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Numero do processo: 10880.939827/2013-23
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 02 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-000.094
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a unidade de origem confirme, nas DIRF das empresas indicadas pela recorrente, as retenções na fonte efetuadas por filiais.
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Andréa Machado Millan - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: ANDREA MACHADO MILLAN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a unidade de origem confirme, nas DIRF das empresas indicadas pela recorrente, as retenções na fonte efetuadas por filiais. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Presidente. (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, e Jose Roberto Adelino da Silva.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a unidade de origem confirme, nas DIRF das empresas indicadas pela recorrente, as retenções na fonte efetuadas por filiais. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Presidente. (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Andréa Machado Millan, e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório O presente processo trata de Declaração de Compensação formalizada em 15/12/2004 através dos PER/DCOMP às fls. 9 a 91. Têm por objeto o Saldo Negativo de IRPJ apurado pela empresa no 3º trimestre do anocalendário de 2007, no valor de R$ 129.847,24. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 39 82 7/ 20 13 -2 3 Fl. 460DF CARF MF Processo nº 10880.939827/201323 Resolução nº 1001000.094 S1C0T1 Fl. 461 2 O pedido foi parcialmente deferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária de São Paulo (DeratSP), com fundamento no Despacho Decisório nº 064334491, eletrônico, de 04/09/2013 (fls. 2 a 5). O Despacho Decisório informou que, analisadas as PER/DCOMP, dos R$ 132.761,15 informados como retenção na fonte, apenas R$ 93.814,40 haviam sido confirmados pelos sistemas da Receita Federal. Que o valor original do saldo negativo informado nos PER/DCOMP, confirmado na DIPJ, era de R$ 129.847,24. Que, considerandose apenas os valores de retenções na fonte confirmados, o valor do saldo negativo disponível era de R$ 90.900,42. Que o crédito reconhecido era insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão pela qual homologava parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP 17333.10031.310709.1.3.020792. As retenções de imposto não confirmadas, no valor total de R$ 38.946,75 (R$ 132.761,15 – R$ 93.814,40), são detalhadas no quadro constante às fls. 4 e 5, denominado Parcelas Confirmadas Parcialmente ou Não Confirmadas. Cientificado do Despacho Decisório, o contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 92 a 117, alegando que as retenções de R$ 132.761,15 foram detalhadamente informadas na DIPJ, e são objeto de rigoroso controle por parte da empresa, conforme demonstrativo que apresenta, às fls. 102 a 107, extraído de sua contabilidade. Ainda, argumentou que das retenções na fonte não confirmadas, num total de R$ 38.946,75, parte (R$ 15.901,00) não foi confirmada porque declarada à Receita Federal pelo CNPJ da matriz, enquanto nos PER/DECOMP foram informados os CNPJ das filiais. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I – RJ, no Acórdão de Manifestação de Inconformidade às fls. 165 a 169 do presente processo, negou provimento à manifestação da empresa, confirmando o Despacho Decisório. Abaixo, sua ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO. Não comprovado o direito creditório pleiteado pelo contribuinte, indeferese o pedido de compensação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2007 IRRF. COMPROVAÇÃO DE RETENÇÕES NÃO CONFIRMADAS NA DIRF. REGISTROS CONTÁBEIS. Os registros contábeis da pessoa jurídica beneficiária do rendimento não constituem, por si sós, documentos hábeis para comprovar a retenção do imposto retido na fonte. Argumentou que o legislador elegeu como documento comprobatório, por excelência, o informe de rendimentos fornecido pela fonte pagadora, conforme art. 55 da Lei nº Fl. 461DF CARF MF Processo nº 10880.939827/201323 Resolução nº 1001000.094 S1C0T1 Fl. 462 3 7.450, de 23/12/1985. Que, no caso concreto, a interessada não havia apresentado os informes de retenção emitidos pelas fontes pagadoras, o que não a impediria de provar, por outros meios, as retenções sofridas. Que esta comprovação, todavia, haveria de ser inequívoca. Que a simples apresentação de demonstrativo, relacionando por clientes, não comprovava de forma inequívoca as retenções, por se tratar de documento produzido unilateralmente, pelo próprio interessado. Que para que tais registros pudessem ser aceitos como comprovantes hábeis, deveriam estar acompanhados dos livros contábeis, das notas fiscais de prestação de serviços e de extratos bancários onde estivessem evidenciados os valores líquidos recebidos e as respectivas fontes pagadoras. Inconformado, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 176 a 182. Nele alega novamente que das retenções na fonte não confirmadas, num total de R$ 38.946,75, parte (R$ 15.901,00) não foi confirmada porque declarada à Receita Federal pelo CNPJ da matriz, enquanto nos PER/DCOMP foram informados os CNPJ das filiais. Além disso, buscando sanar a falta de comprovação do crédito tributário apontada pelo julgador de primeira instância, anexou ao recurso a cópia das notas fiscais referentes às quatro fontes pagadoras responsáveis pelos maiores valores de retenções não comprovadas (planilha no corpo do recurso, à fl. 180, cópia das notas fiscais às fls. 229 a 426). Alegou ser inviável anexar todos os documentos referentes a todas as fontes pagadoras. É o Relatório. Voto Conselheira Andréa Machado Millan, Relatora O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Como dito acima, a recorrente afirma que das retenções na fonte não confirmadas, num total de R$ 38.946,75, parte, no valor de R$ 15.901,00, não se confirmou porque foi declarada à Receita Federal, através de DIRF, no CNPJ da matriz, enquanto em seus PER/DCOMP as retenções foram informadas nos CNPJ das filiais. Junta, no corpo do recurso, planilha com a lista das referidas retenções, totalizando R$ 15.901,00, informando, para cada retenção, o CNPJ da filial que a efetuou e o CNPJ da matriz, responsável pela DIRF. De fato, verificase que nas PER/DCOMP (fls. 9 a 91) as retenções foram informadas pelos CNPJ das filiais. E, de fato, em obediência ao artigo 15, incisos I e IV, da Lei nº 9.779/1999, abaixo reproduzidos, os pagamentos de IRRF são efetuados, obrigatoriamente, de forma centralizada pela matriz da empresa, bem como a declaração a eles referente: Art. 15. Serão efetuados, de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica: Fl. 462DF CARF MF Processo nº 10880.939827/201323 Resolução nº 1001000.094 S1C0T1 Fl. 463 4 I o recolhimento do imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos; (...) IV a apresentação das declarações de débitos e créditos de tributos e contribuições federais e as declarações de informações, observadas normas estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal. Para confirmar a informação trazida pela recorrente sobre as retenções efetuadas por filiais, é necessário que se acesse as DIRF das fontes pagadoras, nas quais supostamente há o detalhamento das retenções na fonte de cada um de seus estabelecimentos. Tratase de confirmação indispensável ao julgamento do processo. Tais informações, disponíveis nos sistemas da Receita Federal, independem de intimação à recorrente ou da apresentação de qualquer documento de sua parte. Caso se comprovem verdadeiras, influenciarão de forma decisiva no reconhecimento do direito de crédito, no valor retido informado nas DIRF. Caso houvessem sido detectadas pelos sistemas, ou verificadas manualmente na unidade de origem, os valores de crédito correspondentes teriam sido automaticamente homologados. Diante do exposto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, determinando o retorno do processo à unidade de origem, para que esta confirme, nas DIRF das empresas indicadas pela recorrente na planilha constante do Recurso Voluntário (planilha à fl. 178), as retenções na fonte efetuadas pelas filiais ali elencadas. A unidade de origem deverá elaborar relatório fiscal conclusivo sobre as apurações e cientificar o sujeito passivo do resultado da diligência realizada, conforme parágrafo único do art. 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. (assinado digitalmente) Andréa Machado Millan Fl. 463DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10932.720040/2015-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
LEI VIGENTE. AFASTAMENTO ADMINISTRATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, afastando a aplicação de comando legal vigente, conforme Súmula CARF no 2.
PERÍCIA. FORMAÇÃO DE CONVICÇÃO DO JULGADOR. INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE.
As demandas de perícia se prestam à formação e convicção do julgador, e não à produção de provas pelas partes. Estando o processo devidamente instruído pelas partes, e sendo os elementos nele constantes suficientes à decisão, o indeferimento de perícia não constitui cerceamento do direito de defesa, nem enseja nulidade processual.
RESPONSABILIADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. TERCEIROS. COEXISTÊNCIA. POSSIBILIDADE. REAIS BENEFICIÁRIOS DE ESQUEMA FRAUDULENTO. RESPONSABILIZAÇÃO. CABIMENTO.
Em uma mesma autuação, é possível coexistirem responsáveis solidários de direito e de fato (terceiros) com fundamento nos arts. 124 e 135 do Código Tributário Nacional. Cabível a atribuição de responsabilidade quando se comprova que os recursos provenientes das operações que se concluiu serem fictas eram direcionados a pessoas físicas, beneficiárias do esquema fraudulento, ou a empresas a elas relacionadas, seja diretamente ou por meio de outras empresas por elas controladas ou com sua participação.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. OPERAÇÃO CORROSÃO. AQUISIÇÃO SIMULADA DE MERCADORIAS. GLOSAS DE CRÉDITO. CABIMENTO.
Demonstrado, no bojo da Operação Corrosão, e em relatório produzido pela fiscalização, que foram efetuadas aquisições simuladas de mercadorias, que não correspondem às operações de fato realizadas, cabível a glosa dos créditos correspondentes e o lançamento da Contribuição para o PIS/PASEP devida.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. FRAUDE. DECADÊNCIA. MAJORAÇÃO DA MULTA.
Caracterizada a fraude, aplica-se a contagem do período decadencial prevista no art. 173, I do CTN, e cabível se torna a majoração a 150% da multa de ofício, por expressa previsão na Lei no 9.430/1996 (art. 44).
REGIME ADOTADO PARA APURAÇÃO DE IRPJ/CSLL. NÃO AFETAÇÃO DO LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP.
O regime de tributação de IRPJ e CSLL adotado no lançamento, em processo referente ao mesmo período, ainda não definitivamente julgado, não afeta o presente lançamento, referente a Contribuição para o PIS/PASEP, no qual foram glosados os créditos indevidos. Tais créditos são indevidos tanto na cumulatividade quando na não cumulatividade.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
COFINS. OPERAÇÃO CORROSÃO. AQUISIÇÃO SIMULADA DE MERCADORIAS. GLOSAS DE CRÉDITO. CABIMENTO.
Demonstrado, no bojo da Operação Corrosão, e em relatório produzido pela fiscalização, que foram efetuadas aquisições simuladas de mercadorias, que não correspondem às operações de fato realizadas, cabível a glosa dos créditos correspondentes e o lançamento da COFINS devida.
COFINS. FRAUDE. DECADÊNCIA. MAJORAÇÃO DA MULTA.
Caracterizada a fraude, aplica-se a contagem do período decadencial prevista no art. 173, I do CTN, e cabível se torna a majoração a 150% da multa de ofício, por expressa previsão na Lei no 9.430/1996 (art. 44).
REGIME ADOTADO PARA APURAÇÃO DE IRPJ/CSLL. NÃO AFETAÇÃO DO LANÇAMENTO DE COFINS.
O regime de tributação de IRPJ e CSLL adotado no lançamento, em processo referente ao mesmo período, ainda não definitivamente julgado, não afeta o presente lançamento, referente a COFINS, no qual foram glosados os créditos indevidos. Tais créditos são indevidos tanto na cumulatividade quando na não cumulatividade.
Numero da decisão: 3401-006.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos quatro recursos voluntários apresentados.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 LEI VIGENTE. AFASTAMENTO ADMINISTRATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, afastando a aplicação de comando legal vigente, conforme Súmula CARF no 2. PERÍCIA. FORMAÇÃO DE CONVICÇÃO DO JULGADOR. INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE. As demandas de perícia se prestam à formação e convicção do julgador, e não à produção de provas pelas partes. Estando o processo devidamente instruído pelas partes, e sendo os elementos nele constantes suficientes à decisão, o indeferimento de perícia não constitui cerceamento do direito de defesa, nem enseja nulidade processual. RESPONSABILIADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. TERCEIROS. COEXISTÊNCIA. POSSIBILIDADE. REAIS BENEFICIÁRIOS DE ESQUEMA FRAUDULENTO. RESPONSABILIZAÇÃO. CABIMENTO. Em uma mesma autuação, é possível coexistirem responsáveis solidários de direito e de fato (terceiros) com fundamento nos arts. 124 e 135 do Código Tributário Nacional. Cabível a atribuição de responsabilidade quando se comprova que os recursos provenientes das operações que se concluiu serem fictas eram direcionados a pessoas físicas, beneficiárias do esquema fraudulento, ou a empresas a elas relacionadas, seja diretamente ou por meio de outras empresas por elas controladas ou com sua participação. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. OPERAÇÃO CORROSÃO. AQUISIÇÃO SIMULADA DE MERCADORIAS. GLOSAS DE CRÉDITO. CABIMENTO. Demonstrado, no bojo da Operação Corrosão, e em relatório produzido pela fiscalização, que foram efetuadas aquisições simuladas de mercadorias, que não correspondem às operações de fato realizadas, cabível a glosa dos créditos correspondentes e o lançamento da Contribuição para o PIS/PASEP devida. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. FRAUDE. DECADÊNCIA. MAJORAÇÃO DA MULTA. Caracterizada a fraude, aplica-se a contagem do período decadencial prevista no art. 173, I do CTN, e cabível se torna a majoração a 150% da multa de ofício, por expressa previsão na Lei no 9.430/1996 (art. 44). REGIME ADOTADO PARA APURAÇÃO DE IRPJ/CSLL. NÃO AFETAÇÃO DO LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. O regime de tributação de IRPJ e CSLL adotado no lançamento, em processo referente ao mesmo período, ainda não definitivamente julgado, não afeta o presente lançamento, referente a Contribuição para o PIS/PASEP, no qual foram glosados os créditos indevidos. Tais créditos são indevidos tanto na cumulatividade quando na não cumulatividade. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 COFINS. OPERAÇÃO CORROSÃO. AQUISIÇÃO SIMULADA DE MERCADORIAS. GLOSAS DE CRÉDITO. CABIMENTO. Demonstrado, no bojo da Operação Corrosão, e em relatório produzido pela fiscalização, que foram efetuadas aquisições simuladas de mercadorias, que não correspondem às operações de fato realizadas, cabível a glosa dos créditos correspondentes e o lançamento da COFINS devida. COFINS. FRAUDE. DECADÊNCIA. MAJORAÇÃO DA MULTA. Caracterizada a fraude, aplica-se a contagem do período decadencial prevista no art. 173, I do CTN, e cabível se torna a majoração a 150% da multa de ofício, por expressa previsão na Lei no 9.430/1996 (art. 44). REGIME ADOTADO PARA APURAÇÃO DE IRPJ/CSLL. NÃO AFETAÇÃO DO LANÇAMENTO DE COFINS. O regime de tributação de IRPJ e CSLL adotado no lançamento, em processo referente ao mesmo período, ainda não definitivamente julgado, não afeta o presente lançamento, referente a COFINS, no qual foram glosados os créditos indevidos. Tais créditos são indevidos tanto na cumulatividade quando na não cumulatividade.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos quatro recursos voluntários apresentados. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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AFASTAMENTO ADMINISTRATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, afastando a aplicação de comando legal vigente, conforme Súmula CARF no 2. PERÍCIA. FORMAÇÃO DE CONVICÇÃO DO JULGADOR. INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE. As demandas de perícia se prestam à formação e convicção do julgador, e não à produção de provas pelas partes. Estando o processo devidamente instruído pelas partes, e sendo os elementos nele constantes suficientes à decisão, o indeferimento de perícia não constitui cerceamento do direito de defesa, nem enseja nulidade processual. RESPONSABILIADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. TERCEIROS. COEXISTÊNCIA. POSSIBILIDADE. REAIS BENEFICIÁRIOS DE ESQUEMA FRAUDULENTO. RESPONSABILIZAÇÃO. CABIMENTO. Em uma mesma autuação, é possível coexistirem responsáveis solidários de direito e de fato (terceiros) com fundamento nos arts. 124 e 135 do Código Tributário Nacional. Cabível a atribuição de responsabilidade quando se comprova que os recursos provenientes das operações que se concluiu serem fictas eram direcionados a pessoas físicas, beneficiárias do esquema fraudulento, ou a empresas a elas relacionadas, seja diretamente ou por meio de outras empresas por elas controladas ou com sua participação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 72 00 40 /2 01 5- 07 Fl. 14127DF CARF MF 2 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. “OPERAÇÃO CORROSÃO”. AQUISIÇÃO SIMULADA DE MERCADORIAS. GLOSAS DE CRÉDITO. CABIMENTO. Demonstrado, no bojo da “Operação Corrosão”, e em relatório produzido pela fiscalização, que foram efetuadas aquisições simuladas de mercadorias, que não correspondem às operações de fato realizadas, cabível a glosa dos créditos correspondentes e o lançamento da Contribuição para o PIS/PASEP devida. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. FRAUDE. DECADÊNCIA. MAJORAÇÃO DA MULTA. Caracterizada a fraude, aplicase a contagem do período decadencial prevista no art. 173, I do CTN, e cabível se torna a majoração a 150% da multa de ofício, por expressa previsão na Lei no 9.430/1996 (art. 44). REGIME ADOTADO PARA APURAÇÃO DE IRPJ/CSLL. NÃO AFETAÇÃO DO LANÇAMENTO DE CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. O regime de tributação de IRPJ e CSLL adotado no lançamento, em processo referente ao mesmo período, ainda não definitivamente julgado, não afeta o presente lançamento, referente a Contribuição para o PIS/PASEP, no qual foram glosados os créditos indevidos. Tais créditos são indevidos tanto na cumulatividade quando na não cumulatividade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 COFINS. “OPERAÇÃO CORROSÃO”. AQUISIÇÃO SIMULADA DE MERCADORIAS. GLOSAS DE CRÉDITO. CABIMENTO. Demonstrado, no bojo da “Operação Corrosão”, e em relatório produzido pela fiscalização, que foram efetuadas aquisições simuladas de mercadorias, que não correspondem às operações de fato realizadas, cabível a glosa dos créditos correspondentes e o lançamento da COFINS devida. COFINS. FRAUDE. DECADÊNCIA. MAJORAÇÃO DA MULTA. Caracterizada a fraude, aplicase a contagem do período decadencial prevista no art. 173, I do CTN, e cabível se torna a majoração a 150% da multa de ofício, por expressa previsão na Lei no 9.430/1996 (art. 44). REGIME ADOTADO PARA APURAÇÃO DE IRPJ/CSLL. NÃO AFETAÇÃO DO LANÇAMENTO DE COFINS. O regime de tributação de IRPJ e CSLL adotado no lançamento, em processo referente ao mesmo período, ainda não definitivamente julgado, não afeta o presente lançamento, referente a COFINS, no qual foram glosados os créditos indevidos. Tais créditos são indevidos tanto na cumulatividade quando na não cumulatividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 14128DF CARF MF Processo nº 10932.720040/201507 Acórdão n.º 3401006.154 S3C4T1 Fl. 14.128 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos quatro recursos voluntários apresentados. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre os Autos de Infração de fls. 8801 a 8834, e 8835 a 88671, lavrados em 03/06/2015, para exigência de Contribuição para o PIS/PASEP, e de COFINS, referentes ao período de 01/01/2010 a 31/12/2011, acrescidas de juros de mora e de multa de ofício majorada (150 %), totalizando originalmente R$ 4.399.567,89 (PIS) e R$ 19.965.727,61 (COFINS), por insuficiência de recolhimento, conforme detalhado em Termo de Verificação e Constatação de Ação Fiscal (TVCAF). São ainda arrolados como sujeitos passivos, além da empresa “Luckmetais Comércio de Metais LTDA” (doravante “LUCKMETAIS”), na qualidade de responsáveis solidários: “Paulo Henrique Escobar Cerqueira” (doravante “PAULO HENRIQUE”), ciente da autuação em 12/06/2015 (fl. 9013); “Rafael Escobar Cerqueira” (doravante “RAFAEL”), ciente da autuação em 12/06/2015 (fl. 9009); “João André Escobar Cerqueira” (doravante “JOÃO ANDRÉ”), ciente AR sem data, com carimbo de 10/06/2015 (fl. 9005); “João Carlos Magarotto (doravante “JOÃO CARLOS”), ciente da autuação em seu nome e da empresa, como responsável, em 12/06/2015 (fls. 8989 e 8993); “Ednaldo Coelho da Silva” (doravante “EDNALDO”), ciente da autuação por edital publicado em 08/06/2015 (fl. 8997); “Paulo Cesar Verly da Cruz” (doravante “PAULO CESAR”), ciente AR sem data, com carimbo de 13/06/2015 (fl. 9017); e “João Natal Cerqueira” (doravante “JOÃO NATAL”), ciente AR sem data, com carimbo de 10/06/2015 (fl. 9001). No TVCAF de fls. 8929 a 8986, narrase que: (a) a fiscalização da DRF São Bernardo do Campo/SP, sob acompanhamento do Ministério Público Federal, objetivou auditar várias empresas (a maioria delas relacionadas em relatório anterior de auditoria, da DRF Nova Iguaçu/RJ, que indicava empresas domiciliadas em SP e RJ com indícios de emissão de milhares de notas de vendas inexistentes em 2010 e 2011), entre as quais a “LUCKMETAIS” (integra o TCAF o Relatório Geral de Auditorias, indicando o modus operandi das empresas); (b) no curso da ação fiscal, verificouse que a “LUCKMETAIS” simulava ter comprado mercadorias e/ou matériasprimas de outras empresas pseudofornecedoras (“noteiras”), que não 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 14129DF CARF MF 4 possuíam existência de fato conforme comprovado pela fiscalização, e por trabalho do Escritório de Pesquisa e Investigação (ESPEI) da 7ª Região Fiscal da RFB, por meio de diligências in loco – transacionando mais de R$ 70 milhões em 2010 e mais de R$ 114 milhões em 2011, em notas fiscais fraudulentas (figuras demonstrativas à fl. 8030); (c) a “LUCKMETAIS” foi constituída em 13/03/2007, em São Caetano/SP, por “JOÃO CARLOS” (70%) e sócia que se retirou após dois meses, transferindo suas cotas a “EDNALDO”, com capital social de R$ 100.000,00 e sem muita expressividade econômica, mas que movimentou cerca de R$ 189 milhões entre 2009 e 2011, e transferiu, durante a fiscalização, seu endereço para Curitiba/PR, onde obteve baixa da respectiva pessoa jurídica; (d) iniciado o procedimento fiscal em 29/04/2013, o contribuinte “LUCKMETAIS” foi intimado a apresentar documentação, tendo retornado o termo de intimação, via correios, com a mensagem de “MUDOUSE”, apesar de o endereço ser o informado à RFB em cadastro, o que ensejou nova intimação, por edital; (e) não apresentados os extratos bancários solicitados, foi demandada Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF); (f) intimado o sócio “EDNALDO”, em seu domicílio informado à RFB, em virtude de não ter sido localizada a empresa, também este termo de intimação retornou, via correios, com a mensagem de “NÃO EXISTE O NÚMERO INDICADO”; (g) em diligência no endereço cadastral informado pela “LUCKMETAIS” à RFB, em 08/07/2013 foi encontrada uma loja de bijuterias (foto à fl. 8033), não tendo os proprietários nem o locador notícias sobre a “LUCKMETAIS”; (h) intimado o sócio “JOÃO CARLOS” a informar à RFB o novo endereço da empresa, houve ciência em 02/07/2013, e o endereço cadastral foi alterado para Curitiba, em 17/07/2013, mas a intimação enviada a tal endereço em 01/08/2013 retornou, via correios, com a mensagem de “AUSENTE”, e, em uma segunda tentativa, em 13/09/2013, com a mensagem de “MUDOU SE”, verificandose que o contribuinte havia promovido a sua baixa no seu novo domicílio fiscal em Curitiba/PR; (i) analisandose os extratos obtidos junto ao banco, via RMF, foram verificados cheques relativos a compras de diversos fornecedores, intimandose o sócio “JOÃO CARLOS” (que consta no cartão de assinaturas do banco) a comprovara efetiva aquisição das mercadorias por documentação hábil, não tendo sido apresentados os documentos em uma primeira intimação, e, em segunda intimação, entregues algumas duplicatas e comprovantes de pagamento referentes aos anos de 2010 e 2011 (discriminação às fls. 8035/8036); (j) intimada a apresentar conhecimentos de transporte e comprovantes de seu pagamento, não houve resposta, nem informação se o transporte teria sido efetuado por meios próprios; (k) verificado que havia indícios de irregularidades nas empresas que teriam emitidos as notas fiscais (ausência de registro de movimentação financeira, ausência de entregas de declaração à RFB, sócios com patrimônio incompatível com o volume transacionado, e inexistência de fato – análise dos fornecedores “ALUMIBRAS”, “DOGMA”, “LASAC”, “POLLYBRASIL”, “RCPROAMBIENTE”, “SUDCOBRE”, “FRAGA”, “POLIMET”, “BLACK STAR”, “FONTINY”, “GALEÃO”, “LEVAL”, “LORETO”, “MURION”, “O.M.C”, “ROTHAPLASMET”, “TEKNOYA”, “UNA” e “VEIGA”, às fls. 8939 a 8959, na qual se percebe a total ausência de entrega de DIPJ, GPIF, além de não habilitação no SINTEGRA e relação entre os sócios de algumas empresas fornecedoras), o contribuinte foi informado, solicitandose que apresentasse documentos que comprovassem a efetiva entrega das mercadorias (relacionados às fls. 8937/8938), tendo sido apresentados, em resposta, notas fiscais de compras e de vendas, e cópias de livro de registro de entradas 2010/2011, informandose que em função do encerramento da empresa, outros documentos não foram arquivados, e que todas as aquisições eram feitas a partir de pedidos de compra (que não apresentou), e que avaliava os fornecedores dentro das exigência das ISO9000; (l) com base nas informações das diligências, foi aberta fiscalização na empresa “TRANSFORME Ind. E Com. De Metais e Papéis LTDA” (doravante “TRANSFORME”), em São Bernardo do Campo/SP, sendo verificado que a “LUCKMETAIS” registrava operações contábeis simuladas/inexistentes, com o objetivo de aumentar o passivo da conta fornecedores, emitindo cheques para o pagamento de título comercial para transparecer a existência das operações Fl. 14130DF CARF MF Processo nº 10932.720040/201507 Acórdão n.º 3401006.154 S3C4T1 Fl. 14.129 5 perante os fiscos, mas os recursos de tais cheques eram direcionados a pessoas totalmente estranhas às operações, à margem das escritas fiscal/contábil, totalizando movimentação de mais de R$ 3 bilhões (cf. tabela de fl. 8961 e gráfico do modus operandi à fl. 8964); (m) as movimentações das empresas (localizadas nos Estados de SP e RJ) eram feitas majoritariamente em uma mesma agência do Bradesco (radial LesteUSP), em contas de diferentes empresas, várias com números sequenciais, e divergem da contabilidade (exemplos às fls. 8962 a 8964, onde se destaca que a fraude é similar à praticada pelas demais empresas analisadas no “Relatório Geral de Auditorias”); (n) glosados os créditos das aquisições, foram, por consequência, lançados os valores que passaram a ser devidos, a título das contribuições (cf. tabela de fl. 8968), com multa majorada para 150%, em função da prática reiterada, sistemática e dolosa de contabilizar pagamentos e operações comerciais fictícias com empresas inidôneas e inexistentes (art. 72 da Lei no 4.502/1964), com a devida representação fiscal para fins penais; (o) em relação à responsabilidade, foram incluídos como solidários os sócios da “LUCKMETAIS” à época dos fatos geradores, “JOÃO CARLOS” e “EDNALDO”, verificandose para onde migravam os recursos após circularem entre as empresas participantes: as empresas “KOPRUM”, “EMPÓRIO”, “CIMEELI”, “NATURE”, que tinham em sues quadros societários “PAULO HENRIQUE” e “RAFAEL” (“KOPRUM”), “PAULO CESAR” e “JOÃO NATAL” (“EMPÓRIO”, “CIMEELI” e “NATURE”), sendo o principal articulador “JOÃO NATAL”, sócios de várias empresas e investimentos, que abastecia as contas correntes das empresas, principalmente na citada agência do Bradesco, em face das facilidades para abertura de contas e movimentações; e (p) várias empresas, sob controle da família Cerqueira (“PAULO HENRIQUE” e “RAFAEL”), nas quais participavam ainda “PAULO CESAR” e “JOÃO NATAL”, constituíam “caixa” para as operações, na forma descrita às fls. 8972/8984, onde aparece ainda outro integrante da família Cerqueira, “JOÃO ANDRÉ”, com fluxos e participações detalhados às fls. 8984/8985, pelo que a responsabilidade, com fundamento nos artigos 124, II e 135, III foi imputada a estas cinco pessoas físicas. Noticiase, ao final, que os autos de infração para exigência de IRPJ e CSLL foram lavrados nos processos no 10932.720129/201484 (ano de 2009) e no 10932.720037/201585 (2010/2011), e o referente a IPI (2010/2011) no processo no 10932.720038/201520, e que, pelo fato de estar baixada a empresa “LUCKMETAIS”, a ciência se dá ao sócio responsável, “JOÃO CARLOS”. O “Relatório Geral de Auditorias” da chamada “OPERAÇÃO CORROSÃO” se encontra às fls. 9018 a 9131. “JOÃO NATAL”, acusado de principal articulador, é o primeiro a apresentar Impugnação, em 08/06/2015 (fls. 9135 a 9174), alegando, em síntese, que: (a) foi incluído de forma arbitrária como devedor solidário mesmo sem fazer parte do quadro societário da empresa “LUCKMETAIS”, e jamais ter se relacionado diretamente com tal empresa; (b) houve decadência, conforme art. 150, § 4o do CTN; (c) o lançamento é nulo por impossibilidade de invocar simultaneamente as responsabilidades referidas nos arts. 124 e 135 do CTN, como já decidiu o CARF; (d) não se configurou o interesse comum a que se refere o art. 124 do CTN, não havendo sequer prova de relação direta entre o indicado como responsável e a autuada, e a solidariedade fundada no art. 124 somente pode existir entre sujeitos que figurem no mesmo polo de relação obrigacional; (e) há inconsistência nos fatos indicados no trabalho fiscal para tentar fundamentar sua sujeição passiva solidária, existindo “ardil intenção fiscal de macular a imagem do impugnante”, ao trazer notícia sensacionalista ao processo; (f) não foi demonstrado qualquer envolvimento da empresa “NATURE” (da qual possui 99,99% das quotas sociais) na suposta fraude fiscal; (g) até 10/08/2010 era apenas acionista da “CIMEELI”, não compondo sua diretoria, e, depois disso, simples quotista, com participação de R$ 1,00; (h) não era sócio da empresa “KOPRUM” (que sequer figura como responsável solidária na autuação) em todo o período fiscalizado, e não participava de sua Fl. 14131DF CARF MF 6 administração, sendo arbitrário o trabalho fiscal de imputar responsabilidade a partir de indícios de recebimentos de valores por pessoa jurídica à qual não pertencia; (i) não participa, desde 2002, da empresa “EMPÓRIO”; (j) o trabalho fiscal não indica qualquer depósito ou transferência bancária que a empresa “LUCKMETAIS” (autuada) teria feito em seu favor, e imputar responsabilidade solidária com base em envolvimento indireto (em “itinerário” dos recursos) equivaleria a sujeitar a pessoa repetidas vezes à imputação pelo mesmo fato; (k) aplicase ao caso a “Teoria da Insignificância”, pois ainda que tenham sido depositados eventuais valores na conta bancária de sua titularidade, tais valores são ínfimos se comparados com os totais envolvidos na suposta fraude fiscal; (l) há ausência de comprovação do suposto redirecionamento dos recursos financeiros hipoteticamente recebidos pelas empresas “KOPRUM”, “CIMEELI” e “EMPÓRIO” aos “reais beneficiários”, sendo falaciosos o fluxo denominado de “Fluxo Financeiro Família Cerqueira”, apontando falhas referido no fluxo, como a ausência de individualização das condutas; (m) na dúvida sobre a aplicação a penalidade, deveria ser acolhido o externado no art. 112 do CTN; (n) o trabalho fiscal é nulo, pois, entendendo restar prejudicado o valor probante das notas fiscais que lastreariam as aquisições, deveria o fisco ter adotado o regime do lucro arbitrado para fins de apuração dos tributos devidos, conforme RIRart. 530; (o) com base nas declarações de IRPF, o laudo pericial contábil anexo à defesa (fls. 9309 a 9336) verifica que as alterações patrimoniais são compatíveis com a renda declarada e justificada; (p) a circunstância agravante cometida pela pessoa jurídica não se comunica com os responsáveis solidários, em função da personalização da pena; (q) a multa, no percentual aplicado (150%), é inconstitucional e confiscatória; e (r) demandase perícia técnica para resposta aos quesitos de fls. 9175/9176. “JOÃO ANDRÉ”, por seu turno, apresentou Impugnação em 08/07/2015 (fls. 9339 a 9369), alegando, basicamente, os mesmos argumentos que “JOÃO NATAL”, com a mesma demanda por diligência, e adicionando que “JOÃO ANDRÉ” sequer consta do “itinerário” dos recursos, não tendo recebido transferências bancárias ou depósitos. “PAULO CESAR”, por sua vez, apresentou Impugnação em 13/07/2015 (fls. 9482 a 9526), também invocando os argumentos trazidos pelos outros impugnantes (inclusive o de necessidade de perícia, com quesitos diversos), e agregando que foi utilizada prova ilícita, por quebra ilegal de sigilo bancário, e que a motivação de figurar no polo passivo se deve a participação no quadro societário de empresas que sequer foram autuadas, e a ser um dos reais beneficiários do esquema, o que não é comprovado. No mesmo sentido as Impugnações apresentadas por “RAFAEL” e “PAULO HENRIQUE”, ainda em 13/07/2015 (fls. 9589 a 9621, com quesitos às fls. 9622/9623, e fls. 9723 a 9754, e quesitos às fls. 9755/9756). A empresa “LUCKMETAIS” apresentou, também, sua Impugnação, às fls. 9840 a 9978, assinada por “JOÃO CARLOS”, argumentando, em síntese, que: (a) a agência bancária do Bradesco referida pela fiscalização é conhecida por congregar como clientes empresas do ramo de matais, restando “conhecida no mercado pelos empresários de tais seguimentos” (sic), sendo livre a opção da empresa pela escolha de estabelecimento bancário; (b) a declaração de inidoneidade das empresas que transacionaram com a “LUCKMETAIS” não se presta a comprovar qualquer desvio de conduta desta, que sempre tomou todas as precauções no tocante à aquisição dos produtos, tudo devidamente pautado na conduta de boa fé, e não poderia a empresa saber do que nem o fisco ainda sabia; (c) as transações comerciais efetivamente ocorreram, como comprova a documentação entregue ao fisco, aplicandose ao caso o disposto no REsp no 1.148.444/MG, na sistemática do art. 543C do CPC então vigente, e Súmula STJ no 509, que esclarecem que o adquirente de boafé não pode ser responsabilizado por verificação de futura inidoneidade da documentação apresentada pelo vendedor; (d) é inconcebível que depósitos e movimentações financeiras, sem provas, sejam presumidos como Fl. 14132DF CARF MF Processo nº 10932.720040/201507 Acórdão n.º 3401006.154 S3C4T1 Fl. 14.130 7 fraudulentos, sendo ilegítimo o lançamento arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários, conforme Súmula no 182, do extinto TFR; (e) houve violação ao contraditório e à ampla defesa, por ausência de relatório final conclusivo e elucidativo dos fatos, e ausência de acesso a anexos (colacionando dezenas de páginas de excertos gerais e abstratos acadêmicos que se prestariam a qualquer processo administrativo), para afirmar que não lhe foram disponibilizados relatório final e anexos; (f) houve infringência ao princípio da vedação ao confisco, com a multa no patamar de 150%, havendo posicionamento de tribunais superiores sobre a confiscatoriedade de multas como a de 75%, reduzindoa a 20%; (g) houve incongruências e inconsistências no lançamento, sem apontalas especificamente, mas afirmando que foi demonstrada a regularidade de todas as operações pela empresa; (h) é ônus do fisco comprovar que não merece fé o que consta na documentação fiscal; (i) basta ao fisco verificar seu banco de dados para saber que houve efetivo recolhimento dos tributos e contribuições decorrentes do exercício de sua atividade; (j) em momento alguma a empresa transacionou com as empresas “SOHO”, “CARMAX”, “FORT”, “SPARTACO”, “W.G.M.” e “SELTA”, havendo erro material do lançamento nesse aspecto; (k) várias das empresas tidas como inidôneas/inexistentes continuam ativas, com estoque, funcionários, e responsáveis legais, citando algumas à fl. 9922, assim como outros erros que atestariam a desídia da fiscalização; (l) no caso de multa majorada (150%) não há responsabilidade de sócio (mencionando “André Attivo”) a menos que comprovada uma das hipóteses do art. 135 do CTN, que não opera conjuntamente com o art. 124 da mesma codificação; (m) a relação da empresa “LUCKMETAIS” com o Sr. “JOÃO NATAL”, e suas empresas, é comercial, e a empresa “TRANSFORME “ existe, tem sede, estoque e responsáveis; e (n) é ilegal e inconstitucional a quebra de sigilo bancário. Ao final de sua defesa, tece a empresa considerações gerais sobre os princípios da capacidade contributiva e da isonomia tributária, voltando a defender, agora com menções acadêmicas/jurisprudenciais, a constitucionalidade da quebra de sigilo bancário, e a tratar novamente do tema da relação comercial da empresa “LUCKMETAIS” com outras. Conforme documento de fl. 13767, ocorreu revelia em relação a “JOÃO CARLOS” e “EDNALDO”, sendo consideradas tempestivas as cinco impugnações apresentadas pelas pessoas físicas, e intempestiva a apresentada pela pessoa jurídica. A decisão de primeira instância (fls. 13769 a 13841), proferida em 18/08/2016, foi, por unanimidade de votos, pela improcedência das impugnações apresentadas pelas pessoas naturais, responsáveis solidários pelos créditos tributários constituídos, e pelo não conhecimento da impugnação apresentada pela pessoa jurídica autuada, dada a intempestividade do feito, sob os seguintes fundamentos: (a) a notificação à pessoa jurídica se deu em 12/06/2015 (em que pese a peça recursal sustentar, sem prova, que a ciência teria sido em 19/06/2015 – fl. 9841), sendo a impugnação datada de 14/07/2015 recepcionada na repartição fiscal em 17/07/2015 (fl. 13765), o que caracteriza intempestividade, ensejando o não conhecimento da peça; (b) aplicase ao caso o disposto no art. 173, I, do CTN, não havendo que se falar em decadência, tendo em vista a existência de dolo; (c) não restou caracterizada nulidade, nos termos do art. 59 do Decreto no 70.235/1972; (d) não é necessária a realização de perícia, tendo em vista os robustos elementos probatórios que figuram no processo; (e) nenhum dos dois sócios da “LUCKMETAIS” (“JOÃO CARLOS” e “EDNALDO”, ambos revéis) possui capacidade econômica que respalde a movimentação financeira da empresa, da ordem de mais de R$ 255 milhões no período verificado, o que demonstra se tratarem de interpostas pessoas, conclusão que pode ser confirmada pela análise de suas declarações de ajuste anuais juntadas ao presente processo; (f) no contexto delituoso a empresa “LUCKMETAIS” ostentava o status de ser uma das produtoras dos chamados créditos tributários podres, já que simulava ter comprado Fl. 14133DF CARF MF 8 mercadorias e/ou matériasprimas de várias outras empresas que atuavam como pseudofornecedoras (“noteiras”), transacionando fictamente com empresas inexistentes cerca de R$ 146 milhões em notas fiscais emitidas de forma fraudulenta; (g) a empresa não apresentou documentação que comprovasse os créditos das contribuições em DACON, após intimada; (h) a análise detalhada da situação dos fornecedores (que não recolhiam tributo algum, nem apresentavam declarações fiscais, e sequer tinham existência física) levou à conclusão pela inexistência fática das transações, glosandose os créditos apropriados das contribuições (referindo exemplos, nos quais o pagamento reverteu à própria “LUCKMETAIS”, para destinatários diversos); (i) tendo em vista tudo o que foi apurado e demonstrado, chegase à conclusão de se estar perante uma simulação fraudulenta, concretizada no bojo das empresas diligenciadas na chamada “Operação Corrosão”, em que foi apurada a inexistência fática das pessoas jurídicas, a presença de interpostas pessoas seus contratos sociais, o que se deu em razão da existência de uma organização voltada para a apuração de créditos inexistentes, como denunciado pela fiscalização, arquitetada por empresários que, possuindo o chamado “domínio do fato”, fizeram o dinheiro transitar de forma virtual entre as empresas “noteiras” para, em uma etapa posterior, retornar significativa parcela dos recursos para organizações empresariais de suas respectivas propriedades, seja como quotistas, seja como acionistas, ainda que as participações tenham se dado por meio de outras pessoas jurídicas”; (j) consoante estatuído pelo art. 8o, II, da Lei no 10.637, de 2002, e pelo art. 10, II, da Lei no 10.833, de 2003, que tratam da apuração nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, respectivamente, permanecem sujeitas ao regramento estabelecido para a apuração cumulativa das contribuições sociais em apreço as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; (k) os recursos das operações simuladas eram destinados a terceiros estranhos às operações registradas, acabando por desaguar em diversas empresas em que as pessoas naturais responsabilizadas de forma solidária possuíam participação societária, e, em algumas ocasiões, os recursos foram depositados diretamente em contas bancárias pertencentes às ditas pessoas naturais (mais de R$ 34 milhões saíram das contas da “LUCKMETAIS” para irrigar contas de pessoas jurídicas que a fiscalização demonstrou serem inexistentes de fato”, sob a órbita das citadas pessoas físicas, o que leva à regularidade da responsabilização, inclusive pela multa de ofício majorada (150%), cuja constitucionalidade não comporta discussão administrativa; e (l) há precedentes do CARF que admitem expressamente a responsabilização de dirigentes formais ou informais, em “grupo econômico”. A ciência da decisão de piso ocorreu em 13/12/2016 para “JOÃO NATAL”, “JOÃO ANDRÉ”, “PAULO HENRIQUE” e “RAFAEL” e (fls. 13902 a 13905), sendo “JOÃO CARLOS”, revel, em seu nome e da empresa “LUCKMETAIS”, que teve a impugnação não conhecida, cientificado da decisão de piso em 14/12/2016 (fls. 13906/13907), e “EDNALDO”, igualmente revel, cientificado por edital (fl. 14119), após tentativa frustrada pela via postal (fls. 14116/14117). “PAULO CESAR”, para quem sequer havia documento comprovando a ciência da decisão de piso, apresentou Recurso Voluntário em 10/01/2017 (fls. 13909 a 13953), reiterando as alegações de decadência, ilegitimidade passiva por ausência de interesse comum, econômico e jurídico, destacando que não pertence à chamada “família Cerqueira”, e que não participava com poder de decisão nas empresas citadas no relatório fiscal, e recebeu um único depósito, no valor de R$ 17.500,00, que não adveio da “LUCKMETAIS”, aplicandose ao caso o art. 112 do CTN. No mais, reitera a alegação de confiscatoriedade da multa aplicada, e reitera a demanda por perícia, alegando que a negativa por parte da DRJ feriu seu direito de defesa. Os integrantes da família “Cerqueira”, “JOÃO ANDRÉ”, “RAFAEL” e “PAULO HENRIQUE”, apresentaram Recursos Voluntários em 11/01/2017 (fls. 13966 a 13998, 13999 a 14028, e 14029 a 14114, respectivamente) sustentando, basicamente, em reiteração ao já argumentado nas impugnações, que: (a) ocorreu decadência; (b) o lançamento nulo por vício insanável na motivação de sujeição passiva aos e invocar conjuntamente os arts. Fl. 14134DF CARF MF Processo nº 10932.720040/201507 Acórdão n.º 3401006.154 S3C4T1 Fl. 14.131 9 124 e 135 do CTN; (c) não restou configurada, no caso, a responsabilidade solidária por ausência de interesse comum, jurídico e econômico, por não figurarem os sujeitos no mesmo polo da relação obrigacional, e por ser inconsistente a demonstração individualizada da responsabilidade, inclusive no que se refere à majoração da multa, devendo, no caso de dúvida, ser aplicado o disposto no art. 112 do CTN; (d) o lançamento é improcedente, por não ter sido utilizado o lucro arbitrado, o que ensejaria a apuração das contribuições pelo regime cumulativo; e (e) a majoração da multa a torna confiscatória. Adicionam ainda que houve nulidade por cerceamento do direito de defesa na negativa de concessão, pela DRJ, da perícia solicitada, e que a família “Cerqueira” tem tradição no comércio de metais, em função do trabalho desenvolvido pelo pai, “JOÃO NATAL”, e que as empresas em discussão faziam parte de um planejamento sucessório, sendo que os filhos “JOÃO ANDRÉ” (com 22 anos e estudante de Ciências Biológicas ao tempo dos fatos, e que só veio a ter conta bancária em 2013), “RAFAEL” (à época com 23 anos e também estudante) e “PAULO HENRIQUE” (à época com 25 anos, e, igualmente, estudante) não detinham poderes de administração nas empresas, mencionandose o entendimento da DRJ no processo no 10932.720038/201520, também da “LUCKMETAIS” (em relação a “JOÃO ANDRÉ”). Na peça recursal de “PAULO HENRIQUE” é mais detalhada a argumentação em relação à alegação de ausência de comprovação, por parte do fisco, do “itinerário dos recursos” (fls. 14043 a 14101), no sentido de que a argumentação do fisco de que os recursos seriam advindos da “LUCKMETAIS” é conflitante com a referente aos processos da “STAR METALS” e da “ANSESIL”, entre outros, havendo a responsabilização das mesmas pessoas físicas, em processos distintos, pelos mesmos fatos, e de que há equívocos em relação ao quadro societário da “KOPRUM” ao longo do tempo, no relatório fiscal, pois a empresa, até 13/10/2010, não tinha nos quadros societários membros da família “Cerqueira”, havendo ainda equívocos em relação ao movimento de valores (com cômputos de saídas como se fossem entradas – fls. 14062 e seguintes). Na Informação Fiscal de fl. 14121, entendeuse pela tempestividade do recurso de “RAFAEL”, e que, pelo fato de o recurso ser “total”, aproveitaria aos demais, nos termos do art. 7o da Portaria RFB no 2.284, de 29/11/2010. No CARF, o processo foi sorteado e devolvido, em 03/05/2018, por extinção do mandato da conselheira relatora original (fl. 14124), sendo a mim redistribuído, por sorteio, em outubro de 2018. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator 1. Da Admissibilidade dos recursos Na verificação em relação à tempestividade dos recursos apresentados, percebo, preliminarmente, que não consta no processo a comprovação da ciência da decisão de piso ao recorrente “PAULO CESAR”. À fl. 13881, temse a intimação a ser destinada a tal Fl. 14135DF CARF MF 10 sujeito passivo, datada de 07/12/2016, ao lado das demais intimações (inclusive de sujeitos passivos que já não compunham o contencioso). Apesar de figurarem oito intimações às fls. 13849 a 13901, há apenas seis documentos de ciência, às fls. 13902 a 13907, que se somam a um sétimo (fls. 14116/14117), sem sucesso, vertido posteriormente em edital (fls. 14118/14119). No envio ao CARF, a unidade preparadora da RFB sequer se manifesta sobre a tempestividade dos recursos voluntários, à exceção do apresentado por “RAFAEL”, que foi entendido como tempestivo, e aproveitado aos demais sujeitos passivos, com fundamento na Portaria RFB no 2.284, de 29/11/2010, que foi recentemente revogada, pela Portaria RFB no 2.123, de 27/12/2018, que não deu novo tratamento à matéria. Eis a Informação Fiscal de envio do processo ao CARF (fl. 14121): Como o Recurso Voluntário apresentado por “PAULO CESAR” foi apresentado em 10/01/2017, entendo que há dúvidas sobre sua tempestividade, visto que a unidade preparadora da RFB poderia têlo cientificado ainda em 07/12/2016, tornando a data derradeira após o trintídio recursal o dia 06/01/2017 (sextafeira). Como nos demais documentos de ciência assinados em 07/12/2016, a efetiva ciência somente se deu após 13/12/2016, é razoável crer, no entanto, que a peça apresentada em 10/01/2017 (digase, antes de todos os demais recorrentes) seja tempestiva. Os demais recorrentes, filhos de “JOÃO NATAL” (“JOÃO ANDRÉ”, “RAFAEL” e “PAULO HENRIQUE”) apresentaram peças recursais em 11/01/2017, tendo sido cientificados da decisão e piso em 13/12/2016, sendo tempestivos, assim, os recursos voluntários. Cabe, no entanto, destacar que são revéis os seguintes sujeitos passivos: “LUCKMETAIS”, “JOÃO NATAL”, “JOÃO CARLOS” e “EDNALDO”. Seguese, assim, na análise dos recursos voluntários apresentados por “PAULO CESAR”, “JOÃO ANDRÉ”, “RAFAEL” e “PAULO HENRIQUE”, já recordando que o próprio Termo de Verificação e Constatação de Ação Fiscal (TVCAF), à fl. 8986, asseverou: Fl. 14136DF CARF MF Processo nº 10932.720040/201507 Acórdão n.º 3401006.154 S3C4T1 Fl. 14.132 11 2. Dos processos referentes a IRPJ e CSLL Em consulta ao sítio web do CARF, percebese que o processo referente a IRPJ e CSLL do mesmo período (2010/2011), de no 10932.720037/201585, foi recentemente julgado por meio do Acórdão no 1302003.012, de 15/08/2018, tendo sido negado provimento ao recurso de ofício, de forma unânime: “LUCRO ARBITRADO. DEVER DA FISCALIZAÇÃO. Em que pese ser uma medida excepcional, a apuração pelo arbitramento é obrigatória, caso a fiscalização constate a presença de um dos requisitos elencados na legislação que determinam essa forma de apuração, devendo a constituição do crédito tributário se dar com base no lucro arbitrado. É nula autuação que, ao invés de apurar o lucro arbitrado, constitui o crédito tributário pela forma de tributação de opção do contribuinte.” (grifo nosso) Concordou o CARF, no caso, com a decisão da DRJ, no sentido de que o art. 47, II, da Lei no 8.981/1995 determina que o lucro será arbitrado quando “a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável...”, sendo tal ditame seguido pelo art. 530 do RIR/1999. O relator, na DRJ, em tal processo, chegou a afirmar que caso a tributação ocorresse pelo arbitramento, os montantes seriam bem inferiores: “Para o anocalendário 2010, totalizandose os valores, temse que se a tributação ocorresse pelo arbitramento dos lucros o resultado seria de R$2.273.675,49. Como a tributação foi efetivada com no lucro real, a autoridade lançadora chegou ao resultado de R$17.592.887,98. Quanto ao anocalendário 2011, a tributação pelo lucro arbitrado seria de um montante de R$2.893.372,89, enquanto pelo lucro real foi de R$28.486.460,22.” O processo referente ao IPI do mesmo período (2010/2011), de no 10932.720038/201520, também foi recentemente julgado, por meio da Resolução no 3301 001.008, de 29/11/2018, na qual se decidiu unanimemente declinar da competência de julgamento em favor da Primeira Seção de Julgamento. Fl. 14137DF CARF MF 12 Verificando a ação fiscal, inicialmente destinada a apuração de IRPJ, percebese que sua amplitude, a partir do termo de fl. 5676, passa a: Diante do narrado no TVCAF, não se tem a mínima dúvida de que as autuações referentes aos distintos tributos derivam dos mesmos elementos de prova, apurados inicialmente na chamada “Operação Corrosão”. Caracterizada assim a situação de processos “reflexos”, na definição estabelecida pelo Anexo II do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09/06/2015, suscitando a discussão sobre a competência para julgamento: “Art. 2o À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF no 152, de 2016) (...) Art. 6o Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1o Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. (...) Fl. 14138DF CARF MF Processo nº 10932.720040/201507 Acórdão n.º 3401006.154 S3C4T1 Fl. 14.133 13 § 2o Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. (...)” (grifo nosso) Entendo, no caso, que diante da prolação de decisão, no processo principal, no 10932.720037/201585 (Acórdão no 1302003.012, de 15/08/2018), ainda que não definitiva, pois pendente de apreciação Recurso Especial da Fazenda Nacional, deve seguir este colegiado na análise do presente contencioso. 3. Da adoção do regime de lucro (real ou arbitrado) e seu impacto na presente autuação E o primeiro tema a analisar, que é prejudicial aos demais, se refere exatamente ao motivo da improcedência unânime da autuação de IRPJ e CSLL para o mesmo período: a alegação de que seria obrigatória a adoção do lucro arbitrado, e, por com sequência, da apuração das contribuições (COFINS e Contribuição para o PIS/PASEP) pela sistemática cumulativa. Colacionese, inicialmente, a fundamentação legal invocada no Acórdão no 1302003.012, de 15/08/2018, o art. 47, II, da Lei no 8.981/1995 (presente no art. 530 do RIR/1999, e no art. 603 do RIR/2018): “SEÇÃO V Do Regime de Tributação com Base no Lucro Arbitrado Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando: (...) II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraude ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real. (...)” (grifo nosso) A legislação que rege a Contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa (Lei no 10.637/2002), em seu art. 8o, II, dispõe que “[p]ermanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei... as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado”. No mesmo sentido a Lei no 10.833/2003, art. 10, II, versando sobre a COFINS não cumulativa. Assim, aplicarseia às referidas contribuições, na hipótese de lucro arbitrado de IRPJ, entendida como obrigatória no Acórdão no 1302003.012, de 15/08/2018, a sistemática da cumulatividade, não havendo que se falar em créditos. Fl. 14139DF CARF MF 14 Contudo, não comungamos do entendimento expresso no Acórdão no 1302 003.012, de 15/08/2018. Em relação à mesma “Operação Corrosão”, cabe destacar a decisão igualmente unânime, em sentido diverso, dada pelo Acórdão no 1402002.459, de 11/04/2017: “CUSTOS INDEDUTÍVEIS. LUCRO ARBITRADO. Nos casos de lançamento por glosa de custos tidos como inexistentes, não há que se falar na necessidade de arbitramento para evitar que se tribute receita como se lucro fosse. Ademais, no presente caso, o valor glosado não tem relevância significativa em relação aos recursos financeiros movimentados pela pessoa jurídica de forma a justificar a apuração do resultado por lucro arbitrado.” A nosso ver, pouco sentido faz a aplicação do art. 47, II, da Lei no 8.981/1995, nos casos em que se verifica, de forma determinada/específica, quais as operações simuladas que foram escrituradas em desacordo com a real transação, permitindo a determinação da base de cálculo dos créditos tomados. No caso em análise, o próprio propósito da fraude apontada pela fiscalização é exatamente a tomada de créditos. E, a partir do procedimento fiscal, é possível saber quais foram os créditos tomados indevidamente: aqueles de operações de compra e venda que, embora escrituradas, sequer existiram. Tanto que, no Acórdão no 1302003.012, de 15/08/2018, originário dos mesmos fatos aqui apurados, foi possível ao julgador de piso discernir o que, a seu juízo, “deveria ter feito a fiscalização”, quantificando os valores de lucro (real e arbitrado), por período. No caso das contribuições, entendo que as consequências de um ou outro caminho adotado em relação a IRPJ e CSLL, no entanto, não trazem maiores sobressaltos ao deslinde do contencioso, pois ambas apontam para a não acolhida integral dos créditos demandados pela empresa (e glosados pela fiscalização). E esse entendimento só endossa a decisão pelo seguimento do julgamento. Rechaço, portanto, a alegação de que o regime de tributação de IRPJ e CSLL adotado no lançamento, no processo no 10932.720037/201585, julgado (ainda não definitivamente) pelo Acórdão no 1302003.012, de 15/08/2018, macule a discussão no presente processo, referente a lançamento das contribuições (COFINS e Contribuição para o PIS/PASEP), assim como a alegação de que eventual adoção de regime entendido como incorreto pelo julgador, naqueles autos, possa afetar a quantificação do lançamento referente a glosas de crédito de contribuições aqui travado. 4. Da negativa de perícia pela instância de piso e dos novos pedidos de perícia Suscitase, ainda, em sede recursal, a nulidade da decisão de piso pela denegação da demanda por perícia, o que teria cerceado a defesa dos recorrentes. Sobre o tema, a DRJ expressa que cinco impugnantes demandaram perícia, e que os requisitos formais (basicamente, elaboração de quesitos e designação de responsável pelo acompanhamento) estariam preenchidos, mas, materialmente, a perícia era desnecessária, ante à “suficiência e a robustez da instrução processual levada a termo pela autoridade fiscalizadora” (fl. 13812), que esclarecia todos os pontos controversos levantados pelos então impugnantes. Fl. 14140DF CARF MF Processo nº 10932.720040/201507 Acórdão n.º 3401006.154 S3C4T1 Fl. 14.134 15 Verificandose tanto os quesitos das diligências demandadas (fls. 9175/9176, 9370/9371, 9523/9524, 9622/9623 e 9755/9756), quanto a análise efetuada pelo julgador de piso em relação às provas produzidas pelas partes, percebese que assiste razão à DRJ. Questões referentes a qual o período autuado, qual descrição do fato, ou quem são os sujeitos passivos, quais as pessoas envolvidas no “esquema” ou os montantes envolvidos/destinatários de recursos, ou qual o objeto da autuação, ou ainda quais as datas de ciência, são flagrantemente respondidas no próprio texto do TVCAF, que integra o Auto de Infração. Por seu turno, questões de direito, referentes a entendimento sobre cabimento de determinado regime, sobre a ocorrência de decadência ou sobre a confiabilidade ou não da contabilidade, não são afetas à perícia, mas à atividade do próprio julgador, que apenas deve demandar diligência caso tenha dúvida de fato. E são igualmente pouco afetas a perícia as indagações sobre a correção ou não do procedimento adotado pelo fisco, ou sobre quais outras empresas/pessoas deveriam/poderiam ser incluídas no lançamento, que constituem matéria de defesa, sob ônus probatório a cargo dos recorrentes, na medida em que rechaçam acusações documentadas pelo fisco. As demandas de perícia se prestam à formação e convicção do julgador, e não à produção de provas pelas partes. Estando o processo devidamente instruído pelas partes, e sendo os elementos nele constantes suficientes à decisão, o indeferimento de perícia não constitui cerceamento do direito de defesa, nem enseja nulidade processual. Assim, endossase o entendimento externado pela DRJ sobre a desnecessidade de perícia, reiterandose a negativa em relação à nova demanda pericial sequer detalhada em fase recursal, e rechaçandose a alegação de nulidade da decisão de piso por sua denegação, que não ensejou cerceamento do direito de defesa. 5. Da ocorrência de fraude, e suas consequências na majoração da multa e no cômputo da decadência Outro tema que afeta a todos os sujeitos passivos do contencioso é a existência ou não de fraude, e suas consequências sobre a multa de ofício aplicada (majoração de 75% para 150%) e sobre a decadência (deslocamento para o art. 173, I, do CTN). No entanto, não há, por parte dos recorrentes que restaram ativos no contencioso argumento substantivo de que não tenha existido fraude, no caso em análise. Cada qual se limita a negar sua participação no episódio, e a desqualificar o trabalho da fiscalização, acusando a multa de confiscatória e a solidariedade imputada de arbitrária. É indiscutível, no presente processo, que a empresa “LUCKMETAIS”, nos anos de 2010 e 2011, tendo no quadro societário duas pessoas de baixo patrimônio (incompatível com as transações) e que sequer continuam a apresentar defesas (“JOÃO CARLOS” e “EDNALDO”), efetuou aquisições de mercadorias (da ordem de R$ 170 milhões) de empresas que não tinham existência de fato, tomando créditos de tais compras, pela não cumulatividade, sendo notório que não tomou as mínimas medidas cabíveis para evitar o ocorrido. Aliás, recordese que a própria “LUCKMETAIS”, que agora figura como revel, ao lado de seus sócios no polo passivo, sem apresentar defesa nesta fase contenciosa, Fl. 14141DF CARF MF 16 alterou sua sede e foi baixada, ambas as medidas adotadas no curso da fiscalização. Adicione se que o endereço da sede anterior, que transacionou as cifras mencionadas (embora não se possa afirmar com convicção que a empresa chegou a operar efetivamente aí, visto que a imobiliária declarou não ter intermediado locação à empresa, sem indicar qual seria tal intermediário), aparece em foto à fl. 8032: Basta ler o TCAF para saber (e não há controvérsias em relação a isso) quem foram os fornecedores indicados em documentos para as aquisições da “LUCKMETAIS”. Citamos aqui apenas os três primeiros da listagem elaborada no TCAF, já incentivando a leitura complementar dos excertos do TCAF em relação aos demais (fls. 8943 a 8959), para os quais (sintetizese aqui) se perceberá exatamente as mesmas características (para “POLLYBRASIL”, “RCPROAMBIENTE”, “SUDCOBRE”, “FRAGA”, “POLIMET”, “BLACK STAR”, “FONTINY”, “GALEÃO”, “LEVAL”, “LORETO”, “MURION”, “O.M.C”, “ROTHAPLASMET”, “TEKNOYA”, “UNA” e “VEIGA”), havendo intersecções societárias e de endereço, além de fotos reveladoras das instalações das empresas, inclusive sócios que, além de possuírem patrimônio incompatível com o volume transacionado, eram analfabetos (caso da “FONTINY”), ou declararam que suas assinaturas foram falsificadas nos documentos constitutivos (caso da “LEVAL”): Fornecedor Características ALUMIBRAS Endereço em Duque de Caxias/RJ, com elevada movimentação financeira entre 2009 e 2012, mas receita bruta declarada apenas em 2009, e um único funcionário, que é também sócio da “POLIMET”, fornecedora da “LUCKMETAIS”. Sócio principal com perfil econômico incompatível. Empresa não habilitada no SINTEGRA. Não se comprovou a efetiva entrega ou transporte de nenhuma mercadoria transacionada. DOGMA Endereço em Duque de Caxias/RJ, com elevada movimentação financeira entre 2009 e 2011, mas jamais apresentou DIPJ, GFIP, DCTF, nem recolheu tributos, e não tem funcionários registrados. Seu endereço é originalmente o mesmo das empresas “LASAC” e “NEWSMETAL”, também citadas na “Operação Corrosão”. No endereço atual, não foi Fl. 14142DF CARF MF Processo nº 10932.720040/201507 Acórdão n.º 3401006.154 S3C4T1 Fl. 14.135 17 localizada, pois o número é inexistente, e pessoas que vivem nas imediações desconhecem a empresa. Empresa não habilitada no SINTEGRA. Não se comprovou a efetiva entrega ou transporte de nenhuma mercadoria transacionada. LASAC Endereço em Duque de Caxias/RJ, com elevada movimentação financeira entre 2010 e 2012, jamais recolheu tributos ou apresentou DIPJ, DCTF, GFIP, nem informa empregados registrados. Seu endereço coincide com as empresas “DOGMA” e “NEWSMETAL”, também citadas na “Operação Corrosão”. Sócios com perfil econômico incompatível ao volume transacionado. Empresa não habilitada no SINTEGRA. Não se comprovou a efetiva entrega ou transporte de nenhuma mercadoria transacionada. Ademais, várias dessas empresas, entre outras, mencionadas na “Operação Corrosão”, apesar de serem sediadas em diferentes estados, várias no RJ, possuíam contas correntes e movimentações financeiras em uma mesma agência bancária (Ag. 0559Bradesco SP USP Radial Leste), com números de conta próximos, conforme se demonstra à fl. 8961/8962 (v.g., “LUCKMETAIS” e “ALUMIBRAS”). Aliás, no relatório referente à “Operação Corrosão” se atesta que algumas das contas de tal agência sequer possuíam cartões de assinaturas/autógrafos ou cadastros (fl. 9130). Nenhuma dessas informações é comprovadamente afastada pelas defesas, e seria absolutamente desprovido de lógica imaginar que a “LUCKMETAIS” fazia uma mínima checagem (ou mesmo visita) a seus fornecedores nesse cenário. Aliás, afastase qualquer invocação à boafé (que redundaria em reconhecimento das operações em face da jurisprudência dominante), pois em absolutamente nenhuma transação aqui discutida foi comprovado o transporte ou a entrega da mercadoria, sendo as operações meramente documentais. O que se vê, nas figuras de fl. 8930, que compilam as vendas milionárias à “LUCKMETAIS” em 2010 e 2011, efetuadas por empresas fornecedoras com idênticas características de ilicitude, perceptíveis a olho nu ao ser mediano, denota um esquema criado para gerar créditos e sonegar tributos, deixando aparente para o fisco uma empresa baixada, sem capacidade operacional, e com sócios de patrimônio incompatível com os volumes transacionados, todos eles já ausentes deste contencioso: Fl. 14143DF CARF MF 18 Daí o fisco ter seguido adiante, buscando identificar quem estava efetivamente por trás deste esquema, tarefa que só foi possível em face da requisição de movimentação financeira (na forma permitida na legislação – Lei Complementar no 105/2001, Lei no 9.430/1996 e Decreto no 3.724/2001), exatamente na já conhecida agência bancária. Não tenho, nesse cenário, nenhuma dúvida sobre a ocorrência de fraude, na forma disciplinada pelo art. 72 da Lei no 4.502/1964. É desafiante imaginar que a “LUCKMETAIS” possa ter sido desatenciosa e pouco diligente a tal ponto que tenha transacionado as substanciais cifras descritas com empresas que nunca existiram com operacionalidade para sua prática, realizando aquisições de mercadorias que sequer consegue comprovar que recebeu de fato ou entregou (nenhuma delas!). E, havendo fraude, aplicase a contagem do período decadencial prevista no art. 173, I do CTN, não havendo configuração de decadência no presente processo, e cabível se torna a majoração a 150% da multa de ofício, por expressa previsão na Lei no 9.430/1996 (art. 44). Sobre ser confiscatória tal multa, assim como inconstitucional eventual obtenção de dados bancários, cabe simplesmente remeter à legalidade e vigência de suas normas instituidoras, e á impossibilidade de discussão administrativa de constitucionalidade, bem estabelecida na Súmula CARF no 2: “Súmula CARF no 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” No entanto, essa era a parte fácil do lançamento, e que já parecia esperada pela empresa “LUCKMETAIS”, preparada para ser a parte visível perante o fisco (e quem quer que a estivesse comandando de fato, já que os sócios, que se ausentaram deste contencioso, não comprovaram a contento fazêlo, embora sejam responsáveis de direito, de acordo com a legislação tributária). Necessário, então, perscrutar sobre a correção do procedimento fiscal na busca pela responsabilização de outras pessoas físicas, sem ligação societária com a “LUCKMETAIS”. É o que se faz a seguir, já esclarecendo que as conclusões aqui externadas são suficientes para a manutenção integral do lançamento em face de empresa “LUCKMETAIS”, e de seus sócios “JOÃO CARLOS” e “EDNALDO”, revéis, assim como de “JOÃO NATAL”, que igualmente deixou transcorrer in albis o prazo recursal. Fl. 14144DF CARF MF Processo nº 10932.720040/201507 Acórdão n.º 3401006.154 S3C4T1 Fl. 14.136 19 6. Da responsabilidade das pessoas físicas Resta, no presente tópico, discutir a atribuição de responsabilidade a “PAULO CESAR”, “JOÃO ANDRÉ”, “RAFAEL” e “PAULO HENRIQUE”, à luz de seus respectivos recursos voluntários apresentados. Antes da análise individualizada, no entanto, cabe enfrentar uma alegação geral de impossibilidade de cumulação de capitulação das reponsabilidades nos arts. 124 e 135 do CTN. Sobre tema conexo, já tratamos no Acórdão no 3403002.517, de 22/10/2013, entre outros, nos quais se aclarou que “a responsabilidade pessoal referida no art. 135 não implica o afastamento do contribuinte da relação tributária”: “SUJEIÇÃO PASSIVA. LANÇAMENTO. RESPONSABILIDADE PESSOAL. ART. 135, III DO CTN. SOLIDARIEDADE. Na hipótese prevista no art. 135, III do CTN não incorre em erro na eleição do sujeito passivo o lançamento efetuado contra o contribuinte. A responsabilidade pessoal referida no art. 135 não implica o afastamento do contribuinte da relação tributária.” (Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação ao tema, sessão de 22.out.2013) (grifo nosso) Na ocasião, endossamos, com acolhida do colegiado, que não há relação excludente entre a responsabilização do art. 135 e aquela prevista, em geral, na legislação tributária (remetendo ao contribuinte): “Nesse tópico, há que se destacar, de início, que não se discorda da aplicabilidade do art. 135, III ao caso, mas se opõe veementemente à interpretação de que a responsabilidade aí tratada seja exclusiva, e afaste a figura do contribuinte. O tema é controverso, e nem de longe as poucas referências bibliográficas citadas no Recurso Voluntário espelham um entendimento doutrinário dominante. Poderíamos inclusive endossála, de início, com obra expressiva, de Luciano AMARO, que afirma que o dispositivo (art. 135, III do CTN) exclui do pólo passivo da obrigação a figura do contribuinte (que, em princípio, seria a pessoa em cujo nome e por cuja conta agiria o terceiro), ao dispor no sentido de que o executor do ato responda pessoalmente. A responsabilidade pessoal deve ter aí o sentido (que já se adivinhava no art. 131) de que ela não é compartilhada com o devedor “original” ou “natural”. Não se trata, portanto, de responsabilidade subsidiária do terceiro, nem de responsabilidade solidária. Somente o terceiro responde “pessoalmente”. Para que incida o dispositivo, um requisito básico é necessário: deve haver a prática de ato para o qual o terceiro não detinha poderes, ou de ato que tenha infringido Fl. 14145DF CARF MF 20 a lei, o contrato social ou o estatuto de uma sociedade. [...] O problema está em se definir os atos a que se refere o art. 135. 2 (grifo nosso) Hugo de Brito MACHADO, no entanto, considera inaceitável tal entendimento, afirmando que A lei diz que são pessoalmente responsáveis, mas não são os únicos. A exclusão da responsabilidade, a nosso ver, teria de ser expressa. Com efeito, a responsabilidade do contribuinte decorre de sua condição de sujeito passivo direto da relação obrigacional tributária. Independe de disposição legal que expressamente a estabeleça. Assim, em se tratando de responsabilidade inerente à própria condição de contribuinte, não é razoável admitirse que desapareça sem que a lei o diga expressamente. Isto, aliás, é o que se depreende do disposto no art. 128 do Código Tributário Nacional, segundo o qual “a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação”. Pela mesma razão que se exige dispositivo legal expresso para a atribuição da responsabilidade a terceiro, também se há de exigir dispositivo legal expresso para excluir a responsabilidade do contribuinte. 3 (grifo nosso) Nelson Gustavo Mesquita Ribeiro ALVES, em obra coordenada por Paulo Afonso Brum Vaz e Leandro Paulsen, redige artigo específico sobre o art. 135, III, do CTN, sustentando que [...] é de se ter em mente que a doutrina classificou a responsabilidade tributária como por substituição ou por transferência. Haverá responsabilidade por substituição quando é esquecido, desde logo, o contribuinte, e chamado a responder pela obrigação o responsável, e responsabilidade por transferência quando este somente é chamado a responder após a tentativa de satisfação da obrigação em face do contribuinte (subsidiária) ou quando são acionados de forma conjunta (solidariedade). [...] A este trabalho nos interessa uma modalidade de responsabilidade de terceiros, especialmente aquela delineada no art. 135, III, do CTN. Da análise inicial da responsabilidade tributária em sentido amplo, [...] temse que aquela prevista no art. 135, III, do CTN pode ser classificada como responsabilidade por transferência, pois há a exigência do tributos do contribuinte (a sociedade empresária), não sendo excluída a responsabilidade desta pelo cumprimento da obrigação. Aliás, conforme ensina Zenildo BODNAR, ainda que se proceda à responsabilização do sóciogerente ou do 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10. ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 318319. 3 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de Direito Tributário. 21. ed. Malheiros: São Paulo, 2002, p. 142. Fl. 14146DF CARF MF Processo nº 10932.720040/201507 Acórdão n.º 3401006.154 S3C4T1 Fl. 14.137 21 administrador, esta não exclui a responsabilidade da pessoa jurídica, face ao princípio da separação patrimonial entre a pessoa jurídica e os seus sócios. 4 (grifo nosso). Outro trabalho específico sobre o tema, recentemente merecedor do Prêmio CARF 2010 de monografias em Direito Tributário, de autoria de Fabrizio Candia dos SANTOS, apresenta visão complementar sobre o tema, dispondo que [...] ao tratar da responsabilidade de terceiros, o CTN estabeleceu duas regras distintas: uma, conservando a sua caracterização de terceiro para vinculálo subsidiariamente ao credor nos casos em que, por sua omissão ou ação, reste inadimplida obrigação tributária. Em outra ponta, caso um ato ilícito do terceiro produza um fato gerador, deixa o mesmo (sic) de ser terceiro para vincularse pessoal e solidariamente à obrigação. A solidariedade decorre do comum interesse na situação que constitui o fato gerador, interesse esse revelado no momento em que excede os limites da lei. 5 (grifo nosso) A análise destes dois últimos posicionamentos é ainda mais enriquecedora quando aliada aos ensinamentos de Paulo de Barros CARVALHO, que entende tratarem os artigos referentes à responsabilidade de terceiros (como o art. 135) não de uma relação tributária, mas de uma relação de cunho obrigacional, de índole sancionatória (sanção administrativa): Nosso entendimento é no sentido de que as relações jurídicas integradas por sujeitos passivos alheios ao fato tributado apresentam a natureza de sanções administrativas. [...] Tudo fica mais evidente, porém, quando atinamos ao disposto na Seção II – “Responsabilidade de Terceiros”. Sob o manto jurídico da solidariedade, escondese a providência sancionatória, de maneira nítida e insofismável. [...] Cremos haver demonstrado a natureza do vínculo que se instala, sempre que pessoa externa ao acontecimento do fato jurídico tributário é transportada para o tópico de sujeito passivo. Teremos uma relação jurídica, de cunho obrigacional, mas de índole sancionatória. Alguns autores invocam a extinção da obrigação tributária, quando o responsável paga a dívida, como um argumento contrário à tese que advogamos. O argumento, todavia, é inconsistente. Nada obsta a que o legislador declare extinta 4 ALVES, Nelson Gustavo Mesquita Ribeiro. Resstudo da responsabilidade tributária (Art. 135, III, do CTN) em face da Lei COmplementar n. 123, de 14122006. In PAULSEN, Leandro; VAZ, Paulo Afonso Brum (org.). Curso Modular de Direito Tributário. Florianópolis: Conceito, 2008, p. 213214. 5 SANTOS, Fabrizio Candia dos. A responsabilidade tributária de todos os sócios na dissolução irregular de sociedades limitadas. In I Prêmio CARF de monografias em direito tributário 2010. Brasília: Valentim, 2011, p. 225226. Fl. 14147DF CARF MF 22 a obrigação tributária, no mesmo instante em que também se extingue a relação sancionatória. Dáse por satisfeito, havendo conseguido seu objetivo final. 6 (grifo nosso) A que obrigação tributária se refere o professor da PUC/SP, quando fala que o legislador pode declarála extinta com o termo da relação sancionatória? Certamente o rigor terminológico do mestre não faria com que sustentasse que está extinta uma obrigação que jamais nasceu. E se ela nasceu, tem alguém no pólo passivo. E esse alguém é originariamente o contribuinte. Percebase que aquilo que Paulo de Barros CARVALHO designa como sanção administrativa é albergado pela chamada responsabilidade tributária em sentido amplo, referida por Nelson Gustavo Mesquita Ribeiro ALVES. E notese ainda que, independentemente de ser designada a pessoa a que se refere o art. 135, III como responsável tributário ou responsável por sanção administrativa, a figura do contribuinte é inafastável. Arrematese a discussão sobre o tema com a ponderação de Ricardo Lobo TORRES, que objetivamente assevera que Outra coisa é a responsabilidade de que cuida o art. 135. Nela existe a solidariedade ab initio, e o responsável se coloca junto do contribuinte desde a ocorrência do fato gerador. [...]. A Fazenda credora pode dirigir a execução contra o contribuinte ou o responsável. 7 (grifo nosso) Aliás, esse é o entendimento externado por este CARF em decisões recentes. A título ilustrativo, transcrevase excerto de Acórdão unânime da 1a Seção, proferido em 2011: “RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOCIEDADE EMPRESÁRIA. SÓCIOADMINISTRADOR. SOLIDARIEDADE. I Condutas do sócioadministrador, desde a não escrituração das operações contábeis, passando pelo não envio declarações obrigatórias de pessoa jurídica, consubstanciaram uma série de atos ordenados, um por um, visando ocultar as receitas auferidas que deveriam ter sido oferecidas á tributação. Tais ações e omissões, além de infringirem a legislação comercial e tributária vigente, caracterizaram o dolo, restando demonstrada subsunção ao inciso III, art. 135 do CTN. II O termo “pessoalmente responsável”, do artigo 135 do CTN, trata de responsabilidade surgida direta e pessoalmente, o que não quer dizer, contudo, que a pessoa jurídica fique desobrigada, até porque, caso o fosse, deveria haver uma menção expressa de exclusão de responsabilidade. CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS REFLEXOS.O decidido em relação à matéria principal estendese aos lançamentos decorrentes, formalizados a partir de idêntica motivação. 8 (grifo nosso) 6 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 17. ed. São Paulo: Saraiva, 2005, p. 324327. 7 TORRES, Ricardo Lobo. Curso de Direito Tributário e Financeiro. 14. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2007, p. 268. 8 CARF. Acórdão 1302000.458. 3a Câmara. 1a Seção. Rel. Cons. Marcos Rodrigues de Mello, unânime, Sessão de 26.jan.2011. Fl. 14148DF CARF MF Processo nº 10932.720040/201507 Acórdão n.º 3401006.154 S3C4T1 Fl. 14.138 23 Também nesta turma, a matéria já foi assim decidida de forma unânime, recentemente: “SUJEIÇÃO PASSIVA. LANÇAMENTO. RESPONSABILIDADE PESSOAL. ART. 135, III DO CTN. SOLIDARIEDADE. Na hipótese prevista no art. 135, III do CTN não incorre em erro na eleição do sujeito passivo o lançamento efetuado contra o contribuinte. A responsabilidade pessoal referida no art. 135 não implica o afastamento do contribuinte da relação tributária.” 9 (grifo nosso) A construção jurídica mais sólida, assim, a nosso ver, aponta para a manutenção do contribuinte na relação tributária, nas hipóteses de que trata o art. 135, III. Incabível, destarte, a alegação de haveria erro na eleição do sujeito passivo, por ser exclusiva a responsabilidade do terceiro.” (grifos no original) O raciocínio expendido é válido para enfrentar a acusação de que seriam incoerentes as figuras da responsabilidade solidária (art. 124 do CTN) e pessoal (art. 135 do CTN) em uma mesma imputação fiscal. Aliás, havendo provas de que pessoas, inclusive alheias aos quadros societários de empresa, atuaram organizadamente como grupo econômico ou para blindar o patrimônio da empresa, este colegiado já admitiu a menção a ambas as responsabilizações no mesmo procedimento: “RESPONSABILIDADE DE TERCEIROS. SÓCIOS E PESSOA JURÍDICA. GRUPO ECONÔMICO. ARTIGOS 124, I E 135, III, AMBOS DO CTN. INTERESSE COMUM. ILICITUDES COMETIDAS. DEFLAGRAÇÃO. Sócios e pessoa jurídica que formam grupo econômico com o interesse comum em lesar a Administração Pública, com farta documentação comprovando ilícitos em fraudes de merenda escolar, licitações e ausência de recolhimento de tributos são responsáveis tributários, a teor dos artigos 124, I e 135, III, ambos do CTN.” (Acórdão 3401 003.427, Rel. Cons. Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, maioria, sessão de 28.mar.2017) (grifo nosso) CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. CONFIGURAÇÃO. Nos termos dos arts. 124, I e 135, III do Código Tributário Nacional, há solidariedade entre os agentes quando houver interesse comum na situação que constitua o fato gerador, o que se verifica quando os dirigentes de grupo econômico empresarial, através de sucessivas alterações societárias e operações de cisão e incorporação, em clara violação da lei, transferem os ativos para determinadas pessoas jurídicas do conglomerado visando a blindagem do patrimônio contra ações tendentes à exigência e satisfação do crédito 9 CARF. Acórdãos 3403001.763 e 764, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, Sessão de 25.set.2012. Fl. 14149DF CARF MF 24 tributário constituído, o que também sujeita os envolvidos à responsabilidade pessoal pelo crédito respectivo.” (Acórdão 3401003.888, Rel. Cons. Robson José Bayerl, maioria, sessão de 26.jul.2017) (grifo nosso) Basta, assim, que reste delineada a forma pela qual as pessoas físicas que figuram no polo passivo da autuação possuem relação com a conduta imputada, para que se configure, dentro das figuras arroladas pelo CTN, a responsabilização, que, digase, não é excludente (entre as figuras). No presente processo, as autuações foram lavradas indicando como contribuinte a “LUCKMETAIS”, como “responsáveis solidários de direito” os sócios “JOÃO CARLOS” e “EDNALDO”, e os demais como “responsáveis de fato” (fls. 8801/8802 e 8835/8836). Recordese que restam, no contencioso, apenas quatro “responsáveis de fato”, configurandose a revelia em relação a todas as figuras ostensivas da “LUCKMETAIS” (que, digase, não possuíam patrimônio nem estrutura compatível com o que foi transacionado). Afirma a fiscalização que, com base nas informações obtidas em diligências, foi aberta fiscalização na empresa “TRANSFORME” (e em 21 outras empresas do ramo, entre as quais a “LUCKMETAIS”), que registravam operações contábeis simuladas/inexistentes, com o objetivo de aumentar o passivo da conta fornecedores, emitindo cheques para o pagamento de título comercial para transparecer a existência das operações perante os fiscos, mas os recursos de tais cheques eram direcionados a pessoas totalmente estranhas às operações, à margem das escritas fiscal/contábil, totalizando movimentação de mais de R$ 3 bilhões, com o modus operandi abaixo esquematizado (fl. 8964): Assim, eram emitidos títulos falsos, em transações inexistentes de fato (como as aquisições de mercadorias pela “LUCKMETAIS”), e os pagamentos eram efetuados em cheques, sendo os recursos direcionados, conforme rastreamento dos recursos (nas citadas contas da mesma agência do Bradesco), a terceiras pessoas, estranhas às operações contabilmente registradas. Os exemplos de fls. 8962 a 8964 demonstram a contento, em seu conjunto, a nosso ver, que as transações bancárias não correspondiam a pagamento de mercadorias Fl. 14150DF CARF MF Processo nº 10932.720040/201507 Acórdão n.º 3401006.154 S3C4T1 Fl. 14.139 25 adquiridas (à margem da análise mais completa efetuada no relatório de fls. 9018 a 9131). No entanto, há que se verificar a motivação específica para a responsabilização das pessoas físicas consideradas responsáveis “de fato”, no lançamento. A fiscalização individualiza as condutas às fls. 8971 a 8985, onde descreve como os recursos percorriam itinerário até chegarem a destinatários, em regra, da família “Cerqueira”, sob o comando do patriarca “JOÃO NATAL”. No relatório da “Operação Corrosão” é acrescido a esse núcleo de controle “PAULO CESAR” (fl. 9031): “Entre os diversos “modus operandi” identificados e que serão minuciosamente descritos no decorrer deste relatório, constatamos que os reais beneficiários deste gigantesco embuste, que possuem o chamado “domínio dos fatos” , pessoas físicas e jurídicas, abasteciam financeiramente essas empresas, injetando recursos que peregrinavam entre as diversas contas correntes mantidas em sua grande parte na Agência 0559 SP/USP Radial Lesta do Banco Bradesco S\A e retornavam ao coração financeiro da quadrilha, seu caixa, mantido através de várias empresas ligadas aos nacionais e empresários JOÃO NATAL CERQUEIRA e PAULO CESAR VERLY DA CRUZ, seus familiares e suas empresas, estas sediadas nos Estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais (...)” (grifo nosso) Em tal relatório podem também ser visualizadas características e fotos das empresas do grupo identificadas na operação (fls. 9035 a 9113), e a relação intrincada entre elas, que, em sua maioria, possuíam contas na mesma agência bancária: “METALAZUL” (inexistente de fato e em nome de pessoa que declarou à Polícia desconhecer a empresa, mas controlada de fato por “EVERSON CHIRICO MARTINEZ”, da empresa “ANSESIL”, que assinava cheques da empresa, o que foi reconhecido pelo banco com a mensagem “autorizado por EVERSON” com cheques canalizados à família “ESCOBAR CERQUEIRA”); “STAR METALS” (igualmente inexistente e em nome de interpostas pessoas, que declararam desconhecer a empresa); “ANSESIL” (que tem “EVERSON” no quadro societário, com 95% das cotas); “CASEMETAL” (que atuava sob a interposição de “JOÃO CARLOS AVILEZ”, cujo advogado era primo de “EVERSON”); e “COBMETAIS” (com responsáveis analfabetos); assim como a “LUCKMETAIS”. E segue o relatório da “Operação Corrosão”, em excertos dos quais expurgamos as desnecessárias adjetivações e remissões a publicações em veículos de imprensa, preservando a tecnicidade (fls. 9113 a 9117): “Após a organização criminosa promoverem (sic) a simulação dos pagamentos dos títulos a essas empresas inidôneas, partícipes das fraudes, com a emissão dos cheques e emissão das notas fiscais, bem como as respectivas contabilizações desses eventos, visando transparecer plena legalidade aos olhos dos Fiscos Estaduais e Federal, já que haviam várias empresas constituídas em diversos pontos do território nacional, os recurso retornavam às contas correntes daqueles que possuíam o chamado “domínio do fato”, ou seja, o clã da família CERQUEIRA, o patriarca, João Natal Cerqueira e seu sócio PAULO CESAR VERLY DA CRUZ , bem como às empresas de direito e de fato desse (...) grupo econômico (...): Fl. 14151DF CARF MF 26 CIMEELI COMÉRCIO E INDÚSTRIA DE METAIS E LIGAS LTDA, (...) constituída em 20/03/1996, (...) que tinha como quadro societário a empresa NATURE EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA (...) com 99,99% de participação societária, JOÃO NATAL CERQUEIRA – CPF 65286782868 com 0,01% de participação societária e PAULO CESAR VERLY DA CRUZ, CPF 49613120700 com 0,00% de participação na sociedade (...); NATURE EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, (...) constituída em 05/01/2006, (...) que tinha como quadro societário os empresários nacionais JOÃO NATAL CERQUEIRA – CPF 65286782868 com 99,99% de participação societária e PAULO CESAR VERLY DA CRUZ – CPF 49613120700, com 0,01% de participação societária respectivamente; P.R.J. PARTICIPAÇÕES, EMPREENDIMENTOS LTDA, (...) constituída em 13/11/2003, (...), tendo como quadro societário os empresários nacionais PAULO HENRIQUE ESCOBAR CERQUEIRA – CPF 06004614670 com 33,33% de participação societária, RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA, CPF 07044478603 com 33,33% de participação societária e JOÃO ANDRÉ ESCOBAR CERQUEIRA, com 33,33 de participação societária respectivamente. Tramitou ainda na sociedade, JOÃO NATAL CERQUEIRA, CPF 65286782868 no período de 01/04/2011 a 14/01/2014; XPTO ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA, (...) constituída em 09/07/2012, (...), tendo como quadro societário as empresas ELECTRA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA – CNPJ 10.461.488/000108, com 50% de participação societária, DAMP ASSESSORIA E PARTICIPAÇÃO LTDA, CNPJ 10.407.133/000130 com 50% de participação societária e RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA, CPF 07044478603 com 0% de participação societária, figurando como administrador. Tramitou também nesta sociedade, o nacional LUCAS NECESSIAN DE CARVALHO, CPF 09189671716 no período de 09/07/2012 a 18/12/2013; ALCICLA ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA, (...) constituída em 21/09/2012, tendo como quadro societário as empresas DAMP ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 10.407.133/000130 com 50% e participação societária, ELECTRA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 10.461.488/000108 com 50% de participação societária, e como administrador, a pessoa física de RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRACPF 07044478603 com 0% de participação societária respectivamente. Tramitou por esta sociedade, o nacional LUCAS NECESSIAN DE CARVALHO – CPF 09189671716 no período de 21/09/2012 a 18/12/2013; KOPRUM INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, (...) constituída em 13/04/2007, (...) tendo como quadro societário as empresas TELLUS ASSESSORIA E PARTICIPAÇÃO LTDA, CNPJ 13.576.294/000146 com 0,01 de participação societária, XPTO ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 16.509.511/000173, com 99,99% de participação societária, as Fl. 14152DF CARF MF Processo nº 10932.720040/201507 Acórdão n.º 3401006.154 S3C4T1 Fl. 14.140 27 pessoas físicas de PAULO HENRIQUE ESCOBAR CERQUEIRA – CPF 06004614670 com 0% de participação societária e RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA CPF 07044478603, como responsável pelo CNPJ na Secretaria da Receita Federal do Brasil; TELLUS ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA, (...) constituída em 29/03/2011, (...), tendo como quadro societário as empresas DAMP ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA – CNPJ 10.407.133/000130 com 50% de participação societária, ELECTRA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ 10.461.488/000188 com 50% de participação societária e a pessoa física de RAFAEL ESCOBAER CERQUEIRA – CPF 07044478603 com 0% de participação societária, figurando como administrador no CNPJ; ELECTRA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA, (...) constituída em 07/11/2008, tendo como quadro societário os nacionais PAULO HENRIQUE ESCOBAR CERQUEIRA, CPF 06004614600 com 33,33% de participação societária, RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA – CPF 07044478603 COM 33,33% de participação societária e JOÃO ANDRÉ ESCOBAR CERQUEIRA, com 33,33% de participação societária respectivamente; RAFAEL ESCOBAR EMPREENDIMENTOS LTDA – (...) constituída em 18/08/2003, (...) tendo como quadro societário os nacionais RAFAEL ESCOBAR CERQUEIRA – CPF 07044478603 com 95% de participação societária e MARIA ANGELINA ZAIA ESCOBAR CERQUEIRA CPF 00721668860 com 5% de participação societária respectivamente; MARALINDAN EMPREENDIMENTOS LTDA, (...) constituída em 12/09/2005, (...), possuindo quadro societário composto pelas pessoas físicas PAULO CESAR VERLY DA CRUZ – CPF 49613120700 com 99,99% de participação societária e JOÃO NATAL CERQUEIRA – CPF 65286782868 com 0,01% e participação societária respectivamente; DAMP ASSESSORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA, (...) constituída em 16/07/2009, (...), que tinha em seu quadro societário familiares de PAULO CESAR VERLY DA CRUZ e compunha tal empresa, ao mesmo tempo, a participação acionária em várias outras conforme acima demonstrado; EMPÓRIO DE METAIS LTDA (...) constituída em 03/12/1996, (...) tinha em seu quadro societário os empresários PAULO CESAR VERLY DA CRUZ – CPF 49613120700 e JOÃO NATAL CERQUEIRA – CPF 652867828068 respectivamente.” (grifo nosso) Tais empresas eram, direta ou indiretamente (v.g., mediante sociedades em conta de participação SCP) o destino dos recursos das empresas inidôneas que realizavam as Fl. 14153DF CARF MF 28 pseudotransações, como se demonstra às fls. 9119 a 9121 (transações via SCP), e às fls. 9121 e seguintes, de onde se extrai: “Uma das principais empresas dessa organização, que tinha a função de atuar como uma espécie de “caixa”, era a KOPRUM INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA – CNPJ 08.759.416/000108, que tinha como sócias as empresas TELLUS ASSESSORIA E PARTICIPAÇÃO LTDA E XPTO ASSESSORIA E PARTICIPAÇÃO LTDA, sendo que essas três empresas estavam sob controle da família “CERQUEIRA” do Estado de Minas Gerais. Ao percorrem o itinerário delituoso, os recursos eram direcionados principalmente à empresa inexistente de fato PERFIBRÁS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA CNPJ 01035995/000182 e depois redirecionados a KOPRUM em forma de depósitos e/ou transferência em valores elevadíssimos. A KORPUM, possuía a denominação antiga de COMERCIO DE METAIS JARDINÓPOLIS LTDA. Vejamos a mecânica de retorno dos valores. (relação de cheques da PERFIBRAS para a COM. DE METAIS JARDINÓPOLIS à fl. 9123, à CIMEELI à fl. 9124) (Planilhas com os reais beneficiários às fls. 9125 a 9128)” Como exposto, em complemento ao referido relatório, a fiscalização individualiza as condutas dos responsáveis às fls. 8971 a 8985, onde descreve como os recursos percorriam itinerário até chegarem aos destinatários. A partir das transferências eletrônicas para a “PERFIBRAS”, os recursos eram direcionados à “KOPRUM”, a “JOÃO NATAL” e a “RAFAEL ESCOBAR EMPREENDIMENTOS”, como demonstrado às fls. 8973/8974, para valores substanciais. A partir das transferências para a “FRAGA”, os recursos eram direcionados a “EMPORIO”, “JOÃO NATAL” e a “RAFAEL”, conforme demonstrado às fls. 8974/8975. A partir das transferências para a “INGAÍ”, os recursos eram direcionados a “CIMEELI”, conforme demonstrado às fls. 8976/8977. A partir das transferências para a “ALUMIBRAS”, os recursos Fl. 14154DF CARF MF Processo nº 10932.720040/201507 Acórdão n.º 3401006.154 S3C4T1 Fl. 14.141 29 eram direcionados a “EMPORIO”, “JOÃO NATAL”, “RAFAEL”, “PAULO CESAR”, “RAFAEL ESCOBAR EMPREENDIMENTOS”, “ESCOBAR CERQUEIRA COM. VEÍCULOS” e “COM. DE METAIS JARDINÓPOLIS LTDA”, conforme demonstrado às fls. 8977 a 8980. A partir das transferências para a “ANSESIL”, os recursos eram direcionados a “EMPORIO”, “JOÃO NATAL” e “RAFAEL”, como demonstrado às fls. 8980 a 8983. E, a partir das transferências para a “STAR METALS”, os recursos eram também direcionados a “EMPORIO”, “JOÃO NATAL” e “RAFAEL”, “PAULO CESAR”, conforme demonstrado às fls. 8983/8984. A partir do exposto, não se tem dúvidas de que os recursos provenientes das operações que já se concluiu serem fictas eram direcionados a empresas sempre relacionadas a uma das pessoas indicadas no polo passivo da autuação, seja diretamente ou a empresas por elas controladas ou com sua participação, sendo, no caso, irrelevante que as pessoas físicas que remanescem no contencioso exercessem cargos formais de administração em tais empresas. Recordese que se está a tratar de “responsabilidade de fato”. Pelo que se percebe, a autuação concentrouse nas pessoas em relação às quais se afunilavam os recursos advindos das operações simuladas, fundandose no “domínio do fato” (daí não figurarem no polo passivo outras pessoas, como parece solicitar a defesa, ainda que esta não tenha movido esforços objetivos para melhor detalhar sua demanda). E, pelo que se observa, as relações entre as pessoas físicas, e a intrincada rede de empresas por elas comandadas vão além do simples domínio do fato, havendo elementos que permitem concluir pela construção de um esquema recheado de empresas que transacionam fictamente entre si, mas cuja real motivação de existência é a geração de créditos irregulares, ao desamparo da legislação tributária, mostrando ao fisco empresas sem patrimônio e qualquer capacidade de saldar suas dívidas (grande parte sequer se dignando a apresentar declarações ou pagar qualquer tributo), enquanto no produto do ilícito se encontram pessoas físicas que obtêm o real proveito de todo o esquema, diretamente ou por meio de empresas, da forma mais distante possível da fiscalização, que a eles somente chegou depois de intenso trabalho de rastreamento dos recursos. As alegações de defesa de todos os recorrentes são no sentido de que há ilegitimidade passiva por ausência de interesse comum, econômico e jurídico, e de que eles não detinham poder de decisão nas empresas, assim como que o valor que receberam foi insignificante diante do volume da imputação fiscal. “PAULO CESAR”, por exemplo, afirma que recebeu um único depósito, no valor de R$ 17.500,00, e que tal depósito não adveio da “LUCKMETAIS”. Por certo que a relação de tal pessoa física com a “LUCKMETAIS” não era direta. Aliás, esse era exatamente o objetivo do esquema construído, de ocultação dos reais beneficiários. E já se destacou que “PAULO CESAR”, ao lado de “JOÃO NATAL”, por meio empresas como “EMPORIO”, CIMEELI” e “NATURE”, além de outras empresas que figuram em seus intrincados quadros societários, conforme exposto, foram reais beneficiários do esquema fraudulenta contribuído para gerar créditos decorrentes de aquisições simuladas, sendo parte do destino dos recursos afunilados das atividades ilícitas do esquema, que não se restringia a R$ 17.500,00, como se percebe em visão sistêmica, tomando em conta todos os fatos, as empresas, os quadros societários e o modus operandi evidenciado. Por certo que a responsabilidade não se limita ao ostensivo, e que isso é exatamente o resultado desejado em qualquer esquema fraudulento que busque mostrar ao fisco Fl. 14155DF CARF MF 30 apenas pessoas insolventes, como o aqui evidenciado. Fosse a responsabilidade de terceiros, como “PAULO CESAR”, limitada ao “fato gerador” ostensivo, ou a depósitos diretos em sua conta pelo sujeito passivo criado para ser mero veículo da fraude, simples seria a atividade (digase, ilícita) de sonegar tributos, no país. As alegações recursais de que os filhos de “JOÃO NATAL” (“JOÃO ANDRÉ”, “RAFAEL” e “PAULO HENRIQUE”) seriam estudantes universitários à época dos fatos (com vinte e poucos anos), e que participavam dos quadros societários das empresas em função de um planejamento sucessório de seu pai, em nada altera o aqui exposto, a nosso ver, em função de a sistemática adotada ser precisamente voltada a seu benefício, assim como ao benefício de seu pai, “JOÃO NATAL”, e de “PAULO CESAR”, todos sujeitos passivos identificados por meio do itinerário dos recursos que constituíram o fruto do ilícito perpetrado (a DRJ apresenta tabelas resumidas sobre o tema às fls. 13827/13828). Os depósitos encontrados nas contas de “JOÃO NATAL” (superiores a 1 milhão), “RAFAEL” (R$ 378 mil) e “PAULO CESAR” (R$ 17.500,00), como exposto, não resumem a destinação dos recursos oriundos da “LUCKMETAIS”, que se alastram ainda a mais de R$ 30 milhões, espalhados pelas empresas em cujos quadros societário circulavam os sujeitos passivos aqui arrolados, entre os quais também figuram “JOÃO ANDRÉ” e “PAULO HENRIQUE”. O que se esperava da defesa, no caso, era a simples comprovação de que as operações que a fiscalização imputa como simuladas eram, de fato, reais e existentes (v.g., que houvesse, ao menos, transporte das mercadorias nas operações de compra e venda). E, diante de não haver comprovação de existência real das operações (o que resta claro nestes autos), o que se aguardava das pessoas físicas beneficiárias dos recursos que são frutos das simulações era um esclarecimento do que ocorreu, de fato (caso não tenha sido efetivamente o que o fisco alega e documenta) com os recursos que circularam pelas várias empresas nas quais figuravam tais pessoas no quadro societário. Essa transparência, a nosso ver, restou ausente nas peças de defesa. A defesa, ao invés de efetivamente rechaçar o fluxo financeiro desenhado e comprovado pelo fisco (e que versava sobre empresas totalmente construídas por tais pessoas físicas e/ou em seu proveito), ou apontar que os efetivos destinatários finais seriam terceiros, demonstrandoo (o que de plano comprovaria a improcedência da teoria desenvolvida na autuação), limitase a defender que não poderiam ter sido usados dados bancários (o que aqui já se afastou, por haver previsão legal expressa de requisição de movimentação financeira), e a apontar erros pontuais. Tais apontamentos recursais de erros de cômputos (de saídas e/ou entradas) em algumas operações, e em relação ao quadro societário de empresas ao longo do tempo não são abrangentes a ponto de afastar o cenário geral evidenciado e o modus operandi identificado. Como aqui já comentado em tópico anterior, não parece a defesa preocupada em afastar a ocorrência de fraude, mas, simplesmente, em evitar que o fato de que a descoberta de que o itinerário dos recursos que dela são fruto aponte para grupo restrito de pessoas possa ocasionar sua responsabilização. Se as pessoas físicas foram as efetivas beneficiárias da fraude, como demonstrado, em sistemática que não foi concebida para permitir identificação precisa de cada parcela sonegada, com intrincada composição societária entre empresas, dissuadindo a fiscalização, cabível a responsabilização conjunta. Ademais, o pagamento por parte de um aproveita ao outro. Fl. 14156DF CARF MF Processo nº 10932.720040/201507 Acórdão n.º 3401006.154 S3C4T1 Fl. 14.142 31 Não vemos, no caso, deficiência probatória a cargo da fiscalização, para as citadas pessoas físicas, como se entendeu em outros julgados (v.g., Acórdãos no 1301003.625 e no 1402002.459 em sentido oposto os Acórdãos no 1401002.882 e no 1201002.368, para as mesmas pessoas físicas), mas sim um conjunto probatório suficiente a endossar não só a ocorrência de fraude como a responsabilização das pessoas arroladas no polo passivo, inclusive (e principalmente) aquelas sem vínculo formal com a empresa “LUCKMETAIS”, mas que, de fato, logravam os benefícios da fraude perpetrada. Em relação a serem várias autuações, de diferentes empresas envolvidas no esquema fraudulento, possibilitando multiplicidade de exigências em relação aos mesmos sujeitos passivos, cabe ressaltar que isso, por si, não é motivo nem para a improcedência de todos os lançamentos, nem para sua total manutenção, cabendo a análise individualizada, à luz de eventual dupla exigência objetivamente apontada e quantificada pela defesa, o que não se vê, objetivamente, no presente processo, em que as alegações de duplicidade são gerais/genéricas. E, por fim, no que se refere à alusão ao art. 112 do CTN, entendese indevida no presente processo, onde não paira dúvida sobre nenhuma das circunstâncias ali presentes, estando bem demonstrados nos autos os elementos necessários à formação de convicção do julgador. 7. Das Considerações Finais Diante da inexistência de apresentação de recurso por parte de “Luckmetais Comércio de Metais LTDA”, “João Carlos Magarotto”, “Ednaldo Coelho da Silva” e “João Natal Cerqueira”, e por todo o exposto nos tópicos anteriores deste voto, não merecem provimento os recursos voluntários apresentados por “Paulo Cesar Verly da Cruz”, “Paulo Henrique Escobar Cerqueira”, “Rafael Escobar Cerqueira”, e “João André Escobar Cerqueira”. Pelo exposto, voto por negar provimento aos quatro recursos voluntários apresentados. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 14157DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12585.720324/2011-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005
RECEITA DE EXPORTAÇÃO. RATEIO PROPORCIONAL DOS CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE
Para fins de cálculo do rateio proporcional dos créditos, deve-se parâmetro para o reconhecimento da efetiva realização da exportação a data em que houve o embarque para o exterior, conforme averbação no SISCOMEX.
PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. INSUMO. ALCANCE.
O alcance do termo insumo, no art. 3º, I, b, das Lei 10.833/2003, deve observar os ditames insculpidos no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR, com efeito de recurso repetitivo, devendo-se observar, entre outros elementos, as premissas trazidas pelo Parecer Normativo COSIT 5/2018. Gastos com estadia e translado de empregados, passagens aéreas e hospedagens, cessão de mão de obra de motorista de passageiros, locação de veículos, sem conexão direta com a atividade da empresa não se adequam ao conceito consagrado pela jurisprudência administrativa e judicial, não gerando direito ao crédito.
CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE.
Consoante art. 3º, § 4º da Lei nº 10.833/03, o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sê-lo nos meses subseqüentes, não havendo norma que imponha limites temporais que não o prazo de cinco anos para sua escrituração como crédito.
Numero da decisão: 3401-005.980
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer a possibilidade de apropriação dos chamados créditos extemporâneos.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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RATEIO PROPORCIONAL DOS CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE Para fins de cálculo do rateio proporcional dos créditos, devese parâmetro para o reconhecimento da efetiva realização da exportação a data em que houve o embarque para o exterior, conforme averbação no SISCOMEX. PIS/COFINS NÃO CUMULATIVO. INSUMO. ALCANCE. O alcance do termo “insumo”, no art. 3º, I, “b”, das Lei 10.833/2003, deve observar os ditames insculpidos no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR, com efeito de recurso repetitivo, devendose observar, entre outros elementos, as premissas trazidas pelo Parecer Normativo COSIT 5/2018. Gastos com estadia e translado de empregados, passagens aéreas e hospedagens, cessão de mão de obra de motorista de passageiros, locação de veículos, sem conexão direta com a atividade da empresa não se adequam ao conceito consagrado pela jurisprudência administrativa e judicial, não gerando direito ao crédito. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Consoante art. 3º, § 4º da Lei nº 10.833/03, o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes, não havendo norma que imponha limites temporais que não o prazo de cinco anos para sua escrituração como crédito. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer a possibilidade de apropriação dos chamados créditos extemporâneos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 72 03 24 /2 01 1- 84 Fl. 3500DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi (suplente convocado), Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Trata de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório, nos seguintes termos: (...) JULGAMENTO EM CONJUNTO. AUTO DE INFRAÇÃO E PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. Não configura cerceamento do direito de defesa o fato de o julgamento administrativo, relativo a determinado auto de infração, ter sido efetuado em data anterior a que ocorre a análise de manifestação de inconformidade de compensação não homologada, envolvendo o mesmo fato gerador e tributo. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, deve ser indeferido, por prescindível, o pedido de diligência. ANÁLISE DA INCIDÊNCIA DOS JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DESCABIMENTO. É descabida a discussão sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício em processo administrativo de manifestação de inconformidade que não homologou a compensação, quando os débitos relacionados no PERDCOMP não foram objeto de lançamento de ofício. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Restando comprovado que a empresa tomou conhecimento pormenorizado da fundamentação fática e legal do despacho decisório e que lhe foi oferecido prazo para defesa, inclusive com acolhimento de petição e documentos apresentados após seis meses da petição original, resta superada a discussão sobre nulidade por cerceamento do direito de defesa. (...) Fl. 3501DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 4 3 REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. Na determinação dos créditos da nãocumulatividade passíveis de utilização na modalidade compensação, há de se fazer o rateio proporcional entre as receitas obtidas com operações de exportação e de mercado interno. REGIME NÃOCUMULATIVO. EXPORTAÇÃO. FATO GERADOR. ASPECTO TEMPORAL. A receita de exportação deve ser reconhecida na data do embarque dos produtos vendidos para o exterior. REGIME NÃO CUMULATIVO. APURAÇÃO DOS CRÉDITOS. MOMENTO. No regime da nãocumulatividade, os créditos a descontar/ressarcir/compensar devem ser apurados em relação às aquisições de insumos/bens para revenda, ou serviços, ocorridos no próprio mês de apuração. REGIME NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. MOMENTO DE UTILIZAÇÃO. PRAZO QÜINQÜENAL. O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes, observado o prazo de prescrição de cinco anos contados do primeiro dia do mês seguinte ao de sua apuração. REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. Entendese por insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado e sejam utilizadas na fabricação ou produção de bens destinados à venda e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na sua produção ou fabricação. ASSUNTO: (...) COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Não há como considerar líquido e certo o direito creditório relativo a período de apuração abrangido por auditoria fiscal, que redundou na formalização de exigência do período em que o suposto crédito teria sido apurado. (...) Do Recurso Voluntário Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso, reprisando as razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade. Fl. 3502DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 5 4 É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401005.972, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 12585.000330/201111. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401005.972): "Da Preliminar de Nulidade por Cerceamento de Defesa Não assiste razão à Recorrente concernente a sua afirmativa de que teria havido cerceamento de defesa quando do despacho decisório, em vista de esse não ter fundamentação clara. Ora, não encontra abrigo essa assertiva, uma vez que, pela análise dos autos, não houve falta de clareza ou justificação por parte da fiscalização; se a motivação vier a ser insuficiente para o não reconhecimento do crédito, não é caso para admitir a nulidade, mas sim de provimento quando da análise mérito do recurso – o que será analisado a posteriori. Por fim, ressalto que os vícios que podem ensejar a nulidade do lançamento são aqueles previstos no artigo 59, do Decreto 70.235/1972. Não identifico no presente processo, quaisquer das hipóteses ali encontradas, razão pela qual afasto a preliminar suscitada pela Recorrente. Do Mérito Em síntese, o cerne do presente recurso possui três grandes pontos que devem ser analisados por esse colegiado: Qual deve ser o critério utilizado para o reconhecimento de receitas de exportação para fins de cálculo do rateio proporcional dos créditos nãocumulativos de COFINS passíveis de ressarcimento? É possível a apropriação de créditos decorrentes da não cumulatividade em período de competência distinto daquele em que houve a aquisição do bem ou do serviço? No caso concreto, qual deve ser o critério adotado para “insumo”, para apropriação de créditos de COFINS não cumulativo, e os bens e serviços que geraram os créditos Fl. 3503DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 6 5 glosados por ocasião do despacho decisório se adequam àquele conceito? Vejamos. SOBRE O MOMENTO PARA O RECONHECIMENTO DE RECEITAS DE EXPORTAÇÃO A previsão para a utilização do saldo credor de COFINS não cumulativa proveniente de operações de exportação e respectivo cálculo via rateio proporcional decorre está na própria Lei Federal 10.833/2003, nos artigos 3º e 6º: Art. 3º (...) § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I Apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II Rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9o O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8o, será aplicado consistentemente por todo o anocalendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. (...) Art. 6º § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I Dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II Compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 3504DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 7 6 §2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no §1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. §3º O disposto nos §§ 1º e 2º aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º. Ora, a legislação ordinária previu expressamente a possibilidade de se fazer a apropriação de créditos de exportação via rateio proporcional, porém, não previu qual seria o critério temporal para se definir qual o momento que a receita bruta, seja de mercado interno, seja a de exportação, seria tida como gerada. No âmbito da Receita Federal do Brasil, a Instrução Normativa 404/2004, que regulamentou a matéria – a despeito de ter sido legitimada pela legislação ordinária a fazêlo – tampouco o fez, limitandose a reprisar os ditames exarados na norma federal. Caberia então verificar se haveria outra norma complementar que pudesse ser aplicada na estipulação do momento em que a receita de exportação seria apurada. Nesse contexto, a decisão ora recorrida caminhou bem ao entender que a Portaria MF 356/1988 seria aplicável ao caso, já que ela definira, há muito tempo, que A receita bruta de vendas nas exportações de produtos manufaturados nacionais será determinada pela conversão, em cruzados, de seu valor expresso em moeda estrangeira à taxa de câmbio fixada no boletim de abertura pelo Banco Central do Brasil, para compra, em vigor na data de embarque dos produtos para o exterior. I.1 Entendese como data de embarque dos produtos para o exterior aquela averbada pela autoridade competente, na Guia de Exportação ou documento de efeito equivalente. Não só isso, partindose da discussão sobre quando se aperfeiçoa a operação de venda ao exterior, é importante ressaltar que, nos próprios argumentos na decisão recorrida, ela não se adstringe à mera verificação da data da emissão das respectivas notas fiscais, mas sim quando houve a tradição do bem ao respectivo cliente no exterior: A adoção do regime de competência revela que, sob o aspecto contábil, o momento do reconhecimento da receita, no caso de venda de mercadorias para o mercado externo, a exemplo de vendas no mercado interno, ocorre no momento da tradição. Fl. 3505DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 8 7 Com efeito, o que determina a obtenção de uma receita não é a emissão da NF ou da fatura como o termo faturamento poderia levar a supor, mas sim a realização dos atos pelos quais foi fixada a contraprestação. Sob essa questão, extraise do Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações Fipecafi (Sérgio de Iudícibus e outros. São Paulo: Atlas, 2003, p. 333): (...) o momento do reconhecimento da receita de vendas deve ser, normalmente, o do fornecimento de tais bens ao comprador. Nas empresas industriais e nas empresas comerciais, a contabilização das vendas pode ser feita pelas notas fiscais de vendas, já que a entrega dos produtos é praticamente simultânea à da emissão das notas fiscais. Ocorre, comumente, todavia, uma pequena defasagem entre a data da emissão da nota fiscal e a da entrega dos produtos, quando a condição da venda é a entrega no estabelecimento comprador. Teoricamente, deveriam ser registradas como receita somente após a entrega dos produtos. (não grifado no original) Com a entrega dos bens (ou a prestação dos serviços), e não com a mera contratação ou emissão da nota fiscal, o vendedor teria realizado o esforço necessário para fazer jus ao preço. Ocorre que o local de entrega dos bens pode ser livremente pactuado pelas partes, e essa definição vai interferir no momento em que se considera auferida a receita. Sendo certa a adoção da premissa acima, caberia, no caso concreto, entender quando houve, de fato, a entrega dos bens objeto de exportação ao comprador no exterior. Diante desse cenário, talvez fosse relevante a condição de compra e venda para cada uma das notas fiscais através dos denominados INCOTERMS , porém, em se tratando de exportação, basta trazer à baila o fato de que, em qualquer hipótese de condição de venda, o responsável por proceder ao despacho de exportação é o exportador, qual seja, o Recorrente, não sendo possível, em qualquer hipótese, conceber a tradição de bem antes da averbação do embarque para o exterior. Assim, sem entrar nos meandros de cada negociação comercial, pareceme razoável adotar como parâmetro para o reconhecimento da efetiva realização da exportação a data em que houve o embarque para o exterior, conforme averbação no SISCOMEX. Nessa linha, entendo a administração fazendária acertou ao se utilizar dessa premissa, devendo ser mantida a decisão de primeiro grau. SOBRE OS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS O entendimento fazendário, que restou confirmado na decisão recorrida, direcionase no sentido de que os bens e serviços Fl. 3506DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 9 8 somente poderiam ter seus créditos imputados ao período de competência em que foram adquiridos. Contudo, não comungo do mesmo posicionamento. Primeiramente, vejamos o que diz o citado artigo 3º, em seu caput e no parágrafo quarto: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subsequentes. Vejam que, em interpretação literal e sistemática, o parágrafo quarto estabeleceu o direito de o contribuinte apropriar crédito que eventualmente não tenha sido utilizado para desconto da base de cálculo em um determinado mês em períodos de apuração subsequentes. Caso o legislador fizesse menção ao excesso de créditos, ou mesmo a expressão “saldo credor” – como o faz em diversos outros normativos relativos às contribuições sociais – ele teria o feito. Desse modo, não caberia restrição ao Poder Executivo restringir esse direito quando estabeleceu normas relativas à gestão da fiscalização e arrecadação desses tributos, como faz crer a decisão ora recorrida. É claro que o direito original aos créditos das contribuições parte do pressuposto de que eles devam ser registrados simultaneamente à escrituração dos documentos que embasam a aquisição de bens e serviços, ou ainda que venha a ser apropriado nos períodos em que determinados custos e despesas forem considerados incorridos. Todavia, o parágrafo quarto acima mencionado possibilitou ao contribuinte vir a registrar extemporaneamente os créditos de PIS e COFINS registrados na sistemática não cumulativa das referidas contribuições, vindo a aproveitálos para desconto das contribuições sociais em períodos de apuração distintos (futuros) dos quais se originaram. Esse entendimento vem sendo unânime nessa turma, que aduziu dessa mesma maneira, no Acórdão 3401004.022, proferido em outubro/2017, de relatoria do Conselheiro Robson Bayerl. Vejamos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Fl. 3507DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 10 9 Período de apuração: 01/01/2010 a 31/01/2010, 01/04/2011 a 30/06/2011, 01/08/2011 a 31/08/2011, 01/11/2011 a 30/11/2011 PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO. INSUMO. ALCANCE. O alcance do termo “insumo”, insculpido no art. 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, não pode ser equiparado restritivamente aos conceitos de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, próprios da legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, tal como detalhado no PN CST 65/79, tampouco extenso como os conceitos de custo de produção e despesas operacionais da legislação do IRPJ, arts. 290 e 299 do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99), consistindo em bens e serviços, inerentes e necessários à atividade da empresa, adquiridos e empregados diretamente na área de produção, desde que sofram a incidência das contribuições não cumulativas na etapa anterior da cadeia produtiva. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Consoante art. 3º, § 4º da Lei nº 10.833/03, o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes, não havendo norma que imponha a retificação das DACONs para que seja alocado no período de apuração a que se refira o dispêndio. ALUGUÉIS. DIREITO DE CRÉDITO. DELIMITAÇÃO. O direito de crédito relativo aos aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados na empresa, previsto no art. 3º, IV das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, compreende apenas a retribuição pelo uso e gozo da coisa não fungível, nos contratos de locação, como regulado pelo art. 565 e ss. do Código Civil (Lei nº 10.406/2002), não englobando as despesas condominiais e demais taxas sob responsabilidade dos locatários, bem assim, as contraprestações financeiras, a cargo dos parceiros públicos, nos contratos administrativos de concessão das parcerias públicoprivadas. BENEFÍCIO FISCAL ESTADUAL. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. INCIDÊNCIA. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Afastada a hipótese de caracterização do crédito presumido concedido pelo Estado do Bahia, através do Decreto nº 6.734/97, como subvenção para investimento, inaplicável as disposições do art. 21 da Lei nº 11.941/2009, então vigente, enquadrandose o benefício fiscal em comento no conceito amplo de receita veiculado no art. 1º das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, submetendose à incidência das contribuições de que tratam. Recurso voluntário provido em parte. Fl. 3508DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 11 10 Em seu voto, o Ilustre Conselheiro destaca: Esta interpretação atribuída aos dispositivos é plausível, porém, não é a única aceitável, pois, tanto as Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, como as INs RFB 247/02 e 404/04 que as normatizam, não distinguem o crédito, como espécie, do saldo credor, preferindo a adoção do termo “crédito” indistintamente para uma e outra finalidade, razão porque a interpretação do contribuinte é também acertada, mormente pela sua dicção literal, consoante a qual “o crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes”. Ora, os créditos da não cumulatividade podem ser pleiteados a qualquer tempo, enquanto não decaído o direito ao seu exercício, não havendo norma clara que imponha a retificação das DACONs para inclusão de créditos nos períodos de apuração a que se refiram, de maneira que não haveria obstáculo ao aproveitamento a destempo sem observância estrita do regime de competência, como exigiram a DRF/DRJ, eis que se trataria de situação esporádica, valendo a analogia com o Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, onde os créditos alegados extemporaneamente não impõem a reescrituração do livro, bastando sua indicação em campo próprio. Assim, o aproveitamento de créditos fora dos períodos de apuração a que se referem é possível, como defendido pelo contribuinte, cumprindo à fiscalização a verificação se, de fato, este crédito não foi aproveitado anteriormente e observada a delimitação do conceito de insumo formulada no presente acórdão. Entendo não ser possível criar uma vedação, por meio de interpretação, onde a lei, ou mesmo os atos administrativos correlatos, não expressamente o fizeram. Desse modo, deve ser acolhida a pretensão do contribuinte. Diante do exposto, reformo a decisão recorrida para considerar possível a apropriação extemporânea de créditos das contribuições sociais, observados os demais requisitos legais para seu creditamento. SOBRE O CONCEITO DE INSUMOS. SUA APLICAÇÃO NO CASO CONCRETO Seguindo a crescente orientação da Receita Federal sobre o tema, o despacho decisório veio a glosar créditos referentes a: serviço com pagamento de estadia e translado, passagens aéreas e hospedagens, sessão de mão de obra de motorista, locação de veículos, e despesas de transporte de funcionários. Fl. 3509DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 12 11 Quantos à glosa de créditos sobre esses itens, creio não merecer reforma a decisão recorrida. Conforme vem sendo exaustivamente discutido pela doutrina e jurisprudência judicial, o conceito de insumo para fins de apropriação de créditos de COFINS nãocumulativa deve ser alargado, porém não a ponto de se confundir com o conceito de despesa dedutível, como chegouse a cogitar. De fato, a Anteriormente, a nãocumulatividade tributária no Brasil foi inaugurada com o ICMS e o IPI, sob influência da sistemática de tributação sobre o valor agregado, em voga em muitos países europeus a partir da segunda metade do século XIX, e pouco se desenvolveu de doutrina – e jurisprudência – a respeito da definição dos itens que poderiam ser admitidos como crédito; primeiro, porque houve uma taxatividade mais explícita dos itens creditáveis; segundo, até o advento da não cumulatividade do PIS e da COFINS, os debates jurídicos eram monopolizados pelos conflitos de ordem eminentemente formal. Contudo, diferentemente de outros tributos nãocumulativos, como o ICMS e o IPI, a regulamentação constitucional do PIS e da COFINS limitouse a delegar à lei ordinária para que essa estabelecesse quais setores de atividade econômica o regime nãocumulativo seria aplicável, conforme se denota da inclusão do parágrafo doze ao artigo 195, da Constituição Federal: § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. Vejam que, em relação ao ICMS e ao IPI, a Constituição Federal foi um pouco menos econômica, buscando definir limites mínimos para a aplicação do conceito da não cumulatividade tributária: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: IV produtos industrializados; II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores; (...) Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: (...) Fl. 3510DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 13 12 II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior; (...) § 2º O imposto previsto no inciso II atenderá ao seguinte: I será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação relativa à circulação de mercadorias ou prestação de serviços com o montante cobrado nas anteriores pelo mesmo ou outro Estado ou pelo Distrito Federal; De tal forma, ainda que o princípio da nãocumulatividade guarde um significado próprio – qual seja a de viabilizar a tributação sobre o valor agregado –, é certo que a modalidade nãocumulativa das contribuições sociais deve ser encarada mormente pelos mandamentos previstos nas respectivas leis de sua criação, não cabendo a esse Tribunal ultrapassar os limites objetivos previstos por essa legislação infraconstitucional. Esse é o comentário de Ricardo Mariz de Oliveira, na obra coletiva “Não Cumulatividade Tributária: Todavia, pelo que consta desse artigo, já se pode constatar que se trata de um regime de nãocumulatividade parcial, pois ele não assegura plena dedução de créditos, mas apenas dos valores listados “numerus clausulus” e segundo regras de cálculo prescritas expressamente. (Editora Dialética, 2009. Página 427) Assim, devese ter em vista que a nãocumulatividade não comporta um conceito absoluto e independente da legislação que regra os tributos com essa particularidade. Isso não será diferente com as contribuições sociais. Na miríade de atos normativos que regem a contribuições sociais nãocumulativas, é muito claro que nos detemos no artigo 3º, das Leis Federais de regência, muito embora as modalidades de direito ao crédito estejam espalhadas na legislação ordinária que regulam as contribuições sociais para setores específicos e operações específicas, as quais algumas serão objeto de análise mais adiante. Nesse primeiro momento, vejamos o citado artigo 3º: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 3511DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 14 13 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. Fl. 3512DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 15 14 E fica bem claro que o item de maior questionamento desde o início da vigência do regime nãocumulativo é aquele que se refere a “bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.” Vejam que a expressão “insumo”, na legislação de referência, não foi adicionada de uma definição própria para aplicação, de modo que, nos termos do artigo 11, da Lei Complementar 95/1998, que trata da elaboração e redação das leis, as palavras devem ser utilizadas no texto legal em seu sentido comum, de modo que a interpretação da legislação deve seguir tal comando como premissa. Diante disso, cabe mencionar que, segundo o Dicionário Aurélio1, insumo pode ser definido como o “elemento que entra no processo de produção de mercadorias ou serviços; máquinas e equipamentos, trabalho humano, etc.; fator de produção”. No que se refere ao conceito de insumo em âmbito jurídico, o eminente tributarista Aliomar Baleeiro2, há muito já definira: (...) é uma algaravia de origem espanhola, inexistente em português, empregada por alguns economistas para traduzir a expressão inglesa 'input', isto é, o conjunto dos fatores produtivos, como matériasprimas, energia, trabalho, amortização do capital, etc., empregados pelo empresário para produzir o 'output' ou o produto final. (...) De fato, do ponto de vista puramente econômico, o conceito acima nos parece apropriado. Para a ciência econômica, tal definição inclui todos os elementos necessários à produção de um bem, mercadoria ou serviço, tais como matériasprimas, bens intermediários, equipamentos, capital, horas de trabalho, etc. Todavia, para fins fiscais, o termo insumo é utilizado de maneira mais restrita, haja vista a pouca disposição existente até hoje para se desenvolver esse conceito no Direito Brasileiro. Nas raras remissões legislativas encontradas, usualmente trata se do ICMS e do IPI, tributos onde há uma forte vinculação física entre o produto final e o bem que irá gerar crédito fiscal, mesmo porque constituem impostos sobre a “produção e circulação de bens e serviços”, tal como disposto em nosso Código Tributário Nacional (Capítulo IV da Lei nº 5.172/1966 CTN). 1 Novo Aurélio Século XXI – O Dicionário da Língua Portuguesa, 3ª Ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1999. 2 In Direito Tributário Brasileiro, 9ª Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1980, pág. 214. Fl. 3513DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 16 15 No caso do ICMS, o que se observa é uma evolução gradual do conceito de insumo, que acaba ampliando o conceito básico e evidente da tríade matériaprima/produto intermediário/material de embalagem, principalmente no que se refere ao que se chama produto intermediário. Nas raras oportunidades em que a legislação estadual enfrentou o tema, podemos citar um ato normativo que pode ser considerado como pioneiro na definição de insumo: a Decisão Normativa CAT 01/2001, do Estado de São Paulo, que, ao exemplificar mercadorias que poderiam ser consideradas insumos, deu especial destaque àqueles produtos que são utilizados no processo ainda que não componham o produto final: Entre outros, têmse ainda, a título de exemplo, os seguintes insumos que se desintegram totalmente no processo produtivo de uma mercadoria ou são utilizados nesse mesmo processo produtivo para limpeza, identificação, desbaste, solda etc.: lixas; discos de corte; discos de lixa; eletrodos; oxigênio e acetileno; escovas de aço; estopa; materiais para uso em embalagens em geral tais como etiquetas, fitas adesivas, fitas crepe, papéis de embrulho, sacolas, materiais de amarrar ou colar (barbantes, fitas, fitilhos, cordões e congêneres), lacres, isopor utilizado no isolamento e proteção dos produtos no interior das embalagens, e tinta, giz, pincel atômico e lápis para marcação de embalagens; óleos de corte; rebolos; modelos/matrizes de isopor utilizados pela indústria; produtos químicos utilizados no tratamento de água afluente e efluente e no controle de qualidade e de teste de insumos e de produtos. Porém, como podemos verificar, o conceito amplificado de insumo para o ICMS (e também do IPI) é derivado da conclusão de que são os elementos que participam efetivamente do processo produtivo, haja vista que, conforme dito anteriormente, o ICMS demanda uma intrínseca relação entre a entrada da mercadoria utilizada no processo econômico que ensejará a saída do produto final. Ademais, verificase que enquanto o ICMS e o IPI possuem profunda relação com a movimentação física de bens e mercadorias, o que se reflete na maneira como a não cumulatividade se manifesta – como regra, apropriase créditos na entrada de bens e mercadorias que venham a serem movimentados posteriormente com débito do imposto , o PIS e a COFINS possuem relação com um aspecto absolutamente econômico, representado e controlado graficamente pela contabilidade, a geração de receitas tributáveis. Nessa linha, a nãocumulatividade das contribuições sociais deve se performar não mais de uma perspectiva “Entrada vs. Saída”, mas de uma perspectiva “Despesa/Custo vs. Receita”, Fl. 3514DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 17 16 expressivamente mais complexa e mais alheia aos operadores do Direito e aos legisladores, que durante cinquenta anos acostumaram com a “nãocumulatividade física” em detrimento de uma “nãocumulatividade econômica” De certo, é possível entender essa falha conceitual ao se analisar com cuidado o artigo 3º acima mencionado, quando se observa que os incisos e parágrafos insistem na ideia de permitir o crédito, por exemplo, desde a entrada dos bens para estoque (quando menciona “aquisição”) enquanto o conceito intrínseco da nãocumulatividade econômica está sobre a noção de custo e despesa, que não são registrados no momento da aquisição do estoque, mas sim quando da sua realização pela venda, e consequente registro contábil da receita. Desse modo, acredito que o conceito de insumo para a legislação do PIS/PASEP e da COFINS parece ser mais abrangente que o utilizado para créditos do IPI e do ICMS – como faz crer das conclusões da decisão ora recorrida –, de maneira que o legislador permitiu a apropriação de créditos que ultrapassem a vinculação física e recaiam sobre o aspecto econômico da operação de entrada de bens e serviços. Nesse caso, entendo que a legislação possibilitou o desconto de créditos das contribuições além dos elementos que compõem os custos diretos e indiretos de produção através alocação por atividade (i.e. “Sistema de Custeio ABC”), e incluiu componentes que, em uma análise puramente contábil, seriam classificados como despesas variáveis, estritamente atreladas com a geração de receitas. Porém, como premissa básica para a apuração de créditos de PIS/PASEP e COFINS, temos que os custos diretos e indiretos constituem base de cálculo de forma inquestionável; já as despesas deverão ser analisadas caso a caso, na medida em que cada uma contribua de forma cabal para a venda do produto ou serviço. Por outro lado, a Instrução Normativa SRF nº 247/2002, com a redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 358/2003, ao regulamentar a cobrança do PIS/PASEP e da COFINS, definiu insumo de uma maneira mais restrita, contrariando, em última análise, o espírito das Leis Federais nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003, que visavam mitigar o efeito cascata das contribuições e “estimular a eficiência econômica”3: Art. 66. (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: 3 Exposição de Motivos da Lei Federal nº 10.833/2003. Fl. 3515DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 18 17 I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço.(...) Partindo esse entendimento, a Receita Federal amenizou algumas restrições, criando um entendimento, que vigora até hoje em diversas Soluções de Consulta, de que deve haver um vínculo de imprescindibilidade e à essencialidade do respectivo bem ou serviço para que seja possível a apropriação de créditos. Assim, destacou a Solução de Consulta que inaugurou esse raciocínio: “Solução de Consulta nº 400/2008 (8ª Região Fiscal) PIS/PASEP. CRÉDITO. INSUMOS. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da contribuição para o PIS/PASEP devida. Fl. 3516DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 19 18 Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.637, de 2002, art. 3o, inciso II; IN SRF no 247, de 2002, art.66, § 5o. COFINS. CRÉDITO. INSUMOS. Consideramse insumos, para fins de desconto de créditos na apuração da Cofins nãocumulativa, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas, aplicados ou consumidos na fabricação de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. O termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles, adquiridos de pessoa jurídica, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. Dessa forma, somente os gastos efetuados com a aquisição de bens e serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção de bens ou prestação de serviços geram direito a créditos a serem descontados da COFINS devida. Não dão direito a crédito os valores pagos a pessoas jurídicas domiciliadas no País, a título de despesas administrativas, contábeis, de venda, de propaganda, de advocacia, assim como, a aquisição de bens e serviços destinados a essas atividades, efetuados por empresa que se dedica à indústria e comércio de alimentos, por não configurarem pagamento de bens e serviços enquadrados como insumos utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. Dispositivos legais: Lei no 10.833, de 2003, art. 3o, inciso II; IN SRF no 404, de 2004, art.8o, § 4o.(DOU de 08/12/2008)” Já a Instrução Normativa SRF nº 404/2004 manteve a definição anterior, em seu artigo 8º, §4º, que assim dispôs: Artigo 8º. (...) § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: Fl. 3517DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 20 19 a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (...) Consideradas, pois, as manifestações acima, podemos afirmar que o conceito de insumo para fins de apropriação de créditos de PIS e COFINS deve ser tido de forma mais abrangente, desde que tais itens estejam intimamente ligados à atividadefim da empresa e que principalmente venham a ser utilizados efetivamente e de forma identificável na venda de produtos ou serviços, contribuindo para geração de receitas, devendo ser inquestionável o crédito decorrente dos elementos que compõem o custo de produção, seja direto ou indireto. Seguindo essa linha, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial 1.221.170/PR, com efeito de recurso repetitivo, culminando na edição do Parecer Normativo COSIT 5/2018, que amplificou o espectro para a apropriação de créditos sobre insumos na atividade dos contribuintes: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; Fl. 3518DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 21 20 a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº10.833, de 2003, art. 3º, inciso II. Analisando o teor do leading case, bem como do Parece COSIT acima ementado, verificase que, no caso concreto, ainda que não guiado por esses, a fiscalização acertadamente glosou créditos sobre despesas que – evidentemente – não teriam conexão direta com a atividade da Recorrente a ponto de ser tratada como imprescindível ou essencial à sua geração de receitas, especialmente aqueles mencionados no Despacho Decisório, itens 67 e 68. Por isso mesmo, entendo pela manutenção dessas glosas, não merecendo reforma a decisão de primeiro grau nesse particular. Pelo exposto, voto por conhecer do Recurso, e darlhe provimento parcial." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 3519DF CARF MF Processo nº 12585.720324/201184 Acórdão n.º 3401005.980 S3C4T1 Fl. 22 21 Fl. 3520DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10425.720164/2007-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
ITR. VALOR DA TERRA NUA. VTN. ARBITRAMENTO SIPT. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. IMPROCEDÊNCIA.
Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotando-se o valor médio das DITR do município, sem levar-se em conta a aptidão agrícola do imóvel.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE.
A exclusão de áreas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada a comprovação mediante documentação hábil e idônea de sua existência.
PROVA PERICIAL. CONVICÇÃO DO JULGADOR. INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido de perícia ou de diligência quando o julgador administrativo, após avaliar o caso concreto, considerá-las prescindíveis para o deslinde das questões controvertidas
Numero da decisão: 2401-006.527
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer o VTN declarado pelo contribuinte.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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VALOR DA TERRA NUA. VTN. ARBITRAMENTO SIPT. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. IMPROCEDÊNCIA. Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotandose o valor médio das DITR do município, sem levarse em conta a aptidão agrícola do imóvel. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE. A exclusão de áreas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada a comprovação mediante documentação hábil e idônea de sua existência. PROVA PERICIAL. CONVICÇÃO DO JULGADOR. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de perícia ou de diligência quando o julgador administrativo, após avaliar o caso concreto, considerálas prescindíveis para o deslinde das questões controvertidas Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para restabelecer o VTN declarado pelo contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 42 5. 72 01 64 /2 00 7- 02 Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10425.720164/200702 Acórdão n.º 2401006.527 S2C4T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. Relatório ELEUSIO CURVELO FREIRE, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos auto do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da Turma da Delegacia Regional de Julgamento, que julgou procedente o lançamento fiscal, referente ao Imposto sobre a Propriedade Rural ITR, em relação ao exercício em questão, conforme Notificação de Lançamento e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente da glosa das áreas preservação permanente e de utilização limitada por não restarem comprovadas e arbitramento do valor da terra nua VTN. Inconformado com a Decisão recorrida, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário procurando demonstrar a total improcedência da Notificação, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, reitera as razões da impugnação, esclarecendo que os VTN médios usados pela SRF, do município de Esperança não se adequam aos imóveis do contribuinte devido a localização dos mesmos, na região limítrofe com o município de Algodão de Jandaira, sendo que o VTN aplicável, por similaridade com o imóvel do contribuinte seria o de Algodão de Jandaira. Explicita que os valores de terras comercializadas e desapropriadas nas vizinhanças do imóvel, estão com valores próximos aos que foram declarados, conforme escrituras de terras passadas nos últimos anos no Cartório de Registro de Imóveis de Esperança No tocante a área de preservação permanente, área de reserva legal e de utilização limitada, informa que a verborragia de leis, artigos e exigências legais apresentados Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10425.720164/200702 Acórdão n.º 2401006.527 S2C4T1 Fl. 4 3 são do total desconhecimento de todos os fazendeiros do semiárido nordestino, inclusive o contribuinte. Pugna pela realização e produção de prova pericial. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário. DO VALOR DA TERRA NUA VTN Na parte atinente ao cálculo do Valor da Terra Nua VTN, o contribuinte não regularmente intimado não comprovou o valor declarado, entendendo a autoridade lançadora que houve subavaliação, tendo em vista o valor constante do Sistema de Preço de Terras (SIPT), instituído pela então SRF em consonância ao art. 14, caput, da Lei n° 9.393, de 1996, razão pela qual o VTN declarado para o imóvel fora arbitrado. Em síntese, podemos dizer que o VTNm/ha representa a média ponderada dos preços mínimos dos diversos tipos de terras de cada microrregião, observandose nessa oportunidade o conceito legal de terra nua previsto na legislação de regência sobre o assunto, utilizandose como data de referência o último dia do ano anterior ao do lançamento. A utilização da tabela SIPT, para verificação do valor de imóveis rurais, a princípio, teria amparo no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Como da mesma forma, o valor do SIPT só é utilizado quando, depois de intimado, o contribuinte não apresenta elementos suficientes para comprovar o valor por ele declarado, da mesma forma que tal valor fica sujeito à revisão quando o contribuinte comprova que seu imóvel possui características que o distingam dos demais imóveis do mesmo município. Não tenho dúvidas de que as tabelas de valores indicados no SIPT, quando elaboradas de acordo com a legislação de regência, servem como referencial para amparar o trabalho de malha das declarações de ITR e somente deverão ser utilizados pela autoridade fiscal se o contribuinte não lograr comprovar que o valor declarado de seu imóvel corresponde ao valor efetivo na data do fato gerador. Para tanto, a fiscalização deve enviar uma intimação ao contribuinte solicitando a comprovação dos dados declarados antes de proceder à formalização do lançamento. Vivemos em um Estado de Direito, onde deve imperar a lei, de tal sorte que o indivíduo só se sentirá forçado a fazer ou não fazer alguma coisa compelido pela lei. Daí porque o lançamento ser previsto no art. 142 do Código Tributário Nacional como atividade Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10425.720164/200702 Acórdão n.º 2401006.527 S2C4T1 Fl. 5 4 plenamente vinculada, isto é, sem possibilidade de a cobrança se firmar em ato discricionário, e, por outro lado, obrigatória, isto é o órgão da administração não pode deixar de cobrar o tributo previsto em lei. Assim, sendo se faz necessário uma análise preliminar sobre a possibilidade da utilização dos valores constantes da tabela SIPT, quando elaborada tendo por base as DITR do município onde se localiza o imóvel. Ou seja, se faz necessário enfrentar a questão da legalidade da forma de cálculo que é utilizado, nestes caso, para se encontrar os valores determinados na referida tabela. Razão pela qual, se faz necessário verificar qual foi metodologia utilizada para se chegar aos valores constantes da tabela SIPT, principalmente, nos casos em que restar comprovado, nos autos do processo, que a mesma foi elaborada tendo por base a média dos VTN das DITR entregues no município da localização do imóvel. Esta forma de valoração do VTN atenderia as normas legais para se proceder ao arbitramento do VTN a ser utilizado, pela autoridade fiscal, na revisão da DITR? Sem dúvidas, que tal ponto não deixa de ser importante, posto que, em se entendendo que as normas de cálculo utilizadas para a confecção da Tabela SIPT, tomada como base para o arbitramento (EXCEÇÃO) do VTN pela autoridade fiscal, não se demonstram adequadas à lei, tal situação faria prevalecer o VTN indicado pelo contribuinte em laudo técnico ou de sua Declaração. Este é o caso questão, onde o VTN extraído do SIPT referese à média dos VTNs das DITRs apresentadas para o mesmo município e não do VTN médio por aptidão agrícola, onde se avalia os preços médios por hectare de terras do município onde esta localizado o imóvel, apurado através da avaliação pela Secretaria Estadual de Agricultura os preços de terras levando em conta de existência de lavouras, campos, pastagens, matas. O VTN, segundo a fls 7, é calculado sem aptidão agrícola. Analisando o conteúdo das normas reguladoras para a fixação dos preços médios de terras por hectare só posso concluir, que o levantamento do VTN, levando conta a média dos VTN constantes da DITRs, não condiz com o proposto pelo art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, verbis: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. (grifamos) Assim se manifesta o art. 12 da Lei n° 8.629, de 1993: Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10425.720164/200702 Acórdão n.º 2401006.527 S2C4T1 Fl. 6 5 Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. § 1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacitação potencial da terra; c) dimensão do imóvel. Com as alterações da Medida Provisória nº 2.18.356, de 2001, a redação do art. 12, da Lei nº 8.629, de 1993, passou a ser a seguinte: Art.12.Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I localização do imóvel II aptidão agrícola; III dimensão do imóvel; IV área ocupada e ancianidade das posses; V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. (grifei) Resta claro, que com a publicação da Lei nº 9.393, de 1996, em seu art. 14 dispõe que as informações sobre preços de terras observarão os critérios estabelecidos no artigo 12, § 1°, inciso II, da Lei n 8.629, de 25 de fevereiro de 1.993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos municípios. Ora, se a fixação do VTNm não teve por base esse levantamento (por aptidão agrícola), o que está comprovado nos autos, já que a autoridade fiscal lançadora se utilizou do VTN médio das DITRs entregues no município, então não se cumpriu o comando legal e o VTNm adotado para proceder ao arbitramento pela autoridade lançadora não é legítimo, sendo inservível para o fim da recusa do valor declarado ou pretendido pelo contribuinte. Nesse sentido é a jurisprudência pacífica deste Tribunal, vejamos: VTNVALOR DA TERRA NUA. SUBAVALIAÇÃO. ARBITRAMENTO. SIPTSISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do arbitramento com base Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10425.720164/200702 Acórdão n.º 2401006.527 S2C4T1 Fl. 7 6 no SIPT, quando o VTN é apurado adotandose o valor médio das DITR do município, sem levarse em conta a aptidão agrícola do imóvel. (acórdão CSRF nº 9202005.781, de 31/08/2017) ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO COM APTIDÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE. Resta imprestável o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando da inobservância ao requisito legal de consideração de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel. (acórdão CSRF nº 9202005.687, de 27/07/2017) VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO DAS DITR. AUSÊNCIA DE APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do arbitramento com base no SIPT, quando o VTN é apurado adotandose o valor médio das DITR do Município, sem considerar a aptidão agrícola do imóvel. Considerando a apresentação da Laudo de avaliação pelo Contribuinte, deve ser considerado o Valor da Terra nua nele constante.(acórdão CSRF n° 9202007.331, de 25/10/2018) Diante do entendimento que o VTN médio utilizado pela autoridade fiscal lançadora não cumpre as exigências legais determinadas pela legislação de regência, deve ser restabelecido o VTN declarado pelo recorrente em sua DITR glosado pela autoridade fiscal. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL No que se refere a dedução das áreas de preservação permanente e das áreas de utilização limitada da área total do imóvel para obtenção da área tributável pelo ITR, deve se observar: a) um aspecto estritamente legal onde é exigido, além de efetivamente existir as áreas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada, que atendam aos requisitos legais; b) que a normatização destas áreas, entre outras providências, é parte do cumprimento da obrigação do Poder Público na defesa e preservação do meio ambiente, favorecendo ou premiando com a isenção de tributos os proprietários que comprovam e legalizam a existência dessas áreas, bem como a sua intenção de mantêlas dessa forma e, evidentemente, penalizando os que não cumprem com essa obrigação. Em suma, a preservação do meio ambiente é obrigatória, porém, para que tenha direito á exclusão da área total para obtenção da área tributável pelo ITR devem ser observados os requisitos legais. Sem maiores elucidações e delongas sobre legislação e entendimentos, o caso dos autos é de fácil deslinde, visto que o contribuinte não comprovou a existência das referidas áreas, não apresentou Laudo Técnico e/ou outros documentos capazes de atestar a existência das áreas, não merecendo guarida o seu pleito. PERÍCIA Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10425.720164/200702 Acórdão n.º 2401006.527 S2C4T1 Fl. 8 7 Quanto ao pedido de perícia, o exame pericial é um meio de prova, necessário apenas quando a elucidação de fato ou o exame de matéria demanda o auxílio de um especialista em determinado ramo específico do conhecimento. É dizer que a realização da perícia não constitui direito subjetivo do interessado. Compete ao julgador avaliar a prescindibilidade e viabilidade da produção da prova técnica para a elucidação dos fatos e como instrumento de convicção para a solução da lide. Logo, prescindível a perícia não merece acolhimento o pleito do recorrente. Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento em consonância parcial com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para restabelecer o VTN declarado pelo contribuinte, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 97DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10805.902239/2014-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.017
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) para participar de julgamento na 1º Turma Ordinária da 4º Câmara da 3º Seção de Julgamento.
Relatório
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) para participar de julgamento na 1º Turma Ordinária da 4º Câmara da 3º Seção de Julgamento. Relatório
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) para participar de julgamento na 1º Turma Ordinária da 4º Câmara da 3º Seção de Julgamento. Relatório Trata o presente processo do PER/DCOMP transmitido pelo contribuinte acima identificado por meio do qual solicita o reconhecimento de um direito creditório, referente à COFINS, para fins de sua compensação com débitos próprios. O Despacho Decisório constante dos autos, emitido de forma eletrônica, não homologou a compensação pleiteada, sob o fundamento de não haver crédito disponível para tanto, pelo fato de o pagamento informado no DARF correspondente haver sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 05 .9 02 23 9/ 20 14 -1 8 Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10805.902239/201418 Resolução nº 3302001.017 S3C3T2 Fl. 3 2 Anteriormente à emissão do referido Despacho Decisório, foi disponibilizada ao contribuinte a Análise Preliminar do Direito Creditório, no sítio da RFB, com a informação de que, no caso de inconsistências constatadas na referida Análise, ser a ele concedido o prazo de 45 dias a contar dessa disponibilização, para o seu saneamento, através da transmissão de PERDCOMP retificador, ou ainda de outras declarações retificadoras, como DCTF, DIPJ, Dacon, Redarf, DIRF, etc. Contra a referida decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, em que alegou basicamente o seguinte: Através de auditoria em seus controles internos, constatou a ocorrência de pagamento a maior da COFINS do período de apuração em questão, tendo apresentado pedido de compensação do referido crédito, através de PERDCOMP retificador, desacompanhado, porém, da retificação das demais Declarações que compõem sua obrigação acessória – como DACON e DCTF, nas quais o débito devido da referida contribuição social foi declarado com erro. Somente após o recebimento do Despacho Decisório em comento, procedeu à retificação das declarações DACON e DCTF, conforme anexadas aos autos, e nas quais fez refletir o valor a menor devido a título de COFINS, como origem de seu direito creditório, cuja liquidez e certeza restaria então comprovada. Assim, a Defendente requer que seja julgada procedente a presente Manifestação de Inconformidade, com a consequente homologação da compensação pleiteada. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, entendendo não restar comprovada a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Assentou ainda, o colegiado a quo, ser ônus do contribuinte a comprovação documental do direito creditório informado em declaração de compensação. Intimado da decisão a Recorrente interpôs recurso voluntário, no qual reproduz as alegações oferecidas na impugnação e aduz que a decisão de primeira instância trouxe os fatos e razões novas que merecem ser contrapostos, tais como a insuficiência da apresentação da DCTF e da DACON retificadoras para provar o direito da recorrente, daí porque no recurso voluntário traz balancete de verificação que discrimina as contas tributadas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3302001.015, de 28 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10805.902245/201475, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10805.902239/201418 Resolução nº 3302001.017 S3C3T2 Fl. 4 3 Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3302001.015):. "O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Sem embargo de a recorrente não ter trazido todas as provas necessárias à comprovação do seu direito na manifestação de inconformidade, houve um esforço nesse sentido, com a apresentação da DCTF e da DACON retificadoras. Agora em recurso voluntário, o balancete de verificação e as explicações produzidas demonstram continuação do esforço de comprovar seu direito, todavia surgiu apenas verossimilhança do direito da recorrente, notase que as provas trazidas aos autos são documentos produzidos unilateralmente pela contribuinte, e não foram alvo de inspeção pela auditoriafiscal. Nesse diapasão, voto por converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem do lançamento proceda a análise detalhada dos lançamentos contábeis das contas da escrituração da contribuinte em que ocorreram o pagamento a maior (receitas financeiras oriundas de juros, descontos, rendimentos de aplicação financeira, bem como o não aproveitamento de crédito sobre a depreciação de prédio em que está instalada a empresa) e pronuncie se, de forma fundamentada, em relatório fiscal conclusivo se, de fato, a contribuinte tem direito ao crédito pleiteado. Após, dar ciência ao sujeito passivo do resultado da diligência, com reabertura do prazo de 30 (trinta dias) para apresentação de manifestação da recorrente, no tocante às conclusões da diligência proposta. Ao fim do prazo, com ou sem manifestação, devolvase o processo a este Conselho para a conclusão do julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem do lançamento proceda a análise detalhada dos lançamentos contábeis das contas da escrituração da contribuinte em que ocorreram o pagamento a maior (receitas financeiras oriundas de juros, descontos, rendimentos de aplicação financeira, bem como o não aproveitamento de crédito sobre a depreciação de prédio em que está instalada a empresa) e pronunciese, de forma fundamentada, em relatório fiscal conclusivo se, de fato, a contribuinte tem direito ao crédito pleiteado. Após, dar ciência ao sujeito passivo do resultado da diligência, com reabertura do prazo de 30 (trinta dias) para apresentação de manifestação da recorrente, no tocante às conclusões da diligência proposta. Ao fim do prazo, com ou sem manifestação, devolvase o processo a este Conselho para a conclusão do julgamento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 281DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.101039/2006-17
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. CARACTERIZADAS.
Identificada e caracterizada a contradição entre o dispositivo do voto condutor do julgamento e sua fundamentação, em relação ao acórdão do recurso especial fazendário, acolhem-se os embargos, com efeitos infringentes, para saneamento do vício apontado.
Numero da decisão: 9303-008.254
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes, para rerratificar o acórdão embargado, a fim de sanar a contradição apontada nos presentes embargos de declaração, para dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda apenas e tão somente, quanto à glosa dos créditos aproveitados sobre as despesas incorridas com materiais diversos (limpeza e serviços auxiliares), mantendo o improvimento do recurso especial do contribuinte. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Demes Brito.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. CARACTERIZADAS. Identificada e caracterizada a contradição entre o dispositivo do voto condutor do julgamento e sua fundamentação, em relação ao acórdão do recurso especial fazendário, acolhem-se os embargos, com efeitos infringentes, para saneamento do vício apontado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes, para rerratificar o acórdão embargado, a fim de sanar a contradição apontada nos presentes embargos de declaração, para dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda apenas e tão somente, quanto à glosa dos créditos aproveitados sobre as despesas incorridas com materiais diversos (limpeza e serviços auxiliares), mantendo o improvimento do recurso especial do contribuinte. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Demes Brito. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. CARACTERIZADAS. Identificada e caracterizada a contradição entre o dispositivo do voto condutor do julgamento e sua fundamentação, em relação ao acórdão do recurso especial fazendário, acolhemse os embargos, com efeitos infringentes, para saneamento do vício apontado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração com efeitos infringentes, para rerratificar o acórdão embargado, a fim de sanar a contradição apontada nos presentes embargos de declaração, para dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda apenas e tão somente, quanto à glosa dos créditos aproveitados sobre as despesas incorridas com materiais diversos (limpeza e serviços auxiliares), mantendo o improvimento do recurso especial do contribuinte. Ausente, momentaneamente, o conselheiro Demes Brito. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 10 39 /2 00 6- 17 Fl. 424DF CARF MF Processo nº 11065.101039/200617 Acórdão n.º 9303008.254 CSRFT3 Fl. 425 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte contra o acórdão nº 9303005.507, de 15/08/2017, proferido por esta 3ª Turma da Câmara da Superior deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O Colegiado, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional, apenas quanto à exclusão da base de cálculo da contribuição das receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos do ICMS para terceiros, vinculados à exportações de mercadorias, e, por voto de qualidade, negoulhe provimento, quanto às demais matérias, nos termos da ementa reproduzida abaixo: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Período de apuração: 01/07/2006a30/09/2006 NÃO CUMULATIVIDADE. MATERIAIS DIVERSOS (LIMPEZA E SERVIÇOS AUXILIARES). CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O termo "insumo" utilizado pelo legislador para fins de creditamento da Cofins apresenta um campo maior do que o MP, PI e ME, relacionados ao IPI. Considerando que tal abrangência não é tão flexível como no caso do IRPJ, aponto de abarcar todos os custos de produção e despesas necessárias à atividade da empresa. Por outro lado, para que se mantenha o equilíbrio normativo, os insumos devem ser essenciais a produção dos bens ou produtos destinados à venda,ainda que este produto não entre em contato direto com os bens produzidos. NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da nãoincidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa disposição legal, é vedada a correção monetária ou o abono de juros sobre os valores de PIS e de Cofins aproveitados mediante ressarcimento. Fl. 425DF CARF MF Processo nº 11065.101039/200617 Acórdão n.º 9303008.254 CSRFT3 Fl. 426 3 REP Provido em Parte e REC Negado." Nos embargos, o contribuinte alega contradição entre o dispositivo do voto condutor do acórdão e sua fundamentação, no que diz respeito ao recurso especial da Fazenda Nacional, tendo em vista que, na ementa e no voto, foi reconhecido o seu direito de excluir da base de cálculo da contribuição as receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS para terceiros. Contudo, na conclusão do voto condutor do acórdão embargado constou: "Pelo exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional somente para reformar o acórdão recorrido na matéria que trata da cessão de créditos de ICMS oriundos da exportação." Também, na parte dispositiva do acórdão, no que aqui interessa, constou: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, apenas quanto à matéria que trata da cessão de créditos de ICMS oriundos da exportação". Por meio do despacho às fls. 419e/423e, a Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais acolheu os embargos do contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. Os embargos interpostos pelo contribuinte são tempestivos e apontam contradição, merecendo ser conhecidos. O contribuinte suscitou contradição, em relação à decisão no recurso especial da Fazenda Nacional e o dispositivo do acórdão embargado, quanto à matéria "CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL". Do exame do acórdão embargado, mais especificamente, (i) da parte de sua ementa, (ii) do seu dispositivo e (iii) da conclusão do voto condutor, verificase que, de fato, ocorreu a contradição suscitada pelo contribuinte. Na ementa referente àquela matéria, reconheceuse o direito de o contribuinte excluir da base de cálculo da contribuição as receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS para terceiros, vinculados a exportações de mercadorias, impugnada pela Procuradoria, conforme se depreende do seu conteúdo transcrito a seguir: "NÃOCUMULATIVIDADE. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS ACUMULADOS DECORRENTES DE EXPORTAÇÕES. Fl. 426DF CARF MF Processo nº 11065.101039/200617 Acórdão n.º 9303008.254 CSRFT3 Fl. 427 4 EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO, POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL VINCULANTE, NA FORMA REGIMENTAL. Havendo decisão definitiva do STF, com repercussão geral, no sentido da nãoincidência da Contribuição para o PIS e da Cofins na cessão onerosa para terceiros de créditos de ICMS acumulados, originados de operações de exportação, ela deverá ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, por força regimental, para fatos geradores anteriores à produção de efeitos da Lei nº 11.945/2009, que expressamente previu a sua exclusão da base de cálculo." Do exame do voto condutor, verificase que, de fato, a fundamentação toda foi para negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, em relação ao direito de o contribuinte excluir da base de cálculo da contribuição as receitas decorrentes da cessão onerosa dos créditos de ICMS para terceiros, vinculados a exportações de mercadorias e, consequentemente, negarlhe provimento. Assim, o resultado do julgamento seria dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional apenas, quanto ao aproveitamento de créditos sobre as despesas incorridas com materiais diversos (limpeza e serviços auxiliares). No entanto, na conclusão do acórdão e no seu dispositivo, constou equivocadamente que o provimento parcial seria apenas quanto à matéria que trata da cessão de créditos de ICMS oriundos da exportação que fora impugnada pela Procuradoria. Portanto, demonstrada e comprovada a contradição entre a decisão e seus fundamentos, os embargos deverão ser acolhidos para sanar esse vício, passando a conclusão do voto condutor do acórdão embargado a ter a seguinte conclusão, quanto ao recurso especial da Fazenda Nacional: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial apenas, quanto à matéria que trata do aproveitamento de créditos sobre materiais diversos (limpeza e serviços auxiliares)." Já o dispositivo do acórdão embargado passa viger nos seguintes termos: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial apenas, quanto à matéria que trata do aproveitamento de créditos sobre materiais diversos (limpeza e serviços auxiliares). Vencidas as Conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a Conselheira Tatiana Midori Migiyama." Fl. 427DF CARF MF Processo nº 11065.101039/200617 Acórdão n.º 9303008.254 CSRFT3 Fl. 428 5 Em face do exposto, acolho os embargos, com efeitos infringentes, para rerratificar o acórdão embargado, a fim de sanar a contradição apontada nos presentes embargos de declaração, para dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda apenas e tão somente, quanto à glosa dos créditos aproveitados sobre as despesas incorridas com materiais diversos (limpeza e serviços auxiliares), mantendo o improvimento do recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 428DF CARF MF Processo nº 11065.101039/200617 Acórdão n.º 9303008.254 CSRFT3 Fl. 429 6 Fl. 429DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.910726/2012-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 20/03/2008
COMPENSAÇÃO. PROVA SUFICIENTE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. DOCUMENTOS CONTÁBEIS E FISCAIS. HOMOLOGAÇÃO.
Deve ser homologada a compensação em que a declarante tenha comprovado suficientemente, mediante documentos contábeis e fiscais, a existência do direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 3401-006.018
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 20/03/2008 COMPENSAÇÃO. PROVA SUFICIENTE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. DOCUMENTOS CONTÁBEIS E FISCAIS. HOMOLOGAÇÃO. Deve ser homologada a compensação em que a declarante tenha comprovado suficientemente, mediante documentos contábeis e fiscais, a existência do direito creditório pleiteado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 91 07 26 /2 01 2- 16 Fl. 203DF CARF MF Processo nº 13888.910726/201216 Acórdão n.º 3401006.018 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Despacho Decisório eletrônico que não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP, sob o fundamento da integral vinculação do crédito indicado a outro(s) débito(s) de titularidade do contribuinte. A decisão de 1ª instância julgou o recurso improcedente ao argumento de que não havia prova exaustiva da liquidez e certeza do crédito vindicado, pois não foram juntados os registros contábeis da operação, imputando ao recorrente o ônus da prova do direito requerido. O Recurso Voluntário sustentou a possibilidade de juntada de documentos nessa fase processual, em observância ao princípio da verdade material; pugnou pela devolução dos autos à unidade de origem para revisão do despacho eletrônico, por força do Parecer Normativo Cosit nº 02/2015; e ratificou as alegações já deduzidas em primeira instância quanto ao direito pleiteado. Foram anexados à peça recursal o ADE nº 53/06 (CARTEPILLAR BRASIL LTDA, admissão no RECOF), laudo técnico contábil e extrato do livro Registro de Saídas. Considerando a documentação carreada aos autos pela Recorrente no Recurso Voluntário, este Colegiado converteu o feito em diligência para que a unidade preparadora da RFB se manifestasse acerca da procedência e quantificação do direito creditório, bem como da disponibilidade e da suficiência do crédito para a compensação pretendida. O processo retornou para julgamento com Informação Fiscal no sentido da procedência, disponibilidade e suficiência do crédito para extinguir o débito declarado no PER/DCOMP. A Recorrente ratifica as razões recursais. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3401006.017, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13888.910728/201205. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3401006.017): "A controvérsia posta nos autos cingiase à existência de crédito de COFINS decorrente de pagamento a maior no valor de R$ 36.019,17 (competência MAI/2008), recolhido mediante DARF, Fl. 204DF CARF MF Processo nº 13888.910726/201216 Acórdão n.º 3401006.018 S3C4T1 Fl. 4 3 hábil a ser compensado com débito do mesmo tributo no valor de R$ 19.860,91 (competência AGO/2012). O feito tramitou em 1ª instância sem que a Recorrente fizesse prova suficiente do indébito, posto que alegava ser beneficiária da suspensão do tributo por vender mercadorias à pessoa jurídica habilitada no RECOF sem juntar os respectivos documentos contábeis e fiscais que espelhassem as operações. Ocorre que, em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente supriu tal carência probatório, de modo que este Colegiado resolveu converter o feito em diligência para que a unidade preparadora da RFB se manifestasse conclusivamente acerca da procedência, disponibilidade e suficiência do direito creditório. Assento pois as informações apresentadas pela autoridade fiscal em sede de diligência: 3. Em nossa análise verificamos que o crédito alegado pelo contribuinte na Dcomp (R$ 36.019,17), encontrase disponível para compensação, em nossos sistemas, após as retificações efetuadas na DCTF e DACON, relativas ao período de apuração 05/2008. A emissão Despacho Decisório de nº de Rastreamento 042024158 foi realizada em 03/01/2013 e as retificações citadas foram realizadas em 29/01/2013 e 30/01/2013, respectivamente. Portanto, não havia saldo disponível quando da emissão do Despacho Decisório, o que motivou seu indeferimento inicial. 4. Ademais, da análise do Livro de Registro de Entradas e Saídas, do DACON, dos documentos fiscais apresentados pela recorrente e tendo em vista que as notas fiscais apresentadas são de venda de produtos a empresa beneficiária do RECOF e, por consequência, com benefício da suspensão do PIS/Pasep e Cofins em suas aquisições no mercado interno, dentro das condições previstas no ADE nº 53, de 24 de julho de 2006 e da IN SRF 417/2004 (alterada pela IN SRF 547/2005 e posteriores), concluímos que a manifestante faz jus a compensação dos créditos de R$ 36.019,17, de Cofins (cód. 5856), período de apuração 30/05/2008, demonstrados na Dcomp nº 28653.88994.190912.1.3.046142. Conforme verificamos nos relatórios do Sistema de Apoio Operacional (fls. 198 a 200), o crédito utilizado na Dcomp tratada nesse processo é suficiente para extinguir o débito declarado (R$ 19.860,91, Cofins (5856), vencido em 25/09/2012). O saldo do crédito não utilizado nessa Dcomp foi utilizado em outra Dcomp relacionada, de nº 04211.25185.270912.1.3.040704, tratada no processo nº 13888.910730/201276, sendo que também nessa Dcomp relacionada o crédito utilizado também foi suficiente para extinguir o débito declarado (R$ 30.778,44, CSLL (2484), vencido em 28/09/2012), conforme vemos no relatório de fls. 200. (grifo nosso) É de se concluir que, ante a informação de que o crédito existe, está disponível e é suficiente para se homologar a compensação pretendida, cai por terra a matéria antes controvertida, de modo Fl. 205DF CARF MF Processo nº 13888.910726/201216 Acórdão n.º 3401006.018 S3C4T1 Fl. 5 4 que deve ser acolhido o resultado da diligência para se reconhecer o direito creditório e homologar a compensação declarada no PER/DCOMP 28653.88994.190912.1.3.046142. Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao mesmo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 206DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.903416/2009-08
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2006
AUSÊNCIA DE LITÍGIO. RECORRENTE NÃO SE OPÕE À DECISÃO.
Quando o contribuinte não apresenta contestação em relação à decisão recorrida, ausente um dos pressupostos do recurso, qual seja, interesse em recorrer.
Numero da decisão: 1003-000.691
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Ausente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2006 AUSÊNCIA DE LITÍGIO. RECORRENTE NÃO SE OPÕE À DECISÃO. Quando o contribuinte não apresenta contestação em relação à decisão recorrida, ausente um dos pressupostos do recurso, qual seja, interesse em recorrer.
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RECORRENTE NÃO SE OPÕE À DECISÃO. Quando o contribuinte não apresenta contestação em relação à decisão recorrida, ausente um dos pressupostos do recurso, qual seja, interesse em recorrer. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Ausente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 34 16 /2 00 9- 08 Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10920.903416/200908 Acórdão n.º 1003000.691 S1C0T3 Fl. 3 2 Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 0734.281, de 28 de fevereiro de 2014, da 3ª Turma da DRJ/FNS, que julgou procedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, cancelando o PER/DCOMP. A contribuinte apresentou PER/DCOMP nº 32945.28805.240106.1.3.04 2990 (fls. 74 a 78 do volume I), com o objetivo de ter reconhecido o direito creditório, correspondente a Pagamento Indevido ou a Maior de IRPJ, no valor de R$ 2.000,00, referente ao período de apuração de 30/06/2005 e de compensar débito de IRPJ, vencimento em 31/01/2006, no valor de R$ 2.000,00. Foi proferido Despacho Decisório nº rastreamento 831683350, emitido eletronicamente em 20/04/2009 (fl.03 do volume I). Das análises processadas foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Em razão disso, a compensação declarada não foi homologada. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade argumentando que não concorda com o valor cobrado a título de débito indevidamente compensado, pois sendo pagamento de estimativas o valor é passível de utilização para dedução do pagamento de meses posteriores do período de apuração. Afirma ter reapurado a estimativa do IRPJ, corrigindo as bases de cálculo de 06/2005 e períodos posteriores, incluindo novamente nas bases de cálculo as parcelas referentes ao valor que havia sido considerado pagamento a maior e verificouse então a diminuição de valor a recolher em dezembro a título de estimativa do IRPJ no valor de R$ 2.000,00, inexistindo, desta forma, saldo devedor no período de 12/2005, devendo o processo de cobrança 10920903.974/200965 ser extinto. A DRJ/FNS proferiu acórdão de nº 0734.281, cancelando o PER/DCOMP objeto deste processo e tornando inexigível o crédito a ele vinculado, destacando que o Despacho Decisório perdeu o objeto. Inconformada com a decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, repetindo as declarações apresentadas na manifestação de inconformidade acima mencionadas e acrescentando o seguinte: (i) requer a aceitação das provas apresentadas no recurso voluntário, a fim de comprovar o equívoco no procedimento por parte da Recorrente em buscar a homologação da presente DCOMP. Declara concordar com a não homologação da DCOMP, tendo requerido seu cancelamento, contudo não reconhece o valor devedor do despacho decisório e requer a extinção do processo de nº 10920903974/200965. É o Relatório. Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10920.903416/200908 Acórdão n.º 1003000.691 S1C0T3 Fl. 4 3 Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora Antes da análise do mérito, é imprescindível verificar os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário. Inicialmente, verificase ser tempestivo o recurso voluntário. No entanto, o recurso é o meio hábil para impugnar a decisão de piso. O Decreto nº 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, determina que, do julgamento de primeira instância, cabe apresentação de recurso voluntário total ou parcial no prazo de trinta dias, conforme abaixo: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. A manifestação de inconformidade da Recorrente foi julgada procedente, tendo a DRF cancelado o PER/DCOMP nº 32945.28805.240106.1.3.042990 e declarando a perda de objeto do Despacho Decisório. No recurso voluntário apresentado pela Recorrente, a mesma declara o seguinte:. Isto é, pelos fundamentos extraídos do recurso voluntário, a Recorrente não se opõe a não homologação da PER/DCOMP objeto deste processo e pede pelo seu Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10920.903416/200908 Acórdão n.º 1003000.691 S1C0T3 Fl. 5 4 cancelamento. Porém, como dito, o acórdão recorrido acolheu o cancelamento do citado PER/DCOMP, vide dispositivo do r.acórdão abaixo: Em razão de todo o exposto, voto por cancelar o PER/DCOMP, tornado inexigível o crédito a ele vinculado. Conseqüentemente o Despacho Decisório perde seu objeto. É como voto. Assim, verificase que a Recorrente não se opõe à decisão da DRJ. A Recorrente, em verdade, requer o cancelamento do processo de cobrança de nº 10920 903.974/200965, pois alega não concordar com o valor devido. No presente caso, entendese existir afronta ao princípio da dialeticidade recursal, quando, no processo, o recurso apresentado não faz oposição à decisão recorrida, fato que leva ao juízo negativo de admissibilidade do mesmo. Nesse sentido, ensina José Miguel Garcia Medina: IV. Juízo de admissibilidade negativo. Não conhecimento do recurso, pelo relator. O relator não conhecerá do recurso, de acordo com o inc. III do art. 932 do CPC/2015, quando “inadmissível, prejudicado ou que não tenha impugnado especificamente os fundamentos da decisão recorrida”. A primeira hipótese (recurso inadmissível) abrange as demais, pois, em se tratando de recurso prejudicado, faltará interesse recursal, e, não tendo havido impugnação específica aos fundamentos da decisão que possam manter sua conclusão, faltará, também, regularidade formal (a respeito dos requisitos dos recursos, cf. comentário ao art. 994 do CPC/2015). Cf., no entanto, comentário a seguir. (MEDINA, José Miguel Garcia. Novo Código de Processo Civil comentado [livro eletrônico]. 2ª Ed. São Paulo: RT, 2016. Epub.ISBN9788520367544) No mesmo raciocínio, destaca Luiz Guilherme Marinoni: 4. Não conhecer. O relator deve inadmitir – isto é, não conhecer – o recurso quando esse não preencher os requisitos intrínsecos e/ou extrínsecos que viabilizam o seu conhecimento. Inadmissibilidade é gênero no qual se inserem as espécies recurso prejudicado e recurso sem impugnação específica – rigorosamente, portanto, bastaria alusão à inadmissibilidade. Recurso prejudicado é recurso no qual a parte já não tem mais interesse recursal, haja vista a perda de seu objeto – enquadrandose, portanto, no caso de inadmissibilidade (ausência de requisito intrínseco de admissibilidade recursal). Recurso sem impugnação específica é aquele que não enfrenta os fundamentos invocados pela decisão recorrida (ausência de requisito extrínseco de admissibilidade recursal). (MARINONI, Luiz Guilherme; ARENHART, Sérgio Cruz; MITIDIERO, Daniel. O novo código de processo civil [livro eletrônico]. – São Paulo: RT, 2015. Epub .ISBN9788520360248) Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10920.903416/200908 Acórdão n.º 1003000.691 S1C0T3 Fl. 6 5 Pelas razões acima expostos, entendo que o recurso voluntário ora em análise não preenche todos os requisitos de admissibilidade em razão de falta de interesse. Outrossim, a Recorrente discorda do "valor devedor" no Despacho Decisório, contudo o acórdão da DRJ tornou o despacho decisório sem efeito em razão da perda do seu objeto e cancelou o PER/DCOMP. É importante registrar que o presente processo (nº 10920.903416/200908) trata da não homologação e posterior cancelamento da PER/DCOMP nº 32945.28805.240106.1.3.042990, não há, portanto, nenhuma discussão em relação à eventual cobrança. Quaisquer outros pedidos referentes a outros processos estranhos à lide não podem ser objetos de análise e julgamento. Registrese, por fim, que a atividade de revisão de ofício do débito tributário confessado cabe à autoridade administrativa, nos termos do art. 149 do Código Tributário Nacional. Isto posto, voto em não conhecer do recurso voluntário.. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 254DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.908728/2012-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/07/2010
DEPRECIAÇÃO. REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO.
As diferenças no cálculo da depreciação de bens do ativo imobilizado decorrentes do disposto no § 3º do art. 183 da Lei nº 6.404, de 1976, com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.638, de 2007, e pela Lei nº 11.941, de 2009, não terão efeitos para fins de apuração do cálculo dos créditos no regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007.
Numero da decisão: 3201-005.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Correia Lima Macedo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO. As diferenças no cálculo da depreciação de bens do ativo imobilizado decorrentes do disposto no § 3º do art. 183 da Lei nº 6.404, de 1976, com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.638, de 2007, e pela Lei nº 11.941, de 2009, não terão efeitos para fins de apuração do cálculo dos créditos no regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 87 28 /2 01 2- 01 Fl. 628DF CARF MF 2 Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário, efls. 67/75, contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão n.º 1467.521 5ª Turma da DRJ/RPO, efls. 56/60, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, mantendo a decisão administrativa pela não homologação da compensação declarada de créditos de COFINS. O relatório da decisão de primeira instância descreve os fatos dos autos. Nesse sentido, transcrevese a seguir o referido relatório: Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração 31/07/2010, no valor de R$ 74.475,59, transmitida através do PER/Dcomp nº 15422.52870.251111.1.3.042750. A DRF Salvador não homologou a compensação por meio do despacho decisório eletrônico de fl. 41, já que pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito do contribuinte. Cientificado do despacho em 18/12/2012 (fl. 42), o recorrente apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 2/5, em 16/01/2013, para alegar que teria revisado a apuração do débito de Cofins no Dacon e constatado que teria deduzido a menor os créditos decorrentes de encargos de depreciação sobre os bens do ativo imobilizado. Defendeu que a divergência teria ocorrido, pois não teria observado o Regime Tributário de Transição, tendo revisado a vida útil econômica estimada dos bens e o saldo residual do ativo imobilizado, com amparo no Parecer Normativo nº 1, de 29 de julho de 2011. Alegou que teria retificado a DCTF e o Dacon intempestivamente, motivo pelo qual o crédito não teria sido visualizado à época da emissão do despacho decisório. Concluiu, para requerer a homologação da compensação. Juntou cópia do Dacon e da DCTF. É o relatório A DRJ, por unanimidade de votos, julgou improcedente em parte a impugnação. O Acórdão n.º 1467.521 5ª Turma da DRJ/RPO está assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/07/2010 Fl. 629DF CARF MF Processo nº 10580.908728/201201 Acórdão n.º 3201005.161 S3C2T1 Fl. 629 3 Ementa: DEPRECIAÇÃO. REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO. As diferenças no cálculo da depreciação de bens do ativo imobilizado decorrentes do disposto no § 3º do art. 183 da Lei nº 6.404, de 1976, com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.638, de 2007, e pela Lei nº 11.941, de 2009, não terão efeitos para fins de apuração do cálculo dos créditos no regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. Inconformada, a ora recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual, requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese: V Das Razões Recursais A recorrente alega que é tributada com base no lucro real, sujeitandose ao recolhimento da COFINS pelo regime da não cumulatividade, em conformidade com a legislação pertinente. Cita o artigo 74 da Lei n° 9.430/96 para ter direito à compensação do tributo pago indevidamente ou “a maior” durante o ano calendário. Afirma que os valores compensados foram devidamente apurados e contabilizados nos livros societários, tendo ocorrido mero erro material no envio das informações prestadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil. Diz ainda que deixou de retificar, tempestivamente, as informações prestadas no DACON e na DCTF, fato que impossibilitou a visualização do crédito. A Recorrente argumenta que apresentou DCTF retificadora depois do despacho decisório. Cita a seu favor o disposto no Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28/08/2015, especialmente no item 18, conforme transcrição abaixo: 18. Portanto, mesmo depois da ciência do despacho decisório, pode o interessado apresentar manifestação de inconformidade alegando essencialmente que cometeu equívoco na apresentação da DCTF que respaldaria o crédito pretendido e informando a transmissão da correspondente DCTF retificadora com o intuito de reduzir ou excluir débito tributário confessado. 18.1. Se a retificação da DCTF ocorrer depois do Despacho Decisório, ou mesmo depois da apresentação da manifestação de inconformidade, dentro da livre convicção para análise das provas no caso concreto, o julgador administrativo pode verificar que as razões do sujeito passivo são procedentes e que o indeferimento do crédito decorreu da falta de retificação prévia da DCTF. Evidentemente que, nessa hipótese, o despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição ou não homologou a compensação estava correto, pois o valor do pagamento da DCTF não estava disponível (vide item 10.5). Esse valor, entretanto, tornouse disponível no trâmite do processo administrativo fiscal. Caso o despacho decisório do Fl. 630DF CARF MF 4 indeferimento daquele crédito (ou da não homologação da DCOMP) decorreu apenas dessa hipótese preliminar, o órgão julgador poderá baixar o processo administrativo fiscal em diligência, nos termos do art. 18 do Processo Administrativo Fiscal (PAF), a fim de analisar as questões fáticas envolvendo a análise do crédito. Notese que tal procedimento é fundamental para a segurança do crédito, pois, a princípio, é a DRF que tem as condições de avaliar se aquele crédito já não foi alocado em outro PER/DCOMP, além de questões meramente monetárias que podem gerar improcedência parcial, nos termos dos itens 18.4 e seguintes. Caso a DRJ assim não proceda, o julgador então deverá verificar a efetiva disponibilidade daquele crédito (se não foi alocado em outro PER/DCOMP), se os valores estão corretos e se todos os documentos que originaram o crédito se coadunam com o disposto nos sistemas da RFB. A recorrente sustenta a existência do crédito. Explica que com o advento da Lei nº 11.638, de 28/12/2007, e em observância às normas internacionais de contabilidade, houve mudança de prática contábil adotada no que tange à revisão da vida útil econômica estimada dos bens e do saldo residual do ativo imobilizado. Diante disso, a partir de janeiro de 2008, os encargos de depreciação registrados nos livros societários da recorrente obedecem às regras diferentes daquelas vigentes até 31/12/2007. Nesse sentido, esclarece que a Lei nº 11.638, de 2007 produziu modificações no reconhecimento contábil dos encargos de depreciação e, buscando manter a neutralidade tributária pretendida pelo Regime Tributário de Transição – RTT, nos termos do item 28 e 31 do Parecer Normativo Cosit nº 1 de 29 de julho de 2011, a Recorrente procedeu a correção, evidenciada em quadro abaixo, que motivou a retificação das obrigações acessórias e, por conseguinte, constituiu o crédito. Conclui afirmando que a correção da obrigação acessória teve por objetivo atender ao disposto na legislação tributária, especialmente, no tocante ao capítulo 87, Anexo I, da Instrução Normativa nº 162, de 31 de dezembro de 1998, em consonância ao disposto nos itens 29 e 31 do Parecer Normativo Cosit nº 1, de 29 de julho de 2011, fato que resta comprovado através da análise das taxas de depreciação contidas nos controles patrimoniais da recorrente. VI – Do Princípio da Verdade Material A recorrente faz menção ao princípio da verdade material para a apresentação de novas provas, bem como a retificação da DCTF. Cita ainda o princípio da legalidade tributária. Apresenta jurisprudência e cita doutrina. VII – Do Pedido A recorrente ao final do seu recurso voluntário pede: 21.1 Sejam admitidas provas ora apresentadas em razão do princípio da verdade material, afastandose, por via de conseqüência, qualquer argumento quanto à preclusão; 21.2 Em razão das provas evidenciadas, seja o presente RECURSO VOLUNTÁRIO reconhecido e provido na sua plenitude de forma a reformar o Acórdão da DRJ bem como que Fl. 631DF CARF MF Processo nº 10580.908728/201201 Acórdão n.º 3201005.161 S3C2T1 Fl. 630 5 seja declarada a HOMOLOGAÇÃO da respectiva DCOMP e a compensação dos débitos nela contemplados; 21.3 Alternativamente e em caso de dúvidas, que seja o processo administrativo baixado em diligência nos termos do artigo 18, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, e conforme previsto no referido PN COSIT 2/2015, a fim de possibilitar que Recorrente apresente documentação complementar e necessária à comprovação da existência do crédito, além daquelas já acostadas ao presente Recurso. 21.4 Sejam considerados os argumentos e provas apresentados neste Recurso Voluntário, especialmente no tocante a: comprovação da adoção do critério de reconhecimento da depreciação nos termos da legislação tributária em vigor em 31 de dezembro de 2007, e; apresentação de relatório patrimonial no qual pode ser evidenciado a relação analítica dos bens e as taxas de depreciação utilizadas para cálculo dos encargos. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Leonardo Correia Lima Macedo, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise do Recurso Voluntário. De forma resumida, o cerne do processo está na alegação da recorrente de que possui créditos decorrentes da reapuração dos encargos de depreciação sobre os bens do ativo imobilizado, devido ao Regime Tributário de Transição (RTT), conforme Parecer Normativo nº 1, de 29 de julho de 2011. Ocorre que a recorrente teve recentemente outros recursos com matéria idêntica julgados neste CARF. A título de exemplo cabe mencionar: Acórdão nº 3001000.530 do Processo 10580.908727/201259 (16/10/2018); e Acórdão nº 3001000.531 do Processo 10580.908730/201272 (16/10/2018). Tendo em vista que a matéria é idêntica e que o entendimento deste relator é o mesmo da relatoria dos processos mencionados, se utiliza aqui o voto o i. Conselheiro Orlando Rutigliani Berri como fundamento da presente decisão. Nesse sentido, transcrevese a seguir trecho do voto constante do processo 10580.908727/201259: Do pedido de diligência No processo administrativo fiscal a autoridade julgadora não está obrigada a deferir pedidos de realização de diligência ou Fl. 632DF CARF MF 6 perícia requeridas. A teor do disposto no artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 8.748, de 1993, tais pedidos somente são deferidos quando necessários à formação de convicção do julgador. Ou seja, a perícia ou a diligência só têm razão de ser quando há questão de fato ou de prova a ser elucidada, a critério da autoridade administrativa que realiza o julgamento do processo. No presente caso, conforme se verá, não há questão de fato a ser elucidada. Assim, concluo pelo seu indeferimento. Do mérito Reprisando o que já havia argumentado em sua manifestação de inconformidade, o Recorrente reafirma que "a correção da obrigação acessória teve por objetivo atender ao disposto na legislação tributária, especialmente, no tocante ao capítulo 87, Anexo I, da Instrução Normativa nº 162, de 31 de dezembro de 1998, em consonância ao disposto nos itens 29 e 31 do Parecer Normativo Cosit nº 1, de 29 de julho de 2011, fato que resta comprovado através da análise das taxas de depreciação contidas nos controles patrimoniais da Recorrente (anexo 05)". A 5ª Turma da DRJ/RPO proferiu decisão nos termos acima indicados, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. De plano, não assiste razão ao Recorrente, uma vez que, como corretamente concluiu o voto condutor do acórdão recorrido, a justificativa para o não atendimento de seu pleito e consequente não reconhecimento do suposto direito creditório assentase tão somente no fato de que o Parecer Normativo Cosit nº 1, de 29.06.2011, ao tratar das "diferenças no cálculo da depreciação dos bens do ativo imobilizado decorrentes do disposto no § 3º do art. 183 da Lei nº 6.404, de 1976, com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.638, de 2007, e pela Lei nº 11.941, de 2009" concluiu textualmente, em seu item 32.1., que "não terão efeitos para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007". Nestes termos, é despicienda a trazida da documentação que demonstra os "controles patrimoniais" do Recorrente, notadamente seu "anexo 05", uma vez que não está aqui tratandose de questão de ordem fática, mas sim jurídica, donde o Parecer Normativo Cosit nº 1, de 29.06.2011, em que o próprio Recorrente arrimase para defender seu pleito, uma vez que confirma que agiu em conformidade com os seus ditames, observou que "não terão efeitos para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007". Dessa forma, concluo não haver qualquer reparo quanto ao decidido pela instância a quo, ao concluir que "não merecem prosperar as alterações propostas pelo interessado", quando da retificação das informações prestadas no "Demonstrativo de Fl. 633DF CARF MF Processo nº 10580.908728/201201 Acórdão n.º 3201005.161 S3C2T1 Fl. 631 7 Apuração de Contribuições Sociais" Dacon e na "Demonstração de Débitos e Créditos Tributários Federais" DCTF. Ademais, por oportuno, saliento que o fato de a decisão recorrida mencionar "que não foi apresentada qualquer documentação contábil e fiscal que comprovasse a alteração do cálculo dos encargos de depreciação sobre os bens do ativo imobilizado", somente vem reforçar o entendimento acima exposto; qual seja, no sentido que de a questão em trato é de obediência à legislação aplicável às pessoas jurídicas sujeitas ao "Regime Tributário de Transição" RTT, sendo irrelevante, assim como o foi para se chegar à conclusão dada pelo Colegiado recorrido, a apresentação ao não de sua documentação contábil e fiscal, uma vez que esta somente teria como objetivo corroborar as alegações do Recorrente, feitas naquele momento processual, mas como deixou bem claro o acórdão vergastado, a motivação para o indeferimento do pleito recursal transcendeu qualquer razão de ordem fática e/ou probatória, conforme já assentado alhures. Da conclusão Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar, por prescindível, a diligência suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Diante do exposto voto por NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Relator. Fl. 634DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.720099/2010-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE
A partir de 1º de outubro de 2002, a compensação de créditos com débitos, mesmo que de tributos da mesma espécie, deve ser formalizada mediante Declaração de Compensação.
Numero da decisão: 1401-003.451
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Soares Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente).
Nome do relator: CARLOS ANDRE SOARES NOGUEIRA
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NECESSIDADE A partir de 1º de outubro de 2002, a compensação de créditos com débitos, mesmo que de tributos da mesma espécie, deve ser formalizada mediante Declaração de Compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Eduardo Morgado Rodrigues, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 00 99 /2 01 0- 91 Fl. 86DF CARF MF 2 Relatório Inicialmente, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte. A contribuinte acima identificada apresentou Declaração de Compensação valendose de direito creditório referente a saldo negativo de CSLL apurado no período de 01/01/1999 a 31/12/1999, no valor de R$ 13.040,81 (DCOMP com demonstrativo de crédito 15884.21140.280907.1.7.037576, juntado às fls. 20/24), para a extinção de débitos da CSLL devida por estimativa dos períodos de apuração de outubro e dezembro de 2002, informados em duas DCOMPs, a saber: 15884.21140.280907.1.7.037576 e 23179.87716.051104.1.3. 036030. A compensação informada na DCOMP 23179. 87716.051104.1.3.036030 foi parcialmente homologada pela DRF de origem, conforme Despacho Decisório nº 854480868, datado de 10 de dezembro de 2009 (fls. 18), emitido nos seguintes termos: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação da contribuição social devida e a apuração do saldo negativo, verificouse: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP PARC. CREDITO IR EXTERIOR RETENÇÕES FONTE PAGA MENTOS ESTIM. COMP. SNPA ESTIM. PERCE LADAS DEM. ESTIM. COMP. SOMA PARC. CRED. PER/DCOMP 0,00 0,00 0,00 14.211,47 0,00 0,00 14.211,47 CONFIRMADAS 0,00 0,00 0,00 14.211,47 0,00 0,00 14.211,47 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 13.040,81 Valor na DIJP: R$ 13.040,81 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 14.211,47 CSLL devida: R$ 1.170,66 Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) (CSLL devida) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$ 13.040,81 O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados pelo sujeito passivo, razão Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10680.720099/201091 Acórdão n.º 1401003.451 S1C4T1 Fl. 86 3 pela qual HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP: 23179.87716.051104.1.3.036030 Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/12/2009. PRINCIPAL MULTA JUROS 3.930,45 786,09 3.885,64 Conforme tela “Histórico da(s) Comunicação(ões)”, extraída do Sistema de Controle de Créditos SCC (doc. de fls. 25), em 22 de dezembro de 2009, a contribuinte foi cientificada do Despacho Decisório que homologou parcialmente a DCOMP 23179.87716.051104.1.3.036030 e, em 19 de janeiro de 2010, apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 2/3, com as seguintes alegações: Não há como subsistir o motivo que obstou compensação, uma vez que a obrigatoriedade de entrega de PER/DCOMP, para compensar tributos e contribuições da mesma natureza, passou a ser exigida apenas com a edição da IN323 de 24/04/2003, que alterou o artigo 21, acrescentando os parágrafos 6°, 7º e 8° a IN 210 de 30/09/2002. Logo, o débito compensado pela PER/DCOMP n° 23179.87716.051104.1.3.036030, sendo de 12/2002, com vencimento em 31/01/2003, não estaria sujeito, portanto, às exigências da IN323 de 24/04/2003, com edição posterior ao vencimento da obrigação. Por ser de direito, solicita o arquivamento do despacho decisório, e cancele o credito nele contido. Instruem os autos os documentos de fls. 4/26, constituídos, dentre outros, por cópia da DCOMP 15884.21140.280907.1.7.037576 (fls. 20/24). Foi, ainda, juntada por esta relatora cópia da DCOMP 23179.87716.051104.1.3.036030 (fls. 27/30). É o relatório. A autoridade julgadora de primeira instância julgou improcedente a manifestação de inconformidade e a ementa do acórdão restou consignada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE A partir de 1º de outubro de 2002, a compensação de créditos com débitos de tributos da mesma natureza deve ser formalizada mediante Declaração de Compensação. Fl. 88DF CARF MF 4 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado, o contribuinte interpôs recurso voluntário por meio do qual desenvolveu de forma mais detalhada a alegação de que não estaria obrigado à apresentação da Declaração de Compensação e que seria válida, portanto, a compensação feita por meio de lançamentos contábeis. Em síntese, era o que havia a relatar. Voto Conselheiro Carlos André Soares Nogueira, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos legais. Dele, tomo conhecimento. Conforme relatado, o contribuinte utilizou créditos de saldo negativo de CSLL de 1999 para compensar débitos do mesmo tributo apurados em outubro e dezembro de 2002. Segundo o contribuinte, essa compensação teria sido efetuada diretamente na contabilidade, pois, sendo os débitos e créditos relativos ao mesmo tributo, não haveria o dever jurídico de apresentar a respectiva Declaração de Compensação, pois tal dever somente teria sido instituído por meio da IN SRF nº 323, de 24 de abril de 2003. Não tendo sido aceita pela fiscalização a compensação contábil, a contribuinte apresentou os PER/DComp nº 15884.21140.280907.1.7.037576 e 23179.87716.051104.1.3. 036030. Todavia, neste contexto, o crédito apurado pelo contribuinte não era suficiente para a satisfação integral dos débitos declarados. Este seria o motivo da homologação parcial da compensação declarada. O argumento do contribuinte não deve prosperar. De se ver. Inicialmente, impende rememorar que, até a edição da Medida Provisória nº 66, as compensações de tributos de mesma espécie era regulada pelo artigo 66 da Lei nº 8.383/91, verbis: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10680.720099/201091 Acórdão n.º 1401003.451 S1C4T1 Fl. 87 5 § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. § 4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo Naquela época, então, a compensação de créditos do sujeito passivo com débitos subsequentes de tributos da mesma espécie e destinação constitucional independia de prévio requerimento à Secretaria da Receita Federal, conforme dicção do artigo 14 da Instrução Normativa SRF nº 21/97: Art. 14. Os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, inclusive quando resultantes de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, poderão ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica, correspondentes a períodos subseqüentes, desde que não apurados em procedimento de ofício, independentemente de requerimento. [...] grifei Frisese que a lei atribuía à Receita Federal a competência para expedir as instruções necessárias ao cumprimento da norma de compensação. E era a Instrução Normativa da SRF que previa que a compensação independia de requerimento. Ainda naquela época, o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 possibilitava a compensação de débitos e créditos de tributos de diferentes espécies, mediante autorização da Secretaria da Receita Federal: Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. grifei Com a edição da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, o artigo 74 da Lei nº 9.430/96 foi substancialmente alterado: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. Fl. 90DF CARF MF 6 § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. § 3º Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação: a) o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; b) os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. § 4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. § 5º A Secretaria da Receita Federal disciplinará o disposto neste artigo. § 6º Para os fins do disposto neste artigo, é vedada a exigência do atendimento das condições a que se referem o art. 195, § 3º, da Constituição Federal, art. 27, alínea "a", da Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990, art. 60 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, e quaisquer outras que sejam aplicáveis tãosomente às hipóteses de reconhecimento de isenções e de concessão de incentivo ou benefício fiscal." (NR) A alteração levada a efeito no artigo 74 da Lei nº 9.430/96 entrou em vigor em 01/10/2002, conforme previsão expressa do artigo 63, I, da MP nº 66/2002. Com base na alteração da Lei nº 9.430/96 e fundada na autorização legal para regular os procedimentos relativos à compensação, a Secretaria da Receita Federal editou a IN SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, que revogou expressamente a IN SRF nº 21/97 e passou a regular inteiramente a matéria. Em outras palavras, com a nova instrução normativa, deixou de existir uma distinção procedimental entre a compensação de débitos e créditos de tributos de mesma espécie e de diferentes espécies. A Declaração de Compensação passou a ser exigível em todas as situações, conforme previsão do artigo 21 do diploma normativo: Art. 21. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da SRF. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante o encaminhamento à SRF da " Declaração de Compensação" . [...] grifei. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10680.720099/201091 Acórdão n.º 1401003.451 S1C4T1 Fl. 88 7 A alteração normativa promovida pela IN SRF nº 210/2002 entrou em vigor na data de publicação, produzindo seus efeitos a partir de 01/10/2002. Estava em vigor e com plena eficácia jurídica e técnica na data dos fatos ora analisados. Portanto, a partir do breve retrospecto acima, é de se concluir que o contribuinte estava obrigado, na data dos fatos, a apresentar as Declarações de Compensação para a extinção dos débitos declarados. Neste sentido, trago à colação os seguintes acórdãos, na parte que interessa à presente discussão: MULTA ISOLADA. PRAZO DECADENCIAL. COMPENSAÇÃO TRIBUTOS DE MESMA ESPÉCIE. PERDCOMP. Mesmo após o término do anocalendário, verificada a falta de pagamento do imposto por estimativa, cabe o lançamento da multa exigida isoladamente sobre os valores devidos e não recolhidos, dentro do prazo decadencial estabelecido pelo art. 173, I, do CTN. A compensação de tributos, ainda que da mesma espécie, a partir de 01/10/02 deve ser feita mediante a apresentação da Declaração de Compensação, em virtude da alteração legislativa promovida pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02. (Acórdão nº 1301002.832, de 13/03/2018) grifei. NORMAS PROCESSUAIS. COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS DE MESMA ESPÉCIE. Até a criação da DCOMP, a compensação entre tributos idênticos, em decorrência de pagamento indevido ou a maior, podia ser efetuada pelo próprio sujeito passivo em sua escrituração, sem que fossem exigidas outras formalidades. Só a partir de 01/10/2002, com a vigência da Medida Provisória n° 66, de 2002, a compensação do saldo negativo de CSLL a pagar de períodos anteriores com débitos de CSLL subsequentes precisa ser informada na Declaração de Compensação. (Acórdão nº 9101002.150, de 07/12/2015) grifei. Destarte, tenho que a decisão de primeira instância deve ser mantida incólume por seus próprios fundamentos: Assim, a partir de 1º de outubro de 2002 não se cogita aceitar a compensação efetuada contabilmente, uma vez que qualquer compensação de tributo ou contribuição administrado pela então Secretaria da Receita Federal, excetuados os casos previstos em Lei, deve ser necessariamente efetuada mediante apresentação de Declaração de Compensação, gerada por meio de PER/DCOMP. Quanto à inclusão do § 6º no art. 21 da Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, pela Instrução Normativa SRF nº 323, de 24 de abril de 2003, com a determinação para que seja apresentada Declaração de Compensação, ainda que o débito e o crédito a serem compensados se refiram a um mesmo tributo ou contribuição, tal Fl. 92DF CARF MF 8 comando não apresenta nenhuma inovação em relação à IN/SRF nº 210/02 e tem caráter meramente esclarecedor, a fim de reafirmar uma disposição já contida em instrumento legal anterior. Desse modo, a contribuinte que pretendesse efetuar a compensação do saldo negativo de CSLL com débito de estimativa CSLL de dezembro de 2002, deveria necessariamente fazêlo por meio de DCOMP e a alegação da impugnante não prospera. Ante o exposto, este voto é por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo o crédito tributário exigido. Conclusão. Voto por negar provimento ao recurso voluntário e manter a decisão de piso. (assinado digitalmente) Carlos André Soares Nogueira Relator Fl. 93DF CARF MF
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