Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,712)
- Primeira Turma Ordinária (16,211)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,078)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,784)
- Segunda Turma Ordinária d (14,416)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,379)
- Segunda Turma Ordinária d (12,361)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,416)
- Quarta Câmara (84,742)
- Terceira Câmara (67,310)
- Segunda Câmara (55,745)
- Primeira Câmara (20,136)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,275)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,843)
- Segunda Seção de Julgamen (114,408)
- Primeira Seção de Julgame (76,513)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,882)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,918)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,503)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,419)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13888.901963/2009-82
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004
NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO.
Correta a não homologação de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora integralmente utilizado para a quitação de débito com características distintas.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DO RECORRENTE.
Compete ao Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente o direito creditório vindicado, utilizando-se de meios idôneos e na forma prescrita pela legislação.
Ausentes os elementos mínimos de comprovação do crédito, não cabe realização de auditoria pelo julgador do Recurso Voluntário neste momento processual, eis que implicaria o revolvimento do contexto fático-probatório dos autos.
Numero da decisão: 1002-000.603
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2004 NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a não homologação de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora integralmente utilizado para a quitação de débito com características distintas. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2004 PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DO RECORRENTE. Compete ao Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente o direito creditório vindicado, utilizando-se de meios idôneos e na forma prescrita pela legislação. Ausentes os elementos mínimos de comprovação do crédito, não cabe realização de auditoria pelo julgador do Recurso Voluntário neste momento processual, eis que implicaria o revolvimento do contexto fático-probatório dos autos.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13888.901963/2009-82
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5970589
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1002-000.603
nome_arquivo_s : Decisao_13888901963200982.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : AILTON NEVES DA SILVA
nome_arquivo_pdf_s : 13888901963200982_5970589.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira e Ângelo Abrantes Nunes.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
id : 7649596
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:39:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661485735936
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1478; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T2 Fl. 171 1 170 S1C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.901963/200982 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1002000.603 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 12 de fevereiro de 2019 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente BAERLOCHER DO BRASIL SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 NÃO HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a não homologação de declaração de compensação, quando comprovado que o crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora integralmente utilizado para a quitação de débito com características distintas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DO RECORRENTE. Compete ao Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente o direito creditório vindicado, utilizando se de meios idôneos e na forma prescrita pela legislação. Ausentes os elementos mínimos de comprovação do crédito, não cabe realização de auditoria pelo julgador do Recurso Voluntário neste momento processual, eis que implicaria o revolvimento do contexto fáticoprobatório dos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 19 63 /2 00 9- 82 Fl. 171DF CARF MF Processo nº 13888.901963/200982 Acórdão n.º 1002000.603 S1C0T2 Fl. 172 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Em prestígio aos princípios da economia e celeridade processual, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/RPO: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de nº 04863.49760 021006.1.7.040852, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de CSLL (código de receita: 2484) e de IRJP (2362) de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLL – código de receita: 2484) (fls. 84/88). Por intermédio do despacho decisório de fl. 97, não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fl. 02, na qual alega, em síntese, que: A Per/Dcomp a qual se refere o despacho está correta, porém não constava a informação na DCTF ref. 4° Trimestre/2004, onde agora após a retificação efetuada podese perceber claramente o valor do crédito utilizado na Perdcomp. Segue cópias dos documentos: DCTF Ref.: 4° Trimestre/2004 retificadora transmitida em 22/04/2009; e Per/Dcomp 04863.19760.021006.1.7.04852. À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da cobrança, espera e requer a impugnação, cancelandose o débito reclamado. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/RPO, conforme acórdão n. 1440.918, de 25 de março de 2013 (efl. 103), que recebeu a seguinte ementa: Fl. 172DF CARF MF Processo nº 13888.901963/200982 Acórdão n.º 1002000.603 S1C0T2 Fl. 173 3 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 02/10/2006 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Irresignada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário (efls. 114), no qual, oferece os argumentos abaixo sintetizados (grifos do original). Registra que " ...é pessoa jurídica de direito privado que apura e recolhe o IRPJ e a CSSL com base no Lucro Real, adotando o regime de Estimativa Mensal, com apresentação de balancetes mensais de suspensão...". Diz que "No mês de dezembro de 2004, a Recorrente apurou, por estimativa, um débito de CSLL no montante de R$ 44.749,55 (quarenta e quatro mil setecentos e quarenta e nove reais e cinqüenta e cinco centavos), tendo promovido o regular recolhimento do tributo em questão conforme faz prova o comprovante de arrecadação expedido pela própria Receita Federal do Brasil...". Aduz "....que o tributo efetivamente devido no mês de dezembro de 2004 redundou ser de R$ 24.025,94 (vinte e quatro mil vinte e cinco reais e noventa e quatro centavos), conforme claramente se verifica pelo balancete do referido mês/ano, pela DIPJ e pela DCTF...". Conclui que "...é credora do Fisco em R$ 20.723,61 (vinte mil setecentos e vinte e três reais e sessenta e um centavos), o qual, corrigido, montava em R$ 21.671,97 (vinte e um mil seiscentos e setenta e um reais e noventa e sete centavos), tendo utilizado referido crédito em uma única Per/Dcomp, no montante de R$ 21.201,30(vinte e um mil duzentos e um reais e trinta centavos)". Ao final, requer o integral provimento do recurso para o fim de homologar a compensação declarada. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva, Relator Admissibilidade Fl. 173DF CARF MF Processo nº 13888.901963/200982 Acórdão n.º 1002000.603 S1C0T2 Fl. 174 4 Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23B do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, com redação dada pela Portaria MF nº 329/2017. Demais disso, observo que o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Mérito Quanto ao mérito, constato que o ora Recorrente não teve homologado o PER/DCOMP nº 04863.49760 021006.1.7.040852, transmitido em 02/10/2006, sob a alegação de que o crédito original de R$ 21.201,30 nele informado já havia sido utilizado integralmente no pagamento de outro débito, conforme mostra o excerto do Despacho Decisório Eletrônico abaixo: Como se observa, o crédito informado no PER/DCOMP nº 04863.49760 021006.1.7.040852 decorre de pagamento indevido ou a maior, e a circunstância fática que motivou seu indeferimento está inequivocamente registrada no Despacho Decisório Eletrônico, qual seja: a utilização anterior do crédito pleiteado no pagamento de tributo de código 2484 (CSLL Demais PJ que Apuram o IRPJ com base em Lucro Real Estimativa Mensal), do período de apuração de 31/12/2004. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 13888.901963/200982 Acórdão n.º 1002000.603 S1C0T2 Fl. 175 5 Em suas razões de defesa, o Recorrente afirma que apura e recolhe o IRPJ e a CSLL com base no Lucro Real, adotando o regime de Estimativa mensal, com a apresentação de balancetes mensais de suspensão ou redução dos tributos, e que no mês de dezembro de 2004 apurou um saldo credor correspondente a R$ 20.723,61, o qual foi utilizado para compensação no PER/DCOMP nº 04863.49760 021006.1.7.040852. Vejo que o Recorrente não trouxe provas suficientes ou fundamentos de fato e de direito tendentes a infirmar a decisão de indeferimento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação do PER/DCOMP proferida pela instância de origem. Por ocasião da apresentação da Manifestação de Inconformidade, o então manifestante apresentou, tão somente, DIPJ/2005 e DCTF retificadora do 4º trimestre de 2004 enviada após a ciência do despacho decisório de não homologação da compensação, ocorrida em 01/04/2009 (efls 98), ambas desacompanhadas de provas documentais provenientes de sua escrituração contábilfiscal; agora, no Recurso Voluntário, limitouse a apresentar fichas de DRE, de Balanço patrimonial encerrado em 31/12/2004, e de balancete analítico do mês 12/2004 emitidas em 08/08/2013 (efls. 129), data posterior à de ciência do despacho decisório. Além disso, o Recorrente ignorou por completo o registro do voto condutor do acórdão recorrido alertando para a necessidade de apresentação de outros documentos e livros contábeis/fiscais do períodobase examinado para a comprovação do suposto crédito, tais como: Livros Diário, Razão e Lalur. Este arcabouço probatório seria imprescindível ao batimento dos dados constantes das declarações com os da escrituração do contribuinte, para efeito de comprovar a regular transcrição, idoneidade e identidade dos registros e atestar o oferecimento à tributação de receitas que ensejaram retenções legais do período, de modo a permitir, assim, a formação de juízo conclusivo quanto ao reconhecimento do direito creditório postulado. Concluo, portanto, não haver reparos a fazer na decisão recorrida, motivo porque reproduzo, na sequência, os trechos principais dela extraídos, adotandoos como razões de decidir, de acordo com o §1º do art. 50, da Lei nº 9.784/1999 c/c o §3º do art. 57, do RICARF (grifos do original): (...) Com efeito, no que diz respeito à CSLL, informada como origem do crédito na PER/Dcomp, observo que a contribuinte declarou, em sua DCTF, como débito apurado de CSLL (código de receita: 2484), no mês de dezembro/2004, o valor de R$44.749,55, extinto mediante DARF, no mesmo valor, ou seja, o indébito fiscal objeto de compensação no presente processo foi utilizado integralmente para pagamento do débito de CSLL do mês de dezembro de 2004 (Telas de sistema de controle, ora anexadas). Dessa forma, o Despacho Decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Piracicaba (fl. 97) não reconheceu qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologou a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito da contribuinte (período de Fl. 175DF CARF MF Processo nº 13888.901963/200982 Acórdão n.º 1002000.603 S1C0T2 Fl. 176 6 apuração: 31/12/2004), não restando crédito disponível para compensação do débito informado na PER/DCOMP. A contribuinte, por sua vez, em 22/04/2009 (fl. 03), retificou a DCTF do período, para alterar, para menos, o montante da dívida originariamente declarada, para R$24.025,94, período de apuração de dezembro de 2004, de modo a delinear o crédito pretendido (fl. 65). Tenhase presente, ainda, que referido ato ocorreu somente em 22/04/2009 (fl. 03), ou seja, após a ciência do despacho decisório que ocorreu em 05/04/2009 (fl. 98), embora tenha promovida diversas retificações anteriores da mesma declaração original, conforme comprova tela de sistema ora anexada. Em comprovação de suas alegações, a interessada trouxe aos autos unicamente as cópias da DCTF retificadora. Malgrado o intento da contribuinte, cabe assinalar que para fins de repetição tributária, a certeza e a liquidez do crédito apurado não se configuram em razão do quantum do tributo declarado, mas em relação ao quantum comprovado pela contabilidade e outros documentos fiscais. Daí porque é imprescindível que venham aos autos as provas, notadamente contábeis, mesmo porque a contribuinte é pessoa jurídica sujeita ao regime do Lucro Real, para a qual a lei exige contabilidade regular, nos termos do artigo 7º do Decretolei nº 1.598, de 1977. Inclusive, por se tratar de contribuinte sujeito ao regime de apuração dos tributos com base no lucro real, este deveria, ao fim de cada períodobase de incidência do tributo, apurar o lucro líquido do exercício mediante a elaboração, com observância das disposições da lei comercial, do balanço patrimonial, da demonstração do resultado do exercício e da demonstração de lucros ou prejuízos acumulados, que serão transcritos no Livro de Apuração de Lucro Real (LALUR), nos termos dos artigos 7º e seu § 4º, e 8º, inciso I, ambos do Decreto Lei nº 1.598, de 1977. Assim, não basta à interessada alegar o pagamento a maior ou indevido do tributo, mas também deve trazer, por ocasião do presente contencioso, justificativas lastreadas em lançamentos contábeis que identifiquem, inequivocamente, a base de cálculo da CSLL do mês de dezembro de 2004, a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido devida em meses anteriores e os recolhimentos que deram origem ao indébito pretendido. Dentre essas provas, destacamse: os registros contábeis de conta no ativo da CSLL a recuperar, a expressão deste direito em Balanços ou Balancetes, a Demonstração do Resultado do Exercício, a contabilização (oferecimento à tributação) das receitas que ensejaram as retenções, os Livros Diário e Razão, etc., e ainda os registros no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), tudo a dar sustentação à veracidade da CSLL apurada no mês de dezembro de 2004. Fl. 176DF CARF MF Processo nº 13888.901963/200982 Acórdão n.º 1002000.603 S1C0T2 Fl. 177 7 (...) No presente caso, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou documentação hábil a comprovar suas alegações, limitandose a tãosomente apresentar cópia de DCTF retificadora, conforme já citada. Nesse prisma, salientese que ambas as Declarações são preenchidas pela própria contribuinte e devem retratar os dados da escrituração da pessoa jurídica. Contudo, a simples alegação de erro no preenchimento da DCTF, sem apoio nos registros contábeis e fiscais da interessada, não é suficiente para se comprovar o direito creditório pleiteado. Em vista disso, importante também registrar que a informação prestada na Declaração de Imposto de Renda (DIPJ), por si só, não dá lastro à pretensão repetitória, pois dito documento prova a declaração, não o fato. A análise acima descrita reflete o posicionamento deste julgador quanto ao tema ora examinado e seus fundamentos estão em perfeita consonância com a legislação regente da matéria. Acrescento que os requisitos de liquidez e certeza do crédito são exigências legais para deferimento da homologação da compensação, a teor do que dispõe o artigo 170 do Código Tributário Nacional CTN (grifos nossos): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. É de se ressaltar, ainda, que não compete a este relator sanar possíveis erros de preenchimento de PER/DCOMP ou demonstrar que a não homologação da compensação foi equivocada, a uma, porque há comprovação evidente e insofismável nos autos de que o suposto crédito foi alocado a outro débito e, a duas, porque o ônus probatório do direito vindicado é do Recorrente, conforme prevê a legislação1 e de acordo com forte corrente jurisprudencial deste CARF, da qual colaciono, como exemplos, os Acórdãos 3201002.303 e 3001000.312: ACÓRDÃO 3201002.303 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1989, 1990, 1991, 1992 1 Lei nº 9.784/99: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Fl. 177DF CARF MF Processo nº 13888.901963/200982 Acórdão n.º 1002000.603 S1C0T2 Fl. 178 8 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. (...) Recurso Voluntário Negado Acórdão n.º 3001000.312 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. À vista do exposto, o improvimento do recurso impõese. Dispositivo Considerando que o artigo 170 do CTN só autoriza a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos dos interessados frente à Fazenda Pública; que o suposto crédito de R$ 21.201,30 constante do PER/DCOMP de nº 04863.49760 021006.1.7.04 0852 fora integralmente utilizado na quitação de débitos de tributo do código 2484 de período de apuração de 31/12/2004; e, ainda, que o Recorrente não traz elemento de prova capaz de infirmar os fatos aqui narrados, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, mantendo integralmente a decisão de piso. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 178DF CARF MF Processo nº 13888.901963/200982 Acórdão n.º 1002000.603 S1C0T2 Fl. 179 9 Aílton Neves da Silva Fl. 179DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.901945/2015-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 18/11/2014
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 195, §7º DA CFB/88. PIS/PASEP - FOLHA DE PAGAMENTO. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL.
Entidades Beneficentes de Assistência Social gozam da imunidade tributária desde que atendam os requisitos estabelecidos em lei. (Paradigma RE nº 636.941/RS).
Numero da decisão: 3401-005.650
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201811
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 18/11/2014 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 195, §7º DA CFB/88. PIS/PASEP - FOLHA DE PAGAMENTO. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Entidades Beneficentes de Assistência Social gozam da imunidade tributária desde que atendam os requisitos estabelecidos em lei. (Paradigma RE nº 636.941/RS).
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10830.901945/2015-16
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5972851
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3401-005.650
nome_arquivo_s : Decisao_10830901945201516.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 10830901945201516_5972851.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
dt_sessao_tdt : Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7655589
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:39:47 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661488881664
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1539; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.901945/201516 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.650 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de novembro de 2018 Matéria PEDIDO DE RESTITUIÇÃO PIS/PASEP Recorrente FUNDACAO DE DESENVOLVIMENTO DA UNICAMP FUNCAMP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 18/11/2014 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 195, §7º DA CFB/88. PIS/PASEP FOLHA DE PAGAMENTO. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Entidades Beneficentes de Assistência Social gozam da imunidade tributária desde que atendam os requisitos estabelecidos em lei. (Paradigma RE nº 636.941/RS). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório Tratam os autos de Pedido de Restituição de contribuição para o PIS Folha de Pagamento, referente a pagamento indevido ou a maior: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 19 45 /2 01 5- 16 Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10830.901945/201516 Acórdão n.º 3401005.650 S3C4T1 Fl. 3 2 A DRF Campinas proferiu Despacho Decisório (eletrônico), indeferindo o Pedido de Restituição por inexistência de crédito. Tomando por base o DARF discriminado no PER/DCOMP, constatou que fora integralmente utilizado para quitação de débito declarado para o mesmo período: Não satisfeita com a resposta do fisco, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, cujos argumentos foram resumidos pelo relator do acórdão recorrido: Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Atende aos requisitos fixados em lei para imunidade tributária das contribuições previdenciárias, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS (certificado de entidade beneficente de assistência social). Discorre sobre sua condição de imune. Alegou também que a emissão do CEBAS é obrigação legal da autoridade coatora, sendo seu direito líquido e certo. Requer que os efeitos decorrentes do pedido do CEBAS sejam aplicados sobre os recolhimentos objeto deste pedido, em função de seu caráter declaratório com efeitos retroativos. Tece argumentos sobre sua natureza jurídica e suas atividades. A inscrição no CMAS de Campinas está sendo discutida na via judicial e dela depende a concessão do CEBAS. A decisão de piso proferida pela DRJ/JFA julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e ratificou inteiramente o Despacho Decisório, nos termos do Acórdão nº 09060.110, onde quedou assentado entendimento de que "as entidades filantrópicas fazem juz à imunidade tributária sobre a contribuição destinada ao Programa de Integração Social (PIS), desde que atendidos os pressupostos legais". Retirase, ainda, da decisão de primeiro grau, que a inscrição no CMAS de Campinas/SP foi cancelada e persiste a ausência do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), condição necessária para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. A Recorrente ingressou tempestivamente com Recurso Voluntário contra o acórdão da DRJ/JFA, reproduzindo os argumentos que embasaram sua Manifestação de Inconformidade. Quanto a inscrição no CMAS (municipal) e no CEBAS (federal), diz o seguinte: d. Da Inscrição no CMAS A inscrição da Recorrente no Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS de Campinas sob o nº 132E, conforme comprovante anexado no pedido de CEBAS, foi cancelada sob o fundamento de que foi reformada pelo E. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo – TJ/SP a r. Sentença proferida pelo MM. Juízo da 7ª Vara da Fazenda Pública nos autos do Mandado de Segurança nº 0025280 57.2013.8.26.0053 concessiva de ordem para que o CMAS/Campinas inscrevesse a Recorrente. Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10830.901945/201516 Acórdão n.º 3401005.650 S3C4T1 Fl. 4 3 Sucede que esta decisão não é definitiva porquanto estão pendentes de julgamento os Recursos Extraordinário e Especial interpostos pela Recorrente (doc. 05). Esta situação não afeta a imunidade tributária, mas apenas a isenção, em especial o requisito de que trata o art. 19, inc. I da Lei 12.101/2009. e. Do Cadastro de Entidades de Assistência Social O cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social, cuja inscrição é exigida no inc. II do art. 19 da Lei nº 12.101/2009, está sendo construído a partir dos cadastros dos Conselhos Municipais de Assistência Social e que já inseriu a Recorrente, conforme extrato anexo (doc. 06). Em decorrência, não é da alçada da Recorrente o atendimento desse requisito, disposto no art. 19, inc. II da Lei 12.101/2009. Segue ainda afirmando que: “Conforme documentação apresentada pela Recorrente anexa e no protocolo de expedição originária de CEBAS que apresentou ao Ministério do Desenvolvimento Social MDS, todos os requisitos exigidos pela Constituição Federal e Código Tributário Nacional estão atendidos pela Recorrente”. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.634, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10830.901689/201486, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.634): "O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A lide no presente processo versa sobre pedido de ressarcimento da contribuição para o PIS – Folha de Pagamento do período de apuração 28/02/2009, pelo fato da Recorrente estar amparada pela imunidade prevista no art. 195, §7º da Constituição Federal, que contempla o seguinte: “§ 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei”. Essa condição contida no dispositivo constitucional citado, de que: “atendam às exigências estabelecidas em lei”, é que está Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10830.901945/201516 Acórdão n.º 3401005.650 S3C4T1 Fl. 5 4 gerando a controvérsia neste processo. Quanto a isenção ou imunidade em si, relacionada a contribuição para o PIS – Folha de Pagamento, não há divergência entre fisco e contribuinte, todos a reconhecem. Portanto, a imunidade constitucional para ser alcançada depende do preenchimento de alguns requisitos como bem assentado no julgamento do RE nº 636.941/RS, no rito do art. 543B do CPC, onde se decidiu que são imunes à Contribuição ao PIS/Pasep, inclusive quando incidente sobre a folha de salários, as entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos legais, quais sejam, aqueles previstos nos artigos 9º e 14 do CTN, bem como no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991 (atualmente, art. 29 da Lei nº 12.101, de 2009). Na sequência dos dispositivos legais citados, temos que o artigo 29 da Lei nº 12.101/2009, estabelece que: Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: Já o art.19 da mesma Lei diz que: Art. 19. Constituem ainda requisitos para a certificação de uma entidade de assistência social: I estar inscrita no respectivo Conselho Municipal de Assistência Social ou no Conselho de Assistência Social do Distrito Federal, conforme o caso, nos termos do art. 9º da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993; e II integrar o cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social de que trata o inciso XI do art. 19 da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993. A decisão de piso foi taxativa em sua fundamentação de que cancelada a inscrição da requerente no Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS de Campinas/SP, não se pode cogitar da inscrição no CEBAS e ser possuidor do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. Não há que se falar no direito para o gozo da imunidade prevista no artigo 195, §7º da CF/88. A Recorrente tem pleno conhecimento desse fato, tanto que em seu recurso voluntário repete a informação de que a inscrição no CMAS foi cancelada e que busca reverter essa decisão nos autos do Mandato de Segurança nº 0025280 57.2013.8.26.0053, da 7ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo – TJ/SP, atualmente pendente de decisão definitiva em face de Recursos Extraordinário e Especial interpostos. Entende ainda, a Recorrente, que o texto do §7º do art. 195 da CF/88 e o CTN em seu art. 14 tratam de coisas distintas, o Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10830.901945/201516 Acórdão n.º 3401005.650 S3C4T1 Fl. 6 5 primeiro trata de isenção e o segundo de imunidade tributária. Faz citação a Lei nº 12.101/2009 e conclui que: Ao seu turno, os arts. 18 e 19 da Lei 12.101/2009 fixaram os requisitos para o gozo de isenção tributária, desoneração fiscal criada pela legislação ordinária. A partir dessas disposições, constatase que os requisitos para gozar a imunidade são os seguintes: a) ser entidade beneficente de assistência social; b) não distribuir parcela de patrimônio ou rendas; c) aplicar integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; d) manter escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. Ao passo que, para gozar a isenção tributária, além dos requisitos acima, devese atender ao seguinte: e) prestar serviços ou realizar ações sócio assistenciais para usuários ou quem deles necessitar e de forma gratuita; f) estar inscrita no respectivo Conselho Municipal de Assistência Social; e g) integrar o cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social. Os requisitos para gozar a imunidade tributária são devidamente cumpridos pela Requerente. Quanto à isenção, a matéria está sub judice, conforme a seguir esmiuçado. Observase que a Recorrente inova em sua tese de defesa com relação ao texto do §7º do art. 195 da CF/88, que a isenção lá mencionada se divide em imunidade e isenção. Que ela, a Recorrente, preenche todos os requisitos para gozar da imunidade tributária e quanto à isenção, a matéria está sub judice. Não é essa a interpretação dada pelo STF na decisão proferida no RE nº 636.941/RS, antes apresentada, que a imunidade da contribuição ao PIS – Folha de Pagamento atinge as entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos legais e dentre eles os da Lei nº 12.101/2009. Diante dessas colocações da Recorrente perguntase: porque buscar o reconhecimento do direito da isenção à incidência do PIS – Folha de Pagamento para entidade beneficente de assistência social, com Recursos ao STJ e STF, se a entidade goza da imunidade tributária? Quem pode o mais pode o menos e juridicamente não faria o menor sentido. Uma das exigências estabelecidas em lei para atender a isenção/imunidade contida no art. 195, §7º da CFB é Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10830.901945/201516 Acórdão n.º 3401005.650 S3C4T1 Fl. 7 6 aquela prevista no artigo 19, I e II da Lei nº 12.101/2009, integrar o cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social, representada pela inscrição no CEBAS. A certificação do CEBAS é concedida às entidades que atuam nas áreas da assistência social, saúde ou educação, possibilitando usufruir da isenção de contribuições para a seguridade social e a celebração de parcerias com o poder público, desde que atendam aos requisitos dispostos na Lei nº 12.101/2009. Primeiro a entidade deve estar inscrita no respectivo Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS de Campinas/SP (Inciso I do art. 19); segundo integrar o cadastro do CEBAS (Inciso II do mesmo artigo). Outro ponto colocado pela decisão de piso é com relação a possível sucesso nos recursos interpostos em Mandato de Segurança, quanto ao cancelamento da inscrição no CMAS – Campinas/SP. Se isso ocorrer, volta a empresa a ter seu direito restabelecido, nos estritos termos da sentença a ser proferida, respeitandose a autonomia das instâncias envolvidas e o cumprimento das decisões/sentenças publicadas. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 282DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10820.000148/2002-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 05/10/2002
EMBARGOS INOMINADOS. FUNÇÃO DO INSTRUMENTO. HIPÓTESES. ARTIGO 66 DO RICARF. CABIMENTO.
De acordo com o artigo 66 do RICARF, no caso de embargos inominados o que se busca é a correção de inexatidão material, devida a lapso manifesto, e de erros de escrita ou de cálculo. Portanto, trata-se de instrumento para correção questões objetivas, sobre as quais não pairam dúvidas. Até a edição do Decreto nº 7.574, de 2011, tais correções podiam ser promovidas por meio de despacho do Presidente da Câmara. Entretanto, após o referido decreto, que em seu artigo 67 determina que as inexatidões materiais deverão ser corrigidas "mediante a prolação de um novo acórdão", houve uma integração ao conteúdo dos artigos 31 e 32 do Decreto 70.235/72, devendo ser prolatado novo julgamento Colegiado para a correção de tais pontos.
Dessarte, trata-se de instrumento que pode ser manejado para a anulação de julgamento em duplicidade do recurso voluntário, situação de lapso manifesto constatada pelo Tribunal.
Numero da decisão: 3402-006.222
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Inominados, para o cancelamento do Acórdão n. 3402-002.040.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Ausente o conselheiro Pedro Sousa Bispo, substituído pela conselheira Larissa Nunes Girard.
Nome do relator: Relator Thais De Laurentiis Galkowicz
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 05/10/2002 EMBARGOS INOMINADOS. FUNÇÃO DO INSTRUMENTO. HIPÓTESES. ARTIGO 66 DO RICARF. CABIMENTO. De acordo com o artigo 66 do RICARF, no caso de embargos inominados o que se busca é a correção de inexatidão material, devida a lapso manifesto, e de erros de escrita ou de cálculo. Portanto, trata-se de instrumento para correção questões objetivas, sobre as quais não pairam dúvidas. Até a edição do Decreto nº 7.574, de 2011, tais correções podiam ser promovidas por meio de despacho do Presidente da Câmara. Entretanto, após o referido decreto, que em seu artigo 67 determina que as inexatidões materiais deverão ser corrigidas "mediante a prolação de um novo acórdão", houve uma integração ao conteúdo dos artigos 31 e 32 do Decreto 70.235/72, devendo ser prolatado novo julgamento Colegiado para a correção de tais pontos. Dessarte, trata-se de instrumento que pode ser manejado para a anulação de julgamento em duplicidade do recurso voluntário, situação de lapso manifesto constatada pelo Tribunal.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10820.000148/2002-14
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5973465
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3402-006.222
nome_arquivo_s : Decisao_10820000148200214.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : Relator Thais De Laurentiis Galkowicz
nome_arquivo_pdf_s : 10820000148200214_5973465.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Inominados, para o cancelamento do Acórdão n. 3402-002.040. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Ausente o conselheiro Pedro Sousa Bispo, substituído pela conselheira Larissa Nunes Girard.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
id : 7656885
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:39:56 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661500416000
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1860; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 602 1 601 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10820.000148/200214 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3402006.222 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de fevereiro de 2019 Matéria PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Embargante CONSELHEIRO Interessado UNIALCO S/A ÁLCOOL E AÇÚCAR ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 05/10/2002 EMBARGOS INOMINADOS. FUNÇÃO DO INSTRUMENTO. HIPÓTESES. ARTIGO 66 DO RICARF. CABIMENTO. De acordo com o artigo 66 do RICARF, no caso de embargos inominados o que se busca é a correção de inexatidão material, devida a lapso manifesto, e de erros de escrita ou de cálculo. Portanto, tratase de instrumento para correção questões objetivas, sobre as quais não pairam dúvidas. Até a edição do Decreto nº 7.574, de 2011, tais correções podiam ser promovidas por meio de despacho do Presidente da Câmara. Entretanto, após o referido decreto, que em seu artigo 67 determina que as inexatidões materiais deverão ser corrigidas "mediante a prolação de um novo acórdão", houve uma integração ao conteúdo dos artigos 31 e 32 do Decreto 70.235/72, devendo ser prolatado novo julgamento Colegiado para a correção de tais pontos. Dessarte, tratase de instrumento que pode ser manejado para a anulação de julgamento em duplicidade do recurso voluntário, situação de lapso manifesto constatada pelo Tribunal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Inominados, para o cancelamento do Acórdão n. 3402002.040. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 01 48 /2 00 2- 14 Fl. 602DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Cynthia Elena de Campos, Thais De Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Ausente o conselheiro Pedro Sousa Bispo, substituído pela conselheira Larissa Nunes Girard. Relatório Tratase de embargos inominados opostos em tempo hábil pelo Conselheiro então presidente desta Presidente da 2ª Turma Ordinária, sob o pressuposto de lapso manifesto no Acórdão embargado. Isto porque o Presidente da 3ª Seção noticiou que o Acórdão nº 3402 002.040, prolatado em 26 de março de 2013, foi proferido em duplicidade, vez que o mesmo recurso voluntário já havia sido objeto de julgamento, em 1° de junho de 2011, pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção, resultando no Acórdão nº 3101000.763. É o relatório. Voto Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora Pelo relato acima, de pronto constatase que houve, no presente processo, error in procedendo do Tribunal ao proferir o Acórdão 3402002.040 (fls 587 a 600). Afinal o mesmo recurso voluntário já havia sido objeto de julgamento anteriormente, por meio do Acórdão 3101000.763 (fls 581 a 586), não havendo justificativa processual ou material alguma para que nova decisão viesse aos autos. Na realidade, segundo o despacho de fls 571, o Acórdão original fora excluído dos autos provavelmente porque continha erros. "Porém, SECOJ, ao invés de providenciar correções necessárias, determinou a distribuição por sorteio. E como nele não havia mais o acórdão, nem esta Secretaria nem o Conselheiro relator perceberam a falta." Constatado tal equívoco,vêm a julgamento os embargos inominados. Vejamos o teor do artigo 66 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que disciplina tais embargos: Art. 66. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. Do texto supra transcrito constatase que, no caso de embargos inominados, o que se busca é a correção de inexatidão material, devida a lapso manifesto, e de erros de escrita ou de cálculo. Portanto, tratase de instrumento para correção questões objetivas, sobre as quais não pairam dúvidas. Até a edição do Decreto nº 7.574, de 2011, tais correções podiam ser promovidas por meio de despacho do Presidente da Câmara. Entretanto, após a edição do referido decreto, que em seu artigo 67 determina as inexatidões materiais deverão ser corrigidas "mediante a prolação de um novo acórdão", houve uma integração ao conteúdo dos Fl. 603DF CARF MF Processo nº 10820.000148/200214 Acórdão n.º 3402006.222 S3C4T2 Fl. 603 3 artigos 31 e 32 do Decreto 70.235/72, devendo ser prolatado novo julgamento do Colegiado para a correção de tais pontos. Ou seja, os embargos inominados tem função bastante singela e específica, nunca podendo ser manejado como forma de rever o quanto decidido pelo acórdão embargado. Quotidianamente vemos a utilização dos embargos inominados pra os fins que lhe são próprios no CARF, como a adequação da ementa ao conteúdo do acórdão; a correção de determinados números que foram objeto de erros de digitação; dentre outros. No presente caso o que se busca é a utilização do instrumento para justamente um dos fins a que se destina: sanar lapso manifesto constatado nos autos, qual seja, a duplicidade de Acórdãos proferidos para o mesmo recurso voluntário. Por tudo quanto exposto, voto no sentido de acolher os embargos inominados, para o cancelamento do Acórdão n. 3402002.040. Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 604DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.901255/2017-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.626
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Apr 03 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10825.901255/2017-06
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5981602
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-001.626
nome_arquivo_s : Decisao_10825901255201706.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10825901255201706_5981602.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
id : 7678289
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:41:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661506707456
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1736; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10825.901255/201706 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.626 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 29 de janeiro de 2019 Assunto PIS. IMUNIDADE. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Recorrente IRMANDADE DA SANTA CASA DE MACATUBA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de pedido de Restituição de PIS. A DRF em Bauru/SP, mediante Despacho Decisório, indeferiu o pleito sob o fundamento de que o pagamento indicado no PER encontravase totalmente alocado/vinculado a débito declarado da contribuinte. Na manifestação apresentada a contribuinte afirma que a contribuição ao PIS é indevida porque no julgamento do RE nº 636.941/RS houve decisão do STF, com repercussão geral, no sentido de que as “entidades beneficentes de assistência social possuem imunidade tributária em relação à contribuição destinada ao Programa de Integração Social (PIS).” Informa que solicitou a extinção da dívida constante do processo de parcelamento nº 10825.722624/201615 com base na nota explicativa PGFN/CASTF 637/2014. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 25 .9 01 25 5/ 20 17 -0 6 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10825.901255/201706 Resolução nº 3201001.626 S3C2T1 Fl. 3 2 Esclarece ainda, que em razão dessa decisão retificou a DCTF e solicitou a restituição dos valores pagos. Informa que está anexando Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, Ata e Estatuto Social, solicitando o deferimento do pedido. Após exame da defesa apresentada a DRJ proferiu acórdão, cuja ementa se transcreve, na parte de interesse: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 636.941/RS. REQUISITOS. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o recurso extraordinário nº 636.941/RS, no rito do art. 543B da revogada Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 antigo Código de Processo Civil, decidiu que são imunes à Contribuição ao PIS/Pasep, inclusive quando incidente sobre a folha de salários, as entidades beneficentes de assistência social, desde que comprovem o atendimento aos requisitos legais, quais sejam, aqueles previstos nos artigos 9º e 14 do CTN, bem como no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991 (atualmente, art. 29 da Lei nº 12.101, de 2009). Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão acima a contribuinte apresentou diversos documentos, que informa preencherem os requisitos dos artigos 9º e 14 do CTN. Apresentou Recurso Voluntário alegando, em síntese, que cumpriu todos os requisitos estabelecidos em lei para usufruir da imunidade em comento. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3201001.598, de 29/01/2019, proferido no julgamento do processo 10825.901227/201781, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3201001.598): "O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos e merece ser conhecido. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10825.901255/201706 Resolução nº 3201001.626 S3C2T1 Fl. 4 3 Inicialmente verifico que o contribuinte apresentou parte dos documentos exigidos inicialmente pela DRF para demonstrar a imunidade. No entanto, foi indeferido o pleito por “porque o pagamento indicado para dar suporte ao pleito encontravase totalmente alocado/vinculado a débito da contribuinte.” Ainda o Contribuinte demonstrou que houve parcelamento do débito, sendo que a DRJ proferiu voto reconhecendo o parcelamento, porém, indeferindo o pedido por entender que o Contribuinte não tinha apresentado todos os documentos nos termos do art. 9º e 14 do CTN, combinado com o art. 29 da Lei nº 12.101. Contudo, após proferido Acórdão pela DRJ o Contribuinte apresentou os demais documentos necessários para concessão dos benefícios da imunidade, juntamente com o Recurso Voluntário. Nesse sentido, já se manifestou a 1ª Turma da CSRF: Ementa(s) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário:1999, 2000, 2001, 2002 RATEIO DE DESPESAS. DEDUTIBILIDADE. É válida a adoção de método de aferição indireta de rateio de despesas quando o contribuinte não fornece à fiscalização os documentos necessários para ser aferido o cumprimento do critério de rateio convencionado. INGRESSOS DE VALORES RECEBIDOS POR CONSTITUIÇÃO DE USUFRUTO ONEROSO. Os ingressos oriundos da constituição de usufruto oneroso devem ser tributáveis ao longo do período de usufruto .Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário:1999, 2000, 2001, 2002 PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SEM INOVAÇÃO E DENTRO DO PRAZO LEGAL. Da interpretação sistêmica da legislação relativa ao contencioso administrativo tributário, art. 5º, inciso LV da Lei Maior, art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo federal, e arts. 15 e 16 do PAF, evidenciase que não há óbice para apresentação de provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação, e dentro do prazo temporal de trinta dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. Descabe falar em alteração de critério jurídico quando a decisão recorrida mantém o enquadramento legal e a interpretação dos fatos adotados pela Fiscalização, mas exonera parcela do crédito tributário por entender que alguns valores deveriam ser reconhecidos em outros períodos de apuração.Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário:1999, 2000, 2001, 2002 DECADÊNCIA. A decadência prevista no artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional somente ocorre quando há pagamento antecipado do tributo, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça ao julgar o Recurso Especial nº 973.733SC, representativo de controvérsia. 16327.001227/200542. Data da Sessão 08/08/2017. Adriana Gomes Rêgo Relatora. André Mendes de Moura Redator Designado. Acórdão 9101 003.003 Verificando que o Contribuinte sempre atendeu o pleito da fiscalização, converto o feito em julgamento para que a DRF , verifique os documentos juntados são hábeis e se em seu entender são preenchidos os requisitos do art. 9º e 14, combinado com o art. 29 da Lei nº 12.101. Verificando que o Contribuinte sempre atendeu o pleito da fiscalização, converto o feito em diligência para que a DRF, verifique os documentos juntados são hábeis e se em seu entender são preenchidos os requisitos do art. 9º e 14, combinado com o art. 29 da Lei nº 12.101. Ainda, podendo intimar o contribuinte que apresente outros documentos que ache necessário." Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10825.901255/201706 Resolução nº 3201001.626 S3C2T1 Fl. 5 4 Importante salientar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte também juntou declarações e documentos fiscais que embasam a alegação da imunidade que entende possuir direito. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência do paradigma, também a justificam nos presentes autos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado converteu o julgamento em diligência para que a DRF verifique se os documentos juntados são hábeis e se, em seu entender, são preenchidos os requisitos do art. 9º e 14, combinado com o art. 29 da Lei nº 12.101, podendo, ainda, intimar o contribuinte a apresentar outros documentos que ache necessários. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 138DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.904016/2015-92
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.862
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13896.904016/2015-92
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5993274
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-001.862
nome_arquivo_s : Decisao_13896904016201592.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 13896904016201592_5993274.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório
dt_sessao_tdt : Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
id : 7706165
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661508804608
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1618; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 2 1 1 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.904016/201592 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3201001.862 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 26 de março de 2019 Assunto SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA Recorrente CATHO ONLINE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Trata o processo de Recurso Voluntário contra decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade em face da não homologação da compensação apresentada pela contribuinte. Segundo o despacho decisório, as compensações não foram homologadas em razão de não ter sido apurada a existência de direito creditório. Tais conclusões, ao que consta, encontram amparo no Termo de Verificação Fiscal carreado aos autos. No aludido TVF, emitido em decorrência da necessidade de análise das DCTF retificadoras apresentadas e, também, dos esclarecimentos que posteriormente foram prestados pela contribuinte, consta que “as receitas auferidas pela CATHO, decorrentes de sua atividade RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .9 04 01 6/ 20 15 -9 2 Fl. 555DF CARF MF Processo nº 13896.904016/201592 Resolução nº 3201001.862 S3C2T1 Fl. 3 2 fim, não se enquadram na exceção prevista no inciso XXV do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, estando sujeitas, portanto, ao regime NÃO CUMULATIVO de apuração do PIS e do COFINS.” Consta, portanto, que as DCTF retificadoras não deveriam ser homologadas e que, por não existirem, os créditos não deveriam ser reconhecidos. Na manifestação de inconformidade apresentada, a contribuinte, após resumo dos fatos, esclarece que houve mudança no controle acionário da empresa e que, em razão disso, foi submetida a uma profunda revisão de políticas e procedimentos. Em decorrência, diz que teria identificado que suas atividades vinham sendo indevidamente qualificadas para fins de PIS e de Cofins, sendo necessário, portanto, a retificação das DCTF. A seguir, discorre sobre a sua atividade. Afirma que os serviços prestados não abrangem promessa de emprego ou obrigação presente ou futura de recolocação ou obtenção de emprego para seus clientes. Aduz, ainda, que o seu site na internet “é somente uma ferramenta online que permite ao assinante consultar vagas, enviar currículos e acessar demais conteúdos aí disponibilizados” sem “qualquer garantia de colocação profissional” nem “qualquer cobrança relacionada a essas atividades.” Em suma, conforme afirma, “simplesmente disponibiliza conteúdo na Internet aos Assinantes e não desenvolve qualquer atividade de intermediação.” Salienta que se qualifica como empresa de Internet, com atividade de portal ou empresa provedora de conteúdo e de informações, e que sua atividade vem descrita na Norma 004/95, aprovada pela Portaria nº 148, de 1995, item 3, letras ‘e’ e ‘f’ do Ministério das Comunicações. Objetivando o acesso às informações especializadas que são disponibilizadas, afirma que desenvolveu ferramenta própria (software), “cujo uso é liberado/cedido para seus clientes, os Assinantes.” Insiste que não promove a intermediação de contratação de mão de obra. Aduz que “sua tarefa se esgota em permitir o acesso à informação que integra seus bancos de dados: currículos e vagas.” Chama a atenção para o contido no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003 e diz que conforme Solução de Consulta nº 309, de 2011, “a RFB confirmou, expressamente, que, para o contribuinte aplicar o regime cumulativo dessas contribuições sociais, basta exercer apenas uma das atividades mencionadas no inciso XXV citado anteriormente.” Na seqüência, diz que se deve destacar “que a simples não homologação das declarações retificadoras não é fato que, por si só, é capaz de fundamentar a não homologação das compensações realizadas.” Diz ser incabível a revisão de ofício da homologação pois ela não teria ocorrido por erro “mas sim pelo correto enquadramento legal da situação ora analisada”. Se houve erro, aduz, ele teria ocorrido com a revisão. Reclama, ainda, que não existe base legal para a revisão de ofício. Insiste na necessidade de cancelamento do despacho decisório. Ao final, requer a reforma do despacho decisório e a homologação das compensações. Subsidiariamente requer o cancelamento do despacho decisório em face da Fl. 556DF CARF MF Processo nº 13896.904016/201592 Resolução nº 3201001.862 S3C2T1 Fl. 4 3 impossibilidade de revisão de ofício no caso de erro de direito. Protesta pelo direito de provar o alegado por todos os meios de prova e informa que “não está questionando judicialmente a matéria discutida nestes autos.” A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte e não reconheceu o direito creditório. Inconformada a contribuinte, apresentou recurso voluntário no qual repisa mesmos argumentos pleiteados em manifestação de inconformidade para o deferimento integral dos valores que constam do pedido de restituição. Suscita em seu pedido: i. Seja declarada a nulidade do v. acórdão recorrido, com o retorno dos autos à origem, para que (a) nova decisão seja proferida, com adstrição aos limites objetivos da lide fixados no Termo de Verificação Fiscal e na manifestação de inconformidade; ou (b) subsidiariamente, para que seja devolvido à recorrente o prazo para manifestação, garantindo lhe o exercício do direito de defesa em relação aos pontos novos suscitados pelo v. acórdão, tudo sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 16, 17 e 18, parágrafo 3o, do Decreto n. 70.235, à luz do art. 5o, inciso LIV e LV, da Constituição de 1988; ii. Na eventualidade da superação da preliminar acima, seja reformado o v. acórdão, com o integral cancelamento das exigências fiscais, em razão da declaração: a. da nulidade do r. despacho decisório, por ter configurado revisão de ofício de lançamento, por erro de direito, com violação aos arts. 145 e 149 do CTN; b. da nulidade do r. despacho decisório, por carência de motivação, por ter se baseado em termo de verificação fiscal que não analisou o direito creditório discutido nestes autos, com violação ao art. 9o do Decreto n. 70,235; c. da improcedência do r. despacho decisório, tendo em vista a legitimidade da inclusão das receitas da recorrente no regime cumulativo de apuração da contribuição ao PIS e da COFINS, com a consequente homologação da declaração de compensação, sob pena de contrariedade e negativa de vigência aos arts. 10, inciso XXV e 15, inciso V, da Lei n. 10.833; d. eventualmente, caso se entenda que a requerente se encontra submetida ao regime não cumulativo das contribuições, seja reconhecida a inexistência de crédito tributário passível de cobrança, sob pena de bis in idem. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº Fl. 557DF CARF MF Processo nº 13896.904016/201592 Resolução nº 3201001.862 S3C2T1 Fl. 5 4 3201001.853, de 26 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 13896.720975/201638, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.8539): "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Antes de adentrar ao exame do Recurso apresentado, cumpre esclarecer que o presente processo tramita na condição de paradigma, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015: Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46. § 1º Quando houver multiplicidade de recursos com fundamento em idêntica questão de direito, o Presidente de Turma para o qual os processos forem sorteados poderá sortear 1 (um) processo para definilo como paradigma, ficando os demais na carga da Turma. § 2º Quando o processo a que se refere o § 1º for sorteado e incluído em pauta, deverá haver indicação deste paradigma e, em nome do Presidente da Turma, dos demais processos aos quais será aplicado o mesmo resultado de julgamento. Nesse aspecto, é preciso esclarecer que cabe a este Conselheiro o relatório e voto apenas deste processo, ou seja, o entendimento a seguir externado terá por base exclusivamente a análise dos documentos, decisões e recurso anexados neste processo. Feito tal esclarecimento, passase ao exame das razões de Recurso. A pretensão da contribuinte de requalificar a natureza jurídica de seus serviço, de intermediação para atividades de internet, enquadrando as receitas auferidas no regime cumulativo foi indeferido no despacho decisório proferido com base nas conclusões do TVF que consta do dossiê nº 10010.014822/021604, formalizado para análise das DCTFs retificadoras transmitidas para espelharem o procedimento de requalificação. De fato, concluiu o procedimento fiscal que os serviços prestados pelo contribuinte não poderiam ser qualificados como serviços de internet (art. 10, XXV e art. 15, V, da Lei nº 10.833/03), mas sim de intermediação, mantendoos no regime de apuração não cumulativo. Fl. 558DF CARF MF Processo nº 13896.904016/201592 Resolução nº 3201001.862 S3C2T1 Fl. 6 5 A principal matéria em litígio envolve a rejeição pela autoridade fiscal em sede de despacho decisório da requalificação das atividades da recorrente e a mudança para o regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS e para a Cofins. Os argumentos da fiscalização são no sentido de que o regime a que se submete as receitas das atividades desenvolvidas pela Catho para apuração e recolhimento continuava a ser o da não cumulatividade, pois não se tratam de serviços de informática (desenvolvimento de software ou de páginas eletrônicas) nos termos do art. 10, XXV, da Lei nº 10.833/03 uma vez que a atividade seria a prestação de serviços de intermediação ao profissional que busca se posicionar no mercado de trabalho. Nada obstante, o TVF assevera que para que a receita auferida subsumase à sistemática da apuração cumulativa devese comprovar que esta (receita) advenha da prestação de alguns dos serviços listados no referido dispositivo da Lei 10.833/03. Pois bem, compulsando os autos, em especial os termos e demais peças que constam do dossiê nº 10010.014822/021604 verificase que em momento algum a contribuinte fora intimada a comprovar a natureza de suas receitas. Ao contrário, a intimação limitouse a solicitar esclarecimentos e informações que resultaram na requalificação das receitas, como se vê: De ressaltar, contudo, que o fundamento para o indeferimento do pleito creditório é a natureza da receitas das atividades prestadas pela Catho conforme descritos nos autos, que não se qualificam como sujeitas à apuração cumulativa. O acórdão da DRJ trilha o mesmo fundamento de indeferimento e não homologação das compensações exarados no despacho decisório. Evidenciouse naquela decisão que o sítio da internet da Catho é uma mera ferramenta para quer o assinante consulte vagas de trabalho, envie currículos e acesse outros conteúdos. Poderseia concordar com os argumentos daqueles julgadores conquanto não trouxessem argumento subsidiário no qual reconhecem a possibilidade da contribuinte fazer prova de que determinadas atividades auferem receitas cuja apuração se dá no regime cumulativo. Vejase o excerto do voto condutor do acórdão recorrido: É possível concluir, portanto, que algumas de suas receitas podem estar sujeitas à apuração cumulativa das contribuições, ensejando, assim, a real possibilidade de enquadramento da empresa na modalidade de apuração mista das contribuições Fl. 559DF CARF MF Processo nº 13896.904016/201592 Resolução nº 3201001.862 S3C2T1 Fl. 7 6 (circunstância que, sendo eficazmente comprovada, pode evidenciar um possível erro no preenchimento da DCTF original). A forma como a existência de tal erro – que deve ser corrigido via DCTF retificadora – pode vir a ser acatado administrativamente irá depender da apresentação de provas (conforme estabelece o §1º do art. 147 do CTN), baseadas na escrituração contábil/fiscal do período analisado, ou seja, da apresentação de provas capazes de demonstrar, sem possibilidade de dúvida, quais receitas foram efetivamente auferidas nos períodos sob análise e a que tipo de serviço/atividade elas se vinculam. Ressaltese que, para fazer jus à apuração cumulativa, devese comprovar que as receitas advêm efetivamente da prestação de serviços, no caso, de informática (tal como listado no inc. XXV do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, já transcrito). Evidentemente, as receitas assim enquadradas, devem ser passíveis de segregação, com vistas à correta tributação. Sem que tais comprovações existam nos autos, inviável será o deferimento do pleito. Resta claro que no mérito a decisão recorrida reconheceu a possibilidade do contribuinte fazer prova a seu favor, providência esta até então não determinada pela autoridade fiscal e se insere nas situações que o art. 16 do Decreto nº 70.235/72 PAF prevê regra de exceção para a apresentação extemporânea de conjunto probatório após a impugnação (manifestação de inconformidade): Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...]Art. 16. A impugnação mencionará: [...]III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...]§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 560DF CARF MF Processo nº 13896.904016/201592 Resolução nº 3201001.862 S3C2T1 Fl. 8 7 Assim, entendo que os autos devam retornar à unidade preparadora para apreciação do Laudo Técnico apresentado pela Recorrente. Ante o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora analise o Laudo Técnico colacionado aos autos pela Recorrente e identifique as atividades cujas receitas inseremse no regime de apuração cumulativa nos termos do inciso XXV do art. 10 e inciso V do art. 15, ambos da Lei nº 10.833/03. Se entender necessário, deverá intimar a Recorrente para, ainda no curso da diligência, apresentar outros documentos e/ou esclarecimentos a respeito do litígio. Ao término do procedimento, deve elaborar Relatório Fiscal sobre os fatos apurados na diligência, sendolhe oportunizado manifestarse sobre a existência de outras informações e/ou observações que julgar pertinentes ao esclarecimento dos fatos. Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 561DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.906876/2012-17
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2008 a 30/09/2008
PRELIMINAR. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Demonstrados no despacho decisório eletrônico os fatos que ensejaram a não-homologação da compensação, informada a sua correta fundamentação legal e emitido por autoridade competente, é de se rejeitar a alegação de nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa.
AUSÊNCIA DE DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste cerceamento de defesa quando o próprio contribuinte não requer a realização de diligência e o julgador de primeira instância não determina a sua realização por entender que os elementos que integram os autos são suficientes para a plena formação de convicção e, portanto, para que se proceda ao julgamento. A diligência fiscal não tem a finalidade de trazer aos autos as provas documentais que cabia ao sujeito passivo produzir.
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO.
A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3002-000.609
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/2008 a 30/09/2008 PRELIMINAR. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Demonstrados no despacho decisório eletrônico os fatos que ensejaram a não-homologação da compensação, informada a sua correta fundamentação legal e emitido por autoridade competente, é de se rejeitar a alegação de nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa. AUSÊNCIA DE DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando o próprio contribuinte não requer a realização de diligência e o julgador de primeira instância não determina a sua realização por entender que os elementos que integram os autos são suficientes para a plena formação de convicção e, portanto, para que se proceda ao julgamento. A diligência fiscal não tem a finalidade de trazer aos autos as provas documentais que cabia ao sujeito passivo produzir. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13888.906876/2012-17
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5975523
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 25 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3002-000.609
nome_arquivo_s : Decisao_13888906876201217.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
nome_arquivo_pdf_s : 13888906876201217_5975523.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves
dt_sessao_tdt : Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
id : 7664883
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:40:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661520338944
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2057; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 1.207 1 1.206 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13888.906876/201217 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.609 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 20 de fevereiro de 2019 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR PIS Recorrente ELRING KLINGER DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2008 a 30/09/2008 PRELIMINAR. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Demonstrados no despacho decisório eletrônico os fatos que ensejaram a nãohomologação da compensação, informada a sua correta fundamentação legal e emitido por autoridade competente, é de se rejeitar a alegação de nulidade do despacho decisório por cerceamento de defesa. AUSÊNCIA DE DILIGÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quando o próprio contribuinte não requer a realização de diligência e o julgador de primeira instância não determina a sua realização por entender que os elementos que integram os autos são suficientes para a plena formação de convicção e, portanto, para que se proceda ao julgamento. A diligência fiscal não tem a finalidade de trazer aos autos as provas documentais que cabia ao sujeito passivo produzir. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. PROVA. APRECIAÇÃO INICIAL EM SEGUNDA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. LIMITES. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972 e, excepcionalmente, quando visem à complementar instrução probatória já iniciada quando da interposição da manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 68 76 /2 01 2- 17 Fl. 1207DF CARF MF Processo nº 13888.906876/201217 Acórdão n.º 3002000.609 S3C0T2 Fl. 1.208 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves Relatório O processo administrativo ora em análise trata de PER/DCOMP (fl. 38/43), cujo crédito teria origem em recolhimento da PIS efetuado a maior. A compensação declarada não foi homologada, conforme despacho decisório (fl. 18), pelos seguintes motivos: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Após ser intimada da decisão, a ora recorrente apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade e a instruiu com atos constitutivos e de representação da empresa, o Despacho Decisório, o Dacon retificador e o Per/Dcomp original. Em seqüência, analisando os argumentos apresentados, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte DRJ/BHE julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por Acórdão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/09/2008 DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. Fl. 1208DF CARF MF Processo nº 13888.906876/201217 Acórdão n.º 3002000.609 S3C0T2 Fl. 1.209 3 Deve ser rejeitada a preliminar de nulidade, quando o Despacho Decisório contém a fundamentação legal e as informações e orientações necessárias ao exercício da plena defesa do contribuinte, e a tramitação do processo se dá em observância estrita ao rito do processo administrativo fiscal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/09/2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 63/73), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, em linhas gerais, alegando cerceamento do direito de defesa, tanto do Despacho Decisório, como do Acórdão recorrido, e, no mérito repisa argumentos já apresentados em sua Manifestação de Inconformidade. Anexa aos autos novos documentos. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Esta Turma Julgadora já teve, recentemente, oportunidade de se debruçar exatamente sobre matéria, situação fática e probatória semelhantes as constantes nos presentes autos em outros processos da mesma contribuinte. Como exemplo desse fato, citese o processo administrativo nº 13888.906857/201291, no qual foi proferido o Acórdão nº 3002 000.523 da relatoria da Ilustre Conselheira Larissa Nunes Girard. Assim, por entender que o Acórdão citado espelha perfeitamente o meu entendimento sobre a matéria posta em análise no processo atual, reproduzo excerto daquele voto condutor e adoto como razões de decidir os fundamentos ali lançados: Fl. 1209DF CARF MF Processo nº 13888.906876/201217 Acórdão n.º 3002000.609 S3C0T2 Fl. 1.210 4 "Preliminar de Nulidade – Cerceamento de Defesa Na alegação de nulidade por cerceamento do direito de defesa, a recorrente defende que, em prol da verdade material, deveria a autoridade administrativa ter analisado os documentos juntados e solicitado novos documentos (e/ou diligência) para apurar mais alguma informação necessária para a decisão. Prossegue afirmando que a divergência entre Dacon e DCTF não seria motivo suficiente para o indeferimento do pedido, visto que a DCTF por si só não é garantia de liquidez ou certeza da compensação, motivo pelo o qual deveria o julgador ter procurado esclarecer a razão da divergência entre Dacon e DCTF, em uma análise mais cuidadosa da situação, e que o cerceamento se configura por não ter havido fundamentação baseada na análise dos documentos apresentados. De pronto, chama a atenção a inversão de papéis e responsabilidades pretendida pela recorrente. O que temos, de fato, ao longo de todo este processo, são falhas na atuação do contribuinte. Quando fez a transmissão da declaração de compensação, ela estava em desacordo tanto com o Dacon quanto com a DCTF. Ao se aperceber da divergência, providenciou a retificação apenas do Dacon, mas não da DCTF, que é uma declaração que tem o poder de uma confissão de dívida. Posteriormente, ao protocolar sua manifestação de inconformidade, mesmo sabedor do não provimento do seu pedido, não trouxe aos autos eventuais provas que pudesse ter sobre o montante do débito que considerava realmente devido. Limitouse a juntar o Dacon retificador, documento ao qual a DRJ já tinha acesso. E agora, nesta fase, após a segunda negativa a seu pleito, junta notas fiscais em valor insuficiente para respaldar a redução do débito realizada e protesta contra a omissão da Administração Fazendária, que não teria se ocupado de produzir as provas que a ele caberia. É cediço que, nos casos de solicitação de restituição, compensação e ressarcimento de crédito contra a Fazenda Nacional, cabe ao contribuinte, aquele que alega o direito, o ônus da produção da prova. Tal entendimento, aplicado de forma pacífica nos diversos colegiados do Carf, sustentase no Decreto nº 7.574/2011, que regulamenta o processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União. Por ele, vemos em seu art. 28 que cabe ao interessado a prova dos fatos que alega. Igualmente podemos nos socorrer do Código de Processo Civil, que estabelece em seu art. 373 que, quanto ao fato constitutivo de seu direito, o ônus da prova incumbe ao autor. Portanto, se o contribuinte não exerceu o seu direito no momento e na forma que deveria, não cabe inculpar a Administração por sua desatenção. O Decreto nº 70.235/1972 (PAF) estabelece que a manifestação de inconformidade deve Fl. 1210DF CARF MF Processo nº 13888.906876/201217 Acórdão n.º 3002000.609 S3C0T2 Fl. 1.211 5 conter os argumentos e provas necessários para a demonstração do que se alega, nos seguintes termos: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito; V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (grifado) Fica claro pelo texto legal que a recorrente deveria ter produzido as provas quando apresentou sua impugnação/manifestação de inconformidade. No que tange à reclamação pela ausência de diligência, deve ser esclarecido que se trata de procedimento facultativo, disponível para o julgador quando há dúvida substancial, que deve ser sanada para que seja possível a tomada de decisão, nos termos do que dispõe o PAF em seu art. 18, in verbis: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (grifado) Segundo se depreende do voto do Acórdão da DRJ, não houve qualquer incerteza que justificasse a determinação de ofício de realização de diligência. Como, de sua parte, o contribuinte também não solicitou o procedimento, possibilidade prevista no PAF, não cabe reclamar do julgador que entendeu existirem elementos suficientes para a decisão e assim a proferiu. Cabem ainda algumas considerações sobre o PER/Dcomp e o despacho decisório. A declaração de compensação (Per/Dcomp) que se analisa teve tratamento eletrônico, que consiste no cruzamento dos dados informados pelo contribuinte em suas Fl. 1211DF CARF MF Processo nº 13888.906876/201217 Acórdão n.º 3002000.609 S3C0T2 Fl. 1.212 6 declarações, em busca de se encontrar, ao menos, consistência e coerência nas informações, de modo a permitir o deferimento do pleito. Essa sistemática visa ao processamento rápido de um número expressivo de compensações, o que não se alcança com a análise manual. De se ressaltar que esse batimento de dados não é apto para verificar a fidedignidade contidos nas declarações, mas tão somente a coerência entre eles, de tal forma que o mínimo que se exige do contribuinte nesta fase é que preste a mesma informação em sua declaração de compensação e em sua DCTF. Caso se constate divergência, a compensação é indeferida e o contribuinte tem a oportunidade de apresentar explicações e documentos que irão demonstrar o seu direito ao crédito. Portanto, ainda que a verificação eletrônica consista em um procedimento préestabelecido e limitado, de forma alguma o direito de argumentar, explicar ou se defender é reduzido ou retirado do contribuinte. Fazse necessário, ainda, o esclarecimento sobre o propósito e alcance de cada declaração, aspectos que a recorrente trata com impropriedade e tenta utilizar como forma de desacreditar as decisões. A Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) constitui confissão de dívida, instrumento hábil e suficiente para a cobrança administrativa, conforme dispõe o DecretoLei nº 2.124/1984, sendo enviada para inscrição na Divida Ativa da União em caso de não liquidação dos débitos, e, por isso, é a declaração que a Receita Federal utiliza em suas verificações. O Dacon, por sua vez, é mero demonstrativo da apuração das contribuições sociais, prestandose a detalhar para a Receita Federal como o contribuinte encontrou o valor declarado em DCTF e auxiliar a fiscalização. O Dacon não tem o mesmo status jurídico da DCTF. Por esse motivo, o que consta no Dacon é indício de direito, mas não prova, não havendo qualquer mácula na fundamentação da decisão de primeira instância quando afirma que a retificação de Dacon, destituída de documentos que comprovem a redução do débito não faz prova do direito creditório. (...) Igualmente descabido é o argumento de que a DRJ teria ignorado as alegações e argumentos juntados pela recorrente, sem considerálos em sua decisão. A leitura do voto é suficiente para demonstrar o que se afirma e, por isso, transcrevo a parte final do acórdão recorrido: "No caso, o recorrente não comprova erro que possa alterar o fundamento do despacho decisório. Na falta de comprovação do erro, a divergência entre os valores informados em Dacon e DCTF afasta a certeza do crédito e é Fl. 1212DF CARF MF Processo nº 13888.906876/201217 Acórdão n.º 3002000.609 S3C0T2 Fl. 1.213 7 razão suficiente para o indeferimento do pedido de restituição ou da compensação. Nesse ponto, cabe assinalar que a simples indicação de supostos valores corretos em Dacon retificador ou em demonstrativo integrante da manifestação de inconformidade não é suficiente para comprovar erro nas informações prestadas originalmente na DCTF, de forma a evidenciar a existência de pagamento indevido ou a maior no período considerado e atestar a certeza e liquidez do crédito." (...) Dessa maneira, concluo que não há vício nas decisões que integram este processo, pois estão fundamentadas, foram proferidas por autoridades competentes, os prazos e ciências foram respeitados, os argumentos e o único documento pertinente juntado à manifestação de inconformidade foi analisado. Ademais, e tratase de aspecto elementar para a caracterização do cerceamento de defesa, pelo conteúdo das peças recursais, vêse que o sujeito passivo compreendeu perfeitamente o motivo da denegação do seu pedido. Pelo o exposto, afasto a preliminar de nulidade por cerceamento de defesa. Mérito Tendo compreendido que a mera retificação do Dacon, desacompanhada de documentação que justificasse a redução do débito confessado, não era suficiente para demonstrar o direito, a recorrente traz aos autos provas documentais, pela primeira vez, na fase de recurso voluntário. E requer a sua apreciação, sem maiores considerações sobre o fato de fazêlo intempestivamente. Sobre esse ponto, então, irá residir o cerne deste julgamento. A compensação somente pode ser concedida para créditos líquidos e certos, conforme estabelece o art. 170 do Código Tributário Nacional, e, como já mencionado, que a demonstração da certeza e liquidez nos casos de compensação é ônus que recai sobre o requerente. Assim sendo, para que a Receita Federal autorize a compensação, deve a recorrente demonstrar de forma inequívoca seu crédito, por meio de alegações e provas, e o momento de fazêlo é quando da apresentação da manifestação de inconformidade, em obediência ao Decreto nº 70.235/1972, que assim instituiu: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Fl. 1213DF CARF MF Processo nº 13888.906876/201217 Acórdão n.º 3002000.609 S3C0T2 Fl. 1.214 8 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (grifado) Do exposto, extraímos que a recorrente deveria ter juntado a documentação necessária para comprovar o seu direito quando decidiu recorrer do despacho decisório. Foi aí que se iniciou o contencioso e foram definidos os limites desta lide. A apresentação da manifestação de inconformidade é momento crucial no processo administrativo fiscal. O que é trazido pelo sujeito passivo a título de razões e provas define a natureza e a extensão da controvérsia que, regra geral, só deveria alcançar este Conselho após a apreciação da matéria pela primeira instância. Ao admitir o início da produção de provas em fase de recurso voluntário, suprimimos o exame da matéria pelo colegiado a quo, de fato, uma supressão de instância, em desfavor do contraditório e do rito processual estabelecido no referido Decreto. Consoante ainda o art. 16, transcrito acima, preclui o direito da recorrente de fazer prova em momento posterior à apresentação da manifestação de inconformidade, exceto se demonstrada a impossibilidade de fazêlo tempestivamente por motivo de força maior ou a existência de novos fatos ou razões, ocorridos ou trazidos aos autos após a juntada da manifestação. Ainda sobre a entrega extemporânea de documentos, dita o comando que tal solicitação deve ocorrer mediante petição fundamentada, na qual fique demonstrada a ocorrência de alguma das exceções. Conforme já abordado, no momento do despacho decisório havia informação discrepante sobre o real débito de Cofins, prestada pelo próprio contribuinte, que desconsiderou que a redução de débitos confessados em DCTF deveria estar amparada por documentos fiscais e contábeis, hábeis a comprovála, como determina o art. 147 do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa Fl. 1214DF CARF MF Processo nº 13888.906876/201217 Acórdão n.º 3002000.609 S3C0T2 Fl. 1.215 9 informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (grifado) Por esse motivo as instruções normativas da Receita Federal que disciplinavam o Dacon, já extinto, determinavam que a pessoa jurídica que retificasse esse Demonstrativo deveria também apresentar DCTF retificadora, confirmando a concepção de que o conteúdo do Dacon pode ser indício de direito, mas não faz prova. É pacífico neste Colegiado que a ausência de retificação da DCTF pode ser superada pela comprovação do direito ao crédito por meio de documentos fiscais e contábeis hábeis e suficientes, mas a manifestação de inconformidade foi instruída apenas com a retificadora do Dacon, que não tem valor de prova, e agora foram juntadas algumas notas fiscais, por amostragem, insuficientes para cobrir a redução que débitos que se pretende, sem justificativa para a apresentação tardia dessa documentação. Incontestável que a situação não se enquadra em nenhuma das alíneas do § 4º do art. 16 do Decreto e está configurada, por conseqüência, a preclusão temporal. Há de se ponderar, todavia, que a ocorrência de determinadas especificidades permitiria ao julgador conhecer da prova apresentada intempestivamente, em prol da verdade material, que é um princípio caro ao processo administrativo fiscal, mas não absoluto, como muitas vezes se pretende. Deve o julgador procurar o equilíbrio com os demais princípios, em especial como os princípios da legalidade e do devido processo legal, principalmente porque se trata de afastar a aplicação de um dispositivo legal que determina expressamente a preclusão. Para tanto, é requisito que o contribuinte tenha exercido seu papel de tentar demonstrar o direito quando devido, ou seja, na interposição da manifestação de inconformidade. Nesse contexto, as provas apresentadas com o recurso voluntário poderiam ser conhecidas com o objetivo de esclarecer um ponto obscuro, complementar uma demonstração já iniciada ou reforçar o valor do que foi anteriormente apresentado, algo próprio do desenvolvimento da marcha processual. O que se configura inadmissível é a invocação da busca da verdade material com vistas a propiciar ao recorrente a oportunidade de suprir sua própria omissão em fase anterior, que é o que ocorre nestes autos. Tal entendimento é o que prevalece atualmente em diversos colegiados no Carf. A ver os Acórdãos seguintes, todos proferidos em julgamentos realizados em 2018: nº 3201003.476 do conselheiro Marcelo Vieira e nº 1302002.731 do conselheiro Fl. 1215DF CARF MF Processo nº 13888.906876/201217 Acórdão n.º 3002000.609 S3C0T2 Fl. 1.216 10 Flávio Dias, representativos de decisões em Turmas Ordinárias de diferentes Seções de Julgamento, bem como o Acórdão nº 9303007.555, do conselheiro Luiz Eduardo Santos, nº 9303 006.241, da conselheira Vanessa Cecconello, e nº 9303007.334, do conselheiro Demes Brito, todos da 3ª Seção da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Transcrevese, a título complementar, as razões de decidir da conselheira relatora Vanessa Cecconello no Acórdão nº 9303 006.241, pela pertinência no presente caso: "Esclareçase não se estar privilegiando o formalismo exacerbado em detrimento do princípio da verdade material, norteador do processo administrativo fiscal. Ocorre que não ficou demonstrada no caso em exame qualquer das hipóteses autorizadoras do acolhimento das provas apresentadas somente na fase recursal, quais sejam: (a) impossibilidade de apresentação oportuna, por força maior; (b) sejam referentes a fato ou a direito supervenientes ou, ainda, (c) destinemse a contrapor fatos ou razões posteriormente veiculados nos autos. Somese aos fundamentos até aqui expendidos, que, conforme consignado no acórdão recorrido, mesmo sendo admitidos os documentos fiscais e contábeis trazidos pelo Sujeito Passivo em sede de recurso voluntário, não seriam suficientes para comprovar a certeza e a liquidez do indébito tributário. Por conseguinte, demandaria a reabertura da fase de instrução do processo para que a Contribuinte colacionasse aos autos outras provas complementares, as quais provavelmente estavam em seu poder quando da apresentação da manifestação de inconformidade, providência incabível, nesse caso, em sede de recurso. Admitirseia a análise de argumentos e provas novas se os mesmos tivessem sido apresentados com a manifestação de inconformidade e, somente no julgamento da mesma por meio de acórdão, tivessem sido considerados por insuficientes. Nessa hipótese, em prol da busca da verdade real dos fatos e demonstrando, a empresa, o intuito de comprovar o seu direito ao crédito pleiteado, poderseia acolher a complementação das alegações e do conjunto probatório trazido ao processo. Nesse diapasão, os argumentos e provas não trazidos em sede de manifestação de inconformidade, mas tão somente em sede de recurso voluntário e não comprovada a ocorrência de uma das hipóteses do art. 16, §4º do Decreto 70.235/72, são considerados preclusos, não podendo ser analisados por este Conselho em sede recursal. Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial do Contribuinte." Fl. 1216DF CARF MF Processo nº 13888.906876/201217 Acórdão n.º 3002000.609 S3C0T2 Fl. 1.217 11 Assim sendo, por todo o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 1217DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13820.720184/2018-53
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
É passível de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda a despesa médica declarada e devidamente comprovada por documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2002-000.907
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201903
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. É passível de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda a despesa médica declarada e devidamente comprovada por documentação hábil e idônea.
turma_s : Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 13820.720184/2018-53
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5988672
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2002-000.907
nome_arquivo_s : Decisao_13820720184201853.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : VIRGILIO CANSINO GIL
nome_arquivo_pdf_s : 13820720184201853_5988672.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
id : 7697881
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661524533248
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1235; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C0T2 Fl. 2 1 1 S2C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13820.720184/201853 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2002000.907 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 28 de março de 2019 Matéria IRPF Recorrente MARLENE CARMEN VASSALO SANTOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2014 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. É passível de dedução da base de cálculo do Imposto de Renda a despesa médica declarada e devidamente comprovada por documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 0. 72 01 84 /2 01 8- 53 Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13820.720184/201853 Acórdão n.º 2002000.907 S2C0T2 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário (fl. 40) contra decisão de primeira instância (fls. 34/37), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: Tratase de impugnação protocolizada pela contribuinte, contra Lançamento de Ofício nº 2015/314628914542587 relativo ao Exercício de 2015 Ano Calendário 2014 (fls. 21/26), que resultou na alteração do Saldo de Imposto a Restituir Declarado no valor de R$ 5.321,01 em Saldo de Imposto a Restituir Ajustado no valor de R$ 4.829,94, vide Demonstrativos às fls. 25/26. A Descrição dos Fatos e o Enquadramento Legal encontramse detalhados no Demonstrativo de fls. 23/24 versando sobre a infração de Dedução Indevida de Despesas Médicas. A contribuinte tomou ciência da Notificação de Lançamento em 12/04/2018 de acordo com o Aviso de Recebimento de fl. 27, tendo protocolizado em 27/04/2018, a impugnação de fl. 03, onde a mesma não concordou com a infração de Dedução Indevida de Despesas Médicas, pertinente a glosa no valor de R$ 1.785,72 junto a pessoa jurídica Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual CNPJ 60.747.318/0001 62, anexando aos autos documentação em sua defesa (fl. 11). Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação e juntando novo documento. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. A contribuinte foi notificada em 17/07/2018 (fl. 39); Recurso Voluntário protocolado em 13/08/2018 (fl. 40), assinado pela própria contribuinte. Responde a contribuinte nestes autos, pela seguinte infração: a) Dedução Indevida de Despesas Médicas. A referida dedução indevida de despesas médicas, foi glosada junto à pessoa jurídica Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual. A r. decisão revisanda, entendeu que por não estar constando a discriminação por beneficiários (titular e dependente) isto seria imprescindível, para deferir a dedução. A recorrente em sede de recurso voluntário trouxe para os autos, uma declaração (fls. 41) da Secretária de Planejamento e Gestão/ Instituto de Assistência Médica ao Fl. 50DF CARF MF Processo nº 13820.720184/201853 Acórdão n.º 2002000.907 S2C0T2 Fl. 4 3 Servidor Público Estadual, onde consta que a recorrente não possui beneficiários ou agregados cadastrados. Entende este relator que foi satisfeita a exigência da r. decisão revisanda. Nesta quadra de entendimento, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito dáse provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 51DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.933735/2016-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1302-000.712
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10880.933735/2016-82
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5972790
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 1302-000.712
nome_arquivo_s : Decisao_10880933735201682.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
nome_arquivo_pdf_s : 10880933735201682_5972790.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
id : 7655136
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:39:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661537116160
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 33; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1263; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 11.001 1 11.000 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.933735/201682 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1302000.712 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 24 de janeiro de 2019 Assunto Irpj Recorrente COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AMERICAS AMBEV Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Para a devida síntese do processo em tela, transcrevo o relatório do Acórdão 1678.111 – 1ª Turma da DRJ/SPO, complementandoo ao final: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 33 73 5/ 20 16 -8 2 Fl. 11001DF CARF MF Processo nº 10880.933735/201682 Resolução nº 1302000.712 S1C3T2 Fl. 11.002 2 Tratase o presente processo de manifestação de inconformidade contra despacho decisório que não reconheceu o direito creditório pleiteado pelo contribuinte na PER/DCOMP 27649.84005.101213.1.7.029363, resultando na não homologação das seguintes PER/DCOMP: Os motivos que embasaram o não reconhecimento do direito creditório encontramse detalhados no documento "Informações Complementares da Análise de Crédito" e nas fls 1 a 2612 do processo 16692.726477/201558, e podem ser assim resumidas: 1. Não comprovação do valor de R$ 350.318.335,63, referentes a Imposto de Renda Pago no Exterior; 2. Não comprovação do valor de R$ 83.489.970,28 referentes a estimativas dos meses de janeiro, abril e maio de 2011 compensadas com DCOMPs Não Homologadas e Não Declaradas. Em documento intitulado "Justificativas Referentes à Glosa do Imposto Pago no Exterior" (fls 2616/2620 do processo 16692.726476/201558) a autoridade fiscal assim conclui: "Além de não ter apresentado todos os documentos relacionados à arrecadação necessários a análise do suposto crédito, a contribuinte não apresentou os documentos que comprovassem a sua participação direta ou indireta nas empresas a seguir relacionadas, apesar de ser sido intimada para tanto. Cerveceria Y Maltaria Quilmes SAICA Y G FNC S.A Cerveceria Paraguaya S A Labatt Brewing Company Limited Cerveceria Boliviana Nacional S A Assim não foi possível comprovar se a COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AMÉRICAS — AMBEV — CNPJ 02.808.708/000107, de fato possui participação nas empresas relacionadas no parágrafo anterior, qual a participação em cada uma, qual o impacto do resultado das mesmas no lucro da COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AMÉRICAS — AMBEV e qual o valor do Imposto sobre a Renda pago no exterior que pode ser utilizado para compensar o Imposto de renda devido no Brasil. Desta forma, concluise pela desconsideração do valor deduzido da IRPJ — Exercício 2011, a título de "IR Pago no Exterior". Fl. 11002DF CARF MF Processo nº 10880.933735/201682 Resolução nº 1302000.712 S1C3T2 Fl. 11.003 3 Cientificada do despacho decisório em 15/06/2016, apresentou manifestação de inconformidade em 15/07/2016, com as seguintes alegações abaixo resumidas: 1. Das antecipações mensais compensadas Argumenta a manifestante que entregou declarações de compensação para compensar antecipações mensais de IRPJ e CSLL devidas no anocalendário de 2011, sendo tais declarações objeto de despacho decisório não homologatório em 2014, muito depois de encerrado o período base de apuração dos saldos negativos discutidos nestes autos. Para tais declarações, a manifestante alega ter apresentado manifestações de inconformidade e para o caso de compensação não declarada, apresentado Embargos à Execução. Ressalta que a declaração de compensação, nos termos dos §§ do art. 74 da Lei 9.430/96 é instrumento de confissão de dívida, e o não pagamento da compensação julgada indevida é motivo para que o débito seja encaminhado para inscrição em dívida ativa e posterior execução judicial forçada, caso persista o não pagamento. Cita a Solução de Consulta Interna n° 18/2006 da CoordenaçãoGeral de Tributação ("COSIT"), que conclui "Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ" (grifos da manifestante"). Lembra a manifestante tratarse de assunto controverso, vez que os Pareceres PGFN/CAT n° 1.658/2011 e 193/2013 propugnavam pela impossibilidade do Fisco efetuar a cobrança de antecipações mensais de imposto. Entretanto, com base no Parecer PGFN/CAT n° 88/2014, o entendimento passou a ser de que os valores de antecipações mensais de IRPJ e CSLL compensados e utilizados na apuração do imposto no final do período base de apuração podem ser cobrados do contribuinte, vez que esses passariam a ter natureza de imposto definitivo. Observa que o item "b" do Parecer PGFN/CAT n° 88/2014, que propõe o ajuste nos sistemas para controlar a cobrança, não podem ser opostos como óbices para eficácia jurídica de qualquer direito do contribuinte. Subsidiariamente, argumenta a manifestante, em caso de impossibilidade de cobrança das antecipações mensais de IRPJ e CSLL compensadas com base nos saldos negativos ora discutidos, o mesmo raciocínio deverá ser aplicado para as antecipações mensais de IRPJ e CSLL de janeiro de 2012, que foram compensadas com base no saldo negativo de IRPJ de 2011, pois se referem a antecipações de períodos de apuração já encerrados, portanto, a sua cobrança deveria ser cancelada. 2. Do Imposto de Renda Favo no Exterior 2.1 Comprovação da participação societária indireta nas sociedades que pagaram imposto de renda no exterior Fl. 11003DF CARF MF Processo nº 10880.933735/201682 Resolução nº 1302000.712 S1C3T2 Fl. 11.004 4 Inicia sua peça defensiva, no que se refere a participação indireta nas sociedades que pagaram imposto de renda no exterior, transcrevendo o organograma demonstrando os elos societários da manifestante: Passa a explicitar a participação societária em cada empresa do grupo. 2.1.1 Labatt Holding AS ("Labat Holding”) "44 Como é possível se depreender do Quadro 1 acima, a Defendente controla indiretamente diversas sociedades, entre elas todas aquelas que pagaram o imposto de renda no exterior compensado no anocalendário de 2011, por intermédio Fl. 11004DF CARF MF Processo nº 10880.933735/201682 Resolução nº 1302000.712 S1C3T2 Fl. 11.005 5 da Labatt Holding AS ("Labatt Holding"), da qual detinha, em referido anocalendário, participação correspondente à 89,92% do capital social. 45. Conforme demonstra o anexo Registro de Acionistas da Labatt Holding (doc. 11), em 27.08.2004 a Defendente adquiriu 1.000.016.808,00 (um bilhão, dezesseis mil, oitocentos e oito) ações representativas do capital social da Labatt Holding. Na mesma data a Falua Spain S.L. ("Falua") adquiriu 1,00 (urna) ação do capital social da Labatt Holding e todas as antigas sócias deixaram de participar de referida sociedade. Ou seja, nesta data a Defendente passou a deter praticamente 100,00% da Labatt Holding. 46. A participação da Defendente foi diluída em razão de aumento de capital subscrito e integralizado por Jalua em 11.11.2005 de 23.450,00 novas ações da Labatt Holding, e diante dos aumentos de capital subscritos e integralizados por Dunvegan S.A ("Dunvegan") e NCAQ S.C. ("NCAQ”) de 91.297.616 e 31.003.683 novas ações, respectivamente, em 01.09.2010, conforme Registro de Acionistas da Labatt Holding (doc. 11). 47. Ainda conforme o Registro de Acionistas da Labatt Holding (doc. 11), também em 01.09.2010 a Defendente subscreveu e integralizou aumento de capital de 91.122.959 ações da Labatt Holding. 48. Considerando referidos aumentos de capital, a posição acionária demonstrada pelo Registro de Acionistas da Labatt Holding (doc. 11) em 01.09.2010 pode ser resumida no Quadro seguinte: (...) 49. A Labatt Holding foi liquidada em 17.12.2012 (Declaração de Dissolução anexa, doc. 12). 50. Como é possível se depreender da Transcrição Completa referente à Labatt Holding emitida pela Direção Geral da Indústria, Comércio e Sociedades da Dinamarca (doc. 13), não houve alteração na composição acionária da Labatt Holding até a sua extinção, sendo que a última alteração foi aquela ocorrida em 01.09.2010, acima referida. 51. Deste modo, entre 01.09.2010 (data da última alteração de composição societária da Labatt Holding) e 17.12.2012 (data da extinção da Labatt Holding), nisto incluindose todo o anocalendário de 2011, a Defendente deteve 89,92% da Labatt Holding." 2.1.2 Labatt Canadá 52. A Defendente detinha participação indireta na Labatt Canadá por meio de sua participação direta na Labatt Holding, acima demonstrada. A Labatt Holding, por sua vez, detinha, em 2011, 100% das ações representativas do capital da Labatt Canadá. 53. A participação indireta da Recorrente na Labatt Canadá é demonstrada pelo seguinte organograma: Fl. 11005DF CARF MF Processo nº 10880.933735/201682 Resolução nº 1302000.712 S1C3T2 Fl. 11.006 6 (...) 54. A participação da Labatt Holding no capital social da Labatt Canadá, pode ser comprovada pelo anexo Registro de Acionistas da Labatt Canadá (doc. 14). 55. De fato, consta em referido Registro de Acionistas (doc. 14) que a Labatt Holding deteve 100% das ações da Labatt Canadá entre 23.06.2004 e18.12.2012, período este que inclui o anocalendário de 2011 objeto de discussão nestes autos. Vejase: (...) 56. Como a Defendente detém 89,92% da Labatt Holding e esta, por sua vez, tem 100% da Labatt Canadá, demonstrado está que a Defendente possuía participação indireta de 89,92% na Labatt Canadá durante o anocalendário de 2011." 2.1.3 Quilmes International (Bermuda) Ltd (QIB") "57. A participação da Defendente nas demais sociedades que pagaram imposto de renda no exterior no anocalendário de 2011 (quais sejam, CMQ, FNC, CBN Cervepar) foi detido, no anocalendário de 2011, também por meio do Quilmes International (Bermuda) Ltd. ("QIB"). 58. Na QIB a Defendente tem participação indireta por meio da Labatt Holding, que por sua vez é detida diretamente pela Defendente (conforme demonstrado no Capítulo 111.1.a acima). 59. De fato, a Labatt Holding detém praticamente 100% do capital social da QIB. Consoante o anexo Registro de Acionistas da QIB datado de 14.12.2010 (doc. 15), a Labatt Holding é titular de 113.848.413 (cento e treze milhões, oitocentas e quarenta e oito mil, quatrocentas e treze) ações da QIB, em um total de 113.855.370 (cento e treze milhões, oitocentas e cinqüenta e cinco mil, trezentas e setenta) ações. 60. A informação do Registro de Acionistas da QIB datado de 14.12.2010 (doc. 15) segue suma rizada no Quadro abaixo: (...) 61. Já o Registro de Acionistas da QIB datado de 14.12.2012 (doc. 16) demonstra que todas as participações detidas pelos demais acionistas firam transferidas para a Labatt Holding em 19.10.2011. 62. Resta demonstrado, portanto, que entre 14.12.2010 (doc. 15) e 14.12.2012 (doc. 16), período este que inclui o anocalendário de 2011, a Q1B foi detida integralmente pela Labatt Holding. 63. Como a Defendente deteve, em 2011, 89,92% da Labatt Holding e esta, por sua vez, deteve 100% da QIB, demonstrado está que a Defendente possuía participação indireta de 89,92% na QIB no anocalendário de 2011." 2.1.4 Linthal S.A. ("Linthal Uruguai") Fl. 11006DF CARF MF Processo nº 10880.933735/201682 Resolução nº 1302000.712 S1C3T2 Fl. 11.007 7 64. A participação da Defendente nas demais sociedades que pagaram imposto de renda no exterior no anocalendário de 2011 (quais sejam, CMQ, FNC, CBN e Cervepar) foi detida, em referido anocalendário, também por meio da Linthal S.A. ("Linthal Uruguai'). 65. Na Linthal Uruguai a Defendente tem participação indireta por meio da QIB, que é 100% detida pela Labatt Holding (conforme demonstrado no Capítulo 11.1.1.c acima). 66. A QIB por sua vez, participa diretamente da Linthal Uruguai e também de firma indireta por meio de sua subsidiária integral Inversiones Cerveceras S.A. ("Incesa"), que foi liquidada durante o anocalendário de 2011 (doc. 17). 67. De fato, consoante se verifica na Ata de Assembléia Geral Extraordinária da Linthal Uruguai de 30.12.2010 (doc. 18), referida assembléia contou com a participação de todos os sócios da Linthal Uruguai, quais sejam, QIB e sua subsidiária integral Incesa. 68. Esta assembleia, digase, ocorreu imediatamente antes do início do anocalendário de 2011. 69. Referida ata (doc. 18) ainda dá conta de que na data da realização da assembleia haviam sido emitidas 12.746.120.042 ações da Linthal Uruguai. 70. Já o Registro de Presença de Acionistas na Assembléia Ordinária da Linthal Uruguai de 20.04.2010 (doc. 19) permite aferir a participação individualizada da QIB e da Incesa no seu capital social. 71. O quadro abaixo resume as informações contidas no referido Registro de Presença de 20.04.2010 (doc. 19): (...) 72. Resta demonstrado, portanto, que desde 20.04.2010 (doc. 19) e 30.12.2010 (doc. 18), isto é, desde antes do anocalendário de 2011, a Linthal Uruguai era integralmente detida pela QIB, seja diretamente, seja por intermédio de sua subsidiária integral Incesa. 73. Tendo em vista que em 2011 a Defendente detinha participação indireta na QIB de 89,92% (por meio da Labatt Holding, conforme demonstrado no Capítulo 111.1.c) e esta, por sua vez, detinha 100% Linthal Uruguai, demonstrado está que a Defendente possuía participação indireta de 89,92% na Linthal Uruguai no ano calendário de 2011." 2.1.5 Linthal Spain Holding S.L. ("Linthal Espanha") "74. A participação indireta da Defendente nas demais sociedades que pagaram imposto de renda no exterior no anocalendário de 2011 (quais sejam, CMQ, FNC, CBN e Cervepar) ainda passa, em referido anocalendário, pela Linthal Spain Holding S.L. ("Linthal Espanha'), que posteriormente teve sua denominação social alterada para Latin America South lnvestment, S.L. Fl. 11007DF CARF MF Processo nº 10880.933735/201682 Resolução nº 1302000.712 S1C3T2 Fl. 11.008 8 75. Durante todo o ano calendário de 2011 a Linthal Espanha teve como sua única sócia a Linthal Uruguai (que, como se demonstrou no Capítulo III1.d acima, é 89,92% detida indiretamente pela Defendente por meio da Labatt Holding e da QIB). 76. Isto pode ser comprovado pela Escritura de Modificação de Estatutos da Linthal Espanha de 24.06.2010 (doc. 20), na qual consta que referida sociedade se constituía como unipessoal e sua única sócia era a Linthal Uruguai (Linthal S.A.). 77. Na Escritura de Publicação de Acordos Sociais da Linthal Espanha de 12.06.2011 (doc. 21) foi aprovada a alteração da denominação social para Latin America South Investment, S.L., mantendose a constituição com sociedade unipessoal. 78. Já na escritura da Escritura de Publicação de Acordos Sociais da Linthal Espanha de 26.09.2012 (doc. 22), a Linthal Uruguai, como única dona, aumenta o capital social e o integraliza com participações sociais que detinha em outras empresas do grupo. 79. Resta demonstrado, portanto, que entre 24.06.2010 (doc. 20) e 26.09.2012 (doc. 22), período que inclui todo o anocalendário de 2011, a Linthal Uruguai foi a única sócia da Linthal Espanha. 80. E como restou demonstrado no Capítulo III. 1.d acima, durante o ano¬ calendário de 2011, a Linthal Uruguai foi 89,92% detida indiretamente pela Defendente, por consequência, também a Linthal Espanha foi 89,92% detida indiretamente pela De/endente no mesmo ano (já que era 100% diretamente detida pela Linthal Uruguai no período)." 2.1.6 FNC “81. Como já referido, a FNC foi uma das sociedades que pagou imposto de renda no exterior aproveitado para compensação com o IRPJ e a CSLL devidos pela Defendente no Brasil e para a firmação dos saldos negativos ora discutidos. 82. Durante o anocalendário de 2011, a FNC foi detida indiretamente pela Defendente através das empresas Linthal Espanha, Linthal Uruguai, QIB, e Labatt Holding, todas estas detidas 89,92% direta ou indiretamente pela Defendente no referido período. 83. O organograma abaixo ilustra a participação indireta da Defendente sobre a FNC: (...) 84. A evolução da composição acionária da FNC no tempo pode ser verificada no anexo Certificado Notarial da FNC emitido em 28.02.2014 (doc. 23). 84.1 O item "D" de referido certificado dá conta de que, em 23.04.2010, foi celebrada Assembleia Geral Ordinária da FNC na qual compareceram como Fl. 11008DF CARF MF Processo nº 10880.933735/201682 Resolução nº 1302000.712 S1C3T2 Fl. 11.009 9 acionistas a QIB e a Linthal Uruguai, representando juntas um total de 95,5782408% do capital social da FNC. 84.2 Já o item "E" de referido certificado registra que, em 25.04.2011 foi celebrada Assembleia Geral Ordinária da FNC na qual compareceram como acionistas a QIB e a Linthal Uruguai, representando juntas um total de 97,57824% do capital social da FNC. 84.3 Por fim o item "F" de referido certificado consigna que, em 15.06.2012 foi celebrada Assembleia Geral Ordinária da FNC na qual compareceu como acionista a Linthal Espanha, representando um total de 97,5826% do capital social da FNC. 85. Resta demonstrado consoante os itens "E" e "F" do referido certificado (doc. 23) que durante o anocalendário de 2011 a FNC foi detida em aproximadamente 98% pela QIB e Linthal Uruguai em conjunto e depois pela Linthal Espanha, no mesmo percentual. 86. Tendo em vista que a QIB, a Linthal Uruguai e a Linthal Espanha eram detidas indiretamente pela Defendente em 89,92% dos respectivos capitais sociais em 2011, temos que a participação indireta da Defendente na FNC, em referido ano calendário, corresponde à 88,12%, isto é, 89,92% multiplicados por 98%." "87. Como já referido anteriormente, a Cervepar também é uma das sociedades que pagou imposto de renda no exterior utilizado pela Defendente para compensar IRPJ e CSLL devidos no Brasil e para a firmação dos saldos negativos ora discutidos. 88. Em 2011, além da participação de minoritários, o capital da Cervepar era detido majoritariamente pela Linthal Espanha (diretamente e por intermédio da FNC). 89. O seguinte organograma facilita o entendimento da participação indireta da Defendente na Cervepar: (..) 90. A Ata da Assembleia Geral Extraordinária da Cervepar realizada em 19.04.2011 (doc. 24) registra a presença da Linthal Espanha, que detém diretamente 348.570 ações da Cervepar. Consigna, além disso, que o capital social da Cervepar é divido em 400.000 ações. 91. Se a Linthal Espanha detinha diretamente 348.570 de 400.000 ações em 2011 (conforme a referida Ata, doc. 24), então a Linthal Espanha detinha diretamente 87,14% da Cervepar no anocalendário discutido nos autos. 92. Além disso, a FNC participava de 0,2176% do capital social da Cervepar. Uma vez que a Linthal Espanha possuía 98% da FNC, de forma indireta participava em mais 0,2132% do capital social da Cervepar (isto é, 98% de participação da Linthal Espanha na FNC multiplicado por 0,2176% de participação da FNC na Cervepar). Fl. 11009DF CARF MF Processo nº 10880.933735/201682 Resolução nº 1302000.712 S1C3T2 Fl. 11.010 10 93. Em suma, a Linthal Espanha participava, direta e indiretamente, de 87,35% do capital social da Cervepar, no anocalendário de 2011. 94. Considerandose que a Defendente participava indiretamente de 89,92% do capital social da Linthal Espanha, concluise que, no anocalendário de 2011, também participou indiretamente de 78,55% da Cervepar, isto é, 89,92% de participação indireta da Defendente na Linthal Espanha multiplicado por 87,35% de participação direta e indireta da Linhtal Espanha na Cervepar." 2.1.8 CMQ "95 Como também já se referiu anteriormente, a CMQ é uma das sociedades que pagou imposto de renda no exterior utilizado pela Defendente para compensar IRPJ e CSLL devidos no Brasil e para a formação dos saldos negativos ora discutidos. 96. Em 2011, além da participação de minoritários, o capital da CMQ era detido majoritariamente pela Linthal Espanha e pela Linthal Uruguai. 97. O seguinte organograma facilita o entendimento da participação indireta da Defendente na CMQ: 98.Consta do anexo Protocolo Notarial de Alteração de Estatutos da CMQ, emitido em 25.01.2010 (doc. 25) que, em assembleia realizada em 30.11.2009 registrouse presença da maioria dos acionistas da CMQ, correspondente à 99,74% do capital social da CMQ ou 89.867.629 ações ordinárias. 99. Se 99,74% do capital social da CMQ corresponde á 89.867.629 ações, então 100% do capital social corresponde a 90.101.894 ações. 100. Referida composição é corroborada pelo anexo Registro de Acionistas da CMQ (doc. 26), o qual também registra que desde junho de 2008 Linthal Espanha e Linthal Uruguai detém, respectivamente, 85.352.892 e 4.514.737 ações da CMQ. 101.Tendo em vista que o capital da CMQ é composto de 90.101.894 ações, as 85.352.892 ações detidas pela Linthal Espanha representam 94,74% do capital social da CMQ e as 4.514.737 ações detidas pela Linthal Uruguai representam 5% do capital social da CMQ. 102. Como é possível se verificar do Registro de Acionistas da CMQ, a única modificação que ocorreu posteriormente a junho de 2008 foi a alteração do título de acionista da Linthal Espanha e apenas para refletir a mudança de sua denominação social para Latin America South Investment, S.L. Esta modificação foi registrada no dia 08.05.2012. 103. Em outras palavras, é possível afirmar com segurança que no período compreendido entre junho de 2008 e 08.05.2012 acima destacado no Registro de Acionistas da CMQ (doc. 26), que inclui o anocalendário de 2011, as participações da Linthal Espanha representaram 94,74% do capital social da CMQ e da Linthal Uruguai representaram 5% do capital social da CMQ. Fl. 11010DF CARF MF Processo nº 10880.933735/201682 Resolução nº 1302000.712 S1C3T2 Fl. 11.011 11 104. Juntas, Linthal Uruguai e Linthal Spain detinham, portanto, 99,74% do capital social da CMQ no anocalendário de 2011. Como a Defendente detinha participação indireta de 89,92% tanto na Linthal Uruguai como na Linthal Spain em referido anocalendário, então para 2011 a participação indireta da Defendente na CMQ era de 89,69% resultado da multiplicação dos percentuais de 89,92% (participação da Defendente na Linthal Uruguai e na Linthal Espanha) e 99,74% (participação da Linthal Uruguai e da Linthal Espanha na CMQ)." 2.1.9 CBN “105. Também a CBN é uma das sociedades que pagou imposto de renda no exterior utilizado pela Defendente para compensar IRPJ e CSLL devidos no Brasil e para a formação dos saldos negativos ora discutidos, conforme já mencionado. 106. Em 2011, além da participação de minoritários, o capital da CBN era majoritariamente detido pela Linthal Espanha, diretamente e por intermédio da PRAD AB ("Prad'), e em menor porção pela Linthal Uruguai e pela Q1B. 107.O seguinte organograma facilita o entendimento da participação indireta da Defendente na CBN: 108.Acerca da Prad. cumpre esclarecer que tratase de subsidiária integral da Linhtal Espanha que teve a denominação alterada para PRAD AB em 04.09.2009 e posteriormente para Austral Beverage Company AB em 22/05/2012, e depois para LAScan Beverage Company AB em 08/07/2015, como podese depreender do anexo Certificado de Registro da Prad emitido pelo Escritório de Registros de Empresas da Suécia (doc. 27). 109. Ademais, consoante se depreende do Registro de Ações da Prad (doc. 28), a partir de 17.06.2011 a totalidade do capital da Prad passa a ser detido pela Linthal Espanha, o que é corroborado pela informação constante da Ata de Assembleia de 01.09.2011, na qual consta que a Linthal Espanha é a única detentora de suas quotas (doc. 29). 110. A composição acionária da CBIV, por sua vez, pode ser conferida com base nos anexos Títulos ou Certificados de Propriedade de Ações de Emissão da CBN (doc. 30). 111. Como é possível se depreender destes títulos de propriedade de ações, Linthal Spain, Prad e QIB detém em conjunto 85,9% do capital social da CBN para o anocalendário de 2011. O quadro abaixo resume a informação contida em referidos títulos: (...) 112.Vejase que referidos títulos foram emitidos em 2002 e 2010 e somente foram cancelados em 29.06.2012. Disto se depreende que a informação neles contida é válida para todo o anocalendário de 2011. 113. Tendo em vista que a Defendente detinha, no anocalendário de 2011, participação indireta na Linthal Espanha, na Prad e na Q1B de 89,92% dos Fl. 11011DF CARF MF Processo nº 10880.933735/201682 Resolução nº 1302000.712 S1C3T2 Fl. 11.012 12 respectivos capitais sociais, a participação societária indireta da Defendente na CBN é de 70,60% para referido anocalendário, valor que decorre da multiplicação da participação indireta da Defendente na Q1B, Linthal Espanha e Prad (89,92%) pela participação que estas detêm na CBN (85,9%)." 2.1.10 Sumário das participações societárias Sociedade Participação indireta da Defendente Sociedades intermediárias Capitulo Labbat Canadá 89,92% Labbat Holding III.1.b acima FNC 88,12% Labatt Holding, QIB, Linthal Uruguai e Linthal Espanha III.1.f acima Cerveper 78.55% Labatt Holding, QIB, Linthal Uruguai, Linthal Espanha e FNC III.1.g acima CMQ 89,89% Labatt Holding, QIB, Linthal Uruguai e Linthal Espanha III.1.h acima CBN 70.80% Labial Holding, QIB, Linthal Uruguai, Unthal Espanha e Prad III.i acima 2.2 Da efetiva adição e oferecimento à tributação no Brasil do resultado das subsidiárias que pagaram imposto de renda no exterior Explica a manifestante que a adição de lucros disponibilizados no exterior no valor de R$ 1.488.047.830,11 (um bilhão, quatrocentos e oitenta e oito milhões, quarenta e sete mil, oitocentos e trinta reais e onze centavos), informada nas linhas 07 das Fichas 09A e 17 da DIPJ do anocalendário de 2011 se compõe da seguinte forma: Empresa Resultado adicionado Labatt Holding R$ 1.401.273.342,51 Ambev Intemational R$ 27.985.171,80 Dahlen S.A. R$ 58.809.315,80 Total da adição R$ 1.488.047.830,11 O valor de interesse para o presente processo é o resultado da Labatt Holding (R$ 1.401.273.342,51), vez que o imposto de renda pago no exterior que se busca compensar se refere a sociedades em que a manifestante participa por meio de seu investimento direto na Labatt Holding. Fl. 11012DF CARF MF Processo nº 10880.933735/201682 Resolução nº 1302000.712 S1C3T2 Fl. 11.013 13 Para comprovar a adição do resultado a manifestante assim se pronuncia: •O ponto de partida para o cálculo do valor a adicionar foi a demonstração de resultado da Labatt Holding, extraídos da sua Demonstração Financeira Auditada; •O resultado da sociedade, por ser uma holding, se refere ao resultado auferido por suas controladas diretas e indiretas, sendo a participação nos lucros de subsidiárias a sua única receita; •Os investimentos que a Labatt Holding detém em suas subsidiárias é avaliado pelo método da equivalência patrimonial; •O resultado da Labatt Holding corresponde ao resultado de suas subsidiárias, multiplicado pela participação da manifestante na Labatt Holding (89,92%), acrescido do imposto de renda pago no exterior sobre esse resultado; Argumenta que a Instrução Normativa SRF 213/2002 determina que os resultados auferidos por intermédio de outra pessoa jurídica, na qual a controlada no exterior mantenha qualquer tipo de participação societária, ainda que indiretamente, serão consolidados no balanço da controlada para efeito de determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL da beneficiária no Brasil. Conclui, a manifestante, que os resultados da Labatt Canadá, da FNC, da CMQ, da Cervepar e da CBN foram adicionados às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL por meio da adição do resultado da Labatt Holding. 2.3. Dos documentos comprobatórios do pagamento do Imposto de renda no exterior 2.3.1. Dos documentos de arrecadação da CMQ Relata a manifestante ter incorrido em erro de digitação em dois documentos de arrecadação, referentes ao período de apuração 2011, assim, registrou valores inferiores ao efetivamente pago. Tal erro gerou um saldo de imposto de renda pago pela CMQ e não utilizado pela manifestante de R$ 3.445.423,08. A manifestante faz ressalva quanto a exigência pela autoridade fiscal de apresentação de declaração de imposto apurado no exterior para fins de compensação do imposto pago no exterior por entender que não há na legislação (Lei 9.249/95, Lei 9.430/96 e Instrução Normativa 213/2002) essa exigência. Os dispositivos legais se limitam a determinar que o contribuinte disponibilize os documentos de arrecadação devidamente reconhecidos pelo órgão competente no país em que o imposto foi pago. Não obstante a falta de exigência legal, juntou ao processo Declaração Jurada — AFIP — Imposto a Las Ganâncias de 2011 apresentada ao fisco argentino cuja autenticidade foi analisada e atestada pelo laudo da empresa KPMG. A mesma empresa comparou os valores de impostos declarados como devidos e os valores de Fl. 11013DF CARF MF Processo nº 10880.933735/201682 Resolução nº 1302000.712 S1C3T2 Fl. 11.014 14 imposto pago aproveitados pela Manifestante no anocalendário 2011, concluindo que os créditos utilizados foram inferiores ao imposto de renda declarado como devido. Prossegue sua defesa argumentando contra o não reconhecimento do montante de imposto pago referente a períodos de apuração diferentes de 2011. Alega não ter a autoridade fiscal declinado qualquer fundamentação legal impedindo o seu reconhecimento. A compensação do imposto de renda pago no exterior é regulado pelo art. 26 da Lei 9.249/95, instituindo como condições para a compensação apenas que i) o lucro das subsidiárias deve ter sido computado ao lucro real; ii) a compensação não exceda o imposto devido no Brasil; e iii) o imposto de renda no exterior tenha sido pago. Conclui que desses requisitos não há vedação a compensação do imposto referente ao período de apuração anterior, vez que há casos de lapso temporal inexorável entre a apuração e o efetivo pagamento do imposto. Ainda coloca a Manifestante que o art. 1° da Lei 9.532/97 permitia que o contribuinte adicionasse nas bases do IRPJ e da CSLL os lucros auferidos no exterior até o segundo anocalendário subsequente ao de apuração. Ademais, observa que a regulamentação dada ao assunto pela IN 213 é muito mais ligada ao pagamento do imposto no exterior em si do que propriamente ao período em que referido imposto foi apurado. Em caso de não aceitação dos valores pagos em períodos de apuração diferentes de 2011, subsidiariamente, pede a manifestante a aceitação dos valores de imposto pago referente ao período de apuração 2011. Passa a tratar os valores de compensações não reconhecidas tendo como justificativa a falta de apresentação de comprovação de que as compensações foram aceitas pelo Fisco do país da subsidiária. Argumenta que, assim como no Brasil, em caso de não aceitação pelo fisco argentino das compensações apresentadas pela CMQ, a empresa seria compelida a pagar o respectivo valor, não havendo óbices para utilizar tal valor para compensar no Brasil como imposto efetivamente pago. Alega que a legislação referente à compensação do imposto de renda recolhido no exterior não traz qualquer vedação quanto à forma pela qual referido tributo é quitado no exterior. Prossegue detalhando os códigos de receita solicitados pela autoridade fiscal. Por fim, subsidiariamente, alega inexistir obrigação de adicionar os lucros da CMQ nas bases do IRPJ e da CSLL, portanto, caso não seja reconhecido a possibilidade de incluir o imposto de renda pago na Argentina pela CMQ, a própria adição dos lucros da CMQ nas bases de IRPJ e CSLL deve ser desconsiderada, vez que em função do Tratado para evitar a Dupla Tributação firmado entre Brasil e Argentina, os lucros não poderiam ser tributados no Brasil. O Decreto 87.976/1982 estabelece em seu Artigo VII que os lucros de uma empresa de um Estado Contratante (Argentina) só são tributáveis nesse Estado, a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante (Brasil), por meio de um estabelecimento permanente aí situado, o que não seria o caso dos autos. Portanto, os lucros auferidos pela CMQ somente deveriam ser tributados na Argentina. Fl. 11014DF CARF MF Processo nº 10880.933735/201682 Resolução nº 1302000.712 S1C3T2 Fl. 11.015 15 Ainda que o controle da Manifestante sobre a CMQ seja indireto, o CARF já definiu que a aplicação do art. 74 da MP 2.15835/2002 considera que os resultados são diretamente absorvidos pela investidora brasileira, de modo que para efeitos de aplicação de tratado contra dupla tributação, deve ser considerado o país no qual está a subsidiária que efetivamente auferiu os lucros. 2.3.2. Dos documentos de arrecadação da FNC Relata a manifestante que a autoridade fiscal não aceitou as declarações de apuração do imposto por serem elas cópias parciais. Sobre esse ponto, alega que o laudo elaborado pela KPMG constatou que isso não impede a aferição do montante de imposto de renda apurado e pago pela FNC no Uruguai. Em relação a ausência de apresentação de documentos de arrecadação do imposto apurado, coloca que a KPMG, em seu laudo, constatou que os valores declarados foram efetivamente recolhidos pela FNC, tal constatação se deu com base nas telas de consulta ao sistema da Direccion General Impositiva ("DGI"). 2.3.3. Dos documentos de arrecadação da Cervepar A manifestante faz ressalva quanto a exigência pela autoridade fiscal de apresentação de declaração de imposto apurado no exterior para fins de compensação do imposto pago no exterior, por entender que não há na legislação (Lei 9.249/95, Lei 9.430/96 e Instrução Normativa 213/2002) essa exigência. Os dispositivos legais se limitam a determinar que o contribuinte disponibilize os documentos de arrecadação devidamente reconhecidos pelo órgão competente no país em que o imposto foi pago. Não obstante a falta de exigência legal, a declaração de imposto de renda para o ano de 2011 foi juntada como Anexo Geral V, p.3, do Laudo da KPMG, e foi analisada em conjunto com a declaração de 2010. Com base nesses documentos, a KPMG identificou quem um dos pagamentos de imposto de renda da Cervepar considerados para compensação em 2011 se referem a imposto apurado no ano calendário 2010. Em relação a esse ponto, remete a manifestante aos argumentos apresentados anteriormente (item "2.3.1 Dos documentos de arrecadação da CMQ") Também destaca a manifestante que a KPMG constatou que a Cervepar apurou excesso de antecipações de imposto sobre o imposto de renda devido no fim do período de apuração. Poderia ela ter utilizado o valor para compensar com outros tributos devidos ou mesmo para compensar imposto de renda devido em períodos futuros, mas esse valor não pode ser desconsiderado sem prova por parte das autoridades fiscais de que tal compensação não ocorreu. 2.3.4. Dos documentos de arrecadação da Labatt Canadá Alega que autoridade fiscal não considerou os impostos pagos pela Labatt Canadá por não ter apresentado a declaração de apuração do imposto. Tal declaração foi apresentada à KPMG que a analisou e concluiu que a Defendente aproveitou menos imposto de renda pago pela Labatt Canadá do que os valores por ela declarados aos Fiscos canadenses. 2.3.5. Dos documentos de arrecadação da CBN Fl. 11015DF CARF MF Processo nº 10880.933735/201682 Resolução nº 1302000.712 S1C3T2 Fl. 11.016 16 Alega que autoridade fiscal não considerou os impostos pagos pela CBN, pois os documentos estavam ilegíveis. Sobre esse ponto, argumenta que a KPMG em seu laudo identificou que especialmente no cabeçalho, de forma legível, é possível identificar o valor do imposto de renda pago pela CBN. Quando do julgamento do caso em deslinde, a DRJ proferiu decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 IMPOSTO PAGO O EXTERIOR. COMPENSAÇÃO. COMPROVANTE. TRADUÇÃO JURAMENTADA. AUTENTICAÇÃO. FISCAL ESTRANGEIRO. CONSULADO BRASILEIRO A tradução juramentada de documento de arrecadação de imposto de renda incidente sobre lucros no exterior, é condição necessárias, mas não suficiente para fins de compensação com o apurado no País, devendo ainda estar o documento autenticado pelo respectivo órgão arrecadador e reconhecido pelo consulado brasileiro no país em que ele for devido, ou fique demonstrado, à luz do direito estrangeiro, a finalidade arrecadatória do documento apresentado. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ESTIMATIVA MENSAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Na apuração do saldo negativo de IRPJ é cabível a glosa de estimativa cuja compensação não foi homologada, por ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito, ainda que referida compensação esteja pendente de decisão administrativa definitiva. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011 PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. O momento para apresentação de provas é no momento da apresentação da peça defensiva, nos termos de art. 16, §40 do Decreto 70.235/72. A posterior junta de provas só se faz possível nos casos em que a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Os principais argumentos lançados pela DRJ para não reconhecer o direito creditório da recorrente foram os seguintes: Das estimativas compensadas (...) Em que pese haver manifestações em sentido contrário, como aquelas emitidas por DRJs ou mesmo pelo CARF colacionadas na peça impugnatória, entendo que é cabível a glosa da estimativa não homologada na apuração do saldo negativo de IRPJ e da base de cálculo da CSLL. Fl. 11016DF CARF MF Processo nº 10880.933735/201682 Resolução nº 1302000.712 S1C3T2 Fl. 11.017 17 Se o contribuinte efetuar o pagamento da estimativa não homologada no primeiro processo, seja por desistir do valor pago haverá de ser computado no saldo negativo objeto deste processo, que seria extinto por perda de objeto. O crédito haverá de ser reconhecido pela autoridade fiscal em qualquer momento, a pedido ou de ofício, desde que comprovado o pagamento. Entretanto, repisese, o crédito somente pode ser reconhecido após efetivo e comprovado pagamento da estimativa, momento a partir do qual ficam caracterizadas a liquidez e a certeza requeridas no art. 170, eaput, do Código Tributário Nacional (CTN), para se efetuar a compensação. Ou, alternativamente, o crédito poderá ser reconhecido se houver decisão definitiva favorável, homologando a compensação. Caso contrário, ou seja, enquanto as estimativas de IRPJ não estiverem extintas (compensação não homologada e/ou pendente de pagamento), descabe considerála no saldo negativo do período em questão, eis que ausentes os atributos de liquidez e certeza. Não se cogita reconhecer um crédito de estimativa com base no simples pressuposto de que o respectivo valor, caso não homologada a compensação, será cobrável no futuro. Esta última hipótese equivaleria a admitir a restituição (ou compensação) de valores antes do efetivo recebimento do indébito tributário, o que seria um absurdo. Sendo assim, na apuração do saldo negativo de IRPJ e da CSLL do período em apreço, é cabível a glosa das estimativas, cujas compensações não foram homologadas ou foram não declaradas. Quanto ao pedido subsidiário da manifestante para cancelamento das cobranças de estimativas de IRPJ e CSLL de janeiro de 2012, pois foram compensadas com base no saldo negativo de IRPJ de 2011, não cabe a análise no presente processo, que trata da utilização de estimativas compensadas não homologadas na formação do saldo negativo do IRPJ e CSLL. Do imposto de renda pago no exterior Inicialmente, e considerando que toda a defesa da manifestante em relação ao Imposto de Renda Pago no Exterior remete ao Laudo Técnico de Natureza Contábil elaborado pela KPMG ASSESSORES LTDA, cumpre tecer algumas considerações sobre tal documento. O Laudo Técnico de Natureza Contábil apresentado não é hábil a comprovar as alegações da manifestante quando apresentado isoladamente, ele não isenta o contribuinte a apresentar as demais provas necessárias para firmar a convicção do julgador de primeira instância, da mesma forma que ele não isenta o contribuinte de apresentar os demais elementos exigidos pela legislação de regência das matérias nele veiculadas. Dessa forma, o Laudo em questão serve como um guia para o julgador, que usará as conclusões obtidas nele para, em conjunto com os demais elementos juntados aos autos, firmar sua convicção sobre a matéria. Esse é o entendimento que se depreende do artigo 29 do Decreto 70.235/72 que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal, in verbisa lide, seja cumprindo a decisão final desfavorável, então Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Fl. 11017DF CARF MF Processo nº 10880.933735/201682 Resolução nº 1302000.712 S1C3T2 Fl. 11.018 18 Feita essa primeira consideração, passase a analisar o mérito das alegações trazidas pela manifestante. 2.1 Da comprovação da participação societária indireta nas sociedades que pagaram imposto de renda no exterior. Em resumo, alega a manifestante que detém participação societária indireta nas empresas que pagaram imposto de renda no exterior e que foram objeto de compensação no presente processo, ao contrário do apontado pela autoridade fiscal. Sobre o assunto, apresentou organograma demonstrando os elos societários, bem como juntou documentação que considerava ser suficiente para comprovar suas participações societárias. Preliminarmente, antes de adentrar a análise da documentação juntada pela manifestante para comprovar sua participação societária indireta nas sociedades em questão, fazse um adendo sobre a validade de documentos em língua estrangeira. Os documentos em língua estrangeira, para terem validade no direito brasileiro devem vir acompanhados de tradução juramentada para o português, conforme preceitua o art. 192 do Código de Processo Civil (Lei 13.105/2015): Art. 192. Em todos os atos e termos do processo é obrigatório o uso da língua portuguesa. Parágrafo único. O documento redigido em língua estrangeira somente poderá ser juntado aos autos quando acompanhado de versão para a língua portuguesa tramitada por via diplomática ou pela autoridade central, ou firmada por tradutor juramentado. (g. n) Na mesma linha de entendimento, encontrase a seguinte redação conferida ao art. 224 da Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil) Art. 224. Os documentos redigidos em língua estrangeira serão traduzidos para o português para ter efeitos legais no País. ('g. n) O Decreto n° 13.609, de 21 de outubro de 1943, que regulamentou o oficio de tradutor público e intérprete comercial, já condicionava a tradução de documento redigido em língua estrangeira, à produção de efeitos em repartições públicas, a teor de seu art. 18: Art 18. Nenhum livro, documentou papel de qualquer natureza que for exarado em idioma estrangeiro, produzirá efeito em repartição da União, dos Estados ou dos Municípios, em qualquer instância, Juízo ou Tribunal ou entidades mantidas, fiscalizadas ou orientadas pelos poderes públicos, sem ser acompanhado da respectiva tradução feita na conformidade desse regulamento. (g.n) É de se concluir que a exigência de tradução juramentada de documentos é requisito mínimo a ser cumprido por qualquer contribuinte que postule, junto a repartição pública, direito apoiado em documento produzido em idioma estrangeiro. Portanto, o Laudo Técnico de Natureza Contábil não supre a necessidade de apresentação de documentação de suporte traduzida ao português por tradutor juramentado comprovando a participação indireta da Manifestante. Fl. 11018DF CARF MF Processo nº 10880.933735/201682 Resolução nº 1302000.712 S1C3T2 Fl. 11.019 19 Na sua peça defensiva a manifestante faz alusão a documentos anexados aos autos para comprovar a sua participação societária indireta nas empresas que pagaram imposto de renda no exterior e que foram utilizados para formação do saldo negativo ora em análise. A tabela abaixo demonstra os documentos juntados pelo contribuinte e tece considerações sobre o atendimento ao requisito de serem apresentados na sua versão original e respectiva tradução juramentada. Fl. 11019DF CARF MF Processo nº 10880.933735/201682 Resolução nº 1302000.712 S1C3T2 Fl. 11.020 20 Fl. 11020DF CARF MF Processo nº 10880.933735/201682 Resolução nº 1302000.712 S1C3T2 Fl. 11.021 21 Portanto, da tabela acima notase que a análise das participações societárias detidas indiretamente pela manifestante resta prejudicada, pois alguns documentos não foram traduzidos ao Português por tradutor juramentado, dessa forma não atenderam aos requisitos dispostos na legislação pátria, e portanto, não tendo valor legal no Brasil. Entretanto, de forma a atestar o quanto possível das alegações prestadas pela manifestante, passase a analisar os documentos que vieram acompanhados dos documentos originais e respectivas traduções juramentadas. (...) 2.1.1 Da participação societária na Labatt Holding Fl. 11021DF CARF MF Processo nº 10880.933735/201682 Resolução nº 1302000.712 S1C3T2 Fl. 11.022 22 Como demonstrado na tabela acima, em relação à Labatt Holding, o único documento apresentado original e tradução juramentada foi o intitulado "Transcrição Completa", em que se nota que a companhia Labatt Holding AIS foi dissolvida em 20/12/2012. Entretanto, em tal documento não é possível identificar os sócios da empresa, vez que não demonstra em nenhum dos registros históricos a composição do quadro societário, o documento se limita a apresentar as alterações no Conselho de Administração, alterações na empresa responsável pela Auditoria da companhia, bem como aumentos no capital social. Portanto, considero não ter o contribuinte comprovado sua participação societária na LabattlTolding. 2.1.2 Da participação societária na Labatt Canadá Da tabela acima depreendese que o único documento apresentado original e tradução juramentada foi o intitulado "Registro de Acionistas", nele é possível notar que a Ambev Luxembourg S. a R.L. é a única acionista da Labatt Canadá. Também deste documento notase que a Labatt Holding AIS era a única acionista da Labatt Canadá entre 23/06/2004 e 18/12/2012, como colocado pela Manifestante em sua peça defensiva. Entretanto, tendo em vista que a manifestante alega que sua participação societária na Labatt Canadá era indireta, e por meio da Labatt Holding, como não comprovou sua participação na última, considero não comprovado a participação societária indireta na Labatt Canadá. 2.1.3 Da participação societária na Cervepar Conforme tabela acima, em relação à Cervepar a Manifestante apresentou documento intitulado "Ata da Assembléia Geral Extraordinária da Cervepar" com o original e tradução juramentada. Por meio desse documento, notase que em 19/04/2011, data da 26' Assembléia Extraordinária de Acionistas e 102ª Assembléia Ordinária de Acionistas, a Linthal Spain Holding S.L era titular de 348.570 ações da Cervepar, entretanto, por meio desses documentos não é possível analisar se a Linthal Spain permanecia no quadro societário da Cervepar até o final de 2011. Ademais, a manifestante detinha participação indireta na Cervepar por meio de sua alegada participação na Linthal Spain, portanto, tendo em vista que a manifestante não apresentou qualquer documentação atendendo os requisitos legais para comprovar sua participação na Linthal Spain, considero que a manifestante não logrou êxito em comprovar sua participação indireta na Cervepar. 2.1.4 Da participação societária na CMQ Da tabela acima depreendese que em relação à CMQ o único documento apresentado original e tradução juramentada é aquele denominado "Protocolo Notarial". Fl. 11022DF CARF MF Processo nº 10880.933735/201682 Resolução nº 1302000.712 S1C3T2 Fl. 11.023 23 Da leitura desse documento, verificase que em 30/11/2009, data da Assembléia Geral Ordinária e Extraordinária, a Linthal Spain Holding S.L foi representada pela se. Ignácio Nicholson, e que na data possuía 20.493.338 ações da CMQ. Entretanto, não há qualquer outro documento que comprove a participação societária indireta da Manifestante em 2011. Ademais, a manifestante detinha participação indireta na CMQ por meio de sua alegada participação na Linthal Spain, portanto, tendo em vista que a manifestante não apresentou qualquer documentação atendendo os requisitos legais para comprovar sua participação na Linthal Spain, considero que a manifestante não logrou êxito em comprovar sua participação indireta na CMQ. 2.1.5 Da participação societária na CBN Da tabela acima, depreendese que o único documento apresentado para comprovação da participação societária na CBN atendendo aos requisitos legais foi o denominado "Títulos ou Certificados de Propriedade de Ações de Emissão da CBN". Por eles verificase que a Linthal S.A era proprietária de cento e trinta e duas mil e trezentas e vinte ações ordinárias da Cerveceria Boliviana, que a PRAD AB era proprietária de setecentas e quarenta e sete mil e quatrocentas e cinqüenta ações ordinárias da Cerveceria Boliviana e a Quilmes International (Bermuda) era proprietária de um mil cento e setenta e nove ações ordinárias da Cerveceria Boliviana. Entretanto, como a participação da manifestante na CBN era indireta por meio da Linthal S.A, PRAD AB e Quilmes International (Bermuda), e não tendo a manifestante comprovado sua participação societária nessas empresas, não reconheço a participação indireta da manifestante na CBN. Portanto, conforme demonstrado, não acolho os argumentos da manifestante, não reconhecendo a participação societária da manifestante nas empresas que efetuaram pagamento de Imposto de Renda no Exterior e que são objeto do presente pedido de compensação, dessa forma, não comprovou o pagamento de imposto de renda no exterior. De relevo notar, entretanto, que mesmo tendo em vista tudo o que foi exposto no item acima (sobre prova de participação em pessoas jurídicas sediadas no exterior), perde relevância a discussão, pois como será demonstrado nos tópicos seguintes, o contribuinte deixou de demonstrar a higidez do que afirma ter recolhido pelas pessoas jurídicas sediadas no exterior. 2.2 Da Efetiva adição e oferecimento à tributação no Brasil do resultado das subsidiárias que Pagaram imposto de renda no exterior Passo a analisar o argumento de efetiva adição e oferecimento à tributação dos resultados das subsidiárias no Exterior. Inicialmente cumpre destacar que o doc. 31, (doe comprobatório 0222 do processo) intitulado "Demonstração Financeira Auditada da Labatt Holding" não teve sua tradução juramentada para o Português apresentada, dessa forma, como colocado no tópico anterior, nos termos dos art. 192 do Código de Processo Civil (Lei 13.105/2015), art. 224 da Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil) e art. 18 Decreto n° 13.609, de 21 de Fl. 11023DF CARF MF Processo nº 10880.933735/201682 Resolução nº 1302000.712 S1C3T2 Fl. 11.024 24 outubro de 1943 não possuí efeito legais, não servindo de meio de prova a comprovar a efetiva adição e oferecimento à tributação dos rendimentos recebidos pela Labatt Holding. (...) Da leitura do referido dispositivo legal, verificase que a mera apresentação de demonstrações financeiras auditadas não é suficiente para comprovar a adição ao resultado da empresa sediada no Brasil dos lucros obtidos pelas suas controladas, coligadas, filiais ou sucursais no exterior. É preciso deixar evidenciado a disponibilização do resultado mediante a elaboração das demonstrações financeiras das controladas e coligadas, de acordo com as normas comerciais do país de seu domicílio. As contas e subcontas constantes das demonstrações financeiras elaboradas no exterior devem ser traduzidas em idioma nacional, seus valores convertidos em Reais, classificadas segundo as normas da legislação comercial brasileira e, por fim, devem ser transcritas ou copiadas no livro Diário da pessoa jurídica nacional. Vale ressaltar que o art. 395, §4° do RIR/99 também institui a obrigatoriedade de apresentação das demonstrações financeiras correspondentes: (...) Portanto, diante o exposto, considero que a manifestante não comprovou a adição e o oferecimento à tributação no Brasil do resultado das subsidiárias que pagaram imposto de renda no exterior, vez que não apresentou suas demonstrações financeiras atendendo aos requisitos legais. 2.3. Dos documentos comprobatórios do pagamento do Imposto de Renda no Exterior Para a compensação de Imposto de Renda pago no exterior, o art. 395 do RIR/99 estabelece duas possibilidades, a saber: apresentação dos documentos relativos ao imposto de renda incidente no exterior reconhecido pelo órgão arrecadador local e pelo Consulado da Embaixada Brasileira; ou apresentação da comprovação de incidência do imposto no pais de origem através de legislação do país onde arrecadado, in verbis: Em resposta a Termo de Intimação anexado ao processo 16692.726477/201501 (fls. 475/476 do referido processo), em que consta documentos considerados na análise do direito creditório, a recorrente assim se pronunciou: (...) "5) Legislação do Imposto sobre a Renda dos países onde se encontram as controladas direta ou indireta das quais a contribuinte apresentou supostos pagamentos de Impostos sobre a Renda empresas (originais e traduzidos por tradutor juramentado) Resposta: A intimada esclarece que o Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 3.000/1999) prevê a possibilidade de apresentar somente as guias consularizadas, desde que reconhecido pelo órgão arrecadador e Consulado da Embaixada Brasileira onde Fl. 11024DF CARF MF Processo nº 10880.933735/201682 Resolução nº 1302000.712 S1C3T2 Fl. 11.025 25 for devido o imposto, ou, em substituição, a comprovação de incidência do imposto no país de origem através de legislação do país onde arrecadado, conforme art. 395, parágrafos 2° e 5º): (...) Portanto, resta claro que a manifestante optou por apresentar os comprovantes de arrecadação consularizados e reconhecidos pelo órgão arrecadador, em detrimento de apresentação da legislação do país de origem traduzida. Vale ressaltar, assim como discorrido nos tópicos anteriores, que nos termos dos artigos 192 do Código de Processo Civil (Lei 13.105/2015), 224 da Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil) e. 18 Decreto n° 13.609, de 21 de outubro de 1943, para que os documentos em língua estrangeira tenham validade no Brasil, esses devem estar traduzidos por tradutora juramentada. No documento comprobatório 185 (Anexo ao Laudo Técnico de Natureza Contábil), incluído ao processo como arquivo não paginável (fl. 160), a manifestante inclui planilha detalhando as referências em que se encontram os comprovantes de arrecadação para comprovação dos valores recolhidos, os quais se passa a analisar. A tabela abaixo demonstra a correspondência apresentada no referido laudo: De pronto, da análise da documentação acostada aos autos notase a falta de tradução juramentada, inviabilizando a sua aceitação como elemento de prova dos pagamentos realizados no exterior. Ademais, da mesma forma, observouse que os comprovantes de pagamentos não observaram os demais requisitos estabelecidos pelo art. 395, §2° do RIR/99, vez que não foram apresentados consularizados. Diante o exposto, entendo que os demais argumentos apresentados pela manifestante no referido tópico estaria com sua análise prejudicada, vez que os documentos de Fl. 11025DF CARF MF Processo nº 10880.933735/201682 Resolução nº 1302000.712 S1C3T2 Fl. 11.026 26 pagamento que balizariam as compensações não apresentaram os requisitos legais para sua aceitação. Analiso apenas aquele que pede pela exclusão das receitas provenientes da CMQ em decorrência do tratado para evitar a bitributação celebrado entre Brasil e Argentina, pois não há influência dos comprovantes de pagamentos. Sobre a questão, transcrevo voto proferido pelo relator Eduardo Newman de Mattera Gomes no Acórdão 16074.359, tendo como Recorrente Companhia de Bebidas das Américas — AMBEV em sessão de 25/08/2016, que traduz o entendimento desta 1' Turma de Julgamento da Delegacia de Julgamento em São Paulo. "A Impugnante aduz que o item 2 do art. 23 da convenção internacional celebrada entre o Brasil e a Argentina para evitar a dupla tributação e prevenir a evasão fiscal (adiante nomeado de "T2T Brasil — Argentina") estabelece que os dividendos pagos por uma sociedade Argentina a uma sociedade residente do Brasil detentora de mais de 10% do capital da sociedade pagadora, que sejam tributáveis na Argentina, estariam isentos do imposto no Brasil. Logo, em decorrência da participação da Impugnante no capital das empresas Maltaria Pampa, Lambic e Hohneck superar o patamar de 10%, seria imperioso a aplicação da isenção em foco, casa se entenda válida e ficção de pagamento de dividendos adotada pela fiscalização. (...) Assim como, se existisse (ou vier a existir) determinação para a não tributação dos dividendos efetivamente distribuídos a posteriori, esta seria (ou será) também outra liberalidade (uma vez que já havia sido concedido o alívio anterior)." (g.n.) Assim, sendo certo que a tributação não está calcada na distribuição, efetiva ou presumida, de dividendos, não se mostra aplicável a norma em tela. Ademais, ainda que se entendesse que o art. 74 da Medida Provisória n.º 2.15835 determina a tributação sobre dividendos presumidos (o que não se concorda, conforme anteriormente exposto), permaneceria sendo vedada a aplicação da norma veiculada no item 2 do art. 23 do T2T BrasilArgentina, pois os itens 1 e 2 desta convenção apenas permitem que a Argentina estabeleça, em sua legislação interna, a tributação dos dividendos distribuídos a brasileiros ou empresas brasileiras. Vejamos a redação destes itens: (...) Destarte, em decorrência de inexistir qualquer comprovação, e sequer alegação, de que a legislação interna Argentina determina a tributação dos dividendos distribuídos por suas empresas a brasileiros ou empresas brasileiras, não haveria como se reconhecer a aplicabilidade da isenção veiculada no item 2 do art. 23 do T2T Brasil — Argentina ao caso vertente." 2.4. Do pedido de anexação posterior de provas Por fim, protesta a manifestante pela posterior juntada de documentos adicionais e complementares que julgar importantes. Fl. 11026DF CARF MF Processo nº 10880.933735/201682 Resolução nº 1302000.712 S1C3T2 Fl. 11.027 27 (...) Portanto, em regra, as provas devem ser apresentadas junto a impugnação, ao menos que se comprove a incidências nas hipóteses previstas nos incisos "a" a "c" acima transcritos. Portanto, a complexidade dos fatos envolvidos não é motivo suficiente para a produção posterior de provas. Ademais, os documentos necessários para comprovar o direito creditório da manifestante foi objeto de diversas intimações pela autoridade fiscal no curso da diligência que deu origem ao despacho decisório que denegou o direito creditório, não tendo o contribuinte apresentado até o momento. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls.1803 e segs.), alegando, em síntese: (a) A DRJ, ao admitir a existência de questão prejudicial e, ainda assim, julgara matéria afetada por tal questão prejudicial, a D. DRJ incorreu em flagrante erro, que deve ser corrigido por este E. Conselho com a declaração da nulidade do v. acórdão recorrido, determinação de sobrestamento dos presentes autos e de que outra decisão seja proferida pela D. DRJ somente depois que a questão prejudicial esteja resolvida no respectivo processo. (b) em se tratando de declarações de compensação, caso a não homologação das compensações de antecipações mensais do imposto anteriormente declaradas não sejam homologadas em definitivo, o valor deverá ser pago pela Recorrente ou dela será cobrado, ainda que de forma forçada (mediante execução judicial). Ou seja, mesmo que a Recorrente tenha apresentado defesas e recursos na seara administrativa e as venha apresentar na esfera judicial, se após a apreciação delas o valor for definitivamente julgado como devido, de forma voluntária ou, em último caso, por execução forçada pelo exercício dos poderes jurisdicionais do Estado, o valor será recolhido aos cofres da União; e (c) É imperioso que se admita que, se prevalecerem os fundamentos da D. DRJ para glosar as antecipações mensais de IRPJ e CSLL compensadas e para mostrar coerência jurídica no posicionamento da D. DRJ, então os débitos objeto das DCOMPs acima referidas também não poderão ser cobrados da Recorrente. Explicase. A premissa adotada pela COSIT e pela PGFN para considerar admissível a cobrança de antecipações mensais de IRPJ ou CSLL após o encerramento do anocalendário é que tais antecipações tenham composto o ajuste ao final do período de apuração. Caso seja verdade, como quer fazer crer a D. DRJ, que antecipações mensais cuja compensação não foi homologada não gozam de certeza e liquidez necessárias para serem admitidas na composição do saldo negativo formado no período, então as compensações das antecipações mensais de janeiro de 2012, por não terem sido homologadas ainda também não teriam a certeza e a liquidez necessárias para serem computadas no saldo negativo do anocalendário de 2012 (ou o ajuste do IRPJ e da CSLL apurado naquele anocalendário). E se, desse modo, as antecipações de janeiro de 2012 não compuseram o ajuste do anocalendário de 2012, então não poderão ser exigidas, já que não estará presente a premissa requerida pela legislação para que tais débitos sejam cobrados apóso final do exercício, nos termos do entendimento da COSIT e da própria PGFN. (d) Restam superadas quaisquer dúvidas da D. DRJ acerca da efetiva ligação societária entre a Recorrente e as empresas que pagaram o imposto de renda no exterior Fl. 11027DF CARF MF Processo nº 10880.933735/201682 Resolução nº 1302000.712 S1C3T2 Fl. 11.028 28 questionado nos autos, na conformidade do laudo da KPMG e documentação acostada aos autos. (e) a recusa da D. DRJ em virtude de não terem sido apresentadas as traduções juramentadas das Demonstrações Financeiras das empresas relacionadas representa criação de obstáculo desnecessário, em especial por se tratar de documentos cuja essência é composta por números não sujeitos a tradução. Ademais, pela própria DIPJ, notase a existência de adição de lucros na casa de bilhões. No mínimo devese considerar como base tal documento para verificar que efetivamente algum lucro auferido no exterior foi adicionado para fins de tributação no Brasil. Tal conclusão independe de qualquer tradução juramentada para ser compreendida. (f) Da devida comprovação do pagamento do Imposto de Renda no exterior, conforme laudo complementar exarado pela KPMG e anexado aos autos; (g) De outro lado, ainda que o controle da Recorrente sobre a CMQ seja indireto, o CARF já definiu que a aplicação do art. 74 da MP 2.15835/2002 considera que os resultados são diretamente absorvidos pela investidora brasileira, de modo que para efeitos de aplicação de tratado contra dupla tributação, deve ser considerado o país no qual está a subsidiária que efetivamente auferiu os lucros sujeitos a tributação. Ou seja, in casu, deverá ser considerado o tratado contra dupla tributação firmado entre Brasil e Argentina. (h) Em se tratando de imposto de renda pago no exterior, a comprovação do direito da Recorrente demanda procedimentos muitos complexos e demorados. De fato, a estrutura societária que liga a Recorrente às suas controladas no exterior é extremamente ramificada, o que implica, além da dificuldade de coletar documentos em vários países diferentes, também dificuldade para o entendimento de referidos documentos. Aliese a isto o fato de a Recorrente estar constantemente sob diversas fiscalizações tributárias (especialmente da RFB), sobre os mais variados temas tributários, bem como por se tratar de documentação de períodos passados há quase ou mais de 5 anos. Nesse contexto, não é difícil de entender que os prazos concedidos pela D. Fiscalização, bem como o tempo decorrido desde a apresentação da manifestação de inconformidade, não são tão razoáveis quanto a D. DRJ quer fazer crer. Apesar de toda a dificuldade para o levantamento e o enquadramento dos documentos no padrão exigido pela legislação, a Recorrente, ainda assim, apresentou no exíguo prazo de 30 dias um Laudo composto por 36 páginas, além de aproximadamente 1.500 páginas de documentos, o que denota a absoluta boa fé e o empenho na comprovação do seu direito. Ora, restando demonstrada a impossibilidade de ser acostado todos os documentos societários, guias de pagamento e as respectivas traduções juramentadas. Por fim, consta dos autos despacho de fls. 4231/4232, que determinou a distribuição por prevenção do presente processo a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa – Relator. Fl. 11028DF CARF MF Processo nº 10880.933735/201682 Resolução nº 1302000.712 S1C3T2 Fl. 11.029 29 O recurso é tempestivo, posto que a ciência do contribuinte ter ocorrido em 10/10/2017, e o recurso interposto em 09/11/2017. Portanto, dele conheço. Umas das questões trazidas para apreciação deste colegiado diz respeito ao reconhecimento ou não do imposto pago no exterior, quer pelas compensações vinculadas ao presente processo. Segundo o despacho decisório resta ausente a comprovação da incidência do imposto no exterior no valor de R$ 350.318.335,63. Situação confirmada pela decisão da DRJ conforme relatado acima. Pois bem. Passamos a análise. A legislação que regulamenta a compensação no Brasil de imposto pago no exterior está consolidada no artigo 395 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, abaixo transcrito: Compensação do Imposto Pago no Exterior Art. 395. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos, ganhos de capital e receitas decorrentes da prestação de serviços efetuada diretamente, computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos, ganhos de capital e receitas de prestação de serviços (Lei nº 9.249, de 1995, art. 26, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 15). § 1º Para efeito de determinação do limite fixado no caput, o imposto incidente, no Brasil, correspondente aos lucros, rendimentos, ganhos de capital e receitas de prestação de serviços auferidos no exterior, será proporcional ao total do imposto e adicional devidos pela pessoa jurídica no Brasil (Lei nº 9.249, de 1995, art. 26, § 1º). § 2º Para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto (Lei nº 9.249, de 1995, art. 26, § 2º). § 3º O imposto de renda a ser compensado será convertido em quantidade de Reais, de acordo com a taxa de câmbio, para venda, na data em que o imposto foi pago; caso a moeda em que o imposto foi pago não tiver cotação no Brasil, será ela convertida em dólares norteamericanos e, em seguida, em Reais (Lei nº 9.249, de 1995, art. 26, § 3º). § 4º Para efeito da compensação do imposto referido neste artigo, com relação aos lucros, a pessoa jurídica deverá apresentar as demonstrações financeiras correspondentes, Fl. 11029DF CARF MF Processo nº 10880.933735/201682 Resolução nº 1302000.712 S1C3T2 Fl. 11.030 30 exceto na hipótese do inciso II do § 10 do art. 394 (Lei nº 9.430, de 1996, art. 16, § 2º, inciso I). § 5º Fica dispensada da obrigação de que trata o § 2º deste artigo a pessoa jurídica que comprovar que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado (Lei nº 9.430, de 1996, art. 16, § 2º, inciso II). § 6º Os créditos de imposto de renda pagos no exterior, relativos a lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, somente serão compensados com o imposto devido no Brasil, se referidos lucros, rendimentos e ganhos de capital forem computados na base de cálculo do imposto, no Brasil, até o final do segundo anocalendário subseqüente ao de sua apuração (Lei nº 9.532, de 1997, art. 1º, § 4º). § 7º Relativamente aos lucros apurados nos anos de 1996 e 1997, considerarseá vencido o prazo a que se refere o parágrafo anterior no dia 31 de dezembro de 1999 (Lei nº 9.532, de 1997, art. 1º, § 5º). § 8º O imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos pagos ou creditados a filial, sucursal, controlada ou coligada de pessoa jurídica domiciliada no Brasil, não compensado em virtude de a beneficiária ser domiciliada em país enquadrado nas disposições do art. 245, poderá ser compensado com o imposto devido sobre o lucro real da matriz, controladora ou coligada no Brasil quando os resultados da filial, sucursal, controlada ou coligada, que contenham os referidos rendimentos, forem computados na determinação do lucro real da pessoa jurídica no Brasil (Medida Provisória nº 1.807 2, de 25 de março de 1999, art. 9º). § 9º Aplicamse à compensação do imposto a que se refere o parágrafo anterior o disposto no caput deste artigo (Medida Provisória nº 1.8072, de 1999, art. 9º, parágrafo único). Da legislação transcrita concluise que as exigências para a compensação são: a) que ela obedeça ao limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos, ganhos de capital e receitas de prestação de serviços, nos termos do § 1º do artigo 395 acima; b) que os documentos relativos ao imposto pago no exterior sejam reconhecidos pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país, ou, alternativamente, que a empresa comprove que a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado; Fl. 11030DF CARF MF Processo nº 10880.933735/201682 Resolução nº 1302000.712 S1C3T2 Fl. 11.031 31 c) com relação aos lucros, a empresa deverá apresentar as demonstrações financeiras correspondentes; d) os créditos só serão compensados se os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior forem computados na base de cálculo do imposto, no Brasil, até o final do segundo anocalendário subsequente ao de sua apuração. Conforme trazido em Recurso Voluntário, a Recorrente aponta ter obedecido tais limites e o acervo probatório anexado aos autos, demonstra indícios de sua existência. A Recorrente reclama que a prova do pagamento está representada por documentos em línguas estrangeiras acessíveis cujo conteúdo, se não transmite certeza, ao menos dá indício relevante do fato a ser provado — e para isto basta dizer que a D. Fiscalização e a D. DRJ foram capazes, por exemplo, de distinguir comprovantes de pagamento de imposto de renda de documentos que tratam de pedidos de compensação. Além disso, aponta ela que os documentos pertencem a empresas sabidamente integrantes do grupo econômico multinacional da Recorrente (e.g. Cerveceria Paraguaya S A). Aduz a Recorrente que adicionou ao lucro real e à base de cálculo da CSLL no ano calendário em questão aproximadamente R$ 1.5bilhões de lucros auferidos por suas controladas no exterior. Este valor relevante é clara evidência de que haveria imposto de renda pago no exterior a ser compensado e de que se tratava de empresas relacionadas ao grupo, se não fossem, não haveria que se falar em adição de tais lucros aos resultados da Recorrente. Para melhorar e complementar o acervo probatório de seu crédito, a Recorrente anexou ao seu Recurso Voluntário LAUDO TÉCNICO DE NATUREZA CONTÁBIL COMPLEMENTAR, com base no qual pretendeu demonstrar que (i) todos os comprovantes de recolhimento do imposto de renda pago no exterior utilizados para compor o saldo negativo a discutido estão consularizados e devidamente traduzidos para o português; (ii) os valores pago correspondem a imposto de renda efetivamente apurado e devido por controladas da Recorrente; (iii) os valores de imposto de renda compensados no exterior foram efetivamente aceitos pelas respectivas autoridades locais; (iv) a Recorrente é efetivamente controladora das empresas que efetuaram o pagamento do imposto de renda no exterior; e (v) os resultados de suas controladas que efetuaram pagamento do imposto de renda no exterior foram efetivamente oferecidos à tributação no Brasil. Observese que, se o lucro no exterior é computado no cálculo do lucro real (e só no lucro real) e existe um comprovante de recolhimento de imposto no exterior legítimo apresentado pela empresa, basta verificar o limite de compensação e efetuar o confronto de débito e crédito. Embora tal complementação da prova tenha se efetivado já na fase recursal, em razão aos princípios da Verdade Material, exercício de contraditório pleno, não vejo impedimento algum quanto a recepção destes documentos, já que tem por escopo principal solucionar e esclarecer as dúvidas levantadas no acórdão DRJ. Os esclarecimentos complementares trazidos aos autos são atinentes à elaboração pela KPMG ASSESSORES LTDA. ("KPMG"), de um LAUDO TÉCNICO DE Fl. 11031DF CARF MF Processo nº 10880.933735/201682 Resolução nº 1302000.712 S1C3T2 Fl. 11.032 32 NATUREZA CONTÁBIL COMPLEMENTAR (doc. 02, "Laudo Complementar"), tendo por objeto a situação litigiosa. Isto porque, o Laudo Complementar incluiu os comprovantes de pagamento do IR no exterior em versões originais, acompanhados das consularizações e traduções juramentadas e legislações dos países onde o IR foi pago (também com traduções juramentadas), que confirmam que os documentos apresentados são os documentos para recolhimento do IR incidente nos respectivos países. Ainda conforme anota a Recorrente, o Laudo Complementar ainda constatou que ela efetivamente detém investimentos nas empresas que pagaram IR incidente no exterior (com base em demonstrações financeiras e documentos societários das empresas) e que os respectivos resultados compuseram a adição de lucros no exterior de aprox. R$ 1,5 Bilhões (com base nas demonstrações financeiras). Como neste julgamento não se entende adequado tomar decisões que invistam contra o direito de liberdade e direito de propriedade dos contribuintes à partir de premissas que se apresentam obscuras, mas que podem ser esclarecidas, entendo que ele deve ser convertido em diligência para uma melhor elucidação dos fatos. Conclusão Diante do exposto, considerando que não foi analisado no início deste procedimento de compensação os comprovantes de pagamento do Imposto de Renda no exterior, bem como os requisitos para seu aproveitamento no Brasil, entendo que este processo deve retornar à Unidade de origem, convertendose o julgamento em diligência, para que a Recorrente seja intimada a: a) comprovar, de forma objetiva e direta, o vínculo societário e o percentual de participação relativo a cada empresa cujo pagamento no exterior estiver sendo objeto de pedido de compensação; b) apresentar, de forma objetiva, o demonstrativo de que o lucro relativo aos valores a serem compensados foi oferecido à tributação, de forma deixar clara a composição dos totais constantes das declarações, bem como os correspondentes documentos contábeis; c) apresentar o demonstrativo de cálculo do limite de compensação, nos termos do § 1º do artigo 395 do RIR/99, individualizados por empresa no exterior; d) apresentar os comprovantes de quitação consularizados, ou, a comprovação de que eles são legítimos, o que pode ser feito com a juntada da lei que estabelece sua utilização com tradução juramentada; e) apresentar o demonstrativo de conversão para o Real dos impostos pagos no exterior; f) após a entrega dos documentos, a autoridade fiscal deve produzir relatório circunstanciado, descrevendo suas análises e conclusões daí resultantes, dele cientificando a interessada, abrindo prazo de 30 dias para o exercício do contraditório. Fl. 11032DF CARF MF Processo nº 10880.933735/201682 Resolução nº 1302000.712 S1C3T2 Fl. 11.033 33 Após, reencaminhese o processo à este Colegiado para continuação do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa Fl. 11033DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.724961/2014-13
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
GRUPO ECONÔMICO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
Constatados os elementos necessários à caracterização de Grupo Econômico, deverá a Autoridade Fiscal atribuir a responsabilidade pelo crédito previdenciário a todas as empresas integrantes daquele Grupo conforme art. 124 do CTN c/c art. 30, IX da Lei 8.212/91.
Numero da decisão: 9202-007.495
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201901
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 GRUPO ECONÔMICO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Constatados os elementos necessários à caracterização de Grupo Econômico, deverá a Autoridade Fiscal atribuir a responsabilidade pelo crédito previdenciário a todas as empresas integrantes daquele Grupo conforme art. 124 do CTN c/c art. 30, IX da Lei 8.212/91.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 15504.724961/2014-13
anomes_publicacao_s : 201903
conteudo_id_s : 5970007
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 9202-007.495
nome_arquivo_s : Decisao_15504724961201413.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : ANA PAULA FERNANDES
nome_arquivo_pdf_s : 15504724961201413_5970007.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
id : 7646238
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:39:24 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661567524864
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1356; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 9 1 8 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 15504.724961/201413 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202007.495 – 2ª Turma Sessão de 30 de janeiro de 2019 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BANCO MERCANTIL DO BRASIL SA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 GRUPO ECONÔMICO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Constatados os elementos necessários à caracterização de Grupo Econômico, deverá a Autoridade Fiscal atribuir a responsabilidade pelo crédito previdenciário a todas as empresas integrantes daquele Grupo conforme art. 124 do CTN c/c art. 30, IX da Lei 8.212/91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 49 61 /2 01 4- 13 Fl. 594DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2201003.724, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 2ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de PT nº 15504.724961/201413 (Debcad nº 51.041.8287), no valor de R$ 1.710.414,61 (um milhão, setecentos e dez mil, quatrocentos e quatorze reais e sessenta e um centavos), consolidado 28/07/2014, correspondente as diferenças das contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados, não declaradas nas GFIP's e não recolhidas para o período 01/2010 a 12/2011. O Contribuinte apresentou a impugnação, às fls. 222/224. A DRJ/SDR, às fls. 470/481, julgou pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário na forma originalmente lançado. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 489/500. À fl. 506, a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara de Julgamento da 2ª Seção de Julgamento determinou a reunião dos processos nº 15504.725797/201461 (AI 51.061.7000); n.º 15504.725110/201498 (AI 51.061.7000); nº 15504.724961/201413 (AI 51.041.8287) e nº 15504.724960/201479 (AI 51.061.6992 e 51.065.2085) para julgamento conjunto. A 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara de Julgamento da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 510/517, conheceu o recurso voluntário apresentado apenas no que diz respeito à nulidade na imputação de responsabilidade solidária e, no mérito, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para determinar a exclusão dos responsáveis solidários do polo passivo da obrigação tributária. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 GRUPO ECONÔMICO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Para a caracterização da existência do grupo econômico e a atribuição de responsabilidade solidária às empresas que o compõem, é necessário demonstrar a unicidade de comando entre elas, bem como que se confundem em questões administrativas, contábeis, operacionais e de recursos humanos. Não deve prosperar a imputação dessa responsabilidade quando calcada somente na suposta declaração de uma das empresas. Fl. 595DF CARF MF Processo nº 15504.724961/201413 Acórdão n.º 9202007.495 CSRFT2 Fl. 10 3 Às fls. 519/533, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: Grupo econômico Caracterização: formal/de fato. Cotejando o acórdão recorrido juntamente com os acórdãos trazidos à divergência, verificase, de plano, a semelhança das questões fáticas ali envolvidas, tendo em vista que, em ambos os casos, a fiscalização caracterizou a ocorrência de grupo econômico, tendo em vista sua condição de responsáveis solidárias. Contudo, em que pese reportaremse à caracterização de grupo econômico, a decisão recorrida e os acórdãos paradigmas chegaram a conclusões opostas. A decisão recorrida entendeu que, para caracterização do grupo econômico, deveria haver uma comprovação expressa com apontamentos específicos. Em sentido diverso, os paradigmas entenderam configurado o grupo econômico a partir da constatação de sua existência mediante análise dos documentos juntados aos autos, com a consequente responsabilidade solidária de todas as empresas dele integrantes. Tratamse, portanto, de critérios jurídicos diversos para configuração do grupo econômico, interpretando e aplicando de forma mais rigorosa ou mais flexível o art. 30, IX, da Lei 8.212/91 e art. 124 da Lei 5.172/66 (CTN). Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, às fls. 536/539, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação à seguinte matéria: Grupo econômico Caracterização: formal/de fato. Cientificado à fl. 542, o Contribuinte apresentou Contrarrazões, às fls. 547/559, arguindo, preliminarmente, a inexistência de divergência de interpretação quanto à legislação tributária. Pretensão de mero reexame do material probatório. No mérito, reafirmou as alegações anteriores e requereu o desprovimento do Recurso Especial. Vieram os autos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de PT nº 15504.724961/201413 (Debcad nº 51.041.8287), no valor de R$ 1.710.414,61 (um milhão, setecentos e dez mil, quatrocentos e quatorze reais e sessenta e um centavos), consolidado 28/07/2014, correspondente as diferenças das contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados, não declaradas nas GFIP's e não recolhidas para o período 01/2010 a 12/2011. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. Fl. 596DF CARF MF 4 O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a seguinte divergência: Grupo econômico Caracterização: formal/de fato. Para tratar da caracterização de grupo econômico é importante conjugar conceitos do direito do trabalho com a norma previdenciária tributária. No direito do trabalho há um conceito de especifico de “Grupo Econômico Empresarial”. O artigo 2º, § 2º da CLT determina: “Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada um das subordinadas”. Desse conceito se extrai que, para que se configure grupo econômico, basta que uma ou mais empresas se encontrem subordinadas a outra que as dirige, controla, ou administra (“sob a direção, controle ou administração de outra”). Esse tipo de ligação é conhecida como “grupo econômico de subordinação”. O objetivo da norma é assegurar aos empregados de uma determinada empresa, o direito de exigir suas pretensões, não apenas de sua empregadora direta, mas também de outra empresa do mesmo grupo econômico. Contudo, as relações empresariais são dinâmicas e seus conceitos evoluíram. E o conceito de grupo econômico foi flexibilizado pela jurisprudência da Justiça do Trabalho, que incorporou um mais amplo do que o constante na lei. Surgiu o chamado “grupo econômico por coordenação”, cuja caracterização independe do controle e fiscalização por uma empresa líder. As empresas atuam no mesmo plano, sem subordinação. Vale dizer, não precisa existir um vínculo societário ou verticalizado, basta haver uma relação de cooperação, uma convergência de interesses. No âmbito previdenciário/tributário o entendimento para caracterização do grupo econômico de fato não é diferente. As ações de exigência de contribuições previdenciárias, adotam o mesmo conceito da jurisprudência trabalhista para definir grupo econômico, para fins de responsabilidade solidária de empresas pelo cumprimento das obrigações previdenciárias, o que se observa da leitura da IN RFB 971/2009 (bem como a Instrução Normativa SRP n° 03/2005 que a antecedeu) adota o mesmo conceito de grupo econômico da lei trabalhista. Os artigos 494 e 495 da referida IN RFB estabelecem: “Art. 494. Caracterizase grupo econômico quando 2 (duas) ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica”. “Art. 495. Quando do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, serão cientificadas da ocorrência”. A jurisprudência do Carf segue nesta linha de entendimento já algum tempo: Fl. 597DF CARF MF Processo nº 15504.724961/201413 Acórdão n.º 9202007.495 CSRFT2 Fl. 11 5 GRUPO ECONÔMICO DE FATO. GRUPO COMPOSTO POR COORDENAÇÃO. RSPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estão sob a direção, o controle ou a administração de outra, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Empresas que, embora tenham situação jurídica distinta, são dirigidas de fato pelas mesmas pessoas, exercem suas atividades no mesmo endereço e uma delas presta serviços somente à outra, formam um grupo econômico denominado “grupo composto por coordenação”, sendo solidariamente responsáveis pelas contribuições previdenciárias de qualquer uma delas”. (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Segunda Seção de Julgamento, Processo nº 11474.000068/200713, Recurso nº 258.031, Acórdão nº 230201.038, 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, Sessão de 11 de maio de 2011). Na hipótese dos autos a fiscalização caracterizou a ocorrência de grupo econômico entre as empresas: Banco Mercantil do Brasil S/A, Sansa Serviços e Negócios Imobiliários S/A, Mercantil do Brasil Imobiliária S/A, Cosefi Cia Securit e de Ass. Recup. Créditos Financeiros, Mercantil do Brasil Empreend. Imobiliários S/A, Mercantil do Brasil Corretora S/A, Mercantil do Brasil Adm. Corret. Seg. Prev. Priv. S/A, Mercantil do Brasil Distribuidora S/A Tit. Val. Mob., Mercantil Adm. E Corretagem de Seguros S/A, Mercantil do Brasil Leasing S/A Arrend. Mercantil, Mercantil do Brasil Financeira S/A Credito Fin. E Invest. e Banco Mercantil de Investimentos S/A. Nos termos do art. 124, I e II do CTN, art. 30, IX, da Lei 8.212/91, art. 222 do RPS e art. 494 da IN RFB 971/09, todas as empresas consideradas como grupo econômico foram consideradas responsáveis solidárias. Observase, contudo, que a Turma Ordinária desconsiderou a existência de grupo econômico de fato, ponto sob o qual se insurge a Fazenda Nacional. Embora alegação do Contribuinte de que para caracterização de grupo econômico estes teriam que ter caracterizado através de atividade conjunta o fato gerador da obrigação tributária este não é o disposto na lei. Assim mesmo que a jurisprudência do STJ já tenha se manifestado neste sentido conforme apontado pelo Contribuinte, no ARE 429923/SP 2013, não se trata de decisão oponível a todos (advinda de recurso julgado no sistema de repetitivos), de modo que a aplicação do dispositivo legal deve prevalecer. Embora a decisão recorrida tenha entendido que, para caracterização do grupo econômico, deveria haver uma comprovação expressa com apontamentos específicos. Em sentido diverso, os paradigmas entenderam configurado o grupo econômico a partir da constatação de sua existência mediante análise dos documentos juntados aos autos, com a consequente responsabilidade solidária de todas as empresas dele integrantes. Tratamse, portanto, de critérios jurídicos diversos para configuração do grupo econômico, interpretando e aplicando de forma mais rigorosa ou mais flexível o art. 30, IX, da Lei 8.212/91 e art. 124 da Lei 5.172/66 (CTN). Fl. 598DF CARF MF 6 Contudo alguns argumentos esposados no acórdão recorrido não merecem prosperar isso por que importa salientar que o acórdão recorrido apontou para o fato de que era dever do auditor fiscal no auto de infração apontar para relação formal do grupo econômico comprovando sua subordinação e unicidade de comando. Aponto aqui meu entendimento diverso esclarecendo que a legislação previdenciária é mais gravosa do que a tributária no que se atine a responsabilidade solidária especificamente porque protege a sociedade através do custeio do caixa da seguridade social, de modo que o grupo de fato pode ser reconhecido, mesmo que formalmente não haja documentos apontados no auto de infração. Não há que se falar em fragilidade do auto de infração na indicação do grupo econômico, isso por que ele era público e notório. O auto de infração foi elaborado dentro da legalidade, os autos de obrigação solidária foram devidamente lavrados, tendo sido permitido as partes o contrário e a ampla defesa. A Fazenda Nacional aponta para o fato de que a simples aplicação literal do art. 30, IX, da Lei 8.212/91 (lei especial que pode ser interpretada fora do alcance do art. 124 do CTN), já seria suficiente para legitimar a responsabilização solidária das empresas de um mesmo grupo econômico pelas dívidas com a Seguridade Social. Aponta ainda: O sítio do Banco Mercantil do Brasil S/A informa sobre a composição do “Grupo Mercantil do Brasil, verbis: ‘Segmento Financeiro • Banco Mercantil do Brasil S/A • Banco Mercantil de Investimentos S/A • Mercantil do Brasil Financeira S/A Crédito, Financiamento e Investimentos • Mercantil do Brasil Distribuidora S/A Títulos e Valores Mobiliários • Mercantil do Brasil Corretora S/A Câmbio, Títulos e Valores Mobiliários • Mercantil do Brasil Leasing S/A Arrendamento Mercantil • Mercantil Administração e Corretagem de Seguros S/A Segmento Não – Financeiro • Mercantil do Brasil Administradora e Corretora de Seguros e Previdência Privada S.A • Mercantil do Brasil Imobiliária S/A • Sansa Serviços e Negócios Imobiliários S/A • Cosefi Companhia Securitizadora de Créditos Financeiros’ Outrossim, o Grupo Mercantil do Brasil instituiu a entidade fechada de previdência complementar ‘Caixa Vicente de Araújo’, organizada na forma da Lei nº 6.435. Dispõe o estatuto2 da ‘Caixa Vicente de Araújo’, verbis: ‘(...) Art. 1º. A Caixa ‘Vicente de Araújo’ do Grupo Mercantil do Brasil – CAVA, doravante designada CAVA, constituída em 03 de maio de 1958, e declarada de utilidade pública pela Lei Estadual nº 2.601, de 5 de janeiro de 1962, é pessoa jurídica de direito privado, entidade fechada de previdência complementar, autorizada a funcionar pela Portaria nº 2.173, de 25 de junho de 1980, do Ministério da Previdência Social, não tendo fins lucrativos, e sendo dotada de patrimônio próprio e autonomia administrativa e financeira. (...)’ Fl. 599DF CARF MF Processo nº 15504.724961/201413 Acórdão n.º 9202007.495 CSRFT2 Fl. 12 7 Art. 8º. São Patrocinadores dos planos de benefícios previdenciários e de assistência médica da CAVA: I o Banco Mercantil do Brasil S.A., instituição financeira privada, doravante denominado Patrocinadorlíder; II as empresas controladas pelo Patrocinadorlíder ou que a ele sejam coligadas ou vinculadas, direta ou indiretamente; III a própria CAVA. § 1º. Nos termos da legislação de regência, os Patrocinadores celebram, com a CAVA, Convênio de Adesão, submetido à aprovação dos órgãos governamentais competentes. § 2º. Cabe aos Patrocinadores a supervisão das atividades da CAVA, observadas, ainda, as condições que forem estabelecidas, no Convênio de Adesão, quanto à existência, ou não, de solidariedade entre as partes convenentes, no que se refere à garantia dos compromissos assumidos pela Entidade para com os filiados. (...)’ Registrese, ainda, que o Grupo Mercantil do Brasil adotou política unificada de remuneração variável dos administradores por meio do fundo MB Ações, cujo informativo diz: ‘LÂMINA DE INFORMAÇÕES ESSENCIAIS SOBRE O MB AÇÕES MERCANTIL DO BRASIL FUNDO DE INVESTIMENTO ‘(...) Público Alvo: O FUNDO é destinado, exclusivamente, aos diretores das empresas do Grupo Mercantil do Brasil, com vistas ao cumprimento do exposto na Política de Remuneração Variável dos Administradores do Grupo Mercantil do Brasil, de conformidade com o disposto na Resolução Bacen nº 3921, de 25 de novembro de 2010, os quais estão de pleno acordo com todos os termos, cláusulas e condições deste regulamento, observadas as disposições legais vigentes. (...)’ Ante a todo o exposto, resta claro que ‘há unicidade de comando estratégico entre as empresas, e que as empresas se confundem em questões administrativas, contábeis, operacionais e recursos humanos, além de estarem subordinadas a um mesmo comando’. A Fazenda Nacional em seu Recurso Especial logrou êxito ao comprovar que as empresas listadas pelo Auditor Fiscal na fase de fiscalização atuam em conjunto e até mesmo se declaram constantes de um mesmo grupo econômico. Observo aqui a existência de fato de um grupo econômico, sendo este público e notório, motivo pelo qual deve ser assim reconhecido. Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional para no mérito darlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 600DF CARF MF 8 Fl. 601DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10111.721457/2013-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 01/10/2010 a 29/02/2012
CESSÃO DE NOME. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA INEXISTÊNCIA DE ENCOMENDANTE DIVERSO.
Apenas o fato de existirem negociações comerciais prévias à importação não é suficiente para a caracterização da cessão de nome na importação. Ausente demais comprovações, como a própria transferência prévia de recursos, não há como subsistir a imputação de penalidade.
SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR.
A solidariedade tributária estabelecida em lei pressupõe que a Fiscalização efetue a demonstração do fato e sua adequada subsunção à norma. Inexistente descrição de atos cometidos com excesso de poderes, ou mesmo o interesse jurídico comum, capazes de atrais a incidência das imposições legais, inviável a atribuição de responsabilidade tributária.
Numero da decisão: 3201-004.916
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos Recursos Voluntários.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201902
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Período de apuração: 01/10/2010 a 29/02/2012 CESSÃO DE NOME. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA INEXISTÊNCIA DE ENCOMENDANTE DIVERSO. Apenas o fato de existirem negociações comerciais prévias à importação não é suficiente para a caracterização da cessão de nome na importação. Ausente demais comprovações, como a própria transferência prévia de recursos, não há como subsistir a imputação de penalidade. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR. A solidariedade tributária estabelecida em lei pressupõe que a Fiscalização efetue a demonstração do fato e sua adequada subsunção à norma. Inexistente descrição de atos cometidos com excesso de poderes, ou mesmo o interesse jurídico comum, capazes de atrais a incidência das imposições legais, inviável a atribuição de responsabilidade tributária.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
numero_processo_s : 10111.721457/2013-81
anomes_publicacao_s : 201904
conteudo_id_s : 5993206
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 3201-004.916
nome_arquivo_s : Decisao_10111721457201381.PDF
ano_publicacao_s : 2019
nome_relator_s : TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
nome_arquivo_pdf_s : 10111721457201381_5993206.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos Recursos Voluntários. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
dt_sessao_tdt : Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
id : 7706097
ano_sessao_s : 2019
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:42:38 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713051661583253504
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-04-15T14:40:53Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; Last-Modified: 2019-04-15T14:40:53Z; dcterms:modified: 2019-04-15T14:40:53Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; Last-Save-Date: 2019-04-15T14:40:53Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-04-15T14:40:53Z; meta:save-date: 2019-04-15T14:40:53Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-04-15T14:40:53Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 29; pdf:charsPerPage: 1604; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 17.811 1 17.810 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10111.721457/201381 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201004.916 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de fevereiro de 2019 Matéria Interposição Fraudulenta Recorrente UT UTILIDADES PARA O LAR LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/10/2010 a 29/02/2012 CESSÃO DE NOME. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA INEXISTÊNCIA DE ENCOMENDANTE DIVERSO. Apenas o fato de existirem negociações comerciais prévias à importação não é suficiente para a caracterização da cessão de nome na importação. Ausente demais comprovações, como a própria transferência prévia de recursos, não há como subsistir a imputação de penalidade. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. SÓCIO ADMINISTRADOR. A solidariedade tributária estabelecida em lei pressupõe que a Fiscalização efetue a demonstração do fato e sua adequada subsunção à norma. Inexistente descrição de atos cometidos com excesso de poderes, ou mesmo o interesse jurídico comum, capazes de atrais a incidência das imposições legais, inviável a atribuição de responsabilidade tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento aos Recursos Voluntários. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 11 1. 72 14 57 /2 01 3- 81 Fl. 17811DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 1666.557, proferido pela 24ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP), que assim relatou o feito: Trata o presente processo de lavratura de auto de infração com crédito tributário apurado de R$ 14.439,07, montante equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas entre outubro de 2010 e fevereiro de 2012, com fulcro no art. 23, V e §§ 1º e 3º, do DecretoLei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, com redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. A autuação foi efetuada sob a certeza da existência da prática de interposição fraudulenta. A autoridade lançadora afirma que a Utilar, empresa integrante do grupo empresarial Mundo dos Filtros, participou de esquema para importação de mercadorias, na qual a operação aduaneira foi efetuada pela empresa Prime Comercial Importadora e Exportadora Ltda por conta e ordem (declarada) da empresa Utilidad Comércio de Móveis e Eletro Ltda. Entretanto, os recursos para a prática das importações eram fornecidos pelos reais adquirentes, empresas do grupo Mundo dos Filtros, que consolidavam seus pedidos para a importação. Segue diagrama para fins de visualização gráfica de modus operandi (fl. 197): Compulsando o auto de infração, verifico que no polo passivo do presente processo encontrase a Utilar. Entretanto, com base no art. 95 do DecretoLei nº 37, de 21 de novembro de 1966 c/c os art. 124, I e 135 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN) a sujeição passiva foi estendida conforme fls. 198 a 200: Fl. 17812DF CARF MF Processo nº 10111.721457/201381 Acórdão n.º 3201004.916 S3C2T1 Fl. 17.812 3 Fl. 17813DF CARF MF 4 Segundo o Relatório de Auditoria Fiscal parte integrante do auto de infração, “A PRIME e a UTILIDAD são dos mesmos sócios (...) e funcionam no mesmo endereço. Na prática são a mesma empresa, mas criam dois níveis de operação, um como importador e outro como adquirente, de modo a ocultar do fisco o terceiro nível de operação, onde se esconde o real interessado na operação” (fl. 20). Prossegue em fl. 23: “Pela análise econômicofinanceira acima descrita fica evidenciado que a Utilidad e seus sócios não dispõe de patrimônio e capacidade financeira para sustentar sua operações no comércio exterior o que evidencia que tais operações sejam suportadas financeiramente por terceiros ocultos (...)”. Por tratar de assunto coincidente, o AuditorFiscal (AFRFB) autuante traz no corpo do relatório do presente processo análises realizadas no processo nº 10111.720547/201273. Analisando os processos de importação da Prime e/ou Utilidad, que encontravamse organizados sob códigos CPP (códigos de processo interno), constatouse reiteradamente que a Prime emitia documento denominado SOLICITAÇÃO DE NUMERÁRIO para Mundo dos Filtros anteriormente ao registro da Declaração de Importação (DI). Colaciono uma das ocorrências retrocitada (fl. 28): Fl. 17814DF CARF MF Processo nº 10111.721457/201381 Acórdão n.º 3201004.916 S3C2T1 Fl. 17.813 5 O CPP 129B, referente à DI nº 11/07694886 traz mais uma evidência acerca da interposição (fl. 32): Em alguns dos CPP também podese encontrar o documento denominado Estimativa de Custos. Colaciono observação relativa a tal documento encontrado em alguns dos processos, neste caso o CPP 276B.211 (fl. 36): Quando analisa as alterações contratuais da Utilidad, o AFRFB tece algumas considerações acerca de Edmar Mothé (fl. 40): Dois meses após Edmar ter ingressado como sócio da Utilidad, com aporte de R$ 110.000,00 (cento e dez mil reais) e detendo 25% de seu Capital Social, deixa a sociedade, constando como sócioadministrador entre 3 de agosto de 2011 a 30 de setembro do mesmo ano, quando se retirou. Nesta mesma alteração contratual, a Utilidad promove aumento de seu Capital Social de R$ 60.000,00 (sessenta mil reais) para R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais). Todos os sócios integralizaram os valores em espécie, ou seja, depósitos em dinheiro, conforme cópias autenticadas dos comprovantes de depósito. Entretanto, com exceção de Edmar, os outros sócios efetuaram depósitos em quantia superior ao que era esperado. Destaca do relatório: “O importante a destacar sobre os comprovantes de depósitos apresentados pela empresa UTILIDAD é que tais comprovantes são documentos que demonstram depósitos bancários, em Fl. 17815DF CARF MF 6 espécie, dos sócios para a empresa. Sem nenhum outro documento esta operação só comprova a efetiva integralização na data expressa no Contrato Social, mas não comprovam a origem lícita dos recursos e nem se efetivamente estes recursos vieram realmente dos sócios ou foram aportados por terceiros ocultos em seus nomes, ou seja, não demonstram a efetiva transferência dos sócios, por isto a empresa foi mais uma vez intimada a apresentar documentação tendente a demonstrar a origem lícita dos recursos, através da Intimação nº 008/2012. Vale ressaltar que no tópico ‘2.6 – CONTEXTUALIZAÇÃO DA FISCALIZAÇÃO’ os sócios não possuem patrimônio declarado e nem capacidade econômica, apenas uma movimentação financeira não condizente com o patrimônio o que sugere que estes recursos com ‘aparência de legalidade’ na verdade são de terceiros ocultos.” Quanto aos recursos da sócia Prime Holding, a fiscalização demonstra que não há como se aferir sua origem. A Utilidad apresentou, conforme descrito, comprovante de depósito bancário em dinheiro no valor de R$ 165.000,00 (cento e sessenta e cinco mil reais) para demonstrar a integralização de sua cota no Capital Social. Entretanto, em análise de extratos bancários da Prime Holding, foi verificado que as integralizações de Capital Social desta são supostamente originárias de depósitos bancários efetuados por seus sócios, no valor de R$ 150.000,00 (cento e cinquenta mil reais), sendo R$ 85.000,00 (oitenta e cinco mil reais) em 30 de setembro de 2011 e R$ 65.000,00 (sessenta e cinco mil reais) em 10 e 11 de outubro do mesmo ano. “Assim a fiscalização demonstra de maneira irrefutável que quem integralizou esses recursos na empresa UTILIDAD não foi este sócio (PRIME HOLDING), mas sim um terceiro totalmente oculto ao fisco”. O relatório fiscal prossegue e desqualifica a escrita contábil da Utilidad devido a uma infinidade de inconsistências entre notas fiscais e lançamentos contábeis, demonstrando estouros de caixa e de estoques e apresentando elementos demonstrativos de que empresta sua estrutura fiscal, documental, contábil e bancária para ocultar os verdadeiros responsáveis pelas transações por ela registradas. Quanto ao relacionamento com Edmar Mothé, apresenta análises de que em muitas operações foi repassada totalidade da receita de venda para Edmar: A tabela 6 acima relaciona ainda outras tantas transferências que demonstram que a relação do Sr. Edmar Mothe com a empresa fiscalizada é de uma pessoa responsável pelo financiamento das operações da empresa UTILIDAD ditas como de sua própria importação nas Declarações de Importação registradas pela dupla PRIME COMERCIAL e UTILIDAD. Este financiador, Sr Edmar Mothe, é dono de empresas do grupo Mundo dos Filtros que ficam ocultas em todas as importações registradas pela UTILIDAD e que esta fiscalização demonstra durante todo este Termo de Verificação Fiscal que são estas as empresas reais adquirentes ocultas de diversas importações registradas em nome da UTILIDAD. Fl. 17816DF CARF MF Processo nº 10111.721457/201381 Acórdão n.º 3201004.916 S3C2T1 Fl. 17.814 7 Conclui em relação à Utilidad: “Por tudo que foi demonstrado até agora, a empresa UTILIDAD só existe para o objetivo de ocultar os verdadeiros responsáveis pelas importações por ela realizadas. Isto foi comprovado de maneira detalhada quando da análise da capacidade econômica da empresa junto da análise da escrituração dos livros contábeis, dos extratos bancários e até quando da análise da integralização do capital social e dos seus aumentos. Ficou demonstrado que a empresa apresenta documentos simulados, com aparência de legalidade, com o único intuito de ocultar os verdadeiros financiadores e responsáveis pelas operações de importação.” Passando à análise dos reais adquirentes, são apresentadas constatações relativas a Mundo dos Filtros, que não é uma empresa, mas uma marca: “Salvo exceções, cada uma de suas lojas tem um CNPJ diferente, com quadros societários diferentes ... todas as lojas são ligadas de uma forma ou de outra. Em praticamente todos os quadros societários há presença de alguém da família ‘MOTHE’.” A própria Utilar teve como sócio original o Sr. EDMAR MOTHE, CPF 282.632.94720, até a terceira alteração do contrato social, em dezembro de 2009, quando entrou na sociedade a Srª ADRIANA SIMÕES MOTHE, CPF 036.532.491 47, filha do Sr. EDMAR MOTHE, a qual posteriormente transferiu integralmente suas quotas, na quarta alteração contratual, para o Sr. RAPHAEL ANDRADE MOTHE, também filho do Sr. EDMAR MOTHE, e sócio atual da UTILAR. A relação existente principalmente do Sr. EDMAR MOTHE, ex sócioadministrador da UTILAR desde sua constituição até dezembro de 2009 e pai dos sócios administradores sucessores, com a empresa importadora das mercadorias revendidas pela UTILAR, e com a empresa que figurava como adquirente dos bens na importação, foi exaustivamente demonstrada no Termo de Verificação Fiscal anexo ao Auto de Infração do processo administrativo fiscal nº 10111.720547/201273. A UTILAR nunca possuiu habilitação para operar no comércio exterior, mas é revendedora de mercadorias importadas pela empresa PRIME COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA, CNPJ 07.888.151/000177, sempre em operações declaradas por conta e ordem, em que constava como adquirente a empresa UTILIDAD COMÉRCIO DE MÓVEIS E ELETRO LTDA, CNPJ Nº 10.449.088/000187. Fl. 17817DF CARF MF 8 Fl. 17818DF CARF MF Processo nº 10111.721457/201381 Acórdão n.º 3201004.916 S3C2T1 Fl. 17.815 9 Prossegue a análise, cotejando várias DI para demonstrar que a Utilidad adquire, por conta e ordem, diversos eletrodomésticos, repassando as mercadorias para empresas do grupo Mundo dos Filtros (incluindo a Utilar), normalmente no mesmo dia ou poucos dias após e com baixa agregação de valor (por vezes negativa), sendo que os preços praticados para cada um dos adquirentes sob a bandeira Mundo dos Filtros são os mesmos, independente de quantidades adquiridas. O relatório fiscal empreende, então, análise detalhada por DI, na qual pretende demonstrar a prática fraudulenta de interposição, evidenciando trocas de correspondências eletrônicas entre funcionários das empresas Mundo dos Filtros e Prime, solicitações de numerário e repasses de valores diretamente entre estas empresas (pré e pós registro das DI), inclusive com destaque para Edmar Mothe como fonte pagadora de valores antecipados a Prime, além de notas fiscais relacionadas e proformas invoices encontradas no Escritório Central do Mundo dos Filtros. Constam dos autos impugnações de UTILAR UTILIDADES PARA O LAR LTDA ME, do Sr. RAPHAEL ANDRADE MOTHE, o sócioadministrador da empresa UTILAR, do Sr. CLAUDISON DIAS BARBOSA, o sócio da empresa UTILAR, da Srª ADRIANA SIMÕES MOTHE, exsóciaadministradora da empresa UTILAR e do Sr. EDMAR MOTHE. Edmar Mothé concentra sua defesa como segue: “O ponto fulcral em litígio concerne à inclusão do Impugnante entre os nomes dos corresponsáveis pelo crédito tributário exigido no processo administrativo ora debatido, o que é totalmente despropositado, pois, em verdade este jamais praticou atos de gestão durante o curto intervalo de tempo em que figurou no quadro de sócios da pessoa jurídica ‘UTILIDAD’” (fl. 9.733). Alega nulidade por cerceamento de defesa, haja vista não ter sido cientificado do início da fiscalização sobre a Utilidad, o que não lhe oportunizou possibilidade “(...) de se explicar, de apresentar o histórico de sua passagem pela empresa fiscalizada (...)” (fl. 9.734). No mérito, afirma que não pode ser responsabilizado por eventos entre setembro de 2009 e fevereiro de 2012 se somente integrou o quadro societário da Utilidad entre os meses de agosto e setembro de 2011. Além disso, sua participação teria sido meramente documental, não tendo praticado no período atos de gestão da empresa. No afã de sua Fl. 17819DF CARF MF 10 defesa, no item 41 (fl. 9.739), confundese, talvez pensando tratarse de outro processo no qual talvez também esteja se defendendo, ao afirmar que não pode ser responsabilizado por um crédito tributário de mais de R$ 108.000,00 (cento e oito mil reais), quando o crédito tributário lançado no presente processo monta a aproximados R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais). Alega que uma vez integralizada a sua participação no capital social da Utilidad, somente poderia ser responsabilizado caso o Poder Judiciário entendesse pela desconsideração da pessoa jurídica. Afirma que “(...) os auditores fiscais utilizaramse apenas de ilações e presunções extraídas da imaginação fazendária, visando a imputar responsabilidade ao Impugnante (...)” (fl. 9.751). Pugna, pois, pela sua exclusão do polo passivo solidário. A segunda impugnação, que alberga a CF Filtros e suas sócias, alega que, uma vez utilizados argumentos provenientes do Processo nº 10111.720547/201273, seu inteiro teor deveria ser disponibilizado para que não se configure cerceamento de defesa. No mérito, pretende ver reconhecido que as operações de importação realizadas pela Prime por conta e ordem da Utilidad não lhes alcançam, pois a CF Filtros somente teria efetuado, de boa fé, aquisição de parte dessas mercadorias, já devidamente nacionalizadas. Argumenta que Mundo dos Filtros é tão somente uma marca e que a CF Filtros é uma das empresas que utiliza tal marca. Entretanto, todas as empresas que a utilizam possuem “(...) personalidade jurídica e total independência e autonomia para exercer seu objetivo social, sendo irrelevante o fato de algumas possuírem em seu quadro societário pessoa física com algum grau de parentesco com Sr. Edmar Mothé, idealizador da marca” (fl. 9.760). Entretanto admite em seguida: “Especificamente com relação à empresa Utilidad, convém esclarecer que tal empresa foi indicada pelo Sr. Edmar Mothé, que realizou uma grande negociação para que todas as empresas que usam a marca ‘Mundo dos Filtros’ tivesse a mesma condição de compra, independentemente do volume” (fl. 9.761). Ainda, afirma que a legislação não prevê a sua inclusão na operação aduaneira pois “(...) o SISCOMEX não permite, não há campo a ser preenchido para que se inclua um ‘adquirente do adquirente’” (fl. 9.766). Também alega a ausência de dano ao Erário e pleiteia relevação da pena de perdimento. As sócias pleiteiam sua exclusão do polo passivo solidário, inclusive repetindo literalmente os argumentos utilizados na impugnação de Edmar Mothé. O contribuinte EDMAR MOTHÉ, CPF N° 282.632.94720, protocolizou impugnação, alegando que: De modo afrontoso e arbitrário, em flagrante violação aos ditames insculpidos na Constituição Federal e no Código Tributário Nacional, os Auditores da SRFB exorbitaram sua competência funcional ao enquadrarem a pessoa do Impugnante entre os sócios ditos "solidários". Para tanto, os agentes fazendários distorceram a realidade e articularam falaciosos argumentos no sentido de fazer crer que asoperações de importação da "UTILIDAD" teriam sido planejadas e Fl. 17820DF CARF MF Processo nº 10111.721457/201381 Acórdão n.º 3201004.916 S3C2T1 Fl. 17.816 11 executadas com o intuito de propiciar a evasão de tributos devidos, mediante atos fraudulentos. o DA NULIDADE DO FEITO QUANTO À PESSOA DO IMPUGNANTE O absurdo jurídico que é perpetrado pela Fiscalização resta evidenciado em seus próprios dizeres às fls. 134, item 8 "Solidariedade na aplicação da penalidade", do Termo de Verificação. De uma breve leitura do exposto, depreendese que o Impugnante não é passível de ser penalizado solidariamente por supostas irregularidades ventiladas ao longo do Auto de Infração, vez que a própria Fiscalização assume em sobredito item que entende ser cabível a responsabilização solidária dos sócios e o Impugnante não é sócio. Evidente que esta forma de proceder, da parte da Fiscalização, caracteriza grave ofensa ao Princípio Constitucional da Ampla Defesa, que não se aplica somente à fase contenciosa do processo, mas deve prevalecer desde o início da ação fiscal. Junta textos da Jurisprudência Judicial do Supremo Tribunal Federal a respeito do assunto. A notificação encaminhada para a empresa se manifestar em processo administrativo tributário não implica a presunção de que os sócios tenham ciência dos fatos que em tese acarretam a sua responsabilidade. Acaso cabível, essa presunção diria respeito ao próprio crédito tributário e não aos fatos que justificam a responsabilidade de terceiros, que devem ser claramente explanados e fundamentados. No caso concreto, o Impugnante, na condição de exsócio, foi totalmente relegado ao esquecimento, descartado. DO MÉRITO o O DESCABIMENTO DA IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA, QUANTO À PESSOA DO IMPUGNANTE Das Premissas Fáticas Da Defesa Importa salientar, de início, que NÃO COMPETE ao Impugnante pronunciarse com relação à defesa das pessoas jurídicas autuadas, seja pelo fato de não possuir poderes para tanto, já que sequer é sócio das empresas, seja porque desconhece a totalidade dos fatos narrados no auto de infração que não dizem respeito a si. Em verdade, a Fiscalização não indicara no Auto de Infração quais seriam, em tese, as supostas infrações cometidas pelo Impugnante. Não fizera, tampouco, menção a sua pessoa durante o desenrolar dos fatos. Simplesmente o indicara como devedor solidário do crédito pretendido, considerando sua participação societária até 2012, olvidandose dos princípios e garantias assegurados pelo ordenamento pátrio. Mesmo não atestando, demonstrando e principalmente comprovando nenhuma conduta que pudesse, em tese, justificar a inclusão do Impugnante no polo passivo de referido Auto de Fl. 17821DF CARF MF 12 Infração, os auditores não hesitaram em imputar responsabilidade tributária "solidária" ao Impugnante, quando ao crédito exigido da empresa "UTILAR LTDA", à guisa de aplicação de penalidades pecuniárias por supostas fraudes, calculadas sobre a totalidade das operações de importação. Tal responsabilidade solidária é INCABÍVEL no caso concreto do Impugnante, o que será provado de forma exaustiva ao longo da peça de defesa. o DA RESPONSABILIDADE DE SÓCIOS NA SOCIEDADE LIMITADA A empresa autuada é uma sociedade de responsabilidade limitada, regulamentada pelo Código Civil Brasileiro (Lei n.° 10.406/2002), em seus artigos 1.052 e seguintes. Sobredita limitação relacionase, em verdade, à responsabilidade de cada sócio pelas obrigações da sociedade, restrita ao valor integralizado de suas quotas. Ressaltase, todavia, que todos os sócios são responsáveis solidariamente pela integralização total do capital, enquanto essa não for cumprida em sua totalidade. De tal entendimento inferese que, após a integralização do capital, o acesso aos bens pessoais dos sócios somente pode ser cogitado se houver a comprovação da prática de atos realizados com excesso de poderes, os quais culminem em ilícitos, fraudes ou irregularidades que lesem terceiros. Além disso, o Impugnante nunca fora cientificado do início e do desenrolar da ação fiscal contra as pessoas jurídicas "UTILIDAD" e "UTILAR LTDA"; em nenhum momento anterior à lavratura do auto de infração foi convocado pelos agentes fazendários a prestar esclarecimentos quanto à sua situação de exsócio dessa empresa. Só com o recebimento do auto de infração, via postal, tomou ciência da cobrança do crédito tributário e das acusações contra a sua pessoa, sendo tolhido de seu direito a ampla defesa. Outro ponto a destacar é que o Impugnante nunca exerceu a administração da sociedade. De forma precipitada, abusiva e despida de provas concretas, os atuantes afoitaramse a lançar graves acusações contra o Impugnante, entre elas a "responsabilidade pessoal por infração" estabelecida no artigo 135, III, do Código Tributário Nacional por intermédio de representação fiscal para fins penais. Considerando o caso em tela, e com fulcro no art. 1.016 do CC, a posição jurídica dominante é de que o sócioquotista que não exerce atos de Administrador e/ou não participa de deliberações em tese irregulares, das quais resultem transtornos para a empresa, tampouco responderá por ela com seus bens. Junta textos da Jurisprudência Judicial do STJ a respeito do assunto. Fl. 17822DF CARF MF Processo nº 10111.721457/201381 Acórdão n.º 3201004.916 S3C2T1 Fl. 17.817 13 Não há no processo PROVAS DOCUMENTAIS de que ele tenha celebrado contratos, assinado cheques, assumido avais, fianças, ou outras obrigações em nome da pessoa jurídica, enfim, tomado medidas ou providências in concreto da administração da sociedade, por meio de atos ilícitos, exorbitando os poderes de administrador. A FISCALIZAÇÃO NADA COMPROVA. Portanto, o alcance da responsabilidade de sócio de uma sociedade limitada está plasmada, em regra, pelo comando do artigo 52 do Código Civil, isto é, fica restrita ao valor de sua participação efetiva no capital social, devidamente integralizada, salvo na ocorrência da hipótese excepcional estabelecida no artigo 50 do Código Civil. Da inteligência de sobredito preceito legal extraise que a desconsideração da personalidade jurídica somente será admitida quando for inconteste a prática de atos exercidos com excesso de poderes, da parte dos sócios, além de ser imperiosa a observância de benefício de ordem, que prevê primeiramente o esgotamento dos bens da sociedade, para somente se cogitar do acesso aos bens do sócio se aqueles forem insuficientes. Deve, pois, ser rechaçada de plano a aplicação da dita teoria, por meras suposições, sem o devido processo legal perante o Poder Judiciário transitado em julgado, único meio apto a definir a real extensão das responsabilidades dos sócios por atos comprovada e efetivamente praticados com excesso de poderes. Vista essa primeira exceção à regra de responsabilidade pertinente à sociedade limitada, passese a examinar o tratamento da matéria no campo tributário, de forma a demonstrar sua inaplicabilidade ao caso concreto relativo à pessoa do Impugnante. o DA RESPONSABILIZAÇÃO SOLIDÁRIA NO DIREITO TRIBUTÁRIO Conforme dispõe o art. 121 do Código Tributário Nacional, dois podem ser os sujeitos passivos da obrigação tributária: o contribuinte propriamente dito e o responsável legal, previsão que possibilita a responsabilização de terceiros por uma obrigação tributária, utilizandose, por exemplo, do instituto da solidariedade. Prevê o art. 124 da cita Lei Complementar tributária que são solidariamente responsáveis (i) as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal e (ii) as pessoas designadas por lei, sendo essa solidariedade de fato (quando diversas pessoas tem interesse em uma situação que constitua o fato gerador em questão) ou de direito (quando decorre diretamente da lei). Sobre a responsabilização de sócios quanto a obrigações tributárias de empresas, assim dispõem o artigo 134, inciso VII, e o artigo 135 do CTN. Anotese que, na hipótese do artigo 134 do diploma legal retro citado, tal responsabilidade solidária Fl. 17823DF CARF MF 14 emerge em face da impossibilidade de exigência de cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, no caso de liquidação de sociedade de pessoas, cingindose, contudo, aos atos em que os sócios intervieram ou pelas omissões de que foram responsáveis. As sociedades de pessoas, de acordo com entendimento do doutrinador Fábio Ulhôa Coelho são aquelas em que a realização do objeto social depende mais dos atributos individuais dos sócios que da contribuição material que eles dão. Já as sociedades de capital são as sociedades em que essa contribuição material é mais importante que as características subjetivas dos sócios. A natureza da sociedade importa diferenças no tocante à alienação da participação societária (quotas ou ações), à sua penhorabilidade por dívida particular do sócio e à questão da sucessão por morte. Temse que, para aferir se a sociedade limitada ostenta natureza jurídica de uma sociedade de pessoas ou de uma sociedade de capital, imperioso se faz analisar as disposições de seu contrato social, considerando as características dispostas em suas cláusulas. Primeiramente, no caso em lide, podese observar que a "UTILAR LTDA" possui características de sociedade de capital, vez que seu objeto social não depende da personalidade de seus sócios. A atividade empresarial subsistirá mesmo quando de alteração no quadro societário, como inclusive ocorreu, antes e depois da passagem do Impugnante na sociedade. Portanto, resta categoricamente afastada a aplicação do artigo 134 (inciso VII) ao caso de que ora se trata. Mas para que reste devidamente caracterizada a responsabilidade tributária prevista no artigo 135 do CTN, é mister a presença dos elementos fáticos a apontar para a conduta específica praticada com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos e pessoal. Por isso é que as condutas tidas por infratoras devem ser comprovadas, não sendo válida a aplicação de mera presunção humana de descumprimento, pelo sócio, de suas obrigações legais ou societárias. Junta textos da Jurisprudência Judicial do STJ a respeito do assunto. No caso concreto ora discutido,insta ressaltar que a Impugnada limitouse, de forma deveras lacônica, a mencionar e incluir o Impugnante no item 11 "SUJEIÇÃO PASSIVA", embora o Impugnante não mais faça parte do quadro societário de referida pessoa jurídica e mesmo quando desta participara, não o fizera com poderes de administrador. Nessa condição, em nada contribuiu no tocante à prática de supostas irregularidades, em tese sustentada pela Fiscalização, o que impede sua convocação ao pólo passivo da aludida obrigação tributária. Fl. 17824DF CARF MF Processo nº 10111.721457/201381 Acórdão n.º 3201004.916 S3C2T1 Fl. 17.818 15 Para que se pretendesse atingir o patrimônio particular dos sócios, com a finalidade de satisfação de obrigações tributárias pretensamente descumpridas pela "UTILAR LTDA", farseia imperioso exaurir primeiramente o patrimônio da sociedade. Só posteriormente e em sede judicial poderiam ser apuradas as devidas responsabilidades dos seus sócios, respeitandose o devido processo legal. Repisase, por necessário que o Impugnante não praticou qualquer ato como administrador da "UTILAR LTDA". o OS AUDITORES SE VALERAM DE SIMPLES PRESUNÇÕES HUMANAS, SEM FUNDAMENTO LEGAL, PARA ATRIBUIR INJUSTA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA AO IMPUGNANTE. Os auditores fiscais utilizaramse apenas de ilações e presunções extraídas da imaginação fazendária, visando a imputar responsabilidade ao Impugnante, quanto a supostas infrações à legislação tributária aduaneira, por ter figurado como SÓCIO DA EMPRESA UTILAR LTDA ATÉ 2012. Cita o disposto no artigo 112 do Código Tributário Nacional. Junta textos da doutrina a respeito do assunto de HUGO DE BRITO MACHADO e IVES GANDRA DA SILVA MARTINS. Em virtude dos princípios constitucionais e legais norteadores do Sistema Tributário Brasileiro, as presunções jurídicas podem ser utilizadas pelo legislador ordinário, desde que obedecidos os tipos estabelecidos pelo constituinte na Lei Maior, o que não se veri'fica no presente caso. As presunções do homem ou meros indícios não são suficientes a embasar o procedimento administrativo que constitui o crédito tributário. No caso concreto, as Autoridades Fiscalizadoras partiram simplesmente de ilações para, de forma tendenciosa, enquadrar o Impugnante como corresponsável pelo crédito tributário lançado. O procedimento administrativo, tendente a verificar a ocorrência do fato gerador, ou a aplicação de penalidade pecuniária, jamais pode declarar a existência desta ou daquela ocorrência com base em meros indícios ou presunções do homem. Nem mesmo a lei pode conceber presunções sem os limites do suporte fático que dá consistência à exação tributária. A jurisprudência administrativa clássica é dominante no sentido de que as presunções não são suficientes para fundamentar os lançamentos tributários. Junta textos da Jurisprudência Administrativa a respeito do assunto. III DO PEDIDO Em face de todos os argumentos da defesa, sustentados na peça ora apresentada, requer, o Impugnante, seja Fl. 17825DF CARF MF 16 seu nome excluído do polo passivo solidário, quanto ao lançamento efetuado contra a pessoa jurídica "UTILAR LTDA COMÉRCIO DE FILTROS", por absoluta ausência de elementos que permitam comprovar ter praticado atos de administração em nesta empresa, com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos, exatamente nos termos do que dispõe o artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional. A contribuinte ADRIANA SIMÕES MOTHÉ, CPF n° 036.532.49147, protocolizou impugnação, alegando o mesmo que EDMAR MOTHÉ, com exceção de que figura apenas como exsócia apenas da Utilar. O contribuinte UTILAR LTDA COMÉRCIO DE FILTROS E UTILIDADES LTDA – EPP, em conjunto com seus sócios Raphael Andrade Mothé e Claudison Dias Barbosa, protocolizou impugnação, alegando, que: Cumpre informar, de plano, que sobreditas importações foram realizadas pela empresa Prime Comercial Importadora e Exportadora Ltda. (doravante simplesmente Prime), CNPJ 07.888.151/000177, na modalidade por conta e ordem da já mencionada empresa Utilidad, que posteriormente revendeu as mercadorias importadas para diversas empresas, dentre as quais encontrase a Impugnante UTILAR LTDA. De acordo com as informações dispostas nos autos, consta que a empresa Utilidad foi autuada pela prática de irregularidades em comércio exterior, Processo Administrativo Fiscal PAF 10111.720547/201273, cujo teor parcial consta nos presentes autos, sem, contudo ter sido apresentada a íntegra do mencionado processo, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa dos Impugnantes. Por evidente, não caberia aos Impugnantes a defesa de outros autuados, seja no presente processo, seja no processo originário do presente feito; todavia, o conhecimento de seu inteiro teor farseia de suma importância, inclusive no que concerne a provas carreadas que permeiam a presente autuação. Não há quaisquer provas de que os Impugnantes tenham praticado quaisquer irregularidades, mas ao contrário. O conjunto probatório carreado pela Autoridade Fiscal. A autoridade Fiscal dolosa e parcialmente tenta criar um cenário negativo para aparentar que tratamse as empresas que adquiriram da Utilidad de uma única pessoa jurídica, quando, em verdade são empresas com personalidade jurídica distinta, autônomas, independentes, que apenas compartilham dos mesmos fornecedores por uma estratégia comercial e não com intuito fraudulento. Em nenhum momento foram apresentados quaisquer elementos aptos a demonstrar, tampouco a comprovar a suposta tentativa de burlar o Fisco; ou qual seria, em tese, a vantagem econômica percebida pela Impugnante UTILAR LTDA, já que todos os Fl. 17826DF CARF MF Processo nº 10111.721457/201381 Acórdão n.º 3201004.916 S3C2T1 Fl. 17.819 17 tributos foram rigorosamente recolhidos, em observância à legislação de regência. De um simples raciocínio lógico decorre a irrefutável conclusão que a nítida ausência de provas fazse suficiente para afastar, desde logo, a ilegítima pretensão punitiva que recai sobre os Impugnantes. o DA NÃO PARTICIPAÇÃO DOS IMPUGNANTES NOS ATOS TIDOS COMO IRREGULARES "Mundo dos Filtros" não é uma empresa específica, mas sim uma marca utilizada por diversas empresas distintas que exploram o mesmo ramo de atividade. O fato é que cada uma das empresas possui personalidade jurídica e total independência e autonomia para exercer seu objetivo social, sendo irrelevante o fato de algumas possuírem em seu quadro societário pessoa física com algum grau de parentesco com Sr. Edmar Mothé, idealizador da marca. Além do nome, a única característica comum na maioria das empresas é que elas adquirem as mercadorias dos mesmos fornecedores, alguns inclusive fabricantes nacionais, o que corrobora com a informação de que as empresas são varejistas e não importadoras. A Impugnante UTILAR LTDA, que atua com a marca "Mundo dos Filtros" tem em suas atividades empresariais o foco nas vendas ao varejo. Especificamente no que concerne à Utilidad, insta esclarecer que aludida empresa fora indicada pelo Sr. Edmar Mothé, que realizara uma grande negociação para que todas as demais empresas que usam a marca "Mundo dos Filtros" tivessem a mesma condição de compra, independentemente do volume. Inicialmente, os produtos adquiridos do fornecedor Utilidad ostentavam marca com seu próprio nome, marca essa que foi bem aceita pelo mercado consumidor. Posteriormente, passouse a mesclar os mesmos produtos com outras marcas além da Utilidad, sempre mantendo o mesmo padrão de qualidade e baixo preço. Fato é que os Impugnantes não importam mercadorias. A Impugnante UTILAR LTDA somente adquire produtos nacionais ou nacionalizados, não possui e não pretende possuir uma estrutura de importador. Nos autos, a Autoridade Fiscal, incumbida do onus probandi, não demonstrara o exato fluxo financeiro de cada recurso empregado em cada importação, e nos casos em que o fez, apenas demonstrara que a origem dos recursos é lícita, bem como demonstrara que tais recursos lícitos encontravamse disponíveis e foram efetivamente utilizados nas operações de comércio exterior das empresas importadoras. Nesta conduta, nada de ilícito a ser arguido pela Fiscalização. Fl. 17827DF CARF MF 18 Não se pode simplesmente apenar uma empresa que optara por adquirir de outras empresas legalmente constituídas, mediante a emissão de nota fiscal e comprovação do recolhimento dos tributos de importação (quando mercadorias importadas). Não há como presumir que a Impugnante fora ocultada na operação, pois as mercadorias das importações em discussão não foram vendidas somente para ela, mas sim para diversas empresas, conforme consta no relatório fiscal. O simples fato de que a maioria dos bens foi vendida para empresas que ostentam a marca "Mundo dos Filtros" não significa uma ocultação. Conforme exposto alhures, cada empresa que utiliza essa marca possui personalidade jurídica própria. Ademais, como se pode pretender falar em ocultação quando a na maioria dos bens adquiridos possui a marca do importador (Utilidad)? E o mais importante que toda a formalidade que revestiu os negócios jurídicos legítimos, todos amparados por nota fiscal e demais documentação correlata, é o fato de que não houve qualquer ausência de recolhimento de tributos. A Autoridade Fiscal alegara que a suposta ocultação visa a sonegação de tributos, mas tanto os Impugnantes como as empresas mencionadas (Utilidad e Prime) recolheram devidamente os tributos incidentes em suas operações. Assim, não há que se falar em ausência de recolhimento tributário, negligência, omissão ou qualquer conduta dos Impugnantes no sentido de se ocultar do fisco. Não há que se falar em dano ao Erário. As notas fiscais emitidas pelo importador permitem saber para quem os bens foram vendidos, sendo, portanto, impossível manterse oculto. Por todos os ângulos em que se observe, não há como prosperar a pretensão fiscal. A verdade real é que a Impugnante UTILAR LTDA é apenas uma dos diversos clientes da empresa Utilidad e as empresas não possuem vínculo que exclua a possibilidade de realizar negócios jurídicos com terceiros. Se alguma irregularidade foi perpetrada na importação, os Impugnantes sequer teriam como saber, visto que não participam de nenhuma das etapas da importação; a empresa não produz no exterior, não adquire ou negocia as mercadorias no exterior, não embarca as mercadorias para o Brasil, não transporta as mercadorias do exterior para o Brasil, não realiza a nacionalização; ela apenas realiza a compra de mercadorias que já foram nacionalizadas, de empresas idôneas, mediante emissão de nota fiscal e apresentação da documentação que comprove a importação regular. (ponto 39 da impugnação) Nos casos em que adquiriu bens da empresa Utilidad, é verdadeira adquirente de boa fé. Não se pode pretender exigir que ela executasse as verificações típicas do poder público, fazendo uma investigação minuciosa de cada fornecedor em Fl. 17828DF CARF MF Processo nº 10111.721457/201381 Acórdão n.º 3201004.916 S3C2T1 Fl. 17.820 19 cada compra. Sua obrigação legal restringese a adotar os procedimentos tidos como padrão no oredenamento. o DA REGULAR OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO E RECOLHIMENTO DE TRIBUTOS INCIDENTES' Em que pese o fato de o Auto de Infração ser muito lacônico no tocante à operação de importação, cerne da questão e tema que mereceria uma melhor abordagem pela Autoridade Fiscal, percebese que houve uma desconsideração da operação realizada pela empresa Prime com a empresa Utilidad (importação por conta e ordem), como se tal operação servisse apenas e tão somente como uma espécie de "segundo nível de ocultação dos verdadeiros responsáveis pelas importações realizadas" (palavras da Impugnada). Tal afirmação é fruto de uma imaginação fértil e apenas mostra a fragilidade da autuação, que deveria ser baseada na lei e nos princípios norteadores do direito. No caso em tela, as operações realizadas pela empresa Prime,empresa regularmente habilitada no SISCOMEX, resumemse na importação ostensiva dos bens, por conta e ordem da empresa Utilidad, que posteriormente revendeu as mercadorias importadas para diversas outras empresas, dentre as quais a Impugnante UTILAR LTDA. Impende destacar que a empresa Utilidad atua na distribuição de eletrodomésticos, a maioria de marca própria, sendo imperiosa a sua presença nessa relação de importação. Assim, como não há impedimento legal, não subsiste razão para excluir nem uma nem outra da relação de importação, já que do ponto de vista empresarial o resultado final tende a ser mais lucrativo. Tratase do exercício da livre iniciativa. Não se está aqui realizando uma defesa das empresas Prime e Utilidad; todavia, é imperioso destacar que o princípio da livre iniciativa e livre exercício de atividade econômica sem intervenção estatal permite que o empresário conduza seus negócios. Como não se trata de empresa importadora, as únicas cautelas exigíveis da Impugnante UTILAR LTDA são certificarse de que as empresas são idôneas (e à época dos fatos não havia nada que desabonasse as empresas) e que a importação fora regular (fato atestado pelos Comprovantes de Importação emitidos pela Receita Federal do Brasil), além de exigir a emissão de nota fiscal (fato incontroverso, já que a presente autuação partiu de notas fiscais emitidas pela empresa Utilidad). A Impugnante UTILAR LTDA apenas comprou e revendeu mercadorias que lhe interessava. Se eventualmente ocorreu algum tipo de irregularidade na importação, essa não foi perpetrada pelos Impugnantes, mas sim pelas empresas importadoras. (PONTO 55 da impugnação) Fl. 17829DF CARF MF 20 Junta textos da doutrina a respeito do assunto de Celso Antônio Bandeira de Mello. Notese o problema hipotético: uma importação será realizada pela empresa "A", que vai vender para a empresa "B", que por sua vez vai revender as mercadorias para a empresa "C". "C" não é cliente de "A". "A" vai registrar a Dl e obviamente tem que informar que "B" é o adquirente das mercadorias por si importadas. "A" não poderia declarar "C" como adquirente, pois estaria ocultando "B", por outro lado, declarando "B" como adquirente, ainda que saiba da existência de "C", não tem como declarar que "C" é adquirente de "B", POIS NÃO HÁ CAMPO ESPECÍFICO PARA INCLUIR TAL INFORMAÇÃO E, PRINCIPALMENTE, NÃO HÁ BASE LEGAL QUE EXIJA A INCLUSÃO DESSA INFORMAÇÃO. Se o intuito fraudulento fosse verdadeiro, não haveria recolhimento de tributos ou as empresas declarariam a importação como se fosse por conta própria. Ademais, empresas criadas com intuito de fraudar além de não pagarem os tributos, funcionam em locais afastados, mal possuem funcionários, mobiliário, etc. O fato é que nos autos não há qualquer comprovação documental de fraude, nem mesmo de ocultação de quem quer que seja, há apenas um inconformismo com um modelo de negócios lícito, que respeitou as regras impostas pela lei. Ante o exposto e por tudo o que consta nos autos, merece a improcedência a presente ação fiscal. o DA AUSÊNCIA DE EFETIVO DANO AO ERÁRIO Não obstante aos argumentos lançados, convém destacar a ausência de efetivo dano ao Erário. A aplicação da pena de perdimento (convertida em multa pecuniária) pressupõe o efetivo dano ao Erário, que pode ser definido como uma ação ou omissão que acarrete perda patrimonial, desvio, apropriação ou dilapidação dos bens ou haveres de órgão público. Como se depreende da presente ação fiscal, os tributos incidentes nas operações de comércio exterior foram devidamente recolhidos tanto pela importadora ostensiva (Prime) como pela importadora Utilidad na qualidade de adquirente dos bens. Sendo o perdimento de bens penalidade tão severa, violadora do princípio basilar garantidor da propriedade, só é passível de ser aplicada se o Erário efetivamente sofrer dano. Junta textos da Jurisprudência Judicial do STJ a respeito do assunto. Os Impugnantes não enxergam a plausibilidade da aplicação da pena de perdimento convertida em multa no presente caso, simplesmente porque além de não haver ilegalidade nas operações realizadas, não houve insuficiência de recolhimento de tributos capaz de gerar efetivo dano ao Erário, de modo que a Fl. 17830DF CARF MF Processo nº 10111.721457/201381 Acórdão n.º 3201004.916 S3C2T1 Fl. 17.821 21 pena restritiva de propriedade, convertida em multa pecuniária, é totalmente injustificada, mais ainda tratandose de terceiro adquirente de boa fé. Por outro lado, se mesmo depois de todos os fatos esclarecidos e documentalmente comprovados prevalecer o entendimento das Autoridades Impugnadas, cabível a relevação da pena de perdimento, por ser medida mais razoável a ser tomada em casos como o presente. Assim, indubitável a inaplicabilidade da pena de perdimento, convertida em multa pecuniária por estarem ausentes os requisitos autorizadores destas sanções, como também pelo fato de que não é a medida a ser aplicada no presente caso, mesmo que se avente a possibilidade de haver alguma irregularidade. o DA RESPONSABILIDADE DE SÓCIOS NA SOCIEDADE LIMITADA A empresa autuada é uma sociedade de responsabilidade limitada regulamentada pelo Código Civil Brasileiro (Lei n.° 10.406), em seus artigos 1.052 e seguintes. A terminologia "limitada" não significa exatamente que a responsabilidade da empresa por suas atividades é limitada. Sobredita limitação relacionase, em verdade, à responsabilidade de cada sócio pelas obrigações da sociedade, restrita ao valor integralizado de suas quotas. Ressaltase, todavia, que todos os sócios são responsáveis solidariamente pela integralização total do capital, enquanto essa não for cumprida em sua totalidade. Destarte temse que, integralizado o capital, as responsabilidades da empresa remetemse ao patrimônio pertencente a ela, segundo disposto no contrato social. Isso porque a personalidade da sociedade é distinta da personalidade de seus sócios, sendo distinto o patrimônio econômico e jurídico de ambos. De tal entendimento inferese que, após a integralização do capital, o acesso aos bens pessoais dos sócios somente pode ser cogitado se houver a comprovação da prática de atos realizados com excesso de poderes, os quais culminem em ilícitos, fraudes ou irregularidades que lesem terceiros. Nos autos não há qualquer disposição ou provas de que a gestão dos sócios excedeu seus poderes, muito menos há lesão contra qualquer pessoa, inclusive com relação ao Erário. Há no processo apenas PROVAS DOCUMENTAIS de que as empresas realizaram negócios jurídicos legítimos, sendo que A FISCALIZAÇÃO NADA COMPROVA DE ILÍCITO. Portanto, o alcance da responsabilidade de sócio de uma sociedade limitada está plasmada, em regra, pelo comando do artigo 1.052 do Código Civil, isto é, fica restrita ao valor de sua participação efetiva no capital social, devidamente integralizada, salvo na ocorrência da hipótese excepcional Fl. 17831DF CARF MF 22 estabelecida no artigo 50 do mesmo Cânone, a qual admite superar a regra geral de responsabilidade quando se identifica aquele que praticar atos com excesso de poderes, daí resultando a responsabilidade pessoal do(s) infrator (es), ainda que o capital da empresa já tenha sido totalmente integralizado. Logo, em sintonia com a jurisprudência pátria e com a doutrina majoritária, temse que, para se aventar a "desconsideração da personalidade jurídica" e acesso ao patrimônio particular dos sócios de uma sociedade limitada, é imprescindível a realização de processo judiciário, pelo que se torna ilegal pretender caracterizála por mero ato administrativo da Fiscalização. Quanto à hipótese de responsabilização constante do art. 135 do CTN é imperativo ressaltar, antes de tudo, que em que pese a discussão doutrinária a respeito do tema, a corrente dominante entende que a responsabilidade abarcada pelo art. 135 do CTN não possui o condão de excluir o verdadeiro contribuinte, sendo meramente subsidiária e não por substituição2, uma vez que o texto legal prevê a responsabilização do diretor, gerente ou representante legal das empresas mediante a prática de atos com excesso de poderes. A norma contida no referido dispositivo é exemplo de causa sancionatória justificadora da existência da previsão legal de responsabilidade. Ou seja, a responsabilidade do terceiro dáse em resposta (sanção) por ato DOLOSO praticado contra o Fisco e contra terceiros (no caso a sociedade de que faz ou fazia parte o sócio responsabilizado). Junta textos da doutrina a respeito do assunto. Assim, para que reste devidamente caracterizada a responsabilidade tributária prevista no artigo 135 do CTN, é mister a presença dos elementos fáticos a apontar para a conduta específica praticada com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos e pessoal. Por isso é que as condutas tidas por infratoras devem ser comprovadas, não sendo válida a aplicação de mera presunção humana de descumprimento, pelo sócio, de suas obrigações legais ou societánas. Junta textos da Jurisprudência Judicial do STJ a respeito do assunto. No caso concreto ora discutido, não há qualquer elemento que demonstre a conduta ilícita, individualizada, dos sócios da Impugnante UTILAR LTDA e para que se pretendesse atingir o patrimônio particular dos sócios, com a finalidade de satisfação de obrigações tributárias pretensamente descumpridas por qualquer das pessoas jurídicas mencionadas nos autos, farseia imperioso exaurir primeiramente o patrimônio das sociedades. Só posteriormente e em sede judicial poderiam ser apuradas as devidas responsabilidades dos seus sócios, respeitandose o devido processo legal. Fl. 17832DF CARF MF Processo nº 10111.721457/201381 Acórdão n.º 3201004.916 S3C2T1 Fl. 17.822 23 Por todo o exposto, revelase desprovida de quaisquer fundamentos fáticoprobatórios e jurídicos a desastrada iniciativa da Fiscalização, visando a imputar aos sócios da Impugnante UTILAR LTDA o ônus de responsabilidade tributária solidária, quanto ao crédito tributário constituído no presente processo. o DO PEDIDO Destarte, ante os argumentos ora lançados e a ausência de provas que corroborem a tese fiscal, requerem os Impugnantes que seja a ação fiscal julgada improcedente, afastandose as penalidades propostas no Auto de Infração em epígrafe. Subsidiariamente, requerem a relevação da penalidade de perdimento, aplicandose a multa de que trata o artigo 712 do Regulamento Aduaneiro, bem como a exclusão das pessoas físicas sócias da Impugnante UTILAR LTDA por absoluta ausência de elementos que permitam comprovar terem praticado atos de administração na referida empresa, com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos, exatamente nos termos do que dispõe o artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional. Conforme diligência efetuada, ficou confirmado que não foram apresentadas impugnações por Utilidad Comércio de Móveis e Eletro Ltda (CNPJ 10.449.088/00187, baixado por inexistência de fato), Felipe da Costa Coelho (CPF 717.690.48120), Prime Holding e Participações Empresariais Ltda (CNPJ 13.961.150/0001 03), Prime Comercial Importadora e Exportadora Ltda (CNPJ 07.888.151/000177), Vinícius da Costa Coelho (CPF 010.408.99110) e Daniel Chícrala Chaves de Oliveira (CPF 858.493.24100): É o Relatório. Passo ao Voto. Após exame das defesas apresentadas pelos Contribuintes UTILAR UTILIDADES PARA O LAR LTDA ME, RAPHAEL ANDRADE MOTHE, CLAUDISON DIAS BARBOSA, ADRIANA SIMÕES MOTHE, e EDMAR MOTHE, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: Fl. 17833DF CARF MF 24 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/10/2010 a 29/02/2012 Descumprimento das normas relativas à importação por conta e ordem de terceiro. Dano ao Erário. Pena de perdimento. Multa substitutiva. Restando comprovada na declaração de importação a ausência de informação sobre a real adquirente da carga, além da presença de recursos de terceiros na operação, incontroverso o entendimento da fiscalização de ocorrência da infração prevista pelo artigo 23, inciso V, do Decretolei 1.455/76, considerada dano ao Erário, punida com a pena de perdimento das mercadorias, nos termos do § 1.º, do artigo 23, do Decretolei 1.455/76, que é convertida em multa equivalente ao respectivo valor aduaneiro, no caso das mercadorias não serem localizadas ou que tenham sido consumidas, conforme § 3º, do artigo 23, do Decretolei 1.455/76, com a redação dada pela Lei 10.637/02. Solidariedade Passiva. Respondem pela infração quem quer que concorra para a sua prática, ou dela se beneficie, inclusive o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, nos termos do artigo 95, incisos I e V, do Decretolei 37/66, sendo solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, seja tributo ou multa, conforme disposto pelos artigos 121 e 124, I, do Código Tributário Nacional CTN. Subfaturamento. Apurada fatura comercial de mesma numeração, assinada pelo próprio exportador estrangeiro, a qual descreve os mesmos produtos e com os mesmos quantitativos constantes da declaração de importação, porém com valor subfaturado em trinta por cento, temos configurado, além da fraude, o subfaturamento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Devidamente intimados, os Contribuintes EDMAR MOTHE (fls. 17.729 e seguintes); UTILAR UTILIDADES PARA O LAR LTDA ME e CLAUDISON DIAS BARBOSA (fls. 17.743 e seguintes); RAPHAEL ANDRADE MOTHÉ e UTILAR UTILIDADES PARA O LAR LTDA ME (fls. 17.768 e seguintes); ADRIANA SIMÕES MOTHE (fls. 17.785 e seguintes) apresentaram Recurso Voluntário, reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido. Os autos foram inicialmente distribuídos ao então Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Presidente da 1ª TO da 3º Câmara desta 3º Seção de Julgamento. Nos termos despacho de fls. 17.806 e seguintes, foi determinada, com a concordância dos respectivos Presidentes de Câmara e Seção, a remessa dos autos à minha relatoria em razão de conexão com o Processo nº 10111.720.547/201273 (Utilidad). Fl. 17834DF CARF MF Processo nº 10111.721457/201381 Acórdão n.º 3201004.916 S3C2T1 Fl. 17.823 25 Por conseguinte, os autos foram a mim redistribuídos para inclusão em pauta de julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Tatiana Josefovicz Belisário O Recurso Voluntário é próprio e tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. Inicialmente cumpre esclarecer que, ao presente processo integra o seguinte grupo de processos reunidos por conexão: PROCESSO PARTE 10111.720547/201273 UTILIDAD COMÉRCIO DE MÓVEIS E ELETRO LTDA. 10111.721635/201373 MEGALAR ELETRO UTILIDADES LTDA. EPP 10111.720158/201418 FILTROS AGUA LIMPA EIRELI ME 10111.720939/201313 UTILAR UTILIDADES PARA O LAR LTDA ME 10111.720047/201312 NOVA DISTRIBUIDORA E LOGÍSTICA LTDA. E OUTROS 10111.721473/201373 MYRA PARTICIPACOES, GESTAO DE ATIVOS, IMPORTACAO, EXPORTACAO E COMERCIO LTDA 10111.721457/201381 UTILAR UTILIDADES PARA O LAR LTDA ME 10111.720831/201592 UNIVEX COMERCIO DE UTILIDADES PARA O LAR E PRESENTES LTDA EPP Tratamse de autuações em face da constatação fiscal de operações de importação fraudulenta, com a ocultação do real importador. A UTILIDAD (Processo Principal) é apresentada como importadora ostensiva e, as demais empresas, como sujeitos ocultados. Todos os processos acima, reunidos por conexão, estão sendo submetidos a julgamento conjunto por este colegiado. Feito tal esclarecimento, passa ao exame dos presentes autos. Estão sob julgamento exclusivamente os seguintes Recursos Voluntários: Fl. 17835DF CARF MF 26 1. EDMAR MOTHE (fls. 17.729 e seguintes); 2. UTILAR UTILIDADES PARA O LAR LTDA ME e CLAUDISON DIAS BARBOSA (fls. 17.743 e seguintes); 3. RAPHAEL ANDRADE MOTHÉ e UTILAR UTILIDADES PARA O LAR LTDA ME (fls. 17.768 e seguintes); 4. ADRIANA SIMÕES MOTHE (fls. 17.785 e seguintes) Inexiste qualquer outro Recurso Voluntário nos autos. Assim, passase ao exame das razões recursais. Preliminarmente a Recorrente alega violação ao direito de ampla defesa e exercício do contraditório pelo fato de não lhe ter sido oportunizado o acesso ao Processo nº 10111.720547/201273 (Utilidad Processo principal), circunstância que impediria ou comprometeria a sua defesa. Com efeito, para fins de manutenção ou não do presente lançamento, apenas as provas acostadas nos presentes autos (ainda que oriundas de procedimento fiscalizatório diverso), podem ser levadas em consideração pelos julgadores. É a suficiência ou não das provas existentes que nortearão o julgamento. Em outras palavras, apenas o fato de não ter tido acesso aos autos do processo nº 10111.720547/201273 (Utilidad Processo principal), não é, por si só, suficiente para qualquer declaração de nulidade. E será no mérito que as provas existentes nos presentes autos serão examinadas, identificandose se estas são ou não aptas a fundamentar o lançamento combatido. Assim, afastase a preliminar aventada. Quanto ao mérito, deve merecer a mesma sorte daquele analisado nos autos do processo principal (10111.720547/201273 UTILIDAD), acima referenciado. A acusação fiscal fundamentase no fato de que, apesar das importações terem sido regularmente realizadas pelo Prime, com indicação que esta se dava por conta e ordem da Utilidad, existiria um terceiro envolvido ocultado da administração aduaneira. No caso, estaria se ocultando os clientes da Utilidad, como é o caso da empresa Recorrente, APL. Buscouse demonstrar que, anteriormente ao registro das DI pela empresa Prime, na condição de importadora por conta e ordem e tendo como importadora final, a autuada Utilidad., a própria Utilidad já tinha conhecimento do seu destinatário final. Além disso, indicouse proximidade de datas entre o registro da DI e da Nota Fiscal de venda ao varejista “ocultado”. É preciso destacar que a cessão de nome identificada nos presentes autos se deu de forma atípica. Como afirma a Fiscalização, esta ocorreu no "segundo nível". Quer dizer, havia um primeira nível consistente na importação pela Prime por conta e ordem da Utilidad (primeiro nível), sendo que, no entendimento fiscal, deveria constar como real importador o destinatário final das mercadorias, no caso, os clientes da Utilidad (segundo nível). Fl. 17836DF CARF MF Processo nº 10111.721457/201381 Acórdão n.º 3201004.916 S3C2T1 Fl. 17.824 27 De fato, cuidou a Fiscalização de demonstrar que a Utilidad, quando registrava as importações, já tinha provável conhecimento do consumidor final que adquiriria tais itens no mercado interno. Nesse ponto, ressalto que a constatação de ocultação de nome ocorreu exclusivamente em razão desta prévia destinação, pois, como visto no Recurso de Ofício, a Fiscalização não logrou demonstrar a ocorrência de transferência indevida de recursos entre os envolvidos. Também relativamente à proximidade entre as datas de emissão das DI e Notas Fiscais de venda, não há nada que indique uma prévia encomenda, posto que os pedidos junto aos fabricantes estrangeiros ocorriam bem antes do registro da DI, estas emitidas apenas no momento de embarque das mercadorias no exterior, quando a Utilidad já poderia se comprometer comercialmente com os seus compradores. E mais, as importações eram realizadas via avião (e não via marítima), portanto, com curto prazo de transporte. A existência de operações comerciais pela destinatária das importações anteriores ao registro da importação não são, por si só, capazes de caracterizar irregularidade da operação antecedente. É certo que na importação realizada por conta e ordem só é possível informar o importador e o adquirente. Não existe qualquer ferramenta que permita a indicação de um terceiro envolvido nesta operação. Ou seja, se a Fiscalização não pôde desconsiderar a importação por conta e ordem realizada entre a Prime e a Utilidad, ou seja, não comprovou qualquer irregularidade nesta, não pode exigir a informação de uma terceira pessoa quando a legislação aduaneira não o faz. Notase que toda fundamentação da fiscalização se deu em cima da contabilidade da empresa, em nenhum momento perquiriu acerca da existência de um estoque físico de mercadorias. Desse modo, à exemplo do que se verifica relativamente à acusação de interposição fraudulenta, falhou a Fiscalização no seu ônus probatório. Ainda que existentes indícios de irregularidades nas empresas envolvidas e até mesmo nas operações, é preciso que a submissão dos fatos à norma seja feita de modo vinculado e coerente. É preciso ressaltar que a decisão ora proferida não tem o propósito de legitimar as operações de importação realizadas, tampouco a idoneidade das empresas envolvidas. O que se afirma é que o lançamento fiscal é carente de provas aptas a suportar a acusação realizada. Por fim, quanto à responsabilidade tributária solidária, também referenciando ao Processo nº 10111.720547/201273 (Utilidad Processo principal) No caso, tendo em vista o cancelamento da autuação por ausência de provas quanto ao cometimento dos ilícitos apontados, por mais razão deverá ser anulada a atribuição de uma responsabilidade que só se justificaria em razão do cometimento de ato ilícito. Ademais, vejase que no Relatório Fiscal limitouse à indicação dos dispositivos legais capazes de sustentar a solidariedade, contudo, sem indicar de forma precisa qual ato cometido pelo solidário seria apto para atrais a solidariedade, tampouco em qual inciso Fl. 17837DF CARF MF 28 legal o ato seria enquadrado (por exemplo, se interesse comum ou se excesso de poderes pelo administrador) 7.4 – SOLIDARIEDADE NA APLICAÇÃO DA PENALIDADE: As empresas UTILIDAD e seus sócios e exsócios, PRIME COMERCIAL e seus sócios, devem aparecer como figura solidária e responsável no pólo passivo para as penalidades aplicadas, nos termos do Artigo 124, 134 e 135 do Código Tributário Nacional (CTN), Lei nº 5.172/66. Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: I os pais, pelos tributos devidos por seus filhos menores; II os tutores e curadores, pelos tributos devidos por seus tutelados ou curatelados; III os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes; IV o inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio; V o síndico e o comissário, pelos tributos devidos pela massa falida ou pelo concordatário; VI os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício, pelos tributos devidos sobre os atos praticados por eles, ou perante eles, em razão do seu ofício; VII os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas. Parágrafo único. O disposto neste artigo só se aplica, em matéria de penalidades, às de caráter moratório. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Fl. 17838DF CARF MF Processo nº 10111.721457/201381 Acórdão n.º 3201004.916 S3C2T1 Fl. 17.825 29 Logo, mais uma vez se constata a fragilidade do lançamento fiscal, deixando novamente de proceder a subsunção do fato à norma. No caso, sequer indicou qual fato seria capaz de atrair a incidência de qualquer norma impositiva de solidariedade, seja qual for a sua natureza Pelo exposto, votase por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para cancelar a exigência fiscal. É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 17839DF CARF MF
score : 1.0
