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Numero do processo: 10283.902166/2010-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
NULIDADE. DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. É válida a decisão que aprecia preliminares e argumentos de mérito suficientes para firmar a improcedência da manifestação de inconformidade. DESPACHO DECISÓRIO DE NÃO-HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Inexiste vício de motivação se o despacho decisório indica o dispositivo legal a partir do qual interpreta ser inadmissível compensação de direito creditório que não é passível de restituição ou ressarcimento.
ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa (Súmula CARF nº 84).
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringe-se a aspectos preliminares, como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte.
Numero da decisão: 1402-003.802
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade da decisão de 1ª instância e do despacho decisório de não-homologação da compensação e dar provimento parcial ao recurso voluntário com retorno à DRF de origem.
(assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente).
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. É válida a decisão que aprecia preliminares e argumentos de mérito suficientes para firmar a improcedência da manifestação de inconformidade. DESPACHO DECISÓRIO DE NÃO HOMOLOGAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Inexiste vício de motivação se o despacho decisório indica o dispositivo legal a partir do qual interpreta ser inadmissível compensação de direito creditório que não é passível de restituição ou ressarcimento. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa (Súmula CARF nº 84). RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA EM ASPECTOS PRELIMINARES. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos preliminares, como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superada esta preliminar, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade da decisão de 1ª instância e do despacho decisório de não homologação da compensação e dar provimento parcial ao recurso voluntário com retorno à DRF de origem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 21 66 /2 01 0- 77 Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10283.902166/201077 Acórdão n.º 1402003.802 S1C4T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora. Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Relatório REXAM AMAZÔNIA LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém/MA que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou compensação de recolhimento a maior de estimativa de IRPJ promovido em 30/11/2007. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitido em 02.03.2009, através do qual foi efetivada a compensação de débitos da interessada acima identificada com crédito de IRPJ referente a pagamento indevido a titulo de estimativa do mês de outubro de 2007, no valor original de R$ 1.296.312,99. 2. A DRF/Manaus, através de despacho decisório eletrônico (fl. 05), indeferiu o pedido de restituição e considerou “não homologada” a referida compensação, sob o seguinte argumento: “Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período.” 3. Cientificada em 17.09.2010 (fl. 08) a interessada apresentou, tempestivamente, em 19.10.2010, manifestação de inconformidade (fl. 09/21) na qual alega, em síntese: a) Nulidade da decisão pela falta de fundamentação, uma vez que “a autoridade fiscal não indicou o fundamento legal que impede a compensação pleiteada, utilizandose de premissas que não encontram respaldo no ordenamento jurídico ora vigente”; b) Sendo beneficiária da redução do imposto com base no lucro da exploração de que trata a Medida Provisória nº 2.19914, de 2001, com ato de reconhecimento publicado no DOU de 16.07.2008, com validade a partir do ano calendário de 2007, argumenta: Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10283.902166/201077 Acórdão n.º 1402003.802 S1C4T2 Fl. 4 3 “Como se percebe a apuração do lucro real é distinta da apuração do lucro da exploração, servindo o primeiro como base de cálculo para a tributação do Imposto de Renda e o segundo para aplicação dos benefícios fiscais regionais. No caso destes autos o pagamento indevido não decorre de pagamentos feitos com base no regime de estimativa mensal, mas sim por conta da impossibilidade de se utilizar o benefício fiscal no momento do pagamento, haja vista que o Ato Declaratório Executivo n. 54 só foi publicado no ano seguinte, embora em seu texto garanta a redução de 75% do imposto de renda sobre o lucro da exploração desde o exercício de 2007. Assim, não se pleiteia no caso em tela a compensação de valores pagos no regime de estimativa, mas sim, o que se pleiteia é a compensação de IRPJ pago a maior em razão da não aplicação do benefício fiscal. Em outras palavras, houve um pagamento 75% maior do que o devido, no que tange à parcela do Lucro de Exploração, que configura para todos os fins, pagamento indevido, devendo este valor ser objeto de compensação.” c) Conclui: “Nesse sentido concluindo a presente exposição de argumentos, têmse como certo que a origem do crédito não é os pagamentos mensais feitos por estimativa no lucro real anual, mas sim possui a natureza de isenção fiscal condicionada e onerosa, que reduz o IRPJ em 75% (calculada sobre o lucro da exploração) que não pode ser utilizada mês a mês, como de direito, em razão do fato de o ato declaratório concessivo do benefício ter sido publicado apenas no exercício fiscal seguinte (2008), de modo que as razões utilizadas pela Autoridade Fiscal para não homologar a compensação não podem prosperar, por haver erro quanto à natureza jurídica do crédito levado à compensação.”; d) Contesta a aplicação ao caso do art. 74, §3º, inciso IX, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (incluído vela Medida Provisória n° 449, de 2008), que veda a compensação de os débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do IRPJ e da CSLL, uma vez que na época da transmissão do PER/DCOMP referido dispositivo inexistia e, no momento da análise, já havia sido excluído do ordenamento jurídico com a conversão para a Lei nº 11.941, de 2009; e) Acrescenta que, ainda que seja considerado o crédito decorrente de estimativa mensal, hipótese com a qual não concorda, o dispositivo acima citado não seria aplicável por ser a vedação referente aos débitos e não aos créditos de estimativa; f) Lembra que na Instrução Normativa SRF nº 900, de 2008, não há proibição para a utilização do crédito decorrente de estimativa; g) “Caso a autoridade julgadora refute os argumentos lançados na presente manifestação de inconformidade, o que se admite apenas por amor ao argumento, não há como se afastar a efetiva existência de crédito decorrente da isenção condicionada noticiada acima, devendo a Autoridade manifestarse expressamente sobre o seu aproveitamento.”; h) Ao final, requer: “Por todo exposto requer seja a presente manifestação de inconformidade recebida, distribuída e processada para julgamento, sendo que ao final deverá ser dado INTEGRAL PROVIMENTO aos argumentos ora expostos a fim de declarar nula a decisão recorrida, por ausência de indicação do fundamento legal para a não homologação da compensação, ou ainda deve a Nobre Autoridade Julgadora modificar a decisão recorrida para o fim de HOMOLOGAR A COMPENSAÇÃO, na medida em que o crédito utilizado decorre de benefício fiscal da SUDAM não utilizado no Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10283.902166/201077 Acórdão n.º 1402003.802 S1C4T2 Fl. 5 4 momento do pagamento do imposto, bem como que a regra constante do inciso IX, do parágrafo 3º do artigo 74 da Lei n. 9.430/96 não mais subsiste no ordenamento jurídico pátrio. Caso assim não entenda, o que se admite apenas por amor ao debate, deve a Autoridade Administrativa se manifestar expressamente acerca da existência do crédito e a forma de seu aproveitamento, posto não ter indicado o fundamento legal para a não homologação da compensação.” A Turma julgadora rejeitou estes argumentos, afirmando a validade do despacho decisório porque devidamente motivado e confirmando os seus fundamentos, em decisão assim ementada: RESTITUIÇÃO. ESTIMATIVAS MENSAIS. LUCRO REAL. Na vigência das Instruções Normativas SRF n° 460, de 2004 e nº 600, de 2005, os valores pagos a título de estimativa somente poderiam ser utilizados na dedução imposto devido ao final do período de apuração em que houve o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo. Cientificada da decisão de primeira instância em 26/07/2011 (fl. 59), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 25/08/2011 (fls. 60/77), no qual reprisa os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Discorda da decisão recorrida quanto à nulidade do despacho decisório porque este não indica os preceitos legais e a própria autoridade julgadora de 1ª instância reconhece que a vedação incluída no art. 74 da Lei nº 9.430/96 não se aplica à compensação em questão. Entende, assim, que pela ausência e contradição de indicação do fundamento legal em que se baseia a Autoridade Fiscal para não homologar a compensação pleiteada, deve a decisão recorrida ser considerada nula, por cerceamento de defesa, ou, então, alternativamente, que seja o presente julgamento convertido em diligência para que a Autoridade Administrativa explique o uso do art. 74 da Lei 9.430/96 no presente caso, sob pena de ficar caracterizado o cerceamento de defesa. No mais, reitera seus esclarecimentos acerca da natureza de seu crédito, decorrente do benefício de redução a que tem direito, asseverando que o crédito objeto de compensação não decorre dos pagamentos feitos pelo regime de estimativa, mas sim, pela redução diretamente do imposto do benefício fiscal concedido, aplicável ao imposto devido, e que assim não pode ter o mesmo tratamento jurídico dado aos pagamentos ordinários de IRPJ pelo regime de estimativa. Reafirma, também, a impossibilidade de aplicação da vedação instituída apenas pela Medida Provisória nº 449/2008, não só porque a DCOMP foi apresentada em 2007, bem como porque referida vedação não foi recepcionada na conversão da Medida Provisória na Lei nº 11.941/2009. Ademais, a Instrução Normativa RFB nº 900/2008 também não mais veicula a vedação em questão. Pede, assim, o integral provimento de seu recurso voluntário, para que seja declarada a nulidade do despacho decisório ou, ainda, sua modificação e consequente homologação da compensação, na medida que o crédito utilizado decorre de benefício fiscal da SUDAM não utilizado no momento do pagamento do imposto, bem como que a regra constante do inciso IX, do parágrafo 3º do artigo 74 da Lei n. 9.430/96 não mais subsiste no ordenamento jurídico pátrio. Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10283.902166/201077 Acórdão n.º 1402003.802 S1C4T2 Fl. 6 5 Em 09/03/2014 a interessada juntou petição aos autos na qual reafirma seu direito à redução a partir do anocalendário 2007, reportase a retificação de sua DIPJ, e reitera que a vedação em questão não mais subsiste na Instrução Normativa SRF nº 900/2008. Voto Conselheira Edeli Pereira Bessa Relatora A recorrente argúi a nulidade da decisão de primeira instância por não enfrentar as questões de direito colocadas para apreciação, bem como do despacho decisório por não indicar o fundamento legal que impede a compensação pleiteada, utilizandose de premissas que não encontram respaldo no ordenamento jurídico ora vigente. A decisão recorrida, porém, apreciou não só a arguição de nulidade do despacho decisório, como também os argumentos de mérito até o ponto em que suficientes para firmar a improcedência da impugnação, especialmente porque os julgadores se pautaram na validade da vedação à compensação de indébito formado em recolhimento de estimativas, o que os dispensa, naquela ocasião, de apreciar o mérito do recolhimento afirmado como indevido. O despacho decisório, por sua vez, enuncia que a nãohomologação está fundamentada, dentre outros, no art. 74 da Lei nº 9.430/96, dada a circunstância de que o pagamento indevido se refere a recolhimento que somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Considerando que o caput do art. 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002, reportase especificamente a crédito passível de restituição ou de ressarcimento, clara está a motivação legal para a objeção veiculada no despacho decisório, o que dispensaria a indicação do inciso IX do §3º do mesmo dispositivo legal, invocado pela interessada para questionar sua aplicabilidade à compensação sob análise. Assim, devem ser REJEITADAS as arguições de nulidade da decisão de 1ª instância e do despacho decisório de nãohomologação da compensação. Quanto ao mérito descabe, neste momento, apreciar as justificativas da recorrente acerca do indevido recolhimento da estimativa recolhida em 30/11/2017. Isto porque a interpretação adotada no despacho decisório, e na decisão de 1ª instância, a partir do art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600/2005 restou superada pela edição da Súmula CARF nº 84 (É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa). Aliás, antes mesmo da edição da referida súmula, esta Conselheira já se manifestava favoravelmente à possibilidade de compensação de indébito de IRPJ formado em recolhimento de estimativas, nos termos do voto vencedor encartado no Acórdão nº 1101 00.329: Divirjo do I. Relator quanto à eficácia dos atos normativos que vedaram a compensação de estimativas, pois neles não vislumbro a regulamentação de Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10283.902166/201077 Acórdão n.º 1402003.802 S1C4T2 Fl. 7 6 procedimentos para utilização de indébitos de estimativas, mas sim a interpretação das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do IRPJ ou da CSLL. É certo que a legislação consolidada no Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 (art. 895) autoriza a Receita Federal a expedir instruções necessárias à efetivação de compensação pelos contribuintes. No mesmo sentido veio também redigido o §5o incluído no art. 74 da Lei nº 9.430/96 pela Medida Provisória nº 66/2002, atualmente transportado para o § 14 desde a edição da Lei nº 11.051/2004: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) E este poder normativo pode se materializar tanto no âmbito da definição de procedimentos operacionais, como na fixação de restrições materiais já presentes na lei que estabelece a incidência tributária ou concede benefícios fiscais. Contudo, ao operar sob este segundo direcionamento, temse a dita eficácia retroativa da norma interpretativa, que entendo se verificar ainda que a Administração Tributária assim não a declare expressamente. Relativamente aos indébitos de estimativas, não vejo como tratar a restrição inserta a partir da Instrução Normativa SRF nº 460/2004 como procedimental. Não vislumbro espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. Até cogito que tal seria possível em razão destes recolhimentos não se constituírem, propriamente, em pagamentos, na medida em que não extinguem uma obrigação tributária principal, aproximandose, mais, de obrigações acessórias impostas aos contribuintes que optam pela apuração anual do lucro real e da base de cálculo da CSLL, para não se sujeitar à regra geral de apuração trimestral destas bases de cálculo. Esta interpretação, porém, exigiria que a Administração Tributária se posicionasse contrariamente à formação de indébitos de estimativas a qualquer tempo, e não apenas na vigência das Instruções Normativas que veicularam a dita proibição, como já verificado em outros litígios que relatei perante esta Turma. Concordo que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, como já conclui em voto anterior apresentado a esta Turma, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei nº 9.430/96, tenho que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB nº 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. Transcrevo, a seguir, minha manifestação acerca da matéria: Relevante notar que durante a vigência das Instruções Normativas SRF nº 460/2004 e 600/2005, ou seja, no período de 29/10/2004 a 30/12/2008 (até ser publicada a Instrução Normativa RFB nº 900/2008), a Receita Federal buscou coibir a Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10283.902166/201077 Acórdão n.º 1402003.802 S1C4T2 Fl. 8 7 utilização imediata de indébitos provenientes de estimativas recolhidas a maior, assim dispondo: Instrução Normativa SRF nº 460, de 18 de outubro de 2004 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de 2005 Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008 Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. As antecipações recolhidas deveriam ser, primeiro, confrontadas com o tributo determinado na apuração anual, e só então, se evidenciada a existência de saldo negativo, seria possível a utilização do indébito. E este crédito, na forma da interpretação veiculada no Ato Declaratório Normativo SRF nº 03/2000, seria atualizado com juros à taxa SELIC a partir do mês subseqüente ao do encerramento do anocalendário: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e tendo em vista o disposto no § 4º do art. 39 da Lei Nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, nos arts. 1º e 6º da Lei Nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e no art. 73 da Lei Nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, declara que os saldos negativos do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a contribuição social sobre o lucro líquido devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o mês anterior ao da restituição ou compensação e de um por cento relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. EVERARDO MACIEL De outro lado, porém, é possível interpretar que a Lei nº 9.430/96, ao autorizar a dedução das antecipações recolhidas, admite somente aquelas recolhidas em conformidade com caput de seu art. 2o: Art.2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10283.902166/201077 Acórdão n.º 1402003.802 S1C4T2 Fl. 9 8 nos §§1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. §1o O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. §2o A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais)ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. §3o A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§1º e 2º do artigo anterior. §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (negrejouse) Diante deste contexto, temse por formalmente correto o procedimento adotado pela recorrente: as estimativas recolhidas a maior não poderiam ser deduzidas na apuração anual do IRPJ, e o crédito dali decorrente, atualizado com juros à taxa SELIC a partir do recolhimento indevido, poderia ser utilizado em compensação, mediante apresentação de DCOMP, inclusive para liquidação do próprio IRPJ apurado no ajuste do mesmo anocalendário, mas, evidentemente sem a dedução daquelas parcelas excedentes. Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis. Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não vejo, ante o contexto que expus, obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na apuração ao final do anocalendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4o da Lei nº 9.250/95 c/c art. 73 da Lei nº 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, ao interpretar que somente as estimativas devidas na forma da Lei nº 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou da CSLL, concluo que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, friso, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10283.902166/201077 Acórdão n.º 1402003.802 S1C4T2 Fl. 10 9 sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução. Logo, não admito que o contribuinte, após apurar e recolher estimativa com base em balancete de suspensão/redução, sem o prévio confronto com o valor devido com base na receita bruta e acréscimos, pretenda como indébito o excedente que se verificaria caso tivesse adotado esta segunda sistemática para cálculo da estimativa. Da mesma forma, não lhe cabe, após efetuar recolhimentos com base na receita bruta e acréscimos, apurar estimativas menores com base em balancetes de suspensão/redução, para pleitear a diferença como se indébitos fossem. A legislação tributária está erigida no sentido da definitividade daquela opção de cálculo ao exigir, por exemplo, que os balancetes de suspensão/redução estejam escriturados até a data fixada para o seu pagamento. O art. 35 da Lei nº 8.981, de 1995, referenciado no art. 2o da Lei nº 9.430, de 1996, assim dispõe acerca dos balanços ou balancetes de suspensão ou redução de estimativas: Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º O Poder Executivo poderá baixar instruções para a aplicação do disposto no parágrafo anterior. E, com maior detalhamento, a Instrução Normativa SRF nº 51, de 31 de outubro de 1995 especificou a forma a ser observada no levantamento dos referidos balanços ou balancetes de suspensão ou redução: Art. 10. A pessoa jurídica poderá: I suspender o pagamento do imposto, desde que demonstre que o valor do imposto devido, calculado com base no lucro real do período em curso (art. 12), é igual ou inferior à soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo ano calendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. II reduzir o valor do imposto ao montante correspondente à diferença positiva entre o imposto devido no período em curso, e a soma do imposto de renda pago, correspondente aos meses do mesmo anocalendário, anteriores àquele a que se refere o balanço ou balancete levantado. § 1º A diferença verificada, correspondente ao imposto de renda pago a maior, no período abrangido pelo balanço de suspensão, não poderá ser utilizada para reduzir o montante do imposto devido em meses subseqüentes do mesmo anocalendário, calculado com base nas regras previstas nos arts. 3º a 6º. § 2º Caso a pessoa jurídica pretenda suspender ou reduzir o valor do imposto devido, em qualquer outro mês do mesmo anocalendário, deverá levantar novo balanço ou balancete. [...] Art. 12. Para os efeitos do disposto no art. 10: [...] § 1º O resultado do período em curso deverá ser ajustado por todas as adições determinadas e exclusões e compensações admitidas pela legislação do imposto de renda, observado o disposto nos arts. 25 a 27. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10283.902166/201077 Acórdão n.º 1402003.802 S1C4T2 Fl. 11 10 § 2º O disposto no parágrafo anterior alcança, inclusive, o ajuste relativo ao diferimento do lucro inflacionário não realizado do período em curso, observados os critérios para sua realização. § 3º Para fins de determinação do resultado, a pessoa jurídica deverá promover, ao final de cada período de apuração, levantamento e avaliação de seus estoques, segundo a legislação específica, dispensada a escrituração do livro "Registro de Inventário". § 4º A pessoa jurídica que possuir registro permanente de estoques, integrado e coordenado com a contabilidade, somente estará obrigada a ajustar os saldos contábeis, pelo confronto com a contagem física, ao final do anocalendário ou do encerramento do período de apuração, nos casos de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividade. § 5º O balanço ou balancete, para efeito de determinação do resultado do período em curso, será: a) levantado com observância das disposições contidas nas leis comerciais e fiscais; b) transcrito no livro Diário até a data fixada para pagamento do imposto do respectivo mês. § 6º Os balanços ou balancetes somente produzirão efeitos para fins de determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, devidos no decorrer do anocalendário. [...] Art. 14. A demonstração do lucro real relativa ao período abrangido pelos balanços ou balancetes a que se referem os arts. 10 a 13, deverá ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, observandose o seguinte: I a cada balanço ou balancete levantado para fins de suspensão ou redução do imposto de renda, o contribuinte deverá determinar um novo lucro real para o período em curso, desconsiderando aqueles apurados em meses anteriores do mesmo anocalendário. II as adições, exclusões e compensações, computadas na apuração do lucro real correspondentes aos balanços ou balancetes, deverão constar, discriminadamente, na Parte A do LALUR, para fins de elaboração da demonstração do lucro real do período em curso, não cabendo nenhum registro na Parte B do referido Livro. No presente caso, a contribuinte alega que errou ao apurar a estimativa em balancete de suspensão/redução de dezembro/2004, e assim apontou o indébito constituído em 31/01/2005 para compensações com outros tributos, posteriormente, inclusive, à apuração do ajuste anual em 31/12/2004. Destaco que a DIPJ originalmente apresentada em 2005 já apontava a apuração da estimativa de dezembro/2004 com base em balancete de suspensão/redução. Imperioso, portanto, para homologação da compensação, a confirmação da existência, suficiência e disponibilidade do indébito alegado. Ou seja, a homologação expressa exige que a contribuinte comprove, perante a autoridade administrativa que a jurisdiciona, o erro cometido no balancete de suspensão/redução de dezembro/2004, a sua adequação para a formação do indébito de R$ 86.729.499,25, e a correspondente disponibilidade, mediante prova de que não se valeu desta antecipação para liquidação do IRPJ devido no ajuste anual, ou para formação do correspondente saldo negativo. E isto porque, ao contrário do que parece pretender a recorrente, o fato de o único fundamento da decisão ser a impossibilidade de aproveitamento de indébitos decorrentes de recolhimentos estimados, não permite concluir pela integridade da formação do crédito. A autoridade administrativa centrou sua decisão em aspecto preliminar, qual seja, a possibilidade do pedido, e assim não analisou a efetiva existência do crédito. Superada esta preliminar, necessário se faz a apreciação do mérito pela autoridade administrativa competente, quanto aos demais requisitos para homologação da compensação. Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10283.902166/201077 Acórdão n.º 1402003.802 S1C4T2 Fl. 12 11 Registro, inclusive, o entendimento expresso pela maioria desta Turma Ordinária, no sentido de que, enquanto a contribuinte não for cientificada de uma nova decisão quanto ao mérito de sua compensação, os débitos compensados permanecem com a exigibilidade suspensa, por não se verificar decisão definitiva acerca de seus procedimento. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, develhe ser facultada nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. No presente caso, foi analisada DCOMP transmitida em 02/03/2009 para utilização de indébito de IRPJ apurado em recolhimento 30/11/2007, e a não homologação resultou, apenas, da impossibilidade de formação de direito creditório a partir de recolhimento de estimativas, sendo referida decisão cientificada à contribuinte em 17/09/2010. Assim, o litígio circunscrevese àquele aspecto preliminar, o que dispensa a apreciação da defesa dirigida aos demais aspectos da formação do indébito. Assim, o presente voto é no sentido de, além de REJEITAR as preliminares de nulidade da decisão de 1ª instância e o despacho decisório de nãohomologação da compensação, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à Unidade de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa – Relatora Fl. 229DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.905173/2012-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 29/02/2008
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADA ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO.
O Despacho Decisório deve considerar os dados existentes em DCTF retificadora, quando esta foi transmitida anteriormente à intimação do contribuinte.
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Comprovado pelo Contribuinte o erro no preenchimento de sua DCTF, acompanhado dos documentos probatórios, deve-se acatar a alteração dos dados anteriormente informados.
Numero da decisão: 3201-004.735
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 29/02/2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADA ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. O Despacho Decisório deve considerar os dados existentes em DCTF retificadora, quando esta foi transmitida anteriormente à intimação do contribuinte. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Comprovado pelo Contribuinte o erro no preenchimento de sua DCTF, acompanhado dos documentos probatórios, deve-se acatar a alteração dos dados anteriormente informados.
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PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente ALGAR TELECOM S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 29/02/2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DCTF RETIFICADA ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. O Despacho Decisório deve considerar os dados existentes em DCTF retificadora, quando esta foi transmitida anteriormente à intimação do contribuinte. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Comprovado pelo Contribuinte o erro no preenchimento de sua DCTF, acompanhado dos documentos probatórios, devese acatar a alteração dos dados anteriormente informados. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 51 73 /2 01 2- 89 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10675.905173/201289 Acórdão n.º 3201004.735 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do Acórdão nº 09053.142, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG). O presente processo cuida de DCOMP amparada em crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior de Cofins. O pleito foi indeferido por intermédio de Despacho Decisório eletrônico, do qual consta a informação de que os pagamentos indicados no PER/DCOMP foram localizados, mas que haviam sido integralmente utilizados para quitação de débitos declarados do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados na DCOMP. Regularmente cientificado do indeferimento de seu pleito o contribuinte protocolou Manifestação de Inconformidade. Alegou haver transmitido DCTF retificadora na qual há a confirmação de seu crédito e que o quantum informado e pleiteado no PER/DCOMP é suficiente para a homologação da compensação declarada. Requereu a juntada do presente processo a outro processo administrativo alegando haver conexão entre eles. A DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão 09053.142. Em síntese, o colegiado entendeu que o contribuinte não comprovara, mediante documentos hábeis e idôneos, o direito creditório utilizado na DCOMP. Inconformado, o Contribuinte apresentou sucinto Recurso Voluntário a este CARF, reiterando a existência do crédito tributário postulado e anexando documentação complementar com vista à comprovação do seu direito creditório. Em primeiro exame, esta Turma Julgadora converteu o feito em diligência para que a Autoridade Preparadora efetuasse a análise do Pedido de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessário. A referida diligência foi devidamente cumprida sendo que a autoridade fiscal reconheceu o direito creditório alegado pelo contribuinte, em montante suficiente para homologar a compensação dos débitos informados na DCOMP. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.732, de Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10675.905173/201289 Acórdão n.º 3201004.735 S3C2T1 Fl. 4 3 30/01/2019, proferido no julgamento do processo 10675.905169/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.732): "(...) Como relatado, discutese no presente feito a legitimidade de crédito postulado pela Recorrente por meio de PER/DCOMP, correspondente à apuração de COFINS não cumulativa. De acordo com o PER/DCOMP apresentado, o crédito postulado teve origem no pagamento indevido ou a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Consoante Despacho Decisório Eletrônico proferido, o crédito indicado seria inexistente, posto que o recolhimento do DARF em questão teria sido integralmente utilizado para a quitação de débito de COFINS declarado pelo próprio contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente aduz que o crédito utilizado é legítimo, informando que: Foram anexadas à Impugnação cópias das declarações mencionadas. A Delegacia da Receita Federal indeferiu a Manifestação apresentada ao argumento de que a "compensação é realizada mediante entrega da DCOMP. Assim, o crédito informado deve existir na data da transmissão dessa Declaração" Com efeito, não resta dúvidas de que a retificação da DCTF da Recorrente ocorreu após a transmissão do PER/DCOMP, muito embora esta tenha ocorrido anteriormente à emissão do Despacho Decisório Eletrônico. Não obstante, embora não afaste a possibilidade de revisão do lançamento, a partir dos documentos apresentados pela Recorrente em sede de Manifestação de Inconformidade, entendeu a Turma Julgadora de origem que os documentos apresentados não seriam suficientes para a análise do crédito postulado: Entretanto, a contribuinte limitouse a apresentar a DCTF retificadora e a informar que o crédito decorre da retificação da DCTF. Nada mais foi trazido, como, por exemplo, escrituração contábil, documentos fiscais ou quaisquer outros documentos hábeis e idôneos que demonstrassem a liquidez e certeza do direito creditório pretendido. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10675.905173/201289 Acórdão n.º 3201004.735 S3C2T1 Fl. 5 4 No presente caso, somente a apresentação de documentos integrantes da escrituração contábil e fiscal da empresa poderiam comprovar o montante do tributo devido no período, e que, desta forma, o pagamento indevido ou a maior efetuado em DARF daria ao interessado crédito passível de ser compensado. São os livros fiscais e contábeis mantidos pelo contribuinte, os elementos capazes de fornecer à Fazenda Nacional conteúdo substancial válido juridicamente para a busca da verdade material dos fatos. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reafirma os argumentos de defesa e, diante dos fundamentos do acórdão recorrido, acrescenta aos autos cópia do seu balancete contábil. Na hipótese dos autos, não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos, além do fato de que a retificação da sua DCTF ocorreu antes da emissão do despacho decisório. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Por tais razões é que se resolveu pela conversão do feito em diligência justamente para que a Autoridade Preparadora efetuasse a análise do Pedido de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora, transmitida anteriormente ao despacho decisório, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessário. E, a verificação fiscal, confirmou o direito postulado pelo Contribuinte, nos seguintes termos: Trata o presente processo de Declaração de Compensação com utilização de pagamento indevido ou a maior de COFINS. A compensação foi não homologada, a Manifestação de Inconformidade foi considerada improcedente e a empresa apresentou Recurso Voluntário. Em 27/02/2018, através da Resolução nº 3201001.164 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, fls. 128/132, o processo foi devolvido a esta DRF para analisar a Declaração de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora transmitida anteriormente ao Despacho Decisório. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10675.905173/201289 Acórdão n.º 3201004.735 S3C2T1 Fl. 6 5 A COFINS (5856) do período de apuração 11/2007 não teve seu valor alterado no Sistema SIEF FISCEL conforme declarado na DCTF retificadora apresentada em 04/02/2011, documentos de fls. 134/141. Com os elementos trazidos no processo, bem como os cálculos efetuados às fls. 142/145, verificase o resultado de um crédito no valor de R$ 33.651,25 suficiente para extinguir os débitos do processo 10675.905384/201211. Logo, diante do reconhecimento, pela Autoridade de origem, acerca da suficiência do crédito solicitado pela Recorrente para a extinção dos débitos declarados, devese reconhecer a procedência do presente Recurso Voluntário. Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Importante observar que, tal como ocorreu no caso do paradigma, o presente processo foi baixado em diligência (Resolução 3201001.167) e a autoridade fiscal, também nestes autos, reconheceu o direito creditório postulado pela Recorrente, em montante suficiente para a extinção dos débitos informados na DCOMP. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado DEU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 167DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.720476/2018-89
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL. DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR.
São isentos os rendimentos de aposentadoria/pensão auferidos por portador de moléstia grave, elencada em Lei, reconhecida mediante Laudo Pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
Há de ser reconhecida a isenção quando o recorrente apresenta nos Autos documentação suficiente para suprir as falhas apontadas no lançamento e/ou decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 2001-001.035
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente da 2ª Seção e Redatora ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente à época do julgamento), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira (Relator).
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL. DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR. São isentos os rendimentos de aposentadoria/pensão auferidos por portador de moléstia grave, elencada em Lei, reconhecida mediante Laudo Pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Há de ser reconhecida a isenção quando o recorrente apresenta nos Autos documentação suficiente para suprir as falhas apontadas no lançamento e/ou decisão de primeira instância.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente da 2ª Seção e Redatora ad hoc Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente à época do julgamento), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira (Relator).
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL. DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR. São isentos os rendimentos de aposentadoria/pensão auferidos por portador de moléstia grave, elencada em Lei, reconhecida mediante Laudo Pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Há de ser reconhecida a isenção quando o recorrente apresenta nos Autos documentação suficiente para suprir as falhas apontadas no lançamento e/ou decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente da 2ª Seção e Redatora ad hoc Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente à época do julgamento), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira (Relator). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 04 76 /2 01 8- 89 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10830.720476/201889 Acórdão n.º 2001001.035 S2C0T1 Fl. 3 2 Relatório Como Redatora ad hoc, sirvome da minuta de relatório inserida pelo Relator no repositório oficial do CARF: Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2014, anocalendário de 2013, em que foi apurada omissão de rendimentos. A contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ Rio de Janeiro. Cientificada, a interessada apresentou recurso voluntário de f. 39/47. Em síntese, informa que apresenta Laudo, subscrito por médico pertencente ao Serviço Oficial de Saúde, comprovando a moléstia grave. Solicita que seja reconhecida a isenção. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Redatora ad hoc Como Redatora ad hoc, sirvome da minuta de voto inserida pelo Relator no repositório oficial do CARF, de sorte que o posicionamento adotado não necessariamente tem a aquiescência desta Conselheira: O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Temos que, em cumprimento à regra geral prevista no art. 176 do Código Tributário Nacional CTN, especificando o tributo a que se aplica, as condições e requisitos exigidos para sua concessão, a isenção do IRPF sobre os rendimentos, no caso do contribuinte ser portador de determinadas espécies de doenças, foi instituída pela Lei n° 7.713, de 1988, mais especificamente no inciso XIV do artigo 6º, com redação dada pelo artigo 47 da Lei nº 8.541, de 23/12/92 e artigo 30, § 2º da Lei nº 9.250/95, e pela Lei nº 11.052, de 2004, in verbis: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente sem serviços e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10830.720476/201889 Acórdão n.º 2001001.035 S2C0T1 Fl. 4 3 estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;” (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) Referida disposição encontrase regulamentada no Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, art. 39, XXXI, que estabelece: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) Proventos de aposentadoria por Doença Grave XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º);” (...) § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I – do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II – do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III – da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial. Importa destacar que o art. 30 da Lei nº 9.250, de 1995, veio estabelecer que, a partir de 1996, a moléstia deveria ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, assim: “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.” Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10830.720476/201889 Acórdão n.º 2001001.035 S2C0T1 Fl. 5 4 Com o recurso voluntário, foi apresentado Laudo Médico Oficial, atestando a moléstia grave e suprindo falhas apontadas pelas autoridades lançadoras e julgadora. . Com base nestes fundamentos, devese reconhecer o direito à isenção pleiteado pela recorrente, haja vista que foi feita prova neste processo. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo (voto de José Ricardo Moreira) Fl. 75DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16095.720050/2016-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2012
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
A apreciação de argumentos de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
CUSTO. COMPROVAÇÃO. REQUISITO PARA DEDUTIBILIDADE.
Correta a glosa de valores computados como custo quando o contribuinte não comprova a efetividade das operações enquadradas como aquisição de insumos.
Por outro lado, uma vez comprovado que a empresa celebrou contrato de parceria comercial, demonstrando haver pagamentos parciais e compensações de valores provenientes de vendas, incabível a glosa fundamentada na idoneidade do fornecedor em momento posterior ao período objeto de autuação.
SIMULAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
Aplicável a multa qualificada na hipótese de aquisição de mercadorias registradas como custo a partir de operações simuladas.
SUJEIÇÃO PASSIVA. SÓCIOS ADMINISTRADORES.
Correta a sujeição passiva dos sócios administradores quando restar demonstrada a prática de atos simulados que geraram redução indevida de tributos.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2012
CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE.
Por se tratar de exigência reflexa, realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento de IRPJ aplica-se à CSLL.
PIS E COFINS. GLOSA DE CRÉDITOS.
Correta a glosa de créditos de PIS e COFINS calculados em face de lançamentos contábeis de custos decorrentes de operações simuladas.
Numero da decisão: 1201-002.768
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em DAR PARCIAL PROVIMENTO aos Recursos Voluntários, mantendo a tributação, as responsabilizações solidárias e qualificação da multa de ofício, mas afastando a glosa das operações praticadas com a empresa AGL Comércio de Condutores Elétricos Ltda., por unanimidade de votos.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Henrique Marotti Toselli - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: LUIS HENRIQUE MAROTTI TOSELLI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A apreciação de argumentos de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CUSTO. COMPROVAÇÃO. REQUISITO PARA DEDUTIBILIDADE. Correta a glosa de valores computados como custo quando o contribuinte não comprova a efetividade das operações enquadradas como aquisição de insumos. Por outro lado, uma vez comprovado que a empresa celebrou contrato de parceria comercial, demonstrando haver pagamentos parciais e compensações de valores provenientes de vendas, incabível a glosa fundamentada na idoneidade do fornecedor em momento posterior ao período objeto de autuação. SIMULAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Aplicável a multa qualificada na hipótese de aquisição de mercadorias registradas como custo a partir de operações simuladas. SUJEIÇÃO PASSIVA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. Correta a sujeição passiva dos sócios administradores quando restar demonstrada a prática de atos simulados que geraram redução indevida de tributos. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2012 CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. Por se tratar de exigência reflexa, realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento de IRPJ aplica-se à CSLL. PIS E COFINS. GLOSA DE CRÉDITOS. Correta a glosa de créditos de PIS e COFINS calculados em face de lançamentos contábeis de custos decorrentes de operações simuladas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 18; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1905; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16095.720050/201619 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201002.768 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de março de 2019 Matéria IRPJ E REFLEXOS Recorrente CORDEIRO FIOS E CABOS ELETRICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2012 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre a nulidade do auto de infração quando forem observadas as disposições do artigo 142 do Código Tributário Nacional e os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. A apreciação de argumentos de inconstitucionalidade resta prejudicada na esfera administrativa, conforme Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CUSTO. COMPROVAÇÃO. REQUISITO PARA DEDUTIBILIDADE. Correta a glosa de valores computados como custo quando o contribuinte não comprova a efetividade das operações enquadradas como aquisição de insumos. Por outro lado, uma vez comprovado que a empresa celebrou contrato de parceria comercial, demonstrando haver pagamentos parciais e compensações de valores provenientes de vendas, incabível a glosa fundamentada na idoneidade do fornecedor em momento posterior ao período objeto de autuação. SIMULAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Aplicável a multa qualificada na hipótese de aquisição de mercadorias registradas como custo a partir de operações simuladas. SUJEIÇÃO PASSIVA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. Correta a sujeição passiva dos sócios administradores quando restar demonstrada a prática de atos simulados que geraram redução indevida de tributos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 00 50 /2 01 6- 19 Fl. 3008DF CARF MF 2 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2012 CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE. Por se tratar de exigência reflexa, realizada com base nos mesmos fatos, a decisão de mérito prolatada quanto ao lançamento de IRPJ aplicase à CSLL. PIS E COFINS. GLOSA DE CRÉDITOS. Correta a glosa de créditos de PIS e COFINS calculados em face de lançamentos contábeis de custos decorrentes de operações simuladas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em DAR PARCIAL PROVIMENTO aos Recursos Voluntários, mantendo a tributação, as responsabilizações solidárias e qualificação da multa de ofício, mas afastando a glosa das operações praticadas com a empresa AGL Comércio de Condutores Elétricos Ltda., por unanimidade de votos. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Neudson Cavalcante Albuquerque, Luis Henrique Marotti Toselli, Allan Marcel Warwar Teixeira, Gisele Barra Bossa, Efigênio de Freitas Junior, Breno do Carmo Moreira Vieira (Suplente convocado), Alexandre Evaristo Pinto e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). Relatório Tratase de processo administrativo decorrente de Autos de Infração de IRPJ/CSLL (fls. 1.993/2.013) e de PIS/COFINS (fls. 2.015/2.036 e 2.267/2.285), referentes ao anocalendário de 2012, em razão da glosa (i) de custos e despesas não comprovados; e (ii), como conseqüência, de créditos descontados indevidamente na apuração das aludidas contribuições. De acordo com o Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades Fiscais (fls. 1.965/1.987): 6. O contribuinte foi intimado, conforme Termo de Intimação Fiscal de nº 001, datado de 29/05/2014, a apresentar os comprovantes de pagamentos de notas fiscais dos seguintes fornecedores, indicando a forma de pagamento (em dinheiro, depósito em conta corrente, transferência bancária, pagamento de boletos, etc,), e os dados das pessoas responsáveis pelo Fl. 3009DF CARF MF Processo nº 16095.720050/201619 Acórdão n.º 1201002.768 S1C2T1 Fl. 3 3 fornecimento e contato, além dos comprovantes de pedidos de compra e os meios utilizados (telefone, email, etc): FORNECEDORES CNPJ S & S INDUSTRIA E COMERCIO LTDA 03.950.155/000187 EBF COMERCIO DE CONDUTORES ELETRICOS LTDA 12.498.261/000162 DETROIT COM DE METAIS FERROSOS E NAO FERROSOS LTDA 10.462.538/000171 G & R COMERCIO DE MATERIAIS ELETRICOS LTDA 26.082.198/000193 LINHACOS COMERCIO DE METAIS LTDA 08.665.297/000116 KOBBER METAIS INDUSTRIA E COM DE COND EL LTDA 00.191.726/000159 AGL COMERCIO DE CONDUTORES ELETRICOS LTDA 04.294.094/000100 ASRNER COMERCIO DE METAIS LTDA 09.374.476/000167 NOSSA LAMINACAO COMERCIO IMP E EXPORTACAO LTDA 10.633.340/000103 ELETROCELL COMERCIAL E ARREMATADORA LTDA ME 10.630.795/000175 MAQMETAIS COMERCIAL LTDA 05.302.172/000133 7. Em resposta, apresentou o contribuinte somente parte dos comprovantes de pagamentos efetuados, deixando de apresentar as documentações relativas às efetivas operações realizadas; 8. Tendo em vista o atendimento parcial ao Termo de Intimação Fiscal de nº 001, foi o contribuinte reintimado, conforme Termo de Reintimação Fiscal nº 002, datado de 12/09/2014, a apresentar todos os elementos faltantes solicitados naquele Termo, e também todos os comprovantes de entradas de mercadorias no estabelecimento, identificando os veículos de transporte dos materiais, pesagem de mercadorias nas entradas, e demais controle de recebimento de mercadorias; 9. Em resposta, apresentou o contribuinte cópias simples dos contratos de parceria comercial, firmados com as empresas ASRNER COMERCIO DE METAIS LTDA, EBF COMERCIO DE CONDUTORES ELETRICOS LTDA, KOBBER METAIS INDUSTRIA E COM DE COND ELETRICOS LTDA e AGL COMERCIO DE CONDUTORES ELETRICOS LTDA, bem como planilhas de Notas Fiscais emitidas no período de 2011 e 2012, deixando de apresentar as documentações comprobatórias relativas ao efetivo ingresso das mercadorias, tais como identificação dos veículos de transporte dos materiais, pesagem de mercadorias nas entradas, e demais controle de recebimento de mercadorias. 10. Por outro lado, tendo em vista que o contribuinte não apresentou as planilhas de apuração de PIS e COFINS Não cumulativo, foi o contribuinte novamente intimado, conforme Termo de Reintimação Fiscal nº 003, datado de 05/11/2014, a apresentar as referidas planilhas; 11. Em resposta datada de 20/02/2015, o contribuinte novamente discorreu sobre a legislação de PIS e COFINS, e repetiu os argumentos utilizados anteriormente, informando ainda que o resumo de entradas e saídas, foram extraídos dos arquivos do Livro Registro de Entradas; Fl. 3010DF CARF MF 4 12. Posteriormente, foram apresentados uma planilha com os créditos de PIS e COFINS calculados sobre as notas fiscais de entradas; 13. Da análise das notas fiscais de entrada/aquisição apresentadas, foram constatadas que 02 (duas) das empresas emitentes de notas fiscais, a MAQMETAIS COMERCIAL LTDA, CNPJ 05.302.172/000133 e LINHACOS COMÉRCIO DE METAIS LTDA, CNPJ 08.665.297/000116, já estão com situação cadastral INAPTA, conforme abaixo: 14. E ainda como subsídio, foram efetuadas pesquisas no Cadastro da Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo (CADESP), tendo sido constatadas diversos fornecedores com situação cadastral inapto, nulo e baixado, pelas ocorrências fiscais diversas, conforme abaixo: Fl. 3011DF CARF MF Processo nº 16095.720050/201619 Acórdão n.º 1201002.768 S1C2T1 Fl. 4 5 15. Paralelamente, foram efetuadas diligências em busca das empresas emitentes e seus responsáveis, cujos resultados foram os seguintes: [...] 15.4) G & R COMERCIO DE MATERIAIS ELETRICOS LTDA (atual BUGRE COMERCIO DE MATERIAIS ELETRICOS LTDA), CNPJ 26.082.198/000193, tem seu Fl. 3012DF CARF MF 6 endereço de cadastro na Receita Federal, à AL SEGUNDO SARGENTO ANDIRAS NOGUEIRA DE ABREU, 471, PARQUE NOVO MUNDO, São Paulo, SP, e em diligência realizadas, foi constatado o seguinte: A correspondência enviada a BUGRE COMERCIO DE MATERIAIS ELETRICOS LTDA voltou com a informação ”mudouse” emitida pelos correios. Igualmente foi enviada intimação ao sócio PAULO SERGIO MARQUEZINI, cuja ciência ocorreu em 17/02/2014. Em 03/09/2014, foram feitas diligências no endereço da empresa que consta no cadastro da Receita Federal e constatamos que o contribuinte não se encontra domiciliado naquele endereço. Verificamos que o local indicado como sede da empresa se encontra fechado, e não encontramos ninguém no imóvel, que pudesse prestar informações sobre a empresa. Segundo informações colhidas junto a vizinhança, o imóvel estava desocupado há pelo menos 06 (seis) meses, e afirmaram desconhecer a empresa BUGRE COMERCIO DE MATERIAIS ELETRICOS LTDA e/ou G & R COMERCIO DE MATERIAIS ELETRICOS LTDA. Posteriormente, foram publicadas, em 04/09/2014 o Edital Eletrônico de nº 000649037, com data de ciência: 19/09/2014; [...] 15.7) AGL COMERCIO DE CONDUTORES ELETRICOS LTDA, CNPJ 04.294.094/000100, tem seu endereço de cadastro na Receita Federal, à AV NOVE DE JULHO 3229 SALA: 912, JARDIM PAULISTA, São Paulo, SP, e em diligência realizadas, foi constatado o seguinte: A correspondência enviada a AGL COMERCIO DE CONDUTORES ELETRICOS LTDA voltou com ciência datada de 17/02/2014. Igualmente foi enviada intimação aos sócios LUIZ FERNANDO DA SILVA E JOSE ROBERTO DA SILVA, cujas ciências ocorreram em 17/02/2014. Em 10/04/2014, compareceu o sócio LUIZ FERNANDO DA SILVA, que apresentou parte dos documentos solicitados na intimação fiscal. Em 13/09/2014 foram feitas diligências no endereço da empresa que consta no cadastro da Receita Federal e constatamos que o contribuinte não se encontra domiciliado naquele endereço. A Sra. Solange Vegas, CPF 271.401.70886, encarregada da administração do condomínio SP Business Center (Av. Nove de Julho,3229), informou que a empresa GLX desocupou a sala 912 entre janeiro e fevereiro de 2014, e não informaram ao condomínio seu novo endereço; [...] 15.9) NOSSA LAMINACAO COMERCIO IMP E EXPORTACAO LTDA, CNPJ 10.633.340/000103, tem seu endereço de cadastro na Receita Federal, à R VOLUNTARIOS DA PATRIA 1145, SANTANA, São Paulo, SP, e em diligência realizadas, foi constatado o seguinte: A correspondência enviada a NOSSA LAMINACAO COMERCIO IMP E EXPORTACAO LTDA voltou com a informação ”mudouse” emitida pelos correios. Igualmente foi enviada intimação ao sócio JOCIMAR ROGERIO DOS SANTOS, cuja ciência ocorreu em 27/02/2014. Em 02/09/2014, foram feitas diligências no endereço da empresa que consta no cadastro da Receita Federal e constatamos que o Fl. 3013DF CARF MF Processo nº 16095.720050/201619 Acórdão n.º 1201002.768 S1C2T1 Fl. 5 7 contribuinte não se encontra domiciliado naquele endereço. Foi constatado que na Rua Voluntários da Patria não existe o nº 1145, sendo que o número mais próximo do endereço indicado pelo contribuinte é o de nº 1141, que se encontra fechado, e o número seguinte é o de nº 1151, onde funciona um estacionamento. Segundo informações colhidas junto ao proprietário da “Auto Escola Santana”, Sr. André Gonçalves, vizinho do lado esquerdo de nº 1139, ele afirmou estar instalado no local há muitos anos, e nunca ouviu falar da empresa NOSSA LAMINACAO COMERCIO IMPORTACAO E EXPORTACAO LTDA – ME, e nunca presenciou movimentação de caminhões e mercadorias no imóvel vizinho. Informou ainda que no imóvel de nº 1141, funcionou um bar e hoje está fechado. Posteriormente, foram publicadas, em 04/09/2014 o Edital Eletrônico de nº 000649047, com data de ciência: 19/09/2014; 15.10) ELETROCELL COMERCIAL E ARREMATADORA LTDA ME, CNPJ 10.630.795/000175, tem seu endereço de cadastro na Receita Federal, à R MARAGOJIPE 26A, SALA 1, JD PRESIDENTE DUTRA, Guarulhos, SP, e em diligência realizadas, foi constatado o seguinte: A correspondência enviada a ELETROCELL COMERCIAL E ARREMATADORA LTDA ME voltou com a informação ”não existe o nº indicado” emitida pelos correios. Igualmente foi enviada intimação aos sócios MARCOS MENDONCA DA COSTA, cuja ciência ocorreu em 19/02/2014 e JOILSON ALMEIDA DOS SANTOS, cuja ciência ocorreu em 18/02;2014. Nenhum dos sócios atendeu à intimação. Em 26/06/2014, foram feitas diligências no endereço da empresa que consta no cadastro da Receita Federal e constatamos que o contribuinte não se encontra domiciliado naquele endereço. No local encontramos o Sr. Francisco do Nascimento, CPF 116.307.25838, que se identificou como funcionário da empresa VM BETEL TRANSPORTES LTDAME, CNPJ 04.858.529/000282, ali instalada, cujo endereço cadastrado é Rua Maragojipe, 26 – Galpão 1. Informou que a empresa está estabelecida neste endereço há aproximadamente 2 (dois) anos, e que atualmente não existe o número 26A, e desconhece a empresa ELETROCELL COMERCIAL E ARREMATADORA LTDA – ME. Posteriormente, foram publicadas, em 04/09/2014 o Edital Eletrônico de nº 000649042, com data de ciência: 19/09/2014; [...] 16. Desta forma, foi constatado que a empresa CORDEIRO FIOS E CABOS ELÉTRICOS LTDA, registrou aquisições de mercadorias das empresas emitentes de notas fiscais inidôneas, cujas notas fiscais apresentaram outras irregularidades, conforme demonstramos a seguir: a) em pelo menos 161 notas fiscais emitidas pelas empresas S & S INDUSTRIA E COMERCIO LTDA ME, LINHAÇOS COMERCIO DE METAIS LTDA, DETROIT COMERCIO DE Fl. 3014DF CARF MF 8 METAIS FERROSOS E NAO FERROSOS LTDA. ME, KOBBER METAIS INDUSTRIA E COMERCIO DE CONDUTORES ELETRICOS LTDA ME, NOSSA LAMINACAO COMERCIO IMPORTACAO E EXPORTACAO LTDA ME, ELETROCELL COMERCIAL E ARREMATADORA LTDA ME, foram indicadas no campo “Transportador placa do veículo”, os seguintes veículos de transporte de passageiros, camionetas, microonibus, e motociclos, que não se prestam ao transporte de mercadorias e nem comportam as quantidades de mercadorias constantes das notas fiscais: [...] b) os “modus operandi” adotadas pelas empresas acima, indicam que todas elas são emitentes de notas fiscais inidôneas, cuja efetiva circulação de mercadorias não ocorreu, visto que é impossível transportar as quantidades citadas nas notas fiscais com os veículos indicados nas respectivas notas fiscais. E a prova de fraude ocorre também ao se constatar que em várias notas fiscais é citado as placas com o mesmo número final, a exemplo das placas DKL7433, DRL7433 e DRK7433, o que sugere que os dados não correspondem à realidade e foram criados aleatoriamente; c) verificamos ainda, que há clara conexão entre as empresas acima citadas, visto que a maioria das “placas de veículos indicadas nas notas fiscais”, foram utilizadas por mais de uma empresa, o que reforça a caracterização das fraudes; 17. Desta forma, tendo sido o contribuinte intimado a apresentar as documentações relativas a aquisição de insumos/mercadorias, nos anoscalendários 2011 e 2012, o contribuinte se limitou a apresentar alguns comprovantes de pagamentos, deixando de apresentar os demais elementos, especialmente os dados das pessoas responsáveis pelo fornecimento e contato, os comprovantes de pedidos de compra, e os comprovantes de entrada das mercadorias, tais como identificação dos veículos de transporte dos materiais, pesagem de mercadorias nas entradas, e demais controle de recebimento de mercadorias. Os referidos valores de aquisições de insumos/mercadorias, de empresas inidôneas acima relacionadas, cujas efetivas transações não foram comprovadas, no valor de R$ 134.713.029,21, no ano de 2011, já foram objeto de glosa e autuação, conforme processo administrativo nº 16095720.152/201545. Da mesma forma, os valores de aquisições de insumos/mercadorias, de empresas inidôneas acima relacionadas, cujas efetivas transações não foram comprovadas, no valor de R$ 27.078.028,90, no ano de 2012, serão objeto de glosa a autuação, por serem consideradas inidôneas, nos termos da legislação em vigor. As empresas identificadas como emitentes de notas fiscais inidôneas, no ano de 2012, foram as seguintes: FORNECEDORES CNPJ G & R COMERCIO DE MATERIAIS ELETRICOS LTDA 26.082.198/000193 AGL COMERCIO DE CONDUTORES ELETRICOS LTDA 04.294.094/000100 NOSSA LAMINACAO COMERCIO IMP E EXPORTACAO LTDA 10.633.340/000103 ELETROCELL COMERCIAL E ARREMATADORA LTDA ME 10.630.795/000175 Fl. 3015DF CARF MF Processo nº 16095.720050/201619 Acórdão n.º 1201002.768 S1C2T1 Fl. 6 9 18. Assim, relativamente ao anocalendário de 2012, os valores de IRPJ e CSLL devidos sobre valores de glosa de créditos da aquisição de insumos/mercadorias de empresas inidôneas, conforme documentos acostados ao processo, e demonstrativo anexo I, serão objeto de autuação, nos termos da legislação vigente. 19. Igualmente, no anocalendário de 2012, os valores devidos de PIS e COFINS NãoCumulativos, foram recalculados levandose em consideração os valores das bases de cálculo de créditos de PIS e COFINS declaradas, deduzidas de valores de glosa de créditos calculadas sobre a aquisição de insumos/mercadorias de empresas inidôneas, conforme documentos acostados ao processo, e demonstrativo anexo I. Os valores de PIS e COFINS a Pagar apuradas, conforme demonstrativos Anexos II e III, serão objeto de autuação, nos termos da legislação vigente. B) – DO DIREITO E ENQUADRAMENTO LEGAL [...] D) – DOS VALORES DE CUSTOS NÃO COMPROVADOS D1) APURAÇÃO DE IRPJ E CSLL 34. Desta forma, os valores de CUSTOS NÃO COMPROVADOS, no ano de 2012, no valor de R$ 27.078.028,90, serão objeto de glosa, para efeito de apuração de IRPJ e CSLL, conforme demonstrativo anexo I, e resumida abaixo: [...] D2) APURAÇÃO DE GLOSA DE PIS E COFINS NÃO CUMULATIVO 35. Os valores de PIS e COFINS glosados, decorrente de compras não comprovadas, abaixo relacionados, foram objeto de compensação de ofício com os créditos em seu favor, até o limite de saldo disponível, informados na DACON. Após a reconstituição da escrita, foram apurados PIS e COFINS a Pagar nos meses de 07/2012 a 11/2012, conforme demonstrativos anexos II e III, e resumida abaixo: [...] Como resultado dessa fiscalização, a multa exigida foi qualificada para 150%, bem como os sócios da empresa foram considerados responsáveis solidário (fls. 2;042/2.051), sob a seguinte motivação: E) DA FRAUDE PENAL E MULTA DE OFÍCIO 36. Conforme exaustivamente demonstrado ao longo deste termo, restou comprovado que os dirigentes do CORDEIRO FIOS E CABOS ELETRICOS LTDA, mediante aquisições de Fl. 3016DF CARF MF 10 mercadorias de empresas inidôneas, cujas efetivas transações não foram comprovadas, modificaram as características essenciais do fato gerador, de modo a reduzir o montante dos impostos e contribuições devidas. Portanto, restou flagrantemente caracterizado o evidente intuito de fraudar a Fazenda Pública Federal, fato suficiente para justificar a exasperação da penalidade na forma prevista no citado art. 44, II, da Lei nº 9.430 de 1996, que assim dispõe: [...] 40. No presente trabalho, as condutas dos dirigentes se amoldam perfeitamente ao tipo legal capitulado no art. 72 supra, razão pela qual será aplicada a multa qualificada, prevista no art. 44, inciso I, § 1°, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007: [...] G) SUJEITOS PASSIVOS SOLIDÁRIOS G1) – SÓCIOSADMINISTRADORES DA CORDEIRO FIOS E CABOS ELÉTRICOS LTDA: 49. Conforme cláusula 6° dos contratos sociais vige ntes no ano de 2012, a administração e a gerência da sociedade estavam a cargo de CARLOS ALBERTO CORDEIRO e MARIA ISABEL DE MELO CORDEIRO. E no exercício das funções de administrador, praticou atos com infração de lei, conforme relatado nos itens anteriores, sendo responsável solidário nos termos do art. 135 da Lei nº 5.172/66. CARLOS ALBERTO CORDEIRO, CPF 854.839.90820 MARIA ISABEL DE MELO CORDEIRO, CPF 029.773.94842 50. Em razão da imputação da responsabilidade solidária, relativas às infrações praticadas pela empresa CORDEIRO FIOS E CABOS ELÉTRICOS LTDA, todos os sujeitos passivos solidários serão cientificados das infrações imputadas, para exercerem o direito constitucional da ampla defesa e do contraditório. Cientificados dos Autos de Infração, a empresa e seus administradores apresentaram impugnações (fls. 2.104/2.139 e 2.065/2.093, respectivamente). Alegam, em síntese, que: (i) o lançamento é nulo por falta de motivação da conduta dos solidários, bem como ausência de comprovação de dolo; (ii) não se extrai dos autos uma indicação sequer acerca de quais atos, praticados pessoalmente pelos administradores, teriam conduzido à conclusão pela responsabilização com base no artigo 135 do CTN; (iii) houve aplicação indevida da teoria da desconsideração da pessoa jurídica e violação ao contraditório e ampla defesa; Fl. 3017DF CARF MF Processo nº 16095.720050/201619 Acórdão n.º 1201002.768 S1C2T1 Fl. 7 11 (iv) á época dos fatos geradores, os fornecedores citados estavam devidamente regulares; (v) a efetividade das operações teria sido comprovada por meio da idoneidade das empresas no período, escrita fiscal e notas fiscais; (vi) a boa fé e ausência de dolo se demonstram pelo fato da empresa ter vendido sucata para tais fornecedores em quantidades substanciais, o que ensejou a apuração de receitas tributadas. Nesse ponto, aduz que "imperioso observar o equívoco da D. Fiscalização ao optar pela desconsideração das operações de aquisição de materiais pela empresa autuada, em razão da suposta irregularidade dos seus fornecedores, sem que, na mesma medida, desconsiderasse as operações de venda de sucata para as mesmas pessoas jurídicas... Ainda que por amor ao debate se admita a desconsideração das operações de aquisição, neste caso, se faz necessária a desconsideração da venda para as mesmas pessoas jurídicas"; (vii) deixouse de considerar o custo líquido de aquisição de insumos pela Defendente, incluindo, indevidamente, os créditos de PIS, COFINS e ICMS na base de cálculo do IR e CS; (viii) na linda do que já decidiu o STJ, o fisco não possui competência para exigir tributos do comerciante de boa fé, ainda que na aquisição de empresas consideradas inidôneas em momento posterior; (ix) insta relembrar que a Defendente firmou com seus fornecedores contratos de parceria comercial, segundo os quais estes lhes forneceriam os vergalhões de cobre e esta, por sua vez, fornecerlhesia sucata de cobre. De acordo com os referidos contratos, a liquidação das operações deveria ser feita mediante compensação financeira e encontro de contas entre débitos e créditos recíprocos, o que, digase de passagem, é muito comum no mercado empresarial; (x) as informações obtidas pelo fisco federal em 2014 não se prestam para validar a inexistência das empresas à época das operações. A propósito, com relação á empresa AGL, o TITSP reputou válidas as operações firmadas, conforme Doc. 6 juntado; (xi) a exigência de multa qualificada é descabida, desproporcional, não razoável e confiscatória. Em Sessão de 25 de maio de 2017 a DRJ/BHE julgou as defesas improcedentes por meio de Acórdão (fls. 2.289/2.301), que restou assim ementado: RESPONSABILIDADE GERENCIAL Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Fl. 3018DF CARF MF 12 LANÇAMENTOS CONEXOS Mantido o lançamento de IRPJ, igual sorte aguarda aqueles que dele decorrerem, em face da relação causal que os vincula e dos fundamentos de fato que compartilham. CUSTOS Aplicamse aos custos e despesas operacionais as disposições sobre dedutibilidade de rendimentos pagos a terceiros. PENALIDADES PECUNIÁRIAS Nos casos de lançamento de ofício, será aplicada multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, percentual este que será duplicado em caso de fraude, sonegação ou conluio. A contribuinte principal foi intimada da decisão em 14/06/2017 (fl. 2.316) e interpôs recurso voluntário (fls. 2.507/2.551) em 14/07/2017 (fl. 2.316). Já os solidários foram cientificados em 20/06/2017 (fls. 2.317 e 2.318) e interpuseram recurso voluntário (fls. 2.554/2.591) em 20/07/2017 (fl. 2.552). Ambos reiteram os argumentos de defesa, aduzem que a decisão de DRJ é nula por omissão quanto ao erro da base de cálculo e questionam pontos específicos do acórdão recorrido. Por meio de petição datada de 12/07/2017, a Recorrente anexa Razões analíticos (fls. 2.639/2.963) de pagamentos e tributos a recuperar que, no seu entender, deveriam ter sido excluídos da base de cálculo. Em seguida nova petição foi apresentada pelo contribuinte (fls. 2.967/2.977), a qual: (i) reitera a existência de precedente vinculante do STJ, no sentido de impossibilitar a responsabilização de contribuinte de boa fé, (ii) atesta que, no tocante à empresa AGL, obteve decisão, em 15/09/2017, que reconheceu válidas as operações com ela firmadas; e (iii) pede a exclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e COFINS. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, Relator. Os recursos voluntários são tempestivos e atendem os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual deles conheço e passo a apreciálos. Nulidade A Recorrente inicia seu recurso argüindo vícios do procedimento de fiscalização que acarretariam a nulidade dos Autos de Infração. Fl. 3019DF CARF MF Processo nº 16095.720050/201619 Acórdão n.º 1201002.768 S1C2T1 Fl. 8 13 Razão, porém, não lhe assiste. Do ponto de vista do processo administrativo fiscal federal, dispõem os artigos 10º e 59, ambos do Decreto nº 70.235/72, que: “Artigo 10 O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula”. “Artigo 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa”. Não verifico, nesse caso concreto, qualquer nulidade formal nos lançamentos ocasionada pela inobservância do disposto no art. 10º acima, bem como não se faz presente nenhuma das nulidades previstas no art. 59. Os Autos de Infração foram emitidos com observância de seus requisitos essenciais, como prescreve o artigo 142 do Código Tributário Nacional abaixo transcrito. Artigo 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional”. Fl. 3020DF CARF MF 14 Tal como determinado nesse dispositivo legal, os lançamentos têm como motivação a glosa de custos deduzidos fiscalmente e escriturados com base na alegação de uso de notas fiscais inidôneas. Como se sabe, para que as despesas e custos sejam dedutíveis na apuração do lucro tributável, devem ser apresentados elementos convincentes da efetividade das operações a que se referem, constantes da escrituração contábil e fiscal da empresa. Nesses termos, a fiscalização entendeu que a Recorrente não teria cumprido seu ônus de comprovar as aquisições de insumos formalizadas nas referidas notas fiscais e daí não reconheceu o direito de dedução dos dispêndios, assim como a tomada de créditos de PIS e COFINS dali decorrentes. No exercício, então, de sua atividade plenamente vinculada, a fiscalização cumpriu seu dever de, após identificar esses fatos, exigir os tributos que deixaram de ser pagos pelo contribuinte. A descrição dos motivos de fato e de direito caracterizadores das infrações, ademais, está clara, explícita e congruente no TVF, permitindo o pleno conhecimento da lide e o julgamento do recurso voluntário, sem qualquer prejuízo a ampla defesa ou a busca pela verdade material. No tocante ao alegado erro de base de cálculo, que não teria deduzidos os tributos incidentes nas aquisições, nenhum reparo cabe ao cálculo da fiscalização, uma vez que as operações foram consideradas inexistentes, ou melhor, simuladas, o que afasta eventual direito a crédito de tributos. Além disso, não há provas de que houve recolhimento dos tributos ou seu não aproveitamento, o que torna o próprio pleito carente de liquidez e certeza. Especificamente quanto ao argumento de que, a prevalecer a tese fazendária, teriam ocorrido vendas às empresas inexistentes, a meu ver essa alegação deve ser enfrentada quando da análise do mérito, não implicando em nenhum vício no lançamento propriamente dito. A propósito, cumpre observar que eventuais vendas pela contribuinte não suprem a necessidade de provar as operações de compras que geraram a dedutibilidade na forma de custos, ainda que com identidade da outra parte da operação. Feitas essas considerações, afasto os vícios de nulidade apontados pelo contribuinte. Inconstitucionalidade Na defesa e no recurso voluntário, os Recorrentes invocam argumentos que implicam análise de constitucionalidade, especialmente o suposto caráter confiscatório das multas e violação de princípios constitucionais, mas não custa lembrar que esta análise é vedada no âmbito do CARF em face da Súmula n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 3021DF CARF MF Processo nº 16095.720050/201619 Acórdão n.º 1201002.768 S1C2T1 Fl. 9 15 Mérito A controvérsia gira em torno da legitimidade ou não de operações de aquisição de insumos escrituradas e deduzidas como custo pela Recorrente, proveniente de 4 (quatro) empresas: NOSSA LAMINACAO COMERCIO IMP E EXPORTACAO LTDA., ELETROCELL COMERCIAL E ARREMATADORA LTDA ME, G & R COMERCIO DE MATERIAIS ELÉTRICOS LTDA. e AGL COMERCIO DE CONDUTORES ELETRICOS LTDA.. É importante notar, nessa introdução, que embora o termo fiscal mencione 11 (onze) diferentes fornecedoras, o anocalendário ora autuado diz respeito a apenas 4 (quatro) listadas acima. E de acordo com o TVF, a glosa ora em exame deriva da falta de comprovação de compras de mercadorias computadas nos custos (insumos), tendo em vista que a empresa não logrou indicar nem a forma como se teria dado o correspondente pagamento, nem as circunstâncias em que teriam ocorrido tais aquisições. Mais precisamente, a fiscalização se valeu de 4 (quatro) indícios para formar sua convicção de que as operações seriam fraudulentas ou simuladas: (i) ausência de comprovação da totalidade dos pagamentos; (ii) ausência de apresentação de pedidos de compras e dados dos responsáveis do fornecedor e transporte; (iii) pesquisa no CADESP que atestaria a inidoneidade das empresas fornecedoras; e (iv) resultado de diligência no endereço de cada empresa, o qual teria ratificado a inexistência de fato dos estabelecimentos comerciais. Em relação às empresas Nossa Laminação e Eletrocel, o fisco ainda colocou em evidência o fato de que os veículos informados nos registros não teriam capacidade para o transporte. Para todas as operações, a Recorrente, além de questionar pontualmente os resultados da diligência e de fazer ponderações específicas que serão analisadas a seguir, comprova (fls. 2.175/2.178) que as 4 (quatro) empresas referidas foram declaradas inaptas apenas em momento posterior aos fatos geradores objeto das presentes cobranças, o que prejudicaria todo o trabalho fiscal, na linha do seguinte precedente do STJ, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE ICMS. APROVEITAMENTO (PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE). NOTAS FISCAIS POSTERIORMENTE DECLARADAS INIDÔNEAS. ADQUIRENTE DE BOAFÉ. 1. O comerciante de boafé que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) posteriormente seja declarada inidônea, pode engendrar o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da nãocumulatividade, uma vez demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada, Fl. 3022DF CARF MF 16 porquanto o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação (...) 2. A responsabilidade do adquirente de boafé reside na exigência, no momento da celebração do negócio jurídico, da documentação pertinente à assunção da regularidade do alienante, cuja verificação de idoneidade incumbe ao Fisco, razão pela qual não incide, à espécie, o artigo 136. , segundo o qual "salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato" (norma aplicável, in casu, ao alienante). (...) 4. A boafé do adquirente em relação às notas fiscais declaradas inidôneas após a celebração do negócio jurídico (o qual fora efetivamente realizado), uma vez caracterizada, legitima o aproveitamento dos créditos de ICMS. (...)” (STJ. REsp n. 1.148.444. Data de publicação: 27/04/2010) Como se percebe, o STJ, em decisão que vincula o CARF, estabeleceu que deve ser resguardada a boafé do adquirente cujos fornecedores foram declarados inidôneos desde que a declaração de inidoneidade seja posterior às operações e desde que seja comprovada a efetiva ocorrência da operação por meio dos respectivos pagamentos. Pois bem. Nesse caso concreto, ainda que as empresas NOSSA LAMINAÇÃO COMERCIO IMP. E EXPORTACAO LTDA. e ELETROCELL COMERCIAL E ARREMATADORA LTDA ME tenham sido declaradas inidôneas posteriormente aos fatos, a Recorrente não logrou êxito em comprovar os pagamentos, ao passo que a fiscalização conseguiu reunir indícios que, somados, levam a convicção de que de fato as empresas seriam inexistentes e, conseqüentemente, as notas fiscais simulariam as operações de compras, sendo correta a glosa. Relativamente à empresa G&R COMERCIO DE MATERIAIS ELÉTRICOS LTDA. (cuja razão social passou a ser BUGRE COMERCIO DE MATERIAIS ELETRICOS LTDA.), também entendo que o conjunto probatório leva a conclusão favorável à glosa, afinal também não houve qualquer comprovação de pagamentos. Nesse ponto, concordo com a DRJ quando afirma que mesmo que comprador e vendedor se confundissem, isto não elidiria a necessidade de fazer prova robusta da efetividade de pagamentos ou, no mínimo, de eventuais encontros de contas com coincidência de valores e justificativas de datas. O argumento de encontro de contas ou compensação de valores, nesta situação, realmente até mesmo revelase inconsistente, tendo em vista que, para que isso fosse verdade, seria necessário que o valor das sucatas vendidas fosse rigorosamente igual aos dos respectivos insumos, o que não restou demonstrado. Finalmente, no caso do fornecedor AGL COMÉRCIO DE CONDUTORES ELÉTRICOS LTDA., a Recorrente juntou contrato de parceria comercial (fls. 2.335/2.339), comprovantes de pagamentos parciais (2.352/2.397), notas fiscais de vendas de sucatas (fls. 2.187/2.248 e 2.340) para esta empresa devidamente escrituradas (fls. 2.397/2.471) e cópia de decisão proferida pelo Tribunal de Impostos e Taxas de São Paulo (TITSP) que reputou Fl. 3023DF CARF MF Processo nº 16095.720050/201619 Acórdão n.º 1201002.768 S1C2T1 Fl. 10 17 válidas as operações firmadas entre a AGL e a Recorrente no período de junho de 2010 a dezembro de 2011 (fls. 2.250/2.255). Outro fato que chama atenção é que a AGL possuiria filial (cf. extrato de fl. 2.180) que não foi contemplada na investigação pelo auditor fiscal responsável, bem como que a própria diligência (vide item 15.7 do TVF) atesta que os sócios dessa empresa, ao contráriosa das demais, foram localizados, responderam intimações e informaram que a empresa teria desocupado o local de sua sede apenas no início de 2014. Nesse contexto, e sopesando as provas apresentadas pela Recorrente (inclusive a petição juntada em momento posterior ao voluntário) com os indícios colhidos pelo fisco, entendo que, em relação à AGL, a Recorrente comprovou sua boa fé na aquisição dos insumos, devendo a glosa ser afastada. Multa qualificada Restou demonstrado que a Recorrente registrou como custo operações simuladas de aquisições de insumos, bem como, mesmo intimada, não apresentou maiores detalhes do contato e responsáveis dos fornecedores e do transporte. O que se tem no caso, pois, é a formalização de operações inexistentes, ou melhor, simuladas, deduzidas como custo sem amparo jurídico, o que a meu ver constitui ação dolosa tendente a reduzir os tributos federais devidos, razão pela qual considero correta a qualificação da multa, na linha do artigo 44, §1º, da Lei nº 9.430/96, combinado com o artigo 71, I, da Lei n. nº 4.502/1964, verbis: Artigo 71 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; Responsabilidade solidária A qualificação da responsabilidade solidária dos sócios administradores, Srs. CARLOS ALBERTO CORDEIRO e MARIA ISABEL DE MELO CORDEIRO ocorreram com base no artigo 135, III, do CTN. O silogismo empregado pela autoridade autuante foi o seguinte: como referidas pessoas físicas detinham, no período autuado, poderes de administração e representação da Recorrente, e considerando que elas, mesmo intimadas, não atenderam ou indicaram quem teria "fechado" os negócios com as empresas inidôneas, elas possuiriam responsabilidade pessoal por tais atos empresariais. Nesse caso específico, notadamente em face da omissão na resposta à fiscalização, entendo que a autoridade fiscal agiu corretamente na sujeição passiva por Fl. 3024DF CARF MF 18 solidariedade em face da infração apontada, devendo a decisão da DRJ ser mantida nesse ponto. Conclusão Pelo exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO aos RECURSOS VOLUNTÁRIOS, para afastar a glosa das operações praticadas com a empresa AGL Comércio de Condutores Elétricos Ltda.. É como voto. (assinado digitalmente) Luis Henrique Marotti Toselli Fl. 3025DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.915896/2013-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
INSUMOS. CONCEITO ESTABELECIDO PELO RESP 1.221.170/PR
À luz decisão do STJ, sob a sistemática dos recursos repetitivos, que deve ser adotada por este colegiado (§ 2° do art. 62 do Anexo II do RICARF), em razão de sua essencialidade, devem ser considerados como insumos, para fins de creditamento de COFINS, os materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento das águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte.
Numero da decisão: 3301-005.759
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Liziane Angelotti Meira, que manteve as glosas de material de embalagem para transporte.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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CONCEITO ESTABELECIDO PELO RESP 1.221.170/PR À luz decisão do STJ, sob a sistemática dos recursos repetitivos, que deve ser adotada por este colegiado (§ 2° do art. 62 do Anexo II do RICARF), em razão de sua essencialidade, devem ser considerados como insumos, para fins de creditamento de COFINS, os materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento das águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira Liziane Angelotti Meira, que manteve as glosas de material de embalagem para transporte. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 58 96 /2 01 3- 41 Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10880.915896/201341 Acórdão n.º 3301005.759 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de compensação de contribuição não cumulativa, que não restou integralmente homologada em razão do indeferimento parcial do crédito que originava tal pedido, nos termos da informação fiscal que instrui os autos. Cientificado desta decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade tempestiva, alegando, em síntese, que: • Preliminarmente, solicitase a reunião dos 54 processos administrativos, decorrentes dos 54 despachos decisórios proferidos, em apenas dois, um relativo ao PIS, e outro à Cofins, em razão dos princípios da economia processual, da razoabilidade e da eficiência, assegurados no art. 37 da Constituição, considerando que a questão controvertida é a mesma em todos os casos; • Ainda em sede preliminar, alegase a impossibilidade de se exigir crédito tributário com base apenas no despacho decisório, o que leva à nulidade da exigência formulada, uma vez que somente poderia ser feita por meio de lançamento, nos termos dos arts. 142 do CTN, 9º do Decreto nº 70.235/72, 38 do Decreto nº 7.574/2011; • A autoridade administrativa não pode cobrar débitos sem que tenham sido constituídos por meio do lançamento. Caso a cobrança seja feita de forma diversa e não prevista em lei, será improcedente, devendo ser cancelada; • Nesse sentido, citase jurisprudência do CARF e do STJ; • Assim, resta evidente a necessidade de se anular o despacho decisório, visto que este não é via competente para se fazer cobrança; • O texto das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 não define o conceito de insumo, nem estabelece quais seriam os bens e serviços passíveis de creditamento; • A autoridade fiscal diverge do entendimento firmado pela doutrina e pela jurisprudência administrativa sobre tal conceito, considerando o disposto nas IN nºs 247/2002 e 404/2004, que interpretaram tal conceito de forma restritiva, tomando por base o conceito de insumo estabelecido na legislação do ICMS e do IPI; • No entanto, tal conceito deve ser analisado de forma ampla, contemplando a totalidade dos dispêndios essenciais para o processo produtivo da empresa, do qual resulta seu faturamento, pois as citadas Leis não apresentam qualquer ressalva quanto ao conceito de insumo, seja em relação à natureza dos bens e serviços adquiridos, seja no que se refere à sua aplicação, direta ou indiretamente, no processo produtivo; • Citase doutrina acerca de tal questão; Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10880.915896/201341 Acórdão n.º 3301005.759 S3C3T1 Fl. 4 3 • O conceito de insumo deve estar atrelado a tudo que colabora de forma imprescindível à formação de receita, incorporando todas as despesas que sejam essenciais para a atividade comercial e geração de receitas da sociedade; • Assim, a definição do termo “insumo” nas referidas IN não encontra amparo nas Leis citadas, pois restringe o direito ao desconto de créditos de forma arbitrária e sem fundamento, desvirtuandose do princípio da estrita legalidade previsto no art. 150I da Constituição e no art. 97 do CTN, bem como da própria sistemática não cumulativa do PIS e da Cofins, prevista no art. 195, § 12, da Constituição; • As IN expedidas pela RFB são normas secundárias, cuja finalidade exclusiva é esclarecer as disposições contidas em lei, não lhes cabendo inová las ou contrariálas; • O conceito de “insumo” para fins de PIS e Cofins deve ser assemelhado aos conceitos de “custo de produção” e “despesas necessárias”, previstos nos arts. 290I e 299 do RIR, mais amplos que aqueles contidos nas IN citadas; • Ao contrário do ICMS e do IPI, o PIS e a Cofins não dependem de operações específicas para que ocorra seu fato gerador. Ao contrário, dependem apenas da geração de receita/faturamento; • A requerente entende que não apenas o bem ou serviço consumido por sua aplicação direta ao produto final deve ser considerado insumo, mas também os bens ou serviços indispensáveis ao processo produtivo e à geração de receita; • Citase jurisprudência do CARF e da CSRF; • Especificamente em relação às glosas efetuadas, em razão do ramo de atividade exercido pela requerente, é nítida a essencialidade de gastos com materiais de limpeza utilizados na higienização e sanitização de equipamentos e máquinas, assim como os produtos adquiridos com o fim de dispensar tratamento às águas residuais do processo produtivo e os reagentes químicos adquiridos com o fim de realizar análise da qualidade do leite; • Tais gastos são empregados diretamente no processo produtivo, seja para garantir a não contaminação do leite, seja para permitir sua conservação, caracterizandose como insumos por sua essencialidade; • Além disso, tais despesas não são mera liberalidade da requerente, mas exigidas pelos órgãos governamentais para a industrialização e comercialização do leite, ou seja, são imprescindíveis à atividade da empresa. Nesse sentido, citase a Portaria nº 370/1997 e a IN nº 62/2011, do Ministério da Agricultura, órgão responsável pelo controle da industrialização e pelo comércio do leite, além da Portaria nº 177/1999, da Secretaria de Vigilância Sanitária; • Citase decisão do STJ, relativa à aquisição de materiais de limpeza aplicados ao ambiente produtivo, e jurisprudência do CARF; Fl. 350DF CARF MF Processo nº 10880.915896/201341 Acórdão n.º 3301005.759 S3C3T1 Fl. 5 4 • Quanto aos materiais de embalagem, a autoridade fiscal incorreu em erro ao efetuar a glosa, uma vez que fazem parte do processo de produção da requerente, tanto a embalagem que envolve o leite, com conteúdo de 1 litro, como também a caixa que acondiciona as doze embalagens e o plástico que as circunda; • Conforme comprovam as fotos da linha de produção da requerente, a máquina responsável pelo acondicionamento do leite inicia a produção inserindo o leite na embalagem de 1 litro e, dentro da mesma máquina, essas embalagens são lacradas e acondicionadas na caixa contendo material mais resistente, voltada para a segurança do produto; • Após, a mesma máquina envolve a caixa com o plástico, para garantir que não haja dano, contaminação ou sujeira nas embalagens durante o transporte; • Assim, a caixa contendo 12 embalagens e o plástico que a envolve não são utilizados pela requerente apenas por opção e conveniência de transporte, mas para segurança do produto. A embalagem individual necessita de uma embalagem de acondicionamento, sob o risco de estourar ou apresentar vazamentos. Logo, tais materiais fazem parte do processo produtivo e integram o produto; • Tal questão já foi objeto de julgamento no STJ e no CARF, conforme decisões transcritas; • Sem a utilização de tais itens seria impossível o transporte e a comercialização do leite, não se tratando de excesso ou de algo desnecessário, não essencial, supérfluo, nem ocasional, mas de embalagem fundamental para a atividade fim da sociedade; • Sobre a glosa das despesas com soro de leite, a requerente esclarece que não tomou crédito sobre tais despesas no período objeto do despacho decisório – 1º tri/2006; • Considerando as alegações trazidas, a empresa requer a realização de diligência, para que, por meio de perícia técnica, seja demonstrada a essencialidade das despesas objeto das glosas, trazendo os quesitos que pretende ver respondidos e indicando seu assistente técnico; • Além disso, a falta de homologação das compensações por parte da autoridade fiscal não pode ensejar a cobrança de multa e juros moratórios, em razão da suspensão da exigibilidade dos créditos tributários; • Para a exigência de tais acréscimos, é condição necessária que o contribuinte encontrese em atraso com o pagamento de crédito tributário, o que não se verifica no presente caso. A requerente só estaria em mora caso houvesse transcorrido 30 dias, contados da data em que teve ciência da decisão que homologou parcialmente seus pedidos de compensação, conforme ordem de intimação a ela encaminhada; • Tal prazo não transcorreu. Pretender tal exigência antes do referido prazo é ato ilegal. Além disso, a presente manifestação suspende a Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10880.915896/201341 Acórdão n.º 3301005.759 S3C3T1 Fl. 6 5 exigibilidade do crédito. Mesmo depois de findo tal prazo, nenhum valor a título de multa e juros de mora poderá ser exigido enquanto o processo administrativo encontrarse me curso; • A compensação realizada é legal e válida, e implicou quitação do valor compensado, supostamente devido pela requerente. Assim, não há acréscimos a serem cobrados; • Por fim, ainda que algum valor fosse devido a este título, tendo em vista que a requerente, ao proceder à compensação, observou todas as normas e atos administrativos expedidos pela autoridade fiscal, de acordo com o art. 100, parágrafo único, do CTN, deve ser excluída da base de cálculo do tributo “a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário”. O colegiado a quo julgou improcedente esta manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 12080.270 Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual repete os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.757, de 27 de fevereiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.915900/201371, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301005.757): "O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de indeferimento parcial de créditos de COFINS e consequente homologação de compensações até o limite do crédito admitido (Despacho Decisório, fl. 90). O Fisco revisou Pedidos de Ressarcimento (PER) e glosou créditos calculados sobre compras de materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento às águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite, materiais de embalagem para transporte e soro de leite. Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10880.915896/201341 Acórdão n.º 3301005.759 S3C3T1 Fl. 7 6 Antes de adentrar nas preliminares e mérito, consigno que a recorrente pleiteou a reunião de 54 processos administrativos, cujas discussões são idênticas ao presente, quais sejam, legitimidade de créditos de COFINS ou PIS, objetos de, aos quais foram vinculados Pedidos de Compensação (DCOMP). O presente processo será julgado sob a sistemática dos "recursos repetitivos", com reunião para julgamento em conjunto de todos os processos conexos que se encontram no CARF. Passemos então à análise dos argumentos de defesa. PRELIMINAR "Nulidade da exigência fiscal vício formal" Alegou que o Despacho Decisório (fl. 90) é nulo, por conter vício formal, pois não pode ser utilizado para exigir créditos tributários decorrentes da instauração de mandado de procedimento fiscal. Apresenta como fundamento o art. 142 do CTN, o art. 9° do Decreto n° 70.235/72, decisões do CARF (Acórdãos n° 20401.613, de 21.8.2006; 10514.097, de 13.5.2003; e 10704.172, de 15.5.1997) e do STJ (Embargos de Divergência do Recurso Especial nº 576.661/RS). Em sua opinião, assim deveria ter procedido a fiscalização (recurso voluntário, fl. 266): "(. . .) 31. Com efeito, uma vez apresentado o pedido de compensação pelo contribuinte, cabe à D. Autoridade Fiscal analisar a procedência do crédito e, posteriormente, homologar ou não a compensação. Caso não seja homologada, deverá ser realizado de ofício o lançamento do débito apurado, mediante a lavratura de Auto de Infração ou Notificação de Lançamento, sob pena de nulidade do ato. 32. Sendo assim, resta claro que há necessidade de reforma do V. Acórdão recorrido, com o reconhecimento da nulidade formal da exigência fiscal formulada, uma vez que o r. despacho decisório não é a via competente para se fazer uma cobrança decorrente de Mandado de Procedimento Fiscal, e tal fato contraria expressamente o disposto no artigo 142, caput e parágrafo único do CTN, além dos artigos 9º do Decreto nº 70.235/72 e 38 do Decreto nº 7.574/2011. (. . .)" Divirjo da recorrente. Não houve lançamentos de ofício, porém cobrança de tributos já lançados, que restaram em aberto, em decorrência da não homologação da compensação. Adoto como fundamento, o Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10880.915896/201341 Acórdão n.º 3301005.759 S3C3T1 Fl. 8 7 seguinte trecho da decisão de piso, com fulcro no § 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/99: "(. . .) DA NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO Ainda em sede preliminar, o contribuinte alega a impossibilidade de se exigir crédito tributário com base no despacho decisório, pretendendo a nulidade da exigência formulada, uma vez que somente poderia ser feita por meio de lançamento, nos termos dos artigos 142 do CTN, 9º do Decreto nº 70.235/72 e 38 do Decreto nº 7.574/2011. O contribuinte informou no PER/DCOMP nº 24770.42497.080808.1.3.11 8497 a compensação do direito creditório ora em análise com débito de IRPJ, relativo ao PA mar/2008. Em conseqüência do reconhecimento parcial do direito pleiteado, restou um saldo não compensado deste débito, no valor original de R$ 41.256,22, objeto de cobrança no próprio despacho decisório. A utilização de direito de crédito para fins de compensação com débitos administrados pela RFB encontrase prevista e disciplinada pela Lei nº 9.430/96, conforme dispositivos abaixo transcritos: 'Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (...) § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. § 7o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10880.915896/201341 Acórdão n.º 3301005.759 S3C3T1 Fl. 9 8 § 8o Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7o, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9o. § 9o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7o, apresentar manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação. § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (...)'(Grifouse) Desta forma, não procede a alegação do contribuinte, uma vez que a própria Lei que instituiu a compensação nos moldes em que é realizada atualmente equiparou a Declaração de Compensação a instrumento hábil e suficiente para exigência dos débitos nela declarados, não havendo, portanto, necessidade de se realizar o lançamento para viabilizar a cobrança de tais valores, na hipótese de a compensação não ser homologada, ou ser homologada parcialmente, como ocorreu no presente caso. Na hipótese de não pagamento dos débitos, a Lei prevê, inclusive, sua inscrição em Dívida Ativa da União. Portanto, apresentado o PER/DCOMP pelo contribuinte, os créditos tributários nele confessados e compensados já estão aptos a serem exigidos, na eventual hipótese de não homologação da compensação, ou de sua homologação parcial, independentemente de qualquer ato de ofício da autoridade fiscal relativo à sua constituição, constituindo se a própria Declaração de Compensação em título de cobrança administrativa e execução judicial, por expressa autorização legal. (. . .)" Com base no acima exposto, nego provimento à preliminar de nulidade. MÉRITO A fiscalização glosou créditos calculados sobre compras de materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento às águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10880.915896/201341 Acórdão n.º 3301005.759 S3C3T1 Fl. 10 9 análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte. Os produtos não se enquadrariam no conceito de insumos, previsto nas IN SRF n° 247/02 e 400/04, que disciplinaram os artigos 3° das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03. Em sede do REsp n° 1.221.170/PR, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, a cuja decisão este colegiado está vinculado (§ 2° do art. 62 do RICARF), o STJ considerou ilegal o conceito de insumos previsto nas IN SRF 247/02 e 400/04 e dispôs que o enquadramento ou não no conceito de insumos deve levar em conta "(. . .) essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte." Reproduzo a ementa da decisão: "EMENTA TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e Fl. 356DF CARF MF Processo nº 10880.915896/201341 Acórdão n.º 3301005.759 S3C3T1 Fl. 11 10 lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individualEPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, prosseguindo no julgamento, por maioria, após o realinhamento feito, conhecer parcialmente do Recurso Especial e, nessa parte, darlhe parcial provimento, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator, que lavrará o ACÓRDÃO. Votaram vencidos os Srs. Ministros Og Fernandes, Benedito Gonçalves e Sérgio Kukina. O Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, Assusete Magalhães (voto vista), Regina Helena Costa e Gurgel de Faria (que se declarou habilitado a votar) votaram com o Sr. Ministro Relator. Não participou do julgamento o Sr. Ministro Francisco Falcão. Brasília/DF, 22 de fevereiro de 2018 (Data do Julgamento). NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO MINISTRO RELATOR" (g.n.) A meu ver, a decisão do STJ está essencialmente em linha com a maior parte das decisões sobre o tema que vêm sendo proferidas pelo CARF e, em particular, com os posicionamentos que este relator tem adotado. Em razão da decisão do STJ, em 18/12/18, a RFB publicou o PN COSIT n° 5/18, em que traz um novo conceito de insumos a ser aplicado no âmbito da RFB e ainda analisa a situação de alguns tipos de bens e serviços à luz do REsp n° 1.221.170/PR. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 10880.915896/201341 Acórdão n.º 3301005.759 S3C3T1 Fl. 12 11 Extraio os trechos da conclusão do PN COSIT n° 5/18 que demonstram de forma patente a mudança no conceito antes aplicado pela RFB: "(. . .) b) permitese o creditamento para insumos do processo de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços, e não apenas insumos do próprio produto ou serviço comercializados pela pessoa jurídica; c) o processo de produção de bens encerrase, em geral, com a finalização das etapas produtivas do bem e o processo de prestação de serviços geralmente se encerra com a finalização da prestação ao cliente, excluindose do conceito de insumos itens utilizados posteriormente à finalização dos referidos processos, salvo exceções justificadas (como ocorre, por exemplo, com os itens que a legislação específica exige aplicação pela pessoa jurídica para que o bem produzido ou o serviço prestado possam ser comercializados, os quais são considerados insumos ainda que aplicados sobre produto acabado); (. . .) e) a subsunção do item ao conceito de insumos independe de contato físico, desgaste ou alteração química do bem insumo em função de ação diretamente exercida sobre o produto em elaboração ou durante a prestação de serviço; (. . .) h) havendo insumos em todo o processo de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços, permitese a apuração de créditos das contribuições em relação a insumos necessários à produção de um bem insumo utilizado na produção de bem destinado à venda ou na prestação de serviço a terceiros (insumo do insumo); i) não são considerados insumos os itens destinados a viabilizar a atividade da mão de obra empregada pela pessoa jurídica em qualquer de suas áreas, inclusive em seu processo de produção de bens ou de prestação de serviços, tais como alimentação, vestimenta, transporte, educação, saúde, seguro de vida, etc., ressalvadas as hipóteses em que a utilização do item é especificamente exigida pela legislação para viabilizar a atividade de produção de bens ou de prestação de serviços por parte da mão de obra empregada nessas atividades, como no caso dos equipamentos de proteção individual (EPI); (. . .)" Consignado o conceito de insumos, transcrevo excertos da "Informação Fiscal" (fls. 67 a 84) que instruiu o Despacho Fl. 358DF CARF MF Processo nº 10880.915896/201341 Acórdão n.º 3301005.759 S3C3T1 Fl. 13 12 Decisório (fl. 90), em que o agente fiscal dispõe sobre os tipos de produtos cujos créditos foram glosados: "(. . .) DOS BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS PRODUTOS QUÍMICOS UTILIZADOS EM OPERAÇÕES ACESSÓRIAS AO PROCESSO PRODUTIVO (. . .) 51. Tendo em vista que a interessada tem como objeto a produção e venda de derivados de leite e laticínios em geral, os materiais de limpeza utilizados na higienização e sanitização de equipamentos e máquinas são, no âmbito da produção executada pela interessada, insumos indiretos de produção e, como não estão literalmente dispostos na legislação pertinente, não geram direito a crédito, tanto no cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep quanto no da Cofins, nos termos do art. 3º, inciso II, respectivamente das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. 52. O mesmo pode se dizer a respeito dos produtos adquiridos com o fim de dispensar tratamento às águas residuais do processo produtivo e os reagentes químicos adquiridos com o fim de realizar análise da qualidade, que não têm vínculo intrínseco com a produção e são, na verdade, necessários a operações paralelas que dão suporte ao processo produtivo. (. . .) DOS MATERIAIS DE EMBALAGEM (. . .) 62. No caso em tela, como já consignado, o sujeito passivo atua no ramo de laticínios e tem como principal atividade a produção e venda de leite industrializado. 63. Encontramos em suas planilhas descritivas de créditos aquisições de papelão cortado em forma própria, moldados para a montagem de caixotes; e bobinas de filme plástico classificados nos códigos NCM 39.20.10.99, 3920.10, 3920.10.10, 3920.10.90, 3920.10.99, 3921.19, 48.19.10.01, 4819.00, 4819.10, 4819.10.01, 4819.50 e 4823.90.99. 64. Uma parte do filme plástico é utilizada pelo sujeito passivo para envolver o conjunto de caixotes contendo 12 caixas de 1 litro de leite transportados em pallets. Vale dizer que esse plástico sequer chega ao consumidor final, sendo descartado pelos varejistas assim que o Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10880.915896/201341 Acórdão n.º 3301005.759 S3C3T1 Fl. 14 13 produto é integrado ao estoque, enquadrandose, portanto, no conceito de “embalagem para transporte”. 65.Já o papelão moldado e a outra parte do filme plástico são utilizados para a confeccionar e envolver os caixotes para o transporte de 12 caixas de leite do tipo “Tetrapak” contendo 1 litro cada envoltas em filme plástico. 66. Vale lembrar que o leite é vendido ao consumidor no varejo individualmente por cada caixa de 1 litro. Os caixotes de papelão, embora encontrados na venda a varejo, ali estão por liberalidade do vendedor, não sendo praticada a compra do caixote contendo 12 litros de leite e sim a compra individual de 12 caixas de 1 litro de leite, de modo que o caixote é levado por conveniência das partes com o objetivo de facilitar o transporte. 67. Fica claro que os caixotes de papelão e o filme plástico que os envolve enquadramse na definição de “embalagem para transporte” e, assim, não ensejam apuração de créditos das contribuições. 68. Desta forma, o papelão moldado, utilizado na confecção de caixotes, e o filme plástico, utilizados para envolver individualmente ou em conjunto os referidos caixotes para transporte em pallets, foram glosados pela Fiscalização. (. . .)" (g.n.) Meu voto é no sentido de acatar todos os créditos em discussão, quais sejam, os calculados sobre compras de materiais de limpeza e desinfecção das máquinas e equipamentos industriais, produtos para tratamento às águas residuais do processo produtivo, reagentes químicos para análise da qualidade do leite e materiais de embalagem para transporte. Entendo que são elementos essenciais para a conclusão satisfatória do processo produtivo, bem como para garantir que os produtos (alimentícios) sejam oferecidos aos clientes em perfeitas condições. Não se admite que uma empresa do ramo alimentício não empregue os devidos esforços para manter em perfeito estado de limpeza e conservação as máquinas que preparam alimentos para consumo humano. E este rigor deve ser ainda maior, quando se trata de verificar se os produtos estão aptos para o consumo, por meio de testes de qualidade. Em sua defesa, a recorrente menciona a Portaria do Ministério da Agricultura e do Abastecimento n° 370/1997, que exige que o industrial aplique testes para certificarse de que o leite atende aos padrões legais exigidos. Fl. 360DF CARF MF Processo nº 10880.915896/201341 Acórdão n.º 3301005.759 S3C3T1 Fl. 15 14 Com relação às embalagem, conforme descrição contida na "Informação Fiscal", acima transcrita, tratase de filme plástico e caixa de papelão. Consta da peça recursal que se destinam à proteção das caixas "Tetrapak", onde é acondicionado o leite. O processo de produção somente pode ser tido como concluído, após a obtenção do produto final, no formato em que será transportado para o consumo. E todos os elementos que são adicionados ao produto têm sua função, posto que nenhum empresário deseja onerar desnecessariamente o custo de seu produto, em prejuízo de sua margem de lucro ou mesmo que o obrigasse a aumentar o preço, reduzindo sua competitividade no mercado. O filme plástico e a caixa de papelão são imprescindíveis à manutenção da integridade do leite, produto para consumo humano. Passa, sem sombra de dúvida, por qualquer teste que adote o critério de "essencialidade ou relevância" estabelecido pela citada decisão do STJ. E, por fim, não se poderia admitir que bem os resíduos industriais fossem dispensados, sem o devido tratamento, posto que colocariam em risco o meio ambiente, o que ao certo colidiria com a legislação aplicável. Assim, reputo que estão compreendidos no conceito de insumos e podem ser computados nas bases de cálculo dos créditos de COFINS. Não obstante, cumpre destacar que, exceto quanto os créditos sobre material de embalagem para transporte, os demais foram expressamente citados pelo PN COSIT n° 5/18 como produtos que devem ser tidos como insumos, à luz da decisão do STJ, como segue (trechos do PN COSIT n° 5/18): "(. . .) 53.São exemplos de itens utilizados no processo de produção de bens ou de prestação de serviços pela pessoa jurídica por exigência da legislação que podem ser considerados insumos para fins de creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) no caso de indústrias, os testes de qualidade de produtos produzidos exigidos pela legislação4; b) tratamento de efluentes do processo produtivo exigido pela legislação c) no caso de produtores rurais, as vacinas aplicadas em seus rebanhos exigidas pela legislação, etc. (. . .) 98. Como relatado, na presente decisão da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, os Ministros consideraram elegíveis ao conceito de insumos os “materiais de limpeza” descritos pela recorrente como “gastos gerais de fabricação” de produtos alimentícios. Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10880.915896/201341 Acórdão n.º 3301005.759 S3C3T1 Fl. 16 15 99. Aliás, também no REsp 1246317 / MG, DJe de 29/06/2015, sob relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, foram considerados insumos geradores de créditos das contribuições em tela “os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios”. 100. Malgrado os julgamentos citados refiramse apenas a pessoas jurídicas dedicadas à industrialização de alimentos (ramo no qual a higiene sobressai em importância), parece bastante razoável entender que os materiais e serviços de limpeza, desinfecção e dedetização de ativos utilizados pela pessoa jurídica na produção de bens ou na prestação de serviços podem ser considerados insumos geradores de créditos das contribuições. 101. Isso porque, à semelhança dos materiais e serviços de manutenção de ativos, tratase de itens destinados a viabilizar o funcionamento ordinário dos ativos produtivos (paralelismo de funções com os combustíveis, que são expressamente considerados insumos pela legislação) e bem assim porque em algumas atividades sua falta implica substancial perda de qualidade do produto ou serviço disponibilizado, como na produção de alimentos, nos serviços de saúde, etc. (. . .) 150.De outra banda, a análise é mais complexa acerca dos testes de qualidade aplicados sobre produtos que já finalizaram sua montagem industrial ou sua produção (produtos acabados). Conquanto tais testes sejam realizados em momento bastante avançado do processo de produção, é inexorável considerálos essenciais ao este processo, na medida em que sua exclusão priva o processo de atributos de qualidade. 151.Assim, são considerados insumos do processo produtivo os testes de qualidade aplicados anteriormente à comercialização sobre produtos que já finalizaram sua montagem industrial ou sua produção, independentemente de os testes serem amostrais ou populacionais. 152.Por fim, salientase que os testes de qualidade versados nesta seção são aqueles aplicados por escolha da pessoa jurídica, vez que os testes de qualidade aplicados por exigência da legislação estão versados na seção BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS POR IMPOSIÇÃO LEGAL. (. . .)" (g.n.) Por outro lado, apesar de propor que sejam acatados os créditos correlatos, também consigno que a RFB manteve o Fl. 362DF CARF MF Processo nº 10880.915896/201341 Acórdão n.º 3301005.759 S3C3T1 Fl. 17 16 entendimento de que material de embalagem para transporte não gera créditos: "(. . .) 56. Destarte, exemplificativamente não podem ser considerados insumos gastos com transporte (frete) de produtos acabados (mercadorias) de produção própria entre estabelecimentos da pessoa jurídica, para centros de distribuição ou para entrega direta ao adquirente6, como: a) combustíveis utilizados em frota própria de veículos; b) embalagens para transporte de mercadorias acabadas; c) contratação de transportadoras. (. . .)" Isto posto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 363DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.003819/2006-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. AUXÍLIO MORADIA.
São tributáveis as verbas recebidas mensalmente, em percentual fixo do subsídio, por magistrado aposentado, como auxílio moradia, sem que exista qualquer controle sobre os gastos efetuados.
Numero da decisão: 2301-005.944
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Antônio Sávio Nastureles - Presidente em exercício.
assinado digitalmente.
Juliana Marteli Fais Feriato - Relatora.
assinado digitalmente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Antônio Savio Nastureles (Presidente), Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni, suplentes convocados aos conselheiros João Maurício Vital e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: JULIANA MARTELI FAIS FERIATO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Antônio Sávio Nastureles - Presidente em exercício. assinado digitalmente. Juliana Marteli Fais Feriato - Relatora. assinado digitalmente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Antônio Savio Nastureles (Presidente), Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni, suplentes convocados aos conselheiros João Maurício Vital e Alexandre Evaristo Pinto.
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RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. AUXÍLIO MORADIA. São tributáveis as verbas recebidas mensalmente, em percentual fixo do subsídio, por magistrado aposentado, como auxílio moradia, sem que exista qualquer controle sobre os gastos efetuados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Antônio Sávio Nastureles Presidente em exercício. assinado digitalmente. Juliana Marteli Fais Feriato Relatora. assinado digitalmente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Antônio Savio Nastureles (Presidente), Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni, suplentes convocados aos conselheiros João Maurício Vital e Alexandre Evaristo Pinto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 38 19 /2 00 6- 85 Fl. 70DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso voluntário juntado nas fls. 62/66contra a decisão da DRJ (fls. 50/57), proferida pela 4ª Turma da DRJ/CGE, em 09 de julho de 2008, Acórdão 04 14.462, cuja Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005. IRPF. AUXÍLIOMORADIA. NATUREZA TRIBUTÁRIA Os valores recebidos a título de auxíliomoradia, desprovidos de comprovação da sua destinação ou de prestação de contas, configuram acréscimo patrimonial da pessoa física e sujeitamse a incidência do imposto sobre a renda. PREVIDÊNCIA PRIVADA A dedução relativa às contribuições para entidades de previdência privada, somadas às contribuições para o Fundo de Aposentadoria Programada Individual (Fapi), destinadas a custear benefícios complementares, assemelhados aos da previdência oficial, cujo ônus tenha sido do participante, em beneficio deste ou de seu dependente, fica limitada a 12% do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto de renda devido na declaração. Lançamento Procedente em Parte Segundo o Auto de Infração (fl. 5/10), a solicitação de retificação de lançamento formulado pelo Contribuinte referente ao exercício de 2005, ano calendário de 2004, solicitando a restituição do IRPF retido e pago indevidamente pelo TJMT, no valor de R$12.514,59 foi indeferida, sendo lançado crédito tributário no valor de R$2.936,81 de IRPF suplementar, multa de ofício e juros de mora. O pedido se retificação se baseou nos valores recebidos pelo Contribuinte à título de auxílio moradia, que tem por objetivo compensar o magistrado na hipótese de não existir na Comarca residência oficial a ele destinada. O direito ao uso da residência oficial é reservado ao servidor da ativa. Portanto, ainda que sejam pagos ao servidor aposentado os rendimentos sob esse título, não podem ser considerados isentos. Alega o Contribuinte em sua impugnação (fl. 2/4): 1. Que o Auxílio Moradia, a luz do Artigo 25 da MP n° 2.15835 de 24/08/2001, é de verba não tributada. 2. Que a inclusão da verba nos holerites mensais foi errônea; 3. Vício se estendeu no informe de rendimentos prestado pela Fonte Pagadora dos Rendimentos TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DE MATO GROSSO; Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10183.003819/200685 Acórdão n.º 2301005.944 S2C3T1 Fl. 71 3 4. Que não há em nenhuma lei ou artigo onde diz que o Auxílio Moradia não pode ser estendido aos aposentados. A própria Medida Provisória 215835, no Art. 25 (texto abaixo) diz que tem direito ao Auxílio Moradia não falando nada em Ativo ou Aposentado. 5. Requer a restituição pleiteada na DAA (R$12.514,59); Na fl. 15, consta o Atestado elaborado pelo TJMT, no qual afirma: “Dr. Mauro José Pereira, Magistrado Aposentado, que no total de comprovante de Rendimentos pagos do Ano Calendário de 2004, encontrase incluso o valor referente à verba de auxílio moradia previstas no artigo 215 do COJE, assim discriminado: a) no total de R$ 359.050,88; o auxílio moradia corresponde a R$ 45.507,60 e b) no valor do 13° salário de R$ 29.533,21 e o auxílio moradia é de R$ 3.792,30, perfazendo um total de R$ 49.299,90. A DAA do Contribuinte consta nas fls. 16/21; 27/31 e 35/40. · Na DRJ observa que o lançamento foi julgado procedente e a impugnação improcedente, visto que: · O caráter indenizatório do auxílio moradia, que lhe confere a não incidência do Imposto de renda pessoa física, não é automático, uma vez que depende da comprovação da sua aplicação para suprir a correspondente despesa, conforme passase a expor; · O Ato Declaratório SRF n. 87, de 22 de novembro de 1999, esclarecendo que para a outorga da isenção é necessário que haja o direito de uso de imóvel funcional e ainda que o beneficiário comprove à pessoa jurídica de direito público o valor das despesas efetuadas em substituição a esse direito, mediante apresentação do contrato de locação ou recibo comprovando os pagamentos efetuados, ou seja, as despesas efetivamente incorridas é que são ressarcidas. · As indenizações que geram acréscimo patrimonial dão ensejo a incidência do imposto de renda. Para que não seja passível de incidência de Imposto sobre a Renda, o rendimento que se diz possuidor de caráter indenizatório deve prestarse ao ressarcimento de desfalque patrimonial imediato ou dano emergente. · Fica evidente que valores recebidos por membros de carreira de Estado não podem ser considerados isentos do IRPF, quando não há necessidade de comprovação da destinação ou de prestação de contas, caracterizando acréscimo patrimonial. · Despesas com previdência privada: para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda, a previdência privada fica limitada a 12% dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto. · Como o contribuinte havia declarado um total de R$ 58.213,05 pago a previdência privada e tal valor declarado não foi alvo de fiscalização, presumese que seja verdadeiro, até que seja fiscalizado. Diante disto, Fl. 72DF CARF MF 4 e considerando que o valor dos rendimentos tributáveis declarados de R$ 328.525,94 foi acrescido de R$ 45.507,60, e o valor de rendimentos ficou em R$ 374.033,54. Aplicandose o percentual limite de 12% teremos como máximo de previdência privada o valor de R$ 44.884,02, o qual deve ser considerado. · Desta forma, julgase procedente em parte o lançamento para cancelar o IRPF suplementar apurado; No Recurso Voluntário o Contribuinte pugna, em resumo, pela: · O auxílio moradia lhe é pago à título de indenização, sendo certo que sobre esse valor não deve incidir qualquer espécie de tributação, conforme preceitua o art. 25 da MP n°. 2.15835; · A Medida Provisória não impõe qualquer condição à fruição desse direito, tampouco confere à Secretaria da Receita Federal do Brasil o poder de regulamentar tal benefício, na forma como o fez ao editar o indigitado Ato Declaratório n°. 87/99, que, digase de passagem, não acompanhou as sucessivas reedições da MP n°. 1.8589/99, da qual se originou. · Requer a desconstituição do Auto de Infração, acolhendo os cálculos apresentados em sua primeira defesa, procedendo, assim, à restituição do Imposto de Renda no valor de R$ 12.514,59 corrigidos monetariamente, nos mesmos índices adotados pela SRFB para correção de seus créditos. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Juliana Marteli Fais Feriato Admissibilidade Verificase nas fls. 61 que o contribuinte foi intimado em 19/08/2008, sendo que apresentou o Recurso Voluntário em 16/09/2008. Portanto, o Recurso foi interposto dentro do prazo de 30 dias, o que o torna tempestivo e admissível. Conheço do recurso, passando a análise de seu mérito. Mérito Tratase de IRPF lançado sobre o auxílio moradia, no qual o Contribuinte entende que a verba é indenizatória e, portanto, não incide IRPF. O artigo 25 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, assim dispõe: Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10183.003819/200685 Acórdão n.º 2301005.944 S2C3T1 Fl. 72 5 “Art. 25 — O valor recebido de pessoa jurídica de direito público a título de auxílio moradia, não integrante da remuneração do beneficiário, em substituição ao direito de uso de imóvel funcional, considerase como da mesma natureza desse direito não se sujeitando à incidência do Imposto de Renda na fonte e na declaração de ajuste." Entretanto este Colegiado já examinou esta matéria em diversos julgados, havendo sedimentado o entendimento de que o auxíliomoradia não se enquadra nos termos do dispositivo legal acima citado, por não haver a necessidade de comprovação da destinação ou de prestação de contas, caracterizando acréscimo patrimonial. Entendo que o art. 25 da MP 215835 não respalda a não incidência de IRPF a todo valor recebido de pessoa jurídica à título de Auxílio moradia, mas tão somente quando vise a ressarcir gasto em substituição de imóvel funcional. Ou seja, apenas quando demonstrada a destinação da verba ao pagamento da moradia, estarseia chancelada a natureza indenizatória da verba, o que não é o caso dos autos. O Contribuinte já era aposentado quando do período de apuração, conforme o mesmo aduz nas suas razões de impugnação e recurso voluntário. Se a natureza do auxílio moradia diz respeito à indenização ao magistrado que, atuando em Comarca na qual não tem imóvel funcional, tendo, portanto, que locar um imóvel para constituir sua moradia, como se justifica o pagamento desta verba para um magistrado aposentado? Ele não está mais atuando, então qual a necessidade de receber auxílio moradia para locar imóvel em Comarca da qual não há imóvel funcional? Aliás essa interpretação já se encontra esclarecida no âmbito da SRF conforme Ato Declaratório SRF nº87, de12 de novembro de 1999 Multivigente Vigente Original Relacional (Publicado(a) no DOU de 17/11/1999, seção, página 13): Dispõe sobre a comprovação valores referentes ao auxílio0moradia, quando ressarcidos por pessoa jurídica de direito público. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuições e, tendo em vista o disposto no art. 25 da Medida Provisória No 1.8589, de 24 de setembro de 1999, declara. I Não integra a remuneração do beneficiário o valor recebido de pessoa jurídica de direito público a título de auxíliomoradia, em substituição ao direito de uso de imóvel funcional, não se sujeitando à incidência do imposto de renda, na fonte ou na declaração de ajuste. II Para aplicação do disposto no artigo anterior é necessário que o beneficiário comprove à pessoa jurídica de direito público o valor das despesas, mediante apresentação do contrato de locação, quando for o caso, ou recibo comprovando os pagamentos realizados. Segundo o art. 3º, §1º, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer Fl. 74DF CARF MF 6 natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. Por sua vez, o §4º do mesmo artigo determina que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Ademais, o próprio Código Tributário Nacional CTN estabelece que são irrelevantes para qualificar a natureza jurídica específica do tributo a denominação e demais características formais adotadas pela lei (art. 4º). Na realidade, a verba em questão corresponde a um percentual do subsídio, não tendo nenhum caráter indenizatório, pois pode ser utilizada da maneira que melhor convier ao beneficiado. Ademais, é atribuído indistintamente a todos os magistrados, não levando em consideração o custo de moradia de cada região. Nos termos em que foi pago, corresponde a um adicional de salário com todas as características de acréscimo patrimonial. Assim, considero se tratar de verba integrante da remuneração do beneficiário, e que por isso não se enquadra nos termos do art. 25 da Medida Provisória no 2.15835, de 2001. Em julgados recentes deste Conselho sobre o tema, há unanimidade no entendimento sobre a incidência do IRPF no auxílio moradia: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. AUXÍLIO MORADIA. São tributáveis as verbas recebidas mensalmente, em percentual fixo do subsídio, por magistrado como auxílio moradia, sem que exista qualquer controle sobre os gastos efetuados. (Acórdão 9202007.352 – 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, julgado em 27/11/2018); ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. AUXÍLIOMORADIA. São tributáveis as verbas recebidas mensalmente como auxíliomoradia, em percentual fixo do subsídio, desprovidos de comprovação da sua destinação ou de prestação de contas, para o servidor que reside onde exerce as suas funções. Recurso Voluntário Negado. (Acórdão 2101 01.611 da 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento. Julgamento em 15/05/2012). Portando, considerando que o Contribuinte estava aposentado e mesmo assim continuou a receber o auxíliomoradia, não tem como ser aplicável a isenção do IRPF, pois definitivamente representou um acréscimo patrimonial, perdendo o caráter indenizatório da verba. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por conhecer e negar provimento do Recurso Voluntário. É como voto. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10183.003819/200685 Acórdão n.º 2301005.944 S2C3T1 Fl. 73 7 (assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato – Relatora. Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10315.000325/2008-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2000 a 31/12/2000
CONTRADIÇÃO. OCORRÊNCIA.
Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma.
Numero da decisão: 2202-004.964
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem atribuir-lhes efeitos infringentes, para, sanando a contradição apontada, retificar o dispositivo do acórdão nº 2302-00.373, de modo que tenha a seguinte redação: "Acordam os membros da 2ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 2ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em função da intempestividade, nos termos do voto do relator".
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2000 a 31/12/2000 CONTRADIÇÃO. OCORRÊNCIA. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem atribuir-lhes efeitos infringentes, para, sanando a contradição apontada, retificar o dispositivo do acórdão nº 2302-00.373, de modo que tenha a seguinte redação: "Acordam os membros da 2ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 2ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em função da intempestividade, nos termos do voto do relator". (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
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OCORRÊNCIA. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem atribuirlhes efeitos infringentes, para, sanando a contradição apontada, retificar o dispositivo do acórdão nº 230200.373, de modo que tenha a seguinte redação: "Acordam os membros da 2ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 2ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em função da intempestividade, nos termos do voto do relator". (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgilio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 00 03 25 /2 00 8- 68 Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10315.000325/200868 Acórdão n.º 2202004.964 S2C2T2 Fl. 235 2 Relatório Tratamse de Embargos de Declaração interposto nos autos do processo nº 10315.000325/200868, em face do acórdão nº 230200.373, julgado pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, em sessão realizada em 26 de janeiro de 2010, no qual os membros daquele colegiado entenderam não conhecer do recurso voluntário apresentado pela contribuinte. O Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Juazeiro do Norte apresentou embargos, de modo que o colegiado se pronunciasse a respeito da contradição existente entre o voto (no sentido de não conhecer do recurso) e a parte dispositiva do Acórdão (que decidiu por anular o auto de infração/lançamento). Em Despacho de Admissibilidade foi assim relatado: “Tratase de embargos de declaração em face do Acórdão nº 230200.373, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (efls. 221 e ss), julgado na sessão plenária de 26.01.2010, cuja ementa abaixo se transcreve: RECURSO INTEMPESTIVO.O recurso interposto intempestivamente não pode ser conhecido por este Colegiado.Recurso Voluntário Não Conhecido.Crédito Tributário Mantido. DA TEMPESTIVIDADE DOS EMBARGOS Cientificado da decisão em 24.05.201(efls. 229), os Embargos foram tempestivamente opostos na mesma data. DA ADMISSIBILIDADE Alega o embargante que o aresto proferido incorre em contradição, nos seguintes termos: 3.1. A ementa está da seguinte forma:"RECURSO INTEMPESTIVO. O recurso interposto intempestivamente não pode ser conhecido por este Colegiado. Recurso Voluntário Não Conhecido. Crédito Tributário Mantido. (original semdestaques) 3.2. Incoerente com a ementa, a parte dispositiva estabelece:"ACORDAM os membros da 3" Câmara, da segunda Seção de Julgamentos, por maioria de votos, em anular o auto de infração/lançamento. Vencido o Conselheiro Leôncio Nobre de Medeiros que votou por negar provimento ao recurso interposto."(original sem destaques) É o breve relato. Passo ao exame. O Presidente da 2ª Seção por julgar necessário, acolheu os Embargos de Declaração, pelos seguintes fundamentos: Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10315.000325/200868 Acórdão n.º 2202004.964 S2C2T2 Fl. 236 3 Considerando que se trata de embargos opostos contra decisão proferida por colegiado extinto, analiso sua admissibilidade, na qualidade de Presidente da Seção a qual o referido colegiado estava subordinado. O Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, no seu artigo 65, prevê a possibilidade dos embargos declaratórios sempre que o acórdão contenha omissão, obscuridade ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, a saber: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Da contradição É manifesta a contradição apontada entre a ementa e o resultado do julgamento. Assim, os embargos devem ser admitidos para sanar a contradição. Conclusão Diante do exposto, devese acolher os Embargos de Declaração, submetendo os autos novamente à apreciação, com vistas a sanar o vício apontado pelo Embargante. Considerando que o colegiado que proferiu a decisão embargada foi extinto, encaminhese o processo para novo sorteio, no âmbito dos colegiados da 2a Seção do CARF, para relatoria e futura inclusão em pauta de julgamento. Assim, os Embargos de Declaração foram admitidos, para que fosse sanado o vício apontado pelo Embargante a respeito da decisão do colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator Os embargos de declaração foram apresentados dentro do prazo legal, reunindo ainda os demais requisitos de admissibilidade, portanto, devem ser conhecidos. Conforme relatado, verificase como manifesta a contradição apontada entre a ementa e o resultado do julgamento. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10315.000325/200868 Acórdão n.º 2202004.964 S2C2T2 Fl. 237 4 O Conselheiro Relator Marco André Ramos Vieira votou no sentido de considerar intempestivo o recurso voluntário apresentado, não conhecendo do mesmo. O seu sucinto voto assim expõe: O recurso foi interposto intempestivamente. De acordo com o aviso de recebimento A fl. 203, o recorrente foi cientificado no dia 15 de dezembro de 2008 (segundafeira), à época, o prazo para interposição do recurso era de 30 dias, considerandose que na contagem é excluído o dia de inicio, o prazo venceria em 14 de janeiro de 2009 (quartafeira). O notificado interpôs o recurso no dia 16 de janeiro de 2009 (sextafeira), fls. 204, portanto fora do prazo normativo (art. 305, § 1° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, na redação original e art. 33 do Decreto n° 70.235). CONCLUSÃO: Voto pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso, em virtude da intempestividade do mesmo. É como voto. A ementa do referido acórdão consta com o seguinte teor: RECURSO INTEMPESTIVO. O recurso interposto intempestivamente não pode ser conhecido por este Colegiado. Recurso Voluntário Não Conhecido. Saliento que, verificando os autos do processo, constatase que o recurso voluntário está intempestivo, estando corretas as informações constantes no voto do relator, acima transcrito. Consultando a ata de julgamento no site do CARF, encontrase a informação de que o recurso voluntário foi apreciado em 26/01/2010 e o julgamento foi no seguinte sentido: Recurso: 168377 Tipo: RV Processo: 10315.000325/200868 Recorrente: FUNDAÇÃO DE SAUDE PUB DO MUNICIPIO DE IGUATU Recorrida: DRJFLA DECISÃO: Por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em função da intempestividade, nos termos do voto do relator. ACÓRDÃO Nº 230200.373 No entanto, por erro manifesto na formalização do acórdão, assim constou: "ACORDAM os membros da 3a. Câmara, da segunda Seção de Julgamentos, por maioria de votos, em anular o auto de Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10315.000325/200868 Acórdão n.º 2202004.964 S2C2T2 Fl. 238 5 infração/lançamento. Vencido o Conselheiro Leôncio Nobre de Medeiros que votou por negar provimento ao recurso interposto." Deste modo, estando equivocado o resultado do julgamento que consta no acórdão, em contrariedade seja com a ata de julgamento, seja com o voto, seja com a ementa, deve ser retificado o disposto no acórdão. Assim, deveria ter constado no acórdão que "Acordam os membros da 2ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 2ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em função da intempestividade, nos termos do voto do relator". Ante o exposto, voto por acolher os embargos de declaração, sem atribuir lhes efeitos infringentes, para, sanando a contradição apontada, retificar o dispositivo do acórdão nº 230200.373, de modo que tenha a seguinte redação: "Acordam os membros da 2ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara, da 2ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso em função da intempestividade, nos termos do voto do relator". (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 238DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.903617/2009-03
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-001.109
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni- Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni (presidente substituto), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva. Ausente o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Presidente Substituto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni (presidente substituto), Andrea Machado Millan e Jose Roberto Adelino da Silva. Ausente o conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário, contra o acórdão número 15 030.276, da 2ª Turma da DRJ/SDR, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório que não homologou o pedidos de compensação declarado através do PER/DCOMP n° 09539.71316.290806.1.3.046913. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 36 17 /2 00 9- 03 Fl. 217DF CARF MF 2 Transcrevo, a seguir o relatório: Tratasede Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório Eletrônico nº de rastreamento 824961058, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador, em 25/03/2009, que não homologou a compensação de débito declarada no PER/DCOMP de nº 09539.71316.290806.1.3.046913 (fls. 02/06), transmitido em 29/08/2006, para a qual foi utilizado crédito decorrente de suposto pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLL – código de receita: 2484), do período de apuração 31/01/2002, no valor original, na data da transmissão, de R$4.502,01. Por meio do despacho decisório de fl. 07 não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no PER/DCOMP acima mencionado, sob o fundamento de que, a partir da características do DARF discriminado no PER/DCOMP foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em sua manifestação de inconformidade, a Contribuinte alega ter constado no PER/DCOMP que o crédito que deu origem ao pedido de compensação seria proveniente de pagamento indevido ou a maior, quando referido crédito teria sido originário de saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), saldo este que se apresentaria desde o anobase de 1999 e prosseguiria até o ano base de 2002, conforme DIPJ 2000/1999 (Ficha 30, pág. 26) DIPJ 2001/2000 (Ficha 17, pág. 17), DIPJ 2002/2001 (Ficha 17, pág. 17), e DIPJ 2003/2002 (Ficha 17, pág. 17), havendo, portanto, um erro material no preenchimento, existindo de fato o crédito em seu favor. Cientificada em 18/12/2012 (fl 45), a recorrente apresentou o recurso voluntário em 16/01/2013 (fl 43) Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. Em seu recurso, a recorrente afirma que: · À época, as compensações entre débitos e créditos da mesma espécie tributária eram realizadas diretamente em DCTF pelo contribuinte, conforme art. 66 da Lei 8.383/91. Ou seja, ao declarar um débito como devido o contribuinte indicava como forma de pagamento uma compensação (de saldo negativo, por exemplo), cabendo à Fazenda Nacional fiscalizálo para verificar a existência e suficiência do crédito, e, quando for o caso, desconstituir a compensação via lançamento de ofício. · Ocorre que a compensação foi efetuada nos livros contábeis e evidenciada no LALUR, entretanto, não foi informada na DCTF, Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10580.903617/200903 Acórdão n.º 1001001.109 S1C0T1 Fl. 3 3 constando nesta como valor devido apenas o que foi recolhido. Sendo este recolhimento, como já sobejamente demonstrado, indevido. · A compensação do débito de CSLL referente ao mês de janeiro de 2002, com o saldo negativo gerado durante o ano base de 1999, foi tacitamente homologada pela Receita Federal, por conseguinte não tem mais discussão em relação a este fato. · A Turma Julgadora apresentou no seu decisório demonstrativo da composição do saldo de CSLL referente ao ano base de 2002, entretanto, neste demonstrativo não foi considerado o saldo credor originário de exercícios anteriores. A comprovação desta disponibilidade de crédito, oriundo de saldo negativo de exercícios anteriores, consta dos registros da Secretaria da Receita Federal, ou seja, está assentada nas Declarações de Imposto de Renda da Contribuinte. · A manifestação de inconformidade não foi acolhida sob o fundamento de que não existia direito creditório. Valendo, mais uma vez, afirmar que o crédito não foi reconhecido pela Turma Julgadora em razão da mesma não ter considerado, no demonstrativo, o saldo negativo advindo de exercícios anteriores. · Conforme já demonstrado nesta petição, a existência do credito é inquestionável, o que ocorreu foi erro de preenchimento de DCTF erro material , que pode ser sanado em qualquer grau de jurisdição administrativa ou judicial, desde que se tenha documentação suficiente para que fique esclarecido o erro. · Deve ser privilegiada, sempre que possível, a busca pela verdade material relativa à situação fiscal do contribuinte, uma vez que eventual preenchimento incorreto da PER/DCOMP ou da DCTF não retira, por si só, o direito de crédito do contribuinte. · Uma vez esclarecido que a Recorrente cometeu erro no preenchimento da DCTF, em relação ao valor devido da CSLL, bem como a forma de liquidação e considerando que a DIPJ, os DARF'S, o LALUR e os Livros Contábeis demonstram a saciedade a existência de crédito suficiente para liquidação do débito constante do PER/DCOMP, é de se acolher os presentes argumentos, suportados por documentação robusta, regular e idônea, para reformar o decidido pela Turma Julgadora e cancelar a cobrança de IRPJ, ora em discussão. Conclui, pedindo: · Por todo o exposto espera a Recorrente que este Egrégio Conselho de Contribuintes acolha o presente Recurso, julgando improcedente a cobrança do débito, ou, determine o retorno dos autos à Turma Julgadora, para que nova análise seja procedida e novo julgamento proferido. Anexa cópia de diversos documentos, tais como LALUR, recibos de entrega de declarações, termos de abertura e de encerramento de Livros etc. Fl. 219DF CARF MF 4 A DRJ, por sua vez, assim decidiu em relação à manifestação de inconformidade: A questão constante dos autos, por se tratar de suposto indébito tributário referente à estimativa mensal de CSLL, requer o exame dos artigos 220 a 232, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/ 99, e art. 28 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, transcritos a seguir: ... Conforme legislação acima, o contribuinte que optar pelo lucro real, apuração anual, deverá pagar mensalmente imposto devido por estimativa com base na receita bruta, com a aplicação de um percentual determinado. Poderá também suspender o pagamento desde que proceda aos balancetes mensais, demonstrando que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. No final do ano, o imposto apurado deve ser deduzido dos pagamentos recolhidos sob esta sistemática. Assim, os recolhimentos obrigatórios de estimativas mensais, efetuados de acordo com as determinações legais, somente serão passíveis de configurarem pagamento indevido ou a maior, ao final do anocalendário, caso o contribuinte apure saldo negativo do tributo, este sim passível de restituição ou compensação. No presente caso, a própria Contribuinte reconhece ser devido o pagamento da estimativa mensal de CSLL, do período de apuração 31/01/2002, efetuado por meio do DARF discriminado no PER/DCOMP objeto do Despacho Decisório em litígio, quando alega ter havido erro no preenchimento do PER/DCOMP, pois o crédito que pretendia utilizar seria originário de saldo negativo de CSLL, que de fato existiria. Nesse sentido, cumpre, primeiramente, esclarecer que, à luz da legislação fiscal, mais especificamente, o art. 77 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, transcrito a seguir, a Declaração de Compensação somente poderá ser retificada ou cancelada, pelo sujeito passivo, nas hipóteses em que admitidos, caso se encontre pendente de decisão administrativa à data do envio do documento retificador gerado a partir do Programa PER/DCOMP. Art. 77. O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, observado o disposto nos arts. 78 e 79 no que se refere à Declaração de Compensação Ademais, após a análise dos dados extraídos por meio de pesquisas feitas aos sistemas de controle da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), verificase que o resultado do ajuste anual do anocalendário de 2002 não seria saldo negativo de CSLL, no valor de R$1.898,69, conforme informado na Ficha 17 da DIPJ relativa ao exercício 2003, anocalendário 2002 (cópia à fl. 25), mas sim, saldo de CSLL a pagar, no montante de R$11.889,49 (onze mil, oitocentos e oitenta e nove reais e quarenta e nove centavos), senão vejamos: A Ficha 17 – Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da DIPJ/2003, apresenta a seguinte composição (demonstrativo na folha 38), cujo saldo foi negativo em R$ 1.898,69: Os valores declarados em DCTF, sob o código 2484 (totalmente vinculados a pagamentos), e os pagamentos efetivamente confirmados no sistema Sinal 05, sob o código 2484, são os demonstrados a seguir: Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10580.903617/200903 Acórdão n.º 1001001.109 S1C0T1 Fl. 4 5 MÊS Débitos DCTF Vinculados a Pagamentos Pagamentos Confirmados no Sinal 05 janeiro 4.614,88 4.614,88 fevereiro 4.122,33 4.122,33 março 60,65 60,65 abril 41,20 41,20 maio 12,24 12,24 junho 36,29 36,29 julho 58,42 58,42 agosto 497,52 497,52 setembro 270,06 3.681,50 outubro 2.787,46 2.787,46 novembro 10,15 10,15 dezembro 10,15 10,15 Total 12.521,35 15.932,79 Desta forma, o ajuste anual do anocalendário de 2002, tem a seguinte configuração: Ficha 17 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Discriminação 34. Base de Cálculo da CSLL 309.136,40 36. Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoTotal 27.822,28 38. CSLL Mensal Paga por Estimativa 15.932,79 42. CSLL a Pagar 11.889,49 Ante o exposto, voto por julgar Improcedente a Manifestação de Inconformidade, confirmando o Despacho Decisório n° de rastreamento 824961058, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador, que não reconheceu o direito creditório, no valor original, na data da transmissão do PER/DCOMP, de R$4.502,01 (quatro mil, quinhentos e dois reais e um centavo), referente ao pagamento efetuado por meio de Darf, ali discriminado, a título de estimativa mensal de CSLL, do período de apuração 31/01/2002, e não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP em análise, de n° 09539.71316.290806.1.3.046913. A recorrente, no caso, admite um erro no preenchimento da DCTF que é reconhecidamente, uma confissão de dívida. Portanto, somente com a sua retificação é que é possível à Receita Federal reconhecer o novo débito, se e quando for o caso. A alteração das informações prestadas na DCTF, nas hipóteses em que admitida, é efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração original, devendo dela constar não somente as informações retificadas, mas todas as informações que a compõem. A DCTF retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e serve para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados, conforme dispõe o artigo 9°, parágrafo 1°, da IN 255/2002 (vigente à época da ocorrência do fato gerador): Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. Fl. 221DF CARF MF 6 § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Tal fato foi corroborado através do item 3 do Parecer Normativo COSIT n° 2/2015: 3 É possível o reconhecimento do crédito com base em provas ou indícios sem a retificação da DCTF? Não. A DCTF é confissão de dívida, portanto sua retificação é imprescindível para o reconhecimento do crédito. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados na DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento do pedido. Portanto, entendo como correta a decisão da DRJ, e peço a devida vênia para a ela aderir, com base no artigo 50, da Lei 9.784/99 e parágrafo 3°, ao artigo 57, do RICARF. Assim, nego provimento ao presente recurso. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 222DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.000204/2007-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.703
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Relatório
A interessada apresentou pedido de ressarcimento de PIS, cumulado com compensação de débito próprio, com origem no quarto trimestre de 2004.
Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa:
Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento acompanhado por Declaração de Compensação de crédito da Contribuição para Programa de Integração Social PIS não-cumulativa, decorrentes das operações da interessada com o mercado externo, por meio do qual a contribuinte pleiteia a repetição do montante de R$ 22.526,65, referente ao quarto trimestre de 2004.
Do Despacho Decisório Na apreciação do pleito, manifestou-se a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinville/SC pelo reconhecimento parcial do direito de crédito pleiteado e pela homologação da compensação somente at o limite do credito reconhecido (Termo Fiscal e Despacho Decisório juntados aos autos), fazendo-o com base no não acatamento de certos valores incluídos pela contribuinte na base de cálculo apurada, conforme segue.
1. Bens e Serviços utilizados como insumos Extrai-se do relatório fiscal que foram glosados por não se enquadrarem no conceito de insumo adotado no âmbito da contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas: os gastos com materiais de consumo; as despesas indiretas com pessoal, entre essas alimentação, transporte, cestas básicas, despesas com viagens, uniformes e equipamentos de segurança; as despesas administrativas indiretas como projetos de produtos, assessoria empresarial ou comercial, honorários advocatícios, serviços de telefonia fixa e móvel, comissões de venda e vigilância de seus estabelecimentos; e também as despesas incorridas referentes a aquisições de "equipamentos, partes, peças, máquinas, incluídos os materiais para sua fabricação ou manutenção, e quaisquer outros itens que devam ser incorporados ao ativo imobilizado da empresa, a teor do que dispõe o art. 301 do Decreto n.° 3.000/1999".
2. Outros Valores/Operações com Direito a Crédito Relata a autoridade fiscal que glosou os valores informados no Dacon a este título em razão de a interessada não ter trazido o demonstrativo destes, apesar de intimada duas vezes para tanto.
3. Despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas A autoridade fiscal glosou os valores informados a titulo de despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas, no caso, as empresas Rocha Top Terminais e Operadores Portuários Ltda. (R$ 942.579,96), Cargolink Armazéns de Carga Ltda. (R$ 5.509.147,17) e WR Operadores Portuários Ltda. (R$ 7.381.682,79) valores informados no período analisado, no caso, os anos de 2003 a 2005, por entender que os fatos apurados demonstram que, na realidade, "...todo o mecanismo utilizado foi simulado, visando elisão fiscal, mascarando a operação real de aquisição pela WRC dos equipamentos como locação de terceiros...".
Em relação à empresa Rocha Top, foram glosadas os valores dos pagamentos efetuados entre janeiro/2003 e abril/2004, os quais não foram acompanhados de emissão dos respectivos documentos fiscais, somente de recibos; foram aceitos pagamentos e também outros referentes a outras locações de equipamentos semelhantes com a Rocha Top respaldados por nota fiscal, no caso ocorridos a partir de maio/2004.
Os mencionados valores foram glosados pelas razões que seguem.
3.1. Obrigatoriedade das Notas Fiscais Informa, inicialmente, a autoridade fiscal que apesar de os locadores serem prestadores de serviços, possuindo notas fiscais do modelo requerido, não houve a apresentação de notas fiscais de serviços.
Relata que quando intimada a apresentar as notas fiscais referentes às operações de locação de equipamentos e de aquisição de bens do ativo imobilizado, a interessada não o fez, alegando serem operações dispensadas de emissão.
Afirma então que, apesar de ser "pacifico entendimento de que o ISSQN somente é devido nas locações de bens móveis com mão-de-obra, estando portanto a locação pura e simples do bem fora do campo de incidência de tal tributo", é obrigatória a emissão de notas fiscais de serviço por todos os prestadores de serviços, desde que não dispensados desta obrigação por meio de Decreto Municipal ou Estadual.
Informa, então, que em consulta à Secretaria de Finanças do Município de São Francisco do Sul, esta informou via e-mail que as empresas em questão não estão dispensadas da emissão de nota fiscal fatura de serviços por aquela Secretaria.
No mais, afirma que, a teor do artigo 41 da Lei Complementar n.° 9/1999 do Município de Sao Francisco do Sul, abaixo transcrito, "quem está sujeito ao pagamento do imposto é o contribuinte (sujeito passivo) e não a operação (fato gerador) para obrigação de emissão de nota fiscal", razão pela qual ser prestador de serviço de operação portuária ou agenciamento marítimo configura fato suficiente para enquadrar a pessoa jurídica como contribuinte do ISS, e portanto obrigado à emissão de nota fiscal, mesmo que podendo efetuar prestações abrangidas e outras não abrangidas pelo campo de incidência do tributo. Segue o artigo mencionado:
Art. 41: Os contribuintes sujeitos ao pagamento do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, calculado sobre o preço dos serviços, ficam obrigados a emitir Nota Fiscal de Serviços e / ou Nota Fiscal Fatura de Serviços, de modelo Oficial, ou cztpom do terminal de venda - PDV estabelecidos peia Secretaria de Finanças.
3.2. Contratos de locação de equipamentos Em relação aos Contratos de Locação de Equipamentos firmados entre a interessada e as empresas Rocha Top, CargOlink e WR, relata a autoridade fiscal:
Contrato Firmado com Rocha Top: Contrato de Locação de Equipamentos firmado com Rocha Top..., originariamente pertencida WR, que foi substituída pela WRC como contratante através do Segundo Termo Aditivo, datado de I.° de maio de 2002, mês de inicio de suas operações e seguinte ao de sua constituição. Tem por objeto a locação de duas empilhadeiras modelos Top Loader e Reach Stacker. Apesar de o locador ser prestador de serviços, possuindo notas ,fiscais do modelo requerido, os pagamentos efetuados entre janeiro/2003 e abril/2004 não foram acompanhados de emissão dos respectivas documentos fiscais, somente de recibos. A partir de maio/2004 estes pagamentos e também outros referentes a outras locações de equipamentos semelhantes com a Rocha Top foram respaldados por nota/iscal.
Contrato Firmado com Cargolink: O Contrato de Locação de Equipamentos firmado com Cargolink foi assinado em 11 de março de 2002, antes do inicio das operações do interessado, e refere-se a um guindaste portuário modelo HMK 300-E. O instrumento inicia dizendo "Considerando que para financiar a aquisição do Equipamento a CARGOLINK contraiu, junto ao Banco Bradesco S.A., empréstimo e que, como garantia do referido empréstimo, deu o Equipamento em alienação fiduciária em favor do Banco Bradesco S.A...."e continua "Considerando que a WRC é uma sociedade que está sendo constituída pela CARGOLINK, em sociedade com a WR OPERADORES PORTUÁRIOS LTDA. para o desenvolvimento conjunto de atividades de movimentação de carga no porto de Sao Francisco do Sul..." (grifou-se). A cláusula segunda estipula "Pela Locação do Equipamento, a WRC pagará à CARGOLINK I quantia semestral correspondente às parcelas de amortização do principal, juros, tributos, prêmios de se tiro, comissão de repasse e demais encargos que sejam devidos pela CARGOLINK ao Banco Bradesco S.A. em decorrência do Contrato de Financiamento (o "Aluguel") ...
Os valores, prazos e demais condições dos pagamentos a serem efetuados a titulo de Aluguel... serão reajustados nos mesmos termos do reajuste das parcelas a serem pagas pela CARGOLINK ao Banco Bradesco.S.A. em decorrência do Contrato de Financiamento." (grifou-se).
Quando intimado a apresentar cópia da nota fiscal de aquisição do equipamento GUINDAB-0001 - Guindaste Móvel Portuário sob o qual calculou créditos de depreciação, o interessado apresentou um Contrato de Opção de Compra firmado entre Cargolink e WR datado de 08 de março de 2002 com a mesma descrição, e portanto dele originário, do Contrato de Locação de Equipamentos em questão, com Termo de Cessão e Aditivo onde WR repassa o direito a opção de compra para WRC, datado de 11 de março de 2002, mesma data do Contrato objeto desta análise e antes do inicio de sua operações.
O Contrato de Opção de Compra estipula que "Em contrapartida à outorga da Opção de Compra. WR paga neste ato à CARGOLINK ... a quantia de R$ 674.313,00... pelo que a CARGOLINK dá à WR plena quitação da quantia ora recebida." e segue "Na hipótese de a WR exercer a Opção de Compra, o preço a ser pago pela WR à CARGOLINK para a aquisição do Equipamento fica fixado em RS 10.000,00..." (grifou-se). Esta contrapartida paga pela Cargo link foi reembolsada pela WRC quando iniciou as operações, considerando que houve mesmo a transferência de valor, tanto que imobilizou o bem em janeiro/2003 e iniciou a depreciação sob descrição GUINDAA-000I Guindaste Móvel Portuário, com valor de aquisição R$ 674.313,00, conforme denota-sena planilha de depreciações entregue pelo interessado,... Percebe-se também que este valor é muito próximo aos 15% exigidos como entrada, conforme cláusula 3 Terms of Payment do contrato de compra do guindaste firmado entre Cargolink e Demag Mobile Cranes segundo fax de Demag Mobile Cranes ... foi de C 375.000 menos bônus de C 40.000, total C 335.000 (trezentos e trinta e cinco mil euros),convertido a taxa de câmbio vigente em 20/07/2001, data .final para pagamento determinada na mesma cláusula, perfaz R$ 717.070,85 (2,14051 REAL/BRASIL (790) = I EURO/COM.EUROPEIA (978), fonte: Banco Central).
Contrato Firmado corn WR: O Contrato de Locação de Equipamentos firmado corn WR... foi assinado em 11 de março de 2002, antes do inicio das operações do interessado, e refere-se a um guindaste portuário modelo HMK 300-E, Mutatis mutandis, é idêntico ao Contrato de Locação de Equipamentos firmado com Cargolink. 0 instrumento inicia dizendo "Considerando que em 25 de junho de 2002 a WR adquiriu um guindaste..." (grifou-se), num claro erro de datas pois o contrato seria anterior aquisição, confirmado pelos documentos seguintes. Prossegue "Considerando que o Equipamento é objeto de contrato de arrendamento mercantil..." e "Considerando que a WRC é uma sociedade que está sendo constituída pela WR, em sociedade com a CARGOLINK ARMAZÉNS DE CARGA LTDA.... para o desenvolvimento conjunto de atividades de movimentação de carga no porto de São Francisco do Sul..." (grifou-se). A clausula segunda estipula "Pela Locação do Equipamento, a WRC pagará à WR quantia correspondente a todas as obrigações pecuniárias, incluindo o valor residual garantido, juros, tributos e demais encargos que sejam devidos pela WR ao Safra Leasing S.A. Arrendamento Mercantil em decorrência do Contrato de Arrendamento Mercantil (o "Aluguel") .. Os valores, prazos e demais condições dos pagamentos a serem efetuados a titulo de Aluguel... serão reajustado nos mesmos termos do reajuste das parcelas a serem pagas pela WR ao Safra Leasing S.A. - Arrendamento Mercantil em decorrência do Contrato de Arrendamento Mercantil." (grifou-se).
A cláusula oitava da o prazo de vigência de 5 anos, terminando em fevereiro/2007, enquanto o arrendamento encerrou em outubro/2005, juntamente com o último pagamento efetuado.
O Contrato de Arrendamento Mercantil do equipamento estipula o valor residual garantido "VRG Final devido no final (parte ou total): R$ 69.050.02" com vencimento juntamente cOni a última contraprestação em 31/10/2005. Este valor, que seria devido pela arrendatária W R, se houve mesmo pagamento, Ibi pago pela WRC, tanto que imobilizou o bem ern outubro/2005 e iniciou a depreciação sob descrição GUINDAB-0001 Guindaste Móvel Portuário, com valor de aquisição R$ 69.050,02 conforme denota-se na planilha de depreciações entregue pelo interessado No tópico "4.3.1.4.3 Da vineulação entre as empresas" o auditor fiscal inicialmente destaca que a WR e WRC funcionam no mesmo endereço, Rua Marechal Deodoro, 156, com a denominação adicional "sala A" para WRC. Relata que a WR foi sócia, em conjunto com Cargolink e outros, da WRC até 14/07/2006, que havia participações recíprocas nos quadros societários de várias empresas e que em 13 de julho de 2006 a WR foi incorporada pela WRC. Resume, então, a confusão verificada nos quadros societários das empresas, demonstrando as pessoas físicas detentoras das empresas, "atualmente ou no período sob análise", através do quadro que abaixo se reproduz:
(...)
Conclui que a empresa WRC pertencia fundamentalmente a todas as pessoas listadas, através de participações cruzadas envolvendo outras empresas como por exemplo Cabral Serviços Marítimos Ltda., Douat Cia. de Participações, Litoral Investimentos Ltda., Litoral Empreendimentos Ltda. e Litoral Agencia Marítima Ltda.
Ante os fatos apresentados, afirma a autoridade fiscal:
Todos os fatos acima descritos levam esta auditoria a acreditar que todo o mecanismo utilizado foi simulado, visando a elisão fiscal, mascarando a operação real de aquisição pela WRC dos equipamentos como locação de terceiros, tendo como intuito a geração de créditos das contribuições objeto desta análise, e, possivelmente, criação de despesas dedutíveis na apuração do IREI e CSLL e distribuição disfarçada de lucros visto que se tratam na verdade das mesmas pessoas [os sócios das empresas].
Da Manifestação de Inconformidade Inconformada com as razões postas para as glosas efetuadas a contribuinte as contestou por meio dos argumentos que seguem.
No tópico "II. Da inexistência de obrigatoriedade relacionada a emissão de Nota Fiscal por conta da realização de operação de locação de bem móvel" a contribuinte inicialmente discorre sobre "o correto tratamento tributário dispensado pela legislação e pelos Tribunais pátrios com relação à locação de bens móveis", e alega:
(..) resta consolidado no ordenamento jurídico brasileiro a não incidência do ISS sobre as atividades de locação relacionadas aos bens móveis.
Assim sendo, nota-se na legislação que a obrigatoriedade de emissão de Nota Fiscal esta intimamente vinculada ao controle do calculo do ISS sobre o preço dos serviços de contribuintes sujeitos ao seu pagamento. Logo, se o tributo em tela não incide sobre determinada atividade, ou seja, sobre o seu preço, não se mantem a obrigatoriedade de emitir Nota Fiscal et empresa que a realiza.
(. )
Se irregularidade alguma houve, aplicável ao caso a pena pelo descumprimento da obrigação tributário acessória de emissão de nota fiscal e não o indeferimento do crédito, que encontra amparo na legislação tributária federal e foi apropriado com base em uma operação efetivamente ocorrida, documentada Ressalte-se que o ilustre auditor fiscal da Receita Federal do Brasil em seu relatório não põe em dúvida a validade dos contratos de locação dos bens e nem a efetiva realização das operações, limitando-se o mesmo a desconsiderar as operações do contribuinte com base em suposta simulação e caracterização de distribuição disfarçada de lucros...
Ademais, os vícios de simulação e distribuição disfarçada de lucros nem sequer foram imputados à operação de locação de empilhadeiras realizada entre a Contribuinte e a empresa Rochatop Terminais e Operadores Portuários Ltda.
tendo o Auditor Fiscal da RFB desconsiderado os créditos de PIS/COFINS sobre estas despesas simplesmente pela ausência de notas fiscais, como se a despesa não tivesse ocorrido e fosse necessária as atividades da contribuinte.
Nos tópicos "III. Da inexistência de fraude ou simulação", "IV. Não Caracterização de Distribuição Disfarçada de Lucros" e "V. Ainda Sobre a Simulação:
Sua Distinção de Negócio Jurídico Indireto - Histórico do Negócio Havido entre as Partes Contratantes da Locação" A interessada traz argumentos de variada ordem tanto no sentido de demonstrar a irregularidade do feito fiscal como em defesa da regularidade das operações de locação de equipamentos utilizados em sua atividade produtiva a fim de demonstrar que não houve qualquer tipo de simulação de sua parte no intuito de beneficiar-se indevidamente de créditos da não-cumulatividade da contribuição para o PIS e da Cofins, criação de despesas dedutíveis na apuração do IRPJ e CSLL e distribuição disfarçada de lucros.
Em relação aos insumos aplicados na prestação de serviços, titulo VI, a interessada inicialmente lista os bens e serviços adquiridos e seus respectivos fornecedores, abaixo reproduzida, a fim de que "possam ser analisados os argumentos":
(...)
Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário (arquivo não paginável), por meio do qual alega, no que interessa ao deslinde do litígio, a nulidade do acórdão recorrido, com fundamento nas seguintes razões de defesa:
Em face das alegações apresentadas pela empresa, a DRJ baixou os autos em diligência, a fim de que a unidade preparadora providenciasse a análise da demonstração e da composição da base de cálculo do PIS não cumulativo, mediante a comprovação por meio de documentos contábeis e/ou fiscais. Na sua realização, requereu-se a entrega do balancete de março de 2003 e orientou-se a empresa sobre o fato de que os Livros Diário e Razão deveriam ficar à disposição do Fisco, caso requeridos.
Segue, então, argumentando que em todos estes documentos fiscais evidencia-se que a empresa adquiriu bens ou contratou serviços os quais foram totalmente aplicados em suas atividades, as quais se relacionam à operação portuária e envolvem o maquinário utilizado para a sua realização; o que em nenhum momento foi impugnado pela autoridade fiscal. Afirma que a glosa dos créditos de PIS/COFINS ocorreu, portanto, conforme se infere da invocação ao artigo 301 do RIR/99 pela autoridade fazenddria, pelo fato de esta ter considerado todas as aquisições de produtos como enquadráveis no ativo imobilizado e não enquanto insumos.
Com base nesse entendimento, argumenta que os produtos adquiridos o foram com a finalidade exclusiva de manter os seus ativos em condições operacionais e que, quando incorporados as respectivas máquinas e equipamentos, possuem vida útil inferior a um ano e/ou não aumentam a vida útil dos bens do seu ativo imobilizado em prazo superior a um ano, razão pela qual não se justifica a sua incorporação ao ativo permanente, para que seja então depreciado ou amortizado. Aduz que o elevado custo de aquisição de um bem não impõe sua classificação no ativo imobilizado e acrescenta que a prova do aumento da vida útil do bem para além de um ano, para fins de sua inclUsdo no ativo imobilizado, cabe ao fisco, a teor de várias decisões do Conselho de Contribuintes que elenca.
Por fim, em relação aos outros valores/operações com direito a crédito argumenta que, ao contrário do que afirma a autoridade fiscal, forneceu à fiscalização todos os documentos necessários, como comprovam as cópias em anexo dos protocolos prestados pelo Auditor Fiscal, indicando o recebimento dos documentos solicitados, e a consignação que consta do recebimento dos documentos solicitados no Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal. Aduz que, por não haver qualquer impugnação especifica quanto aos documentos apresentados por esta contribuinte, torna-se impossível à mesma exercer seu direito de defesa nos termos asseguradOs pela Constituição Federal de 1988. Pugna então pelo afastamento da glosa em vista de não ser verdadeira a informação de que a contribuinte deixou de se manifestar quando lhe foram solicitados documentos e informações.
A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/FNS n.º 07-21.780, de 29/10/2010 (fls. 907 e ss.), assim ementado:
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2004
PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE.
No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 2004
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO.
Dão direito a crédito, no âmbito do regime da não-cumulatividade, custos e despesas com bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no Pais, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados A venda.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
No regime da não-cumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados A venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no Pais, aplicados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.
Manifestação de Inconformidade Improcedente
Direito creditório não reconhecido
Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 930 e ss., por meio do qual aponta equívoco da decisão ao dizer que houve parcial revelia dela (por não se manifestar quanto a algumas glosas), porquanto todas as glosas teriam sido impugnadas; reitera as suas razões sobre o direito aos créditos sobre aluguéis de equipamentos, sobre insumos e serviços de outras pessoas jurídicas; invoca, noutros termos, alteração de fundamentos, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para a manutenção das glosas a título de "outros valores/operações com direito a crédito", ao tempo em que menciona impossibilidade de exercício de defesa, por não haver impugnação específica aos documentos por ela apresentados, no mister de comprovar seus créditos. Evoca o art. 112 do CTN - in dubio pro contribuinte. Ao final, requer a reforma da decisão de primeiro grau e o reconhecimento integral dos créditos.
Por meio da Resolução de fls., os autos foram baixados em diligência, a fim de que se verificasse "se os fatos descritos no termo de verificação e encerramento da análise fiscal que antecede o indeferimento do pedido de ressarcimento estão lastreados, pelo menos em parte, em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. Em despacho, informou-se não terem sido encontrados registros de realização de procedimento fiscal relativo ao IRPJ referente ao período de 2003 a 2005, aos quais se referem os pedidos de ressarcimento.
Por meio da petição de fls., a Recorrente requer o julgamento conjunto deste processo com outros idênticos de seu interesse.
O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental.
É o relatório.
Voto
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido de ressarcimento de PIS, cumulado com compensação de débito próprio, com origem no quarto trimestre de 2004. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento acompanhado por Declaração de Compensação de crédito da Contribuição para Programa de Integração Social PIS não-cumulativa, decorrentes das operações da interessada com o mercado externo, por meio do qual a contribuinte pleiteia a repetição do montante de R$ 22.526,65, referente ao quarto trimestre de 2004. Do Despacho Decisório Na apreciação do pleito, manifestou-se a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinville/SC pelo reconhecimento parcial do direito de crédito pleiteado e pela homologação da compensação somente at o limite do credito reconhecido (Termo Fiscal e Despacho Decisório juntados aos autos), fazendo-o com base no não acatamento de certos valores incluídos pela contribuinte na base de cálculo apurada, conforme segue. 1. Bens e Serviços utilizados como insumos Extrai-se do relatório fiscal que foram glosados por não se enquadrarem no conceito de insumo adotado no âmbito da contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas: os gastos com materiais de consumo; as despesas indiretas com pessoal, entre essas alimentação, transporte, cestas básicas, despesas com viagens, uniformes e equipamentos de segurança; as despesas administrativas indiretas como projetos de produtos, assessoria empresarial ou comercial, honorários advocatícios, serviços de telefonia fixa e móvel, comissões de venda e vigilância de seus estabelecimentos; e também as despesas incorridas referentes a aquisições de "equipamentos, partes, peças, máquinas, incluídos os materiais para sua fabricação ou manutenção, e quaisquer outros itens que devam ser incorporados ao ativo imobilizado da empresa, a teor do que dispõe o art. 301 do Decreto n.° 3.000/1999". 2. Outros Valores/Operações com Direito a Crédito Relata a autoridade fiscal que glosou os valores informados no Dacon a este título em razão de a interessada não ter trazido o demonstrativo destes, apesar de intimada duas vezes para tanto. 3. Despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas A autoridade fiscal glosou os valores informados a titulo de despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas, no caso, as empresas Rocha Top Terminais e Operadores Portuários Ltda. (R$ 942.579,96), Cargolink Armazéns de Carga Ltda. (R$ 5.509.147,17) e WR Operadores Portuários Ltda. (R$ 7.381.682,79) valores informados no período analisado, no caso, os anos de 2003 a 2005, por entender que os fatos apurados demonstram que, na realidade, "...todo o mecanismo utilizado foi simulado, visando elisão fiscal, mascarando a operação real de aquisição pela WRC dos equipamentos como locação de terceiros...". Em relação à empresa Rocha Top, foram glosadas os valores dos pagamentos efetuados entre janeiro/2003 e abril/2004, os quais não foram acompanhados de emissão dos respectivos documentos fiscais, somente de recibos; foram aceitos pagamentos e também outros referentes a outras locações de equipamentos semelhantes com a Rocha Top respaldados por nota fiscal, no caso ocorridos a partir de maio/2004. Os mencionados valores foram glosados pelas razões que seguem. 3.1. Obrigatoriedade das Notas Fiscais Informa, inicialmente, a autoridade fiscal que apesar de os locadores serem prestadores de serviços, possuindo notas fiscais do modelo requerido, não houve a apresentação de notas fiscais de serviços. Relata que quando intimada a apresentar as notas fiscais referentes às operações de locação de equipamentos e de aquisição de bens do ativo imobilizado, a interessada não o fez, alegando serem operações dispensadas de emissão. Afirma então que, apesar de ser "pacifico entendimento de que o ISSQN somente é devido nas locações de bens móveis com mão-de-obra, estando portanto a locação pura e simples do bem fora do campo de incidência de tal tributo", é obrigatória a emissão de notas fiscais de serviço por todos os prestadores de serviços, desde que não dispensados desta obrigação por meio de Decreto Municipal ou Estadual. Informa, então, que em consulta à Secretaria de Finanças do Município de São Francisco do Sul, esta informou via e-mail que as empresas em questão não estão dispensadas da emissão de nota fiscal fatura de serviços por aquela Secretaria. No mais, afirma que, a teor do artigo 41 da Lei Complementar n.° 9/1999 do Município de Sao Francisco do Sul, abaixo transcrito, "quem está sujeito ao pagamento do imposto é o contribuinte (sujeito passivo) e não a operação (fato gerador) para obrigação de emissão de nota fiscal", razão pela qual ser prestador de serviço de operação portuária ou agenciamento marítimo configura fato suficiente para enquadrar a pessoa jurídica como contribuinte do ISS, e portanto obrigado à emissão de nota fiscal, mesmo que podendo efetuar prestações abrangidas e outras não abrangidas pelo campo de incidência do tributo. Segue o artigo mencionado: Art. 41: Os contribuintes sujeitos ao pagamento do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, calculado sobre o preço dos serviços, ficam obrigados a emitir Nota Fiscal de Serviços e / ou Nota Fiscal Fatura de Serviços, de modelo Oficial, ou cztpom do terminal de venda - PDV estabelecidos peia Secretaria de Finanças. 3.2. Contratos de locação de equipamentos Em relação aos Contratos de Locação de Equipamentos firmados entre a interessada e as empresas Rocha Top, CargOlink e WR, relata a autoridade fiscal: Contrato Firmado com Rocha Top: Contrato de Locação de Equipamentos firmado com Rocha Top..., originariamente pertencida WR, que foi substituída pela WRC como contratante através do Segundo Termo Aditivo, datado de I.° de maio de 2002, mês de inicio de suas operações e seguinte ao de sua constituição. Tem por objeto a locação de duas empilhadeiras modelos Top Loader e Reach Stacker. Apesar de o locador ser prestador de serviços, possuindo notas ,fiscais do modelo requerido, os pagamentos efetuados entre janeiro/2003 e abril/2004 não foram acompanhados de emissão dos respectivas documentos fiscais, somente de recibos. A partir de maio/2004 estes pagamentos e também outros referentes a outras locações de equipamentos semelhantes com a Rocha Top foram respaldados por nota/iscal. Contrato Firmado com Cargolink: O Contrato de Locação de Equipamentos firmado com Cargolink foi assinado em 11 de março de 2002, antes do inicio das operações do interessado, e refere-se a um guindaste portuário modelo HMK 300-E. O instrumento inicia dizendo "Considerando que para financiar a aquisição do Equipamento a CARGOLINK contraiu, junto ao Banco Bradesco S.A., empréstimo e que, como garantia do referido empréstimo, deu o Equipamento em alienação fiduciária em favor do Banco Bradesco S.A...."e continua "Considerando que a WRC é uma sociedade que está sendo constituída pela CARGOLINK, em sociedade com a WR OPERADORES PORTUÁRIOS LTDA. para o desenvolvimento conjunto de atividades de movimentação de carga no porto de Sao Francisco do Sul..." (grifou-se). A cláusula segunda estipula "Pela Locação do Equipamento, a WRC pagará à CARGOLINK I quantia semestral correspondente às parcelas de amortização do principal, juros, tributos, prêmios de se tiro, comissão de repasse e demais encargos que sejam devidos pela CARGOLINK ao Banco Bradesco S.A. em decorrência do Contrato de Financiamento (o "Aluguel") ... Os valores, prazos e demais condições dos pagamentos a serem efetuados a titulo de Aluguel... serão reajustados nos mesmos termos do reajuste das parcelas a serem pagas pela CARGOLINK ao Banco Bradesco.S.A. em decorrência do Contrato de Financiamento." (grifou-se). Quando intimado a apresentar cópia da nota fiscal de aquisição do equipamento GUINDAB-0001 - Guindaste Móvel Portuário sob o qual calculou créditos de depreciação, o interessado apresentou um Contrato de Opção de Compra firmado entre Cargolink e WR datado de 08 de março de 2002 com a mesma descrição, e portanto dele originário, do Contrato de Locação de Equipamentos em questão, com Termo de Cessão e Aditivo onde WR repassa o direito a opção de compra para WRC, datado de 11 de março de 2002, mesma data do Contrato objeto desta análise e antes do inicio de sua operações. O Contrato de Opção de Compra estipula que "Em contrapartida à outorga da Opção de Compra. WR paga neste ato à CARGOLINK ... a quantia de R$ 674.313,00... pelo que a CARGOLINK dá à WR plena quitação da quantia ora recebida." e segue "Na hipótese de a WR exercer a Opção de Compra, o preço a ser pago pela WR à CARGOLINK para a aquisição do Equipamento fica fixado em RS 10.000,00..." (grifou-se). Esta contrapartida paga pela Cargo link foi reembolsada pela WRC quando iniciou as operações, considerando que houve mesmo a transferência de valor, tanto que imobilizou o bem em janeiro/2003 e iniciou a depreciação sob descrição GUINDAA-000I Guindaste Móvel Portuário, com valor de aquisição R$ 674.313,00, conforme denota-sena planilha de depreciações entregue pelo interessado,... Percebe-se também que este valor é muito próximo aos 15% exigidos como entrada, conforme cláusula 3 Terms of Payment do contrato de compra do guindaste firmado entre Cargolink e Demag Mobile Cranes segundo fax de Demag Mobile Cranes ... foi de C 375.000 menos bônus de C 40.000, total C 335.000 (trezentos e trinta e cinco mil euros),convertido a taxa de câmbio vigente em 20/07/2001, data .final para pagamento determinada na mesma cláusula, perfaz R$ 717.070,85 (2,14051 REAL/BRASIL (790) = I EURO/COM.EUROPEIA (978), fonte: Banco Central). Contrato Firmado corn WR: O Contrato de Locação de Equipamentos firmado corn WR... foi assinado em 11 de março de 2002, antes do inicio das operações do interessado, e refere-se a um guindaste portuário modelo HMK 300-E, Mutatis mutandis, é idêntico ao Contrato de Locação de Equipamentos firmado com Cargolink. 0 instrumento inicia dizendo "Considerando que em 25 de junho de 2002 a WR adquiriu um guindaste..." (grifou-se), num claro erro de datas pois o contrato seria anterior aquisição, confirmado pelos documentos seguintes. Prossegue "Considerando que o Equipamento é objeto de contrato de arrendamento mercantil..." e "Considerando que a WRC é uma sociedade que está sendo constituída pela WR, em sociedade com a CARGOLINK ARMAZÉNS DE CARGA LTDA.... para o desenvolvimento conjunto de atividades de movimentação de carga no porto de São Francisco do Sul..." (grifou-se). A clausula segunda estipula "Pela Locação do Equipamento, a WRC pagará à WR quantia correspondente a todas as obrigações pecuniárias, incluindo o valor residual garantido, juros, tributos e demais encargos que sejam devidos pela WR ao Safra Leasing S.A. Arrendamento Mercantil em decorrência do Contrato de Arrendamento Mercantil (o "Aluguel") .. Os valores, prazos e demais condições dos pagamentos a serem efetuados a titulo de Aluguel... serão reajustado nos mesmos termos do reajuste das parcelas a serem pagas pela WR ao Safra Leasing S.A. - Arrendamento Mercantil em decorrência do Contrato de Arrendamento Mercantil." (grifou-se). A cláusula oitava da o prazo de vigência de 5 anos, terminando em fevereiro/2007, enquanto o arrendamento encerrou em outubro/2005, juntamente com o último pagamento efetuado. O Contrato de Arrendamento Mercantil do equipamento estipula o valor residual garantido "VRG Final devido no final (parte ou total): R$ 69.050.02" com vencimento juntamente cOni a última contraprestação em 31/10/2005. Este valor, que seria devido pela arrendatária W R, se houve mesmo pagamento, Ibi pago pela WRC, tanto que imobilizou o bem ern outubro/2005 e iniciou a depreciação sob descrição GUINDAB-0001 Guindaste Móvel Portuário, com valor de aquisição R$ 69.050,02 conforme denota-se na planilha de depreciações entregue pelo interessado No tópico "4.3.1.4.3 Da vineulação entre as empresas" o auditor fiscal inicialmente destaca que a WR e WRC funcionam no mesmo endereço, Rua Marechal Deodoro, 156, com a denominação adicional "sala A" para WRC. Relata que a WR foi sócia, em conjunto com Cargolink e outros, da WRC até 14/07/2006, que havia participações recíprocas nos quadros societários de várias empresas e que em 13 de julho de 2006 a WR foi incorporada pela WRC. Resume, então, a confusão verificada nos quadros societários das empresas, demonstrando as pessoas físicas detentoras das empresas, "atualmente ou no período sob análise", através do quadro que abaixo se reproduz: (...) Conclui que a empresa WRC pertencia fundamentalmente a todas as pessoas listadas, através de participações cruzadas envolvendo outras empresas como por exemplo Cabral Serviços Marítimos Ltda., Douat Cia. de Participações, Litoral Investimentos Ltda., Litoral Empreendimentos Ltda. e Litoral Agencia Marítima Ltda. Ante os fatos apresentados, afirma a autoridade fiscal: Todos os fatos acima descritos levam esta auditoria a acreditar que todo o mecanismo utilizado foi simulado, visando a elisão fiscal, mascarando a operação real de aquisição pela WRC dos equipamentos como locação de terceiros, tendo como intuito a geração de créditos das contribuições objeto desta análise, e, possivelmente, criação de despesas dedutíveis na apuração do IREI e CSLL e distribuição disfarçada de lucros visto que se tratam na verdade das mesmas pessoas [os sócios das empresas]. Da Manifestação de Inconformidade Inconformada com as razões postas para as glosas efetuadas a contribuinte as contestou por meio dos argumentos que seguem. No tópico "II. Da inexistência de obrigatoriedade relacionada a emissão de Nota Fiscal por conta da realização de operação de locação de bem móvel" a contribuinte inicialmente discorre sobre "o correto tratamento tributário dispensado pela legislação e pelos Tribunais pátrios com relação à locação de bens móveis", e alega: (..) resta consolidado no ordenamento jurídico brasileiro a não incidência do ISS sobre as atividades de locação relacionadas aos bens móveis. Assim sendo, nota-se na legislação que a obrigatoriedade de emissão de Nota Fiscal esta intimamente vinculada ao controle do calculo do ISS sobre o preço dos serviços de contribuintes sujeitos ao seu pagamento. Logo, se o tributo em tela não incide sobre determinada atividade, ou seja, sobre o seu preço, não se mantem a obrigatoriedade de emitir Nota Fiscal et empresa que a realiza. (. ) Se irregularidade alguma houve, aplicável ao caso a pena pelo descumprimento da obrigação tributário acessória de emissão de nota fiscal e não o indeferimento do crédito, que encontra amparo na legislação tributária federal e foi apropriado com base em uma operação efetivamente ocorrida, documentada Ressalte-se que o ilustre auditor fiscal da Receita Federal do Brasil em seu relatório não põe em dúvida a validade dos contratos de locação dos bens e nem a efetiva realização das operações, limitando-se o mesmo a desconsiderar as operações do contribuinte com base em suposta simulação e caracterização de distribuição disfarçada de lucros... Ademais, os vícios de simulação e distribuição disfarçada de lucros nem sequer foram imputados à operação de locação de empilhadeiras realizada entre a Contribuinte e a empresa Rochatop Terminais e Operadores Portuários Ltda. tendo o Auditor Fiscal da RFB desconsiderado os créditos de PIS/COFINS sobre estas despesas simplesmente pela ausência de notas fiscais, como se a despesa não tivesse ocorrido e fosse necessária as atividades da contribuinte. Nos tópicos "III. Da inexistência de fraude ou simulação", "IV. Não Caracterização de Distribuição Disfarçada de Lucros" e "V. Ainda Sobre a Simulação: Sua Distinção de Negócio Jurídico Indireto - Histórico do Negócio Havido entre as Partes Contratantes da Locação" A interessada traz argumentos de variada ordem tanto no sentido de demonstrar a irregularidade do feito fiscal como em defesa da regularidade das operações de locação de equipamentos utilizados em sua atividade produtiva a fim de demonstrar que não houve qualquer tipo de simulação de sua parte no intuito de beneficiar-se indevidamente de créditos da não-cumulatividade da contribuição para o PIS e da Cofins, criação de despesas dedutíveis na apuração do IRPJ e CSLL e distribuição disfarçada de lucros. Em relação aos insumos aplicados na prestação de serviços, titulo VI, a interessada inicialmente lista os bens e serviços adquiridos e seus respectivos fornecedores, abaixo reproduzida, a fim de que "possam ser analisados os argumentos": (...) Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário (arquivo não paginável), por meio do qual alega, no que interessa ao deslinde do litígio, a nulidade do acórdão recorrido, com fundamento nas seguintes razões de defesa: Em face das alegações apresentadas pela empresa, a DRJ baixou os autos em diligência, a fim de que a unidade preparadora providenciasse a análise da demonstração e da composição da base de cálculo do PIS não cumulativo, mediante a comprovação por meio de documentos contábeis e/ou fiscais. Na sua realização, requereu-se a entrega do balancete de março de 2003 e orientou-se a empresa sobre o fato de que os Livros Diário e Razão deveriam ficar à disposição do Fisco, caso requeridos. Segue, então, argumentando que em todos estes documentos fiscais evidencia-se que a empresa adquiriu bens ou contratou serviços os quais foram totalmente aplicados em suas atividades, as quais se relacionam à operação portuária e envolvem o maquinário utilizado para a sua realização; o que em nenhum momento foi impugnado pela autoridade fiscal. Afirma que a glosa dos créditos de PIS/COFINS ocorreu, portanto, conforme se infere da invocação ao artigo 301 do RIR/99 pela autoridade fazenddria, pelo fato de esta ter considerado todas as aquisições de produtos como enquadráveis no ativo imobilizado e não enquanto insumos. Com base nesse entendimento, argumenta que os produtos adquiridos o foram com a finalidade exclusiva de manter os seus ativos em condições operacionais e que, quando incorporados as respectivas máquinas e equipamentos, possuem vida útil inferior a um ano e/ou não aumentam a vida útil dos bens do seu ativo imobilizado em prazo superior a um ano, razão pela qual não se justifica a sua incorporação ao ativo permanente, para que seja então depreciado ou amortizado. Aduz que o elevado custo de aquisição de um bem não impõe sua classificação no ativo imobilizado e acrescenta que a prova do aumento da vida útil do bem para além de um ano, para fins de sua inclUsdo no ativo imobilizado, cabe ao fisco, a teor de várias decisões do Conselho de Contribuintes que elenca. Por fim, em relação aos outros valores/operações com direito a crédito argumenta que, ao contrário do que afirma a autoridade fiscal, forneceu à fiscalização todos os documentos necessários, como comprovam as cópias em anexo dos protocolos prestados pelo Auditor Fiscal, indicando o recebimento dos documentos solicitados, e a consignação que consta do recebimento dos documentos solicitados no Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal. Aduz que, por não haver qualquer impugnação especifica quanto aos documentos apresentados por esta contribuinte, torna-se impossível à mesma exercer seu direito de defesa nos termos asseguradOs pela Constituição Federal de 1988. Pugna então pelo afastamento da glosa em vista de não ser verdadeira a informação de que a contribuinte deixou de se manifestar quando lhe foram solicitados documentos e informações. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/FNS n.º 07-21.780, de 29/10/2010 (fls. 907 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2004 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2004 REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Dão direito a crédito, no âmbito do regime da não-cumulatividade, custos e despesas com bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no Pais, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados A venda. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da não-cumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados A venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no Pais, aplicados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito creditório não reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 930 e ss., por meio do qual aponta equívoco da decisão ao dizer que houve parcial revelia dela (por não se manifestar quanto a algumas glosas), porquanto todas as glosas teriam sido impugnadas; reitera as suas razões sobre o direito aos créditos sobre aluguéis de equipamentos, sobre insumos e serviços de outras pessoas jurídicas; invoca, noutros termos, alteração de fundamentos, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para a manutenção das glosas a título de "outros valores/operações com direito a crédito", ao tempo em que menciona impossibilidade de exercício de defesa, por não haver impugnação específica aos documentos por ela apresentados, no mister de comprovar seus créditos. Evoca o art. 112 do CTN - in dubio pro contribuinte. Ao final, requer a reforma da decisão de primeiro grau e o reconhecimento integral dos créditos. Por meio da Resolução de fls., os autos foram baixados em diligência, a fim de que se verificasse "se os fatos descritos no termo de verificação e encerramento da análise fiscal que antecede o indeferimento do pedido de ressarcimento estão lastreados, pelo menos em parte, em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. Em despacho, informou-se não terem sido encontrados registros de realização de procedimento fiscal relativo ao IRPJ referente ao período de 2003 a 2005, aos quais se referem os pedidos de ressarcimento. Por meio da petição de fls., a Recorrente requer o julgamento conjunto deste processo com outros idênticos de seu interesse. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto
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RESSARCIMENTO.COMPENSAÇÃO Recorrente WRC OPERADORES PORTUÁRIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido de ressarcimento de PIS, cumulado com compensação de débito próprio, com origem no quarto trimestre de 2004. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento acompanhado por Declaração de Compensação de crédito da Contribuição para Programa de Integração Social —PIS nãocumulativa, decorrentes das operações da interessada com o mercado externo, por meio do qual a contribuinte pleiteia a repetição do montante de R$ 22.526,65, referente ao quarto trimestre de 2004. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .0 00 20 4/ 20 07 -0 5 Fl. 1075DF CARF MF Processo nº 10920.000204/200705 Resolução nº 3201001.703 S3C2T1 Fl. 1.076 2 Do Despacho Decisório Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinville/SC pelo reconhecimento parcial do direito de crédito pleiteado e pela homologação da compensação somente at o limite do credito reconhecido (Termo Fiscal e Despacho Decisório juntados aos autos), fazendoo com base no não acatamento de certos valores incluídos pela contribuinte na base de cálculo apurada, conforme segue. 1. Bens e Serviços utilizados como insumos Extraise do relatório fiscal que foram glosados por não se enquadrarem no conceito de insumo adotado no âmbito da contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas: os gastos com materiais de consumo; as despesas indiretas com pessoal, entre essas alimentação, transporte, cestas básicas, despesas com viagens, uniformes e equipamentos de segurança; as despesas administrativas indiretas como projetos de produtos, assessoria empresarial ou comercial, honorários advocatícios, serviços de telefonia fixa e móvel, comissões de venda e vigilância de seus estabelecimentos; e também as despesas incorridas referentes a aquisições de "equipamentos, partes, peças, máquinas, incluídos os materiais para sua fabricação ou manutenção, e quaisquer outros itens que devam ser incorporados ao ativo imobilizado da empresa, a teor do que dispõe o art. 301 do Decreto n.° 3.000/1999". 2. Outros Valores/Operações com Direito a Crédito Relata a autoridade fiscal que glosou os valores informados no Dacon a este título em razão de a interessada não ter trazido o demonstrativo destes, apesar de intimada duas vezes para tanto. 3. Despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas A autoridade fiscal glosou os valores informados a titulo de despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas, no caso, as empresas Rocha Top Terminais e Operadores Portuários Ltda. (R$ 942.579,96), Cargolink Armazéns de Carga Ltda. (R$ 5.509.147,17) e WR Operadores Portuários Ltda. (R$ 7.381.682,79) — valores informados no período analisado, no caso, os anos de 2003 a 2005, por entender que os fatos apurados demonstram que, na realidade, "...todo o mecanismo utilizado foi simulado, visando elisão fiscal, mascarando a operação real de aquisição pela WRC dos equipamentos como locação de terceiros...". Em relação à empresa Rocha Top, foram glosadas os valores dos pagamentos efetuados entre janeiro/2003 e abril/2004, os quais não foram acompanhados de emissão dos respectivos documentos fiscais, somente de recibos; foram aceitos pagamentos e também outros referentes a outras locações de equipamentos semelhantes com a Rocha Top respaldados por nota fiscal, no caso ocorridos a partir de maio/2004. Os mencionados valores foram glosados pelas razões que seguem. 3.1. Obrigatoriedade das Notas Fiscais Informa, inicialmente, a autoridade fiscal que apesar de os locadores serem prestadores de serviços, possuindo notas fiscais do modelo requerido, não houve a apresentação de notas fiscais de serviços. Fl. 1076DF CARF MF Processo nº 10920.000204/200705 Resolução nº 3201001.703 S3C2T1 Fl. 1.077 3 Relata que quando intimada a apresentar as notas fiscais referentes às operações de locação de equipamentos e de aquisição de bens do ativo imobilizado, a interessada não o fez, alegando serem operações dispensadas de emissão. Afirma então que, apesar de ser "pacifico entendimento de que o ISSQN somente é devido nas locações de bens móveis com mãode obra, estando portanto a locação pura e simples do bem fora do campo de incidência de tal tributo", é obrigatória a emissão de notas fiscais de serviço por todos os prestadores de serviços, desde que não dispensados desta obrigação por meio de Decreto Municipal ou Estadual. Informa, então, que em consulta à Secretaria de Finanças do Município de São Francisco do Sul, esta informou via email que as empresas em questão não estão dispensadas da emissão de nota fiscal fatura de serviços por aquela Secretaria. No mais, afirma que, a teor do artigo 41 da Lei Complementar n.° 9/1999 do Município de Sao Francisco do Sul, abaixo transcrito, "quem está sujeito ao pagamento do imposto é o contribuinte (sujeito passivo) e não a operação (fato gerador) para obrigação de emissão de nota fiscal", razão pela qual ser prestador de serviço de operação portuária ou agenciamento marítimo configura fato suficiente para enquadrar a pessoa jurídica como contribuinte do ISS, e portanto obrigado à emissão de nota fiscal, mesmo que podendo efetuar prestações abrangidas e outras não abrangidas pelo campo de incidência do tributo. Segue o artigo mencionado: Art. 41: Os contribuintes sujeitos ao pagamento do Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, calculado sobre o preço dos serviços, ficam obrigados a emitir Nota Fiscal de Serviços e / ou Nota Fiscal Fatura de Serviços, de modelo Oficial, ou cztpom do terminal de venda PDV estabelecidos peia Secretaria de Finanças. 3.2. Contratos de locação de equipamentos Em relação aos Contratos de Locação de Equipamentos firmados entre a interessada e as empresas Rocha Top, CargOlink e WR, relata a autoridade fiscal: Contrato Firmado com Rocha Top: Contrato de Locação de Equipamentos firmado com Rocha Top..., originariamente pertencida WR, que foi substituída pela WRC como contratante através do Segundo Termo Aditivo, datado de I.° de maio de 2002, mês de inicio de suas operações e seguinte ao de sua constituição. Tem por objeto a locação de duas empilhadeiras modelos Top Loader e Reach Stacker. Apesar de o locador ser prestador de serviços, possuindo notas ,fiscais do modelo requerido, os pagamentos efetuados entre janeiro/2003 e abril/2004 não foram acompanhados de emissão dos respectivas documentos fiscais, somente de recibos. A partir de maio/2004 estes pagamentos e também outros referentes a outras locações de equipamentos semelhantes com a Rocha Top foram respaldados por nota/iscal. Contrato Firmado com Cargolink: O Contrato de Locação de Equipamentos firmado com Cargolink foi assinado em 11 de março de 2002, antes do inicio das operações do interessado, e referese a um Fl. 1077DF CARF MF Processo nº 10920.000204/200705 Resolução nº 3201001.703 S3C2T1 Fl. 1.078 4 guindaste portuário modelo HMK 300E. O instrumento inicia dizendo "Considerando que para financiar a aquisição do Equipamento a CARGOLINK contraiu, junto ao Banco Bradesco S.A., empréstimo e que, como garantia do referido empréstimo, deu o Equipamento em alienação fiduciária em favor do Banco Bradesco S.A...."e continua "Considerando que a WRC é uma sociedade que está sendo constituída pela CARGOLINK, em sociedade com a WR OPERADORES PORTUÁRIOS LTDA. para o desenvolvimento conjunto de atividades de movimentação de carga no porto de Sao Francisco do Sul..." (grifou se). A cláusula segunda estipula "Pela Locação do Equipamento, a WRC pagará à CARGOLINK I quantia semestral correspondente às parcelas de amortização do principal, juros, tributos, prêmios de se tiro, comissão de repasse e demais encargos que sejam devidos pela CARGOLINK ao Banco Bradesco S.A. em decorrência do Contrato de Financiamento (o "Aluguel") ... Os valores, prazos e demais condições dos pagamentos a serem efetuados a titulo de Aluguel... serão reajustados nos mesmos termos do reajuste das parcelas a serem pagas pela CARGOLINK ao Banco Bradesco.S.A. em decorrência do Contrato de Financiamento." (grifou se). Quando intimado a apresentar cópia da nota fiscal de aquisição do equipamento GUINDAB0001 Guindaste Móvel Portuário sob o qual calculou créditos de depreciação, o interessado apresentou um Contrato de Opção de Compra firmado entre Cargolink e WR datado de 08 de março de 2002 com a mesma descrição, e portanto dele originário, do Contrato de Locação de Equipamentos em questão, com Termo de Cessão e Aditivo onde WR repassa o direito a opção de compra para WRC, datado de 11 de março de 2002, mesma data do Contrato objeto desta análise e antes do inicio de sua operações. O Contrato de Opção de Compra estipula que "Em contrapartida à outorga da Opção de Compra. WR paga neste ato à CARGOLINK ... a quantia de R$ 674.313,00... pelo que a CARGOLINK dá à WR plena quitação da quantia ora recebida." e segue "Na hipótese de a WR exercer a Opção de Compra, o preço a ser pago pela WR à CARGOLINK para a aquisição do Equipamento fica fixado em RS 10.000,00..." (grifouse). Esta contrapartida paga pela Cargo link foi reembolsada pela WRC quando iniciou as operações, considerando que houve mesmo a transferência de valor, tanto que imobilizou o bem em janeiro/2003 e iniciou a depreciação sob descrição GUINDAA000I Guindaste Móvel Portuário, com valor de aquisição R$ 674.313,00, conforme denotasena planilha de depreciações entregue pelo interessado,... Percebese também que este valor é muito próximo aos 15% exigidos como entrada, conforme cláusula 3 Terms of Payment do contrato de compra do guindaste firmado entre Cargolink e Demag Mobile Cranes segundo fax de Demag Mobile Cranes ... foi de C 375.000 menos bônus de C 40.000, total C 335.000 (trezentos e trinta e cinco mil euros),convertido a taxa de câmbio vigente em 20/07/2001, data .final para pagamento determinada na mesma cláusula, perfaz R$ 717.070,85 (2,14051 REAL/BRASIL (790) = I EURO/COM.EUROPEIA (978), fonte: Banco Central). Fl. 1078DF CARF MF Processo nº 10920.000204/200705 Resolução nº 3201001.703 S3C2T1 Fl. 1.079 5 Contrato Firmado corn WR: O Contrato de Locação de Equipamentos firmado corn WR... foi assinado em 11 de março de 2002, antes do inicio das operações do interessado, e referese a um guindaste portuário modelo HMK 300E, Mutatis mutandis, é idêntico ao Contrato de Locação de Equipamentos firmado com Cargolink. 0 instrumento inicia dizendo "Considerando que em 25 de junho de 2002 a WR adquiriu um guindaste..." (grifouse), num claro erro de datas pois o contrato seria anterior aquisição, confirmado pelos documentos seguintes. Prossegue "Considerando que o Equipamento é objeto de contrato de arrendamento mercantil..." e "Considerando que a WRC é uma sociedade que está sendo constituída pela WR, em sociedade com a CARGOLINK ARMAZÉNS DE CARGA LTDA.... para o desenvolvimento conjunto de atividades de movimentação de carga no porto de São Francisco do Sul..." (grifouse). A clausula segunda estipula "Pela Locação do Equipamento, a WRC pagará à WR quantia correspondente a todas as obrigações pecuniárias, incluindo o valor residual garantido, juros, tributos e demais encargos que sejam devidos pela WR ao Safra Leasing S.A. —Arrendamento Mercantil em decorrência do Contrato de Arrendamento Mercantil (o "Aluguel") .. Os valores, prazos e demais condições dos pagamentos a serem efetuados a titulo de Aluguel... serão reajustado nos mesmos termos do reajuste das parcelas a serem pagas pela WR ao Safra Leasing S.A. Arrendamento Mercantil em decorrência do Contrato de Arrendamento Mercantil." (grifouse). A cláusula oitava da o prazo de vigência de 5 anos, terminando em fevereiro/2007, enquanto o arrendamento encerrou em outubro/2005, juntamente com o último pagamento efetuado. O Contrato de Arrendamento Mercantil do equipamento estipula o valor residual garantido "VRG Final devido no final (parte ou total): R$ 69.050.02" com vencimento juntamente cOni a última contraprestação em 31/10/2005. Este valor, que seria devido pela arrendatária W R, se houve mesmo pagamento, Ibi pago pela WRC, tanto que imobilizou o bem ern outubro/2005 e iniciou a depreciação sob descrição GUINDAB0001 Guindaste Móvel Portuário, com valor de aquisição R$ 69.050,02 conforme denotase na planilha de depreciações entregue pelo interessado No tópico "4.3.1.4.3 Da vineulação entre as empresas" o auditor fiscal inicialmente destaca que a WR e WRC funcionam no mesmo endereço, Rua Marechal Deodoro, 156, com a denominação adicional "sala A" para WRC. Relata que a WR foi sócia, em conjunto com Cargolink e outros, da WRC até 14/07/2006, que havia participações recíprocas nos quadros societários de várias empresas e que em 13 de julho de 2006 a WR foi incorporada pela WRC. Resume, então, a confusão verificada nos quadros societários das empresas, demonstrando as pessoas físicas detentoras das empresas, "atualmente ou no período sob análise", através do quadro que abaixo se reproduz: (...) Conclui que a empresa WRC pertencia fundamentalmente a todas as pessoas listadas, através de participações cruzadas envolvendo outras empresas como por exemplo Cabral Serviços Marítimos Ltda., Douat Fl. 1079DF CARF MF Processo nº 10920.000204/200705 Resolução nº 3201001.703 S3C2T1 Fl. 1.080 6 Cia. de Participações, Litoral Investimentos Ltda., Litoral Empreendimentos Ltda. e Litoral Agencia Marítima Ltda. Ante os fatos apresentados, afirma a autoridade fiscal: Todos os fatos acima descritos levam esta auditoria a acreditar que todo o mecanismo utilizado foi simulado, visando a elisão fiscal, mascarando a operação real de aquisição pela WRC dos equipamentos como locação de terceiros, tendo como intuito a geração de créditos das contribuições objeto desta análise, e, possivelmente, criação de despesas dedutíveis na apuração do IREI e CSLL e distribuição disfarçada de lucros visto que se tratam na verdade das mesmas pessoas [os sócios das empresas]. Da Manifestação de Inconformidade Inconformada com as razões postas para as glosas efetuadas a contribuinte as contestou por meio dos argumentos que seguem. No tópico "II. Da inexistência de obrigatoriedade relacionada a emissão de Nota Fiscal por conta da realização de operação de locação de bem móvel" a contribuinte inicialmente discorre sobre "o correto tratamento tributário dispensado pela legislação e pelos Tribunais pátrios com relação à locação de bens móveis", e alega: (..) resta consolidado no ordenamento jurídico brasileiro a não incidência do ISS sobre as atividades de locação relacionadas aos bens móveis. Assim sendo, notase na legislação que a obrigatoriedade de emissão de Nota Fiscal esta intimamente vinculada ao controle do calculo do ISS sobre o preço dos serviços de contribuintes sujeitos ao seu pagamento. Logo, se o tributo em tela não incide sobre determinada atividade, ou seja, sobre o seu preço, não se mantem a obrigatoriedade de emitir Nota Fiscal et empresa que a realiza. (. ) Se irregularidade alguma houve, aplicável ao caso a pena pelo descumprimento da obrigação tributário acessória de emissão de nota fiscal e não o indeferimento do crédito, que encontra amparo na legislação tributária federal e foi apropriado com base em uma operação efetivamente ocorrida, documentada Ressaltese que o ilustre auditor fiscal da Receita Federal do Brasil em seu relatório não põe em dúvida a validade dos contratos de locação dos bens e nem a efetiva realização das operações, limitandose o mesmo a desconsiderar as operações do contribuinte com base em suposta simulação e caracterização de distribuição disfarçada de lucros... Ademais, os vícios de simulação e distribuição disfarçada de lucros nem sequer foram imputados à operação de locação de empilhadeiras realizada entre a Contribuinte e a empresa Rochatop Terminais e Operadores Portuários Ltda. tendo o Auditor Fiscal da RFB desconsiderado os créditos de PIS/COFINS sobre estas despesas simplesmente pela ausência de notas Fl. 1080DF CARF MF Processo nº 10920.000204/200705 Resolução nº 3201001.703 S3C2T1 Fl. 1.081 7 fiscais, como se a despesa não tivesse ocorrido e fosse necessária as atividades da contribuinte. Nos tópicos "III. Da inexistência de fraude ou simulação", "IV. Não Caracterização de Distribuição Disfarçada de Lucros" e "V. Ainda Sobre a Simulação: Sua Distinção de Negócio Jurídico Indireto Histórico do Negócio Havido entre as Partes Contratantes da Locação" A interessada traz argumentos de variada ordem tanto no sentido de demonstrar a irregularidade do feito fiscal como em defesa da regularidade das operações de locação de equipamentos utilizados em sua atividade produtiva a fim de demonstrar que não houve qualquer tipo de simulação de sua parte no intuito de beneficiarse indevidamente de créditos da nãocumulatividade da contribuição para o PIS e da Cofins, criação de despesas dedutíveis na apuração do IRPJ e CSLL e distribuição disfarçada de lucros. Em relação aos insumos aplicados na prestação de serviços, titulo VI, a interessada inicialmente lista os bens e serviços adquiridos e seus respectivos fornecedores, abaixo reproduzida, a fim de que "possam ser analisados os argumentos": (...) Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário (arquivo não paginável), por meio do qual alega, no que interessa ao deslinde do litígio, a nulidade do acórdão recorrido, com fundamento nas seguintes razões de defesa: Em face das alegações apresentadas pela empresa, a DRJ baixou os autos em diligência, a fim de que a unidade preparadora providenciasse a análise da demonstração e da composição da base de cálculo do PIS não cumulativo, mediante a comprovação por meio de documentos contábeis e/ou fiscais. Na sua realização, requereuse a entrega do balancete de março de 2003 e orientouse a empresa sobre o fato de que os Livros Diário e Razão deveriam ficar à disposição do Fisco, caso requeridos. Segue, então, argumentando que em todos estes documentos fiscais evidenciase que a empresa adquiriu bens ou contratou serviços os quais foram totalmente aplicados em suas atividades, as quais se relacionam à operação portuária e envolvem o maquinário utilizado para a sua realização; o que em nenhum momento foi impugnado pela autoridade fiscal. Afirma que a glosa dos créditos de PIS/COFINS ocorreu, portanto, conforme se infere da invocação ao artigo 301 do RIR/99 pela autoridade fazenddria, pelo fato de esta ter considerado todas as aquisições de produtos como enquadráveis no ativo imobilizado e não enquanto insumos. Com base nesse entendimento, argumenta que os produtos adquiridos o foram com a finalidade exclusiva de manter os seus ativos em condições operacionais e que, quando incorporados as respectivas máquinas e equipamentos, possuem vida útil inferior a um ano e/ou não aumentam a vida útil dos bens do seu ativo imobilizado em prazo superior a um ano, razão pela qual não se justifica a sua incorporação Fl. 1081DF CARF MF Processo nº 10920.000204/200705 Resolução nº 3201001.703 S3C2T1 Fl. 1.082 8 ao ativo permanente, para que seja então depreciado ou amortizado. Aduz que o elevado custo de aquisição de um bem não impõe sua classificação no ativo imobilizado e acrescenta que a prova do aumento da vida útil do bem para além de um ano, para fins de sua inclUsdo no ativo imobilizado, cabe ao fisco, a teor de várias decisões do Conselho de Contribuintes que elenca. Por fim, em relação aos outros valores/operações com direito a crédito argumenta que, ao contrário do que afirma a autoridade fiscal, forneceu à fiscalização todos os documentos necessários, como comprovam as cópias em anexo dos protocolos prestados pelo Auditor Fiscal, indicando o recebimento dos documentos solicitados, e a consignação que consta do recebimento dos documentos solicitados no Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal. Aduz que, por não haver qualquer impugnação especifica quanto aos documentos apresentados por esta contribuinte, tornase impossível à mesma exercer seu direito de defesa nos termos asseguradOs pela Constituição Federal de 1988. Pugna então pelo afastamento da glosa em vista de não ser verdadeira a informação de que a contribuinte deixou de se manifestar quando lhe foram solicitados documentos e informações. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/FNS n.º 0721.780, de 29/10/2010 (fls. 907 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Dão direito a crédito, no âmbito do regime da nãocumulatividade, custos e despesas com bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no Pais, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados A venda. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados A venda; as matérias primas, os Fl. 1082DF CARF MF Processo nº 10920.000204/200705 Resolução nº 3201001.703 S3C2T1 Fl. 1.083 9 produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no Pais, aplicados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito creditório não reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 930 e ss., por meio do qual aponta equívoco da decisão ao dizer que houve parcial revelia dela (por não se manifestar quanto a algumas glosas), porquanto todas as glosas teriam sido impugnadas; reitera as suas razões sobre o direito aos créditos sobre aluguéis de equipamentos, sobre insumos e serviços de outras pessoas jurídicas; invoca, noutros termos, alteração de fundamentos, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para a manutenção das glosas a título de "outros valores/operações com direito a crédito", ao tempo em que menciona impossibilidade de exercício de defesa, por não haver impugnação específica aos documentos por ela apresentados, no mister de comprovar seus créditos. Evoca o art. 112 do CTN in dubio pro contribuinte. Ao final, requer a reforma da decisão de primeiro grau e o reconhecimento integral dos créditos. Por meio da Resolução de fls., os autos foram baixados em diligência, a fim de que se verificasse "se os fatos descritos no termo de verificação e encerramento da análise fiscal que antecede o indeferimento do pedido de ressarcimento estão lastreados, pelo menos em parte, “em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ”. Em despacho, informouse não terem sido encontrados registros de realização de procedimento fiscal relativo ao IRPJ referente ao período de 2003 a 2005, aos quais se referem os pedidos de ressarcimento. Por meio da petição de fls., a Recorrente requer o julgamento conjunto deste processo com outros idênticos de seu interesse. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. A Recorrente, pessoa jurídica que presta serviços portuários, notadamente movimentação de cargas unitizadas em contêineres, apresentou diversos pedidos eletrônicos de ressarcimento de créditos de PIS/Cofins, os quais também serão, nesta mesma assentada, julgados em conjunto. Fl. 1083DF CARF MF Processo nº 10920.000204/200705 Resolução nº 3201001.703 S3C2T1 Fl. 1.084 10 Conferido em parte, em alguns processos, o direito reclamado e indeferido noutros, a Recorrente apresentou manifestações de inconformidade, posteriormente julgadas improcedentes pela DRJ. Nos autos do processo de nº 10920.000216/200721, já julgado pela 3ª Turma Especial desta 3ª Seção do CARF, constatou o relator do Acórdão nº 3803005.250, de 29/01/2014, conselheiro Corintho Oliveira Machado: Em preliminar, cumpre atentar para uma alegação trazida pela recorrente desde o início da lide falta de impugnação específica aos documentos apresentados pela contribuinte, no mister de comprovar seus créditos que, de fato, dificultou sobremaneira a defesa da ora recorrente. Esse vício na forma como foram apresentadas as glosas dos créditos solicitados (sem discriminação por nota fiscal, ou mesmo por fornecedor) trouxe não só dificuldade de defesa para a contribuinte mas também para o julgador de piso, conforme verseá adiante. Notase, no vestíbulo do voto, que a i. relatora elenca várias rubricas que teriam sido glosadas pela auditoriafiscal (reportadas no item 4.3.1.3 do Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal)1 e que não teriam sido objeto da manifestação de inconformidade. Nada obstante, ao se analisar a tabela de notas fiscais glosadas do despacho decisório, fl. 276, encontrase um total de 24 notas que são tratadas conjuntamente pelo Fisco, como sendo de ativo imobilizado, materiais de uso/consumo e despesas administrativas. Pois bem, essas notas fiscais todas foram objeto sim da manifestação de inconformidade apresentada, não sobrando espaço algum para glosas não manifestadas. O tratamento das glosas no despacho decisório nesse formato genérico trouxe ainda problemas de avaliação para o julgamento que exsurgem nos últimos parágrafos do voto, quando são tratados os serviços de “intermediação de negócios comerciais” prestados pela empresa Cargotop Participações Ltda e os serviços de “assistência técnica” prestados pela empresa Demag Granes & Componentes Ltda. O acórdão dá a entender que tais valores não foram informados corretamente na linha 03 da ficha do Dacon (despesas com “Serviços Utilizados como Insumo”) e por isso nada aqui cabe ser dito, por não haver nenhuma glosa a esse título, entretanto, o despacho decisório é claro ao mencionar expressamente as notas fiscais relativas a esses fornecedores no item 2.2.1.1, não sendo legítimo ignorar a existência das glosas expressas tão somente porque não foram informados os seus valores no campo correto do Dacon, como sentencia o decisum guerreado. 1 (...) Ressaltese que gastos com materiais de consumo, despesas indiretas com pessoal entre essas: alimentação, transporte, cestas básicas, despesas com viagens, uniformes e equipamentos de segurança e despesas administrativas indiretas como projetos de produtos, assessoria empresarial ou comercial, honorários advocatícios, serviços de telefonia fixa e móvel, comissões de venda e vigilância de seus estabelecimentos, evidentemente não se enquadram no conceito de insumo e não podem ser considerados para fins de apuração dos créditos de PIS/PASEP e COFINS nãocumulativos. (...) Fl. 1084DF CARF MF Processo nº 10920.000204/200705 Resolução nº 3201001.703 S3C2T1 Fl. 1.085 11 Na mesma linha de raciocínio valor não informado no Dacon está a rubrica "Outros Valores/Operações com Direito a Crédito", porém aqui há vício explícito do despacho decisório, que menciona a glosa dos valores, por não haver qualquer documento trazido pelo contribuinte, mas não menciona o valor glosado a esse título. Ao meu sentir, esses vícios na maneira como foram apresentadas as glosas dos créditos solicitados, ainda no despacho decisório, geraram efetivamente cerceamento do direito de defesa do solicitante, e merecem ser declarados como nulidades sem chance de convalescença, pois inquinaram todos os demais atos processuais deste contencioso, sem prejuízo do refazimento do ato administrativo (despacho decisório) de forma apropriada, ou seja, com a necessária discriminação das glosas dos créditos por documento apresentado, como requer desde o início a recorrente. Posto isso, voto pelo PROVIMENTO PARCIAL do recurso voluntário, para declarar nulo o processo desde o despacho decisório inclusive. Seguimos o voto do relator na parte em que descreve as deficiências do Despacho Decisório, mas alvitramos desfecho diferente. Entendemos que uma mera diligência poderá sanar as dúvidas a serem dirimidas (art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972). Pelo exposto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a unidade preparadora elabore, para o(s) PER/DCOMP(s) objeto dos autos, Relatório Fiscal detalhado sobre as razões das glosas, nos moldes em que já realizado quando do refazimento do Despacho Decisório que acostou ao processo nº 10920.000216/200721 (novo Despacho Decisório às fls. 1015/1041 do referido processo). Encerrada a instrução processual, a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, findo o qual, sem ou com apresentação de manifestação, devem os autos serem devolvidos a este Colegiado para a continuidade do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1085DF CARF MF Processo nº 10920.000204/200705 Resolução nº 3201001.703 S3C2T1 Fl. 1.086 12 Fl. 1086DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10168.003919/2007-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004
SUSPEIÇÃO DO AUDITOR FISCAL. MILITÂNCIA EM PARTIDO POLÍTICO DE OPOSIÇÃO AO PARTIDO FISCALIZADO. ELEMENTO CONCRETO DE SUSPEIÇÃO, PARCIALIDADE, MÁ-FÉ E PREJUÍZO AO RECORRENTE NÃO DEMONSTRADOS.
A arguição de suspeição do auditor fiscal responsável pela fiscalização, com base no fato dele ser militante de partido político de oposição ao partido político recorrente, em si, não caracteriza suspeição. É necessária a demonstração, por meio de elementos concretos, da ocorrência de parcialidade ou má-fé, bem assim a evidenciação de que houve prejuízo ao fiscalizado ou favorecimento do partido do auditor fiscal, em função de excesso ou das prerrogativas do auditor.
Servidores e colaboradores podem exercer atividade político-partidária. Se ficar comprovado que determinado servidor agiu com excesso ou valeu-se do cargo para prejudicar alguém, poderá haver imputação de responsabilidade funcional, administrativa e penal.
SUSPENSÃO DE IMUNIDADE. AUTORIDADE COMPETENTE
A autoridade competente para declarar a suspensão da imunidade é o delegado/inspetor da delegacia/inspetoria da Receita Federal de jurisdição da pessoa jurídica.
SUSPENSÃO DE IMUNIDADE. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS DO CTN.
Descumpridos os requisitos estabelecidos no arts. 9° § 1º e 14 do CTN, devida a suspensão da imunidade tributária.
DESPESAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO.
Para comprovar despesas realizadas não basta a apresentação de notas fiscais, sendo necessária a comprovação do efetivo pagamento e da contraprestação em serviços recebida.
SUSPENSÃO DE IMUNIDADE, FALTA DE COMPROVAÇÃO DE DESPESAS ESCRITURADAS, DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DO ART. 14 DO CTN
A falta de comprovação do pagamento e/ou da efetiva prestação de serviços enseja o descumprimento dos requisitos listados nos incisos I a III do art. 14 do CTN e, por conseguinte, a suspensão da imunidade.
SUSPENSÃO DA IMUNIDADE. FALTA DE RETENÇÃO DO IRRF.
Nos termos do § 1º, do art. 9º, c/c o § 1º, do art. 14 do CTN, a falta de retenção do imposto na fonte sobre pagamento de serviços prestados por terceiros enseja a suspensão da imunidade.
SUSPENSÃO DA IMUNIDADE, SUJEIÇÃO À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA DO IRPJ E CSLL.
Tendo em vista a suspensão da imunidade, o partido submete-se à legislação de regência do IRPJ e CSLL aplicável às demais pessoas jurídicas de direito privado.
FUNDO PARTIDÁRIO, CONTRIBUIÇÃO DE FILIADOS E DOAÇÕES DE TERCEIROS. ADEQUAÇÃO AO CONCEITO DE RENDA/PROVENTOS PARA O FIM DE INCIDÊNCIA DE IRPJ
Para caracterizar o conceito de receita tributável pelo imposto não importa o fato de a receita do sujeito passivo ter sido proveniente de fundo partidário repassado pela União, ou de contribuições e doações de filiados e terceiros, vez que o art. 43, caput § 1° do CTN estabelece que não interessa a origem e a denominação desta, muito menos a condição jurídica da fonte pagadora.
CSLL. IDÊNTICA MATÉRIA DO IRPJ.
Aplica-se aos lançamentos da CSLL o decidido para o lançamento de IRPJ vez que decorrentes de mesmas matérias e provas.
PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO E/OU PAGAMENTO SEM CAUSA. INCIDÊNCIA DE IRRF.
Nos termos do art. 674, caput e § 1º do RIR99, a pessoa jurídica está sujeita à incidência de imposto exclusivamente na fonte na hipótese de pagamento a beneficiário não identificado e/ou de pagamento sem causa.
Numero da decisão: 1302-003.386
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003, 2004 SUSPEIÇÃO DO AUDITOR FISCAL. MILITÂNCIA EM PARTIDO POLÍTICO DE OPOSIÇÃO AO PARTIDO FISCALIZADO. ELEMENTO CONCRETO DE SUSPEIÇÃO, PARCIALIDADE, MÁ-FÉ E PREJUÍZO AO RECORRENTE NÃO DEMONSTRADOS. A arguição de suspeição do auditor fiscal responsável pela fiscalização, com base no fato dele ser militante de partido político de oposição ao partido político recorrente, em si, não caracteriza suspeição. É necessária a demonstração, por meio de elementos concretos, da ocorrência de parcialidade ou má-fé, bem assim a evidenciação de que houve prejuízo ao fiscalizado ou favorecimento do partido do auditor fiscal, em função de excesso ou das prerrogativas do auditor. Servidores e colaboradores podem exercer atividade político-partidária. Se ficar comprovado que determinado servidor agiu com excesso ou valeu-se do cargo para prejudicar alguém, poderá haver imputação de responsabilidade funcional, administrativa e penal. SUSPENSÃO DE IMUNIDADE. AUTORIDADE COMPETENTE A autoridade competente para declarar a suspensão da imunidade é o delegado/inspetor da delegacia/inspetoria da Receita Federal de jurisdição da pessoa jurídica. SUSPENSÃO DE IMUNIDADE. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS DO CTN. Descumpridos os requisitos estabelecidos no arts. 9° § 1º e 14 do CTN, devida a suspensão da imunidade tributária. DESPESAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO. Para comprovar despesas realizadas não basta a apresentação de notas fiscais, sendo necessária a comprovação do efetivo pagamento e da contraprestação em serviços recebida. SUSPENSÃO DE IMUNIDADE, FALTA DE COMPROVAÇÃO DE DESPESAS ESCRITURADAS, DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DO ART. 14 DO CTN A falta de comprovação do pagamento e/ou da efetiva prestação de serviços enseja o descumprimento dos requisitos listados nos incisos I a III do art. 14 do CTN e, por conseguinte, a suspensão da imunidade. SUSPENSÃO DA IMUNIDADE. FALTA DE RETENÇÃO DO IRRF. Nos termos do § 1º, do art. 9º, c/c o § 1º, do art. 14 do CTN, a falta de retenção do imposto na fonte sobre pagamento de serviços prestados por terceiros enseja a suspensão da imunidade. SUSPENSÃO DA IMUNIDADE, SUJEIÇÃO À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA DO IRPJ E CSLL. Tendo em vista a suspensão da imunidade, o partido submete-se à legislação de regência do IRPJ e CSLL aplicável às demais pessoas jurídicas de direito privado. FUNDO PARTIDÁRIO, CONTRIBUIÇÃO DE FILIADOS E DOAÇÕES DE TERCEIROS. ADEQUAÇÃO AO CONCEITO DE RENDA/PROVENTOS PARA O FIM DE INCIDÊNCIA DE IRPJ Para caracterizar o conceito de receita tributável pelo imposto não importa o fato de a receita do sujeito passivo ter sido proveniente de fundo partidário repassado pela União, ou de contribuições e doações de filiados e terceiros, vez que o art. 43, caput § 1° do CTN estabelece que não interessa a origem e a denominação desta, muito menos a condição jurídica da fonte pagadora. CSLL. IDÊNTICA MATÉRIA DO IRPJ. Aplica-se aos lançamentos da CSLL o decidido para o lançamento de IRPJ vez que decorrentes de mesmas matérias e provas. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO E/OU PAGAMENTO SEM CAUSA. INCIDÊNCIA DE IRRF. Nos termos do art. 674, caput e § 1º do RIR99, a pessoa jurídica está sujeita à incidência de imposto exclusivamente na fonte na hipótese de pagamento a beneficiário não identificado e/ou de pagamento sem causa.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 55; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1931; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10168.003919/200781 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1302003.386 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 19 de fevereiro de 2019 Matéria PARTIDO POLÍTICO. SUSPENSÃO DE IMUNIDADE. Recorrente PARTIDO DA SOCIAL DEMOCRACIA BRASILEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003, 2004 SUSPEIÇÃO DO AUDITOR FISCAL. MILITÂNCIA EM PARTIDO POLÍTICO DE OPOSIÇÃO AO PARTIDO FISCALIZADO. ELEMENTO CONCRETO DE SUSPEIÇÃO, PARCIALIDADE, MÁFÉ E PREJUÍZO AO RECORRENTE NÃO DEMONSTRADOS. A arguição de suspeição do auditor fiscal responsável pela fiscalização, com base no fato dele ser militante de partido político de oposição ao partido político recorrente, em si, não caracteriza suspeição. É necessária a demonstração, por meio de elementos concretos, da ocorrência de parcialidade ou máfé, bem assim a evidenciação de que houve prejuízo ao fiscalizado ou favorecimento do partido do auditor fiscal, em função de excesso ou das prerrogativas do auditor. Servidores e colaboradores podem exercer atividade políticopartidária. Se ficar comprovado que determinado servidor agiu com excesso ou valeuse do cargo para prejudicar alguém, poderá haver imputação de responsabilidade funcional, administrativa e penal. SUSPENSÃO DE IMUNIDADE. AUTORIDADE COMPETENTE A autoridade competente para declarar a suspensão da imunidade é o delegado/inspetor da delegacia/inspetoria da Receita Federal de jurisdição da pessoa jurídica. SUSPENSÃO DE IMUNIDADE. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS DO CTN. Descumpridos os requisitos estabelecidos no arts. 9° § 1º e 14 do CTN, devida a suspensão da imunidade tributária. DESPESAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 8. 00 39 19 /2 00 7- 81 Fl. 2568DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 3 2 Para comprovar despesas realizadas não basta a apresentação de notas fiscais, sendo necessária a comprovação do efetivo pagamento e da contraprestação em serviços recebida. SUSPENSÃO DE IMUNIDADE, FALTA DE COMPROVAÇÃO DE DESPESAS ESCRITURADAS, DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DO ART. 14 DO CTN A falta de comprovação do pagamento e/ou da efetiva prestação de serviços enseja o descumprimento dos requisitos listados nos incisos I a III do art. 14 do CTN e, por conseguinte, a suspensão da imunidade. SUSPENSÃO DA IMUNIDADE. FALTA DE RETENÇÃO DO IRRF. Nos termos do § 1º, do art. 9º, c/c o § 1º, do art. 14 do CTN, a falta de retenção do imposto na fonte sobre pagamento de serviços prestados por terceiros enseja a suspensão da imunidade. SUSPENSÃO DA IMUNIDADE, SUJEIÇÃO À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA DO IRPJ E CSLL. Tendo em vista a suspensão da imunidade, o partido submetese à legislação de regência do IRPJ e CSLL aplicável às demais pessoas jurídicas de direito privado. FUNDO PARTIDÁRIO, CONTRIBUIÇÃO DE FILIADOS E DOAÇÕES DE TERCEIROS. ADEQUAÇÃO AO CONCEITO DE RENDA/PROVENTOS PARA O FIM DE INCIDÊNCIA DE IRPJ Para caracterizar o conceito de receita tributável pelo imposto não importa o fato de a receita do sujeito passivo ter sido proveniente de fundo partidário repassado pela União, ou de contribuições e doações de filiados e terceiros, vez que o art. 43, caput § 1° do CTN estabelece que não interessa a origem e a denominação desta, muito menos a condição jurídica da fonte pagadora. CSLL. IDÊNTICA MATÉRIA DO IRPJ. Aplicase aos lançamentos da CSLL o decidido para o lançamento de IRPJ vez que decorrentes de mesmas matérias e provas. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO E/OU PAGAMENTO SEM CAUSA. INCIDÊNCIA DE IRRF. Nos termos do art. 674, caput e § 1º do RIR99, a pessoa jurídica está sujeita à incidência de imposto exclusivamente na fonte na hipótese de pagamento a beneficiário não identificado e/ou de pagamento sem causa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente Fl. 2569DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 4 3 (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Ailton Neves da Silva (Suplente Convocado), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto face ao Acórdão nº 0331.340, de 08/06/2009, da 2ª Turma da DRJ de Brasília que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, registrandose a seguinte ementa: SUSPENSÃO DE IMUNIDADE. AUTORIDADE COMPETENTE A autoridade competente para declarar a suspensão da imunidade é o delegado/inspetor da delegacia/inspetoria da Receita Federal de jurisdição da pessoa jurídica. SUSPENSÃO DE IMUNIDADE. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS DÓ CTN. Descumpridos os requisitos estabelecidos no arts. 9° § 1º e 14 do CTN, devida a suspensão da imunidade tributária. ARGUMENTAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DE NORMA. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. NOTIFICAÇÃO FISCAL PARA SUSPENSÃO. CONTESTAÇÃO. PRAZO LIMITE. PRONUNCIAMENTO DO DELEGADO. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO. Garantido o contraditório e a ampla defesa na fase anterior ao contencioso, preparatória para emissão do ADE de suspensão vez que a autoridade administrativa se pronunciou de forma detalhada e exaustiva sobre todos os pontos de contestação trazidos tempestivamente pelo partido contra a notificação fiscal. DESPESAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO. Para comprovar despesas realizadas não basta a apresentação de notas fiscais, sendo necessária a comprovação do efetivo pagamento e da contraprestação em serviços recebida. SUSPENSÃO DE IMUNIDADE, FALTA DE COMPROVAÇÃO DE DESPESAS ESCRITURADAS, DESCUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DO ART. 14 DO CTN Fl. 2570DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 5 4 A falta de comprovação do pagamento e/ou da efetiva prestação de serviços enseja o descumprimento dos requisitos listados nos incisos I a III do art. 14 do CTN e, por conseguinte, a suspensão da imunidade. SUSPENSÃO DA IMUNIDADE. FALTA DE RETENÇÃO DO IRRF. Nos termos do § 1º, do art. 9º, c/c o § 1º, do art. 14 do CTN, a falta de retenção do imposto na fonte sobre pagamento de serviços prestados por terceiros enseja a suspensão da imunidade. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE: FALTA DE ATENDIMENTO DE REQUISITOS DO CTN. APLICAÇÃO AFASTADA PELA CONSTITUIÇÃO FEDERAL Presente o descumprimento dos requisitos estabelecidos no CTN, a Constituição Federal determina que o partido não faz jus à imunidade, sem autorizar qualquer juízo discricionário quanto à gravidade da irregularidade, afastando, assim, a aplicação dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade pela autoridade administrativa. SUSPENSÃO DA IMUNIDADE, SUJEIÇÃO À LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA DO IRPJ E CSLL. Tendo em vista a suspensão da imunidade, o partido submetese à legislação de regência do IRPJ e CSLL aplicável às demais pessoas jurídicas de direito privado. BASE DE CALCULO. LUCRO REAL TRIMESTRAL, FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO NA DETERMINAÇÃO Foram consideradas nos lançamentos as bases de cálculo (lucro real) informadas pelo próprio sujeito passivo sem qualquer ajuste. A alegação de erro na sua apuração, em função da escrituração ser com base em regime de caixa, deveria ter sido acompanhada de provas. FUNDO PARTIDÁRIO, CONTRIBUIÇÃO DE FILIADOS E DOAÇÕES DE TERCEIROS. ADEQUAÇÃO AO CONCEITO DE RENDA/PROVENTOS PARA O FIM DE INCIDÊNCIA DE IRPJ Para caracterizar o conceito de receita tributável pelo imposto não importa o fato de a receita do sujeito passivo ter sido proveniente de fundo partidário repassado pela União, ou de contribuições e doações de filiados e terceiros, vez que o art. 43, caput § 1° do CTN estabelece que não interessa a origem e a denominação desta, muito menos a condição jurídica da fonte pagadora. CSLL. IDÊNTICA MATÉRIA DO IRPJ. Aplicase aos lançamentos da CSLL o decidido para o lançamento de IRPJ vez que decorrentes de mesmas matérias e provas. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO E/OU PAGAMENTO SEM CAUSA. INCIDÊNCIA DE IRRF. Nos termos do art. 674, caput e § 1º do RIR99, a pessoa jurídica está sujeita à incidência de imposto exclusivamente na fonte na hipótese de pagamento a beneficiário não identificado e/ou de pagamento sem causa. MULTA ISOLADA. CABIMENTO. Fl. 2571DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 6 5 Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1º, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento. JUROS ISOLADOS. CABIMENTO. Nos termos do art. 61, § 3º da Lei n° 9.430/96 e do Parecer Normativo Cosit n° 01/2002, é devido o lançamento de juros isolados em virtude da falta de retenção do IRRF no prazo. O recolhimento após iniciado o procedimento fiscal não afasta a responsabilização pela infração nos termos do art. 138, caput e parágrafo único do CTN. Adotamos o seguinte relato do Acórdão recorrente, eis que retrata de forma completa os fatos e fundamentos em questão: O Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) foi cientificado do Termo de Notificação Fiscal, em 24/10/2007 (fls. 01/27), referente procedimento para suspensão da imunidade tributária, nos termos do art. 32 da Lei n° 9.430/96, visto que a fiscalização constatou o descumprimento dos requisitos para o gozo da referida imunidade constantes no § 1°, do art. 9o, c/c o art 14, caput e incisos 1 a III da Lei n° 5.172/66, Código Tributário Nacional (CTN), e propôs a adoção da providência prevista no art. 14, § 1° do referido código. A fiscalização concluiu, em resumo, que o PSDB infringiu os incisos I, II e III, e o § 1º do art. 9º do CTN, durante os anoscalendário 2001, 2002, 2003 e 2004, pelos motivos explicitados a seguir: 1. Falta de comprovação da efetiva prestação de serviços por quatro empresas, quais sejam, Casablanca Service Provider Ltda., Gold Stone Publicidade e Propaganda Ltda., Marka Serviços de Engenharia Ltda. e Aconchegante Editora e Eventos Ltda., de agora em diante denominadas Casablanca, Gold, Marka e Aconchegante, respectivamente, as quais constam no cadastro da Receita Federal nas seguintes condições: Receita zero em 2002, Inapta omissa não localizada, Baixada em 09/01/96 e baixada em 02/12/2002, respectivamente. As cópias das notas fiscais emitidas por estas empresas estão às fls. 58/88. 2. Falta de retenção na fonte e de recolhimento do IR relativamente a diversas notas fiscais pagas pelo PSDB, referentes a serviços prestados nos anoscalendário 2002; 2003 e 2004, de acordo com a relação constante dos quadros n° 06,07 e 08 às fls. 21/24. Em relação ao fato mencionado no item "1" acima, o PSDB foi intimado a apresentar os documentos que comprovassem a efetiva prestação dos serviços constantes das notas fiscais (fl. 89/95). Após mais de três meses, respondeu à. intimação (fls. 115 e 116), limitandose a declarar o que já constava das mencionadas notas, sem apresentar qualquer documento probatório das operações. Em nova intimação (fls. 122 e 123), o PSDB foi alertado que as informações prestadas não atendiam a solicitação, sendo necessária a apresentação de outros documentos acaso existentes que comprovassem de forma inequívoca a efetividade dos serviços. Fl. 2572DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 7 6 Em resposta (fls. 125/127), o partido adotou as seguintes providências: a) apresentou cópias de 02 FAX que se referem a declarações que teriam sido prestadas pelas empresas Casablanca e Aconchegante; b) esclareceu que lhe foi noticiado o falecimento da proprietária da Gold e que não obteve êxito em localizar outro representante legal que tivesse trabalhado na empresa à época do serviço, bem assim, que os serviços prestados consistiram em promoção de eventos partidários; d) informou que não conseguiu localizar qualquer responsável legal da Marka da época dos serviços, sendo necessário dilatar o prazo para o atendimento da intimação, e anexou, segundo ele, cópias dos cheques n° 850020 e 361334, utilizados para pagar as notas n° 119 e 126. A autoridade fiscal não se satisfez com as respostas e documentos anexados pelo partido, entendendoos insuficientes para comprovar os serviços descritos nas notas fiscais pelos fatos a seguir indicados: Casablanca a) a empresa se declarou inativa em 2001 e 2005, bem assim, declarou receita zero em 2002, 2003 e 2004; b) os recursos referentes a cinco notas fiscais foram transferidos da conta bancária do partido para a conta da empresa (fl. 58/70), fato que, no entender da autoridade fiscal, não prova a prestação dos serviços; c) a nota fiscal n° 636, de R$200,000,00, foi paga mediante a transferência eletrônica de R$113.600,00, em virtude de um desconto que teria sido concedido pela empresa conforme esclarecimento à fl. 126; d) para comprovar a efetiva prestação dos serviços, o partido apresentou cópia de FAX datado de 06/09/2006, no qual a pessoa, que consta como contador da empresa Casablanca na época da emissão das notas, declara, que foram, prestados serviços de programa nacional em bloco, inserções nacionais, bem como outros materiais audiovisuais para o PSDB; e) a autoridade fiscal entendeu que tal documento é insuficiente, não sendo crível, a seu ver, o serviço não estar documentado por um contrato; f) ressaltou o fato de ser estranho que o contador dá empresa possa afirmar que os serviços foram prestados, sendo que ele elaborou a contabilidade e a declaração de rendimentos da empresa com receita zero, como também, o fato de que não foi apresentada procuração outorgando poderes para o contador se pronunciar em nome da empresa; g) a empresa foi intimada em 04/09/2006, tendo a intimação sido encaminhada para o endereço que constava no cadastro da Receita Federal até 11/10/2006, retornando posteriormente com a observação "Não procurado área não atendida pela entrega domiciliária" (fl. 207/211); h) em nova consulta no cadastro feita em 17/10/2006, verificouse que a empresa alterou o endereço e mudou o quadro social. Enviada nova intimação, esta não foi respondida (fl. 214/215); i) em diligência no local que constava como endereço da empresa quando da emissão das notas fiscais, a autoridade fiscal foi recebida pelo Sr. Ezequiel Antonio Soares (fl. 216), que se apresentou como proprietário do imóvel e declarou: Fl. 2573DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 8 7 que até 2004 (sem precisar com certeza) tinha salas locadas para empresas, sem contratos; que permaneceram até junho de 2005 duas contadoras que prestavam serviços de assessoria para várias empresas e locavam em nome de pessoa física; que o nome Casablanca não lhe era estranho, devendo ter tomado conhecimento deste nome a partir da leitura de envelopes de correspondências; que não lembra de funcionamento no local de empresa de publicidade, de produção de vídeo ou de serviços gráficos; que atualmente é imóvel residencial, sendo por ele utilizada uma sala para funcionamento de empresa do ramo de segurança; Gold a) desde 17/07/2004 consta do cadastro da Receita Federal como inapta por omissão não localizada (omissa desde sua constituição em 1996) (fl. 217); b) os recursos referentes a quatro notas, em um total de R$276.000,00, foram transferidos da conta bancária do partido para a conta da empresa (fl. 71/78), o que no entender da autoridade fiscal, não prova a prestação dos serviços; c) o partido hão apresentou qualquer documento para comprovar a efetiva prestação dos serviços, limitandose a informar o seguinte: declarar que foi .informado do falecimento da proprietária da empresa e que não obteve êxito em localizar outro representante legal que tenha trabalhado à época da prestação; nota n° 066 referese a realização de um evento, consistente em jantar e palestra, realizado em 24/04/2002; nota n° 070 contratação de bandas e sonorização para caminhada realizada em São Paulo no mês de abril; nota n° 081 contratação de pessoal para realizar a distribuição de material de propaganda eleitoral, assim como alimentação e bebida dos mesmos em comícios do candidato a Presidente da República do PSDB nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e em outras cidades do interior; nota n° 084 contratação de pessoal para realizar a distribuição de material de propaganda eleitoral, assim como alimentação e bebida dos mesmos em comícios do candidato a Presidente da República do PSDB nas cidades de João Pessoa, Contagem, Campos de Jordão e São Paulo; d) encaminhada intimação para o endereço do responsável pelo CNPJ da empresa constante do cadastro (fls. 221/225), esta retornou com a observação "Desconhecido", Não foi encaminhada intimação ao endereço da empresa por constar com inapta por omissa não localizada (fl. 217/220); e) realizada diligência no endereço de Maria Magdalena Paradela Claro, responsável pelo CNPJ da empresa no cadastro, a autoridade fiscal foi recebida pelo Sr. Marcelo Fábio Rodrigues, que declarou o seguinte: está estabelecido no local há três anos e dois meses; Fl. 2574DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 9 8 antes havia outra empresa denominada Oficina de Imagem no local; outras autoridades e pessoas estiveram tio local a procura da Sra. Maria Magdalena, entre as quais, a Polícia Federal e o Banco Santander. f) a autoridade fiscal entendeu não ser admissível que os pagamentos tenham sido documentados tão somente por notas fiscais, bem assim, que os serviços de contratação de pessoal para distribuição de material de propaganda tenham sido efetuados sem a elaboração, à época, de documento detalhando a quantidade de pessoas, período e local de distribuição etc. Marka a) a empresa consta como baixada desde 1996 no cadastro da Receita Federal (fl. 226); b) emitiu notas fiscais n° 126, 119, 141, 127 nos valores de R$34.700,00, R$60.000,00, R$44.500,00 e R$60.695,00, respectivamente; c) as notas 126, 119 e 127 foram pagas com cheques nominais à Marka (fl. 108/110 e 136/139), assinados e endossados no verso por Márcio Fortes, secretáriogeral do partido à época; d) a nota fiscal 141 foi paga por transferência eletrônica para a conta bancária da funcionária do partido Margarete Lucindo (Fl. 86/87). Intimado a esclarecer a situação, o partido informou que o pagamento foi feito em dinheiro, após saque feito pela funcionária. Como o partido não apresentou comprovante (recibo) da entrega dos recursos, foi intimado para tanto, tendo informado que o recibo foi dado na própria nota fiscal. O recibo não identifica a pessoa que o assinou; e) o Sr. Márcio Fortes foi intimado a se pronunciar sobre o assunto e apresentar os documentos que possuísse, mas não respondeu (fl. 234). Apenas a segunda intimação foi respondida com as seguintes informações (fls. 233/236): que participou como sócio da Marka e que esta foi desativada em 1996; que tomou conhecimento da existência das notas, porém não tem como obter cópia das mesmas e nem dos demais documentos; que foram calculados tributos devidos em decorrência dos pagamentos relativos às notas e foram realizados por Darf em 30/11/2006 (fl. 237/239); f) a autoridade fiscal salientou que o Sr. Márcio Fortes sabia os valores das notas, haja vista o recolhimento exato dos tributos para as notas 119, 126.6 127, sem contudo ter sido informado deles; g) concluiu que os pagamentos contabilizados não podem ser aceitos como feitos à Marka pois: a empresa está baixada desde 1996, fato que não era desconhecido do partido, já que o responsável pela empresa era também seu secretáriogeral; as notas apresentadas constam emitidas fora da sequência normal; não há justificativa para o pagamento à funcionária para posterior repasse ao suposto fornecedor; Fl. 2575DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 10 9 é insustentável a argumentação do partido quanto à impossibilidade de localizar qualquer responsável pela empresa, já que o sócio da empresa à época exerceu função de secretáriogeral no partido; não é possível admitir que o partido tenha feito uma despesa de mais de R$100:000,00, sem que tenha sequer um relatório da consultoria da análise solicitada; Aconchegante a) tal empresa consta no cadastro da Receita Federal como baixada desde 02/12/2002, tendo declarado neste ano receita zerada; b) recebeu mediante transferências bancárias (fl. 79/84) o montante total de R$120.000,00 (duas notas fiscais). No entender da autoridade fiscal as transferências não provam a prestação de serviços; c) para comprovar a prestação de serviços o partido juntou cópia de Fax de 16/05/2006 (fl. 127), onde a pessoa que consta como responsável pelo CNPJ da empresa declara que os serviços foram prestados para composição e gravação de jingles pelo artista Dominguinhos, bem como a devida autorização para divulgação dos mesmos em áudio e vídeo durante a veiculação dos programas políticos; d) entende a autoridade fiscal não ser possível aceitar como comprovante documento assinado em data posterior à data da intimação; e) o ressalta que não encontrouas notas originais, mas apenas cópias tipo Fax; f) como o partido não apresentou prova suficiente, intimou e reintimou o responsável pela empresa Aconchegante perante a Receita Federal, Sr. Clodoaldo Cursino de Eça sem obter resposta (fl. 243/249); Em relação à falta de recolhimento do imposto que deveria ter sido retido e recolhido relativamente a pagamentos de diversas notas fiscais, a autoridade fiscal ressaltou que o sujeito passivo reconheceu a irregularidade. Inconformado com a notificação fiscal relativa à suspensão da imunidade tributária, o PSDB apresentou a manifestação às fl. 721/756, em 23/11/2007, instruída com os documentos às fl. 758/1223, cujo teor está resumido a seguir: • o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é competente para julgar a correção ou incorreção da escrituração contábil regular do partido político, de acordo com o art. 17, III da Constituição Federal (CF), com o art., 44, § 3° do Código Civil (CC) e com o art. 34 da Lei n° 9.096/95 (Lei Orgânica dos Partidos Políticos LPP); • em função desta legislação citada na alínea anterior, a Receita Federal é incompetente para fiscalizar a escrituração contábil do Diretório Nacional do Partido da Social Democracia Brasileira PSDB, pois como acima salientado a Justiça Eleitoral è o único órgão estatal que pode exercer inspeção sobre a escrituração contábil e a prestação de contas do partido, devendo atestar se elas refletem adequadamente a real movimentação financeira e se os dispêndios e recursos foram devidamente aplicados nas campanhas eleitorais e nos seus objetivos institucionais; • a Receita Federal somente poderia fiscalizar a escrituração do partido se o TSE, ao julgar as contas partidárias, houvesse encontrado fato que desse causa Fl. 2576DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 11 10 à suspensão de imunidade e tivesse remetido suas conclusões àquele órgão. A fiscalização não poderia decorrer de proposta da Coordenação Geral de Fiscalização (Cofis), como na espécie; • os partidos políticos não podem ficar ao julgo de órgão do Poder Executivo, estando sujeito a perseguição caso não siga a cartilha do governo de plantão. Deve ser submetido à fiscalização de órgão imparcial; • até o momento o TSE não julgou as contas do Diretório Nacional referente aos anos 2001, 2003 e 2004, tendo aprovado as contas de 2002; • os requisitos legais a que faz menção o art. 150, VI, "c" da CF referemse ao atendimento dos requisitos necessários para a constituição e existência do próprio partido, ou seja, enquanto atenderem aos dispositivos de sua lei de regência, não podem sei tributados; • nenhum partido pode ser tributado sobre seus bens, serviços ou rendas enquanto a Justiça Eleitoral não atuar conforme art. 28 da LPP; • para recomendar a suspensão da imunidade a Cofis se baseou apenas em suposições de inexistência de prestação de serviços despidas de provas concretas de eventuais irregularidades, que não se sustentam diante da documentação entregue pelo partido durante a fiscalização, e que complementa agora; • a suspensão com base em suposições ou indícios é incompatível com o princípio da legalidade, pois não se pode considerar não ocorrida uma prestação de serviços por ficção; • a afirmação da Receita Federal de que a transferência de recursos para as contas bancárias das empresas citadas ou a apresentação de documentos fiscais não prova a prestação de serviços, evidencia sua incerteza quanto à ocorrência dos fatos reais, o que não justifica a aplicação da suspensão da imunidade tributária e que o principio da legalidade revela que no caso de incerteza sobre a aplicação de lei fiscal, são mais fortes as razões de salvaguarda do patrimônio dos particulares do que as que conduzem ao seu sacrifício, ou seja, se subsistem dúvidas sérias quanto a eventuais irregularidades, a lei deverá ser aplicada em prol do Partido, Citou diversos Acórdãos do Conselho de Contribuintes nesse sentido, além do disposto no art. 112 do CTN; • no caso, está havendo inversão do ônus de prova, violação dos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, finalidade e legalidade; • não compete ao partido fiscalizar a regularidade das empresas que lhe prestam serviços, não podendo ser apenada por irregularidades cometidas por terceiros, os quais são responsáveis por seus atos; • não é razoável a pretensão de suspensão da imunidade por supostas irregularidades fiscais praticadas por. número inexpressivo dos seus fornecedores ou por ter cometido, equívocos administrativos na interpretação das normas relativas à retenção de tributos em tempos pretéritos equívocos que não mais se repetem; • o art. 32 da Lei n° 9.430/96 usa a expressão "não está observando" os requisitos para gozo da imunidade, somente podendo ser aplicada a pena de suspensão caso caracterizada a prática reiterada de desrespeito ao art. 14 do CTN, não bastando meras suposições de ocorrência pontual e pretérita; Fl. 2577DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 12 11 • a suposta infração não foi praticada com dolo, fraude ou simulação. A falta de lesividade reduz a mero descumprimento de obrigação acessória que, no máximo, deve ser convertida em pena de multa; • em relação à empresa Casablanca, as notas fiscais n° 497, 572, 636, 841 e 1716 constituem documentos fiscais sobre os quais não são apresentadas pelos auditores quaisquer evidências de que os serviços não tenham sido prestados. Tratamse de documentos comprobatórios da execução dos serviços relativos à produção de.um programa em bloco de 20 minutos. Os serviços estão inequivocamente comprovados através dos vídeos apresentados em anexo na forma digital como na foram de textos transcritos; • em relação à empresa Gold, o partido contratoua para prover serviços de mobilização de militantes durante visitas do seu então précandidato à Presidência da República a diversas cidades entre maio e julho de 2002. as notas fiscais n° 66, 070, 081 e 084 referemse a serviços prestados em diversas cidades, os quais estão inequivocamente comprovados através do exame das fotografias anexas, que mostram a presença do então candidato em diversos eventos; • em relação à empresa Marka, a execução dos serviços constantes das notas fiscais n° 141 e 127 pode ser comprovada através do relatório anexo, A situação irregular da empresa não é assunto que diga respeito ao partido. Não há relevância ao caso o fato de que algum cheque teria sido depositado na conta do sócio da empresa ou endossado por este para outra empresa. Apresenta declaração do sócio da empresa, Sr. Márcio Fortes, atestando o recebimento do valor pago em dinheiro diretamente à empresa. As irregularidades em relação às numerações e datas das notas fiscais é responsabilidade da empresa; • em relação à empresa Aconchegante, a execução dos serviços constantes das notas fiscais 327 e 328 podem ser inequivocamente comprovados através da audição do arquivo de áudio anexado a este documento, assim como da leitura da transcrição dos referidos jingles. Inclusive o partido é réu em processo no qual é acusado de plágio por um suposto autor original da melodia utilizada em um dos jingles em questão; • em relação à falta de retenção e recolhimento do IRRF, esta irregularidade resta afastada face à regularização do recolhimento dos impostos devidos, conforme cópias dos Darf em anexo. Por derradeiro, resta comprovado que o partido atendeu ao disposto no § 1º, do art. 9º do CTN; Diante da contestação apresentada, em 10/12/2007 o Chefe da Divisão de Orientação e Análise Tributaria (Diort) Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília/DF (DRF/BSA/DF) elaborou minuta de Despacho Decisório, conforme informação à fl. 1224, submetendoa ao delegado da DRF/BSA/DF. Em 18/12/2007, no intervalo temporal entre a data do despacho de encaminhamento desta do Despacho Decisório e a data de sua aprovação pelo delegado da DRF/BSA/DF, o PSDB apresentou manifestação, razões adicionais às fl. 1314/1317, instruída com os documentos às fl. 1318/1341, onde, com base no art. 38 da Lei n° 9.784/99, solicitou o acolhimento de pedido de realização de diligência junto à empresas: a) Aconchegante, haja vista as intimações que lhe foram enviadas não foram respondidas; b) Superphoto Comunicação, estúdio Obritonews, CNPJ n° 02354.051/000147, para que esta confirmasse a autenticidade das fotos apresentadas para comprovar que os serviços foram prestados pela Gold, informando datas e locais em que as referidas fotos foram produzidas. Em relação aos Fl. 2578DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 13 12 pagamentos à Marka, além de salientar já ter comprovado a realização dos serviços contratados, listou doações ao partido realizadas pelo Sr. Márcio Fortes, sócio da empresa e SecretárioGeral do PSDB, no período de 2000 a 2002, ressaltando que essas estão devidamente registradas nos demonstrativos encaminhados ao TSE na prestação de contas, sendo 52% superiores aos pagamentos realizados à Marka pelo partido. Requereu que, após o encerramento da instrução do processo, fosse concedido prazo adicional de dez dias para manifestação final nos termos do art. 44 da referida lei. Um dia após, em 19/12/2007, a Diort expediu a informação fiscal à fl. 1341 onde esclareceu que "os documentos às fls. 1314/1340 não foram considerados na análise dos fatos para efeitos de expedição do ato suspensivo da imunidade, uma vez serem intempestivos, conforme legislação regente". Fundamentou seu entendimento no disposto no art. 32, § 2o da Lei n° 9.430/96, que estabelece o prazo de trinta dias da ciência da notificação fiscal para sua contestação. Em 20/12/2007, foi aprovado o despacho decisório encaminhado pelo chefe do Diort anteriormente, o qual foi juntado às fl. 1225/1313. Nesta decisão, a.autoridade administrativa reconheceu a procedência em parte da notificação fiscal e, por conseguinte, decidiu suspender a imunidade tributária exercida pelo PSDB, por descumprimento das condições ou requisitos impostos pela legislação de regência, qual seja, os art. 9o, §1° e 13, inciso I, II e III do CTN, e determinou a expedição de Ato Declaratório Executivo (ADE) de suspensão da imunidade para os anos calendário 2002, 2003 e 2004, nos termos do art. 32 da Lei n° 9,430/96. Foi expedido o ADE n° 136, datado de 20/12/2007, publicado no Diário Oficial da União (DOU) em 21/12/2007, cuja cópia está à fl. 2395. O Despacho Decisório fundamentouse nas seguintes razões: de início, foi feita uma análise da base legal, que abarcou as fls. 5/40 do despacho, constantes às fl. 1229/1264 dos autos; após, foram apontados os fatos levantados pela fiscalização como justificadores da emissão da notificação fiscal propondo a suspensão da imunidade; a seguir, procedeuse a análise das alegações e provas apresentadas pelo partido, dividindose este tópico em três partes, assim denominadas: a) falta de comprovação da efetiva prestação de serviços; b) falta de retenção e recolhimento do IRRF; c) competência do TSE para julgar as contas do partido; d) ofensa aos princípios da legalidade, proporcionalidade, razoabilidade e insignificância: item "a" foi feita uma apresentação mais detalhada do que a aquela registrada no relatório no que concerne aos argumentos e provas carreados pelo partido; foi feito um estudo quanto a quem assiste o ônus probatório, ou seja, a quem cabe o dever de provar a regularidade ou não das operações objeto das notas fiscais emitidas; foi feito um estudo quanto às notas fiscais emitidas por empresas em situação cadastral irregular: se são documentos hábeis e idôneos ou não; se o partido era obrigado a saber a situação cadastral da empresa; Fl. 2579DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 14 13 se a utilização de documentos inidôneos macula a contabilidade do partido a ponto de justificar a suspensão da imunidade tributária; foi avaliada a possibilidade de aplicação do art. 112 do CTN na espécie; em relação às empresas Casablanca e Aconchegante, a autoridade administrativa concluiu que houve a comprovação dos pagamentos do valores indicados nas notas fiscais constantes dos autos, bem como, da efetividade da prestação dos serviços nelas descritos. Considerou, então, que não houve descumprimento dos requisitos previstos nos incisos I, II e III do art. 14 do CTN; em relação à empresa Gold, concluiu que houve a comprovação dos pagamentos dos valores indicados nas notas fiscais n° 66 e 84, o mesmo não ocorrendo em relação às notas n° 70 e 81. Concluiu, ainda, que não restou comprovada a efetividade das prestações dos serviços indicadas em todas as notas. Em vista disso, considerou que houve descumprimento dos requisitos previstos nos incisos I, II e III do art. 14 do CTN. Para chegar às referidas conclusões, fez as seguintes verificações e considerações: para as notasfiscais n° 70 e 81 não constam nos autos os respectivos comprovantes de pagamentos; ao apreciar as fotos trazidas como provas da efetiva prestação dos serviços, verificase: haver referência manuscrita do local e do evento a que se referem; ser possível reconhecer a localidade em alguns casos; hão haver referência de datas, embora sejam evidentes que se referem a campanha eleitoral do candidato José Serra. A princípio parecem denotar a ocorrência dos eventos a que o partido se refere na defesa; Porém, as fotos não comprovam a efetiva prestação dos serviços pela empresa Gold pois não há qualquer ligação aparente entre as fotografias e a empresa. Logo a prova apresentada é frágil; Nas notas não há descrição pormenorizada do que foi prestado e das datas, em que teriam ocorrido os eventos; O fato de a empresa Gold estar inapta desde 2004 e omissa desde sua abertura não é motivo legal para a descaracterização da idoneidade do documento fiscal emitido. Não era possível ao PSDB saber de suposta irregularidade da empresa Gold, já que esta não estava em situação cadastral irregular no CNPJ no ano 2002; Em relação à empresa Marka, concluiu que houve a comprovação dos pagamentos dos valores indicados na nota fiscal n° 127, o mesmo não ocorrendo em relação à nota n° 141, Concluiu, ainda, que as referidas notas eram inidôneas. Em vista disso, considerou que houve descumprimento dos requisitos previstos nos incisos I, II e III do art. 14 do CTN. Para chegar às referidas conclusões, fez as seguintes verificações e considerações: Em virtude dos fatos geradores ocorridos no anocalendário 2001 já terem sido fulminados pela decadência não foram apresentados e analisados os fatos relativos às notas fiscais n° 119e126; Fl. 2580DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 15 14 O cheque n° 850035 do PSDB, datado de 02 de abril de 2003, no mesmo valor da nota fiscal, nominal à empresa Marka (fi. 108), endossado para Giovanni FCB S/A (fl. 109), com registro da compensação efetuada em conta do PSDB no dia 07/04/2003 (fl. 110), é suficiente para considerar comprovado o pagamento da nota n° 127, O endosso não desmerece o documento como prova do pagamento; Para a nota fiscal n° 141, o comprovante do pagamento é frágil. Não houve emissão de cheque nominal à Marka. Segundo o partido, o pagamento fora realizado por intermédio de conta corrente suprimento aberta em nome da Sra. Margarete Licassali Lucindo, funcionária do PSDB, cujo valor teria sido repassado em dinheiro à Marka, Analisando o recibo dado na nota (fl, 85), observase que a assinatura do recibo não coincide com a do Sr. Márcio João de Andrade Fortes no documento à fl. 853 (06/11/2007), no qual informa que recebeu da Sra. Margarete o valor de R$44,500,00 referente à nota fiscal mencionada. Como o partido ou o Sr. Márcio Fortes não identificaram a autoria da assinatura no recibo da nota, a fiscalização informou que não foi possível prosseguir na investigação. Assim, tais documentos não comprovam o pagamento de forma cabal; a nota fiscal n° 127 não contém sua data de emissão, elemento essencial. Também não há o preenchimento do percentual de alíquota do ISS, nem o valor do tributo. Já a nota n° 141 somente não tem a informação quanto ao ISS; Como prova da efetiva prestação dos serviços, o partido trouxe o relatório às fl. 813/851, que trata de estudo sobre as condições da infra estrutura rodoviária no Brasil, datado de 03/2003, com o nome da empresa Marka em todas as suas folhas. O seu conteúdo corresponde ao que está descrito nas notas fiscais n° 127 e 141, o que pode, ser aceito como forte indício para a comprovação da execução dos serviços; No entanto, as notas são inidôneas, uma vez que a Marka encontrava se baixada desde 09/01/96 (fl. 226); Não procede a alegação de que não foi possível localizar qualquer responsável pela empresa à época da prestação dos serviços, vez que o seu representante no CNPJ é o Sr. Márcio Fortes, que exerceu o cargo de SecretárioGeral do PSDB no período de 1999 ã 2003; O partido não pode afirmar que desconhecia o fato da Marka estar baixada no CNPJ, pois o então SecretárioGeral do Partido era o responsável pela empresa. Assim, como o partido pode aceitar uma nota fiscal emitida por uma empresa baixada há mais de cinco anos, sem refletir a respeitos das irregularidade que esta contratação causaria em sua contabilidade. Mesmo com o conhecimento do fato dê que a empresa estava baixada, o SecretárioGeral do PSDB tomou a decisão de efetuar a contratação; Não se trata de uma empresa declarada inapta, cuja idoneidade dos documentos fiscais emitidos dependem da comprovação de seu efetivo pagamento e da comprovação da prestação dos serviços, mas de uma empresa baixada no cadastro da Receita Federal, cujos documentos fiscais são inidôneos; Fl. 2581DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 16 15 Então, apesar dos indícios de que o serviço contratado para a emissão de relatório a respeito das condições das rodovias nacionais tenha sido prestado, diante das demais evidências há que se concluir que não foi apresentada documentação fiscal idônea para comprovar a efetiva prestação dos serviços realizados; item "b" o partido descumpriu o requisito previsto no art. 9o, § 1° do CTN nos anos calendário 2002, 2003 e 2004, motivo pelo qual deve ter a imunidade suspensa nesses anos conforme o art. 14, § 1o do CTN, Os fatos, prova e fundamentos que conduziram a tal conclusão foram os seguintes: o partido reconheceu (durante a fiscalização e na contestação) que não houve recolhimento do IRRF sobre parte dos pagamentos de serviços que lhe foram prestados. Porém, em face da regularização do recolhimento do imposto conforme cópias dos Darf. às fls. 870/1223, conclui que restou comprovado que atendeu ao disposto no §1°, do art. 9o do CTN; Não resta dúvida de que houve fato ensejador da suspensão de imunidade, pois a falta de retenção e recolhimento foi real e efetiva. Tal omissão não foi fato isolado, mas sim uma infração reiterada em vários anos. Não procede, pois, a alegação de que a Receita Federal não produziu prova da irregularidade, vez que ficou patente o não cumprimento de obrigações atribuídas pelo CTN e legislação ordinária posterior; O recolhimento posterior não supre o disposto no § 1°, do art. 9o do CTN. Não existe base legal para tanto; item "c" neste item a autoridade administrativa conclui que a Receita Federal é competente para a realização de procedimentos de fiscalização com vistas à suspensão do gozo da imunidade tributária dos partidos políticos, não havendo necessidade de prévio pronunciamento do TSE; item "d" a autoridade administrativa entendeu improcedentes os argumentos relativos à falta de atendimento dos princípios de razoabilidade, proporcionalidade, legalidade, insignificância, bem assim, à falta de aplicação dos requisitos para gozo da imunidade tributária definidos no CTN para irregularidades pretéritas, fundamentando esta conclusão nas seguintes considerações: quanto à alegação de que os partidos não podem ficar ao julgo de órgão do poder executivo, estando sujeito a todo tipo de perseguição caso não reze a cartilha do governo de plantão, cabe registrar a seriedade e isenção com que essa questão vem sendo tratada no âmbito da Receita Federal e a maneira isenta como se está analisando as argumentações e provas carreadas aos autos pela fiscalização e pelo PSDB, o que demonstra a inverdade dessa afirmação, que não traz qualquer acréscimo positivo. E devido registrar que os trabalhos de fiscalização foram iniciados em função dos fatos noticiados em investigação de CPMI do Congresso Nacional, casa que representa a expressão máxima do Poder Legislativo, no qual o PSDB está inserido Fl. 2582DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 17 16 com diversos representantes, cujas conclusões envolveram diversos partidos de todos os segmentos políticos; quanto à aplicação do princípio da razoabilidade, cabe registrar que se a CF/88 condiciona o gozo da imunidade ao atendimento de requisitos, claro está que o seu não atendimento deve resultar na medida especificada em lei, no caso, a suspensão. É razoável esse raciocínio. A prática do ato de suspensão de imunidade, quando presentes os pressupostos legais, não é ato discricionário, mas sim vinculado. O art 32 da Lei ri° 9.430/96 não deixa dúvida de que deve haver suspensão quando da falta de observância dos requisitos legais para o gozo da imunidade. Tais requisitos estão no art. 14 do CTN; quanto à proporcionalidade, somente caberia falar nesse princípio se a lei graduasse a penalidade cometida pela entidade beneficiária, o que não é o caso; quanto ao princípio da insignificância, há que se registrar que os requisitos para o gozo da imunidade não comportam juízo de valor, ou seja, não está definido em lei que se as condutas geradoras da suspensão tratarem de montantes inferiores a determinado valor ou a determinado percentual de fornecedores, ou qualquer outro critério, os efeitos destas são afastados; quanto ao argumento de que não cabe a suspensão de imunidade em função de irregularidades pretéritas que não mais estariam sendo cometidas, haja vista a expressão "não está observando" no art. 32 da Lei n° 9.430/96, cabe esclarecer que: os requisitos para o gozo da imunidade estão definidos no CTN e não na Lei n° 9.430/96. Neste está claro que se deve suspender a imunidade tendo havido descumprimento: "na falta de cumprimento". A lei Ordinária não tem o condão de afastar o que está definido em lei complementar; interpretar literalmente a expressão do art. 32 da Lei n° 9.430/96, significa entender que a fiscalização teria que presenciar o momento da ocorrência da infração e lavrar o termo de notificação imediatamente para que surtisse os devidos efeitos, o que, ainda assim, poderia suscitar a alegação posterior de que a referida irregularidade não mais estaria sendo cometida, tornando inócua a letra da lei complementar; ao contrário a parte final do próprio caput do art. 32 da lei determina que a notificação fiscal deve indicar a data da ocorrência da infração, o que, naturalmente, somente poderá ter ocorrido em tempos pretéritos; Intimada do Despacho Decisório, em 21/12/2007 (fl. 1313), o recorrente manifestouse em 22/01/2008 contra o Ato Declaratório Executivo ADE n° 136, de 20/12/2007 (DOU, 21/12/2007). Tais alegações não foram acolhidas pela DRF. A recorrente foi intimada dos lançamentos de crédito decorrentes, em 24/01/2008 (fl. 2396). Apresentou Impugnação às fl. 1884/1908, em 22/02/2008, instruída Fl. 2583DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 18 17 com os documentos de fls. 1909/2394. Nos termos retro, a DRJ não acolheu as razões da Impugnação. Intimada do Acórdão da DRJ, em 30/06/2009 (fl. 2.500), interpôs recurso voluntário, em 28/07/2009 (fl. 2503/2559), cujas razões são sintetizadas a seguir: a) Nulidade do Auto de Infração Suspeição do Auditor Fiscal Militante e Candidato a Vereador pelo Partido dos Trabalhadores Infração ao Princípio da Impessoalidade na Administração Pública alega que o auto de infração seria nulo pelo fato de que o Auditor Fiscal responsável pela fiscalização, Sr. Júlio Severino Bajerski, seria filiado e militante do Partido dos Trabalhadores, inclusive, candidato a vereador por aquele partido. Alega que independentemente de comprovação de prejuízo à recorrente, a escolha de tal auditor para fiscalizar o recorrente, caracterizaria infração ao princípio da impessoalidade na administração pública; b) Nulidade do Auto de Infração Incompetência da Fiscalização Tributária para declarar a Imunidade Tributária dos Partidos ale que somente a Justiça Eleitoral teria competência para tal; c) Inconstitucionalidade do art 32, §§ 3º e 5º, Lei nº 9.430/1996 e dos Requisitos para a Imunidade Tributária dos Partidos Políticos alega que a Fiscalização Tributária só poderia atuar, após a manifestação da Justiça Eleitoral; d) Violação dos Princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade alega que os atos da DRF teriam violado tais princípios; e) Ausência de Indicação Clara e Objetiva dos Requisitos da Imunidade Tributária que teriam sido violados pela recorrente; f) Demonstração da Veracidade das Despesas e da Idoneidade da Contabilidade do Recorrente, nos casos concretos discutidos nos presentes autos; g) Falta de Retenção e de Recolhimento de Imposto de Renda Retido na Fonte alega que sua imunidade tributária teria sido cassada, mesmo após o recolhimento em atraso do IRRF. Nesses tópicos, portanto, a recorrente sustentou que a nulidade do procedimento fiscal que resultou no Ato Declaratório Executivo n° 136 e nos Autos de Infração decorrentes de tal ato, seja pela suspeição do fiscal tributário encarregado dos trabalhos correligionário, militante e candidato a Vereador pelo Partido dos Trabalhadores (PT) seja pela incompetência da Receita Federal do Brasil para, independentemente de manifestação do Tribunal Superior Eleitoral, rejeitar as contas e suspender a imunidade de partido político, determinandose, em qualquer dos casos, o refazimento dos trabalhos fiscais, desde a sua origem, suprindose os vícios indicados. No mérito, defendeu a necessidade de se cancelar o Ato Declaratório Executivo n° 136, que suspendeu a imunidade tributária do Recorrente, bem assim, que deveriam ser reputados improcedentes os lançamentos tributários derivados de tal ato. Ainda requereu, caso necessário, a baixa do caso em diligência para que fosse colhida a oitiva de representantes das empresas Superphoto Comunicação Ltda., Gold Stone Publicidade e Propaganda Ltda. e do Sr. Márcio João de Andrade Fortes, sócio da Marka Fl. 2584DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 19 18 Serviços de Engenharia Ltda., para que prestassem esclarecimentos acerca das informações indicadas na manifestação de fls. 1.3461.412. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Conheço do recurso voluntário, à vista de sua interposição tempestiva e do atendimento aos demais requisitos de admissibilidade. Preliminares Suspeição do Auditor Fiscal O recorrente arguiu a suspeição do auditor fiscal, Júlio Severino Bajerski, que realizou os procedimentos de fiscalização em questão. Alega que a Receita Federal do Brasil (RFB) teria substituído a dupla de auditores fiscais inicialmente indicados para fiscalizar o recorrente (PSDB), por outra dupla da qual fazia parte o auditor fiscal, Júlio Severino Bajerski, que era militante do Partido dos Trabalhadores (PT) e candidato a vereador por esse partido, na cidade de Santo Ângelo (RS) (2004). O recorrente sustentou que pelo fato de o auditor fiscal estar ligado ao PT, já seria motivo para não fiscalizar o PSDB. Ressalta que a RFB teria desrespeitado o princípio da impessoalidade, ao indicar o auditor fiscal, Júlio Severino Bajerski, para fiscalizar o recorrente. Diz que, o fato de o auditor ser militante do PT o torna suspeito para fiscalizar o PSDB, independentemente de não haver comprovação de que o auditor pudesse ter agido com parcialidade, ou mesmo que não haja demonstração de que o auditor valeuse de suas prerrogativas para favorecer o PT, em detrimento do PSDB. Assim, o recorrente baseouse, não em elementos concretos que pudessem respaldar tal arguição, mas na presunção de que haveria suspeição devido à ligação do auditor fiscal, Júlio Severino Bajerski, com o Partido dos Trabalhadores. A indicação do auditor fiscal, Júlio Severino Bajerski, para a fiscalização do recorrente foi objeto de reportagem divulgada pela revista Época, em 20/07/2009 (fls. 563/566), sob o título: "O Fiscal Militante". A reportagem também fala sobre entrevistas com dois exsecretários da Receita Federal e dois expresidentes da Comissão de Ética Pública do governo federal sobre o caso. Observase, na parte final da reportagem, que a RFB respondeu ao questionamento da reportagem afirmando que “servidores e colaboradores podem exercer atividade políticopartidária”. “Se ficar comprovado que determinado servidor agiu com Fl. 2585DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 20 19 excesso ou valeuse do cargo para prejudicar alguém, poderá haver imputação de responsabilidade funcional, administrativa e penal”. Nesse caso, portanto, a ausência de elemento concreto para respaldar a arguição de suspeição, data venia, faz crer que o recorrente pretende que este Colegiado (já que essa tese só foi apresentada em recurso voluntário) admita a possibilidade de presunção de parcialidade ou máfé do auditor, pelo fato de integrar partido político em oposição. Não encontro fundamento para se admitir máfé, sem que haja indicativo de conduta intencionada e parcial do auditor fiscal que tenha resultado em prejuízo para o recorrente ou em favorecimento para o partido político ao qual se vinculava o auditor fiscal. Vale lembrar que a Constituição Federal 1988 (art. 1º, inc. III) estabelece que caracteriza ofensa à dignidade humana presumir a máfé ou a desonestidade das pessoas, especialmente de agentes públicos no exercício de suas funções. O Decreto nr. 70.235/1972, que dispõe sobre o "processo administrativo fiscal" e a Lei 9.784/1999, sobre o "processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal", não prevêem a suspeição ou impedimento de auditores/conselheiros pelo motivo em questão. As hipóteses de impedimento, portanto, são somente aquelas previstas no Regimento Interno do Carf, aprovado pela Portaria MF 152/2016. O impedimento de que trata o art. 42, inc. II do Regimento Interno do Carf não se aplica aos conselheiros/auditores fiscais, senão apenas aos membros representantes dos contribuintes. Registrese, ainda, que o Regimento Interno do CARF e a legislação que rege o processo administrativo tributário federal não contemplam qualquer dispositivo que imponha o cancelamento dos autos de infração ou anulação dos atos de fiscalização, pelo fato de o auditor fiscal ser de alguma forma vinculado a ente que se apresente como concorrente em direitos e interesses, como se alegou no presente caso, em relação ao PSDB e ao PT. Assim, rejeitase a preliminar, em que o recorrente invoca a suspeição do auditor fiscal, por ausência de previsão legal e de elemento concreto que pudesse ser considerada como ato suspeito ou parcial no exercício das atribuições e competências do fiscal. Suspensão da Imunidade Tributária Passamos à suspensão da imunidade do recorrente. Em sequência, analisaremos os autos de infração. Destacamse, a respeito, as seguintes razões do recorrente: a recorrente alegou que a Receita Federal é órgão incompetente para realizar fiscalização contábil dos partidos políticos para qualquer fim, mesmo que para verificar o cumprimento dos requisitos definidos em lei complementar para o gozo da imunidade; alga que o art. 17, III da CF/88 conferiu à Justiça Eleitoral a competência para analisar e apreciar as contas dos partidos políticos, sendo esta, portanto, a entidade competente para suspender a sua imunidade. Salientou que tal medida somente pode Fl. 2586DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 21 20 ser adotada após o trânsito em julgado da decisão que tenha rejeitado a prestação de contas do partido; citou os arts. 28, inciso III, 30 e 34 da LPP, lei que disciplina a organização e funcionamento dos partidos políticos. Conforme ressaltado, tais dispositivos estabelecem que o partido deve manter escrituração contábil que permita o conhecimento da origem de suas receitas e a destinação de suas despesas; que é a Justiça Eleitoral que exerce a fiscalização sobre a escrituração contábil e a prestação de contas do partido, devendo atestar se correspondem à realidade; bem assim que, após trânsito em julgado de decisão, é o TSE que determina o cancelamento do registro civil e do estatuto do partido que não tenha prestado as devidas contas à Justiça Eleitoral. esclareceu haver uma razão para a competência estar resguardada ao Poder Judiciário, qual seja, o papel constitucional desempenhado pelos partidos políticos e a necessidade de protegêlos contra o governo do dia, evitando a subversão do "jogo" democrático de um partido em detrimento dos demais, Sobre tais alegações, o Acórdão recorrente registrou o seguinte entendimento: O art. 150, VI, "c" da CF assim dispõe: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: VI instituir impostos sobre: c) patrimônio, fenda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei. Os requisitos para usufruir desta limitação constitucional ao poder de tributar, ou seja, para fazer jus à imunidade tributária estão estabelecidos no CTN, recepcionado pela CF/88 como lei complementar, especificamente em seus art. 9o, § 1o., e 14 a seguir transcritos. O § 1° do art. 14 determina a suspensão do benefício em caso de descumprimento de tais requisitos: Art. 9°. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV cobrar imposto sobre: c) o patrimônio, a renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, (...), observados os requisitos fixados na Seção II deste Capítulo; § 1o. O disposto no inciso IV hão exclui a atribuição, por lei às entidades nele referidas, da condição de responsáveis pelos tributos que lhes caiba reter ha fonte, e não as dispensa da prática dos atos, previstos em lei, assecuratórios do cumprimento de obrigações tributárias por terceiros. Fl. 2587DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 22 21 Seção II Disposições Especiais Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do art. 9o. é subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas entidades nele referidas: § 1o. Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1° do art. 9o, a autoridade competente pode suspender a aplicação do benefício. A questão aqui discutida é exatamente quem é a autoridade competente a que se refere o § 1o. do art. 14, acima transcrito. Pretende o sujeito passivo que seja a Justiça Eleitoral, no caso, o TSE. Vejamos o que a CF/88 dispõe sobre os partidos políticos, em seu art. 17: Art 17. E livre a criação, fusão, incorporação e extinção de partidos políticos, resguardados a soberania nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo, os direitos fundamentais da pessoa humana e observados os seguintes preceitos: I caráter nacional; II proibição de recebimento de recursos financeiros de entidade ou governo estrangeiros ou de subordinação a estes; III prestação de contas à Justiça Eleitoral; IV funcionamento parlamentar de acordo com a lei. O inciso III deste dispositivo constitucional literalmente determina que os partidos são obrigados a prestar contas à Justiça eleitoral. Tal obrigação consta também da Lei dos Partidos Políticos (Lei n° 9096/95 LPP), onde, em seus arts. 30 e 32, estabelece que os partidos devem manter escrituração contábil de forma a permitir o conhecimento da origem de suas receitas e a destinação de suas despesas, bem assim, que até o dia 30 de abril do ano seguinte o partido tem que enviar o balanço contábil do exercício findo à Justiça Eleitoral, no caso, TSE. Art. 30. O partido político, através de .seus órgãos nacionais, regionais e municipais, deve manter escrituração contábil, de forma a permitir o conhecimento da origem de suas receitas é a destinação de suas despesas. Art 32. O partido está obrigado a enviar, anualmente, à Justiça Eleitoral, o balanço contábil do exercício findo, até o dia 30 de abril do ano seguinte. § 1o. O balanço contábil do órgão nacional será enviado ao Tribunal Superior Eleitoral, o dos órgãos estaduais aos Tribunais Regionais Eleitorais e o dos órgãos municipais aos Juizes Eleitorais. Fl. 2588DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 23 22 A LPP fixa que ao TSE (no caso) cabe fiscalizar a escrituração contábil e a prestação de contas do partido, devendo, ao fim, atestar a veracidade das informações nelas contidas. Art. 34. A Justiça Eleitoral exerce a fiscalização sobre a escrituração contábil e a prestação de contas do partido e das despesas de campanha eleitoral, devendo atestar se elas refletem adequadamente a real movimentação financeira, os dispêndios e recursos aplicados nas campanhas eleitorais, exigindo a observação das seguintes normas: Mas qual é a finalidade da fiscalização exercida pelo TSE sobre a prestação de contas do partido e sua escrituração contábil? A resposta a tal questão está nos art. 36, 37 e 44 da mesma LPP, que estabelece as consequências possíveis em função de irregularidades específicas apuradas durante a fiscalização: Art. 36. Constatada a violação de normas legais ou estatutárias, ficará o partido sujeito às seguintes sanções: I no caso de recursos de origem não mencionada ou esclarecida, fica suspenso o recebimento das quotas do fundo partidário até que o esclarecimento seja aceito pela Justiça Eleitoral; II no caso de recebimento de recursos mencionados no art. 31, fica suspensa a participação no fundo partidário por um ano: III no caso de recebimento de doações cujo valor ultrapasse os limites previstos no art. 39, § 4o, fica suspensa por dois anos a participação no fundo partidário e será aplicada ao partido multa correspondente ao valor que exceder aos limites fixados. Art. 37. A falta de prestação de. contas ou sua desaprovação total ou parcial implica a suspensão de novas cotas do Fundo. Partidário e sujeita os responsáveis às penas da lei. (Redação dada pela Lei n° 9.693, de 27.7.98) Art. 44. Os recursos oriundos do Fundo Partidário serão aplicados: I na manutenção das sedes e serviços do partido, permitido o pagamento de pessoal, a qualquer titulo, este último até o limite máximo de vinte por cento do total recebido; II na propaganda doutrinária e política; III no alistamento e campanhas eleitorais; IV na criação e manutenção de instituto ou fundação de pesquisa e de doutrinação e educação política sendo esta Fl. 2589DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 24 23 aplicação de, no mínimo, vinte por cento do total recebido. § 1o Na prestação de contas dos órgãos de direção partidária de qualquer nível devem ser discriminadas as despesas realizadas com recursos do Fundo Partidário, de modo a permitir o controle da Justiça Eleitoral sobre o cumprimento do disposto nos incisos I e IV deste artigo . Percebese que o enfoque da fiscalização exercida pela Justiça Eleitoral não é tributário, ou seja, o de apurar se os requisitos para fazer jus ao benefício da imunidade e se as demais obrigações tributárias estão sendo cumpridas, mas exclusivamente o de verificar se o partido está atendendo às condições quanto ao recebimento de doações estabelecidas nos art. 31 e 39 abaixo transcritos e se está aplicando corretamente os recursos oriundos do Fundo Partidário. Art. 31. E vedado ao partido receber, direta ou indiretamente, sob qualquer forma ou pretextos contribuição ou auxílio pecuniário ou estimável em dinheiro, inclusive através de publicidade de qualquer espécie, procedente de: I entidade ou governo estrangeiros; II autoridade ou órgãos públicos, ressalvadas as dotações referidas no art. 38; III autarquias, empresas públicas ou concessionárias de serviços públicos, sociedades de economia mista e fundações instituídas em virtude de lei e para cujos recursos concorram órgãos ou entidades governamentais; IV entidade de classe ou sindical. (...) Art. 39, Ressalvado o disposto nó art. 31, o partido político pode receber doações de pessoas físicas e jurídicas para constituição de seus fundos, § 1º Às doações de que trata este artigo podem ser feitas diretamente aos órgãos de direção nacional, estadual e municipal, que remeterão, à Justiça Eleitoral e aos órgãos hierarquicamente superiores do partido, o demonstrativo de seu recebimento e respectiva destinação, juntamente com o balanço contábil. §2º Outras doações, quaisquer que sejam, devem ser lançadas na contabilidade do partido, definidos seus valores em moeda corrente. § 3º As doações em recursos financeiros devem ser, obrigatoriamente, efetuadas por cheque cruzado em nome do partido político ou por depósito bancário diretamente na conta do partido político. § 4º (revogado) Fl. 2590DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 25 24 Tratase de um controle financeiro, um dos preceitos fixados na CF/88, especificamente no art. 17, incisos II e III da CF para a proteção da soberania nacional, do regime democrático e do pluri partidarismo, preceitos fundamentais da República Federativa do Brasil estabelecidos sem seu art. 1º, a serem resguardados frente à liberdade de criação, existência e funcionamento dos partidos políticos. As consequências desse controle financeiro realizado pela Justiça Eleitoral, quando apurada irregularidade na escrituração de receitas e despesas do partido e na prestação de contas, e a aplicação de sanções de suspensão no recebimento do Fundo Partidário e responsabilização penal dos responsáveis, podendo chegar até à punição extrema de cancelamento do registro civil e do estatuto do partido nas situações indicadas no art. 28 da LPP, entre elas, a ausência de prestação de contas à Justiça. Não há, portanto, qualquer consequência tributária da fiscalização realizada pela Justiça Eleitoral. Art. 28. O Tribunal Superior Eleitoral, após trânsito em julgado de decisão, determina o cancelamento do registro civil e do estatuto do partido contra o qual fique provado: I ter recebido ou estar recebendo recursos financeiros de procedência estrangeira; II estar subordinado a entidade ou governo estrangeiros; III não ter prestado, nos termos desta Lei, as devidas contas à Justiça Eleitoral; Com base, pois, na LPP, analisada em conjunto com os preceitos constitucionais, está claro que a Justiça Eleitoral (no caso o TSE) não é autoridade competente para suspender a imunidade tributária de partido político. A referida lei está em consonância com o Código Eleitoral, Lei n° 4.737/65, que confirma as competências nela estabelecidas, conforme art. 22, inciso I, alíneas "a" e "f", transcritos adiante. Não poderia ser diferente em respeito à hierarquia de normas, pois esse código foi recepcionado pela CF com status de lei complementar, conforme determinação contida no seu art. 121. A LPP, lei ordinária, não poderia extrapolar as competências estabelecidas na lei complementar. Além disso, atentando para a lista completa de competências do TSE fixadas no referido código, não há, entre elas, a de suspender a imunidade tributária. Art. 22. Compete ao Tribunal Superior; I Processar e julgar originariamente: a) o registro e a cassação de registro de partidos políticos, dos seus diretórios nacionais e de candidatos à Presidência e vicepresidência da República; b os conflitos de jurisdição entre Tribunais Regionais e juizes eleitorais de Estados diferentes; c) a suspeição ou impedimento aos seus membros, ao Procurador Geral e aos funcionários da sua Secretaria; Fl. 2591DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 26 25 d) os crimes eleitorais e os comuns que lhes forem conexos cometidos pelos seus próprios juizes e pelos juizes dos Tribunais Regionais; e) (Execução suspensa pela IN SRF nr. 132, de 1984); f) as reclamações relativas a obrigações impostas por lei aos partidos políticos, quanto à sua contabilidade e à apuração da origem dos seus recursos; g) as impugnações á apuração do resultado geral proclamação dos eleitos e expedição de diploma na eleição de Presidente e Vicepresidente da República; h) os pedidos de desaforamento dos feitos não decididos nos Tribunais Regionais dentro de trinta dias da conclusão ao relator, formulados por partido, candidato, Ministério Público ou parte legitimamente interessada, (Redação dada pela Lei nº 4.961, de 4.5.1966) i) as reclamações contra os seus próprios juizes que, no prazo de trinta dias a contar da conclusão, não houverem julgado os feitos a eles distribuídos. (Incluído pela Lei n° 4.961, de 4.5.1966) j) a ação rescisória, rios casos de inelegibilidade, desde que intentada dentro de cento e vinte dias de decisão irrecorrível, possibilitandose o exercício do mandato eletivo até o seu trânsito em julgado. (Incluído pela LCP nr. 86, de 14.5.1996) II julgar os recursos interpostos das decisões dos Tribunais Regionais nos termos do Art. 276 inclusive os que versarem matéria administrativa.Parágrafo único. As decisões do Tribunal Superior são irrecorrível, salvo nos casos do Art. 281. Art. 23 Compete, ainda, privativamente, ao Tribunal Superior, I elaborar o seu regimento interno; II organizar a sua Secretaria e a Corregedoria Geral, propondo ao Congresso Nacional a criação ou extinção dos cargos administrativos e a fixação dos respectivos vencimentos, provendoos na forma da lei; III ceder aos seus membros licença e férias assim Como afastamento do exercício dos cargos efetivos; IV aprovar o afastamento do exercício dos cargos efetivos dos juizes dos Tribunais Regionais Eleitorais; V propor a criação de Tribunal Regional na sede de qualquer dos Territórios; Fl. 2592DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 27 26 VI propor ao Poder Legislativo o aumento do número dos juizes de qualquer Tribunal Eleitoral, indicando a forma desse aumento; VII fixar as datas para as eleições de Presidente e Vice Presidente da República, senadores e deputados federais, quando não o tiverem sido por lei; VIII aprovar a divisão dos Estados em zonas eleitorais ou a criação de novas zonas; IX expedir as instruções que julgar convenientes à execução deste Código; X fixar a diária do Corregedor Geral, dos Corregedores Regionais e auxiliares em diligência fora da sede; XI enviar ao Presidente da República a lista tríplice organizada pelos Tribunais de Justiça nos termos do ar. 25; XII responder, sobre matéria eleitoral, às consultas que lhe forem feitas em tese por autoridade com jurisdição federal ou jargão nacional de partido político; XIII autorizar a contagem dos votos pelas mesas receptoras nos Estados em que essa providência for solicitada pelo Tribunal Regional respectivo; XIV requisitar a força federal necessária ao cumprimento da lei, de suas próprias decisões ou das decisões dos Tribunais Regionais que o solicitarem, e para garantir a votação e a apuração; (Redação dada pela Lei n" 4.96Í, de 4.5 1966) XV organizar e divulgar a Súmula de sua jurisprudência; XVI requisitar funcionários da União e do Distrito Federal quando o exigir o acúmulo ocasional do serviço de sua Secretaria; XVII publicar um boletim eleitoral; XVIII tomar quaisquer outras providências que julgar convenientes à execução da legislação eleitoral, Diferentemente do entendimento do sujeito passivo, o Poder Legislativo, cujo órgão máximo é o Congresso Nacional, integrado por representantes do povo e das Unidades da Federação, entre eles, membros filiados do próprio PSDB, estabeleceu na Lei n° 10.683/2003 ser o Ministério da Fazenda o órgão responsável pela política, administração, fiscalização e arrecadação tributária, cuja estrutura é composta, entre outros órgãos, pela Receita Federal do Brasil: Art. 27. Os assuntos que constituem áreas de competência de cada Ministério são os seguintes: XII Ministério da Fazenda; (...) Fl. 2593DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 28 27 b) política, administração, fiscalização e arrecadação tributária e aduaneira; (...) Art. 29. Integram a estrutura básica: (...) XII do Ministério da Fazenda o Conselho Monetário Nacional, o Conselho Nacional de Política Fazendária, o Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional, o Conselho Nacional de Seguros Privados, o Conselho de Recursos do Sistema Nacional de Seguros Privados, de Previdência Privada Aberta e de Capitalização, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, os 1°, 2a e 3S Conselhos de Contribuintes, o Conselho Diretor do Fundo de Garantia à Exportação CFGE, o Comitê Brasileiro de Nomenclatura, o Comitê de Avaliação de Créditos ao Exterior, a Secretaria da Receita Federal do Brasil, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, a Escola de Administração Fazendária e até 5 (cinco) Secretarias; (Redação dada pela Lei n" 11.457, de 2007) Já o estatuto regimental do Ministério da Fazenda, aprovado pelo Decreto n° 6.764/2009, reafirma a competência do Ministério da Fazenda fixada na lei antes referida, e estabelece que a Receita Federal do Brasil é o órgão componente da estrutura deste ministério responsável por realizar a sua competência relativa à política, administração, fiscalização e arrecadação tributária: Art. 1° O Ministério da Fazenda, órgão da administração federal direta, tem como área de competência os seguintes assuntos; II política, administração, fiscalização e arrecadação tributária federal, inclusive a destinada à previdência social, e aduaneira; Art. 2º O Ministério da Fazenda tem a seguinte Estrutura Organizacional: II órgãos específicos singulares: (...) b) Secretaria da Receita Federal do Brasil: (...) Art. 15. A Secretaria da Receita Federal do Brasil compete: I planejar, coordenar, supervisionar, executar, controlar e avaliar as atividades de administração tributária federal, inclusive as relativas às contribuições sociais destinadas ao financiamento da seguridade social e às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas Outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor; II propor medidas de aperfeiçoamento e regulamentação e a consolidação da legislação tributária federal; Fl. 2594DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 29 28 III interpretar e aplicar a legislação tributária, aduaneira, de custeio previdenciário e correlata, editando os atos normativos e as instruções necessárias à sua execução; IV estabelecer obrigações tributárias acessórias, inclusive disciplinar ã entrega de declarações; V preparar e julgar, em primeira instância, processos administrativos de determinação e exigência de créditos tributários e de reconhecimento de direitos creditórios, relativos aos tributos por ela administrados; VI acompanhar a execução das políticas tributária e aduaneira e estudar seus efeitos na economia do País; Vil dirigir, supervisionar, orientar, coordenar e executar os serviços de fiscalização, lançamento, cobrança, arrecadação e controle dos tributos e demais receitas da União, sob sua administração; Adentrando à estrutura da Receita Federal, verificase que a Portaria MF n° 125/2009, que aprovou o seu Regimento Interno, esmiuçou todas as atividades atribuídas a esse órgão pela lei e decreto antes mencionados, estabelecendo a competência de cada órgão de sua estrutura, bem assim a autoridade competente para tratar da questão relativa à imunidade tributária, qual seja, o Delegado ou o Inspetorchefe da unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do sujeito passivo. Senão vejamos: Art 203. As Delegacias da Receita Federal do Brasil DRF, Alfândegas da Receita Federal do Brasil ALF e Inspetorias da Receita Federal do Brasil IRF de Classes "Especial A", "Especial B" e "Especial C", quanto aos tributos e contribuições administrados pela RFB, inclusive os destinados a outras entidades e fundos, compete, no âmbito da respectiva jurisdição, no que couber, desenvolver as atividades de arrecadação, controle e recuperação do crédito tributário, de atendimento e interação com o cidadão, de comunicação social, de fiscalização, de controle aduaneiro, de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística, de gestão de pessoas, de planejamento, avaliação, organização, modernização, e, especificamente: X executar as atividades relacionadas à restituição, compensação, reembolso, ressarcimento, redução e reconhecimento de imunidade e isenção tributária; Art. 280. Aos Delegados da Receita Federal do Brasil e InspetoresChefes da Receita Federal do Brasil incumbem\ no âmbito da respectiva jurisdição, as atividades relacionadas com a gerência e a modernização da administração tributária e aduaneira e, especificamente: Fl. 2595DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 30 29 VII decidir sobre o reconhecimento de imunidades e isenções; Da mesma forma o art. 32 da Lei n° 9.430/96 estipulou o delegado /inspetor como autoridade competente para suspender a imunidade, em consonância com as competências fixadas na lei, no decreto e na portaria antes referidos, bem assim em completa adequação ao disposto no art. 14 do CTN: Art. 32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo. § 3º O Delegado ou Inspetor da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o ato declaratório suspensivo do beneficio, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à entidade, À vista de tais fatos e fundamentos entendo que está correta a conclusão da DRJ de que, o órgão com a competência para a suspensão da imunidade tributária, nos termos do art. 14 do CTN é a Receita Federal, na figura do delegado/inspetor de Delegacia/Inspetoria da Receita Federal do Brasil, autoridade administrativa responsável pela decisão de expedir o ADE determinando â suspensão. Da Alegação de que a Competência para a Suspensão da Imunidade Tributária seria do Poder Judiciário No que se refere ao argumento da recorrente de que a competência para a suspensão da imunidade estaria resguardada ao Poder Judiciário, em função da necessidade de proteger os partidos políticos contra o Governo do dia, evitando a subversão do jogo democrático de um partido em detrimento dos demais, a DRJ apresentou as seguintes razões: Ao fazer tal afirmação, o signatário da impugnação está a assumir que seu representado, o PSDB, adotou esta prática de uso da instituição Receita Federal para perseguições políticas no período recente de oito anos em que o Governo da República foi exercido por um membro seu. Afianço que a Receita Federal é órgão de excelência na Administração Pública, cujo quadro é composto por funcionários de elevada e reconhecida competência, atentos à atuação equilibrada e eficiente de suas atividades, razão pela qual credito o infeliz comentário do nobre representante do contribuinte a um descompasso momentâneo, que no perfeito exercício de sua razão teria evitado expressálo. Verificase, ainda, que nem na legislação retro citada, nem em qualquer outra não se encontra respaldo para tal informação. Da Alegação de Inconstitucionalidade do art. 32 §§ 3º e 5º da Lei nº 9.430/96 Em sequência, a recorrente sustenta a inconstitucionalidade do art. 32, §§ 3º e 5º da Lei n° 9.430/96, com o seguinte entendimento: • O § 3º, ao conferir competência ao delegado e ao inspetor para suspender a imunidade do partido, contraria o disposto nos art. 17, III e 146, II da CF/88; Fl. 2596DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 31 30 • O § 5º, que estabelece que a suspensão tem como termo inicial a data da prática da infração contraria a CF/88 por dois motivos: a) formal, por prever sanção a ser cogitada apenas por lei complementar; b) material, por prever pena retroativa, que contraria o princípio da irretroatividade. Sobre essa alegação, mesmo diante da impossibilidade de manifestarse quanto à ilegalidade e inconstitucionalidade de leis, a DRJ consignou as seguintes razões para demonstrar a improcedência do entendimento da recorrente: Em relação ao primeiro tópico, a questão já foi amplamente discutida, restando claro que o art. 32, § 3º está em consonância com a CF/88, com o CTN, com a LPP e o Código Eleitoral, com a Lei n° 10.683/2003, com o Decreto n° 6.794/2009 e com a Portaria MF n° 125/2009. Quanto ao segundo motivo da alegada inconstitucionalidade, há que se esclarecer que a impossibilidade de fazer jus à imunidade decorre de determinação da própria CF/88, que estabeleceu a necessidade de atendimento de duas condições para a imunidade: ser partido político e atender os requisitos estabelecido em lei (art. 9, § 1º e 14 do CTN). O art. 32 da Lei n° 9.430/96 apenas cumpre o estabelecido na CF/88, ou seja, não é ele que estabelece a suspensão. Em relação à aplicação retroativa da pena, tal fato não está presente. Conforme a CF/88, a imunidade do patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos somente não ocorre nos exercícios nos quais forem descumpridos os requisitos previstos no CTN, e não naqueles em que tais irregularidades foram detectadas. Nos anos em que os requisitos estão atendidos o partido político é imune por limitação constitucional. Ou seja, se houve descumprimento de requisitos em 2004 e tal fato foi verificado em 2006, o partido não esteve imune apenas em 2004, e não em 2006, pois nesse ano não descumpriu qualquer requisito. O ato de suspender a imunidade nada mais é do que declarar uma situação já existente, qual seja, a de que o partido político hão era imune em função de descumprimento de requisitos antes mencionados. O contribuinte não deixa de ser imune em função do ADE, por previsão constitucional ele já não é imune se não atender os requisitos legais. O ADE é, portanto, um ato declaratório formal a partir do qual a Receita Federal pode exigir os tributos devidos no período em que o ente não estava amparado pela imunidade, e que permite a esse demonstrar sua discordância à conclusão da Administração mediante a apresentação de impugnação. É uma situação equivalente à aplicação da multa de oficio pela falta de recolhimento de tributo. A infração normalmente não é detectada pela Receita Federal no mesmo ano, mas sim em períodos posteriores, obviamente respeitado o prazo decadencial. Nesse caso, a multa não é aplicada aos fatos geradores do imposto ocorridos no ano da fiscalização, mas sim aos fatos geradores em que ocorreram as infrações à legislação tributária. Frisese que a Receita Federal não é obrigada a apurar as irregularidades praticadas pelas pessoas jurídicas ou físicas no mesmo ano em que ocorreram, podendo fazêlo em anos posteriores, respeitado o limite temporal estabelecido no CTN, em seus art. 150 e 173. Por óbvio, a declaração da suspensão da imunidade somente produz efeito tributário se efetuada dentro do prazo decadencial para constituição do crédito tributário que deixou de pago. Fl. 2597DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 32 31 Ademais, ainda que fossem inconstitucionais tais dispositivos, o que reafirmo não ser o caso, é devido esclarecer que é o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Nesse sentido a súmula do Primeiro Conselho.de. Contribuintes. Súmula 1ºCC nº nº 2: O Primeiro Conselho de Contribuintes não è competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. O artigo 1° da Portaria MF nr. 58/2006 deixou claro que o julgador de primeira instância está vinculado às leis, normas regulamentares, inclusive, a entendimentos da Receita Federal expressos em atos normativos: Art. 7 O julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº 8.112, de 1990, bem assim o entendimento da SRF expresso em atos normativos. Também no PAF, em seu art, 26A, está vedado ao julgador administrativo afastar a aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Nesse sentido, cabe ratificar o entendimento da DRJ de que a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal e ao entendimento que lhe confere o Poder Executivo, deve limitarse a aplicálos, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. No caso, os dispositivos questionados não foram declarados inconstitucionais em Ação Direta de Inconstitucionalidade ou em Súmula do STF, muito menos tiveram suspensa sua aplicação por Resolução do Senado Federal, razão pela qual devem ser aplicados tanto pela autoridade administrava competente para a suspensão da imunidade, o delegado da DRF/BSA/DF, quanto pelos julgadores administrativos de primeira e segunda instâncias. Da Alegação sobre as Condições para a Constituição e Existência do Partido Político O recorrente argumentou que no caso dos partidos, os requisitos legais a que faz menção a alínea "c", do inciso VI, do art. 150 da CF referemse ao atendimento das condições necessárias à constituição e existência do próprio partido, ou seja, aos dispositivos da LPP. Salienta que pensar de forma diferente levaria à violação do princípio da isonomia, pois terseia classes distintas de partidos, bem assim à violação do fundamento constitucional de pluripartidarismo. Sobre essa alegação a DRJ apresentou as seguintes razões: O art. 146, II da CF/88, utilizado diversas vezes pelo sujeito passivo como reforço às suas argumentações foi completamente esquecido por ele neste momento, obviamente de forma proposital. Fl. 2598DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 33 32 Isso porque este dispositivo é claro ao dizer que as limitações constitucionais ao poder de tributar, entre elas os requisitos para a imunidade dos partidos, devem ser reguladas por lei complementar, que no caso é o CTN. Esta lei complementar fixou os requisitos a serem seguidos por todas as pessoas jurídicas abrangidas pela imunidade constitucional visando a manutenção desse benefício. Não há nesta lei, bem assim na Constituição, qualquer ressalva especial aos partidos políticos, que justifique a aplicação da LPP conforme pretendido. Ademais, conforme tratado no início do voto, a LPP não cuida de requisitos para o benefício de imunidade tributária, mas de requisitos para a inscrição e existência do partido, bem assim para a participação no Fundo Partidário. Não há qualquer violação ao princípio da isonomia, conforme pretendido pelo sujeito passivo, vez que este princípio determina o tratamento isonômico para os iguais e diferenciado para os desiguais. Frisese, a todos os partidos é aplicado igualmente o disposto no CTN, sendo respeitado, portanto, o princípio da isonomia. Para corroborar o entendimento deste julgador quanto ao princípio da isonomia, transcrevo a seguir trecho da obra "Curso de Direito Tributário Constitucional" (São Paulo, Ed, Malheiros, 2002, 17a ed., p. 67), do Jurista Roque Antônio Carraza: A lei tributária deve ser igual para todos e a todos deve ser aplicada com igualdade. Melhor expondo, quem está na mesma situação jurídica deve receber o mesmo tratamento tributário. Será inconstitucional por burla ao princípio republicano e ao da isonomia a lei tributária que selecione pessoas, para submetêlas a regras peculiares, que não alcançam outras, ocupantes de idênticas posições jurídicas. Nesse sentido, por lhes serem aplicáveis as disposições do art. 14 do CTN, os partidos políticos, sem exceção, devem cumprir os requisitos estabelecidos para a adequação ao benefício da imunidade tributária. Independentemente da bandeira partidária, o desatendimento das condições fixadas enseja a declaração da suspensão da imunidade. Seguindo os mesmos ditames legais, não vejo violação ao que a recorrente denominou de pluripartidarismo, vez que as disposições contidas no CTN não impedem a livre criação, fusão, incorporação, funcionamento e extinção dos partidos. A suspensão da imunidade em função dos descumprimentos dos requisitos estabelecidos nesse código acarreta apenas a submissão do partido às regras tributárias a que estão submetidas as pessoas jurídicas em geral. Da Alegação de Nulidade do Ato Declaratório Executivo ADE nº 136 O recorrente alegou nulidade do ADE, com base no art. 59, II do PAF, por considerar que na sua expedição teria havido cerceamento do seu direito de defesa. O PSDB diz que, em 18/12/2007, antes de proferido o Despacho Decisório que fundamentou o ADE, apresentou novas informações, solicitou diligências e requereu que lhe fosse garantido prazo não inferior a dez dias para a apresentação de manifestação final conforme previsão do art. 44 da Lei n° 9.734/99. Fl. 2599DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 34 33 Registrou que, o art. 3o da Lei n° 9.784/99 asseguraria o direito de o administrado formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais deveriam ser objeto de consideração pelo órgão competente. Afirmou que as informações e os pedidos de diligência não teriam sido levados em consideração pelo delegado em sua decisão. Também ressaltou que não lhe teria sido concedido o prazo do art. 44 antes mencionado para sua manifestação. Sobre tais alegações a DRJ apresentou as seguintes razões: É devido esclarecer ao sujeito passivo que o rito previsto no art. 32 da Lei n° 9.430/96 corresponde ao procedimento preparatório para a emissão do ato declaratório pela autoridade administrativa, à semelhança do rito existente para o lançamento previsto no art. 142 do CTN. A diferença entre os dois ritos, do ADE de suspensão e do lançamento, está no fato de que o legislador, diante da gravidade do ato de suspensão da imunidade para a pessoa jurídica, que excepciona a regra geral da limitar ao poder de tributar estabelecida no art. 150, VI da CF, procurou garantir ao administrado um contraditório antes da emissão do ato de suspensão, permitindo à autoridade administrativa chegar à conclusão com plena convicção. A previsão da notificação prévia, com abertura de prazo para apresentação de razões por parte do administrado, e posterior apreciação por parte da autoridade administrativa, não representa ainda a fase do contencioso, que somente inicia com a apresentação da impugnação ao ADE, consoante o § 6º, I, do art, 32 referido, sujeitandose, a partir daí, às regras do processo administrativo fiscal (PAF), conforme § 7º. É apenas uma fase instrutória. § 6º. Efetivada a suspensão da imunidade: I a entidade interessada poderá, no prazo de trinta dias da ciência, apresentar impugnação ao ato declaratório, a qual será objeto de decisão pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento competente; II a fiscalização de tributos federais lavrará auto de infração, se for o caso. § 7o A impugnação relativa à suspensão da imunidade obedecerá às demais normas reguladoras do processo administrativo fiscal, A garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa ao litigante prevista no art. 5º, LV da CF está assegurada ao sujeito passivo, vez que: • as informações a respeito das doações ao partido efetuadas pelo sócio da empresa Marka constam também da impugnação e, por conseguinte, serão apreciadas neste voto; • os dois pedidos de diligência efetuados na petição antes mencionada perderam objeto, já que um se referia a empresa cuja operação foi considerada como comprovada pela autoridade administrativa, não sendo causa da suspensão, e o outro foi prejudicado em função de o próprio contribuinte ter anexado aos autos quando da impugnação a pretendida declaração da empresa Superphoto estúdio Obritonews (fato que será tratado Fl. 2600DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 35 34 mais adiante em tópico específico). Inclusive o pleito de diligência se repete nesta impugnação e será apreciado, As alegações do sujeito passivo poderão, ser apreciadas em duplo grau de jurisdição administrativa vez que, se esta decisão for desfavorável aos seus intentos, ainda poderá recorrer ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Também foi garantido o contraditório e a ampla defesa na fase anterior ao contencioso, preparatória para emissão do ADE de suspensão, vez que a autoridade administrativa se pronunciou de forma detalhada e exaustiva sobre todos os pontos de contestação trazidos TEMPESTIVAMENTE pelo partido contra a notificação fiscal. Consoante disposto no § 2º, do art. 32 da Lei n° 9.430/96, norma específica que tratou do procedimento especial de suspensão da imunidade, o partido teria o prazo de trinta dias a contar da ciência da notificação para apresentar as alegações e provas que entendesse necessárias. § 2o A entidade poderá, no prazo de trinta dias da ciência da notificação, apresentar as alegações e provas que entender necessárias. Na espécie, a petição mencionada foi entregue em 18/12/2007, após o prazo de trinta dias da ciência da notificação, que ocorreu em 24/10/2007, sendo, portanto, intempestiva, não cabendo, por conseguinte, a sua apreciação. Do art. 32, §§ 2o e 3o da Lei n° 9.430/96, resta claro que o delegado/inspetor deve decidir sobre a procedência das alegações apresentadas no prazo de trinta dias da ciência da notificação. Ou seja, o seu pronunciamento deve fazer referência obrigatoriamente e exclusivamente à contestação tempestivamente apresentada. Assim procedeu. § 2" A entidade poderá, no prazo de trinta dias da ciência da notificação, apresentar as alegações e provas que entender necessárias. § 3" O Delegado ou Inspetor da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o ato declaratório suspensivo do beneficio, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à entidade Diferente é o tratamento em fase de contencioso, onde deve haver pronunciamento no voto do julgador administrativo quanto aos motivos que o levaram a não aceitar as razões e provas adicionais apresentadas pelo litigante fora do prazo, haja vista a necessidade de verificação da ocorrência das hipóteses previstas no § 4o do art. 16 do PAF. Observase, portanto, que não há o que modificar no Acórdão recorrente, pois antes do ADE, conforme dito, não há submissão ao PAF, mas apenas ao rito específico estabelecido pelo art. 32 da Lei n° 9,430/96. A DRJ ainda consigna que: De qualquer forma, tendo em vista a necessidade de pronunciamento da Administração Pública para todas as petições apresentadas pelo administrado, conforme garantia do art, 5°, XXXIII, a DIORT da DRF/BSA/DF informou ao Fl. 2601DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 36 35 sujeito passivo, no dia seguinte à petição, e anteriormente ao Despacho Decisório do delegado, que as informações e pedidos não seriam apreciados em função da intempestividade (fl. 1341). Como dito acima, não havia necessidade de pronunciamento específico do delegado quanto a esta petição em seu Despacho Decisório. Ressaltese que a disposição contida no art, 3o dá Lei n° 9.784/99, que determina que o administrado tem o direito de "formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto dê consideração pelo órgão competente", deve ser entendida em consonância com a disposição contida na norma específica, art. 32 da Lei n° 9.430/96, consoante o art. 69 daquela lei (n° 9,784/99) Não pode a lei geral derrogar disposição contida em lei específica. Nesta, conforme dito, é estabelecido prazo limite para a apresentação de alegações e de documentos, Por fim, quanto à pretendida aplicação do disposto no art. 44 da Lei n° 9.784/99, que determina que "encerrada a instrução, o interessado terá o direito de manifestarse no prazo máximo de dez dias, salvo se outro prazo for legalmente fixado"resta esclarecer novamente que a referida lei somente deve ser aplicada na ausência de norma específica, consoante disposição contida em seu art. 69. No caso, como já mencionado, o procedimento para a suspensão da imunidade é regulado pelo art. 32 da Lei n° 9.430/96, onde não há previsão para este tipo de manifestação. Por tais razões, entendo, da mesma forma, que não procede o argumento de nulidade do ADE por cerceamento do direito de defesa. Da Alegação do ADE aos Princípios da Razoabilidade e da Proporcionalidade O recorrente alegou que o ADE teria violado os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Registrou as seguintes razões: • que todos os negócios foram lícitos e celebrados com observância do princípio da boafé contratual. A ausência da máfé impõe relevar a suspensão da imunidade; • que a Administração Pública deve pautar sua atuação em respeito ao princípio da legalidade e da finalidade. Em vista disso, há que agir em consonância com os princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Tal disposição está contida no art. 2o da Lei n° 9.784/99; • que não é razoável e proporcional a suspensão aplicada por não ter comprovado o pagamento de algumas poucas notas fiscais, dentre milhares, bem assim a respectiva prestação dos serviços, apesar da apresentação de documentos que são fortes indícios da ocorrência da despesa, e por ter pago os tributos retidos na fonte fora do prazo, ainda que com os juros e multa moratórios; • que o art, 32, § 3° da Lei n° 9.430/96 permite a flexibilidade em sua aplicação, vez que diz que a autoridade competente decidirá sobre a procedência das alegações. • que o art. 14, § 1° do CTN diz que a autoridade pode suspender a imunidade, devendo aplicar, por óbvio os princípios da razoabilidade e proporcionalidade; • que o referido art. 32 fala que a suspensão deve ser aplicada quando o partido não está observando os requisitos do art. 14 do CTN, o que pressupõe a prática reiterada de desrespeito à norma, não bastando mera suposição de ocorrência pontual e pretérita; Fl. 2602DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 37 36 • que o ADE não é razoável por não estar em conformidade com a finalidade da lei nem com o interesse público, qual seja, a garantia de existência de um ente que possui funções constitucionais fundamentais essenciais ao regime democrático. Como a suspensão coloca em risco a existência desse ente, deve ser questionada a sua constitucionalidade; • que há outras formas menos agressivas que a suspensão da imunidade para alcançar o fim almejado, a começar pela imposição de multas tributárias pelo descumprimento de obrigação acessória, vez que não houve lesividade, já que a suposta infração não foi praticada com dolo, fraude ou simulação; • que não há proporcionalidade entre o meio utilizado a suspensão e o fim pretendido a escrituração e a retenção do tributo; • que em função da falta de razoabilidade e de proporcionalidade da punição, a mesma deve ser relevada conforme autorização contida no art. 112, II do CTN. Com relação a tais alegações a DRJ apresentou as seguintes razões: É devido esclarecer que o art. 150, VI, "c" da CF/88 é claro ao condicionar o benefício da imunidade ao cumprimento dos requisitos estabelecidos em lei, no caso o CTN ou, a contrário senso, determina que não faz jus à imunidade o ente que descumpre os referidos requisitos. Conforme já dito anteriormente, está evidente que a suspensão da imunidade não é determinada pelo art. 14 do CTN ou pelo art. 32 da Lei n° 9.430/96, como aponta o sujeito passivo, mas sim pela própria CF/88. As normas infraconstitucionais mencionadas apenas estabelecem as condições e os procedimentos para tanto, haja vista a autorização constitucional. Também é nítido o fato de que o legislador constituinte não pretendeu graduar a punição decorrente do descumprimento dos requisitos legais, de acordo com a gravidade da irregularidade. Somente há uma "punição" prevista na CF/88, qual seja, a suspensão da imunidade. O ente que descumpre a norma, independentemente da gravidade desta infração, não faz jus a este benefício, Logo, em se verificando o descumprimento de qualquer um dos requisitos para a imunidade, não pode a autoridade administrativa decidir por aplicar, deixar de declarar a suspensão, aplicando outra medida, tal como a multa pretendida pelo sujeito passivo, em função da gravidade da irregularidade ser mínima. Não pode porque a CF/88 não permite esta discricionariedade. Ela afasta a aplicação dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade neste caso. Se a suspensão da imunidade é medida desproporcional e não razoável a situações como a descrita nos autos, conforme alegado pelo sujeito passivo, não cabe a este julgador administrativo questionar o comando da CF/88, ou seja, a vontade do legislador constituinte. Pretendesse o legislador a aplicação dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade por parte da autoridade competente, deveria ter feito constar essa maleabilidade no dispositivo constitucional. A única discricionariedade possível é no momento da valoração das provas carreadas pelo sujeito passivo, processo subjetivo responsável por levar a autoridade administrativa competente para suspender a imunidade a concluir pelo descumprimento ou não dos requisitos necessários para que o ente fiscalizado faça jus ao beneficio constitucional. Convencido da presença de ao menos uma Fl. 2603DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 38 37 irregularidade, por mais ínfima que seja, já não pode mais o administrador fugir à aplicação da punição do ente com a suspensão da imunidade. Verificase, portanto, que está correta a conclusão da DRJ no sentido de que, quando o art. 32 da Lei n° 9.430/96 estabelece que a autoridade decidirá, ou quando o art. 14, § 1° do CTN, diz que esta mesma autoridade pode suspender a imunidade, não está dizendo que a aplicação da suspensão pode ser relevada pela aplicação dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, pois, se assim fosse interpretado, tais dispositivos teriam obrigatoriamente que ser considerados inconstitucionais. Como ressaltou a DRJ, no caso, a autoridade administrativa demonstrou sua plena convicção de que houve o descumprimento dos requisitos estabelecidos no art. 14 do CTN, razão pela qual aplicou a suspensão da imunidade, segundo determinado pela CF. Incabível, então, a interpretação mais benigna estabelecida no art.112, inciso II do CTN, por não haver dúvida quanto à natureza ou às circunstâncias materiais do fato. Para encerrar a discussão nesta parte, a DRJ ainda destacou que, não há que se condicionar a aplicação da suspensão à prática reiterada das irregularidades, consoante alegou o sujeito passivo, amparandose para tanto na expressão "observando" contida no art. 32 da Lei n° 9.430/96. Concluise, nesse sentido, que está correta a interpretação da DRJ de que tal dispositivo trata exclusivamente dos procedimentos administrativos prévios à publicação de ADE de suspensão de imunidade. Os requisitos que a pessoa jurídica tem que atender para fazer jus à imunidade estão estabelecidos no art. 14 do CTN, onde não há qualquer exigência no sentido de que as irregularidades detectadas não podem ser pontuais ou pretéritas para aplicarse a suspensão. Da Alegação que a Autoridade Fiscal Não Provou Infrações ao ar. 14 do CTN O recorrente alegou que o delegado não esclareceu e não provou concretamente de que forma foram infringidos cada um dos requisitos do art. 14 do CTN, e em que fatos concretos baseou sua conclusão. Salientou que cabia ao Fisco investigar, diligenciar, demonstrar e provar a ocorrência de um dos fatos jurídicos indicados no referido artigo. Para ele, a suposta não comprovação de que um determinado serviço foi prestado, de que determinado pagamento não foi realizado ou de que pontual tributo não foi recolhido tempestivamente não pode ser tido como uma das situações estabelecidas no referido dispositivo legal como capaz de justificar a suspensão da imunidade. Entendeu que a suspensão foi amparada em presunções ou indícios. Ressaltou que, consoante o art. 111, II do CTN, as normas relativas à imunidade devem ser interpretadas de forma literal, não se podendo restringir ou ampliar seu alcance. Pleiteou a aplicação do art. 112 do CTN, incisos II e IV. Concluiu que a conduta do delegado representou flagrante violação ao princípio da motivação das decisões, o que cerceou sobremaneira o seu direito de defesa. A respeito de tais alegações, a DRJ consignou as seguintes razões: Permitome discordar frontalmente do entendimento do sujeito passivo, pois, uma vez que a autoridade administrativa concluiu que não foram comprovadas Fl. 2604DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 39 38 algumas das despesas escrituradas, seja pela falta de comprovação do efetivo pagamento, seja pela falta de comprovação da efetividade da prestação dos serviços indicados nas notas, seja pela falta de comprovação do vínculo entre a empresa beneficiária do pagamento e o serviço prestado, o corolário automático dessas conclusões é o de que: • o partido não manteve seus livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão, vez que: 1) escriturou despesas inexistentes; b) não manteve em boa ordem todos os documentos necessários para a comprovação dos registros contábeis efetuados, consoante art. 4o do Decretolei n° 486/69, Com isso, descumpriu o inciso III do art. 14 do CTN; • o partido não comprovou a aplicação integral, no país, de seus recursos na manutenção dos seus .objetivos institucionais, já que efetuou pagamentos a pessoas jurídicas e físicas para os quais não logrou demonstrar a causa do dispêndio. Em vista disso, não comprovou o atendimento do requisito contido no inciso II do art. 14 do CTN; • em razão também da falta de comprovação da motivação de determinados dispêndios, o partido não conseguiu comprovar que não distribuiu parcela de seu patrimônio ou renda a qualquer título. Logo, houve o descumprimento do inciso I do art. 14 do CTN. Não se alegue que caberia à autoridade administrativa, durante o procedimento prévio à emissão do ADE de suspensão, ter provado a distribuição de receita a qualquer título. Ou a sua aplicação fora do país, ou em atividades não relacionadas com seus objetivos institucionais, Este ônus é do partido político, vez que, conforme estabelecido no art. 30 da LPP e no art. 4o do Decretolei n° 486/69, ele está obrigado a manter a sua escrituração em ordem e devidamente documentada. Não se está a exigir dele prova negativa, o que seria absurdo, mas sim prova positiva dos pagamentos por ele efetuados e a identificação documental da sua finalidade é destinação, enfim, a prova dos seus registros contábeis. Consoante art. 9o, § 1° do Decretolei n° 1.598/77, "a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais". Ou seja, registrada uma despesa, cabe ao sujeito passivo provar a sua efetividade: pagamento e efetiva prestação, mediante a apresentação de documentos suficientes. Quanto à falta de retenção, e recolhimento do IRRF, esta infração foi reconhecida pelo próprio sujeito passivo, que motivou tal irregularidade em virtude de suposta complexidade da legislação respectiva. Não resta dúvida, então, que descumpriu o disposto no art. 9o, § 1o. do CTN, o que, segundo o §1°, do art. 14 do mesmo código, é motivo suficiente para a suspensão da imunidade. Foi exatamente esta a capitulação utilizada pela autoridade administrativa. O fato de, segundo ele, ter recolhido todos os tributos posteriormente com os acréscimos legais não afasta a responsabilidade pela infração, vez que a providência somente foi adotada quando o partido não estava mais amparado pela espontaneidade, pois a fiscalização já havia sido iniciada. Consoante o art. 138 do CTN, a responsabilidade pela infração somente é afastada com a denúncia espontânea acompanhada do pagamento do tributo e acréscimos: Fl. 2605DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 40 39 Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração, Com base em tais fundamentos da DRJ é forçoso concluir que a decisão do da DRF/BSA/DF foi devidamente motivada e amparada em provas concretas. Não houve, pois, o cerceamento do direito de defesa alegado. O recorrente teve durante o procedimento fiscal efetuado ampla possibilidade de apresentar as provas necessárias a comprovar a regularidade de sua escrituração, contudo, não o fez, consoante entendimento da autoridade fiscal, que considerou serem os documentos apresentados insuficientes para tanto, apresentando detalhadas justificativas de suas conclusões. Quanto à aplicação do art. 112 do CTN, cabe, mais uma vez, esclarecer que a autoridade administrativa deixou evidente sua convicção quanto ao cabimento da suspensão, ante os fatos apurados, razão pela qual tal dispositivo não se adequa ao caso presente. Com relação às disposições do art. 111, II do CTN, que estabelece que norma que trata de isenção (e, por extensão, de imunidade) deve ser interpretada literalmente, também ratifico o entendimento da DRJ, no sentido de que, foi exatamente isto que a autoridade administrativa fez, pois somente aplicou a suspensão da imunidade quando convicto, com base nas provas constantes dos autos, de que o partido descumpriu os requisitos indicados no art, 14 do CTN. Das Alegações Diretas sobre Irregularidades na Expedição do ADE O recorrente também contesta diretamente as irregularidades apuradas pela autoridade fiscal que resultaram na edição do ADE de suspensão da imunidade. Inicia discutindo as conclusões quanto às notas emitidas pela empresa Gold, para, em seguida, tratar das questões relativas à empresa Marka, encerrando esta etapa de sua impugnação com a matéria relativa à falta de retenção e recolhimento do imposto na fonte incidente sobre pagamentos efetuados a prestadores de serviços diversos. Em relação às notas fiscais n° 070 e 081 emitidas pela Gold, informou que os valores correspondentes, de R$ 21.000,00 e de R$ 87.000,00, respectivamente, foram transferidos eletronicamente para a conta da empresa no Banco Bradesco em 20/06/2002 e 04/07/2002. Como provas disso, anexou cópias das referidas notas, dos recibos de transferência e dos extratos bancários da empresa Gold às fl. 1413/1418. Esclareceu que apenas a Gold foi contratada em 2002 para prover serviços de produção de eventos e comícios, bem assim de mobilização de militantes durante visitas do candidato à Presidência da República a diversas cidades do Brasil. Salientou que o valor da segunda nota é superior ao da primeira em virtude da maior amplitude dos eventos a partir de julho. Fl. 2606DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 41 40 Entende que a execução dos serviços está inequivocamente comprovada não só pelas fotografias apresentadas anteriormente, bem assim junto à impugnação (fl. 1420/1443), que mostram a presença do candidato em diversos eventos, mas também pela declaração prestada pela Superphoto (estúdio OBritonews), anexada à fl. 1419. No seu ponto de vista, a Receita Federal não trouxe qualquer elemento indicando que não foi a Gold que executou os serviços e que foram descumpridos os requisitos do art. 14, incisos I a III do CTN. Acredita que, enquanto a conclusão da autoridade administrativa estaria amparada em mera suposição, há nos autos uma gama de fortes indícios capazes de inferir a ocorrência dos serviços. Ainda em relação à Gold, ressaltou a contradição existente no fato da Receita Federal estar exigindo dessa empresa os tributos não recolhidos de 2000 a 2003 sobre receita de serviços prestados, conforme pode ser verificado da análise do processo n° 10707.001546/200688. Argumentou que, se está sendo exigido tributo sobre a receita auferida, é porque o execução do serviço ocorreu. No tocante a tais notas fiscais a DRJ apresenta as seguintes razões: Analisando a documentação carreada aos autos, é possível concluir que o sujeito passivo logrou comprovar os pagamentos dos valores especificados nas notas n° 070 e 081, pois trouxe recibos de DOCC e DOC Eletrônico que indicam a saída dos exatos valores de sua conta no Banco do Brasil para a conta da Gold no Banco Bradesco em datas próximas. Além disso, o recebimento pela Gold dos referidos valores consta dos extratos da conta corrente dessa empresa no Bradesco, os quais foram anexados às fl. 1417/1418. Frisese que tais documentos somente foram carreados em fase de impugnação, razão pela qual a conclusão da autoridade administrativa pela falta de comprovação quando da suspensão da imunidade foi acertada à época. Contudo, quanto à comprovação da operação que deu causa aos pagamentos, não obteve o mesmo sucesso. Nas notas fiscais não há qualquer informação quanto ao tipo de serviço prestado pela empresa Gold, o que inviabiliza confirmar se as informações do sujeito passivo quanto ao tipo de serviço prestado são verídicas, bem assim, verificar a existência de relação entre essas e as imagens de comícios e passeatas trazidas aos autos. Também não foi juntado o contrato firmado para a prestação dos serviços a que o sujeito passivo faz referência. Não é crível que o partido tenha confiado na execução de serviços de suma importância para a campanha do seu candidato à eleição apenas por contratação verbal. Tal contrato permitiria fazer a vinculação entre os pagamentos e os serviços de organização de eventos políticos representados pela fotos anexadas. Quanto à declaração prestada pela Obritonews Ltda., empresa que teria sido responsável pela cobertura fotográfica dos eventos, nesta consta apenas que essa empresa teria participado dos eventos ocorridos em 2002 e que o partido teria contratado uma determinada empresa para cuidar da organização, ambientação e mobilização desses eventos. Contudo, não indica qual empresa seria essa, não sendo possível fazer o vínculo com a emissora das notas fiscais, a empresa Gold. Fl. 2607DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 42 41 Enfim, podese considerar que os pagamentos à Gold ocorreram, mas não é possível verificar se houve prestação de serviços em troca do pagamento e quais os serviços, se existentes, teriam sido prestados, ou seja, apurar a finalidade do pagamento. Tal fato, conforme já tratado anteriormente, enseja considerar o descumprimento conjunto dos incisos I, II e III do art. 14 do CTN: a escrituração não está mantida na boa forma, não foi provado pelo sujeito passivo que o valor transferido foi aplicado em objetivo institucional, no caso, campanha eleitoral, e, consequentemente, que tal montante não foi usado como forma de distribuição de sua renda. Observase, por conseguinte, que está correta a conclusão da DRJ de agiu acertadamente a autoridade administrativa que determinou a emissão do ADE de suspensão, pois estava devidamente amparada no fato de que o sujeito passivo não comprovou documentalmente os seus registros contábeis. A decisão não foi amparada em presunção, mas em fato concreto. A DRJ ainda destacou que, já foi amplamente tratado, anteriormente, que as pessoas jurídicas estão obrigadas a documentar os seus registros contábeis de forma precisa. No caso das despesas, não basta a existência das notas fiscais e de comprovantes de pagamentos, sendo necessário que nas notas haja uma descrição detalhada dos serviços e que a efetiva prestação desses também esteja documentada, permitindo a verificação de que o beneficiário do pagamento realizou o serviço acordado. Da Alegação de Contradição entre a Decisão de Suspensão de Imunidade e a Existência de Processo em que estariam sendo exigidos os tributos não recolhidos neste caso Quanto à contradição apontada pelo recorrente entre a decisão pela suspensão e a existência de um processo onde estariam sendo exigidos tributos não recolhidos de 2000 a 2003 sobre receita de serviços prestados, a DRJ ressaltou que tal alegação não procede por dois motivos: • primeiro por que não é possível verificar com base nos autos a existência do referido processo; • segundo, ainda que o processo exista e efetivamente estejam sendo tributados os valores recebidos do partido pela Gold, tal fato não conduz à conclusão obrigatória de que a Receita Federal reconheceu que os mesmos decorreram de prestação de serviços. Isto porque, independentemente da origem da receita, o seu recebimento é fato gerador de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Inclusive, na falta de comprovação da origem do crédito em conta corrente bancária, devido o lançamento como receita omitida nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430/96. Prossegue a DRJ sobre esse tópico: Apenas para fins de registro, embora a suspensão da imunidade devido a essa irregularidade seja devida conforme apreciado, não produzirá qualquer efeito prático, vez que não foi efetuado lançamento para os fatos geradores ocorridos em 2002 haja vista o direito da Fazenda Nacional ter decaído. Das alegações relativas à empresa Marka Fl. 2608DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 43 42 No que se refere às irregularidades apuradas relativamente à empresa Marka, o recorrente iniciou sua argumentação defendendo que o simples fato de o delegado ter reconhecido a comprovação da execução dos serviços afasta qualquer argumento de violação aos incisos I, II e III do art. 14 do CTN. A autoridade reconheceu a prestação dos serviços, atestouse de ofício que a empresa, embora baixada no CNPJ desde 1996, passou a funcionar normalmente, o que implicaria a possibilidade do restabelecimento da inscrição dessa a qualquer momento, consoante art. 53 da IN SRF n° 748/2007. Em vista disso, o recorrente defende que não seria procedente o argumento de inidoneidade das notas fiscais emitidas pela Marka. Além disso, salientou que para a documentação fiscal ser considerada inidônea seria necessário que a empresa houvesse sido declarada inapta, o que não ocorreu. Consoante a referida IN a baixa da empresa não seria razão para inidoneidade dos documentos por ele emitidos. Continuou sua defesa argumentando que, mesmo se considerada inidônea a documentação, houve a comprovação da execução dos serviços e o pagamento do respectivo preço, o que se enquadra na situação do art. 48 da citada IN. Quanto à ausência de comprovação do pagamento da nota fiscal n° 141, ressaltou que juntou aos autos declaração do sócio da empresa, Sr. Márcio Fortes, atestando o recebimento do valor (fl. .853). Segundo o sujeito passivo, o delegado apenas rejeita o documento, sem apresentar qualquer prova que ateste o descumprimento dos incisos do art. 14 do CTN. Conclui sua argumentação nesta parte, informando que o sócio da empresa, então secretáriogeral do PSDB, realizou doações ao partido que suplantam em 52% o montante dos pagamentos efetuados à Marka, fato que reforça a tese de que referido sócio não recebeu qualquer parcela do patrimônio ou da renda do partido, pois seria ilógico receber algo indevido para depois devolvêlo ao partido a título de doação. Ou seja, pretendeu afastar a aplicação do inciso I, do art, 14 do CTN. Sobre tais alegações a DRJ apresentou as seguintes razões: De início cabe registrar que o sujeito passivo não trouxe qualquer prova adicional aos autos quando da impugnação, razão pela qual serão considerados para o convencimento deste julgador os documentos juntados pela fiscalização e pelo próprio partido na contestação à notificação fiscal. Em vista disso, entendo necessário fazer um resumo do procedimento fiscal, intimações e respostas do sujeito passivo, e dos documentos apresentados nessa etapa e na contestação. Fl. 2609DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 44 43 Os documentos constantes dos autos relativos às notas fiscais n° 141 e 127 são os seguintes: • cópias dás notas fiscais às fl. 85 e 88, respectivamente; Fl. 2610DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 45 44 • cópia de autorização de pagamento do valor da nota fiscal n° 141 em 12/03/2003 para Sra. Margarete Lucindo, assinada pelo SecretárioGeral do partido, Sr, Márcio Fortes. Fl. 86; • cópia do extrato de transferência da conta corrente do partido para a conta corrente da Sra, Margarete Lucindo em 12/03/2003, no valor da nota 141. Fl. 87; • extrato do cadastro da Receita Federal que indica que a empresa Marka foi baixada em 09/01/1996 por ter sido extinta (liquidação voluntária). Fl. 226; • relatório intitulado "Estudo sobre as Condições da Infraestrutura Rodoviária no Brasil", sem assinatura dos responsáveis pela sua elaboração, com o nome da empresa Marka no cabeçalho de cada página Fl. 813/851; • Declaração prestada pelo Sr. Márcio Fortes, data de 06/11/2007, onde informa o recebimento do valor da nota n° 141 da Sra. Margarete Lucindo, funcionária do partido. Antes de dar início efetivamente à apreciação dos fatos, é devido ressaltar que não está em discussão a comprovação do pagamento da nota 127, o que já foi aceito pela autoridade administrativa que declarou suspensa a imunidade. Percebese, a partir da sequência histórica do procedimento fiscal, que no intervalo entre a intimação n° 004 e a ciência da notificação fiscal, período de cerca de dezoito meses (540 dias), o sujeito passivo não carreou aos autos qualquer prova documental da prestação dos serviços indicados nas notas fiscais 127 e 141, ainda que reiteradamente solicitados contrato, relatório ou qualquer outro documento pela autoridade fiscal. Alegou, para tanto, uma dificuldade extrema em localizar tais documentos em seus arquivos, bem assim, em contatar os sócios da empresa Marka à época da suposta prestação de serviços para obtenção daqueles. É extremamente estranha, ou melhor, eu diria até absurda esta alegação de que o partido estaria enfrentando dificuldades em encontrar qualquer um dos sócios da referida empresa. Isto porque o sócio responsável pela empresa no cadastro da RFB era o Sr. Márcio Fortes, nada mais nada menos do que o secretáriogeral do partido nos anos 2001 a 2003, e grande doador desse, conforme reconhecido pelo próprio sujeito passivo. É incrível que o partido tenha "perdido contato" com tamanho colaborador. Talvez mais estranho ainda é o fato de que, tão logo cientificado do resultado do trabalho da fiscalização, qual seja, a notificação fiscal, o sujeito passivo anexou as autos o que seria o estudo de infraestrutura rodoviária descrito nas notas, única prova documental da efetiva prestação dos serviços, bem assim, conseguiu localizar o sócio da empresa Marka, o qual prestou declaração de recebimento do valor referente à nota n° 141. Tratase de um aparecimento repentino de um sócio/secrétáriogeral não encontrado durante 18 meses, bem assim, de um documento antes praticamente perdido, que não foi obtido junto ao responsável da empresa, Sr. Márcio Fortes, vez que esse afirmou ao Fisco não possuir mais em seu poder qualquer documento relativo às prestações indicadas nas notas em função da extinção da empresa. Fl. 2611DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 46 45 Em que pese a nota fiscal fazer menção a serviço técnico de análise da infra estrutura rodoviária, mesmo objeto do relatório de estudo anexado, ao analisálo, verificase que se trata de um documento sem assinatura do responsável pela sua elaboração. Tal documento também não está acompanhado de um protocolo de recebimento datado do ano 2003, procedimento padrão entre empresas quando da entrega de serviços de consultoria, necessário para a comprovação do cumprimento do contrato e exigência do pagamento respectivo. Também não há nos autos o contrato firmado entre as partes. Não é possível, pois, aferir a veracidade do documento apresentado. Não bastasse isso, como explicar que o pagamento do suposto serviço informado na nota n° 141 não foi efetuado diretamente à empresa, mas sim a uma funcionária do partido, que teria posteriormente sacado o numerário de sua conta corrente e o entregue ao Sr. Márcio Fortes, o qual confirmou o recebimento por esta forma? Ora, à época este indivíduo seria facilmente localizável para poder receber o pagamento, pois era o secretáriogeral do partido, tendo sido inclusive ele que autorizou o dispêndio para a funcionária Margarete para posterior repasse para si, tudo no mesmo dia. Ademais, o sujeito passivo alegou que, embora extinta no cadastro, a empresa havia reativado sua operações. Então por que não efetuou o pagamento diretamente à empresa, o que seria. o mais lógico? Não há nos autos a prova do saque efetuado pela funcionária do partido em sua conta corrente no mesmo valor do montante depositado. Logo não é possível nem ao menos confirmar a saída do numerário de sua conta a fim de efetuar um suposto repasse ao Sr. Márcio Fortes, sócio da Marka. A única "prova" trazida é a declaração prestada por este indivíduo em 2007, após a notificação do sujeito passivo e a pedido deste. Outro ponto incongruente é o fato de que o partido afirmou que o recibo do pagamento foi feito na própria nota fiscal n° 141. Ora, se o Sr. Márcio Fortes declarou que recebeu o valor da nota, por óbvio deveria ter sido ele a dar o recibo. Contudo, não é preciso maiores conhecimentos de grafoscopia para verificar que a assinatura constante da nota não é a mesma dos demais documentos dos autos por ele assinados. Poderseia dizer que o recebimento pelo Sr. Márcio foi confirmado pelos recolhimentos dos tributos devidos por ele efetuados após intimado pela fiscalização. Contudo, conforme extratos às fl.237/239 não houve recolhimento do tributo relativo à nota fiscal n° 141. Somese às questões suscitadas o fato das nota fiscais terem sido emitidas por empresa extinta, não sendo, portanto, válidas. Tal situação é confirmada pelo próprio sócio da empresa. Não resta dúvida, então, que se foi prestado serviço pelo Sr. Márcio Fortes, o fez em nome próprio, mas não foi a empresa Marka que o fez, pois não existia. Não pode o partido alegar desconhecimento da situação da empresa e, por conseguinte, boafé, vez que o seu sócio era o secretário^geral do partido. Verificase, nesse sentido, que a fragilidade das provas apresentadas pelo recorrente para comprovar o pagamento da nota fiscal n° 141 e a prestação dos serviços indicados nela e na nota n° 127. Os argumentos e documentos são contraditórios entre si. Fl. 2612DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 47 46 Com tais observações, cumpre ratificar o entendimento da DRJ de que foi acertada a decisão da autoridade administrativa ao considerar descumpridos os requisitos dos incisos I a III do art. 14 do CTN. Os efeitos da falta de comprovação dos serviços prestados contabilizados, justificadores da conclusão pelo descumprimento dos referidos dispositivos, já foram amplamente discutidos em momentos anteriores neste voto, razão pela qual não retornarei ao assunto. É importante chamar a atenção para o fato de que não procede a afirmação do recorrente de que a autoridade fiscal teria reconhecido como comprovada a prestação dos serviços indicados na nota, justificando a suspensão com base apenas na falta de comprovação do pagamento da nota n° 141 e na inidoneidade das notas. Verificase do Despacho Decisório que embasou o ADE, que a autoridade fiscal só afirmou que o relatório seria um forte indício da realização do serviço, mas não que era uma prova contundente (fl. 1297/1298). Vejase. (...) o que, diante das evidências e dos demais elementos já comentados, pode ser aceito como forte indício para comprovação da execução dos serviços. Na sequência de sua fundamentação concluiu que não restou comprovada a efetiva prestação de serviço haja vista a documentação fiscal não ser idônea para tanto, apesar do indício representado pelo relatório de estudo antes mencionado: Assim, diante das evidências anexadas ao processo e descritas nos parágrafos precedentes, s.m.j., verificase que o PSDB não apresentou documentação fiscal idônea para comprovar a efetiva prestação dos serviços realizados pela empresa MARKA SERVIÇOS DE ENGENHARIA LTDA., apesar dos indícios de que o serviço contratado para emissão de relatório a respeito das condições das rodovias nacionais tenha sido prestado. Também não procede a alegação de que as notas fiscais aqui tratadas foram indevidamente consideradas inidôneas, já que a empresa Marka não foi considerada inapta. Nesse ponto, a DRJ assim verificou: É devido esclarecer que nos casos em que as empresas são consideradas inaptas elas estão em atividade, ou seja, não estão extintas, conforme pode ser verificado no art. 34 da IN RFB n° 748/2007 (vigente à época da notificação). Assim, para as notas por ela emitidas não serem consideradas como documento fiscal hábil e idôneo, é necessário a norma tributária fixar a inidoneidade dessas de forma expressa. Por isso que a referida IN coloca como efeito da inaptidão da empresa a inidoneidade de notas porventura emitidas (art. 48). Art 34. Será declarada inapta a inscrição.no CNPJ de entidade: I omissa contumaz: a que, embora obrigada, tenha deixado de apresentar, por cinco ou mais exercícios consecutivos, DIPJ, DSPJ Inativa ou DSPJ Simples, e, intimada, não tenha regularizado sua situação no prazo de sessenta dias, contado da data da publicação da intimação; Fl. 2613DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 48 47 II omissa e não localizada: a que, embora obrigada, tenha deixado de apresentar as declarações referidas no inciso I, em um ou mais exercícios e, cumulativamente, não tenha sido localizada no endereço informado à RFB; III inexistente de fato; ou IV que não efetue a comprovação da origem, da disponibilidade e da efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior, na forma prevista em lei; (...) Art. 48. Será considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ haja sido declarada inapta, Todavia, para o caso de empresas extintas, as notas fiscais porventura emitidas não são, por óbvio, documentos hábeis e idôneos. Não é aceitável que um fantasma emita notas fiscais. Em vista disso, a inidoneidade das notas para este caso não precisa constar de norma de forma expressa. Na espécie, como a empresa estava extinta, as notas fiscais são inidôneas, não servindo como prova hábil para a comprovação de despesas escrituradas. Cabe salientar que, nos termos do § 5o do art. 48 acima mencionado, bem assim do art. 82 da Lei n° 9.430/96, ainda que as notas sejam inidôneas e não sirvam como prova de despesas, a comprovação dessas resta saneada se o tomador do serviço provar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos serviços. Acontece que o sujeito passivo não logrou sucesso nessa comprovação, conforme já tratado, logo tal dispositivo não se aplica no caso: § 5º O disposto no § 1º não se aplica aos casos em que o terceiro interessado, adquirente de bens, direitos e mercadorias, ou o tomador de serviços, comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços. Das últimas alegações do recorrente Por fim, em relação ao último argumento sustentado pelo recorrente, a DRJ concluiu que também não seriam procedentes, com base nos seguintes fundamentos: • não há prova nos autos de que as doações tenham ocorrido, pois foi anexada apenas uma tabela; • se ocorreram tais doações do Sr. Márcio Fortes (ou da Marka), não se pode simplesmente fazer um conta corrente entre elas e os pagamentos sem causa (se destinados ao referido sócio, o que também não restou provado), para concluir que não houve distribuição da renda do partido a terceiros. O fato é que foram feitos pagamentos sem causa a terceiro, seja à Sra. Margarete ou ao Sr. Márcio Fortes, infração que não pode ser afastada é que não tem qualquer relação com as doações recebidas: as motivações são distintas. Fl. 2614DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 49 48 Quanto à falta de retenção e recolhimento do IRRF incidente sobre os pagamentos efetuados a prestadores de serviços diversos, derradeiro motivo para a suspensão da imunidade, o sujeito passivo reconheceu a irregularidade, argumentando; porém, que não fugiu à responsabilidade pela retenção dos tributos, mas que tal fato ocorreu por mera falha na compreensão da legislação, sem dolo, tendo sido corrigido com o pagamento integral do devido com acréscimos moratórios. Salientou que cumpriu o disposto no § 1º, do art. 9º do CTN, vez que assumiu a responsabilidade pela retenção ao declarar, registrar e escriturar todas as notas fiscais correspondentes e praticou o ato assecuratório do cumprimento da obrigação tributária, qual seja, o pagamento dos tributos, ainda que fora do prazo, mas com acréscimo. Alegou que as inúmeras retenções e recolhimentos realizados em relação a outras notas fiscais no mesmo período demonstram não ser prática do partido deixar de recolher os tributos pelos quais é responsável, ou seja, que houve erro e não má fé. Concluiu, entendendo que já houve a penalização pelo pagamento em atraso, mediante a exigência de juros e multa de mora, razão pela qual a suspensão da imunidade é uma penalidade adicional desproporcional, que somente se justificaria caso o partido fosse sonegador contumaz. Sob pena de estar sendo repetitivo quanto a este assunto, vez que já foi anteriormente tratado neste voto, esclareço ao sujeito passivo que o fato de, segundo ele, ter recolhido todos os tributos em atraso com os acréscimos legais não afasta a responsabilidade pela infração, vez que a providência somente foi adotada quando o partido não estava mais amparado pela espontaneidade, pois a fiscalização já havia sido iniciada. Consoante o art. 138 do CTN (anteriormente transcrito), a responsabilidade pela infração somente é afastada com a denúncia espontânea acompanhada do pagamento do tributo e acréscimos. O disposto no § 1o, do art. 9o do CTN pressupõe a espontaneidade na retenção e.recolhimento dos tributos na fonte, não podendo a fonte pagadora "esperar" a "pressão" do Fisco, representada pelo início do procedimento fiscal, para adotar as providências necessárias. Tal entendimento resta evidente ao lerse o termo "atribuição" contido no referido dispositivo, palavra que, segundo o Dicionário Aurélio, significa o ato de imputar, de considerar como autor. Ou seja, a norma imputa à fonte pagadora a obrigação, a iniciativa, como autora, de reter e recolher o tributo devido na fonte por terceiros: § 1º O disposto no inciso IV não exclui a atribuição, por lei, às entidades nele referidas, da condição de responsáveis pelos tributos que lhes caiba reter na fonte, e não as dispensa da prática dos atos, previstos em lei, assecuratórios do cumprimento de obrigações tributárias por terceiros. Frisese que a responsabilização pela infração independe da haver intenção, má fé do agente, conforme preceito contido no art. 136 do CTN: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária Fl. 2615DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 50 49 independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Em relação à desproporção da suspensão, vez que já sofreu penalização de acréscimos moratórios, entendo que esta questão já foi amplamente discutida quando dá análise da suposta violação ao princípio da proporcionalidade, Além disso, conforme dito, a atividade do julgador administrativo é plenamente vinculada, não podendo deixar de aplicar norma tributária legal ou infralegal. Uma vez que o art. 150, VI, "c" da CF, disciplinado pelo § 1o., do art. 14 do CTN, prevê a suspensão da imunidade quando do descumprimento do requisito contido no § 1o., do art, 9o do mesmo código, a este julgador resta aplicar a norma sem proferir juízo de valor. Observase que, também nesse ponto, não há o que retificar no Acórdão recorrente. Do pedido de realização de diligência O recorrente, ao final de suas razões, requereu a realização de diligência para: a) intimar a empresa Superphoto (estúdio Obritonews), para que confirme a autenticidade das fotos apresentadas e, por conseguinte, seja comprovada a execução dos serviços de que tratam as notas fiscais emitidas pela Gold; b)intimar os atuais representantes . legais da Gold para comprovar que os serviços foram prestados; c) intimar o Sr, Márcio Fortes, sócio da Marka, para confirmar o recebimento do pagamento referente à nota fiscal n° 141. Sobre tal pedido é importante reproduzir as seguintes considerações da DRJ: Nos termos do art. 18 do PAF, indefiro o pleito do sujeito passivo para a realização de diligência por entendêla prescindível e com caráter meramente protelatório, haja vista as seguintes razões: a) diligência junto ao estúdio OBritonews conforme anteriormente mencionado, o sujeito passivo já anexou aos autos declaração desta empresa informando que prestou serviços fotográficos ao partido e que os eventos políticos teriam sido organizados e realizados por determinada empresa. Se na oportunidade não informou o nome da empresa que teria organizado os eventos é porque não sabia. Se não sabia à época, não é agora que poderá fornecer tal informação; b) diligência junto à Gold tal diligência foi realizada durante a fiscalização, não tendo sido localizada a empresa no endereço constante do cadastro, bem assim não foi encontrada a responsável pelo CNPJ. Tratase de empresa declarada inapta, por ser omissa e não localizada, logo, nova diligência alcançaria o mesmo resultado das anteriores: nenhum; c) diligência junto ao Sr. Márcio Fortes conforme tratado anteriormente, o sujeito passivo já carreou aos autos uma declaração deste indivíduo, afirmando ter recebido o montante referente à nota fiscal n° 141. Para que nova intimação para obter a mesma informação? Óbvio que para protelar o julgamento. Fl. 2616DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 51 50 Conclusão sobre a Suspensão da Imunidade Tributária Por todo o exposto, mantenho a decisão de DRJ, pois também entendo que é devida a manutenção da suspensão da imunidade para os anos 2002 a 2004, tendo em vista a demonstração do descumprimento dos requisitos estabelecidos nos incisos I, II e III do art. 14, e no § 1º, do art. 9 º, todos do CTN. Dos Autos de Infração Na forma destacada pela DRJ a suspensão da imunidade em decorrência da falta de comprovação da prestação de serviços relativos às notas emitidas pela Gold não gerou efeitos para fins de lançamento de IRPJ e CSLL, vez que quando estes foram efetivados os fatos geradores respectivos já estavam decaídos. Sobre o auto de infração, o recorrente alegou que o imposto de renda teria sido deixado de ser retido e recolhido tempestivamente sobre os pagamentos efetuados a prestadores de serviços, sob o entendimento de se assim procedesse, configuraria duplicidade do imposto, vez que os beneficiários dos pagamentos já teriam tributado tais valores conforme documentos carreados aos autos às fls. 1909/2047. Sobre esse ponto a DRJ apresentou as seguintes razões: Esclareço que o lançamento de IRRF não decorreu da falta de retenção e recolhimento do IRRF de forma espontânea e tempestiva (matéria justificadora da suspensão) consoante entendeu o sujeito passivo, mas sim de outra matéria, qual seja, a falta de comprovação das despesas indicadas nas notas emitidas pela Marka. Está sendo exigido IRRF em virtude de pagamento a beneficiário não identificado e/ou sem causa, nos termos do art. 674 do RIR/99. A irregularidade relativa à falta de retenção e recolhimento do IRRF acarretou apenas o lançamento da multa isolada prevista no art. 9o da Lei nº 10.426/2002, e de juros isolados previstos no art. 61, § 3o da Lei n° 9.430/96. Não poderia ser diferente, vez que, consoante Parecer Normativo Cosit n° 01/2002, verificada a falta de retenção após o encerramento do período de apuração (no caso trimestral), não cabe exigir mais o imposto da fonte pagadora, que será cobrado do beneficiário que não tiver submetido o rendimento à tributação. Art 9º da Lei n° 10.426/2002 Art. 9o Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1º, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção, ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, (redação dada pelo art. 16 da Lei n" 11.488/2007, conversão da MP n"351/2007) Parágrafo único. As multas de que trata este artigo serão calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição que deixar de ser retida ou recolhida, ou que for recolhida após o prazo fixado, Art 61, § 3o da Lei n" 9.430/96 Fl. 2617DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 52 51 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de í" de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3o do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Parecer Normativo Cosit nr. 01/2002 IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. PENALIDADE. Constatada a falta de retenção do imposto, que tiver a natureza de antecipação, antes da data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, e, antes da data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de oficio e os juros de mora. Verificada a falta de retenção após as datas referidas acima serão exigidos da fonte pagadora a multa de oficio e os juros de mora isolados, calculados desde a data prevista para recolhimento do imposto que deveria ter sido retido até a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, até a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica; exigindo se do contribuinte o imposto, a multa de ofício e os juros de mora, caso este não tenha submetido os rendimentos à tributação, Por tais fundamentos, também entendo que não há como acolher tal pretensão do recorrente. Da Alegação de que o Recorrente Recolheu, mesmo em atraso, o IRRF O recorrente alegou que o imposto que deveria ter sido retido na fonte foi integralmente recolhido por ele após o início da fiscalização com todos os acréscimos legais juros e multa moratórios conforme documentos às fls. 2048/2394), razão pela qual o lançamento deve ser cancelado, afastandose as multas e os juros correspondentes. Em relação a tais argumentos a DRJ apresentou as seguintes razões: Fl. 2618DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 53 52 O cabimento da multa isolada no caso presente é indiscutível, pois o art. 9º, caput e parágrafo único da Lei n° 10.426/2002, e o PN Cosit n° 01/2002 (acima transcritos) determinam de forma clara a sua aplicação quando da falta de retenção ou recolhimento, ou quando do recolhimento em atraso. Por essa razão não procede o pleito de afastamento da multa. Quanto aos juros, os mesmos são devidos sempre que os débitos não são pagos no prazo fixado em lei, consoante o § 3°, do art. 61 da Lei rt° 9.430/96 e o referido parecer. O recolhimento pelo sujeito passivo do imposto com multa de mora e juros de mora respectivos não invalida o lançamento dos juros isolados, nos termos do art. 138, vez que a responsabilidade por infração não somente é afastada com a denúncia espontânea acompanhada do pagamento. No caso, o sujeito passivo não estava mais amparado pela espontaneidade haja vista estar em andamento procedimento de fiscalização. Todavia, ainda que devido o lançamento dos juros isolados, a DRF/BSA/DF deverá alocar os pagamentos dos juros constantes dos Darf às fl. 2048/2394 para fins dê liquidação do crédito tributário respectivo, exigindo saldo porventura não extinto Dando seguimento à sua contestação, o sujeito passivo alegou que o partido político não aufere resultado positivo. Salientou que o fundo partidário, uma de suas fontes de receitas, é recurso público constituído com dotação orçamentária da União, razão pela qual tributálo é ilegal e afronta o princípio da imunidade recíproca. Entendeu, ainda, que suas receitas não se adequam ao conceito constitucional de renda contida no art. 153, III da CF. Vejamos o que dispõe o art 153, III da CF: Art. 153. Compete à União instituir impostos sobre: (...) III renda e proventos de qualquer natureza. Para esclarecer o que significa renda e proventos de qualquer natureza, o CTN, norma responsável pela definição dos tributos, dos seus fatos geradores e bases de cálculo, conforme determinação constitucional contida no art. 146, III, "a", estabeleceu o seguinte conceito em seu art. 43: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1º A incidência do imposto .independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade dá fonte, da origem e da forma Fl. 2619DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 54 53 de percepção, (este parágrafo com redação da LC n" 104/2001) Do inciso II, originalmente contido no CTN, já se podia aferir que quaisquer acréscimos no patrimônio da pessoa jurídica integram o conceito de renda e proventos para fins de ocorrência de fato gerador do IR. Não há que se discutir que as receitas provenientes de fundo de participação, doações de colaboradores e contribuição de filiados contribuem para o aumento do patrimônio do sujeito passivo, razão pela qual o seu recebimento caracteriza renda/proventos para fins de tributação do imposto. Não bastasse o disposto no inciso II para facilmente se chegar à conclusão acima, os membros do Poder Legislativo, entre eles filiados do sujeito passivo, entenderam devido reforçar ainda mais o caráter abrangente dá definição de renda e proventos, editando, para tanto, â LC n° 104/2001, que introduziu o § 1º no art. 43, salientando que a incidência do imposto INDEPENDE da DENOMINAÇÃO da receita ou do rendimento, da CONDIÇÃO JURÍDICA da fonte, da ORIGEM e da FORMA DE RECEPÇÃO. Frisese, por sinal, que à época da edição da referida lei complementar o "governo do dia" era do PSDB. Não interessa, portanto, para caracterizar o conceito de receita tributável pelo imposto o fato de a receita do sujeito passivo ter sido proveniente de fundo partidário repassado pela União, ou de contribuições e doações de filiados e terceiros, vez que pouco importa a origem e a denominação desta, muito menos ã condição jurídica da fonte pagadora. Se a CF/88 prevê que a renda e o provento está sujeito à incidência do imposto, afastando desta apenas os casos estabelecidos no art. 150, VI, aos quais, conforme exigência da própria constituição, o sujeito passivo não se adequa, NÃO RESTA DÚVIDA de que a suspensão de sua imunidade o submete à legislação de regência do IRPJ (e da CSLL, em função do art. 28 da Lei n° 9.430/96) aplicável às demais pessoas jurídicas de direito privado. Não há qualquer previsão constitucional em outro sentido. Há também que se considerar que, na hipótese de haver mais receitas do que despesas como no presente caso, conforme demonstrativos elaborados pelo próprio sujeito passivo em atendimento à intimações da fiscalização (fl. 1618/1643 e 1648/1671), terá ocorrido resultado positivo, ou seja, lucro, ou qualquer outra denominação que o contribuinte queira dar ao excesso de receitas em relação às despesas. A nomenclatura a ser dada a este resultado não interessa para fins de tributação do imposto, vez que, conforme acima esclarecido, as receitas recebidas pelo sujeito passivo são fatos geradores do tributo. Ressaltese que não há violação ao princípio da imunidade recíproca instituído pelo art. 150, VI, "a", vez que o sujeito passivo no presente caso não é a União. A imunidade prevista neste dispositivo se aplica ao patrimônio e renda da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, mas não à renda de pessoa jurídica proveniente destes entes. É uma imunidade vinculada ao ente que aufere a renda ou ao seu patrimônio e não à origem da renda: imunidade subjetiva. Fl. 2620DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 55 54 Pelo exposto, cumpre ratificar o entendimento da DRJ de que, raciocinar da forma como pretendeu o recorrente, seria considerar imunes à tributação os rendimentos recebidos por construtoras ou outras empresas e até por funcionários públicos por serviços prestados à União ou os entes federativos. Da Alegação de Descompasso entre o Trabalho Fiscal e a Legislação Vigente à época O recorrente alegou descompasso entre o trabalho fiscal e a legislação vigente em função do seguinte: • a apuração do imposto pelo lucro real obriga a escrituração pelo regime de competência; • como sua escrituração foi efetuada pelo regime de caixa, os demonstrativos por si entregues ao Fisco nada mais expressam do que sua posição financeira ao final de cada ano, sendo, pois, inadequados para a apuração pelo lucro real; • em consequência houve erro na apuração da base de cálculo. Vejamse as seguintes razões apresentadas pela DRJ a esse respeito: Consoante consta do Termo de Intimação Fiscal n° 15, à fl. 1603, o sujeito passivo foi intimado a consolidar o resultado financeiro dos anoscalendário 2002 a 2004, adotando a sistemática do Lucro Real Trimestral indicando as bases de cálculo utilizadas e explicitando as adições e exclusões, conforme o caso. Posteriormente, a autoridade reforçou o pedido por meio do Termo de Intimação Fiscal n° 16, à fl. 1645, solicitando a apresentação das "Demonstração do Lucro Real" referentes aos quatro trimestres dos anos 2002 a 2004. Em sua resposta à intimação n° 16, à fl. 1648, o sujeito passivo informou o encaminhamento em anexo (fl. 1649/1671) das "Demonstrações do Lucro Real referente aos quatro trimestres dos anoscalendários de 2002, 2003 e 2004". Resta evidente que a autoridade fiscal não fez uma apuração própria do lucro real trimestral para os três anos referidos conforme afirmou o sujeito passivo. Utilizou, sim, as informações prestadas pelo próprio partido como sendo os valores do lucro real para cada período de apuração, sem fazer qualquer ajuste. Se houve erro na formação da base de cálculo, este foi cometido pelo próprio sujeito passivo. Caberia a ele comprovar nos autos que os resultados informados não correspondem ao lucro real, consoante dispõe o art. 16, III do PAF, o que não ocorreu no presente caso. Na ausência de prova em contrário, é devido considerar como corretos os valores informados anteriormente pelo sujeito passivo, razão pela qual não merece reparo o lançamento nesta parte. Por fim, como argumento final, o impugnante alegou que todas as multas e juros cobrados são indevidos, vez que somente teve a imunidade tributária suspensa por meio do ADE n° 136 em dezembro de 2007, não tendo dado causa a qualquer atraso no pagamento dos tributos questionados, até porque não era obrigado a pagá los. Permitome discordar desse entendimento do sujeito passivo. Fl. 2621DF CARF MF Processo nº 10168.003919/200781 Acórdão n.º 1302003.386 S1C3T2 Fl. 56 55 Conforme já amplamente discutido, a CF/88 estabelece que para fazer jus à imunidade tributária não basta o fato de ser um partido político regularmente registrado, sendo necessário também o concomitante o atendimento dos requisitos estabelecidos no CTN. Na espécie, embora partido político, o sujeito passivo não atendeu o outro requisito para ser merecedor do benefício constitucional. Logo, nos termos da CF/88, não era imune nos anos aqui tratados. A declaração de imunidade é apenas uma formalidade prevista em lei para declarar uma situação já existente. Em virtude disso, não resta dúvida de que foi o sujeito passivo que deu causa à falta de recolhimento dos tributos devidos, ensejando a aplicação da multa de ofício e dos juros de mora nos termos do art. 44 e 61 da Lei n° 9.430/96, respectivamente. Ele não era imune, submetendose às regras de tributação de IR e CSLL aplicáveis às demais pessoas jurídicas de direito privado. Frisese que as irregularidades que ensejaram o descumprimento dos requisitos do art. 9º, § 1º e 14 do CTN, decorreram de prática espontânea do sujeito passivo, independentemente de se considerar ter havido boa ou máfé, vez que, conforme mencionado antes, a responsabilização por infração não está vinculada à intenção do agente (art. 136 do CTN). Por tais fundamentos, concluo, mais uma vez, que cumpre a ratificação do entendimento da DRJ. Conclusão Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 2622DF CARF MF
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