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Numero do processo: 11020.002268/2010-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.841
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório Reproduzo o relatório da primeira instância administrativa: Tratase de Declaração de Compensação protocolizada em papel no dia 27/07/2010, informando compensação de débitos de IRPJ e CSLL (PA:06/2010) com crédito do processo administrativo n° 11020.001079/200597 (ação judicial n° 97.15.014933), relativo ao PIS, no valor total de R$ 186.231,56. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 20 .0 02 26 8/ 20 10 -4 4 Fl. 118DF CARF MF Processo nº 11020.002268/201044 Resolução nº 3201001.841 S3C2T1 Fl. 3 2 Por meio do Despacho Decisório nº 579 – DRF/CXL (fls. 38/41, adotada a numeração do processo eletrônico) foram não homologadas as compensações declaradas. A referida decisão teve a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: O prazo para compensar créditos reconhecidos judicialmente é de 5 anos contados da data do trânsito em julgado. Ementa: Compensação de PIS autorizada judicialmente somente com débitos de PIS. Compensação não Homologada Contra tal decisão, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, na qual, em resumo, alegou que: a restrição à compensação com outros tributos contraria orientações da própria Administração; há oposição do Fisco, judicial e administrativa, suspendendo os efeitos da prescrição; a conduta visivelmente parcial do agente público, ao insistir em teses que sabidamente já estão superadas, podem fazer incidir a responsabilização prevista em norma constitucional. Copio ainda, a título de relatório, trecho da decisão recorrida: Inicialmente esclareço que a contribuinte possui dois processos judiciais que se relacionam com o presente processo administrativo. O primeiro é a Ação Ordinária n° 97.15.014933, em que se discute o direito a compensação de valores pagos a título de PIS, de julho de 1988 a outubro de1995, com valores do próprio PIS. Essa ação transitou em julgado em favor da contribuinte no ano de 2003. O segundo é o Mandado de Segurança n° 2005.71.07.0012042, que se encontra concluso para decisão no Superior Tribunal de Justiça. Esse mandamus visa afastar o cumprimento da Instrução Normativa SRF nº 517/2005. Segundo o acórdão do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, de 30/09/2009, que revogou a sentença denegatória da segurança, está afastada a exigibilidade de prévia habilitação do crédito judicial. Em razão do referido mandado de segurança, a declaração de compensação em papel, protocolizada em 27/07/2010, deve ser considerada, neste momento, como se tivesse sido transmitida eletronicamente com processo de habilitação. A 1ª Turma da DRJ/Juiz de Fora/MG, por meio do Acórdão 0957.694, de 28/04/2015, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade.Transcrevo a ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 119DF CARF MF Processo nº 11020.002268/201044 Resolução nº 3201001.841 S3C2T1 Fl. 4 3 Período de apuração: 01/07/1988 a 31/10/1995 PRESCRIÇÃO. AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. O prazo para o sujeito passivo compensar administrativamente créditos que tenham sido a ele reconhecidos mediante decisão judicial é de cinco anos, contados do trânsito em julgado da respectiva decisão. O crédito reconhecido pode comportar mais de uma Declaração de Compensação, todas sujeitas a esse prazo prescricional, não havendo interrupção da prescrição em relação ao saldo. No Recurso Voluntário, a empresa reitera e reforça argumentos quanto a inexistência de prescrição, e a possibilidade de compensação do indébito de Pis com outros tributos. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. Verifico, inicialmente, que a questão da exigência de habilitação prévia para compensação de indébitos reconhecidos judicialmente encontrase superada, por conta do trânsito em julgado do Mandado de Segurança 2005.71.07.0012042. O TRF 4ª Região concedeu a segurança para que a compensação prescindisse da habilitação prévia. O Recurso Especial, aviado pela Fazenda, teve seguimento negado no STJ. Não obstante, o processo ainda não está maduro para julgamento. O prazo prescricional do pedido de restitução do indébito, no caso de crédito reconhecido em ação judicial, é de 5 anos contados do seu trânsito em julgado, conforme Parecer Normativo Cosit 11/2014: O prazo para a compensação mediante apresentação de Declaração de Compensação de crédito tributário decorrente de ação judicial é de cinco anos, contados do trânsito em julgado da sentença que reconheceu o crédito ou da homologação da desistência de sua execução. O trânsito em julgado ocorreu em 04/11/2003. O pedido de restituição do crédito suspende a prescrição, nos termos do art. 4º do Decreto 20.910/32: Art. 4 Não corre a prescrição durante a demora que, no estudo, ao reconhecimento ou no pagamento da dívida, considerada líquida, tiverem as repartições ou funcionários encarregados de estudar e apurála. Parágrafo único.A suspensão da prescrição, neste caso, verificarseá pela entrada do requerimento do titular do direito ou do credor nos Fl. 120DF CARF MF Processo nº 11020.002268/201044 Resolução nº 3201001.841 S3C2T1 Fl. 5 4 livros ou protocolos das repartições públicas, com designação do dia, mês e ano. Após o primeiro pedido de restituição, é possível acrescentar pedidos de compensação, isto é, acrescentar débitos para compensação com o crédito já solicitado, independemente do prazo prescricional, porque já não se está pedindo o crédito, mas somente indicando a forma de utilização do crédito. Isso é reconhecido inclusive pela Receita Federal, no parágrafo único do artigo 68 da Instrução Normativa 1.717/2015: Art. 68. O sujeito passivo poderá compensar créditos que já tenham sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB desde que, à data da apresentação da declaração de compensação: I o pedido não tenha sido indeferido, mesmo que por decisão administrativa não definitiva, proferida pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil; ou II se deferido o pedido, ainda não tenha sido emitida a ordem de pagamento do crédito. Parágrafo único. O sujeito passivo poderá apresentar declaração de compensação que tenha por objeto crédito apurado ou decorrente de pagamento efetuado há mais de 5 (cinco) anos, desde que referido crédito tenha sido objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento apresentado à RFB antes do transcurso do referido prazo. Ora, a recorrente alega que, desde 2004, apresenta PerDcomps eletrônicas relacionadas ao crédito objeto do presente processo. Vejase excerto de seu recurso (fl.80): “Em janeiro de 2004, a empresa iniciou as compensaçãoes normalmente cuja transmissão deuse através do sistema eletrônico (Dcomps)” Observo que as Dcomps somente podem ser transmitadas após, ou concomitantemente, a um pedido de Per, isto é, pedido de restituição, porque pressupõe o direito de restituição. No primeiro pedido de compensação se informa a origem do crédito. Todavia, não constam nos autos tais PerDcomps. No caso de elementos de prova que estejam disponíveis à administração, é possível sua produção de ofício, nos termos dos artigos 29, 36 e 37 da Lei 9.784/99: Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. (...) Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão Fl. 121DF CARF MF Processo nº 11020.002268/201044 Resolução nº 3201001.841 S3C2T1 Fl. 6 5 competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Desse modo, no interesse do alcance da verdade material, entendo por converter o julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem informe sobre a existência de tais PerDcomps, e intime, se necessário, a recorrente, para que instrua o processo com tais elementos. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 122DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720355/2017-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Exercício: 2012, 2013, 2014, 2015
ZONA FRANCA DE MANAUS. BATERIA PARA TELEFONE CELULAR. BEM DE INFORMÁTICA. INTERNAÇÃO NO TERRITÓRIO NACIONAL. BENEFÍCIO FISCAL INSTITUÍDO PELO § 4º DO ARTIGO 7º DO DECRETO-LEI Nº 288/1967, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 8.387/1991, ESTA POR SUA VEZ COM REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 11.077/2004. REGULAMENTAÇÃO PELO DECRETO Nº 6.008/2006. PERMISSÃO PARA A CONTINUIDADE DO APROVEITAMENTO DO BENEFICIO FISCAL CONCEDIDA PELO § 2º DO ARTIGO 2º DO DECRETO Nº 6.008/2006.
Os produtos "baterias para telefone celular", ou "acumuladores elétricos", classificados na posição 8507.8000 da NCM, quando produzidos na Zona Franca de Manaus, nos termos do § 4º do artigo 7º do Decreto-Lei nº 288/1967, com a redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 8.387/1991, esta com reação dada pelo artigo 2º da Lei nº 11.077/2004, em caso de internação no território nacional, teriam o Imposto de Importação calculado com a redução no coeficiente fixo de 88% . A regulamentação destes dispositivos legais referente aos "bens de informática" foi efetivada pelo Decreto nº 6.008/2006.
O § 2º do artigo 2º do Decreto nº 6.008/2006 permitiu, ás empresas produtoras dos bens de informática, definido no Inciso II do mesmo artigo, no caso do produto "bateria para telefone celular", a continuidade do aproveitamento do benefício fiscal instituído pelo § 4º do artigo 7º do Decreto-Lei nº 288/1967, quando tais bens constarem de projetos regularmente aprovados pela SUFRAMA até a data de publicação do Decreto nº 5.906/2006 (qual seja 27/09/2006), que regulamentou a Lei nº 8.248/1991, denominada Lei Geral de Informática
Numero da decisão: 3301-005.830
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
assinado digitalmentet
Winderley Morais Pereira - Presidente.
assinado digitalmente
Ari Vendramini - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveia Duro, Valcir Gssen e Ari Vendramini (Relator)
Nome do relator: ARI VENDRAMINI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Exercício: 2012, 2013, 2014, 2015 ZONA FRANCA DE MANAUS. BATERIA PARA TELEFONE CELULAR. BEM DE INFORMÁTICA. INTERNAÇÃO NO TERRITÓRIO NACIONAL. BENEFÍCIO FISCAL INSTITUÍDO PELO § 4º DO ARTIGO 7º DO DECRETO-LEI Nº 288/1967, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 8.387/1991, ESTA POR SUA VEZ COM REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 11.077/2004. REGULAMENTAÇÃO PELO DECRETO Nº 6.008/2006. PERMISSÃO PARA A CONTINUIDADE DO APROVEITAMENTO DO BENEFICIO FISCAL CONCEDIDA PELO § 2º DO ARTIGO 2º DO DECRETO Nº 6.008/2006. Os produtos "baterias para telefone celular", ou "acumuladores elétricos", classificados na posição 8507.8000 da NCM, quando produzidos na Zona Franca de Manaus, nos termos do § 4º do artigo 7º do Decreto-Lei nº 288/1967, com a redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 8.387/1991, esta com reação dada pelo artigo 2º da Lei nº 11.077/2004, em caso de internação no território nacional, teriam o Imposto de Importação calculado com a redução no coeficiente fixo de 88% . A regulamentação destes dispositivos legais referente aos "bens de informática" foi efetivada pelo Decreto nº 6.008/2006. O § 2º do artigo 2º do Decreto nº 6.008/2006 permitiu, ás empresas produtoras dos bens de informática, definido no Inciso II do mesmo artigo, no caso do produto "bateria para telefone celular", a continuidade do aproveitamento do benefício fiscal instituído pelo § 4º do artigo 7º do Decreto-Lei nº 288/1967, quando tais bens constarem de projetos regularmente aprovados pela SUFRAMA até a data de publicação do Decreto nº 5.906/2006 (qual seja 27/09/2006), que regulamentou a Lei nº 8.248/1991, denominada Lei Geral de Informática
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. assinado digitalmentet Winderley Morais Pereira - Presidente. assinado digitalmente Ari Vendramini - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveia Duro, Valcir Gssen e Ari Vendramini (Relator)
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BATERIA PARA TELEFONE CELULAR. BEM DE INFORMÁTICA. INTERNAÇÃO NO TERRITÓRIO NACIONAL. BENEFÍCIO FISCAL INSTITUÍDO PELO § 4º DO ARTIGO 7º DO DECRETOLEI Nº 288/1967, COM A REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 8.387/1991, ESTA POR SUA VEZ COM REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 11.077/2004. REGULAMENTAÇÃO PELO DECRETO Nº 6.008/2006. PERMISSÃO PARA A CONTINUIDADE DO APROVEITAMENTO DO BENEFICIO FISCAL CONCEDIDA PELO § 2º DO ARTIGO 2º DO DECRETO Nº 6.008/2006. Os produtos "baterias para telefone celular", ou "acumuladores elétricos", classificados na posição 8507.8000 da NCM, quando produzidos na Zona Franca de Manaus, nos termos do § 4º do artigo 7º do DecretoLei nº 288/1967, com a redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 8.387/1991, esta com reação dada pelo artigo 2º da Lei nº 11.077/2004, em caso de internação no território nacional, teriam o Imposto de Importação calculado com a redução no coeficiente fixo de 88% . A regulamentação destes dispositivos legais referente aos "bens de informática" foi efetivada pelo Decreto nº 6.008/2006. O § 2º do artigo 2º do Decreto nº 6.008/2006 permitiu, ás empresas produtoras dos bens de informática, definido no Inciso II do mesmo artigo, no caso do produto "bateria para telefone celular", a continuidade do aproveitamento do benefício fiscal instituído pelo § 4º do artigo 7º do DecretoLei nº 288/1967, quando tais bens constarem de projetos regularmente aprovados pela SUFRAMA até a data de publicação do Decreto nº 5.906/2006 (qual seja 27/09/2006), que regulamentou a Lei nº 8.248/1991, denominada Lei Geral de Informática Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 03 55 /2 01 7- 08 Fl. 615DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. assinado digitalmentet Winderley Morais Pereira Presidente. assinado digitalmente Ari Vendramini Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveia Duro, Valcir Gssen e Ari Vendramini (Relator) Relatório 1. Tratam os presentes autos de constituição de crédito tributário, por auto de infração, referente ao Imposto de Importação, por falta de recolhimento do tributo, devido na internação de produtos industrializados na Zona Franca de Manaus, com insumos estrangeiros importados com benefícios fiscais constantes do DecretoLei nº 288/1967, referente aos anos de 2012 a 2015. 2. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, anexa ao auto de infração, a recorrente, nos anos de 2012 a 2015 utilizou o coeficiente fixo de 88% na apuração de sua isenção parcial de Imposto de Importação na saída de seus produtos industrializados “bateria de celular” da Zona Franca de Manaus. Em 2016 foi realizada diligência junto á recorrente, tendo sido esta intimada a apresentar a motivação para a utilização do coeficiente fixo de 88% nos seus DCR – Demonstrativo de Redução de Coeficiente, em resposta a recorrente cita como embasamento para a utilização do coeficiente fixo de 88% a Resolução SUFRAMA nº 309/2005 para a produção de bateria para telefone celular. A recorrente na resposta cita também o § 2º só artigo 2º do DECRETO Nº 6.008/2006, como fundamento pra utilização do coeficiente fixo. 3. A partir destas informações, a autoridade fiscal recalculou o benefício fiscal de isenção parcial de Imposto de Importação que entendeu de direito da recorrente, alegando que para tal utilizou a método prescrito pela legislação, coeficiente variável, formalizando todas as diferenças devidas nos casos de recolhimento a menor do tributo na internação dos produtos na Zona Franca de Manaus. 4. Por economia processual, adoto e reproduzo o relatório constante do Acórdão DRJ/FLORIANÓPOLIS, nº 0741.107 – 1ª Turma, contra o qual o recurso voluntário foi interposto : Tratase de auto de infração (fls.02 e 03; 23 a 40), autuado em 25/01/2017, notificado (fls.03 e 24) ao contribuinte interessado em 31/01/2017 (fls.03 e 24), lavrado em face de utilização incorreta do coeficiente de redução de alíquota do II, em internações de produtos fabricados na Fl. 616DF CARF MF Processo nº 10283.720355/201708 Acórdão n.º 3301005.830 S3C3T1 Fl. 676 3 ZFM, com mercadorias importadas, cujo valor total lançado foi de R$ 60.567.032,75, com fundamento básico no art.7º, do DecretoLei nº 288/67, assim decomposto: a) Imposto de Importação: R$ 29.600.502,85 b) Juros de Mora: R$ 8.766.152,94 c) Multa de Ofício: R$ 22.200.376,96 Segundo o Relatório Fiscal (fls.49 a 53), foram aferidas as internações, entre os anos de 2012 e 2015, de “BATERIAS DE CELULAR” (“ACUMULADORES ELÉTRICOS”), fabricadas pelo contribuinte na Zona Franca de Manaus, industrializadas com mercadorias importadas, onde o interessado utilizou o coeficiente fixo de redução de alíquota do Imposto de Importação (isenção parcial) correspondente a 88%, nos termos do art.7º §4º, do DecretoLei nº 288/67, em lugar do redutor variável, previsto no §1º, do mesmo dispositivo legal. A justificativa (fls.55/56) do contribuinte foi os termos consignados na Resolução SUFRAMA nº 309/2005 (fls.232/233), expedida em 01/11/2005, que se baseou no Parecer Técnico de Projeto nº 212/2005 (fls.234 a 243). Ainda se mencionou (fls.49, quarto parágrafo, item “3”) que o contribuinte também se fundou no disposto no art.2º §2º, do Decreto nº 6.008/2006, para lançar mão do coeficiente fixo. A fundamentação da autoridade fiscal partiu da Lei nº 8.248/91, cujo art.4º §1º, com redação determinada pela Lei nº 10.176/2001, determinava que os bens de informática seriam relacionados pelo Poder Executivo. Mencionouse, em seguida, a Portaria Interministerial 272/931, com alterações promovidas pela Portaria Interministerial nº 138/942, que teriam apresentado “telefone celular como bem de informática. Desde então, todos os demais atos administrativos emitidos pelo Poder Executivo, mantém o entendimento de que telefone celular é um bem de informática” (fls.50, último parágrafo). Essa interpretação, ao que tudo indica, teria sido seguida pelos Decretos nº 3.801/2001, nº 4.509/2002, nº 5.906/2006, nº 6.405/2008 e nº 7.010/2009. Contudo, os bens de informática foram excepcionados, pelo legislador ordinário, do rol de bens fabricados cujos insumos importados poderiam beneficiarse do redutor fixo de 88%, nos termos do §4º, do art.7º, do DecretoLei nº 288/67, o que levaria à utilização obrigatória do redutor variável, constante do §1º, desse mesmo artigo. Em face disso, a autoridade fiscal providenciou o recálculo dos valores devidos aos cofres públicos, lançando a diferença entre o redutor variável e o redutor fixo. Fl. 617DF CARF MF 4 Em 24/02/2017, o contribuinte autuado apresentou sua impugnação (fls.92 a 131), por meio de advogado, tendo alegado, em síntese: a) que o benefício de isenção, para os bens fabricados na ZFM, é expedido sob condição; b) que o projeto técnicoeconômico para “bateria para telefone celular” foi aprovado pelo Conselho Administrativo da SUFRAMA; c) que a Resolução SUFRAMA nº 190/2003 (fls.228/229) e a de nº 309/2005 (fls.232/233), corroboradas pelo Laudo de Operação (fls.244 a 247), apontam que o produto fabricado com insumo importado levaria ao recolhimento do Imposto de Importação considerando o redutor fixo de 88%; d) que “a competência da Suframa em aprovar os projetos e estabelecer o coeficiente redutor para fins de incentivos fiscais na Zona Franca de Manaus é absoluta. Portanto, ao deixar de reconhecer os incentivos assegurados para a Impugnante por força de Decretos, Resoluções, Portarias e Laudos de Operação expedidos pela Suframa, o Fisco está infringindo diretamente os §§4º e 7º do DecretoLei 288/67, em total desrespeito as normas legais vigentes, devendo esta pretensão ser rechaçada de plano.” (fls.103, último parágrafo); e) que não existiu qualquer infração cometida pela impugnante, motivo pelo qual a penalidade deveria ser afastada; f) que, em tese, os bens de informática, quando da internação, deveriam se sujeitar ao redutor variável, mas isso não seria aplicável ao presente caso (fls.105, dois últimos parágrafos); g) que seria ineficaz e insubsistente calcar a autuação nos Decretos nº 3.801/2001, nº 4.509/2002, nº 5.906/2006, nº 6.405/2008 e nº 7.010/2009, já que eles foram “editados” posteriormente à concessão do benefício à impugnante (originalmente concedido através da Resolução nº 190/2003; com a Resolução nº 309/2005, aprovouse o projeto de ampliação); h) que não se poderia “cancelar automaticamente” um incentivo fiscal concedido por prazo certo e sob condição onerosa, o que ofenderia o art.178, do CTN, dentre outras normas jurídicas; i) que somente caberia à SUFRAMA, após o devido processo legal, declarar o cancelamento das Resoluções por ela expedidas; j) que, à época da aprovação do projeto da impugnante, a “bateria para telefone celular” não era bem de informática; k) que “não existindo, quer na nº Lei 8.387, de 31 de dezembro de 1991, aplicável à Zona Franca de Manaus, quer na Lei nº 8.248, de 23 de agosto de 1991, aplicável às demais localidades do território nacional, nas redações originais, qualquer disposição legal, que defina terminais Fl. 618DF CARF MF Processo nº 10283.720355/201708 Acórdão n.º 3301005.830 S3C3T1 Fl. 677 5 portáteis de telefonia celular e seus acessórios como bens do setor de informática, não é lícito excluir ditos produtos industrializados do regime único de incentivos fiscais regionais, previsto no que interessa pelo caput e pelo §4º do art. 7º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, e mantido pelo art. 40 do ADCT da Constituição Federal de 1988” (fls.108, terceiro parágrafo); l) que a Portaria Interministerial nº 211/2006 enquadrava “bateria para telefone celular” como bem comum; m) que somente com o Decreto nº 5.906/2006 é que o produto “bateria para telefone celular” foi enquadrada como bem de informática, sendo posterior à Resolução nº 309/2005 (aprovação do projeto de ampliação); n) que o art.2º §2º, do Decreto nº 6.008/2006, “prevê expressamente que ficam mantidos os benefícios previstos para os bens de informática aprovados pelo Conselho de Administração da Suframa até a data da publicação do Decreto nº 5.906, de 26 de setembro de 2006” (fls.110, primeiro parágrafo); o) que houve aceitação tácita, pelo Fisco, do recolhimento do II com uso do redutor fixo de 88%, sendo uma “prática reiterada” (art.100 – III, do CTN), com força de complemento à lei (fls.112, último parágrafo), não sendo, portanto, aplicáveis juros de mora e multa de ofício; p) que a SUFRAMA expediu declaração (fls.261), em 22/02/2017, para confirmar que “a empresa INVENTUS POWER, ora Impugnante, possui projetos aprovados para fabricação de Bateria para Telefone Celular, segundo as Resoluções 190/2003 e 309/2005 e que este produto possui características técnicas que o enquadram no inciso II do art. 2º do Decreto 6.008/2006, estando assim habilitada à manutenção dos incentivos fiscais constantes dos documentos aprobatórios, uma vez que foram aprovados em data anterior a publicação do Decreto 5.906/2006, aplicandose o §2º do Decreto 6008/2006” (fls.113, segundo parágrafo); q) que o Laudo Técnico (fls.262 a 284) atesta que o produto “bateria para telefone celular” possui características que o enquadram no “inciso II do Decreto nº 5.906, de 26 de setembro de 2006” (fls.284, item “5.Conclusão”); Nos pedidos formulados, demandou pela procedência da impugnação; alternativamente, caso mantido o lançamento, que fosse aplicada as disposições do §único, do art.100, do CTN, para exclusão dos juros de mora e das multas. À fls.301302, despacho de solicitação de diligência, onde foram formulados à unidade preparadora os seguintes quesitos: a) Qual a descrição dos bens objeto de internação? Fl. 619DF CARF MF 6 b) Qual a classificação fiscal utilizada pelo contribuinte quando das internações? c) Acostar as declarações apresentadas pelo contribuinte quando das internações. Além do conjunto de documentos trazidos aos autos pela unidade preparadora, podese resumir a "informação fiscal" (fls.304 a 307) em dois pontos: (1). a descrição da mercadoria internada era composta de um código alfanumérico acrescido da expressão "bateria p/ telefone celular"; (2). que houve duas classificações fiscais adotadas pelo contribuinte: 85076000 e 85078000 o que confirma o tipo de produto internado ("bateria para celular") e que será vital para enquadramento da mercadoria como "bem de informática", nos termos dos anexos do Decreto nº 3.801/2001 e do Decreto nº 5.906/2006. Do resultado dessa diligência, o sujeito passivo foi devidamente notificado, em 16/10/2017 (fls.310), tendo apresentado, em 16/11/2017 (fls.311), manifestações (fls.313 a 323), por meio de seu advogado, que, em síntese, reafirmaram as disposições já apresentadas com a impugnação. É o relatório. 5. A Manifestação de Inconformidade foi considerada improcedente, conforme ementa assim redigida : ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Exercício: 2012, 2013, 2014, 2015 IMPORTAÇÃO PARA A ZFM. As mercadorias estrangeiras importadas para a ZFM, salvo exceções da legislação, podem ser submetidas à isenção do Imposto de Importação e do IPI vinculado. Como a legislação de regência não estabeleceu um prazo máximo para aplicação das mercadorias importadas nos processos produtivos, é inaplicável a exceção prevista no art.178, do CTN. ZFM. BEM DE INFORMÁTICA. BATERIA PARA TELEFONE CELULAR. USO DO COEFICIENTE VARIÁVEL DE REDUÇÃO DO IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. INTERNAÇÃO. As baterias para telefone celular ou acumuladores elétricos (8507) são consideradas "bens de informática", nos termos dos anexos dos Decretos nº 3.801/2001 e nº 5.906/2006, que regulamentarem o assunto nos termos previstos no art.4º, §1º, da Lei nº 8.248/91. Especificamente para a região da Zona Franca de Manaus, quando lá industrializados bens do setor de informática, a Lei nº 8.387/91, no seu art.2º, §§1º e 2º, dispunha que a forma de cálculo do imposto de importação seria feita com base no coeficiente variável de redução (art.7º, §1º, do DecretoLei nº 288/67), no caso de internações de produtos do "setor de informática" realizadas após Fl. 620DF CARF MF Processo nº 10283.720355/201708 Acórdão n.º 3301005.830 S3C3T1 Fl. 678 7 29/10/1992. O §4º, do art.7º, do DecretoLei nº 288/67, expressamente afasta a aplicação do coeficiente fixo de redução do imposto de importação para o caso de internações de bens de informática produzidos na ZFM. PRÁTICAS REITERADAS (art.100, III, do CTN). INEXISTÊNCIA QUANDO HÁ NORMA EXPRESSA. A pretensão de ver determinadas práticas como integrantes da legislação tributária, na qualidade de normas complementares, somente tem lugar quando inexiste norma jurídica expressa que rege o assunto, adicionado de um reconhecimento formal da prática, pela autoridade administrativa competente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 6. Irresignada com a decisão, a requerente apresentou Recurso Voluntário, com as seguintes alegações : analisa a tempestividade do recurso voluntário e descreve os fatos relacionados á sua atividade e á autuação fiscal; anexa o Acórdão DRJ/FLORIANÓPOLIS e tece comentários a respeito das razões expostas no seu voto condutor. DO DIREITO PRELIMINARES 1. Da ZONA FRANCA DE MANAUS, Da competênciaq da SUFRAMA e da RECEITA FEDERAL DO BRASIL discorre sobre a criação da Zona Franca de Manaus e as atribuições da SUFRAMA e da Secretaria da Receita Federal, com destaque para o seguinte comentário : “ No que diz respeito ao Imposto de Importação, o benefício de isenção é concedido sob condições, aos produtos industrializados na Zona Franca de Manaus, sujeito a apuração nos termos do art. 7º do DecretoLei n° 288/1967 e de acordo com os dois métodos dispostos: Redutor Fixo de 88% e Coeficiente Varável conforme estabelece o §1° do art. 7º do DecretoLei n° 288/1967. Ocorre que, nobres Julgadores, ao contrário do que concluiu o Acórdão recorrido, a Recorrente está sujeita ao recolhimento do Imposto de Importação por meio do redutor fixo de 88%, nos termos da Resolução nº 190/2003 e Resolução nº 309/2005, expedidas pelo Conselho de Administração da Suframa, corroboradas pelos respectivosLaudos de Produção (juntados aos autos com a Impugnação) e conforme dispõe §4º do art. 7º do DecretoLei 288/67, com redação do Art. 1º da Lei n° 8.387/91 …..Ao contrário do entendimento do Acórdão recorrido, a competência da Suframa em aprovar os projetos e estabelecer o coeficiente redutor para fins de incentivos fiscais na Zona Franca de Manaus é absoluta, não cabendo ao Fisco contestar as Resoluções expedidas pela Autarquia e que definiram o redutor fixo de 88% do II para o produto fabricado pela Recorrente.” defende que “ No caso em julgamento, o Auditor Fiscal não é autoridade competente para declarar a insubsistência desses atos (Resoluções), porquanto, conforme já demonstrado, não os Fl. 621DF CARF MF 8 praticou, nem se trata de autoridade hierarquicamente superior àquela que expediu os referidos atos administrativos.” ao deixar de reconhecer os incentivos assegurados para a Recorrente por força das Decretos, Resoluções, Portarias e Laudos de Operação expedidos pela Suframa, o Fisco está infringindo diretamente os §§4º e 7º do DecretoLei nº 288/67, em total desrespeito as normas legais vigentes, devendo esta pretensão ser rechaçada de plano. Em sendo assim, há de ser reconhecida a competência da Suframa em aprovar e conceder o benefício e o direito adquirido da Recorrente ao benefício fiscal do redutor da alíquota de Imposto de Importação de 88% (oitenta e oito por cento) para o produto Bateria para Celular. 2. Da Incorreta Capitulação da Norma Legal. Inaplicabilidade da Lei nº 8.248/91 ao Produto Fabricado pela Recorrente A autuação lavrada pelo Fisco Federal, para justificar a absurda exigência de recolhimento da redução do Imposto de Importação com base no Coeficiente Redutor – CRA e não de acordo com o percentual fixo de 88%, tese abarcada pelo Acórdão ora recorrido, afirma que os telefones celulares que se utilizam de tecnologia digital já estavam enquadrados como bens de informática antes do projeto da Recorrente ter sido aprovado em 2003, estando assim excluídos dos benefícios previstos no DecretoLei nº 288/67 para os demais produtos incentivados. A justificativa para o entendimento exposto no Acórdão recorrido consiste em que os produtos enquadráveis no inciso II do Decreto nº 5.906/2006 já eram considerados bens de informática desde a publicação da Lei nº 10.176/2001, ocorrida em 12/01/2001, não havendo dúvidas de que o produto fabricado pela Recorrente possui características que se enquadram no inciso II do art. 2º do Decreto nº 6.008/2006 e que tem a mesma redação do inciso II do art. 16 da Lei nº 8.248/19914 e do art. 2º do Decreto nº 5.906/2006. a redação é a mesma, porém o Julgador ‘a quo’ não se atentou para um dado fundamental que o levou a uma conclusão totalmente equivocada, qual seja, A LEI Nº 8.248/1991 NÃO SE APLICA AOS BENS DE INFORMÁTICA FABRICADOS NA ZONA FRANCA DE MANAUS, SENDO APLICÁVEL SOMENTE AOS FABRICANTES LOCALIZADOS FORA DA REFERIDA ÁREA INCENTIVADA. OS BENS DE INFORMÁTICA FABRICADOS NA ZONA FRANCA DE MANAUS ESTÃO SUBMETIDOS AS REGRAS ESTABELECIDAS NO DECRETOLEI N° 288/67, ALTERADO PELA LEI Nº 8.387/19915 QUE, POR SUA VEZ, NÃO TRAZ EM SEU TEXTO A PREVISÃO CONTIDA NO ART. 16A DA LEI Nº 8.248/1991, INTRODUZIDO PELA LEI Nº 10.176/2001. Nesse sentido, o Decreto nº 3.801/2001 também não se aplica aos produtos fabricados na Zona Franca de Manaus, uma vez que veio regulamentar a Lei nº 8.248/1991, que disciplina os produtos fabricados fora desta área incentivada. Verificando as listas de bens de informática para efeitos dos incentivos concedidos com base na Lei nº 8.387/1991 (Lei de Informática para a ZFM), constatase que a Bateria para Fl. 622DF CARF MF Processo nº 10283.720355/201708 Acórdão n.º 3301005.830 S3C3T1 Fl. 679 9 Telefone Celular (NCM 8507) não estava enquadrada como sendo bem de informática para os fabricantes instalados na Zona Franca de Manaus, pois encontravamse em vigor as Portarias nº 272/93 (Doc. 02) e nº 138/94 (Doc. 03), nas quais tal produto não se encontrava relacionado. totalmente infundada a alegação contida na autuação, de que ditas Portarias apresentam o produto telefone celular como bem de informática e que desde então, todos os demais atos administrativos emitidos pelo Poder Executivo têm mantido o mesmo entendimento. Ademais, ainda que o telefone celular tivesse sido enquadrado como bem de informática na ocasião, é necessário relembrar que estamos tratando de produto distinto, qual seja, “Bateria para Telefone Celular’. de acordo com o Julgador ‘a quo’, o produto fabricado pela Recorrente não faz jus a aplicação do redutor fixo de 88% para o II visto que na data da publicação da Resolução nº 190/2003 dito produto já estaria enquadrado como bem de informática, com base no Decreto nº 3.901/2001, que regulamentou a Lei nº 8.248/1991. Ocorre que esta conclusão é totalmente insubsistente e infundada, haja vista que produto “Bateria para Telefone Celular’ efetivamente não estava enquadrado como bem de informática em 2003, pois a NCM 85078000 (Bateria para Telefone Celular) não integrava as listas de bens de informática para efeitos dos incentivos concedidos com base na Lei nº 8.387/1991 (Lei de Informática para a ZFM). Ante ao exposto, sendo inaplicável ao caso em julgamento a Lei nº 8.248/91, art. 16 A, por tratarse de indústria localizada na Zona Franca de Manaus, sujeita ao DecretoLei nº 288/67, com as alterações da Lei nº 8.387/91, não há que se falar que a ‘Bateria para Telefone Celular’ já era bem de informática por ocasião da aprovação do projeto da Recorrente, devendo ser afastada de plano e preliminarmente a sanção aplicada de pagamento das diferenças de Imposto de Importação. NO MÉRITO defende qu o produto bateria para telefone celular não estava enquadrado como bem de informática e ,portanto, estaria sujeito ao redutor de 88% do Imposto de Importação. a postura da Fiscalização viola o art. 142 do CTN8, que define o lançamento tributário como uma atividade plenamente vinculante. Desta feita, a Receita Federal do Brasil não pode negar vigência a um Decreto Presidencial, sob a alegação de que esse Decreto não teria, em seu entendimento, base legal adequada. O cancelamento automático, por ato administrativo, de ato jurídico perfeito e de direito adquirido, com absoluto desprezo ao devido processo legal e, portanto, com a negativa absoluta ao contraditório e à ampla defesa, despido do princípio da legalidade e dos parâmetros de razoabilidade e proporcional idade, é ato que ofende o art. 178 do Código Tributário Nacional e, diretamente, as garantias fixadas no art. 5º da Constituição Federal, caput e nos incisos XXXVI, LIV e LV. Fl. 623DF CARF MF 10 não existindo, quer na Lei nº 8.387, de 31 de dezembro de 1991, aplicável à Zona Franca de Manaus, quer na Lei nº 8.248, de 23 de agosto de 1991, aplicável às demais localidades do território nacional, nas redações originais, qualquer disposição legal, que defina terminais portáteis de telefonia celular e seus acessórios como bens do setor de informática, não é lícito excluir ditos produtos industrializados do regime único de incentivos fiscais regionais, previsto no que interessa pelo caput e pelo §4º do art. 7º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, e mantido pelo art. 40 do ADCT da Constituição Federal de 1988. o Decreto nº 6.008, de 29 de dezembro de 2006 que, dentre outros,regulamenta o art. 7º do DecretoLei nº 288/67, no §2º do art. 2º prevê expressamente que ficam mantidos os benefícios previstos para os bens de informática aprovados pelo Conselho de Administração da Suframa até a data da publicação do Decreto nº 5.906, de 26 de setembro de 2006 o Decreto nº 5.906/2006, que incluiu o produto “Bateria para Telefone Celular” como sendo bem de informática, foi publicado em 26 de setembro de 2006, enquanto que a Resolução Suframa nº 309/2005, que aprova o Projeto Industrial de Ampliação da Recorrente, reconhecendo o direito a redução fixa de 88% do Imposto de Importação, foi publicada em 2005, portanto em período anterior ao Decreto nº 5.906/2006. Não obstante a alegação do Julgador ‘a quo’ de que a passagem de alguns anos sem que a autoridade tivesse formalizado qualquer exigência não poderia ser tomada como reconhecimento da conduta adotada pelo contribuinte, não configurando a ‘prática reiterada’ na forma prevista no art. 100 do CTN, e que a empresa não teria comprovado dita prática, é notório que a conduta do Fisco convalidou sim o procedimento ao longo de mais de 14 anos, haja vista que a forma de cálculo do benefício do reduto do II teve início em 2003. Notório, ainda, que as empresas incentivadas, assim como a Recorrente, são constantemente fiscalizadas e tem todas as suas operações monitoradas pela Receita Federal através do sistema em que são registradas todas as operações realizadas, inclusive para fins de apuração, cálculo e recolhimento do redutor Imposto de Importação. Então se a operação vinha sendo realizada desde 2003 e somente em 2017 a Recorrente foi autuada, logicamente que está configurada a convalidação do procedimento adotado para recolhimento do redutor de 88% para o II de seu produto, na forma estabelecida pelo art. 100., inciso III, do CTN. de modo a confirmar de forma cabal e inquestionável o direito da Impugnante, apresentase a DECLARAÇÃO emitida pela Suframa em 22 de fevereiro de 2017, onde mais uma vez confirma que a empresa INVENTUS POWER, ora Recorrente, possui projetos aprovados para fabricação de Bateria para Telefone Celular, segundo as Resoluções nº 190/2003 e nº 309/2005 e que este produto possui características técnicas que o enquadram no inciso II do art.2º do Decreto nº 6.008/2006, estando assim habilitada à manutenção dos incentivos fiscais constantes dos documentos aprobatórios, uma vez que foram aprovados em data anterior a publicação do Decreto 5.906/2006, aplicandose o §2º do Decreto nº 6.008/2006. Fl. 624DF CARF MF Processo nº 10283.720355/201708 Acórdão n.º 3301005.830 S3C3T1 Fl. 680 11 cita Acórdãos CARF em sua defesa As inúmeras e reiteradas operações com o produto “Bateria para Telefone Celular” realizadas pela Recorrente, com a chancela do Fisco no tocante ao recolhimento com redução fixa de 88% do Imposto de Importação, ao longo de vários anos, caracterizam a prática reiterada, nos termos do artigo 100, inc. III, do CTN, o que milita em favor da verossimilhança das alegações e as práticas reiteradas observadas pela autoridade administrativa configuraram norma complementar, nos termos do art. 100, inciso III, do Código Tributário Nacional (CTN) Portanto, caso não estivesse configurado o direito adquirido ou a proteção do art.178 do CTN9, o que se admite aqui apenas por amor ao debate, já que o direito adquirido é incontestável, as Resoluções concessivas do benefício fiscal (190/2003 e 309/2005) permanecem em vigor, sem nunca terem sido alteradas pela Administração Pública competente, ou sequer questionadas e que tratandose de normas individuais e concretas, aplicase por analogia na forma prelecionada pelo art. 108, inciso I, do CTN10, o art. 146 do CTN11, que estabelece que a modificação do critério jurídico do lançamento (também uma norma individual e concreta) pela autoridade administrativa somente pode ser efetivada, em relação ao mesmo contribuinte, quanto a fatos geradores futuros. Notório que inexiste no Auto de Infração qualquer imputação à conduta da Recorrente, segundo se denota da Descrição dos Fatos, que deixa claro que a autuação ocorreu por entendimento contrário e interpretação errônea do Sr. Auditor Fiscal ao preceito legal contido no art. 7º do DecretoLei nº 288/67, com a redação dada pela Lei nº 8.387/91. Da mesma, o Acórdão recorrido deu interpretação errônea as normas, em especial ao aplicar a Lei nº 8.248/91 para os bens de informática produzidos na ZFM, quando existe a Lei nº 8.387/91, específica para os bens de informática produzidos na referida área incentivada. 3. Pedido Alternativo: Exclusão dos Juros e Multa Art. 100, Parágrafo Único, do CTN Por cautela e por amor ao debate, não obstante a proteção que garante o art. 146 do CTN acima reproduzido, no sentido de que qualquer modificação do critério jurídico de lançamento somente poderá produzir efeitos futuros, jamais retroativos, a Recorrente reitera o Pedido Alternativo para, de forma subsidiária, na hipótese de ser negado provimento ao Recurso e assim ser confirmada a autuação, para reconhecer a obrigatoriedade do recolhimento do Imposto de Importação com base no cálculo do redutor estabelecido através do CRA, e não o redutor fixo de 88%, requerer seja determinado apenas o recolhimento do principal (diferenças de II), sem os acréscimos legais a título de juros e multa, conforme preleciona o parágrafo único do Art. 100 do CTN, na hipótese de ser mantida a forma de cálculo do redutor do Imposto de Importação (CRA), o que reitera a Recorrente mais uma vez que não acredita que virá a ocorrer, por cautela, requer alternativamente a aplicação do parágrafo único do art. 100 do Fl. 625DF CARF MF 12 CTN, de modo que seja mantido apenas o principal e excluídos os juros e multas. 4. Conclusão: Da Plena Insubsistência Jurídica do Auto de Infração e do Acórdão Recorrido Inconsistente do ponto de vista técnico e jurídico, como bem se vê e restou fartamente demonstrado, a autuação não pode subsistir. V. DO PEDIDO comprovada a correta aplicação do incentivo de redução de 88% para o recolhimento do Imposto de Importação, não restando configurada a infração apontada pelo Fisco, requer: (i) Que o presente Recurso Voluntário seja recebido por terem sido atendidos os requisitos de admissibilidade. (ii) Preliminarmente, seja confirmada a competência da Suframa em aprovar os projetos e estabelecer o coeficiente redutor para fins de incentivos fiscais na Zona Franca de Manaus, não tendo o Fisco legitimidade para contestar as Resoluções expedidas pela Autarquia e que definiram o redutor fixo de 88% do II para o produto fabricado pela Recorrente. (iii) Ainda em sede de Preliminar, seja afastada a previsão contida no inciso II do art. 16A da Lei nº 8.248/1991, em razão do produto fabricado pela Recorrente estar sujeito ao Decreto Lei nº 288/67, alterado pela Lei nº 8.387/91, ratificando que o produto Bateria para Telefone Celular foi incluído como bem de informática através do Decreto nº 5.906/2006. (iv) No Mérito, seja dado INTEGRAL PROVIMENTO ao presente Recurso Voluntário, para o fim de julgar reformar todos os termos do Acórdão 0741.107 da 1ª Turma da DRJ/FNS, julgando assim improcedentes todos os termos do Auto de Infração, declarandose, por via de consequência, a também insubsistência do Processo Administrativo, finalizando com o consequente arquivamento do mesmo. (v) Alternativamente, caso seja mantida a autuação quanto a forma de cálculo do redutor do Imposto de Importação (CRA), por cautela, requer a aplicação do parágrafo único do art. 100 do CTN, de modo que seja mantido apenas o principal e excluídos os juros e multas. 7. Anexa á peça recursal cópia da Portaria Interministerial nº 272/1993, Parecer Jurídico de autoria de Ives Gandra da Silva Martins e Fátima Bernardes Rodrigues de Souza e cópia do Acórdão nº 3201-004.248, exarado pela 2ª Câmara da 1 ª Turma Ordinária desta Terceira Julgamento do CARF, em 26/09/2018. 8. O processo veio a mim distribuído para relatar. É o relatório Voto Fl. 626DF CARF MF Processo nº 10283.720355/201708 Acórdão n.º 3301005.830 S3C3T1 Fl. 681 13 Conselheiro Ari Vendramini 9. Estão presentes os requisitos de admissibilidade, por tal razão conheço do recurso. 10. É patente que a Zona Franca de Manaus é uma área de exceção, sob vários aspectos, essencialmente o econômico e tributário, sob o fundamento de equilibrar desigualdades regionais e estimular o desenvolvimento da Região Norte do país, diante de suas peculiaridades, mormente no aspecto econômicosocial. 11. O cerne da controvérsia instaurada nos presentes autos cingese ao fato de se constatar se a recorrente tem ou não direito à redução do imposto de importação da ordem de 88% (oitenta e oito por cento), prevista no art. 7°, do DecretoLei n° 288/67 e legislação complementar, sobre o produto industrializado na Zona Franca de Manaus e internado para outros locais do território nacional, constituído por “bateria de telefone celular”, classificado na posição 8507.8000 da NCM, por ser ou não o produto classificado como “bem de informática”. 12. Em 28/02/1967 foi editado o DecretoLei nº 288. 13. Em seu art.7º, o DecretoLei nº 288/67, trata das obrigações tributárias decorrentes da internação de produtos industrializados na Zona Franca de Manaus, tendo estabelecido duas formas de cálculo do Imposto de Importação, sendo que deve se destacar que os bens de informática estavam excepcionados destas regras, como pode ser verificar : Art.7° Os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus, salvo os bens de informática e os veículos automóveis, tratores e outros veículos terrestres, suas partes e peças, excluídos os das posições 8711 a 8714 da Tarifa Aduaneira do Brasil (TAB), e respectivas partes e peças, quando dela saírem para qualquer ponto do Território Nacional, estarão sujeitos à exigibilidade do Imposto sobre Importação relativo a matériasprimas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagem, componentes e outros insumos de origem estrangeira neles empregados, calculado o tributo mediante coeficiente de redução de sua alíquota ad valorem, na conformidade do § 1° deste artigo, desde que atendam nível de industrialização local compatível com processo produtivo básico para produtos compreendidos na mesma posição e subposição da Tarifa Aduaneira do Brasil (TAB). (Redação dada pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) 14. As duas regras estavam assim discriminadas : REGRA 1 PRODUTOS EM GERAL COEFICIENTE DE REDUÇÃO VARÍAVEL § 1° do artigo 7º do DL 288/1967 §1° O coeficiente de redução do imposto será obtido mediante a aplicação da fórmula que tenha: (Parágrafo incluído pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) Fl. 627DF CARF MF 14 I no dividendo, a soma dos valores de matériasprimas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagem, componentes e outros insumos de produção nacional e da mãodeobra empregada no processo produtivo; (Inciso incluído pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) II no divisor, a soma dos valores de matériasprimas, produtos intermediários materiais secundários e de embalagem, componentes e outros insumos de produção nacional e de origem estrangeira, e da mãodeobra empregada no processo produtivo. (Inciso incluído pela Lei nº 8.387, de 30.12.91 REGRA 2 PRODUTOS CUJOS PROJETOS TENHAM SIDO APROVADOS PELA SUFRAMA ATÉ 31/03/1991 OU PARA SEUS CONGÊNERES OU SIMILARES, COMPREENDIDOS NA MESMA POSIÇÃO E SUBPOSIÇÃO DA TARIFA ADUANEIRA DO BRASIL (TAB), CONSTANTES DE PROJETOS QUE VENHAM A SER APROVADOS, NO PRAZO DE QUE TRATA O ARTIGO 40 DO ADCT COEFICIENTE DE REDUÇÃO FIXO de 88% § 4º do artigo 7º do DL 288/1967 : §4° Para os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus, salvo os bens de informática e os veículos automóveis, tratores e outros veículos terrestres, suas partes e peças, excluídos os das posições 8711 a 8714 da Tarifa Aduaneira do Brasil (TAB), cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da Suframa até 31 de março de 1991 ou para seus congêneres ou similares, compreendidos na mesma posição e subposição da Tarifa Aduaneira do Brasil (TAB), constantes de projetos que venham a ser aprovados, no prazo de que trata o art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, a redução de que trata o caput deste artigo será de oitenta e oito por cento. (Parágrafo incluído pela Lei nº 8.387, de 30.12.91) 15. Quanto ao prazo do artigo 40 dos Atos das Disposições Constitucionais Transitórias, mencionado no dispositivo legal, trazemos os artigos 92 e 92A dos mesmos ADCT : Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus. (.....) Fl. 628DF CARF MF Processo nº 10283.720355/201708 Acórdão n.º 3301005.830 S3C3T1 Fl. 682 15 Art. 92. São acrescidos dez anos ao prazo fixado no art. 40 deste Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Art. 92A. São acrescidos 50 (cinquenta) anos ao prazo fixado pelo art. 92 deste Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 83, de 2014) 16. Portanto, para os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus, por determinação legal, exceto os bens de informática, a redução do Imposto de Importação seria de 88 %. 16. Em 23 de outubro de 1991, foi editada a Lei nº 8.248, conhecida como Lei Geral de Informática, sendo assim apresentada : " dispõe sobre a capacitação e competitividade do setor de informática e automação". 17. Esta lei definiu, em seu artigo 4ª, que as empresas de desenvolvimento ou produção de bens e serviços de tecnologias da informação e comunicação que investirem em atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação deste setor fariam jus aos benefícios da Lei nº 8.191/1991, que trata de isenção do IPI , definido também que ato do Poder Executivo definirá a relação dos bens de acordo com os limites impostos pelo texto legal. A lei também estabeleceu, em seu artigo 16A, quais seriam considerados bens e serviços de tecnologia da informação e comunicação, sendo que no inciso II deste artigo define que seriam bens de tecnologia e informação máquinas, equipamentos e dispositivos baseados em técnica digital, com funções de coleta, tratamento, estruturação, armazenamento, comutação, transmissão, recuperação ou apresentação da informação, seus respectivos insumos eletrônicos, partes, peças e suporte físico para operação. Art. 4º As empresas de desenvolvimento ou produção de bens e serviços de tecnologias da informação e comunicação que investirem em atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação deste setor farão jus aos benefícios de que trata a Lei nº 8.191, de 11 de junho de 1991. 1º Ato do Poder Executivo federal definirá a relação dos bens de que trata o § 1ºC deste artigo, respeitado o disposto no art. 16A desta Lei, com base em proposta conjunta dos Ministérios da Fazenda, da Indústria, Comércio Exterior e Serviços e da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. Fl. 629DF CARF MF 16 (...) § 1ºC. Os benefícios incidirão somente sobre os bens e serviços de tecnologias da informação e comunicação produzidos de acordo com processo produtivo básico definido pelo Poder Executivo federal e estarão condicionados à apresentação de proposta de projeto ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (...) Art. 16A. Para os fins desta Lei, consideramse bens e serviços de tecnologias da informação e comunicação I – componentes eletrônicos a semicondutor, optoeletrônicos, bem como os respectivos insumos de natureza eletrônica II – máquinas, equipamentos e dispositivos baseados em técnica digital, com funções de coleta, tratamento, estruturação, armazenamento, comutação, transmissão, recuperação ou apresentação da informação, seus respectivos insumos eletrônicos, partes, peças e suporte físico para operação (Inciso incluído pela Lei nº 10.176, de 2001) III – programas para computadores, máquinas, equipamentos e dispositivos de tratamento da informação e respectiva documentação técnica associada (software); (Inciso incluído pela Lei nº 10.176, de 2001) IV – serviços técnicos associados aos bens e serviços descritos nos incisos I, II e III. 18. Em função da excepcionalidade que envolve a Zona Franca de Manaus, e para equiparar os tratamentos entre o produtor situado nesta região e os situados em outras regiões, foi editada, em 30 de dezembro de 1991, a Lei nº 8.387. 19. A Lei nª 8.387 foi assim ementada : " dá nova redação ao § 1] do art. 3º, aos arts. 3º e 9º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967..." 20. Esta lei deu a nova redação ao artigo 7º do DecretoLei nº 288/1967, transcrito anteriormente, e no seu artigo 2º, concedeu aos bens e serviços do setor de tecnologias da informação e comunicação, industrializados na Zona Franca de Manaus, quando internados em Fl. 630DF CARF MF Processo nº 10283.720355/201708 Acórdão n.º 3301005.830 S3C3T1 Fl. 683 17 outras regiões do país, os incentivos fiscais e financeiros previstos na Lei n º , 8.284/1991 (Lei de Informática), quando atendidos os requisitos estabelecidos no § 7º do artigo 7º do Decreto Lei nº 288/1967, tratando especificamente do Imposto de Importação no § 1º deste artigo 2º, importando destacar que este texto legal estabelece que os bens de que trta o artigo serão os mesmos da relação prevista no § 1º do artigo 4º da Lei nº 8.248/1991 (Lei de Informática) Art. 1° O § 1° do art. 3°, os arts. 7° com a redação dada pelo DecretoLei n° 1.435, de 16 de dezembro de 1975, e 9° do DecretoLei n° 288, de 28 de fevereiro de 1967, passam a vigorar com a seguinte redação: (...) Art. 7° Os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus, salvo os bens de informática e os veículos automóveis, tratores e outros veículos terrestres, suas partes e peças, excluídos os das posições 8711 a 8714 da Tarifa Aduaneira do Brasil (TAB), e respectivas partes e peças, quando dela saírem para qualquer ponto do Território Nacional, estarão sujeitos à exigibilidade do Imposto sobre Importação relativo a matérias primas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagem, componentes e outros insumos de origem estrangeira neles empregados, calculado o tributo mediante coeficiente de redução de sua alíquota ad valorem, na conformidade do § 1° deste artigo, desde que atendam nível de industrialização local compatível com processo produtivo básico para produtos compreendidos na mesma posição e subposição da Tarifa Aduaneira do Brasil (TAB). § 1° O coeficiente de redução do imposto será obtido mediante a aplicação da fórmula que tenha: Fl. 631DF CARF MF 18 I no dividendo, a soma dos valores de matériasprimas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagem, componentes e outros insumos de produção nacional e da mãodeobra empregada no processo produtivo; II no divisor, a soma dos valores de matériasprimas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagem, componentes e outros insumos de produção nacional e de origem estrangeira, e da mãodeobra empregada no processo produtivo. § 2° No prazo de até doze meses, contado da data de vigência desta lei, o Poder Executivo enviará ao Congresso Nacional projeto de lei estabelecendo os coeficientes diferenciados de redução das alíquotas do Imposto sobre Importação, em substituição à fórmula de que trata o parágrafo anterior. § 3° Os projetos para produção de bens sem similares ou congêneres na Zona Franca de Manaus, que vierem a ser aprovados entre o início da vigência desta lei e o da lei a que se refere o § 2°, poderão optar pela fórmula prevista no § 1°. § 4° Para os produtos industrializados na Zona Franca de Manaus, salvo os bens de informática e os veículos automóveis, tratores e outros veículos terrestres, suas partes e peças, excluídos os das posições 8711 a 8714 da Tarifa Aduaneira do Brasil (TAB), cujos projetos tenham sido aprovados pelo Conselho de Administração da Suframa até 31 de março de 1991 ou para seus congêneres ou similares, compreendidos na mesma posição e subposição da Tarifa Aduaneira do Brasil (TAB), constantes de projetos que venham a ser aprovados, no prazo de que trata o art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, a redução de que trata o caput deste artigo será de oitenta e oito por cento. Fl. 632DF CARF MF Processo nº 10283.720355/201708 Acórdão n.º 3301005.830 S3C3T1 Fl. 684 19 § 5° A exigibilidade do Imposto sobre Importação, de que trata o caput deste artigo, abrange as matériasprimas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagem empregados no processo produtivo industrial do produto final, exceto quando empregados por estabelecimento industrial localizado na Zona Franca de Manaus, de acordo com projeto aprovado com processo produtivo básico, na fabricação de produto que, por sua vez tenha sido utilizado como insumo por outra empresa, não coligada à empresa fornecedora do referido insumo, estabelecida na mencionada Região, na industrialização dos produtos de que trata o parágrafo anterior. § 6° O Poder Executivo fixará os processos produtivos básicos, com base em proposta conjunta dos órgãos competentes do Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento, da Secretaria de Ciência e Tecnologia da Presidência da República e da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), no prazo máximo de cento e vinte dias, contado da data de vigência desta lei; esgotado este prazo, a empresa titular do projeto de fabricação poderá requerer à Suframa a definição do processo produtivo básico provisório, que será fixado em até sessenta dias pelo Conselho de Administração da Suframa ad referendum do Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento e da Secretaria da Ciência e Tecnologia (...) Art. 2º Aos bens e serviços do setor de tecnologias da informação e comunicação, industrializados na Zona Franca de Manaus, serão concedidos os incentivos fiscais e financeiros previstos na Lei nº 8.248, de 23 de outubro de 1991, atendidos os requisitos estabelecidos no § 7º do art. 7º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967. (Redação dada pela Lei nº 13.674, de 2018) Fl. 633DF CARF MF 20 § 1° Após 29 de outubro de 1992, os bens referidos neste artigo, industrializados na Zona Franca de Manaus, quando internados em outras regiões do País, estarão sujeitos à exigibilidade do Imposto sobre Importação relativo a matériasprimas, produtos intermediários, materiais secundários e de embalagem, componentes e outros insumos, de origem estrangeira e nele empregados, conforme coeficiente de redução estabelecido no § 1° do art. 7° do DecretoLei n° 288, de 28 de fevereiro de 1967, com a redação dada pelo art. 1° desta lei. (Vide Lei nº 11.077, de 2004) (...) §2oA Os bens de que trata este artigo serão os mesmos da relação prevista no § 1o do art. 4o da Lei no 8.248, de 23 de outubro de 1991, respeitado o disposto no art. 16A dessa mesma Lei. (Incluído pela Lei nº 11.077, de 2004) 21. Com o intuito de uniformizar as regras estabelecidas tanto para a Zona Franca de Manaus, pela Lei nº 8.387/1991, quanto para o restante do território nacional, pela Lei nº 8.248/1991, alterada pela Lei nº 11.076/2001, foi editada a Lei nº 11.077, de 30/12/2004. 22. Assim se apresentava tal dispositivo legal:: " altera a Lei nº8.248, de 23 de outubro de 1991, a lei nº 8.387, de 30 de dezembro de 1991 e a Lei nº 10.176, de 11 de janeiro de 2001, dispondo sobre a capacitação do setor de informática e automação." 23. O artigo 1º da Lei nº 11.077/2004 alterou os artigos 3º, 4º, 9º, 11 e 16A da Lei nº 8.248/1991 (Lei Geral de Informática). 24. O artigo 2º da Lei nº 11.077/2004 alterou o artigo 2º da Lei nº 8.387/1991 (Lei de Informática para a Zona Franca de Manaus), da seguinte forma : Art. 2o O art. 2o da Lei no 8.387, de 30 de dezembro de 1991, passa a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 2o ........................................................................... ....................................................................................... § 2oA Os bens de que trata este artigo serão os mesmos da relação prevista no § 1o do art. 4o da Lei no 8.248, de 23 de outubro de 1991, respeitado o disposto no art. 16A dessa mesma Lei. Fl. 634DF CARF MF Processo nº 10283.720355/201708 Acórdão n.º 3301005.830 S3C3T1 Fl. 685 21 § 3o Para fazer jus aos benefícios previstos neste artigo, as empresas que tenham como finalidade a produção de bens e serviços de informática deverão aplicar, anualmente, no mínimo 5% (cinco por cento) do seu faturamento bruto no mercado interno, decorrente da comercialização de bens e serviços de informática incentivados na forma desta Lei, deduzidos os tributos correspondentes a tais comercializações, bem como o valor das aquisições de produtos incentivados na forma do § 2o deste artigo ou da Lei no 8.248, de 23 de outubro de 1991, em atividades de pesquisa e desenvolvimento a serem realizadas na Amazônia, conforme projeto elaborado pelas próprias empresas, com base em proposta de projeto a ser apresentada à Superintendência da Zona Franca de Manaus – SUFRAMA e ao Ministério da Ciência e Tecnologia. (...) 25. Portanto, passou a vigorar para a Zona Franca de Manaus a regra que vigorava para o resto do território nacional, com relação aos bens de informática, pois o § 1º do artigo 4º da Lei nº 8.248/1991 estabeleceu que ato do Poder Executivo federal definirá a relação dos bens de que tratava seu § 1º C ( bens e serviços de tecnologias de informação e comunicação produzidos de acordo com processo produtivo básico definido pelo Poder Executivo federal e condicionados a apresentação de proposta do projeto ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicaçãoes), respeitado o disposto no seu artigo 16A ( consideramse bens e serviços de tecnologias de inforrmação e comunicação (...) II máquinas, equipamentos e dispositivos baseados em técnica digital, com funções de coleta, tratamento, estruturação, ARMAZENAMENTO, comutação, transmissão, recuperação ou apresentação da informação, seus respectivos insumos eletrônicos, partes, peças e suporte físico para operação.). 26. Desta forma, para os bens de informática, estava disposto o regramento legal a ser seguido, aguradavase sua regulamentação, por ato do Poder Executivo. 27. Importante, neste momento da cronologia, destacar que a recorrente teve projetos para fabricação de bateria para telefone celular, aprovados pela SUFRAMA, conforme Resolução nº 190, de 16/07/2003 (referente á diversificação da empresa TYCO ELECTRONICS DA AMAZÔNIA LTDA na Zona Franca de Manaus, para produção de bateria para telefone celular), como se verifica ás fls.228/231 destes autos digitais,e a Resolução nº 309, de 01/11/2005 ( referente á ampliação da empresa TYCO ELECTRONICS DA AMAZONIA Fl. 635DF CARF MF 22 LTDA, na Zona Franca de Manaus, para produção de bateria para telefone celular). como se verifica ás fls. 232/243 destes autos digitais. 28. Quanto aos Processos Produtivos Básicos referentes á telefonia celular, como determinado pelo § 6º do artigo 7º do DecretoLei nº 288/1967, os Ministros de Estado do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e da Ciência e Tecnologia , expediram as Portarias Interministeriais nº 25, de 15/02/2006 (para o PPB do produto "telefone celular") e nº 211, de 20/11/2006 ( para o PPB do produto "terminal portátil para telefone celular".). 29. Em cumprimento ao determinado pelos textos legais até agora mencionados, foi expedido o Decreto nº 5.906/2006, que regulamentava o artigo 4º da Lei nº 11.077/2004, os artigos 4º, 9º, 11 e 16A da Lei nº 8.248/1991, e os artigos 8ºe 11 da Lei nº 10.176/2001, que dispunham sobre a capacitação e competitividade do setor de tecnologias da informação. 30. Este Decreto nº 5.906/2006 foi direcionado apenas para regulamentação dos produtos isentos de IPI., mas trouxe, pela primeira vez, com referência á Lei nº 8.248/1991 (Lei Geral de Informática), e também á Lei nº 11.077/2004 ( que alterou a Lei nº 8.387/1991 (Lei de Informática para a Zona Franca de Manaus) o Anexo I que , de acordo com o § 1º do seu artigo 2º, trazia a lista de bens que eram considerados bens de informática. 31. No Anexo I citado aparecia a NCM 8507 para o produto " acumuladores elétricos própriso para máquinas e equipamentos portáteis dos códigos 84.71 (máquinas automáticas para processamento de dados), 85.17 (aparfelhios telefônicos, incluindo os telefones para rede de celulares) e 85.25 (aparelhos transmissores para radiodifusão), realcionados no mesmo anexo, 32. Desta forma, estavam incluídos como bens de informática os produtos bateria para telefone celular fabricados pela recorrente, com PPB aprovado pela SUFRAMA. 33. Em 29 de dezembro de 2006, foi editado o Decreto nº 6.008, que regulamentava o § 6º do artigo 7º do DecretoLei nº 288/1967, o artigo 2º da Lei nº 8.387/1991 e o artigo 4º da ÇLei nº 11.077/2004, que tratavam do benf´cicio fiscal concedido á sempresas que produzissem bens de informática na Zona Frabnca de Manaus, que investissem em atividades de pesquisa e desenvovimento na Amazônia. 34. Este Decreto já foi mais abrangente, tratando da isenção do IPI e da redução do Imposto de Importação para os bens de informática. 35. Destacamos os seguintes trechos deste Decreto nº 6.008/2006, que tem relevância para a solução do presente litígio : Fl. 636DF CARF MF Processo nº 10283.720355/201708 Acórdão n.º 3301005.830 S3C3T1 Fl. 686 23 Art. 1o As empresas que invistam em atividades de pesquisa e desenvolvimento na Amazônia poderão pleitear isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e redução do Imposto sobre Importação II para bens de informática, nos termos previstos neste Decreto. Art. 2o Para fins do disposto neste Decreto, consideramse bens de informática e automação: I componentes eletrônicos a semicondutor, optoeletrônicos, bem como os respectivos insumos de natureza eletrônica; II máquinas, equipamentos e dispositivos baseados em técnica digital, com funções de coleta, tratamento, estruturação, armazenamento, comutação, transmissão, recuperação ou apresentação da informação, seus respectivos insumos eletrônicos, partes, peças e suporte físico para operação; III programas para computadores, máquinas, equipamentos e dispositivos de tratamento da informação e respectiva documentação técnica associada (software); e IV os aparelhos telefônicos por fio, conjugados com aparelho telefônico sem fio, que incorporem controle por técnicas digitais (código 8517.11.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM); V terminais portáteis de telefonia celular (código 8525.20.22 da NCM); VI unidades de saída por vídeo (monitores), classificados na subposição 8471.60 da NCM, próprias para operar com máquinas, equipamentos ou dispositivos baseados em técnica digital, com funções de coleta, tratamento, estruturação, armazenamento, comutação, transmissão, recuperação ou apresentação da informação. § 1o Os bens de que trata este artigo serão os mesmos da relação prevista no § 1o do art. 4o da Lei no 8.248, de 28 de outubro de 1991, respeitado o disposto no art. 16A dessa mesma Lei. § 2o Quanto aos bens referidos nos incisos I a III, quando constantes de projetos regularmente aprovados pelo Conselho Fl. 637DF CARF MF 24 de Administração da Superintendência da Zona Franca de Manaus, até a data de publicação do Decreto no 5.906, de 26 de setembro de 2006, ficam mantidos os benefícios previstos no DecretoLei no 288, de 28 de fevereiro de 1967, nos termos dos atos aprobatórios. 36. Importante o contido no § 2] do artigo 2º deste Decreto, que expressamente determina que para o bem referido no inciso II (II máquinas, equipamentos e dispositivos baseados em técnica digital, com funções de coleta, tratamento, estruturação, armazenamento, comutação, transmissão, recuperação ou apresentação da informação, seus respectivos insumos eletrônicos, partes, peças e suporte físico para operação), onde claramente se insere o produto bateria para telefone celular (aramzenamento), constante de projeto regularmente aprovado pelo Conselho de Administração da SUFRAMA até a data de publicação do Decreto nº 5.906/2006 ( D.O.U. de 27/09/2006) (caso da recorrente, que possui os projetos aprovados pelas Resoluções SUFRAMA nº 190/2003 e 309/2005), ficam mantidos os benefícios previstos no DecretoLei nº 288/1967, nos termos dos atos aprobatórios. 37. Por resumo, concluímos que as baterias para celulares, de que aqui se trata, encontramse tipificadas, no inciso II do artigo 2º do Decreto nº 6.008/2006, sendo que nos autos constam as Resoluções SUFRAMA nº 190, de 16/07/2003 e nº 309, de 01/11/2005, que comprovam que a recorrente possui PPB que já se encontrava aprovado á data de publicação do Decreto nº 5906/2006 (D.O.U. DE 27/11/2006), portanto, enquadrandose na hipótese descrita no dispositivo citado (§ 2º do artigo 2º do Decreto nº 6.008/2006). 38 A motivação do referido Decreto foi a controvérsia quanto à conceituação de bens de informática. A dúvida que havia é quanto à aplicação do conceito de bens de informática, no artigo 16A da Lei 8.248/91, com redação pela Lei 10.176/2001, aos bens de informática excetuados do benefício do §4º do art. 7º do DecretoLei nº 288/1967, sendo qeu a controvérsia quanto à essa equivalência de conceitos terminou por ocasião da Lei 11.077/2004, que, entre outras disposições, incluiu o §2º no art. 2º da Lei 8.387/91 e o Decreto 5.906/2006 veio regulamentar tais disposições. Na sua esteira, o Decreto 6.008/2006 permitiu a manutenção dos benefícios do DL 288/67 aos PPB´s que já estivessem aprovados antes da publicação do Decreto 5.906/2006. 37. Por fim, relevante destacar que o Anexo I do Decreto nº 5.906/2006 foi alterado pelo Decreto nº 7.010/2009, onde consta o profuto NCM 85.07. Conclusão 38. Diante de todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para exonerar o crédito tributário constituído, pois os produtos "baterias para telefone celular", ou "acumuladores elétricos", classificados na posição 8507.8000 da NCM, quando produzidos na Zona Franca de Manaus, nos termos do § 4º do artigo 7º do DecretoLei nº 288/1967, com a redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 8.387/1991, esta com reação dada pelo artigo 2º da Lei nº 11.077/2004, em caso de internação no território nacional, teriam o Imposto de Importação calculado com a redução no coeficiente fixo de 88% . A regulamentação destes dispositivos legais referente aos "bens de informática" foi efetivada pelo Decreto nº 6.008/2006. 39. O § 2º do artigo 2º do Decreto nº 6.008/2006 permitiu, ás empresas produtoras dos bens de informática, definido no Inciso II do mesmo artigo, no caso do produto "bateria para telefone celular", a continuidade do aproveitamento do benefício fiscal instituído pelo § 4º Fl. 638DF CARF MF Processo nº 10283.720355/201708 Acórdão n.º 3301005.830 S3C3T1 Fl. 687 25 do artigo 7º do DecretoLei nº 288/1967, quando tais bens constarem de projetos regularmente aprovados pela SUFRAMA até a data de publicação do Decreto nº 5.906/2006 (qual seja 27/09/2006), que regulamentou a Lei nº 8.248/1991, denominada Lei Geral de Informática. É o meu voto. assinado digitalmente Ari Vendramini Relator Fl. 639DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.721510/2011-31
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. TRIBUTAÇÃO DEFINITIVA. PENSÃO ALIMENTÍCIA.
O valor referente ao décimo terceiro salário não integra o cálculo do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual, uma vez que se trata de rendimento tributado exclusivamente na fonte, separado dos demais rendimentos. Por ocasião da tributação exclusiva, os rendimentos pagos de pensão alimentícia serão abatidos da base de cálculo do IRPF, que incide sobre o décimo terceiro. Em função disso, não são levados ao Ajuste Anual nem os rendimentos relacionados ao décimo terceiro salário, tampouco as deduções permitidas na determinação desta tributação em separado.
Numero da decisão: 2002-000.929
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. TRIBUTAÇÃO DEFINITIVA. PENSÃO ALIMENTÍCIA. O valor referente ao décimo terceiro salário não integra o cálculo do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual, uma vez que se trata de rendimento tributado exclusivamente na fonte, separado dos demais rendimentos. Por ocasião da tributação exclusiva, os rendimentos pagos de pensão alimentícia serão abatidos da base de cálculo do IRPF, que incide sobre o décimo terceiro. Em função disso, não são levados ao Ajuste Anual nem os rendimentos relacionados ao décimo terceiro salário, tampouco as deduções permitidas na determinação desta tributação em separado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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DEDUÇÃO. PENSÃO JUDICIAL. Recorrente ANTENOR TEIXEIRA DA CRUZ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. TRIBUTAÇÃO DEFINITIVA. PENSÃO ALIMENTÍCIA. O valor referente ao décimo terceiro salário não integra o cálculo do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual, uma vez que se trata de rendimento tributado exclusivamente na fonte, separado dos demais rendimentos. Por ocasião da tributação exclusiva, os rendimentos pagos de pensão alimentícia serão abatidos da base de cálculo do IRPF, que incide sobre o décimo terceiro. Em função disso, não são levados ao Ajuste Anual nem os rendimentos relacionados ao décimo terceiro salário, tampouco as deduções permitidas na determinação desta tributação em separado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 15 10 /2 01 1- 31 Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10469.721510/201131 Acórdão n.º 2002000.929 S2C0T2 Fl. 50 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 7/10), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2010. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a restituir declarado de R$257,17 para saldo de imposto a pagar de R$881,26. A notificação noticia a dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública, de R$4.139,76, consignando que a pensão alimentícia deve ser informada excluindose o valor do 13º salário, rendimento sujeito à tributação exclusiva na fonte. Impugnação Cientificada ao contribuinte em 5/3/2011, a NL foi objeto de impugnação, em 16/3/2011, às fls. 2/10 dos autos, na qual o contribuinte defendeu que faria jus a deduzir o valor declarado, a teor dos dispositivos reproduzidos em sua defesa. A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/CTA que, por unanimidade, julgou a impugnação improcedente, em decisão assim ementada (fls. 35/38): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 DEDUÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. PENSÃO ALIMENTÍCIA. GRATIFICAÇÃO NATALINA. IMPOSSIBILIDADE. O pagamento de pensão alimentícia referente à gratificação natalina não é dedutível na Declaração de Ajuste Anual. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 15/7/2015 (fl. 41), o contribuinte, em 3/8/2015 (fl. 44), apresentou recurso voluntário, às fls. 44/47, no qual alega, em apertado resumo, que: não disporia do comprovante de rendimento por ocasião da formalização de sua impugnação, mas estaria anexando o documento ao seu recurso, de forma a comprovar seu direito a deduzir o valor declarado. os documentos juntados demonstrariam que o 13º salário é descontado dos seus rendimentos, tal qual a pensão paga nos doze meses do ano, e, no seu entendimento, seria dedutível. Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10469.721510/201131 Acórdão n.º 2002000.929 S2C0T2 Fl. 51 3 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. O litígio recai sobre a pensão judicial informada pelo recorrente. A autuação e a DRJ apontam que o valor glosado se refere a pensão alimentícia incidente sobre o 13º salário. O recorrente defende a dedutibilidade desse valor, uma vez que teria sido descontado dos seus rendimentos. Não há reparos a se fazer à dedução recorrida. O recorrente deduziu a título de pensão judicial o montante de R$46.992,90 (fl.32). Por seu turno, sua fonte pagadora informou no campo da pensão dedutível o valor de R$42.853,14, valor acatado pela autoridade autuante, e, nas informações complementares, o montante de R$46.992,90, que inclui a pensão judicial incidente sobre o 13º salário (fl.45). A tributação do 13º salário se distingue dos demais rendimentos, por aquele ser tributado exclusivamente na fonte, conforme preceitua o art. 638 do RIR/99. Ou seja, o 13º salário não é passível de ajuste na DIRPF, não sendo incluído em sua base de cálculo anual. Consequentemente, as retenções ocorridas sobre esse rendimento também não podem ser consideradas dedutíveis nessa mesma base de cálculo. Registrese ainda, que a pensão alimentícia judicial descontada do décimo terceiro salário já constituiu dedução desse rendimento e a utilização da dedução na Declaração de Ajuste Anual implicaria na duplicação da dedução. Portanto, correta a glosa efetuada. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 51DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.962500/2008-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.810
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
RELATÓRIO
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) RELATÓRIO
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Cientificado da solução dada à declaração de compensação apresentada, o Contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, com a juntada de documentos (cópia do Despacho Decisório; Alteração Contratual e documentos do sócio que assina a Impugnação; Termo de Comparecimento à Gerência Técnica do Departamento de Supervisão Direta em São Paulo – Banco Central do Brasil; planilha discriminativa de Notas Fiscais e cópia da Nota Fiscal; Recibo de entrega de DCTF Retificadora), apresentando, resumidamente, as seguintes alegações: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 62 50 0/ 20 08 -9 8 Fl. 169DF CARF MF Processo nº 10880.962500/200898 Resolução nº 3201001.810 S3C2T1 Fl. 142 2 Afirma que no ano base 2003 formam emitidas notas fiscais de prestação de serviços, referente a cobrança de permanência sobre recursos não procurados de grupos encerrados, sendo que as mesmas foram canceladas posteriormente por exigência do Banco Central do Brasil. Tal cancelamento gerou créditos dos tributos PIS e COFINS previamente recolhidos, incidentes sobre as notas fiscais, o que motivou a emissão da presente PER/DCOMP. No entanto, esclarece que não providenciou, á época, a retificação das DCTF do ano base 2003 para eliminar os débitos do PIS e da COFINS declarados indevidamente. Corrigiu tal situação por meio da emissão de DCTF retificadora, conforme recibo apresentado anexo à Impugnação. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo, nos termos do Acórdão nº 16036.647. Irresignado com r. julgado, o Contribuinte apresenta Recurso Voluntário onde sustenta que: a) com base na DCTF demonstrou seu direito ao crédito; b) retificou em tempo hábil a DCTF e c) os livros diário e razão, que traz aos autos, corroboram sua alegação. É o relatório. VOTO Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resoluçãonº 3201001.799, de 27 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.900837/200992, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.799): "O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos e merece ser conhecido. Inicialmente é fato incontroverso que o Contribuinte apresentou a DCTF retificadora, contundo, ao analisar a manifestação de inconformidade à DRJ enfrentou o tema: 4.1.A Declaração de Compensação, apresentada por meio de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação) eletrônico, prestase a formalizar o encontro de contas entre o Contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro, a quem cabe a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, ao passo que à Administração Tributária compete a sua necessária verificação e validação. Confirmada a existência do crédito pleiteado, sobrevém a homologação e a consequente extinção dos débitos vinculados. Fl. 170DF CARF MF Processo nº 10880.962500/200898 Resolução nº 3201001.810 S3C2T1 Fl. 143 3 4.2.No caso concreto, o Contribuinte declarou débitos de COFINS (fls. 10) e apontou o suposto saldo não alocado no DARF supracitado de valor R$ 4.378,67 como origem do crédito, conforme fls. 9. 4.3. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pelo contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão (Rastreamento no 815456972 – fls. 2). 4.4. O ato combatido aponta como causa da não homologação o fato de que, embora localizado o pagamento indicado no PER/DCOMP como origem do crédito, o seu valor integral fora utilizado para a extinção do débito referente ao período de apuração 31/10/2003 e Código de Receita 2172, conforme apontado no campo 3 do próprio Despacho Decisório. 4.5. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia, visto que já havia sido aproveitado para liquidar, por meio de pagamento, débito distinto anteriormente declarado pelo Contribuinte em DCTF. Por conseguinte, não havia saldo disponível para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação, o que justificou a não homologação do valor que já estava destinado a pagamento de tributo anteriormente confessado. 4.6. Em suma, os motivos da não homologação residem nas próprias declarações e documentos produzidos pelo Contribuinte. Estes são, portanto, a prova e o motivo do ato administrativo. A própria DRJ ressalta que os argumentos do Contribuinte foram no sentido que a existência de crédito é decorrente do cancelamento de uma série de notas, porém, a DRJ entendeu que não foram apresentados documentos necessários: 5.1. Assim, a simples apresentação de DCTF retificadora neste momento do rito processual não é suficiente para fazer prova em favor do Contribuinte. Mantémse, nesses casos, a necessidade de comprovação documental do quanto alegado, por meio da apresentação da escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão. 5.2. Insta observar que, em consonância com o art. 16 acima transcrito do Decreto no 70.235/72, consta, nas “Orientações para apresentação de manifestação de inconformidade” disponível ao Contribuinte a partir da ciência da não homologação do crédito no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a instrução de que a manifestação de inconformidade deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, como, por exemplo, comprovação de que o recolhimento indicado como crédito foi efetuado de forma indevida. Fl. 171DF CARF MF Processo nº 10880.962500/200898 Resolução nº 3201001.810 S3C2T1 Fl. 144 4 5.3. Desta sorte, na medida em que a Declaração de Compensação restou não homologada e, apresentada a Manifestação de Inconformidade, converteuse em processo administrativo, cabia à Manifestante instruílo com todos os argumentos e documentos que entendesse suficientes e necessários para demonstrar a existência do crédito que pretende utilizar para compensação. 5.4. No caso concreto, a Impugnante afirma que seu crédito decorre de cancelamento de Nota Fiscal de prestação de serviços referente a cobrança de permanência sobre recursos não procurados de grupos encerrados, por exigência do Banco Central do Brasil, as quais haviam sido consideradas base de cálculo do tributo COFINS que foi declarado em DCTF original. 5.4.1. No entanto, o contribuinte não apresentou os registros contábeis referentes ao lançamento do valor da Nota Fiscal em análise, bem como não comprovou seu estorno posterior. Nesses termos, inexistindo comprovação documental do cancelamento da Nota Fiscal que originou (fato gerador) o pagamento do tributo COFINS, recolhido por meio do DARF em análise, não há, consequentemente, confirmação de que o recolhimento foi realizado indevidamente. 5.4.2. Em conclusão, o contribuinte não apresentou documentos suficientes para comprovar a origem do direito creditório declarado no presente PER/DCOMP. Na minha ótica, a verdade material é protagonista no Processo Administrativo Fiscal podendo ser apreciada por este CARF, mesmo que não colacionada na instauração do devido processo legal administrativo. Os documentos carreados vem ao encontro com o art. 16, §4º do Decreto 70.235/72, sendo apresentados em momento oportuno. Assim, o feito deve ser convertido em diligência. Do exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem: Verificado se há crédito. E avaliar prova. c) Elabore relatório conclusivo a respeito da existência do crédito (ainda que em valor diverso do alegado pelo contribuinte). Dê à empresa para manifestação o prazo de 30 (trinta) dias." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem: a) verifique se há crédito; Fl. 172DF CARF MF Processo nº 10880.962500/200898 Resolução nº 3201001.810 S3C2T1 Fl. 145 5 b) avalie as provas e c) elabore relatório conclusivo a respeito da existência do crédito (ainda que em valor diverso do alegado pelo contribuinte). Dê à empresa o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 173DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.011237/2008-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM PARCIALMENTE COMPROVADA.
Presume-se omissão de rendimentos os valores depositados em conta bancária para os quais o titular não comprove a origem dos recursos.
Deverão ser excluídos do levantamento os depósitos cuja origem não tributável foi devidamente comprovada.
DEDUÇÃO. VALORES INFORMADOS NAS DECLARAÇÕES DO CONTRIBUINTE E JÁ TRIBUTADOS. FALTA DE PROVAS.
Inexistência de coincidência entre os documentos apontados pelo contribuinte e as declarações, não sendo possível acolher as deduções pretendidas pelo contribuinte, por falta de provas.
CONTAS BANCÁRIAS CONJUNTAS. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO. EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO
Na constância da sociedade conjugal, cada cônjuge terá seus rendimentos tributados na proporção de cem por cento dos que lhes forem próprios, e cinqüenta por cento dos produzidos pelos bens comuns. Cada cônjuge deverá incluir, em sua declaração, a totalidade dos rendimentos próprios e a metade dos rendimentos produzidos pelos bens comuns.
No caso de contas bancárias mantidas em conjunto por pessoas que apresentam declaração de rendimentos separadamente, é necessária a intimação de todos os co-titulares. Súmula nº 29 CARF.
Numero da decisão: 2401-006.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir os valores depositados nas contas conjuntas nº 0048.005138-30 do HSBC e nº 0602.12952-7 da Caixa Econômica Federal, em razão de não ter restado comprovado nos autos que os co-titulares tenham sido intimados durante a ação fiscal.
(Assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausentes as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM PARCIALMENTE COMPROVADA. Presumese omissão de rendimentos os valores depositados em conta bancária para os quais o titular não comprove a origem dos recursos. Deverão ser excluídos do levantamento os depósitos cuja origem não tributável foi devidamente comprovada. DEDUÇÃO. VALORES INFORMADOS NAS DECLARAÇÕES DO CONTRIBUINTE E JÁ TRIBUTADOS. FALTA DE PROVAS. Inexistência de coincidência entre os documentos apontados pelo contribuinte e as declarações, não sendo possível acolher as deduções pretendidas pelo contribuinte, por falta de provas. CONTAS BANCÁRIAS CONJUNTAS. NECESSIDADE DE INTIMAÇÃO. EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Na constância da sociedade conjugal, cada cônjuge terá seus rendimentos tributados na proporção de cem por cento dos que lhes forem próprios, e cinqüenta por cento dos produzidos pelos bens comuns. Cada cônjuge deverá incluir, em sua declaração, a totalidade dos rendimentos próprios e a metade dos rendimentos produzidos pelos bens comuns. No caso de contas bancárias mantidas em conjunto por pessoas que apresentam declaração de rendimentos separadamente, é necessária a intimação de todos os cotitulares. Súmula nº 29 CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 12 37 /2 00 8- 49 Fl. 1059DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir os valores depositados nas contas conjuntas nº 0048.00513830 do HSBC e nº 0602.129527 da Caixa Econômica Federal, em razão de não ter restado comprovado nos autos que os cotitulares tenham sido intimados durante a ação fiscal. (Assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Miriam Denise Xavier (Presidente). Ausentes as Conselheiras Luciana Matos Pereira Barbosa e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba PR (DRJ/CTA) que julgou procedente o lançamento, conforme ementa do Acórdão nº 0621.549 (fls. 738/750): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. OFENSA. Arguições de ofensa a princípios constitucionais refogem à competência da instância administrativa, não podendo a autoridade administrativa negar a aplicação e lei ou ato normativo sob este fundamento. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430 DE 1996. A Presunção Legal de omissão de receitas, prevista no Art. 42 da Lei nº 9.430 de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instruiu. Fl. 1060DF CARF MF Processo nº 10980.011237/200849 Acórdão n.º 2401006.086 S2C4T1 Fl. 3 3 JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa Selic, porquanto o Código Tributário Nacional (art. 161, § 1º) outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1% desde que previsto em lei. Lançamento Procedente O presente processo trata de Auto de Infração lavrado contra o Contribuinte (fls. 494/497), para cobrança de Imposto de Renda Pessoa Física, no valor de R$ 157.825,88, relativo ao anocalendário de 2003, bem como de juros moratórios, calculados até 30/06/2008, no valor de R$ 92.296,57, e multa proporcional, passível de redução, no valor de R$ 118.369,41, totalizando um Crédito Tributário Apurado de R$ 368.491,86. De acordo com a Descrição Dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 496/497), verificase que a autuação decorre de OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. O Contribuinte tomou ciência da lavratura do Auto de Infração, pessoalmente, em 16/09/2008 (fl.521), e apresentou sua Impugnação de fls. 526 a 561, datada de 28/09/2008. Diante da impugnação tempestiva, o processo foi encaminhado à DRJ/CTA para julgamento, que, através do Acórdão nº 0620.663, julgou PROCEDENTE o lançamento, mantendo o Crédito Tributário lançado de ofício, com juros atualizados nos termos da legislação de regência. Em 12/03/2009 o Contribuinte tomou ciência do Acórdão (AR fl. 753) e, em 13/04/2009, interpôs via postal RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 754 a 771, onde: 1. Alegou que os depósitos oriundos da Agência HSBC de cidade Francisco Beltrão são todos referentes a vendas de produtos agrícolas. Atesta essa informação com a menção a uma declaração do Sr. Ari Pedroso (fl. 765); 2. Informa que todos os valores foram devidamente declarados na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda. Complementa seu ponto sustentando que a mera existência de depósitos bancários em suas contas não constitui fato gerador do Imposto de Renda (fl. 765); 3. Argumenta que o levantamento fiscal levou em consideração empréstimos bancários, resgates de aplicações financeiras e transferências de um para outro banco de mesma titularidade (fl. 766); 4. Indica a origem de uma série de depósitos, quais sejam: a. O depósito de R$ 100.000,00 em 23/12/2003 é um empréstimo concedido por seu pai, o Sr. Júlio Pagnoncelli (fl. 766); Fl. 1061DF CARF MF 4 b. O valor de R$ 198,04 recebido junto à CEF decorre do pagamento de prólabore já declarado (fl. 767); c. Os depósitos perfazendo o montante de R$ 9.100,00 no HSBC através da agência Dois Vizinhos PR são decorrentes da quitação de uma dívida. No caso, o Contribuinte haveria pago as parcelas do financiamento da casa do Sr. Rogério. Dessa forma, esses recebimentos seriam referentes à devolução desses valores (fl. 767); d. Os valores recebidos da Madeireira Santa Brígida Ltda estão legalmente declarados na Declaração de Imposto de Renda do seu cônjuge (fl. 767); e. Os depósitos nos meses de março a julho e outubro de 2003 são referentes à venda e ao adiantamento de venda de produtos agrícolas. Embasa essa afirmação na declaração do Sr. Ari Pedroso e nos demais documentos que comprovam sua posse de imóveis rurais (fl. 767/768); 5. Alega que o Ilmo. Auditor Fiscal esqueceu de observar que a Conta Corrente na Caixa Econômica Federal é conjunta do casal (fl. 769); 6. Informa que sua Conta Corrente do HSBC ag. 0048 0513830 é, na verdade, de seu pai, o Sr. Júlio Pagnoncelli. A autuada, apesar de formalmente ser a titular, na verdade apenas administra os valores recebidos (fl. 768); 7. Reitera todos os argumentos apresentados em sede de impugnação ao Auto de Infração (fl. 770). Posteriormente, em 17/04/2009, após o fim do prazo recursal, foi apresentado um segundo recurso. Tal documento encontrase dormente às fls. 809 a 866. Por fim, o Contribuinte protocolou, em 04/05/2019, um requerimento (fl. 1032) de juntada do Aviso de Recebimento referente ao protocolo do primeiro Recurso Voluntário. Dessa forma, comprovou, à fl. 1056, a tempestividade de sua defesa e reiterou os argumentos apresentados anteriormente. É o relatório Voto Conselheiro Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Juízo de admissibilidade Fl. 1062DF CARF MF Processo nº 10980.011237/200849 Acórdão n.º 2401006.086 S2C4T1 Fl. 4 5 O Contribuinte foi intimado acerca do acórdão de primeira instância no dia 12/03/2009 (quintafeira), começando a contagem do prazo recursal no dia 13/03/2009 (sexta feira). De acordo com a legislação processual vigência à época, o lapso temporal máximo seria de 30 (trinta) dias corridos para apresentar seu Recurso Voluntário. É a redação do Art. 56 do Decreto nº 70.235/72: Art. 56. Cabe recurso voluntário, com efeito suspensivo, de decisão de primeira instância, dentro de trinta dias contados da ciência. Dessa forma, o fim do supramencionado termo se daria no dia 11/04/2009 (sábado). Entretanto, por não ser um dia útil, o Contribuinte poderia ter efetuado o protocolo de sua impugnação até o da 13/04/2009 (segundafeira). Assim, havendo sido comprovada a postagem da petição de fls. 754 a 771, nos correios, dentro do prazo legal (AR fl. 1056), há de ser considerado tempestivo o primeiro Recurso Voluntário, conforme a redação do Art. 56 do Decreto nº 7.574/2011: Art. 56. A impugnação, formalizada por escrito, instruída com os documentos em que se fundamentar e apresentada em unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil com jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, bem como, remetida por via postal, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da intimação da exigência, instaura a fase litigiosa do procedimento (Decreto nº 70.235, de 1972, arts. 14 e 15). (...) § 5º Na hipótese de remessa da impugnação por via postal, será considerada como data de sua apresentação a da respectiva postagem constante do aviso de recebimento, o qual deverá trazer a indicação do destinatário da remessa e o número do protocolo do processo correspondente. Ocorre que o outro Recurso apresentado pela Recorrente apenas foi protocolado após o fim do prazo legal. Podese confirmar essa informação de uma simples, porém necessária análise dos selos apostos nas folhas iniciais dos mencionados documentos (fls. 809/1033). Dessa forma, levando em consideração a tempestividade e o preenchimento dos demais requisitos legais de admissibilidade, conheço tão somente do Recurso Voluntário de fls. 754 a 771. Mérito O presente Processo Administrativo trata da exigência de Imposto de Renda da Pessoa Física decorrente da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada. Fl. 1063DF CARF MF 6 Cabe inicialmente esclarecer que as questões atinentes à inconstitucionalidade de lei tributária não são oponíveis na esfera do contencioso administrativo, conforme se destaca do enunciado da Súmula nº 2, assim redigida: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessa forma, não cabe ao órgão julgador administrativo o pronunciamento acerca da inconstitucionalidade da presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, por ultrapassar a sua competência funcional. Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada Segundo o Recorrente, não deve proceder ao lançamento fundamentado em depósitos bancários, uma vez que a infração não restou suficientemente demonstrada e que a mera existência de depósitos bancários não constitui fato gerador do Imposto de Renda. A despeito da matéria, o legislador federal estabeleceu a presunção legal de omissão de receita caracterizada em virtude da existência de depósitos bancários em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove a sua origem, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, senão vejamos o que determina a Lei nº 9.430/96: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Com efeito, referida regra presume a existência de rendimento tributável, invertendose, por conseguinte, o ônus da prova para que o contribuinte comprove a origem dos valores depositados a fim de que seja refutada a presunção legalmente estabelecida. Tratase, assim, de presunção relativa que admite prova em contrário, cabendo ao sujeito passivo trazer os elementos probatórios inequívocos que permita a identificação da origem dos recursos, a fim de ilidir a presunção de que se trata de renda Fl. 1064DF CARF MF Processo nº 10980.011237/200849 Acórdão n.º 2401006.086 S2C4T1 Fl. 5 7 omitida. Nesse caso não há necessidade de o Fisco comprovar o consumo da renda relativa à referida presunção, conforme entendimento já pacificado no âmbito do CARF, através do enunciado da Súmula nº 26: Súmula CARF nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Como se vê, para a caracterização da omissão necessário se faz a intimação do sujeito passivo objetivando a comprovação da origem dos depósitos. Dessa forma, é perfeitamente cabível a tributação com base na presunção definida em lei, posto que o depósito bancário é considerado uma omissão de receita ou rendimento quando sua origem não for devidamente comprovada, conforme previsto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Dedução dos valores informados supostamente comprovados Em seu recurso voluntário, a Contribuinte afirma que o lançamento levou em consideração, quando do cálculo da base de incidência tributária, valores não tributáveis. Nessa oportunidade, relata e descreve uma série de operações, tudo no intuito de comprovar a origem dos numerários recebidos nas contas correntes de sua titularidade. Primeiramente, há que se deixar bastante claro que a mera existência de declaração genérica por parte do Contribuinte não tem o condão de comprovar a origem dos depósitos bancários. Dessa forma, postulações genéricas não são aptas a desconstituir o lançamento, uma vez que este se encontra amparado por presunção legal. Para tanto, hão de ser analisados, individualmente, os documentos apresentados pelo Contribuinte e comparálos com os depósitos em questão. É necessário, portanto, que exista uma mínima correspondência entre as provas juntadas pelo Recorrente e os recebimentos que integraram a apuração fiscal. Isso porque há necessidade de uma equivalência de datas e valores para considerar a documentação hábil e inidônea, ou que o conjunto probatório indique de modo hábil a comprovação a fim de refutar a presunção legal constatada. Do empréstimo do Sr. Julio Pagnoncelli De início, à fl. 766, o Contribuinte alega que em 23/12/2003 recebeu o valor de R$ 100.000,00 (cem mil reais) de seu pai à título de empréstimo. Apresenta, no intuito de confirmar essa informação, o extrato da Caixa Econômica Federal de fl. 565; cheques, e a Declaração do Imposto de Renda do Sr. Julio Pagnoncelli (fls. 586 a 591). De fato, a Declaração de Imposto de Renda do Sr. Julio, notadamente à fl. 589, faz menção ao empréstimo feito para a Recorrente, sua filha. Fl. 1065DF CARF MF 8 No entanto, tendo em vista que esse valor encontrase na conta da caixa em que não houve intimação do cotitular, será posteriormente analisado por ocasião do item Contas Correntes Conjuntas e Comprovação da Origem dos Depósitos. Do prólabore de janeiro de 2003 Em segundo lugar, quanto ao depósito de R$ 198,04 em 15/01/2003, entendo que não haja sido devidamente comprovada sua origem. Ao ser apresentado o Recibo de Remuneração de PróLabore, a Contribuinte apenas indicou que, no mês de janeiro de 2003, faria jus ao pagamento de R$ 200,00. Entretanto, não juntou ao processo qualquer documento que vincule o depósito mencionado ao recibo por ele assinado. Dessa forma, não se pode aceitar a prova pretendida. Depósitos HSBC Quanto à afirmação que o montante de R$ 9.100,00, recebido no HSBC, seria relativo ao reembolso de um financiamento assumido pela Autuada, inexistem nos autos quaisquer documentos que confirmem essa versão. De acordo com o relato da Contribuinte, o seu irmão seria o verdadeiro possuidor do imóvel adquiridos e efetuava o “reembolso" do financiamento para a Recorrente na medida do possível. Entretanto, não há documentos sólidos que dêem suporte a essa suposta situação fática. O que se observa, na documentação acostada, é que a adquirente do imóvel seria a Recorrente. Desse modo, ainda que se estabelecesse o relato da contribuinte como premissa, é importante considerar que os depósitos na conta da Recorrente representam verdadeiro acréscimo patrimonial, pois não possuem nenhuma razão jurídica para existirem. Essa análise foi feita com precisão na decisão de piso, senão vejamos (fl.746): A contribuinte afirma que depósitos que perfazem o montante de R$ 9.100,00, no HSBC, é originado de empréstimo do Sistema Financeiro Habitacional, finado em 19/07/1999, cujos documentos de fls. 325 a 337 comprovam que financiou a casa do irmão em seu nome, para auxiliálo, e o mesmo reembolsava a, na medida do possível. Traz o documento de fls. 590/591, que confirma a versão da impugnante e enumera os depósitos que teriam sido feitos. No entanto, o contrato de fls. 578/589 e de compra e venda, onde o Sr. Rogério Francisco Rossi Pagnoncelli está vendendo, à impugnante e ao seu marido, um imóvel. Nele não há pacto de retrovenda ou qualquer outra cláusula que possa sustentar a obrigação do declarante de fls. 590/591 de reembolsar o financiamento assumido pela impugnante. Mesmo que ficasse provado serem os valores depositados provenientes Fl. 1066DF CARF MF Processo nº 10980.011237/200849 Acórdão n.º 2401006.086 S2C4T1 Fl. 6 9 do Sr. Rogério, ainda assim, não poderiam ser aceitas as razões invocadas para essa transferência de numerários. Ademais, a simples declaração do Sr. Rogério, irmão da Recorrente, acostada às fls. 605 e 606, não é suficiente para lastrear a operação e demonstrar, com precisão, qual a natureza dos depósitos, razão pela qual não acato os argumentos da contribuinte nesse ponto. Dos valores recebidos da Madeireira Santa Brígida Ltda A Recorrente afirma que os valores recebidos da Madeireira Santa Brígida Ltda, CNPJ nº 75.960.468/000127 foram legalmente declarados na Declaração de seu Cônjuge, amparados por confissões de dívida feitas pelo sócio da empresa. Entretanto, entendo que tal prova não é suficiente para justificar os recebimentos na conta da Recorrente. Peço vênia para transcrever um breve trecho da decisão de primeira instância, a qual resume os fundamentos da decisão e desde já passa a integrar as razões de decidir desta Relatora: Em referência à afirmação de que estão comprovados os valores recebidos de Madeireira Santa Brígida Ltda, CNPJ 75.960.468/000127, porque 0 crédito estava declarado na DIRPF do cônjuge, de R$ 227.306,00, (fl. 85), há confissões de dívida feitas em cartório por sócio da empresa (fls. 592 a 595) e escritura de compra e venda (fls. 596/597), não há como considerála suficiente. A contribuinte não estabeleceu nenhum vínculo inequívoco entre a existência desses créditos, o seu recebimento e os depósitos a serem justificados. Além do mais, observase que os depósitos que indicou serem provenientes dessa justificativa (fls. 55/58 e 60/61) na guardam qualquer lógica de distribuição por valores e datas, representando um apanhado aleatório de valores, não condizente com a prática usual e lógica de quitação de dividas. Da atividade rural No que tangem aos recebimentos de valores nos meses de março a julho e outubro de 2003, a Contribuinte se limita a informar que tais depósitos têm por origem a venda de produtos agrícolas. Para confirmar essa informação junta a declaração do Sr. Ari Pedroso (fl. 628) e os comprovantes de sua propriedade de imóveis rurais (fls. 616/623). Acontece que, conforme já reiteradamente sustentado na presente decisão, a mera alegação geral não é capaz de confirmar a natureza das receitas auferidas. Assim, não há como, da simples propriedade de imóveis rurais e de uma narrativa produzida por terceiros, assumir que a totalidade dos valores recebidos nesse período devam ser tributados como oriundos de atividade rural. Fl. 1067DF CARF MF 10 Finalmente, resta bastante claro a inaptidão das narrativas da contribuinte, as quais se encontram ausentes de documentação capaz de ilidir, com qualquer grau de precisão, a presunção legal que fundamenta a presente autuação. Contas Correntes Conjuntas e Comprovação da Origem dos Depósitos Compulsando os autos, verificase que a Conta Corrente nº 0048.00513830 do Banco HSBC é mantida em cotitularidade com o Sr. Julio Pagnoncelli. Esse fato é inconteste e já foi reconhecido inclusive na fase de fiscalização. Vejamos o trecho do Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal (fl. 504): “Em 24/03/2008, foram recebidos os extratos da Caixa Econômica Federal, da conta corrente 0602.001.000145360 e da conta corrente 0602.001.001129527. Não houve depósitos a serem questionados na conta corrente 0602.001.000145360, mas apurouse também a existência de nova conta no banco HSBC (0048.00513830), em que a Contribuinte INÊS BENIGNA PAGNONCELLI CANTON, CPF 313.101.92987 era cotitular com JÚLIO PAGNONCELLI, CPF 126.187.05904 no ano de 2003. (fls. 238/250).” Já a Conta Corrente da Caixa Econômica Federal, embora em primeiro momento haja sido considerada como exclusiva da Sra. Inês, deve ser reconhecida como sendo uma conta conjunta. O documento de fls. 789 comprova a cotitularidade da Conta, motivo pelo qual devem ser analisadas as normas específicas a esse tipo de situação. Quando se trata de contas bancárias mantidas em conjunto por pessoas que apresentam declaração de rendimentos separadamente, é necessária a intimação de todos os co titulares. Dessa maneira, sendo as contas bancárias mantidas em conjunto, era necessário ter intimado todos os cotitulares antes da lavratura do auto de infração, consoante jurisprudência já consolidada deste Conselho, cristalizado através da Súmula nº 29, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 29 Os cotitulares da conta bancária que apresentem declaração de rendimentos em separado devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de exclusão, da base de cálculo do lançamento, dos valores referentes às contas conjuntas em relação às quais não se intimou todos os co titulares. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 10617009, de 06/08/2008 Acórdão nº 10248460, de 26/04/2007 Acórdão nº 10248163, de 26/01/2007 Acórdão nº 10422117, de 07/12/2006 Acórdão nº 10422049, de 09/11/2006 Fl. 1068DF CARF MF Processo nº 10980.011237/200849 Acórdão n.º 2401006.086 S2C4T1 Fl. 7 11 Dessa forma, necessária é a exclusão dos depósitos feitos nas contas nº 0048.00513830 do HSBC e nº 0602.129527 da Caixa Econômica Federal, uma vez que os co titulares não foram devidamente intimados para prestar esclarecimentos. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e DOULHE PARCIAL PROVIMENTO para excluir da base de incidência tributária todos os depósitos das contas correntes nº 0048.00513830 do banco HSBC e nº 0602.129527 da Caixa Econômica Federal, em razão de os cotitulares não terem sido intimados durante a ação fiscal. (Assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 1069DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.921005/2011-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
DECADÊNCIA. DIREITO DE EFETUAR A GLOSA DE CRÉDITOS.
O prazo decadencial do direito de lançar tributo não rege os institutos da compensação e do ressarcimento e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e a certeza do crédito do sujeito passivo e a obstruir a glosa de créditos indevidos tomados pela contribuinte.
NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS QUE GERAM DIREITO A CRÉDITO.
Na legislação do Pis e da Cofins não cumulativos, os insumos, cf. art. 3º incisos I e II, que geram direito a crédito são aqueles vinculados ao processo produtivo ou à prestação dos serviços. As despesas gerenciais, administrativas e gerais, ainda que essenciais à atividade da empresa, não geram crédito de Pis e Cofins no regime não cumulativo.
CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho.
COFINS NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS SUJEITAS A ALÍQUOTA ZERO. DIREITO A CRÉDITO SOBRE GASTOS INCORRIDOS COM FRETE NA REVENDA.
As revendas, distribuidoras e atacadistas de produtos sujeitas a tributação concentrada pelo regime não cumulativo, ainda que, as receitas sejam tributadas à alíquota zero, podem descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por elas suportadas na condição de vendedor, conforme dispõe o art. 3, IX das Leis n°s 10.637/2002 para o PIS/Pasep e 10.833/2003 para a Cofins.
REGIME NÃO-CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. DESPESAS DE ARMAZENAGEM.
Concede-se direito a crédito na apuração não-cumulativa da contribuição as despesas referentes à despesa com armazenagem, de acordo com o art. 3, IV da Lei n. 10.637/2002.
CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESESTIVA
A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com transporte, armazenagem e logística dentro da zona primária, decorrentes de importação de mercadorias.
CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESPACHANTES.
A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com despachantes, decorrentes de importação de mercadorias.
CRÉDITOS. CUSTOS COM ARMAZENAGEM.
As despesas com armazenagem geram créditos não cumulativos se estiverem vinculadas às operações de venda.
FRETES SOBRE COMPRAS. CRÉDITOS BÁSICOS.
Os fretes sobre compras de bens passíveis de creditamento na sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins geram direito ao crédito básico.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido de diligência por ser absolutamente desnecessário para a solução do litígio.
Numero da decisão: 3201-004.814
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir a preliminar de decadência por tratar-se de pedido de restituição. No mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário a) Por unanimidade de votos para (i) reverter as glosas do frete sobre a aquisição de insumos, mesmo quando a aquisição sujeita-se à alíquota zero; (ii) reverter as glosas do frete sobre a revenda de produtos; (iii) reverter as glosas relativas aos serviços de armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/ armazenagem/ logística; (iv) reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte; (v) indeferir a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide; b) Por maioria de votos, para manter a glosa sobre os serviços administrativos de despachantes aduaneiros. Vencidos, no ponto, os conselheiros Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que concederam os créditos correspondentes.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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INSUMOS DIVERSOS. Recorrente FERTILIZANTES HERINGER S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 DECADÊNCIA. DIREITO DE EFETUAR A GLOSA DE CRÉDITOS. O prazo decadencial do direito de lançar tributo não rege os institutos da compensação e do ressarcimento e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e a certeza do crédito do sujeito passivo e a obstruir a glosa de créditos indevidos tomados pela contribuinte. NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS QUE GERAM DIREITO A CRÉDITO. Na legislação do Pis e da Cofins não cumulativos, os insumos, cf. art. 3º incisos I e II, que geram direito a crédito são aqueles vinculados ao processo produtivo ou à prestação dos serviços. As despesas gerenciais, administrativas e gerais, ainda que essenciais à atividade da empresa, não geram crédito de Pis e Cofins no regime não cumulativo. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste conselho. COFINS NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS SUJEITAS A ALÍQUOTA ZERO. DIREITO A CRÉDITO SOBRE GASTOS INCORRIDOS COM FRETE NA REVENDA. As revendas, distribuidoras e atacadistas de produtos sujeitas a tributação concentrada pelo regime não cumulativo, ainda que, as receitas sejam tributadas à alíquota zero, podem descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por elas suportadas na condição de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 92 10 05 /2 01 1- 22 Fl. 501DF CARF MF Processo nº 10783.921005/201122 Acórdão n.º 3201004.814 S3C2T1 Fl. 3 2 vendedor, conforme dispõe o art. 3, IX das Leis n°s 10.637/2002 para o PIS/Pasep e 10.833/2003 para a Cofins. REGIME NÃOCUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. DESPESAS DE ARMAZENAGEM. Concedese direito a crédito na apuração nãocumulativa da contribuição as despesas referentes à despesa com armazenagem, de acordo com o art. 3, IV da Lei n. 10.637/2002. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESESTIVA A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com transporte, armazenagem e logística dentro da zona primária, decorrentes de importação de mercadorias. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESPACHANTES. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com despachantes, decorrentes de importação de mercadorias. CRÉDITOS. CUSTOS COM ARMAZENAGEM. As despesas com armazenagem geram créditos não cumulativos se estiverem vinculadas às operações de venda. FRETES SOBRE COMPRAS. CRÉDITOS BÁSICOS. Os fretes sobre compras de bens passíveis de creditamento na sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins geram direito ao crédito básico. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência por ser absolutamente desnecessário para a solução do litígio. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em indeferir a preliminar de decadência por tratarse de pedido de restituição. No mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário a) Por unanimidade de votos para (i) reverter as glosas do frete sobre a aquisição de insumos, mesmo quando a aquisição sujeitase à alíquota zero; (ii) reverter as glosas do frete sobre a revenda de produtos; (iii) reverter as glosas relativas aos serviços de armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/ armazenagem/ logística; (iv) reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte; (v) indeferir a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide; b) Por maioria de votos, para manter a glosa sobre os serviços administrativos de despachantes aduaneiros. Vencidos, no ponto, os conselheiros Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior, que concederam os créditos correspondentes. Fl. 502DF CARF MF Processo nº 10783.921005/201122 Acórdão n.º 3201004.814 S3C2T1 Fl. 4 3 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão n.º 06047.510 3ª Turma da DRJ/CTA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. O relatório da decisão de primeira instância descreve os fatos dos autos. Nesse sentido, transcrevese trechos do relatório da referida decisão: (...) O Auditor Fiscal informa que a fiscalização se iniciou com a ciência do termo de início de fiscalização em 17/01/2012. Tal termo especifica como período fiscalizado o transcorrido entre 01/2007 e 12/2009. Comunica que a contribuinte exerce atividade de industrialização e comercialização de fertilizantes contemplados no capítulo 31 da TIPI, bens cujas receitas de vendas estão sujeitas à alíquota zero do PIS/Pasep e da Cofins. O processo produtivo da empresa está descrito às fls. 983/985 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n° 10783.921005/201122. Na sequência, no tópico “FUNDAMENTAÇÃO” disserta sobre a legislação de regência da contribuição em análise, explica a sistemática de creditamento do PIS/Pasep e da Cofins e define o conceito de insumo fornecido pelas Instruções Normativas n°s 247/2002 e 404/2004. Ao fim, informa que, com base na análise da escrituração do sujeito passivo e planilhas de apuração das contribuições e de outros elementos apresentados pela contribuinte, apurou inconsistências nos valores dos créditos pleiteados. Diz que, consequentemente, foram realizados ajustes nos dados do Dacon, adequando o PER ao disciplinado na legislação tributária. No tópico “I – DOS CRÉDITOS PLEITEADOS”, explica que não foram realizadas glosas nas despesas de energia elétrica, serviços de industrialização, depreciação, fretes em operações de venda e locação de prédios, bem como, nas aquisições de embalagens, enxofre e bens para revenda. Em relação à base de cálculo, não foram realizados ajustes. No item “I.1 – DESESTIVA/DESPACHANTE”, relata que o serviço ou o bem adquirido, para ser utilizado no cálculo dos créditos a descontar, deve, necessariamente, ser aplicado ou consumido na Fl. 503DF CARF MF Processo nº 10783.921005/201122 Acórdão n.º 3201004.814 S3C2T1 Fl. 5 4 fabricação do produto. Aduz que o conceito de insumo não abrange os serviços de qualquer natureza, de modo que os serviços administrativos, de auditoria, aqueles decorrentes de atividades meio não configuram serviços sujeitos à apuração de créditos de PIS/Pasep e de Cofins. Informa que foram desconsideradas as despesas de despachante e desestiva, visto que estes serviços não se enquadram na definição de insumo, uma vez que não são destinados à área de comercialização dos produtos e não de sua produção. Explica que os valores foram glosados em sua totalidade, nos montantes indicados nas planilhas de fls.974/976 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n°10783.921005/201122. No item “I.2 SERVIÇOS E BENS NÃO ADMITIDOS”, explana que a empresa fiscalizada se apropriou de créditos decorrentes de serviços de pintura, de cópia de chaves, de gráficas, serviços gerais, médicos, de confecção de andaimes, de tratamento de efluentes, dentre outros. Narra que a interessada se apropriou também de créditos nas aquisições e no transporte de ferramentas, fusíveis, plugs, materiais para almoxarifado, vestuário dos funcionários, materiais de escritório, utensílios de elevadores, cartuchos de impressora, armários, cadeados, celulares, materiais elétricos, radiadores e baterias para carros, graxas, vale transportes de funcionários, dentro outros. Explica que em outras situações não foi discriminado o serviço ou o produto adquirido. Todos esses bens e serviços foram glosados por não serem considerados insumos do processo produtivo da empresa. Os ajustes foram compilados na “planilha 2” (fls.1.133/1.278 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n°10783.921005/2011 22), a qual, conforme explica a autoridade fiscal, “engloba também as despesas de frete incorridas para o transporte desses bens, que, por ausência de previsão legal, não podem ser utilizados para fins de desconto de créditos”. No item “I.3 FRETES SOBRE COMPRAS”, explica que quando o seguro e o frete para a entrega de bens correrem por conta do comprador, por integrarem os custos de aquisição (art. 289, § 1o do RIR/99), eles compõem a base de cálculo do crédito da contribuição. Aduz, porém, que a Lei n° 10.865/2004 redefiniu as condições para o direito ao crédito do PIS/Pasep e da Cofins, ao alterar a redação dos arts. 3º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, ao incluir a seguinte vedação ao direito do crédito no inc. II, do §2º dos citados artigos: “não dará direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição”. A autoridade fiscal explica que, com base nessa disposição, os contribuintes não podem descontar créditos de PIS e Cofins decorrentes de aquisições de insumos com alíquota zero e utilizados na fabricação de produtos destinados à venda. O Auditor Fiscal relata que o inciso I do art. 1º da Lei n° 10.925/2004 reduziu a zero as alíquotas de PIS/Pasep e de Cofins incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado Fl. 504DF CARF MF Processo nº 10783.921005/201122 Acórdão n.º 3201004.814 S3C2T1 Fl. 6 5 interno de adubos ou fertilizantes classificados no Capítulo 31, exceto os produtos de uso veterinário e suas matériasprimas. Informa que a contribuinte apresentou a relação das notas fiscais referente às despesas com transportes de insumos, discriminando os produtos transportados. Diz que, em quase sua totalidade, os insumos adquiridos estão sujeitos à alíquota zero, pois são matérias primas para a produção de fertilizantes. Entende que se não há previsão legal para apuração de crédito na aquisição de adubos, fertilizantes e suas matériasprimas e se as despesas de frete incorridas para o seu transporte integram o custo de aquisição, logicamente, não poderia ter sido apurado crédito sobre as despesas de frete. Informa que na “planilha 3” discriminou todas as despesas de frete que foram glosadas, na qual também foram incluídas as despesas de fretes sem descrição do produto transportado (fls. 1.279/5.002 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n° 10783.921005/201122). Explica, por fim, que foi garantido o aproveitamento de créditos no transporte de ureia, quando adquirida para fins veterinários, visto haver tributação sobre esse insumo. No item “I.4 ARMAZENAGEM”, explica que, intimada a comprovar as despesas realizadas nesta rubrica, a contribuinte informou que se tratavam de armazenagem de insumos adquiridos que, por razões de logística e capacidade de armazenagem interna, eram guardados em armazéns externos. Afirma, todavia, nos termos do inciso IX do art. 3º da Lei n° 10.833/2003, extensiva ao PIS/Pasep em função do inciso II do art. 15 da mesma lei, que tal crédito é restrito às despesas efetuadas nas operações de vendas e se o ônus for suportado pelo vendedor. Entende que as despesas com armazenagem de insumo ou mercadorias adquiridas para industrialização ou revenda não geram direito ao crédito das contribuições. Diz que tal entendimento é corroborado pelas Soluções de Consulta n° 151/2006 (8a RF), n° 25/2009 (8aRF) e n° 403/2007 (Cosit). Informa que está discriminado na “planilha 4” todas as despesas de armazenagem que foram glosadas (fls. 5.003/5.040 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n° 10783.921005/201122). No item “I.5 – ENTRADA BENS P/ REVENDA – URÉIA PECUÁRIA EEMBALAGENS”, relata que no processo administrativo de n° 15586.001201/201048 foi lavrado o Parecer n° 83/2010 e seu respectivo Despacho Decisório, com ciência da contribuinte em 26/11/2010, no qual foi feita a análise do PER de n° 29114.33033.090409.1.1.111732,referente a créditos da Cofins não cumulativa (mercado interno) do 3º trimestre de 2008. Diz que, neste processo, ficou provado que a contribuinte se apropriou indevidamente, neste trimestre, de créditos relativos às aquisições de ureia pecuária e de embalagens correspondentes a períodos anteriores (janeiro de 2005 a Fl. 505DF CARF MF Processo nº 10783.921005/201122 Acórdão n.º 3201004.814 S3C2T1 Fl. 7 6 junho de 2008), nos montantes de R$160.094.943,96 e R$ 17.854.396,54, respectivamente. Informa que a contribuinte justificou o procedimento adotado, invocando o art. 16 da Lei n° 11.116/2005, o qual autorizou a compensação e o ressarcimento de créditos de PIS/Pasep e Cofins vinculados a operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência. Relata que o Acórdão de n° 1335.523, proferido pela DRJ/RJ2 em 16/06/2011, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendose integralmente o Despacho Decisório proferido. Narra que o entendimento da DRJ foi no sentido de considerar indevida a inclusão na base de cálculo dos créditos os valores de custos, encargos e aquisições que ensejariam a apropriação dos créditos correspondentes, mas que dizem respeito, todavia, não ao 3º trimestre de 2008, mas a trimestres anteriores de apuração. Explica que o procedimento adotado não se restringiu à inclusão em um mesmo PER de créditos originados de períodos anteriores àquele a que se refere, mas cometeu o mesmo erro no Dacon, ao incluir no mês de setembro de 2008 os custos de aquisições de insumos e embalagens originados em meses anteriores (desde janeiro de 2005). Entende que a contribuinte, assim agindo, não promoveu o necessário e regular confronto dos créditos decorrentes de tais operações de meses anteriores de apuração, utilizandoos na dedução da contribuição devida no próprio mês de apuração, em desrespeito ao regime de competência de apuração da contribuição. Por tal razão, as mesmas glosas efetuadas na apuração do saldo de créditos da Cofins foram mantidas na apuração do saldo de créditos de PIS. No tópico “III – RESSARCIMENTO”, explica que os ajustes de créditos realizados, bem como o percentual de rateio utilizado para separar os diferentes tipos de créditos, foram discriminados no “Demonstrativo de Apuração do PIS”, constante às fls.5.041/5.043, bem como no “Demonstrativo de Apuração da Cofins”, constante às fls.5.044/5.046 do processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n°10783.921005/201122. Informa que os créditos vinculados a receitas tributadas no mercado interno foram consumidos antes dos créditos vinculados a receitas não tributadas no mercado interno e antes dos créditos vinculados a receitas de exportação. (...) A autoridade fiscal propôs, ainda, a homologação das Dcomp vinculadas ao PER até o limite do crédito reconhecido por trimestre calendário, por tributo e por tipo de crédito. Com base no Parecer de n° 74/2012, foi emitido Despacho Decisório pelo Delegado da RFB em Vitória/ES, reconhecendo o direito creditório proposto e homologando as compensações vinculadas até o limite do crédito reconhecido. Fl. 506DF CARF MF Processo nº 10783.921005/201122 Acórdão n.º 3201004.814 S3C2T1 Fl. 8 7 (...) Cientificada (...), a contribuinte apresentou (...) a manifestação de inconformidade, a seguir sintetizada. No tópico “I DOS FATOS”, explica que com a edição do artigo 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004, passou a ser possível a manutenção dos créditos relativos às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência. Aduz que, posteriormente, foi editada a Lei n° 11.116/05, cujo artigo 16 autorizou a compensação destes créditos com outros tributos federais ou, ainda, seu ressarcimento. Diz que, por isso, apurou o saldo credor solicitado no PER. Resume, ao fim, as glosas realizadas e diz que os fundamentos utilizados pela autoridade fiscal não podem prosperar. No tópico “II DO DIREITO”, aduz, preliminarmente, que a manifestação de inconformidade apresentada engloba todos os processos apensados. A seguir, no item “DA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIOANTE A AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DA GLOSA DE CRÉDITOS DE PIS ORIUNDOSDA AQUISIÇÃO DE UREIA E EMBALAGEM PERÍODO DE JAN/05 A SET/08”, aduz que a autoridade fiscal, ao tratar dos créditos extemporâneos de PIS/Pasep e Cofins oriundos da aquisição de ureia e embalagem no período de jan/05 a set/08, se pautou tão somente na análise dos créditos de Cofins, sem, contudo, fundamentar a decisão com relação ao PIS/Pasep. Explica que não há uma ausência absoluta de motivação das glosas realizadas. Diz, todavia, que há latente insuficiência da motivação, decorrente da precariedade da análise realizada, que, em última instância, acabou por inviabilizar o entendimento acerca do trabalho fiscal realizado, prejudicando o direito ao contraditório. Entende ser inquestionável a necessidade de reconhecimento da nulidade do despacho decisório por cerceamento do direito de defesa e do contraditório, haja vista a inexistência de elementos sólidos para definir os motivos específicos das glosas perpetradas em relação aos créditos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de ureia e embalagem. Argumenta que a indicação específica dos fatos que ensejaram a glosa dos créditos tributários é um dos requisitos de validade das decisões administrativas, conforme se depreende do art. 50, I, da Lei 9.784/99. Diz ainda que são nulos os despachos proferidos com preterição do direito de defesa, nos termos do artigo 59 do Decreto 70.235/72. Traz decisão do CARF sobre o assunto. Requer a nulidade do despacho decisório. A seguir, no item “DA DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO DE INDEFERIR O DIREITO AO CRÉDITO DE PIS E DE COFINS APROPRIADO ATÉ MAIO DE 2007”, assevera que a autoridade fazendária glosou os créditos oriundos da aquisição de serviços de desestiva, frete sobre compra, armazenagem e de bens e serviços empregados na da produção, referentes ao período transcorrido entre o 1º trimestre de 2007 e o 4º trimestre de2009 e, ainda, créditos Fl. 507DF CARF MF Processo nº 10783.921005/201122 Acórdão n.º 3201004.814 S3C2T1 Fl. 9 8 extemporâneos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de uréia e embalagem do período de janeiro de 2005 a setembro de 2008. Alega, todavia, que já estava decaído o direito de o Fisco glosar os créditos apurados até 05/2007. Diz que o reconhecimento do direito creditório se deu entre 01/2007 e12/2009, ocasião em que apropriou os créditos em sua escrita fiscal e os declarou em Dacon. Explana que a contribuição em análise está sujeita ao lançamento por homologação, de modo que lhe compete apurar mensalmente o montante de tributo devido, declarálo ao Fisco e efetuar o recolhimento. Informa que a homologação pode ocorrer expressa ou tacitamente, a qual se dá pelo transcurso do prazo de 5 (cinco) anos sem a manifestação do fisco, tornando extinto o crédito tributário, nos termos do §4° do art. 150 do CTN. Argumenta que uma vez pago o tributo devido começou a fluir o prazo decadencial de 05 (cinco) anos para o Fisco averiguar se estava correto o procedimento adotado, bem como lançar eventual diferença. Preconiza que, em relação aos créditos apurados entre 01/2005 e 05/2007, o prazo para o Fisco indeferilos findouse em 31/05/2012. Informa que a notificação sobre o indeferimento dos créditos ocorreu no dia 13/06/2012, ou seja, quando já decorrido o prazo decadencial para que o Fisco pudesse rever os valores creditados para apuração do tributo. Requer que seja reconhecido como homologado tacitamente os créditos apropriados entre 01/2005 e 05/2007. No item “DA IMPOSSIBILIDADE DE RESTRIÇÃO INFRALEGAL AO CONCEITO DE INSUMO”, explica que as Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03 determinam que a pessoa jurídica poderá fazer algumas deduções da sua base de cálculo, prevendo que podem ser descontados os bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na fabricação de bens destinados à venda. Diz que ao regulamentar as leis, a RFB externou, por meio das Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04, o seu entendimento do que consiste o termo “insumo” parafins de PIS/Pasep e Cofins, equiparando o ao conceito estabelecido para o IPI, o que não merece prosperar, uma vez que a lei assim não o fez. Explica que tais Instruções Normativas não oferecem a melhor interpretação ao art. 3o, inciso II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03, pois a concepção estrita de insumo não se coaduna com a base econômica da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, cujo ciclo de formação não se limita à fabricação de um produto ou à execução de um serviço, abrangendo outros elementos necessários à obtenção de receita. Explana que a base de cálculo do IPI é o valor da mercadoria industrializada, de modo que insumo, neste caso, está relacionado apenas aos elementos que entram na composição do valor da mercadoria, tais como matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. Por sua vez, o PIS/Pasep e a Cofins têm como base de cálculo a receita, que é composta por todos os ingressos que integram o patrimônio da pessoa jurídica, razão pela qual o insumo se relaciona com a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte, as quais, para serem obtidas, exigem que os contribuintes incorram em despesas e custos. Fl. 508DF CARF MF Processo nº 10783.921005/201122 Acórdão n.º 3201004.814 S3C2T1 Fl. 10 9 Em função disso, entende que para as contribuições ao PIS e à Cofins o significado de insumo é muito mais abrangente do que o do IPI, devendo integrar todas as despesas e custos necessários utilizados na produção de bens e serviços que abarão gerando receita, relacionados nos artigos 290 e 299 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n°3.000/1999), e que definem, respectivamente, custos e despesas operacionais. Aduz que o CARF proferiu decisão na qual reconhece a validade do conceito de insumo oferecido pela legislação do IRPJ, afastando a possibilidade de utilização dos conceitos de insumo trazidos pela legislação do IPI. Assevera que a Justiça Federal está adotando o entendimento do CARF. Anexa decisão da 1a Turma do TRF da 4a Região. Alega que as Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03 não conceituam e nem limitam o conceito de insumos, assim como não remetem à utilização subsidiária da legislação do IPI para o alcance de seu conceito, razão pela qual entende que a restrição ao conceito de insumo trazida nas referidas Instruções Normativas são ilegais, ferindo o princípio constitucional da legalidade. Por fim, ressalta, “apenas por amor à argumentação”, que mesmo em caso de atendimento ao disposto nas IN SRF n°s 247/02 e 404/04, que faz jus aos créditos em discussão, pois consoante se verifica do seu objeto social, é produtora de fertilizantes, sendo imprescindível a observância de todas as etapas relativas ao processo produtivo, o qual abrange desde a chegada dos insumos importados, o carregamento, o transporte, a pesagem, a produção dos fertilizantes, a distribuição e a venda destes produtos. Requer o cancelamento das glosas realizadas relativamente aos dispêndios com insumos. No item “DO DIREITO AO CRÉDITO DE DESESTIVA”, argumenta que, à época, todos os desembolsos efetuados com operações portuárias eram classificados como desestiva, de modo que dentro desta conta foram contabilizados os custos de armazenagem alfandegada (acondicionamento da matériaprima em armazéns dentro do porto até a sua transferência para a fábrica), descarga (ato de retirar a matéria prima do navio),movimentação (movimentação dos produtos dentro do porto) e a própria desestiva (serviços de organização da matériaprima dentro do navio para que a mesma possa ser descarregada). Relata que tais atividades são realizadas por pessoas jurídicas especializadas que atuam apenas para este fim, sem os quais seria impossível a retirada da mercadoria dos porões dos navios e o seu acondicionamento nos caminhões de transporte. Diz que a Lei n° 8.630/93 regulamenta a atividade portuária e determina que todas as movimentações de cargas destinadas ou provenientes de transporte aquaviário devem ser realizadas por pessoas jurídicas préqualificadas para operar no porto. Alega que, assim, pode, com base no artigo 3o, inc. II, das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/2003, descontar créditos de PIS/Pasep ou Cofins sobre aquisições de insumos, bens e serviços empregados na fabricação Fl. 509DF CARF MF Processo nº 10783.921005/201122 Acórdão n.º 3201004.814 S3C2T1 Fl. 11 10 de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. Argumenta que a questão que gera inúmeras discussões doutrinárias e jurisprudenciais é o real significado de insumo, uma vez que não existe uma definição legal, mas apenas instruções normativas publicadas pela RFB na tentativa de conceituálo. Diz que após diversas decisões conflitantes, a Receita Federal publicou a Solução de Divergência n° 15/2008, a qual define insumo como “aqueles bens ou serviços adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou no serviço prestado”. Afirma que tal entendimento lhe possibilita apropriar créditos sobre o valor de aquisição de insumos que não necessariamente se consumam ou desgastem em razão do contato com o produto em fabricação, mas também sobre insumos que são aplicados direta ou indiretamente no processo produtivo de determinada mercadoria, sem que tenham sido desgastados ou consumidos. Cita o art. 110 do CTN, segundo o qual a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance dos conceitos de direito privado. Delimita o conceito de insumo com base na NPC n° 02 do IBRACON (Instituto dos Auditores Independentes do Brasil), que define custo como todos os gastos incorridos para a aquisição e/ou produção de um bem. Traz, também, o conceito de custo fornecido pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC n° 1.170/2009). Entende que é este o conteúdo que deve ser dado ao conceito de insumo pela RFB. Conclui que se enquadram no conceito de custo de produção os incorridos, intrínsecos e necessários na aquisição e na prestação de determinado bem até a etapa em que ele estiver em condições de ser comercializado. Alega, ainda, que a atividade portuária é essencial à sua atividade, o que está cabalmente demonstrado por fotos constantes em documentos anexos. Afirma que tais custos são intrínsecos ao seu processo produtivo, pois, caso algum deles não seja efetuado, a matéria prima não terá continuidade no processo produtivo. Entende, pelo exposto, que os serviços mencionados são, efetivamente, utilizados como insumo no processo produtivo da indústria, haja vista que, após a liberação do Ministério da Agricultura ou da Receita Federal, iniciase todo o serviço de desestiva e descarga do navio, a fim de acomodar as mercadorias dentro do caminhão que as transportará para o processo produtivo da indústria. Traz aos autos fluxograma para demonstrar o procedimento realizado. Afirma que os serviços realizados não podem jamais serem tratados como uma mera atividade meio ou uma despesa administrativa, como entendeu a autoridade fazendária, haja vista que são atividades essenciais e que estão intrinsecamente ligadas à produção de fertilizantes. Requer que se considere os serviços de desestiva, descarregamento, armazenagem alfandegada e movimentação como insumo do processo produtivo e, consequentemente, se reconheça os descontos dos créditos efetuados. Argumenta, com base na citada decisão do CARF, que o conceito de insumo para o PIS/Cofins é o mesmo utilizado na legislação do IRPJ, Fl. 510DF CARF MF Processo nº 10783.921005/201122 Acórdão n.º 3201004.814 S3C2T1 Fl. 12 11 ou seja, insumos não apenas as matériasprimas, mas todos os custos diretos ou indiretos da cadeia produtiva. Argumenta que mesmo que não fossem consideradas as despesas com desestiva, descarregamento, movimentação e armazenagem como prestação de serviços aplicados na produção, devese considerálas como englobadas no custo de transporte, o qual integra o conceito de frete. Diz que não é por não estar amparada por um documento fiscal, apresentado por uma transportadora, que não pode ter direito ao crédito de PIS/Cofins, pois a caracterização do serviço está relacionado ao transporte que faz parte de seu processo produtivo. Aduz que a RFB reconhece o crédito sobre o frete pago no transporte das matérias primas até o estabelecimento fabril. Traz soluções de consultas da RFB sobre o assunto. Requer, por fim, uma vez que a fiscalização não efetuou qualquer questionamento sobre a composição dos lançamentos classificados nas rubricas DESESTIVAS/DESPACHANTES, que seja efetuada diligência para responder qual é o valor dos créditos que deverão ser aceitos nos pedidos de ressarcimento. No item “SERVIÇOS DE TRANSPORTE FRETE NA AQUISIÇÃO DE INSUMOS”, relata que o Fisco glosou crédito de despesas com fretes na aquisição de insumos, não obstante a existência dos devidos comprovantes (CTRC e notas fiscais). Argumenta que, de forma equivocada, concluiu a autoridade fiscal que como os insumos adquiridos (exceto a ureia) são tributados à alíquota zero não poderia haver crédito sobre o respectivo frete. Alega, entretanto, que a alíquota zero aplicada às aquisições de matérias primas não se estende ao frete, que sofre a tributação normal do PIS/Pasep e da Cofins. Afirma que este esse é o entendimento adotado pela melhor jurisprudência do CARF e das DRJ. Traz algumas ementas de decisões desses órgãos, assim como as Soluções de Consulta nº 17/2010 e n° 234/2007. Requer o reconhecimento da totalidade dos créditos oriundos dos fretes sobre compra de insumos. No item, “DOS CRÉDITOS DAS DESPESAS DE ARMAZENAGEM”, aduz que adquire seus insumos básicos em grandes quantidades e, assim, necessita armazenálos, o que nem sempre ocorre nas dependências da empresa. Diz que duas das Soluções de Consulta utilizadas pelo Auditor Fiscal para efetuar as glosas lhe é favorável. Afirma que a Solução de Consulta n° 403/2007 esclarece que os créditos das despesas de armazenagem são devidos desde que seu respectivo ônus seja suportado pela tomadora de créditos, que é o caso em análise. Explica que a Solução de Consulta n° 25/2009, a seu turno, elucida que os créditos de armazenagem não são devidos quando a despesa se refere a produtos que não foram aplicados diretamente na produção, o que não é o caso dos autos. Requer o reconhecimento dos créditos glosados. No item “DOS SERVIÇOS E BENS NÃO ADMITIDOS”, explica que a fiscalização glosou diversos créditos relacionados a bens e serviços adquiridos, inclusive atinentes às despesas incorridas para o transporte desses bens. Diz, todavia, que tais bens e serviços são utilizados como insumos, pois se tratam de ferramentas operacionais, materiais de manutenção, etc, os quais estão diretamente ligados ao Fl. 511DF CARF MF Processo nº 10783.921005/201122 Acórdão n.º 3201004.814 S3C2T1 Fl. 13 12 processo produtivo. Aduz que o conceito de “insumo” não pode ficar restrito ao conceito legalmente estatuído para o IPI. Requer a reversão das glosas efetuadas. No tópico “DA GLOSA DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS DE PIS ORIUNDOS DA AQUISIÇÃO DE URÉIA PECUÁRIA E EMBALAGEM – PERÍODO DE JAN/05 A SET/08”, relata que, conforme exposto em preliminar, a autoridade fiscal glosou créditos de PIS oriundos da aquisição de ureia pecuária e de embalagem, no período de 01/2005 a 09/2008, sem qualquer motivação específica e sem indicação das normas jurídicas eventualmente infringidas, em patente ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Diz que tal indeferimento se deu unicamente sob o argumento de que estavam sendo mantidas em relação ao PIS as glosas realizadas em relação à Cofins no PAF de n° 15586.001201/201048. Afirma que, se não for acatada a preliminar de nulidade, há argumentos, expostos a seguir, que rebatem a glosa perpetrada. No item “DOS CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS DE PIS”, explica que transmitiu PER em virtude da aquisição de ureia pecuária e embalagens aplicadas em seu processo produtivo, referentes ao período de 01/2005 a 09/2008. Diz que tal direito creditório foi glosado sob o possível entendimento de que deveria ter feito o pedido para cada trimestre calendário, nos termos dos artigos 21 e 22 da IN n° 600/2005. Diz que tal entendimento não merece prosperar pelos seguintes motivos. No item “DA IMPOSSIBILIDADE DA REVOGAÇÃO DE LEI POR MEIO DE INSTRUÇÃO NORMATIVA”, expõe que o artigo 16 da Lei n° 11.116/2005 não obrigou que os sujeitos passivos fizessem um PER para cada trimestre como condição para utilizar créditos extemporâneos. Afirma que a lei apenas criou o direito ao crédito e que a única obrigação trazida era de que o saldo credor fosse acumulado em cada trimestre. Aduz que se a lei não restringiu o direito do contribuinte, uma mera instrução normativa não tem o condão de fazêlo, devendo ser observado o princípio da legalidade. Traz à baila o art. 100 do CTN. Argumenta que não há dúvidas sobre o caráter regulatório das Instruções Normativas, que, como normas secundárias, não podem ir além daquilo que foi determinado em lei. Conclui que não merece prosperar a decisão da autoridade fiscal. No tópico “DA OBSERVÂNCIA PELA MANIFESTANTE DO PROCEDIMENTO NECESSÁRIO PARA COMPENSAÇÃO”, assevera que o art. 16 da Lei n° 11.116/05 determina que os contribuintes somente podem utilizar seu crédito acumulado de PIS/Cofins para compensálo com outros tributos após o encerramento do trimestre. Entende que o legislador não proibiu os contribuintes de fazer um único pedido, reunindo saldos acumulados de trimestres anteriores já encerrados. Diz que a obrigatoriedade trazida é apenas que a apuração do saldo credor seja feita a cada trimestre. Informa que quando lançou, deforma extemporânea, em seu Dacon do mês 09/2008 todas as suas operações com direito a crédito do período compreendido entre 01/2005 e 09/2008 e, consequentemente, entregou PER e Dcomp, já estavam encerrados todos os trimestres cujo crédito se pleiteava. Fl. 512DF CARF MF Processo nº 10783.921005/201122 Acórdão n.º 3201004.814 S3C2T1 Fl. 14 13 No tópico “DA COMPOSIÇÃO DO SALDO CREDOR REFERENTE AO 3º TRIMESTRE DE 2008”, diz que o saldo credor deste período é composto pelos créditos apurados dentro do próprio trimestre e pelos créditos extemporâneos reconhecidos no trimestre. Diz ter agido de acordo com as normas jurídicas aplicáveis ao caso e ter feito um único PER. Alega que incorporar crédito extemporâneo aos créditos do 3o trimestre de 2008 apenas lhe prejudicou, em virtude do atraso na devolução do saldo credor a que tem direito. No tópico “DA APLICAÇÃO AO CASO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL” diz, novamente, ser possível a utilização de créditos extemporâneos. Aduz que a autoridade fiscal não pode deixar de reconhecêlos apenas por entender que o procedimento para sua utilização ter sido feita da forma inadequada. Diz que no processo administrativo tributário deve prevalecer sempre a verdade material. Traz decisões do antigo Conselho de Contribuintes sobre a aplicação do princípio. Postula por sua aplicação, reformando a decisão prolatada. No tópico “DA JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTAÇÃO”, explica que no exíguo prazo de 30 dias para apresentação da Manifestação de Inconformidade não foi possível apresentar toda a documentação que respalda os argumentos expostos. Pede, em homenagem ao princípio da ampla defesa, pela entrega dos documentos, a fim de provar a verdade dos fatos até antes do julgamento. No tópico “DA PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL”, requer, com base no artigo 16 do Decreto 70.235/72, a realização de diligência para responder a seguinte questão: “qual é o valor do crédito de PIS/Cofins oriundos dos lançamentos classificados como “desestiva/despachantes”, frete sobre compras, armazenagem e serviços e bens não admitidos que, de acordo com o conceito de insumo, já consagrado pelo CARF, deverá ser aceito no PER?” Protesta pela formulação de quesitos complementares. Nomeia como assistentes técnicos o Sr. Rubens Leite de Mattos, contador, inscrito no CRC 1SP163.568/06, e o Sr. Fabiano de Oliveira Bernarde, engenheiro, inscrito no CREA 5061932479, ambos com endereço na Avenida Irene Karcher, 620, Betel, Paulínia/SP, CEP 13148906, fone: (019) 33222289. Por fim, no tópico “DO PEDIDO”, requer: 1) a nulidade do Despacho Decisório em face da insuficiência da motivação das glosas dos créditos extemporâneos de PIS, por ofensa aos princípios da ampla defesa e do contraditório; 2) a homologação tácita dos créditos apropriados até 05/2007; 3) quanto ao mérito, o reconhecimento integral dos créditos; 4) a realização de diligência/prova pericial a fim de comprovar o todo alegado; 5) protesta pela posterior juntada de documentos até antes do julgamento; Fl. 513DF CARF MF Processo nº 10783.921005/201122 Acórdão n.º 3201004.814 S3C2T1 Fl. 15 14 6) requer que as futuras intimações sejam enviadas não só para o domicílio do contribuinte, como também para seus advogados, cujo domicílio encontrase na rua Paulo Lobo, n° 33, Cambuí, Cidade de Campinas/SP, CEP 13.025210. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O Acórdão n.º 06047.510 3ª Turma da DRJ/CTA, está assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 DECADÊNCIA. DIREITO DE EFETUAR A GLOSA DE CRÉDITOS. O prazo decadencial do direito de lançar tributo não rege os institutos da compensação e do ressarcimento e não é apto a obstaculizar o direito de averiguar a liquidez e a certeza do crédito do sujeito passivo e a obstruir a glosa de créditos indevidos tomados pela contribuinte. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. Somente podem ser considerados insumos, os bens ou serviços intrinsecamente vinculados à produção de bens, não podendo ser interpretados como todo e qualquer bem ou serviço que gere despesas. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. DESESTIVA. DESPACHANTES. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com desestiva e despachantes, decorrentes de importação de mercadorias. CRÉDITOS. CUSTOS COM ARMAZENAGEM. As despesas com armazenagem somente geram créditos não cumulativos se estiverem vinculadas às operações de venda. FRETES SOBRE COMPRAS. CRÉDITOS BÁSICOS. Somente os fretes sobre compras de bens passíveis de creditamento na sistemática da não cumulatividade do PIS e da Cofins geram direito ao crédito básico. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não há previsão legal na legislação de regência do PIS/Pasep e da Cofins para o aproveitamento extemporâneo de créditos da não cumulatividade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Fl. 514DF CARF MF Processo nº 10783.921005/201122 Acórdão n.º 3201004.814 S3C2T1 Fl. 16 15 As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência por ser absolutamente desnecessário para a solução do litígio. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário por meio do qual requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese: I. Dos Fatos A Recorrente reproduz os argumentos da impugnação explicando que com a edição do artigo 17 da Lei n° 11.033, de 21 de dezembro de 2004, passou a ser possível a manutenção dos créditos relativos às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência. Aduz que, posteriormente, foi editada a Lei n° 11.116/05, cujo artigo 16 autorizou a compensação destes créditos com outros tributos federais ou, ainda, seu ressarcimento. Diz que, por isso, apurou o saldo credor solicitado no PER. Resume, ao fim, as glosas realizadas e diz que os fundamentos utilizados pela autoridade fiscal não podem prosperar. II. Do Direito II.1 – Da Decadência – Desestiva e Outros A Recorrente alega a decadência do direito de lançar o créditos oriundos da glosa de serviços de desestiva, frete sobre a compra, armazenagem e bens e serviços empregados na produção, referentes ao período transcorrido entre o 1o trimestre de 2007 e o 4o trimestre de 2009 e, ainda, créditos extemporâneos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de uréia e embalagem do período de janeiro de 2005 a setembro de 2008. Nessa linha, repete os argumentos da impugnação, sustentando dentre outros a) que já estava decaído o direito de o Fisco glosar os créditos apurados até 05/2007; b) que o tributo era sujeito a lançamento por homologação com a contagem do prazo decadencial nos termos do §4° do art. 150 do CTN; c) que o prazo para o Fisco indeferilos findouse em 31/05/2012; d) que a notificação sobre o indeferimento dos créditos ocorreu no dia 13/06/2012, portando posterior a data de 31/05/2012. II.2 – Da Direito ao Crédito da Contribuição ao PIS e da Cofins Não Cumulativas Oriundas da Aquisição de Insumos e Serviços e da Impossibilidade de Ressarcimento/Compensação. A Recorrente argumenta que com a edição das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 a contribuição ao PIS e a Cofins tornaramse, via de regra, nãocumulativas. Complementa afirmando que teria direito ao crédito na aquisição de bens e serviços, bem como Fl. 515DF CARF MF Processo nº 10783.921005/201122 Acórdão n.º 3201004.814 S3C2T1 Fl. 17 16 das despesas incorridas para a fabricação de seu produto. Embasa sua afirmativa no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21/12/2004. O referido artigo assim dispõe: "Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota O (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações." (DOU 22/12/04) Reforça esse argumento, fazendo referência ao art. 16, da Lei nº 11.116/05 que trata dentre outros da compensação com débitos próprios do crédito acumulado a cada trimestre de PIS/Pasep e Cofins. II.3 – Da Impossibilidade de Restrição Infralegal ao Conceito de Insumo A Recorrente argumenta que a RFB por meio das Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04 da RFB fez uma interpretação equivocada do conceito de insumo para fins de PIS/Pasep e Confins constante das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03. O equívoco ocorre pois as referidas INs equipararam o conceito de insumo para fins de PIS/Pasep e Confins ao conceito de insumo para a legislação do IPI. Dessa forma, explica que os tributos em cena têm uma estrutura jurídica completamente diversa, sendo o IPI um imposto sobre a produção e o PIS/Pasep e Cofins contrições sobre a receita. Cita doutrina e jurisprudência tratando do conceito de insumo. Pede que seja reconhecido o direito creditório. II.4 – Do Direito ao Crédito de Desestiva A Recorrente defende o direito ao crédito com as atividades de desestiva. Tratase de desembolsos efetuados com operações portuárias, a saber: custos de armazenagem alfandegada (acondicionamento da matériaprima em armazéns dentro do porto até a sua transferência para a fábrica), descarga (ato de retirar a matériaprima do navio), movimentação (movimentação dos produtos dentro do porto) e a própria desestiva (serviços de organização da matériaprima dentro do navio para que a mesma possa ser descarregada). Alega que as atividades portuárias são realizadas por pessoas jurídicas domiciliadas no país e transcreve trechos da Lei nº 8.630/93. Diz que a Lei n° 8.630/93 regulamenta a atividade portuária e determina que todas as movimentações de cargas destinadas ou provenientes de transporte aquaviário devem ser realizadas por pessoas jurídicas préqualificadas para operar no porto. Alega que as despesas com o serviço de desestiva enquadramse no conceito de insumos. Cita doutrina e jurisprudência para pedir o reconhecimento do direito creditório de PIS/Pasep e Cofins. Argumenta que mesmo que não fossem consideradas as despesas com desestiva, descarregamento, movimentação e armazenagem como prestação de serviços aplicados na produção, devese considerálas como englobadas no custo de transporte, o qual Fl. 516DF CARF MF Processo nº 10783.921005/201122 Acórdão n.º 3201004.814 S3C2T1 Fl. 18 17 integra o conceito de frete. Cita jurisprudência reconhecendo o direito ao crédito nos serviços de frete na aquisição. II.5 – Serviços de Transporte – Frete na Aquisição de Insumos A Recorrente relata que o Fisco glosou o crédito de despesas com fretes na aquisição de insumos, não obstante a existência dos devidos comprovantes (CTRC e notas fiscais). Argumenta que, de forma equivocada, concluiu a autoridade fiscal que como os insumos adquiridos (exceto a ureia) são tributados à alíquota zero não poderia haver crédito sobre o respectivo frete. Argumenta que os custos relativos ao frete são tributados pelo PIS/COFINS e que faria jus ao crédito. A seu favor, cita trecho de parecer, de legislação do IR (RIR/2011 art. 289) e jurisprudência administrativa. II.6 – Dos Créditos Decorrentes das Despesas de Armazenagem A Recorrente aduz que adquire seus insumos básicos em grandes quantidades e, assim, necessita armazenálos, o que nem sempre ocorre nas dependências da empresa. Afirma que a armazenagem é um serviço indispensável ao seu processo produtivo. Dessa forma, alega que não se pode restringir o direito ao crédito de PIS/COFINS provenientes das despesas de armazenagem. II.7 – Dos Serviços e Bens Não Admitidos A Recorrente relata explica que a fiscalização glosou diversos créditos relacionados a bens e serviços adquiridos, inclusive atinentes às despesas incorridas para o transporte desses bens. Diz, todavia, que tais bens e serviços são utilizados como insumos, pois se tratam de ferramentas operacionais, materiais de manutenção, etc, os quais estão diretamente ligados ao processo produtivo. Aduz que o conceito de “insumo” não pode ficar restrito ao conceito legalmente estatuído para o IPI. Requer a reversão das glosas efetuadas. II.8 – Da Glosa dos Créditos Extemporâneos de PIS Oriundos da Aquisição de Uréia Pecuária e Embalagem – Período de Jan/05 a Jun/08 A Recorrente relata que, conforme exposto em preliminar, a autoridade fiscal glosou créditos de PIS oriundos da aquisição de ureia pecuária e de embalagem, no período de 01/2005 a 09/2008, sem qualquer motivação específica e sem indicação das normas jurídicas eventualmente infringidas, em patente ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Diz que a questão relacionada aos créditos extemporâneos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de ureia e embalagem no período de jan/05 a set/08 será tratada especificamente no PA de n° 15586.720015/201273, uma vez que tais créditos foram solicitados no PER de setembro de 2008 de n° 09266.04610.101008.1.1.100006. Pede que os autos sejam julgados em conjunto com outros processos que estavam inicialmente apensados no Processo Administrativo nº 10783.900001/201291, uma vez que são conexos por tratarem das mesmas matérias. III.8 – Da Produção de Prova Pericial/Diligência Fl. 517DF CARF MF Processo nº 10783.921005/201122 Acórdão n.º 3201004.814 S3C2T1 Fl. 19 18 A Recorrente reforça que foi requerida quando da interposição da Manifestação de Inconformidade a realização de prova pericial/diligência, para responder ao seguinte questionamento: Qual é o valor do crédito de PIS/COFINS oriundo dos lançamentos classificados como DESESTIVAS/DESPACHANTES, FRETE SOBRE COMPRA, ARMAZENAGEM e SERVIÇOS E BENS NÃO ADMITIDOS que, de acordo com o conceito de insumo, já consagrado pelo CARF, deverá ser aceito no pedido de ressarcimento? Protesta pela formulação de quesitos complementares e indica assistentes técnicos. IV – Do Pedido A Recorrente ao final pede que: 1) inicialmente, requer a Recorrente que o presente processo seja analisado em conjunto com todos os outros processos que estavam inicialmente apensados no Processo Administrativo n.o 10783.900001/201291, uma vez que são conexos por tratarem das mesmas matérias; 2) requer que seja reconhecida a homologação tácita dos créditos apurados pela Defendente até maio de 2.007, eis que quando da notificação da Defendente em 13/06/2012, já estava decaído o direito do Fisco de indeferir e glosar o direito creditório do contribuinte em decorrência do transcurso do prazo de 05 (cinco) anos, nos termos do artigo 150, g 40 do CTN; 3) requer que o presente recurso seja integralmente provido para reformar o v. acórdão recorrido e reconhecer integralmente o crédito pleiteado, eis que o conceito de insumo engloba todos os custos e despesas incorridos para a obtenção de receita advinda da venda de fertilizantes, nos termos articulados no presente recurso, e que sejam homologadas as compensações realizadas pela Recorrente, extinguindose, assim, o respectivo crédito tributário, nos termos do artigo 156, II, do CTN. 4) requer a realização de diligência/prova pericial a fim de comprovar todo o alegado. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.805, de 31/01/2019, proferido no julgamento do processo 10783.900005/201270, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 518DF CARF MF Processo nº 10783.921005/201122 Acórdão n.º 3201004.814 S3C2T1 Fl. 20 19 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.805): "O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise do Recurso Voluntário. Inicialmente a Recorrente pede que estes autos sejam julgados em conjunto com outros processos que estavam inicialmente apensados no Processo Administrativo nº 10783.900001/201291. Ocorre que os processos foram desapensados pela DRJ por entender ser melhor a análise de julgamento individualizada. Os processos apensados, digase, envolvem créditos de natureza diferentes (mercado interno não tributado e exportação) e períodos de apuração distintos. Além disso, há pontos controversos que não dizem respeito a todos os processos. Por isso, cada qual deve seguir seu próprio caminho, independentemente dos demais. (efl. 463) Assim negase o pedido, sendo que este acordão diz respeito unicamente ao PER de n° 24645.20425.080409.1.1.105572, relativo ao 4º trimestre de 2008, resultantes da não incidência de PIS/Pasep sobre as receitas de vendas não tributadas no mercado interno. Do Direito II.1 – Da Preliminar de Decadência A Recorrente alega a preliminar de decadência do direito de lançar parte dos créditos. Não lhe assiste razão. A lide trata de PER Pedido Eletrônico de Restituição, sendo que não há previsão legal acerca da ocorrência de “homologação” ou de “decadência” para que o fisco examine o direito creditório de restituição. O prazo de 5 anos para a homologação é válido para os casos de compensação, isto é, da extinção do débito (crédito tributário) por um alegado crédito. Tratase de aplicar o disposto no art. 74 da Lei n° 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. ... § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Fl. 519DF CARF MF Processo nº 10783.921005/201122 Acórdão n.º 3201004.814 S3C2T1 Fl. 21 20 § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. Assim, de forma conclusiva, afasto a preliminar de decadência. II.2 – Da Direito ao Crédito da Contribuição ao PIS e da Cofins Não Cumulativas Oriundas da Aquisição de Insumos e Serviços e da Impossibilidade de Ressarcimento/Compensação. A Recorrente argumenta que com a edição das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 a contribuição ao PIS e a Cofins tornaramse, via de regra, nãocumulativas. Assiste razão a Recorrente. O art. 3º de ambas as leis utiliza o termo “insumos” para caracterizar o direito ao crédito. Tratase de assunto exaustivamente discutido neste CARF, cabendo ao intérprete da lei definir a amplitude ou abrangência do termo “insumos” para cada caso em concreto. O direito ao crédito dos insumos também está assegurado mesmo nos casos das vendas de produtos finais tributadas a alíquota zero. Nesse sentido, citase jurisprudência da CSRF deste CARF: CARF CSRF Acórdão 9303007.500 – 3ª Turma ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2008 PIS/PASEP. AQUISIÇÃO E REVENDA. ALÍQUOTA ZERO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. CRÉDITO SOBRE ARMAZENAGEM E FRETES NA VENDA. POSSIBILIDADE. As revendas, por distribuidoras, de produtos sujeitos à tributação concentrada, ainda que as receitas sejam tributadas à alíquota zero, possibilitam desconto de créditos relativos a despesas com armazenagem e frete nas operações de venda, conforme artigo 3º, IX da Lei nºs 10.637/2002 e 10.833/03. Assim, mesmo que o produto final esteja sujeito a alíquota zero, existe o direito ao crédito na aquisição de bens e serviços que tenham sido efetivamente tributados pelas contribuições na etapa anterior. Os dispositivos legais que embasam tal conclusão são a Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, §§ 7º e 8º; e a Lei 11.033, de 2004, art. 17. Assim, dáse provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito dos insumos sujeitos ao pagamento das contribuições, particularmente o frete, de produtos cuja revenda esteja sujeita a alíquota zero. II.3 – Da Impossibilidade de Restrição Infralegal ao Conceito de Insumo Fl. 520DF CARF MF Processo nº 10783.921005/201122 Acórdão n.º 3201004.814 S3C2T1 Fl. 22 21 A Recorrente argumenta que a RFB por meio das Instruções Normativas n° 247/02 e 404/04 da RFB fez uma interpretação equivocada do conceito de insumo para fins de PIS/Pasep e Confins constante das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03. Assiste razão a Recorrente. O conceito de insumo é distinto do conceito de matériasprimas e produtos intermediários constante da legislação do IPI. Para o PIS/COFINS o conceito de insumo é mais amplo, ultrapassando as limitações de contato direto com o produto fabricado. Ao julgar a questão sob o prisma dos recursos repetitivos (Recurso Especial nº 1.221.170 – PR), o acórdão do STJ destacou que ao interpretar o termo insumos de forma restritiva, a Fazenda por meio das INs 247/02 e 404/04 desnaturou o sistema não cumulativo e limitou indevidamente o conceito, que está relacionado àquilo que é intrínseco à atividade econômica da empresa. A atuais redações dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 (PIS) e nº 10.833/2003 (COFINS), seguem abaixo: Lei nº 10.637/2002 (PIS) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 521DF CARF MF Processo nº 10783.921005/201122 Acórdão n.º 3201004.814 S3C2T1 Fl. 23 22 VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 522DF CARF MF Processo nº 10783.921005/201122 Acórdão n.º 3201004.814 S3C2T1 Fl. 24 23 VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) As INs 247/02 e 404/04 da RFB equipararam o conceito de insumo para fins de PIS/COFINS ao conceito de insumo para a legislação do IPI e, por isso, foram consideradas restritivas. Cabe esclarecer que o julgado na sistemática de recursos repetitivos, implica na aplicação do art. 62 do anexo II do RICARF, aprovado por meio da Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Assim, nos termos do julgado do STJ, o conceito de insumo deve ser avaliado considerando a essencialidade ou relevância do bem ou serviço, ou seja, considerandose a sua necessidade ou a sua importância para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada. II.4 – Do Direito ao Crédito de Desestiva A Recorrente defende o direito ao crédito com as atividades de desestiva. Assiste razão parcial a Recorrente. Por um lado os gastos com armazenagem alfandegada (acondicionamento da matériaprima em armazéns dentro do porto até a sua transferência para a fábrica), descarga (ato de retirar a matériaprima do navio), movimentação (movimentação dos produtos dentro do porto) e a própria desestiva (serviços de organização da matériaprima dentro do navio para que a mesma possa ser descarregada) geram direito ao crédito. Tratase de questão previamente abordada por esta turma que aceita o frete na aquisição do insumo como componente de seu custo. Ora, aqui, as despesas relacionadas à Fl. 523DF CARF MF Processo nº 10783.921005/201122 Acórdão n.º 3201004.814 S3C2T1 Fl. 25 24 operação física de importação – desestiva, descarregamento, movimentação – têm a mesma natureza contábil do frete, como custo do insumo. Por outro lado, os gastos com despachantes aduaneiros e outros serviços administrativos para o cumprimento dos trâmites burocráticos de importação não geram direito a crédito. Tais despesas enquadramse no conceito de despesa administrativa. Sobre o assunto notese que a função do despachante é praticar atos administrativos como representante das empresas ou clientes pessoa física. No Brasil, ao contrário de alguns países, inexiste a obrigatoriedade de contratação de despachante aduaneiro. A empresa pode realizar de forma própria tais atividades. Tratase de disposição expressa no art. 5º do Decreto lei nº 2.472/88: Decretolei nº 2.472, de 01.09.88: Art. 5º A designação do representante do importador e do exportador poderá recair em despachante aduaneiro, relativamente ao despacho aduaneiro de mercadorias importadas e exportadas e em toda e qualquer outra operação de comércio exterior, realizada por qualquer via, inclusive no despacho de bagagem de viajante. § 1º Nas operações a que se refere este artigo, o processamento em todos os trâmites, junto aos órgãos competentes, poderá ser feito: a) se pessoa jurídica de direito privado, somente por intermédio de dirigente, ou empregado com vínculo empregatício exclusivo com o interessado, munido de mandato que lhe outorgue plenos poderes para o mister, sem cláusulas excludentes de responsabilidades do outorgante mediante ato ou omissão do outorgado, ou por despachante aduaneiro; b) se pessoa física, somente por ela, ou por despachante aduaneiro; c) se órgão da administração pública direta ou autárquica, federal, estadual ou municipal, missão diplomática ou repartição consular de país estrangeiro ou representação de órgãos internacionais, por intermédio de funcionário ou servidor, especialmente designado ou por despachante aduaneiro. Diante do exposto, reafirmase que a atividade de despachante aduaneiro é de natureza administrativa sem relação com o frete/armazenagem/logística da atividade econômica da empresa. Caberá a unidade de origem, em conjunto com a Recorrente, determinar as rubricas relativas ao pagamento de despachantes aduaneiros para a exclusão dos créditos. Assim, dáse razão parcial a Recorrente apenas para reconhecer o direito ao crédito quando do pagamento dos serviços com armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/armazenagem/logística. II.5 – Serviços de Transporte – Frete na Aquisição de Insumos A Recorrente relata que o Fisco glosou o crédito de despesas com fretes na aquisição de insumos, não obstante a existência dos devidos comprovantes (CTRC e notas fiscais). Assiste razão a Recorrente. Sobre o assunto existe jurisprudência do CARF CSRF. Fl. 524DF CARF MF Processo nº 10783.921005/201122 Acórdão n.º 3201004.814 S3C2T1 Fl. 26 25 CARF CSRF Acórdão (9303007.562) PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o “Teste de Subtração”, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Dessa forma, dáse provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas dos serviços de transporte, frete, de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. II.6 – Dos Créditos Decorrentes das Despesas de Armazenagem A Recorrente aduz que adquire seus insumos básicos em grandes quantidades e, assim, necessita armazenálos, o que nem sempre ocorre nas dependências da empresa. Afirma que a armazenagem é um serviço indispensável ao seu processo produtivo. Assiste razão a Recorrente. Conforme consta da leitura dos autos, entendo que os serviços de armazenagem são essenciais para a atividade da empresa que opera com carga a granel. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo. Tal conceito ensina que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o teste de subtração para a armazenagem dos produtos é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre a armazenagem do insumo a granel. Dessa forma, dáse provimento ao Recurso Voluntário para reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. II.7 – Dos Serviços e Bens Não Admitidos A Recorrente relata explica que a fiscalização glosou diversos créditos relacionados a bens e serviços adquiridos, inclusive atinentes às despesas incorridas para o transporte desses Fl. 525DF CARF MF Processo nº 10783.921005/201122 Acórdão n.º 3201004.814 S3C2T1 Fl. 27 26 bens. Diz, todavia, que tais bens e serviços são utilizados como insumos, pois se tratam de ferramentas operacionais, materiais de manutenção, etc, os quais estão diretamente ligados ao processo produtivo. Da leitura dos autos depreendese que tais créditos serão analisados no processo de n° 10783.900001/201291, apensado ao processo de n° 10783.921005/201122, a qual engloba também as despesas de frete incorridas para o transporte desses bens. II.8 – Da Glosa dos Créditos Extemporâneos de PIS Oriundos da Aquisição de Uréia Pecuária e Embalagem – Período de Jan/05 a Jun/08 A Recorrente relata que, conforme exposto em preliminar, a autoridade fiscal glosou créditos de PIS oriundos da aquisição de ureia pecuária e de embalagem, no período de 01/2005 a 09/2008, sem qualquer motivação específica e sem indicação das normas jurídicas eventualmente infringidas, em patente ofensa ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Diz que a questão relacionada aos créditos extemporâneos de PIS/Pasep oriundos da aquisição de ureia e embalagem no período de jan/05 a set/08 será tratada especificamente no PA de n° 15586.720015/201273, uma vez que tais créditos foram solicitados no PER de setembro de 2008 de n° 09266.04610.101008.1.1.100006. Em vista do exposto entendese que o assunto será objeto de julgamento no processo n° 15586.720015/201273. III.8 – Da Produção de Prova Pericial/Diligência A Recorrente reforça que foi requerida quando da interposição da Manifestação de Inconformidade a realização de prova pericial/diligência. Entendo que desnecessária a realização de perícia/diligência para solução da lida. A questão dos lançamentos realizados para o pagamento dos serviços administrativos de despachantes aduaneiros pode perfeitamente ser sanada pela unidade de origem, em conjunto com a Recorrente, ou de maneira isolada. Assim, negase provimento. Conclusão Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, conforme abaixo. 1) Negar a análise conjunta com outros processos tendo em vista a exposição de motivos realizada pela DRJ; 2) Indeferir a preliminar de decadência por tratarse de pedido de restituição; 3) No mérito, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para: (a) por unanimidade de votos: (i) reverter as glosas do frete de insumos, mesmo quando a revenda dos produtos sujeitase a alíquota zero; (ii) reverter as glosas do frete sobre a revenda de produtos; (iii) reverter as glosas relativas aos serviços de armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/ armazenagem/ logística; Fl. 526DF CARF MF Processo nº 10783.921005/201122 Acórdão n.º 3201004.814 S3C2T1 Fl. 28 27 (iv) reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte; (v) indeferir a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide; (b) por maioria de votos: manter a glosa sobre os serviços administrativos de despachantes aduaneiros. Não julgar a questão dos serviços e bens não admitidos que serão objeto de julgamento em outro processo. Não julgar a questão dos créditos extemporâneos que serão objeto de julgamento em outro processo. Negar provimento a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado indeferiu a preliminar de decadência por tratarse de pedido de restituição. No mérito, o colegiado deu parcial provimento ao Recurso Voluntário para: (i) reverter as glosas do frete sobre a aquisição de insumos, mesmo quando a aquisição sujeitase à alíquota zero; (ii) reverter as glosas do frete sobre a revenda de produtos; (iii) reverter as glosas relativas aos serviços de armazenagem alfandegada, descarga, movimentação e a própria desestiva, todos relacionados ao transporte/ armazenagem/ logística; (iv) reverter as glosas das despesas com os serviços de armazenagem, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte; (v) indeferir a produção de prova pericial/diligência por entender desnecessária a solução da lide e, por último, para manter a glosa sobre os serviços administrativos de despachantes aduaneiros. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 527DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.911823/2009-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.825
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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RESTITUIÇÃO Recorrente AUTOTRAC COMÉRCIO E TELECOMUNICAÇÕES S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido de restituição de crédito oriundo de pagamento indevido da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico Cide, com origem no mês de janeiro de 2006. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Cuidam os autos da Compensação de crédito de Pagamento Indevido da CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico), período de apuração janeiro/2006, com débito próprio da contribuinte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 66 .9 11 82 3/ 20 09 -7 0 Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10166.911823/200970 Resolução nº 3201001.825 S3C2T1 Fl. 210 2 Irresignada com o não reconhecimento do crédito solicitado pela instância "a quo", a interessada oferece manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: Por força do art. 2º da Lei 10.168/2000, parágrafo 1A, redação dada pela Lei 11.542/2007, determinou que a contribuição de que trata este artigo (CIDE) não incide sobre a remuneração pela licença de uso ou direitos de comercialização ou distribuição de programas de computadores; Por isso, promoveu o crédito/compensação dos valores pagos indevidamente, referentes à CIDE apurada no período de janeiro de 2006 a janeiro de 2007, considerando os aspectos legais de vigência estabelecidos em conformidade com o art. 21, da referida Lei, que contemplou a não incidência a partir de janeiro/2006; Em 18/06/2009 protocolou consulta acerca da matéria, em homenagem aos princípios da boafé, em especial quanto aos procedimentos por ela adotados quanto à compensação dos valores pagos indevidamente (processo administrativo nº 10166.006204/200961. Anexa também a folha do Razão Contábil contemplando o estorno do valor da CIDE pago indevidamente, referente ao pagamento de licença de uso. Na consulta pediu esclarecimento qual o procedimento apropriado em relação aos valores dos débitos declarados em Dctf, tendo em vista que em face da não incidência no período passaram a ser zero (zero), caso que a Dctf não admite alteração para valor de débito igual a zero. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/BSB n.º 03 051.620, de 11/04/2013 (fls. 87 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006 APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a inexistência do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10166.911823/200970 Resolução nº 3201001.825 S3C2T1 Fl. 211 3 Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 119 e ss., por meio do qual, depois de relatar os fatos, repete argumentos já declinados em sua manifestação de inconformidade. Mas acresce que apresentou todos os documentos previstos na legislação para comprovar o seu direito, somados a outros agora anexados ao recurso voluntário. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. A Recorrente teve indeferido pedido eletrônico de restituição de crédito decorrente de pagamento a maior da Cide, ao fundamento de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, localizouse pagamento integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte, não restando saldo disponível para a restituição requerida. Contestada a decisão, a DRJ julgoua improcedente. E fêlo com base nos seguintes argumentos: No caso em análise, a contribuinte esclarece que deveria ser retificada a DCTF do período, o que comprovaria a existência do crédito, pois o débito foi considerado indevido pela Lei (não incidência da CIDE no período). Notase, então, que o crédito que a interessada alega possuir seria decorrente de apuração de valor indevido, circunstância legal autorizada em data posterior à época da entrega da DCTF original. No entanto, neste momento processual, para comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, a inexistência do valor do débito correspondente a cada período de apuração, conforme previsto no art. 923 do RIR/99, transcrito a seguir: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º). Ainda, neste caso, o ônus da prova recai sobre a contribuinte interessada, que deve trazer aos autos elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto ao fato questionado. Logo, não cabe ao Fisco obter provas de que a contribuinte teria informado débito a maior em sua declaração. A respeito do tema, dispõe o Código de Processo Civil, em seu art. 333: Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10166.911823/200970 Resolução nº 3201001.825 S3C2T1 Fl. 212 4 Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Logo, a simples entrega da declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento a maior ou indevido, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em Dcomp, ainda que aquela retificadora tivesse sido enviada antes da emissão do Despacho Decisório. Na espécie, a contribuinte apenas traz uma folha do Razão Analítico Individual, cópia onde totaliza o valor do período de 01/01/2007 a 31/12/2007 (fl. 78). Além disso, os períodos de apuração dos pagamentos indevidos se referem ao anobase 2006. Assim, uma vez não comprovada nos autos a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública passível de compensação, não há o que ser reconsiderado na decisão dada pela autoridade administrativa. Portanto, para a DRJ, não haveria provas do crédito que se alega possuir. Com efeito, anexada a sua primeira peça de defesa, a Recorrente trouxe, além de cópia do DARF respectivo, cópia do Razão Analítico referente ao ano de 2007, no qual se encontra o registro contábil do estorno do lançamento anterior (com o valor do suposto indébito corrigido), efetuado quando do pagamento da Cide. Agora, em sede de Recurso Voluntário, também traz aos autos cópia do Razão Consolidado de 2006, no qual se encontra informado o lançamento contábil original. Notese, por importante, tratarse de pedido apreciado por meio de despacho eletrônico, de modo que não houve intimação prévia a sua ciência para a apresentação de esclarecimentos adicionais ou para a entrega de documentos necessários à comprovação do crédito1, tampouco a DRJ baixou os autos em diligência, a fim de permitilo à Recorrente. Nesse contexto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a autoridade preparadora analise os documentos acostados aos autos pela Recorrente, inclusive ao Recurso Voluntário, e, se entender necessário, intime a Recorrente a promover a entrega de outros documentos (contratos etc.) imprescindíveis à apreciação do alegado indébito. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. 1 Art. 3o O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: (...) III formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; Fl. 212DF CARF MF Processo nº 10166.911823/200970 Resolução nº 3201001.825 S3C2T1 Fl. 213 5 Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 213DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.908729/2012-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/05/2010
DEPRECIAÇÃO. REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO.
As diferenças no cálculo da depreciação de bens do ativo imobilizado decorrentes do disposto no § 3º do art. 183 da Lei nº 6.404, de 1976, com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.638, de 2007, e pela Lei nº 11.941, de 2009, não terão efeitos para fins de apuração do cálculo dos créditos no regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007.
Numero da decisão: 3201-005.163
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Correia Lima Macedo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO
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REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO. As diferenças no cálculo da depreciação de bens do ativo imobilizado decorrentes do disposto no § 3º do art. 183 da Lei nº 6.404, de 1976, com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.638, de 2007, e pela Lei nº 11.941, de 2009, não terão efeitos para fins de apuração do cálculo dos créditos no regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 87 29 /2 01 2- 48 Fl. 624DF CARF MF 2 Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário, efls. 66/74, contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão n.º 1467.522 5ª Turma da DRJ/RPO, efls. 55/59, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, mantendo a decisão administrativa pela não homologação da compensação declarada de créditos de COFINS. O relatório da decisão de primeira instância descreve os fatos dos autos. Nesse sentido, transcrevese a seguir o referido relatório: Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração 31/05/2010, no valor de R$ 79.402,46, transmitida através do PER/Dcomp nº 24391.10941.251111.1.3.049507. A DRF Salvador não homologou a compensação por meio do despacho decisório eletrônico de fl. 42, já que pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito do contribuinte. Cientificado do despacho em 18/12/2012 (fl. 43), o recorrente apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 2/5, em 16/01/2013, para alegar que teria revisado a apuração do débito de Cofins no Dacon e constatado que teria deduzido a menor os créditos decorrentes de encargos de depreciação sobre os bens do ativo imobilizado. Defendeu que a divergência teria ocorrido, pois não teria observado o Regime Tributário de Transição, tendo revisado a vida útil econômica estimada dos bens e o saldo residual do ativo imobilizado, com amparo no Parecer Normativo nº 1, de 29 de julho de 2011. Alegou que teria retificado a DCTF e o Dacon intempestivamente, motivo pelo qual o crédito não teria sido visualizado à época da emissão do despacho decisório. Concluiu, para requerer a homologação da compensação. Juntou cópia do Dacon e da DCTF. É o relatório A DRJ, por unanimidade de votos, julgou improcedente em parte a impugnação. O Acórdão n.º 1467.522 5ª Turma da DRJ/RPO está assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/05/2010 Fl. 625DF CARF MF Processo nº 10580.908729/201248 Acórdão n.º 3201005.163 S3C2T1 Fl. 625 3 Ementa: DEPRECIAÇÃO. REGIME TRIBUTÁRIO DE TRANSIÇÃO. As diferenças no cálculo da depreciação de bens do ativo imobilizado decorrentes do disposto no § 3º do art. 183 da Lei nº 6.404, de 1976, com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.638, de 2007, e pela Lei nº 11.941, de 2009, não terão efeitos para fins de apuração do cálculo dos créditos no regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. Inconformada, a ora recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual, requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese: V Das Razões Recursais A recorrente alega que é tributada com base no lucro real, sujeitandose ao recolhimento da COFINS pelo regime da não cumulatividade, em conformidade com a legislação pertinente. Cita o artigo 74 da Lei n° 9.430/96 para ter direito à compensação do tributo pago indevidamente ou “a maior” durante o ano calendário. Afirma que os valores compensados foram devidamente apurados e contabilizados nos livros societários, tendo ocorrido mero erro material no envio das informações prestadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil. Diz ainda que deixou de retificar, tempestivamente, as informações prestadas no DACON e na DCTF, fato que impossibilitou a visualização do crédito. A Recorrente argumenta que apresentou DCTF retificadora depois do despacho decisório. Cita a seu favor o disposto no Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28/08/2015, especialmente no item 18, conforme transcrição abaixo: 18. Portanto, mesmo depois da ciência do despacho decisório, pode o interessado apresentar manifestação de inconformidade alegando essencialmente que cometeu equívoco na apresentação da DCTF que respaldaria o crédito pretendido e informando a transmissão da correspondente DCTF retificadora com o intuito de reduzir ou excluir débito tributário confessado. 18.1. Se a retificação da DCTF ocorrer depois do Despacho Decisório, ou mesmo depois da apresentação da manifestação de inconformidade, dentro da livre convicção para análise das provas no caso concreto, o julgador administrativo pode verificar que as razões do sujeito passivo são procedentes e que o indeferimento do crédito decorreu da falta de retificação prévia da DCTF. Evidentemente que, nessa hipótese, o despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição ou não homologou a compensação estava correto, pois o valor do pagamento da DCTF não estava disponível (vide item 10.5). Esse valor, entretanto, tornouse disponível no trâmite do processo administrativo fiscal. Caso o despacho decisório do Fl. 626DF CARF MF 4 indeferimento daquele crédito (ou da não homologação da DCOMP) decorreu apenas dessa hipótese preliminar, o órgão julgador poderá baixar o processo administrativo fiscal em diligência, nos termos do art. 18 do Processo Administrativo Fiscal (PAF), a fim de analisar as questões fáticas envolvendo a análise do crédito. Notese que tal procedimento é fundamental para a segurança do crédito, pois, a princípio, é a DRF que tem as condições de avaliar se aquele crédito já não foi alocado em outro PER/DCOMP, além de questões meramente monetárias que podem gerar improcedência parcial, nos termos dos itens 18.4 e seguintes. Caso a DRJ assim não proceda, o julgador então deverá verificar a efetiva disponibilidade daquele crédito (se não foi alocado em outro PER/DCOMP), se os valores estão corretos e se todos os documentos que originaram o crédito se coadunam com o disposto nos sistemas da RFB. A recorrente sustenta a existência do crédito. Explica que com o advento da Lei nº 11.638, de 28/12/2007, e em observância às normas internacionais de contabilidade, houve mudança de prática contábil adotada no que tange à revisão da vida útil econômica estimada dos bens e do saldo residual do ativo imobilizado. Diante disso, a partir de janeiro de 2008, os encargos de depreciação registrados nos livros societários da recorrente obedecem às regras diferentes daquelas vigentes até 31/12/2007. Nesse sentido, esclarece que a Lei nº 11.638, de 2007 produziu modificações no reconhecimento contábil dos encargos de depreciação e, buscando manter a neutralidade tributária pretendida pelo Regime Tributário de Transição – RTT, nos termos do item 28 e 31 do Parecer Normativo Cosit nº 1 de 29 de julho de 2011, a Recorrente procedeu a correção, evidenciada em quadro abaixo, que motivou a retificação das obrigações acessórias e, por conseguinte, constituiu o crédito. Conclui afirmando que a correção da obrigação acessória teve por objetivo atender ao disposto na legislação tributária, especialmente, no tocante ao capítulo 87, Anexo I, da Instrução Normativa nº 162, de 31 de dezembro de 1998, em consonância ao disposto nos itens 29 e 31 do Parecer Normativo Cosit nº 1, de 29 de julho de 2011, fato que resta comprovado através da análise das taxas de depreciação contidas nos controles patrimoniais da recorrente. VI – Do Princípio da Verdade Material A recorrente faz menção ao princípio da verdade material para a apresentação de novas provas, bem como a retificação da DCTF. Cita ainda o princípio da legalidade tributária. Apresenta jurisprudência e cita doutrina. VII – Do Pedido A recorrente ao final do seu recurso voluntário pede: 21.1 Sejam admitidas provas ora apresentadas em razão do princípio da verdade material, afastandose, por via de conseqüência, qualquer argumento quanto à preclusão; 21.2 Em razão das provas evidenciadas, seja o presente RECURSO VOLUNTÁRIO reconhecido e provido na sua plenitude de forma a reformar o Acórdão da DRJ bem como que Fl. 627DF CARF MF Processo nº 10580.908729/201248 Acórdão n.º 3201005.163 S3C2T1 Fl. 626 5 seja declarada a HOMOLOGAÇÃO da respectiva DCOMP e a compensação dos débitos nela contemplados; 21.3 Alternativamente e em caso de dúvidas, que seja o processo administrativo baixado em diligência nos termos do artigo 18, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, e conforme previsto no referido PN COSIT 2/2015, a fim de possibilitar que Recorrente apresente documentação complementar e necessária à comprovação da existência do crédito, além daquelas já acostadas ao presente Recurso. 21.4 Sejam considerados os argumentos e provas apresentados neste Recurso Voluntário, especialmente no tocante a: comprovação da adoção do critério de reconhecimento da depreciação nos termos da legislação tributária em vigor em 31 de dezembro de 2007, e; apresentação de relatório patrimonial no qual pode ser evidenciado a relação analítica dos bens e as taxas de depreciação utilizadas para cálculo dos encargos. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Leonardo Correia Lima Macedo, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise do Recurso Voluntário. De forma resumida, o cerne do processo está na alegação da recorrente de que possui créditos decorrentes da reapuração dos encargos de depreciação sobre os bens do ativo imobilizado, devido ao Regime Tributário de Transição (RTT), conforme Parecer Normativo nº 1, de 29 de julho de 2011. Ocorre que a recorrente teve recentemente outros recursos com matéria idêntica julgados neste CARF. A título de exemplo cabe mencionar: Acórdão nº 3001000.530 do Processo 10580.908727/201259 (16/10/2018); e Acórdão nº 3001000.531 do Processo 10580.908730/201272 (16/10/2018). Tendo em vista que a matéria é idêntica e que o entendimento deste relator é o mesmo da relatoria dos processos mencionados, se utiliza aqui o voto o i. Conselheiro Orlando Rutigliani Berri como fundamento da presente decisão. Nesse sentido, transcrevese a seguir trecho do voto constante do processo 10580.908727/201259: Do pedido de diligência No processo administrativo fiscal a autoridade julgadora não está obrigada a deferir pedidos de realização de diligência ou perícia requeridas. A teor do disposto no artigo 18 do Decreto nº Fl. 628DF CARF MF 6 70.235, de 1972, com redação dada pelo artigo 1º da Lei nº 8.748, de 1993, tais pedidos somente são deferidos quando necessários à formação de convicção do julgador. Ou seja, a perícia ou a diligência só têm razão de ser quando há questão de fato ou de prova a ser elucidada, a critério da autoridade administrativa que realiza o julgamento do processo. No presente caso, conforme se verá, não há questão de fato a ser elucidada. Assim, concluo pelo seu indeferimento. Do mérito Reprisando o que já havia argumentado em sua manifestação de inconformidade, o Recorrente reafirma que "a correção da obrigação acessória teve por objetivo atender ao disposto na legislação tributária, especialmente, no tocante ao capítulo 87, Anexo I, da Instrução Normativa nº 162, de 31 de dezembro de 1998, em consonância ao disposto nos itens 29 e 31 do Parecer Normativo Cosit nº 1, de 29 de julho de 2011, fato que resta comprovado através da análise das taxas de depreciação contidas nos controles patrimoniais da Recorrente (anexo 05)". A 5ª Turma da DRJ/RPO proferiu decisão nos termos acima indicados, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. De plano, não assiste razão ao Recorrente, uma vez que, como corretamente concluiu o voto condutor do acórdão recorrido, a justificativa para o não atendimento de seu pleito e consequente não reconhecimento do suposto direito creditório assentase tão somente no fato de que o Parecer Normativo Cosit nº 1, de 29.06.2011, ao tratar das "diferenças no cálculo da depreciação dos bens do ativo imobilizado decorrentes do disposto no § 3º do art. 183 da Lei nº 6.404, de 1976, com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.638, de 2007, e pela Lei nº 11.941, de 2009" concluiu textualmente, em seu item 32.1., que "não terão efeitos para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007". Nestes termos, é despicienda a trazida da documentação que demonstra os "controles patrimoniais" do Recorrente, notadamente seu "anexo 05", uma vez que não está aqui tratandose de questão de ordem fática, mas sim jurídica, donde o Parecer Normativo Cosit nº 1, de 29.06.2011, em que o próprio Recorrente arrimase para defender seu pleito, uma vez que confirma que agiu em conformidade com os seus ditames, observou que "não terão efeitos para fins de apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL da pessoa jurídica sujeita ao RTT, devendo ser considerados, para fins tributários, os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007". Dessa forma, concluo não haver qualquer reparo quanto ao decidido pela instância a quo, ao concluir que "não merecem prosperar as alterações propostas pelo interessado", quando da retificação das informações prestadas no "Demonstrativo de Fl. 629DF CARF MF Processo nº 10580.908729/201248 Acórdão n.º 3201005.163 S3C2T1 Fl. 627 7 Apuração de Contribuições Sociais" Dacon e na "Demonstração de Débitos e Créditos Tributários Federais" DCTF. Ademais, por oportuno, saliento que o fato de a decisão recorrida mencionar "que não foi apresentada qualquer documentação contábil e fiscal que comprovasse a alteração do cálculo dos encargos de depreciação sobre os bens do ativo imobilizado", somente vem reforçar o entendimento acima exposto; qual seja, no sentido que de a questão em trato é de obediência à legislação aplicável às pessoas jurídicas sujeitas ao "Regime Tributário de Transição" RTT, sendo irrelevante, assim como o foi para se chegar à conclusão dada pelo Colegiado recorrido, a apresentação ao não de sua documentação contábil e fiscal, uma vez que esta somente teria como objetivo corroborar as alegações do Recorrente, feitas naquele momento processual, mas como deixou bem claro o acórdão vergastado, a motivação para o indeferimento do pleito recursal transcendeu qualquer razão de ordem fática e/ou probatória, conforme já assentado alhures. Da conclusão Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar, por prescindível, a diligência suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Diante do exposto voto por NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Correia Lima Macedo Relator. Fl. 630DF CARF MF
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Numero do processo: 13855.000951/2003-21
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
A contradição e a omissão que autorizam o manejo dos embargos de declaração, respectivamente, é aquela interna, verificada entre os elementos que compõem a estrutura da decisão administrativa e aquela referente a falta de manifestação do julgado sobre ponto em que se impunha o seu pronunciamento de forma obrigatória, dentro dos ditames da causa de pedir.
Numero da decisão: 1003-000.522
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração opostos pelo Sujeito Passivo, sem efeitos infringentes, para integrar o Acórdão da 3ª TE/1ª SEÇÃO/CARF nº 1003-000.202, de 02.10.2018, e-fls. 241-250.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Ausente justificadamente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. A contradição e a omissão que autorizam o manejo dos embargos de declaração, respectivamente, é aquela interna, verificada entre os elementos que compõem a estrutura da decisão administrativa e aquela referente a falta de manifestação do julgado sobre ponto em que se impunha o seu pronunciamento de forma obrigatória, dentro dos ditames da causa de pedir. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração opostos pelo Sujeito Passivo, sem efeitos infringentes, para integrar o Acórdão da 3ª TE/1ª SEÇÃO/CARF nº 1003000.202, de 02.10.2018, efls. 241250. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Ausente justificadamente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama. Relatório A Recorrente formalizou os Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declarações de Compensação (Per/DComp), fls. 0103 e 6294, utilizandose dos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 09 51 /2 00 3- 21 Fl. 267DF CARF MF Processo nº 13855.000951/200321 Acórdão n.º 1003000.522 S1C0T3 Fl. 268 2 saldos negativos de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) nos valores respectivamente de R$15.412,40 e de R$16.661,02, do anocalendário de 2002 para compensação dos débitos ali confessados. Consta no Parecer DRF/FCN/SAORT/SP nº 241, de 03.04.2008, fls. 101 106, os seguintes fundamentos: Neste contexto é que surge o Saldo Negativo de Impostos de Renda e CSLL a pagar, caso os valores pagos por estimativa suplantem o efetivamente devido ao final do exercício. É sobre essa premissa que se deve analisar o montante do direito creditório indicado pelo contribuinte às fls. 03: IRPJ R$ 15.412,40 e CSLL R$ 16.661,02. Conforme expresso no LALUR (fls. 54) e consignado na DIPJ Ficha 09A (fls. 22), relativamente ao anocalendário de 2002 o contribuinte apurou lucro real de R$ 20.522,00. Com isso, chegase à conclusão de que o imposto devido nesse período monta a quantia de R$ 3.078,30 (15% de 20.522,00, conforme informado na DIPJ fls. 28). No tocante à CSLL, apurase que o débito perfaz a quantia de R$ 1.846,98. Na DCTF foi declarada a título de IRPJ a quantia de R$ 3.113,95 (valor resultando do somatório das seguintes importâncias: 322,33; 528,82; 1.003,04 e 1.259,76 fls. 45 DCTF e 23/24DIPJ). Esses recolhimentos constam do SINALO8 (fls. 48). No que se refere à CSLL foi declarada a quantia de R$ 1.523,75 (composta pelos seguintes valores: 202,67; 447,96 e 873,12 fls. 44 DCTF e fls. 37/38DIPJ). Esses recolhimentos constam do SINALO8 (fls. 48). Diante do que se expôs, vêse com hialina clareza que, concernentemente ao anocalendário de 2002, a contribuinte não possui direito creditório em decorrência dos recolhimentos feitos a título dos tributos acima mencionados. Com efeito, o débito apurado montou a quantia de R$ 4.925,28 (R$ 3.078,30 e R$ 1846,98). No entanto, os pagamentos perfizeram R$ 4.637,70. (3.113,95 e 1.523,75). Analisando 0 razão apresentado pelo contribuinte e cuja cópia consta às fls. 51/53 , verificase que na realidade os valores apresentados são frutos de equívoco, porquanto se referem a período anterior ao anocalendário de 2002, que não foi objeto do pedido constante desse processo. [...] Em face dos motivos expendidos e considerando as disposições do artigo 170 do CTN, NÃO HOMOLOGO a compensação efetuada pelo contribuinte, mediante apresentação das Declarações de Compensação tratadas neste processo [...]. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 8ª Turma/DRJ/RJOI/RJ nº 1231.260, de 11.06.2010, fls. 185190: COMPENSAÇÃO Tendo em vista a comprovação parcial do crédito, devem ser homologadas as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido. Impugnação Procedente em Parte [...] Fl. 268DF CARF MF Processo nº 13855.000951/200321 Acórdão n.º 1003000.522 S1C0T3 Fl. 269 3 Vistos, relatados e discutido os autos do processo em epígrafe, ACORDAM, por unanimidade de votos, os membros da 8ª turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I, DAR PROVIMENTO PARCIAL À MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE DA INTERESSADA, PARA RECONHECER PARCIALMENTE O DIREITO CREDITÓRIO DE IRPJ NO VALOR DE R$ 35,73 E HOMOLOGAR PARCIALMENTE AS COMPENSAÇÕES ATÉ O LIMITE DO CRÉDITO, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Notificada em 06.07.2010, fl. 205, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 05.08.2010, fls. 210223, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 6ª Turma/DRJ/Ribeirão Preto/SP nº 1433.146, de 19.05.2011, fls. 213215: DÉBITO INSCRITO EM DÍVIDA ATIVA. EXCLUSÃO. Comprovado nos autos que a pendência perante a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional que motivou a exclusão da contribuinte somente foi regularizada em 24/11/2006, somente cabe sua inclusão a partir de 01/01/2007. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada, a Recorrente apresentou o recurso voluntário. Está registrado na ementa do Acórdão da 3ª TE/1ª SEÇÃO/CARF nº 1003000.202, de 02.10.2018, efls. 241 250: PER/DCOMP. ERRO NO PREENCHIMENTO. ALTERAÇÃO DO PEDIDO. IMPOSSIBILIDADE. A alteração do pedido ou da causa de pedir não é admitida após ciência do Despacho Decisório, em face da estabilização da lide. Não verificada circunstância de inexatidão material, que pode ser corrigida de ofício ou a pedido, descabe a retificação do Per/DComp após ciência do Despacho Decisório, para alteração dos elementos do direito creditório, pois a modificação do pedido original configura inovação processual vedada, de natureza retratável, exigindose, por conseguinte, a apresentação de novo Per/DComp. Intimada da referida decisão em 06.11.2018, efls. 259260, o Sujeito Passivo opôs embargos de declaração em 12.11.2018, efls. 255258, (art. 23 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972), suscitando que: Notase a contradição entre os elementos utilizados na fundamentação e a própria decisão decorrente, uma vez que deixa claro a impossibilidade de retificação da PER/DCOMP após decisão administrativa, a não ser em casos específicos de erro de fato quando comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos, situação em que, o julgador deve se pautar pelo princípio da verdade material na análise dos fatos e das provas, apontando ainda para a devida existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do PER/DCOMP, todavia, decidese pela impossibilidade de retificação de ofício do erro de digitação constante da PER/DCOMP. Fl. 269DF CARF MF Processo nº 13855.000951/200321 Acórdão n.º 1003000.522 S1C0T3 Fl. 270 4 A Embargante comprovou devidamente o direito de crédito por meio do Livro Razão, bem como pela DIPJ, com a demonstração dos saldos negativos. Além dessas declarações terem sido entregues à Receita Federal, a Embargante foi diligente apresentando, nestes autos, as respectivas cópias, todavia, não fora assim reconhecido em razão de mero erro de fato no preenchimento da data de origem dos créditos. Diante disto, mesmo com a devida comprovação do direito de crédito, o que mostra que não há qualquer prejuízo ao FISCO caso feita a devida retificação de ofício e homologação da compensação, e, ainda, restando clara a possibilidade de retificação de ofício de mero erro material, oriundo de lapso manifesto e erros de escrita, como no caso em tela, ainda assim, o r. Acórdão fora no sentido de indeferir o pedido do contribuinte, em manifesta contradição, motivo pelo qual foram opostos os presentes Embargos de Declaração. Importa esclarecer que não se trata de situação nova como dito no r. Acórdão embargado, principalmente, por todo o conteúdo e documentação que instruíra o PER/DCOMP haja vista se tratar de um único direito de crédito devidamente instruído, mas com erro no preenchimento da Declaração. Também não se verifica a hipótese de inadequação da via eleita uma vez que o erro material, conforme autorizado pela Administração Pública e reconhecido por esta E. Câmara, pode ser corrigido de ofício independentemente do momento quando constatado o erro material. Por conseguinte, mediante a devida aplicação do Princípio da Verdade Material, há que se considerar o erro material para fins de retificação de ofício e homologação da compensação. O v. Acórdão foi omisso quanto à não retificação de ofício do erro material apontado pela Embargante mesmo em face do evidente direito de crédito do contribuinte e mediante a ausência total de prejuízo ao Erário, bem como pela não manifestação acerca da aplicação do Princípio da Verdade Material conforme requerido pela ora Embargante em seu Recurso Voluntário, tendo apenas citado no início do referido Acórdão, não estando, portanto, devidamente fundamentado. Diante do exposto, devidamente comprovada a contradição quanto à fundamentação no que tange à possibilidade de retificação de ofício do erro material e a realidade fáticoprobatória, bem como a omissão no tocante a aplicação do Princípio da Verdade Material, sobre a qual não houve expressa manifestação nos termos do requerido em Recurso Voluntário, o contribuinte espera e requer sejam esses Embargos de Declaração conhecidos e providos na sua totalidade, para reconhecer o direito de crédito referente a saldo negativo de IRPJ e CSLL dos anos de 2000 e 2001 nos termos da Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário. Os embargos foram admitidos, conforme Despacho de efls. 264266. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Fl. 270DF CARF MF Processo nº 13855.000951/200321 Acórdão n.º 1003000.522 S1C0T3 Fl. 271 5 Os Embargos de Declaração opostos pelo Sujeito Passivo atendem aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, nos termos do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. O Sujeito Passivo argui que no acórdão embargado houve contradição sobre a impossibilidade de retificação da Per/DComp após decisão administrativa, ainda que tenha apresentado documentação comprobatória do erro de fato e houve omissão quanto à não retificação de ofício do erro material. A contradição e a omissão que autorizam o manejo dos embargos de declaração, respectivamente, é aquela interna, verificada entre os elementos que compõem a estrutura da decisão administrativa e aquela referente a falta de manifestação do julgado sobre ponto em que se impunha o seu pronunciamento de forma obrigatória, dentro dos ditames da causa de pedir. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais1. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, a Recorrente deve detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrarseia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. Apenas nas situações comprovadas de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e erros de escrita ou de cálculos podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento da Requerente. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado. 1 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 271DF CARF MF Processo nº 13855.000951/200321 Acórdão n.º 1003000.522 S1C0T3 Fl. 272 6 O conceito de erro material apenas abrange a inexatidão quanto a aspectos objetivos, não resultantes de entendimento jurídico, como um cálculo errado, a ausência de palavras, a digitação errônea, e hipóteses similares. Somente podem ser corrigidas de ofício ou a pedido as informações declaradas no caso de verificada a circunstância objetiva de inexatidão material e congruentes com os demais dados constantes nos registros internos da RFB (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Por inexatidão material entendemse os pequenos erros involuntários, desvinculados da vontade do agente, cuja correção não inove o teor do ato formalizado, tais como a escrita errônea, o equívoco de datas, os erros ortográficos e de digitação. Diferentemente o erro de direito, que não é escusável, diz respeito à norma jurídica disciplinadora e aos parâmetros previstos nas normas de regência da matéria. Cabe a Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal 2. Conforme determinam os §§ 1º e 3º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, exceto nos casos em que a lei, por disposição especial, atribua a ele o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração. A Recorrente tem o ônus de instruir os autos com documentos hábeis e idôneos que justifiquem a retificação das informações retificadas. Nesse sentido também vale ressaltar o disposto no art. o art. 195 do Código Tributário Nacional e o art. 4º do DecretoLei nº 486, de 03 de março de 1969, que preveem, em última análise, "que os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram." Consta no Parecer DRF/FCA/SAORT/241/2008 AFS, de 04.04.2008, fls. 101106: É sobre essa premissa que se deve analisar o montante do direito creditório indicado pelo contribuinte às fls. 03: IRPJ R$ 15.412,40 e CSLL R$ 16.661,02. Conforme expresso no LALUR (fls. 54) e consignado na DIPJ Ficha 09A (fls. 22), relativamente ao anocalendário de 2002 o contribuinte apurou lucro real de R$ 20.522,00. Com isso, chegase à conclusão de que o imposto devido nesse período monta a quantia de R$ 3.078,30 (15% de 20.522,00, conforme informado na DIPJ fls. 28). No tocante à CSLL, apurase que o débito perfaz a quantia de R$ 1.846,98. 2 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 272DF CARF MF Processo nº 13855.000951/200321 Acórdão n.º 1003000.522 S1C0T3 Fl. 273 7 Na DCTF foi declarada a título de IRPJ a quantia de R$ 3.113,95 (valor resultando do somatório das seguintes importâncias: 322,33; 528,82; 1.003,04 e 1.259,76 fls. 45 DCTF e 23/24DIPJ). Esses recolhimentos constam do SINALO8 (fls. 48). No que se refere à CSLL foi declarada a quantia de R$ 1.523,75 (composta pelos seguintes valores: 202,67; 447,96 e 873,12 fls. 44 DCTF e fls. 37/38DIPJ). Esses recolhimentos constam do SINALO8 (fls. 48). Diante do que se expôs, vêse com hialina clareza que, concernentemente ao anocalendário de 2002, a contribuinte não possui direito creditório em decorrência dos recolhimentos feitos a título dos tributos acima mencionados. Com efeito, o débito apurado montou a quantia de R$ 4.925,28 (R$ 3.078,30 e R$ 1846,98). No entanto, os pagamentos perfizeram R$ 4.637,70. (3.113,95 e 1.523,75). Analisando o razão apresentado pelo contribuinte e cuja cópia consta às fls. 51/53 , verificase que na realidade os valores apresentados são frutos de equívoco, porquanto se referem a período anterior ao anocalendário de 2002, que não foi objeto do pedido constante desse processo. [...] Conforme já demonstrado, presentemente o contribuinte não satisfez essa condição, eis que inexiste saldo negativo de Imposto de Renda e de CSLL [...], relativamente ao anocalendário de 2002. Por corolário, as compensações declaradas não reúnem condições para serem homologadas. Tem cabimento transcrever excertos do acórdão embargado: A Recorrente suscita que devem ser reconhecidos os direitos creditórios de saldos negativos de IRPJ no valor atualizado de R$16.661,02 e de CSLL no valor atualizado de R$15.412,40 referentes aos anos calendários 2000 e de 2001 e que por erro de fato fez consignar nos Per/DComp o anocalendário de 2002. [...] A Tabela 1 reflete os dados constantes documentos acostados às fls. 1948 e 125178, dentre outros as Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), Livro Razão Analítico e Planilhas de Cálculo referente aos anos calendário de 2000 a 2002. Tabela 1 Saldos de IRPJ e de CSLL dos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002 AnoCalendário (1) Saldo de IRPJ R$ (2) Fl (3) Saldo de CSLL R$ (4) Fl. (4) 2000 (6.485,41) 132 (12.730,01) 137 2001 (5.866,91) 150 107,41 155 2002 3.078,30 29 1.846,98 43 O Per/DComp delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pela Recorrente quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de débitos tributários. Instaurado o contencioso e estabilizada a lide, não se admite que a Recorrente altere o pedido mediante a modificação dos elementos do direito creditório aduzido Per/DComp, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto. Fl. 273DF CARF MF Processo nº 13855.000951/200321 Acórdão n.º 1003000.522 S1C0T3 Fl. 274 8 Ademais, a alteração do pedido ou da causa de pedir não é admitida após ciência do Despacho Decisório, em face da estabilização da lide. Não verificada circunstância de inexatidão material, que pode ser corrigida de ofício ou a pedido, descabe a retificação do Per/DComp após ciência do Despacho Decisório, para alteração do direito creditório, pois a modificação do pedido original configura inovação processual vedada, exigindose, por conseguinte, a apresentação de novo Per/DComp. Assim a alteração de ofício do elemento temporal dos direitos creditórios consignados nos Per/DComp originalmente apresentados não tem amparo legal. [...] IRPJ Segundo consta na linha 18 ficha 12 A da DIPJ/2003 Cálculo do Imposto de Renda (fl. 29 e 167), há um IRPJ a pagar de R$ 3.078,00, o que por si só afastaria existência de crédito. Contudo, há que se analisar a DIPJ para verificar se há algum erro na apuração do imposto de renda a pagar. Analisandose a DCTF (fl. 45), a ficha 11 Cálculo do Imposto de Renda mensal por estimativa (fl. 30 e 31 e 163 a 166) e o sistema SINAL 08 (fl. 48), verificase que as estimativas do contribuinte montam a R$ 3.113,93 e se referem aos meses de janeiro a abril, conforme abaixo especificado: PERÍODO IRPJ ESTIMATIVA (R$) 01/2002 322,33 02/2002 528,82 03/2002 1.003,04 04/2002 1.259,74 TOTAL 3.113,93 Quanto aos outros meses, não há valores pagos, além ter sido registrado na DIPJ o valor de zero. Não foi registrada na DIPJ/2003, nem na DCTF nenhuma compensação das estimativas. Verificase na ficha 12 A da DIPJ/2003 que o contribuinte não preencheu a linha 16 que trata do IRPJestimativa, portanto, obedecendo ao princípio da verdade material que rege o direito tributário, há que se considerar as estimativas efetivamente pagas na apuração do imposto de renda a pagar (linha 18 ficha 12 A). Subtraindo do IRPJ apurado de R$ 3.078,20 (linha 01) o IRPJ estimativa de R$ 3.113,93, verificase a ocorrência de um saldo negativo de IRPJ de R$ 35,73, sendo este o verdadeiro crédito de IRPJ relativo ao anocalendário de 2002. CSLL Segundo consta na ficha 17 da DIPJ/2003 (fl.43) consta na linha 42, a CSLL a pagar de RS 1.846,99 o que por si só afastaria existência de crédito.Contudo, há que se analisar a DIPJ para verificar se há algum erro na apuração da CSLL a pagar. Analisandose a DCTF ( fl. 44), a ficha 11 Cálculo do imposto de renda mensal por estimativa (fl. 37 e 38 e 168 a 171) e o sistema SINAL 08 (fl. 48),verificase que as estimativas do contribuinte montam a R$ 1.523,75 e se referem aos meses de janeiro a abril, conforme abaixo especificado: Fl. 274DF CARF MF Processo nº 13855.000951/200321 Acórdão n.º 1003000.522 S1C0T3 Fl. 275 9 PERÍODO [CSLL] ESTIMATIVA (R$) 01/2002 202,67 02/2002 447,96 03/2002 873,12 TOTAL 1.523,75 Quanto aos outros meses, não há valores pagos, além ter sido registrado na DIPJ o valor de zero. Destaquese que não foi registrada na DIPJ/2003, nem na DCTF, nenhuma compensação das estimativas. Verificase na ficha 17 da DIPJ/2003 que o contribuinte não preencheu a linha 39 que trata da CSLLestimativa, portanto, obedecendo ao princípio da verdade material que rege o direito tributário, há que se considerar as estimativas efetivamente pagas na apuração da CSLL (linha 42 ficha 17). Subtraindo da CSLL apurada de R$ 1.846,98 (linha 35 ficha 17 DIPJ) a CSLL estimativa de R$ 1.523,75, verificase a ocorrência de um saldo de CSLL a pagar de R$ 323,23. Portanto, não há crédito de CSLL relativo ao anocalendário de 2002. No presente caso, a partir dos elementos constantes nos registros internos ofertados pela Recorrente a RFB, não restou crédito disponível para restituição de saldos negativos de IRPJ e de CSLL no anocalendário de 2002. Verificase que os dados presumidamente errados não podem ser considerados, pois não foram produzidos no processo elementos de prova que evidenciem as alegações da Recorrente (§ 1º do art. 147 do Código Tributário Nacional e 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Logo, não foram carreados aos autos pela Recorrente os elementos essenciais a produzir um conjunto probatório robusto dos argumentos contidos no recurso voluntário. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em acolher os embargos de declaração opostos pelo Sujeito Passivo, sem efeitos infringentes, para integrar o Acórdão da 3ª TE/1ª SEÇÃO/CARF nº 1003000.202, de 02.10.2018, efls. 241250. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 275DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.720617/2009-46
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 18/02/2009
NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO ESPECIAL. DISSIMILITUDE FÁTICA/FUNDAMENTOS.
Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas e fundamentos considerados nos acórdãos paradigmas são distintos da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial.
Numero da decisão: 9303-008.347
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceu do recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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DISSIMILITUDE FÁTICA/FUNDAMENTOS. Não se conhece do Recurso Especial quando as situações fáticas e fundamentos considerados nos acórdãos paradigmas são distintos da situação tratada no acórdão recorrido, não se prestando os arestos, por conseguinte, à demonstração de dissenso jurisprudencial. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que conheceu do recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Jorge Olmiro Lock Freire. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 06 17 /2 00 9- 46 Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10280.720617/200946 Acórdão n.º 9303008.347 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 3302003.629, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: (...) EXTENSÃO DOS EFEITOS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT. A Solução de Consulta da COSIT tem efeito vinculante no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de sorte que o entendimento nela exarado deverá ser observado pela Administração Tributária, inclusive por seus órgãos julgadores quando da apreciação de litígios envolvendo a mesma matéria e o mesmo sujeito passivo, seja individualmente, seja vinculado a entidade representativa da categoria econômica ou profissional. RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES TEMPESTIVAMENTE APRESENTADAS. HARMONIZAÇÃO COM AS BALIZAS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 2, DE 04/02/2016. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa. ” Irresignada, a Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração, alegando omissão e contradição, requerendo que seja reconhecida a ausência de vinculação à Cosit e que a Turma decida se aplica a jurisprudência do CARF acerca da aplicação da multa em retificação extemporânea ou, inaugurando divergência, exponha os motivos pelos quais inova no entendimento sobre a matéria. Em Despacho, os embargos foram rejeitados. Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que: · O CARF não se submete aos posicionamentos da Cosit; Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10280.720617/200946 Acórdão n.º 9303008.347 CSRFT3 Fl. 4 3 · Por uma questão de segurança jurídica, entendese que as soluções de consulta da Cosit vinculam as partes consulentes, que foram orientadas pela RFB em casos concretos e, por isso, não podem ser surpreendidas com posicionamentos inovadores no futuro; Requer, assim, que seja conhecido e provido o presente recurso, a fim de reformar o acórdão recorrido para que seja restabelecido o acórdão proferido pela DRJ, mantendose a multa aplicada. Foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, ressurgindo com discussões relativas às seguintes matérias: · Inexistência de vinculação do CARF às Soluções de Consulta Cosit; · Da incidência de multa no caso de retificação de informações de carga fora do prazo. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pelo sujeito passivo, que trouxe, entre outros, que: · O recurso não deve ser conhecido; · As Soluções de Consulta e as Soluções de Divergências editadas pela Cosit, sob a luz da IN 1396/13 têm efeito vinculante no âmbito da Receita Federal do Brasil, respaldando o sujeito passivo que as aplicar, independentemente der se o consulente; · Devese reconhecer a manifesta inaplicabilidade da multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei 37/66 sobre meras retificações de informações que tinham sido tempestivamente prestadas no SISCARGA; · Ademais, aplicase a denúncia espontânea na seara aduaneira – art. 102 do Decretolei 37/66, com a redação dada pela Lei 12.350/10. É o relatório. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10280.720617/200946 Acórdão n.º 9303008.347 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303008.343, de 20 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10280.720013/201114, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303008.343): "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que não devo conhecêlo, eis que não atendidos os requisitos dispostos no art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. Quanto à primeira matéria trazida em recurso, qual seja “Inexistência de vinculação do CARF às Soluções de Consulta Cosit”, entendo que não devo conhecer dessa parte, pois não há divergência entre os arestos. Eis a ementa da recorrida (Destaques meus) na parte que interessa: “[...] EXTENSÃO DOS EFEITOS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT. A Solução de Consulta da COSIT tem efeito vinculante no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de sorte que o entendimento nela exarado deverá ser observado pela Administração Tributária, inclusive por seus órgãos julgadores quando da apreciação de litígios envolvendo a mesma matéria e o mesmo sujeito passivo, seja individualmente, seja vinculado a entidade representativa da categoria econômica ou profissional.[...]” E a ementa do acórdão nº 3301002.880 indicado como paradigma: “Ementa: SOLUÇÃO DE CONSULTA DA COSIT. EFEITOS. A Solução de Consulta da Cosit tem efeito vinculante no âmbito da Secretaria da Receita Federal, de sorte que o entendimento nela exarado deverá ser observado pela Fl. 380DF CARF MF Processo nº 10280.720617/200946 Acórdão n.º 9303008.347 CSRFT3 Fl. 6 5 Administração Tributária, inclusive por seus órgãos julgadores quando da apreciação de litígios envolvendo a mesma matéria e o mesmo sujeito passivo, seja individualmente, seja vinculado a entidade representativa de categoria econômica ou profissional.” Não há divergência alguma entre os arestos. Sendo assim, não conheço o recurso em relação à primeira matéria. Quanto à segunda matéria trazida em recurso, qual seja, “Da incidência de multa no caso de retificação de informações de carga fora do prazo”, recordase a ementa do acórdão recorrido: “[...] RETIFICAÇÃO DE INFORMAÇÕES TEMPESTIVAMENTE APRESENTADAS. HARMONIZAÇÃO COM AS BALIZAS DA SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 2, DE 04/02/2016. As alterações ou retificações das informações já prestadas anteriormente pelos intervenientes não configuram prestação de informação fora do prazo, não sendo cabível, portanto, a aplicação da citada multa.” Depreendendose da leitura do voto e da ementa, vêse que o Colegiado adotou a Solução de Consulta na elaboração essa ementa, pois entendeu ser ela vinculante até mesmo aos órgãos julgadores. Considerando que a primeira matéria não foi conhecida, essa segunda matéria está totalmente vinculada à primeira, o que cabe a essa conselheira não conhecer o Recurso Especial em relação à essa segunda. Ademais, vêse que os acórdãos indicados como paradigma os acórdãos 3101001.621 e 3101001.622 nem se referem à Solução de Consulta, que foi considerada vinculante aos órgãos julgadores no presente caso. Data máxima vênia, apenas expresso que entendo que tal solução pode ser vinculante perante a Receita Federal, nos termos do art. 9º da IN 1396/13, mas não aos julgadores do CARF. Em vista de todo o exposto, entendo que não devo conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional.." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10280.720617/200946 Acórdão n.º 9303008.347 CSRFT3 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado não conheceu do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 382DF CARF MF
score : 1.0
