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Numero do processo: 10783.900015/2012-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
DECADÊNCIA. DIREITO DE EFETUAR A GLOSA DE CRÉDITOS.
O prazo decadencial do direito de lançar tributo não rege os institutos da compensação e do ressarcimento e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e a certeza do crédito do sujeito passivo e a obstruir a glosa de créditos indevidos tomados pela contribuinte.
NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS QUE GERAM DIREITO A CRÉDITO.
Na legislação do Pis e da Cofins não cumulativos, os insumos, cf. art. 3º incisos I e II, que geram direito a crédito são aqueles vinculados ao processo produtivo ou à prestação dos serviços. As despesas gerenciais, administrativas e gerais, ainda que essenciais à atividade da empresa, não geram crédito de Pis e Cofins no regime não cumulativo.
CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho.
COFINS NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS SUJEITAS A ALÍQUOTA ZERO. DIREITO A CRÉDITO SOBRE GASTOS INCORRIDOS COM FRETE NA REVENDA.
As revendas, distribuidoras e atacadistas de produtos sujeitas a tributação concentrada pelo regime não cumulativo, ainda que, as receitas sejam tributadas à alíquota zero, podem descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por elas suportadas na condição de vendedor, conforme dispõe o art. 3, IX das Leis n°s 10.637/2002 para o PIS/Pasep e 10.833/2003 para a Cofins.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. DESPESAS DE ARMAZENAGEM.
Concede-se direito a crédito na apuração não-cumulativa da contribuição as despesas referentes à despesa com armazenagem, de acordo com o art. 3, IV da Lei n. 10.637/2002.
CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESESTIVA
A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com transporte, armazenagem e logística dentro da zona primária, decorrentes de importação de mercadorias.
CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESPACHANTES.
A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com despachantes, decorrentes de importação de mercadorias.
CRÉDITOS. CUSTOS COM ARMAZENAGEM.
As despesas com armazenagem geram créditos não cumulativos se estiverem vinculadas às operações de venda.
FRETES SOBRE COMPRAS. CRÉDITOS BÁSICOS.
Os fretes sobre compras de bens passíveis de creditamento na sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins geram direito ao crédito básico.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido de diligência por ser absolutamente desnecessário para a solução do litígio.
Numero da decisão: 3201-004.809
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir a preliminar de decadência por tratar-se de pedido de restituição. No mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário a) Por unanimidade de votos para (i) reverter as glosas do frete sobre a aquisição de insumos, mesmo quando a aquisição sujeita-se à alíquota zero; (ii) reverter as glosas do frete sobre a revenda de produtos; (iii) reverter as glosas relativas aos serviços de armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/ armazenagem/ logística; (iv) reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte; (v) indeferir a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide; b) Por maioria de votos, para manter a glosa sobre os serviços administrativos de despachantes aduaneiros. Vencidos, no ponto, os conselheiros Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que concederam os créditos correspondentes.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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INSUMOS DIVERSOS. Recorrente FERTILIZANTES HERINGER S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 DECADÊNCIA. DIREITO DE EFETUAR A GLOSA DE CRÉDITOS. O prazo decadencial do direito de lançar tributo não rege os institutos da compensação e do ressarcimento e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e a certeza do crédito do sujeito passivo e a obstruir a glosa de créditos indevidos tomados pela contribuinte. NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS QUE GERAM DIREITO A CRÉDITO. Na legislação do Pis e da Cofins não cumulativos, os insumos, cf. art. 3º incisos I e II, que geram direito a crédito são aqueles vinculados ao processo produtivo ou à prestação dos serviços. As despesas gerenciais, administrativas e gerais, ainda que essenciais à atividade da empresa, não geram crédito de Pis e Cofins no regime não cumulativo. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho. COFINS NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS SUJEITAS A ALÍQUOTA ZERO. DIREITO A CRÉDITO SOBRE GASTOS INCORRIDOS COM FRETE NA REVENDA. As revendas, distribuidoras e atacadistas de produtos sujeitas a tributação concentrada pelo regime não cumulativo, ainda que, as receitas sejam tributadas à alíquota zero, podem descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por elas suportadas na condição de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 00 15 /2 01 2- 13 Fl. 529DF CARF MF Processo nº 10783.900015/201213 Acórdão n.º 3201004.809 S3C2T1 Fl. 3 2 vendedor, conforme dispõe o art. 3, IX das Leis n°s 10.637/2002 para o PIS/Pasep e 10.833/2003 para a Cofins. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. DESPESAS DE ARMAZENAGEM. Concedese direito a crédito na apuração nãocumulativa da contribuição as despesas referentes à despesa com armazenagem, de acordo com o art. 3, IV da Lei n. 10.637/2002. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESESTIVA A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com transporte, armazenagem e logística dentro da zona primária, decorrentes de importação de mercadorias. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESPACHANTES. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com despachantes, decorrentes de importação de mercadorias. CRÉDITOS. CUSTOS COM ARMAZENAGEM. As despesas com armazenagem geram créditos não cumulativos se estiverem vinculadas às operações de venda. FRETES SOBRE COMPRAS. CRÉDITOS BÁSICOS. Os fretes sobre compras de bens passíveis de creditamento na sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins geram direito ao crédito básico. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência por ser absolutamente desnecessário para a solução do litígio. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir a preliminar de decadência por tratarse de pedido de restituição. No mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário a) Por unanimidade de votos para (i) reverter as glosas do frete sobre a aquisição de insumos, mesmo quando a aquisição sujeitase à alíquota zero; (ii) reverter as glosas do frete sobre a revenda de produtos; (iii) reverter as glosas relativas aos serviços de armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/ armazenagem/ logística; (iv) reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte; (v) indeferir a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide; b) Por maioria de votos, para manter a glosa sobre os serviços administrativos de despachantes aduaneiros. Vencidos, no ponto, os conselheiros Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que concederam os créditos correspondentes. Fl. 530DF CARF MF Processo nº 10783.900015/201213 Acórdão n.º 3201004.809 S3C2T1 Fl. 4 3 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão n.º 06047.504 3ª Turma da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. O relatório da decisão de primeira instância descreve os fatos dos autos. Nesse sentido, transcrevese trechos do relatório da referida decisão: (...) O Auditor Fiscal informa que a fiscalização se iniciou com a ciência do termo de início de fiscalização em 17/01/2012. Tal termo especifica como período fiscalizado o transcorrido entre 01/2007 e 12/2009. Comunica que a contribuinte exerce atividade de industrialização e comercialização de fertilizantes contemplados no capítulo 31 da TIPI, bens cujas receitas de vendas estão sujeitas à alíquota zero do PIS/Pasep e da Cofins. O processo produtivo da empresa está descrito às fls. 983/985 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n° 10783.921005/201122. Na sequência, no tópico “FUNDAMENTAÇÃO” disserta sobre a legislação de regência da contribuição em análise, explica a sistemática de creditamento do PIS/Pasep e da Cofins e define o conceito de insumo fornecido pelas Instruções Normativas n°s 247/2002 e 404/2004. Ao fim, informa que, com base na análise da escrituração do sujeito passivo e planilhas de apuração das contribuições e de outros elementos apresentados pela contribuinte, apurou inconsistências nos valores dos créditos pleiteados. Diz que, consequentemente, foram realizados ajustes nos dados do Dacon, adequando o PER ao disciplinado na legislação tributária. No tópico “I – DOS CRÉDITOS PLEITEADOS”, explica que não foram realizadas glosas nas despesas de energia elétrica, serviços de industrialização, depreciação, fretes em operações de venda e locação de prédios, bem como, nas aquisições de embalagens, enxofre e bens para revenda. Em relação à base de cálculo, não foram realizados ajustes. No item “I.1 – DESESTIVA/DESPACHANTE”, relata que o serviço ou o bem adquirido, para ser utilizado no cálculo dos créditos a descontar, deve, necessariamente, ser aplicado ou consumido na Fl. 531DF CARF MF Processo nº 10783.900015/201213 Acórdão n.º 3201004.809 S3C2T1 Fl. 5 4 fabricação do produto. Aduz que o conceito de insumo não abrange os serviços de qualquer natureza, de modo que os serviços administrativos, de auditoria, aqueles decorrentes de atividades meio não configuram serviços sujeitos à apuração de créditos de PIS/Pasep e de Cofins. Informa que foram desconsideradas as despesas de despachante e desestiva, visto que estes serviços não se enquadram na definição de insumo, uma vez que não são destinados à área de comercialização dos produtos e não de sua produção. Explica que os valores foram glosados em sua totalidade, nos montantes indicados nas planilhas de fls.974/976 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n°10783.921005/201122. No item “I.2 SERVIÇOS E BENS NÃO ADMITIDOS”, explana que a empresa fiscalizada se apropriou de créditos decorrentes de serviços de pintura, de cópia de chaves, de gráficas, serviços gerais, médicos, de confecção de andaimes, de tratamento de efluentes, dentre outros. Narra que a interessada se apropriou também de créditos nas aquisições e no transporte de ferramentas, fusíveis, plugs, materiais para almoxarifado, vestuário dos funcionários, materiais de escritório, utensílios de elevadores, cartuchos de impressora, armários, cadeados, celulares, materiais elétricos, radiadores e baterias para carros, graxas, vale transportes de funcionários, dentro outros. Explica que em outras situações não foi discriminado o serviço ou o produto adquirido. Todos esses bens e serviços foram glosados por não serem considerados insumos do processo produtivo da empresa. Os ajustes foram compilados na “planilha 2” (fls.1.133/1.278 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n°10783.921005/2011 22), a qual, conforme explica a autoridade fiscal, “engloba também as despesas de frete incorridas para o transporte desses bens, que, por ausência de previsão legal, não podem ser utilizados para fins de desconto de créditos”. No item “I.3 FRETES SOBRE COMPRAS”, explica que quando o seguro e o frete para a entrega de bens correrem por conta do comprador, por integrarem os custos de aquisição (art. 289, § 1o do RIR/99), eles compõem a base de cálculo do crédito da contribuição. Aduz, porém, que a Lei n° 10.865/2004 redefiniu as condições para o direito ao crédito do PIS/Pasep e da Cofins, ao alterar a redação dos arts. 3º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, ao incluir a seguinte vedação ao direito do crédito no inc. II, do §2º dos citados artigos: “não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição”. A autoridade fiscal explica que, com base nessa disposição, os contribuintes não podem descontar créditos de PIS e Cofins decorrentes de aquisições de insumos com alíquota zero e utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. O Auditor Fiscal relata que o inciso I do art. 1º da Lei n° 10.925/2004 reduziu a zero as alíquotas de PIS/Pasep e de Cofins incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado Fl. 532DF CARF MF Processo nº 10783.900015/201213 Acórdão n.º 3201004.809 S3C2T1 Fl. 6 5 interno de adubos ou fertilizantes classificados no Capítulo 31, exceto os produtos de uso veterinário e suas matériasprimas. Informa que a contribuinte apresentou a relação das notas fiscais referente às despesas com transportes de insumos, discriminando os produtos transportados. Diz que, em quase sua totalidade, os insumos adquiridos estão sujeitos à alíquota zero, pois são matérias primas para a produção de fertilizantes. Entende que se não há previsão legal para apuração de crédito na aquisição de adubos, fertilizantes e suas matériasprimas e se as despesas de frete incorridas para o seu transporte integram o custo de aquisição, logicamente, não poderia ter sido apurado crédito sobre as despesas de frete. Informa que na “planilha 3” discriminou todas as despesas de frete que foram glosadas, na qual também foram incluídas as despesas de fretes sem descrição do produto transportado (fls. 1.279/5.002 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n° 10783.921005/201122). Explica, por fim, que foi garantido o aproveitamento de créditos no transporte de ureia, quando adquirida para fins veterinários, visto haver tributação sobre esse insumo. No item “I.4 ARMAZENAGEM”, explica que, intimada a comprovar as despesas realizadas nesta rubrica, a contribuinte informou que se tratavam de armazenagem de insumos adquiridos que, por razões de logística e capacidade de armazenagem interna, eram guardados em armazéns externos. Afirma, todavia, nos termos do inciso IX do art. 3º da Lei n° 10.833/2003, extensiva ao PIS/Pasep em função do inciso II do art. 15 da mesma lei, que tal crédito é restrito às despesas efetuadas nas operações de vendas e se o ônus for suportado pelo vendedor. Entende que as despesas com armazenagem de insumo ou mercadorias adquiridas para industrialização ou revenda não geram direito ao crédito das contribuições. Diz que tal entendimento é corroborado pelas Soluções de Consulta n° 151/2006 (8a RF), n° 25/2009 (8aRF) e n° 403/2007 (Cosit). Informa que está discriminado na “planilha 4” todas as despesas de armazenagem que foram glosadas (fls. 5.003/5.040 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n° 10783.921005/201122). No item “I.5 – ENTRADA BENS P/ REVENDA – URÉIA PECUÁRIA EEMBALAGENS”, relata que no processo administrativo de n° 15586.001201/201048 foi lavrado o Parecer n° 83/2010 e seu respectivo Despacho Decisório, com ciência da contribuinte em 26/11/2010, no qual foi feita a análise do PER de n° 29114.33033.090409.1.1.111732,referente a créditos da Cofins não cumulativa (mercado interno) do 3º trimestre de 2008. Diz que, neste processo, ficou provado que a contribuinte se apropriou indevidamente, neste trimestre, de créditos relativos às aquisições de ureia pecuária e de embalagens correspondentes a períodos anteriores (janeiro de 2005 a Fl. 533DF CARF MF Processo nº 10783.900015/201213 Acórdão n.º 3201004.809 S3C2T1 Fl. 7 6 junho de 2008), nos montantes de R$160.094.943,96 e R$ 17.854.396,54, respectivamente. Informa que a contribuinte justificou o procedimento adotado, invocando o art. 16 da Lei n° 11.116/2005, o qual autorizou a compensação e o ressarcimento de créditos de PIS/Pasep e Cofins vinculados a operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência. Relata que o Acórdão de n° 1335.523, proferido pela DRJ/RJ2 em 16/06/2011, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendose integralmente o Despacho Decisório proferido. Narra que o entendimento da DRJ foi no sentido de considerar indevida a inclusão na base de cálculo dos créditos os valores de custos, encargos e aquisições que ensejariam a apropriação dos créditos correspondentes, mas que dizem respeito, todavia, não ao 3º trimestre de 2008, mas a trimestres anteriores de apuração. Explica que o procedimento adotado não se restringiu à inclusão em um mesmo PER de créditos originados de períodos anteriores àquele a que se refere, mas cometeu o mesmo erro no Dacon, ao incluir no mês de setembro de 2008 os custos de aquisições de insumos e embalagens originados em meses anteriores (desde janeiro de 2005). Entende que a contribuinte, assim agindo, não promoveu o necessário e regular confronto dos créditos decorrentes de tais operações de meses anteriores de apuração, utilizandoos na dedução da contribuição devida no próprio mês de apuração, em desrespeito ao regime de competência de apuração da contribuição. Por tal razão, as mesmas glosas efetuadas na apuração do saldo de créditos da Cofins foram mantidas na apuração do saldo de créditos de PIS. No tópico “III – RESSARCIMENTO”, explica que os ajustes de créditos realizados, bem como o percentual de rateio utilizado para separar os diferentes tipos de créditos, foram discriminados no “Demonstrativo de Apuração do PIS”, constante às fls.5.041/5.043, bem como no “Demonstrativo de Apuração da Cofins”, constante às fls.5.044/5.046 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n°10783.921005/201122. Informa que os créditos vinculados a receitas tributadas no mercado interno foram consumidos antes dos créditos vinculados a receitas não tributadas no mercado interno e antes dos créditos vinculados a receitas de exportação. (...) A autoridade fiscal propôs, ainda, a homologação das Dcomp vinculadas ao PER até o limite do crédito reconhecido por trimestre calendário, por tributo e por tipo de crédito. Com base no Parecer de n° 74/2012, foi emitido Despacho Decisório pelo Delegado da RFB em Vitória/ES, reconhecendo o direito creditório proposto e homologando as compensações vinculadas até o limite do crédito reconhecido. Fl. 534DF CARF MF Processo nº 10783.900015/201213 Acórdão n.º 3201004.809 S3C2T1 Fl. 8 7 (...) Cientificada (...), a contribuinte apresentou (...) a manifestação de inconformidade, a seguir sintetizada. No tópico “I DOS FATOS”, explica que com a edição do artigo 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004, passou a ser possível a manutenção dos créditos relativos às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência. Aduz que, posteriormente, foi editada a Lei n° 11.116/05, cujo artigo 16 autorizou a compensação destes créditos com outros tributos federais ou, ainda, seu ressarcimento. Diz que, por isso, apurou o saldo credor solicitado no PER. Resume, ao fim, as glosas realizadas e diz que os fundamentos utilizados pela autoridade fiscal não podem prosperar. No tópico “II DO DIREITO”, aduz, preliminarmente, que a manifestação de inconformidade apresentada engloba todos os processos apensados. A seguir, no item “DA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIOANTE A AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DA GLOSA DE CRÉDITOS DE PIS ORIUNDOSDA AQUISIÇÃO DE UREIA E EMBALAGEM PERÍODO DE JAN/05 A SET/08”, aduz que a autoridade fiscal, ao tratar dos créditos extemporâneos de PIS/Pasep e Cofins oriundos da aquisição de ureia e embalagem no período de jan/05 a set/08, se pautou tão somente na análise dos créditos de Cofins, sem, contudo, fundamentar a decisão com relação ao PIS/Pasep. Explica que não há uma ausência absoluta de motivação das glosas realizadas. Diz, todavia, que há latente insuficiência da motivação, decorrente da precariedade da análise realizada, que, em última instância, acabou por inviabilizar o entendimento acerca do trabalho fiscal realizado, prejudicando o direito ao contraditório. Entende ser inquestionável a necessidade de reconhecimento da nulidade do despacho decisório por cerceamento do direito de defesa e do contraditório, haja vista a inexistência de elementos sólidos para definir os motivos específicos das glosas perpetradas em relação aos créditos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de ureia e embalagem. Argumenta que a indicação específica dos fatos que ensejaram a glosa dos créditos tributários é um dos requisitos de validade das decisões administrativas, conforme se depreende do art. 50, I, da Lei 9.784/99. Diz ainda que são nulos os despachos proferidos com preterição do direito de defesa, nos termos do artigo 59 do Decreto 70.235/72. Traz decisão do CARF sobre o assunto. Requer a nulidade do despacho decisório. A seguir, no item “DA DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO DE INDEFERIR O DIREITO AO CRÉDITO DE PIS E DE COFINS APROPRIADO ATÉ MAIO DE 2007”, assevera que a autoridade fazendária glosou os créditos oriundos da aquisição de serviços de desestiva, frete sobre compra, armazenagem e de bens e serviços empregados na da produção, referentes ao período transcorrido entre o 1º trimestre de 2007 e o 4º trimestre de2009 e, ainda, créditos Fl. 535DF CARF MF Processo nº 10783.900015/201213 Acórdão n.º 3201004.809 S3C2T1 Fl. 9 8 extemporâneos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de uréia e embalagem do período de janeiro de 2005 a setembro de 2008. Alega, todavia, que já estava decaído o direito de o Fisco glosar os créditos apurados até 05/2007. Diz que o reconhecimento do direito creditório se deu entre 01/2007 e12/2009, ocasião em que apropriou os créditos em sua escrita fiscal e os declarou em Dacon. Explana que a contribuição em análise está sujeita ao lançamento por homologação, de modo que lhe compete apurar mensalmente o montante de tributo devido, declarálo ao Fisco e efetuar o recolhimento. Informa que a homologação pode ocorrer expressa ou tacitamente, a qual se dá pelo transcurso do prazo de 5 (cinco) anos sem a manifestação do fisco, tornando extinto o crédito tributário, nos termos do §4° do art. 150 do CTN. Argumenta que uma vez pago o tributo devido começou a fluir o prazo decadencial de 05 (cinco) anos para o Fisco averiguar se estava correto o procedimento adotado, bem como lançar eventual diferença. Preconiza que, em relação aos créditos apurados entre 01/2005 e 05/2007, o prazo para o Fisco indeferilos findouse em 31/05/2012. Informa que a notificação sobre o indeferimento dos créditos ocorreu no dia 13/06/2012, ou seja, quando já decorrido o prazo decadencial para que o Fisco pudesse rever os valores creditados para apuração do tributo. Requer que seja reconhecido como homologado tacitamente os créditos apropriados entre 01/2005 e 05/2007. No item “DA IMPOSSIBILIDADE DE RESTRIÇÃO INFRALEGAL AO CONCEITO DE INSUMO”, explica que as Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03 determinam que a pessoa jurídica poderá fazer algumas deduções da sua base de cálculo, prevendo que podem ser descontados os bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na fabricação de bens destinados à venda. Diz que ao regulamentar as leis, a RFB externou, por meio das Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04, o seu entendimento do que consiste o termo “insumo” parafins de PIS/Pasep e Cofins, equiparando o ao conceito estabelecido para o IPI, o que não merece prosperar, uma vez que a lei assim não o fez. Explica que tais Instruções Normativas não oferecem a melhor interpretação ao art. 3o, inciso II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03, pois a concepção estrita de insumo não se coaduna com a base econômica da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, cujo ciclo de formação não se limita à fabricação de um produto ou à execução de um serviço, abrangendo outros elementos necessários à obtenção de receita. Explana que a base de cálculo do IPI é o valor da mercadoria industrializada, de modo que insumo, neste caso, está relacionado apenas aos elementos que entram na composição do valor da mercadoria, tais como matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. Por sua vez, o PIS/Pasep e a Cofins têm como base de cálculo a receita, que é composta por todos os ingressos que integram o patrimônio da pessoa jurídica, razão pela qual o insumo se relaciona com a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte, as quais, para serem obtidas, exigem que os contribuintes incorram em despesas e custos. Fl. 536DF CARF MF Processo nº 10783.900015/201213 Acórdão n.º 3201004.809 S3C2T1 Fl. 10 9 Em função disso, entende que para as contribuições ao PIS e à Cofins o significado de insumo é muito mais abrangente do que o do IPI, devendo integrar todas as despesas e custos necessários utilizados na produção de bens e serviços que abarão gerando receita, relacionados nos artigos 290 e 299 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n°3.000/1999), e que definem, respectivamente, custos e despesas operacionais. Aduz que o CARF proferiu decisão na qual reconhece a validade do conceito de insumo oferecido pela legislação do IRPJ, afastando a possibilidade de utilização dos conceitos de insumo trazidos pela legislação do IPI. Assevera que a Justiça Federal está adotando o entendimento do CARF. Anexa decisão da 1a Turma do TRF da 4a Região. Alega que as Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03 não conceituam e nem limitam o conceito de insumos, assim como não remetem à utilização subsidiária da legislação do IPI para o alcance de seu conceito, razão pela qual entende que a restrição ao conceito de insumo trazida nas referidas Instruções Normativas são ilegais, ferindo o princípio constitucional da legalidade. Por fim, ressalta, “apenas por amor à argumentação”, que mesmo em caso de atendimento ao disposto nas IN SRF n°s 247/02 e 404/04, que faz jus aos créditos em discussão, pois consoante se verifica do seu objeto social, é produtora de fertilizantes, sendo imprescindível a observância de todas as etapas relativas ao processo produtivo, o qual abrange desde a chegada dos insumos importados, o carregamento, o transporte, a pesagem, a produção dos fertilizantes, a distribuição e a venda destes produtos. Requer o cancelamento das glosas realizadas relativamente aos dispêndios com insumos. No item “DO DIREITO AO CRÉDITO DE DESESTIVA”, argumenta que, à época, todos os desembolsos efetuados com operações portuárias eram classificados como desestiva, de modo que dentro desta conta foram contabilizados os custos de armazenagem alfandegada (acondicionamento da matériaprima em armazéns dentro do porto até a sua transferência para a fábrica), descarga (ato de retirar a matéria prima do navio),movimentação (movimentação dos produtos dentro do porto) e a própria desestiva (serviços de organização da matériaprima dentro do navio para que a mesma possa ser descarregada). Relata que tais atividades são realizadas por pessoas jurídicas especializadas que atuam apenas para este fim, sem os quais seria impossível a retirada da mercadoria dos porões dos navios e o seu acondicionamento nos caminhões de transporte. Diz que a Lei n° 8.630/93 regulamenta a atividade portuária e determina que todas as movimentações de cargas destinadas ou provenientes de transporte aquaviário devem ser realizadas por pessoas jurídicas préqualificadas para operar no porto. Alega que, assim, pode, com base no artigo 3o, inc. II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/2003, descontar créditos de PIS/Pasep ou Cofins sobre aquisições de insumos, bens e serviços empregados na fabricação Fl. 537DF CARF MF Processo nº 10783.900015/201213 Acórdão n.º 3201004.809 S3C2T1 Fl. 11 10 de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Argumenta que a questão que gera inúmeras discussões doutrinárias e jurisprudenciais é o real significado de insumo, uma vez que não existe uma definição legal, mas apenas instruções normativas publicadas pela RFB na tentativa de conceituálo. Diz que após diversas decisões conflitantes, a Receita Federal publicou a Solução de Divergência n° 15/2008, a qual define insumo como “aqueles bens ou serviços adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado”. Afirma que tal entendimento lhe possibilita apropriar créditos sobre o valor de aquisição de insumos que não necessariamente se consumam ou desgastem em razão do contato com o produto em fabricação, mas também sobre insumos que são aplicados direta ou indiretamente no processo produtivo de determinada mercadoria, sem que tenham sido desgastados ou consumidos. Cita o art. 110 do CTN, segundo o qual a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance dos conceitos de direito privado. Delimita o conceito de insumo com base na NPC n° 02 do IBRACON (Instituto dos Auditores Independentes do Brasil), que define custo como todos os gastos incorridos para a aquisição e/ou produção de um bem. Traz, também, o conceito de custo fornecido pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC n° 1.170/2009). Entende que é este o conteúdo que deve ser dado ao conceito de insumo pela RFB. Conclui que se enquadram no conceito de custo de produção os incorridos, intrínsecos e necessários na aquisição e na prestação de determinado bem até a etapa em que ele estiver em condições de ser comercializado. Alega, ainda, que a atividade portuária é essencial à sua atividade, o que está cabalmente demonstrado por fotos constantes em documentos anexos. Afirma que tais custos são intrínsecos ao seu processo produtivo, pois, caso algum deles não seja efetuado, a matéria prima não terá continuidade no processo produtivo. Entende, pelo exposto, que os serviços mencionados são, efetivamente, utilizados como insumo no processo produtivo da indústria, haja vista que, após a liberação do Ministério da Agricultura ou da Receita Federal, iniciase todo o serviço de desestiva e descarga do navio, a fim de acomodar as mercadorias dentro do caminhão que as transportará para o processo produtivo da indústria. Traz aos autos fluxograma para demonstrar o procedimento realizado. Afirma que os serviços realizados não podem jamais serem tratados como uma mera atividade meio ou uma despesa administrativa, como entendeu a autoridade fazendária, haja vista que são atividades essenciais e que estão intrinsecamente ligadas à produção de fertilizantes. Requer que se considere os serviços de desestiva, descarregamento, armazenagem alfandegada e movimentação como insumo do processo produtivo e, consequentemente, se reconheça os descontos dos créditos efetuados. Argumenta, com base na citada decisão do CARF, que o conceito de insumo para o PIS/Cofins é o mesmo utilizado na legislação do IRPJ, Fl. 538DF CARF MF Processo nº 10783.900015/201213 Acórdão n.º 3201004.809 S3C2T1 Fl. 12 11 ou seja, insumos não apenas as matériasprimas, mas todos os custos diretos ou indiretos da cadeia produtiva. Argumenta que mesmo que não fossem consideradas as despesas com desestiva, descarregamento, movimentação e armazenagem como prestação de serviços aplicados na produção, devese considerálas como englobadas no custo de transporte, o qual integra o conceito de frete. Diz que não é por não estar amparada por um documento fiscal, apresentado por uma transportadora, que não pode ter direito ao crédito de PIS/Cofins, pois a caracterização do serviço está relacionado ao transporte que faz parte de seu processo produtivo. Aduz que a RFB reconhece o crédito sobre o frete pago no transporte das matérias primas até o estabelecimento fabril. Traz soluções de consultas da RFB sobre o assunto. Requer, por fim, uma vez que a fiscalização não efetuou qualquer questionamento sobre a composição dos lançamentos classificados nas rubricas DESESTIVAS/DESPACHANTES, que seja efetuada diligência para responder qual é o valor dos créditos que deverão ser aceitos nos pedidos de ressarcimento. No item “SERVIÇOS DE TRANSPORTE FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS”, relata que o Fisco glosou crédito de despesas com fretes na aquisição de insumos, não obstante a existência dos devidos comprovantes (CTRC e notas fiscais). Argumenta que, de forma equivocada, concluiu a autoridade fiscal que como os insumos adquiridos (exceto a ureia) são tributados à alíquota zero não poderia haver crédito sobre o respectivo frete. Alega, entretanto, que a alíquota zero aplicada às aquisições de matérias primas não se estende ao frete, que sofre a tributação normal do PIS/Pasep e da Cofins. Afirma que este esse é o entendimento adotado pela melhor jurisprudência do CARF e das DRJ. Traz algumas ementas de decisões desses órgãos, assim como as Soluções de Consulta nº 17/2010 e n° 234/2007. Requer o reconhecimento da totalidade dos créditos oriundos dos fretes sobre compra de insumos. No item, “DOS CRÉDITOS DAS DESPESAS DE ARMAZENAGEM”, aduz que adquire seus insumos básicos em grandes quantidades e, assim, necessita armazenálos, o que nem sempre ocorre nas dependências da empresa. Diz que duas das Soluções de Consulta utilizadas pelo Auditor Fiscal para efetuar as glosas lhe é favorável. Afirma que a Solução de Consulta n° 403/2007 esclarece que os créditos das despesas de armazenagem são devidos desde que seu respectivo ônus seja suportado pela tomadora de créditos, que é o caso em análise. Explica que a Solução de Consulta n° 25/2009, a seu turno, elucida que os créditos de armazenagem não são devidos quando a despesa se refere a produtos que não foram aplicados diretamente na produção, o que não é o caso dos autos. Requer o reconhecimento dos créditos glosados. No item “DOS SERVIÇOS E BENS NÃO ADMITIDOS”, explica que a fiscalização glosou diversos créditos relacionados a bens e serviços adquiridos, inclusive atinentes às despesas incorridas para o transporte desses bens. Diz, todavia, que tais bens e serviços são utilizados como insumos, pois se tratam de ferramentas operacionais, materiais de manutenção, etc, os quais estão diretamente ligados ao Fl. 539DF CARF MF Processo nº 10783.900015/201213 Acórdão n.º 3201004.809 S3C2T1 Fl. 13 12 processo produtivo. Aduz que o conceito de “insumo” não pode ficar restrito ao conceito legalmente estatuído para o IPI. Requer a reversão das glosas efetuadas. No tópico “DA GLOSA DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS DE PIS ORIUNDOS DA AQUISIÇÃO DE URÉIA PECUÁRIA E EMBALAGEM – PERÍODO DE JAN/05 A SET/08”, relata que, conforme exposto em preliminar, a autoridade fiscal glosou créditos de PIS oriundos da aquisição de ureia pecuária e de embalagem, no período de 01/2005 a 09/2008, sem qualquer motivação específica e sem indicação das normas jurídicas eventualmente infringidas, em patente ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Diz que tal indeferimento se deu unicamente sob o argumento de que estavam sendo mantidas em relação ao PIS as glosas realizadas em relação à Cofins no PAF de n° 15586.001201/201048. Afirma que, se não for acatada a preliminar de nulidade, há argumentos, expostos a seguir, que rebatem a glosa perpetrada. No item “DOS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS DE PIS”, explica que transmitiu PER em virtude da aquisição de ureia pecuária e embalagens aplicadas em seu processo produtivo, referentes ao período de 01/2005 a 09/2008. Diz que tal direito creditório foi glosado sob o possível entendimento de que deveria ter feito o pedido para cada trimestre calendário, nos termos dos artigos 21 e 22 da IN n° 600/2005. Diz que tal entendimento não merece prosperar pelos seguintes motivos. No item “DA IMPOSSIBILIDADE DA REVOGAÇÃO DE LEI POR MEIO DE INSTRUÇÃO NORMATIVA”, expõe que o artigo 16 da Lei n° 11.116/2005 não obrigou que os sujeitos passivos fizessem um PER para cada trimestre como condição para utilizar créditos extemporâneos. Afirma que a lei apenas criou o direito ao crédito e que a única obrigação trazida era de que o saldo credor fosse acumulado em cada trimestre. Aduz que se a lei não restringiu o direito do contribuinte, uma mera instrução normativa não tem o condão de fazêlo, devendo ser observado o princípio da legalidade. Traz à baila o art. 100 do CTN. Argumenta que não há dúvidas sobre o caráter regulatório das Instruções Normativas, que, como normas secundárias, não podem ir além daquilo que foi determinado em lei. Conclui que não merece prosperar a decisão da autoridade fiscal. No tópico “DA OBSERVÂNCIA PELA MANIFESTANTE DO PROCEDIMENTO NECESSÁRIO PARA COMPENSAÇÃO”, assevera que o art. 16 da Lei n° 11.116/05 determina que os contribuintes somente podem utilizar seu crédito acumulado de PIS/Cofins para compensálo com outros tributos após o encerramento do trimestre. Entende que o legislador não proibiu os contribuintes de fazer um único pedido, reunindo saldos acumulados de trimestres anteriores já encerrados. Diz que a obrigatoriedade trazida é apenas que a apuração do saldo credor seja feita a cada trimestre. Informa que quando lançou, deforma extemporânea, em seu Dacon do mês 09/2008 todas as suas operações com direito a crédito do período compreendido entre 01/2005 e 09/2008 e, consequentemente, entregou PER e Dcomp, já estavam encerrados todos os trimestres cujo crédito se pleiteava. Fl. 540DF CARF MF Processo nº 10783.900015/201213 Acórdão n.º 3201004.809 S3C2T1 Fl. 14 13 No tópico “DA COMPOSIÇÃO DO SALDO CREDOR REFERENTE AO 3º TRIMESTRE DE 2008”, diz que o saldo credor deste período é composto pelos créditos apurados dentro do próprio trimestre e pelos créditos extemporâneos reconhecidos no trimestre. Diz ter agido de acordo com as normas jurídicas aplicáveis ao caso e ter feito um único PER. Alega que incorporar crédito extemporâneo aos créditos do 3o trimestre de 2008 apenas lhe prejudicou, em virtude do atraso na devolução do saldo credor a que tem direito. No tópico “DA APLICAÇÃO AO CASO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL” diz, novamente, ser possível a utilização de créditos extemporâneos. Aduz que a autoridade fiscal não pode deixar de reconhecêlos apenas por entender que o procedimento para sua utilização ter sido feita da forma inadequada. Diz que no processo administrativo tributário deve prevalecer sempre a verdade material. Traz decisões do antigo Conselho de Contribuintes sobre a aplicação do princípio. Postula por sua aplicação, reformando a decisão prolatada. No tópico “DA JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO”, explica que no exíguo prazo de 30 dias para apresentação da Manifestação de Inconformidade não foi possível apresentar toda a documentação que respalda os argumentos expostos. Pede, em homenagem ao princípio da ampla defesa, pela entrega dos documentos, a fim de provar a verdade dos fatos até antes do julgamento. No tópico “DA PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL”, requer, com base no artigo 16 do Decreto 70.235/72, a realização de diligência para responder a seguinte questão: “qual é o valor do crédito de PIS/Cofins oriundos dos lançamentos classificados como “desestiva/despachantes”, frete sobre compras, armazenagem e serviços e bens não admitidos que, de acordo com o conceito de insumo, já consagrado pelo CARF, deverá ser aceito no PER?” Protesta pela formulação de quesitos complementares. Nomeia como assistentes técnicos o Sr. Rubens Leite de Mattos, contador, inscrito no CRC 1SP163.568/06, e o Sr. Fabiano de Oliveira Bernarde, engenheiro, inscrito no CREA 5061932479, ambos com endereço na Avenida Irene Karcher, 620, Betel, Paulínia/SP, CEP 13148906, fone: (019) 33222289. Por fim, no tópico “DO PEDIDO”, requer: 1) a nulidade do Despacho Decisório em face da insuficiência da motivação das glosas dos créditos extemporâneos de PIS, por ofensa aos princípios da ampla defesa e do contraditório; 2) a homologação tácita dos créditos apropriados até 05/2007; 3) quanto ao mérito, o reconhecimento integral dos créditos; 4) a realização de diligência/prova pericial a fim de comprovar o todo alegado; 5) protesta pela posterior juntada de documentos até antes do julgamento; Fl. 541DF CARF MF Processo nº 10783.900015/201213 Acórdão n.º 3201004.809 S3C2T1 Fl. 15 14 6) requer que as futuras intimações sejam enviadas não só para o domicílio do contribuinte, como também para seus advogados, cujo domicílio encontrase na rua Paulo Lobo, n° 33, Cambuí, Cidade de Campinas/SP, CEP 13.025210. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O Acórdão n.º 06047.504 3ª Turma da DRJ/CTA, está assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 DECADÊNCIA. DIREITO DE EFETUAR A GLOSA DE CRÉDITOS. O prazo decadencial do direito de lançar tributo não rege os institutos da compensação e do ressarcimento e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e a certeza do crédito do sujeito passivo e a obstruir a glosa de créditos indevidos tomados pela contribuinte. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. Somente podem ser considerados insumos, os bens ou serviços intrinsecamente vinculados à produção de bens, não podendo ser interpretados como todo e qualquer bem ou serviço que gere despesas. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESESTIVA. DESPACHANTES. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com desestiva e despachantes, decorrentes de importação de mercadorias. CRÉDITOS. CUSTOS COM ARMAZENAGEM. As despesas com armazenagem somente geram créditos não cumulativos se estiverem vinculadas às operações de venda. FRETES SOBRE COMPRAS. CRÉDITOS BÁSICOS. Somente os fretes sobre compras de bens passíveis de creditamento na sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins geram direito ao crédito básico. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não há previsão legal na legislação de regência do PIS/Pasep e da Cofins para o aproveitamento extemporâneo de créditos da não cumulatividade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Fl. 542DF CARF MF Processo nº 10783.900015/201213 Acórdão n.º 3201004.809 S3C2T1 Fl. 16 15 As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência por ser absolutamente desnecessário para a solução do litígio. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário por meio do qual requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese: I. Dos Fatos A Recorrente reproduz os argumentos da impugnação explicando que com a edição do artigo 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004, passou a ser possível a manutenção dos créditos relativos às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência. Aduz que, posteriormente, foi editada a Lei n° 11.116/05, cujo artigo 16 autorizou a compensação destes créditos com outros tributos federais ou, ainda, seu ressarcimento. Diz que, por isso, apurou o saldo credor solicitado no PER. Resume, ao fim, as glosas realizadas e diz que os fundamentos utilizados pela autoridade fiscal não podem prosperar. II. Do Direito II.1 – Da Decadência – Desestiva e Outros A Recorrente alega a decadência do direito de lançar o créditos oriundos da glosa de serviços de desestiva, frete sobre a compra, armazenagem e bens e serviços empregados na produção, referentes ao período transcorrido entre o 1o trimestre de 2007 e o 4o trimestre de 2009 e, ainda, créditos extemporâneos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de uréia e embalagem do período de janeiro de 2005 a setembro de 2008. Nessa linha, repete os argumentos da impugnação, sustentando dentre outros a) que já estava decaído o direito de o Fisco glosar os créditos apurados até 05/2007; b) que o tributo era sujeito a lançamento por homologação com a contagem do prazo decadencial nos termos do §4° do art. 150 do CTN; c) que o prazo para o Fisco indeferilos findouse em 31/05/2012; d) que a notificação sobre o indeferimento dos créditos ocorreu no dia 13/06/2012, portando posterior a data de 31/05/2012. II.2 – Da Direito ao Crédito da Contribuição ao PIS e da Cofins Não Cumulativas Oriundas da Aquisição de Insumos e Serviços e da Impossibilidade de Ressarcimento/Compensação. A Recorrente argumenta que com a edição das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 a contribuição ao PIS e a Cofins tornaramse, via de regra, nãocumulativas. Complementa afirmando que teria direito ao crédito na aquisição de bens e serviços, bem como Fl. 543DF CARF MF Processo nº 10783.900015/201213 Acórdão n.º 3201004.809 S3C2T1 Fl. 17 16 das despesas incorridas para a fabricação de seu produto. Embasa sua afirmativa no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21/12/2004. O referido artigo assim dispõe: "Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota O (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações." (DOU 22/12/04) Reforça esse argumento, fazendo referência ao art. 16, da Lei nº 11.116/05 que trata dentre outros da compensação com débitos próprios do crédito acumulado a cada trimestre de PIS/Pasep e Cofins. II.3 – Da Impossibilidade de Restrição Infralegal ao Conceito de Insumo A Recorrente argumenta que a RFB por meio das Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04 da RFB fez uma interpretação equivocada do conceito de insumo para fins de PIS/Pasep e Confins constante das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03. O equívoco ocorre pois as referidas INs equipararam o conceito de insumo para fins de PIS/Pasep e Confins ao conceito de insumo para a legislação do IPI. Dessa forma, explica que os tributos em cena têm uma estrutura jurídica completamente diversa, sendo o IPI um imposto sobre a produção e o PIS/Pasep e Cofins contrições sobre a receita. Cita doutrina e jurisprudência tratando do conceito de insumo. Pede que seja reconhecido o direito creditório. II.4 – Do Direito ao Crédito de Desestiva A Recorrente defende o direito ao crédito com as atividades de desestiva. Tratase de desembolsos efetuados com operações portuárias, a saber: custos de armazenagem alfandegada (acondicionamento da matériaprima em armazéns dentro do porto até a sua transferência para a fábrica), descarga (ato de retirar a matériaprima do navio), movimentação (movimentação dos produtos dentro do porto) e a própria desestiva (serviços de organização da matériaprima dentro do navio para que a mesma possa ser descarregada). Alega que as atividades portuárias são realizadas por pessoas jurídicas domiciliadas no país e transcreve trechos da Lei nº 8.630/93. Diz que a Lei n° 8.630/93 regulamenta a atividade portuária e determina que todas as movimentações de cargas destinadas ou provenientes de transporte aquaviário devem ser realizadas por pessoas jurídicas préqualificadas para operar no porto. Alega que as despesas com o serviço de desestiva enquadramse no conceito de insumos. Cita doutrina e jurisprudência para pedir o reconhecimento do direito creditório de PIS/Pasep e Cofins. Argumenta que mesmo que não fossem consideradas as despesas com desestiva, descarregamento, movimentação e armazenagem como prestação de serviços aplicados na produção, devese considerálas como englobadas no custo de transporte, o qual Fl. 544DF CARF MF Processo nº 10783.900015/201213 Acórdão n.º 3201004.809 S3C2T1 Fl. 18 17 integra o conceito de frete. Cita jurisprudência reconhecendo o direito ao crédito nos serviços de frete na aquisição. II.5 – Serviços de Transporte – Frete na Aquisição de Insumos A Recorrente relata que o Fisco glosou o crédito de despesas com fretes na aquisição de insumos, não obstante a existência dos devidos comprovantes (CTRC e notas fiscais). Argumenta que, de forma equivocada, concluiu a autoridade fiscal que como os insumos adquiridos (exceto a ureia) são tributados à alíquota zero não poderia haver crédito sobre o respectivo frete. Argumenta que os custos relativos ao frete são tributados pelo PIS/COFINS e que faria jus ao crédito. A seu favor, cita trecho de parecer, de legislação do IR (RIR/2011 art. 289) e jurisprudência administrativa. II.6 – Dos Créditos Decorrentes das Despesas de Armazenagem A Recorrente aduz que adquire seus insumos básicos em grandes quantidades e, assim, necessita armazenálos, o que nem sempre ocorre nas dependências da empresa. Afirma que a armazenagem é um serviço indispensável ao seu processo produtivo. Dessa forma, alega que não se pode restringir o direito ao crédito de PIS/COFINS provenientes das despesas de armazenagem. II.7 – Dos Serviços e Bens Não Admitidos A Recorrente relata explica que a fiscalização glosou diversos créditos relacionados a bens e serviços adquiridos, inclusive atinentes às despesas incorridas para o transporte desses bens. Diz, todavia, que tais bens e serviços são utilizados como insumos, pois se tratam de ferramentas operacionais, materiais de manutenção, etc, os quais estão diretamente ligados ao processo produtivo. Aduz que o conceito de “insumo” não pode ficar restrito ao conceito legalmente estatuído para o IPI. Requer a reversão das glosas efetuadas. II.8 – Da Glosa dos Créditos Extemporâneos de PIS Oriundos da Aquisição de Uréia Pecuária e Embalagem – Período de Jan/05 a Jun/08 A Recorrente relata que, conforme exposto em preliminar, a autoridade fiscal glosou créditos de PIS oriundos da aquisição de ureia pecuária e de embalagem, no período de 01/2005 a 09/2008, sem qualquer motivação específica e sem indicação das normas jurídicas eventualmente infringidas, em patente ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Diz que a questão relacionada aos créditos extemporâneos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de ureia e embalagem no período de jan/05 a set/08 será tratada especificamente no PA de n° 15586.720015/201273, uma vez que tais créditos foram solicitados no PER de setembro de 2008 de n° 09266.04610.101008.1.1.100006. Pede que os autos sejam julgados em conjunto com outros processos que estavam inicialmente apensados no Processo Administrativo nº 10783.900001/201291, uma vez que são conexos por tratarem das mesmas matérias. III.8 – Da Produção de Prova Pericial/Diligência Fl. 545DF CARF MF Processo nº 10783.900015/201213 Acórdão n.º 3201004.809 S3C2T1 Fl. 19 18 A Recorrente reforça que foi requerida quando da interposição da Manifestação de Inconformidade a realização de prova pericial/diligência, para responder ao seguinte questionamento: Qual é o valor do crédito de PIS/COFINS oriundo dos lançamentos classificados como DESESTIVAS/DESPACHANTES, FRETE SOBRE COMPRA, ARMAZENAGEM e SERVIÇOS E BENS NÃO ADMITIDOS que, de acordo com o conceito de insumo, já consagrado pelo CARF, deverá ser aceito no pedido de ressarcimento? Protesta pela formulação de quesitos complementares e indica assistentes técnicos. IV – Do Pedido A Recorrente ao final pede que: 1) inicialmente, requer a Recorrente que o presente processo seja analisado em conjunto com todos os outros processos que estavam inicialmente apensados no Processo Administrativo n.o 10783.900001/201291, uma vez que são conexos por tratarem das mesmas matérias; 2) requer que seja reconhecida a homologação tácita dos créditos apurados pela Defendente até maio de 2.007, eis que quando da notificação da Defendente em 13/06/2012, já estava decaído o direito do Fisco de indeferir e glosar o direito creditório do contribuinte em decorrência do transcurso do prazo de 05 (cinco) anos, nos termos do artigo 150, g 40 do CTN; 3) requer que o presente recurso seja integralmente provido para reformar o v. acórdão recorrido e reconhecer integralmente o crédito pleiteado, eis que o conceito de insumo engloba todos os custos e despesas incorridos para a obtenção de receita advinda da venda de fertilizantes, nos termos articulados no presente recurso, e que sejam homologadas as compensações realizadas pela Recorrente, extinguindose, assim, o respectivo crédito tributário, nos termos do artigo 156, II, do CTN. 4) requer a realização de diligência/prova pericial a fim de comprovar todo o alegado. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.805, de 31/01/2019, proferido no julgamento do processo 10783.900005/201270, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 546DF CARF MF Processo nº 10783.900015/201213 Acórdão n.º 3201004.809 S3C2T1 Fl. 20 19 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.805): "O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise do Recurso Voluntário. Inicialmente a Recorrente pede que estes autos sejam julgados em conjunto com outros processos que estavam inicialmente apensados no Processo Administrativo nº 10783.900001/201291. Ocorre que os processos foram desapensados pela DRJ por entender ser melhor a análise de julgamento individualizada. Os processos apensados, digase, envolvem créditos de natureza diferentes (mercado interno não tributado e exportação) e períodos de apuração distintos. Além disso, há pontos controversos que não dizem respeito a todos os processos. Por isso, cada qual deve seguir seu próprio caminho, independentemente dos demais. (efl. 463) Assim negase o pedido, sendo que este acordão diz respeito unicamente ao PER de n° 24645.20425.080409.1.1.105572, relativo ao 4º trimestre de 2008, resultantes da não incidência de PIS/Pasep sobre as receitas de vendas não tributadas no mercado interno. Do Direito II.1 – Da Preliminar de Decadência A Recorrente alega a preliminar de decadência do direito de lançar parte dos créditos. Não lhe assiste razão. A lide trata de PER Pedido Eletrônico de Restituição, sendo que não há previsão legal acerca da ocorrência de “homologação” ou de “decadência” para que o fisco examine o direito creditório de restituição. O prazo de 5 anos para a homologação é válido para os casos de compensação, isto é, da extinção do débito (crédito tributário) por um alegado crédito. Tratase de aplicar o disposto no art. 74 da Lei n° 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. ... § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Fl. 547DF CARF MF Processo nº 10783.900015/201213 Acórdão n.º 3201004.809 S3C2T1 Fl. 21 20 § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Assim, de forma conclusiva, afasto a preliminar de decadência. II.2 – Da Direito ao Crédito da Contribuição ao PIS e da Cofins Não Cumulativas Oriundas da Aquisição de Insumos e Serviços e da Impossibilidade de Ressarcimento/Compensação. A Recorrente argumenta que com a edição das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 a contribuição ao PIS e a Cofins tornaramse, via de regra, nãocumulativas. Assiste razão a Recorrente. O art. 3º de ambas as leis utiliza o termo “insumos” para caracterizar o direito ao crédito. Tratase de assunto exaustivamente discutido neste CARF, cabendo ao intérprete da lei definir a amplitude ou abrangência do termo “insumos” para cada caso em concreto. O direito ao crédito dos insumos também está assegurado mesmo nos casos das vendas de produtos finais tributadas a alíquota zero. Nesse sentido, citase jurisprudência da CSRF deste CARF: CARF CSRF Acórdão 9303007.500 – 3ª Turma ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2008 PIS/PASEP. AQUISIÇÃO E REVENDA. ALÍQUOTA ZERO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. CRÉDITO SOBRE ARMAZENAGEM E FRETES NA VENDA. POSSIBILIDADE. As revendas, por distribuidoras, de produtos sujeitos à tributação concentrada, ainda que as receitas sejam tributadas à alíquota zero, possibilitam desconto de créditos relativos a despesas com armazenagem e frete nas operações de venda, conforme artigo 3º, IX da Lei nºs 10.637/2002 e 10.833/03. Assim, mesmo que o produto final esteja sujeito a alíquota zero, existe o direito ao crédito na aquisição de bens e serviços que tenham sido efetivamente tributados pelas contribuições na etapa anterior. Os dispositivos legais que embasam tal conclusão são a Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, §§ 7º e 8º; e a Lei 11.033, de 2004, art. 17. Assim, dáse provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito dos insumos sujeitos ao pagamento das contribuições, particularmente o frete, de produtos cuja revenda esteja sujeita a alíquota zero. II.3 – Da Impossibilidade de Restrição Infralegal ao Conceito de Insumo Fl. 548DF CARF MF Processo nº 10783.900015/201213 Acórdão n.º 3201004.809 S3C2T1 Fl. 22 21 A Recorrente argumenta que a RFB por meio das Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04 da RFB fez uma interpretação equivocada do conceito de insumo para fins de PIS/Pasep e Confins constante das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03. Assiste razão a Recorrente. O conceito de insumo é distinto do conceito de matériasprimas e produtos intermediários constante da legislação do IPI. Para o PIS/COFINS o conceito de insumo é mais amplo, ultrapassando as limitações de contato direto com o produto fabricado. Ao julgar a questão sob o prisma dos recursos repetitivos (Recurso Especial nº 1.221.170 – PR), o acórdão do STJ destacou que ao interpretar o termo insumos de forma restritiva, a Fazenda por meio das INs 247/02 e 404/04 desnaturou o sistema não cumulativo e limitou indevidamente o conceito, que está relacionado àquilo que é intrínseco à atividade econômica da empresa. A atuais redações dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 (PIS) e nº 10.833/2003 (COFINS), seguem abaixo: Lei nº 10.637/2002 (PIS) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 549DF CARF MF Processo nº 10783.900015/201213 Acórdão n.º 3201004.809 S3C2T1 Fl. 23 22 VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 550DF CARF MF Processo nº 10783.900015/201213 Acórdão n.º 3201004.809 S3C2T1 Fl. 24 23 VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) As INs 247/02 e 404/04 da RFB equipararam o conceito de insumo para fins de PIS/COFINS ao conceito de insumo para a legislação do IPI e, por isso, foram consideradas restritivas. Cabe esclarecer que o julgado na sistemática de recursos repetitivos, implica na aplicação do art. 62 do anexo II do RICARF, aprovado por meio da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Assim, nos termos do julgado do STJ, o conceito de insumo deve ser avaliado considerando a essencialidade ou relevância do bem ou serviço, ou seja, considerandose a sua necessidade ou a sua importância para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada. II.4 – Do Direito ao Crédito de Desestiva A Recorrente defende o direito ao crédito com as atividades de desestiva. Assiste razão parcial a Recorrente. Por um lado os gastos com armazenagem alfandegada (acondicionamento da matériaprima em armazéns dentro do porto até a sua transferência para a fábrica), descarga (ato de retirar a matériaprima do navio), movimentação (movimentação dos produtos dentro do porto) e a própria desestiva (serviços de organização da matériaprima dentro do navio para que a mesma possa ser descarregada) geram direito ao crédito. Tratase de questão previamente abordada por esta turma que aceita o frete na aquisição do insumo como componente de seu custo. Ora, aqui, as despesas relacionadas à Fl. 551DF CARF MF Processo nº 10783.900015/201213 Acórdão n.º 3201004.809 S3C2T1 Fl. 25 24 operação física de importação – desestiva, descarregamento, movimentação – têm a mesma natureza contábil do frete, como custo do insumo. Por outro lado, os gastos com despachantes aduaneiros e outros serviços administrativos para o cumprimento dos trâmites burocráticos de importação não geram direito a crédito. Tais despesas enquadramse no conceito de despesa administrativa. Sobre o assunto notese que a função do despachante é praticar atos administrativos como representante das empresas ou clientes pessoa física. No Brasil, ao contrário de alguns países, inexiste a obrigatoriedade de contratação de despachante aduaneiro. A empresa pode realizar de forma própria tais atividades. Tratase de disposição expressa no art. 5º do Decreto lei nº 2.472/88: Decretolei nº 2.472, de 01.09.88: Art. 5º A designação do representante do importador e do exportador poderá recair em despachante aduaneiro, relativamente ao despacho aduaneiro de mercadorias importadas e exportadas e em toda e qualquer outra operação de comércio exterior, realizada por qualquer via, inclusive no despacho de bagagem de viajante. § 1º Nas operações a que se refere este artigo, o processamento em todos os trâmites, junto aos órgãos competentes, poderá ser feito: a) se pessoa jurídica de direito privado, somente por intermédio de dirigente, ou empregado com vínculo empregatício exclusivo com o interessado, munido de mandato que lhe outorgue plenos poderes para o mister, sem cláusulas excludentes de responsabilidades do outorgante mediante ato ou omissão do outorgado, ou por despachante aduaneiro; b) se pessoa física, somente por ela, ou por despachante aduaneiro; c) se órgão da administração pública direta ou autárquica, federal, estadual ou municipal, missão diplomática ou repartição consular de país estrangeiro ou representação de órgãos internacionais, por intermédio de funcionário ou servidor, especialmente designado ou por despachante aduaneiro. Diante do exposto, reafirmase que a atividade de despachante aduaneiro é de natureza administrativa sem relação com o frete/armazenagem/logística da atividade econômica da empresa. Caberá a unidade de origem, em conjunto com a Recorrente, determinar as rubricas relativas ao pagamento de despachantes aduaneiros para a exclusão dos créditos. Assim, dáse razão parcial a Recorrente apenas para reconhecer o direito ao crédito quando do pagamento dos serviços com armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/armazenagem/logística. II.5 – Serviços de Transporte – Frete na Aquisição de Insumos A Recorrente relata que o Fisco glosou o crédito de despesas com fretes na aquisição de insumos, não obstante a existência dos devidos comprovantes (CTRC e notas fiscais). Assiste razão a Recorrente. Sobre o assunto existe jurisprudência do CARF CSRF. Fl. 552DF CARF MF Processo nº 10783.900015/201213 Acórdão n.º 3201004.809 S3C2T1 Fl. 26 25 CARF CSRF Acórdão (9303007.562) PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Dessa forma, dáse provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas dos serviços de transporte, frete, de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. II.6 – Dos Créditos Decorrentes das Despesas de Armazenagem A Recorrente aduz que adquire seus insumos básicos em grandes quantidades e, assim, necessita armazenálos, o que nem sempre ocorre nas dependências da empresa. Afirma que a armazenagem é um serviço indispensável ao seu processo produtivo. Assiste razão a Recorrente. Conforme consta da leitura dos autos, entendo que os serviços de armazenagem são essenciais para a atividade da empresa que opera com carga a granel. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo. Tal conceito ensina que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o teste de subtração para a armazenagem dos produtos é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre a armazenagem do insumo a granel. Dessa forma, dáse provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. II.7 – Dos Serviços e Bens Não Admitidos A Recorrente relata explica que a fiscalização glosou diversos créditos relacionados a bens e serviços adquiridos, inclusive atinentes às despesas incorridas para o transporte desses Fl. 553DF CARF MF Processo nº 10783.900015/201213 Acórdão n.º 3201004.809 S3C2T1 Fl. 27 26 bens. Diz, todavia, que tais bens e serviços são utilizados como insumos, pois se tratam de ferramentas operacionais, materiais de manutenção, etc, os quais estão diretamente ligados ao processo produtivo. Da leitura dos autos depreendese que tais créditos serão analisados no processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n° 10783.921005/201122, a qual engloba também as despesas de frete incorridas para o transporte desses bens. II.8 – Da Glosa dos Créditos Extemporâneos de PIS Oriundos da Aquisição de Uréia Pecuária e Embalagem – Período de Jan/05 a Jun/08 A Recorrente relata que, conforme exposto em preliminar, a autoridade fiscal glosou créditos de PIS oriundos da aquisição de ureia pecuária e de embalagem, no período de 01/2005 a 09/2008, sem qualquer motivação específica e sem indicação das normas jurídicas eventualmente infringidas, em patente ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Diz que a questão relacionada aos créditos extemporâneos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de ureia e embalagem no período de jan/05 a set/08 será tratada especificamente no PA de n° 15586.720015/201273, uma vez que tais créditos foram solicitados no PER de setembro de 2008 de n° 09266.04610.101008.1.1.100006. Em vista do exposto entendese que o assunto será objeto de julgamento no processo n° 15586.720015/201273. III.8 – Da Produção de Prova Pericial/Diligência A Recorrente reforça que foi requerida quando da interposição da Manifestação de Inconformidade a realização de prova pericial/diligência. Entendo que desnecessária a realização de perícia/diligência para solução da lida. A questão dos lançamentos realizados para o pagamento dos serviços administrativos de despachantes aduaneiros pode perfeitamente ser sanada pela unidade de origem, em conjunto com a Recorrente, ou de maneira isolada. Assim, negase provimento. Conclusão Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, conforme abaixo. 1) Negar a análise conjunta com outros processos tendo em vista a exposição de motivos realizada pela DRJ; 2) Indeferir a preliminar de decadência por tratarse de pedido de restituição; 3) No mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para: (a) por unanimidade de votos: (i) reverter as glosas do frete de insumos, mesmo quando a revenda dos produtos sujeitase a alíquota zero; (ii) reverter as glosas do frete sobre a revenda de produtos; (iii) reverter as glosas relativas aos serviços de armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/ armazenagem/ logística; Fl. 554DF CARF MF Processo nº 10783.900015/201213 Acórdão n.º 3201004.809 S3C2T1 Fl. 28 27 (iv) reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte; (v) indeferir a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide; (b) por maioria de votos: manter a glosa sobre os serviços administrativos de despachantes aduaneiros. Não julgar a questão dos serviços e bens não admitidos que serão objeto de julgamento em outro processo. Não julgar a questão dos créditos extemporâneos que serão objeto de julgamento em outro processo. Negar provimento a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado indeferiu a preliminar de decadência por tratarse de pedido de restituição. No mérito, o colegiado deu parcial provimento ao Recurso Voluntário para: (i) reverter as glosas do frete sobre a aquisição de insumos, mesmo quando a aquisição sujeitase à alíquota zero; (ii) reverter as glosas do frete sobre a revenda de produtos; (iii) reverter as glosas relativas aos serviços de armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/ armazenagem/ logística; (iv) reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte; (v) indeferir a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide e, por último, para manter a glosa sobre os serviços administrativos de despachantes aduaneiros. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 555DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.903839/2009-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2201-000.346
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade responsável pela administração do tributo manifeste-se, nos aspectos material e formal, sobre a documentação contábil juntada pela recorrente, mais especificamente as de fl. 74/112, bem assim para que diligencie no sentido de identificar as Atas de Reunião de Cotistas registradas na Junta Comercial no período.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade responsável pela administração do tributo manifestese, nos aspectos material e formal, sobre a documentação contábil juntada pela recorrente, mais especificamente as de fl. 74/112, bem assim para que diligencie no sentido de identificar as Atas de Reunião de Cotistas registradas na Junta Comercial no período. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário de fls. 66/68 apresentado em face da decisão em sede de manifestação de inconformidade (fls. 57/60) que não reconheceu o direito de crédito da ora Recorrente. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .9 03 83 9/ 20 09 -5 1 Fl. 129DF CARF MF Processo nº 13888.903839/200951 Resolução nº 2201000.346 S2C2T1 Fl. 130 2 Dado o didatismo do relatório elaborado na decisão recorrida, transcrevo: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de n.º 18301.52542.090306.1.3.046008, por intermédio da qual o contribuinte pretende compensar débito de Cofins (código de receita: 5856) com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (IRRF, código de arrecadação: 5706), concernente ao período de apuração: 31/12/2005. Por intermédio do despacho decisório de fl. 15, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 02/03, na qual alega, em síntese, que: a) o presente despacho apresenta a não homologação do crédito pleiteado pela Agroceres, acusando que este já tenha sido utilizado no pagamento de número 2255925091; b) por um equívoco no momento do preenchimento da DCTF do mês de dezembro de 2005, informou um débito no valor de R$ 225.000,00, código receita: 5706, PA 5ª semana/Dezembro, o qual não ocorreu, gerando, portanto, valor pago indevidamente, representado pelo DARF no valor de R$ 75.000,00 (parte de R$ 225.000,00), cujo pagamento ocorreu em 04/01/2006 (doc.1); c) para comprovar que não houve o pagamento de Juros sobre remuneração de capital próprio, o qual geraria a obrigatoriedade de recolhimento do IRRF, apresenta cópia da DIPJ 2006 (doc. 2), anocalendário de 2005, onde verificase na Ficha 06A, página 05, linha 35, que tal valor apresentase zerado; d) ainda, com o intuito de corrigir o engano, estamos apresentando cópia da DCTF originalmente enviada (doc.3), e de sua retificação (doc.4). Ao final, requer o acolhimento da presente manifestação de inconformidade, de forma que seja reconhecido o crédito no valor de R$ 75.000,00, e homologada integralmente a compensação declarada no PER/DCOMP 18301.52542.090306.1.3.04 6008. A decisão recorrida não reconheceu o direito ao crédito que a Recorrente alega ter, conforme ementa de fl. 57: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 04/01/2006 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Fl. 130DF CARF MF Processo nº 13888.903839/200951 Resolução nº 2201000.346 S2C2T1 Fl. 131 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado desta decisão (fl. 64), apresentou Recurso Voluntário. Do Recurso Voluntário Apresentou Recurso Voluntário de fls. 66/68 praticamente repetindo os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade, mas complementando as provas com documentos contábeis, conforme mencionado na decisão recorrida. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama No presente caso, o Despacho Decisório não homologou a compensação em razão de o crédito a ser compensado estar alocado como pagamento de débito confessado na DCTF original. Após a emissão do Despacho Decisório, a DCTF foi retificada para se excluir tal débito e se caracterizar o recolhimento em questão como indevido/a maior. A apresentação de DCTF constituise em obrigação acessória. Entretanto, uma vez apresentada, o contribuinte comunica a existência de crédito tributário, confessando a dívida (DecretoLei n° 2.124, de 1984, art. 5°, § 1°). Destarte, o Despacho Decisório foi validamente emitido, eis que havia débito confessado correspondente ao valor recolhido em DARF. Resta perquirir se sua eficácia permanece, em face da posterior retificação da DCTF. A simples apresentação das DCTFs original e retificadora, ainda que acompanhadas de DARF, não se constitui em prova do alegado erro de fato. A retificação da DCTF é ineficaz, pois cabe ao contribuinte o ônus de comprovar o erro não apurável pelo mero exame das DCTFs (CTN, art. 147; Lei n° 5.869, de 1973, art. 333, II; Lei n° 13.105, de 2015, arts. 15 e 373, II2; e IN RFB n° 903, de 2008, art. 11, §2°, III). Este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais determinou que a análise de mérito referente ao direito creditório deve ser feito pela decisão recorrida. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2003 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO PAGAMENTOS EFETUADOS NOS TERMOS DO ART. 5º DA MP n° 2.222/ 2001. O contribuinte que efetuou pagamento de tributos e contribuições com base no art. 50 da Medida Provisória n° 2.222, de 04 de setembro de 2001, e na Lei n° 10.431, de 24 de abril de 2002, em valor superior ao efetivamente devido, tem direito à restituição ou compensação da parcela comprovadamente paga a maior, de acordo com os procedimentos previstos na legislação tributária federal para os tributos e contribuições federais (ADI SRF nº 17/2007). DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE DO MÉRITO. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 13888.903839/200951 Resolução nº 2201000.346 S2C2T1 Fl. 132 4 Se a autoridade administrativa competente para apreciar o pedido, levantando questão prejudicial, sequer se manifestou sobre a existência do direito creditório, demonstrado o descabimento da prejudicial deve o processo retornar à autoridade competente para apreciálo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para anular a decisão recorrida e determinar o retorno dos autos à DEINF/RJ para, observando o disposto no Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 17, de 28 de dezembro de 2005, decidir o pleito. Ocorre que, no presente caso, a Recorrente trouxe aos autos, diversos documentos , conforme se verifica do arrazoado abaixo transcrito: Retornando ao presente acórdão, o mesmo cita que a DIPJ/2006 e a DCTF retificadora, apresentadas, somente indiciam que teríamos efetuado pagamento a maior que o devido, e que as mesmas desacompanhadas da escrita contábil, não produzem o efeito desejado. Sendo assim, os registros contábeis e demais documentos fiscais acerca da base de cálculo do IRRF são elementos indispensáveis para que se comprove a certeza e a liquidez do direito creditório pleiteado. E, em se tratando de Juros sobre o Capital Próprio, em que há vínculos entre as partes (transferidor e destinatário da transferência), a prova de que não ocorreu o pagamento, conforme alegado por nós, dáse mediante cópia dos extratos bancários do contribuinte, lastreados em lançamentos contábeis (Livros Diário e Razão). Iniciamos nosso recurso com a comprovação de que o referido imposto fora devidamente lançado e estornado, na empresa Agroceres Multimix Nutrição Animal Ltda., conforme demonstrado no Razão da conta contábil 02920 — Juros sobre o Capital a Pagar, em anexo (doc. 5), cujos lançamentos podem ser confrontados com os respectivos livros Diário (doc. 6 a 11): A mesma conta contábil do período de dezembro/2005 registra saldo "zero" (doc. 12), de valor de juros sobre o capital a pagar: Com o intuito de comprovarmos que não houve "pagamento" de Juros de Capital Próprio durante o ano de 2.006, cujo fato gerador seria dezembro/2005, estamos disponibilizando a conta contábil 10237— Banco Bradesco S/A. (docs. 13 a 25) pertencente à empresa Montebel Fl. 132DF CARF MF Processo nº 13888.903839/200951 Resolução nº 2201000.346 S2C2T1 Fl. 133 5 Empreendimentos e Participações S/A, e a cópia do extrato da instituição bancária (docs. 26 a 38), onde não consta tal recebimento. Acrescentamos o Balanço do ano de 2.005 (doc. 39) onde não consta valor de juros sobre o capital a receber, e o balancete do mesmo período (docs. 40 a 43), com as contas sintéticas e analíticas para facilitar a análise e a comprovação de que não houve o já mencionado direito a receber na empresa Montebel. Conforme se verifica da análise dos autos, há indícios de que a Recorrente está com a razão Conclusão Diante do exposto, converto o julgamento em diligência para que a unidade responsável pela administração do tributo manifestese, nos aspectos material e formal, sobre a documentação contábil juntada pela recorrente, mais especificamente as de fl. 74/112, bem assim para que diligencie no sentido de identificar as Atas de Reunião de Cotistas registradas na Junta Comercial no período. (assinado digitalmente) Relator Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 133DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.002389/2005-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/11/2004 a 31/01/2006
PER/DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. MANUTENÇÃO DE SALDO CREDOR. IMPOSSIBILIDADE.
Não se permite o reaproveitamento de saldo credor usado em DCOMP homologada tacitamente.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1994, 1995
APURAÇÃO DE CRÉDITO. REAPRESENTAÇÃO DE DARFs. RECOLHIMENTOS CONSTANTES DA APURAÇÃO DO SALDO CREDOR. DESCABIMENTO DO PEDIDO.
Improcede a alegação de irregularidade na apuração do saldo credor mediante a reapresentação de DARFs que já se encontram apreciados em primeira instância, na qual foi constatada a inclusão de tais recolhimentos na apuração do crédito a que faz jus a contribuinte.
Numero da decisão: 3301-005.725
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Antonio Marinho Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vice-presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d`Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: MARCO ANTONIO MARINHO NUNES
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/11/2004 a 31/01/2006 PER/DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. MANUTENÇÃO DE SALDO CREDOR. IMPOSSIBILIDADE. Não se permite o reaproveitamento de saldo credor usado em DCOMP homologada tacitamente. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1994, 1995 APURAÇÃO DE CRÉDITO. REAPRESENTAÇÃO DE DARFs. RECOLHIMENTOS CONSTANTES DA APURAÇÃO DO SALDO CREDOR. DESCABIMENTO DO PEDIDO. Improcede a alegação de irregularidade na apuração do saldo credor mediante a reapresentação de DARFs que já se encontram apreciados em primeira instância, na qual foi constatada a inclusão de tais recolhimentos na apuração do crédito a que faz jus a contribuinte.
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. MANUTENÇÃO DE SALDO CREDOR. IMPOSSIBILIDADE. Não se permite o reaproveitamento de saldo credor usado em DCOMP homologada tacitamente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1994, 1995 APURAÇÃO DE CRÉDITO. REAPRESENTAÇÃO DE DARFs. RECOLHIMENTOS CONSTANTES DA APURAÇÃO DO SALDO CREDOR. DESCABIMENTO DO PEDIDO. Improcede a alegação de irregularidade na apuração do saldo credor mediante a reapresentação de DARFs que já se encontram apreciados em primeira instância, na qual foi constatada a inclusão de tais recolhimentos na apuração do crédito a que faz jus a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 23 89 /2 00 5- 92 Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10680.002389/200592 Acórdão n.º 3301005.725 S3C3T1 Fl. 281 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (presidente da turma), Valcir Gassen (vicepresidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d`Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Marco Antonio Marinho Nunes e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte contra o Acórdão nº 0228.177, oriundo da 1ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG, que considerou procedente em parte a Manifestação de Inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório n° 3.255, exarado pela DRF em Belo Horizonte/MG, o qual homologou parcialmente compensações de PIS, IRPJ e CSLL efetuadas com saldo credor oriundo de pagamentos de PIS decorrentes da sistemática promovida pelos DecretosLeis nºs 2.445 e 2.449/88. Por relatar adequadamente os fatos, adoto o relatório de primeira instância, que reproduzo a seguir: A contribuinte acima qualificada, com fundamento em decisão judicial prolatada no mandado de segurança n° 2000.38.00.0309736/MG, transmitiu as declarações de compensação autuadas às fls. 02/05, 29/46. Conforme fls. 12/26, no supracitado feito, o Tribunal Regional Federal da lª Região, em 19/03/2002, declarou a inconstitucionalidade dos DecretosLeis n° 2.445 e 2.449, de 1988, e reconheceu o direito da autora à compensação dos recolhimentos efetuados a maior com os débitos do próprio PIS, sujeito a posterior ratificação pela autoridade fazendária. Em sede de Recurso Especial, o STJ declarou prescrito o direito à compensação do indébitos anteriores a 26/09/1990. Tendo em vista as Leis n° 7.691/1988, 7.799/1989, 8.218/1991 e 8.981/1995, que, posteriormente aos decretosleis declarados inconstitucionais, alteraram os prazos de recolhimento do PIS, e, ainda, o Parecer PGFN/CRJ n" 2.143/2006 (semestralidade da base de cálculo do PIS), a repartição de origem apurou saldo credor de R$ 72.711,86 em 31/12/1995, relativo aos pagamentos efetuados entre 02/10/1990 e 15/12/1995, e reconheceu também como pagamentos a maior os realizados em 15/01/1996, 15/02/1996 e 15/03/1996. O crédito apurado foi demonstrado às fls. 66/72. No limite dos créditos reconhecidos, a autoridade administrativa homologou a compensação com débito do próprio PIS e, nos estritos termos da decisão judicial, não homologou as compensações realizadas com débitos de IRPJ e CSLL (despacho decisório de fls. 73/77). Deste modo, conforme fl. 86, das DCOMPs tratadas no presente processo, restou homologada exclusivamente a de n° 28630.24292.151204.1.3.571053, com extinção de débito de PIS da competência de novembro de 2004 no montante de R$ 6.049,91. Cientificada cia decisão em 09/03/2010 (fl. 144), a contribuinte manifestou, em 08/04/2010 (fl. 147), sua inconformidade, alegando, em síntese e fundamentalmente, às fls. 148/153, que a decisão não observou a Solução de Consulta SRRF/6ª RF/DISIT n° 8, de 13 de janeiro de 2005, emitida no processo administrativo n° 10680.015292/200469, e que houve a homologação tácita das DCOMPs transmitidas em 15/12/2004, 31/01/2005 e 28/02/2005. Afirma, ainda, que Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10680.002389/200592 Acórdão n.º 3301005.725 S3C3T1 Fl. 282 3 não foram considerados, na apuração dos créditos, os recolhimentos de PIS dos períodos de 1994 e 1995 (Darfs de fls. 161/168). Regularmente processada a Manifestação de Inconformidade, a 1ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG, por unanimidade de votos, julgou PROCEDENTE EM PARTE tal recurso, por meio do Acórdão nº 0228.177, nos seguintes termos (ementa e trechos do voto): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/1990 a 28/02/1996 Ementa: A resposta dada à consulta vincula a Administração Fazendária até que venha a ser alterada. Sc, após a resposta ã. consulta, a Administração alterar o entendimento nela expresso, a nova orientação atingirá, apenas, os fatos geradores que ocorram após dado ciência ao consulente ou após a sua publicação pela imprensa oficial. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Período de apuração: 01/10/1990 a 28/02/1996 Ementa: Ocorre a homologação tácita da compensação declarada pelo sujeito passivo com o decurso do prazo de cinco anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte *** [...] Por fim, dos demonstrativos de fls. 66/72, é possível constatar, de forma inequívoca, que todos os pagamentos efetuados por intermédio dos Darfs de fls. 160/168, ao contrário do que afirma a manifestante, foram sim considerados pela repartição na apuração dos créditos. Observase que, à fl. 69/71, foram confrontados os pagamentos efetuados, entre os quais se incluem os questionados pela manifestante, com os valores efetivamente devidos, demonstrados à fl. 66. Os saldos de créditos, assim apurados, foram, então, a fl. 72, atualizados até 31/12/1995. Devem, portanto, neste ponto, ser rejeitadas as alegações da manifestante. Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de julgar PROCEDENTE EM PARTE a manifestação de inconformidade, para determinar a homologação das compensações efetuadas com débitos do IRPJ e da CSLL, no limite do crédito apurado pela repartição de origem, bem corno reconhecer a homologação tácita das declarações de Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10680.002389/200592 Acórdão n.º 3301005.725 S3C3T1 Fl. 283 4 compensação de n° 35887.05962.310105.1.3.576795 e 25634.13815.280205.1.3.576670. Cientificada da decisão acima, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário em que apresentou os seguintes argumentos: a) Reiterou a alegação de que alguns os DARF's referentes ao recolhimento de PIS dos períodos de 1994 e 1995 foram desconsiderados pela Receita Federal na apuração de seu crédito, resultando, desse modo, em um crédito inferior àquele que realmente faz jus; e b) apesar de a Delegacia de Julgamento ter reconhecido a homologação tácita dos PER/DCOMPs n° 35887.05962.310105.1.3.576795 e 25634.13815.280205.1.3.576670, ao efetuar o encontro de contas entre o crédito da Recorrente e os valores compensados, a Receita Federal incluiu, indevidamente, os valores correspondentes aos mencionados PER/DCOMPs, devendo ser determinado, portanto, a exclusão destes do encontro de conta, pois tais compensações encontramse homologadas tacitamente. Concluiu assim o seu recurso: Exposifis, a Recorrente espera e requer que seja reformada a Decisão proferida pela 1ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, no que diz respeito aos valores dos DARF's anexados no presente processo que não foram considerados pela Receita Federal na apuração do credito da Recorrente, bem como sejam excluídos do encontro de contas os valores correspondentes aos PER/DCOMP's n° 35887.05962.310105.1.3.576795 e 25634.13815.280205.1.3.576670, que foram homologados tacitamente, de sorte que seja homologada integralmente a compensação declarada. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, Relator. O recurso é tempestivo a atende aos demais pressupostos de admissibilidade, devendo, por tais razões, ser conhecido. A Recorrente alega que 27 (vinte e sete) de seus recolhimentos para o PIS, às fls. 261269 (eProcesso), não foram considerados pela RFB na apuração de seu crédito. Tais recolhimentos são os mesmos apresentados anteriormente na fase de julgamento de sua Manifestação de Inconformidade, às fls. 188196 (eProcesso). No âmbito da DRJ, foi constatado, ao contrário do afirmado pela contribuinte, que todos esses recolhimentos constavam da apuração pela Receita Federal do saldo credor da Recorrente, conforme excerto do Acórdão nº 0228.177, a seguir: Por fim, dos demonstrativos de fls. 66/72, é possível constatar, de forma inequívoca, que todos os pagamentos efetuados por intermédio dos Darfs de fls. 160/168, ao contrário do que afirma a manifestante, foram sim considerados pela repartição na apuração dos créditos. Observase que, à fl. 69/71, foram Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10680.002389/200592 Acórdão n.º 3301005.725 S3C3T1 Fl. 284 5 confrontados os pagamentos efetuados, entre os quais se incluem os questionados pela manifestante, com os valores efetivamente devidos, demonstrados à fl. 66. Os saldos de créditos, assim apurados, foram, então, a fl. 72, atualizados até 31/12/1995. Devem, portanto, neste ponto, ser rejeitadas as alegações da manifestante. De fato, basta uma simples análise nos presentes autos para notar que os recolhimentos apresentados pela contribuinte em ambos os recursos (Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário) integraram, sim, a apuração de seu saldo credor de PIS. Esses recolhimentos estão todos incluídos no documento intitulado "DEMONSTRATIVO DE PAGAMENTOS CADASTRADOS", às fls. 9094 do eProcesso (fls. 6971 do processo físico), especificamente às fls. 9294 do eProcesso (fls. 70, 70v e 71 do processo físico), fazendo parte, portanto, da apuração do crédito aqui tratado. Não é demais acrescentar que o procedimento realizado pela repartição de origem consistiu em imputar os pagamentos realizados pela Recorrente, inclusive os apresentados em seu recurso voluntário, com os débitos correspondentes de PIS, resultando do referido procedimento o saldo credor de R$ 72.711,86, atualizado até 31/12/1995, conforme planilha à fl. 95 (eProcesso). Ressaltese, ademais, que o saldo credor apurado pela repartição de origem não se limitou ao valor acima. Englobou ainda 03 (três) recolhimentos em data posterior a 31/12/1995, de forma que o saldo credor total da Recorrente apresentase da seguinte forma: Recolhimento 0001 3885 PIS/PASEP 02/01/1996 R$ 72.711,86 Recolhimento 0002 3885 PIS/PASEP 15/01/1996 R$ 1.367,92 Recolhimento 0003 3885 PIS/PASEP 15/02/1996 R$ 5.842,44 Recolhimento 0004 3885 PIS/PASEP 15/03/1996 R$ 8.427,93 Assim, não procede o argumento de que a repartição de origem não levou em consideração os pagamentos trazidos junto ao Recurso Voluntário na apuração do saldo credor a que faz jus a Recorrente. Quanto à alegação de que os PER/DCOMPs n° 35887.05962.310105.1.3.57 6795 e 25634.13815.280205.1.3.576670 não deveriam ser objeto do encontro de contas frente ao seu saldo credor, por terem sido reconhecidos homologados tacitamente pela DRJ, também aqui não prospera a argumentação. Pelo que se conclui do argumento da Recorrente, o fato de os dois PER/DCOMPs acima terem sido homologados tacitamente permitirlheia manter o crédito (saldo credor) utilizado nessas declarações e usálo em outros PER/DCOMPs, ou até mesmo solicitar a restituição desse saldo credor se assim pretendesse. Enfim, seria como se houvesse um "prêmio" para a contribuinte em razão de o Fisco deixar transcorrer o prazo do art. 74, §5, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, sem analisar essas declarações. No entanto, não é essa a interpretação que se extrai da leitura do referido dispositivo. Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10680.002389/200592 Acórdão n.º 3301005.725 S3C3T1 Fl. 285 6 O prazo de 05 (cinco) anos concedido ao Fisco para analisar a compensação efetuada pela contribuinte lhe permite efetuar os procedimentos necessários para verificar o cumprimento dos requisitos certeza e liquidez do direito creditório e apurar a exatidão dos débitos apresentados na declaração de compensação, após o que decai tal direito, não sendo possível promover lançamento suplementar ou a execução do crédito tributário compensado/confessado, por se encontrar extinto, eis que ocorreu então a homologação tácita da declaração, a menos que, no caso da compensação de débitos próprios vincendos, esta tenha sido homologada tacitamente e ainda não se tenha operado a decadência para o lançamento do crédito tributário. Portanto, deflui da referida sistemática que em momento algum se permite o reaproveitamento do crédito utilizado na declaração de compensação nos casos em que houver sua homologação tácita, mas sim, permitenos concluir que aquele crédito tributário objeto da declaração, e nela compensado, já não se encontra sob a interferência fiscal, visto sua extinção por homologação tácita da correspondente declaração, exceto na hipótese de compensação de débitos vincendos acima enunciada. Esclareçase, ainda, que a compensação para ter efeito necessita da existência de crédito, crédito este que, no presente caso, foi regularmente apurado pelo Fisco e usado para fazer frente aos débitos compensados, inclusive àqueles das declarações homologadas tacitamente, eis que o direito creditório é um só e não pode ser reutilizado (usado em duplicidade) pela declarante. Em razão do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes Fl. 285DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.725712/2012-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/05/2006
EMPRESAS GERADORAS DE ENERGIA ELÉTRICA. VALORES RECEBIDOS DA CONTA DE CONSUMO DE COMBUSTÍVEIS. NÃO EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
Os valores relativos à Conta de Consumo de Combustíveis, recebidos pelas empresas geradoras de energia elétrica por meio de usinas termoelétricas e destinados à compensação do custo incorrido em razão do consumo de combustíveis fósseis, constituem subvenções que integram a receita daquelas empresas, compondo a base de cálculo do PIS e da Cofins.
RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. RECEITA OPERACIONAL. TRIBUTÁVEL.
No caso das pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativa das contribuições para o Pis e da Cofins, os valores decorrentes de recuperações de despesas possuem natureza de receita operacional e sofrem a incidência dessas contribuições, nos termos dos art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002 e art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003.
CORREÇÃOMONETÁRIA. CONTRATO PREDETERMINADO.POSSIBILIDADEDEAPLICAÇÃO.
CORREÇÃO MONETÁRIA. CONTRATO PREDETERMINADO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO.
O reajuste de preço se efetuado nas condições descritas n oartigo 27 da Lei n° 9.069/95 independentemente do índice utilizado não descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei n°9.718/98.Não consta na legislação impedimento à utilização do IGPM.
Numero da decisão: 3201-004.843
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para considerar como válidas as alterações dos regimes de tributação dos contratos, corrigidos pelo índice IGP-M, anteriores a 31/10/2003. Vencidos os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo, relator, e Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negaram provimento. O conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade acompanhou o voto vencedor pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Laercio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Correia Lima Macedo - Relator.
(assinado digitalmente)
Laércio Cruz Uliana Junior Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/05/2006 EMPRESAS GERADORAS DE ENERGIA ELÉTRICA. VALORES RECEBIDOS DA CONTA DE CONSUMO DE COMBUSTÍVEIS. NÃO EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Os valores relativos à Conta de Consumo de Combustíveis, recebidos pelas empresas geradoras de energia elétrica por meio de usinas termoelétricas e destinados à compensação do custo incorrido em razão do consumo de combustíveis fósseis, constituem subvenções que integram a receita daquelas empresas, compondo a base de cálculo do PIS e da Cofins. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. RECEITA OPERACIONAL. TRIBUTÁVEL. No caso das pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativa das contribuições para o Pis e da Cofins, os valores decorrentes de recuperações de despesas possuem natureza de receita operacional e sofrem a incidência dessas contribuições, nos termos dos art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002 e art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003. CORREÇÃOMONETÁRIA. CONTRATO PREDETERMINADO.POSSIBILIDADEDEAPLICAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. CONTRATO PREDETERMINADO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. O reajuste de preço se efetuado nas condições descritas n oartigo 27 da Lei n° 9.069/95 independentemente do índice utilizado não descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei n°9.718/98.Não consta na legislação impedimento à utilização do IGPM.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para considerar como válidas as alterações dos regimes de tributação dos contratos, corrigidos pelo índice IGP-M, anteriores a 31/10/2003. Vencidos os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo, relator, e Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negaram provimento. O conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade acompanhou o voto vencedor pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Laercio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo - Relator. (assinado digitalmente) Laércio Cruz Uliana Junior Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1909; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 1.047 1 1.046 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.725712/201248 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201004.843 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 31 de janeiro de 2019 Matéria PIS/PASEP Recorrente CENTRAIS ELETRICAS DO NORTE DO BRASIL S/A ELETRONORTE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/05/2006 EMPRESAS GERADORAS DE ENERGIA ELÉTRICA. VALORES RECEBIDOS DA CONTA DE CONSUMO DE COMBUSTÍVEIS. NÃO EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Os valores relativos à Conta de Consumo de Combustíveis, recebidos pelas empresas geradoras de energia elétrica por meio de usinas termoelétricas e destinados à compensação do custo incorrido em razão do consumo de combustíveis fósseis, constituem subvenções que integram a receita daquelas empresas, compondo a base de cálculo do PIS e da Cofins. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. RECEITA OPERACIONAL. TRIBUTÁVEL. No caso das pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativa das contribuições para o Pis e da Cofins, os valores decorrentes de recuperações de despesas possuem natureza de receita operacional e sofrem a incidência dessas contribuições, nos termos dos art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002 e art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003. CORREÇÃOMONETÁRIA. CONTRATO PREDETERMINADO.POSSIBILIDADEDEAPLICAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. CONTRATO PREDETERMINADO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. O reajuste de preço se efetuado nas condições descritas n oartigo 27 da Lei n° 9.069/95 independentemente do índice utilizado não descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei n°9.718/98.Não consta na legislação impedimento à utilização do IGPM. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 57 12 /2 01 2- 48 Fl. 1048DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, apenas para considerar como válidas as alterações dos regimes de tributação dos contratos, corrigidos pelo índice IGPM, anteriores a 31/10/2003. Vencidos os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo, relator, e Paulo Roberto Duarte Moreira, que lhe negaram provimento. O conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade acompanhou o voto vencedor pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Laercio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Relator. (assinado digitalmente) Laércio Cruz Uliana Junior – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário, efls. 1019/1039, contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão n.º 0257.647 1ª Turma da DRJ/BHE, efls. 998/1014, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade relativa a PIS/PASEP. O relatório da decisão da DRJ de primeira instância descreve os fatos dos autos. Nesse sentido, transcrevese a seguir o referido relatório: A interessada transmitiu Per/Dcomp (fls. 02 a 06) visando a compensar o(s) débito(s) nele declarado(s), com crédito oriundo de pagamento a maior de PIS, relativo ao fato gerador de 31/05/2006. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição da contribuinte emitiu Despacho Decisório em 16/11/2012 (fls. 957 a 969), no qual não homologa a compensação pleiteada, por considerar indevidas as alterações efetuadas na retificação do Dacon, as quais resultaram em redução do valor de PIS a pagar e, conseqüentemente, no alegado pagamento a maior da contribuição. Segundo Despacho Decisório emitido pela DRF, a contribuinte recalculou o valor da sua contribuição no período, alterando o regime de tributação relativo às receitas decorrentes de Fl. 1049DF CARF MF Processo nº 10166.725712/201248 Acórdão n.º 3201004.843 S3C2T1 Fl. 1.048 3 contratos firmados anteriormente a 31/10/2003, de não cumulativo para cumulativo, e, ainda, excluindo da base de cálculo da contribuição os valores recebidos a título de Conta de Consumo de Combustíveis (CCC). No entendimento da DRF, a tributação das receitas decorrentes dos contratos firmados anteriormente a 31/10/2003 deve ser feita no regime nãocumulativo, tendo em vista a descaracterização de preço determinado daqueles contratos. Pelos documentos apresentados pela contribuinte, a autoridade fiscal constatou que o índice utilizado nos reajustes dos contratos foi o IGPM, o qual não se constitui em índice específico de nenhuma categoria ou produto, não se adequando, portanto, ao disposto no §3º da IN SRF nº 658/2006, uma vez que não reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados na produção do serviço prestado pela contribuinte e nem tampouco expressa a variação específica dos custos de sua produção. Com relação aos valores relativos a CCC, entende a DRF de origem que integram a base de cálculo da contribuição calculada na sistemática da nãocumulatividade, por caracterizarse como “receita” e não como “recuperação de despesas”. Cientificada em 11/12/2012 (fl. 973/974), a contribuinte apresentou, em 09/01/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 976 a 988, com as alegações a seguir resumidas. DA CONTA DE CONSUMO DE COMBUSTÍVEIS (CCC): Explica que a Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) foi instituída pela Lei nº 5.899/1973, com o objetivo principal de permitir a modicidade das tarifas de energia elétrica em usinas termoelétricas, em face dos elevadíssimos custos com combustíveis derivados de petróleo, seu principal insumo. Segundo a contribuinte, essa conta funcionaria como uma conta corrente ou fundo, gerido pela ELETROBRÁS, a qual recebe cotas anuais de concessionárias de todo o país, utilizando esses recursos para reembolsar as empresas geradoras de energia em usinas termoelétricas (entre elas, a requerente), por parte dos seus custos de combustíveis. Neste sentido, alega que os valores recebidos se caracterizam como reembolso, nos termos do Decreto nº 744/1993, enquanto a incidência do PIS e da Cofins se dá sobre o faturamento mensal da empresa, assim compreendido o total das receitas auferidas. Ressalta que nem todo ingresso de valor constitui receita, a qual implica em algum acréscimo patrimonial, o que não se verifica no presente caso. Acrescenta às suas alegações o art. 110 do CTN, bem como jurisprudência a respeito da inclusão de receitas e Despacho da ANEEL que determina que os valores da CCC sejam contabilizados como “Recuperação de Despesas”, salientando que está sujeito a suas determinações. Fl. 1050DF CARF MF 4 DA MANUTENÇÃO DO PREÇO PREDETERMINADO – INCIDÊNCIA DO REGIME CUMULATIVO: Sobre os valores tributados com base no regime cumulativo, aduz que o preço predeterminado em contrato não perde a sua natureza pela simples previsão de reajuste decorrente da correção monetária e que a previsão de manter a tributação cumulativa para as receitas decorrentes de contratos anteriores a 31/10/2003 alcançou aqueles como preços predeterminados, ainda que sujeitos a cláusulas de reajuste, desde que por critério prefixado e destinado à mera recomposição monetária. Nesse sentido, cita entendimentos da Terceira Turma do TRF 5 e do TRF da 3ª Região, invocando a ilegalidade da Instrução Normativa SRF nº 468/2004, que restringiu o alcance da Lei nº 10.833/2003, cujo intuito, ao manter os contratos no regime anterior, foi manter o equilíbrio econômicofinanceiro contratual. Destaca que a IN SRF nº 468/2004 foi revogada pela Instrução Normativa SRF nº 658/2006, que determina que, para descaracterização do preço predeterminado, é necessário o reajuste em valor superior aos custos de produção ou variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, o que não ocorreu no seu caso. Argumenta que o IGPM é o índice utilizado para balizar a correção monetária da energia elétrica, não havendo legislação que o impeça de constituir índice específico de categoria ou produto, e que se adequa ao disposto no §3º do art. 3º da IN SRF nº 658/2006, uma vez que espelha a variação ponderada dos custos de insumos utilizados nos seus serviços prestados. Aduz que a RFB acabou por impedir que contratos usufruíssem a permanência no regime da cumulatividade, mesmo quando enquadrados nas hipóteses previstas na Lei nº 10.833/2003, uma vez que alterou o conceito de preço predeterminado. Argumenta que o preço predeterminado aceita reajustes, sim, pois, caso a intenção do legislador fosse não abarcar os contratos com esses reajustes, teria utilizado o termo “preço fixo” na lei. Ressalta que a sistemática da nãocumulatividade não foi considerada no reajuste das tarifas, constando expressamente as alíquotas de 0,65% e 3% para o PIS e a Cofins, respectivamente, nos contratos de suprimentos firmados. Destaca que a ANEEL, em 2005, determinou que os impactos relativos às alterações da legislação do PIS e da Cofins deveriam ser apurados pela concessionária e validados por aquela Agência somente no reajuste de 2006, sendo que, nesse ínterim, foi editada a IN SRF nº 658/2006, estabelecendo que o mero reajuste não descaracteriza o caráter predeterminado do preço, motivo pelo qual não houve alteração no regime da apuração dos tributos nos períodos subseqüentes. É o relatório. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O Acórdão n.º 0257.647 1ª Turma da DRJ/BHE, efls. 998/1014, está assim ementado: Fl. 1051DF CARF MF Processo nº 10166.725712/201248 Acórdão n.º 3201004.843 S3C2T1 Fl. 1.049 5 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/05/2006 EMPRESAS GERADORAS DE ENERGIA ELÉTRICA. VALORES RECEBIDOS DA CONTA DE CONSUMO DE COMBUSTÍVEIS. NÃO EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Os valores relativos à Conta de Consumo de Combustíveis, recebidos pelas empresas geradoras de energia elétrica por meio de usinas termoelétricas e destinados à compensação do custo incorrido em razão do consumo de combustíveis fósseis, constituem subvenções que integram a receita daquelas empresas, compondo a base de cálculo do PIS e da Cofins. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. RECEITA OPERACIONAL. TRIBUTÁVEL. No caso das pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não cumulativa das contribuições para o Pis e da Cofins, os valores decorrentes de recuperações de despesas possuem natureza de receita operacional e sofrem a incidência dessas contribuições, nos termos dos art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002 e art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003. REGIME INCIDÊNCIA. RECEITAS DECORRENTES DE CONTRATOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS ANTERIORES A 31/10/2003. As receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31/10/2003, com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços permanecem sujeitas à incidência cumulativa do PIS e da Cofins, até a implementação da primeira alteração de preços decorrente da aplicação de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não, ou de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666/93. CONTRATOS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. PREÇO PREDETERMINADO. DESCARACTERIZAÇÃO. Reajuste de preço, efetuado após 31/10/2003, se não efetivado em função do custo de produção ou em percentual não superior àquele correspondente à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 1995, descaracteriza o caráter predeterminado do preço para fins de aplicação do art.10, XI, da Lei 10.833, de 2003, conforme prescrição do art.109 da Lei 11.196, de 2005, e do art.3º, §3º, da IN SRF nº 658/2006. RESOLUÇÕES ANEEL. NORMAS NÃO TRIBUTÁRIAS. A expedição de atos normativos com efeitos tributários é atividade situada fora do escopo legal da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), que tem a finalidade de regular (e Fl. 1052DF CARF MF 6 fiscalizar) o mercado de energia elétrica, sendolhe vedado adentrar por via oblíqua no domínio da tributação. Resoluções da ANEEL não são normas de natureza tributária disciplinadoras da Contribuição para o PIS e da Cofins e tampouco regem a relação fiscocontribuinte. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual, requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese: Das Razões De forma concisa, a Recorrente alega haver comprovado nos autos que o crédito proveniente da PER/DCOMP é decorrente de recolhimento efetuado a maior: (a) em virtude do recálculo na apuração do PIS, em obediência as alterações no regime de tributação relativas as receitas auferidas de contratos firmados anteriormente a 31/10/2003, disciplinadas nas Instruções Normativas 468/2004 e 658/2006; e (b) da exclusão dos valores recebidos a título de Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) da base de cálculo do PIS. Do Mérito Quanto ao mérito, a Recorrente repisa os argumentos apresentados na primeira instância, em especial: (a) que a receita cuja tributação está sendo discutida é decorrente de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003; (b) que a CCC funciona como uma conta corrente ou fundo, gerido pela ELETROBRAS, que recebe cotas anuais das concessionárias de todo país, utilizando esse recurso para reembolsar parte das despesas com combustíveis das empresas geradoras de energia elétrica em usinas térmicas, repassando o valor correspondente diretamente a ELETROBRAS; (c) que esses valores não constituem receita da ELETRONORTE, sendo que a própria Lei reconhece tratarse de reembolso (Decreto 744193, art. 25), estando, portanto, excluído da base de cálculo do PIS/PASEP; (d) que a tarifa de energia elétrica é regulada pela Agência Nacional de Energia Elétrica — ANEEL, órgão regulador ao qual a ELETRONORTE está subordinado, não cabendo as concessionárias de serviço público de energia elétrica a decisão quanta a sua majoração; (e) que a manutenção da tributação sob o regime da cumulatividade foi bastante discutida pelo Órgão regulador, interpretando as normas legais e infralegais vigentes, entendeu e determinou as suas reguladas, a manutenção da tributação pelo regime da cumulatividade, vedando qualquer majoração do preço contratual decorrente da não cumulatividade; (f) que a caracterização do preço prédeterminado ocorre quando o reajuste dos preços não for superior ao valor correspondente aos acréscimos de custos de produção conforme disposto no § 3°, do artigo 3° da IN SRF n° 658/2006 ou mesmo quando há utilização de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1° do artigo 27 da Lei n° 9.069/1995; (g) que a utilização do IGPM não tem o condão de descaracterizar o preço predeterminado dos contratos. Atualmente o IGPM é o índice utilizado para balizar a correção Fl. 1053DF CARF MF Processo nº 10166.725712/201248 Acórdão n.º 3201004.843 S3C2T1 Fl. 1.050 7 monetária da energia elétrica, não havendo legislação que determine que não pode constituir índice específico de categoria ou produto; (h) que o preço predeterminado em contrato não perde a sua natureza simplesmente pela previsão de reajuste decorrente da correção monetária. Se a pretensão do legislador, a partir da Lei 10.833/03, fosse não abarcar os contratos com preço preestabelecido e clausula de reajuste, o termo apropriado seria preço fixo, que, definitivamente, não se confunde com o preço predeterminado. (i) que houve manifesta anuência da Receita Federal do Brasil quanto a Manutenção dos respectivos contratos no regime da cumulatividade, ratificando o entendimento da empresa e legitimando a apuração realizada pela ora recorrente, conforme pode ser observado nos Processos Administrativos n.°14033 003352200818 (COFINS) e n.°10166 911300200923 (PIS). (j) que diante disso, a Eletronorte manteve a apuração dessas receitas pelo regime da cumulatividade nos períodos posteriores, em total observância a legislação incidente e também ao posicionamento da própria Receita Federal, no caso concreto. A Recorrente discorre sobre a conta de consumo de combustíveis (CCC) e a geração de energia elétrica em usinas termelétricas, em particular nos estados do Acre, Rondônia e Amapá. Argumenta que os valores da CCC não constituem receita da ELETRONORTE, sendo que a legislação reconhece tratarse de reembolso. Sobre o assunto cita jurisprudência do CARF. Na questão dos preços predeterminados, a Recorrente sustenta que foram mantidos no regime da cumulatividade as receitas decorrentes dos contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiarias, bem assim os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas em processo licitatório até aquela data. Argumenta que por meio da IN 658/06 a Receita Federal decidiu por manter o regime da cumulatividade para os contratos em que o reajuste de prego fosse feito em percentual não superior aquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou quando houvesse uma variação de índice mas que correspondesse proporcionalmente a variação dos custos dos insumos utilizados (Lei no 11.196/05, art. 109 e IN 658/06, art. 3°,§3°). Sustenta que os contratos objeto do processo, enquadramse no conceito de preço predeterminado estabelecido pela IN SRF 658/06. Nessa linha de argumentação discorre que o IGPM se adequa perfeitamente ao disposto no artigo 3°, parágrafo 3°, da IN 658/06, tendo em vista que espelha a variação ponderada dos custos de insumos utilizados na produção do serviço prestado. Cita jurisprudência. A Recorrente discorre sobre a determinação da ANEEL para manutenção no sistema cumulativo. Fl. 1054DF CARF MF 8 A Recorrente argui que procedeu a apuração das contribuições em obediência ao disposto na IN SRF 658/06 que revogou a IN SRF 468/04. A seu favor cita os Processos Administrativos n°14033 003352200818 (COFINS) e n°10166 911300200923 (PIS). Do Pedido Ao final do RV a Recorrente pede a anulação do Acórdão 0257.646 proferido pela 1 a Turma da DRJ/BHE. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. De forma objetiva o Recurso recai sobre duas questões: (a) a alteração do regime de tributação relativo às receitas decorrentes de contratos firmados anteriormente a 31/10/2003, de nãocumulativo para cumulativo, e (b) a exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores recebidos a título de Conta de Consumo de Combustíveis (CCC). A seguir passo a análise de cada um dos pontos do Recurso Voluntário. (a) Alteração Regime Tributação – Contratos Anteriores a 31/10/2003 A Recorrente alega seu direito de recalcular o valor da sua contribuição no período, alterando o regime de tributação relativo às receitas decorrentes de contratos firmados anteriormente a 31/10/2003, de nãocumulativo para cumulativo. O cerne da discussão está na permanência dos contratos dentro da exceção para a cobrança cumulativa, após o reajuste do “preço predeterminado” pelo IGPM. Em suma, a discussão analisa o uso do IGPM para o reajuste do preço da energia elétrica e o conceito de preço predeterminado. No mérito não cabe razão a Recorrente. A Lei n° 11.196/2005, Art. 109 estabeleceu forma de reajuste de preços para os contratos a preço predeterminado, para fins da manutenção no regime cumulativo. Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1º de novembro de 2003. (grifo nosso) Fl. 1055DF CARF MF Processo nº 10166.725712/201248 Acórdão n.º 3201004.843 S3C2T1 Fl. 1.051 9 Portanto, os reajustes para fins da manutenção no regime cumulativo devem ocorrer em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Ocorre que o índice utilizado pela Recorrente foi o Índice Geral de Preços do Mercado (IGPM) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) que engloba desde matériasprimas agrícolas e industriais até bens e serviços finais. Ou seja, tratase de índice de reajuste de preços abrangente sem associação com o custo de produção da energia elétrica. O CARF tem entendimento firmado sobre assunto. CONTRATOS ANTERIORES A 31 DE OUTUBRO DE 2003. CONTRATO PREDETERMINADO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. PARECER TÉCNICO. Em respeito ao art. 63, § 8º, do RICARF, é de se reproduzir o entendimento manifestado pela maioria dos membros desse Colegiado. O que, por conseguinte, cabe refletir que o reajuste de preços efetuado, com a utilização do IGPM como índice de correção monetária, descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, prejudica a sua manutenção ao regime cumulativo, previsto na Lei 9.718/98. [...] (CARF, 3º Turma, CSRF, Ac. 9303003.467, de 24/02/2016, rel. Conselheira Tatiana Midori Migiyama). REGIME DE INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REQUISITOS. O reajuste pelo IGPM não reflete o custo de produção nem a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados e, por conseguinte, descaracteriza o contrato reajustado por esse índice como sendo de preço predeterminado, condição sine qua non para manter as receitas decorrentes desse tipo de contrato no regime de incidência cumulativa do PIS e da Cofins. (CARF, 3º Turma, CSRF, Ac. 9303003.372, de 11/12/2015, rel. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres). Como fundamento das razões de decidir peço vênia para reproduzir trechos do voto do Conselheiro Antônio Carlos da Costa Cavalcanti Filho no Processo nº 13896.721004/201524. Em 2006, a então Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa (IN) SRF nº 658/2006, cujo art. 3º regulamenta o preço predeterminado para fins de apuração da PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros. action?idArquivoBinario=0 Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. Fl. 1056DF CARF MF 10 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros. action?idArquivoBinario=0 § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros. action?idArquivoBinario=0 § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros. action?idArquivoBinario=0 I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros. action?idArquivoBinario=0 II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico financeiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Assim, estatui o art. 3º que preço predeterminado é "aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato" e o "caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação [...] da primeira alteração de preços decorrente da aplicação" de cláusula contratual de reajuste ou de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômico financeiro do contrato. Assim, qualquer alteração nesse "valor fixado", seja a título de correção monetária, como argumenta a recorrente, seja de revisão de preços, inclusive a cláusula contratual sob análise, desfaz a predeterminação do preço, descaracterizandoa. A única exceção é a do art. 109 da Lei n° 11.196/2005, quando o reajuste de preços se dá em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, que não é o caso do IGPM; regra legal complementada pelo § 3º da IN, reproduzido acima, devendo este, claro, correspondência à lei, como será exposto em seção seguinte do presente voto. Assim, não tem efeito sobre o discutido a argumentação da recorrente de que o IGPM é índice de correção monetária e não de revisão de preços. Aduz também a contribuinte que preço predeterminado é aquele preço previsto contratualmente e não se equipara a preço fixo, Fl. 1057DF CARF MF Processo nº 10166.725712/201248 Acórdão n.º 3201004.843 S3C2T1 Fl. 1.052 11 amparado no que dispõem a Instrução Normativa n° 21, de 13 de março de 1979, que disciplina a aplicação do art. 10 do Decretolei n° 1.598/1977, para fins de IRPJ. Tal norma absolutamente não se aplica ao caso em pauta, pois é anterior e menos específica que a IN 658, ou melhor, se aplica a outra espécie tributária o IRPJ. A característica de índice geral de preços, por si só, já retiraria o IGPM da exceção que não descaracterizaria o preço predeterminado. (...) Assim, de modo conclusivo, para a permanência do contrato de fornecimento de energia elétrica no regime cumulativo a Recorrente deveria ter utilizado um mecanismo de reajuste conforme determinado pela legislação, ou seja, em função do custo de produção ou variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados no fornecimento de energia. A utilização do IGPM na cláusula contratual de reajuste afetou o conceito de “preço predeterminado” obrigando a empresa ao recolhimento da contribuição no regime não cumulativo. (b) Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) A Recorrente alega que os valore recebidos na CCC não são receitas, mas reembolso de parte das despesas com combustíveis das empresas geradoras de energia elétrica em usinas térmicas. No mérito não cabe razão a Recorrente. O entendimento do juízo de primeira instância está em harmonia com o entendimento deste órgão de julgamento, ou seja, de considerar os valores recebidos relativos à Conta de Consumo de Combustíveis (CCC), como compondo a base de cálculo do PIS. CARF Acórdão nº 1201002.128 do Processo 10283.721454/201111 – Data 12/04/2018 AUSÊNCIA DE PAGAMENTO. RECEITAS DO VALOR DO REEMBOLSO DA CONTA DE CONSUMO DE COMBUSTIVEIS CCC. Correta a tributação quando carecem os autos de elementos inequívocos apontando para o pagamento dos tributos correspondentes às receitas concernentes aos numerários das Solicitações de Reembolso da Conta de Consumo de Combustíveis Fósseis CCC. CARF Acórdão nº 3803002.866 do Processo 10983.911778/200920 – Data 26/04/2012 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 PIS NÃO CUMULATIVO. GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA. CONTA DE CONSUMO DE COMBUSTÍVEIS Fl. 1058DF CARF MF 12 (CCC). CONTA DE DESENVOLVIMENTO ENERGÉTICO (CDE). BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO E RECEITA. Os valores relativos à Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) e à Conta de Desenvolvimento Energético (CDE), repassados a título de subsídio às sociedades empresárias geradoras de energia elétrica que se utilizam de usinas termoelétricas, cujo objetivo é a compensação do alto custo decorrente do consumo de combustíveis fósseis, integram a base de cálculo da contribuição social calculada na sistemática da não cumulatividade. As razões de decidir são as mesmas do juízo de primeira instância de modo que peço vênia para reproduzir e comentar os principais trechos. (...) embora caiba à ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica) regular as tarifas e estabelecer as condições gerais de contratação do acesso e uso dos sistemas de transmissão e de distribuição de energia elétrica por concessionário, permissionário e autorizado, bem como pelos consumidores, o entendimento por esta exarado, por meio de Notas Técnicas e Resoluções, não vincula a administração tributária, razão pela qual a análise que se segue limitarseá a legislação tributária aplicável ao caso. (efl. 694) A ANEEL não possui competência para legislar em matéria tributária. Segundo as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, a base de cálculo do PIS e da Cofins é a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada. Como os valores não incluídos na base de cálculo das contribuições pela autuada não se encontram entre as exclusões permitidas pelo §3º do art. 1º das citadas Leis, a impugnante busca fundamentar sua contestação afirmando que os valores relativos à CCC não seriam receitas propriamente ditas, mas mero reembolso, estabelecido por lei, para viabilizar economicamente a produção de energia elétrica em usinas térmicas, em face do elevado custo de seus insumos. O que a contribuinte chama de “reembolso”, no entanto, não perde o seu caráter de receita. É o que a seguir se verá. A CCC foi instituída pelo inciso III do artigo 13 da Lei n° 5.899, de 5.07.1973. Art. 13. A coordenação operacional, que se refere o artigo anterior, terá por objetivo principal o uso racional das instalações geradoras e de transmissão existentes e que vierem a existir nos sistemas interligados das Regiões Sudeste e Sul, assegurando ainda: (...) III que os ônus e vantagens decorrentes do consumo dos combustíveis fósseis, para atender às necessidades dos sistemas interligados ou por imposição de interesse nacional, sejam rateados entre todas as empresas Fl. 1059DF CARF MF Processo nº 10166.725712/201248 Acórdão n.º 3201004.843 S3C2T1 Fl. 1.053 13 concessionárias daqueles sistemas, de acordo com critérios que serão estabelecidos pelo Poder Executivo.” (grifouse) Constatase, assim, que foi criado um mecanismo de equalização de custos destinado a viabilizar as operadoras termoelétricas, possibilitando uniformização de preços aos consumidores finais por intermédio de uma sistemática de rateio entre as concessionárias do sistema, com o subseqüente repasse às concessionárias termoelétricas, destinado à compensação do custo superior incorrido em razão do consumo de combustíveis fósseis. A Lei nº 9.648/1998 dispôs que as usinas termoelétricas situadas nas regiões abrangidas pelos sistemas elétricos interligados, que iniciarem sua operação a partir de 06/02/1998, não mais farão jus aos benefícios da sistemática de rateio de ônus e vantagens decorrentes do consumo de combustíveis fósseis para a geração de energia elétrica. Contudo, tal sistemática foi mantida pelo prazo de vinte anos, a partir da publicação da referida lei, para as usinas termoelétricas integrantes dos sistemas isolados (tal dispositivo somente foi revogado com a edição da Medida Provisória nº 466, de 29 de julho de 2009). (efl. 698) Os valores recebidos através da Conta de Consumo de Combustíveis (CCC) constituem receitas, pois servem para subsidiar a geração de energia elétrica efetuada mediante o uso de combustíveis fósseis. Nesse sentido, as recuperações de despesas constituem receitas operacionais, conforme determina o inciso III do art. 44 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964, base legal do inciso II do art. 392 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999), a seguir transcrito, e, como tal, inseremse no campo de incidência do PIS e da COFINS: “Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I o produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II o resultado auferido nas operações de conta alheia; III as recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões;” (grifouse) Desta forma, no que diz respeito aos valores recebidos relativos à conta CCC, os quais foram considerados pela autoridade fiscal, na apuração da base de cálculo da contribuição, não cabe reparos no Despacho Decisório impugnado. (efl. 699) Assim, de forma conclusiva, considerase como receita os valores recebidos na CCC. Conclusão Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para não reconhecer o direito creditório. Fl. 1060DF CARF MF 14 É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Relator. Voto Vencedor Conselheiro Laércio Cruz Uliana Junior É de reconhecer como válida a correção do IGPM anteriores a 31/10/2003, isso, desde que firmado nas hipóteses do art. 27 da 9718/98. Ainda é correta o memorando SSF/Aneel 836/2005. Nesse sentido já se manifestou esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais sobre a validade de tal correção: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário: 2007 Ementa: PARECER TÉCNICO. JUNTADA APÓS APRESENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE A juntada de parecer pelo contribuinte após a interposição de Recurso Voluntário é admissível. O disposto nos artigos 16, §4º e 17, ambos do Decreto nº 70.235/1972 não pode ser interpretado de forma literal, mas, ao contrário, deve ser lido de forma sistêmica e de modo a contextualizar tais disposições no universo do processo administrativo tributário, o nde vige a busca pela verdade material, a qual é aqui entendida como flexibilização procedimentalprobatória. Ademais, referida juntada está em perfeita sintonia com o princípio da cooperação, capitulado no art. 6o do CPC/2015, o qual se aplica subsidiariamente no processo administrativo tributário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 2007 Ementa: PREÇO PREDETERMINADO. ILEGALIDADE DA IN Nº 468/2004 e 658/2006. O preço predeterminado não se descaracteriza pela aplicação de indexador, trata se de mera atualização monetária dos valores dos contratos, e, n ão torna o preço pactuado (predeterminado) para fornecimento de bens e serviços em preço indeterminado. A ilegalidade da exclusão promovida pela IN 468/04 dos contratos de fornecimento de bens e serviços, com prazo sup erior a 1(um) ano, celebrados antes de 31 de outubro de 2003, a preço determinado, prevista no art. 10, inc. XI alínea “b” da Lei 10.833/03. IGPM. CORREÇÃO MONETÁRIA. CONTRATO PREDETERMINADO. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO. O re ajuste de preços efetuado nas condições descritas no artigo 27 d a Lei n° 9.069/95 independentemente do índice utilizado não descaracteriza a condição de preço predeterminado do contrato e, consequentemente, a sua manutenção no regime cumulativo, previsto na Lei n° 9.718/98. Não consta na legislação impedimento à utilização do IGPM. Fl. 1061DF CARF MF Processo nº 10166.725712/201248 Acórdão n.º 3201004.843 S3C2T1 Fl. 1.054 15 Assim, dou provimento no que tange esse tópico. (assinado digitalmente) Laércio Cruz Uliana Junior Fl. 1062DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.903504/2012-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/10/2003
ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS).
O montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição é o valor mensal do ICMS a recolher, conforme Solução de Consulta Interna nº 13 - Cosit, de 18 de outubro de 2018, interpretando entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal.
Numero da decisão: 3302-006.710
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição, vencido o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento em maior extensão para excluir o ICMS destacado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO (PIS/COFINS). O montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição é o valor mensal do ICMS a recolher, conforme Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018, interpretando entendimento firmado no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição, vencido o Conselheiro José Renato Pereira de Deus que dava provimento em maior extensão para excluir o ICMS destacado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 35 04 /2 01 2- 50 Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10283.903504/201250 Acórdão n.º 3302006.710 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER) eletrônico, por meio da qual a contribuinte solicita restituição de valor que teria sido indevidamente recolhido a título de COFINS, no regime não cumulativo. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil de jurisdição pelo indeferimento do pedido de restituição, mediante Despacho Decisório (DD) acostado aos autos, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para restituição. Inconformada com o indeferimento do PER, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, na qual, após a apresentação dos fatos, explica que o pedido de restituição referese a créditos decorrentes de pagamentos a maior em razão da exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. A interessada esclarece que, para apuração do valor indevidamente pago, elaborou planilha demonstrando a diferença entre o valor efetivamente recolhido e o valor que legalmente seria devido, excluindose da base de cálculo da contribuição o ICMS efetivamente apurado e recolhido. Informa, ainda, que a comprovação do direito creditório será feita em momento oportuno, no Livro Registro de Apuração do ICMS. A fim de justificar seu direito ao crédito, a contribuinte alega, em síntese, a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins. Em sua defesa, cita julgamento da matéria no Supremo Tribunal Federal (STF). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 07040.570. Regulamente cientificada desta decisão, a Recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, no qual essencialmente reitera os argumentos iniciais apresentados na impugnação e aduz que a decisão recorrida não pode prosperar, uma vez que é desnecessária a previsão legal que permita a exclusão do ICMS da base de cálculo da Cofins e do PIS. Diz, ainda, que é impossível considerar o ICMS como parte do faturamento e aponta jurisprudência do STF. Por fim, requer reforma da decisão e reconhecimento da restituição pleiteada. É o relatório. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10283.903504/201250 Acórdão n.º 3302006.710 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.687, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10283.900996/201493, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.687): "O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em não havendo preliminares, passase, de plano, ao mérito do litígio. DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS A matéria é por demais conhecida deste Colegiado, razão por que trato de invocar excertos de recente acórdão, nº 3302 006.452, de 30/01/2019, para ilustrar meu entendimento sobre a questão. Naquela oportunidade, o eminente relator, conselheiro Walker Araujo, assim se pronunciou sobre o tema: (...) sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, é de conhecimento notório que o Plenário do Supremo Tribunal Federal no RE 574.706, com repercussão geral reconhecida, decidiu que o ICMS não integra a base de cálculo das famigeradas contribuições. Contra a decisão proferida no RE 574.706, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional opôs embargos declaratórios da decisão, pleiteando a modulação temporal dos seus efeitos e realizou outros questionamentos, em especial, se o valor a ser excluído é somente aquele relacionado ao arrecadado a título de ICMS e/ou se o valor a ser excluído da base de cálculo abrange, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída, sendo que referidos questionamentos aguardam sua análise e julgamento pelo Supremo Tribunal Federal. Entretanto, em que se pese inexistir trânsito em julgado da decisão proferida pela Suprema Corte, entendo que se tornou definitiva a matéria quanto ao direito do Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10283.903504/201250 Acórdão n.º 3302006.710 S3C3T2 Fl. 5 4 contribuinte ao menos de excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher, restando àquela Corte apenas decidir se o direito de exclusão será concedido em maior extensão, abrangendo, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída. A respeito do direito do contribuinte excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher(...) (...) temos a Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018, emitida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Contribuição para o PIS/Pasep, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Contribuição para o PIS/Pasep do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de cálculo mensal, conforme o Código de Situação tributária (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relacao percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa juridica estar dispensada da escrituracao do ICMS, na Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10283.903504/201250 Acórdão n.º 3302006.710 S3C3T2 Fl. 6 5 EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.715, de 1998, art. 2o; Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.637, de 2002, arts. 1o, 2o e 8o; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Cofins, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Cofins do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de calculo mensal, conforme o Código de Situação tributaria (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relação percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10283.903504/201250 Acórdão n.º 3302006.710 S3C3T2 Fl. 7 6 escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa jurídica estar dispensada da escrituração do ICMS, na EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.833, de 2003, arts. 1o, 2o e 10; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. Neste cenário, entendo que o montante a ser excluído da(s) base(s) de calculo da Contribuicao para o PIS/Pasep e da Cofins é o valor mensal do ICMS a recolher. Posto isso, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir o valor tão somente do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir o valor do ICMS a recolher da base de cálculo da contribuição. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 90DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.900193/2011-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA COM ALÍQUOTA ZERO NAS OPERAÇÕES DE REVENDA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NOS TERMOS DO ART. 17 DA LEI 11.033/2004.
Os artigos 2º, parágrafo 1º, VIII e 3º, I, b, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente o direito ao creditamento das referidas contribuições em relação a bebidas adquiridas para revenda. O benefício contido no artigo 17 da Lei 11.033, de 2004, de que o vendedor tem direito a créditos vinculados às vendas efetuadas com alíquota zero do PIS e Cofins, não se aplica no caso de os bens adquiridos não estarem sujeitos ao pagamento das contribuições.
Numero da decisão: 3201-004.935
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA COM ALÍQUOTA ZERO NAS OPERAÇÕES DE REVENDA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NOS TERMOS DO ART. 17 DA LEI 11.033/2004. Os artigos 2º, parágrafo 1º, VIII e 3º, I, b, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente o direito ao creditamento das referidas contribuições em relação a bebidas adquiridas para revenda. O benefício contido no artigo 17 da Lei 11.033, de 2004, de que o vendedor tem direito a créditos vinculados às vendas efetuadas com alíquota zero do PIS e Cofins, não se aplica no caso de os bens adquiridos não estarem sujeitos ao pagamento das contribuições.
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DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA COM ALÍQUOTA ZERO NA REVENDA. DIREITO DE CRÉDITO. Recorrente DIBEM DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS MARANHENSE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA COM ALÍQUOTA ZERO NAS OPERAÇÕES DE REVENDA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NOS TERMOS DO ART. 17 DA LEI 11.033/2004. Os artigos 2º, parágrafo 1º, VIII e 3º, I, b, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente o direito ao creditamento das referidas contribuições em relação a bebidas adquiridas para revenda. O benefício contido no artigo 17 da Lei 11.033, de 2004, de que o vendedor tem direito a créditos vinculados às vendas efetuadas com alíquota zero do PIS e Cofins, não se aplica no caso de os bens adquiridos não estarem sujeitos ao pagamento das contribuições. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 90 01 93 /2 01 1- 01 Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10320.900193/201101 Acórdão n.º 3201004.935 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório O presente processo trata de pedido de ressarcimento de COFINS mercado interno. A DRF em São Luís, por intermédio de Despacho Decisório, indeferiu o pleito alegando impossibilidade de confirmar a existência do direito creditório, tendo em vista que a interessada, mesmo intimada, não apresentou Dacon contendo informações do período de apuração do crédito pleiteado. Adotou por fundamento legal os arts. 39 e 40 da Lei nº 9.784, de 29/01/1999, e art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30/12/2008. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade argumentando que agiu de boafé quando transmitiu o Pedido de Ressarcimento de créditos de PIS e Cofins, com amparo no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004. E que a falta de preenchimento do Dacon, à época, se deu por situações alheias a sua vontade. A DRJ/Curitiba/PR julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não homologou a compensação declarada, nos termos do Acórdão 06050.488. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. OBRIGATORIEDADE DA APRESENTAÇÃO DO DACON. Cabe ao sujeito passivo o ônus de comprovar a existência do direito creditório, demonstrando a base de cálculo dos créditos aproveitados, vinculados aos respectivos elementos de prova, podendo a autoridade administrativa condicionar o reconhecimento dos créditos à apresentação de documentos, escrituração fiscal ou informações que julgar necessárias. COFINS. MERCADO INTERNO. VENDAS A VAREJO E NO ATACADO DE BEBIDAS E REFRIGERANTES. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS MONOFÁSICOS PARA REVENDA. INEXISTÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO. O art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, realizadas por comerciantes atacadistas e varejistas de bebidas e refrigerantes, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito de aquisições, nas vendas submetidas à incidência monofásica, desde a sua definição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10320.900193/201101 Acórdão n.º 3201004.935 S3C2T1 Fl. 4 3 Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário visando a reforma da decisão recorrida, para que lhe seja reconhecido o direito creditório e homologada a compensação declarada. Suscita que a manutenção dos créditos de PIS/Cofins na escrita fiscal tem respaldo no art. 17 da Lei 11.033/04. Aduz que o fato de as aquisições serem efetuadas com alíquota zero não impede o creditamento dessas Contribuições. Por ser tal norma posterior, que regulamenta a mesma matéria, revogou o art. 3º, I, b da Lei nº 10.833/03. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.933, de 25/02/2019, proferido no julgamento do processo 10320.900191/201111, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.933): "(...) O litígio, conforme pontuado pela decisão recorrida, versa sobre o indeferimento no despacho decisório de direito creditório (ressarcimento/compensação) em razão da impossibilidade de análise do crédito pleiteado em face da omissão da contribuinte na entrega de Dacon. Todavia, o fundamento da DRJ para negativa ao pleito, contrapondo as razões arguidas na manifestação de inconformidade, foi de que as saídas por revenda de produtos da contribuinte (bebidas e refrigerantes) inseremse no regime de tributação concentrada (na indústria) com alíquota zero em suas operações e, portanto, vedada a apropriação de crédito de PIS/Cofins a teor do art. 3º, inciso I, alínea b, das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03. A recorrente insiste que o art 17 da Lei nº 11.033/04 revogou os dispositivos que vedam o crédito de que trata o referido art. 3º, mantendo, assim, os créditos apurados. A solução do litígio cingese, então, acerca da possibilidade ou não da apuração e manutenção de crédito nas aquisições de água, refrigerante, cerveja e preparações compostas, classificados nos códigos 22.01, 22.02, 22.03 e 2106.90.10 da TIPI, pela recorrente Não há controvérsia nos autos sobre a vedação do créditos ns aquisições da recorrente nos termos do art. 3º, I, b, das referidas Leis: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10320.900193/201101 Acórdão n.º 3201004.935 S3C2T1 Fl. 5 4 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b no § 1o do art. 2o desta Lei.” A divergência entre a decisão recorrida e a contribuinte é acerca da possibilidade de manutenção dos créditos nos termos do art. 17 da Lei nº 11.033/04. Destarte, a solução do litígio é decidir quanto à aplicação no caso dos autos da vedação de crédito expressa nas Leis 10.637/02 e 10.833/03 frente ao disposto no art. 17. A matéria foi tratada com acurada análise no voto condutor do Acórdão nº 3401 003.517, de lavra do Conselheiro Rosaldo Trevisan, sessão de 25/04/2017, sobre fatos ocorridos no mesmo período do presente processo, que ao final conclui pela natureza interpretativa do art. 17 da Lei nº 11.033/04, além de que se trata de uma lei geral, na trazendo nenhuma disposição nova e mais específica que as constantes nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Assim, adoto as razões de decidir naquele Acórdão fazendo meus fundamentos na situação dos autos, o que peço vênia para reproduzilas: " Da natureza do comando presente no artigo 17 da Lei no 11.033/2004 No próprio despacho decisório, destaca a autoridade fiscal que o artigo 17 da Lei no 11.033/2004 trata de manutenção de créditos existentes, e não de criação de créditos novos. Por outro lado, a recorrente dispõe que a Medida Provisória no 206, de 09/08/2004 (no art. 16), posteriormente convertida na Lei no 11.033, de 22/12/2004 (art. 17), alastrada à Instrução Normativa SRF no 594/2005 (art. 38), veio a corrigir situação desigual entre os diferentes elos da cadeia produtiva automobilística, que, de fato, não é monofásica, mas com um dos elos sujeitos à alíquota zero. Sobre o correto emprego do termo “monofásico”, é de se informar que a legislação aqui já transcrita não se preocupou efetivamente em definilo, precisamente, mas expressamente estabeleceu vedação ao desconto de créditos em relação a determinadas situações (sejam elas ou não “monofásicas”, na acepção restrita do termo, defendida pela recorrente) previstas em lei, entre as quais a Lei no 10.485/2002, na qual indiscutivelmente se enquadram as operações da recorrente. Assim, é irrelevante ao deslinde do presente contencioso a discordância terminológica, visto que as menções da lei não são simplesmente a operações monofásicas, mas a operações expressamente previstas em determinadas leis, entre as quais aquela na qual se enquadra a situação da operação realizada pela recorrente. Aliás, o termo “monofásica” aparece uma única vez na Lei no 10.833/2003, no artigo 12, § 7o (que trata do desconto correspondente ao estoque de abertura). E basta a leitura de tal parágrafo para que se perceba que o legislador não teve a mesma visão restritiva do termo albergada pela recorrente: “§ 7o O disposto neste artigo aplicase, também, aos estoques de produtos que não geraram crédito na aquisição, em decorrência do disposto nos §§ 7o a 9o do art. 3o desta Lei, destinados à fabricação dos produtos de que tratam as Leis nos 9.990, de 21 de julho de 2000, 10.147, de 21 de dezembro de 2000, 10.485, de 3 de julho de 2002, e 10.560, de 13 de novembro de 2002, ou quaisquer outros submetidos à incidência monofásica da contribuição.” (grifo nosso) Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10320.900193/201101 Acórdão n.º 3201004.935 S3C2T1 Fl. 6 5 Portanto, as discussões suscitadas pela recorrente em relação a monofasia, ou à sistemática de apuração das contribuições, assumem reduzida importância diante dos textos expressos dos comandos legais, que indiscutivelmente vedavam o desconto de créditos para as operações em análise, textos legais esses que não podem ser afastados pelo julgador administrativo em função de eventuais inconstitucionalidades apontadas pela empresa, como aqui já destacado. Resta, assim, à defesa, um único argumento que não esbarraria na discussão sobre a constitucionalidade das vedações existentes, de que teria a Lei no 11.033/2004, resultante da conversão da Medida Provisória no 206/2004, efetivamente criado uma nova hipótese de desconto de crédito, derrogando a existente nas leis de regência das contribuições. Sobre a alegação, cabe salientar que, em 09/08/2004 foi publicada a Medida Provisória no 206/2004 (vigente a partir de 09/08/2004), que, em seu art. 16, dispôs: “Art. 16. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.” A Exposição de Motivos da Medida Provisória (EM No 00111/2004 MF) parece não deixar dúvidas sobre o caráter declaratório (e não constitutivo) do comando: “19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS.”(sic) (grifo nosso) Não se cria obrigação, assim, com o art. 16, nem se derroga eventual vedação existente nas leis de regência das contribuições. Apenas se garante a “manutenção” (palavra essa que já sugere o caráter interpretativo do comando) dos créditos vinculados, já se destacando que a “manutenção” do crédito pressupõe a prévia existência do direito ao crédito. E isso decorre claramente da conclusão lógica/semântica de que é impossível “manter” aquilo que não se tem. E, com a publicação da Lei no 11.116, de 18/05/2005 (vigente a partir de 19/05/2005), também não há revogação de vedação ou alteração substancial no direito de crédito previsto nas leis de regência das contribuições. Já enfrentamos o tema em mais de uma oportunidade, chegando a entendimento consolidado no sentido de que: “Sintetizando nosso entendimento: é possível a apuração de créditos previstos nas Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003 em relação a insumos tributados na aquisição (ainda que a saída do produto final esteja sujeita a alíquota zero), cabendo apenas observar se tal direito de crédito não encontra óbice nas vedações estabelecidas no corpo das próprias leis (v.g. inciso II do § 2o do art. 3o). E tal situação não foi alterada pela legislação superveniente: nem pelo art. 16 da Medida Provisória no 206/2004 (atual art. 17 da Lei no 11.033/2004), que somente esclareceu que o fato de a alíquota na venda ser zero não impede a manutenção do crédito (obviamente nas hipóteses em que ele já existia), nem pelo art. 16 da Lei no 11.116, de 18/05/2005, que apenas limitou temporalmente a utilização do saldocredor acumulado no trimestre.” (grifo nosso) (Acórdão no 3403003.488, Rel. Cons. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10320.900193/201101 Acórdão n.º 3201004.935 S3C2T1 Fl. 7 6 Rosaldo Trevisan, unânime em relação ao entendimento em apreço, sessão de 27 jan. 2015) No mesmo sentido, de que não houve revogação de vedação a direito de crédito existente nas leis de regência pela Lei no 11.033/2004, em casos de revendedora de veículos e autopeças, já decidiu unanimemente este tribunal administrativo: “COFINS. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. REVENDEDORA DE VEÍCULOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição de máquinas e veículos relacionados no art. 1º da Lei 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS e da Cofins,, dada a expressa vedação, consoante o art. 3o , inciso I, alínea "b”” das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, respectivamente. A previsão contida no art. 17 da Lei n° 11.033/04 tratase de regra geral não se aplicando nos casos de tributação monofásica por força da referida vedação legal.” (grifo nosso) (Acórdãos n. 3801004.111 a 139, todos unânimes, Rel. Cons. Marcos Antonio Borges, sessão de 19 ago. 2014) “DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA COM ALÍQUOTA ZERO NAS OPERAÇÕES DE REVENDA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NOS TERMOS DO ART. 17 DA LEI 11.033/2004. Os artigos 2º, parágrafo 1º, VIII e 3º, I, b, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente o direito ao creditamento das referidas contribuições em relação a bebidas adquiridas para revenda. O benefício contido no artigo 17 da Lei 11.033, de 2004, de que o vendedor tem direito a créditos vinculados às vendas efetuadas com alíquota zero do PIS e COFINS, não se aplica no caso de os bens adquiridos não estarem sujeitos ao pagamento das contribuições.” (Acórdão n. 3302002.272, unânime, Rel. Cons. Gileno Gurjão Barreto, sessão de 21 ago. 2013) Em síntese, a falta de uniformidade sobre o que se designa exatamente como “monofásico” é absolutamente marginal diante das vedações, que remetem a dispositivos legais, e não à “monofasia”, em geral. E a Lei no 11.033/2004 não afetou a vigência de tais vedações, previstas nas leis de regência das contribuições. Não socorre a recorrente, a nosso ver, então, a tese de que a Lei no 11.033/2004 teria revogado dispositivos legais que vedavam o aproveitamento de créditos, nas leis de regência das contribuições. A Lei no 11.033/2004 não traz disposição “mais específica” que as constantes nas leis de regência, mas disciplina adicional a elas, com caráter explicativo, e não derrogador de disposição legal expressa, não sendo difícil concluir que a palavra “manterão”, nem de longe, parece ter o condão de transformar vedação expressa em permissão. Derradeiramente, adicionese que as disposições constantes em medidas provisórias diversas, e que não foram convertidas em lei, relacionadas pela recorrente, não se prestam a formar conclusões a contrário senso. O complexo processo que leva à não conversão de medidas provisórias em lei (de concordância parcial, discordância, desnecessidade, irrelevância, inadequação redacional, entre outros) não pode ser simploriamente resumido à conclusão de que cada comando da MP não convertida em lei deveria ser interpretado como comando legal vigente com a redação oposta. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10320.900193/201101 Acórdão n.º 3201004.935 S3C2T1 Fl. 8 7 Ressaltase, ainda, que o creditamento nos casos em que a saída é tributada à alíquota zero como a revenda de produtos tributados de forma concentrada implicaria verdadeira isenção (posicionamento jurisprudencial dos tribunais superiores), sendo ilógico assegurarlhe crédito, quando inexiste disposição expressa e específica em Lei. Por fim, há posicionamentos da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça que mantém, em seus precedentes, a impossibilidade de aproveitamento dos créditos postulados, inclusive com o fundamento de que é irrelevante à solução da controvérsia decidir quanto a aplicação do art. 17 da Lei nº 11.033/04 apenas ao REPORTO. Transcrevo precedentes: EMENTA TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. AUSÊNCIA DE DIREITO A CRÉDITO PELO SUJEITO INTEGRANTE DO CICLO ECONÔMICO QUE NÃO SOFRE A INCIDÊNCIA DO TRIBUTO 1. O Superior Tribunal de Justiça possui jurisprudência no sentido de que as receitas provenientes das atividades de venda e revenda sujeitas ao pagamento das contribuições ao PIS/PASEP e à COFINS em Regime Especial de Tributação Monofásica não permitem o creditamento pelo revendedor das referidas contribuições incidentes sobre as receitas do vendedor por estarem fora do Regime de Incidência Não Cumulativo, a teor dos artigos 2º, § 1º, e incisos; e 3º, I, "b" da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003. 2. Com efeito, não se lhes aplicam, por incompatibilidade de regimes e por especialidade de suas normas, o disposto nos artigos 17, da Lei 11.033/2004, e 16, da Lei 11.116/2005, cujo âmbito de incidência se restringe ao Regime Não Cumulativo, salvo determinação legal expressa. 3. Ademais, ressalvase a impertinência para a solução da controvérsia da verificação da abrangência do Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária REPORTO. 4. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. (REsp 1.698.583/DF, Rel. Ministro HERMAM BENJAMIN, segunda TURMA, julgado em 16/11/2017, DJe 19/12/2017) TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. REGIME DE INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 17 DA LEI 11.033/2004. APLICAÇÃO A EMPRESAS INSERIDAS NO REGIME DE TRIBUTAÇÃO DENOMINADO REPORTO. SÚMULA 83/STJ. 1. A Segunda Turma do STJ firmou o entendimento de que a incidência monofásica não se compatibiliza com a técnica do creditamento, e que o benefício instituído no art. 17 da Lei 11.033/2004 somente é aplicável às empresas que se encontram inseridas no regime específico de tributação denominado Reporto (Precedente: REsp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 2.9.2010, DJe 22/9/2010). 2. Agravo Interno não provido Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10320.900193/201101 Acórdão n.º 3201004.935 S3C2T1 Fl. 9 8 (AgInt no Agravo em REsp 1.199.305/SP, Rel. Ministro HERMAM BENJAMIN, segunda TURMA, julgado em 22/05/2018, DJe 23/11/2018) Portanto, mantémse a vedação ao crédito de PIS e Cofins nas aquisições de produtos sujeitos à tributação monofásica, conforme disposições estabelecidas nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03, que não foram revogadas pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que este não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, e não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." (...)1 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado negou provimento recurso voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza 1 Deixouse de transcrever a declaração de voto, apresentada no processo paradigma, por manifestar entendimento que restou vencido na votação, não se aplicando, portanto, na solução do litígio deste processo. No entanto, sua íntegra consta do acórdão do processo paradigma (9303004.933). Fl. 163DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.000668/2003-29
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu May 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000
CREDITO PRESUMIDO DE IPI, INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. O § 4°
do art. 39 da Lei n°9.250/1995 determina a aplicação da taxa SELIC somente sobre os valores oriundos de indébitos passíveis de restituição ou compensação, não contemplando valores oriundos de tributos recolhidos regularmente e ressarcidos a título de beneficio fiscal.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-000.080
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 1ª turma ordinária do segunda
seção de julgamento por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: MARIA CRISTINA ROZADA COSTA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 CREDITO PRESUMIDO DE IPI, INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. O § 4° do art. 39 da Lei n°9.250/1995 determina a aplicação da taxa SELIC somente sobre os valores oriundos de indébitos passíveis de restituição ou compensação, não contemplando valores oriundos de tributos recolhidos regularmente e ressarcidos a título de beneficio fiscal. Recurso negado.
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SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO7-.8..i•-,,,,,!..4-,:- Processo n° 10675.000668/2003-29 Recurso n° 141.037 Voluntário Acórdão n° 2101-00.080 — 1 Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 07 de maio de 2009 Matéria IPI CRÉDITO PRESUMIDO Recorrente PRODUTOS ERLAN LTDA Recorrida DRJ em Juiz de Fora - MG ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 CREDITO PRESUMIDO DE IPI, INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. O § 4° do art. 39 da Lei n°9.250/1995 determina a aplicação da taxa SELIC somente sobre os valores oriundos de indébitos passíveis de restituição ou compensação, não contemplando valores oriundos de tributos recolhidos regularmente e ressarcidos a título de beneficio fiscal. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1' câmara / 1* turma ordinária do segunda seção de julgam• • por unanimidade de votos, em net . pri vimento ao recurso. li I / 40 CA O MARCOS CÂNDI' ç ARIA CRISTINA ROk DA 41A elatora i Ir Processo n° 10675.000668/2003-29 52-CITI Acórdão n.° 2101-00.080 Fl. 214 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gustavo Kelly Alencar, Antonio Zomer, António Lisboa Cardoso, Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho e Maria Teresa Martinez López. Relatório Trata-se de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3" Turma de Julgamento da DRJ em Juiz de Fora, MG. Por bem descrever os fatos e por economia processual reproduzo abaixo o relatório da decisão recorrida: "Em julgamento o pedido de ressarcimento de fl. 01, relativo ao 2" trimestre de 2000, no valor total de R$ fundado nos termos da Lei n" 9.363/96 e da Portaria MF n" 38/97 (crédito presumido). Nesse total, está embutida uma parcela referente à atualização pela taxa SEL1C, tendo em vista que o crédito foi extemporaneamente apurado pela empresa. Nos processos 10675.000928/2003-66 e 10675.001034/2003-93, em apenso, encontram-se as compensações vinculadas ao pleito de ressarcimento. [*excluído] Os resultados da verificação da legitimidade dos créditos solicitados em ressarcimento estão consolidados na informação fiscal de fls. 99/102. A autoridade fiscal, a partir dos livros, documentos fiscais e informações obtidas junto à empresa. procedeu à apuração do crédito presumido, estando o resultado consolidado no demonstrativo de fls.101/102. O indeferimento parcial do pedido compreende: a) um montante relativo à atualização pela taxa Selic que a empresa fez incidir sobre o valor original do beneficio (apurado extemporaneamente - fl. 46); b) um montante relativo a diferenças na apuração efetuada pelo auditor (em valores originais), sendo a principal delas decorrente do cálculo das receitas de exportação (os valores apurados pela fiscalização são inferiores aos computados pela empresa). Por intermédio do despacho decisório de fls. 121/123 a autoridade competente da DRF/Uberlândia ratificou o procedimento da fiscalização, indeferindo parcialmente o ressarcimento pleiteado e não homologando a compensação declarada no montante que excedeu ao crédito então reconhecido. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade às fls. 128/139, por intermédio da qual insurge-se tão-somente, contra o indeferimento proveniente da glosa da iatualizactio' pela taxa Selic. Solicita, de forma bastante sucinta: "(..) requer a ora Reclamante seja a presente Reclamação conhecida e, ao final, integralmente provida, para efeitos de restar reconhecida a impropriedade e ilegalidade da glosa efetuada pela Autoridade Tributária sob o vetustofundamento de G/L 2 Processo n° 10675.000668/2003-29 52-CIT1 Acórdão n.° 2101-00.080 Fl. 215 que não seria devida a 'atualização monetária ou acréscimo de juros compensatórios sobre o crédito presumido. haia vista a inexistência de previsão legal fr. eis que como o ressarcimento é uma espécie do género restituição. nele incide sim a Taxa Selic prevista no artigo 39. § 4". da Lei n"9.250/95 (..)". Apreciando as razões de inconformidade apresentadas, a Turma Julgadora proferiu decisão escorçada na seguinte ementa: "Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO EXTEMPORÂNEA. TAXA SELIC. Não existe previsão legal a autorizar a incidência da taxa Selic sobre valor original de crédito presumido apurado extemporaneamente." Cientificada da decisão em 08/06/2007 a empresa apresentou em 10/07/2007 recurso voluntário a este Eg. Conselho de Contribuintes com as mesmas razões de dissentir postas na manifestação de inconformidade, agregando decisões dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, nos quais está expresso entendimento no sentido de reconhecer o direito à atualização pela taxa selic, mesmo nos casos de requerimento extemporâneo. Requer a reforma da decisão e a manutenção da integralidade do ressarcimento pretendido com atualização dos créditos desde a época de sua constituição (fato gerador), ou, eventualmente, desde a data do protocolo. É o relatório. Voto Conselheira MARIA CRISTINA ROZA DA COSTA, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche as demais condições legais, necessárias à sua admissibilidade e conhecimento. A matéria da lide é, exclusivamente, a atualização pela taxa Selic que a empresa fez incidir sobre o valor original do beneficio, que foi apurado com extemporaneidade. O período de apuração está compreendido entre abril e junho de 2000 e foi yf protocolado em 13/03/2003. Não cabem reparos à decisão recorrida. Seus fundamentos se mantêm por eles mesmos, no sentido de que a apuração do beneficio muito tempo depois do permitido pela norma se deu por absoluta decisão da recorrente, sem que para isso contribuísse o Fisco. E que as decisões proferidas pelos Conselhos de Contribuintes, quando reconhecem o direito à atualização do crédito presumido de IPI, o faz a partir da data do protocolo do pedido e não desde as aquisições dos insumos. cÁ- 3 a. Processo n° 10675.000668/2003-29 S2-CI T I Acórdão n.° 2101-00.080 Fl. 216 Acresça-se, quanto a essa matéria, que também entendo incabível a atualização pelos índices estabelecidos para a taxa Selic, do valor a ser ressarcido, por absoluta ausência de previsão legal. O § 4° do art. 39 da Lei n°9.250/1995 determina a aplicação da taxa SELIC somente sobre os valores oriundos de indébitos passíveis de restituição ou compensação, não contemplando valores oriundos de tributos recolhidos regularmente e ressarcidos a titulo de beneficio fiscal. A improcedência do pedido de atualizar os valores a partir da data em que poderiam ter sido escriturados é flagrante. A recorrente pretende transferir para o Tesouro Nacional a mora no exercício de seu direito de requerer os ressarcimentos. A decisão recorrida esclarece bem quanto às decisões proferidas pelos Conselhos de Contribuintes, no sentido de que a atualização, quando admitida, é a partir da data do pedido e não a partir da data da aquisição que deu direito ao pedido de ressarcimento. As decisões trazidas pela recorrente não formam a jurisprudência dominante que é no sentido de não reconhecer a atualização monetária de beneficios fiscais em geral. Em que pese o ressarcimento seja direito da recorrente estabelecido em lei, o mesmo não ocorre com a atualização do valor a ressarcir pela taxa Selic ou qualquer outro índice. O princípio da indisponibilidade da coisa pública torna imperativa a existência de previsão legal para transferência da coisa pública para o domínio privado. Antes do advento do citado art. 39, § 4°, da Lei n° 9.250/95 a incidência da atualização monetária dos valores a restituir, segundo o parágrafo único do art. 167 do Código Tributário Nacional, só ocorria "a partir do trânsito em julgado da decisão definitiva" que determinasse a sua restituição, sendo, inclusive, este o teor do Enunciado n° 188 da Súmula da Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça. Fez-se necessário a edição da referida norma legal para que os indébitos tivessem o mesmo tratamento econômico dado aos tributos recolhidos com atraso. E o texto legal é restritivo pois não alcança todo e qualquer valor a ser entregue ao particular pelo Tesouro Nacional. A atualização monetária está limitada somente à restituição de tributo recolhido a maior ou indevidamente, nos termos do artigo 165 do CTN, ou seja, ao indébito. O direito legal ao ressarcimento do beneficio fiscal está estabelecido na Lei n° 9.363/96, porém a referida norma restringe o quantztm a ressarcir dos tributos calculados de forma presumida, delimitando a base de cálculo. E não entendo como afronta ao princípio da moralidade administrativa ou da isonomia o fato de não ressarcir o beneficio fiscal com incidência da taxa Selic. Trata-se, meramente, de ausência de previsão legal. Atribuir taxa Selic ao ressarcimento do crédito presumido do IPI corresponde a legislar positivamente uma vez que a referida taxa, consoante decisões dos tribunais superiores, possui natureza híbrida — juros de mora e correção monetária —, e também o fato de a correção monetária ter sido extinta pela Lei n° 9.249/95, por seu art. 36, II. 4 Processo n° 10675.000668/2003-29 S2-CITI Acórdão n.° 2101-00.080 Fl. 217 O fato de a legislação tributária prever a incidência da taxa Selic sobre os créditos tributários recolhidos indevidamente não autoriza a analogia com o ressarcimento do crédito presumido do IPI. A primeira situação tem permissão legal — parágrafo único do art. 161 do CTN conjugado com art. 61, § 3° da Lei n°9.430/96. Para a segunda inexiste previsão ou permissão legal. O próprio Supremo Tribunal Federal decidiu pela incompetência para assim proceder, menos ainda poderá fazê-lo o julgador administrativo. Com essas considerações voto por negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 07 de maio de 2009. ARIA/444—RISTINA I4ZA DUTA 5 Page 1 _0049000.PDF Page 1 _0049100.PDF Page 1 _0049200.PDF Page 1 _0049300.PDF Page 1
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Numero do processo: 15868.001222/2009-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/06/2004
ARQUIVOS DIGITAIS. APRESENTAÇÃO IRREGULAR. MULTA.
A não-apresentação ou apresentação irregular dos arquivos digitais pelas empresas que adotam a escrituração eletrônica de suas operações ensejam a aplicação da multa regulamentar.
MPF. LANÇAMENTO. PRESCINDIBILIDADE.
Irregularidades no MPF ou a sua ausência não são condições suficientes para anular lançamento de crédito tributário.
LANÇAMENTO. AUTORIDADE COMPETENTE.
A formalização da exigência previne a jurisdição da autoridade que dela primeiro conhecer.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO DE MULTA. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO
Trata-se de lançamento de ofício de multa por descumprimento de obrigação acessória, cujo lançamento é de ofício e não por homologação. Assim, o prazo decadencial é o do inciso I do art. 173 do CTN.
DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA.
Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo autuado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados.
Numero da decisão: 3301-005.968
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 30/06/2004 ARQUIVOS DIGITAIS. APRESENTAÇÃO IRREGULAR. MULTA. A não-apresentação ou apresentação irregular dos arquivos digitais pelas empresas que adotam a escrituração eletrônica de suas operações ensejam a aplicação da multa regulamentar. MPF. LANÇAMENTO. PRESCINDIBILIDADE. Irregularidades no MPF ou a sua ausência não são condições suficientes para anular lançamento de crédito tributário. LANÇAMENTO. AUTORIDADE COMPETENTE. A formalização da exigência previne a jurisdição da autoridade que dela primeiro conhecer. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DE MULTA. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO Trata-se de lançamento de ofício de multa por descumprimento de obrigação acessória, cujo lançamento é de ofício e não por homologação. Assim, o prazo decadencial é o do inciso I do art. 173 do CTN. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo autuado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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APRESENTAÇÃO IRREGULAR. MULTA. A nãoapresentação ou apresentação irregular dos arquivos digitais pelas empresas que adotam a escrituração eletrônica de suas operações ensejam a aplicação da multa regulamentar. MPF. LANÇAMENTO. PRESCINDIBILIDADE. Irregularidades no MPF ou a sua ausência não são condições suficientes para anular lançamento de crédito tributário. LANÇAMENTO. AUTORIDADE COMPETENTE. A formalização da exigência previne a jurisdição da autoridade que dela primeiro conhecer. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DE MULTA. DECADÊNCIA. CONTAGEM DO PRAZO Tratase de lançamento de ofício de multa por descumprimento de obrigação acessória, cujo lançamento é de ofício e não por homologação. Assim, o prazo decadencial é o do inciso I do art. 173 do CTN. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo autuado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 00 12 22 /2 00 9- 63 Fl. 252DF CARF MF Processo nº 15868.001222/200963 Acórdão n.º 3301005.968 S3C3T1 Fl. 253 2 (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Tratase de lançamento, contra a empresa qualificada em epígrafe, de multa regulamentar por falta de apresentação de arquivos magnéticos da forma legalmente prevista, no valor de R$ 6.661.596,08, conforme previsto na Lei d 8.218, de 1991, arts. 11 e 12, I, com a redação dada pela Medida Provisória (MP) 2.15835, de 2001, art. 72. De acordo com a fiscalização, a autuada protocolizou pedidos de ressarcimento de créditos da contribuição ao contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), relativos à receita de exportação, apurados no regime nãocumulativo, referentes aos primeiro e segundo trimestres de 2004. Prosseguindo na análise dos pedidos, a fiscalização solicitou, entre outros elementos, os arquivos digitais do período em questão. Após diversas intimações da fiscalização nesse sentido, a autuada apresentou dois CDR referentes aos trimestres em questão, contendo cada um diversas pastas com vários arquivos em cada pasta. No entanto, metade dos arquivos contidos nas pastas não continham dados, sendo imprestáveis para análise. Sendo assim, a fiscalização novamente intimou a contribuinte para que reapresentasse os arquivos digitais da forma devida, não sendo atendida mesmo após a realização de duas diligências na sede da contribuinte após o término do prazo concedido para reapresentação dos arquivos. Desta forma foi lavrado o auto de infração de constituição da multa por apresentação incompleta de arquivos magnéticos, acima citada. Inconformada, a autuada impugnou o lançamento alegando, em tese, preliminarmente, que o lançamento seria nulo, porquanto os auditoresfiscais da DRF/Araçatuba não têm competência para lavrar auto de infração contra a impugnante, pois o seu domicílio fiscal é São Paulo, capital, indo, portanto, de encontro ao art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972 (Processo Administrativo Fiscal — PAF). Fl. 253DF CARF MF Processo nº 15868.001222/200963 Acórdão n.º 3301005.968 S3C3T1 Fl. 254 3 Assim, o lançamento somente poderia ser efetuado pelos servidores da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (Derat), em São Paulo, especialmente pelo fato de estar vinculado aos pedidos de ressarcimento das contribuições, haja vista que o seu recolhimento é centralizado na capital. Anexa, ainda, ementas de julgados de Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), que teriam esse entendimento. Também o lançamento seria nulo, segundo a autuada, porquanto não foi respeitado o local dos trabalhos indicado no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), tampouco a necessidade de os atuantes atuarem em conjunto e não isoladamente, além de não haver autorização para imposição de penalidades, já que o MPF limitarseia a questões envolvendo o PIS e a Cofins. Quanto à transferência de competência interdelegacias, alega que esta também deveria estar contemplada no MPF e que o próprio superintendente da Receita Federal deveria ter emitido o mandado, a teor do art. 6° da Portaria RFB nº 11.371, de 2007. Também reclama que não foi cumprida a formalidade prevista no art. 44 da Lei d. 9.784, de 1999, que garante à recorrente o direito de se manifestar no prazo de dez dias após o encerramento da fase de instrução do processo. Argumenta que os própriosAuditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (AFRFB) reconheceram a apresentação de diversos documentos e arquivos digitais e, em vez de solicitar novos esclarecimentos, simplesmente lavraram o auto de infração e em nenhum momento apresentaram as razões de os arquivos não estarem em conformidade com a legislação de regência. Observa também que tais questões não têm o condão de anular o conteúdo dos arquivos que continham as informações requeridas. Deveriam, assim, os auditores ter demonstrado porque as supostas omissões causaram a desconsideração dos arquivos, como não o fizeram, caracterizou a falta de motivação do lançamento e o cerceamento do direito de defesa. Quanto ao que ela chama de mérito, alega que o lançamento foi atingido pela decadência, a teor do art. 150, § 40, do Código Tributário Nacional (CTN), haja vista que as questões envolvendo arquivos magnéticos têm relação direta com a Cofins e o PIS, tributos lançados por homologação. Ainda argumenta, que, em relação ao mesmo período, a fiscalização já procedeu à glosa dos créditos das contribuições, indeferiu os respectivos ressarcimentos e não homologou as compensações, assim o lançamento da presente multa caracterizaria o bis in idem, pelo fato de a autuada estar sendo apenada em razão da mesma realidade fática. Assinala também que os AFRFB nunca contestaram a apresentação dos CD R pela impugnante, apenas constataram que havia algumas informações não solicitadas e outras em branco, assim não existiria infração, pois algumas informações a mais ou em branco não invalidam as demais constantes nos arquivos. Fl. 254DF CARF MF Processo nº 15868.001222/200963 Acórdão n.º 3301005.968 S3C3T1 Fl. 255 4 No entanto, se existissem irregularidades, a fiscalização deveria ter intimado a autuada a sanálas em prazo razoável, o que não ocorreu, porquanto somente foram concedidos cinco dias para reapresentação dos arquivos magnéticos. Argumenta que considerando não haver falta de entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), somente informações incorretas, deveria ser aplicada apenas a penalidade prevista na Instrução Normativa (IN) SRF nº 940, de 2009, haja vista a relação entre as informações contidas nesse demonstrativo e nos arquivos digitais. Ainda segundo a contribuinte, o auto deve ser cancelado porque o art. 12, I, da Lei d). 8.218, de 1991, foi revogado pelo art. 32A da Lei n° 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Desta forma, como o citado artigo trata de infração relativa a qualquer tipo de declaração envolvendo contribuições previdenciárias e a Cotins e a contribuição ao PIS têm essa característica, deve ser aplicada a penalidade prevista na Lei nº 8.212, de 1991. Por fim, requer que o seu patrono também seja intimado de todas as decisões proferidas nestes autos." Em 08/01/10, a DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou a impugnação improcedente e o Acórdão n° 1427.151 foi assim ementado: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 30/06/2004 ARQUIVOS DIGITAIS. APRESENTAÇÃO IRREGULAR. MULTA. A nãoapresentação ou apresentação irregular dos arquivos digitais pelas empresas que adotam a escrituração eletrônica de suas operações ensejam a aplicação da multa regulamentar. MPF. LANÇAMENTO. PRESCINDIBILIDADE. Irregularidades no MPF ou a sua ausência não são condições suficientes para anular lançamento de crédito tributário. LANÇAMENTO. AUTORIDADE COMPETENTE. A formalização da exigência previne a jurisdição da autoridade que dela primeiro conhecer. SÚMULA VINCULANTE N° 8 DO STF. Em razão da Súmula Vinculante n° 8, do STF, o prazo para o lançamento das contribuições sociais deve ser contado segundo os critérios estabelecidos no Código Tributário Nacional. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo autuado e o seu direito Fl. 255DF CARF MF Processo nº 15868.001222/200963 Acórdão n.º 3301005.968 S3C3T1 Fl. 256 5 de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que repete os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Com fulcro no §1° do art. 50 da Lei n° 9.784/99, adoto o voto condutor da decisão de primeira instância (Acórdão n° 1427.151), do ilustre julgador Heitor Chaud, como minha razão de decidir. Destaco, todavia, que, após a transcrição, trato de dois tópicos da autuação "A Impossibilidade de aplicação de Multa Isolada Bis In Idem" e "A Decadência" , em relação aos quais meu posicionamento difere do trazido pela decisão de piso. Não obstante, nossas conclusões finais são as mesmas, quais sejam, a de negar provimento ao recurso voluntário. Passo à reprodução dos excertos que adoto da decisão de primeira instãncia: "Presentes os requisitos de admissibilidade, conheço da impugnação. Preliminarmente, indeferese o pedido no sentido de que as intimações sejam efetuadas em nome dos advogados, pois na atual fase do procedimento, o Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, art. 23, II, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 67, determina que elas sejam feitas por via postal, ou qualquer outra com prova de recebimento, e endereçadas ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Primeiramente, a impugnante alega que o lançamento seria nulo, porque a autoridade que jurisdicionava seu domicílio fiscal seria a Derat, em São Paulo, assim o auto não poderia ser lavrado por autoridade fiscal diversa (auditoresfiscais lotados na DRF/Araçatuba), o que contrariaria o disposto no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972. Para bem elucidar a questão, dentro do contexto que autoriza o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (AFRFB) a efetuar o lançamento, impõese fazer remissão ao conteúdo do art. 142 do CTN, que dispõe: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, Fl. 256DF CARF MF Processo nº 15868.001222/200963 Acórdão n.º 3301005.968 S3C3T1 Fl. 257 6 determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Do conceito legal expresso no citado artigo, depreendese que o lançamento é indelegável e privativo da autoridade administrativa devidamente investida nessa competência. Por outro lado, do citado parágrafo único do art. 142 do CTN, extraise que o lançamento deve ser presidido pelo Princípio da Legalidade, além de constituirse num dever indeclinável, uma vez constatada a ocorrência do fato gerador da obrigação principal ou o descumprimento de uma obrigação tributária acessória. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, são considerados nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente (art. 59, inciso I) e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa (art. 59, inciso II). Verificase, no caso concreto, que o auto de infração foi lavrado por AFRFBs servidores competentes para efetuar o lançamento , perfeitamente identificados pelo nome, matrícula e assinatura em todos os atos emitidos pelos mesmos, no decorrer do procedimento fiscal. Deve ser salientado que é perfeitamente legítima a lavratura do auto de infração pela DRF/Araçatuba, conforme disposto no art. 9°, §§ 2° e 30, do Decreto n° 70.235, de 1972, que se transcreve: Art. 9° A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei n° 8.748, de 09/12/1993) (. . .) § 2° Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7°, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicilio tributário do sujeito passivo. (Redação dada pela Lei n°8.748, de 09/12/1993) § 3° A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. (Incluído pela Lei n° 8.748, de 09/12/1993) (grifouse) Ora, prevendo a lei que o procedimento fiscal será válido, ainda que formalizado por servidor competente de jurisdição diversa daquela do domicílio tributário do sujeito passivo, e que o ato de formalizar a exigência tem o condão de prorrogar a competência e prevenir a jurisdição da autoridade que primeiro tomar conhecimento da infração, tornase descabido qualquer debate acerca de eventual ilegitimidade da autoridade autuante, decorrente da localização do domicílio da contribuinte em outra jurisdição. Fl. 257DF CARF MF Processo nº 15868.001222/200963 Acórdão n.º 3301005.968 S3C3T1 Fl. 258 7 O entendimento do antigo Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), acerca da matéria é pacífico, conforme se depreende dos seguintes Acórdãos: PROCEDIMENTO FISCAL LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA A autoridade fiscal tem competência fixada em lei para formalizar o lançamento por meio de auto de infração. O procedimento fiscal é válido mesmo que formalizado por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. Estando presente os requisitos dos artigos 90 e 10 do Decreto n° 70.235/1972, não há o que se falar em nulidade do lançamento." (Ac. 10614411, sessão de 23/02/2005) IRPF NULIDADES DOMICILIO FISCAL Os procedimentos relativos a créditos tributários serão válidos mesmo que formalizados por servidor de jurisdição diversa do domicilio fiscal do sujeito passivo (art. 9° ,sS 2° e 3° do Dec. 70.235/72). Afastadas também as hipóteses previstas no artigo 59 do Dec. 70.235/72, não há que se falar em nulidades." (Ac. 10416857, sessão de 29/01/1999) AUTORIDADE INCOMPETENTE. Nos termos dos §§ 2° e 3° do art. 9° do Decreto n° 70.235/72, a formalização da exigência do crédito tributário por servidor competente de jurisdição diversa do domicílio do sujeito passivo previne a jurisdição. (Ac. 20177186, sessão de 09/09/2003) (realcei) A impugnante, por outro lado, teve conhecimento da existência do citado procedimento fiscal, tendo sido concedido o mais amplo direito, pela oportunidade de apresentar, em resposta às intimações que recebeu, argumentos, alegações e documentos no sentido de tentar elidir a infração apurada pela fiscalização. Por fim, o contribuinte tomou ciência do auto de infração, exercendo amplamente o seu direito de defesa, conforme impugnação recebida e conhecida. Os acórdãos de DRJ trazidos pela impugnante vêm ao encontro do acima disposto, porquanto afirmam que somente são nulos os autos lavrados por autoridade incompetente, o que não é o caso do presente lançamento, e que são válidos os lançamentos formalizados por autoridade de jurisdição diversa daquela da contribuinte. Quanto às alegações relativas a eventuais irregularidades do MPF, primeiramente fazse necessário discorrer sobre esse documento nos procedimentos de lançamento do crédito tributário. O Mandado de Procedimento Fiscal, instituído pela Portaria SRF n 1.265, de 22/11/1999, e atualmente regulado pela Portaria RFB n° 11.371, de 2007, consiste em documento emitido em decorrência de normas administrativas que regulam a execução da atividade fiscal, determinando que os procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) sejam levados a efeito de conformidade com uma ordem específica, a qual pressupõe formalização mediante Mandado de Procedimento Fiscal. Portanto, o MPF deve ser analisado sob duas perspectivas, quais sejam, a do público interno e a do externo. No âmbito interno, tem por objetivo o planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a execução de procedimentos de fiscalização dos tributos e contribuições administradas pela RFB. É uma ordem específica emitida por autoridade competente da RFB para a instauração, pelo AuditorFiscal da Receita Fl. 258DF CARF MF Processo nº 15868.001222/200963 Acórdão n.º 3301005.968 S3C3T1 Fl. 259 8 Federal do Brasil (AFRFB), dos procedimentos fiscais (art. 20 da Portaria SRF n° 11.371, de 2007). Evidenciase nessa orientação administrativa uma proibição no sentido de que o AFRFB aja por vontade própria na tomada de procedimentos fiscais, além de estabelecer, de forma específica, a obrigatoriedade de executálas. No externo, assegura ao contribuinte sob fiscalização, como agora é de seu direito, conferir a autenticidade da ação fiscal contra si instaurada, possibilitando o conhecimento do tributo que será objeto de investigação, dos períodos a serem verificados, do prazo para a realização do procedimento fiscal e do AFRFB que procederá à fiscalização. Assim, o MPF, bem como suas prorrogações, são atos praticados em paralelo àqueles preparatórios ou integrantes do processo administrativo fiscal, mas somente estes se submetem à regência do Decreto ri 70.235, de 1972. Acrescentese que a Portaria SRF n° 11.371, de 2007, não teve o condão de modificar a competência atribuída ao AuditorFiscal, não o desonerando da atividade vinculada e obrigatória do lançamento, prevista no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN). Como acima exposto, esse dispositivo legal (art. 142) expressamente confere à autoridade administrativa a competência indelegável e privativa de formalizar o lançamento. Essa autoridade, atualmente, nos termos do art. 6° da Lei n° 10.593, de 2002, com a redação da Lei n° 11.457, de 2007, é o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil. Conseqüentemente, verificando a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, ou o descumprimento de uma obrigação tributária acessória, tem ele o dever de promover o lançamento. As portarias da RFB sobre o MPF constituemse, assim, em atos administrativos de hierarquia inferior ao CTN, portanto, o seu descumprimento não tem o condão de provocar a nulidade de lançamento efetuado por servidor competente e com garantia do direito de defesa. Assim, o referido mandado consiste em mera ordem administrativa, emanada dos dirigentes das unidades da Receita Federal do Brasil para que os auditores executem as atividades fiscais tendentes a verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo. Esse instrumento, em realidade, é um mecanismo de proteção para o contribuinte, já que sua veracidade e outras informações a ele relativas podem ser consultadas no sitio da Receita Federal na rede mundial de computadores. Cumpre assinalar que eventual descumprimento do MPF por parte do servidor encarregado de observálo, por caracterizar infração administrativa, deve ser apurado em procedimento administrativo interno da RFB, sendo que o resultado desse procedimento não interfere no lançamento legalmente formalizado. Nesse sentido vinha decidindo o extinto Conselho de Contribuintes, atual CARF, conforme ementas a seguir transcritas: NULIDADE INEXISTÊNCIA MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL PRORROGAÇÃO O Mandado de Procedimento Fiscal, a despeito da disciplina regulada pela Portaria n” 3007/2001, não tem o condão de invalidar a expressa competência fiscalizatória da autoridade administrativa, disposta no art. 142 do CTN. TAXA SELIC As súmulas 2° e 4° deste E. Conselho já pacificaram a questão da aplicação da Taxa Selic para cálculo dos juros de mora. Fl. 259DF CARF MF Processo nº 15868.001222/200963 Acórdão n.º 3301005.968 S3C3T1 Fl. 260 9 (1° CC, 1° Câmara, Rec. Voluntário n° 150723, Proc. n° 10735004911/2002 45, Rel. João Carlos de Lima Júnior, Acórdão n° 1019613 7, Sessão de 27/04/2007). (g. n.) MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle administrativo. Eventual falta de ciência do contribuinte na prorrogação do mesmo não implica nulidade do processo se cumpridas todas as regras pertinentes ao processo administrativo fiscal. EXIGÊNCIA FISCAL. FORMALIZAÇÃO. Não provada a violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, nem nos arts. 7°, 10 e 59 do Decreto n° 70. 235/72, não há que se falar em nulidade, quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem. AUTO DE INFRAÇÃO. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. À luz do regramento procedimental vigente, o crédito tributário tanto pode ser formalizado através de NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO como de AUTO DE INFRAÇÃO. A teor das disposições contidas nos arts. 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 1972, se AUTO DE INFRAÇÃO, deve ser lavrado por servidor competente; se NOTIFICAÇÃO, deve ser expedida pelo órgão que administra o tributo. TAXA REFERENCIAL. SELIC. LEGALIDADE. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. (Súmula n° 3, do 2° CC). Recurso negado. D. O. U. de 23/05/2008, Seção 1, pág. 65. (2° CC, 2° Câmara, Rec. Voluntário n” 129192, Proc. n° 10882001679/2004 61, Rel. Antônio Lisboa Cardoso, Acórdão n° 20218738, Sessão de 13/02/2008). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 05/10/2000, 17/10/2000, 19/10/2000, 20/10/2000, 23/10/2000, 24/10/2000, 25/10/2000, 27/10/2000 AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento administrativo de planejamento e controle das atividades de fiscalização. Sua ausência não acarreta a nulidade do auto de infração lavrado por autoridade que, nos termos da Lei, possui competência para tanto. COMPENSAÇÃO. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É competente para lançamento de tributos a autoridade fiscal do domicilio do contribuinte, forte no Regimento Interno da Receita Federal do Brasil e, ainda, no caso, com base no art. 9° do PAF. PRELIMINAR DE INCOMPATIBILIDADE DO FUNDAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO COM O FATO JULGADO. INEXISTÊNCIA. Os fundamentos do auto de infração não se alteram pelo fato de não terem sido considerados extintos os créditos correspondentes a ação transitada em julgado na esfera judicial. IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO PARA FINS DE EVITAR A DECADÊNCIA O Fisco detém não só o dever como o direito de efetuar o lançamento com fins de evitar a decadência, motivo pelo qual não há qualquer nulidade nesta situação. DECISÃO JUDICIAL. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Não se aplica o disposto no inciso X do artigo 156 do Código Tributário Nacional nos casos em que o litígio tiver sido conseqüência de ação rescisória com concessão de medida cautelar suspensiva dos efeitos da ação judicial transitada em julgado. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. (3° CC, 2° Câmara, Rec. Voluntário n° 133246, Proc. n” 12466. 003119/200488, Rel. LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Acórdão n° 302 39526, Sessão de 18/06/2008). (g.n.) Fl. 260DF CARF MF Processo nº 15868.001222/200963 Acórdão n.º 3301005.968 S3C3T1 Fl. 261 10 Assim, não é lícito interpretar que irregularidades relativas ao mandado ou mesmo a ausência do MPF, instrumento instituído por norma infralegal (uma portaria), possa acarretar a nulidade de lançamento dele decorrente, sob pena de ofensa ao princípio constitucional da legalidade que rege a Administração Pública (art. 37 da Carta Magna), devidamente refletido no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN): “A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. ”. Dito isso, que mesmo que, em tese, o MPF fosse essencial ao lançamento, o fato de o domicílio da impugnante ser diferente do da lotação dos autuantes não impede a lavratura do auto de infração, como foi acima explicitado, e também, por esse motivo não há que se falar em transferência de competências entre as unidades da RFB. Tampouco o MPF deveria prever a imposição específica dessa penalidade, pois o mandado é de fiscalização e esta pode resultar em lançamento de crédito tributário e/ou de outras penalidades. Digase em adendo que a impugnante também se equivoca ao reclamar que todas as intimações deveriam ser assinadas por todos os auditoresfiscais discriminados no MPF, pois não há nas normas reguladoras desse documento tal exigência. Quanto a possíveis descumprimentos da Lei n' 9.784, de 1999, vale esclarecer que tal lei regula o processo administrativo no âmbito da Administração federal e se aplica apenas subsidiariamente àqueles regidos por lei própria, como o processo administrativo Fiscal (PAF), que é regulado pelo Decreto nº 70.235, de 1972. Assim, não procedem tais alegações, porquanto o presente foi formalizado em obediência ao PAF, não restando brechas para a aplicação subsidiária da Lei nº 9.784, de 1999, nos pontos indicados pela impugnante. Quanto ao mérito, a autuada alega que apresentou os arquivos, mas os autuantes em nenhum momento apresentaram as razões de estes não estarem em conformidade com a legislação, apenas lavraram o auto, em vez de solicitar novos esclarecimentos, o que caracterizaria a falta de motivação do lançamento e o cerceamento do direito de defesa, e que algumas informações a mais ou a menos não invalidam as demais apresentadas. No entanto, contraditoriamente, na mesma peça impugnatória, a impugnante alega que não foi lhe concedido tempo suficiente para reapresentação dos arquivos magnéticos na forma devida. Ora, se a impugnante foi intimada a reapresentar os arquivos na forma devida não procede a alegação de que os autuantes não solicitaram novos esclarecimentos. Melhor sorte não merece a alegação de que os autuantes não apresentaram as razões de os arquivos não estarem em conformidade com a lei, pois a contribuinte foi intimada e reintimada a apresentar os arquivos na forma devida, contendo essas intimações quais os arquivos requeridos e a indicação dos atos legais que contêm as especificações necessárias, conforme documentos de fls. 11 a 13, 19 a 24. Posteriormente, foi reintimada a apresentar os arquivos na forma devida, conforme intimação de fls. 26 a 28, onde foram demonstradas as inconsistências nos arquivos apresentados e ainda foram lavrados autos de embaraço à fiscalização (fls. 30 a 35 e 36 a 40), contendo também os esclarecimentos necessários. Fl. 261DF CARF MF Processo nº 15868.001222/200963 Acórdão n.º 3301005.968 S3C3T1 Fl. 262 11 Assim, concluise que a autuada foi intimada a reapresentar os arquivos na forma devida e esta forma foi demonstrada nas intimações, bem assim foram citados a IN SRF nº 86, de 2001, e o Ato Declaratório Executivo (ADE) Cofis nº 15, de 2001, que contêm as especificações que os arquivos devem apresentar. Quanto ao prazo concedido para reapresentação dos arquivos, de fato, foram concedidos cinco dias de prazo. Todavia, esse prazo venceu em 12/06/2009 e a fiscalização, de acordo com termos de fls. 30 a 35 e 36 a 40, esteve na sede da empresa em 02/07/2009 e 30/07/2009 solicitando os arquivos, e nessas oportunidades também não foram apresentados pela empresa. Portanto, apesar do pequeno prazo concedido inicialmente, a impugnante, na prática, obteve quase dois meses de prazo extra para apresentação dos elementos, mas não apresentou os arquivos na forma exigida. Quanto à alegação de que algumas informações a mais ou a menos não invalidam as demais, há que se dizer que cada CDR apresentado continha cerca de trinta pastas, com oito arquivos cada, e, destes, quatro estavam em branco, sendo que três deles (arquivo de cadastros de pessoas jurídicas e físicas, tabela de natureza de operações e tabela de mercadorias e serviços) foram exigidos pela fiscalização e estão previstos no ADE Cofins 15, de 2001, e, de fato, sem eles não se pode analisar a totalidade dos arquivos entregues. A obrigação de manter os arquivos digitais à disposição da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e a multa pela sua nãoapresentação ou apresentação incompleta estão previstas, respectivamente pelos arts. 11 e 12 da Lei nº 8.218, de 1991, com a redação dada pela Medida Provisória (MP) n 2.158, de 2001, verbis: Art.11. As pessoas jurídicas que utilizarem sistemas de processamento eletrônico de dados para registrar negócios e atividades econômicas ou financeiras, escriturar livros ou elaborar documentos de natureza contábil ou fiscal, ficam obrigadas a manter, à disposição da Secretaria da Receita Federal, os respectivos arquivos digitais e sistemas pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária. (...) Art. 12 A inobservância do disposto no artigo precedente acarretará a imposição das seguintes penalidades: I multa de meio por cento do valor da receita bruta da pessoa jurídica no período, aos que não atenderem à forma em que devem ser apresentados os registros e respectivos arquivos; (...) (realcei) Portanto, a aplicação da multa está legalmente prevista, pois todas as empresas que utilizam processamento eletrônico de dados para registrar suas operações estão obrigadas a manter à disposição da RFB os respectivos arquivos digitais, sendo apenadas com multa a nãoapresentação ou apresentação incompleta desses registros. Como no caso em questão a apresentação dos arquivos de forma indevida restou demonstrada nos autos, não há que se falar em falta de motivação do lançamento, tampouco cerceamento do direito de defesa, porquanto a impugnante, segundo os autos, foi diversas vezes intimada a apresentar os registros e, Fl. 262DF CARF MF Processo nº 15868.001222/200963 Acórdão n.º 3301005.968 S3C3T1 Fl. 263 12 posteriormente, a reapresentálos na forma solicitada, tendo ocorrido, inclusive, diligências nesse sentido, também infrutíferas. Além da oportunidade de apresentar a impugnação ao lançamento após a fase preparatória do procedimento. Também não procede a alegação de que o presente lançamento caracterizaria o bis in idem, porquanto a fiscalização já indeferiu os pedidos de ressarcimento e procedeu às glosas dos créditos. A glosa dos créditos e o indeferimento dos pedidos não se trata de constituição de crédito tributário, tampouco de penalidade, como o presente, apenas não foram deferidos os pedidos pelo fato de a fiscalização não atestar a validade dos créditos, portanto não há que se falar em bitributação, que seria o lançamento de mais de um tributo em relação ao mesmo fato gerador. Ademais, o presente tratase de multa por descumprimento de uma obrigação acessória, assim mesmo que houvesse constituição de crédito tributário relativo ao mesmo período não seria o caso de bis in idem, pois essa penalidade não possui o mesmo fato gerador de outro tributo ou contribuição. No tocante às penalidades previstas na IN SRF riº 940, de 2009, vale assinalar que essa IN trata da entrega do Dacon e das penalidades pela falta da sua apresentação ou apresentação irregular, enquanto o presente, como dito, tratase de lançamento de multa por descumprimento de outra obrigação acessória, prevista em lei específica, obrigação exigida até das empresas que não são obrigadas a apresentar o Dacon, basta a existência de processamento eletrônico de dados. Quanto à afirmação de que o art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991 (com a redação da Lei nº 11.941, de 2009), teria revogado o art. 12, I, da Lei nº 8.218, de 1991, primeiramente transcrevese tal artigo: Art. 32. A empresa é também obrigada a: IV — declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço — FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (. . .) Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: (. . .) Como fica evidente na transcrição acima, o art. 32A não poderia ter revogado o art. 12 da Lei nº 8.218, de 1991, porque obviamente aquele artigo trata das contribuições previdenciárias devidas pelas pessoas físicas e jurídicas e não das contribuições sociais, como o PIS e a Cofins, e se refere às declarações a serem entregues à RFB e ao Conselho Curador do FGTS, sendo que o art. 12 dispõe sobre arquivos digitais de empresas com escrituração eletrônica de dados, independentemente de quais tributos a empresa seja contribuinte. Fl. 263DF CARF MF Processo nº 15868.001222/200963 Acórdão n.º 3301005.968 S3C3T1 Fl. 264 13 Quanto à decadência, como visto acima, o art. 12 da Lei nº 8.218, de 1991, determina que as empresas deixem à disposição do Fisco os arquivos digitais "pelo prazo decadencial previsto na legislação tributária". Assim, há que se verificar se as contribuições envolvidas foram atingidas pelo prazo decadencial. Recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, que previa o prazo de dez anos para lançamento das contribuições sociais, culminou na edição da Súmula Vinculante nº 8, publicada no DOU de 20/06/1998: SÃO INCONSTITUCIONAIS O PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 5° DO DECRETOLEI N° 1.569/1977 E OS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI N° 8.212/1991, QUE TRATAM DE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO Por força do art. 2° da Lei nº 11.417, de 2006, tal súmula vincula também a Administração Pública a partir de sua publicação, razão pela qual o prazo referido prazo de dez anos não subsiste mais. Posteriormente à edição dessa súmula foi prolatado o Parecer PGFN/CAT nº 1.617, de 2008, que contém as seguintes conclusões quanto à contagem do prazo decadencial: a) A Súmula Vinculante n° 8 não admite leitura que suscite interpretação restritiva, no sentido de não se aplicar efetivamente o prazo de decadência previsto no Código Tributário Nacional; é o regime de prazos do CTN que deve prevalecer, em desfavor de quaisquer outras orientações normativas, a exemplo das regras fulminadas; b) apresentada a declaração pelo contribuinte (GFIP ou DCTF, conforme o tributo) não há necessidade de lançamento pelo fisco do valor declarado, podendo ser lançado apenas a eventual diferença a maior não declarada (lançamento suplementar); c) na hipótese do subitem anterior, caso o Fisco tenha optado por lançar de oficio, por meio de NFLD, as diferenças declaradas e não pagas em sua totalidade, aplicase o prazo decadencial dos arts. 150, § 40, ou 173 do CTIV, conforme tenha havido antecipação de pagamento parcial ou não, respectivamente; o prazo prescricional, ainda, e por sua vez, contase da constituição definitiva do crédito tributário; d) para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. 173, inc. I do CTN, pouco importando se houve ou não declaração, contandose o prazo do primeiro dia do xercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; e) para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, aplicase a regra do § 4" do art. 150 do CTN; f) para fins de cômputo do prazo de decadência, todas as vezes que comprovadas as hipóteses de dolo, fraude e simulação devese aplicar o modelo do inciso I, do art. 173, do CTN; (ressaltei) (. . .) Fl. 264DF CARF MF Processo nº 15868.001222/200963 Acórdão n.º 3301005.968 S3C3T1 Fl. 265 14 É de se ressaltar que esse parecer vincula todos os órgãos do Ministério da Fazenda, inclusive os julgadores, a teor do disposto na Lei Complementar n° 73, de 10 de fevereiro de 1993. Assim, conforme conclusão do citado parecer, para a contagem do prazo decadencial, havendo antecipação do pagamento, aplicase o art. 150, § 40; não havendo, aplicase o art. 173, I, ambos do Código Tributário Nacional (CTN). Portanto, há que se distinguir entre os fatos geradores em que houve pagamento antecipado e os períodos em que não houve pagamento. No caso concreto, de acordo com pesquisa nos sistemas informatizados da RFB, não houve pagamento para o período analisado. Destarte, não tendo havido pagamento, o prazo decadencial deve ser contado de acordo com o disposto no art. 173, 1, verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Como o lançamento referese aos arquivos digitais relativos ao primeiro e ao segundo trimestres de 2004, o período mais remoto é janeiro/2004, cuja data de vencimento das contribuições é 15/02/2004, a realização do lançamento de oficio seria possível a partir do dia 16/02/2004. O primeiro dia do exercício seguinte, nos termos do art. 173, I, foi, portanto, 01/01/2005, a partir do qual, contados cinco anos, chegase ao prazo para lançamento de 01/01/2010. Assim, o lançamento de ofício das contribuições seria possível até 01/01/2010, como a ciência do presente se deu em 19/08/2009, o mês de janeiro de 2004 e seguintes ainda não haviam sido atingidos pela decadência quando da lavratura do presente, portanto a autuada deveria apresentar os arquivos digitais na devida forma à RFB, a teor do art. 11 da Lei n2 8.218, de 1991, estando sujeito sujeita, caso não o fizesse, às penalidades previstas no art. 12 dessa mesma lei." Diante do exposto, voto pela IMPROCEDÊNCIA da impugnação, mantendo o crédito tributário lançado." Trato então do temas sobre os quais há divergências entre o meu entendimento e os da fiscalização e da DRJ. Não deve prosperar o pedido de cancelamento da multa, pela aplicação do "Princípio do Non Bis In Idem". A multa pela entrega de arquivos magnéticos em desacordo com a legislação específica não se confunde com nenhuma outra multa cobrada nos processos conexos (multa isolada por não homologação de compensação e multa de ofício sobre diferenças de PIS e COFINS não lançadas e pagas), pois penaliza outro tipo de conduta. Também não a socorre a alegação de que o lançamento foi fulminado pela decadência, que também rejeito, porém por motivo diverso do apresentado pela DRJ. Fl. 265DF CARF MF Processo nº 15868.001222/200963 Acórdão n.º 3301005.968 S3C3T1 Fl. 266 15 O presente feito cuida de multa por descumprimento de obrigação acessória, cujo lançamento é de ofício e não por homologação. Assim sendo, não atrai a discussão trazida aos autos pela decisão de piso acerca da existência ou não de pagamento antecipado, para fins de determinação do dispositivo do CTN a ser adotado § 4° do art. 150 (cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador) ou inciso I do art. 173 (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). Deve ser aplicado o inciso I do artigo 173, sem possibilidade de deslocamento do dies a quo para a data do fato gerador. Uma vez que o contribuinte foi cientificado do Auto de Infração em 19/08/09, e que os fatos geradores ora tratados ocorreram no período de 01/04 a 06/04, não se verifica a ocorrência de decadência. Isto posto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 266DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16095.720118/2015-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Descabe a nulidade do lançamento quando a exigência Fiscal foi lavrada por pessoa competente e sustenta-se em processo instruído com todas as peças indispensáveis à constituição do lançamento, inexistindo qualquer prejuízo ao exercício do direito de defesa da pessoa jurídica autuada.
NULIDADE PARCIAL. DECISÃO DE MÉRITO FAVORÁVEL.
Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta.
REFUTAÇÃO GENÉRICA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
PROVAS. APRESENTAÇÃO APÓS A IMPUGNAÇÃO.
A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições de exceção previstas na legislação que rege o processo administrativo fiscal.
PERÍCIA. DILIGÊNCIA. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO. PEDIDO NÃO FORMULADO.
Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de indicar as providências que o impugnante pretenda sejam adotadas, expor os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
LANÇAMENTO. PRÉVIA INTIMAÇÃO. AUSÊNCIA DE OBRIGATORIEDADE.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário (Súmula CARF nº 46).
DECADÊNCIA. DOLO. FRAUDE. CONTAGEM DO EXERCÍCIO SEGUINTE.
O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação extingue-se no prazo de 5 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador, exceto quando o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, ou quando ausente o pagamento antecipado, hipóteses em que o prazo é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
RESPONSABILIDADE. INTERESSE COMUM. INFRAÇÃO À LEI. NECESSIDADE DE PROVA.
A atribuição de responsabilidade tributária na forma dos arts. 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN, demanda obrigatoriamente a comprovação do interesse comum e da infração à lei, respectivamente, relacionados com os créditos tributários constituídos.
ARROLAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
O órgão julgador administrativo não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a arrolamento de bens (Súmula CARF nº 109).
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
IPI. LANÇAMENTO DECORRENTE
O decidido para o lançamento de IRPJ estende-se ao lançamento de IPI que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso.
PESSOAS JURÍDICAS INEXISTENTE DE FATO. PROVA INEQUÍVOCA DA REGULARIDADE DA OPERAÇÃO MERCANTIL. AUSÊNCIA. DOCUMENTOS FISCAIS INIDÔNEOS. CRÉDITOS DE IPI. GLOSA.
Os documentos emitidos em favor de terceiros interessados por pessoa jurídica inexistente de fato, cuja inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas tenha sido baixada de ofício, não produzirão efeitos tributários, ressalvado o direito do adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços de comprovar inequivocamente a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços.
Numero da decisão: 1302-003.399
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso do contribuinte; em rejeitar pedidos de perícia e de diligência e as preliminares de nulidade e decadência suscitadas e, no mérito em negar-lhe provimento; e, em dar provimento parcial aos recursos interpostos pelos responsáveis solidários, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: Paulo Henrique Silva Figueiredo
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Glosa de créditos. Recorrente METALLICA INDUSTRIAL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010, 2011, 2012 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Descabe a nulidade do lançamento quando a exigência Fiscal foi lavrada por pessoa competente e sustentase em processo instruído com todas as peças indispensáveis à constituição do lançamento, inexistindo qualquer prejuízo ao exercício do direito de defesa da pessoa jurídica autuada. NULIDADE PARCIAL. DECISÃO DE MÉRITO FAVORÁVEL. Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. REFUTAÇÃO GENÉRICA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. PROVAS. APRESENTAÇÃO APÓS A IMPUGNAÇÃO. A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições de exceção previstas na legislação que rege o processo administrativo fiscal. PERÍCIA. DILIGÊNCIA. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO. PEDIDO NÃO FORMULADO. Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de indicar as providências que o impugnante pretenda sejam adotadas, expor os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 01 18 /2 01 5- 71 Fl. 6740DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.741 2 Anocalendário: 2010, 2011, 2012 LANÇAMENTO. PRÉVIA INTIMAÇÃO. AUSÊNCIA DE OBRIGATORIEDADE. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário (Súmula CARF nº 46). DECADÊNCIA. DOLO. FRAUDE. CONTAGEM DO EXERCÍCIO SEGUINTE. O direito de a Fazenda Pública rever lançamento por homologação extingue se no prazo de 5 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador, exceto quando o sujeito passivo tenha se utilizado de dolo, fraude ou simulação, ou quando ausente o pagamento antecipado, hipóteses em que o prazo é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). RESPONSABILIDADE. INTERESSE COMUM. INFRAÇÃO À LEI. NECESSIDADE DE PROVA. A atribuição de responsabilidade tributária na forma dos arts. 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN, demanda obrigatoriamente a comprovação do interesse comum e da infração à lei, respectivamente, relacionados com os créditos tributários constituídos. ARROLAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO CARF. O órgão julgador administrativo não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a arrolamento de bens (Súmula CARF nº 109). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2010, 2011, 2012 IPI. LANÇAMENTO DECORRENTE O decidido para o lançamento de IRPJ estendese ao lançamento de IPI que com ele compartilha o mesmo fundamento factual e para o qual não há nenhuma razão de ordem jurídica que lhe recomende tratamento diverso. PESSOAS JURÍDICAS INEXISTENTE DE FATO. PROVA INEQUÍVOCA DA REGULARIDADE DA OPERAÇÃO MERCANTIL. AUSÊNCIA. DOCUMENTOS FISCAIS INIDÔNEOS. CRÉDITOS DE IPI. GLOSA. Os documentos emitidos em favor de terceiros interessados por pessoa jurídica inexistente de fato, cuja inscrição no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas tenha sido baixada de ofício, não produzirão efeitos tributários, ressalvado o direito do adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços de comprovar inequivocamente a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. Fl. 6741DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.742 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso do contribuinte; em rejeitar pedidos de perícia e de diligência e as preliminares de nulidade e decadência suscitadas e, no mérito em negarlhe provimento; e, em dar provimento parcial aos recursos interpostos pelos responsáveis solidários, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Recurso Voluntário frente ao Acórdão nº 1154.380, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife/PE (fls. 2.822 a 2.848), que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo, e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2010, 2011, 2012 NULIDADE. CERCEAMENTO. ATOS E TERMOS PROCESSUAIS. Somente são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com cerceamento do direito de defesa. Tendo o auto de infração preenchido os requisitos legais e o processo administrativo proporcionado plenas condições à interessada de impugnar o lançamento, descabe a alegação de nulidade. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese pedido de diligência quando os autos já trouxerem todos os elementos necessários à convicção do julgador. Fl. 6742DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.743 4 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IPI. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA. Incabível a arguição de inconstitucionalidade na esfera administrativa visando afastar obrigação tributária regularmente constituída, por transbordar os limites de competência desta esfera, o exame da matéria do ponto de vista constitucional. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010, 2011, 2012 DECADÊNCIA. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, na ausência de pagamentos ou se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, deslocase a tipificação legal do artigo 150, § 4º, para o artigo 173, inciso I, do CTN. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. LEGITIMIDADE. O sujeito passivo contribuinte não tem legitimidade para apresentar impugnação em nome do responsável solidário. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SÓCIO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. São solidariamente responsáveis pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, incluindose na hipótese os sócios de fato da pessoa jurídica. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA E PESSOAL. ADMINISTRADOR DE FATO. Constatado que terceira pessoa não mandatária representa e administra de fato a sociedade, cabível a sua responsabilização pelo crédito tributário, em razão de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, nos termos do art. 135, III, do CTN. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2010, 2011, 2012 COMPROVAÇÃO DE CUSTOS OU DESPESAS. APROVEITAMENTO DE CRÉDITO NA APURAÇÃO DO IPI NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR EMPRESA INEXISTENTE. Fl. 6743DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.744 5 Os documentos emitidos por pessoa jurídica que não existe de fato, apesar de constituída formalmente, consideramse inidôneos, não se prestam para comprovar a realização das compras de matérias primas neles discriminadas nem para aproveitamento de crédito na apuração de tributo, como também não produzem efeitos tributários em favor de terceiros. IPI. GLOSA DE CRÉDITO. LANÇAMENTO. Uma vez confirmada a inidoneidade das notas fiscais, mantémse a exigência do IPI calcada na glosa dos créditos utilizados na apuração do imposto. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Caracterizada a conduta dolosa do sujeito passivo, aplicase a multa qualificada prevista na legislação de regência." Conforme relatório do Acórdão recorrido, é a seguinte a síntese dos autos: "Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrado o auto de infração de fls. 1242/1276, através do qual foi constituído o crédito tributário referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados, IPI. O crédito tributário total importou em R$ 20.785.768,78, fl. 1.242. De acordo com os autos de infração e com o Termo de Verificação Fiscal e Constatação de Irregularidades, fls. 1216/1241, o lançamento, que se refere aos anoscalendário 2010, 2011 e 2012, decorreu da glosa de créditos básicos do IPI com lastro em documentos inidôneos, tendo enquadramento legal à fls. 1251/1253 e da falta de declaração/recolhimento do saldo devedor do IPI escriturado no RAIPI e declarado a menor em DCTF, enquadramento legal à fl.1249 . Foram glosadas todas as aquisições de matériasprimas que a Metallica informou como tendo sido efetuadas às empresas NEO, LINGUES E MAVERICK e, consequentemente, todos os créditos do IPI destacados nas notas fiscais emitidas pelas respectivas empresas, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal e Constatação de Irregularidades, fls. 1216/1241. O auto de infração indica como responsáveis solidários pelo crédito tributário o Sr. Roberto Costilas Júnior (CPF nº 056.931.13817), Sra. Nívea dos Santos Costilas (CPF nº 087.883.48857), Empresa Europarts Administração de Bens Ltda. (CNPJ nº 03.920.391/000150) e Empresa Eurocon Consultoria e Negócios Ltda. (CNPJ nº 03.430.508/000118). A responsabilidade solidária foi imputada com base no disposto no artigo 124 c/c art. 135, inciso III e art. 17 do Código Tributário Nacional, CTN. e art. 210, inciso VI e parágrafos do RIR/1999. Apresentaram impugnação a empresa autuada às fls. 2035/2053, a Sra. Nívea dos Santos Costila, CPF n° 087.883.48857, fls. 1306/1314, as empresa Eurocon Brasil Consultoria e Negócios Fl. 6744DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.745 6 LTDA., CNPJ n° 03.430.508/000118 e Europarts Administração de Bens LTDA., CNPJ n° 03.920.391/000150, fls. 1452/1473 e o Sr. Roberto Costilas Júnior, CPF n° 056.931.13817, fls. 1351/1361. Nas peças impugnatórias apresentadas pela Empresa Metallica e pelos coobrigados, basicamente são repetidas as alegações feitas aos lançamentos relativos ao IRPJ e reflexos e à atribuição de responsabilidade solidária nos autos do processo nº 16095.720117/201526. Ressaltese os impugnantes fazem referência e pedem sejam consideradas as alegações e provas acostadas por ocasião das impugnações aos autos do IRPJ e reflexos. Em síntese, o núcleo dos questionamentos se concentra na afirmação de que as transações entre a Metallica e seus fornecedores existiram e foram devidamente documentadas à época dos fatos. Prejuízo causado pela retroatividade dos efeitos de atos administrativos atingindo negócios jurídicos consumados. Falta de provas da infração que se valeu de procedimento fiscal anterior. Seus sócios têm capacidade econômica embora não corresponda a expectativa do fisco. O procedimento fiscal se ateve apenas a não localização das empresas fornecedoras nos endereços declarados e não se aprofundou na investigação das transações comerciais. Não concorda com a imputação de responsabilidade solidária. Discorda da constatação de interposição fraudulenta. Pede amparo da Súmula 509 do STJ. Multa confiscatória e sem cabimento em função da glosa indevida de custos. Pede anulação do Auto de Infração. Os coobrigados alegam falta de demonstração de vínculo entre eles e o fato gerador do imposto. Utilização de provas emprestadas de outro processo que foram desqualificadas na contestação lá apresentada. Pedem anulação dos Termos de Sujeição Passiva porque o enquadramento legal não ampara a pretensão de imputação da responsabilidade solidária. Inadequada concomitância do art. 135 com o art. 124 do CTN." A decisão de primeira instância (fls. 2.822 a 2.848) rejeitou a alegação de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa e ofensa a princípios constitucionais, posto que, conforme o art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, em relação aos autos de infração, apenas a sua lavratura por autoridade incompetente seria caso de nulidade, o que não se observa nos autos. Indeferiu, ainda, o pedido de diligência, uma vez que entendeu não existirem dúvidas a serem sanadas nos autos, para a formação da convicção dos julgadores. Afastou a ocorrência de decadência, posto que, tendo em vista a constatação de fraude fiscal, é aplicável aos autos a contagem do prazo decadencial na forma do art. 173, inciso I, do CTN. Fl. 6745DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.746 7 Quanto à alegação de inconstitucionalidade da legislação aplicada, posicionouse no sentido da ausência de competência à autoridade administrativa para examinar semelhantes alegações, conforme Parecer Normativo CST n.º 329, de 1970, Decreto nº 70.235, de 1972, e Súmula CARF nº 2. O Acórdão recorrido considerou que a "fiscalização apresenta vários elementos que evidenciam a inexistência de fato das três empresas fornecedoras desde que foram fundadas, e, por consequência, a impossibilidade delas algum dia terem efetivamente efetuado fornecimento de matéria prima para a autuada". Rejeitou a alegação de que os atos declaratórios de inaptidão são ineficazes, por falta de formalidade legal, e o argumento de que não caberia à autuada fiscalizar atos de terceiros. Considerou válida, portanto, a glosa dos créditos relativos aos três fornecedores já identificados. Em relação à infração de falta de declaração/recolhimento do IPI, não tendo havido contestação por parte do sujeito passivo, considerou matéria não impugnada e definitivamente constituídos os respectivos créditos tributários. O Acórdão entendeu que a "reversão parcial do lançamento tributário relativo ao anocalendário 2008, alegada pela defesa, em nada fragiliza o presente lançamento", posto que "em todo voto o relator confirma e se diz estar plenamente convencido do esquema fraudulento praticado pelas pessoas jurídicas e físicas envolvidas", tendo a decisão invocada se restringido a considerar que a apuração relativa ao IRPJ e a CSLL deveria ter sido realizada com base no Lucro Arbitrado, e aquela referente à Cofins e à Contribuição ao PIS/Pasep, com base no regime cumulativo. A decisão recorrida não conheceu das alegações da METALLICA relacionadas com a responsabilidade tributária imputada às pessoas físicas e jurídicas, por ausência de legitimidade. Considerou, ainda, correta a imposição de multa qualificada de 150%, já que estaria caracterizada a hipótese se fraude, uma vez que o "autuante demonstrou de forma consistente ter sido indiscutivelmente dolosa a prática reiterada e sistemática de contabilizar notas fiscais e operações comerciais fictícias com empresas inexistentes mediante utilização de 'laranjas' ". Finalmente, quanto à responsabilidade tributária do Sr. Roberto Costilas Júnior, da Sra. Nívea dos Santos Costilas e das pessoas jurídicas Europarts Administração de Bens Ltda. e Eurocon Brasil Consultoria e Negócios Ltda, diante da utilização de empresas de "fachada" "noteiras" para gerar custos e créditos tributários fictícios; por se utilizarem de interpostas pessoas a frente da METALLICA, para se eximir das obrigações tributárias; e pela presença de interesse comum, diante do benefício auferido, entendeu que se respaldaria a imputação da responsabilidade das pessoas físicas, com base nos arts. 124, inciso I, e 135, inciso III, do CTN, e das pessoas jurídicas, com fulcro neste último dispositivo. Após a referida decisão, os créditos considerados devidamente constituídos foram transferidos para o processo administrativo nº 16095.720118/201571, por força da Representação de fls. 2.850/2.852. Fl. 6746DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.747 8 O sujeito passivo principal foi cientificado do Acórdão da DRJ/Recife, interpondo o Recurso Voluntário de fls. 2.905/2.946, por meio do qual: (i) refuta o entendimento de que existe matéria não impugnada, uma vez que teria deixado claro, na Impugnação apresentada, o ânimo de combater o Auto de Infração em sua totalidade; (ii) sustenta a nulidade do Auto de Infração, uma vez que parte do lançamento seria exclusivamente relacionada à Recorrente (ausência de declaração e recolhimento) e parte relativa aos coobrigados (acusação de fraude), o que implicaria a necessidade de lavratura de autos distintos; (iii) pleiteia que, no julgamento do presente processo, não sejam considerados fatos e circunstâncias apurados em processos administrativos relativos a períodos de apuração anteriores; (iv) alega a nulidade do lançamento, por prejuízos a sua defesa, uma vez que não teria acesso aos documentos das empresas investigadas exigidas pelo julgador a quo, bem como por não terem sido atendidos todos os aspectos exigidos pela legislação; (v) aponta uma série de documentos que não teriam sido considerados pela decisão recorrida; (vi) renova a alegação de decadência, já que inexistindo fraude por ela praticada, incidiria o art. 150 do CTN; (vii) sustenta que a decisão recorrida, ao não analisar a alegação de inconstitucionalidade, feriu diversos princípios constitucionais e não aplicou a Súmula nº 509 do STJ; (viii) refuta conclusões quanto à localização das pessoas jurídicas Metallica Industrial Limitada e Metallica Industrial S/A, e quanto à participação de determinadas pessoas físicas e dos responsáveis Eurocon e Europarts nos atos praticados pela Metallica; (ix) traz novamente as alegações veiculadas na Impugnação, quanto à inexistência de simulação em "negócios, empresas de fachadas e ilícitos" e contra a glosa das despesas com as pessoas jurídicas Neo, Lingues e Maverick, tratandoos com maior extensão e apontando aspectos que teriam sido desconsiderados no julgamento anterior; (x) protesta em relação à ausência de análise das razões referentes à responsabilidade tributária dos coobrigados, renovandoas; (xi) contesta a aplicação retroativa dos Atos Declaratórios que teriam declarado a inaptidão dos fornecedores; (xii) apresenta contestação específica quanto à questão da exigência pela falta de recolhimento do IPI, invocando, ainda, o suposto efeito de confisco da autuação; (xiii) finaliza, refutando a aplicação da multa qualificada, uma vez que inexistiu intuito de fraude. Fl. 6747DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.748 9 Os responsáveis EUROCON e EUROPARTS apresentaram o Recurso Voluntário de fls. 2.968 a 3.005, em que sustentam: (i) a regularidade de suas operações e a impropriedade da declaração de inaptidão de suas atividades; (ii) a inaplicabilidade da responsabilidade prevista nos arts. 134 e 135 do CTN em relação às pessoas jurídicas; (iii) a existência de cerceamento do direito de defesa, na decisão recorrida, posto que não permitida a defesa em toda sua amplitude; (iv) a nulidade do Termo de Sujeição Passiva, uma vez que estende aos responsáveis a infração relativa à falta de declaração/recolhimento, que seria exclusiva do sujeito passivo principal; (v) a inexistência de participação, gerência ou administração em relação à METALLICA e as fornecedoras consideradas inidôneas, que seriam pessoas jurídicas em efetivo funcionamento; (vi) a nãosubsunção da EUROCON à hipótese de responsabilidade solidária veiculada pelo art. 124 do CTN, já que não possuía qualquer relação com a pessoa apontada como mentor intelectual da fraude. E de ambas pessoa jurídicas, uma vez que os recursos que auferiram da METALLICA decorreu da prestação de serviços; (vii) a nãosubsunção à hipótese de responsabilidade solidária veiculada pelo art. 135, inciso III, do CTN, em razão de não possuírem poder de direção na autuada; (viii) que as provas reunidas pela autoridade fiscal laboram em seu favor. Finalmente, os responsáveis ROBERTO e NÍVEA apresentaram o Recurso Voluntário de fls. 3.100 a 3.166, no qual: (i) alegam o cerceamento do direito de defesa, pois não tiveram a oportunidade de prestar esclarecimentos, antes da realização do lançamento tributário e não teriam acesso aos arquivos e papéis das empresas investigadas; (ii) pleiteiam a suspensão da cobrança realizada por meio do processo administrativo nº 10875.720300/201720; (iii) arguem a nulidade do Auto de Infração, em termos similares aos veiculados no Recurso do sujeito passivo principal; (iv) suscitam a omissão do julgador a quo, ao não reconhecer a referida nulidade; (v) aduzem que o Termo de Verificação Fiscal e a decisão de primeira instância não trazem imputação específica em relação à coobrigada Nívea dos Santos Costilas, apesar de atribuirlhe responsabilidade, o que impossibilitaria a defesa e constituiria hipótese de nulidade do lançamento; Fl. 6748DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.749 10 (vi) esclarecem a atuação profissional do responsável Roberto, contestando qualquer atribuição de mando ou sociedade em relação à autuada; (vii) argumentam que as receitas auferidas pelas pessoas jurídicas sob a responsabilidade do Sr. Roberto decorrem de prestação regular de serviços e que, sequer, existe prova de recursos os favorecendo nos anos de 2010, 2011 e 2012; (viii) pleiteiam a anulação do julgamento realizado pela DRJ, por ter havido representação para cobrança de crédito não impugnado, sem possibilidade de defesa; (ix) finalmente, aduzem que não haveria provas do esquema fraudulento atribuído na autuação, nem justificativa para a atribuição de responsabilidade, e apontam o que seria uma incoerência entre a responsabilidade solidária do art. 124, inciso I e a responsabilidade pessoal do art. 135, inciso III, ambos do CTN. Todos os Recorrentes pedem, ainda, que a decisão favorável do presente processo seja reproduzida no julgamento do processo nº 16095.720117/201526, e na cobrança da parte considerada não impugnada, no âmbito do processo administrativo nº 10875.720300/201720. Por meio da Resolução nº 3402001.344, de 19 de abril de 2018, tendo em vista que o lançamento constante dos presentes autos seria fundado nos mesmos fatos e elementos de prova que embasaram o lançamento relativo ao IRPJ, no âmbito do processo administrativo nº 16095.720117/201526, a competência para o seu julgamento seria da 1ª Seção, a 3ª Seção declinou a competência do julgamento a esta Seção. O processo foi, então, distribuído, mediante sorteio, a este Conselheiro. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator I Da admissibilidade dos Recursos I.1 Tempestividade O sujeito passivo foi cientificado da decisão de primeira instância, por via eletrônica, em 08 de fevereiro de 2017 (fl. 2.888), tendo apresentado Recurso Voluntário em 08 de março de 2017, conforme fl. 2.903. Os responsáveis tributários Roberto, Nívea e Europarts foram cientificados em 07 de fevereiro de 2017 (fls. 2.890, 2.893, 2.897). O responsável Eurocon, em 20 de fevereiro de 2017 (fl. 2.899). Os responsáveis Eurocon e Europarts apresentaram Recurso Voluntário conjunto em 08 de março de 2017 (fl. 2.966). Fl. 6749DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.750 11 Os responsáveis Roberto e Nívea apresentaram Recurso Voluntário conjunto em 07 de março de 2017 (fl. 3.100). Constatase, portanto, que todos os recursos foram apresentados dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. I.2 Legitimidade Os Recursos são assinados por próprios representantes legais das pessoas jurídicas e pelos coobrigados pessoas físicas. I.3 Competência Como já relatado, e reconhecido pela Resolução nº 3402001.344, de 19 de abril de 2018, o lançamento sob exame tem por base os mesmos elementos de prova que fundamentaram a autuação referente ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ, de modo que a matéria objeto dos Recursos está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Art. 2º, inciso IV, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015 (na redação conferida pela Portaria MF nº 152, de 5 de maio de 2016. I.4 Abrangência Finalmente, é importante definir os limites da matéria devolvida para apreciação por meio dos Recursos. É que, conforme a decisão recorrida, não teria havido contestação por partes da autuada e coobrigados em relação à infração de falta de declaração/recolhimento do IPI, de modo que a matéria foi considerada não impugnada e definitivamente constituídos os respectivos créditos tributários. Os Recorrentes, por outro lado, contestam tal fato, e alegam que as Impugnações contestaram todo o lançamento. Passemos, então, ao exame da controvérsia: Na Impugnação apresentada pelo sujeito principal, há, no seu princípio, uma contestação generalizada à autuação: Todas as razões trazidas no corpo do documento, contudo, somente se voltam à infração relativa à glosa de créditos de IPI. Fl. 6750DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.751 12 Nenhuma linha, sequer, é destinada a contestar a infração de declaração/recolhimento a menor. Infração esta que não é decorrente da glosa, sendo totalmente autônoma, e consistente na diferença entre os valores apurados no Livro Registro de Apuração do IPI e aqueles confessados/recolhidos pelo sujeito passivo. Não há, portanto, como se entender que a referida infração foi Impugnada, por parte do sujeito passivo. Por outro lado, embora as Impugnações apresentadas pelos responsáveis tributários também não tragam qualquer contestação específica relacionada com a infração em questão, pedem o afastamento da responsabilidade a eles atribuída, em relação a todo o crédito tributário, uma vez que se pugna pelo cancelamento dos Termos de Sujeição Passiva. Deste modo, é correta a conclusão do Acórdão recorrido no sentido de que não se instalou o contencioso em relação à infração de falta de declaração/recolhimento do IPI. Contudo, é impossível não se reconhecer que a responsabilidade dos coobrigados pela parcela do crédito tributário que foi transferida para o processo administrativo nº 10875.720300/201720 permanece sob litígio. Isto posto, os Recursos Voluntários preenchem todos os requisitos de admissibilidade, de modo que deles tomo conhecimento, ressalvadas as alegações voltadas ao mérito da infração de ausência de declaração/recolhimento, não impugnada, na forma do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 II Da nulidade do auto de infração Inicio a análise dos Recursos pela preliminar invocada por todos os Recorrentes, em relação à nulidade do auto de infração. A primeira alegação é de que parte do lançamento seria exclusivamente relacionada à Metallica (ausência de declaração e recolhimento) e parte relativa aos coobrigados (acusação de fraude), o que implicaria a necessidade de lavratura de autos distintos. O exame da alegações de nulidade deve ser realizado, inicialmente, observandose o disposto no art. 142 do CTN, que estabelece regras gerais acerca dos elementos que devem estar presentes no documento de constituição do crédito tributário, na hipótese do lançamento de ofício: "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível." A ausência ou o equívoco em relação a um destes elementos, considerados essenciais, macula o auto de infração de vício insanável. Fl. 6751DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.752 13 Em adição, o art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, traz requisitos do auto de infração em que se mesclam critérios materiais a critérios formais do lançamento: "Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula." Finalmente, o art. 59 do mesmo Decreto dispõe acerca das hipóteses de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." A alegação dos Recorrentes não encontra abrigo nos dispositivos acima transcritos. O lançamento fiscal foi realizado em nome da METALLICA, sendo as pessoas físicas e jurídicas arroladas como responsáveis pela integralidade do crédito tributário. Eventual reconhecimento de que algum(ns) ou todos os responsáveis não deveriam haver sido arrolados como responsáveis tributários por parte ou todo o crédito tributário não configura erro na identificação do sujeito passivo, de modo a constituir violação ao art. 142 do CTN e ao art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, mas, tão somente, conduziriam à respectiva exoneração do crédito tributário. Os Recorrente suscitam, ainda, dificuldades ou impossibilidade de realização das suas defesas, em decorrência de não possuírem acesso aos documentos das pessoas jurídicas investigadas. Os responsáveis pessoas físicas protestam, ainda, pelo fato de não haverem tido oportunidade de prestar esclarecimentos antes do lançamento. Eventual impossibilidade de se realizar plenamente a defesa conduziria, necessariamente, ao reconhecimento da nulidade, na forma do art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972, acima transcrito. Não se constata tal fato, nos autos, porém. Fl. 6752DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.753 14 Inexiste qualquer vício no procedimento fiscal, sendo que o fato de os responsáveis não terem tido oportunidade de se manifestar antes da lavratura do auto de infração não é causa de nulidade, posto que a fase que antecede a lavratura é reconhecidamente inquisitorial, estando a garantia de ampla defesa assegurada ao sujeito passivo exatamente a partir da ciência da autuação, quando pode se instalar o contencioso administrativo. Nesta linha, a Súmula CARF nº 46: "O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário." A par disso, não é procedente a alegação dos Recorrentes de que não poderiam se defender sem possuir acesso à documentação das pessoas jurídicas investigadas. Ora, os sujeitos passivos são chamados a se defender em relação à acusação constante do auto de infração e respectivo Termo de Verificação Fiscal, do qual foram cientificados, cabendo se contrapor às provas reunidas pela autoridade fiscal nos autos, às quais é garantido o seu pleno acesso. Em nada é impactada a defesa dos sujeitos passivos em razão de eventual dificuldade de acesso a documentos que não foram utilizados como prova para fundamentar o lançamento fiscal. Isto posto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade. III Da nulidade do Acórdão recorrido Consoante o exposto no juízo de admissibilidade dos Recursos, resta claro que a decisão de primeira instância deixou de se pronunciar, explicitamente, acerca da procedência ou não da responsabilidade dos coobrigados Roberto, Nívea, Eurocon e Europarts, em relação aos créditos tributários referentes à infração de ausência de declaração/recolhimento. Tal fato, aparentemente, foi motivado pela constatação de que não houve Impugnação à referida infração. Contudo, como já afirmado, o fato de não ter havido questionamento quanto ao mérito da referida infração, não invalida a constatação de que os responsáveis atacaram todo o Termo de Sujeição Passiva, de modo que deveria haver se pronunciado o julgador a quo, quanto ao referido vínculo de responsabilidade. A ausência de pronunciamento da autoridade julgadora de primeira instância trouxe prejuízo à defesa dos responsáveis. Tanto é assim, que a autoridade preparadora transferiu os créditos tributários relativos à referida parcela para o processo administrativo nº 10875.720300/201720, por meio do qual os responsáveis também estão sendo exigidos. Os procedimentos para a hipótese como a dos autos, porém, eram normatizados pelos arts. 7º e 10 da Portaria RFB nº 2.844, de 29 de novembro de 2010, revogada pela Portaria RFB nº 2.123, de 27 de dezembro de 2018: Fl. 6753DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.754 15 "Art. 7º A impugnação tempestiva apresentada por um dos autuados suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação aos demais. § 1º O disposto neste artigo não se aplica na hipótese em que a impugnação versar exclusivamente sobre o vínculo de responsabilidade, caso em que só produzirá efeitos em relação ao impugnante. § 2º Os autos somente serão encaminhados para julgamento depois de transcorrido o prazo para apresentação de impugnação ou recurso para todos os autuados ou impugnantes, conforme o caso. § 3º No caso de impugnação quanto ao crédito tributário e quanto ao vínculo da responsabilidade e, posteriormente, recurso voluntário apenas no tocante ao vínculo, a exigência quanto ao crédito tributário tornase definitiva para os demais autuados que não recorreram. Art. 10. O crédito tributário será encaminhado à Procuradoria da Fazenda Nacional, para inscrição em dívida ativa, somente após o término do prazo de cobrança amigável para todos os obrigados. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica na hipótese em que houver pendência de julgamento exclusivamente quanto ao vínculo de responsabilidade, caso em que o encaminhamento deverá ocorrer em relação aos autuados que não discutem o vínculo." (Destacouse) Na mesma linha, a Instrução Normativa RFB nº 1.862, de 27 de dezembro de 2018: "Art. 5º A impugnação tempestiva apresentada por um dos autuados suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação aos demais. § 1º O disposto neste artigo não se aplica à hipótese em que a impugnação versar exclusivamente sobre o vínculo de responsabilidade, caso em que produzirá efeitos somente em relação ao impugnante. § 2º O processo será encaminhado para julgamento somente depois de transcorrido o prazo concedido a todos os autuados para a apresentação de impugnação. § 3º No caso de processo em que houve impugnação relativa ao crédito tributário e ao vínculo de responsabilidade, e em que posteriormente houver interposição de recurso voluntário relativo apenas ao vínculo de responsabilidade, a exigência relativa ao crédito tributário tornase definitiva para os demais autuados que não recorreram. Fl. 6754DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.755 16 Art. 21. O crédito tributário será encaminhado à PGFN, para inscrição em dívida ativa, somente após o término do prazo de cobrança amigável para todos os obrigados. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica na hipótese em que houver pendência de julgamento exclusivamente quanto ao vínculo de responsabilidade, caso em que o encaminhamento deverá ocorrer em relação aos autuados que não se insurgiram contra o vínculo." Tal fato, obviamente, configura a hipótese de nulidade de que trata o art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972, acima transcrito. Observase, contudo, que a referida nulidade não alcança toda a decisão, uma vez que permanece válida a análise realizada em relação a todas as demais matérias, não havendo sentido em obrigar os julgadores a reapreciarem as alegações. Diante do princípio utile per inutile non vitiatur, esta turma tem recorrentemente decidido, em casos semelhantes, e com base em precedentes do Supremo Tribunal Federal, pela anulação parcial do Acórdão, devolvendo à autoridade julgadora de primeira instância apenas a apreciação da matéria sobre a qual não se pronunciou. É o que se observa nos seguintes julgados: Acórdão nº 1302002.041 (Rel. Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, sessão de 15 de fevereiro de 2017), Acórdão nº 1302001.948 (Rel. Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior, sessão de 09 de agosto de 2016), Acórdão nº 1302002.562 (de relatoria deste Conselheiro, sessão de julgamento de 21 de fevereiro de 2018) e Acórdão nº 1302002.267 (também de relatoria deste Conselheiro, sessão de 13 de março de 2018). No caso em análise, porém, entendo que a melhor solução não passa pela declaração da nulidade parcial, posto que, conforme explicitado na análise referente à responsabilidade, é possível a aplicação do disposto no art. 59, §3º, do Decreto nº 70.235, de 1972, ou seja, haver decisão de mérito favorável aos responsáveis. A METALLICA suscita, ainda, a nulidade do Acórdão recorrido, pois não teria havido pronunciamento acerca de inconstitucionalidade e teria se deixado de aplicar Súmula do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Em relação à ausência de apreciação da questão constitucional suscitada, não há qualquer vício na decisão em questão. É sabido que o julgador administrativo não possui competência para a declaração de inconstitucionalidade de dispositivo legal. Por esta razão, inclusive, o CARF editou a Súmula nº 2, evocada na decisão recorrida. De outra banda, a eventual ausência de aplicação pelo julgador de primeira instância de Súmula do STJ não é causa de nulidade, à luz da legislação já transcrita. No máximo, em caso de procedência da alegação do sujeito passivo, terseia a reforma do julgado, para adequação ao entendimento sumulado. Finalmente, é alegada a nulidade da decisão recorrida, pois não teria havido a análise dos documentos juntados ao processo. Fl. 6755DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.756 17 A leitura da decisão, porém, permite a constatação de que a autoridade julgadora analisou os autos e fundamentou coerentemente a sua decisão, sem que exista a necessidade de pronunciamento explícito sobre todos os documentos constantes do processo. Deste modo, rejeito mais esta preliminar. IV Da decadência A prejudicial de decadência suscitada pelo sujeito passivo principal é dependente da decisão acerca da existência de fraude, de modo que será examinada, em momento posterior, juntamente com a qualificação da multa. V Da glosa dos créditos de IPI A infração em pauta é decorrente da constatação pela autoridade fiscal da inidoneidade dos fornecedores Neo Comércio e Distribuição de Metais e Eletroeletrônicos Ltda, Lingues Comercio e Distribuidora de Metais Ltda e Maverick Comércio de Metais Ltda, o que implicou na glosa do IPI destacado nas notas fiscais emitidas por tais pessoas jurídicas. Ao contrário do sustentado pela Recorrente, a autoridade fiscal não se vale, para a constatação da infração, das provas colhidas em procedimento fiscal anterior, relativo ao anocalendário de 2008. No início do Termo de Verificação Fiscal de fls. 1.216 a 1.241, é feito um breve relato acerca da constatação realizada naquele procedimento fiscal, apenas para demonstrar que a pessoa jurídica já havia incorrido na mesma infração em relação a outros fornecedores. O responsável pelo procedimento fiscal, porém, realizou diligências junto aos fornecedores de matériasprimas da autuada, constatando: "Por outro lado, para coleta de informações e documentos destinados a subsidiar o procedimento de fiscalização junto a Metallica, seus principais fornecedores foram intimados por meio dos Termos de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos lavrados em 22/04/2014 a apresentar os seguintes documentos: 1) Contrato Social de constituição e suas alterações do ano de 2010 em diante. 2.1) Cópia de Notas Fiscais de Saídas emitidas nos períodos em questão à empresa Metallica Industrial S/A, CNPJ nº 03.282.398/0001 94. 2.2) Apresentar, em relação às Notas Fiscais de Vendas de mercadorias mencionadas no item 2, a comprovação dos RECEBIMENTOS. 2.3) Ainda em relação as Notas Fiscais acima mencionadas, esclarecer como eram feitos os pedidos pelo cliente, destacando a forma e identificando as pessoas com quem eram feitos os contatos, tais como vendedores, e ou telefone de contato. Fl. 6756DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.757 18 2.4) Apresentar as Notas Fiscais de Prestação de Serviços de Transporte (ou documento equivalente) que documente a despesa assumida pelo contribuinte com o transporte da mercadoria até o estabelecimento a que se referem as Notas Fiscais do item 2. 2.5) Apresentar ainda os comprovantes de PAGAMENTOS relacionados a esses serviços de transporte realizados. Deste procedimento e das pesquisas realizadas em nosso sistema de informação resultaramse na apuração dos seguintes fatos: 3.1) CONTRIBUINTE: NEO COM E DISTRIBUIDORA DE METAIS E ELETRO ELETRONICA LTDA CNPJ: 08.906.643/000100 ENDEREÇO: R Coronel Quatim, 247, Bairro Tatuapé, São Paulo/SP, CEP: 03077050 MPF: 0811100201400070 SITUAÇÃO DA EMPRESA E RESPONSÁVEIS A empresa foi constituída em 11/06/2007, com capital social no valor de R$ 10.000,00, e em novembro e dezembro do ano 2009 houve as seguintes alterações: do nome empresarial; do capital social para R$ 20.000,00; do quadro societário com exclusão de sócios anteriores e inclusão de Ariane dos Anjos Mattos, CPF 351.621.56825 (percentual capital social 97%) e Fatima Cristina do Carmo Dantas, CPF 723.258.95734 (percentual capital social 3%), quando também providenciou a mudança de sua atividade econômica/objeto social da sede para Comércio Atacadista de Resíduos e Sucatas NãoMetálicos, exceto de Papel e Papelão, apesar de ainda constarem as demais atividades no cadastro da Jucesp. Da pesquisa em nosso sistema de informação sua situação cadastral perante a Secretaria da Receita Federal está “ATIVA”. A empresa movimentou R$ 125.263.364,42 (fonte: notas fiscais eletrônicas – NFe de vendas) nos períodos de janeiro a novembro do anocalendário 2010. Mesmo auferindo receita bruta nesse vulto ofereceu à tributação o valor muito inferior àquela obtida com as vendas. (ver quadro abaixo) A DCTF foi apresentada dos períodos de abril a novembro de 2010. Não há entrega do DACON para os períodos. Fl. 6757DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.758 19 Para Metallica, seu principal cliente, vendeu barras e lingotes de cobre no valor total anual de R$ 59.794.126,94, o que representou 48,33% dentro do universo de todas as vendas realizadas. No entanto, não há emissão de notas fiscais de vendas de terceiros a NEO, ou seja, não há registro de compras em nome dessa empresa. Quanto à consulta de situação/perfil das sócias atuais, Ariane dos Anjos Mattos, CPF 351.621.56825 (percentual capital social 97%) e Fatima Cristina do Carmo Dantas, CPF 723.258.95734 (percentual capital social 3%), constatamos que ambas não têm capacidade econômica, uma vez que não apresentam patrimônio ou reflexos financeiros em suas vidas como segue o quadro abaixo: SITUAÇÃO CADASTRAL PERANTE A SECRETARIA DA FAZENDA DO ESTADO DE SÃO PAULO Conforme a consulta a Cadastro de Contribuintes de ICMS, sua situação fiscal está “Baixada” por extinção pelo encerramento da liquidação voluntária, cuja data de inatividade é partir de 30/11/2010. DA DILIGÊNCIA FISCAL Conforme o Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos lavrado em 22/04/2014 solicitamos a apresentação de documentos/elementos elencados no item 4.2 acima. Esta correspondência retornou a esta Delegacia com indicação do correio de “mudouse”. Em vista de tal fato, o Termo foi enviado em 11/07/2014 ao endereço da sócia Ariane dos Santos Mattos que, em resposta, entregou documentos/elementos conforme “Autorização e Protocolo de Entrega” de 29/07/2014. DA DILIGÊNCIA AO ENDEREÇO Verifiquei que, conforme Termo de Constatação lavrado em 24/09/2014 há no local um prédio assobradado, fechado, com placa de “Alugase. FORVM Imóveis. Telefone 29414374”. Do contato verbal com os vizinhos, do lado esquerdo de quem da rua olha o imóvel, no número predial 230, e o da frente no número 239, apesar de se negarem a se identificar, disseram que no endereço funcionou uma escola e, posteriormente, outra atividade que não conseguiram especificar. Do contato telefônico com a imobiliária não conseguimos obter informações sobre a empresa. 3.2) CONTRIBUINTE: LINGUES NEGOCIOS LTDA ME Fl. 6758DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.759 20 CNPJ: 00.008.744/000152 ENDEREÇO: Av. Celso Garcia, 3538, Bairro Tatuapé São Paulo/SP, CEP: 03064000 MPF: 0811100201400069 SITUAÇÃO DA EMPRESA E RESPONSÁVEIS A empresa foi constituída em 29/03/1994, com capital social no valor de CR$ 500.000,00, com alteração do contrato dos meses de novembro e dezembro do ano 2010: do nome empresarial; do capital social para R$ 30.000,00; para o atual endereço; do quadro societário com exclusão de sócios anteriores e inclusão de Cristiane Helena dos Santos Pinto, CPF 192.493.93806 (percentual capital social 70%) e Sandra Regina Gotichini Marques, CPF 286.365.24865 (percentual capital social 30%), quando também providenciou a mudança de sua atividade econômica/objeto social da sede para Comércio Atacadista de Componentes Eletrônicos e Equipamentos de Telefonia e Comunicação, entre outros, apesar de ainda constarem as demais atividades no cadastro da Jucesp. Da pesquisa em nosso sistema de informação sua situação cadastral perante a Secretaria da Receita Federal está “ATIVA”. A empresa movimentou R$ 112.332.715,45 (fonte: notas fiscais eletrônicas – NFe de vendas) relativos aos períodos de Dez/2010 a Set/2011. Mesmo auferindo receita bruta nesse vulto, apresentou Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica do anocalendário 2010 como “inativa” e a do anocalendário 2011 com informação “zerada”. A DCTF foi apresentada dos períodos de dezembro/2010 a setembro/2011. Não há entrega do DACON para os períodos fiscalizados. Para Metallica, seu principal cliente, vendeu no valor total anual de R$ 44.307.247,34, o que representou 39% dentro do universo de todas as vendas realizadas. No entanto, não há emissão de notas fiscais de vendas de terceiros a LINGUES, ou seja, não há registro de compras em nome dessa empresa. Quanto à consulta de situação/perfil das sócias atuais Cristiane Helena dos Santos Pinto, CPF 192.493.93806 (percentual capital social 70%) e Sandra Regina Gotichini Marques, CPF 286.365.24865 (percentual capital social 30%), constatamos que ambas não têm capacidade econômica, uma vez que não apresentam patrimônio ou reflexos financeiros em suas vidas. Fl. 6759DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.760 21 SITUAÇÃO CADASTRAL PERANTE A SECRETARIA DA FAZENDA DO ESTADO DE SÃO PAULO Conforme a consulta a Cadastro de Contribuintes de ICMS, sua situação fiscal está “Baixada” por baixa exclusivamente no estado, cuja data de inatividade é partir de 30/09/2011. DA DILIGÊNCIA FISCAL Conforme o Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos lavrado em 22/04/2014 solicitamos a apresentação de documentos/elementos elencados no item 4.2 acima. Esta correspondência retornou a esta Delegacia com indicação do correio de “mudouse”. Em vista do tal fato, o Termo foi enviado ao endereço da sócia Cristiane Helena dos Santos Pinto e atendida mediante entrega de documentos/elementos conforme Protocolo de Entrega de 05/08/2014. DA DILIGÊNCIA AO ENDEREÇO Verifiquei que, conforme Termo de Constatação lavrado em 24/09/2014 há no local imóvel assobradado, fechado, com placa de “Alugase. FORVM Imóveis. Telefone 29414374”. Do contato telefônico com a imobiliária não consegui obter informações. O vizinho do lado esquerdo de quem da rua olha o imóvel, no número predial 3546/3552, há empresa de vendas e consertos de máquinas, na pessoa presente no local Sr. Jailton, disse que não conhece a empresa Lingues, tampouco teve contato com pessoas ligadas à empresa em questão. 3.3) CONTRIBUINTE: MAVERICK COMÉRCIO DE METAIS LTDA CNPJ: 14.448.118/000191 ENDEREÇO: Av. Jundiaí, 1500, Bairro Anhangabaú, Jundiaí SP, CEP:13208053 MPF: 0811100201400071 SITUAÇÃO DA EMPRESA E RESPONSÁVEIS A empresa foi constituída em 30/09/2011, com capital social no valor de R$ 40.000,00, tendo como sócios: Claudionor Alves dos Santos, CPF 068.962.89864, e Davi Alves da Silva, CPF 353.191.59838, na atividade econômica/objeto social de Comércio Atacadista de Componentes Eletrônicos e Equipamentos de Telefonia e Comunicação, entre outros. Fl. 6760DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.761 22 Da pesquisa em nosso sistema de informação sua situação cadastral perante a Secretaria da Receita Federal está “ATIVA”. A empresa movimentou R$ 101.924.064,66 (fonte: notas fiscais eletrônicas – NFe de vendas) relativos aos períodos de Out/2011 a Set/2012. Mesmo auferindo receita bruta nesse vulto, ofereceu a tributação conforme o quadro abaixo: A DCTF foi apresentada dos períodos de dezembro/2011 a novembro/2012. A de dezembro/2012 sem informação de débitos. Não há entrega do DACON para os períodos. Para Metallica, seu principal cliente, vendeu no valor total anual de R$ 51.170.238,02, o que representou 50% dentro do universo de todas as vendas realizadas. No entanto, não há emissão de notas fiscais de vendas de terceiros a NEO, ou seja, não há registro de compras em nome dessa empresa. Quanto à consulta de situação/perfil das sócias atuais Claudionor Alves dos Santos, CPF 068.962.89864, e Davi Alves da Silva, CPF 353.191.59838, constatamos que ambas não têm capacidade econômica, uma vez que não apresentam patrimônio ou reflexos financeiros em suas vidas. (vide quadra abaixo) SITUAÇÃO CADASTRAL PERANTE A SECRETARIA DA FAZENDA DO ESTADO DE SÃO PAULO Conforme a consulta a Cadastro de Contribuintes de ICMS, sua situação fiscal está “Nula” por simulação de existência do estabelecimento ou da empresa, cuja data de inatividade é partir de 13/10/2011. DA DILIGÊNCIA FISCAL Conforme o Termo de Diligência Fiscal/Solicitação de Documentos lavrado em 22/04/2014 solicitamos a apresentação de documentos/elementos elencados no item 4.2 acima. Esta correspondência retornou a esta Delegacia com indicação do correio de “mudouse”. Fl. 6761DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.762 23 Em vista do tal fato, o Termo foi enviado em 03/07/2011 ao endereço do sócio Claudionor Alves dos Santos, CPF 068.962.89864, com atendimento com a entrega de documentos/elementos mediante “Autorização e Protocolo de Entrega” de 29/07/2014. DA DILIGÊNCIA AO ENDEREÇO Verifiquei que, conforme Termo de Constatação lavrado em 24/09/2014, há um terreno grande rodeado de ruas e avenidas, dividido em 3 (três) partes com construções. No primeiro imóvel, do lado direito de quem da rua olha o imóvel, indica o número 1500 A, em que funcionam as empresas Dream Car Veículos e Felicita Soluções Imobiliárias. O sócio dessas empresas, Sr. Adriano Colassante, RG 304205473, informa que teve início as atividades no mês de janeiro/2014 e disse que não conhece a empresa em questão. Forneceu o nome/telefone e endereço do locador, Madel Ltda, CNPJ nº 56.807.746/000166, no endereço a Rua Capitão Curado, nº 1184, Jundiaí. Do contato com o locador na pessoa do Sr. Matteo de Luca, CPF 033.197.68891, via telefônico (nº 11 9 99188190), diz que a empresa Maverick foi sublocatária do prédio na numeração 1500 que posteriormente foram divididas em 1500 A, 1500 B e 1500 C." À vista das referidas constatações, concluiu pela inexistência de fato das citadas pessoas jurídicas e providenciou a baixa de ofício das respectivas inscrições junto ao CNPJ, a partir das datas de início das emissões de notas fiscais. A autoridade fiscal dedicou item do TVF, ainda, para demonstrar que os citados fornecedores foram criados "com a finalidade de funcionar no esquema para simular o fornecimento de matéria prima, visando dar origem às compras realizadas pela METALLICA e, com isso, ocultar os reais beneficiários que se aproveitam das operações simuladas, bem como, dos recursos auferidos com a sonegação de tributos". Apontou, para tanto, os seguintes motivos: "a. Realização de operações milionárias, sem possuírem, no mundo fenomênico, qualquer condição operacional para tal; b. Sócios “laranjas” sem o suficiente poder aquisitivo para movimentar milhões de reais; c. Situação cadastral, ora nula, ora baixada; d. Em nenhuma das empresas, foi constatada a sua existência física, quando em diligências em seus endereços; e. O fato da METALLICA ser o maior (e suposto) comprador das empresas fraudulentas; f. A empresa responsável pelos imóveis supostamente utilizadas pelas empresas Lingues e Neo é a mesma (FORVM), com o mesmo escritório, fato este que é, no mínimo, um indício de que a pessoa responsável (de fato) por ambas é a mesma pessoa." Fl. 6762DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.763 24 Mostrou, ainda, por meio do quadro a seguir, a coincidência entre as datas de término da utilização de uma das pessoas jurídicas e o início de utilização da outra: Tal "coincidência" é reforçada pelos seguintes elementos: "Notase que se utilizou as notas da NEO pelo período compreendido entre janeiro a novembro de 2010, sendo que, entrada de Ariane dos anjos Mattos e Fátima Cristina do Carmo Dantas se refere aos meses de novembro e dezembro de 2009. É muito óbvio que elas somente entraram na empresa para dar início a esse planejamento ilícito de utilização de notas frias. Isso ocorre da mesma forma com as outras empresas. A NEO, conforme informações da entidade pública estadual, teve sua inscrição baixada na data de 30/11/2010 (exatamente no mês em que a METALLICA parou de utilizar as notas desta). E exatamente neste momento, já se iniciava os preparativos para dar continuidade ao modus operandi com a empresa LINGUES, o qual teve os seus sócios “laranjas” (Cristina Helena dos Santos Pinto e Sandra Regina Gotichini Marques) incluídos no mês de novembro a dezembro de 2010, ou seja, coincidentemente no mesmo período em que METALLICA se utilizou das notas da empresa LINGUES e no mesmo período do fim da empresa NEO. Fl. 6763DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.764 25 Se já não bastasse tantas coincidências, a empresa MAVERICK foi constituída no dia 30/11/2011, exatamente no mesmo DIA (repitase, NO MESMO DIA) em que a empresa LINGUES foi baixada (30/11/2011) e exatamente no mesmo mês em que começou a utilizar as notas daquela empresa. Ora, como se sabe, dois trovões só caem no mesmo lugar, por duas vezes, quando há intervenção no sentido de que isso ocorra. Ou seja, só é possível acontecerem tantas coincidências quando há um alguém que visa tal finalidade. É impossível que os fatos convergissem de tal maneira, senão pela intervenção dos beneficiários da empresa METALLICA." A Recorrente METALLICA sustenta que a decisão de primeira instância não teria considerado os documentos por ela juntados ao processo que comprovariam a efetiva aquisição das mercadorias provenientes dos referidos fornecedores. É importante, em primeiro lugar, relembrar que o auto de infração sob análise está baseado nos mesmos elementos de prova que fundamentaram o lançamento referente ao IRPJ, no âmbito do processo administrativo nº 16095.720117/201526, cujo Recurso Voluntário já foi apreciado pelo CARF, por meio do Acórdão nº 1401002.292, de 13 de março de 2018. A decisão a ser aqui proferida, portanto, deve guardar consonância com o ali decidido. No referido Acórdão, foi declarada a nulidade dos Autos de Infração relativos ao IRPJ, CSLL, Cofins e Contribuição ao PIS/Pasep, uma vez que o lançamento foi realizado consoante a sistemática de apuração sobre o Lucro Real, quando deveria ter sido realizado com base no Lucro Arbitrado. A nulidade em questão não alcança o Auto de Infração sob exame, posto que a forma de apuração do IRPJ não possui reflexo na forma de apuração do IPI (como ocorre em relação às citadas contribuições). É relevante, para a atual análise, contudo, a conclusão a que chega o relator do referido Acórdão acerca da acusação fiscal: "Ademais, não posso deixar de registrar que, para este Relator é lamentável proferir tal decisão uma vez que, da análise dos documentos e dos autos, estou plenamente convencido da existências do esquema fraudulento relatado." De fato, o responsável pelo procedimento fiscal, conforme todo o relato acima transcrito, reuniu elementos substanciais no sentido de que os fornecedores NEO, MAVERICK e LINGUES nunca existiram e serviram, em rodízio, apenas para justificar as entradas de mercadorias na METALLICA, gerando indevidamente os créditos de IPI glosados na autuação. A Recorrente, por outro lado, não conseguiu apresentar elementos que contestassem com propriedade a referida constatação. A maior parte das provas juntadas aos presentes autos se destinam à comprovação de sua efetiva existência (contas de energia elétrica, fichas de registro de seus empregados, guias de recolhimento ao Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, notas fiscais Fl. 6764DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.765 26 de saída de mercadorias, Documentos de Arrecadação de Receitas Federais, Contrato bancários, etc). Não é disto que trata a acusação fiscal, porém, mas da inexistência de fato dos fornecedores e das aquisições de mercadorias que ensejaram os créditos de IPI. Em relação a tal fato, a Recorrente junta ao processo apenas os contratos sociais das referidas pessoas jurídicas (fls. 2.513 a 2.599), algumas poucas notas fiscais de emissão do fornecedor MAVERICK (fls. 2.737 a 2.748), uma nota fiscal de emissão da LINGUES (fls. 2.798 a 2.803) e declaração de um suposto office boy da LINGUES e de um auxiliar de escrita fiscal da NEO (fls. 2.804 a 2.809). Invoca, ainda, no Recurso Voluntário, os documentos que juntou ao processo administrativo nº 16095.720117/201526. Tratamse de notas fiscais emitidas pelos fornecedores, comprovantes de transferências bancárias, conhecimento de transporte rodoviário de cargas, comprovantes de pesagem e documentos de sua emissão referente a encontro de contas com os fornecedores (cópias dos documentos foram trasladadas a estes autos, às fls. 3.186 a 6.739). O exame de todos os elementos, contudo, apenas revela provas formais, de emissão no âmbito de controle da autuada e dos fornecedores. Os Conhecimentos de Transporte, que poderiam constituir prova cabal da entrada das mercadorias na Recorrente, sequer contém qualquer assinatura de recebimento, nem qualquer carimbo de postos fiscais. Os comprovantes de pesagem não contém nenhum elemento que lhes confira qualquer valor probatório. Além disso, os comprovantes de transferências entre a Recorrente e os fornecedores não guardam qualquer correlação com as notas fiscais apresentadas. Válida ao caso, a conclusão da Professora Maria Rita Ferragut (As provas e o Direito Tributário, São Paulo: Saraiva, 2016, p. 209), ao tratar da glosa de créditos de ICMS e declaração de inidoneidade de fornecedores: "Se a linguagem comprobatória da 'ocorrência da aquisição de mercadorias' mostrarse insuficiente, a operação deve ser considerada como não ocorrida, e os créditos da entrada glosados, com eventual cobrança de imposto e das sanções cabíveis a cada caso concreto." O trabalho realizado pela autoridade fiscal é contundente no sentido de que as aquisições de mercadorias não foram realizadas, e a Recorrente não se desvencilha a contento do seu ônus de fazer prova em contrário. A Recorrente invoca, ainda, em seu favor a Súmula nº 509 do STJ, que dispõe: "É lícito ao comerciante de boafé aproveitar os créditos de ICMS decorrentes de nota fiscal posteriormente declarada Fl. 6765DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.766 27 inidônea, quando demonstrada a veracidade da compra e venda." O referido Enunciado, contudo, em nada aproveita à Recorrente, na medida em que a sua condição de adquirente de boa fé não fica demonstrada. Pelo contrário, a reiteração de prática já realizada no ano de 2008 e os elementos de coincidência colhidos na diligência fiscal (com destaque para o quadro acima apresentado) fazem prova da sua participação no esquema. Ademais, a Recorrente não consegue comprovar a veracidade das operações de compra e venda, requisito fundamental para a incidência da Súmula em questão, bem como do art. 82 da Lei nº 9.430, de 1996: "Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços." Neste ponto, cabe refutar outra alegação do sujeito passivo, a de que os documentos emitidos pelas pessoas jurídicas declaradas inidôneas somente poderiam ser considerados igualmente inidôneos, a partir da edição do ato declaratório. Sustenta que esta interpretação seria validada pelo dispositivo legal acima transcrito. A hermenêutica pretendida pela Recorrente não é válida. Ou melhor, somente o é, exatamente na situação excetuada pelo texto legal e pela Súmula adiante referida: prova da boafé do adquirente e do efetivo pagamento e recebimento dos bens ou serviços. No caso dos autos, além disso, não houve sequer a declaração de inidoneidade, mas a baixa de ofício das inscrições dos fornecedores junto ao CNPJ, conforme autorizado pela redação do art. 8º, §1º, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, na redação conferida pela Lei nº 11.941, de 2009. Além disso, ao contrário do sustentado, a baixa não foi motivada pela inexistência dos fornecedores à data das diligências, mas baseada na comprovação da inexistência à época dos fatos geradores. Isto posto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, quanto a este tópico. VI Da multa qualificada Aos créditos apurados com base na infração relativa à glosa dos créditos de IPI foi aplicada a multa de 150%. Fl. 6766DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.767 28 A qualificação da multa foi fundamentada pela autoridade fiscal na "utilização de empresas laranjas e interpostas pessoas", bem como na "prática de contabilização de notas fiscais inidôneas". A decisão de primeira instância validou a aplicação da multa qualificada por entender que "restou comprovada a ilicitude da conduta da contribuinte ao reduzir indevidamente seus custos e consequentemente as bases de cálculo dos tributos devidos ao contabilizar valores constantes em notas fiscais de compras fictícias". A Recorrente apenas alega que não participou de nenhuma irregularidade e suscita a garantia constitucional prevista no art. 150, inciso IV, da Constituição Federal. Em primeiro lugar a qualificação da multa encontra previsão legal no art. 44, §1º, da Lei nº 9.430, de 1996, de modo que cabe invocar a já citada Súmula CARF nº 2, para deixar de analisar eventual desconformidade com o texto constitucional. Quanto ao mérito da qualificação, cumpre apenas invocar todos os fatos e razões descritos no tópico anterior deste voto, para concluir pelo acerto da decisão recorrida ao mantêla, por entender que as condutas da Recorrente se enquadram na hipótese trazida pelo art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964. A autuada não consegue apresentar qualquer elemento de prova capaz de atestar a sua boa fé na utilização dos referidos documentos fiscais e infirmar as acusações que lhe são imputadas. Em decorrência da manutenção da multa qualificada, em virtude da constatação de fraude, cabe rejeitar também a prejudicial de decadência em relação aos créditos tributários constituídos em relação aos períodos de janeiro a novembro de 2010, uma vez que a contagem do prazo decadencial deve ser procedida não com base no art. 150, §4º, do CTN, mas com base no art. 173, inciso I, do mesmo Código, ou seja, a partir do primeiro dia do exercício subsequente ao que o lançamento poderia ser efetuado, conforme expressa disposição legal: "Art. 150. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;" Deste modo, deve ser mantida a multa qualificada em relação à referida infração e rejeitada a alegação de decadência. VII Da responsabilidade tributária Fl. 6767DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.768 29 Quanto a esta matéria, cabe relembrar mais uma vez que o presente lançamento decorre daquele tratado no processo administrativo nº 16095.720117/201526, para trazer a este julgamento a conclusão a que chegaram os julgadores da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara deste CARF: "(...), no que se refere à responsabilização dos solidários, da análise do TVF não se verifica nenhuma explicação da participação dos referidos solidários no esquema fraudulento. Em verdade, parece que o fiscal autuante achou suficiente citar a existência de outro procedimento fiscalizatório para justificar a responsabilidade solidária. De fato, no TVF constante do PAF 19515.720865/201347, o agente autuante delimitou de forma bastante clara a atuação de cada um dos agentes, demonstrando claramente todo o esquema fraudulento. Entretanto, no presente lançamento, no que se refere às partes imputadas como solidárias, o agente autuante simplesmente informa que os mesmos foram indicados como solidários, não se dando ao trabalho de sequer explicar a atuação de cada agente, senão vejamos os trechos em que eles são citados: Ora, da análise do recorte do TVF nos únicos 2 trechos onde os solidários foram citados é possível perceber que o agente autuante absolutamente nada tratou sobre eles. Ao contrário do que fez em relação às fornecedoras da autuada, bem como das interpostas pessoas (laranjas) que compunham as referidas sociedade, as quais (sejam sócias ou as pessoas jurídicas), nenhuma delas integrou o lançamento como responsáveis solidários. Fl. 6768DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.769 30 Tal fato foi percebido pela DRJ, que manteve a solidariedade relatando toda a construção do esquema fraudulento e atuação de cada um dos responsáveis solidários na fraude. Entretanto, fez isso com base nas informações constantes de outro TVF, não o que fundamentou o presente lançamento." De fato, observase que, embora tenha sido extremamente diligente na caracterização da inidoneidade dos fornecedores e da artificialidade das aquisições efetuadas pela METALLICA, a autoridade fiscal, ao tratar da responsabilidade dos Srs. Roberto e Nívea Costilas e das pessoas jurídicas EUROCON e EUROPARTS, limitouse a se referir às apurações e conclusões referentes ao procedimento fiscal concernente ao anocalendário de 2008. A única referência feita para atribuir responsabilidade aos citados contribuintes é a seguinte: "Da mesma forma como ocorreu no ano de 2008, apurado pelo processo administrativo de n. processo nº 19515.720865/2013 47 e 19515.720867/201336, o mesmo modus operandi ocorreu no período entre 2010 a 2012, por meio de pessoas jurídicas e físicas (“laranjas”), porém, distintas. Em outros termos, primeiramente, os reais beneficiários que verdadeiramente administram a empresa METALLICA, conforme foi constatado e provado no procedimento supramencionado, são sr. Roberto Costilas Junior, Nívea dos Santos Costilas, a empresas Europarts Adm. de bens ltda. e a Eurocon Consultoria e Negócios ltda, em detrimento das interpostas pessoas Edvan Moura Queiroz, CPF 105.093.03803, Diretor, Luiz Carlos Diogo, CPF 113.879.70810, Diretor Presidente e a empresa Inversora Campo Grande S/A, CNPJ nº 05.421.449/000147, que seria sócia majoritária da fiscalizada." A autoridade fiscal não traz qualquer elemento de prova capaz de estabelecer a vinculação entre os responsáveis tributários e os fatos geradores das infrações constantes do Auto de Infração sob exame, seja por interesse comum, capaz de fazer incidir o art. 124, inciso I, do CTN, seja por infração a lei, de modo a ensejar a aplicação do art. 135, inciso III, do Código. Por esta razão, voto por, superando a nulidade da decisão de primeira instância, dar provimento aos Recursos Voluntários dos responsáveis tributários, para afastar a responsabilidade em relação ao total do crédito tributário constituído. VIII Pedidos finais Ao final dos Recursos apresentados, os recorrentes fazem diversos pedidos, a exemplo, do pedido genérico de produção de provas, juntada de documentos novos e produção de perícia contábil e diligência fiscal. Tais pedidos não encontram qualquer amparo nas regras que normatizam o processo administrativo fiscal, primeiro porque a produção de provas e os pedidos de diligência e perícia devem se dar no momento da Impugnação e mediante o cumprimento das regras processuais, a teor do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972: Fl. 6769DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.770 31 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)" De outra parte, o pedido formulado pelos responsáveis Roberto e Nívea referente à revogação de arrolamento de bens não merece sequer ser apreciado, posto que falece competência a esta autoridade, conforme reconhecido na Súmula CARF nº 109: "O órgão julgador administrativo não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a arrolamento de bens" IX Conclusão Por todo o exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade do auto de infração e do acórdão de primeira instância, por não acolher a alegação de decadência e, no mérito, por negar provimento ao Recurso Voluntário do sujeito passivo principal e por dar Fl. 6770DF CARF MF Processo nº 16095.720118/201571 Acórdão n.º 1302003.399 S1C3T2 Fl. 6.771 32 provimento parcial aos Recursos Voluntários dos responsáveis tributários, para exonerálos de todo o crédito tributário constituído nos presentes autos. Cópia da presente decisão deve ser levada ao processo administrativo nº 10875.720300/201720, de modo a excluir os responsáveis tributários da cobrança do crédito ali exigido, que deverá ser cobrado, exclusivamente, do sujeito passivo principal. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 6771DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11330.001223/2007-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/1996 a 30/11/1998
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 08.
As contribuições previdenciárias, assim como os demais tributos, sujeitam-se aos prazos decadenciais prescritos no Código Tributário Nacional, restando fulminados pela decadência os créditos tributários lançados cuja ciência do contribuinte tenha ocorrido após o decurso do prazo quinquenal legalmente previsto.
Numero da decisão: 2201-004.948
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e reconhecer a decadência.
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Débora Fófano - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra ( Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
Nome do relator: DEBORA FOFANO DOS SANTOS
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DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE STF Nº 08. As contribuições previdenciárias, assim como os demais tributos, sujeitamse aos prazos decadenciais prescritos no Código Tributário Nacional, restando fulminados pela decadência os créditos tributários lançados cuja ciência do contribuinte tenha ocorrido após o decurso do prazo quinquenal legalmente previsto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e reconhecer a decadência. (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Débora Fófano Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushyama, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Daniel Melo Mendes Bezerra ( Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 33 0. 00 12 23 /2 00 7- 53 Fl. 326DF CARF MF Processo nº 11330.001223/200753 Acórdão n.º 2201004.948 S2C2T1 Fl. 327 2 Cuidase de Recurso de Ofício interposto contra a decisão no Acórdão nº 12 20.912 da 12ª Turma da DRJ/RJOI (fls. 260/261) a qual julgou improcedente o lançamento de glosa de compensações efetuadas pela empresa, no período de apuração de maio de 1996 a novembro de 1998 (fls. 02/21), de créditos oriundos de pagamentos de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga a autônomos, administradores e avulsos, declaradas inconstitucionais pelo STF. Os créditos foram compensados com as contribuições previdenciárias devidas pela empresa em decorrência da contratação de segurados avulsos junto ao Órgão Gestor de Mão de Obra OGMO, relativas à parte patronal (15%) e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (3%). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo, consolidado em 22/12/2006, totaliza o montante de R$ 13.479.664,99, já inclusos multa e juros de mora. Não foi identificada no processo cópia do Aviso de Recebimento (AR) da ciência do lançamento. Todavia, de acordo com informações insertas no relatório da DRJ/RJOI (fl. 99) "a ciência do débito se deu por via postal mediante objeto RC469215466BR, recebido em 28/12/06, conforme consta dos autos". Inconformada com o lançamento a Recorrente apresentou impugnação em 12/01/2007 (fls. 46/66) requerendo a improcedência do lançamento. Em sessão de 10 de setembro de 2008, foi exarado o Acórdão nº 1220.912 12ª Turma da DRJ/RJOI (fls. 260/261) que julgou improcedente o lançamento sob o argumento de que restou configurada no processo a decadência das contribuições lançadas, abrangendo o período de 05/1996 a 11/1998, nos termos da Súmula Vinculante do STF n° 8, publicada em 20/06/2008 e, por conseguinte, descabendo, por incompatível, o exame quanto ao mérito da impugnação e da diligência fiscal em virtude da liminar suscitada de ofício. Não houve apresentação de recurso voluntário por parte da contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Débora Fófano Relatora. Do Recurso de Ofício Em virtude da exoneração total do crédito tributário, foi interposto recurso de ofício, que por preencher condições de admissibilidade, deve ser conhecido. Quanto ao tema, assim restou ementada a decisão recorrida (fl. 260): "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1996 a 30/11/1998 AIOP DEBCAD n° 35.822.7623, de 06/12/2005. DECADÊNCIA. Em virtude da Súmula Vinculante n° 08, publicada no Diário Oficial da União em 20/06/08, o art. 45 da Lei 8.212/91 foi declarado inconstitucional, devendo ser aplicados os artigos do C'TN que tratam da matéria aos créditos previdenciários. Fl. 327DF CARF MF Processo nº 11330.001223/200753 Acórdão n.º 2201004.948 S2C2T1 Fl. 328 3 Lançamento Improcedente" No que se refere à decadência, o Supremo Tribunal Federal STF declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 1991, editando a Súmula Vinculante n° 08 nos seguintes termos: "Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário." Assim, resta evidente a inaplicabilidade do artigo 45 da Lei nº 8.212, de 1991 para amparar o direito da fazenda pública em constituir o crédito tributário mediante lançamento, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições previdenciárias sujeitamse aos artigos 150, § 4º e 173, inciso I da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cujo teor merece destaque: "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.(grifouse) (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;" (grifouse) Para a aplicação da contagem do prazo decadencial este Conselho adota o entendimento do STJ no Recurso Especial nº 973.733/SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 e, portanto, de observância obrigatória neste julgamento administrativo. No referido julgado, o STJ, além de afastar a aplicação cumulativa do artigo 150, §4º com o artigo 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Nos demais casos, deve ser aplicado o dispositivo do artigo 173, inciso I. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 11330.001223/200753 Acórdão n.º 2201004.948 S2C2T1 Fl. 329 4 A autuação em análise diz respeito a fatos geradores apontados pela fiscalização nos meses de 05/1996 a 11/1998. Para tais competências, tornase desnecessária a discussão do dies a quo entre aquele estabelecido pelo artigo 150, § 4º ou aquele constante do artigo 173, inciso I do CTN, pois em ambas as alternativas o prazo para o fisco constituir o crédito tributário já havia exaurido antes da ciência do lançamento, tornando improcedente a autuação, em harmonia com o que decidiu a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ). Assim sendo, uma vez reconhecida a decadência, extinto o crédito tributário formalizado no lançamento com fundamento no artigo 156, inciso V, do CTN. Conclusão Em razão do exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício nos termos do voto em epígrafe. (assinado digitalmente) Débora Fófano Relatora Fl. 329DF CARF MF
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