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Numero do processo: 11080.725133/2014-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/06/2009 a 31/12/2012
CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA - INEXISTÊNCIA
A matéria de fato está devidamente revelada no lançamento tributário com o devido enquadramento legal contra o qual o sujeito passivo apresentou substanciosa oposição em sua Impugnação implicando na constatação de inexistência de cerceamento ao seu direito de defesa.
ILEGITIMIDADE PASSIVA - INEXISTÊNCIA
Contribuinte do IPI é o industrial ou equiparado a industrial por imperativo legal. A argumentação de que o lançamento tributário deveria recair em comercial atacadista interdependente não encontra suporte jurídico.
VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO - INOBSERVÂNCIA
As saídas de produtos do estabelecimento industrial para comercial atacadista interdependente deve observar o valor tributável mínimo para fins de incidência de IPI nos termos do Art. 136, I do RIPI.
VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO - COMPOSIÇÃO
Provado nos autos que os produtos da Impugnante, em virtude de suas características próprias, constituem produtos únicos a ensejar a exclusão dos produtos de seus concorrentes, somente os preços de seu estabelecimento comercial atacadista se mostra apto a compor o valor tributável mínimo, previsto no Art. 136, I do RIPI.
VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO - EXCLUSÃO DE PREÇOS
Tendo em vista que os preços praticados nas saídas de produtos da Impugnante para sua comercial atacadista interdependente não correspondem ao preço de mercado atacadista, impõe-se sua exclusão na composição do valor tributável mínimo do Art. 136, I do RIPI/02, conforme orientações do Ato Declaratório Normativo CST nº 05/1982, PN CST nº 44/81
Numero da decisão: 3301-005.708
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D´Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior e Semírames de Oliveira Duro, que deram provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira Presidente
(assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Júnior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: LIZIANE ANGELOTTI MEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/06/2009 a 31/12/2012 CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA - INEXISTÊNCIA A matéria de fato está devidamente revelada no lançamento tributário com o devido enquadramento legal contra o qual o sujeito passivo apresentou substanciosa oposição em sua Impugnação implicando na constatação de inexistência de cerceamento ao seu direito de defesa. ILEGITIMIDADE PASSIVA - INEXISTÊNCIA Contribuinte do IPI é o industrial ou equiparado a industrial por imperativo legal. A argumentação de que o lançamento tributário deveria recair em comercial atacadista interdependente não encontra suporte jurídico. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO - INOBSERVÂNCIA As saídas de produtos do estabelecimento industrial para comercial atacadista interdependente deve observar o valor tributável mínimo para fins de incidência de IPI nos termos do Art. 136, I do RIPI. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO - COMPOSIÇÃO Provado nos autos que os produtos da Impugnante, em virtude de suas características próprias, constituem produtos únicos a ensejar a exclusão dos produtos de seus concorrentes, somente os preços de seu estabelecimento comercial atacadista se mostra apto a compor o valor tributável mínimo, previsto no Art. 136, I do RIPI. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO - EXCLUSÃO DE PREÇOS Tendo em vista que os preços praticados nas saídas de produtos da Impugnante para sua comercial atacadista interdependente não correspondem ao preço de mercado atacadista, impõe-se sua exclusão na composição do valor tributável mínimo do Art. 136, I do RIPI/02, conforme orientações do Ato Declaratório Normativo CST nº 05/1982, PN CST nº 44/81
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ILEGITIMIDADE PASSIVA INEXISTÊNCIA Contribuinte do IPI é o industrial ou equiparado a industrial por imperativo legal. A argumentação de que o lançamento tributário deveria recair em comercial atacadista interdependente não encontra suporte jurídico. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO INOBSERVÂNCIA As saídas de produtos do estabelecimento industrial para comercial atacadista interdependente deve observar o valor tributável mínimo para fins de incidência de IPI nos termos do Art. 136, I do RIPI. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO COMPOSIÇÃO Provado nos autos que os produtos da Impugnante, em virtude de suas características próprias, constituem produtos únicos a ensejar a exclusão dos produtos de seus concorrentes, somente os preços de seu estabelecimento comercial atacadista se mostra apto a compor o valor tributável mínimo, previsto no Art. 136, I do RIPI. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 51 33 /2 01 4- 70 Fl. 6717DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.718 2 VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO EXCLUSÃO DE PREÇOS Tendo em vista que os preços praticados nas saídas de produtos da Impugnante para sua comercial atacadista interdependente não correspondem ao preço de mercado atacadista, impõese sua exclusão na composição do valor tributável mínimo do Art. 136, I do RIPI/02, conforme orientações do Ato Declaratório Normativo CST nº 05/1982, PN CST nº 44/81 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Marcelo Costa Marques D´Oliveira, Salvador Cândido Brandão Júnior e Semírames de Oliveira Duro, que deram provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D' Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Júnior, Marco Antônio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do Acórdão no. 1455.357 2ª Turma da DRJ/RPO (fls. 6546/6567): Trata o presente processo de impugnação a Auto de Infração de Imposto sobre Produto Industrializado – IPI, no valor total de R$ 16.736.753,37, lavrado em virtude de a Autoridade Fiscal entender que a Interessada deu saída de produto industrializado sem observância do Valor Tributável Mínimo, conforme art. 136, I, RIPI/2002 e 195, inciso I, do RIPI/2010. A Interessada tomou ciência do Auto de Infração em 14/02/2014 e, irresignada, apresentou sua Impugnação em 13/03/2014, fls. 1073, apresentando, em síntese, os seguintes argumentos de defesa: Fl. 6718DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.719 3 1. vício de constituição do Auto de Infração – informação não provada, consistente na afirmação da Autoridade Fiscal de que “inexistiam estabelecimentos pertencentes a terceiros sem relação de interdependência com Menphis que comercializassem produtos cujos preços pudessem ser utilizados na apuração do valor mínimo dos produtos fabricados por Menphis...” 2. como preliminar, faz alegação de ilegitimidade passiva, pois entende que o responsável pelo tributo é a empresa interdependente, nos termos do Art. 7º, da Lei nº 7.798/89; 3. que a Instrução Normativa SRF nº 87, de 21/08/1989, não tem vinculação com a operação da impugnante; 4. que as deficiências de informações do Auto de Infração são atentatórias ao direito constitucional de ampla defesa; 5. que há erro na sistemática de apuração do preço mínimo tributável utilizado pelo Sr. Agente Fiscal, por não incluir outros atacadistas para levantamento de preços de produtos similares, e, que a Autoridade Fiscal não se esforçou para tal; 6. que não cabe qualquer presunção para a formação do valor mínimo tributável e que o afastamento da existência de outros estabelecimentos atacadistas caracteriza uma presunção; 7. que a Autoridade Fiscal reconhece a existência de vendas no atacado por empresas atacadistas não interdependentes, mas que não incluiu os respectivos valores na apuração, o que nulifica o Auto de Infração; 8. Que para a apuração do Valor Tributável Mínimo, a Autoridade Fiscal utilizouse de preços de distribuidora estabelecida na praça da Impugnante e distribuidora estabelecida em outra praça; 9. Que não dá para saber “o que foi utilizado pelo fiscal para fins de apuração do preço mínimo tributável, situação atentatória ao direito de defesa”; 10. Que não foi observado o conceito de praça e que o Parecer Normativo CST nº 44, de 1981 define praça como sinônimo de cidade, juntando Parecer do Ilustre Professor Doutor Fábio Ulhoa Coelho; 8. que excluiu da apuração do valor mínimo tributável, as vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus, Amazônia Ocidental e Áreas de Livre Comércio; 9. que, “não há razão para considerar que apenas parte das vendas da Impugnante deve fazer base para cálculo do ‘preço corrente da praça do remetente”; 10. que o cálculo da média ponderada não leva em consideração os preços de outros atacadistas; Fl. 6719DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.720 4 11. que o Agente Fiscal não buscou conhecer a condição de pagamento entre os preços cotejados, desconsiderando estudo do prazo de pagamento concedido e que tal, distorce a média ponderada; 12. que o Agente Fiscal, ao apurar o preço de venda da distribuidora deveria excluir o IPI embutido no respectivo preço; 13. que “o trabalho fiscal é falho, pois inclui operações que não se concretizaram, distorcendo a “média ponderada do preço de cada produto”, conforme notas fiscais 42482, 42640, 43152, 43612, 43613, 45344, 41178, 41447, dentre outras (notas fiscais de devolução da Distribuidora Menphis Ltda para Menphis S/A Industrial); 14. que “DEIXOU de incluir no seu levantamento várias notas fiscais de exportação”, mencionando uma única nota fiscal 166963 de março de 2009; 15. que é “necessário excluir o PIS e COFINS que foi gerado na operação de venda da impugnante”, nos casos de incidência monofásica; 16 que a base de cálculo correta, no caso, seria o artigo 137, § único, II do RIPI então vigente; 17. que a não inclusão das vendas da impugnante para a Menphis Distribuidora, interdependente, fere o artigo 112 do CTN; 18. que a estrutura negocial e o planejamento fiscal adotado são lícitos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto considerou improcedente a impugnação, sob a seguinte ementa (fl. 6546): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/06/2009 a 31/12/2012 CERCEAMENTO DIREITO DE DEFESA INEXISTÊNCIA A matéria de fato está devidamente revelada no lançamento tributário com o devido enquadramento legal contra o qual o sujeito passivo apresentou substanciosa oposição em sua Impugnação implicando na constatação de inexistência de cerceamento ao seu direito de defesa. ILEGITIMIDADE PASSIVA INEXISTÊNCIA Contribuinte do IPI é o industrial ou equiparado a industrial por imperativo legal. A argumentação de que o lançamento tributário deveria recair em comercial atacadista interdependente não encontra suporte jurídico. Fl. 6720DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.721 5 VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO INOBSERVÂNCIA As saídas de produtos do estabelecimento industrial para comercial atacadista interdependente deve observar o valor tributável mínimo para fins de incidência de IPI nos termos do Art. 136, I do RIPI. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO COMPOSIÇÃO Provado nos autos que os produtos da Impugnante, em virtude de suas características próprias, constituem produtos únicos a ensejar a exclusão dos produtos de seus concorrentes, somente os preços de seu estabelecimento comercial atacadista se mostra apto a compor o valor tributável mínimo, previsto no Art. 136, I do RIPI. VALOR TRIBUTÁVEL MÍNIMO EXCLUSÃO DE PREÇOS Tendo em vista que os preços praticados nas saídas de produtos da Impugnante para sua comercial atacadista interdependente não correspondem ao preço de mercado atacadista, impõese sua exclusão na composição do valor tributável mínimo do Art. 136, I do RIPI/02, conforme orientações do Ato Declaratório Normativo CST nº 05/1982, PN CST nº 44/81 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário (fls. 6584/6683), no qual repisa os argumentos expendidos na manifestação de inconformidade. No voto será abordado cada um dos argumentos. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. A Recorrente interpôs Recurso Voluntário com as seguintes alegações: 1. NULIDADE DA DECISÃO ADMINISTRATIVA CÓPIA MAL FEITA DE OUTRO ACÓRDÃO 2 NULIDADE DA DECISÃO ADMINISTRATIVA NÃO APRECIAÇÃO DAS MATÉRIAS ARGUIDAS Fl. 6721DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.722 6 3. DO MÉRITO SUBSIDIÁRIO UTILIZAÇÃO DA ALÍQUOTA DO IPI HOJE VIGENTE 4. VÍCIO DE CONSTITUIÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO INFORMAÇÃO NÃO PROVADA 5. PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA 6 . PRELIMINAR VÁRIOS FATOS DISTINTOS: LEGISLAÇÕES DISTINTAS E: IMPRECISÃO NA FORMAÇÃO DO PREÇO MÍNIMO TRIBUTÁVEL 7. ARGUMENTO DA DECISÃO ADMINISTRATIVA MOTIVAÇÃO INQUISITORA DO JULGADOR FALSO JUÍZO DE VALORES PARCIALIDADE 8. VALOR MÍNIMO TRIBUTÁVEL E PRAÇA 8.1 MÉRITO CONCEITO DE PRAÇA DEFINIÇÕES CORRENTES 8.2 MÉRITO CONCEITO DE PRAÇA DEFINIÇÃO ACADÊMICA 8.3 MÉRITO DA SISTEMÁTICA DE APURAÇÃO DO PREÇO MÍNIMO TRIBUTÁVEL UTILIZADO PELO SR. AGENTE FISCAL 8.4 DO MÉRITO CORRETO PEÇO MÍNIMO TRIBUTÁVEL USO DO CUSTO DA MERCADORIA, ACRESCIDO DOS ENCARGOS 8.5 DO MÉRITO INTERPRETAÇÃO FISCAL MAIS BENÉFICA 8.6 DO MÉRITO EFETIVIDADE DA OPERAÇÃO ENTRE A RECORRENTE E A DISTRIBUIDORA INDEPENDENTE 9. DO MÉRITO SUBSIDIÁRIO UTILIZAÇÃO DA ALÍQUOTA DO IPI HOJE VIGENTE 10. DA NORMA ANTIELISIVA A seguir, passamos a tratar cada um dos pontos levantados pela Recorrente: 1. NULIDADE DA DECISÃO ADMINISTRATIVA CÓPIA MAL FEITA DE OUTRO ACÓRDÃO Alega a Recorrente que, apesar de citar várias vezes o Professor Celso Antônio Bandeira de Mello, o Julgador não aplicou corretamente o pensamento do ilustre jurista, não considerou em seu acórdão outros ensinamentos do Professor (fl. 6585): Fl. 6722DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.723 7 Acusa a Recorrente, a decisão guerreada de ser uma cópia malfeita de decisão exarada no Processo 11080.721410/201475, o qual teria base de formação muito diferente. Afirma que o julgado usou datas de recepção e defesa de outro processo, incorretas. Segue comparação constante do Recurso Voluntário (fl. 6586): Defende também que a ementa da decisão de piso é igual à do outro processo mencionado, apesar da questão em pauta neste processo ser mais ampla. Inicialmente, cabe mencionar que a citação de trechos de um jurista, por mais renomado que seja, não implica o dever de se seguir integralmente o pensamento desse autor. Ademais, sabese que no Direito há incontáveis interpretações para os mesmos textos. Portanto, não cabe considerar uma decisão preliminarmente nula em razão do uso de trechos da doutrina e mesmo da interpretação destes trechos realizada pelo julgador. Quanto ao fato de uma decisão administrativa se respaldar em outra, isso não é em si uma prática criticável, ao contrário, quanto mais uniformização houver nas decisões, mais coerente será a posição da Administração Pública. Ademais, apesar dos equívocos alegados pela Recorrente, verificase que ela entendeu integralmente os fatos e circunstâncias que levaram à autuação e teve plenas condições de exercer seu direito de defesa. 2 NULIDADE DA DECISÃO ADMINISTRATIVA NÃO APRECIAÇÃO DAS MATÉRIAS ARGUIDAS Neste ponto, a Recorrente volta a mencionar o suposto mal uso das lições de Celso Antônio Bandeira de Mello e afirma que as questões seguintes não foram devidamente abordas na decisão recorrida. Colacionamos as asseverações da Recorrente (fl. 6588/6589): Fl. 6723DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.724 8 Verificamos, a seguir, as questões levantadas pela Recorrente (fls. 5726/5805) e a análise da DRJ sobre cada um delas. Sobre o subitem (2.b), necessário observar que a decisão recorrida tratou extensivamente dos critérios estabelecidos pela fiscalização e os indica expressamente, utilizando a SOLUÇÃO DE CONSULTA INTERNA Nº 8/2012 COSIT, transcrevemos trecho: No levantamento do preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente, há de se recrutar um número tal de atacadistas, colhendo os preços dos produtos similares, mas somente aqueles que possibilitem tal comparação e utilidade. Contudo, como os produtos da Impugnante são perfeitamente caracterizados e identificados por marca, tipo, modelo, espécie e qualidade, e não encontrando produto similar apto a servir de parâmetro na formação do preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente/impugnante, junto aos seus concorrentes, esse mercado atacadista da praça do remetente é composto pelos vendedores, que atuam nesse mercado, qual seja, a sua própria Comercial Interdependente, posto que é a distribuidora dos produtos da Impugnante. Assim, são os preços desse atacadista, Comercial Interdependente, a conformar o preço corrente no mercado atacadista do remetente/impugnante sobre o qual deverá incidir o IPI, conforme Ato Declaratório Normativo CST nº 05/1982 e Parecer Normativo CST nº 44/1981. Fl. 6724DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.725 9 Ora, essa é exatamente a orientação emanada da Solução de Consulta Interna n° 08/2012 – COSIT, nos seguintes termos: SOLUÇÃO DE CONSULTA INTERNA Nº 8/2012 COSIT DATA: 13 DE JUNHO DE 2012 ORIGEM: SRRF10/DISIT ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI O valor tributável não poderá ser inferior ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente quando o produto for destinado a estabelecimento distribuidor interdependente do estabelecimento industrial fabricante. O valor tributável mínimo aplicável às saídas de determinado produto do estabelecimento industrial fabricante, e que tenha na sua praça um único estabelecimento distribuidor, dele interdependente, corresponderá aos próprios preços praticados por esse distribuidor único nas vendas por atacado do citado produto. Dispositivos Legais: Decreto n° 7.212, de 15 de junho de 2010 – Regulamento do IPI; Parecer Normativo CST nº 44, de 1981. Relatório A Divisão de Tributação da Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 10ª Região Fiscal (SRRF10/Disit), por meio da Consulta Interna no 4, de 2 de agosto de 2011, solicita a esta CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit) orientação sobre a situação a seguir descrita. 2. Tratase de pedido de orientação relativo à possibilidade de aplicação da regra de fixação de valor tributável mínimo vazada no inciso I do art. 195 do Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010 (Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados RIPI/2010), quando no mercado atacadista a que essa regra se refere existir um único distribuidor, sendo este interdependente do estabelecimento industrial fabricante do produto cujo valor tributável mínimo se pretenda determinar. 3. A dúvida exsurge em razão do Parecer Normativo CST nº 44, de 30 de novembro de 1981, o qual dispõe que, quando a determinação do valor tributável para efeito de cálculo do IPI for efetuada através dos preços praticados no mercado atacadista da praça do remetente, devese considerar o universo de vendas realizadas naquela localidade, e não somente àquelas vendas efetuadas por um só estabelecimento, de forma isolada. 4. Deste modo, com o intuito de sanar a dúvida suscitada internamente e visando uniformizar a interpretação a ser dada à regra de determinação de valor tributável mínimo, a SRRF10/Disit solicitou a esta Cosit que se manifestasse sobre a questão, indagando textualmente: Fl. 6725DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.726 10 (...) quando uma distribuidora é a única vendedora no mercado atacadista do país ou da região do fabricante, os preços por ela praticados devem ser utilizados para determinação do valor tributável mínimo referido no artigo 195, inciso I, do RIPI/2010? Ou, em função do que consta no trecho acima transcrito do Parecer Normativo CST nº 44/81, deve se entender que a regra do artigo 195, inciso I, do RIPI/2010 só pode ser aplicada nos casos em que o mercado atacadista seja composto por mais de um vendedor? Fundamentos 5. O inciso I do art. 195 do RIPI/2010 assim dispõe sobre a matéria, in verbis: Art.195. O valor tributável não poderá ser inferior: I ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente quando o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência; 6. Observase que o dispositivo legal acima não faz qualquer referência ao número mínimo de ofertantes que devem atuar no mercado para que este seja caracterizado como um “mercado atacadista”. Tampouco faz qualquer distinção entre mercados monopolizados, oligopolizados, livre concorrência ou monopsônio. 7. Desse modo, não havendo base legal para se estabelecer o número mínimo de ofertantes, nem distinções entre os tipos de mercado, deve ser aplicada a regra prevista no inciso I do art. 195 do RIPI/2010 sempre que o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência. 8. Já o Parecer Normativo CST nº 44, de 1981, ao tratar do valor tributável para efeito de cálculo do IPI, assim dispôs sobre “mercado atacadista”, in verbis: 6.1. Isto significando, por certo, que numa mesma cidade, ou praça comercial, o mercado atacadista de determinado produto, como um todo, deve ser considerado relativamente ao universo das vendas que se realizam naquela mesma localidade, e não somente em relação àquelas vendas efetuadas por um só estabelecimento, de forma isolada. 7. Por isso, os preços praticados por outros estabelecimentos da mesma praça que a do contribuinte interessado em encontrar o valor tributável do IPI através do preço corrente do mercado atacadista devem ser considerados para o cálculo da média ponderada de que trata o§ 5º do artigo 46 do RIPI/79. 9. Ou seja, existindo diversos estabelecimentos atuantes no mercado atacadista, não será válida a determinação do valor Fl. 6726DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.727 11 tributável mínimo tomando por base o preço praticado por apenas um estabelecimento, isoladamente considerado. Devese levar em conta “o mercado atacadista de determinado produto, como um todo”. 9.1. Agora, se “o mercado atacadista de determinado produto, como um todo”, possui um único vendedor, é inevitável que o valor tributável mínimo seja determinado a partir das vendas por este efetuadas. Nem por isso tais operações de compra e venda por atacado deixarão de caracterizar a existência de um “mercado atacadista”, possibilitando, portanto, a aplicação da regra estatuída no inciso I do art. 195 do RIPI/2010. 9.2. Assim, o valor tributável mínimo aplicável às saídas de determinado produto do estabelecimento industrial que o fabrique, e que tenha na sua praça um único distribuidor, dele interdependente, corresponderá aos próprios preços praticados por esse distribuidor único nas vendas que efetue, por atacado, do citado produto. 10. Dessa forma, as operações realizadas por este estabelecimento corresponderão ao “universo das vendas” a que se refere o Parecer Normativo CST nº 44, de 1981, e tais operações de compra e venda configurarão o “mercado atacadista” de que trata o inciso I do art. 195 do RIPI/2010. Conclusão 11. Diante do exposto, na hipótese de existir no mercado atacadista a que se refere o inciso I do art. 195 do RIPI/2010 um único distribuidor, interdependente de estabelecimento industrial fabricante de determinado produto (sem similar para efeito de comparação de preços), o valor tributável mínimo aplicável a esse estabelecimento industrial fabricante corresponderá aos próprios preços praticados pelo distribuidor único nas vendas por atacado do citado produto. Despiciendo dizer que o comando normativo do artigo 195, I do RIPI/2010, corresponde exatamente ao comando normativo do artigo 136, I do RIPI/02. Portanto, entender que os preços dos produtos da Impugnante no mercado atacadista consistem nos mesmos preços praticados pela sua comercial atacadista encontra respaldo no Ato Declaratório Normativo CST nº 05/1982, PN CST nº 44/1981, na Solução de Consulta Interna nº 08/2012 – Cosit e na interpretação do artigo 136, I do Regulamento do IPI, apontado no lançamento tributário. Convém ressaltar, ainda, que para identificação do preço no mercado atacadista na praça da Impugnante, nos termos do inciso I do artigo 136 do RIPI, haverá de se levar em consideração os preços praticados pelos estabelecimentos da Comercial Interdependente, como distribuidora da Industrial, posto que atua nesta praça, conforme os atos acima citados. Fl. 6727DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.728 12 Desta forma, como se trata de produtos perfeitamente caracterizados e identificados por marca, tipo, modelo, espécie e qualidade, e não encontrando produto similar apto a servir de parâmetro na formação do preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente/impugnante junto aos concorrentes da Impugnante, somente os preços da Comercial Interdependente podem ser utilizados para se determinar o preço atacadista na praça do Remetente/Impugnante. A Impugnante, embora conhecendo os preços no mercado atacadista praticados pelo Grupo Empresarial, não observou referidos comandos e utilizou, indevidamente, para definir sua base de cálculo o artigo 137, II do RIPI/02. Assim, recolheu valor de imposto muito abaixo do Valor Mínimo previsto pelo art. 136, I do RIPI/02. Prova disso é que a Impugnante praticava preços superiores nas operações com a Zona Franca de Manaus, Amazônia Ocidental, Área de Livre Comércio e Exportação, nas quais não há incidência de IPI, ao que praticava com suas próprias comerciais interdependentes. Para umas operações conhece o preço, para outras não? Evidente que a mensuração da base de cálculo pela Impugnante nas saídas para sua comercial interdependente não corresponde ao preço do mercado atacadista, pois inferior ao que ela próprio pratica. Assim, a Autoridade Fiscal ao quantificar o valor tributável mínimo não agiu por presunção e sim com observância às normas que regem a matéria, inclusive adotando sistemática mais favorável à Impugnante, excluindo os preços praticados por outros atacadistas não interdependentes que revenderam seus produtos adquiridos de sua comercial interdependente por evidenciarem um preço maior e que não é o praticado pela Impugnante. O art. 136, I do RIPI é uma verdadeira norma antielisiva, que visa aproximar, ao máximo, o valor tributável mínimo aos valores efetivos praticados pelo sujeito passivo. Inegável a justeza do trabalho fiscal. Considerando o excerto colacionado e também as discussões sobre praça, tratadas no item 8 adiante, verificase que, ainda que não tenha utilizado mesmos termos constantes da impugnação, a decisão a quo tratou com muita clareza os fundamentos, a base legal e a hipótese de adoção dos valores tributáveis mínimos e também trouxe minuciosa explicação sobre o conceito de praça adotado. Dessarte, não merece acolhida o Recurso Voluntário neste ponto. Em relação ao item (2.c) apresentado pela Recorrente, cumpre anotar que realmente não há referência direta na decisão recorrida. Mas se trata da mesma questão: os Fl. 6728DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.729 13 critérios adotados para de apuração do valor tributável mínimo e também o conceito de praça, conforme se discorreu no subitem anterior. De acordo com o item 11 do Auto de Infração, citado pela Recorrente, as vendas para Zona Franca de Manaus e Áreas de Livre Comércio foram contabilizadas para estabelecer a média ponderada dos preços (o cálculo pode ser verifico às fls. 1.133/1347). Contudo, conforme explicitado expressamente no Auto de Infração, foram utilizados na apuração do valor tributável as vendas pelo próprio remetente e pelos interdependentes situados na mesma praça. Vejamos os itens 20/21 do Auto de Infração: Portanto, a sistemática adotada fica clara se houver leitura dos itens na forma sequenciada e não de excertos. Assim, tanto a Recorrente entendeu esse ponto na decisão de piso, que ela mesma critica no item anterior essa possibilidade, o que denomina de "duas teses da acusação". Outrossim, em relação à alegação de nulidade por erro na apuração da base de cálculo, decorrente do uso indevido de presunções e de utilização de critérios equivocados para levantamento do VTM, é preciso destacar que a questão se confunde com a matéria de mérito deduzida pela autuada, não merecendo, por si só, análise preliminar. Fl. 6729DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.730 14 Diante do exposto, concluise que o exercício amplo e efetivo do direito de defesa foi propiciado à contribuinte, que, inclusive, apresenta longo e detalhado arrazoado, por meio do qual contesta a incidência do tributo. A jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais tem firmado o entendimento de que se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não somente preliminares, mas também razões de mérito, mostrase incabível a declaração de nulidade do lançamento por cerceamento de defesa, devendo prevalecer os princípios da instrumentalidade e economia processual em lugar do rigor das formas. Nesse sentido: Não existe prejuízo à defesa quando os fatos narrados e fartamente documentados nos autos amoldamse perfeitamente às infrações imputadas à empresa fiscalizada. Não há nulidade sem prejuízo (CSRF/0202.301). Encontramos amparo ainda na jurisprudência do STF, estampada no acórdão proferido no RE nº 463.139 AgR/RJ, no julgamento de 29/11/2005: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL. OFENSA AO ART. 93, IX, DA CF/88. INEXISTÊNCIA. Acórdão recorrido que se encontra devidamente fundamentado, ainda que com sua fundamentação não concorde o ora agravante. O órgão judicante não é obrigado a se manifestar sobre todas as teses apresentadas pela defesa, bastando que aponte fundamentadamente as razões de seu convencimento. Agravo regimental a que se nega provimento. Portanto, concluise que não assiste razão à Recorrente quanto às preliminares. 3. DO MÉRITO SUBSIDIÁRIO UTILIZAÇÃO DA ALÍQUOTA DO IPI HOJE VIGENTE Alega a Recorrente, de forma bastante sucinta, que deveria se utilizar a alíquota de IPI atualmente vigente, nos seguintes termos: Contudo, a Recorrente repete este ponto adiante em seu Recurso Voluntário. Trataremos dessa questão no item 9 deste voto. Fl. 6730DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.731 15 4. VÍCIO DE CONSTITUIÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO INFORMAÇÃO NÃO PROVADA Vejamos as alegações da Recorrente: Fl. 6731DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.732 16 Verificase que a Recorrente se utiliza novamente de trechos do Auto de Infração para demonstrar supostas contradições, no entanto, a leitura integral afasta as dúvidas. Vejamos os trechos que completam o raciocínio. No item 18, afirmase que inexistiam estabelecimentos pertencentes a terceiro, não interdependentes que comercializassem produtos cujos preços pudessem ser utilizados, contudo o contexto, especialmente o item 19.4, indica que a referência aqui é a estabelecimentos industriais, vejamos (fls. 5703 e 5706)): (...) O item 20, por sua vez, referese a atacadistas não interdependentes. Lendo o item 20 de forma completa, a questão se elucida melhor: Fl. 6732DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.733 17 Portanto, não se verifica a contradição apontada pela Recorrente. Ademais, as afirmações do Auto de Infração são baseadas em extenso trabalho de fiscalização e análise dos produtos da Recorrente, que constam do presente processo e constituem o Auto de Infração, conforme consta do próprio auto, nos seguintes termos (fl. 5694): Fazem parte do presente auto de infração todos os termos, demonstrativos, anexos e documentos nele mencionados. Dessa forma, a Recorrente carece de razão também neste ponto. 5. PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA Vejamos os argumentos da Recorrente: Fl. 6733DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.734 18 Segue o entendimento constante da decisão de piso: A Impugnante entende que o lançamento é nulo por ilegitimidade passiva, pois entende que o responsável pelo tributo seriam as empresas interdependentes, nos termos do Art. 7º, da Lei nº 7.798/89, citado pelo item 4 da Instrução Normativa SRF nº 87, de 1989, nos seguintes termos. “Art. 7o Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos atacadistas que adquirirem os produtos relacionados no Anexo III, de estabelecimentos industriais ou dos seguintes estabelecimentos equiparados a industrial: I estabelecimentos importadores de produtos de procedência estrangeira; II filiais e demais estabelecimentos que exerçam o comércio de produtos importados ou industrializados por outro estabelecimento da mesma firma; III estabelecimentos comerciais de produtos cuja industrialização haja sido realizada por outro estabelecimento da mesma firma ou de terceiros, mediante a remessa, por eles efetuadas, de matériasprimas, produtos intermediários, embalagens, recipientes, moldes, matrizes ou modelos; e IV estabelecimentos comerciais de produtos do capítulo 22 da TIPI, cuja industrialização tenha sido encomendada a estabelecimento industrial, sob marca ou nome de fantasia de propriedade do encomendante, de terceiro ou do próprio executor da encomenda. § 1o O disposto neste artigo aplicase nas hipóteses em que adquirente e remetente sejam empresas interdependentes, controladoras, controladas ou coligadas (Lei no 6.404, art. 243, §§ 1o e 2o) ou interligadas (DecretoLei no 1.950, art. 10, § 2o). § 2o O regime previsto neste artigo será aplicado a partir de 1o de julho de 1989.” (destacado na transcrição) O Anexo III mencionado no art. 7º da Lei nº 7.798, de 1989, está assim redigido: “Produtos a que se refere o artigo 7o, identificados segundo os respectivos códigos da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI, aprovada pelo Decreto no 97.410, de 23 de dezembro de 1988: Fl. 6734DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.735 19 2106.90.01, 2202, 2203, 2204, 2205, 2206, 2208, 3301.90.03, 3303, 3304, 3305, 3306, 3307, 4011, 4012, 4013, 9612 (exceto 9612.20) e 9613.” Vêse, portanto, que referemse a produtos fabricados pela Impugnante. Contudo, o art. 8º do mesmo diploma legal facultou ao Poder Executivo excluir produto ou grupo de produtos, do estabelecido regime jurídico o que fora feito pelo Decreto nº 1.217, de 11 de agosto de 1994, que em seu art. 1º versa: Art. 1o Ficam excluídos do Anexo III à Lei no 7.798, de 10 de julho de 1989, os produtos classificados nos códigos 3301.90.03, 3303, 3304, 3305, 3306 e 3307, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovada pelo Decreto no 97.410, de 23 de dezembro de 1988. Desta forma, ressalta cristalino o fato de que os produtos da Impugnante não estão alcançados pelo artigo 7º da Lei nº 7.798, de 1989, atribuindo correção ao lançamento tributário efetuado. Assim, resta claro na decisão de piso que, conforme as determinações do Decreto nº 1.217, de 11 de agosto de 1994, com respaldo no art. 8º da Lei nº 7.798/89, a razão não assiste à Recorrente. Ademais, não cabe a este CARF se manifestar sobre a hierarquia das normas ou eventual inconstitucionalidade, conforme a Súmula no. 2 do CARF. 6 . PRELIMINAR VÁRIOS FATOS DISTINTOS: LEGISLAÇÕES DISTINTAS E: IMPRECISÃO NA FORMAÇÃO DO PREÇO MÍNIMO TRIBUTÁVEL Nesta matéria, a Recorrente apresenta seu Recurso dividido nos seguintes itens (fls. 6593 e seguintes) Fl. 6735DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.736 20 Transcrevemos trecho da decisão de piso (fl. 6550 e 6559): Preliminar de Cerceamento de Defesa Os fatos descritos no Termo de Constatação Fiscal estão, claros, precisos e devidamente enquadrados o que permitiu ao Impugnante elaborar ampla defesa, inclusive, com peça impugnatória extensa e exaustiva cujo exercício do direito de defesa se mostra com todo vigor. Embora sejam citados dois dispositivos regulamentares – Art. 136, I RIPI/2002 e 195, I, RIPI/2010, nenhum problema trás à defesa, pois se tratam de mesma situação fática, sendo desnecessária autuação em separado. Ademais, ainda que a matéria fosse diversa não se exigiria autuação em separado por falta de imposição legal. (...) Despiciendo dizer que o comando normativo do artigo 195, I do RIPI/2010, corresponde exatamente ao comando normativo do artigo 136, I do RIPI/02. A leitura do Auto de Infração nos indica que os fundamentos legais foram perfeitamente indicados e, de forma absolutamente correta. Tendo em conta que o presente processo se refere aos anos de 2009, 2010, 2011 e 2012, é absolutamente correto indicar que o RIPI/2002 e o RIPI/2010 devem ser aplicados, naturalmente, nos períodos de suas respectivas vigências. Ademais, o texto dos artigos indicados é exatamente o mesmo, o que afasta absolutamente a possibilidade de qualquer dúvida. Realmente, como afirma a Recorrente, parte da impugnação está sendo discutida com base em um diploma, e o restante, com base em outra. Assim, deve ser, tendo em conta que a atuação engloba períodos de vigências das duas normas. Fl. 6736DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.737 21 Transcrevese trecho do Auto de Infração, para que se verifique a clareza do enquadramento legal: Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/06/2009 e 31/05/2010: Art. 24, inciso II, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02); Arts. 34, inciso II, 122, 123, inciso I, alínea "b" e inciso II, alínea "c", 127, caput e parágrafo único, 130, 200, inciso IV, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02); Art. 136, inciso I, 137, caput, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02); Art. 52 da Lei nº 8.383/91, com as alterações introduzidas pelo art. 8º da Lei nº 11.774/08; Art. 52 da Lei nº 8.383/91, com as alterações introduzidas pelo art. 4º da Lei nº 11.933/09; (...) Fatos geradores ocorridos entre 01/06/2010 e 30/06/2010: Art. 24, inciso II, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02); Arts. 34, inciso II, 122, 123, inciso I, alínea "b" e inciso II, alínea "c", 127, caput e parágrafo único, 130, 200, inciso IV, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02); Art. 136, inciso I, 137, caput, do Decreto nº 4.544/02 (RIPI/02); Art. 52 da Lei nº 8.383/91, com as alterações introduzidas pelo art. 8º da Lei nº 11.774/08; Art. 52 da Lei nº 8.383/91, com as alterações introduzidas pelo art. 4º da Lei nº 11.933/09; Art. 24, inciso II, do Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10); Arts. 35, inciso II, 181, 182, inciso I, alínea "b" e inciso II, alínea "c", 186, §§ 2º e 3º, 189, 259, 260, inciso IV, 262, inciso III, do Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10); Art. 195, inciso I, 196, caput, do Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10); Fatos geradores ocorridos entre 01/07/2010 e 31/12/2012: Art. 24, inciso II, do Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10); Arts. 35, inciso II, 181, 182, inciso I, alínea "b" e inciso II, alínea "c", 186, §§ 2º e 3º, 189, 259, 260, inciso IV, 262, inciso III, do Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10); Art. 195, inciso I, 196, caput, do Decreto nº 7.212/10 (RIPI/10); Fl. 6737DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.738 22 Fazem parte do presente auto de infração todos os termos, demonstrativos, anexos e documentos nele mencionados. Assim, verificase que o Auto de Infração está perfeito, em consonância com o art. 142 do Código Tributário Nacional e, dessa forma, permitiu a intelecção e efetiva defesa pela Recorrente. Verificase também, conforme trecho transcrito, que a matéria foi objeto da decisão de piso. Dessarte, não assiste razão à Recorrente em suas alegações constantes do item 6. 7. ARGUMENTO DA DECISÃO ADMINISTRATIVA MOTIVAÇÃO INQUISITORA DO JULGADOR FALSO JUÍZO DE VALORES PARCIALIDADE Neste item, a Recorrente apresenta críticas à abordagem, aos fundamentos e aos termos utilizados pelo julgador de primeira instância, vejamos: Fl. 6738DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.739 23 Fl. 6739DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.740 24 Verificase, neste item, severas críticas ao julgado de primeira instância, contudo o âmago da questão é concernente ao conceito de praça e a base de cálculo do IPI, temas que serão tratados no item seguinte. 8 VALOR MÍNIMO TRIBUTÁVEL E PRAÇA A Recorrente apresenta essa questão subdividida nos seguintes itens 8.1 MÉRITO CONCEITO DE PRAÇA DEFINIÇÕES CORRENTES Fl. 6740DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.741 25 8.2 MÉRITO CONCEITO DE PRAÇA DEFINIÇÃO ACADÊMICA 8.3 MÉRITO DA SISTEMÁTICA DE APURAÇÃO DO PREÇO MÍNIMO TRIBUTÁVEL UTILIZADO PELO SR. AGENTE FISCAL 8.4 DO MÉRITO CORRETO PEÇO MÍNIMO TRIBUTÁVEL USO DO CUSTO DA MERCADORIA, ACRESCIDO DOS ENCARGOS 8.5 DO MÉRITO INTERPRETAÇÃO FISCAL MAIS BENÉFICA 8.6 DO MÉRITO EFETIVIDADE DA OPERAÇÃO ENTRE A RECORRENTE E A DISTRIBUIDORA INDEPENDENTE No item 8.1 (MÉRITO CONCEITO DE PRAÇA DEFINIÇÕES CORRENTES), a Recorrente critica o conceito de praça adotado pelo AuditorFiscal autuante e pela decisão de piso. Assevera que o entendimento de praça adotado pelo Fisco "é algo que extrapola cidades, estados, regiões e mesmo o país" (fl. 6600). Segundo a Recorrente esse entendimento é divorciado da legislação: Fl. 6741DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.742 26 Apresenta a Recorrente algumas decisões do antigo Conselho de Contribuintes, as quais acredita que lhe socorrem. No item 8.2 (MÉRITO CONCEITO DE PRAÇA DEFINIÇÃO ACADÊMICA), a Recorrente apresenta explicações doutrinárias de praça e, então, apresenta a conclusão do ilustre professor Fábio Ulhoa Coelho de que "PRAÇA É UM CONCEITO QUE SE EQUIVALE À CIDADE". Em seguida, traz explicações para esse entendimento. Concluiu a Recorrente que: Fl. 6742DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.743 27 No item 8.3 (MÉRITO DA SISTEMÁTICA DE APURAÇÃO DO PREÇO MÍNIMO TRIBUTÁVEL UTILIZADO PELO SR. AGENTE FISCAL), assevera a Recorrente que o Auditor Fiscal não demonstrou que a autuada não aplica o preço mínimo correto: Segundo a Recorrente, o trabalho fiscal está eivado dos seguintes erros: Fl. 6743DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.744 28 No item 8.4 (DO MÉRITO CORRETO PEÇO MÍNIMO TRIBUTÁVEL USO DO CUSTO DA MERCADORIA, ACRESCIDO DOS ENCARGOS), a Recorrente defende que não é possível apurar o preço mínimo tributável. Defende que, em uma cidade grande como Porto Alegre, o Fiscal teria que intimar todas as empresas que efetivaram venda por atacado, o que não é factível. Segundo a Recorrente: Assevera a Recorrente que, diante da dificuldade de apuração na forma da regra do art. 137, II, do RIPI/2002, deve ser aplicado o custo de fabricação acrescido de todos os encargos. Fl. 6744DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.745 29 No item 8.5 (DO MÉRITO INTERPRETAÇÃO FISCAL MAIS BENÉFICA), a Recorrente afirma que a prática do Auditor Fiscal é atentatória contra a regra "in dubio pro contribuinte", segundo a qual a interpretação deve ser mais favorável ao contribuinte e cita o art. 112 do CTN. No item 8.6 (DO MÉRITO EFETIVIDADE DA OPERAÇÃO ENTRE A RECORRENTE E A DISTRIBUIDORA INTERDEPENDENTE), a Recorrente afirma que o julgador de primeira instância colocou em dúvida a efetividade da operação de venda entre a Recorrente e a Distribuidora Interdependente (Memphis Distribuibora), especificamente quando afirma que a Recorrente está fazendo uma manobra com o objetivo de diminuir a base tributável de IPI. Defende a Recorrente a efetividade de suas operações, apresentando as seguintes questões: Contudo, o extenso arrazoado apresentado pela Recorrente não afasta a retidão do Auto de Infração, corroborada pela decisão de piso e muito bem apontada pelas Contrarazões, apresentadas pela Procuradoria da Fazenda Nacional. Assim, considerando as questões levantadas pela Recorrente, mas escorandose na decisão recorrida e principalmente nas contrarazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, apresentamos nossa análise. O valor tributável mínimo está previsto nos arts. 136 e 137 do RIPI/02 (correspondentes aos arts. 195 e 196 do RIPI/10), in verbis: Art. 136. O valor tributável não poderá ser inferior: MINISTÉRIO DA FAZENDA PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL I ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente quando o produto for destinado a outro estabelecimento do próprio remetente ou a Fl. 6745DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.746 30 estabelecimento de firma com a qual mantenha relação de interdependência II a noventa por cento do preço de venda aos consumidores, não inferior ao previsto no inciso I, quando o produto for remetido a outro estabelecimento da mesma empresa, desde que o destinatário opere exclusivamente na venda a varejo III ao custo de fabricação do produto, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem assim do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação, no caso de produtos saídos do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, com destino a comerciante autônomo, ambulante ou não, para venda direta a consumidor (Lei nº 4.502, de 1964, art. 15, inciso III, e Decretolei nº 1.593, de 1977, art. 28); IV a setenta por cento do preço da venda a consumidor no estabelecimento moageiro, nas remessas de café torrado a comerciante varejista que possua atividade acessória de moagem (Decretolei nº 400, de 1968, art. 8º). § 1º No caso do inciso II, sempre que o estabelecimento varejista vender o produto por preço superior ao que haja servido à determinação do valor tributável, será este reajustado com base no preço real de venda, o qual, acompanhado da respectiva demonstração, será comunicado ao remetente, até o último dia do período de apuração subseqüente ao da ocorrência do fato, para efeito de lançamento e recolhimento do imposto sobre a diferença verificada. § 2º No caso do inciso III, o preço de revenda do produto pelo comerciante autônomo, ambulante ou não, indicado pelo estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial, não poderá ser superior ao preço de aquisição acrescido dos tributos incidentes por ocasião da aquisição e da revenda do produto, e da margem de lucro normal nas operações de revenda. Art. 137. Para efeito de aplicação do disposto nos incisos I e II do art. 136, será considerada a média ponderada dos preços de cada produto, vigorastes no mês precedente ao da saída do estabelecimento remetente, ou, na sua falta, a correspondente ao mês imediatamente anterior àquele. Parágrafo único. Inexistindo o preço corrente no mercado atacadista, para aplicação do disposto neste artigo, tomarseá por base de cálculo: I no caso de produto importado, o valor que serviu de base ao Imposto de Importação, acrescido desse tributo e demais elementos componentes do custo do produto, inclusive a margem de lucro normal; e Fl. 6746DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.747 31 II no caso de produto nacional, o custo de fabricação, acrescido dos custos financeiros e dos de venda, administração e publicidade, bem assim do seu lucro normal e das demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação, ainda que os produtos hajam sido recebidos de outro estabelecimento da mesma firma que os tenha industrializado. Cumpre observar que a interdependência de duas empresas, nos termos do art. 520, I, do RIPI/02 verificase sempre que uma delas tiver participação no capital social da outra de quinze por cento ou mais, exatamente como se dá no presente caso, segundo demonstrado pela fiscalização, em que Memphis S.A. Industrial tem participação superior a 99% do capital social de Distribuidora Memphis, fato este, aliás, que não foi sequer contestado pela autuada. Verificada a interdependência entre as empresas envolvidas na operação fiscalizada, a recorrente deveria ter aplicado, nas vendas realizadas para sua interdependente, o valor tributável mínimo. Contudo, a empresa Memphis S/A Industrial organizou suas operações de modo que as vendas com lançamento do IPI fossem efetuadas para estabelecimentos de firma interdependente, não equiparada a industrial e por valor tributável significativamente inferior aos preços praticados pela firma interdependente nas saídas para terceiros, ocorridas por meio de notas fiscais sem lançamento do IPI. O preço unitário nas notas com lançamento do IPI também é inferior ao praticado pelo próprio fabricante nas saídas para o mercado nacional nas vendas com amparo em suspensão do imposto. O simples fato de estabelecimentos interdependentes praticarem entre si preços diferentes daqueles negociados no mercado, quando da comercialização entre partes não relacionadas, indica o favorecimento entre elas o que já autoriza a conclusão de que a recorrente, de fato, praticou a infração que lhe foi imputada1. Desse modo, o preço do produto negociado entre as empresas ligadas deveria corresponder ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente, calculado com base na média ponderada dos preços de cada produto, vigorantes no mês antecedente ao da saída do estabelecimento remetente ou ao mês imediatamente anterior. Ressaltese que, ainda que o mercado atacadista de determinado produto, com suas especificações e características próprias, possua um único vendedor, responsável pela primeira distribuição das mercadorias, esse fato não descaracteriza a existência de “mercado atacadista” e a consequente aplicação do art. 136, I do RIPI/02 (art. 195, I do RIPI/10). Nesses casos, em que uma empresa tem suas mercadorias especificadas por marca, tipo, modelo, espécie, quantidade e número, sendo os produtos diferenciados no mercado, ou seja, em que se comercializam produtos que não podem ser comparados com os produzidos por outras indústrias, e estando a primeira distribuição destes bens restrita às empresas comerciais interdependentes, não alcançando pessoas jurídicas independentes, como na hipótese dos autos, há mercado atacadista e o VTM será determinado a partir das vendas efetuadas pelo interdependente, nos termos, aliás, do que definido pela Solução de Consulta Interna COSIT nº 08/2012, cujo trecho relevante segue transcrito: Agora, se “o mercado atacadista de determinado produto, como um todo”, possui um único vendedor, é inevitável que o valor tributável mínimo seja determinado a partir das vendas por este efetuadas. Nem por isso tais operações de compra e venda por atacado deixarão de caracterizar a existência de um “mercado Fl. 6747DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.748 32 atacadista”, possibilitando, portanto, a aplicação da regra estatuída no inciso I do art. 195 do RIPI/2010. Assim, o valor tributável mínimo aplicável às saídas de determinado produto do estabelecimento industrial que o fabrique, e que tenha na sua praça um único distribuidor, dele interdependente, corresponderá aos próprios preços praticados por esse distribuidor único nas vendas que efetue, por atacado, do citado produto. A fim de corroborar esse entendimento, chamase atenção para o que determina o PN CST 89/70: Produto destinado a estabelecimento de firma interdependente: o valor tributável não poderá ser inferior ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente (RIPI, art. 21, inciso I). Estabelecimento que vende seus produtos a terceiros atacadistas e, além destes, para uma empresa, também atacadista, com a qual mantém relação de interdependência. Neste último caso, o valor tributável "não poderá ser inferior ao preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente", conforme dispõe o inciso I do art. 21 do Decreto n.° 61.514/67. O "preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente" é, evidentemente, o preço de venda por atacado feita pelo mencionado estabelecimento, a terceiros, não interdependentes. Na falta de outros adquirentes, ou melhor, na remessa para estabelecimento que seja o único comprador do produto (firma interdependente), o valor tributável não poderá ser inferior ao preço de venda do adquirente, salvo se este operar, exclusivamente, na venda a varejo, devendo, neste caso, ser observado o disposto no inciso II e §§ 4.° e 5.° do art. 21 do RIPI.” (grifamos) Desse modo, verificado que os estabelecimentos interdependentes da autuada eram os únicos responsáveis pela primeira distribuição no atacado dos produtos, o que foi feito pela fiscalização, e levandose em conta que o “universo das vendas” representa as vendas de produtos perfeitamente identificáveis, praticadas pelos estabelecimentos atacadistas de uma mesma firma, localizados na praça da remetente; portanto, correto o lançamento. Conformou informou a Procuradoria da Fazenda Nacional, esse entendimento foi adotado pelo CARF no Acórdão nº 20204.484 e também no Acórdão nº 3301001.847. Nestas decisões, concluise que, no caso de não haver outros atacadistas que comercializem os produtos especificados, o VTM deve ser preço praticado na venda a terceiros pelo próprio estabelecimento interdependente, quando único na praça. Ainda no mesmo sentido foi proferido o a Mais recentemente, conforme também informa a Procuradoria da Fazenda Nacional, no acórdão 3201001204, em que a interessada era também a empresa MEMPHIS S.A. INDUSTRIAL, negouse provimento ao recurso voluntário do contribuinte sob o fundamento de que existe, sim, preço corrente no mercado atacadista da remetente, ainda que se trate de um mercado monopolista, quando então, o preço praticado pela distribuidora interdependente nas vendas para terceiros independentes, equivale ao preço de mercado, por abranger os custos do produto. Fl. 6748DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.749 33 O relator designado para elaborar o voto vencedor concluiu que, no caso do estabelecimento matriz de Memphis Industrial, considerouse, corretamente, o mercado atacadista em relação às vendas efetuadas pelo estabelecimento de Distribuidora Memphis da mesma praça, para empresas que não fossem interdependentes, com os seguintes fundamentos (acórdão 3201 001204): i) Em momento algum a fiscalização desconsiderou atos e negócios jurídicos; ii) O sujeito passivo foi autuado por não ter observado o Valor Tributável Mínimo (VTM); iii) Existe preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente. O fato de ser um mercado monopolista ou oligopolista não impede o seu uso; iv) Os preços praticados pela Memphis S/A Industrial e Distribuidora Memphis Ltda., atacadista interdependente, além de serem suficientes para o cálculo do preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente, equivalem ao preço de mercado, porque abrangem o custo de fabricação, demais custos financeiros, de vendas, administrativos e de publicidade, lucro normal e demais parcelas que devam ser adicionadas ao preço da operação; v) Conforme Parecer Normativo CST nº 89/1970, o preço corrente no mercado atacadista da praça do remetente é o preço de venda por atacado feita pelo mencionado estabelecimento a terceiros não interdependentes; A expressão "praça" ou "praça do remetente" é derivada do direito comercial, mais precisamente do art. 32 do Código Comercial de 1850 (ainda que revogado), o qual definia: “Art. 32. Praça do comércio é não só o local, mas também a reunião dos comerciantes, capitães e mestres dos navios, corretores e mais pessoas empregadas no comércio”. (grifei) Uma breve interpretação do dispositivo do código comercial, conduz à alusão a termos que se aplicavam, creio que exclusivamente, aos locais próximos aos portos, mas nem por isso se restringia a lugar, localidade; ao contrário, transcendia o ambiente econômico daquele século. Não se pode conjeturar que uma expressão cunhada nas primeiras e rudimentares transações comerciais, dos precários mercados à época organizados, e utilizadas a mais de 160 anos no direito pátrio, conceba hoje um sentido e conteúdo mais restrito frente a evolução comercial, tecnológica e globalização dos mercados. Apenas como exercício de reflexão, no passado, mercado era o ponto físico de encontro para a realização de trocas, na verdade escambos, e posteriormente evoluindose para compra e venda. Davase nos poucos centros de comércio existente, em especial em portos e cidades de passagem. Assim, a abrangência geográfica era restrita e também significativa, dado Fl. 6749DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.750 34 ao distanciamento de outros mercados. Quanto às praças, inimaginável estendêlas para além das localidades habitadas. Definitivamente, a evolução em todas as áreas da civilização permite afirmar que hodiernamente não se tem fronteiras e limites às atividades financeiras e comerciais. Daí que, sem receio de cometer desatinos, para determinados ramos de atividade comerciais, em especial os mercados atacadistas e a praça, do menor comerciante à maior das corporações, é o próprio planeta (veja por exemplo, vendas de manufaturas asiáticos por intermédio da internet). Não se pode ignorar a interpretação da Recorrente ao conteúdo do Parecer Normativo CST nº 44, de 1981, que entende ter delimitado o conteúdo semântico do termo "praça do remetente", restringido o significado à localidade ou cidade onde está localizado o remetente. Portanto, a interpretação deve ser dada segundo a premissa ali estabelecida, qual seja, apontou o Parecer que "o mercado atacadista de determinado produto como um todo deve ser considerado relativamente ao universo das vendas que se realizam naquela mesma localidade, e não somente em relação àquelas (vendas) efetuadas por um só estabelecimento, de forma isolada". Ora, o caso dos autos é distinto, exatamente porque não há o "universo das vendas", assim considerado múltiplos atacadistas destinatários dos produtos do industrial remetente. E tais exclusividades produto e negócio estendemse a todo o território nacional, este sim, a real praça do remetente. É certo que o mercado atacadista de determinado produto, com suas especificações e características próprias, possua um único vendedor, responsável pela primeira distribuição das mercadorias, esse fato não descaracteriza a existência de “mercado atacadista” e a consequente aplicação do art. 195, I do RIPI. No presente caso, tratase de produto fabricado pela Recorrente, possuindo características específicas, identificados por códigos próprios, de forma a distinguilos de produtos de marcas industrializadas por outras empresas do mesmo setor. Neste caso, estando a primeira distribuição destes bens restrita à empresa comercial interdependente, não alcançando pessoas jurídicas independentes, há mercado atacadista e o Valor Tributável Mínimo será determinado a partir das vendas efetuadas pelo interdependente, nos termos do que definido pela Solução de Consulta Interna COSIT nº 08/2012, conforme excerto transcrito: Agora, se “o mercado atacadista de determinado produto, como um todo”, possui um único vendedor, é inevitável que o valor tributável mínimo seja determinado a partir das vendas por este efetuadas. Nem por isso tais operações de compra e venda por atacado deixarão de caracterizar a existência de um “mercado atacadista”, possibilitando, portanto, a aplicação da regra estatuída no inciso I do art. 195 do RIPI/2010. Assim, o valor tributável mínimo aplicável às saídas de determinado produto do estabelecimento industrial que o fabrique, e que tenha na sua praça um único distribuidor, dele interdependente, corresponderá aos próprios preços praticados por esse distribuidor único nas vendas que efetue, por atacado, do citado produto. Fl. 6750DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.751 35 Portanto, o atual sentido para a expressão "praça do remetente" é o local físico, geográfico, até onde se estende o campo de atuação de comercial atacadista da empresa. Dito de outra forma, compreende a área geográfica em que é permitido à empresa atuar, respeitados os limites legais e contratuais, quando exigidos. Visto isso, e partindo do pressuposto de que o RIPI/02, nos seus arts. 136 e 137 (arts. 195 e 196 do RIPI/10), traz normas que, claramente, visam impedir que os fabricantes se utilizem de firmas interdependentes para reduzir a base de cálculo do imposto, restanos demonstrar, ainda, que considerar o termo “praça”, previsto na legislação tributária, como sendo limitado ao espaço geográfico de um único município, como defendido pela recorrente, afastaria da incidência do tributo os contribuintes que elegessem uma estrutura entre interdependentes que se situam em cidades distintas, exatamente para se livrarem da tributação (como a grande maioria dos grupos econômicos). Entender que praça é o mesmo que município permitiria que, com a singela decisão de separar apenas formalmente as atividades de uma empresa e instalar um estabelecimento distribuidor em outra cidade diversa de onde localizado o estabelecimento industrial – decisão esta que caberia unicamente ao contribuinte – pudesse se adotar, como base imponível do IPI, valores significativamente inferiores aos efetivamente cobrados pela distribuidora e pagos pelos clientes independentes, contribuintes de fato do imposto, o que, sem dúvida, ofenderia a finalidade da norma. Dessa forma, concluise que o conceito de praça adotado na autuação está correto e adequado. Conforme destacou a Procuradoria da Fazenda Nacional e consta do Auto de Infração, o fato de duas cidades serem municípios vizinhos não pode afastar a noção de praça, ainda mais no caso de Porto Alegre e Cachoeirinha, por exemplo, tratado nos autos, que são municípios limítrofes (a Fiscalização informa, nesse contexto, que a distância entre a sede da recorrente e das distribuidoras é de 10 km) e que compõem uma mesma região metropolitana, de modo que as vendas realizadas pela Memphis em Cachoeirinha não podem ser ignoradas. Nesse contexto, foi que a fiscalização, com fulcro no art. 137 caput do RIPI/02 (art. 196 do RIPI/10), determinou a “média ponderada” com base nas vendas realizadas pelo único atacadista adquirente das mercadorias da recorrente (Distribuidora Memphis). Mister consignar que a regra prevista no art. 137, parágrafo único, II do RIPI não teria aplicação ao caso, já que seria utilizada, unicamente, na hipótese de inexistir mercado atacadista, o que se daria, por exemplo, quando somente houvesse vendas feitas no varejo. Todavia, essa não é situação dos autos, já que devidamente demonstrada a existência do mercado atacadista na praça do remetente. Além disso, verificase, conforme asseverou a Procuradoria da Fazenda Nacional, a correção do lançamento se confirma em razão de não fazer o menor sentido a inclusão, segundo pleiteado pela recorrente, na apuração do VTM, do valor de suas vendas para a interdependente, já que se o VTM é para ser aplicado justamente nestas vendas (entre interdependentes) e se na sua apuração considerase o preço corrente no mercado atacadista do remetente, por óbvio que não se considera o preço erroneamente praticado na venda para a interdependente, mas sim o preço da venda para estabelecimentos independentes. Outrossim, a alegação de que o cálculo do tributo estaria equivocado porque não teriam sido levadas em conta as condições de preço, devoluções, descontos concedidos bem como Fl. 6751DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.752 36 os tributos embutidos nos preços foi explicitada pela DRJ, nos seguintes termos: que “a questão de a Autoridade Fiscal não ter levado em consideração na apuração dos preços, questões econômicas e práticas comerciais dáse pelo fato de não estarem previstas no ordenamento jurídico, idêntico motivo pelo que não excluiu o ICMS, o PIS, o IPI e a COFINS de tais valores, independentemente de sua incidência monofásica.” Adotase aqui também esse entendimento. Anotese ainda que a Recorrente argumenta que não foram computadas as notas fiscais canceladas, mas informou, na Impugnação, que juntou apenas algumas de modo exemplificativo (fl. 5.780). Contudo, observase no Auto de Infração que foram consideradas devoluções de vendas, conforme podemos observar nas fls. fl. 322 (itens 4 e 9): Naturalmente, para que esse pleito fosse considerado, a Recorrente teria que indicar as notas fiscais que especificamente foram consideradas, ou seja, teria que indicar o substrato de seu direito de modo a colimar um lançamento que considerou incorreto, conforme trecho colacionado, as devoluções de compras. Fl. 6752DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.753 37 Quanto à alegação de que o Fiscal não teria aplicado a lei mais benéfica, cumpre anotar que se afirmou que se estava aplicando uma regra que favorecia a Recorrente, mas se tratava da regra adequada para aquele caso, segundo a lei regente. Quanto à alegação de que o julgador de primeira instância teria colocado em dúvida a efetividade da operação de venda entre a Recorrente e a Distribuidora Interdependente (Memphis Distribuibora), item 8.6 (DO MÉRITO EFETIVIDADE DA OPERAÇÃO ENTRE A RECORRENTE E A DISTRIBUIDORA INDEPENDENTE), cumpre afirmar que não se sustenta, a base da autuação e da decisão de primeira instância é que as operações ocorreram, mas não foi utilizada a base de cálculo correta para o IPI. Dessarte, concluise que, em relação ao item 8 e seus subitens, não assiste razão à Recorrente, devendo ser mantida a decisão recorrida. 9. DO MÉRITO SUBSIDIÁRIO UTILIZAÇÃO DA ALÍQUOTA DO IPI HOJE VIGENTE Defende a Recorrente que, caso seu pleito não seja reconhecido e se considere devido o IPI, deve ser aplicada a alíquota atual, a qual é zero para sabonetes, e não a vigente no tempo do fato gerador. Ancorase no entendimento de que "a legislação penal é um ramo irmão do direito tributário, assim, as máximas e princípios aplicados a aquele , devem ser reproduzidos expressamente para a questão tributária. Esse pleito afronta toda a sistemática tradicionalmente estabelecida e baseada no Código Tributário Nacional que determina que a lei aplicável ao tributo é a vigente no tempo do fato gerador. Valemonos das ponderações apresentadas pela Procuradoria da Fazenda Nacional: Além disso, também não se sustenta o pleito da recorrente, de que seja aplicada na apuração do tributo devido a alíquota hoje vigente, que para os sabonetes seria zero. De fato, com a edição do Decreto 7947/13 – que juntamente com a da MP 609/13 buscou a desoneração de produtos essenciais componentes da cesta básica – a alíquota de IPI para os sabonetes foi reduzida de 5% para zero. Todavia, isso não garante ao contribuinte a retroatividade pretendida. Ora, sabese que o Código Tributário Nacional, em seu art. 106, II, estipula três casos de retroatividade da lei mais benigna aos contribuintes e responsáveis, quais sejam: a) quando a lei nova deixa de definir uma conduta como infração o que não é o caso dos autos; b) quando deixa de tratála como contrária a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo – situação que também não se amolda aos autos; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática – o que, mais uma vez, não se subsume à presente situação, que trata da redução de alíquota e não da imposição de multa menos severa. Sendo assim, e considerandose que a regra de direito intertemporal é a de que o fato deve ser regido pela lei em vigor na data de sua ocorrência, a lei nova somente se aplicaria a fatos ocorridos antes do início de sua vigência se pela natureza da Fl. 6753DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.754 38 situação regulada assim devesse ser ou quando o próprio legislador assim determine expressamente, situações que, novamente, não se verificam no presente caso, razão pela qual não há como se deferir o pleito da recorrente. 10. DA NORMA ANTIELISIVA Afirma a Recorrente que a edição do Decreto no. 8.393/2015, impõe que à Distribuidora Interdependente a condição de equiparada a industrial quanto às aquisições junto aos industriais, importadores, encomendantes e arrematante. Defende que essa mudança neutraliza a elisão fiscal identificada no presente caso e o Auto de infração perde seu objeto. Na trilha da decisão recorrida, entendemos que também não se sustenta a alegação de que o Auto de Infração teria perdido seu objeto com a publicação do Decreto 8393/15, valenos das argutas considerações da Procuradoria da Fazenda Nacional: Em primeiro lugar porque o Decreto incluiu, dentre os produtos do Anexo III da Lei 7789/89 – que nos termos do art. 7º permitem a equiparação a estabelecimento industrial dos estabelecimentos atacadistas que os adquirem – os de código: 3303.00.10 (perfumes) 3304.10.00 (maquiagem para lábio), 3304.20 (maquiagem para olhos), 3304.30.00 (preparação para manicure e pedicure), 3304.9 (outros), 3305.20.00, 3305.30.00 e 3305.90.00 (todos referentes a preparações capilares), 307.10.00 (preparação para barbear), 3307.30.00 (sais para banho), 3307.4 (preparação para perfumar ambiente) e 3307.90.00 (outras preparações). Com isso, concluiuse que a norma em questão não tem efeitos para a o presente lançamento, em que se autuou a recorrente em relação à saída de desodorantes (3307.20.10) e sabonetes (3401.11.90). Além disso, mais uma vez aplicandose as regras de direito intertemporal, referido Decreto não teria mesmo o condão de anular o presente lançamento, já que nos termos do seu art. 2º, ele somente entra em vigor na data de sua publicação (29/01/2015), produzindo efeitos a partir do primeiro dia do quarto mês subsequente. Ou seja, ao tempo dos fatos geradores e da própria autuação, norma nenhuma havia que justificasse a conduta da empresa. Fl. 6754DF CARF MF Processo nº 11080.725133/201470 Acórdão n.º 3301005.708 S3C3T1 Fl. 6.755 39 Aliás, ao contrário do que defende a recorrente, a sua prática comercial até então não era viável e nem aceita, seja porque já se havia, no RIPI/02, a norma antielisiva que fundamentou o presente lançamento e por meio da qual sempre se buscou impedir que empresas interdependentes praticassem entre si preços inferiores aos de mercado, seja ainda porque o Decreto 8393/15, longe de confirmar a validade da conduta da autuada, na verdade corrobora a sua ilicitude e, por meio da equiparação prevista, busca reduzir a prática daquelas condutas há tempos levadas a efeito para impedir a incidência da norma tributária e a correta atuação do Fisco. Por fim, ainda que se aplicasse o Decreto ao presente processo, o que se admite apenas para argumentar, o fato é isso não levaria à perda do objeto da autuação. Isto porque, o Decreto não exclui a tributação incidente nos contribuintes industriai, mas determina, também, a tributação das comerciais atacadistas, que passam a ser equiparadas a industriais nos casos de que trata o Decreto. CONCLUSÕES Por todo o exposto, voto no sentido de manter integralmente a decisão recorrida e negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira Relatora Fl. 6755DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.907489/2009-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 11/01/2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE.
Não apresentação de prova inequívoca hábil e idônea tendente a comprovar a existência e validade de indébito tributário derivado de recolhimento indevido ou a maior de imposto retido na forma de legislação específica, acarreta a negativa de reconhecimento do direito creditório e, por conseqüência, a não-homologação da compensação declarada em face da impossibilidade da autoridade administrativa aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito.
INEFICÁCIA DE ALTERAÇÃO EFETUADA NA DCTF. DECLARAÇÃO EXTEMPORÂNEA. REDUÇÃO DE IMPOSTO ORIGINALMENTE CONFESSADO DESACOMPANHADO DE MATERIAL PROBATÓRIO COMPETENTE.
A simples retificação da DCTF não é meio hábil para comprovar o direito creditório reclamado.
Numero da decisão: 2201-005.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 11/01/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. Não apresentação de prova inequívoca hábil e idônea tendente a comprovar a existência e validade de indébito tributário derivado de recolhimento indevido ou a maior de imposto retido na forma de legislação específica, acarreta a negativa de reconhecimento do direito creditório e, por conseqüência, a não-homologação da compensação declarada em face da impossibilidade da autoridade administrativa aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito. INEFICÁCIA DE ALTERAÇÃO EFETUADA NA DCTF. DECLARAÇÃO EXTEMPORÂNEA. REDUÇÃO DE IMPOSTO ORIGINALMENTE CONFESSADO DESACOMPANHADO DE MATERIAL PROBATÓRIO COMPETENTE. A simples retificação da DCTF não é meio hábil para comprovar o direito creditório reclamado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 11/01/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. Não apresentação de prova inequívoca hábil e idônea tendente a comprovar a existência e validade de indébito tributário derivado de recolhimento indevido ou a maior de imposto retido na forma de legislação específica, acarreta a negativa de reconhecimento do direito creditório e, por conseqüência, a nãohomologação da compensação declarada em face da impossibilidade da autoridade administrativa aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito. INEFICÁCIA DE ALTERAÇÃO EFETUADA NA DCTF. DECLARAÇÃO EXTEMPORÂNEA. REDUÇÃO DE IMPOSTO ORIGINALMENTE CONFESSADO DESACOMPANHADO DE MATERIAL PROBATÓRIO COMPETENTE. A simples retificação da DCTF não é meio hábil para comprovar o direito creditório reclamado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 74 89 /2 00 9- 46 Fl. 80DF CARF MF 2 Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Ausente o conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário de fls. 44/50 apresentado em face da decisão de primeiro grau (fls. 31/36) que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo negando o direito ao crédito do IRRF recolhido, a ser compensado com outro tributo administrado pela Receita Federal. Dado o didatismo do relatório produzido pela DRJ, transcrevoo: Tratase de Manifestação de Inconformidade apresentada contra despacho decisório eletrônico que não homologou a compensação declarada no PER/Dcomp nº 26342.74717.180106.1.3.04.4113, formulada para extinguir débito de IRRF de R$ 1.478,08, código 5299, com vencimento em 11/01/2006, com crédito decorrente de pagamento indevido de IRRF de R$ 1.726,14, código 5299, realizado por meio de Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF), com data de arrecadação de 11/01/2006 e valor de R$ 1.726,14. O crédito apontado pela interessada não foi reconhecido porque ele teria sido integralmente utilizado em um ou mais pagamentos anteriores, não restando valor disponível para compensação do débito informado no PER/Dcomp, conforme consignado na decisão recorrida de fls. 11. A referida decisão aponta que existiram dois pagamentos de R$ 1.726,14 no mesmo dia 11/01/2006, porém ambos já estavam alocados para respectivos débitos, código 5299. Notificada da decisão por via postal em 26/06/2009, conforme informado em fls. 28, a contribuinte manifestou seu inconformismo em 27/07/2009, fls. 2, alegando que a divergência apontada no despacho decisório seria decorrente de uma falta de retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) de jan/06, omissão que já teria sido sanada em 27/07/2009 para regularizar a pendência apontada. Teria ocorrido pagamento em duplicidade do valor de R$ 1.726,14, sendo que o segundo pagamento foi utilizado em duas compensações, sendo a presente uma delas. Em primeiro grau a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade (fls. 31/36) cuja ementa se transcreve (fl. 31): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Fl. 81DF CARF MF Processo nº 16327.907489/200946 Acórdão n.º 2201005.039 S2C2T1 Fl. 72 3 Data do fato gerador: 11/01/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. COMPROVAÇÃO INSUFICIENTE. A insuficiência de prova inequívoca hábil e idônea tendente a comprovar a existência e validade de indébito tributário derivado de recolhimento indevido ou a maior das contribuições retidas na forma de legislação específica, acarreta a negativa de reconhecimento do direito creditório e, por conseqüência, a não homologação da compensação declarada em face da impossibilidade da autoridade administrativa aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito. INEFICÁCIA DE ALTERAÇÃO EFETUADA NA DCTF. DECLARAÇÃO EXTEMPORÂNEA. REDUÇÃO DE IMPOSTO ORIGINALMENTE CONFESSADO DESACOMPANHADO DE MATERIAL PROBATÓRIO COMPETENTE. Constituise ineficaz, para efeitos de determinação da pertinência do crédito declarado, a DCTF retificadora transmitida após a ciência dos termos do despacho decisório que não homologou a compensação declarada por intermédio da respectiva DCOMP eletrônica, sobretudo quando a alteração levada a efeito pelo sujeito passivo apresentase desacompanhada de material probatório competente que demonstre a existência e disponibilidade do direito creditório reclamado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada desta decisão (fl. 41), apresentou Recurso Voluntário. Do Recurso Voluntário Considerando esses fatos, foi apresentado recurso voluntário de fls. 44/50 em que praticamente repete os argumentos trazidos em sede de manifestação de inconformidade. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama O Recurso Voluntário é tempestivo e dele conheço. No caso em tela, a Recorrente alega: Fl. 82DF CARF MF 4 Ainda, para manter o despacho decisório no 842653291 que indeferiu a compensação de que trata a PER/Dcomp no 26342.74717.180106.1.3.044113, o v. acórdão partiu da premissa de que com a mera retificação da DCTF para redução extemporânea do débito originalmente confessado no valor de R$ 3.452,28, o Recorrente não poderia reduzir o valor de R$ 1.478,08 sob alegação de erro de preenchimento do montante do débito confessado na DCTF. Ora, conforme acima mencionado, a retificação na DCTF somente veio a espelhar a realidade da inexistência do débito de IRRF, tendo em vista que houve o recolhimento em duplicidade. Essa retificação somente foi efetuada após o despacho decisório porque somente após essa decisão é que o Recorrente percebeu que não tinha efetuado essa retificação no prazo correto. No entanto, esse mero equívoco do Recorrente em sua DCTF jamais poderia ensejar o não reconhecimento do direito de/cédito do IRRF, tendo em vista a comprovação de que o Recorrente recolheu em duplicidade, no dia 11/01/2006, o valor de R$ 1.726,14, passando a ter o seu direito em fazer a compensação por recolhimento a maior do que o devido, sendo que o não reconhecimento desse direito viola o principio da verdade material. A simples retificação da DCTF não tem o condão de reduzir tributo, pelo menos para o fim a que se pretende nos presentes autos. Ela deve estar lastreada com documentação contábil e fiscal, além disso, deveria ter sido trazida aos autos, de forma didática. Nesse ponto, adoto como razões de decidir excerto dessa Turma da lavra do I. Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim AC. 2201004.437 j. 04/04/18, verbis: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2004 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. (...) omissis Ora, não pode a autoridade administrativa proceder com a homologação quando existe, de fato, vinculação do crédito a Fl. 83DF CARF MF Processo nº 16327.907489/200946 Acórdão n.º 2201005.039 S2C2T1 Fl. 73 5 valores confessados pelo contribuinte como devidos, por meio de instrumento hábil e suficiente a sua exigência. Sobre o tema, adoto como razões de decidir as palavras do Ilustríssimo Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, proferida no acórdão nº 2201004.311: A criação do Sistema de Controle de CréditosSCC objetivou dar maior celeridade e segurança à necessária conferência dos pedidos de restituição, ressarcimentos e declarações de compensação formalizados pelos contribuintes. Naturalmente, tratase de ferramenta de extrema utilidade e eficiência quando batimentos de sistemas podem indicar a existência dos direitos pleiteados. Por outro lado, quando a complexidade da demanda exige, remanesce a necessidade de análise manual dos créditos pleiteados. Das situações possíveis de serem tratadas eletronicamente, sem sombra de dúvida, os indébitos tributários decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior são, como regra, os que apresentam menor complexidade de análise, já que basta o SCC localizar o pagamento, identificar suas características e verificar, no sistema próprio, se há débitos compatíveis que demonstrem, no todo ou em parte, a ocorrência de um pagamento indevido ou a maior. (...) Portando, em uma análise primária, notase que a não homologação em discussão é procedente, o que não impede que se reconheça, em respeito à verdade material, que tenha havido algum erro de fato que justifique sua revisão. Contudo, para tanto, necessário que sejam apresentados os elementos que comprovem a ocorrência de tal erro. Portanto, não basta alegar a ocorrência de erro material, é necessário provalo. Quanto ao ônus da prova, o Código de Processo Civil dispõe o seguinte: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Apesar do procedimento de constituição do crédito tributário não ser regido pelo CPC, a adoção dos critérios principiológicos criados por tal norma em aplicação analógica ao presente caso oferece diretrizes de suma importância para resolução da demanda. Assim, uma vez em curso o procedimento de análise de compensação de crédito, é do contribuinte o ônus de provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito da Fazenda. (...) Fl. 84DF CARF MF 6 Conforme ressaltado na decisão recorrida, caberia ao Recorrente demonstrar, com base em documentação, a liquidez e certeza do direito creditório para que fosse possível aferir que os valores pagos à título de Imposto de Renda Retido na Fonte é o correto e, por consequência, o direito ao crédito também é o que alega ter direito, conforme preceitua o disposto no artigo 74 da Lei nº 9.430/96: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. Nos termos do disposto no artigo 74 da Lei nº 9.430/96 com as alterações introduzidas pelas Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, acima transcrito, verificase a possibilidade de se compensar os valores desde que seja administrado pela Secretaria da Receita Federal e devidamente comprovados. Além disso, nos termos do disposto no artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, o qual atribui ao interessado o ônus de demonstrar a veracidade de suas alegações. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Conforme resta dos documentos juntados aos autos, não é possível comprovar, com elementos de prova o direito que a Recorrente alega ter, face à carência de elementos de prova. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso e negolhe provimento. (assinado digitalmente) Relator Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 85DF CARF MF Processo nº 16327.907489/200946 Acórdão n.º 2201005.039 S2C2T1 Fl. 74 7 Fl. 86DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915903/2008-48
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/06/1999
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Identificada a omissão no acórdão embargado, acolhem-se os embargos, com efeitos infringentes, para saneamento do vício identificado, mediante a prolação de um novo acórdão.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/1999
COFINS. RECEITAS. VENDAS. EMPRESAS. ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO.
As receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus gozam de isenção da contribuição.
Numero da decisão: 9303-007.769
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado a fim de sanar o vício de omissão detectado e dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, reconhecendo a isenção da contribuição sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para as empresas sediadas na ZFM e, consequentemente, o seu direito à repetição/compensação dos valores da contribuição calculados e pagos indevidamente sobre tais receitas, cabendo à autoridade administrativa, apurar os indébitos e homologar as compensações até o montante apurado.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/06/1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Identificada a omissão no acórdão embargado, acolhem-se os embargos, com efeitos infringentes, para saneamento do vício identificado, mediante a prolação de um novo acórdão. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/06/1999 COFINS. RECEITAS. VENDAS. EMPRESAS. ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. As receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus gozam de isenção da contribuição.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado a fim de sanar o vício de omissão detectado e dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, reconhecendo a isenção da contribuição sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para as empresas sediadas na ZFM e, consequentemente, o seu direito à repetição/compensação dos valores da contribuição calculados e pagos indevidamente sobre tais receitas, cabendo à autoridade administrativa, apurar os indébitos e homologar as compensações até o montante apurado. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
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ISENÇÃO. VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS. Embargante SPECTRUM BRANDS BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BENS DE CONSUMO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/06/1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Identificada a omissão no acórdão embargado, acolhemse os embargos, com efeitos infringentes, para saneamento do vício identificado, mediante a prolação de um novo acórdão. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/1999 COFINS. RECEITAS. VENDAS. EMPRESAS. ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. As receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus gozam de isenção da contribuição. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado a fim de sanar o vício de omissão detectado e dar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, reconhecendo a isenção da contribuição sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para as empresas sediadas na ZFM e, consequentemente, o seu direito à repetição/compensação dos valores da contribuição calculados e pagos indevidamente sobre tais receitas, cabendo à autoridade administrativa, apurar os indébitos e homologar as compensações até o montante apurado. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 03 /2 00 8- 48 Fl. 471DF CARF MF Processo nº 10880.915903/200848 Acórdão n.º 9303007.769 CSRFT3 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de embargos de declaração apresentados contra o Acórdão nº 9303 006.410, de 13 de março de 2018, da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que, relativamente ao reconhecimento de direito creditório de COFINS, negou provimento ao recurso especial do contribuinte, nos termos da ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 30/06/1999 PIS/COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições para o PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67." A embargante alega que ocorreu omissão no acórdão embargado, relativamente a ponto (normas) sobre os quais a Turma deveria ter se pronunciado. Consoante seu entendimento, o disposto no Parecer PGFN/CRJ/Nº 1.743, de 1º de dezembro de 2016, e no Ato Declaratório PGFN Nº 4, de 16 de novembro de 2017, ambos da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), deveria ter sido levado em conta no julgamento. Os embargos foram admitidos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.768, de 11/12/2018, proferido no julgamento do processo 10880.915902/200801, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 9303007.768): Fl. 472DF CARF MF Processo nº 10880.915903/200848 Acórdão n.º 9303007.769 CSRFT3 Fl. 4 3 "O acórdão embargado negou provimento ao recurso especial do contribuinte sob o fundamento de que, até julho de 2004, não existia norma que desonerasse as receitas decorrentes de vendas de mercadorias para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus da contribuição para o PIS. No entanto, na análise e julgamento do recurso especial do contribuinte, o relator não levou em consideração o entendimento da Procuradoria da Geral da Fazenda Nacional exarado no Parecer nº PGFN/CRJ/Nº 20166 e a autorização dada pelo Ato Declaratório PGFN Nº 4, de 16 de novembro de 2017. O referido Parecer tratou da isenção do PIS e da Cofins sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para empresas sediadas na ZFM e, tendo em vista decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Supremo Tribunal Federal (STF), nele citadas e as respectivas ementas transcritas, concluiu literalmente: "Assim, presentes os pressupostos estabelecidos pelo art. 19, inciso II, da Lei nº 10.522, de 2002, c/c o art. 5º do Decreto nº 2.346, de 1997, recomendase que o ProcuradorGeral da Fazenda Nacional expeça ato declaratório que autorize a não apresentação de contestação, a não interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nas ações judiciais pautadas no entendimento de que não há incidência de PIS/COFINS sobre receita decorrente de vendas de mercadorias de origem nacional destinadas a pessoas jurídicas sediadas na Zona Franca de Manaus. Por oportuno, propõese, ainda, a seguinte nova redação para o item constante da Lista de Dispensa: 1.31 PIS/COFINS l) Venda de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus Precedentes: ADI 2.3489/DF, RE 539.590/PR e AgRg no RE 494.910/SC; AgInt no AREsp 944.269/AM, AgInt no AREsp 691.708/AM, AgInt no AREsp 874.887/AM, AgRg no Ag 1.292.410/AM, REsp 1.084.380/RS, REsp 982.666/SP, REsp 817777/RS e EDcl no REsp 831.426/RS. Resumo: Ao apreciar a cautelar na ADI 2.3489/DF, o STF, por unanimidade, suspendeu a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”, constante do art. 14, § 2º, I, da MP nº 2.03724/00 (que afastava da isenção de PIS/COFINS na exportação para o exterior a receita de vendas efetuadas a empresa estabelecida na ZFM), por violação ao art. 40 do ADCT (que teria estabilizado o art. 4º do DL nº 288/67. A partir de então, ou seja, na MP nº 2.03725/00, editada em dezembro/2000 (hoje art. 14 da MP nº 215835/01), a ressalva à Zona Franca de Manaus foi suprimida. Nesse cenário, o STF firmou, em sede de RE, o entendimento de que a controvérsia acerca da incidência do PIS/COFINS sobre a venda de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus se restringe ao âmbito infraconstitucional, enquanto o STJ e os TRF’s firmaram o entendimento de que, por força dos arts. 5º da Lei nº 7.714/88, 7º da Lei complementar nº 70/91 e 14 da MP nº 215835/01, c/c art. 4º do DL nº 288/67, não incide PIS/COFINS sobre a receita decorrente de venda de mercadoria de origem nacional destinada a pessoa jurídica sediada na Zona Franca de Manaus, pois se trataria de operação equiparada a exportação (art. 4º do DL nº 288/67). O STJ também firmou o entendimento de que o benefício fiscal se aplica ainda que a vendedora (e não apenas a adquirente) seja sediada na ZFM (chamadas “vendas internas”). OBSERVAÇÃO: a dispensa não se aplica quando se tratar de: (i) venda de mercadoria por Fl. 473DF CARF MF Processo nº 10880.915903/200848 Acórdão n.º 9303007.769 CSRFT3 Fl. 5 4 empresa sediada na ZFM a outras regiões do país; (ii) operação envolvendo pessoa física (vendedor ou adquirente); (iii) venda de mercadoria que não tenha origem nacional; e (iv) receita decorrente de serviços (e não venda de mercadorias) prestados a empresas sediadas na ZFM." Por sua vez o Ato Declaratório, assim dispõe: “DECLARA que, fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: 'nas ações judiciais que discutam, com base no art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, a incidência do PIS e/ou da COFINS sobre receita decorrente de venda de mercadoria de origem nacional destinadas a pessoas jurídicas sediadas na Zona Franca de Manaus, ainda que a pessoa jurídica vendedora também esteja sediada na mesma localidade'.”. A luz do exposto, acolho os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado a fim de sanar o vício de omissão detectado e dar provimento ao recurso especial do contribuinte, reconhecendo a isenção do PIS sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para as empresas sediadas na ZFM e, consequentemente, o seu direito à repetição/compensação dos valores da contribuição calculados e pagos indevidamente sobre tais receitas, cabendo à autoridade administrativa, apurar os indébitos e homologar as compensações até o montante apurado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado acolheu os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para retificar o acórdão embargado a fim de sanar o vício de omissão detectado e dar provimento ao recurso especial do contribuinte, reconhecendo a isenção da contribuição sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias nacionais para as empresas sediadas na ZFM e, consequentemente, o seu direito à repetição/compensação dos valores da contribuição calculados e pagos indevidamente sobre tais receitas, cabendo à autoridade administrativa, apurar os indébitos e homologar as compensações até o montante apurado. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 474DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18019.720544/2014-61
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
PREVIDÊNCIA PRIVADA - PERÍODO 01/01/1989 A 31/12/1995 - ISENÇÃO - IN 1.343/2013
A Receita Federal do Brasil (RFB) editou a Instrução Normativa RFB nº 1.343/13 para auxiliar o contribuinte que tem direito a restituição do valor do imposto de renda retido na fonte sobre a complementação de aposentadoria correspondente às contribuições efetuadas entre 1º/01/89 a 31/12/1995 e eventual saldo pode ser aproveitado, na forma de dedução, nas DAA dos exercícios seguintes, até o exaurimento.
Numero da decisão: 2002-000.800
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2010 PREVIDÊNCIA PRIVADA - PERÍODO 01/01/1989 A 31/12/1995 - ISENÇÃO - IN 1.343/2013 A Receita Federal do Brasil (RFB) editou a Instrução Normativa RFB nº 1.343/13 para auxiliar o contribuinte que tem direito a restituição do valor do imposto de renda retido na fonte sobre a complementação de aposentadoria correspondente às contribuições efetuadas entre 1º/01/89 a 31/12/1995 e eventual saldo pode ser aproveitado, na forma de dedução, nas DAA dos exercícios seguintes, até o exaurimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 01 9. 72 05 44 /2 01 4- 61 Fl. 202DF CARF MF 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 17 a 21), relativa a omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício. Desta forma, implicou na autuação de imposto suplementar no valor de R$ 2.271,83. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 13 dos autos. A impugnação foi apreciada na 7ª Turma da DRJ/BSB que por unanimidade, em 26/02/2017, no acórdão 0372.680, às efls. 37 a 46, julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário exigido Recurso voluntário Ainda inconformado, o contribuinte, apresentou recurso voluntário, às efls. 56 a 95, no qual alega, em resumo, que os rendimentos não devem ser tributados por tratarse de resgate de contribuições efetuadas junto a entidades de previdência privada no período de 01/01/1989 a 31/12/1995, conforme Instrução Normativa nº 1.343/2013 da Receita Federal do Brasil. Diligência Em sessão realizada em 24/05/2018, este Colegiado converteu o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 2002000.012 (efls.141/143), para que a RFB informe a real data de ciência do contribuinte quanto a decisão da DRJ e se o contribuinte se valeu de eventuais créditos em anos de outros anos, conforme aplicação da IN nº 1.343/13 Em atendimento, foram anexadas as informações de fls.145/198. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Como já pontuado, o contribuinte foi autuado pela suposta omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, implicando na autuação de imposto suplementar no valor de R$ 2.271,83. Em sua defesa, o contribuinte alega que tais rendimentos gozam de isenção, já que oriundos de resgate de contribuições efetuadas junto a entidades de previdência privada no período de 01/01/1989 a 31/12/1995, conforme Instrução Normativa nº 1.343/2013 da Receita Federal do Brasil. Fl. 203DF CARF MF Processo nº 18019.720544/201461 Acórdão n.º 2002000.800 S2C0T2 Fl. 86 3 O Poder Judiciário, após provocado por inúmeros contribuintes, pacificou a matéria reconhecendo a isenção tanto aos valores resgatados quanto aos valores aportados pelas pessoas físicas no período de 1/1/89 a 31/12/95. Segue excerto do julgamento proferido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em recurso repetitivo: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA. LEI 7.713/88 (ART. 6º, VII, B), LEI 9.250/95 (ART. 33). 1. Pacificouse a jurisprudência da 1ª Seção do STJ no sentido de que, por força da isenção concedida pelo art. 6º, VII, b, da Lei 7.713/88, na redação anterior à que lhe foi dada pela Lei 9.250/95, é indevida a cobrança de imposto de renda sobre o valor da complementação de aposentadoria e o do resgate de contribuições correspondentes a recolhimentos para entidade de previdência privada ocorridos no período de 1º.01.1989 a 31.12.1995 (...) (Resp nº 1.012.903/RJ, DJe 13/10/2008) Ainda, restou pacificado pelo tribunal superior que eventual apuração de valor recolhido no período de isenção, devidamente atualizados, teria o condão de gerar créditos a serem abatidos da base de cálculo do imposto de renda. Para normatizar o entendimento do STJ, a Receita Federal do Brasil (RFB) editou a Instrução Normativa RFB nº 1.343/13. Desta forma, o contribuinte tem direito a restituição do valor do imposto de renda retido na fonte sobre a complementação de aposentadoria correspondente às contribuições efetuadas entre 1º/01/89 a 31/12/1995 e eventual saldo pode ser aproveitado, na forma de dedução, nas DAA dos exercícios seguintes, até o exaurimento. Logo, a isenção das contribuições para previdência complementar vigeu apenas no período de 1º/01/89 a 31/12/1995. Como o processo trata do anocalendário de 2010, a referida Instrução Normativa dispôs sobre o tratamento tributário relativo à apuração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF) aplicável aos valores pagos ou creditados por entidade de previdência complementar a título de complementação de aposentadoria, resgate e rateio de patrimônio, correspondente às contribuições efetuadas, exclusivamente pelo beneficiário, no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995. Conforme a diligência realizada, às efls. 2009, o contribuinte poderia valer se da isenção sobre o valor de R$ 32.758,79. No entanto, declarou como isento o valor de R$44.365,01, motivo pelo qual se deu a autuação. Logo, mantenho a decisão de piso: Em sua DIRPF retificadora relativa ao mesmo anocalendário, entregue em 19/08/2014, o contribuinte excluiu este valor do campo relativo aos rendimentos tributáveis e o incluiu no campo relativo a rendimentos isentos e não tributáveis. Ou Fl. 204DF CARF MF 4 seja, não ofereceu à tributação o montante declarado em Dirf pela fonte pagadora acima mencionada. Conforme extrato das contribuições previdenciárias efetuadas pelo interessado à Fundação Atlântico de Seguridade Social, anexado às fls. 3 a 12, verificase que o interessado, de fato, efetuou contribuições no período de 01/1989 a 12/1995, cujo valor, atualizado até 31/12/2009, corresponde a R$32.758,79. Inicialmente, cumpre ressaltar que apenas o valor acima referido (R$32.758,79) poderia ser considerado isento e, portanto, excluído dos rendimentos tributáveis do contribuinte na retificação autorizada pela IN RFB nº 1.343/2013. O referido extrato informa, também, a data de início do pagamento do benefício relacionado ao plano acima referido, qual seja, 29/09/2009, razão pela qual o valor das contribuições foi atualizado até 31/12/2009, nos termos da IN RFB nº 1.343/2013. Quanto a questão de alocação dos valores eventualmente aproveitados durante o período, cabe ao contribuinte diligenciar junto a unidade de origem Receita Federal para maiores explicações, vez que situação alheia ao processo administrativo. Diante do exposto, conheço do presente Recurso Voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 205DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.996936/2012-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.781
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB, ateste, conclusivamente, se a DCTF retificadora foi retida para análise, se existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora, qual a situação de tal processo e a fundamentação da não aceitação, e se houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos ou apresentar documentação.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo
Relatório
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB, ateste, conclusivamente, se a DCTF retificadora foi retida para análise, se existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora, qual a situação de tal processo e a fundamentação da não aceitação, e se houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos ou apresentar documentação. Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo Relatório
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Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o indeferimento de manifestação de inconformidade postulada ante o não reconhecimento integral da compensação pleiteada pela recorrente. Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, onde argumenta que os créditos compensados foram gerados pela percepção da ocorrência de equívoco na apuração original do débito que, uma vez corrigido, permitiu a identificação de valores recolhidos a maior. Ou seja, quando apurou os valores corretos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 96 93 6/ 20 12 -6 7 Fl. 14290DF CARF MF Processo nº 10880.996936/201267 Resolução nº 3401001.781 S3C4T1 Fl. 3 2 percebeu que o DARF pago, referente ao período de apuração, foi recolhido em valor maior do que o devido. Explica ainda que os procedimentos de correção da referida situação foram cumpridos por meio de DCTF retificadora e, ao que tudo indica, a análise da fiscalização não observou a referida retificação. Afirma que, após o recolhimento original, percebeu que parte de suas receitas estavam erroneamente tributadas pelo regime não cumulativo, quando o deveriam ser pelo regime cumulativo. O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 06052.955. Regularmente cientificada do teor desta decisão, apresentou Recurso Voluntário onde alega: 1) nulidade por ausência de intimação quanto as supostas inconsistências nas DCTF´s retificadoras e da fundamentação genérica do despacho decisório; 2) inovação pela DRJ, já que a fiscalização me momento algum mencionou por qual motivo estava glosando o crédito pleiteado; 3) promoveu regularmente a retificação da DCTF e DACON antes da transmissão do PER/DCOMP; 4) o crédito tributário é legítimo. Apresenta prova da materialidade do direito creditório; 5) solicita diligência ou perícia para que comprove que todo o crédito glosado deve ser reconhecido. E solicita juntada posterior de documentação comprobatória. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401001.775, de 29 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.959884/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401001.775): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. Conforme se verifica pelo Despacho Decisório, emitido em 04/09/2012 (com ciência da contribuinte em 13/09/2012), não Fl. 14291DF CARF MF Processo nº 10880.996936/201267 Resolução nº 3401001.781 S3C4T1 Fl. 4 3 homologou a compensação declarada na Dcomp em análise (cujo crédito original na data da transmissão era de R$ 259.137,00), devido à inexistência do crédito declarado para quitar os débitos informados no PER/Dcomp. O DARF discriminado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação do débito de PIS/Pasep do período de apuração de novembro de 2009. Sustenta a recorrente que parte de suas receitas estavam tributadas pelo regime não cumulativo, quando, na verdade, deveriam ser tributadas pelo regime cumulativo, por se tratar de receita decorrentes da prestação de serviços de concretagem, equiparado ao conceito legal de prestação de serviços em obras de construção civil, de forma que a nova apuração demonstrou o valor devido de PIS não cumulativo de R$ 875.479,51 gerando o saldo de crédito de R$ 259.137,00. Por sua vez, o crédito apurado foi utilizado para pagamento do PIS, apurado no regime cumulativo, de novembro de 2009, e da Cofins cumulativa de janeiro de 2012. Relendo o despacho decisório verificase que a autoridade administrativa limitou a sua análise aos valores originalmente informados, não havendo análise das retificações efetuadas, apesar de terem sido efetuadas anteriormente ao despacho decisório. Não há no processo o motivo que as retificadoras não foram aceitas. A recorrente alega não ter sido intimada ou cientificada a respeito da não aceitação das retificadoras da DCTF. O artigo 10 da Instrução Normativa RFB nº 1599/2015, dispõe acerca do procedimento a ser tomado pelo Fisco quando a DCTF for retida para análise, com base nos critérios internos da RFB, verbis: Art. 10. As DCTF retificadoras poderão ser retidas para análise com base na aplicação de parâmetros internos estabelecidos pela RFB. § 1º O sujeito passivo ou o responsável pelo envio da DCTF retida para análise será intimado a prestar esclarecimentos ou apresentar documentação comprobatória sobre as possíveis inconsistências ou indícios de irregularidade detectados na análise de que trata o caput. § 2º A intimação poderá ser efetuada de forma eletrônica, observada a legislação específica, prescindindo, neste caso, de assinatura. § 3º O não atendimento à intimação no prazo determinado ensejará a não homologação da retificação. Paira a dúvida se essa intimação ocorreu e por conseguinte houve a não homologação pelo não atendimento à intimação, já que não existem esses documentos no processo. Para que não hajam dúvidas a respeito do procedimento adotado pela unidade da RFB, que por certo segue os ditames das Instruções Fl. 14292DF CARF MF Processo nº 10880.996936/201267 Resolução nº 3401001.781 S3C4T1 Fl. 5 4 Normativas RFB, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a unidade esclareça: 1) A DCTF retificadora, relativa ao período de 11/2009 foi retida para análise? 2) existe processo administrativo relativo a não homologação da DCTF retificadora? Qual a fundamentação da não aceitação? Qual a situação atual do processo? 3) houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos? Ou apresentar documentação? A unidade da RFB deverá juntar os documentos comprobatórios, e após deverá ser dado conhecimento ao contribuinte sobre o teor das informações prestadas e disponibilizado prazo para apresentar alegações pertinentes. Após o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento tendo em vista as informações prestadas." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade esclareça: 1) A DCTF retificadora, relativa ao período em discussão foi retida para análise? 2) existe processo administrativo relativo a não homologação da DCTF retificadora? Qual a fundamentação da não aceitação? Qual a situação atual do processo? 3) houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos? Ou apresentar documentação? A unidade da RFB deverá juntar os documentos comprobatórios, e após deverá ser dado conhecimento ao contribuinte sobre o teor das informações prestadas e disponibilizado prazo para apresentar alegações pertinentes. Após o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento tendo em vista as informações prestadas. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 14293DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11618.721868/2011-76
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DIPJ. PREVISÃO LEGAL.
A entrega da Declaração de Rendimento da Pessoa Jurídica DIPJ após o prazo previsto pela legislação tributária, sujeita o contribuinte à incidência da multa correspondente.
SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. BASE DE CÁLCULO É A RECEITA AUFERIDA.
Os valores auferidos pela contribuinte tem caráter de subvenção de custeio, categoria que se inclui dentre os rendimentos tributáveis.
Numero da decisão: 1003-000.451
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes. Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DIPJ. PREVISÃO LEGAL. A entrega da Declaração de Rendimento da Pessoa Jurídica DIPJ após o prazo previsto pela legislação tributária, sujeita o contribuinte à incidência da multa correspondente. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. BASE DE CÁLCULO É A RECEITA AUFERIDA. Os valores auferidos pela contribuinte tem caráter de subvenção de custeio, categoria que se inclui dentre os rendimentos tributáveis.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes. Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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PREVISÃO LEGAL. A entrega da Declaração de Rendimento da Pessoa Jurídica DIPJ após o prazo previsto pela legislação tributária, sujeita o contribuinte à incidência da multa correspondente. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. BASE DE CÁLCULO É A RECEITA AUFERIDA. Os valores auferidos pela contribuinte tem caráter de subvenção de custeio, categoria que se inclui dentre os rendimentos tributáveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes. Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 8. 72 18 68 /2 01 1- 76 Fl. 76DF CARF MF Processo nº 11618.721868/201176 Acórdão n.º 1003000.451 S1C0T3 Fl. 3 2 Relatório Tratase o presente processo de recurso voluntário contra acórdão de nº 09 48.674 da 2ª Turma da DRJ/JFA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e manteve a multa por atraso na entrega de DIPJ. Por economia processual e por concordar com as informações contidas no Relatório da DRJ, transcrevoo abaixo: Tratase de processo de exigência de multa por atraso na entrega da DIPJ, anocalendário 2010, no valor total de R$ 30.908,51. A interessada apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: (...) para se chegar ao valor da multa, a Receita Federal usou como base de cálculo a quantia de R$ 772.712,89 (setecentos e setenta e dois mil e setecentos e doze reais e oitenta e nove centavos), a qual, com toda licença, e conforme será demonstrado abaixo, não deveria ter sido utilizada, primeiro, devido a sua natureza de subvenção econômica, bem como não por não configurar “o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ. (...) verificase que a PBTUR é sociedade dependente do Governo do Estado da Paraíba e, por conseqüência disso, a sua receita operacional é oriunda de subvenções econômicas, as quais totalizaram, no exercício base para apuração da multa, o percentual de 99,17% (noventa e nove inteiros e dezessete por cento) dos recursos financeiros da referida sociedade, conforme documentação anexa. Afora isso, no DIPJ/2011 informado pela PBTUR não fora apresentado nenhum custo de bens e serviços vendidos, conforme a ficha 04A, o que, necessariamente, nos leva a dicção de que inexistiu lucro, ou mesmo receita oriunda de venda de bens e serviços. Por outro lado, como apresentado na ficha 06A Demonstração de Resultado, no item 73 (lucro líquido do período de apuração), o resultado obtido, ou seja, R$ 772.712,89 (setecentos e setenta e dois mil e setecentos e doze reais e oitenta e nove centavos), não passa de um superávit financeiro. Nobre Julgador, o valor de R$ 772.712,89 (setecentos e setenta e dois mil e setecentos e doze reais e oitenta e nove centavos), além de tratarse de um superávit financeiro, é oriundo de subvenções econômicas conforme orçamento da PBTUR. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 11618.721868/201176 Acórdão n.º 1003000.451 S1C0T3 Fl. 4 3 Discorre sobre a impossibilidade do cômputo das subvenções econômicas na determinação do lucro real e acata a aplicação de multa por atraso no importe de R$ 500,00 (multa mínima). A DRJ/JFA julgou improcedente a manifestação de inconformidade conforme ementa abaixo: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 MULTA POR ATRASO DE ENTREGA. DIPJ Estando a pessoa jurídica obrigada à apresentação da DIPJ, o atraso no cumprimento dessa obrigação implica, por dever legal, a aplicação da multa correspondente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com a decisão da DRJ, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário defendendo que: (i) A empresa Recorrente é uma sociedade de economia mista controlada e criada pelo Governo do Estado da Paraíba para fomentar o turismo. O Estado da Paraíba é acionista majoritária da PBTUR S/A e detentor de 99,94% do capital social; (ii) Aduz que a Recorrente é totalmente vinculada à Secretaria de Turismo e Desenvolvimento Econômico do Estado da Paraíba, conforme Decreto nº 26.186/2005. Em razão disso, afirma ser uma empresa controlada e dependente do Governo da Paraíba, uma vez que recebe do ente controlador recursos financeiros para a consecução de seus fins, sendo, por conseguinte, a receita operacional oriunda de subvenções econômicas; (iii) Que na DIPJ/2011 apresentada pela empresa não foi informado nenhum custo de bens e serviços vendidos, levando, segundo defende, a inexistência de lucro, ou mesmo receita oriunda de venda de bens e serviços; (iv) Que o Resultado demonstrado na ficha 06 da DIPJ/2011, no valor de R$ 772.712,89 é apenas um superávit financeiro, oriundo de subvenções econômicas, conforme orçamento da Recorrente anexo a este processo. (v) As subvenções são espécie de repasse, não sendo possível a multa incidir sobre parcela que não é o montante do imposto de renda da pessoa jurídica. Por fim, requereu que fosse reconhecida ser incorreta a base de cálculo utilizada para o lançamento da multa e julgar improcedente o lançamento fiscal. É o Relatório. Voto Fl. 78DF CARF MF Processo nº 11618.721868/201176 Acórdão n.º 1003000.451 S1C0T3 Fl. 5 4 Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora Antes de analisar o mérito do recurso voluntário, é imprescindível verificar se o mesmo atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Antes de analisarmos as alegações recursais, importante tecer alguns comentários acerca do tratamento fiscal a ser conferido às subvenções para investimento, inscritos no art. 30, da Lei nº 12.973/2014 transcrito abaixo: Seção XI Subvenções Para Investimento Art. 30. As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e as doações feitas pelo poder público não serão computadas na determinação do lucro real, desde que seja registrada em reserva de lucros a que se refere o art. 195A da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, que somente poderá ser utilizada para: I absorção de prejuízos, desde que anteriormente já tenham sido totalmente absorvidas as demais Reservas de Lucros, com exceção da Reserva Legal; ou II aumento do capital social. § 1o Na hipótese do inciso I do caput, a pessoa jurídica deverá recompor a reserva à medida que forem apurados lucros nos períodos subsequentes. § 2o As doações e subvenções de que trata o caput serão tributadas caso não seja observado o disposto no § 1o ou seja dada destinação diversa da que está prevista no caput, inclusive nas hipóteses de: I capitalização do valor e posterior restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitado ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou subvenções governamentais para investimentos; II restituição de capital aos sócios ou ao titular, mediante redução do capital social, nos 5 (cinco) anos anteriores à data da doação ou da subvenção, com posterior capitalização do valor da doação ou da subvenção, hipótese em que a base para a incidência será o valor restituído, limitada ao valor total das exclusões decorrentes de doações ou de subvenções governamentais para investimentos; ou III integração à base de cálculo dos dividendos obrigatórios. § 3o Se, no período de apuração, a pessoa jurídica apurar prejuízo contábil ou lucro líquido contábil inferior à parcela Fl. 79DF CARF MF Processo nº 11618.721868/201176 Acórdão n.º 1003000.451 S1C0T3 Fl. 6 5 decorrente de doações e de subvenções governamentais e, nesse caso, não puder ser constituída como parcela de lucros nos termos do caput, esta deverá ocorrer à medida que forem apurados lucros nos períodos subsequentes. Vêse que a norma impõe determinado tratamento específico para aquelas subvenções passíveis de classificação como subvenções para investimento. A subvenção é uma ferramenta à disposição do Poder Público utilizada para incentivar algumas atividades ou empreendimentos vinculados ao interesse público. Objetiva promover o estímulo de alguns setores econômicos. A Recorrente não sustenta o caráter de subvenção para investimento, em relação aos valores por ela auferidos, que indica se constituírem em recursos subvencionados do Governo do Estado cujo recebimento se deu em razão da criação da Recorrente para fomentar o turismo e cuja transferência de valores ocorreu para fazer face a despesas decorrentes de projetos voltados ao turismo. Dessa forma, entendese que a subvenção tratada neste processo não é de investimento, mas sim uma subvenção corrente ou para custeio, categoria que se inclui dentre os rendimentos tributáveis. Subvenções correntes para custeio são transferências de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála a fazer face ao seu conjunto de despesas, nas suas operações. Tanto é assim que a própria Recorrente afirma ser ela controlada e dependente do ente Estatal. O inciso IV, do art. 44, da Lei nº 4.506/1964 determina o tratamento fiscal que incide sobre os valores auferidos, por pessoa jurídica, a título de subvenções para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais A regra da Lei nº 4.506, de 1964 é a base legal do art. 392, do Regulamento do Imposto de Renda (RIR), aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, abaixo transcrito: Subseção V Fl. 80DF CARF MF Processo nº 11618.721868/201176 Acórdão n.º 1003000.451 S1C0T3 Fl. 7 6 Subvenções e Recuperações de Custo Art.392. Serão computadas na determinação do lucro operacional: I as subvenções correntes para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, inciso IV); II as recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões, quando dedutíveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, inciso III); III as importâncias levantadas das contas vinculadas a que se refere a legislação do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (Lei nº 8.036, de 1990, art. 29). No caso das subvenções de investimento incidem determinadas exigências de natureza contábil, de modo a que o valor subvencionado permaneça no patrimônio da entidade obrigada à implantação ou expansão de empreendimento Solução de Consulta n.º 497 Cosit Fls. 5 5 econômico. A base legal encontrase no § 2º, do art. 38, do Decretolei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, transposta para o art. 443, do RIR/99: Seção IV Subvenções para Investimento e Doações Art.443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38, §2º, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VIII): I registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no art. 545e seus parágrafos; ou II feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. A situação apresentada pela Recorrente neste processo é uma subvenção voltada para a concessão de recursos com o fim de subsidiar despesas correntes ou operacionais da empresa criada, não se enquadrando, portanto, como subvenção para investimento. No Decreto nº 3.779/1975 do Estado da Paraíba, que autoriza a criação da PBTUR (Recorrente) tal questão também se encontra demonstrada no §4º do art. 3º , quando destaca que o Poder Executivo poderá transferir à PBTUR dotações orçamentárias destinadas à restauração e conservação dos bens integralizados ao capital da empresa. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 11618.721868/201176 Acórdão n.º 1003000.451 S1C0T3 Fl. 8 7 Essa conclusão também é possível extrair com base nas declarações da Recorrente em seu recurso voluntário, que informa ser dependente do Ente Público e que, na DIPJ/2011 apresentada pela empresa, não foi informado nenhum valor referente a bens e serviços vendidos, levando, segundo defende a Recorrente, a inexistência de lucro, ou mesmo receita oriunda de venda de bens e serviços. Ora se a empresa não possui receita oriunda do seu objeto social, o recebimento dos valores enviados pelo Estado são para seu custeio. Em razão de todo o exposto, o tratamento dos valores auferidos a título de subvenção não enquadrada como subvenção para investimento é aquele que incide sobre os rendimentos em geral auferidos pela pessoa jurídica, devendo, portanto, tais rendimentos, integrar o resultado. É sabido tratarse de empresa de economia mista cujo objeto é o fomento do turismo no Estado e, por conseguinte, estaria exercendo uma atividade pública. Contudo, o objeto deste processo não está relacionado à eventual imunidade tributária, mas a descumprimento de obrigação acessória a que todas as empresas estão obrigadas. Digno ainda registrar que a Recorrente não contesta a autuação, ela não nega ter atrasado no envio da DIPJ, apenas se opõe quanto ao valor da base de cálculo. Diante do exposto, e das provas constantes no processo, entendo que está correta a base de cálculo utilizada pela fiscalização, por ser fruto de subvenção de custeio ou operacional. Isto posto, voto pela improcedência do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 82DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.920108/2009-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2004
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 2401-006.045
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.901416/2009-35, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
MIRIAM DENISE XAVIER - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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INTEMPESTIVIDADE. É intempestivo o recurso voluntário interposto após o decurso de trinta dias da ciência da decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.901416/200935, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) MIRIAM DENISE XAVIER Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. Ausente a conselheira Marialva de Castro Calabrich Schlucking. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 92 01 08 /2 00 9- 17 Fl. 33DF CARF MF Processo nº 10680.920108/200917 Acórdão n.º 2401006.045 S2C4T1 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401006.041, de 14 de fevereiro de 2019 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10680.901416/200935, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2401006.041 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária "Tratase de Recurso Voluntário. O contribuinte apresentou Declaração de Compensação Eletrônica (DCOMP) para a compensação de crédito de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) com débito de IRRF. Segundo o despacho, foi localizado o pagamento correspondente ao crédito alegado, mas este já havia sido parcialmente usado para a quitação de outros débitos, havendo reduzido saldo disponível para a compensação analisada. Na manifestação de inconformidade, o contribuinte sustentou: a) Correta a compensação do débito efetuada, tendo havido engano no preenchimento da DCTF. b) Após o recebimento do despacho decisório, a impugnante verificou equívoco na DCTF. Esse foi solucionado mediante a entrega de DCTF retificadora. c) Como a compensação de fato ocorreu dentro do prazo legal, data da transmissão da Dcomp, bem como de sua vinculação aos débitos por meio da DCTF pertinente, resta demonstrada a procedência da compensação. Do Acórdão de piso, em síntese, extraemse os seguintes fundamentos: a) Diante do despacho decisório, a DCTF foi retificada reduzindose o débito de IRRF do código 0561 originalmente declarado de tal forma que a diferença a menor entre o novo débito informado e o original é igual ao crédito alegado na declaração de compensação em causa. b) As declarações oportunamente apresentadas presumemse verdadeiras em relação ao declarante (art. 131 do CC e art. 368 do CPC). A presunção de veracidade obriga o declarante a provar o que alega e, na falta de prova, prevalece o teor do documento original. c) Em se tratando de IRRF do código 0561, deviam ter sido trazidos aos autos elementos da escrituração contábil e/ou outros documentos fiscais, trabalhistas e previdenciários a comprovar a remuneração efetivamente paga a seus empregados e quanto de fato lhes foi retido ou não de IRRF. Fl. 34DF CARF MF Processo nº 10680.920108/200917 Acórdão n.º 2401006.045 S2C4T1 Fl. 4 3 d) Não provado o erro, a retificadora não tem nenhuma força de convencimento, sobretudo porque apresentada após a ciência de despacho decisório. As normas da Receita Federal categoricamente estabelecem que a DCTF retificadora não produz efeito, tendo por objeto a alteração de débitos relativos à contribuições e a impostos, quando apresentada após a pessoa jurídica tiver sido intimada de início de procedimento fiscal (IN RFB n° 903, de 2008, art. 11, §§ 1° e 2°; em vigor na data de apresentação da DCTF retificadora). Intimada em 28/03/2011, a empresa interpôs em 04/05/2011 recurso voluntário, em síntese, alegando: a) Não se conformando com o Acórdão, apresenta, no prazo legal, sua manifestação ao CARF 1ª Seção. b) A empresa apresentou DARF e DCTF retificadora como prova por crer serem suficientes para comprovar a existência do crédito. c) Para a comprovação, anexa documentos. Acrescenta que, para fins de baixa, encerrou totalmente seu quadro de funcionários no ano de 2003, tendo em 2004/2005 acertado com seus fornecedores e paralisado suas atividades em 2006 para sanar débitos com órgãos públicos. d) Pede o acolhimento e a conclusão do processo de compensação. O órgão preparador ressaltou que o recurso interposto em 04/05/2011 e veicula preliminar de tempestividade. É o relatório." Fl. 35DF CARF MF Processo nº 10680.920108/200917 Acórdão n.º 2401006.045 S2C4T1 Fl. 5 4 Voto Conselheira MIRIAM DENISE XAVIER Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2401006.041, de 14 de fevereiro de 2019 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10680.901416/200935, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401006.041, de 14 de fevereiro de 2019 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2401006.041 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária "A empresa sustenta a apresentação do recurso voluntário no prazo legal. Considerandose a intimação postal em 28/03/2011 e a interposição em 04/05/2011, o recurso voluntário é intempestivo por extrapolar o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância (Decreto nº 70.235, de 1972, arts. 5° e 33). Isso posto, voto por não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro Relator" Isso posto, voto por não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) MIRIAM DENISE XAVIER Presidente e Relatora Fl. 36DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.900517/2009-25
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
COMPENSAÇÃO. PERDCOMP. LIQUIDEZ E CERTEZA. CRÉDITO DISPONÍVEL.
A DIPJ - Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica tem caráter meramente informativo e não se presta à comprovação da existência e liquidez de indébito tributário, nos termos no art. 170 do CTN. O reconhecimento de direito credito creditório dá-se por meio de documentação hábil e idônea, conforme prevê a legislação de regência.
Numero da decisão: 1003-000.526
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Ausente justificadamente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: MAURITANIA ELVIRA DE SOUSA MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 COMPENSAÇÃO. PERDCOMP. LIQUIDEZ E CERTEZA. CRÉDITO DISPONÍVEL. A DIPJ - Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica tem caráter meramente informativo e não se presta à comprovação da existência e liquidez de indébito tributário, nos termos no art. 170 do CTN. O reconhecimento de direito credito creditório dá-se por meio de documentação hábil e idônea, conforme prevê a legislação de regência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Ausente justificadamente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. PERDCOMP. LIQUIDEZ E CERTEZA. CRÉDITO DISPONÍVEL. A DIPJ Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica tem caráter meramente informativo e não se presta à comprovação da existência e liquidez de indébito tributário, nos termos no art. 170 do CTN. O reconhecimento de direito credito creditório dáse por meio de documentação hábil e idônea, conforme prevê a legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 05 17 /2 00 9- 25 Fl. 73DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça. Ausente justificadamente o Conselheiro Wilson Kazumi Nakayama. Relatório Tratase de recurso voluntário contra Acórdão de 1237.492, proferido pela 9ª Turma da DRJ/RJ1, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Recorrente, não homologando a compensação declarada. Analisando os autos, verificase que a Recorrente efetuou a transmissão do PER/DCOMP de nº 17537.96488.310105.1.045326 (fls. 01 a 06) em que informou possuir crédito oriundo de pagamento indevido de IRPJ (lucro presumido), relativo ao 3º trimestre de 2003, no montante de R$ 8.841, 78, que fora utilizado na compensação de débito fiscal próprio. As informações relativas ao suposto direito creditório foram analisadas e concluiuse pelo indeferimento do pedido inexistência do crédito, mediante o Despacho exarado eletronicamente, (fls. 07), em que constou: Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 8.841,78 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a Recorrente apresentou a Manifestação de Inconformidade, fls. 09/10, procurando demonstrar a origem do crédito (8.841,78). Alegou que o IRPJ recolhido em 31/10/2003, no valor de R$ 195.687,73, foi a maior (conforme consta na DCTF), já que o imposto efetivamente devido era de R$ 186.845,94, conforme, supostamente, demonstrado pela juntada DIPJ correspondente (DIPJ 2004 Anocalendário 2003 ficha 14A. Por sua vez, a 9ª Turma da DRJ/DRJ/RJ1, ao apreciar a dita Manifestação de Inconformidade, entendeu por bem julgála improcedente e manter o despacho decisório Referido acórdão da DRJ restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. IMPOSTO DE RENDA. PAGAMENTO INDEVIDO. Dispensado de ementa consoante a Portaria SRF nº1.364, de 10/11/2004. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 74DF CARF MF Processo nº 11020.900517/200925 Acórdão n.º 1003000.526 S1C0T3 Fl. 3 3 Inconformada, a Recorrente apresentou o Recurso Voluntário, reproduzindo os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade outrora ofertada no sentido de supostamente estaria demonstrada a ocorrência de pagamento a maior de IRPJ (no valor de R$ 8.841,78 decorrente da diferença entre o valor pago (R$ 195.687,73) e aquele efetivamente devido constante na DIPJ 2004 (IRPJ 3º TRIM/03: 186.845,94), conforme DARF juntado, cujo pagamento se deu em 31/10/2003. É o relatório. Voto Conselheira Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. Compulsando os autos, verifico que o recurso voluntário é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade previstos nas normas de regência, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciálo. O recurso voluntário interposto, portanto, atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235/72. Assim, dele tomo conhecimento ante sua tempestividade. Em suas razões recursais, a Recorrente, basicamente, reproduziu os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade na tentativa frustrada de comprovar o suposto direito creditório. Como bem consta no acórdão recorrido, o qual não merece reforma, do exame dos argumentos delineados e das cópias acostadas aos autos, a Recorrente não logrou êxito em comprovar documentalmente o direito creditório alegado, já incumbelhe o ônus probatório. Contudo, alega a Recorrente que a DIPJ 2004, mais precisamente na sua ficha 14A, demonstra que o imposto a pagar, relativamente ao 3º trimestre/2003, foi de R$ 186.845,94, enquanto o efetivamente devido seria de R$ 195.687,73, conforme DCTF. Fl. 75DF CARF MF 4 Em seu favor, a Recorrente argumenta, que a DIPJ consolida os valores apurados e serve como prova do ora alegado, ou seja, da origem do crédito utilizado para compensação no PER/DCOMP. Discordo da Recorrente e ressalto que a DIPJ Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica tem caráter meramente informativo (Súmula CARF nº 92) e que a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF é que, de fato, tem o caráter de confissão de dívida. Esse, inclusive, há muito é o entendimento deste Tribunal: DIPJ EFEITOS. A DIPJ é meramente informativa, não constituindo confissão de divida, nem instrumento hábil e suficiente para exigência do crédito tributário que, não sendo declarado em DCTF, deve ser constituído por lançamento de ofício. DIPJ. ERRO NO PREENCHIMENTO. RETIFICAÇÃO. Incabível a retificação de valores declarados, quando não são trazidos a colação elementos que permitam a sua apuração. Recurso improvido." (Acórdão 10322990, de 25/04/2007 Publicado no D.O. U. no 167 de 29/08/2007) (destacouse) Claro está que a Recorrente não juntou aos autos documentos hábeis e idôneos suficientes para comprovar o suposto crédito utilizado na compensação declarada. Perfilho, pois, o entendimento da DRJ de que a Recorrente não demonstrou, documentalmente, a existência do suposto direito creditório, a quem cabe o ônus da prova e cuja comprovação poderia ter sido efetuada durante todo litígio administrativo. Ratificase o antes noticiado: é do contribuinte o ônus de instruir os autos com documentos hábeis e idôneos que justifiquem a retificação das informações e não apenas juntar aos autos cópia da declaração retificada. Nesse sentido também vale destacar o disposto no art. o art. 195 do Código Tributário Nacional e o art. 4º do DecretoLei nº 486, de 03 de março de 1969, que preveem, em última análise, "que os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram Fl. 76DF CARF MF Processo nº 11020.900517/200925 Acórdão n.º 1003000.526 S1C0T3 Fl. 4 5 Ora, levandose em conta que o crédito oferecido à compensação deve ser líquido e certo (art. 170 do CTN1), concluise que não deve Secretaria da Receita Federal homologar a compensação se ficar configurada a falta de certeza e liquidez, como de fato ocorreu in casu, notadamente com base em informações prestadas pelo próprio contribuinte em declarações ou demonstrativos por ele entregues. Em suma, o crédito usado em compensação deve estar disponível na data da transmissão da PERDCOMP, ou seja, o crédito deve ser líquido e certo naquele momento, fato que não se deu no presente caso, pois, de acordo com os documentos que instruem os autos, não é possível a comprovação do crédito pleiteado, nem tampouco homologação da declaração de compensação efetuada. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo o não reconhecimento do direito creditório em questão, e, por conseguinte, a não homologação da compensação pleiteada. (assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Fl. 77DF CARF MF
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Numero do processo: 13986.000025/2006-11
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. VINCULAÇÃO.
Conforme decidido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, de caráter vinculante para o CARF, na aplicação da legislação de PIS/Cofins o conceito de insumo deve ser aferido à luz do critério da: i) essencialidade, por se constituir elemento estrutural e inseparável do processo produtivo, cuja subtração importa na impossibilidade de produção do bem ou, ao menos, em substancial perda da sua qualidade; e ii) relevância, por sua importância na cadeia produtiva ou por imposição legal.
CONCEITO DE INSUMO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE, PLÁSTICO BOLHA, ETIQUETAS. CREDITAMENTO. VEDAÇÃO.
As despesas na aquisição de embalagem, plástico bolha, etiqueta e outros itens semelhantes utilizados como embalagem para transporte do produto acabado não se enquadram no conceito de insumo.
CONCEITO DE INSUMO. PNEUS PARA TRATORES E MÁQUINAS AGRÍCOLAS. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE.
É possível o creditamento com as despesas de aquisição de pneus de tratores e/ou outros tipos de máquinas agrícolas por empresa que tenha por atividade a produção agrícola.
DESPESAS COM TRANSPORTE DE FUNCIONÁRIOS E DOCUMENTOS. CREDITAMENTO. VEDAÇÃO.
As despesas com transporte de funcionários, de documentos, de equipamentos para conserto não são passíveis de serem creditadas por não se enquadrarem nem no conceito de insumo, nem no conceito de frete em operação de venda.
DESPESAS COM TRANSPORTE DE MAÇÃ DO POMAR PARA A SEDE. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE.
É possível o creditamento das despesas de transporte de maçã do pomar até a sede, onde será armazenada, por empresa que tenha por atividade a produção agrícola.
RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia ressarcimento, restituição ou compensação.
Numero da decisão: 3002-000.624
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reverter as glosas relativas a: frete no transporte de maçã dos pomares para a sede da empresa em Videira/SC; nota fiscal nº 586, de transporte de material de irrigação; e aquisição de pneus de tratores e/ou de outras máquinas agrícolas Deram provimento em maior extensão a conselheira Maria Eduarda Câmara Simões, para reverter as glosas de embalagens de transporte, e o conselheiro Alan Tavora Nem, para reverter as glosas de embalagens de transporte, excetuando-se os pallets.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Larissa Nunes Girard (Presidente).
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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RESSARCIMENTO. Recorrente AGRÍCOLA FRAIBURGO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. VINCULAÇÃO. Conforme decidido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, de caráter vinculante para o CARF, na aplicação da legislação de PIS/Cofins o conceito de insumo deve ser aferido à luz do critério da: i) essencialidade, por se constituir elemento estrutural e inseparável do processo produtivo, cuja subtração importa na impossibilidade de produção do bem ou, ao menos, em substancial perda da sua qualidade; e ii) relevância, por sua importância na cadeia produtiva ou por imposição legal. CONCEITO DE INSUMO. EMBALAGEM DE TRANSPORTE, PLÁSTICO BOLHA, ETIQUETAS. CREDITAMENTO. VEDAÇÃO. As despesas na aquisição de embalagem, plástico bolha, etiqueta e outros itens semelhantes utilizados como embalagem para transporte do produto acabado não se enquadram no conceito de insumo. CONCEITO DE INSUMO. PNEUS PARA TRATORES E MÁQUINAS AGRÍCOLAS. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. É possível o creditamento com as despesas de aquisição de pneus de tratores e/ou outros tipos de máquinas agrícolas por empresa que tenha por atividade a produção agrícola. DESPESAS COM TRANSPORTE DE FUNCIONÁRIOS E DOCUMENTOS. CREDITAMENTO. VEDAÇÃO. As despesas com transporte de funcionários, de documentos, de equipamentos para conserto não são passíveis de serem creditadas por não se enquadrarem nem no conceito de insumo, nem no conceito de frete em operação de venda. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 6. 00 00 25 /2 00 6- 11 Fl. 1224DF CARF MF Processo nº 13986.000025/200611 Acórdão n.º 3002000.624 S3C0T2 Fl. 1.225 2 DESPESAS COM TRANSPORTE DE MAÇÃ DO POMAR PARA A SEDE. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. É possível o creditamento das despesas de transporte de maçã do pomar até a sede, onde será armazenada, por empresa que tenha por atividade a produção agrícola. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia ressarcimento, restituição ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reverter as glosas relativas a: frete no transporte de maçã dos pomares para a sede da empresa em Videira/SC; nota fiscal nº 586, de transporte de material de irrigação; e aquisição de pneus de tratores e/ou de outras máquinas agrícolas Deram provimento em maior extensão a conselheira Maria Eduarda Câmara Simões, para reverter as glosas de embalagens de transporte, e o conselheiro Alan Tavora Nem, para reverter as glosas de embalagens de transporte, excetuandose os pallets. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Larissa Nunes Girard (Presidente). Relatório Trata o processo de pedido de ressarcimento de PIS/Pasep – Mercado Interno, com fundamento no art. 17 da Lei nº 11.033/2005, no valor de R$ 19.530,15, relativo ao 4º trimestre/2005, apresentado por meio de formulário e instruído com planilha de cálculo do crédito de PIS/Pasep, cópias de notas fiscais de entrada e de saída, do livros registro de entradas, registro de saídas, diário e razão, do Dacon e da DCTF (fls. 3 a 822). Informou que se enquadrava como pessoa jurídica com receita de exportação e utilizava o método de rateio proporcional para apropriar os créditos relativos à exportação e ao mercado interno. Por meio de Despacho Decisório e Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal às fls. 835 a 862, a Delegacia da Receita Federal em Joaçaba decidiu pelo deferimento parcial, reconhecendo o direito creditório no valor de R$ 8.770,00, em decorrência da glosa dos gastos relacionados com a) embalagens destinadas somente ao transporte de produtos industrializados; b) fretes na aquisição de produtos e no transporte de funcionários, documentos e produtos entre matriz e filial, entre outros; c) aquisição de combustíveis e/ou lubrificantes; d) encargos com depreciação de máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado. Fl. 1225DF CARF MF Processo nº 13986.000025/200611 Acórdão n.º 3002000.624 S3C0T2 Fl. 1.226 3 A partir deste ponto transcrevo o relatório da Resolução nº 3801000.741, por bem descrever os fatos: 2.1. A Recorrente defendese alegando que esses serviços são insumo de seu produto final destinado à venda, se referindo assim ao inciso IX do artigo 3° da Lei n.° 10.833/2003: O que podemos extrair desse inciso, é que também, quando o vendedor suportar o ônus do frete, quando da venda de seus produtos, também poderá apropriar o crédito, porém, essa é mais uma opção de crédito, e não pode ser entendido como uma restrição em relação aos serviço utilizados como insumos. Assim, se para aquisição de determinado insumo para a fabricação/produção do produto é necessário o desembolso com o frete, este está também amparado pelo direito ao crédito. Da mesma forma, se para a fabricação / produção do produto, é necessário a utilização de serviços correspondentes esse também está amparado pelo direito ao crédito, entre eles: fretes pagos com o transporte dos funcionários que fazem a colheita da maçã. fretes pagos de produtos (insumos) entre matriz e filiais, entre outros. Como os locais de produção, são distantes entre um e outro local, é necessário o pagamento de frete para o transporte dos produtos (insumos) que estão em estoque para o local de produção, a ser utilizado na formação do produto destinado à venda. Alega, além disso, que existem inúmeras soluções de consulta da RFB que dão suporte ao seu entendimento. 3. aquisição de combustíveis e lubrificantes não caracterizados como insumos no processo produtivo, com o argumento de que os lubrificantes consumidos por diversos automóveis da contribuinte, bem como às aquisições de tintas, tinner, pneus e remédios, só dariam direito ao creditamento se fossem aplicados diretamente no cultivo da maçã: Conforme os dispositivos regulamentares citados, no que interessa a este processo, porquanto o contribuinte é pessoa jurídica que tem como atividade' o "cultivo de maçã", obtémse que dão direito a crédito os bens e serviços utilizados como insumos no cultivo (fabricação) dos mesmos. 3.1. A Recorrente aponta em defesa que esses também são insumos de sua produção: Mesmo porquê, sendo a atividade da requerente/ contribuinte, o cultivo de maçã, é necessário a preparação do solo, a preparação da terra, drenagem, entre outras atividades, para a garantia da formação e produção do produto, sendo necessário utilizarse de máquinas e outros Equipamentos movidos a combustíveis e lubrificantes para a fabricação ou produção do produto da venda. Fl. 1226DF CARF MF Processo nº 13986.000025/200611 Acórdão n.º 3002000.624 S3C0T2 Fl. 1.227 4 4. da depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, por entenderem que esses ativos não são utilizados na produção de bens destinados à venda, no caso específico a produção de maçã", assim se expressando: No período, a partir de 01/08/2004, somente geram direito a crédito os encargos de depreciação dos bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços adquiridos a partir de 01/05/2004 , conforme art. 31, da lei n° 10.865/2004. Opcionalmente, o contribuinte poderá calcular o crédito de que trata o inciso III do § 1º, do art. 3°, da lei n° 10.833/2003, relativo à aquisição de máquinas e equipamentos destinados ao ativo imobilizado, no prazo de 4 (quatro) anos, mediante a aplicação, a cada mês, das alíquotas referidas no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor correspondente a 1/48 (um quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem, de acordo com regulamentação da Secretaria da Receita Federal. Todavia, foi verificado o creditamento e encargos de depreciação/amortização sobre máquinas e equipamentos que não são utilizados na produção de bens destinados à venda, no caso específico a produção de maçã, neste caso são outros bens incorporados ao ativo imobilizado não ligados diretamente a produção, razão pela qual efetuouse a glosa dos bens relacionados no anexo I. Conforme consta do referido anexo os referidos bens são carretão c/ rolete para transporte de maçãs, registrador eletrônico de temperatura (câmaras frigoríficas, bombas, condicionadores de ar, máquinas e equipamentos de escritório (computadores e calculadoras), e seladoras, entre outros. 4.1. A Recorrente defende que esses bens fazem parte de seu processo produtivo, sendo legalmente autorizada a aproveitar esses créditos. A DRJ de Florianópolis/SC julgou improcedente a manifestação de inconformidade da Contribuinte com base na seguinte ementa: Assunto: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. As diligências, passíveis de serem promovidas em sede de Fl. 1227DF CARF MF Processo nº 13986.000025/200611 Acórdão n.º 3002000.624 S3C0T2 Fl. 1.228 5 julgamento administrativo, não se destinam a suprir a omissão na produção da prova por parte daquele a quem tal ônus incumbia, mas apenas à dirimição de dúvidas pontuais acerca dos elementos de prova trazidos aos autos. Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o materiais de embalagem e quaisquer outros bens que sofrem., alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda. de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM FRETES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade, as aquisições de serviços de frete que: estejam relacionados à aquisição de bens para revenda; sejam tidos como um serviço utilizado como insumo na prestação de serviço ou na produção de um bem; estejam associadas à operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade, as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Fl. 1228DF CARF MF Processo nº 13986.000025/200611 Acórdão n.º 3002000.624 S3C0T2 Fl. 1.229 6 Apenas os bens do ativo permanente que estejam diretamente associados ao processo produtivo é que geram direito a crédito, a título de depreciação, no âmbito do regime da não cumulatividade. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. MÉTODO DE RATEIO PROPORCIONAL PARA ATRIBUIÇÃO DE CRÉDITOS. O percentual a ser estabelecido entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, para aplicação do rateio proporcional previsto para a apuração de créditos da contribuição referente a custos, despesas e encargos comuns, deve ser aquele resultante do somatório somente das receitas que, efetivamente, foram incluídas nas bases de cálculo de incidências e recolhimentos nos regimes da nãocumulatividade e da cumulatividade. Solicitação Indeferida. A Recorrente apresenta o presente recurso voluntário apontando como argumentos, além dos ante apontados, que o rateio proporcional não foi objeto da manifestação de inconformidade, e que não se quedou a apresentar documentos que comprovassem seu crédito, apenas não foi instada a fazêlo nos termos da IN n.º 600/2005, que quando regularmente intimada, a contribuinte apresentou composição de todos os créditos apurados.nota a nota, tanto é que o auditor fiscal em sua análise, pôde quantificar o que iria deferir e o que não seria deferido. Salientase que a intimação enviada pela Delegacia da Receita Federal em Joaçaba ao contribuinte foi totalmente cumprida pelo contribuinte. tanto é que no Despacho Decisório o auditor fiscal não se decidiu pelo indeferimento parcial por falta de documentos ou provas, muito pelo contrário, com os documentos e provas apresentados o auditor fiscal quantificou conforme o entendimento do mesmo do que seria ou não de direito de crédito ao contribuinte. No julgamento em segunda instância resolveuse pela diligência, determinada por meio da Resolução nº 3801000.741 nos seguintes termos (fls. 1.005 a 1.017): 1. Intime a Recorrente para que, no prazo de 60 dias: 1.1. Apresente pormenorizadamente uma descrição do seu processo produtivo apontado justificativa para o aproveitamento de cada um dos insumos que foram glosados. 1.2. Junte aos autos notas fiscais representativas das aquisições de embalagens informando se as mesmas tem natureza “oneway” (não retornáveis). 1.3. Aponte, com base no processo produtivo apresentado e com base nas glosas realizadas nos itens 2, 3 e 4 do relatório supra, em que situação são utilizados os equipamentos, serviços e combustíveis e lubrificantes ali informados. Fl. 1229DF CARF MF Processo nº 13986.000025/200611 Acórdão n.º 3002000.624 S3C0T2 Fl. 1.230 7 2. Proceda a autoridade o exame dos elementos apresentados pela Recorrente, inclusive mediante diligência aos locais de produção, se necessário, para confirmar a veracidade das informações prestadas. 3. Havendo alguma divergência intimar a Contribuinte para se manifestar no prazo de 15 dias. 4. Retornar esse processo para o CARF para julgamento. A recorrente atendeu à intimação, apresentando esclarecimentos e os documentos que se encontram às fls. 1.029 a 1.170. A DRF/Joaçaba emitiu a Informação Fiscal nº 100/2018 (fls. 1.173 a 1.189), por meio da qual apresentou o resultado do exame da nova documentação acostada aos autos, que não resultou, entretanto, em alteração da posição em que direito creditório no montante de R$ R$ 8.770,00. Na sequência, deuse ciência ao contribuinte, que apresentou manifestação tempestiva sobre a Informação Fiscal nº 100/2018, ressalvando seu direito de vir a apresentar Recurso Especial (fls. 1.197 a 1.220). É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. A discussão que chega a este Colegiado diz respeito à definição das despesas que podem ser consideradas insumo, para fins de creditamento na apuração do PIS/Pasep no regime nãocumulativo. A partir da decisão prolatada pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, fica este Conselho vinculado à aplicação do conceito de insumo ali definido, uma vez tratarse de decisão definitiva em julgamento na sistemática dos Recursos Repetitivos. Assim, no tratamento da matéria deve ser adotado o seguinte entendimento, na forma como expresso na ementa: b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. (grifado) Fl. 1230DF CARF MF Processo nº 13986.000025/200611 Acórdão n.º 3002000.624 S3C0T2 Fl. 1.231 8 Entretanto, para viabilizar a aplicação desse conceito, que carece de alguma objetividade, fazse necessário trazer as razões de decidir, extraídas do voto da Ministra Regina Helena Costa e adotadas pelo Ministro Relator como suas: Demarcadas tais premissas, temse que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciandose, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Desse modo, sob essa perspectiva, o critério da relevância revelase mais abrangente do que o da pertinência. ........................................................................................................ Como visto, consoante os critérios da essencialidade e relevância, acolhidos pela jurisprudência desta Corte e adotados pelo CARF, há que se analisar, casuisticamente, se o que se pretende seja considerado insumo é essencial ou de relevância para o processo produtivo ou à atividade desenvolvida pela empresa.(grifado) Ainda nesta busca de um contorno mais preciso dos parâmetros a serem adotados na análise da matéria, trago a idéia da subtração, na forma como posta no julgamento do REsp nº 1.246.317/MG pelo Ministro Mauro Campbell Marques, como método para se testar o critério da essencialidade no caso concreto, já que no trecho acima é abordada de passagem. A ver: 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. (grifado) Um outro aspecto que deve ser apontado neste preâmbulo diz respeito aos embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional, que já tiveram o provimento negado pelo Tribunal Superior, por não ter sido a questão suscitada anteriormente. Tais Fl. 1231DF CARF MF Processo nº 13986.000025/200611 Acórdão n.º 3002000.624 S3C0T2 Fl. 1.232 9 embargos visavam ao esclarecimento sobre a possibilidade de se tratar como insumos as despesas cujo creditamento é expressamente vedado pela legislação. Diante da não manifestação do STJ sobre esse aspecto, devo externar a minha interpretação. Cabe ressaltar, inicialmente, que toda a discussão sobre o conceito de insumo restringese à hipótese prevista no inciso II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e nº 10.833/2003. Como decorrência, nos casos em que o creditamento foi tratado de forma apartada, em inciso específico, como energia elétrica ou transporte, por exemplo, não cabe discutilos como se insumos fossem nem, menos ainda, trazer os aspectos de essencialidade e relevância para fins de sua definição. Da mesma forma, naqueles casos em que é expressamente vedado em lei o desconto de créditos, não cabe a tentativa de introduzilo por meio de argumentos que demonstrem sua essencialidade ou relevância, como se insumos fossem. Essencialidade e relevância são critérios para insumo, apenas. Dessa forma, podemos resumir que o conceito de insumo a ser adotado neste voto será aferido a partir dos critérios de i) essencialidade, assim considerada pela sua imprescindibilidade, por constituir elemento estrutural e inseparável do processo produtivo e cuja subtração importe na impossibilidade da prestação do serviço ou da produção do bem ou, ao menos, em substancial perda de qualidade do produto ou serviço; e ii) relevância, assim considerada por sua importância ou, mesmo quando não seja essencial, por integrar o processo de produção pela singularidade da cadeia produtiva ou por imposição legal. Para além desses dois critérios, temos as hipóteses expressas de permissão ou de vedação ao creditamento, situações em que determinada despesa não pode ser tratada como insumo, ainda que eventualmente se enquadrasse no conceito. Nesses casos, o legislador destacou um tratamento específico, seja porque não se trata de insumo, mas é possível o creditamento sob determinadas condições (a ver, por exemplo, os demais incisos do art. 3º da Lei nº 10.637/2002), seja porque é vedado o creditamento, ainda que a despesa se enquadre no conceito de insumo (por exemplo, as hipóteses dos §§ 2º e 3º do art. 3º). Por fim, a aferição do atendimento à condição para ser considerado insumo deve ser feita casuisticamente, a partir da análise do processo produtivo ou da atividade desenvolvida pela empresa. Vale ressaltar que, em respeito ao texto legal, entendo que somente pode ser considerado insumo o que foi utilizado para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços, sendo inapropriado enquadrar neste inciso II os itens utilizados após concluído o processo produtivo, ou após concluída a prestação do serviço. Esclarecidas as premissas adotadas, partese para a análise do caso concreto. Relembremos que o contribuinte é um produtor de maçãs. Segundo o dossiê por ele apresentado, seu processo produtivo consistiria, grosso modo, de três etapas: implantação das macieiras (formação da muda, condução do terreno e outros), safra (cultivo, tratamento, poda e colheita) e packing house (armazenamento, classificação, embalagem e expedição). Ele destaca que a fase de packing house é o principal objeto do dossiê, em vista das maiores glosas terem ocorrido em relação a essa fase. 1. Embalagens destinadas somente ao transporte dos produtos Segundo o Termo de Verificação (fl. 840), esta glosa contempla tampa de papelão exportação, fundo de papelão, plástico bolha, palete de madeira, saco plástico, bandeja plástica, cola e fita, entre outros, utilizados para o mero transporte da maçã colhida, hipótese Fl. 1232DF CARF MF Processo nº 13986.000025/200611 Acórdão n.º 3002000.624 S3C0T2 Fl. 1.233 10 em que uma embalagem não pode ser considerada insumo, em contraposição à embalagem de apresentação, que seria permitida pela legislação do IPI, pois é incorporada ao produto durante o processo de fabricação, entendimento ratificado no julgamento de primeira instância. Ainda sobre este item, de acordo com a Informação Fiscal nº 100/2018 (fls. 1.173 a 1.189), produzida a partir da diligência determinada pelo Carf, a demonstração de que parte das embalagens glosadas são do tipo oneway, ou seja, não retornáveis, não alterou o entendimento da unidade de origem em relação à impossibilidade de apropriação do crédito. A recorrente, por sua vez, defende inicialmente que tais embalagens têm objetivo promocional, além de visar à proteção da fruta, pois comercializam produto conhecido tanto no mercado interno como externo. Além disso, a própria legislação trata a embalagem como insumo, seja por meio da Instrução Normativa SRF nº 404/2004, sem fazer qualquer diferenciação entre tipo de embalagem, seja pelo Regulamento do IPI. No Dossiê apresentado por solicitação na diligência (fls. 1.060 a 1.170), o contribuinte informa, em síntese, que, após a préclassificação, os frutos ficam armazenados para posterior embalagem para venda; que o encaixotamento é parte do processo de produção; e que a linha de embalagem é o processo final de classificação e aperfeiçoamento do fruto, fase em que os produtos serão colocados nas bandejas de papelão, as bandejas em caixas, aplicado o plástico bolha, tampas, etiquetagem, paletização, amarração com cantoneiras, fitas e novamente levados para câmaras frias, onde vão aguardar a expedição. Destaca que as caixas de papelão, que geram o maior crédito de PIS/Cofins, foram glosadas e que todo o processo é essencial para a separação do produto por categoria e por mercado. Entendo que não cabe razão à recorrente neste ponto, mas não pela fundamentação utilizada anteriormente, com a qual também não concordo. Considero que na conceituação de insumo pelo STJ adotouse um caminho, similar ao que prepondera no Carf, de que este conceito deve ser encontrado à luz da legislação própria de PIS e de Cofins, sem transpor definições e características do IPI ou do IRPJ. Se assim é definido, tal conduta deve ser adotada integralmente, não cabendo descartar a parte da legislação que não interessa (a exigência do contato entre a matériaprima e o produto final no IPI), para manter apenas o que convém (dar à embalagem o tratamento de matériaprima). Insumo, no sentido mais simples e básico, seria aquilo que é necessário para produzir um bem. Tendo isso em mente, tratar a aplicação de embalagem como processo de industrialização e, por decorrência, considerar embalagem como equivalente a uma matéria prima ou a um produto intermediário é uma liberalidade possível para o legislador, que entendeu conveniente fazêlo para os propósitos do IPI – mas não é um entendimento razoável ou lógico fora da tributação. Portanto, tenho que essa criação legislativa é específica para esse imposto e não pode ser transplantada para PIS/Cofins, cabendo ao julgador encontrar o sentido de insumo com base no disposto na legislação específica das Contribuições e no que foi decidido pelo STJ. Nosso produto final é a maçã. Diante desse fato, e sem recorrer à legislação de IPI, não vejo como seria possível considerar uma tampa de papelão ou um plástico bolha como insumo de uma maçã. Não há dúvida de que os itens glosados neste tópico são relevantes para a proteção e o transporte do produto, assim como úteis para a classificação e separação da mercadoria, mas não compõem o processo produtivo, pois incorporados após a maçã estar Fl. 1233DF CARF MF Processo nº 13986.000025/200611 Acórdão n.º 3002000.624 S3C0T2 Fl. 1.234 11 produzida. Para ser considerado insumo, deve o item atender simultaneamente aos critérios de relevância e de participação no processo produtivo. Por esses motivos, entendo que a glosa às embalagens deve ser mantida. 2. Fretes na aquisição de produtos e no transporte de funcionários, documentos e produtos entre matriz e filial, entre outros Segundo a fiscalização (fls. 842 a 845), cabe o creditamento para o frete desde que suportado pelo vendedor em operação de venda (inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833/2003, aplicada ao PIS) ou quando seja insumo (inciso II do art. 3º), não gerando crédito qualquer despesa de transporte, ainda que necessária para a atividade da empresa. Dessa forma, foram glosados as despesas com fretes na aquisição de produtos, transporte de funcionários, transporte de documentos, transporte de produtos entre matriz e filial, entre outros. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte defende, basicamente, que os gastos com transporte devem ser tratados como insumo (inciso II do art. 3º), e não como frete, inciso IX (fls. 874 a 880). A DRJ apontou inicialmente que concordava parcialmente com as glosas, tendo por base que fretes com transporte de funcionários e de documentos não geravam direito a crédito porque não vinculados ao processo produtivo, mas que o frete na aquisição de produtos e de transporte de produtos entre matriz e filial permitiriam descontar créditos, em tese. Todavia, negou provimento também neste ponto porque o contribuinte incluiu nessa rubrica diversos fretes cujo creditamento não seria cabível, como transportes diversos (genérico), fretes de envelopes/documentos/malote, transporte de impressora para conserto, transporte de equipamentos diversos (genérico), entre outros, sendo que, após intimado a apresentar a listagem de notas fiscais com as devidas explicações, não providenciou a informação demandada. Em suma, neste quesito a DRJ manteve a glosa porque as informações eram inconclusivas ou porque apontavam para fretes não aptos à geração de créditos. Da diligência não vieram muitos esclarecimentos a respeito deste tópico. Transcrevo dois trechos da Informação Fiscal nº 100/2018 que entendo relevantes: Um dos pontos mais controversos em relação a apropriação de crédito de PIS/COFINS não cumulativo, diz respeito, ao frete entre estabelecimentos da mesma empresa, em virtude do processo produtivo, por exemplo, o envio da maçã de um ponto de coleta para unidade de processamento e resfriamento. Tal vedação decorre do fato que referidas despesas não se constituem em insumos utilizados na produção de bens destinados à venda e nem tampouco a fretes na operação de venda de mercadorias. ........................................................................................................ Conforme arquivo digital apresentado, a descrição do transporte foi genérica e imprecisa, como: transportes diversos. Neste sentido, a correta relação/identificação do transporte com o produto/insumo adquirido e, por consequência, a pertinência com a apropriação do crédito, não foi apresentada, quando da fiscalização e, nem tampouco, em resposta a presente Fl. 1234DF CARF MF Processo nº 13986.000025/200611 Acórdão n.º 3002000.624 S3C0T2 Fl. 1.235 12 diligência. Por esse motivo, não houve alteração em relação aos valores glosados. Já em relação a outros transportes identificados como: Transporte de documentos (compra de frutas), transporte de documentos (Vacaria), frete Vacaria a Fraiburgo, transporte aéreo, caminhão para transportar produtos e materiais dvs, caminhão para transporte de rolo compactador da FI, serviço malote (diretoria), entre outros, não atendem aos requisitos da legislação para apropriação do crédito, não ensejando, portanto, direito ao crédito de PIS/COFINS não cumulativo. Transcrevo a manifestação do contribuinte na diligência (fl. 1.164): Nesse sentido quando assumese o custo do frete, que está vinculado aos insumos que serão aplicados na produção, gera se a possibilidade de aproveitamento dos Créditos de PIS e COFINS além dos referidos insumos, também o do frete necessário para o transporte do insumo até as dependências da empresa. Portanto, os insumos como fretes estão em várias fases do processo produtivo, desde as compras para produção da fruta no campo, compras para manutenções no Packing House, compras de embalagens, compras de imobilizados, compras de combustíveis e lubrificantes, compras de materiais diversos e outros, transferência da produção de maçã do pomar até o local de armazenagem, onde devido a estarem vinculados aos insumos principais possibilitam os créditos de PIS e COFINS, e sem o serviço de transporte contratado, não há como a empresa receber em seu estabelecimento os insumos ou produtos. Pelo exposto, requerse a manutenção dos créditos apropriados pela Recorrente. (grifado) Como bem apontado pela DRJ e pela fiscalização, diante de uma explicação genérica, à base de exemplos, e não de esclarecimento e demonstração sobre cada nota fiscal glosada, fica difícil dar razão ao contribuinte. A consulta à tabela constante às fls. 843 a 845 do Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal nos mostra que o item mais frequente são os “transportes diversos”. Entretanto, tenho uma divergência, em tese, quanto ao transporte da maçã do pomar para a armazenagem pois, dadas as características desta atividade produtiva, que se dá ao ar livre, levar a fruta do campo para dentro de uma edificação me pareceria o mínimo para se entender o produto como “finalizado”, “entregue”. E me parece que há esclarecimentos sobre este ponto trazidas na diligência, embora em outro tópico (depreciação do ativo imobilizado). Lá se explica que o contribuinte possui 4 pólos produtivos (pomares) e 1 pólo de processamento de frutas, que é a sede da empresa. Assim, os transportes realizados de Vacaria/RS, Urupema/SC, Àgua Doce/SC e Fraiburgo/SC para a sede, em Videira/SC, seriam passíveis de desconto, se as notas permitirem a identificação dessas operações. Além disso, a leitura da tabela juntada ao TVF, mostra a existência de uma nota fiscal que entendo estar inequivocamente relacionada com o processo produtivo e ser relevante, que é o transporte do material de irrigação. Fl. 1235DF CARF MF Processo nº 13986.000025/200611 Acórdão n.º 3002000.624 S3C0T2 Fl. 1.236 13 Por esse motivo, afasto a glosa apenas em relação aos transportes de maçã dos pomares até a sede em Videira/SC e em relação à nota abaixo, mantendo as demais por ausência de demonstração do direito. CFOP Data Emissão NF Nome Fornecedor Descrição Mercadoria Valor 1352 07/12/2005 586 Cineara Transportes Ltda Transporte de material completo de irrigação de V 1.300,00 3. Aquisição de combustíveis e/ou lubrificantes Quanto a este item, a DRF/Joaçaba reconhece a possibilidade de creditamento de gastos com combustíveis e/ou lubrificantes utilizados como insumo no cultivo de maçã, mas em duas situações efetuou glosa: a) despesas com gasolina e lubrificantes utilizados em automóveis (não utilizados no processo produtivo); e b) outros produtos colocados na rubrica “despesas com combustíveis e/ou lubrificantes”, mas que não correspondem ao título, como pneus, autopeças, serviço de manutenção de ônibus, serviço de mecânica, remédios, glicerina, tinta, tinner, cola plástica, cimento e botijões de gás. Tal entendimento foi confirmado pela DRJ, na primeira situação, pelo fato de a quase totalidade das aquisições de gasolina ter sido efetuada nos postos da cidade para o abastecimento de automóveis e, na segunda, por não se tratar sequer de combustível ou lubrificante. Transcrevo do acórdão recorrido o seguinte trecho: O que importa ressaltar é que a contribuinte, regularmente intimada a apresentar listagem das notas fiscais relativas aos créditoss e cópias de seus registros contábeis, o fez não ofertando elementos suficientes à minudente identificação da natureza de cada operação. A descrição das aquisições de combustiveis e lubrificantes, constante dos documentos encaminhados pela contribuinte e transcrita as planilhas às folhas 851 a 856, é, no mais das vezes, excessivamente genérica; de outro lado, quando há uma melhor identificação da operação, a impossibilidade do creditamento fica demonstrada em face da falta de previsão legal. (grifado) Argumentou o contribuinte que a atividade por ele desempenhada requer a preparação do solo, drenagem, entre outros, para os quais necessita utilizarse de máquinas e outros equipamentos movidos a combustíveis e lubrificantes. Argumenta ainda que entende ter provado o direito com os documentos já apresentados. Do dossiê apresentado pelo contribuinte em resposta à diligência, extraio (fls. 1.165 a 1.168): Para logística interna e externa da empresa são necessários tratores, empilhadeiras, máquinas e implementos agrícolas, que demandam consumos de combustíveis e lubrificantes. No prosseguimento do processo produtivo, as máquinas como tratores e empilhadeiras são essenciais para carregar e descarregar os insumos que são utilizados no Packing House, como embalagens, produtos para conservação da fruta, defensivos agrícolas, bins vazios, outros equipamentos, e ainda necessários para expedição do produto final (venda), e inclusive para a locomoção das maçãs de um local para o outro. Fl. 1236DF CARF MF Processo nº 13986.000025/200611 Acórdão n.º 3002000.624 S3C0T2 Fl. 1.237 14 A empresa dispõe de 09 (nove) empilhadeiras, dentre locadas e próprias, 3 (três) tratores, 3 (três) ônibus para transporte de seus funcionários, além de outros veículos que fazem o transporte de insumos e outros na área produtiva. Todos esses veículos demandam consumo significativo de combustíveis, lubrificantes, pneus, graxas e outros. Ainda fazse necessário destacar que a empresa tem uma grande demanda de energia elétrica no processo produtivo, na sua sede, onde é feito o processamento de maçã. A empresa conta com uma sala de máquinas, com um conjunto de motores geradores de energia, que são ligados no horário de ponta, visando a não utilização de energia elétrica da rede da CELESC (Centrais Elétricas de Santa Catarina), em virtude do alto custo da Energia entre os horários das 18:00 hrs até as 22:00 hrs. O conjunto tem dois geradores com motores de 750 CV (cavalos de potência) cada um, gerando 400 kWh (quilowatthora) cada motor, onde, quando ligados temse um significativo consumo de combustíveis e lubrificantes, sendo em média, por hora, o consumo de combustível de cada gerador é de 150 litros. Sendo nesses geradores, juntamente com os tratores, empilhadeiras e veículos, o maior consumo de combustíveis e lubrificantes da empresa. Pelo o que se vê acima, a explanação da recorrente não guarda muita relação com os problemas apontados pela fiscalização. Não se discorda do aproveitamento do combustível utilizado por máquinas utilizadas no plantio da maçã, mas não é a esse gasto que se referem as glosas. Novamente temos uma defesa genérica. Todavia, da análise da tabela de notas fiscais glosadas constante às fls. 846 a 851, tendo em vista o critério de relevância, entendo que seria cabível o creditamento das despesas com a compra de pneus de tratores e outras máquinas agrícolas, pois constatei não há apenas notas de compra de pneus de automóveis, mas também de pneus de grande porte (tratores e outras máquinas). Concluo pela reversão da glosa em relação às notas fiscais de aquisição de pneus de tratores e/ou de outros tipos de máquinas agrícolas, apenas. 4. Encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens do ativo imobilizado Conforme o Termo de Verificação Fiscal (fls. 855 a 860), as glosas foram efetuadas em relação ao aproveitamento de encargos com depreciação de bens incorporados ao ativo imobilizado, mas que não estavam ligados diretamente à produção de maçã, tais como retifica motor empilhadeira, carretão com rolete, registrador eletrônico de temperatura, automóvel, esmirilhadeira, bomba, conversor de frequência, balança, aparelho de ar condicionado, microcomputador, impressora, calculadora, câmera fotográfica, entre outros. A explicação do contribuinte em sua Manifestação de Inconformidade consistiu fundamentalmente em: Fl. 1237DF CARF MF Processo nº 13986.000025/200611 Acórdão n.º 3002000.624 S3C0T2 Fl. 1.238 15 Conforme consta em relatórios inseridos no processo administrativo em exame, segue alguns exemplos de máquinas ou equipamentos utilizados no processo produtivo, entre outros: carretão c/ rolete (transporte maçãs), seladoras (embalagens), marcas utilizadas no produto da venda, registrador eletrônico de temperatura (câmaras frigoríficas, entre outros, indispensáveis para a formação do produto da venda). Ao que a DRJ negou provimento seja pelas máquinas e equipamentos não guardarem qualquer relação com o processo produtivo, seja porque os bens foram descritos de forma genérica e/ou sem identificação dos locais e/ou sistemas onde estão locados/aplicados (falta de comprovação da forma de utilização). Da diligência, transcrevo a resposta do contribuinte na íntegra (fls. 1.168 a 1.169): A Agrícola Fraiburgo possui 4 (quatro) polos produtivos pomares e 1 (um) polo de processamento de frutas que é a sede da empresa. Nos polos produtivos a empresa tem 485,13 (quatrocentos e oitenta e cinco virgula treze) Hectares (cada hectare corresponde a 10.000,00 m²) de Pomares de Maçã, sendo dividido um polo produtivo em VacariaRS, um em UrupemaSC, um em Àgua DoceSC e outro em FraiburgoSC. Na sede da empresa em Videira SC, onde é feito o processamento da maçã, esta conta com uma área construída de 40.164,00 (quarenta mil, cento e sessenta e quatro) m², sendo 1.100,00 (hum mil e cem) m² destinados a escritório, e o restante para áreas produtivas. Dentro da área produtiva existem muitas máquinas e equipamentos para manter todo o conjunto de processamento e armazenagem funcionando, sendo: ‐ Conjunto com 44 (quarenta e quatro) Câmaras Frias com capacidade para armazenar 33.322 (Trinta e três mil, trezentas e vinte e duas) toneladas de frutas, que são ligadas a uma série de equipamentos como compressores de ar, inversores de frequência, tanques de refrigeração, tanques diversos, analisadores de gás, conjuntos adsorvedores, além de uma série de outros equipamentos, tais como: ‐ Conjunto de motores geradores de energia; ‐ Máquinas para processamento da Fruta; ‐ Diversos Tratores e Empilhadeiras; ‐ Carretões para transporte da fruta; ‐ Carrinhos Trans‐pallets; ‐ Computadores e periféricos; ‐ Mesas, cadeiras; ‐ Além de uma série de outros imobilizados. Fl. 1238DF CARF MF Processo nº 13986.000025/200611 Acórdão n.º 3002000.624 S3C0T2 Fl. 1.239 16 Todos os imobilizados que são ligados a produção, como já descrito no processo produtivo (Anexo I), e esses aqui relacionados, nos possibilitam creditarmos de PIS e COFINS de acordo com a sua depreciação. Pelo exposto, requer‐se a manutenção dos créditos apropriados pela Recorrente. Não prospera a tese de que tudo o que existe relacionase ao processo produtivo. Por certo que aquilo que encontramos dentro das edificações ou das propriedades que compõem a empresa relacionamse com a sua atividade econômica, em sentido amplo, mas com certeza inúmeros bens, como mesa e cadeira, não pertencem ao conjunto dos insumos utilizados na produção de maçã e não se relacionam com o processo produtivo no sentido aplicado na legislação de PIS/Cofins. Cabe lembrar da explanação contida no votovista da Ministra Regina Helena Costa, adotado como razão de decidir no REsp nº 1.221.170/PR, na parte em que faz o exercício de aplicação dos critérios de essencialidade e relevância ao caso concreto. Lá tínhamos um fabricante de ração animal e, nesse contexto, a ministra entendeu, em princípio e a depender da instrução probatória, que poderiam ser considerado insumo a despesa relacionada a água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual. Por outro lado, excluiu veículos, seguros, viagens, conduções e despesas gerais comerciais, aí incluído comissão de vendas, fretes, promoção, propaganda e telefone. Trago o exemplo para apontar que não é cabível pretender que tudo se relaciona com o processo produtivo. E o inciso VI do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 é claríssimo quanto a este aspecto, a ver: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: ....................................................................................................... VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; ......................................................................................................... § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: ......................................................................................................... III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI, VII e XI do caput, incorridos no mês; (grifado) Dada a resposta genérica à diligência, ainda que houvesse alguma glosa que, em tese, pudesse ser revertida, diante das incertezas que permanecem quanto a alguns itens (leitor portátil, bomba, proc. 826795684 mista festivalclasse 32) e a certeza de deve ser Fl. 1239DF CARF MF Processo nº 13986.000025/200611 Acórdão n.º 3002000.624 S3C0T2 Fl. 1.240 17 mantida a glosa em relação a outros (ônibus, impressora laser, aparelho celular), nego provimento neste quesito. Com essas considerações, dou provimento parcial ao recurso voluntário em relação aos seguintes itens do voto: item 2) fretes, para afastar as glosas em relação aos transportes de maçã dos pomares até a sede em Videira/SC e em relação à nota nº 586, de transporte de material de irrigação; item 3) combustíveis e lubrificantes, para afastar as glosas às notas fiscais de aquisição de pneus de tratores e/ou de outros tipos de máquinas agrícolas. É como voto. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 1240DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10070.000447/2004-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2002
IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE.
SÚMULA CARF Nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção.
Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto se extingue, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, e, no caso de pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual.
Após o encerramento do período de apuração, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa pela falta de retenção ou de recolhimento, prevista no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, ainda que os rendimentos tenham sido submetidos à tributação no ajuste.Exercício: 2002.
Numero da decisão: 2301-005.940
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Antônio Savio Nastureles - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Juliana Marteli Fais Feriato - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Antônio Savio Nastureles (Presidente), Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni, suplentes convocados aos conselheiros João Maurício Vital e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: JULIANA MARTELI FAIS FERIATO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2002 IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto se extingue, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, e, no caso de pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual. Após o encerramento do período de apuração, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa pela falta de retenção ou de recolhimento, prevista no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, ainda que os rendimentos tenham sido submetidos à tributação no ajuste.Exercício: 2002.
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ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto se extingue, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, e, no caso de pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual. Após o encerramento do período de apuração, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa pela falta de retenção ou de recolhimento, prevista no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, ainda que os rendimentos tenham sido submetidos à tributação no ajuste.Exercício: 2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Antônio Savio Nastureles Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 0. 00 04 47 /2 00 4- 41 Fl. 266DF CARF MF 2 Juliana Marteli Fais Feriato Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Antônio Savio Nastureles (Presidente), Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni, suplentes convocados aos conselheiros João Maurício Vital e Alexandre Evaristo Pinto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fl. 254/260) interposto em face da decisão da DRJ (fls. 244/248) proferida pela 1ª Turma da DRJ/JFA, Acórdão 0922.024 de 18/12/2008, que indeferiu a Impugnação e determinou a procedência do lançamento, cuja Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. Mantémse o valor dos rendimentos tributáveis constantes do lançamento, quando o contribuinte não lograr carrear aos autos, documentos que comprovem estarem incorretos. IRRF. COMPENSAÇÃO. O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Lançamento Procedente Conforme consta do Auto de Infração lavrado em 10/10/2003, contra o Contribuinte foi lançado o recolhimento de IRPF suplementar no valor de R$5.762,24, acrescido de multa de ofício (R$4.321,68) e juros de mora, proveniente da revisão efetuada na Declaração de Ajuste Anual IRPF/2001, diante da alteração dos valores de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas para R$47.228,54 e R$705,63. O Contribuinte apresentou Impugnação (fl. 2/8), afirmando que no ano calendário 2000, recebeu como corretor autônomo da ÉGIDE CORRETORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS o valor líquido de R$ 47.228,64 (quarenta e sete mil, duzentos e vinte e oito reais e sessenta e quatro centavos), sendo os pagamentos efetuados com retenção do Imposto de Renda na Fonte no valor de R$ 14.934,99. Afirma que a Fonte pagadora deveria ter efetuado as retenções, entretanto desconhece se de fato ocorreram. Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10070.000447/200441 Acórdão n.º 2301005.940 S2C3T1 Fl. 267 3 Afirma que se desligou da Fonte Pagadora em 18/08/2000, sendo que esta se negou em apresentar os recibos de pagamentos efetuados ao Contribuinte, referentes aos meses de fevereiro a junho do ano de 2000, razão pela qual propôs contra a mesma ação Cautelar de Exibição de Documentos c/c Busca e Apreensão, no TJRJ, que tramitou perante a 28ª Vara Cível (autos n° 2000.001.1145716). Quando da emissão, em 12/03/2001, do comprovante de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte e da elaboração da DIRF enviada a SRF referentes ao anocalendário 2000, a Fonte Pagadora somente considerou como rendimento tributável e o Imposto de Renda Retido correspondente ao mês de janeiro/2000, omitindo os valores de fevereiro a junho, o que causou o lançamento. Diante da alegação que a ação Cautelar de Exibição de Documentos c/c Busca e Apreensão foi julgada procedente ao Contribuinte, no qual o poder judiciário considerou como verdadeira suas alegações diante da não apresentação dos documentos exigidos pela Fonte Pagadora, o mesmo requereu o cancelamento do lançamento. Nas fls. 18/ 148 houve a juntada de cópia da ação Cautelar de Exibição de Documentos c/c Busca e Apreensão, cuja sentença determinou: "Assim sendo, não podendo ser acatado os frágeis argumentos apresentados pela defesa e não provados, diante dos documentos acostados pelo autor, julgo procedente o pedido para determinar ao requerido que exiba os documentos referenciados na inicial no prazo de 05 dias, em Cartório, e, caso não o faça, sejam admitidos como verdadeiros os fatos apresentado pelo autor para que surta seus efeitos legais". Sentença foi mantida em segundo grau de jurisdição. Nas fls. 152 constata a DIRF da empresa Fonte Pagadora, referente ao ano calendário de apuração, na qual se verifica que houve o pagamento de R$3.875,00 em janeiro, sendo retido e recolhido o IRPF no valor de R$705,63, não havendo o pagamento de qualquer outro valor neste ano calendário. Nas fls. 206, a DRJ JFA analisou as provas e converteu o julgamento em diligência, para que fosse verificado junto à Égide CTVM quais os reais valores pagos ao autuado no Ano Calendário em análise e os correspondentes valores retidos para IRPF. Na resposta apresentada nas fls.220 a Fonte Pagadora informa à autoridade fiscal que apenas efetuou o pagamento de R$3.875,00 ao Contribuinte, e de IRRF o valor de R$ 705,63, efetuado em janeiro do anocalendário 2000. Na fl. 236 o Contribuinte se manifesta afirmando que a informação prestada pela Fonte Pagadora era incorreta e que a mesma já havia confirmado em processo judicial que a declaração de ajuste anual prestada pelo mesmo estava correto. A DRJ entendeu pela procedência do lançamento, visto que: 1. Muito embora tenha o juiz determinado que caso a empresa Égide CTVM não apresentasse os documentos que se considerasse como verdadeiros os fatos apresentados pelo Contribuinte, constatase que foram apresentados apenas os valores dos cheques que afirma ter recebido, não se tendo detalhado os valores do IRRF devido, não havendo julgado judicial sobre este fato; Fl. 268DF CARF MF 4 2. A Fonte Pagadora, quando intimada da diligencia fiscal, não apresentou os documentos solicitados e o autuado afirma que a já citada empresa confirmou na justiça os pagamentos dos valores e as respectivas retenções, entretanto tal fato não ocorreu, pois, a confirmação foi apenas dos valores pagos e não das respectivas retenções; 3. Portanto, temse assim, como verdadeiros, em consonância com o mandamento judicial, apenas os valores recebidos, afirmados pelo autuado e assim considerado pela autoridade revisora, e não os valores do IRRF, razão pela qual o feito é procedente; No Recurso Voluntário interposto pelo Contribuinte nas fls. 254/260, requer se: · Que os valores do IRRF não foram detalhados na inicial do processo judicial, porque eles só seriam conhecidos quando a Fonte Pagadora exibisse em juízo os documentos solicitados e não se imaginava que a Fonte Pagadora se recusaria a fornecer tais informações; · Que na diligencia prestada pela Fonte Pagadora, apesar de atender às solicitações, mais uma vez houve a apresentação de dados incorretos (informou como Rendimentos R$ 3.875 ,00 e IRRF R$ 705,63, os mesmos valores informados declarados na DIRF, anocalendário 2000 e no Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte. Tais valores referemse apenas ao mês de jan/2000, mas os valores líquidos (R$ 44.059,27) referentes aos meses de fev /2000 a jun/2000, confirmados por ela em juízo em sua contestação, não foram informados; · Restou demonstrado que a Fonte Pagadora cometeu graves irregularidades contábeis, fiscais e tributárias, ao efetuar as retenções do Imposto de Renda na Fonte e não as recolher aos cofres do Tesouro, bem como, prestar informações incorretas à SRF, sendo que deve ser a responsável pelo recolhimento ora exigido; Este é o relatório. Voto Conselheira Relatora Juliana Marteli Fais Feriato Admissibilidade Fl. 269DF CARF MF Processo nº 10070.000447/200441 Acórdão n.º 2301005.940 S2C3T1 Fl. 268 5 Conforme consta da fl. 250, o Contribuinte tomou ciência da decisão em 15/01/2009, apresentando Recurso Voluntário em 02/02/2009 (fls.254), portanto tempestivo e preenchido os requisitos de admissibilidade. Passase, então, à análise de seu mérito. Mérito Tratase de Recurso Voluntário do indeferimento da impugnação apresentada pelo Contribuinte referente à revisão do Imposto de Renda do mesmo, durante o período apurado, diante da omissão de recebimento de rendimentos de pessoa jurídica sem vínculo empregatício que culminou no lançamento de crédito tributário correspondente a R$ 13.037,88, sendo R$5.762,24 de imposto a pagar, R$2.947,96 de juros e R$4.321,69 de multa de ofício. O lançamento do imposto suplementar teve origem valores recebidos pelo Contribuinte, declarados em sua DAA no ano calendário 2000 como IR retido na fonte, entretanto não declarados na DIRF da Fonte Paga, à título de Comissão pela corretagem na CVM prestado pelo Contribuinte, durante o período de fevereiro/2000 a junho/2000. Alega o Contribuinte que o Lançamento deve ser cancelado ou o valor exigido da Fonte Pagadora, pois o mesmo declarou corretamente os valores recebidos e que a empresa deveria ter feito o recolhimento do IRPF que foi retido na fonte. Não há nos autos a comprovação de que houve de fato a retenção do IRPF. Pelo contrário, na DIRF da Fonte Pagadora, fls. 152, há expressa informação que o único valor pago e efetuado a retenção de IRPF foi a referente de janeiro (R$3.875,00 pago em janeiro, sendo retido e recolhido o IRPF no valor de R$705,63), não havendo o pagamento de qualquer outro valor neste ano calendário. Há, entretanto, a prova de rendimentos, de que o Contribuinte recebeu outros valores da Fonte Pagadora, nos meses subsequentes, pagos através de cheques, conforme o mesmo afirma expressamente que recebeu. Importante ressaltar, repisa, que sobre estes valores recebidos nos meses subsequentes não há qualquer comprovação de que houve de fato a retenção pela Fonte Pagadora, há apenas a confirmação de que o contribuinte recebeu rendimentos. Para haver a compensação do IRPF retido na fonte, necessária a prova do recolhimento pela Fonte Pagadora. Sem a prova do recolhimento do valor retido, há o fato gerador, entretanto não há o pagamento do tributo, o que justifica o lançamento. O Imposto de Renda e sua Declaração são obrigações personalíssimas do Contribuinte, sendo sua responsabilidade única as informações prestadas quando do preenchimento de sua declaração anual de ajuste. Art. 787. As pessoas físicas deverão apresentar anualmente declaração de rendimentos, na qual se determinará o saldo do imposto a pagar ou o valor a ser restituído, relativamente aos rendimentos percebidos no anocalendário (Lei nº 9.250, de 1995, art. 7º). Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na Fl. 270DF CARF MF 6 pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. A responsabilidade pela exatidão/inexatidão do conteúdo consignado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda é do próprio beneficiário dos rendimentos, que não pode desconhecêlos e deixar de oferecêlos à tributação. As provas carreadas aos autos, inclusive o processo judicial juntado, apenas comprovam que o Contribuinte de fato recebeu os rendimentos declarados, entretanto não há a prova de que houve a retenção e/ou o recolhimento de IRPF, razão pela qual se justifica o lançamento. A Fonte pagadora se responsabiliza perante o Fisco até o momento em que é apresentada a Declaração de Ajuste Anual. Depois de apresentada, a responsabilidade é do beneficiário, ou seja, do próprio Contribuinte, conforme se constata a jurisprudência consolidada deste Conselho: FALTA DE RETENÇÃO E DE RECOLHIMENTO. MULTA. OBRIGAÇÃO DA FONTE PAGADORA. Após o encerramento do período de apuração, a responsabilidade pelo pagamento do respectivo imposto passa a ser do beneficiário dos rendimentos, cabível a aplicação, à fonte pagadora, da multa pela falta de retenção ou de recolhimento, prevista no art. 9º, da Lei nº 10.426, de 2002, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, ainda que os rendimentos tenham sido submetidos à tributação no ajuste. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. O oferecimento dos rendimentos à tributação pelo beneficiário, combinado com o recolhimento de multa de mora pela fonte pagadora, não caracteriza denúncia espontânea, relativamente à obrigação desta última, de reter e recolher o imposto. (Acórdão nº 9202003.580 03/03/2015) IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. ANTECIPAÇÃO. FALTA DE RETENÇÃO. LANÇAMENTO APÓS 31 DE DEZEMBRO DO ANOCALENDÁRIO, PORÉM ANTES DA DATA FINAL PARA APRESENTAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE DO IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA. RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA PELO RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DEVIDO. Findo o anocalendário em que se deu o pagamento sem que tenha havido a retenção, até a data final para apresentação da Declaração de Ajuste do Imposto de Renda da Pessoa Física, há de ser mantida a responsabilidade atribuída à fonte pagadora pelo tributo não retido. Isto porque o cumprimento da obrigação pela fonte pagadora deve permanecer até o momento em que essa obrigação passa a ser exigida da pessoa física beneficiária do rendimento. (Acórdão nº 9202003.534 27 de janeiro de 2015) A alegação de que o FISCO poderia proceder buscas perante o livro caixa da Fonte Pagadora e demais documentos fiscais da mesma para aferir se de fato houve a retenção ou não do IRPF não se justifica, visto que tais documentos não conseguiriam elidir o fato de Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10070.000447/200441 Acórdão n.º 2301005.940 S2C3T1 Fl. 269 7 que inexiste o recolhimento de IRPF dos fatos geradores expressamente confirmados por ambas as partes (contribuinte e fonte pagadora). Assim como os Autos de Exibição de Documentos não são capazes de elidir a exigência do recolhimento do imposto, apenas confirmam que os fatos geradores existem, ou seja, de que houve pagamento de valores – rendimentos – ao Contribuinte sem a devida retenção ou recolhimento do IRPF, permanecendo a responsabilidade pelo recolhimento do Contribuinte. Diante do exposto, voto por negar provimento ao pedido. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, negar provimento. É como voto. Juliana Marteli Fais Feriato Relatora (assinado digitalmente) Fl. 272DF CARF MF
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