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Numero do processo: 10935.003146/2006-13
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1103-000.100
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em determinar o sobrestamento do julgamento nos termos do art. 2º da Portaria Carf nº 1/2012.
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Marcelo Baeta Ippolito e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em determinar o sobrestamento do julgamento nos termos do art. 2º da Portaria Carf nº 1/2012. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Marcelo Baeta Ippolito e Aloysio José Percínio da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 35 .0 03 14 6/ 20 06 -1 3 Fl. 461DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10935.003146/200613 Resolução nº 1103000.100 S1C1T3 Fl. 377 2 Relatório Tratase de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, anocalendário 2003, no valor total de R$ 162.392,76 (cento e sessenta e dois mil, trezentos e noventa e dois reais e setenta e seis centavos), sobre o qual incidem multa de ofício no percentual de 150% e juros de mora (fls.288/315). As infrações, quanto ao IRPJ, foram assim descritas no campo “Descrição do Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)”: 001 – DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS. Valor referente a depósitos e créditos, realizados junto a instituições financeiras, em que o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. 002 – RECEITAS DA ATIVIDADE – A PARTIR DO AC 93 – RECEITAS DA ATIVIDADE. Receita da atividade, escriturada e não declarada, apurada conforme relatório anexo. A ciência do contribuinte efetivouse em 20/07/06 (fls.288, 294, 301 e 308). No “Termo de Verificação Fiscal” (fls.281/287), a fiscalização consignou: “1 OMISSÃO DE RECEITAS 1.1 — RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS (DEPÓSITOS BANCÁRIOS). Juntamente com mandado de procedimento fiscal acima, recebemos o Dossiê da fiscalizada onde continha informações dos sistemas da Receita Federal, em que constava que a fiscalizada manteve nos anos de 2002 e 2003, contas correntes em 02 (duas) instituições financeiras. Em 31 de janeiro de 2006, demos ciência ao contribuinte do termo de inicio da ação fiscal onde através de intimação solicitamos a documentação necessária realização dos trabalhos (Fls. 005). Em 06 de fevereiro de 2006 o contribuinte apresenta os documentos solicitados (Fls. 006). Em confronto com a contabilidade da fiscalizada constatamos que a mesma registrou apenas a conta bancária mantida junto ao Banco Sudameris, S.A., (Fls. 061 a 109), deixando de registrar as contas mantidas junto ao Banco Real S.A. Diante da não apresentação dos referidos extratos por parte da fiscalizada, em fevereiro de 2006, intimamos a instituição financeira a nos fornecer os extratos referentes aos anos de 2002 e 2003, (Fls. 110 a 111). Em março de 2006, em atendimento a intimação, a instituição financeira nos enviou os referidos extratos, (Fls.125 a 206). Fl. 462DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10935.003146/200613 Resolução nº 1103000.100 S1C1T3 Fl. 378 3 Em, 12 de abril de 2006 intimamos a investigada a comprovar mediante apresentação de documentação hábil e idônea as origens dos recursos financeiros ingressados nas contas bancárias em nome da fiscalizada (Fls. 207 a 238). Em 19 de abril de 2006 a fiscalizada apresenta pedido de prorrogação de prazo para atendimento da intimação alegando que se tratava de um volume muito grande de informações a serem fornecidas (Fls. 278). Em 20 de junho de 2006 a investigada apresenta resposta firmada por seu sócio administrador informando que os valores originase de vendas realizadas, cujos valores foram contabilmente registrados à débito da conta “caixa”, (Fls. 279). Na justificativa da investigada, ela alega que os valores das movimentações financeiras sob investigação foram registrados a débito da conta caixa, isso não procede, pois, como se pode observar nos quadros abaixo, os valores registrados de receitas na sua contabilidade totalizou no ano de 2003 o montante de, R$2.493.722,65, enquanto que os valores das movimentações financeiras totalizaram para o mesmo período o montante de R$7.144.117,60, além do mais, no razão contábil da conta caixa apresentado a esta fiscalização, não contempla tais valores que a investigada alega estar contabilizado, (Fls. 067 a 091), portanto fica provado que os valores que a investigada movimentou nas instituições financeiras são provenientes de suas atividades operacionais, e, que a diferença entre os valores registrados em sua contabilidade e os movimentados nas contas bancárias mantidas em nome da investigada constituem omissão de receita. Nas intimações para a investigada a comprovar as origens dos recursos financeiros ingressados nas contas bancárias mantidas em nome da mesma junto as instituições financeiras (Fls. 207 e 208), já foram excluídos os valores dos lançamentos a créditos que não representam efetiva entrada de recursos e que foram possíveis de identificação pelo próprio histórico dos extratos bancários, conforme demonstrado abaixo: ..... Os depósitos bancários, sem comprovação de origem, passaram a constituir presunção legal de omissão de receita, com o advento do art. 42 da referida Lei n° 9.430, de 1996, nos seguintes termos: [...]”. Acerca da qualificação da multa de ofício, a autoridade fazendária a fundamentou nos termos abaixo: “[...] 2 – MULTAS Foi aplicada a multa de 150%, tomandose por base o artigo 44 da Lei 9.430/96. Art. 44 Nos casos de lançamento de ofício serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Fl. 463DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10935.003146/200613 Resolução nº 1103000.100 S1C1T3 Fl. 379 4 I — De setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte: II — cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1.964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Não vislumbra, esta fiscalização, outra possibilidade de omissão das informações por parte do contribuinte, senão com a finalidade de esquivarse do pagamento de tributos, pois o mesmo omitiu 51,85% de suas movimentações das receitas totais, ou seja, 1 por 1, a cada um real declarado um foi omitido. O artigo 44 da Lei 9.430/96, acima transcrito, é claro quando trata da aplicação de multa de 150% nos casos de evidente intuito de fraude. Interessante neste caso é vermos o conceito de fraude constante da Lei 4.502/94 em seu artigo 72. Artigo 71 da Lei 4.502/94 — Sonegação é toda a ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária. Art. 72 — Fraude é toda a ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir seu pagamento. Art. 73 — Conluio é o ajuste dolosamente entre duas ou mais pessoas, naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos Arts. 354 e 355. Aqui podemos nos socorrer do dicionário Aurélio para aprofundarmos o entendimento do legislador acerca do assunto, quando trata da fraude como uma omissão dolosa. ‘dolo’ 1. Qualquer ato consciente com que alguém induz, mantém ou confirma outrem em erro; máfé, logro, fraude, astúcia; maquinação. 2. Jur. Vontade conscientemente dirigida ao fim de obter um resultado criminoso ou de assumir o risco de o produzir. Entende esta fiscalização, ter restado comprovado, de forma inequívoca, que o contribuinte agiu conscientemente, na tentativa de ocultar da autoridade tributária, resultado que deveriam ser oferecidos à tributação e não o foram.”. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10935.003146/200613 Resolução nº 1103000.100 S1C1T3 Fl. 380 5 Os lançamentos foram considerados parcialmente procedentes pela Segunda Turma da DRJ – Curitiba (PR), conforme acórdão que recebeu a seguinte ementa (fls.332/346): PROVA DOCUMENTAL. APRESENTAÇÃO. A apresentação de prova documental deve ser feita durante a fase de impugnação, precluindo o direito de a interessada fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas, em nome dos sócios, junto a instituições financeiras, em relação aos quais a interessada, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. RECEITA ESCRITURADA E NÃO DECLARADA. A parcela da receita bruta, com prestação de serviços, escriturada e não declarada na DIPJ 2004 deve ser objeto de lançamento de oficio. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os tributos e contribuições sociais não pagos até o seu vencimento serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic para títulos federais. MULTA DE OFICIO. QUALIFICADA. Aplicável a multa qualificada de 150% por restar caracterizada a ocorrência de dolo em face da constatação de créditos bancários cuja origem dos recursos deixou de ser comprovada. MULTA DE OFICIO DE 75%. Reduzse o percentual da multa de oficio de 150% para 75% sobre a receita bruta escriturada e não declarada em face de não restar caracterizada a ocorrência de dolo. DECORRÊNCIA. PIS. COFINS E CSLL. Tratandose de tributações reflexas de irregularidades descritas e analisadas no lançamento de IRPJ, constantes do mesmo processo, e dada a relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento ao Pis, Cofins e CSLL. Na oportunidade, afastouse a qualificação da multa de ofício relativamente à omissão de receita decorrente da não declaração de receitas escrituradas (IRPJ e CSLL). Devidamente cientificado de tal decisão em 10/01/07 (fl.361), o contribuinte interpôs tempestivamente recurso voluntário em 09/02/07 (fls.362/372), em que alega, em síntese: desde a impugnação, já sabia da necessidade de minuciosa apuração nos documentos contábeis da empresa, de maneira que se “...pretendia comprovar que, no mínimo, estão incorretos os valores consignados pela autoridade fiscal como sendo relativos à diferença (R$2.686.384,76) entre a receita declarada (R$2.493.722,65) e a movimentação financeira (R$5.180.107,41) da empresa apurada pela autoridade fiscal”; Fl. 465DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10935.003146/200613 Resolução nº 1103000.100 S1C1T3 Fl. 381 6 “estaria realizando nova conferência em sua documentação, para a demonstração do erro da fiscalização ou, quando menos, para atestar que houve verdadeiro equívoco de valores”; seria inaplicável a taxa SELIC, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça (Resp 205375SP); quanto à multa de ofício, “...não restou comprovado nenhum dos elementos capazes de justificar a imposição da multa em sua forma qualificada. Nesse sentido, vale ressaltar que para a configuração de um daqueles elementos (sonegação, fraude ou conluio) é indispensável que se comprove de forma cabal a intenção do autuado de praticar condutas que caracterizariam ilícitos. Porém, no caso dos presentes autos, a autoridade fiscal limitouse a tipificar a multa em sua forma qualificada, não informando no auto de infração as razões que o levaram a assim agir”; na hipótese de presunção de omissão de receitas com base em movimentação financeira, “...a fraude strictu sensu estaria configurada se a ora Recorrente se utilizasse de contas frias e/ou em nome de interposta pessoa, ou caso se configurasse outra situação que visasse dar vestes de veracidade onde esta não existisse”; a autoridade fiscal apenas presumira a fraude; conforme jurisprudência administrativa, a constatação de omissão de receitas, por si só, não autorizaria a aplicação da multa agravada, sendo indispensável a comprovação inequívoca da prática de atos ilícitos. É o que importa relatar. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, dele se toma conhecimento. Um dos fundamentos das autuações foi exatamente o art.42, caput, da Lei nº 9.430, de 27/12/96, que dispõe: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Os valores depositados nas contas correntes do contribuinte foram descortinados, conforme “Termo de Verificação Fiscal”, por meio de informações obtidas diretamente de instituição bancária. Senão, vejamos: “[...] Diante da não apresentação dos referidos extratos por parte da fiscalizada, em fevereiro de 2006, intimamos a instituição financeira a nos fornecer os extratos referentes aos anos de 2002 e 2003, (Fls. 110 a 111). Em março de 2006, em atendimento a intimação, a instituição financeira nos enviou os referidos extratos, (Fls.125 a 206).” Fl. 466DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10935.003146/200613 Resolução nº 1103000.100 S1C1T3 Fl. 382 7 Nesse contexto, não se pode olvidar que no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a repercussão geral de questão constitucional, relacionada exatamente com a possibilidade de o Fisco obter diretamente das instituições financeiras, sem prévia autorização judicial, dados bancários. A respectiva ementa é esclarecedora: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. Nos termos do art.62A, §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), “Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art.543B”. Levandose em consideração que os julgamentos no âmbito do CARF passaram a ser sobrestados em razão de tal paradigma, inclusive neste Colegiado (v.g., Resolução nº 1103000.086, de 11/04/13), adoto tal linha decisória, com a reserva de que seria cabível o aprofundamento da análise quanto à necessidade de ordem judicial específica de sobrestamento, reconhecida a repercussão geral. Do voto do Relator, Min. Ricardo Lewandowski, verificase que outra não foi a intenção senão proporcionar a adoção da decisão final do STF aos demais feitos que versem sobre idêntica controvérsia: “[...] Entendo que a controvérsia possui repercussão geral. A questão constitucional está em saber se há violação aos princípios constitucionais que asseguram ser invioláveis a intimidade e o sigilo dos dados, previstos no art.5º, X e XII, da Constituição, quando o Fisco, nos termos da Lei Complementar 105/2001, recebe diretamente das instituições financeiras informações sobre a movimentação das contas bancárias dos contribuintes, sem prévia autorização judicial. ..... Com efeito, o tema apresenta relevância do ponto de vista jurídico, uma vez que a definição sobre a constitucionalidade do envio de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial, [...], norteará o julgamento de inúmeros processos similares, que tramitam neste e nos demais tribunais brasileiros. ..... Isto posto, manifestome pela existência de repercussão geral neste recurso extraordinário, nos termos do art.543A, §1º, do Código de Processo Civil, combinado com o art. 323, §1º, do RISTF.” (destaquei) Fl. 467DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10935.003146/200613 Resolução nº 1103000.100 S1C1T3 Fl. 383 8 Nesse contexto, vale lembrar que o próprio Min. Ricardo Lewandowski, em outras oportunidades (v.g., AI 668843/RJ e AI 765714/SP), com base no reconhecimento anterior da repercussão geral, determinou a devolução de processos para que o Tribunal de origem observasse o disposto no art.543B do CPC, que inclui, o sobrestamento até o pronunciamento definitivo do STF (§1º). Pelo exposto, voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento e de encaminhar os autos à Secretaria da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento para fins do disposto no art.2º, §3º, da Portaria CARF nº 1/2012. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 468DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 13656.720165/2012-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007
JUROS DE MORA À TAXA SELIC.
Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA DE OFÍCIO.
No lançamento de ofício para a constituição e exigência de crédito tributário, é devida a multa punitiva nos termos da legislação tributária então vigente.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA.
A exigência de juros de mora sobre a multa de ofício somente é cabível se aquela não for paga depois de decorridos 30 (trinta) dias da ciência do sujeito passivo da decisão administrativa definitiva que julgou procedente o crédito tributário.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-002.268
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar a diligência proposta pelo relator, assim como a nulidade levantada. Pelo voto de qualidade, deu-se provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto vencedor. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Fábia Regina Freitas e Maria Teresa Martínez López que davam provimento total. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Adão Vitorino de Morais. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Fabiana Carsoni Alves S. da Silva, OAB/SP 246569.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Antônio Lisboa Cardoso - Relator.
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Fábia Regina Freitas, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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NULIDADE. O Auto de Infração lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, com a indicação expressa das infrações imputadas ao sujeito passivo e das respectivas fundamentações, constitui instrumento legal e hábil à exigência do crédito tributário. LANÇAMENTO. NULIDADE. É válido o lançamento efetuado de conformidade com as normas legais que regem o procedimento administrativo fiscal. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Reconhecida pelo julgador ser prescindível ao julgamento a baixa dos autos à autoridade preparadora para realização de diligência, rejeitase o pedido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007 BENS E SERVIÇOS. INSUMOS. CRÉDITOS. DESCONTOS. Geram créditos passíveis de descontos da contribuição apurada sobre o faturamento mensal os custos/despesas com bens e serviços utilizados na produção dos produtos fabricados/vendidos, dentre eles, matériasprimas, materiais e equipamentos, desde que não foram escriturados no ativo imobilizado, fretes para transportes de produtos semielaborados e para transporte de produtos acabados entre filiais e fretes de vendas, combustíveis e manutenção industrial. BENS ESCRITURADOS NO ATIVO IMOBILIZADO. DESPESAS DE ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 6. 72 01 65 /2 01 2- 81 Fl. 8052DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Os custos/despesas com aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado não geram créditos da contribuição, mas tão somente as despesas de depreciação de tais bens, devidamente comprovadas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007 BENS E SERVIÇOS. INSUMOS. CRÉDITOS. DESCONTOS. Geram créditos passíveis de descontos da contribuição apurada sobre o faturamento mensal os custos/despesas com bens e serviços utilizados na produção dos produtos fabricados/vendidos, dentre eles, matériasprimas, materiais e equipamentos, desde que não foram escriturados no ativo imobilizado, fretes para transportes de produtos semielaborados e para transporte de produtos acabados entre filiais e fretes de vendas, combustíveis e manutenção industrial. BENS ESCRITURADOS NO ATIVO IMOBILIZADO. DESPESAS DE ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS. Os custos/despesas com aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado não geram créditos da contribuição, mas tão somente as despesas de depreciação de tais bens, devidamente comprovadas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007 JUROS DE MORA À TAXA SELIC. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício para a constituição e exigência de crédito tributário, é devida a multa punitiva nos termos da legislação tributária então vigente. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. A exigência de juros de mora sobre a multa de ofício somente é cabível se aquela não for paga depois de decorridos 30 (trinta) dias da ciência do sujeito passivo da decisão administrativa definitiva que julgou procedente o crédito tributário. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar a diligência proposta pelo relator, assim como a nulidade levantada. Pelo voto de qualidade, deu se provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto vencedor. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Fábia Regina Freitas e Maria Teresa Martínez López que davam provimento total. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Adão Vitorino de Morais. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Fabiana Carsoni Alves S. da Silva, OAB/SP 246569. Fl. 8053DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13656.720165/201281 Acórdão n.º 3301002.268 S3C3T1 Fl. 8.053 3 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Antônio Lisboa Cardoso Relator. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Fábia Regina Freitas, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Adoto o relatório do Acórdão recorrido, que bem resume os assuntos discutidos no presente processo, da seguinte forma: Contra o interessado foram lavrados autos de Cofins no valor total de R$ 9.486.394,70 (fls. 5937/5944) e de PIS/Pasep no valor total de R$ 2.059.546,21 (fls. 5929/5936), ambos para os períodos de apuração fevereiro a abril de 2007, em função das irregularidades, que se encontram descritas no Relatório de Auditoria Fiscal (RAF) de fls. 5909/5928; A empresa apresenta impugnação às fls. 5947/6002 na qual alega, em síntese: a) “antes da lavratura dos presentes autos de infração, a impugnante detectou a existência de poucos itens, diante dos milhares ensejadores do direito ao creditamento, cujo crédito foi apropriado indevidamente, razão pela qual procedeu ao pagamento da contribuição ao PIS e da COFINS, devidas em fevereiro de 2007, com os acréscimos legais cabíveis (doc. 03), oportunidade em que esclareceu que ‘O recolhimento complementar é fruto de um trabalho de revisão que a empresa vem realizando em sua apuração do ano de 2007, a fim de excluir créditos apropriados de modo equivocado no passado’; b) é possível que as autuações fiscais tenham sido lavradas, em parte, porque, de posse das planilhas entregues pela impugnante ao longo do processo fiscalizatório (planilhas essas contendo o detalhamento, item por item, dos créditos indicados de forma resumida no respectivo DACON), o Sr. Agente Fiscal tenha se impressionado com a informação nelas contida, classificando os bens ensejadores dos créditos considerados pela impugnante entre as rubricas ‘consumo’ ou ‘insumo’. É possível que as autuações fiscais tenham sido lavradas, em parte, porque, de posse das planilhas entregues pela impugnante ao longo do processo fiscalizatório (planilhas essas contendo o detalhamento, item por item, dos créditos indicados de forma resumida no respectivo DACON), o Sr. Agente Fiscal tenha se impressionado com a informação nelas contida, classificando os bens ensejadores dos créditos considerados pela impugnante entre as rubricas "consumo" ou "insumo"; Fl. 8054DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 c) a fiscalização lavrou os autos de infração em foco de forma genérica, amparada em planilhas apresentadas pela impugnante com vistas à pormenorização dos itens indicativos dos créditos declarados em DACON, e das quais a fiscalização extraiu milhares de itens que reputou não estarem enquadrados no conceito de insumo, ou não estarem relacionados à atividade industrial da impugnante, sem, todavia, apresentar a justificativa, a motivação específica pela qual cada um dos itens que, a seu critério, não daria ensejo ao crédito. A fiscalização sequer investigou a verdadeira natureza dos serviços e dos bens adquiridos pela impugnante e a sua efetiva relação com o processo produtivo. Na verdade, a glosa fiscal, de uma maneira genérica, pautouse no conceito restritivo e ilegal, como será esclarecido adiante de insumos, adotado pelas autoridades fiscais com fulcro no artigo 66, parágrafo 5S, inciso I, da Instrução Normativa SRF n. 247, de 11.11.2002, e no artigo 8Q, parágrafo 49, inciso I, da Instrução Normativa SRF n. 404, de 12.3.2004, sem considerar o emprego desses itens nos processos industriais da impugnante, de maneira detalhada, fundamentada e específica d) discorre sobre o regime nãocumulativo e o conceito de insumo; g) discorre sobre as diversas etapas dos seus processos produtivos e os insumos nelas empregados sobre o que ela chama de ‘demais glosas’; h) O aluguel de empilhadeiras, os respectivos serviços de manutenção, suas partes e peças de reposição e os combustíveis nelas utilizados, assim como o aluguel de guindastes, (retro) escavadeiras, trados mecânicos, caminhões, camionetas, etc. e os gastos relativos ao seu reparo; i) O aluguel de prédios e galpões; A DRJ julgou parcialmente procedente a Impugnação da Recorrente, conforme sintetiza a ementa do Acórdão recorrido: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CRÉDITO PIS/PASEP COFINS. Para o crédito em relação a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, só se exige que os aluguéis sejam pagos a pessoa jurídica e os bens utilizados nas atividades da empresa. Se a autoridade fiscal relaciona os diversos itens glosados, cabe à empresa, ao impugnar a glosa, relacionar quais itens considera como glosados indevidamente. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 8055DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13656.720165/201281 Acórdão n.º 3301002.268 S3C3T1 Fl. 8.054 5 De acordo com a decisão recorrida, a empresa discorre sobre alguns itens que, segundo ela, dão direito ao crédito, porém não identifica esses itens nas planilhas o que impediu a análise das argumentações que, portanto ficaram prejudicada, com exceção do aluguel de empilhadeiras, caminhões, (retro) escavadeiras, trados mecânicos e o de prédios, que foram localizar nas respectivas planilhas e considerados pela decisão. Cientificada através do AR de fl. 7120, em 05/07/2012, a Contribuinte, ora Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 7122 e seguintes, em 06/08/2012, aduzindo, em síntese: Requer a exclusão dos autos de infração dos valores pagos antes das lavraturas dos autos de infração (fev/2007) e quando da apresentação da impugnação referentes aos meses de março e abril de 2007, a fim de evitar pagamentos em duplicidade, os quais representam apenas 7% dos valores glosados. Argúi a nulidade do trabalho fiscal, e igualmente do Acórdão recorrido, que se limitou à análise das planilhas elaboradas pela empresa, ora Recorrente, sem verificar o processo produtivo da mesma, o que configura falta de motivação, nos termos do art. 2º da Lei nº 9784, de 29.1.1999, não atendendo ainda ao art. 142, do CTN e art. 9º do Decreto 70.235/72, cita remansosa jurisprudência deste colendo Carf. Em relação ao mérito, diz que a decisão recorrida utilizou critério equivocado para a definição do conceito de insumo, pois, os itens glosados são insumos, com direito a crédito, nos termos do art. 3º, II, das leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, ou são bens do ativo imobilizado, que igualmente geram crédito de PIS e Cofins, em conformidade com o inciso VI, do mesmo artigo, com norma de regência no § 1º, inciso III, dos mesmos diplomas legais. Afirma que a fiscalização não observou o processo produtivo da Recorrente, que é a fabricação e comercialização de alumínio envolvendo diversas etapas e processos, conforme esclarece o laudo do IPT (doc. 1), bem como colaciona diversos outros documentos que detalham o seu processo produtivo, com a descrição e indicação dos insumos necessários utilizados. Faz por uma minuciosa descrição das diversas etapas do processo produtivo da empresa, desde à extração do minério (bauxita) até sua transformação em alumínio, armazenamento e comercialização. Requer por fim, o provimento do recurso, e alternativamente, a exclusão da multa de ofício e juros de mora, nos termos do art. 100, do CTN, tendo em vista que o seu entendimento está sedimentado em práticas reiteradas das autoridades administrativas, ainda, pugna pela não incidência de juros sobre a multa de ofício, com fundamento no art. 61, caput e § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996. Requer, subsidiariamente, em razão da decisão recorrida ter passado de largo sobre muitos itens considerados insumos pela Recorrente, como é o caso de fretes e outros custos considerados pela Recorrente como insumos, requer a realização de diligência, com a finalidade de confirmar os itens glosados como insumos utilizados em seu processo produtivo, sob pena de ofensa ao princípio da ampla defesa que deve ser assegurado a todos em processo administrativo ou judicial. É o relatório. Fl. 8056DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 6 Voto Vencido Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso O recurso é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais pertinentes, devendo por isso ser conhecido. Merece ser destacado no voto condutor da decisão recorrida, o critério utilizado pelo julgador para a identificação dos itens que seriam capazes de gerar crédito de PIS e COFINS: Temos então que, diferentemente do que afirma a impugnante, não basta que o item adquirido seja necessário para manter seu ciclo produtivo e comercial para gerar o respectivo crédito. É necessário que ele se enquadre nas condições previstas na legislação de regência. Fica claro que não é toda aquisição de bens ou serviços da empresa que gera crédito de PIS/Pasep e Cofins, mas somente aquelas que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou que sejam aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Não se discute se esses bens e/ou serviços são necessários à atividade da empresa, e sim, se eles se enquadram no conceito acima, firmado na legislação. Está claro que o nobre julgador utilizou o mesmo critério destinado à apuração do crédito de IPI, questão já superada no âmbito deste colendo CARF, conforme depreendese da ementa do Acórdão da CSRF nº 930301.035, da relatoria do i. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Presidente desta colenda 3ª Seção do CARF: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO. RESSARCIMENTO, A inclusão no conceito de insumos das despesas com serviços contratados pela pessoa jurídica e com as aquisições de combustíveis e de lubrificantes, denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos corno sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Recurso negado (Ac. unânime da CSRF nº 930301.035/3ª Turma, julgado na sessão de 23 de agosto de 2010, rel. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres). Merece destaque o seguinte trecho do v. voto condutor do referido acórdão, relativamente ao critério que deve ser observado para fins de identificação do que seja insumo capaz de gerar crédito de PIS e Cofins, nos termos do art. 3º, da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003: Fl. 8057DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13656.720165/201281 Acórdão n.º 3301002.268 S3C3T1 Fl. 8.055 7 Desta forma, considerando que para a lavratura dos Autos de Infração de PIS e COFINS, não foram adotados esses critérios destinados à identificação dos custos que deveriam ser considerados como insumos, igualmente seguidos pela decisão recorrida, entendo ser necessário a conversão do julgamento em diligência, conforme requerido pela Recorrente, para que sejam identificados os insumos sem as restrições impostas pela legislação do IPI (vez que assim considerou a decisão recorrida: “mas somente aquelas que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou que sejam aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”). Após relacionar as despesas não consideradas como insumos (se eventualmente remanescerem), elaborar relatório pormenorizado da diligência, e cientificar à Recorrente, para querendo, manifestarse conclusivamente sobre o resultado da diligência no prazo de 30 (trinta) dias. Vencido na diligência, encaminho meu voto no sentido de acolher a preliminar de nulidade do processo, por descumprimento ao art. 142, do Código Tributário Nacional (CTN), vez que o Fiscal autuante deixou de determinar a matéria tributável, na medida em que não apurou os créditos decorrentes da nãocumulatividade do PIS/Pasep e Cofins, da forma determinada pelas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Antônio Lisboa Cardoso Relator Fl. 8058DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 8 Voto Vencedor Conselheiro José Adão Vitorino de Morais I – Preliminares Ia) Diligência Discordo do Ilustre Relator quanto à necessidade de diligência “para que sejam identificados os insumos sem as restrições impostas pela legislação do IPI (vez que assim considerou a decisão recorrida: ‘mas somente aquelas que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou que sejam aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto’ e “após relacionar as despesas não consideradas como insumos (se eventualmente remanescerem), elaborar relatório pormenorizado da diligência, e cientificar à Recorrente, para querendo, manifestarse conclusivamente sobre o resultado da diligência no prazo de 30 (trinta) dias” Do exame dos autos, verificase que o autuante identificou, mês a mês, cada custo/despesa que, segundo seu entendimento, não constituiu insumos utilizados no processo de produção da recorrente, nos termos definidos no inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, conforme demonstrativos denominados: (i)“Planilha Demonstrativa dos Valores Glosados – Linha 02 Dacon (mês)”, na qual discriminou: fornecedor; CNPJ; data de emissão; data de entrada; Nota Fiscal (NF), CFOP; descrição do CFOP; utilização; Daconlinha; base de cálculo; glosa (valor); (ii) “Planilha Demonstrativa dos Valores Glosados – Linha 02 Dacon (mês) – Descrição dos Produtos das NF”, contendo: NF (nº) e descrição do produto; (iii)“Planilha Demonstrativa dos Valores Glosados – Linha 03 Dacon (mês)”, na qual discriminou: fornecedor; CNPJ; data de emissão; data de entrada; Nota Fiscal (NF), CFOP; descrição do CFOP; utilização; Daconlinha; base de cálculo; glosa (valor); (iv) “Planilha Demonstrativa dos Valores Glosados – Linha 03 Dacon (mês) – Descrição dos Produtos das NF”, contendo: NF (nº) e descrição do produto (serviço); (v) “Planilha Demonstrativa dos Valores Glosados – Linha 04 Dacon (mês)”, na qual discriminou: fornecedor; CNPJ; data de emissão; data de entrada; Nota Fiscal (NF), CFOP; descrição do CFOP; base de cálculo; glosa (valor); e descrição do produto; (vi) “Planilha Demonstrativa dos Valores Glosados – Linha 07 Dacon (mês)”, na qual discriminou: fornecedor; CNPJ; data de emissão; data de entrada; Nota Fiscal (NF), CFOP; descrição do CFOP; utilização; Daconlinha; base de cálculo; glosa (valor); (vii) “Planilha Demonstrativa dos Valores Glosados – Linha 07 Dacon (mês) – Descrição dos Produtos das NF”, contendo: NF (nº) e descrição do produto (frete); (viii) “Planilha Demonstrativa dos Valores Glosados – Importação Insumos Dacon (mês)”, na qual discriminou: fornecedor; CNPJ; data de emissão; data de entrada; Nota Fiscal (NF), CFOP; descrição do CFOP; utilização; Daconlinha; base de cálculo; glosa (valor); e Fl. 8059DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13656.720165/201281 Acórdão n.º 3301002.268 S3C3T1 Fl. 8.056 9 (ix) “Planilha Demonstrativa dos Valores Glosados – Importação Insumos Dacon (mês) – Descrição Produtos das NF”, contendo: NF (nº) e descrição do produto. As referidas planilhas, no entendimento deste julgador, atendem ao objetivo da diligência proposta pelo ilustre Relator vencido. O entendimento de que tais custos/despesas constituem insumos ou não, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, é subjetivo e compete ao julgador decidir, nos termos destes dispositivos legais e dos argumentos apresentados no recurso voluntário. Dessa forma, não há que se falar em diligência. II – Nulidade dos lançamentos Também, discordo do ilustre Relator, em relação à nulidade dos lançamentos. De acordo com o Decreto nº 70.235, de 1972, que trata do procedimento administrativo fiscal, os autos de infração e, conseqüentemente os lançamentos, somente seriam nulos se tivessem sido lavrados por pessoa incompetente ou sem fundamentação legal, conforme previsto em seu art. 59, literalmente: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; [...]. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” No presente caso, os autos de infração em discussão foram lavrados por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (RFB), servidor competente para exercer fiscalizações externas de pessoas jurídicas e, se constatadas faltas na apuração do cumprimento de obrigações tributárias, por parte da fiscalizada, tem competência legal para a lavratura de auto de infração, com o objetivo de constituir os créditos tributários devidos, por meio de lançamento de ofício, inclusive a aplicação de penalidade. Do exame dos autos de infração em discussão, verificase que neles estão demonstradas a motivação, a infração imputada à recorrente e a fundamentação legal da exação, ou seja, insuficiência na declaração e pagamento das contribuições lançadas, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de cada auto e Relatório de Auditoria Fiscal às fls. 5.909/5.928. A descrição dos fatos e as planilhas referidas anteriormente permitiram à recorrente contestar cada um dos custos/despesas glosadas e justificar os créditos apropriados. Tanto é verdade que concordou com parte das glosas, inclusive, apurou e recolheu as contribuições devidas sobre os valores com os quais concordou. Assim, tendo os lançamentos atendidos aos dispositivos legais, inclusive, o art. 142 do CTN, não há que se falar em nulidade. Fl. 8060DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 10 II – Mérito. A questão se restringe às glosas efetuadas pelo autuante sobre os custos/despesas incorridos com as aquisições de bens e serviços, discriminados nas planilhas identificadas e citadas anteriormente no item Ia) Diligência; a exigência de juros de mora e da multa de ofício; e, a exigência de juros sobre a multa de ofício. IIa) glosas efetuadas. Nesta fase recursal, a recorrente não contestou de forma específica cada um dos itens glosados e discriminados nas referidas planilhas, se limitando a alegações genéricas, dentre elas: que os lançamentos não encontram guarida nas normas legais que regem a incidência das contribuições lançadas e exigidas; a não cumulatividade das contribuições não se identifica com a do ICMS e do IPI; a relação dos itens que geram créditos, contida no art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, é taxativa; as condições do direito aos créditos estão descritas nestas leis e não comportam interpretação de seu intérprete e/ ou de seu aplicador; o inciso daquele artigo admite a dedução de créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação e/ ou produção bens; este dispositivo deve ser compreendido segundo o conceito econômico, como determina a LC nº 95, de 1998, art. 11, I, “a”; deve ser considerado como insumo tudo o que seja empregado na produção de bens; o critério seguro para verificação do que é insumo é o critério contábil de custo por absorção, descrito no Parecer Normativo CST nº 6, de 1979; também, deve ser considerado, além dos custos absorvidos outros dispêndios da pessoa jurídica; e, a regulamentação feita pela Receita Federal, nos termos das IN SRF nº 247, de 2002, e nº 404, de 2004 não tem amparo legal. Em momento algum, a recorrente demonstrou que cada um dos custos/despesas glosadas e discriminadas nas diversas planilhas, citadas anteriormente, constituem insumos utilizados no seu processo produtivo. Sequer demonstrou e/ ou informou quais equipamentos não foram escriturados no ativo imobilizado e quais equipamentos são consumidos no processo produtivo e as fundamentações. No recurso voluntário apresentado, informou que concordou com a glosa de diversos custos/despesas, efetuada pelo autuante, apuro a contribuição devida e efetuou o recolhimento. O direito aos créditos do PIS e da Cofins, ambas com incidência não cumulativa, está previsto no art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, que instituíram este regime, e da Lei nº 10.865, de 2004, que instituiu a exigência sobre bens importados, assim dispondo: Lei nº 10.637, de 30/12/2002: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; Fl. 8061DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13656.720165/201281 Acórdão n.º 3301002.268 S3C3T1 Fl. 8.057 11 [...]; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. [...]; § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; § 2o Não dará direito a crédito o valor: I de mãodeobra paga a pessoa física; e II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. [...].” Lei nº 10.833, de 29/12/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao Fl. 8062DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 12 concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...]; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; [...]; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; [...]; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. [...]; § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; [...]; § 2o Não dará direito a crédito o valor: I de mãodeobra paga a pessoa física; e II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; [...]; § 14. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1o deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no Fl. 8063DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13656.720165/201281 Acórdão n.º 3301002.268 S3C3T1 Fl. 8.058 13 prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. [...] § 21. Não integram o valor das máquinas, equipamentos e outros bens fabricados para incorporação ao ativo imobilizado na forma do inciso VI do caput deste artigo os custos de que tratam os incisos do § 2o deste artigo.” Lei nº 10.865, de 30/04/2004: Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: [...]; II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; [...]; V máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. § 1o O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. [...]. § 3o O crédito de que trata o caput deste artigo será apurado mediante a aplicação das alíquotas previstas no caput do art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, sobre o valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na forma do art. 7o desta Lei, acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição. § 4o Na hipótese do inciso V do caput deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação das alíquotas referidas no § 3o deste artigo sobre o valor da depreciação ou amortização contabilizada a cada mês. [...].” Fl. 8064DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 14 Assim, com base nestes dispositivos legais, analisei os custos/despesas e os respectivos bens/serviços discriminados nas planilhas (i) a (ix), citadas e identificadas anteriormente, no item I – Preliminar, subitem Ia) Diligência, e concluí que devem ser mantidas as glosas sobre as seguintes rubricas: a) (i) Planilha Demonstrativa dos Valores Glosados – Linha 02 Dacon (mês), combinada com (ii) Planilha Demonstrativa dos Valores Glosados – Linha 02 Dacon (mês), dos seguintes produtos: fitas adesivas todos os tipos (polipropileno, filamentosa, etc.); cartuchos para impressoras e todos tipos de material de escritório; reconhecimento em grupo; painel PVC c/moldura em metalon com adesivos; escaninho em acrílico para papel; fechaduras de portas; trancas de porta e de janelas; borrachas de porta; maçanetas de portas; borrachas para vidro; gatilhos; limitadores de porta; ferrolhos; tubo de aço inox; perfis e seção quadro ativo imobilizado; tubos de aço trefilados sem costura; tubos de aço inox p/filtro; chapas de aço 1000 x 2000 mm; chapasde acrílico cristal 2000 x 10000 mm 1/8IN; vigas de aço, barras laminadas; perfis laminados, barras de aço, barras coletoras; calhas para vão de obras, pallets; caixa maciça em pínus; compressor radial; N. Definido; pisos de borracha; portas de vidro temperado; películas de segurança; linha econômica fume, prata refletiva e fume refletivo; vidros transparentes; persianas horizontais de alumínio; divisórias divilux; acessórios para portas com perfis de alumínio; pisos paviflex; fornecimentos de forros; perfis de alumínio; forros de lã de vidro e de rocha; forros de PVC; acessórios para portas com perfis; aplicação e retirada de películas; estruturas metálicas tipo portapallets; interface LCD, 2 linhas/20 colunas, 5 teclas função; placa eletrônica, CPU p/512 pontos; interface LCD, 4 linhas/20 colunas, 5 teclas função; compra de perfil US621; transdutor linear indutivo BTL5E 10; projetor 400 W Lamp Ovoide; Blocos Auton 2 x 8 W A 6hs 228 Flc; tornos 6 fixo banc. Nod. Nobre somar; cadeados, armários, ventiladores de paredes; telhas de aço; pilhas comuns e alcalinas, baterias comuns e alcalinas, pilhas recarregáveis; serras copo, lixeira para copo; gaiolas p/ fosforizador grande forno e sapatas poliacetal copolímero p/sistema acionamento cilindro; guincho elétrico – Work 9000; cantoneiras abas iguais 2 x ¼ pol.; microfones, alto falantes, rádios, rádios de comunicação, modem de rádio e módulo eletrônico principal tipo ZEV; conserto impressoras e peças; tintas de todos as cores e tipos; painel de força p/plataforma móvel em aço carbono; chapas de aço lisas / inox 304; calças e camisas de todos os tipos e cores, jalecos, meias e luvas, todos os tipos; aparelhos telefônicos; bombas p392 e cilindro RC 152 (enerpac); peneiras industriais 170 x 100 x15 mm; lençol de borracha; quadros em MDF para parede; adesivo de vinil p/quadros; suporte plástico; materiais para conserto de quadros; óculos de grau todos os modelos e tipos; bicicletas todos os tipos e modelos; cartuchos e tonners todos os tipos e modelos; cilindro hidráulico; bomba d’água ref 70991412; lâmpadas incandescentes e fluorescentes todos os tipos e potencias; reatores p/ lâmpadas; sinaleira rotatória; conjuntos de rádio, bateria, antena e carregador; torneiras para jardim todos os tipos e modelos; despesas com contratos de aluguel, em comodato, de máquinas de café expresso, todas; motor de indução mannesmann demag, IP 55; caibros de madeira todos os tipos e modelos, sarrafos de madeira, pallets de madeira todos os tipos, caixas de madeira, varas de madeira c/casca, todas; conjunto de teclado, acoplado a caixa externa e alto falante para rádio de comunicação, antena, tecla, tampa traseira STN UHF NNTN4101; antena heliflex original p/ rádio PRO 1150; fraldas descartáveis todos os tipos e modelos, bem como todo material de higiene pessoal; painéis 4, 3, 3A, 8, 8A, 12, 2, 16, 19 – confecção de blocos para salas de cubas, todos; chapas lisas de aço, todas; vigas de aço, todas; cantoneiras de aço, todas; barras de aço, todas; pedra brita, cimento, cascalho, assentos sanitários, duchas, saboneteiras, paviflex, todos; mola hidra lisa, dobradiça, fechadura; carro de bandejas; areia lavada; lona plástica; azulejos e argamassas; desempenadeiras, todas; botinas e botas, todos os tipos e modelos; almoços, jantares, lanches, coffe break, desjejum, independentemente das finalidades; copos descartáveis; etiquetas adesivas, todas; formulários para impresso; cadeiras, todos os tipos e modelos; mesas e armários, todos os tipos e modelos; compensados cedrinho; Fl. 8065DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13656.720165/201281 Acórdão n.º 3301002.268 S3C3T1 Fl. 8.059 15 fornecimento de materiais e fabricação de grade e degraus, todos; base para máquina percintar kastrup kss ref 914719; bomba centrífuga com motor, todas; madeira verde, tablados de madeira, engradados de madeira, folhas de madeira, tábuas de madeira, peças em maçaranduba, palletes, caixas, folha de madeira compensado (chapas); serviços de reparo e concretagem de porta e material aplicado; toucas descartáveis; esmaltes sintéticos, todos os tipos e cores; thinner, sika, lona impermeável; rolos de lã, rolos de espuma, trinchas para pinturas; solventes, micro calcita, fabricação de barras e chapa; lentes monofocais, multifocais, todos os modelos e tipos, óculos todos os modelos e tipos; fabricação em aço carbono, todas; fabricação em aço inox, todas; climatizadores; notebooks; prensagem de sucatas; disquetes, canetas, todas as cores e tipos; tesouras; post it neo 653; perfurador de papel; cadernetas para anotações; blocos de papel, todos; grafites, posts, caixas de arquivo, pastas, papel e tudo que for material de escritório; fabricação de plataforma móvel para prev queda altura 500 mm; móveis em geral de pau darco; cunhas de madeira; embalagem em compensado; móveis em geral em Pot Fórmica; móveis em geral em maracatiara; calco para macaco; doação de gasolina; e jaquetas de couro. As glosas dos créditos sobre os custos/despesas escriturados sobre estas rubricas devem ser mantidos, porque não constituem insumos nos termos dos dispositivos citados e transcritos anteriormente. Os custos/despesas com materiais de escritório, despesas com empregados e com diretoria, despesas com segurança e aquisições de móveis não estão abrangidos naqueles dispositivos; já os demais custos, com equipamentos, a legislação prevê créditos sobre as despesas com depreciações e não sobre os custos de aquisições. Em momento algum, a recorrente demonstrou que tais custos não ativáveis e no ativo imobilizado nem demonstrou que se trata de bens imprescindíveis ao seu processo produtivo, bem como não fundamentou suas não ativação. Também, há custos/despesas, tais como lâmpadas, fitas crepes, etc., que são utilizados no escritório e fora das instalações industriais e nas próprias instalações industriais que não foram segregados e demonstrados pela recorrente. Caberia à recorrente ter informado a natureza de cada custo/despesa glosada, sua utilização, vida útil, valor e porque não foi imobilizado, inclusive, com fundamentação; b) (iii) Planilha Demonstrativa dos Valores Glosados – Linha 03 Dacon (mês), combinada com (iv) Planilha Demonstrativa dos Valores Glosados – Linha 03 Dacon (mês), dos seguintes serviços: consultoria técnica; serviços técnicos especializados – cost sharing; consultoria técnica – cost sharing; assigned sustaining – quasar (ISS); prestação de bombeiro civil para atendimento de emergência; prestação de serviços para manutenção no sistema de refrigeração e ar condicionado Alcoa PCs; serviço de manutenção civil – equipe fixa – canteiro fora da planta; acordo de serviço de mão de obra temporária; consultoria técnica e funcional em aplicativos de sistemas (oracleotc); serviços de avaliação ambiental na fábrica da Aluex; vigilância patrimonial Alcoa Tubarão; serviço de limpeza e conservação fábrica UTG; análises de vibração; montagem e desmontagem de andaime em regime de hora extraordinárias; serviço de manutenção de carcaça; serviço de coleta e amostra de água subterrâneas em 6 poços de monitoramento e confecção de relatório; relatório de competências premium; contratação de consultoria para implementação da OHSAS 18001 e qualificação das pessoas; pesquisa mineral em jazida na cidade de Carvalhos, MG; serviço de assistência técnica em seis apalpadores NHT9100; hora extra refinaria equipe fixa a 80 por cento; serviços de instalação de poços de monitoramento de água subterrânea, coleta de amostra e elaboração de relatório técnico para fábrica do Rio de Janeiro; serviço de imunização por tratamento térmico para embalagens madeira exportação por pallets; umidificação de estradas na mineração; prestação de serviços para realização de cirurgia ortopédica; equipe fixa civil/pintura, lavagens de calcas de tecidos; massa asfáltica tapa buracos; exame de citologia urinária e imunocitologia; atividades executadas do projeto de remediação da lagoa da br 101; serviços de aux adm p/div dep da Alcoa PCs; área SMO/ginástica laboral/com reposição de Fl. 8066DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 16 férias; serviços administrativos (todos); contratação de motoristas para transporte de refeições; manutenção do programa ginástica laboral; treinamento de moagem e classificação de minérios (24 participantes30 horas); mecânico montador (mão de obra); mecânico; tratamento térmico (natureza); locação de toalhas; consultoria especializada em TPM; fretes de tarugo da Empol Utinga para Itapissuma (nat/final?), todos; serviço de apoio administrativo; remoção de pavimento solo capa asfáltica; adicionais noturnos, todos; termografia (01 pessoa ful c/termografia); acordo de serviço de mão de obra temporária; roçado em áreas da fazenda, viveiros e parque ambiental; auxiliar de serviços gerais para apoio à atividades da mineração; serviços de mão de obra de apoio para montagem, serralheria e montagem; lavagem de camisas de tecidos; confecção de aceiros em áreas CGM e condicionantes, serviços administrativos de apoios, todos; serviços de prestação de limpeza e conservação para Sorocaba; obtenção de vistos temporários, locação de toalhas industriais; ajudantes, todos; auditoria, avaliação de matéria, integridade, levantamento e condições operacionais, confecção de desenho de localização, reconstituição de livros de segurança, projetos de instalação, projetos de reparo e modificações; prestação de serviço efetivo p/ acompanhamento de SHMA na área de segurança, todos; aluguel de tenda duas águas 15x20m para o pátio de sucata; auditoria/diária; prestação de serviço para a continuidade de reorganização no almoxarifado de projeto prédio 002C; manutenção sistema geral contra incêndio e arrombamento da Alcoa; serviços de consultoria, todos; concreto de 18 mpa aplicado a nível do solo – material; exames laboratoriais admissionais demissionais e periódicos; contrato de suporte e manutenção em software unigraphics; consumo de água prédio 1701 abril/07 (admin.?); lançamento complementar frete de transferência de tarugo (nat/fin.?); digitalização em autocad de desenhos das embalagens de madeira da expedição em formatos a2 conjunto de 23 formatos; divisórias removíveis com vidro (instalação) – material; serviços de elaboração de proj mec eletr civil e outros; relatório 2591; prestação de serviço por auxiliares hora normal para os itens spot do contrato; eletricistas; serviço de calibração, medição, treinamento, consultoria e controle dos equipamentos, atendendo a norma ISSO90012000 item 76; prestação de serviço de gerenciamento; confecção de aterro e compacto inclui cascalho; serviços de elaboração de proj. mec. eletr. civil e outros; conserto stepper drive; home care para Isabela Leite; custo de treinamento/pessoas; refinaria equipe fixa civil; ajudantes; atendimento às exigências para licença de instalação da mina de Divinolândia na Cetesb; serviço extras de limpeza e conservação fábrica; auxilio em amostragens e analises ambientais; capina química na subestação 69; mão de obra temporária, todas; horas extras, todas; contrato de desenvolvimento e manutenção de automação (unigraphics); aluguel da cobertura dos acessórios do CD; frete transferência Sorocaba (com impostos e pedágio); toalha continua branca em rolo TCO22; frete Sorocaba x Tubarão (frete/impostos/pedágios); serviços de elaboração de proj mec eletr civil e outros; treinamentos e reciclagem de operadores; serviço de consultoria e assessoria em ergonomia mensal; disposição de resíduo de madeira; serviços de coordenação dos trabalhos de pesquisa de bauxita em jazidas a serem adquiridas pela CGM; contrato anual de manutenção preventiva em refrigeradores de máquinas, ar condicionado e bebedouros da Alcoa Sorocaba – utilidades; serviço mão de obra para recuperação do cilindro da esteira veiculo de briquete techno; prestação de serviços de assistência médica; diárias de técnicos; auditoria para avaliação atual/avaliação de materiais/integridade/inspeções conforme NR 13/levantamento das condições operacionais de vasos/confecção de desenhos; exame de eddy current em tubos; serviço de descupinização do almoxarifado; serralheiro/hn; coletas e entregas de serviços não contemplados; avaliação de perfil psicológico e comportamental; máquina multifuncional fotocopiadora e impressora grande formato marca OCE modelo TDS300; escavações manuais de terra profundidade ate 1.2 m mão de obra; manutenção anual preventiva e corretiva microscópio varredura eletrônico; formulário continuo; nota fiscal fatura serie 5; 4 vias; conserto do medidor de parâmetros de água, horiba mod u10 n/s 610041, patrimônio 010821; limpeza e conservação da CGM; pagamento de seguro frete fábrica Sorocaba prov 9 meses vigência até 21/12/2007; serviços extras, todos; outdoor em lona; auxiliares de Fl. 8067DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13656.720165/201281 Acórdão n.º 3301002.268 S3C3T1 Fl. 8.060 17 serviços gerais, em quaisquer áreas; pintores; ajudantes; conserto Score module; aluguel de veículos para transportes de funcionários e equipamentos, para quaisquer áreas; serviços de reparo em telhados, inclusive marquises; avaliação ortopédica em PCs; prestação de serviços de topografia , para correção de alinhamento e nivelamento dos rolos da LASA; serviços de recepcionista pleno; serviços terceirizados para executar trabalhos, em quaisquer áreas; contratação de consultoria, todas; prestação de serviços de Intranet, apresentações e treinamentos multimídia; serviços de aplicação e comodato em equipamentos; verificações mensais; utilização de caminhão pipa; conserto carrossel; serviços de jardineiros; conserto de placa de distribuição; serviços de jardinagem em Sorocaba; serviços de elaboração de proj. mec. eletr. civil e outros; manutenção preventiva em aparelhos de ar condicionado; manutenção preventiva em aparelhos de ar condicionado; monitoramento de águas subterrâneas em 44 poços e coletas dos níveis do lençol freático em 51 poços; suporte técnico do software SMI para um período de um ano; prestação serviços elaboração procedimentos (para o ano de 2007); manutenção preventiva em aparelhos de ar condicionado; manutenção em poços; mão de obra para reforma do braço do cilindro da lança da retro Komatsu; prestação de serviços para realização de auditorias trabalhistas para o depto de RH; serviço de projeto, painel de força e comando com controle remoto, para acionamento da ponte rolante auxiliar da anodização; Iproc mensalista Utinga; horas trabalhadas na Alcoa; serviços courier Fedex; encarregados, todos para todas as áreas; transporte de pessoal da CGM, usando uma VAN, conforme escopo revisado; serviços de topografia, levantamento de alinhamento e nivelamento bronze cravado no piso da fabrica, para obter correções da maquina kasa; recuperação de placas de desvio; inspeção mensal em equipamentos de combate a incêndio; serviço de resgate para manutenção em folhas; ref macacão tychem para coleta seletiva consumo mensal 20x145; relatório 2598; acordo serviço de analise de vibração; contribuição como sócio Jurídico (AMDA) período de um ano; instalação de pisos cerâmicos – material; serviço de inspeção extintores na área; equipamento de vídeo conferencia Tandberg 880 c/ Ms referente ao período de 36 meses; prestação de serviço para revisão do circuito elétrico do aquecedor de ar modelo GEI335A; assistência técnica Taco Hubner; cartão performance shop de incentivo ao funcionário; resíduos do ambulatório; aluguel de veículos para serviços de pesquisa; supervisores (mão de obra). relatório 15177; serviço upgrade; treinamento de multiplicador de conhecimento básico; mão de obra CÓD. 03MO p/ recup. em válvula ref.F3DG3S4108C 50fabricante Eaton; prestação de serviços por supervisor e técnico de segurança (horas normais e extras); manutenção e assistência técnica de dois compressores; serviço de mão de obra para recuperação de cilindros; acompanhamento dos processos administrativos das áreas de lavra da CGM no DNPM, SMA, IBAMA, CETESB e DPRN.; demolição de concreto arcado c/ equipamento de ar comprimido mão de obra; serviço de copia de chaves, abertura de armários e troca de segredos, reparos de pisos (mão de obra), todos; divisórias removíveis com vidro (mão de obra), todos; prestação de serviços de operação de veículos industriais (temporários); soldadores; coletas e entregas de serviços não contemplados; serviço de pré qualificação de EHS em empresa de montagem de refratário; prestação de serviços gerais em corretivas programadas das áreas da Alcoa, conforme escopo enviado à A&L; recuperação de passarela, todas; serviço de desinsetização contra insetos rasteiros e desratização; contrato de aferição dos equipamentos metrohm do laboratório conforme escopo de serviço enviado ao fornecedor; locação de copiadora kitani ep4000/ep1031; radiografia coluna lombo sacra; campimetrias (exame de vista); serviço de análise de fluoreto meio ambiente; furos em concreto mão de obra; reaterro compactado com ferramentas pneumáticas profundidade ate 1.2 m mão de obra; publicação de licença de operação; serviço de confecção dos separadores para o pátio de tarugos; tratamento biológico em caixa de gordura; concreto de 21 mpa usinado; controle químico da vegetação na área do subestação 69; auxiliar de pedreiro; pinturas de paredes interna e externas; ajudantes de pintor; lavagens de roupas; chamadas emergenciais referente à Fl. 8068DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 18 manutenção de alarmes, serviço de transporte de refeição, todos, aplicação de treinamentos técnicos, todos; ultrasom; projeto de adequação NR13 baseado recomendação laudo periódico do vaso contam 005; serviços de officeboy, todos; honorários de visitas em PÇs; prestação de serviços por motoristas, todos; curso de planejamento de manutenção em pontes rolantes, talhas de cabo de aço e monovias pela DEMAG; adesivos recortados para sinalização imprimax/sidi, serralheiro; serviços normais extras, todos os profissionais; cm2 para anuncio colorido no “Jornal Tribuna Zona Leste”; remessa e retorno de conserto prensa III; otimizar, atualizar e tornar independente a planilha cálculo de produção; consultoria de qualidade – SQS; Alumar/ Serviços de Proficiência de Idiomas/ valor 401.30; verificação mensal; pecas de madeira de pinho, largura padrão de 30cm, espessura 50mm com acabamento; locação de purificador de água Brastemp; radiografia tórax; concreto de 18 mpa aplicado a nível do solo mão de obra; stuffing; demolição de concreto arcado c/ equipamento de ar comprimido mão de obra; relatório 15458; locação e lavagem de tapetes grafite; locação de panos de limpeza; formulários triple; mão de obra para prensa de sucata; limpeza de fossas e caixa de gordura; serviço de analise de alcalinidade meio ambiente; formas para concreto armado formas de madeira para concreto não aparente mão de obra; serviço controle de pragas fábrica Sorocaba; encarregado; horas técnicas internas; impermeabilização de telhados com manta asfáltica aluminizada; mão de obra para instalação, sinalização, testes de equipamentos elétricos; toalha continua branca em rolo tco22; locação de mão de obra, todas; eletrocardiograma; serviços de desinsetização e desratização na fábrica de Pó da FA 13 prédios + áreas externas; viagens extras; horas trabalhadas na Alcoa; toalha industriais; cancelas para sala de cubas, em cedrinho; mão de obra em geral; Fr. s/rem e ret de gaiolas para conserto; viagem fora perímetro urbano (frete a negociar); Colocação de divisória C1; licenças Sorocaba; aplicação de sikadur 32 mão de obra; elaboração de relatório; manutenção e monitoramento 24h em câmeras e alarmes da fábrica de Sorocaba; pecas de madeira de peroba mica/perobinha ou similar aprovada; desobstrução rede de esgoto; taxas de visita; caldeireiros, serviços courier Fedex; impermeabilização de juntas de lajes; viagens extras região metropolitana norte Itamaracá / Igarassu / Abreu e Lima e Paulista / grande Recife; impresso / permissão p/trabalho em altura Alcoa Poços / 1 via / dim 31x21cm / bloco c/50 folhas; aplicação de treinamentos técnicos, todos; serviço de análise de ph meio ambiente; esgotamento de fossa carrada externa; serviços de desinsetização e desratização; horas excedentes, em todas as áreas; remoção de divisórias; viagens para quaisquer destinos; formulários impressos, todos para quaisquer finalidades; despesas com refeição, transporte e hospedagem; confecções de bordados; fretes inbound (marketing), para quaisquer regiões; crachá de funcionários; transferências de ferramenta para Itapissuma; frete outbound (logística) de ferramentas – Sorocaba; formas para concreto armado, todos os tipos e para quaisquer finalidades; remessas e retornos de consertos de quaisquer equipamentos; instalações hidráulicas sanitárias e pluviais fornecimento e instalação de tubulação de PVC para esgoto 200 mm de diâmetro com conexões e afins tigre mão de obra; taxa administrativa 4.75% sobre o valor pago ao funcionário; cm2 para anuncio preto e branco no “Jornal Mantiqueira”; mão de obra para quaisquer finalidade e para todos os setores; visita e transporte para serviços de identificação instalação e adaptação de pecas; taxas de seguros da vídeo conferencias; envelopes de correspondências; pagamento de faturas Fedex referente a Impostos Itapissuma GN; consultoria no desenvolvimento de projeto de sequestro de carbono mdl nas áreas da Alcoa Poços/CGM. As glosas dos créditos sobre os custos/despesas escriturados sobre estas rubricas devem ser mantidos, porque não constituem insumos nos termos dos dispositivos citados e transcritos anteriormente. Tratase de serviços realizados fora das instalações industriais da recorrente, alguns realizados em outros municípios, bem como de despesas administrativas e de marketing e propaganda; consultoria, despesas administrativas, de segurança, médicas, alimentação, etc. Fl. 8069DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13656.720165/201281 Acórdão n.º 3301002.268 S3C3T1 Fl. 8.061 19 c) (vi) Planilha Demonstrativa dos Valores Glosados – Linha 07 Dacon (mês), combinada com (vii) Planilha Demonstrativa dos Valores Glosados – Linha 07 Dacon (mês), dos seguintes serviços: fretes da empresa Transul; fretes outbound, todas, para quaisquer regiões; pagamentos de estadias/diárias, todas; frete carreta retorno (S. Luiz x S. Paulo; fretes outbound s/transf , todas para quaisquer localidades; fretes sobre remessa de gaiolas para consertos; fretes sobre retorno de gaiolas de clientes; fretes não identificados; fretes outbound aéreo, todas; fretes inbound pela Servtrans, todas; pagamentos a Fedex, todas; fretes de remessa e retornos de consertos, todas; fretes rodoviários referentes a trocas de notas, todas; fretes outbound de resíduo com óleo de Utinga. Todos estas despesas não constituem insumos nos termos da legislação do PIS e Cofins não cumulativos. Os fretes da Transul não foram identificados, daí sua glosa. Aliás, a recorrente, em seu recurso voluntário, não justificou nem fundamentou o direito aos créditos sobre cada uma destas rubricas; d) (viii) Planilha Demonstrativa dos Valores Glosados – Importação Insumos Dacon (mês), combinada com (ix) Planilha Demonstrativa dos Valores Glosados – Importação Insumos Dacon (mês). Em relação a estas planilhas, deve ser mantida a glosas sobre os custos/despesas incorridos com os equipamentos que foram ativados e/ ou que por lei deveriam ser (escriturados no ativo imobilizado), cabendo à autoridade administrativa competente, apurar o que foi ativado para manter os valores glosados sobre eles e também sobre os que deveriam ser escriturados no imobilizado por força de disposição legal. Assim, em relação aos demais custos/despesas, os valores glosados deverão ser restabelecidos e retificadas as parcelas mensais dos créditos tributários, em discussão. IIb) Juros de mora A exigência de juros de mora, inclusive à taxa Selic, constitui matéria sumulada pelo Conselho Administrativo de Recursos (CARF), nos termos da súmula nº 3 que assim dispõe: “Súmula nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Assim, por força no disposto no § 4º do art. 72, do Regimento Interno do CARF (RICARF), obrigatoriamente, adotase para este caso aquela súmula, reconhecendose a legalidade da exigência de juros de mora à taxa Selic. IIc) Multa de ofício. Já a multa incidente sobre os tributos não recolhidos e lançados de ofício tem natureza punitiva cujo objetivo é o de punir o sujeito passivo pela prática de infrações tributárias (falta de declaração e recolhimento de tributo). Tratase de penalidade pecuniária que atinge o seu objetivo por meio do confisco de parte do patrimônio do infrator. Seria uma incoerência, portanto, aplicarse o princípio de vedação ao confisco à penalidade pecuniária. Tal princípio somente se aplica aos tributos, e não à multa punitiva, como está claro no texto constitucional. Fl. 8070DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 20 O seu lançamento teve como fundamento a Lei nº 9.430, de 1996, art. 44, I, que assim determina: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (…).” Assim, a multa de ofício, calculada sobre o valor de tributo não declarado/pago, lançado e exigido de oficio, está em consonância com a legislação de regência, sendo o percentual de 75% o legalmente previsto, não se podendo, em âmbito administrativo, reduzilo ou alterálo por critérios meramente subjetivos, contrários ao princípio da legalidade. A alegação de que a penalidade deve ser excluída, aplicando o disposto no art. 100 do CTN, não procede. Julgados administrativos, reconhecendo um universo mais amplo do conceito de insumos, em relação ao PIS e Cofins não cumulativos, não amparam a exclusão da multa de ofício sobre parcelas lançadas e exigidas em decorrência de glosas de créditos sobre custos e despesas que o autuante considerou que não constituem insumos nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. IId) exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. A exigência de juros de mora sobre a multa de ofício somente tem cabimento depois de decorrido o prazo de 30 (trinta) dias concedidos ao sujeito passivo para pagamento do crédito tributário julgado e mantido por decisão administrativa definitiva. Caso o crédito tributário tornese líquido e certo, ou seja, com decisão definitiva contrária ao contribuinte, e não seja pago dentro daquele prazo, a penalidade (multa de ofício) convertese em débito fiscal, passando então a incidir juros moratórios sobre ela nos termos da Lei nº 9.430, de 27/12/1991, art. 61, § 3º, quando do seu pagamento intempestivo. Em face do exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário, mantendo a glosa dos valores dos créditos do PIS e da Cofins apurados sobre os valores dos custos/despesas, discriminados neste voto vencedor, no item IIa), sub itens “a”, “b”, “c”, e “d”, restabelecendo os valores dos créditos glosados sobre os demais custos/despesas, apurados pela recorrente, cabendo à autoridade administrativa competente retificar os lançamentos, nos termos desta decisão, exigindo as parcelas mensais retificadas, acrescidas de multa de ofício e juros de mora à taxa Selic, sendo que os juros de mora sobre a multa de ofício somente são cabíveis depois de decorridos 30 (trinta) dias da decisão administrativa definitiva, sem que o contribuinte tenha liquidado os créditos tributários mantidos. Os pagamentos efetuados por conta dos créditos tributários deverão ser aproveitados nas suas liquidações, fazendose a imputação dos valores recolhidos. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais – Relator Designado. Fl. 8071DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13656.720165/201281 Acórdão n.º 3301002.268 S3C3T1 Fl. 8.062 21 Fl. 8072DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Numero do processo: 11080.000984/2005-15
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2000
NORMAS PROCESSUAIS. AFASTAMENTO DE MULTA EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ADESÃO AO PAES. DÉBITO NÃO INCLUÍDO NA DECLARAÇÃO ESPECÍFICA NEM EM DCTF. DESCABIMENTO.
Para que pudessem ser parcelados, no âmbito do programa PAES, débitos ainda não confessados espontaneamente pelo contribuinte, mister sua inclusão tempestiva na declaração criada pela respectiva legislação. Constituídos de ofício os débitos que se pretende parcelar, deve ser mantida a multa a eles vinculada por força de lei.
Recurso especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9303-002.824
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto.
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício
Júlio César Alves Ramos - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto (substituto covocado) e Marcos Aurélio Pereira Valadão, Presidente da Primeira Seção no exercício da Presidência face à ausência, justificada, do Presidente do CARF, Otacílio Dantas Cartaxo. Ausente, também justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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AFASTAMENTO DE MULTA EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ADESÃO AO PAES. DÉBITO NÃO INCLUÍDO NA DECLARAÇÃO ESPECÍFICA NEM EM DCTF. DESCABIMENTO. Para que pudessem ser parcelados, no âmbito do programa PAES, débitos ainda não confessados espontaneamente pelo contribuinte, mister sua inclusão tempestiva na declaração criada pela respectiva legislação. Constituídos de ofício os débitos que se pretende parcelar, deve ser mantida a multa a eles vinculada por força de lei. Recurso especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente em exercício Júlio César Alves Ramos Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 09 84 /2 00 5- 15 Fl. 535DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 2 Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto (substituto covocado) e Marcos Aurélio Pereira Valadão, Presidente da Primeira Seção no exercício da Presidência face à ausência, justificada, do Presidente do CARF, Otacílio Dantas Cartaxo. Ausente, também justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Relatório Peço vênia aos meus pares para transcrever em seguida o relatório elaborado pelo dr. Henrique Pinheiro Torres no processo 11080.000985/200560, votado nesta mesma assentada que dizia respeito ao lançamento de COFINS sobre os mesmos fatos e períodos deste, que cobre o PIS. Eis o relatório, pois: Tratase de recurso voluntário (fls. 391 a 410) apresentado em 15 de setembro de 2006 contra o Acórdão nº 108.986, de 19 de julho de 2006, da DRJ em Porto Alegre RS (fls. 377 a 386), que considerou procedente auto de infração de Cofins dos períodos de novembro de 2001 a dezembro de 2003, nos seguintes termos: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2001, 2002, 2003 Ementa: NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O mandado de procedimento fiscal consiste em mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, não implicando nulidade do lançamento as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. O mandado de procedimento fiscal formalizado para o IRPJ gera efeito aos autos baseados nos mesmos fatos. CONFISSÃO DE DÍVIDAS E LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INEXISTÊNCIA DE BIS IN IDEM. É válido o lançamento de ofício formalizado após confissão de dívidas ínsita ao parcelamento especial (Paes), sobretudo porque esta é efetuada após o início do procedimento fiscal. ESPONTANEIDADE. A espontaneidade é afastada por qualquer procedimento ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. ESPONTANEIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL INICIADO ANTES DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO PAES. MULTA DE OFÍCIO. O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do agente, impedindo que possa exonerarse da multa de ofício. Lançamento Procedente”. A interessada tomou ciência do Acórdão em 21 de agosto de 2006. Fl. 536DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 11080.000984/200515 Acórdão n.º 9303002.824 CSRFT3 Fl. 603 3 O auto de infração foi lavrado em 17 de fevereiro de 2005 e, segundo o Termo de Verificação Fiscal de fls. 15 a 38, “A ação fiscal foi iniciada a partir do cumprimento do mandado de busca e apreensão expedido pelo Exmo. Dr. Selmar Saraiva da Silva Filho, Juiz Federal Substituto em exercício na 1ª Vara Federal Criminal, da Seção Judiciária do Estado do Rio Grande do Sul (folha 39), que determinou buscar e apreender material que dissesse respeito à supressão e/ou sonegação de tributos federais, nas empresas com sede nas salas 204, 309, 401, 402 e 404, do prédio sito na av. Paraguaçu, nº 2525, em Capão da Canoa”. No tocante à legislação aplicável às atividades de “compra, venda, incorporação e construção de imóveis”, esclareceu a Fiscalização que, a partir de 1999, as empresas que exercessem tais poderiam optar pela tributação pelo lucro presumido, desde que mantivessem receita anual inferior ao limite estabelecido na lei. Ademais, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 104, de 1998, seria possível a apuração pelo regime de caixa e o produto das vendas comporia a base de cálculo das contribuições sociais. No caso de permuta de imóveis, aplicarseiam as disposições da IN SRF nº 107, de 1988. A Fiscalização apurou, para alguns períodos, a escrituração postergada de receitas para algumas unidades imobiliárias, tendo efetuado a recomposição da escrituração, nessa parte, nos termos das fls. 21 a 38. No recurso alegou que, ao contrário do afirmado no relatório fiscal, não houve falta de declaração das receitas que foram informadas em DIPJ. No lançamento a Fiscalização terseia equivocado ao não incluir tais valores declarados em DIPJ na última coluna das tabelas de apuração. Ademais, “Os tributos devidos sobre essas receitas, que, por absoluta impossibilidade financeira, não puderam ser pagos tempestivamente (embora lançadas contabilmente e declaradas na DIPJ), foram, antes da lavratura do auto de infração, objeto de parcelamento” (Paes), tendo sido apresentada com a impugnação prova da adesão ao parcelamento. Requereu o cancelamento da autuação para que fosse mantido o valor declarado no Paes “com os acréscimos lá incidentes”. O Acórdão de primeira instância seria nulo, pelo fato de não haver examinado a questão da “incidência de juros Selic (em substituição aos juros TJLP), entre a data da opção pelo Paes e a data da lavratura do auto de infração”. Ademais, teria sido omisso em relação à alegação de que os débitos declarados em DIPJ teriam sido automaticamente incluídos no Paes. Ademais, os débitos parcelados no Paes representariam declaração espontânea, não havendo que se falar em denúncia espontânea, como considerado pelo Acórdão de primeira instância. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 4 A seguir, alegou que o lançamento seria nulo, “por falta de mandado de procedimento fiscal regular”. Segundo a recorrente, o MPF teria sido emitido apenas para procedimentos relativos ao IRPJ. Citou ementas de acórdãos que trataram da matéria. Quanto ao Acórdão de primeira instância, alegou que deveria trazer em seu dispositivo a declaração de que “os valores lançados coincidem com os valores incluídos no Paes”. Segundo a interessada, aplicarseia ao caso o princípio da Estrita Legalidade e a vedação à exigência de tributo por interpretação analógica. Dessa forma, não se poderia “cogitar, relativamente a débitos declarados, de lançamento de ofício”. Citou ementas de acórdãos administrativos sobre o assunto e o Parecer AGUSF nº 3, de 4 de outubro de 2000. Segundo a recorrente, teria ocorrido novação da dívida, em face da adesão ao Paes, não se podendo cogitar de lançamento de ofício sobre débito parcelado e, portanto, com exigibilidade suspensa. Passou a citar disposições legais e portarias que disseram respeito ao Paes para concluir que o lançamento implicaria duplicidade de cobrança, o que poderia caracterizar o excesso de exação. Ao final, requereu a declaração de nulidade do Acórdão de primeira instância ou a sua reforma para declarar insubsistente o lançamento, ou, alternativamente, declarar que os débitos lançados são os mesmos dos anteriormente declarados em DCTF e em DIPJ, que, após a adesão ao Paes, sobre os valores declarados em DCTF e também em DIPJ incidem juros equivalente à TJLP, e que sobre os valores declarados em DCTF e também em DIPJ incide a multa aplicável ao Paes e não a de ofício. Julgando o feito, a Câmara recorrida deu provimento parcial ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/11/2001 a 31/12/2001 COFINS. AÇÃO FISCAL. MANDADODE PROCEDIMENTO FISCAL. MPF. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. NULIDADE. NÃO CONFIGURAÇÃO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, além de ter apenas caráter administrativo de controle, razão pela qual não retira a competência da Fiscalização para agir e não restringe a exclusão da espontaneidade do contribuinte, inclui necessariamente a verificação da correta apuração da base de cálculo de todos os tributos e contribuições federais dos últimos cinco anos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 538DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 11080.000984/200515 Acórdão n.º 9303002.824 CSRFT3 Fl. 604 5 PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/11/2001 a 31/12/2003 COFINS. AÇÃO FISCAL. ADESÃO AO PARCELAMENTO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A adesão a parcelamento especial no curso da ação fiscal, apesar de produzir o efeito próprio da adesão, não afasta a possibilidade de lançamento de ofício. ESPONTANEIDADE. AÇÃO FISCAL. NÃO CONFIGURAÇÃO. A espontaneidade é afastada por qualquer procedimento ou medida de fiscalização, relacionados à infração. Recurso provido em parte. Inconformada com essa decisão, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial, onde pugnou pelo restabelecimento da decisão de primeira instância e, por conseguinte, o reconhecimento da impossibilidade de se incluir no PAES os valores da Cofins vencidos até 28/02/2003, que fora declarado em DIPJ, mas não em DCTF. O especial fazendário foi admitido pelo presidente da câmara recorrida. Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou contrarrazões, fls. 520 a 522, onde defende a manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Troquemse o tributo, de COFINS para PIS, e os números de acórdão e de folhas mencionados, e o relatório descreve com precisão o que há aqui para julgar. Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos, Relator. Na votação daqueloutro processo, acompanhei, in totum, as considerações do relator em seu judicioso voto, que peço vênia para também transcrever aqui como minhas. O especial fazendário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, a matéria controvertida diz respeito à possibilidade de se incluir no Paes crédito tributário declarado em DIPJ, mas não confessado em DCTF. De um lado, o colegiado recorrido decidiu que os débitos lançados no auto de infração e declarados em DIPJ, vencidos até 28/02/2003, devem ser incluídos no Paes pela Unidade Fl. 539DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 6 Preparadora da RFB, com a multa de ofício reduzida (§ 7o do art. 1o da Lei no 10.684/03), se é que não o fez ainda. Isso porque, segundo entendimento esposado no voto condutor do acórdão, a recorrente não estava obrigada a incluir os débitos na “Declaração Paes” porque os mesmos já estavam declarados na DIPJ e o art. 1o da Portaria Conjunta PGFN/SRF no 3/2003 desobrigava a inclusão de débitos já declarados. Por este dispositivo, entendo que não deveria ser incluído na “Declaração Paes” os débitos declarados em qualquer declaração de entrega obrigatória à RFB, como é o caso da DIPJ, e não somente na DCTF. De outra banda, a Fazenda Nacional entende que o ingresso, no Paes, de débitos ainda não constituídos depende de confissão irretratável e irrevogável, de acordo com a Lei n° 10.684/03, e que tal exigência não é satisfeita com a declaração em DIPJ. A meu sentir, com razão a Fazenda Nacional, pois, de fato, a Lei 10.684/03 exigia a confissão irretratável de dívida para que se pudesse aderir, validamente, a esse programa de parcelamento especial. Para melhor compreensão, espiemos a letra da lei: Art. 1º Os débitos junto à Secretaria da Receita Federal ou a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, com vencimento ate 28 de fevereiro de 2003, poderão ser parcelados em ate cento e oitenta prestações mensais e sucessivas. §1º. 0 disposto neste artigo aplicase aos débitos constituídos ou não, inscritos ou não como Divida Ativa, mesmo em fase de execução fiscal já ajuizada, ou que tenham sido objeto de parcelamento anterior, não integralmente quitado, ainda que cancelado por falta de pagamento. § 2. Os débitos ainda não constituídos deverão ser confessados, de forma irretratável e irrevogável.(...)" (Grifouse) A simples leitura do § 2º acima transcrito é suficiente para se concluir que a adesão ao PAES, em relação a parcelamento de débitos vencidos até 28/02/2003, que ainda não tivessem sido constituídos, deveria ser precedida da confissão irretratável e irrevogável desses débitos. Essa confissão poderia ser feita por meio da apresentação da denominada "Declaração Paes", por meio da qual os débitos delimitados pela Lei referida seriam confessados. Se os débitos que se pretendia parcelar já tivessem sido confessados por meio da da DCTF (Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais), tornavase despicienda a "Declaração Paes". Esse entendimento fora explicitado no § 2º do art. 1º da Portaria Conjunta PGFN/SRF nº3, de 1º de setembro de 2003, transcrito linhas abaixo: "Art. 1º Fica instituída declaração Declaração Paes a ser apresentada até o dia 31 de outubro de 2003 pelo optante do parcelamento especial de que trata a Lei 10.684/03, pessoa física Fl. 540DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 11080.000984/200515 Acórdão n.º 9303002.824 CSRFT3 Fl. 605 7 ou, no caso de pessoa jurídica ou a ela equiparada, pelo estabelecimento matriz, com a finalidade de: I confessar débitos com vencimento até 28 de fevereiro de 2003, não declarados ou não confessados a SRF, total ou parcialmente, quando se tratar de devedor desobrigado da entrega de declaração especifica; II confessar débitos em relação aos quais houve desistência de ação judicial, bem assim, prestar informações sobre o processo correspondente a essa ação; III prestar informações relativas aos débitos e aos respectivos processos administrativos, em relação aos quais houve desistência do litígio; IV confessar débitos, não declarados e ainda não confessados, relativos tributos e contribuições correspondentes a períodos de apuração objeto de ação fiscal por parte da SRF, não concluída no prazo fixado no caput, independentemente de o devedor estar ou não obrigado a entrega de declaração especifica. § 1º omissis § 2º Os valores relativos a débitos de impostos e contribuições já declarados ou confessados anteriormente, inclusive mediante pedido de parcelamento, ainda que pendente de decisão, serão incluídos pela SRF no parcelamento especial, não devendo ser informados na Declaração Paes. Ora, a Declaração Paes somente estava dispensada se os débitos oferecidos ao parcelamento já tivessem sido confessados à Administração Tributária. De outro lado, sabese que a DIPJ Declaração de Informações EconômicoFinanceiras da Pessoa Jurídica, surgiu para substituir a DIRPJ — Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado, sendo que, a partir dos fatos ocorridos de 01/01/1999 em diante, as declarações ali prestadas pelo contribuinte passaram a NÃO mais constituir confissão de divida, tanto é que, no recibo de entrega respectivo, não há declaração de confissão, mas tão somente declaração de veracidade dos fatos declarados. Assim, eventual declaração em DIPJ de débitos tributários não representa confissão de dívida, já que a DIPJ não é instrumento apropriado para esse fim. em outro giro, não consta dos autos qualquer informação de que a recorrida tenha apresentado "Declaração Paes", para confessar os valores da Cofins relativos ao período autuado. Desta feita, se os débitos não foram confessados pelo sujeitos passivo, consequentemente, não poderiam ter sido incluídos no Paes pela Administração Tributária, como de fato, não o foi. Assim, merece ser reformado o acórdão recorrido na parte que determinou à inclusão, no Paes, com a multa de ofício reduzida, Fl. 541DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 8 dos débitos lançados no auto de infração e declarados em DIPJ, vencidos até 28/02/2003. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da fazenda Nacional para restabelecer a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Mais uma vez enfatizando que os dois processos diferem apenas quanto aos tributos objeto de constituição, voto também eu por dar provimento ao recurso fazendário. É o voto. Conselheiro Júlio César Alves Ramos Fl. 542DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS
score : 1.0
Numero do processo: 10183.721446/2010-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IMPOSTO DE RENDA. AUXILIO MORADIA PAGO PELO PODER JUDICIÁRIO A SEUS MEMBROS.
São isentos do tributo as verbas percebidas pelos servidores públicos integrantes do Poder Judiciário a título de auxílio moradia, nos termos do artigo 35 da Medida Provisória nº 2.15835/2001.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-002.434
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi e Francisco Marconi de Oliveira que negavam provimento ao recurso.
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho - Presidente em exercício e relator.
EDITADO EM: 31/05/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rubens Maurício Carvalho, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura, Francisco Marconi de Oliveira, Acacia Sayuri Wakasugi e Atilio Pitarelli.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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AUXILIO MORADIA PAGO PELO PODER JUDICIÁRIO A SEUS MEMBROS. São isentos do tributo as verbas percebidas pelos servidores públicos integrantes do Poder Judiciário a título de auxílio moradia, nos termos do artigo 35 da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi e Francisco Marconi de Oliveira que negavam provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Presidente em exercício e relator. EDITADO EM: 31/05/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rubens Maurício Carvalho, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura, Francisco Marconi de Oliveira, Acacia Sayuri Wakasugi e Atilio Pitarelli. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 14 46 /2 01 0- 12 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 10183.721446/201012 Acórdão n.º 2102002.434 S2C1T2 Fl. 3 2 Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 109 a 114: Contra a interessada supraidentificada foi lavrada a Auto de Infração de f.26/33, por meio da qual se exigiu o pagamento de diferença do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, do Exercício 2009, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 65.020,99. O lançamento decorreu de alteração, pela fiscalização, do valor dos rendimentos tributáveis, com a inclusão de R$ 126.034,13 (AuxílioMoradia), declarados como isentos na DIRPF. Intimado do lançamento na forma da lei, o interessado apresentou a impugnação de f. 38/55. Preliminarmente, invoca isenção do Imposto de Renda, ao argumento que se tratam de rendimentos recebidos por pessoa acometida por moléstia grave. Alega, em síntese, que o auxíliomoradia é vantagem pecuniária que não se enquadra no conceito de vencimento, conforme preceitua a Lei Orgânica da Magistratura Nacional (LOMAN). Argumenta que a vantagem tem natureza jurídica de indenização, não constituindo acréscimo patrimonial e, desta forma, não pode ser tributado pelo Imposto de Renda. Questiona o fato de a atoridade lançadora haver amparado seu entendimento em Ato Declaratório da RFB. Sustenta que houve inovação à regra de incidência do imposto de renda e violação ao art. 100 do CTN. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que fica evidente que valores recebidos por membros de carreira de Estado não podem ser considerados isentos do IRPF, quando não há necessidade comprovação da destinação ou de prestação de contas, caracterizando acréscimo patrimonial, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTO. AUXÍLIOMORADIA. Os valores recebidos a título de auxíliomoradia, desprovidos de comprovação da sua destinação ou de prestação de contas, configuram acréscimo patrimonial da pessoa física e sujeitamse à incidência do imposto sobre a renda. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 122 a 142, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 10183.721446/201012 Acórdão n.º 2102002.434 S2C1T2 Fl. 4 3 Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Acerca das alegações que o contribuinte é pessoa acometida por moléstia grave, observo que essa questão não faz parte das razões do lançamento e conseqüentemente deixo de analisála pela falta de objeto nessa lide. AUXÍLIOMORADIA Essa questão é conhecida e já foi objeto de vários julgamentos neste órgão, v.g., o Acórdão 220101.169, 7 de junho de 2011, tendo como relator do voto o conselheiro Gustavo Lian Haddad, cujo julgado se amoldando com perfeição ao caso em debate, utilizamo lo como fundamento para nossa decisão, de forma livre a seguir. Sobre o auxílio moradia pago aos servidores públicos, o artigo 25 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, dispõe, in verbis: “Art. 25 — O valor recebido de pessoa jurídica de direito público a título de auxílio moradia, não integrante da remuneração do beneficiário, em substituição ao direito de uso de imóvel funcional, considerase como da mesma natureza desse direito não se sujeitando à incidência do Imposto de Renda na fonte e na declaração de ajuste." Importante consignar que referido dispositivo legal foi inicialmente introduzido pela Medida Provisória nº 1.8589, de 24 de setembro de 1999, tendo permanecido incólume até a última reedição do referido diploma legal em 2001, sendo portanto anterior ao recebimento das verbas pelo Recorrente em 2002. Entendo que o referido art. 25 da MP 2.15635/2001 veicula verdadeira hipótese de isenção relativamente aos valores recebidos pelos servidores públicos a título de auxíliomoradia. De fato, ao prescrever que o valor do auxíliomoradia pago pelas pessoas jurídicas de direito público aos servidores, em substituição ao direito de uso de imóvel funcional, não integra a remuneração do beneficiário, inibese a funcionalidade da regra matriz de incidência do imposto sobre a renda, suprimindo o objeto de seu critério material. Tratase de situação jurídica diversa da não incidência sobre valores que não constituem, na origem, renda ou acréscimo patrimonial, como as indenizações e reembolsos, de Fl. 154DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 10183.721446/201012 Acórdão n.º 2102002.434 S2C1T2 Fl. 5 4 forma que não há que se falar na necessidade de comprovação de eventuais despesas a serem ressarcidas no presente caso. Tal exigência somente seria necessária se não houvesse a norma isentiva, ou se esta criasse condição para o gozo da isenção, o que não é o caso. Logo, considerando a certidão de fls. 58, que confirma expressamente o recebimento de auxíliomoradia recebido pelo Recorrente, e tendo em vista a existência de norma isentiva, não há que se falar na incidência do imposto de renda sobre tais verbas. Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO DO RECURSO. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.725320/2010-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Aplica-se ao lançamento decorrente, no que couber, o que restar decidido com relação ao lançamento matriz.
Numero da decisão: 1202-001.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de ofensa à coisa julgada administrativa e, no mérito, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto (relator) e Orlando José Gonçalves Bueno, que davam provimento integral ao recurso. Designada a Conselheira Viviane Vidal Wagner para redigir o voto vencedor. Por maioria de votos, em afastar a apreciação ex-officio da incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio, vencido o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, que entendeu arguída pela Recorrente essa matéria.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Geraldo Valentim Neto - Relator.
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplica-se ao lançamento decorrente, no que couber, o que restar decidido com relação ao lançamento matriz.
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ÁGIO GERADO INTERNAMENTE. INDEDUTIBILIDADE. O ágio surge, única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição de um investimento supera o valor patrimonial desse investimento, ou seja, a aquisição deve sempre importar o dispêndio de um gasto (econômico ou patrimonial) pelo adquirente e o ganho (também econômico ou patrimonial) pelo alienante, o que somente ocorre quando se obtém algo de terceiros. O ágio gerado entre partes interdependentes não se reveste de substância econômica e de propósito negocial, para que seja passível de registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade. A despesa decorrente de ágio interno indevidamente registrado na escrita contábil do contribuinte não é dedutível para fins tributários. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase ao lançamento decorrente, no que couber, o que restar decidido com relação ao lançamento matriz. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de ofensa à coisa julgada administrativa e, no mérito, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto (relator) e Orlando José Gonçalves Bueno, que davam provimento integral ao recurso. Designada a Conselheira Viviane Vidal Wagner para redigir o voto vencedor. Por maioria de votos, em afastar a apreciação exofficio da incidência dos juros AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 53 20 /2 01 0- 20 Fl. 3102DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11080.725320/201020 Acórdão n.º 1202001.095 S1C2T2 Fl. 3 2 de mora sobre a multa de oficio, vencido o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, que entendeu arguída pela Recorrente essa matéria. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Fl. 3103DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11080.725320/201020 Acórdão n.º 1202001.095 S1C2T2 Fl. 4 3 Relatório Trata o presente processo de Autos de Infração lavrados contra a Recorrente, nos quais foram constituídos créditos tributários de IRPJ e de CSLL no montante total de R$ 51.171.240,78(fl. 2896/2914 – numeração eletrônica), já acrescidos a este valor a multa de ofício de 75% e os juros de mora aplicados, relativos a fatos geradores apurados nos anos calendário de 2005 a 2007. Para melhor elucidação, passo agora a adotar o relatório da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre DRJ/RS, ora recorrida (fls. 3007/3022): I – DA AUTUAÇÃO FISCAL [...] A infração está assim descrita no Auto de Infração do IRPJ: 001 – DESPESAS INDEDUTÍVEIS ÁGIO INEXISTENTE GERADO EM SI MESMO – ÁGIO INTERNO O detalhamento completo da infração consta no arquivo digital: Relatório de Ação Fiscal Tributária, parte integrante e inseparável da presente constituição do crédito tributário. Valores tributados: R$ 28.127.799,33 em 31/12/2005; R$28.127.799,23 em 31/12/2006 e R$ 12.891.907,99 em 31/12/2007. Multa aplicada de 75%. O lançamento da CSLL é decorrente da mesma infração apurada no IRPJ. No resumo do Relatório de Ação Fiscal Tributária (RAFT) produzido (fls. 2930/2945) consta: 1. O sujeito passivo autuado integra um grupo econômico que promoveu diversas operações societárias interrelacionadas entre os anos de 1993 a 2000. 2. Em uma destas operações, ocorrida em 17 de novembro de 1995, foi criado ágio indevido dentro deste próprio grupo econômico, configurandose em um ÁGIO INEXISTENTE GERADO EM SI MESMO – ÁGIO INTERNO. 3. A partir do ano de 2000, após diversas reorganizações societárias, tal ágio passou a ser indevidamente amortizado pela empresa ora autuada, fato que reduziu o lucro tributável dos anos de 2005 a 2007, dentre outros anos já decaídos para efeitos fiscais. Consta também do referido relatório que a motivação da autuação decorre do julgamento contrário à Fazenda Nacional de crédito tributário constituído em 12 de dezembro de 2005, conforme acórdão 10709.545 (fls. 214 a 362), no processo administrativo fiscal nº Fl. 3104DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11080.725320/201020 Acórdão n.º 1202001.095 S1C2T2 Fl. 5 4 11080.008799/2005/79 e que, no acórdão mencionado, tanto a relatora do processo, conselheira representante da Fazenda, Albertina Silva Santos de Lima, quanto o relator de declaração de voto, conselheiro representante dos contribuintes, Marcos ShigueoTakata, entendem que, na ocasião, seria possível ao fisco desconsiderar amortizações de ágio efetuadas na empresa VONPAR REFRESCOS S/A, em decorrência de ágio interno indevido criado através de reorganizações societárias no GRUPO VONPAR. Está dito ainda que todos os documentos e informações contidos no processo nº 11080.008799/200579 estão anexados aos autos e ajudaram no entendimento das operações realizadas, bem como do ÁGIO INEXISTENTE GERADO EM SI MESMO – ÁGIO INTERNO. Também nos itens 26 em diante do Relatório de Ação Fiscal Tributária (RAFT) estão demonstradas as operações societárias efetuadas no GRUPO VONPAR que ocorreram entre os anos de 1993 a 2000. Os fatos relatados, em síntese: 04.11.1993: três pessoas físicas constituem a empresa MAXXI AMBIENTE SEGUROS LTDA., com sede em Porto Alegre/RS; 30.10.1995: os sócios originais da empresa MAXXI AMBIENTE SEGUROS LTDA. alteram a razão social para MAXXI PARTICIPAÇÕES S.A.; os sócios originais são excluídos da sociedade e os novos sócios aumentam simbolicamente o capital social para R$1.000,00, ficando a nova composição societária assim evidenciada: SÓCIO CAPITAL SOCIAL R$ % PART. QTDE AÇÕES JOÃO VONTOBEL 334 33,40% 334 RICARDO VONTOBEL 333 33,30% 333 RODRIGO VONTOBEL 333 33,30% 333 TOTAL 1.000,00 100% 1.000 17.11.1995: em assembleia da MAXXI PARTICIPAÇÕES S/A (VONPAR – MAXXI) os sócios autorizam aumento de capital de R$ 1.000,00 para R$ 236.000,000,00, mediante emissão de 235.999.000 novas ações, que foram subscritas por pessoas físicas e jurídicas mediante a conferência de 100% das ações reavaliadas que detinham na empresa VONPAR S/A (VONPARVONPAR). O registro na VONPAR – MAXXI foi de PL do investimento de R$74.974.006,55 e ágio de R$ 161.024.993,45; 30.11.1995: a MAXXI PARTICIPAÇÕES S/A incorpora a VONPAR S/A, extinguindo sua participação societária na empresa incorporada; 19.12.1995: MAXXI PARTICIPAÇÕES S/A teve sua razão social alterada para VONPAR S/A e em 31/12/1995 foi feita a segregação do ágio por empresa: VONPAR REFRESCOS (R$ 109.582.735,28), KAIK (R$ 41.391.568,00), CHARRUA e GIRUÁ (R$ 4.021.797,78), cujas participações eram detidas anteriormente pela VONPAR S/A (VONPARVONPAR); Fl. 3105DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11080.725320/201020 Acórdão n.º 1202001.095 S1C2T2 Fl. 6 5 20.12.1995: a VONPAR S/A (antiga MAXXI PARTICIPAÇÕES) subscreve capital na VONPAR RESFRESCOS S/A no valor de R$ 59.870.070,00, integralizandoo mediante conferência das quotas de capital social da KAIK, 29.12.2000: a VONPAR S/A (antiga MAXXI PARTICIPAÇÕES) subscreve capital na VONPAR CORRETORA S/A, integralizandose com as ações que detinha na VONPAR REFRESCOS; 31.12.2000: a VONPAR CORRETORA S/A (controladora) é incorporada pela VONPAR REFRESCOS (controlada). Conclui a fiscalização que o ágio criado de forma artificial em 17.11.1995 contraria os princípios da lógica econômica e contábil, uma vez que não ocorreu a transferência onerosa das ações e, de fato, não poderia ter ocorrido, porque os detentores e controladores do acervo líquido da VONPAR – VONPAR, antes dos atos deliberados, são exatamente os mesmos detentores do acervo líquido da empresa VONPARMAXXI. A fiscalização registra que as operações não movimentaram recurso financeiro algum, sendo apenas escriturais, e o que realmente acontece em todo o processo demonstrado foi a tentativa do GRUPO VONPAR de dar suporte legal a ágio inexistente, gerando benefícios tributários para o GRUPO VONPAR como um todo. Os autuantes informam que o ágio indevido formado internamente no GRUPO VONPAR, no montante de R$ 140.638.996,17, foi amortizado na VONPAR REFRESCOS S/A a partir de 2000 e deduzido na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL à razão de 20% ao ano (inicialmente amortizados em 10%). Entretanto, as amortizações indevidas que foram desconsideradas na autuação se limitaram ao valor de R$ 69.147.506,45, referente aos anos de 2005 a 2007, em face da observância do prazo decadencial, conforme abaixo demonstrado: ANO Amortização indevida R$ 2005 28.127.794,23 2006 28.127.799.23 2007 12.891.907,99 Total R$ 69.174.506,45 Intimadada lavratura do Auto de Infração, a empresa Recorrente apresentou, em 22/12/2010, Impugnação (fls. 2953/2995), encaminhandose os autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio Grande do Sul, a qual houve por bem julgar improcedente a defesa ofertada, nos termos da ementa descrita (fls. 3007/3022): Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 Fl. 3106DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11080.725320/201020 Acórdão n.º 1202001.095 S1C2T2 Fl. 7 6 NULIDADE. OFENSA À COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. INOCORRÊNCIA. Tratandose de ação fiscal em contribuinte distinto, não ocorre nulidade por ofensa à coisa julgada administrativa. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 ÁGIO INEXISTENTE GERADO EM SI MESMO – ÁGIO INTERNO. TRANSAÇÃO DOS ACIONISTAS COM ELES PRÓPRIOS. GLOSA DECORRENTE. DESPESA AMORTIZADA. CABIMENTO. Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza (ágio) gerado em função de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável, tais transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes para merecer registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade. Deve ser glosada a despesa com a amortização de ágio constituído nessas condições (ágio de si mesmo). LANÇAMENTO DECORRENTE. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL.EFEITOS DA DECISÃO RELATIVA AO LANÇAMENTO PRINCIPAL (IRPJ). Em razão da vinculação entre o lançamento principal (IRPJ) e os que lhe são decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevalecerem na apreciação destes, desde que não presentes arguições específicas ou elementos de provas novos. Impugnação improcedente. Crédito Tributário mantido. Tendo sido intimada, em 12/05/2011, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 3029) em 06/06/2011, merecendo destaque as seguintes alegações: Nulidade dos autos a) Ofensa à coisa julgada, uma vez que já foi prolatada decisão administrativa, transitada em julgado, reconhecendo a legitimidade do ágio de 1995, nos autos do processo administrativo nº 11080.008799/20057, no qual se exigia de VONPARMAXXI IR e CSLL sobre ganho de capital decorrente da integralização do capital da MAXXI em 17.11.95. No processo, decidiuse não ter ocorrido ganho de capital para a VONPAR S/A, por entender que o ágio 95 efetivamente existia e integrava o custo de aquisição dos seus investimentos na Recorrente; b) Embora se trate de sujeitos passivos distintos, em razão de referirse à operação que tem reflexos em mais de um sujeito passivo, a decisão proferida naquele processo, transitada em julgado, não pode mais ser questionada, tal como ocorre nos casos de DDL pela pessoa jurídica, afetando o sócio quotista (pessoa física). Ou seja, o ágio Fl. 3107DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11080.725320/201020 Acórdão n.º 1202001.095 S1C2T2 Fl. 8 7 examinado naqueles autos decorre da mesma operação que deu origem ao ágio amortizado, ora em debate, de modo que o reconhecimento da legitimidade de um reflete no outro; Legitimidade do registro do ágio c) A etapa responsável pela geração de ágio, de 1995, originalmente criado na subscrição de capital da MAXXI PARTICIPAÇÕES mediante a conferência da totalidade das ações da VONPAR S/A pelo valor de mercado, foi neutra em termos fiscais e sequer representava um primeiro passo para o aproveitamento fiscal do ágio então criado, na medida em que realizada dois anos antes do advento da Lei nº 9.532/97, que viabilizou o seu aproveitamento fiscal nas incorporações inversas, restando por isso demonstrado que referida operação foi motivada por propósitos negociais sérios e que não foi implementada com vistas à obtenção de economia fiscal; d) O conferimento de bens ao capital de uma pessoa jurídica é tido como alienação para a subscritora do aumento de capital, e como aquisição para a empresa que tem o capital aumentado (Parecer Normativo Coordenador do Sistema de Tributação – PN nº 18, de 22.05.1981); e) Em havendo a alienação de um ativo pelo subscritor e o recebimento de uma contraprestação (representada por ações emitidas pela pessoa jurídica beneficiária), é inquestionável que, nos aumentos de capital, há a ocorrência de uma transação onerosa; f) Na medida em que o conferimento de bens em realização de capital de pessoas jurídicas (exatamente como ocorreu em 17.11.1995, quando acionistas transferiram suas ações de VONPAR a MAXXI) é uma operação apta a gerar a incidência do imposto de renda, nos termos do art. 23 da Lei nº 9.249/95, não há como negar que o valor atribuído aos bens conferidos (valor utilizado para definir a existência de ganho de capital) corresponde ao custeio de sua aquisição para a pessoa jurídica cujo capital é aumentado; g) Em contrapartida da emissão em favor do subscritor de ações representativas do aumento de seu capital, MAXXI adquiriu investimentos em VONPAR; h) Como o ativo adquirido por MAXXI foi um investimento em VONPAR sujeito à contabilização pelo MEP, coube àMAXXI, por força do art. 20 do DL nº 1.589/77, desdobrar o respectivo custo de aquisição, indicando o valor de seu PLC e do ágio; i) Ao receber ações de VONPAR em realização de aumento de capital, MAXXI não tinha alternativa que não registrar tais investimentos (por R$170.977.387,00), indicando o correspondente valor de PLC (R$ 61.394.651,72) e o ágio vinculado aos investimentos (R$ 109.582.735,28), conforme art. 329 do RIR/94, fato este reconhecido pela Conselheira Albertina Silva Santos Lima no acórdão proferido nos autos do processo administrativo nº 11080.008799/200579; j) A legislação fiscal não só admite, como impõe, em determinados casos, que os negócios celebrados entre uma pessoa jurídica e seus acionistas produzam efeitos fiscais idênticos aos que produziriam negócios celebrados com terceiros nãorelacionados, tais como as normas de DDL (arts. 60 a 62 do DL 1598/77 e 464 a 468 do RIR/99); Fl. 3108DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11080.725320/201020 Acórdão n.º 1202001.095 S1C2T2 Fl. 9 8 k) Inaplicabilidade do item 20.1.7 do OfícioCircular CVM/SNC/SEP nº 1/07, pois editado 12 anos depois da transferência de ações de VONPAR a MAXXI e destinado a companhias abertas, sendo que a MAXXI não tinha essa característica; l) Na medida em que a lei prevê a amortização do ágio, deve ser tratada como despesa dedutível para fins de IRPJ e CSL, sem criar qualquer exceção a tal regra. Em sede de contrarrazões alegou a Fazenda Nacional (fls. 3074/3097), em breve síntese: a) Ausência de violação à decisão proferida no processo administrativo nº 11080.008799/200579, pois não se faz presente a necessária tríplice identidade, ou seja, mesmas partes, mesma causa de pedir e mesmo pedido. b) O lançamento efetivado naquele processo administrativo teve como sujeito passivo a VONPAR S/A e não a Recorrente; c) A causa de pedir naquele processo foi o suposto ganho de capital oriundo da venda pela VONPAR S/A de sua participação societária na ora Recorrente (operação de 29.12.2000), sendo que os créditos tributários em exame resultam da glosa de amortização de ágio procedida pela Recorrente, em decorrência da incorporação de sua controladora, a VONPAR CORRETORA DE SEGUROS S/A, em 31.12.2000. Além do mais, nestes autos exigese créditos de IRPJ e CSLL relativos ao período de apuração de 2005 a 2007, sendo que no lançamento anterior a exigência era de crédito tributário de IRPJ e reflexos, relativo ao ano de 2000; d) O ágio utilizado pelo contribuinte não existiu de verdade e fora criado apenas no papel, pois não apresenta propósito negocial e substrato econômico que justifique o seu surgimento; e) Nas integralizações de capital feitas nas sucessivas reorganizações societárias não houve qualquer aporte de bens ou moeda em espécie, mas apenas declarações de integralização de quotas de capital e/ou subscrição de ações por meio de entrega de direitos representativos de quotas ou ações de outras sociedades; f) A aquisição de um investimento, assim como de qualquer bem ou direito, deve sempre importar o dispêndio de um gasto (econômico ou patrimonial) pelo adquirente e o ganho (também econômico ou patrimonial) pelo alienante. Oportunamente os autos foram enviados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. Fl. 3109DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11080.725320/201020 Acórdão n.º 1202001.095 S1C2T2 Fl. 10 9 Voto Vencido Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade. Dessa forma, dele tomo conhecimento e passo a analisar as questões preliminares e de méritosuscitadas. PRELIMINARES I. Da inexistência de ofensa à coisa julgada administrativa Alega a Recorrente nulidade do lançamento por violação à coisa julgada administrativa, uma vez que a legitimidade do ágio, ora em exame, foi reconhecida pelo Acórdão nº 10709.545 (fls. 381/429) nos autos do processo administrativo nº 11080.008799/200579. Para a solução da controvérsia, fazse necessário descrever, sucintamente, as sucessivas operações de reestruturação societária do GRUPO VONPAR entre os anos calendários de 1993 a 2000, conforme constante no Relatório da Atividade Fiscal (fls.94/153): i. 04.11.1993: três pessoas físicas constituem a empresa MAXXI AMBIENTE SEGUROS LTDA., em sede em Porto Alegre/RS; ii. 30.10.1995: a razão social da empresa alterase para MAXXI PARTICIPAÇÕES S.A.; os sócios originais são excluídos da sociedade e os novos sócios aumentam simbolicamente o capital social para R$1.000,00; iii. 17.11.1995: os novos sócios autorizam aumento de capital de R$ 1.000,00 para R$ 236.000.000,00. A integralização do aumento do capital se dá mediante a subscrição de novas ações que constituíam 100% do capital social da empresa VONPAR S/A, registradas com valor patrimonial líquido de R$74.974.006,55 e com ágio de R$ 161.024.993,45, totalizando um valor de mercado de R$ 235.999.800,00; iv. 30.11.1995: a MAXXI PARTICIPAÇÕES S/A incorpora a VONPAR S/A, extinguindo sua participação societária na empresa incorporada; v. 19.12.1995: MAXXI PARTICIPAÇÕES S/A teve sua razão social alterada para VONPAR S/A; vi. 20.12.1995: a VONPAR S/A (antiga MAXXI PARTICIPAÇÕES) subscreve capital na VONPAR REFRESCOS S/A no valor de R$ 59.870.070,00, mediante conferência das quotas de capital social da empresa KAIK; vii. 29.12.2000: a VONPAR S/A (antiga MAXXI PARTICIPAÇÕES) subscreve capital na VONPAR CORRETORA S/A, no valor de R$ 246.310.258,58, integralizando da seguinte forma: com ações detidas na Recofarma Indústria do Amazonas Ltda. – R$ Fl. 3110DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11080.725320/201020 Acórdão n.º 1202001.095 S1C2T2 Fl. 11 10 1.655,00; com ações detidas na VONPAR REFRESCOS S/A – R$105.663.607,41; ágio vinculado a participações societárias – R$ 140.638.568,00; viii. 31.12.2000: a VONPAR CORRETORA S/A (controladora) é incorporada pela VONPAR REFRESCOS (controlada). Com esta operação o ágio de R$140.638.568,00 passou a ser amortizado pela VONPAR REFRESCOS S/A. Relatadas as operações societárias, passo a examinar o argumento preliminar. No lançamento que gerou o processo administrativo nº 11080.008799/200579, a ação fiscal foi contra a VONPAR S/A – CNPJ nº 73.677.187/000125, sendo que a atuação teve como objeto a omissão de ganho de capital pela VONPAR S/A, na operação ocorrida em 29.12.2000 (descrita no item vii), quando a VONPAR S/A subscreveu aumento de capital na empresa VONPAR CORRETORA S/A, novalor de R$246.308.603,58, integralizandoo mediante conferência de sua participação societáriaque detinha na empresa Recorrente. No presente processo, por outro lado, a ação fiscal é contra a Recorrente, pessoa jurídica distinta (CNPJ nº 91.235.549/000110), sendo que os créditos ora discutidos referem se à dedução irregular de amortização de ágio (originário da operação descrita no item iii) procedida pela VONPAR REFRESCOS S/A, ora Recorrente, nos exercícios de 2005 a 2007, em decorrência da incorporação da VONPAR CORRETORA DE SEGUROS ocorrida em 31.12.2000 (operação descrita no item viii). No próprio Relatório da Ação Fiscal Tributária (fls. 2930/3022), constou que a presente constituição do crédito tributário foi motivada em função do julgamento contrário à Fazenda Nacional nos autos do PAF nº 11080.008799/200579. No respectivo acordão de nº 10709.545, assentouse que, embora improcedente o crédito lançado contra o sujeito passivo VONPAR S/A, CNPJ nº 73.677.189/000125, visando a cobrar diferença de IRPJ e reflexos do ano de 2000 em função de suposto ganho de capital não tributado, seria possível ao Fisco desconsiderar amortizações de ágio decorrentes das operações societárias feitas pelo GRUPO VONPAR. Nesse sentido, extraise do teor do próprio acórdão nº 10709.545 (fls. 381/429): Nos autos, a fiscalização pretendeu glosar o ágio no grupo VONPAR, cujos efeitos se deram, efetivamente, já em uma das investidas operacionais (REFRESCOS), anos depois e sob a égide de nova legislação permissiva da amortização (Lei nº 9.532/97). Sem entrar no mérito da questão do prazo decadencial, entendemos que a fiscalização tinha dois caminhos viáveis: a. Voltarse contra a não tributação pelos sócios do grupo VONPAR da mais valia atribuída ao investimento em 1995; b. Taxar como “ágio de si mesmo” (simulação) a mais valia contabilizada na VONPARMAXXI, quando da recepção do investimento na VONPAR VONPAR (1995) e glosar os efeitos que se deram, já na VONPAR REFRESCOS, que se utilizou da empresa veículo (VONPAR CORRETORA) para amortizar o ágio. Fl. 3111DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11080.725320/201020 Acórdão n.º 1202001.095 S1C2T2 Fl. 12 11 Entretanto a fiscalização escolheu um terceiro caminho, pois glosou parte do custo do investimento na VONPAR REFRESCOS, representada pelo ágio nele “pendurado” quando da integralização de capital na CORRETORA (2000). Com efeito, a fiscalização retrocedeu ao período da formação do ágio (1995) para, ora atribuir à recorrente uma perda de capital não dedutível, ora atribuirlhe uma reserva de reavaliação realizada, tudo para “forçar” a desconsideração de parte do custo do investimento dado em integralização de capital na Corretora. Não houve perda de capital na incorporação da VONPARVONPAR (investida) pela VONPARMAXXI (investidora), pois resta claro dos documentos trazidos aos autos que as participações nas empresas operacionais (REFRESCOS, KAIK, CHARRUA e GIRUA), que compunham o acervo da VONPARVONPAR, foram recebidos na incorporação pelo valor de mercado, idêntico ao valor do investimento que já estava contabilizado na incorporadora. Também não faz sentido o argumento da fiscalização de que, se a incorporação tivesse se dado a valor de mercado, a incorporadora deveria ter registrado uma reserva de reavaliação tributada para neutralizar os efeitos fiscais da operação. A incorporação foi feita sim a valor de mercado, mas o ativo recebido já estava refletido no patrimônio da incorporadora pela via da equivalência patrimonial pelo mesmo valor, em função do seu recebimento com ágio quando da sua aquisição junto aos sócios da VONPARVONPAR. O dispositivo legal citado pela fiscalização e reforçado pelo acórdão recorrido (art. 38 do RIR/94 – Decretolei nº 1.598/77, art. 37) que obrigaria a constituição pela incorporadora de uma reserva de reavaliação a ser tributada quando da alienação do investimento é aplicável na hipótese em que o investimento no ativo da incorporadora não reflete o valor da avaliação pelo qual é recebido o acervo líquido da incorporada. (não grifados no original) Assim, deixo de acolher a preliminar suscitada, pois não há que falar em coisa julgada administrativa na medida em que se trata de distintos sujeitos passivos autuados (VONPAR S/A, CNPJ nº73.677.189/000125 e VONPAR REFRESCOS, CNPJ nº 91.235.549/000110), de infrações constituídas que não se confundem (omissão de ganho de capital nos autos do PAF nº 1108.008799/200579 e amortização indevida de ágionos presentes autos), relativas a fatos geradores também distintos (o PAFnº 1108.008799/200579 abrange fatos do ano calendário de 2000, enquanto esses autos concernem a fatos apurados entre 2005 e 2007). O MÉRITO II. Da dedutibilidade de amortização do ágio – “Ágio em si mesmo” No mérito, importa examinar, entre as várias operações societárias realizadas entre 1993 e 2000 pelo grupo econômico VONPAR, se o ágio criado na operação ocorrida em 17.11.1995, mediante a transferência de bens (100% do capital social) da VONPAR S/A (VONPARVONPAR) em integralização de aumento de capital da MAXXI Fl. 3112DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11080.725320/201020 Acórdão n.º 1202001.095 S1C2T2 Fl. 13 12 PARTICIPAÇÕES S/A (VONPARMAXXI), poderia ter sido amortizado pelo Recorrente na apuração do lucro real nos anos de 2005 a 2007. De acordo com o art. 20 do Decretolei nº 1598/77 (art. 329 do RIR/94 e art. 385 do RIR/99),abaixo transcrito, ágio é a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor do patrimônio líquido à época da aquisição. Relativamente à realização de investimentos em sociedade coligada ou controlada, tais artigos determinam, diante do método de avaliação de equivalência patrimonial, que o valor do ágio deveser registrado e lançado separadamente na escrita fiscal, indicando o seu fundamento econômico, i.e. a razão de ser da “mais valia” sobre o valor patrimonial (por exemplo: valor de mercado, rentabilidade futura, etc.): Art. 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Com o advento da Lei nº 9.532, de 1997, o ágio decorrente de investimento em empresa, objeto de incorporação, poderá ser amortizado nos moldes do previsto nos arts. 7º e 8º (art. 386 do RIR/99): Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: [...] III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anos calendários subsequentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. [...] Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: Fl. 3113DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11080.725320/201020 Acórdão n.º 1202001.095 S1C2T2 Fl. 14 13 a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Neste contexto, alega a Fazenda que para existir ágio ou deságio, este deve sempre ter como origem um propósito negocial (aquisição de um investimento) e um substrato econômico (transação comercial), aduzindo que, na hipótese dos autos, contudo, o ágio corresponde a um simples registro escritural, criado artificialmente, visto que gerado por operações entre empresas sob o controle de um mesmo grupo econômico. Como se vê, a Fazenda justifica a “inexistência de ágio” por decorrer de operação societária dentro de um mesmo grupo econômico (“ágio em si mesmo”), o que evidenciaria a falta de substrato econômico e propósito negocial. Não se está aqui questionando eventual descumprimento do art. 20, §3º, do DL nº 1598/77 que determina a comprovação, por parte do contribuinte, do fundamento econômico, restringindose a controvérsia, portanto, à(i)legitimidade de deduzir a amortização de ágio oriundo de transferência de ações, a título de integralização de capital, entre empresas do mesmo grupo. Quanto à contabilização do ágio, cumpre destacar a aplicabilidade dos arts. 20 do Decretolei nº 1598/77 e 385 do Regulamento do Imposto sobre a Renda tanto na aquisição de investimento, como na subscrição de ações e integralização de capital. A subscrição é uma espécie de aquisição de participação societária, consoante já decidido por este E. Conselho: [...] ÁGIO NA SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES – AMORTIZAÇÃO – O ágio na subscrição de ações deve ser calculado após refletido o aumento do patrimônio líquido da investida decorrente da própria subscrição. O ágio corresponde à parcela do valor pago que não beneficia, via reflexa, o subscritor. A subscrição é uma forma de aquisição e o tratamento do ágio apurado nessa circunstância deve ser o mesmo que a lei admitiu para a aquisição das ações de terceiros.(1º CC. Acórdão 10516.774, Sessão de 08 de novembro de 2007) – não grifados no original Deste modo, é irrelevante averiguar se a aquisição de investimento decorreu de uma compra e venda da participação societária ou se é fruto de subscrição de ações adquiridas por valor superior ao registrado no patrimônio líquido. Correta, pois, a alegação da Recorrente no sentido de que a conferência de bens ao capital de uma pessoa jurídica, mediante a subscrição de ações, qualificase como alienação, transação comercial. A fim de corroborar a configuração de “ÁGIO INEXISTENTE GERADO EM SI MESMO”, colaciona a Fazenda, em suas contrarrazões, as prescrições do Ofício Circular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007 e do item 50 da Orientação Técnica CPC 02/2008 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis. É preciso ter em mente que o artigo 109 do Código Tributário Nacional (CTN) impede a utilização dos princípios gerais de direito privado para a definição de efeitos tributários: Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conceito e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respetivos efeitos tributários. Fl. 3114DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11080.725320/201020 Acórdão n.º 1202001.095 S1C2T2 Fl. 15 14 Assim, ainda que as diretrizes da CVM e do CPC determinem o não reconhecimento do ágio gerado por um mesmo grupo econômico para fins contábeis, é a lei tributária que define os efeitos fiscais, conforme já decidido por este E. Conselho: [...] importante destacar que as instruções emanadas pela CVM são atos administrativos, portanto, infralegais, que não geram quaisquer efeitos fiscais, visto que têm por objeto a regulação das normas contábeis e são endereçadas as companhias de capital aberto. (CARF. Acórdão 110100.354. 1ª Turma/1ª Câmara/1ª Seção, Sessão de julgamento 02/09/2010). – não grifados no original Na hipótese dos autos, a legislação tributária, ao delimitar as regras concernentes ao ágio, prescreve que o mesmo se origina na aquisição de participação societária quando o valor da aquisição das ações/bens é maior do que o seu valor patrimonial à época da operação societária, sem fazer qualquer distinção entre operações internas e aquelas praticadas com terceiros. Ademais, se tais operações são realizadas licitamente, sem pretender ocultar fatos geradores do sujeito ativo, não há porque descaracterizar o ágio. Acerca do tema já se pronunciou o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “[...] ÁGIO INTERNO A circunstância da operação ser praticada por empresas do mesmo grupo econômico não descaracteriza o ágio, cujos efeitos fiscais decorrem da legislação fiscal. A distinção entre ágio surgido em operação entre empresas do grupo (denominado de ágio interno) e aquele surgido em operações entre empresas sem vínculo, não é relevante para fins fiscais. ÁGIO INTERNO. INCORPORAÇÃO REVERSA. AMORTIZAÇÃO. Para fins fiscais, o ágio decorrente de operações com empresas do mesmo grupo (dito ágio interno), não difere em nada do ágio que surge em operações entre empresas sem vínculo. Ocorrendo a incorporação reversa, o ágio poderá ser amortizado nos termos previstos nos arts. 7º e 8º da Lei 9532, de 1997. [...]. (CARF. Acordão 110100.708 – 1ª Câmara/1ª Turma Ordinária/1ª Seção. Sessão de julgamento de 11/04/2012) – não grifado no original Extraise ainda do teor do respectivo acórdão: A alegação de que não há fundamento econômico porque inexiste ingresso de recursos no grupo, quando as operações são internas, já que não há pagamento feito por terceiro estranho ao grupo, é absolutamente estranha à legislação tributária. [...] Vale destacar que não existe nenhuma restrição na legislação fiscal a operações dentro do grupo, de sorte que a alegação de que operações dentro do mesmo do grupo não tem fundamento econômico viola a lei. [...] Fl. 3115DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11080.725320/201020 Acórdão n.º 1202001.095 S1C2T2 Fl. 16 15 Em direito tributário não existe o menor problema em a pessoa agir para reduzir sua carga tributária, desde que atue por meio lícitos, inclusive, é de esperar que as pessoas façam isso, sendo recriminável exatamente a conduta oposta. A grande infração em tributário é agir intencionalmente para esconder do credor os fatos tributáveis (sonegação), mas isso não ocorreu no caso concreto. Mesmo que se admitisse vedar reestruturações societárias com vistas à economia fiscal, nos presentes autos, a alegação da Fazenda de que a operação foi motivada sem propósito negocial se revela ainda mais incabível, não só pelo já exposto acima, mas também porque a operação societária geradora do ágio se deu em 17.11.1995, época em que ainda não estava vigente a Lei nº 9.532/97, que institui o benefício fiscal para dedução de amortização de ágio.Assiste, portanto,razão à Recorrente, no sentido de que a subscrição de capital da MAXXI PARTICPAÇÕES mediante a conferência da totalidade das ações da VONPAR S/A não poderia, assim, representar um primeiro passo para o aproveitamento fiscal do ágio criado. Acrescentase, ainda, que o efetivo aproveitamento do ágio só veio a ocorrer no ano de 2000 pela VONPAR REFRESCOS, após a operação descrita no item viii (incorporação, em 31/12/2000, da VONPAR CORRETORA), ou seja, após decorrido um intervalo de 05 anos. No mais, a Fazenda, a fim de arguir pela ausência de finalidade negocial, colaciona precedente (acórdão 103.23290), no qual quer reforçar a falta de propósito negocial “especialmente quando a incorporada teve seu capital integralizado com o investimento originário de aquisição de participação societária da incorporadora (ágio) e, ato contínuo, o evento da incorporação ocorreu no dia seguinte”. Ocorre que a hipótese nelaretratada não se identifica com a dos autos, pois é a incorporadora (MAXXI) que tem seu capital integralizado (aumento de capital) com a aquisição de participação societária na incorporada. Deste modo, resta demonstrado: (i) que a subscrição de ações é uma forma de aquisição de investimento (participação societária), se subsumindo ao preceito do art. 20 do DL 1598/77 (art. 385 do RIR/99); (ii) a ausência de restrições, na legislação tributária, de registro e consequente aproveitamento do ágio quando originado em operação interna, sem a interferência de terceiros; (iii) a ausência de conduta ilícita pela Recorrente; (iv) que a operação societária que gerou o ágio ocorreu em 1995, ou seja, antes do advento da Lei nº 9.532/97, sendo que sua amortização só foi deduzida após decorridos 05 anos, levando a aferir que não se objetivou, única e exclusivamente, redução de carga tributária (caso admitido o propósito negocial como condicionante para a utilização do benefício fiscal); e, por fim, (v) a impossibilidade de impor efeitos fiscais a regras de cunho contábil (art. 109 do CTN), Em razão de tudo o quanto acima exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, cancelando os Autos de Infração lavrados contra a Recorrente. É como voto. Fl. 3116DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11080.725320/201020 Acórdão n.º 1202001.095 S1C2T2 Fl. 17 16 (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 3117DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11080.725320/201020 Acórdão n.º 1202001.095 S1C2T2 Fl. 18 17 Voto Vencedor Conselheira Viviane Vidal Wagner – Redatora designada Discordando do voto proferido pelo ilustre relator em sessão de julgamento, quanto ao mérito, a maioria da turma entendeu indevida a dedução das despesas de amortização de ágio como pretendido pela recorrente. As razões desse entendimento serão expostas a seguir. O que se verifica no caso concreto é aquilo que a técnica contábil denomina de “ágio gerado internamente”, haja vista que as operações de integralização de capital, incorporações e alterações de denominação social realizadas em curto espaço de tempo, conforme relatado nos autos, denotam a relação de interdependência entre as envolvidas. Diante dos fatos, não se questiona a natureza do ágio, mas a possibilidade de dedutibilidade das despesas dele decorrentes. Inicialmente, vale mencionar a posição da Comissão de Valores Mobiliários — CVM, embora destinada às sociedades de capital aberto, com a emissão do Oficio Circular/CVM/SNC/SEP IV 01/2007 visando esclarecer dúvidas sobre a aplicação das Normas Gerais de Contabilidade. No texto, abaixo transcrito, são destacadas situações semelhantes ao do presente caso, em que empresas de um mesmo grupo econômico geram ágio artificialmente, sem que haja o dispêndio de efetiva despesa (financeira ou patrimonial), o que é rechaçado: OFICIOCIRCULAR/CVM/SNC/SEP IV 01/2007 Rio de Janeiro, 14 de fevereiro de 2007 Aos Senhores Diretores de Relações com Investidores e Auditores Independentes ASSUNTO: Orientação sobre Normas Contábeis pelas Companhias Abertas Prezados Senhores, Os OficiosCirculares emitidos pela área técnica da CVM tem como objetivo principal divulgar os problemas centrais e esclarecer dúvidas sobre a aplicação das Normas de Contabilidade pelas Companhias Abertas e das normas relativas aos Auditores Independentes. Esse oficiocircular também procura incentivar a adoção de novos procedimentos e divulgações, bem como antecipar futura regulamentação por parte da CVM e, em alguns casos, esclarecer questões relacionadas as normas internacionais emitidas pelo IASB. A CVM vem, ao longo dos anos da sua atuação, buscando aperfeiçoar e manter atualizado o seu arcabouço normativo contábil, sempre com a participação de segmentos interessados do mercado ou da profissão contábil. Cumpre destacar a importante colaboração recebida da Comissão Consultiva de Normas Contábeis da CVM, que conta com representantes da Fl. 3118DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11080.725320/201020 Acórdão n.º 1202001.095 S1C2T2 Fl. 19 18 ABRASCA, APIMEC, CFC, IBRACON, FIPECAFI/USP e colaboradores especialmente nomeados pela CVM, além dos professores Ariovaldo dos Santos (USP), Jose Augusto Marques (UFRJ) e Natan Szuster (UFRJ) e, agora, do Comitê de Pronunciamentos Contábeis CPC, recentemente instalado. [...] 20.1.7 "Ágio" gerado em operações internas A CVM tem observado que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômicos (incorporação de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de "ágio". Uma das formas que essas operações vêm sendo realizadas, iniciase com a avaliação econômica dos investimentos em controladas ou coligadas e, ato continuo, utilizarse do resultado constante do laudo oriundo desse processo como referência para subscrever o capital numa nova empresa. Essas operações podem, ainda, serem seguidas de uma incorporação. Outra forma observada de realizar tal operação é a incorporação de ações a valor de mercado de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico. Em nosso entendimento, ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários, do ponto de vista econômicocontábil é preciso esclarecer que o ágio surge, única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando hit o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim, não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se fundamente nessas assertivas econômicas configura sofisma formal e, portanto, inadmissível. Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como "arm's length". Portanto, é nosso entendimento que essas transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes, para que seja passível de registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade. (destaquei) Fl. 3119DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11080.725320/201020 Acórdão n.º 1202001.095 S1C2T2 Fl. 20 19 Ainda nesse sentido, registrese o item 50 da Orientação Técnica CPC 02/2008 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis: [...] só pode ser reconhecido o ativo intangível ágio por expectativa de rentabilidade futura se adquirido de terceiros, nunca o gerado pela própria entidade (ou mesmo conjunto de empresas sob controle comum). E o adquirido de terceiros só pode ser reconhecido, no Brasil, pelo custo, vedada completamente sua reavaliação. Mais recentemente, como já referiu a decisão recorrida, passaram a integrar as normas contábeis: a) Comunicado Técnico CR 03 – aprovado pela Resolução CFC Nº 1.157, de 13 de fevereiro de 2009: 50. É importante lembrar que só pode ser reconhecido o ativo intangível do ágio por expectativa de rentabilidade futura se adquirido de terceiros, nunca o gerado pela própria entidade (ou mesmo conjunto de empresas sob controle comum). E o adquirido de terceiros só pode ser reconhecido, no Brasil, pelo custo, vedada completamente sua reavaliação. b) NBC TG 04 – ATIVO INTANGÍVEL, aprovada pela Resolução CFC 1.303/2010: “Ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (Goodwill) gerado internamente 48. O ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente não deve ser reconhecido como ativo. 48. Em alguns casos incorrese em gastos para gerar benefícios econômicos futuros, mas que não resultam na criação de ativo intangível que se enquadre nos critérios de reconhecimento estabelecidos na presente Norma. Esses gastos costumam ser descritos como contribuições para o ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente, o qual não é reconhecido como ativo porque não é um recurso identificável (ou seja, não é separável nem advém de direitos contratuais ou outros direitos legais) controlado pela entidade que pode ser mensurado com segurança ao custo. 49. As diferenças entre valor de mercado da entidade e o valor contábil de seu patrimônio líquido, a qualquer momento, podem incluir uma série de fatores que afetam o valor da entidade. No entanto, essas diferenças não representam o custo dos ativos intangíveis controlados pela entidade.” c) NBC TG 01 – REDUÇÃO AO VALOR RECUPERÁVEL DE ATIVOS, aprovada pela Resolução CFC 1.292/2010: “125. A NBC 6 19.8 – Ativo Intangível proíbe o reconhecimento de ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill) Fl. 3120DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11080.725320/201020 Acórdão n.º 1202001.095 S1C2T2 Fl. 21 20 gerado internamente. Qualquer aumento no valor recuperável do ágio pago por expectativa de rentabilidade futura (goodwill) nos períodos subsequentes ao reconhecimento de perda por desvalorização para esse ativo é equivalente ao reconhecimento de ágio por expectativa de rentabilidade futura gerado internamente (goodwill gerado internamente) e não reversão de perda por desvalorização reconhecida para o ágio pago por expectativa de rentabilidade futura (goodwill).” Logo, contabilmente, é necessária uma aquisição onerosa de terceiros para formação do ágio e essa exigência encontrase também expressa na legislação tributária. O art. 7° da Lei n° 9.532/97 referese ao ágio apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e este, por sua vez, trata do ágio formado entre o custo de aquisição do investimento e o valor do patrimônio liquido na época da aquisição, como se vê: Decretolei n° 1.598, de 30 de dezembro de 1977 Art.20 0 contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio liquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio liquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. §1º 0 valor de patrimônio liquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. §2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade,. b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base ern previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. §3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. §4º As normas deste Decretolei sobre investimentos em coligada ou controlada avaliados pelo valor de patrimônio liquido aplicamse as sociedades que, de acordo com a Lei n°6.404, de 15 de dezembro de 1976, tenham o dever legal de adotar esse critério de avaliação, inclusive as sociedades de Fl. 3121DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11080.725320/201020 Acórdão n.º 1202001.095 S1C2T2 Fl. 22 21 que a coligada ou controlada participe, direta ou indiretamente, com investimento relevante, cuja avaliação segundo o mesmo critério seja necessária para determinar o valor de patrimônio liquido da coligada ou controlada. Vejase que pode ser amortizado o ágio pago na aquisição de investimentos. Logo, a necessidade de uma aquisição onerosa de terceiros para formação do ágio deve ser considerada no exame das operações de reorganização societária, para fins de incidência tributária, já que tais operações podem ser utilizadas como instrumento de planejamento tributário, desde que demonstrem os fundamentos econômicos da operação (benefícios operacionais), o que não ocorre quando se adquire de partes interligadas. No presente caso, verificase que a geração do ágio glosado se deu dentro de grupo econômico, cuja definição passa pelo controle societário de umas pelas outras. Por lhe faltar fundamentação econômica, a reestruturação entre empresas do mesmo grupo econômico, engendrada com o objetivo de reduzir a tributação, como é o caso dos autos, não pode ser oponível ao Fisco. Nem se diga que a geração do ágio, por ter ocorrido antes de 1997, denota a falta de intenção de burlar a legislação tributária. Como se viu, o conceito de ágio, para fins tributários, é o mesmo desde a década de 1970, ou seja, depende da aquisição de participação societária, o que pressupõe uma transação entre partes não relacionadas para que haja o efetivo dispêndio de recursos. A jurisprudência majoritária do CARF tem rejeitado a dedubitilidade das despesas decorrentes de ágios internos. Como fundamento subsidiário, cabe transcrever as conclusões do voto do ilustre Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães quando apreciou a questão do ágio interno gerado mediante reorganização societária envolvendo apenas empresas sob controle comum, no Acórdão n° 130100.058, decidido à unanimidade pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da lª Seção de Julgamento do Carf, em sessão de 13 de maio de 2009, litteris: O que se observa é que os administradores da Recorrente e de outras empresas a ela ligadas, em um prazo de cinco dias, tomando por base uma avaliação discutível do seu patrimônio, aproveitaramse de uma reorganização societária para fazer surgir uma despesa vultosa, classificada como AGIO, e, a partir dai, reduzir o lucro tributável. O planejamento tributário engendrado pela Recorrente, que ao menos no que tange aos seus efeitos fiscais revela o lado perverso das práticas adotadas sob esse manto, representou, em síntese, a criação de uma despesa que tem por base a própria mais valia do seu patrimônio, isto é, a contribuinte, a partir de uma avaliação encomendada por ela própria, fez refletir no seu ativo os resultados de uma suposta rentabilidade futura e, por meio de uma reorganização societária, sem despender um único centavo, transformou essa mais valia em uma despesa. Como salientado pela autoridade fiscal, o ágio objeto de amortização por parte da Recorrente, na forma como foi criado, representa a sua própria expectativa de lucro, nascida em decorrência da avaliação solicitada da empresa ERNST & YOUNG. Fl. 3122DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11080.725320/201020 Acórdão n.º 1202001.095 S1C2T2 Fl. 23 22 O que salta aos olhos é que, como bem ressaltou a autoridade fiscal, a intenção da Recorrente foi, paralelamente aos interesses estritamente societários, forjar a existência de um ágio para, a partir da conseqüente redução da incidência tributária, propiciar ganhos para os seus acionistas. Notese que a autoridade fiscal, ainda que tenha tratado o ágio apropriado como fruto de artificialismo, não questionou os motivos alegados pela Recorrente para promover as operações aqui tratadas, ou seja, diferentemente do arguido por ela, não se imiscuiu em seus negócios, declarandoos ilegais ou ilegítimos. Apenas e tãosomente demonstrou que os efeitos fiscais buscados pela empresa, a luz da legislação do imposto de renda, não poderiam ser admitidos. A meu ver, outra não poderia ser a conclusão, pois, no caso vertente, em que a despesa apropriada decorreu de mais valia do patrimônio daquela que almeja beneficiarse de sua dedutibilidade, não há que se falar em ágio decorrente de aquisição de participação societária. Assim, a presença concomitante dos requisitos propósito econômico real, assim como um efetivo substrato econômico é imprescindível ao reconhecimento da existência de ágio suportado por uma empresa com a aquisição de uma participação societária. O papel do laudo de avaliação não é relevante, nesse caso, pois não é o documento que gera o ágio. A rentabilidade futura deve ser passível de ser verificada no caso concreto, o que fica prejudicado quando se tratam de empresas vinculadas. Nesse sentido, as operações realizadas em datas muito próximas, além de denotar ausência de propósito negocial e de substrato econômico, reforçam o vínculo entre as envolvidas no processo de reestruturação societária que deram ensejo ao ágio sob exame. O presente caso envolve ágio formado a partir de operação entre empresas do mesmo grupo, sem dispêndio de recursos. Acrescentese a isso a ausência de um intervalo mínimo entre as operações e se está diante de um ágio formado sem qualquer propósito negocial e sem substrato econômico. Logo, indedutível, por ausência dos requisitos de dedutibilidade. Em sua defesa, a recorrente limitase a tentar enquadrar o procedimento adotado nos dispositivos legais. Todavia, as alegações são insuficientes para afastar os elementos apontados pela autoridade fiscal como indicativos da artificialidade das operações. Diante de todos os argumentos até aqui expostos, considerase que o aproveitamento de ágio gerado internamente para fins tributários deve ser peremptoriamente rechaçado. Ainda, devido à grande repercussão que teve, sendo, inclusive, citado pelo ilustre relator deste, cabe tecer algumas considerações sobre o voto que se afastou da jurisprudência sedimentada nessa matéria, consubstanciado na decisão proferida no acórdão nº 110100708, de 11/04/2012, aprovado por maioria de votos. Com a devida vênia do entendimento da maioria da turma, os fundamentos apontados no voto vencedor verificamse frágeis, como se demonstrará. Fl. 3123DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11080.725320/201020 Acórdão n.º 1202001.095 S1C2T2 Fl. 24 23 Sobre o tema de interesse, ficou consignado na ementa: ÁGIO INTERNO. A circunstância de a operação ser praticada por empresas do mesmo grupo econômico não descaracteriza o ágio, cujos efeitos fiscais decorrem da legislação fiscal. A distinção entre ágio surgido em operação entre empresas do grupo (denominado de ágio interno) e aquele surgido em operações entre empresas sem vinculo, não é relevante para fins fiscais. Como um dos principais argumentos favoráveis à tese da possibilidade de amortização do ágio interno, foi referido o artigo “Incorporação reversa com ágio gerado internamente: consequências da elisão fiscal sobre a contabilidade”, de autoria dos professores Eliseu Martins e Jorge Vieira da Costa Junior, disponível no endereço da Internet http://www.congressousp. fipecafi.org/artigos42004. Os autores são renomados profissionais da área contábil que, nesse estudo, abordaram a modalidade de incorporação reversa que toma por base o ágio gerado internamente, analisando e concluindo que, contabilmente, referido evento, do ponto de vista estritamente técnico, não é admissível, mas, do ponto de vista tributário, haveria previsão legal para sua consecução de acordo com o art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002. As conclusões do referido trabalho, literalmente, foram: O surgimento do ágio em operações de combinação de negócios, realizadas dentro de um mesmo grupo societário, não tem sentido econômico. A Contabilidade, sabiamente, expurga essa informação ao considerar o grupo societário uma entidade única, quando reporta suas demonstrações consolidadas. O correto, contabilmente, é fazer o mesmo nas demonstrações individuais também. Entretanto, o respaldo em legislação tributária para o fenômeno – ágio gerado internamente – dá sentido econômico à operação. Há de fato riqueza sendo gerada pelo grupo societário nesses arranjos só que, no caso, está sendo transferida do Estado para o grupo via renúncia fiscal. É bem verdade que referido respaldo legal concorre, ainda que indiretamente, para o retrocesso do estágio avançado de desenvolvimento em que se encontra a Contabilidade Brasileira. A bem da verdade, pavimenta um caminho tortuoso: o fomento à indústria do ágio. Enquanto desenvolviam o assunto dentro de sua área de especialização, a contabilidade, os doutrinadores reconheceram categoricamente que o ágio gerado internamente não tem sentido econômico. De outro lado, ao adentrarem no campo tributário, concluíram que a legislação tributária, mais especificamente, o art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002, é que daria sentido econômico à operação de geração de ágio interno. Notese que a interpretação dada pelos ilustres contabilistas contraria a jurisprudência pacificada pelos tributaristas integrantes do principal órgão de julgamento dos litígios tributários do país. Fl. 3124DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11080.725320/201020 Acórdão n.º 1202001.095 S1C2T2 Fl. 25 24 Por oportuno, transcrevo trecho do voto vencido no acórdão nº 110100.708, em que a ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa aponta a contradição presente no referido artigo: Consignou esta Relatora a contradição presente em referido artigo, que de um lado conceitua ágio como resultado econômico obtido em um processo de compra e venda de ativos líquidos (net assets), quando estiverem envolvidas partes independentes não relacionadas, e repudia o reconhecimento de resultado derivado de transações entre entidades sob o mesmo controle, ou seja, sob a mesma vontade, concluindo ser inadmissível o surgimento de ágio em uma operação realizada dentro de um mesmo grupo econômico, mas de outro infere que a Fazenda Pública admite a dedução as amortizações deste valor como sendo ágio. Dizem Eliseu Martins e Jorge Vieira da Costa Junior que o artigo 36 da Lei no 10.637/2002 permite que grupos econômicos, em operações de combinação de negócios, criem, artificialmente, ágios internamente, por intermédio da constituição de "sociedades veiculo", que surgem e são extintas em curto lapso temporal, ou pela utilização de sociedades de participação denominadas "casca", com finalidade meramente elisiva. Mas, como visto, o art. 36 da Lei n° 10.637/2002 deixa claro que não há renda tributável nestas operações, e determina o diferimento de eventual ganho de capital contabilizado. Para manter a coerência com este entendimento, o ágio eventualmente contabilizado em razão desta mesma operação não pode ser classificado como tal, nem ter os mesmos efeitos de uma mais valia paga pela aquisição de um investimento entre partes não relacionadas. Repudiase, portanto, a afirmação contida naquele artigo, no sentido de que a Fazenda Pública perde porque permite a dedutibilidade da quota de ágio amortizada para fins de IRPJ e base de cálculo da CSLL, pois nenhum ato normativo da Receita Federal admite tal dedução. A resposta dada pela Fazenda Pública a estas ocorrências está expressa em reiterada jurisprudência administrativa deste Conselho, citada pela Procuradoria da Fazenda Nacional em suas contrarrazões, a qual manteve, até agora, todas as exigências formalizadas em razão da glosa do ágio gerado neste tipo operações. Na medida em que o lucro real tem por base o lucro contábil, devese aplicar aqui o entendimento doutrinário acerca do que pode ser admitido conceitualmente como ágio, até porque, o art. 110 do CTN não permite à lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. E, como extensamente demonstrado neste voto, não so o artigo em destaque, como também a mais abalizada doutrina contábil, reafirmada pela Comissão de Valores Mobiliários, sempre Fl. 3125DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11080.725320/201020 Acórdão n.º 1202001.095 S1C2T2 Fl. 26 25 repudiou a classificação da maisvalia gerada em operações intragrupo como ágio. Em síntese, como dito por esta Relatora durante a sessão de julgamento, não há o que se falar, aqui, em operações envolvendo entidades "A", "B" e "C", na medida em que o resultado final desta reorganização é a manutenção do controle de "A" sobre "B", que apenas transitoriamente passou a indireto, sob a titularidade da empresa veiculo "C". Inexiste aquisição entre "A" e "C", inexiste ágio. De outro lado, no voto vencedor, a artificialidade da conduta foi descrita como expressão genérica, no sentido de que o tudo o que foi realizado de modo intencional (pelo contribuinte) é artificial e que “o fato de sua conduta ser intencional (artificial), não traz qualquer vicio” [à operação]. A afirmação de que tudo que é intencional é artificial parece se espelhar na tese do escritor inglês Thomas Browne, que, no século XVII, escreveu: “tudo é artificial, uma vez que a Natureza é a arte de Deus”. Em outras palavras, tudo o que o homem constrói, seja de ordem material ou imaterial, é artificial. Sob esse prisma, a afirmação faz sentido. Ocorre que, dentro do ordenamento jurídico pátrio vigente no século XXI, intencionalidade não se confunde com artificialidade. Para fins tributários, é artificial a conduta (intencional, obviamente), mas que busca subterfúgios ou caminhos alternativos para escapar à tributação correta. Corresponde à intenção de se evadir à tributação criando mecanismos falsos. Vejase o exemplo do art. 285 do RIR/99: Art. 285. É facultado à autoridade tributária utilizar, para efeito de arbitramento a que se refere o artigo anterior, outros métodos de determinação da receita quando constatado qualquer artifício utilizado pelo contribuinte visando a frustrar a apuração da receita efetiva do seu estabelecimento (Lei nº 8.846, de 1994, art. 8º). (destaquei) Nesse caso, como em tantos outros, o termo “artifício” utilizado pelo legislador referese a um procedimento e desacordo com o que seria esperado na situação, com vistas a obter indevida desoneração tributária. Nos casos de ágio gerado internamente, a artificialidade está na conduta de se majorar o patrimônio apesar da inexistência de efetivo desembolso de recursos e de efetiva mudança de controle acionário, com o propósito de reduzir a base tributável pelo aproveitamento de despesas de amortização do respectivo ágio. Todavia, como se viu, é incabível a apropriação de despesas que não foram incorridas, pois, como não há transferência de controle entre as empresas, logicamente, não há aquisição de nova propriedade. A lei não permite ágio interno, porque deve ser interpretada de modo a se evitar a conduta abusiva, tendo em conta as exigências do bem comum e a função social da empresa, prevista no art. 170 da Constituição Federal. A segurança jurídica, no caso, decorre da interpretação racional e lógica do ordenamento jurídico, pautado em orientações consistentes de órgãos normativos e na jurisprudência consolidada do órgão de julgamento (CARF), como demonstrado acima. Fl. 3126DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11080.725320/201020 Acórdão n.º 1202001.095 S1C2T2 Fl. 27 26 Como a recorrente, em sua defesa, não logrou desconstituir os argumentos da autoridade fiscal, e diante da evidente caracterização de ágio formado internamente, outra não pode ser a conclusão senão pela indedutibilidade das despesas de ágio na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL devidas no período fiscalizado. Finalmente, cumpre esclarecer que, em relação à questão sobre os juros de mora sobre a multa de ofício, arguída por um dos conselheiros durante a sessão de julgamento, a maioria da turma entendeu por afastar a discussão desse mérito, em razão de não se encontrar tal matéria dentre aquelas contestadas pela recorrente em seu recurso voluntário. Neste voto são adotadas as mesmas razões de julgamento constantes do voto vencedor consignado no acórdão nº 1202001022, de 10/09/2013, em que a apreciação dessa matéria, em hipótese similar, também foi rechaçada pela maioria do colegiado. Diante do exposto, negase provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 3127DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO
score : 1.0
Numero do processo: 10850.722583/2012-18
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INCIDÊNCIA DE MULTA.
A denúncia espontânea não exclui a responsabilidade do agente pelo atraso em cumprir obrigações acessórias, no caso, entrega de DCTF, mas somente as multas aplicadas de ofício pela autoridade responsável pelo lançamento tributário (Súmula CARF no. 49).
SÚMULAS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Ricarf).
Numero da decisão: 1801-001.577
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2010 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INCIDÊNCIA DE MULTA. A denúncia espontânea não exclui a responsabilidade do agente pelo atraso em cumprir obrigações acessórias, no caso, entrega de DCTF, mas somente as multas aplicadas de ofício pela autoridade responsável pelo lançamento tributário (Súmula CARF no. 49). SÚMULAS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Ricarf).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes - Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
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OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. INCIDÊNCIA DE MULTA. A denúncia espontânea não exclui a responsabilidade do agente pelo atraso em cumprir obrigações acessórias, no caso, entrega de DCTF, mas somente as multas aplicadas de ofício pela autoridade responsável pelo lançamento tributário (Súmula CARF no. 49). SÚMULAS. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (artigo 72 do Ricarf). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 72 25 83 /2 01 2- 18 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Cláudio Otavio Melchiades Xavier, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Adoto o relatório da DRJ por bem descrever os fatos: “Trata o presente processo da Notificação de Lançamento nº 13.01.46.37.63.5249, no valor de R$ 5013,18, lavrada em decorrência da entrega em atraso da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF de fevereiro de 2010. A interessada foi cientificada da exigência fiscal em 08/08/2012 e apresentou recurso, em 23/08/2012, impugnação cujo conteúdo é resumido a seguir. Inicialmente, após um breve relato dos fatos, a interessada alega nulidade da exigência por ter havido cerceamento de direito de defesa. Diz que o auto de infração não foi devidamente instruído com os documentos que o motivaram e nem mesmo com a DCTF que originou o ilícito tributário. Alega que sem o documento fiscal que motivou a presente multa não pode se defender da autuação. Argumenta que houve cerceamento do seu direito de defesa e pugna pela anulação da multa aplicada. No mérito reclama pela aplicação do instituto da denúncia espontânea, prevista no artigo 138 do Código Tributário Nacional – CTN (Lei 5.172/66). Sustenta que apresentou a declaração de IRPJ referente ao ano de 2007 e que recolheu todos os tributos devidos que foram declarados na DCTF. No tópico seguinte a contribuinte sustenta a ilegalidade da multa por atraso da DCTF. Diz que somente a Lei pode criar obrigações acessórias e que a exigência de apresentação da DCTF, bem como a imposição de multas, não têm fundamento em lei. Na seqüência a interessada discursa sobre a natureza jurídica das obrigações acessórias, combate a delegação de competência procedida por meio do DecretoLei nº 2.124/84, dizendo que a mesma afronta os princípios da legalidade, da separação dos poderes e da indelegabilidade da competência tributária, e sustenta que as Instruções Normativas que instituem e obrigam a apresentação da DCTF não encontram amparo no ordenamento jurídico. Por fim, no último tópico, a interessada transcreve jurisprudências que, em seu entendimento, sustentam os posicionamentos por ela defendidos. Diante do exposto requer o acolhimento da impugnação, o reconhecimento da nulidade do lançamento e a suspensão da exigibilidade tributária, nos termos do inciso III, art. 151. do CTN.” A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade ao argumento de que a denúncia espontânea, a teor do artigo 138 do CTN, não se presta ao afastamento de multa decorrente de não cumprimento ou cumprimento em atraso de obrigação acessória. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 10850.722583/201218 Acórdão n.º 1801001.577 S1TE01 Fl. 3 3 Regularmente intimada a Recorrente apresenta Recurso Voluntário repetindo os mesmos argumentos lançados em sua impugnação, requerendo ainda subsidiariamente a aplicação de penalidade mínima por não haver imposto a pagar. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Relator Conheço do Recurso Voluntário por tempestivo. Afasto a preliminar de nulidade por suposto cerceamento de defesa. O Auto de Infração está devidamente fundamentado tendo possibilitado à Recorrente o oferecimento de ampla defesa. O fato de a DCTF apresentada em atraso, objeto da multa, não ter sido anexada ao auto de infração não compromete em nada a defesa da Recorrente, por tratarse de documento do qual possui pleno conhecimento. No mérito a matéria tratada nos autos já foi pacificada nesta turma, assim como sumulada nesta 1º seção, conforme transcrição do voto da Ilustre Relatora, Ana de Barros Fernandes, lançado no acórdão 1801001.523. “O cerne do litígio está em aplicarse, ou não, o instituto da denúncia espontânea preceituado no artigo 138 do Código Tributário Nacional (CTN) à mora no cumprimento das obrigações acessórias e exonerar o agente da imposição de penalidade de multa, in casu, multa pelo atraso na entrega de DCTF. O benefício da denúncia espontânea previsto no artigo 138 do CTN não socorre à recorrente, neste caso. Em face a inúmeros julgados relativos a esta matéria, foi consolidada de forma mansa e pacífica a jurisprudência administrativa, resultante na edição da Súmula nº 49 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Destarte, tratandose de matéria sumulada por este órgão, fica vedado a esta turma divergir do enunciado, nos termos do artigo 72, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Ricarf (Portaria MF nº 256/09): Art. 72. As decisões reiteradas e uniformes do CARF serão consubstanciadas em súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF. “ Quanto à aplicação da penalidade mínima por suposta ausência de valor a pagar na DCTF observase que a multa foi corretamente aplicada tendo por base o valor declarado na respectiva declaração, ainda que integralmente pago. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA 4 Este é o disposto no artigo 10 da IN 695/2006: Art. 10. A pessoa jurídica que deixar de apresentar a DCTF no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimada a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: I – de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos impostos e contribuições informados na DCTF, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega dessa declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3 º ; . Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira Fl. 97DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 19/03/2 014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA
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Numero do processo: 13603.001643/2007-16
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
COMBUSTÍVEIS DERIVADOS DE PETRÓLEO. DISTRIBUIDORES E VAREJISTAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. NÃO CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE.
A incidência monofásica é incompatível com o creditamento nas etapas desoneradas da contribuição, nas quais não há cumulatividade a ser evitada. A inclusão das receitas com a venda de óleo diesel e gasolina no regime não cumulativo não abarca os distribuidores e comerciantes varejistas dos produtos, que ficam impossibilitados de se creditar das despesas com frete e armazenagem vinculados à revenda de bens ou produtos.
EDIFICAÇÕES E BENFEITORIAS EM IMÓVEIS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Os encargos de depreciação devem ser determinados mediante a aplicação da taxa de depreciação fixada pela Secretaria da Receita Federal em função do prazo de vida útil do bem e somente pode haver a sua contabilização, no caso de benfeitorias em imóveis de terceiros, se a assunção do ônus com as obras se der em caráter definitivo.
Numero da decisão: 3803-005.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário quanto a serem submetidas ao regime de tributação do PIS/Cofins não-cumulativo as operações de revenda de produtos tributados à alíquota zero e ao creditamento de PIS/Cofins sobre custos ou despesas de frete e armazenamento nas operações mencionadas; vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor, nesta parte, o conselheiro Belchior Melo de Sousa. E, por unanimidade, em dar provimento quanto ao creditamento de aluguéis pagos ao IPLEMG e em negar provimento quanto aos demais pedidos.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira Relator
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 COMBUSTÍVEIS DERIVADOS DE PETRÓLEO. DISTRIBUIDORES E VAREJISTAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. NÃO CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A incidência monofásica é incompatível com o creditamento nas etapas desoneradas da contribuição, nas quais não há cumulatividade a ser evitada. A inclusão das receitas com a venda de óleo diesel e gasolina no regime não cumulativo não abarca os distribuidores e comerciantes varejistas dos produtos, que ficam impossibilitados de se creditar das despesas com frete e armazenagem vinculados à revenda de bens ou produtos. EDIFICAÇÕES E BENFEITORIAS EM IMÓVEIS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Os encargos de depreciação devem ser determinados mediante a aplicação da taxa de depreciação fixada pela Secretaria da Receita Federal em função do prazo de vida útil do bem e somente pode haver a sua contabilização, no caso de benfeitorias em imóveis de terceiros, se a assunção do ônus com as obras se der em caráter definitivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário quanto a serem submetidas ao regime de tributação do PIS/Cofins nãocumulativo as operações de revenda de produtos tributados à alíquota zero e ao creditamento de PIS/Cofins sobre custos ou despesas de frete e armazenamento nas operações mencionadas; vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor, nesta AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 16 43 /2 00 7- 16 Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 parte, o conselheiro Belchior Melo de Sousa. E, por unanimidade, em dar provimento quanto ao creditamento de aluguéis pagos ao IPLEMG e em negar provimento quanto aos demais pedidos. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira – Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Tratase de PER/ DCOMP onde o contribuinte busca compensar com crédito de COFINS, referente ao último trimestre de 2005, no valor de R$ 437.260,72 com débitos de IRPJ que totalizam o mesmo valor. O contribuinte é empresa que se dedica a atividade de comércio atacadista de combustíveis, como, tais como, gasolina, óleo diesel e gás natural veicular (GNV). Em razão da alteração do domicílio fiscal do sujeito passivo, o presente processo, que foi protocolizado na DRF/Contagem/MG para exame do PER/DCOMP acima, foi encaminhado a Seção de Fiscalização SAFIS da DRF/NATAL/RN, que elaborou o Termo de Informação Fiscal, cujo teor antecipou entendimento contrário ao direito creditório requerido. Após proferir entendimento preliminar, a SAFIS/DRF/NATAL, ao final do Termo de Informação Fiscal, remeteu os autos ao SAORT/DRF/NATAL para apreciação, ainda que preliminar, do direito creditório levando em conta a atividade da empresa e os produtos que comercializa, de conformidade com rol apresentado pelo sujeito passivo, conclui que, para verificação dos créditos seria necessária a análise da escrituração da empresa para identificar as receitas vinculadas a cada um dos regimes de apuração da contribuição para a COFINS. Concluída a diligência requerida veio o Relatório Fiscal que serviu de fundamento para o Despacho decisório que, em síntese, glosou os valores referentes a: I) revenda dos derivados de petróleo em foco, devido a tributação monofásica, onde os tributos são concentrados nas refinarias. Consequentemente, o critério de rateio proporcional, adotado pela contribuinte a partir de outubro de 2005, estaria equivocado. II) armazenagem e frete de operação de venda dos combustíveis derivados do petróleo, ou de álcool para fins carburantes, fundamentando na lei n° 10.833/2003. III) despesas de aluguel e pagamentos a maior que os estipulados em contratos, não comprovados. Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.001643/200716 Acórdão n.º 3803005.249 S3TE03 Fl. 1.047 3 IV) despesas de arrendamento mercantil. Reconheceu direito creditório em relação a: I) GNV. II) Óleo LCI. III) Querosene. IV) Alugueis, demonstrados por documentação suporte. V) energia elétrica. Dispõe que, relativamente ao 4° trimestre de 2005, não restou qualquer crédito, a título de contribuição de COFINS. Conclui, portanto, em não reconhecer direito creditório no valor de R$ 437.260,72 e indeferir o PER/DCOMP. Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de inconformidade a DRJ/REC. renunciando o direito de se defender em relação: a) a parte dos créditos sobre despesas com aluguel; b) aos créditos sobre despesas com arrendamento mercantil; c) aos créditos sobre as despesas de depreciação. Quanto à parte ainda em lide referente a aluguéis o manifestante apresenta contratos com o propósito de comprovar um valor total de R$ 341.038,76. Em relação ao pleito de créditos de COFINS sobre armazenagem e frete, constrói sua tese, alegando, em síntese: I) que o direito creditório pleiteado não se vincula aos combustíveis adquiridos (com tributação concentrada na fase anterior, "monofásica") e sim aos gastos com fretes e armazenamento decorrentes de tais receitas. II) discorre sobre a nãocumulatividade de COFINS em relação a gasolina e óleo diesel. III) que o fato de as receitas se sujeitarem ao regime monofásico não significa que tais receitas não se sujeitam à sistemática da nãocumulatividade. IV) que os percentuais de rateio proporcionais adotados pela recorrente a partir de outubro de 2005 estão corretos, pois tanto as receitas de óleo diesel quanto as de gasolina são computadas na sistemática nãocumulativa. V) que pratica atividade de beneficiamento da gasolina, ao misturar gasolina, tipo A, a álcool anidro, tendo como resultado gasolina tipo C. Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 VI) que todo o processo produtivo acima qualifica a recorrente não como mera comerciante revendedora de combustíveis, mas como uma empresa que desenvolve verdadeiro e típico processo de beneficiamento de gasolina. Requer ao final que seja reconhecido o pagamento efetuado em relação a despesas de aluguel apresentadas. Pede o reconhecimento da totalidade dos créditos da contribuição para o COFINS apropriados sobre despesas de armazenagem e frete. A Delegacia de Julgamento não reconheceu o direito ao creditamento relativo às despesas com aluguéis pagos ao Instituto de Previdência do Estado de Minas Gerais IPLEMG, assim argumentou: É cediço que aluguel não é aquisição de bens ou de serviços, mas o dispositivo que interessa é o que trata especificamente dos aluguéis (inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.833/2003) e quando o legislador fala em pessoa jurídica, com muito mais propriedade, quer se referir a quem é contribuinte e não se está, com esta interpretação, ferindo o princípio da nãocumulatividade, pois não há sentido em se falar em cumulação quando o tributo não incidiu na etapa anterior. Por fim deu provimento parcial a Manifestação de Inconformidade. Ementou como segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 COMPENSAÇÃO. DIREITO LÍQUIDO E CERTO. O direito à compensação pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. INDEFERIMENTO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. COBRANÇA. Constatada a inexistência de direito creditório, o Pedido de Ressarcimento será indeferido e as Declarações de Compensação a ele vinculadas não serão homologadas, implicando a cobrança dos valores indevidamente compensados, com os acréscimos legais cabíveis (§§ 2º e 7º do art. 74 da Lei nº 9.430/96). COMBUSTÍVEIS DERIVADOS DE PETRÓLEO. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. DISTRIBUIDORA. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A inclusão das refinarias e dos importadores de combustíveis derivados de petróleo na sistemática não cumulativa da Cofins pela Lei nº 10.865/2004 em nada Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.001643/200716 Acórdão n.º 3803005.249 S3TE03 Fl. 1.048 5 alterou a situação dos distribuidores e varejistas, que continuaram tributados à alíquota zero, na condição de nãocontribuintes, sem direito a crédito, seja relativo aos custos nas aquisições dos produtos revendidos, seja referente às despesas e encargos de comercialização. A incidência monofásica é incompatível com a técnica do creditamento nas etapas desoneradas do tributo, nas quais não há cumulatividade a ser evitada, razão pela qual as receitas com a revenda de produtos cuja cadeia de produção e comercialização tem tributação concentrada em etapa anterior devem ser consideradas fora da não cumulatividade no cálculo do rateio proporcional de que trata o inciso II do § 8º do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. MISTURA DE ÁLCOOL ANIDRO À GASOLINA. DISTRIBUIDOR. COMERCIANTE. O fato de os distribuidores de combustíveis misturarem a gasolina “Tipo A” com o álcool anidro, para a obtenção da gasolina Tipo “C”, não os caracterizam como estabelecimentos industriais, mas como simples comerciantes, tanto à luz da legislação do IPI como da Cofins. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário, por meio do qual afirma seu direito à apuração dos créditos de COFINS referentes às despesas com o pagamento de aluguéis ao IPLEMG, uma vez que: a) o art. 3º, inciso IV, das leis 10.637/02 e 10.833/03 se refere apenas a “pessoa jurídica” de modo genérico, excluindo apenas as pessoas físicas; b) aluguel não se enquadra no conceito de “aquisição de bens e serviços”, dessa forma o direito ao crédito não é limitado pelo art. 3º, §2º, inciso II das leis 10.637/02 e 10.833/03 c)o hermeneuta não pode interpretar a lei extensivamente de modo a incluir aluguel pago a autarquia pública como despesa não passível de creditamento. Alega que, diferentemente do que ocorre no caso do IPI, há regra expressa permitindo o creditamento mesmo quando as saídas/vendas são desoneradas, no art. 3º, §2º, II, das Leis nº10.637/2002 e nº10.833/2003. Reitera que o crédito pleiteado não é apurado em função das aquisições desses produtos para venda, que busca ver reconhecido o crédito de outras despesas e ônus suportados pela recorrente. Com isso, versa sobre o direito de creditarse de gastos referentes a fretes e armazenagem de mercadorias, por entender, serem insumos próprios da sua atividade. Ao final requer a reforma do acórdão recorrido para: Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 a) reconhecer o direito ao crédito de COFINS vinculados aos gastos com aluguéis pagos ao Instituto de Previdência do Estado de Minas Gerais; b) reconhecer que o direito ao crédito de COFINS, à exceção dos créditos decorrentes da aquisição de produtos sujeitos à incidência monofásica, está assegurado sempre que houver a incidência dessas contribuições sobre as receitas auferidas por terceiros correspondentes aos respetivos custos (que geram crédito) incorridos pela Recorrente; c) declarar que as receitas decorrentes das vendas de gasolina e óleo combustível pelas distribuidoras de combustíveis, como a Recorrente, passaram, desde 01/08/2004, a se submeter ao regime da não cumulatividade da COFINS, determinandose, por conseguinte, a revisão da Tabela elaborada pelo auditor fiscal para fins de cálculo dos créditos comuns, de modo a incluir as aludidas receitas (inseridas na Coluna “Demais Receitas”) entre as chamadas receitas nãocumulativas, com o consequente recálculo dos créditos comuns homologados pela fiscalização; d) reconhecer o direito da empresa ao aproveitamento dos créditos de COFINS de frete e armazenagem vinculados às vendas de gasolina e óleo diesel; e) reconhecer em sua integralidade o crédito representado pelo PER referente ao 4º Trimestre de 2005, para reconhecer a regularidade das compensações efetuadas, homologandoas em sua totalidade. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira Relator O Recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A Recorrente é empresa que se dedica à atividade de comércio atacadista de produtos combustíveis, como gasolina, óleo diesel e gás natural veicular. Analisando as contribuição para o PIS e para a COFINS vemos que passaram a ser regidas a partir do anocalendário de 1999, pela Lei n° 9.718, de 27/11/1998 cujo art. 4° impôs regime de substituição tributária por meio do qual a contribuição para o PIS e a COFINS devida pelas distribuidoras e pelos comerciantes varejistas sobre as receitas de derivados de petróleo eram recolhidas antecipadamente pelas refinarias. O instituto da "Substituição Tributária" destinava às refinarias a função legal de recolher antecipadamente o valor das contribuições devidas pelos distribuidores e Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.001643/200716 Acórdão n.º 3803005.249 S3TE03 Fl. 1.049 7 comerciantes varejistas, isto é, antes da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, no que diz respeito aos demais participantes da cadeia de comercialização. Posteriormente, o art. 3° da Lei n° 9.990, de 21/07/2000 c/c o art. 42, I, da Medida Provisória n° 2.15835, de 24/08/2001 instituíram regime de tributação monofásico da contribuição supracitada. O modelo foi implementado com a fixação da alíquota de 0% (zero por cento) quando da ocorrência da venda desses derivados por parte dos revendedores, ou seja, dos distribuidores e comerciantes varejistas. As lei n° 10.637/2002 e 10.833/2003 criaram, nas situações ali especificadas, tributação nãocumulativa em relação à contribuição para o PIS/COFINS. Quando inicialmente instituídas foram excluídas da sistemática nãocumulativa da contribuição para o PIS as operações de venda de combustíveis derivados de petróleo nas redações do art. 1°, §3°, IV; do art. 2°; do art. 3°, I e II e §§7° e 8°; e art. 8°, VII, “a” da Lei n° 10.637/2002, da mesma forma para a COFINS nas redações do art. 1°, §3°, IV; do art. 2°; do art. 3°; I e II e §§7° e 8°; e art. 10°, VII, “a” da Lei n° 10.833/2003. Em 1° de agosto de 2004, entraram em vigor novas alterações na incidência da contribuição para PIS/Cofins no que se refere aos derivados de petróleo, desta vez, trazidas pela Lei 10.865/2004. As mudanças trouxeram a sistemática não cumulativa da Contribuição para o PIS e para a COFINS, por meio dos artigos 37 e 21, respectivamente, da Lei n° 10.865/2004. Reforçando este entendimento o artigo 15 da Lei nº 10.833/03 determina expressamente que a aplicação da nãocumulatividade do PIS para o caso dos incisos I e II do parágrafo 3º do artigo 1º da mesma norma. Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: I nos incisos I e II do § 3o do art. 1o desta Lei; Os dispositivos legais transcritos a seguir, da Lei n° 10.637/2002, com a nova redação, são de suma importância para o pleno entendimento da questão: “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. [...] § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero;[...] III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária;[...] Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 IV de venda dos produtos de que tratam as Leis no 9.990, de 21 de julho de 2000, no 10.147, de 21 de dezembro de 2000, e no 10.485, de 3 de julho de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; IV de venda de álcool para fins carburantes; Art. 2o Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) § 1o Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: I – nos incisos I a III do art. 4o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural;[...] Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos:[...] b) no § 1o do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;[...] Art. 8o Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 6o:[...] VII— as receitas decorrentes das operações: a) referidas no inciso IV do § 3 do art. 1º;” Com a nova redação, a restrição do art. 8º, VII, “a” da Lei nº 10.637/2002 e no art. 10, VII, “a” da Lei nº 10.833/2003 passou a não mais abranger os derivados de petróleo de que trata a Lei 9.990/2000. Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.001643/200716 Acórdão n.º 3803005.249 S3TE03 Fl. 1.050 9 O que se discute agora, visto não se tratar de um sistema cumulativo, é a possibilidade das distribuidoras se creditarem dos custos de distribuição dos combustíveis, em especial, os custos com fretes e armazenagem deste produtos. Percebese que a lei não instituiu que as distribuidoras e varejistas não possam se creditar dos custos de distribuição, mas vedaram (à época dos fatos), expressamente, o creditamento em relação a bens adquiridos para revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária e de venda de álcool para fins carburantes. O crédito pedido pela Recorrente diz respeito ao art. 3º, IX da Lei nº 10.833/03, que, no seu entendimento, permiti o desconto de créditos de frete e armazenagem sobre os produtos que comercializa. O inciso IX do art. 3º da lei 10.833/03 dispõe que o crédito se aplica nos casos dos incisos I e II do mesmo artigo. Por sua vez, a Fazenda Nacional afirma que o contribuinte não é regulado pelos dois primeiros incisos desse artigo, uma vez que não se trata de um produtor ou prestador de serviços (inciso II) e que a alínea “b” do inciso I exclui as mercadorias e produtos referidos nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º da mesma lei, onde se encontra a gasolina e o óleo diesel. O Recorrente afirma não ser meramente um comerciante, mas sim uma empresa que desenvolve verdadeiro processo de beneficiamento da gasolina. Afirma então ser a gasolina tipo ”C” obtida após mistura de álcool anidro e gasolina tipo “A”, um típico produto industrializado. Nesta duvidosa interpretação, quer a empresa provar que o frete e armazenagem são insumos em sua atividade industrial, de forma a se enquadrar no inciso II do art. 3º da lei 10.833/03, uma vez que tal inciso referese a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes. A simples mistura de dois produtos, para a adequação do combustível à legislação, não caracteriza atividade industrial. Menciono parte do voto preferido pelo relator Gilson Macedo Rosenburg Filho, por ocasião do recurso nº 504.580, processo administrativo 10865.002267/200881, julgado pela 1a turma da 4a Câmara da 3a seção: “Por outro lado, com a devida vênia, e a exemplo da Recorrente, não compartilho com a primeira parte dos argumentos utilizados pela instância de piso, qual seja, a de apoiarse na regra do inciso II do artigo 3º da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, pois, a meu ver, e na linha do que defendera a Unidade de origem, e, agora, diferentemente do que entende a Recorrente, o correto, ou a motivação para o indeferimento é encontrada, dentre outros, na regra do inciso I, letra “a”, do mesmo dispositivo. Ou seja, uma distribuidora de combustíveis que adquire o álcool anidro com o fim exclusivo de adicionálo à gasolina “A” para obter a gasolina “C” que vende ao mercado, e isso, essa mistura, por conta de uma determinação expressa do órgão Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 governamental regulador desse mercado1, não pode ser equiparada ou considerada como um “fabricante” ou “produtor” de bens ou produtos de que trata o inciso II acima reproduzido; bem diferente disso, tratase de um mero comerciante que, como tal, adquire bens para revenda de que trata o inciso I. Como se sabe, não há nenhuma ciência no procedimento de obtenção da gasolina “C”, visto que a mesma decorre da mera adição de determinado percentual do álcool anidro à gasolina “A”, tarefa essa que é feita mediante o simples despejo da primeira no tanque reservatório da segunda. Daí, portanto, a análise do pleito da Recorrente depender da interpretação que se faz da regra contida no inciso I, do artigo 3º e não no inciso II do mesmo artigo.”Grifamos. Não resta dúvida de que o contribuinte não realiza produção ou fabricação. Por outro lado, o contribuinte defende que a referência que o inciso IX do art. 3º da Lei 10.833/03 faz aos incisos I e II do mesmo artigo é apenas para deixar livre de dúvidas que o frete geraria o crédito tanto nas hipóteses de revenda do produto acabado como nas hipóteses de venda do produto fabricado. Nesse ponto tem razão o contribuinte tendo em vista que a hipótese de creditamento de armazenagem e frete é expressamente prevista no inciso IX disposto da seguinte forma: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Perceba que o dispositivo remete ao caos dos incisos I e II, quais sejam, resumidamente, às hipóteses de revenda ou produção de bens ou produtos. Entendemos que a menção aos incisos I e II é tão somente para especificar as atividades desenvolvidas para o creditamento, necessitando que o ônus da armazenagem e frete sejam suportados pelo vendedor. Importa ressaltar que os produtos descritos nos incisos I e II da Lei nº 10.833/03, que por si só não tem direito a creditamento, são irrelevantes para a finalidade de gerar crédito sobre sua armazenagem e frete. Veja que são situações distintas reguladas por dispositivos distintos, uma concede armazenagem e frete e a outra impossibilita o creditamento sobre os produtos especificados (exemplo, álcool, gasolina e diesel). Em nenhuma hipótese a vedação estabelecida para o creditamento sobre tais produtos (principais) são limitativos do aproveitamento do créditos dos custos com armazenagem e frete, que, no nosso entendimento, é expressamente permitido. 1 Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.001643/200716 Acórdão n.º 3803005.249 S3TE03 Fl. 1.051 11 Caso não fosse a intenção do legislador atribuir creditamento sobre armazenagem e frete em relação aos mesmos produtos excetuados nas alíneas do inciso I do art. 3º da Lei 10.833/03, tal exceção deveria constar expressamente no próprio inciso IX que regula tal hipótese. Por fim, claro se mostra que as exceções sobre o creditamento dos produtos referidos no incisos I e II do art. 3º da Lei 10.833/03 não são exceções de creditamento de armazenagem e frete. Ponto incontroverso é a aplicação do inciso IX do art. 3º da Lei 10.833/03 da COFINS para o PIS, conforme a DRJ/REC assim expresso “De toda forma, ainda que a interpretação da manifestante fosse plausível, a própria lógica da tributação concentrada, por si só, já faz a exclusão que o diligenciante viu na remissão do inciso IX da Lei nº 10.833/2003, também aplicável à Contribuição para o PIS. (G.N.)” pelo que não me oponho neste ponto específico. Dos aluguéis pagos a Pessoa Jurídica de direito público. Quanto as alegações da recorrente a respeito dos créditos vinculados aos custos com aluguéis pagos ao Instituto de Previdência do Estado de Minas Gerais – IPLEMG, pacificado está o entendimento que aluguel não se enquadra no conceito de “aquisição de bens e serviços”, o âmago da questão se encontra na interpretação do inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. A DRJ sustenta que a referida norma se refere a quem é contribuinte, preservando o princípio da nãocumulatividade, pois alega não haver sentido em se falar em cumulação quando o tributo não incidiu na etapa anterior. O contribuinte alega que o mesmo dispositivo se refere apenas a “pessoa jurídica” de modo genérico, excluindo apenas as pessoas físicas; e que não se pode interpretar a lei extensivamente de modo a incluir aluguel pago a autarquia pública como despesa não passível de creditamento. Delimitada a controvérsia, assiste razão ao contribuinte uma vez que a lei, em sua literalidade, permite o creditamento sobre aluguéis pagos a pessoa jurídica, não há qualquer empecilho legal em decorrência do não recolhimento de COFINS por parte do locador. A lei estabelece apenas um requisito para o creditamento do aluguel, que ele seja pago a pessoa jurídica e nada mais. O artigo 41 da Lei 10.406/2002 (Código Civil), em seu artigo 41 define as pessoas jurídicas de direito público interno: Art. 41. São pessoas jurídicas de direito público interno: I a União; II os Estados, o Distrito Federal e os Territórios; III os Municípios; IV as autarquias; Fl. 1056DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 12 IV as autarquias, inclusive as associações públicas; (Redação dada pela Lei nº 11.107, de 2005) V as demais entidades de caráter público criadas por lei.” Sendo o IPLEMG uma pessoa jurídica enquadrada entre o rol do artigo 41 do Código Civil há que se permitir o creditamento em relação aos aluguéis pagos e devidamente comprovados por documentação hábil. Caso a intenção do legislador fosse creditar apenas pagamentos realizados a contribuintes, tal condição seria positivada, o que não ocorre. Portanto, em relação aos pedidos finais da recorrente expressamos o seguinte entendimento: a) Reconhecemos o direito ao crédito de COFINS vinculados aos gastos com aluguéis pagos ao IPLEMG. b) Em relação ao pedido de reconhecimento do direito ao crédito de PIS/COFINS sobre os custos relacionados a produtos com incidência monofásica, entendo que há direito ao crédito mesmo quando sobre a operação incida a alíquota “zero”. c) No que diz respeito ao regime de apuração e cálculo da contribuição para o PIS decorrente das vendas de gasolina e óleo combustível, entendemos que a partir das alterações introduzidas pela Lei 10.865/04 no artigo 1º, § 3º, inciso IV da Lei nº 10.637/02 as refinarias, importadores, distribuidoras e varejistas passaram e ser submetidas ao regime da nãocumulatividade para o PIS/COFINS quanto às receitas decorrentes das vendas de gasolina e óleo combustível. Desta forma, revisese a tabela de cálculo efetuada pela auditoria fiscal. d) Por tudo o que foi dito, entendemos que os distribuidores e varejistas de combustíveis, tributados à alíquota zero em razão do regime monofásico, podem creditarse dos custos e despesas com frete e armazenagem decorrentes da revenda de bens ou produtos, ainda que estes bens ou produtos estejam vedados para o creditamento sobre suas próprias aquisições (alíneas “a” e “b”, incisos I, art.3º da Lei 10.833/03), as exceções previstas para o creditamento do produto principal não se aplicam ao creditamento sobre o creditamento de armazenagem e frete previstos no inciso IX do art. 3º da Lei 10.833/03. Conclusão Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO AO RECURSO, para que se revise a tabela elaborada pelo auditor fiscal para que SE CONSIDERE as receitas de revenda de óleo diesel e gasolina como receitas nãocumulativas, RECONHECER os créditos sobre aluguéis pagos ao IPLEMG observada a proporcionalidade das receitas nãocumulativas sobre as receitas totais e por RECONHECER o creditamento PIS/COFINS sobre custos e despesas de armazenagem e frete. Sala das sessões, 29 de janeiro de 2014 (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Voto Vencedor Fl. 1057DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.001643/200716 Acórdão n.º 3803005.249 S3TE03 Fl. 1.052 13 Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O presente voto vencedor é para consignar a divergência levantada em relação ao do entendimento do eminente Relator que sustentou o voto pelo parcial provimento ao recurso voluntário, reformando a decisão recorrida. Seu encaminhamento culminou em considerar nãocumulativas as receitas de revenda de óleo diesel e gasolina inclusas no regime monofásico, e, consequentemente, em alterar a composição da tabela de receitas elaborada pelo Auditor Fiscal, e em determinar: (i) a revisão dos valores dos créditos concedidos tomando como base a nova proporção (para fins de rateio das despesas e custos comuns) e (ii) a inclusão entre esses créditos os relativos às despesas de armazenagem e frete vinculados à revenda dos produtos. A divergência amparase na interpretação da norma do art. 2º, § 1º, da Lei nº 10.637/2002, que, ao dispor sobre a aferição do quantum devido na sistemática não cumulativa, excepciona a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores da regra geral contida na cabeça do artigo, à alíquota de 1,65%, incluindoa no regime monofásico, com alíquotas diferenciadas em função de cada tipo de produto derivado de petróleo. Reza o dito dispositivo legal: Art. 2º Para determinação do valor da contribuição para o PIS/Pasep aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1ª, a alíquota de 1,65% (um inteiro e sessenta e cinco centésimos por cento) § 1º Excetuase do disposto no caput a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas:[grifo aqui] I – nos incisos I a III do art. 4º da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, e alterações posteriores, no caso de venda de gasolinas e suas correntes, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e suas correntes e gás liquefeito de petróleo GLP derivado de petróleo e de gás natural;[...][grifei] Ao excepcionar a receita auferida pelos produtores e importadores da regra geral, a norma está a dizer, no antecedente, que as bases de cálculo apuradas por esses agentes com os citados produtos, “conforme o disposto no art. 1º”, passaram a estar enquadradas na sistemática não cumulativa, aplicandose a estas alíquotas distintas. Não se está aqui a patrocinar interpretação literal do conteúdo da norma. Todavia, é elementar que o sentido de uma norma é edificado a partir da apreensão tópica do significado, do alcance ou da delimitação de vocábulos expressos e claros de que o texto se serve, e que somente podem ser mitigados ou estendidos se a construção da norma é justificada de forma consistente mediante a integração com outro(s) texto(s) do sistema. No caso presente, a norma do art. 2º, acima, é o substrato por meio do qual se visualizam os agentes da monofasia que ingressaram na não cumulatividade, uma vez ali identificados os destinatários da norma – os produtores e importadores à qual compreensão subordinamse as regras de creditamento na sistemática da não cumulatividade das aludidas contribuições, neste segmento econômico. Não há no ordenamento outro texto que a este se Fl. 1058DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 14 conjugue cuja possível norma que resulte ofereça um olhar amplo e extensivo acerca de outros destinatários submetidos à monofasia dos derivados de petróleo abarcados na sistemática da não cumulatividade. Assento que a norma contida no art. 2º, § 1º, da Lei nº 10.637/2002, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 10.865/04, é a que migra a arrecadação concentrada dos produtos derivados de petróleo para o campo de apuração da sistemática não cumulativa, ao tempo em que desenha a coexistência parcial de ambos os regimes. A parcialidade reside na eleição dos sujeitos destinatários da norma, já referidos, na exclusão dos créditos sobre os ditos produtos submetidos à arrecadação concentrada e na inclusão de demais custos e despesas vinculados ao auferimento das respectivas receitas, inclusive armazenagem e frete na operação de venda. Este fundamento conjugase com o art. 1º, § 3º, I, da mesma lei, que estipula que as receitas decorrentes de saídas sujeitas à alíquota zero não integram a base de cálculo mencionada na cabeça do artigo, vale dizer, as receitas dos distribuidores e comerciantes varejistas de derivados de petróleo (sujeitas à alíquota zero) não integram a base de cálculo na sistemática da não cumulatividade, verbis: Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil.[...] § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero;[...] Assim: a) identificados os destinatários, segundo o disposto no § 1º, do art. 2º, da Lei nº 10.637/02, acima – estes, os produtores ou importadores; b) inexistente outro texto legal que permita dar a este, acima, uma significação extensiva, relativamente aos sujeitos; e c) excluídas da não cumulatividade as receitas submetidas à alíquota zero, segundo o disposto no § 1º, do art. 1º, acima, não há como se afirmar que as receitas auferidas por cada um dos demais agentes intervenientes na cadeia de circulação dos produtos derivados de petróleo submetidos ao regime monofásico (à exceção das receitas decorrentes da venda de álcool para fins carburantes) – estes, os distribuidores e os comerciantes varejistas passaram a se sujeitar, concomitantemente, à sistemática da não cumulatividade. No olhar da Recorrente o fato juridicizado pela norma trazida pela redação da Lei nº 10.865/04 são as receitas obtidas com os produtos submetidos ao regime monofásico, sendo a mensagem por ela veiculada restrita a este objeto genérico. Enxergar por esta lente é um mote para interpretar que todas as receitas com tais produtos desembarcaram na sistemática não cumulativa abarcando assim os distribuidores e os comerciantes varejistas de tais produtos, indistintamente, como destinatários da norma. Vejo que essa perspectiva de observação e apreensão é notoriamente enviesada e parcial, na medida em que, de modo deliberado, a Interessada irreleva a referência, Fl. 1059DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.001643/200716 Acórdão n.º 3803005.249 S3TE03 Fl. 1.053 15 no texto, aos produtores e importadores e, via de consequência, desconsidera o fato de que é exatamente a presença desses atores no ventre do art. 2º (que se reporta ao art. 1º, ambos da Lei nº 10.637/02) que revela a circunstância de estes sujeitos passivos operarem a apuração das contribuições na sistemática não cumulativa. Estes, e só estes operam na não cumulatividade. Construída a norma nos termos acima, desfiguramse os argumentos na defesa do suposto direito, com fulcro: a) no art. 21, II, da IN SRF 600/05, reproduzido no art. 27, II, da IN SRF 900/2008, eis que elas regram para situações fáticas abrangidas pela sistemática da não cumulatividade; b) no art. 17 da Lei nº 11.033/04, pela observação de que este artigo inscreve se na sequência de outros (art. 13 ao art. 17) que têm um destinatário específico, os beneficiários do Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária – REPORTO, constituindose, por isso, em norma especial a compor a política de benefício fiscal a este setor. Não há na norma do art. 17 parâmetro algum (vocábulo ou expressão) que a conecte com as normas gerais de creditamento previstas nas Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, ou até na Lei nº 10.865/04. A conexão com estas, pela técnica legislativa usual, haveria de se dar por meio de nova redação dada ao respectivo artigo de lei, com a introdução de parágrafo inscrevendo a norma permissiva. Nada obstante a técnica legislativa adotada, numa interpretação um pouco mais ampla, podese ter que a aplicação do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004 a par de não estar criando novas possibilidades de créditos destinase a manter o creditamento sobre determinados insumos aplicados em produtos e mercadorias cujas receitas de vendas sofrem normalmente a incidência das contribuições, que poderiam ser utilizados caso não houvesse a adoção de alíquota zero na saída destes. c) nas disposições das medidas provisórias nºs 413/08 e 415/08, pelo fato de que elas não vieram excluir direito preexistente aos créditos pleiteados. A conclusão a se alcançar das ditas medidas provisórias é que elas vieram apenas destacar expressamente o entendimento de que não se aplica o disposto no art. 17 da Lei 11.033∕04 aos distribuidores, comerciantes atacadistas e varejistas das mercadorias, consoante o que já previsto no art. 2º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03. A força deste entendimento está em convergir com o que já se disse no art. 17, citado. Os dispositivos das medidas provisórias interpretaram a lógica da incompatibilidade do regime monofásico dos distribuidores, comerciantes atacadistas e varejistas das ditas mercadorias com o sistema de apuração de créditos da não cumulatividade. Tal incompatibilidade não existe, como já manifestado, em relação aos produtores e importadores, que suportam a carga do tributo. Para os demais da cadeia de comercialização o que se dá é repercussão econômica do tributo. Que lógica haveria no sistema, para o âmbito das finanças públicas, que anda pari passu com o Direito Tributário, este como tributário daquelas , com a instituição de regime monofásico para diversos setores, se a Fazenda tem que permitir o creditamento a todos ao agentes da cadeia de circulação, com enorme possibilidade de sempre gerar ressarcimento aos que não apuram a contribuição, por influxo da alíquota zero? Fl. 1060DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 16 Qual a lógica, no plano da Administração Tributária, de instituir o regime concentrado de arrecadação e ocupar um arsenal de fatores de atuação para administrar ressarcimentos às pessoas jurídicas distribuidores e comerciantes varejistas, nos moldes da presente disputa? Acaso as receitas com a revenda dos referidos produtos sujeitos à tributação monofásica estivessem realmente incluídas na sistemática da não cumulatividade, gerando direito aos créditos pleiteados, não seria mais pragmático, já que concentrada, operar com alíquotas menores incidentes sobre as receitas dos produtores e importadores e com isso otimizar o uso da máquina fazendária Ambas as reflexões acima não são postas aqui como fundamento da decisão, porquanto, nada obstante ser idéias subsidiárias que auxiliam a compreender o sistema, não são argumentos jurídicos. Qual a lógica (jurídica) dentro do próprio regime da não cumulatividade “ressarcir” créditos sem a contrapartida de débitos que esses outros sujeitos não apuram, quando o princípio convertido em regra da Lei nº 10.637/02 é: “Art. 3º. Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação:...”? Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das sessões, 29 de janeiro de 2014 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 1061DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/03/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10580.728351/2009-03
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2006 a 31/08/2007
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI Nº 10.101/2000. ALEGAÇÃO DE OFENSA NORMATIVA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. MULTA NATUREZA CONFISCATÓRIA. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. MULTA DE OFÍCIO. ART. 35-A DA LEI Nº 8.212/91.
Considerando-se o que estabelece o art. 28, § 9º, alínea j, os requisitos trazidos pela Lei nº 10.101/2000 são de observância obrigatória para que o empregador possa se beneficiar da regra de isenção para os valores pagos a título de Participação nos Lucros e Resultados - PLR.
A participação nos lucros ou resultados da sociedade empresária, quando paga ou creditada em desacordo com a Lei específica, integra o salário de contribuição para fins de incidência previdenciária.
A autoridade administrativa falece competência para afastar a aplicação de norma sob fundamento de sua inconstitucionalidade, uma vez que tal apreciação é exclusiva do Poder Judiciário, nos termos dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. Tal questão é, inclusive, objeto da Súmula nº 2 do CARF.
Os princípios constitucionais da razoabilidade, da legalidade, dentre outros, são dirigidos ao legislador, e não ao aplicador da lei, o qual, diante da norma existente no mundo jurídico, deverá aplicá-la obrigatoriamente, não estando assim facultada a sua discricionariedade.
A perícia tem como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis.
As multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de ofício do aparato estatal (multa de ofício), de sorte que aqueles percentuais devem ser comparados com as disposições hoje contidas no artigo 35-A da Lei n° 8.212/91, para fins de apuração da multa mais benéfica (art. 106, II, c do CTN). Para fatos geradores ocorridos antes da alteração legislativa, aplicam-se as multas então estipuladas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, observado o limite máximo de 75%.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-003.378
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que a multa de ofício seja aplicada nos moldes do artigo 35 da Lei nº 8.212/91 na redação anterior a MP nº 449/2008, devendo a progressão da multa ser limitada ao que determina o artigo 35-A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução, se mais benéfica a contribuinte. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa aplicada.
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2006 a 31/08/2007 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. LEI Nº 10.101/2000. ALEGAÇÃO DE OFENSA NORMATIVA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. MULTA NATUREZA CONFISCATÓRIA. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. MULTA DE OFÍCIO. ART. 35A DA LEI Nº 8.212/91. Considerandose o que estabelece o art. 28, § 9º, alínea j, os requisitos trazidos pela Lei nº 10.101/2000 são de observância obrigatória para que o empregador possa se beneficiar da regra de isenção para os valores pagos a título de Participação nos Lucros e Resultados PLR. A participação nos lucros ou resultados da sociedade empresária, quando paga ou creditada em desacordo com a Lei específica, integra o salário de contribuição para fins de incidência previdenciária. A autoridade administrativa falece competência para afastar a aplicação de norma sob fundamento de sua inconstitucionalidade, uma vez que tal apreciação é exclusiva do Poder Judiciário, nos termos dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. Tal questão é, inclusive, objeto da Súmula nº 2 do CARF. Os princípios constitucionais da razoabilidade, da legalidade, dentre outros, são dirigidos ao legislador, e não ao aplicador da lei, o qual, diante da norma existente no mundo jurídico, deverá aplicála obrigatoriamente, não estando assim facultada a sua discricionariedade. A perícia tem como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 83 51 /2 00 9- 03 Fl. 197DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10580.728351/200903 Acórdão n.º 2803003.378 S2TE03 Fl. 176 2 As multas previstas anteriormente no artigo 35 da Lei n° 8.212/91 ostentavam natureza mista, punindo a mora e a necessidade de atuação de ofício do aparato estatal (multa de ofício), de sorte que aqueles percentuais devem ser comparados com as disposições hoje contidas no artigo 35A da Lei n° 8.212/91, para fins de apuração da multa mais benéfica (art. 106, II, c do CTN). Para fatos geradores ocorridos antes da alteração legislativa, aplicamse as multas então estipuladas no artigo 35 da Lei n° 8.212/91, observado o limite máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que a multa de ofício seja aplicada nos moldes do artigo 35 da Lei nº 8.212/91 na redação anterior a MP nº 449/2008, devendo a progressão da multa ser limitada ao que determina o artigo 35A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução, se mais benéfica a contribuinte. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa aplicada. Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior e Eduardo de Oliveira. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10580.728351/200903 Acórdão n.º 2803003.378 S2TE03 Fl. 177 3 Relatório 1. Tratase de lançamento (Auto de Infração DEBCAD nº 37.261.1818 – R$ 8.894,73) de contribuições previdenciárias, lavrado contra a sociedade empresarial RADIO FM IEMANJÁ LTDA., em decorrência do não recolhimento das exações incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados, referentes à Participação nos Lucros e Resultados PLR, correspondentes ao período de 02/2006 a 08/2007. 2. Consoante o Relatório Fiscal de fls. 30 a 37, entendeu a autoridade fiscal pelo cabimento do Auto de Infração por tratarse de valores pagos a empregados a título de PLR da empresa em desacordo com a Lei nº 10.101/2000 e com a Constituição Federal. 3. As contribuições sociais previdenciárias lançadas se referem “exclusivamente a contribuição a cargo da empresa referente a outras entidades e fundos (Terceiros), incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados a título de PLR Participação nos Lucros e Resultados em desacordo com a legislação.” (fl.30). 4. De acordo com a autoridade fiscal, “o contribuinte apresentou o Regulamento para o Pagamento de Participação nos Lucros ou Resultados, relativos aos anos de 2003, 2004 e 2005, um datado de 12/03/2003, outro sem aposição de data, ambos, porém, protocolados no SINTERP/BA, a destempo em relação à exigência legal, em 04/03/2009, ou seja, somente após o inicio desta ação fiscal, conforme TIPF anexo. Além disso, estes acordos não estabeleceram, consoante legislação específica, nem os índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa, nem possíveis metas a serem atingidas, nem muito menos as regras de aferição destas variáveis. Há, em verdade, um vazio jurídico sobre a exigência legal. Exigência, aliás, intimamente ligada à natureza jurídica da parcela em questão. Desta forma, é forçoso concluir que a empresa descumpriu "in totum" a legislação sobre a matéria e, por conseqüência, o referido pagamento, embora intitulado "PLR", passou à condição de mera parcela de natureza remuneratória e, como tal, integra o saláriode contribuição para todos os fins legais.” 5. Em síntese, entendeu a fiscalização que os pagamentos feitos no período de 02/2006 a 08/2007, a título de PLR, tem natureza remuneratória, razão pela qual se constituem em base de cálculo da contribuição social previdenciária, uma vez que foram efetuados em desacordo com a legislação de regência. 6. De acordo com o item 6.2, do relatório fiscal (fl. 33), “as contribuições sociais devidas pelo contribuinte, incluídas neste Auto de Infração, serão acrescidos de multa e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei n°. 9.430/96, com redação alterada pela MP n° 449, de 03/12/08, convertida na Lei n° 11.941/09.” 7. A empresa foi regularmente cientificada do lançamento fiscal em 17/12/2009, por via postal, conforme Aviso de Recebimento do Serviço dos Correios, nº AR 520809983RL (fl. 56), tendo a autuada, tempestivamente, apresentado impugnação às folhas 57/75, a qual foi encaminhada a Receita Federal do Brasil, por via postal, conforme SEDEX SK229803038BR (fls. 162/63). Fl. 199DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10580.728351/200903 Acórdão n.º 2803003.378 S2TE03 Fl. 178 4 8. Ao analisar os argumentos apresentados pela empresa, o julgador a quo não acolheu as alegações feitas pela impugnante, mantendo a exigibilidade do débito, do que resultou o acórdão, cuja ementa a seguir transcrevo (fl. 164): “PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. A participação nos lucros ou resultados da sociedade empresária, quando paga ou creditada em desacordo com a Lei específica, integra o salário de contribuição previdenciário. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” 9. Da decisão supra a recorrente foi regularmente notificada em 17/12/2012, conforme AR 0976636668DH, do serviço postal (fl. 174), bem como de outras decisões relativas aos PAF’s de nºs. 10580.728350/200951, 10580.728349/200926 e 10580.72835/22009. Os demais AI’s são os seguintes: DEBCAD/PAF TIPO DE CONTRIBUIÇÕES DATA DE EMISSÃO PERÍODO DO DÉBITO TOTAL CONSOLIDA DO EM 07/12/2009 – R$ MOTIVAÇÃO DO AI 37.212.9528 (10580.728350/200951) Contribuição dos segurados empregados 14/12/2009 02/2006 a 08/2007 5.315,26 Diferenças dos segurados empregados, incidentes sobre as remunerações pagas a título de PLR paga em desacordo com a legislação. 37.212.9510 (10580.728349/200926) Contribuição patronal (EMPRESA e GILRAT) 14/12/2009 02/2006 a 08/2007 45.214,45 Contribuições sociais previdenciárias lançadas se referem “exclusivamente às diferenças patronais (EMPRESA e GILRAT), incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados a título de PLR Participação nos Lucros e Resultados, em desacordo com a legislação que rege a matéria 37.212.9501 (10580.72835/2200940) Multa por descumprimento de obrigação acessória 14/12/2009 02/2006 a 08/2007 5.316,72 Apresentar a empresa o documento a que se refere à Lei n. 6.212, de 24.07.91, art. 32, Inciso IV e parágrafo 3º, acrescentados pela Lei n. 9, 523, de 10.12,97, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, IV e parágrafo 5º, acrescentado pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, combinado com o art. 225, IV e parágrafo 4º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. 10. Em peça única, acostada ao processo principal, PAF 10580.728349/2009 26, a contribuinte, demonstrando seu inconformismo, apresentou recurso voluntário, fls. 185 a 205, do referido PAF, em 16/01/2013, tendo a autoridade de origem informado, por despacho de 18/01/2013, fl. 205 daqueles autos, que nesta data foi juntado o recurso. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10580.728351/200903 Acórdão n.º 2803003.378 S2TE03 Fl. 179 5 11. Com vistas à anulação de todos os AI’s anteriormente mencionados, em peça única, a contribuinte em seu recurso voluntário, basicamente, traz os mesmos argumentos apresentados na impugnação, onde, em síntese, alega que: a) em relação aos presentes autos, os valores pagos aos empregados são relativos à Participação nos Lucros e Resultados, e por isso mesmo desvinculados dos salários, não sendo passíveis de incidência de contribuições sociais porque foram pagos com observância ao art 7º, XI, da Constituição Federal de 1988, assim como o art. 28, § 9°, "j", da Lei n° 8.212/1991. b) com relação ao suposto atraso no registro dos documentos perante o Sindicato, a ora Recorrente salienta que de fato tal atraso ocorreu. No entanto, ressaltase que o fato do registro ter sido tardio junto ao Sindicato não pode acarretar de sobremaneira, a descaracterização da natureza jurídica dos pagamentos realizados a título de PLR. c) o pagamento da PLR, por si só, não acarreta a obrigação tributária do recolhimento de contribuição previdenciária e, consequentemente, não gera obrigação de declaração em GFIP. d) por não ter se verificado inadimplemento de obrigação tributária é completamente absurda a cobrança, pela Receita Federal, de qualquer multa, seja ela de caráter moratório ou punitivo. Assim, a multa ora aplicada torna se inexigível porque deixouse de observar os princípios constitucionais da Razoabilidade, da Proporcionalidade e do Nãoconfisco. e) por fim, requer reforma do Acórdão recorrido, e, por conseguinte, a improcedência do Auto de Infração (DEBCAD nº 37.261.1818). Alternativamente, caso necessário, requer diligência para a verificação do alegado. 12. O fisco não apresentou contrarrazões e o processo foi encaminhado para análise e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10580.728351/200903 Acórdão n.º 2803003.378 S2TE03 Fl. 180 6 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DO MÉRITO – PAGAMENTO DE PLR 2. Tratase de autuação fiscal (DEBCAD nº 37.261.1818) por meio da qual se exige da recorrente contribuições sociais previdenciárias correspondentes “exclusivamente à contribuição a cargo da empresa referentes a outras entidades e fundos (Terceiros , incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados a título de PLR Participação nos Lucros e Resultados em desacordo com a legislação”, tendo, portanto, deixado de atender aos requisitos previstos na Lei nº 10.101/2000, conferindolhes a natureza salarial, exigindo o pagamento da importância de R$ 8.984,73 referente às competências de 02/2006 a 08/2007 (fl. 30). 3. Notese que, a defesa da contribuinte, além da autuação fiscal (DEBCAD nº 37.261.1818), abrange também os AI’s nº 37.212.9528 (10580.728350/200951), 37.212.9510 (10580.728349/200926) e 37.325.9344 (10580.72835/2200940). 4. A respeito do pagamento da PLR aos trabalhadores a Constituição Federal de 1988, no inciso XI, do artigo 7º, incluiu entre os direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, a participação nos lucros ou resultados da empresa, enfatizando a sua desvinculação da remuneração. Eis o teor do dispositivo constitucional: “Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visam à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei (grifei).” 5. Consoante entendimento do Supremo Tribunal Federal, o exercício do direito assegurado pelo referido artigo começaria “com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração”. (RE 398284, Rel. Min. Menezes Direito, julgado em 23/09/2008). A seu turno, a regulamentação do dispositivo “somente ocorreu com a edição da Medida Provisória 794/94”, posteriormente convertida na Lei nº 10.101/00. (RE 393764 AgR, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 25/11/2008). 6. A Lei nº 10.101/00 determina os termos essenciais para que o pagamento da PLR não sofra a incidência de contribuição previdenciária, são eles, nos termos do que determina a legislação. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10580.728351/200903 Acórdão n.º 2803003.378 S2TE03 Fl. 181 7 7. Nesse sentido, a Lei de Custeio da Seguridade Social, em seu artigo 28, § 9º, "j"`, condicionou a não incidência de contribuição previdenciária ao atendimento dos critérios fixados em lei específica: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...). § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...). j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica;” 8. É dizer: a não incidência da contribuição social previdenciária está adstrita aos pagamentos realizados a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, pressupondo a observância da legislação especial, in casu, Lei nº 10.101/2000. E, uma vez descaracterizado o benefício, as quantias em comento pagas pelo empregador a seus empregados ostentam a natureza de remuneração, passíveis, pois, de serem tributadas. 9. Do dispositivo exonerativo anteriormente colacionado, verificase que tal previsão legislativa alcança ou se aplica a PLR paga de acordo com os contornos estabelecidos pela lei que regule a participação, e, no caso a Lei nº 10.101/2000. Isto significa que uma PLR paga, a qual de uma forma ou outra não atenda os requisitos da referida lei, entrará no cômputo do salário de contribuição do segurado empregado. 10. Para que uma empresa, portanto, possa efetuar pagamentos aos seus empregados do referido benefício, sem que o mesmo integre o salário de contribuição do segurado, são necessários que se preencham alguns requisitos mínimos, em especial os de natureza material, conforme o dispostos no artigo 2°, da Lei nº 10.101/2000: “Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; Fl. 203DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10580.728351/200903 Acórdão n.º 2803003.378 S2TE03 Fl. 182 8 II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente.” (Grifei). 11. Observese que, ao se falar de requisitos materiais, estes se relacionam ao direito substantivo do trabalhador, bastando a ausência ou inobservância de um deles para que a PLR deixe de ostentar essa natureza, passando a integrar o salário de contribuição do beneficiário. Por outro lado, não terá natureza remuneratória e não será tributada pela Contribuição Previdenciária a PLR, para a qual exista instrumento de negociação, elaborado com a participação obrigatória do sindicato, com regras claras e objetivas, com mecanismo de aferição dos resultados, assim entendido, por exemplo, o mecanismo que comprove como e se foi o objetivo atingido, periodicidade do pagamento, etc., tudo como determina a lei nº 10.101/2000. 12. Posta a norma, passo a analisar o procedimento adotado pela empresa na concessão do benefício. 13. No presente caso, reiterese que o ponto principal da controvérsia instaurado entre o Fisco e a contribuinte concentrase na desconsideração da isenção do pagamento da participação nos Lucros e Resultados (PLR) da empresa. 14. O principal fundamento do Fisco para a lavratura do auto de infração é o fato de que a autuada efetuou pagamentos a título de PLR com inobservância de requisitos legais, portanto, em desacordo com a legislação de regência, a respeito do que trago a colação o constatado pela autoridade fiscal, conforme apontado no item 2.6 do Relatório Fiscal (fl. 32), como segue: “(...). 2.6. O contribuinte apresentou o Regulamento para o Pagamento de Participação nos Lucros ou Resultados, relativos aos anos de 2003, 2004 e 2005, um datado de 12/03/2003, outro sem aposição de data, ambos, porém, protocolados no SINTERP/BA, a destempo em relação a exigência legal, em 04/03/2009, ou seja, somente após o inicio desta ação fiscal, conforme TIPF anexo. Além disso, estes acordos não estabeleceram, consoante legislação específica, nem os índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa, nem possíveis metas a serem atingidas, nem muito menos as regras de aferição destas variáveis. Há, em verdade, um vazio jurídico sobre a exigência legal. Exigência, aliás, intimamente ligada à natureza jurídica da parcela em questão. Desta forma, é forçoso concluir que a empresa descumpriu "in totum" a legislação sobre a matéria e, por conseqüência, o referido pagamento, embora intitulado "PLR", passou à condição de mera parcela de natureza remuneratória e, como tal, integra o saláriodecontribuição para todos os fins legais”. 15. Vejase que, o acordo para pagamento da participação nos lucros e resultados (PLR) aos trabalhadores foi a destempo remetido ao sindicato para arquivamento, inclusive nos mesmos não constam regras claras e objetivas que fixem o direito à participação e os mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado (parágrafos 1º e 2º do art. 2º da Lei nº 10.101/2000), ficando assim patente a impossibilidade da aferição do direito substantivo conferido pela legislação ao trabalhador. Em idêntica direção Fl. 204DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10580.728351/200903 Acórdão n.º 2803003.378 S2TE03 Fl. 183 9 foi a correta análise feita pelo julgador a quo, onde no acórdão recorrido (fls. 169/170) assim se expressa: “Analisandose os Acordos de Participação dos Trabalhadores nos Lucros ou Resultados anexados pela fiscalização e pelo contribuinte, notase que não há a discriminação das regras para aferição da produtividade, nem houve o registro na entidade sindical dos trabalhadores em época própria, descumprindo o quanto foi preceituado no art. 2° da Lei 10.101, de 2000: Art.2º. A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; convenção ou acordo coletivo. §1° Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2° O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (grifos nossos). Alega a impugnante que apesar da fiscalização considerar que o termo de negociação não evidencia de forma clara as regras, as mesmas sempre existiram na empresa e são de conhecimento público. Ocorre que não basta existir as regras, estas devem estar claras no instrumento de negociação, no presente caso: no acordo para participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados, conforme determina a Lei 10.101/2000. Reconhece o contribuinte que houve o registro tardio junto ao sindicato, mas que tal fato não pode descaracterizar a natureza jurídica dos pagamentos realizados a título de PLR. Ocorre que na época em que as verbas foram pagas a título de PLR, a empresa a fez descumprindo a legislação ao não registrar o acordo no sindicato, e somente as verbas pagas em acordo com as Leis 8.212/91 e 10.101/2000 não integram o salário de contribuição. Ademais, somente após o início da presente ação fiscal que a empresa providenciou o devido registro. Por último, junta a impugnante planilha no intuito de comprovar que tais verbas foram pagas respeitando o prazo mínimo de 6 meses. Apesar da fiscalização fazer menção a tal requisito no Relatório Fiscal, ela Fl. 205DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10580.728351/200903 Acórdão n.º 2803003.378 S2TE03 Fl. 184 10 não demonstrou claramente seu descumprimento. Ocorre que basta o descumprimento dos outros requisitos aqui demonstrados para caracterizar tais verbas como de natureza remuneratória. Assim, houve motivo suficiente para descaracterizála como parcela não integrante do salário de contribuição. Em conclusão, não tendo sido atendido o conjunto normativo de regência, restaram improfícuas as alegações da Impugnante quanto à natureza não salarial dos valores pagos a título de participação nos lucros, especialmente sob o aspecto tributário, vez que o § 10 do artigo 214 do Decreto nº 3.048/99, que regulamenta o art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, determina que as parcelas referidas no § 9º do mesmo artigo legal, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, integram o salário de contribuição para todos os fins e efeitos.” 16. Aliás, a recorrente, em seu recurso voluntário, ela mesma admite que em relação ao atraso no registro do acordo da PLR perante o Sindicato, ocorreu realmente, conforme aventado no item precedente, caracterizado assim o descumprimento desse requisito estabelecido na legislação, uma vez que a entidade referida constituise em elemento basilar das discussões pertinentes, de forma que as regras traçadas no acordo não se destoem dos objetivos da lei e do direito ali tutelado. 17. Compulsando os autos, entretanto, o que de fato se verifica é que, não só em relação a requisitos formais, mas também no que tange aos requisitos materiais, como é o caso de regras de aferibilidade da PLR, a contribuinte não comprovou perante a fiscalização ter atendido os requisitos legais para pagamento dessa participação aos segurados empregados. Assim, este relator, além de concordar com as ponderações feitas pelo julgador de primeira instância, entende como estando correto o enquadramento da rubrica PLR como salário de contribuição paga a empregado em desacordo com as exigências legais, nesse caso, consideradas parcelas de natureza remuneratória para a Seguridade Social. 18. Neste contexto, é importante esclarecer que a fixação de regras objetivas e claras constituemse em elemento essencial para conceder validade ao instrumento da PLR. Dessa forma, reiterese que descumprido esse requisito, inviabilizada estará a aferibilidade do quantum se constitui o benefício e com isto o pagamento da verba perde a sua isenção e consequentemente é incluída na base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias. 19. Desse modo, e, tendo em conta o exposto no texto da norma, peço vênia para discordar da recorrente, no ponto em que insiste alegar como fez na impugnação de que se trata de pagamento de PLR conforme a legislação, informando, inclusive, que “Ao contrário do quanto alegado no Acórdão recorrido, cabe esclarecer que o termo de negociação evidencia as regras de forma clara, as mesmas sempre existiram na empresa e são de conhecimento público desde que a empresa começou a apagar a PLR, antes mesmo da conversão das Medidas Provisórias que culminaram na Lei n° 10.101, razão pela qual não deve prosperar não deve persistir a incidência das contribuições previdenciárias sobre a participação de lucros paga pela empresa a seus funcionários.” 20. Tal afirmativa da recorrente carece de fundamentação e não deve ser acolhida, pois a legislação não contempla como sendo requisito ou condição de clareza o lapso Fl. 206DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10580.728351/200903 Acórdão n.º 2803003.378 S2TE03 Fl. 185 11 temporal de existência do acordo da PLR na empresa, tampouco que as regras estabelecidas nesse instrumento sejam de domínio público. 21. Feitos esses esclarecimentos, é necessário apontar que a legislação previdenciária, que delimita a base de cálculo das contribuições sociais, qual seja a Lei nº 8.212/91, prevê que somente estarão excluídas as verbas expressamente discriminadas no § 9º do artigo 28 da referida norma. 22. No tocante ao pagamento de PLR aos trabalhadores, o texto legal é claro: somente quando paga ou creditada de acordo com a lei específica a PLR deixará de compor o salário de contribuição. 23. Quanto à alegação da recorrente de que a obrigação tributária previdenciária teria surgido a partir da ciência do auto de infração não cabe acolhida, uma vez que o seu nascimento ocorre no exato momento em que no mundo real ou dos fatos se verifica como ocorrido a situação hipoteticamente defina na lei como hipótese de incidência, estabelecendose nesse mesmo instante o vínculo jurídico entre credor e devedor, tendo por objeto uma prestação em dinheiro nos moldes previstos no art. 3º do Código Tributário Nacional CTN, in verbis: “Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada”. 24. Nesse sentido, é o que estabelece o art. 113 do CTN, o qual define como sendo a obrigação tributária de duas espécies, a saber, principal ou acessória. Quanto à principal, esta, conforme o §1° do referido dispositivo, surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. No presente caso o fato gerador se verifica no momento em que a recorrente remunera seus empregados. 25. Da análise dos autos, especialmente dos acordos apresentados para o período fiscalizado, verifico que estes não estão aptos a concederem a isenção previdenciária sobre os pagamentos feitos a título de PLR pela contribuinte, inclusive, importante registrar que a recorrente não trouxe argumentos ou elementos capaz de reverter o lançamento, o qual entendo como regular, haja vista que foi realizado pela fiscalização com observância aos ditames do art. 142 do CTN. 26. Do até aqui exposto, afasto o defendido pela recorrente, no sentido de que efetivamente tenha ela pago PLR nos moldes preconizados na Lei nº 10.101/00, isto porque requisitos de naturezas material e formal deixaram de ser observados, como já apontado anteriormente, de sorte que deve ser mantido o lançamento. DA MULTA APLICADA E DA IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DA ALEGAÇÃO DE SEU CARÁTER CONFISCATÓRIO 27. Igualmente fez na impugnação, alega a recorrente que a multa lançada é excessiva, confiscatória, portanto, e afronta os princípios constitucionais da razoabilidade, proporcionalidade e o do não confisco, razões pelas quais deve ser afastada. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10580.728351/200903 Acórdão n.º 2803003.378 S2TE03 Fl. 186 12 28. Apenas a título de argumentação, é imperioso apontar que esta alegação não deve prosperar, pois o caráter confiscatório da multa somente resta configurado quando o valor agredir violentamente o patrimônio do contribuinte, o que não ocorre na hipótese analisada. 29. Quantos aos princípios constitucionais da razoabilidade, da legalidade, dentre outros, utilizados pela recorrente para se contrapor a penalidade, entendo que tais princípios são dirigidos ao legislador, e não ao aplicador da lei, o qual, diante da norma existente no mundo jurídico, deverá aplicála obrigatoriamente, não estando assim facultada a sua discricionariedade aspectos meritórios de validade de norma posta. 30. Nesse diapasão já é possível sinalizar que o exame da matéria, como articulado no recurso voluntário interposto pela recorrente, inevitavelmente passaria pela análise da constitucionalidade dos dispositivos que fundamentaram a aplicação da penalidade em face do inadimplemento da obrigação tributária pela empresa. 31. No entanto, os fundamentos tomados pela recorrente para sua irresignação, reiterese, não deve ser apreciada por este Conselho, em respeito à competência privativa do Poder Judiciário, já que o afastamento da aplicação da Legislação referente à exigibilidade da multa, no caso ora analisado, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, “a” e III, “b” da Constituição Federal, o que é vedado a este Conselho. Ou seja, a autoridade administrativa falece competência para afastar a aplicação de norma sob fundamento de sua inconstitucionalidade, uma vez que tratarse de atividade estranha constitucionalmente as suas atribuições. 32. Sobre a questão, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” 33 Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a inconstitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal que atribui ao poder judiciário tal competência, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. 34. O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” 35. Não há que se falar em caráter confiscatório, portanto, da multa prevista, respectivamente, no art. 239, III, "a”, “b” e “c”, parágrafos 2º. ao 6º. e 11, e art. 242, Fl. 208DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10580.728351/200903 Acórdão n.º 2803003.378 S2TE03 Fl. 187 13 parágrafos 1º. e 2º. (com a redação dada pelo Decreto nº. 3.265, de 29.11.99). do Regulamento da Previdência Social, e, art. 35, da Lei nº 8.212/91 (com a redação dada pela Lei nº 9.876/99), posto que a atividade tributária é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais, sendolhe vedada a discricionariedade de aplicação da norma quando presentes os requisitos materiais e formais para sua aplicação, portanto, perfeitamente válido o lançamento em relação a esses aspectos. No presente caso, a multa aplicada encontra fundamento nos dispositivos legais trazidos no relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, e foi corretamente aplicada pela autoridade fiscal, encontrandose livre de vícios. 36. Do anteriormente apontado, deixo de apreciar eventuais aspectos relacionados à exorbitância da multa imposta ao presente caso, haja vista que não compete a autoridade lançadora ou julgadora dispensar ou reduzir valores de multas, sob o argumento de inconstitucionalidade, aí compreendida abusividade ou ilegalidade. 37. Por outro lado, no caso destes autos o período fiscalizado é 02/2006 a 08/2007 que foi o lançamento consolidado em 07/12/2009, fl. 2, ou seja, a multa foi lançada aplicada variaria de 24% a 100%, a depender da fase do processo administrativo. 38. No caso destes autos a multa aplicada é 75%, como isso pode ser mais benéfico ao contribuinte? Este patamar de 75% só será mais benéfico quando a multa do artigo 35, da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei nº 9.876/99, chegasse a 80%, na fase de execução fiscal, ainda, que não citado o devedor, desde que não houvesse parcelamento. 39. Feitos estes esclarecimentos necessários entendo que deve ser aplicado ao lançamento a multa do artigo 35, da Lei 8.212/91 na redação da Lei 9.876/99, devendo esta ser limitada a 75%, em respeito ao artigo 35A, da Lei nº 8.212/91 na redação da Lei nº 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. 40. Cumpre ressaltar que, a Lei n.º 11.941/2009 trouxe alterações ao art. 35 da Lei nº 8.212/91, assim, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao sujeito passivo. 41. Aplicando a situação acima, em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. 42. Notese, no caso, não se pode aplicar a multa do artigo 61, § 2º, “a”, pois o presente auto cuida de lançamento de ofício, isto é, aquele realizado pelo fisco. DO PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA 43. Quanto à diligência ventilada pela recorrente, cabe esclarecer que se trata de procedimento, do qual a prova ou informações dela extraída tem como destinatária a autoridade julgadora que fará juízo de valor quanto a ser ela imprescindível ou não para a solução da controvérsia objeto do litígio. 44. Acrescente a isto que, a diligência ou a prova pericial não são buscadas ou obtidas ao sabor do julgador, mas elas sempre serão necessárias nas hipóteses em que a verdade material não puder ser alcançada de outra forma mais célere e simples. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 10580.728351/200903 Acórdão n.º 2803003.378 S2TE03 Fl. 188 14 45. No presente caso, entendo que estão presentes todas as informações suficientes para compreensão dos fatos e solução do litígio, razões pelas quais não vejo como necessária a realização da diligência, aventada de forma vaga e imprecisa pela recorrente, eis que em nenhum momento o fez com observância ao que dispõe o inciso IV, do art. 16, do Dec. 70.235/72, in verbis: “IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993).” 46. Assim, tendo em conta que a recorrente, em seu recurso voluntário apenas, de forma alternativa faz ilações da necessidade de diligência sem observar os requisitos estabelecidos no dispositivo acima transcrito, implica em considerar como não tendo sido feito tal pedido, nos termos do §1º, do mesmo artigo, o qual determina que “Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16.” 47. Assim, do até aqui arrazoado, resta patente a impossibilidade de invalidar ou ter como improcedente os procedimentos adotados pelo Agente Fiscal, bem como o deferimento de diligência feito pela recorrente. CONCLUSÃO 48. Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, para, no mérito, dar lhe parcial provimento, para que a multa de ofício seja aplicada nos moldes do artigo 35 da Lei nº 8.212/91, na redação anterior a MP nº 449/2008, devendo a progressão da multa ser limitada ao que determina o artigo 35A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução, se mais benéfica a contribuinte. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 7/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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Numero do processo: 10830.914930/2012-75
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2009
NULIDADE.
As atos administrativos que contêm todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia, em observância às garantias constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa não são passíveis de nulidade.
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA.
Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1803-002.244
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Arthur José André Neto, Meigan Sack Rodrigues, e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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As atos administrativos que contêm todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia, em observância às garantias constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa não são passíveis de nulidade. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 49 30 /2 01 2- 75 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914930/201275 Acórdão n.º 1803002.244 S1TE03 Fl. 67 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Arthur José André Neto, Meigan Sack Rodrigues, e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 10499.93942.160812.1.3.047140, em 16.08.2012, fls. 2327, utilizandose do pagamento a maior de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), código 2089, no valor de R$1.202,15 contido no DARF no valor de R$1.212,06 recolhido em 30.05.2008, apurado pelo lucro presumido para fins de compensação do débito ali confessado. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 28, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Limite do crédito analisado correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 1.202,15 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Características do DARF discriminado no PER/DCOMP PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR TOTAL DO DARF DATA DE ARRECADAÇÃO 30/06/2008 2089 1.212,06 30/05/2008 UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP NÚMERO DO PAGAMENTO VALOR ORIGINAL TOTAL PROCESSO(PR)/ PERD/COMP(PD)/DÉBITO(DB) VALOR ORIGINAL UTILIZADO 4708854061 1.212,06 Db: cód 2089 PA 30/06/2008 1.212,06 [...] Fl. 67DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914930/201275 Acórdão n.º 1803002.244 S1TE03 Fl. 68 3 Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade, fls. 0211, suscitando: II Do Mérito II. a Das nulidades O despacho decisório, em que pese o esforço da autoridade administrativa em cumprir os prazos a que está submetida, para não se ver compelida a acatar o ato praticado pelo sujeito passivo, em razão de sua inércia, está totalmente eivado de nulidades. [...] A alegação de que não existe crédito disponível não pode ser entendida como fundamento para o despacho decisório, sem constar o porquê desta ir existência. A autoridade quedouse inerte na análise de qualquer situação que legitima o crédito postulado, sendo que esta deve total obediência à legalidade, nos termos em que preconiza [o art. 37 da] Carta Magna [,...]. Assim sendo, o processo administrativo no âmbito federal, tal como é o caso, tem regulamentação própria e deve ser observada pela autoridade administrativa julgadora. Dispõe a Lei n.° 9.784/99: "Art. 2° A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. (...) VIII observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados" [...]. Resta claro que, tendo a administração pública o dever de obediência à legalidade e dispondo a lei que em seus atos tem de ser motivados, logo se conclui facilmente que há o dever de motivar as decisões proferidas nos processos sob sua jurisdição. Tanto é assim que a própria Lei n.° 9.784/99 prevê [...]: "Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: I neguem, limitem ou afetem direitos ou Interesses; (...) § lº A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato" [...]. Devese entender por motivação, os fundamentos fatídicos e legais que formaram a convicção da autoridade administrativa no caso concreto.Deveras, a autoridade administrativa simplesmente não homologou a compensação realizada pela empresa, por supostamente o crédito não existir. Não se deu sequer ao trabalho de motivar sua decisão, de tal como que a empresa está impedida de promover a sua defesa, na medida em que sequer sabe o motivo pelo qual o crédito inexiste. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914930/201275 Acórdão n.º 1803002.244 S1TE03 Fl. 69 4 Nem se diga ao fato de se tratar de um despacho decisório eletrônico, que sequer passou pelo crivo de um auditor fiscal. É evidente que a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, porque o crédito propriamente dito sequer foi apreciado.Limitouse a autoridade administrativa, em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Todavia, para o deslinde da questão aqui trazida, mister seja definido o significado de "inexistência do crédito" a que afirma a autoridade administrativa. Como se pode observar do despacho decisório, não há esclarecimentos quanto a esse significado, aliás, não há qualquer outro esclarecimento. Diversas são as situações que acarretariam na restituição do valor recolhido, seja pela inclusão indevida de valores na base de cálculo, seja por erro de fato na apuração do imposto, seja por situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo da exação. [...] O fato é que a autoridade administrativa furtouse em analisar, efetivamente, qualquer das possibilidades que ensejaria a restituição postulada. Denotamse facilmente esses fatos, por se tratar de um despacho eletrônico, que não é submetido ao crivo de um auditor fiscal para analisar essas situações. A ausência de motivação das decisões, como é o caso, importa em nulidade do ato praticado, consoante preleciona o artigo 59 do Decreto n.° 70.235/72 que, digase, é aplicado subsidiariamente ao processo de compensação. [...] É cediço que simplesmente não homologar a compensação sem explicar os motivos da suposta inexistência do crédito em que se funda, torna a decisão NULA, por não oferecer os elementos necessários para que a empresa possa promover sua defesa e a prova da existência deste crédito. [...] Deve, pois, ser julgado NULO o despacho decisório, por ausência de motivação, devendo o crédito postulado ser totalmente reconhecido, bem como a compensação totalmente homologada. II.b Do cerceamento do direito de defesa Reza a Constituição Federal que: "Art. 5º (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral, são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes". A ampla defesa e o contraditório devem ser entendidos em seu sentido amplo, de utilizarse de todos os meios admitidos em direito para promover a defesa de seus interesses. [...] Primeiramente, porque a autoridade administrativa simplesmente não analisou o mérito do pedido de restituição/compensação postulado peia empresa. Da mesma forma, sequer intimou a empresa a esclarecer os motivos de ter pleiteado a restituição do tributo pago, quando poderia têlo feito, conforme dispõe a IN 1.300/2012: "Art. 76. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas". Fl. 69DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914930/201275 Acórdão n.º 1803002.244 S1TE03 Fl. 70 5 Apesar de que a previsão normativa se utilize da expressão "poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito", há um dever previsto na Constituição Federal de Eficiência. Em observância a este princípio, a administração deve intimar o interessado a fazer os esclarecimentos necessários e a comprovar o alegado, sempre que lhe restar dúvidas. Isto porque, a ampla defesa como garantia constitucional, deve ser entendida em seu sentido amplo, como o direito de produzir todas as provas necessárias à defesa do interesse postulado. Desta forma, não há que se dizer que este direito somente restaria violado em sede de recurso, principalmente à vista do dever de Eficiência, como dito alhures. Restou violado, além do direito de ampla defesa, este dever de eficiência dos atos administrativos. Além de não analisar o mérito da questão, a autoridade administrativa quedouse omissa quanto aos fundamentos que formaram o seu entendimento. Essa fundamentação é essencial e extremamente necessária para preservar a garantia de ampla defesa e contraditório, inerente ao processo administrativo. A não observância deste dever de motivar suas decisões, como se observa no caso destes autos, obsta o exercício dessas garantias constitucionais. Ora, não é possível promover uma defesa quando não são expostos os argumentos que levaram ao indeferimento do seu pedido. A falta de motivação/fundamentação da decisão proferida pela Autoridade Administrativa obsta até mesmo a produção das provas necessárias, já que sequer é sabido o que não foi reconhecido. Portanto, TOTALMENTE NULO o despacho decisório, devendo estes autos retornarem à origem para efetiva apreciação e total homologação da compensação postulada. II.c Da produção de provas Determina o Decreto n.° 70.235/72, lei que regula o processo administrativo de exigência de créditos tributários e é aplicado subsidiariamente ao processo de restituição/compensação: "Art. 16. (...) § 4° A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por motivo de força maior; [...]. Como amplamente defendido nesta peça processual, a autoridade administrativa quedouse inerte em expor os motivos pelos quais entendeu por não reconhecer o direito creditório e, por conseguinte, não homologar as compensações realizadas. Aliado a essa omissão, há também o fato de a empresa não ter tido oportunidade de esclarecer as razões pelas quais é detentora do crédito postulado. Logo, não há como promover uma defesa, com a apresentação de documentos comprobatórios do direito alegado, já que, nem a autoridade administrativa sabe ao certo o motivo do indeferimento, tampouco a requerente. Neste diapasão, a empresa está impedida de exercer plenamente o seu direito de defesa, como já dito alhures e de forma exaustiva. Desta feita, ao caso em tela, há de ser aplicada a regra autorizadora da produção posterior das provas, para o momento em que a lide esteja delineada em seus termos. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914930/201275 Acórdão n.º 1803002.244 S1TE03 Fl. 71 6 Conclui que: Diante do exposto, requer: • seja o presente recurso recebido e processado, bem como encaminhado à autoridade competente para o seu julgamento; • seja determinada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em questão, conforme artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional; • seja acatada as preliminares arguidas neste manifesto, a fim de declarar NULO DE PLENO DIREITO o despacho decisório, pois eivado de vício insanável decorrente da ausência da exposição dos fundamentos que culminaram a não homologação da compensação. • sejam os autos remetidos à Delegacia de origem, para que, enfim, sejam promovidas todas as diligências necessárias à comprovação do crédito. • caso o entendimento dos Nobres Julgadores seja pelo não reconhecimento das nulidades arguidas, requer seja o presente manifesto julgado TOTALMENTE PROCEDENTE, reformando o despacho decisório, reconhecendose o direito creditório em sua integralidade, assim como, homologando toda a compensação realizada. Está registrado como ementa do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/JFA/MG nº 09 46.815, de 26.09.2013, fls. 4043: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO. Se o pagamento utilizado como crédito encontrase alocado a débito declarado pela empresa, não existe o crédito pretendido. DISCUSSÃO DE MÉRITO. Se a manifestante não discute o mérito da lide, ou seja, não traz aos autos documentação hábil e idônea que demonstre o certeza e liquidez do crédito pretendido, a decisão administrativa deve ser mantida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Notificada em 06.11.2013, fl. 62, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 06.12.2013, fls. 4760, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge, reiterando os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Acrescenta que: Tratase de RECURSO VOLUNTÁRIO interposto contra decisão que manteve o despacho decisório que não homologa a compensação realizada, utilizandose como fundamentação a simples menção de que inexiste crédito. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914930/201275 Acórdão n.º 1803002.244 S1TE03 Fl. 72 7 Em que pese às razões, de fato e de direito, apresentadas pela ora Recorrente, na Manifestação de Inconformidade apresentada, o nobre julgador a quo decidiu pela manutenção do despacho decisório que não homologou o pedido de compensação, afirmando que este havia sido fundamentado. Pelo que se percebe, a r. decisão não levou em consideração, nas razões de decidir a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo a Recorrente de apresentar defesa, bem como demonstrar a existência do crédito. O princípio da motivação dos atos administrativos foi desrespeitado, uma vez que a autoridade indeferiu a homologação das compensações utilizando como fundamento a inexistência do crédito, sem qualquer esclarecimento adicional, tendo a decisão de primeira instância alegado que esta estava fundamentada, com a menção de artigos genéricos da legislação tributária. Ora, como pode a recorrente argumentar e apresentar defesa sem saber ao certo por qual motivo sua compensação não foi homologada? Logo, inexistindo fundamentação que sustenta decisão da autoridade administrativa, esta passa a ser nula, por desrespeitai o princípio da motivação dos atos administrativos, impedindo que a Recorrente apresente uma defesa concreta. Além do princípio da motivação dos atos administrativos, restou violado o direito a ampla defesa, pois, como afirmado anteriormente, sem conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada, a apresentação de qualquer defesa está prejudicada. Sendo assim, resta claro que o despacho decisório é completamente nulo, pois não apresenta fundamentações que permitam a Recorrente compreender por qual motivo sua compensação não foi homologada e impedindo que esta comprove seu direito ao crédito, constituindo o cerceamento de defesa. Ante o exposto, a Recorrente requer seja o RECURSO VOLUNTÁRIO conhecido e provido, reformandose a r. decisão de primeira instância, declarando insubsistente o despacho decisório que não homologa a compensação, sendo acolhido o presente recurso para homologar a compensação. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914930/201275 Acórdão n.º 1803002.244 S1TE03 Fl. 73 8 Em conformidade com o processo administrativo fiscal, a manifestação de inconformidade instaura a fase litigiosa no procedimento. Deve ser formalizada por escrito e instruída com os documentos, incluindo necessariamente os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir e apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação do Despacho Decisório Eletrônico. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela Recorrente na peça de defesa por ter sido alcançada pela preclusão1. O Despacho Decisório Eletrônico foi lavrado por servidor competente, na forma prescrita e com a observância completa das formalidades indispensáveis à existência do ato. O objeto está previsto em ato normativo, contendo expressamente os motivos referentes à matéria de fato ou de direito, em que se fundamenta o ato, sendo materialmente existente e juridicamente adequado ao resultado obtido. Ainda o ato foi exarado com a finalidade, pois o agente pratica o ato visando o fim previsto explicitamente na regra de competência, com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilo ou impugnálo no prazo legal2. A decisão de primeira instância e o Despacho Decisório Eletrônico estão motivados de forma explícita, clara e congruente e dos quais a Recorrente foi regularmente cientificada para se defender. Ademais, o procedimento de ofício foi realizado sem prévia intimação à Recorrente, uma vez que a Administração Tributária dispunha de elementos suficientes à análise do direito creditório 3. Em conformidade com o Despacho Decisório Eletrônico, fl. 28, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo indeferimento do pedido: Limite do crédito analisado correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 1.202,15 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Características do DARF discriminado no PER/DCOMP PERÍODO DE APURAÇÃO CÓDIGO DE RECEITA VALOR TOTAL DO DARF DATA DE ARRECADAÇÃO 30/06/2008 2089 1.212,06 30/05/2008 UTILIZAÇÃO DOS PAGAMENTOS ENCONTRADOS PARA O DARF DISCRIMINADO NO PER/DCOMP 1 Fundamentação legal: art. 14, art. 15 e art. 16 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 2 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 3 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmula CARF 46. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914930/201275 Acórdão n.º 1803002.244 S1TE03 Fl. 74 9 NÚMERO DO PAGAMENTO VALOR ORIGINAL TOTAL PROCESSO(PR)/ PERD/COMP(PD)/DÉBITO(DB) VALOR ORIGINAL UTILIZADO 4708854061 1.212,06 Db: cód 2089 PA 30/06/2008 1.212,06 [...] Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) e art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. No Voto condutor do Acórdão da 2ª TURMA/DRJ/JFA/MG nº 0946.815, de 26.09.2013, fls. 4043, está registrado: O Despacho Decisório em questão foi lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, competente para tal, e não há que se falar em preterição do direito de defesa, pois, pelo fato de ter sido dado à contribuinte o direito de apresentar sua manifestação de inconformidade, instaurando a fase litigiosa do procedimento, nos termos do disposto no art. 14 do Decreto n.º 70.235/1972, e não tendo havido qualquer ato que a impedisse de apresentar na manifestação, todos os seus argumentos e comprovantes contrários a não homologação, verificase que não foram feridos os princípios do contraditório e da ampla defesa. Quaisquer defeitos porventura presentes no despacho decisório não ensejam sua nulidade e serão sanados se comprovadamente resultarem em prejuízo para a empresa (art. 60). A empresa afirma que “a alegação de que não existe crédito disponível não pode ser entendida como fundamento para o despacho decisório, sem constar o porquê desta inexistência”, pois segundo ela “para o deslinde da questão aqui trazida, mister seja definido o significado de ‘inexistência do crédito’ a que afirma a autoridade administrativa” e “como se pode observar do despacho decisório, não há esclarecimentos quanto a esse significado, aliás, não há qualquer outro esclarecimento”. Tais alegações mostram que a manifestante não leu com atenção ou não entendeu os termos despacho decisório, tendo em vista que esse é claro ao afirmar que “a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP” (grifei). Como se vê, está explicado com clareza o motivo da inexistência de crédito: a utilização do pagamento relacionado pela empresa na Dcomp em análise, para quitar débito dela própria. Ora, que débito seria esse para o qual o pagamento foi integralmente utilizado? O despacho decisório esclarece informando o código do tributo e o período de apuração a que se refere, quais sejam, Db: código 2089 PA 30/06/2008. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914930/201275 Acórdão n.º 1803002.244 S1TE03 Fl. 75 10 Mas como teria surgido esse débito? Obviamente que da DCTF apresentada pela empresa em 07/10/2008, referente ao 2º trimestre de 2008. Nessa DCTF ela declara débito de IRPJ para o 2º trim/2008 no valor de R$2.649,97 e vincula a ele o pagamento efetuado em 30/05/2008 no valor de R$ 1.212,06 (o mesmo que usa como crédito na Dcomp em análise). O saldo de R$ 1.437,91, ela transfere para o parcelamento concedido pela Lei 11.941/2011, por meio do processo administrativo nº 18208.079223/201108 [que se encontra no Setor Proc Eletrônico REFIS DRF/CPS/SP4. [...] Posteriormente, essa mesma empresa, entendendo o débito era menor que o declarado, e que portanto, segundo ela, o pagamento teria sido efetuado a maior apresenta uma declaração de compensação utilizando o valor supostamente pago a maior como crédito. No entanto, ela não retifica a DCTF apresentada anteriormente e conseqüentemente o sistema mantém o pagamento alocado ao débito que ela declarou e não retificou. Daí a informação esclarecedora constante do despacho decisório que “foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte”. A manifestante poderia trazer nessa fase do processo as explicações (acompanhada da documentação hábil e idônea para comprovar a afirmação) sobre o motivo do débito real ser menor do que o que ela declarou. Considerando que ela não fez isso, ou seja, ela não discutiu o mérito da lide, a decisão administrativa deve ser mantida. Assim, estes atos estão motivados e contêm todos os requisitos legais, que lhes conferem existência, validade e eficácia, em observância às garantias constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, inclusive a partir da informações prestadas pela própria Recorrente à`RFB, O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos5. 4 Diaponível em: <http://comprot.fazenda.gov.br/egov/cons_dados_processo.asp?proc=18208079223201108>. Acesso em: 22 mai.2014. 5 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 170 do Código Tributário Nacional. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914930/201275 Acórdão n.º 1803002.244 S1TE03 Fl. 76 11 Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo constantes nos dados informados à RFB ou ainda quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência, tampouco procurou de alguma forma evidenciar inequivocamente a liquidez e a certeza do valor de direito creditório pleiteado. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente suscita que o Per/DComp deve ser deferido. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Ainda, o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional 6. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais7. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de registro obrigatório pela 6 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 7 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914930/201275 Acórdão n.º 1803002.244 S1TE03 Fl. 77 12 legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde da comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. Nos presentes autos não há como aferir e corroborar o valor inequivocamente do direito creditório pleiteado, uma vez que a Recorrente apenas argumenta e efetivamente não apresenta seus assentos contábeis e os documentos correspondentes para essa finalidade. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade8. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 8 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10830.914930/201275 Acórdão n.º 1803002.244 S1TE03 Fl. 78 13 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 12/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 11/06/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10680.725763/2011-70
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. PARCELA DESTINADA AO FUNDEB.
O FUNDEB é um fundo de natureza contábil, sem personalidade jurídica, não se constituindo em entidade pública, pelo que as receitas a ele destinadas não podem ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PASEP.
Numero da decisão: 3403-002.806
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Ivan Allegretti, que apresentou declaração de voto.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vice-presidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. PARCELA DESTINADA AO FUNDEB. O FUNDEB é um fundo de natureza contábil, sem personalidade jurídica, não se constituindo em entidade pública, pelo que as receitas a ele destinadas não podem ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o PASEP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Ivan Allegretti, que apresentou declaração de voto. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Marcos Tranchesi Ortiz (vicepresidente), Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan e Ivan Allegretti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 57 63 /2 01 1- 70 Fl. 638DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI 2 Relatório Versa o presente sobre auto de infração (fls. 2 a 14)1, lavrado em 27/09/2011 (com ciência em 29/09/2011) para exigência de Contribuição Social para o PASEP, instituída pela Lei Complementar no 08/1970, referente aos períodos de janeiro de 2007 a dezembro de 2008, no total de R$ 130.577,88 (a título de principal). No Termo de Verificação Fiscal de fls. 15 a 19, narrase que a fiscalização, com base no relatório de despesas e receitas dos municípios (FINBRA), e em documentos apresentados pela prefeitura, verificou insuficiência de recolhimentos da contribuição para o PASEP no período fiscalizado, pelo fato de o Município ter deixado de apurar e recolher a contribuição sobre as receitas correntes arrecadadas e sobre as transferências correntes e de capital recebidas. Integram a base de cálculo da contribuição inclusive os valores recebidos pelo Município destacados do FPM e direcionados ao FUNDEB por força do disposto na parte final do art. 7o da Lei no 9.715/1998 e do § 2o do art. 70 do Decreto no 4.524/2002. Lavrouse assim a autuação, com juros de mora e multa de ofício de 75% (Lei no 9.430/1996, art. 44), bem assim representação fiscal para fins penais. Em sua impugnação (fls. 344 a 348), a prefeitura alega que (a) as “receitas recebidas” objeto de tributação pela contribuição devem considerar a dedução de transferência, especialmente a retenção para o FUNDEF/FUNDEB impostas pela Constituição; e (b) o FUNDEF/FUNDEB é um fundo público constituído no âmbito estadual, de natureza meramente contábil (“uma conta bancária”); (c) a União e o Estado de Minas Gerais, ao repassarem FPM, IPI e ICMS, v.g., deslocam parte do repasse ao fundo, diminuindo (na fonte, em torno de 20%) o valor da transferência ao município; (d) o fundo, para o qual contribuem todos os municípios brasileiros, divide novamente os recursos, enviando a cada município a parcela correspondente, segundo critérios definidos; (e) tal parcela, evidentemente, é efetivamente “recebida” e oferecida à tributação da Contribuição para o PASEP; e, (f) portanto, o valor a ser tributado é o líquido (parcela efetivamente repassada, total menos valor retido).e não o bruto, sob pena de bitributação, e desobediência ao comando do art. 2o, III, § 3o, e dos arts. 7o e 15 da Lei no 9.715/1998, que tratam de tributação de “receitas e transferências” devidamente recebidas. Em 19/12/2011 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 604 a 608), no qual se decide unanimemente pela improcedência da impugnação, sob os argumentos de que os recursos recebidos pelos Municípios e destinados ao FUNDEB (antigo FUNDEF) não podem ser excluídos da base de cálculo do PASEP do ente que efetuar o repasse/alocação, por falta de amparo legal, não estando tal medida assegurada no art. 7o da Lei no 9.715/1998. Sustenta ainda o julgador que podem ser descontados (e foram, na autuação) as retenções efetuadas pelos agentes pagadores e os pagamentos (DARF) informados (ou não) em DCTF. Cientificada do acórdão da DRJ em 16/01/2012 (AR à fl. 616), a prefeitura apresenta Recurso Voluntário em 15/02/2012 (fls. 618 a 623), no qual basicamente reproduz o teor da impugnação. É o relatório. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 639DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 10680.725763/201170 Acórdão n.º 3403002.806 S3C4T3 Fl. 621 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. O tema central é o cabimento da exigência da Contribuição para o PASEP, instituída pela Lei Complementar no 08/1970, disciplinada pela Lei no 9.715/1998, e regulamentada no Decreto no 4.542/2002, sobre o valor correspondente ao FUNDEB. O FUNDEB (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) foi criado pela Emenda Constitucional no 53/2006 (que alterou o art. 60 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da CF/1988), e está regulamentado pela Lei no 11.494/2007 e pelo Decreto no 6.253/2007, tendo substituído o FUNDEF, que vigorou de 1998 a 2006. O FUNDEB corresponde basicamente a 20% dos recursos distribuídos entre Estados e Município, rateados proporcionalmente ao número de alunos matriculados na rede de educação básica, sendo prevista ainda complementação por parte da União. Na autuação, esclarecese que os valores autuados correspondem às receitas correntes arrecadadas e às transferências correntes e de capital recebidas, cf. art. 2o, III da Lei no 9.715/1998, incluindo os valores recebidos pelo Município destacados do FPM e direcionados ao FUNDEB por força do disposto na parte final do art. 7o da Lei no 9.715/1998 e no do § 2o do art. 70 do Decreto no 4.524/2002. Sobre a base de cálculo incide a alíquota de 1% prevista no art. 8o, III da mesma Lei no 9.715/1998, chegandose ao valor devido, do qual são deduzidos os valores correspondentes às retenções para o PASEP (cf. § 6o do art. 2o da Lei no 9.715/1998, com a redação dada pela Medida Provisória no 2.15835/2001) e os valores declarados (ou não) em DCTF recolhidos mediante DARF. Assim estabelece a Lei no 9.715/1998, que rege a Contribuição para o PASEP: “Art.2o A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: (...) III pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. (...) §6o A Secretaria do Tesouro Nacional efetuará a retenção da contribuição para o PIS/PASEP, devida sobre o valor das transferências de que trata o inciso III. (Incluído pela Medida Provisória no 215835, de 2001) Fl. 640DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI 4 (...) Art.7o Para os efeitos do inciso III do art. 2o, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Art.8o A contribuição será calculada mediante a aplicação, conforme o caso, das seguintes alíquotas: (...) III um por cento sobre o valor das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas.” Assim, o que o fisco fez foi adicionar às receitas correntes arrecadadas as transferências correntes e de capital recebidas. Obtendose a base de cálculo e aplicandose a alíquota legalmente prevista, o valor resultante foi subtraído dos pagamentos e das retenções efetuados. Apurada diferença, é exatamente a ela que se reporta o lançamento. Sobre as receitas arrecadadas parece não pairar dúvida. Contudo, é controversa a expressão “recebidas”, referente a transferências correntes e de capital. O Município sustenta que não “recebe” integralmente os valores transferidos, pois parte deles é destinada compulsoriamente ao FUNDEB e rateada. Assim, defende que deveria constituir base de cálculo da contribuição somente seu quinhão no rateio. Primordial ao deslinde do contencioso, assim, o texto do art. 7o da Lei no 9.715/1998, que esclarece o que são receitas correntes: “quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas”. E, como esclarece a própria recorrente, o FUNDEB é um fundo contábil, e não uma entidade pública. Carente de amparo legal, assim, a exclusão da base de cálculo da contribuição em relação aos valores transferidos compulsoriamente ao FUNDEB. Nesse sentido o posicionamento já assentado em Soluções de Consulta (v.g. as de no 101, de 26/11/2009, e no 86, de 03/11/2011) e de Divergência (v.g. a de no 02, de 10/02/2009) da RFB e decisões recentes deste CARF: “Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP. PESSOA JURÍDICA DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO. As pessoas jurídicas de direito público interno devem apurar a contribuição para o PIS/Pasep com base nas receitas arrecadadas e nas transferências correntes e de capital recebidas. Nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades de direito público interno, tendo que os valores recebidos com destaque para o FPE, FPM (Fundo de Participação dos Municípios) e FUNDEB (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Fl. 641DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 10680.725763/201170 Acórdão n.º 3403002.806 S3C4T3 Fl. 622 5 Educação) devem integrar a base de cálculo da contribuição.”2 (grifo nosso) “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2007 a 31/12/2007 PARCELA DOS REPASSES DESTINADAS AO FUNDEB. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. O FUNDEB é um fundo de natureza contábil, sem personalidade jurídica, não se constituindo em entidade pública, pelo que as receitas a ele destinadas não podem ser excluídas da base de cálculo da Contribuição para o Pasep. EXCLUSÃO DA MULTA DE OFÍCIO E DOS JUROS DE MORA. DESCABIMENTO. Não havendo norma infralegal vinculante e não sendo pacífica a interpretação e a aplicação da norma tributária no âmbito da Administração, é inaplicável o parágrafo único do art. 100 do CTN, que diz que a observância das normas complementares dentre as quais os atos normativos e as práticas reiteradas exclui a imposição de penalidades e a cobrança de juros de mora. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAÇÃO. As instâncias administrativas não são competentes para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais (Súmula CARF nº 28)” 3 (grifo nosso) O art. 13 da Lei no 12.810, de 15/05/2013, em vigor desde 16/05/2013 (data de publicação do texto em diário oficial), veio a trazer nova hipótese de exclusão da base de cálculo da contribuição, acrescentando um § 7o ao art. 2o da Lei no 9.715/1998. Contudo, tal alteração não afeta a substância do presente processo, por não contemplar a questão referente ao FUNDEB. Assim, faz parte da base de cálculo da Contribuição para o PASEP o valor compulsoriamente transferido ao FUNDEB. Não há então, nulidade na autuação, por carência de base legal, como alega a recorrente, mas improcedência do recurso voluntário apresentado, por igual argumento (carência de fundamento legal a excluir os valores transferidos ao FUNDEB das receitas de que trata o art. 7o da Lei no 9.715/1998). Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado. Rosaldo Trevisan 2 Acórdão n. 3201001.192, Rel. Cons. Mércia Helena Trajano D'amorim, unânime, sessão de 31.jan.2013. 3 Acórdão n. 3801001.870, Rel. Cons. Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, unânime, sessão de 21.mai.2013. Fl. 642DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI 6 Fl. 643DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 10680.725763/201170 Acórdão n.º 3403002.806 S3C4T3 Fl. 623 7 Declaração de Voto Conselheiro Ivan Allegretti, A Lei no 9.715/1998 dispõe o seguinte: “Art.2o A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: (...) III pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor mensal das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas. (...) Art.7o Para os efeitos do inciso III do art. 2o, nas receitas correntes serão incluídas quaisquer receitas tributárias, ainda que arrecadadas, no todo ou em parte, por outra entidade da Administração Pública, e deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas. Os dois dispositivos deixam transparecer a lógica da apuração da contribuição: computamse as receitas correntes e as transferências recebidas (sejam correntes sejam de capital) e deduzemse as transferências realizadas. A questão está em que, em relação às receitas recebidas, nem se cogita em distinguir de quem são recebidas, de maneira que tanto faz se são originárias diretamente de outra pessoa jurídica de direito público interno ou de um fundo, tampouco se questiona quanto à natureza do fundo de onde tenha sido originada a transferência. Em suma: todas as transferências recebidas são computadas na base de cálculo. Quanto às transferências realizadas, por sua vez, parece claro que a intenção do legislador foi a de permitir a sua dedução com a mesma amplitude, seguindo a mesma lógica. No entanto, a interpretação da Fiscalização e de alguns julgados deste Conselho tem sido tem sido no sentido de restringir a dedução do art. 7o da Lei no 9.715/98 exclusivamente às transferências realizadas para outras pessoas jurídicas de direito público interno, recusando o mesmo efeito em relação às transferências realizadas para fundos, sob o argumento objetivo de que os fundos não possuem personalidade jurídica. Entendo que a Lei não ampara este entendimento. Para ser mais preciso, tal entendimento apenas se legitimaria nas situações específicas em que a transferência fosse destinada a um fundo integrante do orçamento da mesma pessoa jurídica de direito público. Mas nesta situação não se configuraria a hipótese de dedução prevista no art. 7o da Lei. Fl. 644DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI 8 Em linhas gerais, os fundos são instrumentos de administração financeira, utilizados para vincular determinados recursos para a aplicação em finalidades específicas. Segundo a doutrina, “tratase de um conjunto de bens e recursos, de titularidade de um certo sujeito. Portanto, o fundo é objeto de direito, não sujeito” (JUSTEN FILHO, Marçal. Comentários à lei de licitações e contratos administrativos. 11. ed. Dialética, São Paulo: 2005, p. 30). Pode significar apenas a segregação de valores dentro do orçamento da pessoa jurídica de direito público. Mas pode tratarse, diferentemente, de um conjunto de recursos destacado do orçamento, ou seja, que não componha o orçamento, embora vinculado e submetido à administração de uma pessoa jurídica de direito público. No caso do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), de que trata o presente caso, tratase de fundo vinculado à União. As transferências realizadas dos Municípios para o Fundeb, portanto, significam uma subtração da receita corrente do Município e configuram transferência intergovernamental. Nada obstante não se trate de uma transferência intergovernamental típica – que tenha nas duas pontas o orçamento de duas pessoas jurídicas de direito público –, não pode haver dúvida de que há uma transferência, que deixam de pertencer ao Município e, embora passem a compor um fundo que não tem personalidade jurídica, isto não significa que passem a “ não pertencer a ninguém”, pois o referido fundo é vinculado à União. Por isso, a transferência de recursos realizada para um fundo vinculado a outra pessoa de direito público deve ter o mesmo tratamento de uma transferência realizada para outra pessoa de direito público, estando igualmente categorizadas como “transferências efetuadas a outras entidades públicas” para o efeito da dedução do art. 7o da Lei no 9.715/98. Em reforço, devese atentar ao fato de que a mesma Lei faz diferença entre “pessoa jurídica de direito público interno” e “entidades públicas”, ficando claro que este último conceito não é tão restrito quanto o primeiro, abarcando “outras entidades públicas”. Como visto, embora o Fundeb não tenham personalidade jurídica, tratase de fundo vinculado à União, de maneira que os recursos remetidos do Município para compor este fundo são operações que configuram transferências, as quais, se não são destinadas especificamente e diretamente para uma pessoa jurídica de direito público, são destinadas a “outras entidades públicas”, no caso, um fundo vinculado a outra pessoa jurídica de direito público. Tratase, outrossim, de uma questão de justiça e neutralidade, visto que os recursos acumulados no Fundeb retornarão ao Município – então finalmente como transferência corrente –, quando sofrerão a incidência da Contribuição ao Pasep na forma do art. 2o da Lei no 9.715/98. Entendo, enfim, que as transferências realizadas dos Municípios para o Fundeb, que é fundo vinculado à União, enquadramse na hipótese de dedução prevista no art. 7o da Lei no 9.715/98. Fl. 645DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 10680.725763/201170 Acórdão n.º 3403002.806 S3C4T3 Fl. 624 9 É como voto. Ivan Allegretti Fl. 646DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalme nte em 30/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI
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