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Numero do processo: 13882.000301/2009-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
IRPF. DESPESAS MÉDICO-ODONTOLÓGICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Em conformidade com a legislação regente, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, sendo devida a glosa quando há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas da base do cálculo do imposto.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-002.587
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento PARCIAL ao recurso, reduzindo a glosa das despesas médicas para R$22.900,00.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho Relator.
EDITADO EM: 25/05/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2007 IRPF. DESPESAS MÉDICO-ODONTOLÓGICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Em conformidade com a legislação regente, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, sendo devida a glosa quando há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas da base do cálculo do imposto. Recurso Voluntário Provido em Parte
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DESPESAS MÉDICOODONTOLÓGICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Em conformidade com a legislação regente, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, sendo devida a glosa quando há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas da base do cálculo do imposto. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento PARCIAL ao recurso, reduzindo a glosa das despesas médicas para R$22.900,00. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho – Relator. EDITADO EM: 25/05/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, José Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 2. 00 03 01 /2 00 9- 43 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13882.000301/200943 Acórdão n.º 2102002.587 S2C1T2 Fl. 3 2 Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 62 a 66: Do procedimento de revisão da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF 2007/2006 da contribuinte acima identificada, resultou o presente lançamento de ofício, tendo em vista a redução da base de cálculo em virtude de dedução indevida de despesas médicas que totalizaram R$25.494,94 (fls. 03/06). De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, as glosas deveramse ao fato de os recibos não conterem elementos necessários para comprovação de que as deduções atendem aos requisitos legais, como a identificação do beneficiário dos serviços, ou cujo padrão de preenchimento não trouxe convicção quanto a ser hábil a comprovar a despesa nele registrada. A tais motivos acrescenta a não comprovação do efetivo pagamento. A contribuinte apresentou impugnação de fls. 01/02, em que requer o cancelamento do débito fiscal, alegando, em síntese: efetuou o pagamento dos serviços em moeda corrente, inexistindo obrigatoriedade legal no sentido de que fosse feito mediante depósito bancário, cheque, ou outra maneira. inexiste amparo legal para a exigência de outros documentos além dos recibos já apresentados, dos quais constam corretamente os dados dos profissionais que prestaram os serviços. Providenciada ajuntada do dossiê da contribuinte, às fls. 17/60. É o relatório. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que não foram acompanhados de provas suficientes os recibos médicos glosados, especialmente pela ausência da confirmação dos pagamentos, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2006 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. O direito à dedução de despesas médicas restringese àquelas que tiveram por beneficiário o contribuinte ou seus dependentes, assim considerados na forma da legislação do imposto de renda, está condicionado a previsão legal e à sua comprovação, tanto em termos da efetividade dos serviços prestados como dos correspondentes pagamentos. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13882.000301/200943 Acórdão n.º 2102002.587 S2C1T2 Fl. 4 3 COMPROVAÇÃO DE DESPESAS DEDUTÍVEIS. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Incumbe ao contribuinte apresentar documentos que constituam prova inequívoca de efetiva prestação de serviços e efetivo pagamento, estando a autoridade fiscal legalmente autorizada a não se satisfazer apenas com a apresentação de recibos, ainda que contenham todos os requisitos formais. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 76 a 80, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, cujo conteúdo se resume no seguinte excerto: Portanto, à vista da jurisprudência, e principalmente à vista da legislação, a comprovação da despesa médica é feita através de documento com a indicação do nome, endereço e CPF/CNPJ de quem a recebeu, não sendo lícito aos Fiscais da Receita Federal exigirem qualquer outro documento. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. De acordo com a autuação, fl.04/05 o valor total glosado foi de R$25.494,94, contudo, a Complementação da Descrição dos Fatos do Auto de Infração, ao final da fl. 04, aponta apenas irregularidades nas despesas declaradas da Fonoaudióloga Luciana Aparecida Soares, R$7.000,00; Cirurgiãdentista Maria Teresa Laino Albiero, R$11.400,00; Médica Rosane Miranda Cavalca Zambrano, R$900,00; Cirurgia Plástica D America S/C Ltda., R$3.600,00 que perfazem um total de R$22.900,00 e não R$25.494,94. Compulsandose os autos não encontrei nenhuma razão para essa diferença e, assim, passo a considerar como glosa a ser apreciada, de acordo com a motivação para autuação exposta nos autos, o valor de R$22.900,00. Para o exame da questão transcrevemse a seguir os dispositivos que regulam a matéria: Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 Art.8º – A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 87DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13882.000301/200943 Acórdão n.º 2102002.587 S2C1T2 Fl. 5 4 I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Entendo que os recibos médicos, em si mesmos, não são uma prova absoluta para dedutibilidade das despesas médicas da base de cálculo do imposto de renda, mormente quando: 1. as despesas forem excessivas em face dos rendimentos declarados; 2. houver o repetitivo argumento de que todas as despesas médicas de diferentes profissionais, vultosas, tenham sido pagas em espécie sem comprovação de qualquer pagamento; 3. o contribuinte fizer uso de recibos comprovadamente inidôneos, p.ex. no caso da edição de súmula administrativa de documentação tributariamente ineficaz em desfavor de prestador de serviço informado na declaração de renda do autuado, o que é suficiente para lançar sombra de suspeição sobre as demais despesas médicas de outros prestadores; 4. houver a negativa de prestação de serviço por parte de profissional que consta como prestador na declaração do fiscalizado; 5. houver recibos médicos emitidos em dias não úteis, por profissionais ligados por vínculo de parentesco, tudo pagos em espécie; 6. houver múltiplas glosas de outras despesas (dependentes, previdência privada, pensão alimentícia, livro caixa e instrução), bem como outras infrações (omissão de rendimentos, de ganho de capital, da atividade rural), a levantar sombra de suspeição sobre todas as informações prestadas pelo contribuinte declarante. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 13882.000301/200943 Acórdão n.º 2102002.587 S2C1T2 Fl. 6 5 Por tudo, não há qualquer dúvida que o contribuinte se enquadrou na tipologia 1 (R$ 133 mil de rendimentos Brutos e desp. médicas de aprox. R$ 31mil, fl. 08/09), na tipologia 2 (todas despesas quitadas em espécie sem nenhuma comprovação de pagamento) e na tipologia 5 (12/10/2006feriado nacional, fl. 39 e 15/04/2006sábado, fl.43). Em princípio, admitese como prova idônea de pagamentos, os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado. Entretanto, existindo dúvida quanto à idoneidade do documento por parte do Fisco, pode este solicitar provas não só da efetividade do pagamento, mas também da efetividade dos serviços prestados pelos profissionais. Entendo que diante dos fatos narrados, a simples apresentação dos recibos sem nenhuma comprovação de pagamento, laudos ou exames não traz a substância de prova que se procura. Cumpre, ainda, ressaltar que o imposto de renda tem relação direta com os fatos econômicos. Quando a um ato jurídico se segue a tributação, não quer dizer que se tribute aquele, mas sim o fenômeno econômico que está por detrás dele. Concluise, portanto, que o ônus da prova recai sobre aquele que aproveita o reconhecimento do fato. A opção pelo pagamento em espécie, embora lícita e permitida, implica na ampliação da dificuldade da contribuinte provar o pagamento, com os riscos inerentes ao exercício da vontade individual. Ressalto que o contribuinte declarou somente fontes de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, que preferencialmente fazem os seus pagamentos via contas bancárias, em função de controle contábil, não seria, assim, difícil de se fazer a prova dos pagamentos, seja por cheques, transferências bancárias ou saques com datas e valores coincidentes dos pagamentos das deduções pleiteadas. Ainda, aceitável se não fosse possível a prova de todos pagamentos mas de alguns pagamentos pelo menos, contudo, no presente caso, nenhum pagamento foi efetivamente comprovado. Considerando o exposto acima, há que se manter a glosa da dedução de despesas médicas no valor de R$22.900,00. Pelo exposto, voto pelo provimento PARCIAL do recurso, reduzindo a glosa das despesas médicas para R$22.900,00. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
score : 1.0
Numero do processo: 10907.002055/2009-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 14/02/2005 a 16/12/2005
ILEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE DO AGENTE MARÍTIMO.
O Agente Marítimo, representante no país do transportador estrangeiro, é responsável solidário e responde pelas penalidades cabíveis.
EXPORTAÇÃO. EMBARAÇO A FISCALIZAÇÃO, OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA INOBSERVÂNCIA DE PRAZOS.
O descumprimento da obrigação de registro de dados de embarque no SISCOMEX no prazo previsto na legislação constitui embaraço a fiscalização.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.189
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Ausente o Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 14/02/2005 a 16/12/2005 ILEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE DO AGENTE MARÍTIMO. O Agente Marítimo, representante no país do transportador estrangeiro, é responsável solidário e responde pelas penalidades cabíveis. EXPORTAÇÃO. EMBARAÇO A FISCALIZAÇÃO, OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA INOBSERVÂNCIA DE PRAZOS. O descumprimento da obrigação de registro de dados de embarque no SISCOMEX no prazo previsto na legislação constitui embaraço a fiscalização. Recurso Voluntário negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Ausente o Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1904; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T2 Fl. 169 1 168 S3C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10907.002055/200941 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3202001.189 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2014 Matéria MULTA ADUANEIRA. AVERBAÇÃO DE EMBARQUE Recorrente ROCHA TOP TERMINAIS E OPERADORES PORTUÁRIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 14/02/2005 a 16/12/2005 ILEGITIMIDADE PASSIVA. RESPONSABILIDADE DO AGENTE MARÍTIMO. O Agente Marítimo, representante no país do transportador estrangeiro, é responsável solidário e responde pelas penalidades cabíveis. EXPORTAÇÃO. EMBARAÇO A FISCALIZAÇÃO, OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA INOBSERVÂNCIA DE PRAZOS. O descumprimento da obrigação de registro de dados de embarque no SISCOMEX no prazo previsto na legislação constitui embaraço a fiscalização. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Ausente o Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Charles Mayer de Castro Souza e Tatiana Midori Migiyama. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 20 55 /2 00 9- 41 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 2 Relatório O presente litígio decorre de lançamento de ofício, veiculado através de auto de infração (efls. 01/ss), para a cobrança da multa isolada, no valor de R$ 50.000,00, por registro intempestivo dos dados de embarque de exportação no Siscomex, prevista no art. 107, inc. IV, alínea "e", do Decretolei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo art. 77, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Para elucidar os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Relatório Versa o presente processo sobre aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, no valor de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais), em face de o interessado em epígrafe ter deixado de informar no Siscomex, no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, os dados de embarques de mercadorias que ocorreram entre 06/02/2005 e 08/12/2005, em diversos navios de transportadores estrangeiros representados no Brasil pela empresa autuada, conforme listagem às fls. 13/14, havendo as respectivas informações sido registradas após o prazo de sete dias estabelecido no art. 37 da IN SRF n.º 28, de 1994, com redação dada pela IN SRF 11.0510, de 2005. Em consequência, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 01 a 14, com fulcro no disposto pela alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n.º 37, de 1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei n.º 10.833, de 2003. Regularmente cientificado da exação em 11/11/2009 (fl. 49), o sujeito passivo irresignado apresentou, em 11/12/2009, os documentos juntados às fls. 57 a 104, e a impugnação de fls. 51 a 56, onde, em síntese: Alega, preliminarmente, a sua ilegitimidade para figurar no pólo passivo da autuação, ao argumento de que exerce a atividade de agente marítimo, não sendo sua atividade equiparada à da empresa transportadora internacional, ou da prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta e tampouco ao do agente carga, estes sim os sujeitos passivos da aplicação da multa ora combatida, nos termos da alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n.º 37, de 1966; Quanto ao mérito, alega ter informado todos os dados de embarque nos prazos previstos, ao que junta ao processo cópias dos protocolos de entrega de documentos apresentados diretamente à Receita Federal, o que demonstra não ter incorrido em qualquer ato que pudesse caracterizar embaraço à fiscalização; Evoca a aplicação, na espécie, dos princípios da legalidade, razoabilidade, proporcionalidade e finalidade, acrescentando que, em razão do principio da finalidade, o administrador somente pode perseguir objetivos que atendam ao interesse da coletividade, porquanto o alvo administrativo deve consistir sempre na satisfação do interesse público; Finalmente, em face do exposto, requer o cancelamento do auto de infração hostilizado. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis proferiu o Acórdão nº 0726.385 de 21 de outubro de 2011 (efolhas 110/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: Fl. 170DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10907.002055/200941 Acórdão n.º 3202001.189 S3C2T2 Fl. 170 3 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 14/02/2005 a 16/12/2005 AGENTE MARÍTIMO. RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. A responsabilidade, pelo cometimento de infrações, de quem representa o transportador quando desincumbindose do cumprimento das obrigações acessórias que lhe são próprias, é expressa nos termos da legislação de regência. DADOS DE EMBARQUE. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. FORMA E PRAZO. DESCUMPRIMENTO. O registro dos dados de embarque no Siscomex após o prazo estabelecido pela legislação de regência constitui infração objetiva cominada com a multa de cinco mil reais por viagem cujos dados de embarque foram registrados intempestivamente, em face de expressa determinação legal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A interessada regularmente cientificada do Acórdão da DRJ – Florianópolis em 30/01/2012 (efolha 120) interpôs Recurso Voluntário em 28/02/2012 (efls. 121/ss), onde repisa os argumentos trazidos em sua impugnação. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Da ilegitimidade passiva Conforme esclarecido no Relatório, a primeira questão a ser enfrentada neste voto referese à alegada ilegitimidade passiva da Recorrente. O art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 indica expressamente que, além da empresa de transporte internacional, também o agente de cargas deve ser penalizado caso deixe de prestar informações relativas aos dados de embarque, na forma e prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Por sua vez, a obrigação do agente de carga pela prestação de informações no Siscomex é expressamente determinada pelo §1º do art. 37 do DecretoLei nº 37/66 (redação dada pela Lei nº 10.833/2003), verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas Fl. 171DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 4 transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. §1º. O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (grifei) A vinculação entre a Recorrente e o transportador internacional está plenamente comprovada através dos extratos do sistema SISCOMEX EXPORTAÇÃO que foram juntados aos autos, onde estão consignadas informações da própria interessada no campo destinado ao CNPJ do transportador nº 81.716.144/000140, que é o CNPJ da própria Recorrente (efolhas 17/49); Comprovase, assim, através desses extratos emitidos no Siscomex ("Consulta dados de embarque"), que a Recorrente foi a responsável pela aposição da informação no sistema, estando plenamente configurada a condição de representante do transportador estrangeiro no Brasil. No caso em tela, além de figurar como agente marítimo, a Recorrente é a representante do transportador estrangeiro no País, portanto, responsável solidário com este. Logo, por expressa disposição legal do art. 32 do Decretolei n° 37/66 (com redação dada pelo Decretolei n° 2.472/1988, em seu parágrafo único, alínea "b") é responsável solidário tanto pelo imposto como pelas penalidades decorrentes da prática de infração à legislação aduaneira, nos termos dos arts. 32 e art. 95 do Decretolei n° 37/66, verbis: Art. 32 É responsável pelo imposto: (...) Parágrafo único. É responsável solidário (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988): (...) II – o representante, no País, do transportador estrangeiro; (...) Art. 95 Respondem pela infração: I – conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; No mesmo diapasão, o CTN prescreve no artigo 124, inciso II, que são solidariamente obrigadas as pessoas expressamente designadas por lei e, no caso em tela, o agente de carga foi expressamente indicado pela lei como responsável pela infração (alínea "e", inciso IV, do artigo 107 do DecretoLei n° 37/66, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833/03). Registrese, por oportuno, que no RESP 1129430, Relator Ministro Luiz Fux, matéria julgada pelo STJ sob a sistemática do art. 543C (Recursos Repetitivos), ficou assentado que o agente marítimo, no exercício exclusivo de atribuições próprias, no período anterior à vigência do DecretoLei 2.472/88 (que alterou o artigo 32, do DecretoLei 37/66), não ostentava a condição de responsável tributário, porquanto inexistia previsão legal para tanto. Entretanto, a partir da vigência do DecretoLei No. 2.472/88 já não há mais óbice para que o agente marítimo figure como responsável tributário. Abaixo transcrevo trechos da ementa do Recurso Especial: Fl. 172DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10907.002055/200941 Acórdão n.º 3202001.189 S3C2T2 Fl. 171 5 PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE IMPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. AGENTE MARÍTIMO. ARTIGO 32, DO DECRETOLEI 37/66. FATO GERADOR ANTERIOR AO DECRETOLEI 2.472/88. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. 1. O agente marítimo, no exercício exclusivo de atribuições próprias, no período anterior à vigência do DecretoLei 2.472/88 (que alterou o artigo 32, do DecretoLei 37/66), não ostentava a condição de responsável tributário, nem se equiparava ao transportador, para fins de recolhimento do imposto sobre importação, porquanto inexistente previsão legal para tanto. 2. O sujeito passivo da obrigação tributária, que compõe o critério pessoal inserto no conseqüente da regra matriz de incidência tributária, é a pessoa que juridicamente deve pagar a dívida tributária, seja sua ou de terceiro(s). 3. O artigo 121 do Codex Tributário, elenca o contribuinte e o responsável como sujeitos passivos da obrigação tributária principal, assentando a doutrina que: "Qualquer pessoa colocada por lei na qualidade de devedora da prestação tributária, será sujeito passivo, pouco importando o nome que lhe seja atribuído ou a sua situação de contribuinte ou responsável" (Bernardo Ribeiro de Moraes, in "Compêndio de Direito Tributário", 2º Volume, 3ª ed., Ed. Forense,Rio de Janeiro, 2002, pág. 279). 4. O contribuinte (também denominado, na doutrina, de sujeito passivo direto, devedor direto ou destinatário legal tributário) tem relação causal, direta e pessoal com o pressuposto de fato que origina a obrigação tributária (artigo 121, I, do CTN). 5. O responsável tributário (por alguns chamado sujeito passivo indireto ou devedor indireto), por sua vez, não ostenta liame direto e pessoal com o fato jurídico tributário, decorrendo o dever jurídico de previsão legal (artigo 121, II, do CTN). (...) 11. Consequentemente, antes do DecretoLei 2.472/88, inexistia hipótese legal expressa de responsabilidade tributária do "representante, no País, do transportador estrangeiro", contexto legislativo que culminou na edição da Súmula 192/TFR, editada em 19.11.1985, que cristalizou o entendimento de que: "O agente marítimo, quando no exercício exclusivo das atribuições próprias, não é considerado responsável tributário, nem se equipara ao transportador para efeitos do DecretoLei 37/66." (...) 14. No que concerne ao período posterior à vigência do DecretoLei 2.472/88, sobreveio hipótese legal de responsabilidade tributária solidária (a qual não comporta benefício de ordem, à luz inclusive do parágrafo único, do artigo 124, do CTN) do "representante, no país, do transportador estrangeiro". (grifei) Fl. 173DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 6 Ademais, ninguém pode alegar a seu favor a própria torpeza, uma vez que a Recorrente, para poder operar como representante do transportador marítimo internacional firma Termo de Responsabilidade assumindo todas as obrigações perante a Receita Federal para poder representálo. Portanto, a preliminar suscitada pela Recorrente deve ser rejeitada. Da multa aplicada A controvérsia em discussão nestes autos referese à aplicação da multa ao transportador por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e prazo estabelecidos pela Receita Federal do Brasil. A multa está prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do Decretolei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo art. 77, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Para facilitar a análise da matéria, convém inicialmente transcrever o referido dispositivo legal: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga (grifei). O dispositivo legal acima transcrito tem por finalidade penalizar o comportamento daqueles que impedirem ou retardarem o fluxo normal de registros de dados no SISCOMEX, ocasionando acúmulo desnecessário de pendências no Sistema, o que levou o legislador a estabelecer expressamente que o descumprimento de obrigações acessórias, na forma e prazo previstos pela Receita Federal, acarretaria a aplicação de multa. A obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37, de 1966, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. Quanto à forma e ao prazo para informação de dados no SISCOMEX pelo transportador, a redação original do artigo 37 da Instrução Normativa SRF n° 28/94 dispunha: Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no S1SCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. Parágrafo único. Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no SISCOMEX, será de responsabilidade do exportador ou do Fl. 174DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10907.002055/200941 Acórdão n.º 3202001.189 S3C2T2 Fl. 172 7 transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos à unidade da SRF de despacho. A IN SRF n° 510, de 14/02/2005, deu nova redação ao artigo 37 da Instrução Normativa SRF n° 28/94, prescrevendo o prazo de 7 dias, contados da realização do embarque, para o registro dos dados no Siscomex, nos casos de transporte efetuado por via marítima. Posteriormente, o artigo 1º da IN SRF n° 1.096 de 13 de dezembro de 2010, deu nova redação ao artigo 37 da Instrução Normativa SRF n° 28/94, estabelecendo o prazo de 7 dias, para todas as modalidades de transporte, verbis: Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contado da data da realização do embarque. §1° Na hipótese de embarque de mercadoria em viagem internacional, por via rodoviária, ferroviária, fluvial ou lacustre, o registro de dados do embarque, no Siscomex, será de responsabilidade do exportador ou do transportador, e deverá ser realizado antes da apresentação da mercadoria e dos documentos na unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) de despacho. §2° Na hipótese de o registro da declaração para despacho aduaneiro de exportação ser efetuado depois do embarque da mercadoria ou de sua saída do território nacional, nos termos do art. 52, o prazo a que se refere o caput será contado da data do registro da declaração. §3° Os dados de embarque da mercadoria poderão ser informados pela fiscalização aduaneira nas hipóteses estabelecidas em ato da Coordenação Geral de Administração Aduaneira (Coana) (grifei) Pois bem. No caso tratado nos autos os fatos ocorreram entre 14/02/2005 a 16/12/2005, portanto, sob a égide da IN SRF n° 510/05, o prazo para registro das informações no Siscomex é de sete dias no caso de embarque marítimo. Conforme consta da autuação (vide planilha anexada à efolha 15 e documentos anexados às efolhas 17/49), todos os dados de embarque das mercadorias exportadas foram inseridas no Siscomex em prazos superiores a sete dias, não atendendo, assim, ao prazo estabelecido no parágrafo 2º do art. 37 da IN/SRF nº 28, de 27/04/1994, com nova redação dada pela IN/SRF nº 510/2005. Destarte, comprovado que a Recorrente descumpriu o prazo para prestar informação dos dados de embarque de mercadorias no sistema, restou perfeitamente tipificada a infração prevista no artigo 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 (com a redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833/03), sujeitando o infrator à multa no valor de R$ 5.000,00 por embarque informado intempestivamente. Quanto ao critério utilizado para aplicação da multa entendemos estar correta a forma adotada pela fiscalização, ao considerar que a multa de R$ 5.000,00 deve ser aplicada em relação a cada veículo transportador, ou seja, por embarque e não em relação a cada despacho de exportação constante desse embarque. Este, inclusive, é a orientação trazida pela Solução de Consulta Interna n° 8 da COSIT, de 14/02/2008. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES 8 Por fim, entendo que não procede a alegação da Recorrente de que entregou os documentos necessários ao despacho aduaneiro de exportação à Alfândega dentro do prazo, uma vez que a obrigação acessória descumprida não é a de entregar documentos na Alfândega, mas sim a de registrar, no Siscomex, os dados relativos ao embarque da mercadoria, no prazo de sete dias, contados da data do embarque das mercadorias, conforme prescreve no art. 37, caput e § 2°, da IN SRF nº 28, de 1994, com redação dada pelo art. 10 da IN SRF nº 510, de 2005. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de afastar a preliminar suscitada e, no mérito, por dar negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a multa no montante de R$ 50.000,00 em relação aos dez embarques para os quais os dados foram informados após o prazo de sete dias no Siscomex. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 176DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 03/06/2014 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 18471.001147/2002-14
Turma: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2004
Numero da decisão: 202-00.750
Decisão: RESOLVEM os Membros da Segunda Camara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Raimar da Silva Aguiar
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Numero do processo: 10821.000736/2010-58
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 27/12/2005
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-003.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24.968.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 27/12/2005 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido.
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APLICAÇÃO ÀS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Aplicase o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas intempestivamente, mas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, relativamente ao dever de informar, no Siscomex, os dados referentes ao embarque de mercadoria destinada à exportação. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Paulo Sérgio Celani votou pelas conclusões. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Sérgio Piqueira Pimentel Maia, OAB/RJ 24.968. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 1. 00 07 36 /2 01 0- 58 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10821.000736/201058 Acórdão n.º 3801003.256 S3TE01 Fl. 3 2 Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10821.000736/201058 Acórdão n.º 3801003.256 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 7ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Fortaleza (DRJ/FOR), em que foi julgada improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte, sendo o crédito tributário mantido. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “O presente processo é referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória de prestar informação sobre carga transportada, na forma e no prazoestabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. O lançamento, que foi contestado pela empresa autuada, (...)à época de sua formalização. Da Autuação No campo DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração consta, em síntese, que a empresa autuada solicitou, após o decurso do prazo para prestar informação sobre carga transportada, definido na Instrução Normativa RFB nº 800/2007, a retificação de dado já incluído no sistema informatizado de controle de cargas. Em razão dessa conduta, a autoridade autuante entendeu estar caracterizada a infração tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, e aplicou a multa ali prescrita. A fiscalização informou que, de acordo com a legislação regente, o controle aduaneiro da movimentação de cargas, embarcações e unidades de carga é feito por meio do Siscomex Carga, o qual deverá ser suprido de informações a serem prestadas pelos intervenientes no comércio exterior, inclusive as agências de carga ou de navegação, como é o caso da autuada. As referidas informações estão dispostas nos Anexos da IN SRF nº 800/2007, e servem para gerar o conhecimento eletrônico (CE) de carga. A autoridade lançadora esclareceu que, nos termos dos artigos 3º e seguintes da IN RFB nº 800/2007, a autuada responde pelas informações prestadas a destempo, e que essa responsabilidade é objetiva, perfazendose independentemente da intenção do agente, consoante dispõe o art. 136 do Código Tributário Nacional. Diante dos fatos apurados, a fiscalização lavrou o Auto de Infração em debate, tendo como fundamento, além dos dispositivos legais já mencionados, os indicados no campo ENQUADRAMENTO LEGAL do Auto de Infração. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10821.000736/201058 Acórdão n.º 3801003.256 S3TE01 Fl. 5 4 Da Impugnação O sujeito passivo foi cientificado da exação e apresentou impugnação, na qual aduz os argumentos a seguir sintetizados. a) A conduta da impugnante não está tipificada no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, uma vez que ela não deixou de prestar a informação exigida e a norma punitiva não admite analogia ou interpretação extensiva. b) Mesmo que a conduta da impugnante pudesse ser considerada infração, ainda assim não seria cabível a multa aplicada, pois o pedido de retificação foi feito antes de qualquer ação fiscal, sendo aplicável ao caso o instituto da denúncia espontânea, constante no art. 138 do CTN, para fins de exclusão da penalidade. c) A penalidade também não pode ser cominada à impugnante porque ela não se reveste da condição de empresa de transporte internacional, nem é prestadora de serviço de transporte internacional expresso portaaporta ou agência de carga. É apenas uma agência de navegação, que tem por fim prover as necessidades do navio no porto de destino, e não pode ser equiparada às empresas mencionadas anteriormente. d) O fato de a agência marítima ser representante do transportador estrangeiro não implica em responsabilidade solidária pela prestação de informação de forma irregular, pois a solidariedade tem que estar prevista em lei. e) O Auto de Infração não atende às exigências legais, pois não traz o transportador como sujeito passivo nem apresenta qualquer prova ou informação que possa contribuir para sua identificação. Ao final a defesa requer que o lançamento seja julgado improcedente.” A impugnação foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/FOR conta com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO AGÊNCIA MARÍTIMA REPRESENTANTE DE TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. PRESTAÇÃO INTEMPESTIVA DE INFORMAÇÃO. LEGITIMIDADE PASSIVA. Responde pela prestação intempestiva de informação legalmente exigida a agência de navegação marítima representante de transportador estrangeiro que tiver concorrido para a prática dessa infração ou dela se beneficiado. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10821.000736/201058 Acórdão n.º 3801003.256 S3TE01 Fl. 6 5 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. RETIFICAÇÃO INTEMPESTIVA DE REGISTRO. IRRELEVÂNCIA DA INTENÇÃO DO AGENTE. MULTA A retificação de registro sobre carga transportada após o prazo fixado para prestar essa informação confirma que o dado correto não foi apresentado tempestivamente, fato que é tipificado como infração autônoma, punível com multa específica, independente da intenção do agente. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA TRANSPORTADA. DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. A prestação de informações sobre as cargas transportadas na forma e no prazo legalmente estabelecidos é obrigação acessória autônoma, cujo descumprimento não comporta saneamento via denúncia espontânea, que é expressamente afastada após a atracação do veículo transportador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, onde em suas razões, requer a reforma do acórdão. É o sucinto relatório. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10821.000736/201058 Acórdão n.º 3801003.256 S3TE01 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Paulo Antônio Velloso da Silveira –Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. A controvérsia em discussão nestes autos se refere à aplicação da multa à recorrente Wilson Sons Agência Marítima Ltda. A questão em debate cingese à incidência da multa prevista pelo art. 107, IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66, em que a Recorrente protesta pela atipicidade dos fatos praticados, pela nulidade do auto de infração que apresentou fundamentos conflitantes para a penalidade, bem como requer o benefício da denúncia espontânea, haja vista ter apresentado as informações previstas pela IN/SRF nº 28/94. A multa aplicada está prevista no art. 107, inciso IV, alínea "c", do Decreto lei n° 37, de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo art. 77, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, in verbis: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; Preliminarmente afasto o argumento da Recorrente de que, por ser a empresa uma agência marítima, e não uma transportadora, não está configurada sua responsabilidade quanto à prática da infração objeto dos autos. Ocorre que a obrigação do transportador, de prestar as informações à RFB, encontrase estabelecida no art. 37 do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833, de 2003, in verbis: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar Fl. 83DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10821.000736/201058 Acórdão n.º 3801003.256 S3TE01 Fl. 8 7 as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. Ultrapassados tal argumento, entendo que a penalidade não deve ser aplicada no presente caso. Ocorre que, muito embora típica e perfeitamente subsumido o fato à norma, no caso em tela se está diante de uma excludente da punibilidade, haja vista a Recorrente estar amparada pela hipótese legal da chamada denúncia espontânea. Esse instituto jurídico tem lugar quando o contribuinte informa à administração as infrações por ele praticadas, antes de iniciado qualquer procedimento fiscalizatório. A vantagem dessa confissão prévia e espontânea para o contribuinte está na consequência legal que o instituto lhe garante. É que a penalidade correspondente é excluída. Ocorre que a Recorrente solicitou através de petição datada de 20/01/2011 (fl. 21), retificação de informação do CEMERCANTE n° 151005206011704, referente ao Conhecimento de Carga n° MOLU13900291395, consignado à empresa New Track Importação, Exportação e Distribuição Ltda. A informação referiase ao NCM informado incorretamente. Assim, em 28/01/2011 foi promovida pela Receita Federal do Brasil a referida retificação, conforme consta no auto de infração. Assim, somente após o protocolo da petição retificadora da NCM, é que ocorreu a lavratura do Auto de Infração, sendo intimada a contribuinte, por carta A.R.. Portanto, o Auto de Infração somente foi lavrado após o protocolo da petição que retificou a NCM. Logo, o pedido de retificação prestado pela recorrente foi anterior à lavratura da Intimação, assim como antes também da lavratura do Auto de Infração. Deste modo, aplica se ao presente caso o instituto da denúncia espontânea. O Código Tributário Nacional disciplina no art. 138 a exclusão da responsabilidade quando a denúncia espontânea for acompanhada do pagamento do tributo e dos juros de mora, restringindo tal hipótese quando caracterizado o início do procedimento administrativo ou qualquer medida de fiscalização, nos termos do parágrafo único. Destacase também que até a edição da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, convertida na Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, a caracterização da denúncia espontânea não contemplava as obrigações acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com o fato gerador do tributo. Porém, com a vigência da norma acima, foi modificado o § 2º, do art. 102 do DecretoLei nº 37/66, incluindo as penalidades administrativas dentre aquelas possíveis de aplicação da denúncia espontânea, in verbis: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; Fl. 84DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10821.000736/201058 Acórdão n.º 3801003.256 S3TE01 Fl. 9 8 b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (grifouse) No presente caso, temos, portanto, que a retificação foi apresentada antes de qualquer procedimento de fiscalização, caracterizando a denúncia espontânea, devendo ser excluída a penalidade ora discutida, de natureza administrativa, conforme previsão do § 2º do artigo 102 do DecretoLei nº 37/66. Acrescentase ainda que este Egrégio Conselho tem compartilhado deste entendimento, consoante se verifica pelos arestos abaixo: DENÚNCIA ESPONTÂNEA CONFIGURAÇÃO A retificação de informação prestada em registro de conhecimento de carga antes de qualquer procedimento da fiscalização aduaneira, está amparada pela denúncia espontânea prevista no art. 102, do mesmo diploma legal (Acórdão 3101001.138, 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 22/05/2012, Relator Conselheiro Luiz Roberto Domingo) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO AS PENALIDADES DE NATUREZA ADMINISTRATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A alteração do art. 102 do DecretoLei nº 37/66 promovida pela Medida Provisória nº 497/2010, posteriormente convertida na Lei nº 12.350/2010, que incluiu as penalidades de natureza administrativa, dentre aquelas alcançadas pela denúncia espontânea é aplicada aos casos ainda pendentes de julgamento, em razão da retroatividade benigna, nos termos do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. (Acórdão 3102001.663, 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, sessão de 25/10/2012, Relator Conselheiro Álvaro Arthur L. de Almeida Filho) DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. (Acórdão 3301001.691, 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão Fl. 85DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10821.000736/201058 Acórdão n.º 3801003.256 S3TE01 Fl. 10 9 de 30/01/2013, Relator Conselheiro Jose Adão Vitorino de Morais) Em face do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para excluir a penalidade aplicada em razão da denúncia espontânea. É assim que voto. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relator Fl. 86DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 04/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10510.900459/2012-51
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2008 a 31/03/2008
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE.
Cabe ao interessado o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito utilizado na declaração de compensação.
INOVAÇÃO NO ARGUMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO.
O Interessado deve apresentar as questões de direito e de fato na manifestação de inconformidade, bem como anexar todos os documentos que provem os fatos constitutivos do seu direito, precluindo a faculdade de fazê-lo em outro momento, ressalvadas as hipóteses constantes do mesmo dispositivo legal.
Numero da decisão: 3803-006.175
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/03/2008 a 31/03/2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Cabe ao interessado o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito utilizado na declaração de compensação. INOVAÇÃO NO ARGUMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO. O Interessado deve apresentar as questões de direito e de fato na manifestação de inconformidade, bem como anexar todos os documentos que provem os fatos constitutivos do seu direito, precluindo a faculdade de fazê-lo em outro momento, ressalvadas as hipóteses constantes do mesmo dispositivo legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. ÔNUS DA PROVA. CONTRIBUINTE. Cabe ao interessado o ônus da prova da certeza e liquidez do crédito utilizado na declaração de compensação. INOVAÇÃO NO ARGUMENTO DE DEFESA. PRECLUSÃO. O Interessado deve apresentar as questões de direito e de fato na manifestação de inconformidade, bem como anexar todos os documentos que provem os fatos constitutivos do seu direito, precluindo a faculdade de fazê lo em outro momento, ressalvadas as hipóteses constantes do mesmo dispositivo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por inovação dos argumentos de defesa. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 90 04 59 /2 01 2- 51 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Demes Brito. Relatório Esta contribuinte transmitiu declaração de compensação em que compensou o débito discriminado no referido PeR/DComp servindose de suposto crédito de pagamento a maior de PIS. Despacho Decisório da DRF/Aracaju reconheceu parcialmente o direito creditório e homologou parcialmente a DComp, por insuficiência de crédito. Em manifestação de inconformidade apresentada, a Manifestante alegou que: a) a falta de retificação da DCTF não invalida o direito de proceder à compensação do pagamento efetuado indevidamente ou a maior; b) discorreu sobre o direito à compensação administrativa, fazendo menção à legislação pertinente, tendo ainda tratado da retificação da DCTF e das hipóteses em que há vedação legal e expressa para a Declaração de Compensação. Em julgamento da lide, a DRJ/Belo Horizonte consignou que o fato evidenciado pelo Despacho Decisório é que o crédito utilizado pela Contribuinte foi alocado conforme especificado no demonstrativo de utilização do pagamento, não restando crédito passível de compensação, além do montante já considerado na decisão. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/03/2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão em 05/03/2014, 15 dias após a disponibilização da decisão na caixa postal eCAC, irresignada, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 14/03/2014, em que identificou que a origem do crédito era pagamento indevido sobre as receitas decorrentes do fornecimento de medicamentos sujeitos à alíquota zero, com tributação concentrada no produtor, nos termos da Lei nº 10.147/00, com liminar deferida no processo judicial nº 2009.34.00.0314472, confirmada na segurança concedida, em trâmite na 9ª Vara Federal da Seção Judiciária Federal do Distrito Federal, ascendidos os autos ao TRF1ª Região em 02/05/2001 para o reexame necessário. É o relatório. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10510.900459/201251 Acórdão n.º 3803006.175 S3TE03 Fl. 81 3 Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para admissibilidade, portanto dele conheço. Com efeito, na manifestação de inconformidade a Contribuinte não identifica a origem do crédito que utiliza na declaração de compensação e não anexa documentos nem sua escrita fiscal e contábil para comprovar a sua alegação de pagamento a maior. No recurso voluntário a Recorrente apresentase como substituída no mandado de segurança coletivo impetrado pela Confederação Nacional de Saúde, ação que teve como objeto a exclusão da base de cálculo das contribuições apuradas por hospitais e clínicas das receitas obtidas com o fornecimento de medicamentos na prestação de serviços, uma vez que tais medicamentos estão sujeitos à incidência concentrada e da alíquota zero relativamente aos demais agentes da cadeia de circulação desses produtos. Anexa Certidão Narrativa de Objeto e Pé contendo o andamento do processo e em que é atestada a concessão de liminar, a posterior concessão da segurança, a subida dos autos para reexame necessário e seu estado de concluso para o relator. Com este argumento a Recorrente inova a sua defesa, trazendo questão que não foi posta perante o juízo de primeiro grau. Reza o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 que o impugnante deve arguir na impugnação todas as questões de fato e de direito, bem como apresentar todos os documentos que fazem a prova das alegações. Os processos de restituição, ressarcimento e compensação são de iniciativa do interessado, que se constitui em sujeito ativo no processo fazendo a afirmação do seu direito ao crédito e à concomitante compensação, cabendo a ele, dessa forma, o ônus de instruir o processo com as provas dos fatos constitutivos do seu direito. No presente caso, além de o novo argumento repercutir na supressão da primeira instância, que deixou de apreciar o mérito ora colocado, a Recorrente trouxe apenas a prova quanto à certeza do seu crédito, decorrente da existência da ação judicial em que é parte na condição de substituída processual, com provimento do pedido reconhecendo o direito de não se submeter ao pagamento do PIS/Cofins, porém não se desincumbiu de demonstrar a sua liquidez, comprovandoo por meio de controle segregado dos produtos alvo da exclusão da base de cálculo, bem como, adicionalmente, por meio da escrita contábil e fiscal. Os argumentos da Recorrente apoiados apenas no documento apresentado corresponde à pretensão de obter o provimento do recurso voluntário com base no direito em tese. A prova da certeza do crédito é necessária, mas insuficiente, porquanto não assegura minimamente a existência do seu direito material. Desse modo, a Recorrente apresenta uma defesa que não tem força para lhe favorecer, pois é elementar que restasse provada a materialidade do direito alegado, sintetizada, pelo menos, num demonstrativo de recuperação de crédito, tecnicamente consistente e facilitador de uma possível diligência fiscal, de vez que apresentada apenas na segunda instância. Somente assim, poderia a Recorrente obter, quando menos, alguma parcela de êxito no presente julgamento. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Dessarte, a carência de elementos probatórios que ministrassem em favor da sua alegação realça tão só a inovação no argumento de defesa, que, ante a correção da decisão recorrida, não tem índole bastante para ser conhecida. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso por inovação no argumento de defesa. Sala das sessões, 28 de maio de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 83DF CARF MF Impresso em 27/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/06/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 18/06/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/06/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 15374.913773/2008-42
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
Direito Creditório. Recolhimento a Maior. Prova.
Uma vez provada a liquidez e certeza do indébito tributário, faz jus o contribuinte à homologação das compensações vinculadas ao direito creditório reconhecido.
Numero da decisão: 1801-001.977
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Justificada a ausência da Conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Marcio Angelim Ovidio Silva, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Cristiane Silva Costa e Maria de Lourdes Ramirez.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 Direito Creditório. Recolhimento a Maior. Prova. Uma vez provada a liquidez e certeza do indébito tributário, faz jus o contribuinte à homologação das compensações vinculadas ao direito creditório reconhecido.
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RECOLHIMENTO A MAIOR. PROVA. Uma vez provada a liquidez e certeza do indébito tributário, faz jus o contribuinte à homologação das compensações vinculadas ao direito creditório reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Justificada a ausência da Conselheira Cristiane Silva Costa. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Presidente em exercício e Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Marcio Angelim Ovidio Silva, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Cristiane Silva Costa e Maria de Lourdes Ramirez. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 5a. Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJI que, por unanimidade de votos, não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações declaradas nos autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 91 37 73 /2 00 8- 42 Fl. 287DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/06/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ no Rio de Janeiro/RJI: Tratase de Declaração de Compensação nº 13187.92306.101106.1.7.048634, constante de fls. 3 a 7, apresentada em 10/11/2006, para utilização de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior que o devido de IRPJ (cód. 2089), relativo ao período de apuração de dez/2003, no valor total de R$ 2.237,30, com débito do mesmo tributo, no mesmo valor, relativo ao 2º trimestre de 2004. Conforme Despacho Decisório de fl. 8, foi indeferido o pedido, em virtude da inexistência do crédito informado, uma vez que o pagamento discriminado no PER/DCOMP, cujo valor original total era de R$ 18.079,19, foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada em 22/08/2008 (AR de fls. 55), a contribuinte interpôs, em 15/09/2008, manifestação de inconformidade de fls. 11 a 15, acompanhada de documentos de fls. 16 a 54. Alega, em apertada síntese, que possui o direito creditório no valor de R$ 2.237,32, referente a diferença entre o valor de R$ 18.079,19, recolhido através de DARF, para o pagamento de IRPJ do 4º trimestre de 2003, equivocadamente informado em DCTF como sendo o montante devido, e R$ 15.979,82, apurado e devidamente informado na ficha 14 A, da DIPJ/2004, relativo ao mesmo imposto e mesmo período de apuração. Reforçando sua argumentação, informa que a compensação requerida foi informada em DCTF, a qual demonstrou que IRPJ devido no 2º trimestre de 2004, no valor de R$ 4.598,35, foi pago através de dois DARF’s, totalizando o montante de R$ 2.361,03 e que o saldo residual foi complementado por intermédio da compensação efetuada com o crédito apurado de R$ 2.237,32. Evoca em seu benefício, o princípio da verdade material, e a jurisprudência administrativa do então Conselho de Contribuintes para afirmar que o eventual erro de preenchimento da DCTF não poderia se sobrepor ao legítimo direito creditório que alega possuir. Por fim, requer a reforma do despacho decisório, com a homologação da compensação pleiteada, bem como a suspensão da cobrança dos valores objeto da compensação não acolhida. Esclarece que a guia utilizada como base de compensação na PER/DCOMP nº 25818.47495.291104.1.3.040083 no valor principal de R$ 2.162.03 teve sua utilização parcial no valor de R$ 600,43 para acobertar o débito de PIS no mês de 12/2003, e que o saldo remanescente foi utilizado na PER/DCOMP acima mencionada, e como comprovação deste fato pode ser verificada a DACON entregue no período onde consta tal informação. Efetuei a juntada da ficha Débito Apurado e Créditos Vinculados, relativo ao IRPJ, da DCTF do 4º trimestre de 2003 da interessada, à fl. 60. A Turma Julgadora de 1a. Instância indeferiu o pleito, não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação declarada ao argumento de que a simples alegação da defesa não seria suficiente para comprovar o alegado de erro de preenchimento da DCTF. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/06/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ Processo nº 15374.913773/200842 Acórdão n.º 1801001.977 S1TE01 Fl. 3 3 Notificada da decisão, em 11/07/2012, apresentou, a interessada em 06/08/2012, recurso voluntário, no qual, em apertada síntese, reproduz as razões de defesa deduzidas na manifestação de inconformidade a respeito do erro no preenchimento da DCTF, no valor do IRPJ devido no 4o. trimestre de 2003, informado como débito no valor de R$ 18.079,19, quando o correto seria aquele declarado na DIPJ do respectivo período, de R$ 15.979,82. A fim de provar suas argüições, junta cópias do Livro Diário, Razão, Notas Fiscais e Demonstrativo Mensal de Apuração da Base de Cálculo do IRPJ, todos relativos ao 4o. trimestre de 2003. Afirma, assim, que com a apresentação dos referidos elementos, estará afastada a única justificativa apresentada pela autoridade julgadora da DRJ para indeferimento do pleito. Ao final, pede pelo provimento integral do recurso. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Como visto, a recorrente apresentou DCOMP com o objetivo de compensar débito de IRPJ do 2o. trimestre de 2004, com direito creditório relativo a pagamento a maior de IRPJ do 4o. trimestre de 2003. De acordo com as alegações da defesa, o valor do IRPJ apurado e efetivamente devido no 4o. trimestre de 2003 teria sido aquele informado na respectiva DIPJ, no valor de R$ 15.979,82. Contudo, por erro, foi informado na DCTF como IRPJ devido para o 4o. trimestre de 2003, e recolhido por DARF, o valor de R$ 18.079,19, restando claro o recolhimento a maior da diferença entre os dois valores. A Turma Julgadora de 1a. Instância indeferiu o pleito ao argumento de que a recorrente não teria feito prova do erro no preenchimento da DCTF e no recolhimento do DARF. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/06/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ 4 Junto ao recurso voluntário a defesa apresenta elementos de sua escrituração contábilfiscal. Na cópia do Livro Diário, folha 00166, consta o seguinte registro (fl. 197, processo digital): 31/12 – Valor Provisão IRPJ 12/2003 – R$ 18.079,18 31/12 – Valor Provisão IRPJ 12/2003 – R$ 15.990,19 Valor IRPJ/2003 Provisão a Maior (IRPJ a compensar) – R$ 2.089, No demonstrativo denominado Demonstrativo Mensal de Apuração da Base de Cálculo do IRPJ (fl. 88), a recorrente demonstra a apuração do IRPJ do 4o. trimestre de 2003 no valor devido de R$ 15.979,82 Em razão dos elementos de prova trazidos pela defesa, somados às informações já constantes dos autos, e tendo em conta que a única justificativa para o indeferimento do pedido pela Turma Julgadora de 1a. Instância foi a inexistência de elementos comprobatórios, entendo estar comprovado o erro de preenchimento da DCTF e o recolhimento a maior de IRPJ relativo ao 4o. trimestre, no valor de R$ 2.099,37, resultado da diferença entre o valor recolhido, de R$ 18.079,18 e o devido, de R$ 15.990,19. As compensações declaradas deverão ser homologadas até o limite do crédito ora reconhecido. Em face do exposto voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Fl. 290DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/06/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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Numero do processo: 19515.005788/2009-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1202-000.232
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, vencidos os Conselheiros Viviane Vidal Wagner (relatora) e Carlos Alberto Donassolo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner Relatora
(assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1580; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T2 Fl. 2 1 1 S1C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.005788/200915 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1202000.232 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 3 de dezembro de 2013 Assunto omissão de receitas Recorrente MARCOMAR COMERCIO DE ALIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, vencidos os Conselheiros Viviane Vidal Wagner (relatora) e Carlos Alberto Donassolo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner – Relatora (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 05 78 8/ 20 09 -1 5 Fl. 2016DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 18/06/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.005788/200915 Resolução nº 1202000.232 S1C2T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão que julgou improcedente a impugnação. Por bem descrever os fatos de interesse ao deslinde da lide, transcrevese, com a vênia do colegiado, o relatório da decisão recorrida: Contra o Contribuinte acima identificado, foram lavrados os Autos de Infração do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS/PASEP), da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), da multa isolada por falta de recolhimento de estimativa do IRPJ e da multa isolada por falta recolhimento da CSLL. Também foram lavrados o Termo de Verificação Fiscal de fls. 602 a 614 e a planilha das diferenças apuradas no estoque de mercadorias do ano de 2004 (fls. 480 e 481). O Auto de Infração do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), às fls. 617 a 619, com os demonstrativos de fls. 615 a 616, exige o recolhimento do valor de R$ 1.480.641,55 de imposto, acrescido da multa de 75%, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, e dos juros de mora, em razão da omissão de receita operacional, caracterizada por diferenças de estoque, no valor de R$ 5.938.974,61 (planilhas de fls. 474 a 481), anocalendário de 2004. As diferenças de estoques foram apuradas pelo confronto entre as mercadorias registradas no SINTEGRA (Sistema Integrado de Informações sobre Operações Interestaduais com Mercadorias e Serviços) e os Livros Registro de Inventário. Inicialmente, a Fiscalização apurou as diferenças em quilogramas (planilha de fls. 474 a 479); depois em reais pela multiplicação das diferenças em kg pelo valor unitário da mercadorias (fls. 480 e 481), conforme exemplo a seguir: Apuração da diferença de estoque filé salmão S/P (fls. 477 e 480): Estoque inicial no Livro Registro de Inventário – 31/12/2003 8.805,755 ( + ) entradas SINTEGRA 42.026,820 ( ) saídas SINTEGRA 44.680,000 ( = ) estoque final apurado 6.152,575 Estoque final no Livro Registro de Inventário – 31/12//2004 1.373,557 Diferença de estoque em kg (6.152,575 – 1.373,557) 4.779,018 Em reais (4.779,018 x 10,55) 50.418,64 Fl. 2017DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 18/06/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.005788/200915 Resolução nº 1202000.232 S1C2T2 Fl. 4 3 Nesse exemplo, constatase que a quantidade de mercadoria registrada no estoque (Livro Registro de Inventário) é menor que aquela apurada com base nos registros no SINTEGRA, indicando vendas não escrituradas, configurando presunção de omissão de receita. A falta de estoque final indica compras não escrituradas, configurando, também, presunção de omissão de receita. As diferenças de estoque se referem a produtos de pescado, tais como salmão, corvina, linguado, bagre, pescadinha, etc. Conforme Termo de Intimação Fiscal de fl. 251, o Contribuinte foi intimado a justificar as diferenças de estoque de mercadorias, relativas ao anocalendário de 2004, conforme demonstrativos de fls. 252 a 258. Respondeu que metade dessas operações não constituíram vendas (faturamento), mas meras saídas para o depósito Anhembi Agro Industrial Ltda. para armazenamento (CFOP 5.905). O retorno simbólico da armazenagem (emissão da NF pelo AG) foi devidamente realizado, mas por falha no sistema não foi devidamente registrados nos livros. Por sua vez, as diferenças apontadas pela Fiscalização em relação ao salmão inteiro fresco, salmão inteiro congelado e filé de salmão são provenientes do filetamento do salmão fresco e do congelado, de perdas decorrente do filetamento e do prazo de validade do produto. Também foi intimado a justificar as diferenças de estoque do ano calendário de 2005 (fls. 454 a 465). Considerando as alegações apresentadas e com o objetivo de apurar corretamente os estoques de mercadorias dos anoscalendário de 2004 e 2005, foi o Contribuinte intimado (fls. 466 a 467) a retificar os arquivos digitais SINTEGRA, relativos aos anoscalendário de 2004 e 2005, incluindo as notas fiscais que não foram escrituradas. Atendendo a solicitação, o Contribuinte apresentou os arquivos digitais SINTEGRA e a escrituração fiscal. De posse desses elementos, a Fiscalização apurou novas diferenças e intimou por duas vezes (fls. 472 a 492 e 495) o Contribuinte para justificálas, e também, comprovar com documentação hábil e idônea, a alegação de que as diferenças se referem ao filetamento do salmão e das perdas. Em resposta, apresentou as justificativas de fls. 498 a 507, e os documentos de fls. 508 a 557. As justificativas foram as seguintes: a Fiscalização não efetuou a devida distinção entre as diferenças positivas e negativas, bem como transportou para 2005 a diferenças apurada em 2004, duplicandoa. Deveria considerar que parte dessa diferença pertence ao ano de 2004. Movimentações de produtos, tais como transferências de códigos e as perdas e quebras (processo de congelamento, descongelamento, filetamento do salmão e de merluza). Fl. 2018DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 18/06/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.005788/200915 Resolução nº 1202000.232 S1C2T2 Fl. 5 4 A Fiscalização, entendendo que a diferença de estoque de mercadoria do anocalendário de 2004 não restou comprovada (fls. 474 a 481), efetuou o lançamento, considerandoa como omissão de receita. A forma de tributação adotada pelo Contribuinte foi o lucro real, com apuração anual. Enquadramento legal: art. 24 da Lei nº 9.249, de 1995, art. 41 da Lei nº 9.430, de 1996, arts. 249, inciso II, 251, e parágrafo único, 261, 274, 279, 286, 288 e 289 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999. O Auto de Infração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, às fls. 622 a 624, com os demonstrativos de fls. 620 e 621, decorrente da fiscalização do IRPJ, exige o recolhimento do valor de R$ 534.507,71 de contribuição, acrescido da multa de ofício no percentual de 75% e dos juros de mora. O lançamento foi efetuado em razão da omissão de receita, caracterizada pela por diferenças de estoque de mercadorias. Enquadramento legal: art. 2º, e §§, da Lei nº 7.689, de 1988, art. 24 da Lei n° 9.249, de 1995, art. 1º da Lei nº 9.316, de 1996, art. 28 da Lei nº 9.430, de 1996 e art. 37 da Lei nº 10.637, de 2002. O Auto de Infração da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS/PASEP), às fls. 627 a 629, com os demonstrativos de fls. 625 e 626, decorrente da fiscalização do IRPJ, exige o recolhimento do valor de R$ 56.629,63 de contribuição, acrescido da multa de 75% e dos juros de mora. O lançamento foi efetuado em razão da omissão de receita, caracterizada pela por diferenças de estoque de mercadorias. Sobre o valor apurado foi considerado o saldo de crédito dessa contribuição existente em 12/2004 (incidência não cumulativa), declarado na DACON. Enquadramento legal: arts. 1º, 3º e 4º da Lei nº 10.637, de 2002. O Auto de Infração da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), às fls. 632 a 634, com os demonstrativos de fls. 630 e 631, decorrente da fiscalização do IRPJ, exige o recolhimento do valor de R$ 244.998,93 de contribuição, acrescido da multa de 75% e dos juros de mora. O lançamento foi efetuado em razão da omissão de receita, caracterizada pela por diferenças de estoque de mercadorias. Sobre o valor apurado foi considerado o saldo de crédito dessa contribuição existente em 12/2004 (incidência não cumulativa), declarado na DACON. Enquadramento legal: arts. 1º, 3º e 5º da Lei nº 10.833, de 2003. O Auto de Infração da Multa Isolada de 50% sobre a estimativa de IRPJ não recolhida em 12/2004, às fls. 635 a 638, exige o recolhimento do valor de R$ 740.320,78. A multa foi calculada considerando a omissão de receita apurada no Auto de Infração do IRPJ. Enquadramento legal: arts. 222 e 843 do RIR/1999, c/c o art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007. Fl. 2019DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 18/06/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.005788/200915 Resolução nº 1202000.232 S1C2T2 Fl. 6 5 O Auto de Infração da Multa Isolada de 50% sobre a estimativa de CSLL não recolhida em 12/2004, às fls. 639 a 642, exige o recolhimento do valor de R$ 267.253,86. A multa foi calculada considerando a omissão de receita apurada no Auto de Infração do IRPJ. Enquadramento legal: arts. 222 e 843 do RIR/199, c/c o art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007. Discordando dos lançamentos, o Contribuinte apresentou a impugnação de fls. 645 a 666, com os documentos de fls. 667 a 970, fazendo, em síntese, as seguintes alegações: 1 Da incorreta interpretação das informações dos registros SINTEGRA Erroneamente a Fiscalização, por desconhecimento da Legislação Estadual, ao utilizar as informações do SINTEGRA, não considerou que nele estão registradas todas as movimentações de mercadorias permitidas pelo Fisco Estadual, inclusive remessa para armazenamento (fls. 698 a 786), resultando na interpretação dos dados como diferenças de estoque, sendo que na verdade a mercadoria estava em poder de terceiros. Essas remessas estão no próprio arquivo SINTEGRA com o código de CFOP – Código Fiscal de Operações e Prestações – 5.905. No caso do file de salmão, desconsiderando as movimentações de remessa CFOP 5.905 para o armazém geral que não retornaram, constitui estoques em poder de terceiros, conforme a seguir é demonstrado (documentos de fls. 793 a 797): estoque inicial no inventário ........ 86.235,94 kg entradas pelo SINTEGRA........... 903.703,84 kg saídas efetivas............................. 767.646,95 kg estoque final apurado................... 222.292,83 kg estoque final no inventário............ 360.139,98 kg diferença .................................... (137.847,15) kg A diferença de 222.292,83 kg (360.668,70 – 137.847,15) foi apurada equivocadamente pela Fiscalização como omissão de receitas, sendo que estava estocada no armazém geral. Conclui que o lançamento deve ser anulado, ou que seja determinada nova diligência para apuração dos saldos corretos. 2 Da escrituração do Livro de Registro de Inventário Inicialmente faz esclarecimentos sobre o Livro Registro de Inventário, concluindo que deve constar as mercadorias em poder de terceiros. No caso, a Fiscalização, erroneamente considerou o estoque em poder de terceiros, como diferenças de estoque. O procedimento correto era ter procedido à diligência até o armazém geral para que fosse verificada a existência dos estoques descritos no livro de inventário em Fl. 2020DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 18/06/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.005788/200915 Resolução nº 1202000.232 S1C2T2 Fl. 7 6 poder de terceiros. Desse modo, cabe a nulidade do Auto de Infração de erro do sujeito passivo, pois o armazém geral de Anhembi Agroindustrial Ltda. não lhe pertence. 3 Das diferenças de estoque positiva e negativa A Fiscalização considera como presunção de omissão de receita a simples diferença positiva e negativa dos estoques, sendo que, caso estivesse correta, as diferenças positivas deveriam ser entendidas como vendas sem nota fiscal e as diferenças negativas como compras sem nota. No caso, incorretamente a Fiscalização considerou a sua totalidade como omissão de receita, cabendo a retificação do lançamento no que tange a consideração das omissões de receitas por compra sem nota fiscal, devendo considerar tais valores no custo. Também, não considerou as particularidades das operações, tais como o beneficiamento dos produtos, processos de congelamentos e o corte, como a seguir é comentado. 3.1 Do registro do filetamento e congelamento no SIF Sendo que trabalha com produtos perecíveis e de consumo alimentar, é supervisionado pelo SIF (Serviço de Inspeção Federal do Ministério da Agricultura), detendo o registro de rótulo da firma nº 0023/2274 (fls. 933 a 963), efetuada em nome de entreposto de pescado, onde é obrigado a descrever o processo de armazenamento, descongelamento, evisceração, corte em postas e pedaços (filetamento). Esclarece que toda a aquisição de salmão é feita mediante importação pela “Aduaneira”, o que torna impossível qualquer alegação, sem provas, de aquisição sem nota fiscal, presumindo omissão de receita. A afirmação feita pela Fiscalização de que “quando o contribuinte afirma que o salmão inteiro congelado ou filetado é decorrente do beneficiamento do salmão inteiro fresco, também entra em contradição com o que consta nos documentos fiscais e nos arquivos digitais do SINTEGRA, pois consta que o contribuinte importa o salmão interior congelado, filetado e também congelado sem cabela (HG)..” é totalmente incoerente, pois a possibilidade de beneficiamento interno não impede a adquirir produto pronto em virtude do aumento de demanda. 3.2 – Das transferências internas de códigos A Fiscalização não considerou a existência de transferências internas, provenientes de mudanças de códigos de produtos devido a particularidades do processo de comercialização, que não importam em circulação de mercadorias, nem registros no SINTEGRA. Como exemplo, menciona os dados informados na justificativa, onde são demonstradas as diferenças consolidadas dos anos de 2004 e 2005 (fls. 799 a 808), conforme segue: Salmão inteiro fresco: O excesso foi devidamente congelado. As perdas representam menos de 1% do total desse produto. Filé de salmão: Fl. 2021DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 18/06/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.005788/200915 Resolução nº 1202000.232 S1C2T2 Fl. 8 7 Parte das diferenças de estoque se referem a transferências entre os códigos do grupo. O restante correspondem a perdas devido ao corte, com resíduos de cabeça, rabo, espinha e demais fragmentos do filé. File de merluza: Também, no caso, ocorreu transferências internas. As legislações federais e estaduais não exigem documentos comprobatórios de transferências realizadas internamente em virtude de reclassificação dos produtos para código diverso daquele de aquisição. Foram apresentados a Fiscalização documentos eletrônicos gerados pelo sistema Microsiga, denominados “Relação das Movimentações Internas” (fls. 818 a 932), onde constam todos os dados pertinentes a cada transferência de código, como quantidade, código entrada, código saída, data, número documento eletrônico, inclusive o nome do funcionário responsável pelo preenchimento. Dessa forma, entende que é infundada a alegação da inexistência de tais transferências. 3.3 – Das quebras normais ocorridas no processo Na explanação de fls. 965 e 966, foi informado que o excesso de estoque de salmão inteiro fresco foi devidamente filetado em filé de salmão fresco e congelado. Assim, devese considerar que as perdas pelo processo industrial de corte e as decorrentes de validade do produto geram em torno de 10%. Se compararmos as diferenças de estoque após ajuste das transferências internas, comprovadas por intermédio do arquivo “Movimentação Interna 2004/2005”, chegamos a uma diferença de menos de 2% para uma movimentação de 12 mil toneladas de peixe, que é totalmente razoável para a atividade desenvolvida. 3.4 – Do filé de salmão inventariado em 31/12/2004 Afirma que cometeu um erro na efetiva elaboração do inventário, pois não considerou em seus estoques os pedidos de produtos que ainda não haviam sido entregues (fls. 968 e 969). O erro pode ser comprovado quando analisadas as diferenças de 2004 e 2005 de forma consolidada (fls. 810 a 817). Em 2004 as diferenças eram negativas, sendo que em 2005 essa situação se reverteu, corrigindo as quantidades registradas no inventário. Desse modo, na análise isolada do ano de 2004, devem ser considerados os erros na elaboração do inventário desse ano, sendo correto efetuar o exame dos anos de 2004 e 2005 de forma consolidada. 4 – Da presunção ilegal – impossibilidade de prova negativa imposta ao contribuinte As simples transferências de códigos nos estoques não configuram presunção de omissão de receita, cabendo ao fisco sua comprovação. Se torna impossível ao contribuinte provar um fato negativo, ou seja, que deixou de sonegar ou omitir receitas, havendo necessidade de diligência complementar para apurar eventuais divergências. Fl. 2022DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 18/06/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.005788/200915 Resolução nº 1202000.232 S1C2T2 Fl. 9 8 Além disso, a Fiscalização presume omissão simples sem comprovar acréscimo patrimonial, pois as diferenças apuradas não podem caracterizar receita, se não demonstrada sua contrapartida, não existindo base de cálculo para o IRPJ e da CSLL. 5 – Da falta de recolhimento do PIS e das COFINS Considerando os erros cometidos pela Fiscalização, não há evidência de supressão de faturamento, e consequentemente, da incidência de PIS e COFINS. Entretanto, se fosse considerada correta a apuração efetuada pela Fiscalização, iríamos nos deparar com diferenças negativas e positivas, que no caso das negativas, representando supostamente aquisições sem notas fiscais, que gerariam créditos. 6 – Da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas do IRPJ e CSLL Ao recompor os valores devidos de IRPJ e de CSLL, a Fiscalização não abateu as diferenças negativas das positivas, pois as supostas aquisições de mercadorias sem nota fiscal deveriam ser consideradas como custo no respectivo período. Alega que deixou de efetuar o pagamento das estimativas, eis que procedeu de acordo com o art. 221 do RIR/1999, não existindo estimativa apurada no mês de dezembro de 2004. Transcreve jurisprudência administrativa, onde foi decidido que a aplicação da multa por falta de pagamento dos tributos lançados, cumulativamente com a multa isolada, implica na dupla penalização pelo mesmo fato. 7 – Dos Pedidos Diante todo exposto, considerando: a) A incorreta interpretação das informações dos registros SINTEGRA; b) Da falta de compensação das supostas diferenças negativas com positivas entre os mesmos grupos de produtos ou produtos que sofreram processo congelamento, corte e filetamento; c) Da necessidade de consolidação dos estoques de 2004 e 2005 para apuração de eventuais diferenças; d) Da falta de justificativa para o não acolhimento das transferências de códigos realizadas pela empresa entre os produtos e da impossibilidade de aplicar a presunção legal ao meio à comprovação da inexistência de supressão de faturamento; e) Da impossibilidade de cumular multa de ofício e multa isolada, bem como, da não computação das supostas omissões de compras no custo para apuração do IRPJ/CSLL e dos créditos de PIS e COFINS. Requer a impugnante que seja integralmente acolhidos os argumentos aduzidos, para determinar o cancelamento dos lançamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Diante das alegações do Contribuinte e da análise dos demais documentos constantes nos autos, foi solicitado diligência (fls. 976 e 977) para que a Fiscalização: Fl. 2023DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 18/06/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.005788/200915 Resolução nº 1202000.232 S1C2T2 Fl. 10 9 1. realize as devidas verificações e pesquisas típicas da atividade de fiscalização, e se manifeste acerca das alegações do contribuinte e dos documentos juntados aos autos; 2. apresentar conclusões sobre verificações realizadas, bem como outros esclarecimentos que entender necessários para a solução do litígio, inclusive, se for o caso, novos demonstrativos de apuração do valor tributável, do imposto e contribuições. Em atendimento as referidas solicitações, foi apresentada a Informação Fiscal de fls. 985 a 999. O Contribuinte tomou ciência da Informação Fiscal, se manifestando sobre as conclusões feitas na Informação Fiscal (fls. 1.006 a 1.033). No despacho de fls. 1.051, o AFRFB que efetuou a diligência, entende que na manifestação do Contribuinte de fls. 1.006 a 1.033, nenhum argumento novo foi apresentado. Em resumo, os argumentos e conclusões constantes na informação fiscal e na manifestação do Contribuinte, são as seguintes: a) Incorreta interpretação das informações dos registros SINTEGRA Informação Fiscal Contribuinte Considerou as mercadorias remetidas e/ou recebidas para o armazém geral. Apesar de estarem estocadas em armazém de terceiros, eram de sua propriedade e deveriam estar registrados no Livro Registro de Inventário. Reforça que as diferenças foram encontradas da seguinte maneira: estoque inicial + entradas de mercadorias – saídas de mercadorias = estoque final. Deve ser considerado o fato real que é a existência da emissão das notas fiscais e arquivos SINTEGRA constando CFOP 5.905, correspondente a remessa para o armazém geral. Se consideramos somente os dados dos arquivos SINTEGRA, estaremos apurando equivocadamente diferenças de estoque, quando na verdade se referem a mercadorias enviadas para armazenagem que não retornaram até 31/12/2004. Se adotada a fórmula da fiscalização, chegaremos à quantidade equivocada, pois considera como saída do estoque da empresa (próprio estabelecimento + estoque em poder de terceiros) materiais enviados para o armazém geral. b) Da escrituração do livro de inventário Informação Fiscal Contribuinte Os Livros de Registro de Inventário apresentados arrolam todas as mercadorias pertencentes ao Contribuinte, não constando as mercadorias em poder de terceiros. O estoque inicial e final foram declarados na DIPJ do anocalendário de 2004, estão de acordo com os livros de registro de inventário. Ao escriturar seus estoques nos livros de inventário, não efetuou a separação das mercadorias estocadas de seu próprio estabelecimento e de terceiros, prevalecendo a nulidade do Auto de Infração por erro do sujeito passivo. Ao contrário do que afirma a Fiscalização, tanto nas remessas quanto nos retornos de mercadorias para o armazém geral, são emitidas notas fiscais, que estão juntados o ao processo. c) Diferenças de estoques positiva e negativa Fl. 2024DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 18/06/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.005788/200915 Resolução nº 1202000.232 S1C2T2 Fl. 11 10 Informação Fiscal Contribuinte Não há como compensar diferenças de estoque negativa com positiva de mercadorias distintas. Também, não pode abater como custos as omissões de compras, que por presunção, foram pagas com receita omitidas. Erroneamente a fiscalização considerou todas as diferenças como receitas omitidas, o que é um grave equívoco, tornando totalmente passível de nulidade o Auto de Infração. Para efeitos de cálculo, devese deduzir da base de cálculo dos tributos incidentes sobre supostas receitas omitidas, já que representam custos das operações normalmente tributadas. d) Do registro do filetamento e congelamento no SIF Informação Fiscal Contribuinte Em momento algum afirmouse da inexistência do processo de filetamento do salmão. O que ocorre é que o Contribuinte não apresentou elementos que comprovasse a quantidade de salmão filetado no período. O mesmo ocorreu com o salmão congelado e o salmão inteiro fresco. Haveria a possibilidade de 352.036,84 kg de salmão inteiro terem sido filetados, porém conforme planilhas apresentadas pelo Contribuinte (fls. 818 a 932) e analisadas no tópico seguinte, 18.011,46 kg desse produto teriam sido filetados (fl. 819, nº de controle 30 a 36). Observase que os números apurados pela Fiscalização estão equivocados devido as considerações feitas no item “1” dessa manifestação. e) Transferências internas de códigos Informação Fiscal Contribuinte Conforme planilha apresentada pelo Contribuinte (fls. 818 a 935), não há como identificar/quantificar quais os produtos que foram transferidos internamento de código. Essa planilha não discrimina para qual código foi transferida a mercadoria identificada como PX04020, nem o código anterior. A Fiscalização deveria ter atentado que as movimentações internas foram relacionadas por data de transferência e número de lote. Além da planilha mencionada pela Fiscalização, encontrase juntada ao processo os controles detalhados de cada operação de transferência. A transferência interna de códigos tem com o objetivo reclassificar material, que em virtude do filetamento, congelamento, alteração na coloração ou quaisquer outras relacionadas à aparência deve ser controlada separadamente com outras de características similares. Assim, o salmão congelado poderá ser adquirido desta maneira ou ter origem no salmão inteiro, que após o congelamento se torna um novo produto, através de transferência interna de códigos. Cita exemplos. f) Quebras normais ocorridas no processo – filetamento e descongelamento do produto Informação Fiscal Contribuinte A alegação é totalmente desprovida de prova documental. No laudo apresentado (fls. 965 e 966), não foi informado qual o percentual de perda resultante do filetamento e/ou do congelamento do salmão fresco. Descabe a alegação de que não há provas documentais. A Fiscalização, em seus comentários, menciona a existência de descritivo técnico de produção, devidamente subscrita por profissional habilitado, esclarecendo que no processo de congelamento ocorre uma perda de 10%. Fl. 2025DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 18/06/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.005788/200915 Resolução nº 1202000.232 S1C2T2 Fl. 12 11 g) Filé de salmão inventariado em 31/12/2004 Informação Fiscal Contribuinte Alegação que não pode ser aceita. É de amplo conhecimento que o inventário de mercadorias em estoque se faz por intermédio de contagem física na mesma data do levantamento. O que está alegando é que foi feita a contagem física de mercadorias que só deram entrada no estoque no ano seguinte. Como é possível? A mercadoria não estava no estoque e foi feita a contagem física da mesma? Como mencionado no item “1”, o livro de registro de inventário, foi escriturado considerando os saldos de estoques existente em 31/12/2004. Assim, não foram escriturados separadamente os estoques que estavam armazenados nas próprias dependências da empresa Marcomar e no armazém geral. h) Da presunção legal Informação Fiscal Contribuinte O lançamento não foi lavrado apenas pela simples transferências de códigos nos estoques da empresa, mas sim em função das diferenças nos estoques de mercadorias. A fiscalização assumiu o ônus e provou a ocorrência de fatos que ensejaram a presunção de omissão de receitas, obedecendo o princípio da legalidade. Quanto a alegação de provar que ocorreu acréscimo patrimonial, um fato não tem relação com o outro, pois se a receita omitida não transitou pela contabilidade, conseqüentemente não há contrapartida no patrimônio da sociedade. Transcreve ementa do CARF e o art. 286 do RIR/1999. A constatação de omissão de receita requer prova hábil e idônea, que seja conclusiva à prática da infração e não meramente indiciária e presuntiva. Os indícios nunca podem constituir a prova em si mesma, sendo apenas o começo de prova, tanto mais em sede tributária, com a limitação que existe ao emprego de presunções e indícios na cobrança de tributos. i) Da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas do IRPJ e CSLL Informação Fiscal Contribuinte Foi constatado fatos que ensejaram a presunção de omissão de receitas, as quais repercutiram na tributação do PIS e COFINS. Quanto as multas isoladas, o Contribuinte somente cita o art. 221 do RIR/1999, ignorando os arts. 222, 223 e 230 do mesmo regulamento. Não há no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 o limitar “ou” entre os incisos I e II, ou seja, as multas de ofício e isolada são aplicáveis concomitantemente. A fiscalização tenta impor multa de ofício e multa isolada sobre o mesmo período de apuração. Tendo optado por balancete de suspensão e redução, não há estimativa a ser recolhida. Não deseja protelar ou mesmo impedir o andamento do processo, porém demonstra os fatos reais, considerando os erros da fiscalização na emissão dos Autos de Infração. A nulidade dos autos de infração é imprescindível, pois a Fiscalização distorceu os fatos, precipitouse em conclusões, apurou diferenças de tributos sobre eventos que não representam acréscimo patrimonial e não considerou o verdadeiro sujeito passivo referente às operações com o armazém geral. A decisão de primeira instância deu parcial provimento à impugnação, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Fl. 2026DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 18/06/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.005788/200915 Resolução nº 1202000.232 S1C2T2 Fl. 13 12 Anocalendário: 2004 NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO Demonstrado que os Autos de Infração foram formalizados de acordo com os requisitos de validade previstos em lei e que não ocorreu violação das disposições dos artigos 10 e 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, não há que se acatar o pedido de nulidade dos lançamentos formalizados por meio dos Autos de Infração. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004 OMISSÃO DE RECEITA. DIFERENÇA DE ESTOQUE Configura omissão de receita, sujeita à tributação, a constatação de que a quantidade de mercadorias registrada no estoque é menor ou maior que aquela apurada com base no levantamento quantitativo de mercadorias adquiridas e vendidas no mesmo períodobase. LANÇAMENTOS DECORRENTES PIS/PASEP, COFINS, CSLL A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase, no que couber, aos lançamentos decorrentes, quanto não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2004 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO MENSAL DAS ESTIMATIVAS. OMISSÃO DE RECEITA A falta de pagamento da CSLL e do IRPJ mensal devido por estimativa, após o término do anocalendário, por pessoa jurídica que optou pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa de ofício isolada. O valor da omissão de receita apurada em procedimento de ofício deve compor a base de cálculo dessas estimativas. CONCOMITÂNCIA DE MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA COM MULTA DE OFÍCIO POR DECLARAÇÃO INEXATA Por decorrerem de infrações distintas, é cabível a aplicação da multa isolada por falta de pagamento do IRPJ e da CSLL, determinada sobre a base de cálculo estimada, e da multa de ofício aplicada sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição não recolhida. Decidiu a DRJ que deveria ser excluída da tributação apenas o montante de R$ 258.927,40 de IRPJ, além do valor proporcional de CSLL, PIS e Cofins reflexos e multas isoladas correspondentes, considerando, em relação ao beneficiamento dos produtos e das transferências de códigos dos produtos, ser “aceitável o fato de que o salmão inteiro fresco, código PX04020, após o processo de filetagem, se transformou no produto file de salmão C/P 1361/1810 25 kg, código PX05221” e considerando as quantidades dos produtos que indicam Fl. 2027DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 18/06/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.005788/200915 Resolução nº 1202000.232 S1C2T2 Fl. 14 13 para qual código foi transferido, para fins de apuração das diferenças de estoque. Não houve recurso de ofício. Inconformado, o contribuinte, cientificado em 07/12/2011, conforme AR (fl.1065), apresentou recurso voluntário ao CARF em (fls.06/01/2012), em que sustenta, em síntese, que: a) o procedimento de auditoria de produção não foi utilizado, não sendo possível presumir a omissão de receita; b) o cálculo incorreto, relativamente às operações com filé de salmão, onde foram indevidamente consideradas a remessa e retornos de Armazém Geral ocasionaram uma diferença negativa não existente de fato; c) também no caso de filé de salmão, se somarem as diferenças de 2004 e 2005, elas praticamente se anulam, comprovando o erro de cálculo referente ao ano de 2004; d) as perdas e quebras no processo produtivo, transporte e manuseio alegadas devem ser utilizadas para calcular as diferenças relativas às operações de salmão inteiro; e) as omissões de receita decorrentes de presunção de compra sem registro contábil deveriam ser consideradas como custo a serem deduzidos na apuração dos impostos lançados; f) a impossibilidade de cumular multa de ofício e multa isolada, bem como da não computação das supostas omissões de compras no custo para apuração do IRPJ/CSLL e os créditos de PIS e COFINS. Pede a juntada de laudo pericial no prazo de 30 dias e a realização de sustentação oral perante o CARF. Em 01/03/2012, 03/04/2012 e 04/05/2012, junta petições requerendo a dilação de prazo para juntada de laudo pericial por trinta dias, sem nada apresentar. É o relatório. Fl. 2028DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 18/06/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.005788/200915 Resolução nº 1202000.232 S1C2T2 Fl. 15 14 Voto Vencido Conselheira Viviane Vidal Wagner, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei, devendo ser conhecido. Registrese, de início, que a realização de sustentação oral perante o CARF é prevista no Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, e deferida sempre que solicitada antes do início do julgamento e desde que comprovada a representatividade do patrono, o que se deu no caso dos autos. Quanto ao litígio instaurado, temse que, conforme relatado, durante o procedimento fiscal foram apuradas diferenças de estoques foram apuradas pelo confronto entre as mercadorias registradas no SINTEGRA e os Livros Registro de Inventário, tendo sido multiplicadas as diferenças em quilogramas pelo valor unitário da mercadorias (fls. 480/481). Utilizando a fórmula “estoque inicial + entradas de mercadorias – saídas de mercadorias = estoque final”, a autoridade fiscal, após intimar o contribuinte a justificar as diferenças de estoque de mercadorias, relativas ao anocalendário de 2004 (fls. 252258), considerou a falta de estoque final de produtos de pescado como compras não escrituradas e presunção de omissão de receita. Segundo a tese da defesa, parte dessas operações “não constituíram vendas (faturamento), mas meras saídas para o depósito Anhembi Agro Industrial Ltda. para armazenamento (CFOP 5.905)”, tendo havido falha no registro do retorno simbólico da armazenagem nos livros, e outra parte correspondia a diferenças provenientes de movimentações de produtos, do filetamento do salmão fresco e do congelado, de perdas decorrente do filetamento e do prazo de validade do produto, além disso, a diferença apurada em 2004 foi considerada duplamente. A DRJ determinou a realização de diligência pela autoridade fiscal para que fossem verificadas as alegações do contribuinte e os documentos juntados aos autos e apresentados, se fosse o caso, novos demonstrativos de apuração do valor tributável, do imposto e contribuições. A partir do resultado da diligência, acatou parte da defesa em relação ao beneficiamento dos produtos e das transferências de códigos dos produtos, entre o salmão inteiro fresco e o file de salmão, resultado de processo de filetagem, o que restou definitivamente decidido. Da presunção de omissão de receita Em relação a parcela remanescente, no recurso voluntário, a recorrente argumenta, inicialmente, que “o procedimento de auditoria de produção não foi utilizado, não sendo possível presumir a omissão de receita”. A recorrente tem por objeto social “o comércio de alimentos em geral (“fast food”), bebidas alcoólicas ou não, sucos, doces, salgados, sorvetes e tudo mais que, direta ou indiretamente tenha afinidade ou ligação com o comércio de alimentos, importação, exportação e distribuição de produtos alimentícios em geral, especialmente pescados e frutos do mar, e de refeições, sendo certo que as mercadorias poderão ser armazenadas em estabelecimentos de terceiros”, conforme Contrato Social (fl.146). Fl. 2029DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 18/06/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.005788/200915 Resolução nº 1202000.232 S1C2T2 Fl. 16 15 Vale lembrar que, “na ausência de sistema de custos coordenado e integrado com a escrituração comercial, a quantidade de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na produção, em cada mês, será (i) apurada pelo critério algébrico, somandose a quantidade em estoque no início do mês com as quantidades adquiridas e diminuindose, do total, a soma das quantidades em estoque no final do mês, as saídas não aplicadas na produção e as transferências, e (ii) avaliada pelo método PEPS (Primeiro que Entra, Primeiro que Sai), que segue a ordem cronológica crescente de suas entradas em estoque” (Acórdão nº 3802001.369). No caso concreto, não existia ordem de produção, mas controle de estoques. Assim, ajustandose a fórmula acima, está correta a apuração através da fórmula “estoque inicial + entradas de mercadorias – saídas de mercadorias = estoque final”, sendo essa a única forma possível de apuração dos estoques, diante da inexistência de sistema de contabilidade de custo integrado e coordenado com o restante da escrituração. Vejase que o procedimento fiscal está de acordo com o previsto no Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), abaixo: Art.286.A omissão de receita poderá, também, ser determinada a partir de levantamento por espécie de quantidade de matériasprimas e produtos intermediários utilizados no processo produtivo da pessoa jurídica (Lei nº 9.430, de 1996, art. 41). §1ºPara os fins deste artigo, apurarseá a diferença, positiva ou negativa, entre a soma das quantidades de produtos em estoque no início do período com a quantidade de produtos fabricados com as matériasprimas e produtos intermediários utilizados e a soma das quantidades de produtos cuja venda houver sido registrada na escrituração contábil da empresa com as quantidades em estoque, no final do período de apuração, constantes do Livro de Inventário (Lei nº 9.430, de 1996, art. 41, §1º). §2ºConsiderase receita omitida, nesse caso, o valor resultante da multiplicação das diferenças de quantidade de produtos ou de matériasprimas e produtos intermediários pelos respectivos preços médios de venda ou de compra, conforme o caso, em cada período de apuração abrangido pelo levantamento (Lei nº 9.430, de 1996, art. 41, §2º). §3ºOs critérios de apuração de receita omitida de que trata este artigo aplicamse, também, às empresas comerciais, relativamente às mercadorias adquiridas para revenda (Lei nº 9.430, de 1996, art. 41, §3º). Nesse caso, como bem observado na decisão recorrida, “se a diferença for negativa, a presunção é de que ocorreu compras sem registro na contabilidade, tendo sido utilizado nas operações recursos provenientes de receitas omitidas; se for positiva, ocorreu vendas não escrituradas”. Assim, a presunção de omissão de receita é perfeitamente válida. Das remessas ao armazém geral Fl. 2030DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 18/06/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.005788/200915 Resolução nº 1202000.232 S1C2T2 Fl. 17 16 Aponta, ainda, a recorrente, que “o cálculo incorreto, relativamente às operações com filé de salmão, onde foram indevidamente consideradas a remessa e retornos de Armazém Geral ocasionaram uma diferença negativa não existente de fato”. É fato inconteste que no Livro Registro de Inventário não constavam as mercadorias em poder de terceiros, sendo que o estoque inicial e final, declarados na DIPJ do anocalendário de 2004 (fl. 156), estavam de acordo com os livros de Registro de Inventário de 2003 (estoque inicial) e 2004 (estoque final). A autoridade fiscal considerou em seu levantamento as entradas e saídas de mercadorias com os códigos de operação (CFOP) de remessa, apurando o estoque final efetivo através da seguinte operação: estoque inicial + entradas de Mercadorias (entrada SINTEGRA) – saídas de mercadorias (saídas SINTEGRA) = estoque final. A recorrente, contudo, defende que, havendo remessa para armazenamento, registradas no arquivo SINTEGRA com o código de CFOP – Código Fiscal de Operações e Prestações – 5.905, não pode ser considerada como omissão de receitas a diferença apurada pela autoridade fiscal (222.292,83 kg, no caso do filé de salmão), porque estava estocada no armazém geral, tendo sido erroneamente considerada o estoque em poder de terceiros como diferenças de estoque. O argumento de que as mercadorias em poder de terceiros, embora não incluídos nos livros, deveriam ter sido considerados pela autoridade fiscal não merece prosperar. Apesar de estarem estocadas em armazém de terceiros, eram de sua propriedade e deveriam estar registrados no Livro Registro de Inventário. O Ajuste Sinief SN/70 (SINIEF Sistema Nacional Integrado de Informações EconômicoFiscais), permite aos contribuintes do IPI e do ICMS utilizarem um único livro, o Livro “Registro de Inventário”, modelo 7, para registro dos estoques. Para as empresas que mantenham controle permanente de estoques, integrado e coordenado com a contabilidade, de matériasprimas e insumos de produção para as empresas industriais, e das mercadorias para revenda nas empresas comerciais, será necessário o levantamento do estoque físico para que seus saldos sejam ajustados em confronto com a contagem física e serão transpostos para o Livro Registro de Inventário (Modelo 7). Se o contribuinte não possuir registro permanente de estoques, o controle de estoque será realizado por meio de inventário, no final do exercício, por contagem física e, igualmente, transpostos para o Livro Registro de Inventário. No livro Registro de Inventário devem ser arrolados, separadamente, as mercadorias, as matériasprimas, os produtos intermediários, os materiais de embalagem e os produtos manufaturados pertencentes ao estabelecimento em poder de terceiros, assim como as mercadorias, as matériasprimas, os produtos intermediários, os materiais de embalagem, os produtos manufaturados e os produtos em fabricação pertencentes a terceiros em poder do estabelecimento. Em relação às mercadorias em trânsito por ocasião do levantamento físico, as mesmas deverão ser arroladas no Livro Registro de Inventário, separadamente. Assim, as mercadorias, matériasprimas, produtos intermediários, materiais de embalagem e os produtos manufaturados pertencentes ao estabelecimento em poder de terceiros (no caso em análise, em poder de transportadores) deverão constarão do Livro Registro de Inventário, separadamente. Fl. 2031DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 18/06/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.005788/200915 Resolução nº 1202000.232 S1C2T2 Fl. 18 17 A questão nos remete ao momento da contabilização das mercadorias em determinado estabelecimento, para fins de integrar seu estoque. Conforme leciona Sergio de Iudícibus, in “Manual de Contabilidade Societária”, Atlas, 2010, p.72, O momento da contabilização de compras de itens do estoque, assim como o das vendas a terceiros, em geral, coincide com o da transmissão do direito de propriedade dos mesmos, embora o conceito de ativo esteja ligado não só ao aspecto legal, mas principalmente à transferência de riscos e benefícios futuros. Dessa forma, na determinação de se os itens integram ou não a conta de estoques, o importante não é sua posse física, mas, sim, o direito de sua propriedade; em seguida, há também que se discutir a figura do controle e ainda as dos riscos e benefícios. Assim, deve ser feita uma análise caso a caso visando identificar potenciais eventos onde haja transferência dos principais benefícios e riscos. Feitas essas considerações, normalmente, os estoques estão representados por: a) itens que existem fisicamente estão sob a guarda da empresa, excluindose os que estão fisicamente sob sua guarda, mas que são de propriedade de terceiros, seja por terem sido recebidos em consignação, seja para beneficiamento ou armazenagem por qualquer outro motivo; b) itens adquiridos pela empresa, mas que estão em trânsito, a caminho da sociedade, na data do balanço, quando sob condições de compra FOB, ponto de embarque (fábrica ou depósito do vendedor); c) (...); d) itens de propriedade da empresa que estão em poder de terceiros para armazenagem, beneficiamento, embarque, etc. (destacouse) Assim, em geral o critério para o reconhecimento do estoque é o da propriedade da mercadoria. Ou seja, nos registros de inventário deveriam ser reconhecidos, separadamente, os produtos em poder de terceiros, o que não ocorreu. Do erro de cálculo Aduz a recorrente que “também no caso de filé de salmão, se somarem as diferenças de 2004 e 2005, elas praticamente se anulam, comprovando o erro de cálculo referente ao ano de 2004”. Sobre esse ponto, cabe transcrever a esclarecedora manifestação da DRJ: Conforme demonstrativo de Apuração do Estoque de Mercadorias – ano 2004 (fls. 474 a 479), foram apuradas diferenças positiva e negativas, porém em produtos diferentes. Concordo com a Fiscalização quando afirma que não há como compensar diferenças de estoques negativas com positivas de mercadorias diferentes. Exemplificando: no caso do salmão inteiro a diferença foi positiva de 53.765,672, indicando que ocorreram vendas não escrituradas; no caso do filé de salmão C/P tipo A/B/C a diferença foi negativa de 360.668,699 kg, indicando compras não escrituradas. São situações diferentes, com produtos diferentes. O recurso voluntário não logrou afastar essa conclusão, a qual se adota neste voto. Fl. 2032DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 18/06/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.005788/200915 Resolução nº 1202000.232 S1C2T2 Fl. 19 18 Das perdas na produção Em relação às perdas, alega a recorrente que “as perdas e quebras no processo produtivo, transporte e manuseio alegadas devem ser utilizadas para calcular as diferenças relativas às operações de salmão inteiro”. De fato, consideramse como integrantes do custo as perdas e quebras razoáveis, de acordo com a natureza do bem e da atividade, ocorridas na fabricação, no transporte e no manuseio, bem assim as quebras ou perdas de estoque por deterioração, obsolescência ou pela ocorrência de riscos não cobertos por seguros, desde que comprovadas por laudos ou certificados emitidos por autoridade competente (autoridade sanitária, corpo de bombeiros, autoridade fiscal etc.) que identifiquem as quantidades destruídas ou inutilizadas e as razões da providência (RIR/99, art. 291). Todavia, compulsandose os autos, verificase que as perdas alegadas não foram comprovadas documentalmente. Notese que a própria recorrente, após apresentado o recurso voluntário, pede a juntada de laudo pericial no prazo de trinta dias e reitera esse mesmo pedido por diversas vezes, sem nada apresentar. Isso denota que nem a própria recorrente consegue demonstrar o alegado. Sendo ônus do contribuinte, descabe considerálas no cálculo. Das receitas omitidas como custos Pede, ainda, a recorrente, “que as omissões de receita decorrentes de presunção de compra sem registro contábil seja consideradas como custo a serem deduzidos na apuração dos impostos lançados”, sustentando que “para efeitos de cálculo, devese deduzir da base de cálculo dos tributos incidentes sobre supostas receitas omitidas, já que representam custos das operações normalmente tributadas”. Ora, não se pode abater como custos as omissões de compras, que por presunção, foram pagas com receita omitidas, por falta de previsão legal. Da multa isolada Por fim, a recorrente alega que não poderia haver a exigência de multa isolada e multa de oficio de 75% exigida juntamente com o tributo, sob pena de haver cumulação de penalidades em decorrência do mesmo fato jurídico. Sem razão. Nos casos de ausência de recolhimento das estimativas mensais, a Lei nº 9.430/96, art. 44, prevê a incidência de multa isolada sobre o valor apurado no mês. A alíquota de 50%, prevista na nova redação dada pela Medida Provisória 351, de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15/06/2007, aplicase inclusive retroativamente por inserir uma penalidade mais benéfica ao contribuinte, nos seguintes termos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:[...] II – de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal:[...] Fl. 2033DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 18/06/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.005788/200915 Resolução nº 1202000.232 S1C2T2 Fl. 20 19 b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Notese que, enquanto a multa isolada é prevista no inciso II, acima transcrito, a multa de ofício de 75% é prevista no inciso I do mesmo artigo, consoante redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, como se verificou no caso concreto. A tese alegada pela recorrente, de que não incide multa isolada por falta de recolhimento de estimativas concomitantemente com a apuração de multa de ofício sobre o tributo apurado ao final do ano calendário, embora adotada por boa parte dos membros deste Conselho, data venia, não merece ser reconhecida. Respeitadas as opiniões em contrário, entendese que a legislação é expressa. Sendo a opção pela sistemática das estimativas mensais concedida ao contribuinte como uma faculdade pela Lei nº 9.430/96, em seu art. 2º, uma vez optante, ele estará sujeito às regras daquela sistemática. A sistemática de recolhimento por estimativas, de caráter facultativo, não tem o condão de equiparar os recolhimentos com uma antecipação do tributo, já que o fato gerador do imposto e da contribuição social apurado anualmente, de natureza complexiva, apenas irá se configurar em 31 de dezembro do anocalendário em referência. O legislador instituiu a opção como alternativa à regra de apuração trimestral, mas estipulou que esta traz consequências, na medida em que a falta de recolhimento representa um ato ilícito, caracterizado pelo descumprimento de um dever. Assim, a falta de recolhimento gera uma infração específica. Pretender equiparar as bases de cálculo da multa isolada e da multa de ofício não parece conforme ao sentido da lei. Ora, são distintos tributo e multa pela sua própria natureza jurídica. Enquanto um decorre de ato lícito – fato gerador –, o outro decorre da realização de um ato ilícito, comissivo ou omissivo, como é o caso em análise. Da mesma forma, distinguese a multa isolada, esta devida nos casos em que for detectada a falta de recolhimento do tributo estimado a cada mês, da multa de ofício incidente sobre o montante do tributo calculado após o encerramento do período de apuração. São inconfundíveis a base de cálculo da multa isolada e a base de cálculo de eventual multa de ofício, já que, em caso de opção pela sistemática das estimativas, o tributo não é apurado trimestralmente, mas anualmente, e a base de cálculo da multa isolada é a estimativa mensal calculada a partir da receita bruta. A multa de ofício, por sua vez, incide sobre o imposto ou contribuição efetivamente devidos ao final do período de apuração. Nesse sentido, a nova redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, ao art. 44 da Lei nº 9.430/96, que alterou o percentual da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas, de 75% para 50%, veio apenas reforçar essa distinção. Fl. 2034DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 18/06/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.005788/200915 Resolução nº 1202000.232 S1C2T2 Fl. 21 20 A legislação possibilita o não recolhimento de antecipação, desde que apresentado o balancete mensal que comprove que as antecipações recolhidas superam o valor do tributo até aquele momento apurado, o que não implica dizer que a multa isolada prevista no art. 44, inciso II, alínea “b” da Lei nº 9.430/96 não é devida após o encerramento do período. A determinação legal é clara nesse sentido, ao reafirmar que a multa é devida “ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente”. Em outras palavras, a regra é clara: o descumprimento do dever de antecipação deve ser sancionado na forma da lei, independentemente do valor do imposto ou contribuição calculada ao final do exercício, ou mesmo da existência de prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa. Fica ressalvada, apenas, a hipótese de apresentação de balancetes de suspensão ou redução que demonstrem que o valor pago já seria maior do que o devido, o que não se verificou no presente caso. Ademais, para acolher a tese da recorrente, seria necessário afastar regra legal expressa, o que não se inclui na função de julgamento na esfera administrativa, pela impossibilidade de manifestação sobre eventual inconstitucionalidade da legislação tributária, consoante a regra prevista no art. 26A do Decreto nº 70.235,de 6.03.1972, com a redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941, de 27.05.2009, e reproduzida no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22.06.2009. Nesse sentido, o julgamento da ilegalidade de uma norma sob o argumento de desproporcionalidade necessariamente atrai a apreciação de sua compatibilidade com o texto constitucional, fazendo incidir, na hipótese, o teor da Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Assim, deve ser mantido o lançamento da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e de CSLL. Da CSLL, do PIS e da Cofins Para concluir, quanto aos lançamentos decorrentes ou reflexos (CSLL, PIS e Cofins), devese aplicar a eles a mesma decisão adotada quanto à exigência do lançamento principal (IRPJ), em razão da relação de causa e efeito que os vincula. DISPOSITIVO Em razão do exposto, negase provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 2035DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 18/06/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19515.005788/200915 Resolução nº 1202000.232 S1C2T2 Fl. 22 21 Voto Vencedor Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, Redator designado. Em que pesem as conclusões expostas pela I. Conselheira Relatora, nos termos do art. 18, do Decreto n° 70.235, de 1972, e alterações, proponho a conversão do julgamento em diligência para que a autoridade lançadora : 1°) efetue o levantamento por espécie de quantidade de matériaprima e produtos intermediários utilizados no processo produtivo da Recorrente, conforme determina o caput do art. 286, do RIR/99, e se manifeste acerca das alegações da Recorrente relativas aos itens II.2, DO LEVANTAMENTO ESPECÍFICO DE PRODUÇÃO E O LEVANTAMENTO ESPECÍFICO DE REVENDA DE MERCADORIAS, e II. 3, DAS DIFERENÇAS RELATIVAS AO SALMÃO EM FILÉ E AS REMESSAS PARA ARMAZÉM GERAL, ambos constantes do Recurso Voluntário; e 2º) apresente conclusões sobre o levantamento realizado, bem como outros esclarecimentos que entender necessários para a solução do litígio, inclusive, se for o caso, novos demonstrativos de apuração do valor tributável, do imposto e das contribuições. (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima. Fl. 2036DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 18/06/201 4 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 15374.724358/2009-05
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
SALDO NEGATIVO DE IRPJ - GLOSA DE DESPESAS E DE EXCLUSÃO
Glosas de despesas financeiras e de exclusão de saldo de reversão de provisões ocorridas antes do termo do art. 150, § 4º, do CTN. Documentos que não comprovam as supostas despesas de swap e de variação monetária contidas na demonstração de resultado da DIPJ/07. Documentação precária que não comprova ser escorreita a exclusão de valor superior à receita de reversão de provisões indedutíveis informada na linha própria da demonstração de resultado da DIPJ/07. Compensações com uso de saldo negativo de IRPJ de 2006 não homologadas.
Numero da decisão: 1103-000.923
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Takata - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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Documentos que não comprovam as supostas despesas de swap e de variação monetária contidas na demonstração de resultado da DIPJ/07. Documentação precária que não comprova ser escorreita a exclusão de valor superior à receita de reversão de provisões indedutíveis informada na linha própria da demonstração de resultado da DIPJ/07. Compensações com uso de saldo negativo de IRPJ de 2006 não homologadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 72 43 58 /2 00 9- 05 Fl. 245DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/09/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.724358/200905 Acórdão n.º 1103000.923 S1C1T3 Fl. 245 2 Relatório DO DESPACHO DECISÓRIO Tratase de processo sobre declarações de compensação, telas de relações de Dcomps e valor de crédito nas fls. 3 a 16 (eprocesso), decorrente de IRPJ com período de apuração no 3º trimestre de 2006, bem como débitos de CSL e COFINS. Foi formalizado o presente processo para tratamento manual das Dcomps l7323.39426.170707.1.7.041595 e 16284.57608.310707.1.3.044930 e a Diort da Derat/RJ encaminhou os autos para efetivação de diligência pela Equipe de Diligência da DeratRJ, para verificação dos valores de ICMS, PIS/Cofins e ISS das linha 9 a 12 da ficha 6A, e outras que se fizerem necessárias verificação do efetivo valor do IRPJ a pagar do 3º trimestre de 2006, e da composição: da linha 31 da ficha 5A (outras despesas operacionais); das linhas 21 e 31 da ficha 6A (outras receitas financeiras e outras despesas financeiras, respectivamente); das linhas 24 e 37 da ficha 9A (reversão de saldos de provisões não dedutíveis e outras exclusões, respectivamente). Quanto ao parecer conclusivo da Diort e correspondente despacho decisório da DeratRJ, transcrevo o relatório do acórdão a quo que os sintetiza bem: O presente processo versa sobre os PER/Dcomp l7323.39426.170707.1.7.041595 (f.l 03 a 07) e 16284.57608.310707.1.3.044930 (fl. 08 a 11), transmitidos em 17/07/2007 e 31/07/2007, respectivamente. O crédito informado nas Dcomp (fl. 04 e 09), no valor de R$ 31.904.914,23, se refere a pagamento indevido ou a maior de IRPJ (cód.0220). O pagamento foi efetuado através de DARF, no valor de R$ 42.556.792,47, sendo realizado em 16/11/2006 (fl. 05). No Parecer Conclusivo (fl. 56 a 60) que serviu de base para o Despacho Decisório (fl. 61), consta a não homologação da Dcomp com as seguintes alegações: • O pagamento a maior decorreu de erro na apuração do resultado do exercício (Ficha 06 A da DIPJ/2007, fl. 33), e de indevidas reduções na base de cálculo do IRPJ ( Ficha 09A, fl. 37). • Na Linha 21 da Ficha 06A da DIPJ/2007 (fl. 33), a interessada subtraiu do lucro líquido do exercício o valor relativo às "Outras Receitas Financeiras", quando deveria têlo somado (art. 373 do RIR/99). Fl. 246DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/09/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.724358/200905 Acórdão n.º 1103000.923 S1C1T3 Fl. 246 3 • A base de cálculo do IRPJ do 3º Trimestre de 2006 sofreu outra indevida redução. O valor de R$ 424.827.133,02 ("Reversão do Saldo de Provisões Não Dedutíveis") foi excluído do lucro real, através da Linha 24 da Ficha 09A da DIP J/2007 (fl. 37), sem ter sido integralmente adicionado ao lucro contábil, na Demonstração do Resultado do Exercício, na Linha 26 da Ficha 06A da DIPJ (fl. 33). • Não foi adicionado ao lucro real do 3º Trimestre de 2006 parte do valor da CSLL apurada. O art. 1º da Lei 9.316/96 obriga a adicionar a sua totalidade. • A CSLL declarada era de R$ 52.362.802,54 (Ficha 17 fl. 53/55). Foi adicionado ao lucro real o montante de R$ 26.219.787,16 (Linha 04 da Ficha 09A, fl. 37). • Comparandose as informações da Ficha 06A (fl. 33), relativa à Demonstração do Resultado do Exercício, com as da Ficha 17, à fl. 53/55, referente ao Cálculo da CSLL devida no 3° Trimestre de 2006, constatase que, na linha 35 da Ficha 06A (fl. 33), a interessada deduziu, na apuração do lucro líquido do exercício, valor relativo à "Resultados Negativos em Participações Societárias", no montante de R$ 131.955.306,45, sem ter efetuado a adição do mesmo valor na linha 10 daquela Ficha 17, fl. 53/55 (art. 2 o , "c", da Lei 7.689/88). • O resultado negativo de participações societárias foi subtraído do lucro líquido contábil, sem ter sido integralmente adicionado à base de cálculo da CSLL. (grifos nossos) DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Primeiramente, a recorrente alega a flagrante nulidade no despacho decisório, pois a autoridade fiscal adentrou a analise da base de cálculo da CSL para indicar o recolhimento aquém do devido. Por conseguinte, aponta a recorrente que evidenciado está que não houve redução indevida da base de cálculo de IRPJ, pois a despesa constante da linha 21 da ficha 6A da DIPJ/07, cujo valor é negativo, está regular, vez que não se trata de uma receita, mas é apenas resultante da adição da conta “33010210” relativa a swap que apurou saldo devedor. Ademais, a recorrente afirma que a interpretação da autoridade fiscal com relação à indevida exclusão de valores relativos à reversão de saldos de provisões não dedutíveis não deve prevalecer, pois o valor informado na ficha 9A/24 contém os valores informados na linha da ficha 6A da DIPJ/07, bem como os demais valores de variação credora das operações de swap e os demais valores constantes da mencionada ficha 6A. E a totalidade das novas provisões foram adicionadas na ficha 9A/22, conforme quadro constante na impugnação. Assim, entende que este procedimento coadunase com a legislação pertinente. Outrossim, com relação à CSL não ter sido adicionada integralmente à base de cálculo do IRPJ, como indicou a autoridade fiscal, a recorrente explicita que referido tributo constante na linha 49 da ficha 6A da DIPJ/07 referese à soma da provisões para CSL Fl. 247DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/09/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.724358/200905 Acórdão n.º 1103000.923 S1C1T3 Fl. 247 4 calculadas sobre a base de cálculo correspondente ao período de apuração e sobre os lucros diferidos, pois a DIPJ leva em consideração a posição contábil e o recolhimento, a apuração fiscal. Assim, a diferença trazida pela autoridade fiscal não implicaria na adição menor à base de IRPJ. Por fim, requer a homologação das declarações de compensação em questão. DA DECISÃO DA DRJ Em 19/4/2011, acordaram os membros da 8ª Turma de Julgamento da DRJ do Rio de Janeiro I, por unanimidade de votos, negar provimento à manifestação de inconformidade, mantendo o Despacho Decisório – Parecer Conclusivo nº 019/2011, conforme o entendimento que segue. Primeiramente, entende a 8ª Turma da DRJ/RJ1 que a legação de nulidade não se sustenta, vez que se a CSL for adicionada a menor, afeta o lucro real e também o IRPJ. Outrossim, indica a Turma julgadora da DRJ que, conceitualmente, a apuração de receitas de uma empresa não pode ser negativa. Ainda, variações cambiais possuem campo próprio na DIPJ, não devendo ser lançada como receita ou despesa financeira. Aponta, ainda, que a recorrente não comprovou suas alegações. Ademais, explicita que houve redução da apuração do lucro real, pois foram feitas exclusões relativas à reversão de provisões não dedutíveis no valor de R$ 424.827.133,02 e a receita de reversão dos saldos de provisões é de R$ 23.783.861,28, ou seja, o valor que aumentou o lucro líquido foi menor que o montante excluído, sendo o contrário do que é permitido. Com relação à falta de adição da CSL ao IRPJ, aponta a Turma julgadora da DRJ/RJ1 que isto não afetou a apuração do lucro real. O valor de CSL devida adicionado na ficha 9A é menor que o valor da CSL apurada na ficha 17A. Porém, a despesa de CSL indicada na linha da ficha 6A é igual ao valor adicionado na ficha 9A, ou seja, igual ao da redução do lucro líquido (despesa de CSL). Portanto, desconsiderouse a glosa por falta de adição ao lucro líquido. Por fim, indica que há IRPJ no valor de R$ 85.849.962,42 a ser pago e, portanto, não é possível a compensação requerida. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário de fls. 129 a 147 (eprocesso), em 8/6/2011, reiterando o que alegado em sede de manifestação de inconformidade. Acresce os quadros demonstrativos da composição da linha 21 de outras receitas financeiras da ficha 6A e das linhas 24, 22 e 2 da ficha 9A da DIJP/07, acompanhados Fl. 248DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/09/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.724358/200905 Acórdão n.º 1103000.923 S1C1T3 Fl. 248 5 da documentação contábil que comprovaria o quanto consta nos referidos quadros, a seguir transcritos. Primeiramente, a recorrente busca indicar que o resultado indicado na linha 21 de “outras receitas financeiras” da ficha 6A foi negativo, em razão de estarem ali declaradas valores de duas contas de receitas que tiveram resultado negativo (saldo devedor). Quanto às receitas de swap e de VM Clientes Nacionais contidos no quadro acima, as respectivas contas do Razão, que apresentam saldo negativo (devedor), são as que seguem: Com relação à indevida exclusão de valores relativos à reversão de saldos de provisões não dedutíveis, a recorrente apresentou a tabela a seguir, indicando que a exclusão efetuada não ocasionou diferenças na apuração do imposto devido. Sucede que, apesar do preenchimento incorreto da DIPJ/07, observou ter informado a totalidade das provisões revertidas, através da exclusão realizada na linha 24 da ficha 9A. E igualmente foi declarada a totalidade das novas provisões, com a adição na linha Fl. 249DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/09/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.724358/200905 Acórdão n.º 1103000.923 S1C1T3 Fl. 249 6 22 da mesma ficha 9A. Tudo isso, com indicação dos documentos correspondentes a cada um dos valores que compõe a exclusão e a adição referidas. Por fim, apresenta os quadros abaixo para demonstrar que o erro formal cometido pela recorrente não alterou seu resultado, pois o resultado do terceiro trimestre de 2006 é equivalente ao resultado indicado na DIPJ 2007. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/09/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.724358/200905 Acórdão n.º 1103000.923 S1C1T3 Fl. 250 7 Pelo exposto, requereu o reconhecimento do direito creditório da recorrente, o deferimento de realização de perícia e o provimento integral do presente recurso. É o relatório. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/09/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.724358/200905 Acórdão n.º 1103000.923 S1C1T3 Fl. 251 8 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade (fls. 127, 129, numeração do eprocesso). Dele, pois, conheço. As fls. indicadas no voto serão as da numeração do eprocesso. A origem imediata do direito creditório postulado nas compensações em causa é a seguinte. A recorrente informara saldo de IRPJ a pagar do 3º trimestre do ano calendário de 2006 de R$ 102.326.746,46, conforme ficha 12A da DIPJ/07 (fls. 41 e 204). Das telas do sistema Sinal07 (fls. 51 a 53), vêse que há pagamentos para o referido IRPJ de R$ 83.279.490,14, em 30/9/06, de R$ 6.510.141,96, em 31/10/96, e de R$ 42.556.792,47, em 16/11/06. Com isso, resulta um pagamento a maior de R$ 31.904.914,23 (R$ 135.018.991,45 – R$ 102.326.746,46) de IRPJ do 3º trimestre do anocalendário de 2006. Os limites objetivos da lide se fixam, nesta fase: na glosa da dedução de despesas financeiras de R$ 31.253.645,84, informadas na linha 21 da ficha 6A da DIPJ/07, que é destinada à informação de receitas financeiras (“outras receitas financeiras”); e na glosa da exclusão informada na linha 24 da ficha 9A da DIPJ/07, correspondente às reversões dos saldos de provisões indedutíveis. A última glosa foi de R$ 401.043.271,74, de um total de R$ 424.827.133,02 excluídos do lucro líquido (reversões de saldos de provisões indedutíveis). De início, coloco a seguinte questão. Podese, no âmbito de procedimento fiscal de exame de Dcomp, a autoridade fiscal proceder a glosas de despesas e de exclusões ao lucro líquido? Ainda, há limite para tanto, inclusive temporal? Não tenho dúvidas de que é revestido de juridicidade procederse a glosa de despesas e de exclusões ao lucro líquido, na apreciação de declaração de compensação. Mas a glosa de despesas e de exclusões ao lucro líquido, ainda que no âmbito do procedimento de análise de Dcomp, só poderá ser feita dentro do prazo decadencial do art. 150, § 4º, do CTN. Isso, desde que a glosa não se refira a valor alterado pelo contribuinte em DIPJ retificadora. Diverso limite temporal se aplica, a meu ver, se o caso for de glosa de estimativas supostamente adimplidas, de IRRF, de deduções do IRPJ devido, todos valores que compõem diretamente o saldo negativo de IRPJ postulado, e inclusive de glosa de IRRF por apuração de falta de oferecimento à tributação das receitas que dão causa ao IRRF, que compõe Fl. 252DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/09/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.724358/200905 Acórdão n.º 1103000.923 S1C1T3 Fl. 252 9 o saldo negativo postulado. Em tais casos, é aplicável perfeitamente o prazo do art. 74, § 5º, da Lei 9.430/96, que é o da homologação tácita da compensação1. Nesses limites se conciliam o referido prazo com o do art. 150, § 4º, do CTN, i.e., aquele não sentencia colisão com o comando do CTN. É como vejo. Sobre isso já tive oportunidade de me manifestar em diversos julgados, como no Acórdão nº 1103000.807, cujos excertos transcrevo e os adoto aqui: Suponhase que o contribuinte, no legítimo exercício desse direito, venha a fazer a declaração de compensação de, por ex., saldo negativo de IRPJ no penúltimo dia para a consumação do prazo decadencial do art. 150, § 4º, do CTN. A autoridade fazendária não disporia de mais de um dia para homologar ou não a compensação declarada? Isso concorreria ao absurdo. Por outro lado, o contribuinte tem o direito de apresentar sua declaração de compensação até que se atinja aquele termo final, pois é o mesmo termo final a que se refere o art. 168, I, do CTN. Como a compensação pode ser operada, ao alvitre do contribuinte, dentro daquele prazo decadencial (cinco anos contados da ocorrência do fato gerador), e isso não pode ser obstado, é imperativo lógico e do razoável e do possível que o termo final para o fisco homologar ou não a compensação não seja o mesmo segundo aquele prazo (cinco anos contados da ocorrência do fato gerador)2. É por isso que o art. 74, § 5º, da Lei 9.430/96 impõe como prazo decadencial para a homologação ou não da compensação declarada pelo contribuinte o prazo de cinco anos contado da data da entrega da declaração de compensação. É nessa medida e nesses termos que não vejo o preceito do art. 74, § 5º, da Lei 9.430/96 esbarrar no art. 150, § 4º, do CTN. E, nessa linha de raciocínio, na hipótese em dissídio, não entrevejo a consumação da decadência para a autoridade administrativa infirmar o montante do IRRF, no qual se apoia a certeza e liquidez do saldo negativo de IRPJ. Nesse âmbito restrito, não atino com a 1 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º. A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2º .A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5º. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) 2 No caso de saldo negativo de IRPJ, esse também é o prazo decadencial do contribuinte para a compensação, pois é nesse momento é que se tem por “extinto” o crédito tributário, ao teor do art. 168, I, do CTN. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/09/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.724358/200905 Acórdão n.º 1103000.923 S1C1T3 Fl. 253 10 consumação de decadência na análise do saldo negativo objeto de compensação. Isso, desde que no prazo do art. 74, § 5º, da Lei 9.430/96, cinco anos contados da data da apresentação da declaração de compensação, como ocorre no caso em dissídio. Mais precisamente: não diviso a concreção da decadência para a atividade fazendária de questionar o reconhecimento tributário do IRRF, cujo valor representa o saldo negativo de IRPJ apurado pela recorrente. Isso tudo, pelas razões já deduzidas, quanto à compatibilidade do prazo prescrito pelo art. 74, § 5º, do CTN com o art. 150, § 4º, do CTN. O caso ganha similitude com a hipótese em que o contribuinte apresenta uma retificadora de DIPJ, para aumentar por ex., o valor das despesas dedutíveis, e consequentemente reduzir o IRPJ devido ou aumentar o prejuízo fiscal, faltando um dia para a consumação do prazo do art. 150, § 4º, do CTN. Nesta hipótese, o direito do fisco de lançar (no sentido amplo já descrito), por via da revisão da retificadora da DIPJ, se consumaria no dia seguinte? Não sinalizo dessa forma, e isso conduziria ao mesmo absurdo já comentado. Mas, certo é que a não consumação da decadência para o fisco ficaria restrita ao que foi retificado na DIPJ (no exemplo, o aumento do valor das despesas dedutíveis). Nos devidos termos, a mesma inteligência é aplicável, a meu ver, no âmbito de uma declaração de compensação, quanto aos limites do que é possível se questionar ou infirmar. Mas como aplicar tal inteligência no processo de compensação? Ilustro com alguns exemplos sobre os limites positivos. Questionar se sobre a receita (se ela foi oferecida à tributação) que dá causa ao IRRF que compõe o saldo negativo de IRPJ. Questionar se as estimativas de IRPJ que compõem o saldo negativo de IRPJ foram mesmo adimplidas. Questionarse quanto a certas deduções do próprio IRPJ devido, na apuração do saldo negativo de IRPJ. Pelas razões expendidas, não vejo razão na tese da recorrente de que o procedimento adotado pela autoridade fazendária já estaria fulminado pela decadência. (negritamos) As questões em jogo são exatamente de glosa de despesas e de exclusão ao lucro líquido. Despesas e exclusão que não foram consignadas em DIPJ retificadora. Logo, há de se observar o prazo decadencial do art. 150, § 4º, do CTN, como afirmei anteriormente. O contrário seria procederse ao lançamento, por meio indireto, com consumação da decadência. Basta lembrar dos autos de infração sem exigência de tributo, em que somente se reduz o prejuízo fiscal e/ou a base de cálculo da CSL. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/09/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.724358/200905 Acórdão n.º 1103000.923 S1C1T3 Fl. 254 11 Pois bem. Vejo que o despacho decisório se aperfeiçoou em 17/2/11 (fl. 67). Como se trata de saldo negativo do 3º trimestre do anocalendário de 2006, não houve concreção do prazo decadencial do art. 150, § 4º, do CTN, para as glosas em questão. Posto isso, passo ao exame das referidas glosas. Alega a recorrente que o valor negativo de R$ 31.253.645,84, informado na linha 21 relativa a “outras receitas financeiras” na ficha 6A da DIPJ/07 (fls. 32 e 206), decorre de estarem incluídas nessa linha despesas de swap no valor de R$ 74.076.085,81 e de despesas “VM Clientes Nacionais” (supõese que sejam despesas de variação monetária) de R$ 6.752,40. O equívoco de tais inclusões entre as receitas financeiras levou ao valor negativo de R$ 31.253.645,84. Ou seja, chegarseia ao mesmo lucro líquido da demonstração de resultado (ficha 6A) da DIPJ/07, se tais despesas (R$ 74.076.085,81 de swap e R$ 6.752,40 de variação monetária passiva) tivessem sido informadas nas linha 33 dessa ficha, relativa a “despesas financeiras”, hipótese em que a linha 21 de “outras receitas financeiras” da demonstração de resultado (ficha 6A) estaria com o valor de R$ 42.829.192,37. Para comprovar sua afirmação, acostou aos autos os docs. 7 e 8 que representariam as contas “33010210 – Swap Juros” e “33020104 – VM Clientes Nacionais”. Analisando o doc. 7, vêse que ele é de absoluta imprestabilidade para comprovação das alegadas despesas incorridas com swap. Primeiro, não se trata propriamente de conta do Razão “33010210” (aliás o título é “Ganhos com Swap”). Não há indicação segregada dos débitos e créditos com identificação do descritivo (histórico) dos registros, muito menos há a identificação da conta na qual são registradas as contrapartidas. O que há são colunas de débito, de crédito, de saldo e de saldo acumulado com linhas numeradas de 1 a 16 e total. Presumese que as linhas numeradas de 1 a 12 sejam relativas a cada um dos meses. Além disso, a primeira linha já aparece com saldo acumulado negativo, e de saldo igualmente negativo de mesmo valor, sem correspondência direta com os valores constantes na mesma linha, na coluna de débito e na coluna de crédito. Enfim, não há como se dizer que isso seja conta do Razão, que pressupõe no mínimo o lançamento do valor a débito ou a crédito, com identificação do descritivo dos registro, e ordinariamente, a indicação da conta na qual é registrada a contrapartida. Não há nenhuma conta do Razão correspondente às contrapartidas dos lançamentos (se tais valores forem de lançamentos mesmo) do doc. 7. Aliás, se tal documento for um resumo da conta do Razão, como há na mesma linha (7 a 9), registros de débito e de crédito, supõese que haja diversas operações de swap, registradas em contas contábeis patrimoniais distintas. Mais, sequer consta nos autos o plano de contas da recorrente, para identificação das contas de resultado, patrimoniais do ativo e do passivo. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/09/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.724358/200905 Acórdão n.º 1103000.923 S1C1T3 Fl. 255 12 É evidente, pois, que o referido documento não é prestável para a comprovação pretendida. Melhor sorte não ostenta o doc. 8, que não é propriamente conta do Razão “33020104”, e que igualmente só tem colunas de débito, de crédito, de saldo e de saldo acumulado, com as mesmas características da relativa à conta “33010210” já apreciada. Cabem as mesmas considerações deduzidas a respeito do doc. 7. A diferença, aqui, é a de que na primeira linha não aparece já um saldo acumulado sem correspondência com o valor de crédito e de débito que figuram na mesma linha. Não há como se dizer que se comprova a alegação da recorrente. Enfim, não resulta comprovada a asserção de que houve despesas de swap no 3º trimestre de 2006, no valor de $ 74.076.085,81, e despesas “VM Clientes Nacionais” (supõe se que sejam despesas de variação monetária) de R$ 6.752,40, as quais foram incluídas na linha de “outras receitas operacionais” (linha 24 da ficha 6A). Isso (inclusão de tais despesas entre “outras operações financeiras”) implicou a informação de valor negativo nessa linha de R$ 31.253.645,84. O juízo conclusivo sobre a questão farei adiante, após tratar de outra, relativa à diligência. Prossigo com a apreciação da glosa das reversões dos saldos de provisões indedutíveis excluídas do lucro líquido na linha 24 da ficha 9A (demonstração do lucro real) da DIPJ/07. Ou seja, tratase de receitas de reversões de provisões indedutíveis, as quais são excluíveis do lucro líquido, na determinação do lucro real. Representa simplesmente a realização da pretérita despesa de provisão adicionada ao lucro líquido, daí a anterior adição ao lucro líquido representar uma adição temporária. No caso, é a neutralização da despesa de provisão indedutível (exclusão da receita de reversão do passivo que gerara despesa indedutível, no caso; ou quando o passivo de provisão se transforma em passivo efetivo, um contas a pagar). Isso se dá mediante a baixa da adição temporária (de despesas de provisões indedutíveis) controlada na Parte B do Lalur, e exclusão desse valor na Parte A do Lalur. A questão é se os valores excluídos a título de reversões de saldos de provisões indedutíveis representam efetivamente receitas de reversões de provisões indedutíveis. O valor excluído, conforme a linha 24 (reversão de saldo de provisões indedutíveis) da ficha 9A (demonstração do lucro real) da DIPJ/07, foi de R$ 424.827.645,83 (fls. 37 e 212). Porém, na ficha 6A (de demonstração do resultado), o valor informado na linha de receitas de reversões de saldos de provisões operacionais (linha 26) é de R$ Fl. 256DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/09/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.724358/200905 Acórdão n.º 1103000.923 S1C1T3 Fl. 256 13 23.783.861,28 (fls. 36 e 206). Com isso, foi glosado o valor de R$ 401.043.271,74 (R$ 424.827.645,83 R$ 23.783.861,28). Segundo a recorrente, houve erro no preenchimento da DIPJ, pois os valores de variação credora de operações de swap da conta “33010210” (doc. 19) foram classificados como ver reversão de provisão. Traz quadro descritivo da composição da linha 24 da ficha 9A, indicando as espécies de reversões de provisões e os docs. comprobatórios juntados na peça recursiva. O primeiro argumento carece de sentido. Se a variação credora de operações de swap estiver sendo tratada como uma provisão ativa (a bem ver, como contrapartida de provisão ativa sobre operações de swap), então a variação negativa das mesmas operações de swap seriam provisões passivas (a bem ver, contrapartida de provisões passivas de operações de swap), e, assim, indedutíveis. Ora, a conta indicada é a mesma analisada na questão anterior, supostamente conta credora de resultado (suposição, pois a recorrente não trouxe aos autos sequer o plano de contas contábeis), e, naquela questão, o argumento era de que o valor das despesas de swap registradas nessa conta fora incluído por erro, entre as receitas financeiras, razão pela qual a linha de “outras receitas financeiras” da ficha 6A tinha valor negativo. Ou seja, despesas efetivas incorridas, e não despesas de provisões passivas incorridas (que são indedutíveis). Ademais, se as despesas de swap resultaram incomprovadas, pois o que consta nos autos não é propriamente a conta do Razão “33010210”, evidentemente, não se comprova a alegada variação credora, ainda mais com o caráter de provisão ativa (contrapartida de provisão ativa) ou de uma receita de reversão de provisão. Com efeito, o doc. 19, que supostamente comprovaria a variação credora e como receita de provisão ativa ou de reversão de provisão (passiva), é o mesmo do doc. 7. Como havia dito ao analisar o documento relativo à conta “33010210”, que não é propriamente conta do Razão, nele nada há além de coluna de crédito, de débito, de saldo e de saldo acumulado. Não há descritivo de lançamento; há registro único por mês (supõese que seja mês cada linha, pois não há tal identificação) de um valor de débito e de outro valor de crédito (ambos no mesmo mês); muito menos há a indicação da contrapartida (nº da conta), que é o que permite aferir numa conta do Razão, os lançamentos contábeis ocorrentes. Não há a identificação dos lançamentos no Diário (o qual não consta nos autos, tampouco a conta do Razão da contrapartida dos lançamentos feitos na conta “33010210” – e, como se disse, nem a conta do Razão dessa conta). E, para além disso, nada há nos autos que comprove que na mesma conta “33010210” estivessem sendo registradas receitas de reversão de provisão sobre swap ou contrapartidas de provisões ativas sobre swap. E se estivessem ou se estiverem sendo registradas nessa conta, as variações negativas seriam também contrapartidas de provisões passivas sobre swap (indedutíveis), como havia dito. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/09/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.724358/200905 Acórdão n.º 1103000.923 S1C1T3 Fl. 257 14 Mais. Como estariam numa mesma conta de resultado contrapartidas de provisões (ativas ou passivas) e receitas ou mesmo despesas efetivamente realizadas ou incorridas? Seria um absurdo, em medida tributária. No pertinente ao quadro descritivo, examinado os documentos anexados aos autos (docs. 10 a 20), constato o seguinte. Os docs. 10 a 12, 14 a 16, 18 a 20 têm o mesmo problema dos docs. 7 e 8. Vale dizer, não são contas propriamente do Razão. Seguem exatamente o mesmo figurino já descrito, em que se encontram ausentes praticamente tudo o que uma conta do Razão demanda apresentar. Ademais, o valor das supostas reversões de provisões para reforma/conserto do quadro descritivo corresponde ao que consta como saldo acumulado em junho de 2006 (linha 6 supostamente deve ser de junho) – doc. 10. Assim também o primeiro dos valores de reversões de provisões diversas do quadro descritivo é o saldo acumulado, que já inicia com valor negativo (que representa saldo credor) – doc. 11 – e o segundo dos valores de tal reversão do quadro descritivo nem consta no doc. 11. O doc. 14 traz junto um recorte de suposta conta do Razão, mas sem identificação do nº da conta. Como antedisse, não há sequer o plano de contas contábeis, para se aferir que conta é do passivo, do ativo, e de resultado credora ou devedora. Os docs. 13 e 17 são supostamente contas do Razão de provisão de contingência cíveis e de provisão para perdas (supostamente a primeira é conta do passivo e a segunda é conta de resultado). Mas se forem contas do Razão, não há identificação da contrapartida dos lançamentos. E tampouco há nos autos a conta do Razão que registre as contrapartidas, fazendose a conexão necessária. Para mais disso, nenhuma explicação sensata há, tampouco documentação, para constar a informação de receitas de reversão de provisões na demonstração do resultado na DIPJ/07 de R$ 23.783.861,28, e o valor de exclusão de receitas de reversão de provisões de R$ 424.827.645,83. A adição que supostamente faria contraponto à exclusão não apresenta a conexão pretendida, vale dizer, não há nenhuma base comprobatória da efetividade dessa conexão, tampouco de composição (adição da linha 22 da ficha 9A é de “outras adições”). Limitase a recorrente a trazer aos autos cópia da DRE do 3º trimestre publicada de acordo com as regras da CVM para os formulários de informações trimestrais (as chamadas ITR), cotejando como lucro líquido da demonstração de resultado da ficha 6A da DIPJ/07. Porém, isso pouco prova o pretendido, i.e., as questões das receitas de reversões de provisões e de despesas de swap e de variação monetária com clientes. Os dados da ITR são extremamente sintéticos – não possuem sequer a abertura prevista na ficha 6A, o que interdita uma comparabilidade. Enfim, ressumbra a incomprovação do quanto alegado sobre a questão da glosa da exclusão. A recorrente postula subsidiariamente a conversão do julgamento em diligência (perícia), formulando quesitos. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/09/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.724358/200905 Acórdão n.º 1103000.923 S1C1T3 Fl. 258 15 Em sede de processo de compensação, em que o onus probandi compete à recorrente, que postula o direito em causa, entendo não ser cabível convolar este juízo em fase de procedimento de auditoria, com a determinação de diligências para substituir papel “primário” que caberia ter sido levado a termo pela contraparte, à qual instaria provar ou demonstrar. Da mesma forma, se a pretensão for do fisco, minha intelecção é a de que não cabe transformar o órgão julgador ad quem em órgão de auditoria, com a determinação de diligências para substituir papel ou ônus “primário” (que compõe o que a doutrina italiana chama de instrução primária, a qual orienta a relação jurídicoformal do lançamento, em contraposição à instrução secundária, que se desenvolve na relação jurídicoformal processual) do fisco. A carência de certeza do crédito, nesse caso, implica nulidade (total ou parcial) do lançamento, a meu ver. A determinação de diligência se presta para esclarecer produção probatória adequada feita por quem tem seu ônus, se o quanto consta nos autos reclama essa constatação (esclarecimentos); ou, eventualmente, a diligência se orienta a complementar produção probatória feita adequadamente pela parte à qual é imputável o ônus da prova. Das considerações feitas sobre a documentação comprobatória trazida aos autos pela recorrente, não há lugar para a diligência, cujo papel não seria de esclarecer ou complementar produção probatória feita pela parte, mas de efetuar a própria produção probatória. O princípio da verdade material ou do formalismo moderado não é absoluto, a permitir a substituição do ônus “primário” das partes, e divorciado da finalidade de eficiência e de não eternização do processo. De todo o exposto, nego provimento ao recurso sobre a questão da glosa das “despesas” de R$ 31.253.645,84, e sobre a questão da glosa da exclusão das reversões dos saldos de provisões indedutíveis de R$ 401.043.271,74. Sob essa ordem de considerações e juízo, nego provimento ao recurso. É o meu voto. Sala das Sessões, em 10 de setembro de 2013 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 259DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/09/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 15374.724358/200905 Acórdão n.º 1103000.923 S1C1T3 Fl. 259 16 Fl. 260DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 24/09/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 13830.002343/2005-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2000
CRÉDITO PRESUMIDO, RESSARCIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS MEDIANTE CREDITO PRESUMIDO DE IPI BENEFÍCIO CENTRALIZADO E EXPORTADO POR COOPERATIVA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, correspondente ao ressarcimento das contribuições PIS e Cofins sobre as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, possui natureza e regulação específica (art. 150, § 6º CF), podendo alcançar apenas a pessoa jurídica produtora exportadora, não podendo usufruir do correspondente benefício a cooperativa que apenas revende a produção, ainda que agindo em nome da empresa produtora exportadora que é sua cooperada.
Recurso Improvido.
Numero da decisão: 3301-001.731
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro relator Antônio Lisboa Cardoso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andréa Medrado Darzé. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Camila Gonçalves de Oliveira, OAB/DF 15.791 e pela PGFN a procuradora Indiara Arruda de Almeida Serra.
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
Antônio Lisboa Cardoso Relator
Andrea Medrado Darzé Redatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, correspondente ao ressarcimento das contribuições PIS e Cofins sobre as aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, possui natureza e regulação específica (art. 150, § 6º CF), podendo alcançar apenas a pessoa jurídica produtora exportadora, não podendo usufruir do correspondente benefício a cooperativa que apenas revende a produção, ainda que agindo em nome da empresa produtora exportadora que é sua cooperada. Recurso Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o conselheiro relator Antônio Lisboa Cardoso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Andréa Medrado Darzé. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Camila Gonçalves de Oliveira, OAB/DF 15.791 e pela PGFN a procuradora Indiara Arruda de Almeida Serra. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 00 23 43 /2 00 5- 09 Fl. 287DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 2 Andrea Medrado Darzé Redatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Paulo Guilherme Déroulède, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Cuidase de recurso em face de decisão da DRJ de Belém (PA), que julgou procedente o auto de infração de fls. 04/15, cientificado à contribuinte em 28/11/2005 (fl. 193), relativo ao Imposto sobre Produtos Industrializados– IPI, sintetizado na ementa a seguir transcrito: ASSUNTO: IMPOSTO SOBREPRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Anocalendário: 2000 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. COOPERATIVAS CENTRALIZADORAS DE VENDAS. Incabível a apuração, a escrituração ou a utilização do crédito presumido de IPI a que fazem jus os cooperados pela Cooperativa centralizadora de vendas. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas por órgãos colegiados não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, se não àquela objeto da decisão, na forma do art. 100, II, do Código Tributário Nacional ( CTN). LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. CABIMENTO. LIMITES. Decorre do artigo 63 da Lei 9.430/1996, de forma clara e unívoca, que se encontrando a matéria sub judice é cabível, mesmo porque obrigatória, a constituição do crédito tributário, por meio de lançamento de ofício e sem a incidência de multa punitiva, para prevenir os efeitos da decadência, sob a única condição de que deverá permanecer suspensa a exigibilidade do crédito enquanto viger os efeitos da medida judicial. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Consta dos autos que estabelecimento filial (CNPJ nº 61.149.589/010222) deixou de recolher o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI , por ter utilizado indevidamente o crédito presumido do IPI recebi do em transferência da matriz (CNPJ nº 61.149.589/000189), nos períodos de apuração correspondentes ao anocalendário de 2000. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13830.002343/200509 Acórdão n.º 3301001.731 S3C3T1 Fl. 277 3 De acordo com os Termos de Verificação Fiscal que são parte integrante dos Autos de Infração lavrados, constata se que o estabelecimento matriz não faz jus ao crédito presumido do IPI, pelas razões abaixo expostas: a) A norma concedente do beneficio fiscal não tipificou em seu corpo a situação fática praticada pela empresa, ou seja, a empresa não produz a mercadoria que exporta e também não é comercial exportadora, logo não está abrangida pelo favor fiscal; b) A interpretação extensiva da norma tributária, concedente do beneficio fiscal, é vedada pelo Código Tributário Nacional, impedindo que o contribuinte se enquadre como uma empresa Comercial Exportadora. Em decorrência das glosas efetuadas, e a partir da escrituração do Livro de Registro do IPI apresentado pelo contribuinte, elaboramos o Demonstrativo de Reconstituição da Escrita Fiscal, onde ficam demonstrados os saldos da escrita reconstituídos por período de apuração. Neste Auto de Infração estão sendo lançados os períodos de apuração do 3° Decêndio de maio/2000 ao 3° Decêndio de Dezembro/2000, COM SUSPENSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO, em conformidade com o art. 151 do CTN, pois o contribuinte o Mandado de Segurança n° 2000.61.00.0134261, o qual foi julgado procedente, confirmando a liminar anteriormente deferida, tendo a Fazenda Nacional apresentado recurso de apelação, o qual foi recebido apenas no efeito devolutivo (cf. Certidão de Objeto e Pé anexa) contra a cobrança do IPI incidente sobre o açúcar da Safra de 2000/2001, conforme cópias das principais peças, anexas a este, todas apresentadas pelo contribuinte. Consequentemente, em relação ao mérito, a decisão recorrida entendeu que a Cooperativa de Produtores de Cana, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo Ltda (Copersucar) , apurou, de forma centralizada, o crédito presumido do IPI de suas cooperadas, transferindo o referido crédito de seu estabelecimento matriz para sua filial, para a compensação de débitos do IPI, tendo feito utilização indevida de crédito presumido de IPI, ensejando o lançamento do imposto, tendo em vista que o mesmo se destina unicamente ao produtor exportador que atenda aos requisitos estipulados pela Lei nº 9.363, de 1996. Ressaltando ainda que a glosa se deveu também pelo fato dos créditos terem sido apurados de forma concentrada no estabelecimento matriz que recebeu os créditos, nos termos da Nota Técnica Cosit nº 234/2003, de interesse da Copersucar, a qual figuraria como responsável pelo recolhimento do PIS/Pasep e da Cofins, conforme art. 66 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e como substituta tributária do IPI, em relação às operações dos seus cooperados, com base na então vigente Instrução Normativa SRF nº 64, de 13 de agosto de 1997, e, no caso “os créditos do IPI pertencem ao substituído; os débitos, ao substituto”. Cientificada em 01/03/2012 (AR – fl. 254) a Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 255 e seguintes, em 30/03/2012, aduzindo, em síntese, que as vendas efetuadas pela cooperativa são vendas dos cooperados, visto que, no sistema cooperativo de vendas em comum, quem vende ou exporta é o próprio produtor cooperado, sendo a cooperativa mera mandatária legal em todos os atos comerciais relativos aos produtos que exporta, pois, embora não fabrique os produtos exportados, pode realiar todos os cálculos do incentivo em discussão, possuindo todos os dados necessários, visto que também é responsável na condição de substituo tributário do IPI devido pelas cooperadas, nos termos do art. 35, da Lei nº 4.502/64, com as modificações introduzidas pelo art. 31, da Lei nº 9.430/96. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 4 Argui preliminar de nulidade afirmando que a decisão recorrida, acolheu a argumentação de que a cooperada tem direito ao crédito presumido de IPI, por ser um estabelecimento produtor/exportador “que atende aos requisitos estipulados pela Lei nº 9.363, de 1996, para a fruição do incentivo”, afirmando que houve agravamento da exigência fiscal. Sustenta por fim, quanto è elaboração do DCP (Demonstrativo do Crédito Presumido) a Nota Cosit nº 234/2003, por não acolher a tese de que as vendas em comum devam ser rateadas, acabou propondo solução inexeqüível no âmbito do sistema cooperativo, sendo que, entretanto, por conta dos itens 19.2 e 21.3, só se poderia concluir que a SRFB teria admitido a transferência de crédito presumido entre estabelecimentos de pessoas jurídicas distintas, assim reconhecendo as peculiaridades do sistema cooperativo, o que se confirmaria no regime previsto na IN 635/06 para o recolhimento do PIS e da COFINS. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais condições legais, devendo o mesmo ser conhecido. De acordo com a certidão de inteiro teor, de objeto e pé do Mandado de Segurança nº 2000.61.00.0134261, julgado procedente pelo TRF da 3ª Região, objeto de recurso de apelação pela Fazenda Nacional, contra a cobrança do IPI incidente sobre o açúcar da Safra de 2000/2001. Logo, não há concomitância entre as vias administrativa e judicial, porquanto os objetos são distintos, visto que, no presente processo o que se discute é a possibilidade do crédito presumido de IPI, previsto na Lei nº 9.363/96, ser apurado e requerido pela cooperativa e não pelo produtor exportador. Conforme relatado, o presente auto de infração é decorrente da glosa da compensação de valores originários de crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, apurado pelo estabelecimento matriz da COPERSUCAR e transferido por meio de notas fiscais de transferência para o estabelecimento filial, ora Recorrente, os qual foram utilizada para a quitação do IPI dos períodos discutidos no presente processo. Segundo o entendimento da fiscalização, mantido pela decisão recorrida, os referidos créditos não poderiam ter sido utilizados pela COPERSUCAR, por entender que pertencem aos cooperados, que são de fato as empresas produtoras exportadoras. Inicialmente deve ser rejeitada a preliminar de nulidade suscitada pela Recorrente, vez que, o reconhecimento pela decisão recorrida no sentido de ser a cooperada produtora e exportadora, com direito à fruição do crédito presumido de IPI, apenas reflete o entendimento do julgador a quo quanto ao real beneficiário do incentivo, não caracterizando qualquer agravamento da exigência. A decisão recorrida está baseado no fato da Nota Cosit n° 234, de 01 de agosto de 2003, que deu nova interpretação do tema, vedandose à cooperativa centralizadora Fl. 290DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13830.002343/200509 Acórdão n.º 3301001.731 S3C3T1 Fl. 278 5 de vendas a apuração, escrituração e utilização do crédito presumido de IPI, cujos trechos de maior relevância para o assunto são a seguir transcritos: "21.Por tudo o que foi exposto, concluise: 21.1. O Cooperado que entregar sua produção à Cooperativa centralizadora de vendas, para exportação, faz jus a crédito presumido do IPI, relativa à parcela de sua produção que haja sido efetivamente exportada; 21.2. O Cooperado, assim que receber as informações da Cooperativa centralizadora de vendas de que sua produção foi exportada, no todo ou em parte, poderá apurar o crédito presumido, ao final do mês e escriturálo em seu livro Registro de Apuração do IPI, observadas as quantidades da sua produção efetivamente exportadas e as normas da legislação especifica; 21.3. Remanescendo saldo credor na escrituração do Cooperado, após a dedução com o IPI devido pela Cooperativa na condição de substituta tributária, poderá haver transferência do crédito presumido para outros estabelecimentos da pessoa jurídica Cooperada, se houver, apenas para dedução do valor do IPI devido por operações no mercado interno; ao final do trimestre calendário, obedecidas as demais normas especificas, poderá haver a compensação com outros tributos do Cooperado, inclusive o PIS/Pasep e a Cofins devido pela Cooperativa, na condição de responsável, mas só a parcela que di2a respeito àquele Cooperado, isto é, a parcela referente à sua produção que tenha sido comercializada no mercado interno. Ao invés da compensação, o Cooperado poderá solicitar o ressarcimento do saldo credor em espécie, no todo ou em parte; 21.4. Não cabe à Cooperativa centralizadora de vendas a apuração, a escrituração ou a utilização do crédito presumido de IPI a que fazem jus os Cooperados; 21.5. O preenchimento e a entrega do Demonstrativo do Crédito Presumido (DCP) está a cargo do Cooperado que se beneficie do crédito presumido, por intermédio de seu estabelecimento matriz. O Cooperado também deverá observar o cumprimento das demais obrigações acessórias." Entretanto, a mencionada nota técnica, nesse ponto, está em desacordo com a legislação do IPI, sobretudo porque quanto à apuração do IPI centralizado no estabelecimento matriz, está em conformidade com o art. 15, II, da Lei nº 9.779, de 1999, determinando que a apuração do crédito presumido do IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, seja centralizados “pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica”, podendo ainda ser transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o próprio IPI, in verbis: Art.15. Serão efetuados, de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica: I o recolhimento do imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos; Fl. 291DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 6 II a apuração do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI de que trata a Lei no 9.363, de 13 de dezembro de 1996; [...] Assim sendo, o fato da Recorrente ter centralizado a apuração do crédito presumido centralizado em seu estabelecimento matriz, não é motivo de impedimento para a fruição do benefício, pelo contrário, está de acordo com a legislação que rege o crédito presumido. Da mesma forma dispõe a Lei nº 9.363, de 1996, constando que o crédito presumido do IPI pode ser centralizado pelo estabelecimento matriz e transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o próprio IPI: Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. § 1º O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. (Vide Lei nº 10.637, de 2002) § 2°..No caso de empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador, a apuração do crédito presumido poderá ser centralizada na matriz. § 3º. O crédito presumido, apurado na forma do parágrafo anterior, poderá ser transferido para qualquer estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o Imposto sobre Produtos Industrializados, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal. (grifado). Pelos mesmos motivos acima expostos, também considero não haver nenhum óbice para que o estabelecimento filial possa utilizar o crédito presumido para a compensação de débitos do mesmo IPI. O principal ponto do processo se refere ao crédito presumido ter sido apurado e requerido pela Cooperativa, enquanto o Fisco entende que o benefício fiscal somente poderia ser utilizado e requerido pelo produtor exportador. A Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, que dispõe sobre a política nacional de cooperativismo, e, através de seu art. 79, define o que seja atos cooperativos, os quais não implicam em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria: Art. 3° Celebram contrato de sociedade cooperativa as pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir com bens ou serviços para o exercício de uma atividade econômica, de proveito comum, sem objetivo de lucro. Art. 4º As cooperativas são sociedades de pessoas, com forma e natureza jurídica próprias, de natureza civil, não sujeitas a falência, constituídas para prestar serviços aos associados, Fl. 292DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13830.002343/200509 Acórdão n.º 3301001.731 S3C3T1 Fl. 279 7 distinguindose das demais sociedades pelas seguintes características [...] Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. (grifado) Conquanto o produtorexportador seja cada um dos produtores rurais, pessoas físicas associados à cooperativa, todo o processo de industrialização e exportação é feito através da pessoa jurídica, que age por conta e ordem dos cooperados, por interesse deles, isto é, os atos da cooperativa devem ser considerados como sendo praticados pelos seus associados, é o que depreendese do art. 83, da citada lei: Art. 83. A entrega da produção do associado à sua cooperativa significa a outorga a esta de plenos poderes para a sua livre disposição, inclusive para gravála e dála em garantia de operações de crédito realizadas pela sociedade, salvo se, tendo em vista os usos e costumes relativos à comercialização de determinados produtos, sendo de interesse do produtor, os estatutos dispuserem de outro modo. (grifado). Conforme bem esclareceu a Recorrente, no sistema cooperativo de vendas em comum, quem vende ou exporta é o próprio produtor cooperado. A cooperativa é mera intermediária, mandatária legal, logo o benefício fiscal concedido se destina ao produtor exportador, não sendo apropriado pela cooperativa, não havendo que se falar em apropriação pela cooperativa do resultado obtido com a exportação, que será revertido aos produtores rurais, na proporção de suas participações na sociedade empresarial. Para fins de definição do ato cooperado, especialmente no que se refere à entrega da produção pelo cooperado à cooperativa, nos termos dos arts. 79 e 83 da, da Lei nº 5.764, de 1971, a jurisprudência do colendo Supremo Tribunal Federal (STF) que o assunto depende do exame dos fatos, isto é, depende da forma em que o negócio ocorre entre a cooperativa e cooperado (daí porque não poder ser objeto de recurso extraordinário), in verbis: COMERCIAL. COOPERATIVA. ENTREGA DA PRODUÇÃO PELO COOPERADO A COOPERATIVA. NEGÓCIO QUE O ACÓRDÃO LOCAL, ANTE O EXAME DOS FATOS, ESPECIALMENTE A EXECUÇÃO DADA PELAS PARTES, DEFINIU COMO CONTRATO ESPECIFICO ENTRE COOPERADO E COOPERATIVA (ARTS. 79 E 83 DA LEI N. 5.764, DE 16.11.71), E NÃO COMO CONTRATO DE DEPOSITO IRREGULAR (ART. 1.280 DO CÓDIGO CIVIL). APLICAÇÃO DAS SUMULAS 279 E 454. (RE 92902, Relator(a): Min. DÉCIO MIRANDA, Segunda Turma, julgado em 07/10/1980, DJ 24101980 PP08610 Fl. 293DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 8 EMENT VOL0118903 PP00727 RTJ VOL0009503 PP 01380). No mesmo sentido, entendendo que a exportação através da cooperativa, como mandatária dos cooperados, ser questão de fato que deve ser apreciado pelo julgador, in verbis: PRODUTO INDUSTRIALIZADO. EXPORTAÇÃO POR COOPERATIVA, QUE TERIA FUNCIONADO COMO MANDATARIA DOS COOPERADOS. QUESTÃO DE FATO PARA CUJO REEXAME NÃO CABE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. RECURSO NÃO CONHECIDO. (RE 76026, Relator(a): Min. LEITAO DE ABREU, SEGUNDA TURMA, julgado em 21/03/1975, DJ 02061975 PP*****) O aresto acima transcrito contempla através do voto condutor do acórdão, o seguinte trecho da v. sentença prolatada pelo colendo Tribunal de Alçada Cível do Estado de São Paulo (no Agravo de Instrumento nº 55.880), que naquele caso, a Cooperativa funcionou como mandatária no exercício das funções para as quais fora criada: “É de se ponderar ainda que a Cooperativa Central de Produtores de Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo não adquire o produto de seus cooperados. Funciona ela como mandatária No exercício das funções para as quais fora criada, podendose mesmo dizer que atua como autêntica “manus longa” dos cooperados.” Este entendimento ainda prevalece na Suprema Corte, conforme depreende se da ementa do acórdão recentemente publicado, in verbis: EMENTA Agravo regimental no agravo de instrumento. Tributário. ISS sobre atos cooperativos impróprios. Reexame de fatos e provas e de contrato social. Impossibilidade. Súmulas nºs 279, 280 e 454 desta Corte. 1. O Tribunal local, com base nos elementos probatórios do autos e na legislação infraconstitucional (Leis nºs 5.764/71, 5.641/89, 7.640/99, 8.464/02 e 8.725/03), consignou que a agravada presta serviços aos seus próprios cooperados. Alterar esse entendimento para análise dos argumentos expendidos pelo agravante requereria reexame das leis em comento, do contrato social e dos fatos e das provas que permeiam a lide, fato vedado nesta instância recursal. Incidência, na espécie, das Súmulas nºs 279, 280 e 454 do Supremo Tribunal Federal. 2. Agravo regimental não provido. (AI 645954 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, Primeira Turma, julgado em 21/08/2012, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe176 DIVULG 05092012 PUBLIC 06092012) (grifado). O Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem entendimento firme no sentido de que o ato cooperado não implica operação de mercado nem contrato de compra e venda, in verbis: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. COOPERATIVA DE CONSUMO. OPERAÇÃO DE VENDA DE BENS A TERCEIROS NÃOCOOPERADOS. ATO MERCANTIL. CSLL. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13830.002343/200509 Acórdão n.º 3301001.731 S3C3T1 Fl. 280 9 INCIDÊNCIA. 1. O ato cooperativo típico, nos termos do art. 79, parágrafo único, da Lei 5.764/1971, não implica operação de mercado nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, o que afasta a incidência do PIS e da COFINS sobre o resultado de tal atividade. 2. A operação de venda de bens a terceiros por sociedade cooperativa de consumo se reveste de natureza mercantilista. O resultado positivo advindo dessa atividade, por conseguinte, submetese à incidência da CSLL. Precedentes do STJ. 4. Agravo Regimental parcialmente provido. (Grifado). (AgRg no REsp 653.489/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 15/09/2009, DJe 24/09/2009). No caso concreto, entendo que o estão presentes os pressupostos estabelecidos pelos arts. 79 e 83, da Lei nº 5.764/71, que define o ato cooperativo, bem como a forma como ocorreram as relações entre cooperativa e cooperado, pois, de acordo com os arts. 12 e 13 (Capítulo III – Dos Objetivos e Operações), do Estatuto Social da COPERSUCAR (CNPJ nº 61.149.589/000189, estabelecimento matriz), aprovado pela AGE de 14/04/1987 (fl. 192/193), consta dentre suas atribuições receber e vender a produção de seus associados, senão vejamos: “Capítulo III Dos Objetivos e Operações [...] Art. 12. A Cooperativa tem por objetivo prestar serviços a seus associados: receber, financiar e vender a produção de cana de açúcar, de álcool e de mel de seus associados. [...] Art. 13. A cooperativa, no cumprimento de seus objetivos sociais, venderá a produção de cana de açúcar, de álcool e de mel, de seus associados, de forma a conciliar os interesses dos produtores e consumidores. A AGE de 26/01/1999, deu a seguinte redação ao art. 15, do Estatuto Social da Cooperativa: Art. 15. No curso da safra, o associado terá direito a adiantamento em valor igual aos financiamentos obtidos pela Cooperativa de qualquer estabelecimento de crédito, com garantia do produto que lhe foi entregue para venda, e proporcional à entrega. Parágrafo 1º: À proporção que forem sendo vendidos os produtos entregues para venda em comum, a Cooperativa rateará aos associados, as margens líquidas que forem resultando, Fl. 295DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 10 respeitados os valores dos ágios e deságios por qualidade, que houverem sido fixados pelo Conselho de Administração. Assim sendo, uma análise mais criteriosa dos fatos leva à conclusão de que os atos praticados pela Cooperativa com seus associados obedeceram aos comandos dos artigos 79 e 83, da Lei Geral das Cooperativas, permitindo concluir que não se não houve ato mercantil entre Cooperativa e seus associados. Por último, conforme demonstrado, o fato do crédito presumido ter sido apurado e requerido pela Cooperativa, e não diretamente pelo produtor exportador, não deve impedir a fruição do benefício, salvo se tivessem sido constatados outros motivos impeditivos, o que no caso não restou comprovado. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 26 de fevereiro de 2013 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 296DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13830.002343/200509 Acórdão n.º 3301001.731 S3C3T1 Fl. 281 11 Voto Vencedor Conselheira Andréa Medrado Darzé, Redatora Peço vênia para divergir do ilustre Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, especialmente pelo fato do crédito presumido de IPI, instituído pela Lei nº 9.363/96, ter sido apurado pela cooperativa, no caso a Recorrente, a COPERSUCAR, ainda que tenha sido transferido por meio de notas fiscais de transferência para os estabelecimentos filiais, da ora Recorrente, os qual foram utilizada para a quitação do IPI dos períodos discutidos no presente processo. De fato, comungo com o entendimento da fiscalização, igualmente com a decisão recorrida, os referidos créditos não poderiam ter sido utilizados pela COPERSUCAR, por entender que pertencem aos cooperados, vez que pertencem às empresas produtoras exportadoras e não à cooperativa. Nesse sentido, quando a Lei nº 9.779/99, determina que o crédito presumido de IPI seja centralizado “pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica” (art. 15, II), necessariamente quer significar mesma empresa, por isso utilizou o termo “estabelecimento”, caso contrário autorizaria sua transferência para qualquer outra empresa, contudo manteve a restrição aos estabelecimentos da mesma empresa. Logo, a autorização acima referida não se estende aos estabelecimentos da Cooperativa, ainda que centralizado no estabelecimento matriz da Coopersucar, constituindo motivo de impeditivo à fruição do benefício, que pertence às empresas produtoras exportadoras, não havendo previsão para sua transferência à terceiros. Ao contrário da conclusão do i. Relator, a própria Lei nº 9.363, de 1996, somente autoriza a centralização pelo estabelecimento matriz, isto é, da mesma sociedade empresarial, por isso diz “empresa com mais de um estabelecimento produtor exportador”quando a apuração do crédito poderia ser centralizada pela matriz, e no caso em tela não há qualquer evidência da existência de vínculo empresarial entre as usinas, ao contrário, são empresas produtoras distintas, sem qualquer relação societária. O fato da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, dispor que os atos cooperativos não implicam em operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, não autoriza à cooperativa se beneficiar das prerrogativas e benefícios tributários gozados por seus filiados. Em relação às ações judiciais noticiadas nos autos, não consta nenhuma autorização para a apuração ou aproveitamento dos benefícios fiscais usufruídos por seus cooperados, nem mesmo que a Fazenda Nacional tenha atuado nesses processos, não podendo alcançar os fatos discutidos no presente processo. Por fim, cumpre registrar que em sendo o crédito presumido constitui um benefício fiscal, expressamente previsto no art. 150, § 6º, da Constituição Federal, há necessidade do mesmo ser regulado por lei específica, e como visto a Lei nº 9.363/96, dispõe expressamente que o crédito presumido de IPI deve ser apurado e requerido pela própria empresa produtora exportadora Fl. 297DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE 12 Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 26 de fevereiro de 2013 Andréa Medrado Darzé, Redatora Fl. 298DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 09/01/2014 por ANDREA MEDRADO DARZE
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Numero do processo: 10880.933466/2008-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/05/2001
DCOMP. CRÉDITO INEXISTENTE. DARF ALOCADO A DÉBITO REGULARMENTE DECLARADO.
Estando o pagamento devidamente alocado a débito regularmente declarado em DCTF, cujo valor não é contestado, improcedente é a utilização desse pagamento em compensação, cuja declaração de compensação não deve pode homologada pela Administração.
COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DA VIGÊNCIA DA IN SRF Nº 210/2002. LANÇAMENTO CONTÁBIL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
A mingua de prova de que a compensação alegada foi devidamente efetuada e regularmente lançada na contabilidade da Recorrente, à época em que ocorreu, não há como prosperar tal alegação.
COMPENSAÇÃO. DCTF É INSERVÍVEL PARA DECLARAR.
A partir da vigência da IN SRF nº 210/2002, a comunicação à RFB das compensações realizadas pelos contribuinte passou a ser feita exclusivamente através da Declaração de Compensação instituída por esse normativo. A DCTF não é instrumento para tal.
DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Não apresentado a escrita contábil, e a documentação que lhe deu suporte, que justifique a alteração dos valores declarados na DCTF, não há como alterar os valores declarados originalmente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.627
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto declarou-se impedido.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 01/06/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Mônica Elisa de Lima e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 15/05/2001 DCOMP. CRÉDITO INEXISTENTE. DARF ALOCADO A DÉBITO REGULARMENTE DECLARADO. Estando o pagamento devidamente alocado a débito regularmente declarado em DCTF, cujo valor não é contestado, improcedente é a utilização desse pagamento em compensação, cuja declaração de compensação não deve pode homologada pela Administração. COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DA VIGÊNCIA DA IN SRF Nº 210/2002. LANÇAMENTO CONTÁBIL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A mingua de prova de que a compensação alegada foi devidamente efetuada e regularmente lançada na contabilidade da Recorrente, à época em que ocorreu, não há como prosperar tal alegação. COMPENSAÇÃO. DCTF É INSERVÍVEL PARA DECLARAR. A partir da vigência da IN SRF nº 210/2002, a comunicação à RFB das compensações realizadas pelos contribuinte passou a ser feita exclusivamente através da Declaração de Compensação instituída por esse normativo. A DCTF não é instrumento para tal. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não apresentado a escrita contábil, e a documentação que lhe deu suporte, que justifique a alteração dos valores declarados na DCTF, não há como alterar os valores declarados originalmente. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2069; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.933466/200844 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302002.627 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de maio de 2014 Matéria COFINS RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/05/2001 DCOMP. CRÉDITO INEXISTENTE. DARF ALOCADO A DÉBITO REGULARMENTE DECLARADO. Estando o pagamento devidamente alocado a débito regularmente declarado em DCTF, cujo valor não é contestado, improcedente é a utilização desse pagamento em compensação, cuja declaração de compensação não deve pode homologada pela Administração. COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DA VIGÊNCIA DA IN SRF Nº 210/2002. LANÇAMENTO CONTÁBIL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A mingua de prova de que a compensação alegada foi devidamente efetuada e regularmente lançada na contabilidade da Recorrente, à época em que ocorreu, não há como prosperar tal alegação. COMPENSAÇÃO. DCTF É INSERVÍVEL PARA DECLARAR. A partir da vigência da IN SRF nº 210/2002, a comunicação à RFB das compensações realizadas pelos contribuinte passou a ser feita exclusivamente através da “Declaração de Compensação” instituída por esse normativo. A DCTF não é instrumento para tal. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não apresentado a escrita contábil, e a documentação que lhe deu suporte, que justifique a alteração dos valores declarados na DCTF, não há como alterar os valores declarados originalmente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 34 66 /2 00 8- 44 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.933466/200844 Acórdão n.º 3302002.627 S3C3T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto declarouse impedido. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 01/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Mônica Elisa de Lima e Gileno Gurjão Barreto. Relatório No dia 22/07/2004 a COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO transmitiu o PER/DCOMP Original (final nº 047927), pleiteando a restituição/compensação no valor original de R$ 637.913,88, relativo a COFINS tida como paga indevidamente no dia 15/05/2001, através de DARF de mesmo valor, relativo ao PA 04/2001. Processado o pedido, o DARF informado no PER/DCOMP não foi localizado pela RFB. Em conseqüência, no dia 31/08/2006 a COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO foi intimada a sanar a irregularidade, conforme TERMO DE INTIMAÇÃO nº 621799185. No dia 16/09/2006, após receber o Termo de Intimação nº 621799185, a COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO transmitiu o PER/DCOMP Retificador (final nº 041041), para alterar o valor do DARF objeto do pedido, de R$ 637.913,88 para R$ 8.799.641,71, mantendo o valor do crédito objeto do pedido de restituição/compensação. Na DCTF Original entregue à RFB, a Empresa Recorrente vinculou ao débito da Cofins do PA 04/2001 (R$ 14.539.076,32) o DARF de R$ 8.799.641,71, pago no dia 15/05/2001. Processada a DCTF Original, a RFB confirmou o pagamento e sua alocação ao débito declarado pela Recorrente. No dia 14/06/2004 a Empresa Recorrente apresentou DCTF Retificadora, do 2º Trimestre de 2001, para alterar a forma de extinção do referido débito da COFINS do PA de 04/2001, no valor de R$ 14.539.076,32. Na DCTF Retificadora a extinção desse débito passou a ser parte por compensação e parte por pagamento, nos seguintes valores: (1) R$ 6.377.348,49 por compensação com parte do pagamento da COFINS de PA de 07/99, que a Recorrente alega indevido; e (2) R$ 8.161.727,83 com a utilização parcial do pagamento de R$ 8.799.641,71, efetuado no dia 15/05/2001. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.933466/200844 Acórdão n.º 3302002.627 S3C3T2 Fl. 4 3 Com a utilização parcial do referido DARF, na DCTF Retificadora, a Empresa Recorrente entende possuir R$ 637.913,88 passível de restituição ou compensação, e é exatamente esse o valor que está sendo pleiteado neste processo. Por meio do Despacho Decisório nº 791219415, a DERAT São Paulo indeferiu o pleito da recorrente, e não homologou a compensação declarada, sob a alegação de que o pagamento indicado no PER/DCOMP fora integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte declarado na DCTF original, não restando saldo credor disponível para compensação do débito informado na PER/DCOMP. Ciente, a empresa interessada apresenta manifestação de inconformidade cujas alegações foram resumidas pela decisão recorrida nos seguintes termos, que ratifico e adoto: Relata que a compensação declarada por meio do PER/DCOMP não foi homologada pelo despacho decisório, e que, por essa razão, estaria sendo cobrada dela o débito aí informado, no valor principal de R$ 976.945,47, mais multa e juros. Sustenta, no entanto, que tal valor teria sido devidamente compensado com créditos de COFINS, recolhidos em montante maior que o devido no período de apuração 30/04/2001, conforme DCTF do período em questão e DARF anexa, não podendo prosperar, assim, no seu entendimento, referida exigência. Destaca que, em abril de 2001, teria apresentado sua DCTF, apurando, para extinção por pagamento, o valor de COFINS, no montante de R$ 8.161.727,83, e que teria efetuado o recolhimento deste tributo, mediante DARF, em valor maior que o devido e declarado para pagamento em espécie. Afirma, então, que o inciso I do artigo 165 do Código Tributário Nacional concederia, ao sujeito passivo, o direito à restituição total ou parcial do tributo, no caso de pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, e que, assim sendo, considerando a existência de saldo em seu favor, teria procedido à compensação deste valor pago em excesso, proveniente da guia DARF com valor principal de R$ 8.799.641,71, com o débito tributário ora exigido, mediante entrega de PER/DCOMP. Menciona que procedeu à entrega da PER/DCOMP 42736.54071.220704.1.3.047927, que foi intimada sob o argumento de que o DARF aí indicado não teria sido localizado no sistema da RFB, e que, em atenção a esta intimação, apresentou PER/DCOMP retificadora Informa, em seguida, que foi proferido despacho decisório não homologando a compensação desta PER/DCOMP, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF discriminado, teriam sido localizados um ou mais pagamentos, mas que estes teriam sido integralmente utilizados para quitação de seus débitos, não restando créditos disponíveis para a compensação do débito informado na PER/DCOMP. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.933466/200844 Acórdão n.º 3302002.627 S3C3T2 Fl. 5 4 Segundo ela, referida decisão não deveria prevalecer, visto que, por meio desta manifestação de inconformidade, não só apresentaria o DARF discriminado na PER/DCOMP, como demonstraria tratarse de recolhimento em valor superior ao devido para pagamento em espécie, e que seu procedimento de compensação teria sido efetuado como estabelece a legislação vigente, transcrevendo o artigo 74, caput e parágrafo 1º da Lei n.º 9.430/96. Ressalta, por outro lado, que a Administração deveria agir de acordo com a lei, com subordinação a dispositivos legais, não podendo sujeitar o particular à exação tributária, sem qualquer finalidade específica, afrontando as previsões constitucionais, e que, neste contexto, os preceitos do artigo 37, caput da Carta Magna estabeleceriam que o administrador público estaria, em toda a sua atividade funcional, sujeito aos mandamentos da lei, deles não podendo se afastar, sob pena de infringir ao princípio da legalidade. E conclui que, considerando suas alegações e os documentos acostados, a legitimidade do seu crédito seria inconteste, tendo sido este demonstrado pelo recolhimento em valor superior ao efetivamente devido e declarado, por ela, para pagamento em espécie, devendo a decisão ser reformada para homologar a compensação procedida, extinguindo o crédito tributário exigido, nos termos do artigo 156, inciso II do Código Tributário Nacional. A 11a Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo SP indeferiu a solicitação da recorrente, nos termos do Acórdão no 1636.078, de 07/02/2012, que tem a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/05/2001 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. NÃO COMPROVAÇÃO EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. Não apresentada a escrituração contábil, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados na DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) original, demonstrando a liquidez e certeza do crédito informado na DCOMP (Declaração de Compensação), se mantém a decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo, que não homologou a compensação aí declarada pelo contribuinte. INSERÇÃO DE COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR EM DCTF RETIFICADORA. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.933466/200844 Acórdão n.º 3302002.627 S3C3T2 Fl. 6 5 Considerase não declarada a compensação, simplesmente informada em DCTF retificadora, que não atenda aos requisitos estabelecidos na legislação então vigente à época – formalização mediante o uso do programa PER/DCOMP ou, nos casos de impossibilidade de sua utilização, mediante a entrega de formulário específico – Instruções Normativas SRF n.º 210/2002 e n.º 323/2003. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 13/05/2013, conforme AR, e, discordando da mesma, ingressou, no dia 05/06/2013, com recurso voluntário, no qual renova os argumentos da manifestação de inconformidade, acrescentando que restou demonstrado, pela DCTF Retificadora do PA 04/2001, o recolhimento a maior que o devido e o conseqüente direito ao crédito no valor de R$ 6.377.348,49. Alega, ainda, a Recorrente “que o mero erro na forma, qual seja: retificação da DCTF para efetivar a compensação da Cofins de abril/2001, com créditos pretéritos e legítimos, não tem o condão de desconstituir a compensação realizada”, citando decisões do Conselho de contribuintes que tratam de erro de fato no preenchimento de declaração e sustentando que a compensação realizada e declarada da DCTF retificadora foi efetuada tal como estabelece a legislação vigente, ou seja, o art. 74 da Lei nº 9.430/96. Cita doutrina. Concluindo que a decisão recorrida “entende como um empecilho ao reconhecimento do crédito, o fato de a DCTF retificadora, com a finalidade de desvincular parte o DARF recolhido, ter sido transmitida tão somente em 14/06/2004”, passa a discorrer sobre o prazo para pleitear a restituição do crédito da Cofins do PA 07/99, informado na DCTF Retificadora de 14/06/2004, que entende ser de 10 anos, a contar do fato gerador, e que as disposições da Lei Complementar nº 118/2005 atinge apenas os fatos geradores posteriores à sua vigência. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais e regimentais. Dele se conhece. Como relatado, a Empresa Recorrente está pleiteando a compensação de débitos seus com suposto crédito de COFINS, decorrente de pagamento por ela tido como a maior, relativo ao período de apuração de abril de 2001. O pagamento informado no PER/DCOMP ocorreu no dia 15/05/2001, no valor original de R$ 637.913,88. O crédito objeto deste processo decorre da utilização parcial, no dia 14/06/2004 (data da apresentação da DCTF Retificadora), de pagamento feito no dia Fl. 137DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.933466/200844 Acórdão n.º 3302002.627 S3C3T2 Fl. 7 6 15/05/2001, no valor de R$ 8.799.641,71. Até a data da apresentação da DCTF Retificadora, referido pagamento estava integralmente declarado e alocado ao débito da COFINS do PA 04/2001. Em síntese, a Recorrente defende que a DCTF Original continha erro posto que o débito da COFINS do PA 04/2001 foi liquidado parte por compensação e parte por pagamento e que a retificação da DCTF se fez necessário para retificar o erro cometido. Além disso, que mesmo tendo cometido erro na forma de retificar a DCTF, não pode tal erro prejudicar seu direito à repetição do indébito. Por seu turno, a decisão recorrida enfrentou a questão nos seguintes termos, que ratifico e adoto: Não obstante as razões apresentadas pela empresa, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar, devendo a decisão da DERAT São Paulo, que não homologou a compensação declarada, ser mantida em sua integralidade pelas razões a seguir expostas. Cumpre esclarecer, aqui, que o despacho decisório apontou como causa da não homologação da compensação declarada: a inexistência de crédito disponível, tendo sido o DARF discriminado na DCOMP integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, que estavam declarados em DCTF. É de se ressaltar que a DCTF, a teor do que dispõe o Decreto Lei n.º 2.124/84, em seu artigo 5º, parágrafo 1º, se constitui em um instrumento de confissão de dívida, e que eventual retificação dos valores antes nela informados deve ter por fundamento os dados da escrituração contábil da empresa. Cabe observar, aqui, também, que, em consulta ao sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), se verificou que, quando da entrega da DCTF original, relativa ao período de apuração em tela, o crédito informado pela empresa na presente DCOMP não existia, estando o pagamento realizado por meio do DARF aí discriminado integralmente alocado ao débito declarado pela empresa, na referida DCTF, referente a COFINS – Db: cód 2172 PA 30/04/2001. Merece destaque, ainda, o fato, constatado mediante consulta ao sistema informatizado da RFB, de que a inserção de dados, pela empresa, como “Compensação de Pagamento Indevido ou a Maior”, em DCTF, visando desvincular o DARF em tela parcialmente do débito de COFINS do período de apuração 30/04/2001, por ela apurado e aí declarado, no valor de R$ 14.539.076,32, de modo a originar o crédito informado na DCOMP, se deu somente em 14/06/2004, em DCTF retificadora. Cumpre registrar, aqui, que a empresa não comprova, nos autos, mediante documentação idônea, como o registro na contabilidade, que os créditos informados na DCTF retificadora eram, de fato, decorrentes de pagamento indevido ou a maior, e que tal compensação tinha sido feita, efetivamente, à época da Fl. 138DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.933466/200844 Acórdão n.º 3302002.627 S3C3T2 Fl. 8 7 transmissão da DCTF original, e que, por um lapso, não teria sido informada nesta DCTF. E, assim, considerando que a compensação informada na DCTF retificadora ocorreu efetivamente somente na data de sua entrega à RFB, ou seja, em 14/06/2004, temse que não observou a legislação então vigente à época referente ao assunto – Instruções Normativas (IN) da Secretaria da Receita Federal (SRF) n.º 210, de 30/09/2002, e n.º 323, de 24/04/2003, transcritas parcialmente a seguir – que estabeleciam a necessidade de apresentação de uma declaração de compensação, seja em formulário ou mediante utilização do programa PER/DCOMP – sendo que consta, na referida DCTF, a informação de compensação “sem processo”, no campo “formalização do pedido”. [...] Portanto, as normas que disciplinavam o exercício da compensação, à época, obrigavam que fosse formalizada primordialmente mediante o uso do programa PER/DCOMP, disponibilizado para tal finalidade, admitindose, excepcionalmente, nos casos de impossibilidade de utilização desse programa, que fosse formalizada mediante a entrega de formulário específico aprovado pela legislação. Não se admite, pois, em nenhuma hipótese, a formalização de declarações de compensação – bem assim de reconhecimento de compensação praticada, de direito a compensação ou outra pretensão equivalente – em qualquer outro meio diverso dos estabelecidos nas Instruções Normativas SRF n.º 210/2002 e n.º 323/2003 (como a sua mera inclusão em DCTF retificadora), sendo o parágrafo único do artigo 3º desta última taxativo ao prescrever que, ocorrendo tais situações (não utilização do programa PER/DCOMP ou do formulário aprovado pela IN SRF nº 210/2002), deveria ser considerada não declarada a compensação. Vêse claramente que, ao contrário do argüido pela Recorrente, aqui não se trata somente de mero erro formal. Há erro no procedimento de efetuar a compensação, posto que a partir da vigência da IN SRF nº 210/2003, a compensação deveria ser feita pelo Contribuinte e informada à Receita Federal exclusivamente por meio de “Declaração de Compensação”, como bem disse a decisão Recorrida. Definitivamente, a Recorrente desobedeceu a legislação sobre compensação, vigente na data em que informou à Receita Federal a compensação que diz ter realizado 14/06/2004 (MP nº 66/2002, Lei nº 10.637/2002, MP nº 135/03, Lei nº 10.833/03, IN’s SRF nºs 210/2002, 320/2003 e 323/2003), não somente por ter utilizado a DCTF para isso, mas também por não ter efetuado os lançamentos contábeis que demonstrariam toda a operação em maio de 2001. Argumenta a Recorrente que a compensação de fato foi efetuada quando da extinção do débito declarado na DCTF Original, ou seja, até o dia 15/05/2001 (data do vencimento da COFINS do PA 04/2001), e que naquela data era possível efetuar a compensação de crédito com débito do mesmo tributo e declarar em DCTF. Desse modo, o que ocorreu aqui também foi mero erro de forma. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.933466/200844 Acórdão n.º 3302002.627 S3C3T2 Fl. 9 8 É verdade que compensação feita em 1999, entre crédito e débito do mesmo tributo, poderia ser declarada em DCTF. Observese que por essa sistemática o Contribuinte estava obrigado a provar que de fato efetuou os lançamentos contábeis da operação de compensação que realizou, ou seja, estava obrigado a provar que em sua escrita contábil foi reconhecido e escriturado o crédito do pagamento a maior da COFINS do PA 07/99 e a compensação desse crédito com o débito da COFINS do PA 04/2001. Para isso, bastaria juntar aos autos cópia do Livro Diário de maio de 2001, onde conta os lançamentos contábeis da compensação que a Recorrente alega ter realizado. De posse dessa informação, Auditores Fiscais da RFB confirmariam os lançamentos contábeis, à vista da documentação que lhe deu suporte. Tivesse a Recorrente trazido aos autos os elementos de prova acima referidos, poderseia discutir nos autos a existência ou não de erro de forma e a possível e eventual existência de crédito. Sem isso, o que fica claro é que a Recorrente usou de artifício ilegal para gerar crédito fictício, especialmente porque não prova sequer que ocorreu pagamento indevido da COFINS do PA 07/99, devidamente reconhecido em sua contabilidade por meio de lançamento feito em data anterior à extinção do débito de COFINS do PA 04/2001. Fica claro, como bem disse a decisão recorrida, que até a data da apresentação da DCTF Retificadora o débito da COFINS do PA 04/2001 estava extinto por pagamento, somente. A extinção, em parte, por compensação somente passou a existir com a transmissão da referida DCTF Retificadora. E naquela data, a comunicação de compensação realizada pelo contribuinte somente poderia ser feita por meio de “Declaração de Compensação”. Portanto, o DARF informado no PER/DCOMP estava, de fato e legalmente, alocado ao débito declarado pela Recorrente na DCTF Original, não podendo ser objeto de compensação. Tendo a compensação sido realizada na data da apresentação da DCTF Retificadora, aplicase a legislação sobre compensação vigente nessa data, conforme decidiu o STJ no Recurso Especial nº 1.137.738 – SP, julgado no rito do art. 543C do CPC e de aplicação obrigatória por parte do CARF (art. 62A do Regimento Interno do CARF), cuja ementa abaixo se transcreve, naquilo que interessa à lide: TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. SUCESSIVAS MODIFICAÇÕES LEGISLATIVAS. LEI 8.383/91. LEI 9.430/96. LEI 10.637/02. REGIME JURÍDICO VIGENTE À ÉPOCA DA PROPOSITURA DA DEMANDA. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE. INAPLICABILIDADE EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. ART. 170A DO CTN. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. HONORÁRIOS. VALOR DA CAUSA OU DA CONDENAÇÃO. MAJORAÇÃO. SÚMULA 07 DO STJ. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A compensação, posto modalidade extintiva do crédito tributário (artigo 156, do CTN), exsurge quando o sujeito passivo da obrigação tributária é, ao mesmo tempo, credor e devedor do erário público, sendo mister, para sua concretização, Fl. 140DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.933466/200844 Acórdão n.º 3302002.627 S3C3T2 Fl. 10 9 autorização por lei específica e créditos líquidos e certos, vencidos e vincendos, do contribuinte para com a Fazenda Pública (artigo 170, do CTN). [...] 9. Entrementes, a Primeira Seção desta Corte consolidou o entendimento de que, em se tratando de compensação tributária, deve ser considerado o regime jurídico vigente à época do ajuizamento da demanda, não podendo ser a causa julgada à luz do direito superveniente, tendo em vista o inarredável requisito do prequestionamento, viabilizador do conhecimento do apelo extremo, ressalvandose o direito de o contribuinte proceder à compensação dos créditos pela via administrativa, em conformidade com as normas posteriores, desde que atendidos os requisitos próprios (EREsp 488992/MG). [...] Diante da inexistência do direito material ao crédito, desnecessário abordar e discutir aqui a questão relativa ao prazo para pleitear a restituição, até porque esta matéria já está pacificada no âmbito do CARF, em face da decisão do STF proferida no RE 566.621, que é de aplicação obrigatória por parte deste Colegiado. Por fim, ratifico e, supletivamente, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991). Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Relator 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.933466/200844 Acórdão n.º 3302002.627 S3C3T2 Fl. 11 10 Fl. 142DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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