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Numero do processo: 13850.720205/2014-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/03/2000
PAGAMENTO NÃO VINCULADO. RESTITUIÇÃO
Pagamento não vinculado pela RFB ao indicado na DCTF e tampouco ao lançado de ofício deve ser considerado como indevido e passível de restituição.
Numero da decisão: 3301-005.738
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2000 PAGAMENTO NÃO VINCULADO. RESTITUIÇÃO Pagamento não vinculado pela RFB ao indicado na DCTF e tampouco ao lançado de ofício deve ser considerado como indevido e passível de restituição. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição de crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração em análise. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 0. 72 02 05 /2 01 4- 50 Fl. 504DF CARF MF Processo nº 13850.720205/201450 Acórdão n.º 3301005.738 S3C3T1 Fl. 3 2 O pagamento objeto do crédito representaria a diferença da alíquota da Cofins de 2% para 3%, já que o interessado teria decisão judicial definitiva parcialmente procedente em discussão da Lei nº 9.718/98, na qual o STF teria afastado apenas a ampliação da base de cálculo, mas declarado constitucional a majoração da alíquota. Finda a ação judicial, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem iniciou procedimento fiscal, para apurar as diferenças de Cofins não declaradas. Após o início da ação fiscal, o interessado recolheu a Cofins, acrescida apenas dos juros de mora, sem multa, alegando os benefícios da MP nº 303/2006 e espontaneidade. A autoridade fiscal que lavrou o auto de infração, rechaçou os benefícios da Medida Provisória, já que o contribuinte não teria cumprido com os requisitos legais exigidos na mesma. O auto de infração foi discutido administrativamente, sendo que o acórdão proferido pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deu provimento ao recurso voluntário na matéria conhecida e não conheceu do recurso quando à alegação dos pagamentos se beneficiarem da MP nº 303/2006. Interposto recurso especial pela Fazenda Nacional, em face de tal decisão, o CARF determinou o não reconhecimento do recurso. Finda a discussão administrativa, o contribuinte apresentou o presente Pedido de Restituição, pretendendo utilizar o montante pago após o início do procedimento de fiscalização que culminou na lavratura do auto de infração. O PER/Dcomp foi baixado para tratamento manual, em virtude de medida liminar proferida no processo judicial. No despacho decisório, a autoridade fiscal indeferiu o pedido. Cientificado do despacho, o recorrente apresentou manifestação de inconformidade, para argumentar que teria efetuado recolhimentos diversos de Cofins, correspondentes à diferença de 1%, em referência à majoração da alíquota da Cofins implementada pela Lei nº 9.718/98, pleiteando a anistia prevista na Medida Provisória nº 303/2003, quando já estava em procedimento de fiscalização. Alegou que apesar dos recolhimentos, as autoridades fiscais teriam constituído o auto de infração e declarado a impossibilidade do interessado se beneficiar do Refis III, de modo que teria sido exigida a parcela referente à majoração da alíquota em 1% dos débitos de Cofins incidentes entre abril de 1999 e dezembro de 2001, janeiro, março, abril, agosto e novembro de 2003. O manifestante afirmou que no auto de infração constaria que o contribuinte não teria cumprido com as exigências da MP nº 303/2006, pois a mesma exigiria que os débitos ainda não constituídos teriam que ser confessados de forma irretratável e irrevogável, enquanto que a parcela exigida através do auto não teria sido declarada em DCTF. Fl. 505DF CARF MF Processo nº 13850.720205/201450 Acórdão n.º 3301005.738 S3C3T1 Fl. 4 3 O manifestante argumentou que as próprias autoridades fiscais teriam afirmado, expressamente, que os pagamentos, sendo considerados indevidos, poderiam ser objeto de pedido de restituição ou compensação, conforme relatório anexo ao auto de infração. Acrescentou que o referido auto de infração teria sido discutido administrativamente e que o CARF teria dado provimento ao recurso voluntário de autoria da empresa, para cancelar o auto de infração e reconhecer a decadência do direito do Fisco constituir os débitos de Cofins. Por conseqüência de tal entendimento, o contribuinte teria transmitido PER/Dcomps diversos, para se aproveitar do direito à restituição dos pagamentos efetuados. Emitido o despacho decisório, as autoridades fiscais teriam indeferido o pleito, por entenderem que não haveria pagamento indevido ou a maior, por ter recolhido a Cofins espontaneamente, pleiteando a anistia da MP nº 303/2006. O contribuinte afirmou que os pagamentos realizados seriam indevidos, pois inexistiriam débitos constituídos, mas que seu direito não seria decorrente do cancelamento do auto de infração, e sim, dos pagamentos efetuados no âmbito do Refis III e considerados inválidos pelas autoridades fiscais. Citou jurisprudência administrativa e judicial. O manifestante afirmou que existiriam duas formas de se constituir o crédito tributário: através de lançamento por procedimento fiscal ou através de lançamento por homologação. Como teria efetuado os pagamentos antes da constituição do auto de infração e como os débitos não teriam sido declarados em DCTF, em seu entendimento, os pagamentos seriam indevidos. O interessado reclamou ainda que teria ocorrido mudança de critério jurídico, em violação ao art. 146 do Código Tributário Nacional, pois no auto de infração as autoridades fiscais teriam considerado os pagamentos como indevidos, por descumprimento do §2º do art. 1º da MP nº 303/2006; já no despacho decisório, as autoridades do Fisco teriam modificado o entendimento para declarar que o pagamento não seria indevido nem maior que o devido. O manifestante aduziu também que a mudança de critério no despacho decisório afrontaria o Princípio da Segurança Jurídica e o da vedação ao comportamento contraditório, sendo vedado às autoridades administrativas alterarem seus atos anteriores. O interessado requereu ainda a reunião e julgamento conjunto de processos que tratariam de matéria idêntica. Concluiu, para requerer o provimento integral de sua manifestação, o deferimento do pedido de restituição e, caso necessária, a juntada posterior de documentos. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 14061.428. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, trazendo, essencialmente, os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 506DF CARF MF Processo nº 13850.720205/201450 Acórdão n.º 3301005.738 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3301005.727, de 27 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 13850.720166/201491, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3301005.727): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Foi indeferido pedido de restituição de COFINS, cujo crédito foi originado de um pagamento de COFINS realizado em 14/09/06, no montante de R$ 784.160,59 (R$ 417.417,54, de principal, e R$ 366.743,05, de juros). No DARF, foi indicado que referiase ao período de apuração (PA) 30/04/99 (fl. 142). O PER foi transmitido em 09/09/11. Dos autos, cumpre destacar o seguinte: i) Em 05/04/05, iniciouse uma fiscalização, que deu origem ao processo de n° 13864000164/200701. O objetivo era o de cobrar diferenças de COFINS do período de abril de 1999 a novembro de 2003. ii) Os débitos em aberto nasceram das discussões acerca do alargamento da base de cálculo da COFINS e da majoração de 1% da alíquota da COFINS, promovidos pelos § 1° do art. 3° e art. 8° da Lei n° 9.718/98, cujas constitucionalidades a recorrente questionou em juízo, porém obteve êxito apenas com relação à primeira. iii) No dia em que foi efetuado o recolhimento (14/09/06) considerado pela recorrente como indevido, estava em curso a citada ação fiscal. E o auditor fiscal não o abateu do crédito tributário a ser lançado, iv) A auditoria fiscal terminou em 02/07/07, com a lavratura de auto de infração (fls. 27 a 45), no qual, sobre os valores confessados em DCTF, lançados de ofício e pago (objeto do presente processo), autoridade fiscal fez constar o seguinte (fls. 31 a 33): "(. . .) DA EXCLUSÃO DA ESPONTANEIDADE Conforme Termo de Início de Ação Fiscal 71/200501 (fl. 200), o contribuinte encontravase sob fiscalização desde Fl. 507DF CARF MF Processo nº 13850.720205/201450 Acórdão n.º 3301005.738 S3C3T1 Fl. 6 5 05/04/2005, havendo sido informado que, de acordo com os MPF 08120002005000712 (fl. 1) e 08120002005 0007121 (fl. 2) conforme disposto no parágrafo 1° do artigo 7° do Decreto 70.235/72, sua espontaneidade estava excluída em relação à COFINS do período de abril/1999 a dezembro/2004. DOS PAGAMENTOS ERRONEAMENTE EFETUADOS Em sua resposta entregue em 02/02/07 (fl. 548), o contribuinte informou que "a diferença da alíquota adotada (1%) foi integralmente recolhida, nos termos da MP 303/06". Intimado, através do Termo de Intimação Fiscal 71/200525 (fl. 557), o contribuinte apresentou (fl. 558 e 559) cópias dos DARF de folhas 560 a 617, para comprovação desse recolhimento. Como nesses DARF não constasse multa, o contribuinte foi intimado, através do Termo Fiscal de Constatação e de Intimação 71/200526 (fl. 620), a informar a base legal (artigos da MP 303/06) de que se valera para efetuar os recolhimentos em questão sem acréscimo de multa. Em sua resposta entregue em 04/04/07 (fl. 621), o contribuinte informou que efetuara o pagamento dos valores de COFINS em questão sem computar a multa de mora uma vez que, no momento do pagamento à vista dos débitos em questão, ainda se encontrava amparado por provimento jurisdicional suspendendo a exigibilidade do crédito tributário (Medida Cautelar n° 9511, incidental ao Mandado de Segurança n° 1999.61.03.0013261). Informou ainda que o período de fevereiro de 1999 até 28 de fevereiro de 2003 fora pago à vista, com os benefícios da Medida Provisória n° 303/2006 (artigo 9°). (. . .) Assim, conforme parágrafo 6° do artigo 9°, combinado com o parágrafo 1° do artigo 1°, da MP 303/06, o pagamento com redução de multa (de mora ou de ofício) e juros de mora aplicavase à totalidade dos débitos da pessoa jurídica, constituídos ou não. No caso de débitos não constituídos (parágrafo 2° do artigo 1°), deveria haver a confissão de forma irretratável e irrevogável (denúncia espontânea). No caso em tela, verificase nos DARF de folhas 560 a 617 que, conforme informado pelo contribuinte em sua resposta entregue em 04/04/07 (fl. 621), ele efetuou, em 14/09/06, pagamentos do principal (que informou serem decorrentes da diferença de 1% na alíquota adotada) do período de fevereiro de 1999 até 28 de fevereiro de 2003 com os benefícios da Medida Provisória n° 303/2006 (artigo 9°), qual seja, redução de trinta por cento sobre o valor consolidado dos juros de mora incorridos até o mês Fl. 508DF CARF MF Processo nº 13850.720205/201450 Acórdão n.º 3301005.738 S3C3T1 Fl. 7 6 do pagamento integral. Como, para os anoscalendário de 1999 (a partir de abril), 2000 e 2001, o contribuinte não havia declarado essas diferenças em DCTF, o correspondente crédito tributário não se encontrava constituído. Assim, para gozar do benefício fiscal previsto na MP 303/06, o contribuinte precisaria fazer a denúncia espontânea da infração. Ora, comparandose os valores declarados em DCTF de COFINS constantes dos sistemas informatizados da RFB em 16/03/07 (fl. 105 a 118), com os declarados em DCTF antes do início da presente ação fiscal (fl. 7 a 63), constatase que são os mesmos, com o que o contribuinte não fez a denúncia espontânea da infração (e nem poderia fazêlo, por estar com sua espontaneidade excluída), visto que não alterou suas DCTF para incluir as diferenças que informou ter pago. Limitouse, como informou, a efetuar pagamentos, sem correspondência com nenhum crédito tributário constituído ou confessado o que, inclusive, DARIA MARGEM A QUE O CONTRIBUINTE, APÓS OCORRIDA A DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO DE LANÇAR, VIESSE A PEDIR A RESTITUIÇÃO DOS VALORES PAGOS, ALEGANDO PAGAMENTO SEM CAUSA. Assim, como o contribuinte não atendeu (e nem poderia atender, por não gozar de espontaneidade para tal) à forma especificada no parágrafo 2° do artigo 10 na MP 303/06 para efetuar o pagamento à vista dos débitos não constituídos, não podia gozar do benefício fiscal previsto na referida MP, com o que os pagamentos foram erroneamente efetuados. Aos pagamentos erroneamente efetuados aplicase a conclusão da Solução de Consulta Interna n° 11 da Cosit/SRF, de 18 de dezembro de 2002, a seguir transcrita: "Desta forma, concluise que pagamento erroneamente efetuado, antes da lavratura do auto de infração, por sujeito passivo que perdera a espontaneidade, não tem o condão de interromper o curso normal da ação fiscal. Deve ser lançado o crédito tributário total, sendo o pagamento efetuado utilizado para amortização do crédito tributário apurado, cobrandose eventual saldo remanescente." Citese também a respeito o seguinte acórdão da l a Câmara do 1° Conselho de Contribuintes: "IRPJ PAGAMENTO DO IMPOSTO APÓS O INICIO DO PROCEDIMENTO FISCAL ESPONTANEIDADE Quando o sujeito passivo recolhe o tributo após o início do procedimento fiscal e sem o restabelecimento da espontaneidade, cabe o lançamento do tributo, com a multa de lançamento de ofício e dos juros de mora, calculados até a data do efetivo recolhimento. Os tributos Fl. 509DF CARF MF Processo nº 13850.720205/201450 Acórdão n.º 3301005.738 S3C3T1 Fl. 8 7 e acréscimos recolhidos, sob ação fiscal e para a mesma finalidade, podem ser utilizados para a quitação do crédito tributário lançado. (Acórdão 10194354Sessão de 10/09/2003)." Logo, quanto às diferenças apuradas na planilha anexa PARA OS ANOSCALENDÁRIO DE 1999 (A PARTIR DE ABRIL), 2000 e 2001, CABE O LANÇAMENTO DE OFÍCIO ATRAVÉS DESTE AUTO DE INFRAÇÃO, PELO SEU VALOR INTEGRAL, tanto para constituição do crédito tributário pago mas não confessado, como para a cobrança integral dos juros até o efetivo recolhimento (sem a redução da MP 303), podendo os pagamentos indevidamente efetuados pelo contribuinte, A SEU CRITÉRIO, serem objetos de pedido de compensação, para amortização do crédito tributário apurado, como previsto na Solução de Consulta Interna n° 11/02 da Cosit/SRF, ou de restituição, à luz da legislação de regência. (. . .)"(g.n.) v) A recorrente defendeuse do auto de infração, obtendo decisão parcialmente favorável, no âmbito do CARF, por meio do Acórdão n° 3402001.161, de 02/06/11. Foram cancelados os débitos de COFINS do período de abril de 1999 a dezembro de 2003, com base na Súmula Vinculante n° 8 do STF: "São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário." Com efeito, os artigos 45 e 46, respectivamente, determinavam que eram de dez anos os prazos prescricionais e decadenciais das contribuições sociais. vi) No Despacho Decisório (fls. 364 a 367), consta que o PER foi indeferido, porque o pagamento de R$ 784.160,59, realizado em 14/09/06 e referente ao período de apuração de 04/99, estava vinculado ao débito de 04/99, lançado de ofício. Enfatizou, inclusive, que valor o apurado pela fiscalização era maior do que o pago. Portanto, não havia pagamento indevido. viii) A DRJ ratificou que o pagamento estava vinculado ao débito lançado de ofício. Que foi efetuado no curso da ação fiscal, referindose a tributo (COFINS) e período de apuração (no DARF, foi indicado que se referia a 04/99) objetos do lançamento. ix) A decisão de piso consignou ainda que o Ministro Gilmar Mendes, em sede do RE n° 550.8829/RS, modelara os efeitos da declaração de inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991, no sentido de que tão somente seriam Fl. 510DF CARF MF Processo nº 13850.720205/201450 Acórdão n.º 3301005.738 S3C3T1 Fl. 9 8 passíveis de repetição os pagamentos objetos de pedidos de restituição ou compensação protocolizados até o dia anterior ao do julgamento, qual seja, 11/06/08. Como o PER foi transmitido em 09/09/11, não havia direito à restituição. Assiste razão à recorrente. Em 19/07/07, a fiscalização lavrou auto de infração (processo n° 13864.000164/200701), no qual consignou que o pagamento efetuado em 14/09/06 não fora admitido como vinculado ao período de apuração abril de 1999, em razão de não ter sido confessado em DCTF, e também de que já havia ação fiscal em curso, o que se constata por meio da leitura do trecho do auto de infração acima transcrito (fls. 31 a 33), do qual destaco o seguinte: "(. . .) Ora, comparandose os valores declarados em DCTF de COFINS constantes dos sistemas informatizados da RFB em 16/03/07 (fl. 105 a 118), com os declarados em DCTF antes do início da presente ação fiscal (fl. 7 a 63), constatase que são os mesmos, com o que o contribuinte não fez a denúncia espontânea da infração (e nem poderia fazêlo, por estar com sua espontaneidade excluída), visto que não alterou suas dctf para incluir as diferenças que informou ter pago. Limitouse, como informou, a efetuar pagamentos, sem correspondência com nenhum crédito tributário constituído ou confessado o que, inclusive, daria margem a que o contribuinte, após ocorrida a decadência do direito do fisco de lançar, viesse a pedir a restituição dos valores pagos, alegando pagamento sem causa. (. . .) Logo, quanto às diferenças apuradas na planilha anexa para os anoscalendário de 1999 (a partir de abril), 2000 e 2001, cabe o lançamento de ofício através deste auto de infração, pelo seu valor integral, tanto para constituição do crédito tributário pago mas não confessado, como para a cobrança integral dos juros até o efetivo recolhimento (sem a redução da MP 303), podendo os pagamentos indevidamente efetuados pelo contribuinte, a seu critério, serem objetos de pedido de compensação, para amortização do crédito tributário apurado, como previsto na Solução de Consulta Interna n° 11/02 da Cosit/SRF, ou de restituição, à luz da legislação de regência. (. . .)" (g.n.) Confirmase tal informação, nas fls. 35 (auto de infração, "fato gerador abril de 1999") e 46 (planilha anexa ao auto de infração), que contêm o cálculo do valor a ser lançado de ofício para o mês de abril de 1999. Fl. 511DF CARF MF Processo nº 13850.720205/201450 Acórdão n.º 3301005.738 S3C3T1 Fl. 10 9 Assim, o montante de R$ 784.160,59, pago em 14/09/06, a título de COFINS, referente ao período de apuração de 04/99, foi efetuado indevidamente e, portanto, é passível de restituição. Com efeito, verificase no excerto do auto de infração acima reproduzido que o próprio agente fiscal rotulou o pagamento efetuado como indevido. Ademais, não há que considerar o argumento da DRJ de que o STF não teria autorizado a repetição de tributos pagos sob a vigência dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, porém não reclamados. Tal argumento somente seria aplicável, caso o pagamento em questão tivesse sido vinculado ao valor lançado na DCTF ou de ofício, o que, como vimos, não foi o caso. Isto posto, dou provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 512DF CARF MF
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Numero do processo: 10909.000387/2006-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1988 a 29/02/1996
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO UTILIZADO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Comprovada nos autos a inexistência de crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional, relativamente a pagamento a maior ou indevido, para absorver o débito tributário, não se efetua a compensação do débito tributário, dado que esta pressupõe existência de créditos para o encontro de contas débitos versus créditos.
Numero da decisão: 3301-006.042
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Candido Brandão Junior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO UTILIZADO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Comprovada nos autos a inexistência de crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional, relativamente a pagamento a maior ou indevido, para absorver o débito tributário, não se efetua a compensação do débito tributário, dado que esta pressupõe existência de créditos para o encontro de contas débitos “versus” créditos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Candido Brandão Junior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 03 87 /2 00 6- 28 Fl. 366DF CARF MF Processo nº 10909.000387/200628 Acórdão n.º 3301006.042 S3C3T1 Fl. 367 2 Relatório Visando à elucidação do caso, adoto e cito o relatório do constante da decisão recorrida, Acórdão 1447.822 11ª Turma da DRJ/RPO (fls 314/319): Trata o presente, de Declarações de Compensação transmitidas pelo Sistema PER/DCOMP, declarando a compensação com a utilização de créditos oriundos de Ação Judicial constante do processo nº 97.20067969, transitada em julgado em 17/11/1999, conforme Certidão nº 51/99, da Seção Judiciária de Santa Catarina, doc. de fls. 101, do tributo PIS, código da receita 8109, compensando débitos próprios, no valor total de R$ 45.625,47. O interessado transmitiu as seguintes Declarações de Compensação, conforme quadro abaixo: Fl. 367DF CARF MF Processo nº 10909.000387/200628 Acórdão n.º 3301006.042 S3C3T1 Fl. 368 3 O Despacho Decisório, da Delegacia da Receita Federal do Brasil, em Itajaí, datado de 24/02/2006, doc. de fls. 151 a 155, não homologou as compensações declaradas, em face da inexistência de crédito, decorrente da ação judicial formalizada no processo nº 97.20067969, em obediência ao disposto no artigo 74, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.43096. Cientificado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade, em 10/04/2006, doc. de fls. 167 a 172, que em síntese, alega: Que desde julho de 1988, vinha compensando débitos com o crédito judicial, de acordo com o processo nº 97.20067969, reproduzindo o teor da Ementa, Acórdão, Relatório e Voto. Também reproduziu parte do Despacho Decisório, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil, em Itajaí/SC; Que em 05/03/2002, a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça no processo nº 379.606/SC, em que figurou como recorrida a União Federal, proferiu decisão favorável, em matéria idêntica, à da recorrente, reproduzindo a Ementa e respectivo Acórdão; Que a autoridade a quo, não respeitou aos Princípios da Isonomia e da Igualdade, isto é, o tratamento aos iguais, de forma igual; e aos desiguais, de forma desigual, perante a lei; Fl. 368DF CARF MF Processo nº 10909.000387/200628 Acórdão n.º 3301006.042 S3C3T1 Fl. 369 4 Que o inciso II, do artigo 150, da Constituição Federal, assegura que é proibido à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios instituir tratamentos desiguais entre contribuintes que encontrem em situação equivalente; Que a autoridade a quo deixou de observar o item I, da decisão do Superior Tribunal de Justiça, proferida em processo, de matéria idêntica à da recorrente, nos seguintes dizeres “I. Consoante entendimento firmado pela egrégia Primeira Seção do STJ, é garantido o recolhimento do PIS, nos termos da Lei Complementar nº 07/70, sem correção monetária da base de cálculo”; Pelo exposto, requer o cancelamento dos valores impugnados, baixandose o lançamento tributário correspondente, bem como o deferimento dos pedidos de compensação do PIS, pagos a maior no período de 07/1988 a 02/1996, e ainda, seja homologada as compensações efetuadas e o cancelamento da inscrição em dívida ativa da União. Analisada a manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento improcedente, com a seguinte ementa (fl. 314/319): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/1988 a 29/02/1996 CITAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA OU DOUTRINA. No julgamento de primeira instância, a autoridade administrativa observará apenas a legislação de regência, assim como o entendimento da Receita Federal do Brasil RFB, expresso em atos normativos de observância obrigatória, não estando vinculada às decisões judiciais, proferidas em processos dos quais não participe o interessado, ou que não possuam eficácia erga omnes, e nem a opiniões doutrinárias sobre determinadas matérias. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. O efeito das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio e, ainda assim, de ato específico do Secretário da Receita Federal. Não estando enquadradas nesta hipótese, as sentenças judiciais só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1988 a 29/02/1996 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO UTILIZADO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Comprovada nos autos a inexistência de crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional, relativamente a pagamento a maior ou indevido, para absorver o débito tributário, não se efetua a compensação do débito tributário, dado que esta Fl. 369DF CARF MF Processo nº 10909.000387/200628 Acórdão n.º 3301006.042 S3C3T1 Fl. 370 5 pressupõe existência de créditos para o encontro de contas débitos “versus” créditos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Foi apresentado Recurso às fls. (fls. 329/363), no qual a Recorrente no qual repisa os argumentos expendidos na manifestação de inconformidade. No voto, será abordado cada um dos questionamentos. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. A Recorrrente apresentou as seguintes questões: III PRELIMINAR III.1 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA V MÉRITO V.1 DA SEMESTRALIDADE DA BASE DE CÁLCULO DO PIS V.2 O CRÉDITO EXISTENTE V.3 A impossibilidade de imputação de débitos sem o competente lançamento de ofício. Vejamos cada uma delas: III PRELIMINAR III.1 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA Defende a Recorrente que a decisão a quo não foi suficientemente fundamentada nem clara, comprometendo seu direito de defesa. Segundo a Recorrente: Fl. 370DF CARF MF Processo nº 10909.000387/200628 Acórdão n.º 3301006.042 S3C3T1 Fl. 371 6 Por essa razão, defende a nulidade da decisão recorrida e solicita que o processo seja devolvido para a Delegacia de Julgamento para que seja proferida nova decisão. V MÉRITO V.1 DA SEMESTRALIDADE DA BASE DE CÁLCULO DO PIS Afirma a Recorrente que a matéria principal deste processo já foi alvo de decisão judicial. Fl. 371DF CARF MF Processo nº 10909.000387/200628 Acórdão n.º 3301006.042 S3C3T1 Fl. 372 7 A Recorrente faz menção também ao repetitivo do STJ sobre a matéria. Fl. 372DF CARF MF Processo nº 10909.000387/200628 Acórdão n.º 3301006.042 S3C3T1 Fl. 373 8 Defende, contudo, que apesar das decisões judiciais, os cálculos da RFB não foram realizados de acordo com a determinação do Judiciário. V.2 O CRÉDITO EXISTENTE Alega a Recorrente: Fl. 373DF CARF MF Processo nº 10909.000387/200628 Acórdão n.º 3301006.042 S3C3T1 Fl. 374 9 Fl. 374DF CARF MF Processo nº 10909.000387/200628 Acórdão n.º 3301006.042 S3C3T1 Fl. 375 10 Fl. 375DF CARF MF Processo nº 10909.000387/200628 Acórdão n.º 3301006.042 S3C3T1 Fl. 376 11 Neste item ainda a Recorrente solicita diligência com os seguintes questionamentos: V.3 A impossibilidade de imputação de débitos sem o competente lançamento de ofício. Defende ainda a Recorrente que a existência de débitos no período analisado não permite a cobrança por meio de "compensação de ofício" com os créditos existentes, uma vez que inexiste o lançamento desses valores, fato impossível de ser realizado passados mais de cinco anos dos respectivos fatos geradores. Por fim, a Recorrente solicita diligência. A decisão de piso abordou a questão nos seguintes aspectos: I – Citação de jurisprudência ou doutrina. II – Efeito das decisões judiciais sobre as administrativas. III. Da apuração de crédito inexistente. Analisemos agora o voto da decisão recorrida, que foi organizada nos seguintes itens: I – Citação de jurisprudência ou doutrina. Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10909.000387/200628 Acórdão n.º 3301006.042 S3C3T1 Fl. 377 12 Neste item, a decisão recorrida se limita a concluir que as decisões judiciais mencionadas pela defesa, proferidas em processos dos quais o interessado não participou; não têm efeito vinculante em relação às decisões proferidas pelas Delegacias de Julgamento da Receita Federal. Destarte, não podem ser estendidas genericamente a outros casos, somente aplicandose à questão em análise. Também não vincula esta decisão a doutrina de defesa, visto que teses doutrinárias não constituem normas complementares à legislação tributária, arts. 96 e 100, CTN: II – Efeito das decisões judiciais sobre as administrativas. Neste item, os julgadores a quo concluem: Relativamente a decisões judiciais, no que concerne às jurisprudências invocadas, há que ser esclarecido que tais decisões, sem uma lei que lhes atribua eficácia, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Destarte não podem ser estendidas genericamente a outros casos, pois se aplicam somente à questão em análise, vinculado as partes envolvidas naqueles litígios, à exceção das decisões do Supremo Tribunal Federal proferidas em Ações Diretas de Inconstitucionalidade ou Ações Declaratórias de Constitucionalidade, que representam formas de controle concentrado das leis. III. Da apuração de crédito inexistente. Neste item, a decisão recorrida aponta que a apuração do crédito realizada pela RFB foi correta e tomou em conta as decisões judiciais favoráveis à Recorrente. Transcrevemos trecho: no documento denominado: “Informação Fiscal”, datado de 02/02/2006, doc. de fls. 146 a 148, ficando apurado a inexistência de crédito, a favor do interessado, ou seja, foi reconstituído o valor do tributo PIS, em conformidade com a Lei Complementar nº 07/1970, em obediência a decisão judicial prolatada, por meio do Mandado de Segurança nº 97.20067969, devendo ser aplicados os índices de atualização monetária, especificados na aludida sentença. No contraditório, o interessado, deteve sua demanda, em reproduzir o conteúdo do acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, referente ao mandado de segurança nº 97.20067969, e também, em reproduzir parte do Despacho Decisório, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil, em Itajaí – SC. O núcleo da argumentação do interessado, reside na inobservância pela autoridade a quo, do julgado da Primeira Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10909.000387/200628 Acórdão n.º 3301006.042 S3C3T1 Fl. 378 13 Turma do Superior Tribunal de Justiça proferida no processo nº 379.606/SC, figurando como recorrida a União Federal, que decidiu favoravelmente à matéria, idêntica a da recorrente, determinando em que é garantido o recolhimento do PIS, nos termos da Lei Complementar nº 07/70, sem correção monetária da base de cálculo. Considerando esse julgado, a autoridade a quo, desrespeitou a Constituição Federal, em seu artigo 5º, no qual prevê “....direitos iguais...”, ou seja, reputa a relação que a doutrina estabelece com o chamado:“Princípio da Igualdade, e a preservação do equilíbrio dos entes jurisdicionais, segundo uma ótica econômica” Esquece o interessado, que autoridade a quo, simplesmente cumpriu o inteiro teor, do julgado proferido em mandado de segurança sob nº 97.20067969, quer na apuração do valor original, quer nos procedimentos da apuração da atualização monetária, em decorrência das inconstitucionalidades das alterações introduzidas no tributo, Programa de Integração Social – PIS, pelos DecretosLeis 2.445/88 e 2.449/88, oportunidade que ficou estabelecido, que a referida contribuição é devida, nos termos da Lei Complementar nº 07/70, em todos os períodos, a que se referem os créditos pleiteados. A compensação é uma das modalidades de extinção do crédito tributário (artigo 156, inciso II, do CTN). Ela ocorre quando duas pessoas forem ao mesmo tempo credoras e devedoras de obrigações, uma com a outra, operandose a extinção até onde se compensarem. O Código Tributário Nacional acolheu o instituto, com algumas particularidades, dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação decréditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Portanto, é requisito essencial da compensação tributária a existência de obrigações recíprocas, entre o contribuinte e o Fisco. Como já foi amplamente elucidado nas considerações especificas sobre esse tema, o núcleo do litígio instaurado neste processo, é a inexistência do crédito pleiteado pelo interessado, decorrentes da diferença entre os valores recolhidos a título de PIS, na forma dos DecretosLeis n° 2.445/88 e 2.449/88, e os valores que seriam efetivamente devidos, devem ser observadas as disposições contidas na Lei Complementar nº 7/70. Reproduzimos trecho da Informação Fiscal mencionada pela DRJ: Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10909.000387/200628 Acórdão n.º 3301006.042 S3C3T1 Fl. 379 14 Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10909.000387/200628 Acórdão n.º 3301006.042 S3C3T1 Fl. 380 15 Fl. 380DF CARF MF Processo nº 10909.000387/200628 Acórdão n.º 3301006.042 S3C3T1 Fl. 381 16 Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10909.000387/200628 Acórdão n.º 3301006.042 S3C3T1 Fl. 382 17 Dessa forma, a Recorrente teve amplas possibilidades e não logrou comprovar suas alegações, não cabendo nesta fase processual as diligências solicitadas. CONCLUSÕES Diante do exposto, proponho negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 382DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.000904/2005-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2003 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não é nulo o lançamento que preenche os requisitos do artigo 10 do Decreto n.º 70.235, de 1972, cujos fatos enquadrados como infrações estão claramente descritos e convenientemente caracterizados, permitindo ao contribuinte o exercício da ampla defesa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO OBJETO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. São definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de Recurso Voluntário. No caso, não houve, no recurso, insurgência contra a omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos como despesas médicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos. Na hipótese, a contribuinte não logrou comprovar a realização das despesas médicas deduzidas. PERCENTUAL DA MULTA DE OFÍCIO. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. ANÁLISE DA CONSTITUCIONALIDADE DA LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ACÓRDÃO GERADO NO PGD-CARF PROCESSO 10530.000904/2005-13 Fl. 144 DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓPIA Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Aplicação da Súmula CARF nº 2.
Numero da decisão: 2101-002.022
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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NULIDADE DO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não é nulo o lançamento que preenche os requisitos do artigo 10 do Decreto n.º 70.235, de 1972, cujos fatos enquadrados como infrações estão claramente descritos e convenientemente caracterizados, permitindo ao contribuinte o exercício da ampla defesa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO OBJETO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. São definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de Recurso Voluntário. No caso, não houve, no recurso, insurgência contra a omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas. DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO. Podem ser deduzidos como despesas médicas os valores pagos pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços prestados ou dos correspondentes pagamentos. Na hipótese, a contribuinte não logrou comprovar a realização das despesas médicas deduzidas. PERCENTUAL DA MULTA DE OFÍCIO. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. ANÁLISE DA CONSTITUCIONALIDADE DA LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 00 09 04 /2 00 5- 13 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Aplicação da Súmula CARF nº 2. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) ________________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Eivanice Canário da Silva, Carlos André Rodrigues Pereira Lima e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração contra o contribuinte em epígrafe (fls. 4 a 9), no qual foram apuradas duas infrações: (i) omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica e (ii) dedução indevida de despesas médicas. Em 25 de abril de 2005, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 1 a 3), na qual alega que a omissão dos rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas decorreu de falha das fontes pagadoras, que não lhe enviaram os informes de rendimentos. Informa que todos os pagamentos a título de despesas médicas foram efetuados a beneficiários identificados; que os recibos não foram localizados durante o período da malha fiscal; entretanto, os recibos emitidos pela Dra. Deborah de Assis Oliveira foram anexados em sede de impugnação. Solicita a compensação das seis quotas parceladas na entrega da declaração, no valor de R$. 11.184,19, alterando o imposto suplementar apurado após a revisão da declaração, conforme demonstrativo e, ao final, requer seja o auto de infração julgado procedente em parte. Pleiteia o parcelamento do imposto com a redução da multa de oficio e juros. A 3.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Salvador (BA), mediante o Acórdão n.º 1515.176, de 19 de fevereiro de 2008, julgou procedente o lançamento, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 DESPESAS MÉDICAS. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10530.000904/200513 Acórdão n.º 2101002.022 S2C1T1 Fl. 132 3 Se durante a fiscalização o contribuinte reconhece expressamente que são insuficientes os comprovantes de despesas médicas então apresentados, estes mesmos comprovantes não podem ser admitidos como provas em fase de recurso administrativo. Lançamento Procedente Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 17.4.2008, no qual alega que o Auto de Infração é equivocado, eis que as glosas de despesas médicas não servem de base para a sua lavratura, pois não possuem amparo fáticolegal, indo de encontro ao posicionamento dos Tribunais. Além disso, os recibos de pagamentos de tratamento odontológico no valor de R$ 10.800,00 já haviam sido apresentados durante a fiscalização. Argumenta que não tem consistência o fato trazido no Auto de Infração, quanto à desistência da totalidade das despesas médicas, e que não lhe foi permitido o perfeito entendimento do teor da autuação, impossibilitando, assim, o exercício do contraditório. Por esses motivos, entende que o lançamento viola o seu direito de defesa. Sustenta que os pagamentos a prestadores de serviços pode ser feita em moeda corrente e insurgese contra o percentual da multa aplicada, por entendêlo confiscatório. Requer, ao final, seja julgada improcedente a cobrança e pede a dispensa das multas por descumprimento de obrigação principal e acessória. É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário, tempestivo, atende aos demais requisitos legais. Dele conheço. 1. Da nulidade do lançamento O recorrente alega ter havido cerceamento ao seu direito de defesa, eis que não lhe foi permitido o perfeito entendimento do teor da autuação, impossibilitando, assim, o exercício do contraditório. Examinando os autos, verifiquei que, diferentemente do alegado, o Auto de Infração que veiculou o lançamento de imposto sobre a renda de pessoa física, anexado às fls. 4 a 9 dos autos do presente processo, é muito claro ao discriminar todo o teor da autuação. As infrações apuradas estão especificadas, acompanhadas do seu enquadramento legal. Além disso, particularmente no tocante à glosa de despesas médicas, esclarece que o contribuinte, intimado, só logrou comprovar as despesas efetivas de R$ 2.318,89, junto ao Bradesco Saúde e de R$ 2.743,57, junto à Unimed de Feira de Santana, totalizando R$ 5.062,46. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 São requisitos de validade do Auto de Infração previstos no artigo 10 do Decreto n.º 70.235: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O Auto de Infração constante deste processo, lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (agente competente), preenche todos os requisitos de validade exigidos pela lei que regula o processo administrativo fiscal. O ato contém local, data e hora da lavratura; o contribuinte está identificado; os fatos enquadrados como infrações estão perfeitamente caracterizados e acompanhados da disposição legal infringida e penalidade aplicável, de modo a permitir a ampla defesa do contribuinte; o valor do crédito exigido está especificado (imposto, multa e juros), assim como o prazo para recolhimento do valor calculado ou para a impugnação do lançamento. No caso sob análise, foi exercido o direito de defesa, consubstanciado na impugnação apresentada às fls. 1 a 3, e no presente recurso voluntário. Cumpre, por pertinente, ressaltar que, em ambas as ocasiões, o interessado manifestou perfeita compreensão do lançamento do tributo e das infrações a ele imputadas, tanto que se defendeu de forma específica, naquilo que julgou pertinente. Sendo assim, não se pode entender que houve cerceamento ao direito de defesa do contribuinte no momento da lavratura do Auto de Infração. No entanto, importa observar que, em que pese ter o contribuinte impugnado integralmente o Auto de Infração, o recurso voluntário resumiuse à contestação da glosa de despesas médicas, isto é, o recorrente não se insurgiu quanto à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Sendo assim, tornouse definitiva, neste ponto, a decisão de primeiro grau. 2. Da definitividade da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento naquilo que não tenha sido objeto de recurso voluntário Na impugnação, o interessado contestou o lançamento correspondente à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, alegando que havia ocorrido falha das fontes pagadoras, que não lhe enviaram os respectivos informes de rendimentos. O órgão julgador a quo não acolheu seus argumentos e manteve integralmente o lançamento do imposto. Em sede recursal, contudo, o interessado não se insurgiu contra a omissão de rendimentos. Concentrou sua defesa na glosa de despesas médicas e no efeito confiscatório da multa de lançamento de ofício. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10530.000904/200513 Acórdão n.º 2101002.022 S2C1T1 Fl. 133 5 Por esta razão, tornase definitiva a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, no que manteve o lançamento do imposto sobre a omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas. 2. Das despesas médicas Em sua peça impugnatória, o interessado alega que os pagamentos a título de despesas médicas foram todos efetuados a beneficiários identificados, mas, durante a ação fiscal, os recibos não foram localizados. Isso, segundo explica, só ocorreu na fase impugnatória, razão pela qual só então anexou os recibos de tratamento odontológico no valor de R$ 10.800,00, prestados pela Dra. Deborah de Assis Oliveira. A propósito do argumento suscitado pela defesa, o órgão julgador a quo sustentou que, apesar de o impugnante afirmar que somente no momento da impugnação havia localizado os recibos de pagamentos a Deborah de Assis Oliveira, verificou que estes documentos já haviam sido apresentados durante a fiscalização. Ademais, o impugnante já havia, anteriormente, desistido das deduções de despesas médicas lançadas em sua declaração de ajuste anual. Por essas razões, não admitiu como provas das despesas os documentos então apresentados. Vejamos as razões externadas pelo relator do voto condutor da decisão: “Em correspondência dirigida à fiscalização (fls. 42), o contribuinte desistira expressamente das deduções de despesas médicas declaradas em nome de LEONARDO COSTA RIZZO (R$ 2.100,00), KATIANE KILMA V. ALMEIDA (R$ 4.800,00) e DEBORAH DE ASSIS OLIVEIRA (R$ 10.800,00). E isto apesar de haver apresentado os recibos correspondentes, tanto de Deborah quanto dos demais profissionais (v. fls. 77/78). O fato de haver desistido destas deduções, quando os recibos haviam sido apresentados, equivale ao reconhecimento da insuficiência destes documentos. Uma vez reconhecidos pelo interessado como insuficientes, estes documentos não podem ser agora admitidos como provas das despesas, se não forem apresentados outros elementos que comprovem a efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados, tais como cópias de cheques, extratos bancários, exames e relatórios médicos, etc. Não é suficiente neste caso a apresentação de simples recibos. [...]” O órgão julgador de primeira instância não admitiu as provas apresentadas na impugnação, por entender que já havia ocorrido a desistência das deduções com despesas médicas, ante o reconhecimento da insuficiência dos respectivos documentos pelo próprio contribuinte, conforme documento às fls. 42, apresentado no curso da ação fiscal, em data anterior à da lavratura do Auto de Infração. Por esse motivo, exigiu fossem apresentados outros elementos que comprovassem a efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados (tais como cópias de cheques, extratos bancários, exames e relatórios médicos, etc.). Além disso, como fundamento de sua decisão, o julgador a quo alegou que a expressa desistência das deduções perante a autoridade lançadora não poderia ser desfeita após a notificação do lançamento de oficio. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 No recurso voluntário, o interessado alega que em nenhum momento negou se a prestar informações ao órgão autuante; apenas não o fez quando não foi possível, por força maior ou ainda quando não estava obrigado. Além do mais, os pagamentos das despesas médicas foram feitos “em espécie”, o valor da autuação é compatível com as informações prestadas na declaração de ajuste anual da Sra. Deborah de Assis Oliveira, e foram pagos os impostos cujas diferenças ora se cobram. O lançamento constante deste processo originouse de procedimento de revisão de declaração, previsto no artigo 835 do Decreto n.° 3.000, de 1999. Tal dispositivo prevê, verbis: Art. 835. As declarações de rendimentos estarão sujeitas a revisão das repartições lançadoras, que exigirão os comprovantes necessários (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 74). § 1° A revisão poderá ser feita em caráter preliminar, mediante a conferência sumária do respectivo cálculo correspondente à declaração de rendimentos, ou em caráter definitivo, com observância das disposições dos parágrafos seguintes. § 2° A revisão será feita com elementos de que dispuser a repartição, esclarecimentos verbais ou escritos solicitados aos contribuintes, ou por outros meios facultados neste Decreto (DecretoLei n°5.844, de 1943, art. 74, § 1°). § 3° Os pedidos de esclarecimentos deverão ser respondidos, dentro do prazo de vinte dias, contados da data em que tiverem sido recebidos (Lei n° 3.470, de 1958, art. 19). § 4° O contribuinte que deixar de atender ao pedido de esclarecimentos ficará sujeito ao lançamento de oficio de que trata o art. 841 (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 74, §3°, e Lei n° 5.172, de 1966, art. 149, inciso III)." O artigo 73 do Decreto n.º 3.000, de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda, cuja matriz legal é o artigo 11 do DecretoLei n.º 5.844, de 1943, estipula que todas as deduções feitas pelo contribuinte sujeitamse a comprovação. Vejamos: Art.73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, §4º). (...) (grifouse) Das normas deduzidas do caput e do § 1.º do artigo 73 do Decreto n.º 3.000, de 1999, e também do artigo 835 do mesmo ato regulamentar, depreendese que a autoridade lançadora está autorizada a exigir comprovação ou justificação das deduções efetuadas e glosar, mesmo sem a audiência do contribuinte, deduções consideradas exageradas em relação aos rendimentos declarados. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10530.000904/200513 Acórdão n.º 2101002.022 S2C1T1 Fl. 134 7 Sobre a forma de comprovação das deduções utilizadas, na declaração de imposto sobre a renda de pessoa física, com despesas médicas e odontológicas, vejamos o que diz o artigo 8.º da Lei n.º 9.250, de 1995: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; [...] § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. [...]. A comprovação das despesas médicas pode ser feita por meio de quaisquer documentos hábeis e idôneos, desde que, em seu conjunto, demonstrem, de forma inequívoca, que a despesa foi feita, nas condições admitidas na lei. No caso sob análise, foi glosado o montante de R$ 17.700,00, a título de despesas médicas, representativo da diferença entre o valor declarado e o valor que a fiscalização considerou comprovado, de R$ 5.062,46 (vide fls. 5). Fl. 150DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 8 Além de farta documentação estranha à lide, o interessado carreou aos autos os seguintes documentos, que versam sobre dispêndios com tratamentos médicos e seguros de saúde: a) onze recibos emitidos por Deborah de Assis Oliveira, às fls. 10 a 14, no montante de R$ 1.000,00 cada, mensalmente, de janeiro a agosto e novembro de 2002. Em dezembro, consta recebimento de R$ 800,00, tudo a título de “tratamento odontológico”, totalizando R$ 10.800,00; b) comprovante de pagamento, ao Bradesco Saúde, de mensalidades do Seguro de Reembolso de Despesas de Assistência Médica e/ou Hospitalar, no total de R$ 10.883,74 dos seguintes segurados (fls. 74): Edson Luiz Paschoalin – R$ 2.318,89 (não foi glosado) Sandra R. K. P. Paschoalin – R$ 2.679,12 Raphael Pereira Paschoalin – R$ 1.618,33 Victor Pereira Paschoalin R$ 1.618,33 Manoela Pereira Paschoalin R$ 1.618,33 Nathalia Pereira Paschoalin R$ 1.030,74 c) comprovante de pagamento a Unimed Feira de Santana, em nome de Eliza C. Paschoalin, no valor de R$ 1.828,25 (fls. 75) (não foi glosado); d) comprovante de pagamento a Unimed Feira de Santana, em nome de Edson Luiz Paschoalin, no valor de R$ 915,32 (fls. 76) (não foi glosado); e) comprovante de pagamento a Unimed Feira de Santana, em nome de MOC – Movimento de Organização Comunitária, no valor de R$ 3.698,99 (fls. 76), dando conta de dispêndio feito com mensalidade do plano de saúde de Ildes Ferreira de Oliveira; f) recibos emitidos por Leonardo Costa Rizzo (fls. 77), no valor de R$ 2.100,00, em 15.10.2002, também de despesas com tratamento odontológico e; g) recibos emitidos por Katiane Kilma V. de Almeida, no valor de R$ 4.800,00, por serviços de anestesia, em 10.4.2002 (fls. 78). Sobre a documentação acima relacionada, cumpre assinalar, por primeiro, que os recibos emitidos por: Deborah de Assis Oliveira (letra “a”), Leonardo Costa Rizzo (letra “f”) e Katiane Kilma V. de Almeida (letra “g”) não cumprem, ao menos, os requisitos exigidos no inciso III do § 2.º do artigo 8.º da Lei n.º 9.250, de 1995, adrede transcrito. Já as despesas correspondentes aos pagamentos efetuados ao Bradesco Saúde, com mensalidades do Seguro de Reembolso de Despesas de Assistência Médica e/ou Hospitalar, correspondente aos segurados: Sandra R. K. P. Paschoalin, Raphael Pereira Paschoalin, Victor Pereira Paschoalin, Manoela Pereira Paschoalin e Nathalia Pereira Paschoalin, não estão em discussão no presente processo, eis que não foram glosadas quaisquer deduções feitas a esse título e sequer declaradas tais despesas pelo contribuinte em sua declaração de ajuste anual do exercício em análise. O mesmo ocorre com a despesa relativa ao Fl. 151DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10530.000904/200513 Acórdão n.º 2101002.022 S2C1T1 Fl. 135 9 pagamento feito à Unimed Feira de Santana, com mensalidade do plano de saúde de Ildes Ferreira de Oliveira. Sendo assim, não há reparos a fazer na decisão recorrida nesse sentido. 3. Da multa com efeito de confisco Sobre o tema, há que se destacar que, nos casos em que a Fiscalização não constata a existência de dolo, fraude ou sonegação, a multa de lançamento de ofício é de 75% sobre o valor do tributo lançado. Foi o que ocorreu na hipótese. Verificase, no Demonstrativo de Apuração da Multa de Ofício e dos Juros de Mora (fls. 9), ter sido de 75% o percentual da multa de ofício, tal como previsto no inciso I do artigo 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, vejamos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] Em sua peça recursal, o interessado argumenta que a multa aplicada tem caráter confiscatório, insurgindose contra o percentual da multa previsto no inciso I do artigo 44 da Lei n.º 9.430, de 1996, acima transcrito. Ocorre que a atividade administrativa é vinculada e obrigatória, não podendo o agente da fiscalização proceder de forma diferente daquela prevista em lei. É o que determina o artigo 142 do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Uma vez constatada infração à legislação tributária em procedimento fiscal, tal como ocorreu na hipótese (dedução indevida de despesas médicas), o crédito tributário apurado deve vir acompanhado da multa de lançamento de oficio nos percentuais previstos em lei. Determinar os percentuais de multa a serem aplicados no caso de infração à legislação tributária é atribuição do legislador, e não do agente da Fiscalização. Não cabe à autoridade fiscal analisar se os percentuais de multa que a lei estipula são ou não são confiscatórios, afastando a sua aplicação quando entender pertinente. Nesse ponto, os órgãos administrativos de julgamento também não se revelam como sede apropriada para discutir e deliberar sobre os temas relativos ao princípio da vedação ao confisco, por envolverem necessariamente a análise da constitucionalidade da lei que os fixou. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 10 Além do mais, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou a respeito do assunto, por meio da Súmula CARF n.° 2, tendo firmado o posicionamento no sentido que não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vejamos: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Tendo ficado assim decidido no âmbito deste Conselho, é de se aplicar, na hipótese, a Súmula CARF n.° 2. Por fim, cabe esclarecer que, tal como salientado pelo recorrente, não consta a existência de declaração retificadora. No entanto, esse fato não prejudica a análise dos autos. Conclusão Pelos motivos expostos, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 153DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 29/ 01/2013 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10980.910826/2008-10
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito ,que alega possuir junto a Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA
As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material e os pedidos de diligência não se prestam a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado.
COMPENSAÇÃO. INFORMAÇÃO DA DIPJ. NECESSÁRIA.NÃO SUFICIENTE.
A informação prestada em DIPJ é condição necessária, mas não suficiente, para comprovar a existência de direito creditório decorrente de pagamento indevido ou a maior, pelo fato de ter apenas caráter informativo, e deve ser corroborado com outras provas. Exegese da Súmula CARF 92.
Numero da decisão: 1003-000.664
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Wilson Kazumi Nakayama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Barbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( (Presidente)
Nome do relator: WILSON KAZUMI NAKAYAMA
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ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito ,que alega possuir junto a Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. VERDADE MATERIAL. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA As alegações de verdade material devem ser acompanhadas dos respectivos elementos de prova. O ônus de prova é de quem alega. A busca da verdade material e os pedidos de diligência não se prestam a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. COMPENSAÇÃO. INFORMAÇÃO DA DIPJ. NECESSÁRIA.NÃO SUFICIENTE. A informação prestada em DIPJ é condição necessária, mas não suficiente, para comprovar a existência de direito creditório decorrente de pagamento indevido ou a maior, pelo fato de ter apenas caráter informativo, e deve ser corroborado com outras provas. Exegese da Súmula CARF 92. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 08 26 /2 00 8- 10 Fl. 143DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Barbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( (Presidente) Relatório Tratase de recurso voluntário em face do acórdão 0629.161, de 11 de novembro de 2010, da 1ª Turma da DRJ/CTA (efls.120123), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. A Recorrente formalizou os Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP) nº 24185.38696.270704.1.3.033301; 41503.57205.270704.1.3.036804 e 28903.32789.160605.1.3.032348, efls. 1030, utilizando se do crédito relativo a Saldo Negativo de IRPJ do exercício 2004 (01/01/2003 a 31/12/2003) informado no PER/DCOMP nº 24185.38696.270704.1.3.033301 transmitido em 27/07/2004. Depois do encaminhamento do PER/DCOMP n° 241.85.38696.270704.1.3.033301 e antes da prolação do Despacho Decisório , a Recorrente foi intimada em 27/10/2006 a proceder a correção da DIPJ ou do PER/DCOMP, tendo em vista ter sido encontrado divergência entre os saldos negativos apurado nesses dois documentos fiscais. Foi concedido à Recorrente um prazo de 20 dias para proceder a correção (efl. 119). A Recorrente quedouse inerte, não retificando a DIPJ e também o PER/DCOMP, conforme requerido na intimação fiscal. Dessa forma o pedido de compensação não foi homologado pela DRF Curitiba pelo fato de não ter sido possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na DIPJ estava divergente do valor informado no PER/DCOMP (efl. 5). Inconformada, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, julgada pela DRJ/FOR em acórdão foi assim ementado: DESPACHO DECISÓRIO. IMPERFEITA DESCRIÇÃO DO CRÉDITO. Tendo o contribuinte descrito no PER/DCOMP de forma incorreta o seu crédito, inviabilizando a análise pela Administração, e tendo esta solicitado, debalde, as retificações cabíveis, é correta a edição de despacho decisório que não homologa a compensação. COMPETÊNCIA DAS DRJ. Tratandose de despacho decisório relativo a não homologação de compensação, a competência da DRJ limitase a apreciar o inconformismo contra o não Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10980.910826/200810 Acórdão n.º 1003000.664 S1C0T3 Fl. 144 3 reconhecimento do direito creditório ou contra a não homologação da compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada do acórdão em 23/11/2010 (efl. 128), irresignada a Recorrente apresentou recurso voluntário em 16/12/2010 (efls. 129141), no qual alega o seguinte: Que sempre pretendeu utilizar o saldo negativo de CSLL relativo ao ano calendário 2002 para compensar débitos das estimativas mensais de CSLL relativo as competências 07/2003, 11/2003 e 06/2004; Que por equívoco informou nas PER/DCOMPs que o saldo negativo se referia ao exercício 2004, ao invés do exercício 2003, e que também não informou a data inicial (01/01/2002) e data final (31/12/2002) do período a que se referia o crédito; Que por isso a autoridade administrativa encontrou a divergência entre o valor de saldo negativo informado na DCOMP (R$ 858,54) e DIPJ (R$ 3.942,16) do exercício 2004; Que o valor de saldo negativo que a Recorrente pretende utilizar é o informado na DIPJ 2003, que consta na linha 42 da Ficha 17, no valor de R$ 5.172,51 (conforme doc.6 apresentado por ocasião da manifestação de inconformidade), mas que tal valor não constou nos PER/DCOMPs apresentados; Que o valor do saldo negativo apurado na DIPJ 2003 (R$ 5.172,51), é exatamente a soma do valor dos saldo negativos apontados no PER/DCOMPs 24185.38696.270704.1.3.033301 (R$ 858,54) e 41503.57205.270704.1.3.036804 (R$ 4.313,97) que corresponde ao saldo negativo apurado na DIPJ 2003; Que entende que o saldo negativo de CSLL apurado na DIPJ 2003 é suficiente para compensar os débitos informados nos PER/DCOMPs 24185.38696.270704.1.3.033301 e 41503.57205.270704.1.3.036804 e parcialmente os débitos no PER/DCOMP n° 28903.32789.160605.1.3.03234, ficando um saldo a ser recolhido de R$ 5.294,74 (acrescido de atualização); A Recorrente tece vários comentários acerca do seu direito ao crédito, que julga líquido e certo, inobstante os equívocos que reconhece ter cometido no preenchimento dos PER/DCOMPs; Que a autoridade julgadora a quo prendeuse a mera formalidade da existência de erro no preenchimento das declarações de compensação e afastou qualquer consideração sobre as circunstâncias fáticas do caso, retirando qualquer utilidade da manifestação de inconformidade e violando o direito da Recorrente de se utilizar do referido crédito; Que não se pode negar a apreciação das questões de fato, quando da manifestação de inconformidade, sob pena de restringir o direito de defesa somente a questões de direito, amesquinhando a função do Processo Administrativo Fiscal e mitigando os Fl. 145DF CARF MF 4 princípios constitucionais do contraditório, da ampla defesa e da verdade real, que por expressa determinação constitucional se aplicam no âmbito administrativo; Requer ao final a reforma do v.acórdão e a homologação das compensações informadas nos PER/DCOMPs 24185.38696.270704.1.3.033301 e n° 41503.57205.270704.1.3.036804; e (ii) parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP n° 28903.32789.160605.1.3.032348. Caso não seja esse o entendimento, que seja reconhecida a nulidade da r. decisão recorrida, por não ter analisado as questões fáticas do processo, determinando a remessa dos autos à DRJ/Curitiba para a realização de um novo julgamento, analisando o direito creditório à luz do princípio da verdade material, e inclusive, determinandose a realização de diligências, caso se entenda necessário. É o relatório no essencial. Voto Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama, Relator O recurso voluntário atende aos requisitos formais de admissibilidade, assim dele tomo conhecimento. Verificase que a Recorrente foi intimada, após a transmissão da PER/DCOMP nº 24185.38696.270704.1.3.033301, a retificar a DIPJ ou o PER/DCOMP uma vez constatada a divergência no saldo negativo apontado nessas duas declarações. Teve portanto a oportunidade de corrigir o erro que reconhece ter cometido Mas não o fez. No PER/DCOMP foi informado a origem do crédito pleiteado, que constava como sendo o saldo negativo na DIPJ 2004 (01/01/2003 a 31/12/2003), mas que a Recorrente informa que em verdade pretendia se referir ao exercício 2003 (01/01/2002 a 31/12/2002). A DRJ não analisou o direito creditório à luz da informação prestada pela Recorrente, de que o saldo negativo na verdade referiase ao exercício 2003 (01/01/2002 a 31/12/2002), limitando suas análises às informações prestadas pela Recorrente nos PER/DCOMPs e no saldo negativo do exercício 2004 que consta na DIPJ (que consta nos sistemas da Receita Federal). Na verdade, consta no acórdão recorrido que a Recorrente reconhece a existência de inconsistências nas informações prestadas, contudo não explica os motivos sobre a falta das retificações que poderia ter efetuado no PER/DCOMP ou DIPJ. Além disso em sede de manifestação de inconformidade não apresentou outras provas, exceto a DIPJ e cópia dos DARFs. Entendo por isso não ter a DRJ violado o direito da Recorrente ao contraditório e a ampla defesa. A Recorrente baseia o seu direito ao crédito apenas na informação contida na DIPJ do exercício 2003, informação essa de lavra da própria Recorrente, e que portanto por si só é incapaz de comprovar a liquidez e certeza do crédito tributário pleiteado. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10980.910826/200810 Acórdão n.º 1003000.664 S1C0T3 Fl. 145 5 A informação prestada em DIPJ é condição necessária, mas não suficiente, para comprovar a existência de direito creditório decorrente de saldo negativo, pelo fato de ter apenas caráter informativo, e deve ser corroborado com outras provas. Esse o entendimento pacificado neste Colegiado, conforme súmula vinculante abaixo transcrito: Súmula CARF nº 92 A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. Concluise portanto que não é possível confirmar o direito de compensação de saldo negativo de imposto de renda apenas com informação contida na DIPJ, eis que não tem natureza jurídica de tributo lançado. Além da informação prestada na DIPJ, a Recorrente deveria ter apresentado para a defesa de seus interesses outras provas indispensáveis para atestar a legitimidade do direito vindicado, como Livro Diário, Livro de Apuração do Lucro Real, balancetes transcritos na sua escrita contábil, quadro analítico descritivo e detalhado do suposto crédito e as declarações fiscais do período com eles relacionados (DCTF, DACON, etc). O embasamento está no Decreto 7.574/2011, artigos 26 a 27, transcrito a seguir: Art. 26. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 9o, § 1o) Parágrafo único. Cabe à autoridade fiscal a prova da inveracidade dos fatos registrados com observância do disposto no caput (DecretoLei no 1.598, de 1977, art. 9o, § 2o). Art. 27. O disposto no parágrafo único do art. 26 não se aplica aos casos em que a lei, por disposição especial, atribua ao sujeito passivo o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração (DecretoLei no 1.598, de 1977, art. 9o, § 3o). A obrigatoriedade de apresentação das provas pela Recorrente está arrimada no Código de Processo Civil, em seu art. 333: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Com efeito, no âmbito administrativo fiscal, o ônus de provar o direito ao suposto crédito, incumbe a Recorrente, nos termos do art. 16 do Decreto 70.235/72: (...) Fl. 147DF CARF MF 6 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase: a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Constato que a Recorrente, nesta fase recursal, não apresentou outros elementos probatórios para robustecer a sua alegação quanto ao direito ao crédito de saldo negativo. Quanto a questão da diligência e perquirição de provas e aplicação do princípio da busca da verdade material, não cabe imputar à autoridade administrativa o dever de pesquisar e encontrar créditos disponíveis para extinguir seus débitos declarados. Tal situação caracterizaria a inversão do ônus da prova, o que não se admite no presente caso. As diligências não se prestam a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação do crédito alegado. Quando a essa questão, oportuna e apropriada a transcrição de parte do voto proferido pelo I. Conselheiro Orlando Rutigliani Berri no Ac. 3001.000.545 de. 17/10/2018, verbis: (...) Mais, que analisados os pretensos elementos de prova carreados aos presentes autos, verificouse que se mostraram insuficientes para comprovar o direito creditório alegado. Diante destas constatações e o que dos autos consta, aí também aliado aos corretos fundamentos da decisão recorrida, advogo o entendimento segundo o qual não é papel deste colegiado recursal conceder infindáveis oportunidades para que o contribuinte transponha aos autos documentos e/ou informações que venham confirmar seu direito, digo isto pois entendo que tal concessão importaria em desrespeito aos prazos estabelecidos na legislação processual de regência, como vimos anteriormente. Prosseguindo um pouco mais, podese dizer ainda que é comezinho a obrigação do sujeito passivo, desde a feitura de seu pleito reivindicatório, passando pela sua manifestação de inconformidade, municiar sua pretensão em documentos hábeis e suficientes para evidenciar a liquidez e certeza do crédito tributário cuja restituição postula. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10980.910826/200810 Acórdão n.º 1003000.664 S1C0T3 Fl. 146 7 Por isso, e não por outra razão, é que a legislação impõe ao contribuinte o dever de demonstrar sua liquidez e certeza. De outra forma dizendo, é ônus do sujeito passivo e não da Administração Tributária tal mister. Desta feita, não se pode, sob o pálio da "verdade material" suplantar toda e qualquer regra processual aplicável ao processo administrativo fiscal federal a fim de, ao arrepio, dentre outros, do princípio da isonomia, permitir seja desbancada a competência originária da autoridade fiscal o mesmo do colegiado recorrido, para fins de substituir tarefa que competia ao sujeito passivo, seja espontaneamente ou mesmo depois de provocado, em face das sucessivas rejeições da sua pretensão. Portanto, não é correto afirmar que a aventada a menor rigidez dos prazos para a produção de prova tenha o condão de sobrepujar determinadas regras, vez que o primado da "verdade material", na medida em que autoriza o julgador apreciar provas e/ou indícios não contemplados pela instância a quo, impõe que estas tenham sido produzidas no momento oportuno, o que não se observa nestes autos, uma vez que não foram produzidas. Assim, por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama Fl. 149DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.908440/2012-37
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-001.067
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho
Presidente Substituto e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
RELATÓRIO
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. RELATÓRIO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. RELATÓRIO Trata o presente processo de pedido de restituição (PER) de contribuição, que restou indeferido, por ausência de crédito, nos termos do Despacho Decisório que instrui os autos. Regularmente cientificado desta decisão, a contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, sintetizada nos seguintes termos: Alega que a atividade da empresa é de montagens de estruturas metálicas, prestando serviços de execução de obras por empreitada de construção civil. Por isso, afirma que a partir de 01/05/2004, com base na Lei n° 10.865/2004, passou a se submeter ao sistema cumulativo do RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 20 .9 08 44 0/ 20 12 -3 7 Fl. 139DF CARF MF Processo nº 11020.908440/201237 Resolução nº 3302001.067 S3C3T2 Fl. 3 2 PIS e da Cofins. Porém, continuou a recolher a contribuição pelo sistema não cumulativo, o que gerou o pagamento a maior. Demonstra, então, o valor a restituir a que entende ter direito. Anexa a relação de notas fiscais do período de apuração em análise, buscando comprovar o total da receita mensal sobre o qual a contribuição deve incidir e o Darf, comprovando o pagamento. Requer a acolhida da Manifestação de Inconformidade A 3ª Turma da DRJ Curitiba (PR) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme acórdão acostado aos autos, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO. DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado em DCTF para a quitação de débito confessado. PROVAS. INSUFICIÊNCIA. CONTRATO DE EMPREITADA. Apenas as notas fiscais trazidas aos autos, embora importantes, não são suficientes para comprovar que a contribuinte executou obras por empreitada de construção civil, sendo imprescindível a juntada do contrato de empreitada. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Irresignada com a decisão da primeira instância administrativa, a recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) Em relação a não retificação da DCTF, o próprio relator menciona a possibilidade de retificação de ofício pela autoridade fiscal; b) As empresas que tiveram receitas decorrentes da execução por administração, empreitada e subempreitada, de construção civil estão sujeitas ao sistema cumulativo do PIS e da Cofins; e c) De fato, as notas fiscais não discriminam os serviços. Por esse motivo, estão em anexo ao recurso voluntário os respectivos contratos de prestação de serviços. É o breve relatório. VOTO Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF Fl. 140DF CARF MF Processo nº 11020.908440/201237 Resolução nº 3302001.067 S3C3T2 Fl. 4 3 343, de 24 de abril de 2019. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3302001.058, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 11020.908418/201297, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3302001.058): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. A instância a quo, utilizou como razão de decidir a falta de provas do direito creditório, de acordo com trecho do voto condutor do acórdão recorrido, verbis: Portanto, para que se possa acolher a alegação da contribuinte, ou seja, de que exerceu, no período analisado, “obras por empreitada de construção civil” é imprescindível o cumprimento de dois requisitos essenciais: a existência do contrato de empreitada e a relação de serviços efetivamente executados neste contrato. Ressaltese que o campo “discriminação” das notas fiscais trazidas pela manifestante aos autos não permite conhecer quais foram os serviços realizados (se a montagem de estruturas é permanente ou temporária, por exemplo) e, portanto, se enquadram na norma supra. Enfim, apenas as notas fiscais trazidas aos autos, embora importantes, não são suficientes para comprovar o que se pretende. Por tal razão, não é possível reconhecer que houve pagamento indevido ou a maior no Darf objeto da Dcomp em análise. O recorrente, em sede de recurso voluntário, apresentou cópias das notas fiscais referentes aos valores em discussão e os respectivos contratos. Requer que esse Colegiado defira a juntada dos documentos, os analise e se posicione acerca de seu direito creditório. A questão que surge está ligada ao direito de apresentação de documentos a qualquer momento processual em nome da verdade material. Entendo que a decisão dependerá do tipo de processo que está em análise. Nos casos de procedimentos referentes a despacho eletrônico de pedido de restituição, onde o sujeito passivo não é intimado pela unidade preparadora para prestar informações jurídicas acerca do crédito requisitado, o primeiro momento que ele tem para se pronunciar sobre questões de direito é na manifestação de inconformidade. Porém, nem todo patrono é operador do direito ou está familiarizado com a instrução probatória, podendo deixar de providenciar documentos relevantes, pelo simples fato de desconhecer sua importância. Por esse motivo, se o sujeito passivo não se manteve inerte, buscando sempre participar da instrução probatória, não vejo motivos para negar a apreciação de documentos acostados aos autos no momento da interposição do recurso voluntário.Tratase de processo de restituição em que o contribuinte teve seu pedido de Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11020.908440/201237 Resolução nº 3302001.067 S3C3T2 Fl. 5 4 indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o crédito financeiro alegado como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Regressando aos autos, temos que na manifestação de inconformidade, o recorrente alega que o objeto social da sociedade é montagens de estruturas metálicas, prestando serviços de execução de obras por empreitada de construção civil. Por isso, afirma que a partir de 01/05/2004, com base na Lei n° 10.865/2004, passou a se submeter ao sistema cumulativo do PIS e da Cofins. Não obstante, continuou a recolher a contribuição pelo sistema não cumulativo, o que gerou o pagamento a maior. A DRJ de Curitiba julgou improcedente a manifestação de inconformidade tendo como fundamento a falta de comprovação de seu direito por intermédio de contratos. Em sede de recurso voluntário, o sujeito passivo, ao interpor, acostou aos autos contratos de prestação de serviços, documentos, segundo a primeira instância, essenciais para comprovação de seu direito. Os contratos apresentados, em uma análise perfunctória, sugerem a modalidade empreitada e podem indicar que o sujeito passivo possuía o direito de recolher as contribuições no regime cumulativo. Não posso deixar de admitir que os fatos produzidos extemporaneamente geraram grande dúvida, o que impossibilita meu julgamento nesta assentada. Consoante noção cediça, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, é a literalidade do art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Assim, entendo que as alegações e as provas produzidas pelo recorrente nesta fase recursal devem ser analisadas com mais profundidade pela Unidade Preparadora nos termos do Parecer Cosit n° 02/2015. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem analise os documentos acostados aos autos no momento da interposição do recurso voluntário, analise a existência do indébito tributário pleiteado e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após sanadas essa dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11020.908440/201237 Resolução nº 3302001.067 S3C3T2 Fl. 6 5 que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem analise os documentos acostados aos autos no momento da interposição do recurso voluntário, analise a existência do indébito tributário pleiteado e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após sanadas essa dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 143DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16403.000262/2009-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
RESTITUIÇÃO. ESTIMATIVA.
Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação..
Numero da decisão: 1201-002.906
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao recurso e determinar a prolação de outro despacho decisório pela Unidade de Origem, considerando que eventual pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracterizará indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, por unanimidade.
(Assinado Digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior
Nome do relator: LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 RESTITUIÇÃO. ESTIMATIVA. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação..
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao recurso e determinar a prolação de outro despacho decisório pela Unidade de Origem, considerando que eventual pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracterizará indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, por unanimidade. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior
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ESTIMATIVA. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao recurso e determinar a prolação de outro despacho decisório pela Unidade de Origem, considerando que eventual pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracterizará indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, por unanimidade. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Neudson Cavalcante Albuquerque, Allan Marcel Warwar Teixeira, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada), Alexandre Evaristo Pinto e Efigênio de Freitas Júnior AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 40 3. 00 02 62 /2 00 9- 18 Fl. 150DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (PER/DCOMP), efls. 02/06, de n. 37633.98668.110208.1.3.042230, de 11/02/2008, através da qual o contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com créditos decorrentes de pagamentos supostamente indevidos de CSLL (código de receita 2484) do mês de maio/2003, recolhimento este efetuado em 30/06/2003 (R$ 1.960,97).). O pedido foi indeferido, conforme Despacho Decisório n° 932/2009 (efls. 10/12), de 11/12/2009, que decidiu que a estimativa mensal não pode ser considerada como indébito tributário, não retornando à disponibilidade os pagamentos ou créditos a ela vinculados.: "Logo, as estimativas recolhidas tornamse aproveitáveis apenas na apuração definitiva do imposto de renda a cada período, após integrar o saldo do imposto devido sobre todas as receitas obtidas pela empresa, tanto na atividade desenvolvida de acordo com seu objeto social como nas demais atuações empresariais. Não são pagamentos a maior, passíveis de compensação em cada mês pois não representam créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda, conforme pressupostos definidos no art. 170 do CTN, no art. 74, parágrafo 3o da Lei 9.430, de 1996 e na Instrução Normativa SRF n° 460, de 2004. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade assim resumida na decisão de primeira instância (efls. 116/120): a) aduz que em 30/06/2003 recolheu indevidamente R$ 1.960,97 de estimativa de CSLL; que o pagamento indevido ocorreu em face de o Departamento Financeiro da AFEPON, diante das guias emitidas por escritório de contabilidade externa, com base nas notas fiscais do período, ter efetuado mencionado pagamento; b) que o DARF foi recolhido indevidamente em face de não haver declarado débito algum em DCTF; que não apurou saldo negativo de CSLL na DIPJ 2004 e nem utilizou valores pagos por estimativa como dedução da contribuição devida; c) que tem direito à repetição do valor indevidamente recolhido e que a compensação requerida constitui a melhor forma de apurar e reaver este crédito; d) junta relatório de auditoria externa, demonstrando que durante a gestão anterior, no período de 2001/2004, ocorreram pagamentos indevidos à Receita Federal; e) requer a reforma da decisão de não homologação da declaração de compensação, com reconhecimento do direito à restituição do valor indevidamente recolhido, conforme arts. 165 do CTN e 876 do Código Civil, corrigido monetariamente consoante jurisprudência pacífica dos tribunais superiores. A Delegacia de Julgamento (Acórdão n. 0631.404 1ª Turma da DRJ/CTA, efls. 119/123) julgou a manifestação de inconformidade improcedente por entender que: a) não foram apresentada provas do crédito alegado pelo recorrente; b) qualquer pagamento a Fl. 151DF CARF MF Processo nº 16403.000262/200918 Acórdão n.º 1201002.906 S1C2T1 Fl. 151 3 maior somente é detectado no encerramento do período, com a apuração definitiva do IR/CSLL e traduzse no "Saldo Negativo" de IRPJ ou CSLL. Cientificada da decisão de primeira instância em 09/09/2011 (efl. 124) a Interessada interpôs recurso voluntário, protocolado em 28/11/2011 (efl. 125), em que repete os argumentos da manifestação de inconformidade. Voto Conselheiro Lizandro Rodrigues de Sousa Relator O recurso ao CARF é tempestivo, e portanto dele conheço. Com relação à possibilidade de que eventual pagamento indevido ou a maior que o devido a título de estimativa possa embasar pedido de restituição ou compensação, imperativo considerar o disposto na Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Mas o Despacho Decisório entendeu de forma diversa, ao prescrever que: "Logo, as estimativas recolhidas tornamse aproveitáveis apenas na apuração definitiva do imposto de renda a cada período, após integrar o saldo do imposto devido sobre todas as receitas obtidas pela empresa, tanto na atividade desenvolvida de acordo com seu objeto social como nas demais atuações empresariais. Não são pagamentos a maior, passíveis de compensação em cada mês pois não representam créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda, conforme pressupostos definidos no art. 170 do CTN, no art. 74, parágrafo 3o da Lei 9.430, de 1996 e na Instrução Normativa SRF n° 460, de 2004. Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (art. 74 da lei 9.430/96 c/c art. 170 do CTN). Esta liquidez deve ser avaliada a partir daquele Despacho Decisório. Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso e determinar a prolação de outro despacho decisório pela Unidade de Origem, considerando que eventual pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracterizará indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. (Assinado Digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Fl. 152DF CARF MF 4 Fl. 153DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10384.900353/2008-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 31 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO. PAGAMENTO JÁ UTILIZADO.
A comprovação da indisponibilidade do pagamento, alocado a outro débito do contribuinte, justifica o indeferimento do pedido de compensação.
DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA.
A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, salvo se o contribuinte comprovar que cometeu algum equívoco no preenchimento da declaração.
COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor do pedido de compensação, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e à autoridade da Receita Federal, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.
Numero da decisão: 1401-003.330
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONÇALVES - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Eduardo Morgado Rodrigues, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO. PAGAMENTO JÁ UTILIZADO. A comprovação da indisponibilidade do pagamento, alocado a outro débito do contribuinte, justifica o indeferimento do pedido de compensação. DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, salvo se o contribuinte comprovar que cometeu algum equívoco no preenchimento da declaração. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor do pedido de compensação, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e à autoridade da Receita Federal, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONÇALVES - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Eduardo Morgado Rodrigues, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO. PAGAMENTO JÁ UTILIZADO. A comprovação da indisponibilidade do pagamento, alocado a outro débito do contribuinte, justifica o indeferimento do pedido de compensação. DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, salvo se o contribuinte comprovar que cometeu algum equívoco no preenchimento da declaração. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor do pedido de compensação, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e à autoridade da Receita Federal, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONÇALVES Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 90 03 53 /2 00 8- 63 Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10384.900353/200863 Acórdão n.º 1401003.330 S1C4T1 Fl. 3 2 EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Eduardo Morgado Rodrigues, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 65 a 79) interposto contra o Acórdão nº 0824.741, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE (fls. 55 a 60), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO. PAGAMENTO JÁ UTILIZADO. A comprovação da indisponibilidade do pagamento, alocado a outro débito do contribuinte, justifica o indeferimento do pedido de compensação. DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, salvo se o contribuinte comprovar que cometeu algum equívoco no preenchimento da declaração. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor do pedido de compensação, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e à autoridade da Receita Federal, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: Fl. 128DF CARF MF Processo nº 10384.900353/200863 Acórdão n.º 1401003.330 S1C4T1 Fl. 4 3 " Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em decorrência da não homologação do pedido de compensação, conforme despacho decisório emitido eletronicamente, fls. 19. Consta no referido despacho decisório o seguinte motivo para indeferimento do pedido: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. O pedido de compensação envolve créditos e débitos da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. O contribuinte foi cientificado do referido despacho em 05/05/2008, fls. 20, tendo apresentado a contestação em 03/06/2008, fls. 02/18, contrapondose ao despacho decisório com base nos argumentos a seguir sintetizados. Informa que ingressou em 09/07/2004 com PER/DCOMP, cópias acostada nos autos, requerendo a compensação da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL devida por estimativa no mês de maio de 2003 no valor total de R$ 2.126,47 (dois mil cento e vinte seis reais e quarenta e sete centavos), com pagamento indevido ou maior da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL apurada em 28/02/2000, código de receita 2484, data de vencimento 31/03/2000 e data de arrecadação de 31/03/2000, no montante de R$ 1.286,82 (um mil duzentos e oitenta e seis reais e oitenta e dois centavos). O referido crédito consta em DARF, cópia acostada nos autos. O citado crédito está devidamente comprovado conforme documentação ora anexada aos autos no valor indicado no PER/DCOMP, não existindo vinculação em DCTF para o referido crédito, assim o pagamento indevido existe e está devidamente comprovado. O indeferimento da compensação não está em conformidade com a legislação que disciplina a compensação e a verdade material dos fatos. Afirma: a exigência tributária deve ser realizada mediante a efetiva verificação da ocorrência do fato gerador e cálculo do tributo devido nos moldes legais (Art. 142 CTN). O lançamento em discussão, que, obrigatoriamente, deveria decorrer de toda uma série de investigações e procedimentos administrativos legalmente previstos, encontrase embasado apenas em não homologar compensação declarada em PER/DCOMP, com fundamento de que não foi possível confirmar a apuração do crédito, fato que não é verdade, uma vez que o pagamento indevido existe e está devidamente comprovado. Em seguida a defesa faz uma breve análise sobre a questão do ônus da prova em matéria tributária para efeito de deslinde da presente controvérsia. Nesse sentido, afirma que, na atividade de lançamento, a caracterização da matéria tributável há de estar perfeitamente configurada, sob pena de não se poder afirmar ter ocorrido o fato gerador. A caracterização da matéria tributável na atividade do lançamento de ofício é mister da autoridade administrativa, como, aliás, se pode ver no artigo 845 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000/99, quando se refere às Bases do Lançamento, o qual é bastante rígido em relação à impugnação dos esclarecimentos. Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10384.900353/200863 Acórdão n.º 1401003.330 S1C4T1 Fl. 5 4 Alega que, no caso em análise não teria restado caracterizado a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, haja vista, que os valores objeto da exigência, cuja base de argumentação para a cobrança foi a não confirmação do pagamento indevido da CSLL apurada em 29/02/2000, que na verdade não ocorreu, porque o valor do pagamento indevido existe e está devidamente comprovado, conforme prova acostada nos autos. Continua. O princípio da verdade material é tão forte e base de todo o Estado de Direito, que já se escreveu, noutra ocasião: Enquanto o fisco não comprovar que os indícios por ele apresentados implicam necessariamente a ocorrência do fato gerador, estaremos diante de mera presunção simples, não de prova. Não terá, pois, o fisco cumprido seu ônus e a conseqüência é o dever do julgador considerar não comprovada a ocorrência do fato gerador e do nascimento da obrigação tributária. Poderseia, pois, afirmar ser inconstitucional toda e qualquer presunção absoluta. Considera a defendente que as conclusões da autoridade administrativa para não homologar a compensação efetuada não teriam fundamento lógico e faltaria a prova material do fato, ou seja, a inexistência do pagamento indevido. Assim, o fisco não teria cumprido com o ônus de produzir a prova material, e a conseqüência é a não comprovação da ocorrência do fato gerador e o nascimento da obrigação tributária. Em seguida, a defesa faz um breve comentário sobre os 43 e 44 do Código Tributário Nacional – CTN, para concluir que não estaria correto o procedimento de se exigir tributos sob a alegação de que o crédito não foi comprovado. Indaga: Como admitir em tal situação que ocorreu o fato gerador da obrigação tributária? Tal exigência estaria fazendo incidir o imposto sobre o patrimônio, em evidente desconsideração à Constituição Federal (art. 150, IV, "a") e ao Código Tributário Nacional (art. 44), que autoriza a incidência do imposto sobre o acréscimo patrimonial e não sobre o próprio patrimônio. Considera que no caso em comento, não ocorreu o fato gerador da obrigação tributária, ou seja, compensação indevida. Diante do exposto, entende que fica demonstrado e provado que é indevido o crédito tributário exigido através do despacho decisório no valor original total de R$ 696,55 (seiscentos e noventa e seis reais e cinqüenta e cinco centavos), em razão da não homologação da PER/DCOMP apresentada pelo requerente, tendo em vista que a referida cobrança foi objeto de compensação, conforme devidamente comprovado nos autos. Assim, requer seu cancelamento. " Inconformada com a decisão de primeiro grau, a ora Recorrente apresentou o recurso sob análise repisando que o suposto lançamento realizado careceria de motivação e comprovação, bem como defendendo a existência do crédito que diz possuir. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10384.900353/200863 Acórdão n.º 1401003.330 S1C4T1 Fl. 6 5 O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Em breve síntese do já relatado, o presente feito trata das compensações realizadas pela Recorrente de débito de CSLL por estimativa correspondente ao período de Maio de 2003 com créditos oriundos de pagamento indevido ou a maior realizado. O Despacho Decisório de fls. 19 não reconheceu o crédito pleiteado porquanto o mesmo já havia sido integralmente utilizado na quitação de débito anterior e intimou o Contribuinte a providenciar o pagamento, em até 30 dias, do débito indevidamente compensado, acrescido dos encargos devidos. A Contribuinte, por sua vez, fundamentou sua defesa no presente feito alegando que o lançamento que, supostamente, teria sido realizado no citado Despacho Decisório careceria de motivação vez que a autoridade fiscal não teria realizado qualquer verificação quanto a efetiva ocorrência do fato gerador, tampouco comprovado a existência do débito. Nesta toada, entende que o "lançamento" estaria viciado, sendo, portanto, nula a cobrança. Ainda, alega apenas genericamente que havia crédito para suportar a compensação intentada. A decisão da DRJ de piso negou provimento à Manifestação da Interessada corroborando a prévia alocação dos créditos em outros débitos, conforme citado pelo Despacho Decisório, bem como afastando as alegações de nulidade da cobrança. Por fim, a Recorrente traz a está instância recursal argumentos semelhantes aos já esposados na instância a quo. Primeiramente, insta esclarecer que por se tratar o presente feito de processo de compensação de iniciativa da própria Recorrente cabe a esta a comprovação da existência de crédito suficiente para amparar a operação realizada. Outrossim, importa salientar que a CSLL tem seu lançamento realizado pelo próprio contribuinte no momento em que apura seu resultado e tributos devidos ao fim de cada período de atividade. Desta forma, não há que se falar em "lançamento" por ocasião do Despacho Decisório que não homologou a compensação. Em verdade, o que ocorre é apenas a cobrança do débito que a própria Recorrente já havia lançado e restou sem pagamento consignado, face a insuficiência de crédito. Notese que, conforme dicção do art. § 6º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, a declaração de compensação constitui confissão de divida. Ou seja, a própria Recorrente realizou o lançamento, confessou o débito e tentou adimplilo pela via da compensação. Uma vez que não havia crédito suficiente para a quitação, não há qualquer óbice para a cobrança, sendo desnecessária qualquer outra medida, apuração ou comprovação por parte da autoridade fiscal. Por fim, ainda que a Recorrente não tenha apresentando qualquer documento no intuito de demonstrar a existência do crédito que diz possuir, aponto que a DRJ de origem trouxe aos autos tela do sistema SIEF que demonstra a utilização do recolhimento apontado em outro débito anterior à compensação ora analisada. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10384.900353/200863 Acórdão n.º 1401003.330 S1C4T1 Fl. 7 6 Destarte, entendo não assistir razão à Recorrente pelos mesmos fundamentos já esposados pela DRJ de origem. Assim, por economia processual, e em atenção ao §3º do art. 57 do RICARF, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: "(...) De início, cabe transcrever o fundamento constante no despacho decisório para indeferir o pleito em análise: “(...) foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Conforme regra consagrada pelo art. 333, do Código de Processo Civil, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Desta forma, o ônus sobre a existência de um pagamento indevido a ser utilizado em processo de compensação é do titular do crédito que apresenta a petição. À autoridade local (no caso, a DRF Teresina) incumbe verificar a disponibilidade do crédito pretendido, em conformidade com os sistemas de controle da Receita Federal, proferindo despacho decisório, devidamente fundamentado, justificando o acolhimento ou não do pleito do contribuinte. Conforme se verifica às fls. 19, o despacho decisório está devidamente motivado, com a indicação do fato que impediu o reconhecimento do direito do autor do pedido (crédito já utilizado para quitação de débitos do contribuinte). De acordo com o extrato do sistema SIEF – Fisc. Eletrônica – Analisar Valores, o pagamento foi alocado para amortizar parte do débito do contribuinte, relativo à CSLL, conforme demonstrativo abaixo: Com efeito, caberia ao contribuinte nesta fase recursal demonstrar a suposta incorreção no fundamento da autoridade que indeferiu o pleito, que no caso Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10384.900353/200863 Acórdão n.º 1401003.330 S1C4T1 Fl. 8 7 envolveria a existência de débitos para os quais o pagamento foi alocado, conforme indicação acima, fato que não ocorreu no presente processo. Daí porque, não faz sentido às referências feitas pela defesa ao ônus da prova na presente relação e que estaríamos “diante de mera presunção simples, não de prova”. Embora a Receita Federal do Brasil RFB permita que o contribuinte indique na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF a forma que pretende utilizar determinado pagamento, este não é o único critério de que os sistemas da RFB se utilizam para proceder ao controle de débitos e créditos. Por exemplo, se para determinado débito não são indicados, na DCTF, pagamentos suficientes para amortizar a dívida, buscase a existência de pagamentos disponíveis na base de dados que possuam a mesma característica do débito (mesmo número de inscrição e código de receita, por exemplo). O Código Tributário Nacional – CTN no seu art. 163 apresenta regra específica para imputação de pagamentos, dando lastro aos procedimentos adotados pelos sistemas eletrônicos da Receita Federal, a saber: Art. 163. Existindo simultaneamente dois ou mais débitos vencidos do mesmo sujeito passivo para com a mesma pessoa jurídica de direito público, relativos ao mesmo ou a diferentes tributos ou provenientes de penalidade pecuniária ou juros de mora, a autoridade administrativa competente para receber o pagamento determinará a respectiva imputação, obedecidas as seguintes regras, na ordem em que enumeradas: I em primeiro lugar, aos débitos por obrigação própria, e em segundo lugar aos decorrentes de responsabilidade tributária; II primeiramente, às contribuições de melhoria, depois às taxas e por fim aos impostos; III na ordem crescente dos prazos de prescrição; IV na ordem decrescente dos montantes. Outro aspecto que merece ser destacado é que, ex vi do disposto no § 6º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, incluído pela Lei nº 10.833/2003, a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Assim, a existência da obrigação tributária referente aos débitos incluídos na PER/DCOMP é inconteste, salvo se o próprio contribuinte posteriormente comprovar que cometeu algum equívoco no preenchimento da declaração (o que não ocorreu no presente caso). Portanto, não guardam qualquer relação com o litígio as referências feitas pela impugnante ao “lançamento em discussão” ou que “o fisco não cumpriu o ônus de produzir prova material, e a conseqüência é a não comprovação da ocorrência do fato gerador e o nascimento da obrigação tributária”. Destarte, não tendo a defesa comprovado a existência de saldo disponível, não há como homologar a compensação pleiteada. (...)" Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10384.900353/200863 Acórdão n.º 1401003.330 S1C4T1 Fl. 9 8 Finalmente, com base em tudo que foi exposto acima entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 134DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10903.720019/2015-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1201-000.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALLAN MARCEL WARWAR TEIXEIRA
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Recorrente VOLVO DO BRASIL VEÍCULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa – Presidente (assinado digitalmente) Allan Marcel Warwar Teixeira – Relator Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigenio de Freitas Junior, Alexandre Evaristo Pinto, Bárbara Santos Guedes e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 03 .7 20 01 9/ 20 15 -4 1 Fl. 3484DF CARF MF Processo nº 10903.720019/201541 Resolução nº 1201000.666 S1C2T1 Fl. 3 2 Trata o presente de Auto de Infração de IRPJ e CSLL, anos de 2010 e 2011, relativo a ajustes de Preço de Transferência, no valor total do crédito tributário de R$ 482.126.344,84. Os ajustes refeitos de ofício pela fiscalização dizem respeito aos do Preço de Revenda menos o Lucro, nas margens de 20% e 60%, conforme TVF às fls. 20 a 99, constantes nos seguinte anexos:: Método Documento AC Fls. PRL20 TVF Anexo 01 2010 100 a 131 PRL60 TVF Anexo 02 2010 132 a 205 PRL20 TVF Anexo 03 2011 206 a 235 PRL60 TVF Anexo 04 2011 236 a 286 Cientificada do lançamento a ora Recorrente, interpôs impugnação de fls. 1975 a 2067, que foi julgada improcedente pela DRJ/Ribeirão Preto em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. São considerados nulos somente atos e termos lavrados por pessoa incompetente e despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, incisos I e II, do Decreto nº 70.235, de 1972, hipóteses cuja ocorrência não restou comprovada, sobretudo tendo em conta que os autos de infração e seus anexos foram formalizados de modo a permitir à contribuinte a perfeita compreensão das infrações que lhe foram imputadas, tanto que delas se defendeu de forma detalhada e consistente. REVISIBILIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO. A revisibilidade do lançamento fiscal em sede de contencioso administrativo está legitimada pelo disposto no inciso I do artigo 145 do Código Tributário Nacional (CTN). PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotandose a proporção do bem importado no custo total, e aplicandose a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontrase um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Fl. 3485DF CARF MF Processo nº 10903.720019/201541 Resolução nº 1201000.666 S1C2T1 Fl. 4 3 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Em se tratando de exigência reflexa que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos lançamentos decorrentes. Cientificado em 10/07/2017 (fls. 2.919), interpôs a recorrente Recurso Voluntário (fls. 2.922 a 2.990), em 09/08/2017, a seguir resumido: Em preliminares e prejudiciais: 1. Nulidade por falta de fundamentação adequada; 2. Para o PRL60, que a sistemática prevista na IN 243 é ilegal por contrariar o art. 18, II, da Lei 9.430/60; 3. Para o PRL60 no ano de 2010, que houve uma interrupção na vigência deste método por conta de mudanças inseridas por Medida Provisória no final de 2009. Assim, pelo princípio da anterioridade, apenas a partir de 2011 o PRL60 poderia voltar a ser aplicado, sendo, portanto, nula a autuação quanto a este ponto; 4. Nulidade dos ajustes efetuados onde se adotou mais de um preço parâmetro (tanto pelo PRL20, quanto pelo PRL60) para um mesmo item nas situações em que este era destinado ao tanto à comercialização, quanto à industrialização, em vez de adotar o "PLR Ponderado", previsto na IN 243; 5. Alega que a fiscalização descumpriu o previsto no art. 20A da Lei 9.430/96, que dispõe da necessária intimação do sujeito passivo para, no prazo de 30 (trinta) dias, apresentar novo método caso o escolhido originariamente venha a ser desqualificado pela fiscalização; Em questões de fundo: 6. Pede a aplicação do PRL Ponderado entre os métodos PRL20 e PRL60 nas situações em que um mesmo item foi destinado tanto à fabricação quanto à revenda, caso esta nova apuração resulte menor valor; 7. A retificação dos seguintes erros de cálculo cometidos pela autoridade autuante: Fl. 3486DF CARF MF Processo nº 10903.720019/201541 Resolução nº 1201000.666 S1C2T1 Fl. 5 4 7.1. Computou em duplicidade os estoques iniciais no cálculo do preço médio praticado; 7.2. Utilizou o preço FOB no cálculo do Preço Parâmetro pelo PRL60, quando deveria ter utilizado o preço CIF+II; 8. Que autoridade autuante, ao proceder à reclassificação de determinados itens do método PRL60 para o PRL20, alterou o Preço Parâmetro de destes de modo que o novo ajuste calculado passou a ser maior do que se tivesse sido aplicado o método PIC, opção esta feita pela recorrente na DIPJ para outros itens e não desclassificada pela fiscalização. Ao informar à autoridade autuante que possuía os cálculos feitos pelo PIC para estes itens reclassificados do PRL60 para o PRL20, teve o seu pedido ignorado pela autoridade autuante, que manteve a adoção do PRL20; assim, pede que sejam recebidos seus cálculos pelo PIC em substituição ao PRL60 adotado pela fiscalização; 9. Que deve ser aplicado o art. 112 do CTN em caso de voto de qualidade diante da existência de dúvida; 10. Requer diligência tendente a elucidar questões de fato suscitadas. Conversão do feito em diligência Conforme Resolução de fls. 3.021, decidiu a Turma converter o feito em diligência tendente a elucidar os seguintes pontos: a. Esclarecer se a autoridade autuante considerou em duplicidade os estoques iniciais na fórmula (EI EF + C) quando da apuração da quantidade de itens consumidos no período; b. esclarecer qual preço (se FOB ou CIF+II) foi adotado na apuração da proporção do bem importado no custo total, no caso do PRL60; se efetivamente foi utilizado preço FOB, refazer as planilhas de apuração, com o preço CIF; c. Anexar planilhas detalhadas de apuração dos preços parâmetro PRL60 e PRL20, calculando o preço médio ponderado de cada item que se submeta simultaneamente aos métodos PRL20 e PRL60; d. Elaborar relatório conclusivo, dando ciência à recorrente para manifestação. Relatório de Diligência Em resposta às solicitações feitas na Resolução, a autoridade diligenciante, em resumo, assim informou: Fl. 3487DF CARF MF Processo nº 10903.720019/201541 Resolução nº 1201000.666 S1C2T1 Fl. 6 5 a. Que, de fato, para o ano de 2010, houve duplicidade no cômputo do Estoque Inicial na apuração do consumo no período pela fórmula EI EF + C, o que foi retificado na diligência; b. Confirmou que o lançamento considerou o preço CIF+II na apuração do PRL60. Para o ano de 2011, foram apurados corretamente os ajustes; para o ano de 2010, contudo, houve apuração incorreta a menor, porém ainda maior do que se tivesse aplicado o preço FOB; c. Refez os cálculos pelo "PRL Ponderado" para os itens os quais a recorrente tanto destinou à comercialização, quanto à industrialização. Informa que não juntou planilhas por contarem estas com mais de 46,4 milhões de registros, tornandose inviável a anexação de arquivonão paginável em razão do tamanho; d. Tendo efetuado estas retificações solicitadas pelo CARF, a autuação deveria ser reduzida de R$ 446.856.086,53 para R$ 328.570.651,86 (fls. 3.046). Manifestação sobre Resultado da Diligência Em manifestação sobre o resultado da diligência, alegou a recorrente que novos erros de cálculo foram cometidos, a seguir resumidos: 1. Foram feitos indevidamente ajustes de Preço de Transferência para itens que não constaram da relação original do Auto de Infração; 2. O cálculo do "PRL Ponderado" majorou indevidamente os ajustes para mais de 700 produtos autuados, quando, para os itens em que isto viesse a acontecer, deveria ter sido mantido o valor do ajuste pelo PRL20, por já se ter operado a decadência; 3. Reitera que foi confirmado, com o resultado da diligência, ter a autuação fiscal descumprido disposição expressa da IN 243 e que, por tal razão, deve ser reconhecida a nulidade material da autuação fiscal nos pontos onde tal irregularidade ocorreu. Voto Admissibilidade O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual deve ser conhecido. Fl. 3488DF CARF MF Processo nº 10903.720019/201541 Resolução nº 1201000.666 S1C2T1 Fl. 7 6 Resultado da Diligência Tendo em vista as alegações feitas pela Recorrente em sua Manifestação sobre o resultado da diligência, voto pela conversão do julgamento em nova diligência, tendente a: 1. Elucidar se os cálculos efetuados na diligência de Relatório às fls. 3.033 a 3.047 incluíram itens não constantes da autuação fiscal, conforme Manifestação da recorrente às fls. 3.444. Acaso positivo, refazer os cálculos de modo a efetuar ajustes apenas nos itens de que tratou a autuação fiscal originariamente; 2. No caso dos itens destinados tanto à comercialização, quanto à industrialização, refazer os cálculos pelo "PRL Ponderado" apenas para os itens em que o ajuste anterior, adotado pela autoridade autuante, tiver sido maior; 3. No caso dos itens destinados tanto à comercialização, quanto à industrialização, refazer os cálculos pelo "PRL Ponderado" apenas para os itens em que o ajuste anterior, adotado pela autoridade autuante, tiver sido menor; 4. No caso dos itens destinados tanto à comercialização, quanto à industrialização, refazer os cálculos pelo "PRL Ponderado", independente de ter resultado o ajuste a maior ou a menor; 5. Elaborar novo relatório conclusivo, apresentando ao final 3 tabelasresumo para cada uma das hipóteses 2, 3 e 4 supra. A tabelapadrão deverá conter linhas que discriminem, por PRL20 e PRL60, o subtotal dos ajustes por espécie de correção procedida nas diligências (i.e., uma linha da tabela totalizando os ajustes referentes aos registros que sofreram correção no valor do estoque inicial; outra, totalizando os ajustes onde se retificou o valor FOB pelo CIF; outra, totalizando a adoção do PRL Ponderado na hipótese 2, 3 ou 4, conforme for a tabela). Acaso tenha havido itens que tenham sofrido 2 (duas) ou mais correções ao mesmo tempo nas diligências, dedicar linhas próprias para estes casos de interseção, deixando o saldo para as linhas em que a correção dos registros foi singular. Após as linhas indicando as correções, as duas últimas devem indicar o saldo dos ajustes originalmente feitos na autuação fiscal respectivamente pelos PRL60 e PRL20, relativos aos registros que não sofreram qualquer tipo de correção. Em todos os casos, por óbvio, devese comparar ainda com a margem admissível de divergência de 5%, item a item, prevista no art. 38 da IN 243, bem como com os ajustes feitos oferecidos à tributação pela recorrente. Por fim, esta tabela também deverá conter mais 2 colunas, uma para cada anocalendário, indicando o total de exonerações sugeridas em sede de diligência por conta das espécies de correção efetuadas. Ressaltase que, como já explicado, não é apenas para somar as correções feitas, mas para subtotalizar os ajustes por classe de correção a fim possibilitar ao CARF, em decisão colegiada, analisar as que puderem ser aceitas à luz dos artigos 145, 146 e 149 do CTN. Ao final, dar ciência do Relatório de Diligência à recorrente a fim de que esta aduza eventuais considerações, no prazo de 30 (trinta) dias. Fl. 3489DF CARF MF Processo nº 10903.720019/201541 Resolução nº 1201000.666 S1C2T1 Fl. 8 7 É como voto. (assinado digitalmente) Allan Marcel Warwar Teixeira Relator Fl. 3490DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10331.720177/2013-61
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
PEDIDO DE RETIFICAÇÃO. MATÉRIAS ESTRANHAS À LIDE.
Diante dos princípios da Administração Pública e desde que devidamente comprovados, a autoridade julgadora pode, com a devida cautela, autorizar pedidos de retificação da declaração.
O pedido de retificação desacompanhado de provas não pode ser acolhido, devendo ser direcionado para a Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte, a quem compete a análise desses pleitos.
Numero da decisão: 2002-000.934
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, vencida a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, que votou pelo não conhecimento. No mérito, acordam, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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PEDIDO DE RETIFICAÇÃO. Recorrente FRANCISCO DAS CHAGAS DO NASCIMENTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 PEDIDO DE RETIFICAÇÃO. MATÉRIAS ESTRANHAS À LIDE. Diante dos princípios da Administração Pública e desde que devidamente comprovados, a autoridade julgadora pode, com a devida cautela, autorizar pedidos de retificação da declaração. O pedido de retificação desacompanhado de provas não pode ser acolhido, devendo ser direcionado para a Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte, a quem compete a análise desses pleitos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Voluntário, vencida a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, que votou pelo não conhecimento. No mérito, acordam, por unanimidade de votos, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 33 1. 72 01 77 /2 01 3- 61 Fl. 45DF CARF MF Processo nº 10331.720177/201361 Acórdão n.º 2002000.934 S2C0T2 Fl. 46 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 6/8), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2012. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a restituir declarado de R$11,00 para saldo de imposto a pagar de R$2.589,93. A notificação noticia a dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública, no valor de R$33.613,94, consignando: Glosa do valor de R$ 33.613,94, indevidamente deduzido a título de Pensão Alimentícia, visto que o contribuinte intimado apresentou acordo homologado judicialmente datado de 02/12/2011 e conforme consta da DIRF do anocalendário 2011, da Polícia Militar, CNPJ07.444.159/000144, todos os pagamentos foram feitos antes de dezembro de 2011, portanto, antes da Decisão Judicial. Cabe esclarecer que, tratandose de sociedade conjugal a dedução de Pensão Alimentícia somente se aplica, quando o provimento de alimentos for decorrente da dissolução daquela sociedade. Impugnação Cientificada ao contribuinte em 18/6/2013, a NL foi objeto de impugnação, em 4/7/2013, às fls. 2/8 dos autos, na qual o contribuinte defendeu que faria jus a deduzir o valor declarado, indicando a juntada de documentação comprobatória. A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/CTA que, por unanimidade, julgou a impugnação improcedente, em decisão assim ementada (fls. 18/20): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2011 DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. REQUISITOS. As importâncias pagas a título de pensão alimentícia são dedutíveis somente se previstas em decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou em escritura pública, em caso de divórcio consensual. DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. DATA DE HOMOLOGAÇÃO JUDICIAL DO ACORDO. EFEITO. Fl. 46DF CARF MF Processo nº 10331.720177/201361 Acórdão n.º 2002000.934 S2C0T2 Fl. 47 3 No caso de acordo homologado judicialmente, somente a pensão alimentícia paga após a data da homologação é passível de dedução da base de cálculo. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 12/5/2015 (fl. 25), o contribuinte, em 10/6/2015 (fl. 26), apresentou recurso voluntário, às fls. 26/34, no qual discorre sobre problemas de saúde que lhe acometem, alegando que faria jus à isenção prevista para os portadores de moléstia grave e indicando a juntada de documentação comprobatória. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito A autuação recaiu sobre a pensão alimentícia judicial informada pelo sujeito passivo. Em seu recurso, o contribuinte alega que seus rendimentos seriam isentos, citando as Leis os 7.713, de 1988, em seu artigo 6º, inciso XIV, e a 9.250, de 1995, em seu artigo 30, parágrafo 2º. Esses dispositivos tratam da isenção dos rendimentos de pensão e aposentadoria percebidos por portadores de moléstias graves. Registro que, na autuação, não houve alteração dos rendimentos informados pelo contribuinte. Assim, a natureza tributável dos rendimentos não compõe a lide. Tal pleito se configura num pedido de retificação da Declaração de Ajuste, cuja competência para análise não é das instâncias de julgamento. Não obstante, entendo que, em observância de princípios da Administração Pública, os princípios da finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, interesse público e eficiência, e quando os elementos trazidos sejam evidentes, a autoridade julgadora pode, com a devida cautela, atender a pedidos de retificação efetuados em sede de impugnação/recurso. Cumpre frisar que se trata de medida excepcional, que entendo possível em casos em que a prova seja robusta e não paire qualquer dúvida acerca do direito do contribuinte ao que está sendo pleiteado. Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10331.720177/201361 Acórdão n.º 2002000.934 S2C0T2 Fl. 48 4 Isto porque, no caso, uma eventual alteração do montante dos rendimentos tributáveis tem reflexo direto na base de cálculo do imposto devido e, indiretamente, na necessidade de comprovação ou justificação das deduções, objeto da autuação. Passando a análise do pedido, para reconhecimento da isenção pleiteada, é necessária a comprovação da existência de duas condições concomitantes: (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão e (ii) que o contribuinte seja portador de uma das patologias previstas pela legislação de regência, atestado em laudo médico expedido por serviço médico oficial de Município, Estado, União ou Distrito Federal, que cumpra os requisitos legais. No caso, nenhuma das condições encontrase comprovada nos autos. O documento de identificação juntado consigna como situação "Ativa",o que me leva a concluir que ele não estaria aposentado, reformado ou na reserva (fl.30). A DIRF aponta que os rendimentos decorrem do trabalho assalariado (fl.17). Acrescentese que também não foi juntado laudo oficial atestando a existência de moléstia grave prevista na letra da lei. Concluo, assim, que não estão reunidos elementos suficientes para análise do seu pleito nestes autos. Por fim, cabe esclarecer que, se assim desejar e entender pertinente, o contribuinte poderá direcionar o pleito para retificação dos rendimentos declarados à Delegacia da Receita Federal do Brasil do seu domicílio tributário, a quem compete a análise de pedidos de retificação das Declarações de Ajuste entregues. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 48DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13910.720001/2011-14
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
PRESCRIÇÃO.
O direito da autoridade administrativa de cobrar o crédito tributário prescreve em 5 (cinco) anos, contados da data da constituição definitiva do crédito tributário.
A constituição definitiva do crédito tributário só ocorrerá quando o contribuinte for cientificado da decisão administrativa da qual não caiba mais recurso.
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Súmula CARF nº 11.
DECADÊNCIA.
O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador (CTN - art. 150, § 4o).
Numero da decisão: 2002-000.947
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 PRESCRIÇÃO. O direito da autoridade administrativa de cobrar o crédito tributário prescreve em 5 (cinco) anos, contados da data da constituição definitiva do crédito tributário. A constituição definitiva do crédito tributário só ocorrerá quando o contribuinte for cientificado da decisão administrativa da qual não caiba mais recurso. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Súmula CARF nº 11. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador (CTN - art. 150, § 4o).
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DEDUÇÕES. LIVROCAIXA Recorrente APARECIDO PEREIRA DE CASTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 PRESCRIÇÃO. O direito da autoridade administrativa de cobrar o crédito tributário prescreve em 5 (cinco) anos, contados da data da constituição definitiva do crédito tributário. A constituição definitiva do crédito tributário só ocorrerá quando o contribuinte for cientificado da decisão administrativa da qual não caiba mais recurso. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Súmula CARF nº 11. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador (CTN art. 150, § 4o). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 91 0. 72 00 01 /2 01 1- 14 Fl. 115DF CARF MF Processo nº 13910.720001/201114 Acórdão n.º 2002000.947 S2C0T2 Fl. 116 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 20/23), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2009. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a pagar declarado de R$1.074,53 para saldo de imposto a pagar de R$3.829,66. A notificação noticia a dedução indevida de livrocaixa, no valor de R$11.588,00, consignando que teria sido glosada a diferença entre o valor recebido de pessoas físicas (R$65.666,10) e o valor pleiteado a título de dedução de livrocaixa (R$77.254,10) (fl.21). Impugnação Cientificada ao contribuinte em 24/2/2011, a NL foi objeto de impugnação, em 25/3/2011, à fl. 3/85 dos autos, assim sintetizada na decisão recorrida: Cientificado do lançamento, o interessado apresentou impugnação alegando em síntese que os comprovantes idôneos de despesas de livrocaixa apresentados demonstram de forma inequívoca o direito à dedução, tendo em vista que o advogado autônomo requer investimentos para atuação, sendo suas despesas operacionais constantes e seus ganhos muitas das vezes esporádicos, devendo a glosa ser cancelada. Complementa sua defesa com transcrição de excertos do Manual de Perguntas e Respostas relativos ao IRPF e ementas de acórdãos de 1ª instância administrativa. A impugnação foi apreciada na 7ª Turma da DRJ/CTA que, por unanimidade, julgou a impugnação improcedente, em decisão assim ementada (fls. 93/96): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 DEDUÇÃO. LIVROCAIXA. LIMITE. O valor das despesas dedutíveis, escrituradas em livrocaixa, está limitado ao valor da receita decorrente de rendimentos do trabalho não assalariado, recebido de pessoa física ou pessoa jurídica. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 4/8/2016 (fls. 100/101), o contribuinte, em 2/9/2016 (fl. 105), apresentou recurso voluntário, às fls. 105/112, no qual alega, em apertado resumo, que: Fl. 116DF CARF MF Processo nº 13910.720001/201114 Acórdão n.º 2002000.947 S2C0T2 Fl. 117 3 teria apresentando impugnações a duas autuações, uma vez que os procedimentos não teriam obedecido preceitos constitucionais, jurisdicionais e decisões proferidas pelo CARF. sua defesa só teria sido analisada mais de 5 anos da sua formalização, o que violaria a disposição constitucional que obriga a observância da duração razoável do processo. a administração pública teria extrapolado todos os prazos a qual tinha direito, a teor da Lei nº11.457, de 2007, e do CTN, em seus artigos 173 e 174. ao final, requer o acolhimento do seu recurso para ser declarada a nulidade e extinção do débito imposto ao contribuinte, em função dos dispositivos suscitados. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Em seu recurso voluntário, o contribuinte limitase a requerer o cancelamento da exigência, dado o tempo decorrido entre a protocolização de sua defesa e o julgamento. Quanto ao prazo para julgamento, é certo que existem muitas dificuldades (insuficiência de recursos humanos e materiais, por exemplo) para apreciação dos inúmeros processos existentes, seja na esfera administrativa, seja na esfera judicial. Entretanto, a demora na apreciação de sua defesa não enseja o cancelamento da exigência. Destaco que a exigência do crédito tributário apurado encontrase suspensa, inexistindo qualquer prejuízo ao sujeito passivo. No tocante ao artigo 24 da Lei nº 11.457, de 2007, que estabelece o prazo máximo de 360 dias para que seja proferida decisão administrativa, tratase do chamado prazo impróprio, uma vez que inexiste qualquer previsão sancionatória relacionada ao seu descumprimento, não havendo que se cogitar da nulidade da exigência. Entendo que o dispositivo busca dar efetividade aos princípios constitucionais da eficiência e da razoável duração do processo, mas sem estipular sanção ou determinar a extinção do crédito tributário em litígio. Quanto ao CTN, os artigos mencionados no recurso recaem sobre os prazos decadencial e prescricional. No caso, a exigência recai sobre o anocalendário 2008 e, a teor do artigo 150, §4º, do CTN, o Fisco teria até 31/12/2013 para formalizar a exigência. Tendo sido o contribuinte cientificado da autuação em 24/2/2011, não há que se cogitar em decadência do crédito exigido Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13910.720001/201114 Acórdão n.º 2002000.947 S2C0T2 Fl. 118 4 Nos termos do caput do art. 174 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional), o prazo prescricional é de cinco anos e começa a contar a partir da data da constituição definitiva do crédito tributário, ou melhor, desde o momento em que o titular do direito (a Fazenda Pública) pode exigir, do devedor, a prestação tributária. Isto se dá quando esgotado o prazo para pagamento ou apresentação de recurso administrativo sem que eles tenham ocorrido ou, ainda, decidido o último recurso administrativo interposto pelo contribuinte. As impugnações e recursos na instância administrativa suspendem a exigibilidade do crédito tributário, não correndo, neste período, o prazo de prescrição. Assim, havendo impugnação (como no caso em tela), fica postergado o começo da fruição do prazo prescricional até a decisão do último recurso administrativo interposto pelo contribuinte. Como se considera constituído o crédito em tela na data de ciência da autuação, e a apresentação da impugnação e do recurso suspende a exigibilidade do crédito tributário, ex vi do disposto no art. 151, inciso III, do CTN e, conseqüentemente, a fluência do prazo prescricional, que só começa a fluir depois de decidido o último recurso administrativo, também impertinente essa alegação do Contribuinte. Também não há que se falar na denominada prescrição intercorrente, matéria já sumulada neste CARF e de observância obrigatória por este Colegiado: Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Dessa feita, afastase esse argumento. Quanto à glosa das despesas de livrocaixa, o recorrente nada alegou. Por consequência, incabível qualquer manifestação deste colegiado sobre a matéria. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 118DF CARF MF
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