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Numero do processo: 10932.000153/2005-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/01/1999 a 31/12/2003
BASE DE CÁLCULO.PIS.
A base de cálculo da contribuição o Programa de Integração Social (PIS) é o faturamento mensal da pessoa jurídica, correspondente a sua receita bruta, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, quando apurado pelo regime de não cumulatividade.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3201-000.728
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Luciano Lopes de Almeida Moraes
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ementa_s : Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/01/1999 a 31/12/2003 BASE DE CÁLCULO.PIS. A base de cálculo da contribuição o Programa de Integração Social (PIS) é o faturamento mensal da pessoa jurídica, correspondente a sua receita bruta, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, quando apurado pelo regime de não cumulatividade. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
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A base de cálculo da contribuição o Programa de Integração Social (PIS) é o faturamento mensal da pessoa jurídica, correspondente a sua receita bruta, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, quando apurado pelo regime de não cumulatividade. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. Judith do Amaral Marcondes Armando Presidente Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Marcelo Ribeiro Nogueira, Daniel Mariz Gudino, Luis Eduardo Garrossino Barbieri e Mércia Helena Trajano D'Amorim. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Tratase de impugnação a exigência fiscal relativa à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS. O feito, referente aos períodos de apuração de 31/01/1999 a 31/12/2003, constituiu crédito tributário no total de R$ 79.095,20, somados o principal, multa de ofício e juros de mora incorridos até o mês anterior ao da lavratura. A autoridade autuante aponta os seguintes fundamentos para o lançamento: • Quanto aos fatos geradores ocorridos entre 31/01/1999 e 30/11/2002, teriam sido efetuados recolhimentos a menor, posto que não observados os comandos dos artigos. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98; • Quanto aos fatos geradores ocorridos entre 31/01/2003 e 31/12/2003, teriam sido efetuados recolhimentos a menor, visto que não teriam sido obedecidos os artigos 1º, 2º, 3º e 4º da Lei nº 10.637/02. A fiscalização relata no Termo de Verificação Fiscal (fls. 151 153), parte integrante do Auto de Infração, a existência do Mandado de Segurança nº 1999.61.14.0040854, da Primeira Vara Federal em São Bernardo do Campo, em cujos autos a contribuinte busca afastar a aplicação dos artigos 2º e 3º, § 1º, da Lei 9718/98, no cálculo dos recolhimentos de PIS. Na ação mandamental em epígrafe foi concedida a liminar para que a impetrante “prossiga aos recolhimentos do PIS, com base na Lei Complementar 7/70 e posteriores alterações, incidência sobre o faturamento e não sobre a receita bruta, conforme dispôs a nova legislação”. A autoridade impetrada foi notificada da decisão em 21/07/99, fl. 38. Em 14/09/99 foi proferida decisão de mérito, denegando a segurança pleiteada e declarando “a ineficácia de todos os atos praticados sob a égide da liminar concedida nestes autos (ex tunc), nos termos da Súmula nº 405 do Supremo Tribunal Federal”. Consta a ciência do teor da decisão de primeira instância por parte da autoridade administrativa à folha 40. A contribuinte foi intimada do feito fiscal em 23/12/2005. A impugnação foi encaminhada via postal em 24/01/2006. Na peça impugnatória a contribuinte, em síntese: • Em preliminar, alega a existência do Mandado de Segurança já citado, cuja Apelação estaria, naquele momento, pendente de apreciação pelo Tribunal Regional Federal da Terceira Região, com a finalidade de afastar a incidência do PIS em conformidade com a Lei 9718/98; Fl. 112DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE Processo nº 10932.000153/200511 Acórdão n.º 3201000.728 S3C2T1 Fl. 317 3 • Alinhava o mesmo arrazoado que utilizou na via judicial para tentar afastar a aplicação da Lei 9718/98 no cômputo dos valores lançados; • No que se refere aos lançamentos efetuados tomando por base a Lei nº 10.637/02: o Afirma que essa norma padeceu dos mesmos vícios de constitucionalidade que a Lei nº 9718/98, pois manteve o alargamento da base de cálculo da Contribuição ao igualar o conceito “faturamento” ao de “receita bruta”; o Entende estar presente ofensa ao art. 110 do CTN, pois estaria a legislação tributária alterando conceitos de direito privado; o Rebelase contra a majoração das alíquotas e vislumbra ofensa aos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da vedação ao confisco; o Vê ofensa ao princípio constitucional da isonomia quando o art. 8º, II, distingue a forma de apuração da contribuição e alíquota aplicável conforme o regime de tributação seja pelo lucro real ou não; o Afirma a impossibilidade de Regulamentação por Medida Provisória de artigo constitucional cuja redação tenha sido alterada por Emenda Constitucional, enquanto teve vigência a redação do art. 246 da Constituição Federal com a redação dada pela EC nº 32/01. • Assevera o descabimento da multa de 75%, afirmando: o A impossibilidade da incidência posto que a discussão se encontrava sub judice; o Natureza confiscatória do percentual legal estabelecido; Ofensa ao art. 150, IV, da Constituição Federal que veda a utilização de tributo com efeito de confisco; Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas/SP indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/CPS nº 23.128, de 08/09/2008, fls. 248/253: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/01/1999 a 31/12/2003 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial regese pelo disposto no Código Tributário Nacional. Na hipótese em que há recolhimento, o Fl. 113DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE 4 prazo decadencial de cinco anos contase da ocorrência do respectivo fato gerador. NORMAS PROCESSUAIS. DISCUSSÃO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. RENÚNCIA À DISCUSSÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA. A busca da tutela jurisdicional do Poder Judiciário, não obstrui a constituição do crédito tributário pela autoridade tributária e acarreta a renúncia à discussão administrativa sobre a mesma matéria, impedindo a apreciação das razões de mérito por parte da autoridade a quem caberia o julgamento. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco. BASE DE CÁLCULO.PIS. A base de cálculo da contribuição o Programa de Integração Social (PIS) é o faturamento mensal da pessoa jurídica, correspondente a sua receita bruta, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu.Exercício: Lançamento Procedente em Parte. Em face da decisão, o contribuinte é intimado às fls. 264 e interpõe recurso voluntário de fls. 273/280. Após, foi dado seguimento ao recurso interposto. É o relatório. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibildiade. O presente processo discute a tributação do PIS, apurado em face de divergências entre a escrituração contábil e as declarações entregues para a RFB. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE Processo nº 10932.000153/200511 Acórdão n.º 3201000.728 S3C2T1 Fl. 318 5 Como a preliminar se mistura com o mérito, lá será apreciada. A apuração do tributo lançado se deu de forma correta, confrontandose os livros contábeis com as declarações envaidas para a RFB. A recorrente, a seu turno, não afastou com provas o levantamento feito. A discussão quanto à constitucionalidade da base de cálculo do PIS e a Lei n.º 9.718/98 está se dando judicialmente, motivo pelo qual correto o entendimento da DRJ, que não conheceu desta parte. Quanto à base de cálculo do PIS para o período após a edição da Lei n.º 10.637/2002, esta nada tem de equivocado, já que a legislação obedece a Constituição Federal, como bem o Poder Judiciário vem decidindo, como vemos em decisão do TRF da 4ª Regiao, ao julgar a apelação cível n.º 001689174.2010.404.9999/RS em 14/12/2010 : TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO. PIS. COFINS. LEI N.º 9.718/98. ART. 3º, § 1º. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE QUE NÃO SE ESTENDE ÀS LEIS N.ºS 10.637/02 E 10.833/03. LEGALIDADE DA TAXA SELIC. 1. O Plenário do STF entendeu inconstitucional a alteração na base de cálculo do PIS e da COFINS , levada a efeito pela Lei n.º 9.718/98 (RE nº 357.9505). 2. O faturamento deve ser entendido como o valor decorrente da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços ou da venda de serviços, não se considerando receita bruta de natureza diversa. 3. Dita inconstitucionalidade, todavia, não se estende às Leis n.ºs 10.637/02 e 10.833/03, por possuírem fundamento de validade no artigo 195, inciso I, alínea 'b', da Constituição com a novel redação atribuída pela Emenda Constitucional n.º 20/98, sendo legítima a cobrança do PIS e da COFINS tendo como base de cálculo o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, no sistema da nãocumulatividade, salvo enquadramento nos arts. 8º e 10º dos respectivos diplomas legais, quando então permanecerá sujeita à legislação vigente anteriormente (sistema da cumulatividade/faturamento). 4. A taxa SELIC possui base legal determinando sua incidência no campo tributário (Leis nº 9.065/95, 9.250/95 e 9.430/96), sustentada pela possibilidade aberta pelo § 1.º do art. 161 do CTN. 5. "A norma do § 3º do art. 192 da Constituição, revogada pela EC n. 40/2003, que limitava a taxa de juros reais a 12% ao ano, tinha sua aplicabilidade condicionada à edição de lei complementar." (Súmula Vinculante nº 07). Por fim, quanto aos juros e multa, estes foram lançados com base na legislação aplicável, não havendo qualquer irregularidade. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE 6 Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, prejudicados os demais argumentos. Sala das Sessões, em 03 de junho de 2011. Luciano Lopes de Almeida Moraes Fl. 116DF CARF MF Impresso em 13/03/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE, Assinado digitalmente em 12/03/2012 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARM, Assinado digitalmente em 03/06/2011 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE
score : 1.0
Numero do processo: 10480.005722/95-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/1992 a 31/10/1997
CONCOMITÂNCIA - AÇÃO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
A propositura, pelo contribuinte, de qualquer ação judicial com o mesmo objeto importa em renúncia à instância administrativa. Isso porque, uma vez transitada em julgado, a decisão judicial deve ser cumprida pelo Poder Executivo, sobrepondo-se àquilo que será ou que já tenha sido decidido em sede administrativa, por força do princípio da intangibilidade da coisa julgada. Súmula CARF nº 1.
Numero da decisão: 3102-00.827
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: Beatriz Veríssimo de Sena
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1992 a 31/10/1997 CONCOMITÂNCIA - AÇÃO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL A propositura, pelo contribuinte, de qualquer ação judicial com o mesmo objeto importa em renúncia à instância administrativa. Isso porque, uma vez transitada em julgado, a decisão judicial deve ser cumprida pelo Poder Executivo, sobrepondo-se àquilo que será ou que já tenha sido decidido em sede administrativa, por força do princípio da intangibilidade da coisa julgada. Súmula CARF nº 1.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-01-31T16:29:29Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 2697074_0.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2011-01-31T16:29:29Z; Last-Modified: 2011-01-31T16:29:29Z; dcterms:modified: 2011-01-31T16:29:29Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 2697074_0.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:232a55b8-75e4-474b-bddb-a65c4b7df0ce; Last-Save-Date: 2011-01-31T16:29:29Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2011-01-31T16:29:29Z; meta:save-date: 2011-01-31T16:29:29Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 2697074_0.doc; modified: 2011-01-31T16:29:29Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2011-01-31T16:29:29Z; created: 2011-01-31T16:29:29Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2011-01-31T16:29:29Z; pdf:charsPerPage: 1681; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); pdf:docinfo:created: 2011-01-31T16:29:29Z | Conteúdo => S3-C1T2 Fl. 1 1 S3-C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10480.005722/95-48 Recurso nº 504.428 Voluntário Acórdão nº 3102-000.827 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 8 de dezembro de 2010 Matéria Normas Gerais de Direito Tributário Recorrente Destilaria J. B. Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1992 a 31/10/1997 CONCOMITÂNCIA - AÇÃO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL A propositura, pelo contribuinte, de qualquer ação judicial com o mesmo objeto importa em renúncia à instância administrativa. Isso porque, uma vez transitada em julgado, a decisão judicial deve ser cumprida pelo Poder Executivo, sobrepondo-se àquilo que será ou que já tenha sido decidido em sede administrativa, por força do princípio da intangibilidade da coisa julgada. Súmula CARF nº 1. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em não tomar conhecimento do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO - Presidente BEATRIZ VERÍSSIMO DE SENA - Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes Maya Gomes e Nanci Gama. Fl. 397DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 11/02/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA, 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUERR A DE CASTRO Processo nº 10480.005722/95-48 Acórdão n.º 3102-000.827 S3-C1T2 Fl. 2 2 Relatório Cuida o presente processo de pedido de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, cumulado com declarações de compensação, decorrente de créditos de insumos utilizados na fabricação de produtos exportados com fundamento no Decreto-Lei n° 491/69, artigo 5° e Lei n° 8.402/92, art. 1°. Em despacho decisório (fls.599), a Delegacia da Receita Federal em Recife indeferiu o pedido de ressarcimento com base nas seguintes razões: Prescrição do direito de pleitear ressarcimento de créditos do IPI; quanto aos períodos prescritos, em nenhuma importação realizada foi cobrado o IPI seja por que o regime de tributação era o Drawback/Suspensão, seja porque o produto era não- tributado em razão de sua classificação fiscal. Portanto, mesmo que não estivessem prescritos, não teria a interessada direito aos créditos dos insumos que fundamentam o pedido de ressarcimento/compensação; Não há previsão legal de correção monetária de créditos do IPI, sejam eles incentivados ou não. Quanto aos juros de mora, somente há previsão legal para os casos de restituição nos termos do art. 167 do CTN, como se trata de pedido de ressarcimento não há que se cogitar na incidência de juros de mora. Consta do Termo de Informação Fiscal (fl. 551) que a interessada impetrou mandado de segurança preventivo para garantir o direito ao ressarcimento e/ou compensação. Em face da decisão da Delegacia da Receita Federal, a interessada apresentou manifestação de inconformidade requerendo a reforma da decisão e a procedência dos pedidos de ressarcimento do IPI argüindo, em síntese, que: a) Com relação ao prazo prescricional, a jurisprudência dos tribunais seria pacífica quanto à aplicação do prazo de “cinco mais cinco”, por interpretação combinada dos arts. 150, § 4 0, e art. 168, I, ambos do CTN; b) O art. 50 do Decreto-Lei n° 491/69 teria assegurado aos produtores exportadores a manutenção e utilização de um crédito incentivado de IPI referente a todos os insumos e matéria-prima utilizados na industrialização do produto exportado, inclusive sob o regime de drawback; Fl. 398DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 11/02/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA, 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUERR A DE CASTRO Processo nº 10480.005722/95-48 Acórdão n.º 3102-000.827 S3-C1T2 Fl. 3 3 c) como já sedimentado na jurisprudência, a atualização monetária não representa acréscimo, mas simples manutenção do valor, motivo pelo qual os créditos do contribuinte deveriam ser corrigidos pela SELIC; d) O Mandado de Segurança impetrado na Justiça Federal não prejudiciaria o pedido administrativo, na medida em que requer-se, no momento, apenas o que fora julgado parcialmente improcedente pelo douto juízo. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Recife/PE não conheceu da impugnação do Contribuinte, por entender que a propositura, pelo contribuinte de ação judicial contra a Fazenda Nacional com o mesmo objeto do auto de infração configura renúncia às instâncias administrativas. Contra a decisão, o Contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual argumenta que seria possível a existência concomitante de duas modalidades de compensação tributária: administrativa e judicial (fl. 377). Em síntese, é o relatório. Voto Conselheira Beatriz Veríssimo de Sena, Relatora Observo que a discussão dos autos tem, de fato, o mesmo objeto do Mandado de Segurança n° 2003.83.08.019311, da 7ª Vara Federal de Pernambuco. Nos termos do Ato Declaratório COSIT nº 3, de 14/02/1996, a propositura de qualquer ação judicial pelo contribuinte, importa em renúncia à instância administrativa. Assim não poderia deixar de ser, porquanto, uma vez transitada em julgado, a decisão judicial deve ser cumprida pela autoridade fiscal, sobrepondo-se àquilo que será ou que já tenha sido decidido em sede administrativa, por força do art. 5º, inciso XXXVI, da Constituição Federal (princípio da intangibilidade da coisa julgada). No mesmo sentido encontra-se a Súmula CARF n° 1º, que dispõe que “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”. Esclareço que o fato do auto de infração possuir caráter definitivo, em razão da proposição de ação judicial, não prejudica o direito de defesa do Contribuinte. Isso porque, por um lado, ao Contribuinte foi lhe oferecido o direito de socorrer-se da defesa administrativa – a opção de ir defender-se logo junto ao Poder Judiciário partiu do próprio Contribuinte. Por Fl. 399DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 11/02/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA, 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUERR A DE CASTRO Processo nº 10480.005722/95-48 Acórdão n.º 3102-000.827 S3-C1T2 Fl. 4 4 outro lado, assegura-se ao Contribuinte a ampla defesa e o contraditório no âmbito do Poder Judiciário. Pelo exposto, não conheço do recurso voluntário. Sala das Sessões, 8 de dezembro de 2010. Relatora Beatriz Veríssimo de Sena Fl. 400DF CARF MF Emitido em 18/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/01/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA Assinado digitalmente em 11/02/2011 por BEATRIZ VERISSIMO DE SENA, 11/04/2011 por LUIS MARCELO GUERR A DE CASTRO
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Numero do processo: 10805.720159/2010-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 13 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1402-000.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em resolução para determinar a distribuição do Processo 16643.720046/2011-84 (conexo) ao relator do presente processo para que ambos sejam julgados em conjunto, sendo que o presente processo ficará sobrestado até que se proceda a distribuição do processo conexo.
(Assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em resolução para determinar a distribuição do Processo 16643.720046/201184 (conexo) ao relator do presente processo para que ambos sejam julgados em conjunto, sendo que o presente processo ficará sobrestado até que se proceda a distribuição do processo conexo. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Paulo Roberto Cortez. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 05 .7 20 15 9/ 20 10 -1 2 Fl. 1426DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10805.720159/201012 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.274 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório GENERAL MOTORS DO BRASIL LTDA., contribuinte inscrita no CNPJ/MF 59.275.792/000150, com domicílio fiscal no Município de São Caetano, Estado de São Paulo, à Avenida Goiás, nº 1.805, jurisdicionada a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santo André, inconformada com a decisão de Primeira Instância (fls. 942/934), prolatada pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas – SP recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 982/998. A requerente transmitiu, em 29/05/2007, as Declarações de Compensação (DCOMP) nºs 09404.84940.290507.1.3.035055(fls.130/150), no total de R$ 8.736.335,61; 03943.56627.060607.1.3.033530(fls.151/154), no total de R$ 614.865,50; 04992.91858.271207.1.3.035451(fls.155/159), no total R$ 3.353.794,44; 08999.74268.211209.1.7.020191(fls. 160/249) retificadora da 42208.57046.280207.1.3.022193, no total de R$ 7.679.992,18; 23535.89089.211209.1.7.027603 (fls. 250/253) retificadora da 31063.54720.290307.1.3.026066, no total de R$ 13.035.371,29; e 07359.94000.211209.1.7.027520 (fls. 254/257) retificadora da 18683.3731.260407.1.3.026330, no valor total R$ 21.193.252,31 cujos créditos referese ao anocalendário de 2006, relativo a saldo negativo de IRPJ, no valor de R$ 42.511.588,54 e saldo negativo de CSLL, no valor total de R$ 12.704.995,56, totalizando R$ 54.613.610,00 de créditos tributários compensados. De acordo com o art. 168 da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional) e inciso II do § 1° do art. 6° e 74, da Lei nº 9.430, de 1996, combinado com a Portaria SRF n°. 4.980, de 1994, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária do Santo André, através do Despacho Decisório (fls. 672/676), apreciou e concluiu, em 12/08/2010, que o presente pedido de compensação é parcialmente procedente, com base, em síntese, nas seguintes argumentações: que em atendimento ao disposto no art. 943, § 2°, do Decreto n° 3.000, de 29.03.1999, RIR/99, o contribuinte foi intimado (fls.346) a apresentar os Comprovantes Anuais de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda e CSLL na Fonte — Pessoa Jurídica, do anocalendário de 2.006, nas importâncias de R$ 16.129.396,49 (Imposto de Renda) e R$ 602.933,09 (Contribuição Social), também foram consideradas as informações prestadas em DIRF's pelas fontes pagadoras à Receita Federal (fls.272/345V); que a verificação da exatidão dos valores do imposto de renda e da contribuição social retidos na fonte, aplicados na extinção dos créditos relativos às estimativas do IRPJ e da CSLL e na dedução do imposto e contribuição devidos, consiste na confrontação das retenções do IR e CSLL declarados na Ficha 54 — Demonstrativo do Imposto de Renda e CSLL Retidos na Fonte (fls.16/127), da DIPJ 2007, com os extratos das DIRF's (fls. 272/345 V) ou Comprovantes Anuais de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda e CSLL na Fonte (fls.495/655); que as retenções na fonte do IR e CSLL declaradas na Ficha 54 e não confirmadas em DIRF's ou Comprovantes foram glosadas e estão demonstradas no Anexo I Fl. 1427DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10805.720159/201012 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.274 S1C4T2 Fl. 4 3 Retenções na Fonte de Imposto de Renda e Contribuição Social não Confirmadas por Órgãos, Autarquias e Fundações Federais e Anexo II – Retenções na Fonte de Imposto de Renda e Contribuição Social não Confirmadas por 133 de Direito Privado, elaborados por CNPJ das fontes pagadoras; que com relação ao imposto de renda retido na fonte, a General Motors informou à Ficha 54 — Demonstrativo do Imposto de Renda e CSLL Retidos na Fonte (fls.16/127), da DIPJ 2007, o total de R$ 16.129.396,49, entre retenções de pessoas jurídicas de direito privado (R$ 15.510.270,62) e órgãos, autarquias e fundações federais (R$ 619.125,87); dos R$ 15.510.270,62 foram deduzidos R$ 7.202.296,64 como aplicação na extinção das estimativas mensais do IRPJ, além de R$ 920.801,67 (Anexo II) referentes às retenções não confirmadas em DIRF's ou comprovantes, restando R$ 7.387.172,31 a serem deduzidos do imposto de renda devido. Dos R$ 619.125,87 retidos por órgãos, autarquias e fundações federais foram desconsiderados R$ 224.017,06 por não terem sido confirmados em DIRF's ou comprovantes (Anexo I), restando R$ 186.680,95 a serem deduzidos do imposto de renda devido; (que, por outro lado, no que se refere à contribuição social retida na fonte, a General Motors informou Ficha 54 — Demonstrativo do Imposto de Renda e CSLL Retidos na Fonte (fls.16/127), da DIP) 2007, o total de R$ 602.933,09, entre retenções de pessoas jurídicas de direito privado (R$ 87.427,84) e órgãos, autarquias e fundações federais (R$ 515.505,25); dos R$ 87.427,84 foram desconsiderados R$ 11.439,15 (Anexo II) referentes às retenções não confirmadas em DIRF's ou comprovantes, restando R$ 75.988,69 a serem deduzidos da contribuição social sobre o lucro liquido devida. Dos R$ 515.505,25 retidos por órgãos, autarquias e fundações federais foram glosados R$ 186.680,95 por não terem sido confirmados em DIRF's ou comprovantes (Anexo I); que, diante do exposto, proponho o RECONHECIMENTO PARCIAL dos direitos creditórios de R$ 41.366.769,81 (saldo negativo do IRPJ) e R$ 12.506.875,40 (saldo negativo da CSLL), em total de R$ 53.873.645,21, base 31.12.2006, e, nos termos do art. 63 da IN RFB nº 900, de 30.12.2008, a HOMOLOGAÇÃO das compensações de fls. 128/252. A requerente, em 06/01/2011, solicitou, através do expediente de fls. 697, que seja reconhecida a extinção do crédito tributário nos autos do processo nº 10805.720159/2010 12, sob o amparo de que efetuou o pagamento integral para os saldos devedores exigidos no presente Processo Administrativo, nos termos dos Darfs anexos, nos montantes de R$ 779.055,75 (doc. II) e R$ 295.722,32 (doc. Ill). Em 17/05/2012, autoridade administrativa de Santo André (SP), procedeu revisão de oficio do Despacho Decisório de fls. 837/839 com base em síntese, nas seguintes argumentações: que a General Motors transmitiu as Declarações de Compensação n° 09404.84940.290507.1.3.035055, 03943.56627.060607.1.3.033530 e 04992.91858.271207.1.3.035451, de fls.128/156, das estimativas do IRPJ de abril e novembro de 2007 e da CSLL de março e abril de 2007 com saldo negativo da CSLL apurado em 31.12.2006, de R$ 12.704.995,56 (fls.129), e n° 08999.74268.211209.1.7.020191, 23535.89089.211209.1.7.027603 e 07359.94000.211209.1.7.027520, de fls.157/252, das estimativas do IRPJ e da CSLL de janeiro a março de 2007 com saldo negativo do IRPJ apurado em 31.12.2006, de R$ 42.511.588,54 (fls.158); Fl. 1428DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10805.720159/201012 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.274 S1C4T2 Fl. 5 4 que após a análise do processo, chegouse ao saldo negativo do IRPJ de R$ 41.366.769,81 e ao saldo negativo da CSLL de R$ 12.506.875,40, propondose o RECONHECIMENTO PARCIAL desses direitos creditórios e a HOMOLOGAÇÃO das compensações de fls. 128/252; que conforme Proposta de Revisão de Ofício elaborada pela EQMAC/DRF/SAE, de fls.723/725, em 19.12.2011, a DEMAC SÃO PAULO lavrou Auto de Infração (fls.726/738) recalculando para maior o valor do IRPJ/CSLL do anocalendário de 2006, reduzindo significativamente os saldos negativos de IRPJ/CSLL disponíveis para compensação. Foi glosada a importância de R$ 96.172.446,81, reduzindo tanto as exclusões do lucro real como da base de cálculo da CSLL; que em pesquisa efetuada no SIEF Processo, observase que o referido auto de infração, controlado no processo n° 16643.720046/201184, apenas reduz o IRPJ/CSLL a compensar, sem efetuar lançamento tributário (não constitui crédito tributário). O contribuinte ingressou com impugnação do auto de infração e o processo aguarda julgamento na DRJ. que, tendo em vista, a redução dos saldos negativos do IRPJ para R$ 17.323.658,11 e da CSLL para R$ 3.909.194,20 do anocalendário de 2006, a EQMAC/DRF/SAE propõe ao SEORT/DRF/SAE para que proceda à Revisão de Ofício deste processo, no sentido de adequar o direito creditório em conformidade com o IRPJ/CSLL apurados no Auto de Infração objeto do processo n° 16643.720046/201184; em seguida, propõe que se envie cópia do despacho decisório a DEMAC/SPO; que em virtude da redução do direito creditório, proponho que se encaminhe o processo a EQRCO para que se proceda à Revisão de Ofício dos débitos anteriormente compensados, considerando os saldos negativos de R$ 17.323.658,11 (IRPJ) e R$ 3.909.194,20 (CSLL), base 31.12.2006. Cientificado da decisão da Autoridade Administrativa, em 16/07/2012, conforme Termo constante à fl. 859, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em tempo hábil (10/08/2012), a sua Manifestação de Inconformidade de fls. 862/866, instruído pelos documentos de fls. 867/915, no qual demonstra irresignação contra a decisão, baseado, em síntese, nas seguintes considerações: que, inicialmente, a requerente informou em suas PER/DCOMPS nº 09404.84940.290507.1.3.035055, 03943.56627.060607.1.3.033530 e 04992.91858.271207.1.3.035451, as estimativas do IRPJ de abril e novembro de 2007 e da CSLL de março e abril de 2007, compensando com saldo negativo da CSLL apurado em 31/12/0006, no valor de R$ 12.704.995,56 e Per/DCOMPS nºs 08999.74268.211209.1.7.020191, 23535.89089.211209.1.7.027603 e 07359.94000.211209.1.7.027520, as estimativas do IRPJ e da CSLL de janeiro a março de 2007, compensando com saldo negativo do IRPJ apurado em 31/12/2006, no valor de R$ 42.511.588,54; que, no entanto a D. Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santo André/SP teve a oportunidade de analisar o processo em comento e, em Dezembro de 2010, proferiu despacho decisório reconhecendo parcialmente os direitos creditórios da Requerente, confirmando, ainda, o saldo negativo do IRPJ no montante de R$ 41.366.769,81 e o saldo negativo da CSLL no montante de R$ 12.506.875,40, apurandose saldo devedor para pagamento; Fl. 1429DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10805.720159/201012 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.274 S1C4T2 Fl. 6 5 que a Requerente foi intimada do despacho decisório em comento, providenciou o recolhimento do saldo devedor exigido nos montantes totais de R$ 295.722,32 e R$ 779.055,75, conforme se verifica nas guias de pagamento que ora se apresenta (doc. II e III). Cumpre esclarecer que a Requerente foi novamente intimada acerca do encerramento do presente processo tendo em vista os pagamentos efetuados (doc. IV); que então, os créditos utilizados – saldos negativos de IRPJ e CSLL do ano calendário de 2006, neste sentido, em 19/12/2011, a DEMAC/SP lavrou Auto de Infração que atualmente é controlado por meio do processo administrativo nº 16643.720046/201184, com o objetivo de recalcular os valores de IRPJ e CSLL do ano calendário de 2006. Na conclusão dos trabalhos, a D. Fiscalização glosou a importância de R$ 96.172.446,81, reduzindose tanto as exclusões do lucro real como a base de cálculo da CSLL; que a requerente inconformada, apresentou sua Impugnação de fls. Junto à Delegacia Especial de Maiores Contribuintes em São Paulo e demonstrou que as glosas efetuadas pela D. Fiscalização foram indevidas, conforme se verifica da petição que ora se apresenta (doc. V); que, assim, após realizada a Revisão de Ofício nos autos do processo administrativo nº 16643.720046/201184 com equivocado objetivo de adequar e reduzir o direito creditório da requerente, a D. Fiscalização apurou novos valores e passou a considerar os saldos negativos nos montantes de R$ 17.323.658,11 (IRPJ) e R$ 3.909.194,20 (CSLL), base 31/12/2006; que a Requerente aguarda julgamento da Impugnação apresentada nos autos do processo administrativo nº 16643.720046/2011/84, portanto, não pode ser compelida ao pagamento do suposto saldo devedor, até ulterior julgamento; que, assim sendo, a requerente espera (i) seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade, para que se reforme a decisão proferida nos autos do presente processo administrativo, homologando integralmente a compensação efetuada pela requerente, tendo em vista os documentos comprobatórios ora apresentados e (ii) a imediata suspensão da exigibilidade do crédito consubstanciado no processo administrativo nº 10805.720159/2010 12, até ulterior decisão a ser proferida na impugnação apresentada nos autos do processo administrativo n º 16643.720046/201184. Após resumir os fatos constantes do pedido de compensação e as razões apresentadas pela recorrente em sua Manifestação de Inconformidade, em 14/11/2012, a 1° Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas– SP autoridade julgadora revisora resolveu julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade, com base, em síntese, nas seguintes considerações (fls. 942/934): que insurgese a interessada contra o Despacho Decisório que, em razão de lavratura de Auto de Infração, revisou de ofício decisão anterior e reduziu o direito creditório antes reconhecido a título de saldo negativo de IRPJ e de CSLL do anocalendário de 2006, sendo, em conseqüência, cobrada a diferença dos débitos não amortizados por compensação nem por pagamento; que o pedido da manifestante de que sejam homologadas integralmente as compensações declaradas refletem seu inconformismo com a possibilidade de revisão do ato Fl. 1430DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10805.720159/201012 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.274 S1C4T2 Fl. 7 6 administrativo inicial que, apenas em função de análise das antecipações, reconheceu crédito superior àquele posteriormente apurado em decorrência de lançamento de ofício; que, todavia, há que se ter em conta que um dos princípios fundamentais que orientam a Administração Pública é o princípio da legalidade, a teor do art. 37, caput, da Constituição Federal, pelo que se impõe verificar os dispositivos legais que regem a compensação e a edição de atos administrativos; que, no caso em tela, as declarações de compensação foram parcialmente homologadas tendo como origem do crédito saldos negativos de IRPJ e de CSLL do ano calendário de 2006, os quais, posteriormente, foi verificado serem menores do que aqueles antes admitidos. Tendo em vista que o crédito utilizado pelo sujeito passivo em realidade era menor, impôsse à autoridade da RFB que proferiu o despacho homologando parcialmente a compensação, rever de ofício esse ato, anulandoo, mediante novo despacho decisório, e ao final, homologar a compensação em função do crédito efetivamente constatado; que não se vislumbra, assim, nenhum óbice legal para que, no prazo de homologação tácita de 05 anos, seja revista de ofício a decisão (Despacho Decisório) que homologou parcialmente as compensações declaradas, não se justificando o pedido de homologação integral das compensações declaradas por ausência de motivação legal e fática; que ao implementar a compensação dos créditos que subsistiram reconhecidos, a autoridade administrativa competente não observou a vinculação e a ordem de compensação indicada pela contribuinte nas DCOMP, sendo utilizado crédito de Saldo Negativo de CSLL para amortizar débitos incluídos em DCOMP em que o contribuinte apontou crédito de Saldo Negativo de IRPJ; que cabe registrar, porém, que ao implementar a compensação dos créditos que subsistiram reconhecidos, a autoridade administrativa competente não observou a vinculação e a ordem de compensação indicada pela contribuinte nas DCOMP, sendo utilizado crédito de Saldo Negativo de CSLL para amortizar débitos incluídos em DCOMP em que o contribuinte apontou crédito de Saldo Negativo de IRPJ; que, contudo, por não integrarem o litígio, que se resume ao crédito não reconhecido e aos débitos que restaram a descoberto depois da compensação admitida, tais fatos estão sendo objeto de representação à autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte, juntada por cópia às fls. 919/929; que, vêse, também, que, no presente processo, a revisão de ofício ocorreu em julho de 2012, quando já decorrido o prazo de 05 (cinco) anos previsto no § 5º do art. 74 da Lei 9.430, de 27/12/11996, acima reproduzido, em relação à transmissão de duas das DCOMP objeto de análise, quais sejam aquelas de nºs 09404.84940.290507.1.3.035055 e 03943.56627.060607.1.3.033530, para as quais não há registro de retificação; que, assim, impõese reconhecer a impossibilidade de, na data em que proferido o Despacho Decisório em litígio, revisar de ofício a decisão que homologou a compensação dos débitos veiculados nas DCOMP 09404.84940.290507.1.3.035055 e 03943.56627.060607.1.3.033530, admitindose a revisão de ofício relativamente às demais DCOMP tratadas no presente processo, mas atentandose para a representação antes mencionada, decorrente da inobservância da vinculação entre créditos e débitos feita pela contribuinte nas DCOMP; Fl. 1431DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10805.720159/201012 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.274 S1C4T2 Fl. 8 7 que neste aspecto, observese que a impugnação oposta contra o ato de lançamento no processo 16643.720046/201184, como em regra ocorre nos recursos administrativos, à falta de previsão expressa em outro sentido, tem apenas efeito devolutivo da matéria recorrida. Ela não é hábil a suspender o ato recorrido, mas tão só um de seus efeitos, qual seja, a cobrança de eventuais débitos objeto de lançamento, o que, no caso, sequer ocorre, posto que o lançamento invocado pela manifestante apenas reduziu o saldo negativo apurado no período fiscalizado; que, por outro lado, se a não homologação das compensações objeto do presente processo dependesse do julgamento definitivo da impugnação ao lançamento no processo formalizado em 2011, necessário seria que o prazo para homologação tácita fosse interrompido, mas neste sentido, inexiste previsão legal; que a suspensão da exigibilidade dos débitos não extintos constitui efeito da apresentação da manifestação de inconformidade ora em análise e, tratandose de matéria não inserida no ato de não homologação, não compete a este órgão julgador qualquer manifestação a respeito. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. SALDO NEGATIVO DE CSLL. REVISÃO DE OFÍCIO Verificando a Administração que parcela da compensação foi homologada tendo como origem dos créditos Saldo Negativo de IRPJ e Saldo Negativo de CSLL, mais tarde constatados serem inferiores, deve a autoridade que homologou a compensação expedir novo despacho decisório, dentro do prazo de 5 (cinco) anos contado da entrega da declaração de compensação, anulando o anteriormente proferido, e decidir pela não homologação da compensação na parcela não acobertado pelo valor do crédito confirmado. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Os saldos devedores dos débitos, remanescentes após a implementação da compensação com os créditos reconhecidos, que remanescerem em aberto e que estiverem contidos em DCOMP transmitidas há mais de 05 anos em relação à ciência do Despacho Decisório de revisão, serão considerados extintos por homologação tácita da compensação. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 06/09/2013, conforme Termo constante à fl. 955, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em tempo hábil (03/10/2013), o recurso voluntário de fls. 982/998, instruído pelos documentos de fls. Fl. 1432DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10805.720159/201012 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.274 S1C4T2 Fl. 9 8 999/1104, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que, acertadamente, o acórdão recorrido reconheceu a ocorrência da homologação tácita com relação às DCOMP n° 09404.84940.290507.1.3.035055 e 03943.56627.060607.1.3.033530, uma vez que as declarações foram transmitidas em maio e junho de 2007 e a Recorrente somente foi cientificada do despacho de revisão, que não homologou parte das compensações, em julho de 2012; que a Recorrente entende que o V. Acórdão não aplicou o melhor direito ao caso, e merece ser reformado para que seja reconhecida a homologação tácita das demais DCOMP ou, subsidiariamente, seja determinado seu sobrestamento ou vinculação ao Processo Administrativo n° 16643.720046/201184, já que a existência fiscal objeto deste processo decorre de questão de mérito ainda sob julgamento naqueles autos; que os motivos determinantes da reforma do V. Acórdão Recorrido, portanto a homologação tácita da DCOMP ns° 42208.57046.280207.1.3.022193, 31063.54720.290307.1.3.026066 e 18683.3731.260407.1.3.026330 também foram atingidas pela homologação tácita, nos termos do artigo 74, § 5°, da Lei n° 9.430/96. Conforme comprovam as anexas cópias (docs. n°s. 7 a 9), as referidas DCOMP foram transmitidas em fevereiro, março e abril de 2007 e a Recorrente foi cientificada da revisão de oficio e homologação parcial somente em 28/07/2012; que se alega apenas para fins de argumentação, a Recorrente demonstrará que o presente processo deve ser sobrestado até que seja definitivamente julgado o Processo Administrativo n° 16643.720046/201184 ou vinculado a este processo para que não haja decisões conflitantes; que a necessidade de sobrestamento/vinculação ao Processo Administrativo n° 16643.720046/201184, portanto, n o entendimento do V. Acórdão recorrido, a Impugnação apresentada nos autos do processo administrativo n° 16643.720046/201184 teria apenas efeito devolutivo, não se prestando a suspender quaisquer efeitos da decisão proferida naqueles autos e, assim, tampouco suspender a exigibilidade dos débitos, gerados por via reflexa, no presente processo. Contudo, D. Julgadores, esse raciocínio não merece prosperar, sob pena de violação frontal a dispositivos legais e princípios fundamentais que norteiam o processo administrativo; que considerando a remota hipótese de Vossa Excelência não sobrestarem ou vincularem os presentes autos ao Processo Administrativo n° 16643.720046/201184, a Recorrente sintetiza, a seguir os fatos e argumentos que demonstram a indevida glosa das reversões de provisão que culminaram com a redução do saldo negativo de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2006; que as indevidas glosas das reversões de provisão, neste sentido, a redução do saldo negativo de IRPJ e CSLL do anocalendário de 2006 decorre da (i) reverão indevida de parte da provisão de CIDE, objeto da Conta Contábil n°. 548960611, no montante de R$ 29.466.846,81, no LALUR/2006, por se entender que o pagamento seria o motivo de sua reversão e o mesmo somente ocorreu em janeiro de 2007; e (ii) reversão indevida da provisão para Despesas com Autuações Fiscais, objeto da Conta Contábil n° 548960605 (a Conta correta seria 588960605), no montante de R$ 66.705.600,00, uma vez que a Recorrente não teria demonstrado o motivo para sua exclusão no LALUR/2006; Fl. 1433DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10805.720159/201012 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.274 S1C4T2 Fl. 10 9 que a Recorrente anexa a íntegra da Impugnação (doc. n°. 5 acima) apresentada no Processo Administrativo n° 16643.720046/201184, inclusive com a cópia fiel da documentação anexada à defesa, requerendo que seus fatos/argumentos/documentos sejam considerados casos Vossa Senhorias queiram analisar a questão de mérito e que implicou redução do saldo negativo de IRPJ/CSLL do anocalendário de 2006. É o relatório. Fl. 1434DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10805.720159/201012 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.274 S1C4T2 Fl. 11 10 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator Do exame inicial dos autos verificase que existe uma questão prejudicial à análise do mérito da presente autuação, relacionada com o processo nº 16643.720046/201184 – conexo. Trata o presente processo das Declarações de Compensação (DCOMP) nºs 09404.84940.290507.1.3.035055(fls.130/150), no total de R$ 8.736.335,61; 03943.56627.060607.1.3.033530(fls.151/154), no total de R$ 614.865,50; 04992.91858.271207.1.3.035451(fls.155/159), no total R$ 3.353.794,44; 08999.74268.211209.1.7.020191(fls. 160/249) retificadora da 42208.57046.280207.1.3.022193, no total de R$ 7.679.992,18; 23535.89089.211209.1.7.027603 (fls. 250/253) retificadora da 31063.54720.290307.1.3.026066, no total de R$ 13.035.371,29; e 07359.94000.211209.1.7.027520 (fls. 254/257) retificadora da 18683.3731.260407.1.3.026330, no valor total R$ 21.193.252,31 cujos créditos referese ao anocalendário de 2006, relativo a saldo negativo de IRPJ, no valor de R$ 42.511.588,54 e saldo negativo de CSLL, no valor total de R$ 12.704.995,56, totalizando R$ 54.613.610,00 de créditos tributários compensados. Da análise dos autos, observase que conforme Proposta de Revisão de Ofício elaborada pela EQMAC/DRF/SAE (fls.723/725), em 19/12/2011, a DEMAC SÃO PAULO lavrou Auto de Infração (fls.726/738) recalculando para maior o valor do IRPJ/CSLL do ano calendário de 2006, reduzindo significativamente os saldos negativos de IRPJ/CSLL disponíveis para compensação. Foi glosada a importância de R$ 96.172.446,81, reduzindo tanto as exclusões do lucro real como da base de cálculo da CSLL. Tendo em vista a redução dos saldos negativos do IRPJ para R$ 17.323.658,11 e da CSLL para R$ 3.909.194,20 do anocalendário de 2006, a EQMAC/DRF/SAE propõe ao SEORT/DRF/SAE para que proceda à Revisão de Ofício deste processo, no sentido de adequar o direito creditório em conformidade com o IRPJ/CSLL apurados no Auto de Infração objeto do processo n° 16643.720046/201184; em seguida, propõe que se envie cópia do despacho decisório a DEMAC/SPO. Diante disso, houve a Revisão de Ofício dos débitos anteriormente compensados, considerando os saldos negativos de R$ 17.323.658,11 para o IRPJ e R$ 3.909.194,20 para a CSLL, tendo como base 31/12/2006. A recorrente entende que a decisão recorrida não aplicou o melhor direito ao caso, e merece ser reformado para que seja reconhecida a homologação tácita das demais DCOMP ou, subsidiariamente, seja determinado seu sobrestamento ou vinculação ao Processo Administrativo n° 16643.720046/201184, já que a existência fiscal objeto deste processo decorre de questão de mérito ainda sob julgamento naqueles autos; Como visto, preliminarmente, requer a recorrente seja o presente processo sobrestado até que se decida o processo nº 16643.720046/201184, que, conforme o sítio do CARF está na atividade ‘DISTRIBUIR/SORTEAR – 1ª SEJUL/CARF/MF/DF’. Fl. 1435DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10805.720159/201012 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.274 S1C4T2 Fl. 12 11 De fato, o Processo Administrativo n° 16643.720046/201184, que reduziu os saldos negativos do IRPJ e CSLL, ainda não foi julgado pelo CARF, cujos fatos estão vinculados ao presente processo. Assim, se faz necessário que primeiro seja julgado o processo que reduziu os saldos negativos do IRPJ e CSLL formalizado através do o Processo Administrativo n° 16643.720046/201184, que atualmente está na situação de “distribuir/sortear” na 1ª Seção de Julgamento do CARF. Como visto, para se proferir uma decisão justa, neste processo, se faz necessário que a matéria do Processo Administrativo Fiscal nº 16643.720046/201184 seja julgada primeiro, já que o resultado daquele processo tem influência sobre o resultado do presente processo. A vista disso, encaminho meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que seja distribuído o Processo 16643.720046/201184 (conexo) a este relator e que ambos sejam julgados em conjunto, devendo o presente processo ficar sobrestado até que se proceda a distribuição do processo conexo. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 1436DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 02/10/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por PAULO ROBERTO CORTEZ
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Numero do processo: 11080.904864/2013-07
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 24/08/2012
PROCESSO ADMINISTRATIVO. DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA.
Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito.
MULTA E JUROS DE MORA.
Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.
INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete aos julgadores administrativos pronunciar-se sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-005.058
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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DESPACHO DECISÓRIO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. NÃO ACATADA. Não é nulo o Despacho Decisório que contém os elementos essenciais do ato administrativo. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis o direito ao crédito. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Declaração de compensação fundada em direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior não pode ser homologada se a contribuinte não comprovou a existência do crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. INCONSTITUCIONALIDADE. DE NORMA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 2. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 48 64 /2 01 3- 07 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904864/201307 Acórdão n.º 3801005.058 S3TE01 Fl. 3 2 Não compete aos julgadores administrativos pronunciarse sobre a inconstitucionalidade de leis ou atos normativos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Participou do julgamento o Conselheiro Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo em substituição ao Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que se declarou impedido (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo. Relatório Inicialmente, esclarecese que estão em julgamento nesta 1ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF cento e quarenta e oito processos da mesma contribuinte, em que o cerne da discussão é o mesmo: a certeza e liquidez de crédito pleiteado, decorrente de pagamento indevido ou a maior de Cofins, ou contribuição para o PIS/Pasep ou IPI, e o ônus da prova deste direito. Feitas estas observações, passase ao relato propriamente dito. Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. O processo se iniciou com PER/DCOMP, por meio do qual a contribuinte pleiteou o reconhecimento de direito de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo e a compensação de débitos tributários com o crédito pleiteado. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904864/201307 Acórdão n.º 3801005.058 S3TE01 Fl. 4 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF informado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível suficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência/insuficiência de crédito, a compensação declarada não foi homologada ou foi homologada apenas parcialmente. Como enquadramento legal foram citados os arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, conforme quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório “ Extraio do relatório da decisão recorrida resumo das alegações apresentadas pela contribuinte contra o despacho decisório: “Na manifestação apresentada, a contribuinte argúi em preliminar a nulidade do Despacho Decisório, alegando o não atendimento ao requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo, além de ferir os princípios de ampla defesa, contraditório e do devido processo legal, estando, outrossim, revestido de desvio de finalidade. Expõe que o ato administrativo resumiuse a informar a não homologação da compensação declarada com o parco fundamento da inexistência de crédito disponível; entende que o procedimento correto da fiscalização seria o de intimar a contribuinte para que prestasse informações sobre a origem do crédito, bem como do fundamento de validade; e ressalta a necessidade de fundamentação ou motivação dos atos administrativos para o exame de sua legalidade, finalidade e moralidade administrativa. Alega que o Despacho Decisório não se presta a dar início ao contraditório administrativo, eis que carente de fundamentação, restando prejudicado o seu direito de defesa, e que também extrapolou sua função precípua, tornandose meio oblíquo pelo qual a fiscalização buscou interromper o prazo de homologação da compensação declarada. Diz que a autoridade preparadora deixou de cumprir seu dever de ofício de bem instruir o procedimento fiscal, como a solicitação de informações, apreensão de documentos, diligências, dentre outros expedientes. Sob o tema “Do Mérito”, discorre especificamente sobre o princípio da verdade material, citando diversos doutrinadores. Mas nada aduz sobre o origem do suposto crédito, apenas alegando a posterior juntada de documentos que comprovariam as ‘alegações trazidas na presente manifestação’, eis que o direito creditório, diz, pode ser comprovado a qualquer tempo. Por fim, argumenta sobre a inaplicabilidade da multa de mora em face do princípio constitucional de não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.. A ementa do acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em CuritibaDRJ/CTA que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contém o seguinte teor: “ASSUNTO: ... Data do Fato Gerador: ... CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTOS. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904864/201307 Acórdão n.º 3801005.058 S3TE01 Fl. 5 4 A ausência de pedido de esclarecimentos ou realização de diligência na fase preparatória do procedimento fiscal não caracteriza cerceamento do direito de defesa, que é assegurado na fase do contraditório, inaugurada com a manifestação de inconformidade. 1PIS/PASEP. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito está integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. A mera alegação do direito creditório, desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil/fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a existência de direito creditório pleiteado. MULTA E JUROS DE MORA. DÉBITOS NÃO HOMOLOGADOS. Os débitos indevidamente compensados sofrem a incidência de multa e juros de mora, nos percentuais determinados pela legislação, calculados a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento da contribuição até o dia em que se efetivar o seu pagamento, uma vez que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos não homologados.” No recurso voluntário a recorrente repete as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. 1 Nos processos em que o crédito alegado se refere à Cofins, consta COFINS. Nos processos em que o crédito seria originado de Contribuição para o PIS/Pasep, consta PIS/PASEP. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904864/201307 Acórdão n.º 3801005.058 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. Admissibilidade do recurso voluntário. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para julgamento nesta turma especial. Preliminar de nulidade do despacho decisório. O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior do tributo em discussão. A Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, como fundamentos para a não homologação da compensação. No mesmo quadro 3, consta que diante da inexistência do crédito não se homologava a compensação declarada, bem como o valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, e a data para pagamento. Há, ainda, a informação de que para verificação de valores devedores e emissão de DARF, deveria ser consultado o endereço da internet “www.receita.fazenda.gov.br”, na opção “Onde Encontro” ou através de certificação digital na opção “eCAC”, assunto “PER/DCOMP Despacho Decisório”. Logo, não procede a alegação de que o despacho decisório não contém fundamentação e de que houve desvio de finalidade. Por outro lado, a manifestação de inconformidade, a qual, por força do art. 74, §§ 9º a 11 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicamse as regras previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, demonstra que a contribuinte exerceu plenamente seu direito ao contraditório, sem nenhuma dificuldade, provando que não houve cerceamento do direito de defesa. Por estas razões, votase por negar provimento às alegações preliminares. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904864/201307 Acórdão n.º 3801005.058 S3TE01 Fl. 7 6 Certeza e liquidez do crédito pleiteado. Conforme visto acima: i) O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de tributo; ii) Foi constatado pela RFB que o pagamento informado como indevido ou a maior fora integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido; iii) Isto está claro no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório; iv) Esta constatação baseouse em dados constantes do sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias. Uma vez que o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum A DRJ/CTA, tendo em vista que a contribuinte não apresentou documentação fiscal e contábil hábil e suficiente para comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, manteve o despacho decisório. As decisões da DRF e da DRJ estão amparadas no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do Código Tributário NacionalCTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972). Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, nenhum documento ou livro fiscal ou contábil foi apresentado com o recurso voluntário. A recorrente limitouse a discorrer sobre o princípio da verdade material. Tratandose de despacho eletrônico, admitese a apresentação destes documentos e livros após a decisão da DRJ, pois alguns Conselheiros entendem que o princípio da verdade material assim autoriza, outros entendem que se está diante de caso em que a prova se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, hipótese prevista no art. 16, §4º, letra “c” do Decreto nº 70.235, de 1972. O importante é que a contribuinte, até o presente, não apresentou nenhum documento ou livro, fiscal ou contábil, que pudesse comprovar seu direito. Logo, não comprovou a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904864/201307 Acórdão n.º 3801005.058 S3TE01 Fl. 8 7 Não é só isso. A recorrente sequer argumentou sobre os fatos ou direito que ensejariam o crédito. Por estas razões, com fundamento no art. 170 do CTN e no art. 333 do CPC, aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito, não cabe o reconhecimento do crédito pleiteado. Sobre multa e juros de mora Os artigos 61 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, deixam claro que são devidos juros de mora e multa no presente caso. Cito: “Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) §1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) §2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) §6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos Fl. 134DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904864/201307 Acórdão n.º 3801005.058 S3TE01 Fl. 9 8 indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §8º Não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no §9º. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) §11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) (...)” Vejase que os §§ 6º a 8º acima dispõem que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados e que, não homologada a compensação e não efetuado o pagamento no prazo previsto no §7º, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, sendo devidos juros de mora e multa. A exigência do pagamento destes débitos não se submete a julgamento administrativo. Além disso, os membros do CARF não podem afastar aplicação ou deixar de observar lei sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo em casos excepcionais não presentes, a teor do disposto no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/6/2009, e do disposto no art. 26A da Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27/5/2009. O mesmo se conclui do enunciado da Súmula CARF nº 2, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.904864/201307 Acórdão n.º 3801005.058 S3TE01 Fl. 10 9 Conclusão Pelo exposto, em especial, pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 29/04/2015 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 05/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 16151.000311/2006-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Aug 04 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
IRPF. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL INTERMEDIÁRIA DE ESPÓLIO. OBRIGATORIEDADE POR SER SÓCIO DE EMPRESA. CABIMENTO DA MULTA POR ATRASO.
Ao espólio devem-se aplicar as regras que regem as obrigações acessórias, e, como tal, em relação à obrigatoriedade de apresentação das declarações de rendimentos, aplicam-se as mesmas normas previstas para os contribuintes pessoas físicas, enquanto esta situação tributária perdurar.
Impõe-se a multa por atraso da entrega da declaração de ajuste anual para o espólio que se enquadrar em uma das condições de obrigatoriedade de apresentação prevista na legislação para as pessoas físicas.
IRPF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos, porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN (precedentes CSRF).
Numero da decisão: 2101-000.923
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros José Evande Carvalho Araujo (relator) e Gonçalo Bonet Allage, que davam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Ana Neyle Olímpio Holanda.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente em exercício à época da formalização.
(assinado digitalmente)
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR- Redator Ad Hoc designado.
EDITADO EM: 23/06/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Naoki Nishioka, Ana Neyle Olimpio Holanda, Caio Marcos Cândido (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, José Raimundo Tosta Santos e Odmir Fernandes
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL INTERMEDIÁRIA DE ESPÓLIO. OBRIGATORIEDADE POR SER SÓCIO DE EMPRESA. CABIMENTO DA MULTA POR ATRASO. Ao espólio devemse aplicar as regras que regem as obrigações acessórias, e, como tal, em relação à obrigatoriedade de apresentação das declarações de rendimentos, aplicamse as mesmas normas previstas para os contribuintes pessoas físicas, enquanto esta situação tributária perdurar. Impõese a multa por atraso da entrega da declaração de ajuste anual para o espólio que se enquadrar em uma das condições de obrigatoriedade de apresentação prevista na legislação para as pessoas físicas. IRPF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos, porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN (precedentes CSRF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros José Evande Carvalho Araujo (relator) e Gonçalo Bonet Allage, que davam provimento ao recurso. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Ana Neyle Olímpio Holanda. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 15 1. 00 03 11 /2 00 6- 89 Fl. 36DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 06/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS – Presidente em exercício à época da formalização. (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Redator Ad Hoc designado. EDITADO EM: 23/06/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Naoki Nishioka, Ana Neyle Olimpio Holanda, Caio Marcos Cândido (Presidente), Gonçalo Bonet Allage, José Raimundo Tosta Santos e Odmir Fernandes Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a Notificação de Lançamento de efl. 10, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2003, relativa à multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos, formalizando a exigência no valor de R$165,74. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (efls. 02 a 07), acatada como tempestiva, pleiteando o cancelamento da multa pela aplicação ao caso do instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional CTN. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (efls. 15 a 19): Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2002 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. É devida a multa no caso de entrega da declaração fora do prazo estabelecido, quando o contribuinte tenha participado do quadro societário de empresa como titular ou sócio, no ano calendário correspondente. MULTA POR ATRASO NA DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A entrega da declaração de ajuste anual após o prazo fixado, estando o contribuinte obrigado à sua apresentação, enseja a aplicação da multa por atraso, não se aplicando ao Fl. 37DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 06/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 16151.000311/200689 Acórdão n.º 2101000.923 S2C1T1 Fl. 37 3 descumprimento dessa obrigação acessória, o instituto da denúncia espontânea. Lançamento Procedente RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 03/10/2008 (efl. 24), o contribuinte apresentou, em 04/11/2008, o recurso de efls. 25 a 33, onde repete os argumentos da impugnação, e postula a aplicação do instituto da denúncia espontânea. Em 02 de dezembro de 2010, o presente recurso foi objeto de julgamento pela 1a. Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento deste CARF, oportunidade em que o Colegiado decidiu, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Entretanto, tanto o Conselheiro Relator como a Conselheira designada para a redação do voto vencedor deixaram o Colegiado sem que tivessem formalizado o referido Acórdão. Assim, foi necessária a designação de Redator ad hoc, para ambos os votos, conforme o art. 17, inciso III, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Redator Ad hoc Designado, Heitor de Souza Lima Junior O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e deve ser recebido. Não há arguição de qualquer preliminar. O espólio do contribuinte apresentou, no dia 17/02/2006, Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física DIRPF do exercício de 2003 (efl. 10). A Instrução Normativa SRF n° 290, de 30 de janeiro de 2003, era o ato legal que regulamentava a declaração daquele exercício, e determinava, em seu art 1o., inciso III, que estava obrigado a declarar quem participou do quadro societário de empresa como titular, sócio ou acionista, ou de cooperativa, e fixava o prazo de entrega para 30/04/2003 (art. 3°). Desta forma, por estar obrigado a apresentar declaração anual de ajuste por ser sócio de empresas, como demonstra o extrato de efl. 14, e por fazêlo em atraso, recebeu a multa no valor mínimo de R$165,74. É importante notar que o contribuinte faleceu em 25/10/2000 (efl. 09), tratando o caso de declaração intermediária de espólio, referente a período após o falecimento do sujeito passivo. Após a abertura da sucessão, as obrigações tributárias do de cujus ficam a cargo do inventariante e as declarações de rendimentos devem ser apresentadas em nome do espólio (arts. 11 e 12 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 Regulamento do Imposto de Renda). Fl. 38DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 06/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 Recordese que, com a morte da pessoa física, desaparece o titular do patrimônio, bem como seus direitos e deveres pessoais, mas permanece seu patrimônio, sob a forma de espólio, até a divisão posterior com os herdeiros. Frisese que, desde o momento da morte, a herança se transmite aos herdeiros, como esclarece o art. 1.784 do Código Civil, permanecendo o patrimônio sob a forma de espólio para facilitar a liquidação das dívidas do falecido, bem como para aguardar a identificação de todos os sucessores, e a apuração do quinhão de cada um. Desta forma, os direitos e obrigações patrimoniais da pessoa falecida permanecem após sua morte, mas de titularidade dos herdeiros, devendo esse patrimônio responder pelas dívidas do morto. É por isso que o art. 131, incisos II e III, do Código Tributário Nacional determinam que o sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro são pessoalmente responsáveis pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação, limitada esta responsabilidade ao montante do quinhão do legado ou da meação, o mesmo ocorrendo como o espólio, pelos tributos devidos até a data da abertura da sucessão. Se o espólio e os herdeiros respondem pelos tributos devidos pelo falecido, o mesmo não se pode dizer das infrações por ele cometidas, que, por serem de caráter pessoal, não se transferem aos sucessores. Nesse sentido, os arts. 45 e 49 do Decretolei n° 5.844, de 23 de setembro de 1943, determinam que, quando se apurar que o de cujus não apresentou declaração para os exercícios anteriores, ou o fez com omissão de rendimentos, cobrarseá do espólio o imposto respectivo, acrescido da multa de mora de apenas 10%. Mas se as faltas forem cometidas pelo inventariante, elas serão punidas com as multas previstas para as demais pessoas físicas. A Instrução Normativa SRF n° 81, de 11 de outubro de 2001, e alterações, dispõe sobre as declarações de espólio, e traz as seguintes determinações: Art. 3° Consideramse declarações de espólio aquelas relativas aos anoscalendário a partir do falecimento do contribuinte. (...) § 2° As declarações de espólio são classificadas como: I inicial, a que corresponder ao anocalendário do falecimento; II intermediárias, as referentes aos anoscalendário seguintes ao do falecimento e até o anterior ao da decisão judicial transitada em julgado da partilha, sobrepartilha ou adjudicação dos bens; III final, a que corresponder ao anocalendário em que for proferida a decisão judicial transitada em julgado da partilha, sobrepartilha ou adjudicação dos bens. § 3° Aplicamse, quanto à obrigatoriedade de apresentação das declarações de espólio inicial e intermediárias, as mesmas normas previstas para os contribuintes pessoas físicas. (...) Art. 23. São pessoalmente responsáveis: Fl. 39DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 06/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 16151.000311/200689 Acórdão n.º 2101000.923 S2C1T1 Fl. 38 5 I o espólio, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da abertura da sucessão; II o sucessor a qualquer título e o cônjuge meeiro, pelos tributos devidos pelo de cujus até a data da partilha ou adjudicação, limitada essa responsabilidade ao montante do quinhão, do legado, da herança ou da meação; III o inventariante, pelo cumprimento das obrigações tributárias do espólio resultantes dos atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei. § 1° Na impossibilidade de se exigir, do espólio, o pagamento do imposto, o inventariante responde solidariamente com ele quanto aos atos em que intervier ou pelas omissões de que for responsável, não se sujeitando à multa de ofício. §2° A falta de apresentação das declarações de espólio, se obrigatórias, bem como sua apresentação fora dos prazos fixados, sujeita o espólio à multa prevista no art. 88 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações posteriores, observado o máximo de vinte por cento do imposto devido pelo espólio e o mínimo de R$ 165,74 (cento e sessenta e cinco reais e setenta e quatro centavos). § 3° Quando se apurar, pela abertura da sucessão, que o de cujus não apresentou as declarações de rendimentos de anos calendário anteriores, a cuja entrega estivesse obrigado, ou o fez com omissão de rendimentos até a abertura da sucessão, deve ser cobrado do espólio o imposto respectivo, acrescido de juros moratórios e a multa prevista no art. 49 do Decretolei n° 5.844, de 23 de setembro de 1943, de dez por cento calculada sobre o imposto devido. (grifos nossos) A partir dos dispositivos acima transcritos, se depreende que, para as declarações de rendimentos apresentadas em atraso pelo espólio em nome do falecido, mas referentes a período em que ele ainda estava vivo, não se cobra multa por atraso (art. 23, §3o.). A multa é apenas devida para as declarações de espólio, isto é, para aquelas relativas aos anos calendário a partir do falecimento do contribuinte (art. 23, §2o.), se ele se enquadrar em uma das condições de obrigatoriedade de apresentação prevista na legislação (art. 3o, §3o.). No caso presente, por ser uma declaração intermediária de espólio, há que se verificar se ocorreu alguma das hipóteses que obrigasse o recorrente a declarar. De acordo como a decisão da DRJ, a obrigatoriedade de declarar decorreu exclusivamente da condição do contribuinte ter participado, no anocalendário de 2002, do quadro societário de empresa como titular, sócio ou acionista, ou de cooperativa. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 06/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 Nesse aspecto, terei que discordar do ilustre julgador de 1a. instância. Desde o falecimento, cessaram todos os direitos e deveres pessoais da pessoa física, inclusive a perda a qualidade de sócio da empresa. É impossível participar de quadro societário após o falecimento, sendo irrelevante se o CPF do falecido ainda está vinculado a um CNPJ. Tanto isso é verdade que o art. 1.028 do Código Civil cuida de definir o que se fará com a participação do de cujus na sociedade. A regra geral é a liquidação da quota do sócio após sua morte, a não ser que o contrato disponha diferente ou os herdeiros deliberem pela substituição do sócio falecido, havendo ainda a possibilidade de se dissolver a sociedade. Tudo dentro do espírito de que a condição de sócio era inerente à pessoa, desaparecendo com seu falecimento, sem prejuízo dos direitos patrimoniais que decorrem dessa sociedade, que agora pertencem aos herdeiros. Não estando obrigado a apresentar declaração de rendimentos, incabível a aplicação de multa por atraso na sua entrega. Quanto ao argumento de que se aplica ao caso a denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional CTN, não se tecerá comentários mais aprofundados, pois já se deu provimento ao recurso por outro motivo. Basta aqui anotar que esse instituto não se aplica às infrações formais, como a multa por atraso na entrega da declaração de rendimentos, sendo esse o entendimento dominante da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão CSRF/0103.767) e do Superior Tribunal de Justiça (RESP 246.960/RS, de 09/10/2001, Rel. Min. Paulo Gallotti; ERESP n° 246.295/RS, de 18/06/2001, Rel. Min. José Delgado; RESP n° 289.688/PR, de 05/06/2001, Rel. Min. Franciulli Netto). Diante do exposto, voto por DAR provimento ao recurso voluntário. É como voto. Conselheiro Redator Ad hoc Designado, Heitor de Souza Lima Junior Fl. 41DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 06/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 16151.000311/200689 Acórdão n.º 2101000.923 S2C1T1 Fl. 39 7 Voto Vencedor Conselheiro Redator Ad hoc Designado, Heitor de Souza Lima Junior Reportome ao Relatório do ilustre relator, em que está demarcado que se trata a espécie de multa por atraso na entrega da declaração, referente ao exercício 2003, ano calendário 2002, cujo sujeito passivo é o espólio de pessoa faleceu aos 25/10/2000. A matéria sobre a qual divergiu a maioria do Colegiado do Relator originário diz respeito ao entendimento de que os direitos e obrigações patrimoniais da pessoa falecida permanecem após sua morte, mas seriam de titularidade dos herdeiros, e, por se tratar de infração de caráter pessoal, não se transfere aos sucessores. O enfrentamento desta questão nos coloca diante das seguintes situações, sob o ponto de vista patrimonial, que envolvem a vida do sujeito passivo: i) fase 1 o sujeito em vida até a data do seu falecimento; ii) fase 2 espólio, que vai do falecimento abertura da sucessão, à homologação da partilha; iii) fase 3 da homologação da partilha em diante. No tocante ao pagamento de tributos, tais situações por que passam o patrimônio dão azo a tratamento distintos. Na fase 1, o sujeito passivo, então ainda vivo, é o contribuinte dos tributos relativos aos fatos geradores ocorridos até sua morte. Na fase 2, o espólio é o responsável pelos tributos cujos fatos geradores ocorreram antes da morte do de cujus e é o contribuinte dos tributos relativos aos fatos geradores ocorridos desde a data do falecimento abertura da sucessão, até a homologação da partilha. Ainda como espólio, o inventariante é responsável, relativamente aos atos em que intervenha ou às omissões que lhe sejam imputáveis, pelos tributos devidos pelo espólio. Após a homologação da partilha, os sucessores são contribuintes dos tributos cujos fatos geradores ocorram após a partilha, respondendo, cada um, pelos tributos relativos aos bens que tenha recebido. São também responsáveis por todos os tributos devidos pelo de cujus ou pelo espólio, eventualmente apurados após a partilha. Entre os sucessores verificase a ocorrência da solidariedade tributária quanto aos tributos relativos a fatos geradores ocorridos quando o sujeito em vida e espólio. Isto significa que a Fazenda pode cobrar, indistintamente, de qualquer um, a quantia referente aos tributos, limitada a responsabilidade de cada sucessor ao montante que lhe coube na partilha, ou seja, ao montante do quinhão, legado ou meação, segundo a regra intra vires hereditatis, ou seja, a obrigação do herdeiro se dá dentro e nos limites da herança. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 06/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 8 Atendose ao caso em comento, em que se dera o falecimento do de cujus, ocorrera a constituição da pessoa formal do espólio. Dizse espólio o conjunto de bens, direitos e obrigações de uma pessoa, após sua morte, e enquanto não distribuídos aos seus herdeiros e sucessores. Observese que o espólio não se confunde com os herdeiros. No curso do inventário, o espólio representa o conjunto de direitos e obrigações da sucessão, por tal é uma das chamadas "pessoas formais", universalidades que não são pessoas físicas ou jurídicas, mas às quais se reconhece qualidade inclusive para demandar ou ser demandado em juízo, como prevê o artigo 12, V, do Código de Processo Civil, litteris: Art. 12. Serão representados em juízo, ativa e passivamente: (...) V o espólio, pelo inventariante; O espólio é representado pelo inventariante e até a conclusão do inventário, com a partilha de bens ou adjudicação atribuição de todos os bens a um só herdeiro, responde pelos direitos e obrigações do de cujus. Sob tal pórtico, tratandose da seara tributária, o espólio sucede o de cujus nas suas relações fiscais e nos processos que os contemplam como objeto mediato do pedido. Na condição de espólio, este contribuinte poderá, ante a legislação tributária, praticar atos que geram a incidência da norma, e, consequentemente, tais eventos durante o período de inventário, serão tributados em nome deste. Sendo, portanto, contribuinte distinto do meeiro, herdeiros e legatários. E, especificamente, perante a legislação do imposto sobre a renda, a pessoa física do contribuinte não se extingue imediatamente após a ocorrência da morte do sujeito, pois se estende, por meio do seu espólio, estando este sujeito às normas que regem a tributação das pessoas físicas, nos termos do artigo 11 do Decreto n.° 3000, de 26/03/1999 RIR/1999, litteris: Art. 11. Ao espólio serão aplicadas as normas a que estão sujeitas as pessoas físicas, observado o disposto nesta Seção e, no que se refere à responsabilidade tributária, nos arts. 23 a 25 (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 45, § 3°, e Lei n° 154, de 25 de novembro de 1947, art. 1°). (destaques da transcrição) Com efeito, ao espólio devemse aplicar também as regras que regem as obrigações acessórias, e, como tal, em relação à obrigatoriedade de apresentação das declarações de rendimentos, aplicamse as mesmas normas previstas para os contribuintes pessoas físicas, enquanto esta situação tributária perdurar, como está plasmado no artigo 12 do mesmo Decreto n.° 3.000, de 1999: Art. 12. A declaração de rendimentos, a partir do exercício correspondente ao anocalendário do falecimento e até a data em que for homologada a partilha ou feita a adjudicação dos bens, será apresentada em nome do espólio (DecretoLei n° 5.844, de 1943, art. 45, e Lei n° 154, de 1947, art. 1°). Deste modo, caso ocorra com o espólio situação ensejadora da necessidade de apresentação da declaração de rendimentos, estará aquela pessoa obrigada a prestála, e, Fl. 43DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 06/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 16151.000311/200689 Acórdão n.º 2101000.923 S2C1T1 Fl. 40 9 consequentemente, passível da multa pela entrega da declaração fora do prazo determinado na legislação. Por tal, concessa venia ao entendimento do Relator originário, não se pode admitir, que com a morte do detentor de quotas de capital, cessariam todos os direitos e deveres pessoais da pessoa física, sob o argumento de que se extinguira a qualidade de sócio da empresa por impossibilidade de participar de quadro societário. Embora a condição de sócio seja inerente à pessoa, as quotas de capital estão incluídas no conjunto de bens que constituem o espólio, que será representado pelo inventariante, e que não se transmitem aos herdeiros, imediatamente, com o falecimento. Embora o artigo 1.028 do Código Civil preveja que, no caso de morte de sócio, liquidarseá sua quota, devese observar que não há a exigência de que tal liquidação seja imediata, isto porque, com a morte do titular, o valor daquelas quotas passarão a compor o espólio, devendo ser observadas todas as exigências legais para se chegar à partilha do patrimônio, o que demandará um certo lapso temporal. Ademais, o mesmo dispositivo do Código Civil prevê três situações em que poderá não se dar a liquidação das quotas, quais sejam: i) o contrato dispuser diferentemente; ii) os sócios remanescentes optarem pela dissolução da sociedade; iii) por acordo com os herdeiros, regularse a substituição do sócio falecido. E, enquanto perdura a situação do espólio, deve este ser submetido às normas a que estariam sujeitas a pessoa física do de cujus. Sob tal pórtico, na espécie, estando as quotas de capital no conjunto de bens que constituem o espólio Jamil Esperidião Filho, sendo tal situação, à época ensejadora da obrigatoriedade da apresentação da declaração de ajuste anual, cabível a imposição da multa por atraso no cumprimento daquela obrigação acessória. Forte no exposto, e de tudo que dos autos consta, somos por negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Com todo o respeito pelo que manifestou o Relator originário, assim me posiciono. É o voto. Conselheiro Redator Ad hoc Designado, Heitor de Souza Lima Junior Fl. 44DF CARF MF Impresso em 04/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 06/2015 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/08/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 13811.001868/00-06
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Jun 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/1988 a 30/09/1995
PIS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o quinquênio legal, contado a partir daquela data.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-000.681
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, em: I) por unanimidade de votos, em negar provimento quanto à preliminar de não conhecimento do recurso especial suscitada durante a sustentação oral pelo advogado do sujeito passivo, Dr. Daniel Maya, OAB/SP nº 163.223; e II) quanto ao mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: Relator
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/1988 a 30/09/1995 PIS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o quinquênio legal, contado a partir daquela data. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, em: I) por unanimidade de votos, em negar provimento quanto à preliminar de não conhecimento do recurso especial suscitada durante a sustentação oral pelo advogado do sujeito passivo, Dr. Daniel Maya, OAB/SP nº 163.223; e II) quanto ao mérito, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 18 68 /0 0- 06 Fl. 488DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13811.001868/0006 Acórdão n.º 9303000.681 CSRFT3 Fl. 489 2 Relatório Tratase de pedido de Restituição/Compensação de indébitos pertinentes a tributo supostamente pago a maior que o devido. A questão que se apresenta a debate cingese ao termo inicial para o sujeito passivo postular a repetição do alegado indébito. O julgamento deste recurso tem como paradigma o do Recursos nº 227.494, julgados na sessão imediatamente anterior a esta, sendolhe aplicada a mesma tese daquele julgado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Em apertada síntese, este é o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O recurso merece ser conhecido por ser tempestivo e atender aos pressupostos de admissibilidade previstos no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Ao contrário do alegado pelo patrono da interessada, durante a sustentação oral, a recorrente apontou os dispositivos legais que teriam sido violados no acórdão recorrido. A teor do relatado, a questão devolvida a este Colegiado cingese a do termo inicial do prazo extintivo para repetição de indébito de tributos pagos a maior do que o devido. Nos termos do § 2º, in fine, do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, adoto a tese do julgamento do Recurso nº 227.494, paradigma para o caso em discussão. A Câmara recorrida afastou a prescrição e determinou o retorno dos autos ao órgão julgador de primeira instância para que fossem julgadas as demais questões de mérito. O representante da Fazenda Nacional pede o restabelecimento da decisão de primeira instância, por entender que o termo de início da contagem da prescrição para repetição de indébito é a extinção do crédito pelo pagamento, nos termos do art. 168, inc. I, do CTN. De imediato, passemos à controvérsia sobre a prescrição do direito pleiteado. Antes, porém, devo registrar que na elaboração deste voto, socorrime dos conhecimentos do Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, a quem, desde já agradeço pelos relevantes argumentos sobre a matéria, e peço licença para mais adiante, transcrever excerto do voto por ele Fl. 489DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13811.001868/0006 Acórdão n.º 9303000.681 CSRFT3 Fl. 490 3 proferido no julgamento do Recurso Voluntário nº 133.010, na Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. É de bom alvitre esclarecer que, muito embora existam divergências doutrinárias quanto à natureza do prazo para repetição do indébito – se decadencial ou prescricional – para o deslinde da matéria em apreço, esse questionamento não apresenta qualquer relevância, razão pela qual não será aqui abordado. Até o advento da Lei Complementar nº 118, de 10 de fevereiro de 2005, a maioria esmagadora da doutrina e da jurisprudência de nossos tribunais, abalizadas em posicionamento consolidado no STJ, entendia que o critério correto para se contar o prazo prescricional de repetição de indébito era o da tese dos “cinco mais cinco anos”. Como é de todos sabido, a premissa dessa tese consistia em assumir que a extinção do crédito tributário só se daria quando da homologação do lançamento, fosse ela tácita ou expressa. Como o prazo para homologação é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, no caso da homologação tácita, somente após o decurso dos cinco anos se iniciaria o prazo prescricional para a postulação da restituição do valor indevidamente recolhido. Todavia, essa apascentada jurisprudência foi violentamente atacada com a publicação da Lei Complementar nº 118, em 10 de fevereiro de 2005. Predita lei, além de adaptar o Código Tributário Nacional à nova legislação falimentar, pretendeu reverter esse entendimento sobre a interpretação do inciso I do art. 168 do CTN, para tanto, em seu artigo 3º, assim dispôs: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art 150 da referida Lei. Ora, com esse dispositivo, ressurge no ordenamento jurídico contemporâneo de nosso País a interpretação autêntica. Tal dispositivo recebeu duras críticas da doutrina e, sobretudo, do STJ, que viu o entendimento, até então dominante nessa Corte guardiã da legislação federal, ser alterado por via legislativa direta. O escopo dessa lei era restabelecer o entendimento, que vigia no STF quando a Corte Maior detinha a função de tutor da legislação federal, segundo o qual a contagem do prazo prescricional para repetição de indébito, no caso de lançamento por homologação, se iniciaria a partir da data do pagamento. Apesar das críticas de abalizada doutrina, como por exemplo, Carlos Maximiliano, para quem o mecanismo por meio do qual o Legislador, de forma transversa, pretende substituirse às Fl. 490DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13811.001868/0006 Acórdão n.º 9303000.681 CSRFT3 Fl. 491 4 funções do Juiz, vige no Supremo Tribunal Federal a concepção de que, em tese, a lei interpretativa é válida, desde que esta seja proveniente da mesma fonte legislativa do ato primitivo interpretado; que tenha a mesma hierarquia jurídica do comando jurídico originário; e que seus efeitos não prejudiquem o direito adquirido, a coisa julgada e o ato jurídico perfeito. A partir dessa lei, a questão, então, passou a ser a data a partir de quando se espraiem os efeitos da interpretação trazida em seu art. 3º. Se prospectiva ou retroativa. Isso porque o STJ e boa parte da doutrina entenderam que a eficácia operavase a partir de junho de 2005, enquanto o art. 4º da lei em comento determinou a aplicação retroativa, nos termos seguintes: Art. 4º. Esta lei entra em vigor em 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. A seu turno, esse dispositivo do CTN tem a seguinte dicção: Art 106. A lei aplicase ao ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; (...) De outro lado, os críticos da Lei Complementar nº 118/2005 alegam que a diretriz interpretativa da novel legislação, na realidade, modificou a força normativa da legislação anterior, ao menos em seu sentido até então, majoritariamente, extraído, por essa razão, a pretensa interpretação nela veiculada há de ser tratada como lei nova, e, como tal, deveria respeitar suas características, inclusive, a dos efeitos prospectivos. Assim, a “interpretação” dada ao art. 168 do CTN pelo art. 3º da novel lei complementar não poderia retroagir para alcançar fatos pretéritos, sob pena de violação dos princípios da não surpresa e da segurança jurídica, já que esse dispositivo legal alterou o entendimento consagrado há mais de uma década pelo STJ. Como arrimo dessas críticas, é comum a citação do julgamento da ADIN 605 MC, da relatoria do Ministro Sepúlveda Pertence, onde o STF decidiu: Se, no entanto, a título de lei interpretativa, a segunda lei extrapola da interpretação, é lei nova, que altera a lei antiga, modificandoa ou adicionandolhe normas inexistentes. E assim há de ser examinada. No âmbito judicial, o Superior Tribunal de Justiça, inicialmente, sem declarar formalmente a inconstitucionalidade do art. 4º dessa lei, decidiu, reiteradamente, por meio de sua 1º Seção, que a Lei Complementar nº 118/2005, no tocante ao art. 3º, somente entraria em vigor, em sua integralidade, à partir do mês de junho de 2005. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13811.001868/0006 Acórdão n.º 9303000.681 CSRFT3 Fl. 492 5 Contra esse entendimento insurgiuse a Fazenda Nacional, que recorreu ao STF. Acolhido o recurso extraordinário apresentado pela Fazenda Nacional, o pleno da corte maior deu provimento ao RE 482.0901 SP, e determinou que o STJ observasse a reserva de plenário para afastar a aplicação do art. 4º dessa lei complementar. Aqui, peço licença para transcrever excerto do acórdão do STF, por ser emblemático ao deslinde da questão ora submetida a debate. EMENTA: CONSTITUCIONAL. PROCESSO CIVIL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ACÓRDÃO QUE AFASTA A INCIDÊNCIA DE NORMA FEDERAL. CAUSA DECIDIDA SOB CRITÉRIOS DIVERSOS ALEGADAMENTE EXTRAÍDOS DA CONSTITUIÇÃO. RESERVA DE PLENÁRIO. ART. 97 DA CONSTITUIÇÃO. TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR 118/2005, ARTS. 3º E 4º. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (LEI 5.172/1966), ART. 106, I. RETROAÇÃO DE NORMA AUTOINTITULADA INTERPRETATIVA. “Reputase declaratório de inconstitucionalidade o acórdão que embora sem o explicitar afasta a incidência da norma ordinária pertinente à lide para decidila sob critérios diversos alegadamente extraídos da Constituição” (RE 240.096, rel. min. Sepúlveda Pertence, Primeira Turma, DJ de 21.05.1999). Viola a reserva de Plenário (art. 97 da Constituição) acórdão prolatado por órgão fracionário em que há declaração parcial de inconstitucionalidade, sem amparo em anterior decisão proferida por Órgão Especial ou Plenário. Recurso extraordinário conhecido e provido, para devolver a matéria ao exame do Órgão Fracionário do Superior Tribunal de Justiça. ......................................................................................................... Brasília, 18 de junho de 2008. V O T O O SENHOR MINISTRO JOAQUIM BARBOSA (Relator): Inicialmente, enfatizo que a discussão travada neste recurso extraordinário se limita à argüida necessidade de submissão do exame incidental de inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/2005 ao Órgão Especial do Superior Tribunal de Justiça, nos termos do art. 97 da Constituição. Não se discute neste recurso extraordinário a constitucionalidade da norma que fixou a validade de uma única interpretação para a contagem do prazo prescricional para a restituição do indébito tributário. Registro também que o e. Superior Tribunal de Justiça, em outro recurso especial e após a submissão deste recurso extraordinário ao conhecimento e julgamento do Pleno, resolveu por submeter questão análoga ao respectivo Órgão Fl. 492DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13811.001868/0006 Acórdão n.º 9303000.681 CSRFT3 Fl. 493 6 Especial, após decisão proferida pelo eminente Ministro Sepúlveda Pertence, nos autos do RE 486.888 {DJ de 31.08.2006). O referido precedente, firmado por ocasião do julgamento da Argüição de Inconstitucionalidade nos Embargos de Divergência no Recurso Especial 644.736 (rel. min. Teori Zavascki, DJ de 27.08.2007), foi assim ementado: “CONSTITUCIONAL.TRIBUTÁRIO.LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITO, NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LC 118/2005: NATUREZA MODIFICATIVA (E NÃO SIMPLESMENTE INTERPRETATIVA) DO SEU ARTIGO 3º. INCONSTITUCIONALIDADE DO SEU ART. 4º, NA PARTE QUE DETERMINA A APLICAÇÃO RETROATIVA. 1.Sobre o tema relacionado com a prescrição da ação de repetição de indébito tributário, a jurisprudência do STJ (1a Seção) é no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo de cinco anos,previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na datado recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação expressa ou tácita do lançamento.Segundo entende o Tribunal, para que o crédito se considere extinto, não basta o pagamento: é indispensável a homologação do lançamento, hipótese de extinção albergada pelo art. 156, VII, do CTN. Assim, somente a partir dessa homologação é que teria início o prazo previsto no art. 168, I. E, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo, na verdade, de dez anos a contar do fato gerador. 2.Esse entendimento, embora não tenha a adesão uniforme da doutrina e nem de todos os juizes, é o que legitimamente define o conteúdo e o sentido das normas que disciplinam a matéria, já que se trata do entendimento emanado do órgão do Poder Judiciário que tem a atribuição constitucional de interpretálas. 3.O art. 3º da LC 118/2005, a pretexto de interpretar esses mesmos enunciados, conferiulhes, na verdade, um sentido e um alcance diferente daquele dado pelo Judiciário. Ainda que defensável a f interpretação' dada, não há como negar que a Lei inovou no plano normativo, pois retirou das disposições interpretadas um dos seus sentidos possíveis, justamente aquele tido como correto pelo STJ, intérprete e guardião da legislação federal. 4.Assim, tratandose de preceito normativo modificativo, e não simplesmente interpretativo, o art. 3º da LC 118/2005 só pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. 5.O artigo 4º, segunda parte, da LC 118/2005, que determina a aplicação retroativa do seu art. 3º, para alcançar inclusive fatos passados, ofende o princípio constitucional da autonomia e independência dos poderes (CF, art. 2º) e o da garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada (CF, art. 5º, XXXVI). Fl. 493DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13811.001868/0006 Acórdão n.º 9303000.681 CSRFT3 Fl. 494 7 6.Argüição de inconstitucionalidade acolhida.” Passo ao exame do recurso. Esta é a redação dada aos arts. 3º e 4o da Lei Complementar 118/2005: “Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei. Art. 4º Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado/ quanto ao art. 3, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional.” Por sua vez, o art. 106, I, do Código Tributário Nacional tem a seguinte redação: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados;” Discutese no recurso extraordinário se o acórdão recorrido violou a reserva de Plenário para declaração de inconstitucionalidade de lei (art. 97 da Constituição) na medida em que deixou de aplicar retroativamente o art. 3º da LC 118/2005, como determinam o art. 4º da mesma lei e o art. 106, I, do Código Tributário Nacional. Passo a examinar, então, a questão de fundo. Os arts. 3º e 4º da Lei Complementar 118/2 005 objetivam estabelecer, com eficácia retroativa, que a prescrição do direito do contribuinte à restituição do indébito tributário pertinente às exações sujeitas ao lançamento por homologação ocorre em cinco anos contados do pagamento antecipado. Na linha do art. 106, I, do Código Tributário Nacional, interpretado literalmente, a retroatividade de normas meramente interpretativas é irrestrita e, portanto, o disposto no art. 3º da LC 118/2005 também se aplica aos recolhimentos indevidos que se deram antes da publicação da referida lei complementar, independentemente da data de ajuizamento da respectiva ação judicial. Dito de outro modo, o art. 3º e o art. 106, I, do Código tributário Nacional não colocam qualquer limitação ao alcance retroativo da norma que estabelece como o prazo prescricional deverá ser computado. Anteriormente à publicação da LC 118/2005, o Superior Tribunal de Justiça firmara orientação segundo a qual o prazo para restituição do indébito tributário era de cinco anos, contados a partir da homologação do lançamento (art. 156, VII, Fl. 494DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13811.001868/0006 Acórdão n.º 9303000.681 CSRFT3 Fl. 495 8 do CTN), que poderia ser expressa ou tácita. Como o prazo de que dispõe a autoridade fiscal para homologação é de cinco anos (art. 150, §§ 1º e 4º, do CTN), a prescrição do direito à restituição do indébito tributário poderia chegar a dez anos, contados do momento em que ocorria o fato gerador, se houvesse a homologação tácita do lançamento. O art. 3º da LC 118/2005, em um primeiro exame, busca superar o entendimento e firmar uma única possibilidade interpretativa para a contagem do prazo de prescrição de indébito relativo a tributo sujeito ao lançamento por homologação. (Destaquei). Para afastar a aplicação conjunta dos arts. 3º e 4º da Lei 118/2005 e do art. 106, I, do Código Tributário Nacional, assim limitando a retroação às ações ajuizadas após a entrada em vigência da lei complementar em questão, o acórdão recorrido invocou precedente da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (EREsp 327.043). 0 mencionado precedente, ainda não publicado, apoiase no principio constitucional da segurança jurídica, como se lê no registro feito pelo eminente relator do acórdão recorrido. Ministro Luiz Fux: “O acórdão embargado assentou que a Primeira Seção reconsolidou a jurisprudência desta Corte acerca da cognominada tese dos cinco mais cinco para a definição do termo a quo do prazo prescricional das ações de repetição/compensação de valores indevidamente recolhidos a titulo de tributo sujeito a lançamento por homologação, desde que ajuizadas até 09 de junho de 2005 (EREsp 327043/DF, Relator Ministro João Otávio de Noronha, julgado em 27.04.2005)”. A Lei Complementar 118/2005 não foi declarada inconstitucional pela Primeira Seção, tendo apenas sido limitada sua incidência às demandas ajuizadas após sua entrada em vigor (09 de junho de 2005), em homenagem, entre outros, ao princípio da segurança jurídica, consoante perfilhado no voto vista desta relatoria: “a Lei Complementar 118, de 09 de fevereiro de 2005, aplicase, tão somente, aos fatos geradores pretéritos ainda não submetidos ao crivo judicial, pelo que o novo regramento não é retroativo mercê de interpretativo. É que toda lei interpretativa, como toda lei, não pode retroagir. Outrossim, as lições de outrora coadunamse com as novas conquistas constitucionais, notadamente a segurança jurídica da qual é corolário a vedação à denominada “surpresa fiscal”. Na lúcida percepção dos doutrinadores, “Em todas essas normas, a Constituição Federal dá uma nota de previsibilidade e de proteção de expectativas legitimamente constituídas e que, por isso mesmo, não podem ser frustradas pelo exercício da atividade estatal.” (Humberto Ávila in Sistema Constitucional Tributário, 2 0 04, pág. 295 a 300) . (...) À mingua de prequestionamento por impossibilidade jurídica absoluta de engendrálo, e considerando que não há inconstitucionalidade nas leis interpretativas como decidiu em recentíssimo pronunciamento o Pretório Excelso, o preconizado na presente sugestão de decisão ao colegiado, sob o prisma institucional, Fl. 495DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13811.001868/0006 Acórdão n.º 9303000.681 CSRFT3 Fl. 496 9 deixa incólume a jurisprudência do Tribunal ao ângulo da máxima tempus regit actum, permite o prosseguimento do julgamento dos feitos de acordo com a jurisprudência reinante, sem invalidar a vontade do legislador através suscitação de incidente de inconstitucionalidade de resultado moroso e duvidoso a afrontar a efetividade da prestação jurisdicional, mantendo hígida a norma com eficácia aos fatos pretéritos ainda não sujeitos à apreciação judicial, máxime porque o artigo 106 do CTN é de constitucionalidade induvidosa até então e ensejou a edição da LC 118/2005, constitucionalmente imune de vícios”. Ao deixar de aplicar os dispositivos em questão por risco de violação da segurança jurídica (principio constitucional), é inequívoco que o acórdão recorrido declaroulhes implícita e incidentalmente a inconstitucionalidade parcial. Vale dizer, como observou a Primeira Turma desta Corte por ocasião do julgamento do RE 24 0.096 (rei. min. Sepúlveda Pertence, DJ de 21.05.1999), “reputase declaratório de inconstitucionalidade o acórdão que embora sem o explicitar afasta a incidência da norma ordinária pertinente à lide para decidila sob critérios diversos alegadamente extraídos da Constituição”. Portanto, ao invocar precedente da Seção, e não do Órgão Especial, para decidir pela inaplicabilidade de norma ordinária federal com base em disposição constitucional, entendo que o acórdão recorrido deixou de observar a necessária reserva de Plenário, nos termos do art, 97 da Constituição. Em sentido semelhante, registro as seguintes passagens do voto proferido pelo eminente Ministro Sepúlveda Pertence, por ocasião do julgamento de recente precedente (RE 544.246, rei. min. Sepúlveda Pertence, Primeira Turma, DJ de 08.06.2007): “A inaplicação dos dispositivo questionados da LC 118/05 a todos processos pendentes reclamava, pois, a declaração de sua inconstitucionalidade, ainda que parcial. Foi o que fez, na verdade, o acórdão recorrido. Não importa que o precedente invocado da Primeira Seção do Tribunal a quo, EREsp 328043 tenha declarado incidir a lei nova nas ações propostas a partir de sua vigência. O distinguo dada a irretroatividade irrestrita preceituada nos arts. 3º e 4º da LC 118/05 importou na declaração de inconstitucionalidade parcial deles, malgrado sem redução de texto. Estou, pois, em que, assim decidindo – com fundamento em precedente da Seção e não, do Órgão Especial o acórdão recorrido contrariou efetivamente a norma constitucional da “reserva de plenário”, do art. 97 da Lei Fundamental.” É como voto. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13811.001868/0006 Acórdão n.º 9303000.681 CSRFT3 Fl. 497 10 Do exposto, conheço do recurso extraordinário e doulhe provimento, para que a matéria seja devolvida ao órgão fracionário do Superior Tribunal de Justiça, para que seja observado o art. 97 da Constituição. Da leitura do acórdão, dúvida não há que, segundo o Supremo Tribunal Federal, qualquer medida no sentido de afastar a aplicação de dispositivo de lei vigente, importa em controle incidental de inconstitucionalidade. Diante desse posicionamento da Corte Maior, o STJ, por sua corte especial, declarou a inconstitucionalidade da parte final do art. 4º da lei em comento, e, após isso, firmou o entendimento de que o disposto no art. 3º da citada lei somente produz efeitos sobre as ações de repetição que se referirem a indébitos pertinentes a fatos geradores ocorridos a partir de junho de 2005. Em outro giro, como bem destacou o Ministro Joaquim Barbosa no voto condutor do acórdão transcrito linhas acima, o art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005 pretendeu superar o entendimento vigente sobre o termo inicial da prescrição e firmar uma única possibilidade interpretativa para a contagem do prazo de prescrição de indébito relativo a tributo sujeito a lançamento por homologação. Agora, se o art. 4º, que determinou a aplicação retroativa da interpretação trazida no art. 3º, padece de vício de inconstitucionalidade, não cabe a este Colegiado isto declarar, como será demonstrado a seguir. Para começar este tema, faremos um breve passeio na história do controle de constitucionalidade. O mundo conhece hoje, no dizer 1Cappelletti, dois grandes tipos de sistemas de controle da legitimidade constitucional das leis: O “sistema difuso”, isto é, aquele em que o poder de controle pertence a todos os órgãos judiciários de um dado ordenamento jurídico, que os exercitam incidentalmente, na ocasião da decisão das causas de sua competência; e O “sistema concentrado”, em que o poder de controle se concentra, ao contrário, em um único órgão judiciário. O primeiro deles, o difuso, é também conhecido como sistema de controle do tipo americano, em razão da percepção equivocada de alguns constitucionalistas de que esse sistema tenha sido inaugurado pelos norte americanos no famoso caso Marbury versus Madison, em 1803. O segundo, o concentrado, também pode ser denominado, agora com razão, de sistema austríaco de controle, ou ainda como sistema europeu, porquanto foi inaugurado na Constituição da Áustria de 1º de outubro de 1920, redigida com base em projeto elaborado pelo Mestre da Escola Jurídica de Viena, o grande Hans Kelsen. 1 M. CAPPELLETTI, O controle Judicial de Constitucionalidade das Leis no Direito Comparado, 2ª ed, Sergio Antônio Fabris Editor, Porto Alegre 1992, p 67 ss. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13811.001868/0006 Acórdão n.º 9303000.681 CSRFT3 Fl. 498 11 No Brasil, até a promulgação da Constituição da República de 1891, não existia qualquer controle Judicial de Constitucionalidade. Por influência do jacobinismo parlamentar francês e da idéia inglesa da supremacia do parlamento, o Constituinte de 1824 outorgou ao Poder Legislativo a atribuição de fazer leis, interpretálas, suspendêlas e revogálas, bem como velar na guarda da Constituição (art. 15, itens 8º e 9º). Nesse sistema, não havia lugar para o mais incipiente modelo de controle judicial de constitucionalidade. Consagravase, assim, o dogma da soberania do Parlamento. Com a adoção do regime republicano em 1889, os ventos da mudança também sopraram no sistema 2jurídico brasileiro, sobretudo, no que concerne ao papel a ser exercido pelo Poder Judiciário. A Constituição Republicana de 1891 adotou o sistema norte americano, defendido entusiasticamente por Rui Barbosa, personagem principal na elaboração da Carta. A Constituição de 1934 trouxe uma figura nova no controle brasileiro de constitucionalidade, a ADIn Interventiva, que deveria ser proposta pelo ProcuradorGeral da República, perante o Supremo Tribunal Federal, contra lei ou ato normativo estadual que violassem a Constituição Federal. Essa ADIn Interventiva inseriu no nosso ordenamento jurídico um tímido sistema de controle concentrado de constitucionalidade. A Emenda Constitucional nº 16, de 26 de novembro de 1965, inseriu, de forma clara, o controle concentrado, mas restrito às pessoas legitimadas a propor a ação de inconstitucionalidade. Somente com a Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 é que se consagrou, de forma ampla, o sistema de controle concentrado, também denominado sistema abstrato ou do tipo europeu. Desde então, o Brasil passou a conviver harmonicamente com os dois tipos de controle, o concentrado e o difuso. Deixemos de lado o sistema europeu, para voltarmos ao que, de fato, interessa ao nosso tema, o controle difuso, que, como dito linhas acima, alguns constitucionalistas apressados atribuíram sua origem à famosa decisão da Suprema Corte norte americana, prolatada em 1803, no caso Marbury versus Madison, cuja sentença foi redigida pelo juiz John Marshall, que fixou, por um lado, aquilo que ficou conhecido como a supremacia da constituição e, por outro, o poderdever dos juízes negarem aplicação às leis contrárias à constituição. Para se chegar àquela decisão, Marshall partiu do seguinte raciocínio: ou a constituição prepondera sobre os atos legislativos que com ela contrastam ou o Poder Legislativo pode mudála por meio de lei ordinária. Não há meio termo, asseverou o Chefe da Suprema Corte, ou a constituição é uma lei fundamental superior e não mutável por dispositivos ordinários, ou seja, é rígida; ou ela é colocada em pé de igualdade com os 2 O Decreto 848, de 11 de outubro de 1890, estabeleceu que, na guarda e aplicação da Constituição e das leis nacionais, a magistratura federal só interviria em espécie e por provocação da parte. Fl. 498DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13811.001868/0006 Acórdão n.º 9303000.681 CSRFT3 Fl. 499 12 atos legislativos ordinários, portanto, flexível, e, por conseguinte, pode ser alterada sem qualquer entrave pelo Poder Legislativo. Todavia, se é correto a primeira alternativa, e assim concluiu Marshall, um ato do legislativo contrário à constituição não é lei, é nulo, é como se não existisse. Ao proclamar a prevalência da constituição sobre os demais atos legislativos e reconhecer o poder dos juízes de não aplicar as leis inconstitucionais, a Suprema Corte Americana não só inaugurou no mundo moderno o sistema judicial de controle de constitucionalidade, mas, sobretudo, rompeu com o dogma da supremacia do Poder Legislativo, que vige até hoje na Inglaterra e nos demais países que adotam constituições flexíveis. Os fundamentos da inovadora e corajosa decisão da Suprema Corte no caso Marbury versus Madison já haviam sido muito bem delineados por Alexander Hamilton em sua obraprima The Federalist, e partiu do seguinte raciocínio: a função de todos os juízes é a de interpretar as leis e aplicá las ao caso concreto submetido a seu julgamento; a regra básica de interpretação das leis determina que quando dois dispositivos legislativos estiverem contrastando entre si, deve o juiz aplicar a prevalente. Se ambas tiverem igual densidade normativa, devese valer dos critérios tradicionais, segundo os quais: lex posteriori derogat legi priori, lex specialis derogat legi generali, etc. Mas todos esses critérios são desnecessários quando o contraste dáse entre dispositivos de densidade normativa diversa, aí, o critério é o da lex superior derogat legi inferiori. Neste caso, a norma constitucional prevalecerá sempre sobre a lei ordinária, quando a constituição for rígida e não flexível. Do mesmo modo, a lei prevalecerá sempre sobre os decretos. De tudo o que foi exposto, a conclusão óbvia é no sentido de que todo e qualquer juiz, encontrandose no dever de decidir uma lide onde seja relevante ao caso uma lei ordinária que contrasta com a constituição, deve preservar a Carta Magna e não aplicar a norma de menor hierarquia. Vejamos agora como é dividido o controle de constitucionalidade no Brasil. Quanto ao momento de sua realização, o controle é dividido em preventivo e repressivo, o primeiro realizado durante o processo legislativo e, o segundo, após a entrada em vigor da lei. O preventivo é exercido, inicialmente, pelas Comissões de Constituição e Justiça do Poder Legislativo (art. 32, III, do Regimento Interno da Câmara Federal e art. 110 do Regimento Interno do Senado Federal, todos fundamentados no art. 58 da CF/88) e, posteriormente, pela participação do Chefe do Executivo no processo legislativo, quando poderá vetar a lei aprovada pelo Congresso Nacional por entendêla Fl. 499DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13811.001868/0006 Acórdão n.º 9303000.681 CSRFT3 Fl. 500 13 inconstitucional, nos termos do art. 66, § 1º, da CF/88, denominado veto jurídico. Por sua vez, se o projeto de lei é de iniciativa do Poder Executivo, ou se se trata de Medida Provisória, há, ainda, além dos controles de constitucionalidade acima mencionados, o realizado previamente, no âmbito do Poder Executivo, pela Casa Civil da Presidência da República, por força do estatuído no art. 2º da Lei nº 9.649, de 27/05/1998, que assim dispõe: Art. 2º. À Casa Civil da Presidência da República compete assistir direta e imediatamente ao Presidente da República no desempenho de suas atribuições, especialmente na coordenação e na integração das ações do governo, na verificação prévia da constitucionalidade e legalidade dos atos presidenciais, ... (grifo nosso). O repressivo, por sua vez, poderá se dar de maneira concentrada, por via de ação direta de inconstitucionalidade ou de ação declaratória de constitucionalidade, competindo em ambos os casos, somente, ao Supremo Tribunal Federal processar e julgar tais ações, conforme dispõe a alínea “a” do inciso I do art. 102 da Constituição Federal de 1988. Pode ainda o controle repressivo darse de forma difusa, ou seja, como incidente processual, no julgamento de casos concretos. Depois de tudo o que aqui foi dito, perguntase: podem os órgãos judicantes da administração afastar a aplicação de lei inconstitucional? podem esses órgãos afastar a aplicação de lei que entenderem inconstitucional ou incompatível com a constituição? A resposta à primeira pergunta é positiva, pois a lei inconstitucional, como bem asseverou Marshal, não é lei, é ato nulo. Por conseguinte, não obriga, não vincula ninguém. Já a resposta à segunda pergunta é negativa, pois da interpretação sistemática da Constituição Federal (especialmente dos seus arts. 97; 102, III, “a” e “c”; e 105, II, “a” e “b”), temse que a competência para realizar o controle difuso de constitucionalidade é exclusiva do Poder Judiciário e estendida a todos os seus componentes. Nesse sentido, valiosas são as palavras do exProcuradorGeral da República e Professor Titular da Universidade de Brasília, Dr. Inocêncio Mártires Coelho, conforme elucidativo artigo por ele publicado na Revista Jurídica Virtual (nº 13) da Presidência da República, do qual transcrevemos o seguinte trecho: ...Nessa linha de raciocínio que ousaríamos chamar fática, livre e realista e ainda acompanhando o pensamento do maior jurista do século XX, podese dizer, igualmente, que sem aquela declaração de incompatibilidade, proferida pelo órgão a tanto legitimado, nenhuma norma será reputada inconstitucional; Fl. 500DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13811.001868/0006 Acórdão n.º 9303000.681 CSRFT3 Fl. 501 14 que onde a Constituição não atribuir a algum órgão, distinto do que produz as leis, a prerrogativa de aferirlhes a constitucionalidade, norma alguma poderá reputarse inconstitucional; e que, finalmente, enquanto não for anulada e nos limites em que o seja toda lei é simplesmente constitucional... (grifo nosso). Por tais razões, podese concluir, que, não tendo a Constituição Federal de 1998 dado competência a órgãos da administração para efetuarem o controle repressivo de constitucionalidade das leis, não podem seus órgãos judicantes afastar a aplicação de lei que julgarem inconstitucional, pois competência não tem quem quer, mas quem a teve atribuída pela Constituição. No mesmo sentido, é a lição de Lúcio Bittencourt3 a respeito da incompetência dos órgãos do Poder Executivo para afastar a aplicação de uma lei sob alegação de sua inconstitucionalidade: É princípio assente entre os autores, reproduzindo a orientação pacífica da jurisprudência, que milita sempre em favor dos atos do Congresso a presunção de constitucionalidade. É que ao Parlamento, tanto quanto ao Judiciário, cabe a interpretação do Texto constitucional, de sorte que, quando uma lei é posta em vigor, já o problema de sua conformidade com o Estatuto Político foi objeto de exame e apreciação, devendose presumir boa e válida a resolução adotada. (...) Oscar Saraiva entende que o julgamento da inconstitucionalidade é privativo do Judiciário, porque, se êste cabe, por fôrça de preceito expresso, a função em aprêço, nenhum dos outros podêres tem competência para exercêla 'sob pena de se confundirem as atribuições dêstes, o que a nossa Constituição veda, ao prescrever a sua separação e independência'. Não acolhemos, todavia, êsse entendimento do culto e esclarecido jurisconsulto, que se choca, aliás, com a opinião unânime dos doutôres. Damolhe razão, apenas quando nega aos funcionários administrativos competência para se recusar a aplicar uma lei sob alegação de sua inconstitucionalidade. É que a sanção presidencial afasta qualquer possível manifestação dos funcionários administrativos, que não dispõem do exercício do poder executivo. (sic) Desta feita, se o órgão administrativo deixa de aplicar lei vigente por considerála inconstitucional, não apenas invade a esfera de competência do Poder Judiciário como também fere de morte um dos princípios norteadores da administração pública, qual seja, o princípio da hierarquia, pois se está discordando do Chefe do Poder Executivo que, ao não vetar a lei, está reconhecendo sua constitucionalidade. 3 Bittencourt, Lúcio O Contrôle Jurisdicional da Constitucionalidade, Forense, 1968, 2º edição, págs.91 a 96. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13811.001868/0006 Acórdão n.º 9303000.681 CSRFT3 Fl. 502 15 Em face do exposto, parecenos equivocada a afirmação daqueles que pregam que se a administração é vinculada aos ditames da lei, muito mais será aos da Lei Maior, logo pode negar aplicação à lei manifestamente inconstitucional. Rotundo engano, pois, primeiro, milita a favor de todas as leis a presunção de constitucionalidade; segundo, mesmo sendo uma presunção juris tantum, só ao órgão legitimamente indicado pela Constituição Federal como competente para exercer o controle de constitucionalidade cabe desconstituir a presunção. Pertinente trazer à colação as conclusões de Lúcio Bittencourt sobre o tema, na obra já citada: A lei, enquanto não declarada pelos tribunais incompatível com a Constituição, é lei não se presume lei é para todos os efeitos. Submete ao seu império tôdas as relações jurídicas a que visa disciplinar e conserva plena e íntegra aquela fôrça formal que a torna irrefragável, segundo a expressão de Otto Mayer. Aliás, em relação à lei, ocorre ainda situação diversa da que se manifesta no tocante aos atos jurídicos públicos ou privados, e que reforça a idéia de sua eficácia enquanto não declarada por via jurisdicional. É que, em relação a ela, existe o princípio da obrigatoriedade, que constitui, dentro de qualquer doutrina de direito público, a garantia e a segurança da ordem jurídica. Sendo a lei obrigatória, por natureza e por definição, não seria possível facilitar a quem quer que fôsse furtarse a obedecerlhes os preceitos sob o pretexto de que a considera contrária à Carta Política. A lei, enquanto não declarada inoperante, não se presume válida: ela é válida, eficaz e obrigatória. (sic) Ainda sobre o tema, não menos valiosos são os ensinamentos do festejado constitucionalista Luís Roberto Barroso4: A presunção de constitucionalidade das leis encerra, naturalmente, uma presunção iuris tantum, que pode ser infirmada pela declaração em sentido contrário do órgão jurisdicional competente. O princípio desempenha uma função pragmática indispensável na manutenção da imperatividade das normas jurídicas e, por via de conseqüência, na harmonia do sistema. O descumprimento ou nãoaplicação da lei, sob o fundamento de inconstitucionalidade, antes que o vício haja sido proclamado pelo órgão competente, sujeita a vontade insubmissa às sanções prescritas pelo ordenamento. Antes da decisão judicial, quem subtrairse à lei o fará por sua conta e risco. (grifo nosso). A meu sentir, é imperioso reconhecer que, no Direito brasileiro, o controle de constitucionalidade das leis em vigor é atribuição exclusiva do Poder Judiciário. Com isso, não sendo declarada a inconstitucionalidade pelo Jurisdicional, seja com efeitos erga omnes no controle concentrado de constitucionalidade, seja com 4 BARROSO, Luís Roberto. Interpretação e Aplicação da Constituição. São Paulo: ed. Saraiva, 3º edição, pp 170 e 171. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13811.001868/0006 Acórdão n.º 9303000.681 CSRFT3 Fl. 503 16 efeito inter partes no controle difuso, a lei goza de presunção de constitucionalidade, e, por conseguinte, é válida e tem aplicação cogente em todo o território nacional. A declaração incidental de inconstitucionalidade de lei é ato de tamanha gravidade, que, desde a Constituição Federal de 1934, há exigência expressa de reserva de plenário para que os tribunais exerçam o controle difuso de constitucionalidade. Por essa regra, suscitado o incidente de inconstitucionalidade por um dos membros do tribunal, suspendese o julgamento do processo e remetese a questão incidental para o pleno ou órgão que o represente. A inconstitucionalidade somente será declarada por voto da maioria absoluta dos membros do tribunal (art. 97 da Seção I do Capítulo III Do Poder Judiciário do Título IV Das Organizações dos Poderes da CF/88). Essa exigência veio para uniformizar a interpretação constitucional no âmbito de cada tribunal. E como se processaria o incidente de inconstitucionalidade no processo administrativo, já que, diferentemente do que ocorre nos tribunais do Judiciário, nos administrativos não há a previsão para tal. Aliás, não poderia mesmo haver, pois, conforme já fartamente demonstrado, órgão nenhum da administração tem poderes para exercer o controle difuso de constitucionalidade. Ora, se para os tribunais do Judiciário é exigida a reserva de plenário, como então, querer que os órgãos judicantes da administração, por suas turmas ou Câmaras, possam exercer o controle de constitucionalidade. Se assim fosse possível, a esfera administrativa estaria investida de mais poder do que o próprio judiciário. E o que dizer, então, da impossibilidade de a Fazenda Nacional recorrer ao Supremo Tribunal Federal quando a instância administrativa julgar determinada lei inconstitucional, o que não ocorre quando o controle é feito no Judiciário. Vejase ao absurdo a que chegaríamos: se determinada lei fosse declarada inconstitucional em controle difuso, a questão, se as partes forem diligentes, iria ser decidida, em última instância, pelo STF. Agora reparem, se a inconstitucionalidade fosse apontada na esfera administrativa, a questão sequer chegaria a ser discutida no Judiciário, que dirá no Supremo Tribunal Federal. Com isso, a decisão administrativa teria mais força do que a de todos os outros órgãos do Poder Judiciário, à exceção do Supremo. Em outras palavras, em matéria de inconstitucionalidade, a Câmara Superior de Recursos Fiscais estaria alçada no mesmo patamar do STF, pois da decisão que declarasse alguma lei inconstitucional, assim como ocorre no STF, não caberia qualquer recurso. De tudo o que foi dito, resta concluir que falece aos órgãos judicantes da Administração competência para afastar a aplicação de lei ainda vigente. Missão atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário. Aliás, há disposição legal expressa no sentido de vedar este colegiado afastar aplicação de lei por vício de Fl. 503DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13811.001868/0006 Acórdão n.º 9303000.681 CSRFT3 Fl. 504 17 inconstitucionalidade, salvo as exceções nele previstas, o que não é o caso dos autos. Vide art. 26A do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941/2009. A norma inserta nesse dispositivo do Processo Administrativo Fiscal foi reproduzida no art. 62 do atual regimento interno do CARF. Demais disso, cabe ressaltar que sobre essa matéria os antigos 1º, 2º e 3º Conselhos de Contribuintes sumularam o entendimento de falecer competência aos órgãos administrativos afastar a aplicação de lei por vício de inconstitucionalidade. Por outro lado, não me parece razoável o entendimento de parte da doutrina de que essa lei complementar não se aplicaria ao caso em discussão, pois a normatização da repetição de indébito é toda dada pelo CTN, mais especificamente, no art. 168, e o caso dos autos está amparado, justamente, nesse dispositivo, o qual recebeu a interpretação autêntica trazida pelo art. 3º da Lei complementar nº 118/2005. Aliás, há disposição legal expressa no sentido de vedar este colegiado afastar aplicação de lei por vício de inconstitucionalidade, salvo as exceções nele previstas, o que não é o caso dos autos. Vide art. 26A do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941/2009. A norma inserta nesse dispositivo do Processo Administrativo Fiscal foi reproduzida no art. 62 do atual regimento interno do CARF. Demais disso, cabe ressaltar que sobre essa matéria os antigos 1º, 2º e 3º Conselhos de Contribuintes sumularam o entendimento de falecer competência aos órgãos administrativos afastar a aplicação de lei por vício de inconstitucionalidade. Por outro lado, não me parece razoável o entendimento de parte da doutrina de que essa lei complementar não se aplicaria ao caso em discussão, pois a normatização da repetição de indébito é toda dada pelo CTN, mais especificamente, no art. 168, e o caso dos autos está amparado, justamente, nesse dispositivo, o qual recebeu a interpretação autêntica trazida pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. Ultrapassada a questão da inconstitucionalidade do art. 4º da Lei Complementar nº 118/2005, passase à análise do termo inicial da prescrição do direito de a reclamante repetir o indébito objeto destes autos. O direito à repetição de indébito é assegurado aos contribuintes no art. 1655do Código Tributário Nacional CTN. Todavia, como todo e qualquer direito, esse também tem prazo para ser exercido. 5 Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Fl. 504DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13811.001868/0006 Acórdão n.º 9303000.681 CSRFT3 Fl. 505 18 A Carta Política da República, de 1988, exigiu lei complementar para estabelecer normas gerais de prescrição e decadência tributários, conforme se vê da alínea “b” do inciso III do art. 146. Art. 146. Cabe à lei complementar: I .................................................................................................... III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) ..................................................................................................... b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; A lei com o status exigido pela Constituição para fixar as hipóteses de prescrição e decadência tributária, quer para a cobrança do débito quer para a devolução do indébito, como é de todos sabido, é a Lei nº 5.172/1966, alçada a categoria de Código Tributário Nacional, recepcionada pela Constituição como lei complementar. Para o caso aqui em debate interessa, apenas, essa última hipótese, a qual é tratada no art. 168 do Código, que estabelece o prazo de 05 anos para a repetição, contados da seguinte forma: I da data de extinção do crédito tributário nas hipóteses: a) de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; b) de erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; II da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória nas hipóteses: a) de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. A exegese desse artigo não deixa margem a dúvida de que o prazo prescricional para repetição de indébito é de 05 anos. A celeuma que se instaurou na doutrina, e também na jurisprudência gira em torno do termo inicial da contagem do Fl. 505DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13811.001868/0006 Acórdão n.º 9303000.681 CSRFT3 Fl. 506 19 prazo. O art. 1686 fixa duas datas distintas, como não poderia deixar de ser, para hipóteses também distintas. A primeira data da extinção do crédito tributário – aplicase aos casos previstos nos incisos I e II do art. 165 do CTN; e a segunda – data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou judicial ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória, destinase, exclusivamente, às hipóteses enumeradas no inciso II do mencionado art. 165. A exegese, como todos sabem, é a arte de se extrair da norma o seu conteúdo por meio das técnicas de interpretação. Todavia, não pode ir além disso, ou seja, não pode extrair aquilo que não está na norma. O exegeta não pode criar, não pode inventar, tem que se ater ao comando normativo, sob pena de transformarse em legislador positivo, usurpando competência que não lhe foi dada. Em outro giro, a lei complementar fixou, numerus clausus, os eventos que servem como data do termo de início da contagem do prazo prescricional de repetição de indébito – a extinção do crédito tributário que se pretende repetir, e da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória – afora essas duas hipóteses, nenhum outro dispositivo legal versa sobre o termo inicial da prescrição para repetir o indébito. Assim, toda a engenharia jurídica e criativa utilizada para dar sustentação a outros marcos temporais da contagem desse prazo não encontra respaldo no arcabouço jurídico nacional. Aliás, é de se ressaltar que essas teses que criaram termos de início alternativos ao dado pelo CTN, não só carecem de amparo legal, como afrontam o ordenamento jurídico, in casu, a própria Constituição, art. 146, III, “b”, e o Código Tributário Nacional que detém o status normativo exigido na Carta Cidadã para disciplinar essa matéria. Nesse ponto, transcrevo excerto do voto do Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro7: Nessa linha, penso, portanto, que a inexistência de Lei em sentido formal ou material que apóie a jurisprudência administrativa da qual ora se diverge, faz com que a mesma entre em conflito com o princípio da legalidade, insculpido no art. 37 da Constituição Federal de 19888, na medida em que, uma vez afastada a regra jurídica formalmente vigente, simplesmente não existe outra de igual concretude para ser aplicada. 6 Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário. 7 julgamento do recurso voluntário nº 133.010, na Terceira Câmara do do Terceiro Conselho de Contribuintes. 8 “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência...” Fl. 506DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13811.001868/0006 Acórdão n.º 9303000.681 CSRFT3 Fl. 507 20 Nesse ponto, não custa relembrar que, sob o ponto de vista da atuação da Administração Pública, onde inegavelmente está inserida este Colegiado, dito princípio assume feições diversas da prevista no art. 5o, II da CF de 19889, denominado Autonomia da Vontade. Diferentemente deste último, à Administração Pública só é permitido fazer aquilo que a lei (regra jurídica) prevê. Sobre esse aspecto, peço licença para trazer a lição de JJ Gomes Canotilho10, que assim esquadrinha os diferentes ângulos de atuação do princípio em discussão: “O princípio da legalidade postula dois princípios fundamentais: o princípio da supremacia ou prevalência da lei (Vorrang des Gesetzes) e o princípio da reserva de lei (Vorbehalt des Gesetzes). Estes princípios permanecem válidos, pois num Estado democráticoconstitucional a lei parlamentar é, ainda, a expressão privilegiada do princípio democrático (daí a sua supremacia) e o instrumento mais apropriado e seguro para definir os regimes de certas matérias, sobretudo dos direitos fundamentais e da vertebração democrática do Estado (daí a reserva de lei). De uma forma genérica, o princípio da supremacia da lei e o princípio da reserva de lei apontam para a vinculação jurídicoconstitucional do poder executivo (cfr., infra. fontes de direito e estruturas normativas)”. (grifei) Ou seja, como é cediço, o princípio da legalidade é o alicerce do Estado de Direito e, nessa condição, irradia seus efeitos sobre os demais valores defendidos no plano constitucional, inclusive sobre a Segurança Jurídica, invocado como fundamento para a decisão em debate. Nesse aspecto, recorro à lição de Sacha Calmon Navarro membro de corrente doutrinária contrária àquela que inspirou a prolação dos votos vencedores que, baseado na doutrina alemã11, pontifica: “O conceito de segurança jurídica é considerado conquista especial do Estado de Direito. Sua função é a de proteger o indivíduo de atos arbitrários do poder estatal, já que as intervenções do Estado nos direitos dos cidadãos podem ser muito pesadas e, às vezes, injustas. No entanto, se tais intervenções têm base em lei e visam o bemestar público, será preciso decidirse pela avaliação conjunta do interesse coletivo e do interesse do particular afetado para se aferir a juridicidade (conformação do direito) da medida estatal. Esse princípio é 9 “II ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;” 10 Canotilho, Joaquim José Gomes. Direito Constitucional e Teoria da Constituição. Coimbra, Portugal, Almedina, 2000, 7ª Edição, p. 256 11 STEIN Torstein, A Segurança Jurídica na Ordem Legal da República Federal da Alemanha, apud Navarro, Sacha Calmon, Reflexões Sobre o Artigo 3º da Lei Complementar 118. Segurança Jurídica e a BoaFé como Valores Constitucionais. As Leis Interpretativas no Direito Tributário Brasileiro. Disponível em http://www.sacha.adv.br/admin/arq_publica/bc7f621451b4f5df308a8e098112185d.pdf Fl. 507DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13811.001868/0006 Acórdão n.º 9303000.681 CSRFT3 Fl. 508 21 freqüentemente denominado ‘princípio da proporcionalidade’...” (grifei). Poderseia então argumentar que a solução ora discutida seria então resultado do sopesamento entre os princípios constitucionais aparentemente conflitantes, mediante a redução da “força” do princípio da legalidade. Ocorre que essa solução só seria possível, penso, se os princípios constitucionais invocados possuissem o mesmo grau de concretude das normas cuja aplicação tem sido afastada. Ou seja, se os princípios em conflito pudessem ser traduzidos em regras jurídicas, passíveis de aplicação imediata, independente de lei complementar ou ordinária. Nesse ponto, é importante reforçar que, malgrado seu poder, que os torna aptos a, nas palavras de Paulo de Barros Carvalho12, informar e iluminar a compreensão de segmentos normativos, os princípios invocados, a bem da verdade, não são regras jurídicas, conforme a que precisa lição de Alexy, para quem os primeiros, enquanto “mandatos de otimização”13, assim se distinguem das últimas: “El punto decisivo para la distinción entre reglas y principios es que los principios son normas que ordenan que algo sea realizado en la mayor medida posible, dentro de las posibilidades jurídicas y reales existentes. Por lo tanto, los principios son mandatos de optmización, que están caracterizados por el hecho de que pueden ser cumplidos en diferente grado y que la medida debida de su cumplimiento no sólo depende de las posibilidades reales sino también de las jurídicas. El ámbito de las posibilidades jurídicas es determinado por los principios y reglas opuestos. En cambio, las regias son normas que sólo pueden ser cumplidas o no. Si una regla es válida, entonces de hacerse exactamente lo que el exige, ni más ni menos. Por lo tanto, las reglas contienen determinaciones en el ámbito de lo fáctica y jurídicamente posible. Esto significa que la diferencia entre reglas y principios es cualitativa y no de grado. Toda norma es o bien una regla o un principio” (grifei) Como esclarece José Afonso da Silva14, apesar de sempre vigentes, as normas principiológicas constitucionais normalmente não reúnem todos os elementos necessários para sua incidência direta. Às vezes, faltalhes o que Alexy definiu como “possibilidade jurídica”. Daí porque, desenvolveu o mestre paulista a clássica distinção entre normas de eficácia plena, contida e limitada: 12 Curso de direito tributário. 3ª edição, p.72 13 Teoria de los Derechos Fundamentales, apud Inocêncio Mártires Coelho. Interpretação Constitucional. Porto Alegre, 1997, Sérgio Antonio Fabris Editor, p. 85. 14Aplicabilidade das Normas Constitucionais. 3ª. ed., São Paulo, Malheiros, 1998, p. 99: Fl. 508DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13811.001868/0006 Acórdão n.º 9303000.681 CSRFT3 Fl. 509 22 “Quando essa regulamentação normativa é tal que se pode saber, com precisão, qual a conduta positiva ou negativa a seguir relativamente ao interesse descrito na norma, é possível afirmarse que está é completa e juridicamente dotada de plena eficácia”. Ainda sob o prisma da concretude, esclarecem Manuel Atienza e Juan Ruiz Manero15 que as regras: “constituem concreções relativas às circunstâncias genéricas que constituem suas condições de aplicação, derivadas do balanço entre os princípios relevantes em ditas circunstâncias. Estas concreções, constituídas pelas regras, pretendem ser concludentes e excluir, como base para adotar um curso de ação, a deliberação de seu destinatário sobre o balanço de razões aplicáveis ao caso. Esta pretensão, sem embargo, resulta em ocasiões falida: quando o resultado de aplicar a regra é inaceitável a luz dos princípios do sistema que determinam a justificação e o alcance da própria regra. Em tais casos, a pretensão concludente e excludente das regras fracassa e o ordenado ou permitido por elas alcança só um valor prima facie que se vê finalmente, uma vez consideradas todas as circunstâncias, afastado” Assim sendo, um princípio constitucional que não reúne os elementos condicionantes para sua eficácia plena não pode substituir a regra jurídica insculpida no CTN, no máximo, afastar sua aplicação por meio dos adequados instrumentos de controle da constitucionalidade, medida que foge à competência deste colegiado. Ou seja, se efetivamente fosse afastada a aplicação da norma, o resultado seria igualmente a improcedência do pedido, pois essa medida não faria surgir uma nova em seu lugar e, nessa condição, o tornaria carente de fundamento legal. Relembrese, o Decreto nº 20.910, de 1932 não pode servir de base para a concessão de restituição tributária. 2. Interpretação Conforme a Constituição Doutrinadores de peso, como Paulo Bonavides16, defendem a interpretação conforme a Constituição, como método de harmonização da norma infraconstitucional aos princípios constitucionais, pretendendo, ao que parece, conferir a essa técnica contornos de mera busca pelo verdadeiro sentido do texto da norma hierarquicamente inferior à Constituição. Ocorre que tal linha, que, ao que parece, tem sido seguida majoritariamente por este Colegiado, diverge daquela que tem sido adotada pelo Supremo Tribunal Federal, que firmou norte no sentido de que a interpretação conforme a Constituição, em 15 Ilícitos atípicos apud Decadência e Prescrição do Direito do Contribuinte e a LC 118: Entre Regras e Princípios, in Temas de Direito Público — Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba, 2005. Juruá, pp 149 a 178 16 Curso de direito constitucional, p. 518. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13811.001868/0006 Acórdão n.º 9303000.681 CSRFT3 Fl. 510 23 verdade, corresponde a um método de controle da constitucionalidade, sentido igualmente atribuído por Celso Ribeiro Bastos17 e Jorge Miranda18. Tal convicção ganha força em função da leitura do parágrafo único, do art. 28, da Lei nº 9.868, de 10 de novembro de 1999, que assim disciplina os possíveis resultados da Ação Declaratória de Inconstitucionalidade ou da Ação Declaratória de Constitucionalidade. Parágrafo único. A declaração de constitucionalidade ou de inconstitucionalidade, inclusive a interpretação conforme a Constituição e a declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto, têm eficácia contra todos e efeito vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública federal, estadual e municipal. (grifei) Nesse sentido, trago à colação manifestação do Ministro Carlos Ayres Britto, em voto vista proferido em questão de ordem suscitada nos autos da ADPF no 54: “38. Em remate, a interpretação conforme não se exprime num típico exercício de hermenêutica, pois o típico exercício de hermenêutica se dá é num precedente contexto de serena aceitação da validade do dispositivo sobre que recai. Ela se inscreve é entre os mecanismos de controle de constitucionalidade, como exigência do sumo princípio da supremacia material da Constituição. Por isso que, já no citado segundo momento processual de sua aplicabilidade, ela é manejada como instrumento de sindicabilidade jurídica do ato público de menor escalão hierárquico. Por conseguinte, mecanismo pelo qual se afere tanto a validade formal quanto material de um modelo jurídicopositivo posto em cotejo com a Magna Carta.” Nesse diapasão, penso que falta competência legal a este Colegiado para, por meio da préfalada técnica, interferir no texto do Código Tributário como se encontra vigente ou afastar a sua aplicação a hipóteses que, sem a pretensa colisão com os princípios constitucionais invocados nos votos vencedores, se subsumiriam perfeitamente ao seu texto. Aliás, ainda que tivéssemos competência para tanto, a técnica da interpretação conforme, na lição de J.J. Gomes Canotilho19, não admite alteração do texto normativo. Leciona o autor: “...daqui se conclui que a interpretação conforme só permite a escolha entre dois ou mais sentidos possíveis da lei mas nunca a 17 Hermenêutica e interpretação constitucional, apud Sérgio Augusto Zampol Pavani. A Interpretação Conforme e Constituição e o Controle Difuso de Constitucionalidade. Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba, 2005. Juruá. pp. 581 a 599. 18 Manual de direito constitucional, tomo II, p. 267. A Interpretação Conforme e Constituição e o Controle Difuso de Constitucionalidade. Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba, 2005. Juruá. pp. 581 a 599. 19Op. cit., p. 1265/1266 Fl. 510DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13811.001868/0006 Acórdão n.º 9303000.681 CSRFT3 Fl. 511 24 revisão de seu conteúdo. A interpretação conforme a constituição tem, assim, os seus limites na ‘letra e na clara vontade do legislador’, devendo ‘respeitar a economia da lei’ e não podendo traduzirse na ‘reconstrução’ de uma norma que não esteja devidamente explícita no texto”.(grifei) Nesse mesmo sentido, concluiu o Tribunal Pleno do STF, nos autos da ADI 3046/SP20: “III. Interpretação conforme a Constituição: técnica de controle de constitucionalidade que encontra o limite de sua utilização no raio das possibilidades hermenêuticas de extrair do texto uma significação normativa harmônica com a Constituição.” Importa ponderar, noutro giro, que nem a interpretação conforme nem qualquer outro método de controle da constitucionalidade admite que o intérprete inove em relação ao texto da lei, conforme deixou claro o Pretório Excelso na decisão proferida nos autos da Representação no 1.417721: “O princípio da interpretação conforme a Constituição (Verfassungskonforme Auslegung) é princípio que se situa no âmbito do controle da constitucionalidade e não apenas simples regra de interpretação. A aplicação desse princípio sofre, porém, restrições, uma vez que, ao declarar a inconstitucionalidade de uma lei em tese, o STF em sua função de Corte Constitucional atua como legislador negativo, mas não tem o poder de agir como legislador positivo para criar norma jurídica diversa da instituída pelo Poder Legislativo. Por isso, se a única interpretação possível para compatibilizar a norma com a Constituição contrariar o sentido inequívoco que o Poder Legislativo lhe pretendeu dar, não se pode aplicar o princípio da interpretação conforme à Constituição que implicaria, em verdade, criação de norma jurídica, o que é privativo do legislador positivo. (...) No caso, não se pode aplicar a interpretação conforme a Constituição por não se coadunar essa com a finalidade inequivocamente colimada pelo legislador, expressa literalmente no dispositivo em causa, e que dele ressalta pelos elementos da interpretação lógica.” (os grifos constam do original) Nessa linha, importa relembrar, que, como é cediço, no Regime Constitucional vigente, o “remédio” contra a omissão do legislador que ameace a efetividade dos direitos e garantias, não é a criação ou alteração do texto legal, por qualquer dos meios de controle da constitucionalidade, mas o Mandado de Injunção, 20 Relator Min. Sepúlveda Pertence (resp. pelo acórdão), DJ 28.05.2004. 21 Relator Min. Moreira Alves, DJ 15.04.1988. Fl. 511DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13811.001868/0006 Acórdão n.º 9303000.681 CSRFT3 Fl. 512 25 ex vi do art. 5º, caput, inciso VXXI e §1º22. Nem a Ação de Inconstitucionalidade por Omissão, definida no § 2o do art 103, tem o efeito positivo ou inovador aplicado no voto do qual se discorda. Não se vê, portanto, como, em sede de recurso voluntário, conciliar a pretensão do interessado e a aplicação da legislação como se encontra vigente. Todavia, devese reconhecer que, na jurisprudência dos antigos conselhos de contribuintes, proliferaramse teses e mais teses criando várias outras hipóteses de marco inicial da contagem desse prazo. Como exemplo, podese citar a data da publicação da resolução do Senado nos casos em que o indébito decorresse de lei declarada inconstitucional em controle difuso pelo STF; a data do dispositivo legal23, por meio do qual a administração teria reconhecido o direito de não mais se pagar o tributo inconstitucional; a tese do 5 mais 5 e por aí vai. Entretanto, com a edição da Lei Complementar nº 118, de 09/02/2005, cujo artigo 3º deu interpretação autêntica ao art. 168, inciso I, do Código Tributário Nacional, estabelecendo que a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o art. 150, § 1º, da Lei nº 5.172/1966, o único entendimento possível é o trazido na novel lei complementar. Esclareçase, por oportuno, que em se tratando de norma expressamente interpretativa, deve ser obrigatoriamente aplicada aos casos não definitivamente julgados, por força do disposto no art. 106, I, do CTN. Aliás, não se pode olvidar que o entendimento segundo o qual o termo inicial da prescrição é a data da extinção do crédito tributário pelo pagamento era o adotado pelo STF antes de a competência para apreciar este tipo de matéria passar para o STJ. Aqui sobreleva citar as palavras do Ministro Marco Aurélio de Mello proferida na votação do RE acima transcrito: O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO Presidente, diria mesmo que a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça foi surpresada com os embargos declaratórios e a veiculação da matéria, isso porque o caso não é simplesmente de aplicação da lei no tempo, mas, sim, de afastamento peremptório de preceito que revelou, ou melhor, explicitou mais ainda, se é que era preciso, o princípio segundo o qual a prescrição tem como termo inicial a data do nascimento da ação. E se afastou a Lei 22 LXXI concederseá mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania; § 1º As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata. 23 Pacificouse, noutro giro, o entendimento de que, independentemente da modalidade de controle da constitucionalidade, considerase como início da contagem do prazo prescricional a data da publicação da lei que dispense os agentes públicos de adotar providências tendentes à cobrança dos tributos declarados inconstitucionais. Fl. 512DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13811.001868/0006 Acórdão n.º 9303000.681 CSRFT3 Fl. 513 26 Complementar nº 118/2005, mais precisamente o artigo esclarecedor, artigo 4º, no que remeteu ao artigo 106, inciso I, do Código Tributário Nacional, que versa, justamente, a aplicação da lei a ato ou fato pretérito, em qualquer hipótese, quando seja expressamente para mim, ela foi simplesmente interpretativa interpretativa, excluída a aplicação de penalidade no caso de infração. Aqui estamos diante daquela situação concreta em que se dobrou o prazo alusivo à prescrição mediante uma interpretação inteligente, sem dúvida alguma, mas que, a meu ver, de início, não se coaduna com o que se contém no Código Tributário Nacional. Acompanho, integralmente, o relator no voto proferido, em situação que viria a ser apanhada pelo nosso verbete. Em outro giro, embora não concorde com a tese dos 5 + 5 adotada pelo Superior Tribunal de Justiça, por entender que a homologação tem efeitos declaratórios, e, portanto, seus efeitos retroagem à data do pagamento,devese reconhecer que tal tese tem sua lógica, posto que, assim como o CTN, o termo inicial é a data da extinção do crédito tributário. A divergência reside na interpretação de quando se deu essa extinção. Aqui, ao contrário das demais teses adotadas para refutar o disposto no art. 168 do CTN, parte deste dispositivo e, como dito linhas acima, interpretao de forma a fixar quando se deu o evento da extinção do crédito tributário. Não se inventou nada, apenas se interpretou a lei. Interpretação esta, a meu sentir, não escorreita, já que diferenciada da que foi dada pelo legislador. De qualquer sorte, na interpretação do STJ, continua valendo o marco estabelecido no CTN, o que varia é o momento em que ele se deu, já nas teses outras, aqui combatida, o interprete buscou outro termo de início, sem qualquer pertinência com o estabelecido em lei. Gizese que nenhum tribunal pátrio abriga hoje em dia qualquer dessas teses inovadoras adotadas nos antigos Conselhos de Contribuintes, já que o STJ, a partir de novembro de 2005, espancou qualquer tese que não tivesse como marco temporal da prescrição a data da extinção do crédito tributário, e consolidou a posição de que a decretação da inconstitucionalidade pelo STF ou a edição de resolução do Senado não exercem qualquer influência sobre a contagem do prazo de prescrição. Vejamos: EREsp na 435.835 / SC SC 24: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LEI N° 7.787/89. COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DO PRAZO. PRECEDENTES. 1.Está uniforme na Ia Seção do STJ que, no caso de lançamento tributário por homologação e havendo silêncio do Fisco, o prazo 24 Relator (para o acórdão): Ministro José Delgado, julgado em 24/03/2004, publicado no DJ de 04/06/2007; Fl. 513DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13811.001868/0006 Acórdão n.º 9303000.681 CSRFT3 Fl. 514 27 decadencial só se inicia após decorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicamse a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados. 2.Não há que se falar em prazo prescricional a contar da declaração de inconstitucionalidade pelo STF ou da Resolução do Senado. A pretensão foi formulada no prazo concebido pela jurisprudência desta Casa Julgadora como admissível, visto que a ação não está alcançada pela prescrição, nem o direito pela decadência. Aplicase, assim, o prazo prescricional nos molde sem que pacificado pelo STJ, id est, a corrente dos cinco mais cinco. AgRg no REsp 852086 / RJ25: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ADMINISTRADORES E AUTÔNOMOS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. PRAZO. I Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo prescricional para se pleitear a compensação ou a restituição do crédito tributário somente se opera quando decorridos cinco anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais cinco anos, contados a partir da homologação tácita, em nada influenciando o termo inicial da prescrição, a declaração de inconstitucionalidade da exação, pelo STF, seja em controle difuso ou concentrado, conforme restou decidido no julgamento dos EREsp n° 435.835/SC, Rei. p/ acórdão Min. JOSÉ DELGADO, julgado em 24/03/2004. REsp 841652 / PR 26: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COFINS.PRESCRIÇÃO. SOCIEDADE CIVIL. ISENÇÃO. ACÓRDÃO VERGASTADO.ENFOQUE EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DO STF. Nos tributos lançados por homologação, o prazo para a propositura da ação de repetição de indébito será de dez anos a contar do fato gerador, se a homologação for tácita (tese dos "cinco mais cinco"), e de cinco anos a contar da homologação, se expressa. Precedentes. O Tribunal a quo negou a pretensão recursal sob enfoque eminentemente constitucional, cujo reexame é da competência exclusiva do STF. Recurso especial conhecido em parte e improvido. De outro modo não poderia ser, pois ao se deslocar o prazo de prescrição da data da extinção do crédito tributário para 25 Relator: Ministro Castro Meira, julgado em 17/05/2007, publicado no DJ de 29.05.2007. 26 Relator: Ministro Castro Meira, julgado em 17/05/2007, publicado no DJ de 29.05.2007. Fl. 514DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13811.001868/0006 Acórdão n.º 9303000.681 CSRFT3 Fl. 515 28 qualquer outra data, estarseia criando direito novo, totalmente incompatível com o CTN, e também, com o art. 146 da Constituição da República. Impõese ressaltar que o interprete não pode dar à norma um alcance maior do que a ela o legislador não deu, sob pena de se transformar o ato de interpretar em ato de legislar. Aquele, da alçada do aplicador da lei; esse, com exclusividade, da do legislador. Sobre a tese do termo de início ser deslocado da extinção do crédito tributário, para a data da publicação da resolução do Senado que retirou do mundo jurídico a lei declarada inconstitucional pelo STF, devese esclarecer que ela encontra se totalmente desvinculada da jurisprudência de nossos tribunais, bem como da boa doutrina, como se pode ver a seguir. Regina Maria Macedo Nery Ferrari27, apoiada na doutrina de Oswaldo Aranha Bandeira de Melo28, leciona que a Resolução Senatorial que dá efeitos erga omnes à decisão do STF que declara a inconstitucionalidade de lei teria efeito constitutivo e, nessa condição, somente após a publicação surtiria efeitos para as partes que não integraram o litígio. O Conselheiro Luis Marcelo, no aludido voto proferido na Terceira Câmara do Terceiro Conselho, aduz que um dos efeitos que pode ser afastado de plano é o da imprescritibilidade, característica própria da ADI e das demais ações de cunho declaratório. Todavia, depois da suspensão efetuada pelo Senado, perde a lei ou ato normativo sua eficácia; perde sua executoriedade, vale dizer, a sua revogação, e, a partir daí, não mais pode ser considerada em vigor. Ora, parecenos claro, dentro de tal colocação de idéias, que só a partir dessa suspensão é que a lei perde a eficácia, o que nos leva a admitir seu caráter constitutivo. A lei até tal momento existiu e, portanto, obrigou, criou direitos, deveres, com toda sua carga de obrigatoriedade, e só a partir do ato do Senado é que ela vai passar a não obrigar mais, já que, enquanto tal providência não se concretizar, pode o próprio Supremo, que decidiu sobre sua invalidade, alterar seu entendimento, conforme manifestação dos próprios ministros do Supremo, em voto proferido na decisão do Mandado de Segurança 16.512, de maio de 1966. Assim sendo, não estão com a razão aqueles que consideram ter efeito retroativo a suspensão pelo Senado, pois, se não podemos negar o caráter normativo de tal ato, o mesmo, embora não se confunda com a revogação, opera como ela, já que retira, por disposição constitucional, a eficácia da lei ou ato normativo tido por inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. 27 Efeitos da Declaração de Inconstitucionalidade. São Paulo, Revista dos Tribunais, 2004, 5ª ed., p. 205. 28 A Teoria das Constituições Rígidas, apud Efeitos da Declaração de Inconstitucionalidade. São Paulo, Revista dos Tribunais, 2004, 5ª ed. Fl. 515DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13811.001868/0006 Acórdão n.º 9303000.681 CSRFT3 Fl. 516 29 José Afonso da Silva29, apoiado em doutrinadores da envergadura de Pontes de Miranda, Alfredo Buzaid e Themístocles Brandão Cavalcanti, esclarece que: O problema deve ser decidido, pois, considerandose dois aspectos. No que tange ao caso concreto, a declaração surte efeitos ex tunc, isto é, fulmina a relação jurídica fundada na lei inconstitucional desde o seu nascimento. No entanto, a lei continua eficaz e aplicável, até que o Senado suspenda sua executoriedade; essa manifestação do Senado, que não revoga nem anula a lei, mas simplesmente lhe retira a eficácia, só tem efeitos, daí por diante, ex nunc. Pois, até então, a lei existiu. Se existiu, foi aplicada, revelou eficácia, produziu validamente seus efeitos. O Ministro Teori Albino Zavascki30, em obra dedicada ao tema, citado no voto do Conselheiro Luis Marcelo, estabelece limites temporais para o poder vinculativo advindo da Resolução Senatorial, a saber: Em qualquer caso, o efeito vinculante da declaração de inconstitucionalidade é, sob o aspecto temporal, logicamente posterior ao efeito da inconstitucionalidade em si: esta é ex tunc, desde a edição da norma; aquele só é vinculante a partir do ato do qual decorre, que é superveniente à norma inconstitucional [Essa linha de entendimento norteou o acórdão do Supremo Tribunal Federal no Recurso em Mandado de Segurança 17.976, Relator Min. Amaral Santos (julgamento de 13.09.68), em cujo voto está dito que 'a suspensão da vigência da lei por inconstitucionalidade torna sem efeito os atos praticados sob o império da lei inconstitucional. Contudo, a nulidade da decisão transitada em julgado só pode ser declarada por via de ação rescisória'. Esclareceu o Min. Eloy da Rocha, na oportunidade, que 'a suspensão da execução da lei, pelo Senado, tem efeito ex nunc']. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça31, sobre o tema, firmouse no seguinte sentido: REsp nº 547.744/MG32: Como a ADIN é imprescritível, todas as ações que tiverem por objeto direitos subjetivos decorrentes de lei cuja constitucionalidade ainda não foi apreciada, ficariam sujeitas à reabertura do prazo de prescrição, por tempo indefinido. Assim, disseminariase a imprescritibilidade no direito, tornando os direitos subjetivos instáveis até que a constitucionalidade da lei 29 Curso de Direito Constitucional Positivo. São Paulo. Malheiros, 1994, 10ª ed., p. 57. 30 Eficácia das Sentenças na Jurisdição Constitucional. São Paulo. Revista dos Tribunais, 2001, pp. 81101 31 jurisprudência trazida à colação no voto proferido pelo Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, no voto proferido no julgamento do Recurso Voluntário nº 133.010, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. 32 Publicado no DJ de 09/12/2003, Relator: Ministro Luiz Fux. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13811.001868/0006 Acórdão n.º 9303000.681 CSRFT3 Fl. 517 30 seja objeto de controle pelo STF. Ocorre que, se a decadência e a prescrição perdessem o seu efeito operante diante do controle direto de constitucionalidade, então todos os direitos subjetivos tornarseiam imprescritíveis. A decadência e a prescrição rompem o processo de positivação do direito, determinando a imutabilidade dos direitos subjetivos protegidos pelos seus efeitos, estabilizando as relações jurídicas, independentemente de ulterior controle de constitucionalidade da lei. (grifei) O acórdão em ADIN que declarar a inconstitucionalidade da lei tributária serve de fundamento para configurar juridicamente o conceito de pagamento indevido, proporcionando a repetição do débito do Fisco somente se pleiteada tempestivamente em face dos prazos de decadência e prescrição: a decisão em controle direto não tem o efeito de reabrir os prazos de decadência e prescrição. Descabe, portanto, justificar que, com o trânsito em julgado do acórdão do STF, a reabertura do prazo de prescrição se dá em razão do princípio da actio nata. Tratase de petição de princípio: significa sobrepor como premissa a conclusão que se pretende. O acórdão em ADIN não faz surgir novo direito de ação ainda não desconstituído pela ação do tempo no direito. Respeitados os limites do controle da constitucionalidade e da imprescritibilidade da ADIN, os prazos de prescrição do direito do contribuinte ao débito do Fisco permanecem regulados pelas três regras que construímos a partir dos dispositivos do CTN. (grifei) O Ministro Teori Albino Zavascki, em declaração de voto proferida nos autos EREsp n° 423.994/MG33, entendeu que: Em suma, não há como afirmar que a declaração de inconstitucionalidade, notadamente quando formulada em controle difuso, importe, no plano da norma, qualquer efeito extintivo ou modificativo. A norma permanece nula, como sempre foi. Também nenhum efeito dessa espécie ocorre no plano das relações jurídicas individuais (salvo, evidentemente, a que envolve as partes diretamente vinculadas à ação individual proposta). Mas, mesmo havendo sentença de inconstitucionalidade proferida em ação de controle concentrado, as relações jurídicas individuais formadas inconstitucionalmente (como, v. g., o pagamento de um tributo inconstitucional), não são diretamente atingidas pela declaração e muito menos desfeitas de modo automático. A seu turno, o Ministro Gilmar Ferreira Mendes34, sobre os efeitos desconstitutivos da sentença proferida em sede de controle da constitucionalidade, pondera: Não se está a negar caráter de princípio constitucional ao princípio da nulidade da lei inconstitucional. Entendese, porém, 33 Publicado no DJ de 05/04/2004. 34 Jurisdicão Constitucional. Brasilia. Forense. 2005, 5ª edição, pp. 333 e 334. Fl. 517DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13811.001868/0006 Acórdão n.º 9303000.681 CSRFT3 Fl. 518 31 que tal princípio não poderá ser aplicado nos casos em que se revelar absolutamente inidôneo para a finalidade perseguida (casos de omissão; exclusão de benefício incompatível com o princípio da igualdade), bem como nas hipóteses em que a sua aplicação pudesse trazer danos para o próprio sistema jurídico constitucional (grave ameaça à segurança jurídica). (...) Acentuese, desde logo, que, no direito brasileiro, jamais se aceitou a idéia de que a nulidade da lei importaria na eventual nulidade de todos os atos que com base nela viessem a ser praticados. Embora a ordem jurídica brasileira não disponha de preceitos semelhantes aos constantes do § 79 da Lei do Bundesverfassungsgericht que prescreve a intangibilidade dos atos não mais suscetíveis de impugnação, não se deve supor que a declaração de inconstitucionalidade afete todos os atos praticados com fundamento na lei inconstitucional. Embora o nosso ordenamento não contenha regra expressa sobre o assunto e se aceite, genericamente, a idéia de que o ato fundado em lei inconstitucional está eivado, igualmente, de iliceidade concedese proteção ao ato singular, em homenagem ao princípio da segurança jurídica, procedendose à diferenciação entre o efeito da decisão no plano normativo (Normebene) e no plano do ato singular (Einzelaktebene) mediante a utilização das chama das fórmulas de preclusão. De qualquer sorte, os atos praticados com base na lei inconstitucional que não mais se afigurem suscetíveis de revisão não são afetados pela declaração de inconstitucionalidade. (os grifos não constam do original) Nesse mesmo sentido é a doutrina de JJ Canotilho35: Pode também entenderse que os limites à retroactividade se encontram na definitiva consolidação de situações, actos, relações, negócios a que se referia a norma declarada inconstitucional. Se as questões de facto ou de direito regulados pela norma julgada inconstitucional se encontram definitivamente encerradas porque sobre elas incidiu caso julgado judicial, porque se perdeu um direito por prescrição ou caducidade, porque o acto se tornou inimpugnável, porque a relação se extinguiu com o cumprimento da obrigação, então a dedução de inconstitucionalidade, com a conseqüente nulidade ipso jure, não perturba, através da sua eficácia retroactiva, esta vasta gama de situações ou relações consolidadas. Como bem asseverou o Conselheiro Luis Marcelo, no voto já citado linhas acima: (...) um exemplo claro da aplicação das chamadas normas de preclusão pode ser extraído da decisão proferida nos autos do 35 Canotilho, José Joaquim Gomes. Direito Constitucional, apud Jurisdição Constitucional. Brasília. Forense. 2005, 5ª edição, p. 388. Fl. 518DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13811.001868/0006 Acórdão n.º 9303000.681 CSRFT3 Fl. 519 32 Resp nº 686.05836 MG, em que se discutia o cabimento de ação rescisória em face da decretação da inconstitucionalidade de lei que fundamentou a sentença: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EFICÁCIA TEMPORAL DA COISA JULGADA. DESCONSTITUIÇÃO DOS EFEITOS PRETÉRITOS DE SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO, TENDO EM VISTA A POSTERIOR DECLARAÇÃO PELO STF, EM CONTROLE DIFUSO, DA INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI EM QUE SE FUNDA. IMPRESCINDIBILIDADE DA AÇÃO RESCISÓRIA. SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO DAS NORMAS PELO SENADO FEDERAL. MODIFICAÇÃO NO ESTADO DE DIREITO QUE FAZ CESSAR, DESDE A EDIÇÃO DA RESOLUÇÃO, AUTOMATICAMENTE, A FORÇA VINCULANTE DO PROVIMENTO JURISDICIONAL. (...) 4. Em nosso sistema, as decisões tomadas em controle difuso de constitucionalidade, ainda que pelo STF, limitam sua força vinculante às partes envolvidas no litígio. Não afetam, por isso, de forma automática, como decorrência de sua simples prolação, eventuais sentenças transitadas em julgado em sentido contrário, para cuja desconstituição é indispensável o ajuizamento de ação rescisória. 5. A edição de Resolução do Senado Federal suspendendo a execução das normas declaradas inconstitucionais, contudo, confere à decisão in concreto efeitos erga omnes, universalizando o reconhecimento estatal da inconstitucionalidade do preceito normativo, e acarretando, a partir de seu advento, mudança no estado de direito capaz de sustar a eficácia vinculante da coisa julgada, submetida, nas relações jurídicas de trato sucessivo, à cláusula rebus sic stantibus. 6. No caso concreto, temse ação ordinária por meio da qual se busca desconstituir os efeitos pretéritos da aplicação do art. 3º, I, da Lei 7.787∕89, emanados de sentença transitada em julgado, invocando a posterior declaração de sua inconstitucionalidade pelo STF em controle difuso. Uma vez esgotado, porém, o prazo para a propositura da ação rescisória, tal intento é inviável.(grifei) Conclui o ilustre Conselheiro: (...) ainda que se discutam os efeitos da declaração de inconstitucionalidade, tornouse pacífico na jurisprudência da Corte Constitucional, que a reclamada nulidade só atinge o ato que ainda encontra condições de ser revisto, o que não ocorre, v.g. com aquele atingido pela prescrição. Como prova de tais 36 Relator designado: Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 19/10/2006, publicado no DJ de 16/11/2006. Fl. 519DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13811.001868/0006 Acórdão n.º 9303000.681 CSRFT3 Fl. 520 33 conclusões, o reconhecido constitucionalista, cita voto proferido pelo Ministro Rodrigues Alckmin, nos autos do RE 86.05637: Não contendo a ordem jurídica brasileira disciplina geral sobre o direitodever de revogar ou anular os atos administrativos ou sobre o prazo dentro do qual isso possa ocorrer afigurase difícil afirmar, com segurança, o dever do Poder Público de anular todos os atos praticados com base na lei inconstitucional. É certo que, por analogia, poderseia cogitar da aplicação dos prazos prescricionais a essa situação, de modo que seria admissível o dever de a Administração proceder à revisão apenas dos atos ainda suscetíveis de impugnação na via judicial. Releva ainda mencionar a posição do Ministro Teori Zavascki, em voto proferido no EREsp n° 423.994/MG38: O caso dos autos é paradigmático, porque põe em confronto duas orientações do STJ, adotadas há muito tempo, mas que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, se mostram incompatíveis, expondo a fragilidade dos fundamentos que as sustentam. Tal fragilidade reside, segundo penso, na circunstância de terem, ambas, se assentado sobre bases que desconsideram inteiramente um princípio universal em matéria de prescrição: o princípio da actio nata, segundo o qual a prescrição se inicia com o nascimento da pretensão ou da ação (Pontes de Miranda, Tratado de Direito Privado, Bookseller Editora, 2.000, p. 332). Realmente, ocorrendo o pagamento indevido, nasce desde logo o direito a haver a repetição do respectivo valor, e, se for o caso, a pretensão e a correspondente ação para a sua tutela jurisdicional. Direito, pretensão e ação são incondicionados, não estando subordinados a qualquer ato do Fisco ou a decurso de tempo.(grifei) (...) Por tais razões, não se pode justificar, do ponto de vista constitucional, a orientação segundo a qual, relativamente à repetição de tributos inconstitucionais, o prazo prescricional somente corre a partir da data da decisão do STF que declara a sua inconstitucionalidade. Isso significaria, conforme já se disse, atribuir eficácia constitutiva àquela declaração. Significaria, também, atrelar o início do prazo prescricional não a um termo (= fato futuro e certo), mas a uma condição (= fato futuro e incerto). Não haveria termo a quo do prazo, e sim condição suspensiva. Isso equivale a eliminar a própria existência do prazo prescricional de cinco anos previsto no art. 168 do CTN, já que, sem termo "a quo", o termo "ad quem" será indeterminado. O prazo prescricional será incerto, aleatório e eventual, já que, se ninguém tomar a iniciativa de provocar jurisdicionalmente a declaração de inconstitucionalidade, não estará em curso prazo prescricional algum, mesmo que o 37 DJ 01/07/1977. 38 Julgado em 08/10/2003, publicado no DJ de 05/04/2004. Fl. 520DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13811.001868/0006 Acórdão n.º 9303000.681 CSRFT3 Fl. 521 34 recolhimento do tributo indevido tenha ocorrido há cinco, dez ou vinte anos. Em palestra proferida no XX CONGRESSO BRASILEIRO DE DIREITO TRIBUTÁRIO, publicada na revista RDT da Malheiros, o Professor e Doutor Eurico de Santi, com a costumeira maestria, demonstra que a prescrição para repetir tributo tem como termo inicial a data da extinção do crédito tributário pelo pagamento. Com a palavra o mestre de Santi: 3. Desafios da interpretação I, “o início do caos”: a origem da tese dos 10 anos IR, IPI, ICMS, ISS, IPVA etc, demais contribuições e outros tributos, sujeitos ao lançamento por homologação, sempre tiveram suas leis discutidas e os respectivos indébitos reconhecidos em nome do princípio da legalidade, mas sempre sujeitos ao limite temporal desse controle da legalidade, balizado pela regra de prescrição do direito à repetição do indébito, cujo prazo desde a CF67 foi de 5 anos, contados do momento pagamento indevido. Assim foi recepcionada na CF/88, a regra do Art. 168 do CTN: “O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: (...) I – nas hipóteses do inciso I (“pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável”) e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário”. Sendo que, por quase trinta anos, doutrina e jurisprudência foram uníssonas no entendimento de que o dies a quo deste prazo é o momento do pagamento indevido, i.é, a data da extinção do crédito: a regra parecia tão clara que sequer se falava de interpretação (tampouco em “tese”), passavamse 5 anos e, simplesmente, “ocorria” a prescrição do direito de repetir o indébito (por exemplo, no TIT, decadência e prescrição sequer precisavam de paradigmas, no recurso especial). Tudo começou com o reconhecimento, pelo STF, da inconstitucionalidade do Art. 10, primeira parte, do Decretolei nº 2.288/86, que instituiu o controvertido empréstimo compulsório sobre consumo de combustíveis, justamente, depois de esgotado o prazo para propositura da ação de repetição do indébito deste tributo – i.é, cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário ex vi do Art. 168, I, do CTN. Deveras, o simples fato era que havia ocorrido a prescrição: bastava aplicar, então, a clara regra prevista no Art. 168 do CTN. É por isso que as regras de prescrição elegem em seus suportes facticos o tempo, o tempo é um fator objetivo e indiscutível: todos tendem a concordar com os dias do calendário e com os ponteiros do relógio: assim, pela legalidade da prescrição, a tipicidade do tempo realiza a segurança jurídica em detrimento da própria legalidade do tributo. Fl. 521DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13811.001868/0006 Acórdão n.º 9303000.681 CSRFT3 Fl. 522 35 Além disso, convenhamos, tratavase de um tributo irrelevante, contingente e provisório: o empréstimo compulsório sobre combustíveis. Que, alías, enquanto empréstimo, mesmo passado o prazo de ação para questionar o indébito tributário, ensejaria, simplesmente, a exigência do cumprimento de sua claúsula de restituição, tal qual prevista na lei instituidora: novamente, bastava aplicar a lei. 4. Ruptura da legalidade: a sede de fazer justiça! Mas a sede de “justiça” foi maior. Assim, em nome da luta pela reparação da ilegalidade do empréstimo compulsório, corrompeuse sistemicamente, a legalidade da regra de prescrição, disciplinada na própria Constituição ex vi do Art. 146, III, “c”. A partir daí, os prazos de decadência e prescrição, que tem na segurança jurídica sua única razão de existir servindo como técnicas de limitação do próprio princípio da legalidade encontraramse modificados por mera tese. Assim, sem a devida lei complementar e mediante mera e contingente interpretação, alterouse o prazo de prescrição de praticamente todos nossos tributos federais, estaduais e municipais. Tudo, decorrência de uma criativa e sedutora tese que clamava por “Justiça”. E o STJ fez sua justiça salomônica: tese de 10 para cá, tese de 10 para lá. E todos nós ficamos no meio! Até hoje incertos do prazo, mas sempre certos que somos sempre nós, contribuintes, que pagamos a conta. Não lutamos contra gigantes abstratos, o Estado é um moinho concreto que se alimenta do nosso trabalho: é nosso dinheiro que entra; e bem ou mal, é nosso dinheiro que sai para prover o numerário para as restituições de indébito pleiteadas. E se a carga tributária aumenta, é, também, porque alguém tem que pagar mais, para que outros, ou os mesmos, possam restituir mais. Assim, corrompendose a legalidade em nome da legalidade, mas em absurdo desrespeito a segurança jurídica, o termo inicial do prazo deixou de ser o “pagamento antecipado” e passou a ser o momento da homologação tácita ou expressa desse pagamento, sob a alegação de que a extinção do crédito só se realiza com a ulterior homologação do pagamento, ex vi do Art. 156, VII do CTN. Firmouse, assim, a denominada tese dos dez anos, conforme o seguinte acórdão do STJ: Embargos de Divergência em Recurso Especial nº 43.9955/RS Relator: Min. Cesar Asfor Rocha EMENTA: Tributário – Empréstimo Compulsório sobre a aquisição de combustíveis – DecretoLei nº 2.288/86 – Restituição Decadência – Prescrição – Inocorrência. Consoante entendimento fixado pela egrégia Primeira Seção, sendo o empréstimo compulsório sobre a aquisição de combustíveis sujeito a lançamento por homologação, à falta Fl. 522DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13811.001868/0006 Acórdão n.º 9303000.681 CSRFT3 Fl. 523 36 deste, o prazo decadencial só começa a fluir após o decurso de cinco anos da ocorrência do fato gerador, somados de mais cinco anos, contados estes da homologação tácita do lançamento. Por sua vez, o prazo prescricional tem como termo inicial a data da declaração de inconstitucionalidade da Lei em que se fundamentou o gravame.”(DJ: 24/04/1995) 5. Restaurando a legalidade: dura lex, lex sed A efetivação do princípio da legalidade exige o respeito a sua tríplice dimensão: irretroatividade, reserva legal e tipicidade. A tese dos dez anos fere, num só golpe, estas três perspectivas: (i) corrompeu a irretroatividade, criando, projetando e introduzindo, no passado, novo critério legal de prescrição (como o efeito que agora se pretende com a LC 118, só que, aqui, mediante lei); (ii) desrespeitou, flagrantemente, a reserva legal, arrostando matéria de lei para a discrionariedade do Poder Judiciário, ignorando o princípio da separação dos Poderes; e (iii) afrontou a tipicidade do Art. 168, fundamental nas regras de decadência e prescrição, sobrepondo à clareza objetiva do critério da regra posta, a incerta subjetividade de valores contingentes. A legalidade se realiza no ato de aplicação, mas não muda. O artigo 168 sempre esteve lá, da mesma forma, e a LC 118 em nada o alterou. O prazo legal sempre foi, e continua sendo, de 5 anos a contar do pagamento antecipado: primeiro, porque pagamento antecipado não significa pagamento provisório à espera de seus efeitos, mas pagamento efetivo, realizado antes e independentemente de ato de lançamento; segundo, porque se interpretou o “sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento” de forma equivocada como se fosse, necessariamente, uma condição suspensiva que desloca o efeito do pagamento para a data da homologação39. Ocorre que o Art. 150 § 1º referese a “condição resolutiva” que, como tal, não impede a plena eficácia do pagamento antecipado que equivale, assim, para todos os efeitos à data da extinção do crédito tributário, no caso dos tributos sujeitos ao Art. 150 do CTN. Desta forma, é a data efetiva em que o contribuinte recolhe o valor, a título de tributo, que haverá de funcionar como dies a quo do prazo de prescrição. Em suma, legalmente, o contribuinte sempre gozou de cinco anos para pleitear o débito do Fisco, e nunca dez. 6. Concluindo: legalidade e as decisões judiciais HERBERT HART40, analisando a definitividade e a infalibilidade das decisões dos tribunais superiores, faz uma instigante 39 LUCIANO AMARO aponta a impropriedade técnica de o CTN dirigir a homologação como condição resolutiva: “Ora, os sinais aí estão trocados. Ou se deveria prever, como condição resolutória, a negativa de homologação (de tal sorte que, implementada essa negativa, a extinção restaria resolvida) ou teria de definirse, como condição suspensiva, a homologação (no sentido de que a extinção ficaria suspensa até o implemento da homologação). Direito tributário brasileiro, p. 344 40 O conceito de direito, p. 1556 Fl. 523DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13811.001868/0006 Acórdão n.º 9303000.681 CSRFT3 Fl. 524 37 analogia com os jogos em que, num primeiro momento, não há a figura do juiz, mas que, quando instituído, funcionará como marcador oficial dos pontos e cujas decisões serão definitivas. Explica que nesse tipo de sistema passa a ocorrer um novo tipo de interação entre os actantes do jogo, que deixam de opinar sobre a pontuação ou sobre as regras do jogo, porque as determinações do marcador oficial são indisputáveis e definitivas. E continua: Não difere dessa situação os julgados do STJ (“marcador oficial”) com relação às regras do termo inicial do prazo de prescrição do direito ao indébito: é certo que a autoridade e a definitividade das decisões do STJ são inquestionáveis. Contudo, como ensina HERBERT HART41: “‘O resultado é o que o marcador diz que é’ não é uma regra de marcação: é uma regra que atribui autoridade e definitividade à aplicação por ele em casos concretos da regra de pontuação”. Não é a legalidade: é o simples efeito concreto da coisa julgada. Remanesce, assim, o seguinte problema, como diz o legendário titular da Cadeira de Jurisprudência da Universidade de Oxford: “o fato de as decisões oficiais em descompasso com a regra de jogo serem aceitas não significa que o jogo de críquete ou de basebol já não esteja a jogarse; por outro lado, se estas distorções forem freqüentes ou se o juiz repudiar a regra do jogo positivada, há que chegar um ponto em que, ou os jogadores não aceitam mais as determinações destoantes do marcador ou, se o fazem, o jogo vem a alterarse; já não é críquete ou basebol que se joga, mas “o jogo do Juiz” 42. Enfim, a partir do direito e da aplicação efetiva da legalidade, continuamos entendendo, como aliás vimos defendendo desde 23 de maio de 2000, que nunca coube falar em prazo de 10 anos: nem antes, nem depois da tese dos 10 anos; nem antes, nem depois da LC 118. Em suma, o prazo de prescrição no CTN e o direito continuam os mesmos: tudo não passou de um pesadelo e, agora, o dia está amanhecendo, há luz, e todos nós, acordados, podemos nos dar conta deste simples fato: os tribunais interpretam a lei, podendo até alterar sua eficácia legal, mas não alteram a lei... Outro ponto que clama por refutar a tese adotada no acórdão recorrido é o da total inversão da finalidade da prescrição. Explico: esse instituto extintivo do direito de ação, oriundo do direito civil, tem por escopo estabilizar as relações jurídicas e contribuir para a estabilidade social, na medida em que impede que conflitos jurídicos se perpetuem no tempo e passe de uma geração para outra. 41 O conceito de direito, p. 1569. 42 Tradução livre do original: The concept of law, Oxford university Press, 1961. Fl. 524DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13811.001868/0006 Acórdão n.º 9303000.681 CSRFT3 Fl. 525 38 A tese adotada no acórdão recorrido, simplesmente, mantém a possibilidade de conflitos extintos em um passado distante sejam ressuscitados e venham assombrar a geração presente ou futura. Tomese, por exemplo, o caso da Lei nº 4.502/1964 – lei básica do IPI – que prevê a incidência desse tributo sobre produtos das indústrias gráficas. O Judiciário, sistematicamente, vem decidindo em sentido contrário, que sobre tais produtos incide apenas ISS, e não o imposto federal. A prevalecer a tese esposada no acórdão recorrido, se a União vier a editar qualquer ato dispensando a fiscalização de lançar o IPI sobre esses produtos, o prazo de prescrição do tributo pago desde 1964 seria reaberto, a partir desse ato, que passaria a ser o termo inicial da prescrição. Com isso, poderseia repetir eventuais indébitos relativos a tributos ocorridos no longínquo ano do golpe militar, ou seja, meio século depois. Tal fato acarretaria ônus insuportável aos cofres públicos, de tal monta que, a geração sobrevivente dos anos de chumbo sucumbiria ao caos financeiro decorrente dessa canhestra engenharia jurídica inventada para legitimar, ao arrepio da lei e da constituição, a devolução de um tributo pago por uma geração, que, aliás, dele se beneficiou. Por derradeiro, transcrevo excerto do voto do Luis Marcelo para refutar a tese que defende a renúncia da Fazenda Pública à prescrição. Outro ponto da matéria sob exame que foi objeto de análise pelo Superior Tribunal de Justiça, é a definição dos efeitos do ato governamental que, a teor do artigo 18 da Lei 10.522/2002, resultado de sucessivas conversões da Medida Provisória 1.110, de 1995, que dispensa a adoção de medidas tendentes à cobrança administrativa ou judicial dos tributos declarados inconstitucionais. Conforme já foi dito, este colegiado tem equiparado esses atos à confissão de indébito, capaz de interromper ou de caracterizar renúncia à prescrição que, nesses casos, militaria em favor da Fazenda Pública. Mais uma vez, peço vênia a meus pares para discordar de mais um dos pontos em que se baseia a tese vencedora ora contestada. Em primeiro lugar, penso, estribado na doutrina de Pontes de Miranda43, que é impossível estender, por analogia, as hipóteses de interrupção da prescrição taxativamente expressas na legislação tributária. Por outro lado, independentemente da indisponibilidade dos bens públicos, admitindo, apenas para argumentar, que os interesses em testilha fossem privados, é cediço que, nos termos 43 Tratado de direito privado, apud Eurico Marcos Diniz de Santi. Decadência e Prescrição do Direito do Contribuinte e a LC 118: Entre Regras e Princípios, in Temas de Direito Público — Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba. Juruá, 2005, pp 149 a 178. Fl. 525DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13811.001868/0006 Acórdão n.º 9303000.681 CSRFT3 Fl. 526 39 da Lei nº 10.406, de 2002 (Novo Código Civil), o ato de renúncia44 deve ser interpretado restritivamente e que a renúncia tácita à prescrição somente se opera pela prática de atos incompatíveis com esse fato preclusivo45. Dessa forma, não consigo enxergar nos atos em questão os efeitos vislumbrados nos votos vencedores. Ao meu ver, no caso da medida provisória nº 1.110, de 1995, que, após sucessivas reedições, foi convertida na Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, esse raciocínio ganha ainda mais força dada a ressalva expressa contida no § 3º do seu art. 1846. Nesse aspecto, transcrevo trecho do voto vencedor do Recurso Especial no 747.09147 “Sem razão, contudo. Em nosso sistema, considerado o princípio da indisponibilidade dos bens públicos, está assentado o entendimento de que a renúncia à prescrição já consumada em favor da Fazenda Pública não pode ser simplesmente tácita, daí porque, segundo orientação já antiga do próprio STF, é “incensurável a tese de que a renúncia da prescrição em favor da Fazenda Pública só possa fazerse por lei” (RE 80.153∕SP, Segunda Turma, Min. Leitão de Abreu, 13.10.1976). A doutrina posicionase em igual sentido: “O Poder Público pode renunciar a direito próprio, mas esse ato de liberalidade não pode ser praticado discricionariamente, dependendo de lei que o autorize. A renúncia tem caráter abdicativo e em se tratando de ato de renúncia por parte da Administração depende sempre de lei autorizadora, porque importa no despojamento de bens ou direitos que extravasam dos poderes comuns do administrador público” (NOBRE JUNIOR, Edilson Pereira. Prescrição: decretação de ofício em favor da Fazenda Pública in Revista Forense 345∕35). “A administração, uma vez consumado o prazo prescricional, não pode satisfazer o direito prescrito, salvo autorização legislativa, vez que isso importaria em liberalidade com o patrimônio público, que o executor da lei só pode praticar por determinação da própria lei” (CARVALHO, Selma Drumond. Aplicabilidade das normas sobre prescrição à Fazenda Pública in Informativo Jurídico Consulex, Volume 14, nº 40, página 11). No presente caso, o art. 18 da Lei 10.522∕2002 simplesmente dispensou “a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Dívida Ativa da União e o ajuizamento da respectiva execução fiscal” relativamente à quota de 44Art. 114. Os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretamse estritamente. 45Art. 191. A renúncia da prescrição pode ser expressa ou tácita, e só valerá, sendo feita, sem prejuízo de terceiro, depois que a prescrição se consumar; tácita é a renúncia quando se presume de fatos do interessado, incompatíveis com a prescrição. 46§ 3º O disposto neste artigo não implicará restituição ex officio de quantia paga. 47 Relator: Ministro Teori Albino Zavascki, publicado no DJ de 06/02/2006 Fl. 526DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13811.001868/0006 Acórdão n.º 9303000.681 CSRFT3 Fl. 527 40 contribuição para exportação para o café. Nada dispôs sobre renúncia a prescrição. Pelo contrário, em seu §3º expressamente dispôs que a dispensa nela prevista não autorizava a restituição ex officio de quantias já pagas. Portanto, além de não fazer menção alguma à renúncia à prescrição, a lei deixou claro que não abria mão, espontaneamente, dos valores já recebidos, muito menos, portanto, dos valores já recebidos e insuscetíveis de lhe serem exigidos por via judicial, quando consumada a prescrição. Em outras palavras: não houve renúncia alguma, nem expressa e nem tácita, mas, ao contrário, houve a clara e expressa manifestação no sentido de não abrir mão dos valores já recebidos. Diante do exposto e considerando que no caso em análise o pedido foi protocolado após o transcurso do prazo quinquenal, contado a partir da extinção do crédito tributário pelo pagamento, é de reconhecerse que o direito à repetição pleiteado nestes autos foi alcançado pela prescrição. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 527DF CARF MF Impresso em 11/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 23/05/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10920.004065/2005-19
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001
Ementa:
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A melhor exegese do caput do art. 30 da Lei n° 10.522/02 leva à conclusão de que tal dispositivo é aplicável aos débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, razão pela qual, incidem juros de mora calculados pela taxa Selic sobre as multas de ofício ad valorem.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9101-002.084
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, recurso provido por unanimidade de votos.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Valmar Fonsêca de Menezes - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Conselheiro Convocado), ANTÔNIO CARLOS GUIDONI FILHO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado) e CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: VALMAR FONSECA DE MENEZES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001 Ementa: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A melhor exegese do caput do art. 30 da Lei n° 10.522/02 leva à conclusão de que tal dispositivo é aplicável aos débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, razão pela qual, incidem juros de mora calculados pela taxa Selic sobre as multas de ofício ad valorem. Recurso Especial do Procurador Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, recurso provido por unanimidade de votos. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Valmar Fonsêca de Menezes - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Conselheiro Convocado), ANTÔNIO CARLOS GUIDONI FILHO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado) e CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
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A melhor exegese do caput do art. 30 da Lei n° 10.522/02 leva à conclusão de que tal dispositivo é aplicável aos débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, razão pela qual, incidem juros de mora calculados pela taxa Selic sobre as multas de ofício ad valorem. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, recurso provido por unanimidade de votos. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Valmar Fonsêca de Menezes Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, VALMAR FONSECA DE MENEZES, KAREM JUREIDINI DIAS, LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Conselheiro Convocado), ANTÔNIO CARLOS GUIDONI FILHO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, PAULO ROBERTO CORTEZ (Suplente Convocado) e CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 40 65 /2 00 5- 19 Fl. 720DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO 2 Relatório Adoto, por oportuno e suficiente, o relatório do despacho de admissibilidade de fls. 697, in verbis: “ Tratase de Recurso Especial de Divergência à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), apresentado, tempestivamente, em face do acórdão n° 10709561, de 13/11/2008, fls.649/664 assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO Emerge nos autos com clareza . a completude do suporte fático dos fatos jurídicotributários, levantado pelos autuantes, com pormenorizada especificação dos elementos probatórios e das acusações de atos infracionais. Inexiste eiva de nulidade do lançamento; não houve cerceamento ao direito de defesa e do contraditório. "NOTAS CALÇADAS" — OMISSÃO DE RECEITAS Os autuantes especificaram com detalhes a diferença entre os valores lançados nas primeiras vias das notas fiscais e os contabilmente escriturados quecorrespondem aos valores registrados nas segunda e terceira vias das notas fiscais, carreando robustos elementos probatórios. Em contrapartida, a contribuinte não logrou comprovar a insuficiência nem a inexistência do suporte fático levantado pela fiscalização. Mantido o lançamento. COMPENSAÇÃO DE OFICIO — RECOLHIMENTOS NO SIMPLES COM O VALOR LANÇADO Devemse abater os valores recolhidos indevidamente sob o Simples com os valores do lançamento. – A moralidade e a eficiência administrativas, e o princípio da legalidade impõem essa conclusão, quer na fase administrativa do lançamento, quer em sua fase processual, e aqui se aplica com plenitude a verdade material. A bem ver, não se trata de compensação, mas de mero abatimento, como corolário do exposto. MULTAS DE OFICIO DE 75% E DE 150% Cabimento da multa de 75% sobre receitas escrituradas. Cabimento da multa qualificada. O comportamento iterativo da contribuinte na prática da conduta recriminada ("notas calçadas'), ao largo de dois anos calendário consecutivos, inibe a conclusão de ausência de dolo para a conduta evasiva do art. 71 da Lei 4.502/64. MULTA DE OFICIO JUROS DE MORA Sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, não paga no vencimento, incidem juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do art. 161 do Código Tributário Nacional. Fl. 721DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO Processo nº 10920.004065/200519 Acórdão n.º 9101002.084 CSRFT1 Fl. 721 3 O I. Representante da Fazenda Nacional, em seguida, vem, tempestivamente, fls.668/677, apresentar recurso especial, com fulcro no art. 7°, inciso I, do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais RICSRF, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de julho de 2007, visando a restauração do lançamento. O antigo RICSRF, no seu artigo 7° inciso I, c/c parágrafo 1°, facultava privativamente à Fazenda Nacional interpor recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais de "decisão não unânime de Câmara, quando for contrária à lei ou à evidência de. prova". Os requisitos necessários para a interposição desse recurso especial eram estabelecidos no art. 15, cujo § 1° dizia que: 55' 1° Na hipótese de que trata o inciso I do art. 7° deste Regimento, o recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a contrariedade à lei ou à evidência da prova e, havendo matérias autônomas, o recurso especial alcançará apenas a parte da decisão não unânime contrária à Fazenda Nacional. Esse regimento foi revogado a partir de 1°/07/2009 pelo artigo 8° da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), o qual não mantém a possibilidade de recurso especial nos termos do inciso I do artigo 7° do regimento anterior, porém, no capítulo das Disposições Transitórias (art. 4°), estabelece o tratamento processual a ser dados para a situação dos recursos impetrados sob a égide do regimento anterior; a saber: Art. 4° Os recursos com base no inciso I do art. 7° e do art. 9° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, interpostos em face de acórdãos proferidos nas sessões de julgamento ocorridas em data anterior à vigência do Anexo II desta Portaria, serão processados de acordo com o rito previsto nos arts. 15 e 16 e nos arts. 43 e 44 daquele Regimento (grifei). (...) Na sua peça recursal, o Representante da Fazenda Nacional afirma que o Acórdão recorrido, contrariou a lei, quando afirma que "a multa de oficio não é débito decorrente dos tributos e contribuições ", porque a redação do artigo 161 do CTN permite interferir que o termo crédito nele referido não engloba o tributo e a multa de oficio. Ao final de suas razões pede que o lançamento seja restaurado na forma em que foi concebido. Tratase de decisão não unânime, portanto, nesse aspecto, é atendida a condição prevista no inciso I do artigo 7° do então RICSRF para a Procuradoria da Fazenda Nacional impetrar Fl. 722DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO 4 recurso especial, quando entender ser contrária à lei ou à evidência de prova, como foi o caso. (...) ” Desta forma, nos termos do § 1° do art. 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, foi dado seguimento ao presente recurso especial. Não houve apresentação de contrarazões por parte do contribuinte, que, no entanto, apresentou pedido de desistência ( para ingresso no REFIS), que não foi considerado pela Presidência da Câmara, em virtude de decisão favorável ao contribuinte, pendente de recurso especial, conforme despacho de fl. 718. È o relatório. Voto Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, Relator Trata o recurso apenas sobre a dispensa de juros sobre multa de ofício, conforme exposto: “ MULTA DE OFICIO JUROS DE MORA Sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, não paga no vencimento, incidem juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do art. 161 do Código Tributário Nacional.” Na sua peça recursal, o Representante da Fazenda Nacional afirma que o Acórdão recorrido, contrariou a lei, quando afirma que "a multa de oficio não é débito decorrente dos tributos e contribuições ", porque a redação do artigo 161 do CTN permite interferir que o termo crédito nele referido não engloba o tributo e a multa de oficio. Como razões de decidir, trago à baila voto do brilhante Conselheiro Alberto Pinto de Souza Júnior, a quem rendo as minhas homenagens, por ocasião do Acórdão no.1302001.585: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No que tange a questão da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, renovo o pedido de vênia aos meus pares, para reproduzir, mutatis mutandis, voto que proferi na 1a Turma da CSRF (acórdão n° 9101001.474), o qual foi acolhido pelo voto de qualidade. De plano, vale analisarmos o art. 161 do CTN, o qual assim dispõe: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. Fl. 723DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO Processo nº 10920.004065/200519 Acórdão n.º 9101002.084 CSRFT1 Fl. 722 5 § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Notese que o termo crédito no caput do art. 161 vem desacompanhado do adjetivo "tributário", o que deixa clara a intenção do legislador de, nele, incluir também multas (ad valorem ou específicas). A mesma preocupação teve o legislador nos §§ 1o e 3o do art. 113 do CTN, pois, ao dispor que a penalidade se converte em obrigação qualificou apenas com o adjetivo principal (obrigação de dar), mas não com o adjetivo "tributário". Com isso, já se desconstitui qualquer argumento de ofensa ao conceito de tributo do art. 3° do CTN. Por sua vez, não procede a alegação de que a expressão "sem prejuízo de outras penalidades cabíveis" levaria à conclusão de que a multa de ofício (punitiva) não estaria contida no termo "crédito". Ora, a referida expressão autoriza o legislador ordinário a criar multas de caráter moratório, pois, da simples leitura do dispositivo, verificase que a penalidade ali tratada tem como causa apenas a impontualidade. Realmente, à luz do caput do art. 161 do CTN não incidem juros de mora sobre multa de mora, logicamente, quando for o caso de sua aplicação. Agora, quanto à multa de ofício, cuja causa não reside na mera impontualidade, esta compõe o crédito devido e, por consequência, sofre a incidência dos juros de mora. Assim sendo, em caso de vazio normativo, incidirá, por força do § 1o do art. 161, juros de mora à taxa de 1% a.m.. Cabe, então, agora, verificarmos se a matéria foi realmente disciplinada no art. 30 da Lei n o 10.522/02. Para tanto, trago à colação ... "Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1 ° de janeiro de 1997. § 1° A partir de 1° de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1 de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento.". Surge de plano uma questão a ser dirimida, qual seja, se a remissão feita, pelo caput do art. 30, aos débitos referidos no art. 29, limitase ou não aos débitos cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994. Ora, a remissão é técnica legislativa que visa abreviar o texto legal, evitando repetições desnecessárias. Todavia, há que ser cuidadosamente Fl. 724DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO 6 analisada, pois não pode levar a uma interpretação desarrazoada, resultante da absorção puramente mecânica e literal de uma norma pela outra. Desarrazoado é aquilo em que não se observa a lógica, a razão, é o despropósito. Logo, fere a lógica concluir que apenas as multas de oficio anteriores a 1995 sofreriam a incidência da taxa SEL1C, enquanto que as multas posteriores sofreriam a incidência de outra taxa de juros. Assim, entendo que a melhor exegese levanos a concluir que a remissão feita pelo caput do art. 30 alcança apenas a expressão "débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União", razão pela qual, no presente caso, concluo que incidem juros de mora à taxa Selic sobre as multas de ofício ad valorem. (...) ” Diante de tão bem fundamentadas razões, dou provimento ao recurso da Fazenda Nacional. É como voto. (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Fl. 725DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 21/04/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRE TO
score : 1.0
Numero do processo: 10980.723754/2009-45
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jul 31 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
DIREITO CREDITÓRIO. DESPESAS COM FRETE INTERNACIONAL.
Não geram direito de crédito as despesas incorridas com transportadores não domiciliados no País, ainda que, por escolha do contribuinte, estas sejam creditadas a agente marítimo que os represente.
ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. VIGÊNCIA DO ART. 31 DA LEI 10865/2004.
Não fere direito adquirido nem contraria regra de lei a regra do art. 31 da lei 10.865/2004, a qual, para períodos de apuração posteriores a 01/05/2004, veda o aproveitamento dos encargos de depreciação como descontos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-004.189
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER do Recurso Voluntário pra NEGAR-LHE o provimento.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Dmorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 DIREITO CREDITÓRIO. DESPESAS COM FRETE INTERNACIONAL. Não geram direito de crédito as despesas incorridas com transportadores não domiciliados no País, ainda que, por escolha do contribuinte, estas sejam creditadas a agente marítimo que os represente. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. VIGÊNCIA DO ART. 31 DA LEI 10865/2004. Não fere direito adquirido nem contraria regra de lei a regra do art. 31 da lei 10.865/2004, a qual, para períodos de apuração posteriores a 01/05/2004, veda o aproveitamento dos encargos de depreciação como descontos. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER do Recurso Voluntário pra NEGAR-LHE o provimento. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano Dmorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 DIREITO CREDITÓRIO. DESPESAS COM FRETE INTERNACIONAL. Não geram direito de crédito as despesas incorridas com transportadores não domiciliados no País, ainda que, por escolha do contribuinte, estas sejam creditadas a agente marítimo que os represente. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. VIGÊNCIA DO ART. 31 DA LEI 10865/2004. Não fere direito adquirido nem contraria regra de lei a regra do art. 31 da lei 10.865/2004, a qual, para períodos de apuração posteriores a 01/05/2004, veda o aproveitamento dos encargos de depreciação como descontos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER do Recurso Voluntário pra NEGARLHE o provimento. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 37 54 /2 00 9- 45 Fl. 639DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D’morim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 638), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. O contribuinte WOODGRAIN DO BRASIL LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0633.988, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada por insuficiência de direito creditório, negandoo. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da manifestação de inconformidade, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: "Trata o presente processo do pedido de ressarcimento de crédito do PIS/Pasep não cumulativo vinculado às receitas de exportação do 1º trimestre de 2006, no valor de R$ 100.883,92 (cem mil e oitocentos e oitenta e três reais e noventa e dois centavos), formalizado através do PER/DCOMP nº 32306.57070.020908.1.1.080826. A análise do referido pedido foi realizada pelo Serviço de Orientação e Análise Tributária, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba, que, em conclusão aos trabalhos realizados, emitiu o Despacho Decisório DRF/CTA, de 30 de junho de 2010, o qual reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado, no valor de R$ 80.188,84 (oitenta mil e cento e oitenta e oito reais e oitenta e quatro centavos). Ressaltese que a análise do pedido foi efetuada em atendimento a liminar proferida no Mandado de Segurança nº 2009.70.00.0210978/PR. Conforme consta da decisão mencionada, a autoridade fiscal realizou, primeiramente, um ajuste nos valores das receitas informadas no DACON. Foram considerados como receitas de exportação e do mercado interno os valores constantes dos Livros de Registro de Saídas, excluindose os valores das receitas financeiras; e do valor da receita bruta foram excluídos os descontos concedidos pela empresa de forma incondicional, pelo fato de os mesmos não integrarem a base de cálculo das contribuições (PIS e Cofins). Em conseqüência dessas correções, a autoridade procedeu a um novo cálculo do rateio proporcional a ser aplicado sobre os valores dos créditos da nãocumulatividade. No tocante aos créditos da nãocumulatividade a autoridade administrativa realizou glosas nas seguintes rubricas: Fl. 640DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10980.723754/200945 Acórdão n.º 3802004.189 S3TE02 Fl. 640 3 a) Bens Utilizados como Insumos: relativamente às Notas Fiscais de Entrada das empresas Seven Madeiras Ltda., CNPJ nº 06.136.813/000190, e Cyklop do Brasil Embalagens S/A, CNPJ nº 56.993.512/000150, para as quais constam CFOP (5.501 e 6.501) que indicam aquisições com o fim específico de exportação; e relativamente às Notas Fiscais da empresa Vidia Comércio e Serviços Técnicos Ltda., CNPJ nº 00.737.615/000103, cujas aquisições foram realizadas com “Suspensão das contribuições para o PIS/Pasep e a COFINS”, em razão do Ato Declaratório Executivo nº 22/2005, que habilitou a interessada como empresa preponderante exportadora nos termos da IN/SRF nº 595, de 2005. Nas duas situações descritas, as aquisições teriam ocorrido sem a incidência das contribuições (PIS/PASEP e a COFINS), ficando impedido o aproveitamento dos créditos, conforme estabelece o artigo 3º, § 2º, inc. II das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. b) Despesas de Energia Elétrica: relativamente às despesas constantes das faturas que não correspondam ao consumo de energia elétrica, tais como encargos moratórios (juros, multa e correção monetária) e taxa de iluminação pública; c) Despesas de Fretes pagos na operação de venda: nesta rubrica foram considerados somente os fretes internacionais pagos pela empresa exportadora a transportador domiciliado no Brasil (empresa nacional); foram glosados, portanto, os valores de fretes internacionais cujos pagamentos foram realizados a agentes nacionais, que representam transportador não domiciliado no Brasil, em atendimento ao disposto no inciso II, § 3º, art. 3º das Lei 10.637/2002 e 10.833/2003; d) Encargos de Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado: relativamente aos encargos de depreciação de bens adquiridos antes de 01/05/2004, em atendimento ao artigo 31 da Lei nº 10.865/2004. Por fim, a autoridade fiscal realizou a apuração dos créditos do mercado interno e do mercado externo do trimestre, levandose em consideração os ajustes anteriormente mencionados (nas receitas, no rateio proporcional e nos créditos) e o Saldo de Crédito do Mês Anterior (relativo ao mercado interno), e descontandose dos créditos apurados os valores da contribuição devida do próprio trimestre, gerada em decorrência das saídas tributadas. A contribuinte foi cientificada do despacho decisório em 02/07/2010 e apresentou, em 03/08/2010, a manifestação de inconformidade, cujo conteúdo é resumido a seguir. Após um breve relato dos fatos, a interessada defende no primeiro tópico (“Do Princípio da NãoCumulatividade”) a aplicação plena da não cumulatividade. Argumenta que o legislador ordinário não pode restringir a não cumulatividade da contribuição, uma vez que a mesma tem status constitucional, implementado através da Emenda Constitucional nº 42/2003, que deu nova redação ao § 12, artigo 195, da Constituição Federal. Sustenta Fl. 641DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 que a nãocumulatividade aplicada ao PIS e a Cofins “se opera de forma diversa daquela aplicada ao IPI e ao ICMS, isso porque para as contribuições, referida sistemática consiste em uma redução da base de cálculo com a respectiva dedução de créditos relativos às contribuições que foram recolhidas sobre bens e/ou serviços objeto de faturamento em etapas anteriores.” Em resumo, argumenta a interessada “que o regime nãocumulativo das referidas contribuições não pode ser restringido, pois os contribuintes tem o direito ao crédito da contribuição exigidos anteriormente, como forma de minorar a carga tributária sobre o faturamento, objetivo primordial dessa sistemática.” Nos dois tópicos seguintes (“Das Despesas com Fretes Internacionais” e “Do Princípio da Estrita Legalidade”) a contribuinte dirige sua inconformidade contra as glosas relativas às despesas com fretes internacionais. Relata que no despacho decisório a autoridade fiscal proferiu o entendimento “de que o crédito de PIS/COFINS decorrente de despesas com fretes internacionais é passível de aproveitamento, desde que o seu pagamento seja feito ao transportador domiciliado no Brasil, não bastando para tal que o seu agente o seja.”. Sustenta que o entendimento da autoridade fiscal é equivocado e não merece manutenção em face dos princípios da legalidade e da estrita legalidade tributária (art. 5º, inciso II e art. 150, inciso I da Constituição Federal). Argumenta que “não se vislumbra nos regramentos aplicáveis ao caso (Lei 10.637/02 e 10.833/03) qualquer dispositivo que obstaculize ou mesmo limite o aproveitamento do crédito oriundo de despesas com frete internacional, mesmo que praticada por agente transportador”, e que para se realizar o aproveitamento do crédito as referidas leis exigem somente: que o ônus do pagamento do frete seja suportado pelo vendedor, e; que o frete seja pago ou creditado à pessoa jurídica domiciliada no país. Sustenta que estas exigências foram atendidas pela empresa, “uma vez que, na qualidade de vendedora, arcou com os custos relativos ao frete para a remessa de sua mercadoria ao exterior e referida despesa foi paga à empresa estabelecida no território brasileiro, pouco importando se tais empresas correspondem a agentes transportadores.” Para sustentação de sua tese colaciona cópia das ementas das Soluções de Consulta nº 169/2006 da 10º RF e nº 175/07 da 9º RF. Na seqüência, no tópico “Dos Encargos de Depreciação – Bens Adquiridos antes de 01/05/2004”, a interessada defende a inconstitucionalidade do art. 31, da Lei 10.865/2004, que trata da vedação de desconto de créditos relativos à depreciação de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos antes de 01/05/2004. Argumenta que referido artigo atingiu fatos pretéritos e afrontou os princípios constitucionais do direito adquirido, da irretroatividade da lei tributária e da segurança jurídica. Em corroboração a sua tese colaciona cópia de parte do Acórdão do processo judicial nº 2005.71.010.0044698. Por fim, nos últimos dois tópicos (“Das Demais Glosas” e “Das Provas”) , a contribuinte aduz que: discorda das demais glosas realizadas, dizendo que a improcedência das mesmas “será comprovada oportunamente através da juntada de documentos hábeis e idôneos, os quais certamente ensejarão no reconhecimento integral do crédito reclamado”; e que em face do direito à Fl. 642DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10980.723754/200945 Acórdão n.º 3802004.189 S3TE02 Fl. 641 5 ampla defesa e ao contraditório “pretende provar o alegado por meio de todos as prova em direito admitidas, principalmente através da juntada de novos documentos, a fim de evidenciar melhor a idoneidade do crédito ora guerreado.” Diante dos argumentos apresentados, a contribuinte requer que seja dado provimento à manifestação de inconformidade e que o despacho decisório seja reformado, de modo que seja reconhecido integralmente o crédito pleiteado. É o relatório." Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a rejeição ao direito creditório na forma da ementa que segue: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. ESFERA ADMINISTRATIVA. NÃO CABIMENTO. O exame da legalidade e da constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional compete ao poder judiciário, restando inócua e incabível qualquer discussão, nesse sentido, na esfera administrativa. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DIREITO DE CRÉDITO. FRETE INTERNACIONAL. Os gastos com fretes internacionais arcados pela vendedora, decorrentes da exportação de seus produtos, não dão direito a crédito para desconto dos valores devidos a título de PIS/PASEP, na sistemática de não cumulatividade, se o transportador for pessoa jurídica domiciliada no exterior, mesmo se o agente do transportador tiver domicílio no País. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. CRÉDITOS DO ATIVO IMOBILIZADO. Com a edição da Lei nº 10.865, de 2004, somente poderão ser aproveitados os créditos dos encargos de depreciação ou amortização de bens e direitos de ativo imobilizado adquiridos a partir de 1º de maio de 2004. PROVAS. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. A apresentação de provas deve ser realizada junto à impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outra ocasião, ressalvada a impossibilidade por motivo de força maior, quando se refira a fato ou direito superveniente ou no caso de contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 643DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba – DRJ/CTA, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade, e requer o reconhecimento da homologação de compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 638), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. O Recurso Voluntário, assim como a manifestação de inconformidade, combate as glosas realizadas em basicamente dois itens: Despesas com fretes internacionais (objeto de dois tópicos do recurso); Encargos de depreciação. Relativamente à digressão sobre o princípio da nãocumulatividade que inaugura a argumentação de mérito do Recurso Voluntário, como se trata de argumentação ampla e, a rigor, principiológica (que não pode ser apreciada pelo CARF, conforme verbete Sumular nº 02), não adentrarei em sua análise pormenorizadamente. O Recurso Voluntário não ataca frontalmente as glosas referentes a insumos adquiridos (i) com fim específico de exportação; (ii) junto a empresa preponderantemente exportadora; além de (iii) encargos financeiros decorrentes de pagamento em atraso de faturas de energia elétrica (despesas com multas, juros e correção monetária) e contribuição para o custeio do serviço de iluminação pública. Isso pois, diferentemente da manifestação de inconformidade, não há o questionamento quanto às “demais glosas”, pelo que reputo como não mais contestadas tais vedações, nos termos do art. 17 do RPAF, aplicável mutatis mutandi ao Recurso Voluntário. De toda forma, no que tange às duas glosas combatidas pelo Recorrente, passase às considerações de mérito. 1. Despesas com fretes internacionais Foram glosadas despesas incorridas com fretes nas operações de venda, pagos a agentes nacionais que representam transportador estrangeiro. Fl. 644DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10980.723754/200945 Acórdão n.º 3802004.189 S3TE02 Fl. 642 7 A glosa dessas despesas embasouse no art. 3o, § 3o, II, das leis 10.637/2002 (para o PIS) e 10.833/2003 (para a COFINS), o qual assim dispõe: § 3oO direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: (...) II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; A decisão recorrida entendeu correta a glosa procedida pela autoridade administrativa, ante a presunção de que Conforme a legislação citada, para que o dispêndio possa gerar crédito, é preciso que as despesas sejam pagas ou creditadas a pessoa jurídica domiciliada no País, o que não ocorre no caso em tela. Na verdade a interessada contrata pessoas jurídicas domiciliadas no País que se dedicam à atividade de agenciamento de fretes internacionais (agente marítimo) e faz o pagamento do serviço de transporte para elas, sendo de ser ressaltado que o agente marítimo não presta o serviço de transporte e não é ele que recebe o pagamento por tal serviço; o valor entregue para o agente, na verdade corresponde ao pagamento do armador. Ocorre que o agente marítimo (agente do armador) é mero preposto do armador, para gerir ou administrar seus negócios, inclusive cobrando os respectivos fretes, que são o pagamento do proponente pela prestação do serviço de transporte. Portanto, para que a exigência legal (custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País) fosse atendida, seria preciso que o transportador (o prestador do serviço de transporte marítimo internacional) fosse domiciliado no País, donde, nos casos em que o transportador não tenha domicilio no País, não há o direito a crédito, mesmo que o agente do transportador tenha domicílio no País. O Recorrente, ao seu turno, defende a legitimidade do aproveitamento das referidas despesas como desconto ante a premissa de que há “apenas dois requisitos que merecem observância para que se faça jus aos créditos, quais sejam: 1) o ônus dos valores despendidos com o frete deve ser suportado pelo vendedor, no caso a Recorrente; e 2) os custos relativos ao frete devem ser pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País”. A celeuma se restringe, portanto, à definição se a utilização de agente marítimo brasileiro se enquadra no inciso II do § 3o do art. 3o das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Entendo, diferentemente do que supõe o Recorrente, que as despesas incorridas no caso não devem ser aproveitadas como desconto. Explico. No caso em tela, consta dos autos que o frete foi prestado por transportador estrangeiro (pessoa jurídica não domiciliada no Brasil, portanto). Tal é a essência da despesa incorrida pelo Recorrente. Apesar de todas as ressalvas cabíveis ao caso do ponto de vista principiológico, inclusive de ordem isonômica em acordos internacionais comerciais Fl. 645DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 celebrados pelo Brasil, fato é que ao CARF é vedado apreciar a inconstitucionalidade das normas tributárias. Todavia, do ponto de vista puramente legal, o comando vigente permite o aproveitamento de despesas como desconto apenas se estas forem incorridas com pessoa jurídica domiciliada no Brasil. Fato é que a norma se refere a despesas incorridas, pagas ou creditadas a pessoa jurídica domiciliada no País, e concretamente o crédito se deu a um agente marítimo domiciliado no País. Ocorre, contudo, que esse crédito se refere a uma prestação de serviços efetivada por estrangeiro, e a utilização de um intermediário por este não reflete a materialidade da despesa incorrida. Notese que a Recorrente em momento algum afirma que o agente marítimo lhe prestou qualquer serviço de transporte, mas apenas se pauta na expressão legal e do fato de ter havido crédito em favor de pessoa jurídica domiciliada no País. Ora, o agente marítimo em termos concretos nada mais é do que um mero mandatário do transportador domiciliado fora do País. A respeito de sua caracterização, trago digressão da Em. Min. Eliana Calmon no RESP 731226 (DJ de 20/09/2007): (...)pessoas encarregadas pelos armadores, ou por quem as suas vezes faça em cada caso particular, temporária ou permanentemente, do mandato de realizar as operações comerciais que originalmente corresponderiam ao capitão ou armador,nos portos de carga ou descarga,de ajudar o capitão emqualqueroperaçãoedecuidardosinteressesdonavioedacarga,nãosóperantea sautoridades,mastambémnasrelações privadas(SOARES, Luiz Dantas de Souza Soares. Agente de navegação responsabilidade civil. In: Revista de direito mercantil,n.º34,abril/junho1979,p.54).O agente marítimo comprometese a representar o navio em terra, praticando em nome do armador ou capitão os atos que esse teria de realizar pessoalmente. Valese, para isso, de contrato consensual, bilateral e oneroso que corresponde perfeitamente à idéia do mandato profissional, figura jurídica tratada no art. 658 do CC de 2002.” Assim, havendo mera relação de mandato (ou seja, simples intermediação) entre o agente marítimo e o Recorrente, não se pode caracterizar que o frete tenha sido pago a pessoa jurídica domiciliada no País. Concretamente o frete foi pago a pessoa jurídica domiciliada no estrangeiro, todavia por intermédio de um representante legal seu. Noutras palavras, a natureza do creditamento feito em favor do agente marítimo se deu em razão de atividade de intermediação, dado que este fornecedor efetivamente não prestou serviço de transporte para o Recorrente. O transportador está domiciliado fora do País, de modo que a opção de pagar a um intermediário domiciliado no Brasil é ato de mera escolha, ação volitiva da Recorrente, sem essência econômica suficiente e apta a alterar o critério de tributação (que se percebe no discrímen legal entre a contratação de uma empresa transportadora domiciliada no País ou no exterior). O CARF já se posicionou no mesmo sentido, conforme se verifica do Acórdão 3403002.718, de relatoria do Em. Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz (sessão de 29 de janeiro de 2014), cuja ementa segue abaixo: Fl. 646DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10980.723754/200945 Acórdão n.º 3802004.189 S3TE02 Fl. 643 9 PIS NÃOCUMULATIVO. FRETE INTERNACIONAL. TRANSPORTADOR ESTRANGEIROREPRESENTADOPORAGENTEMARÍTIMOSEDIADONO PAÍS.DIREITODECRÉDITO. Sujeito passivo que contrata frete internacional junto a transportador marítimo domiciliado fora do País, embora representado por agente marítimo estabelecido no Brasil. Agente marítimo que atua na condição de mandatário profissional do armador. Direito de crédito inexistente. Diante do exposto, não merece acolhida o pleito da Recorrente quanto a tais despesas. 2. Dos encargos de depreciação O item remanescente discute a glosa de encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado, adquiridos anteriormente a 01/05/2004, nos termos do art. 31 da lei nº 10.865/2004. Dispõe a referida norma: Art. 31. É vedado, a partir do último dia do terceiro mês subseqüente ao da publicação desta Lei, o desconto de créditos apurados na forma doinciso III do § 1odo art. 3odas Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos de ativos imobilizados adquiridos até 30 de abril de 2004. § 1oPoderão ser aproveitados os créditos referidos noinciso III do § 1odo art. 3odas Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, apurados sobre a depreciação ou amortização de bens e direitos de ativo imobilizado adquiridos a partir de 1ode maio. § 2oO direito ao desconto de créditos de que trata o § 1odeste artigo não se aplica ao valor decorrente da reavaliação de bens e direitos do ativo permanente. § 3oÉ também vedado, a partir da data a que se refere o caput, o crédito relativo a aluguel e contraprestação de arrendamento mercantil de bens que já tenham integrado o patrimônio da pessoa jurídica. A decisão recorrida foi bastante objetiva nesse aspecto, apenas indicando que necessita obedecer as regras vigentes, e que quaisquer formas de contestação do texto legal devem ser obtidas pela via própria, que não a administrativa. O Recorrente, ao seu turno, constrói argumento de cronologia das normas, indicando que desde o início da vigência das Medidas Provisórias que restaram convertidas nas leis 10.637/2002 e 10.833/2003, foi permitido aos contribuintes aproveitar como descontos créditos relativos a encargos de depreciação. Prossegue afirmando que, já que as normas existem desde o nascedouro do regime não cumulativo, o contribuinte teria direito adquirido aos créditos (fl. 629 dos autos), de modo que houve ato jurídico perfeito prócontribuinte em relação aos plurimencionados créditos (fl. 630). Fl. 647DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 10 Entendo que o contribuinte teria razão em seus fundamentos, caso estivéssemos diante de glosa retroativa de créditos aproveitados antes da vigência da lei 10.865/2004. Porém, esse não é o caso: nos autos tratase de encargos de depreciação em período posterior ao início da vigência da lei 10.865/2004. Dessa forma, não me parece ser o caso de se considerar que o contribuinte teria direito imutável e irrevogável aos créditos decorrentes dos encargos de depreciação, sendo certo que eventual aumento na carga tributária (oriundo da vedação ao aproveitamento dos encargos a partir de maio de 2004, nos termos do art. 31 da lei 10.865/2004) é, em última análise, resultado da auto tributação imposta pela própria sociedade, por intermédio de seus mandatários no Congresso Nacional. Não há, nesse sentido, nenhuma vedação legal (como é o caso do art. 178 do CTN, que veda a revogação de isenções concedidas por prazo certo e em caráter oneroso) à alteração no aproveitamento de créditos. A título ilustrativo valhome, a propósito, da fundamentação adotada no Mandado de Segurança 2005.71.000044698, cujas razões de decidir foram trazidas à lume pelo Recorrente quando da concessão de liminar: Quanto à análise da sucessão de regimes estabelecidos para a não cumulatividade do PIS e da COFINS, tenho que o princípio da irretroatividade e da segurança jurídica não alcançam a dimensão preconizada na inicial. O legislador não fica eternamente vinculado à extensão e ao alcance do benefício fiscal concedido em determinado momento, podendo, da mesma forma com que é permitida a revogação da isenção, reduzilo ou suprimilo, na presença de motivação suficiente e adequada para tanto. Existem diversos graus de retroatividade, e a que aqui se trata é a retroatividade mínima referindose ao efeito futuro dos atos passados. Em se tratando de depreciação e amortização, o tratamento contábil e financeiro que lhes é dispensada pode assumir uma feição semelhante a uma relação continuativa. Existem financiamentos que são amortizados no longuíssimo prazo, e certos bens mais refratários ao processo de obsolescência podem gerar encargos de depreciação que venham a superar dez anos. Ora, os princípios constitucionais trazidos à lume pela impetrante não tutelam planejamentos tributários desta amplitude, visam a proteger direitos de bruscas alterações de curto e médio prazo, não se podendo engessar a atividade legislativa de tal forma que se impeça a adequação dos benefícios concedidos aos imperativos de uma política industrial, ou à situação estrutural (não conjuntural) da política econômicofiscal. Em suma, entendo ser lícito ao legislador que implanta regime tributário totalmente novo (como o PIS/Cofins não cumulativo) algumas alterações e correções de rota, quando não evidenciado lesão aos princípios da retroatividade média (contraprestações estatais descumpridas quando da alteração legislativa) e máxima (situações consumadas no passado). Somese a isso a noção de que a depreciação que visa a compensar o desgaste de máquinas e equipamentos em face do decurso do tempo e a amortização tocante ao prazo em que é imputado determinado custo financeiro são apropriadas em quotas mensais, ou seja, apenas incorporamse ao patrimônio do beneficiado á medida em que passam a integrar a sua contabilidade. Inexistindo a possibilidade da amortização ou da depreciação imediata, não há violação ao princípio da irretroatividade ou da Segurança Jurídica, pois há uma expectativa de benefício fiscal que só se transmuda em direito adquirido à medida em que cada período contabilmente relevante para a amortização/depreciação é atingido. Fl. 648DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10980.723754/200945 Acórdão n.º 3802004.189 S3TE02 Fl. 644 11 Destarte, não entendo haver guarida aos argumentos do contribuinte, quanto a este item de seu Recurso. Conclusão Isto posto, CONHEÇO do Recurso Voluntário para NEGARLHE o provimento. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 649DF CARF MF Impresso em 31/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 31/07/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 31/07/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 16327.721201/2013-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE.
Constatado que os presentes lançamentos se encontram com a sua exigibilidade suspensa, são aplicáveis ao caso as disposições contidas no artigo 63 da Lei n° 9.430/96, devendo, por expressa previsão legal, não ser mantida a multa de ofício lançada.
EQUIPARAÇÃO DA ATIVIDADE DE "INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA" DE BANCOS A SERVIÇOS. IMPOSSIBILIDADE
A atividade bancária típica, consistente no empréstimo a juros de recursos captados de depositantes, não consistindo numa obrigação de fazer, não corresponde a um serviço prestado.
Numero da decisão: 3401-002.918
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, dar parcial provimento ao recurso para reconhecer a concomitância e afastar a multa de ofício lançada. Vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl e Eloy Eros da Silva Nogueira. Designado o Conselheiro Júlio César Alves Ramos para redigir o acórdão.
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Júlio César Alves Ramos - Redator designado.
EDITADO EM: 20/04/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Ângela Sartori, Bernardo Leite de Queiroz Lima..
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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CONCOMITÂNCIA. SUMULA CARF N. 001. A identidade entre o objeto do auto de infração e o objeto da ação judicial configura concomitância, aplicandose ao caso o disposto na Súmula CARF n. 001, impondo não se conhecer do recurso voluntário. EQUIPARAÇÃO DA ATIVIDADE DE "INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA" DE BANCOS A SERVIÇOS. IMPOSSIBILIDADE A atividade bancária típica, consistente no empréstimo a juros de recursos captados de depositantes, não consistindo numa obrigação de fazer, não corresponde a um serviço prestado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 PIS. CONCOMITÂNCIA. SUMULA CARF N. 001. A identidade entre o objeto do auto de infração e o objeto da ação judicial configura concomitância, aplicandose ao caso o disposto na Súmula CARF n. 001, impondo não se conhecer do recurso voluntário. EQUIPARAÇÃO DA ATIVIDADE DE "INTERMEDIAÇÃO FINANCEIRA" DE BANCOS A SERVIÇOS. IMPOSSIBILIDADE A atividade bancária típica, consistente no empréstimo a juros de recursos captados de depositantes, não consistindo numa obrigação de fazer, não corresponde a um serviço prestado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 12 01 /2 01 3- 24 Fl. 547DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 2 Constatado que os presentes lançamentos se encontram com a sua exigibilidade suspensa, são aplicáveis ao caso as disposições contidas no artigo 63 da Lei n° 9.430/96, devendo, por expressa previsão legal, não ser mantida a multa de ofício lançada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, dar parcial provimento ao recurso para reconhecer a concomitância e afastar a multa de ofício lançada. Vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl e Eloy Eros da Silva Nogueira. Designado o Conselheiro Júlio César Alves Ramos para redigir o acórdão. Júlio César Alves Ramos Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Júlio César Alves Ramos Redator designado. EDITADO EM: 20/04/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira, Ângela Sartori, Bernardo Leite de Queiroz Lima.. Relatório Este processo cuida de autos de infração para constituir e exigir PIS e COFINS, relativos aos meses de janeiro de 2009 a dezembro de 2010, que seriam devidos pela incidência em receitas de intermediação financeira hauridas pela contribuinte. Mais detalhadamente, a autoridade do lançamento verificou a existência de receitas que entende passíveis de tributação por essas contribuições e que não foram incluídas na base de cálculo pelo contribuinte. Como bem resume em seu voto os Julgadores de primeira instância: "... a partir das informações da empresa, foram analisadas as ações judiciais existentes, que, ainda seguindo a verificação fiscal, podem ser sintetizadas da seguinte forma: · Mandado de Segurança 2005.61.00.0276612 (PIS): Foi concedida parcialmente a ordem afastando a aplicação do §1o do artigo 3o da Lei n° 9.718/98 e permitindo ao contribuinte o recolhimento da contribuição ao PIS com base na receita bruta operacional definida pela legislação do imposto de renda. O contribuinte entrou com pedido de antecipação de tutela, o qual foi indeferido. A União apresentou agravo de instrumento contra a decisão que Fl. 548DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 16327.721201/201324 Acórdão n.º 3401002.918 S3C4T1 Fl. 3 3 recebeu o seu recurso de apelação apenas no efeito devolutivo, porém a suspensão pleiteada foi indeferida; · Mandado de Segurança 2005.61.00.0276624 (Cofins): No julgamento do mérito foi proferida decisão assegurando ao contribuinte “o direito de não recolher a COFINS sobre receitas que não resultem da venda de mercadoria, prestação de serviços ou combinação de ambos, conforme previsão do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98”. Foram opostos Embargos de Declaração pelo contribuinte que foram rejeitados pela MM Juíza Federal. Sobreveio Recurso de Apelação da União e contrarazões da impetrante. O autuante transcreve parte do item 3, da ementa do Acórdão da Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da Terceira Região datado de 28/08/2008, cuja decisão permanece inalterada: "Portanto, fica afastada a incidência do impugnado § 1º do artigo 3º da Lei n° 9.718/98 para toda e qualquer empresa, quanto à COFINS, contribuição que deve ser recolhida nos termos da legislação anterior, sem esta alteração do conceito de faturamento reputada inconstitucional.". A auditoria fiscal constatou que o contribuinte vem recolhendo ambas as contribuições incluindo na base de cálculo apenas parcela das receitas, classificadas em sua contabilidade como ‘rendas de prestação de serviços’. Informa que a renda declarada corresponde apenas a 0,87%, em 2009, e 1,25%, em 2010, do total das receitas. Entende que foi afastada a base de cálculo da Lei 9.718/98, prevista em seu art. 3º, § 1º, resultando que as contribuições deveriam ser recolhidas, basicamente, a partir do definido na legislação anterior. No caso do PIS, a incidência se daria sobre a receita bruta operacional definida pela legislação do imposto de renda. Quanto à Cofins, incidiria sobre a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. No Termo de Verificação fiscal, concluise que o faturamento das instituições financeiras decorre da totalidade da remuneração obtida como resultado da atividade, abarcando serviços de cobrança de tarifas (serviços bancários) e de operações bancárias (intermediação financeira), restando excluídas as receitas não operacionais. São citados trechos do Parecer PGFN/CAT nº 2.773/07 para subsidiar o entendimento, que por sua vez cita decisões do STF, o código de defesa do consumidor e discorre sobre as atividades bancárias. São elaboradas planilhas com a recomposição da base de cálculo das contribuições de acordo com estes critérios e contemplando as deduções previstas na lei, fundamentadas nos dados contábeis apresentados pelo contribuinte. A contribuinte impugna a autuação com a seguintes alegações, conforme resumo do relator da Turma de 1º Grau: Preliminarmente, destaca o requerente que a impugnação apresentada merece ser conhecida, pois trata de matéria diferente daquela sujeita à alçada do Poder Judiciário, na qual intenta a insubsistência do auto de infração por violar a coisa julgada que limitou a base de cálculo das contribuições e a declaração do descabimento da multa de ofício. Alega que não é cabível a aplicação de multa de ofício e que o lançamento só poderia ser efetuado com exigibilidade suspensa, pois: Fl. 549DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 4 · Relativamente à COFINS, em 18/01/2006, foi concedida liminar suspendendo a exigibilidade do aludido tributo na forma do §1°, do art. 3o da Lei n° 9.718/98, a qual foi confirmada pela sentença concessiva da segurança, em 26/04/2006, que permanece hígida até o momento; · Com relação ao PIS, também, em 08/03/2006, foi proferida decisão em agravo de instrumento concedendo a antecipação de tutela para assegurar o afastamento da aplicação do §1°, do art. 3o da Lei n° 9.718/98 e garantir o direito do impugnante ao recolhimento com base na LC n° 7/70. A decisão foi confirmada pela sentença concessiva de segurança proferida no MS/PIS, em 30/06/2008, e ainda válida; · A hipótese de lançamento estaria enquadrada no art. 63, caput e § 1º, da Lei 9.430/96, pois eventual crédito tributário encontrase com exigibilidade suspensa. Cita decisões do Carf sobre o não cabimento de multa de ofício quando existe suspensão do crédito tributário; · A tributação sobre receitas diversas das consignadas nas ações judiciais só poderia se dar com suspensão da exigência. A autuada prossegue afirmando que os lançamentos violaram a coisa julgada e elegeram base de cálculo equivocada, porque, em resumo: · No caso do PIS, a exigência estaria apoiada na Lei 9.718/98, ao passo que a decisão judicial garantiu a apuração pela LC 07/70. Os arts. 1º a 3º da referida LC (da qual são transcritos trechos) resultam que a base de cálculo é o valor do IRPJ devido no referido exercício; · As ações judiciais afastaram a tributação sobre qualquer receita diferente da venda de mercadorias, serviços ou combinação de ambos, sendo que a Procuradoria não recorreu quanto à inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98; · A base de cálculo em questão foi excluída por vício de constitucionalidade declarado pelo STF; · No conceito de faturamento decorrente da decisão do STF estão excluídas as receitas financeiras, sendo que, após a declaração de inconstitucionalidade em questão o dispositivo já foi, inclusive, revogado do ordenamento jurídico. Os bancos recolhem as contribuições sobre os seus serviços; · A autoridade administrativa se utiliza de “método interpretativo” para tentar justificar a tributação sobre matéria que deveria ter discutido na esfera própria do judiciário; Fl. 550DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 16327.721201/201324 Acórdão n.º 3401002.918 S3C4T1 Fl. 4 5 A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal em Porto Alegre apreciou a impugnação, o auto de infração e demais documentos que instruem o processo e teceu as seguintes ponderações e conclusões: · rejeitam a interpretação da contribuinte de que os autos de infração em tela foram lavrados para prevenir a decadência, exigindo PIS e COFINS sub judice; o lançamento foi feito com base nos dispositivos da Lei n. 9.718, de 1998, exceto o seu § 1º do artigo 3º, combinados com a Lei Complementar n. 07, de 1970, e RIR (para o PIS), e combinado com a Lei Complementar n. 70, de 1991 (para a Cofins). · justificam que as disposições contidas no artigo 63 da Lei n. 9.430, de 1996, referentes a lançamentos para prevenir decadência, não seria aplicáveis ao caso, uma vez que o lançamento não pretende tratar o que está sub júdice. · e inferem que "no caso concreto, existe divergência entre contribuinte e órgão autuante sobre o resultado das decisões, particularmente sobre a base de cálculo das contribuições para as instituições financeiras que resultam da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98." · analisam as decisões da ação judicial MS 2005.61.00.027662 (PIS) e concluem que a contribuinte não tem razão ao afirmar que ela teria assegurado o direito de calcular seu valor do PIS com fundamento na LC n. 07/1970 mediante a aplicação da alíquota de 5% sobre o imposto de Renda devido no exercício; o que essas decisões informam é que a 1ª instância afastou expressamente 'a antiga sistemática do PISRepique, prevista na Lei Complementar n. 7/70' e que 'as regras previstas na Lei n. 9.701/1998 encontramse vigentes e eficazes, não sendo lícito retomar o regime jurídico previsto na Lei Complementar n. 07/70'; portanto, o texto da decisão esclarece que ela está tratando da apuração da base de cálculo, que se encontrava sob litígio. · e analisam que "O auditorfiscal registra no termo de verificação que o contribuinte vinha apurando o PIS apenas sobre a receitas dos valores dos denominados serviços bancários. Efetivamente, é possível verificar nas planilhas das fls. 73 e 74 que o valor foi apurado pela empresa aplicando a alíquota de 0,65% sobre a receita da conta 7.17.00.009, “rendas de prestação de serviços”. Tomese, por exemplo, o valor dessa conta em janeiro de 2010, de R$ 3.281.440,79, e multipliquese por 0,65%. O resultado é de R$ 21.329,37, exatamente o valor confessado pela empresa em sua DCTF. As receitas da instituição decorrentes da intermediação financeira, rendas de títulos de renda fixa, rendas de operações de crédito, entre outras, não foram consideradas. Portanto, a apuração da empresa não guardou qualquer correspondência com a apuração do PISRepique, a despeito do argumento ter sido defendido na impugnação. (grifos nossos) · analisam as decisões do Mandado de Segurança n. 2005.61.00.0276624 (COFINS) e concluem que reconheceu o direito da contribuinte não recolher a COFINS sobre as receitas que não resultem da venda de Fl. 551DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 6 mercadorias, prestação de serviços ou a combinação de ambos, conforme previsão do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718, de 1998. · e concluem que: "Do exposto, é de se concluir que ambas as ações judiciais não se posicionaram sobre a incidência de PIS e Cofins sobre as receitas de intermediação financeira das instituições financeiras. O cálculo da exação pela autoridade fiscal não considerou as receitas não operacionais, sobre as quais não há litígio, uma vez que tanto à Receita Federal quanto à empresa entenderam pela não incidência, por força da ação judicial. Também foram consideradas as deduções específicas para reduzir a base de cálculo, conforme previsto nas leis 9.718/98, 9.701/91, além da legislação do imposto de renda." · os julgadores a quo estendem sua apreciação, incluindo a busca do significado da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718, de 1998, declarada pelo STF. Afinal, a empresa argumenta que as decisões nos seus MS têm o mesmo sentido do decidido pelo STF que ela afirma ser tributável somente receitas da venda de mercadorias e prestação de serviços, o que excluiria, por exemplo, as receitas decorrentes das aplicações financeiras. E as decisões judiciais nesses MS citam as do STF. Os julgadores a quo, nesse âmbito expõem seu entendimento que: Portanto, o STF, ao passo que declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, não se pronunciou definitivamente se faturamento seria a receita bruta decorrente da venda de mercadorias e prestação de serviços, rigidamente definidos em sua natureza, ou se seria a receita operacional/receita típica, o que, no caso das instituições financeiras e equiparadas, englobaria as receitas financeiras. A maioria dos Ministros entendeu que a definição do parágrafo 1º extrapolou a limitação constitucional, seja qual for o conceito de faturamento. É de se ressaltar, também, que o STF não busca definição de faturamento no direito privado. · e concluem que as receitas de intermediação financeira não foram apreciadas pelas ações judiciais invocadas, nem foram objeto de posicionamento nos Recursos citados em curso no STF, in verbis: A tributação do PIS e da Cofins sobre as receitas de intermediação financeira da autuada deve portanto ser apreciada, uma vez que, como visto, a decisão transitada em julgado não aprecia especificamente a matéria. Também, na forma analisada no item anterior, as decisões do STF que declararam a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 e serviram de fundamento aos mandados de segurança não se posicionaram sobre o assunto, como indica o próprio Supremo Tribunal. · e entendem que os ingressos decorrentes das atividades típicas das instituições financeiras constituem receitas operacionais, sujeitas á tributação pela COFINS e pelo PIS: Fl. 552DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 16327.721201/201324 Acórdão n.º 3401002.918 S3C4T1 Fl. 5 7 Ambas as decisões judiciais proferidas nos mandados de segurança impetrados trataram apenas da base de cálculo das contribuições, afastando apenas o § 1º do artigo 3º da referida lei, com o que não há discordância. As sentenças, ao contrário do defendido pela impugnante, não se manifestaram em relação à exclusão das receitas decorrentes da intermediação financeira obtidas por instituição financeira da base de cálculo das contribuições. A Receita Federal e a Procuradoria da Fazenda Nacional já se manifestaram adotando tal entendimento, que se encontra em consonância com as manifestações do próprio STF. As decisões proferidas pelo STF não apreciaram a questão específica, que se encontra pendente de julgamento no Supremo, com repercussão geral reconhecida no Recurso Extraordinário nº 609.096/RS. Assim, concluise que deve ser mantido o lançamento tributário. Por todo o exposto, voto no sentido de considerar improcedente a impugnação. O Acórdão n. 1048.711, de 30 de janeiro de 2014, proferido pela respeitável 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre ficou assim ementado: PIS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 não alcança as receitas típicas das instituições financeiras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras) compõem o faturamento das instituições financeiras e há incidência da contribuição sobre este tipo de receita, pois elas são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 COFINS. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 não alcança as receitas típicas das instituições financeiras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras) compõem o faturamento das instituições financeiras e há incidência da contribuição sobre este tipo de receita, pois elas são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. Constatado que os presentes lançamentos não se encontram com a sua exigibilidade suspensa, não são aplicáveis ao caso as disposições Fl. 553DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 8 contidas no artigo 63 da Lei n° 9.430/96, devendo ser mantida a multa de ofício lançada por expressa previsão legal. A contribuinte ingressa com recurso voluntário contra esse Acórdão e apresenta as razões por que entende deve ele ser reformado e cancelada a autuação, em resumo: 1. A Recorrente havia ingressado com mandados de segurança que pretende afastar a incidência das contribuições na forma estabelecida pela Lei nº 9.718/98, especialmente quanto à base de cálculo definida no seu artigo 3°, § 1°,sendo que, no MS/PIS, pugnase pelo direito ao recolhimento do PIS com base na Lei Complementar ("LC") nº 7/70, e, no MS/ COFINS, buscase ver garantido o direito de recolher a COFINS de acordo com a LC nº 70/91. Pugnase, subsidiariamente, pelo afastamento da ilegítima ampliação da base de cálculo prescrita no § 1°do art. 3° da Lei n? 9.718/98, para que as contribuições sejam apuradas com base, exclusivamente, na receita decorrente da prestação de serviços. 2. a r. sentença proferida nos autos do MS/PIS, não só reconheceu a inconstitucionalidade do §1° do art. 3ª da Lei n.º 9.718/98, como também, e principalmente, determinou que o recolhimento do PIS fosse efetuado com base na LC nº 7/70, afastando por completo a sua apuração na forma da Lei na 9.718/98. Na prática, garantiuse o recolhimento da contribuição mediante a aplicação da alíquota de 5% sobre o valor do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ("IRPJ") devido no respectivo exercício. 3. Nos autos do MS/ COFINS, a liminar foi deferida e, em sentença proferida em 26/04/2006, restou reconhecida a inconstitucionalidade do §1º do art 3º da Lei nº 9.718/98, bem como assegurado o direito da Recorrente de recolher a COFINS apenas sobre as receitas advindas da venda de mercadoria, prestação de serviço ou combinação de ambos, que ambos os MS estão atualmente sobrestados tendo em vista a Repercussão geral decretada nos autos do RE n.º 609.096/RS. 4. já se percebe que as parcelas de PIS e COFINS tidas por devidas na forma do § 1º, do art. 3º da Lei n.º 9.718/98 encontramse no mínimo com a exigibilidade suspensa em função das decisões judiciais que expressamente afastaram a exigibilidade do PIS e da COFINS sobre receitas outras além daquelas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviço. 5. Ocorre que, a despeito das hígidas decisões judiciais em tela, a D. Autoridade Fiscal lavrou os AI em tela, a pretexto de prevenir a decadência, exigindo, justamente, as parcelas de PIS e COFINS sub judice, isto é, inexigíveis por ordem judicial (ainda vigente), e impondo multa de ofício e juros de mora, olvidandose, por completo, da suspensão de exigibilidade do alegado débito em cobrança. Em verdade, olvidouse do fato de a parcela ora exigida, com base no §1° do art. 3º da Lei n? 9.718/98, ter sido afastada em definitivo nos autos dos aludidos tait, não sendo questionada a sua inconstitucionalidade nos recursos de apelação da Fazenda Nacional. Dessa forma, inarredável a extinção do crédito tributário, nos termos do art. 156, X, do Código Tributário Nacional ("CTN"). 6. A autoridade fiscal equivocouse ao impor multa de ofício sobre os valores de P1S e COFINS lançados, eis que descumpriu, frontalmente, as decisões judiciais proferidas nos Mandados de Segurança, que suspendem a exigibilidade dos pretensos débitos ora exigidos nos termos da Lei n.º 9.718/98, bem como violou a coisa julgada formada nos Mandados de Segurança, restando inconteste a Fl. 554DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 16327.721201/201324 Acórdão n.º 3401002.918 S3C4T1 Fl. 6 9 inexigibilidade do PIS e da COFINS na forma do § lº do art. 3º da Lei n.º 9.718/98. 7. a DRJ POA teve uma interpretação equivocada do entendimento do STF, que faturamento corresponderia a receitas operacionais, sendo assim, as receitas de natureza financeira estariam incluídas no conceito de faturamento. 8. que as receitas financeiras estão abarcadas pelo alargamento trazido pelo § 1º do art.3º da Lei n.º 9.718, de 1998, motivo por que pugna que está ocorrendo violação á coisa julgada, uma vez que tal inconstitucionalidade não fora contestada pela D Fazenda Nacional nos MS. 9. A Procuradoria da Fazenda Nacional apelou nos MS em questão requerendo fossem reformadas as respectivas decisões judiciais para que fossem incluídas as receitas financeiras na base de cálculo do PIS e da COFINS. 10. O Acórdão da DRJ deve ser reformado porque: (a) está em contradição com a D Procuradoria da Fazenda Nacional; (b) a autuação viola coisa julgada, eis que foram considerados na composição da base de cálculo da PIS e da COFINS receitas diversas daquelas advindas dsa venda de mercadorias, mercadorias e serviços e prestação de serviços, conforme já decidido pelo E STF; ( c) deve ser excluida a multa face a suspensão da exigibilidade do crédito tributário exigido. 11. o crédito tributário em tela está extinto por que as decisões judiciais proferidas nesses MS são irreformáveis em vista do trânsito em julgado que se operou diante da ausência de sua contestação pela D Procuradoria da Fazenda Nacional. 12. que essas decisões expressamente afastam a incidência do PIS e da COFINS sobre outras receitas que não aquelas decorrentes da prestação de serviços, da venda de mercadorias ou da combinação de ambos, por reconhecido vicio de inconstitucionalidade. 13. que o auto de infração incluiu equivocadamente na base de cálculo as receitas de participação (COSIF 7.1.8.00.00.2), que estão excluídas consoante inciso VII do art. 22 do Decreto n. 4.524, de 2002. 14. que a alteração do caput do art. 3º da Lei n. 9.718, de 1998, pela Medida Provisória n.º 627, de 2013, deixa claro o texto anterior não incluía as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica, ou seja, as receitas operacionais não estavam sob incidência dessas contribuições. 15. descabimento da multa de ofício pois se trata de crédito tributário com suspensão de exigibilidade. 16. na remota hipótese de se entender que o afastamento da aplicação do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718, de 1998, não seria suficiente de per se ao reconhecimento da suspensão da exigibilidade e da consequente exoneração integral da multa de ofício, o que se admite ad argumentando, ela deve ser excluída na parte do PIS pois se baseia na Lei n. 9.718, de 1998, quando a recorrente conta com decisão judicial que lhe garante apuração e recolhimento com base na LC n. 07/70. Fl. 555DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 10 É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Tempestivo o recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Sobre as receitas de intermediação financeira serem parte da base de tributação do PIS e da COFINS: A autoridade fiscal estabelece as razões para os lançamentos a partir da constatação de que a contribuinte não inclui na base de cálculo dessas contribuições as receitas referentes às seguintes contas: Rendas de operações de créditos; Rendas de câmbio; Rendas de aplicação interfinanceira de liquidez; Rendas de titulo de renda fixa; Rendas de Participações; Outras receitas operacionais; Consoante o que informa em seu termo, para a autoridade lançadora: (a) as receitas registradas nessas contas são provenientes de atividade central da contribuinte e elas não foram excluídas da base de cálculo do PIS e da COFINS pela declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718, de 1998; (b) que a contribuinte é uma instituição financeira e apenas presta serviços que abarcam os denominados serviços bancários e as denominadas intermediações financeiras de modo que as receitas de prestação de serviços abrangeria as receitas dos serviços bancário, por exemplo, pela cobrança de tarifas, e também as receitas advindas das operações bancárias cita o Parecer PGFN CAT n. 2.773/2007; ( c) e que as ações judiciais ingressadas pelo contribuinte não decidem em contrário a esse entendimento. A contribuinte se posiciona em contrário. Segundo sua impugnação e seu recurso nestes autos, para ela, as receitas de intermediação financeira estariam abarcadas pela tentativa de alargamento da base de cálculo dessas contribuições através do § 1º do artigo 3º da Lei n. 9.718 de 1998, e que foi considerado inconstitucional pelo STF. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 16327.721201/201324 Acórdão n.º 3401002.918 S3C4T1 Fl. 7 11 De fato, à mais Alta Corte continuam sendo encaminhados pedidos para os Ministros profiram decisões para esclarecer o alcance daquela declaração de inconstitucionalidade e esclarecer o que compõe a base de cálculo dessas contribuições, e pedidos para que eles profiram novas decisões sobre esses tópicos para situações ou fatos aparentemente por ela não alcançados. Este é o caso, a meu ver, do RE 609.096/RS, que aguarda apreciação pelos Ministros e se refere à definição de quais são as receitas auferidas por instituições financeiras que devem sofrer a incidência dessas contribuições. Após ler e analisar várias decisões proferidas pelo STF, e as transcrições de alguns dos diálogos entre os Ministros nesses julgamentos, se referindo à inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718, de 1998, e sobre a definição da base de cálculo do PIS e da COFINS, tais como, por exemplo, na ADCon n. 011/DF, RE 390.8405/MG, RE 346.084/PR, RE 150.755, e outros, tenho o entendimento e convicção que o STF considerou inconstitucional aquele § acima citado no que ele pretendia ampliar o conceito de receita bruta para alcançar a totalidade das receitas ganhas pelo contribuinte por exemplo: juntando as receitas operacionais e as não operacionais ; e que para os Ministros haveria uma sinonímia entre receita bruta e faturamento. E que o alargamento da base de cálculo implicaria em nela incluir as demais receitas que não são decorrentes das atividades empresariais, das suas atividades operacionais correntes, e que isso não seria admissível na forma como foi feito, por isso sua invalidação pelo STF. Como exemplo, eles citam as receitas de alugueis, royalties, ingressos financeiros, juros e outras, que não seria derivadas das atividades típicas da pessoa jurídica, mas seriam receitas eventuais, que não corresponderiam ao seu negócio ou objeto social. Senhores Conselheiros, deixo de reproduzir os trechos dos diálogos dos Ministros do STF e das decisões por ele proferidas a que me refiro, por saber serem eles de vosso pleno conhecimento, e também para não estender este voto para além do necessário. Mas, não se pode ter dúvida que, até o momento, para as instituições financeiras, as receitas de intermediação financeira não foram positiva e inequivocamente excluídas do campo de incidência do PIS e da COFINS pelas Mais Elevadas Cortes. E repito, concorre para essa certeza o fato de termos o RE 609.096/RS aguardando oportunidade para proporcionar essa tsunâmica pacificação. Portanto, não pode prosperar a afirmação da recorrente que a decisão do STF que declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718, de 1998, definiu que as receitas de intermediação financeira auferidas pelas instituições financeiras estariam excluídas da base de cálculo do PIS e da COFINS. As instituições financeiras têm como atividades centrais a captação, a intermediação e a aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros e também a custódia de valores de propriedade de terceiros. Essas atividades são regulamentadas e supervisionadas pelo Estado, e são desenvolvidas por agentes especialistas. Essa especialidade é uma competência que proporciona ao conjunto das instituições financeiras aptidão para compor um sistema financeiro integrado e nacional. Esses serviços especializados devem ser valorizados. Nesse âmbito, as instituições financeiras são remuneradas pelos seus serviços de intermediação. O mais evidente critério de remuneração está na diferença entre o que ele cobra para emprestar recurso financeiro a terceiro e o que ele paga para captar recurso Fl. 557DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 12 financeiro. As atividades bancárias são, de fato, serviços que são prestados, e eles incluem os serviços de intermediação financeira. Esta visão está compatível com a estabelecida em acordo internacional, ou seja, com o entendimento das nações, das instituições internacionais, dos entes especialistas de inúmeros países: o Anexo V do GATT (Rodada de Uruguai) com o Acordo Geral de Comércio e Serviços reconhecem e estabelecem que as atividades bancárias são, em sua natureza, serviços prestados a seus clientes, à sociedade. De modo que pareceme correto o entendimento da autuação e dos julgadores a quo que as receitas de serviços de intermediação financeira compõem a totalidade das receitas da instituição bancária no cumprimento de seu negócio, de suas atividades típicas, e que elas estão abrangidas nas definições da base de cálculo do PIS e da COFINS. Ademais, também creio congruente a equivalência entre a totalidade das receitas de prestação de serviços (incluindo os de intermediação) com o conceito de receita operacional, na medida que todos os serviços em questão constituem as operações da pessoa jurídica na realização de seu propósito e objeto social. Como vimos nos trechos das decisões judiciais aqui referidas, as autoridades consideram as instituições financeiras prestadoras de serviços e estabelecem uma equivalência entre as receitas de prestação de serviços, com a receita operacional e com a noção de faturamento. Logo, não há contradição entre o entendimento da autoridade lançadora e as decisões judiciais em comento. Sobre o alcance das ações judiciais ingressadas pela contribuinte: A contribuinte havia ingressado com as ações judiciais anos antes da ação fiscal em comento, vejamos o que se constituiu seu pedido e as decisões nelas proferidas pelas autoridades e sua situação atual. E antes, cabe assinalar, conforme informação prestada pela recorrente, que um dos mandados de segurança está sobrestado no Tribunal Federal Regional para aguardar a conclusão do RE n. 609.096/RS. (a) Para a ação judicial MS n.º 2005.61.00.0276612 (PIS): (a.1) PETIÇÃO DA CONTRIBUINTE NO MS: a) a concessão de liminar para suspender, a partir do período base de novembro de 2005, a exigibilidade da contribuição para o PIS, nos termos estipulados pela Lei n. 9.701/98 e Medida Provisória n. 1.807/99, na versão atual veiculada pela Medida Provisória n. 2.158-34/2001 e reedições, bem como pela Lei n. 9.718/98, garantindo à impetrante o direito de recolhê-la com a base na Lei Complementar n. 07/70, ou, ao menos; b) a concessão de medida liminar para suspender, a partir do período base de novembro de 2005, a exigibilidade da contribuição para o PIS sobre as demais receitas impostas pela Lei n. 9.718/98, que não as decorrentes da receita bruta da prestação de serviços; afastando em ambas as situações todo e qualquer ato da D Autoridade impetrada tendente a exigi-la nos moldes da Lei n. 9.718/98, notadamente os de inscrição na divida ativa, Fl. 558DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 16327.721201/201324 Acórdão n.º 3401002.918 S3C4T1 Fl. 8 13 inscrição no CADIN; e negativa de Certidão positiva com efeitos de Negativa de tributos federais, até o julgamento definitivo deste writ; .. d) a concessão em definitivo da segurança para, relativamente ao periodo base de novembro de 2005 e subseqüentes, garantir o direito liquido e certo da impetrante efetuar o recolhimento da contribuição nos termos da Lei Complementar n. 7/70 ou, ao menos, o direito de recolhê-la somente com base nas receitas provenientes da prestação de serviços, bem como de proceder à compensação dos valores indevidamente recolhidos a titulo de contribuição ao PIS desde novembro de 2000, nos termos do art. 74 da Lei n. 9.430/96, com redação dada pela Lei n. 10.637/2002, acrescido de taxa selic, conforme determinado pela Lei n. 9.250/95, sem impedimento da autoridade fiscal de exercer fiscalização sobre o procedimento efetuado. (a.2) SENTENÇA PROFERIDA NO MS (PIS): Vistos. Trata-se de mandado de segurança preventivo impetrado para o fim de amparar o direito da Impetrante de recolher, a partir de novembro de 2005, a contribuição para o PIS nos termos da Lei Complementar n. 7/70, afastando-se a aplicação das Leis n°s 9.701/98 e 9.718/98. Alternativamente, requer que referida exação incida somente sobre a receita proveniente da prestação de serviços. Postula, ainda, que seja resguardado o direito à compensação dos valores indevidamente recolhidos entre novembro de 2000 e outubro de 2005. Sustenta a Impetrante que, com o término da vigência do artigo 72, V do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, com a redação dada pela EC 17/97, que determinava a incidência ao tributo em comento sobre a receita bruta operacional, a legislação ordinária supramencionada teria perdido seu fundamento de validade, remanescendo/aplicável a sistemática prevista na referida Lei Complementar. Alega, ainda, ser inaplicável a base de cálculo prevista pela Lei n. 9.718/98. regra que disciplina a tributação sobre o faturamento eis que eivada de inconstitucionalidade por cuidar-se de matéria reservada à lei compLementar nos termos do art. 195, parágrafo 4o da Constituição Federal, e de vício de ilegalidade, na medida em que impõe a incidência sobre a totalidade das receitas. Juntou documentos (fls.36/218 e 222/240). Nas informações de fls. 252/267, a autoridade impetrada aduz a verificação de decadência do direito de impetrar o presente WRÍT quanto aos fatos geradores ocorridos entre novembro de 2000 e julho de 2005, e, por conseqüência, a ausência de interesse processual em relação a tais períodos. No mérito, a autoridade defende a aplicação da Lei n. 9.718/98, eis que ela disciplinou matéria passível de alteração por lei ordinária, nos termos do art. 239 da Constituição. Argumenta, ainda, que houve convalidação deste diploma pela EC 20/98. Refuta, também, a pretensão da Impetrante de ver excluída do conceito de faturamento a intermediação de operações e prestação de serviços tipicamente financeiros, e salienta a impossibilidade de compensação antes do trânsito em julgado deste mandamus. O pedido de liminar foi indeferido. A decisão foi alvo de agravo, ao qual foi dado provimento. A UNIÃO FEDERAL interpôs recurso extraordinário e recurso especial. O Ministério Público Federal manifestou-se às fls. 364/366, opinando pelo prosseguimento do feito. É O RELATÓRIO. DECIDO Inicialmente, rejeito as preliminares do ausência de interesse processual e decadência relativos aos períodos de novembro de 2000 è julho de 2005, dado o caráter preventivo deste mandamus. Parcial razão assiste à Impetrante. A antiga sistemática do PIS-Repique, prevista na Lei Complementar n.° 7/70, é inaplicável à espécie. Com efeito, o artigo 72, V dos Atos das Disposições Constitucionais Transitórias, com a redação final dada pela EC 17/97, não disciplinou a contribuição para o PIS, mas detalhou que parcela do tributo seria destinada a integrar o Fundo Social de Emergência - FSE. A Lei n.° 9.701/98 e a MP n.° 1.991-18/2000 cuidam de forma ampla de aspectos laterais relativos ao PIS, tais como deduções e exclusões de sua base de cálculo. Nesse ponto, também não diviso a existência de ofensa ao estatuído no artigo 73 do ADCT, introduzido pela ECR 1/94, pois ele não veda a regulamentação do PIS por medida provisória, mas impede que detalhes administrativos do FSE sejam disciplinados por esta espécie normativa. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 14 Demais disso, tenho que a regra-matriz constitucional da contribuição para o PIS é aquela contida no artigo 239 dá Constituição Federal, em sua redação original. Por conseguinte, não se aplica a ela o óbice ao uso de medidas provisórias conforme o disposto no artigo 246 do texto permanente. Em vista disso, as regras previstas na Lei n.° 9.701/98 encontram-se vigentes e eficazes, não, sendo lícito retomar o regime jurídico previsto na Lei Complementar n.° 07/70. No que concerne à Lei n.° 9.718/98, tenho que assiste razão à Impetrante quanto a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da exação em exame. Assinale-se que o Plenário do Colendo Supremo Tribunal Federal, apreciando os Recursos Extraordinários 357950, 390840, 358273 e 346084, decidiu pela inconstitucionalidade do parágrafo 1° do artigo 3° da norma; que ampliava o conceito de faturamento para abranger a receita bruta auferida pela pessoa jurídica, conforme se infere do teor do boletim informativo daquela Corte, in verbis: "Concluído julgamento de uma série de recursos extraordinários em que se questionava a constitucionalidade das alterações promovidas pela Lei 9.718/98, que ampliou a base de cálculo da COFINS e do PIS, cujo art. 3o, §1°, define o conceito de faturamento (*Art. 3o O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1o. Entende-se por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas.*) — v. Informativos 294, 342 e 388. O Tribunal, por unanimidade, conheceu dos recursos é, por maioria, deu-lhes provimento para declarar a inconstitucionalidade do § 1° do art. 3o da Lei 9.718/98. Entendeu-se que esse dispositivo, ao ampliar o conceito de receita bruta para toda e qualquer receita, violou a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, b, da CF, na sua redação original, que equivaleria ao de receita bruta das vendas de mercadorias, das mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, conforme reiterada jurisprudência do STF. Ressaltou-se que, a despeito de a norma constante do texto atual do art. 195,1, b, da CF, na redação dada pela EC 20/98, ser conciliável com o disposto no art. 3o, do § 1o da Lei 9.718/97, não haveria se falar em convalidação nem recepção deste, já que eivado de nulidade original insanável, decorrente de sua frontal incompatibilidade com o texto constitucional vigente. no momento de sua edição. Afastou-se o argumento de que a publicação da EC 20/98, em data anterior ao início de produção dos efeitos da Lei 9.718/97'— o qual se deu em 1°.2.99 em atendimento à anterioridade nonagesimal (CF, art. 195, § 6o) —, poderia conferir-lhe fundamento de validade, haja vista que a lei entrou em vigor na data de sua publicação (28.11.98), portanto, 20 dias antes da EC 20/98. Reputou-se, ademais, afrontado o § 4o do art. 195 da CF, se considerado para efeito de instituição de nova fonte de custeio de seguridade, eis que não obedecida, para tanto, a forma prescrita no art. 154, I, da CF ("Art. 154. A União poderá instituir I -mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo anterior, desde que sejam não-cumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição"). RE 346084/PR, rei. orig. Min. limar Galvão, 9.11.2005. (RE-346084). Tendo em vista que o total da receita bruta não se confunde com o conceito de faturamento, forçoso reconhecer que a base de cálculo da contribuição para o PIS delineada pela Lei n.º 9.718/98, seria novidade na sistema tributário nacional em face do texto originário da CF/88, impondo-se a observância do disposto no artigo 195, §6°, da Constituição, que remete à aplicação do art. 154,1, também do texto magno. De outra parte, ao contrário do que se deu com a Lei 9.718/98, que estabeleceu como base de cálculo a receita bruta à revelia de fundamento constitucional, a Lei 10.637/02, lei de conversão da medida provisória n. 66, publicada em 30.08.2002, ao disciplinar a contribuição ao PIS e sua base de cálculo, o fez com base na nova redação do art. 195,1, b, da Constituição Federal. A partir da edição da Emenda Constitucional 20/98 tornou-se possível a instituição de contribuições sociais sobre a receita ou o faturamento, porquanto a norma constitucional que outorgou competência tributária à União Federal para a criação de contribuições sociais possibilitou sua incidência sobre as duas bases econômicas, indistintamente, não existindo, por conseguinte, infração ao artigo 110 do Código Tributário Nacional. O STF também já se manifestou especificamente sobre a impossibilidade de extensão dos efeitos da declaração de inconstitucionalidade da Lei 9.718/98 à Lei 10.637/02, sob o fundamento de que esta lei é posterior à EC 20/98 e, por conseguinte, é válida a instituição de contribuição social sobre a receita bruta: Embargos declaratórios. Efeito Infringente. Conhecimento dos embargos como agravo regimental. 2. COFINS. Lei 9.718/98. RREE 336.134 e 357.950. 3. Aplicação, no tempo, dos efeitos da proclamação de inconstitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei 9.718/98. Leis 10.637/02 e 10.833/03. Identidade de fundamentos. Inexistência. Legislação posterior à EC 20/98. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. (RE-ED 379.243/PR, Rei. Min. Gilmar Mendes, Segunda Turma, Julgamento: 09.05.2006,DJ 09.06.2006, p. 39). Por conseguinte, a legislação superveniente à EC n° 20/98 assinalou que o faturamento é o "total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil", sendo certo que tal concepção de faturamento foi adotada para apuração da base de cálculo do PIS (art. 1o da MP 66/2002, redação mantida na Lei n° 10.637, de 30.12.2002), motivo pelo qual não há falar em inconstitucionalidade. Tal sistemática ó aplicável às instituições financeiras de que trata o artigo 22, parágrafo 1o da Lei n. 8.212/91. Desse modo, deve ser afastada, unicamente, a aplicação do §1° do artigo 3o da Lei n° 9.718/98. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 16327.721201/201324 Acórdão n.º 3401002.918 S3C4T1 Fl. 9 15 No que tange ao artigo 170-A do CTN, cuidando-se de exação cuja inconstitucionalidade já foi amplamente reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, não há que se aguardar o trânsito em julgado para efetuar a compensação, haja vista a impossibilidade de reforma neste aspecto. Posto isto, considerando tudo o mais que dos autos consta, julgo PARCIALMENTE PROCEDENTE o pedido com esteio no artigo 269, I do Código de Processo Civil e CONCEDO PARCIALMENTE a ordem para assegurar o direito da Impetrante de recolher a contribuição ao PIS com base na Lei Complementar n°. 7/70 até a publicação da MP n. 66/2002, convertida na Lei n°. 10.637/02 e a compensar os valores pagos com fundamento no artigo 3o, §1° da Lei n°. 9.718/98, respeitado o prazo qüinqüenal de prescrição. Atualização pela taxa SELIC, nos termos do artigo 39, §4°, da Lei 9.250/95. Custas ex lege. Honorários advocatícios indevidos nos termos da Súmula n.° 512, do Egrégio Supremo Tribunal Federal e Súmula n.° 105, do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Sentença não sujeita ao reexame necessário, nos termos do artigo 475, parágrafo 3o do Código de Processo Civil. (GRIFOS NOSSOS) (a.3) DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU PARA O EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EMBARGANTE: BANCO INDUSTRIAL E COMERCIAL SA. Vistos. Trata-se de Embargos de Declaração em que o impetrante busca esclarecimentos quanto à suposta ocorrência de omissão na -sentença proferida ás fls, 377/383. É o breve relatório. Decido. Com efeito, os Embargos de Declaração somente são cabíveis quando "houver, na sentença ou acórdão, obscuridade ou contradição" ou 'for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se o Juiz ou Tribunal" (incisos I E II, do art. 535. do CPC). Com razão o Impetrante, especificamente por se tratar de pessoa jurídica referida no artigo 22, §1° da Lei 8.212/91 - entidade financeira. A sistemática da Lei 10.637/92 não é aplicável ás instituições financeiras de que trata o art. 22, parágrafo 1º da Lei 8.212/91. Nos termos do artigo 8°, 1 da Lei 10.637, tais entidades permanecem sujeitas á Lei 9.718/98. De outra parte, em que pese O dispositivo de sentença ter assegurado O direito do impetrante de compensar os valores indevidamente recolhidos nos termos do §1º do artigo 3° da Lei n° 9.718/96, não dispôs «obre a legislação aplicável à.compensação. No que tange á determinação expressa da base de cálculo a ser utilizada, tenho que não ocorreu a citada omissão. "Superada a discussão sobre a inconstitucionalidade, resta evidente que a base de -cálculo aplicável era a vigente antes da promulgação da Lei n. 9.716/96. Posto isto, ACOLHO PARCIALMENTE os Embargos Declaratórios opostos para reformular a r. sentença, acrescentando os pontos abordados nesta decisão, passando o dispositivo da sentença a vigorar com a seguinte redação: 'Posto isto, considerando tudo o mais que dos autos consta, CONCEDO PARCIALMENTE A ORDEM para assegurar o direito do Impetrante de recolher a contribuição ao PIS -com base na Lei Complementar nº. 7/70, bem como para compensar os valores pagos com fundamento no artigo 3o, §1º da Lei na. 9.718/98, respeitado o prazo qüinqüenal de prescrição. A compensação poderá se dar com parcelas vencidas e vincendas dos tributos e contribuições sob a administração da Secretaria da Receita federal; nos exatos termos do art. 74 da Lei n.º 9.430/96. com a redação dada pela Lei n.º 10.637/2002. Atualização pela taxa -SELIC, nos termos do artigo 39, § 4o, da Lei 9.250/96. Custas EX LEGE. Honorários advocatícios indevidos nos termos da Súmula n.° 512, do Egrégio Supremo Tribunal "Federal e Súmula n.° 105, do Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Sentença não sujeita ao reexame necessário, nos termos do artigo 475, §3° do Código de Processo Civil". Mantenho no mais a r. sentença. (grifos nossos). (B) Para a ação judicial MS n.º 2005.61.00.0276624 (COFINS): (B.1) PETIÇÃO DA CONTRIBUINTE PARA O MS (COFINS) Fl. 561DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 16 a) a concessão de medida liminar para suspender, a partir do período base de novembro de 2005, a exigibilidade da contribuição sobre o faturamento - COFINS afastando todo e qualquer ato da D Autoridade impetrada tendente a exigi-la nos moldes da Lei n. 9.718/98, com as alterações promovidas pelo art. 18 da Lei n. 10.684/2003, notadamente os de inscrição na divida ativa, inscrição no CADIN; e negativa de Certidão positiva com efeitos de Negativa de tributos federais, até o julgamento definitivo deste writ; .. c) a concessão em definitivo da segurança para, relativamente ao período base de novembro de 2005 e subseqüentes, garantir o direito liquido e certo da impetrante de não efetuar o recolhimento da COFINS, conforme estipulado no art. 3º da Lei n. 9.718/98, com as alterações promovidas pelo art. 18 da Lei n. 10.684/2003, ou, ao menos, o direito de recolhê-la somente com base nas receitas provenientes da prestação de serviços, bem como de proceder à compensação dos valores indevidamente recolhidos a titulo de contribuição ao PIS desde novembro de 2000, nos termos do art. 74 da Lei n. 9.430/96, com redação dada pela Lei n. 10.637/2002, acrescido de taxa selic, conforme determinado pela Lei n. 9.250/95, sem impedimento da autoridade fiscal de exercer fiscalização sobre o procedimento efetuado. (B.2) SENTENÇA PROFERIDA NO MS (COFINS): Trata-se de mandado de segurança, com pedido de liminar, ajuizado pela impetrante, devidamente qualificada nos autos, objetivando não ser compelida ao recolhimento da COFINS, com as modificações introduzidas pelo artigo 3° da Lei n° 9.718/98 e artigo 18 da Lei n° 10.684/03, bem como seja autorizada a compensar os valores indevidamente recolhidos, desde novembro de 2000 Fundamentando a pretensão, sustentou ser descabida ás alterações promovidas pelos diplomas supracitados, na medida em que violaram estabelecido no § 4o do artigo 195 da Constituição Federal, e os princípios constitucionais, as leis, estrita legalidade e o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional. Diferida a apreciação do pleito liminar para após a vinda das informações, este foi deferido, às fls. 294/296 e 300, objeto de recurso de Agravo de Instrumento, cujo seguimento restou negado. Regularmente, notificada, a autoridade impetrada apresentou informações sustentando a legalidade do ato, praticado. Preliminarmente, argüiu a decadência do direito à via mandamental. PRELIMINAR ............... DA ILEGALIDADE DA COBRANÇA A COFINS foi instituída através da LC n° 70/91, com. fundamento Constitucional no artigo 195,1 da Carta da República. Embora veiculada por Lei complementar, a lei que instituiu a COFINS é materialmente ordinária, consoante decidiu o Supremo Tribunal Federal no julgamento da ADCON n° 1/1-DF. Vale dizer, como a CF/88 não exigiu a forma de lei COMPLEMENTAR para á instituição de fontes de custeio para a seguridade social, já elencadas no artigo 195, I, a LC n. 70/91, a lei em: questão tem natureza jurídica de lei ordinária. Assim, o argumento de que as alterações previstas na Lei n° 9.718/98 não poderiam prevalecer, porque veiculadas por lei ordinária, vulnerando o princípio da hierarquia das normas, não prosperam. Contudo, por outras razões de direito, a cobrança afigura-se ilegal. Vejamos: A COFINS encontra fundamento de validade, no artigo 195,1 da Carta da República, o qual confere competência para a União instituir contribuição sobre o faturamento. O Supremo Tribunal Federal, por sua vez, analisando o conceito de faturamento (RE n° 150755-1), equiparou-o ao de receita bruta, definida pela legislação do Imposto de Renda, (artigo 22, parágrafo l° do Decreto-Lei n° 2.397/87), ou seja, aquela decorrente da venda de bens e prestação de serviços. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 16327.721201/201324 Acórdão n.º 3401002.918 S3C4T1 Fl. 10 17 Dessa forma, fica claro que o § 1º do artigo 3°da Lei n.º 9.718/98, estendeu a incidência da COFINS a receitas diversas do faturamento propriamente dito, na medida em que inovou;o conceito já definido pelo direito comercial e pela jurisprudência para identificá-lo como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotadas para as receitas. Assim, o alargamento da base de cálculo da contribuição previdenciária em questão é inconstitucional, não encontrando fundamento de validade na Carta da República (artigo 195, I). Quisesse a União instituir nova contribuição previndeciária, deveria fazê-lo de conformidade com o artigo 154, I c/c artigo 194, parágrafo 4° da Constituição Federal, o que de fato não ocorreu. Inconstitucional .o alargamento da base de cálculo da COFINS, a superveniencia da EC n.º 20/98 não teria o condão de constitucionalizá-los. As leis inconstitucionais são nulas, não podendo ser constitucionalizadas por alteração constitucional posterior à sua edição. Conforme já decidiu a Corte Suprema: O Supremo Tribunal não pode, na apreciação de litígio dirimido por Tribunal inferior, sob a égide da Carta Federal de 1969, aplicar texto de Constituição superveniente. A regra de constitucional superveniente não se reveste de retroprojeção normativa, eis que os preceitos de uma nova aplicam-se imediatamente, com eficácia ex nunc. O principio da imediata incidência das regras juridico-constitucionais somente pode ser'-'EXCEPCIONADO, inclusive para efeito de sua aplicação retroativa;' quando assim expressamente dispuser a Carta Política. (Agravo Regimental em Agravo de Instrumento n.° 139647, Agravante: Estado de São Paulo, Agravada: Montenegro Exportação e Importação e Comércio. RELATOR Celso Mello,' 1ª Turma) Por fim, a própria EC n.º 20/98 (artigo 12) dirimiu a controvérsia em debate. Disciplina o artigo 12 que "até que produzam efeitos as leis que irão dispor sobre as contribuições de que trata o artigo 195 da Constituição Federal, são exigíveis as estabelecidas em lei, destinadas ao custeio da seguridade social e dos diversos regimes previdenciários". Assim, nos termos disciplinados na própria EC n° 20/98, a COFINS só pode ser exigida com base na LC n° 70/91, até que entre em vigor a nova lei de regência. No mais, o Código Tributário Nacional (art. 110), ao disciplinar acerca da interpretação e integrado da lei tributária, é expresso ao prever que a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de conceitos de direito privado, como acabou por acontecer no caso concreto; com a inovação exposta pela lei impugnada. No que diz respeito ao aumento da alíquota da COFINS, o STF, em decisão plenária, entendeu inexistir ofensa ao principio da isonomia, conforme transcrito abaixo. TRIBUTÁRIO. COFINS. ART. 8°, C A U T E § IO,-DA LEI N° 9.718/98, ALÍQUOTA MAJORADA DE 2% PARA 3%. COMPENSAÇÃO DE ATÉ UM TERÇO COM A CONTRIBUIÇÃO SOBRE O LUCRO LIQUIDO - CSLL, QUANDO O CONTRIBUINTE REGISTRAR LUCRO NO EXERCÍCIO.DECISÃO PLENÁRIA QUE ENTENDEU INEXISTIR OFENSA AO PRINCIPIO DA ISONOMIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, E M SESSÃO PLENÁRIA, CONSIDEROU NÃO OFENSIVO AO PRINCIPIO DA ISONOMIA, O TRATAMENTO DIFERENCIADO INSTITUÍDO PELO ART. 8º, § 1º, DA LEI 9.718/98. 8 Inexistência, no acórdão embargado, de omissão, contradição ou obscuridade. Impossibilidade ide rediscussão do mérito da causa, faltando-lhe, ainda, o requisito do prequestionamento. Súmula 282 desta colenda Corte. Embargos rejeitados (Embargos de Decl. No RE n°3S6134, ED/RS. rel. Min. Carlos Britto, STF). Ademais, não suficiente o argumento transcrito, no que concerne à alíquota veiculada pela Lei N.º 10.684/03, entendo ser legal o acréscimo estabelecido, por não ser a alíquota do tributo matéria de lei complementar e sim de lei ordinária, podendo, portanto, ser modificada piar outra lei ordinária. DA COMPENSAÇÃO ............ Posto isso acolho parcialmente o pedido inicial, julgando extinto o processo com julgamento de mérito; nos termos do artigo 269,1 do CPC, para assegurar à impetrante: Fl. 563DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 18 I - o direito de não recolher COFINS sobre as receitas que não resultem da venda de mercadoria, prestação ou serviço ou combinação de ambos, conforme previsão do § 1º do artigo 3o da Lei n° 9.718/98. II - autorizar a;impetrante a não se sujeitar às restrições de caráter infralegal, podendo compensar as parcelas recolhidas indevidamente com asparcelas vincendas de contribuições e impostos arrecadados pela Receita Federal, observada a prescrição qüinqüenal, nos termos do v. Acórdão acima transcrito. O termo "a quo" da prescrição qüinqüenal será a data da ocorrência da homologação tácita ou expressa do lançamento, levada a efeito pelo contribuinte ( ERESP 435.835/ SC, julgado em 24.03.04). A partir de 1o de janeiro de 1996 o valor a compensar incidirá a taxa referencial do SELIC, utilizável como; índice de correção monetária e de juro de mora. A análise da liquidez e certeza dos créditos a , serem compensados caberá à Receita Federal, por ocasião da homologação/da compensação efetuada. Incabíveis honorários advocatícios em sede de mandado de segurança, a teor do disposto nas Súmulas 105 do STJ e 512 do STF. Sentença sujeita ao reexame necessário. (grifos nossos) (B.4) TRECHOS DO ACÓRDÃO PROFERIDO PELO TRF 3 ª REGIÃO: A Turma, por unanimidade, não conheceu do agravo retido, negou provimento à apelação da impetrante e conheceu parcialmente da apelação fazendária e, na parte conhecida, deu-lhe parcial provimento, assim como à remessa oficial, nos termos do voto do Relator. .. Apela a parte impetrante requerendo a reforma parcial do julgado para garantir o seu direito de não efetuar o recolhimento da COFINS, conforme estipulado no artigo 3 o da Lei 9718/98, com as alterações promovidas pelo artigo 18 da Lei 10.684/2003, mantendo a isenção concedida pela Lei Complementar 70/91. ... Da Lei n° 9.718, de 27.11.98 - COFINS Da inconstitucionalidade do § 1 o , do art. 3 o , da Lei n° 9.718, de 27.11.98 Questiona-se nesta ação a constitucionalidade do § 1o do art. 3o, da Lei n° 9.718/98, resultante da conversão da M.P. n° 1.724, de 29.10.98, dispositivo que fixou o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições COFINS e PIS/PASEP, antes definido pela Lei Complementar n° 70/91 (para a COFINS) e pela Lei Complementar n° 7/70 (para o PIS) como sendo a receita bruta da venda de mercadorias e de serviços, agora passando a ter definição nos termos do artigo 3 o , § 1 o , da referida Lei: ... Alega-se ofensa ao artigo 195, inciso I, da Constituição da República de 1988, em sua redação originária (no que diz respeito à COFINS), pois a definição do dispositivo questionado alarga o conceito constitucional de faturamento, desbordando da noção de receita bruta decorrente da venda de mercadorias ou serviços existente no sistema jurídico pátrio, de outro lado não podendo a Lei n° 9.718/98 ser convalidada pela redação do inc. I do art. 195 atribuída pela superveniente Emenda Constitucional n° 20, de 15.12.1998, que passou a prever a "receita ou o faturamento" como hipótese impositiva da referida contribuição. Primeiramente, em se tratando de contribuição previdenciária dos empregadores, estabelecida com base no artigo 195, inciso I, da Constituição da República, está pacificado pelo Supremo Tribunal Federal, na ADCon n° 01-1/DF, que embora tenha sido instituída a COFINS através de lei complementar, poderia ser regulada a matéria através de lei ordinária. Do voto do Ministro Moreira Alves, relator, extrai-se o entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre a questão: "De outra parte, sendo a COFINS contribuição social instituída com base no inciso I do artigo 195 da Constituição Federal, e tendo ela natureza tributária diversa da do imposto, as alegações de que ela fere o princípio constitucional da não-cumulatividade dos impostos da União e resulta em bitributação por incidir sobre a mesma base de cálculo do PIS/PASEP só teriam sentido se se tratasse de contribuição social nova, não enquadrável no inciso I do artigo 195, hipótese em que se lhe aplicaria o disposto no § 4 o desse mesmo artigo 195 ('A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social, obedecido o disposto no artigo 154, I . ' ) , que determina a observância do inciso I do artigo 154, que estabelece que a União poderá instituir 'I -mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo Fl. 564DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 16327.721201/201324 Acórdão n.º 3401002.918 S3C4T1 Fl. 11 19 anterior, desde que sejam não-cumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição.' Sucede, porém, que a contribuição social em causa, incidente sobre o faturamento dos empregadores, é admitida expressamente pelo inciso i do artigo 195 da carta Magna, não se podendo pretender portanto, que a Lei Complementar n° 70/91 tenha criado outra fonte de renda destinada a garantir a manutenção ou a expansão da seguridade social. por isso mesmo, essa contribuição poderia ser instituída por Lei ordinária, A circunstância de ter sido instituída por lei formalmente complementar - a Lei complementar n° 70/91 - não lhe dá, evidentemente, a natureza de contribuição social nova, a que se aplicaria o disposto no § 4° do artigo 195 da constituição", porquanto essa lei, com relação aos dispositivos concernentes à contribuição social por^ ela instituída - que são o objeto desta 'ação , é materialmente ordinária por não tratar, nesse particular, de matéria reservada, por texto expresso da constituição, à lei complementar. Não estando, portanto, a COFINS sujeita às proibições do inciso I do artigo 154 pela remissão que a ele faz o § 4 o do artigo 195, ambos da Constituição Federal, não há que se pretender que seja ela inconstitucional por ter base de cálculo própria de impostos discriminados na Carta Magna ou igual à do PIS/PASEP (que, por força da destinação previdenciária que lhe deu o artigo 239 da Constituição, lhe atribuiu a natureza de contribuição social), nem por não atender ela eventualmente à técnica da não-cumulatividade." (sublinhei) Claro, portanto, que as alterações desta contribuição poderiam ser feitas por mera lei ordinária, como ocorreu com a Lei n° 9.718/98, do que se extrai a sua constitucionalidade sob este aspecto. Assim sendo, não prospera o argumento de que estaria havendo ofensa ao princípio da hierarquia das leis. E podendo ser reguladas por lei ordinária, também nenhum impedimento haveria para serem dispostas por medida provisória, estando já assentado o entendimento de poder este instrumento legislativo ser usado para dispor sobre matéria tributária. A questão jurídica central desta ação - sobre o conceito de faturamento dado pelo § 1 o do art. 3 o da Lei n° 9.718/98 -, porém, já está superada pelos julgamentos do Egrégio Supremo Tribunal Federal sobre o tema, por exemplo ao decidir arguições de inconstitucionalidade da contribuição ao FINSOCIAL prevista no artigo 2 8 da Lei n° 7.73 8/89, como também da própria COFINS na ADC n° 1-1/DF, nas quais decidiu, invocando trecho do voto do eminente Ministro Relator Moreira Alves: "Note-se que a Lei Complementar n° 70/91, ao considerar o faturamento como "a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza" nada mais fez do que lhe dar a conceituação de faturamento para^efeitos fiscais, como bem assinalou o eminente Ministro ILMAR ÜALVÃO, no voto que proferiu no RE 150.764, ao acentuar que o_conceito de receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços "coincide com o de faturamento, que, para efeitos fiscais, foi sempre entendido como o produto de todas_ as_ vendas, e não apenas das vendas acompanhadas de fatura, formalidade exigida tão-somente nas vendas mercantis a prazo (art. 1° da Lei 187/36)". (sublinhei) Eliminando qualquer controvérsia sobre o dispositivo legal ora questionado, o C. STF reconheceu a inconstitucionalidade do citado § 1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98, ao entendimento de que a legislação pátria sempre teve o conceito de faturamento como sendo a receita bruta da venda de mercadorias e serviços, mesmo que não acompanhadas de fatura, como era previsto desde a Lei n° 6.404/76, art. 187, inciso I (Lei das Sociedades por Ações) e art. 1 o , § 1 o , alínea 'a', do Decreto-Lei n. 1.940/82, na redação dada pelo Decreto-Lei n° 2.397/87, conceito atualmente estampado no artigo 966 do Código Civil/2002, com este significado tendo sido contemplado pela Constituição Federal de 1988 e, assim, não pode a lei tributária modificar tal definição, nos termos do art. 110 do Código Tributário Nacional, e ainda, se a norma legal não encontra amparo no texto original do inciso I do artigo 195 da CF/88 (dentro da expressão faturamento), é irrelevante que tenha sido promulgada posteriormente a EC n° 20/98, que alterou o inciso I do artigo 195 da Constituição da República para incluir, como base de cálculo das contribuições devidas pelos empregadores, a receita bruta, pois ela não tem o poder de convalidar as normas legais anteriormente editadas com a eiva de inconstitucionalidade. CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE - ARTIGO 3 o , § 1 o , DA LEI N° 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 19 98 - EMENDA CONSTITUCIONAL N° 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não_contempla a figura da Fl. 565DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 20 constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO - INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS - SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõe-se ao aspecto formal o princípio_da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS - RECEITA BRUTA - NOÇÃO - INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1o DO ARTIGO 3o DA LEI N° 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional n° 20/98, consolidou-se no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindo-as à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98,_no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida_e da classificação contábil adotada, (grifei - STF, Pleno, maioria. RE 3 90 84 0 / MG. Rel. Min. MARCO AURÉLIO, J. 09/11/2005, DJ 15-08-2006, p. 25; EMENT 2242-03, p. 372) No mesmo sentido: (RE 346084 / PR. Rel. p/ Acordão: Min. MARCO AURÉLIO. J. 09/11/2005, DJ 01-09-2006, p. 19; EMENT 224506, p . 1170) Portanto, fica afastada a incidência do impugnado § 1 o do art. 3 o da Lei n° 9.718/98 para toda e qualquer empresa, quanto à COFINS, contribuição que deve ser recolhida_nos termos da legislação anterior, sem_esta alteração do conceito de faturamento reputada inconstitucional. Enfim, acompanhando os precedentes do C. STF, deve ser reconhecida a inconstitucionalidade quanto ao conceito de faturamento contido no § 1 o do art. 3 o , da referida Lei 9.718/98, nos termos supra expostos. Importa observar, por fim, quanto à contribuição COFINS, que somente o § 1 o do art. 3 o foi reconhecido como inconstitucional pelo Colendo STF. .... Da Validade da Lei 9718/98 para as instituições financeiras anteriormente excluídas da tributação pela Lei 7 0/91: É certo que a Lei Complementar n° 70/91, no seu artigo 11 excluía as instituições financeiras da tributação para a COFINS: Art. 11. Fica elevada em oito pontos percentuais a alíquota referida no § 1° do art. 23 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, relativa à contribuição social sobre o lucro das instituições a que se refere o § 1° do art. 22 da mesma lei, mantidas as demais normas da Lei n° 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com as alterações posteriormente introduzidas. Parágrafo único. As pessoas jurídicas sujeitas ao disposto neste artigo ficam excluídas do pagamento da contribuição social sobre o faturamento, instituída pelo art. 1° desta lei complementar. Por seu turno a Lei 8.212/91 assim prescreve: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) § 1 o No caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de créditos, empresas de seguros privados e de capitalização, agentesautônomos de seguros privados e de crédito e entidades de previdência privada abertas e fechadas, além das contribuições referidas neste artigo e no art. 23, é devida a contribuição adicional de 2,5% (dois inteiros e cinco décimos por cento) sobre a base de cálculo definida no inciso I deste artigo. A Lei 9.718/98 alterou esta regra de isenção quando modificou a respectiva base de cálculo e alíquota da COFINS, conforme se verifica dos seguintes dispositivos: Art. 2 o As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3 o O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...) § 5 o Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1 o do art. 22 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para os efeitos da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. Fl. 566DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 16327.721201/201324 Acórdão n.º 3401002.918 S3C4T1 Fl. 12 21 Desta forma vemos que o artigo 2° da Lei 9.718/98 revogou o parágrafo único, do artigo 11, da Lei Complementar n° 70/91, sujeitando todas as pessoas jurídicas de direito privado à tributação pela COFINS, abrangendo, por óbvio, as instituições financeiras. Como já discorremos, muito embora a COFINS tenha sido disciplinada pela Lei Complementar 70/91, materialmente foi qualificada como uma Lei Ordinária, sendo válida, portanto a alteração impugnada. Ademais a isenção tributária é uma decisão política a ser tomada pela própria autoridade tributante. Assim, a mesma pessoa política que criou a isenção, poderá revogá-la-l, por meio de lei, não havendo que se falar em direito adquirido. Neste sentido a jurisprudência desta 3 a Turma, que tomo também como razão de decidir: PROC. : 2000.61.00.004247-0 AMS 231400/SP APTE : COMEX CORRETORA DE CAMBIO TITULOS E VALORES MOBILIARIOS LTDA TRIBUTÁRIO. COFINS LEI 9.718/98. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. DESONERAÇÃO DA TRIBUTAÇÃO NA FORMA DO ARTIGO 11 DA LC N° 70/91. INADMISSIBILIDADE. CONJUGAÇÃO DO ARTIGO 2° DA LC N° 70/91 (BASE DE CÁLCULO) E ARTIGO 8° DA LEI N° 9.718/98 (ALÍQUOTA). 1. O artigo 2° da Lei 9.718/98 revogou tacitamente o parágrafo único, do artigo 11, da Lei Complementar n° 70/91, sujeitando todas as pessoas jurídicas de direito privado à tributação pela COFINS, estando abrangidas dentre aquelas as instituições financeiras, por força do consignado no artigo 22 da Lei de Custeio da Previdência Social. 2. Considerando que a nova regra (Lei 9718/98), admitindo a tributação para as instituições financeiras pela COFINS, promanou da mesma Pessoa Política competente para criar o tributo e veio veiculada por lei ordinária, é perfeitamente possível que haja o ônus tributário, concluindo-se pela legitimidade da tributação das instituições financeiras, antes excluídas pela Lei Complementar 70/91. ..... 3. NÃO RESTAM DÚVIDAS, QUE AS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS SÃO PRESTADORAS DE SERVIÇOS, CONFORME DESTACADO PELO ARTIGO 3°, § 2°, DO CÓDIGO DE DEFESA DO CONSUMIDOR, E COMO TAL OBTÊM INGRESSOS MONETÁRIOS DESSA PRESTAÇÃO, PORTANTO, AUFEREM RECEITA. 4. Sem descurar da ilegitimidade da hipótese de incidência tributária, pela alteração da base de cálculo feita pela Lei n° 9.718/98, na forma declarada pelo Supremo Tribunal Federal, deverá a impetrante ser tributada nos moldes do art. 2°, da LC n° 70/91, à alíquota de 3% (sobre o faturamento), pois não se encontra mais excluída da tributação da COFINS, sendo nesse aspecto válida a Lei 9.718/98. 5. Apelação da Fazenda Nacional e remessa oficial parcialmente provida, apelação da impetrante improvida. ACORDÃO Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, decide a Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 3a Região, por unanimidade, dar parcial provimento à apelação da Fazenda Nacional e à remessa oficial e negar provimento à apelação da impetrante, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. Ao lermos a sentença do MS que trata do PIS, vemos que o M. Juiz afirma que "a antiga sistemática do Pis Repique, prevista na Lei Complementar n. 07/70 é inaplicável à espécie" e que "as regras previstas na Lei n. 9.701/98 encontramse vigentes e eficazes, não sendo lícito retomar o regime jurídico previsto na Lei Complementar n. 07/70". A sua conclusão informava "julgo parcialmente procedente o pedido .. e concedo parcialmente a ordem para assegurar o direito da impetrante de recolher a contribuição do PIS bem como para compensar os valores pagos com fundamento no artigo 3º, § 1º da Lei n. 9.718/98, respeitado o prazo quinquenal." E ao apreciar os Embargos da contribuinte, o MM Juiz decidiu que as instituições financeiras permanecem sujeitas à Lei n. 9.718/98. E que "no que tange à determinação expressa da base de cálculo a ser utilizada, tenho que não ocorreu a citada omissão. Superada a discussão sobre a inconstitucionalidade, resta evidente que a base de cálculo aplicável era a vigente antes da promulgação da Lei n.º 9.718/98." O Tribunal Regional, ao apreciar os recursos, negou o apelo da contribuinte, e, em minha leitura, definiu (a) que não houve ofensa à hierarquia das leis as alterações promovidas por lei ordinária pela Lei n. 9.718/98 ; e (b) que fica afastado o alargamento do Fl. 567DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 22 conceito de faturamento do § 1º do art. 3º dessa Lei e que foi reputada inconstitucional; ( c) que as instituições financeiras deixaram de ter direito à isenção prevista na LC n.º 70/91 (art. 11) e passaram a estar sujeitas à COFINS conforme disciplinado pela Lei n.º 9.718/98. E ao ler a sentença do MS que trata da COFINS, vejo que o M Juiz afirma "dessa forma fica claro que § 1º do artigo 3º da Lei n. 9.718/98, estendeu a incidência da COFINS a receitas diversas do faturamento propriamente dito, na medida em que inovou o conceito já definido pelo direito comercial e pela jurisprudência para identificálo como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas." E decidiu: "acolho parcialmente o pedido inicial .. para assegurar à impetrante: o direito de não recolher COFINS sobre receitas que não resultem da venda de mercadoria, prestação de serviço ou a combinação de ambos, conforme previsão do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/98". Ao contrário do que a recorrente pretende fazer crer, não há nas decisões judiciais a definição de que as receitas de intermediação financeira estão excluídas da base de cálculo dessas contribuições. Ao contrário, indicam que elas estão insertas no sentido de faturamento ou de venda de mercadorias e serviços para instituições financeiras. Analisando essas decisões judiciais, concordo, ainda, com os julgadores a quo que a recorrente se equivoca que lhe teria sido assegurado o direito de receber o tratamento previsto ao PIS nos termos da LC n. 7/70 e à COFINS pela LC n. 70/91. Os Desembargadores, a meu ver, decidiram diferente do que interpreta a recorrente. Ela não teria assegurado o direito de calcular seu valor do PIS com fundamento na LC n. 07/1970 mediante a aplicação da alíquota de 5% sobre o imposto de Renda devido no exercício; creio que as decisões judiciais informam expressamente o afastamento da 'antiga sistemática do PISRepique, prevista na Lei Complementar n. 7/70' e que 'as regras previstas na Lei n. 9.701/1998 encontramse vigentes e eficazes, não sendo lícito retomar o regime jurídico previsto na Lei Complementar n. 07/70'; portanto, o texto das decisões, quando fazem remissão a esses diplomas legais, estão tratando da apuração da base de cálculo, que se encontrava sob litígio. Nesse sentido, recupero a constatação feita pela autoridade fiscal que o contribuinte vinha apurando o PIS apenas sobre a receitas dos valores dos denominados serviços bancários. As receitas da instituição decorrentes da intermediação financeira, rendas de títulos de renda fixa, rendas de operações de crédito, entre outras, não foram consideradas. Portanto, a apuração da empresa não guardou qualquer correspondência com a apuração do PISRepique, a despeito do argumento ter sido defendido na impugnação. Essas decisões judiciais afastam o alargamento proposto pelo § 1ª do ar. 3ª da Lei n. 9.718/98, mas não consideram que essa Lei seja invalida. Essas decisões se reportam à legislação anterior para se definir a base de tributação. Para chegarmos a essas definições, necessário lermos a legislação anterior: LC 07/70, LC 70/91, combinada com a que lhe sucedeu: a Lei n. 9.701/98 e a lei n. 9.718/98. No caso do PIS, a incidência se daria sobre a receita bruta operacional definida pela legislação do imposto de renda .(inciso V, art. 72, CF 1988; art. 269 RIR Decreto 3.000/99) Quanto à Cofins, incidiria sobre a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza (art. 2ª da LC 70/1991). Outro ponto importante que essas decisões judiciais nos trazem, e que contraria a pretensão da contribuinte, foi assentar que as instituições financeiras não têm mais direito aos benefícios ou tratamento tributário previsto pela legislação anterior por exemplo, a isenção da contribuição social , pois esse tratamento foi revogado pela legislação superveniente (Lei n. 9.718/98); e que as instituições financeiras passaram a estar submetidas à Fl. 568DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 16327.721201/201324 Acórdão n.º 3401002.918 S3C4T1 Fl. 13 23 mesma ordem de tributação (regras, alíquotas, bases de cálculo, etc) que as demais pessoas jurídicas sofrem como contribuintes do PIS e da COFINS. Sobre a concomitância e o desrespeito à coisa julgada: De todo esse relato, informações no processo e conjunto de argumentações, pareceme ser uma questão básica verificarmos se há coincidência de objetos entre as ações judiciais ingressadas pela contribuinte e as autuações fiscais, e se estamos submetidos à mando da Súmula CARF n. 01. Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Em sua petição inicial nessas ações judiciais o contribuinte debate os conceitos de receita bruta e de receita operacional e de faturamento. Ele não propõe positivamente que a receita de intermediação financeira não comporia essas bases de tributação, nem que esse tipo de receita seria vítima do alargamento considerado inconstitucional. Ora, a Súmula CARF n. 01 se aplica quando o sujeito passivo propõe ação judicial com o mesmo objeto da ação administrativa. Mas, como vimos, aqui não é o caso, o contribuinte não propôs ação judicial para discutir as receitas de intermediação financeira e a a incidência do PIS e da COFINS, de onde podemos concluir que não se deve aplicar essa súmula e deixar de apreciar a lide. Outra conclusão a que podemos chegar é que as disposições contidas no artigo 63 da Lei n. 9.430, de 1996, referentes a lançamentos para prevenir decadência, não seria aplicáveis ao caso, uma vez que o lançamento não pretende tratar o que está sub júdice. Como explicado, a meu ver, as decisões judiciais trazem implícito o entendimento que as receitas financeiras auferidas pelas instituições financeiras, resultantes de suas atividades empresariais de prestação de serviços, podem ser consideradas como operacionais ou de prestação de serviços e são alcançadas pela incidência do PIS e da COFINS. Não há lançamento sobre parcela que se entenda excedente aos julgados, ou que repouse no § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. O lançamento foi efetuado com base em demais dispositivos da Lei 9.718/98 (por exemplo, no que respeita alíquotas ou direito às deduções) combinado com as legislações anteriores, ou seja, a Lei 9.715/98 e Lei Complementar 07/70, além do regulamento do imposto de renda, para o PIS, e Lei Complementar 70/91, para a Cofins. Por essas razões, também concluo que não houve suspensão da exigibilidade de crédito tributário referente a esse tipo de receita para sua inclusão na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse âmbito, tenho como profissão de fé que o propósito do lançamento de prevenir decadência é mero adjetivo de sua configuração, não se tratando de elemento essencial do lançamento. Não existe um tipo de lançamento para prevenir decadência e outro para não prevenir. Esse propósito de prevenção não criou um tipo especial de lançamento. Ela, com Fl. 569DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 24 relação à multa de ofício, apenas a afastou quando há prévia suspensão da exigibilidade por decisão judicial. Sendo assim, não houve ofensa às decisões judiciais, como afirma a recorrente. Entretanto, de outro lado, as instâncias superiores identificaram a necessidade da definição de quais receitas auferidas pelas instituições estão inclusas ou excluídas dessas tributações. Assim me parece quando se decide sobrestar o prosseguimento desses autos face a possibilidade das Altas Cortes decidirem com Repercussão Geral Recurso Extraordinário sobre matéria que afetará aqueles MS. A meu ver, os contornos do objeto de cada uma dessas ações judiciais passaram a não ser definidos exclusivamente pelo componentes das petições. O prosseguimento do debate interno nesses MS está sujeito às influencias e contribuições provenientes da evolução dos debates e posicionamentos no contexto dos Tribunais e das Altas Cortes. O objeto desvelou, progressivamente, esses contornos, explicitando que ele passou a tratar de tema inicialmente latente, mas essencial para a decisão judicial e para as partes. No caso, o RE 906.069/RS, sob julgamento do STF estará discutindo, para o que interessa a esses autos de infração, quais as receitas das instituições financeiras que devem ser incluídas nas bases de cálculo dessas contribuições, mas as decisões ainda não foram proferidas. È uma concomitância, só que com efeitos a partir de quando os Ministros chegarem à solução. Não consigo adotar a proposição da recorrente de que esses MS teriam dispositivos em suas decisões que seriam coisas julgadas, inclusive por falta de questionamento da Fazenda Nacional. Não vejo assim. Essas ações judiciais não chegaram a seu termo, nem proporcionam certezas inamovíveis. Ao contrário, elas estão aguardando novas decisões que podem trazer implicações não previstas, e diante da possibilidade de mudanças que acabam por tornar certo que era incerto e vice versa. Ademais, a prudência convida a não anteciparmos o que está em processo de maturação e análise, especialmente se tivermos em conta a complexidade das argumentações em embate nos campos das altas esferas competentes para um tema tão importante e sensível. Nessas ponderações abro espaço para expressar minha concordância com a recorrente de que não cabe incluir na base de calculo das contribuições as rendas provenientes de participação (COSIF 7.1.8.00.00.2), pois elas estão excluídas conforme dispõe o inciso VII do art. 22 do Decreto n. 4.524, de 2002. Contudo, com relação às outras alegações da recorrente, entendo que elas não procedem, razão porque proponho a este Alto Colegiado seja negado provimento ao recurso voluntário. Tendo em vista essas considerações, proponho não seja aplicada a Súmula CARF n. 1 e seja dado parcial provimento ao recurso voluntário, para apenas excluir da base de de calculo das contribuições as rendas provenientes de participação (COSIF 7.1.8.00.00.2), pois elas estão excluídas conforme dispõe o inciso VII do art. 22 do Decreto n. 4.524, de 2002. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Voto Vencedor CONSELHEIRO JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Fl. 570DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 16327.721201/201324 Acórdão n.º 3401002.918 S3C4T1 Fl. 14 25 Divergi do bem fundamentado voto do i. relator, por entender aplicável a Súmula CARF nº 01 que trata da concomitância entre ação judicial e processo administrativo: SÚMULA NO 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Penso assim porque não consigo adotar a tese esboçada pela autoridade responsável pelo lançamento e, de certo modo, acolhida pela DRJ, qual seja, a de que a receita decorrente das atividades de "intermediação financeira" de bancos possa ser enquadrada como receita de serviços. Evidentemente, aceita tal tese, não caberia falar em concomitância, na medida em que o lançamento não estaria a contestar a decisão judicial não definitiva obtida pela empresa. Pareceme, porém, que a atividade desenvolvida por bancos comerciais não se caracteriza por uma obrigação de fazer assumida pela instituição junto ao seu correntista. Como é de todos sabido, este tem sido o critério jurídico eleito pelos nossos tribunais superiores para distinguir o conceito de serviços a ser adotado na interpretação de legislação em que a tributação esteja restrita àquele conjunto de atividades, como, por exemplo, no imposto sobre serviços de qualquer natureza. E a razão para que assim não se passe na atividade desenvolvida pelos bancos comerciais está em que ele não aplica os recursos captados junto aos seus clientes, seja por meio de depósitos à vista ou a prazo, para tais clientes, de modo que sua remuneração dependa dessa prestação. De fato, consistisse a atividade bancária uma efetiva intermediação num sentido semelhante ao que se passa com corretoras, por exemplo, dúvida não haveria de sua equiparação a serviços. Nesse caso, o banco apenas localizaria um potencial tomador de empréstimo a ser contraído junto ao depositante e seria remunerado por alguma parcela, pouco importando se ela teria o nome de taxa, comissão, spread ou o que quer que seja. Nesse caso, todo o risco do negócio recairia sobre o depositante. Deveras, qualquer descumprimento da obrigação assumida pelo tomador do empréstimo que implicasse o não recebimento, seja dos juros seja do principal, em nada afetaria a instituição financeira, exceto talvez quanto a sua imagem na "captação" de bons tomadores, afetando única e exclusivamente o titular original dos depósitos, em nome de quem se deu o sucessivo empréstimo. Todos sabemos, porém, que não é isso o que acontece. Muito diferentemente, o que os bancos assumem com seus clientes depositantes titulares dos recursos é a obrigação de guarda dos valores e sua movimentação contra ordem (depósitos a vista) ou uma remuneração para que eles permaneçam em poder do banco por um prazo contratualmente definido (depósitos a prazo). De posse de tais recursos, e já sem qualquer vinculação com o depositante, os bancos promovem o empréstimo, em seu próprio nome, de parte desses valores a terceiros. Cabem inteiramente ao banco as atividades de localizar o pretendente a tomador de recursos, analisar sua capacidade de pagamento e com ele negociar as condições. Formalizado o novo Fl. 571DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 26 contrato, a remuneração nele obtida pertence, em sua integralidade, à instituição financeira, embora, por óbvio, a apuração do efetivo ganho dela proveniente exija o abatimento da despesa financeira e/ou administrativa contraída para a captação dos recursos. A parcela assim recebida, pois, tem a natureza exclusiva de receita financeira: ela decorre de os recursos terem passado à posse do tomador, por prazo certo, ao fim do qual terá de ser devolvido ao banco. Notese que, autônomos os contratos, nada exonera o banco de devolver ao depositante o inteiro montante depositado ainda quando malogre o empréstimo por ele, banco, feito, aliás a causa mais comum de quebradeiras bancárias. Nesse sentido estritamente jurídico, considero, inclusive, inapropriado denominar a atividade bancária de "intermediação". De intermediação ela nada tem, sendo uma atividade tipicamente financeira e assim remunerada, embora, sob uma perspectiva econômica, e tendo em vista a totalidade da Economia, seja inteiramente válido caracterizar o papel do sistema bancário como intermediador das poupanças privadas. Nesse sentido estritamente econômico julgo também perfeitamente válida a caracterização da receita de tais atividades como sendo o chamado spread bancário, definido como a diferença entre os juros recebidos e os pagos aos clientes. Tal conceituação econômica, aplicada a atividades de vendas de mercadorias, corresponderia aproximadamente ao conceito contábil de lucro bruto, e é, sem dúvida, de grande valia quando se trata de avaliar o desempenho econômico da entidade. O que não me parece adequado, contudo, é adotar tal critério econômico para a definição dos conceitos jurídicos emanados da legislação tributária quando tais conceitos estejam jungidos à noção de serviços. Não desconheço que a legislação pretende, de fato, considerar como receita bruta daquelas empresas aquilo que acima chamo de lucro bruto. É o que pretendeu o legislador da 9.718, e certamente atento ao aspecto da capacidade contributiva do setor, tão acentuado no Parecer da PGFN citado pelo autuante. Mas isso, a meu ver, é exatamente o que se encontra em discussão no Poder Judiciário, desde que o ministro Cesar Peluso promoveu a "equiparação" dos conceitos de faturamento e "receitas das atividades empresariais". É óbvio que, se vier a prevalecer tal entendimento nos processos representativos de controvérsia que aguardam julgamento definitivo no STF, incidirão tanto a COFINS como o PIS sobre tais receitas. Mas num conceito restritivo de base de cálculo, limitado à receita de serviços, como por enquanto obtido pela instituição financeira naquele Poder, não me parece possível garantir a tributabilidade daquele conjunto de receitas. Nesse restritivo sentido que sempre prevaleceu até o voto do e. ministro Peluso serviços são apenas aquelas atividades denotadoras de uma obrigação de fazer cumprida pela instituição. Naturalmente, tais considerações perderiam relevância se aceita a afirmação da autoridade responsável pelo lançamento de que a adoção daquele conceito seria obrigatória no território nacional em razão da aprovação dos termos do Acordo Geral de Comércio e Serviços (GATS), rodada Uruguai, introduzido no ordenamento jurídico pátrio pelo Decreto 1.355/94. Como já manifestei em votos anteriores, entendonos inteiramente vinculados aos decretos regulamentares expedidos pelo chefe do Poder Executivo, na linha do que preceituam os nossos melhores administrativistas. Vejo, porém, que aquele decreto apenas regula as relações internacionais do país. Expressamente, diz o Acordo Geral sobre Comércio de Serviços, anexo 1A da Ata Final anexa àquele decreto (fls. 366): Fl. 572DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 16327.721201/201324 Acórdão n.º 3401002.918 S3C4T1 Fl. 15 27 Destarte, apenas quando uma instituição bancária brasileira preste "serviços bancários" a pessoa física ou jurídica oriunda de país também aderente ao acordo, ou, reciprocamente, quando um brasileiro seja atendido por uma instituição financeira estrangeira, é que é obrigatório adotar as definições relativas a serviços ali presentes. Mas não há, seja no decreto, seja no próprio acordo a ele anexo, qualquer disposição que imponha a aplicação dos conceitos de serviços bancários ali presentes nas operações internas do próprio País, e mais especificamente ainda, no que tange à definição de base de cálculo dos tributos internos. Por esse mesmo motivo, também não vejo obrigatoriedade de adoção das conclusões do Parecer da douta Procuradoria da Fazenda Nacional igualmente citado pela autoridade responsável pelo lançamento. Como já dito, ali se adotaram as conceituações econômicas de receita de intermediação bancária para equiparála a serviços. Como decorrência, entendo que os lançamentos realizados garantem, contra os efeitos da decadência, a parcela de COFINS e de PIS que só será devida se o egrégio STF mantiver o entendimento de que sua base de cálculo corresponde à receita das atividades empresariais. E como realizado quando já vigente e eficaz a decisão não definitiva que assegura à instituição financeira o direito de recolhêla apenas sobre a parcela reduzida, não poderia incluir a multa de ofício efetivamente aplicada, por força do que dispõe o art. 63 da Lei 9.430/96. Tendo sido essas as conclusões da maioria, das quais apenas os Conselheiros Eloy e Robson divergiram, votou o colegiado pelo não conhecimento do recurso quanto ao mérito, pelo efeito da concomitância, e por afastar a multa de ofício aplicada, sendo este o acórdão que me impus redigir. CONSELHEIRO JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Redator para o acórdão Fl. 573DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 24/ 04/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 20/04/2015 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA
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Numero do processo: 11065.101396/2007-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Sun Jul 08 00:00:00 UTC 2001
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
PIS/PASEP e COFINS. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. COMERCIAL EXPORTADORA.
O artigo 6°, § 4°, da Lei n° 10.833/2003 veda expressamente o aproveitamento dos créditos decorrentes das aquisições de mercadorias por empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-01.111
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS. COMERCIAL EXPORTADORA. O artigo 6°, § 4°, da Lei n° 10.833/2003 veda expressamente o aproveitamento dos créditos decorrentes das aquisições de mercadorias por empresas comerciais exportadoras com o fim específico de exportação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 08/07/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Paulo Sergio Celani, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Ausente justificadamente o Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA 2 Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho de Decisório proferido pela DRF Nova Hamburgo que glosou parcialmente o direito creditório relativo ao PIS não cumulativo e homologou as compensações declaradas até o limite do direito creditório reconhecido. De acordo com o Relatório de Verificação Fiscal foram apuradas duas irregularidades na escrituração da empresa que resultaram na glosa efetuada: cálculo de créditos sobre aquisições de mercadorias com fim específico de exportação. A interessada adquiriu da empresa MR Couros Indústria e Comércio LTDA., situada no estado do Maranhão, "couros bovinos curtidos ao cromo, tipo wet blue", constando das notas fiscais (fls.62, 64, 66) a informação de remessa com fim específico de exportação (campo informações complementares) e ainda o código CFOP 6118 (venda para exportação). As mercadorias foram entregues diretamente para CMA CGM do Brasil Agência Marítima LTDA, situada na cidade de Belém do Pará, e exportadas por meio do porto situado nessa cidade. A interessada insurgese contra a inclusão na base de cálculo do PIS não cumulativo de receitas referentes a cessão e/ou transferência de créditos de ICMS, por entender que tais valores não se enquadrariam no conceito de receita estabelecido pela Lei n° 10.637/2002. Discorda também da glosa dos créditos referente às compras de mercadorias com fim específico de exportação, defendendo o direito ao creditamento, uma vez que não preencheria os requisitos estabelecidos pela legislação (Decretolei n° 1.248/1972) para ser considerada uma empresa comercial exportadora. Acredita que se não houve o recolhimento da contribuição devida pela empresa vendedora (MR Couros Indústria e Comércio LTDA) esse deveria ser cobrado daquela empresa. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 COMERCIAL EXPORTADORA. São empresas que têm como objetivo social a comercialização, podendo adquirir produtos fabricados por terceiros para revenda no mercado interno ou destinálos à exportação, assim como importar mercadorias e efetuar sua comercialização no mercado doméstico, ou seja, atividades tipicamente de uma empresa comercial. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A partir de 01 de fevereiro de 2004, é vedado às empresas comerciais exportadoras aproveitar os créditos relativos aos insumos adquiridos para fins de exportação, conforme se verifica na disposição constante do art. 60,§ 4º da Lei n° 10.833/2003. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na Manifestação de Inconformidade. Repete não estar constituída como uma trading company. Aduz que muitas vezes efetua a remessa de bens através de operações triangulares, onde o beneficiador faz a remessa diretamente para o embarque e desembaraço aduaneiro e que, por estas razões a recorrente não teria “como informar ao fornecedor o Fl. 137DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11065.101396/200758 Acórdão n.º 3102001.111 S3C1T2 Fl. 2 3 número de seu cadastro na DECEX, fato este indispensável para que o mesmo enquadrasse sua venda como sendo “à empresa comercial exportadora” ”. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Devem ser rejeitados os argumentos baseados na descaracterização da empresa da condição de uma trading company. Todas as considerações trazidas aos autos em primeira instância são por demais esclarecedoras e não foram objetadas de maneira consistente pela recorrente, que limitouse apenas a repetir, sem nada acrescentar, que não é uma trading company. Inobstante, como fica claro no voto condutor da decisão recorrida, que adoto in totum neste particular, não é necessário que seja. Por outro lado, tratase de uma controvérsia que parece poder ser resolvida pela leitura do teor do artigo 6º da Lei 10.833/03. Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, com pagamento em moeda conversível; III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3º O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o. § 4º O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1º não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto Fl. 138DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA 4 no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. (grifos meus) Quanto à afirmação de que há ocorrência de operações triangulares, onde o beneficiador faz a remessa diretamente para o embarque e desembaraço aduaneiro e que a recorrente não teria como informar ao fornecedor o número de seu cadastro na DECEX, descaracterizando a operação como sendo de uma comercial exportadora, não foram de maneira nenhuma comprovadas. Conforme consta do relatório de fiscalização, a autoridade fiscal foi zelosa na formação de juízo a respeito do assunto, se não vejamos. Constatamos, mediante análise da memória de cálculo fornecida e declaração apresentada pelo contribuinte, que o mesmo incluiu na base de cálculo dos créditos de COFINS aquisições de mercadorias recebidas com fim especifico de exportação. Essas compras não estiveram sujeitas ao pagamento das contribuições pelo respectivo fornecedor, não gerando direito a crédito para a exportadora adquirente. O contribuinte realizou diversas aquisições de "couros bovinos curtidos ao cromo, tipo wet blue", da empresa MR COUROS INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., CNPJ 04.030.554/000192, situada em Governador Edison Lobão, no Estado do Maranhão, as quais foram classificadas pela vendedora no CFOP 6118, como "Venda para Exportação". No corpo das Notas Fiscais destas operações consta a seguinte observação: "Mercadoria a ser entregue na CMA CGM do Brasil Agência Maritima Ltda., Sito à Av. Marechal Hermes, 397 — Umarisal, Belém — PA". Os couros adquiridos nessas operações foram exportados pelo contribuinte, classificados no CFOP 7501, como "Exportação de mercadorias recebidas para o fim especifico de exportação". Importante salientar que todas estas exportações foram embarcadas no porto de Belém — PA. Cabe lembrar aqui que o contribuinte está localizado em Novo Hamburgo — RS e as suas exportações de produtos por ele industrializados no período foram embarcadas no porto de Rio Grande — RS. Na planilha anexa, relacionamos as aquisições com fim específico de exportação realizadas no período, bem como as respectivas exportações de mercadorias recebidas com o fim específico de exportação, estabelecendo uma relação entre as Notas Fiscais de compra e as Notas Fiscais de exportação, através da quantidade, em pés quadrados (P2). Nela, podese ver que a mesma quantidade de couros recebida é imediatamente exportada, lembrando que tanto o recebimento quanto o embarque dos couros para o exterior são feitos em Belém — PA. Ou seja, diante de tais evidências, fica claro que trataramse, de fato, de exportações de mercadorias recebidas com o fim específico de exportação. Por todo o exposto, VOTO POR NEGAR provimento ao recurso voluntário apresentado pela recorrente. Sala de Sessões, 08 de julho de 2001. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11065.101396/200758 Acórdão n.º 3102001.111 S3C1T2 Fl. 3 5 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 29/02/2012 por MARIA FRANCISCA MEDEIROS DE AQUINO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 17/08/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 08/07/2011 por RICARDO PAULO ROSA
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