente ao PIS do período de apuração de Mar/01." Considerando que foi declarada a inconstitucionalidade da base de cálculo do §1, do Art. 3.º, da Lei 9.718/98, que alargou a base de cálculo das contribuições, conforme julgamentos dos Recursos Extraordinários STF 346.084 (DJ 01/09/2006 Rel p/ acórdão Min. Marco Aurélio), 357.950, 358.273 e 390.840 (todos DJ 15.08.06 Rel. Min. Marco Aurélio), o conceito de receita bruta não tem mais valia., foi superado e, conforme Art. 62 do Regimento interno deste Conselho, o reconhecimento (e não decretação) de sua inconstitucionalidade é obrigatório neste Conselho. Portanto, receitas financeiras realmente não configuram faturamento e todos os pagamentos indevidos sobre tais receitas devem ser reconhecidos como tais. A presente lide, contudo, permaneceu sobre algumas linhas contábeis, conforme trecho da Informação Fiscal reproduzido acima. Em Manifestação à Informação Fiscal o contribuinte alegou que as linhas contábeis, objeto de resolução (ressarcimento de despesas legais judiciais, multas, recuperação de despesas), não configuram faturamento. O contribuinte juntou documentos e registros contábeis de fls 335 e seguintes (memória de cálculo, balancete, contrato de consórcios e apuração), o que é suficiente para concluir que não são receitas operacionais. Como já mencionado, a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou a base de cálculo do PIS e COFINS, foi reconhecida pelo STF no julgamento dos RE nº 585.235, na sistemática da repercussão geral (leading cases RE n.º 357.9509/ RS, 390.8405/ MG, 358.2739/ RS e 346.0846/ PR) e deve ser aplicada, de forma que as receitas não operacionais da Contribuinte não integram a base de cálculo da contribuição, pois não são receitas e não integram o conceito legal, aplicável e vigente de faturamento. Como registrado nos leading cases, "faturamento corresponde à receita das vendas de mercadorias, de serviços ou de mercadoria e serviços". Faturamento tem conceito definido pelo STF e, no caso em concreto, "receitas" não operacionais não são receitas ligadas ao faturamento advindo da prestação de serviços ou venda de bens, conforme definido no STF. Contudo, ao analisar os documentos, contabilidade e escrita fiscal presente nos autos, é possível verificar que existem linhas contábeis que não foram analisadas pela mencionada diligência, ou seja, a lide não se limita ao resultado da diligência. Logo, o recurso merece provimento parcial, considerando os moldes propostos na informação fiscal de fls, mas também merece provimento nas demais linhas contábeis, exceto as seguintes: "7173500501 TAXA DE ADMINISTRAÇÃO 7173500502 TAXA DE INSCRIÇÃO 7173500502 TAXA DE ADMINISTRAÇÃO Fl. 371DF CARF MF Processo nº 10850.908399/201182 Acórdão n.º 3201005.331 S3C2T1 Fl. 372 8 LEI 10.8337173500505 TAXA DE ADMINISTRAÇÃO LEI 10.833." Em observação ao princípio da verdade material, que tem aplicação no processo administrativo fiscal, é igualmente importante observar que estas taxas de administração e inscrição devem ser cobradas inclusive se estiverem incluídas dentro da conta 7399900705 “outras resultados financeiros”. Tais taxas representam receitas operacionais e, além disto, não foram suficientemente rebatidas pelo contribuinte em suas argumentações. Diante do exposto, votase para que seja DADO PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para: a) excluir da base de cálculo das Contribuições para PIS/Cofins (i) as receitas estranhas ao conceito de faturamento, acatandose a informação da diligência fiscal, e (ii) as receitas relativas às contas "7193000602", "7193000606", e "7193000603"; b) incluir na base de cálculo das referidas Contribuições as receitas decorrentes de taxa de administração, inscrição e manutenção ainda que contabilizadas na conta 7399900705. Voto proferido. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 372DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.724923/2010-82
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 09/12/2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. CABIMENTO.
Embora não se identificando a alegada omissão, acolhem-se os Embargos Declaratórios, sem efeitos infringentes, para sanar obscuridade do acórdão quanto à motivação da negativa de provimento em relação ao PLR.
Numero da decisão: 9202-007.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando a obscuridade verificada no Acórdão nº 9202-007.144, de 29/08/2018, sem efeitos infringentes, esclarecer a motivação da negativa de provimento no caso da PLR.
Assinado digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício).
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 09/12/2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. CABIMENTO. Embora não se identificando a alegada omissão, acolhem-se os Embargos Declaratórios, sem efeitos infringentes, para sanar obscuridade do acórdão quanto à motivação da negativa de provimento em relação ao PLR.
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nome_relator_s : PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando a obscuridade verificada no Acórdão nº 9202-007.144, de 29/08/2018, sem efeitos infringentes, esclarecer a motivação da negativa de provimento no caso da PLR. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1560; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10680.724923/201082 Recurso nº Embargos Acórdão nº 9202007.781 – 2ª Turma Sessão de 23 de abril de 2019 Matéria Embargos de Declaração Embargante CEMIG DISTRIBUIÇÃO S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 09/12/2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. CABIMENTO. Embora não se identificando a alegada omissão, acolhemse os Embargos Declaratórios, sem efeitos infringentes, para sanar obscuridade do acórdão quanto à motivação da negativa de provimento em relação ao PLR. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração para, sanando a obscuridade verificada no Acórdão nº 9202 007.144, de 29/08/2018, sem efeitos infringentes, esclarecer a motivação da negativa de provimento no caso da PLR. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Miriam Denise Xavier (suplente convocada), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 49 23 /2 01 0- 82 Fl. 548DF CARF MF 2 Relatório Cuidase de Embargos de Declaração interpostos pela contribuinte em face do Acórdão nº 9202007.141, proferido na Sessão de 29 de agosto de 2018, conheceu e negou provimento de Recurso Especial interposto pela contribuinte, e conheceu e deu provimento a Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, nos seguintes temos: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento parcial. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. A Embargante apontou suposta omissão do Acórdão, o qual não teria se aprofundado no exame da matéria, relativamente ao PLR. Após transcrever fragmento do voto condutor do julgado, afirma a Embargante: Constatase, pois, que os Julgadores não se aprofundaram no exame da matéria, afirmando taxativamente, mas sem justificar, que o PLR da Recorrente “não atende aos requisitos da lei”! Contestando os fundamento do Acórdão vergastado, afirma que, “demonstrou exaustivamente que os instrumentos de negociação coletiva em questão possuem regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas. Vale citar o seguinte trecho do Recurso Especial que deixou de ser apreciado.” Em exame preliminar de admissibilidade, a Senhora Presidente da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais acolheu os embargos e determinou a inclusão do processo em pauta. Concluiuse no Despacho que: Com efeito, em que pese tenha incluído os termos da autuação e da decisão recorrida, esclarecido o escopo do recurso e a legislação pertinente à matéria, o acórdão embargado não externa as razões pelas quais o acordo de PLR, no caso concreto, não teria cumprido a Lei nº 10.101, de 2000. Assim, os argumentos da Embargante estão a demonstrar que efetivamente não houve um enfrentamento objetivo da questão pelo acórdão embargado, o que demanda reapreciação pela Instância Especial. É o relatório. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 549DF CARF MF Processo nº 10680.724923/201082 Acórdão n.º 9202007.781 CSRFT2 Fl. 3 3 Os embargos foram interpostos tempestivamente. Quanto aos demais pressupostos de admissibilidade, examino detidamente a questão. Verifico, de plano, que, apesar de apontar suposta omissão do acórdão recorrido, a Embargante pretende reabrir a discussão sobre o mérito da questão decidida, a saber, se o PLR atendeu ou não os requisitos da Lei nº 11.101, de 2000 quanto à definição das regras claras. A matéria, todavia, foi enfrentada no acórdão embargado, senão vejamos. O voto condutor do julgado começa por descrever minuciosamente o fundamento da autuação, no ponto, conforme o seguinte trecho: Segundo a autoridade lançadora nos referidos acordos estavam ausentes condições estabelecidas pela Lei nº 10.101/2000, que regula a matéria. Os ACTs foram realizados e assinados no mês de novembro de cada ano, ou seja, Acordo 2004/2005 assinado em 17 de novembro de 2004 (com pagamento da PLR em março/2005), acordo 2005/2006 assinado em 1º de novembro de 2005 (com pagamento da PRE em novembro e dezembro/2005 e PLR em março/2006) e Acordo 2006/2007 assinado em 30 de novembro de 2006 (com pagamento da PRE em dezembro/2006), o que implica na inexistência do estabelecimento prévio de “programas de metas, resultados e prazos”; que os referidos acordos, com relação ao pagamento da PLR, foram estabelecidos apenas para estipular valores e critérios para pagamento da mesma, ficando claro que estes pagamentos ou créditos não tinham qualquer pretensão ou objetivo de incentivar os trabalhadores a alcançar ganhos de produtividade no ano a que se referiam, visto que o mesmo já havia transcorrido; que no presente caso, a rubrica PLR poderia ser caracterizada como qualquer outra rubrica componente da remuneração dos segurados empregados, integrando o saláriodecontribuição para todos os fins e efeitos; que o valor a ser distribuído a cada trabalhador é composto de duas parcelas: a) parcela fixa, correspondente a 50% do valor a ser distribuído, dividido pelo número de empregados; b) Parcela variável, correspondente a 50% do valor a ser distribuído, multiplicado pelo salário base do empregado em dezembro de cada ano, dividido pelo total da folha de salários base de dezembro de cada ano. Na sequência, explicita a posição esposada pelo Acórdão de Recurso Voluntário. Confirase: Decidiu o acórdão recorrido, em síntese, que os acordos não estipulavam qualquer objetivo extraordinário não habitual a servir de parâmetro de perseguição pelos trabalhadores, tampouco informavam como se daria a aferição dos resultados alcançados, limitandose a estipular que a participação corresponderia a 3% do Resultado Operacional da Cemig; que inexiste, igualmente, nos planos de PLR qualquer animus de incentivo à produtividade ou de dedicação de excelência, superior à habitual, por parte dos trabalhadores, na medida em que tal comprometimento pessoal com os resultados da empresa é irrelevante para o cálculo do ganho que cada trabalhador irá auferir; que a única regra existente que vincula a quota que Fl. 550DF CARF MF 4 cada um irá receber tem relação direta com a fração do ano que cada trabalhador esteve vinculado à empresa; que se trabalhou o ano inteiro, recebe o benefício integral, se trabalhou 03 meses, recebe 25% do valor do benefício, e assim por diante. E concluiu que tais condições contrariam o disposto no §1° do artigo 2° da Lei 10.101/2000, ao não fixar regras claras e objetivas quanto à fixação dos princípios, critérios e condições para o efetivo pagamento da participação nos lucros ou resultados, inclusive os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado e que, nessas condições, as participações nos lucros correspondem, em verdade, a um complemento salarial, sendo correta a exigência das contribuições previdenciárias sobre essas verbas. Em seguida, resume a posição defendida pela contribuinte: A Contribuinte, por sua vez, sustenta a denecessidade do estabelecimento de metas ou resultados; sustenta que a lei não determina que os critérios e condições a serem estabelecidos devam ser, obrigatoriamente, o estabelecimento de metas ou resultados. Então, se delimita a matéria em litígio: O cerne da questão a ser decidida, portanto, é se, nas condições específica do caso, atendeuse ou não às condições legalmente estabelecidas para a caracterização da distribuição de lucros e resultados e a sua exclusão do conceito de saláriodecontribuição. E após extensa análise da legislação aplicável, concluiuse que foram descumpridos na espécie os requisitos legais para a exclusão dos pagamento a título de PLR da base de cálculo da Contribuição. Vejamos: Dessa forma, em relação ao PLR, entendo que restaram descumpridos os requisitos legais, razão pela qual nego provimento ao recurso também nesta parte. É forçoso reconhecer, todavia, que o Acórdão Recorrido poderia ter sido mais claro ao explicitar em que aspecto o PLR descumpriu a norma, embora esse aspecto esteja o tempo todo implícito no voto. Tratase da ausência de regras claras e objetivas quanto à fixação dos princípios, critérios e condições para o efetivo pagamento da participação nos lucros ou resultados, inclusive os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, pois foi este o ponto apontado da autuação, foi o fato apontado no Acórdão de Recurso Voluntário e foi o ponto contra o qual se insurgiu expressamente a Contribuinte no Recurso Especial, e essas posições foram confrontadas no voto condutor do julgado. Assim, embora não se verifique a alegada omissão, acolho os embargos, sem efeitos infringentes, reconhecendo obscuridade no acórdão recorrido quanto à explicitação do aspecto do PLR em desacordo com a Lei nº 10.101, de 2000, apenas para explicitar que tal aspecto é a falta de regras claras e objetivas quanto à fixação dos princípios, critérios e condições para o efetivo pagamento da participação nos lucros ou resultados, inclusive os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado. Assinado digitalmente Fl. 551DF CARF MF Processo nº 10680.724923/201082 Acórdão n.º 9202007.781 CSRFT2 Fl. 4 5 Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Fl. 552DF CARF MF
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Numero do processo: 13830.900306/2011-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
ERRO DE FATO. DÉBITO DECLARADO EM DCTF. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO.
Incumbe ao sujeito passivo o ônus de comprovar com a escrita comercial e fiscal que incorreu em erro de fato ao declarar o débito de CSLL na DCTF.
Sem a comprovação de que o débito é inferior ao declarado originalmente, o crédito decorrente de pagamento a maior ou indevido carece de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 1401-003.482
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Soares Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente).
Nome do relator: CARLOS ANDRE SOARES NOGUEIRA
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DÉBITO DECLARADO EM DCTF. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. Incumbe ao sujeito passivo o ônus de comprovar com a escrita comercial e fiscal que incorreu em erro de fato ao declarar o débito de CSLL na DCTF. Sem a comprovação de que o débito é inferior ao declarado originalmente, o crédito decorrente de pagamento a maior ou indevido carece de liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 03 06 /2 01 1- 06 Fl. 84DF CARF MF 2 Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente). Relatório Trata o presente processo do Pedido de Restituição/Ressarcimento (PER) nº 39330.18792.130409.1.7.049770, transmitido pela contribuinte em 13/04/2009, por meio do qual pede a repetição de indébito de pagamento indevido ou a maior de IRPJ (código 2089) apurado em 31/12/2006 no valor original de R$ 219.978,51. Este valor seria composto pelo imposto (principal) no valor de R$ 167.704,90 mais multa (R$ 33.540,98) e juros (R$ 18.732,63). Na Declaração de Compensação (DComp) correspondente ao PER acima mencionado, parte do crédito original (R$ 214.320,45) foi utilizada para a extinção do débito de IRPJ (código 2456) devido no ajuste anual do lucro real de 2007 no valor de R$ 219.978,51. No Despacho Decisório nº 916051146, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Marília apurou que havia um débito de IRPJ (código 2089) do período de apuração encerrado em 31/12/2006 no valor de R$ 91.136,87 (valor atualizado). Assim, utilizou parte do DARF de R$ 219.978,51 para satisfazer o débito em aberto e apurou um saldo disponível original de pagamento indevido ou a maior de R$ 128.841,64 (R$ 219.978,51 R$ 91.136,87). Dessa apuração resultou a homologação parcial da compensação declarada, restando um débito de R$ 77.959,36, em valor original, mais multa e juros. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade por meio da qual alegou, que Com fundamento nas alegações acima, a contribuinte pediu a alocação do DARF no valor de R$ 83.852,45 para liquidação do débito IRPJ de 12/2006 (valor original de R$ 69.479,97). Com esse procedimento, passaria a estar disponível o montante integral do Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13830.900306/201106 Acórdão n.º 1401003.482 S1C4T1 Fl. 85 3 DARF objeto do PER/DComp nº 39330.18792.130409.1.7.049770, no valor de R$ 219.978,51. Este valor seria suficiente para a compensação declarada. Ao fim, pediu a homologação da declaração. A primeira instância administrativa julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/01/2008 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A decisão da DRJ baseouse em dois pontos principais. Primeiro, não teria ocorrido a vinculação do citado pagamento de R$ 83.852,45 ao débito de IRPJ declarado na DCTF retificadora. Segundo, a contribuinte não teria trazido aos autos elementos de prova que comprovassem o erro de fato na DCTF original que justificasse a redução do débito de IRPJ do período encerrado em 31/12/2006 de R$ 251.557,35 para R$ 69.479,98. Em relação à vinculação do pagamento de R$ 83.852,45 ao débito de IRPJ declarado na DCTF retificadora, a DRF/Marília informou que Atendendo ao pedido do contribuinte, realizamos a desalocação da parte do pagamento glosado pelo SCC e a alocação dos pagamentos efetuados em 31/01/2007, 28/02/2007 e 30/03/2007, que foram suficientes para liquidar o débito do IRPJ do 4.º trimestre de 2006 (fls. 82). Como resultado da realocação de pagamentos, encontrase atualmente disponível o valor de R$ 91.136,87 do Darf recolhido em 31/01/2008, código 2089, valor total do Darf R$ 219.978,51 (extratos às fls. 80/81), que havia sido glosado anteriormente pelo SCC. Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário por meio do qual reeditou as alegações da manifestação de inconformidade. Especificamente em relação à Fl. 86DF CARF MF 4 vinculação do pagamento ao débito declarado na DCTF retificadora, a contribuinte acrescentou: Para dar suporte às alegações, a contribuinte apresentou cópias de algumas folhas da escrita contábil: (i) do Livro Diário de 01/01/2007 a 28/02/2007; (ii) do Livro Diário de 01/03/2007 a 31/05/2007; (iii) do Livro Razão da conta IRPJ a Recolher de 01/2007 e 12/2007; (iv) do Livro Razão da conta IRPJ pgto a maior de 01, 02, 03 e 12/2007; (v) do Livro Razão da conta IRPJ pgto a maior de 01/2008 e 12/2008. Em síntese, era o que havia a relatar. Voto Conselheiro Carlos André Soares Nogueira, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos legais. Dele, tomo conhecimento. Como se pode observar no relatório acima, a autoridade julgadora de primeira instância baseou o julgamento de improcedência da manifestação de inconformidade em dois pontos: (i) a falta de vinculação do pagamento de R$ 83.852,45 ao débito declarado na DCTF retficadora, conforme alegado pelo contribuinte e (ii) a falta de comprovação do erro de fato que teria sido cometido na DCTF original, que redundou na retificação do débito de IRPJ do período encerrado em 31/12/2006 de R$ 251.557,35 para R$ 69.479,98. Conforme observado pela DRJ, a competência para a alocação de pagamentos em relação aos débitos da contribuinte é exclusiva da unidade da RFB local. E, segundo o despacho de fls 83, a DRF/Marília exerceu essa competência desalocando parte do pagamento de R$ 219.978,51 e alocando os pagamentos efetuados pela contribuinte em 31/01/2007, 28/02/2007 e 30/03/2007. Os pagamentos alocados seriam, então, suficientes para satisfazer o débito de IRPJ de 31/12/2006 declarado na DCTF retificadora. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 13830.900306/201106 Acórdão n.º 1401003.482 S1C4T1 Fl. 86 5 Contudo, resta a questão da comprovação do erro de fato na DCTF original. Afinal, a contribuinte declarou originalmente um débito de R$ 251.557,35, que, posteriormente, foi reduzido para R$ 69.479,98 (em valor original). A questão posta na espécie é a desconstituição de débito declarado por meio de DCTF, que requer a comprovação de qual é o débito condizente com a verdade material. Em outras palavras, se o contribuinte equivocouse na DCTF e declarou débitos maiores do que os devidos, deve comprovar o erro e qual o montante efetivamente devido. É preciso lembrar que, de acordo com artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, o contribuinte deve apresentar na impugnação "os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir". No mesmo sentido, o artigo 373, I, do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, determina que incumbe ao autor o ônus da prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Entretanto, a contribuinte não logrou fazer tal prova. Apresentou tãosomente parcas cópias de Livros Diário e Razão de 2007 e 2008. Os lançamentos contábeis apresentados não têm relação com a apuração da base de cálculo do IRPJ de 2006. A contribuinte deveria ter trazido, por exemplo, a Demonstração do Resultado do Exercício de 2006, o Razão integral das contas de receitas e ganhos que compõem a base de cálculo do IRPJ de 2006. Neste sentido, é recorrente o posicionamento deste Conselho, conforme se pode observar nos seguintes julgados: DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Acórdão nº 3201001.713, Rel. Cons. Daniel Mariz Gudiño, 3/1/2015) PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. DESPACHO DECISÓRIO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. ÔNUS DO SUJEITO PASSIVO. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. (Acórdão nº 3802002.345, Rel. Cons. Solon Sehn, Sessão de 29/01/2014) Fl. 88DF CARF MF 6 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (Acórdão nº 3302002.124, Rel. Cons. Alexandre Gomes, Sessão de 22/05/2013) Cumpre destacar que a autoridade julgadora de primeira instância já havia registrado de forma expressa a falta de comprovação da alegação de erro de fato no preenchimento da DCTF, conforme se pode verificar nos trechos abaixo: Em segundo lugar, como já noticiado no parágrafo acima, o contribuinte havia informado anteriormente em DCTF, entregue em 18/02/2008, que seu débito, a título de IRPJ (código de receita: 2089) do 4º trimestre de 2006, seria de R$ 251.557,35, e, sem trazer aos autos nenhuma justificativa ou prova, pretende que o indébito fiscal se exteriorize tão somente com os dados declarados em sua DCTFretificadora, o que certamente não é possível admitir. Isso porque o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a apuração da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, verificando se a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. [...] No presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou qualquer documentação com esta intenção, limitandose a tão=somente apresentar a Declaração retificadora (DCTF), na qual se destaca o novo valor declarado. Nesse sentido, tal qual o pagamento de tributos e contribuições, que necessita, para convalidar o recolhimento efetuado, de uma série de atos do sujeito passivo, como manter escrituração contábil, baseada em documentos hábeis e idôneos, e a partir desta documentação determinar o tributo devido e recolher o correspondente valor, a restituição também almeja, para materializar o indébito, atividade semelhante. Por tais razões, quando a contribuinte apresenta uma Declaração de Compensação, deve, necessariamente, demonstrar um crédito tributário a seu favor, para extinguir um débito tributário constituído em seu nome, de forma que o reconhecimento do indébito tributário deve ser o fundamento fático e jurídico de qualquer declaração de compensação. grifei. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13830.900306/201106 Acórdão n.º 1401003.482 S1C4T1 Fl. 87 7 Uma vez que a contribuinte não trouxe aos autos elementos mínimos de prova de que teria havido um erro de fato no valor do débito declarado em DCTF, carece de liquidez e certeza o crédito de pagamento a maior ou indevido de IRPJ. Assim, é de se negar provimento ao recurso voluntário. Conclusão. Voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira Relator Fl. 90DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.901050/2010-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR DE IPI.
O ressarcimento de créditos de IPI se restringe ao montante não utilizado na escrita para compensação com débitos havidos nos períodos posteriores ao da apuração.
Numero da decisão: 3401-005.937
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR DE IPI. O ressarcimento de créditos de IPI se restringe ao montante não utilizado na escrita para compensação com débitos havidos nos períodos posteriores ao da apuração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. . Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 10 50 /2 01 0- 60 Fl. 4261DF CARF MF Processo nº 11080.901050/201060 Acórdão n.º 3401005.937 S3C4T1 Fl. 4.262 2 1. Tratase do despacho decisório nº 1.335/2011, situado à fl. 3.243, , proferido com base na Informação Fiscal SEFIS/DRF/POA de 26/08/2010 (fl. 3.232) e no Termo de Constatação Fiscal de 21/07/2010 (fls. 3.221 a 3.227), que resultaram da diligência efetuada para apuração da legitimidade do pedido objeto do presente processo, e também do pedido relativo ao 2º trimestre de 2007, objeto do processo administrativo nº 11080.901051/201012, e que reconheceu parcialmente o direito creditório referente ao saldo credor do IPI do 1º trimestre de 2007, pleiteado através do PER/DCOMP 12203.93919.281207.1.1.018956, transmitido em 28 de dezembro de 2007 e homologou parcialmente as compensações a ele vinculadas, declaradas nos seguintes PER/DCOMPs: 30495.04035.281207.1.3.010657, 32852.07322.310108.1.3.016910 e 42690.34459.300408.1.3.016393. 2. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, situada às fls. 3255 a 3261, na qual argumentou, em síntese, que: (i) os pagamentos realizados teriam sido suficientes para quitar os débitos; (ii) a autoridade fiscal aceitou o pagamento dos débitos de IPI reconhecidos através da denúncia espontânea com a utilização do saldo credor existente à época da denúncia e complementado através dos recolhimentos efetuado via DARF pela empresa, sendo indevida a oposição do Fisco aos créditos objeto do PER nº 12203.93919.281207.1.1.018956; (iii) requer o reconhecimento integral do direito creditório e a homologação das compensações declaradas, bem como a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e a não inscrição em dívida ativa, além da produção de todos os meios de prova em direito admitidas, em especial a juntada de novos documentos eventualmente necessários à comprovação do direito. 3. Em 12/07/2012, a 03ª Turma da Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) proferiu o Acórdão DRJ nº 1039.637, situado às fls. 4.187 a 4.193, de relatoria da AuditoraFiscal Carla Regina Maia, que entendeu, por unanimidade de votos, declarar definitivas as glosas não contestadas, e julgar improcedente a manifestação de inconformidade, declarando definitivo o Despacho Decisório de fl. 3.243 improcedente a manifestação de inconformidade, indeferindo o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 GLOSAS NÃO CONTESTADAS. Tornamse definitivas as glosas não contestadas. RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR DE IPI. Em decorrência do princípio da nãocumulatividade do IPI, o ressarcimento de créditos restringese ao montante não utilizado na escrita para compensação com débitos do mesmo imposto, nos períodos posteriores ao da apuração. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Fl. 4262DF CARF MF Processo nº 11080.901050/201060 Acórdão n.º 3401005.937 S3C4T1 Fl. 4.263 3 4. A contribuinte foi intimada via postal em 31/08/2012, em conformidade com o aviso de recebimento situado à fl. 4.199 e, em 21/09/2012, interpôs recurso voluntário, situado às fls. 4.200 a 4.218, no qual reiterou as razões de sua manifestação de inconformidade. É o Relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator 5. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 6. Insurgese a recorrente contra a glosa de crédito objeto de pedidos de ressarcimento/compensação baseados no cálculo do saldo credor de IPI incidente na entradas de produtos revendidos, não destinados à industrialização, ocorridas entre janeiro e junho de 2007. 7. Em 28/12/2007, a contribuinte realizou a transmissão da PER em apreço informando o encerramento do primeiro trimestre de 2007 com saldo credor de R$ 15.052.253,62 em seu RAIPI, valor estornado da escrita contábil em dezembro do ano em referência, tendo sido reconstituído o seu registro de apuração nos seguintes termos: Fl. 4263DF CARF MF Processo nº 11080.901050/201060 Acórdão n.º 3401005.937 S3C4T1 Fl. 4.264 4 8. Ao encerrar o segundo trimestre de 2007, por seu turno, constatou saldo credor de R$ 8.858.494,81, o que motivou segundo PER, transmitido em abril de 2008, bem como o correspondente estorno realizado em abril de 2008. Em seguida, a contribuinte verificou que o cálculo houvera sido realizado com erros, o que a levou a retificar o valor do saldo constante do PEROriginal para R$ 4.879.313,43, constante do PERRetificador. Contudo, em que pese a retificação em referência, o estorno registrado em seu RAIPI para fins de ressarcimento remanesceu no valor originário de R$ 8.858.494,81. 9. Por fim, em 12/03/2010, a contribuinte: (i) realizou procedimento de denúncia espontânea reconhecendo falta de destaque de IPI em revendas de produtos importados, vindo a realizar retificação do RAIPI para reduzir o estorno do crédito do 2º trimestre de 2007 para o valor de R$ 4.879.313,43; (ii) estornou créditos indevidamente apurados entre dezembro de 2005 e junho de 2007, o que implicou a edição de seu crédito em contas gráficas no montante de R$ 274.746,65; (iii) procedeu à correção de erro de transposição a menor de saldo credor de dezembro/2005 para janeiro/2006, o que implicou aumento de seu crédito escritural no valor de R$ 29.863,30; e (iv) declarou débitos de revendas de produtos importados. No cotejo de débitos objeto de denúncia espontânea com os créditos escriturais, sobejou débito de R$ 1.260.257,73, extinto por meio de recolhimento de guia DARF. A contribuinte realizou a seguinte síntese do quadro fático ora descrito: 10. Entendeu, no entanto, a autoridade fiscal, que a contribuinte deveria, no curso de seu procedimento, ter procedido à redução do valor do crédito nos PERs correspondentes e, em contrapartida, ter realizado a transmissão de novo PER para os saldos credores acumulados em outros trimestrescalendários, nos seguintes termos, em conformidade com o termo de constatação fiscal em trecho situado à fl. 3.225: Fl. 4264DF CARF MF Processo nº 11080.901050/201060 Acórdão n.º 3401005.937 S3C4T1 Fl. 4.265 5 11. De fato, como se reconhece no termo de constatação, inexiste falta de recolhimento de IPI, não tendo sido aplicada a multa de ofício sobre débitos decorrentes da falta de destaque de IPI nas saídas de produtos importados ocorridas nos períodos posteriores a junho de 2005. 12. No entanto, ao comparar os valores do saldo credor acumulado constantes no Demonstrativo de Apuração dos Saldos Credores de IPI passíveis de ressarcimento e nos demonstrativos anexos à denúncia espontânea elaborados pela contribuinte, concluiu a autoridade fiscal pela falta do valor referente a R$ 185.267,94 relativo aos créditos indevidos que haviam sido apontados pela própria recorrente no curso da verificação fiscal, bem como o valor de R$ 1.315,67, considerado indevido pela fiscalização, em conformidade com a planilha a seguir: 13. Assim, a diferença de R$ 147.176,27 no valor do saldo credor acumulado em março de 2007 corresponde ao somatório de R$ 1.315,67 com os créditos indevidos de R$ 51.992,06, R$ 54.334,53 e R$ 39.534,01 referentes aos meses de janeiro, fevereiro e março de 2007, respectivamente. De fato, como corretamente aponta a decisão recorrida neste particular, considerando não ter havido contestação respeitante à inclusão do valor de R$ 1.315,67 e que os créditos indevidos foram apontados pela própria contribuinte no curso da auditoria fiscal, há que se considerar que a correta apuração do saldo credor acumulado no 1º trimestre de 2007 é a que foi feita no Demonstrativo de Apuração dos Saldos Credores de IPI Passíveis de Ressarcimento. Todavia, o valor solicitado, embora inferior aos R$ 18.158.822,94, não pode ser reconhecido, porque foi utilizado na compensação com débitos do mesmo imposto nos períodos Fl. 4265DF CARF MF Processo nº 11080.901050/201060 Acórdão n.º 3401005.937 S3C4T1 Fl. 4.266 6 subseqüentes, antes da apresentação do PER/DCOMP, fato que foi constatado pelo agente fiscal ao refazer a escrita, e que também foi informado pelo contribuinte nos demonstrativos que acompanham a denúncia espontânea, onde está retratada a evolução do saldo credor até junho de 2007, como segue: Ou seja, parte do saldo credor existente em março de 2007 foi utilizado para compensação com débitos do IPI em abril e maio de 2007, quando chegou aos R$ 10.494.794,02. Em junho, tendo em vista que os créditos superaram os débitos do mês, o saldo credor acumulado voltou a se elevar, chegando aos R$ 15.079.136,50. Observase que o valor deferido neste processo (R$ 10.316.290,72),corresponde aos R$ 10.494.794,02 apurados no final de maio de 2007, ajustados pela exclusão de R$ 1.315,67 e dos créditos indevidos relativos aos meses de janeiro a maio, no valor de R$ 178.503,30, que foram incorretamente desconsiderados pelo contribuinte em seus cálculos, como já explicitado anteriormente. E mais, somando o valor reconhecido neste processo com o deferido no processo 11080.901051/201012 (R$ 4.576.265,20), relativo ao 2º trimestre de 2007, e feitos os ajustes pertinentes à não exclusão do valor de R$ 1.315,67 e do montante de R$ 185.264,94 referente aos créditos indevidos até junho de 2007, temse R$ 15.079.136,53 que coincide com o saldo credor acumulado de janeiro a junho de 2007, segundo o cálculo do próprio contribuinte, e que consta no anexo à denúncia espontânea. Dessa forma, como o contribuinte não contestou as exclusões praticadas e considerando que os demais valores foram computados com base na denúncia espontânea, coincidindo o montante do saldo credor acumulado apurado nos trimestres em referência que nela consta, feitos os ajustes não contestados, conforme referido, há que se considerar definitivo o despacho decisório. Por fim, cumpre referir os efeitos da denúncia efetivada com relação às situações ocorridas neste processo. Diz o art. 486, inciso I, do RIPI/2002 o seguinte: “Art. 486. Não serão aplicadas penalidades: I. aos que, antes de qualquer procedimento fiscal, anotarem, no livro Registro de Utilização de Documentos Fiscais e Termos de Ocorrência, Fl. 4266DF CARF MF Processo nº 11080.901050/201060 Acórdão n.º 3401005.937 S3C4T1 Fl. 4.267 7 modelo 6, e comunicar ao órgão de jurisdição qualquer irregularidade ou falta praticada, ressalvadas as hipóteses previstas nos arts. 469, 470, 472, parágrafo único, inciso I, 490 e 513 (Lei nº 4.502, de 1964, art. 76, inciso I); e.............................................” 14. Assim, diferente do que parece ter compreendido a contribuinte em suas razões recursais, as irregularidades apontadas na denúncia espontânea dizem respeito especificamente à incorreta escrituração do IPI, com o aproveitamento de créditos indevidos, estornos incorretos de créditos e falta de destaque do IPI nas saídas de produtos importados e revendidos. Neste sentido, correta a conclusão da decisão de primeiro piso, pois: A hipótese de que se trata neste processo compensação parcial de débitos de IRPJ e CSL com créditos indevidos de IPI não se encontra nessa previsão. Todavia, houve repercussão do procedimento espontâneo em relação à multa exigível pela falta de destaque do IPI incidente nas em saídas de mercadorias importadas, com fundamento no art. 488, inc. I, do RIPI/2002, que não foi lançada. Quanto à solicitação de suspensão da exigibilidade dos débitos não compensados, observase que tal efeito está assegurado pela interposição de manifestação de inconformidade tempestiva, nos termos do art. 151, inc. III, do Código Tributário Nacional. Quanto ao pedido genérico de produção de provas, ressaltase que não merece acolhida, pois o processo contém todos os elementos necessários ao seu deslinde. Diante do exposto, voto no sentido de declarar definitivas as glosas não contestadas, e julgar improcedente a manifestação de inconformidade, declarando definitivo o Despacho Decisório de fl. 3.243. 15. Assim, com base nestes fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 4267DF CARF MF Processo nº 11080.901050/201060 Acórdão n.º 3401005.937 S3C4T1 Fl. 4.268 8 Fl. 4268DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.912516/2009-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84.
O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido a titulo de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo.
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADO. COMPETÊNCIA DA UNIDADE DE ORIGEM.
Reconhece-se a possibilidade de se compensar indébito de estimativa mensal das pessoas jurídicas que apuram imposto de renda pelo lucro real, mas sem homologar a compensação, para não suprimir a competência da Unidade de Origem no que concerne à análise do direito creditório.
Numero da decisão: 1301-003.860
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise as demais questões de mérito do direito creditório requerido e emita despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº10680.913407/2009-97, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(Assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2006 RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84. O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido a titulo de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADO. COMPETÊNCIA DA UNIDADE DE ORIGEM. Reconhece-se a possibilidade de se compensar indébito de estimativa mensal das pessoas jurídicas que apuram imposto de renda pelo lucro real, mas sem homologar a compensação, para não suprimir a competência da Unidade de Origem no que concerne à análise do direito creditório.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise as demais questões de mérito do direito creditório requerido e emita despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº10680.913407/2009-97, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2122; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.912516/200997 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301003.860 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de abril de 2019 Matéria DCOMP DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente REFRIGERANTE MINAS GERAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84. O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido a titulo de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADO. COMPETÊNCIA DA UNIDADE DE ORIGEM. Reconhecese a possibilidade de se compensar indébito de estimativa mensal das pessoas jurídicas que apuram imposto de renda pelo lucro real, mas sem homologar a compensação, para não suprimir a competência da Unidade de Origem no que concerne à análise do direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise as demais questões de mérito do direito creditório requerido e emita despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto da relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº10680.913407/2009 97, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 25 16 /2 00 9- 97 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10680.912516/200997 Acórdão n.º 1301003.860 S1C3T1 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Compensação protocolado através de DCOMP, que pleiteia compensação de crédito oriundo de estimativa mensal. O pedido de compensação foi indeferido através de Despacho Decisório Eletrônico, sob o argumento de que o crédito informado no PER/DCOMP, por tratar se de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, somente poderia ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Da Manifestaçã de Inconformidade A empresa apresentou manifestação de inconformidade, onde alegou: primeiramente, o impugnante deu destaque à fundamentação legal; no que tange aos dispositivos do CTN, vêse que se limitam a garantir ao contribuinte o direito de haver a restituição do tributo que houver recolhido a maior, direito este que a requerente exerceu por meio da apresentação da DCOMP originária da decisão ora contestada; passandose ao exame da Lei nº 9.430, de 1996, art.74, vêse que o aspecto a que se refere o despacho e que embasou o indeferimento da compensação realizada pela requerente é o inciso IX do § 3°, que só veio a ser incluído na lei pela MP 449/08; a compensação realizada pela requerente ocorreu à época em que não havia lei alguma impedindo a prática pelas pessoas jurídicas da compensação mensal entre débitos e créditos resultantes da aplicação do regime de estimativa; claramente impossível, portanto, a aplicação retroativa ao ano em questão da MP 449/08, a teor dos arts. 105 e 106 do CTN; quanto ao art. 10 da IN/SRF 600/05, sustenta a requerente que, de acordo com o art. 97 do CTN e a própria Constituição Federal, somente lei formal poderá criar obrigações tributárias, ou limitações ao exercício de direito pelos contribuintes. Instruções Normativas são meras normas Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10680.912516/200997 Acórdão n.º 1301003.860 S1C3T1 Fl. 4 3 complementares às leis, não podendo estabelecer imposições ou óbices de natureza tributária não previstos em lei. embora o despacho decisório nada tenha oposto à forma regular com que se operou a compensação, não a tendo homologado exclusivamente com base na tese da impossibilidade de realizações mensais, quer a requerente basearse na jurisprudência do Conselho de Contribuintes que sempre admitiu esta periodicidade; vale lembrar que a determinação da MP 449, que deu origem ao citado inciso IX do § 3o do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, não foi acolhida pelo Projeto de Lei de Conversão n°2/09, já remetido à sanção presidencial pela Mensagem 25/09, de 12/05/09. Portanto, além de não poder retroagir à data em que se deu a compensação objeto deste litígio, o dispositivo trazido à luz pela MP 449/09 perderá, necessariamente, a eficácia, quer pela sanção do PL de Conversão, quer pelo decurso do prazo, caso seja o referido PL vetado; na conclusão, destacou a manifestante que a legislação indicada pelo despacho decisório ora atacado, ou não é aplicável à hipótese sob exame, ou é posterior à compensação realizada pelo contribuinte, não lhe podendo, portanto, ser imposta, em face do princípio da irretroatividade das leis, em geral e, especialmente, das normas tributárias, excetuada a hipótese de retroatividade benigna; a mais, a imposição de comportamento tributário, por meio de Instrução Normativa, sem lei formal que lhe dê respaldo, não é admitida pela legislação tributária brasileira, desde a Constituição, passando pelo Código Tributário Nacional (art. 97); em consequência, espera e requer o contribuinte que seja a presente Manifestação de Inconformidade conhecida e provida, modificandose o Despacho Decisório para que seja homologada a compensação declarada. A DRJ julgou improcedente a manifestação sob o fundamento de que o crédito, a título de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal, somente pode ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo do período, de acordo com a norma vigente. Transcrevese ementa do acórdão da DRJ: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2007 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR ESTIMATIVA MENSAL De acordo com a norma vigente, a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda ou de Contribuição Social a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo do período. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10680.912516/200997 Acórdão n.º 1301003.860 S1C3T1 Fl. 5 4 Do Recurso Voluntário Em 14/12/2011, o contribuinte tomou ciência da decisão da DRJ, conforme Aviso de Recebimento dos Correios. Ainda inconformada, em 12/01/2012 a empresa apresentou Recurso Voluntário (fls. 5072), no qual: Declara que apura IRPJ e CSLL pelo lucro real e, recolhe os valores de estimativa mensal e que, mês a mês, levanta balencete, o qual transcreve em seu Livro Diário, e que evidencia os pagamentos excessivos realizados com base na estimativa; Acrescenta que nem o Despacho Decisório, nem o acórdão recorrido, discutem ou põem em dúvida o acerto dos excedentes compensados e que limitamse a justificar seu procedimento com base na IN SRF 460/2004 e IN SRF 600/2005 e no art. 74, inc. IX da Lei n.9.784/96; Em seguida, destaca que os limites da lide dizem respeito à questão de direito e reitera os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. Por fim, requer que seja reconhecido o direito à compensação pleiteada. É o relatório. Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.853, de 18/04/2019, proferido no julgamento do Processo nº10680.913407/200997, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.853): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Após ter seu pedido de compensação indeferido sob o fundamento de que pagamento a titulo de estimativa mensal, somente poderia ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devidos ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ/CSLL do período, a empresa apresentou manifestação de inconformidade reiterando seu direito à compensação de estimativas mensais. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ, e o contribuinte apresenta recurso voluntário onde reitera que em razão de pagamentos indevidos de estimativa mensal, Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10680.912516/200997 Acórdão n.º 1301003.860 S1C3T1 Fl. 6 5 conforme apuração em balancetes mensais, teria direito à compensação dos valores pagos em excesso. No presente processo, o pedido de compensação foi indeferido liminarmente através de Despacho Decisório Eletrônico, sob o fundamento de se tratar de pagamento de estimativa mensal. A Unidade de Origem sequer analisou o mérito do direito creditório, tampouco deu oportunidade ao contribuinte para apresentar documentos que comprovassem o recolhimento indevido a título de estimativa mensal. Há de se fazer a distinção entre compensação de pagamento de estimativa mensal devido e que deveria compor o saldo negativo ao final do anocalendário, daquele pagamento efetuado em valores superiores ao que a lei determina para fins de cálculo de estimativa mensal. Com efeito, entendo ser possível a compensação/restituição de recolhimento a título de estimativa mensal, desde que caracterizado o indébito, nos termos da Súmula CARF nº 84, in verbis: Súmula CARF nº 84:É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Todavia, para fins de homologação da DCOMP, fazse mister a apreciação do direito creditório, ou seja, a comprovação por parte do contribuinte de que o pagamento foi calculado e efetivado em valores acima daqueles prescritos em lei. Dessarte, entendo não ser possível homologar, nesse momento, a compensação declarada pelo Contribuinte, uma vez que a única questão submetida ao contraditório nos autos foi a possibilidade (ou não) de compensação de pagamento da estimativa recolhida a maior. Além do que, tal fato implicaria supressão da competência da Unidade de Origem para análise do direito creditório. Nesse sentido, considerando ser possível a restituição/compensação de recolhimento de estimativa mensal, desde que reste caracterizado o indébito, voto no sentido de retornar o processo à Unidade de Origem para examinar o mérito do pedido, nos termos do art. 170 do CTN e proferir Despacho Decisório complementar. Posteriormente, podese seguir o rito processual habitual. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer a possibilidade de compensar recolhimentos a título de estimativa mensal de IRPJ ou CSLL, desde que reste caracterizado o indébito, nos termos da Súmula CARF nº 84, mas sem homologar a compensação, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para que a Unidade de Origem analise o mérito do pedido e emita despacho decisório complementar, prosseguindose assim, o processo de praxe. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10680.912516/200997 Acórdão n.º 1301003.860 S1C3T1 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer a possibilidade de compensar recolhimentos a título de estimativa mensal de IRPJ ou CSLL, desde que reste caracterizado o indébito, nos termos da Súmula CARF nº 84, mas sem homologar a compensação, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para que a Unidade de Origem analise o mérito do pedido e emita despacho decisório complementar, prosseguindose assim, o processo de praxe. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.908418/2012-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.058
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Presidente
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
RELATÓRIO
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. RELATÓRIO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. RELATÓRIO Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em face do indeferimento de pedido de restituição (PER) RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 20 .9 08 41 8/ 20 12 -9 7 Fl. 137DF CARF MF Processo nº 11020.908418/201297 Resolução nº 3302001.058 S3C3T2 Fl. 3 2 de nº 38258.34058.270507.1.2.041228, nos termos do despacho decisório emitido em 01/08/2012 (rastreamento de nº 029237079). No aludido PER, transmitido eletronicamente em 27/05/2007, a contribuinte indicou um crédito de R$ 440,15, referente ao pagamento efetuado em 15/02/2006, de PIS/PASEP, código de receita 6912, no valor total de R$ 440,15. Segundo o despacho decisório recorrido, a restituição foi indeferida porque o Darf indicado como crédito estava totalmente utilizado para extinção de débito de mesmo tributo e período de apuração, de acordo com as informações da DCTF transmitida pela Interessada. Em decorrência, a restituição foi indeferida com base no art. 165 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN). Cientificada em 16/08/2012, a Contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade em 13/09/2012. Alega que a atividade da empresa é de montagens de estruturas metálicas, prestando serviços de execução de obras por empreitada de construção civil. Por isso, afirma que a partir de 01/05/2004, com base na Lei n° 10.865/2004, passou a se submeter ao sistema cumulativo do PIS e da Cofins. Porém, continuou a recolher a contribuição pelo sistema não cumulativo, o que gerou o pagamento a maior. Demonstra, então, o valor a restituir a que entende ter direito. Anexa a relação de notas fiscais do período de apuração em análise, buscando comprovar o total da receita mensal sobre o qual a contribuição deve incidir e o Darf, comprovando o pagamento. Requer a acolhida da Manifestação de Inconformidade A 3ª Turma da DRJ Curitiba (RS) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 0644.608, de 11 de dezembro de 2013, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: . ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 15/02/2006 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO. DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado em DCTF para a quitação de débito confessado. PROVAS. INSUFICIÊNCIA. CONTRATO DE EMPREITADA. Apenas as notas fiscais trazidas aos autos, embora importantes, não são suficientes para comprovar que a contribuinte executou obras por empreitada de construção civil, sendo imprescindível a juntada do contrato de empreitada. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 11020.908418/201297 Resolução nº 3302001.058 S3C3T2 Fl. 4 3 Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) Em relação a não retificação da DCTF, o próprio relator menciona a possibilidade de retificação de ofício pela autoridade fiscal; b) As empresas que tiveram receitas decorrentes da execução por administração, empreitada e subempreitada, de construção civil estão sujeitas ao sistema cumulativo do PIS e da Cofins; e c) De fato, as notas fiscais não discriminam os serviços. Por esse motivo, estão em anexo ao recurso voluntário os respectivos contratos de prestação de serviços. É o breve relatório. VOTO Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator. O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. A instância a quo, utilizou como razão de decidir a falta de provas do direito creditório, de acordo com trecho do voto condutor do acórdão recorrido, verbis: Portanto, para que se possa acolher a alegação da contribuinte, ou seja, de que exerceu, no período analisado, “obras por empreitada de construção civil” é imprescindível o cumprimento de dois requisitos essenciais: a existência do contrato de empreitada e a relação de serviços efetivamente executados neste contrato. Ressaltese que o campo “discriminação” das notas fiscais trazidas pela manifestante aos autos não permite conhecer quais foram os serviços realizados (se a montagem de estruturas é permanente ou temporária, por exemplo) e, portanto, se enquadram na norma supra. Enfim, apenas as notas fiscais trazidas aos autos, embora importantes, não são suficientes para comprovar o que se pretende. Por tal razão, não é possível reconhecer que houve pagamento indevido ou a maior no Darf objeto da Dcomp em análise. O recorrente, em sede de recurso voluntário, apresentou cópias das notas fiscais referentes aos valores em discussão e os respectivos contratos. Requer que esse Colegiado defira a juntada dos documentos, os analise e se posicione acerca de seu direito creditório. A questão que surge está ligada ao direito de apresentação de documentos a qualquer momento processual em nome da verdade material. Entendo que a decisão dependerá do tipo de processo que está em análise. Nos casos de procedimentos referentes a despacho eletrônico de pedido de restituição, onde o sujeito passivo não é intimado pela unidade preparadora para prestar informações jurídicas acerca do crédito requisitado, o primeiro momento que ele tem para se pronunciar sobre questões de direito é na manifestação de inconformidade. Porém, nem todo patrono é operador do direito ou está familiarizado com a instrução probatória, podendo deixar de providenciar Fl. 139DF CARF MF Processo nº 11020.908418/201297 Resolução nº 3302001.058 S3C3T2 Fl. 5 4 documentos relevantes, pelo simples fato de desconhecer sua importância. Por esse motivo, se o sujeito passivo não se manteve inerte, buscando sempre participar da instrução probatória, não vejo motivos para negar a apreciação de documentos acostados aos autos no momento da interposição do recurso voluntário.Tratase de processo de restituição em que o contribuinte teve seu pedido de indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o crédito financeiro alegado como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Regressando aos autos, temos que na manifestação de inconformidade, o recorrente alega que o objeto social da sociedade é montagens de estruturas metálicas, prestando serviços de execução de obras por empreitada de construção civil. Por isso, afirma que a partir de 01/05/2004, com base na Lei n° 10.865/2004, passou a se submeter ao sistema cumulativo do PIS e da Cofins. Não obstante, continuou a recolher a contribuição pelo sistema não cumulativo, o que gerou o pagamento a maior. A DRJ de Curitiba julgou improcedente a manifestação de inconformidade tendo como fundamento a falta de comprovação de seu direito por intermédio de contratos. Em sede de recurso voluntário, o sujeito passivo, ao interpor, acostou aos autos contratos de prestação de serviços, documentos, segundo a primeira instância, essenciais para comprovação de seu direito. Os contratos apresentados, em uma análise perfunctória, sugerem a modalidade empreitada e podem indicar que o sujeito passivo possuía o direito de recolher as contribuições no regime cumulativo. Não posso deixar de admitir que os fatos produzidos extemporaneamente geraram grande dúvida, o que impossibilita meu julgamento nesta assentada. Consoante noção cediça, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, é a literalidade do art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Assim, entendo que as alegações e as provas produzidas pelo recorrente nesta fase recursal devem ser analisadas com mais profundidade pela Unidade Preparadora nos termos do Parecer Cosit n° 02/2015. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem analise os documentos acostados aos autos no momento da interposição do recurso voluntário, analise a existência do indébito tributário pleiteado e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após sanadas essa dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. É como voto. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 140DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16561.720081/2017-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2013
DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. ÁGIO. SÚMULA CARF Nº 116.
Para fins de contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a glosa de amortização de ágio na forma dos arts. 7º e 8º da Lei n° 9.532, de 1997, deve-se levar em conta o período de sua repercussão na apuração do tributo em cobrança. Súmula CARF nº 116.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2013
AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO POR INTERMÉDIO DE EMPRESA VEÍCULO. INEXISTÊNCIA, IN CASU, DE TRANSFERÊNCIA DE BENEFÍCIO FISCAL.
O uso de empresa veículo e de incorporação reversa não prejudicam o direito de amortizar fiscalmente o ágio, mormente quando tal proceder se justificou para cumprir exigências regulatórias e nenhum benefício adicional em termos fiscais para a recorrente restou demonstrado.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2013
AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. IMPOSSIBILIDADE.
Conforme o disposto nos itens 1 e 4 da alínea "c" do §1º do art. 2º da Lei 7.689/88, o resultado da equivalência patrimonial deve ser neutralizado da base de cálculo da CSLL. Como a amortização do ágio integra os ajustes por equivalência patrimonial, não pode esta, por conseguinte, impactar a apuração da base de cálculo da CSLL.
Numero da decisão: 1201-002.894
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: a) em relação à dedução do ágio ISA da base de cálculo do IRPJ, em dar provimento ao recurso voluntário, por maioria, vencidos os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Efigênio de Freitas Júnior e Neudson Cavalcante Albuquerque (Relator), que negavam provimento; b) em relação à dedução do ágio ISA da base de cálculo da CSLL, em negar provimento ao recurso voluntário, por voto de qualidade, vencidos os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocado) e Alexandre Evaristo Pinto, que afastavam a glosa. c) Em relação ao ágio EVRECY, negar-lhe provimento, por unanimidade. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Allan Marcel Warwar Teixeira.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque - Relator.
(assinado digitalmente)
Allan Marcel Warwar Teixeira - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2013 DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. ÁGIO. SÚMULA CARF Nº 116. Para fins de contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a glosa de amortização de ágio na forma dos arts. 7º e 8º da Lei n° 9.532, de 1997, deve-se levar em conta o período de sua repercussão na apuração do tributo em cobrança. Súmula CARF nº 116. Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2013 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO POR INTERMÉDIO DE EMPRESA VEÍCULO. INEXISTÊNCIA, IN CASU, DE TRANSFERÊNCIA DE BENEFÍCIO FISCAL. O uso de empresa veículo e de incorporação reversa não prejudicam o direito de amortizar fiscalmente o ágio, mormente quando tal proceder se justificou para cumprir exigências regulatórias e nenhum benefício adicional em termos fiscais para a recorrente restou demonstrado. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2013 AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. IMPOSSIBILIDADE. Conforme o disposto nos itens 1 e 4 da alínea "c" do §1º do art. 2º da Lei 7.689/88, o resultado da equivalência patrimonial deve ser neutralizado da base de cálculo da CSLL. Como a amortização do ágio integra os ajustes por equivalência patrimonial, não pode esta, por conseguinte, impactar a apuração da base de cálculo da CSLL.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: a) em relação à dedução do ágio ISA da base de cálculo do IRPJ, em dar provimento ao recurso voluntário, por maioria, vencidos os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Efigênio de Freitas Júnior e Neudson Cavalcante Albuquerque (Relator), que negavam provimento; b) em relação à dedução do ágio ISA da base de cálculo da CSLL, em negar provimento ao recurso voluntário, por voto de qualidade, vencidos os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocado) e Alexandre Evaristo Pinto, que afastavam a glosa. c) Em relação ao ágio EVRECY, negar-lhe provimento, por unanimidade. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Allan Marcel Warwar Teixeira. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque - Relator. (assinado digitalmente) Allan Marcel Warwar Teixeira - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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ÁGIO. GLOSA. Recorrente CTEEP COMPANHIA DE TRANSMISSAO DE ENERGIA ELETRICA PAULISTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2013 DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. ÁGIO. SÚMULA CARF Nº 116. Para fins de contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a glosa de amortização de ágio na forma dos arts. 7º e 8º da Lei n° 9.532, de 1997, devese levar em conta o período de sua repercussão na apuração do tributo em cobrança. Súmula CARF nº 116. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2013 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO POR INTERMÉDIO DE EMPRESA VEÍCULO. INEXISTÊNCIA, IN CASU, DE TRANSFERÊNCIA DE BENEFÍCIO FISCAL. O uso de empresa veículo e de incorporação reversa não prejudicam o direito de amortizar fiscalmente o ágio, mormente quando tal proceder se justificou para cumprir exigências regulatórias e nenhum benefício adicional em termos fiscais para a recorrente restou demonstrado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2013 AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. IMPOSSIBILIDADE. Conforme o disposto nos itens 1 e 4 da alínea "c" do §1º do art. 2º da Lei 7.689/88, o resultado da equivalência patrimonial deve ser neutralizado da base de cálculo da CSLL. Como a amortização do ágio integra os ajustes por equivalência patrimonial, não pode esta, por conseguinte, impactar a apuração da base de cálculo da CSLL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 00 81 /2 01 7- 07 Fl. 3373DF CARF MF Processo nº 16561.720081/201707 Acórdão n.º 1201002.894 S1C2T1 Fl. 3.374 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: a) em relação à dedução do ágio ISA da base de cálculo do IRPJ, em dar provimento ao recurso voluntário, por maioria, vencidos os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente), Efigênio de Freitas Júnior e Neudson Cavalcante Albuquerque (Relator), que negavam provimento; b) em relação à dedução do ágio ISA da base de cálculo da CSLL, em negar provimento ao recurso voluntário, por voto de qualidade, vencidos os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocado) e Alexandre Evaristo Pinto, que afastavam a glosa. c) Em relação ao ágio EVRECY, negarlhe provimento, por unanimidade. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Allan Marcel Warwar Teixeira. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Relator. (assinado digitalmente) Allan Marcel Warwar Teixeira Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada) e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório CTEEP COMPANHIA DE TRANSMISSAO DE ENERGIA ELETRICA PAULISTA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 0281.106 (fls. 3153), pela DRJ Belo Horizonte, interpôs recurso voluntário (fls. 3195) dirigido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma daquela decisão. O presente processo trata de lançamentos tributários para exigir IRPJ e CSLL (fls. 1635), relativos ao ano 2013, bem como juros de mora e multa de ofício (75%), em razão das glosas de despesa na amortização do ágio oriundo da aquisição da antiga CTEEP e da EVRECY. A fiscalização concluiu que o contribuinte não poderia ter deduzido da base de cálculo dos tributos os valores correspondentes à amortização do ágio pago na privatização da CTEEP, conforme o entendimento de que este lhe foi indevidamente transferido do real investidor, por meio da interposição de empresa veículo, o que impediu a necessária confusão patrimonial entre a empresa investidora e a empresa investida, conforme o seguinte excerto do TVF (fls. 1626): Portanto, o direito à dedutibilidade da amortização do ágio, nos termos da Lei n° 9.532/97, não pode ser simplesmente transferido de uma sociedade a outra. A mera projeção do ágio da investidora original para ser amortizada numa outra sociedade qualquer, sem que ocorra a necessária confusão patrimonial, além de não atender a Fl. 3374DF CARF MF Processo nº 16561.720081/201707 Acórdão n.º 1201002.894 S1C2T1 Fl. 3.375 3 nenhuma das regras de dedutibilidade, geram lançamentos contábeis que conflitam com os princípios contábeis da Entidade e do Confronto das Despesas com as Receitas, o que só vem a reafirmar inadmissibilidade do aproveitamento fiscal desses encargos de amortização. Ademais, a fiscalização entendeu que o fundamento do ágio também não foi regularmente estabelecido, uma vez que o laudo apontado para demonstrar a expectativa de rentabilidade futura foi apresentado muito após a operação de aquisição, conforme o seguinte excerto (fls. 1627): Percebese que, quando do lançamento contábil do ágio apurado na aquisição da CTEEP pela ISA Capital em 28/06/2006 e 09/01/2007, não existia qualquer documentação que pudesse indicar e atestar o fundamento econômico desse ágio pago. O laudo de que se vale o sujeito passivo para fundamentar o ágio foi apresentado à direção da ISA Capital somente em 30/01/2008, ou seja, decorridos mais de um ano das datas em que os ágios foram registrados contabilmente. Assim, aludido laudo de avaliação de rentabilidade futura não se presta, sob a perspectiva formal, a dar fundamento econômico ao ágio por ter sido elaborado e apresentado de forma intempestiva, além de se referir à situação patrimonial/econômica da CTEEP em 31/12/2007, enquanto que as parcelas dos ágios registrados contabilmente têm por datasbase 30/06/2006 e 31/12/2006. No mesmo TVF, é possível encontrar uma síntese gráfica das mutações societárias realizadas na aquisição da CTEEP, a seguir reproduzida (fls. 1598): Fl. 3375DF CARF MF Processo nº 16561.720081/201707 Acórdão n.º 1201002.894 S1C2T1 Fl. 3.376 4 Da mesma forma, fiscalização concluiu que o contribuinte não poderia ter deduzido da base de cálculo dos tributos os valores correspondentes à amortização do ágio pago na aquisição da EVRECY. O próprio contribuinte reconheceu que a dedução era indevida, uma vez que não houve a absorção do patrimônio da empresa adquirida, e fez recolhimentos adicionais voluntários correspondentes de IRPJ e CSLL, com juros de mora e multa de mora (20%). Todavia, a fiscalização entendeu que o contribuinte recolheu esses tributos a menor do que o devido e que não se aplicaria a denúncia espontânea, uma vez que os recolhimentos ocorreram após o início do presente procedimento fiscal, conforme o seguinte excerto do TVF (fls. 1631): Fl. 3376DF CARF MF Processo nº 16561.720081/201707 Acórdão n.º 1201002.894 S1C2T1 Fl. 3.377 5 Considerando que o IRPJ e a CSLL calculados sobre as aludidas despesas de amortização de ágio, indevidamente computadas no resultado do anocalendário de 2013, foram pagos somente em 17/09/2015, quando já havia se instaurado o presente procedimento de fiscalização contra o sujeito passivo, cujo início se deu em 27/04/2015, com a ciência ao sujeito passivo do Termo de Início do Procedimento Fiscal, não é cabível a denúncia espontânea aos aludidos pagamentos, mormente por se referirem ao objeto do procedimento fiscal em curso (IRPJ e reflexos dos anoscalendário de 2012 e 2013). Ademais, conforme já destacado acima, a despesa de amortização de ágio registrado na conta 6314100011 AMORTIZAÇÃO DO AGIO de sua ECD (Doc. 36) foi de R$ 2.490.393,79, e não de R$ 2.389.598,59 valor este adotado pelo sujeito passivo como base de cálculo para o IRPJ e a CSLL pagos por meio dos aludidos Darfs, referentes ao AC 2013. O contribuinte impugnou os lançamentos tributários (fls. 1656). A decisão de primeira instância, ora recorrida, considerou improcedente a impugnação (fls. 3195). O recurso voluntário apresentado em seguida (fls. 2660) traz os argumentos sintetizados a seguir. Quanto ao ágio da CTEEP: i) a fiscalização afirmou que o laudo que dá o fundamento econômico do ágio da CTEEP é extemporâneo, todavia há laudo contemporâneo à aquisição da participação societária que indica a expectativa de rentabilidade futura; ii) a decisão recorrida não tratou dessa matéria, apesar de ser objeto da impugnação, o que leva à sua nulidade; iii) a desconsideração dos efeitos da reorganização societária laborada pela fiscalização não está embasada em qualquer dispositivo legal, mas unicamente em uma suposta ausência de substância econômica ou de motivação extratributária, o que também leva à sua nulidade; iv) embora o ágio tenha sido amortizado para fins fiscais somente a partir de fevereiro de 2008, os fatos que deram origem a tal direito ocorreram entre julho de 2006 e fevereiro de 2008, de forma que transcorreu o prazo decadencial de cinco anos para o lançamento, o qual ocorreu apenas em 2017; v) a alegada inexistência de propósito negocial decorre de uma análise segmentada das operações societárias realizadas, de forma que a conclusão da fiscalização não considera fatos importantes, como as restrições oriundas da CVM e da ANEEL (endividamento) para que houvesse a incorporação da ISA CAPITAL, as quais forçaram a adoção do modelo ora condenado pela fiscalização, ainda que este seja desvantajoso sob o aspecto tributário (tributação dos JCP, efeito das despesas financeiras no lucro); vi) os requisitos e condições para o aproveitamento do ágio são somente aqueles veiculados pelo artigo 7º da Lei nº 9.532/1997, devendo ser rechaçada a tentativa de criar condições inexistentes na legislação; vii) o artigo 386 do RIR/99 autoriza a amortização do ágio quando uma pessoa jurídica absorve patrimônio de outra na qual detém participação societária adquirida com ágio, não sendo necessário que o ágio detido tenha sido gerado por ela; Fl. 3377DF CARF MF Processo nº 16561.720081/201707 Acórdão n.º 1201002.894 S1C2T1 Fl. 3.378 6 viii) a aquisição de participação societária por valor acima do valor patrimonial da parcela adquirida, referida no artigo 385 do RIR/99, não abrange apenas as operações de compra e venda de participação societária, mas também quaisquer outras transações que resultem na aquisição de investimento, como é o caso da integralização de capital operada entre ISA CAPITAL e ISA PARTICIPAÇÕES; ix) a alegação de dupla recuperação fiscal do ágio, levantada pela fiscalização, é meramente retórica; x) a jurisprudência do CARF afasta a desqualificação do ágio quando realizada em razão da utilização de empresa veículo; Quanto ao ágio da EVRECY xi) o valor deduzido do ágio é R$ 2.389.598,59, que é o valor do ágio para fins tributários. O valor apontado pela fiscalização (R$ 2.490.393,79) corresponde ao valor contábil do ágio e não deve ser considerado pela fiscalização; xii) os valores de IRPJ, juros de mora e multa de mora (20%) recolhidos voluntariamente devem ser considerados como liquidação dos valores exigidos; xiii) os valores de CSLL, juros de mora e multa de mora (20%) recolhidos voluntariamente são indevidos, tento sido recolhidos por erro Outros argumentos: xiv) a dedução da amortização do ágio é regra na tributação da CSLL, não existindo qualquer dispositivo legal que a vede; xv) a cobrança de juros sobre a multa é ilegal. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O contribuinte foi cientificado da decisão de primeira instância em 03/04/2018 (fls. 3192) e seu recurso voluntário foi juntado aos autos em 03/05/2018 (fls. 3193). Assim, o recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que passo a conhecêlo. O recorrente opõese à decisão de primeira instância com os argumentos a seguir apresentados e apreciados. 1 CTEEP O primeiro objeto dos lançamentos tributários em análise é a glosa, pela fiscalização, de despesas com a amortização de ágio na aquisição da CTEEP, ora combatida no presente recurso. Fl. 3378DF CARF MF Processo nº 16561.720081/201707 Acórdão n.º 1201002.894 S1C2T1 Fl. 3.379 7 A questão tem como cenário jurídico dispositivos do DecretoLei nº 1.598/1977, combinados com dispositivos da Lei nº 9.532/1977, a seguir transcritos, com a redação vigente na época dos fatos: DECRETOLEI Nº 1.598/1977 Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: [...] b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada. com base cm previsão dos resultados nos exercícios futuros; [...] §3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2° deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. [...] Art. 25 As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o artigo 20 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no artigo 33. [...] Art 33 O valor contábil, para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 20), será a soma algébrica dos seguintes valores: I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados, nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real. LEI Nº 9.532/1997 Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: [...] III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea “b ” do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados em até dez anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período de apuração; Fl. 3379DF CARF MF Processo nº 16561.720081/201707 Acórdão n.º 1201002.894 S1C2T1 Fl. 3.380 8 [...] Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: [...] b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Também há referências, nos autos, aos artigos 385 e 386 do RIR/99 (Decreto nº 3.000/1999), mas estes são uma reprodução das regras contidas nos dispositivos legais acima transcritos, de forma que é suficiente tratar diretamente com as leis. A apreciação da lide exige, como é comum, uma exposição clara dos fatos, pelo que passo a resumilos: i) a CTEEP era uma empresa de capital misto, com controle do Estado de São Paulo, e foi incluída em programa de privatizações; ii) a empresa colombiana INTERCONEXIÓN mobilizouse para participar dos leilões de aquisição da CTEEP. Para tanto, foi constituída a empresa ISA CAPITAL, em 28/04/2006, em que a INTERCONEXIÓN detinha mais de 99% do capital; iii) a ISA CAPITAL adquiriu 37,46% do capital da CTEEP (leilões de 28/06/2006 e 09/01/2007), adquirindo o seu controle. Para tanto, pagou ágil no total de R$ 806.710.702,03. Verifico que, até esse ponto, construiuse uma estrutura típica das privatizações da época, ou seja, um empresa estrangeira constituindo uma empresa nacional com o propósito específico de participar do leilão de privatização e esta adquirindo a empresa estatal com ágio fundamentado em expectativa de rentabilidade futura. O próximo passo esperado seria a incorporação da ISA CAPITAL pela CTEEP, para a implementação do quarto requisito para a amortização do ágio, qual seja, a absorção do patrimônio de uma empresa pela outra, investidora e investida. Todavia, isso não aconteceu. Prosseguindo na descrição dos fatos, temos: iv) foi constituída a empresa ISA PARTICIPAÇÕES em 10/07/2007 e a ISA CAPITAL subscreveu 100% do seu capital social, integralizandoo com os títulos da CTEEP; v) a ISA PARTICIPAÇÕES passou a contabilizar o ágio pago pela ISA CAPITAL; vi) a CTEEP incorporou a ISA PARTICIPAÇÕES e passou a amortizar o ágio. O recorrente justifica a interposição da ISA PARTICIPAÇÕES com o fato de a ISA CAPITAL estar consideravelmente endividada, em razão da capitação de recursos no mercado financeiro, com o propósito de adquirir a CTEEP, e que a CVM e a ENEEL não permitiam a incorporação nessas condições. Dessa forma, o contribuinte viuse obrigado a utilizar a ISA PARTICIPAÇÕES para complementar o processo de aquisição da CTEEP. A fiscalização glosou as deduções de amortização da CTEEP por entender que a ISA PARTICIPAÇÕES não detinha ágio passível de amortização antes da sua incorporação pela CTEEP e por entender que o laudo que dá o fundamento econômico do ágio é ineficaz por ser extemporâneo. Fl. 3380DF CARF MF Processo nº 16561.720081/201707 Acórdão n.º 1201002.894 S1C2T1 Fl. 3.381 9 Por seu turno, o recorrente entende que a ISA PARTICIPAÇÕES adquiriu o ágio em tela junto com a aquisição dos títulos da CTEEP e que existe laudo contemporâneo à aquisição que aponta o fundamento econômico do ágio. Essa é a controvérsia que nos cabe solucionar. 1.1 LAUDO TEMPORANEIDADE A glosa da amortização do ágio da CTEEP possui, entre seus fundamentos, a acusação de que o laudo apontado para demonstrar a expectativa de rentabilidade futura, a qual é apontada pelo contribuinte como fundamento do ágio, foi apresentado muito após a operação de aquisição da participação societária. O recorrente combate essa acusação em dois tópicos, a seguir analisados. 1.1.1 Nulidade Omissão na decisão recorrida Inicialmente, o recorrente afirma que a decisão recorrida não tratou da acusação de que o laudo apresentado para fundamentar a expectativa de rentabilidade futura era extemporâneo, apesar de ter sido expressamente combatido na impugnação. Afirma ainda que essa omissão macula de nulidade aquele julgamento, por configurar "supressão de instância, cerceamento do direito de defesa e do devido processo legal". Assiste razão ao contribuinte quando aponta a referida omissão. De fato, a decisão recorrida não tratou da questão da temporaneidade do laudo que indica o fundamento econômico do ágio, abordou apenas o outro fundamento, a impossibilidade de transferência do ágio e, por ele, manteve os lançamentos tributários. Todavia, entendo que a decisão a quo não é nula por essa razão, uma vez que os apontados fundamentos dos lançamentos tributários são autônomos e, individualmente, suficientes para a glosa realizada. Considerando que um dos fundamentos foi mantido, a omissão quanto a análise do outro fundamento, ainda que indesejável, não dá ensejo à nulidade reclamada, uma vez que o resultado da análise omitida, seja positivo ou negativo, em nada interferiria na análise do outro fundamento, que é, isoladamente, suficiente para manter a exigência tributária. Saliento, todavia, que a omissão em tela poderia redundar em supressão de instância caso a questão da temporaneidade do laudo seja apreciada no presente julgado. 1.1.2 Existência de laudo contemporâneo à aquisição O recorrente afirma que a fiscalização cometeu um equívoco ao considerar que o laudo que trouxe o fundamento econômico do ágio em tela foi aquele produzido pela DDT, em momento posterior à aquisição da CTEEP, quando este fundamento, na verdade, teria sido trazido pelo laudo produzido pela BBVA, na época da aquisição. Conforme já apontado acima, a decisão recorrida não apreciou a acusação de extemporaneidade do laudo que trata do fundamento do ágio, não havendo manifestação sobre este tópico. Assim, entendo que ele também não pode ser apreciado agora, em sede de apelação. Fl. 3381DF CARF MF Processo nº 16561.720081/201707 Acórdão n.º 1201002.894 S1C2T1 Fl. 3.382 10 Quando muito, o processo poderia retornar para a instância a quo, conforme requereu o recorrente, mas somente no caso de o outro fundamento, autônomo, não se sustentar. Antes disso, não existe a necessidade de decidir sobre a matéria. 1.2 NULIDADE REESTRUTURAÇÃO DESCONSIDERAÇÃO Ainda em sede de preliminar, o recorrente afirma que a decisão recorrida desconsiderou o negócio jurídico realizado pelo contribuinte, na medida em que teria considerado a incorporação da ISA Participações pela CTEEP sem substância jurídica. Afirma que essa decisão não tem fundamento jurídico e, como tal, padece de nulidade. Verifico que a decisão recorrida corroborou o entendimento da fiscalização de que o ágio gerado na aquisição da CTEEP pela ISA Capital não poderia ser transferido para a ISA Participações, conforme apontado no TVF. Da mesma forma, a decisão atacada corroborou o entendimento da fiscalização pelo qual a ausência de atividade operacional da ISA Participações também afastaria a incidência da norma que autoriza a dedutibilidade da amortização do ágio, nos seguintes termos (fls. 3174): Ademais, a sociedade ISA Participações não exerceu qualquer atividade operacional durante seu curto período de existência. Os únicos registros contábeis realizados diziam respeito à integralização e aumento de seu capital, e a sua incorporação (TVF. fl. 1616). Destaquese que. ao prever o benefício fiscal da amortização do ágio, o legislador vinculouo a uma operação de reorganização societária: incorporação, fusão ou cisão (Decreto 3.000/1999, art. 386. III). [...] A incorporação sem substância econômica que une em uma única sociedade uma pessoa jurídica existente no mundo dos negócios e outra sem existência econômica não é bastante para configurar o requisito legal que autoriza a amortização fiscal do ágio. Nesse caso, a incorporação é ficta. Não é um negócio jurídico oponível ao Fisco. Verifico que a fiscalização entendeu que não havia propósito negocial na interposição da ISA Participações nas operações societárias em tela e que este fato permite afastar os correspondentes efeitos tributários. Todavia, a decisão recorrida deu um passo a mais ao considerar que a incorporação da ISA Participações pela CTEEP é ficta. Entendo que a alegação do recorrente de falta de fundamento legal para considerar ficta a referida incorporação não macula de nulidade a decisão recorrida, ainda que esta possa ser afastada por falta de fundamento legal. A nulidade de ato processual decisório ocorre apenas quando este tem como efeito alguma violação ao devido processo legal, nos termos do artigo 591 do Decreto nº 70.235/72, não sendo cabível quando há decisão fundamentada, ainda que o fundamento possa ser afastado. Na espécie, a decisão possui fundamentação e é exatamente esta fundamentação que permitiu ao recorrente reclamar do fundamento adotado. 1 Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 3382DF CARF MF Processo nº 16561.720081/201707 Acórdão n.º 1201002.894 S1C2T1 Fl. 3.383 11 Assim, afasto a presente preliminar de nulidade. O mérito quanto à alegada ausência de propósito negocial e aos seus efeitos fiscais será abordado mais adiante. 1.3 DECADÊNCIA O recorrente afirma que o crédito tributário exigido foi atingido pela decadência, considerando que os fatos que deram origem ao direito de deduzir o ágio ocorreram entre julho de 2006 e fevereiro de 2008 e a ciência dos autos de infração em tela ocorreu apenas em 2017. Conforme já foi relatado, os presentes lançamentos tributários foram lançados para exigir IRPJ e CSLL relativos ao ano 2013, em que o contribuinte deduziu das bases de cálculo dos tributos despesas com a amortização de ágio surgido quando a CTEEP foi privatizada, em 2006. O recorrente defende a tese de que a contagem do prazo de decadência deve iniciar com o surgimento do ágio, independentemente de quando este foi ou será amortizado e deduzido. Todavia, essa tese foi superada pela Súmula CARF nº 116, pela qual foi pacificado o entendimento de que a contagem do prazo de decadência deve iniciar com a dedução do ágio na apuração dos tributos, verbis: Súmula CARF n°116 Para fins de contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário relativo a glosa de amortização de ágio na forma dos arts. 7º e 8º da Lei n° 9.532, de 1997, devese levar em conta o período de sua repercussão na apuração do tributo em cobrança. Com isso, entendo que não procede a reclamação de decadência. 1.4 PROPÓSITO NEGOCIAL A fiscalização demonstrou que a empresa ISA Participações foi criada a partir da empresa ISA Capital e com o único propósito de ser incorporada pela CTEEP e assim possibilitar que esta amortizasse o ágio adquirido pela ISA Capital. Diante desse fato, a fiscalização concluiu que não havia propósito negocial nas mutações envolvendo a ISA Participações e glosou a dedução do ágio por parte da CTEEP. O recorrente afirma que o propósito negocial da ISA Participações não pode ser tomado de forma isolada, mas sim em relação ao conjunto de operações que envolveram a privatização da CTEEP. Nesse contexto, em apertada síntese, afirma que a privatização foi realizada dentro dos padrões de legalidade e de procedimentos, tendo como ator principal a empresa ISA Capital. Afirma ainda que a interposição da ISA Participações foi necessária em razão da impossibilidade de a CTEEP incorporar a ISA Capital, por restrições de caráter regulatório, uma vez que esta estava com endividamento acima do que seria permitido pela CVM e pela ANEEL. A utilização de empresa novel, efêmera e com um único e específico propósito (empresa veículo) em mutações societárias tem sido questionada desde que a lei nº Fl. 3383DF CARF MF Processo nº 16561.720081/201707 Acórdão n.º 1201002.894 S1C2T1 Fl. 3.384 12 9.532/1997, nos seus artigos 7º e 8º, autorizou a antecipação da amortização do ágio com fundamento em expectativa de rentabilidade futura quando ocorre a absorção patrimonial entre adquirida e adquirente. Sendo necessária a absorção patrimonial, ou seja, o desaparecimento de uma das duas, e não sendo possível ou desejável o desaparecimento da investidora, a empresa veículo surgiu como uma solução empírica. Esse fenômeno é claramente relacionado à política de privatizações de empresas estatais, adotada na época do advento da referida lei. Naquela ocasião, empresas estrangeiras e consórcios de empresas nacionais foram impelidas a criar empresas veículos, de forma que houvesse uma única pessoa jurídica nacional que aglutinasse o patrimônio destinado à aquisição da estatal, vindos de fontes múltiplas e/ou estrangeiras. Assim, havia uma clara distinção entre os investidores e o adquirente. Todavia, também é certo que o mesmo artifício pode ser utilizado para criar uma situação meramente formal que, apesar de estar descolada da realidade econômica da atividade empresária, poderia ser entendida como a hipótese de aplicação da referida lei. Por exemplo, quando a alegada mutação societária apenas realiza uma reavaliação patrimonial da própria empresa, no que ficou conhecido como ágio interno. Portanto, entendo que não é a utilização de uma empresa veículo que pode determinar, isoladamente, o descumprimento dos requisitos legais para a amortização do ágio. Na espécie, a investidora é a empresa colombiana Interconexión, a qual providenciou a estruturação da empresa nacional ISA Capital com a finalidade de adquirir a empresa estatal nacional CTEEP. Conforme o procedimento usual das privatizações realizadas naquela época, era de se esperar que a CTEEP incorporasse a ISA Capital. Todavia, a opção do contribuinte foi interpor uma nova empresa veículo, a ISA Participações, sob o argumento de que o nível de endividamento da ISA Capital impediria a sua incorporação, conforme as normas da CVM e da ANEEL. Ademais, o contribuinte informa que a solução adotada não gerou ganho tributável, uma vez que a carga tributária sobre essa operação seria maior do que se a ISA Capital tivesse sido a empresa incorporada. Entendo que há artificialidade na interposição da empresa ISA Participações, sob o aspecto econômico, uma vez que esta não participou do procedimento de privatização, mas apenas do procedimento de aproveitamento tributário do custo do ágio, ou seja, a sua dedução. Salientese que a CTEEP já era uma empresa privada, pertencente à ISA Capital, quando a ISA Participações foi criada. Assim, a interposição da ISA Participação não possui um propósito negocial. Não há um negócio entre as três empresas envolvidas, apenas uma reorganização acionária, dentro do mesmo grupo econômico, realizado de forma instantânea, cujo único efeito é a migração contábil do registro do ágio pago. Entendo que não é possível aceitar o argumento do recorrente de que a interposição da ISA Participações surgiu da impossibilidade de a ISA Capital ser incorporada pela CTEEP, uma vez que o contribuinte tinha a opção legal, razoável e esperada de sanear a empresa ISA Capital, o que faria desaparecer as referidas barreiras regulatórias, todavia com maior ônus financeiro. Portanto, a opção adotada pelo contribuinte não teve causa determinante nas exigências dos órgãos reguladores, mas sim na vontade de não arcar com o ônus financeiro da operação que permitiria a regular dedução do ágio, o que levou à opção pela solução artificial e meramente escritural. Fl. 3384DF CARF MF Processo nº 16561.720081/201707 Acórdão n.º 1201002.894 S1C2T1 Fl. 3.385 13 Com isso, concluo que a interposição da empresa ISA Participações não possuiu propósito negocial, seja do ponto de vista local, seja do ponto de vista geral das operações societárias realizadas. 1.5 CRITÉRIOS LEGAIS Além da alegada extemporaneidade do laudo que traz o fundamento econômico, conforme já tratado acima, a fiscalização fundamenta a glosa de despesa com ágio com o entendimento de que o ágio foi gerado quando a ISA Capital adquiriu a CTEEP e que esse ágio não pode ser transferido. Assim, quando a CTEEP incorporou a ISA Participações, esta não seria detentora de direito à dedução do ágio suportado pela ISA Capital. O recorrente combate esse entendimento, afirmando que a ISA Participações adquiriu a CTEEP da ISA Capital com ágio, de forma que o direito à dedução do ágio se concretizou quando a CTEEP incorporou a ISA Participações, nos seguintes termos (fls. 3260): 285. Com efeito, a ISA Participações adquiriu participação na Recorrente por meio de uma operação absolutamente legítima, tendo apurado ágio em tal aquisição (o qual estava lastreado em preço efetivamente pago a terceiros). Posteriormente, foi a ISA Participações incorporada pela Recorrente, ocorrendo unificação patrimonial entre investidora e investida, tudo de acordo com as normas fiscais, societárias e contábeis então em vigor. 286. O conceito é bastante simples e direto: o ágio tem origem na aquisição de participação societária por valor superior ao valor patrimonial da participação adquirida. Ademais, considerando que os dispositivos aplicáveis não trazem qualquer restrição à modalidade de aquisição da participação societária que daria ensejo ao registro do ágio, devese entender que a aquisição em questão (mencionada pelo artigo 385 do RIR) não abrange apenas as operações de compra e venda de participação societária, mas também quaisquer outras transações que resultem na aquisição de investimento em pessoa jurídica por outra, como as situações em que determinada sociedade recebe, em integralização de capital, participação societária em outra empresa. 287. É o que ocorreu no caso em tela: ao adquirir participação societária na Recorrente após o aumento de capital efetuado pela ISA Capital, a ISA Participações segregou o valor pelo qual a participação foi contribuída em investimento (equivalente ao patrimônio líquido) e ágio. Deve ser salientado que a ISA Participações, uma empresa veículo, adquiriu a CTEEP da ISA Capital quando esta integralizou as ações emitidas pela ISA Participações, oferecendo as ações da CTEEP. A integralização se deu pelo valor pago pela ISA Capital quando esta adquiriu a CTEEP. A ISA Participações apenas replicou os registros relativos ao valor contábil e ao ágio que a ISA Capital havia contabilizado. Tratase, portando, de uma operação de transferência de ágio. O Código Civil Brasileiro, no seu artigo 9972, III, permite que o capital da sociedade empresária seja compreendido por qualquer espécie de bens, desde que suscetíveis de avaliação pecuniária. Esse dispositivo legal não menciona, mas é certo que a expressão 2 Art. 997. A sociedade constituise mediante contrato escrito, particular ou público, que, além de cláusulas estipuladas pelas partes, mencionará: III capital da sociedade, expresso em moeda corrente, podendo compreender qualquer espécie de bens, suscetíveis de avaliação pecuniária; Fl. 3385DF CARF MF Processo nº 16561.720081/201707 Acórdão n.º 1201002.894 S1C2T1 Fl. 3.386 14 "qualquer espécie de bens" não é absoluta, pois o bem indicado para compor o capital social de uma sociedade deve ser disponibilizado pelo seu proprietário e sabese que há bens indisponíveis, em razão de lei ou em razão de sua própria natureza. Por exemplo, não se pode integralizar o capital de uma sociedade com o um automóvel se ele tiver sido declarado indisponível por meio de uma decisão judicial. Também, por exemplo, não se pode fazer uma integralização de capital com o conhecimento em Direito detido pelo pretendido sócio, por ser impossível destacálo da pessoa que o detém. Nesses casos, a eventual cláusula contratual correspondente não teria validade jurídica. Na espécie, não há dúvida de que as ações da CTEEP são bens e podem ser alienados. Também não há dúvida de que o ágio é um bem, mas perquirese se ele pode ser alienado. Para tanto, é necessário um aprofundamento quanto a sua natureza. Salientese que aquilo que temos chamado aqui de "ágio" não é o recurso financeiro dado a mais do valor patrimonial das ações da CTEEP, isso é apenas a sua medida. Tampouco é o registro contábil desse valor. O que temos chamado de "ágio" é uma expectativa de direito, oponível contra o Fisco, de pagar menos tributo no momento da alienação ou liquidação das ações da CTEEP (artigo 33 do DecretoLei nº 1.598/1977) ou de pagar menos tributo se houver a absorção do patrimônio da CTEEP (artigo 7º Lei nº 9.532/1997), ou o contrário (artigo 8º da mesma lei). O direito, na verdade, somente surge quando atendidas as condições legais. Em razão de ser criado por uma lei, em que são estipuladas condições para o seu exercício, o que temos chamado de "ágio" é um bem jurídico condicionado, ou seja, uma expectativa de direito que somente ganha concretude mediante o atendimento das condições estipuladas nas leis que a criou. Por ser oponível apenas contra o Fisco, o "ágio" é bem jurídico condicionado de natureza tributária. Salientese, ainda, que as condições legais para o surgimento do direito subjetivo somente pode ocorrer uma única vez, ou seja, a ISA CAPITAL pode alienar uma mesma ação da CTEEP apenas uma única vez (artigo 33 do DecretoLei nº 1.598/1977) e somente pode haver a absorção de patrimônio entre ISA CAPITAL e CTEEP apenas uma única vez. Assim, o "agio" é um bem que se exaure no momento em que surge. Em resumo, o "ágio" é uma expectativa de direito condiciona que se exaure no momento de sua realização e, sendo assim, é um bem indisponível, pela sua própria natureza, não sendo apto a integralizar capital social subscrito. Em razão dessa sua natureza, as atuais normas contábeis brasileiras determinam que o registro do "ágio" com fundamento em expectativa de rentabilidade futura seja escriturado como um "ativo fiscal diferido", nos termos dos itens 5 e 32A do Pronunciamento Técnico CPC 32, do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, que trata dos Tributos sobre o Lucro, verbis: 5. Os seguintes termos são utilizados neste Pronunciamento com os significados especificados: [...] Ativo fiscal diferido é o valor do tributo sobre o lucro recuperável em período futuro relacionado a: (a) diferenças temporárias dedutíveis; Fl. 3386DF CARF MF Processo nº 16561.720081/201707 Acórdão n.º 1201002.894 S1C2T1 Fl. 3.387 15 (b) compensação futura de prejuízos fiscais não utilizados; e (c) compensação futura de créditos fiscais não utilizados. [...] 32A. Se o valor contábil do ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) que surgir de combinação de negócios for menor do que a sua base fiscal, a diferença dá margem a ativo fiscal diferido. O ativo fiscal diferido advindo do reconhecimento inicial do ágio será reconhecido como parte da contabilização de combinação de negócios na medida em que for provável que estará disponível lucro tributável contra o qual a diferença temporária dedutível poderá ser utilizada. Embora esta norma contábil não estivesse em vigor na época da aquisição da CTEEP, ela ilustra bem a natureza do bem utilizado para integralizar as ações da ISA Participações. É inquestionável o fato de que o titular original do "ágio" é a ISA CAPITAL. Também é inquestionável o fato de que nunca houve absorção patrimonial entre as entidades ISA CAPITAL e CTEEP, o que implica dizer que a ISA CAPITAL nunca adquiriu o direito de reduzir o pagamento de tributos em razão do artigo 7º Lei nº 9.532/1997. Todavia, a ISA CAPITAL alienou as ações da CTEEP para a ISA PARTICIPAÇÕES. Nesse momento, adimpliu a condição estipulada no artigo 33 do Decreto Lei nº 1.598/1977 e fez surgir o direito de pagar menos tributos diante de eventual ganho de capital nessa alienação. Portanto, o "ágio", a expectativa de direito condicionada de que falamos, se consumou e se exauriu nesse momento. Com isso, entendo que a ISA PARTICIPAÇÕES não adquiriu o "ágio" da ISA CAPITAL, pois esse se exauriu no momento em que as ações da CTEEP foram alienadas para ela. Portanto, se a ISA PARTICIPAÇÕES contabilizou um ágio na aquisição das ações da CTEEP, este não pode ser o mesmo que surgiu quando a ISA CAPITAL adquiriu as mesmas ações. Tratandose de uma nova aquisição, o ágio que possa surgir na operação também é novo e deve atender aos requisitos legais: efetivo pagamento, partes não relacionadas e avaliação legítima. Nenhum desses requisitos foi satisfeito pela ISA PARTICIPAÇÕES, de forma que esta não adquiriu a expectativa de direito de que se tem tratado e a absorção patrimonial que se seguiu não fez surgir o direito reclamado pelo recorrente. Verifico que não procede a afirmação do recorrente de que a fiscalização desconsiderou os efeitos da reorganização societária realizada. Todos os atos praticados para a construção do modelo adotado foram considerados em seus efeitos, todavia, o contribuinte reclama de um efeito que não advém desse modelo (aquisição de ágio), nos termos da legislação de comento. Este efeito, sim, foi desconsiderado, por ser indevido. O recorrente ainda alega que o modelo das mutações societárias em tela não trouxe ao grupo INTERCONEXIÓN ISA CAPITAL CTEEP qualquer vantagem de natureza tributária, pelo contrário, a incorporação direta da ISA CAPITAL pela CTEEP, sem a interposição da ISA PARTICIPAÇÕES, teria sido menos oneroso e somente não foi adotada em razão de exigências regulatórias. Fl. 3387DF CARF MF Processo nº 16561.720081/201707 Acórdão n.º 1201002.894 S1C2T1 Fl. 3.388 16 Todavia, a comparação entre o modelo adotado de fato e o modelo em que a CTEEP absorveria a ISA CAPITAL, sem a interposição da ISA PARTICIPAÇÕES, não faz sentido, no meu entender, uma vez que este modelo era impossível de ser concretizado, no dizer do próprio recorrente, por questões regulatórias. Não sendo uma alternativa possível, não há valor na sua comparação com a realidade. Melhor seria se o recorrente tivesse apresentado um estudo comparando o modelo de fato adotado a uma outra possibilidade, factível e bem intuitiva, em que a CTEEP não incorporasse qualquer empresa, ou seja, continuasse sendo uma subsidiária da ISA CAPITAL sem a interposição da ISA PARTICIPAÇÕES. Entendo que, nessa possibilidade, o contribuinte teria os mesmos custos tributários do modelo atual, pois a configuração final é idêntica, todavia não teria a ocasião de deduzir o ágio, ora glosado, ou seja, a alternativa possível para o contribuinte era mais gravosa, sob o aspecto tributário. Outra possibilidade, já aventada e ainda mais intuitiva, seria o saneamento financeiro da ISA Capital, o que superaria as alegadas barreiras regulatórias para que a CTEEP incorporasse a ISA Capital, todavia haveria um custo financeiro. Tal fato demonstra que a interposição da ISA PARTICIPAÇÕES teve a única finalidade de possibilitar que a CTEEP incorporasse alguma empresa e, assim, tivesse a oportunidade, ainda que aparente, de deduzir o ágio sem custos financeiros adicionais para o investidor. Diante do exposto, entendo que o contribuinte não atendeu aos requisitos legais para a dedução do ágio amortizado, sendo devida a glosa laborada pela fiscalização. 2 EVRECY Amortização de ágio O contribuinte adquiriu com ágio participação societária na empresa EVRECY e, no período fiscalizado, deduziu a amortização desse ágio. Após o início da presente ação fiscal, o contribuinte verificou que o referido ágio não era dedutível, uma vez que não houve a absorção do patrimônio da empresa adquirida. Em consequência, realizou recolhimentos voluntários correspondentes ao IRPJ e à CSLL correspondentes, com juros de mora e multa de mora (20%). A fiscalização fez os respectivos lançamentos tributários pelo valor total dos tributos devidos, com base de cálculo maior daquela utilizada pelo contribuinte em seus pagamentos voluntários. O recorrente impugnou os lançamentos, afirmando que o valor deduzido do ágio é R$ 2.389.598,59, que é o valor do ágio para fins tributários, sendo que o valor utilizado pela fiscalização (R$ 2.490.393,79), retirado da ECD corresponde ao valor contábil do ágio. Todavia, a DRJ corroborou a base de cálculo utilizada nos lançamentos, por entender que o contribuinte não provou a sua alegação. Ademais, a DRJ entende como incontroversa a parte do crédito tributário correspondente aos pagamentos voluntários e determina a sua segregação do processo, conforme o seguinte excerto (fls. 3178): Analisando a DIPJ 2014 retificadora anexada aos autos a partir da fl. 1189 não restou comprovado que a amortização foi realizada no valor alegado pelo contribuinte. Ressaltese ainda que em relação à DIPJ 2014 original entregue em 30/06/2014 o valor declarado na linha 55 da Ficha 6A a título de "Amort.Agio Aquis.Invest.Aval.PLIncorp..Fusão ou Cisão"' é exatamente o mesmo que consta na DIPJ 2014 retificadora, entregue em 20/02/2015. Em atenção a intimação da Fl. 3388DF CARF MF Processo nº 16561.720081/201707 Acórdão n.º 1201002.894 S1C2T1 Fl. 3.389 17 fiscalização, para justificar este valor de R$ 32.377.379,35 o contribuinte juntou os documentos de fls. 623/629, que, todavia, não permitem identificar os itens que o compõem nem sua forma de apuração. Assim, entendese que os valores objeto de lançamento, constantes no Razão, estão corretos, não tendo sido feita prova em contrário. Ainda na impugnação, o contribuinte afirma que o recolhimento voluntário de CSLL é indevido. No presente recurso voluntário, o contribuinte repisa os argumentos acima referidos, acrescentando sua inconformidade com a segregação do crédito tributário, realizada conforme a decisão recorrida, e ainda requerendo que os valores pagos voluntariamente sejam considerados na liquidação dos valores exigidos. Verifico que o primeiro pedido já foi realizado, nos termos do despacho de fls. 3359 da Derat/SP, o qual informa a reunificação do crédito tributário no presente processo. O pedido para que os valores pagos voluntariamente sejam considerados na liquidação dos valores exigidos não faz parte da presente lide, uma vez que esta é matéria relativa à execução da decisão. Salientese, a título de clareza, que os valores lançados devem ser os valores devidos, independentemente da existência ou não de pagamentos realizados voluntariamente após o início da ação fiscal, caso contrário, estaria sendo feita uma confusão entre o momento da constituição do crédito tributário, inclusive o contencioso administrativo, com o momento da sua satisfação. Assim, não cabe a manifestação do colegiado sobre esse pedido. Por fim, em relação ao valor glosado de dedução, verifico que o contribuinte, mais uma vez, não demonstrou como encontrou os valores utilizados em sua DIPJ a título de dedução de ágio, conforme já apontado na decisão recorrida. Embora seja certo que existe uma diferença entre a apropriação contábil da parcela deduzida e o valor correspondente levado para a apuração do lucro real, conforme se verifica pela comparação entre as fichas 06A e 07A da DIPJ (fls. 1198), o contribuinte não demonstra como foram encontrados tais valores e o quanto de cada um é devido ao ágio de EVRECY, de forma a refutar o valor utilizado pela fiscalização. O documento juntado por ocasião do recurso voluntário (fls. 3291) não atende a essa finalidade, pois não está identificado e apresenta valores incompatíveis com a DIPJ. Nesse documento, o valor total da conta demonstrada é R$ 90.292.497,55, em que R$ 2.389.598,59 seria relativo à EVRECY, todavia, os valores declarados a título de amortização de ágio na DIPJ são R$ 32.377.379,35 (ficha 06A) e R$ 32.276.584,15 (ficha 07A). Assim, entendo que o recorrente não conseguiu demonstrar que o valor deduzido do ágio da EVRECY não é aquele encontrado no ECD e utilizado pela fiscalização, pelo que deve ser afastada a presente reclamação. 3 CSLL Amortização de ágio previsão legal O recorrente afirma que a dedução da amortização do ágio é regra na tributação da CSLL, não existindo qualquer dispositivo legal que a vede, conforme o seguinte excerto (fls. 3281): Fl. 3389DF CARF MF Processo nº 16561.720081/201707 Acórdão n.º 1201002.894 S1C2T1 Fl. 3.390 18 371. Como resultado, a regra geral é que a amortização de ágio não é dedutível para os fins de IRPJ. Para que a amortização seja dedutível é necessário um regime especial. Esse regime está contido no art. 386 do RIR, que no caso dos ágios fundamentados com base em rentabilidade futura, conforme regulado pelo incido III, temos: "III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2o do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração". 372. Nada do disposto acima existe para o caso da amortização do ágio na base da CSLL. Não existe vedação para a amortização do ágio, como também não se requer um regime especial para a sua amortização, vinculado à necessidade de incorporação de empresas. A amortização do ágio para os fins da CSLL é dedutível em qualquer hipótese, havendo ou não incorporação!!! 373. Assim, não havendo qualquer disposição legal que impeça a dedutibilidade do ágio da base de cálculo da CSLL, tampouco qualquer norma que estenda a esta contribuição às disposições relativas ao IRPJ, resta concluir que não existe qualquer óbice ou limitação quanto à amortização do ágio para a dedutibilidade dos valores pagos a título de ágio quanto à contribuição em tela. É esse, inclusive, o entendimento do E. CARF: [...] 375. E mais: a ausência de dispositivo legal que vede a dedutibilidade do ágio para fins de apuração da CSLL é tão clara que, somente a partir da edição do artigo 50 da Lei n. 12.973/2014, o legislador estendeu a esse tributo o regime criado a partir de 1997 pela Lei n. 9.532 para os fins do IRPJ. 376. Logo, fica evidente que não havia, até a edição da Lei n. 12.973/2014, previsão legal que vedasse a possibilidade de amortização do ágio para fins de CSLL antes das operações de incorporação, cisão ou fusão, ou determinasse sua adição ao lucro líquido na hipótese de eventual indedutibilidade do lucro real. A questão trazida pelo recorrente já foi objeto de amplo debate nas turmas de julgamento desta Primeira Seção do CARF, mas entendo que já se pode notar uma convergência no sentido de afastar a tese defendida pelo recorrente, de que o ágio é dedutível na tributação da CSLL em razão da alegada ausência de dispositivo legal que a vede. Essa tendência pode ser notada nas recentes decisões no âmbito das câmaras baixas e também nas decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), que vem reformando, por maioria, as decisões das câmaras baixas que exoneraram o ágio da tributação da CSLL. Por exemplo, o Acórdão nº 1301001.893, que exonerava a glosa, foi reformado por meio do Acórdão nº 9101003.002, de 08/08/2017, quando foi adotada a seguinte ementa: AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INDEDUTIBILIDADE. E vedado, para fins de apuração da base de cálculo da CSLL. a dedução de quotas de amortização de ágio pago na aquisição de investimentos. Na mesma linha está o recente Acórdão nº 9101003.839, de 03/10/2018, o qual adotou a seguinte ementa: ÁGIO. AMORTIZAÇÃO. ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO DA CSLL. EXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A adição, à base de cálculo da CSLL. de despesas com amortização de ágio deduzidas indevidamente pela contribuinte encontra amparo nas normas que regem Fl. 3390DF CARF MF Processo nº 16561.720081/201707 Acórdão n.º 1201002.894 S1C2T1 Fl. 3.391 19 a exigência da referida contribuição, conforme os itens 1 e 4 da alínea "c" do § Io do art. 2o da Lei 7.689/88. Nesse último julgamento, a CSRF reformou, por maioria de votos e superando o voto da relatora, a decisão oriunda da Terceira Câmara. Em razão de sua completude e clareza, adoto como razão de decidir aquela veiculada no respectivo voto vencedor, da lavra do Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, a seguir transcrita: A decisão recorrida defende, basicamente, reproduzindo considerações feitas pela contribuinte em seu recurso voluntário, que, ao contrário do que se verifica com relação ao IRPJ, para o qual a lei (arts. 389, § 1°; e 391 do RIR/1999) veda a dedutibilidade do ágio. inexiste disposição legal que imponha qualquer vedação semelhante para fins de apuração da CSLL. Assim, qualquer despesa de ágio amortizada contabilmente poderia ser aproveitada tributariamente na apuração da CSLL. A Conselheira Relatora do presente julgamento expressa concordância com o disposto no acórdão recorrido ao votar pela negativa de provimento ao recurso especial da PGFN quanto ao tema, motivo pelo qual novamente peço vênia para expor meu posicionamento divergente. Simplesmente não vejo como prosperar a alegação de que inexiste previsão legal que determine a adição, à base de cálculo da CSLL, de despesas de amortização de ágio que sejam indedutíveis para fins de apuração do lucro real. Os §§ do art. 2o da Lei n° 7.689/88, que constam como fundamento legal do lançamento, trazem um impedimento para essa dedução: Art. 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1o Para efeito do disposto neste artigo: a) será considerado o resultado do períodobase encerrado em 31 de dezembro de cada ano; b) no caso de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividades, a base de cálculo é o resultado apurado no respectivo balanço; c) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (Redação dada pela Lei n°8.034, de 1990) 1 adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio liquido; (Redação dada pela Lei n°8.034, de 1990) (...) 4 exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio liquido; (Redação dada pela Lei n°8.034, de 1990) (...) O artigo ordena a adição do resultado negativo e a exclusão do resultado positivo decorrentes da avaliação de investimentos pelo MEP. O voto que orientou o Acórdão n° 1302001.170, de 11/09/2013, da lavra do Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior, que acolho como razões de decidir, explicita bem o impedimento para a dedução da amortização de ágio no âmbito da CSLL: "Entendo que a despesa de amortização do ágio é despesa indedutível na apuração da base de cálculo da CSLL, por força dos itens 1 e 4 do dispositivo acima transcrito, os quais deixam claro a finalidade da norma de tornar o MEP neutro na apuração da CSLL. A avaliação do investimento pelo MEP Fl. 3391DF CARF MF Processo nº 16561.720081/201707 Acórdão n.º 1201002.894 S1C2T1 Fl. 3.392 20 influencia o cálculo da CSLL em caso de alienação ou liquidação do investimento, já que esse seria o valor contábil do investimento a ser considerado. Além disso, se assim não fosse, contrario sensu, a receita decorrente da amortização do deságio seria tributada, o que não me parece razoável, mas seria inevitável chegar a tal conclusão caso se entenda dedutível a despesa de amortização do ágio. Notese que, se o ágio compõe o valor contábil do investimento e o MEP é apenas um método de avaliação do investimento, logo, é lógico que a amortização que reduz o ágio/deságio compõe 'lato sensu" o resultado da avaliação do investimento pelo MEP, o qual seja positivo ou negativo não deve impactar a base da CSLL, como dispõe expressamente o dispositivo legal acima (itens l e 4 da alínea "c" do § 1o do art. 2o da Lei 7.689/88)." Assim, se o ágio compõe o valor contábil do investimento e o MEP é apenas um método de avaliação do investimento; logo, é lógico que a amortização que reduz o ágio/deságio compõe "lato sensu" o resultado da avaliação do investimento pelo MEP, o qual, seja positivo ou negativo, não deve impactar a base da CSLL, conforme os itens 1 e 4 da alínea "c" do § 1o do art. 2o da Lei 7.689/1988. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso especial da PGFN para reformar o acórdão recorrido na parte em que este defende a inexistência de previsão legal de adição à base de cálculo da CSLL das despesas de amortização de ágio consideradas indedutíveis na apuração do lucro real. Diante do exposto, entendo que não assiste razão ao recorrente. 4 Juros sobre multa O recorrente defende a tese de que a cobrança de juros de mora sobre a multa de oficio seria ilegal. Todavia, essa tese foi superada pela Súmula CARF nº 108, pela qual foi pacificado o entendimento de que incidem juros moratórios sobre o valor correspondente à multa de ofício, verbis: Súmula CARF n° 108 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Com isso, entendo que não procede a presente reclamação do recorrente. 5 Conclusão Em razão de tudo o que foi exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, afastar as questões preliminares e, no mérito, negarlhe provimento. Salientese que parte do crédito tributário lançado já foi objeto de pagamento por parte do contribuinte, conforme já registrado nos autos. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque. Fl. 3392DF CARF MF Processo nº 16561.720081/201707 Acórdão n.º 1201002.894 S1C2T1 Fl. 3.393 21 Voto Vencedor Conselheiro Allan Marcel Warwar Teixeira, Redator Designado: Em que pesem as razões de decidir do ilustre relator, peço vênia para dele divergir quanto ao mérito da questão relativa à impossibilidade de a recorrente ter podido deduzir o ágio amortizado CTEEP da base de cálculo do IRPJ. Conforme o relatado, tratase de apreciar a legitimidade do aproveitamento fiscal da amortização do ágio decorrente da aquisição da maioria das ações ordinárias da CTEEP efetuado no âmbito de programa estadual de desestatização. Preliminarmente, não se discute neste processo simulação ou a existência de outras figuras de máfé em planejamentos tributários abusivos. Temse que o grupo de controle da recorrente, de origem colombiana, promoveu a aquisição das ações ordinárias da CTEEP por meio de uma empresa veículo denominada ISA Capital. Era esperado, conforme o previsto nos artigos 7º e 8º da Lei 9.532/97, que a CTEEP incorporasse reversamente a sua controladora ISA Capital (1ª empresa veículo) a fim de que pudesse, portanto, aproveitar o benefício fiscal da amortização do ágio pago no leilão de privatização. Ocorre que, por exigências regulatórias prescritas pela ANEEL e pela CVM, o grupo investidor necessitou interpor outra empresa veículo, denominada ISA Participações (2ª empresa veículo). Esta empresa, ISA Participações, teve seu capital integralizado pela ISA Capital com as ações da CTEEP. A partir daqui, foram os registros contábeis da ISA Participações, 2ª empresa veículo criada, que passou a reconhecer o ágio pago na aquisição da CTEEP. Por fim, a CTEEP incorporou reversamente a ISA Participações e passou a deduzir o ágio. No entender do i. relator, a criação desta 2ª empresa veículo não teria tido propósito negocial, dado que as exigências regulatórias poderiam ter sido satisfeitas com o saneamento financeiro da 1ª empresa veículo por seu controlador estrangeiro. Por fim, teria havido transferência do ágio e ausência da confusão patrimonial esperada entre investidora original (ISA Capital) e a investida, o que impossibilitaria o aproveitamento do benefício fiscal. Não questiono que o benefício fiscal da amortização do ágio não possa ser transferido a terceiros. Mas me posiciono no sentido de, no caso concreto, não se poder considerar transferência de benefício fiscal uma mera formalidade societária com fins regulatórios que não transferiu de fato o controle da CTEEP e, igualmente, nenhum efeito fiscal positivo adicional produziu para a recorrente. O segundo ponto não expressamente abordado pelo relator, mas a meu ver implícito em seu raciocínio diz respeito à interpretação dos benefícios fiscais, que, conforme artigo 111 do CTN, deve ser literal. Não tendo o grupo de controle da recorrente cumprido Fl. 3393DF CARF MF Processo nº 16561.720081/201707 Acórdão n.º 1201002.894 S1C2T1 Fl. 3.394 22 literalmente os passos previstos em lei, teria, assim, perdido o aproveitamento do benefício fiscal. Ocorre que, conforme a doutrina e entendimento expostos na jurisprudência do Poder Judiciário, o próprio artigo 111 do CTN não se interpreta literalmente, mas teleologicamente. E o fim do art. 111 não é empobrecer a aplicação do direito na interpretação dos benefícios fiscais, mas apenas impedir a sua extensão para inúmeras outras situações semanticamente distintas em face do texto legal que originariamente os concedeu. No caso em tela, não se discute o alcance semântico dos termos do texto da lei 9.532/77, mas sim o descumprimento claro e direto de um requisito formal por parte da recorrente ao ter interposto uma empresa veículo a mais no processo de incorporação. Assim, afasto a aplicação do art. 111 do CTN para a solução da controvérsia. A quaestio juris, a meu ver, trata, portanto, da possibilidade ou não de se manter um benefício fiscal quando um requisito meramente formal não é observado pelo contribuinte. Entendo que requisitos meramente formais como este cujo descumprimento nenhum prejuízo causou nem ao fisco, nem aos fins previsto na lei concessora , podem ser relativizados na aplicação de benefícios fiscais, em especial se a causa restar justificada e se forem cumpridos todos os demais requisitos. No caso dos autos, os demais requisitos foram atendidos e deve ser dado por justificado o descumprimento apenas deste. Isto porque não é razoável exigir de um investidor, sobretudo se estrangeiro, ao se habilitar num leilão de privatização acerca do qual se tem por certa a concessão de benefício fiscal sobre o valor pago a mais, que coteje antes todas as exigências regulatórias possíveis das demais agências para saber ao final qual a forma exata de como proceder, sob pena de poder vir a perder o benefício prometido. Peço vênia para discordar também quanto à possibilidade, aventada pelo relator, de o grupo controlador estrangeiro poder ter saneado financeiramente a 1ª empresa veículo, em vez de criar mais uma e proceder em seguida à reestruturação societária. Isto porque não está o contribuinte obrigado a adotar formas mais onerosas, além das previstas na lei que concede o benefício fiscal, por conta apenas de cumprir exigências regulatórias de outras agências, identificadas a posteriori. Pelo exposto, voto por conhecer do recurso voluntário para, no mérito, dar lhe parcial provimento apenas com relação ao aproveitamento do ágio CTEEP na apuração do IRPJ, acompanhando na íntegra o relator quanto a todas as demais questões por ele enfrentadas em seu r. voto. É como voto. Allan Marcel Warwar Teixeira Redator Designado Fl. 3394DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.002553/2006-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. SEM AVERBAÇÃO ANTES DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. NÃO EXCLUSÃO DA BASE DE CALCULO.
Não será excluída da base de cálculo do ITR, a área declarada como reserva legal sem a comprovação de que foi averbada junto à matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador.
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. NÃO APRESENTAÇÃO. NÃO EXCLUSÃO.
Para efeito de exclusão da área de preservação permanente na apuração da base de cálculo do ITR, além de preencher os requisitos legais estabelecidos pelo Código Florestal, o contribuinte, obrigatoriamente, deveria protocolar o Ato Declaratório Ambiental - ADA junto ao IBAMA no prazo regulamentar após a entrega da DIAT/ITR.
LEI. ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. NÃO CABIMENTO. SÚMULA CARF Nº 2.
Não cabe à esfera administrativa analisar ilegalidade ou inconstitucionalidade de legislação tributária, matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário.
"O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária."
JURISPRUDÊNCIAS. NÃO TRANSITADO EM JULGADO. SEM DECISÕES DEFINITIVAS DE MÉRITO. NÃO VINCULAM. JULGAMENTO.
A jurisprudência referente a processos judiciais ainda não transitados em julgado e sem decisões definitivas de mérito não vinculam o julgamento na esfera administrativa. Pois o dever de observância obrigatória se refere a decisões definitivas proferidas pelo STF e STJ, após o trânsito em julgado do recurso afetado para julgamento como representativo da controvérsia.
Numero da decisão: 2202-005.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Thiago Duca Amoni e Leonam Rocha de Medeiros. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10320.002562/2006-22, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson. - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Leonam Rocha de Medeiros, Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ÁREA DE RESERVA LEGAL. SEM AVERBAÇÃO ANTES DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. NÃO EXCLUSÃO DA BASE DE CALCULO. Não será excluída da base de cálculo do ITR, a área declarada como reserva legal sem a comprovação de que foi averbada junto à matrícula do imóvel antes da ocorrência do fato gerador. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. OBRIGATORIEDADE. NÃO APRESENTAÇÃO. NÃO EXCLUSÃO. Para efeito de exclusão da área de preservação permanente na apuração da base de cálculo do ITR, além de preencher os requisitos legais estabelecidos pelo Código Florestal, o contribuinte, obrigatoriamente, deveria protocolar o Ato Declaratório Ambiental ADA junto ao IBAMA no prazo regulamentar após a entrega da DIAT/ITR. LEI. ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. NÃO CABIMENTO. SÚMULA CARF Nº 2. Não cabe à esfera administrativa analisar ilegalidade ou inconstitucionalidade de legislação tributária, matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário. "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." JURISPRUDÊNCIAS. NÃO TRANSITADO EM JULGADO. SEM DECISÕES DEFINITIVAS DE MÉRITO. NÃO VINCULAM. JULGAMENTO. A jurisprudência referente a processos judiciais ainda não transitados em julgado e sem decisões definitivas de mérito não vinculam o julgamento na AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 25 53 /2 00 6- 31 Fl. 148DF CARF MF 2 esfera administrativa. Pois o dever de observância obrigatória se refere a decisões definitivas proferidas pelo STF e STJ, após o trânsito em julgado do recurso afetado para julgamento como representativo da controvérsia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Thiago Duca Amoni e Leonam Rocha de Medeiros. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10320.002562/200622, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Leonam Rocha de Medeiros, Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202005.134, de 11 de abril de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10320.002562/200622, paradigma deste julgamento, com adaptações na forma a seguir apresentada. Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento DRJ, a qual julgou procedente o lançamento e manteve o crédito tributário correspondente ao Imposto Territorial Rural ITR, acrescido da multa e dos juros de mora, referente ao imóvel rural denominado Fazenda Boa Sorte, com área total de 9.939,0 ha, cadastrado na RFB com o NIRF n° 5.436.2636 e localizado no município de Turiaçu MA. Do Lançamento Tributário No tocante ao lançamento tributário, observase que se trata de processo referente ao auto de infração no qual se exige o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, relativo ao imóvel denominado “Fazenda Boa Sorte”, localizado no município de Turiaçu MA, NIRF 5.436.2636, com área total de 9.939,0 ha. Regularmente intimada do lançamento, a contribuinte apresentou impugnação alegando que: a) a área se encontra situada na Amazônia legal; b) que a desconsideração da área de preservação permanente fere o dispositivo do Código Florestal; c) que o ADA passou a ser obrigatório apenas a partir da edição da Medida Provisória n° 2.166 67, de 24/08/2001; d) que já apresentou o ADA ao IBAMA e e) que é incabível a exigência da multa de ofício de 75%. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10320.002553/200631 Acórdão n.º 2202005.135 S2C2T2 Fl. 3 3 A Impugnação foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Quando da análise do presente caso, a DRJ apreciou lançamento e a impugnação, proferindo a decisão por meio do Acórdão considerando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário exigido. Do Recurso Voluntário A contribuinte devidamente intimada do Acórdão referente à decisão proferida pela DRJ, apresentou recurso voluntário. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente se insurgiu contra a decisão da DRJ, apresentando as seguintes alegações: Confusão Entre os Institutos de Direito Ambiental Preliminarmente, a empresa alegou que houve confusão entre a distinção dos institutos de direito ambiental que definem a área de preservação permanente e a área de reserva legal. Para esclarecer que houve equívoco, apresentou fundamentos legais contidos nos incisos II e III, do § 2°, do art. 1°, da lei n° 4.771/65, explicando o seu entendimento sobre os conceitos destes institutos e também enfatizando a diferença entre eles, frisando que a área de reserva legal excetuase da área de preservação permanente. Feita essas considerações, cumpre estabelecer que a área excluída da tributação está encravada numa área de reserva legal, e não de preservação permanente, como equivocadamente se fez entender. Diante disso, é se concluir que o próprio nome, reserva legal, já induz que parcela da propriedade do contribuinte está afetada por uma destinação legal. Do contrário, só se poderia exigir condutas no sentido da preservação dessas áreas após o Ato Declaratório do Ibama, o que seria temerário a ordem jurídica ambiental. A Recorrente continuou alegando que não pode o Direito Tributário, nos termos do art. 110, do próprio CTN, alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos de direito ambiental para exigir a exação sobre a totalidade do imóvel. Afirmou que não se pode exigir que o contribuinte comprove algo que a própria lei já diz que o é. Que exigir do contribuinte que ele porte um documento declaratório para que faça jus à isenção do imposto é um despropósito, pois a própria lei já cuidou de afetar parcela do seu patrimônio como de interesse ambiental. Exclusão da Base de Cálculo Reserva Legal Amazônia Legal No mérito, a Recorrente afirmou que a área objeto da tributação pelo imposto Territorial Rural está circunscrita a área denominada Amazônia Legal, não há o que ser questionado nesse sentido. Por este motivo, contestou a obrigatoriedade de apresentação do ADA alegando que dentro dos diversos meandros burocráticos existentes em nosso país, ainda se tem exigido, equivocadamente digase, o indigitado Ato Declaratório Ambiental ADA, a fim de que o contribuinte possa excluir da base de calculo do ITR as áreas de reserva legal. Fl. 150DF CARF MF 4 A Recorrente entendeu que nada mais absurdo, é de cristalina elucidação que as áreas da recorrente estão inseridas no contexto da Amazônia Legal, sendo portanto, lícito à contribuinte excluir da tributação 80% da área total do imóvel de sua propriedade. Para sustentar sua contestação, invoca o § 1°, inciso II, do art. 10, da Lei n.° 9.393/96 e também os art. 1° e 16, inciso I, da Lei n.° 4.771/1965. A empresa argumentou também que o AuditorFiscal no auto de infração, e os Julgadores da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em decisão proferida, com esse entendimento, presumiram se tratar de declaração fraudulenta do contribuinte, quando excluiu da base de cálculo do Imposto Territorial Rural parcela do seu patrimônio a titulo de reserva legal. A recorrente, com o objetivo de corroborar os seus argumentos, apresentou, ao longo do seu recurso, além da legislação correlata, jurisprudências do TRF e do STJ. Do Pedido Ao final, a Recorrente requer que: Diante do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, requer a recorrente seja acolhido o presente recurso a fim de seja cancelado o débito fiscal reclamado, assim como a multa aplicada consectariamente. É o relatório. Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson Relator Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202005.134, de 11 de abril de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10320.002562/200622, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2202005.134, de 11 de abril de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, com adaptações conforme descrito a seguir. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar Preliminarmente, a empresa alegou que houve confusão no que diz respeito ao entendimento das definições de direito ambiental em relação à área de preservação permanente e à área de reserva legal, afirmando que a área para a qual pleiteia exclusão da base tributável do ITR "está encravada numa área de reserva legal, e não de preservação permanente, como equivocadamente se fez entender.", por isso, apresentou argumentos para justificar que no seu imóvel existe uma área de reserva legal e não área de preservação permanente como foi declarada na sua DIAT/ITR. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10320.002553/200631 Acórdão n.º 2202005.135 S2C2T2 Fl. 4 5 Continuou alegando que "não pode o Direito Tributário, conforme prevê o art. 110, do próprio CTN, alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos de direito ambiental para exigir a exação sobre a totalidade do imóvel (...)" e também, em relação a área de reserva legal, que "não se pode exigir que o contribuinte comprove algo que a própria lei já diz que o é.". Analisando a preliminar suscitada pela Recorrente, notase que os motivos alegados se referem à questão de mérito, assim, neste caso, os argumentos aqui apresentados serão devidamente apreciados no decorrer do voto, quando da análise do mérito, razão pela qual rejeito a preliminar arguida. Da Controvérsia Para o deslinde da questão contida nos presentes autos exige que se decida sobre a comprovação legal e formal da existência da área de preservação permanente APP e da área de reserva legal ARL bem como da entrega do Ato Declaratório Ambiental ADA, antes do início da ação fiscal, para efeito de exclusão das referidas áreas da incidência do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR. No caso da Área de Preservação Permanente e da Área de Reserva Legal, para efeito da sua caracterização, cabe observar o contido nos art. 2º (com redação dada pela Lei nº 7.803/89) e do art.16 (com redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) da Lei nº 4.771/65. No tocante à exclusão das áreas de preservação ambiental da incidência do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, cabe observar os requisitos estipulados para tal exoneração, previstos no art. 10, §1º inciso II, 'a' da Lei nº 9.393/96, com a seguinte redação: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; Assim, ao analisar a composição da base de cálculo para apuração do ITR nos termos do art. 10 da Lei nº 9.393/96 é possível concluir que podem ser excluídas da tributação as áreas protegidas e de interesse de proteção ambiental, como APP e ARL, quando atendidos os requisitos exigidos na referida lei. Por isso, para o deslinde da questão, fazse necessário estabelecer as diferenças existentes entre área de preservação permanente APP e área de reserva legal ARL, com o objetivo de verificar se as referidas áreas preencheram os requisitos legais e Fl. 152DF CARF MF 6 formais para efeito de exclusão da base de cálculo do ITR, especificamente acerca da necessidade de averbação prévia e a da apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao IBAMA, uma vez que as áreas, quando preenchidos os requisitos legais, impactam diretamente no cálculo do ITR. Da Apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA No que tange ao Ato Declaratório Ambiental, o qual deve ser preenchido e apresentado pelos declarantes de imóveis rurais obrigados ao ITR, podese afirmar que é um documento de cadastro junto ao IBAMA das áreas de interesse ambiental que integram o conjunto do imóvel rural e que possibilita ao Proprietário Rural reduzir o Imposto Territorial Rural – ITR, com a exclusão da área de Preservação Permanente APP da base tributária, efetivamente protegida e informada no Documento de Informação e Apuração DIAT/ ITR. Dos documentos apresentados pela Recorrente, verificase que, em 20/12/2005, houve a entrega do Ato Declaratório Ambiental ADA, referente ao ano de 2005, conforme carimbo de protocolo no documento. Verificando o ADA apresentando, especificamente o campo 03 dados do imóvel, constatase que número do imóvel na Receita Federal do Brasil NIRF 5.436.2687 registrado neste documento está diferente do número do imóvel que consta na intimação fiscal e no auto de infração NIRF 5.436.2636. Portanto, como há divergência na identificação do NIRF entre o imóvel declarado no ADA e o imóvel objeto do lançamento, entendo, que por este motivo, ficou prejudicada a sua análise, dificultando a livre convicção em relação a prova apresentada, nos termos do art. 29 do Decreto 70.235/72. Neste caso, pelos motivos expostos, não se acata ADA apresentado como documentos hábil a comprovar as informações para o imóvel rural objeto do lançamento. Área de Preservação Permanente APP De acordo com o artigo 2º da Lei nº 4.771/65, para que a área pleiteada se enquadrasse como área de preservação permanente, bastava apenas que estivesse localizada nos espaços definidos naquele artigo, salvo as hipóteses previstas no art. 3º da mesma lei nº 4.771/65, para as quais requerem declaração do Poder Público para sua caracterização. Todavia, para efeito de exclusão da área de preservação permanente na apuração da base de cálculo do ITR, além de preencher os requisitos legais estabelecidos na Lei nº 4.771/65, a contribuinte deveria, obrigatoriamente, apresentar o ADA ao IBAMA dentro do prazo normativo, nos termos do parágrafo 1º, art. 17O, da Lei nº 6.938 de 31 de agosto de 1981 (com redação dada pela Lei nº 10.165 de 27/12/2000). Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1ºA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. (Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000). Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10320.002553/200631 Acórdão n.º 2202005.135 S2C2T2 Fl. 5 7 § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (redação dada pela Lei nº 10.165 de 27/12/2000). Do mesmo modo, o Decreto nº 4.382 de 19 de setembro de 2002, que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, no inciso I, parágrafo 3º, art. 10, também tratou da obrigatoriedade de apresentar o ADA para efeito da exclusão da área tributável das áreas correspondentes à de preservação permanente. Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso II): I de preservação permanente (Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965 Código Florestal, arts. 2º e 3º, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989, art. 1º); (...) § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); (grifo não faz parte do original). Neste caso, notase que a contribuinte não logrou êxito em comprovar a entrega do Ato Declaratório Ambiental (ADA) referente ao exercício de 2002, para efeito de desoneração do ITR/2002, em relação a área de preservação permanente. Além disso, a empresa alegou que houve equívoco no entendimento das definições entre à área de preservação permanente e à área de reserva legal, reconhecendo que na sua propriedade não existe uma área de preservação permanente e sim uma área de reserva legal, com a seguinte afirmação: "está encravada numa área de reserva legal, e não de preservação permanente, como equivocadamente se fez entender." Dessa forma, o fato de a contribuinte reconhecer que no seu imóvel não existe área de preservação permanente, impedea de excluir da base de cálculo do ITR, área nestas condições. Diante do exposto, tendo em vista a não apresentação do ADA e o reconhecimento por parte da contribuinte que no seu imóvel não existe uma área de preservação permanente, entendo que a Recorrente não faz jus à exclusão da base de cálculo do ITR da área correspondente à preservação permanente. Da Área de Utilização Limitada (Reserva Legal) No seu recurso, a empresa declarou que houve equívoco no entendimento das definições entre à área de preservação permanente e à área de reserva legal, reconhecendo que na sua propriedade não existe área de preservação permanente e sim área de reserva legal, com Fl. 154DF CARF MF 8 a seguinte afirmação: "está encravada numa área de reserva legal, e não de preservação permanente, como equivocadamente se fez entender." Alegou ainda que pelo fato de seu imóvel está em uma área denominada Amazônia Legal estaria excluído da tributação do ITR: "sendo portanto, lícito à contribuinte excluir da tributação 80% da área total do imóvel de sua propriedade." decorrente da reserva legal existente no referido imóvel, embasando seus argumentos no § 1°, inciso II, do art. 10, da Lei n.° 9.393/96 e nos art. 1° e 16, inciso I, da Lei n.° 4.771/1965. No tocante ao argumento da Recorrente de que 80% da área total do seu imóvel estaria excluído da tributação pelo fato de estar localizado na Amazônia Legal, não merece acolhida, pois a Lei n.° 4.771/1965, Código Florestal, estabeleceu condições e obrigações para efeito de caracterização e proteção das florestas e demais formas de vegetação que compõem o meio ambiente, enquanto que, por outro lado, a Lei nº 9.393 de 19 de dezembro de 1996, art. 10, inciso II, estabeleceu como estas áreas estariam excluídas da base de incidência do ITR. Dessa forma, para efeito do reconhecimento como área de proteção ambiental e também para exclusão da base tributável do ITR, fazse necessário cumprir requisitos legais para tal reconhecimento, como averbação da área de reserva legal e a entrega do Ato Declaratório Ambiental que teve a sua obrigatoriedade instituída pelo § 1º, art. 17O, da Lei nº 6.938/81 e inciso I, do parágrafo 3º, art. 10, do Decreto nº 4.382/2002. Assim, no caso da Área de Reserva Legal, para efeito de sua caracterização, cabe observar o contido nos § 4º e § 8º do art. 16 da Lei nº 4.771/65, código florestal, que determina, além da exigência do interesse ecológico, os seguintes requisitos; a) aprovação prévia do Poder Público quanto a localização da área limitada e ainda b) que essa área definida fosse devidamente averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Regulamento) (...) § 4o A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001). (grifei). § 8º A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001). (grifei). Além disso, para efeito de desoneração do ITR da área correspondente à reserva legal, de que trata o disposto na alínea 'a', no inciso II, no §1º, do art. 10, da Lei nº Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10320.002553/200631 Acórdão n.º 2202005.135 S2C2T2 Fl. 6 9 9.393/96, cabe observar que a área de reserva legal deve estar averbada antes de ocorrência do fato do gerador do ITR, conforme determina o disposto no §1º, do art. 12 do Decreto nº 4.382 de 19 de setembro de 2002. Art. 12. São áreas de reserva legal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais é vedada a supressão da cobertura vegetal, admitindose apenas sua utilização sob regime de manejo florestal sustentável (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001). § 1º Para efeito da legislação do ITR, as áreas a que se refere o caput deste artigo devem estar averbadas na data de ocorrência do respectivo fato gerador. Isto posto, notase que a averbação no registro público da área de reserva legal é condição sine qua non para se obter a redução do ITR, nos termos estabelecidos pelas Leis nº 4.771/65 e nº 9.393/96 e pelo Decreto n° 4.382/2002. Entretanto, nem na impugnação e nem no recurso voluntário, a contribuinte não logrou êxito em comprovar de que houve averbação da reserva legal antes do lançamento do tributo, por isso os argumentos apresentados pela Recorrente não merecem prosperar. Assim sendo, rejeito os argumentos HTM Engenharia de Projetos Ltda de que 80% do seu imóvel estaria excluído da base tributável do ITR, apenas por fazer parte da Amazônia Legal. Das Definições e o Alcance dos Institutos do Direito Ambiental A Recorrente alegou que "não pode o Direito Tributário, conforme prevê o art. 110, do próprio CTN, alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos de direito ambiental para exigir a exação sobre a totalidade do imóvel (...):" Entretanto, a recorrente apresentou suas alegações, mas não apontou qual foi o instituto que a Lei nº 9.393/96 pudesse ter alterado ou contrariado nos termos do art. 110 do CTN. Por isso, tal questionamento, da forma como apresentado, sem apontar qual foi a alteração promovida pela lei, fica caracterizado como uma argumentação genérica. Contudo, observando a Lei nº 9.393 de 19 de dezembro de 1996 que "Dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, sobre pagamento da dívida representada por Títulos da Dívida Agrária e dá outras providências." percebese que não há qualquer alteração da definição, do conteúdo e do alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, como previsto no referido art. 110 do CTN. Além disso, se a Recorrente ao afirmar que "não pode o Direito Tributário, conforme prevê o art. 110, do próprio CTN, alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos de direito ambiental para exigir a exação sobre a totalidade do imóvel (...):" pretendia questionar o ato legal em si, neste caso, poderia estar diante de pretensa alegação de ilegalidade ou inconstitucionalidade. Dessa forma, se fosse o caso de possível alegação de ilegalidade ou inconstitucionalidade, não cabe examinar tal alegação, pois extrapola os limites da Fl. 156DF CARF MF 10 competência do julgador administrativo, uma vez que a instância administrativa está adstrita à aplicação da lei, enquanto que fica reservado ao Poder Judiciário declarar qualquer irregularidade, ilegalidade ou inconstitucionalidade existente no ordenamento jurídico. Até porque, não se pode, em sede administrativa, declarar ilegalidade ou inconstitucionalidade de ato normativo em vigor, visto que à Administração Pública cabe tão somente dar aplicação aos comandos legais e que a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Conforme dispõe o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, que disciplina o Processo Administrativo Fiscal Federal – PAF: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 6o . O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (NR) Assim sendo, rejeito o argumento da recorrente de que a Lei nº 9.393/96 pudesse ter alterado ou contrariado o disposto do art. 110 do CTN. Contudo, deixo de examinar a alegação, caso tivesse a intenção de questionar possível ilegalidade ou inconstitucionalidade do ato, por extrapolar os limites da competência do julgador administrativo, observando a Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Da Jurisprudência Em relação a jurisprudência apresentada pela empresa, cabe esclarecer que os efeitos das decisões judiciais, conforme art. 503 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015), somente obrigam as partes envolvidas, uma vez que a sentença judicial tem força de lei nos limites das questões expressamente decididas. Além disso, no caso das jurisprudências, cabe tão somente ao conselheiro do CARF, o dever de observância obrigatória de decisões definitivas proferidas pelo STF e STJ, após o trânsito em julgado do recurso afetado para julgamento como representativo da controvérsia. Assim, entendo que a jurisprudência trazidos aos autos pela recorrente não vinculam este julgamento na esfera administrativa. Em relação ao argumento de que "o Auditor Fiscal no auto de infração, e os Julgadores Delegacia da Receita Federal de Julgamento em decisão proferida, com esse entendimento, presumiram se tratar de declaração fraudulenta do contribuinte, quando excluiu Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10320.002553/200631 Acórdão n.º 2202005.135 S2C2T2 Fl. 7 11 da base de cálculo do Imposto Territorial Rural parcela do seu patrimônio a titulo de reserva legal.", entendo que este argumento não procede, uma vez que o julgador explicou que a multa de ofício foi aplicada no percentual mínimo de 75%, porque não houve intuito de fraude. Decisão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 158DF CARF MF
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