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Numero do processo: 15563.720274/2015-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011, 2012
DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESA CONSTITUÍDA POR DOIS GRUPOS ECONÔMICOS. JOINT VENTURE. INDEDUTIBILIDADE.
Incabível a dedução de amortização de ágio decorrente de operação societária consistente na capitalização de empresa em que dois grupos econômicos detinham 50% cada no capital (joint venture societária), sendo esta capitalização respectivamente com quotas capital das subsidiárias que cada um dos dois grupos econômicos constituiu com seus respectivos bens, reavaliados, gerando ágio, e a posterior incorporação pela joint venture societária dessas duas subsidiárias, resultando ao final que ambos grupos econômicos continuaram cada com 50% do capital da joint venture societária.
ERRO MATERIAL. APURAÇÃO DE OFÍCIO. PERÍODO DE APURAÇÃO PRECEDENTE. OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO.
Erro material na apuração de ofício de infração, relativa a período precedente, autuado em outro processo administrativo e corrigido nos julgamento de 1ª e 2ª instâncias daquele processo, não traz consequências ao presente processo.
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS.
Procede o pleito de que o lucro e a base de cálculo da autuação sejam reduzidos até o limite legalmente autorizado, pelos prejuízos acumulados e bases de cálculo negativas, porém apurados após o deslinde dos processos administrativos relativos aos períodos de apuração precedentes e confirmação dos saldos disponíveis para tal.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011, 2012
DECADÊNCIA.
Na hipótese de fato que produza efeito em períodos diversos daquele em que ocorreu, a decadência não tem por referência a data do evento registrado na contabilidade, mas sim, a data de ocorrência dos fatos geradores em que esse evento produziu o efeito de reduzir o tributo devido.
MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE
Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA.
A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2011, 2012
LANÇAMENTO DECORRENTE.
Aplica-se ao lançamento decorrente, o decidido no principal.
Numero da decisão: 1201-002.104
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros, Luis Henrique Marotti Toselli, Luis Fabiano Alves Penteado e Gisele Barra Bossa que davam integral provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa; ausentes justificadamente José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011, 2012 DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EMPRESA CONSTITUÍDA POR DOIS GRUPOS ECONÔMICOS. JOINT VENTURE. INDEDUTIBILIDADE. Incabível a dedução de amortização de ágio decorrente de operação societária consistente na capitalização de empresa em que dois grupos econômicos detinham 50% cada no capital (joint venture societária), sendo esta capitalização respectivamente com quotas capital das subsidiárias que cada um dos dois grupos econômicos constituiu com seus respectivos bens, reavaliados, gerando ágio, e a posterior incorporação pela joint venture societária dessas duas subsidiárias, resultando ao final que ambos grupos econômicos continuaram cada com 50% do capital da joint venture societária. ERRO MATERIAL. APURAÇÃO DE OFÍCIO. PERÍODO DE APURAÇÃO PRECEDENTE. OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO. Erro material na apuração de ofício de infração, relativa a período precedente, autuado em outro processo administrativo e corrigido nos julgamento de 1ª e 2ª instâncias daquele processo, não traz consequências ao presente processo. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS. Procede o pleito de que o lucro e a base de cálculo da autuação sejam reduzidos até o limite legalmente autorizado, pelos prejuízos acumulados e bases de cálculo negativas, porém apurados após o deslinde dos processos administrativos relativos aos períodos de apuração precedentes e confirmação dos saldos disponíveis para tal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011, 2012 DECADÊNCIA. Na hipótese de fato que produza efeito em períodos diversos daquele em que ocorreu, a decadência não tem por referência a data do evento registrado na contabilidade, mas sim, a data de ocorrência dos fatos geradores em que esse evento produziu o efeito de reduzir o tributo devido. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2011, 2012 LANÇAMENTO DECORRENTE. Aplica-se ao lançamento decorrente, o decidido no principal.
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EMPRESA CONSTITUÍDA POR DOIS GRUPOS ECONÔMICOS. JOINT VENTURE. INDEDUTIBILIDADE. Incabível a dedução de amortização de ágio decorrente de operação societária consistente na capitalização de empresa em que dois grupos econômicos detinham 50% cada no capital (joint venture societária), sendo esta capitalização respectivamente com quotas capital das subsidiárias que cada um dos dois grupos econômicos constituiu com seus respectivos bens, reavaliados, gerando ágio, e a posterior incorporação pela joint venture societária dessas duas subsidiárias, resultando ao final que ambos grupos econômicos continuaram cada com 50% do capital da joint venture societária. ERRO MATERIAL. APURAÇÃO DE OFÍCIO. PERÍODO DE APURAÇÃO PRECEDENTE. OUTRO PROCESSO ADMINISTRATIVO. Erro material na apuração de ofício de infração, relativa a período precedente, autuado em outro processo administrativo e corrigido nos julgamento de 1ª e 2ª instâncias daquele processo, não traz consequências ao presente processo. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS. Procede o pleito de que o lucro e a base de cálculo da autuação sejam reduzidos até o limite legalmente autorizado, pelos prejuízos acumulados e bases de cálculo negativas, porém apurados após o deslinde dos processos administrativos relativos aos períodos de apuração precedentes e confirmação dos saldos disponíveis para tal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2011, 2012 DECADÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 72 02 74 /2 01 5- 13 Fl. 1549DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 3 2 Na hipótese de fato que produza efeito em períodos diversos daquele em que ocorreu, a decadência não tem por referência a data do evento registrado na contabilidade, mas sim, a data de ocorrência dos fatos geradores em que esse evento produziu o efeito de reduzir o tributo devido. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011, 2012 LANÇAMENTO DECORRENTE. Aplicase ao lançamento decorrente, o decidido no principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros, Luis Henrique Marotti Toselli, Luis Fabiano Alves Penteado e Gisele Barra Bossa que davam integral provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa; ausentes justificadamente José Carlos de Assis Guimarães e Rafael Gasparello Lima. Relatório T Trata o processo dos autos de infração, págs. 775/793, que exigem Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ no montante de R$62.037.704,06, devido à infração 001 Exclusões/Compensações não Autorizadas na Apuração do Lucro Real, Exclusões Indevidas, com fatos geradores em 31/12/2011 e 31/12/2012; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, R$22.342.213,46, relativa à mesma infração e períodos de apuração; o imposto e a contribuição exigidos foram apenados com multa de 75%; às págs. 739/773, o Termo de Fl. 1550DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 4 3 Verificação de Infração Fiscal, descrevendo a autuação; págs. 807/816, Fapli Formulário de Alteração do Prejuízo Fiscal e do Lucro Inflacionário e Facs Formulário de Alteração da Base de Cálculo Negativa da Contribuição Social e Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais (Sapli) e Demonstrativo da Base de Cálculo Negativa da CSLL (Sapli). 2. Cientificado, o contribuinte apresentou impugnação, em relação à qual a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG DRJ/JFA, proferiu o Acórdão 0961606, em 02 de fevereiro de 2017, págs. 1.406/1.415, que a julgou improcedente: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2011, 2012 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA O prazo decadencial só é aplicável para o direito de a Fazenda constituir o crédito tributário, mas não para verificar atos pretéritos cujos efeitos tributários repercutem nos anos seguintes. SIMULAÇÃO. PROVA. REESTRUTURAÇÃO SOCIETÁRIA. GLOSA DE DESPESAS COM AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. A simulação, que vicia o ato jurídico e invalida a economia tributária pretendida, se prova pela densidade de indícios e circunstâncias, tais como:a proximidade temporal de atos; a disparidade infundada de valores; o desfazimento dos efeitos do ato simulado; a inexistência de outra causa econômica além da economia fiscal. MULTA QUALIFICADA. Quando não se caracteriza a qualificação da multa de oficio, essa deve ser reduzida para 75%. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA LANÇADA. A multa de ofício lançada com o tributo também se enquadra no conceito de débito para com a União, logo sofre a incidem juros Selic se não for paga tempestivamente. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO. Para que se efetue a compensação de prejuízos fiscais acumulados de exercícios anteriores com o imposto de renda apurado, é necessário, entre outras coisas, que se comprove a existência desse prejuízo na data da compensação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 3. Cientificado em 20/02/2017, pág. 1.418, apresentou Recurso Voluntário de págs. 1.422/1.479, em 22/03/2017, tempestivo. 4. Relata que é sociedade que resultou de uma joint venture entre dois grandes grupos varejistas, em 2004: Grupo Pão de Açúcar e Grupo Sendas, quando passou a ser controlada em 50% por empresas de cada um dos grupos e sujeita a regras rigorosas de governança corporativa. Fl. 1551DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 5 4 5. Esclarece que, quanto ao mérito, o recurso está restrito à discussão da (i) regularidade da amortização do ágio e (ii) ao erro de quantificação da exigência por falta de compensação do prejuízo fiscal acumulado e bases negativas de CSLL de períodos anteriores. 6. Aponta decadência do direito do fisco de questionar o registro contábil do ágio e constituir o crédito tributário; argumenta que o prazo decadencial deveria ser contado a partir da data da geração do ágio ou, alternativamente, da incorporação, pois o IRPJ é tributo sujeito ao lançamento por homologação, razão pela qual o prazo decadencial deve ser contado conforme o art 150, §4º, do CTN, isto é, a partir da ocorrência do fato gerador, e as operações relativas ao ágio glosado na presente autuação foram realizadas em 2004, assim como a incorporação. Como a ciência da autuação ocorreu em 18/12/2015, já havia transcorrido o lustro decadencial; cita jurisprudência. 7. No mérito, acusa que a glosa das despesas de amortização do ágio ocorreu em duplicidade, pois o valor integral do saldo de ágio registrado, no total de R$439.013.328,40 foi glosado nos autos de infração do processo nº 15563.720259/201133, em vez de somente o valor amortizado nos anos 2008 consequentemente, glosou o ágio que foi amortizado nos anos 2009, 2010, 2011 e 2012, subsequentes. 8. Historia que foi e continuou sendo durante sete anos, o que demonstra a intenção de perenidade do negócio e o affectio societatis entre seus formadores a sociedade resultante de uma associação (joint venture) entre dois grandes grupos varejistas do Brasil, a qual veio a se consumar no ano de 2004; que, na época em que o Grupo Pão ae Açúcar e o Grupo Sendas decidiram se associar, as suas respectivas sociedades controladoras a saber: Companhia Brasileira de Distribuição (CBD) e Sendas S.A. (Senda") eram companhias abertas, portanto, estavam sujeitas às regras da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), sendo auditadas por auditor independente e adotando boas práticas de governança corporativa; CBD, possuía (e ainda possui) ações listadas na Bolsa de Nova Iorque (New York Securities Exchange NISE), devendo observar, igualmente, as normas de transparência exigidas pela Lei Sarbanes Oxley, reconhecidas no mercado por sua rigidez; que a criação da joint venture ocorreu em um momento em que empresas varejistas estrangeiras estavam ingressando de forma agressiva no mercado brasileiro, razão pela qual a associação entre o Grupo Sendas e o Grupo Pão de Açúcar, dois fortes grupos brasileiros, contribuiria para manter o fortalecimento de ambos; ressalta que em momento algum foi noticiado pela midia eventual intuito de economia de tributos decorrente da associação entre os Grupos; pelo contrário, o foco era a questão estratégica do Grupo Pão de Açúcar dentro do território do Rio de Janeiro, bem como a necessidade de maior competitividade da rede Sendas, para que passasse a gerar lucros. 9. Outro ponto de extrema relevância, e previsto desde o inîcio das tratativas iniciais, era o objetivo das partes em formalizar a jointventure, mediante aportes de bens, direitos e obrigações relacionadas às atividades de varejo do Grupo Sendas e do Grupo Pio de Açúcar no Estado do Rio de Janeiro e, obviamente, avaliados a mercado, seja para equacionar a participação de 50% a que cada Grupo fazia jus, seja para conferir maior transparência ao mercado acerca das referidas operações, e cita organismos que apoiaram a operação: o BNDES, que adquiriu debêntures, o SBDC Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência, composto pela SDE Secretaria de Direito Econômico, pelo CADE Conselho Administrativo de Defesa Econômica e pela SEAE Secretaria de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda; o cumprimento de várias condições impostas pelo CADE; descreve as cláusulas do Acordo de Associação firmado entre os grupos (págs. 1.440/1.443); transcreve matéria sobre Fl. 1552DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 6 5 esta operação de joint venture da revista Exame, que destacou o aumento de produtividade resultante; explica que: mas, não obstante todas as melhoras na gestão e no grau de eficiência operacional da rede Sendas implementada pelo Grupo Pão de Açúcar, a Sendas Distribuidora, ora Recorrente, continuava com um alto grau de endividamento, razão pela qual o Grupo Sendas e o Grupo Pão de Açúcar celebraram um contrato junto ao AIG, por meio do qual este investiria o equivalente a US$ 50 milhões em reais na Sendas Distribuidora, mediante subscrição e integralização de 157.082.802 ações preferenciais classe B da Sendas Distribuidora, passando a deter 14,86% de seu capital social; e a participação do Grupo Pão de Açúcar e do Grupo Sendas foi reduzida para 42,57% cada, mantendose, todavia, o mesmo percentual de participação para ambos. 83. Todavia, com as dificuldades encontradas no Rio de Janeiro, bem como com o enfraquecimento da marca Sendas, o Grupo Pão de Açúcar acabou interrompendo os investimentos na expansão da rede Sendas, no mesmo momento em que foram retomadas as negociações para a aquisição da participação detida pela família Sendas pelo Grupo Pão de Açúcar. 84. É importante considerar que, de acordo com os termos da joint venture, a família Sendas poderia exercer, desde fevereiro de 2007, sua opção de venda do restante de sua participação no capital social da Sendas Distribuidora. Porém, as partes não chegavam em um acordo sobre a forma como a transferência do controle acionário da Sendas Distribuidora seria efetivada. 85. Inclusive, convém notar que, em 2006, o Sr. Arthur Sendas instaurou procedimento arbitral em face do Grupo Pão de Açúcar por entender que teria havido mudança de controle acionário do CBD em maio de 2005, quando o Sr. Abílio Diniz e o grupo francês Casino criaram uma nova holding com 65,5% das ações com direito a voto na CBD, na qual, por sua vez, metade do controle era detido por Abílio Diniz e a outra metade pelo Casino, sendo certo que, nos termos do acordo de acionistas assinado na criação da Sendas Distribuidora, eventual mudança de controle acionário do CBD dispararia o direito de venda da participação do Grupo Sendas na Sendas Distribuidora, ora Recorrente. Por sua vez, o Grupo Pão de Açúcar discordava de tal entendimento, por acreditar que o que o que teria havido era um compartilhamento de controle, não transferência de controle. 86. Notese, ainda, que nesta mesma ocasião, a família Sendas pretendia trocar suas ações integralizadas na Sendas Distribuidora por ações preferenciais da CBD, conforme lhe autorizava o acordo de acionistas. Esta questão também passou a ser objeto de discussão entre o Grupo Pão de Açúcar e o Grupo Sendas. Fl. 1553DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 7 6 87. Apenas em fevereiro de 2011 portanto, após mais de 7 anos do início da Joint Venture é que ficou acordado que o Grupo Pão de Açúcar adquirisse a totalidade da participação detida pela família Sendas, passando a deter a totalidade das ações da Sendas Distribuidora. Para a referida aquisição, o Grupo Pão de Açúcar se comprometeu a efetuar o pagamento de R$ 377 milhões, em sete parcelas, ao longo de seis anos, dando fim ao conturbado "casamento" de sete anos ocorrido entre o Grupo Pão de Açúcar e o Grupo Sendas. 10. Por todo o exposto, rechaça a acusação de simulação; afirma que não há qualquer indicação do suposto negócio que teria sido ocultado por conta da incorporação, no Auto de Infração; ressalta que o ágio amortizado pela Recorrente nada mais é do que uma consequência do desdobramento do custo de aquisição de participação societária, tal como prevê a legislação brasileira e não se pode, portanto, sustentar que a aludida amortização decorreu de simulação de negócio jurídico com o fim específico de "transformar custo de aquisição de patrimônio em despesa dedutível"; a Recorrente jamais pretendeu encobrir um negócio jurídico com a realização de outro e a razão é que; não existe "outro" negócio jurídico diferente daquele que foi realizado e que durou sete anos. 11. Que dentre os vários caminhos jurídicos existentes para que a associação fosse implementada, o Grupo Pão de Açúcar e o Grupo Sendas optaram pela constituição de sociedades de propósito específico (Rio Patea e Serra do Andaraí) que reunissem, em princípio, o patrimônio que seria aportado na associação (a valor contábil), para posterior conferência a mercado das participações societárias de tais sociedades (conferência esta sujeita ao disposto no art. 36 da Lei nº 10.637/02) para a equalização das participações dos dois grupos que as constituiu e implementar a Associação, rapidamente e no contexto da operação, coube à Recorrente recepcionar as participações em Rio Patea e Serra do Andaraí já avaliadas pelos valores de mercado e, em seguida, absorver os respectivos acervos patrimoniais para consolidar a joint venture com patrimônio líquido valorado a preço de mercado. 12. Justifica que os dois Grupos não efetuaram aumento de capital diretamente com os ativos e passivos na Recorrente, porque a transmissão desses ativos e passivos, a valor de mercado, seria extremamente onerosa, nos mais diversos sentidos e aspectos (financeiro, temporal, de disclosure etc), por conta da necessidade de contratação de laudos de avaliação a mercado com individualização para cada tipo ativo e passivo aportados; por isso, a forma eleita foi, em um primeiro momento, segregar os ativos e passivos que cada uma delas aportaria, adquirir as sociedades com propósito específico Rio Patea e Serra do Andaraí, mediante transferência não onerosa e aumento de capital dessas empresas com a conferência de bens, direitos e obrigações a valor contábil. 13. Os custos operacionais envolvidos nessa primeira etapa foram definidos sobre o valor contábil dos ativos conferidos, de modo que a auditoria teve por base, também, atestar esse valor patrimonial do acervo transferido. 14. Nesta etapa, as operações de aumento de capital foram feitas entre partes ligadas, pois se tratava de destacar, nessas novas empresas, os negócios que, individualmente, Grupo Pão de Açúcar e Grupo Sendas tinham no Rio de Janeiro; uma vez destacado esse patrimônio e os negócios correspondentes, as partes puderam valorizar o negócio e aumentar o capital da Recorrente com a entrega das participações acionárias, aí sim, a valor de mercado tendo os Fl. 1554DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 8 7 patrimônios já segregados, todo o processo de avaliação, precificação, auditoria e aumento de capital foi simplificado. 15. Como a nova etapa envolvia partes não relacionadas (com acionistas minoritários) fezse, tal como expressamente autorizava o já citado art. 36 da Lei nº 10.637/02, a conferência de Rio Patea e Serra do Andaraí a valor de mercado. Cumprese aqui ressaltar que esta era justamente a finalidade de tal dispositivo. 16. A fiscalização qualificou como simulados (i) o fato de SÉ S/A e Sendas S/A subscreverem capital, a valor de mercado, na Recorrente, mediante conferência das ações que respectivamente detinham na Rio Patea e Serra do Andaraí (sociedades que foram concebidas com intuito de reunir os ativos e passivos que comporiam a mencionada associação), e (ii) de a Recorrente, tempos depois, incorporar essas sociedades no seu patrimônio. 17. Reconhece que o caminho seguido não é o único, porém como é legalmente previsto, não pode ser taxado de simulado; e avalia duas estruturas jurídicas alternativas que a fiscalização entendeu que seriam as corretas; o primeiro caminho que, segundo a fiscalização, poderia ter sido adotado por CBD/Novasoc/Sé e Sendas era a utilização das empresas Rio Patea e Serra do Andaraí para a reunião dos ativos e passivos, que, entretanto, deveriam ter sido diretamente incorporadas pela Recorrente, sem que previamente tivessem sido conferidas ao capital social da Recorrente. Confirase: "(...) tivesse a fiscalizada incorporado as sociedades RIO PATEA e SERRA DO ANDARAÍ sem ter participação em seus capitais, ainda que a incorporação fosse por valor superior ao valor patrimonial, não seria possível deduzir do lucro real o ágio amortizado." Fl. 17 do TVF 18. Sobre esta, argumenta que "se a incorporação fosse por valor superior ao valor patrimonial", seria uma incorporação a mercado, atípica e mais onerosa para a Recorrente, pois, conforme art. 440 do RIR de 1999, seriam necessários laudos individualizados em relação a cada bem, direito e obrigação e geraria reservas de avaliação reflexas nos dois Grupos; conclui que a criação da joint venture teria inconvenientes que poderiam comprometer sua criação. 19. E o entendimento da DRJ/JFA: "131. As integralizações feitas por CBD, NOVASOC e SENDAS nas empresas RIO PATEA e SERRA DO ANDARAÍ, e as incorporações destas ao interessado representam operações estruturadas exclusivamente para reduzir ou suprimir tributos. Não há como sustentar que tais operações visavam a constituir uma joint venture entre os Grupos Pão de Açúcar e Sendas, pois as integralizações podiam ser feitas diretamente na SENDAS DISTRIBUIDORA, alcançandose, assim, o alegado propósito negocial. Mesmo na sequência de atos escolhida pelos sócios, as incorporações eram dispensáveis, pois a constituição se completou com a integralizacão das participações." 20. Aponta que a subscrição de capital mediante conferência, a valor de mercado, dos bens, direitos e obrigações, pelas empresas dos dois Grupos, seria regulada pelo art. 439, do RIR de 1999, e a tributação do respectivo ganho não ocorre de forma imediata e deverá ser Fl. 1555DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 9 8 diferida, conforme seus incisos a única diferença em relação ao já extinto art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002, é que este trata dos demais tipos de bens e aquele só sobre a subscrição a mercado de participação societária. 142. De todo modo, a diferença fundamental entre tais dispositivos é a de que o artigo 36 deslocou o momento da tributação do ganho de capital para os eventos de realização da própria participação societária, enquanto o art. 439 a difere em função da realização dos próprios bens subscritos, bem como de outros eventos. 143. Em outras palavras, considerando que não há uma diferença tão grande entre os citados dispositivos, resta claro que o aporte direto dos bens não geraria uma desvantagem fiscal significativa, para efeito dos seus respectivos subscritores GPA e Sendas. Por outro lado, as desvantagens operacionais seriam imensas, tal como já demonstrou! 21. E na perspectiva da Recorrente, a alternativa de aporte direto a valor de mercado, cada um deveria ser objeto de laudo de avaliação (e detalha as exigências legais para tanto) o que encarece a operação e demanda mais tempo destaca que dois laudos que avaliam as participações societárias e que facilitam a implementação do objetivo de 50% de participação de cada parte, é muito mais barato e rápido. 22. Aduz que os referidos bens, direitos e obrigações se aportados diretamente na Recorrente, eles seriam registrados em sua contabilidade pelos valores de mercado, e estariam sujeitos às depreciações e amortizações, por exemplo, os direitos de exploração das lojas, o tratamento tributário seria idêntico ao do valor do ágio apurado, isto é, seriam amortizáveis e dedutíveis de acordo com o art. 325, "c", do RIR, de 1999, pelo prazo contratual de exploração, portanto, efeito fiscal semelhante ao adotado pela Recorrente. 23. Além desse fato fragilizar a própria tese da simulação sustentada pela DRJ, acabaria por pressupor que, mesmo na hipótese dela ser declarada, a presente autuação não poderia glosar a integralidade das despesas com ágio, pois, se declarado nulo o ato, ou requalificado para fins fiscais, por ser simulação, é obrigação da autoridade autuante imputar ao contribuinte os efeitos fiscais decorrentes do ato considerado real, isto é, a despesa com amortização do diferido, nos termos do art. 325 do RIR/99, da situação supostamente real encoberta pela simulação, não poderia deixar ser considerada, para efeito de recomposição do IR devido. 24. Acosta Parecer Jurídico relativo ao processo 15563.000871/200891, doc. 36 da impugnação. 154. Vejamos, novamente, o caminho que, aos olhos da fiscalização, deveria ter sido adotado, qual seja, a incorporação, pela Recorrente, das sociedades RIO PATEA e SERRA DO ANDARAÍ, sem ter participação em seus capitais, ainda que a incorporação fosse por valor superior ao valor patrimonial, não seria possível considerar o valor 'pago' ao resultado do período a título de despesas. 155. Ora, se a incorporação acima ocorresse sem que a Recorrente tivesse participação direta nas sociedades Rio Patea Fl. 1556DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 10 9 e Serra do Andaraí, como queria a fiscalização, estaríamos aí sim diante de uma operação atípica e pouco usual. 156. Como já dito anteriormente, se "a incorporação fosse por valor superior ao valor patrimonial estaríamos diante de uma incorporação a mercado, e, necessariamente, diante de um caminho mais oneroso sob o ponto de vista tributário e igualmente tortuoso. 157. Ora, fica claro que tanto a análise da Fiscalização quanto da DRJ denunciam apenas e tão somente a busca por uma alternativa de reorganização que se coadune com os interesses arrecadatórios. 25. E sobre a "proximidade temporal" dos atos praticados, é irrelevante, pois cumpriram o seu papel e serviram às finalidades para as quais foram criadas e, muito ou pouco é questão subjetiva; destaca que se passaram 2 meses entre a assinatura do Protocolo de Intenções e o 1º Acordo, e a celeridade do processo de integração dos dois grupos é mérito, que os julgadores transformaram em indício de simulação; cita as sociedades de propósito específico, de natureza transitória, como exemplo. 26. Sobre argumento do Acórdão DRJ/JFA de que "somente o efeito tributário intragrupo pode explicar o fato de CBD e SENDAS terem atribuído, nas integralizações feitas em RIO PATEA e SERRA DO ANDARAÍ, o valor de R$10.000,00 aos direitos de cada um na exploração do fundo de comércio relativo às suas lojas no Estado do Rio de Janeiro", portanto, que visaram de rebaixar artificialmente o valor do capital social, de modo a maximizar a diferença entre este e as avaliações, ou seja, o ágio, justifica que se os aportes da CBD e SENDAS foram efetuados em valores menores, isto se deve exclusivamente ao fato dos direitos de exploração aportados serem intangíveis, conforme já se explicou anteriormente (pontos de venda e respectivos direitos sobre contratos de locação etc), e se tal aporte fosse a mercado, diretamente na Recorrente, o ativo diferido nela reconhecido também geraria amortização dedutível. 179. A situação do diferimento da tributação do ganho de capital tratada pelo artigo 36 da Lei n^ 10.637/2002 é uma opção legal dada ao contribuinte exatamente para a situação desse processo administrativo, não cabendo a autoridade fiscal impedir que a opção seja materializada por discordar da própria lei. 27. Discorda que Acórdão 101.96.724 proferido no CARF, aplicado no processo nº 15563.00871/200891 (relativo a outro contribuinte), transcrito no Acórdão DRJ/JFA recorrido, se aplique ao presente: 186. Na verdade, a Recorrente demonstrará que: (i) os fatos discutidos no referido acórdão não são semelhantes aos fatos aqui tratados, razão pela qual aquele acórdão não pode ser utilizado como paradigma para o julgamento ora recorrido; e que (ii) o voto proferido pela Conselheira Relatora em tal acórdão, ao tratar da teoria de elisão e evasão fiscal esposada pelo Prof. Marco Aurélio Greco, nada mais faz do que confirmar a licitude das operações praticadas pela Recorrente 28. Relata e demonstra, págs. 1.463/1.467, que se concluiu naquele processo: Fl. 1557DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 11 10 193. Portanto, toda a engenharia societária foi estruturada para a criação de vantagem fiscal nas etapas intermediárias, posteriormente suprimidas (as etapas, não as vantagens) para que retornasse a situação inicial. Demonstrouse, assim, que não houve propósito negocial ou econômico nas operações societárias. 194. Na reestruturação societária ocorrida no caso julgado pelo acórdão em tela a criação das mencionadas empresas foi artificial, haja vista que inexistiam as razões econômicas e negociais na constituição de ZBT, que acabou por desaparecer para que restassem as empresas Libra Terminais e LIBRA, conforme entendimento da I. Conselheira Relatora: 29. Mas que o presente caso é o oposto, tratandose de uma associação entre dois gigantescos grupos econômicos, até então concorrentes, e que subsistiu durante 7 anos; que, analisado o conjunto das operações, a operação foi constituída com reais interesses econômicos, acabando, de um lado, por conferir despesas de amortização de ágio para a Recorrente, e por outro, receitas tributáveis para CDB e Sendas. 200. Aliás, este fato também deve ser considerado: o reconhecimento da diferença entre o valor contábil dos ativos transferidos e o correspondente valor de mercado dos mesmos, atribuído por ocasião da subscrição e integralização de aumento de capital, gerou como contrapartida um ganho de capital para os subscritores, cuja tributação foi diferida em razão de expressa disposição contida no art. 36 da Lei nº 10.637/02. Assim, pode se afirmar que nessa operação não se visou afastar a ocorrência do ganho capital, nem evitar que essa diferença jamais fosse tributada. 30. Quanto à alusão ao art. 116, parágrafo único do CTN, pela fiscalização, sobre desconsideração de ato ou negócio jurídico simulado, pela autoridade administrativa, norma ainda não regulamentada nem autoaplicável e portanto, não produz efeitos; cita ADI movida pela Confederação Nacional do Comércio CNC; e que só seria aplicável nos casos de simulação relativa. 31. Aponta erro na quantificação da exigência, devido à falta de compensação do prejuízo acumulado e bases negativas de CSLL de períodos anteriores, conforme Sapli, fls, 810/816, que levam em conta as glosas procedidas em outros autos de infração. E anexa aos autos a DIPJ 2014/2013, doc. 01; quanto aos anoscalendário 2014 e 2015, a obrigação acessória equivalente passou a ser a Escrituração Contábil Fiscal ECF, cujos dados estão disponíveis aos julgadores; invoca os arts. 250, III, 509, § 1º e 510, do RIR de 1999, que estabelecem o direito; também o CARF reconhece e pode ensejar a nulidade do lançamento: à pág. 1.472, demonstra que os montantes das exigências seriam reduzidos: a. no anocalendário 2011: o IRPJ de R$36.099.611,69 a R$25.262.528,18; o de CSLL de R$13.004.500,21 para R$9.103.150,15. b. no anocalendário 2012: o IRPJ de R$25.938.092,36 a R$18.156.664,65; o de CSLL de R$9.337.713,25 para R$6.536.399,28. Fl. 1558DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 12 11 32. Reclama que o Acórdão deixou de apreciar o pedido de cancelamento da multa, invoca o art. 112, I do CTN, e diz que: 227. A orientação jurisprudencial desperta confiança legítima nos contribuintes, que adotam práticas com base nas decisões proferidas pelos órgãos de julgamento, agindo com boafé objetiva, que deve ser observada pelos julgadores, de modo a não ser mantida a penalidade aplicada. (...) 230. O órgão administrativo de julgamento no âmbito de tributos federais tem enfrentado a questão da boafé, tendo chegado a afastar a aplicação de multa de ofício, ou de reduzila, com base no instituto penal do "erro de proibição", em razão da nova orientação adotada naquela Instância de julgamento. (..) 235. O artigo 76 da Lei n.s 4.502, de 1964, estabelece que não serão aplicadas penalidades, enquanto prevalecer o entendimento, aos que tiverem agido ou pago o imposto de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível de última instância administrativa, proferida em processo fiscal, inclusive de consulta, seja ou não parte o interessado. 33. Advoga a impossibilidade de cobrança de juros moratórios sobre a multa de ofício, com base nos arts. 29 e 30 da Lei nº 10.522, de 2002; diz que a cobrança afronta o art. 161 do CTN, o Princípio da legalidade do art. 5º, II da CF de 1988 e do art. 97 do CTN; ofende o art. 2º, I da Lei nº 9.784, de 1994 e oas arts. 142 do CTN e 10 do Decreto nº 70.235, de 1972 e ao contraditório e ampla defesa do art. 5º, LV, da CF de 198, e ainda: Tal fato, tal penalidade (juros sobre multa de ofício) não foi objeto de regular lançamento e, assim, não foi conferida à Recorrente para contestála previamente à constituição definitiva do mesmo. 34. Em 27/04/2017, apresentou Petição: (...) com fundamento no art. 151, III, do CTN1, requerer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto deste processo, haja vista a interposição, tempestiva, de Recurso Voluntário, o qual será apreciado pelo Eg. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O interesse de agir da Peticionante decorre do fato de o processo em referência constar no "Relatório de Situação Fiscal" com o status "Débitos/Pendências na Receita Federal": Desse modo, com fundamento no art. 151, III, do CTN, requer seja o banco de dados atualizado, de modo a excluir o processo em referência do status "Débitos/Pendências na Receita Federal". Fl. 1559DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 13 12 Voto Conselheira EvaMaria Los, Relatora 1 Preliminar de decadência. 35. A argumentação de que o ágio se originou em período de apuração já atingido pela decadência, para pleitar que a glosa da amortização autuada em período inferior a 5 (cinco) anos da data da autuação, já foi frequentemente objeto de decisões administrativas; citemse: Tipo do Recurso: RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR / RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE Data da Sessão: 03/10/2017 Nº Acórdão: 9101003.131 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA.O prazo decadencial relativamente à glosa de despesas de amortização de ágio inicia se com a dedução de tais despesas pelo contribuinte, sendo irrelevante para seu cômputo o momento em que ocorridas operações societárias que originaram o ágio. ÁGIO INTERNO. IMPOSSIBILIDADE DE AMORTIZAÇÃO.Inadmissível a formação de ágio por meio de operações realizadas dentro do grupo econômico. Acórdão: 1301002.608 Data de Publicação: 22/01/2018 Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008 Ementa: DECADÊNCIA. Na hipótese de fato que produza efeito em períodos diversos daquele em que ocorreu, a decadência não tem por referência a data do evento registrado na contabilidade, mas sim, a data de ocorrência dos fatos geradores em que esse evento produziu o efeito de reduzir o tributo devido. 36. Reiterase, portanto, os argumentos do Acórdão CARF 401001.624, proferido no processo nº 15563.720259/201133, do mesmo contribuinte e relativo ao mesmo ágio: Não há que se falar de decadência do lançamento referente à glosa de ágio, justamente porque a contagem inicial do prazo decadencial toma como marco inicial não o momento da formação do ágio como quer fazer crer a recorrente, mas o momento de sua dedutibilidade. Isso porque a contabilização do ágio, na operação de integralização de aumento de capital, enseja mero lançamento contábil de natureza patrimonial, sem repercussão imediata na determinação do lucro líquido, do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Diante da não ocorrência de fato gerador, não há possibilidade jurídica de lançamento de ofício e, conseqüentemente, de início da contagem do prazo decadencial, bem como esclareceu a DRJ: Fl. 1560DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 14 13 105. Conforme o art. 150, § 4°, do CTN, a contagem do prazo decadencial não se inicia no momento de formação do ágio, mas a partir do fato gerador. Considerando que a apuração do lucro real foi anual, e que as despesas glosadas competiam aos anoscalendário 2007 e 2008, os fatos geradores ocorreram em 31/12 daqueles anos. Portanto, o termo final do prazo decadencial é 31/12 de 2012 e 2013, respectivamente. Como a ciência do lançamento ocorreu em 27/12/2011 (fls. 4.298, 4.303, 4.309 e 4.315), não houve decadência. 37. Afastase, portanto, a decadência. 2 Mérito. 2.1 ACUSAÇÃO DE SIMULAÇÃO. 38. Como se expõe a seguir, não é possível caracterizar as operações societárias como simuladas, em sua essência foi publicamente reconhecido, inclusive por órgãos fiscalizadores que a associação teve objetivos estratégicos e perdurou por 7 anos, como relata o Recorrente. 39. O questionamento do Autuante e da DRJ se centra: a) nas estapas operacionais para atingir a associação, consideradas como executadas de forma a gerar ágio dedutível, ou seja, simuladas, pois seriam desnecessárias; b) e se tratar de operação entre partes relacionadas. 2.2 DIREITO À AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO. 40. O Recorrente informa que, no período autuado, foi uma joint venture (associação) dos grupos empresariais CBD e Sendas, do ramo de comercialização (supermercados), que perdurou desde 2004 (com a participação de 50% de cada grupo, no capital social e no processo decisório) até 2011, quando o grupo CBD, adquiriu a participação do grupo Sendas, terminando a associação. 2.3 Cabe ter me mente o que significa joint venture na forma societária, que foi o caso; cite se: Fonte: http://www.ambito juridico.com.br/site/index.php?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=6843, Parcerias empresarias “joint ventures”, Eliane M. Octaviano Martins: Juridicamente, inexiste definição legal exata que possa abarcar um conceito universal, delimitando com precisão a expressão. Joint venture é um modelo de estratégia. Doutrinariamente ou jurisprudencialmente predomina a imprecisão terminológica, o que torna a joint venture um conceito “fluído”.[5] Joint venture é uma figura jurídica que contempla as associações e as alianças estratégicas entre empresas. Constitui forma associativa sui generis. É modelo jurídico nascido e desenvolvido da prática dos mais variados campos de negócios, reconhecida pela jurisprudência e configurada por contratos formais. Sua aplicação extendese desde um simples contrato de colaboração, até a união total de sociedades numa única empresa. Fl. 1561DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 15 14 Joint venture ou merger significa fusão ou associação de capitais; participação acionária; transação ou operação conjunta, na qual o aporte de capital pode ser um mix de bens tangíveis ou bens líquidos.[6] Para Carlos Alberto Bittar, joint venture é conceituada como o “ajuste tendente a combinação de capitais ou de técnicas entre empresas diferentes, com ou sem o surgimento de nova personalidade jurídica”.[7] Joint venture pode ser entendida também como operação conjunta, participação acionária, associação de capitais, transferência de tecnologia ou empreendimentos determinados, plasmados, de imediato –sob forma societária própria, como acontece com as instituições de sociedade anônima ou limitada – ou não, para poder alcançar de forma progressiva a maturação no relacionamento – que é restrito no início, a mera participação societária. Seria uma espécie recente de ação empresarial e que vem colocandose no lugar das operações de aquisição de empresa, ou de controle, no qual os parceiros mantêm posições equilibradas ou ajustadas, contribuindo em numerário, ou em bens, tecnologia, etc. [8] Len Young Smith e G. Gale Roberson definem a joint venture como ”a modalidade de ‘partnership’ temporária, organizada para a execução de um único ou isolado empreendimento lucrativo e usualmente, embora não necessariamente, de curta duração. É uma associação de pessoas que combinam seus bens, dinheiro, esforços, habilidade e conhecimentos com o propósito de executar uma única operação negocial e lucrativa.” [9] (...) 3. FORMAS DE “JOINT VENTURE” A característica essencial de uma joint venture é a intenção de realizar um projeto ou empreendimento comum, utilizando ou a forma societária com a criação de uma empresa, esta assumindo nova e distinta personalidade jurídica; ou então na forma contratual, criando uma associação regida por contratos de associação. Constituirão as corporate ou non corporate joint ventures , e caso os coventures aportem ou não recursos financeiros, teremos as chamadas equity e as non equity joint ventures. (...) 3.2.“Joint ventures” societárias A característica essencial de uma joint venture societária[18] é a intenção de realizar um projeto ou empreendimento comum, com a criação de uma empresa, esta assumindo nova e distinta personalidade jurídica. [5] Rae v. cameron, 112 Mont 159, 168, 114 p. 2d. 1060 (1941), apud Luiz Olavo Baptista, in A Joint Venture – Uma Perspectiva Comparatista, Revista de Direito Mercantil, ano XX, 42, abr/jun 81. (...) Fl. 1562DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 16 15 [6] Cf. Dicionário Inglês/Português para economistas e Contabilistas. Fonte citada – sem demais referências na obra de U. V. Rasmussen, op.cit. [7] BITTAR, Carlos Alberto. Contratos comerciais. Rio de janeiro: Forense Universitária, 1994. 2ª ed., p. 213. [8] idem. [9] SMITH, Len Young e ROBERSON, G. Gale, in the law of Corporations. Mineola, N.Y. : The Foundation Press, Inc. 1971 apud PENTEADO, Mauro R.,. Consórcios de Empresas. São Paulo : Livraria Pioneira Editora, 1979. p. 129. [18] BASSO, Maristela in Joint Ventures – Manual Prático das Associações Empresariais . Porto Alegre : Livraria do Advogado, 1998, p. 47 : “A distinção entre as joint ventures societárias (corporate) e as não societárias (non corporate) resulta da existência, na primeira, de elementos específicos do contrato de sociedade, em especial : a) a entrada com que os participantes contribuem para possibilitar a execução em comum do projeto ou operação; b) a repartição de lucros ou prejuízos; c) o interesse comum dos participantes de que a associação atinja seus objetivos, em razão do qual exercem ou controlam a gestão do empreendimento”. 41. Após Protocolo de Intenções, em 08/12/2003, os dois grupos assinaram Acordo de Investimento e de Associação em 05/02/2004, págs. 1.170/1.187: a. 1.2, informa que o grupo Sendas é controlado pela Sendas Empreendimentos; b. 1.3. que o grupo Pão de Açucar (CBD) pelas sociedades PAIC, Península e Nova Península; c. a associação objetiva explorar sinergias, visando economia de escala, mediante a constituição de uma nova empresa regional de distribuição; d. 2.3 a gestão e administração, via Diretoria Executiva, inteira responsabilidade da CBD; e. ambos grupos aportarão todos os estabelecimentos que possuem no Estado do Rio de Janeiro. 42. Na consecução do objetivo de se associarem, foram seguidos os seguintes passos, após terem os: a. págs. 416/450, da parte do grupo Pão de Açucar, foi constituída a empresa Rio Patea Empreendimentos e Participações Ltda (Rio Patea), na qual a Companhia Brasileira de Distribuição (CBD) e a Novasoc Comercial Ltda (Novasoc) ingressaram como sócias com capital R$100,00 (50% cada) e aumentaram o capital para R$114.729.239,00 subscrito da seguinte forma: Fl. 1563DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 17 16 i. CBD: 14.950 quotas, com: R$4.950,00 moeda e R$10.000,00 direitos de exploração do fundo de comércio de suas lojas; resultaram 15.000 quotas detidas; ii. Novasoc: 114.714.189 quotas: R$4.950,00 moeda e R$114.709.239,00 de contas a receber e direitos de exploração do fundo de comércio de suas lojas resultaram 114.714.239 quotas; iii. data 29/02/2004, data registro na JUCESP 19/04/2004; iv. na mesma data, CBD e Novasoc retiramse da sociedade e transferem o total das quotas para Sé Supermercados Ltda (Sé), a serem pagas em 2 (dois) anos; resulta que a Rio Patea tornase subsidiária integral da Sé, única sócia; data 29/02/2004, data registro na JUCESP 19/04/2004; v. Sé (sócia da Sendas Distribuidora S/A, que é a Recorrente), considerando que aprovou aumento de capital na Recorrente mediante conferência da totalidade das quotas da Rio Patea, cede e transfere á Recorrente as ditas quotas; data 02/03/2004, data registro na JUCESP 19/04/2004; vi. Sendas Distribuidora S/A, que é a Recorrente, incorpora a Rio Patea (sua subsidiária integral) e a extingue; data 30/04/2004, data registro na JUCESP 30/06/2004; vii. Comentário: as integralizações e transferências entre as empresas do grupo se deram a valores contábeis e os direitos de exploração de fundos de comércio a valores inferiores aos de mercado. b. págs. 480/570, da parte do grupo Sendas, foi constituída a empresa Serra do Andaraí Empreendimentos e Participações Ltda (Andarai)), na qual a Sendas S/A ingressou como sócia com capital R$100,00 (100%) e aumentouo para R$15.000,00 subscrito da seguinte forma: i. 4.900 quotas, com: R$4.900,00 moeda e R$10.000,00 direitos de exploração do fundo de comércio de suas lojas; resultaram 15.000 quotas, de capital de R$15.000,00, resultando a Andaraí sua subsidiária integral; data 29/02/2004, data registro na JUCERJ 28/05/2004; ii. Sendas S/A (sócia da Sendas Distribuidora S/A, que é a Recorrente), considerando que aprovou aumento de capital na Recorrente mediante conferência da totalidade das quotas da Andaraí, cede e transfere à Recorrente as ditas quotas; data 02/03/2004, data registro na JUCESP 19/04/2004; iii. Sendas Distribuidora S/A, que é a Recorrente, incorpora a Andaraí (sua subsidiária integral) e a extingue; data 30/04/2004, data registro na JUCERJ 28/05/2004; Fl. 1564DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 18 17 iv. Comentário: a integralização na Andaraí se deu a valores contábeis e os direitos de exploração de fundos de comércio a valor inferior ao de mercado. c. págs. 565/568, ingressam como acionistas na joint venture Sendas Distribuidora S/A, que é a Recorrente: i. CBD, 800 ações com voto 40%; Novasoc, 200 10% e Sendas S/A 1.000 50%; total 2.000 ações, no valor de R$2.000,00; data 29/02/2004, data registro na JUCERJ 29/03/2004; ii. é aprovado aumento do capital para R$900.002.000,00; são emitidas 500.000.000 ações ordinárias e 400.000.000 ações preferenciais, todas nominativas e sem valor nominal; preço de emissão R$1,00/ação; foram subscritas e integralizadas da seguinte forma: 15. 000 quotas Andaraí a valor de mercado 31/12/2003, R$853.904.369,00, Laudo Anexo IV 250.000.000 AO R$() 325.209.265,75, valor contábil 31/01/2004, acervo líquido (PL) da Sendas S/A, Laudo Anexo V Sendas S/A 450.000.000 ações (50%) 200.000.000 AP a serem pagos em 4 anos, com atualização CBD 25.002.941 ações (2,78%) 25.002.941 AO R$25.002.940,72 valor contábil 31/01/2004, acervo líquido (PL), Laudo Anexo I Novasoc 2.019.192 ações (0,22%) 2.019.195,75 AO R$2.019.195,75 valor contábil 31/01/2004, acervo líquido (PL), Laudo Anexo II 222.977.864 AO Sé 422.977.864 ações (47%) 200.000.000 AP 114.729.239 quotas CS Rio Patea a valor de mercado 31/12/2003, R$618.340.702,00, Laudo Anexo III iii. data 29/02/2004; data registro na JUCERJ 29/03/2004; iv. Comentário: a joint venture societária se materializou com a integralização supra, em que cada um dos grupos passou a deter 50% de todo o capital, e 50% do poder decisório, dado que cada um passou a deter 50% das AO e 50% das AP. v. págs. 692/697 Protocolo de Incorporação e Justificação da incorporação das suas subsidiárias Rio Patea e Andaraí pela Recorrente: 1. Rio Patea: PL R$114.729.239,00; 2. Andaraí: PL R$15.000,00 3. A incorporação não acarreta aumento do CS da incorporadora (Recorrente) 4. As incorporadas são extintas; data 15/04/204; registro na JUCERJ 31/05/04. d. pág. 730, demonstrativo apresentado pela Sendas Distribuidora S/A (Recorrente) do valor de ágio que contabilizou: Fl. 1565DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 19 18 Empresa Vlr. do Patrimônio da Empresa a preço de Mercado cfe laudo Vlr. Do patrimônio da Empresa utilizado Ágio em Investimento Subscrição de Capital Rio Patea 618.340.702,00 422.977.864,00 308.248.625,00 114.729.239,00 Andaraí 853.904.369,00 575.209.265,71 575.194.265,71 15.000,00 i. Comentário: os valores de mercado da Rio Patea e da Andaraí contabilizados pelo Recorrente foram inferiores aos apontados nos Laudos de Avaliação; desta forma, obtevese a participação de 50% de cada um dos grupos: 1. Pão de Açúcar: R$ (422.977.864,00+25.002.940,72+2.019.195,75)=450.000.000,47; 2. Sendas: R$(575.209.265,71 325.209.265,75+200.000.000,00)=449.999.999,96. 3. Os ágios apurados foram, respectivamente R$308.248.625,00 e R$575.195.265,71. 4. Vigia no ano calendário 2004 o art. 36 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 36. Não será computada, na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da pessoa jurídica, a parcela correspondente à diferença entre o valor de integralização de capital, resultante da incorporação ao patrimônio de outra pessoa jurídica que efetuar a subscrição e integralização, e o valor dessa participação societária registrado na escrituração contábil desta mesma pessoa jurídica. (Revogado pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o O valor da diferença apurada será controlado na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) e somente deverá ser computado na determinação do lucro real e da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido: (Revogado pela Lei nº 11.196, de 2005) I na alienação, liquidação ou baixa, a qualquer título, da participação subscrita, proporcionalmente ao montante realizado;(Revogado pela Lei nº 11.196, de 2005) II proporcionalmente ao valor realizado, no período de apuração em que a pessoa jurídica para a qual a participação societária tenha sido transferida realizar o valor dessa participação, por alienação, liquidação, conferência de capital em outra pessoa jurídica, ou baixa a qualquer título.(Revogado pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2o Não será considerada realização a eventual transferência da participação societária incorporada ao patrimônio de outra pessoa jurídica, em decorrência de fusão, cisão ou Fl. 1566DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 20 19 incorporação, observadas as condições do § 1o.(Revogado pela Lei nº 11.196, de 2005) (Grifouse.) 5. Comentário: a legislação permitia diferir a tributação do ganho de capital, no caso, pelas empresas Sé e Sendas S/A. 2.4 OPERAÇÕES ENTRE PARTES RELACIONADAS. 43. O Recorrente foi alvo de autuações relativas ao ágio amortizado, relativo à operação descrita, nos processos: a. 15563.000871/200891, relativo ao anocalendário 2005; Acórdão CARF 1.401 001.623, de 04/05/2016 b. 15563.720259/201123 relativo aos anoscalendário 2006, 2007 e 2008; Acórdão CARF 1401001.624 de 04/05/2016. c. 15563.720356/201398 relativo aos anoscalendário 2009 e 2010; d. 15563.720.274/201513, que é o que aqui se julga. 44. Os dois Acórdãos citados foram proferidos pelo mesmo Conselheiro do CARF; no que tange ao direito à dedutibilidade do ágio em questão, assim se pronunciou: Discordo da DRJ em algum de seus fundamentos, porém, o lançamento deve ser mantido, principalmente porque existe um ponto principal descrito no auto de infração com o qual estou de pleno acordo e que também foi abordado com um dos fundamentos da DRJ. (...) A parte relevante da defesa concentrase em demonstrar o propósito negocial como um todo na associação do grupo Sendas com o grupo Pão de Açúcar (CBD). De fato, se visto sob um ponto de vista geral, as operações descritas de reestruturação e reorganização do grupo sendas com o grupo Pão de Açúcar não careceram de propósito negocial. O propósito negocial da associação efetuada é um fato notório, porém a forma como se deu é que macula o aproveitamento do ágio. Na verdade, vendo os fatos de forma retrospectiva a partir do que se desenrolou no futuro podese concluir que essa associação inicial foi uma etapa do processo de aquisição do grupo Sendas pelo grupo Pão de Açúcar, mas que até o momento dos fatos aqui tratados tal aquisição ainda não havia se dado. Porém, se a ausência de propósito negocial pode ser uma condição que por si só possa invalidar o planejamento tributário, a simples presença dela não é uma condição suficiente para validálo, isso porque pode ocorrer outras situações que maculem o planejamento como de fato foi o que ocorreu, senão vejamos. Fl. 1567DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 21 20 E o ponto crucial dessa mácula encontrase no fato de que as partes deixaram de ser mterdependentes na medida em que os Grupos Pão de Açúcar e Sendas, apesar do seu histórico de concorrência, passaram a não mais disputar o mercado entre si. e uniram esforços para alcançar objetivos comuns, que passou inicialmente pela tentativa de formarem uma joint venture. Na verdade, o que aconteceu foi que essa joint venture que se consubstanciou na criação da SENDAS Distribuidora deixando o controle acionário na mesma de forma paritária, ou seja, sendo dividido entre os dois grupos envolvidos (Grupo Sendas e o grupo Pão de Açúcar (CBD). Toda a cadeia de eventos que se deu nas empresas de passagens Serra do Andaraí (SENDAS) e Rio Patea (CBD), em curto espaço de tempo, nada mais é do que destacar os ativos e direitos de exploração de cada um dos grupos para fazer parte da Recorrente, reavaliar esses ativos a preço de mercado e. por fim, aproveitar o ágio de si mesmo. É como se cada um dos grupos (CBD e Sendas) fizesse separadamente e dentro do seu próprio grupo tais operações de reavaliação do ativo e não as tributasse, gerando o conhecido ágio interno e no caso também, o ágio de si mesmo, sabidamente não oponível ao Fisco. (...) Causa espanto o fato de a CBD e SENDAS terem atribuído, nas integralizações feitas em RIO PATEA e SERRA DO AND ARAÍ, o valor de R$ 10.000,00 aos direitos de cada um na exploração do fundo de comércio relativo às suas lojas no Estado do Rio de Janeiro. Esse aviltamento proposital só foi possível com a certeza de que havia uma estruturação passo a passo no caminho de formarem uma única empresa com participações equitativas (meio a meio) onde o ganho adviria através da criação de um ágio fictício, porque foi sobrevalorizado através do aviltamento inicial dos valores patrimoniais dessas integralizações (capital social inicial). O passo seguinte sena avaliálas agora sim a preço de mercado e obter o ágio sobrevalorizado a ser deduzido. (...) Nas operações objeto de análise nestes autos, os Grupos Pão de Açúcar e Sendas, apesar do seu histórico de concorrência, não disputavam mercado entre si, mas uniam esforços para alcançar objetivos comuns. Somente o efetivo tributário intragrupo pode explicar o fato de CBD e SENDAS terem atribuído, nas integralizações feitas em RIO PATEA e SERRA DO AND ARAÍ, o valor de R$ 10.000,00 aos direitos de cada um na exploração do fundo de comércio relativo às suas lojas no Estado do Rio de Janeiro. A prova e quantificação do erro no valor das integralizações são os próprios laudos confeccionados segundo a capacidade de geração de resultados futuros. Em vez de atender a algum propósito negocial, o objetivo foi rebaixar Fl. 1568DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 22 21 artificialmente o valor do capital social, de modo a maximizar a diferença entre este e as avaliações, ou seja, o ágio. Esse aviltamento do capital social se deu justamente porque as partes deixaram de respeitar um critério super importante para a validade da existência do ágio, que é o fato de as partes serem interdependentes, onde as aquisições se dão a preço de mercado. Essa situação conduziu inexoravelmente também a existência do denominado "ágio de si mesmo", também muito bem colocado tanto pelo autuante quanto pela DRJ. (...) Não restam dúvidas, portanto, que as operações em sequencia terminaram produzindo o ágio interno e o ágio de si mesmo. Na prática, o ágio de si mesmo denota que não houve nem aquisição envolvendo terceiros. E de fato, não houve. O que houve, como já se disse alhures, foi apenas que os dois grupos resolveram reavaliar seus ativos, equalizando os preços um com o outro de forma paritária (meio a meio), onde o fiel da balança foi o aporte financeiro feito pelo grupo Pão de Açúcar na Rio Patea. Ao final tais ativos foram acomodados na SENDAS DISTRIBUIDORA também meio a meio. Ou seja, não houve até esse ponto, qualquer aquisição de um grupo pelo outro, mantendose a independência cada qual do seu acervo original. Como também já se disse, aqui se tratou apenas de uma etapa preparatória para um futura aquisição do grupo Sendas pelo grupo Pão de Açúcar, que de fato ocorreu depois dos fatos aqui tratados. Portanto, comprovada está o abuso de direito na medida que pelas provas dos autos constatouse que os valores atribuídos às integralizações nas sociedades de passagem foram artificialmente rebaixados, com o objetivo de maximizar o ágio dos investimentos, conforme comprovam os laudos de avaliação; bem assim também ficou caracterizada a existência do chamado "ágio de si mesmo" em operações intragrupo que também macula toda a operação. 45. Do transcrito supra, esta relatora concorda com a existência de ágio de si mesmo no conjunto de operações efetuadas. 46. Nas operações descritas, a Sendas Distribuidora S/A (Recorrente) teve seu aumento de capital mediante, entre outros, as quotas da Rio Patea e da Andaraí, com ágio; no entanto, a Sendas Distribuidora S/A era, tanto antes desta operação como depois, constituída de 50% pelo Grupo Pão de Açúcar e 50% pelo Grupo Sendas; os bens conferidos foram 50% Grupo Pão de Açúcar e 50% pelo Grupo Sendas; o ágio da Rio Patea resultou de bens do Grupo Pão de Açúcar a ela conferidos, que o mesmo Grupo Pão de Açúcar via quotas da Rio Pátea, integralizou na Sendas Distribuidora S/A (Recorrente); e analogamente o Grupo Sendas, via Andaraí. 47. Não se vislumbra a participação de uma terceira parte da negociação e definição do valor dos bens reavaliados. Fl. 1569DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 23 22 48. Ambos Grupos, em paralelo, aportaram seus bens no Recorrente de forma paritária e tornaramse proprietários de forma paritária na sociedade resultante (Recorrente). 49. A observação do Acórdão citado, de que ambas reavaliaram seus próprios bens é correta. 50. Assim, tal ágio não preenche os requisitos de dedutibilidade da sua amortização uma das partes na transação, podese dizer, fora, 50% cada grupo; e a outra parte, foram os mesmos. Tipo do Recurso: RECURSO ESPECIAL DO PROCURADOR / RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE Data da Sessão: 12/09/2017 Nº Acórdão: 9101003.077 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 ÁGIO INTERNO. AMORTIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE.A hipótese de incidência tributária da possibilidade de dedução das despesas de amortização do ágio, prevista no art. 386 do RIR/1999, requer a participação de uma pessoa jurídica investidora originária, que efetivamente tenha acreditado na "mais valia" do investimento e feito sacrifícios patrimoniais para sua aquisição.Inexistentes tais sacrifícios, notadamente em razão do fato de alienante e adquirente integrarem o mesmo grupo econômico, evidenciase a artificialidade da reorganização societária que, carecendo de propósito negocial e substrato econômico, não tem o condão de autorizar o aproveitamento tributário do ágio pretendido pela contribuinte.Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL 2.5 DUPLICIDADE 51. Acusa que a glosa das despesas de amortização do ágio ocorreu em duplicidade, pois o valor integral do saldo de ágio registrado de R$439.013.328,40 foi glosado no processo nº 15563.720259/201133. 52. Destaquese que o equívoco que o recorrente aponta já foi objeto de correção tanto pelo Acórdão DRJ, como pelo CARF, conforme se transcreve a seguir: 2) ÁGIO AMORTIZADO EM 2008 (EQUÍVOCO NA APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL) Tabela 1 Infração Anocalendário Valor no lançamento Valor mantido Amortização de ágio indedutível 2007 91.969.359.62 91.969.359.62 Amortização de ágio indedutível 2008 439.013.328,40 93.377.359,38 A DRJ acertadamente cancelou parte do ágio considerado amortizado pela fiscalização no ano calendário de 2008, por se tratar na verdade de uma confusão feita pelo autuante ao não conseguir distinguir o lançamento da provisão determinada pela IN CVM 319/99, art. 6°, § 1° do ágio efetivamente amortizado. Conforme Tabela II abaixo, diferentemente do que aconteceu Fl. 1570DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 24 23 para ano calendário de 2006 e 2007, na DIPJ 2009 (Ano calendário de 2008), tanto o ágio quanto a provisão foram lançados conjuntamente na linha 27, de modo que o valor informado para 31/12/2008 representa o ágio menos a provisão (R$ 498.652.236,71 R$ 345.635.969,02 = R$ 153.016.267,69). Portanto, o ágio amortizado em 2008 seria de R$ 93.377.359,38 (= R$ 592.029.596,09 R$ 498.652.236,71), e não R$ 439.013.328,40 (= R$ 592.029.596,09 R$ 153.016.267,69), como considerou a fiscalização. A DRJ bem esclareceu essa falta de distinção: 106. Na tabela abaixo, constam os valores declarados nas DIPJ 2008 e 2009 (fls. 42 e 86), Ficha 36A, Linhas 27 "Ágios em investimentos" e 30 "()Deságios e provisões para perdas prováveis em investimentos". Linha\Data 31/12/2006 31/12/2007 31/12/2008 27 683.998.955,71 592.029.596,09 153.016.267,69 30 474.182.830,94 410.359.583,87 973.967,99 107. Para 31/12/2007 (DIPJ 2008), segundo o Interessado, foi declarado na linha 27 o valor do ágio em investimentos, enquanto, na linha 30, foi lançada a provisão determinada pela IN CVM 319/99, art. 6°, § 1°. Na DIPJ 2009, tanto o ágio quanto a provisão foram lançados na linha 27, de modo que o valor informado para 31/12/2008 representa o ágio menos a provisão (R$ 498.652.236,71 R$ 345.635.969,02 = R$ 153.016.267,69). Portanto, o ágio amortizado em 2008 seria de R$ 93.377.359,38 (= R$ 592.029.596,09 R$ 498.652.236,71), e não R$ 439.013.328,40 (= R$ 592.029.596,09 R$ 153.016.267,69), como considerou a fiscalização. 108. Para provar suas alegações, junta aos autos o "Balanço analítico consolidado em dezembro08" (Doc. 10, fls. 4.857/4.860), em que constam os valores de 498.652.236,71 e 345.635.969,02 a título de ágio e provisão; e a nota explicativa n° 11 de demonstrações contábeis publicadas no DOE (Doc. 11, fls. 4.861/4.865), que registra amortização de 93.377 mil em 2008. 109. Acrescento que na Ficha 5A da DIPJ 2009, linha 21, fl. 71, o Interessado declarou "Encargos de Amortização" no valor de R$ 93.377.359,38. 110. Por todo o exposto, considero comprovado que no ano de 2008 a amortização de ágio foi de R$ 93.377.359,38. Em face dos argumentos expostos na decisão recorrida, os quais aqui os encampo integralmente, nego provimento ao recurso de ofício. Fl. 1571DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 25 24 53. À vista do exposto, evidenciase que o erro já foi sanado, desde que foi proferido o Acórdão supra, na sessão de julgamento ocorrida em 04 de maio de 2016. 2.6 ERRO NA QUANTIFICAÇÃO DAS EXIGÊNCIAS. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS. 54. Reclama que, na apuração das bases de cálculo do IRPJ e CSLL exigidos, deixaram de ser consideradas as possíveis compensações de prejuízos acumulados e bases de cálculo negativas de períodos anteriores, conforme Sapli, fls, 810/816, que levam em conta as glosas procedidas em outros autos de infração. E anexa aos autos a DIPJ 2014/2013, doc. 01; quanto aos anoscalendário 2014 e 2015, a obrigação acessória equivalente passou a ser a Escrituração Contábil Fiscal ECF, cujos dados estão disponíveis aos julgadores; invoca os arts. 250, III, 509, § 1º e 510, do RIR de 1999, que estabelecem o direito; também o CARF reconhece e pode ensejar a nulidade do lançamento: à pág. 1.472, demonstra que os montantes das exigências seriam reduzidos: a. no anocalendário 2011: o IRPJ de R$36.099.611,69 a R$25.262.528,18; o de CSLL de R$13.004.500,21 para R$9.103.150,15. b. no anocalendário 2012: o IRPJ de R$25.938.092,36 a R$18.156.664,65; o de CSLL de R$9.337.713,25 para R$6.536.399,28. 55. O mesmo questionamento foi interposto no processo nº 15563.720259/20133, referente aos períodos de apuração 2007, 2008 e 2009, no qual julgouse improcedente (Acórdãos DRJ e CARF) a infração Saldo Credor de Caixa e a infração mantida (relativa ao ágio) teve o IRPJ e CSLL correspondentes compensados com prejuízo e saldo negativo do próprio período, não restando exigências, de forma que a questão não chegou a ser objeto de análise por perda de objeto; consta do Acórdão DRJ que os saldos de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL dos anoscalendário 2006 a 2008 foram alterados para: R$() 142.242.919,99, R$()13.151.784,45 e R$()138.859.674,45, respectivamente. 56. No processo nº 15563.720356/201398, referente aos anoscalendário 2009 e 2010, em que a autuação foi mantida pela DRJ, com IRPJ e CSLL a exigir, o questionamento não foi apresentado na impugnação, nem foi objeto de decisão pela DRJ; o recurso voluntário aguarda decisão no CARF. 57. No presente processo, anos calendário 2011 e 2010, a questão foi levantada na impugnação, tendo a DRJ se pronunciado no sentido de que não havia prova destes prejuízos e bases negativas No entanto, essa comprovação fica prejudicada tendo em vista que a empresa não apresentou, até a presente data, DIPJ para os anos base 2014 e 2015, como se constata no sistema de controle da RFB. Assim, não é possível confirmar se a empresa mantém prejuízo fiscal passível de compensação ou se esse foi absorvido no citados exercícios de 2015 e 2016.Verificase que, no presente processo, foi efetuada a compensação de prejuízo que o Recorrente havia apurado, do período autuado, mas não de períodos anteriores, na autuação relativa a 2011, pág. 777, e nenhuma compensação de prejuízos em 2012, pág. 779; analogamente, na apuração da CSLL, págs. 788 e 789. Fl. 1572DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 26 25 58. O recorrente, corretamente argumentou que anexa DIPJ 2014/2013, doc. 01 e quanto aos anoscalendário 2014 e 2015, a obrigação acessória equivalente passou a ser a Escrituração Contábil Fiscal ECF, disponível na RFB. 59. A legislação permite a compensação até o limite de 30% do lucro, portanto, o pleito é procedente, desde que efetivamente existam. 60. Os demonstrativos de Compensação de Prejuízos Fiscais (Sapli), pág. 810/816, não registram que o Lucro Real de 2010 tenha sido alterado em função das autuações fiscais dos anos precedentes e de 2011 e 2012. 61. Contudo, a quantificação dos prejuízos acumulados e das bases de cálculo negativas disponíveis para compensação depende dos deslindes finais dos julgamentos dos processos que precederam este, e que são: 15563.000871/200891, do anocalendário 2005; 15.563.720259/201133, anos 2006, 2007 e 2008; 15.563.720356/201398, anos 2009 e 2010 e ainda de se levar em conta eventuais valores consumidos em compensações nos anos calendário posteriores, ocorridos antes da decisão final deste processo. 62. Em síntese, a reclamação é procedente, porém não há elementos para quantificar o montante a que teria direito, no momento desta decisão administrativa, o que somente será verificado por ocasião da implementação da decisão no presente processo. 2.7 MULTA DE OFÍCIO 75% CANCELAMENTO, ART. 112, I DO CTN 63. O dispositivo que regula a multa de ofício aplicada, conforme indicado no auto de infração, foi o art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) 64. Portanto, está em consonância com a legislação de regência, sendo o percentual de 75% o legalmente previsto para o lançamento de ofício, não se podendo, em âmbito administrativo, reduzilo ou alterálo por critérios meramente subjetivos, contrários ao princípio da legalidade. 65. Considerações sobre a graduação da penalidade, no caso, não se encontram sob a discricionariedade da autoridade administrativa, uma vez definida objetivamente pela lei, não dando margem a conjecturas atinentes à ocorrência de efeito confiscatório ou de ofensa ao princípio da proporcionalidade. Nesse sentido, qualquer pedido ou alegação que ultrapasse a análise de conformidade do ato administrativo de lançamento com as normas legais vigentes, em franca ofensa à vinculação a que se encontra submetida a instância administrativa (art. 142, parágrafo único, do CTN), como a contraposição a princípios constitucionais, somente podem ser reconhecidos pela via competente, o Poder Judiciário. Fl. 1573DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 27 26 66. Desse modo, devese considerar correta a aplicação da multa de lançamento de ofício ao percentual de 75%, definido em lei, sobre o valor de impostos e contribuições não recolhidos. 2.8 JUROS DE MORA. MULTA DE OFÍCIO NÃO ADIMPLIDA. INCIDÊNCIA. 67. A multa de ofício é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, estará sujeita à incidência de juros conforme estabelecido no art. 113 do CTN. 68. Esse é também o entendimento do STJ sobre o assunto, conforme se observa na ementa ao AgRg no REsp 1335688/PR (DJe de 10/12/2012) seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. 69. A jurisprudência do CARF vem convergindo no sentido de considerar procedente a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, depois de vencido o prazo para pagamento, uma vez que passa a integrar o crédito tributário. Acórdão nº 1401001.578 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 5 de abril de 2016 Ementa: (...) JUROS SOBRE MULTA Sobre a multa de oficio devem incidir juros a taxa Selic, após o seu vencimento, em razão da aplicação combinada dos artigos 43 e 61 da Lei n° 9.430/96. Acórdão nº 9303003.476 – 3ª Turma Sessão de 24 de fevereiro de 2016 Ano calendário:2007 Ementa: JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. Selic exigida nos termos da lei. Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401001.573– 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de março de 2016 Matéria IRPJ. Glosa de participação nos lucros e resultados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 Fl. 1574DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 28 27 JUROS SOBRE MULTA. POSSIBILIDADE. Os juros moratórios são devidos à taxa SELIC e sobre o “crédito tributário”. Este decorre da obrigação principal que, por sua vez, inclui também a penalidade pecuniária. 70. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, determina: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal,cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. 71. Notese que no caput do art. 61, o texto é “débitos [...] decorrentes de tributos e contribuições” e não meramente “débitos de tributos e contribuições”. O termo “decorrentes” evidencia que o legislador não quis se referir, apenas aos tributos e contribuições em termos estritos para todas as situações. 72. Finalmente a Súmula CARF nº 5: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. 73. E o CTN determina: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. 74. Assim, o crédito tributário decorre da obrigação principal que, por sua vez, tem por objeto também a penalidade pecuniária. Consequentemente, o entendimento sumulado compreende todo o crédito tributário lançado, ou seja, tributos e multas aplicadas. 2.9 SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO EM LITÍGIO. 75. Determina o Código Tributário Nacional CTN, Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 151, III, que Suspendem a exigibilidade do crédito tributário, as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, portanto, descabe procedimento de cobrança, em tal situação. Fl. 1575DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 29 28 3 Conclusão Voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, apenas para reconhecer o direito a compensação de prejuízos e bases de cálculo da CSLL comprovadamente disponíveis por ocasião da implementação da decisão. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 1576DF CARF MF Processo nº 15563.720274/201513 Acórdão n.º 1201002.104 S1C2T1 Fl. 30 29 Fl. 1577DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.722229/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
CONTRADIÇÃO. MATÉRIA NÃO LITIGIOSA. EXCLUSÃO.
Verificada a contradição entre os fundamentos do Acórdão e seu dispositivo, sendo neste tratada matéria não impugnada por falta de interesse processual, deve ser sanado o vício pela exclusão da referência à matéria não litigiosa que, por isso mesmo, não foi enfrentada no corpo da decisão.
Numero da decisão: 2201-004.278
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos para sanar, nos termos do voto da Relatora, a decisão constante do Acórdão nº 2403-000.877.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dione Jesabel Wasilewski - Relatora.
EDITADO EM: 22/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DIONE JESABEL WASILEWSKI
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MATÉRIA NÃO LITIGIOSA. EXCLUSÃO. Verificada a contradição entre os fundamentos do Acórdão e seu dispositivo, sendo neste tratada matéria não impugnada por falta de interesse processual, deve ser sanado o vício pela exclusão da referência à matéria não litigiosa que, por isso mesmo, não foi enfrentada no corpo da decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos para sanar, nos termos do voto da Relatora, a decisão constante do Acórdão nº 2403000.877. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Dione Jesabel Wasilewski Relatora. EDITADO EM: 22/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 22 29 /2 00 9- 14 Fl. 944DF CARF MF 2 Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de embargos de declaração apresentados pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (fls. 929/932) em face do Acórdão nº 2403000.877 da 3ª Turma Ordinária, 4ª Câmara desta 2ª Seção de Julgamento, em face de suposta omissão relativa à fundamentação da decisão no que diz respeito à retroatividade da legislação que estabelece penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória. Os embargos foram admitidos pelo despacho de fls. 933/934, que reconheceu a omissão nos seguintes termos: O fundamento do embargo é que o acórdão embargado incide em omissão no que tange à retroatividade da obrigação acessória, uma vez que em momento nenhum foi exposta na fundamentação motivação deste entendimento. A questão não foi sequer ventilada na fundamentação do acórdão. Tendo em vista a extinção da turma que prolatou a decisão embargada, os autos foram incluídos em lote sorteado em sessão pública a esta conselheira. É o que havia para ser relatado. Voto Conselheira Dione Jesabel Wasilewski Relatora Conforme bem apontou a autoridade embargante, o Acórdão nº 2403000.877 tratou em sua fundamentação apenas de dois assuntos: a exclusão do contribuinte do Simples e a incidência das contribuições previdenciárias sobre o Auxílio Alimentação. Não tendo acatado os argumentos do recurso voluntário em qualquer uma dessas matérias, concluiu por "negar provimento ao recurso". Ocorre, porém, que o dispositivo do Acórdão contém texto que não condiz com o que foi tratado na fundamentação: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recalculo da multa, com base na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, ao artigo 32A da Lei 8.212/91 com prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva na questão da tributação do PAT. Apesar dessa constatação, entendo que não se trata de omissão na fundamentação, mas de contradição entre ela e o dispositivo, que deve ser sanada com a alteração deste último. Fl. 945DF CARF MF Processo nº 10166.722229/200914 Acórdão n.º 2201004.278 S2C2T1 Fl. 945 3 Com efeito, contrariando a conclusão do texto do acórdão em negar provimento ao recurso, o dispositivo lhe deu parcial provimento para determinar o recálculo da multa. Esta matéria, contudo, não apenas não foi tratada na fundamentação, como não foi objeto de recurso voluntário (fls. 908/913), já que foi reconhecido pela própria decisão recorrida a necessidade de aplicação da penalidade mais benéfica. Aliás, essa matéria é objeto de tratamento pelo art. 476A da IN RFB nº 971, de 2009, e a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 2009, estabelece que este cálculo deverá ser refeito no momento do pagamento ou parcelamento, independente de requerimento do interessado. É o que determina, sem embargo, o seguinte dispositivo: Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. (grifouse) Assim, seja porque a administração tributária já reconhece a necessidade de aplicação da penalidade mais benéfica, seja porque ela foi expressamente reconhecida pela decisão da DRJ, bem como porque não houve qualquer pedido nesse sentido no recurso voluntário, quando da sua análise, essa matéria não se encontrava em litígio, sendo inadequada a referência a ela para fins de provimento do recurso. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer e prover os embargos de declaração, para determinar que seja sanada a contradição verificada no Acórdão 2403000.877 4ª Fl. 946DF CARF MF 4 Câmara/3ª Turma Ordinária, através da alteração de seu dispositivo, que passa a ter a seguinte redação: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva na questão da tributação do PAT. Dione Jesabel Wasilewski Relatora Fl. 947DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.001992/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2007
ITR. PAGAMENTO DE ATÉ 50% DO DÉBITO COM TÍTULOS DE DÍVIDA AGRÁRIA. COMPENSAÇÃO DO RESTANTE DO DÉBITO COM TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA RECEITA FEDERAL. POSSIBILIDADE.
Não se verifica na Lei 4.504/64 e tampouco no Decreto 578/92, que para o pagamento de até 50¨% do ITR com Títulos de Dívida Agrária escriturais, haja a obrigatoriedade de que o pagamento do restante do imposto tenha que ser pago, em espécie, podendo ser efetuado por meio de compensação com tributos administrados pela Receita Federal, uma vez que nos termos do inciso II, do art. 156, do CTN, a compensação é uma das modalidades de extinção do crédito tributário, e que de acordo com o § 2º do art. 74 da Lei
9.430/96, a compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Rejeitada essa prejudicial, devem os autos retornar à Unidade de origem para prosseguimento na análise do pedido.
Numero da decisão: 1402-000.615
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso para rejeitar a prejudicial de que para o pagamento de até 50% do débito de ITR, com Títulos da Dívida Agrária, o restante do débito deva ser pago em espécie, e determinar o retorno dos autos à Unidade de origem para prosseguimento na análise do pedido, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento, o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: Albertina Silva Santos de Lima
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2007 ITR. PAGAMENTO DE ATÉ 50% DO DÉBITO COM TÍTULOS DE DÍVIDA AGRÁRIA. COMPENSAÇÃO DO RESTANTE DO DÉBITO COM TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA RECEITA FEDERAL. POSSIBILIDADE. Não se verifica na Lei 4.504/64 e tampouco no Decreto 578/92, que para o pagamento de até 50¨% do ITR com Títulos de Dívida Agrária escriturais, haja a obrigatoriedade de que o pagamento do restante do imposto tenha que ser pago, em espécie, podendo ser efetuado por meio de compensação com tributos administrados pela Receita Federal, uma vez que nos termos do inciso II, do art. 156, do CTN, a compensação é uma das modalidades de extinção do crédito tributário, e que de acordo com o § 2º do art. 74 da Lei 9.430/96, a compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Rejeitada essa prejudicial, devem os autos retornar à Unidade de origem para prosseguimento na análise do pedido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para rejeitar a prejudicial de que para o pagamento de até 50% do débito de ITR, com Títulos da Dívida Agrária, o restante do débito deva ser pago em espécie, e determinar o retorno dos autos à Unidade de origem para prosseguimento na análise do pedido, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento, o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1986; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13116.001992/200711 Recurso nº 343.560 Voluntário Acórdão nº 140200.615 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 30 de junho de 2011 Matéria ITR Pagamento com TDA Recorrente VERA CRUZ AGROPECUÁRIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2007 ITR. PAGAMENTO DE ATÉ 50% DO DÉBITO COM TÍTULOS DE DÍVIDA AGRÁRIA. COMPENSAÇÃO DO RESTANTE DO DÉBITO COM TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA RECEITA FEDERAL. POSSIBILIDADE. Não se verifica na Lei 4.504/64 e tampouco no Decreto 578/92, que para o pagamento de até 50¨% do ITR com Títulos de Dívida Agrária escriturais, haja a obrigatoriedade de que o pagamento do restante do imposto tenha que ser pago, em espécie, podendo ser efetuado por meio de compensação com tributos administrados pela Receita Federal, uma vez que nos termos do inciso II, do art. 156, do CTN, a compensação é uma das modalidades de extinção do crédito tributário, e que de acordo com o § 2º do art. 74 da Lei 9.430/96, a compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Rejeitada essa prejudicial, devem os autos retornar à Unidade de origem para prosseguimento na análise do pedido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para rejeitar a prejudicial de que para o pagamento de até 50% do débito de ITR, com Títulos da Dívida Agrária, o restante do débito deva ser pago em espécie, e determinar o retorno dos autos à Unidade de origem para prosseguimento na análise Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13116.001992/200711 Acórdão n.º 140200.615 S1C4T2 Fl. 2 2 do pedido, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento, o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13116.001992/200711 Acórdão n.º 140200.615 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso contra decisão de primeira instância que indeferiu a solicitação de liquidação de 50% do débito de ITR com Títulos de Dívida Agrária, cujo acórdão apresenta a seguinte ementa: DO PAGAMENTO DO ITR COM TDA. Nos termos da IN Conjunta SRF/STN n° 01/01, para pagamento do ITR por meio de TDA, exigese que o pagamento da outra parte (50%) seja realizado em espécie, não havendo como aceitar que o mesmo seja feito através de compensação, conforme pretendido. O requerimento de pagamento de 50% do ITR com TDA escritural é datado de 25.10.2007. Conforme recibo de entrega de declaração do ITR do exercício de 2007, apresentada em 26.09.2007, para o imóvel rural NIRF 31892760, foi apurado o imposto de R$ 131.834,21 a ser pago em duas cotas, no valor de R$ 65.917,10. Na mesma data foi apresentada Declaração de Compensação, com o objetivo de compensar o valor de R$ 91.481,82, cujo crédito corresponde a saldo negativo do anocalendário de 2006, no valor original de R$ 84.051,65. O valor total do saldo negativo informado para esse anocalendário é de R$ 359.598,76. Os débitos informados na DCOMP referemse aos números de imóvel: (i) 31892760, no valor de R$ 65.917,10, (ii) 31892779, no valor de R$ 5.606,06, (iii) 3182795, no valor de R$ 19.640,47, e a Contribuições sociais retidas na fonte, no valor de R$ 318,19. Consta informação da autoridade administrativa, de que a declaração de compensação encontravase em análise manual. A ciência da decisão de primeira instância foi dada em 29.08.2008 e o recurso voluntário foi apresentado em 26.09.2008. A recorrente alega que a exigência prevista no art. 3º, § 1º, I, da IN Conjunta SRF/STN nº 01/01, de que os outros 50% fossem pagos em espécie, seria manifestamente ilegal, em ofensa ao princípio da estrita legalidade (art. 5º, II, 37, caput, e 150, I, da CF e art. 97 do CTN) porque violaria o art. 156, do CTN, o art. 74 da Lei 9.430/96, bem como, o art. 105, § 1º, a, da Lei 4.504/64, e o art. 11, I, do Decreto 578/92. Afirma que os dispositivos legais que autorizaram o pagamento de 50% com TDA, não condicionam o pagamento do restante do imposto, em espécie, por meio de DARF, de onde concluiu que o pagamento do restante do imposto deverá se dar nos termos da legislação vigente; e que no caso concreto, procedeu à compensação com saldo negativo do IRPJ, mediante a apresentação da DCOMP, com observância do que dispõe o art. 156, II, do CTN, que traz a compensação como modalidade de extinção do crédito tributário e com a Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13116.001992/200711 Acórdão n.º 140200.615 S1C4T2 Fl. 4 4 observância do art. 74 da Lei 9.430/96, com as alterações promovidas pela Lei 10.637/02, e da IN SRF 600/2005. Aduz, que a IN SRF/STN nº 01/01, ao extrapolar as disposições das leis que pretendeu regulamentar, também fez letra morta do art. 99, do CTN, que não admite que atos normativos regulamentares, como as Instruções Normativas alterem as disposições das leis em função das quais tenham sido expedidos. Salienta que a negativa do procedimento adotado pela recorrente afrontaria a vinculação a que está sujeita a autoridade administrativa, por força do art. 2º, I, da Lei 9.784/99. Pede a reforma da decisão para: a) que seja deferido o requerimento para pagamento de até 50% do ITR com TDA escritural; b) que seja aceito o pagamento do restante do imposto por meio de compensação. É o relatório. Voto Conselheira Albertina Silva Santos de Lima O recurso é tempestivo e atende às condições de admissibilidade. O presente processo foi encaminhado originalmente à Segunda Seção e foi encaminhado à Primeira Seção, nos termos do art. 7º, § 1º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256/2009, uma vez que o ITR declarado foi compensado com TDA(50%) e a outra metade, com saldo negativo do imposto de renda pessoa jurídica. Inicialmente devese apreciar se a competência para julgamento de recurso contra decisão de primeira instância, que indeferiu pedido de pagamento de 50% do ITR com TDA, é ou não desta Seção. De acordo com o art. 2º, VII, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, a competência para julgar recurso voluntário de decisão de primeira instância que verse sobre tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência das demais Seções, compete à Primeira Seção. Tendo em vista que o pagamento de 50% do ITR com TDA, não está incluída na competência das demais Seções, de que tratam os arts. 3º e 4º do mesmo Regimento, a competência para apreciação dessa matéria é mesmo da 1ª Seção. Observese que se discute a possibilidade do pagamento de 50% do ITR com Títulos da Dívida Agrária, e em vez do pagamento em espécie dos outros 50% do ITR, se Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13116.001992/200711 Acórdão n.º 140200.615 S1C4T2 Fl. 5 5 possa compensar a outra metade do ITR, com créditos relativos a tributos administrados pela SRF. Ou seja, o fato da compensação se dar com saldo negativo do imposto de renda em vez de outro tributo é indiferente. A compensação do saldo negativo foi formalizada por meio de DCOMP, sendo que segundo informação da autoridade administrativa, à época, a declaração de compensação encontravase em análise manual. Portanto, o direito à compensação do saldo negativo não é discutido neste processo. Caso se julgue que é possível a compensação da outra metade do ITR com tributos administrados pela Receita Federal, é que se deve verificar se a compensação foi ou não homologada, não sendo a mesma objeto de discussão no presente processo. A IN SRF/STN nº 1, de 25/10/2001, republicada em 16/11/2001, dispõe sobre o pagamento de até 50% do ITR com Títulos de Dívida Agrária. A referida Instrução Normativa foi editada com base na alínea “a” do § 1º do art. 105, da Lei 4.504, de 30/11/64 e no inciso I, art. 11, do Decreto 578, 24/06/92. Esses dispositivos dispõem: A Lei 4.504, de 30/11/64 dispõe sobre o Estatuto da Terra e dá outras providências. Art. 105. Fica o Poder Executivo autorizado a emitir títulos, denominados Títulos da Dívida Agrária, distribuídos em séries autônomas, respeitado o limite máximo de circulação equivalente a 500.000.000 de OTN (quinhentos milhões de Obrigações do Tesouro Nacional). (Redação dada pela Lei nº 7.647, de 19/01/88) § 1° Os títulos de que trata este artigo vencerão juros de seis por cento a doze por cento ao ano, terão cláusula de garantia contra eventual desvalorização da moeda, em função dos índices fixados pelo Conselho Nacional de Economia, e poderão ser utilizados: a) em pagamento de até cinqüenta por cento do Imposto Territorial Rural; O Decreto 578, de 24/06/92, dá nova regulamentação aos Títulos de Dívida Agrária. Art. 11. Os TDA poderão ser utilizados em: I pagamento de até cinqüenta por cento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural; Art. 15. Os Ministros da Economia, Fazenda e Planejamento e da Agricultura e Reforma Agrária poderão expedir as instruções necessárias à fiel execução do presente decreto. Determina a IN SRF/STN nº 1, de 25/10/2001, republicada em 16/11/2001: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13116.001992/200711 Acórdão n.º 140200.615 S1C4T2 Fl. 6 6 Art. 1o O contribuinte do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) poderá pagar até cinqüenta por cento desse imposto com Títulos da Dívida Agrária (TDA). § 1o Somente serão aceitos TDA escriturais, sendo vedado o seu fracionamento. Art. 3o Para solicitação de pagamento do imposto com TDA deverá ser utilizado, obrigatoriamente, o formulário cujo modelo de requerimento consta do Anexo I desta Instrução. § 1o O requerimento será instruído com os seguintes documentos: I Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf), correspondente ao pagamento, em espécie, da outra parte do imposto devido; A IN exige que o requerimento de pagamento de até 50% do ITR, seja instruído com o DARF, correspondente ao pagamento, em espécie, da outra parte do imposto devido. Entretanto, não se verifica na Lei 4.504/64 e tampouco no Decreto 578/92, cujos dispositivos que interessam a este julgado estão acima transcritos, que para o pagamento de até 50¨% do ITR com TDA, haja a obrigatoriedade de que o pagamento do restante do imposto tenha que ser pago, em espécie. Tendo a outra parte do ITR sido compensada com saldo negativo do imposto de renda, cuja DCOMP não está em apreciação neste processo, e levando em conta que, nos termos do inciso II, do art. 156, do CTN, a compensação é uma das modalidades de extinção do crédito tributário e que de acordo com o § 2º do art. 74 da Lei 9.430/96, a compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, deve ser rejeitada a prejudicial de que o pagamento do restante do débito de ITR, tenha que ser pago, em espécie, e os autos devem retornar à Unidade de origem para prosseguimento na análise do pleito. Assim, tendo a recorrente, pedido a reforma da decisão para que fosse deferido o requerimento para pagamento de até 50% do ITR com TDA escritural e que fosse aceito o pagamento do restante do imposto por meio de compensação com saldo negativo do imposto de renda, devese dar provimento parcial ao recurso, uma vez que outras condições devem ser atendidas para atendimento do seu pleito, que não foram apreciadas pela autoridade administrativa. Do exposto, oriento meu voto para dar provimento parcial ao recurso para rejeitar a prejudicial de que para o pagamento de até 50% do débito de ITR, com Títulos da Dívida Agrária, o restante do débito deva ser pago em espécie, e determinar o retorno dos autos à Unidade de origem para prosseguimento na análise do pedido. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Relatora Fl. 6DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13116.001992/200711 Acórdão n.º 140200.615 S1C4T2 Fl. 7 7 Fl. 7DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 15983.000615/2007-71
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1999 a 30/04/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DECADÊNCIA. DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES. APLICAÇÃO DO ART. 150, §4º DO CTN. EXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS POR COMPETÊNCIA.
A decadência deve ser apreciada a luz do art. 150, §4º do CTN quando constatado que trata-se de diferenças de contribuições e resta demonstrado nos autos a existência de recolhimentos antecipados para todas as competências..
OMISSÃO EM GFIP. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.562
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/1999 a 30/04/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DECADÊNCIA. DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES. APLICAÇÃO DO ART. 150, §4º DO CTN. EXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS POR COMPETÊNCIA. A decadência deve ser apreciada a luz do art. 150, §4º do CTN quando constatado que trata-se de diferenças de contribuições e resta demonstrado nos autos a existência de recolhimentos antecipados para todas as competências.. OMISSÃO EM GFIP. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
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secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1999 a 30/04/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DECADÊNCIA. DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÕES. APLICAÇÃO DO ART. 150, §4º DO CTN. EXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS POR COMPETÊNCIA. A decadência deve ser apreciada a luz do art. 150, §4º do CTN quando constatado que tratase de diferenças de contribuições e resta demonstrado nos autos a existência de recolhimentos antecipados para todas as competências.. OMISSÃO EM GFIP. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 06 15 /2 00 7- 71 Fl. 283DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Tratase de NFLD, DEBCAD: 37.073.1450 consolidado em 17/09/2007, contra o contribuinte identificado acima, no valor de R$ 339.311,42 (trezentos e trinta e nove mil, trezentos e onze reais e quarenta e dois centavos), correspondentes às contribuições devidas à Seguridade Social, relativas à parte dos segurados, empresa, financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho/RAT, e as destinadas a Terceiros (Salário Educação, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE). De acordo com o Relatório Fiscal, o crédito foi lançado por arbitramento e apurado por aferição indireta, conforme dispõe o art. 148 do CTN e art. 33 da Lei nº 8.212/91, aplicandose os critérios de apuração de procedimentos de fiscalização previstos na IN 3/2005. Ainda de acordo com o Relatório Fiscal, foram encontradas várias irregularidades na contabilidade, tais como: omissão de lançamentos contábeis (pagamentos a contribuintes individuais, folhas de pagamento do 13º salário, GPS, retenção INSS destacada nas notas fiscais de serviços, nota fiscal de serviço; lançamentos contábeis com divergência de valores (prólabore, receita de prestação serviços; duplicidade de lançamento contábil; lançamento contábeis indevidos (pagamento de GPS, de cesta básica); lançamentos contábeis incorretos. Assim, considerando a apresentação de documentos de forma deficiente e a confirmação de que a contabilidade não espelhava a realidade econômicofinanceira da empresa, e em razão das omissões e incorreções dos lançamentos contábeis, concluíram que a escrituração contábil não poderia ser considerada, levando à lavratura de Auto de Infração. O fato gerador foi a remuneração de mãodeobra contida em notas fiscais de serviços, apurado por aferição indireta; assim foram calculados 40% dos valores de serviços constantes nas NF, por tomador de serviços, e confrontados os resultados com os saláriosde Fl. 284DF CARF MF Processo nº 15983.000615/200771 Acórdão n.º 9202006.562 CSRFT2 Fl. 3 3 contribuição das folhas de pagamento (elaboradas por tomador). As diferenças apuradas, conforme quadro demonstrativo, serviram de base para a aferição indireta e estão discriminadas no RL. A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP julgado o lançamento procedente, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 16/05/2012, foi dado provimento parcial ao Recurso Voluntário, prolatandose o Acórdão nº 2301002.828 (fls. ), com o seguinte resultado: “Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento as contribuições apuradas até a competência 08/2002, anteriores a 09/2002, devido à aplicação da regra decadencial expressa no § 4°, Art. 150 do CTN, nos termos do voto do(a) Redator designado(a). Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Bernadete de Oliveira Barros, que votaram em aplicar o I, Art. 173 do CTN para os fatos geradores em que não havia recolhimento na rubrica específica e o disposto no § 4°, Art. 150 do CTN, onde havia recolhimento na rubrica específica; b) em manter a aplicação da multa, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Wilson Antonio de Souza Correa, que votaram pelo afastamento da multa; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator designado(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator designado: Leonardo Henrique Pires Lopes”. O acórdão encontrase assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1999 a 30/04/2007 DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratand0se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Aplicase o art. 150, §4º do CTN se verificado que o lançamento referese a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação. ARBITRAMENTO. MOTIVAÇÃO EM CONSONÂNCIA COM A LEI. Em conformidade com o §6º do art. 33 da Lei 8.212/91, se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição Fl. 285DF CARF MF 4 indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Presença nos autos de provas da motivação em consonância com a exigência legal. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. O não pagamento de contribuição previdenciária constituía, antes do advento da Lei nº 11.941/2009, descumprimento de obrigação acessória punida com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. Revogado o referido dispositivo e introduzida nova disciplina pela Lei 11.941/2009, devem ser comparadas as penalidades anteriormente previstas com a da novel legislação (art. 35 da Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 61 da Lei nº 9.430/1996), de modo que esta seja aplicada retroativamente, caso seja mais benéfica ao contribuinte (art. 106, II, “c” do CTN). Não há que se falar na aplicação do art. 35A da Lei nº 8.212/1991 combinado com o art. 44, I da Lei nº 9.430/1996, já que estes disciplinam a multa de ofício, penalidade inexistente na sistemática anterior à edição da MP 449/2008, somente sendo possível a comparação com multas de mesma natureza. Assim, deverão ser cotejadas as penalidades da redação anterior e da atual do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 O processo foi encaminhado para ciência da Fazenda Nacional em 23/10/2012, para cientificação em até 30 dias, nos termos da Portaria MF nº 527/2010. A Fazenda Nacional interpôs, no mesmo dia, portanto tempestivamente, Recurso Especial. Em seu recurso visa a reforma do acórdão recorrido em relação aos seguintes aspectos: a) prazo decadencial; e b) retroatividade benigna. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho nº 2300 187/2014, da 3ª Câmara, de 27/02/2014. O recorrente traz como alegações: · Em relação ao item “a” prazo decadencial, que para o exame da ocorrência de pagamento antecipado parcial, é necessário verificar se o contribuinte pagou parte do débito tributário objeto de cobrança, e não daqueles afetos a outros fatos. No presente caso, os discriminativos de fls. 08/10 indicam que a antecipação do recolhimento dos tributos não ocorreu nas competências descritas no lançamento, motivo pelo qual, tornase necessária para estas, a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 173, I do CTN e não, do art. 150, § 4º do mesmo diploma legal. · Ressalta que o Superior Tribunal de Justiça, ao interpretar a combinação entre os dispositivos do art. 150, §4º e 173, I, do CTN, entende que, não se verificando recolhimento de exação e montante a homologar, o prazo decadencial para o lançamento dos tributos sujeitos a lançamento por homologação segue a disciplina normativa do art. 173 do CTN; e que essa é a linha adotada pela jurisprudência majoritária no âmbito do CARF. Fl. 286DF CARF MF Processo nº 15983.000615/200771 Acórdão n.º 9202006.562 CSRFT2 Fl. 4 5 · Em relação ao item “b” retroatividade benigna obrigação acessória, o recorrente requer seja dado total provimento ao presente recurso, para reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 35 da Lei nº 8.212/91, em detrimento do art. 35A, do mesmo diploma legal, para que seja esposada a tese de que a autoridade preparadora deve verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou a do art. 35A da MP nº 449/2008. Cientificado do Acórdão nº 2301002.828, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do Despacho de Admissibilidade admitindo o Resp da PGFN, em 15/09/2014, o contribuinte interpôs, em 30/09/2014, portanto tempestivamente, Recurso Especial da parte do Acórdão que lhe foi desfavorável e contrarrazões. Ao Recurso Especial do Contribuinte foi negado seguimento conforme Despacho s/nº, da 3ª Câmara, de 15/02/2016 Exame de Admissibilidade de Recurso Especial do Contribuinte. · Em suas contrarrazões, em relação à decadência, o contribuinte argumenta que o STF, através da Súmula Vinculante nº 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, e determinou que, tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, como é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do CTN. · Diz que, aplicase o art. 150, §4º do CTN, se verificado que o lançamento referese ao descumprimento de obrigação principal, que houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e que inexiste fraude, dolo ou simulação. · Acrescenta que nesse contexto, o presente recurso não pode prosperar, por falta de fundamentos jurídicos, e pela questão constitucional, já que foi decidido pelo Pleno do STF, inclusive foi editada Súmula nº 08, visando evitar discussões acerca do assunto já pacificado. · Já em relação à multa aplicada, o contribuinte afirma que os julgadores em decisão do Conselho de Recursos Fiscais, acertadamente, entenderam que a aplicação da lei mais benéfica está contida nos termos do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 e artigo 106 do CTN. É o relatório. Fl. 287DF CARF MF 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora. Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 231. Assim, não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão. Do mérito Cingese a controvérsia na aplicação da decadência quinquenal, bem como nas penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. Mais especificamente em relação a decadência o período objeto de discussão envolve as competências 12/2001 a 08/2002, tendo em vista que o período anterior já estaria abrangido pela decadência do art. 173, I do CTN. Para se contrapor ao Recurso especial, traz o sujeito passivo em sede de contrarrazões: Em suas contrarrazões, em relação à decadência, o contribuinte argumenta que o STF, através da Súmula Vinculante nº 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, e determinou que, tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, como é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do CTN. Diz que, aplicase o art. 150, §4º do CTN, se verificado que o lançamento referese ao descumprimento de obrigação principal, que houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e que inexiste fraude, dolo ou simulação. Acrescenta que nesse contexto, o presente recurso não pode prosperar, por falta de fundamentos jurídicos, e pela questão constitucional, já que foi decidido pelo Pleno do STF, inclusive foi editada Súmula nº 08, visando evitar discussões acerca do assunto já pacificado. Já em relação à multa aplicada, o contribuinte afirma que os julgadores em decisão do Conselho de Recursos Fiscais, acertadamente, entenderam que a aplicação da lei mais benéfica está contida nos termos do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 e artigo 106 do CTN. Da decadência Quanto ao acatamento da preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto desta NFLD/AIOP, antes mesmo de apreciar a correta aplicação da regra decadencial no acórdão recorrido, passemos a considerações acerca do tema que norteiam o entendimento dessa relatora. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 15983.000615/200771 Acórdão n.º 9202006.562 CSRFT2 Fl. 5 7 O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, Fl. 289DF CARF MF 8 tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173, I ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias, bem como sua subssunção aos termos da súmula nº 99 do CARF. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Nesse ponto, importante identificarmos as informações constantes no acordão recorrido, bem como a análise dos relatórios constante no auto de infração. No caso, o acórdão recorrido é por deveras resumido, tornando imprescindível nos debruçarmos sob os demais relatórios para objetivamente identificar a existência de recolhimentos antecipados capazes de atrair o art. 150, §4º do CTN. Ou seja, muito claro no lançamento, mais especificamente no relatório fiscal e DAD que se tratam de diferença de contribuições apurados por aferição indireta, o que no meu entender, serve como base para identificarmos possíveis recolhimentos antecipados. Vejamos o relatórios fiscal: Ainda de acordo com o Relatório Fiscal, foram encontradas várias irregularidades na contabilidade, tais como: omissão de lançamentos contábeis (pagamentos a contribuintes individuais, folhas de pagamento do 13º salário, GPS, retenção INSS destacada nas notas fiscais de serviços, nota fiscal de serviço; lançamentos contábeis com divergência de valores (prólabore, receita de prestação serviços; duplicidade de lançamento contábil; lançamento contábeis indevidos (pagamento de GPS, de cesta básica); lançamentos contábeis incorretos. Assim, considerando a apresentação de documentos de forma deficiente e a confirmação de que a contabilidade não espelhava a realidade econômicofinanceira da empresa, e em razão das omissões e incorreções dos lançamentos contábeis, concluíram que a escrituração contábil não poderia ser considerada, levando à lavratura de Auto de Infração. O fato gerador foi a remuneração de mãodeobra contida em notas fiscais de serviços, apurado por aferição indireta; assim foram calculados 40% dos valores de serviços constantes nas Fl. 290DF CARF MF Processo nº 15983.000615/200771 Acórdão n.º 9202006.562 CSRFT2 Fl. 6 9 NF, por tomador de serviços, e confrontados os resultados com os saláriosdecontribuição das folhas de pagamento (elaboradas por tomador). As diferenças apuradas, conforme quadro demonstrativo, serviram de base para a aferição indireta e estão discriminadas no RL.Ou seja, para todas as competências existe a indicação de que se tratam de diferenças de contribuições, que em todos os casos ora descritos, são recolhidas sob a mesma codificação de GPS (2100). Todavia, existem outras informações constantes dos autos que também esclarecem a existência de recolhimentos. Conforme descrito anteriormente, o período objeto de discussão envolve as competências 12/2001 a 08/2002, tendo em vista que o período anterior já estaria abrangido pela decadência do art. 173, I do CTN. Para esse período existem guias recolhidas código 2100, fls. 38/39, em todas as competências, inclusive 13º salário de 2002, o que enseja estar correta a decisão proferida pela turma a quo. No lançamento em questão a lavratura do AI deuse em 17/09/2007, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 13/12/2007. Os fatos geradores sob reapreciação envolvem as competência 12/2001 a 08/2002, dessa forma, a luz do art. 150, §4º do CTN considerando a existência de recolhimentos deve ser NEGADO PROVIMENTO ao recurso da PGFN. Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. Embora o recorrente entenda ter a turma a quo acertado na decisão proferida, colacionando outros argumentos para reforçar a tese, entendo que não seja a interpretação mais acertada. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. Fl. 291DF CARF MF 10 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela Fl. 292DF CARF MF Processo nº 15983.000615/200771 Acórdão n.º 9202006.562 CSRFT2 Fl. 7 11 decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Fl. 293DF CARF MF 12 Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: Fl. 294DF CARF MF Processo nº 15983.000615/200771 Acórdão n.º 9202006.562 CSRFT2 Fl. 8 13 ∙ Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou ∙ Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo Fl. 295DF CARF MF 14 ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº Fl. 296DF CARF MF Processo nº 15983.000615/200771 Acórdão n.º 9202006.562 CSRFT2 Fl. 9 15 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL , apenas para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 297DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.003826/2010-35
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Mar 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005
DESPESAS MÉDICAS. ERRO NO PRENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. INCLUSÃO DE DEPENDENTE.
Ocorrendo erro de fato no preenchimento da declaração de ajuste, pode ser feita a retificação, com inclusão de dependente e respectivas despesas médicas..
Numero da decisão: 2001-000.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS. ERRO NO PRENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. INCLUSÃO DE DEPENDENTE. Ocorrendo erro de fato no preenchimento da declaração de ajuste, pode ser feita a retificação, com inclusão de dependente e respectivas despesas médicas..
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ERRO NO PRENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. INCLUSÃO DE DEPENDENTE. Ocorrendo erro de fato no preenchimento da declaração de ajuste, pode ser feita a retificação, com inclusão de dependente e respectivas despesas médicas.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 38 26 /2 01 0- 35 Fl. 137DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. A Ementa do Acórdão de Impugnação foi prolatada nos seguintes termos: DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. As despesas médica ou de hospitalização dedutíveis restringemse aos pagamentos efetuados pelo contribuinte para o seu próprio tratamento ou o de seus dependentes relacionados na Declaração de Ajuste Anual Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Como se observa a impugnante poderia ter relacionado o seu pai como dependente em sua declaração, e, só assim, deduzir as despesas com o seu tratamento médico. Como se trata de uma opção, não cabe a alegação de que houve erro em não declarálo como tal, além do mais não poderia fazêlo, uma fez que houve apresentação DIRPF em separado para o Sr. Acácio. Dessa forma, não há reparos a glosa de R$ 24.220,00. No que se refere a dedução de despesas médicas da própria contribuinte, os documentos apresentados e os esclarecimentos prestados são suficiente para se rever a glosa de R$ 558,80. Os fundamentos do lançamento, que se encontram na Notificação de Lançamento, embasaram a glosa na falta de comprovação da situação de dependente do filho: Destacamos abaixo algumas passagens do Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte: Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10283.003826/201035 Acórdão n.º 2001000.212 S2C0T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. A legislação estabelece as seguintes condições para incluir um dependente na declaração: Art. 77. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida do rendimento tributável a quantia equivalente a noventa reais por dependente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso III). § 1º Poderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts. 4º, § 3º, e 5º, parágrafo único (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35): (...) VI os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; Foram cumpridas as exigências legais para a inclusão de dependente, podendo ser deduzidas, portanto, as despesas médicas desse dependente. Em qualquer parte da declaração pode ocorrer erro no preenchimento. Não existindo restrição legal estabelecida, todos elementos da apuração podem ser retificados ou corrigidos dentro do prazo legal para a retificação. Examinando a documentação existente no presente processo, e as razões apresentadas pelo contribuinte, verificamos que devido a erro no preenchimento da declaração, o contribuinte não incluiu a mãe como dependente, incluindo os pagamentos ao plano de saúde dela. Entendemos que no caso de erro no preenchimento, caracterizados pelos elementos do processo, pode ser alterada a declaração para corrigilo, conforme se depreende dos seguintes julgados desse Conselho: "ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração, deve a verdade material prevalecer sobre a formal, e exigido o valor efetivamente devido, conforme o lucro real. (1º CC, 8ª Câmara, Ac. 10806.117, sessão de 12/05/2000)" ERRO NA DECLARAÇÃO. CORREÇÃO. INCLUSÃO DE DEPENDENTE. Pode ser corrigido erro, caracterizado pelos Fl. 139DF CARF MF 4 elementos existentes no processo, na inclusão de dependente na declaração do imposto de renda pessoa física." Conclusão Em razão do exposto, voto pelo provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 140DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.722732/2014-49
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
CRÉDITO PLEITEADO NA ESFERA JUDICIAL. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. CABIMENTO.
Por força de específica determinação legal, considera-se não declarada a compensação em que o contribuinte tenha utilizado crédito proveniente de decisão judicial sem trânsito em julgado.
DESPACHO DECISÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. IMPOSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE E RECURSO VOLUNTÁRIO. DETERMINAÇÃO JUDICIAL. MEDIDA EXCEPCIONAL. APRECIAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE.
Por estar submetido ao rito recursal estabelecido na Lei 9.784/1999 (art. 56 e seguintes), não cabe a apresentação de manifestação de inconformidade e, por conseguinte, de recurso voluntário perante este Conselho, contra decisão proferida por meio de despacho decisório que considerou não declarada a compensação realizada pelo sujeito passivo, exceto no caso de estrito cumprimento de decisão judicial, em que haja expressa determinação no sentido da observância do rito processual/recursal fixado no Decreto 70.235/1972, como ocorreu no caso em tela.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.922
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
PAULO GUILHERME DÉROULÈDE - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 CRÉDITO PLEITEADO NA ESFERA JUDICIAL. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. CABIMENTO. Por força de específica determinação legal, considera-se não declarada a compensação em que o contribuinte tenha utilizado crédito proveniente de decisão judicial sem trânsito em julgado. DESPACHO DECISÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. IMPOSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE E RECURSO VOLUNTÁRIO. DETERMINAÇÃO JUDICIAL. MEDIDA EXCEPCIONAL. APRECIAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE. Por estar submetido ao rito recursal estabelecido na Lei 9.784/1999 (art. 56 e seguintes), não cabe a apresentação de manifestação de inconformidade e, por conseguinte, de recurso voluntário perante este Conselho, contra decisão proferida por meio de despacho decisório que considerou não declarada a compensação realizada pelo sujeito passivo, exceto no caso de estrito cumprimento de decisão judicial, em que haja expressa determinação no sentido da observância do rito processual/recursal fixado no Decreto 70.235/1972, como ocorreu no caso em tela. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) PAULO GUILHERME DÉROULÈDE - Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 CRÉDITO PLEITEADO NA ESFERA JUDICIAL. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. CABIMENTO. Por força de específica determinação legal, considerase não declarada a compensação em que o contribuinte tenha utilizado crédito proveniente de decisão judicial sem trânsito em julgado. DESPACHO DECISÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. IMPOSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE E RECURSO VOLUNTÁRIO. DETERMINAÇÃO JUDICIAL. MEDIDA EXCEPCIONAL. APRECIAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE. Por estar submetido ao rito recursal estabelecido na Lei 9.784/1999 (art. 56 e seguintes), não cabe a apresentação de manifestação de inconformidade e, por conseguinte, de recurso voluntário perante este Conselho, contra decisão proferida por meio de despacho decisório que considerou não declarada a compensação realizada pelo sujeito passivo, exceto no caso de estrito cumprimento de decisão judicial, em que haja expressa determinação no sentido da observância do rito processual/recursal fixado no Decreto 70.235/1972, como ocorreu no caso em tela. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 27 32 /2 01 4- 49 Fl. 1127DF CARF MF Processo nº 10830.722732/201449 Acórdão n.º 3302004.922 S3C3T2 Fl. 3 2 PAULO GUILHERME DÉROULÈDE Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação), cujo crédito provém de pagamento indevido ou a maior da Contribuição para o PIS/Pasep. A contribuinte obteve sentença judicial declarando a sua imunidade tributária. Como o art. 10, IV, da Lei nº 10.833, de 2003, prevê que as pessoas jurídicas imunes continuam a apurar e recolher a contribuição pelo regime cumulativo, mas a requerente havia recolhido a contribuição de acordo com o regime não cumulativo, ela retificou a Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF), adequando os débitos a esse regime e compensou a diferença recolhida a maior por meio das DComp ora analisadas. A DRF/CampinasSP, por meio do despacho decisório constante nos autos, considerou as compensações não declaradas porquanto entendeu que se tratava de crédito discutido judicialmente e a legislação de regência prevê que a compensação somente pode ser efetuada após o trânsito em julgado da ação, caso contrário será considerada não declarada. Não há previsão legal para apresentação de manifestação de inconformidade nos casos de despacho decisório que considera a compensação não declarada, tampouco para suspensão dos débitos objeto da compensação. No entanto, a contribuinte obteve judicialmente a suspensão da exigibilidade dos débito objeto da compensação, bem assim o direito de apresentar manifestação de inconformidade contra o despacho decisório prolatado. Em sua manifestação de inconformidade a contribuinte alega, em resumo, que obteve na Justiça, em antecipação de tutela, o reconhecimento de sua imunidade tributária recíproca, cuja apelação da União encontrase pendente de julgamento, e: · Argumenta que o art. 8º, IV, da Lei nº 10.637, de 2002, bem assim o art. 10, IV, da Lei nº 10.833, de 2003, prevêem que as pessoas jurídicas imunes estão excepcionadas da apuração não cumulativa das contribuições sociais, assim foi obrigada a apurálas pelo regime cumulativo. · No entanto, mesmo devendo apurar o PIS e a Cofins pelo regime cumulativo a partir de 25/02/2009, continuou a recolhêlos com base na sistemática não cumulativa até março de 2010. Fl. 1128DF CARF MF Processo nº 10830.722732/201449 Acórdão n.º 3302004.922 S3C3T2 Fl. 4 3 · Desta forma, identificado o erro, a recorrente refez os cálculos desse período e “se utilizou das vias legais paras as respectivas compensações”. · Alega que a compensação promovida foi por reflexo da declaração da imunidade tributária, não podendo se aplicar a vedação do art. 170A do Código Tributário Nacional (CTN), pois não discute ou contesta a legalidade ou cobrança das contribuições nem o crédito utilizado nas DComp analisadas. · Argumenta que “tributo” é sempre o valor devido pelo sujeito passivo ao Fisco e “crédito do sujeito passivo”, o valor devido por aquele a este, oriundo de recolhimentos indevidos. · O indébito tributário, portanto, não é tributo nem receita do Estado, sendo mero ingresso de caixa, não sendo alcançado pela norma em comento. · O termo tributo mantém maior rigidez nos arts. 170 a 174 do CTN, referindose sempre ao crédito do sujeito ativo. O crédito do sujeito passivo é sempre chamado de “crédito do sujeito passivo” para não ocorrer confusão. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente e mantido íntegro o questionado despacho decisório, nos termos do Acórdão nº 14055.880. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que considerase não declarada a compensação cujo crédito provém de decisão judicial não transitada em julgado, não cabendo a apresentação de manifestação de inconformidade, salvo em caso de determinação judicial em sentido contrário. A recorrente foi cientificada da referida decisão e inconformada protocolou recurso voluntário em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na fase de manifestação de inconformidade. A recorrente protocolou ainda petição juntando documentação aos autos e requerendo a manutenção da suspensão da exigibilidade dos créditos tributários que já se encontravam suspensos por determinação judicial. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.913, de 29 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10830.722070/201415, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 1129DF CARF MF Processo nº 10830.722732/201449 Acórdão n.º 3302004.922 S3C3T2 Fl. 5 4 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.913): "O recurso foi apresentado tempestivamente, não trata de matéria da competência deste Colegiado, por falta de previsão legal, porém, dele tomase conhecimento, em cumprimento da determinação judicial exarada no Mandado de Segurança nº 000747782.2014.4.03.6105, impetrado pela recorrente perante 4ª Vara da Justiça Federal de Campinas/SP, que determinou aplicação do rito processual/recursal do Decreto 70.235/1972. Conforme bem delineado no relatório precedente, a controvérsia cinge se ao direito ou não de a recorrente proceder a compensação do suposto indébito tributário decorrente da mudança do regime não cumulativo para regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, amparada por decisão judicial não transitada em julgada. Para melhor compreensão do objeto lide, veja a seguir o resumo dos principais fatos que motivaram a recorrente a realizar o procedimento compensatório em apreço: Em 14 de novembro de 2008 o contribuinte ingressou com a ação ordinária n° 2008.61.05.0118663 (PAJ 12971.000226/200959), junto à 3ª Vara Federal de Campinas, com pedido de antecipação de tutela, objetivando a declaração do direito de deixar de apurar e recolher impostos e contribuições sociais, sob alegação de imunidade tributária nos termos do art. 150, VI "a" da Constituição Federal. Em 03 de dezembro de 2008 foi indeferida a antecipação de tutela. Em 25 de fevereiro de 2009 o TRF3 deferiu parcialmente a antecipação de tutela, em sede de agravo de instrumento, para reconhecer a imunidade tributária da autora concernente aos impostos federais. Em 29 de março de 2010 o Juízo de 1ª instância julgou parcialmente procedente a ação para declarar a inconstitucionalidade da cobrança de impostos federais, reconhecendose a imunidade tributária da autora, nos exatos termos do art. 150, VI, "a", da Constituição Federal. Em 26 de abril de 2010 julgou procedente os embargos de declaração opostos pelo contribuinte para manter a antecipação da tutela deferida pelo TRF3. O recurso de apelação da União foi recebido no efeito devolutivo e até a presente data encontrase no Tribunal Regional Federal da 3 a Região aguardando julgamento, conforme pesquisa no site do Tribunal. No entanto, ainda sem o trânsito em julgado da ação, o contribuinte retificou suas obrigações acessórias (conforme extratos da DCTF em anexo, em que alterou a apuração da COFINS da nãocumulatividade para a cumulatividade) e Fl. 1130DF CARF MF Processo nº 10830.722732/201449 Acórdão n.º 3302004.922 S3C3T2 Fl. 6 5 requereu administrativamente a repetição do indébito na forma de declarações de compensação. Por sua vez, considerando que a fiscalizada não declarou em DCTF os valores devidos que estão com a exigibilidade suspensa, em face da sentença não definitiva, foi efetuado o lançamento dos créditos tributários devidos, os quais são controlados pelo processo administrativo 10830.723884/201205 (lançamentos relativos a COFINS e PIS), dentre outros. De acordo com o despacho decisório em apreço, a autoridade da unidade de origem da Receita Federal do Brasil considerou não declarada as referidas compensações, com base no art. 170A1 do CTN, que veda a compensação de crédito objeto de contestação judicial antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, e tendo em conta o disposto no art. 742, § 12, II, “d”, da Lei 9.430/1996, que atribui a condição de não declarada a compensação de crédito objeto de decisão judicial sem trânsito em julgado. Por sua vez, no presente recurso voluntário, a recorrente alegou que a compensação por ela promovida fora reflexo da declaração da imunidade tributária prolatada no âmbito da Ação Ordinária n° 2008.61.05.0118663, logo, não poderia ser aplicada ao presente caso a vedação determinada no art. 170A do CTN, pois, na referida ação não estava em discussão a legalidade ou cobrança das contribuições nem o crédito utilizado nas DComp colacionadas aos autos. Acontece que, diferentemente do que alegou a recorrente, a leitura da petição inicial (fls. 172/196) revela que, por meio da referida ação, expressamente ela pleiteou que a União fosse condenada “a restituirlhe as quantias que pagou indevidamente, no montante a ser apurado em liquidação de sentença, devidamente atualizadas, pelos índices cabíveis, desde a data de cada pagamento, até a data da efetiva devolução, com juros e correção monetária [...]”. Dessa forma, o teor da citada peça processual confirma que a referida ação foi proposta com o objetivo não só de não recolher os impostos e contribuições federais, bem como obter o direito de ser restituída dos valores dos impostos e contribuições indevidos recolhidos. E o fato de a sentença judicial prolatada no âmbito da referida ação (fls. 260/262) ter assegurado o direito de a recorrente ser restituída das quantias pagas indevidamente e de não pagar as quantias futuras em relação apenas aos impostos federais, em razão da imunidade recíproca, prevista no art. 150, VI, 1 Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. 2 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses:(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou [...] Fl. 1131DF CARF MF Processo nº 10830.722732/201449 Acórdão n.º 3302004.922 S3C3T2 Fl. 7 6 “a”, da Constituição Federal de 1988 (CF/1988), não tem o condão de afastar a discussão judicial em torno do pedido de restituição e não pagamento das contribuições sociais. Até a decisão final, com trânsito em julgado, tal matéria ainda se encontra sob crivo do Poder Judiciário, portanto, ainda pendente de julgamento na esfera judicial. No caso, embora o pedido de não pagamento e restituição da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não tenha sido acatado na referida decisão judicial, com base no entendimento de que as pessoas jurídicas imunes estavam sujeitas ao regime cumulativo de apuração das citadas contribuições, a recorrente apresentou várias Declarações de Compensação (DComp), incluindo as encartadas nos presentes autos, em que utilizou como crédito a diferença a maior entre o valor apurado e recolhido pelo regime não cumulativo e o valor supostamente devido pelo regime cumulativo. Dessa forma, resta demonstrado que o indébito tributário objeto do procedimento compensatório em apreço, inequivocamente, encontravase, na data da apresentação das DComp, e ainda se encontra em discussão na esfera judicial, segundo noticiam os autos. E somente após o trânsito em julgado da derradeira decisão judicial é que se terá o desfecho definitivo para os pleitos de restituição formulados no âmbito do citado processo judicial. Dada essa circunstância, ao considerar não declarada as compensações em tela, o titular da unidade de origem da RFB decidiu em perfeita consonância com o disposto no art. 170A do CTN e em cumprimento ao que determina o art. 74, § 12, II, “d”, da Lei 9.430/1996. Além disso, ainda que a recorrente não tivesse postulado em Juízo a restituição das referidas contribuições, o que se admite apenas por hipótese, indiretamente, a apuração do suposto indébito decorrente da mudança do regime apuração não cumulativo para regime cumulativo somente poderia ser feita após o do trânsito em julgado da decisão judicial final a ser prolatada no âmbito da citada ação ordinária. Dada essa condição, resta evidenciado que somente após proferida a decisão judicial final com trânsito em julgado, o eventual crédito apurado com base na adoção do novo regime apuração das contribuições ostentará os atributos da certeza e liquidez exigidos pelo art. 170 do CTN. E sem tais atributos, certamente, o suposto crédito não é passível de restituição e, por conseguinte, de compensação, consoante dispõe o caput do art. 74 da Lei 9.430/1996, a seguir transcrito: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) grifos não originais Por todas essas razões, não merece reparo à decisão proferida no questionado despacho decisório, que considerou as compensações em apreço não declaradas, com respaldo no art. 74, § 12, II, “d”, da Lei 9.430/1996. Por todo o exposto, votase por negar provimento ao recurso, para manter na íntegra a decisão recorrida." Fl. 1132DF CARF MF Processo nº 10830.722732/201449 Acórdão n.º 3302004.922 S3C3T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 1133DF CARF MF
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Numero do processo: 11829.720037/2016-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 13/02/2013
OMISSÃO DO JULGAMENTO. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
É nulo, por preterição do direito de defesa, o Acórdão referente ao julgamento de primeira instância que deixa de se manifestar sobre matéria impugnada capaz de, em tese, culminar no cancelamento do auto de infração.
Recurso voluntário parcialmente provido. Aguardando nova decisão.
Numero da decisão: 3402-004.875
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para anular a decisão recorrida, nos termos do voto da Relatora.
(Assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. É nulo, por preterição do direito de defesa, o Acórdão referente ao julgamento de primeira instância que deixa de se manifestar sobre matéria impugnada capaz de, em tese, culminar no cancelamento do auto de infração. Recurso voluntário parcialmente provido. Aguardando nova decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para anular a decisão recorrida, nos termos do voto da Relatora. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 82 9. 72 00 37 /2 01 6- 14 Fl. 1790DF CARF MF 2 Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de São Paulo/SP, que declarou improcedente a impugnação apresentada pela Contribuinte sobre a cobrança de pena de perdimento comutada em multa equivalente ao valor aduaneiro (100% do V.A.), no montante de R$ 6.136.161,04, consubstanciada nos autos de infração em questão. Por bem consolidar os fatos ocorridos até a decisão da DRJ, com riqueza de detalhes, colaciono os principais trechos do relatório do Acórdão recorrido in verbis: No exercício do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, com fundamento no artigo 237 da Constituição Federal de 1988, nos artigos 142, 173 e 194 a 197 da Lei 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional), no Decreto 6.641 de 10 de novembro de 2008, no artigo 6o da Lei 10.593 de 06 de dezembro de 2002, com redação dada pela Lei 11.457 de 16 de março de 2007, no artigo 54 do DecretoLei n° 37 de 18 de novembro de 1966, com redação dada pelo DecretoLei n° 2.472 de 1° de setembro de 1988 e nos artigos 18, 19 e 24 do Decreto 6.759 de 5 de fevereiro de 2009 Regulamento Aduaneiro, em procedimento de fiscalização, em cumprimento ao Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal supracitado, CONSTATOUSE a conduta infracional de prática de interposição fraudulenta de terceiros. Pelo exposto no Termo de Verificação Fiscal e Descrição dos Fatos, que é parte integrante e indissociável do Auto de Infração, concluise que, de fato, a empresa Adaime Importação e Exportação Ltda. é pessoa fraudulentamente interposta na operação em que figurou como importadora e adquirente de “aditivos oxobiodegradáveis em forma de polímeros dos tipos d2w e d2p, utilizados na produção de plásticos biodegradáveis por processo de oxidação” entre 2013 e 2016. O real adquirente que se tentou ocultar do Fisco é a empresa RES Brasil Ltda. Também foram autuados: Ø Empresa ADAIME IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, CNPJ: 61.652.525/000104; Ø Empresa ADAIME ASSESSORIA ADUANEIRA LTDA, CNPJ: 04.762.766/000164; Ø O Sr. EDUARD AUGUST NOGUEIRA VAN ROOST, CPF: 008.015.44840; e Ø O Sr. CLÁUDIO JOSÉ ADAIME, CPF: 505.059.98815. A empresa RES BRASIL LTDA foi cientificada do presente Auto de Infração, por via eletrônica, em 29/08/2016 (folhas 484). A empresa ADAIME IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA foi cientificada do presente Auto de Infração, por via eletrônica, em 29/08/2016 (folhas 487). Fl. 1791DF CARF MF Processo nº 11829.720037/201614 Acórdão n.º 3402004.875 S3C4T2 Fl. 515 3 A empresa ADAIME ASSESSORIA ADUANEIRA LTDA foi cientificada do presente Auto de Infração, via Aviso de Recebimento, em 01/09/2016 (folhas 496). O Sr. CLÁUDIO JOSÉ ADAIME foi cientificado do presente Auto de Infração, via Aviso de Recebimento, em 01/09/2016 (folhas 500). O Sr. EDUARD AUGUST NOGUEIRA VAN ROOST foi cientificado do presente Auto de Infração, via Aviso de Recebimento, em 01/09/2016 (folhas 504). O Sr. CLÁUDIO JOSÉ ADAIME apresentou impugnação de folhas 1.272 à 1.301, em 03/10/2016. Foi alegado resumidamente que: No caso, em virtude da análise dos documentos e de diligências realizadas pela fiscalização, restou apurado que a importação foi feita, com a ocultação do real adquirente das mercadorias importadas, mediante fraude ou simulação, ensejando a lavratura do presente auto de infração. No curso do procedimento fiscal, foram solicitados esclarecimentos ao Impugnante, bem como a apresentação da contabilidade da Adaime Importação (empresa a qual o Impugnante responde como sócio diretor) e demais documentos para auxílio dos trabalhos fiscais, o que foi plenamente atendido. Toda a operação de importação foi descaracterizada simplesmente porque a fiscalização “nota”, que nos dados complementares de várias Declarações de Importação (Dl’s) registradas pela ADAIME IMPORTAÇÃO, existe uma menção direta à RES BRASIL, por essa razão, se presume como comprovado que os produtos registrados nessas Dl’s são de fato da RES BRASIL e não da ADAIME IMPORTAÇÃO. No caso, é óbvio a menção nas Dl's do nome da RES Brasil já que, como se observa da presente operação existiu um acordo comercial entre as partes envolvidas devidamente amparado em contrato de parceria redigido nos limites da lei e com expressa autorização do exportador, para a importação dos produtos e comercialização no mercado interno. A alegação de que a RES BRASIL era possuidora de habilitação simplificada no SISCOMEX em 2013 e procurou a ADAIME IMPORTAÇÃO para a implementação da interposição fraudulenta nas importações de aditivos, inicialmente para burlar o limite de importação de US$ 150.000,00 e seguidamente para manterse oculta nessas operações, também é completamente descabida. Conforme provam os documentos juntados nesta oportunidade, foi protocolado requerimento em 21/11/12, para revisão de estimativa da capacidade financeira da RES, a qual, em Fl. 1792DF CARF MF 4 20/02/13, teve deferida, pela Receita Federal do Brasil, a habilitação para operar no comércio exterior na Modalidade Pessoa Jurídica, sub modalidade ILIMITADA. Portanto, já se verifica que se houvesse qualquer intenção de burla aos controles aduaneiros, a RES não teria realizado qualquer acordo comercial com a Adaime Importação, porque, poderia fazer a importação DIRETAMENTE em seu nome JÁ QUE POSSUÍA HABILITAÇÃO ILIMITADA PARA IMPORTAR DESDE 02/13 (observase que a primeira importação objeto da presente autuação é exatamente referente à 02/13). O acordo comercial firmado entre a Importadora e a Res do Brasil, deixa claro as atuações de cada parte envolvida nessa parceria e ficou claro que as importações seriam próprias da ADAIME IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. É tão absurda a alegação e distante da realidade dos fatos que a autoridade fiscal imputa falsidade ideológica às faturas que instruíram os registros das Dl’s analisadas no procedimento fiscal afirmando conterem informação enganadora quanto ao mandante e real importador. Ao contrário da pretensão fiscal de imputar falsidade ideológica dos documentos, o que se verifica é que, todas as faturas que instruíram os registros das Dl’s são verdadeiras, pois, de fato a ADAIME IMPORTAÇÃO É A IMPORTADORA E ADQUIRENTE dessas mercadorias, conforme atesta o CONTRATO DE PARCERIA E DISTRIBUIÇÃO, tanto é fato que todas as vendas são faturadas e recebidas por ela, conforme comprova a planilha anexa e notas fiscais (estas juntadas por amostragem, devido a quantidade de notas emitidas), que representam essas VENDAS A DIVERSOS CLIENTES E O RECOLHIMENTO DOS TRIBUTOS no mercado interno. (Doc. 04). Portanto, se verifica a fragilidade da tese fazendária, pois a RES nunca poderia ser considerada como a real importadora das mercadorias nessas operações, mas tão somente, os diversos clientes arrolados na referida planilha para os quais as mesmas foram vendidas (estes sim, poderiam ser apontados como reais importadores, já que são os reais adquirentes dos produtos). Também não procede a assertiva de que a RES BRASIL é a única responsável pela negociação de importação de aditivos junto ao exportador estrangeiro, justamente por haver esse contrato de parceria, onde ficou estipulado que as negociações poderiam serem feitas por qualquer das PARTES. Apenas para elucidar esse fato, o Impugnante acosta à presente, as 2 (duas) últimas compras datadas de 17/12/2015 e 29/03/2016, negociadas pela Adaime Importação junto ao exportador (Doc. 05). Outra ilação do auditor fiscal é o fato da Adaime Importação não indicar em seu site que realiza venda de aditivos da marca Symphony. Ora, a mesma é uma trading e não necessita discriminar no seu site essa indicação, pois isso, é uma opção da Importadora que Fl. 1793DF CARF MF Processo nº 11829.720037/201614 Acórdão n.º 3402004.875 S3C4T2 Fl. 516 5 pode dispor livremente das informações que lhe convier para divulgálas a terceiros. Quanto à afirmativa de que a cobrança de eventuais títulos em atraso provenientes da venda de aditivos no mercado interno é de inteira responsabilidade da RES BRASIL, isso não procede, conforme se verificam dos títulos protestados (Doc. 06) juntados à presente por amostragem que provam que a Adaime Importação tinha total autonomia para fazer suas cobranças, o que prova o risco operacional assumido. Por isso, também não merece respaldo a afirmação de ausência de risco operacional da Adaime sobre a importação e a conseqüente venda dos aditivos no mercado interno, já que, em conformidade com o ajuste comercial firmado, ela investiu e arcou com todos os custos da importação e venda, almejando lucro no final das apurações a fim de viabilizar o investimento, conforme constou na Cláusula VI Condições Gerais, mais precisamente no item 6.3. Desta forma, está demonstrado o risco operacional assumido pela ADAIME IMPORTAÇÃO, pois não existe cláusula no referido contrato que dê garantia a ela do retorno do Capital Investido, aliado ao fato das eventuais vendas inadimplidas. O auditor fiscal fundamenta a responsabilidade solidária em dispositivos do Código Tributário Nacional, AFASTANDOSE DO QUE DETERMINA A LEGISLAÇÃO ADUANEIRA. Não se pode admitir a aplicabilidade dessas disposições em matéria aduaneira, pois como se observa da redação do caput do artigo 134, do Código Tributário Nacional: Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este... somente se aplica a responsabilidade solidária se não puder ser exigida a obrigação principal, o QUE NÃO retrata a realidade dos fatos, PRIMEIRO PORQUE NÃO HOUVE INFRAÇÃO, SEGUNDO PORQUE NÃO HÁ OBRIGAÇÃO PRINCIPAL DESCUMPRIDA JÁ QUE TODOS OS TRIBUTOS FORAM RECOLHIDOS TANTO NA IMPORTAÇÃO QUANTO NO MERCADO INTERNO. Tal assertiva é válida para afastar A RESPONSABILIDADE PESSOAL DO IMPUGNANTE PREVISTA NO ARTIGO 135 DO REFERIDO CÓDIGO, já que não agiu com dolo, fraude ou excesso de poder, pois A IMPORTAÇÃO FOI REALIZADA NA MODALIDADE DIRETA, AMPARADA EM DOCUMENTAÇÃO LEGAL E PRINCIPALMENTE, HOUVE O RECOLHIMENTO DE TODOS OS TRIBUTOS INCIDENTES NA OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO E NO MERCADO INTERNO. Ademais, também deve ser EXCLUÍDA a aplicabilidade do artigo 95, I, V, do DecretoLei 37/1966 AO CASO, já que COMO EXAUSTIVAMENTE EXPOSTO E PROVADO, NÃO SE TRATA DE IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DO ADQUIRENTE. Fl. 1794DF CARF MF 6 Portanto, não há que falarse em simulação, nem participação do Impugnante na sua realização e tampouco de obtenção de qualquer benefício direto POR PARTE do mesmo, nestas operações DEVENDO SER AFASTADA A SUA RESPONSABILIDADE PESSOAL, já que não houve dolo, fraude ou excesso de poder. DA NULIDADE DO AUTO POR AUSÊNCIA DE ENQUADRAMENTO EM UMA DAS MODALIDADES DE IMPORTAÇÃO TERCEIRIZADA Superado tudo o quanto exposto, verificase que a fiscalização imputa fraude na operação de importação conforme discorre em seu Termo de Verificação e Descrição dos Fatos, tentando descaracterizar a operação de importação como direta, porém, NÃO ENQUADRA A OPERAÇÃO EM NENHUMA MODALIDADE DE IMPORTAÇÃO TERCEIRIZADA, ou seja, a suposta operação tida como fraudulenta e por ocultação do sujeito passivo não está enquadrada nem em uma importação por conta e ordem, nem por encomenda, O QUE POR SI SÓ, JÁ É SUFICIENTE PARA QUE SEJA RECONHECIDA A NULIDADE DA AUTUAÇÃO POR AUSÊNCIA DE ENQUADRAMENTO LEGAL. Isto porque, a fiscalização sustenta existir a infração, mas não embasa expressamente a legislação que demonstra o descumprimento de requisitos em uma das modalidades de importação indireta que ocasionasse o dano ao erário, LIMITANDOSE A DISCORRER SOBRE AS MODALIDADES EXISTENTES, ou seja, está ausente no auto a fundamentação legal e qual seria o requisito infringido, simplesmente PORQUE ESTÁSE DIANTE DE UMA OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO DIRETA devidamente amparada por documentação legal e idônea. Frisese, no caso em questão, as acusações e alegações feitas pelo auditor fiscal limitamse à imputar falsidade ideológica nos documentos apresentados os quais provam exatamente o contrário, ou seja, de que tratase de operação de importação na modalidade direta, realizada pelo próprio importador que não se submete ao preenchimento dos requisitos e condições que devem ser observados quando a importação é realizada em uma das modalidades terceirizadas (por conta e ordem ou por encomenda). E isto fica provado, EM RAZÃO DA EXISTÊNCIA DO CONTRATO DE PARCERIA FIRMADO ENTRE A IMPORTADORA ADAIME E RES DO BRASIL DEVIDAMENTE AMPARADO NOS DOCUMENTOS QUE TRATAM DESSAS IMPORTAÇÕES. Portanto, conforme se pode constatar do presente auto de infração, o mesmo deve ser declarado NULO de pleno direito, visto que a autoridade administrativa não atendeu aos requisitos indispensáveis a regular constituição do crédito tributário, tal como prescreve o artigo 142 do Código Tributário Nacional. Verificase, portanto, que NÃO HOUVE NA PRESENTE OPERAÇÃO A UTILIZAÇÃO de artifício fraudulento que Fl. 1795DF CARF MF Processo nº 11829.720037/201614 Acórdão n.º 3402004.875 S3C4T2 Fl. 517 7 objetivasse reduzir ou burlar os encargos tributários, nem tampouco os controles aduaneiros, como afirma a autoridade fiscal, de maneira que se afigura exorbitante a aplicação da MULTA e IMPUTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA AO IMPUGNANTE, sob o argumento de dano ao erário pela ocultação do sujeito passivo. Ainda que se considere EQUIVOCADAMENTE QUE A OPERAÇÃO DE IMPORTAÇÃO NÃO ESTÁ AMPARADA NA MODALIDADE DIRETA, a aplicação da multa com base no valor aduaneiro, ou seja, com base no próprio valor da operação, configura em claríssimo caso de bitributação, já que se torna em um adicional do imposto de importação, situação que é totalmente vedada no ordenamento jurídico pátrio. DO PEDIDO À face do exposto, e principalmente pelo fato do IMPUGNANTE não ter agido com dolo, máfé, fraude ou simulação, a ação fiscal, representada pelo Auto de Infração ora impugnado, deve ser julgada totalmente improcedente, com o seu conseqüente cancelamento e arquivamento dos autos, devendo ser declarada a nulidade do ato administrativo praticado, em decorrência do abuso de autoridade e falta de requisitos essenciais do ato, pelo que requer A ANULAÇÃO DA MULTA E CONSEQÜENTE AFASTAMENTO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA A ELE IMPUTADA. A empresa RES BRASIL LTDA e o Sr. EDUARD AUGUST NOGUEIRA VAN ROOST apresentaram impugnação de folhas 919 à 966, em 02/09/2016. Foi alegado resumidamente que: ü Nulidade da autuação por cerceamento do direito constitucional do contraditório e da ampla defesa (art. 5°, LV, Constituição Federal de 1988) obstrução ao direito à espontaneidade; ü Nulidade das provas decorrentes da quebra ilegal do sigilo das correspondências e das comunicações de dados violação ao artigo 5°, XII, da Constituição Federal de 1988; ü Nulidade das provas decorrentes da quebra ilegal do sigilo profissional na relação cliente/advogado violação ao artigo 5°, X e XIV, da Constituição Federal de 1988 e ao artigo 7°, ii, do estatuto da OAB; ü Nulidade da conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas da inexistência de diligência da fiscalização para a conferência de estoque; ü Inocorrência de ocultação do real adquirente das mercadorias importadas e da inexistência da infração de interposição fraudulenta de terceiros; Fl. 1796DF CARF MF 8 ü Inexistência de demonstração de simulação, fraude ou de artifício doloso para o suposto emprego de interposta pessoa nas importações do aditivo d2w® da atipicidade da conduta dos autuados; ü Do grave equívoco na aplicação da sanção de perdimento das mercadorias importadas e na sua consequente conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro da necessidade de substituição pela multa prevista no artigo 711, III, do regulamento aduaneiro; ü Do caráter confiscatório e desproporcional das multas aplicadas da violenta violação ao princípio constitucional do não confisco (art. 150, VI, da Constituição Federal de 1988); ü Da impossibilidade de responsabilização solidária do sócio nos moldes do art. 135, III, do CTN frente a ausência de comprovação de excesso de poderes ou infração de lei, contrato DO PEDIDO Diante de todo o exposto. os Impugnantes RES Brasil e Sr. Eduard requerem, respeitosamente, a este N. Órgão Julgador, por tempestiva, seja a presente Impugnação devidamente recebida e INTEGRALMENTE ACOLHIDA, a fim de que seja reconhecida, preliminarmente, a total NULIDADE do Auto de Infração ora impugnado, pelas razões abaixo reiteradas, determinandose seu imediato e integral CANCELAMENTO, bem como o consequente arquivamento do processo administrativo em epígrafe. Requerse, portanto, preliminarmente: a) seja o Auto de Infração impugnado declarado NULO, vez que a D. Fiscalização cerceou os direitos constitucionais ao contraditório e à ampla defesa (art. 5°, LV, CF) dos autuados, o que levou os Impugnantes a terem que arcar com uma série de prejuízos, inclusive a impossibilidade de exercer seu direito à espontaneidade (art. 7° do DecretoLei n° 70.235/72) vide item IV.1. desta defesa; b) seja o Auto de Infração impugnado considerado NULO, pelo fato de que inúmeras provas acostadas ao processo administrativo em epígrafe foram obtidas pela D. Fiscalização ao mais absoluto arrepio da Constituição Federal (violação ao art. 5°, X, XII e XIV, CF) e da lei (violação ao art. 7°, II, do Estatuto da OAB), especialmente em razão da interceptação, sem autorização judicial, de correspondências eletrônicas das caixas de email dos sócios das empresas autuadas, que abarcavam, inclusive, conversas protegidas por sigilo cliente/advogado vide itens IV.2. e IV.3 desta defesa; c) seja o Auto de Infração guerreado declarado NULO, diante da mais absoluta ilegitimidade da conversão da pena de perdimento das mercadorias importadas em multa equivalente a seu valor aduaneiro, visto que a D. Fiscalização não se deu sequer ao trabalho de fazer diligência no armazém onde encontravamse os aditivos d2w®, o que lhe permitiria verificar a existência de aditivos em estoque, o que, por si só, impediriam referida conversão vide item IV.4. desta defesa: Fl. 1797DF CARF MF Processo nº 11829.720037/201614 Acórdão n.º 3402004.875 S3C4T2 Fl. 518 9 Subsidiariamente, caso este N. Órgão Julgador não entenda pela nulidade: d) preliminar do Auto de Infração impugnado o que se admite apenas ad argumentandum pleiteiam os Impugnantes sejam analisadas as defesas de mérito abaixo listadas, determinando se, assim, o imediato e integral CANCELAMENTO do Auto de Infração guerreado, bem como o consequente arquivamento do processo administrativo em epígrafe. Requerse, portanto, o que segue: e) sejam todas as provas obtidas pela D. Fiscalização de forma ilegal totalmente desconsideradas e desentranhadas do processo administrativo em epígrafe vide itens IV.2. e IV.3 desta defesa; f) sejam reconhecidas a licitude do modelo de negócio adotado pelas empresas parceiras RES Brasil e Adaime, bem como a inocorrência da infração de interposição fraudulenta de terceiros nas operações de importação do aditivo d2w®, CANCELANDOSE, consequentemente, o Auto de Infração impugnado vide item V.1. desta defesa; g) sejam os Impugnantes RES Brasil e Sr. Eduard EXCLUÍDOS do rol de Impugnados frente à verdadeira ATIPICIDADE de suas condutas. Isso porque estes agiram na mais absoluta boafé quando da adoção do modelo de negócio de parceria com a empresa Adaime fato este que pode ser vislumbrado por meio da análise das provas que instruem a presente Impugnação, bem como diante da inexistência da juntada, por parte da D. Fiscalização, de um conjunto probatório que tivesse o condão de demonstrar as elementares de fraude ou simulação na conduta dos referidos autuados vide item V.2. desta defesa; h) seja o Auto de Infração ora guerreado CANCELADO, vez que diante do reconhecimento, por parte da própria D. Fiscalização, de que todos os tributos incidentes nas operações do aditivo d2w® foram recolhidos de forma devida e tempestiva não há sequer que se falar em ocorrência de prejuízo ao erário vide item V.3. desta defesa; i) seja, subsidiariamente, reconhecida a inaplicabilidade ao presente caso concreto da pena de perdimento das mercadorias importadas e de sua conversão em multa, substituindoa pela sanção prevista no artigo 711, III, do Regulamento Aduaneiro, vez que eventual equívoco no cumprimento das obrigações acessórias por parte dos Impugnantes consistiu em mero erro formal vide item V.4. desta defesa. j) seja, subsidiariamente, o espantoso valor de autuação R$ 6.136.161,04 (seis milhões, centro e trinta e seis mil, cento e sessenta e um reais e quatro centavos) substancialmente reduzido, vez que possui caráter evidentemente confiscatório e desproporcional, em patente violação ao princípio constitucional expresso no art. 150, VI, da Constituição Federal, e que fatalmente levaria os Impugnantes à falência vide argumentos e cálculos explicitados no item V.5. desta defesa; Fl. 1798DF CARF MF 10 k) seja o sócio Sr. Eduard August Nogueira Van Roost, ora Impugnante, imediatamente EXCLUÍDO do rol dos autuados, vez que não há, neste autos, uma prova sequer que demonstre o enquadramento de seus atos nos requisitos do artigo 135, III, do Código Tributário Nacional vide item V.6. desta defesa. Sobreveio então o Acórdão 1676.260, da 21ª Turma da DRJ/SPO, negando provimento à impugnação dos sujeitos passivos, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 13/02/2013 Dano ao Erário por infração de ocultação do verdadeiro interessado nas importações, mediante o uso de interposta pessoa. Pena de perdimento das mercadorias, comutada em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. O objetivo pretendido pelos interessados atentou contra a legislação do comércio exterior por ocultar o real adquirente das mercadorias estrangeiras e consequentemente afastálo de toda e qualquer obrigação cível ou penal decorrente do ingresso de tais mercadorias no país. A atuação da empresa interposta em importação tem regramento próprio, devendo observar os ditames da legislação sob o risco de configuração de prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros. A aplicação da pena de perdimento não deriva da sonegação de tributos, muito embora tal fato possa se constatar como efeito subsidiário, mas da burla aos controles aduaneiros, já que é o objetivo traçado pela Receita Federal do Brasil possuir controle absoluto sobre o destino de todos os bens importados por empresas nacionais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Irresignados com o resultado do julgamento a quo, os sujeitos passivos interpuseram recursos voluntários (Res Brasil Ltda e Eduard August Nogueira Van Roost em fls 1705 a 1752; Cláudio José Adaime em fls 1574 a 1603; Adaime Importação e Exportação Ltda em fls 1626 a 1655; Adaime Assessoria Aduaneira Ltda em fls 1676 a 1702) dirigidos a este Conselho, repisando os mesmo argumentos anteriormente trazidos em suas respectivas impugnações. É o relatório Voto Fl. 1799DF CARF MF Processo nº 11829.720037/201614 Acórdão n.º 3402004.875 S3C4T2 Fl. 519 11 Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Conforme o despacho de fls 1776, todos os recursos voluntários são tempestivos, com base no que dispõe o artigo 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, bem como preenchem os demais requisitos de admissibilidade, de modo que deles tomo conhecimento. Pela leitura do relato acima, bem como pela síntese trazida pelo Acórdão recorrido (fls 1453 e 1454), os pontos controvertidos no presente processo são os seguintes: Em sede de PRELIMINAR § Nulidade da autuação por cerceamento do direito constitucional do contraditório e da ampla defesa; § Nulidade das provas decorrentes da quebra ilegal do sigilo das correspondências e das comunicações de dados; § Nulidade das provas decorrentes da quebra ilegal do sigilo profissional na relação cliente/advogado; § Nulidade do auto por ausência de enquadramento em uma das modalidades de importação terceirizada; § Nulidade da conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas. NO MÉRITO § Inocorrência de ocultação do real adquirente das mercadorias importadas; § Inexistência da infração de interposição fraudulenta de terceiros; § Inexistência de demonstração de simulação, fraude ou de artifício doloso para o suposto emprego de interposta pessoa nas importações; § O dano ao Erário; § A inexistência da responsabilidade solidária; § Da necessidade de substituição pela multa prevista no artigo 711, III, do regulamento aduaneiro; § Do caráter confiscatório e desproporcional das multas aplicadas; § Da impossibilidade de responsabilização solidária do sócio nos moldes do art. 135, III, do Código Tributário Nacional. Para o julgamento desses pontos a decisão a quo inicia sua fundamentação trazendo uma explanação sobre a natureza da pena de perdimento e a comutação da mesma em multa (fls 1454). Fl. 1800DF CARF MF 12 Em seguida passa a analisar as preliminares levantadas pelos impugnantes (fls 1458). Primeiramente trata sobre a suposta falta de motivação do lançamento (fls 1461) fazendo um resumo dos motivos que levaram à lavratura do auto de infração, e concluindo então que as impugnantes tinham plena ciência das razões que conduziam a fiscalização. Sobre a aventada quebra do direito ao contraditório, esclarece que não existe determinação legal de prévia notificação do sujeito passivo ao lançamento (fls 1463), sendo que a defesa é exercida no processo, que se inicia com a apresentação da impugnação da exigência fiscal. Passa então à questão da nulidade das provas (fls 1466), trazendo jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e concluindo que não houve “quebra de sigilo das comunicações de dados (interceptação das comunicações), mas sim apreensão de base física na qual se encontravam os dados (fls 1467). Ato contínuo passa ao ponto da nulidade do auto de infração por ausência de enquadramento do caso em uma da modalidades de importação, assinalando os trechos do Termos de Verificação Fiscal (TVF) que apontam que as importações deveriam ter sido feitas sob a modalidade de "importação por conta e ordem" (fls 1468). Como último ponto de análise preliminar, discorre sobre evolução da legislação aduaneira para responder sobre a suposta nulidade em razão da impossibilidade de conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao 100% do valor aduaneiro das mercadorias (fls 1468), concluindo que mesmo na situação de existir parte das mercadorias em estoque, elas encontravamse já revendidas quando da inspeção pela autoridade fiscal. Passando ao mérito do caso, a decisão a quo apresenta longo e detalhado levantamento da legislação e dos procedimentos administrativos sobre: i) o exercício dos controle aduaneiros (fls 1472); ii) o combate às práticas de interposição fraudulenta (fls 1476); iii) o conceito de interposição em operação de importação (1479); iv) a prática efetiva de interposição fraudulenta de terceiros (1487). Depois disso o voto condutor do Acórdão da DRJ inicia uma descrição dos fatos que embasaram a autuação fiscal (fls 1500 a 1542), descrição esta que consiste na transcrição ipsis litteris dos principais trechos do TVF (fls 16 a 98). Finalmente, o relator traz tópicos sobre: v) o conceito de dano ao erário em matéria aduaneira (fls 1542); vi) aspectos teóricos sobre a responsabilidade dos sócios administradores e os dispositivos da legislação tributária e aduaneira que a embasam (fls 1546); vii) sobre a incompetência da instância administrativa tratar de arguições sobre desrespeito da proibição ao confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade (fls 1553); viii) impossibilidade de aplicação da multa prevista no artigo 711, III ao caso (fls 1556). Disto constatase que, embora tenha sido dada atenção às preliminares e a alguns aspectos teóricos das defesas administrativas, não houve julgamento de primeira instância sobre os argumentos concernentes ao mérito do processo (inexistência da infração de interposição fraudulenta de terceiros), tampouco quanto à motivação, de fato e de direito, para respaldar a responsabilidade solidária dos sócios. Tratase da mesma situação julgada por este Colegiado no Acórdão n. 3402004.134, 1 de lavra da Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula. 1 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 01/07/2015 DIREITO DE DEFESA. PRETERIÇÃO. DECISÃO. NULIDADE. É nula a decisão de primeira instância proferida com preterição do direito de defesa, sem a análise de argumentos relevantes da impugnação, que seriam capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador. Recurso voluntário provido. Fl. 1801DF CARF MF Processo nº 11829.720037/201614 Acórdão n.º 3402004.875 S3C4T2 Fl. 520 13 De fato, com a simples alusão ao direito aduaneiro vigente e subsequente transcrição do TVF, as razões e documentos apresentadas como mérito nas defesas não foram sequer mencionadas no julgamento a quo (e.g. o impacto do acordo de parceria e distribuição na impossibilidade de se caracterizar as operações como importação por conta e ordem de terceiro; o aumento do limite da habilitação das empresas para operarem no comércio exterior; as vendas serem faturadas e recebidas pela Adaime, conforme notas fiscais, a diversos clientes além da Res Brasil; provas sobre a Res Brasil não ser a única responsável pelas negociações; e o risco operacional assumido pela Adaime). Com relação ao mérito, saliento que as razões são pertinentes ao bom julgamento desse processo, uma vez que, caso verificado nos autos que as operações fiscalizadas não se tratam de importação por conta e ordem, cujo ato dissimulado seria a prestação do serviço, mas sim, eram de importações por encomenda (por não serem importações financiadas por empresa oculta nas operações), o lançamento poderia ser cancelado, conforme a jurisprudência desse Tribunal (Acórdão n. 3402002.275). Sobre a lacuna no julgamento de primeira instância, o mesmo se diga com relação à responsabilidade solidária dos sócios, que embora tenha sido tratada in abstracto no voto condutor do acórdão recorrido, não enfrentou a pertinente argumentação da Recorrente acerca da impossibilidade e consequente nulidade do auto de infração sobre ter fundamentada a responsabilidade solidária com base na legislação tributária (Código Tributário Nacional), sendo que o caso cuida de infração aduaneira (regrada pelo Regulamento Aduaneiro). Igualmente foi deixada de lado a questão de inexistir nos autos prova da conduta dolosa pessoal dos sócios, com fraude, excesso de poderes, infração à lei ou a contrato, de modo que não haveria substrato para a aplicação da responsabilidade com base no artigo 135 do CTN e na mansa jurisprudência do STJ. Dessarte, é hialino que não se trata de matéria que pode simplesmente deixar de ser analisada no julgamento administrativo, sob pena de restar configurada nulidade em função da omissão do órgão judicante. No caso, houve incontestável omissão da DRJ ao julgar as impugnações dos sujeitos passivos, sendo portanto nula, por preterição do direito de defesa dos sujeitos passivos, conforme já decidiu esse Colegiado, entre outros, nos seguintes casos: Acórdãos 3402003.029 e 3402003.047. Destaco abaixo a lição de Marcos Vinícius Neder e Maria Teresa López2 sobre o tema: No processo administrativo fiscal, dentre as nulidade mais comuns podemse destacar: os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente; ou com preterição do direito de defesa; a ilegitimidade de partes; omissão do julgador no enfrentamento das questões de defesa e o não atendimento aos requisitos formais do lançamento. Algumas dessas questões arguidas em preliminar são suficientes para a nulidade dos atos correspondentes e para a extinção de todo o processo administrativo, como a questão da ilegitimidade das partes; outras permitem o saneamento da irregularidade, como é o 2 Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. 3 ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, p. 558559. Fl. 1802DF CARF MF 14 caso de cerceamento de defesa gerada pela falta indispensável da análise de uma tese arguida pelo contribuinte, ocasionando apenas a nulidade da decisão de primeira instância e o seu saneamento com a prática de ato novo. Efetivamente, ausência de análise dos citados argumentos e provas das impugnações, nesse contexto, ocasiona cerceamento do direito de defesa no processo administrativo e caso fosse proferido julgamento inaugural da matéria por este Conselho, estar seia atuando como instância única. Tal situação não é permitida pelo sistema jurídico brasileiro, uma vez que o artigo 5º, inciso LV da Constituição confere aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. Cumpre destacar a lição de James Marins3 sobre o tema: Não podem, União, Estado, Distrito Federal ou Municípios, instituir no âmbito de sua competência, a denominada “instância única” para o julgamento das lides tributárias deduzidas administrativamente, sob pena de irremediável mutilação da regra constitucional e consequente imprestabilidade do sistema administrativo processual que, por falta de tal requisito constitucional de validade, não servirá para aperfeiçoar a pretensão fiscal impugnada, remanescendo carente de exigibilidade. Nesse sentido o artigo 59, inciso II do Decreto no 70.235/1972 confere efetividade ao texto constitucional ao determinar que: Art. 59. São nulos (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Por fim, destaco que foi no intuito de coibir tal sorte de problema que o Novo Código de Processo Civil, o qual deve ser aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal, estabelece os requisitos essenciais da sentença, bem como as situações em que considera não fundamentada qualquer decisão: Art. 489. São elementos essenciais da sentença: I o relatório, que conterá os nomes das partes, a identificação do caso, com a suma do pedido e da contestação, e o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo; II os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito; III o dispositivo, em que o juiz resolverá as questões principais que as partes lhe submeterem. § 1o Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: I se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; 3 Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial). São Paulo: Dialética, 2010 5ª ed. Fl. 1803DF CARF MF Processo nº 11829.720037/201614 Acórdão n.º 3402004.875 S3C4T2 Fl. 521 15 II empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua incidência no caso; III invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão; IV não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; V se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; (grifei) Resta a este Colegiado, assim, declarar a nulidade do Acórdão referente ao julgamento a quo que pode ser percebido como supressão de instância administrativa, culminando em preterição do direito de defesa. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por declarar a nulidade do Acórdão n. 1676.260, da 21ª Turma da DRJ/SPO, exarado no presente processo, afetando as peças processuais que lhe sucederam. Objetivando considerações úteis ao prosseguimento e à solução do processo, com base no artigo 59, §2º do Decreto no 70.235/1972,4 destaco que deve a DRJ, em seu novo julgamento, guardar observância ao artigo 489, §1º do Novo Código de Processo Civil, analisando além das preliminares, os argumentos e provas de defesa com relação ao mérito e a responsabilidade dos sócios. Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora 4 § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Fl. 1804DF CARF MF 16 Fl. 1805DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.904426/2011-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/05/1999
CONEXÃO. NÃO EXISTÊNCIA DE FATOS IDÊNTICOS. NÃO OCORRÊNCIA.
Quando os processos não se baseiam em fatos idênticos, apesar de ser a mesma matéria, pois os períodos de apuração são distintos, não se vislumbra a conexão.
PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. CRÉDITO. COMPROVAÇÃO EM DILIGÊNCIA.
Apesar de não ter ocorrido a retificação da DCTF, o que se fazia necessário, a diligência comprovou a existência do crédito em virtude do princípio da verdade material.
Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido.
Numero da decisão: 3302-005.252
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinatura digital)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abada e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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NÃO EXISTÊNCIA DE FATOS IDÊNTICOS. NÃO OCORRÊNCIA. Quando os processos não se baseiam em fatos idênticos, apesar de ser a mesma matéria, pois os períodos de apuração são distintos, não se vislumbra a conexão. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. CRÉDITO. COMPROVAÇÃO EM DILIGÊNCIA. Apesar de não ter ocorrido a retificação da DCTF, o que se fazia necessário, a diligência comprovou a existência do crédito em virtude do princípio da verdade material. Recurso Voluntário Provido. Direito Creditório Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguida e, no mérito, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinatura digital) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), José Fernandes do Nascimento, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, José Renato AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 44 26 /2 01 1- 50 Fl. 299DF CARF MF 2 Pereira de Deus, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abada e Walker Araujo. Relatório Adotase o relatório da resolução nº 3803000.521, relator Jorge Victor Rodrigues, fls. 176/1811: A autoridade administrativa competente por meio de Despacho Decisório emitido em 01/11/2011, após análise do valor do direito creditório informado em Per/DComp, concluiu pela inexistência do crédito pleiteado, por conseguinte não homologando a compensação declarada. Manifestando a sua inconformidade com o decidido no referido despacho, a contribuinte aduziu sucintamente: (i) A despeito da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, a autoridade administrativa houve por bem indeferir o pedido de restituição apresentado, sem que fosse fundamentadas as razões para tanto, por conseguinte não reúne condições mínimas para prosperar, pois está em desacordo com a legislação vigente e jurisprudência já pacificada sobre o tema, impondose a restituição integral da quantia pleiteada no pedido de restituição apresentado. (ii) Em homenagem ao princípio da economia processual requer a reunião dos processos adiante listados para apreciação em julgamentos simultâneos, posto que possuem o mesmo objeto, fundamento legal e partes (conexão). São eles: 10850.906133/201103, 10850.906134/201140, 10280.904439/201129, 10280.904424/201161, 10280.904436/201195, 10280.904440/201153, 10280.904438/201184, 10280.904443/201197, 10280.904441/201106, 10280.904427/201102, 10280.904425/201113, 10280.904437/201130, 10280.904426/201150, 10280.904431/201162, 10280.906137/201183, 10280.906135/201194, 10280.906136/201139, 10280.906138/201128, 10280.906139/201172, 10280.904444/201131, 10280.904446/201121, 10280.904433/201151, 10280.904430/201118, 10280.904432/201115, 10280.904445/201186, 10280.904435/201141, 10280.904447/201175 e 10280.904442/201142 (28 PAF). (iii) Reclamou pela inexistência de realização de diligência ao seu estabelecimento para verificação da exatidão das informações prestadas, em contrariedade ao disposto no art. 65 da IN RFB nº 900/08, uma vez que não foi intimada para prestar quaisquer esclarecimentos acerca da higidez de seu crédito. (iv) Com base no art. 195, I, CF/88 a LC nº 70/91 instituiu a Cofins sobre o faturamento mensal das pessoas jurídicas em geral, assim entendido "a receita bruta das vendas de 1 Todas as páginas, referenciadas no acórdão, correspondem ao eprocesso. Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10280.904426/201150 Acórdão n.º 3302005.252 S3C3T2 Fl. 3 3 mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza". (v) O legislador ordinário pretendeu modificar a sistemática de apuração da contribuição em comento e ampliar a sua base de cálculo, o que foi feito por meio da Lei nº 9.718/98, notadamente através dos seus arts. 2º e 3º, inclusive o caput e § 1º, deste. (vi) Ao assim proceder o legislador ordinário afrontou o mandamento constitucional do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, bem como contrariou a norma consubstanciada no art. 110 do CTN, que proíbe a alteração, pela lei tributária, da definição, do conteúdo e do alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. (vii) Essa discussão se encontra totalmente superada na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal quando, em sessão plenária, declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/99, mediante decisão proferida no julgamento do RE nº 390840/MG, em 09/11/05. Após o que inúmeros outros RE foram julgados no mesmo sentido a exemplo dos números 342.051/2006, 479.612/2006, 346.084/2005 e 585.235/2008, respectivamente, este considerado como de repercussão geral, com proposta de súmula vinculante a respeito do assunto. entendimento (sic) este que já foi pacificado por meio da Lei nº 11.941/09, que revogou o malsinado § 1º do art. 3º dessa Lei. (viii) a jurisprudência administrativa já se manifestou favoravelmente à aplicação pelo Fisco, das decisões prolatadas neste sentido no âmbito do poder Judiciário, conforme os acórdãos proferidos pela CSRF do CARF em destaque: 230378, 226802 e 239790/2010 (3ª T, CSRF), 142592 e 147967/2010 (1ª T, CSRF). (ix) Ademais disso, o inciso I, do § 6º, do art. 26A, do Dec. nº 70.235/72, incluído pela Lei nº 11.941/09, veda aos órgãos de julgamento, no âmbito do processo administrativo fiscal, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado acordo internacional, lei ou ato normativo que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF, no mesmo sentido vai o art. 59 do Dec. nº 7.574/11, como também no caput do art. 62A do RICARF/09. (x) No caso concreto em comento a requerente faz jus a um crédito de R$ 5.388,86, valor que foi calculado sobre receita que não integra o seu faturamento, razão pela qual não é alcançada pela hipótese de incidência da mencionada contribuição. (xi) E para que não restem quaisquer dúvidas a esse respeito, a requerente acostou aos autos: a) cópia do respectivo DARF, o qual demonstra o recolhimento indevido (doc. 03); b) o demonstrativo por ela elaborado, onde está discriminado o valor Fl. 301DF CARF MF 4 que foi indevidamente computado à base de cálculo da COFINS (doc. 04); e c) cópia dos documentos contábeis com o registro dos valores que compõem o crédito aqui pleiteado (doc. 05). (xii) Requer provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia, a realização de diligências e a juntada de documentos para, ao final, requerer pela reforma do despacho decisório. Conclusos foram os autos para apreciação pela 4ª Turma da DRJ/RPO/SP, que em sessão realizada em 18/04/13, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, também não reconhecendo o direito creditório, consoante os termos vazados na ementa adiante transcrita: Assunto: Processo Administrativo Fiscal. Data do fato gerador: 31/03/1999 PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. a prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que verifiquem as exceções previstas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido. Relativamente à questão atinente à reunião de processos o voto condutor mencionou o contido no inciso IV do art. 1º da Portaria SRF nº 666/2008, que disciplina a formalização de processos no âmbito da SRF, para fundamentar a rejeição ao pleito, eis que os processos não são oriundos do mesmo crédito, condição no seu entender sine qua non para o atendimento ao pleito formulado pela contribuinte. Acerca do motivo do indeferimento do pedido supôs o acórdão de piso que a interessada possa haver cometido erro no preenchimento do Per/DComp, razão pela qual não foi encontrado o DARF nele indicado, eis que do confronto das informações constantes do Per/DComp com as do DARF, verificouse que houve inversão entre as datas de arrecadação e de vencimento no preenchimento do pedido. Ademais disso, remanesceu a questão do direito creditório, eis que ao realizar pesquisa aos sistemas da RFB, verificouse que a contribuinte confessou um débito de R$ 52.027,65 da Cofins para o mês de março de 1999, quitado com três DARF's, um deles no valor de R$ 45.396,03, que se encontra totalmente utilizado para quitar o referido débito, portanto dentre os débitos confessados pela própria contribuinte por meio de DCTF, em valor até superior ao do recolhimento objeto do pedido de restituição. Não existe, portanto, saldo passível de restituição. Aduziu ainda o juízo de piso que para existir saldo a restituir seria necessário que a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão de seu PER/DCOMP, fazendo constar o Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10280.904426/201150 Acórdão n.º 3302005.252 S3C3T2 Fl. 4 5 suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior e, neste caso, a autoridade fiscal poderia determinar a realização de diligência nos estabelecimentos do sujeito passivo, a fim de que fosse verificada, mediante exame da sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas, conforme prevê o disposto no art. 65 da IN RFB nº 900/08, suscitada pela recorrente. No tocante à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo, não se discute o entendimento do STF, exposto nos REs mencionados pela interessada, ou mesmo a vinculação do CARF em face da decisão plenária, na sistemática da repercussão geral. No entendimento vazado no acórdão de primeira instância apenas deve ser esclarecido que tal revogação não tem efeitos retroativos, e portanto não atinge o período a que se refere o PER/DCOMP em análise, isto consubstanciado em excertos do Parecer PGFN nº 2.025/11, que trata da repercussão no âmbito da inscrição, administração e cobrança administrativa e judicial da dívida ativa da União, nos casos de julgamentos submetidos à sistemática dos arts. 543B (repercussão geral) e 543C (recurso repetitivo) do CPC. Do referido Parecer concluiu a autoridade julgadora que: "podese afirmar que a adequação prática das atividades administrativas não significa concordância com a tese contrária à da Fazenda. Inexistindo alterações na legislação de regência, Parecer aprovado pelo PGFN, Súmula ou Parecer da AGU ou Súmula do CARF, que concluam no mesmo sentido do pleito do particular, não há razões jurídicas que obriguem a Fazenda Nacional a anuir à tese contrária aos interesses da União". Mencionou ainda que o contribuinte que houver pago crédito considerado indevido pelos tribunais Superiores, em virtude do julgamento proferido na forma dos art. 543B e 543C do CPC, não faz jus à restituição do montante pago, uma vez que: (i) a Fazenda Nacional, ao deixar de contestar e recorrer em razão de julgado oriundo da sistemática dos recursos extremos repetitivos, não manifesta concordância com a tese dos Tribunais Superiores. (ii) os fundamentos jurídicos que autorizam a Fazenda Nacional a absterse de cobrar não extravasam para o plano do direito material (não há remissão sem lei tributária específica). (iii) observe que o tributo é devido. A lei tributária não foi expurgada do ordenamento jurídico e o julgamento proferido na forma dos art. 543B e 543C, do CPC, embora revestido de força persuasiva qualificada, não tem propriamente efeito vinculante erga omnes. Em verdade, o que vincula a Fazenda Nacional é a decisão institucional de não contestar e não recorrer. Ademais, sobretudo para os créditos extintos por Fl. 303DF CARF MF 6 pagamento em momento anterior ao advento do julgado do STF ou STJ, não há como questionar a validade dos pagamentos efetuados. (iv) a restituição do indébito, em situações tais, dependeria de lei que considerasse indevidos os valores pagos quando houvesse julgamento na sistemática dos recursos extremos repetitivos. Dessa forma, seria possível o enquadramento nas hipóteses de restituição do art. 165, I, do CTN. Por derradeiro, ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível estender os efeitos do julgado do STF para o presente caso, a interessada não se desincumbiu de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior. A cópia parcial do balancete apresentada permite vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa. Assim, não haveria como se apurar o total da base de cálculo e a contribuição devida, para compará la com o recolhimento efetuado e concluirse pela eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante. E mais, não tendo a interessada apresentado provas de seu suposto crédito, precluiu do direito de fazêlo em outro momento, a teor do disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235. Cientificado da decisão de piso por meio de AR, em 30/08/13, e irresignada com o nela decidido, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 25/09/13, para aduzir: · Relativamente à reunião de processos alegou a recorrente acerca da existência de conexão entre os mesmos, pois têm o mesmo objeto e causa de pedir, mencionando jurisprudência administrativa em prol de sua tese. · Houve falta de aprofundamento da investigação dos fatos – falta de retificação de DCTF, o que contraria o contido no art. 76 da IN RFB nº 1300/12, segundo o qual a autoridade competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Isto por força do contido no art. 142 do CTN. Notadamente porque a DCTF não é o único meio hábil de prova da existência de crédito passível de restituição. · O art. 165 do CTN e nem o art. 74 da Lei nº 9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações. Trata se de formalidade, a qual não pode se sobrepor ao direito substantivo. Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10280.904426/201150 Acórdão n.º 3302005.252 S3C3T2 Fl. 5 7 · A exigência de retificação de declarações é medida que, além de não constar da lei tampouco das normas infralegais, decorre de excesso de formalismo, que restringe o direito à repetição de indébito, em detrimento do princípio da legalidade, que deve nortear não apenas a apuração de tributos, como sua restituição, além de também se distanciar do alcance do interesse público. · A recorrente, seja porque a lei não contém semelhante restrição, seja porque se trata de medida de formalismo excessivo, entendeu que a retificação de declarações não se afigura legítima como condição à restituição de indébito tributário, mencionando, inclusive jurisprudência e doutrina em defesa de sua tese. Analisando a situação por outro viés temse que o descumprimento de obrigação acessória não altera a disciplina referente à obrigação principal, e viceversa, o que, transportado ao caso em comento, significa dizer que a não retificação da DCTF não interfere na obrigação principal (recolhimento de imposto indevidamente) e, portanto, não impede o reconhecimento do direito creditório da recorrente. · A falta de retificação de uma declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sendo certo que o aproveitamento do crédito é corolário do princípio da legalidade. Além do mais, em matéria de fato, são válidos todos os meios de prova em direito admitidos, sendo certo que, desde o advento do Código Comercial de 1850, prescreve que a contabilidade em ordem faz prova em favor da pessoa jurídica, conforme se observa pela leitura de seu art. 23, III, não mais em vigor, por força do advento do Código Civil de 2002, entretanto em plena vigência e expressamente previsto no art. 923 do RIR/99 (art. 9º, § 1º, DL nº 1.598/77), citando jurisprudência administrativa em defesa de sua tese. · Acerca das provas juntadas para demonstrar a existência do crédito pleiteado, a decisão recorrida alegou a insuficiência para o intento, entretanto esse entendimento não merece prosperar, eis que os documentos colacionados são suficientes para a comprovação do direito de crédito alegado, eis que o valor em foco recolhido indevidamente sobre as receitas financeiras está devidamente lastreado nas receitas financeiras destacadas no balancete em anexo à manifestação de inconformidade, documento este obrigatório paras as pessoas jurídicas, possuindo, inclusive, força probante para recolhimento de estimativas em caso de pessoa jurídica optante pelo lucro real mensal, ex vi do art. 230 do RIR/99. · Com relação à preclusão da produção da prova, a alínea ‘c’ do §4º do art. 16 do Dec. nº 70.235/72, Fl. 305DF CARF MF 8 possibilita a produção de provas em outro momento processual, quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, o que ocorreu por ocasião da decisão contida no despacho decisório, o que se fez mediante a manifestação de inconformidade, inclusive para contrapor os argumentos aventados pelo acórdão recorrido, a recorrente requer com base neste fundamento, a juntada aos presentes autos do Livro Razão, o qual, por si só, tem o condão de comprovar o direito creditório ora postulado, posto que é documento obrigatório para todas as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, ex vi do art. 259, do RIR/99, que incorporou os art. 14 da Lei nº 8218/91 e 62 da Lei nº 8383/91. No mais, em relação à discussão de mérito, a recorrente reitera os termos expendidos na exordial, de maneira minudente, para postular ao final, pelo provimento do recurso, pela reforma do acórdão recorrido, com o reconhecimento do direito à plena restituição da Cofins, calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, declarada pelo STF e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. Conforme exposto anteriormente, o presente processo é um retorno de diligência, onde o relator reconheceu a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 no transcorrer do seu voto. Ele converteu o feito em diligência para, trechos in verbis, fls. 186: Assim oriento o meu voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser efetivamente apurado e informado, DETALHADAMENTE, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos retromencionados. Vencida esta etapa deve a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela contribuinte, se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente nessa data. A Recorrente foi intimada para apresentar o livro diário geral e o livro razão. Após a elaboração da informação fiscal, ela também foi intimada a manifestarse e assim o fez. Diante das informações prestadas pela Recorrente, o feito foi novamente convertido em diligência sob a minha relatoria, Resolução 3302000.640, para: (...) para que a autoridade fiscal aprecie as alegações da recorrente quanto à inclusão indevida de IPI e ICMS substituição tributária na base de cálculo das contribuições, quanto ao equívoco relativo à conta operacional de “pneus/câmaras/protetores” e quanto à alegação de recolhimento de DARFs não considerados pela fiscalização. Sobreveio a informação fiscal, fls. 274 e seguintes, sendo que houve ciência por parte da Recorrente, fls. 279, e manifestação pelo provimento integral. É o relatório. Fl. 306DF CARF MF Processo nº 10280.904426/201150 Acórdão n.º 3302005.252 S3C3T2 Fl. 6 9 Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Preliminar 2.1. Da reunião de processos A Recorrente pleiteia pela reunião dos seguintes processos: 10850.906134/201140; 10850.906133/201103; 10280.904439/201129; 10280.904424/2011 61; 10280.904436/201195; 10280.904440/201153; 1280.904438/201184; 10280.904443/201197; 10280.904441/201106; 10280.904427/201102; 10280.904425/2011 13; 10280.904437/201130; 10280.904426/201150; 10280.904431/201162; 10850.906137/201183; 10865.906135/201194; 10850.906136/201139; 10850.906138/2011 28; 10850.906139/201172; 10280.904444/201131; 10280.904446/201121; 10280.904433/201151; 10280.904430/201118; 10280.904432/201115; 10280.904445/2011 86; 10280.904435/201141; 10280.904447/201175 e 10280.904442/201142. Afirma que os processos, acima listados, têm o mesmo objeto, qual seja a restituição de crédito, decorrente do recolhimento indevido da COFINS ou da contribuição para o PIS/Pasep, pautado na inconstitucionalidade do artigo 3º, parágrafo 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. A Recorrente afirma que por serem idênticos, os processos devem ser reunidos. Pleiteia pela conexão dos processos a fim de cumprir o princípio constitucional da celeridade processual. A fim de verificar sobre a reunião ou dos processos, importante transcrever a Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 RICARF: RICARF Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e Fl. 307DF CARF MF 10 III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. (grifos e sublinhados não constam no original) No caso em análise, não se trata de processos baseados em fatos idênticos, pois apesar de ser a mesma matéria, os períodos de apuração são distintos, portanto, rejeitase o pedido de reunião dos processos. 3. Do mérito 3.1. Das demais matérias e do resultado da diligência A Recorrente insurgese contra o tratamento dispensado ao seu caso, manifestando o fato de que a fiscalização deveria ter se aprofundado para verificar a existência do seu crédito. Afirma que não há necessidade de retificação da DCTF, tratandose de um formalismo exagerado, portanto, afronta o princípio da verdade material. Insurgese também contra a insuficiência de provas, conforme decidido pela DRJ/Ribeirão Preto, e afirma que fez a produção probatória necessária para lastrear a existência de seu crédito. Solicita pela complementação das provas e, posteriormente, faz longa explicação sobre a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. No caso em análise, antes de adentrar no resultado da diligência propriamente dita, importante considerar o RE nº 585.2351/MG decidido sobre o regime da repercussão geral: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE nº 585.2351/MG; Relator: Cezar Peluso: Data do julgamento: 10/09/2008) (grifos não constam no original) A declaração de inconstitucionalidade do parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei nº 9.718, de 1998, teve efeitos "erga omnes" e tal dispositivo foi revogado pela Lei nº 11.941, de 2009. Portanto, foi considerada inconstitucional a ampliação da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e para COFINS. No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Fl. 308DF CARF MF Processo nº 10280.904426/201150 Acórdão n.º 3302005.252 S3C3T2 Fl. 7 11 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Portanto, é dever deste Tribunal Administrativo aplicar decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declarou dispositivo inconstitucional sob o regime de repercussão geral. Quanto ao prazo para pleitear a restituição, sua contagem somente ocorre a partir da revogação expressa da regra, que permitia o alargamento da base de cálculo, pela Lei nº 11.941, de 2009, sendo que somente a partir daí é que se tornou disponível o direito para postular pela restituição do pagamento indevido pela contribuinte. No que concerne às provas e aprofundamento da fiscalização, tais argumentos encontramse superados, uma vez que o feito foi convertido em diligência por dois momentos. Do resultado da segunda diligência, temse que, fls. 274 e seguintes: Analisando a documentação juntada aos autos pelo contribuinte, conforme documentos de fls. 211/260, confrontando com a informação fiscal de fls. 202/204, verificamos que não foi considerada a existência de IPI e ICMS na condição de substituto tributário quando da emissão de referida informação, valores esses confirmado na DIPJ referente ao anocalendário 1999. Verificamos também que houve o equívoco em relação à conta operacional de “Pneus/Câmaras/Protetores”, duplicando o valor a ser considerado. Através de pesquisas efetuadas no sistema SIEF Pagamento localizamos dois pagamentos, referente ao recolhimento do PIS (8109), um no valor total de R$16.203,44, ocorrido em 15/06/1999, e outro no valor total de R$35,99 (R$34,95 + acréscimos legais), sendo ambos os pagamentos foram utilizados para amortizar o débito confessado através da DCTF do PIS (8109) do período de apuração do mês de maio de 1999. (...) Fl. 309DF CARF MF 12 Conforme demonstrado na planilha acima, o valor apurado a título de PIS (8109) para o mês de maio de 1999 foi de R$14.959,15, enquanto que o valor recolhido, conforme já mencionado, foi de R$16.238,39 (R$16.203,44 + R$34,95), pelo que, apuramos um Saldo Recolhido a Maior de R$1.279,24. Desta forma, proponho o reconhecimento do direito creditório pleiteado no PER nº 03023.51705.150404.1.2.045173, transmitido em 15/04/2004 (fls. 02/04). (grifos não constam no original) Apesar de não ter ocorrido a retificação da DCTF, o que se faz necessário, não se tratando de mero formalismo, reconhecese o crédito pleiteado, conforme o resultado da diligência, em virtude do princípio da verdade material. 4. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Voluntário, rejeitar a preliminar suscitada, e, no mérito, conceder provimento integral. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Fl. 310DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.000529/2007-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.340
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire (Presidente), Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra, Pedro Sousa Bispo. Relatório A Recorrente requereu em 30/08/2007 a compensação de valores recolhidos a título de Cofins nos períodos de apuração de 01/01/1999 a 30/06/2002, alegando ganho judicial em processo no qual questionou a alteração da base de cálculo da contribuição, promovida pela Lei nº 9.718/98. A DRF Divinópolis, por meio de Despacho Decisório exarado em 04/09/2008 (fls. 274275) deferiu parcialmente o pedido, nos seguintes termos: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 65 .0 00 52 9/ 20 07 -4 8 Fl. 527DF CARF MF Processo nº 10665.000529/200748 Resolução nº 3402001.340 S3C4T2 Fl. 3 2 em relação à parte dos pagamentos (anteriores a cinco anos da data da declaração de compensação), o direito de pleitear a compensação já estava prescrito; em relação aos demais pagamentos (não prescritos), apurouse crédito menor do que o reclamado, em virtude de a contribuinte não haver considerado, na base de cálculo, os faturamentos relativos à receita com aluguel e venda de sucatas e óleo queimado (conta Rendas Diversas). Em seqüência, homologouse parcialmente as compensações, considerando o crédito de cada recolhimento, apurado conforme planilhas de fls. 265/272. Cientificado, a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade de fls. 276/284, alegando: em vista da decisão transitada em julgado que afastou a incidência das contribuições sobre a parcela de receitas que não corresponda ao faturamento, resta evidente que os valores dos recolhimentos sobre tais parcelas são classificados como “pagamento indevido de tributos administrados pela SRF", e assim considerandose o disposto no art. 74 da Lei 9.430/96, manifestase o seu direito de compensar tais valores; cita o § 10 do art. 26 da Instrução Normativa n° 600/05 para inferir que, se ao contribuinte que tenha apresentado pedido de restituição à SRF antes do transcurso do referido prazo (cinco anos), é deferida a possibilidade de apresentar a Declaração de Compensação, obviamente que se o mesmo comprovar que estava discutindo judicialmente a questão da incidência tributária, através de Mandado de Segurança, e o trânsito em julgado somente ter ocorrido em 2006, também poderá apresentar tal Declaração; cita, ainda, o parágrafo único do art. 219 do CPC, esposando c entendimento de que o início de ação judicial interrompe o prazo prescricional para a restituição dos valores indevidamente recolhidos; como os valores indevidamente recolhidos foram reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado, e os recolhimentos foram efetuados após a impetração do Mandado de Segurança, tem a Requerente assegurado o direito à sua compensação, citando jurisprudência do Conselho de Contribuintes; sobre as glosas procedidas pela DRF na apuração do crédito, alega que o Mandado de Segurança impetrado garantiulhe o direito de que a Cofins incidisse apenas sobre o Faturamento e não sobre a Receita Bruta. Assim, as receitas nãooperacionais não seriam incluidas na base de cálculo da Cofins; a requerente possui imóveis em seu patrimônio, mas não tem por objeto social a locação de imóveis. Assim, as receitas decorrentes dos alugueis são nãooperacionais, devendo as mesmas ser excluídas da base de cálculo da Cofins; a requerente possuí ainda Sucatas, que são materiais utilizados em suas instalações e equipamento, e que, após desgastados deixam de ter utilidade para a requerente e são descartados. Esta sucata é revendida, Fl. 528DF CARF MF Processo nº 10665.000529/200748 Resolução nº 3402001.340 S3C4T2 Fl. 4 3 mas por não fazer parte da atividade da Requerente, a receita obtida nesta operação também não é receita operacional; com relação ao óleo queimado, a Requerente informa que possui máquinas e caminhões, e quando da troca do óleo dos mesmos, este material é annazenado e posteriormente vendido para empresa autorizada pela Agência Nacional do Petróleo, para reciclagem evitando danos ao meio ambiente. . a presente defesa alcança as declarações de compensação, que devem pemanecer com exigibilidade suspensa na forma preconizada no § ll do art. 74 da Lei 9.430/96, cumulado com o artigo 151 do CTN, ate' decisão final do presente processo. A DRJ negou provimento à Manifestação de Inconformidade, sob os seguintes fundamentos: concluise que a par de não ter obtido judicialmente a restituição do PIS que teria sido pago a maior (mesmo porque não a pediu), a contagem de tempo para a repetição do indébito não pode se dar a partir do trânsito em julgado de sua ação judicial, pelo simples fato de que isso não foi ganho na justiça. Está claro, portanto, que as atividades relacionadas à disponibilização/arrendamento de instalações a terceiros, e ao comércio de sucatas em geral fazem parte do seu objeto social. Considerando que tais receitas são oriundas da atividade econômica da empresa, integram c seu faturamento e, por conseguinte, a base de cálculo da Cofins. Irresignado, apresentou a Recorrente seu Recurso Voluntário, repisando as razões de sua manifestação de inconformidade. Consta em fl. 513 informação de que a Recorrente solicitou parcelamento excepcional, conforme Lei nº 11.941/2009. É o relatório. Voto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Verifico inicialmente que o Recurso Voluntário foi interposto no mês de Maio de 2009, sendo incluído às fls. 514 e ss. Todavia, consta na fl. 513 documento datado de 17/12/2009, com o Carimbo de recebimento na SACAT/DRF/DIVINOPOLIS em 05/08/2010, sem obediência à ordem cronológica que os documentos devem observar. Mais importante é o teor do documento de fl. 513, cujo conteúdo é o seguinte: Fl. 529DF CARF MF Processo nº 10665.000529/200748 Resolução nº 3402001.340 S3C4T2 Fl. 5 4 Após a solicitação do parcelamento, consta o Recurso Voluntário e documentos, e o ofício de fl. 525 remetendo o processo ao CARF para prosseguimento, sem dispor absolutamente nada acerca do mencionado parcelamento. Visto que é possível que o parcelamento tenha abrangido os débitos confessados e compensados pela Recorrente nas PER/Dcomps, e tendo em conta os efeitos do parcelamento de débitos tributários sobre o prosseguimento da discussão na seara administrativa, é relevante que sejam fornecidas mais informações acerca do mesmo. Desse modo, voto por converter o presente julgamento em diligência para que a autoridade preparadora informe se os débitos declarados nos PER/Dcomps objetos deste processo administrativo foram incluídos integralmente ou parcialmente no parcelamento, e adoção dos procedimentos cabíveis. Após estes procedimentos, os autos devem retornar ao CARF para julgamento. É como voto. Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 530DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.679864/2009-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Data do fato gerador: 13/01/2006
NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito.
DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde.
PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.860
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para NEGAR-LHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Data do fato gerador: 13/01/2006 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para NEGAR-LHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 13/01/2006 NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. FALTA DE MOTIVAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Não ocorre a nulidade do feito fiscal quando a autoridade demonstra de forma suficiente os motivos pelos quais o lavrou, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao contribuinte e sem que seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito. DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITO. A retificação da DCTF após a ciência do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se funde. PROVA. RETIFICAÇÃO DE DCTF. REDUÇÃO DE DÉBITO. APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Compete ao contribuinte o ônus da prova de erro de preenchimento em DCTF, consubstanciada nos documentos contábeis que o demonstre. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. JUNTADA DE PROVAS. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando tal providência se revela prescindível para instrução e julgamento do processo. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 67 98 64 /2 00 9- 91 Fl. 106DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário interposto pela empresa TIM CELULAR S/A., contra a Decisão da DRJ, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade que manteve o Despacho Decisório eletrônico emitido pela Delegacia de Administração Tributária em São Paulo DERAT/SP, que não homologou as compensações declaradas com pagamento indevido de CIDE. No referido Despacho Decisório informa que as compensações não foram homologadas por não ter havido apuração de pagamento indevido pois o pagamento citado foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. Em sua manifestação de inconformidade a contribuinte reconhece que deixou de retificar as DCTFs relativas aos períodos que entende ter havido recolhimento a maior. Sustenta, contudo, que mero equívoco no preenchimento destas declarações não pode gerar débitos fiscais. Alega ofensa aos princípios do contraditório e ampla defesa, discorre sobre o princípio da verdade material e assevera que o equívoco é evidente e não justifica a glosa havida. No entanto, os argumentos aduzidos pelo Recorrente não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão nº Acórdão 1630.222, prolatado pela DRJ em São Paulo (SP): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Data do fato gerador: 13/01/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DCOMP ALTERAÇÃO DE DCTF APÓS CIÊNCIA DE DECISÃO QUE NÃO HOMOLOGOU A COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que não homologou a compensação, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, não tem o condão de alterar a decisão proferida, uma vez que tanto as DRJ como o CARF limitamse a analisar a correção do despacho decisório, Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10880.679864/200991 Acórdão n.º 3402004.860 S3C4T2 Fl. 3 3 efetuado com bases nas declarações e registros constantes nos sistemas da RFB na data da decisão. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL NÃO OFENSA CORREÇÃO DE ALTERAÇÃO DE DCTF NÃO COMPROVADA EM DOCUMENTAÇÃO IDÓNEA Qualquer alegação de erro de preenchimento em DCTF deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito credit6rio, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Devidamente cientificada desta decisão, a recorrente interpôs, tempestivamente, o recurso voluntário ora em apreço, reprisando os argumentos de sua Manifestação de Inconformidade, adicionando, em síntese, as seguintes razões: Aduz que como explicitado na Manifestação de Inconformidade, por conta da sistemática tributária vigente, apurou créditos tributários a seu favor (recolhimento indevido ou a maior de diversos impostos e contribuições administrados pela RFB), sendo certo que tais montantes são plenamente utilizáveis para fins de compensação de débitos relativos a outros tributos federais administrados pela RFB. Com efeito, a partir de meados de 2006, constatou ter efetuado recolhimento a maior a titulo de IRRF, CIDE, PIS importação, COFINS importação, incidentes sobre operações de remessa ao exterior de Royalties pela cessão de direitos de uso de programas de computador, bem como pela contraprestação de serviços técnicos e administrativos, recolhimentos estes realizados desde o anocalendário de 2004 e que foram compensados com débitos de COFINS apurada em PER/DCOMP. (i) Da carência de Fundamentação do Despacho Decisório: Conforme já explicitado na Manifestação de Inconformidade e ignorado pela decisão recorrida, o Despacho Decisório é absolutamente carente de fundamentação legal (motivação), quedandose nulo de pleno direito por não conter qualquer fundamentação para a produção do ato por ele exteriorizado; a carência de motivação que torna vazio o despacho decisório inquinado, viola frontalmente o principio da ampla defesa e do contraditório; o simples fato da DRJ/SP1 ter ultrapassado a nulidade alegada sem qualquer análise digna das atribuições da Autoridade Fiscal acarreta indevida supressão de instância; (ii) Quanto ao mérito, argumenta a violação aos princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade: afirma que o débito em discussão é fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas e na incapacidade do sistema informatizado da RFB fazer o cruzamento das informações destas com as prestadas via PER/DCOMP, em que pese a evidência do direito ao aproveitamento de tais Fl. 108DF CARF MF 4 créditos; se fosse dado ao contribuinte a chance de apresentar explicações, certamente a Fazenda Nacional pouparia precioso tempo do CARF com cobranças infundadas como esta; que o mero erro material no preenchimento dos valores descritos na DCTF não pode operar quaisquer efeitos; o fato de a Recorrente ter cometido o simples erro de preenchimento relativo à inclusão de débitos indevidamente na sua DCTF, não é bastante para que o Fisco ignore diversos outros elementos que, já analisados pela RFB, revelam manifestamente a validade dos créditos fiscais vindicados, pois estes existem e só não são reconhecidos por um equivoco na declaração; de se frisar que é dever da Administração Pública, em prol da legalidade de sua atuação, investigar e valorar corretamente os fatos que dão ensejo a uma cobrança, ou seja, se a Administração possui dados para identificar os fatos, não deve ela se ater a minúcias formais em manifesto prejuízo do contribuinte; (iii) Do escorreito procedimento de compensação realizado: o entendimento havido pelo Acórdão recorrido baseiase, pura e simplesmente, no fato de que as declarações não identificavam saldo (crédito) a restituir (ou compensar), mas somente a liquidação regular de débitos apurados, situação esta que, consoante já aduzido na Manifestação de Inconformidade, era devida unicamente em razão da falta de retificação das DCTFs enviadas com erros de preenchimento, equívocos perfeitamente sanáveis pelo Fisco, até mesmo de oficio, que tem livre acesso à toda a escrituração fiscal da Recorrente e, mesmo assim, jamais a solicitou para fins de imputação das compensações de créditos declaradas. Por fim, requer que seja o Recurso Voluntário conhecido e recebido com efeito suspensivo (nos termos do artigo 151, III do CTN) e declarado nulo o Despacho Decisório que fundamenta a exigência ante a patente carência de fundamentação ou, caso assim não entenda, seja determinada a conversão do julgamento em diligência na forma do RI CARF, para que seja efetivamente examinada a escrita fiscal da Recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402004.849, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10880.679805/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402004.849): 1. Da admissibilidade do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. 2. Objeto da lide Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10880.679864/200991 Acórdão n.º 3402004.860 S3C4T2 Fl. 4 5 O caso se resume à alegação de pagamento a maior de tributo e que esse tributo recolhido a maior estaria sendo utilizado para compensar débitos constante na PER/DCOMP do presente processo. No Despacho Decisório o Fisco informa que as compensações não foram homologadas por não ter havido apuração de pagamento indevido pois o pagamento citado foi utilizado para quitar débitos declarados em DCTF. A Recorrente alega que mero equivoco no preenchimento das DCTF não poderia geral débitos fiscais e que o fato deveria ser reconhecido de plano pela RFB. 3. Preliminar de nulidade do Despacho Decisório A Recorrente alega que há carência de fundamentação e motivação do Despacho Decisório prolatado pela DERAT/SP e que houve cerceamento do seu direito de defesa. Vejase trecho: "(...) Conforme já explicitado na Manifestação de Inconformidade e solenemente ignorado pela decisão da 5ª Turma da DRJ/SP1, o despacho decisório em comento é absolutamente carente de fundamentação legal, quedando nulo de pleno direito por não conter qualquer fundamentação para a produção do ato por ele exteriorizado. "(...) não se pode admitir em nome desta agilidade a violação de direito expresso na Carta Magna, elementar ao principio do contraditório e da ampla defesa, que é a obrigatoriedade de fundamentação das decisões proferidas tanto em âmbito administrativo como judicial (....)". Pois bem, entendo que não assiste razão à Recorrente. Explico. De acordo com o dispositivo constitucional que trata do direito ao contraditório e à ampla defesa, temos que: (artº 5º, inciso LV): Artº 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade nos seguintes termos: (...) LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. É cediço que a autoridade competente, ao verificar a infração e entender presente as provas necessárias à caracterização da infração ou do ilícito fiscal, não está obrigada a conceder defesa antes da cientificação do respectivo lançamento ao sujeito passivo, posto que é com a apresentação da impugnação que o procedimento se verte em processo, estabelecendose, por conseguinte, o efetivo conflito de interesses: de um lado o Fisco que acusa a existência de débito tributário, fundando sua pretensão de recebêlo e, de outro, o sujeito passivo, que opõe resistência por meio da apresentação de defesa administrativa Fl. 110DF CARF MF 6 (impugnação). É a partir desse momento, ou seja, com o início da fase processual, que se impõe a aplicação, no âmbito administrativo, do princípio constitucional da garantia ao devido processo legal, no qual está compreendido o respeito à ampla defesa, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal. Verificase que o Despacho Decisório (eletrônico) teve origem em auditoria de análise de crédito declarado em PER/DECOMP pela Recorrente, realizada pela RFB, que encontrase detalhada no corpo do documento (campo 3), onde consta a motivação, fundamentação, decisão e o enquadramento legal que conduziram a autoridade fazendária a não homologação da compensação declarada. Vejase trecho: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: R$ 11.190,74. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada". A Recorrente foi devidamente cientificada do referido Despacho Decisório e apresentou, tempestivamente, a sua Manifestação de Inconformidade (fls. 10/24) que foi apreciada em julgamento realizado na primeira instância administrativa. Irresignada com o resultado do julgamento da autoridade a quo, protocolou Recurso Voluntário, rebatendo as posições adotadas no acórdão recorrido, combatendo as razões de decidir daquela autoridade, demonstrando perfeito conhecimento de todo o conteúdo deste processo, não lhe sendo oposto qualquer constrangimento ou dificuldade, e está exercendo seu direito de defesa de forma ampla, por meio deste processo. Portanto, a motivação para o indeferimento no Despacho Decisório, bem como, as do julgamento na primeira instância, estão claramente identificadas e fundamentadas no Acórdão recorrido, não havendo que se falar na "indevida supressão de instância". Com todo este histórico de discussão administrativa, cumpridos os prazos legais para manifestação, não se pode falar em cerceamento de direito de defesa ou quaisquer outros vícios no Despacho Decisório ou no julgamento da primeira instância, ou seja, todo o procedimento previsto no Decreto nº 70.235, de 1972 foi observado, tanto o Despacho Decisório, bem como, o devido processo administrativo fiscal (PAF). Pela leitura do Despacho Decisório, que foi emitido eletronicamente pela RFB, constatase o nome e matrícula Auditor Fiscal (foi assinado por servidor competente no exercício de suas funções), bem como verificase a descrição de forma suficientemente, objetiva e cristalina os fatos o Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10880.679864/200991 Acórdão n.º 3402004.860 S3C4T2 Fl. 5 7 enquadramento legal e normativos, o que contribuiu, decisivamente, para a exata compreensão da motivação. Ou seja, não verifico uma dúvida sequer relativa aos fatos narrados pela fiscalização, e tampouco sobre o enquadramento legal e/ou normativo adotado. Por fim, apenas para um melhor esclarecimento sobre nulidade, transcrevese o dispositivo que rege a matéria no âmbito do processo administrativo fiscal. Assim, prescreve o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, com a nova redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º (...). Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Como se vê, o caso aqui analisado, não se enquadra em nenhuma das hipóteses do art. 59 acima reproduzido. Assim, respeitados pelo Fisco os princípios da motivação, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, inexiste o cerceamento do direito de defesa até esta fase processual e, portanto, improcedente é a alegação nulidade do feito fiscal. 4. Do pedido de diligência (produção de provas, escrita fiscal) Requer a Recorrente ao final de seu recurso que, "(...) ou, caso assim não entenda V.Sa., seja determinada a conversão do julgamento em diligência na forma do Regimento Interno deste E. Conselho para que seja efetivamente examinada a escrita fiscal da ora Recorrente, confirmandose, ao final, a compensação declarada". Pois bem. Primeiramente, ressaltese que a diligência no âmbito do processo administrativo fiscal não se presta a suprir deficiência probatória, seja por parte do fisco ou da Recorrente. Conforme será abordado na parte meritória, as questões colocadas não justificam o deferimento de uma diligência uma vez que além de existir nos autos elementos que propiciam ao julgador a cognição dos fatos postos em lide, a Recorrente teve a oportunidade de apresentar seus elementos probatórios quando da Manifestação de Inconformidade. Fl. 112DF CARF MF 8 No art. 15 do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal), consta que a impugnação deverá ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar. Sobre isso, coloquese, inicialmente, que no que se referente à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas, a legislação processual administrativo tributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o princípio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. Assim, nos casos de utilização de direito creditório pelo contribuinte, é atribuição do contribuinte/pleiteante a demonstração da efetiva existência deste. Mencionese, adicionalmente, que o Código de Processo Civil, aqui aplicável subsidiariamente ao Decreto 70.235/72, estabelece, em seu art. 373, que o ônus da prova incumbe ao autor, quando fato constitutivo do seu direito. Art. 373. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Nesse mesmo sentido, segue a Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012, que rege atualmente os processos de restituição, compensação e ressarcimento de créditos tributários. Já à autoridade julgadora administrativa, a teor do art. 18, Decreto nº 70.235/1972, cabe determinar, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendêlas necessárias ao seu convencimento, devendo indeferir as prescindíveis ao julgamento ou as impraticáveis. Assim, há que se ter em conta, que tais previsões legais não existem com o propósito de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pelo contribuinte/pleiteante. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Dentro deste quadro, temse que não cabe a autoridade julgadora, em qualquer pleito repetitório apresentado, diligenciar para fins de, de ofício, promover a produção de prova da existência e/ou procedência do crédito pleiteado pelo Contribuinte. Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessários e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindível é a diligência/perícia requerida pela contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferila. Assim, diante dos argumentos expostos indeferese o pedido de diligência/perícia Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10880.679864/200991 Acórdão n.º 3402004.860 S3C4T2 Fl. 6 9 com amparo no 18 e 28 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação que lhes foi dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 1993. 5. Quanto ao mérito Em seu recurso a Recorrente argumenta a violação ao princípios da estrita legalidade, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade. Afirma que o débito em discussão é fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas. Vejase: "(...) Conforme já delineado, o débito da ora Recorrente fruto de um mero equivoco nas DCTF's originais apresentadas e na incapacidade do sistema informatizado da RFB fazer o cruzamento das informações destas com as prestadas via PER/DCOMP, em que pese a evidência do direito ao aproveitamento de tais créditos". A Recorrente reconhece que informou, equivocadamente, na DCTF original, débito de CIDE quitado mediante recolhimento de DARF no valor informado no Despacho Decisório que ora se discute. Todavia, após revisão interna, constatou o pagamento a maior do referido débito, uma vez que os cálculos estavam sendo efetuados de maneira incorreta, restando inegável a existência de créditos de COFINS após a correção do montante efetivamente devido. Que se fosse dado "a chance de apresentar explicações, certamente a Fazenda Nacional pouparia precioso tempo do CARF com cobranças infundadas como esta". Por outro lado, relativamente à alegação que teria cometido erros no preenchimento da DCTF e que, sanados esses erros, haveria o crédito que utilizou nas PER/DCOMP, a decisão de piso observa que "a contribuinte limitase a alegar o fato mas não logrou apresentar qualquer prova documental do que alega". Prossegue a Recorrente afirmando que, "(...) O PER/DCOMP em questão, transmitido em 18.06.2007 (DOC.02 da petição de juntada outrora protocolada), contemplou a utilização de crédito apurado de CIDE recolhido em 29.07.2005, conforme DARF no valor de R$ 11.190,74 (onze mil, cento e noventa reais e setenta e quatro centavos DOC.03, da petição de juntada outrora protocolada), para compensação de COFINS apurada no mês de maio de 2007 no valor de R$ 14.270,43 (catorze mil, duzentos e setenta reais e quarenta e três centavos), situação esta que foi finalmente e adequadamente espelhada na DCTF retificadora transmitida em 03.12.2009 (DOC.04, da petição de juntada outrora protocolada), a qual põe por terra quaisquer dúvidas quanto à liquidez do crédito cuja compensação foi pleiteada pelo PER/DCOMP sob exame". No entanto, verificase que tanto na Manifestação de Inconformidade como no Recurso Voluntário, a Recorrente limitase alegar a existência de erro de preenchimento, erro nos cálculos de apuração de tributo, erro no pagamento em DARF, mas reconhece perfeitamente não haver apresentado qualquer Fl. 114DF CARF MF 10 DCTF retificadora até a data da ciência do Despacho Decisório prolatado pelo Fisco, que ocorreu em 23/10/2009. Como muito bem pontuado pela decisão a quo, a qual subscrevo algumas partes das considerações tecidas (com alterações pontuais), adotandoas como razão de decidir, com forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 1999, "(...) a retificação da DCTF, para reduzir débitos declarados, feita após a decisão prolatada pela autoridade fiscal que examinou os pedidos de restituição e compensação, não pode, simplesmente, ser acolhida, como argumento de defesa, uma vez que a Manifestação de Inconformidade deve ser dirigida a apontar erros que teriam sido cometidos na analise do crédito da Contribuinte, em relação as informações constantes dos Sistemas da Receita Federal, que são formadas pelas informações prestadas pelos contribuintes através das declarações fiscais, tais como DIPJ. DCTF, DIRF, etc, na data da emissão do Despacho Decisório". A Recorrente reconhece, a princípio, que não havia qualquer incongruência entre os débitos declarados em DCTF e o valor dos pagamentos desses débitos em DARF. Logo o sistema PER/DCOMP ao realizar a compensação não poderia ter encontrado saldo credor no DARF utilizado na Declaração de Compensação (DCOMP), eis que estava alocado ao débito segundo informado na DCTF. No entanto, após ciência do Despacho Decisório, quando da Manifestação de Inconformidade é que a Contribuinte informa o Fisco ter havido erro no preenchimento das DCTF e procede a retificação da declaração. É importante ressaltar que a conduta do Fisco é pautada em documentos formais e oficiais e, se a Recorrente resta inerte e não promove à tempo as retificações cabíveis na DCTF, não cabe ao Fisco promovêlas. Vale dizer que este Colegiado vem registrando noutros processos envolvendo matéria idêntica, em que esta Corte Administrativa vem entendendo que a retificação posterior a ciência do Despacho Decisório não impediria o deferimento do pedido quando acompanhado de provas documentais comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original, conforme preconiza o § 1º do art. 147, do CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (Grifei) Da interpretação do artigo acima, extraise que a simples alegação e mesmo a apresentação de DCTF retificadora não faz qualquer prova, por si só, nessa altura do rito processual, Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10880.679864/200991 Acórdão n.º 3402004.860 S3C4T2 Fl. 7 11 devendo, ao contrário, vir acompanhada dos documentos comprobatórios de eventual equivoco cometido na elaboração da declaração original (DCTF). Ressalto que, como já frisado no tópico anterior, nos casos de utilização de direito creditório pelo contribuinte, é atribuição deste/pleiteante a demonstração da efetiva existência deste (ônus da prova). Assim, a Recorrente deveria ter acostado aos autos, junto com a Manifestação de Inconformidade a sua escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Fiscais e Contábeis, como o Livro Diário e Razão, além da movimentação comercial da empresa. Reprisee que no caso em exame, a Recorrente não trouxe aos autos, nas duas oportunidades em que neles compareceu (quando da Manifestação e agora em fase de recurso), qualquer prova documental hábil a demonstrar o erro que alega que cometera no preenchimento da DCTF (como a escrita contábil e fiscal, por exemplo). Veja que o processo administrativo fiscal é normatizado pelo Decreto n° 70.235/72, que em seu art. 16, III assim dispõe, in verbis: Art. 16. A impugnação mencionará. III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pelo art. I.° da Lei n.° 8.748/I993)" Ainda nos §§ 4° e 5° do mesmo artigo determinam que: " § 4º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/1997) § 5°. A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Acrescido pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/I997)" (Grifei) Percebese que a Recorrente trouxe somente documentos que julgou necessários à instrução de sua peça defensória, não cabendo fazer um pedido genérico para futura juntada de Fl. 116DF CARF MF 12 documentos ou diligência, sem alinhavar a hipótese legal em que se funda tal solicitação. Entre ser verdadeira a afirmação da Recorrente, segundo a qual o fato de não ter retificado a DCTF em tempo hábil antes da transmissão das compensações, não lhe pode subtrair o direito ao crédito (o princípio da verdade material requerido), e reconhecerlhe o direito a esse crédito, passa, inapelavelmente, pelo vão das provas, que a ela competia trazer aos autos, exercendo, com isto, sim, sua ampla defesa, ainda que fosse na segunda instância. Se juntasse as provas no recurso voluntário certamente contaria com a possibilidade de seu acolhimento nesta segunda instância de julgamento. No entanto, vale ressaltar que, até a presente data, passado quase dois anos entre a manifestação de inconformidade e o recurso voluntário, nenhuma documentação foi apresentada pela Recorrente, que se limitou a juntar cópia da DCTF retificadora, não embasada por qualquer documentação comprobatória. Isto posto, para este Colegiado, portanto, não há reparos a fazer na decisão recorrida, ao afirmar que a DCTF retificadora apresentada após a ciência do Despacho Decisório não seria óbice, mas também não seria suficiente para a demonstração do crédito vindicado, sendo indispensável, nos termos do § 1º do art. 147 do CTN, supra, a comprovação do erro em que se fundou a retificação, o que a Recorrente, conforme já ressaltamos neste voto, não logrou realizar. 6. Dos princípios da estrita legalidade, da razoabilidade e da proporcionalidade À autoridade julgadora é vedado afastar a aplicação da lei sob fundamento de inconstitucionalidade, pelo que é impossível apreciar as alegações de ofensa aos princípios constitucionais da vedação ao confisco, legalidade, razoabilidade e proporcionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 7. Dispositivo Ante o exposto, conheço do recurso voluntário para no mérito, NEGARLHE provimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10880.679864/200991 Acórdão n.º 3402004.860 S3C4T2 Fl. 8 13 Fl. 118DF CARF MF
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