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Numero do processo: 11128.003846/98-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 12/09/1997
II/IPI - REVISÃO ADUANEIRA - FALTA DE RECOLHIMENTO
Se tanto na fase instrutória, como na fase recursal, a interessada não apresentou nenhuma evidencia concreta e suficiente para descaracterizar a autuação, há que se manter a exigência tributária.
Numero da decisão: 3402-002.383
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento do recurso voluntário.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Presidente Substituto
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente a Conselheira Nayra Bastos Manatta. Ausente, o Conselheiro João Carlos Cassuli Junior.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 12/09/1997 II/IPI - REVISÃO ADUANEIRA - FALTA DE RECOLHIMENTO Se tanto na fase instrutória, como na fase recursal, a interessada não apresentou nenhuma evidencia concreta e suficiente para descaracterizar a autuação, há que se manter a exigência tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento do recurso voluntário. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente a Conselheira Nayra Bastos Manatta. Ausente, o Conselheiro João Carlos Cassuli Junior.
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INDÚSTRIA E COMÉRCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 12/09/1997 II/IPI REVISÃO ADUANEIRA FALTA DE RECOLHIMENTO Se tanto na fase instrutória, como na fase recursal, a interessada não apresentou nenhuma evidencia concreta e suficiente para descaracterizar a autuação, há que se manter a exigência tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negouse provimento do recurso voluntário. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 38 46 /9 8- 12 Fl. 312DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 2 justificadamente a Conselheira Nayra Bastos Manatta. Ausente, o Conselheiro João Carlos Cassuli Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 101/104) contra o Acórdão DRJ/SPO nº 003005 de 11/09/00 constante de fls. 62/64 exarado pela DRJ de São Paulo SP que houve por bem “julgar procedente” o lançamento consubstanciado no Auto de Infração II e IPI no valor total de R$ 365.336,71 (fls. 01/08 FM nº 07033; II R$ 79.680,00; Multa II 75% R$ 59.760,00; IPI R$ 7.967,96; Multa IPI 75% R$ 5.975,97; Juros R$ 12.752,78; e Multa do Controle Administrativo de Importação 30% R$ 199.200,00), notificado em 17/06/98 (fls. 41), que acusou o ora Recorrente nos seguintes termos: “DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima citado, foi(ram) apurada(s) a(s) infração(coes) abaixo descrita(s), a dispositivos do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto numero 91.030, de 05/03/85 (RA) e do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados aprovado pelo Decreto numero 87.981 de 23/12/82 (RIPI). 1 DECLARAGO INEXATA Declaração Inexata II e IPI O importador submeteu a despacho de importação a mercadoria descrita na adição no. 001 da D.I. No. 97/08284920. Durante ato de Revisão Aduaneira foram analisados a Fatura no.OC 07071 de 09.08.97, o BL no. 2, data de embarque 09.08.97 e o Laudo de Arqueação, SAT no. 3184 de 09.09.97. Comparando a mercadoria descrita nos 03 documentos citados, POLYG 3256 POLYETHER POLYOL, com a mercadoria descrita na adição 001 da D.I. no. 97/08284920, VORANOL 3010 (GRANEL) POLIETER, constatouse que a mercadoria declarada na D.I. estava discordante daquela ingressada no país. Utilizando a lª. regra das "Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado SH", desclassifico a mercadoria da posição fiscal declarada, NCM 3907.20.12, classificandoa na NCM 3907.20.39. Uma vez que o produto declarado não esta corretamente descrito, com todos os elementos necessários a sua identificação e ao enquadramento fiscal pleiteado, caracterizou se a condição de "DECLARAÇÃO INEXATA", (Ato Declaratório Normativo 10/97), constituindo infração punível com as multas previstas na legislação vigente. DI/ADIÇÃO 97/08284920/001 Valor Tributável II R$664.000,00 Valor Tributável IPI R$756.960,00 ENQUADRAMENTO LEGAL: Fl. 313DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11128.003846/9812 Acórdão n.º 3402002.383 S3C4T2 Fl. 3 3 I.I Artigos 87, inciso I; 99/ 100/ 220/ 499 e 542 do RA aprovado pelo Decreto 91.030.85 I.P.I artigos 29, inciso 1/ 55, inciso I, alínea "a"; 63, inciso I, alínea "a" e 112, inciso I do RIPI aprovado pelo Decreto 87.9871/82. 2 IMPORTAÇÃO AO DESAMPARO DE GUIA DE IMPORTAÇÃO Falta de Guia de Importação (LI) Mercadoria importada ao desamparo de Guia de Importação ou documento equivalente (L.I.), conforme apurado em ato de Revisão Aduaneira após analise dos documentos que instruem a D.I.(Fatura no. OC07071, BL no.02 e Laudo de Arqueação SAT no. 3184/97) nos quais e citado o produto POLYG 3256 POLYETHER POLYOL, divergente do produto declarado na adição 001 da D.ÍE. 97/08284920, VORANOL 3010 (GRANEL) POLIETER. Utilizando a la. regra das "Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado SHI", desclassifico a mercadoria da posição tarifaria declarada, NCM 3907.20.12, classificandoa na NCM 3907.20.39. Por Tratarse de classificação tarifaria errônea e necessitar novo licenciamento, automático ou não e considerando que o produto não estava corretamente descrito, com todos os elementos necessários a sua identificação e ^o enquadramento tarifário pleiteado, constituiu infração administrativa ao controle das importações (Ato Declaratório 12/97). DI/ADIÇÃO 97/08284920/001 Base Calculo Multa C.A.I. R$ 664.000,00 ENQUADRAMENTO LEGAL: Artigo 432, do RA, aprovado pelo Decreto 91.030/85. No que se refere a atualização monetária e as penalidades aplicáveis, os enquadramentos legais correspondentes constam dos respectivos demonstrativos de calculo. Fazem parte integrante do presente Auto de Infração, todos os termos e/ou documentos nele mencionados. Reconhecendo expressamente que a impugnação atendia aos requisitos de admissibilidade, a r. decisão de fls. 62/64 da DRJ de São Paulo SP houve por bem “julgar procedente” o lançamento consubstanciado no Auto de Infração II e IPI aos fundamentos sintetizados em sua ementa nos seguintes termos: “Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 12/09/1997 Ementa: CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 4 Pela 1ª Regra Geral de Interpretação do Sistema Harmonizado, o POLYG 3256 POLYETHER POLYOL classificase no código NCM 3907.20.39, como sendo Outros Polieteipolióis. LANÇAMENTO PROCEDENTE” Em suas razões de Recurso Voluntário (fls. 101/104) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta a insubsistência parcial da autuação e da decisão de 1ª instância que a manteve, tendo em vista: a) em relação às multas ressaltando que na apuração da multa, observase que a mesma foi apurada somandose os impostos de importação com o IPI/ICMS, em flagrante equívoco, posto estar presente a figura da bitributação; b) a multa que ora se quer ver aplicada não condiz com a realidade de um país estável cuja inflação anual não passa do patamar de 5% e, além do mais aplicase multa sobre multa, cumulada com juros que incidem sobre bo valor de cada uma delas, em verdadeira cascata, insurgindose contra a pretensão fiscal e penalizar duplamente pelo mesmo fato a requerente, aplicandolhe multa e juros que se somados quadriplicariam o valor da diferença do imposto devido; c) pondera ainda contra o fato de se admitir o dolo e imputarlhe pena gravíssima, qual seja, a de equiparar a falta de G.l. com a tipificação errônea na LI. É o relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O Recurso Voluntário preenche os requisitos de admissibilidade razão pela qual dele conheço, ressaltando que versa única e exclusivamente sobre a incidência das multas aplicadas, vez que como consignou a r. decisão recorrida “a Impugnante concorda com a reclassificação realizada, atribuindo o erro ao seu despachante aduaneiro”. No mérito entendo que a a r. decisão merece ser integralmente mantida eis que rebate com vantagem as objeções levantadas pela ora recorrente e cujos fundamentos, por amor à brevidade adoto como razões de decidir e transcrevo: “A Impugnante concorda com a reclassificação realizada, atribuindo o erro ao seu despachante aduaneiro. Porém não concorda com a cobrança das multas. Considera as de ofício como tendo um valor excessivo diante da atual realidade brasileira, e a aplicada por falta de GI acredita não ser cabível por não haver mais o documento denominado Guia de Importação no despacho aduaneiro. Inicialmente, temos que tanto o I.I. quanto o IPI são cabíveis, pois a reclassificação está correta. Da mesma forma, o são os respectivos juros de mora, os quais foram corretamente lançados em acordo com a Lei que os prevê (art. 61, parágrafo 3º, da Lei 9430/96). Evidentemente, a alegação da bitributação é infundada. Esta consiste em tributarse duas vezes o mesmo fato gerador. O fato gerador do II é a entrada da mercadoria estrangeira no território aduaneiro (DecretoLei 37/66, artigo 1º) e o do IPI é o desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira Fl. 315DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 11128.003846/9812 Acórdão n.º 3402002.383 S3C4T2 Fl. 4 5 (art. 2º, I, da Lei 4502/64). Logo, por se tratarem de fatos geradores distintos, não é pertinente falarse de bitributação. O fato do II compor (em nenhum momento cogitouse somar o valor do ICMS) a base de cálculo do IPI não é motivo de estranhamento, pois isto é previsto na legislação de regência do Imposto sobre Produtos Industrializados, e como já explicado, não se configura bitributação. Quanto às multas, é importante esclarecer que nenhuma delas antevê a necessidade de dolo em suas tipificações legais. E para se ver submetido às respectivas penalidades, basta incorrer nos eventos tipificados em seus respectivos artigos, sendo que isto, como veremos abaixo, ocorreu em todos os casos levantados pela Fiscalização. A partir do momento que há o enquadramento legal do evento, não cabe levantar que as suas alíquotas estão em desacordo com os índices de inflação, haja vista que o Fiscal é agente público e como tal está submetido aos princípios da legalidade e impessoalidade, devendo aplicar a lei como esta vigora na data do fato gerador. Quanto ao lançamento tributário propriamente dito, é ato vinculado por previsão expressa no Código Tributário Nacional (art. 142). Em relação à multa de ofício do I.I., a Fiscalização a aplicou por ter ocorrido declaração inexata. Conforme entendimento extraído do AD N 10/97, temos que o fato da descrição na DI estar incorreta, impedindo o perfeito enquadramento pela Fiscalização, implica na aplicação desta multa, sendo esta cabível. Já a multa de ofício do IPI é devida porque este imposto não foi recolhido, nem mesmo lançado na DI, fato que tipifica esta penalidade. Finalmente, a multa do art. 526, II, do RA. Esta penalidade é prevista nos casos de falta de Guia de Importação ou documento equivalente. O Licenciamento automático ou nãoautomático é o documento que substituiu a Guia de Importação no despacho aduaneiro. Neste caso, a importadora declarou estar importando um produto, mas como constatado, efetivamente importou outro. Nestas condições, conforme AD N 12/97, a multa do art. 526, II, do RA é procedente. Logo, pelo exposto, são integralmente cabíveis os valores lançados no Auto de Infração.” Considerando que tanto na fase instrutória, como na fase recursal, a ora a Recorrente não apresentou nenhuma evidencia concreta e suficiente para descaracterizar a autuação, impõese o improvimento do recurso. Isto posto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 6 Sala das Sessões, em 27 de maio de 2014 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 317DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 16/06/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10665.003561/2008-66
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2005, 2006, 2007
PIS. DECORRÊNCIA.
Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida em que inexistam fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas.
Numero da decisão: 1803-002.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Roberto Armond Ferreira da Silva e Ricardo Diefenthaeler.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2005, 2006, 2007 PIS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida em que inexistam fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Roberto Armond Ferreira da Silva e Ricardo Diefenthaeler.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005, 2006, 2007 PIS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida em que inexistam fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Roberto Armond Ferreira da Silva e Ricardo Diefenthaeler. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 00 35 61 /2 00 8- 66 Fl. 607DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10665.003561/200866 Acórdão n.º 1803002.289 S1TE03 Fl. 608 2 Fl. 608DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10665.003561/200866 Acórdão n.º 1803002.289 S1TE03 Fl. 609 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 470 a 474): 1. Da Autuação Tratase de auto de infração para exigência da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (fls. 2/15) referente a períodos de apuração compreendidos entre janeiro de 2004 e dezembro de 2006. O lançamento decorre de falta/insuficiência de recolhimento de PIS, conforme valor apurado nas notas fiscais e recibos de prestação de serviços anexados, e tem como fundamentação legal os arts. 1º e 3º da Lei Complementar nº 7/70 e os arts. 2º, I, a e parágrafo único, e 3º, 10, 22 e 51 do Decreto nº 4.524/02. Conforme demonstrativo consolidado no doc. de fls. 2, o valor total do crédito tributário constituído é de R$ 208.503,89, incluídos o principal, multa e juros de mora, estes calculados até 28/11/2008. De acordo com o referido relatório fiscal de fls. 16/17, “O contribuinte foi intimado através do Termo de Início da Ação Fiscal a apresentar notas fiscais, recibos, faturas de serviços prestados a terceiros, com ciência em 02/06/2008 para apresentação em 11/06/2008. No dia 27/06/2008, foi lavrado outro Termo de Intimação para apresentação dos mesmos documentos já solicitados no termo anterior, para apresentação a partir de 02/07/2008. Após a análise dos documentos apresentados, constatamos uma receita bruta superior aos limites permitidos para que a empresa permanecesse no SIMPLES. Foi então emitida uma Representação Administrativa para exclusão do SIMPLES, em 16/09/2008. No dia 08/10/2008, foram emitidos os Atos Declaratórios Executivos DRF/DIV nº 47, para exclusão do SIMPLES FEDERAL através do processo administrativo nº 10665.002938/200860; nº 49, para exclusão do SIMPLES NACIONAL, através do processo administrativo nº 10665.002945/200861, dos quais tiveram ciência em termo próprio no dia 21/10/2008 através do Sr. Rafael Luiz Costa, sócio da empresa, inscrito no CPF/MF sob o nº 073.364.23655. Do resultado da exclusão do SIMPLES, foram solicitadas apresentações dos Livros Diário e Razão, Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, Demonstrativos dos créditos de PIS e COFINS, com ciência da empresa em 21/10/2008, para apresentação em 20 dias contados da ciência deste termo. Vencido o prazo, foi solicitada pela empresa a prorrogação de tal prazo. A solicitação foi atendida, sendo concedido um novo prazo de 20 dias contados do encerramento do prazo anterior (12/11/2008), tendo sido lavrado outro Termo de Intimação solicitando a apresentação dos mesmos documentos mencionados no termo anterior. A empresa teve ciência deste termo em 17/11/2008. Findo este prazo, foi concedido um novo prazo de 5 dias úteis, com ciência da empresa em 10/12/2008, para apresentação de tais documentos. Até o encerramento desta auditoria, não foram apresentados os Livros Diário, Razão, LALUR e nem os demonstrativos de créditos de PIS e COFINS, razão pela qual procedeuse à apuração do Imposto de Renda Pessoa Fl. 609DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10665.003561/200866 Acórdão n.º 1803002.289 S1TE03 Fl. 610 4 Jurídica pela forma do Lucro Arbitrado com base na receita bruta apurada nas notas fiscais e recibos de prestação de serviços. Anexas a este relatório encontramse as planilhas demonstrativas do faturamento apurado pela apresentação das Notas Fiscais e Recibos de Prestação de Serviços apresentados pela empresa. Segue anexa também planilha demonstrativa da distribuição dos tributos apurados no Simples e recolhidos em guias de DARF (Documento de Arrecadação Federal) com a respectiva distribuição dos seus valores (Previdência Social – cota patronal, IRPJ, CSLL, PIS, COFINS).” 2. Da Impugnação Em 23/12/2008, a empresa tomou ciência dos autos de infração (fls. 3) e, em 23/01/2009, apresentou impugnação (fls. 258/282), com as alegações a seguir sintetizadas. Requer a nulidade da autuação, por cerceamento de defesa, por entender que somente poderia ter sido acusada de omitir rendimentos e sofrer o arbitramento do lucro após o “prévio e regular processo administrativo tributário para exclusão” do Simples (Lei nº 9.317/96) e do Simples Nacional (LC nº 123/2006). Entretanto, teria havido apenas uma representação administrativa para exclusão do Simples e posteriores atos declaratórios de exclusão, para aplicar a regra do arbitramento do lucro, sem considerar a regra do lucro presumido, mais favorável ao contribuinte, segundo os percentuais de presunção de 8% para produção de mudas e 32% para serviços. Argumenta que, no processo, não há prova da omissão de receitas e que o lançamento foi baseado em informações prestadas pelo próprio contribuinte e por terceiros. Ressalta que todas as solicitações do auditorfiscal foram prontamente atendidas e que não houve resistência à entrega de documentos fiscais. Afirma desconhecer por completo os recibos utilizados pelo Fisco, documentos que não constam de sua contabilidade ou de sua declaração, nem se encontram assinados. Acrescenta que as notas fiscais emitidas pela impugnante representaram, de fato, ingressos de valores, mas não necessariamente, em seu total, receita operacional da empresa. Parte destes recursos se refere à participação de terceiros na atividade operacional da empresa, ou seja, produção de mudas, plantio, corte e produção de carvão. Sustenta que a receita bruta da autuada está devidamente informada nas declarações apresentadas. Reitera que os recibos utilizados pelo fisco não se revestem de formalidades legais e não representam receitas. Observa que “muitos destes valores consignam o valor contido nas Notas Fiscais. Ou seja, houve diversas sobreposições de valores, atribuindose receita em dobro”. Entende ter havido presunção de receitas operacionais por parte da autoridade fiscal. Lembra que, salvo nos casos previstos em lei específica, não é dado ao Fisco o direito de lançar com base em presunção, e tampouco presumir o dolo, a fraude ou a simulação. Invoca o princípio da verdade material e, em seguida, cita e transcreve trechos da doutrina e da jurisprudência administrativa. Fl. 610DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10665.003561/200866 Acórdão n.º 1803002.289 S1TE03 Fl. 611 5 Argumenta que o Fisco tinha o dever de carrear aos autos as provas de que houve omissão de receitas. Relativamente à apuração dos tributos, entende que o Fisco deveria ter intimado “a pessoa jurídica a se manifestar sobre a opção pela forma de tributação de seus lucros a partir do ano seguinte da exclusão. E não simplesmente se utilizar do arbitramento do Lucro da Pessoa Jurídica (em 38,4%), que, por si só, já é penalizador do agravamento de percentuais em comparações com o Lucro Presumido (8% e 32% para mudas e serviços respectivamente).” Considera que o Fisco apurou indevidamente “o Imposto de Renda Pessoa Jurídica com base no Lucro Arbitrado em todos os anos objeto do lançamento (2004, 2005 e 2006) e não com base no Lucro Presumido nos anos 2005 e 2006, não manteve a forma de apuração do SIMPLES em 2004, como determina a norma administrativa, Instrução Normativa SRF nº 608, de 9 de janeiro de 2006, artigo 9º”. Discorda do procedimento adotado pela fiscalização, por entender que, por ter ultrapassado, no anocalendário de 2004, o limite de receita, a contribuinte pagaria os tributos na forma de apuração simplificada com acréscimos. Nessa hipótese, a empresa deveria ser tributada pelo lucro presumido a partir de janeiro do ano calendário subsequente (2005) àquele em que se deu o excesso de receita bruta. Quanto à aplicação da multa, entende que tal procedimento deve ser considerado improcedente, em face do princípio constitucional de vedação ao confisco. Argumenta que a multa qualificada foi indevidamente aplicada, já que todas as informações disponíveis foram apresentadas e que não se pode caracterizar a fraude ou dolo. Por consequência, entende que a Representação Fiscal para Fins Penais não deve ser mantida. Defende, ainda, a inconstitucionalidade da aplicação da taxa Selic. A impugnante reitera seu pedido para que sejam acatadas as preliminares de nulidade para cancelamento dos autos de infração. Somente para argumentar, requer que sejam determinadas diligências a fim de comprovar a existência de valores relacionados como efetiva receita da impugnante; que se apurem as receitas segundo cada atividade operacional (produção de mudas, carvão e serviços), para efeito de apuração do lucro presumido/arbitrado; que a forma de apuração de tributos seja alterada para lucro presumido e que sejam excluídos os juros de mora pela taxa Selic. Por fim, requer a produção de provas periciais e documentais, e que as intimações sejam encaminhadas ao endereço de seu representante legal. 3. Da Diligência De acordo com o Despacho DRJ/BHE nº 148, de 8 de abril de 2009 (fls. 400/402), o julgamento do presente processo foi convertido em diligência, para que a unidade de origem juntasse documentos, a fim de melhor elucidar os fatos. Em atendimento, a repartição de origem elaborou a Informação Fiscal de fls. 404, na qual esclarece que: Fl. 611DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10665.003561/200866 Acórdão n.º 1803002.289 S1TE03 Fl. 612 6 Todos os valores mencionados neste processo, a título de valores recebidos pela empresa TRANSMANGUEIRA FLORESTAL LTDA., constantes às folhas 22, 27, 29, 32, 35, 40, 46, 47, 48, 49, 50, 56, 61, 66, 71, 72, 77, 83, 89, 98, 105, 106, 114, 122, 123, 129, 135, 140, 146, 152, 153, 161, 163, 165, 169, 175, 179, 184, 189, 194, 198, 203, 208 e 215, estão devidamente comprovados através de transferências bancárias – TED, emitidas pelo banco BRADESCO em que a tomadora de serviços CAF SANTA BÁRBARA forneceu a este Auditor Fiscal, contra quem a empresa auditada emitiu Notas Fiscais de Prestação de Serviços e efetivamente recebeu tais valores em sua conta corrente 84.782, agência 2293 do Banco do Brasil, conforme cópias de transferências anexas às páginas seguintes. Anexa a esta informação fiscal há um quadro demonstrativo dos valores recebidos, onde esclarecemos que os valores recebidos apresentados neste processo são provenientes da soma de Comprovante –TED + Pagamentos em espécies (a título de adiantamentos efetuados pela tomadora de serviços conforme demonstrado em cópias anexas de seu livro razão analítico) + Desconto SIPAT (Referente a treinamento de Segurança do trabalho) + Emissão de Fatura Esclarecemos também que estão anexas a este processo cópias do Livro Razão Analítico onde estão demonstrados os valores pagos pela tomadora de serviços à empresa prestadora de serviços. Na ocasião, foi juntado o quadro demonstrativo de fls. 405; cópias de comprovantes, emitidos pelo Bradesco, de pagamentos mediante TED (transferência eletrônica disponível), efetuados pela empresa CAF Santa Bárbara em favor da Transmangueira Ltda., (fls. 406/445); além de cópias do livro Razão Analítico da CAF Santa Bárbara Ltda. (fls. 446/464). Cientificada da referida Informação Fiscal e seus anexos em 13/08/2009, (aviso de recebimento de fls. 465v), e de que poderia, em face das informações contidas nos documentos recebidos, aditar a defesa já apresentada, no prazo de trinta dias, a interessada permaneceu silente. 4. Da Representação Fiscal Para Fins Penais Em 22/12/2008, foi formalizado o processo de Representação Fiscal para Fins Penais nº 10665.003548/200815. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 468 e 469): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004, 2005, 2006 EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SIMPLES. COEXISTÊNCIA DE PROCEDIMENTOS. A contestação do procedimento de exclusão do Simples não impede que sejam apuradas outras irregularidades, decorrentes ou não das tratadas no processo de exclusão, e tampouco engessa a atuação do Fisco até o momento da existência de decisão definitiva em relação àquele litígio. EXCLUSÃO DE OFÍCIO DO SIMPLES. EFEITOS A exclusão do Simples motivada por excesso de receita produz efeitos a partir do anocalendário subseqüente àquele em que foi ultrapassado o limite. Fl. 612DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10665.003561/200866 Acórdão n.º 1803002.289 S1TE03 Fl. 613 7 ARBITRAMENTO DO LUCRO. A contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos de acordo com as normas de escrituração comercial e fiscal fica sujeita ao arbitramento do lucro, determinado pela aplicação de percentuais fixados em lei sobre a receita bruta. Nessa forma de apuração de tributos, não há que se falar na consideração de custos e despesas, já contemplados nos percentuais aplicáveis à atividade exercida. PERCENTUAIS DE ARBITRAMENTO DO LUCRO. PROVA. A mera alegação de que há atividades a serem segregadas, para efeito de tratamento tributário distinto, desprovida de comprovação efetiva de sua materialização, é insuficiente para elidir a motivação do procedimento de ofício. OMISSÃO DE RECEITAS. Correto o lançamento fundado em notas fiscais não escrituradas e em recibos de serviços prestados, comprovados por transferências bancárias efetuadas pela mesma pessoa jurídica tomadora desses serviços. MULTA QUALIFICADA. CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE. A prática de reduzir a receita declarada substancialmente e de modo reiterado, durante todos os meses dos anos de 2004 a 2006, não pode ser creditada a simples erro contábil e caracteriza a conduta dolosa. Os percentuais da multa qualificada, exigíveis em lançamento de ofício, são determinados expressamente em lei, não dispondo as autoridades administrativas de competência para apreciar a constitucionalidade ou a legalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 PEDIDO DE PERÍCIA. Indeferese o pedido de perícia quando esta se revela prescindível. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. Toda prova documental deve ser apresentada na impugnação, sob pena de preclusão, salvo exceções previstas. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte 3. Cientificada da referida decisão em 08/02/2010 (fls. 489), a tempo, em 01/03/2010, por via postal (fls. 520), apresenta a interessada Recurso de fls. 493 a 519, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. Em mesa para julgamento. Fl. 613DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10665.003561/200866 Acórdão n.º 1803002.289 S1TE03 Fl. 614 8 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. No processo nº 10665.003560/200811, relativo a Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), do qual o presente é mera decorrência, a Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, negou provimento ao recurso voluntário, por meio do Acórdão nº 140100.654, em sessão de 3 de outubro de 2011. 5. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida em que inexistam fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. 6. Assim sendo, transcrevemse, integralmente, a ementa e o voto prolatados naquela assentada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. Revelase correto o lançamento baseado em notas fiscais não escrituradas e em recibos de serviços prestados, comprovados por transferências bancárias efetuadas pela mesma pessoa jurídica tomadora desses serviços. ARBITRAMENTO DO LUCRO. A falta de apresentação à autoridade fiscal dos livros e documentos comerciais e fiscais sujeita o contribuinte ao arbitramento do lucro, determinado pela aplicação de percentuais fixados em lei sobre a receita bruta. ARBITRAMENTO DO LUCRO. ATIVIDADES. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte o ônus de provar o exercício de atividades distintas, para efeito de tratamento tributário diferenciado por ocasião do arbitramento do lucro. MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A sistemática e reiterada omissão de receitas, em todos os meses dos anos de 2004 a 2006, representa prática de sonegação dolosa, com a finalidade de retardar o conhecimento pela Fl. 614DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10665.003561/200866 Acórdão n.º 1803002.289 S1TE03 Fl. 615 9 autoridade fiscal das circunstâncias materiais da ocorrência do fato gerador. [...]. Preliminares de nulidade A Recorrente considerou nula a autuação, por cerceamento de defesa, afirmando que a acusação de omissão de rendimentos e o consequente arbitramento do lucro somente poderiam ocorrer após o “prévio e regular processo administrativo”. Sobre este tema, assim se pronunciou, com propriedade, o Acórdão recorrido, fls. 490: A esse respeito, cabe lembrar que o objeto do presente litígio são os autos de infração decorrentes da apuração de omissão de receitas. A exclusão do Simples e os autos de infração constituem procedimentos distintos, que, embora relacionados, não se confundem. A interessada foi excluída de ofício do Simples pelo Ato Declaratório Executivo DRF/DIV nº 47, de 8 de outubro de 2008 (cópia de fls. 377), com efeitos a partir de 01/01/2004, por ter auferido, em 2003, receita bruta superior ao limite estabelecido para permanecer no sistema simplificado, incorrendo na situação excludente constante no art. 90, inciso II, da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Portanto, o excesso de receita ocorreu no anocalendário de 2003, e não em 2004, como afirma a impugnante. Tal procedimento foi formalizado por meio do processo nº 10665.002938/200860. O fato de a contribuinte contestar o procedimento de exclusão do Simples não impede que sejam apuradas outras irregularidades, decorrentes ou não das tratadas naquele processo, e tampouco engessa a atuação do Fisco até o momento da existência de decisão definitiva em relação àquele litígio. Com base nestes sólidos argumentos, rejeito a presente preliminar de nulidade. Vale dizer que, após ter sido excluída do Simples (com efeitos a partir de 01/01/2004), a impugnante foi regularmente intimada a apresentar notas fiscais, recibos, faturas de serviços prestados a terceiros (v. relatório fiscal, fls. 32/33). Posteriormente, foi também intimada a apresentar os Livros Diário e Razão, Livro de Apuração do Lucro Real – LALUR e Demonstrativos dos créditos de PIS e COFINS. No entanto, conforme relatam as autoridades fiscais (fls. 32/33), até o encerramento da auditoria não foram apresentados os Livros Diário, Razão, LALUR e nem os demonstrativos de créditos de PIS e COF1NS. Por esta razão, procedeuse à apuração do IRPJ pela sistemática do lucro arbitrado, com base na receita bruta apurada nas notas fiscais e recibos de prestação de serviços. Fl. 615DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10665.003561/200866 Acórdão n.º 1803002.289 S1TE03 Fl. 616 10 A Recorrente, repetindo o que alegou na fase impugnatória insurgiuse contra a tributação com base no lucro arbitrado. Sobre esse tema, assim se pronunciou o Acórdão recorrido, após transcrever diversos excertos da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 (v. fls. 492493): Verificase, no presente caso, que os autos de infração foram lavrados por servidor competente, que regularmente intimou a impugnante a cumprilos ou impugnálos no prazo legal. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que está instruído com provas produzidas por meios lícitos. Foi oferecida a interessada a oportunidade de apresentar, no prazo legal, as impugnações acompanhadas de todos os meios de prova inerentes. O enfrentamento das questões nas peças de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram os procedimentos e a indicação dos enquadramentos legais não propiciam a nulidade dos atos em litígio. Considerando que, nos termos da lei, foram asseguradas as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, oferecendo à interessada a oportunidade de apresentar sua impugnação no prazo legal, como de fato o fez, não há que se falar em cerceamento ao direito de defesa da contribuinte. Dessa forma, com relação ao arbitramento do lucro, também rejeito a preliminar de nulidade arguida pela Recorrente. Pedido de perícia / diligência Ao final da peça recursal, a contribuinte pede expressamente a produção de prova pericial e/ou documental, com o intuito de “apurar as receitas operacionais da empresa segundo cada atividade operacional – produção de mudas, carvão e serviços, bases de cálculo diferentes para o cálculo do Lucro Presumido / Arbitrado”. No tocante à prova documental, ela deve ser apresentada na impugnação (ou, excepcionalmente, no recurso), de acordo com o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972, verbis: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. No caso presente, a contribuinte não trouxe aos autos qualquer documentação idônea e hábil tendente a demonstrar qualquer equívoco na autuação. Da mesma forma, abstevese de Fl. 616DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10665.003561/200866 Acórdão n.º 1803002.289 S1TE03 Fl. 617 11 demonstrar a ocorrência de qualquer uma das três hipóteses que admitem a postergação da sua apresentação. Consequentemente, restou precluso o direito de apresentação de prova documental. No tocante ao pedido de perícia, o mesmo deve ser considerado não formulado, nos termos do art. 16, § 1º, do Decreto nº 70.235/72, por desatendimento aos requisitos previstos no inciso IV do retrocitado artigo, verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] IV – as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Ainda que tal pedido tivesse sido devidamente formulado, o mesmo deveria ser indeferido, em conformidade com o art. 16, IV c/c 18, caput do Decreto nº 70.235/72 (com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993). Afinal, no caso presente, revelase totalmente prescindível a realização de perícia, uma vez que os elementos constantes dos autos são suficientes para a apreciação do litígio. Nestes termos, indefiro o pedido de produção de prova documental/pericial. Questionamentos acerca do montante do lançamento (principal) Os valores das receitas tributáveis da Recorrente foram apurados com base nos valores das notas fiscais de serviços prestados para a CAF Santa Bárbara Ltda. somados aos valores encontrados em recibos de pagamentos efetuados por essa mesma empresa. A Recorrente, repetindo a alegação apresentada em sua impugnação, confirmou o recebimento dos valores correspondente às notas fiscais por ela emitidas. Sobre o tema, assim se manifestou a Recorrente, fls. 517: (..) as notas fiscais emitidas pela impugnante representaram, de fato, ingressos de valores (grifo acrescido), mas não necessariamente, em seu total, receita operacional da empresa. Parte destes recursos se refere a participação de terceiros na atividade operacional da empresa, ou seja, produção de mudas, plantio, corte e produção de carvão (grifado no original) Fl. 617DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10665.003561/200866 Acórdão n.º 1803002.289 S1TE03 Fl. 618 12 O Acórdão recorrido analisou com bastante sensatez esta alegação da Recorrente, fls.493: Como se vê, as notas fiscais juntadas aos autos foram reconhecidas pela impugnante como documentos comprobatórios de receitas auferidas e não estão sendo contestadas pela defesa. Quanto à alegação de que parte desses recursos se refere à participação de terceiros na atividade operacional da empresa, cabe esclarecer que o arbitramento o lucro é determinado pela aplicação de percentuais fixados em lei sobre a receita bruta, e não há que se falar na consideração de custos e despesas, já contemplados nos percentuais aplicáveis atividade exercida pela impugnante. Com efeito, não há na legislação de regência fundamento legal para tal dedução, nos termos do art. 31 da Lei nº 8.981, de 1995, anteriormente transcrito, que admite excluir da receita bruta tão somente as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos nãocumulativos. Efetivamente, não existe previsão legal para exclusão de custos e despesas, por ocasião do arbitramento dos lucros da pessoa jurídica. Considero, pois, que em relação a este tema o acórdão recorrido não merece quaisquer reparos. A Recorrente, novamente repetindo o que fora alegado na fase impugnatória, questionou a correção do procedimento de arbitramento dos lucros, sustentando a possibilidade de optar pelo lucro presumido. Em relação a este tema, foram estas as exatas palavras da Recorrente, fls. 524: O fisco, como determina a legislação pertinente, após todo o Processo Administrativo de Exclusão do SIMPLES, deveria intimar a pessoa jurídica a se manifestar sobre a opção pela forma de tributação de seus lucros a partir do ano seguinte da exclusão. E não simplesmente se utilizar do arbitramento do Lucro da Pessoa Jurídica (em 38,4%), que, por si só, já é penalizador do agravamento de percentuais em comparações com o Lucro Presumido (8% e 32% para mudas e serviços respectivamente). Mais uma vez transcrevo e adoto as razões de decidir adotadas pelo acórdão recorrido, que analisou com grande propriedade as alegações de defesa apresentadas pela recorrente (fls. 492 494): O sujeito passivo deve manter a escrituração com observância das leis comerciais e fiscais, que faz prova em seu favor dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis e idôneos. A contribuinte que deixar de apresentar A autoridade tributária os livros e documentos de acordo com as normas de escrituração comercial e fiscal fica sujeita ao arbitramento do lucro. Como ficou comprovado nos autos, no período objeto da ação fiscal, o imposto devido foi determinado com base nos critérios do lucro arbitrado porque a autuada deixou de Fl. 618DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10665.003561/200866 Acórdão n.º 1803002.289 S1TE03 Fl. 619 13 apresentar A autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal a que estava obrigada. [...] Se a contribuinte entende que há atividades a serem ser segregadas, para efeito de tratamento tributário distinto, deveria demonstrar o suposto erro e apresentar a correspondente comprovação, pois as meras alegações da impugnante desprovidas de comprovação efetiva de sua materialidade não são suficientes para elidir a motivação do procedimento de oficio. Logo não lhe cabe razão. No tocante ao valor da autuação, cumpre destacar que, após a realização da diligência determinada pelo colegiado julgador a quo, somente foram considerados como receitas tributáveis os seguintes valores: a) valores das notas fiscais juntadas aos autos, de serviços prestados para a CAF Santa Bárbara Ltda. (coluna A do Quadro apresentado às fls. 496), considerando que a emissão das notas fiscais não foi contestada pela impugnante; b) valores considerados pela fiscalização, correspondentes aos recibos emitidos pela CAF Santa Bárbara Ltda. (coluna B), até o limite do valor dos depósitos bancários, comprovados por meio de TED (coluna D). Em relação ao item “b”, o acórdão recorrido tratou de apresentar uma explicação bastante detalhada (fls. 495): [...] nos períodos em que o valor dos recibos foi superior ao valor da transferência bancária, prevaleceu apenas o valor da transferência como receita omitida comprovada (coluna E), e quando o montante dos recibos foi igual ou inferior ao valor da transferência, foi mantido o valor dos recibos, originalmente considerado. Dito de outro modo, dos dois valores o menor. Não obstante estes esclarecimentos, a contribuinte, em sua peça recursal, voltou a alegar que “houve diversas sobreposições de valores, atribuindose receita em dobro”. Tal alegação, contudo, já foi devidamente refutada pelo acórdão recorrido, razão pela qual transcrevo e adoto as suas razões de decidir (fls. 495): [...] cabe observar que os valores registrados nos recibos não foram integralmente considerados pela fiscalização, justamente por terem sido deduzidos os valores das notas fiscais de serviços prestados para a CAF Santa Bárbara Ltda. Nesse sentido, cumpre repetir que cabe à interessada apontar e demonstrar a ocorrência de tais supostos erros cometidos pelo Fisco. Diante do exposto, considero que, em relação ao montante do lançamento (principal), o acórdão recorrido não merece quaisquer reparos. Fl. 619DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10665.003561/200866 Acórdão n.º 1803002.289 S1TE03 Fl. 620 14 Multa qualificada A Recorrente questionou a aplicação da multa qualificada, arguindo violação ao principio constitucional da vedação ao confisco e ao principio da razoabilidade. Ab initio, esclareçase que a apreciação sobre a constitucionalidade de normas é de competência privativa do Poder Judiciário. A instância administrativa não é competente para se pronunciar acerca da legalidade ou constitucionalidade de normas integrantes do ordenamento jurídico pátrio. Neste sentido, transcrevo o art. 26A do Decreto nº 70.235/72: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. No caso em apreço, a contribuinte reiteradamente omitiu receitas à tributação, o que efetivamente caracteriza o evidente intuito de fraude, que o sujeita à multa qualificada. Sobre o tema, discorreu com bastante propriedade o colegiado julgador a quo, fls. 498: Durante todos os meses dos anos de 2004, 2005 e 2006 a contribuinte prestou informações falsas quanto ao seu faturamento, informando nas declarações simplificadas entregues A RFB (fls. 217/243) valores muito menores do que aqueles auferidos em razão da prestação de serviços, apurados com base nas notas fiscais emitidas e recibos de pagamentos, comprovados posteriormente por depósitos bancários. Ora, ao declarar a menor suas receitas com intuito de furtarse à tributação, a contribuinte tentou impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. A prática de reduzir sua receita substancialmente e de modo reiterado, durante todo esse período, não pode ser creditada a simples erro contábil e caracteriza a conduta dolosa. [...] As circunstâncias narradas nos autos e as divergências verificadas entre os valores da receita oferecidos à tributação e aqueles auferidos em razão da prestação de serviços, apurados com base nas notas fiscais emitidas e recibos de pagamentos, comprovados posteriormente por depósitos bancários, demonstram o dolo, no sentido de ter a consciência e querer a conduta descrita na Lei nº 4.502/64. Dessa forma, deve ser mantida a multa qualificada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento). Neste mesmo sentido, transcrevo alguns precedentes desta Corte: Fl. 620DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10665.003561/200866 Acórdão n.º 1803002.289 S1TE03 Fl. 621 15 MULTA AGRAVADA. REDUÇÃO INJUSTIFICÁVEL DO VALOR DO TRIBUTO DEVIDO NAS DECLARAÇÕES APRESENTADAS. REITERAÇÃO. INTUITO DE FRAUDE CARACTERIZADO. A omissão reiterada e injustificável de receitas nas declarações prestadas ao Fisco Federal demonstra intuito de fraude, com a finalidade de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. Aplicável, neste caso, a multa qualificada prevista no art. 44, inciso II da Lei nº 9.430/96. (Segundo Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Acórdão nº 20402202, Processo 10120003322200511, de 27/02/2007) MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE A sistemática e reiterada declaração a menor da contribuição devida, em valores inferiores aos que seriam apurados de acordo com a escrituração contábil, representa prática de sonegação dolosa, com a finalidade de retardar o conhecimento pela autoridade fiscal das circunstâncias materiais da ocorrência do fato gerador. (Câmara Superior de Recursos Fiscais. 2ª Turma, Acórdão nº 40202025 do Processo 109090019649819, de 17/10/2005) IRPJ DIFERENÇAS APURADAS ENTRE O DECLARADO E O ESCRITURADO – PRÁTICA REITERADA INFRAÇÃO QUALIFICADA – Uma vez levantado pelo trabalho da fiscalização diferença de receita declarada e receita apurada em livros fiscais constantes da escrituração do próprio contribuinte, sem qualquer justificativa plausível e comprovada de erro, é de se manter o lançamento de ofício, com a multa qualificada, vez que a prática reiterada por períodos sucessivos da mesma situação declarada e omitida a informação sobre o escriturado, conduz à caracterização de evidente intuito de fraude. (Primeiro Conselho de Contribuintes, 1ª Câmara, Turma Ordinária, Acórdão nº 10195292 do Processo 19647003467200395, de 07/12/2005) Nestes termos, considero que, também em relação à aplicação da multa qualificada, o acórdão recorrido não merece quaisquer reparos. Juros de Mora – Taxa Selic Em relação a este tema, a Recorrente pleiteia a exigência dos juros de mora à alíquota de 1% ao mês, com base nas regras estabelecidas pelo CTN. Não assiste razão à Recorrente. Vejamos o que dispõe o CTN sobre esta matéria (grifado): Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantias previstas nesta Lei ou em lei tributária. Fl. 621DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10665.003561/200866 Acórdão n.º 1803002.289 S1TE03 Fl. 622 16 § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. O CTN claramente estabelece que a lei pode dispor de modo diverso, ou seja, pode estabelecer um percentual de juros de mora superior à taxa de 1% ao mês. E, de fato, a Lei nº 9.430/96, efetivamente dispôs de modo diverso, ao prever, em seus arts. 5º e 61, verbis (grifado): Art. 5º O imposto de renda devido, apurado na forma do art. 1º, será pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração. [...] § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. [...] Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, serão acrescidos de multa de mora, calculada a taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados a taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Como se percebe, em estrita conformidade com o CTN, os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela RFB, sujeitamse, a partir de 1º de janeiro de 1997, a juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema de Liquidação e Custódia para títulos federais Selic, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% no mês de pagamento. Tal matéria, aliás, encontrase sumulada no âmbito desta corte: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 622DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10665.003561/200866 Acórdão n.º 1803002.289 S1TE03 Fl. 623 17 Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao presente recurso voluntário. 7. De se ressaltar, por oportuno, que o processo conexo de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) também foi julgado pela Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), que, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de nulidade arguida e, no mérito, negou provimento ao recurso voluntário, por meio do Acórdão nº 140100.690, em sessão de 24 de novembro de 2011, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 LANÇAMENTOS DECORRENTES A decisão tomada em relação ao lançamento principal (IRPJ) aplicase aos lançamentos decorrentes (CSLL, PIS e COFINS), em razão da íntima relação de causa e efeito existente entre os mesmos. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 623DF CARF MF Impresso em 14/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 07/08/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 10/08/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10580.720771/2009-33
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2802-000.053
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62-A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 27/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros. Em proveito ao valioso trabalho consubstanciado às fls. 79 e seguintes dos autos, perfeitamente elaborado pela Douta Delegacia da Receita Federal, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais valese da respectiva transcrição do relatório apresentado naquela oportunidade, a saber: “ Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 148.765,74, Fl. 129DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.720771/200933 Resolução n.º 2802000.053 S2TE02 Fl. 130 2 incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; e) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e Fl. 130DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.720771/200933 Resolução n.º 2802000.053 S2TE02 Fl. 131 3 correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boa fé seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV; h) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boa fé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo Advogado Geral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB. Foi determinada diligência fiscal para que o órgão de origem adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal ao Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que, em razão de jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça, concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visassem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, deveriam ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global.” Ato contínuo, em sessão de 16/02/2011, a 3ª Turma da DRJ/SDR, no Acórdão 1526.186, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, fundamentando que: (a)as diferenças reconhecidas através da Lei n.º 8.730/2003, tinham, em sua origem, natureza eminentemente salarial, por se incorporarem à remuneração dos Magistrados do Estado da Bahia, inclusive ressaltando a espontaneidade do contribuinte, que reconheceu a ocorrência do fato gerador do tributo; (b)o recebimento extemporâneo de referidas diferenças não altera a sua natureza, mesmo nos casos em que o beneficiário tenha sido obrigado a recorrer ao judiciário, e que o acordo tenha sido implementado mediante lei complementar; (c)independe a natureza do tributo conferida pelo Artigo 5º da Lei 8.730/2003, uma vez que prevalece a lei federal que regulamenta o imposto de renda; (d)a incidência do imposto independe da denominação do rendimento, sendo que as indenizações não desfrutam de isenção indistintamente, nos termos do Artigo 150, § 6º, CF/88; (e)o Artigo 55, inciso XIV, do RIR/99, determina que as indenizações estão sujeitas à tributação; Fl. 131DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.720771/200933 Resolução n.º 2802000.053 S2TE02 Fl. 132 4 (f)a Resolução nº 245, de 2002, do STF, não pode ser aplicada aos Magistrados da Bahia, pois que não se pode conferir isenção sem lei específica e nem por analogia, nos termos do inciso II, do Artigo 111, do CTN, sendo inextensível o âmbito de aplicação de tal Resolução, não havendo em que se falar em isonomia; (g)é de competência exclusiva da União a exigência do tributo e o lançamento fiscal em comento; (h)é cabível a aplicação da multa de ofício em percentual de 75%, uma vez que esta é fixada independentemente da boafé do impugnante, com fulcro no Artigo 136 do CTN, diferentemente da sanção prevista no inciso II, do Artigo 44, da Lei n.º 9.430/1996; e (i)os pareceres, notas e demais consultas realizadas para verificação de multa ou de outro consectário não vinculam a Autoridade Fiscal, tendo mero caráter informativo ou restritivo, seja pela inobservância de requisitos formais ou pelo não atendimento do Artigo 100 do CTN. Regularmente intimado (fl. 85), o Contribuinte, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário (fls. 87/125), repisando os argumentos contidos na Impugnação e requerendo a reforma do Acórdão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal para julgar nulo o auto de infração, alegando (i) inexistência de conduta hábil à aplicação de multa; (ii) efeito vinculante da consulta efetuada; (iii) nulidade do lançamento por forma inadequada de apuração da base de cálculo; (iv) não incidência de IR sobre juros moratórios; (v) a URV tem natureza indenizatória; (vi) ilegitimidade da União; e (vii) violação ao Princípio da Isonomia Tributária. É o relatório. Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. Preliminarmente, observo que a hipótese do lançamento de ofício de Imposto de Renda Pessoa Física contempla rendimentos recebidos de forma acumulada, matéria que se encontra pendente de julgamento ao qual se atribuiu repercussão geral, conforme decisão nos autos do Recurso Extraordinário número 614232, cuja ementa segue abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados se por regime de caixa ou de competência vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da Fl. 132DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.720771/200933 Resolução n.º 2802000.053 S2TE02 Fl. 133 5 isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC. Voto no sentido de sobrestar o julgamento até decisão do pretório Excelso sobre o tema. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Fl. 133DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
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Numero do processo: 11516.005031/2008-29
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
RENÚNCIA À VIA ADMINISTRATIVA. AJUIZAMENTO DE AÇÃO DECLARATÓRIA VEICULANDO A MESMA MATÉRIA DA LIDE ADMINISTRATIVA.
O ajuizamento de medida judicial buscando a declaração do direito conducente à improcedência do lançamento tributário, configura renúncia à lide administrativa, nos termos da Súmula nº 1 do CARF.
Numero da decisão: 1801-001.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso voluntário, por concomitância das ações administrativa e judicial com mesmo objeto, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Mendonça Marques - Relator.
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: LEONARDO MENDONCA MARQUES
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MÉDICOS CARDIOLÓGICOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 RENÚNCIA À VIA ADMINISTRATIVA. AJUIZAMENTO DE AÇÃO DECLARATÓRIA VEICULANDO A MESMA MATÉRIA DA LIDE ADMINISTRATIVA. O ajuizamento de medida judicial buscando a declaração do direito conducente à improcedência do lançamento tributário, configura renúncia à lide administrativa, nos termos da Súmula nº 1 do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o recurso voluntário, por concomitância das ações administrativa e judicial com mesmo objeto, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques Relator. Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Ana de Barros Fernandes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 50 31 /2 00 8- 29 Fl. 374DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES 2 Relatório Por bem sumariar os atos que lhe antecederam, colhese da decisão da DRJ o seguinte relatório: Trata o presente processo de impugnação ao Auto de Infração de fls. 192 a 216, que exige da interessada supra identificada o recolhimento da importância de RS 310.370,57 a titulo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, apurado sob as regras do Lucro Presumido, anoscalendário de 2004, 2005 e 2006, acrescida de multa de oficio de 75% e juros de mora. 0 lançamento do IRPJ decorre do erro na aplicação do percentual para determinação da base de cálculo do IRPJ e CSLL, conforme descrito no Auto de Infração e detalhado no Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do Auto. Como lançamento decorrente da matéria tributável apontada no lançamento de IRPJ, foi lavrado também Auto de Infração a titulo de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, no montante de R$ 101.796,17 (fls. 204 a 216), acrescidos de multa de oficio de 75% e juros de mora. Como parte integrante dos Autos de Infração, encontrase as fls. 217 a 226 o Termo de Verificação Fiscal, que a Interessada teve ciência e recebeu cópia, em 3 de setembro de 2008, do qual temse, resumidamente, que: 4 DO ERRO DE APLICAÇÃO DE PERCENTUAL PARA DETERMINAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA E DA CSLL A contribuinte em questão tem por objeto social a "Prestação de serviços médicos de cardiologia clinica, métodos gráficos e afins",conforme contrato social de fls. 07/16, atividade que se enquadra no percentual de presunção do lucro de 32%, nas formas dos ditames da legislação fiscal de regência (art. 519, do RIR/99). Não obstante, em relação aos fatos geradores dos anoscalendário de 2004 a 2006, considerou as atividades que executa como sendo de serviços hospitalares, consoante evidenciam as declarações (DIPJ) de fls. 17/94, utilizando assim o percentual de 8% na apuração do Lucro Presumido, acarretando determinação a menor do IR devido sobre a receita submetida a tributação. Da mesma forma, de acordo com a opção de tributação adotada, a base de cálculo relativamente a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) deve ser obtida pela aplicação do percentual previsto para os prestadores de serviço, ou seja, 32%. Ao utilizar o percentual geral previsto para empresas optantes do Lucro Presumido, de 12%, a contribuinte, também em relação a esse tributo, utilizou base de cálculo menor do que seria correto. [...] A determinação da base de cálculo para o Imposto de Renda das pessoas jurídicas optantes pela sistemática do Lucro Presumido está prevista no artigo 15 da Lei n° 9.249/95: "Art. 15. A base de cálculo do Imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995. § 1 0 Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de; 111 trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; Fl. 375DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES Processo nº 11516.005031/200829 Acórdão n.º 1801001.989 S1TE01 Fl. 202 3 "(grifamos) que a definição de serviços hospitalares contém necessariamente o ato de internação; que a Portaria n° 356/GM, de 20/02/2002, do Ministério da Saúde, que aprovou o "Glossário de Termos Comuns nos Serviços de Saúde do MERCOSUL", diz que Assistência Hospitalar é a modalidade de atuação realizada por um ou mais integrantes da equipe de saúde a pacientes em regime de internação. que o conceito de hospital é definido como o estabelecimento de saúde destinado a prestar assistência sanitária em regime de internação à população podendo dispor de assistência ambulatorial ou de outros serviços. já o vocábulo internação diz respeito a admissão de um paciente para ocupar um leito hospitalar por um período igual ou maior que 24 horas. que Agência Nacional de Vigilância Sanitária ANVISA, define Hospital como sendo o estabelecimento de saúde dotado de internação, meios diagnósticos e terapêuticos, com o objetivo de prestar assistência médica curativa e de reabilitação, podendo dispor de atividades de prevenção, assistência ambulatorial, atendimento de urgência/emergência e de ensino/pesquisa. que a Instrução Normativa SRF n° 306, de 12 de maio de 2003, que dispõe sobre a retenção de tributos e contribuições nos pagamentos efetuados a pessoas jurídicas por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal, em seu art. 23 criou a possibilidade, para os fins previstos no art. 15, § 10 inciso III, alínea "a", da Lei n° 9.249, de 1995, de ser considerados serviços hospitalares aqueles prestados por pessoas jurídicas, diretamente ligadas à atenção e assistência à saúde, que possuam estrutura física condizente para a execução de uma das atividades ou a combinação de uma ou mais das atribuições de que trata a Parte II, Capitulo 2, da Portaria GM n° 1.884, de 11 de novembro de 1994, do Ministério da Saúde. No entanto, logo a seguir, art. 29 alerta e ressalta que as disposições dos art. 2° ao 23, não alteram os percentuais de presunção para efeito de apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL, previstos no art. 15 da Lei n° 9.249, 1995. que as IN SRF n° 480, de 2004; IN SRF 539, de 2005, tem o mesmo objeto, ou seja, a retenção de tributos e contribuições nos pagamentos efetuados pelas pessoas jurídicas que menciona, sempre com um artigo chamando a atenção para que estas regras são especificas para o objeto das instruções normativas e não para efeito de percentual presunção de lucro. que foram editados os atos declaratórios interpretativos — ADI n° 18, de 23 de outubro de 2003 e, ADI n° 19, de 7 de dezembro de 2007, explicitando, resumidamente, que para os efeitos do art. 15, da Lei n° 9.249, de 1995, declara que os estabelecimentos assistenciais de saúde devem dispor de estrutura material e de pessoal para atender a internação de pacientes. A mesma interpretação se dá com relação à CSLL. E concluindo, afirma a Fiscalização: 4.2 DA ATIVIDADE EFETIVAMENTE EXERCIDA PELA EMPRESA A questão aqui posta, tanto para o Imposto de Renda quanto para a CSLL, é a confirmação ou não de que a contribuinte atende aos requisitos previstos na legislação para a equiparação dos seus serviços a "serviços hospitalares". Fl. 376DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES 4 Após solicitada a manifestarse a respeito através do Termo de Intimação Fiscal 001 (fls. 95), de 07/05/08, a contribuinte apresentou seus esclarecimentos às fls.96/97, mediante os quais: a)Informa não possuir ação judicial referente ao tema, nem ter realizado consulta formal junto à SRF; b)Tece comentários sobre sua interpretação da legislação em questão, e sobre a forma como a empresa posicionouse diante das diversas mudanças legais emanadas de 2004 até o primeiro semestre de 2008. c)Em relação à IN 539/05, esclarece que a empresa entende enquadrarse na "atribuição 1": prestação de serviço eletivo de promoção e assistência à saúde em regime ambulatorial e de hospitaldia". • d)Em relação à IN 791/07, admite que a empresa perdeu sua "equiparação a hospital", voltando ao percentual de 32% já no primeiro semestre de 2008. e)Informa não estar registrada na ANVISA como unidade hospitalar. Destarte, com base em tudo acima exposto, serviços hospitalares são aqueles prestados dentro de uma estrutura que pode ser conceituada como hospital e subordinado administrativamente a este. Logo, vêse que a contribuinte não pode ser qualificada como prestadora deste tipo de serviços, já que: 1Não se enquadra nos conceitos de "hospital" e "assistência hospitalar", por não oferecer a possibilidade de internação, prestando somente serviços de consultas e exames; 11Não possui registro especifico de unidade hospital expedido pela Vigilância Sanitária estadual ou municipal; 111Não atende totalmente às exigências das IN 539/05, especificadas pelo ADI n° 19/07, pois não dispõe de estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes, nem assistência permanente prestada por médicos, possuir serviços de enfermagem e atendimento terapêutico direto ao paciente, durante 24 horas. Importante salientar que as atividades da contribuinte, ainda que exercidas em conformidade com as exigências técnicas especificas, não podem ser confundidas com a prestação de serviços hospitalares, pois não demandam a internação de paciente, passando ao largo de todas as espécies de serviços de apoio necessários às atividades hospitalares. A partir dai foram apuradas as diferenças de IRPJ e CSLL, decorrentes da aplicação de percentual presunção menor que o previsto na legislação. Cientificada das exigências fiscais, a interessada apresentou sua impugnação (fls. 230 a 249), que a seguir se resume: que é enquadrada como prestadora de serviço hospitalar, de acordo com a legislação fiscal e não com o que diz a legislação médica a respeito; que, se a própria lei fiscal estabelece quais serviços serão considerados sob o conceito amplo de hospitalar para a aplicação do percentual de presunção do lucro de 8% e não 32%, não cabe a normas administrativos dispor em contrário; que, apesar da lei ressalvar expressamente o coeficiente de 8% para serviços hospitalares, não havia detalhamento por parte da RFB sobre quais serviços Fl. 377DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES Processo nº 11516.005031/200829 Acórdão n.º 1801001.989 S1TE01 Fl. 203 5 especificamente poderiam ser considerados. No entanto, existiam respostas a consultas formuladas por contribuintes que diziam, em suma, que se considerava serviço hospitalar aquele em que houvesse internação de pacientes; que, com a edição da Instrução Normativa SRF n° 306, de 12 de março de 2003, que teve o mérito de corrigir o critério jurídico adotado até então pela Receita Federal para caracterizar a prestação de serviço hospitalar, deslocando o foco do prestador do serviço para a atividade em si desenvolvida pelos estabelecimentos de saúde, de forma que não é necessário ser um hospital para prestar serviço hospitalar. que, com surgimento da IN SRF 480, de 15 de dezembro de 2004, em seu art. 27, diz expressamente que para os fins previstos na IN são considerados estabelecimentos hospitalares aqueles que, dentre outras qualificações, disponham de pelo menos 5 (cinco) leitos para internação de pacientes; que, no entanto a IN SRF 539, de 25 abril de 2005, veio a restaurar o entendimento da IN SRF n° 306; Apresenta ementas do TRF 4Região; que, o enquadramento no percentual de presunção de 8% para a determinação da base de cálculo do IRPJ, deve ser traçado com na natureza do serviço desenvolvido pelo estabelecimento assistencial de saúde, e não na figura do prestador do serviço. que, tanto a IN SRF n° 306, como a IN SRF n° 480, na nova redação dada pela IN SRF n° 539, buscando dirimir dúvidas, passaram a prever os serviços considerados de natureza hospitalar, reproduzindo parte da legislação relativa à área da saúde, de modo interpretativo. E desta forma, considerando o art. 106 do CTN, que estabelece que a lei aplicase a ato ou fato pretérito quando interpretativa, inferese que a Impugnante fazia jus ao percentual de presunção do lucro, de 8%; As fls. 244, e seguintes, discorre sobre os princípios da lealdade, boafé e segurança jurídica; As fls. 247, e seguintes, aborda o principio da legalidade; Discorda dos fundamentos utilizados pela autoridade fiscal para negar Impugnante a tributação do IRPJ e da CSLL, nos coeficientes de 8% e 12%, respectivamente, consoante dispõe o art. 29 da IN SRF n° 306, de 2003, uma vez que a tributação diferenciada é garantida pelo art. 15 da Lei n° 9.249/95, não podendo ser suprimida por ato normativo infra legal; E, ao final, requer: Ante e exposto, requerse o cancelamento da Notificação Fiscal expedida contra a Reclamante, uma vez que sua atividade é equiparada aos serviços hospitalares, conforme definido pelo artigo 15 da Lei n. 9.249/95 ou, alternativamente; o cancelamento parcial do crédito tributário, de forma que sejam extirpados do lançamento os débitos originários do período de vigência das Instruções Normativas n° 306/03 e 539/2005, nos termos da argumentação exposta. O lançamento foi mantido em parte, fragmentandose os resultados conforme a Instrução Normativa vigente à época, como se lê nos seguintes trechos: Fl. 378DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES 6 Portanto, podese concluir que na vigência da IN SRF n.° 306, a contribuinte se enquadrou como "serviços hospitalares", do que se refere a alínea "a" do Inciso III, do §1°, do art. 15, e, no que diz respeito à CSLL, o art. 20, da Lei n° 9.249/95, devendo então ser de 8% (sobre a receita bruta) a base de cálculo do IRPJ e de 12% a de CSLL. Exonerase, portanto, o lançamento de IRPJ e CSLI. relativos ao 1º, 2.° e 3.° Trimestres do ano calendário de 2004, conforme quadro abaixo. ... E, ao final de sua impugnação, no item 7, do pedido, solicita que sejam extirpados do lançamento os débitos originários do período de vigência das IN SRF n.° 306 e 539, aceitando por óbvio, o lançamento sob influência da IN SRF n.° 480, de 2004. ... Não há nos autos a comprovação de que trata o §1.° do art. 27, acima grifado, ou seja, que o estabelecimento assistencial de saúde tem estrutura fisica para atender o disposto na Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária n° 50, de 21 de fevereiro de 2002. Diante de todo o exposto, podese dizer que a contribuinte, na vigência da IN SRF n.° 539, enquadrase, para fins de apuração da base de cálculo do lucro presumido, no Inciso III, do §1°, do art. 15, e, no que diz respeito à CSLL, no art. 20, da Lei .n° 9.249/95, ou seja 32% para ambos tributos. Em recuso voluntário, além de reiterar os argumentos consignados em sua impugnação, a recorrente infirma a conclusão da DRJ quanto à ausência de litígio quanto ao período em que vigeu a IN nº 480 de 2004, e noticia ter obtido provimento judicial quanto ao seu direito à utilização do coeficiente outorgado aos “serviços hospitalares”, postulando sua aplicação ao presente caso. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Mendonça Marques, Relator O recurso é tempestivo, preenchendo os requisitos previstos na norma processual, devendo ser conhecido e suas razões apreciadas nesta instância de julgamento. A informação de que a recorrente obteve decisão judicial versando a mesma matéria ora enfrentada, logo demanda a averiguação de eventual renúncia à esfera administrativa, fenômeno processual tratado na Súmula nº 1 do CARF. Eis o enunciado: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de Fl. 379DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES Processo nº 11516.005031/200829 Acórdão n.º 1801001.989 S1TE01 Fl. 204 7 ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Devese aferir então se o objeto da ação judicial era o mesmo debatido na presente lide, e se, nesse caso, haveria matéria diferenciada, passível de cognição nesta E. Instância administrativa. Vale dizer, os parâmetros gerais de interpretação do artigo 15, parágrafo 1º, inciso III, da Lei nº. 9.249/95, foram definidos no julgamento do RESP 1.119.399/BA, recurso representativo de controvérsia nos termos do artigo 543C do CPC (em 2009). Na trilha do entendimento firmado pela Corte Superior, a recorrente obteve, em decisão monocrática do Ministro César Asfor Rocha, a reforma do acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região, que antes negava o direito buscado pela empresa, de utilizar os percentuais reduzidos na apuração do lucro presumido. Assim foi redigido o desfecho da decisão no processo da recorrente (RESP 1.146.275SC): Diante disso, com fundamento nos arts. 543C, § 9º, 557, § 1ºA, do CPC e 5º, I, da Resolução/STJ n. 8/2008, dou parcial provimento ao recurso especial para declarar que os serviços médicoscardiológicos e métodos diagnósticos complementares em cardiologia estão compreendidos no conceito de "serviços hospitalares", razão pela qual a impetrante faz jus às alíquotas reduzidas de 8% de IRPJ e 12% de CSLL, nos termos da Lei n. 9.249/1995, excluindose da base de cálculo reduzida do IRPJ e CSLL as simples consultas médicas. A decisão monocrática foi desafiada por agravo regimental, interposto pela Fazenda Nacional, que foi negado, em julgado assim ementado: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. REDUÇÃO DE ALÍQUOTAS PERTINENTES AO IRPJ E À CSLL. DIREITO RECONHECIDO PELA JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE AOS SERVIÇOS MÉDICOS DE CARDIOLOGIA. NATUREZA DE SERVIÇOS HOSPITALARES. EXCLUSÃO DOS BENEFÍCIOS EM RELAÇÃO ÀS SIMPLES CONSULTAS MÉDICAS. REFORMA DO ACÓRDÃO RECORRIDO DIANTE DAS PRÓPRIAS PREMISSAS FÁTICO PROBATÓRIAS DELINEADAS COM CLAREZA PELO TRIBUNAL DE ORIGEM. NÃO INCIDÊNCIA DOS ENUNCIADOS N. 5 E 7 DA SÚMULA DO STJ. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. No processo nº. 2008.72.00.0043041/SC, o TRF da 4ª Região, ao negar o recurso de apelação, havia fundamentado a negativa do pleito da ora recorrente, nos seguintes termos: “O exegeta não pode elastecer o significado da expressão "serviços hospitalares" de forma a abarcar atividades que não correspondam à assistência plena e integral na área de saúde, com instalações adequadas para internação de pacientes, garantia de atendimento básico Fl. 380DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES 8 de diagnóstico e tratamento, equipe clínica organizada e apoio permanente prestado por médicos, caracterizadas por sistema complexo de atenção à saúde.” Em resposta a embargos de declaração opostos pela empresa, asseverou: “O escopo da Instrução Normativa nº 306/2003, bem como das que a sucederam, não é o de nortear a aplicação do art. 15, § 1º, III, 'a', da Lei nº 9.249/95, mas do art. 64 da Lei nº 9.430/96. A vinculação produzida por esses atos administrativos atinge somente os servidores da Receita Federal, quanto aos fins para os quais foram editados”. O feito judicial consistia em Ação Ordinária (declaratória) com os seguintes pedidos: “...declarar a natureza hospitalar dos serviços prestados pela requerente até dezembro de 2007, com direito à utilização da alíquota reduzida para recolhimento do IRPJ (8%) e CSLL (12%).” Ajuizada em 25 de abril de 2008, a demanda foi acolhida em 2011, para conceder à recorrente os efeitos declaratórios delineados pelo STJ. O artigo 78 do Regimento Interno dispõe: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. Além disso, o entendimento do Conselho quanto à irrelevância do momento em que a ação é ajuizada (se antes ou depois do lançamento), e do tipo de ação judicial proposta, foi consolidado na Súmula nº 1, com o seguinte texto: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Na ação ordinária em referência, o objeto era a declaração da natureza hospitalar dos serviços prestados pela recorrente, exatamente o mesmo debate travado nos presentes autos. O mérito, em tese, quanto à natureza dos serviços de medicina cardiológica e seu enquadramento como serviços hospitalares, já foi resolvido no Judiciário. A recorrente pode utilizar os coeficientes reduzidos, exceto no que tange às simples consultas médicas. Vale dizer, que na decisão do STJ, o Ministro Relator expressamente aponta que a apreciação judicial naqueles autos enfrentava o contexto jurídico anterior à Lei nº. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES Processo nº 11516.005031/200829 Acórdão n.º 1801001.989 S1TE01 Fl. 205 9 11.727/2008. Portanto, a tutela jurisdicional contemplou o período atingido pelos autos de infração destes autos. Caberia apreciar eventuais matérias diferenciadas, que inexistem, pois até mesmo a imprestabilidade das instruções normativas como elementos definidores do direito ora debatido, foi assentada pelo Tribunal Regional Federal. Pelo exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário, por renúncia à via administrativa, pelo ajuizamento de ação judicial com o mesmo objeto (processo nº 2008.72.00.0043041/SC, TRF da 4ª Região, definido no RESP 1.146.275SC) devendo a repartição fiscal competente observar a declaração judicial favorável à empresa, para cancelar o lançamento, nos termos do provimento judicial correlato. (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques Fl. 382DF CARF MF Impresso em 17/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 09/07 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 08/07/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES
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Numero do processo: 13053.000034/2008-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
Embargos de Declaração. Contradição
Cabem embargos de declaração quando verificada obscuridade, contradição ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se o Colegiado.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 3102-002.114
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para retificar o acórdão embargado.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro- Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro.
Nome do relator: LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Contradição Cabem embargos de declaração quando verificada obscuridade, contradição ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse o Colegiado. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para retificar o acórdão embargado. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ricardo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, Nanci Gama e Luis Marcelo Guerra de Castro. Relatório Tratase de embargos de declaração propostos por este presidente da 2ª TO, em desfavor do Acórdão 3102001.206, de 1º de setembro de 2011. Eis a sua ementa: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 3. 00 00 34 /2 00 8- 96 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 1/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13053.000034/200896 Acórdão n.º 3102002.114 S3C1T2 Fl. 219 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 AGROINDÚSTRIA. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. CRÉDITO PRESUMIDO. APURAÇÃO. Nos termos da legislação de regência, as pessoas jurídicas que produzirem mercadorias de origem vegetal ou animal destinadas à alimentação humana ou animal, podem descontar como créditos as aquisições de insumos, considerados os percentuais de acordo com a natureza dos insumos adquiridos (art. 8o, §3o, da Lei nº 10.925/2004), e que variam de acordo com a espécie dos insumos adquiridos. AGROINDÚSTRIA. CRIAÇÃO DE ANIMAIS PELO SISTEMA DE PARCERIA (INTEGRAÇÃO). A pessoa jurídica que se dedica ao abate e beneficiamento de animais poderá, observados os demais requisitos legais, creditarse de PIS relativamente à ração e outros insumos efetivamente utilizados na criação por meio de sistema de integração, em que, mediante contrato de parceria, o parceiro da pessoa jurídica (produtor rural integrado) encarregase, dentre outras atribuições, da criação dos animais que lhes foram entregues. CRÉDITO PRESUMIDO DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA. POSSIBILIDADE. O contribuinte que faz jus ao Crédito Presumido da Atividade Agroindustrial previsto na Lei 10.925/04 tem direito à utilização dos valores correspondentes como ressarcimento ou compensação com outros tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, desde que tais créditos tenham sido apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação. Quando da formalização do acórdão, este conselheiro percebeu que foi incluída no julgado matéria que não faz parte do litígio: provavelmente em razão da ementa da decisão recorrida, o Colegiado, a despeito dessa matéria não fazer parte do relatório (nem do litígio), manifestouse acerca da possibilidade de se pleitear ressarcimento do crédito presumido. Em razão de tal inconsistência, propus os presentes embargos. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Relator Fl. 235DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 1/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13053.000034/200896 Acórdão n.º 3102002.114 S3C1T2 Fl. 220 3 Como é cediço, a avaliação da admissibilidade dos embargos de declaração, até certo ponto, confundese com o seu mérito. Vejase o que diz o art. 65 do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. De fato, se não se revela omissão, contradição ou obscuridade na decisão embargada, não há porque admitir o recurso que, regra geral, não tem o condão de alterar o mérito do decisum, apenas garantirlhe a integração. Não se pode, portanto olvidar dessa finalidade, assim demarcada por Tereza Arruda Alvim Wambier1, para quem os embargos: Prestamse a garantir o direito que tem o jurisdicionado a ver seus conflitos (lato sensu) apreciados pelo Poder Judiciário. As tendências contemporaneamente predominantes só permitiriam entender que este direito estaria satisfeito sendo efetivamente garantida ao jurisdicionado a prestação jurisdicional feita por meio de decisões claras, completas e coerentes interna corporis”. Igualmente útil para o presente exame de admissibilidade é a lição de Candido Rangel Dinamarco2: Obscuridade é, como o nome diz, falta de clareza em um raciocínio, em um fundamento ou em uma conclusão constante da sentença (p.ex., condenar a entregar o bem devido, sem esclarecer qual, quando a demanda contém pedidos alternativos). Contradição é a colisão de dois pensamentos que se repelem (p.ex., negar a medida principal pedida e conceder a acessória, que dela depende; julgar improcedente a reintegração de posse e procedente o pedido de indenização etc.). Tomando tais conceitos como referência, analisando as razões de embargo, juntamente com o acórdão embargado, forçoso é concluir que o recurso deve ser acolhido. Há, com efeito, imperfeições que devem ser saneadas. De fato, conforme se observa na leitura do encerramento do relatório de ação fiscal à fl. 86, bem assim no despacho decisório à fl. 92, essa matéria não foi alvo de glosa ou denegação por parte do Fisco. Provavelmente por esse mesmo motivo, também não faz parte da manifestação de inconformidade ou do recurso voluntário. Demonstrada a contradição entre as premissas mencionadas no relatório e o voto condutor, deve o acórdão, a meu ver, ser alvo de ajuste, suprimindose do julgado a fração relativa ao tema. 1 Apud Luiz Rodrigues Wambier, Flávio Renato de Almeida e Eduardo Talamini Curso Avançado de Processo Civil, volume 1 : teoria geral do processo de conhecimento; coordenação Luiz Rodrigues Wambier. São Paulo. 2007, Revista dos Tribunais, 9ª ed. p. 595 2 Instituições de Direito Processual Civil. São Paulo, Malheiros, 2005, 5ª ed., pp. 687/688. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 1/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13053.000034/200896 Acórdão n.º 3102002.114 S3C1T2 Fl. 221 4 Proponho, portanto, o acolhimento dos embargos para que se exclua do julgado a decisão dessa matéria que não foi debatida no presente litígio. Promovido tal ajuste, a parte dispositiva do voto vencedor passará a ser: Com essa considerações, dou parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de se apurar créditos relativamente aos insumos aplicados em relação de parceria, observado o art. 3º da Lei 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Já o Acórdão, passará a ter a seguinte redação: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de se apurar créditos relativamente aos insumos aplicados em relação de parceria, observado o art. 3º da Lei 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Fez sustentação oral o advogado Carlos Eduardo Domingues Amorim, OAB/RS 40881 Sala de Sessões, 26 de novembro de 2013 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 237DF CARF MF Impresso em 16/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 1/06/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10935.003146/2006-13
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1103-000.100
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em determinar o sobrestamento do julgamento nos termos do art. 2º da Portaria Carf nº 1/2012.
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Marcelo Baeta Ippolito e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em determinar o sobrestamento do julgamento nos termos do art. 2º da Portaria Carf nº 1/2012. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Marcelo Baeta Ippolito e Aloysio José Percínio da Silva.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em determinar o sobrestamento do julgamento nos termos do art. 2º da Portaria Carf nº 1/2012. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Marcelo Baeta Ippolito e Aloysio José Percínio da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 35 .0 03 14 6/ 20 06 -1 3 Fl. 461DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10935.003146/200613 Resolução nº 1103000.100 S1C1T3 Fl. 377 2 Relatório Tratase de autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, anocalendário 2003, no valor total de R$ 162.392,76 (cento e sessenta e dois mil, trezentos e noventa e dois reais e setenta e seis centavos), sobre o qual incidem multa de ofício no percentual de 150% e juros de mora (fls.288/315). As infrações, quanto ao IRPJ, foram assim descritas no campo “Descrição do Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)”: 001 – DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO CONTABILIZADOS. Valor referente a depósitos e créditos, realizados junto a instituições financeiras, em que o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. 002 – RECEITAS DA ATIVIDADE – A PARTIR DO AC 93 – RECEITAS DA ATIVIDADE. Receita da atividade, escriturada e não declarada, apurada conforme relatório anexo. A ciência do contribuinte efetivouse em 20/07/06 (fls.288, 294, 301 e 308). No “Termo de Verificação Fiscal” (fls.281/287), a fiscalização consignou: “1 OMISSÃO DE RECEITAS 1.1 — RECEITAS NÃO CONTABILIZADAS (DEPÓSITOS BANCÁRIOS). Juntamente com mandado de procedimento fiscal acima, recebemos o Dossiê da fiscalizada onde continha informações dos sistemas da Receita Federal, em que constava que a fiscalizada manteve nos anos de 2002 e 2003, contas correntes em 02 (duas) instituições financeiras. Em 31 de janeiro de 2006, demos ciência ao contribuinte do termo de inicio da ação fiscal onde através de intimação solicitamos a documentação necessária realização dos trabalhos (Fls. 005). Em 06 de fevereiro de 2006 o contribuinte apresenta os documentos solicitados (Fls. 006). Em confronto com a contabilidade da fiscalizada constatamos que a mesma registrou apenas a conta bancária mantida junto ao Banco Sudameris, S.A., (Fls. 061 a 109), deixando de registrar as contas mantidas junto ao Banco Real S.A. Diante da não apresentação dos referidos extratos por parte da fiscalizada, em fevereiro de 2006, intimamos a instituição financeira a nos fornecer os extratos referentes aos anos de 2002 e 2003, (Fls. 110 a 111). Em março de 2006, em atendimento a intimação, a instituição financeira nos enviou os referidos extratos, (Fls.125 a 206). Fl. 462DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10935.003146/200613 Resolução nº 1103000.100 S1C1T3 Fl. 378 3 Em, 12 de abril de 2006 intimamos a investigada a comprovar mediante apresentação de documentação hábil e idônea as origens dos recursos financeiros ingressados nas contas bancárias em nome da fiscalizada (Fls. 207 a 238). Em 19 de abril de 2006 a fiscalizada apresenta pedido de prorrogação de prazo para atendimento da intimação alegando que se tratava de um volume muito grande de informações a serem fornecidas (Fls. 278). Em 20 de junho de 2006 a investigada apresenta resposta firmada por seu sócio administrador informando que os valores originase de vendas realizadas, cujos valores foram contabilmente registrados à débito da conta “caixa”, (Fls. 279). Na justificativa da investigada, ela alega que os valores das movimentações financeiras sob investigação foram registrados a débito da conta caixa, isso não procede, pois, como se pode observar nos quadros abaixo, os valores registrados de receitas na sua contabilidade totalizou no ano de 2003 o montante de, R$2.493.722,65, enquanto que os valores das movimentações financeiras totalizaram para o mesmo período o montante de R$7.144.117,60, além do mais, no razão contábil da conta caixa apresentado a esta fiscalização, não contempla tais valores que a investigada alega estar contabilizado, (Fls. 067 a 091), portanto fica provado que os valores que a investigada movimentou nas instituições financeiras são provenientes de suas atividades operacionais, e, que a diferença entre os valores registrados em sua contabilidade e os movimentados nas contas bancárias mantidas em nome da investigada constituem omissão de receita. Nas intimações para a investigada a comprovar as origens dos recursos financeiros ingressados nas contas bancárias mantidas em nome da mesma junto as instituições financeiras (Fls. 207 e 208), já foram excluídos os valores dos lançamentos a créditos que não representam efetiva entrada de recursos e que foram possíveis de identificação pelo próprio histórico dos extratos bancários, conforme demonstrado abaixo: ..... Os depósitos bancários, sem comprovação de origem, passaram a constituir presunção legal de omissão de receita, com o advento do art. 42 da referida Lei n° 9.430, de 1996, nos seguintes termos: [...]”. Acerca da qualificação da multa de ofício, a autoridade fazendária a fundamentou nos termos abaixo: “[...] 2 – MULTAS Foi aplicada a multa de 150%, tomandose por base o artigo 44 da Lei 9.430/96. Art. 44 Nos casos de lançamento de ofício serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Fl. 463DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10935.003146/200613 Resolução nº 1103000.100 S1C1T3 Fl. 379 4 I — De setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte: II — cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1.964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Não vislumbra, esta fiscalização, outra possibilidade de omissão das informações por parte do contribuinte, senão com a finalidade de esquivarse do pagamento de tributos, pois o mesmo omitiu 51,85% de suas movimentações das receitas totais, ou seja, 1 por 1, a cada um real declarado um foi omitido. O artigo 44 da Lei 9.430/96, acima transcrito, é claro quando trata da aplicação de multa de 150% nos casos de evidente intuito de fraude. Interessante neste caso é vermos o conceito de fraude constante da Lei 4.502/94 em seu artigo 72. Artigo 71 da Lei 4.502/94 — Sonegação é toda a ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária. Art. 72 — Fraude é toda a ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir seu pagamento. Art. 73 — Conluio é o ajuste dolosamente entre duas ou mais pessoas, naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos Arts. 354 e 355. Aqui podemos nos socorrer do dicionário Aurélio para aprofundarmos o entendimento do legislador acerca do assunto, quando trata da fraude como uma omissão dolosa. ‘dolo’ 1. Qualquer ato consciente com que alguém induz, mantém ou confirma outrem em erro; máfé, logro, fraude, astúcia; maquinação. 2. Jur. Vontade conscientemente dirigida ao fim de obter um resultado criminoso ou de assumir o risco de o produzir. Entende esta fiscalização, ter restado comprovado, de forma inequívoca, que o contribuinte agiu conscientemente, na tentativa de ocultar da autoridade tributária, resultado que deveriam ser oferecidos à tributação e não o foram.”. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10935.003146/200613 Resolução nº 1103000.100 S1C1T3 Fl. 380 5 Os lançamentos foram considerados parcialmente procedentes pela Segunda Turma da DRJ – Curitiba (PR), conforme acórdão que recebeu a seguinte ementa (fls.332/346): PROVA DOCUMENTAL. APRESENTAÇÃO. A apresentação de prova documental deve ser feita durante a fase de impugnação, precluindo o direito de a interessada fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas, em nome dos sócios, junto a instituições financeiras, em relação aos quais a interessada, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. RECEITA ESCRITURADA E NÃO DECLARADA. A parcela da receita bruta, com prestação de serviços, escriturada e não declarada na DIPJ 2004 deve ser objeto de lançamento de oficio. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os tributos e contribuições sociais não pagos até o seu vencimento serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Selic para títulos federais. MULTA DE OFICIO. QUALIFICADA. Aplicável a multa qualificada de 150% por restar caracterizada a ocorrência de dolo em face da constatação de créditos bancários cuja origem dos recursos deixou de ser comprovada. MULTA DE OFICIO DE 75%. Reduzse o percentual da multa de oficio de 150% para 75% sobre a receita bruta escriturada e não declarada em face de não restar caracterizada a ocorrência de dolo. DECORRÊNCIA. PIS. COFINS E CSLL. Tratandose de tributações reflexas de irregularidades descritas e analisadas no lançamento de IRPJ, constantes do mesmo processo, e dada a relação de causa e efeito, aplicase o mesmo entendimento ao Pis, Cofins e CSLL. Na oportunidade, afastouse a qualificação da multa de ofício relativamente à omissão de receita decorrente da não declaração de receitas escrituradas (IRPJ e CSLL). Devidamente cientificado de tal decisão em 10/01/07 (fl.361), o contribuinte interpôs tempestivamente recurso voluntário em 09/02/07 (fls.362/372), em que alega, em síntese: desde a impugnação, já sabia da necessidade de minuciosa apuração nos documentos contábeis da empresa, de maneira que se “...pretendia comprovar que, no mínimo, estão incorretos os valores consignados pela autoridade fiscal como sendo relativos à diferença (R$2.686.384,76) entre a receita declarada (R$2.493.722,65) e a movimentação financeira (R$5.180.107,41) da empresa apurada pela autoridade fiscal”; Fl. 465DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10935.003146/200613 Resolução nº 1103000.100 S1C1T3 Fl. 381 6 “estaria realizando nova conferência em sua documentação, para a demonstração do erro da fiscalização ou, quando menos, para atestar que houve verdadeiro equívoco de valores”; seria inaplicável a taxa SELIC, conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça (Resp 205375SP); quanto à multa de ofício, “...não restou comprovado nenhum dos elementos capazes de justificar a imposição da multa em sua forma qualificada. Nesse sentido, vale ressaltar que para a configuração de um daqueles elementos (sonegação, fraude ou conluio) é indispensável que se comprove de forma cabal a intenção do autuado de praticar condutas que caracterizariam ilícitos. Porém, no caso dos presentes autos, a autoridade fiscal limitouse a tipificar a multa em sua forma qualificada, não informando no auto de infração as razões que o levaram a assim agir”; na hipótese de presunção de omissão de receitas com base em movimentação financeira, “...a fraude strictu sensu estaria configurada se a ora Recorrente se utilizasse de contas frias e/ou em nome de interposta pessoa, ou caso se configurasse outra situação que visasse dar vestes de veracidade onde esta não existisse”; a autoridade fiscal apenas presumira a fraude; conforme jurisprudência administrativa, a constatação de omissão de receitas, por si só, não autorizaria a aplicação da multa agravada, sendo indispensável a comprovação inequívoca da prática de atos ilícitos. É o que importa relatar. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, dele se toma conhecimento. Um dos fundamentos das autuações foi exatamente o art.42, caput, da Lei nº 9.430, de 27/12/96, que dispõe: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Os valores depositados nas contas correntes do contribuinte foram descortinados, conforme “Termo de Verificação Fiscal”, por meio de informações obtidas diretamente de instituição bancária. Senão, vejamos: “[...] Diante da não apresentação dos referidos extratos por parte da fiscalizada, em fevereiro de 2006, intimamos a instituição financeira a nos fornecer os extratos referentes aos anos de 2002 e 2003, (Fls. 110 a 111). Em março de 2006, em atendimento a intimação, a instituição financeira nos enviou os referidos extratos, (Fls.125 a 206).” Fl. 466DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10935.003146/200613 Resolução nº 1103000.100 S1C1T3 Fl. 382 7 Nesse contexto, não se pode olvidar que no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a repercussão geral de questão constitucional, relacionada exatamente com a possibilidade de o Fisco obter diretamente das instituições financeiras, sem prévia autorização judicial, dados bancários. A respectiva ementa é esclarecedora: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. Nos termos do art.62A, §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), “Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art.543B”. Levandose em consideração que os julgamentos no âmbito do CARF passaram a ser sobrestados em razão de tal paradigma, inclusive neste Colegiado (v.g., Resolução nº 1103000.086, de 11/04/13), adoto tal linha decisória, com a reserva de que seria cabível o aprofundamento da análise quanto à necessidade de ordem judicial específica de sobrestamento, reconhecida a repercussão geral. Do voto do Relator, Min. Ricardo Lewandowski, verificase que outra não foi a intenção senão proporcionar a adoção da decisão final do STF aos demais feitos que versem sobre idêntica controvérsia: “[...] Entendo que a controvérsia possui repercussão geral. A questão constitucional está em saber se há violação aos princípios constitucionais que asseguram ser invioláveis a intimidade e o sigilo dos dados, previstos no art.5º, X e XII, da Constituição, quando o Fisco, nos termos da Lei Complementar 105/2001, recebe diretamente das instituições financeiras informações sobre a movimentação das contas bancárias dos contribuintes, sem prévia autorização judicial. ..... Com efeito, o tema apresenta relevância do ponto de vista jurídico, uma vez que a definição sobre a constitucionalidade do envio de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial, [...], norteará o julgamento de inúmeros processos similares, que tramitam neste e nos demais tribunais brasileiros. ..... Isto posto, manifestome pela existência de repercussão geral neste recurso extraordinário, nos termos do art.543A, §1º, do Código de Processo Civil, combinado com o art. 323, §1º, do RISTF.” (destaquei) Fl. 467DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10935.003146/200613 Resolução nº 1103000.100 S1C1T3 Fl. 383 8 Nesse contexto, vale lembrar que o próprio Min. Ricardo Lewandowski, em outras oportunidades (v.g., AI 668843/RJ e AI 765714/SP), com base no reconhecimento anterior da repercussão geral, determinou a devolução de processos para que o Tribunal de origem observasse o disposto no art.543B do CPC, que inclui, o sobrestamento até o pronunciamento definitivo do STF (§1º). Pelo exposto, voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento e de encaminhar os autos à Secretaria da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento para fins do disposto no art.2º, §3º, da Portaria CARF nº 1/2012. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 468DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 17/08/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 22/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 13656.720165/2012-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007
JUROS DE MORA À TAXA SELIC.
Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA DE OFÍCIO.
No lançamento de ofício para a constituição e exigência de crédito tributário, é devida a multa punitiva nos termos da legislação tributária então vigente.
MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA.
A exigência de juros de mora sobre a multa de ofício somente é cabível se aquela não for paga depois de decorridos 30 (trinta) dias da ciência do sujeito passivo da decisão administrativa definitiva que julgou procedente o crédito tributário.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-002.268
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar a diligência proposta pelo relator, assim como a nulidade levantada. Pelo voto de qualidade, deu-se provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto vencedor. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Fábia Regina Freitas e Maria Teresa Martínez López que davam provimento total. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Adão Vitorino de Morais. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Fabiana Carsoni Alves S. da Silva, OAB/SP 246569.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Antônio Lisboa Cardoso - Relator.
(assinado digitalmente)
José Adão Vitorino de Morais - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Fábia Regina Freitas, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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NULIDADE. O Auto de Infração lavrado por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, com a indicação expressa das infrações imputadas ao sujeito passivo e das respectivas fundamentações, constitui instrumento legal e hábil à exigência do crédito tributário. LANÇAMENTO. NULIDADE. É válido o lançamento efetuado de conformidade com as normas legais que regem o procedimento administrativo fiscal. DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. Reconhecida pelo julgador ser prescindível ao julgamento a baixa dos autos à autoridade preparadora para realização de diligência, rejeitase o pedido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007 BENS E SERVIÇOS. INSUMOS. CRÉDITOS. DESCONTOS. Geram créditos passíveis de descontos da contribuição apurada sobre o faturamento mensal os custos/despesas com bens e serviços utilizados na produção dos produtos fabricados/vendidos, dentre eles, matériasprimas, materiais e equipamentos, desde que não foram escriturados no ativo imobilizado, fretes para transportes de produtos semielaborados e para transporte de produtos acabados entre filiais e fretes de vendas, combustíveis e manutenção industrial. BENS ESCRITURADOS NO ATIVO IMOBILIZADO. DESPESAS DE ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 6. 72 01 65 /2 01 2- 81 Fl. 8052DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 2 Os custos/despesas com aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado não geram créditos da contribuição, mas tão somente as despesas de depreciação de tais bens, devidamente comprovadas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007 BENS E SERVIÇOS. INSUMOS. CRÉDITOS. DESCONTOS. Geram créditos passíveis de descontos da contribuição apurada sobre o faturamento mensal os custos/despesas com bens e serviços utilizados na produção dos produtos fabricados/vendidos, dentre eles, matériasprimas, materiais e equipamentos, desde que não foram escriturados no ativo imobilizado, fretes para transportes de produtos semielaborados e para transporte de produtos acabados entre filiais e fretes de vendas, combustíveis e manutenção industrial. BENS ESCRITURADOS NO ATIVO IMOBILIZADO. DESPESAS DE ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS. Os custos/despesas com aquisições de bens destinados ao ativo imobilizado não geram créditos da contribuição, mas tão somente as despesas de depreciação de tais bens, devidamente comprovadas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/02/2007, 31/03/2007, 30/04/2007 JUROS DE MORA À TAXA SELIC. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de ofício para a constituição e exigência de crédito tributário, é devida a multa punitiva nos termos da legislação tributária então vigente. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. A exigência de juros de mora sobre a multa de ofício somente é cabível se aquela não for paga depois de decorridos 30 (trinta) dias da ciência do sujeito passivo da decisão administrativa definitiva que julgou procedente o crédito tributário. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar a diligência proposta pelo relator, assim como a nulidade levantada. Pelo voto de qualidade, deu se provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto vencedor. Vencidos os conselheiros Antônio Lisboa Cardoso, Fábia Regina Freitas e Maria Teresa Martínez López que davam provimento total. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Adão Vitorino de Morais. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Fabiana Carsoni Alves S. da Silva, OAB/SP 246569. Fl. 8053DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13656.720165/201281 Acórdão n.º 3301002.268 S3C3T1 Fl. 8.053 3 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Antônio Lisboa Cardoso Relator. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Fábia Regina Freitas, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Adoto o relatório do Acórdão recorrido, que bem resume os assuntos discutidos no presente processo, da seguinte forma: Contra o interessado foram lavrados autos de Cofins no valor total de R$ 9.486.394,70 (fls. 5937/5944) e de PIS/Pasep no valor total de R$ 2.059.546,21 (fls. 5929/5936), ambos para os períodos de apuração fevereiro a abril de 2007, em função das irregularidades, que se encontram descritas no Relatório de Auditoria Fiscal (RAF) de fls. 5909/5928; A empresa apresenta impugnação às fls. 5947/6002 na qual alega, em síntese: a) “antes da lavratura dos presentes autos de infração, a impugnante detectou a existência de poucos itens, diante dos milhares ensejadores do direito ao creditamento, cujo crédito foi apropriado indevidamente, razão pela qual procedeu ao pagamento da contribuição ao PIS e da COFINS, devidas em fevereiro de 2007, com os acréscimos legais cabíveis (doc. 03), oportunidade em que esclareceu que ‘O recolhimento complementar é fruto de um trabalho de revisão que a empresa vem realizando em sua apuração do ano de 2007, a fim de excluir créditos apropriados de modo equivocado no passado’; b) é possível que as autuações fiscais tenham sido lavradas, em parte, porque, de posse das planilhas entregues pela impugnante ao longo do processo fiscalizatório (planilhas essas contendo o detalhamento, item por item, dos créditos indicados de forma resumida no respectivo DACON), o Sr. Agente Fiscal tenha se impressionado com a informação nelas contida, classificando os bens ensejadores dos créditos considerados pela impugnante entre as rubricas ‘consumo’ ou ‘insumo’. É possível que as autuações fiscais tenham sido lavradas, em parte, porque, de posse das planilhas entregues pela impugnante ao longo do processo fiscalizatório (planilhas essas contendo o detalhamento, item por item, dos créditos indicados de forma resumida no respectivo DACON), o Sr. Agente Fiscal tenha se impressionado com a informação nelas contida, classificando os bens ensejadores dos créditos considerados pela impugnante entre as rubricas "consumo" ou "insumo"; Fl. 8054DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 4 c) a fiscalização lavrou os autos de infração em foco de forma genérica, amparada em planilhas apresentadas pela impugnante com vistas à pormenorização dos itens indicativos dos créditos declarados em DACON, e das quais a fiscalização extraiu milhares de itens que reputou não estarem enquadrados no conceito de insumo, ou não estarem relacionados à atividade industrial da impugnante, sem, todavia, apresentar a justificativa, a motivação específica pela qual cada um dos itens que, a seu critério, não daria ensejo ao crédito. A fiscalização sequer investigou a verdadeira natureza dos serviços e dos bens adquiridos pela impugnante e a sua efetiva relação com o processo produtivo. Na verdade, a glosa fiscal, de uma maneira genérica, pautouse no conceito restritivo e ilegal, como será esclarecido adiante de insumos, adotado pelas autoridades fiscais com fulcro no artigo 66, parágrafo 5S, inciso I, da Instrução Normativa SRF n. 247, de 11.11.2002, e no artigo 8Q, parágrafo 49, inciso I, da Instrução Normativa SRF n. 404, de 12.3.2004, sem considerar o emprego desses itens nos processos industriais da impugnante, de maneira detalhada, fundamentada e específica d) discorre sobre o regime nãocumulativo e o conceito de insumo; g) discorre sobre as diversas etapas dos seus processos produtivos e os insumos nelas empregados sobre o que ela chama de ‘demais glosas’; h) O aluguel de empilhadeiras, os respectivos serviços de manutenção, suas partes e peças de reposição e os combustíveis nelas utilizados, assim como o aluguel de guindastes, (retro) escavadeiras, trados mecânicos, caminhões, camionetas, etc. e os gastos relativos ao seu reparo; i) O aluguel de prédios e galpões; A DRJ julgou parcialmente procedente a Impugnação da Recorrente, conforme sintetiza a ementa do Acórdão recorrido: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CRÉDITO PIS/PASEP COFINS. Para o crédito em relação a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, só se exige que os aluguéis sejam pagos a pessoa jurídica e os bens utilizados nas atividades da empresa. Se a autoridade fiscal relaciona os diversos itens glosados, cabe à empresa, ao impugnar a glosa, relacionar quais itens considera como glosados indevidamente. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 8055DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13656.720165/201281 Acórdão n.º 3301002.268 S3C3T1 Fl. 8.054 5 De acordo com a decisão recorrida, a empresa discorre sobre alguns itens que, segundo ela, dão direito ao crédito, porém não identifica esses itens nas planilhas o que impediu a análise das argumentações que, portanto ficaram prejudicada, com exceção do aluguel de empilhadeiras, caminhões, (retro) escavadeiras, trados mecânicos e o de prédios, que foram localizar nas respectivas planilhas e considerados pela decisão. Cientificada através do AR de fl. 7120, em 05/07/2012, a Contribuinte, ora Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 7122 e seguintes, em 06/08/2012, aduzindo, em síntese: Requer a exclusão dos autos de infração dos valores pagos antes das lavraturas dos autos de infração (fev/2007) e quando da apresentação da impugnação referentes aos meses de março e abril de 2007, a fim de evitar pagamentos em duplicidade, os quais representam apenas 7% dos valores glosados. Argúi a nulidade do trabalho fiscal, e igualmente do Acórdão recorrido, que se limitou à análise das planilhas elaboradas pela empresa, ora Recorrente, sem verificar o processo produtivo da mesma, o que configura falta de motivação, nos termos do art. 2º da Lei nº 9784, de 29.1.1999, não atendendo ainda ao art. 142, do CTN e art. 9º do Decreto 70.235/72, cita remansosa jurisprudência deste colendo Carf. Em relação ao mérito, diz que a decisão recorrida utilizou critério equivocado para a definição do conceito de insumo, pois, os itens glosados são insumos, com direito a crédito, nos termos do art. 3º, II, das leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, ou são bens do ativo imobilizado, que igualmente geram crédito de PIS e Cofins, em conformidade com o inciso VI, do mesmo artigo, com norma de regência no § 1º, inciso III, dos mesmos diplomas legais. Afirma que a fiscalização não observou o processo produtivo da Recorrente, que é a fabricação e comercialização de alumínio envolvendo diversas etapas e processos, conforme esclarece o laudo do IPT (doc. 1), bem como colaciona diversos outros documentos que detalham o seu processo produtivo, com a descrição e indicação dos insumos necessários utilizados. Faz por uma minuciosa descrição das diversas etapas do processo produtivo da empresa, desde à extração do minério (bauxita) até sua transformação em alumínio, armazenamento e comercialização. Requer por fim, o provimento do recurso, e alternativamente, a exclusão da multa de ofício e juros de mora, nos termos do art. 100, do CTN, tendo em vista que o seu entendimento está sedimentado em práticas reiteradas das autoridades administrativas, ainda, pugna pela não incidência de juros sobre a multa de ofício, com fundamento no art. 61, caput e § 3º, da Lei nº 9.430, de 1996. Requer, subsidiariamente, em razão da decisão recorrida ter passado de largo sobre muitos itens considerados insumos pela Recorrente, como é o caso de fretes e outros custos considerados pela Recorrente como insumos, requer a realização de diligência, com a finalidade de confirmar os itens glosados como insumos utilizados em seu processo produtivo, sob pena de ofensa ao princípio da ampla defesa que deve ser assegurado a todos em processo administrativo ou judicial. É o relatório. Fl. 8056DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 6 Voto Vencido Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso O recurso é tempestivo e encontrase revestido das formalidades legais pertinentes, devendo por isso ser conhecido. Merece ser destacado no voto condutor da decisão recorrida, o critério utilizado pelo julgador para a identificação dos itens que seriam capazes de gerar crédito de PIS e COFINS: Temos então que, diferentemente do que afirma a impugnante, não basta que o item adquirido seja necessário para manter seu ciclo produtivo e comercial para gerar o respectivo crédito. É necessário que ele se enquadre nas condições previstas na legislação de regência. Fica claro que não é toda aquisição de bens ou serviços da empresa que gera crédito de PIS/Pasep e Cofins, mas somente aquelas que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou que sejam aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Não se discute se esses bens e/ou serviços são necessários à atividade da empresa, e sim, se eles se enquadram no conceito acima, firmado na legislação. Está claro que o nobre julgador utilizou o mesmo critério destinado à apuração do crédito de IPI, questão já superada no âmbito deste colendo CARF, conforme depreendese da ementa do Acórdão da CSRF nº 930301.035, da relatoria do i. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Presidente desta colenda 3ª Seção do CARF: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO. RESSARCIMENTO, A inclusão no conceito de insumos das despesas com serviços contratados pela pessoa jurídica e com as aquisições de combustíveis e de lubrificantes, denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos corno sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Recurso negado (Ac. unânime da CSRF nº 930301.035/3ª Turma, julgado na sessão de 23 de agosto de 2010, rel. Conselheiro Henrique Pinheiro Torres). Merece destaque o seguinte trecho do v. voto condutor do referido acórdão, relativamente ao critério que deve ser observado para fins de identificação do que seja insumo capaz de gerar crédito de PIS e Cofins, nos termos do art. 3º, da Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003: Fl. 8057DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13656.720165/201281 Acórdão n.º 3301002.268 S3C3T1 Fl. 8.055 7 Desta forma, considerando que para a lavratura dos Autos de Infração de PIS e COFINS, não foram adotados esses critérios destinados à identificação dos custos que deveriam ser considerados como insumos, igualmente seguidos pela decisão recorrida, entendo ser necessário a conversão do julgamento em diligência, conforme requerido pela Recorrente, para que sejam identificados os insumos sem as restrições impostas pela legislação do IPI (vez que assim considerou a decisão recorrida: “mas somente aquelas que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou que sejam aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”). Após relacionar as despesas não consideradas como insumos (se eventualmente remanescerem), elaborar relatório pormenorizado da diligência, e cientificar à Recorrente, para querendo, manifestarse conclusivamente sobre o resultado da diligência no prazo de 30 (trinta) dias. Vencido na diligência, encaminho meu voto no sentido de acolher a preliminar de nulidade do processo, por descumprimento ao art. 142, do Código Tributário Nacional (CTN), vez que o Fiscal autuante deixou de determinar a matéria tributável, na medida em que não apurou os créditos decorrentes da nãocumulatividade do PIS/Pasep e Cofins, da forma determinada pelas Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Antônio Lisboa Cardoso Relator Fl. 8058DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 8 Voto Vencedor Conselheiro José Adão Vitorino de Morais I – Preliminares Ia) Diligência Discordo do Ilustre Relator quanto à necessidade de diligência “para que sejam identificados os insumos sem as restrições impostas pela legislação do IPI (vez que assim considerou a decisão recorrida: ‘mas somente aquelas que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou que sejam aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto’ e “após relacionar as despesas não consideradas como insumos (se eventualmente remanescerem), elaborar relatório pormenorizado da diligência, e cientificar à Recorrente, para querendo, manifestarse conclusivamente sobre o resultado da diligência no prazo de 30 (trinta) dias” Do exame dos autos, verificase que o autuante identificou, mês a mês, cada custo/despesa que, segundo seu entendimento, não constituiu insumos utilizados no processo de produção da recorrente, nos termos definidos no inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, conforme demonstrativos denominados: (i)“Planilha Demonstrativa dos Valores Glosados – Linha 02 Dacon (mês)”, na qual discriminou: fornecedor; CNPJ; data de emissão; data de entrada; Nota Fiscal (NF), CFOP; descrição do CFOP; utilização; Daconlinha; base de cálculo; glosa (valor); (ii) “Planilha Demonstrativa dos Valores Glosados – Linha 02 Dacon (mês) – Descrição dos Produtos das NF”, contendo: NF (nº) e descrição do produto; (iii)“Planilha Demonstrativa dos Valores Glosados – Linha 03 Dacon (mês)”, na qual discriminou: fornecedor; CNPJ; data de emissão; data de entrada; Nota Fiscal (NF), CFOP; descrição do CFOP; utilização; Daconlinha; base de cálculo; glosa (valor); (iv) “Planilha Demonstrativa dos Valores Glosados – Linha 03 Dacon (mês) – Descrição dos Produtos das NF”, contendo: NF (nº) e descrição do produto (serviço); (v) “Planilha Demonstrativa dos Valores Glosados – Linha 04 Dacon (mês)”, na qual discriminou: fornecedor; CNPJ; data de emissão; data de entrada; Nota Fiscal (NF), CFOP; descrição do CFOP; base de cálculo; glosa (valor); e descrição do produto; (vi) “Planilha Demonstrativa dos Valores Glosados – Linha 07 Dacon (mês)”, na qual discriminou: fornecedor; CNPJ; data de emissão; data de entrada; Nota Fiscal (NF), CFOP; descrição do CFOP; utilização; Daconlinha; base de cálculo; glosa (valor); (vii) “Planilha Demonstrativa dos Valores Glosados – Linha 07 Dacon (mês) – Descrição dos Produtos das NF”, contendo: NF (nº) e descrição do produto (frete); (viii) “Planilha Demonstrativa dos Valores Glosados – Importação Insumos Dacon (mês)”, na qual discriminou: fornecedor; CNPJ; data de emissão; data de entrada; Nota Fiscal (NF), CFOP; descrição do CFOP; utilização; Daconlinha; base de cálculo; glosa (valor); e Fl. 8059DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13656.720165/201281 Acórdão n.º 3301002.268 S3C3T1 Fl. 8.056 9 (ix) “Planilha Demonstrativa dos Valores Glosados – Importação Insumos Dacon (mês) – Descrição Produtos das NF”, contendo: NF (nº) e descrição do produto. As referidas planilhas, no entendimento deste julgador, atendem ao objetivo da diligência proposta pelo ilustre Relator vencido. O entendimento de que tais custos/despesas constituem insumos ou não, nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, é subjetivo e compete ao julgador decidir, nos termos destes dispositivos legais e dos argumentos apresentados no recurso voluntário. Dessa forma, não há que se falar em diligência. II – Nulidade dos lançamentos Também, discordo do ilustre Relator, em relação à nulidade dos lançamentos. De acordo com o Decreto nº 70.235, de 1972, que trata do procedimento administrativo fiscal, os autos de infração e, conseqüentemente os lançamentos, somente seriam nulos se tivessem sido lavrados por pessoa incompetente ou sem fundamentação legal, conforme previsto em seu art. 59, literalmente: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; [...]. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” No presente caso, os autos de infração em discussão foram lavrados por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (RFB), servidor competente para exercer fiscalizações externas de pessoas jurídicas e, se constatadas faltas na apuração do cumprimento de obrigações tributárias, por parte da fiscalizada, tem competência legal para a lavratura de auto de infração, com o objetivo de constituir os créditos tributários devidos, por meio de lançamento de ofício, inclusive a aplicação de penalidade. Do exame dos autos de infração em discussão, verificase que neles estão demonstradas a motivação, a infração imputada à recorrente e a fundamentação legal da exação, ou seja, insuficiência na declaração e pagamento das contribuições lançadas, conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de cada auto e Relatório de Auditoria Fiscal às fls. 5.909/5.928. A descrição dos fatos e as planilhas referidas anteriormente permitiram à recorrente contestar cada um dos custos/despesas glosadas e justificar os créditos apropriados. Tanto é verdade que concordou com parte das glosas, inclusive, apurou e recolheu as contribuições devidas sobre os valores com os quais concordou. Assim, tendo os lançamentos atendidos aos dispositivos legais, inclusive, o art. 142 do CTN, não há que se falar em nulidade. Fl. 8060DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 10 II – Mérito. A questão se restringe às glosas efetuadas pelo autuante sobre os custos/despesas incorridos com as aquisições de bens e serviços, discriminados nas planilhas identificadas e citadas anteriormente no item Ia) Diligência; a exigência de juros de mora e da multa de ofício; e, a exigência de juros sobre a multa de ofício. IIa) glosas efetuadas. Nesta fase recursal, a recorrente não contestou de forma específica cada um dos itens glosados e discriminados nas referidas planilhas, se limitando a alegações genéricas, dentre elas: que os lançamentos não encontram guarida nas normas legais que regem a incidência das contribuições lançadas e exigidas; a não cumulatividade das contribuições não se identifica com a do ICMS e do IPI; a relação dos itens que geram créditos, contida no art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, é taxativa; as condições do direito aos créditos estão descritas nestas leis e não comportam interpretação de seu intérprete e/ ou de seu aplicador; o inciso daquele artigo admite a dedução de créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação e/ ou produção bens; este dispositivo deve ser compreendido segundo o conceito econômico, como determina a LC nº 95, de 1998, art. 11, I, “a”; deve ser considerado como insumo tudo o que seja empregado na produção de bens; o critério seguro para verificação do que é insumo é o critério contábil de custo por absorção, descrito no Parecer Normativo CST nº 6, de 1979; também, deve ser considerado, além dos custos absorvidos outros dispêndios da pessoa jurídica; e, a regulamentação feita pela Receita Federal, nos termos das IN SRF nº 247, de 2002, e nº 404, de 2004 não tem amparo legal. Em momento algum, a recorrente demonstrou que cada um dos custos/despesas glosadas e discriminadas nas diversas planilhas, citadas anteriormente, constituem insumos utilizados no seu processo produtivo. Sequer demonstrou e/ ou informou quais equipamentos não foram escriturados no ativo imobilizado e quais equipamentos são consumidos no processo produtivo e as fundamentações. No recurso voluntário apresentado, informou que concordou com a glosa de diversos custos/despesas, efetuada pelo autuante, apuro a contribuição devida e efetuou o recolhimento. O direito aos créditos do PIS e da Cofins, ambas com incidência não cumulativa, está previsto no art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, que instituíram este regime, e da Lei nº 10.865, de 2004, que instituiu a exigência sobre bens importados, assim dispondo: Lei nº 10.637, de 30/12/2002: “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; Fl. 8061DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13656.720165/201281 Acórdão n.º 3301002.268 S3C3T1 Fl. 8.057 11 [...]; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. [...]; § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; § 2o Não dará direito a crédito o valor: I de mãodeobra paga a pessoa física; e II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. [...].” Lei nº 10.833, de 29/12/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao Fl. 8062DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 12 concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...]; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; [...]; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; [...]; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. [...]; § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; [...]; § 2o Não dará direito a crédito o valor: I de mãodeobra paga a pessoa física; e II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; [...]; § 14. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1o deste artigo, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no Fl. 8063DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13656.720165/201281 Acórdão n.º 3301002.268 S3C3T1 Fl. 8.058 13 prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. [...] § 21. Não integram o valor das máquinas, equipamentos e outros bens fabricados para incorporação ao ativo imobilizado na forma do inciso VI do caput deste artigo os custos de que tratam os incisos do § 2o deste artigo.” Lei nº 10.865, de 30/04/2004: Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: [...]; II – bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes; [...]; V máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. § 1o O direito ao crédito de que trata este artigo e o art. 17 desta Lei aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação de bens e serviços a partir da produção dos efeitos desta Lei. [...]. § 3o O crédito de que trata o caput deste artigo será apurado mediante a aplicação das alíquotas previstas no caput do art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, sobre o valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na forma do art. 7o desta Lei, acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição. § 4o Na hipótese do inciso V do caput deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação das alíquotas referidas no § 3o deste artigo sobre o valor da depreciação ou amortização contabilizada a cada mês. [...].” Fl. 8064DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 14 Assim, com base nestes dispositivos legais, analisei os custos/despesas e os respectivos bens/serviços discriminados nas planilhas (i) a (ix), citadas e identificadas anteriormente, no item I – Preliminar, subitem Ia) Diligência, e concluí que devem ser mantidas as glosas sobre as seguintes rubricas: a) (i) Planilha Demonstrativa dos Valores Glosados – Linha 02 Dacon (mês), combinada com (ii) Planilha Demonstrativa dos Valores Glosados – Linha 02 Dacon (mês), dos seguintes produtos: fitas adesivas todos os tipos (polipropileno, filamentosa, etc.); cartuchos para impressoras e todos tipos de material de escritório; reconhecimento em grupo; painel PVC c/moldura em metalon com adesivos; escaninho em acrílico para papel; fechaduras de portas; trancas de porta e de janelas; borrachas de porta; maçanetas de portas; borrachas para vidro; gatilhos; limitadores de porta; ferrolhos; tubo de aço inox; perfis e seção quadro ativo imobilizado; tubos de aço trefilados sem costura; tubos de aço inox p/filtro; chapas de aço 1000 x 2000 mm; chapasde acrílico cristal 2000 x 10000 mm 1/8IN; vigas de aço, barras laminadas; perfis laminados, barras de aço, barras coletoras; calhas para vão de obras, pallets; caixa maciça em pínus; compressor radial; N. Definido; pisos de borracha; portas de vidro temperado; películas de segurança; linha econômica fume, prata refletiva e fume refletivo; vidros transparentes; persianas horizontais de alumínio; divisórias divilux; acessórios para portas com perfis de alumínio; pisos paviflex; fornecimentos de forros; perfis de alumínio; forros de lã de vidro e de rocha; forros de PVC; acessórios para portas com perfis; aplicação e retirada de películas; estruturas metálicas tipo portapallets; interface LCD, 2 linhas/20 colunas, 5 teclas função; placa eletrônica, CPU p/512 pontos; interface LCD, 4 linhas/20 colunas, 5 teclas função; compra de perfil US621; transdutor linear indutivo BTL5E 10; projetor 400 W Lamp Ovoide; Blocos Auton 2 x 8 W A 6hs 228 Flc; tornos 6 fixo banc. Nod. Nobre somar; cadeados, armários, ventiladores de paredes; telhas de aço; pilhas comuns e alcalinas, baterias comuns e alcalinas, pilhas recarregáveis; serras copo, lixeira para copo; gaiolas p/ fosforizador grande forno e sapatas poliacetal copolímero p/sistema acionamento cilindro; guincho elétrico – Work 9000; cantoneiras abas iguais 2 x ¼ pol.; microfones, alto falantes, rádios, rádios de comunicação, modem de rádio e módulo eletrônico principal tipo ZEV; conserto impressoras e peças; tintas de todos as cores e tipos; painel de força p/plataforma móvel em aço carbono; chapas de aço lisas / inox 304; calças e camisas de todos os tipos e cores, jalecos, meias e luvas, todos os tipos; aparelhos telefônicos; bombas p392 e cilindro RC 152 (enerpac); peneiras industriais 170 x 100 x15 mm; lençol de borracha; quadros em MDF para parede; adesivo de vinil p/quadros; suporte plástico; materiais para conserto de quadros; óculos de grau todos os modelos e tipos; bicicletas todos os tipos e modelos; cartuchos e tonners todos os tipos e modelos; cilindro hidráulico; bomba d’água ref 70991412; lâmpadas incandescentes e fluorescentes todos os tipos e potencias; reatores p/ lâmpadas; sinaleira rotatória; conjuntos de rádio, bateria, antena e carregador; torneiras para jardim todos os tipos e modelos; despesas com contratos de aluguel, em comodato, de máquinas de café expresso, todas; motor de indução mannesmann demag, IP 55; caibros de madeira todos os tipos e modelos, sarrafos de madeira, pallets de madeira todos os tipos, caixas de madeira, varas de madeira c/casca, todas; conjunto de teclado, acoplado a caixa externa e alto falante para rádio de comunicação, antena, tecla, tampa traseira STN UHF NNTN4101; antena heliflex original p/ rádio PRO 1150; fraldas descartáveis todos os tipos e modelos, bem como todo material de higiene pessoal; painéis 4, 3, 3A, 8, 8A, 12, 2, 16, 19 – confecção de blocos para salas de cubas, todos; chapas lisas de aço, todas; vigas de aço, todas; cantoneiras de aço, todas; barras de aço, todas; pedra brita, cimento, cascalho, assentos sanitários, duchas, saboneteiras, paviflex, todos; mola hidra lisa, dobradiça, fechadura; carro de bandejas; areia lavada; lona plástica; azulejos e argamassas; desempenadeiras, todas; botinas e botas, todos os tipos e modelos; almoços, jantares, lanches, coffe break, desjejum, independentemente das finalidades; copos descartáveis; etiquetas adesivas, todas; formulários para impresso; cadeiras, todos os tipos e modelos; mesas e armários, todos os tipos e modelos; compensados cedrinho; Fl. 8065DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13656.720165/201281 Acórdão n.º 3301002.268 S3C3T1 Fl. 8.059 15 fornecimento de materiais e fabricação de grade e degraus, todos; base para máquina percintar kastrup kss ref 914719; bomba centrífuga com motor, todas; madeira verde, tablados de madeira, engradados de madeira, folhas de madeira, tábuas de madeira, peças em maçaranduba, palletes, caixas, folha de madeira compensado (chapas); serviços de reparo e concretagem de porta e material aplicado; toucas descartáveis; esmaltes sintéticos, todos os tipos e cores; thinner, sika, lona impermeável; rolos de lã, rolos de espuma, trinchas para pinturas; solventes, micro calcita, fabricação de barras e chapa; lentes monofocais, multifocais, todos os modelos e tipos, óculos todos os modelos e tipos; fabricação em aço carbono, todas; fabricação em aço inox, todas; climatizadores; notebooks; prensagem de sucatas; disquetes, canetas, todas as cores e tipos; tesouras; post it neo 653; perfurador de papel; cadernetas para anotações; blocos de papel, todos; grafites, posts, caixas de arquivo, pastas, papel e tudo que for material de escritório; fabricação de plataforma móvel para prev queda altura 500 mm; móveis em geral de pau darco; cunhas de madeira; embalagem em compensado; móveis em geral em Pot Fórmica; móveis em geral em maracatiara; calco para macaco; doação de gasolina; e jaquetas de couro. As glosas dos créditos sobre os custos/despesas escriturados sobre estas rubricas devem ser mantidos, porque não constituem insumos nos termos dos dispositivos citados e transcritos anteriormente. Os custos/despesas com materiais de escritório, despesas com empregados e com diretoria, despesas com segurança e aquisições de móveis não estão abrangidos naqueles dispositivos; já os demais custos, com equipamentos, a legislação prevê créditos sobre as despesas com depreciações e não sobre os custos de aquisições. Em momento algum, a recorrente demonstrou que tais custos não ativáveis e no ativo imobilizado nem demonstrou que se trata de bens imprescindíveis ao seu processo produtivo, bem como não fundamentou suas não ativação. Também, há custos/despesas, tais como lâmpadas, fitas crepes, etc., que são utilizados no escritório e fora das instalações industriais e nas próprias instalações industriais que não foram segregados e demonstrados pela recorrente. Caberia à recorrente ter informado a natureza de cada custo/despesa glosada, sua utilização, vida útil, valor e porque não foi imobilizado, inclusive, com fundamentação; b) (iii) Planilha Demonstrativa dos Valores Glosados – Linha 03 Dacon (mês), combinada com (iv) Planilha Demonstrativa dos Valores Glosados – Linha 03 Dacon (mês), dos seguintes serviços: consultoria técnica; serviços técnicos especializados – cost sharing; consultoria técnica – cost sharing; assigned sustaining – quasar (ISS); prestação de bombeiro civil para atendimento de emergência; prestação de serviços para manutenção no sistema de refrigeração e ar condicionado Alcoa PCs; serviço de manutenção civil – equipe fixa – canteiro fora da planta; acordo de serviço de mão de obra temporária; consultoria técnica e funcional em aplicativos de sistemas (oracleotc); serviços de avaliação ambiental na fábrica da Aluex; vigilância patrimonial Alcoa Tubarão; serviço de limpeza e conservação fábrica UTG; análises de vibração; montagem e desmontagem de andaime em regime de hora extraordinárias; serviço de manutenção de carcaça; serviço de coleta e amostra de água subterrâneas em 6 poços de monitoramento e confecção de relatório; relatório de competências premium; contratação de consultoria para implementação da OHSAS 18001 e qualificação das pessoas; pesquisa mineral em jazida na cidade de Carvalhos, MG; serviço de assistência técnica em seis apalpadores NHT9100; hora extra refinaria equipe fixa a 80 por cento; serviços de instalação de poços de monitoramento de água subterrânea, coleta de amostra e elaboração de relatório técnico para fábrica do Rio de Janeiro; serviço de imunização por tratamento térmico para embalagens madeira exportação por pallets; umidificação de estradas na mineração; prestação de serviços para realização de cirurgia ortopédica; equipe fixa civil/pintura, lavagens de calcas de tecidos; massa asfáltica tapa buracos; exame de citologia urinária e imunocitologia; atividades executadas do projeto de remediação da lagoa da br 101; serviços de aux adm p/div dep da Alcoa PCs; área SMO/ginástica laboral/com reposição de Fl. 8066DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 16 férias; serviços administrativos (todos); contratação de motoristas para transporte de refeições; manutenção do programa ginástica laboral; treinamento de moagem e classificação de minérios (24 participantes30 horas); mecânico montador (mão de obra); mecânico; tratamento térmico (natureza); locação de toalhas; consultoria especializada em TPM; fretes de tarugo da Empol Utinga para Itapissuma (nat/final?), todos; serviço de apoio administrativo; remoção de pavimento solo capa asfáltica; adicionais noturnos, todos; termografia (01 pessoa ful c/termografia); acordo de serviço de mão de obra temporária; roçado em áreas da fazenda, viveiros e parque ambiental; auxiliar de serviços gerais para apoio à atividades da mineração; serviços de mão de obra de apoio para montagem, serralheria e montagem; lavagem de camisas de tecidos; confecção de aceiros em áreas CGM e condicionantes, serviços administrativos de apoios, todos; serviços de prestação de limpeza e conservação para Sorocaba; obtenção de vistos temporários, locação de toalhas industriais; ajudantes, todos; auditoria, avaliação de matéria, integridade, levantamento e condições operacionais, confecção de desenho de localização, reconstituição de livros de segurança, projetos de instalação, projetos de reparo e modificações; prestação de serviço efetivo p/ acompanhamento de SHMA na área de segurança, todos; aluguel de tenda duas águas 15x20m para o pátio de sucata; auditoria/diária; prestação de serviço para a continuidade de reorganização no almoxarifado de projeto prédio 002C; manutenção sistema geral contra incêndio e arrombamento da Alcoa; serviços de consultoria, todos; concreto de 18 mpa aplicado a nível do solo – material; exames laboratoriais admissionais demissionais e periódicos; contrato de suporte e manutenção em software unigraphics; consumo de água prédio 1701 abril/07 (admin.?); lançamento complementar frete de transferência de tarugo (nat/fin.?); digitalização em autocad de desenhos das embalagens de madeira da expedição em formatos a2 conjunto de 23 formatos; divisórias removíveis com vidro (instalação) – material; serviços de elaboração de proj mec eletr civil e outros; relatório 2591; prestação de serviço por auxiliares hora normal para os itens spot do contrato; eletricistas; serviço de calibração, medição, treinamento, consultoria e controle dos equipamentos, atendendo a norma ISSO90012000 item 76; prestação de serviço de gerenciamento; confecção de aterro e compacto inclui cascalho; serviços de elaboração de proj. mec. eletr. civil e outros; conserto stepper drive; home care para Isabela Leite; custo de treinamento/pessoas; refinaria equipe fixa civil; ajudantes; atendimento às exigências para licença de instalação da mina de Divinolândia na Cetesb; serviço extras de limpeza e conservação fábrica; auxilio em amostragens e analises ambientais; capina química na subestação 69; mão de obra temporária, todas; horas extras, todas; contrato de desenvolvimento e manutenção de automação (unigraphics); aluguel da cobertura dos acessórios do CD; frete transferência Sorocaba (com impostos e pedágio); toalha continua branca em rolo TCO22; frete Sorocaba x Tubarão (frete/impostos/pedágios); serviços de elaboração de proj mec eletr civil e outros; treinamentos e reciclagem de operadores; serviço de consultoria e assessoria em ergonomia mensal; disposição de resíduo de madeira; serviços de coordenação dos trabalhos de pesquisa de bauxita em jazidas a serem adquiridas pela CGM; contrato anual de manutenção preventiva em refrigeradores de máquinas, ar condicionado e bebedouros da Alcoa Sorocaba – utilidades; serviço mão de obra para recuperação do cilindro da esteira veiculo de briquete techno; prestação de serviços de assistência médica; diárias de técnicos; auditoria para avaliação atual/avaliação de materiais/integridade/inspeções conforme NR 13/levantamento das condições operacionais de vasos/confecção de desenhos; exame de eddy current em tubos; serviço de descupinização do almoxarifado; serralheiro/hn; coletas e entregas de serviços não contemplados; avaliação de perfil psicológico e comportamental; máquina multifuncional fotocopiadora e impressora grande formato marca OCE modelo TDS300; escavações manuais de terra profundidade ate 1.2 m mão de obra; manutenção anual preventiva e corretiva microscópio varredura eletrônico; formulário continuo; nota fiscal fatura serie 5; 4 vias; conserto do medidor de parâmetros de água, horiba mod u10 n/s 610041, patrimônio 010821; limpeza e conservação da CGM; pagamento de seguro frete fábrica Sorocaba prov 9 meses vigência até 21/12/2007; serviços extras, todos; outdoor em lona; auxiliares de Fl. 8067DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13656.720165/201281 Acórdão n.º 3301002.268 S3C3T1 Fl. 8.060 17 serviços gerais, em quaisquer áreas; pintores; ajudantes; conserto Score module; aluguel de veículos para transportes de funcionários e equipamentos, para quaisquer áreas; serviços de reparo em telhados, inclusive marquises; avaliação ortopédica em PCs; prestação de serviços de topografia , para correção de alinhamento e nivelamento dos rolos da LASA; serviços de recepcionista pleno; serviços terceirizados para executar trabalhos, em quaisquer áreas; contratação de consultoria, todas; prestação de serviços de Intranet, apresentações e treinamentos multimídia; serviços de aplicação e comodato em equipamentos; verificações mensais; utilização de caminhão pipa; conserto carrossel; serviços de jardineiros; conserto de placa de distribuição; serviços de jardinagem em Sorocaba; serviços de elaboração de proj. mec. eletr. civil e outros; manutenção preventiva em aparelhos de ar condicionado; manutenção preventiva em aparelhos de ar condicionado; monitoramento de águas subterrâneas em 44 poços e coletas dos níveis do lençol freático em 51 poços; suporte técnico do software SMI para um período de um ano; prestação serviços elaboração procedimentos (para o ano de 2007); manutenção preventiva em aparelhos de ar condicionado; manutenção em poços; mão de obra para reforma do braço do cilindro da lança da retro Komatsu; prestação de serviços para realização de auditorias trabalhistas para o depto de RH; serviço de projeto, painel de força e comando com controle remoto, para acionamento da ponte rolante auxiliar da anodização; Iproc mensalista Utinga; horas trabalhadas na Alcoa; serviços courier Fedex; encarregados, todos para todas as áreas; transporte de pessoal da CGM, usando uma VAN, conforme escopo revisado; serviços de topografia, levantamento de alinhamento e nivelamento bronze cravado no piso da fabrica, para obter correções da maquina kasa; recuperação de placas de desvio; inspeção mensal em equipamentos de combate a incêndio; serviço de resgate para manutenção em folhas; ref macacão tychem para coleta seletiva consumo mensal 20x145; relatório 2598; acordo serviço de analise de vibração; contribuição como sócio Jurídico (AMDA) período de um ano; instalação de pisos cerâmicos – material; serviço de inspeção extintores na área; equipamento de vídeo conferencia Tandberg 880 c/ Ms referente ao período de 36 meses; prestação de serviço para revisão do circuito elétrico do aquecedor de ar modelo GEI335A; assistência técnica Taco Hubner; cartão performance shop de incentivo ao funcionário; resíduos do ambulatório; aluguel de veículos para serviços de pesquisa; supervisores (mão de obra). relatório 15177; serviço upgrade; treinamento de multiplicador de conhecimento básico; mão de obra CÓD. 03MO p/ recup. em válvula ref.F3DG3S4108C 50fabricante Eaton; prestação de serviços por supervisor e técnico de segurança (horas normais e extras); manutenção e assistência técnica de dois compressores; serviço de mão de obra para recuperação de cilindros; acompanhamento dos processos administrativos das áreas de lavra da CGM no DNPM, SMA, IBAMA, CETESB e DPRN.; demolição de concreto arcado c/ equipamento de ar comprimido mão de obra; serviço de copia de chaves, abertura de armários e troca de segredos, reparos de pisos (mão de obra), todos; divisórias removíveis com vidro (mão de obra), todos; prestação de serviços de operação de veículos industriais (temporários); soldadores; coletas e entregas de serviços não contemplados; serviço de pré qualificação de EHS em empresa de montagem de refratário; prestação de serviços gerais em corretivas programadas das áreas da Alcoa, conforme escopo enviado à A&L; recuperação de passarela, todas; serviço de desinsetização contra insetos rasteiros e desratização; contrato de aferição dos equipamentos metrohm do laboratório conforme escopo de serviço enviado ao fornecedor; locação de copiadora kitani ep4000/ep1031; radiografia coluna lombo sacra; campimetrias (exame de vista); serviço de análise de fluoreto meio ambiente; furos em concreto mão de obra; reaterro compactado com ferramentas pneumáticas profundidade ate 1.2 m mão de obra; publicação de licença de operação; serviço de confecção dos separadores para o pátio de tarugos; tratamento biológico em caixa de gordura; concreto de 21 mpa usinado; controle químico da vegetação na área do subestação 69; auxiliar de pedreiro; pinturas de paredes interna e externas; ajudantes de pintor; lavagens de roupas; chamadas emergenciais referente à Fl. 8068DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 18 manutenção de alarmes, serviço de transporte de refeição, todos, aplicação de treinamentos técnicos, todos; ultrasom; projeto de adequação NR13 baseado recomendação laudo periódico do vaso contam 005; serviços de officeboy, todos; honorários de visitas em PÇs; prestação de serviços por motoristas, todos; curso de planejamento de manutenção em pontes rolantes, talhas de cabo de aço e monovias pela DEMAG; adesivos recortados para sinalização imprimax/sidi, serralheiro; serviços normais extras, todos os profissionais; cm2 para anuncio colorido no “Jornal Tribuna Zona Leste”; remessa e retorno de conserto prensa III; otimizar, atualizar e tornar independente a planilha cálculo de produção; consultoria de qualidade – SQS; Alumar/ Serviços de Proficiência de Idiomas/ valor 401.30; verificação mensal; pecas de madeira de pinho, largura padrão de 30cm, espessura 50mm com acabamento; locação de purificador de água Brastemp; radiografia tórax; concreto de 18 mpa aplicado a nível do solo mão de obra; stuffing; demolição de concreto arcado c/ equipamento de ar comprimido mão de obra; relatório 15458; locação e lavagem de tapetes grafite; locação de panos de limpeza; formulários triple; mão de obra para prensa de sucata; limpeza de fossas e caixa de gordura; serviço de analise de alcalinidade meio ambiente; formas para concreto armado formas de madeira para concreto não aparente mão de obra; serviço controle de pragas fábrica Sorocaba; encarregado; horas técnicas internas; impermeabilização de telhados com manta asfáltica aluminizada; mão de obra para instalação, sinalização, testes de equipamentos elétricos; toalha continua branca em rolo tco22; locação de mão de obra, todas; eletrocardiograma; serviços de desinsetização e desratização na fábrica de Pó da FA 13 prédios + áreas externas; viagens extras; horas trabalhadas na Alcoa; toalha industriais; cancelas para sala de cubas, em cedrinho; mão de obra em geral; Fr. s/rem e ret de gaiolas para conserto; viagem fora perímetro urbano (frete a negociar); Colocação de divisória C1; licenças Sorocaba; aplicação de sikadur 32 mão de obra; elaboração de relatório; manutenção e monitoramento 24h em câmeras e alarmes da fábrica de Sorocaba; pecas de madeira de peroba mica/perobinha ou similar aprovada; desobstrução rede de esgoto; taxas de visita; caldeireiros, serviços courier Fedex; impermeabilização de juntas de lajes; viagens extras região metropolitana norte Itamaracá / Igarassu / Abreu e Lima e Paulista / grande Recife; impresso / permissão p/trabalho em altura Alcoa Poços / 1 via / dim 31x21cm / bloco c/50 folhas; aplicação de treinamentos técnicos, todos; serviço de análise de ph meio ambiente; esgotamento de fossa carrada externa; serviços de desinsetização e desratização; horas excedentes, em todas as áreas; remoção de divisórias; viagens para quaisquer destinos; formulários impressos, todos para quaisquer finalidades; despesas com refeição, transporte e hospedagem; confecções de bordados; fretes inbound (marketing), para quaisquer regiões; crachá de funcionários; transferências de ferramenta para Itapissuma; frete outbound (logística) de ferramentas – Sorocaba; formas para concreto armado, todos os tipos e para quaisquer finalidades; remessas e retornos de consertos de quaisquer equipamentos; instalações hidráulicas sanitárias e pluviais fornecimento e instalação de tubulação de PVC para esgoto 200 mm de diâmetro com conexões e afins tigre mão de obra; taxa administrativa 4.75% sobre o valor pago ao funcionário; cm2 para anuncio preto e branco no “Jornal Mantiqueira”; mão de obra para quaisquer finalidade e para todos os setores; visita e transporte para serviços de identificação instalação e adaptação de pecas; taxas de seguros da vídeo conferencias; envelopes de correspondências; pagamento de faturas Fedex referente a Impostos Itapissuma GN; consultoria no desenvolvimento de projeto de sequestro de carbono mdl nas áreas da Alcoa Poços/CGM. As glosas dos créditos sobre os custos/despesas escriturados sobre estas rubricas devem ser mantidos, porque não constituem insumos nos termos dos dispositivos citados e transcritos anteriormente. Tratase de serviços realizados fora das instalações industriais da recorrente, alguns realizados em outros municípios, bem como de despesas administrativas e de marketing e propaganda; consultoria, despesas administrativas, de segurança, médicas, alimentação, etc. Fl. 8069DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13656.720165/201281 Acórdão n.º 3301002.268 S3C3T1 Fl. 8.061 19 c) (vi) Planilha Demonstrativa dos Valores Glosados – Linha 07 Dacon (mês), combinada com (vii) Planilha Demonstrativa dos Valores Glosados – Linha 07 Dacon (mês), dos seguintes serviços: fretes da empresa Transul; fretes outbound, todas, para quaisquer regiões; pagamentos de estadias/diárias, todas; frete carreta retorno (S. Luiz x S. Paulo; fretes outbound s/transf , todas para quaisquer localidades; fretes sobre remessa de gaiolas para consertos; fretes sobre retorno de gaiolas de clientes; fretes não identificados; fretes outbound aéreo, todas; fretes inbound pela Servtrans, todas; pagamentos a Fedex, todas; fretes de remessa e retornos de consertos, todas; fretes rodoviários referentes a trocas de notas, todas; fretes outbound de resíduo com óleo de Utinga. Todos estas despesas não constituem insumos nos termos da legislação do PIS e Cofins não cumulativos. Os fretes da Transul não foram identificados, daí sua glosa. Aliás, a recorrente, em seu recurso voluntário, não justificou nem fundamentou o direito aos créditos sobre cada uma destas rubricas; d) (viii) Planilha Demonstrativa dos Valores Glosados – Importação Insumos Dacon (mês), combinada com (ix) Planilha Demonstrativa dos Valores Glosados – Importação Insumos Dacon (mês). Em relação a estas planilhas, deve ser mantida a glosas sobre os custos/despesas incorridos com os equipamentos que foram ativados e/ ou que por lei deveriam ser (escriturados no ativo imobilizado), cabendo à autoridade administrativa competente, apurar o que foi ativado para manter os valores glosados sobre eles e também sobre os que deveriam ser escriturados no imobilizado por força de disposição legal. Assim, em relação aos demais custos/despesas, os valores glosados deverão ser restabelecidos e retificadas as parcelas mensais dos créditos tributários, em discussão. IIb) Juros de mora A exigência de juros de mora, inclusive à taxa Selic, constitui matéria sumulada pelo Conselho Administrativo de Recursos (CARF), nos termos da súmula nº 3 que assim dispõe: “Súmula nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.” Assim, por força no disposto no § 4º do art. 72, do Regimento Interno do CARF (RICARF), obrigatoriamente, adotase para este caso aquela súmula, reconhecendose a legalidade da exigência de juros de mora à taxa Selic. IIc) Multa de ofício. Já a multa incidente sobre os tributos não recolhidos e lançados de ofício tem natureza punitiva cujo objetivo é o de punir o sujeito passivo pela prática de infrações tributárias (falta de declaração e recolhimento de tributo). Tratase de penalidade pecuniária que atinge o seu objetivo por meio do confisco de parte do patrimônio do infrator. Seria uma incoerência, portanto, aplicarse o princípio de vedação ao confisco à penalidade pecuniária. Tal princípio somente se aplica aos tributos, e não à multa punitiva, como está claro no texto constitucional. Fl. 8070DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO 20 O seu lançamento teve como fundamento a Lei nº 9.430, de 1996, art. 44, I, que assim determina: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (…).” Assim, a multa de ofício, calculada sobre o valor de tributo não declarado/pago, lançado e exigido de oficio, está em consonância com a legislação de regência, sendo o percentual de 75% o legalmente previsto, não se podendo, em âmbito administrativo, reduzilo ou alterálo por critérios meramente subjetivos, contrários ao princípio da legalidade. A alegação de que a penalidade deve ser excluída, aplicando o disposto no art. 100 do CTN, não procede. Julgados administrativos, reconhecendo um universo mais amplo do conceito de insumos, em relação ao PIS e Cofins não cumulativos, não amparam a exclusão da multa de ofício sobre parcelas lançadas e exigidas em decorrência de glosas de créditos sobre custos e despesas que o autuante considerou que não constituem insumos nos termos do inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. IId) exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. A exigência de juros de mora sobre a multa de ofício somente tem cabimento depois de decorrido o prazo de 30 (trinta) dias concedidos ao sujeito passivo para pagamento do crédito tributário julgado e mantido por decisão administrativa definitiva. Caso o crédito tributário tornese líquido e certo, ou seja, com decisão definitiva contrária ao contribuinte, e não seja pago dentro daquele prazo, a penalidade (multa de ofício) convertese em débito fiscal, passando então a incidir juros moratórios sobre ela nos termos da Lei nº 9.430, de 27/12/1991, art. 61, § 3º, quando do seu pagamento intempestivo. Em face do exposto, dou provimento parcial ao recurso voluntário, mantendo a glosa dos valores dos créditos do PIS e da Cofins apurados sobre os valores dos custos/despesas, discriminados neste voto vencedor, no item IIa), sub itens “a”, “b”, “c”, e “d”, restabelecendo os valores dos créditos glosados sobre os demais custos/despesas, apurados pela recorrente, cabendo à autoridade administrativa competente retificar os lançamentos, nos termos desta decisão, exigindo as parcelas mensais retificadas, acrescidas de multa de ofício e juros de mora à taxa Selic, sendo que os juros de mora sobre a multa de ofício somente são cabíveis depois de decorridos 30 (trinta) dias da decisão administrativa definitiva, sem que o contribuinte tenha liquidado os créditos tributários mantidos. Os pagamentos efetuados por conta dos créditos tributários deverão ser aproveitados nas suas liquidações, fazendose a imputação dos valores recolhidos. (assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais – Relator Designado. Fl. 8071DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 13656.720165/201281 Acórdão n.º 3301002.268 S3C3T1 Fl. 8.062 21 Fl. 8072DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS , Assinado digitalmente em 22/04/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.000984/2005-15
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/09/2000
NORMAS PROCESSUAIS. AFASTAMENTO DE MULTA EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ADESÃO AO PAES. DÉBITO NÃO INCLUÍDO NA DECLARAÇÃO ESPECÍFICA NEM EM DCTF. DESCABIMENTO.
Para que pudessem ser parcelados, no âmbito do programa PAES, débitos ainda não confessados espontaneamente pelo contribuinte, mister sua inclusão tempestiva na declaração criada pela respectiva legislação. Constituídos de ofício os débitos que se pretende parcelar, deve ser mantida a multa a eles vinculada por força de lei.
Recurso especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9303-002.824
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto.
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em exercício
Júlio César Alves Ramos - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto (substituto covocado) e Marcos Aurélio Pereira Valadão, Presidente da Primeira Seção no exercício da Presidência face à ausência, justificada, do Presidente do CARF, Otacílio Dantas Cartaxo. Ausente, também justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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AFASTAMENTO DE MULTA EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ADESÃO AO PAES. DÉBITO NÃO INCLUÍDO NA DECLARAÇÃO ESPECÍFICA NEM EM DCTF. DESCABIMENTO. Para que pudessem ser parcelados, no âmbito do programa PAES, débitos ainda não confessados espontaneamente pelo contribuinte, mister sua inclusão tempestiva na declaração criada pela respectiva legislação. Constituídos de ofício os débitos que se pretende parcelar, deve ser mantida a multa a eles vinculada por força de lei. Recurso especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente em exercício Júlio César Alves Ramos Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 09 84 /2 00 5- 15 Fl. 535DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 2 Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Maria Teresa Martínez López, Gileno Gurjão Barreto (substituto covocado) e Marcos Aurélio Pereira Valadão, Presidente da Primeira Seção no exercício da Presidência face à ausência, justificada, do Presidente do CARF, Otacílio Dantas Cartaxo. Ausente, também justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. Relatório Peço vênia aos meus pares para transcrever em seguida o relatório elaborado pelo dr. Henrique Pinheiro Torres no processo 11080.000985/200560, votado nesta mesma assentada que dizia respeito ao lançamento de COFINS sobre os mesmos fatos e períodos deste, que cobre o PIS. Eis o relatório, pois: Tratase de recurso voluntário (fls. 391 a 410) apresentado em 15 de setembro de 2006 contra o Acórdão nº 108.986, de 19 de julho de 2006, da DRJ em Porto Alegre RS (fls. 377 a 386), que considerou procedente auto de infração de Cofins dos períodos de novembro de 2001 a dezembro de 2003, nos seguintes termos: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2001, 2002, 2003 Ementa: NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O mandado de procedimento fiscal consiste em mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, não implicando nulidade do lançamento as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. O mandado de procedimento fiscal formalizado para o IRPJ gera efeito aos autos baseados nos mesmos fatos. CONFISSÃO DE DÍVIDAS E LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INEXISTÊNCIA DE BIS IN IDEM. É válido o lançamento de ofício formalizado após confissão de dívidas ínsita ao parcelamento especial (Paes), sobretudo porque esta é efetuada após o início do procedimento fiscal. ESPONTANEIDADE. A espontaneidade é afastada por qualquer procedimento ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. ESPONTANEIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL INICIADO ANTES DA ENTREGA DA DECLARAÇÃO PAES. MULTA DE OFÍCIO. O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do agente, impedindo que possa exonerarse da multa de ofício. Lançamento Procedente”. A interessada tomou ciência do Acórdão em 21 de agosto de 2006. Fl. 536DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 11080.000984/200515 Acórdão n.º 9303002.824 CSRFT3 Fl. 603 3 O auto de infração foi lavrado em 17 de fevereiro de 2005 e, segundo o Termo de Verificação Fiscal de fls. 15 a 38, “A ação fiscal foi iniciada a partir do cumprimento do mandado de busca e apreensão expedido pelo Exmo. Dr. Selmar Saraiva da Silva Filho, Juiz Federal Substituto em exercício na 1ª Vara Federal Criminal, da Seção Judiciária do Estado do Rio Grande do Sul (folha 39), que determinou buscar e apreender material que dissesse respeito à supressão e/ou sonegação de tributos federais, nas empresas com sede nas salas 204, 309, 401, 402 e 404, do prédio sito na av. Paraguaçu, nº 2525, em Capão da Canoa”. No tocante à legislação aplicável às atividades de “compra, venda, incorporação e construção de imóveis”, esclareceu a Fiscalização que, a partir de 1999, as empresas que exercessem tais poderiam optar pela tributação pelo lucro presumido, desde que mantivessem receita anual inferior ao limite estabelecido na lei. Ademais, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 104, de 1998, seria possível a apuração pelo regime de caixa e o produto das vendas comporia a base de cálculo das contribuições sociais. No caso de permuta de imóveis, aplicarseiam as disposições da IN SRF nº 107, de 1988. A Fiscalização apurou, para alguns períodos, a escrituração postergada de receitas para algumas unidades imobiliárias, tendo efetuado a recomposição da escrituração, nessa parte, nos termos das fls. 21 a 38. No recurso alegou que, ao contrário do afirmado no relatório fiscal, não houve falta de declaração das receitas que foram informadas em DIPJ. No lançamento a Fiscalização terseia equivocado ao não incluir tais valores declarados em DIPJ na última coluna das tabelas de apuração. Ademais, “Os tributos devidos sobre essas receitas, que, por absoluta impossibilidade financeira, não puderam ser pagos tempestivamente (embora lançadas contabilmente e declaradas na DIPJ), foram, antes da lavratura do auto de infração, objeto de parcelamento” (Paes), tendo sido apresentada com a impugnação prova da adesão ao parcelamento. Requereu o cancelamento da autuação para que fosse mantido o valor declarado no Paes “com os acréscimos lá incidentes”. O Acórdão de primeira instância seria nulo, pelo fato de não haver examinado a questão da “incidência de juros Selic (em substituição aos juros TJLP), entre a data da opção pelo Paes e a data da lavratura do auto de infração”. Ademais, teria sido omisso em relação à alegação de que os débitos declarados em DIPJ teriam sido automaticamente incluídos no Paes. Ademais, os débitos parcelados no Paes representariam declaração espontânea, não havendo que se falar em denúncia espontânea, como considerado pelo Acórdão de primeira instância. Fl. 537DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 4 A seguir, alegou que o lançamento seria nulo, “por falta de mandado de procedimento fiscal regular”. Segundo a recorrente, o MPF teria sido emitido apenas para procedimentos relativos ao IRPJ. Citou ementas de acórdãos que trataram da matéria. Quanto ao Acórdão de primeira instância, alegou que deveria trazer em seu dispositivo a declaração de que “os valores lançados coincidem com os valores incluídos no Paes”. Segundo a interessada, aplicarseia ao caso o princípio da Estrita Legalidade e a vedação à exigência de tributo por interpretação analógica. Dessa forma, não se poderia “cogitar, relativamente a débitos declarados, de lançamento de ofício”. Citou ementas de acórdãos administrativos sobre o assunto e o Parecer AGUSF nº 3, de 4 de outubro de 2000. Segundo a recorrente, teria ocorrido novação da dívida, em face da adesão ao Paes, não se podendo cogitar de lançamento de ofício sobre débito parcelado e, portanto, com exigibilidade suspensa. Passou a citar disposições legais e portarias que disseram respeito ao Paes para concluir que o lançamento implicaria duplicidade de cobrança, o que poderia caracterizar o excesso de exação. Ao final, requereu a declaração de nulidade do Acórdão de primeira instância ou a sua reforma para declarar insubsistente o lançamento, ou, alternativamente, declarar que os débitos lançados são os mesmos dos anteriormente declarados em DCTF e em DIPJ, que, após a adesão ao Paes, sobre os valores declarados em DCTF e também em DIPJ incidem juros equivalente à TJLP, e que sobre os valores declarados em DCTF e também em DIPJ incide a multa aplicável ao Paes e não a de ofício. Julgando o feito, a Câmara recorrida deu provimento parcial ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/11/2001 a 31/12/2001 COFINS. AÇÃO FISCAL. MANDADODE PROCEDIMENTO FISCAL. MPF. VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS. NULIDADE. NÃO CONFIGURAÇÃO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, além de ter apenas caráter administrativo de controle, razão pela qual não retira a competência da Fiscalização para agir e não restringe a exclusão da espontaneidade do contribuinte, inclui necessariamente a verificação da correta apuração da base de cálculo de todos os tributos e contribuições federais dos últimos cinco anos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Fl. 538DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 11080.000984/200515 Acórdão n.º 9303002.824 CSRFT3 Fl. 604 5 PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/11/2001 a 31/12/2003 COFINS. AÇÃO FISCAL. ADESÃO AO PARCELAMENTO. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A adesão a parcelamento especial no curso da ação fiscal, apesar de produzir o efeito próprio da adesão, não afasta a possibilidade de lançamento de ofício. ESPONTANEIDADE. AÇÃO FISCAL. NÃO CONFIGURAÇÃO. A espontaneidade é afastada por qualquer procedimento ou medida de fiscalização, relacionados à infração. Recurso provido em parte. Inconformada com essa decisão, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial, onde pugnou pelo restabelecimento da decisão de primeira instância e, por conseguinte, o reconhecimento da impossibilidade de se incluir no PAES os valores da Cofins vencidos até 28/02/2003, que fora declarado em DIPJ, mas não em DCTF. O especial fazendário foi admitido pelo presidente da câmara recorrida. Regularmente cientificada, a contribuinte apresentou contrarrazões, fls. 520 a 522, onde defende a manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Troquemse o tributo, de COFINS para PIS, e os números de acórdão e de folhas mencionados, e o relatório descreve com precisão o que há aqui para julgar. Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos, Relator. Na votação daqueloutro processo, acompanhei, in totum, as considerações do relator em seu judicioso voto, que peço vênia para também transcrever aqui como minhas. O especial fazendário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, a matéria controvertida diz respeito à possibilidade de se incluir no Paes crédito tributário declarado em DIPJ, mas não confessado em DCTF. De um lado, o colegiado recorrido decidiu que os débitos lançados no auto de infração e declarados em DIPJ, vencidos até 28/02/2003, devem ser incluídos no Paes pela Unidade Fl. 539DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 6 Preparadora da RFB, com a multa de ofício reduzida (§ 7o do art. 1o da Lei no 10.684/03), se é que não o fez ainda. Isso porque, segundo entendimento esposado no voto condutor do acórdão, a recorrente não estava obrigada a incluir os débitos na “Declaração Paes” porque os mesmos já estavam declarados na DIPJ e o art. 1o da Portaria Conjunta PGFN/SRF no 3/2003 desobrigava a inclusão de débitos já declarados. Por este dispositivo, entendo que não deveria ser incluído na “Declaração Paes” os débitos declarados em qualquer declaração de entrega obrigatória à RFB, como é o caso da DIPJ, e não somente na DCTF. De outra banda, a Fazenda Nacional entende que o ingresso, no Paes, de débitos ainda não constituídos depende de confissão irretratável e irrevogável, de acordo com a Lei n° 10.684/03, e que tal exigência não é satisfeita com a declaração em DIPJ. A meu sentir, com razão a Fazenda Nacional, pois, de fato, a Lei 10.684/03 exigia a confissão irretratável de dívida para que se pudesse aderir, validamente, a esse programa de parcelamento especial. Para melhor compreensão, espiemos a letra da lei: Art. 1º Os débitos junto à Secretaria da Receita Federal ou a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, com vencimento ate 28 de fevereiro de 2003, poderão ser parcelados em ate cento e oitenta prestações mensais e sucessivas. §1º. 0 disposto neste artigo aplicase aos débitos constituídos ou não, inscritos ou não como Divida Ativa, mesmo em fase de execução fiscal já ajuizada, ou que tenham sido objeto de parcelamento anterior, não integralmente quitado, ainda que cancelado por falta de pagamento. § 2. Os débitos ainda não constituídos deverão ser confessados, de forma irretratável e irrevogável.(...)" (Grifouse) A simples leitura do § 2º acima transcrito é suficiente para se concluir que a adesão ao PAES, em relação a parcelamento de débitos vencidos até 28/02/2003, que ainda não tivessem sido constituídos, deveria ser precedida da confissão irretratável e irrevogável desses débitos. Essa confissão poderia ser feita por meio da apresentação da denominada "Declaração Paes", por meio da qual os débitos delimitados pela Lei referida seriam confessados. Se os débitos que se pretendia parcelar já tivessem sido confessados por meio da da DCTF (Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais), tornavase despicienda a "Declaração Paes". Esse entendimento fora explicitado no § 2º do art. 1º da Portaria Conjunta PGFN/SRF nº3, de 1º de setembro de 2003, transcrito linhas abaixo: "Art. 1º Fica instituída declaração Declaração Paes a ser apresentada até o dia 31 de outubro de 2003 pelo optante do parcelamento especial de que trata a Lei 10.684/03, pessoa física Fl. 540DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS Processo nº 11080.000984/200515 Acórdão n.º 9303002.824 CSRFT3 Fl. 605 7 ou, no caso de pessoa jurídica ou a ela equiparada, pelo estabelecimento matriz, com a finalidade de: I confessar débitos com vencimento até 28 de fevereiro de 2003, não declarados ou não confessados a SRF, total ou parcialmente, quando se tratar de devedor desobrigado da entrega de declaração especifica; II confessar débitos em relação aos quais houve desistência de ação judicial, bem assim, prestar informações sobre o processo correspondente a essa ação; III prestar informações relativas aos débitos e aos respectivos processos administrativos, em relação aos quais houve desistência do litígio; IV confessar débitos, não declarados e ainda não confessados, relativos tributos e contribuições correspondentes a períodos de apuração objeto de ação fiscal por parte da SRF, não concluída no prazo fixado no caput, independentemente de o devedor estar ou não obrigado a entrega de declaração especifica. § 1º omissis § 2º Os valores relativos a débitos de impostos e contribuições já declarados ou confessados anteriormente, inclusive mediante pedido de parcelamento, ainda que pendente de decisão, serão incluídos pela SRF no parcelamento especial, não devendo ser informados na Declaração Paes. Ora, a Declaração Paes somente estava dispensada se os débitos oferecidos ao parcelamento já tivessem sido confessados à Administração Tributária. De outro lado, sabese que a DIPJ Declaração de Informações EconômicoFinanceiras da Pessoa Jurídica, surgiu para substituir a DIRPJ — Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado, sendo que, a partir dos fatos ocorridos de 01/01/1999 em diante, as declarações ali prestadas pelo contribuinte passaram a NÃO mais constituir confissão de divida, tanto é que, no recibo de entrega respectivo, não há declaração de confissão, mas tão somente declaração de veracidade dos fatos declarados. Assim, eventual declaração em DIPJ de débitos tributários não representa confissão de dívida, já que a DIPJ não é instrumento apropriado para esse fim. em outro giro, não consta dos autos qualquer informação de que a recorrida tenha apresentado "Declaração Paes", para confessar os valores da Cofins relativos ao período autuado. Desta feita, se os débitos não foram confessados pelo sujeitos passivo, consequentemente, não poderiam ter sido incluídos no Paes pela Administração Tributária, como de fato, não o foi. Assim, merece ser reformado o acórdão recorrido na parte que determinou à inclusão, no Paes, com a multa de ofício reduzida, Fl. 541DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS 8 dos débitos lançados no auto de infração e declarados em DIPJ, vencidos até 28/02/2003. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da fazenda Nacional para restabelecer a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Mais uma vez enfatizando que os dois processos diferem apenas quanto aos tributos objeto de constituição, voto também eu por dar provimento ao recurso fazendário. É o voto. Conselheiro Júlio César Alves Ramos Fl. 542DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 02/04/2 014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/03/2014 por JULIO CESAR ALVES RA MOS
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Numero do processo: 10183.721446/2010-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IMPOSTO DE RENDA. AUXILIO MORADIA PAGO PELO PODER JUDICIÁRIO A SEUS MEMBROS.
São isentos do tributo as verbas percebidas pelos servidores públicos integrantes do Poder Judiciário a título de auxílio moradia, nos termos do artigo 35 da Medida Provisória nº 2.15835/2001.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-002.434
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi e Francisco Marconi de Oliveira que negavam provimento ao recurso.
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho - Presidente em exercício e relator.
EDITADO EM: 31/05/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rubens Maurício Carvalho, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura, Francisco Marconi de Oliveira, Acacia Sayuri Wakasugi e Atilio Pitarelli.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi e Francisco Marconi de Oliveira que negavam provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho - Presidente em exercício e relator. EDITADO EM: 31/05/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rubens Maurício Carvalho, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura, Francisco Marconi de Oliveira, Acacia Sayuri Wakasugi e Atilio Pitarelli.
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AUXILIO MORADIA PAGO PELO PODER JUDICIÁRIO A SEUS MEMBROS. São isentos do tributo as verbas percebidas pelos servidores públicos integrantes do Poder Judiciário a título de auxílio moradia, nos termos do artigo 35 da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi e Francisco Marconi de Oliveira que negavam provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Presidente em exercício e relator. EDITADO EM: 31/05/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rubens Maurício Carvalho, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura, Francisco Marconi de Oliveira, Acacia Sayuri Wakasugi e Atilio Pitarelli. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 14 46 /2 01 0- 12 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 10183.721446/201012 Acórdão n.º 2102002.434 S2C1T2 Fl. 3 2 Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 109 a 114: Contra a interessada supraidentificada foi lavrada a Auto de Infração de f.26/33, por meio da qual se exigiu o pagamento de diferença do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, do Exercício 2009, acrescido de juros moratórios e multa de ofício, totalizando o crédito tributário de R$ 65.020,99. O lançamento decorreu de alteração, pela fiscalização, do valor dos rendimentos tributáveis, com a inclusão de R$ 126.034,13 (AuxílioMoradia), declarados como isentos na DIRPF. Intimado do lançamento na forma da lei, o interessado apresentou a impugnação de f. 38/55. Preliminarmente, invoca isenção do Imposto de Renda, ao argumento que se tratam de rendimentos recebidos por pessoa acometida por moléstia grave. Alega, em síntese, que o auxíliomoradia é vantagem pecuniária que não se enquadra no conceito de vencimento, conforme preceitua a Lei Orgânica da Magistratura Nacional (LOMAN). Argumenta que a vantagem tem natureza jurídica de indenização, não constituindo acréscimo patrimonial e, desta forma, não pode ser tributado pelo Imposto de Renda. Questiona o fato de a atoridade lançadora haver amparado seu entendimento em Ato Declaratório da RFB. Sustenta que houve inovação à regra de incidência do imposto de renda e violação ao art. 100 do CTN. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que fica evidente que valores recebidos por membros de carreira de Estado não podem ser considerados isentos do IRPF, quando não há necessidade comprovação da destinação ou de prestação de contas, caracterizando acréscimo patrimonial, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTO. AUXÍLIOMORADIA. Os valores recebidos a título de auxíliomoradia, desprovidos de comprovação da sua destinação ou de prestação de contas, configuram acréscimo patrimonial da pessoa física e sujeitamse à incidência do imposto sobre a renda. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 122 a 142, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 10183.721446/201012 Acórdão n.º 2102002.434 S2C1T2 Fl. 4 3 Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Acerca das alegações que o contribuinte é pessoa acometida por moléstia grave, observo que essa questão não faz parte das razões do lançamento e conseqüentemente deixo de analisála pela falta de objeto nessa lide. AUXÍLIOMORADIA Essa questão é conhecida e já foi objeto de vários julgamentos neste órgão, v.g., o Acórdão 220101.169, 7 de junho de 2011, tendo como relator do voto o conselheiro Gustavo Lian Haddad, cujo julgado se amoldando com perfeição ao caso em debate, utilizamo lo como fundamento para nossa decisão, de forma livre a seguir. Sobre o auxílio moradia pago aos servidores públicos, o artigo 25 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, dispõe, in verbis: “Art. 25 — O valor recebido de pessoa jurídica de direito público a título de auxílio moradia, não integrante da remuneração do beneficiário, em substituição ao direito de uso de imóvel funcional, considerase como da mesma natureza desse direito não se sujeitando à incidência do Imposto de Renda na fonte e na declaração de ajuste." Importante consignar que referido dispositivo legal foi inicialmente introduzido pela Medida Provisória nº 1.8589, de 24 de setembro de 1999, tendo permanecido incólume até a última reedição do referido diploma legal em 2001, sendo portanto anterior ao recebimento das verbas pelo Recorrente em 2002. Entendo que o referido art. 25 da MP 2.15635/2001 veicula verdadeira hipótese de isenção relativamente aos valores recebidos pelos servidores públicos a título de auxíliomoradia. De fato, ao prescrever que o valor do auxíliomoradia pago pelas pessoas jurídicas de direito público aos servidores, em substituição ao direito de uso de imóvel funcional, não integra a remuneração do beneficiário, inibese a funcionalidade da regra matriz de incidência do imposto sobre a renda, suprimindo o objeto de seu critério material. Tratase de situação jurídica diversa da não incidência sobre valores que não constituem, na origem, renda ou acréscimo patrimonial, como as indenizações e reembolsos, de Fl. 154DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 10183.721446/201012 Acórdão n.º 2102002.434 S2C1T2 Fl. 5 4 forma que não há que se falar na necessidade de comprovação de eventuais despesas a serem ressarcidas no presente caso. Tal exigência somente seria necessária se não houvesse a norma isentiva, ou se esta criasse condição para o gozo da isenção, o que não é o caso. Logo, considerando a certidão de fls. 58, que confirma expressamente o recebimento de auxíliomoradia recebido pelo Recorrente, e tendo em vista a existência de norma isentiva, não há que se falar na incidência do imposto de renda sobre tais verbas. Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO DO RECURSO. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 02/06/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.725320/2010-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009
TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Aplica-se ao lançamento decorrente, no que couber, o que restar decidido com relação ao lançamento matriz.
Numero da decisão: 1202-001.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de ofensa à coisa julgada administrativa e, no mérito, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto (relator) e Orlando José Gonçalves Bueno, que davam provimento integral ao recurso. Designada a Conselheira Viviane Vidal Wagner para redigir o voto vencedor. Por maioria de votos, em afastar a apreciação ex-officio da incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio, vencido o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, que entendeu arguída pela Recorrente essa matéria.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Geraldo Valentim Neto - Relator.
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplica-se ao lançamento decorrente, no que couber, o que restar decidido com relação ao lançamento matriz.
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ÁGIO GERADO INTERNAMENTE. INDEDUTIBILIDADE. O ágio surge, única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição de um investimento supera o valor patrimonial desse investimento, ou seja, a aquisição deve sempre importar o dispêndio de um gasto (econômico ou patrimonial) pelo adquirente e o ganho (também econômico ou patrimonial) pelo alienante, o que somente ocorre quando se obtém algo de terceiros. O ágio gerado entre partes interdependentes não se reveste de substância econômica e de propósito negocial, para que seja passível de registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade. A despesa decorrente de ágio interno indevidamente registrado na escrita contábil do contribuinte não é dedutível para fins tributários. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Aplicase ao lançamento decorrente, no que couber, o que restar decidido com relação ao lançamento matriz. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de ofensa à coisa julgada administrativa e, no mérito, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto (relator) e Orlando José Gonçalves Bueno, que davam provimento integral ao recurso. Designada a Conselheira Viviane Vidal Wagner para redigir o voto vencedor. Por maioria de votos, em afastar a apreciação exofficio da incidência dos juros AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 53 20 /2 01 0- 20 Fl. 3102DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11080.725320/201020 Acórdão n.º 1202001.095 S1C2T2 Fl. 3 2 de mora sobre a multa de oficio, vencido o Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, que entendeu arguída pela Recorrente essa matéria. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wagner, Nereida de Miranda Finamore Horta, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Fl. 3103DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11080.725320/201020 Acórdão n.º 1202001.095 S1C2T2 Fl. 4 3 Relatório Trata o presente processo de Autos de Infração lavrados contra a Recorrente, nos quais foram constituídos créditos tributários de IRPJ e de CSLL no montante total de R$ 51.171.240,78(fl. 2896/2914 – numeração eletrônica), já acrescidos a este valor a multa de ofício de 75% e os juros de mora aplicados, relativos a fatos geradores apurados nos anos calendário de 2005 a 2007. Para melhor elucidação, passo agora a adotar o relatório da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre DRJ/RS, ora recorrida (fls. 3007/3022): I – DA AUTUAÇÃO FISCAL [...] A infração está assim descrita no Auto de Infração do IRPJ: 001 – DESPESAS INDEDUTÍVEIS ÁGIO INEXISTENTE GERADO EM SI MESMO – ÁGIO INTERNO O detalhamento completo da infração consta no arquivo digital: Relatório de Ação Fiscal Tributária, parte integrante e inseparável da presente constituição do crédito tributário. Valores tributados: R$ 28.127.799,33 em 31/12/2005; R$28.127.799,23 em 31/12/2006 e R$ 12.891.907,99 em 31/12/2007. Multa aplicada de 75%. O lançamento da CSLL é decorrente da mesma infração apurada no IRPJ. No resumo do Relatório de Ação Fiscal Tributária (RAFT) produzido (fls. 2930/2945) consta: 1. O sujeito passivo autuado integra um grupo econômico que promoveu diversas operações societárias interrelacionadas entre os anos de 1993 a 2000. 2. Em uma destas operações, ocorrida em 17 de novembro de 1995, foi criado ágio indevido dentro deste próprio grupo econômico, configurandose em um ÁGIO INEXISTENTE GERADO EM SI MESMO – ÁGIO INTERNO. 3. A partir do ano de 2000, após diversas reorganizações societárias, tal ágio passou a ser indevidamente amortizado pela empresa ora autuada, fato que reduziu o lucro tributável dos anos de 2005 a 2007, dentre outros anos já decaídos para efeitos fiscais. Consta também do referido relatório que a motivação da autuação decorre do julgamento contrário à Fazenda Nacional de crédito tributário constituído em 12 de dezembro de 2005, conforme acórdão 10709.545 (fls. 214 a 362), no processo administrativo fiscal nº Fl. 3104DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11080.725320/201020 Acórdão n.º 1202001.095 S1C2T2 Fl. 5 4 11080.008799/2005/79 e que, no acórdão mencionado, tanto a relatora do processo, conselheira representante da Fazenda, Albertina Silva Santos de Lima, quanto o relator de declaração de voto, conselheiro representante dos contribuintes, Marcos ShigueoTakata, entendem que, na ocasião, seria possível ao fisco desconsiderar amortizações de ágio efetuadas na empresa VONPAR REFRESCOS S/A, em decorrência de ágio interno indevido criado através de reorganizações societárias no GRUPO VONPAR. Está dito ainda que todos os documentos e informações contidos no processo nº 11080.008799/200579 estão anexados aos autos e ajudaram no entendimento das operações realizadas, bem como do ÁGIO INEXISTENTE GERADO EM SI MESMO – ÁGIO INTERNO. Também nos itens 26 em diante do Relatório de Ação Fiscal Tributária (RAFT) estão demonstradas as operações societárias efetuadas no GRUPO VONPAR que ocorreram entre os anos de 1993 a 2000. Os fatos relatados, em síntese: 04.11.1993: três pessoas físicas constituem a empresa MAXXI AMBIENTE SEGUROS LTDA., com sede em Porto Alegre/RS; 30.10.1995: os sócios originais da empresa MAXXI AMBIENTE SEGUROS LTDA. alteram a razão social para MAXXI PARTICIPAÇÕES S.A.; os sócios originais são excluídos da sociedade e os novos sócios aumentam simbolicamente o capital social para R$1.000,00, ficando a nova composição societária assim evidenciada: SÓCIO CAPITAL SOCIAL R$ % PART. QTDE AÇÕES JOÃO VONTOBEL 334 33,40% 334 RICARDO VONTOBEL 333 33,30% 333 RODRIGO VONTOBEL 333 33,30% 333 TOTAL 1.000,00 100% 1.000 17.11.1995: em assembleia da MAXXI PARTICIPAÇÕES S/A (VONPAR – MAXXI) os sócios autorizam aumento de capital de R$ 1.000,00 para R$ 236.000,000,00, mediante emissão de 235.999.000 novas ações, que foram subscritas por pessoas físicas e jurídicas mediante a conferência de 100% das ações reavaliadas que detinham na empresa VONPAR S/A (VONPARVONPAR). O registro na VONPAR – MAXXI foi de PL do investimento de R$74.974.006,55 e ágio de R$ 161.024.993,45; 30.11.1995: a MAXXI PARTICIPAÇÕES S/A incorpora a VONPAR S/A, extinguindo sua participação societária na empresa incorporada; 19.12.1995: MAXXI PARTICIPAÇÕES S/A teve sua razão social alterada para VONPAR S/A e em 31/12/1995 foi feita a segregação do ágio por empresa: VONPAR REFRESCOS (R$ 109.582.735,28), KAIK (R$ 41.391.568,00), CHARRUA e GIRUÁ (R$ 4.021.797,78), cujas participações eram detidas anteriormente pela VONPAR S/A (VONPARVONPAR); Fl. 3105DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11080.725320/201020 Acórdão n.º 1202001.095 S1C2T2 Fl. 6 5 20.12.1995: a VONPAR S/A (antiga MAXXI PARTICIPAÇÕES) subscreve capital na VONPAR RESFRESCOS S/A no valor de R$ 59.870.070,00, integralizandoo mediante conferência das quotas de capital social da KAIK, 29.12.2000: a VONPAR S/A (antiga MAXXI PARTICIPAÇÕES) subscreve capital na VONPAR CORRETORA S/A, integralizandose com as ações que detinha na VONPAR REFRESCOS; 31.12.2000: a VONPAR CORRETORA S/A (controladora) é incorporada pela VONPAR REFRESCOS (controlada). Conclui a fiscalização que o ágio criado de forma artificial em 17.11.1995 contraria os princípios da lógica econômica e contábil, uma vez que não ocorreu a transferência onerosa das ações e, de fato, não poderia ter ocorrido, porque os detentores e controladores do acervo líquido da VONPAR – VONPAR, antes dos atos deliberados, são exatamente os mesmos detentores do acervo líquido da empresa VONPARMAXXI. A fiscalização registra que as operações não movimentaram recurso financeiro algum, sendo apenas escriturais, e o que realmente acontece em todo o processo demonstrado foi a tentativa do GRUPO VONPAR de dar suporte legal a ágio inexistente, gerando benefícios tributários para o GRUPO VONPAR como um todo. Os autuantes informam que o ágio indevido formado internamente no GRUPO VONPAR, no montante de R$ 140.638.996,17, foi amortizado na VONPAR REFRESCOS S/A a partir de 2000 e deduzido na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL à razão de 20% ao ano (inicialmente amortizados em 10%). Entretanto, as amortizações indevidas que foram desconsideradas na autuação se limitaram ao valor de R$ 69.147.506,45, referente aos anos de 2005 a 2007, em face da observância do prazo decadencial, conforme abaixo demonstrado: ANO Amortização indevida R$ 2005 28.127.794,23 2006 28.127.799.23 2007 12.891.907,99 Total R$ 69.174.506,45 Intimadada lavratura do Auto de Infração, a empresa Recorrente apresentou, em 22/12/2010, Impugnação (fls. 2953/2995), encaminhandose os autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio Grande do Sul, a qual houve por bem julgar improcedente a defesa ofertada, nos termos da ementa descrita (fls. 3007/3022): Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 Fl. 3106DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11080.725320/201020 Acórdão n.º 1202001.095 S1C2T2 Fl. 7 6 NULIDADE. OFENSA À COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. INOCORRÊNCIA. Tratandose de ação fiscal em contribuinte distinto, não ocorre nulidade por ofensa à coisa julgada administrativa. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 ÁGIO INEXISTENTE GERADO EM SI MESMO – ÁGIO INTERNO. TRANSAÇÃO DOS ACIONISTAS COM ELES PRÓPRIOS. GLOSA DECORRENTE. DESPESA AMORTIZADA. CABIMENTO. Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza (ágio) gerado em função de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável, tais transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes para merecer registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade. Deve ser glosada a despesa com a amortização de ágio constituído nessas condições (ágio de si mesmo). LANÇAMENTO DECORRENTE. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL.EFEITOS DA DECISÃO RELATIVA AO LANÇAMENTO PRINCIPAL (IRPJ). Em razão da vinculação entre o lançamento principal (IRPJ) e os que lhe são decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevalecerem na apreciação destes, desde que não presentes arguições específicas ou elementos de provas novos. Impugnação improcedente. Crédito Tributário mantido. Tendo sido intimada, em 12/05/2011, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 3029) em 06/06/2011, merecendo destaque as seguintes alegações: Nulidade dos autos a) Ofensa à coisa julgada, uma vez que já foi prolatada decisão administrativa, transitada em julgado, reconhecendo a legitimidade do ágio de 1995, nos autos do processo administrativo nº 11080.008799/20057, no qual se exigia de VONPARMAXXI IR e CSLL sobre ganho de capital decorrente da integralização do capital da MAXXI em 17.11.95. No processo, decidiuse não ter ocorrido ganho de capital para a VONPAR S/A, por entender que o ágio 95 efetivamente existia e integrava o custo de aquisição dos seus investimentos na Recorrente; b) Embora se trate de sujeitos passivos distintos, em razão de referirse à operação que tem reflexos em mais de um sujeito passivo, a decisão proferida naquele processo, transitada em julgado, não pode mais ser questionada, tal como ocorre nos casos de DDL pela pessoa jurídica, afetando o sócio quotista (pessoa física). Ou seja, o ágio Fl. 3107DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11080.725320/201020 Acórdão n.º 1202001.095 S1C2T2 Fl. 8 7 examinado naqueles autos decorre da mesma operação que deu origem ao ágio amortizado, ora em debate, de modo que o reconhecimento da legitimidade de um reflete no outro; Legitimidade do registro do ágio c) A etapa responsável pela geração de ágio, de 1995, originalmente criado na subscrição de capital da MAXXI PARTICIPAÇÕES mediante a conferência da totalidade das ações da VONPAR S/A pelo valor de mercado, foi neutra em termos fiscais e sequer representava um primeiro passo para o aproveitamento fiscal do ágio então criado, na medida em que realizada dois anos antes do advento da Lei nº 9.532/97, que viabilizou o seu aproveitamento fiscal nas incorporações inversas, restando por isso demonstrado que referida operação foi motivada por propósitos negociais sérios e que não foi implementada com vistas à obtenção de economia fiscal; d) O conferimento de bens ao capital de uma pessoa jurídica é tido como alienação para a subscritora do aumento de capital, e como aquisição para a empresa que tem o capital aumentado (Parecer Normativo Coordenador do Sistema de Tributação – PN nº 18, de 22.05.1981); e) Em havendo a alienação de um ativo pelo subscritor e o recebimento de uma contraprestação (representada por ações emitidas pela pessoa jurídica beneficiária), é inquestionável que, nos aumentos de capital, há a ocorrência de uma transação onerosa; f) Na medida em que o conferimento de bens em realização de capital de pessoas jurídicas (exatamente como ocorreu em 17.11.1995, quando acionistas transferiram suas ações de VONPAR a MAXXI) é uma operação apta a gerar a incidência do imposto de renda, nos termos do art. 23 da Lei nº 9.249/95, não há como negar que o valor atribuído aos bens conferidos (valor utilizado para definir a existência de ganho de capital) corresponde ao custeio de sua aquisição para a pessoa jurídica cujo capital é aumentado; g) Em contrapartida da emissão em favor do subscritor de ações representativas do aumento de seu capital, MAXXI adquiriu investimentos em VONPAR; h) Como o ativo adquirido por MAXXI foi um investimento em VONPAR sujeito à contabilização pelo MEP, coube àMAXXI, por força do art. 20 do DL nº 1.589/77, desdobrar o respectivo custo de aquisição, indicando o valor de seu PLC e do ágio; i) Ao receber ações de VONPAR em realização de aumento de capital, MAXXI não tinha alternativa que não registrar tais investimentos (por R$170.977.387,00), indicando o correspondente valor de PLC (R$ 61.394.651,72) e o ágio vinculado aos investimentos (R$ 109.582.735,28), conforme art. 329 do RIR/94, fato este reconhecido pela Conselheira Albertina Silva Santos Lima no acórdão proferido nos autos do processo administrativo nº 11080.008799/200579; j) A legislação fiscal não só admite, como impõe, em determinados casos, que os negócios celebrados entre uma pessoa jurídica e seus acionistas produzam efeitos fiscais idênticos aos que produziriam negócios celebrados com terceiros nãorelacionados, tais como as normas de DDL (arts. 60 a 62 do DL 1598/77 e 464 a 468 do RIR/99); Fl. 3108DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11080.725320/201020 Acórdão n.º 1202001.095 S1C2T2 Fl. 9 8 k) Inaplicabilidade do item 20.1.7 do OfícioCircular CVM/SNC/SEP nº 1/07, pois editado 12 anos depois da transferência de ações de VONPAR a MAXXI e destinado a companhias abertas, sendo que a MAXXI não tinha essa característica; l) Na medida em que a lei prevê a amortização do ágio, deve ser tratada como despesa dedutível para fins de IRPJ e CSL, sem criar qualquer exceção a tal regra. Em sede de contrarrazões alegou a Fazenda Nacional (fls. 3074/3097), em breve síntese: a) Ausência de violação à decisão proferida no processo administrativo nº 11080.008799/200579, pois não se faz presente a necessária tríplice identidade, ou seja, mesmas partes, mesma causa de pedir e mesmo pedido. b) O lançamento efetivado naquele processo administrativo teve como sujeito passivo a VONPAR S/A e não a Recorrente; c) A causa de pedir naquele processo foi o suposto ganho de capital oriundo da venda pela VONPAR S/A de sua participação societária na ora Recorrente (operação de 29.12.2000), sendo que os créditos tributários em exame resultam da glosa de amortização de ágio procedida pela Recorrente, em decorrência da incorporação de sua controladora, a VONPAR CORRETORA DE SEGUROS S/A, em 31.12.2000. Além do mais, nestes autos exigese créditos de IRPJ e CSLL relativos ao período de apuração de 2005 a 2007, sendo que no lançamento anterior a exigência era de crédito tributário de IRPJ e reflexos, relativo ao ano de 2000; d) O ágio utilizado pelo contribuinte não existiu de verdade e fora criado apenas no papel, pois não apresenta propósito negocial e substrato econômico que justifique o seu surgimento; e) Nas integralizações de capital feitas nas sucessivas reorganizações societárias não houve qualquer aporte de bens ou moeda em espécie, mas apenas declarações de integralização de quotas de capital e/ou subscrição de ações por meio de entrega de direitos representativos de quotas ou ações de outras sociedades; f) A aquisição de um investimento, assim como de qualquer bem ou direito, deve sempre importar o dispêndio de um gasto (econômico ou patrimonial) pelo adquirente e o ganho (também econômico ou patrimonial) pelo alienante. Oportunamente os autos foram enviados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. Fl. 3109DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11080.725320/201020 Acórdão n.º 1202001.095 S1C2T2 Fl. 10 9 Voto Vencido Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade. Dessa forma, dele tomo conhecimento e passo a analisar as questões preliminares e de méritosuscitadas. PRELIMINARES I. Da inexistência de ofensa à coisa julgada administrativa Alega a Recorrente nulidade do lançamento por violação à coisa julgada administrativa, uma vez que a legitimidade do ágio, ora em exame, foi reconhecida pelo Acórdão nº 10709.545 (fls. 381/429) nos autos do processo administrativo nº 11080.008799/200579. Para a solução da controvérsia, fazse necessário descrever, sucintamente, as sucessivas operações de reestruturação societária do GRUPO VONPAR entre os anos calendários de 1993 a 2000, conforme constante no Relatório da Atividade Fiscal (fls.94/153): i. 04.11.1993: três pessoas físicas constituem a empresa MAXXI AMBIENTE SEGUROS LTDA., em sede em Porto Alegre/RS; ii. 30.10.1995: a razão social da empresa alterase para MAXXI PARTICIPAÇÕES S.A.; os sócios originais são excluídos da sociedade e os novos sócios aumentam simbolicamente o capital social para R$1.000,00; iii. 17.11.1995: os novos sócios autorizam aumento de capital de R$ 1.000,00 para R$ 236.000.000,00. A integralização do aumento do capital se dá mediante a subscrição de novas ações que constituíam 100% do capital social da empresa VONPAR S/A, registradas com valor patrimonial líquido de R$74.974.006,55 e com ágio de R$ 161.024.993,45, totalizando um valor de mercado de R$ 235.999.800,00; iv. 30.11.1995: a MAXXI PARTICIPAÇÕES S/A incorpora a VONPAR S/A, extinguindo sua participação societária na empresa incorporada; v. 19.12.1995: MAXXI PARTICIPAÇÕES S/A teve sua razão social alterada para VONPAR S/A; vi. 20.12.1995: a VONPAR S/A (antiga MAXXI PARTICIPAÇÕES) subscreve capital na VONPAR REFRESCOS S/A no valor de R$ 59.870.070,00, mediante conferência das quotas de capital social da empresa KAIK; vii. 29.12.2000: a VONPAR S/A (antiga MAXXI PARTICIPAÇÕES) subscreve capital na VONPAR CORRETORA S/A, no valor de R$ 246.310.258,58, integralizando da seguinte forma: com ações detidas na Recofarma Indústria do Amazonas Ltda. – R$ Fl. 3110DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11080.725320/201020 Acórdão n.º 1202001.095 S1C2T2 Fl. 11 10 1.655,00; com ações detidas na VONPAR REFRESCOS S/A – R$105.663.607,41; ágio vinculado a participações societárias – R$ 140.638.568,00; viii. 31.12.2000: a VONPAR CORRETORA S/A (controladora) é incorporada pela VONPAR REFRESCOS (controlada). Com esta operação o ágio de R$140.638.568,00 passou a ser amortizado pela VONPAR REFRESCOS S/A. Relatadas as operações societárias, passo a examinar o argumento preliminar. No lançamento que gerou o processo administrativo nº 11080.008799/200579, a ação fiscal foi contra a VONPAR S/A – CNPJ nº 73.677.187/000125, sendo que a atuação teve como objeto a omissão de ganho de capital pela VONPAR S/A, na operação ocorrida em 29.12.2000 (descrita no item vii), quando a VONPAR S/A subscreveu aumento de capital na empresa VONPAR CORRETORA S/A, novalor de R$246.308.603,58, integralizandoo mediante conferência de sua participação societáriaque detinha na empresa Recorrente. No presente processo, por outro lado, a ação fiscal é contra a Recorrente, pessoa jurídica distinta (CNPJ nº 91.235.549/000110), sendo que os créditos ora discutidos referem se à dedução irregular de amortização de ágio (originário da operação descrita no item iii) procedida pela VONPAR REFRESCOS S/A, ora Recorrente, nos exercícios de 2005 a 2007, em decorrência da incorporação da VONPAR CORRETORA DE SEGUROS ocorrida em 31.12.2000 (operação descrita no item viii). No próprio Relatório da Ação Fiscal Tributária (fls. 2930/3022), constou que a presente constituição do crédito tributário foi motivada em função do julgamento contrário à Fazenda Nacional nos autos do PAF nº 11080.008799/200579. No respectivo acordão de nº 10709.545, assentouse que, embora improcedente o crédito lançado contra o sujeito passivo VONPAR S/A, CNPJ nº 73.677.189/000125, visando a cobrar diferença de IRPJ e reflexos do ano de 2000 em função de suposto ganho de capital não tributado, seria possível ao Fisco desconsiderar amortizações de ágio decorrentes das operações societárias feitas pelo GRUPO VONPAR. Nesse sentido, extraise do teor do próprio acórdão nº 10709.545 (fls. 381/429): Nos autos, a fiscalização pretendeu glosar o ágio no grupo VONPAR, cujos efeitos se deram, efetivamente, já em uma das investidas operacionais (REFRESCOS), anos depois e sob a égide de nova legislação permissiva da amortização (Lei nº 9.532/97). Sem entrar no mérito da questão do prazo decadencial, entendemos que a fiscalização tinha dois caminhos viáveis: a. Voltarse contra a não tributação pelos sócios do grupo VONPAR da mais valia atribuída ao investimento em 1995; b. Taxar como “ágio de si mesmo” (simulação) a mais valia contabilizada na VONPARMAXXI, quando da recepção do investimento na VONPAR VONPAR (1995) e glosar os efeitos que se deram, já na VONPAR REFRESCOS, que se utilizou da empresa veículo (VONPAR CORRETORA) para amortizar o ágio. Fl. 3111DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11080.725320/201020 Acórdão n.º 1202001.095 S1C2T2 Fl. 12 11 Entretanto a fiscalização escolheu um terceiro caminho, pois glosou parte do custo do investimento na VONPAR REFRESCOS, representada pelo ágio nele “pendurado” quando da integralização de capital na CORRETORA (2000). Com efeito, a fiscalização retrocedeu ao período da formação do ágio (1995) para, ora atribuir à recorrente uma perda de capital não dedutível, ora atribuirlhe uma reserva de reavaliação realizada, tudo para “forçar” a desconsideração de parte do custo do investimento dado em integralização de capital na Corretora. Não houve perda de capital na incorporação da VONPARVONPAR (investida) pela VONPARMAXXI (investidora), pois resta claro dos documentos trazidos aos autos que as participações nas empresas operacionais (REFRESCOS, KAIK, CHARRUA e GIRUA), que compunham o acervo da VONPARVONPAR, foram recebidos na incorporação pelo valor de mercado, idêntico ao valor do investimento que já estava contabilizado na incorporadora. Também não faz sentido o argumento da fiscalização de que, se a incorporação tivesse se dado a valor de mercado, a incorporadora deveria ter registrado uma reserva de reavaliação tributada para neutralizar os efeitos fiscais da operação. A incorporação foi feita sim a valor de mercado, mas o ativo recebido já estava refletido no patrimônio da incorporadora pela via da equivalência patrimonial pelo mesmo valor, em função do seu recebimento com ágio quando da sua aquisição junto aos sócios da VONPARVONPAR. O dispositivo legal citado pela fiscalização e reforçado pelo acórdão recorrido (art. 38 do RIR/94 – Decretolei nº 1.598/77, art. 37) que obrigaria a constituição pela incorporadora de uma reserva de reavaliação a ser tributada quando da alienação do investimento é aplicável na hipótese em que o investimento no ativo da incorporadora não reflete o valor da avaliação pelo qual é recebido o acervo líquido da incorporada. (não grifados no original) Assim, deixo de acolher a preliminar suscitada, pois não há que falar em coisa julgada administrativa na medida em que se trata de distintos sujeitos passivos autuados (VONPAR S/A, CNPJ nº73.677.189/000125 e VONPAR REFRESCOS, CNPJ nº 91.235.549/000110), de infrações constituídas que não se confundem (omissão de ganho de capital nos autos do PAF nº 1108.008799/200579 e amortização indevida de ágionos presentes autos), relativas a fatos geradores também distintos (o PAFnº 1108.008799/200579 abrange fatos do ano calendário de 2000, enquanto esses autos concernem a fatos apurados entre 2005 e 2007). O MÉRITO II. Da dedutibilidade de amortização do ágio – “Ágio em si mesmo” No mérito, importa examinar, entre as várias operações societárias realizadas entre 1993 e 2000 pelo grupo econômico VONPAR, se o ágio criado na operação ocorrida em 17.11.1995, mediante a transferência de bens (100% do capital social) da VONPAR S/A (VONPARVONPAR) em integralização de aumento de capital da MAXXI Fl. 3112DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11080.725320/201020 Acórdão n.º 1202001.095 S1C2T2 Fl. 13 12 PARTICIPAÇÕES S/A (VONPARMAXXI), poderia ter sido amortizado pelo Recorrente na apuração do lucro real nos anos de 2005 a 2007. De acordo com o art. 20 do Decretolei nº 1598/77 (art. 329 do RIR/94 e art. 385 do RIR/99),abaixo transcrito, ágio é a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor do patrimônio líquido à época da aquisição. Relativamente à realização de investimentos em sociedade coligada ou controlada, tais artigos determinam, diante do método de avaliação de equivalência patrimonial, que o valor do ágio deveser registrado e lançado separadamente na escrita fiscal, indicando o seu fundamento econômico, i.e. a razão de ser da “mais valia” sobre o valor patrimonial (por exemplo: valor de mercado, rentabilidade futura, etc.): Art. 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Com o advento da Lei nº 9.532, de 1997, o ágio decorrente de investimento em empresa, objeto de incorporação, poderá ser amortizado nos moldes do previsto nos arts. 7º e 8º (art. 386 do RIR/99): Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: [...] III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anos calendários subsequentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. [...] Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: Fl. 3113DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11080.725320/201020 Acórdão n.º 1202001.095 S1C2T2 Fl. 14 13 a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária. Neste contexto, alega a Fazenda que para existir ágio ou deságio, este deve sempre ter como origem um propósito negocial (aquisição de um investimento) e um substrato econômico (transação comercial), aduzindo que, na hipótese dos autos, contudo, o ágio corresponde a um simples registro escritural, criado artificialmente, visto que gerado por operações entre empresas sob o controle de um mesmo grupo econômico. Como se vê, a Fazenda justifica a “inexistência de ágio” por decorrer de operação societária dentro de um mesmo grupo econômico (“ágio em si mesmo”), o que evidenciaria a falta de substrato econômico e propósito negocial. Não se está aqui questionando eventual descumprimento do art. 20, §3º, do DL nº 1598/77 que determina a comprovação, por parte do contribuinte, do fundamento econômico, restringindose a controvérsia, portanto, à(i)legitimidade de deduzir a amortização de ágio oriundo de transferência de ações, a título de integralização de capital, entre empresas do mesmo grupo. Quanto à contabilização do ágio, cumpre destacar a aplicabilidade dos arts. 20 do Decretolei nº 1598/77 e 385 do Regulamento do Imposto sobre a Renda tanto na aquisição de investimento, como na subscrição de ações e integralização de capital. A subscrição é uma espécie de aquisição de participação societária, consoante já decidido por este E. Conselho: [...] ÁGIO NA SUBSCRIÇÃO DE AÇÕES – AMORTIZAÇÃO – O ágio na subscrição de ações deve ser calculado após refletido o aumento do patrimônio líquido da investida decorrente da própria subscrição. O ágio corresponde à parcela do valor pago que não beneficia, via reflexa, o subscritor. A subscrição é uma forma de aquisição e o tratamento do ágio apurado nessa circunstância deve ser o mesmo que a lei admitiu para a aquisição das ações de terceiros.(1º CC. Acórdão 10516.774, Sessão de 08 de novembro de 2007) – não grifados no original Deste modo, é irrelevante averiguar se a aquisição de investimento decorreu de uma compra e venda da participação societária ou se é fruto de subscrição de ações adquiridas por valor superior ao registrado no patrimônio líquido. Correta, pois, a alegação da Recorrente no sentido de que a conferência de bens ao capital de uma pessoa jurídica, mediante a subscrição de ações, qualificase como alienação, transação comercial. A fim de corroborar a configuração de “ÁGIO INEXISTENTE GERADO EM SI MESMO”, colaciona a Fazenda, em suas contrarrazões, as prescrições do Ofício Circular/CVM/SNC/SEP nº 01/2007 e do item 50 da Orientação Técnica CPC 02/2008 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis. É preciso ter em mente que o artigo 109 do Código Tributário Nacional (CTN) impede a utilização dos princípios gerais de direito privado para a definição de efeitos tributários: Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conceito e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respetivos efeitos tributários. Fl. 3114DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11080.725320/201020 Acórdão n.º 1202001.095 S1C2T2 Fl. 15 14 Assim, ainda que as diretrizes da CVM e do CPC determinem o não reconhecimento do ágio gerado por um mesmo grupo econômico para fins contábeis, é a lei tributária que define os efeitos fiscais, conforme já decidido por este E. Conselho: [...] importante destacar que as instruções emanadas pela CVM são atos administrativos, portanto, infralegais, que não geram quaisquer efeitos fiscais, visto que têm por objeto a regulação das normas contábeis e são endereçadas as companhias de capital aberto. (CARF. Acórdão 110100.354. 1ª Turma/1ª Câmara/1ª Seção, Sessão de julgamento 02/09/2010). – não grifados no original Na hipótese dos autos, a legislação tributária, ao delimitar as regras concernentes ao ágio, prescreve que o mesmo se origina na aquisição de participação societária quando o valor da aquisição das ações/bens é maior do que o seu valor patrimonial à época da operação societária, sem fazer qualquer distinção entre operações internas e aquelas praticadas com terceiros. Ademais, se tais operações são realizadas licitamente, sem pretender ocultar fatos geradores do sujeito ativo, não há porque descaracterizar o ágio. Acerca do tema já se pronunciou o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “[...] ÁGIO INTERNO A circunstância da operação ser praticada por empresas do mesmo grupo econômico não descaracteriza o ágio, cujos efeitos fiscais decorrem da legislação fiscal. A distinção entre ágio surgido em operação entre empresas do grupo (denominado de ágio interno) e aquele surgido em operações entre empresas sem vínculo, não é relevante para fins fiscais. ÁGIO INTERNO. INCORPORAÇÃO REVERSA. AMORTIZAÇÃO. Para fins fiscais, o ágio decorrente de operações com empresas do mesmo grupo (dito ágio interno), não difere em nada do ágio que surge em operações entre empresas sem vínculo. Ocorrendo a incorporação reversa, o ágio poderá ser amortizado nos termos previstos nos arts. 7º e 8º da Lei 9532, de 1997. [...]. (CARF. Acordão 110100.708 – 1ª Câmara/1ª Turma Ordinária/1ª Seção. Sessão de julgamento de 11/04/2012) – não grifado no original Extraise ainda do teor do respectivo acórdão: A alegação de que não há fundamento econômico porque inexiste ingresso de recursos no grupo, quando as operações são internas, já que não há pagamento feito por terceiro estranho ao grupo, é absolutamente estranha à legislação tributária. [...] Vale destacar que não existe nenhuma restrição na legislação fiscal a operações dentro do grupo, de sorte que a alegação de que operações dentro do mesmo do grupo não tem fundamento econômico viola a lei. [...] Fl. 3115DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11080.725320/201020 Acórdão n.º 1202001.095 S1C2T2 Fl. 16 15 Em direito tributário não existe o menor problema em a pessoa agir para reduzir sua carga tributária, desde que atue por meio lícitos, inclusive, é de esperar que as pessoas façam isso, sendo recriminável exatamente a conduta oposta. A grande infração em tributário é agir intencionalmente para esconder do credor os fatos tributáveis (sonegação), mas isso não ocorreu no caso concreto. Mesmo que se admitisse vedar reestruturações societárias com vistas à economia fiscal, nos presentes autos, a alegação da Fazenda de que a operação foi motivada sem propósito negocial se revela ainda mais incabível, não só pelo já exposto acima, mas também porque a operação societária geradora do ágio se deu em 17.11.1995, época em que ainda não estava vigente a Lei nº 9.532/97, que institui o benefício fiscal para dedução de amortização de ágio.Assiste, portanto,razão à Recorrente, no sentido de que a subscrição de capital da MAXXI PARTICPAÇÕES mediante a conferência da totalidade das ações da VONPAR S/A não poderia, assim, representar um primeiro passo para o aproveitamento fiscal do ágio criado. Acrescentase, ainda, que o efetivo aproveitamento do ágio só veio a ocorrer no ano de 2000 pela VONPAR REFRESCOS, após a operação descrita no item viii (incorporação, em 31/12/2000, da VONPAR CORRETORA), ou seja, após decorrido um intervalo de 05 anos. No mais, a Fazenda, a fim de arguir pela ausência de finalidade negocial, colaciona precedente (acórdão 103.23290), no qual quer reforçar a falta de propósito negocial “especialmente quando a incorporada teve seu capital integralizado com o investimento originário de aquisição de participação societária da incorporadora (ágio) e, ato contínuo, o evento da incorporação ocorreu no dia seguinte”. Ocorre que a hipótese nelaretratada não se identifica com a dos autos, pois é a incorporadora (MAXXI) que tem seu capital integralizado (aumento de capital) com a aquisição de participação societária na incorporada. Deste modo, resta demonstrado: (i) que a subscrição de ações é uma forma de aquisição de investimento (participação societária), se subsumindo ao preceito do art. 20 do DL 1598/77 (art. 385 do RIR/99); (ii) a ausência de restrições, na legislação tributária, de registro e consequente aproveitamento do ágio quando originado em operação interna, sem a interferência de terceiros; (iii) a ausência de conduta ilícita pela Recorrente; (iv) que a operação societária que gerou o ágio ocorreu em 1995, ou seja, antes do advento da Lei nº 9.532/97, sendo que sua amortização só foi deduzida após decorridos 05 anos, levando a aferir que não se objetivou, única e exclusivamente, redução de carga tributária (caso admitido o propósito negocial como condicionante para a utilização do benefício fiscal); e, por fim, (v) a impossibilidade de impor efeitos fiscais a regras de cunho contábil (art. 109 do CTN), Em razão de tudo o quanto acima exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, cancelando os Autos de Infração lavrados contra a Recorrente. É como voto. Fl. 3116DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11080.725320/201020 Acórdão n.º 1202001.095 S1C2T2 Fl. 17 16 (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Fl. 3117DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11080.725320/201020 Acórdão n.º 1202001.095 S1C2T2 Fl. 18 17 Voto Vencedor Conselheira Viviane Vidal Wagner – Redatora designada Discordando do voto proferido pelo ilustre relator em sessão de julgamento, quanto ao mérito, a maioria da turma entendeu indevida a dedução das despesas de amortização de ágio como pretendido pela recorrente. As razões desse entendimento serão expostas a seguir. O que se verifica no caso concreto é aquilo que a técnica contábil denomina de “ágio gerado internamente”, haja vista que as operações de integralização de capital, incorporações e alterações de denominação social realizadas em curto espaço de tempo, conforme relatado nos autos, denotam a relação de interdependência entre as envolvidas. Diante dos fatos, não se questiona a natureza do ágio, mas a possibilidade de dedutibilidade das despesas dele decorrentes. Inicialmente, vale mencionar a posição da Comissão de Valores Mobiliários — CVM, embora destinada às sociedades de capital aberto, com a emissão do Oficio Circular/CVM/SNC/SEP IV 01/2007 visando esclarecer dúvidas sobre a aplicação das Normas Gerais de Contabilidade. No texto, abaixo transcrito, são destacadas situações semelhantes ao do presente caso, em que empresas de um mesmo grupo econômico geram ágio artificialmente, sem que haja o dispêndio de efetiva despesa (financeira ou patrimonial), o que é rechaçado: OFICIOCIRCULAR/CVM/SNC/SEP IV 01/2007 Rio de Janeiro, 14 de fevereiro de 2007 Aos Senhores Diretores de Relações com Investidores e Auditores Independentes ASSUNTO: Orientação sobre Normas Contábeis pelas Companhias Abertas Prezados Senhores, Os OficiosCirculares emitidos pela área técnica da CVM tem como objetivo principal divulgar os problemas centrais e esclarecer dúvidas sobre a aplicação das Normas de Contabilidade pelas Companhias Abertas e das normas relativas aos Auditores Independentes. Esse oficiocircular também procura incentivar a adoção de novos procedimentos e divulgações, bem como antecipar futura regulamentação por parte da CVM e, em alguns casos, esclarecer questões relacionadas as normas internacionais emitidas pelo IASB. A CVM vem, ao longo dos anos da sua atuação, buscando aperfeiçoar e manter atualizado o seu arcabouço normativo contábil, sempre com a participação de segmentos interessados do mercado ou da profissão contábil. Cumpre destacar a importante colaboração recebida da Comissão Consultiva de Normas Contábeis da CVM, que conta com representantes da Fl. 3118DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11080.725320/201020 Acórdão n.º 1202001.095 S1C2T2 Fl. 19 18 ABRASCA, APIMEC, CFC, IBRACON, FIPECAFI/USP e colaboradores especialmente nomeados pela CVM, além dos professores Ariovaldo dos Santos (USP), Jose Augusto Marques (UFRJ) e Natan Szuster (UFRJ) e, agora, do Comitê de Pronunciamentos Contábeis CPC, recentemente instalado. [...] 20.1.7 "Ágio" gerado em operações internas A CVM tem observado que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômicos (incorporação de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de "ágio". Uma das formas que essas operações vêm sendo realizadas, iniciase com a avaliação econômica dos investimentos em controladas ou coligadas e, ato continuo, utilizarse do resultado constante do laudo oriundo desse processo como referência para subscrever o capital numa nova empresa. Essas operações podem, ainda, serem seguidas de uma incorporação. Outra forma observada de realizar tal operação é a incorporação de ações a valor de mercado de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico. Em nosso entendimento, ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários, do ponto de vista econômicocontábil é preciso esclarecer que o ágio surge, única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando hit o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim, não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se fundamente nessas assertivas econômicas configura sofisma formal e, portanto, inadmissível. Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como "arm's length". Portanto, é nosso entendimento que essas transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes, para que seja passível de registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade. (destaquei) Fl. 3119DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11080.725320/201020 Acórdão n.º 1202001.095 S1C2T2 Fl. 20 19 Ainda nesse sentido, registrese o item 50 da Orientação Técnica CPC 02/2008 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis: [...] só pode ser reconhecido o ativo intangível ágio por expectativa de rentabilidade futura se adquirido de terceiros, nunca o gerado pela própria entidade (ou mesmo conjunto de empresas sob controle comum). E o adquirido de terceiros só pode ser reconhecido, no Brasil, pelo custo, vedada completamente sua reavaliação. Mais recentemente, como já referiu a decisão recorrida, passaram a integrar as normas contábeis: a) Comunicado Técnico CR 03 – aprovado pela Resolução CFC Nº 1.157, de 13 de fevereiro de 2009: 50. É importante lembrar que só pode ser reconhecido o ativo intangível do ágio por expectativa de rentabilidade futura se adquirido de terceiros, nunca o gerado pela própria entidade (ou mesmo conjunto de empresas sob controle comum). E o adquirido de terceiros só pode ser reconhecido, no Brasil, pelo custo, vedada completamente sua reavaliação. b) NBC TG 04 – ATIVO INTANGÍVEL, aprovada pela Resolução CFC 1.303/2010: “Ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (Goodwill) gerado internamente 48. O ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente não deve ser reconhecido como ativo. 48. Em alguns casos incorrese em gastos para gerar benefícios econômicos futuros, mas que não resultam na criação de ativo intangível que se enquadre nos critérios de reconhecimento estabelecidos na presente Norma. Esses gastos costumam ser descritos como contribuições para o ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente, o qual não é reconhecido como ativo porque não é um recurso identificável (ou seja, não é separável nem advém de direitos contratuais ou outros direitos legais) controlado pela entidade que pode ser mensurado com segurança ao custo. 49. As diferenças entre valor de mercado da entidade e o valor contábil de seu patrimônio líquido, a qualquer momento, podem incluir uma série de fatores que afetam o valor da entidade. No entanto, essas diferenças não representam o custo dos ativos intangíveis controlados pela entidade.” c) NBC TG 01 – REDUÇÃO AO VALOR RECUPERÁVEL DE ATIVOS, aprovada pela Resolução CFC 1.292/2010: “125. A NBC 6 19.8 – Ativo Intangível proíbe o reconhecimento de ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill) Fl. 3120DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11080.725320/201020 Acórdão n.º 1202001.095 S1C2T2 Fl. 21 20 gerado internamente. Qualquer aumento no valor recuperável do ágio pago por expectativa de rentabilidade futura (goodwill) nos períodos subsequentes ao reconhecimento de perda por desvalorização para esse ativo é equivalente ao reconhecimento de ágio por expectativa de rentabilidade futura gerado internamente (goodwill gerado internamente) e não reversão de perda por desvalorização reconhecida para o ágio pago por expectativa de rentabilidade futura (goodwill).” Logo, contabilmente, é necessária uma aquisição onerosa de terceiros para formação do ágio e essa exigência encontrase também expressa na legislação tributária. O art. 7° da Lei n° 9.532/97 referese ao ágio apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e este, por sua vez, trata do ágio formado entre o custo de aquisição do investimento e o valor do patrimônio liquido na época da aquisição, como se vê: Decretolei n° 1.598, de 30 de dezembro de 1977 Art.20 0 contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio liquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio liquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. §1º 0 valor de patrimônio liquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. §2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade,. b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base ern previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. §3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. §4º As normas deste Decretolei sobre investimentos em coligada ou controlada avaliados pelo valor de patrimônio liquido aplicamse as sociedades que, de acordo com a Lei n°6.404, de 15 de dezembro de 1976, tenham o dever legal de adotar esse critério de avaliação, inclusive as sociedades de Fl. 3121DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11080.725320/201020 Acórdão n.º 1202001.095 S1C2T2 Fl. 22 21 que a coligada ou controlada participe, direta ou indiretamente, com investimento relevante, cuja avaliação segundo o mesmo critério seja necessária para determinar o valor de patrimônio liquido da coligada ou controlada. Vejase que pode ser amortizado o ágio pago na aquisição de investimentos. Logo, a necessidade de uma aquisição onerosa de terceiros para formação do ágio deve ser considerada no exame das operações de reorganização societária, para fins de incidência tributária, já que tais operações podem ser utilizadas como instrumento de planejamento tributário, desde que demonstrem os fundamentos econômicos da operação (benefícios operacionais), o que não ocorre quando se adquire de partes interligadas. No presente caso, verificase que a geração do ágio glosado se deu dentro de grupo econômico, cuja definição passa pelo controle societário de umas pelas outras. Por lhe faltar fundamentação econômica, a reestruturação entre empresas do mesmo grupo econômico, engendrada com o objetivo de reduzir a tributação, como é o caso dos autos, não pode ser oponível ao Fisco. Nem se diga que a geração do ágio, por ter ocorrido antes de 1997, denota a falta de intenção de burlar a legislação tributária. Como se viu, o conceito de ágio, para fins tributários, é o mesmo desde a década de 1970, ou seja, depende da aquisição de participação societária, o que pressupõe uma transação entre partes não relacionadas para que haja o efetivo dispêndio de recursos. A jurisprudência majoritária do CARF tem rejeitado a dedubitilidade das despesas decorrentes de ágios internos. Como fundamento subsidiário, cabe transcrever as conclusões do voto do ilustre Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães quando apreciou a questão do ágio interno gerado mediante reorganização societária envolvendo apenas empresas sob controle comum, no Acórdão n° 130100.058, decidido à unanimidade pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da lª Seção de Julgamento do Carf, em sessão de 13 de maio de 2009, litteris: O que se observa é que os administradores da Recorrente e de outras empresas a ela ligadas, em um prazo de cinco dias, tomando por base uma avaliação discutível do seu patrimônio, aproveitaramse de uma reorganização societária para fazer surgir uma despesa vultosa, classificada como AGIO, e, a partir dai, reduzir o lucro tributável. O planejamento tributário engendrado pela Recorrente, que ao menos no que tange aos seus efeitos fiscais revela o lado perverso das práticas adotadas sob esse manto, representou, em síntese, a criação de uma despesa que tem por base a própria mais valia do seu patrimônio, isto é, a contribuinte, a partir de uma avaliação encomendada por ela própria, fez refletir no seu ativo os resultados de uma suposta rentabilidade futura e, por meio de uma reorganização societária, sem despender um único centavo, transformou essa mais valia em uma despesa. Como salientado pela autoridade fiscal, o ágio objeto de amortização por parte da Recorrente, na forma como foi criado, representa a sua própria expectativa de lucro, nascida em decorrência da avaliação solicitada da empresa ERNST & YOUNG. Fl. 3122DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11080.725320/201020 Acórdão n.º 1202001.095 S1C2T2 Fl. 23 22 O que salta aos olhos é que, como bem ressaltou a autoridade fiscal, a intenção da Recorrente foi, paralelamente aos interesses estritamente societários, forjar a existência de um ágio para, a partir da conseqüente redução da incidência tributária, propiciar ganhos para os seus acionistas. Notese que a autoridade fiscal, ainda que tenha tratado o ágio apropriado como fruto de artificialismo, não questionou os motivos alegados pela Recorrente para promover as operações aqui tratadas, ou seja, diferentemente do arguido por ela, não se imiscuiu em seus negócios, declarandoos ilegais ou ilegítimos. Apenas e tãosomente demonstrou que os efeitos fiscais buscados pela empresa, a luz da legislação do imposto de renda, não poderiam ser admitidos. A meu ver, outra não poderia ser a conclusão, pois, no caso vertente, em que a despesa apropriada decorreu de mais valia do patrimônio daquela que almeja beneficiarse de sua dedutibilidade, não há que se falar em ágio decorrente de aquisição de participação societária. Assim, a presença concomitante dos requisitos propósito econômico real, assim como um efetivo substrato econômico é imprescindível ao reconhecimento da existência de ágio suportado por uma empresa com a aquisição de uma participação societária. O papel do laudo de avaliação não é relevante, nesse caso, pois não é o documento que gera o ágio. A rentabilidade futura deve ser passível de ser verificada no caso concreto, o que fica prejudicado quando se tratam de empresas vinculadas. Nesse sentido, as operações realizadas em datas muito próximas, além de denotar ausência de propósito negocial e de substrato econômico, reforçam o vínculo entre as envolvidas no processo de reestruturação societária que deram ensejo ao ágio sob exame. O presente caso envolve ágio formado a partir de operação entre empresas do mesmo grupo, sem dispêndio de recursos. Acrescentese a isso a ausência de um intervalo mínimo entre as operações e se está diante de um ágio formado sem qualquer propósito negocial e sem substrato econômico. Logo, indedutível, por ausência dos requisitos de dedutibilidade. Em sua defesa, a recorrente limitase a tentar enquadrar o procedimento adotado nos dispositivos legais. Todavia, as alegações são insuficientes para afastar os elementos apontados pela autoridade fiscal como indicativos da artificialidade das operações. Diante de todos os argumentos até aqui expostos, considerase que o aproveitamento de ágio gerado internamente para fins tributários deve ser peremptoriamente rechaçado. Ainda, devido à grande repercussão que teve, sendo, inclusive, citado pelo ilustre relator deste, cabe tecer algumas considerações sobre o voto que se afastou da jurisprudência sedimentada nessa matéria, consubstanciado na decisão proferida no acórdão nº 110100708, de 11/04/2012, aprovado por maioria de votos. Com a devida vênia do entendimento da maioria da turma, os fundamentos apontados no voto vencedor verificamse frágeis, como se demonstrará. Fl. 3123DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11080.725320/201020 Acórdão n.º 1202001.095 S1C2T2 Fl. 24 23 Sobre o tema de interesse, ficou consignado na ementa: ÁGIO INTERNO. A circunstância de a operação ser praticada por empresas do mesmo grupo econômico não descaracteriza o ágio, cujos efeitos fiscais decorrem da legislação fiscal. A distinção entre ágio surgido em operação entre empresas do grupo (denominado de ágio interno) e aquele surgido em operações entre empresas sem vinculo, não é relevante para fins fiscais. Como um dos principais argumentos favoráveis à tese da possibilidade de amortização do ágio interno, foi referido o artigo “Incorporação reversa com ágio gerado internamente: consequências da elisão fiscal sobre a contabilidade”, de autoria dos professores Eliseu Martins e Jorge Vieira da Costa Junior, disponível no endereço da Internet http://www.congressousp. fipecafi.org/artigos42004. Os autores são renomados profissionais da área contábil que, nesse estudo, abordaram a modalidade de incorporação reversa que toma por base o ágio gerado internamente, analisando e concluindo que, contabilmente, referido evento, do ponto de vista estritamente técnico, não é admissível, mas, do ponto de vista tributário, haveria previsão legal para sua consecução de acordo com o art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002. As conclusões do referido trabalho, literalmente, foram: O surgimento do ágio em operações de combinação de negócios, realizadas dentro de um mesmo grupo societário, não tem sentido econômico. A Contabilidade, sabiamente, expurga essa informação ao considerar o grupo societário uma entidade única, quando reporta suas demonstrações consolidadas. O correto, contabilmente, é fazer o mesmo nas demonstrações individuais também. Entretanto, o respaldo em legislação tributária para o fenômeno – ágio gerado internamente – dá sentido econômico à operação. Há de fato riqueza sendo gerada pelo grupo societário nesses arranjos só que, no caso, está sendo transferida do Estado para o grupo via renúncia fiscal. É bem verdade que referido respaldo legal concorre, ainda que indiretamente, para o retrocesso do estágio avançado de desenvolvimento em que se encontra a Contabilidade Brasileira. A bem da verdade, pavimenta um caminho tortuoso: o fomento à indústria do ágio. Enquanto desenvolviam o assunto dentro de sua área de especialização, a contabilidade, os doutrinadores reconheceram categoricamente que o ágio gerado internamente não tem sentido econômico. De outro lado, ao adentrarem no campo tributário, concluíram que a legislação tributária, mais especificamente, o art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002, é que daria sentido econômico à operação de geração de ágio interno. Notese que a interpretação dada pelos ilustres contabilistas contraria a jurisprudência pacificada pelos tributaristas integrantes do principal órgão de julgamento dos litígios tributários do país. Fl. 3124DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11080.725320/201020 Acórdão n.º 1202001.095 S1C2T2 Fl. 25 24 Por oportuno, transcrevo trecho do voto vencido no acórdão nº 110100.708, em que a ilustre Conselheira Edeli Pereira Bessa aponta a contradição presente no referido artigo: Consignou esta Relatora a contradição presente em referido artigo, que de um lado conceitua ágio como resultado econômico obtido em um processo de compra e venda de ativos líquidos (net assets), quando estiverem envolvidas partes independentes não relacionadas, e repudia o reconhecimento de resultado derivado de transações entre entidades sob o mesmo controle, ou seja, sob a mesma vontade, concluindo ser inadmissível o surgimento de ágio em uma operação realizada dentro de um mesmo grupo econômico, mas de outro infere que a Fazenda Pública admite a dedução as amortizações deste valor como sendo ágio. Dizem Eliseu Martins e Jorge Vieira da Costa Junior que o artigo 36 da Lei no 10.637/2002 permite que grupos econômicos, em operações de combinação de negócios, criem, artificialmente, ágios internamente, por intermédio da constituição de "sociedades veiculo", que surgem e são extintas em curto lapso temporal, ou pela utilização de sociedades de participação denominadas "casca", com finalidade meramente elisiva. Mas, como visto, o art. 36 da Lei n° 10.637/2002 deixa claro que não há renda tributável nestas operações, e determina o diferimento de eventual ganho de capital contabilizado. Para manter a coerência com este entendimento, o ágio eventualmente contabilizado em razão desta mesma operação não pode ser classificado como tal, nem ter os mesmos efeitos de uma mais valia paga pela aquisição de um investimento entre partes não relacionadas. Repudiase, portanto, a afirmação contida naquele artigo, no sentido de que a Fazenda Pública perde porque permite a dedutibilidade da quota de ágio amortizada para fins de IRPJ e base de cálculo da CSLL, pois nenhum ato normativo da Receita Federal admite tal dedução. A resposta dada pela Fazenda Pública a estas ocorrências está expressa em reiterada jurisprudência administrativa deste Conselho, citada pela Procuradoria da Fazenda Nacional em suas contrarrazões, a qual manteve, até agora, todas as exigências formalizadas em razão da glosa do ágio gerado neste tipo operações. Na medida em que o lucro real tem por base o lucro contábil, devese aplicar aqui o entendimento doutrinário acerca do que pode ser admitido conceitualmente como ágio, até porque, o art. 110 do CTN não permite à lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. E, como extensamente demonstrado neste voto, não so o artigo em destaque, como também a mais abalizada doutrina contábil, reafirmada pela Comissão de Valores Mobiliários, sempre Fl. 3125DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11080.725320/201020 Acórdão n.º 1202001.095 S1C2T2 Fl. 26 25 repudiou a classificação da maisvalia gerada em operações intragrupo como ágio. Em síntese, como dito por esta Relatora durante a sessão de julgamento, não há o que se falar, aqui, em operações envolvendo entidades "A", "B" e "C", na medida em que o resultado final desta reorganização é a manutenção do controle de "A" sobre "B", que apenas transitoriamente passou a indireto, sob a titularidade da empresa veiculo "C". Inexiste aquisição entre "A" e "C", inexiste ágio. De outro lado, no voto vencedor, a artificialidade da conduta foi descrita como expressão genérica, no sentido de que o tudo o que foi realizado de modo intencional (pelo contribuinte) é artificial e que “o fato de sua conduta ser intencional (artificial), não traz qualquer vicio” [à operação]. A afirmação de que tudo que é intencional é artificial parece se espelhar na tese do escritor inglês Thomas Browne, que, no século XVII, escreveu: “tudo é artificial, uma vez que a Natureza é a arte de Deus”. Em outras palavras, tudo o que o homem constrói, seja de ordem material ou imaterial, é artificial. Sob esse prisma, a afirmação faz sentido. Ocorre que, dentro do ordenamento jurídico pátrio vigente no século XXI, intencionalidade não se confunde com artificialidade. Para fins tributários, é artificial a conduta (intencional, obviamente), mas que busca subterfúgios ou caminhos alternativos para escapar à tributação correta. Corresponde à intenção de se evadir à tributação criando mecanismos falsos. Vejase o exemplo do art. 285 do RIR/99: Art. 285. É facultado à autoridade tributária utilizar, para efeito de arbitramento a que se refere o artigo anterior, outros métodos de determinação da receita quando constatado qualquer artifício utilizado pelo contribuinte visando a frustrar a apuração da receita efetiva do seu estabelecimento (Lei nº 8.846, de 1994, art. 8º). (destaquei) Nesse caso, como em tantos outros, o termo “artifício” utilizado pelo legislador referese a um procedimento e desacordo com o que seria esperado na situação, com vistas a obter indevida desoneração tributária. Nos casos de ágio gerado internamente, a artificialidade está na conduta de se majorar o patrimônio apesar da inexistência de efetivo desembolso de recursos e de efetiva mudança de controle acionário, com o propósito de reduzir a base tributável pelo aproveitamento de despesas de amortização do respectivo ágio. Todavia, como se viu, é incabível a apropriação de despesas que não foram incorridas, pois, como não há transferência de controle entre as empresas, logicamente, não há aquisição de nova propriedade. A lei não permite ágio interno, porque deve ser interpretada de modo a se evitar a conduta abusiva, tendo em conta as exigências do bem comum e a função social da empresa, prevista no art. 170 da Constituição Federal. A segurança jurídica, no caso, decorre da interpretação racional e lógica do ordenamento jurídico, pautado em orientações consistentes de órgãos normativos e na jurisprudência consolidada do órgão de julgamento (CARF), como demonstrado acima. Fl. 3126DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO Processo nº 11080.725320/201020 Acórdão n.º 1202001.095 S1C2T2 Fl. 27 26 Como a recorrente, em sua defesa, não logrou desconstituir os argumentos da autoridade fiscal, e diante da evidente caracterização de ágio formado internamente, outra não pode ser a conclusão senão pela indedutibilidade das despesas de ágio na apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL devidas no período fiscalizado. Finalmente, cumpre esclarecer que, em relação à questão sobre os juros de mora sobre a multa de ofício, arguída por um dos conselheiros durante a sessão de julgamento, a maioria da turma entendeu por afastar a discussão desse mérito, em razão de não se encontrar tal matéria dentre aquelas contestadas pela recorrente em seu recurso voluntário. Neste voto são adotadas as mesmas razões de julgamento constantes do voto vencedor consignado no acórdão nº 1202001022, de 10/09/2013, em que a apreciação dessa matéria, em hipótese similar, também foi rechaçada pela maioria do colegiado. Diante do exposto, negase provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 3127DF CARF MF Impresso em 17/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinad o digitalmente em 04/06/2014 por GERALDO VALENTIM NETO
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