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Numero do processo: 10850.908546/2011-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/11/2000
BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. SUBVENÇÃO LEI N° 9.479/97 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entende-se por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS e da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social.
RECEITA DE SUBVENÇÃO DA LEI N° 9.479/1997. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. A receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 às usinas beneficiadoras de borracha integra a base de cálculo do PIS e da COFINS, por se tratar de subvenção para custeio.
PIS/COFINS. RECEITAS DAS ATIVIDADES-FIM
Estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS apenas as receitas derivadas das atividades-fim. Desta forma, não compõem a base tributável as receitas financeiras, descontos obtidos e despesas recuperadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-005.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento para afastar a exigência sobre descontos obtidos, receitas financeiras e despesas recuperadas. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10850.908549/2011-58, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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RESTITUIÇÃO. ALARGAMENTO DA BC. Recorrente BRASLATEX INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BORRACHAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2000 BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. SUBVENÇÃO LEI N° 9.479/97 PIS. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/1998. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entendese por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS e da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, ou seja, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social. RECEITA DE SUBVENÇÃO DA LEI N° 9.479/1997. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. A receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 às usinas beneficiadoras de borracha integra a base de cálculo do PIS e da COFINS, por se tratar de subvenção para custeio. PIS/COFINS. RECEITAS DAS ATIVIDADESFIM Estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS apenas as receitas derivadas das atividadesfim. Desta forma, não compõem a base tributável as receitas financeiras, descontos obtidos e despesas recuperadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento para afastar a exigência sobre descontos obtidos, receitas financeiras e despesas recuperadas. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10850.908549/201158, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 0. 90 85 46 /2 01 1- 14 Fl. 193DF CARF MF Processo nº 10850.908546/201114 Acórdão n.º 3301005.030 S3C3T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Trata o presente processo de Pedido Eletrônico de Restituição de crédito da Contribuição para o PIS/Pasep. A DRF de São José do Rio Preto (SP), por meio do despacho decisório, indeferiu o pedido, em razão do recolhimento indicado no PER/DCOMP ter sido integralmente utilizado para quitação de débito confessado pelo contribuinte. Cientificada do despacho, a empresa apresentou a manifestação de inconformidade, nesses termos: · Preliminarmente, requer a reunião deste processo com outros que tratam da mesma matéria e têm os mesmos fundamentos; · No mérito, defende que o recolhimento indevido decorre da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/1998, já declarada pelo STF em sede de repercussão geral; · Alega que a autoridade administrativa não analisou a causa do recolhimento indevido (a inconstitucional ampliação da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718); · Sustenta que a decisão do STF, no RE nº 585.235, deve ser observada, obrigatoriamente, pela autoridade administrativa; · Reiterou que é devido o crédito pleiteado no PER/DCOMP, por se tratar de PIS/COFINS calculado sobre receita que não integra o seu faturamento. Anexou à sua manifestação de inconformidade: planilha demonstrativa do pagamento indevido de PIS/COFINS sobre receitas financeiras, cópia de parte do livro diário e termos de abertura e encerramento. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 14042.471. A DRJ rejeitou a reunião de processos solicitada, por dois motivos: para pedidos de restituição, a reunião de processos em um só deve ser realizada apenas quando tenham por base o mesmo crédito, o que não é o caso dos processos relacionados pela interessada, pois cada um se refere a um determinado período de apuração, implicando em créditos distintos e os elementos de prova são distintos para cada fato gerador, ou seja, as provas de um processo não aproveitam aos demais. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10850.908546/201114 Acórdão n.º 3301005.030 S3C3T1 Fl. 4 3 Quanto ao mérito, a negativa do reconhecimento do crédito se deu em virtude da ausência de prova do pagamento indevido; da nãovinculação da autoridade administrativa ao RE nº 585.235; da ausência de DCTF retificadora e da cópia parcial do livro diário apresentada, que não permitiria apurar a base de cálculo com as exclusões pretendidas, para se chegar ao valor devido e comparálo com o valor recolhido. Em seu recurso voluntário, a empresa: · Reitera o pedido de reunião deste processo com outros 38 processos que tratam da mesma matéria: recolhimentos indevidos de PIS e COFINS, apurados em diversos meses, decorrentes da majoração da base de cálculo pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. · Alega que é inconteste que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, nem o art. 165 do CTN nem o art. 74 da Lei nº 9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações. · Faz a juntada do seu livro razão, que entende ser suficiente para comprovar o recolhimento indevido. · Sustenta que a base de cálculo do PIS e da COFINS deveria ter sido composta por valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem às suas receitas de vendas de mercadorias e prestação de serviços e não por suas receitas financeiras. Esta Turma de Julgamento converteu o julgamento em diligência, Resolução n° 3301000.376, de 28 de junho de 2017, para verificar os argumentos da Recorrente no tocante à inclusão das receitas financeiras na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nessa oportunidade, foi solicitado à Unidade de Origem que: examinasse a escrita fiscal da Recorrente, para identificar a indevida inclusão das receitas financeiras indicadas no Livro Diário, na base de cálculo do PIS e da COFINS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 e apontasse a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada. Na informação fiscal resultante da diligência, a autoridade fiscal concluiu que, das contas contábeis de receita apontadas pela recorrente como indevidamente computadas na base de cálculo do PIS e da COFINS, somente a de "receita de subvenção" era realmente tributável e cuja contribuição incidente, por conseguinte, não poderia ser considerado como crédito a compensar. Cientificado do encerramento da diligência, não houve manifestação da empresa. É o relatório. Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10850.908546/201114 Acórdão n.º 3301005.030 S3C3T1 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.027, de 28 de agosto de 2018, proferido no julgamento do processo 10850.908549/201158, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.027): "De acordo com a Resolução n° 3301000.379, o julgamento deste processo deve seguir a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09 de junho de 2015. E, desta forma, adotar a decisão proferida por meio do Acórdão n° 3301004.594, em sede do processo 10850.906106/201122, da lavra da i. Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. O citado Acórdão n° 3301004.594 soluciona a questão nuclear deste processo a incidência ou não de PIS sobre a subvenção prevista na Lei n° 9.479/97 , pelo que, para tanto, adotáloei como razão de decidir. Contudo, antes de reproduzilo, enfrento as preliminares e a parte do mérito da causa que diz respeito ao cômputo na base de cálculo do PIS de outros tipos de receitas. Destaco que as soluções das questões de mérito foram instruídas pela conclusão do trabalho de diligência ("Informação Fiscal" nas fls. 191 a 196). Preliminares Reunião de processos A recorrente pede a reunião de 29 processos administrativos que teriam o mesmo objeto do presente, fundada no princípio da economia processual. Dos PAs listados, alguns já foram julgados por esta turma, outros aguardam retorno de diligência e dez estão em pauta para julgamento por outra turma do CARF. Desta forma, não há qualquer providência a ser tomada por esta turma. Falta de aprofundamento da investigação dos fatos falta de retificação da DCTF Insuficiência de provas Preclusão da produção das provas Alega que o Despacho Decisório foi emitido, sem que fossem requeridos documentos para fazer prova da higidez dos créditos que pleiteou, contrariando Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10850.908546/201114 Acórdão n.º 3301005.030 S3C3T1 Fl. 6 5 o art. 142 do CTN. Que a alegação da DRJ de que a DCTF não foi retificada não é legítima e afronta o princípio da verdade material. Que juntou aos autos planilha de cálculo, guias de pagamento e livro diário. Contudo, a DRJ julgou ser insuficiente para a confirmação dos créditos. Com base nos artigos 258 e 923 do RIR/99, aduz que os livros contábeis constituem prova das operações. Assim, terseia como precário o julgamento realizado pela DRJ. E, por fim, que a DRJ antecipouse aos atos processuais seguintes, declarando que qualquer prova que a partir de então fosse apresentada seria tida como preclusa. Os pleitos já haviam sido atendidos, na medida em que esta turma converteu o julgamento em diligência, para que fosse efetuado o cotejo entre as bases de cálculo e os livros contábeis. Mérito Reitera que as receitas que originaram os pagamentos indevidos de PIS não devem compor a base de cálculo do PIS, por força da inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, reconhecida pelo STF. Enfrenta a alegação da DRJ de que decisões do STF acerca da inconstitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98 não vinculam os órgão de julgamento administrativo, trazendo decisões administrativas e judiciais no sentido de que, por se tratar de posicionamento exarado em sessão plenária e já pacificado naquela corte, deve ser seguido pelas esferas administrativas de julgamento. O processo foi convertido em diligência, para que fossem fossem respondidos os seguintes quesitos (fl. 148): ”a) Examine a escrita fiscal da Recorrente, para identificar a indevida inclusão das receitas financeiras indicadas no Livro Diário, na base de cálculo do PIS e da COFINS, em decorrência da aplicação do cálculo do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98; b) Aponte a exatidão do valor pleiteado pelo Recorrente, bem como se a utilização deste foi efetivamente realizada; c) Requeira ao sujeito passivo a apresentação de documentos ou esclarecimento complementares; d) Cientifique a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação; e) Após, retornar o processo ao CARF para julgamento." A diligência foi realizada e a "Informação Fiscal" (fls. 191 a 196) encontrase nos autos. O auditor relatou que a recorrente não atendeu às intimações e, por isto, limitouse às informações presentes nos autos. Então, revisou as bases de cálculo anexadas à manifestação de inconformidade, Diário e Razão e verificou que o contribuinte considerou como Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10850.908546/201114 Acórdão n.º 3301005.030 S3C3T1 Fl. 7 6 indevidamente computadas na base de cálculo do PIS de fevereiro de 2001 as seguintes contas contábeis (fl. 192): "DESCONTOS OBTIDOS CONTA 3.6.1.1.002: R$ 24,94 RECEITA DE APLICAÇÃO FINANCEIRA CONTA 3.6.1.1.004: R$ 170,17 RECUPERAÇÃO DE DESPESAS CONTA 3.6.1.3.001: R$ 100,00 RECEITA DE SUBVENÇÃO CONTA 3.7.1.2.001: R$ 91.622,69" E assim concluiu seu exame (fl. 195): "11. Das receitas alegadas indevidamente tributadas podese considerar “aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa” todas, exceto a Receita de Subvenção da Lei 9.479/1997. 12. A subvenção, concedida pela Lei nº 9.479, de 12 de agosto de 1997 (fls. 183 a 185) e regulamentada pelo Decreto nº 2.348, de 13 de outubro de 1997 (fls. 186 a 189), tratavase de subsídio pago pelo Ministério da Agricultura aos seguintes beneficiários: i) extrativistas, ii) cultivadores ou iii) beneficiadores de borracha natural no país. Era calculada com base na quantidade (em Kg) do coágulo de látex vendido pelos extrativistas ou cultivadores ou na quantidade de borracha beneficiada pelas usinas, vendidas ao comprador final ou exportadas, vide REGULAMENTO PARA CONCESSÃO DESUBVENÇÃO ECONÔMICA À COMERCIALIZAÇÃO DA BORRACHA NATURAL Nº 001/99, às fls 162 a 182. Correspondia à diferença entre os preços de referência da borracha nacional e os preços dos produtos congêneres no mercado asíático, como forma de enfrentar, no mercado nacional, a concorrência da borracha produzida na Ásia, facilitando o escoamento da produção nacional. 13. A atividade do contribuinte, conforme cláusula quarta de seu contrato social, é a indústria de latex e produtos de borracha, comércio, importação e exportação de produtos de borracha. A subvenção recebida por kg de borracha beneficiada vendida, tendo que ser requerida mediante apresentação de comprovantes de compra de borracha natural bruta e das notas fiscais de venda da borracha beneficiada emitidas pelo beneficiário (fls. 162 a 182) não é receita financeira e sim receita da operação da empresa. Tal receita decorre do exercício do objeto social da empresa, e compõe o seu faturamento. A Receita de Subvenção da Lei 9.479 de 12 de agosto de 1997, no valor de R$91.622,69, recebida em Fevereiro/2001 na qualidade de usina beneficiadora credenciada é receita operacional da BRASLATEX, e mesmo antes da vigência da lei 9.718/98 já integraria seu faturamento nos termos da LC nº 7, de 1970, posteriormente regulada pela Medida Provisória no 1.212, de 1995 (e reedições), e pela Lei no 9.715, de 1998 sendo tributada pelo PIS." (g.a.) Concordo plenamente com a conclusão da diligência. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10850.908546/201114 Acórdão n.º 3301005.030 S3C3T1 Fl. 8 7 As receitas com descontos obtidos (conta 3.6.1.1.002), aplicação financeira (conta 3.6.1.1.004) e recuperação de despesas (conta 3.6.1.3.001) não derivam das atividades típicas da recorrente, pelo que não se incluem no conceito de faturamento, base de cálculo do PIS e da COFINS, prevista no art. 3° da Lei n° 9.718/98. No tocante à "receita de subvenção" da Lei n° 9.479/97, verificase o contrário, isto é, tratase de receita tributável pelo PIS e COFINS. Como fundamento deste entendimento, transcrevo o Acórdão n° 3301004.594 (paradigma), do qual faço minha razão de decidir (§ 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98): "Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. No tocante à reunião dos processos, entendo que não há nada a se deferir, pois 20 (vinte) dos processos listados foram convertidos em diligência (publ. 21/07/2014) e julgados em acórdãos de procedência para a Recorrente (publ. 27/03/2015), tendo em vista a confirmação dos créditos. Os demais processos citados pela Recorrente em seu recurso são repetitivos, que estão vinculados ao julgamento deste presente processo (paradigma), em decorrência do § 2º do art. 47 do anexo II da Portaria MF nº 343/2015. MÉRITO Inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 O alcance do termo faturamento abarcando a atividade empresarial típica restou assente no RE nº 585.235/MG, no qual se reconheceu a repercussão geral do tema concernente ao alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, reafirmando a jurisprudência consolidada pelo STF: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ DE 1º.9.2006; REs nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. No voto, o Ministro Cezar Peluso consignou: O recurso extraordinário está submetido ao regime de repercussão geral e versa sobre tema cuja jurisprudência é consolidada nesta Corte, qual seja, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando, assim, a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10850.908546/201114 Acórdão n.º 3301005.030 S3C3T1 Fl. 9 8 mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais... Observese outros precedentes da Corte Suprema: RE 683.334 AgR, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, Segunda Turma, DJ 13/08/2012, RE 390.840, Rel. Min. Marco Aurelio, DJ 15/08/2006 e ainda, no mesmo sentido: RE 608.830AgR; RE 621.652AgR; RE 371.258AgR; AI 716.675AgRAgR; AI 799.578AgR; RE 656.284; ARE 643.823/PR; AI 776; ARE 645.618; RE 630.728; 621.675; RE 390.840; RE 654.840 e RE 641.052. Dessa forma, considerase receita bruta ou faturamento o que decorre da venda de mercadorias, da venda de serviços ou de mercadorias e serviços, não se considerando receita de natureza diversa. É o resultado econômico da atividade empresarial estatutária (operacional), que constitui a base de cálculo do PIS. O art. 62, § 1º, I, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 9 de junho de 2015, dispõe que: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos detratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; Logo, o entendimento do STF deve ser aplicado no presente caso, para afastar a tributação do PIS e da COFINS exigida com base no disposto no art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/1998. Nesse contexto, esta Turma converteu o julgamento em diligência para verificar a indevida inclusão das receitas não operacionais na base de cálculo do PIS, conforme reclamado pela Recorrente. Todavia, a diligência demonstrou que a receita supostamente não integrante do faturamento é Receita de Subvenção da Lei n° 9.479/1997. Dessa forma, entendo que não assiste razão ao apelo, porquanto considero tal receita operacional, logo integrante do faturamento da Recorrente. É do que trato a seguir. Receita de Subvenção da Lei n° 9.479/1997 Afirmou a Recorrente que o valor de R$ 30.705,00 foi recebido em maio de 1999 na qualidade de usina beneficiadora credenciada, nos termos da Lei n° 9.479/1997. Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10850.908546/201114 Acórdão n.º 3301005.030 S3C3T1 Fl. 10 9 A Lei nº 9.479/1997 concedeu subvenção econômica a produtores de borracha natural. Confirase: Art. 1º Fica o Poder Executivo autorizado a conceder subvenção econômica aos produtores nacionais de borracha natural, com o objetivo de incentivar a comercialização da produção nacional. § 1º A subvenção corresponderá à diferença entre os preços de referência das borrachas nacionais e os dos produtos congêneres no mercado internacional, acrescidos das despesas de nacionalização. § 2º Os preços de referência das borrachas nacionais, para efeito de cálculo da subvenção econômica, serão aqueles fixados pelo Poder Executivo e em vigor na data da publicação desta Lei, podendo ser revistos periodicamente. § 3º Os preços dos produtos congêneres no mercado internacional serão apurados e divulgados periodicamente pelo Poder Executivo, com base nas cotações das principais bolsas de mercadorias internacionais. Art. 2º A subvenção econômica de que trata o artigo anterior: I terá a duração de oito anos; II será de até R$ 0,90 (noventa centavos de real) por quilograma de borracha do tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1 (GEB1), sendo que, para os demais tipos de borracha, este teto sofrerá os ágios e deságios correspondentes; III sofrerá rebates, respectivamente, de vinte por cento, quarenta por cento, sessenta por cento e oitenta por cento, a partir do final do quarto, do quinto, do sexto e do sétimo anos de vigência desta Lei, sobre o teto de que trata o inciso anterior. Parágrafo único. Os rebates referidos no inciso III deste artigo só poderão ser aplicados à subvenção incidente sobre a borracha oriunda de seringais nativos da região amazônica na medida em que forem implantados pelo Poder Executivo os programas de que trata o art. 7º. As condições operacionais para pagamento e controle da subvenção foram dispostas pelo Decreto n° 2.348/1997: Art. 1º A subvenção econômica de que trata a Lei nº 9.479, de 12 de agosto de 1997, corresponderá à diferença entre: I os preços de referência das borrachas nacionais fixados na Portaria nº 187, de 29 de junho de 1995, do Ministério da Fazenda, publicada no Diário Oficial da União em 30 de junho de 1995; e II os preços dos produtos congêneres no mercado internacional, tomandose como base referencial o da borracha tipo Standard Malaysian Rubber nº 10 (SMR 10), acrescidos das despesas de nacionalização. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10850.908546/201114 Acórdão n.º 3301005.030 S3C3T1 Fl. 11 10 § 1º O Ministério da Agricultura e do Abastecimento, responsável pelo pagamento da subvenção econômica, publicará o valor da subvenção devida por quilograma de cada um dos tipos de borracha constantes da Portaria de que trata o inciso I deste artigo, tendo em conta: a) a média aritmética das cotações médias diárias da borracha natural do tipo Standard Malaysian Rubber nº 10 (SMR10), equivalente ao tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1º (GEB1), nas bolsas de mercadorias de Singapura, Kuala Lumpur e Londres nos quinze dias anteriores ao da publicação dos preços, com as respectivas cotações das moedas de negociação em dólar americano; b) que a conversão cambial do dólar americano de que trata a alínea anterior, para a moeda brasileira, deverá ser realizada com base na cotação daquela moeda na véspera da publicação dos preços; c) as despesas de nacionalização relativas a impostos, encargos sociais, seguros, frete, adicional de frete, armazenagem e outras prevalentes à época de apuração e publicação dos preços. § 2º Os valores das subvenções publicados pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento prevalecerão até a véspera da publicação dos novos valores. Art. 2º A subvenção econômica de que trata o artigo anterior: I terá a duração de oito anos; II será de até R$0,90 (noventa centavos de real) por quilograma de borracha do tipo Granulado Escuro Brasileiro nº 1 (GEB1), sendo que, para os demais tipos de borracha, este teto sofrerá os ágios e deságios correspondentes; III sofrerá rebates, respectivamente, de vinte por cento, quarenta por cento, sessenta por cento e oitenta por cento, a partir do final do quarto, do quinto, do sexto e do sétimo anos de vigência da Lei nº 9.479, de 1997, sobre o teto de que trata o inciso anterior, observado o que dispõe o parágrafo único do art. 2º da mencionada Lei; IV para efeito de cálculo dos ágios e deságios e dos correspondentes rebates nos preços dos demais tipos de borracha, conforme estabelecem os incisos I e Il anteriores, será tomado como referencial o preço da borracha tipo GEB 1 eguardada a correlação de preços constantes da Portaria de que trata o inciso I do art. 1º deste Decreto. Art. 3º São beneficiárias da subvenção econômica de que trata este Decreto os extrativistas, cultivadores ou beneficiadores, sejam pessoas físicas ou jurídicas, dedicados à produção de borracha natural no País. Parágrafo único. A fruição do benefício a pessoas jurídicas fica condicionada à comprovação, junto ao Ministério da Agricultura Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10850.908546/201114 Acórdão n.º 3301005.030 S3C3T1 Fl. 12 11 e do Abastecimento, de sua capacidade jurídica e regularidade fiscal. Art. 4º O pagamento da subvenção econômica aos beneficiários será feito por intermédio das usinas beneficiadoras credenciadas pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento, mediante: I apresentação do pedido de ressarcimento da subvenção ao Ministério da Agricultura e do Abastecimento, acompanhado de relação contendo o nome do produtor, seu Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou Cadastro Geral de Contribuinte CGC, local de produção ou de extração, tipo da borracha natural correspondente, quantidade do produto adquirido, em quilogramas, o preço respectivo pago ao produtor, os números e as datas das notas fiscais representativas das transações efetivadas; II cópia das notas fiscais de venda da borracha beneficiada às indústrias consumidoras do produto, acompanhada da comprovação do aceite e da certificação do tipo de borracha comercializado, fornecida pela compradora final. § 1º O pagamento de que trata este artigo será efetivado pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento no prazo de dez dias, contados a partir da data de recebimento do pedido, respeitados os limites por tipo de borracha comercializado prevalentes na data de efetivação da transação, considerada para esse efeito a data constante da nota fiscal respectiva. § 2º O pagamento de subvenção relativa à compra de borracha de pessoas jurídicas produtoras estará condicionado à satisfação da condição estabelecida no parágrafo único do artigo anterior. Art. 5º As usinas beneficiadoras, credenciadas pelo Ministério da Agricultura e do Abastecimento, manterão em seus arquivos uma via das notas fiscais emitidas pelos produtores de borracha natural, ou documento legal equivalente, contendo no verso o atestado do beneficiário de recebimento da subvenção econômica correspondente. Parágrafo único. Os documentos comprobatórios de que trata este artigo serão conservados pelas usinas beneficiadoras em boa ordem, no próprio lugar onde forem contabilizadas as operações, à disposição dos agentes incumbidos do controle interno e externo e dos órgãos ou entidades responsáveis pela subvenção. Art. 6º O Ministério da Agricultura e do Abastecimento: I estabelecerá, em ato normativo, as condições para credenciamento das usinas beneficiadoras de borracha; II orientará as pessoas jurídicas sobre a forma de apresentação da comprovação de que trata o parágrafo único do art. 3º deste Decreto; III registrará e controlará os pagamentos efetuados e gerenciará o provimento dos recursos necessários à concessão da subvenção; Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10850.908546/201114 Acórdão n.º 3301005.030 S3C3T1 Fl. 13 12 IV estabelecerá normas complementares de controle, visando a boa e regular aplicação dos recursos. Parágrafo único. Dentre as condições para credenciamento das usinas beneficiadoras constará a de comprovação de sua capacidade jurídica e regularidade fiscal. A subvenção era paga ao beneficiador de borracha natural, pessoa física ou jurídica, cadastrado junto à Secretaria de Produção e Comercialização do Ministério da Agricultura e do Abastecimento, que comprovasse a compra da borracha natural bruta do produtor e posterior exportação ou venda da borracha beneficiada para empresas da indústria consumidora final. E quanto ao pagamento da subvenção, o montante correspondia à quantidade de produto comercializado e comprovado, multiplicado pelo valor unitário da subvenção definida pelo Ministério da Agricultura. Nos termos da Resolução CFC nº 1.305, de 25 de novembro de 2010, por meio da qual o Conselho Federal de Contabilidade (CFC) aprovou a NBC TG 07 (R1), “Subvenção governamental é uma assistência governamental geralmente na forma de contribuição de natureza pecuniária, mas não só restrita a ela, concedida a uma entidade normalmente em troca do cumprimento passado ou futuro de certas condições relacionadas às atividades operacionais da entidade”. A subvenção deve ser tratada como receita pela entidade beneficiada: 12. Uma subvenção governamental deve ser reconhecida como receita ao longo do período e confrontada com as despesas que pretende compensar, em base sistemática, desde que atendidas as condições desta Norma. A subvenção governamental não pode ser creditada diretamente no patrimônio líquido. Entendo que apenas as subvenções para investimento podem ser consideradas não operacionais. É o dispõe o art. 44 da Lei n° 4.506/64: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10850.908546/201114 Acórdão n.º 3301005.030 S3C3T1 Fl. 14 13 Por sua vez, o Parecer Normativo CST nº 112, de 29 de dezembro de 1978 (DOU de 11/01/1979), distingue subvenção de custeio e subvenção para investimento: 2.11 – Uma das fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST nº 2/78 (DOU de 16.01.78). No item 5.1 do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTO seria a destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendese um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Já o Parecer Normativo CST nº 143/73 (DOU de 16.10.73), sempre que se refere a investimento complementao com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála, não nas suas despesas, mas sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Essa concepção está inteiramente de acordo com o próprio § 2º do art. 38 do DL 1.598/77. 2.12 – Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o “animus” de subvencionar para investimento. Impõese, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes da subvenção em investimento não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. (...) 3.6 Há, também, uma modalidade de redução do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias (ICM), utilizada por vários Estados da Federação como incentivo fiscal, que preenche todos os requisitos para ser considerada como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. A mecânica do benefício fiscal consiste no depósito, em conta vinculada, de parte do ICM devido em cada mês. Os depósitos mensais, obedecidas as condições estabelecidas, retornam à empresa para serem aplicados na implantação ou expansão de empreendimento econômico. Em alguns casos que tivemos oportunidade de examinar, esse tipo de subvenção é sempre previsto em lei, da qual consta expressamente a sua destinação para o investimento; o retorno das parcelas depositadas só se efetiva após comprovadas as Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10850.908546/201114 Acórdão n.º 3301005.030 S3C3T1 Fl. 15 14 aplicações no empreendimento econômico; e o titular do empreendimento é o beneficiário da subvenção. (...) I – As SUBVENÇÕES CORRENTES PARA CUSTEIO OU OPERAÇÃO integram a resultado operacional da pessoa jurídica; as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, o resultado não operacional. Do exposto, concluise que a subvenção da Lei n° 9.479/1997 é de custeio, porquanto a Recorrente recebeu em dinheiro, por kg de borracha beneficiada vendida. A atividade do contribuinte, conforme cláusula quarta de seu contrato social, é a indústria de látex e produtos de borracha, comércio, importação e exportação de produtos de borracha. Ao contrário do que alega, tal receita não pode ser classificada como receita financeira, porque não decorre da aplicação de recursos financeiros. Isso porque o Decreto nº 3.000/1999, no art. 373 c/c art. 375, parágrafo único, elenca como “receitas financeiras” os juros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, além das variações monetárias, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis, por disposição legal ou contratual. Em suma, na qualidade de usina beneficiadora credenciada, a receita da subvenção concedida pela Lei n° 9.479/1997 é receita operacional tributável pelo PIS. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário" Conclusão Dou provimento parcial ao recurso voluntário, para acatar créditos relativos ao PIS sobre descontos obtidos, receitas financeiras e despesas recuperadas. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado tanto à COFINS quanto à Contribuição para o PIS/Pasep, sendo que na informação fiscal resultante da diligência, a autoridade fiscal concluiu que "Das receitas alegadas indevidamente tributadas podese considerar “aportes financeiros estranhos à atividade desenvolvida pela empresa” todas, exceto a Receita de Subvenção da Lei 9.479/1997". Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10850.908546/201114 Acórdão n.º 3301005.030 S3C3T1 Fl. 16 15 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento parcial ao recurso voluntário, para acatar créditos relativos ao PIS e a COFINS sobre descontos obtidos, receitas financeiras e despesas recuperadas. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 207DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.002031/2010-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 28/02/2010
DACON. ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aplicação da Súmula CARF 49.
Recurso Voluntário Improcedente
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-005.507
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Aplicação da Súmula CARF 49. Recurso Voluntário Improcedente Crédito Tributário Mantido Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 20 31 /2 01 0- 47 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10840.002031/201047 Acórdão n.º 3402005.507 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração para exigência de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON). Cientificada do lançamento, o sujeito passivo apresentou impugnação, alegando que apresentou a DACON de forma espontânea, o que excluiria a penalidade nos termos do artigo 138 do CTN. Por meio do acórdão nº 14036.703, o Colegiado a quo julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Regularmente cientificado, o contribuinte tempestivamente apresentou seu Recurso Voluntário, repisando a alegação de sua impugnação pela exclusão da penalidade nos termos do artigo 138 do CTN (denúncia espontânea). O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.503, de 26 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10840.002032/201091, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.503): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão trazida a este colegiado cingese à aplicação da denúncia espontânea, prevista no artigo 138 do CTN, em caso de entrega intempestiva de obrigação acessória (DACON), mas antes de qualquer ato de ofício da autoridade fiscal. Tratase de aplicação direta da Súmula CARF nº 49: Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10840.002031/201047 Acórdão n.º 3402005.507 S3C4T2 Fl. 4 3 “A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.” As Súmulas do CARF são de observância obrigatória pelos membros do colegiado, conforme disposto no artigo 72 do RICARF. Recentemente, por meio da Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, foi atribuído a determinadas súmulas do CARF, dentre as quais se encontra a Súmula 49, efeito vinculante em relação à administração tributária federal. Dessa forma, a matéria se encontra pacificada em sentido contrário àquele defendido pela recorrente, não restando qualquer análise a ser feita neste julgamento. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo, pela aplicação da Súmula CARF 49. É como voto." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 63DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.720509/2009-05
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO.
A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas - PIS/COFINS - informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda.
Numero da decisão: 9303-007.313
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para restabelecer a glosa de crédito sobre gastos com (i) bens diversos, (ii) combustíveis e lubrificantes (iii) embalagem de transporte, (iv) serviços de manutenção de máquinas e tratores (v) medicamentos e fertilizantes, mantendo a decisão recorrida quanto às despesas com empilhadeiras, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento parcial em menor extensão, para restabelecer a glosa apenas com relação aos medicamentos e fertilizantes.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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CONCEITO DE INSUMO. DIREITO DE CRÉDITOS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado RASIP AGRO PASTORIL S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 NÃO CUMULATIVIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. BENS E SERVIÇOS. DIREITO AO CREDITAMENTO. A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de itens e serviços que não sejam utilizados diretamente no processo de produção do produto destinado a venda. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial, para restabelecer a glosa de crédito sobre gastos com (i) bens diversos, (ii) combustíveis e lubrificantes (iii) embalagem de transporte, (iv) serviços de manutenção de máquinas e tratores (v) medicamentos e fertilizantes, mantendo a decisão recorrida quanto às despesas com empilhadeiras, vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento parcial em menor extensão, para restabelecer a glosa apenas com relação aos medicamentos e fertilizantes. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 05 09 /2 00 9- 05 Fl. 309DF CARF MF Processo nº 11020.720509/200905 Acórdão n.º 9303007.313 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL, com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, buscando a reforma do Acórdão nº 3803003.725 proferido pela 3ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, em 27 de novembro de 2012, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 INSUMOS. CRÉDITOS NA INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA O conceito de insumo para a apuração de créditos a descontar do PIS não cumulativo, não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária à atividade da empresa, mas tão somente aqueles adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, que efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço. AQUISIÇÕES. ALÍQUOTA ZERO Descabe crédito em relação as aquisições de produtos sujeitos a alíquota zero, tendo em vista que prevalece a interpretação de que o art. 153, IV, da CF adota a técnica de cobrança própria dos impostos sobre valor agregado, permitindo a compensação do imposto devido na operação subsequente com a importância recolhida na operação antecedente. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. EQUIPAMENTOS Afastase a glosa dos créditos em relação a despesas de manutenção de empilhadeiras, tratores e pulverizadores e retroescavadeiras, uma vez que no dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade do PIS, o contribuinte possui direito subjetivo ao benefício, tendo em vista que esta despesa está vinculada ao processo produtivo. O Colegiado a quo entendeu por dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito e autorizar o ressarcimento tão somente quanto aos seguintes itens: despesas com empilhadeiras (custos de aquisição de GLP e manutenção de empilhadeiras); despesas com aquisições de combustíveis e lubrificantes gastos com viveiros e pomares; despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores; despesas com conservação de sêmen, manutenção de laboratório e ordenhadeiras, bem como medicamentos e fertilizantes e despesas com embalagem de transporte (material de transporte). Não resignada em parte com a decisão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial alegando divergência jurisprudencial quanto ao conceito de insumos para fins de utilização de créditos das contribuições para o PIS e a COFINS na sistemática da não cumulatividade. Insurgiuse especificamente quanto aos seguintes itens: (1) despesas com empilhadeiras; despesas com embalagem de transporte (material de embalagem); despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores; Fl. 310DF CARF MF Processo nº 11020.720509/200905 Acórdão n.º 9303007.313 CSRFT3 Fl. 4 3 despesas com conservação de sêmen, manutenção de laboratório e ordenhadeiras, bem como medicamentos e fertilizantes; e (2) despesas com combustíveis e lubrificantes. Visando à comprovação do dissenso interpretativo, com relação às despesas tratadas no item “1” indicou o Acórdão n.º 20312.448, segundo o qual apenas podem ser considerados insumos para fins de cálculo do crédito do PIS nãocumulativo aqueles elencados no art. 3º da Lei nº 10.637/2002 combinado com o art. 66 da IN SRF nº 464/2004, adotando a tese da definição de “insumos” prevista na legislação do IPI. Além disso, invocou paradigmas específicos para cada um dos créditos atacados: despesas com embalagem de transporte (material de transporte) – Acórdão n.º 310100.795; despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores – Acórdão n.º 3302 001.521; e despesas com empilhadeira – Acórdão n.º 3802000.341. Quanto às despesas com combustíveis e lubrificantes, constantes do item “2” da peça recursal, os acórdãos indicados foram os de n.º 380100.470 e 3301001.290. Dentre as decisões citadas como paradigmas na peça recursal, foi considerado como suficiente à comprovação do dissenso, no exame de admissibilidade, o Acórdão n.º 20312.448 que, diversamente da decisão recorrida, adota como conceito de “insumo” a tese trazida na legislação do IPI. A Recorrente aduz, em síntese, que os insumos aptos a serem considerados como créditos de PIS/Pasep e COFINS no regime nãocumulativo foram tratados de foram taxativa no art. 3º das Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente. Portanto, para efeitos de crédito do tributo, incluemse no conceito de insumo, além de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, os itens que sejam incorporados ao bem produzido, e os bens que, mesmo não se integrando à mercadoria, sejam consumidos e/ou alterados no processo de industrialização em função da ação exercida diretamente sobre o produto, com exceção daqueles compreendidos no ativo permanente. Segundo a Fazenda Nacional, tais requisitos não são atendidos pelos itens admitidos como insumos pelo acórdão recorrido, merecendo o mesmo ser reformado. Nos termos do despacho de exame de admissibilidade do Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, foi dado seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, por ter sido entendida como comprovada a divergência jurisprudencial, com base no Acórdão paradigma n.º 20312.448, quanto ao conceito de insumo para utilização dos créditos na apuração do PIS e da COFINS na sistemática da nãocumulatividade. Cientificada a Contribuinte, não foram apresentadas contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Fl. 311DF CARF MF Processo nº 11020.720509/200905 Acórdão n.º 9303007.313 CSRFT3 Fl. 5 4 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.304, de 15/08/2018, proferido no julgamento do processo 11020.003571/200921, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.304): "Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos requisitos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (anteriormente Portaria MF n.º 256/2009), devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito Do Direito ao Crédito de PIS e COFINS nãocumulativos – Conceito de insumos No mérito, adentrase à análise do direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos decorrentes de: (1) despesas com empilhadeiras; despesas com embalagem de transporte (material de embalagem); despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores; despesas com conservação de sêmen, manutenção de laboratório e ordenhadeiras, bem como medicamentos e fertilizantes; e (2) despesas com combustíveis e lubrificantes. De início, explicitase o conceito de insumos adotado no presente voto, para posteriormente adentrarse à análise dos itens individualmente. A sistemática da nãocumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autorizase a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda.1 O princípio da nãocumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] Fl. 312DF CARF MF Processo nº 11020.720509/200905 Acórdão n.º 9303007.313 CSRFT3 Fl. 6 5 consignandose a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhandose ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximandose da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da nãocumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entendese igualmente impróprio para conceituar insumos adotarse o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poderseia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/200672, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equiparálo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de tornála inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (grifouse) Fl. 313DF CARF MF Processo nº 11020.720509/200905 Acórdão n.º 9303007.313 CSRFT3 Fl. 7 6 empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirmase que “O modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do PIS/Pasep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecerse o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, buscase a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Fl. 314DF CARF MF Processo nº 11020.720509/200905 Acórdão n.º 9303007.313 CSRFT3 Fl. 8 7 Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em Fl. 315DF CARF MF Processo nº 11020.720509/200905 Acórdão n.º 9303007.313 CSRFT3 Fl. 9 8 substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifouse) Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi recentemente julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime nãocumulativo. Até a presente data da sessão de julgamento desse processo não houve o trânsito em julgado do acórdão do recurso especial nº 1.221.170PR pela sistemática dos recursos repetitivos, pois pendente de julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional. Fazse a ressalva do entendimento desta Conselheira, que não é o da maioria do Colegiado, que conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão. Assim, os valores decorrentes da contratação de fretes de produtos acabados entre estabelecimentos da própria empresa geram direito aos créditos das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa, pois são essenciais ao processo produtivo da Recorrente e se constituem em despesas na operação de vendas. O direito ao crédito encontra amparo no art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei nº 10.637/02, que contemplam a expressão "frete na operação de venda". No caso dos autos, conforme já afirmado, a Contribuinte RASIP AGROPASTORIL S/A é pessoa jurídica que desenvolve a atividade econômica principal do cultivo de maçãs. No seu Estatuto Social (fl. 213), art. 3º, como objeto social são listadas as seguintes atividades: "(a) a produção agrícola e pastoril, a fruticultura e apicultura; (b) a criação de rebanhos de diversas espécies; (c) a indústria, o comércio, a importação e a exportação de produtos alimentícios, de produtos da agricultura, da fruticultura e da pecuária, inclusive derivados do leite; (d) a elaboração e execução de projetos e atividades de fruticultura, florestamento e reflorestamento; (e) a produção e comercialização de produtos agrícolas, sementes e mudas; e (f) a prestação de serviços inerentes a essas atividades." Importa ter em perspectiva referida atividade econômica desenvolvida pela Recorrida, pois ao se adotar o critério da pertinência, relevância e essencialidade para a definição do conceito de insumos, tais parâmetros devem ser analisados frente ao processo produtivo do Sujeito Passivo em referência. Fl. 316DF CARF MF Processo nº 11020.720509/200905 Acórdão n.º 9303007.313 CSRFT3 Fl. 10 9 A Fazenda Nacional, por meio de recurso especial, confronta o acórdão do recurso voluntário no que tange à possibilidade de tomada de créditos de PIS e COFINS não cumulativos pela Contribuinte decorrentes dos seguintes itens, divididos em dois grupos: (1) despesas com empilhadeiras; despesas com embalagem de transporte (material de embalagem); despesas com serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores; e (2) despesas com combustíveis e lubrificantes. Na perspectiva do conceito de insumos segundo o critério da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo, entendese não assistir razão à Recorrente quanto ao pedido de restabelecimento das glosas, pois as despesas em testilha têm relação direta com a atividade econômica principal da empresa contribuinte – o cultivo de maçãs. Para elucidar a assertiva, passase à análise individual dos bens e serviços: (a) despesas com empilhadeiras (aquisição de GLP e manutenção): no Relatório de Verificação Fiscal (fl.96), após visitas da Fiscalização à sede da empresa, foi consignado que as empilhadeiras são utilizadas para diversos fins: “descarregamento da fruta vinda dos pomares, carregamento/descarregamento da fruta nas câmaras frias, movimentação pelo packing (local onde a maçã é selecionada, limpada e embalada), bem como no carregamento das caixas de maçãs na saída dos produtos do estabelecimento”. Entendeu a Autoridade Fiscal que, ante a falta de segregação dos custos, despesas e respectivos créditos vinculados às empilhadeiras pela Contribuinte, não haveria direito ao crédito, por inexistência de previsão legal, já que as mesmas seriam utilizadas para “mero transporte da fruta dentro do processo produtivo (não há transformação ou ação direta sobre a maçã)” e, ainda, “após a finalização do processo produtivo, em suma, no início da operação de venda – carregamento da fruta na saída do estabelecimento (expedição)”. O entendimento da Fiscalização – que também é defendido pela Fazenda Nacional – é pautado pelo critério do conceito de insumos da legislação do IPI, exigindo o contato, desgaste, modificação do bem ou serviço no processo produtivo, bem como que o mesmo entre em contato com a mercadoria a ser produzida. No entanto, à luz da posição intermediária para definição do conceito de insumos, a utilização das empilhadeiras para o transporte das frutas nos pomares e para o seu carregamento na saída do estabelecimento, denota pertinência, relevância e essencialidade, com o processo produtivo do cultivo de maçãs. As empilhadeiras foram utilizadas pela Contribuinte na produção, ainda que de forma indireta, e se mostram indispensáveis à consecução do seu objeto social de produção e venda das maçãs. Além disso, não se pode imaginar que não conte a empresa com o auxílio de máquinas para o transporte do seu produto, em grandes quantidades, ao longo da produção e na saída para a venda, pois hipótese contrária inviabilizaria o próprio cultivo e escoamento da produção. Portanto, deve ser mantido o reconhecimento do direito ao crédito de PIS e COFINS nãocumulativos com relação às despesas com empilhadeiras (aquisição de GLP e manutenção). " (...)3 "(e) Conservação de sêmen, manutenção de laboratório e ordenhadeiras, bem como medicamentos e fertilizantes: 3 Não se transcreveu, do voto da relatora do processo paradigma, a parte que analisou o direito de crédito de insumos cujos entendimentos resultaram vencidos na votação, e que, portanto, não se aplicam à solução do presente litígio. Contudo, a íntegra do voto consta do Acórdão 9303007.304. Fl. 317DF CARF MF Processo nº 11020.720509/200905 Acórdão n.º 9303007.313 CSRFT3 Fl. 11 10 Com relação aos medicamentos e fertilizantes, têmse que deve ser reformada a decisão para excluílos da possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS e COFINS não cumulativos. Isso porque, consoante apontado no Relatório de Verificação Fiscal, estavam sujeitos à alíquota zero na operação anterior de aquisição dos mesmos, possibilidade de crédito que foi afastada pelo próprio acórdão recorrido ao tratar do tópico específico da “alíquota zero”. Por essa razão, nesse ponto dáse provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional para restabelecer a glosa com relação aos medicamentos e fertilizantes." (...) "Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões, quanto ao direito de se aproveitar créditos sobre despesas que não integram o custo do produto industrializado. A discussão gira em torno do conceito de insumos para fins do creditamento do PIS e da Cofins no regime da nãocumulatividade previsto nas Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Como visto, a relatora aplicou o entendimento, bastante comum no âmbito do CARF, de que para dar direito ao crédito basta que o bem ou o serviço adquirido seja essencial para o exercício da atividade produtiva por parte do contribuinte. É uma interpretação bastante tentadora do ponto de vista lógico, porém, na minha opinião não tem respaldo na legislação que trata do assunto. Confesso que já compartilhei em parte deste entendimento, adotando uma posição intermediária quanto ao conceito de insumos. Porém, refleti melhor, e hoje entendo que a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. O objeto de discussão no recurso da Fazenda Nacional, como bem relatado, referese ao aproveitamento de créditos assim separados: 1) Despesas com empilhadeiras 2) combustíveis e lubrificantes; 3) Bens diversos; 4) Materiais utilizados para embalagens de transporte; 5) Serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores; e 6) Conservação de sêmen, manutenção de laboratório e ordenhadeiras, bem como medicamentos e fertilizantes Porém, como já dito, adoto um conceito de insumos bem mais restritivo do que o conceito da necessidade e da essencialidade, adotado pelo voto vencido. Nesse sentido, importante transcrever o art. 3º das Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003, que trata das possibilidades de creditamento do PIS e da Cofins: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 318DF CARF MF Processo nº 11020.720509/200905 Acórdão n.º 9303007.313 CSRFT3 Fl. 12 11 III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.898, de 2009) XI bens incorporados ao ativo intangível, adquiridos para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços. (...). 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...). Fl. 319DF CARF MF Processo nº 11020.720509/200905 Acórdão n.º 9303007.313 CSRFT3 Fl. 13 12 Ora, segundo estes dispositivos legais, somente geram créditos das contribuições os custos com bens e serviços utilizados como insumos na fabricação dos bens destinados a venda. Note que os dispositivos legais descrevem de forma exaustiva todas as possibilidades de creditamento. Fosse para atingir todos os gastos essenciais à obtenção da receita, não necessitariam ter sido elaborados desta forma, bastava um único artigo ou inciso. Não haveria necessidade de ter descido a tantos detalhes. No presente caso, é incontroverso que as referidas despesas são necessárias para a atividade econômica do contribuinte. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que os gastos com aqueles bens e serviços estão vinculados às atividades econômicas do contribuinte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda e na prestação de serviços. Portanto, considerando esse conceito de que os insumos devem ser utilizados diretamente na fabricação do produto destinado a venda, passemos à análise de cada item objeto do recurso especial. 1) Despesas com empilhadeiras (combustíveis e peças de manutenção) Nesse ponto só vou justificar as razões porque acompanhei a relatora pela possibilidade de tal creditamento. Verificase pelo relatório fiscal que essas empilhadeiras são usadas dentro do processo fabril de beneficiamento das maças, produto final do contribuinte. Ou seja, os combustíveis e as peças de manutenção, não ativáveis, são consumidas diretamente no processamento das maças, que são efetivamente os produtos destinados à venda. 2) Combustíveis e lubrificantes Na análise do direito ao crédito efetuada pela autoridade fiscal, foi negado o crédito nas aquisições de combustíveis não utilizados diretamente no processo produtivo. De acordo com a fiscalização a maior parte dos créditos pleiteados eram referentes a combustíveis e lubrificantes utilizados em tratores agrícolas. Em seu recurso voluntário, o contribuinte sustenta que o processo produtivo de maçãs é amplo e iniciase desde o cultivo da terra. Ou seja, um retorno ao conceito de essencialidade, não em relação à sua atividade produtiva direta, mas em relação à sua atividade econômica como um todo. Inclusive, como esclarecido no relatório da fiscalização, boa parte desses combustíveis eram levados ao ativo imobilizado pela própria empresa, em razão da vida útil dos pomares. Porém, como já frizado, as leis da não cumultatividade não trazem essa ampliação toda como pretende o contribuinte e como entende a ilustre relatora do presente voto. Como abordo no item seguinte, não há possibilidade legal do aproveitamento de créditos de insumos de insumos. 3) Bens Diversos Nessa rubrica, o acórdão recorrido negou o creditamento de vários itens e concedeu o crédito sobre alguns itens com a seguinte justificativa: Por sua vez, tomando por vista que a Interessada também é produtora de queijo e derivados do leite, e portanto necessita de todo um cuidado quanto ao gado, para que o produto comercializado e fornecido ao consumidor final seja de boa qualidade, despesas com materiais de limpeza e higienização, cerca para rebanhos e manutenção de laboratório dado seu contato direto com o produto e participação efetiva no processo produtivo devem ser aproveitadas pela empresa. Fl. 320DF CARF MF Processo nº 11020.720509/200905 Acórdão n.º 9303007.313 CSRFT3 Fl. 14 13 Não concordo com essa assertiva e não vejo que são insumos, da forma como genericamente descritos, utilizados no processo industrial do produto destinado a venda. O fato, por si só, de que ele tenha a atividade de produção de queijo e leite, significa concluir o seu uso diretamente em sua fase industrial. Notoriamente a cerca para rebanhos, além de não ser insumo, pois provavelmente deve ser um item do ativo imobilizado, jamais teria alguma utilidade direta na fabricação de queijo e leite. Da mesma forma, há que ser comprovado que as despesas com limpeza e higienização não se referem à fase pré industrial. Em que momento foram aplicadas essas despesas. Manutenção de laboratório, também é um termo muito genérico para ser acatado como despesas aplicadas no processo industrial. Importante relembrar que a legislação não prevê possibilidade de creditamento de insumos de insumos e esse colegiado tem tido o entendimento de que não é possível o creditamento de insumos utilizados na fase agrícola, ou préindustrial. 4) Materiais utilizados para embalagens de transporte Tomo da transcrição de trecho do voto da decisão recorrida, sobre que elementos está se discutindo tal creditamento. Constam na glosa itens como Cantoneiras – utilizadas para evitar o amassamento das caixas de papelão pelas amarras durante o transporte do produto; Pallets e seus acessórios – pregos e etiquetas – utilizados para o empilhamento de caixas para armazenamento e transporte; Fitas/Amarras – usadas para amarrar as caixas de papelão sobre os pallets. Observe que são todos itens utilizados após o encerramento do processo produtivo. São utilizados para acondicionamento de transporte da produção. Não discordo da conclusão do acórdão recorrido de que o uso da embalagem é essencial para a preservação das características dos seus produtos, durante o transporte até os pontos de venda. Penso inclusive, que em maior ou menor grau, a depender do produto final, esta é a finalidade mesmo da embalagem de transporte. Mas o legislador restringiu a possibilidade de creditamento do PIS e da Cofins aos insumos utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Portanto após o encerramento do processo produtivo não é possível tal creditamento, a não ser nas hipóteses expressamente previstas na legislação, a exemplo do aproveitamento do crédito do frete na operação de venda (situação excepcionada expressamente pela Lei) ou alguém seria capaz de dizer que o frete na operação de venda, suportado pelo contribuinte, não é um item essencial à sua atividade econômica. Se bastasse isso não seria necessária a excepcionadade constante da Lei. 5) Serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores. Pela característica dos bens, evidente que sua utilização é feita na etapa pré industrial. Na manutenção das lavouras que faz parte da etapa agrícola, em relação aos quais nego provimento pelas mesmas razões do item 3, supra analisado. 6) Conservação de sêmen, manutenção de laboratório e ordenhadeiras, bem como medicamentos e fertilizantes Em relação aos itens medicamentos e fertilizantes manifesto minha concordância com o voto da ilustre relatora que neste ponto proveu o recurso especial da Fazenda Nacional. Em relação aos demais confirmo o entendimento do colegiado de que sobre tais itens não há previsão legal para autorizar o creditamento, por fugirem do conceito legal de insumos estabelecido pela legislação de regência. Como dito nos itens 3 e 5 anteriores, tratamse de despesas relevantes para atividade econômica do contribuinte, porém aplicadas nas fases antecendentes ao processo produtivo propriamente dito. Fl. 321DF CARF MF Processo nº 11020.720509/200905 Acórdão n.º 9303007.313 CSRFT3 Fl. 15 14 Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para reestabelecer as glosas de crédito em relação aos seguintes itens: (i) bens diversos, (ii) combustíveis e lubrificantes (iii) embalagem de transporte, (iv) serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores e (v) conservação de sêmen, manutenção de laboratório e ordenhadeiras, bem como medicamentos e fertilizantes." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento parcial, para reestabelecer as glosas de crédito em relação aos seguintes itens: (i) bens diversos, (ii) combustíveis e lubrificantes (iii) embalagem de transporte, (iv) serviços de manutenção de máquinas, tratores, retroescavadeiras e pulverizadores e (v) conservação de sêmen, manutenção de laboratório e ordenhadeiras, bem como medicamentos e fertilizantes. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 322DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13433.720273/2011-97
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/1999 a 30/06/1999
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO VÁLIDA. VÍCIO MATERIAL.
Nos termos do art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.325/1972, há de ser reconhecida a nulidade de despacho decisório, por vício material, quando carente de fundamentação válida, visto que acarreta o cerceamento do direito de defesa do contribuinte.
Numero da decisão: 3002-000.306
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar suscitada e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para decretar a nulidade do despacho decisório proferido, por vício material, bem como de todos os atos subseqüentes.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar suscitada e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para decretar a nulidade do despacho decisório proferido, por vício material, bem como de todos os atos subseqüentes. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
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NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO VÁLIDA. VÍCIO MATERIAL. Nos termos do art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.325/1972, há de ser reconhecida a nulidade de despacho decisório, por vício material, quando carente de fundamentação válida, visto que acarreta o cerceamento do direito de defesa do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar suscitada e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para decretar a nulidade do despacho decisório proferido, por vício material, bem como de todos os atos subseqüentes. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 3. 72 02 73 /2 01 1- 97 Fl. 123DF CARF MF 2 Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fl. 80/82 dos autos: Tratase o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório NURAC nº 064/2011, de 17 de fevereiro de 2011, da DRF/Mossoró, fls. 7/11, que decidiu pela não homologação da Declaração de Compensação 17613.02837.131006.1.3.016191. Do Despacho Decisório, extraímos os excertos abaixo: “Em análise neste processo perdcomp 17613.02837.131006.1.3.01 6191, que compensa débito de PIS de setembro/2006 com crédito presumido de IPI de que trata a Lei n° 9.363/96, do 2º trimestre/1999, tratado no processo 13433.000735/200265” “Assim, na determinação do percentual a ser aplicado sobre o total de aquisições de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem, considerando o mandamento contido no § 1º do art. 17 da IN 419/04, teremos confirmado valor zero de receita de exportações no período e, consequentemente, ausência de crédito presumido de IPI” Conclusão “Com base na legislação acima citada, consulta aos sistemas da RFB, considerandose que o crédito objeto do pedido de compensação já havia sido indeferido dentro do processo 13433.000735/200265, considerandose a ausência de receitas de exportação da Cinsal no período, tendose em vista que a Cinsal produz sal, produto não tributado pelo IPI (NT) e com a competência dada pelo art. 96 da IN RFB n° 900/2008 e pela Portaria DRFMossoró n° 19 de 04 de maio de 2009, decido pela NÃOHOMOLOGAÇÃO do perdcomp n° 17613.02837.131006.1.3.016191” (grifo no original) Cientificada, em 17 de março de 2011, AR fl. 13, a interessada interpôs a manifestação de inconformidade em 08 de abril de 2011, fls. 15/27, onde, em síntese, consta: “Em 29/10/2002, a Requerente efetivou o "PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE IPI", perante à Secretaria da Receita Federal do Brasil SRFB o qual gerou o processo Administrativo sob n° 13433.000735/200265, sendo a origem do Crédito. CRÉDITOS RELATIVO A AQUISIÇÃO DE INSUMOS UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE BENS SUJEITO A ALÍQUOTA "0" (ZERO) Art. 11 da Lei 9.779/99 acumulados até 31 de dezembro de 2001 no valor total de R$ 274.717,52” (grifo no original) “...ficou esperando sua Homologação por parte da Autoridade Fiscal competente, para dar inicio as compensações com impostos vincendos, e a referida Autoridade até hoje, ainda não se pronunciou sobre o processo do Pedido de Ressarcimento” “Em 13 de outubro de 2006, a Requerente transmitiu à Secretaria da Receita Federal do Brasil SRFB o PER/DCOMP n° 17613.02837.131006.1.3.016191, por meio do qual demonstrou a compensação de PIS referente a competência 09/2006 no valor de R$ 11.758,02, sendo a origem do crédito informado neste PER/DCOMP, processo Administrativo sob n° 13433.000735/200265” “Assim, a Requerente com base no Art. 11 da Lei n° 9779/99, apresentou em 29/10/2002 o seu Pedido de Ressarcimento” (grifo no original) “Na hipótese de omissão do fisco em homologar expressamente a atividade exercida pelo sujeito passivo, uma vez decorrido o prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, ressalvadas as hipóteses de dolo, fraude ou simulação” Por fim, requer: Fl. 124DF CARF MF Processo nº 13433.720273/201197 Acórdão n.º 3002000.306 S3C0T2 Fl. 124 3 “Face de todo o exposto, requer que o despacho decisório proferido nos presentes autos seja reformado, pelas razões de fato e de mérito apresentadas, no sentido de que seja reconhecido direito da Requerente de compensar o saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado, uma vez, já foi decorrido o prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, considerandose homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, ressalvadas as hipóteses de dolo, fraude ou simulação. E, por via de conseqüência, que sejam homologadas as compensações realizadas por meio das PER/DCOMP n° 17613.02837.131006.1.3.016191. Protesta outrossim, provar o aqui alegando por todos os meios de prova admitidos, notadamente pela posterior juntada de documentos que se fizerem necessários” Diante de inconsistências apontadas na Resolução de fls. 163/166, a Turma decidiu remeter o presente processo para diligência, nos seguintes termos: a) ANEXAR cópia do despacho decisório proferido no processo 13433.000735/200265. b) IDENTIFICAR a data da ciência do despacho decisório proferido no processo 13433.000735/200265. Em atendimento, a Unidade de origem emitiu a Informação Fiscal NURAC nº 009/2014, fls. 55/56, onde apresenta os devidos esclarecimentos e extraímos os seguintes excertos: 2 O referido processo trata do pedido inicial do contribuinte (formulado em meio papel), para o qual NÃO foi emitido despacho decisório, apesar de haver referência ao mesmo no despacho decisório que não homologou as DCOMPs. Verificamos, pois, a ocorrência de erro formal. 3 Verificamos que a não homologação das DCOMPs foi apreciada nos respectivos pedidos e os motivos/fundamentação constam dos referidos despachos decisórios proferidos em cada uma delas; 4 Os motivos da não HOMOLOGAÇÃO foram a) Ausência de Receitas de Exportação nos períodos solicitados e b) o produto produzido pela empresa ser NÃO TRIBUTADO (Sal marinho), com as fundamentações correspondentes. Concluímos, pois, que o contribuinte teve condições plenas de exercer seu direito de defesa. 5 Cumpre esclarecer que, ao transmitir suas DCOMPs em 2006 (apesar do pedido de ressarcimento ter sido protocolado em 2002), as mesmas já eram apresentadas de forma ELETRÔNICA, por isso a existência de vários processos (cujo controle se dá por trimestre de apuração, conforme a origem do crédito solicitado), servindo o processo 13433.000735/200265 (apresentado em papel) apenas para demonstrar que o crédito solicitado fora realizado dentro do prazo previsto para tanto. Cientificada em 02 de setembro de 2014, fl. 59, a interessada apresentou os seguintes argumentos: a) O Pedido do Ressarcimento do saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestre calendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado, foi feito com base no art. 11 da Lei 9.779/66 foi efetivado em 29/10/2002; Fl. 125DF CARF MF 4 b) Enquanto no Despacho Decisório, em 2011, (quando já fazia mais de 8 (oito) anos do pedido) foi direcionado a pedidos de Ressarcimento de Credito Presumido do IPI de que trata a Lei n° 9.363/96. O que não foi o caso do Pedido da Requerente, que efetivou o Pedido de Ressarcimento com base Art. 11 da Lei 9.779/99 acumulados até 31 de dezembro de 2001 c) Por outro lado, tornase inacreditável, quando em seu parecer o Auditor Fiscal afirma que deixou de homologar a PER/DCOMP, além dos motivos expostos, já existir indeferimento no Processo Administrativo 13433000735/200265; d) Ora Senhores Julgadores, compulsandose os Autos do Processos de Pedido de Ressarcimento dos Créditos sob n° 134333000735/200265, onde se está a origem dos Créditos, constase que até hoje a Requerente ainda não foi intimada ou notificado sobre qualquer movimentação no referido processo, considerando o silencio, como forma de "HOMOLOGAÇÃO TÁCITA' por parte da RFB. Isto porque, na hipótese de omissão do fisco em homologar expressamente a atividade exercida pelo sujeito passivo, uma vez decorrido o prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, ressalvadas as hipóteses de dolo, fraude ou simulação. (grifos no original) Sendo posteriormente o processo devolvido para julgamento. Com a manifestação de inconformidade, o contribuinte juntou: i) PERDCOMP; ii) despacho decisório; iii) atos constitutivos e de representação da empresa; iv) pedido de ressarcimento. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/1999 a 30/06/1999 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Incabível se falar em homologação, pois o prazo a que se refere a interessada é determinado para análise da compensação declarada e não para análise de pedido de ressarcimento. ART. 11 DA LEI Nº 9.779/1999. RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. PRODUTO “NT”. IMPOSSIBILIDADE. Os créditos do IPI decorrentes da aquisição de insumos tributados aplicados na industrialização de produto classificado na TIPI como “NT” (nãotributado) não participam da apuração do saldo credor trimestral para efeito do ressarcimento/compensação de que trata o art. 11 da Lei nº 9.779/99. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em seus fundamentos, o acórdão (fls. 79/85) consignou, a respeito da alegada homologação tácita do pedido de ressarcimento feito em 2002, não assistir razão ao contribuinte. Com base no artigo 74, § 5º, da Lei 9.430/96, afirmou que o prazo de cinco anos se destina à análise da compensação declarada, e não ao pedido de ressarcimento, inexistindo prazo para verificação da legitimidade do crédito pleiteado. Afirmou que o contribuinte tomou ciência da decisão acerca da DCOMP dentro do referido prazo. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13433.720273/201197 Acórdão n.º 3002000.306 S3C0T2 Fl. 125 5 Em relação à análise da existência do crédito de IPI por parte da autoridade administrativa, afirmou, inicialmente, não ter havido prejuízo ao contribuinte, seja pela ausência da análise no processo nº 13433.000735/200265, seja pela alegação de ter o despacho decisório se lastreado em fundamento legal diverso do solicitado. Os fundamentos para o entendimento foram: i) a análise do crédito foi feita em conjunto com a análise da DCOMP, não havendo impedimento legal para tanto; ii) o direito de defesa contra esta decisão foi garantido através da devida fundamentação legal exposta, e da apresentação da manifestação de inconformidade pelo contribuinte, ora sob análise. Sobre os motivos do indeferimento do crédito, afirma ter restado claro que inexiste direito ao aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos aplicados na geração de produtos não tributados, com base na IN SRF nº 33 de 1999, no Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF nº 5 de 17/04/06 e na Súmula nº 13 do Segundo Conselho de Contribuintes, sendo este o caso do contribuinte. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 09/12/14 (vide AR à fl. 90 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 06/01/15, Recurso Voluntário (fls. 93/119). Em seu recurso, o recorrente arguiu: i) que nada foi informado em relação às providências no processo nº 13433.000735/200265, nem tomou conhecimento de nenhum despacho decisório a respeito; ii) que o relator teria entendido, equivocadamente, ter o despacho decisório do referido processo sido efetuado conjuntamente com o da DCOMP; iii) que a primeira instância deveria ter decidido acerca dos fundamentos do despacho decisório para a não homologação, mas a DRJ apresentou um novo despacho decisório no processo de homologação. Pediu, ao final, a reforma do acórdão para obter o reconhecimento do crédito oriundo do processo nº 13433.000735/200265 e, por consequência, a anulação do despacho decisório que negou a homologação da compensação, com a extinção do débito de PIS de 09/2006. Nesta oportunidade, juntou aos autos os documentos de constituição e representação da empresa, cópia do acórdão e DARF. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 1. Da nulidade material do despacho decisório proferido pela DRJ por vício de motivação. De início, este Colegiado precisa se debruçar sobre um fundamento preliminar trazido aos autos pelo contribuinte desde a sua manifestação de inconformidade, qual seja, os Fl. 127DF CARF MF 6 vícios constantes do despacho decisório. O contribuinte se insurgiu quanto ao teor do despacho decisório, alegando, resumidamente: (i) que o pedido de ressarcimento fora realizado com fundamento no art. 11 da Lei nº 9.779/1999, ao passo que o relatório e as fundamentações legais do parecer nº 63/2011 teriam sido elaborados com base no crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/1996; (ii) o parecer afirma que teria deixado de homologar a compensação, visto que o crédito já havia sido indeferido anteriormente no processo nº 13433.000735/2002 65, ao passo que o contribuinte não tinha conhecimento de nenhuma decisão proferida naqueles autos. Ao analisar o conteúdo do despacho decisório, é possível confirmar a presença dos vícios indicados pelo contribuinte. Constou do despacho decisório, de forma expressa, tanto o embasamento legal disposto na Lei nº 9.363/1996, quanto a informação de que o direito creditório já teria sido indeferido dentro do processo nº 13433.000735/200265. É o que se infere das passagens a seguir transcritas: “DISPOSITIVOS LEGAIS: (...) Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996; I PEDIDO Em análise neste processo perdcomp 17613.02837.131006.1.3.016191, que compensa débito de PIS de setembro/2006 com crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, do 2º trimestre/1999, tratado no processo 13433.000735/200265. II RELATÓRIO A CINSAL Com. e Ind. de Moagem e Refinação Santa Cecília Ltda transmitiu, em 13/10/2006, perdcomp nº 17613.02837.131006.1.3.016191 (folhas 02 a 05), baixado para tratamento manual neste processo. Este perdcomp informa como crédito ressarcimento de IPI já indeferido no processo administrativo 13433.000735/2002 65. (...). A lei nº 9.363/96 institui o crédito presumido de IPI para ressarcimento de PIS/Cofins incidente sobre a aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem empregados em produtos exportados. Em seu art. 2º esta lei determina como é calculado o crédito presumido. (...). III FUNDAMENTOS LEGAIS (...). A Lei 9.363, de 13/12/96 criou o crédito presumido de IPI sobre PIS e Cofins incidentes sobre matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem que compõem produto exportado: (...) A Lei 9.779, de 19/01/99, em seu art. 11 previu a possibilidade de compensação do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME: (...). (...). IV CONCLUSÃO Com base na legislação acima citada, consulta aos sistemas da RFB, considerandose que o crédito objeto do pedido de compensação já havia sido indeferido dentro do Fl. 128DF CARF MF Processo nº 13433.720273/201197 Acórdão n.º 3002000.306 S3C0T2 Fl. 126 7 processo 13433.000735/200265, considerandose a ausência de receitas de exportação da Cinsal no período, tendose em vista que a Cinsal produz sal, produto não tributado pelo IPI (NT) e com a competência dada pelo art. 96 da IN RFB n° 900/2008 e pela Portaria DRFMossoró n° 19 de 04 de maio de 2009, decido pela NÃO HOMOLOGAÇÃO do perdcomp n° 17613.02837.131006.1.3.016191” Quanto ao primeiro vício apontado, verificase que, de fato, embora o crédito objeto do processo nº 13433.000735/200265 estivesse relacionado ao disposto no art. 11 da Lei nº 9.779/1999, todas as passagens do despacho decisório em que se analisava o caso concreto em testilha indicavam a Lei nº 9.363/1996 como fundamento legal do indeferimento do pedido de compensação. Quando mencionou a Lei nº 9.779/1999, fêlo o despacho decisório de forma genérica, sem precisar eventual relação existente entre aquela norma e o caso concreto ali analisado. De outro norte, especificamente quanto ao segundo vício apontado pelo contribuinte, após a realização da diligência realizada por determinação da Resolução nº 357 de 08 de julho de 2014 (vide fls. 49 a 52 dos autos), restou esclarecido que o crédito em questão não chegou a ser indeferido no processo nº 13433.000735/200265. É o que se verificar da passagem a seguir: 1 – Tratase de Impugnação ao despacho decisório que não homologou a Declaração de Compensação apresentada pelo contribuinte, cuja resolução da DRJ Belém foi no sentido de se fazer juntar o despacho decisório proferido no processo administrativo n.º 13433.000739/200265. 2 – O referido processo trata do pedido inicial do contribuinte (formulado em meio papel), para o qual NÃO foi emitido despacho decisório, apesar de haver referência ao mesmo no despacho decisório que não homologou as DCOMPs. Verificamos, pois, a ocorrência de erro formal. Resta incontroverso nos presentes autos, portanto, que a informação constante do despacho decisório de que o direito creditório já havia sido indeferido no processo nº 13433.000735/200265 é inverídica. Sendo assim, há de se analisar, então, se os constatados vícios constantes do despacho decisório foram capazes de prejudicar o direito de defesa do contribuinte, para que possa ser considerado nulo, nos termos do que preconiza o art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972. Ao analisar o assunto, a DRJ entendeu que não, com base nos seguintes fundamentos: Argumenta a impugnante que no Despacho Decisório NURAC nº 064/2011 foi direcionado com base na Lei 9.363/96 e não como solicitado no Pedido de Ressarcimento, ou seja, fundamentado no art. 11 da Lei 9.779/99. Alega ainda, que não foi analisado o direito creditório do processo 13433.000735/200265. Não assiste razão a impugnante. O despacho decisório, como ato administrativo que é, pode, por deixar de conter os elementos formais a que a lei obriga, conter vícios ou defeitos. Nesta hipótese, a possibilidade de superar o vício existente é limitada pelo fato de o mesmo haver ou não prejudicado, de alguma forma, algum dos direitos do administrado, em especial o da ampla defesa. Fl. 129DF CARF MF 8 No presente caso, em que pese à autoridade administrativa ter informado no Despacho Decisório combatido que o processo 13433.000735/200265 já havia sido indeferido, foi sanada esta deficiência com Informação Fiscal NURAC nº 009/2014. A análise do direito creditório foi efetuada juntamente com a análise das Declarações de Compensação. Não há na legislação vigente impedimento a este procedimento administrativo. Após o indeferimento do direito creditório e da não homologação da compensação foi facultado, ao sujeito passivo, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência da decisão, apresentar manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do direito creditório ou a nãohomologação da compensação com a conseqüente aplicação do rito que rege o Processo Administrativo Fiscal, manifestação esta que se encontra em julgamento. Quanto à motivação do indeferimento, a descrição de fatos do Despacho Decisório NURAC nº 064/2011, não deixa dúvidas: “A CINSAL produz e comercializa sal marinho classificado na TIPI (tabela de incidência do IPI) com NCM 2501.00.11, como não tributado pelo IPI (NT)” A motivação foi novamente repisada na Informação Fiscal NURAC 009/2014: “o produto produzido pela empresa ser NÃO TRIBUTADO (Sal marinho), com as fundamentações correspondentes” Muito embora nos fundamentos legais e no relatório do Despacho Decisório NURAC nº 064/2011 tenha sido citada a Lei 9.363/96, consta no citado Despacho Decisório, a fundamentação legal para a denegação, qual seja, o art. 11 da Lei nº 9.779/99, sendo que mais que suficiente para motivar o ato, portanto, se a fundamentação legal é suficiente para o indeferimento do crédito, não resta configurado o cerceamento à defesa. Discordo da fundamentação trazida aos autos pela DRJ quanto ao presente ponto. Isso porque, entendo que a fundamentação equivocada constante do despacho decisório cerceou o direito de defesa do contribuinte no caso concreto aqui analisado, impondose, por consequência, o reconhecimento da sua nulidade nos moldes do que preconiza o art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972. Como é cediço, a motivação é requisito essencial à validade de ato administrativo. Sobre o assunto, trazse à colação ensinamento do Conselheiro Diego Diniz Ribeiro sobre a necessidade de motivação do ato administrativo: " Assim, quando se fala em motivação do ato administrativo, o que se tem é uma garantia do administrado e, em contrapartida, um dever do agente público, dever esse que consiste em (i) delimitar a circunstância fática para o qual o ato administrativo se dirige; (ii) identificar, com precisão, os fundamentos jurídicos que fundamentam o ato administrativo, e, ainda (iii) concatenar, de forma explícita, clara e congruente a relação entre o fato e o fundamento jurídico que subsidia o ato administrativo. Neste mesmo diapasão são as lições do professor Celso Antônio Bandeira de Mello: Dito princípio implica para a Administração o dever de justificar seus atos, apontandolhes os fundamentos de direito e de fato, Fl. 130DF CARF MF Processo nº 13433.720273/201197 Acórdão n.º 3002000.306 S3C0T2 Fl. 127 9 assim como a correlação lógica entre os eventos e situações que deu por existentes e a providência tomada, nos casos em que este último aclaramento seja necessário para aferirse a consonância da conduta administrativa com a lei que lhe serviu de arrimo. Dar este tratamento à motivação do ato administrativo, em última análise, significa promover uma identificação das ações da Administração Pública sob o prisma de que o Direito Pública precisa ser, antes de tudo, o Direito nãoautoritário, dialógico e, concomitantemente, promotor da concretização (mais homogênea possível) do núcleo essencial dos direitos fundamentais, acima e além de interpretativismos estritos12". Acontece que, no caso vertente, a motivação do despacho decisório demonstrou se inverídica (quanto à fundamentação de que o crédito já teria sido indeferido no Processo nº 13433.000735/200265), e em completa dissonância com a situação fática analisada nos presentes autos (quanto à fundamentação pautada na Lei nº 9.363/1996), tornando tal ato, portanto, nulo de pleno direito. Apesar do esforço da DRJ em fazer valer a parte dispositiva da decisão ali apresentada, restou incontroverso nos autos a existência de graves vícios na fundamentação constante do despacho decisório, que, no meu entender, não poderiam ser convalidados tão somente por meio da diligência realizada nos autos em decorrência de resolução em que se pede o esclarecimento de fatos indicados no despacho decisório. Até porque, é importante observar que esta diligência tratou apenas da inexistência de despacho decisório no Processo nº 13433.000735/200265, não tendo se pronunciado sobre a errônea fundamentação legal inserta no despacho decisório. Ademais, é importante observar que toda a fundamentação apresentada no despacho decisório para fins de indeferir o pedido de compensação tomou por base o crédito presumido disposto na Lei nº 9.363/1996, e não o crédito base disposto na Lei nº 9.779/1999. O fato de ter mencionado, em determinado momento do despacho decisório, a existência da Lei nº 9.779/1999, sem que tenha indicado qualquer relação da referida norma com o caso concreto analisado, não possui o condão de corrigir a falha na fundamentação ali apresentada. De outro norte, o fato de o despacho decisório ter mencionado que a Recorrente produz e comercializa sal marinho classificado na TIPI como não tributado pelo IPI (NT), em nada supre a falha da fundamentação ali inserida, visto que, em ambos os casos (Lei nº 9.363/1996 e Lei nº 9.779/1999), estáse diante situações que envolvem produto "NT", diferenciandose apenas pela correspondência ao crédito presumido ou ao crédito básico, respectivamente. Em verdade, não se sabe, até o presente momento, quais as razões que levaram a unidade de origem a indeferir o pedido de compensação apresentado, o que não poderia ser corrigido somente em sede de julgamento perante a DRJ, sob pena de se admitir mudança de critério jurídico, inaceitável no trâmite administrativo. Nesse contexto, a despeito de a matéria de mérito objeto da presente contenda ser objeto da súmula nº 20 do CARF, que trata de crédito básico de IPI na aquisição de insumos aplicados em produtos NT, entendo que não há como, nesta oportunidade, se convalidar ato administrativo viciado em sua motivação. Fl. 131DF CARF MF 10 Sendo assim, ao contrário do que entendeu a DRJ, entendo que os vícios em questão não representam meros vícios formais, mas sim vícios materiais, que invalidam o ato administrativo praticado, e cuja nulidade há de ser reconhecida pela Administração Pública, inclusive de ofício, em observância ao princípio da autotutela administrativa. Nesse sentido, não é demais trazer à tona o teor das súmulas do STF sobre o tema, que assim dispõem: Súmula 346 A Administração Pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos. Súmula 473 A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. Por entender que a indicação equivocada da fundamentação legal realizada no presente caso, somada à inexistência de julgamento anterior no processo nº 13433.000735/200265, prejudicaram a compreensão da matéria sob análise, em nítido cerceamento do direito de defesa do contribuinte, não vejo alternativa a este Colegiado senão decretar a nulidade do despacho decisório proferido, por vício material, bem como de todos os atos subsequentes. 2. Da conclusão Voto, portanto, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, para fins de, acatando a preliminar suscitada, decretar a nulidade do despacho decisório proferido no presente caso, por vício material. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 132DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11543.720322/2012-08
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA.
Será efetuado lançamento de ofício no caso de omissão de rendimentos tributáveis percebidos pelo contribuinte e omitidos na declaração de ajuste anual.
Numero da decisão: 2002-000.304
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Será efetuado lançamento de ofício no caso de omissão de rendimentos tributáveis percebidos pelo contribuinte e omitidos na declaração de ajuste anual.
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Será efetuado lançamento de ofício no caso de omissão de rendimentos tributáveis percebidos pelo contribuinte e omitidos na declaração de ajuste anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 72 03 22 /2 01 2- 08 Fl. 105DF CARF MF Processo nº 11543.720322/201208 Acórdão n.º 2002000.304 S2C0T2 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário (fls.83/84) contra decisão de primeira instância (fls.66/70), que julgou pela improcedência da impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: Contra o contribuinte acima identificado foi emitida notificação de lançamento (fls. 04 a 07) relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, Exercício 2011 – Ano calendário 2010, na qual é exigido crédito tributário, no valor de R$ 9.974,55, a título de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, multa de ofício e acréscimos legais, cujo fundamento legal está especificado nas fls. 05 e 06. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal da Notificação de Lançamento foi apurada Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, sujeitos a tabela progressiva, no valor de R$ 20.224,68 recebido pelo titular da fonte pagadora Cretovale – Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo dos Trabalhadores da Vale – CNPJ 28.145.589/000135. Na apuração do imposto devido não foi compensado IRRF sobre o rendimento omitido. O contribuinte teve ciência da Notificação de Lançamento em 21/06/2012, houve apresentação de SRL cujo indeferimento (fl. 0 8) lhe foi cientificado em 22/08/2012. O contribuinte apresentou, em 06/09/2012, impugnação (fl. 02), alegando, basicamente, que: reafirma as justificativas apresentadas em SRLs e impugnação referente a outros processos administrativos, solicitando a isenção fiscal e o ressarcimento de impostos recolhidos desde junho/2000; a função de diretor da Cretovale tem caráter altruístico e nas atas das AGOs de 2008 a 2011 os associados aprovaram remuneração “livre de impostos”; “com base em todo exposto, nestas e nas outras provas já apresentadas e com base na Constituição Federal Brasileira, na Lei 7.713/88, seus regulamentos, jurisprudências, alcances circunstanciais e demais amparos que levem ao estorno dos lançamentos ora impugnados e à minha isenção de IR Pessoa Física, solicito a impugnação dos autos de infração em meu nome na Receita Federa l do Brasil”; solicita, ainda, que os efeitos da isenção sejam retroativos a junho de 2000, mês da cirurgia de sua esposa, que seja calculado e devolvidas todas as contribuições feitas ao fisco desde então, inclusive o ônus advindo de outro auto de infração não contestado e que foi quitado em 60 meses. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU REFORMA. ISENÇÃO. São isentos de tributação os rendimentos relativos a aposentadoria, reforma ou pensão, recebidos por portador de doença grave devidamente Fl. 106DF CARF MF Processo nº 11543.720322/201208 Acórdão n.º 2002000.304 S2C0T2 Fl. 4 3 comprovada em laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados e do Distrito Federal. IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÕES SEM PROVA. A impugnação deve ser instruída com os elementos de prova que fundamentem os argumentos de defesa. São inadmissíveis no processo meras alegações desacompanhadas de provas que as justifiquem. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Será efetuado lançamento de ofício no caso de omissão de rendimentos tributáveis percebidos pelo contribuinte e omitidos na declaração de ajuste anual. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação e juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi notificado em 31/05/2017 (fl.80); Recurso Voluntário protocolado dia 20/06/2017 (fl.83), assinado pelo próprio contribuinte. Diz o recorrente, em sua peça de resistência, que a Constituição Federal, protege os cidadãos e cidadãs dos efeitos tributários injustos e acima de suas possibilidades financeiras. Neste aspecto o recorrente apenas faz alegações, pois não existe nenhum fundamento pontual no seu discurso. Requer a isenção fiscal, tendo em vista que sua esposa é sua dependente sem renda própria, acometida de doença grave. Aqui também não assiste razão ao recorrente, pois a legislação em vigor não ampara infelizmente, o pleito do recorrente. Diz o recorrente que sua atividade como cooperativista era de cunho altruísta. Não tem razão o contribuinte, em dizer que os valores que recebia eram isentos, pois era ajuda de custo. A isenção tributária é sempre decorrente de Lei e o recorrente, a teor do que lhe competia, não provou o seu direito. O recorrente lança razões preliminares, que confundemse com o mérito e com ele será analisado. No mérito, o recorrente além da impugnação lançada em preliminar, requer a improcedência da ação fiscal, porém não assiste razão ao recorrente, pelos argumentos já analisados. Mantenho. Isto posto e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e, no mérito, nego provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 107DF CARF MF Processo nº 11543.720322/201208 Acórdão n.º 2002000.304 S2C0T2 Fl. 5 4 Virgílio Cansino Gil Fl. 108DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.901271/2010-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO DE CRÉDITO/ DEPENDÊNCIA DE AUTUAÇÃO FISCAL JULGADA PROCEDENTE/ VINCULAÇÃO
É de se reconhecer a decisão proferida por Turma do CARF que aplicou a Súmula nº 20 para decidir pela procedência da autuação fiscal que glosou os créditos do IPI nas aquisições de insumos empregados na fabricação de produto NT na TIPI.
Não se homologa compensação, além do limite do crédito em despacho decisório, quando o credito pleiteado revelase indevido após auditoria fiscal em processo formalizado para sua verificação, uma vez que a procedência do auto de infração para cobrança das glosas dos créditos vincula o resultado do processo de declaração de compensação/ressarcimento
Numero da decisão: 3201-004.008
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em negar provimento ao Recurso Voluntário.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
Nome do relator: LAERCIO CRUZ ULIANA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO DE CRÉDITO/ DEPENDÊNCIA DE AUTUAÇÃO FISCAL JULGADA PROCEDENTE/ VINCULAÇÃO É de se reconhecer a decisão proferida por Turma do CARF que aplicou a Súmula nº 20 para decidir pela procedência da autuação fiscal que glosou os créditos do IPI nas aquisições de insumos empregados na fabricação de produto NT na TIPI. Não se homologa compensação, além do limite do crédito em despacho decisório, quando o credito pleiteado revelase indevido após auditoria fiscal em processo formalizado para sua verificação, uma vez que a procedência do auto de infração para cobrança das glosas dos créditos vincula o resultado do processo de declaração de compensação/ressarcimento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em negar provimento ao Recurso Voluntário. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente. LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente)
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Não se homologa compensação, além do limite do crédito em despacho decisório, quando o credito pleiteado revelase indevido após auditoria fiscal em processo formalizado para sua verificação, uma vez que a procedência do auto de infração para cobrança das glosas dos créditos vincula o resultado do processo de declaração de compensação/ressarcimento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade em negar provimento ao Recurso Voluntário. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. LAÉRCIO CRUZ ULIANA JUNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 12 71 /2 01 0- 72 Fl. 1890DF CARF MF 2 Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente) Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão proferido pela DRJ, que assim relatou o feito: (...)Em exame a Declaração de Compensação nº 07104.44174.130706.1.3.012008, transmitida em 13/07/2006, para a extinção de débitos do estabelecimento matriz, no valor de R$ 1.911.271,80, tendo por lastro crédito originário do saldo credor do IPI apurado no 2º trimestre de 2006, de igual valor, pelo estabelecimento filial detentor do crédito 33.069.766/000343, situado em São CristóvãoRJ, com fulcro no art. 11 da Lei nº 9.779/99 [fls. 04/144]. Apensado ao presente processo o de número 16682.901287/201085, referente ao processo de cobrança formalizado para controle do débito compensado [fl. 143 do referido processo]. Da verificação da legitimidade e materialidade do crédito resultou a Informação Fiscal de fls. 1488/1533, da qual se extrai, em síntese: 1. A matriz Companhia Brasileira de Petróleo Ipiranga, inscrita no CNPJ sob nº 33.069.766/000181, apresentou os Pedidos Eletrônicos de Restituição ou Ressarcimento e Declaração de Compensação – PerDcomp, abaixo discriminados [relativos aos trimestres 1º ao 4º do ano calendário 2006 – nota da Relatora], visando à compensação dos supostos saldos credores de IPI apurado em cada trimestre com débitos de sua responsabilidade...; [...]5. De acordo com documentos de procuração que acompanham a resposta à intimação nº 01, constatase que em 29/09/2009 houve a incorporação do contribuinte Companhia Brasileira de Petróleo Ipiranga, inscrito no CNPJ sob nº 33.069.766/000343, pela Ipiranga Produtos de Petróleo S/A, inscrita no CNPJ sob no 33.337.122/0001027; [...]MG JUIZ DE FORA DRJ Fl. 1701 Processo 16682.901271/201072 Acórdão n.º 0947.576 DRJ/JFA Fls. 1.702 3 11. Instada a indicar o estabelecimento sucessor, a teor do disposto no item 7 do Termo de Intimação nº 2, a IPIRANGA PRODUTOS DE PETRÓLEO S/A IPP, CNPJ nº 33.337.122/000127, informou na missiva de resposta, datada de 16/11/2010, na qualidade de incorporadora da CBPI, que “o estabelecimento sucessor do inscrito no CNPJ nº 33.069.766/000343, é o estabelecimento inscrito no CNPJ sob o nº 33.337.122/014187, com mesmo endereço do estabelecimento sucedido: Rua Monsenhor Manoel Gomes, 140 (parte), São Cristóvão, Rio de Janeiro/RJ” Na sequência, depois de historiar todo o procedimento da auditoria realizada, observou a Fl. 1891DF CARF MF Processo nº 16682.901271/201072 Acórdão n.º 3201004.008 S3C2T1 Fl. 615 3 Fiscalização que o Fiscalizado classificou a maioria dos seus óleos lubrificantes nos códigos TIPI 2710.19.31 – NT ou 2710.1932– NT, à exceção dos produtos AFS 12.500 (CFOP 5.924: saída para industrialização por encomenda), IPIGEL SINT 46 e IPIRANGA SP PREMIUM, enquadrados, respectivamente, nas posições da TIPI nº 3910.00.19 (alíquota de 5%), nº 2917.34.00 (alíquota nula) e nº 3403.99.00 (alíquota de 15%). Concluiu a Fiscalização pela existência de erro de classificação em relação aos produtos da linha “Ipiranga SP Premium” e “Ipivolt”, que culminaram na reclassificação fiscal dos mencionados produtos para os códigos 3902.20.00, alíquota de 5%, e 2710.19.93, alíquota de 8%, respectivamente, resultando na apuração de falta de lançamento de imposto na saída [cf itens 77 e 93, Planilha de Apuração IPI Produto Linha ... e, item 94, Total IPI Não Lançado], que foi, então, objeto de apuração para fins de reconstituição da escrita fiscal. Observou, ainda, a Fiscalização que “o fiscalizado aproveitou créditos de IPI relativos a aquisições para comercialização e relativos a aquisições de insumos utilizados em produtos classificados na TIPI como tributado e não tributado – NT” [item 102]. E destacou, na Informação Fiscal, item atinente às glosas decorrentes da aquisição de MP aplicadas em produtos NT: i) as regras gerais para apropriação de créditos do IPI; ii) os fundamentos jurídicos utilizados pelo fiscalizado para o creditamento do IPI [art. 155, §3º, da CF/88; art. 11 da Lei nº 9.779/99; art. 195 do RIPI/2002; art. 4º da IN 33/99; Soluções de Consultas Diversas, inclusive a DISIT/SRRF/7ª RF nº 248/2000]; iii) a impossibilidade de se caracterizar como imune objetivo o produto do fiscalizado [os óleos lubrificantes produzidos pela empresa sucedida não podem ser considerados derivados de petróleo para fins de imunidade constitucional por não se enquadrarem no conceito estabelecido no art. 18, §3º, do RIPI/2002 segundo o qual só se consideram derivados de petróleo as substâncias que decorrem do refino direto do petróleo, afastando, portanto, aquelas obtidas em fases subseqüentes, como os óleos lubrificantes obtidos a partir da adição de aditivos químicos ao óleo base] e, daí, a inaplicabilidade da Solução de Consulta nº 248/00 aos produtos saídos do fiscalizado com a notação NT. Partiuse, assim, a seguir, para a apuração da Glosa dos Créditos Indevidos [item 147], resultando nas planilhas elaboradas nos itens 171 e 172, para consolidação dos valores de créditos ressarcíveis e não ressarcíveis, respectivamente, glosados e mantidos, para todo o ano calendário de 2006. E prossegue a Autoridade Fiscal: 178. Do confronto entre os créditos e débitos escriturados com os débitos apurados resultou no “Demonstrativo de Reconstituição Fl. 1892DF CARF MF 4 da Escrita Fiscal”, em anexo, constatase a inexistência de saldo credor para todo o ano calendário 2006, conforme pode ser visto abaixo: MG JUIZ DE FORA DRJ Fl. 1702 Processo 16682.901271/201072 Acórdão n.º 0947.576 DRJ/JFA Fls. 1.703 4 Período de Saldo Credor Dados do Livro do IPI Débitos Saldo da Escrita Apuração Reconstituído Créditos Débitos Apurados Reconstituído do PA Anterior Escriturados Escriturados Ação Fiscal do PA Janeiro 0,00 628.823,02 36.798,65 626.860,55 34.836,18 D Fevereiro 0,00 529.556,98 29.823,62 530.884,08 31.150,72 D Março 0,00 816.002,19 55.867,54 834.626,27 74.491,62 D Abril 0,00 739.103,23 28.054,38 737.993,73 26.944,88 D Maio 0,00 660.921,08 41.275,12 661.086,76 41.440,80 D Junho 0,00 618.452,88 37.875,90 618.850,76 38.273,78 D Julho 0,00 460.448,84 41.215,01 478.430,33 59.196,50 D Agosto 0,00 737.953,35 42.065,71 735.333,37 39.445,73 D Setembro 0,00 606.441,30 41.384,70 619.712,59 54.655,99 D Outubro 0,00 602.762,98 33.058,37 602.467,67 32.763,06 D Novembro 0,00 627.743,51 44.653,83 625.045,95 41.956,27 D Dezembro 0,00 1.714.846,71 43.685,09 1.732.232,79 61.071,17 D 179. Tendo sido verificado a existência de saldos devedores para todo o ano calendário 2006, os pedidos de reconhecimento de crédito, constantes das PerDcomp, mencionadas no início deste Termo, devem ser integralmente indeferidos; E por fim concluiu: 180. Pelas razões elencadas nos capítulos anteriores, naquilo que interessa à PerDcomp nº 07104.44174.130706.1.3.012008, referente ao crédito apurado de IPI no 2º trimestre/2006, proponho o indeferimento total do pedido de compensação do débito de COFINS, relativo a junho de 2006, no valor de R$ 1.911.271,80, por inexistência integral de saldo credor de IPI para promoção deste tipo de extinção de crédito tributário. Acrescentese que os saldos devedores apurados da forma acima foram objeto do lançamento de ofício consubstanciado no auto de infração formalizado no processo nº 16682.720545/201113[cf. fl. 1534]. Tomando por base o resultado do procedimentos fiscal instaurado foi expedido o Despacho Decisório de fl. 1537, que NÃO RECONHECEU O DIREITO CREDITÓRIO e NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO declarada. Cientificada pessoalmente do Despacho Decisório e da Informação Fiscal correspondente em 30/06/2011 [fls. 1538 e 1584], manifestou a contribuinte a sua Inconformidade em 01/08/2011, por intermédio do arrazoado de fls. 1600/1617, no qual em síntese: 1inicialmente, sintetiza os fatos que originaram o presente litígio, nos seguintes termos: 1.1industrializa e comercializa combustíveis e derivados de petróleo, como óleos lubrificantes, imunes por força do art. 153, §3º, da CRFB/88; 1.2em virtude da resposta favorável obtida através da decisão nº SRRF/7ª RF/DISIT 248/2000 em consulta formulada através do processo nº MG JUIZ DE FORA DRJ Fl. 1703 Processo 16682.901271/201072 Acórdão n.º 0947.576 DRJ/JFA Fls. Fl. 1893DF CARF MF Processo nº 16682.901271/201072 Acórdão n.º 3201004.008 S3C2T1 Fl. 616 5 1.704 5 13710.001070/9970, lançou em sua escrita fiscal créditos do IPI originados da aquisição de insumos tributados utilizados na industrialização de tais produtos, a maioria óleos lubrificantes minerais, derivados de petróleo, imunes ao IPI, na forma do § 3º, do art. 155 da CF/88, resultando, daí, o acúmulo de saldos credores e a possibilidade da sua compensação com fundamento no art. 11 da Lei nº 9.779/99 e Lei nº 9.430/96; 1.3como a maioria dos produtos fabricados é de derivados de petróleo, e, consequentemente, imune à incidência do IPI, acumulou saldos credores passíveis de compensação, tendo, então, apresentado o PERDCOMP º 07104.44174.130706.1.3.012008, objeto de nãohomologação mediante despacho decisório que ora se contesta; 1.4segundo as autoridades fiscais o aproveitamento de créditos provenientes das aquisições de insumos tributados é vedado quando as saídas são nãotributadas ou imunes, ressalvados os casos de exportação; 2sintetiza as razões da improcedência do despacho decisório, nos seguintes pontos: i) a solução de consulta SRRF/7ª RF/DISIT nº 248, de 17/10/2000, garante o aproveitamento de créditos pretendido pela Requerente; ii) o fato de os produtos produzidos pela Impugnante estarem classificados na TIPI com a notação NT não significa que os mesmos não sejam industrializados; iii) não podem as autoridades fazendárias por mera interpretação restringir um benefício constitucionalmente e legalmente garantido. iv) o Ato Declaratório Interpretativo nº 5, de 17/04/2006, não pode retroagir os seus efeitos para compensações efetuadas anteriormente à sua publicação. 3a seguir passa a discorrer sobre a solução de consulta nº 248/2000 formulada a respeito da matéria e dos seus efeitos, mencionando, ainda, que a orientação contida na mesma foi ignorada; que os óleos lubrificantes que produz são derivados de petróleo e, portanto, imunes; que em nenhum momento foi citada da revogação da solução de consulta e portanto, nos termos do art. 48, §12, da Lei nº 9.430/96, está protegido de qualquer mudança de entendimento; 4acrescenta que, sendo derivados de petróleo [e portanto imunes] os produtos que industrializa não pode a autoridade fazendária não seguir o entendimento firmado na Solução de Consulta que permitiu o aproveitamento de créditos em relação aos produtos imunes; 5argumenta que o art. 4º da IN SRF nº 33/99 reconhece o direito de crédito do IPI na aquisição de insumos utilizados em produtos imunes; que o entendimento firmado na IN SRF nº 33/99 foi absorvido pelo §2º do art. 195 do RIPI/2002; que a interpretação aplicada pelas autoridades fazendárias é restritiva; que a limitação ao aproveitamento dos créditos de que se cuida amesquinha o princípio da não cumulatividade; MG JUIZ DE FORA DRJ Fl. 1704 Processo 16682.901271/201072 Acórdão n.º 0947.576 DRJ/JFA Fls. 1.705 6 6na seqüência, passa a defendente a tecer observações sobre o ADI SRF nº 5/2006, seus limites e irretroatividade; Ao Fl. 1894DF CARF MF 6 final pede a reforma integral do despacho decisório para homologação da DCOMP e cancelamento da cobrança. (...) Seguindo a marcha processual normal, irresignado com a r. decisão, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, querendo reforma, sob a seguinte argumentação: · Preliminarmente – inexistência de decadência parcial; cerceamento de defesa; · Mérito: possibilidade de usufruir os créditos; não poderia existir interpretação restritiva pelas Autoridades Fazendárias; inaplicabilidade da súmula 20/CARF; aplicação da NT aos produtos Recorrentes; aplicabilidade de consulta fiscal – SRRF/ 7ª. RF/DIST, no. 248/00; aplicação da decisão TRF 1ª. Região – 000632620.2014.4.01.0000/DF; É o relatório. Voto Conselheiro Relator Laércio Cruz Uliana Junior O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Em relação ao pedido preliminar para que se oportunize a ampla defesa, não merece prosperar tal pleito, uma vez, que foi oportunizado a ampla, ao mais, não foi demonstrado qual prejuízo sofreu ou qual produção de prova foi cerceada. Já em razão da decadência faço analise com o mérito, pois, o resultado é dependente da conclusão do Julgado. O Recorrente busca a compensação de crédito por meio de PER/DCOMP relativo ao IPI nas aquisições de insumo na fabricação de produtos NT na TIPI. Contudo, é de ressaltar que tal matéria já teve o assunto enfrentado por essa Turma com Relatoria do Conselheiro Paulo Roberto Moreira, vejamos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuracã̧o: 01/07/2009 a 31/07/2009 COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO DE CRÉDITO. DEPENDÊNCIA DE AUTUAÇÃO FISCAL JULGADA PROCEDENTE. VINCULAÇAÕ. É de se reconhecer a decisão proferida por Turma do CARF que aplicou a Súmula no 20 para decidir pela procedência da autuação fiscal que glosou os créditos do Fl. 1895DF CARF MF Processo nº 16682.901271/201072 Acórdão n.º 3201004.008 S3C2T1 Fl. 617 7 IPI nas aquisicõ̧es de insumos empregados na fabricação de produto NT na TIPI. Não se homologa compensação, além do limite do crédito reconhecido em despacho decisório, quando o credito pleiteado revelase indevido após auditoria fiscal em processo formalizado para sua verificação, uma vez que a procedência do auto de infração para cobrança das glosas dos créditos vincula o resultado do processo de declaração de compensacã̧o/ressarcimento. Recurso Voluntário Negado Direito crédito não reconhecido (J.25/04/17) Ainda em recentes julgados neste Conselho adotou o mesmo o mesmo posicionamento, vejamos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 NORMAS PROCESSUAIS. OBSERVÂNCIA DE SÚMULA. Nos termos do art. 72 do Regimento Interno do CARF, é obrigatória a observância pelos Conselheiros membros deste Órgão das Súmulas aprovadas pelo seu Pleno bem como daquelas baixadas pelos antigos Conselhos de Contribuintes. IPI. CREDITAMENTO. PRODUTOS NT. IMPOSSIBILIDADE, SÚMULAS 13 DO SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES E 20 DO CARF. Nos termos da Súmula nº 13 do antigo Segundo Conselho de Contribuintes ratificada pelo Pleno do CARF como Súmula nº 20: “Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT”. Acórdão: 9303006.520 Número do Processo: 13710.000165/200378 Data de Publicação: 23/05/2018 Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Fl. 1896DF CARF MF 8 Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2003 DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO. IPI. PRESUNÇÃO DE PAGAMENTO ANTECIPADO. A presunção de pagamento antecipado prevista no art. 124, parágrafo único, III, do RIPI/2002, somente opera em relação a créditos admitidos pelo regulamento. Sendo ilegítimos os créditos glosados e tendo os saldos credores da escrita fiscal dado lugar a saldos devedores que não foram objeto de pagamento antes do exame efetuado pela autoridade administrativa, o prazo de decadência deve ser contato pela regra do art. 173, I, do CTN. IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. FALTA DE LEGITIMIDADE. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PARA INDUSTRIALIZAÇÃO DE PRODUTOS COM SAÍDA NÃO TRIBUTADA. Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. IPI. SUSPENSÃO. CONDIÇÃO. Somente se faz autorizada a saída de produtos do estabelecimento industrial com a suspensão do IPI quando observadas as disposições normativas estabelecidas para a espécie, cuja inobservância implica a exigência do tributo devido na operação. Recurso negado. Número do Processo: 10882.002150/200627 Data de Publicação: 02/04/2018 Contribuinte: IPIRANGA PRODUTOS DE PETROLEO S.A. Relator(a): JORGE OLMIRO LOCK FREIRE Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2008 PRODUTO NÃO TRIBUTADO (“NT”). APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO DO IPI. IMPOSSIBILIDADE. Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT (Súmula CARF nº 20). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2008 DECADÊNCIA DO DIREITO DE LANÇAR. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. TERMO INICIAL DO PRAZO DE DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DA REGRA DO ART. 173, I, DO CTN. OBRIGATORIEDADE. Nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado, o dies a quo do prazo quinquenal Fl. 1897DF CARF MF Processo nº 16682.901271/201072 Acórdão n.º 3201004.008 S3C2T1 Fl. 618 9 de decadência regese pelo disposto no art. 173, I, do CTN, sendo certo que o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde, inequivocamente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato gerador, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a exemplo do IPI (Adoção da jurisprudência do STJ, por força do disposto no art. 62, § 2º, do Anexo II do RICARF/2015) GLOSA DE CRÉDITOS DO IPI. INEXISTÊNCIA DE PRAZO DECADENCIAL. APLICAÇÃO DOS ARTIGOS 150, § 4º, E 173 DO CTN. Os prazos decadenciais previstos nos artigos 150, §4º e 173 do CTN aplicamse somente ao direito de constituir o crédito tributário e não ao direito de glosar o crédito do IPI escriturado, para o qual não existe determinação legal a respeito da matéria. Recurso Voluntário Negado. Número do Processo: 16682.720900/201227 Data de Publicação: 15/03/2018 Contribuinte: IPIRANGA PRODUTOS DE PETROLEO S.A. Relator(a): JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO Diante desse fato, ̧ reconhecese o acerto do procedimento da fiscalizaçaõ que apontou o aproveitamento indevido de créditos informado na PER/DCOMP, objeto de compensação neste processo , além da falta de recolhimento do IPI devido conforme restou decidido. Assim, no curso da auditoria fiscal promovida em decorren̂cia da compensação declarada, foram os créditos glosados, pois que se revelaram indevidos após a reconstituiçaõ da escrita fiscal. Correta a decisão da DRJ/Porto Alegre, pois o crédito levado à compensação e submetido a julgamento naquela instância naõ gozava dos requisitos de liquidez e certeza necessária à homologação da compensação, nos termos do art. 170 do CTN. Ademais, no presente caso não se vislumbra fatos necessários para o afastamento da Súmula 20 do CARF, devendo ser aplicada ao caso conforme ementada: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Ademais a mais, deve ser afastada a prescrição, uma vez, da transmissão da PER/DCOMP ao despacho decisório, e da ciência do, com isso não decorrendo os 5 (cinco) anos para reconhecimento da homologação tácita (prescrição) nos termos doa art. 74, §5º da Lei 9430/96. Com isso, o voto é no sentido de conhecer do Recurso, e negar provimento. Fl. 1898DF CARF MF 10 Relator Laércio Cruz Uliana Junior Relator (assinado digitalmente) Fl. 1899DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.967189/2009-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Sep 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2006
SALDO NEGATIVO DE IRPJ. PER/DCOMP. ERRO.PREENCHIMENTO.
Eventual erro de fato no preenchimento do Per/Dcomp pode ser sanado sem que se proceda, necessariamente, à retificação do Per/Dcomp.
Numero da decisão: 1401-002.770
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer um saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2006, da ordem de R$ 188.114,64.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Cláudio de Andrade Camerano - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: CLAUDIO DE ANDRADE CAMERANO
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PER/DCOMP. ERRO.PREENCHIMENTO. Eventual erro de fato no preenchimento do Per/Dcomp pode ser sanado sem que se proceda, necessariamente, à retificação do Per/Dcomp. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer um saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2006, da ordem de R$ 188.114,64. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano (Relator), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 96 71 89 /2 00 9- 98 Fl. 148DF CARF MF 2 Trata o presente processo de Recurso Voluntário ao Acórdão proferido pela DRJ/RJ1 em que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, ocasião em que não reconheceu o alegado direito creditório. A seguir, transcrevo os termos e fundamentos da decisão recorrida: 1. No dia 13.02.2009, a interessada transmitiu para a Receita Federal do Brasil (RFB) o PER/DCOMP 19262.09466.130209.1.3.049845 (fls. 2/6), no qual informou possuir crédito original de R$ 58.851,62 na data da transmissão, oriundo de pagamento indevido de tributo ou em valor maior que o devido, do qual utilizou o valor original de R$ 866,83 na compensação de débitos fiscais próprios. 2. Não se homologou a compensação declarada porque, segundo o despacho decisório proferido eletronicamente pela extinta DERAT/RJ (fls. 9), constatouse que o crédito alegado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da interessada. 3. Fundamentouse a decisão nos seguintes dispositivos: artigos 165 e 170 do Código Tributário Nacional (CTN); e art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996. 4. Cientificada do despacho decisório em 20.10.2009 (fls. 8), a interessada apresentou sua manifestação de inconformidade com ele no dia dezenove seguinte (fls. 11/21). Preliminarmente, arguiu a sua nulidade sob a alegação de que lhe falta motivação, sem a qual fere o princípio constitucional do direito ao contraditório e à ampla defesa. 5. Sobre o mérito, alegou, em síntese: 5.1. que cometeu um erro material ao informar no PER/DCOMP que o seu crédito provinha de pagamento indevido de tributo ou em valor maior que o devido, pois, em verdade, ele se originou de saldo negativo de imposto de renda; 5.2. que, com efeito, por ter apurado prejuízo fiscal no ano calendário de 2006, conforme denota a sua DIPJ 2007, os recolhimentos efetuados ao longo daquele ano por conta das estimativas do imposto resultaram num saldo negativo de R$ 200.060,00; 5.3. que, por lapso, informou no PER/DCOMP que o crédito utilizado na compensação declarada dimanava (sic) do pagamento da estimativa de março de 2006, no valor de R$ 58.851,62, efetuado no mês seguinte; 5.4. que mero erro material no preenchimento do PER/DCOMP não pode servir de fundamento para a negativa da homologação da compensação quando demonstrada a existência do crédito tributário, uma vez que deve prevalecer sempre a verdade material; e 5.5. que esse é o entendimento pacífico do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme demonstram as Fl. 149DF CARF MF Processo nº 15374.967189/200998 Acórdão n.º 1401002.770 S1C4T1 Fl. 143 3 ementas de acórdãos transcritas na manifestação de inconformidade. É o relatório VOTO Acolho a manifestação de inconformidade, por ser tempestiva ereunir os demais requisitos de admissibilidade. Descarto a preliminar levantada por reputála completamente infundada. A motivação do despacho decisório está estampada no seu quadro 3. Naquele quadro, consta que o crédito informado pela interessada no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de seus débitos, estes declarados, por certo, em sua DCTF. Ao reconhecer, na manifestação, que cometeu erro grosseiro, digase a bem da verdade na informação da origem do crédito utilizado na compensação, ela deixou claro que entendeu perfeitamente a motivação da decisão da autoridade administrativa, razão pela qual é inegável que tal decisão não se encontra eivada do vício argüido. Não houve, portanto, cerceamento algum do direito de defesa. Ultrapassada a preliminar, passo a decidir. A despeito de eu comungar no entendimento de que erros materiais são sanáveis, não posso deixar de admitir que alguns deles são tamanhos, que não podem ser superados, na fase contenciosa do processo, sem prejudicar consideravelmente os controles operacionais da RFB. O caso em foco é bastante ilustrativo do que acabo de dizer. Afinal, não bastasse o crédito da interessada advir do saldo negativo do imposto de renda e não do recolhimento indevido de tributo, conforme ela indicou, o pagamento que teria originado o crédito utilizado na compensação nem mesmo indevido foi; com ele, ela apenas liquidou um débito de estimativa de imposto de renda apurado em perfeita harmonia é de se supor com a legislação de regência da matéria, razão pela qual não lhe restou crédito algum. Diante disso, devese refrear o ânimo de, em homenagem ao principio_ da verdade material, fazer tábula rasa do disposto no art. 77 da lnstrução Normativa do SRF n° 900, de 2008, segundo o qual o pedido de restituição e a declaração de compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador, observado o disposto nos artigos 78 e 79 no que se refere à Declaração de Compensação. Portanto, acolher a alegação apresentada significaria, em última análise, admitir a retificação intempestiva do PER/DCOMP. Para sorte da interessada, ainda lhe resta tempo para solicitar a restituição do seu verdadeiro crédito o saldo negativo do imposto de renda e utilizáIo na compensação de débitos fiscais Fl. 150DF CARF MF 4 próprios, na medida em que não se trata do mesmo crédito postulado no presente PER/DCOMP. Em face do exposto, reputo infundada a manifestação de inconformidade apresentada e, portanto, também não homologo a compensação declarada. Cientificada da decisão do referido acórdão, o Contribuinte interpõe Recurso Voluntário onde, após um breve relato do indeferimento ao seu direito alegado, reitera seus argumentos expendidos na manifestação de inconformidade, acrescentado que não formulou pedido intempestivo de retificação de Perd/Dcomp, sendo inaplicável ao caso os citados dispositivos da IN 900/2008, na decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano Preenchidos os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário apresentado, dele conheço. Conforme relatoriado, a Recorrente informou como crédito no Perd/Dcomp um valor pago a título de estimativa mensal de IRPJ de 2006 e posteriormente, por ocasião do indeferimento de seu pleito, reconheceu que a natureza do crédito que deveria/queria informar seria, na realidade, de saldo negativo de IRPJ, apurado no ano de 2006. A Recorrente, após cientificada do Despacho Decisório, apresentou sua Manifestação de Inconformidade onde reconheceu o equívoco no preenchimento do Perd/Dcomp, afirmando que detinha saldo negativo de IRPJ suficiente para a compensação pleiteada, apresentando planilha com os valores que alega ter recolhido a título de estimativas mensais de IRPJ, apresentando também DCTF e DARF do valor recolhido e DIPJ do ano calendário de 2006. A Decisão de piso não homologou a compensação pleiteada porque tratou a situação da seguinte maneira: Diante disso, devese refrear o ânimo de, em homenagem ao principio_ da verdade material, fazer tábula rasa do disposto no art. 77 da lnstrução Normativa do SRF n° 900, de 2008, segundo o qual o pedido de restituição e a declaração de compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador, observado o disposto nos artigos 78 e 79 no que se refere à Declaração de Compensação. Portanto, acolher a alegação apresentada significaria, em última análise, admitir a retificação intempestiva do PER/DCOMP. Ora, tal dispositivo normativo não impede e nem proíbe, absolutamente, que, constatado erros pontuais no preenchimento de um Per/Dcomp, e perfeitamente identificáveis, sejam sanáveis por parte da Unidade de Origem. Fl. 151DF CARF MF Processo nº 15374.967189/200998 Acórdão n.º 1401002.770 S1C4T1 Fl. 144 5 Quer se dizer com isto que a fundamentação da decisão recorrida não se mostra adequada, sendo inaplicável à situação em debate. Como lembra a Recorrente, "...não formulou qualquer pedido intempestivo de retificação do PER/DCOMP..." Consta nos autos uma DCTF Mensal, de março/2006, Totalização dos Tributos e Contribuições Apurados no Mês, onde consta débitos apurados de IRPJ da ordem de R$ 188.114,64, uma DCTF mensal de março/2006 Débito Apurado e Créditos Vinculados de R$ 58.851,62 e DARF deste valor. Não nos olvidemos, também, de que na decisão recorrida não se encontra qualquer restrição quanto ao saldo negativo de IRPJ, mas, pelo contrário, conforme se depreende do voto do Relator da decisão da DRJ, que assim se posicionou : Fl. 152DF CARF MF 6 Para sorte da interessada, ainda lhe resta tempo para solicitar a restituição do seu verdadeiro crédito o saldo negativo do imposto de renda e utilizálo na compensação de débitos fiscais próprios, na medida em que não se trata do mesmo crédito postulado no presente PER/DCOMP. Eu não diria que a Recorrente teria sorte neste caso, até porque já se passaram mais de cinco anos da apuração do saldo negativo de IRPJ de 2006, uma vez que, inexplicavelmente, após a ciência da decisão recorrida que se deu em 2011 o processo ficou sem qualquer movimentação por mais de oito anos (!), o que viria a prejudicar, de fato, a Recorrente se tivesse que transmitir uma nova DCOMP. De forma que, sob qualquer ângulo que se vê, a decisão recorrida tratou de forma equivocada o mérito da questão, sendo forçoso reconhecer o saldo negativo de IRPJ de 2006, limitado, entretanto, à importância declarada em DCTF, a título de IRPJ, na importância de R$ 188.114,64. Portanto, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário, reconhecendo um saldo negativo de IRPJ de 2006 da ordem de R$ 188.114,64. É como voto. Cláudio de Andrade Camerano (assinado digitalmente) Fl. 153DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.004052/2002-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Sep 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1997
NULIDADE. CABIMENTO. FALTA DE INDICAÇÃO DAS FALHAS COMETIDAS PELA FISCALIZAÇÃO.
A recorrente não indicou de forma clara e objetiva as falhas que a fiscalização teria cometido, capazes de eivar de nulidade o auto de infração. Pelo contrário, verifica-se que foi perfeitamente motivado, dele constando descrição dos fatos e fundamentos jurídicos. Assim, não cabe a alegação de nulidade.
Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 1997
MULTA REGULAMENTAR DO IPI. FALTA DE COMPROVANTES DE IMPORTAÇÃO
Aplica-se a multa regulamentar do IPI, quando o contribuinte não consegue comprovar a entrada regular de mercadorias estrangeiras vendidas.
Numero da decisão: 3301-004.968
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 NULIDADE. CABIMENTO. FALTA DE INDICAÇÃO DAS FALHAS COMETIDAS PELA FISCALIZAÇÃO. A recorrente não indicou de forma clara e objetiva as falhas que a fiscalização teria cometido, capazes de eivar de nulidade o auto de infração. Pelo contrário, verificase que foi perfeitamente motivado, dele constando descrição dos fatos e fundamentos jurídicos. Assim, não cabe a alegação de nulidade. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 1997 MULTA REGULAMENTAR DO IPI. FALTA DE COMPROVANTES DE IMPORTAÇÃO Aplicase a multa regulamentar do IPI, quando o contribuinte não consegue comprovar a entrada regular de mercadorias estrangeiras vendidas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 40 52 /2 00 2- 88 Fl. 654DF CARF MF Processo nº 10183.004052/200288 Acórdão n.º 3301004.968 S3C3T1 Fl. 623 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Dos lançamentos Cuidam os autos da exigência de crédito da União, lavrado pela DRF Cuiabá, relativo à aplicação da multa por entrega a consumo de produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no país ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido desacompanhado da notafiscal (R$ 693.181,27), às fls. 04 a 11, em desfavor de STELMAT TELEINFORMÁTICA LTDA, doravante tratada apenas como STELMAT, em decorrência de fiscalização realizada na empresa para apuração do cumprimento das obrigações tributárias, cujas conclusões são a seguir sinteticamente explanadas, a fim de se obter uma fiel compreensão dos fatos mencionados. A STELMAT adquiriu e efetuou vendas a consumidor, referente ao exercício de 1997, com emissão de Nota Fiscal de Saída, de vários aparelhos de telefones celulares, das marcas e modelos MOTOROLA DPC 650, MOTOROLA ELITE, MOTOROLA LITE II, MOTOROLA PERSONAL, NEC SPEED e ERICSSON AH 320, conforme relacionados em tabelas anexas ao auto de infração. Segundo a fiscalização, estes telefones eram mercadorias de procedência estrangeira, sem comprovação de documento de importação ou outro documento que comprovasse sua entrada regular no País, e também sem comprovação de nota fiscal de entrada. O artigo 463, Inciso I, do Regulamento do IPI, aprovado pelo Decreto n° 2.637/1998, prescreve que, sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe foi atribuído na nota fiscal os que entregarem a consumo ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no SISCOMEX, ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal. Procedeuse à fiscalização levando em consideração o levantamento quantitativo das mercadorias, ou seja, considerando a quantidade de aparelhos adquiridos (estoque inicial mais as compras) e a quantidade de aparelhos vendidos no período, tendo sido constatado que as vendas de aparelhos de telefones celulares foram maiores que as compras destes no mesmo período, comprovadas através das notas fiscais de entrada e notas fiscais de saídas dos aparelhos no período de 01 de janeiro a 31 de dezembro de 1997. O contribuinte foi intimado e apresentou documentos fiscais, dos quais procedeuse a verificação no que diz respeito a aquisição de mercadorias de procedência estrangeira, introduzida irregularmente no País, quando foi feita uma Fl. 655DF CARF MF Processo nº 10183.004052/200288 Acórdão n.º 3301004.968 S3C3T1 Fl. 624 3 seleção dos aparelhos por marcas/modelos, e em seguida foi elaborada uma relação das notas fiscais de entradas e das notas fiscais de saídas das mercadorias. Para conclusão final dos cálculos foi elaborada uma planilha com demonstrativos, onde consta o total dos estoques existentes no início do período, o total das compras regulares, comprovadas por notas fiscais de entradas, os estoques existentes no final do período, o total das vendas efetuadas no período fiscalizado, comprovados através das notas fiscais. Não foram contabilizadas as saídas através de remessas de mercadorias para consertos, os retornos dos telefones celulares, quando provenientes de remessas de consertos, com natureza da operação códigos n°s 699 ou 599, tanto para as saídas de remessas para consertos, como nas entradas em retornos das mercadorias em questão após o conserto. De acordo com exposto acima, constatouse que a empresa em questão adquiriu de forma irregular e comercializou mercadorias de procedência estrangeira, por não ter comprovado através de documentos de importação das mercadorias ou através de notas fiscais de compras dos bens adquiridos no mercado interno ou outro documento que comprove a entrada regular destes bens no País. Sendo assim, procedeuse a lavratura do referido Auto de Infração, para aplicação da multa devida pelas infrações cometidas pela ora impugnante, conforme enquadramento legal transcrito acima. Os valores dos aparelhos foram apurados tomando por base a média das vendas efetuadas no período fiscalizado, de 01/01/1997 a 31/12/1997, por marca e modelo de aparelhos, conforme demonstrativos das vendas efetuadas no período em questão. Constam, também, demonstrativos das compras auferidas no mesmo período, planilhas de cálculos e demais documentos necessários para instrução do processo em anexo, tais como cópias do Livro de Registro de Inventário, cópias do Livro de Registro de Saída, cópias das Notas Fiscais de entradas dos aparelhos de telefones celulares constantes do referido Auto de Infração. Da impugnação A empresa STELMAT TELEINFORMÁTICA LTDA foi cientificada dos lançamentos em 24/09/2002, e irresignada com as penalidades que lhe foram infligidas, apresentou Peça Impugnativa, às fls. 409413, em 23/10/2002, contendo, em síntese, as alegações a seguir: O presente auto de infração não merece prosperar, apesar da competente diligência conduzida pelo Fiscal da Receita Federal, que não se equivocou, porém fora levado a erro em razão da falta de informação do preposto da empresa, que ao escriturar o Livro de Registro de Inventário, no final do ano de 1996, apresentou uma quantidade de 850 aparelhos celulares, inferior ao correto estoque final do referido exercício, que era no total de 3.405 aparelhos. Sendo assim, fica comprovado e justificado o equívoco da percepção da fiscalização no sentido das vendas terem superado as compras no exercício de 1997, uma vez que os produtos adquiridos e não comercializados no exercício de 1996 foram vendidos no ano seguinte. Portanto, não se configurou a aquisição de mercadoria estrangeira, sem nota fiscal de compra, o que realmente ocorreu é que o excesso constatado é proveniente do saldo remanescente do exercício anterior ao fiscalizado. Fl. 656DF CARF MF Processo nº 10183.004052/200288 Acórdão n.º 3301004.968 S3C3T1 Fl. 625 4 A empresa assevera que não se encontra em débito com a Receita Federal, no que se refere ao Imposto sobre Importação alegado pela fiscalização, uma vez que jamais importou esses produtos do exterior e sim adquiriu do mercado interno produtos estrangeiros, mais precisamente de empresas importadoras de outros estados, conforme algumas notas fiscais anexas, que servem como exemplo da comprovação da transação. Salienta que não foram juntadas nessa impugnação todas as notas fiscais que comprovam a compra dos aparelhos importados no mercado interno, em razão do grande volume, mas que elas se encontram à disposição da Receita Federal caso necessário se faça a conferência. Reitera que, salvo melhor entendimento, com fulcro no art. 31 do DL 37/1966 com a redação dada pelo art. 1o do DL n° 2.472/1988, a impugnante não se enquadra na situação de contribuintes e responsáveis pelo Imposto de Importação. Conclui que não se enquadra nas normas acima, vez que adquiriu produto importado no mercado interno, conforme notas fiscais anexas, eximindose assim de qualquer responsabilidade no que concerne ao imposto sobre importação. Por derradeiro, a impugnante discorda dos valores da autuação, uma vez que não incide como contribuinte ou responsável no pagamento do imposto de importação, que desde já requer o arquivamento da presente Auto de infração que deu causa a esta defesa. Ante ao exposto, requer, com fundamento no inciso IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, seja deferida diligência, a fim de comprovar a argumentação supra relatada, através das notas fiscais, que se encontram na sede da empresa, demonstrando a aquisição dos aparelhos celulares no mercado interno. Requer ainda seja acolhida a impugnação determinando de imediato o arquivamento do auto de infração n° 0130100/00036/02, no valor de R$ 693.181,27, em razão da licitude das compras efetuadas pela empresa Impugnante. Protesta por todos os meios de provas admitidas em direito, tais como testemunhais, documentais, inspeção, periciais, depoimento pessoal e tudo o mais que se fizer necessário ao esclarecimento desta causa. Da conversão em diligência Enviados aos autos a julgamento pela DRJ/Fortaleza, a autoridade julgadora decidiu acatar parcialmente o pedido da defendente para converter o julgamento em diligência, por acreditar que a análise da alegação do contribuinte em relação ao estoque inicial de mercadorias seria fundamental para deslinde da questão, conforme abaixo transcrito (fls. 484): A defesa alega que a diferença de estoque apurada pela fiscalização decorreu da falta de informação do preposto da empresa, que ao escriturar o Livro de Registro de Inventário, no ano de 1996, apresentou uma quantidade de 850 aparelhos celulares, inferior ao correto estoque final do referido exercício, que seria o total de 3.405 aparelhos. Afirma que não juntou à impugnação todas as notas fiscais que comprovam a compra dos aparelhos importados no mercado interno, em razão do grande volume, mas que se encontram à disposição da Receita Federal para necessidade de conferência. Fl. 657DF CARF MF Processo nº 10183.004052/200288 Acórdão n.º 3301004.968 S3C3T1 Fl. 626 5 Não restam dúvidas sobre a relevância do valor do estoque inicial de mercadorias para o deslinde da presente questão, haja vista se tratar de uma auditoria de estoque de empresa comercial. Com efeito, com fundamento no art. 18 do Decreto nu 70.235, de 06 de março de 1972, com redação dada pela Lei n° 8.748, de 09 de dezembro de 1993, resolvo converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscalizadora possa apurar a veracidade do argumento da defesa, referente ao suposto erro acima indicado, no que diz respeito ao valor do estoque inicial dos aparelhos celulares no exercício de 1997. Solicitase que ao final da diligência seja elaborado relatório conclusivo, indicando, se for o caso, a parcela do crédito tributário lançado que deve ser alterada em decorrência dos exames efetuados. Do atendimento da diligência A unidade de origem enviou intimação à impugnante (fls. 497), em 15/04/2014, para que fossem apresentadas, no prazo de dez dias, todas as notas fiscais de entrada e de saída do ano calendário 1996, a fim de comprovar que os itens comercializados pela empresa, e que supostamente teriam origem regular, configuravam realmente apenas um caso de erro de transcrição para os livros contábeis da empresa, conforme alegado na peça impugnatória. A Impugnante, em 24/04/2014, solicitou prorrogação do prazo, por mais 30 dias, para apresentação dos documentos exigidos pela fiscalização (fls. 500), sem justificar naquele momento qual seria a razão da não apresentação dos documentos solicitados dentro do prazo inicialmente estabelecido, sendo tal pedido deferido pela autoridade fiscal. Em 20/05/2014 a Impugnante apresentou novo pedido de prorrogação do prazo para resposta por mais 90 dias (fls. 502), que foi analisado pela fiscalização e concedido parcialmente, prorrogando o prazo por mais 30 dias (fls. 503), por ter a fiscalização entendido que o prazo seria suficiente para apresentar os documentos solicitados. Uma vez mais, em 18/06/2014, a impugnante solicitou prorrogação do prazo para apresentação dos documentos exigidos, desta feita por mais 90 dias (fls. 504), sendo tal pedido indeferido pela fiscalização e realizada nova Intimação (fls. 505), em 20/06/2014, a fim de que a impugnante apresentasse, no prazo de 5 dias, toda a documentação exigida anteriormente. A impugnante apresentou, em 23/06/2014 (fls. 508 a 520), petição requerendo a juntada das notas fiscais de entrada nº 4022, 4025 e 4027, de 18/12/1996, emitidas pela empresa CellStar International Telefonia Celular Ltda, situada em São Paulo, como forma de justificar as entradas de mercadorias em seu estoque, demonstrando, segundo seu entendimento, a impertinência do estoque inicial de mercadorias que serviu de base para o auto de infração, e contendo as seguintes alegações: Que houve erro na escrituração no Registro de Inventário em 31/12/1996, e que tal equívoco foi corrigido pela retificação do Registro de Inventário do estoque existente em 31 de dezembro de 1996, conforme juntado na petição (fls. 524 a 525), tornando nulo o auto de infração, posto que esta retificação seria suficiente para demonstrar que o estoque inicial da empresa era superior àquele considerado pela fiscalização quando da lavratura do auto de infração. Fl. 658DF CARF MF Processo nº 10183.004052/200288 Acórdão n.º 3301004.968 S3C3T1 Fl. 627 6 A impugnante alega que, com o advento da Constituição de 1988 ocorreram profundas mudanças no campo do direito tributário, aduzindo que ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei (art. 5º, inciso II, da CF) e que isso impõe ao fisco e a administração em geral o dever de se abster de exigir alguma prestação ou alguma obrigação de fazer por parte do contribuinte, se tal não for exigido expressamente por disposição de lei. Assevera que o fisco tem a liberdade para analisar e tirar conclusões baseadas em elementos materiais de convicção tributária, de tudo lavrando o competente auto ou termo e anotandoos nos livros do contribuinte, mas não poderá, sob pena de nulidade do respectivo auto de infração, por desvio de finalidade, abuso de poder e ato ilegal, realizar arbitramentos com desprezo da contabilidade, quando os registros estiverem em dia, em ordem e corroborados com documentação idônea e contemporânea. Também seria vedado ao fisco, nas palavras da impugnante, arbitrar receitas, lucros, vendas, com total desprezo da contabilidade, dos lançamentos insertos nos livros mercantis e fiscais, quando os registros estiverem em dia, em ordem e corroborados com documentação idônea e contemporânea. Que o arbitramento fiscal será doloso quando o agente do fisco, sem desclassificar, fundada e motivadamente, a contabilidade, a escrituração, ou balanços e as contas de resultado: estimar, criar ou fixar receitas, faturamento, vendas, e criando assim um faturamento ou receita fictícia, inexistente, irreal e falso. Haveria ilegalidade quando o levantamento de estoques for feito sem considerar as quebras ou perdas normais conforme a atividade, a matéria prima, os materiais empregados ou o produto da firma ou sociedade e quando o levantamento não considerar os valores constantes da escrituração contábilfiscal idônea e tempestiva, que sempre faz prova em favor do comerciante ou industrial, quando os registros, assentos ou lançamentos nos livros fiscais, estiverem corroborados com documentação idônea e contemporânea. Ainda seria irregular o procedimento, quando do levantamento fiscal ou arbitramento, as possíveis diferenças apuradas não sejam objeto de pedido de esclarecimentos e de provas, mas, com quebra do princípio do contraditório, sejam logo objeto de auto de infração e notificação fiscal. O arbitramento fiscal só tem cabimento, como medida excepcional, não podendo ser generalizado, nem aplicado como regra geral, ao arbítrio dos agentes do fisco e deverá ser sempre precedido de todas as regras e procedimentos que garantam o equilíbrio jurídico entre as partes, sem quebra do princípio do contraditório pleno, assegurando o exercício do direito de defesa, sempre antes do fisco formalizar a exigência do tributo. No que tange ao fato gerador de qualquer tributo, considera que é a situação prevista em lei, abstratamente, que se concretiza, se materializa ou se exterioriza, pela prática de uma operação, pela aquisição de uma nova riqueza ou pelo aumento do patrimônio. A ocorrência material, jurídica ou física ou ainda econômica de um desses elementos vai dar nascimento à ocorrência do fato gerador tal como estava previsto, teoricamente, na lei tributária. Somente a lei pode inovar no mundo jurídico, e só ela pode definir ou criar o fato gerador do tributo ou mesmo modificálo. Para que ocorra o fato gerador de tributo ou da contribuição é necessário que se comprove materialmente sua Fl. 659DF CARF MF Processo nº 10183.004052/200288 Acórdão n.º 3301004.968 S3C3T1 Fl. 628 7 ocorrência, que não é imaginária e nem fictícia, mas sempre deixa um vestígio material. Nulo será o auto de infração, se nenhuma das peças capitular na narração, com previsão e objetividade, de forma a poder se impugnado ou contestado, a ocorrência do fato gerador como definido na lei complementar e na lei tributária dos Estados, Municípios, Distrito Federal, União Federal ou Autarquias, e as provas documentais que se atestem e embasem a ocorrência e materialização da situação fática ocorrida real e concretamente, e assim provam a exteriorizam o fato gerador. Qualquer ficção legal ou fática, qualquer presunção ou suposição do fisco para autuar, lançar, exigir ou cobrar tributo ou contribuições previdenciárias ou sociais, não sociais, não terá validade administrativa, nem muito menos eficácia jurídica, pois distorcida de amparo legal. Sem a ocorrência do fato gerador do tributo, comprovado de forma clara, direta e expressa, através de prova documental idônea que corrobore sua materialização o lançamento resta nulo. Somente diante da sua materialidade o fisco poderá gravar os recursos do contribuinte. Mas, para isso, terá de investigar a origem deles e a existência ou ocorrência material, exteriorizada e provada documental e pericialmente, do fato gerador do respectivo imposto (ICMS, IPI, ISS). O que constitui fato gerador para o imposto de renda, não o constitui para o ICMS, para o IPI ou para o ISS. Cada um tem seu fato gerador próprio, específico e determinado, seu campo de incidência, sua base de cálculo e sua alíquota. Nulo será o lançamento ou a constituição do crédito tributário, bem como a respectiva Execução Fiscal que, empregando interpretação analógica e extensiva, generalizar e igualar os fatos geradores para exigir quaisquer dos impostos, sem a prova material, documental ou perícia contábil da ocorrência do fato gerador devidamente exteriorizado. Em face dos documentos juntados e dos argumentos expostos, fica patente que o presente Auto de Infração não deve subsistir haja vista que o AuditorFiscal pautouse em estoque inicial em 01/01/1997 que não refletia a realidade da defendente. A defendente requer que sejam analisados os documentos juntados à presente defesa, quais sejam, as notas fiscais de entrada de mercadorias n°s 4022, 4025 e 4027, datadas de 18 de dezembro de 1996, bem como a cópia da retificação do Registro de Inventário do estoque existente em 31 de dezembro de 1996, em que fica totalmente esclarecido o erro constante no Auto de Infração em relação ao estoque inicial em 01/01/1997 da defendente. Do relatório de auditoria Instada pela DRJ/Fortaleza a exigir os documentos que a impugnante dizia possuir e que seriam capazes de esclarecer um possível erro de análise do estoque da empresa, além de realizar auditoria nos documentos por ventura apresentados, a fim de confirmar ou refutar os argumentos da impugnante, a fiscalização, após a apresentação da petição de fls. 508 a 520, fez a seguinte análise daquilo que foi apresentado: Tratase de Auto de Infração lavrado pela SAANA/DRF/CBA impugnado pela autuada e cujo processo foi devolvido a esta Delegacia da Receita Federal para realização de diligências complementares. Fl. 660DF CARF MF Processo nº 10183.004052/200288 Acórdão n.º 3301004.968 S3C3T1 Fl. 629 8 A autuada foi intimada a apresentar os documentos constantes da Intimação Fiscal n° 0045/14SAANA/DRF/CBA, de 14 de abril de 2014, sendo concedido o prazo de 10 (dez) dias para apresentação dos documentos. A autuada protocolizou pedido de prorrogação por 30 (trinta) dias do prazo inicialmente concedido, alegando que os documentos solicitados eram muito antigos e que necessitavam mais tempo para a sua localização e busca, sendo concedido por meio do Despacho n° 223/14SAANA/DRF/CBA. Posteriormente, a autuada solicitou nova prorrogação de prazo, desta vez por 90 (noventa) dias, sendo concedidos 30 (dias), totalizando prazo total de 70 (setenta) dias. Em 18 de junho de 2014, novamente a autuada solicitou prorrogação de prazo por 90 (noventa) dias, com as mesmas alegações dos pedidos anteriores. Foi lavrada nova Intimação, solicitando os documentos já disponíveis na empresa, a fim de demonstrar que a autuada não estava apenas protelando o andamento do processo. Em 23 de junho de 2014 a empresa protocolizou resposta à intimação na qual constam três Notas Fiscais de compra (nº 4022, 4025 e 4027), alegando que estes documentos comprovam o estoque inicial. As diligências complementares foram realizadas por conta do Pedido de Diligência constante da Resolução DRF/FOR n° 1377, de 1º de setembro de 2008, tendo em vista a alegação da empresa em sua impugnação de que a diferença de estoque apurada pela fiscalização decorreu da falta de informação do preposto da empresa. Afirmou, também, que não juntou à impugnação todas as notas fiscais que comprovam a compra dos aparelhos importados no mercado interno em razão do grande volume, mas que se encontram à disposição da Receita Federal para eventual necessidade de conferência. Ao final, solicitase ainda a elaboração de “relatório conclusivo, indicando, se for o caso, a parcela do crédito tributário lançado que deve ser alterada em decorrência dos exames efetuados”. Mesmo afirmando que os documentos estavam à disposição da Receita Federal, após ser intimada, a empresa apresentou apenas 03 (três) notas fiscais, que já constariam no processo às páginas 18 a 20. Ademais, a empresa sequer cumpriu todos os itens da Intimação Fiscal 0045/14SAANA/DRF/CBA, que solicitou as notas fiscais de saída de mercadorias (todos os talonários de 1996), as notas fiscais de entrada (todos as aquisições de 1996) e as notas fiscais de serviços, além de outros documentos que pudessem comprovar a entrada e saída de mercadorias durante aquele ano. Ressalta a fiscalização que sem todas as notas fiscais, de saídas e de entradas de mercadorias, não é possível calcular a composição do estoque inicial e do estoque final referente ao ano de 1996, já que a própria autuada afirmou haver erro em sua contabilidade. Apresentar somente extrato do Livro Registro de Inventário, mesmo que retificado, no entendimento do AuditorFiscal subscritor do relatório, não seria suficiente para demonstrar a composição dos estoques àquela data. Para tanto, a empresa deveria comprovar as efetivas entradas e saídas de mercadorias por meio de documentação hábil para tanto, que são todas as notas fiscais de entrada e de saída. Sendo assim, diante do não atendimento à intimação n° 45/14 SAANA/DRF/CBA e da impossibilidade em calcular a composição do estoque inicial referente ao ano de 1996 para fins de elaboração do relatório solicitado, Fl. 661DF CARF MF Processo nº 10183.004052/200288 Acórdão n.º 3301004.968 S3C3T1 Fl. 630 9 proponho a devolução do presente processo à DRJ/FOR para prosseguimento do julgamento. Do novo pedido de diligência Retornados os autos à apreciação da DRJ/FOR, foi possível constatar que, após o cumprimento da diligência anteriormente solicitada, a fiscalização teceu considerações de mérito acerca do que foi carreado aos autos, sem que tenha dado oportunidade para que o defendente tivesse conhecimento deste documento, nem tampouco que tenha concedido prazo para que fosse apresentada defesa para os argumentos ali expendidos. Como resultado, os autos foram remetidos uma vez mais à unidade de origem para ciência do contribuinte e abertura de prazo para sua manifestação, em homenagem aos princípios do contraditório e da ampla defesa, o que foi realizado em 28/11/2014, conforme cópia do AR anexada aos autos (fls. 534). A impugnante apresentou, em 19/12/2014 (fls. 537 a 549), petição uma vez mais requerendo a juntada das notas fiscais de entrada nº 4022, 4025 e 4027, de 18/12/1996, emitidas pela empresa CellStar International Telefonia Celular Ltda, como forma de justificar as entradas de mercadorias em seu estoque e contendo as mesmas alegações contidas na resposta anteriormente apresentada, em 23/06/2014 (fls. 508 a 520), sendo na verdade apenas uma cópia deste documento." A DRJ em Fortaleza (CE) julgou improcedente a impugnação e o Acórdão n° 0832.775, de 12/02/15, foi assim ementado: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 EXIGÊNCIA FISCAL. NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando na formalização do crédito tributário foram respeitadas as disposições contidas no art. 142 do CTN e art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, e foi assegurado à autuada o direito ao contraditório e à ampla defesa. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 1997 AUDITORIA DE ESTOQUE. A escrituração do Livro de Registro de Inventário deve estar justificada e respaldada em documentação idônea e eficaz, sob pena de tais operações de comercialização virem a ser consideradas como sem emissão de Nota Fiscal. IMPORTAÇÃO IRREGULAR. CARACTERIZAÇÃO. MULTA IGUAL AO VALOR COMERCIAL DA MERCADORIA. Fl. 662DF CARF MF Processo nº 10183.004052/200288 Acórdão n.º 3301004.968 S3C3T1 Fl. 631 10 Incorrem em multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe é atribuído na nota fiscal, os que entreguem a consumo ou possuam no estabelecimento produto de procedência estrangeira do qual não seja apresentada prova da importação regular ou desacompanhado de nota fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual, basicamente, repisou os argumentos contidos na impugnação e nas petições protocolizadas em 23/04/14 e 29/12/14, cujos argumentos foram acima sumariados e enfrentados pela DRJ.. É relatório. Voto Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. A fiscalização apurou que o contribuinte vendera telefones celulares de procedência estrangeira no ano de 1997. Contudo, não apresentou o correspondente documento de importação ou qualquer outro que comprovasse a entrada regular no País e tampouco a nota fiscal de entrada. Apurou que as quantidades vendidas eram superiores ao somatório das quantidades que se encontravam no estoque inicial e adquiridas no ano, deduzido do estoque final. Diante disto, foi lançada a multa prevista no inciso I do art. 365 do Decreto n° 87.981/82 (RIPI), equivalente ao valor comercial da mercadoria, que foi apurada com base na média dos valores das vendas dos respectivos produtos realizadas no ano de 1997. No recurso voluntário, foram repisados os argumentos contidos na impugnação e nas petições protocolizadas em 23/06/14 e 19/12/14 os conteúdos destas petições são idênticos e tiveram como objetivo o de encaminhar cópias de três notas fiscais de entrada e das páginas do Livro Registro de Inventário em que constam os saldos de 31/12/96 das quantidades e valores dos produtos e cujas escriturações teriam sido retificadas. Todos os argumentos foram enfrentados e refutados pela DRJ. Passo a apreciar as alegações contidas em cada item da peça recursal. "2 DO DIREITO" "2.1 DO ERRO NOS LANÇAMENTOS CONTÁBEIS" A recorrente alega que não foram vendidos produtos de procedência estrangeira sem comprovação de entrada regular no País. Fl. 663DF CARF MF Processo nº 10183.004052/200288 Acórdão n.º 3301004.968 S3C3T1 Fl. 632 11 Teria cometido erro na escrituração dos saldos de 31/12/96 no Livro Registro de Inventário (LRI). Informou que retificou o LRI e encaminhou cópias das páginas alteradas. E também de três notas fiscais de compras. A DRJ refutou tais argumentos, porque a defendente deveria ter trazido aos autos notas fiscais de compra e venda de mercadorias capazes de compor o novo saldo de 31/12/96 (o saldo constante do LRI retificado). As três notas fiscais de compra apresentadas, definitivamente, não se mostraram suficientes para tanto. E, além das notas fiscais que compusessem o saldo de 31/12/96 que alega ser o correto, teria de ter carreado aos autos os correspondentes lançamentos no livro diário e os comprovantes de que as compras foram efetivamente pagas. Concordo integralmente com a DRJ, pelo que nego provimento aos argumentos. "2.2 Do princípio da administração pública e o procedimento administrativo" Alega que o processo administrativo fiscal sofreu alterações com a promulgação da Constituição Federal de 1988 e que deve observar o princípio da legalidade. A recorrente não apontou, objetivamente, qual teria sido a ilegalidade cometida. E, contrariamente ao que alegou, consigno que não encontrei nos autos qualquer ofensa ao princípio da legalidade. O lançamento de ofício foi devidamente motivado, com indicação dos fatos e fundamentos jurídicos (art. 50 da Lei n° 9.784/99). A infração foi claramente descrita, tendo sido apontados os documentos fiscais cujo exame levou à conclusão que fora cometida uma infração. E igualmente restou nítida a subsunção da infração ao dispositivo legal que determinava a imposição da multa regulamentar do IPI. Assim, nego provimento aos argumentos. "2.3 Dos levantamentos fiscais" Aduz que o Fisco tem o direito/dever de efetuar todas as inspeções que julgar necessárias, porém com as ressalvas contidas no trecho do recurso voluntário abaixo transcrito: Fl. 664DF CARF MF Processo nº 10183.004052/200288 Acórdão n.º 3301004.968 S3C3T1 Fl. 633 12 No auto de infração (fls. 7 e 8), há detalhada explicação do procedimento fiscal. Foram levantados os estoques inicial e final, a partir do LRI original. Foram apuradas as compras e vendas, com base nas respectivas nota fiscais. Resultado: as quantidades vendidas de determinados produtos eram superiores ao somatório do estoque inicial e das compras, deduzido do estoque final. Portanto, não houve qualquer tipo de arbitramento, ao arrepio da escrita ou notas fiscais. Com efeito, as cópias do LRI retificado não foram entregues à fiscalização, porém anexadas à impugnação, e sem as notas ficais suporte. Por fim, não há que se falar em ofensa ao princípio do contraditório, no curso da fiscalização e antes de iniciado o processo fiscal. (inciso LV do art. 5° da Constituição Federal). Portanto, nego provimento aos argumentos. "2.4 Do fato gerador" "2.5 Da materialidade da hipótese de incidência" Nos itens "2.4" e "2.5", discorre sobre fato gerador e de sua materialização, pela ocorrência do fato gerador. Contudo, mais uma vez, não aponta de forma clara e objetiva a falha cometida pela acusação fiscal, onde teria deixado de observar os dispositivos legais que disciplinam a matéria sobre a qual teceu longos comentários. Fl. 665DF CARF MF Processo nº 10183.004052/200288 Acórdão n.º 3301004.968 S3C3T1 Fl. 634 13 Reproduzo trechos de cada um dos tópicos, em que levanta situações que, uma vez configuradas, tornariam nulo o lançamento: Trecho do tópico 2.4 Trecho do tópico 2.5 A recorrente, de forma genérica, dispõe que a autoridade tem o dever de narrar, "com previsão e objetividade", sem empregar "interpretação analógica e extensiva", a ocorrência do fato gerador, com base em provas materiais e nos termos da legislação, de forma que o contribuinte possa exercer seu direito de defesa e impugnálo. Caso contrário, será nulo o ato administrativo. O fiscalização não identificou a ocorrência de fato gerador, cujo tributo não tivesse sido pago. Aplicou multa regulamentar do IPI, em razão de a recorrente não ter comprovado a regular importação dos produtos de procedência estrangeira que comercializou no ano de 1997. Conforme já mencionado, apurou as quantidades e os respectivos preços dos produtos de procedência estrangeira sem comprovação da entrada regular no País, com base no LRI e notas fiscais. E, fundamentou seus procedimentos no inciso I do art. 365 do RIPI/82, cujos fundamentos legais se encontram no art. 83 da Lei n° 4.502/64 e no art. 1°, alteração 2°, do Decretolei n° 400/68. Reproduzo o dispositivo legal, para que reste claro para a turma a Fl. 666DF CARF MF Processo nº 10183.004052/200288 Acórdão n.º 3301004.968 S3C3T1 Fl. 635 14 perfeita subsunção da infração falta de comprovação da importação ao dispositivo que impõe a punição pecuniária: (. . .)" Assim, nego provimento aos argumentos. Conclusão Nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 667DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.954284/2008-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/08/2000
PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. NÃO OFENSA. RETIFICAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA.
Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior.
Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantém-se a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a consequente não homologação das compensações pleiteadas.
PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS.
Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-004.084
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário e não reconhecer o direito creditório.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/08/2000 PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. NÃO OFENSA. RETIFICAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantém-se a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a consequente não homologação das compensações pleiteadas. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/08/2000 PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. NÃO OFENSA. RETIFICAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a consequente não homologação das compensações pleiteadas. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário e não reconhecer o direito creditório. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 42 84 /2 00 8- 15 Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10880.954284/200815 Acórdão n.º 3201004.084 S3C2T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologar a compensação de créditos da contribuição (Cofins/PIS), decisão essa lastreada na ausência de direito creditório disponível, uma vez que os pagamentos declarados já haviam sido integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado que os créditos compensados eram decorrentes de Levantamento Fiscal lastreado em Demonstrativos de Apuração elaborados por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, em que se apuraram débitos referentes a cálculos e recolhimentos a menor da contribuição, bem como créditos relativos a recolhimentos a maior, que resultaram na compensação declarada. Informou, ainda, que a DCTF havia sido retificada para constar a apuração correta do débito, conforme planilha de apuração fiscal e demonstrativo contendo a descrição da base de cálculo apurada e o valor do imposto devido. A Delegacia de Julgamento, por meio do acórdão nº 16033.412, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento de que a apresentação de DCTF retificadora após o despacho decisório não era hábil a alterar a decisão proferida e que qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF devia vir acompanhada de documentação hábil e suficiente que o comprovasse. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte requereu a reforma da decisão de primeira instância ou, alternativamente, a conversão do julgamento em diligência, repisando os mesmos argumentos de defesa e alegando que procedera à retificação da DCTF de forma a fazer constar o valor do crédito pendente de reconhecimento e que, mesmo tendo sido apresentada após a ciência do despacho decisório, a declaração retificadora cumprira com os requisitos para a homologação da compensação, devendo prevalecer a verdade real. Sustentou, ainda, com fundamento no art. 147, § 2º, do CTN, que a falta da DCTF retificadora não era suficiente para negar ou impedir a homologação, uma vez que a DCTF original deveria ter sido retificada pela própria Receita Federal. É o relatório. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10880.954284/200815 Acórdão n.º 3201004.084 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201004.079, de 25/07/2018, proferido no julgamento do processo 10880.954277/200813, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.079): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise de cada um dos pontos do Recurso Voluntário. Preliminarmente registro que a recorrente teve garantido o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa nas duas instâncias administrativas. A retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impede o deferimento do pedido de compensação, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original (§ 1º do art. 147 do CTN). Citese jurisprudência do CARF sobre este ponto: Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Câmara Superior de Recursos Fiscais. 3ª Turma Acórdão nº 9303006.266 do Processo 13896.902360/200818 Data: 25/01/2018 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR AO DESPACHO DECISÓRIO. PROVAS DO ERRO COMETIDO. A retificação da DCTF depois de prolatado o despacho decisório não impede o deferimento do pedido, quando acompanhada de provas documentais comprovando a erro cometido no preenchimento da declaração original (§ 1º do art. 147 do CTN). O entendimento deste órgão para admitir a comprovação do direito creditório em momento posterior ao despacho decisório está fundamentado no §1º do art. 147 do CTN. Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiros, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10880.954284/200815 Acórdão n.º 3201004.084 S3C2T1 Fl. 5 4 § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. De acordo com tal dispositivo legal, cabe a recorrente comprovar o erro. Tal comprovação pode ser feita de diversas formas, inclusive por meio de planilhas, documentos contábeis, cópias de documentos, cupons, recibos e tantos outros. O fato é que o princípio da verdade material, alegado pela recorrente, exige provas que a ela competia trazer aos autos. Ainda que fosse na segunda instância, se juntasse as provas no recurso voluntário, certamente contaria com a possibilidade de seu acolhimento nesta segunda instância de julgamento. Ocorre que a recorrente não reúne provas na forma de documentação complementar, insistindo erroneamente em argumentar que o Demonstrativo de Apuração, elaborado pela Receita Federal seria suficiente. Sobre tal argumento, a DRJ se pronunciou alegando que o Demonstrativo de Apuração informa a inexistência de saldo. (efls. 122123) É improcedente a afirmação do contribuinte, pois o crédito compensado neste PER/DCOMP, no montante originário de R$3.135,41, relativo ao suposto pagamento, indevido ou a maior de contribuição do PIS/PASEP (Código de Receita 8109), recolhida em 15/10/1999, não decorre do Levantamento Fiscal noticiado, eis que o DEMONSTRATIVO DE SITUAÇÃO FISCAL APURADA juntado à Manifestação de Inconformidade (fls. 68/75) informa a INEXISTÊNCIA DE SALDO APURADO, fato confirmado na análise dos valores declarados pelo próprio Interessado na DCTF entregue à Receita Federal do Brasil, conforme telas de consulta que juntamos a estes autos (fls. 114/117) De fato, mesmo com boa vontade, o Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada, as efls. 68 75 dos autos, não deixa claro a existência de saldo creditório. Ao contrário, tratase de documento com anotações manuscritas, que necessitam de documentação complementar para tornar o crédito líquido e certo. Mesmo se o Demonstrativo fosse claro, ainda assim, não seria suficiente para garantir o direito. Faltaria a comprovação de erro por parte da recorrente no preenchimento da DCTF. No caso em exame, a recorrente não trouxe aos autos, nas duas oportunidades em que neles compareceu, quando da manifestação de inconformidade e agora em fase de recurso voluntário, qualquer prova documental para demonstrar o erro que alega que cometera no preenchimento da DCTF. Em grau de recurso não cabe fazer um pedido genérico para futura juntada de documentos ou diligência, sem alinhavar a hipótese legal em que se funda tal solicitação. Finalmente, observo que à autoridade julgadora administrativa é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10880.954284/200815 Acórdão n.º 3201004.084 S3C2T1 Fl. 6 5 apreciar as alegações de ofensa a princípios constitucionais. Nesse sentido, citase a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Conclusão Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 225DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.930426/2009-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003
ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE.
Somente são dedutíveis da CSLL apurada no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008.
RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório.
Numero da decisão: 1402-003.388
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis da CSLL apurada no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB n° 900/2008. RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. A simples retificação de declarações para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Barbara Santos Guedes (Suplente Convocada) e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 04 26 /2 00 9- 21 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10880.930426/200921 Acórdão n.º 1402003.388 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP), que considerou improcedente a manifestação de inconformidade em face do despacho decisório que não homologou a compensação declarada, diante da inexistência de crédito, conforme a seguinte ementa: "ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA. Não é possível compensar estimativa por meio de PER/DCOMP entre 29/10/2004 e 31/12/2008, nos termos da legislação tributária." Adoto, em sua integralidade, o relatório do Acórdão de Impugnação, complementandoo, ao final, com as pertinentes atualizações processuais. "Tratase de Despacho Decisório [...] que não reconheceu o direito creditório, cujo valor inicial original seria de R$ 124.266,49, pleiteado por meio de PER/DCOMP [...]. O crédito decorreria de pagamento indevido ou a maior no código de receita 2484 (CSLL DEMAIS PJ QUE APURAM O IRPJ COM BASE EM LUCRO REAL ESTIMATIVA MENSAL) por meio do DARF do período de apuração de 30/06/2003, com data de arrecadação de 19/12/2003, no valor total de R$ 124.266,49(incluindo multa de mora e juros de mora), pois o valor do DARF discriminado no PER/DCOMP em tela já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, e portanto, não homologou a compensação com débito no valor total original de R$ 5.057,07(mais multa de mora e juros de mora) declarado no mesmo PER/DCOMP[...]. A manifestação de inconformidade [...] foi apresentada pelos procuradores [...] acompanhada de cópias de Despacho Decisório, DARF, DCTF e DIPJ [...]. Alega “que a não localização do crédito tributário citado no Despacho Decisório ocorreu por erro no preenchimento da DCTF e da DIPJ, que já foram retificadas e anexadas a este processo, comprovando que o pagamento do tributo objeto da compensação foi, de fato, indevido”. Diz que o Despacho Decisório data de 20/04/2009, cerca de 4 anos após a entrega do PER/DCOMP, e que a empresa não teve “conhecimento desta incorreção comprovada pela certidão negativa em anexo.”. Diz, também, que o “não cancelamento dos débitos citados no despacho decisório ... trará enorme prejuízo a empresa uma vez que o crédito tributário utilizado na Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10880.930426/200921 Acórdão n.º 1402003.388 S1C4T2 Fl. 4 3 compensação já se encontra prescrito.” (sic). Por esses motivos, solicita a exclusão dos débitos constantes neste despacho decisório.”. É o relatório." Inconformada com o Acórdão da DRJ/SP1, a recorrente interpôs recurso voluntário, no qual apresenta, em síntese, as seguintes razões de fato e de direito para a reforma da decisão da Instância a quo: (A) Quanto à possibilidade de compensação de estimativa mediante PER/DCOMP · Caso se entenda que supostamente não seria possível a compensação de estimativa por meio de PER/DCOMP porque no período de 29/10/2004 a 31/12/2008 não havia legislação permitindo expressamente tal procedimento, requer a Recorrente seja aplicada retroativamente a IN 900/2008, em obediência ao art. 106, II, "c", do CTN, que consagra o principio da aplicação da lei mais benéfica ao contribuinte. (B) Violação ao princípio da verdade material · A Recorrente realizou todas as retificações que demonstram a existência de crédito suficiente para a liquidação do débito declarado. Neste sentido, não merece prosperar a afirmação do Ilustre Julgador de que a Recorrente deveria comprovar a existência de supostos erros em balancetes de suspensão/redução. · É imprescindível que prevaleça, in casu, o principio da verdade material, informador do processo administrativo fiscal, e segundo o qual a autoridade administrativa deve considerar os fatos tributários como na realidade aconteceram, sem exigir formalidades processuais extravagantes. (C) Ofensa aos princípios da Razoabilidade e Proporcionalidade · o v. acórdão ora recorrido ofende os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, devendo, portanto, ser reformado. Como destacado, todas as retificações necessárias foram realizadas pela Recorrente e demonstram que o crédito existente é suficiente para a quitação do débito mencionado no PER/DCOMP. Foge à razoabilidade a não extinção de débito mediante compensação de estimativa sob o simples argumento de que o procedimento não seria o correto, muito embora a existência de crédito seja manifesta. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10880.930426/200921 Acórdão n.º 1402003.388 S1C4T2 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402003.362, de 16/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.930429/2009 65, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402003.362): "O recurso voluntário atende aos pressuposto de admissibilidade, pelo que dele se toma conhecimento. DO MÉRITO A discussão em relação à restituição ou compensação de pagamento indevido ou a maior a título de estimativa, tratase de matéria sobre o CARF vem reiteradamente se posicionando pela sua possibilidade. Havendo inclusive a edição da Súmula CARF n 84, transcrita a seguir. Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Citase nesse sentido, os acórdãos paradigmas: Acórdão nº 120100.404, de 23/2/2011 Acórdão nº 120200.458, de 24/1/2011 Acórdão nº 110100.330, de 09/7/2010 Acórdão nº 910100.406, de 02/10/2009 Acórdão nº 10515.943, de 17/8/2006. O Acórdão n° 110100.329, da lavra da conselheira Edeli Pereira Bessa, segue a jurisprudência consolidada no âmbito do Carf, cujos argumentos, adotados na presente decisão, são transcritos a seguir: "É certo que a legislação consolidada no Regulamento do Imposto de Renda RIR/ 99 (art 895) autoriza a Receita Federal a expedir instruções necessárias à efetivação de compensação pelos contribuintes. No mesmo sentido veio também redigido o §5° incluído no art. 74 da Lei n° 9.430/96 pela Medida Provisória n° 66/2002, atualmente transportado para o § 1 4 desde a edição da Lei n° 11.051/2004: Art 74 O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.930426/200921 Acórdão n.º 1402003.388 S1C4T2 Fl. 6 5 compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão (Redação dada pela Lei n" 10 637, de 2002) [...] § 1 4 A Secretaria da Receita Federa SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei n° 11.051, de 2004) E este poder normativo pode se materializar tanto no âmbito da definição de procedimentos operacionais, como na fixação de restrições materiais já presentes na lei que estabelece a incidência tributária ou concede benefícios fiscais, Contudo, ao operar sob este segundo direcionamento, tem se a dita eficácia retroativa da norma interpretativa, que entendo se verificar ainda que a Administração Tributária assim não a declare expressamente. Relativamente aos indébitos de estimativas, não vejo como tratar a restrição inserta a partir da instrução Normativa SRF n° 460/2004 como procedimental. Não vislumbro espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Até cogito que tal seria possível em razão destes recolhimentos não se constituírem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação tributária principal, aproximandose, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para não se sujeitar à regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, porém, exigiria que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de indébitos de estimativas a qualquer tempo, e não apenas na vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição, como já verificado em outros litígios que relatei perante esta Turma. Concordo que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, como já conclui em voto anterior apresentado a esta Turma, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei n° 9.430/96, tenho que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB n° 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. Transcrevo, a seguir, minha manifestação acerca da matéria: Relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF n° 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB n° 900/2008), a Receita Federal buscou coibir Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.930426/200921 Acórdão n.º 1402003.388 S1C4T2 Fl. 7 6 a utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: (Omissis) As antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF n° 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário. De outro lado, porém, é possível interpretar que a Lei n° 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art 2°: (Omissis) Diante deste contexto, temse por formalmente correto o procedimento adotado pela recorrente: as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual do IRPJ, e o crédito dali decorrente, atualizado com juros à taxa SELIC a partir do recolhimento indevido, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, inclusive para liquidação do próprio IRPJ apurado no ajuste do mesmo anocalendário, mas, evidentemente sem a dedução daquelas parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis.Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não vejo, ante o contexto que expus, obstáculo legal ao pedido de restituição ou a compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4° da Lei 9.250/95 c/c art. 73 da Lei n° 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, ao interpretar que somente as estimativas devidas na forma da Lei n° 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, concluo que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, friso, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.930426/200921 Acórdão n.º 1402003.388 S1C4T2 Fl. 8 7 das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não admito que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas mensais com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. (Omissis) E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF n° 51, de 31 de outubro de 1995 especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: (Omissis) No presente caso, a contribuinte alega que errou ao apurar a estimativa em balancete de suspensão/redução de dezembro/2004, e assim apontou o indébito constituído em 31/01/2005 para compensações com outros tributos, posteriormente, inclusive, à apuração do ajuste anual em 31/12/2004. Destaco que a DIPJ originalmente apresentada em 2005 já apontava a apuração da estimativa de dezembro/2004 com base em balancete de suspensão/redução. Imperioso, portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido no balancete de suspensão/redução de dezembro/2004, a sua adequação para a formação do indébito de RS 86.729.499,25, e a correspondente disponibilidade, mediante prova que não se valeu desta antecipação para liquidação do IRPJ devido no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, ao contrário do que parece pretender a recorrente, o fato de o fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão em aspecto preliminar, qual seja, a possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta preliminar, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10880.930426/200921 Acórdão n.º 1402003.388 S1C4T2 Fl. 9 8 Registro, inclusive, o entendimento expresso pela maioria desta Turma Ordinária, no sentido de que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimentos. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação." No uso da competência dada pelo § 14 do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, e por meio das INs SRF n° 460/2004 e 600/2005, cuja vigência ocorreu de 29/10/2004 a 30/12/2008, a Receita Federal do Brasil não admitiu a compensação imediata de recolhimentos indevidos de estimativas. Já com a IN RFB n° 900/2008, o Fisco alterou o entendimento e excluiu essa limitação de seu texto. A evolução da legislação administrativa a respeito do assunto foi a seguinte: O artigo 10 da Instrução Normativa n° 460/2004 não permitiu que indébitos oriundos de recolhimentos por estimativa fossem compensados de imediato, devendo compor o saldo de IRPJ e CSLL apurado ao final do período: "Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período." A mesma redação foi mantida no artigo 10 da IN SRF n° 600/2005, in verbis: "Art. 10 A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.930426/200921 Acórdão n.º 1402003.388 S1C4T2 Fl. 10 9 final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período." Já com a edição da Instrução Normativa RFB n° 900/2008, no seu artigo 11, o Fisco deixou de coibir a imediata compensação de recolhimentos indevidos de estimativas. "Art 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período." Assiste, assim, razão à recorrente quando afirma que as regras contidas na IN RFB n° 900/2008 são perfeitamente aplicáveis ao caso em voga, pois alteraram o entendimento anteriormente expresso pelas INs 460/2004 e 600/2005, podendo ser computado como crédito o montante de estimativa recolhido indevidamente. A própria Receita Federal do Brasil já se posicionou no sentido de admitir o procedimento adotado pela recorrente, por meio da Solução de Consulta 285 SRRF/9ª RF/Disit de 17/07/2009, assim ementada: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de IRPJ apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com o imposto de renda devido a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei n° 9.430, de 1996, arts. 2° e 6°; Lei n° 8.981, de 1995, art. 35; ADN SRF n° 3, de 2000; IN RFB n° 900, de 2008, arts. 2°a 4° e 34. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL SALDO NEGATIVO. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. Em regra, o saldo negativo de CSLL apurado anualmente poderá ser restituído ou compensado com a contribuição devida a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp; A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10880.930426/200921 Acórdão n.º 1402003.388 S1C4T2 Fl. 11 10 bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Dispositivos Legais: Lei n° 9.430, de 1996, arts. 2° e 6°; Lei n° 8.981, de 1995, art. 35; ADNSRF n° 3, de 2000; INRFB n° 900, de 2008, arts. 2°a 4° e 34." Porém, apenas em tese assiste razão ao recorrente em suas alegações, haja vista que teve seu pedido de restituição indeferido, pois, ainda que tenha sido localizado pagamento ao qual se amolda aquele apontado na PER/DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente já teria sido utilizado para a extinção anterior de outro débito. Isso equivale a dizer que o valor do DARF foi integralmente consumido na extinção, por pagamento, de débito regularmente registrado nos arquivos da Receita Federal, motivo pelo qual não há saldo disponível para restituir. O recorrente alega que a não localização do crédito tributário citado no Despacho Decisório ocorreu por erro no preenchimento da DCTF e da DIPJ, que já foram retificadas e anexadas a este processo, comprovando que o pagamento do tributo objeto da compensação foi, de fato, indevido. No acórdão de 1ª Instância, concluise que as estimativas recolhidas de março e de abril devem ter sido apuradas em conformidade com as leis comerciais e fiscais. Na hipótese de ter havido erro em balancete de suspensão/redução, este haveria que ser provado, para que o crédito pudesse ser aceito em processo administrativo fiscal, se houvesse o devido permissivo legal. A Recorrente alega que realizou todas as retificações que demonstram a existência de crédito suficiente para a liquidação do débito declarado. Neste sentido, argumenta que não merece prosperar a afirmação do Ilustre Julgador de que a Recorrente deveria comprovar a existência de supostos erros em balancetes de suspensão/redução. O Recorrente argumenta que é imprescindível que prevaleça, in casu, o principio da verdade material, informador do processo administrativo fiscal, e segundo o qual a autoridade administrativa deve considerar os fatos tributários como na realidade aconteceram, sem exigir formalidades processuais extravagantes. Não assiste razão ao Recorrente em suas alegações, pois a mera retificação de DIPJ e DCTF não confirmam o crédito alegado, que já foi objeto de procedimento fiscal. No presente voto, adotase o mesmo entendimento do acórdão recorrido, ou seja, na hipótese de ter havido erro em balancete de suspensão/redução, este haveria que ser provado, para que o crédito pudesse ser aceito em processo administrativo fiscal. A comprovação do crédito, através da demonstração de erro no balancete de suspensão/redução é condição Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.930426/200921 Acórdão n.º 1402003.388 S1C4T2 Fl. 12 11 imprescindível para a homologação do Per/Dcomp, não se caracterizando como "formalidade processuais extravagante". Portanto não deve prosperar a alegação de ofensa ao princípio da verdade material. Da mesma forma devem ser afastada a alegação de ofensa ao princípios da razoabilidade e proporcionalidade, pois as retificações de declarações não são suficientes para demonstrar a existência do crédito para a quitação do débito mencionado no PER/DCOMP. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Fl. 86DF CARF MF
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