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Numero do processo: 10980.726970/2013-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2202-000.864
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
RESOLVEM os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a DRF Curitiba manifeste-se sobre o conteúdo do processo administrativo 10980.004223/2009-50, indicando a situação processual dos mesmos, juntando cópias comprobatórias dos documentos que esclareçam tanto seu objeto quanto seu andamento. Vencido o conselheiro Ronnie Soares Anderson, que entendeu ser desnecessária a diligência.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(Assinado digitalmente)
Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson . Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA
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Vencido o conselheiro Ronnie Soares Anderson, que entendeu ser desnecessária a diligência. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (Assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson . Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário (efls. 301/321), interposto contra o Acórdão no. 0734.501 da 6a. Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis/SC – DRJ/FNS (efls. 284/297), que por unanimidade de votos considerou improcedente impugnação interposta contra Auto de Infração lavrado pela falta de recolhimento de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .7 26 97 0/ 20 13 -2 9 Fl. 333DF CARF MF Processo nº 10980.726970/201329 Resolução nº 2202000.864 S2C2T2 Fl. 334 2 Contribuições Sociais Previdenciárias, referentes ao período de 01/2009 a 12/2012, no valor de R$ 3.242.975,55 (DEBCAD 51.033.2196). 2. Adoto o Relatório do referido Acórdão da DRJ/FNS, transcrito a seguir em síntese, por bem esclarecer os fatos ocorridos: Relatório: (...) Segundo descreve a autoridade autuante no Relatório Fiscal (fls. 26 a 39), o lançamento da contribuição social cumulada com os mencionados consectários legais referese, mais precisamente, às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição da empresa (patronal), considerando como base de cálculo as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e as remunerações pagas ou creditadas aos contribuintes individuais que lhes prestam serviços; e a contribuição correspondente ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT). Esclarece a fiscalização que, ao consultar o CNPJ da empresa na página do Simples Nacional foi constatado que a solicitação de opção da contribuinte foi INDEFERIDA POR PROBLEMAS FISCAIS, situação essa que se manteve desde 14/03/2008 até 29/12/2012, quando foi aceito o pedido de opção pelo Simples Nacional para o ano de 2013. Prossegue a fiscalização relatando que, à revelia do referido indeferimento, a empresa acessou o sistema Programa Gerador do Documento de Arrecadação do Simples Nacional PGDAS, apresentou declarações, emitiu o DAS Documento de Arrecadação do Simples e recolheu os tributos como se fosse optante pelo Simples Nacional. Aduz a autoridade autuante que, nos Extratos do Simples Nacional, extraídos dos sistemas do Simples Nacional da Receita Federal do Brasil (originário do preenchimento das declarações para apuração do Simples Nacional PGDAS), nos anoscalendário 2008, 2009 e 2010, consta a observação de que a empresa NÃO era optante do regime Simples Nacional. Ademais disso, relata a fiscalização que, para evitar outras pendências fiscais, ainda à revelia do indeferimento da opção pelo Simples Nacional, a empresa apresentou declarações de imposto de renda (DIPJ) "zeradas" (informou dados cadastrais e nos campos em que deveria informar valores a contribuinte preencheu com o valor R$ 0,00), durante todo período fiscalizado, como optante pela forma de tributação Lucro Presumido. Por outro lado, informa a fiscalização que, nas competências abrangidas pelo presente processo, a contribuinte declarou em GFIP ser optante pelo regime tributário SIMPLES NACIONAL. Isto é, no quadro opção pelo SIMPLES está declarado o código 2 (optante), quando o correto seria código 1 (não optante), conforme o Manual da GFIP/SEFIP. Fl. 334DF CARF MF Processo nº 10980.726970/201329 Resolução nº 2202000.864 S2C2T2 Fl. 335 3 Assim, conclui a autoridade lançadora que, a partir desta informação, deixaram de ser calculadas como devidas as contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa, incidentes sobre remunerações pagas a empregados e contribuintes individuais. Inconformada com o lançamento, a contribuinte juntou a documentação colacionada às fls. 154 a 279 e apresentou a impugnação de fls. 132 a 153, onde, em síntese: Salienta que juntamente com o Auto de Infração objeto do presente processo (DEBCAD n° 51.033.2196), foram lavrados mais quatro Autos de Infração constantes dos seguintes PAF: a) 10980.724658/ 201309 (DEBCAD n° 37.404.8606); b) 10980.724660/201370 (DEBCAD n° 37.404.8614); c) 10980.726971/201373 (DEBCAD n° 51.033.2200); d) 10980.726972/201318 (DEBCAD n° 51.033.2188), em razão de que entende que seria racional que todos os processos listados fossem agrupados para julgamento utilizando os mesmos fundamentos, uma vez que todos versam sobre o mesmo assunto e com total dependência do PAF 10980.729970/201329, protesta, enfim, pela juntada dos demais processos; Dito isto, reclama que a despeito de a empresa preencher todos os requisitos para enquadrarse no programa do SIMPLES (Lei 9.316 de 1996) e posteriormente do SIMPLES NACIONAL (Lei Complementar 123 de 2006), a Receita Federal do Brasil, em despacho datado de 14/03/2008, indeferiu sua adesão ao programa motivada por suposta prática de atividade vedada; Aduz que, em meados de 2007, a Prefeitura Municipal de Curitiba lavrou termo de indeferimento da adesão ao SIMPLES NACIONAL (...), mas que, assim que obteve ciência dessa situação, a empresa prontamente promoveu alteração no seu contrato social (...), alteração essa que foi arquivada na Junta Comercial do Paraná em 14/09/2007 e, ato contínuo, especificamente no dia 18/09/2007, solicitou a alteração do seu CNAE perante o Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas CNPJ da Receita Federal do Brasil; Reclama que, nada obstante à regularização tempestiva, por meio da exclusão da atividade vedada ainda em 2007, o seu pedido de inclusão no SIMPLES NACIONAL para o ano de 2008 foi indeferido pela Receita Federal do Brasil, razão pela qual alega que apresentou impugnação à decisão administrativa, cujo inteiro teor alega ter juntado ao presente processo, impugnação essa que ainda se encontra pendente de julgamento; Dado este quadro, alega que, muito embora estivesse suspensa a decisão administrativa em comento por força da impugnação apresentada a empresa não conseguiu manterse formalmente no SIMPLES NACIONAL segundo os cadastros da Receita Federal do Brasil, mas que, diante da impossibilidade de concorrer em igualdade de condições com os seus pares comerciais e, bem assim, por materialmente não possuir, a seu ver, qualquer impeditivo para o exercício dessa opção de tributação simplificada, viuse obrigada a promover a apuração e recolhimento dos seus haveres tributários de acordo com os métodos de apuração prescritos pela Lei Complementar 123; Fl. 335DF CARF MF Processo nº 10980.726970/201329 Resolução nº 2202000.864 S2C2T2 Fl. 336 4 Alega ter agido como se fosse optante do SIMPLES NACIONAL (gerando os documentos de arrecadação competentes), em virtude de duas razões: era materialmente deferido à empresa optar pelo regime diferenciado (uma vez que não se enquadrava em nenhuma hipótese de vedação); e porque o ato que a impediu de optar pelo SIMPLES estava com sua exigibilidade suspensa; Dito isso, reclama que a fiscalização, por vislumbrar que a empresa estava formalmente impedida de optar pelo SIMPLES NACIONAL, por este só argumento, simplesmente procedeu ao lançamento das contribuições previdenciárias que deixaram de ser recolhidas em função da sistemática de apuração adotada, olvidando que, segundo a legislação atinente ao SIMPLES NACIONAL, o ato declaratório de exclusão é o caminho indicado para que sejam lavradas exigências fiscais relativas ao reenquadramento em outro regime de tributação; (...) Em outro plano ainda, reclama que, na hipótese de ser mantida a exação, devem ser excluídos alguns valores da base de cálculo da contribuição previdenciária lançada, tais como as parcelas referentes a aviso prévio indenizado, terço constitucional de férias e os 15 dias que antecedem o auxíliodoença, horas extras, adicionais noturno, de periculosidade e insalubridade, salário maternidade, nos termos do artigo 72 da Lei 8.213/91, férias gozadas e indenizadas, prevista nos artigos 1293 e 1464 da CLT, além de auxílioeducação e auxílio creche, uma vez que referidas verbas não possuem natureza salarial; Ademais disso, tendo em vista que a empresa foi cientificada da medida fiscal em 26 de setembro de 2013, entende ser imperioso reconhecer a preclusão parcial do ato de lançamento, mais precisamente os lançamentos referentes aos meses de janeiro a setembro de 2008 que, a seu ver, encontramse fulminados pela decadência, a teor do disposto no § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN); Neste plano, considera inaplicável à espécie a regra contida no art. 173 do CTN, uma vez que a empresa efetuou regularmente pagamentos relativos aos segurados durante todo o período fiscalizado, aliado aos pagamentos relativos ao SIMPLES, cujos valores entende que devem ser deduzidos ou compensados dos valores da contribuição lançada, visto não ser dado à União o direito de apoderarse de recolhimentos indevidos sob pena de incorrer no enriquecimento sem causa; Finalmente, em face do exposto, requer que seja declarada a improcedência do presente Auto de Infração, com a determinação de seu arquivamento de forma definitiva e, caso assim não se entenda, que sejam acatados os argumentos da decadência, das exclusões da verbas indenizatórias da base de cálculo do INSS e por fim que seja compensados os valores recolhidos na modalidade simplificada. 3. A decisão proferida no Acórdão a quo tem sua ementa colacionada a seguir: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012 Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10980.726970/201329 Resolução nº 2202000.864 S2C2T2 Fl. 337 5 PLURALIDADE DE PROCESSOS. IDÊNTICOS ELEMENTOS DE PROVA. JUNTADA EM PROCESSO ÚNICO. NÃO OBRIGATORIEDADE. Ainda que a comprovação dos ilícitos dependa dos mesmos elementos de prova, a juntada em um único processo de autos de infração formalizados em relação a um mesmo sujeito passivo, embora recomendável, não é obrigatória. ALEGAÇÕES DE DEFESA. ÔNUS DA PROVA. Cabe à impugnante o ônus de apresentar a impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar e, bem assim, indicar objetivamente os pontos de discordância relativamente ao feito impugnado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2012 SIMPLES NACIONAL. OPÇÃO INDEFERIDA. RECURSO. LANÇAMENTO. O fato de a impugnante não constar como optante do Simples Nacional no período fiscalizado é bastante para que a autoridade administrativa competente proceda ao lançamento do crédito tributário relativo à contribuição não recolhida pela impugnante segundo o regime ordinário de tributação, mesmo na hipótese de haver recurso administrativo interposto contra o indeferimento da opção pelo Simples pendente de julgamento. LANÇAMENTO FISCAL. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO Os valores pagos a título de contribuição previdenciária relativos à parte dos segurados devem ser considerados como antecipação do valor devido à previdência social, com vistas à aferição da regra de decadência aplicável às contribuições previdenciárias devidas, inclusive com relação à parte patronal. SIMPLES NACIONAL. OPÇÃO INDEFERIDA. RECOLHIMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO. Os pagamentos indevidamente realizados pela contribuinte no regime do Simples Nacional são passíveis de restituição a pedido da contribuinte, mas não de compensação com contribuições previdenciárias apuradas de ofício segundo o regime ordinário de tributação. Recurso Voluntário 4. Cientificada da decisão a quo, em 09/05/2014 (efl. 193) a contribuinte apresenta os seguintes argumentos, em 09/06/2014, transcritos em síntese: apresenta breve descrição dos fatos ocorridos, destacando que a Receita Federal do Brasil, em despacho de 14/03/2008, indeferiu sua adesão ao SIMPLES por suposta prática de atividade vedada, motivo pelo qual apresentou impugnação a este ato através do PAF 10980.004223/200950; destaca ainda que agiu como se optante do SIMPLES NACIONAL fosse, por entenderse não se enquadrar em hipóteses de vedação e porque o ato que a impediu de optar pelo SIMPLES estaria com exigibilidade suspensa; Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10980.726970/201329 Resolução nº 2202000.864 S2C2T2 Fl. 338 6 reclama que sob o único argumento de ter sido excluída do sistema em 2008 a Receita Federal lavrou o auto combatido; reitera a necessidade de apreciação unificada dos cinco processos administrativos que contém os autos de infração lavrados na mesma ação fiscal, a saber: 10980.724658/201309, 10980.724660/201370, 10980.726970/201329 (presentes autos), 10980.726971/201373 e 10980.726972/201318; entende que não estava impedida de ser enquadrada no SIMPLES no período fiscalizado, uma vez que sua impugnação apresentada em face do ato de exclusão do SIMPLES está pendente de julgamento, cf. Processo no. 10980.004223/200950, o que suspenderia tal ato exclusório; insistentemente discorre que impugnação apresentada face a ato de exclusão do simples tem efeito suspensivo até seu julgamento final ; reitera o pedido de sobrestamento dos processos de autoS de infração até decisão definitiva de sua impugnação acostada ao processo 10980.004223/200950; repisa seus argumentos impugnatórios de inexistência de atividade vedada ao SIMPLES em seu objeto social, de que a Prefeitura Municipal de Curitiba considerou pertinente sua permanência no SIMPLES NACIONAL, e de exclusão das verbas indenizatórias da base de cálculo das contribuições previdenciárias ; e repisa também seu pedido de eventual compensação dos valores recolhidos no SIMPLES. 5. Requer, por fim, que seja proferida apenas uma decisão nos processos acima mencionados, que este processo seja sobrestado até o deslinde do processo 10980.004223/200950 e a improcedência deste Auto de Infração. Caso não aceita a improcedência, requer a exclusão das verbas indenizatórias da base de cálculo e a compensação dos valores já recolhidos na modalidade simplificada. 6. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Chiavegatto de Lima. 7. De plano verificase que eventual procedência ou não de impugnação da ora recorrente em face de Ato Administrativo de exclusão do SIMPLES realmente interferiria de forma crucial na apreciação dos Recursos acostados aos processos 10980.724658/201309, 10980.724660/201370, 10980.726970/201329 (presentes autos), 10980.726971/201373 e 10980.726972 /201318. Isso porque eventual impugnação de exclusão do sistema simplificado efetivamente teria efeito suspensivo até decisão definitiva proferida em processo de apreciação de tal impugnação. 8. O fato é que enquanto em seu Recurso a interessada insistentemente se contrapõe a uma eventual exclusão do sistema simplificado de tributação, por outro lado há nos presentes autos evidências de que a empresa, na verdade, não foi excluída do SIMPLES em relação ao anocalendário 2008, mas sim não teve sua inclusão deferida para tal período, o que traz desdobramentos completamente díspares em relação à apreciação dos referenciados autos de infração. 9. A interessada, em seu recurso, enquanto contrapõese a uma eventual exclusão, ao mesmo tempo e na mesma peça recursal, item I.02., efl. 303, informa que "a Receita Federal do Brasil, em despacho datado de 14/03/2008, indeferiu sua adesão ao Fl. 338DF CARF MF Processo nº 10980.726970/201329 Resolução nº 2202000.864 S2C2T2 Fl. 339 7 programa motivada por suposta prática de atividade vedada", e também, no item I.05., mesma efl., informa que "o seu pedido de inclusão no SIMPLES NACIONAL para o ano de 2008 foi indeferido pela Receita Federal do Brasil". Ou seja, a recursante se confunde entre os conceitos de indeferimento e de exclusão do sistema. 10. Segundo o relatório fiscal da autuação, a impugnante sequer figurava no regime simplificado no período em questão, pois teve sua opção indeferida por problemas fiscais, e esta situação perdurou de 14/03/2008, data do indeferimento, até 29/12/2012, quando foi aceito o pedido de opção pelo Simples Nacional para o ano de 2013, conforme consta do extrato de consulta ao histórico da empresa no citado regime que foi reproduzido pela fiscalização em seu relatório. 11. Ainda em seu recurso a interessada informa que o indeferimento (item I.06, efl. 303) gerou irresignação e apresentou impugnação no processo 10980.004223/200950, pendente de julgamento. Mas o conteúdo e o deslinde de tal processo não são possíveis de serem verificados. Em consulta recente ao sistema COMPROT da Receita Federal, tal processo está autuado em meio papel e não de forma eletrônica, o que impede sua consulta remota, e apresentase na situação "em andamento", com movimentação para a Equipe do Simples da DRF Curitiba/PR em 20/12/2011. 12. Verifiquese a consulta pública ao sistema COMPROT, fornecida pelo sítio da RFB, através da cópia da imagem a seguir colacionada, onde pode ser constatado que trata se de, s.m.j., impugnação do termo de indeferimento do simples nacional, e não impugnação face à exclusão do sistema SIMPLES. Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10980.726970/201329 Resolução nº 2202000.864 S2C2T2 Fl. 340 8 13. Tratandose realmente de impugnação face a indeferimento de adesão ao SIMPLES, deve ser ressaltado que a contestação de tal indeferimento não tem efeito suspensivo, conforme Perguntas e Respostas do Manual do SIMPLES Nacional, publicado no sítio da Receita Federal do Brasil, tópico 2.17, nota 1. Ou seja, durante a tramitação de impugnação face a indeferimento de adesão ao sistema, a empresa não será considerada optante pelo Simples Nacional, e os Autos de Infração em comento não devem ser sobrestados. 14. Constatados tais fatos e tendo em vista que a apreciação de cinco peças Recursais depende da verificação do real motivo impugnatório ou até da eventual conclusão da apreciação da alegada impugnação a um suposto ato de exclusão do SIMPLES, entendo pela conversão deste Julgamento em Diligência, a fim de que a DRF Curitiba manifestese sobre o conteúdo do processo administrativo 10980.004223/200950. Conclusão 15. Ante o exposto, voto pela conversão deste Julgamento em Diligência, para que a DRF Curitiba manifestese sobre o conteúdo do processo administrativo 10980.004223/ 200950, indicando a situação processual dos mesmos, juntando cópias comprobatórias dos documentos que esclareçam tanto seu objeto quanto seu andamento. (assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima Relator. Fl. 340DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.908279/2012-27
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3001-000.200
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para tomar conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após a prolação do v. Acórdão recorrido, nos termos do voto do Relator. Vencido o conselheiro Luis Felipe de Barros Reche que rejeitou o pedido de diligência.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
- Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para tomar conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após a prolação do v. Acórdão recorrido, nos termos do voto do Relator. Vencido o conselheiro Luis Felipe de Barros Reche que rejeitou o pedido de diligência. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Presidente (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante e Luis Felipe de Barros Reche. RELATÓRIO Por bem resumir os fatos, adoto por transcrição o suscinto relatório do v. Acórdão Recorrido (fls. 102/104), verbis. DESPACHO DECISÓRIO RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .9 08 27 9/ 20 12 -2 7 Fl. 955DF CARF MF Processo nº 13888.908279/201227 Resolução nº 3001000.200 S3C0T1 Fl. 3 2 O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº rastreamento 41035446 emitido eletronicamente em 05/12/2012, referente ao PER/DCOMP nº 04097.80413.201211.1.3.046303. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de COFINS, Código de Receita 5856, no valor original na data de transmissão de R$51.729,53, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 25/03/2011. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 17/12/2012, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 16/01/2013, ressaltando a tempestividade do contraditório e fazendo um resumo dos fatos. Em preliminar, argui a nulidade do despacho decisório, ante a aplicação de decisão genérica, por cerceamento do direito de defesa e do exercício do contraditório, haja vista a insuficiente motivação para a nãohomologação da compensação declarada. No mérito, destaca os procedimentos administrativos motivadores do PER/DCOMP, tendo ressaltado que a empresa está submetida à incidência não cumulativa do PIS e da Cofins, nos termos das Leis 10.637/02 e 10.833/03, tendo procedido à revisão dos créditos da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, do período de agosto/2006 a junho/2011, verificando que pagou de forma indevida e a maior. No presente caso, assevera que apurou pagamento indevido e a maior de COFINS, com base no Dacon original, tendo o débito sido reduzido com a retificação do Dacon, daí decorrendo o crédito apurado. Passa então a discorrer sobre a compensação com o débito especificado no PER/DCOMP. Destaca que procedeu de acordo com as disposições legais, art.165, I do CTN e art. 74 da Lei 9.430/96, apurando crédito passível de restituição, o qual pode ser compensado com débitos próprios do contribuinte, não havendo razão justificável para a não homologação da compensação declarada. Fl. 956DF CARF MF Processo nº 13888.908279/201227 Resolução nº 3001000.200 S3C0T1 Fl. 4 3 Ao final, requer, preliminarmente, o reconhecimento da nulidade do despacho decisório e, caso não acolhida a preliminar, que a presente manifestação de inconformidade seja provida, culminando no reconhecimento integral da compensação. A DRF de origem se manifestou pela tempestividade da manifestação de inconformidade, consoante documentos anexados. No mérito, destaca os procedimentos administrativos motivadores do PER/DCOMP, tendo ressaltado que a empresa está submetida à incidência não cumulativa do PIS e da Cofins, nos termos das Leis 10.637/02 e 10.833/03, tendo procedido à revisão dos créditos da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, do período de agosto/2006 a junho/2011, verificando que pagou de forma indevida e a maior.Regularmente cientificada do teor do v. Acórdão recorrido, a empresa ingressou com Recurso Voluntário instruído com centena de documentos, reiterando suas razões impugnatórias e sustentando mais que: (a) o Fisco laborou realmente em nulidade ao não atentar para as normas adequadas de regência; (b) houve cerceamento ao direito de defesa do contribuinte pela falta de análise das provas apresentadas pela empresa, afrontando e desrespeitando o princípio de que se deve perseguir a verdade material nos processos administrativos; (c) de fato laborou a empresa em erro material, o qual foi materialmente corrigido através de DACON; (d) o simples fato de a DCTF não ter sido retificada pelo contribuinte, e portanto estar divergente do DACON, não poderia ser suficiente para indeferir o pedido da empresa, visto que a mesma (DCTF) por si só, não é garantia de liquidez ou certeza da compensação, consoante já decidido através do Acórdão 3302002.224, da 2ª Turma da 3ª Cârama do CARF. Arrimado na doutrina de Alexandre Gomes e em julgados deste Conselho, argumentou que não pode o julgador simplesmente alegar a inexistência do crédito com simples base na conferência da DCTF, sem analisar os demais documentos pertinentes à operação. A própria 2ª Turma da DRJ/BH deveria ter se manifestado sobre o conteúdo do DACON retificador e solicitado diligência para apurar as divergências entre o DACON e a DCTF, para obter a chamada “verdade material” intrínseca ao processo administrativo. Prossegue sustentando que a apontada divergência se deu em razão de, no mês de julho de 2011, a Recorrente ter realizado uma revisão dos seus créditos da contribuição PIS/PASEP e da COFINS tomados no período de agosto de 2006 a junho de 2011, quando ficou constatado que a empresa "deixou de tomar crédito das referidas contribuições sobre serviços de ferramentaria, usinagem de peças e de manutenção de máquinas; armazenagem de mercadorias; serviços de transporte (frete) e aquisições de materiais e peças para a manutenção de máquinas e equipamentos e outros insumos, o que resultou no seu pagamento da contribuição PIS/Pasep e da COFINS a maior durante todo o período revisado". Transcreve ementa do Acõrdão 3302002.224, da 2ª Turma, da 3ª Câmara, do CARF, no sentido de que "o direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF ou de DACON, que contenham erro material.; a DCTF (retificadora ou original) e a DACON não fazem prova da liquidez e certeza do cfédito a restituir; e na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas trazidas pelo contribuinte e solicityar outras sempre que necessário" Após sustentar que não pode o julgador simplesmente alegar a inexistência do crédito com simples base na conferência da DCTF, sem analisar os demais documentos pertinentes à operação, prosseguiu o recorrente argumentando que a própria 2ª Turma da DRJ/BH deveria ter se manifestado sobre o conteúdo do DACON retificador e solicitado diligência para apurar as divergências entre o DACON e a DCTF, para Fl. 957DF CARF MF Processo nº 13888.908279/201227 Resolução nº 3001000.200 S3C0T1 Fl. 5 4 obter a chamada “verdade material” intrínseca ao processo administrativo; e não simplesmente negar o direito certo da empresa pela só divergência nos dados da DCTF e da DACON.. Finaliza argumentando que o art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante aos contribuintes optante pelo regime não cumulativo da contribuição ao PIS/PASEP e COFINS a apropriação dos créditos decorrentes da aquisição de bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Entende que insumo e custo de produção, na prática, são a mesma coisa., podendose observar que "insumo" e "custo" possuem o mesmo significado, representam a mesma realidade, a dos gastos realizados pela empresa na aquisição de bens e serviços utilizados na produção de outros bens e serviços Na sequêncvia, foi exarado despacho pela DRF/Piracicaba, encaminhando o Processo para o CARF e atestando a tempestividade do Recurso Voluntário (fls. 998). É o relatório. VOTO Francisco Martins Leite Cavalcante Relator A tempestividade do Recurso Voluntário já foi reconhecida pelos órgãos de origem, consoante informação acima referida, pelo que conheço do apelo. Como se verifica do relatório, a divergência reside no fato de que (a) a empresa entende que fez a retificação dos dados primitivos da DCTF através de DACON e, mesmo diante do erro material, comprovou a existência do apontado crédito que pretende lhe seja restituído, conforme documentos exibidos com sua impugnação/manifestação de inconformidade e, principalmente, no seu Recurso Voluntário; e, (b) por sua vez, sustenta o Fisco a tese de que não tendo sido retificada a DCTF por outra DCTF, a retificação de DCTF por DACON não caracteriza a liquidez e A certeza legalmente necessáriaS para a restituição pretendida. Registrese que após a Manifestação de Inconformidade, e até a prolação do Acórdão recorrido, a discussão girou em torno da alegada intempestividade da impugnação, culminando com o reconhecimento da tempestividade da defesa da empresa e o consequente julgamento que resultou no v. Acórdão recorrido. Com o recurso voluntário, porém, vieram aos autos centenas de outros documentos exibidos pela empresa, com o objetivo de comprovar suas alegações formalizadas na impugnação e reiteradas nas razões recursais, referentes (a) à retificação da DCTF, embora que através da DACON; corroborar o seu alegado erro material; (b) demonstrar a legitimidade do perseguido crédito tributário cuja restituição cuidase neste processo; (c) insistir com os argumentos no sentido de que a autoridade recorrida cerceou o seu direito de defesa ao não analisar adequadamente os seus documentos comprobatório de seu direito à restituição; e, (d) reiterar que não pode o julgador simplesmente alegar a inexistência do crédito com simples base na conferência da DCTF, sem analisar os demais documentos pertinentes à operação. Entre outros documentos exibidos com o Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos demonstrativos de apuração de contribuição social; notas fiscais de diferentes Fl. 958DF CARF MF Processo nº 13888.908279/201227 Resolução nº 3001000.200 S3C0T1 Fl. 6 5 empresas; e, cópias do livro diário, documentos estes que, no dizer do recorrente, corroboram a existência do seu crédito, com a liquidez e a certeza capaz de lhe garantir o direito a restituição pretendida nos termos da legislação de regência. Relevante salientar que os chamados documentos novos, trazidos com o Recurso Voluntário, não foram analisados pelos ilustres membros do Colegiado autor do v. Acórdão recorrido, posto que exibidos somente em grau de recurso. A propósito, é relevante ressaltar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais já se pronunciou sobre situação semelhante àquela objeto destes autos, em julgamento proferido em 16 de maio de 2017, quando emitiu o Acórdão nº 9303005.065, cuja parte da ementa pertinente ao assunto, foi assim redigida, verbis. ............................................(omissis)........................................................ PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo Acórdão. Com arrimo no Acórdão CSRF 9303005.065 acima mencionado, diversos processos da empresa Autotrac Comércio e Telecomunicações Ltda. foram baixados em Diligência à Unidade de Origem, por esta 1ª TE/3ª SE, a partir da Resolução nº 3001000.085, de 10 de julho de 2018 (do qual fui o Relator), para que a Unidade de Origem tome conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após o Acórdão daquele órgão julgador de 1ª instância, nos termos determinados pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF. Do meu voto que resultou na mencionada Resolução nº 3001000.085, constou, entre outros, os seguintes argumentos principais, verbis. Verificase, porém, que a documentação e os fundamentos que foram trazidos com o apelo a este Colegiado e posteriormente reiterados e complementados nos Embargos Declaratórios subsequentes não passaram pelo crivo e apreciação da 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília Distrito Federal, prolatora da primitiva decisão colegiada proferida através do v. Acórdão 0330.127, da 2ª Turma da DRJ/BSB, de 30 de março de 2009 (fls. 342/346). ............................................(omissis)............................................ Registrese, por outro lado, que o Recurso Especial do contribuinte recorrente foi provido, à unanimidade, pela CSRF, determinandose o "retorno dos autos ao colegiado de origem para análise de novos documentos juntados pelo sujeito passivo" (fls. 655); e, no voto vencido, o relator aderiu à decisão da maioria, e, assim, concluiu o seu voto (fls. 659) : "Donde o necessário envio dos autos à Câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de recurso voluntário.". Fl. 959DF CARF MF Processo nº 13888.908279/201227 Resolução nº 3001000.200 S3C0T1 Fl. 7 6 Diante do exposto, coerente com o voto condutor do v. Acórdão da CSRF acima citado, tendo em conta principalmente a parte final da ementa do mencionado Acórdão, e para que não se alegue futuramente que houve supressão de instância, VOTO pela conversão do julgamento em Diligência para que o órgão julgador de 1ª instância, no caso a DRJ/BSA, tome conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após o Acórdão por ele proferido, nos termos determinados pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, através do Acórdão 9303005.065 3ª Turma.. Acrescentese mais que, na esteira do que vem decidindo a Câmara Superior de Recursos Fiscais, esta 1ª Turma Extraordinária e diversas outras Turmas e Câmaras julgadoras do CARF, têm entendido que os documentos novos exibidos com o recurso voluntário assim entendido aqueles que não foram exibidos e/ou apreciados pela turma julgadora singular devem ser recebidos e considerados em prol da defesa do contribuinte, buscandose, assim, a verdade material. Ressaltese, ademais, que tenho proferido diversos votos nesta Turma no sentido de que os órgãos julgadores, na esfera administrativa sejam as Delegacias da Receita Federal de Julgamento, sejam as diversas Turmas e Sessões deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais devem balizar seus posicionamentos sempre tendo em mira a busca, em primeiro lugar, da verdade material, da verdade real, sem os excessos de formalismos, ou mesmo, sem os rigores exagerados do chamado legalismo. Neste sentido, tenho entendido que os cognominados 'erros materiais escusáveis' são perfeitamente passíveis de serem supridos, através da comprovação de sua existência, mas sempre tendo como objetivo maior a busca da verdade material. Diante do exposto, tendo em vista o já decidido pela E. CSRF, e coerente com meus pronunciamentos anteriores, VOTO no sentido de tomar conhecimento do Recurso do Contribuinte para converter o julgamento em DILIGÊNCIA à Unidade de Origem com vista a adotar as seguintes providências : 01) Analisar os documentos (e argumentos) carreados aos autos por ocasião do Recurso Voluntário do contribuinte; 02) Confirmar se os documentos conferem com as informações constantes no DACON/DCTF; 03) Caso entenda necessário, intimar a empresa para apresentar outros documentos que julgar pertinentes; 04) Elaborar relatório conclusivo e circunstanciado sobre os procedimentos adotados; e, 05) Dar ciência do relatório à recorrente, concedendolhe prazo de 30 dias para, querendo, se manifestar. Para tanto, devem os presentes autos retornarem para a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Piraciba São Paulo, para atendimento da diligência. Ao final, os presentes autos deverão ser devolvidos a este CARF, para prosseguimento do feito. Fl. 960DF CARF MF Processo nº 13888.908279/201227 Resolução nº 3001000.200 S3C0T1 Fl. 8 7 (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Fl. 961DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 37005.000294/2007-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
CRÉDITO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA.
É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 2402-007.204
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Thiago Duca Amoni, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior (Relator), que deram provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Thiago Duca Amoni, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior (Relator), que deram provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
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COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Thiago Duca Amoni, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior (Relator), que deram provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Luis Henrique Dias Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Thiago Duca Amoni (Suplente Convocado), Maurício Nogueira Righetti, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na Sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Nessa prumada, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402-007.201 - 4ª AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 37 00 5. 00 02 94 /2 00 7- 14 Fl. 157DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-007.204 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 37005.000294/2007-14 Câmara/2ª Turma Ordinária, de 8 de maio de 2019, proferido no âmbito do processo n° 37005.000291/2007-81 - K. M. ENGENHARIA LTDA, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402-007.201 - 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo. O Contribuinte protocolizou Requerimento de Restituição de Retenção – RRR com o objetivo de reaver valores supostamente retidos na forma do art. 31 da Lei n° 8.212/91, com a redação dada pela Lei n° 9.711/98, equivalente ao percentual de 11% (onze por cento) incidente sobre o valor bruto da nota fiscal de prestação de serviço mediante cessão de mão-de-obra. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta pelo Contribuinte, Cientificado, o Contribuinte apresentou recurso voluntário, reiterando os termos da manifestação de inconformidade. É o relatório." Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira - Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Nesse contexto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2402-007.201 - 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 8 de maio de 2019, proferido no âmbito do processo n° 37005.000291/2007-81 - K. M. ENGENHARIA LTDA, paradigma ao qual o presente processo encontra-se vinculado. Transcreve-se, a seguir, nos termos regimentais, o inteiro teor dos votos vencido e vencedor proferidos, respectivamente, pelos Conselheiros Gregório Rechmann Junior e Maurício Nogueira Righetti, dignos Relator e Redator Designado da decisão paradigma suso citada, reprise-se, Acórdão nº 2402-007.201 - 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 8 de maio de 2019. Acórdão nº 2402-007.201 - 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Voto Vencido "Conselheiro Gregório Rechmann Junior - Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. Trata-se, o presente caso, conforme exposto no relatório supra, de Requerimento de Restituição de Retenção – RRR com o objetivo de reaver valores retidos na forma do art. 31 da Lei n° 8.212/91, com a redação dada pela Lei n° 9.711/98, equivalente ao percentual de 11% (onze por cento) incidente sobre o valor bruto da nota fiscal de prestação de serviço executados mediante cessão de mão de obra. Fl. 158DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-007.204 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 37005.000294/2007-14 À época dos fatos (recolhimento das retenções previdenciárias e requerimento de restituição), o art. 31 da Lei nº 8.212/91 encontrava-se vigente com a redação dada pela Lei nº 9.711/98: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mão-de-obra, observado o disposto no § 5º do art. 33. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). § 1º O valor retido de que trata o caput, que deverá ser destacado na nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, será compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa cedente da mão-de- obra, quando do recolhimento das contribuições destinadas à Seguridade Social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados a seu serviço. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). § 2º Na impossibilidade de haver compensação integral na forma do parágrafo anterior, o saldo remanescente será objeto de restituição. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). De início, é necessário enfatizar que, no caso em análise, a retenção e o recolhimento da contribuição previdenciária pela empresa tomadora de serviço são fatos tidos como incontroversos no processo. De fato, a negativa para o requerimento de restituição apresentado pelo contribuinte, registre-se, está embasada nas supostas infrações apuradas pela fiscalização em decorrência de ação fiscal, como se infere, pois, da Informação Fiscal, in verbis: INFORMAÇÃO FISCAL "1 - Em cumprimento ao contido no Mandado de Procedimento Fiscal - Fiscalização - MPF-F n° 06.1.04.00-2008-01338-3, emitido em 28/11/2008, o procedimento fiscal teve início em 11/12/2008 com a entrega do Termo de Início de Procedimento Fiscal - TIPF, na empresa. Este MPF-F foi prorrogado em 28/03/2009, posteriormente em 27/05/2009, e finalmente em 14/07/2009. 2 - Processo referente à obra matricula CEI 50.017.38066/72 - Reforma de 725,19 m2 de área em edificação no SENAI para transferência do Centro de Treinamento da MRS LOGÍSTICA conforme Anotação de Responsabilidade Técnica — ART n° 1- 3100496 datado de 07/03/2005, entre 11. outros documentos. 3 - A empresa deixou de escriturar em títulos próprios de sua contabilidade todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, de forma discriminada, durante todo o período de 01/01/2004 a 31/03/2007, bem como as contribuições devidas pela empresa e as descontadas dos segurados empregados. 4 - Pela análise dos contratos de prestação de serviços, das notas fiscais emitidas pela empresa, das planilhas de materiais aplicados As obras, e das notas fiscais de materiais adquiridos apresentadas durante a ação fiscal, constata-se que a empresa deixou de lançar Fl. 159DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-007.204 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 37005.000294/2007-14 em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, em épocas próprias, na forma da Lei, várias notas fiscais emitidas e de materiais adquiridos. 5 - Pelos motivos descritos acima, e melhor detalhados no Relatório Fiscal do Auto de Infração de Obrigações Principais, todas as obras fiscalizadas no período, tiveram o valor da remuneração da mão-de-obra aferida com base na Nota Fiscal ou na área construída. 6 - Especificamente na obra acima referenciada, não foi levantado crédito fiscal. A obra foi considerada regular. Porém não restou saldo a ser restituído. 7 - Na ação fiscal foram lavrados 3 (três) AIOP e 4 (quatro) AIOA: 7.1 - AI — DEBCAD N° 37.173.559-9 - CFL 34 7.2 - AI — DEBCAD N° 37.173.560-2 - CFL 37 7.3 - AI — DEBCAD N° 37.173.561-0 - CFL 38 7.4 - AI — DEBCAD N° 37.173.562-9 - CFL 22 7.5 - AI — DEBCAD N°37.173.563-7 - AIOP EMPRESA 7.5 - AI — DEBCAD N° 37.173.564-5 - AIOP TERCEIROS 7.6 - AI — DEBCAD N° 37.173.565-3 - AIOP SEGURADOS 8 - Pelo exposto, sou de parecer que o pedido de restituição a que se refere este processo, seja indeferido." Neste sentido, assim se manifestou a DRJ: "A decisão que indeferiu o pedido de restituição teve por fundamento, os relatos constantes dos itens 3 e 4 da Informação Fiscal de fls. 37, essencialmente quanto a não apresentação e a apresentação deficiente da contabilidade de 2004 a 2006 (AIOA CFL 38), e a ausência de escrituração ou a escrituração sem respeito à previsão legal de contabilizar em título próprios todos os fatos geradores de contribuição previdenciária, bem como as contribuições devidas pela empresa e as descontadas dos segurados empregados. (AIOA CFL 34), motivos que levaram o Auditor Fiscal a desconsiderar a contabilidade da empresa e arbitrar através de aferição indireta os valores das remunerações empregadas, entre outras, na obra de construção civil CEI 50.017.38066/72 — Obra da MRS Logística S/A, de sua responsabilidade. O Relatório Fiscal do Auto de Infração de Obrigação Principal, itens 5 e 6, do Titulo III, juntado as fls.57/65 comprova que a empresa não possuía escrituração contábil regular nos anos de 2004/2004 e 2006, e ainda, a observação do auditor em planilhas por ele elaboradas, afirma que vários processos de restituição foram deferidos, entre outros, pelo motivo de ter a empresa, juntado ao requerimento, declaração de que possui escrituração contábil regular. Assim, pelo fato de o interessado ter a obrigação de escriturar os Livros Diário e Razão, é através deles que deverá demonstrar, na forma prevista na legislação, a existência dos créditos que alega Fl. 160DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-007.204 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 37005.000294/2007-14 possuir. Enfim, cabe ao requerente, o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito, consoante o que prevê o artigo 333 do Código de Processo Civil — CPC. As alegações apresentadas pela requerente na Manifestação de Inconformidade, não prosperam e não surtem os efeitos necessários a desconsiderar as constatações realizadas pelo auditor fiscal relatadas na Informação e no Relatório Fiscal, que para análise deste processo, independem do resultado final do julgamento dos processos de créditos tributários impugnados. Desta forma, por tudo já exposto na Informação fiscal do auditor, conclui-se que não foram cumpridas todas as exigências contidas nas orientações internas vigentes, para que o requerente viesse a fazer jus à restituição pleiteada, com alteração da decisão de indeferimento do pedido." O Recorrente, reiterando os termos da manifestação de inconformidade, sustenta que o pedido de restituição administrativa jamais poderia ter sido indeferido. Isto porque, como os recursos protocolados pela Recorrente contra os referidos Autos de Infração ainda não foram definitivamente julgados, o Chefe da Seção de Orientação e Análise Tributária - SAORT nunca poderia decidir pela improcedência do requerimento formulado, vez que ainda não se sabe o resultado definitivo dos recursos administrativos interpostos. Razão assiste à Recorrente, tendo em vista que: (i) não existe controvérsia sobre a retenção e o recolhimento das contribuições previdenciárias pelos tomadores de serviços; (ii) não foi apontada, pela fiscalização, nenhuma infração ao art. 206 e seguintes da Instrução Normativa DC/INSS nº 100, de 18.12.2003, dispositivos normativos que regulam o pedido de restituição; (iii) a própria fiscalização reconhece que, em relação à obra objeto do Requerimento de Restituição de Retenção em análise, não foi constatada nenhuma irregularidade; (iv) os autos de infração que foram lavrados em 2009, foram lavrados em decorrência de irregularidades apuradas em outras obras e não naquela referente à matrícula CEI 50.017.38066/72; (v) ainda que as autuações emitidas em 2009 se referissem à obra referente ao RRR em análise, as mesmas não teriam o condão de elidir o pleito do contribuinte: - por se tratarem de exigências precárias, impugnadas administrativamente pelo contribuinte, pendentes de decisão final no âmbito deste Conselho; - nos pedidos de restituição ou nas compensações, não se considera como débito para fins de cumprimento dos requisitos um suposto inadimplemento de contribuições previdenciárias sobre parcelas não reconhecidas como integrantes da base de cálculo e identificada pela fiscalização no mesmo procedimento de exame do direito pleiteado pelo contribuinte. Somente créditos tributários previamente constituídos e devidamente conhecidos do contribuinte podem ser considerados débitos a obstar a restituição ou compensação (acórdão nº 2301004.838, de 21/09/2016, Rel. Julio Cesar Vieira Gomes) Fl. 161DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-007.204 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 37005.000294/2007-14 (vi) o pedido de restituição regularmente instruído não pode ter seu seguimento obstado por meros indícios de irregularidade na apuração das contribuições previdenciárias, tal como já decidido por este CARF: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETENÇÃO DE ONZE POR CENTO DO VALOR DA MÃO DE OBRA CONTIDA EM NOTA FISCAL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. É cabível a restituição, ao prestador dos serviços, do valor excedente da retenção de onze por cento sobre notas fiscais de prestação de serviços em relação ao valor das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento, observados todos os requisitos e procedimentos impostos pela legislação. (acórdão nº 2301004.880, de 19/01/2017, Rel. Andrea Brose Adolfo) xxx PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. RETENÇÃO 11%. IMPOSSIBILIDADE DE INDEFERIMENTO DO PEDIDO APENAS EM RAZÃO DA EXISTÊNCIA DE SUPOSTOS INDÍCIOS DE IRREGULARIDADE NO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS PELA REQUERENTE. Entendendo o servidor, quando da análise do pedido de restituição, que há indícios de recolhimento a menor de contribuições previdenciárias pela empresa requerente, deve comunicar este fato ao departamento responsável pela fiscalização, para que seja realizada diligência na empresa a fim de investigar esses indícios e, sendo o caso, proceder à lavratura do competente auto de infração. Não pode o fisco, simplesmente, indeferir o pedido de restituição por supostos indícios de irregularidades. Da mesma forma, supostas irregularidades quanto à contabilização das receitas obtidas pela Recorrente em razão dos serviços por ela prestados, e das despesas incorridas nesses serviços, não são suficientes para o indeferimento do pedido de restituição. (acórdão nº 2301004.206, de 04/11/2014, Rel. Manoel Coelho Arruda Junior) Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer e dar provimento ao recurso voluntário interposto pela Recorrente, de modo a deferir o Requerimento de Restituição de Retenção – RRR. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior" Voto Vencedor "Conselheiro Maurício Nogueira Righetti - Redator Designado Não obstante as vigorosas razões de decidir do Relator, peço licença para dele discordar. O fisco procedeu à fiscalização do contribuinte em tela, no que toca às obras sob sua responsabilidade, durante o período de 01/2004 a 03/2007. Fl. 162DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2402-007.204 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 37005.000294/2007-14 Durante o procedimento, identificou-se diversas inconsistências que se estendiam e/ou afetavam todas as obras, na medida em que parte das inconsistências acabou repercutindo na empresa como um todo, a exemplo da contabilização de seu livro caixa e da elaboração de suas folhas de pagamento em arquivo digital. Vejamos: "A empresa registrou em Livro Caixa vários lançamentos a débito da conta CAIXA e a crédito de SERVIÇOS DIVERSOS, valores recebidos onde o histórico é o seguinte: "VALOR RESGATADO CONFORME EXTRATO N°XXXX" Após análise constata-se que tratam-se de recebimentos relativos às notas fiscais emitidas. A empresa exibiu os Livros Caixa relativos aos anos de 2004 e 2005, e o Livro Diário de 2006, onde constata-se a omissão de lançamentos de diversos fatos contábeis, como notas fiscais emitidas e notas fiscais de materiais adquiridos para aplicação nas obras de sua responsabilidade. A escrituração contábil além de não discriminar com clareza e precisão todos os fatos contábeis, não os registra em centros de custos específicos para cada obra. As notas fiscais de materiais adquiridos e aplicados nas obras conforme planilhas apresentadas, muitas não estão escrituradas e outras são lançadas em datas divergentes da sua emissão. O arquivo digital no padrão do MANAD (Manual dos Arquivos Digitais), no que se refere a folhas de pagamentos, existem várias inconsistências entre as Bases Mestre e Itens (Base Mestre nula em contrapartida a uma Base Itens com rubricas integrantes de Salário-de-Contribuição). Devido aos vários equívocos ocorridos na escrituração contábil, conforme descrito nos itens 4 e 5 deste relatório, o arquivo digital relativo ao período de 06/2005 a 06/2006 foi exibido com incorreções e omissões. A empresa deixou de exibir os arquivos digitais no padrão MANAD relativos aos períodos de 01/2004 a 05/2005 e de 06/2006 a 03/2007." Ao final, concluiu o Fiscal, a partir análise dos contratos de prestação de serviços, das notas fiscais emitidas pela empresa, das planilhas de materiais aplicados às obras, e das notas fiscais de materiais adquiridos apresentadas durante a ação fiscal, que o recorrente deixou de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, em épocas próprias, na forma da Lei, várias notas fiscais emitidas e de materiais adquiridos. E ainda, que os lançamentos relativos a pagamentos de salários, rescisões de contrato-de-trabalho e salários a pagar, não discriminariam todas as rubricas integrantes desses títulos. Os lançamentos contábeis também não discriminariam as contribuições devidas pela empresa. (Art. 225, inciso II, § 13, incisos I e II do Decreto n° 3.048, de 06/05/1999). Ante os fatos acima constatados, e quanto a eles parece-me não haver controvérsia, a Fiscalização procedeu, corretamente, à aferição indireta da remuneração da mão-de-obra com base da área construída ou nas notas fiscais emitidas. Finda a apuração, chegou-se a dois grandes grupos de obras: i) aquelas tidas por irregulares, eis que a contribuição devida suplantou o total dos recolhimentos, aqui incluídas as retenções. Para esse grupo foram efetuados os competentes lançamentos que se encontram submetidos ao contencioso administrativo; e ii) aquelas tidas por regulares, na medida Fl. 163DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2402-007.204 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 37005.000294/2007-14 em que após o aproveitamento dos valores recolhidos, aqui novamente incluídas as retenções, não se teria apurado valor a pagar ou a restituir. Para esse segundo grupo, a discussão acerca do acerto do procedimento fiscal está se dando, a rigor, exclusivamente no próprio processo de restituição, a exemplo do caso em análise. Nesse rumo, é de se destacar que, quando a fiscalização atestou a "regularidade" da obra, o fez no sentido de que não teria sido apurado crédito tributário após o cotejo entre a contribuição apurada a partir do arbitramento da remuneração da mão-de-obra e o valor retido pelo tomador, e não necessariamente que o recorrente faria jus à restituição do valor retido. Confira-se: "Especificamente na obra acima referenciada, não foi levantado crédito fiscal. A obra foi, considerada regular. Porém não restou saldo a ser restituído." Isto porque, com já dito, após a aferição indireta da remuneração, quando se efetuou a apuração da contribuição devida com os valores recolhidos e/ou retido, a autoridade fiscal acabou por valer-se do recolhimento então pleiteado nesses autos. Confira-se novamente: "1.4.3 — Todos os recolhimentos existentes no conta-corrente da empresa, na matriz e nas obras conforme matriculas discriminadas no item 1 do Titulo li deste Relatório, foram deduzidos do débito apurado, no estabelecimento respectivo. " Por fim, peço licença para discordar do entendimento do relator no sentido de que "o pedido de restituição regularmente instruído não poderia ter seu seguimento obstado por meros indícios de irregularidade na apuração das contribuições previdenciárias". A aferição da liquidez e certeza do crédito ressarcível ou restituível deve ser promovida pelo agente público, por óbvio, após a apresentação do correspondente Pedido de Restituição/Ressarcimento e antes da emissão do competente Despacho Decisório. Não há na legislação tributária prazo específico imposto ao fisco para que promova tal análise. Quer dizer com isso que, ainda que não houvesse mais a possibilidade de se efetuar eventual lançamento por força da decadência, tal circunstância não asseguraria ao requerente, automaticamente, o direito a ver restituído/ressarcido eventual valor envolvido naquela competência. Nesse sentido, o julgamento a seguir ementado: "COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE SALDO NEGATIVO ORIGINADO EM ANOS ANTERIORES. APRECIAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. GLOSA DE SALDO NEGATIVO SEM TRIBUTO A PAGAR. DECADÊNCIA. INAPLICABILIDADE. Quando o crédito utilizado na compensação tem origem em saldos negativos de anos anteriores, há que se proceder com análise da apuração de cada um dos anos-calendário pretéritos, que serviram para a composição do saldo negativo utilizado como direito creditório. Trata- se de apreciação no qual não se aplica contagem de decadência, vez que se restringe à verificação da liquidez e certeza do crédito tributário. Caso resulte em glosa de saldo negativo sem desdobramento em tributo a pagar, não se constitui em lançamento de ofício, razão pela qual não se submete à contagem do prazo decadencial. Trata-se de situação Fl. 164DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2402-007.204 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 37005.000294/2007-14 complemente diferente daquela em que a glosa do saldo negativo tem como resultado tributo a pagar, ocasião na qual o correspondente lançamento de ofício só poderá ser efetuado caso esteja dentro do prazo decadencial previsto na legislação tributária. Acórdão 9101.003-994, de 18/1/19." Forte no exposto, VOTO no sentido de NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maurício Nogueira Righetti. " Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Relator. Fl. 165DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.000190/00-01
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1995
CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. SIMILITUDE FÁTICA.
Constatando-se situações fáticas distintas julgadas por acórdão recorrido e acórdãos paradigmas, não é conhecido o recurso especial.
Com efeito, os acórdãos paradigmas trataram de situação em que o contribuinte não trouxe prova de suas alegações, enquanto o acórdão recorrido trata de falta de conferência de informações pela unidade de origem.
CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DA DECISÃO RECORRIDA.
Sem que o Recorrente tenha questionado os fundamentos da decisão recorrida de forma suficiente, não é conhecido o recurso especial.
Numero da decisão: 9101-004.070
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Demetrius Nichele Macei, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado), Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1995 CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. SIMILITUDE FÁTICA. Constatando-se situações fáticas distintas julgadas por acórdão recorrido e acórdãos paradigmas, não é conhecido o recurso especial. Com efeito, os acórdãos paradigmas trataram de situação em que o contribuinte não trouxe prova de suas alegações, enquanto o acórdão recorrido trata de falta de conferência de informações pela unidade de origem. CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DA DECISÃO RECORRIDA. Sem que o Recorrente tenha questionado os fundamentos da decisão recorrida de forma suficiente, não é conhecido o recurso especial.
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RECURSO ESPECIAL. SIMILITUDE FÁTICA. Constatandose situações fáticas distintas julgadas por acórdão recorrido e acórdãos paradigmas, não é conhecido o recurso especial. Com efeito, os acórdãos paradigmas trataram de situação em que o contribuinte não trouxe prova de suas alegações, enquanto o acórdão recorrido trata de falta de conferência de informações pela unidade de origem. CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA DA DECISÃO RECORRIDA. Sem que o Recorrente tenha questionado os fundamentos da decisão recorrida de forma suficiente, não é conhecido o recurso especial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 00 01 90 /0 0- 01 Fl. 315DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Demetrius Nichele Macei, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado), Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de processo originado por relatório de malha (fls. 2), com a lavratura de auto de infração e redução do prejuízo fiscal do contribuinte quanto ao ano de 1995. Consta do Auto de Infração: Foi constatada a existência de irregularidades na declaração, conforme abaixo descrito e capitulado, que resultaram em alteração de valores compensáveis declarados pelo contribuinte, conforme assinalado no quadro 4 do Auto de Infração. As alterações efetuadas e suas conseqüências estão detalhadas no Demonstrativo de Valores Apurados e no Demonstrativo de Consolidação de Valores, em anexo. Caso tenham ocorrido alterações nos valores informados nas linhas que compõe a Ficha 21 (Receita Liquida por Atividade), a Ficha 22 (Demonstração do Lucro da Exploração), a Ficha 23 (Lucro Inflacionário do Período Base), a Ficha 24(Percentual de Realização do Ativo), a Ficha 25 (Demonstrativo do Lucro Inflacionário Realizado) ou a Ficha 27 (Demonstrativo do Cálculo da Redução e Isenção do Imposto), essas alterações constarão no Demonstrativo de Apuração do Lucro Inflacionário Realizado/Diferido e no Demonstrativo de Apuração da Redução/Isenção, em anexo. I. A Impugnação Administrativa foi apresentada pela contribuinte (fls. 45), decidindo a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém pela manutenção do lançamento (fls. 51) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1995 Ementa: LUCRO INFLACIONÁRIO NÃO REALIZADO Constatado por intermédio de revisão de malha que o sujeito passivo deixou de realizar o lucro inflacionário acumulado no anocalendário de 1995, legitimo o lançamento que resultou na redução do prejuízo apurado no período. O contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 62), resolvendo a 8ª. Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes por converter o julgamento em diligência (fls. 162), em especial para confirmar “a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração de rendimentos do períodobase de 1991”. A conclusão da diligência consta às fls. 174, com manifestação do contribuinte às fls. 180. Fl. 316DF CARF MF Processo nº 10280.000190/0001 Acórdão n.º 9101004.070 CSRFT1 Fl. 316 3 A 1ª. Turma Ordinária da 2ª. Câmara da Primeira Seção deste Conselho decidiu, novamente, converter o julgamento em diligência, entendendo que a anterior diligência teria sido inconclusiva (fls. 210 – Resolução 1202039). O resultado da diligência consta às fls. 221, tendo o contribuinte se manifestado (fls. 223). Nesse contexto, a Turma a quo deu provimento ao recurso voluntário (acórdão 1202000.653, fls. 231). O acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1995 IRPJ. ERRO DE FATO. COMPROVAÇÃO. Considerase ocorrido erro de fato no preenchimento da DIRPJ/92, alegado pela recorrente, quando nas duas diligências fiscais determinadas por meio das Resoluções nº 10800.500 e 120200.039 não foram carreados aos autos os elementos solicitados pelos julgadores de segunda instância, devendo ser acatadas as justificativas apresentadas pela empresa. Extraise do voto condutor do acórdão recorrido: Pela análise dos relatórios de diligência produzidos, constato que, depois das duas resoluções para conversão do julgamento em diligência determinadas por este Conselho, cabe razão ao contribuinte quanto a sua justificativa de erro de fato no preenchimento da declaração de rendimentos, porque o diligenciante nas duas ocasiões deixou de atender ao solicitado por esta Turma, se limitando a fazer conjecturas a respeito da utilização de livros contábeis e fiscais e transcrição de ementa de acórdão de primeira instância, sem pertinência quanto à decisão do litígio, não trazendo aos autos elementos para sanar as dúvidas levantadas pelas alegações da recorrente quanto ao erro de fato no preenchimento da DIRPJ, no item lucro inflacionário. Assim sendo, em respeito ao princípio da verdade material, é de se acatar a alegação de erro de fato no preenchimento da declaração de rendimentos que aduz o recorrente e como, conseqüência, a inexistência de lucro inflacionário a realizar no período de 1995 que ocasionasse o lançamento em questão. Os autos foram remetidos à Procuradoria por RM (Requisição de Movimentação) emitida em 17/05/2013 (fls. 243), com entrega dos autos à Procuradoria em 21/05/2013. A Procuradoria, assim, interpôs recurso especial em 05/07/2013 (fls. 243). Neste recurso, alega divergência na interpretação da lei tributária quanto à prova do erro no preenchimento da DIRPJ, indicando como paradigmas os acórdãos 280300.109 e 3302 002.143. O recurso especial da Procuradoria foi admitido pelo então Presidente da 2ª Câmara da Primeira Seção deste Conselho, verbis: Fl. 317DF CARF MF 4 Tanto no acórdão recorrido quanto nos paradigmas decidese sobre ônus da prova de erro de preenchimento de declarações entregues por contribuintes, no curso do processo administrativo fiscal: no recorrido, entendeuse que o ônus era do fisco, nos paradigmas, considerouse que o ônus probante era do contribuinte. Assim sendo, concluo que a recorrente demonstrou a divergência de entendimento jurisprudencial em relação à matéria decidida nos acórdãos recorrido e paradigmas. Levando em conta que a uniformização da jurisprudência administrativa é o escopo do recurso especial, opino pelo SEGUIMENTO do recurso especial da Fazenda Nacional. .(...) Atendidos os pressupostos de tempestividade e legitimidade, previstos nos arts. 67e 68 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, (RICARF) e tendo sido comprovada a divergência jurisprudencial, nos termos acima examinados, DOU SEGUIMENTO ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional.. O contribuinte, intimado quanto ao acórdão da Câmara a quo em 22/04/2015, apresentando contrarrazões ao recurso especial da Procuradoria em 07/05/2015 (fls. 291). Nas citadas contrarrazões alega que: (i) não deveria ser conhecido o recurso, na medida em que não demonstrado dissídio jurisprudencial; (ii) ausência de impugnação do acórdão recorrido; (iii) no mérito, reitera razões expostas ao longo do processo. É o relatório. Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Conhecimento Como o contribuinte questiona o conhecimento do recurso, reavalio a demonstração analítica da divergência, como também a impugnação do acórdão recorrido. Conhecimento: similitude fática Embora a similitude fática não tenha sido expressamente questionada pelo contribuinte, reavalioa, relacionandose com a demonstração da divergência. O primeiro acórdão paradigma 280300.109 (Processo 11522.000098/200383) tem o seguinte contexto fático descrito em seu relatório: Tratase de pedido de restituição de indébitos de PIS e Cofins (fl. 2), cumulado com Declaração de Compensação (fl. 1) do direito creditório com débitos próprios das mesmas contribuições, montantes a R$ 6.278,83. Considerando que o valor dos pagamentos apontados pelo requerente como indevidos coincidiam com o dos débitos informados em DCTF, a DRF de jurisdição indeferiu o pedido e não homologou a compensação. Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10280.000190/0001 Acórdão n.º 9101004.070 CSRFT1 Fl. 317 5 Regularmente intimado, sobreveio a Manifestação de Inconformidade da fl. 95, por meio da qual o requerente, então manifestante, pugna por retificação das DCTFs respectivas. A DRJ/BEL2a Turma entendeu por direito indeferir a solicitação, considerando inexistir nos autos prova do erro no preenchimento da DCTF original. Invocou ainda a norma do art. 9°, § 2°, inc. II, da Instrução Normativa SRF n 255, de 11 de dezembro de 2002. Vem agora o requerente, em sede de recurso voluntário, pedir reforma da decisão da DRJ/BEL, alegando que: a) Durante alguns meses de 2001, recolheu as contribuições em valores maiores do que o devido, conforme demonstrativo que diz anexar ao processo; b) Em 11/02/2003, declarou a compensação desses indébitos; c) Em 31/10/2003, foi intimado do indeferimento do seu pleito; d) Retificou a DCTF, em 27/11/2003, em conformidade com a INSRF n2 255, de 2002, colocando a mesma em consonância com a DIPJ; e) Em 09/01/2004, foi intimado do acórdão ora fustigado; f) O art. 214 do Código Civil admite a revogabilidade da confissão de d' ida feita em erro. Requer acolhimento para as retificações procedidas nas DCTFs respectivas, para o efeito de homologação da compensação declarada. Diante de tal quadro, decidiu o Colegiado no primeiro acórdão paradigma (280300.109): O recorrente pretende que se reforme a decisão de piso sob o argumento de que sua confissão de dívida foi efetuada em erro, o que lhe permitiria remover o atributo de irrevogabilidade de sua confissão. (...) Todavia, inexiste, nos autos, qualquer prova do alegado erro, ônus que cabia ao recorrente, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: (...) No mesmo sentido o art. 330 da Lei n' 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): (...) Não há similitude entre acórdão recorrido e o primeiro paradigma. O acórdão recorrido trata de situação bastante distinta, em que o contribuinte apresentou prova nos autos, decidindo o Colegiado pelo confronto de tais provas com informações do sistema da Receita Federal. Consta de seu relatório: Fl. 319DF CARF MF 6 Contra a empresa Mafra S/A Agropecuária, foi lavrado auto de infração do IRPJ para a redução de prejuízo fiscal, fls. 01/05, por ter a fiscalização constatado a seguinte irregularidade no anocalendário de 1995, descrita às fls. 03: “Lucro inflacionário acumulado realizado em valor inferior ao limite mínimo obrigatório.” Inconformada com a exigência, apresentou impugnação protocolada em 23 de fevereiro de 2000, em cujo arrazoado de fls. 18 alega que não estava sujeita ao lucro inflacionário no anocalendário de 1995, não possuindo saldo oriundo de períodos anteriores, pois já o havia realizado integralmente no períodobase de 1991, conforme escriturado na Parte “A” do LALUR, às fls. 11, e na Parte “B”, às fls. 45 verso e 46/47, devendo ser ajustados os registros da Receita Federal do Brasil e eliminados os reflexos tributários na DIRPJ do anocalendário de 1995. (...) A matéria em litígio diz respeito à constatação pelo Fisco de falta de adição ao lucro líquido do período, na apuração do lucro real, da realização mínima do lucro inflacionário acumulado. Em suas razões a recorrente sustenta que cometeu erro no preenchimento da DIRPJ/1992, pois realizou integralmente o saldo do Lucro Inflacionário Acumulado existente, escriturando tal fato no LALUR e Balanço Patrimonial levantado em 31/12/1991, deixando, entretanto, de declarar essa opção. O fundamento utilizado pelos julgadores de primeira instância para manutenção do lançamento foi de que apenas a cópia do LALUR, juntada aos autos na impugnação, não é elemento suficiente para comprovar o erro de fato no preenchimento na DIRPJ, faltando a apresentação de demonstrativos contábeis que indicassem a ocorrência de erro de fato. Em grau de recurso a empresa anexa aos autos diversos elementos para comprovar suas alegações: cópia do LALUR, cópia de Demonstrações Financeiras e Razão da conta Correção Monetária do Balanço, que são fortes indícios do erro cometido, mas deixa de trazer à colação outros que confirmem cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração de rendimentos do períodobase de 1991. Assim, o Colegiado a quo resolveu pela baixa dos autos em diligência em duas oportunidades para “confronto documental de informações constantes da escrituração contábil e fiscal da recorrente com os controles eletrônicos de declarações de rendimentos da Receita Federal”. A primeira Resolução (10800.500) explicita tal situação fática: Resolução (10800.500): Em grau de recurso a empresa anexa aos autos diversos elementos para comprovar suas alegações: cópia do LALUR, cópia de Demonstrações Financeiras e Razão da conta Correção Monetária do Balanço, que seio fortes indícios do erro cometido, mas deixa de trazer a colação outros que confirmem cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração de rendimentos do períodobase de 1991. Portanto, entendo que os documentos juntados aos autos não permitem o julgamento a respeito do recurso, visto ser necessário o confronto documental de informações constantes da escrituração contábil e fiscal da recorrente com os controles Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10280.000190/0001 Acórdão n.º 9101004.070 CSRFT1 Fl. 318 7 eletrônicos de declarações de rendimentos da Receita Federal do Brasil, para a conclusão da existência de erro no preenchimento da DIRPJ/1992. Assim, em respeito ao principio do contraditório e da ampla defesa, voto no sentido de se converter o julgamento em diligência, com o retorno do processo a repartição de origem, para que seja emitido parecer conclusivo a respeito do seguinte: 1 confirmar a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração de rendimentos do períodobase de 1991 e a conseqüente inexistência de valor tributável como lucro inflacionário no anocalendário de 1995, tomando por base os registros contábeis/fiscais, mapa de apuração da correção monetária do balanço ou quaisquer outros elementos disponíveis; 2 não se confirmando o alegado erro no preenchimento da declaração de rendimentos pessoa jurídica no períodobase de 1991, determinar o montante de lucro inflacionário acumulado no anocalendário de 1995, sujeito a tributação por realização minima; Caso seja constatado lucro inflacionário a realizar no ano calendário de 1995, o parecer fiscal deve conter a discriminação e a decomposição dos valores do lucro inflacionário acumulado e suas realizações mínimas obrigatórias nos períodos alcançados pela decadência, anoscalendário de 1991, 1992, 1993 e 1994, levandose em conta a data em que o contribuinte foi cientificado do auto de infração de fls. 01/05, em janeiro de 2000, dando ciência de suas conclusões a empresa, abrindo prazo para sua manifestação." Como a baixa em diligência não foi suficiente – no entendimento daquele Colegiado – reiterouse a baixa pela Resolução n. 120200.039. Percebese que não há similitude entre acórdão recorrido e o primeiro paradigma (280300.109), razão pela qual não conheço do recurso especial da Procuradoria. O segundo acórdão paradigma (3302002.143) também não justifica o conhecimento do recurso especial. O relatório deste acórdão descreve a situação fática então julgada: Trata o presente processo de Auto de Infração relativo à Contribuição para o PIS, com fatos geradores em 30/07/2003, 30/08/2003, 30/09/2003, 30/10/2003, 30/11/2003, 30/12/2003, 30/01/2005, 28/02/2005, 30/07/2005, 30/08/2005 e 30/09/2005, no valor total de R$ 5.776.020,11 (fl. 792), compreendendo principal, multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 28/11/2008. A autoridade fiscal, nos termos da descrição dos fatos de fl. 794, informa que “durante o procedimento de verificações obrigatórias, foram constatadas divergências entre os valores constantes na DIPJ, DACON e contabilidade com os registrados Fl. 321DF CARF MF 8 nas DCTFs apresentadas, conforme evidenciado no Relatório de Fiscalização, parte integrante do presente Auto de Infração”. No referido relatório de fiscalização (fls. 782/787), o autuante apresenta, para os anoscalendários de 2003 e 2005, quadros descritivos de PIS NãoCumulativo que afirma haver apurado. Constatase, ainda, que os quadros descritivos constantes do relatório em tela foram confeccionados a partir das tabelas de fls. 780/781. Cientificada do lançamento em 30/12/2008 (fl. 793), a contribuinte apresentou, em 29/01/2009, a impugnação de fls. 800/809, a qual exibe o seguinte teor: (...) Apesar do não atendimento reiterado da Interessada às intimações para apresentar documentação, foram apresentados, em relação ao ano de 2003 (fl. 730 do eProcesso), os livros Diário e Razão, em resposta à reintimação de fl. 714. Da mesma reintimação constou informação de que seriam realizadas verificações preliminares em relação aos anos de 2001 a 2007. Entretanto, não consta dos autos informação posterior sobre a apresentação de livros contábeis de períodos posteriores. Portanto, de fato os valores foram apurados, ao que tudo indica, dos valores da DIPJ, sem uma verificação da contabilidade. Nesse contexto, não há que se cogitar de nulidade da autuação, mas apenas da força probante que a DIPJ teria, com a finalidade de apurar as referidas diferenças. A DRJ considerou que os valores declarados em DIPJ teriam valor de confissão de dívida. Embora em relação a PIS e Cofins a DIPJ não tenha, de fato, tal finalidade (não visam as informações à constituição de crédito tributário), é certo que, como qualquer documento de apresentação obrigatória, presumemse verdadeiros os valores declarados. Nesse caso, é claro, a apresentação de prova contábil afastaria de pronto a presunção, pois a contabilidade tem uma força probante maior do que a DIPJ. A presente questão, entretanto, não pode ser analisada separadamente da diligência fiscal requerida pela DRJ, que entendeu que a Interessada havia apresentado argumento suficiente para colocar em dúvida a apuração. Entretanto, da diligência, resultou a não apresentação dos documentos contábeis, com a Interessada alegando havêlos localizado, mas ser muito volumosa, razão pela qual estaria à disposição para exame. Portanto, o que se verifica, é que não se trata apenas de uso desidioso das informações da DIPJ, mas de uma falha sistemática da Interessada em atender às intimações, o que ocorreu tanto não (sic) ação fiscal quanto na diligência. Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10280.000190/0001 Acórdão n.º 9101004.070 CSRFT1 Fl. 319 9 Verificase que também não há similitude fática com o segundo acórdão paradigma (3302002.143), no qual consta que houve “uma falha sistemática da Interessada em atender às intimações”. A distinção entre fatos julgados nos paradigmas e o dos autos justifica a conclusão jurídica distinta: enquanto no acórdão recorrido a falha foi da unidade de origem em esclarecer dúvida na conferência de documentos apresentados pelo contribuinte, em confronto com sistema da Receita Federal; nos paradigmas a falha foi, certamente, do contribuinte, que não apresentou provas do seu direito. Diante disso, não conheço o recurso especial da Procuradoria quanto a ambos os acórdãos paradigmas. Conhecimento: impugnação do acórdão recorrido e demonstração analítica da divergência O recurso especial consta às fls. 247. Extraise deste recurso: Assim, os órgãos julgadores decidiram de forma diversa. De um lado, o colegiado a quo deu provimento ao recurso do contribuinte, superando a conclusão da DRJ de origem no sentido de que caberia ao contribuinte a prova do alegado erro de fato no preenchimento da DIRPJ, ou seja, entendeu que caberia a fiscalização a comprovação da inexistência do erro de fato alegado e não havendo tal comprovação em diligencia, considerou ocorrido o erro de fato no preenchimento da DIRPJ. Por outro lado, a 3 Turma Especial da 2ª. Seção de Julgamento, em decisão consubstanciada no acórdão no. 280300.109, firmou o entendimento de que caberia ao contribuinte comprovar o erro no preenchimento da declaração (que naquele caso tratava se de DCTF, em contraponto ao presente feito, que trata de DIRPJ). Nesse sentido, transcrevese o voto condutor do paradigma no seguinte trecho: (...) No mesmo sentido, apresentase também como paradigma o acórdão no. 3302002.143 da 3a Camara/2ª Turma Ordinária da 3ª. Seção do CARF, in verbis" O contribuinte tem razão ao sustentar a falta de impugnação específica da decisão recorrida, na medida em que o arrazoado do acórdão recorrido não se limitou a mencionar “caberia a fiscalização a comprovação da inexistência do erro de fato alegado” (trecho acima, do recurso especial). Com efeito, o Colegiado de origem apreciou provas trazidas aos autos pelo contribuinte, e, diante destas provas, resolveu pela baixa em diligência. Colacionase trecho da primeira Resolução (10800.500): Em grau de recurso a empresa anexa aos autos diversos elementos para comprovar suas alegações: cópia do LALUR, cópia de Demonstrações Financeiras e Razão da conta Correção Monetária do Balanço, que seio fortes indícios do erro cometido, Fl. 323DF CARF MF 10 mas deixa de trazer a colação outros que confirmem cabalmente a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração de rendimentos do períodobase de 1991. Portanto, entendo que os documentos juntados aos autos não permitem o julgamento a respeito do recurso, visto ser necessário o confronto documental de informações constantes da escrituração contábil e fiscal da recorrente com os controles eletrônicos de declarações de rendimentos da Receita Federal do Brasil, para a conclusão da existência de erro no preenchimento da DIRPJ/1992. Assim, em respeito ao principio do contraditório e da ampla defesa, voto no sentido de se converter o julgamento em diligência, com o retorno do processo a repartição de origem, para que seja emitido parecer conclusivo a respeito do seguinte: 1 confirmar a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração de rendimentos do períodobase de 1991 e a conseqüente inexistência de valor tributável como lucro inflacionário no anocalendário de 1995, tomando por base os registros contábeis/fiscais, mapa de apuração da correção monetária do balanço ou quaisquer outros elementos disponíveis; 2 não se confirmando o alegado erro no preenchimento da declaração de rendimentos pessoa jurídica no períodobase de 1991, determinar o montante de lucro inflacionário acumulado no anocalendário de 1995, sujeito a tributação por realização minima; Caso seja constatado lucro inflacionário a realizar no ano calendário de 1995, o parecer fiscal deve conter a discriminação e a decomposição dos valores do lucro inflacionário acumulado e suas realizações mínimas obrigatórias nos períodos alcançados pela decadência, anoscalendário de 1991, 1992, 1993 e 1994, levandose em conta a data em que o contribuinte foi cientificado do auto de infração de fls. 01/05, em janeiro de 2000, dando ciência de suas conclusões a empresa, abrindo prazo para sua manifestação." Como a baixa em diligência não foi suficiente – no entendimento daquele Colegiado – reiterouse a baixa pela Resolução n. 120200.039, verbis: Da leitura desse relatório percebese que o resultado da diligência não foi conclusivo, não respondendo claramente ao questionado por este Conselho, deixando que as dúvidas quanto a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração de rendimentos, que motivaram a conversão do julgamento em diligencia, permanecessem latentes. Assim, pela impossibilidade de julgamento do recurso com a manutenção das dúvidas constatadas, voto no sentido de converte novamente o julgamento em diligência, com o retorno do presente processo A. repartição de origem, para que o pedido de esclarecimentos seja cumprido em sua totalidade, com a apresentação de parecer conclusivo a respeito do solicitado na resolução original de n° 10800.500, ou seja: Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10280.000190/0001 Acórdão n.º 9101004.070 CSRFT1 Fl. 320 11 1 confirmar a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração de 11 rendimentos do períodobase de 1991 e a conseqüente inexistência de valor tributável como lucro inflacionário no anocalendário de 1995, tomando por base os registros contábeis/fiscais, mapa de apuração da correção monetária do balanço ou quaisquer outros elementos disponíveis; 2 não se confirmando o alegado erro no preenchimento da declaração de rendimentos pessoa jurídica no períodobase de 1991, determinar o montante de lucro inflacionário acumulado no anocalendário de 1995, sujeito A. tributação por realização minima; Caso seja constatado lucro inflacionário a realizar no ano calendário de 1995, o parecer fiscal deve conter a discriminação e a decomposição dos valores do lucro inflacionário acumulado e suas realizações mínimas obrigatórias nos períodos alcançados pela decadência, anoscalendário de 1991, 1992, 1993 e 1994, levandose em conta a data em que o contribuinte foi cientificado do auto de infração de fls. 01/05, em janeiro de 2000. Após a baixa em diligência, sem que fosse efetuado o “confronto documental de informações constantes da escrituração contábil e fiscal da recorrente com os controles eletrônicos de declarações de rendimentos da Receita Federal” (expressão empregada na resolução acima reproduzida), decidiu o Colegiado pelo provimento ao recurso voluntário. As razões do Colegiado a quo constam do voto condutor, elaborado pelo então Conselheiro Nelson Lósso Filho: Pela análise dos relatórios de diligência produzidos, constato que, depois das duas resoluções para conversão do julgamento em diligência determinadas por este Conselho, cabe razão ao contribuinte quanto a sua justificativa de erro de fato no preenchimento da declaração de rendimentos, porque o diligenciante nas duas ocasiões deixou de atender ao solicitado por esta Turma, se limitando a fazer conjecturas a respeito da utilização de livros contábeis e fiscais e transcrição de ementa de acórdão de primeira instância, sem pertinência quanto à decisão do litígio, não trazendo aos autos elementos para sanar as dúvidas levantadas pelas alegações da recorrente quanto ao erro de fato no preenchimento da DIRPJ, no item lucro inflacionário. Assim sendo, em respeito ao princípio da verdade material, é de se acatar a alegação de erro de fato no preenchimento da declaração de rendimentos que aduz o recorrente e como, conseqüência, a inexistência de lucro inflacionário a realizar no período de 1995 que ocasionasse o lançamento em questão Portanto, o Colegiado não se restringiu a fundamentar o acórdão porque“caberia a fiscalização a comprovação da inexistência do erro de fato alegado”, como sustenta a Recorrente. Pelo contrário, admitiu as provas carrreadas pelo contribuinte aos autos, considerando que não houve o cumprimento das diligências de forma suficiente e, portanto, Fl. 325DF CARF MF 12 não trazidos autos aos, pela unidade de origem “elementos para sanar as dúvidas levantadas pelas alegações da recorrente quanto ao erro de fato no preenchimento da DIRPJ, no item lucro inflacionário”. Diante disso, entendo que a decisão da Turma a quo não foi devidamente impugnada pelo Recorrente. Voto, assim, por não conhecer o recurso especial. Conclusão: Assim, voto por não conhecer o recurso da Procuradoria. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 326DF CARF MF
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Numero do processo: 13851.901915/2011-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.864
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento no Rio de Janeiro que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versa o processo sobre pedido de ressarcimento e declaração de compensação relativos a crédito de PIS/COFINS não cumulativa. A DRF de origem exarou o despacho decisório, reconhecendo em parte o direito creditório e homologando as compensações objeto da Dcomp analisada, até o limite do direito creditório remanescente após o procedimento especial de ressarcimento de que trata a Portaria MF 348/2010. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, mediante a qual manifestou concordância com a fiscalização em relação aos itens: “6.3. Despesas com alugueis de prédios locados”, “6.4.2. Partes e peças importadas utilizadas na manutenção de máquinas e equipamentos diretamente aplicados na produção” e “6.6. Receita na venda de sucatas”; e RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 51 .9 01 91 5/ 20 11 -2 6 Fl. 367DF CARF MF Processo nº 13851.901915/201126 Resolução nº 3402001.864 S3C4T2 Fl. 3 2 sustentou a legitimidade dos demais créditos, em linhas gerais, sob o conceito de insumo delimitado pelo critério da necessidade/essencialidade dos gastos com bens ou serviços utilizados pela empresa em sua atividade. A Delegacia de Julgamento não acatou os argumentos da manifestante, entendendo que nenhum dos itens glosados contestados poderia ser gerador de crédito, conforme ementa abaixo: (...) NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Para fins de apuração de créditos da nãocumulatividade, consideramse insumos os bens e serviços diretamente aplicados ou consumidos na fabricação do produto. SERVIÇOS DE TRANSPORTE. MOVIMENTAÇÃO INTERNA. As despesas com serviço de transporte contratado para movimentação interna de produtos não gera direito a crédito a ser descontado no regime nãocumulativo da COFINS, por não se enquadrar no conceito de insumos nem se caracterizar como frete nas operações de venda. INSUMOS. MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. Geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Cofins nãocumulativa as despesas com a aquisição de partes e peças de reposição utilizadas em máquinas e equipamentos que atuem diretamente no processo de fabricação ou produção dos bens destinados à venda, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado da empresa. (...) Cientificada dessa decisão em, a contribuinte apresentou recurso voluntário, sustentando o seu direito creditório sob os seguintes tópicos: II 1. Da Legitimidade da Apropriação dos Créditos de COFINS Oriundos dos Serviços Prestados pelas Empresas SERVISYSTEM e TRANSPORTADORA TRANSCARGA (itens 7.2 e 7.5 do Termo de Verificação Fiscal) Essencialidade dos Serviços na Atividade Produtiva da Recorrente. II. 1.2. Sobre os serviços de condução de veículos industriais prestados pela SERVISYSTEM II. 1.3. Serviços de Administração de Almoxarifado. II. 1.4. Ad Argumentandum Tantum Necessidade de manutenção dos créditos de COFINS ao menos em relação ao fornecimento dos veículos industriais pela Servisystem II.2. Do Direito ao Crédito de PIS Decorrente da Aquisição de Partes. Pecas. Lubrificantes, Graxas e Serviços de Manutenção de Máquinas Pertencentes à Recorrente Atuação Direta desse Maquinário no Processo de Fabricação ou Produção (Itens 7.4.1 e 7.4.2 do Relatório de Atividade Fiscal) II.2. a. Nulidade do Acórdão Recorrido Falha da Fiscalização Necessidade de Verificação, In loco, da Utilização dos Insumos e das Máquinas no Processo Produtivo da Recorrente Conversão do Julgamento deste Recurso em Diligência II.2.b. Do Direito da Recorrente aos Créditos de COFINS sobre instintos e serviços essenciais à sua linha de produção e aplicados no maquinário que não entram diretamente em contato com o produto final produzido pela Recorrente. II.2.a. Da Efetiva Participação das Máquinas e Insumos no Processo de Produção da Recorrente. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 13851.901915/201126 Resolução nº 3402001.864 S3C4T2 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Resolução nº 3402 001.855, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 13851.721690/2011 26. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela resolução (Resolução nº 3402001.855): "Do conceito de insumo para o PIS e a Cofins não cumulativos O Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR (2010/02091150), pelo rito dos Recursos Repetitivos, decidiu no sentido de que o conceito de insumo deve ser aferido segundo os critérios de essencialidade ou relevância para o processo produtivo da contribuinte, bem como que há ilegalidade no conceito de insumo previsto nas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004. A Procuradoria da Fazenda Nacional expediu a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, com a aprovação da dispensa de contestação e recursos sobre o tema, com fulcro no art. 19, IV, da Lei nº 10.522, de 2002, c/c o art. 2º, V, da Portaria PGFN nº 502, de 2016, o que vincula a Receita Federal nos atos de sua competência. O conceito de insumo delimitado no REsp nº 1.221.170/PR (2010/02091150) não diverge muito do entendimento que já vinha sendo adotado predominantemente neste CARF sobre a matéria, a qual reclama há muito tempo uniformização na jurisprudência em homenagem à segurança jurídica, razões pelas quais se adota desde já o entendimento do STJ veiculado no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR (2010/02091150), cuja ementa consta abaixo: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, Fl. 369DF CARF MF Processo nº 13851.901915/201126 Resolução nº 3402001.864 S3C4T2 Fl. 5 4 efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3º, II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço –para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Os critérios da essencialidade e relevância considerados são aqueles delimitados no Voto da Ministra Regina Helena Costa, conforme observação que constou na Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN MF: 35. O STJ, seguindo o voto da Ministra Regina Helena Costa adotou a posição intermediária quanto ao conceito de insumo, ao adotar os critérios de relevância e essencialidade – também adotadas no CARF – e afastando o conceito de insumo da legislação do IPI e IRPJ. De acordo com o voto da Ministra Regina Helena estabeleceuse o critério de relevância – mais abrangente que o de pertinência adotado pelo Ministro Mauro Campbell Marques. Os Ministros Mauro Campbell Marques e Napoleão Nunes Maia Filho realinharam os seus votos para acompanhar Ministra Regina Helena Costa. (...) Observação 1. Observase que o STJ adotou a interpretação intermediária acerca da definição de insumo, considerando que seu conceito deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância. Vale destacar que os critérios de essencialidade e relevância estão esclarecidos no voto da Ministra Regina Helena Costa, de maneira que se entende como critério da essencialidade aquele que “diz com o item do qual dependa, intrínseca e Fl. 370DF CARF MF Processo nº 13851.901915/201126 Resolução nº 3402001.864 S3C4T2 Fl. 6 5 fundamentalmente, o produto ou serviço”, a)”constituindo elemento essencial e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço” ou “b) quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”. Por outro lado, o critério de relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja: a) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva” b) seja “por imposição legal.” Vale aqui também fazer as ressalvas efetuadas pela Procuradoria da Fazenda Nacional na Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF no sentido de que foi estabelecido no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR somente um conceito abstrato de insumo, cabendo ao julgador ou aplicador da norma avaliar, em cada caso concreto, se o insumo em questão enquadrase ou não nesse conceito, ou mesmo, se não se trata de hipótese de vedação ao creditamento ou de outras previsões específicas constantes nas Leis nºs 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.865/2005. A Receita Federal, por sua vez, trouxe outros delineamentos para a interpretação do conceito abstrato de insumo trazido pelo STJ mediante o PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05, de 17 de dezembro de 2018, cujo entendimento também vincula a fiscalização em seus atos. Observase, no entanto, que, para verificar o enquadramento do caso concreto ao referido conceito abstrato de insumo, algumas questões ainda precisam ser esclarecidas pela fiscalização e pela recorrente. II1. Da Apropriação dos Créditos de Cofins relativos aos serviços prestados pelas Empresas SERVISYSTEM e TRANSPORTADORA TRANSCARGA (itens 7.2 e 7.5 do Termo de Verificação Fiscal) Um dos contratos celebrados em 2010 com a empresa SERVISYSTEM tem o seguinte objeto: “O objeto da presente contratação é a prestação de serviços, pela CONTRATADA, de administração de almoxarifados e serviços administrativos, no Projeto denominado “deficientes” nas dependências indicadas pela CONTRATANTE. Também faz parte da presente contratação, a utilização de mão de obra por parte da CONTRATANTE, no que ser refere ao setor de Análise e Estatística da Qualidade, cujos serviços dizem respeito a desmontagem de produtos avariados.” (...) Embora haja nos autos alguma descrição do que seria a administração de almoxarifados, falta um melhor detalhamento acerca do serviço relacionado ao "setor de Análise e Estatística da Qualidade", bem como quanto aos demais "serviços administrativos" ou ao Projeto denominado “deficientes”. Fl. 371DF CARF MF Processo nº 13851.901915/201126 Resolução nº 3402001.864 S3C4T2 Fl. 7 6 Dessa forma, é conveniente que se solicite à recorrente um laudo técnico com descrição detalhada dos serviços relativos ao Contrato celebrado em 2010 com a empresa SERVISYSTEM que tem como objeto prestação de serviços "de administração de almoxarifados e serviços administrativos", em especial, o eventual enquadramento desses serviços no conceito abstrato de insumo delimitado acima e/ou no entendimento veiculado pelo PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05, de 17 de dezembro de 2018. Caso seja possível, solicitase a segregação das remunerações dos serviços do contrato, diante da possibilidade de se manter algumas glosas de serviços e reverter outras do mesmo contrato. De outra parte, para uma maior segurança no julgamento pelo Colegiado seria também de grande utilidade um laudo técnico nesses termos relativamente aos demais contratos celebrados com a SERVISYSTEM ou com a TRANSCARGA. II.2. Da Aquisição de Partes, Peças, Lubrificantes, Graxas e Serviços de Manutenção de Máquinas pertencentes à Recorrente Relativamente a este tópico, as glosas foram efetuadas em relação às aquisições diretamente encaminhadas aos centros de custos que não estavam diretamente relacionados ao processo produtivo conforme entendimento da fiscalização (item 7.4.1 do Relatório Fiscal). Os centros de custos foram assim descritos pela fiscalização: Com relação aos centros de custos de "Engenharia de Produtos" e "Desenvolvimento de Novos produtos", relativos ao desenvolvimento de novos processos de fabricação de compressores, haveria a possibilidade de creditamento caso os itens adquiridos para estes centros (partes, peças, lubrificantes, graxas e serviços) atendessem aos Fl. 372DF CARF MF Processo nº 13851.901915/201126 Resolução nº 3402001.864 S3C4T2 Fl. 8 7 requisitos constantes no item 8.1 ("Pesquisa e Desenvolvimento") do PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05/2018. Relativamente aos centros de custos de manutenção, quais sejam, Construção e Reforma de Máquinas; Ferramentaria; Fábrica geral; Funilaria e Manutenção Industrial; há, em tese, a possibilidade de creditamento como insumos somente para os bens e serviços que não devam ser objeto de ativação (creditamento por encargos de depreciação). Essa matéria também foi tratada no Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018 no item 7.1 ("Manutenção periódica e substituição de partes de ativos imobilizados"). Assim, a recorrente deve ser intimada para que apresente Laudo Técnico acerca da análise da essencialidade/relevância ao processo produtivo das partes, peças, lubrificantes, graxas e serviços aplicados nos centros de produção de manutenção ou de pesquisa e desenvolvimento, em especial, se atendem aos requisitos de creditamento nos termos dos itens 7.1 ou 8.1 do PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05/2018. Nessa esteira, com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/72 e nos arts. 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, voto no sentido de determinar a realização de diligência para que a Unidade de Origem: a) Intime a recorrente a, dentro de prazo razoável, apresentar Laudo Técnico com os seguintes quesitos: a.1) Descrição detalhada dos serviços relativos ao Contrato celebrado em 2010 com a empresa SERVISYSTEM que tem como objeto prestação de serviços "de administração de almoxarifados e serviços administrativos", em especial, o eventual enquadramento desses serviços no conceito abstrato de insumo delimitado no Voto da Ministra Regina Helena Costa no REsp nº 1.221.170/PR e/ou no PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05, de 17 de dezembro de 2018. Caso seja possível, solicitase a segregação das remunerações dos serviços do contrato, diante da eventual possibilidade de o Colegiado manter algumas glosas de serviços e reverter outras do mesmo contrato. a.2) Descrição detalhada dos serviços relativos aos demais contratos celebrados com a SERVISYSTEM ou com a TRANSCARGA e do seu eventual enquadramento no conceito de insumo e segregação da remuneração, conforme delineado no item precedente. a.3) Análise da essencialidade/relevância ao processo produtivo das partes, peças, lubrificantes, graxas e serviços aplicados nos centros de produção de manutenção e de pesquisa e desenvolvimento, em especial, se atendem aos requisitos de creditamento nos termos dos itens 7.1 ou 8.1 do PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05/2018. b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da apuração das informações solicitadas nos itens acima, manifestandose acerca dos fatos e fundamentos apresentados pela recorrente, inclusive, sobre o eventual enquadramento dos itens glosados contestados no conceito de insumo delimitado no Voto da Ministra Regina Helena Costa proferido no Fl. 373DF CARF MF Processo nº 13851.901915/201126 Resolução nº 3402001.864 S3C4T2 Fl. 9 8 REsp nº 1.221.170/PR e/ou no PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05/2018, ambos de aplicação obrigatória no âmbito da RFB. 3. Após a intimação da recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, devolva o processo a este Colegiado para prosseguimento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por determinar a realização de diligência para que a Unidade de Origem: a) Intime a recorrente a, dentro de prazo razoável, apresentar Laudo Técnico com os seguintes quesitos: a.1) Descrição detalhada dos serviços relativos ao Contrato celebrado em 2010 com a empresa SERVISYSTEM que tem como objeto prestação de serviços "de administração de almoxarifados e serviços administrativos", em especial, o eventual enquadramento desses serviços no conceito abstrato de insumo delimitado no Voto da Ministra Regina Helena Costa no REsp nº 1.221.170/PR e/ou no PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05, de 17 de dezembro de 2018. Caso seja possível, solicitase a segregação das remunerações dos serviços do contrato, diante da eventual possibilidade de o Colegiado manter algumas glosas de serviços e reverter outras do mesmo contrato. a.2) Descrição detalhada dos serviços relativos aos demais contratos celebrados com a SERVISYSTEM ou com a TRANSCARGA e do seu eventual enquadramento no conceito de insumo e segregação da remuneração, conforme delineado no item precedente. a.3) Análise da essencialidade/relevância ao processo produtivo das partes, peças, lubrificantes, graxas e serviços aplicados nos centros de produção de manutenção e de pesquisa e desenvolvimento, em especial, se atendem aos requisitos de creditamento nos termos dos itens 7.1 ou 8.1 do PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05/2018. b) Elabore Relatório Conclusivo acerca da apuração das informações solicitadas nos itens acima, manifestandose acerca dos fatos e fundamentos apresentados pela recorrente, inclusive, sobre o eventual enquadramento dos itens glosados contestados no conceito de insumo delimitado no Voto da Ministra Regina Helena Costa proferido no REsp nº 1.221.170/PR e/ou no PARECER NORMATIVO COSIT/RFB Nº 05/2018, ambos de aplicação obrigatória no âmbito da RFB. 3. Após a intimação da recorrente do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011, devolva o processo a este Colegiado para prosseguimento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 374DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.908274/2012-02
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3001-000.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para tomar conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após a prolação do v. Acórdão recorrido, nos termos do voto do Relator. Vencido o conselheiro Luis Felipe de Barros Reche que rejeitou o pedido de diligência.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
- Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante Luis Felipe de Barros Reche.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
1.0 = *:*
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para tomar conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após a prolação do v. Acórdão recorrido, nos termos do voto do Relator. Vencido o conselheiro Luis Felipe de Barros Reche que rejeitou o pedido de diligência. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Presidente (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Roberto da Silva, Francisco Martins Leite Cavalcante Luis Felipe de Barros Reche. RELATÓRIO Por bem resumir os fatos, adoto por transcrição o suscinto relatório do v. Acórdão Recorrido (fls. 102/104), verbis. DESPACHO DECISÓRIO RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .9 08 27 4/ 20 12 -0 2 Fl. 1073DF CARF MF Processo nº 13888.908274/201202 Resolução nº 3001000.196 S3C0T1 Fl. 3 2 O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº rastreamento 41035287 emitido eletronicamente em 05/12/2012, referente ao PER/DCOMP nº 38704.88913.281111.1.3.043387. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de PIS/PASEP, Código de Receita 6912, no valor original na data de transmissão de R$10.157,49, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 23/12/2010. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 17/12/2012, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 16/01/2013, ressaltando a tempestividade do contraditório e fazendo um resumo dos fatos. Em preliminar, argui a nulidade do despacho decisório, ante a aplicação de decisão genérica, por cerceamento do direito de defesa e do exercício do contraditório, haja vista a insuficiente motivação para a nãohomologação da compensação declarada. No mérito, destaca os procedimentos administrativos motivadores do PER/DCOMP, tendo ressaltado que a empresa está submetida à incidência não cumulativa do PIS e da Cofins, nos termos das Leis 10.637/02 e 10.833/03, tendo procedido à revisão dos créditos da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, do período de agosto/2006 a junho/2011, verificando que pagou de forma indevida e a maior. No presente caso, assevera que apurou pagamento indevido e a maior de PIS/PASEP, com base no Dacon original, tendo o débito sido reduzido com a retificação do Dacon, daí decorrendo o crédito apurado. Passa então a discorrer sobre a compensação com o débito especificado no PER/DCOMP. Destaca que procedeu de acordo com as disposições legais, art.165, I do CTN e art. 74 da Lei 9.430/96, apurando crédito passível de restituição, o qual pode ser compensado com débitos próprios do contribuinte, não havendo razão justificável para a não homologação da compensação declarada. Fl. 1074DF CARF MF Processo nº 13888.908274/201202 Resolução nº 3001000.196 S3C0T1 Fl. 4 3 Ao final, requer, preliminarmente, o reconhecimento da nulidade do despacho decisório e, caso não acolhida a preliminar, que a presente manifestação de inconformidade seja provida, culminando no reconhecimento integral da compensação. A DRF de origem se manifestou pela tempestividade da manifestação de inconformidade, consoante documentos anexados. No mérito, destaca os procedimentos administrativos motivadores do PER/DCOMP, tendo ressaltado que a empresa está submetida à incidência não cumulativa do PIS e da Cofins, nos termos das Leis 10.637/02 e 10.833/03, tendo procedido à revisão dos créditos da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, do período de agosto/2006 a junho/2011, verificando que pagou de forma indevida e a maior.Regularmente cientificada do teor do v. Acórdão recorrido, a empresa ingressou com Recurso Voluntário instruído com centena de documentos, reiterando suas razões impugnatórias e sustentando mais que: (a) o Fisco laborou realmente em nulidade ao não atentar para as normas adequadas de regência; (b) houve cerceamento ao direito de defesa do contribuinte pela falta de análise das provas apresentadas pela empresa, afrontando e desrespeitando o princípio de que se deve perseguir a verdade material nos processos administrativos; (c) de fato laborou a empresa em erro material, o qual foi materialmente corrigido através de DACON; (d) o simples fato de a DCTF não ter sido retificada pelo contribuinte, e portanto estar divergente do DACON, não poderia ser suficiente para indeferir o pedido da empresa, visto que a mesma (DCTF) por si só, não é garantia de liquidez ou certeza da compensação, consoante já decidido através do Acórdão 3302002.224, da 2ª Turma da 3ª Cârama do CARF. Arrimado na doutrina de Alexandre Gomes e em julgados deste Conselho, argumentou que não pode o julgador simplesmente alegar a inexistência do crédito com simples base na conferência da DCTF, sem analisar os demais documentos pertinentes à operação. A própria 2ª Turma da DRJ/BH deveria ter se manifestado sobre o conteúdo do DACON retificador e solicitado diligência para apurar as divergências entre o DACON e a DCTF, para obter a chamada “verdade material” intrínseca ao processo administrativo. Prossegue sustentando que a apontada divergência se deu em razão de, no mês de julho de 2011, a Recorrente ter realizado uma revisão dos seus créditos da contribuição PIS/PASEP e da COFINS tomados no período de agosto de 2006 a junho de 2011, quando ficou constatado que a empresa "deixou de tomar crédito das referidas contribuições sobre serviços de ferramentaria, usinagem de peças e de manutenção de máquinas; armazenagem de mercadorias; serviços de transporte (frete) e aquisições de materiais e peças para a manutenção de máquinas e equipamentos e outros insumos, o que resultou no seu pagamento da contribuição PIS/Pasep e da COFINS a maior durante todo o período revisado". Transcreve ementa do Acõrdão 3302002.224, da 2ª Turma, da 3ª Câmara, do CARF, no sentido de que "o direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF ou de DACON, que contenham erro material.; a DCTF (retificadora ou original) e a DACON não fazem prova da liquidez e certeza do cfédito a restituir; e na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas trazidas pelo contribuinte e solicityar outras sempre que necessário" Após sustentar que não pode o julgador simplesmente alegar a inexistência do crédito com simples base na conferência da DCTF, sem analisar os demais documentos pertinentes à operação, prosseguiu o recorrente argumentando que a própria 2ª Turma da DRJ/BH deveria ter se manifestado sobre o conteúdo do DACON retificador e solicitado diligência para apurar as divergências entre o DACON e a DCTF, para Fl. 1075DF CARF MF Processo nº 13888.908274/201202 Resolução nº 3001000.196 S3C0T1 Fl. 5 4 obter a chamada “verdade material” intrínseca ao processo administrativo; e não simplesmente negar o direito certo da empresa pela só divergência nos dados da DCTF e da DACON.. Finaliza argumentando que o art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante aos contribuintes optante pelo regime não cumulativo da contribuição ao PIS/PASEP e COFINS a apropriação dos créditos decorrentes da aquisição de bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Entende que insumo e custo de produção, na prática, são a mesma coisa., podendose observar que "insumo" e "custo" possuem o mesmo significado, representam a mesma realidade, a dos gastos realizados pela empresa na aquisição de bens e serviços utilizados na produção de outros bens e serviços Na sequêncvia, foi exarado despacho pela DRF/Piracicaba, encaminhando o Processo para o CARF e atestando a tempestividade do Recurso Voluntário (fls. 1117 É o relatório. VOTO Francisco Martins Leite Cavalcante Relator A tempestividade do Recurso Voluntário já foi reconhecida pelos órgãos de origem, consoante informação acima referida, pelo que conheço do apelo. Como se verifica do relatório, a divergência reside no fato de que (a) a empresa entende que fez a retificação dos dados primitivos da DCTF através de DACON e, mesmo diante do erro material, comprovou a existência do apontado crédito que pretende lhe seja restituído, conforme documentos exibidos com sua impugnação/manifestação de inconformidade e, principalmente, no seu Recurso Voluntário; e, (b) por sua vez, sustenta o Fisco a tese de que não tendo sido retificada a DCTF por outra DCTF, a retificação de DCTF por DACON não caracteriza a liquidez e A certeza legalmente necessáriaS para a restituição pretendida. Registrese que após a Manifestação de Inconformidade, e até a prolação do Acórdão recorrido, a discussão girou em torno da alegada intempestividade da impugnação, culminando com o reconhecimento da tempestividade da defesa da empresa e o consequente julgamento que resultou no v. Acórdão recorrido. Com o recurso voluntário, porém, vieram aos autos centenas de outros documentos exibidos pela empresa, com o objetivo de comprovar suas alegações formalizadas na impugnação e reiteradas nas razões recursais, referentes (a) à retificação da DCTF, embora que através da DACON; corroborar o seu alegado erro material; (b) demonstrar a legitimidade do perseguido crédito tributário cuja restituição cuidase neste processo; (c) insistir com os argumentos no sentido de que a autoridade recorrida cerceou o seu direito de defesa ao não analisar adequadamente os seus documentos comprobatório de seu direito à restituição; e, (d) reiterar que não pode o julgador simplesmente alegar a inexistência do crédito com simples base na conferência da DCTF, sem analisar os demais documentos pertinentes à operação. Entre outros documentos exibidos com o Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos demonstrativos de apuração de contribuição social; notas fiscais de diferentes Fl. 1076DF CARF MF Processo nº 13888.908274/201202 Resolução nº 3001000.196 S3C0T1 Fl. 6 5 empresas; e, cópias do livro diário, documentos estes que, no dizer do recorrente, corroboram a existência do seu crédito, com a liquidez e a certeza capaz de lhe garantir o direito a restituição pretendida nos termos da legislação de regência. Relevante salientar que os chamados documentos novos, trazidos com o Recurso Voluntário, não foram analisados pelos ilustres membros do Colegiado autor do v. Acórdão recorrido, posto que exibidos somente em grau de recurso. A propósito, é relevante ressaltar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais já se pronunciou sobre situação semelhante àquela objeto destes autos, em julgamento proferido em 16 de maio de 2017, quando emitiu o Acórdão nº 9303005.065, cuja parte da ementa pertinente ao assunto, foi assim redigida, verbis. ............................................(omissis)........................................................ PROVAS DOCUMENTAIS NÃO CONHECIDAS. REVERSÃO DA DECISÃO NA INSTÂNCIA SUPERIOR. RETORNO DOS AUTOS PARA APRECIAÇÃO E PROLAÇÃO DE NOVA DECISÃO. Considerado equivocado o acórdão recorrido ao entender pelo não conhecimento de provas documentais somente carreadas aos autos após o prazo para apresentação da impugnação, estes devem retornar à instância inferior para a sua apreciação e prolação de novo Acórdão. Com arrimo no Acórdão CSRF 9303005.065 acima mencionado, diversos processos da empresa Autotrac Comércio e Telecomunicações Ltda. foram baixados em Diligência à Unidade de Origem, por esta 1ª TE/3ª SE, a partir da Resolução nº 3001000.085, de 10 de julho de 2018 (do qual fui o Relator), para que a Unidade de Origem tome conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após o Acórdão daquele órgão julgador de 1ª instância, nos termos determinados pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF. Do meu voto que resultou na mencionada Resolução nº 3001000.085, constou, entre outros, os seguintes argumentos principais, verbis. Verificase, porém, que a documentação e os fundamentos que foram trazidos com o apelo a este Colegiado e posteriormente reiterados e complementados nos Embargos Declaratórios subsequentes não passaram pelo crivo e apreciação da 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília Distrito Federal, prolatora da primitiva decisão colegiada proferida através do v. Acórdão 0330.127, da 2ª Turma da DRJ/BSB, de 30 de março de 2009 (fls. 342/346). ............................................(omissis)............................................ Registrese, por outro lado, que o Recurso Especial do contribuinte recorrente foi provido, à unanimidade, pela CSRF, determinandose o "retorno dos autos ao colegiado de origem para análise de novos documentos juntados pelo sujeito passivo" (fls. 655); e, no voto vencido, o relator aderiu à decisão da maioria, e, assim, concluiu o seu voto (fls. 659) : "Donde o necessário envio dos autos à Câmara baixa para apreciação das provas carreadas aos autos, ainda que em sede de recurso voluntário.". Fl. 1077DF CARF MF Processo nº 13888.908274/201202 Resolução nº 3001000.196 S3C0T1 Fl. 7 6 Diante do exposto, coerente com o voto condutor do v. Acórdão da CSRF acima citado, tendo em conta principalmente a parte final da ementa do mencionado Acórdão, e para que não se alegue futuramente que houve supressão de instância, VOTO pela conversão do julgamento em Diligência para que o órgão julgador de 1ª instância, no caso a DRJ/BSA, tome conhecimento dos documentos (e argumentos) carreados aos autos após o Acórdão por ele proferido, nos termos determinados pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, através do Acórdão 9303005.065 3ª Turma.. Acrescentese mais que, na esteira do que vem decidindo a Câmara Superior de Recursos Fiscais, esta 1ª Turma Extraordinária e diversas outras Turmas e Câmaras julgadoras do CARF, têm entendido que os documentos novos exibidos com o recurso voluntário assim entendido aqueles que não foram exibidos e/ou apreciados pela turma julgadora singular devem ser recebidos e considerados em prol da defesa do contribuinte, buscandose, assim, a verdade material. Ressaltese, ademais, que tenho proferido diversos votos nesta Turma no sentido de que os órgãos julgadores, na esfera administrativa sejam as Delegacias da Receita Federal de Julgamento, sejam as diversas Turmas e Sessões deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais devem balizar seus posicionamentos sempre tendo em mira a busca, em primeiro lugar, da verdade material, da verdade real, sem os excessos de formalismos, ou mesmo, sem os rigores exagerados do chamado legalismo. Neste sentido, tenho entendido que os cognominados 'erros materiais escusáveis' são perfeitamente passíveis de serem supridos, através da comprovação de sua existência, mas sempre tendo como objetivo maior a busca da verdade material. Diante do exposto, tendo em vista o já decidido pela E. CSRF, e coerente com meus pronunciamentos anteriores, VOTO no sentido de tomar conhecimento do Recurso do Contribuinte para converter o julgamento em DILIGÊNCIA à Unidade de Origem com vista a adotar as seguintes providências : 01) Analisar os documentos (e argumentos) carreados aos autos por ocasião do Recurso Voluntário do contribuinte; 02) Confirmar se os documentos conferem com as informações constantes no DACON/DCTF; 03) Caso entenda necessário, intimar a empresa para apresentar outros documentos que julgar pertinentes; 04) Elaborar relatório conclusivo e circunstanciado sobre os procedimentos adotados; e, 05) Dar ciência do relatório à recorrente, concedendolhe prazo de 30 dias para, querendo, se manifestar. Para tanto, devem os presentes autos retornarem para a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Piraciba São Paulo, para atendimento da diligência. Ao final, os presentes autos deverão ser devolvidos a este CARF, para prosseguimento do feito. Fl. 1078DF CARF MF Processo nº 13888.908274/201202 Resolução nº 3001000.196 S3C0T1 Fl. 8 7 (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Fl. 1079DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.902436/2014-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/12/2000
PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS.
A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais.
JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE.
Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como receita financeira, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente.
Numero da decisão: 3401-005.870
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/12/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como receita financeira, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/12/2000 PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei Federal 9.718/1998 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras, de forma que devem compor a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, em razão de provirem do exercício de suas atividades empresariais. JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO. EXCLUSÃO. POSSIBILIDADE. Durante a vigência da redação original da Lei Federal 9.718/1998, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco acompanhou o relator pelas conclusões. O Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco indicou a intenção de apresentar Declaração de Voto, o que foi feito no processo paradigma. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 24 36 /2 01 4- 19 Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10580.902436/201419 Acórdão n.º 3401005.870 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Rodolfo Tsuboi, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou insubsistente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório que indeferiu pedido de restituição de COFINS. Do Pedido de Compensação e do Despacho Decisório O contribuinte pleiteou compensação, referente a pagamento efetuado indevidamente ou a maior, transmitido através de PER. Em despacho decisório, o pedido foi indeferido sob a alegação que o “recolhimento apontado como origem do crédito encontrase integralmente alocado ao débito informado pelo contribuinte, não restando qualquer saldo de pagamento a ser restituído. ” Da Manifestação de Inconformidade O Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, argumentando o seguinte: 1. O Supremo Tribunal Federal declarou incidentalmente a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, contida no §1º do artigo 3º da Lei nº 9.718, de 1998 e que o presente pedido de restituição se mostra subsistente, pois os recolhimentos da contribuição em tela foram realizados nos estritos lindes do artigo 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998, cujo descompasso com o sistema normativo acabou por provocar o recolhimento a maior nesse tocante e, por conseguinte, não há como prosperar o indeferimento do presente pedido de restituição. 2. O STF declarou a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98 porque reconheceu que as contribuições sociais ao PIS e à Cofins só poderiam incidir sobre o faturamento das empresas, assim entendida “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza”, não podendo incluir na base de cálculo receitas não operacionais. 3. O conceito de faturamento não varia em função do objeto social de cada contribuinte, pois a base de cálculo ficaria sujeita a um grau de incerteza absolutamente incompatível com uma obrigação tributária. Assim sendo, não há qualquer relação de identidade entre o conceito de faturamento com a atividade principal dos contribuintes. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10580.902436/201419 Acórdão n.º 3401005.870 S3C4T1 Fl. 4 3 4. Mesmo que se entenda que as receitas financeiras auferidas por instituições financeiras têm natureza de receita de prestação de serviços, integrando o conceito de faturamento, o que se admite apenas para argumentar, não podem integrar referida base de cálculo as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e ou de terceiros em hipóteses que não envolvam intermediação financeira. 5. A base de cálculo, deveria ficar restrita somente às receitas auferidas no exercício de seu objeto social, com a prestação de serviços bancários, tais como administração de fundos de investimentos, assessoria em operações de fusão e aquisição, intermediação financeira e concessão de crédito, dentre outras atividades. 6. As receitas financeiras obtidas com a aplicação de seu próprio capital de giro e capital de terceiros, bem como em razão da remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias, realizadas no seu único e exclusivo interesse, sem intermediação, não configuram prestação de serviços, uma vez que ninguém presta serviço para si próprio. Junto com a impugnação, o recorrente apresentou planilhas de cálculo, e balancete analítico do mês de referência. Da Decisão de Primeiro Grau O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 14061.544. Do Recurso Voluntário Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso, reprisando as razões apresentadas na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.809, de 25 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10580.902382/201491, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.809): "Da Admissibilidade Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10580.902436/201419 Acórdão n.º 3401005.870 S3C4T1 Fl. 5 4 O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade; de modo que tomo seu conhecimento. Do Mérito O núcleo do litígio reside na forma de aplicação da declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei Federal 9718/1998 pelo STF – quando do julgamento do RE nº 585.235, sob a forma do art. 543B, do CPC, sobre o alargamento da base de cálculo das contribuições PIS e COFINS, no que tange às instituições financeiras. Naquela oportunidade, restou pacificado que, para fins de incidência cumulativa das contribuições sociais, o faturamento é o resultado das atividades típicas, ou seja, que decorram do objeto social do contribuinte. Como não poderia ser diferente, esse vem sendo o entendimento adotado nessa Seção, e na Câmara Superior de Recursos Fiscais: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2000 COFINS. FATURAMENTO. LEI 9.784/98 [SIC]. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. Consoante entendimento firmado pelo STF, as receitas operacionais obtidas pelas instituições financeiras, decorrentes de sua atividade fim, integram o conceito de receita bruta utilizado pelo art. 3º da Lei nº 9.718/98. RECUPERAÇÃO DE ENCARGOS E DESPESAS E REVERSÃO DE PROVISÕES OPERACIONAIS. Lançamentos que não representes ingressos de receita oriundos das atividades típicas das instituições financeiras não podem ser alcançados pela incidência da COFINS. (Acórdão nº 3201004.445, Relatora Tatiana Josefovicz Belisário, sessão de 27.11.2018) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2004 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10580.902436/201419 Acórdão n.º 3401005.870 S3C4T1 Fl. 6 5 As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. (Acórdão nº 9303002.934, Redator designado: Ricardo Paulo Rosa, sessão de 03.06.2014). Acertadamente, a decisão ora recorrida destacou que as atividades operacionais das instituições financeiras se encontram elencadas no Plano de Conta COSIF, nos termos emanados pelo Banco Central do Brasil: O Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional, instituído pela Circular do Banco Central do Brasil nº 1.273, de 29 de dezembro de 1987, traz em seu Capítulo 1 Normas Básicas, Seção 17 Receitas e Despesas, item 3, que as rendas obtidas tanto com as operações ativas como com a prestação de serviços, ambas referentes a atividades típicas, regulares e habituais da instituição financeira, são classificadas como operacionais. Confirase: 3 As rendas operacionais representam remunerações obtidas pela instituição em suas operações ativas e de prestação de serviços, ou seja, aquelas que se referem a atividades típicas, regulares e habituais. (grifos nossos) No Cosif, as contas de receitas operacionais são divididas em: 7.1 RECEITAS OPERACIONAIS 7.1.1.00.001 Rendas de Operações de Crédito 7.1.2.00.004 Rendas de Arrendamento Mercantil 7.1.3.00.007 Rendas de Câmbio 7.1.4.00.000 Rendas de Aplicações Interfinanceiras de Liquidez 7.1.5.00.003 Rendas com Títulos e Valores Mobiliários e Instrumentos Financeiros Derivativos Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10580.902436/201419 Acórdão n.º 3401005.870 S3C4T1 Fl. 7 6 7.1.7.00.009 Rendas de Prestação de Serviços 7.1.8.00.002 Rendas de Participações 7.1.9.00.005 Outras Receitas Operacionais (...) Portanto, em uma instituição financeira as receitas financeiras decorrem de serviços prestados aos clientes (financiamentos, empréstimos, operações de câmbio na importação ou exportação, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, seguros, arrendamento mercantil, administração de planos de previdência privada e tantas outras mais) não constituindo mero ganho financeiro como acontece em outras empresas. São, portanto, receitas operacionais, que compõem a base de cálculo do PIS e da Cofins. (...) Especificamente quanto a instituições financeiras e contribuintes a ela equiparadas por força do artigo 22, § 1° da Lei 8.212/91, devese entender por faturamento os ganhos obtidos com operações financeiras realizadas por tais entidades, quanto à captação, movimentação e aplicação de ativos que proporcionem alguma forma de ganho pecuniário, posto não ser outro o objeto social de tais sociedades. Observando o caso concreto, tratase de instituição financeira que tem por objeto social “efetuar operações bancárias em geral, inclusive câmbio”. Esse, portanto, é o limite das atividades típicas que devem ser objeto de escrutínio para sua inclusão na base de cálculo das contribuições sociais. No presente processo, a Recorrente pleiteia crédito de COFINS no montante calculado sobre a diferença entre a totalidade de receitas operacionais e a receita de prestação de serviços bancários (conta 7.1.7.00.00.9), entendendo, a despeito do entendimento acima esposado, que somente as atividades de prestação de serviços bancários poderiam vir a ser objeto de incidência das contribuições sociais, ignorando que a atividade bancária per si não se restringe, por óbvio, aos serviços prestados aos clientes. Adicionese aos argumentos anteriores que a própria Lei Federal 9.718/1998 partiu da premissa que as receitas financeiras geradas nas atividades das instituições bancárias eram tributadas, quando previu, em seus parágrafos 5º e 6º, hipóteses específicas de dedução: Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10580.902436/201419 Acórdão n.º 3401005.870 S3C4T1 Fl. 8 7 I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: a) despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; b) despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; c) deságio na colocação de títulos; d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; e) perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. III no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; IV no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. Assim, todas as receitas decorrentes da atividade bancária, seja pela prestação de serviços, seja pela fruição de resultados financeiros dos ativos próprios e de terceiros, devem ser tributadas pelas contribuições sociais, observadas das deduções acima. Por outro lado, a remuneração sobre juros sobre o capital próprio, a despeito de ser tratada como “receita financeira”, não pode ser considerada uma receita típica de instituições financeiras, vez que se trata de efetiva receita decorrente de participações societárias perante outras pessoas jurídicas, não se coadunando com o objeto social da Recorrente, nos termos do RE 1.104.184/RS, do STJ, julgado sob efeitos do artigo 543C do antigo CPC. Sob a mesma ótica, não é possível admitir na base de cálculo das contribuições as receitas decorrentes da locação de imóveis, eis que essa atividade não se encontra contemplada no seu contrato social. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10580.902436/201419 Acórdão n.º 3401005.870 S3C4T1 Fl. 9 8 Tratase, portanto, de resultados que não decorre da atividade bancária, de forma que a parcela do lançamento referente a essa rubrica deve ser cancelada. Por todo o exposto, conheço do Recurso, e doulhe parcial provimento para afastar a glosa sobre as receitas decorrentes da remuneração de juros sobre o capital próprio e locação de imóveis próprios." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. . Da mesma forma, a Declaração de Voto do Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, apresentada no processo paradigma, é extensível ao presente processo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por conhecer do recurso voluntário, e darlhe parcial provimento para reconhecer os créditos em relação a juros sobre o capital próprio, em função do REsp 1.104.184/RS, e receitas de locação de imóveis. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10580.902436/201419 Acórdão n.º 3401005.870 S3C4T1 Fl. 10 9 Fl. 157DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.914493/2014-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2010
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-005.892
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
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LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. COMPROVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da Receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 44 93 /2 01 4- 66 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.914493/201466 Acórdão n.º 3301005.892 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão que manteve a não homologação da compensação do débito declarada pela contribuinte, em virtude de constar nos sistemas da RFB que o alegado recolhimento indevido já tinha sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos. Confirase o teor do Despacho Decisório na origem: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em manifestação de inconformidade, sustentou a contribuinte que o Despacho Decisório não teria fundamentação, tampouco motivação. Por isso, teria havido cerceamento do seu direito de defesa. A DRJ/BHE, no acórdão n° 02070.632, negou provimento ao apelo. Em recurso voluntário, a Recorrente aduz que: a) A decisão de piso não levou em consideração a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, o que impediu a empresa de se defender adequadamente, bem como demonstrar a existência do crédito; b) O princípio da motivação dos atos administrativos foi desrespeitado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação das compensações, utilizando como fundamento a inexistência do crédito, sem qualquer esclarecimento adicional; c) Restou violado o direito à ampla defesa, pois, como afirmado anteriormente, sem conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada, a apresentação de qualquer defesa fica prejudicada. Ao final, defende a reforma da decisão de primeira instância, para declarar insubsistente o despacho decisório que não homologa a compensação e acolher o recurso para homologála. É o relatório. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.914493/201466 Acórdão n.º 3301005.892 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.882, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.903814/201405, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.882): "O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Sustenta a empresa que o Despacho Decisório é nulo por ausência de motivação, o que lhe impede de fazer a comprovação do direito ao crédito, constituindo o cerceamento de defesa. Aduz: “como pode a recorrente argumentar e apresentar defesa sem saber ao certo por qual motivo sua compensação não foi homologada?”. A resposta a tal questão é límpida pelo teor do ato administrativo: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, a devida motivação reside no fato de que o alegado pagamento indevido não foi restituído, porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Por outro lado, não se observa as hipóteses do art. 59, II, do Decreto n° 70.235/72, sendo inexistente, por conseguinte, qualquer nulidade. Ademais, a Recorrente não traz apontamento da origem do indébito e tampouco qualquer elemento de prova. Limitouse em sede de manifestação de inconformidade apenas a afirmar que: A requerente, ao calcular o quantum debeatur da COFINS, utilizouse de base de cálculo com valores que indevidamente a integravam, ou seja, de base de cálculo ampliada. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.914493/201466 Acórdão n.º 3301005.892 S3C3T1 Fl. 5 4 Incluiu nesta base de cálculo, não só a receita decorrente de seu faturamento, ou seja, de suas vendas, mas sim as demais receitas que não devem compôlas. Para tanto, utilizouse de algumas teses tributárias já julgadas pelo Supremo Tribunal Federal de forma favorável aos contribuintes, a exemplo a ampliação da base de cálculo por alterar o conceito de faturamento, a exclusão da base de cálculo de determinadas despesas, entre outros. Por esta razão é que postulou a restituição/compensação do valor que pagou a maior desta exação. Tais afirmações sequer foram reiteradas no recurso voluntário. É sabido que a contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. Entretanto, a Recorrente não demonstrou a base de cálculo utilizada para apurar a COFINS paga. Dessa forma, não houve demonstração da base de cálculo utilizada na apuração da COFINS, para a verificação de que os recolhimentos abrangeram receitas mensais que não faziam parte da atividade da empresa. Em pedido de iniciativa da contribuinte, cabialhe: a) Apresentar planilha com base de cálculo da COFINS, relativa ao valor da receita bruta mensal e o valor das receitas indevidamente incluídas na apuração; b) Apontar no livro razão/balancete os valores indicados; c) Exibir DIPJ, DCTF original e o DARF; d) Mostrar outros documentos fiscais e contábeis que permitissem afirmar que houve recolhimento sobre as outras receitas, que não compusessem o seu faturamento. Isso porque, dispõe o art. 170, do CTN que a compensação depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Dessa forma, na ausência de documentação referente ao crédito, entendo que a pretensão da Recorrente não merece acolhida, uma vez que, regra geral, considerase que o ônus de provar recai a quem alega o fato ou o direito, nos termos do art. 373 do CPC/15. Logo, é da própria empresa o ônus de registrar, guardar e apresentar os documentos e demais elementos que testemunhem o seu direito ao creditamento. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10880.914493/201466 Acórdão n.º 3301005.892 S3C3T1 Fl. 6 5 Então, restou demonstrado que a interessada se omitiu em produzir a prova que lhe cabia, segundo as regras de distribuição do ônus probatório do processo administrativo fiscal. Não o fazendo, acertadamente, a compensação não foi homologada. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001227/2006-02
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
DECADÊNCIA. CONTAGEM.
O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte.
Numero da decisão: 9101-004.101
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para afastar a decadência em relação ao IRPJ e CSLL do 1º trimestre de 2001.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001 DECADÊNCIA. CONTAGEM. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte.
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CONTAGEM. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para afastar a decadência em relação ao IRPJ e CSLL do 1º trimestre de 2001. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 12 27 /2 00 6- 02 Fl. 2804DF CARF MF Processo nº 19515.001227/200602 Acórdão n.º 9101004.101 CSRFT1 Fl. 2.805 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela PGFN (fls.2370 e ss. do vol 15) em face do Acórdão nº 110100.062, de 13/05/2009, assim ementado: PRELIMINAR DECADÊNCIA. IRPJ e CSLL. LUCRO REAL TRIMESTRAL. RECONHECIDA EM PARTE. Contase a decadência a partir do fato gerador. Passados cinco anos sem lançamento fiscal, o débito encontrase decaído. PRELIMINAR AMPLA DEFESA GARANTIDA. DESNECESSIDADE DE PROVA PERICIAL. Não há que se falar em desrespeito ao contraditório, quando o autuado é notificado de todos os atos. e a ele é garantida a oportunidade de se defender. OMISSÃO DE RECEITA. INVERSÃO DO ÔNUS PROBANDI. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO PELO CONTRIBUINTE. Configurase omissão de receita quando o contribuinte devidamente notificado a comprovar movimentação bancária, não apresenta documentação hábil para elidir a presunção legal. MULTA QUALIFICADA Não é possível aplicação de multa qualificada quando a autuação deriva tão somente de presunção. Admitido o recurso especial fazendário, o processo foi inicialmente sorteado ao conselheiro Flávio Franco Corrêa, que o pautou na sessão de julgamento de 7 de junho de 2018, quando se decidiu pela conversão em diligência, através da Resolução nº 9101000.061, nos seguintes termos: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta esclareça se o sujeito passivo: a) efetuou recolhimentos de PIS/PASEP e para COFINS relativamente aos fatos geradores ocorridos entre janeiro de maio do ano calendário de 2001, e; b) declarou em DCTF valores de PIS/PASEP e COFINS relativos aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e maio de anocalendário de 2001. Ao final, a autoridade local deverá complementar as informações, juntando os elementos adicionais que considerar necessários à solução da controvérsia, abrindose o prazo de 30 dias prazo para ciência e manifestação do contribuinte. Vencidos os conselheiros Viviane Vidal Wagner, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado) e Rafael Vidal de Araújo, que rejeitaram a proposta Fl. 2805DF CARF MF Processo nº 19515.001227/200602 Acórdão n.º 9101004.101 CSRFT1 Fl. 2.806 3 de diligência. Votaram pelas conclusões os conselheiros Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra. Transcrevo o relatório contido na referida resolução, por bem sintetizar os fatos constantes dos presentes autos: Segundo o voto condutor do acórdão recorrido, tendo em conta que o sujeito passivo foi cientificado dos créditos constituídos nos presentes autos em 26/06/2006, os lançamentos relativos ao IRPJ e à CSLL correspondentes aos fatos geradores ocorridos no primeiro trimestre de 2001 estavam decaídos, bem como os lançamentos relativos ao PIS/PASEP e à COFINS correspondentes aos fatos geradores ocorridos entre os meses de janeiro e maio de 2001. Movimentação para a PGFN em 05/04/2010, à efl. 2.441. Recurso Especial interposto em 15/04/2010, à efl. 2.442. Nessa oportunidade, suscitouse divergência em relação ao acórdão nº 203120257, cuja ementa destaca que, "por ter natureza tributária, na hipótese de pagamento antecipado, aplicase ao PIS a regra de decadência do artigo 173, I, do CTN." No mérito, salientouse o entendimento do Superior Tribunal de Justiça noticiado no Informe nº 250, de acordo com o qual a contagem do prazo de decadência se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, na forma do artigo 173, inciso I, do CTN, nos casos de falta de pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação ou quando há prova de dolo, fraude ou simulação. Ao final, requereuse o conhecimento do apelo a esta instância para, ao cabo, ser provido, afastandose a decadência reconhecida pela Turma a quo. O contribuinte opôs Embargos de Declaração, que foram rejeitados, à efl. 2.580. Ciência do Despacho que rejeitou os Embargos de Declaração no dia 03/06/2015, à efl. 2.613. Contrarrazões apresentadas no dia 30/06/2015, à efl. 2.615. Em cumprimento ao determinado na diligência determinada pela Resolução nº 9101000.061, a unidade de origem apresentou a seguinte "informação fiscal": Tendo em vista a Resolução nº 9101000.061 de 07 de junho de 2018 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), que converteu o presente julgamento do processo nº 19515.001227/200602 em diligência, informase o seguinte: Após as consultas nos sistemas internos da Receita Federal do Brasil (RFB), foi verificado nos 1º e 2º Trimestre do ano de 2001 a existência de débitos apurados e recolhidos de PIS e COFINS nos seguintes valores (R$) a seguir: Fl. 2806DF CARF MF Processo nº 19515.001227/200602 Acórdão n.º 9101004.101 CSRFT1 Fl. 2.807 4 Para confirmar a autenticidade dos pagamentos acima, foi anexado às fls. 2.772/2.796, os comprovantes de pagamentos extraídos dos sistemas internos da RFB. As DCTF´S do 1º e 2º trimestre de 2001 do contribuinte acima foram anexadas às fls. 2.756/2.771. Conforme determinado pelo CARF, a presente informação fiscal será encaminhada ao contribuinte em epígrafe para, querendo, apresentar manifestação no prazo de 30 (trinta dias) da data da ciência. Posteriormente, o presente processo será encaminhado ao CARF para prosseguimento do julgamento. Cientificado da intimação de efls.2798, conforme termo de efls.2800, o contribuinte não se manifestou. Retornados os autos ao CARF, foram sorteados a esta conselheira, uma vez que o relator original deixou de compor o colegiado. É o relatório. Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner Relatora Assim como o relator originário, adoto o despacho de admissibilidade às efls. 2.378 e seguintes para conhecer do recurso especial de divergência da Fazenda Nacional e não conheço das contrarrazões apresentadas intempestivamente pelo contribuinte. Tratase de acusação de prática de omissão de rendimentos tributáveis, auferidos entre os meses de janeiro de 2001 e dezembro de 2004, através de depósitos bancários de origem não comprovada. Considerando que o lançamento ocorreu em 26/06/2006, o acórdão recorrido reconheceu a ocorrência de decadência para o Fisco constituir os créditos tributários de IRPJ e da CSLL, relativamente ao fato gerador ocorrido no primeiro trimestre de 2001, por se tratar de contribuinte submetido à apuração trimestral, e de PIS/PASEP e COFINS, relativamente aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e maio de 2001, por se tratar de apuração mensal. Logo, a lide referese à fixação do começo da contagem do prazo decadencial, considerando: a) fatos geradores trimestrais, para o IRPJ e a CSLL; e b) fatos geradores mensais, para o PIS/PASEP e a COFINS. Destaco, de início, que o Superior Tribunal de Justiça apreciou a matéria correspondente ao começo da contagem do prazo de extinção do direito potestativo da Administração Tributária para constituir, mediante lançamento, créditos tributários referentes a tributos sujeitos a lançamento por homologação, como se pode ver na ementa no acórdão do REsp nº 973.733: Fl. 2807DF CARF MF Processo nº 19515.001227/200602 Acórdão n.º 9101004.101 CSRFT1 Fl. 2.808 5 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). (STJ REsp: 973733 SC 2007/01769940, Relator: Ministro LUIZ FUX, Data de Julgamento: 12/08/2009, S1 PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: > DJe 18/09/2009) Este colegiado encontrase obrigado à observância da interpretação da lei proferida pelo Poder Judiciário, nos casos de julgamentos submetidos à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 543C do Código de Processo Civil de 1973, conforme estabelece o art. 63, §2º, do RICARF Anexo II. À luz do entendimento do STJ manifestado nesse julgamento, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, e, ainda, inexistindo declaração prévia do débito. São tributos sujeitos a lançamento por homologação, nos termos do art. 150 do CTN, o IRPJ, a CSLL, o PIS/PASEP e a COFINS exigidos nos presentes autos. Assim, compete ao julgador estabelecer, no caso concreto e consoante a definição do STJ, se estariam sujeitos ao prazo decadencial previsto no §4º do art. 150 ou no art. 173, inciso I, ambos do CTN. A desqualificação da multa de ofício tornouse definitiva pela ausência de recurso da PGFN, logo, no presente caso, não há prova de fraude, dolo ou simulação. Em relação ao IRPJ e a CSLL, o recorrido declarou, em DIPJ/2002, que apurou prejuízo fiscal e base de cálculo negativa de CSLL, no primeiro trimestre do ano calendário de 2001. Assim, como não havia pagamento, tampouco declaração prévia constitutiva do débito, efetuandose a contagem pelo prazo do art. 173, I, do CTN, verificase que o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento Fl. 2808DF CARF MF Processo nº 19515.001227/200602 Acórdão n.º 9101004.101 CSRFT1 Fl. 2.809 6 é 01/01/2002. Contados 5 (cinco) anos, extinguiuse o direito em 01/01/2007. Como o lançamento foi realizado em 26/06/2006, não há que se falar em decadência para efeito de constituição do IRPJ e da CSLL referentes ao primeiro trimestre de 2001. Nesse caso, como o reconhecimento da decadência pelo acórdão recorrido foi parcial, inexiste a necessidade de retorno dos autos, pois todas as demais matérias foram apreciadas naquela oportunidade. Quanto ao PIS/PASEP e COFINS, ao apreciar o caso anteriormente, esta 1ª Turma da CSRF converteu o julgamento em diligência para que, relativamente aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e maio de 2001, a delegacia de origem se manifestasse e comprovasse "a existência ou inexistência de pagamento e de confissão de dívida, efetuada mediante a entrega de DCTF ou de qualquer outro instrumento apto, referente ao PIS/PASEP e à COFINS correspondentes aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e maio de 2001". Em resposta a referida diligência (efls. ), manifestouse a unidade de origem precisamente sobre a existência de pagamentos de PIS e COFINS no período de interesse, atestando que "após as consultas nos sistemas internos da Receita Federal do Brasil (RFB), foi verificado nos 1º e 2º Trimestre do ano de 2001 a existência de débitos apurados e recolhidos de PIS e COFINS". Assim, a teor da jurisprudência do STJ, atraise a regra prevista no art. 150, §4º, do CTN. Tendo sido o lançamento efetuado mais de 5 anos (junho de 2006) após o fato gerador mensal das referidas contribuições ocorrido nos meses de janeiro a maio de 2001, é forçoso reconhecer a decadência do lançamento do PIS/PASEP e da COFINS referentes a esse período, como fez o acórdão recorrido. Nessa parte, então, não merece provimento o recurso fazendário. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido conhecer e dar parcial provimento ao recurso da Fazenda Nacional para afastar a decadência no tocante ao IRPJ e à CSLL do primeiro trimestre de 2001. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 2809DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.729439/2015-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 31/10/2011 a 31/12/2011
PESSOA JURÍDICA OPTANTE PELO LUCRO REAL. CONFIGURAÇÃO DE HIPÓTESE DE ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. CONTABILIZAÇÃO DE CUSTOS FICTÍCIOS. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL PARA APURAÇÃO DO LUCRO REAL.
Sendo o contribuinte optante pela tributação pela sistemática do lucro real, deve apresentar à fiscalização, quando intimado, sua escrituração contábil, nos termos da legislação comercial, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Caso a escrituração contábil revele evidentes indícios de fraudes ou contenha vícios, erros ou deficiência que a tornem imprestável para determinar o lucro real, sujeita-se o contribuinte ao arbitramento do lucro, nos termos do artigo 530, inciso II, do Decreto nº 3.000/1999.
SÚMULA CARF nº 2.
Este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 1301-003.824
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares arguidas, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 31/10/2011 a 31/12/2011 PESSOA JURÍDICA OPTANTE PELO LUCRO REAL. CONFIGURAÇÃO DE HIPÓTESE DE ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. CONTABILIZAÇÃO DE CUSTOS FICTÍCIOS. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL PARA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. Sendo o contribuinte optante pela tributação pela sistemática do lucro real, deve apresentar à fiscalização, quando intimado, sua escrituração contábil, nos termos da legislação comercial, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Caso a escrituração contábil revele evidentes indícios de fraudes ou contenha vícios, erros ou deficiência que a tornem imprestável para determinar o lucro real, sujeita-se o contribuinte ao arbitramento do lucro, nos termos do artigo 530, inciso II, do Decreto nº 3.000/1999. SÚMULA CARF nº 2. Este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme súmula CARF nº 2.
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CONFIGURAÇÃO DE HIPÓTESE DE ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. CONTABILIZAÇÃO DE CUSTOS FICTÍCIOS. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL PARA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. Sendo o contribuinte optante pela tributação pela sistemática do lucro real, deve apresentar à fiscalização, quando intimado, sua escrituração contábil, nos termos da legislação comercial, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Caso a escrituração contábil revele evidentes indícios de fraudes ou contenha vícios, erros ou deficiência que a tornem imprestável para determinar o lucro real, sujeitase o contribuinte ao arbitramento do lucro, nos termos do artigo 530, inciso II, do Decreto nº 3.000/1999. SÚMULA CARF nº 2. Este Conselho não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar as preliminares arguidas, e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 94 39 /2 01 5- 32 Fl. 1802DF CARF MF Processo nº 12448.729439/201532 Acórdão n.º 1301003.824 S1C3T1 Fl. 1.803 2 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 1803DF CARF MF Processo nº 12448.729439/201532 Acórdão n.º 1301003.824 S1C3T1 Fl. 1.804 3 Relatório LUBRU CONSTRUÇÕES LTDA, já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 6a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) DRJ/FNS (fls. 1.691 e ss), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, e manteve integralmente o crédito tributário de IRPJ. CSLL PIS e COFINS, referente ao 4º trimestre do anocalendário de 2011, com base no lucro real trimestral no valor de R$1.861.423,85, com juros de mora e multa de ofício de 75%. Do Lançamento Nos termos do relatório do acórdão recorrido, bem como do TVF de fls. 29 e ss, as razões do lançamento foram: Os lançamentos de IRPJ e CSLL ocorreram, conforme relatado pela autoridade lançadora, porque, durante o procedimento fiscal realizado sobre a Autuada, apurouse a necessidade de efetuar o arbitramento do lucro relativo ao 4º trimestre do ano de 2011, com base no artigo 530, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999), visto que foi constatado que a escrituração mantida pela mesma era imprestável para determinação do Lucro Real. A conclusão do auditorfiscal autuante, de que a escrituração da Autuada era imprestável para a determinação do Lucro Real referente ao 4º trimestre do ano de 2011, está amparada, em síntese, na apuração de que esta registra os seguintes custos fictícios relacionados com a suposta compra de materiais dos fornecedores Alvamir Menezes Construções e Terraplenagem Ltda, Hastiserv Prestação de Serviços e Edificação Ltda ME, Estruturak 40 Serralheria e Comércio de Ferro Ltda e Vale do Sol Exportação de Produtos Minerais Ltda: Fl. 1804DF CARF MF Processo nº 12448.729439/201532 Acórdão n.º 1301003.824 S1C3T1 Fl. 1.805 4 Segundo a autoridade lançadora, os cheques e notas fiscais apresentados pela Autuada a fim de comprovar tais operações não podem ser aceitos como documentos de suporte hábeis e idôneos devido às seguintes razões: (...) 5. Essas despesas foram contabilizadas, simplificadamente, da seguinte forma: a 1º momento São feitos diversos adiantamentos de pagamentos, debitando a conta (ativo circulante) 11205003 (adiantamento de fornecedores) e creditando a conta bancos conta sintética 11102 (ativo circulante); b 2º momento Na entrega dos materiais, não comprovada por documentos hábeis e idôneos, credita a conta (ativo circulante) 11205003 (adiantamento de fornecedores), consolidando o pagamento de diversas notas fiscais e debita conta do respectivo fornecedor (passivo circulante) conta sintética 21101, demonstrado Fl. 1805DF CARF MF Processo nº 12448.729439/201532 Acórdão n.º 1301003.824 S1C3T1 Fl. 1.806 5 na tabela do item 4 (lançamentos a crédito), uma vez estarem nesses a clara vinculação as notas fiscais através do histórico; c 3º momento (final do mês) Credita a conta sintética 21101 do respectivo fornecedor (passivo circulante) e debita a conta redutora do passivo circulante custo das obras em andamento conta sintética 21202; d 4º momento (final do trimestre) Credita a conta redutora do passivo circulante custo das obras em andamento conta sintética 21202 e debita a conta de resultado (despesa) custo mercadorias/serviço vendido conta sintética 32301. 6. O contribuinte foi intimado através do Termo de Intimação n. 7 de 09/07/2015 a apresentar as cópias dos cheques utilizados na operação de adiantamento aos fornecedores. Contudo, somente foram apresentadas cópias de cheques relativas a depósitos bancários, nominados a terceiros, sem comprovação de vínculo com os fornecedores descritos na contabilidade. Junto às cópias dos cheques foi apresentado esclarecimento do seu representante legal, de que todos os adiantamentos foram efetuados em espécie, em contradição ao que foi contabilizado. IV DOS CUSTOS NÃO COMPROVADOS 7. Das notas fiscais emitidas por fornecedores e apresentadas pelo contribuinte para balizar as despesas contabilizadas, 4 (quatro) destes (fornecedores) não foram aceitos, conforme o descrito adiante: 7.1. Fornecedor ALVAMIR MENEZES CONSTRUÇÕES E TERRAPLENAGEM LTDA. CNPJ 04.599.215/000121, com endereço na Rua Alvaro Chuff, 301 Posse Nova Iguaçu/RJ teve contabilizado pagamentos referentes as notas fiscais n. 223 a 227; 231 a 234; 237 a 242; 246 a 250; 253 a 257; 261 a 268; 272 a 279; 283 a 289 e 292 a 299. Tendo em vista que o contribuinte, ora fiscalizado, não apresentou documentação hábil e idônea quanto à quitação destas notas fiscais foi emitido Termo de intimação em nome do fornecedor para apresentação do talonário fiscal, com as notas fiscais emitidas em 2011 e a respectiva autorização do mesmo, com Aviso de Recebimento AR, que foi devolvido pelos Correios por não ter sido encontrado o endereço retro citado, que é o mesmo cadastrado no CNPJ e que consta das referidas notas fiscais. Ainda na tentativa de se conseguir a comprovação destas despesas, se buscou contato com os sócios desta pessoa jurídica (relacionados abaixo), que estão cadastrados nos sistemas da Receita Federal, mas a correspondência retornou uma vez que nenhum deles foi localizado no endereço que informaram. 7.2. Fornecedor HASTISERV PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E EDIFICAÇÃO LTDA ME CNPJ 07.153035/000100, com endereço na Rua Santo Antônio, 236 loja B Centro São João de Meriti/RJ teve contabilizado pagamentos referentes as notas fiscais n. 52 a 56; 58 a 65; 67; 68; 70; 76; 80 a 87; 90 a 116; 119 a 131; 134 a 150. Tendo em vista que o contribuinte, ora fiscalizado, não apresentou documentação hábil e idônea quanto à quitação destas notas fiscais foi emitido Termo de intimação em nome do fornecedor para apresentação do talonário fiscal, com as notas fiscais emitidas em 2011 e a respectiva autorização do mesmo, com Aviso de Recebimento AR, que foi devolvido pelos Correios por não ter sido Fl. 1806DF CARF MF Processo nº 12448.729439/201532 Acórdão n.º 1301003.824 S1C3T1 Fl. 1.807 6 encontrado o endereço retro citado, que é o mesmo cadastrado no CNPJ e que consta das referidas notas fiscais. Ainda na tentativa de se conseguir a comprovação destas despesas, se buscou contato com os sócios desta pessoa jurídica (relacionados abaixo), que estão cadastrados nos sistemas da Receita Federal, mas a correspondência retornou uma vez que nenhum deles foi localizado no endereço que informaram. 7.3. Fornecedor ESTRUTURAK 40 SERRALHERIA E COMÉRCIO DE FERRO LTDA CNPJ 07.699.230/000130, com endereço na Rua Alziro Zarur, 51 loja Vila Meriti . Tendo em vista que o contribuinte, ora fiscalizado, não apresentou documentação hábil e idônea quanto à quitação destas notas fiscais foi emitido Termo de intimação em nome do fornecedor para apresentação do talonário fiscal, com as notas fiscais emitidas em 2011 e a respectiva autorização do mesmo, com Aviso de Recebimento AR, que foi devolvido pelos Correios por não ter sido encontrado o endereço retro citado, que é o mesmo cadastrado no CNPJ e que consta das referidas notas fiscais. Ainda na tentativa de se conseguir a comprovação destas despesas, se buscou contato com os sócios desta pessoa jurídica (relacionados abaixo), que estão cadastrados nos sistemas da Receita Federal, mas a correspondência retornou uma vez que nenhum deles foi localizado no endereço que informaram. 7.4. Fornecedor VALE DO SOL EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS MINERAIS LTDA. CNPJ 73.622.862/000120, com endereço na Rua Professor Cirene Moares Costa, 740 Japeri/RJ teve contabilizado pagamentos referentes as notas fiscais n298 a 304; 309 a 314; 317 a 321; 325 a 331; 335 a 339; 342 a 347; 351 a 356; 361 a 365; 368 a 373; 377 a 380; 382 a 386. Tendo em vista que o contribuinte, ora fiscalizado, não apresentou documentação hábil e idônea quanto à quitação destas notas fiscais foi emitido Termo de intimação em nome do fornecedor para apresentação do talonário fiscal, com as notas fiscais emitidas em 2011 e a respectiva autorização do mesmo, com Aviso de Recebimento AR, que foi devolvido pelos Correios por não ter sido encontrado o endereço retro citado, que é o mesmo cadastrado no CNPJ e que consta das referidas notas fiscais. Ainda na tentativa de se conseguir a comprovação destas despesas, se buscou contato com os sócios desta pessoa jurídica (relacionados abaixo), que estão cadastrados nos sistemas da Fl. 1807DF CARF MF Processo nº 12448.729439/201532 Acórdão n.º 1301003.824 S1C3T1 Fl. 1.808 7 Receita Federal, mas a correspondência retornou uma vez que nenhum deles foi localizado no endereço que informaram. 8. Com base no descrito e ainda, corroborado pelo fato desses fornecedores não possuírem declarações referente ao IRPJ, previdenciárias (GFIP) e trabalhistas (RAIS) para o ano em questão, e tendo sido constatado que os beneficiários dos pagamentos não foram de fato aqueles que figuram na documentação comercial e fiscal do contribuinte. Resta indiscutível o caráter fictício dos respectivos custos deduzidos que, destarte, correspondem a Pagamento Sem causa/Operação Não Comprovada, indedutíveis nos termos dos art 299, 300 e 304 do RIR/1999 e art. 13 (caput) da Lei 9.249/95, com relação a CSLL. V DO ARBITRAMENTO 9. Tendo em vista que o contribuinte não logrou comprovar R$ 9.237.477,10 (nove milhões duzentos e trinta e sete mil, quatrocentos e setenta e sete reais e dez centavos) dos custos referentes ao 4º Trimestre, o que corresponde a mais de 60% (sessenta por cento) do período, impossibilitando, portanto, averiguar se estão presentes os requisitos de necessidade, usualidade e normalidade desses dispêndios, com fulcro no artigo 299 do RIR/1999, autoriza esta autoridade fiscal arbitrar o lucro da pessoa jurídica desse período, com base nas receitas mensais conhecidas, a fim de se apurar o IRPJ e, como foi alterada a forma de apuração, de forma reflexa a CSLL, COFINS e PIS, sendo considerados os valores oferecidos em DCTF pelo contribuinte. (...) Os lançamentos de Cofins e de PIS/Pasep, por suas vezes, ocorreram, segundo a autoridade fiscal, com base nas receitas conhecidas e devido a apuração de que ocorreu falta/insuficiência de recolhimento. O auditorfiscal autuante ressalta, ainda, no seu Termo de Verificação Fiscal, que foram compensados nos lançamentos os valores declarados nas DCTF's da Autuada relativas aos meses 10/2011, 11/2011 e 12/2011, a título de IRPJ devido, IRRF devido, CSLL devida, Cofins devida e PIS/Pasep devido. Da Impugnação Nos termos da decisão da DRJ, segue o relato da Impugnação, de fls. 258 e ss, que aduziu os seguintes argumentos: Diz que atua no ramo da construção civil. Afirma que não concorda com a autuação, tendo em vista que não foi oportunizada "a apresentação de toda a documentação de que dispõe para comprovação das operações, o que o faz nessa oportunidade", e pelo fato da autoridade lançadora não ter considerado "como erro material / de fato, a escrituração do 4o trimestre, o que Fl. 1808DF CARF MF Processo nº 12448.729439/201532 Acórdão n.º 1301003.824 S1C3T1 Fl. 1.809 8 permitiria sua retificação, evitandose lançamento baseado em informações errôneas". Cita ementas de julgados da Primeira Câmara do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes (Acórdãos 10194.116 e 10194.497) onde restou asseverado o seguinte: (...) Afora as hipóteses de expressa dispensa do MPF, é inválido o lançamento de crédito tributário formalizado por agente do Fisco relativo a tributo não indicado no MPFF, bem assim cujas irregularidades apuradas não repousam nos mesmos elementos de prova que serviram de base a lançamentos de tributo expressamente indicado no mandado. (...) Diz que o lançamento de IRRF foi efetuado com base em elemento de prova diverso dos lançamentos de IRPJ e reflexos, já que o primeiro ocorreu com supedâneo na apuração de pagamento sem causa ou operações não comprovadas, enquanto que os últimos ocorreram com base na apuração de que a escrituração da empresa, no 4o trimestre de 2011, se revelou imprestável para determinação do lucro real, já que não foram comprovados, por documentação hábil e idônea, mais de 60% dos custos dos serviços vendidos. Alega que ocorreu flagrante vício de procedimento, visto que a autoridade fiscal promoveu o lançamento de diversos tributos que não haviam sido especificados no mandado de procedimento fiscal (MPF). Diz que ocorreu violação aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, pois a autoridade fiscal se limitou a buscar provas para amparar suas conclusões, sem dar oportunidade para que pudesse produzir prova que demonstrasse "cabalmente a utilidade/necessidade das mercadorias/despesas analisadas pelo fiscal, e o erro material/de fato verificado na escrituração da empresa, no 4o trimestre/2011". Aduz que os autos de infração se baseiam em indícios, pois a premissa da autoridade lançadora de que as notas fiscais não foram quitadas e de que não foi demonstrada a utilidade/necessidade das mercadorias, se baseia no fato dos fornecedores e seus sócios não terem sido localizados nos endereços informados à Receita Federal do Brasil. Afirma que a autoridade fiscal deveria ter permitido a produção das provas que são apresentadas juntamente com a presente impugnação. Diz que a autoridade lançadora não poderia ter amparado suas conclusões no fato dos fornecedores não terem sido localizados pelos Correios em 2015, até porque a operações de aquisição de mercadorias se deram em 2011, ou seja, a aproximadamente quatro anos antes. Frisa que, entre 2011 a 2015, os fornecedores podem ter deixado de operar no mercado ou simplesmente mudado de endereços sem comunicar a alteração junto a RFB. Ressalta que de uma gama de aproximadamente 600 fornecedores que constam nos seus cadastros, apenas quatro não responderam. Alega que a prova produzida pelo auditorfiscal autuante não autoriza a conclusão de que a mercadoria não foi quitada ou de que o custo revelado não se mostra necessário, usual e normal ao contribuinte. Assevera que não pode ocorrer transferência de responsabilidade pelo pagamento do tributo pelo mero fato das intimações feitas por via postal a fornecedores terem retornado com a informação de "endereço não encontrado". Aduz que o fato de não terem sido encontradas declarações referentes ao IRPJ, GFIP's e RAIS dos fornecedores para o ano de 2011 não tem o condão de Fl. 1809DF CARF MF Processo nº 12448.729439/201532 Acórdão n.º 1301003.824 S1C3T1 Fl. 1.810 9 fundamentar a sua tributação, pois não autoriza o Fisco a concluir que as operações com estes fornecedores não ocorreram. Frisa que o comprador de mercadoria não está obrigado a exigir do vendedor a prova de que efetuou declarações tributárias, previdenciárias e trabalhistas. Diz que a menção da não entrega de declarações pelos fornecedores confirma que os lançamentos ocorreram com base em indícios e presunções. Cita trechos de livros onde doutrinadores discorrem sobre os princípios do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório. Afirma que a autoridade lançadora não respeitou o direito mínimo de formulação de alegações e apresentação de documentos antes da decisão, que é previsto no inciso III do artigo 3º da Lei nº 9.784/1999, pois "intimou a empresa para apresentação apenas dos documentos úteis às suas conclusões, mas não à prova do direito que importava ao contribuinte". Assevera que o princípio da motivação das decisões previsto no inciso IX do artigo 93 da Constituição Federal deve ser observado também pelos órgãos administrativos. Afirma que "a Autoridade Administrativa também é obrigada a motivar todas as suas decisões, a fim de que não paire sobre as mesmas qualquer dúvida quanto a identificação dos dispositivos que a motivou". Frisa que no capítulo do Termo de Verificação Fiscal no qual a autoridade lançadora trata do arbitramento do lucro, é citado o artigo 299 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999) para justificar tal medida (arbitramento do lucro). Ressalta que o artigo 299 do Regulamento do Imposto de Renda não trata de autorização a arbitramento. Afirma que o "auto de infração" violou o direito do contribuinte, pois no capítulo específico ao arbitramento do lucro no Termo de Verificação Fiscal a autoridade fiscal deixou de mencionar dispositivo que autoriza sua prática. Diz que restou violado o princípio da motivação das decisões, já que foi retirada a possibilidade do contribuinte ter conhecimento do dispositivo no qual a autoridade fiscal fundamentou a realização de arbitramento do lucro. Frisa que as decisões devem ser fundamentadas para que o contribuinte possa conhecer os fatos de que deve se defender. Diz que a autoridade lançadora violou também a Lei nº 9.784/1999, já que o seu artigo 2º, parágrafo único, inciso VII, determina que os pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão em processo administrativo devem ser indicados, e que o seu artigo 50, §1º, determina que os atos administrativos enumerados nos incisos deste artigo devem ser motivados. Frisa que, logo que foi cientificada através de seu contador responsável, do teor da fiscalização, "contratou auditoria externa para verificação da declaração e documentos contábeis apresentados à RFB, referente ao ano de 2011". Diz que "tal providência revelou ao contribuinte a existência de erro material relativamente a contabilidade do 4º trimestre/2011, no documento relacionado ao razão de adiantamento a fornecedores e razão de caixa". Ressalta que a auditoria externa também revelou que é credora de IRPJ pago indevidamente em trimestre diverso do auto de infração hostilizado. Afirma que retificou sua declaração para apresentar à autoridade lançadora em 26/11/2015 e que os artigos 269, §2º, e 833 do RIR autorizam tal retificação durante a fiscalização. Assevera que na referida declaração retificadora promoveu "ajuste nas informações constantes no Razão de Adiantamento à Fornecedores e Razão de Caixa, bem como a novas apurações de IRPJ e CSLL". Aduz que por meio dos Livros Razão retificados "é possível verificar que todos os cheques, a que o Fiscal Autuante se refere, no Termo de Verificação Fiscal, como Fl. 1810DF CARF MF Processo nº 12448.729439/201532 Acórdão n.º 1301003.824 S1C3T1 Fl. 1.811 10 relacionados a depósitos bancários, compõem o Caixa, a partir do qual é feito o Adiantamento à Fornecedores". Frisa que tem como contratante dos seus serviços a Administração Pública. Relata que no 4º trimestre/2011 iniciou a execução de dois contratos públicos, que só foram finalizados no ano de 2013, sendo um para a construção de Cadeia Pública, em São Gonçalo, no valor de R$ 26.053.438,61 e outro para execução de obra de saneamento em Queimados, no valor de R$ 25.746.317,25. Assevera que "firmou contrato de garantia de preço e fornecimento de mercadoria com determinadas empresas, tão logo tomou conhecimento do resultado da licitação (divulgação da ata correspondente), por já saber o material a ser empregado na obra, diante das informações constantes do edital de licitação". Diz que "a utilidade do contrato de garantia de preço e fornecimento de mercadoria é dar segurança ao contratante de que terá o material, quando necessário, fornecido pelo valor ajustado, por já conhecer os custos do contrato, de acordo com projeto divulgado com o edital". Aduz que devido a esses contratos de garantia, surgiu a necessidade de compor o caixa da empresa. Afirma que, "por meio dos cheques, sacava o dinheiro, contabilmente retirando o mesmo do Razão Bancos, ingressando com os valores no Razão de Caixa, e posteriormente em Razão de Adiantamento à Fornecedores". Assevera que a declaração analisada pela autoridade lançadora realmente continha cheques apropriados indevidamente no Razão de Caixa ou em outras contas, mas diz que tais equívocos foram retificados "depois de análise procedida por auditoria externa contratada pelo contribuinte". Ressalta que a informação original realmente não propiciava à autoridade lançadora clareza no entendimento do "ADIANTAMENTO À FORNECEDORES". Diz que, "conforme comprovação documental, possuía seu nome incluído em cadastros de inadimplentes, em razão de protestos" e "também não gozava de credibilidade no mercado para efetuar compras parceladas, ou a serem faturadas, para pagamento posterior". Assevera que "o único mecanismo que viu como possível, a fim de viabilizar a execução das obras de que foi vencedora nos certames, foi ingressar com o dinheiro no CAIXA, e efetuar o pagamento em espécie, procedimento que viabilizou, inclusive, a obtenção de melhores preços de compra". Diz que esse procedimento é verificado em outras operações da empresa, por força da sua necessidade e da dinâmica das atividades que desenvolve. Alega que a autoridade lançadora, em relação às operações com o fornecedores Alvamir, Vale do Sol, Hastiserv e Estruturak, deveria ter tido o mesmo entendimento que teve em relação às operações com o fornecedor Terena, já que todas as operações tiveram a mesma dinâmica. Afirma que, para ilustrar a dinâmica das operações, apresenta, juntamente com a impugnação, os seguintes documentos relativos às empresas anteriormente citadas: "edital de licitação; resultado do certame; contrato firmado com a administração pública (obras de São Gonçalo, Queimados, Manutenção Secretaria de Saúde); pedido de compra da mercadoria formulado pelo setor responsável (por amostragem); ordem de compra (por amostragem); R.D.O. (por amostragem); contrato firmado com as empresas fornecedoras; projeto das obras; centro de custo das obras; contabilização das mercadorias (Livros de registro de entrada ICMS); aceite do contratante; comprovante de protesto (negativação do nome da empresa); cadastro de fornecedores do ano de 2011; Recibo de entrega da Retificadora em 26/11/2015; DIPJ retificada em 26/11/2015; Razão de caixa / adiantamento a fornecedores / centros de custos / centros de custos específicos / Banco". Afirma que o "erro material/de fato constante da Declaração efetuada pelo contribuinte" não poderia ser considerado pela autoridade fiscal, pois acarreta em Fl. 1811DF CARF MF Processo nº 12448.729439/201532 Acórdão n.º 1301003.824 S1C3T1 Fl. 1.812 11 lançamento fundado em fatos que não representam a realidade. Diz que a autuação se baseou "em informações que continham erro material, corrigidos por meio da Declaração Retificadora, apresentada no dia 26/11/2015". Aduz que referida retificadora corrigiu erros materiais de contabilização "que constavam do RAZÃO DE ADIANTAMENTO DE FORNECEDORES, RAZÃO DE CAIXA". Assevera que a referida retificadora corrigiu também casos em que despesas foram alocadas em centros de custos errados. Alega que, com a retificação das informações, se esvazia "o argumento da autoridade fiscal, de que as operações não estavam lastreadas em documentação fiscal hábil e idônea, ou de que as cópias dos cheques apresentadas somente se referiam a depósitos bancários, nominados a terceiros, sem comprovação de vínculo com os fornecedores". Frisa que o §1º do artigo 147 do CTN permite a retificação da declaração na hipótese nele prevista. Diz que promoveu a retificação da declaração, para corrigir erro constatado, antes da intimação do lançamento. Afirma que, "por meio da Declaração Retificadora apresentada antes da ciência do lançamento de ofício, promovido por meio do Auto de Infração impugnado, pretendeu a retificação dos LivrosRazão, a fim de corrigir informações neles constantes que não refletiam com exatidão e detalhes as operações realizadas pelo contribuinte, no que toca a autuação". Ressalta que o inciso III do artigo 145 do CTN permite que seja promovida a alteração do lançamento de ofício pela autoridade fiscal. Frisa que o inciso VIII do artigo 149 do CTN preceitua que cabe revisão de ofício do lançamento "quando deve ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior". Diz que a autoridade fiscal deveria ter levado em conta, nos lançamentos, a declaração retificadora apresentada em 26/11/2015. Cita trecho do voto vencedor prolatado em julgamento do STJ (REsp nº 1.133.027/SP) onde é asseverado que "o contribuinte tem o direito de retificar e ver retificada pelo Fisco a informação fornecida com erro de fato, quando dessa retificação resultar a redução do tributo devido". Cita trecho da ementa do Parecer Cosit nº 38, de 12 de setembro de 2003, onde é asseverado que "inexiste prazo para que a autoridade administrativa reveja de ofício o lançamento ou retifique de ofício a declaração do sujeito passivo a fim de eximilo total ou parcialmente de crédito tributário não extinto". Cita trecho da ementa da Solução de Consulta nº 146, 28 de novembro de 2006, onde é asseverado que "em obediência ao princípio da verdade material, cabe a retificação de débitos inscritos em Dívida Ativa da União quando o sujeito passivo apresentar prova inequívoca de ocorrência de erro, nos termos do art. 147 do CTN", e que "inexiste prazo para que a autoridade administrativa reveja de ofício o lançamento ou retifique de ofício a declaração do sujeito passivo a fim de eximilo total ou parcialmente do crédito tributário não extinto". Cita trechos de artigo de Hugo de Brito Machado (Confissão Irretratável de Dívida Tributários nos Pedidos de Parcelamento. RDDT n. 145, out/07, p. 47) onde este defende que a confissão pode ser revogada se houve erro quanto a fato confessado e que o verdadeiro deve prevalecer sobre o confessado. Cita julgado do STJ (AgRg no Ag 1.422.444AL) no sentido de que o erro de fato autoriza a revisão do lançamento do tributo, de acordo com o artigo 149, inciso VIII, do Código Tributário Nacional. Diz que o STJ, ao julgar o REsp 1.130.545/RJ, decidiu que é cabível, "no caso de retificação de dados (declaração), a revisão do lançamento, mesmo após a constituição do crédito tributário". Fl. 1812DF CARF MF Processo nº 12448.729439/201532 Acórdão n.º 1301003.824 S1C3T1 Fl. 1.813 12 Aduz que "o arbitramento do lucro para fins de tributação do contribuinte ao pagamento de IRPJ, e de forma reflexa, da CSLL, COFINS e PIS/PASEP, não há como subsistir". Ressalta que "o fato do representante legal da empresa prestar esclarecimento em contradição com o que consta da escrituração (que os adiantamentos foram feitos em espécie), justifica a retificadora apresentada em 26/11/2015, por meio da qual foi corrigido o erro material/de fato constatado pelo fiscal". Frisa que "o erro material/de fato não torna, de maneira alguma, imprestável a escrituração, como pretende a Autoridade fiscal". Aduz que notas fiscais são documentos hábeis para a comprovação de despesas e consequente dedução da base de cálculo do IRPJ. Diz que "o documento contábil retificado e apresentado em 26/11/2015, que corrige erro material/de fato, registra a operação de maneira correta, a impedir o lançamento". Aduz que "as despesas lastreadas pelas notas fiscais desprezadas pelo fiscal traduzem necessidade, usualidade e normalidade, elementos capazes de gerar a dedução autorizada pelo RIR/99, na forma do artigo 299". Alega que a resposta a pergunta 294 do Perguntas e Respostas da DIPJ relativa ao exercício 2002 (anocalendário 2001), que era disponibilizada no site da Receita Federal, deixava claro que "as despesas, cujos pagamentos sejam efetuados à pessoa jurídica, deverão ser comprovadas por Nota Fiscal ou Cupom emitidos por equipamentos ECF Emissor de Cupom Fiscal, observados os seguintes requisitos, em relação à pessoa jurídica compradora: sua identificação, mediante indicação de seu CNPJ; descrição dos bens ou serviços, objeto da operação; a data e o valor da operação (Lei nº 9.532/1997, art. 61, § 1º e 81, II)". Diz que "no caso sob exame, conforme se demonstrou, a dinâmica da empresa exige saque de espécie no BANCO, para compor CAIXA, e efetuar pagamento de fornecedores". Afirma que, "assim, os cheques, são nominativos a funcionários da empresa, que trabalhavam no setor financeiro da mesma". Alega que "contabilização simplificada não significa imprestabilidade da mesma, a justificar o arbitramento do lucro". Alega que a justificativa utilizada pela autoridade lançadora para efetuar arbitramento, ou seja, a contabilização das despesas de maneira simplificada e a não comprovação da necessidade e usualidade das mesmas, não está prevista nas hipóteses relacionadas no artigo 530 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999). Afirma que não incorreu em nenhuma das hipóteses previstas no artigo 530 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999). Frisa que o procedimento adotado pela autoridade lançadora revela verdadeiro contrassenso, pois entendeu que a escrituração da Autuada foi efetuada segundo a boa técnica contábil nos três primeiros trimestres de 2011 e que somente a contabilidade do quarto trimestre estava eivada de vícios. Alega que a autoridade fiscal deveria ter apresentado o motivo pelo qual desconsiderou a contabilidade, já que a modificação da forma de tributação é ato vinculado que exige motivação. Frisa que apresentou declaração retificadora antes da ciência da autuação e que esta não prejudica os interesses do Fisco. Ressalta que o princípio da legalidade "retira do intérprete, por integração analógica, a possibilidade de encontrar tipos implícitos, flexíveis, comandos ocultos ou situações semelhantes para criar imposições ou alterar a subsunção do fato a norma". Lembra que o parágrafo único do artigo 142 do CTN preceitua que "a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional". Fl. 1813DF CARF MF Processo nº 12448.729439/201532 Acórdão n.º 1301003.824 S1C3T1 Fl. 1.814 13 Afirma que o arbitramento não pode ser realizado com base em presunções e indícios, mas somente com base em provas. Alega que a autoridade lançadora "não conseguiu demonstrar de maneira contundente a imprestabilidade da escrituração". Diz que o artigo 112 do CTN veda o lançamento com base em indícios. Aduz que a autoridade lançadora deveria ter observado que cumpriu todas as intimações, prestou os devidos esclarecimentos e que agiu de boafé. Frisa que o fato gerador do Imposto de Renda é a "'aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza', e não a falta de comprovação dos custos". Diz que o procedimento adotado pela autoridade lançadora resultou em autuação em valores elevados, incompatíveis com suas transações, e que já havia efetuado pagamento do imposto. Alega que a autoridade lançadora efetuou o arbitramento do lucro com arrimo na conveniência e oportunidade, sem demonstrar por meio de provas robustas a ausência de comprovação dos custos. Assevera que a autoridade lançadora não efetuou o arbitramento das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL de acordo com a legislação tributária. Afirma que a autoridade lançadora, ao arbitrar o lucro, parte do total da Receita, sem descontar aquela sobre a qual já havia sido pago IRPJ ou CSLL. Aduz que o valor indicado no Termo de Verificação Fiscal como custo desprezado não pode ser considerado como sendo o próprio lucro arbitrado. Alega que as bases de cálculo utilizadas pela autoridade fiscal no lançamento de CSLL, Cofins e PIS/Pasep, não correspondem às definidas pela legislação. Diz que não concorda com a alteração da forma de tributação da CSLL, da Cofins e do PIS/Pasep. Frisa que o artigo 142 do CTN determina que a autoridade lançadora deve indicar na autuação a matéria tributável e o cálculo do montante do tributo devido. Afirma que o auto de infração lavrado não demonstra como a autoridade lançadora chegou ao valor do tributo devido em cada competência e nem se ocorreu compensação com eventuais valores de tributos já recolhidos. Assevera que se não ocorreu compensação dos valores de tributos já recolhidos, restou configurado bis in idem. Diz que a autoridade lançadora extrapola sua competência para tributar quando não compensa valores já recolhidos e quando, pelo mesmo fato, tributa a empresa em IRRF e IRPJ. Aduz que o IRRF e IRPJ possuem a mesma hipótese de incidência, pois ambos se prestam a tributar a renda. Cita ementa de julgado do CARF (Acórdão 10322287) onde restou asseverado que "mostrase contraditória a tributação, como pagamentos sem causa, de pagamentos inexistentes". Alega que, no caso em exame, a autoridade fiscal não pode cobrar IRRF. Ressalta que "quando o fisco despreza as notas fiscais que diminuíam a base de cálculo do IRPJ, na medida em que exprimiam despesas, faz com que essa base de cálculo seja aumentada pelos valores correspondentes". Afirma que "pagar IRPJ e IRRF pelo mesmo fato, sem que haja comprovação de distribuição dos valores a sócios ou terceiros, não é compatível com o sistema tributário vigente". que, ainda que houvesse prova da distribuição dos valores à sócios, a tributação exclusiva pelo IRPJ se revela suficiente e compatível com a lei que rege a matéria. Assevera que a multa de ofício de 75% além de ser excessiva, fere os princípios constitucionais do não confisco, da capacidade contributiva, do direito de propriedade, da proporcionalidade e da individualização das penas. Alega que a multa de ofício de 75% configura manifesta sanção política de caráter tributário, pois restringe o direito do contribuinte. Diz que a sanção política de caráter tributário é vedada pela doutrina e jurisprudência. Fl. 1814DF CARF MF Processo nº 12448.729439/201532 Acórdão n.º 1301003.824 S1C3T1 Fl. 1.815 14 Diz que a proibição das sanções políticas, apesar de não expressa na Constituição Federal, representa limitação geral ao poder de tributar imposta ao próprio legislador, fundada em princípios como o da proporcionalidade e proibição de excesso. Afirma que a proibição das sanções políticas relacionase aos "princípios fundamentais da propriedade e de liberdade, à garantia do livre exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, podendo a lei estabelecer tão somente exigência de qualificação profissional (art. 5º, inciso XIII, da CRFB), e à garantia do livre exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de autorização dos órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei (artigo 170, § un., da CRFB)". Assevera que "autorização dada pela jurisprudência" permite que a Administração reconheça a inconstitucionalidade de dispositivo legal. Frisa que a vedação ao confisco é regra que se direciona tanto ao tributo quanto às multas tributárias, sejam elas de mora, sejam punitivas. Aduz que o Regimento Interno do CARF, em seu artigo 62, admite o reconhecimento de inconstitucionalidade pela autoridade administrativa. Diz que o STF, ao julgar o "MCADIN 2.010", apreciou caso idêntico ao presente, de aplicação de multa em que há flagrante violação a proibição de excesso. Frisa que o artigo 23, inciso I, da Constituição Federal, autoriza à Administração Pública a guarda desta (Constituição Federal). Ressalta que o Parecer PGFN/CRJ nº 492/2010 dispensa a PGFN de apresentação de recursos, impugnação ou contestações em casos nos quais já haja decisão desfavorável à Fazenda, em hipótese de jurisprudência reiterada e pacífica do STF/STJ, precedente formado sob a sistemática dos artigos 543B e 543C do CPC (p. 27, item 91). Frisa que o STF reconheceu a existência de repercussão geral de Recurso Extraordinário (736.090/SC) que cuida "da multa com caráter confiscatório quando atenta contra o princípio constitucional do não confisco, da capacidade contributiva, da proporcionalidade, do direito de propriedade, e outras garantias". Diz que a aplicação de multa de ofício sobre o valor atualizado do débito tributário, como foi feita pela autoridade lançadora, deve ser afastada por questão de justiça tributária. Afirma que "o Supremo Tribunal Federal não tem se esquivado de considerar confiscatórias multas tributárias que superem 30% (trinta por cento) do tributo devido, nos casos de não recolhimento tempestivo". Diz que "a redução da multa punitiva para o percentual de 20% (vinte porcento) se mostra devida e compatível com a Constituição Federal". Requer, por fim, a anulação dos autos de infração. Sucessivamente, requer a exoneração de todo o "crédito tributário constituído em seu desfavor". Requer, ainda, "que as publicações sejam procedidas em nome do Dr. Vitor Iorio Arruzo, OAB/RJ 113.696, que possui escritório na Avenida Rio Branco, 156, sala 908, Centro, Rio de Janeiro, endereço no qual também recebe as notificações e intimações postais. Em julgamento realizado em 30 de novembro de 2017, a 6ª Turma da DRJ/FNS, considerou improcedente a impugnação do contribuinte e prolatou o acórdão 0741 036, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 Fl. 1815DF CARF MF Processo nº 12448.729439/201532 Acórdão n.º 1301003.824 S1C3T1 Fl. 1.816 15 PESSOA JURÍDICA OPTANTE PELO LUCRO REAL. CONFIGURAÇÃO DE HIPÓTESE DE ARBITRAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. CONTABILIZAÇÃO DE CUSTOS FICTÍCIOS. ESCRITURAÇÃO IMPRESTÁVEL PARA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. Sendo o contribuinte optante pela tributação pela sistemática do lucro real, deve apresentar à fiscalização, quando intimado, sua escrituração contábil, nos termos da legislação comercial, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Caso a escrituração contábil revele evidentes indícios de fraudes ou contenha vícios, erros ou deficiência que a tornem imprestável para determinar o lucro real, sujeitase o contribuinte ao arbitramento do lucro, nos termos do artigo 530, inciso II, do Decreto nº 3.000/1999. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2011 PESSOA JURÍDICA TRIBUTADA PELO LUCRO ARBITRADO. SUJEIÇÃO COMPULSÓRIA AO REGIME CUMULATIVO. A legislação da contribuição para o PIS/Pasep é expressa ao determinar que a pessoa jurídica tributada pelo imposto de renda com base no lucro arbitrado sujeitase compulsoriamente ao regime cumulativo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2011 PESSOA JURÍDICA TRIBUTADA PELO LUCRO ARBITRADO. SUJEIÇÃO COMPULSÓRIA AO REGIME CUMULATIVO. A legislação da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) é expressa ao determinar que a pessoa jurídica tributada pelo imposto de renda com base no lucro arbitrado sujeitase compulsoriamente ao regime cumulativo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 LANÇAMENTO DE TRIBUTO. MULTA DE OFÍCIO. Nos casos de lançamento de ofício deve ser aplicada a multa prevista no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 INDICAÇÃO DE TRIBUTOS COMO OBJETO DA FISCALIZAÇÃO NOS TERMOS FISCAIS. Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo contido no MPF/TDPF (Mandado de Procedimento Fiscal/Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal), também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos, estes serão Fl. 1816DF CARF MF Processo nº 12448.729439/201532 Acórdão n.º 1301003.824 S1C3T1 Fl. 1.817 16 considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa no MPF/TDPF. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. INTIMAÇÃO. ARTIGO 23 DO DECRETO Nº 70.235/1972. As intimações, em sede de processo administrativo fiscal federal, devem ser efetuadas conforme o prescrito no artigo 23 do Decreto nº 70.235/1972. LANÇAMENTO DECORRENTE. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS/PASEP e COFINS. Aplicase à tributação da CSLL, do PIS/Pasep e da Cofins, a solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Portanto, o decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos que com ele compartilham o mesmo fundamento factual e para os quais não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário A contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 1.738 e ss, onde reforça os argumentos já apresentados em sede de impugnação, atendose aos seguintes pontos: Das Preliminares Nulidade da decisão proferida em impugnação; Nulidade do A.I. MPF não autoriza a lavratura do AI; violação da ampla defesa e contraditório/Auto lavrado com base em indícios e presunções/ violação ao princípio da motivação das decisões; Do Mérito: Da inconsistência das alegações da autoridade administrativa; Da verdade dos fatos, da dinâmica da operação, do erro material apresentação de declaração retificadora antes da ciência da autuação, da inviabilidade de tributação pelo IRPJ e reflexos/comprovação dos custos; impossibilidade de adoção de critério de tributação pelo lucro arbitrado/violação da base de cálculo; inviabilidade de tributação dos reflexos CSLL, COFINS E PIS; bis in idem impossibilidade de cobrança de IRPJ e IRRF em concomitância; Fl. 1817DF CARF MF Processo nº 12448.729439/201532 Acórdão n.º 1301003.824 S1C3T1 Fl. 1.818 17 Do caráter confiscatório da multa; Recebi os autos, desta feita, por sorteio, em 20/11/2018. É o relatório. Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora A contribuinte foi autuada para o recolhimento de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, relativo ao anocalendário de 2011, com base no lucro real trimestral, totalizando o crédito tributário de R$1.861.423,85, incluindo multa de ofício de 75%, juros de mora. Ela foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/FNS e intimada ao recolhimento do débito em 20/12/2017 (AR às fls. 1.734), e apresentou em 04/01/2018, recursos voluntários e demais documentos, juntados às fls. 1737 e ss. Já que atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e tempestivo, deles conheço. A DRJ/FNS julgou a impugnação improcedente, mantendo o lançamento em sua integralidade. Contra essa decisão foi interposto recurso voluntário. Preliminares Da nulidade da decisão proferida em impugnação Alega o recorrente em sede de preliminar, nulidade da decisão recorrida, pois em seu entendimento não teve apreciado, na íntegra, suas teses e argumentos. Assim como o seu pedido de perícia não foi apreciado, causando violação ao direito de defesa. Da análise da decisão da DRJ, verifico que todos os pontos trazidos pelo contribuinte em sede de impugnação foram devidamente analisados, a decisão encontrase devidamente fundamentada. Não localizei pedido de realização de perícia em sua impugnação, trazendo a sua motivação, bem como os quesitos necessários nos termos da lei. Como destinatário final da perícia, compete ao julgador avaliar a prescindibilidade e viabilidade da produção da prova técnica, não tendo ela por finalidade suprir as deficiências probatórias das partes. Não demonstrada a necessidade de conhecimento técnico e especial para a produção de prova, a realização de exame pericial é dispensável. Assim, não vejo a nulidade alegada. Da nulidade MPF não autoriza a lavratura do AI Fl. 1818DF CARF MF Processo nº 12448.729439/201532 Acórdão n.º 1301003.824 S1C3T1 Fl. 1.819 18 Alega a recorrente que o lançamento fiscal descumpre escopo previsto no mandado. Já que o MPF fez referência a IRPJ de 2011, mas fora lançado também IRRF, PIS, COFINS e CSLL. E que no IRRF a autoridade justificou ter havido pagamento sem causa ou operações não comprovadas e no IRPJ considerou que a escrituração da empresa, no 4º trimestre de 2011 se mostrou imprestável para determinação do lucro real, já que não foram comprovadas, por documentação hábil e idônea, mais de 60% dos custos dos serviços vendidos, o que revelaria elemento de prova diverso. A DRJ assim se pronunciou: A Portaria RFB nº 3.014, de 29 de junho de 2011, que vigorou durante parte do período em que foi realizado o procedimento fiscal sobre a Autuada, ao tratar da indicação no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) dos tributos objeto do procedimento fiscal a ser executado, preceituava o seguinte: Portaria RFB nº 3.014, de 29 de junho de 2011 (Revogada pela Portaria RFB nº 1.687, de 17 de setembro de 2014) Art. 7º O MPFF, o MPFD e o MPFE conterão: (...) § 1º O MPFF e o MPFE indicarão, ainda, o tributo objeto do procedimento fiscal a ser executado, podendo ser fixado o respectivo período de apuração, bem como as verificações relativas à correspondência entre os valores declarados e os apurados na escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo, em relação aos tributos administrados pela RFB, podendo estas alcançar os fatos geradores relativos aos últimos cinco anos e os do período de execução do procedimento fiscal, observados os modelos constantes do respectivos Anexos I e II a esta Portaria. (...) Art. 8º Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo contido no MPFF ou no MPFE, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa no MPF. (...) Já a Portaria RFB nº 1.687, de 17 de setembro de 2014, que entrou em vigor a partir de 18 de setembro de 2014 (data de publicação no DOU), ao tratar da indicação no instrumento administrativo que sucedeu o MPF, o Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal (TDPF), dos tributos objeto do procedimento fiscal a ser executado, preceitua o seguinte: Portaria RFB nº 1.687, de 17 de setembro de 2014 (...) Art. 5º O Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal – TDPF conterá: (...) § 1º No caso do Procedimento de Fiscalização, o TDPF indicará, ainda, o tributo objeto do procedimento fiscal a ser executado e o respectivo período de apuração, bem como as verificações relativas à correspondência entre os valores declarados e os apurados na escrituração contábil e fiscal do sujeito passivo, em relação aos tributos Fl. 1819DF CARF MF Processo nº 12448.729439/201532 Acórdão n.º 1301003.824 S1C3T1 Fl. 1.820 19 administrados pela RFB, podendo alcançar os fatos geradores relativos aos últimos cinco anos e os do período de execução do procedimento fiscal. (...) Art. 8º Quando os procedimentos de fiscalização relativos a tributos objeto do TDPF identificarem infrações relativas a outros tributos, com base nos mesmos elementos de prova, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa no TDPF. (...) Art. 15. O controle administrativo dos procedimentos fiscais em andamento, efetuados com base em Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, de que trata a Portaria RFB nº 3.014, de 29 de junho de 2011, será efetuado por TDPF, que será emitido apenas se houver alteração, nos termos do art. 9º desta Portaria. §1º O TDPF emitido nos termos do caput deste artigo terá o mesmo número e código de acesso do MPF anteriormente emitido. §2º Ficam convalidados os procedimentos fiscais iniciados com base em MPF emitidos até a data de publicação desta Portaria. (...) Como se vê, quando os procedimentos de fiscalização relativos a tributo objeto do MPF/TDPF identificarem infrações relativas a outros tributos, com base nos mesmos elementos de prova, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa no MPF/TDPF. Verificase, portanto, que é totalmente improcedente a alegação de que os lançamentos relativos a CSLL, PIS/Pasep e Cofins não deveriam prosperar pelo fato de não terem sido indicados expressamente no Mandado de Procedimento Fiscal como objeto da ação fiscal. Isso por que, no presente caso, as infrações apuradas em relação ao IRPJ também configuram, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas da CSLL, do PIS/Pasep e da Cofins. No que tange à alegação de que o lançamento de IRRF foi efetuado com base em elemento de prova diverso dos lançamentos de IRPJ e de tributos reflexos, cumpre apenas frisar que a mesma é totalmente inócua no presente processo, visto que o mesmo trata apenas do lançamento de IRPJ, de CSLL, de PIS/Pasep e de Cofins, acrescidos de multa de ofício de 75% e juros. Cabe ressaltar, por fim, que mesmo que restasse configurado vício relativo ao Mandado de Procedimento Fiscal MPF, o que não ocorreu, tal fato não constituiria motivo suficiente para decretar a nulidade dos atos praticados pela autoridade fiscal no procedimento que deu origem às presentes autuações, porquanto o MPF era um mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais. As competências dos auditoresfiscais da Receita Federal do Brasil, posto que decorrentes de lei, não podiam sofrer limitações pelos atos infralegais que regulavam o MPF, até porque as atividades exercidas pelas autoridades fiscais são vinculadas e obrigatórias, sob pena de responsabilidade funcional. É que as normas que regulamentam a emissão de mandado de procedimento fiscal (MPF) dizem respeito ao controle interno das atividades da Receita Federal, portanto, eventuais vícios na sua emissão e execução não afetam a validade do lançamento, quando Fl. 1820DF CARF MF Processo nº 12448.729439/201532 Acórdão n.º 1301003.824 S1C3T1 Fl. 1.821 20 muito caracterizaria infração disciplinar da autoridade fiscal. Eventuais omissões ou incorreções afligindo o MPF não contaminam automaticamente a autuação pois a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, a teor do art. 142 do CTN. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, no pleno gozo de suas funções, detém competência exclusiva para o lançamento, não podendo se esquivar do cumprimento do seu dever funcional em função de portaria administrativa e em detrimento das determinações superiores estabelecidas no CTN. Da nulidade violação à ampla defesa e contraditório/auto lavrado com base em indícios e presunções/ violação ao princípio da motivação das decisões Alega o recorrente que não lhe foi oportunizado se defender, apresentar provas, e que a autuação se baseou em elementos infundados. A DRJ assim se decidiu: A alegação de que a autoridade fiscal não teria apresentado o motivo pelo qual desconsiderou a contabilidade da Autuada relativa ao 4º trimestre de 2011 não condiz com a realidade, porquanto da simples leitura do Termo de Verificação Fiscal podese depreender facilmente que o arbitramento do lucro foi efetuado com base no artigo 530, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, devido a apuração de que a referida escrituração revela vícios que a tornam imprestável para determinar o lucro real, já que contém a contabilização de custos fictícios que correspondem a mais de 60% dos custos escriturados no período. Diante do exposto, resta claro que não há que se falar na existência de qualquer vício que macule os autos de infração hostilizados no que tange a exposição do motivo pelo qual foi desconsiderada a contabilidade da Autuada para fins de apuração do Lucro Real. (...) As alegações no sentido de que a Autuada não teve oportunidade para, durante o procedimento de fiscalização, demonstrar que os lançamentos contábeis de supostas compras de materiais dos fornecedores Alvamir Menezes Construções e Terraplenagem Ltda, Hastiserv Prestação de Serviços e Edificação Ltda ME, Estruturak 40 Serralheria e Comércio de Ferro Ltda e Vale do Sol Exportação de Produtos Minerais Ltda, não representam custos fictícios, não condizem com a realidade, já que aquela (Autuada), conforme demonstrado pelos Termos de Intimação Fiscal constantes nos autos, foi intimada tanto para apresentar documentos que comprovem o efetivo recebimento das mercadorias discriminadas nas notas fiscais emitidas pelos referidos "fornecedores", como para apresentar cópias dos cheques que segundo a própria contabilidade da Autuada teriam sido utilizados para pagar tais fornecedores. Cabe ressaltar, porém, que mesmo que a autoridade fiscal não tivesse dado essa oportunidade, não haveria de se falar na existência de vício que macule os autos de infração hostilizados, pois o procedimento de fiscalização tem natureza inquisitória e que a observância da ampla defesa e do contraditório é obrigatória somente após a intimação a respeito da lavratura do lançamento tributário. O auto de infração foi lavrado baseado em custos sem comprovação, nos termos do art. 299, 300 e 304 do RIR/99, conforme se verifica do auto de infração e do termo de verificação fiscal. Quanto ao arbitramento, também já falou a DRJ: Fl. 1821DF CARF MF Processo nº 12448.729439/201532 Acórdão n.º 1301003.824 S1C3T1 Fl. 1.822 21 As alegações no sentido de que não teria sido indicado pela autoridade fiscal o fundamento legal do arbitramento do lucro não condiz com a realidade, visto que o artigo 530, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda, encontrase indicado de forma clara e expressa na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl. 03/04. Cabe ressaltar, que a própria Autuada demonstrou ter pleno conhecimento que o arbitramento do lucro foi efetuado com base nesse dispositivo, já que o citou expressamente no seguinte trecho da sua impugnação: b.1) da inconsistência das alegações da autoridade administrativa Nesse AI, específico, de nº 12448729.439/201532, o Fiscal Autuante indica que a escrituração mantida pelo contribuinte é imprestável para determinação do Lucro Real, referente ao 4º trimestre, por não conseguir através de documentação hábil e idônea comprovar mais de 60% dos custos dos serviços vendidos. Nesse contexto, com fundamento nos artigos 530, inciso II, e 532, ambos do RIR/99, tributa o contribuinte ao pagamento do IRPJ, e por decorrência aos reflexos CSLL, COFINS e PIS/PASEP. Ademais, observase que em nenhum momento a autoridade lançadora afirmou, no seu Termo de Verificação Fiscal, que o arbitramento do lucro foi efetuado com base no artigo 299 do Regulamento do Imposto de Renda, pois tal dispositivo foi citado apenas para frisar que, diante da imprestabilidade da escrituração da Autuada para fins de apuração do lucro real, restou impossibilitada a averiguação se os custos contabilizados preenchem os requisitos de necessidade, usualidade e normalidade. O fiscal analisou as provas e esclarecimentos apresentados, porém seu entendimento foi diverso da do recorrente. Assim como o entendimento da DRJ. Dessa forma, devidamente respeitados o contraditório e a ampla defesa. Como parte de preliminar, não vejo qualquer um dos requisitos que dariam ensejo a declaração de nulidade do auto de infração. Ademais, este contém, dentre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicaria na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. O contribuinte conheceu plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Também, nos termos do art. 59 do Decreto 70.235/72, não vejo situação que demande a anulação da decisão a quo: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Fl. 1822DF CARF MF Processo nº 12448.729439/201532 Acórdão n.º 1301003.824 S1C3T1 Fl. 1.823 22 § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. De igual forma, da leitura da decisão recorrida fica clara a linha adotada para embasamento, não verifico contradição, questões de mérito serão analisadas adiante. Assim, afasto as preliminares argüidas. Mérito Conforme o Termo de Verificação Fiscal, fls. 29 e ss, Os lançamentos de IRPJ e CSLL ocorreram, conforme relatado pela autoridade lançadora, porque, durante o procedimento fiscal realizado sobre a Autuada, apurouse a necessidade de efetuar o arbitramento do lucro relativo ao 4º trimestre do ano de 2011, com base no artigo 530, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999), visto que foi constatado que a escrituração mantida pela mesma era imprestável para determinação do Lucro Real. A conclusão do auditorfiscal autuante, de que a escrituração da Autuada era imprestável para a determinação do Lucro Real referente ao 4º trimestre do ano de 2011, está amparada, em síntese, na apuração de que esta registra os seguintes custos fictícios relacionados com a suposta compra de materiais dos fornecedores Alvamir Menezes Construções e Terraplenagem Ltda, Hastiserv Prestação de Serviços e Edificação Ltda ME, Estruturak 40 Serralheria e Comércio de Ferro Ltda e Vale do Sol Exportação de Produtos Minerais Ltda: Fl. 1823DF CARF MF Processo nº 12448.729439/201532 Acórdão n.º 1301003.824 S1C3T1 Fl. 1.824 23 Apurouse a seguinte forma de lançamento contábil para esses fornecedores: a 1º momento São feitos diversos adiantamentos de pagamentos, debitando a conta (ativo circulante) 11205003 (adiantamento de fornecedores) e creditando a conta bancos – conta sintética 11102 (ativo circulante); b 2º momento Na entrega dos materiais, não comprovada por documentos hábeis e idôneos, credita a conta (ativo circulante) 11205003 (adiantamento de fornecedores), consolidando o pagamento de diversas notas fiscais e debita conta do respectivo fornecedor (passivo circulante) conta sintética 21101, demonstrado na tabela do item Fl. 1824DF CARF MF Processo nº 12448.729439/201532 Acórdão n.º 1301003.824 S1C3T1 Fl. 1.825 24 4 (lançamentos a crédito), uma vez estarem nesses a clara vinculação as notas fiscais através do histórico; c 3º momento (final do mês) Credita a conta sintética 21101 do respectivo fornecedor (passivo circulante) e debita a conta redutora do passivo circulante – custo das obras em andamento – conta sintética 21202; d 4º momento (final do trimestre) Credita a conta redutora do passivo circulante – custo das obras em andamento – conta sintética 21202 e debita a conta de resultado (despesa) custo mercadorias/serviço vendido conta sintética 32301. Assim, intimado a apresentar as cópias dos cheques utilizados na operação de adiantamento a fornecedores, somente foram apresentados aquelas relativas aos depósitos bancários, nominados a terceiros, sem comprovação de vínculo com fornecedores. Seu representante legal esclareceu que todos os adiantamentos foram efetuados em espécie, contradizendo o que havia sido feito na contabilidade. (fl. 244) Das notas fiscais emitidas pelos fornecedores, 4 não foram aceitos pelos seguintes motivos: 1 Fornecedor Alvamir Menezes Construções e Terraplenagem Ltda o fiscalizado não a documentação hábil e idônea quanto à quitação das notas fiscais desse fornecedor. Intimado o fornecedor, a intimação retornou dos Correios já o endereço não foi localizado, que é do cadastro e das notas fiscais. Tentouse também contato com os sócios dessa empresa, de igual forma, não foi localizado. (madeira pinus, vergalhão) 2 Fornecedor Hastiserv Prestação de Serviços e Edificação Ltda ME da mesma forma que o fornecedor acima, diante da não apresentação da documentação hábil e idônea, o próprio fornecedor foi intimado, mas também não foi localizado no endereço indicado. Assim como os sócios não foram localizados. (varas de ferro) 3 Fornecedor Estruturak 40 Serralheria e Comércio de Ferro Ltda da mesma forma que o fornecedor acima, diante da não apresentação da documentação hábil e idônea, o próprio fornecedor foi intimado, mas também não foi localizado no endereço indicado. Assim como os sócios não foram localizados. (janelas, portas de aluminio, cobertura acrílica) 4 Fornecedor Vale do Sol Exportação de Produtos Minerais Ltda da mesma forma que o fornecedor acima, diante da não apresentação da documentação hábil e idônea, o próprio fornecedor foi intimado, mas também não foi localizado no endereço indicado. Assim como os sócios não foram localizados. (tela soldada, tubos de concreto) Ademais, a fiscalização indicou que esses fornecedores não possuem declarações referentes ao IRPJ, previdenciárias (GFIP) e trabalhistas (RAIS) no ano fiscalizado, o que demonstraria além de disso que os beneficiários dos pagamentos não foram aqueles que figuram na documentação comercial e fiscal do contribuinte. Fl. 1825DF CARF MF Processo nº 12448.729439/201532 Acórdão n.º 1301003.824 S1C3T1 Fl. 1.826 25 Diante da não comprovação de R$9.237.477,10 dos custos referentes ao 4º trimestre de 2011, que corresponde a mais de 60% do período, a autoridade fiscal arbitrou o lucro do contribuinte, com base nas receitas mensais conhecidas, tendo sido considerados os valores oferecidos em DCTF. O recorrente alega que a contabilidade da empresa é feita por empresa que se localiza fora das suas dependências, que apenas tomou ciência das intimações tardiamente e assim que ficou sabendo tratou de adotar providências incisivas, contratou auditoria externa para verificação de declaração e documentos contábeis apresentados à RFB de 2011. Reconhece que identificou a existência de erro material no trimestre fiscalizado, especificamente no documento de razão de adiantamento a fornecedores e razão de caixa, identificando também saldos credores em outros meses, de forma que procedeu na retificação da DIPJ e livros razões, onde afirma que é possível verificar que todos os cheques a que o fiscal se refere como relacionados a depósitos bancários, compõem o CAIXA, a partir do qual é feito o adiantamento. Continua em sua defesa, de que as despesas indicadas na nota fiscal são necessárias na sua atividade, foram lastreadas em notas fiscais e que no período em destaque iniciou a execução de dois contratos públicos, para construção de Cadeia Pública em São Gonçalo e em Queimados, de mais de R$ 50 milhões, finalizados somente em 2013, e por conta disso a obra não poderia ser paralisada de forma alguma e necessitava de dinheiro em caixa para emergência. Firmou contrato de garantia de preço e fornecimento de mercadoria com determinadas empresas, tão logo tomou conhecimento do resultado da licitação, já que dessa forma havia a segurança da existência de material. E isso fazia com que tivesse a necessidade de compor o caixa da empresa, por meio de cheques sacava o dinheiro. E como seu nome estava incluído em cadastro de inadimplentes não possuía credibilidade no mercado, assim, ingressava com o dinheiro no caixa e efetuava o pagamento em espécie, viabilizando a obtenção de melhores preços de compra. Juntou os documentos em impugnação. Ratifica que com a correção do erro de escrituração não há como prevalecer o lançamento. A DRJ assim se manifestou ao manter o lançamento: As notas fiscais dos fornecedores Alvamir Menezes Construções e Terraplenagem Ltda, Hastiserv Prestação de Serviços e Edificação Ltda ME, Estruturak 40 Serralheria e Comércio de Ferro Ltda e Vale do Sol Exportação de Produtos Minerais Ltda, ao contrário do que defende a Autuada, não comprovam, por si só, no presente caso, custos, já que foram colacionados elementos probatórios que demonstram que os quatro referidos fornecedores não existem de fato, e que a Autuada não conseguiu demonstrar que os montantes das supostas operações realmente chegaram às mãos destes "fornecedores". O fato da autoridade fiscal ter entendido que somente a contabilidade do 4º trimestre de 2011 estava contaminada, ao contrário do que entende a Autuada, não demonstra nenhum contrassenso no arbitramento realizado, já que o fato de não terem sido apontados vícios contábeis na contabilidade dos três primeiros trimestres de 2011 não têm o condão de demonstrar que não ocorreram vícios na contabilidade do 4º trimestre de 2011. Fl. 1826DF CARF MF Processo nº 12448.729439/201532 Acórdão n.º 1301003.824 S1C3T1 Fl. 1.827 26 A alegação de que os fatos geradores do IRPJ e da CSLL não foram observados pela autoridade fiscal é improcedente, já que os lançamentos foram efetuados sobre o lucro arbitrado e não sobre "a falta de comprovação dos custos". Devese ressaltar que a conduta da Autuada, ao contrário do que é alegado na impugnação, não tem o condão de elidir o arbitramento, mas sim de legitimálo, pois esta (Autuada), ao escriturar custos fictícios em sua contabilidade, tornou a mesma imprestável para fins de apuração do lucro real. A Autuada, ao tentar se defender do fato de não ter demonstrado que os montantes das supostas operações realizadas com os fornecedores Alvamir Menezes Construções e Terraplenagem Ltda, Hastiserv Prestação de Serviços e Edificação Ltda ME, Estruturak 40 Serralheria e Comércio de Ferro Ltda e Vale do Sol Exportação de Produtos Minerais Ltda, chegaram até eles, aduz que era obrigada, devido a sua inclusão em cadastros de inadimplentes e a falta de credibilidade para efetuar pagamentos parcelados ou a prazo, a sacar dinheiro no Banco para compor o Caixa e que utilizava cheques nominativos a funcionários que trabalhavam no seu setor financeiro. Tais alegações, porém, não podem ser aceitas devido as seguintes razões: a um, porque é totalmente inverossímil que a Autuada, ao invés de simplesmente fazer uma transferência bancária ou emitir um cheque para os seus supostos fornecedores, efetuou todo esse percurso desnecessário e irracional descrito para entregar dinheiro em espécie a seus supostos fornecedores; a dois, porque não apresentou nenhuma prova de que as pessoas nominadas nos cheques realmente eram suas funcionárias; a três, porque os montantes registrados em tais cheques não foram sacados, mas sim, conforme indicado pela autoridade lançadora, depositados nas contas dos beneficiários; a quatro, porque a versão de que os pagamentos efetuados aos supostos fornecedores foram efetuados com dinheiro em espécie vai de encontro aos próprios registros contábeis, que indicam que esses supostos pagamentos foram efetuados através de cheques. O fato da autoridade lançadora não ter apurado irregularidades em relação a outros fornecedores, ao contrário do que entende a Autuada, não tem o condão de demonstrar a invalidade das conclusões expostas no Termo de Verificação Fiscal, já que, por si só, não faz prova da efetividade das operações supostamente realizadas com os fornecedores Alvamir Menezes Construções e Terraplenagem Ltda, Hastiserv Prestação de Serviços e Edificação Ltda ME, Estruturak 40 Serralheria e Comércio de Ferro Ltda e Vale do Sol Exportação de Produtos Minerais Ltda. Cabe ressaltar, aqui, que a mera realização de adiantamentos a fornecedores não foi apontada como elemento de prova da contabilização de custos fictícios, mas sim a falta de comprovação de que os pagamentos de adiantamentos efetivamente ocorreram. Devese ressaltar, também, que mesmo que a Autuada tenha retificado, como afirma, seu Livro Razão para registrar essa movimentação de dinheiro da conta Bancos para a Conta Caixa antes de realizar o adiantamento a fornecedores, tal fato não modificaria em nada o presente lançamento, já que não comprova a efetividade das operações realizadas com os quatro referidos "fornecedores". Deveras, o fato dos fornecedores não terem sido localizados pelos Correios em 2015, não comprova, por si só, que as operações de compra com os quatro referidos fornecedores foram fictícias. Da mesma forma, o fato dos fornecedores não terem apresentado declarações referentes ao IRPJ, GFIP's e RAIS para o ano de 2011, não comprova, por si só, que as operações de compra com os quatro referidos fornecedores foram fictícias. Sucede que tais constatações, por ajudarem a demonstrar que tais fornecedores nunca existiram de fato, são apenas dois dos elementos de prova relacionados no Termo de Verificação Fiscal que, quando analisados em conjunto, não deixam Fl. 1827DF CARF MF Processo nº 12448.729439/201532 Acórdão n.º 1301003.824 S1C3T1 Fl. 1.828 27 dúvidas de que as operações de compra supostamente realizadas com os quatro referidos fornecedores foram fictícias. Cabe ressaltar que, diferentemente do que afirma a Autuada, não foram enviadas correspondências para todos os fornecedores da Autuada e respectivos sócios, mas somente para o quatro referidos fornecedores e seus sócios. Devese destacar, ainda, que não é verossímil que todos os quatro fornecedores que foram considerados suspeitos pela autoridade lançadora, assim como todos seus sócios, tenham, coincidentemente, se mudado sem comunicar tal fato à Receita Federal. Cabe frisar, ainda, que não foi efetuada nenhuma transferência de responsabilidade pelo pagamento de tributo, já que quem deve responder diretamente pela consequência da contabilização de custos fictícios, ou seja, pelo arbitramento do lucro, é a Autuada. Diante do exposto, resta evidente que a Autuada não conseguiu infirmar as conclusões da autoridade fiscal, não cabendo, portanto, nenhum reparo em relação aos arbitramentos de lucro realizados nos lançamentos de IRPJ e de CSLL. Ora, de tudo que foi trazido, verificase que as notas fiscais foram apresentadas pelo contribuinte, porém, sua escrituração contábil, de início não se mostrou razoável. O recorrente reconhece que errou e refaz seu livro razão. Mas o ponto fulcral da discussão está na questão de que o fornecedor não existe de fato, e a escrituração desses custos é que levou o fiscal a desconsiderálos e arbitrar o lucro. O que levou a fiscalização a acreditar na não existência de fato desses 4 fornecedores foi a não resposta da intimação, não localização nos endereços cadastrados assim como de seus sócios. Ademais, as mesmas 4 empresas não entregaram DIPJ, GFIP ou RAIS (não localizei nos autos essa comprovação, apenas a informação) O recorrente trouxe documentação vasta que mostra que venceu o certame, os contratos realizados com as empresas fornecedoras, as notas fiscais indicam que essas empresas forneceram insumos de construção civil, provavelmente empregados nas obras de construção da cadeia. É certo que a contabilidade de início não refletiu a forma correta de escrituração. Assim como o pagamento, já que conforme o recorrente se deu mediante pagamento em espécie (fato que afirma desde o início). Dessa forma, claro está que para o deslinde do caso, a valoração das provas é necessária, e na minha visão, o conjunto das provas é suficiente para que o lançamento se mantenha. Com relação a questões constitucionais de multas com caráter confiscatório, este CARF não é competente para analisálas, nos termos da Súmula CARF 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 1828DF CARF MF Processo nº 12448.729439/201532 Acórdão n.º 1301003.824 S1C3T1 Fl. 1.829 28 CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, afastar as preliminares arguidas, e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 1829DF CARF MF
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