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Numero do processo: 16327.720648/2012-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Jun 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 08/05/2008
NULIDADE. INEXISTÊNCIA
As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão.
NULIDADE. ACÓRDÃO COM FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. Rejeita-se a preliminar de nulidade de acórdão amparada em falta de motivação, pois o acórdão contém fundamentação suficiente para a decisão adotada.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA . INDEFERIMENTO.
Indefere-se o pedido de diligência quando nada acrescentar aos elementos constantes dos autos, considerados suficientes para formação da convicção e o conseqüente julgamento do feito.
OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES
A incorporação de ações constitui uma forma de alienação em sentido amplo. O sujeito passivo transferiu ações, por incorporação de ações, para outra empresa, a título de subscrição e integralização das ações que compõem seu capital, pelo valor de mercado.
GANHO DE CAPITAL. ALIENANTE, RESIDENTE NO EXTERIOR, DE BENS LOCALIZADOS NO PAIS. RESPONSABILIDADE PELO PAGAMENTO DO IMPOSTO.
Após a vigência da Lei n° 10.833, de 2003, o imposto sobre o ganho de capital na alienação de bens localizados no Brasil, por alienante residente no exterior, deve ser recolhido pelo adquirente.
POSSIBILIDADE DA RETENÇÃO PELO RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO
A estrutura de retenção na fonte demanda a incidência de três normas interdependentes. A primeira é a norma de incidência do Imposto de Renda; a segunda é a norma de substituição tributária que afeta a sujeição passiva do tributo, transferindo-a do contribuinte aos responsáveis, a terceira é a norma de retenção que autoriza o responsável reter o valor pago a título de tributos no pagamento efetuado ao contribuinte. A legislação além de autorizar a retenção, permite que o responsável assuma o ônus econômico do tributo, quando poderá utilizar esses valores a título de despesa na apuração do lucro real. Legitima a utilização do regime de retenção na fonte no recolhimento de Imposto sobre a Renda decorrente de incorporação de ações.
Indeferir Pedido de Diligência
Preliminares rejeitadas.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2202-003.012
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, indeferir o pedido de diligência, rejeitar as preliminares, e no mérito, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JUNIOR e JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), que proviam o recurso. Os Conselheiros PEDRO ANAN JUNIOR e JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado) apresentarão declaração de voto. Fizeram sustentação oral, pelo Contribuinte o Dr. Roberto Quiroga Mosquera OAB/SP 83.755 e pela Fazenda Nacional a Drª Lívia da Silva Queiroz (Procuradora da Fazenda Nacional).
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
(Assinado digitalmente)
Pedro Anan Junior Declaração de Voto
Jimir Doniak Junior Declaração de Voto
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Pedro Anan Junior, Antonio Lopo Martinez.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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INEXISTÊNCIA As hipóteses de nulidade do procedimento são as elencadas no artigo 59 do Decreto 70.235, de 1972, não havendo que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. NULIDADE. ACÓRDÃO COM FUNDAMENTAÇÃO SUFICIENTE. Rejeitase a preliminar de nulidade de acórdão amparada em falta de motivação, pois o acórdão contém fundamentação suficiente para a decisão adotada. PEDIDO DE DILIGÊNCIA . INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de diligência quando nada acrescentar aos elementos constantes dos autos, considerados suficientes para formação da convicção e o conseqüente julgamento do feito. OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES A incorporação de ações constitui uma forma de alienação em sentido amplo. O sujeito passivo transferiu ações, por incorporação de ações, para outra empresa, a título de subscrição e integralização das ações que compõem seu capital, pelo valor de mercado. GANHO DE CAPITAL. ALIENANTE, RESIDENTE NO EXTERIOR, DE BENS LOCALIZADOS NO PAIS. RESPONSABILIDADE PELO PAGAMENTO DO IMPOSTO. Após a vigência da Lei n° 10.833, de 2003, o imposto sobre o ganho de capital na alienação de bens localizados no Brasil, por alienante residente no exterior, deve ser recolhido pelo adquirente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 06 48 /2 01 2- 03 Fl. 1742DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 2 POSSIBILIDADE DA RETENÇÃO PELO RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO A estrutura de retenção na fonte demanda a incidência de três normas interdependentes. A primeira é a norma de incidência do Imposto de Renda; a segunda é a norma de substituição tributária que afeta a sujeição passiva do tributo, transferindoa do contribuinte aos responsáveis, a terceira é a norma de retenção que autoriza o responsável reter o valor pago a título de tributos no pagamento efetuado ao contribuinte. A legislação além de autorizar a retenção, permite que o responsável assuma o ônus econômico do tributo, quando poderá utilizar esses valores a título de despesa na apuração do lucro real. Legitima a utilização do regime de retenção na fonte no recolhimento de Imposto sobre a Renda decorrente de incorporação de ações. Indeferir Pedido de Diligência Preliminares rejeitadas. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, indeferir o pedido de diligência, rejeitar as preliminares, e no mérito, negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO, PEDRO ANAN JUNIOR e JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), que proviam o recurso. Os Conselheiros PEDRO ANAN JUNIOR e JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado) apresentarão declaração de voto. Fizeram sustentação oral, pelo Contribuinte o Dr. Roberto Quiroga Mosquera OAB/SP 83.755 e pela Fazenda Nacional a Drª Lívia da Silva Queiroz (Procuradora da Fazenda Nacional). (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator (Assinado digitalmente) Pedro Anan Junior – Declaração de Voto Jimir Doniak Junior – Declaração de Voto Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rafael Pandolfo, Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Jimir Doniak Junior (Suplente Convocado), Pedro Anan Junior, Antonio Lopo Martinez. Fl. 1743DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 16327.720648/201203 Acórdão n.º 2202003.012 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Em desfavor da Contribuinte, BM&F BOVESPA S/A BOLSA DE VALORES, MERCADORIAS E FUTUROS, foi lavrado auto de infração de imposto de renda retido na fonte, com crédito tributário apurado de R$ 147.010.452,93, nos termos a seguir: Conforme o Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 11121126, em ação fiscal empreendida junto à contribuinte supramencionada, a fiscalização apurou os fatos descritos a seguir, extraído do relatório da DRJ: 1) Motivação A presente ação fiscal foi determinada para averiguação dos procedimentos relativos à retenção do Imposto de Renda (IRRF) apurado sobre os ganhos de capital relativos à integralização de capital realizada por meio de conferência de ações de investidores não residentes por ocasião da incorporação de ações da Bovespa Holding S/A (Bovespa Holding) CNPJ 08.695.953/000123, em 05/2008, pela Nova Bolsa S/A (Nova Bolsa) CNPJ 09.346.601/000125, atual BM&F Bovespa S/A Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (BMFBovespa). No curso da ação fiscal foram instauradas diligências, inclusive nos representantes legais dos investidores não residentes, a Citibank Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S/A (Citibank), CNPJ 33.868.597/000140, e a HSBC Corretora de Títulos e Valores Mobiliários S/A (HSBC), CNPJ 58.229.246/000110, a fim de apurar o custo de aquisição das ações da Bovespa Holding. 2) Da contribuinte A BMFBovespa tem por objeto social, entre outros definidos no art.3º de seu Estatuto Social (fls.638), a administração de mercados organizados de títulos e valores mobiliários. Fl. 1744DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 4 O processo de constituição da BMFBovespa foi iniciado em 2008, quando a Nova Bolsa incorporou a BM&F S/A (BMF) CNPJ 08.936.812/000155 e as ações da Bovespa Holding. Conforme a ata da Assembleia Geral Extraordinária de 08/05/2008 e o Protocolo de Justificação e Incorporação de ações de emissão da Bovespa Holding pela Nova Bolsa (fls.10261094 e 537599), as 722.888.403 ações BOVH3 da Bovespa Holding foram incorporadas pelo valor de R$17.942.090.162,46 (preço de unitário de R$24,82), e seus acionistas receberam 1,42485643 ações ordinárias da Nova Bolsa para cada ação da Bovespa Holding, mais 1 ação preferencial resgatável da Nova Bolsa para cada 10 ações da Bovespa Holding. 3) Do Direito 3.1) Da incorporação de ações A incorporação de ações é prevista nos art.251 e art.252 da Lei nº 6.404/76, e ocorre quando uma sociedade adquire a totalidade das ações de outra companhia, recebendo os titulares das ações incorporadas ativos de emissão da incorporadora. Como há uma transmissão onerosa da propriedade dos ativos, a incorporação de ações constitui uma alienação, gerando ganho ou perda de capital para o alienante. Nesse sentido, a Solução de Consulta SRRF/8ªRF/Disit nº 132/2006 e o acórdão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Carf nº 9202 00.662 (recurso ao acórdão 106 17104), de 12/04/2010, reconheceram a percepção de ganho de capital na incorporação de ações (fls.1117). 3.2) Do ganho de capital de residentes ou domiciliados no exterior Os beneficiários residentes ou domiciliados no exterior sujeitam se às mesmas normas de apuração e tributação do imposto de renda, sobre o ganho de capital ocorrido na alienação de bens e direitos, previstas para os beneficiários residentes ou domiciliados no País (tributação exclusiva), de acordo com o art.18 da Lei nº 9.249/95. A alíquota incidente sobre o ganho de capital é de 15%, conforme o art.28 da Lei nº 9.249/95, exceto quando os ganhos de capital decorrerem de operação na qual o beneficiário resida ou seja domiciliado em país com tributação favorecida a que se refere o art.24 da Lei nº 9.430/96, caso em que a alíquota será de 25%, conforme o art.47 da Lei nº 10.833/2003. O responsável pela retenção e recolhimento do Imposto de Renda sobre o ganho de capital auferido por pessoa jurídica, residente ou domiciliada no exterior, é adquirente pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no país, segundo dispõe o art.26 da Lei nº 10.833/2003 e art.1º da Instrução Normativa (IN) SRF nº 407/2004. 4) Dos fatos Fl. 1745DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 16327.720648/201203 Acórdão n.º 2202003.012 S2C2T2 Fl. 4 5 4.1) Do ganho de capital na incorporação de ações da Bovespa Holding pela Nova Bolsa Conforme exposto nos itens anteriores, a conferência de ações prevista no art.252 da Lei nº 6.404/76 constitui uma alienação sujeita à tributação do respectivo ganho de capital. Em 08/05/2008 a Nova Bolsa incorporou a totalidade das ações de emissão da Bovespa Holding, sendo responsável, considerando sua condição de adquirente, pela retenção e recolhimento do imposto de renda sobre o ganho de capital auferido na operação, em relação aos investidores residentes ou domiciliados no exterior. O ganho de capital do não residente é determinado pela diferença positiva entre o valor de alienação e o custo de aquisição do bem ou direito (ar.26, § 1º, da IN SRF 208/2002). No caso de incorporação de ações, o ganho de capital corresponde à diferença positiva entre o valor alienado para integralizar o capital e o custo de aquisição. Nos termos deliberados na AGE de 08/05/2008 (fls.10261094), as ações da Bovespa Holding incorporadas pela Nova Bolsa foram valoradas em R$17.942.090.162,46 (R$24,82/ação). Multiplicandose o valor unitário pela quantidade de ações da Bovespa Holding que cada investidor não residente detinha na data da incorporação encontrase o preço da operação, liquidada pelo pagamento em ações da Nova Bolsa. Intimada a apresentar o demonstrativo de apuração do ganho de capital auferido pelos acionistas estrangeiros da Bovespa Holding na incorporação de suas ações pela Nova Bolsa, a contribuinte apresentou as planilhas de fls.602616, referentes ao ganho de capital decorrente do resgate das ações preferenciais creditadas em favor dos acionistas em 13/06/2008 (item 5.20 da AGE de 08/05/2008 – fls.10261094), porém nada apresentou com relação ao ganho de capital decorrente da incorporação de ações realizada em 08/05/2008. As referidas planilhas contêm duas listas de acionistas, uma com os acionistas estrangeiros cujas posições acionárias foram escrituradas no livro de ações da BMFBovespa, junto ao Banco Bradesco S/A (Bradesco), e outra com os acionistas estrangeiros que tinham posições custodiadas na CBLC, segundo informou a contribuinte às fls.716717. As planilhas também mostram o tipo de investidor: os classificados como 2689 são os que possuíam posições acionárias custodiadas na CBLC, representados por agentes de custódia, de acordo com a Resolução do Conselho Monetário Nacional – CMN nº 2.689/2000. Por outro lado, os investidores classificados como 4131 são os investidores estrangeiros diretos de que trata a Lei nº 4.131/62, tendo posições acionárias escrituradas no livro de ações da BMFBovespa junto ao Bradesco. Fl. 1746DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 6 A seguir, apuramse os respectivos custos de aquisição das ações, por tipo de investidor: 4.1.1) Investidores estrangeiros – Res. CMN nº 2.698/2000 Intimada a comprovar os custos de aquisição das ações da Bovespa Holding entregues pelos acionistas não residentes, a contribuinte apresentou os esclarecimentos, planilhas e documentos de fls.647650, 656657 e 715819. Além disso, também foram realizadas diligências nos dois representantes de investidores não residentes: Citibank e HSBC. Com base nesses documentos, foram elaboradas as planilhas de fls.1095 1111, contendo os custos de aquisição, o ganho de capital decorrente da incorporação de ações e o imposto de renda devido na operação. 4.1.2) Investidores estrangeiros diretos – Lei nº 4.131/62 A planilha da contribuinte discrimina sete investidores estrangeiros diretos na data da incorporação das ações da Bovespa Holding pela Nova Bolsa (fls.616). Segundo o art.3º, §2º, da Circular Bacen nº 2.997/2000, vigente à época dos fatos autuados, a efetivação do registro do investimento estrangeiro direto em sistema eletrônico do Banco Central (Sisbacen) é de responsabilidade da empresa receptadora do investimento externo direto e do investidor nãoresidente por intermédio de seu representante no País. A empresa receptadora é a pessoa jurídica empresária constituída sob as leis brasileiras, com domicílio no país, em cujo capital social o investidor não residente intenta deter participação. No caso, a empresa receptadora é a Bovespa Holding. Considerando que em 08/05/2008 foi aprovada a incorporação das ações da Bovespa Holding pela BMFBovespa, e que esta incorporou em 28/11/2008 o acervo líquido da Bovespa Holding, extinguindoa nos termos do art.227 da Lei nº 6.404/76, a BMFBovespa foi intimada a apresentar os registros no Sisbacen relativos aos representantes dos investidores não residentes diretos, e os contratos de câmbio ou de transferência internacional relativos às operações de aquisição das ações. Em resposta de fls.618625, a contribuinte apresentou os custos de aquisição das ações de cinco dos investidores estrangeiros diretos. Quanto aos dois investidores diretos restantes, a contribuinte informou às fls.715718, em relação ao investidor Lehman Bros Special Finance (Lehman), “que as ações de emissão da Bovespa Holding S.A. (...) decorrem dos títulos patrimoniais por ele detidos da Bolsa de Valores de São Paulo (...)”. Em relação ao investidor Citigroup Financial Products (Citigroup), a contribuinte solicitou prazo adicional para apresentar os documentos e esclarecimentos. Novamente intimada a apresentar a documentação comprobatória dos custos de aquisição das ações entregues pelos investidores estrangeiros diretos (fls.890891), a contribuinte apresentou documentação e esclarecimentos às fls.939966, exceto para o investidor Citigroup. Reintimada Fl. 1747DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 16327.720648/201203 Acórdão n.º 2202003.012 S2C2T2 Fl. 5 7 (fls.969), a fiscalizada esclareceu às fls. 10201021 que as ações do Citigroup também decorrem de títulos patrimoniais da Bovespa. Cabe dizer que a desmutualização da Bovespa, processo pelo qual a associação sem fins lucrativos se transformou em sociedade com finalidade lucrativa, acarretou a devolução dos títulos patrimoniais a seus detentores, os quais receberam 706.762 ações da nova sociedade Bovespa Holding, por título patrimonial, totalizando o valor de R$1.568.803,71. Assim, o custo de aquisição das ações da Bovespa Holding, no caso dos investidores estrangeiros que detinham títulos patrimoniais das extintas associações (Lehman e Citigroup), corresponde ao valor da devolução de patrimônio decorrente da desmutualização da Bovespa: R$2,219705799/ação (R$1.568.803,71/706.762 ações). Com base nos dados acima relatados, apurouse o ganho de capital na incorporação de ações da Bovespa Holding, e o respectivo valor de IRRF devido (planilha de fls.1111). 5) Da infração apurada: falta de recolhimento do IRRF sobre o ganho de capital de residentes ou domiciliados no exterior Constatado que a contribuinte não efetuou a retenção e o recolhimento do imposto de renda sobre o ganho de capital apurado pelos investidores não residentes na incorporação de ações da Bovespa Holding pela Nova Bolsa (atual BMFBovespa), conforme determinado pelo art.26 da Lei nº 10.833/2003, será lançado de ofício o crédito tributário apurado nas planilhas de fls.10951111. O auto de infração consta às fls. 11271132, e foi fundamentado nos seguintes dispositivos legais Inconformada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 11801242, acompanhada dos documentos de fls.12431312, alegando em síntese: 1) Dos fatos Após a desmutualização da Bovespa e da BM&F, as novas sociedades Bovespa Holding e BMF aprovaram proposta de integração em 17/04/2008, pela qual seria criada a empresa Nova Bolsa, na qual seriam reunidas as bases de acionistas da Bovespa Holding e da BMF. Em 08/05/2008 foram aprovadas as incorporações da BMF e das ações da Bovespa Holding pela Nova Bolsa. Na incorporação das ações da Bovespa Holding, a relação de substituição, reconhecida pela fiscalização, baseouse no valor de mercado das ações da Bovespa Holding, recebendo os acionistas da Bovespa Holding 1,42485643 ações ordinárias da Nova Bolsa para cada ação ordinária da Bovespa Holding, e mais 1 ação preferencial da Nova Bolsa a cada 10 ações Fl. 1748DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 8 ordinárias da Bovespa Holding. Todas as ações preferenciais foram resgatadas no ato. 2) Do Direito 2.1) Da não tributação da incorporação de ações 2.1.1) Da natureza jurídica da incorporação de ações Na incorporação de ações (art.252 da Lei nº 6.404/76) a companhia cujas ações foram incorporadas não se extingue, subsistindo como subsidiária integral da incorporadora. Os titulares das ações incorporadas recebem novas ações de emissão da incorporadora, em substituição às ações incorporadas (cuja titularidade passa a ser da incorporadora), em quantidade convencionada em protocolo (relação de substituição). 2.1.1.1) Da incorporação de ações e incorporação de sociedades: diferenças e semelhanças Na incorporação de sociedade, a incorporada deixa de existir, sendo sucedida pela incorporadora, enquanto que na incorporação de ações ocorre, regra geral, um aumento de capital na sociedade incorporadora para se emitir as ações que serão entregues aos exacionistas da sociedade cujas ações foram incorporadas, a qual passa a ser subsidiária integral da incorporadora. Portanto, a incorporação de ações não se confunde com a incorporação de sociedades. Por outro lado, existem semelhanças entre essas duas operações: são regidas pelas regras dos art. 224 e 225 da Lei nº 6.404/76; e ambas têm o mesmo efeito para os acionistas: uma substituição de ativos (as ações da incorporada detidas pelos acionistas são substituídas por ações da sociedade incorporadora). 2.1.1.2) Da incorporação de ações e integralização de capital social em bens: principais diferenças A incorporação de ações não se confunde com a subscrição de ações mediante conferência de bens. Na incorporação de ações a vontade manifestada é da sociedade, deliberada em assembleias gerais da incorporada e da incorporadora, não havendo manifestação de vontade individual dos acionistas. Os acionistas da sociedade incorporada não vendem nem alienam suas ações. Por outro lado, na integralização de ações por conferência de bens, a manifestação da vontade individual do acionista é pressuposto, sendo esta parte da relação jurídica. Concluise que a incorporação de ações é uma operação atípica, pois não corresponde integralmente a uma incorporação de sociedade, nem a uma integralização de capital, haja vista tratarse de operação que se realiza somente entre sociedades, não havendo manifestação de vontade individualizada dos acionistas. Fl. 1749DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 16327.720648/201203 Acórdão n.º 2202003.012 S2C2T2 Fl. 6 9 2.1.1.3) Dos efeitos societários da incorporação de ações para as sociedades e acionistas A incorporação de ações produz efeitos em relação a terceiros (acionistas), distintos dos efeitos para as sociedades incorporadora e incorporada. 2.1.1.3.1) Efeitos para as sociedades envolvidas na operação Para as sociedades envolvidas na operação de incorporação de ações há efetiva aquisição de participação societária na incorporada por parte da incorporadora, tendo como contraprestação o recebimento de ações da incorporadora. No caso, o custo de aquisição para a incorporadora é o valor do capital aumentado e entregue aos titulares das ações incorporadas, sendo tal custo desmembrado em valor do investimento pelo método da equivalência patrimonial (MEP) e ágio. Por sua vez, o acionista tem suas ações substituídas, mas não participa dessa operação de forma ativa, de modo que os efeitos da operação lhe são diferenciados. 2.1.1.3.2) Efeitos para os acionistas da sociedade cujas ações são incorporadas Para o acionista, o efeito verificado é o de subrogação real ou substituição das ações da companhia incorporada, conforme o Parecer Normativo (PN) CST nº 39/81 e a doutrina de Nelson Eizirik. Ocorre a troca das ações da Bovespa Holding pelas ações da impugnante, mantendose as mesmas relações jurídicas existentes com relação ao bem substituído, permanecendo o acionista na mesma posição patrimonial e econômica de antes da operação. Há também uma ausência de vontade dos acionistas, uma vez que a incorporação de ações é um negócio jurídico praticado pela sociedade cujas ações serão incorporadas. Portanto, não se trata de alienação de ações realizada pelo acionista. 2.1.2) Do tratamento tributário da incorporação de ações 2.1.2.1) Efeitos tributários da incorporação de ações para as sociedades e acionistas Sendo a incorporação de ações uma aquisição de participação societária pela incorporadora, há possibilidade de se apurar ágio em tal operação, correspondente à diferença entre o custo de aquisição e o valor patrimonial da participação adquirida. Referido ágio poderá ter efeitos fiscais, ao ser amortizado conforme os art.7º e 8º da Lei nº 9.532/97. A própria RFB orientou os contribuintes, por meio do PN CST nº 39/81, no sentido de que não há apuração de ganho de capital na substituição de ações, como ocorre na incorporação de ações. Fl. 1750DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 10 Portanto, não há apuração de ganho tributável para o acionista, pois as ações são substituídas. Ainda que houvesse alienação pelo acionista, esta não poderia sujeitar os acionistas à tributação, pela ausência de disponibilidade sobre eventual ganho. 2.1.2.2) Regime de caixa aplicável às pessoas físicas e aos não residentes Conforme o art.18 da Lei nº 9.249/95, “O ganho de capital auferido por residente ou domiciliado no exterior será apurado e tributado de acordo com as regras aplicáveis aos residentes no País.”. Assim, aos investidores nãoresidentes, sejam pessoas físicas ou jurídicas, aplicamse as mesmas regras estabelecidas para as pessoas físicas em relação aos ganhos de capital. Por sua vez, o fato gerador do imposto de renda é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza (art.43 do CTN), cabendo ao legislador ordinário definir se, para ocorrer a imposição desse imposto, basta a disponibilidade jurídica, ou se apenas com a disponibilidade econômica poderia ocorrer a tributação. De acordo com o art.38, parágrafo único, do RIR/99, o imposto de renda somente incide, em relação às pessoas físicas, quando há disponibilidade econômica (regime de caixa). Assim, se o numerário não foi efetivamente recebido pelo titular, não poderá incidir o imposto de renda sobre os rendimentos das pessoas físicas, sob pena de afronta ao princípio da capacidade contributiva. Na subrogação real ocorrida na incorporação de ações da Bovespa Holding não houve o efetivo recebimento de recursos financeiros pelos investidores nãoresidentes detentores de ações dessa bolsa, os quais passaram a deter ações da impugnante, não havendo realização de renda no regime de caixa, razão pela qual não houve ganho tributável. O ganho de capital efetivo só será apurado quando o investidor não residente alienar as ações no mercado e realizar os ganhos. Na incorporação de ações não há alteração no registro do investimento dos investidores nãoresidentes no Bacen. Qualquer ganho potencial a ser apurado por tais investidores fica diferido para o momento em que ocorra a alienação das novas ações. O investidor nãoresidente não deveria ter o custo de aquisição registrado como investimento estrangeiro no Banco Central (Bacen) alterado. Esse custo de aquisição deveria permanecer o mesmo, sendo atualizado apenas pela mudança do ativo (ações da Bovespa Holding para ações da Nova Bolsa, atual BMFBovespa). Tal conclusão é coerente com o fato de a tributação das pessoas físicas no País seguir o regime de caixa: na ausência de recebimento de recursos financeiros, mantémse o custo de aquisição original, diluído nas novas ações recebidas de acordo com a relação de substituição (art.47, §6º, da IN RFB nº 1022/2010). Fl. 1751DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 16327.720648/201203 Acórdão n.º 2202003.012 S2C2T2 Fl. 7 11 2.1.2.3) Da não tributação das operações de permuta A subrogação real ocorrida na incorporação de ações é uma operação de permuta, eis que houve mera troca de bens. A inexistência de ganho de capital em operações de permuta sem torna, como é o caso, é reconhecida pela legislação (art.121, II, do RIR/99), jurisprudência administrativa (acórdãos de fls.1207 e 1210) e pelas autoridades fiscais (PN CST nº 504/71). Os Pareceres da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN nº 970/91 e 454/92, interpretando o art.65 da Lei nº 8.383/91, concluíram que a permuta de ativos não enseja a tributação dos potenciais ganhos de capital, pois não havendo pagamento em dinheiro, qualquer exigência fiscal sobre o ativo recebido iria tributar o patrimônio do contribuinte. Portanto, não há que se cogitar de apuração de ganho de capital pelas pessoas físicas residentes no País, aplicandose tal conclusão também aos investidores nãoresidentes. Assim, deve ser cancelada a autuação. 2.1.2.4) Da não ocorrência do fato gerador do IRRF (pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa) Conforme o fundamento da autuação, art.685 do RIR/99, o fato gerador do IRRF é o pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa do ganho de capital ao nãoresidente, o que não ocorreu no caso, pois não houve qualquer ganho de capital. 2.1.2.5) Da potencial dupla tributação sobre o ganho de capital Somente na alienação das ações recebidas pelos investidores não residentes na incorporação de ações da Bovespa Holding poderá ser apurado ganho de capital tributável. A RFB regulamentou, por meio do art.47, § 6º, da IN RFB nº 1.022/2010, o procedimento a ser adotado pelos acionistas na hipótese de substituição de ações em razão de incorporação, fusão ou cisão de empresas, determinando o ajuste do custo de aquisição das ações de acordo com a relação de substituição fixada pela assembleia que aprovou a operação. Este é o procedimento que deveria ser adotado pelos investidores não residentes quando da alienação de suas ações recebidas em razão da incorporação das ações da Bovespa Holding. Para o acionista os efeitos de uma incorporação de ações são similares aos de uma incorporação de sociedades. A substituição de ações não resulta em apuração de ganho tributável, o que somente ocorrerá na alienação das ações (PN CST nº 39/81). O Fisco não poderia cobrar o imposto de forma duplicada da impugnante, pautandose em novo entendimento sobre o momento da ocorrência do fato gerador do tributo em operações Fl. 1752DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 12 dessa natureza, e sem verificar o recolhimento do imposto de renda quando da alienação das ações. Requerse a realização de diligência fiscal para comprovar a tributação do ganho de capital apurado pelos investidores não residentes quando da efetiva alienação das ações da impugnante, sob pena de duplicidade de cobrança do imposto exigido neste processo. Ademais, como não houve alteração no registro do investimento dos investidores nãoresidentes no Bacen, devem ser considerados os custos apresentados à fiscalização. Qualquer que seja o valor de alienação das ações da impugnante excedente ao custo de aquisição das ações em tela, haverá dupla tributação, razão pela qual deve ser cancelado o auto de infração. 2.1.2.6) Da inaplicabilidade do art.23 da Lei nº 9.249/95 ao caso concreto A integralização de capital e a incorporação de ações não têm a mesma natureza jurídica, sobretudo para o acionista da companhia, não se aplicando o art.23 da Lei nº 9.249/95. 2.1.2.7) Conclusões parciais O auto de infração deverá ser cancelado pois: i) a operação de incorporação de ações gera efeitos diferentes para as companhias incorporada e incorporadora, e para os acionistas da incorporada, cujas ações são substituídas em uma subrogação real; ii) os nãoresidentes (e pessoas físicas) sujeitamse ao regime de caixa, sendo tributados apenas quando os rendimentos são efetivamente recebidos em dinheiro; iii) a subrogação real ocorrida tem efeitos permutativos, não houve recebimento de recursos financeiros, não havendo que se falar na apuração de ganho de capital; iv) não ocorreu fato gerador do IRRF (pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa de ganhos de capital a residentes no exterior); v) a tributação somente poderá ocorrer na alienação, pelos investidores nãoresidentes, das ações da impugnante recebidas na incorporação de ações, resultando em duplicidade de tributação sobre o mesmo valor; vi) o art.23 da Lei nº 9.249/95 não se aplica ao caso, pois não houve integralização de capital. 3) Da ausência de responsabilidade por parte da impugnante – inaplicabilidade do art.26 da Lei nº 10.833/2003 ao caso presente O imposto de renda, se devido, só poderia ser exigido dos representantes legais dos investidores nãoresidentes, e não da impugnante, pois a responsabilidade prevista no art.26 da Lei nº 10.833/2003 apenas se aplica quando é possível o imediato Fl. 1753DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 16327.720648/201203 Acórdão n.º 2202003.012 S2C2T2 Fl. 8 13 ressarcimento, ao responsável tributário, do ônus financeiro do tributo. De acordo com o art.45 do CTN, o contribuinte do imposto de renda é o titular da disponibilidade econômica ou jurídica da renda ou do provento tributável. Por outro lado, o sujeito passivo da obrigação tributária é aquele a quem a lei atribui o dever de recolher o tributo, podendo ser o contribuinte ou terceira pessoa, vinculada ao fato gerador (art.121 e 128 do CTN). Portanto, somente o contribuinte deve suportar o ônus financeiro do tributo. A responsabilidade de terceiro pela retenção e recolhimento do tributo pressupõe a disponibilidade do montante a ser retido e recolhido, única forma de se assegurar que o responsável pelo pagamento do tributo não desembolse o seu próprio capital para pagar tributo devido por outra pessoa. A responsabilidade pelo recolhimento atribuída a terceira pessoa quando não seja possível reaver imediatamente a quantia despedida acarreta diminuição do patrimônio de terceiro que não manifestou capacidade contributiva, e exigência de um novo tributo, não previsto em lei. Por tais razões, a transferência de responsabilidade em relação ao imposto de renda só se justifica quando o responsável tem acesso ao rendimento tributável (fonte pagadora) e retém uma parcela do dinheiro, entregando ao beneficiário o montante excluído do imposto devido. Assim, é equivocada a interpretação da fiscalização de que o art.26 da Lei nº 10.833/2003 se aplicaria à impugnante, enquanto “adquirente” das ações da Bovespa Holding, pois esse dispositivo só se aplica aos casos em que há ganho de capital decorrente da alienação de bens com pagamento em dinheiro passível de retenção. A aplicação desse dispositivo ao caso em tela afronta os dispositivos legais e constitucionais. Caso se entenda que houve ganho de capital, deve ser reconhecido que os responsáveis pelo recolhimento do tributo supostamente devido pelos investidores nãoresidentes são os respectivos procuradores. 4) Da isenção aplicável aos investidores 2689 Não incide o imposto de renda sobre os ganhos de capital auferidos em operações realizadas em bolsas de valores pelos investidores 2689, nos termos do art.40 da IN SRF nº 25/2001, vigente à época dos fatos. De acordo com a Lei nº 8.981/95 e a Medida Provisória nº 2.189/2001, os investidores nãoresidentes no País que realizem investimentos nos mercados financeiro e de capitais brasileiros, nos termos regulamentados pelo Conselho Monetário Nacional – CMN na Resolução nº 2.689/2000 (investidores 2689), estão Fl. 1754DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 14 sujeitos a tratamento tributário específico em regra mais benéfico que o aplicável a investidores residentes no País. A intenção do legislador tributário tem sido incentivar os investimentos estrangeiros no mercado de capitais brasileiro, inclusive concedendo isenção do imposto de renda sobre os ganhos auferidos em operações em bolsa de valores. Sendo assim, não há que se onerar os supostos ganhos auferidos pelos investidores 2689. Quando os investidores 2689 realizaram seus investimentos nas ações da Bovespa Holding, objetivavam investir no mercado de capitais brasileiro, pretendendo se beneficiar do tratamento tributário específico assegurado pela legislação. Porém, com a incorporação de ações, foi imposta aos investidores 2689 a permuta das ações então detidas por novos ativos de mesma natureza, detidos nos termos da Resolução CMN nº 2.689/2000, e cuja alienação futura em bolsa de valores estaria isenta do imposto de renda. Assim, os supostos ganhos auferidos pelos investidores 2.689 na incorporação de ações estão igualmente isentos desse imposto. 5) Da indevida desconsideração do custo de aquisição efetivo das ações – investidores diretos Lehman e Citigroup – iliquidez e incerteza do lançamento Os investidores Lehman e Citigroup adquiriram títulos patrimoniais da Bovespa com ágio, pois o custo de aquisição foi superior ao valor de registro daqueles ativos na associação. Com a desmutualização, houve a mera transformação dos títulos patrimoniais da Bovespa em ações da Bovespa Holding. Não houve a extinção da associação nem dos títulos, razão pela qual não houve devolução de patrimônio. Em decorrência do ágio pago na aquisição dos títulos, o custo médio efetivo das ações da Bovespa Holding foi de R$9,000201 para o Lehman e de R$10,2066 para o Citigroup. Esse valor pago a maior é um custo para os investidores, e deve ser deduzido na apuração do suposto ganho de capital. O custo de aquisição pago pelo Citigroup é comprovado pela nota de corretagem de fls.13111312. Comprovado pelos documentos anexos que o Lehman e o Citigroup adquiriram títulos da Bovespa com ágio, deveriam ter sido alterados pela fiscalização os respectivos custos de aquisição das ações, sob pena de nulidade do lançamento por ausência de liquidez e certeza, a teor do art.142 do CTN, cancelandose o auto de infração em comento. 6) Da ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa Caso se entenda correta a utilização da taxa Selic para cobrança dos juros de mora, estes não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício por ausência de previsão legal. O art.13 da Lei nº 9.065/95 remete ao art.84 da Lei nº 8.981/95, o qual estabelece cobrança de juros apenas sobre tributos, e tributo não se confunde com multa, conforme os art.3º e 113, §1º, do CTN. Fl. 1755DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 16327.720648/201203 Acórdão n.º 2202003.012 S2C2T2 Fl. 9 15 Portanto, a cobrança de juros sobre multa afronta o princípio da legalidade. A DRJ ao apreciar as razões do interessado, julgou a impugnação improcedente nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2008 INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. ALIENAÇÃO DE AÇÕES. APURAÇÃO DE GANHO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO. A incorporação de ações da Bovespa Holding pela empresa Nova Bolsa (atual BM&F Bovespa) equivale a uma alienação de ações, sujeitando o respectivo ganho de capital à incidência do imposto de renda. DESMUTUALIZAÇÃO DA BOVESPA. EXTINÇÃO DOS TÍTULOS PATRIMONIAIS. DEVOLUÇÃO DE PATRIMÔNIO. Na desmutualização da bolsa de valores, então constituída como associação isenta de fins lucrativos, ocorreu a devolução de patrimônio aos associados, sob a forma de ações da nova sociedade constituída. INVESTIDOR ESTRANGEIRO. GANHO DE CAPITAL. APURAÇÃO E RETENÇÃO. ADQUIRENTE DOMICILIADO NO PAÍS. Nos termos da legislação, o adquirente domiciliado no país é o responsável pela retenção e recolhimento do imposto de renda apurado sobre ganho de capital obtido por investidor residente fora do País que alienou bem localizado no Brasil. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE. Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72, e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo decreto, válidos são os autos de infração. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. PROVAS CONTIDAS NOS AUTOS. Deve ser indeferido o pedido de diligência quando prescindível para o deslinde da matéria em julgamento. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao do vencimento. Fl. 1756DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 16 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE DE NORMAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade/ilegalidade de normas. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Insatisfeito, o interessado interpõe recurso voluntário, onde reitera as razões da impugnação. Das Preliminares Preliminarmente, argui a nulidade da decisão da turma julgadora pela ausência da análise do mérito da impugnação, tendo ocorrido um cerceamento do direito de defesa; Alega que a autoridade julgadora não teria apreciado os argumentos atinentes à aplicação do regime de caixa das pessoas físicas e aos nãoresidentes, pondo debatido na impugnação. Indica que teria demonstrado que a partir da edição da Lei No. 9.249/95, os rendimentos decorrentes de ganho de capital de residentes ou domiciliado no exterior devem observância ao regramento aplicável aos residentes no País, não se cogitando a responsabilidade do adquirente (recorrente) de efetuar a retenção do imposto de renda em comento, nas hipóteses em que não houve a efetiva disponibilidade dos recursos financeiros ao beneficiário (não residente). Afirma também ser desarrazoada a conclusão pela decisão recorrida de que a recorrente teria alegado em sua impugnação afronta a princípios constitucionais. Nesse contexto ao ter furtado de sua análise a apreciação do regime de caixa aplicável aos não residentes e o argumento relativo a correta interpretação do artigo 26 da Lei No. 10.833/03, a decisão recorrida é nula. Ainda em preliminar argumenta pela nulidade do lançamento, tendo em vista a tributação em duplicidade e incerteza do crédito tributário. Argumenta de que a autoridade fiscal cobra diretamente do recorrente o suposto débito em questão, sem análise dos recolhimentos efetuados pelos contribuintes, quando da efetiva alienação das ações detidas pelos não residentes, deste modo acabou por duplicar o montante da suposta exigência tributária. Indica que tendo em vista a dupla tributação dos valores cobrados, aguarda a Recorrente que se reconheça a carência de requisitos mínimos necessários ao lançamento, notadamente a certeza e liquidez do crédito tributário acarretando, assim, o cancelamento integral do lançamento. Do pedido de diligência Fl. 1757DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 16327.720648/201203 Acórdão n.º 2202003.012 S2C2T2 Fl. 10 17 Da necessidade de conversão do julgamento em diligência para que se comprove o recolhimento do tributo incidente sobre o ganho de capital auferido quando da efetiva alienação das ações pelos demais acionistas não residentes e, portanto a duplicidade da exigência do imposto; Questionase o arrazoado da DRJ por indeferir o pedido de diligência, afirmando que a autoridade teria entendido que seria responsabilidade da recorrente a apresentação dos pagamentos efetuados pelo nãoresidentes. Nesse sentido afirma ser indispensável a diligência para assegurar que o auto de infração seja líquido e certo. Reitera que a autuação fiscal deveria ter considerado os recolhimentos efetuados pelos acionistas nas alienações ocorridas posteriormente à incorporação de ações. Do Direito Nas matérias de Direito, reitera os argumentos da impugnação: Da não tributação das incorporações de ações; Da natureza jurídica da incorporação de ações; Da incorporação de ações e incorporação de sociedades: Diferenças e Semelhanças; Da incorporação de ações e a integralização de capital social com bens, principais diferenças; Dos efeitos societários da incorporação de ações para as Sociedades anônimas; efeitos para as sociedades envolvidas nas operações e para acionistas da sociedade cujas ações são incorporadas; Do tratamento tributário da Incorporação de Ações; Dos efeitos tributários da incorporação de ações para as sociedades e acionistas Do regime de Caixa aplicável às pessoas físicas e aos não residentes Da não tributação das operações de permuta Da não ocorrência do fato gerador do IRRF (pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa); Da dupla tributação sobre o ganho de capital; Da inaplicabilidade do artigo 23 da Lei No. 9.249/95 ao Caso Concreto Da ausência de responsabilidade por parte do Recorrente – Inaplicabilidade do Artigo 26 da Lei No. 10.833/03 ao presente caso; Da isenção aplicável aos Investidores 2.689; Fl. 1758DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 18 Da indevida desconsideração do Custo de Aquisição Efetivo das Ações – Investidores Direto Lehman Bros Special Finance e Citigroup Financial Products – Iliquidez e Incerteza do Lançamento; Da operação de Desmutualização da Entidade Isenta Bovespa – Substituição dos títulos por ação da Companhia de Reorganização Societária; Da indevida desconsideração dos custos de aquisição das ações pertencentes aos investidores estrangeiros – novamente da Iliquidez e Incerteza do lançamento; Da ilegalidade da cobrança dos juros sobre a multa. A Fazenda Nacional apresenta contrarazões ao recurso voluntário as fls. 1516 a 1546. Primeiramente faz sua síntese histórica dos fatos: Nunca é demais lembrar que as citadas sociedades anônimas surgiram ao final do processo de Desmutualização das bolsas de valores brasileiras, que até meados de 2007, desempenhavam suas atividades na condição de Associações Civis sem Fins Lucrativos, gozando, por isso, de isenção de tributos e tratamento favorecido da Administração (União). O processo de Desmutualização, concluído em 2007, já foi amplamente discutido no CARF, tendo sido assentado, de forma uníssona, o entendimento de que a Desmutualização significou devolução do capital e consequente tributação nos termos do art. 17 da Lei 9.532/97 (Acórdãos: 1302000.880; 1302000.879; 1101000.833; 1301001.225; 1402001.214 e inúmeros outros). A primeira das etapas levadas a termo na reorganização de 2008 foi a incorporação, a valor contábil, da BM&F S.A. pela Nova Bolsa S.A. (denominação da Contribuinte Recorrente à época). Ato contínuo, foi providenciada, na mesma data, a incorporação de ações da Bovespa Holding S.A. Tal operação se deu a valor de mercado, fundamentada em laudo de avaliação, que também determinou a razão de conversão entre as ações da Bovespa Holding S.A. e da Nova Bolsa S.A. Nesta mesma Assembleia foi deliberada a alteração da denominação da Nova Bolsa S.A. para BM&FBovespa S.A. Como veremos com maior profundidade no tópico seguinte, a incorporação de ações importa em efetiva alienação. Dito isto, o cerne do auto de infração que origina o presente processo é a tributação do ganho de capital na alienação de bens ou direitos de beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, consoante determina o art. 18 da Lei nº 9.249/95. A sujeição passiva recai sobre a Contribuinte Recorrente por força do Art. 26 da Lei nº 10.833/03, que determina ser do adquirente domiciliado no Brasil a responsabilidade pela retenção e recolhimento do IR pertinente ao ganho de capital na alienação de bens localizados no Brasil por pessoas físicas ou jurídicas domiciliadas no exterior. Fl. 1759DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 16327.720648/201203 Acórdão n.º 2202003.012 S2C2T2 Fl. 11 19 Da inexistência de cerceamento de direito de defesa – manifestação expressa da DRJ refutando a tese do contribuinte; Indica que as razões levantadas pela Contribuinte Recorrente quanto ao “Regime de Caixa Aplicável às Pessoas Físicas e aos Não Residentes” ofendem a previsão expressa do art. 26 da Lei nº 10.833/2003, sendo certo que, ao defender e justificar a aplicação deste artigo legal, a decisão a quo está a refutar integralmente tais argumentos da Contribuinte; Afirma que o voto da DRJ é claro e direto ao refutar os argumentos da Contribuinte Recorrente, sobretudo ao não acolher a tese veiculada pela Contribuinte, de ocorrência do ganho de capital apenas quando da alienação das ações da BM&FBovespa S.A. Neste aspecto, convém transcrever a seguinte passagem do voto da DRJ (fls. 15 do Voto): Inicialmente, é preciso deixar claro que o tributo em questão foi apurado sobre o ganho de capital obtido na alienação das ações da Bovespa Holding pelos investidores estrangeiros, e não na alienação de ações da Nova Bolsa ou da BMFBovespa. Aponta ser totalmente infundada e desarrazoada a conclusão pela submissão ao regime de caixa das pessoas jurídicas estrangeiras, superando em muito a dicção legal e, sobretudo, contrariando a regra geral de submissão à sistemática do lucro real (regime de competência). Acrescenta que a discussão sobre o regime a que se submetem as pessoas jurídicas estrangeiras é irrelevante, na medida em que se está tributando a pessoa jurídica nacional (BM&FBovespa S.A.), por não ter retido e recolhido tributos quando da alienação ocorrida com a incorporação de ações da Bovespa Holding S.A. Da Ausência de Tributação em Duplicidade – Matéria alheia aos autos. Indica a irrelevância da forma de recolhimento (regime), bem como do efetivo recolhimento de tributos pelos investidores estrangeiros em momento posterior, como afirma ter ocorrido a Contribuinte Recorrente (fls. 11 e segs. De seu Recurso), é fator determinante a ressaltar a impropriedade da argumentação de tributação em duplicidade. Complementa que é preciso ter em mente que, se houve recolhimento de tributos em razões de alienações posteriores de ações da BM&FBovespa S.A., tal recolhimento se deu em outro momento temporal e com circunstâncias fáticas outras, totalmente distintas do objeto destes autos. Da Diligência No contexto delimitado pela DRJ e efetivamente autuado, a questão de existência ou não de pagamento de Imposto de Renda no ganho de capital experimentado pelos investidores estrangeiros é matéria alheia aos autos. Esses fatos geradores para os quais a Contribuinte Recorrente alega terem sido feitos recolhimentos, por serem posteriores (inclusive, ressaltese, tendo como ponto de partida custos de ações diferentes dos considerados neste caso), esses outros fatos geradores é matéria que não interessa a estes autos, sendo irrelevante para sua correta decisão. Fl. 1760DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 20 O pleito de diligência é totalmente desnecessário, prejudicial à almejada celeridade, uma vez que só viria a conturbar o processo, introduzindo elementos que lhe são estranhos. Do Ganho de Capital na Incorporação de Ações; Em seu Recurso, a Contribuinte considera que, na incorporação de ações, não há alienação e, por isso, não haveria ganho de capital. Defende, basicamente, que na operação teria ocorrido apenas uma troca de ações, por subrogação real. A Recorrente também aproxima a incorporação de ações da incorporação de sociedades. Ocorre, entretanto, que na incorporação de ações da Bovespa Holding S.A pela BM&FBovespa S.A, ocorrida em 2008, há em verdade uma alienação de participação societária. Qualquer acréscimo patrimonial dela decorrente deverá ser oportunamente oferecido à tributação. A incorporação de ações é prevista no artigo 252 da Lei nº 6.404/76, e trata se de operação na qual a sociedade incorporadora adquire as ações de outra empresa, que continua a existir, porém passando à condição de subsidiária integral daquela, sendo essa a diferença entre tal operação e a incorporação de empresas, na qual a incorporada é extinta. A incorporação de ações é uma alienação em sentido amplo, o que já foi reconhecido pela doutrina. De fato, a alienação, por definição, é o ato de transferir para alguém uma propriedade ou um direito. Tratase de um ato de disposição no qual ocorre a transferência de domínio. Em suas contrarazões reproduz comentário de doutrinadores, tais como Modesto Carvalhosa e Edmar de Oliveira Andrade Filho, que indicam que no caso de incorporação de ações existe uma alienação. Acrescenta que a incorporação de ações não pode ser equiparada a uma subrogação real. A subrogação real caracterizase pela substituição do objeto, da coisa devida, onde a segunda fica no lugar da primeira com os mesmos ônus e atributos. E, na incorporação de ações não se mantém a relação originária, apenas alterando um bem por outro. Esclarece que os direitos dos acionistas da empresa que passou a ser subsidiária integral são distintos daqueles decorrentes das ações da sociedade incorporadora. Na incorporação de ações não ocorre uma mera substituição de um bem no patrimônio do acionista, com os mesmos ônus, direitos e atributos, pois não são mantidas as mesmas condições da obrigação primitiva. Portanto, a incorporação de ações é uma espécie de alienação, nos termos do art. 3º, § 3º, da Lei nº 7.713, de 1988, sendo a transmissão da propriedade dos ativos onerosa e avaliada em dinheiro. Assim, havendo diferença positiva entre o valor da transmissão e o respectivo custo de aquisição, essa deve ser tributada como ganho de capital, independentemente da existência de fluxo financeiro. Lembrando que a Lei, ao definir o fato gerador do imposto de renda, não se reporta à disponibilidade financeira, mas sim à disponibilidade econômica ou jurídica, que existe desde o momento em que o acionista receber ações da sociedade incorporadora. A partir de quando ele se tornar proprietário das ações, terá disponibilidade jurídica (direito real), além de poder fruir dos valores agregados a elas (disponibilidade econômica). Fl. 1761DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 16327.720648/201203 Acórdão n.º 2202003.012 S2C2T2 Fl. 12 21 Por todas essas razões, a Contribuinte Recorrente, BM&FBovespa S.A, na condição de adquirente, deveria, nos termos do Art. 26 da Lei nº 10.833/03, ter retido e recolhido o IR incidente sobre o ganho de capital decorrente da operação, no que se refere aos investidores domiciliados no exterior. Como não o fez, correto o lançamento. Por fim, mencionese que os argumentos lançados (fls. 88 e segs. do Recurso) para infirmar o custo de aquisição das ações de alguns dos investidores estrangeiros (Lehman Bros e Citigroup) adota fundamentação já amplamente rechaçada pelo CARF quando dos diversos julgamentos de processos específicos que trataram da Desmutualização. No que toca aos juros sobre a multa de ofício, registra que incidência de juros moratórios sobre as multas de ofício seria frustrar totalmente a finalidade dos dispositivos legais que cominam multa de ofício. O processo é colocado em pauta na sessão de março 2014, tendo sido determinado pedido de vista. O recorrente no mês de abril 2014 apresenta pareceres adicionais dos Professores Modesto Carvalhosa e Ricardo Mariz de Oliveira, sobre a matéria de fundo do processo, que entendem propiciar subsídios a tese sustentada pela recorrente. Os referidos pareceres foram juntados ao processo, propiciandose vista a PFN. Apresentado os pareceres, ao recorrente expõe de modo complementar os seguintes argumentos (fls1548 a 1553). Da necessidade da correta interpretação do Professor Modesto Carvalhosa acerca do Artigo 252 da Lei No. 6.404/76; Da ausência de responsabilidade por parte do recorrente – Inaplicabilidade do artigo 26 da Lei No. 10833/03, sendo devido o mesmo pelos agentes de custodia de investimentos estrangeiros; Da irrelevância da diversidade de valores nas relações de troca. Indicando que a avaliação a valor de mercado na incorporação de ações não representa pagamento de qualquer tipo de “preço”, permanecendo o valor histórico no patrimônio do acionista. Para isso seleciona trechos do parecer elaborado pelo Prof. Ricardo Mariz de Oliveira; Da necessidade da conversão do julgamento em diligência para comprovar que os investidores não residentes recolheram o ganho de capital quando da venda das ações recebidas na incorporação das ações e confirmar o custo de aquisição das ações detidas pelos aludidos investidores não foi alterado no sistema do Banco Central do Brasil. A PFN às fls. 1708 a 1732, apresenta contrarazões para os novos argumentos do Recorrente e comenta os pareceres apresentados, indicando no geral a existência de algumas contradições na linha de argumentação e que um dos pareceres não tem foco em IRRF, voltado prioritariamente para IRPJ e CSSL. Complementa expondo o entendimento que propicia respaldo a tese da Fazenda Nacional, respaldando seus argumentos em doutrinadores como Andrade Junior e Schoueri. É o relatório. Fl. 1762DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 22 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Como se colhe da extensa descrição dos fatos, auto de infração que se origina na tributação do ganho de capital na alienação de bens ou direitos de beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, consoante determina o art. 18 da Lei nº 9.249/95. No entendimento da autoridade autuante a sujeição passiva recai sobre o Recorrente por força do Art. 26 da Lei nº 10.833/03, que determina ser do adquirente domiciliado no Brasil a responsabilidade pela retenção e recolhimento do IR pertinente ao ganho de capital na alienação de bens localizados no Brasil por pessoas físicas ou jurídicas domiciliadas no exterior. Da Preliminar de Cerceamento do Direito de Defesa Não consigo visualizar o cerceamento de defesa apontado pelo recorrente. Está claro que o recorrente não acompanha os argumentos suscitados pela autoridade julgadora, qualificandoa de desarrazoada. Entretanto da análise do acórdão da DRJ notase consistência entre sua argumentação e os pontos suscitados pelo recorrente. O destaque a que a decisão não teria apreciado um ponto vinculado ao regime cambial caixa ou não, não se sustenta, tendo em vista que no entender da DRJ conforme descrimina esse ponto não é relevante. Ficou sempre claro que operação foi realizada no território nacional entre a Bovespa Holding e a BMF&Bovespa S.A , ou Nova Bolsa S.A. Também não é caso de cerceamento de defesa, quando ocorre uma decisão em sentido contrário ao que entendemos como correto. Devese reconhecer que os julgadores podem ter convicções distintas, aos dos impugnantes e recorrentes, mas isso apenas não indica um cerceamento do direito de defesa. Da Nulidade do Lançamento Argui a recorrente, preliminarmente, a nulidade do auto de infração por diversos motivos. Estatuem os arts. 59, caput e I, e 60 do Decreto n. 70.235, de 6 de março de 1972 Processo Administrativo Fiscal (PAF): Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados ou pessoa incompetente; ... Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e Fl. 1763DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 16327.720648/201203 Acórdão n.º 2202003.012 S2C2T2 Fl. 13 23 serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Pelo acima transcrito, é de se considerar que só se pode cogitar de declaração de nulidade de auto de infração quando for, esse auto, lavrado por pessoa incompetente. Quaisquer outras irregularidades, incorreções e omissões não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio (art. 60 do PAF). No que toca à base de cálculo, onde o recorrente argumento que o imposto não teria sido apurado corretamente, entendo que a discussão está focalizada num fato gerador distinto. O que se analise no processo é exclusivamente as alienações decorrente da incorporação das ações da Bovespa holding para Nova Bolsa. S.A. Em suma não há que se falar em nulidade por outras razões, ainda mais quando o fundamento argüido pelo contribuinte a título de preliminar se confundir com o próprio mérito da questão. Posto isso, rejeito tal preliminar de nulidade. Da Duplicidade de Tributação No caso concreto não merece destaque a tese da dupla tributação, pois se houve recolhimento de tributos em razões de alienações posteriores de ações da BM&FBovespa S.A., tal recolhimento se deu em outro momento temporal e com circunstâncias fáticas diversas, totalmente distintas do objeto destes autos. De modo que não ocorre a alegada duplicidade de tributação. Do Pedido de Pericia. No que toca ao pedido de pericia assim como a autoridade de primeira instância não vejo qualquer utilidade na mesma em proveito do recorrente. Na realidade é irrelevante o efetivo recolhimento de tributos pelos investidores estrangeiros, decorrentes de outros fatos geradores, ocorridos posteriormente aos fatos aqui discutidos, é aspecto igualmente determinante para ressaltar a impropriedade da diligência pleiteada. Nestes termos seria inócua a prova a ser produzida nos termos do requerimento, porque a alienação posterior das ações objeto de incorporação a terceiros é fato gerador diverso que não se confunde com o objeto dos presentes autos. O resultado da diligência, portanto, é impertinente, devendo ser indeferida com base no artigo 18 do Decreto nº 70.235/72. Ante ao exposto, cabe indeferir o pedido de pericia. Do Ganho de Capital nas Incorporações de Ações A operação de desmutualização compreendeu a devolução de patrimônio de entidades constituídas como associação civil (entidade isenta Bovespa), e posterior subscrição de ações da sociedade anônima Bovespa Holding, conforme atesta a Ata da AGE da Bovespa Fl. 1764DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 24 Holding. O processo de Desmutualização, concluído em 2007, não é o que está sendo discutido neste processo. No caso concreto estamos concentrados apenas no processo de incorporação de ações onde as ações da Bovespa Holding S.A foram incorporadas pelo valor de mercado estipulado em algo próximo a 18 bilhões de reais, de acordo com laudo de avaliação elaborado pela Deloitte Touche Tohmatsu. Esse montante resultou de um valor atribuído de R$ 24,82 para cada ação da Bovespa Holding. Os acionistas da Bovespa Holding receberam 1,42485643 ações ordinária e para cada ação BOVH3 e 1 ação preferencial resgatável da Nova Bolsa AS para cada 10 ações da BOVH3. Quando o assunto é a possibilidade de se tributar acréscimo patrimonial decorrente de incorporação por ações, notase uma área rica em teses, correntes e doutrinas. Resumindo, podem ser destacadas algumas teses doutrinárias acerca da natureza jurídica da incorporação de ações. Destacaria entre elas: 1) a tese da subrogação real (substituição de ativos); 2) a tese do aumento de capital da incorporadora mediante a conferência de bens e 3) a tese do negócio societário típico. A tese que prega a natureza de subrogação real à incorporação de ações, entende que a mesma como um procedimento de mera substituição, configurando uma sub rogação real. Este instituto jurídico é definido por Pontes de Miranda como a substituição jurídica de uma coisa por outra, mantida a relação jurídica base anterior. O artigo 252 da Lei das S/A seria, ao ver dessa linha de argumentação, a fonte normativa que determina a sub rogação real. O ponto fulcral dessa abordagem é de que não haveria manifestação de vontade dos acionistas para a efetivação da operação, de modo que não se poderia equiparar a incorporação de ações à subscrição de aumento de capital com bens. Isso porque a incorporação de ações se daria por acordo entre duas sociedades, sem interveniência de seus acionistas. Na subrogação real pressupõese a equivalência de valores entre os bens substituídos. O que há é uma relação de troca com vistas a recompor o patrimônio do acionista que teve seus títulos mobiliários “expropriados”. Nesse sentido a incorporação de ações não importa em acréscimo patrimonial para o acionista, não sendo, portanto, fato gerador de ganho de capital. Outra tese doutrinária, entende que na incorporação de ações ocorre uma alienação ficta de ações pelos acionistas da incorporada e uma aquisição ficta pela incorporadora. Tratase de uma aquisição na qual o pagamento se dá em bens, pelo que não se pode falar em mera substituição ou permuta. Entende que na verdade ocorre um aumento de capital da incorporadora mediante uma dação de bens pelos antigos acionistas da incorporada, no caso concreto as próprias ações. Finalmente temos uma última tese doutrinária, respaldada por Eduardo Schoueri e Luiz Carlos de Andrade Júnior (Incorporação de Ações: natureza societária e efeitos tributários, n. 200, maio 2012, Revista Dialética de Direito Tributário). Advertem os Fl. 1765DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 16327.720648/201203 Acórdão n.º 2202003.012 S2C2T2 Fl. 14 25 doutrinadores que não se pode confundir o procedimento operacional com a natureza jurídica do instituto da incorporação de ações. Reconhecem, então, que a incorporação é negócio jurídico específico de Direito Societário. Acrescentam que há uma efetiva alienação de ações subjacente à figura da incorporação de ações. Com efeito, nesse instituto há acréscimo patrimonial que enseja tributação da renda. Pessoalmente, entendo que essa última teoria é mais coerente, atribuindo a incorporação de ações a natureza de negócio jurídico típico do gênero alienação. Inferese que a integralização de bens da pessoa jurídica no capital de pessoa jurídica configura indubitavelmente em alienação; operação que significa a transferência de bens ou direitos de um patrimônio para outro através de qualquer negocio jurídico translativo da propriedade, ou, na definição mais precisa de De Plácido e Silva (in Vocabulário Jurídico,' da Editora Forense) alienação, também chamada de alheação e alheamento, é o termo jurídico, de caráter genérico, pelo qual se designa todo e qualquer ato que tem o efeito de transmitir o domínio de uma coisa para outra pessoa. No caso concreto, as ações da sociedade incorporada são transmitidas para a incorporadora, no intuito de realizar o aumento de capital desta. Há a transferência de propriedade das ações de um acionista para a sociedade. Essa alienação faz jus a um preço, que é adimplido pela recepção pelos acionistas de ações da sociedade incorporadora. Egberto Lacerda Teixeira e José Alexandre Tavares Guerreiro, em seu livro "Das Sociedades Anônimas no Direito Brasileiro" (José Bushatsky, Editor, 1979, vol.2, p.727), leciona que: "Apesar da semelhança da operação em tela com o instituto regulado no artigo 227, parecenos que a expressão escolhida pelo legislador — incorporação de ações — é, de certo modo imprópria, por suscitar confusões com aquele instituto. Na verdade, a incorporação de ações nada mais significa do que um aumento de capital social de determinada companhia brasileira, mediante a conferência, pelos subscritores, de todas as ações do capital de outra sociedade, que se converte em subsidiária. integral, recebendo seus exacionistas ações novas do capital da primeira". Fran Martins, em seu livro "Comentários à Lei das Sociedades Anônimas", Forense, 1975, vol. 3, p. 316, leciona que na operação de incorporação de ações há um aumento de capital na sociedade incorporadora com a subscrição das ações pelos acionistas que vai tornarse subsidiária integral: "Pois, na verdade, a conversão de uma sociedade anônima em subsidiária integral mediante a chamada incorporação das ações da primeira no patrimônio da segunda nada mais é do que um aumento de capital da sociedade controladora, ou, na expressão da lei, incorporadora, com a subscrição das ações desse aumento pelos acionistas da sociedade que vai tornarse subsidiária integral, sendo o pagamento dessas ações feito não em dinheiro, mas com as ações dos acionistas da sociedade que vai ser incorporada". Fl. 1766DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 26 Edmar Oliveira Andrade Filho, in Imposto de Renda das Empresas, São Paulo, Ed. Atlas, p. 461/462, considera que a incorporação de ações constitui uma forma de alienação em sentido amplo e posicionase favoravelmente a incidência de imposto de renda sobre ganho de capital quando a subscrição realizarse por valor superior ao valor contábil: "No campo tributário, existem algumas controvérsias da eventual tributação do ganho de capital eventualmente apurado por ocasião da "troca" de ações ou quotas nos casos de incorporação de ações regidas pelo artigo 252 da Lei n° 6.404/76. Sob a perspectiva daquele que realiza da "troca" das ações ou quotas, há substituição de investimento que pode acarretar ou não a apuração de ganho ou perda de capital; tudo fica a depender do valor a ser atribuído à operação, se maior ou menor que o valor contábil do investimento primitivo, que é substituído por outro. Esta operação pode ser qualificada como sendo passível de produzir uma alienação ou uma liquidação do investimento. A incorporação de ações constitui uma forma de alienação em sentido amplo; com efeito, o detentor das ações ou quotas as entrega sob a forma de conferencia de bens para subscrição de capital e recebe ações ou quotas da sociedade que teve o seu capital aumentado e que passou a ser a única acionista da sociedade convertida em subsidiária integral. Todavia, não se pode olvidar que o fenômeno possui afinidade funcional com a liquidação de investimento por incorporação de sociedade nos termos do artigo 227 da Lei n° 6.404/76; de fato, o investimento na antiga sociedade (aquela que se tornou a subsidiária integral) deixa de existir em razão do cancelamento das antigas ações ou quotas que são substituídas por ações da controladora (única acionista ou quotista) da subsidiária integral. Os negócios jurídicos que compõem o instituto da incorporação de ações ocorrem em razão de manifesta deliberação dos sócios ou acionistas das sociedades envolvidas mediante assembléias, nos termos do artigo 252 da Lei n° 6.404/76; portanto, são os acionistas que determinam os valores pelas quais as operações serão realizadas (observadas as prescrições legais tendentes a proteger acionistas minoritários). Cabe recordar o que dispõe expressamente o art. 252 da Lei No. 6.404/76, incorporação de ações seria: “Art. 252. A incorporação de todas as ações do capital social ao patrimônio de outra companhia brasileira, para convertêla em subsidiária integral, será submetida à deliberação da assembléiageral das duas companhias mediante protocolo e justificação, nos termos dos artigos 224 e 225. § 1º A assembléiageral da companhia incorporadora, se aprovar a operação, deverá autorizar o aumento do capital, a ser realizado com as ações a serem incorporadas e nomear os peritos que as avaliarão; os acionistas não terão direito de preferência para subscrever o aumento de capital, mas os dissidentes poderão retirarse da companhia, observado o Fl. 1767DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 16327.720648/201203 Acórdão n.º 2202003.012 S2C2T2 Fl. 15 27 disposto no art. 137, II, mediante o reembolso do valor de suas ações, nos termos do art. 230.” Desse modo não há como afastar o ganho de capital na argumentação , de que os titulares das mesmas, os acionistas, não manifestariam, vontade contratual. Na realidade por deliberação da assembleia geral aprovase a mesma e existe sempre o direito de retirarse da companhia. Não há como se dizer que o ganho de capital decorrente da alienação de ações seria incerto e carente de liquidez. Isso porque o valor tanto das ações incorporadas quanto às entregues aos antigos acionistas da sociedade incorporada são necessariamente submetidas a prévia avaliação (§§ 1º e 2º do art. 252 da Lei das S/A), o que as confere a devida liquidez e certeza. No caso concreto, tendo em vista que a incorporação de ações é uma espécie de alienação, nos termos do art. 3º, § 3º, da Lei nº 7.713, de 1988, sendo a transmissão da propriedade dos ativos onerosa e avaliada em dinheiro. Assim, havendo diferença positiva entre o valor da transmissão e o respectivo custo de aquisição, essa deve ser tributada como ganho de capital. O fato gerador do imposto de renda, não se reporta à disponibilidade financeira, mas sim à disponibilidade econômica ou jurídica, que existe desde o momento em que o acionista receber ações da sociedade incorporadora. A partir de quando ele se tornar proprietário das ações, terá disponibilidade jurídica (direito real), além de poder fruir dos valores agregados a elas (disponibilidade econômica). No plano jurisprudencial, a 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais já decidiu no seguinte sentido: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF. Exercício: 2005. IRPF OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES GANHO DE CAPITAL. As operações que importem alienação a qualquer titulo, de bens e direitos, estão sujeitos a apuração do ganho de capital. A incorporação de ações constitui uma forma de alienação em sentido amplo. O sujeito passivo transferiu ações, por incorporação de ações, para outra empresa, a título de subscrição e integralização das ações que compõem seu capital, pelo valor de mercado. A diferença a maior (entre o valor de mercado e o valor constante na declaração de bens) deve ser tributada como ganho de capital. Recurso especial provido.” (grifos acrescidos) (Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF Segunda Turma Acórdão CSRF/920200.662 Data da Decisão: 12/04/2010 Data de Publicação: 11/06/2010). Não se pode também desconsiderar a solução de consulta, que reforça a posição aqui esposada: SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 224, DE 14 DE AGOSTO DE 2014 Fl. 1768DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 28 DOU de 22/08/2014, seção 1, pág. 29 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF EMENTA: INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. TRANSFERÊNCIA. INTEGRALIZAÇÃO DE CAPITAL. PESSOA FÍSICA. GANHO DE CAPITAL. INCIDÊNCIA. Na operação de incorporação de ações, a transferência destas para o capital social da companhia incorporadora caracteriza alienação cujo valor, se superior ao indicado na declaração de bens da pessoa física que as transfere, é tributável pela diferença a maior, como ganho de capital, na forma da legislação. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 6.404, de 1976, art. 252; Lei n° 7.713, de 1988, art. 3°; Lei n° 9.249, de 1995, art. 23; e Instrução Normativa SRF nº 84, de 2001, arts. 2º, 3º, 16, 27 e 30. Cabe ainda apontar o entendimento expresso pela Presidência de Republica quando da analise do Projeto de Lei de Conversão No. 18 de 2014, no qual foi vetado o artigo 10 do referido dispositivo. Em Mensagem No. 21 de 19/01/2015, assim expõe a Presidente da República ao Presidente do Senado Federal, as razões para o veto, do referido dispositivo: Art. 10 “Art. 10. Para efeito de interpretação, a substituição de participações societárias em decorrência de operações de reorganizações societárias, como cisão, fusão, incorporação de ações ou quotas não implica apuração de ganho de capital por não ter natureza de operação que importe alienação ou transferência de que tratam o art. 3o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e o § 2o do art. 23 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, respectivamente, mantendo a pessoa física o mesmo custo de aquisição das participações originárias para as participações recebidas em substituição, independentemente do valor pelo qual as participações originárias ingressaram no patrimônio da pessoa jurídica, observado o disposto no § 3o do art. 252 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976.” Razões do veto “O referido dispositivo autorizaria que uma riqueza seja incorporada ao patrimônio de uma pessoa jurídica sem que haja tributação, possibilitando planejamentos tributários abusivos, principalmente em decorrência do ágio que acompanha a transação. Ou seja, criase acréscimo patrimonial não tributado na Pessoa Jurídica, em decorrência de uma riqueza volátil, a qual poderá nunca ser tributada, e ainda mais: poderá acarretar redução real do valor do IRPJ a pagar. Por ter efeito interpretativo, o dispositivo teria ainda aplicação retroativa, ensejando, inclusive, a reforma de autos de infração.” Por todas essas razões, a Recorrente, BM&FBovespa S.A, na condição de adquirente, deveria, nos termos do Art. 26 da Lei nº 10.833/03, ter retido e recolhido o IR incidente sobre o ganho de capital decorrente da operação, no que se refere aos investidores domiciliados no exterior. Como não o fez, correto o lançamento. Fl. 1769DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 16327.720648/201203 Acórdão n.º 2202003.012 S2C2T2 Fl. 16 29 Da Responsabilidade da BM&F Bovespa pela retenção e recolhimento Nos termos em que dispõe os arts. 682, I, e 685, I, "b" , do RIR/99, os ganhos de capital pagos por fonte situada no País a residente no exterior estão sujeitos à incidência do Imposto de Renda na fonte à alíquota de 15%. RIR/1999 Art. 682. Estão sujeitos ao imposto na fonte, de acordo com o disposto neste Capítulo, a renda e os proventos de qualquer natureza provenientes de fontes situadas no País, quando percebidos: I pelas pessoas físicas ou jurídicas residentes ou domiciliadas no exterior (DecretoLei n º 5.844, de 1943, art. 97, alínea "a"); Art. 685. Os rendimentos, ganhos de capital e demais proventos pagos, creditados, entregues, empregados ou remetidos, por fonte situada no País, a pessoa física ou jurídica residente no exterior, estão sujeitos à incidência na fonte (DecretoLei n º 5.844, de 1943, art. 100, Lei n º 3.470, de 1958, art. 77, Lei n º 9.249, de 1995, art. 23, e Lei n º 9.779, de 1999, arts. 7 º e 8 º ): I à alíquota de quinze por cento, quando não tiverem tributação específica neste Capítulo, inclusive: a) os ganhos de capital relativos a investimentos em moeda estrangeira; b) os ganhos de capital auferidos na alienação de bens ou direitos; c) as pensões alimentícias e os pecúlios; d) os prêmios conquistados em concursos ou competições. Por força do que dispõe o art. 5º da Lei nº 4.154, de 1962, o reajustamento da base de cálculo é consequência automática e necessária da ausência da retenção do Imposto de Renda na fonte, razão pela qual vincula a autoridade lançadora. Art. 725. Quando a fonte pagadora assumir o ônus do imposto devido pelo beneficiário, a importância paga, creditada, empregada, remetida ou entregue, será considerada líquida, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto, sobre o qual recairá o imposto, ressalvadas as hipóteses a que se referem os arts. 677 e 703, parágrafo único (Lei n º 4.154, de 1962, art. 5 º , e Lei n º 8.981, de 1995, art. 63, § 2 º ). Reconhecese que a partir da edição da Lei n° 9.249/95, de forma específica, os rendimentos decorrentes de ganho de capital de residente ou domiciliado no exterior, na alienação de bens situados no Brasil, devem observância ao regramento aplicável aos residentes neste País, não se cogitando, naquele momento portanto, na responsabilidade do Fl. 1770DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 30 adquirente, na condição de fonte pagadora, de efetuar a retenção do imposto de renda em comento, uma vez não vir contemplado na norma legal retro aludida obrigação. Lei n° 9.249/95 Art. 18. O ganho de capital auferido por residente ou domiciliado no exterior será apurado e tributado de acordo com as regras aplicáveis aos residentes no País. Porém em 2003, norma legal que passou a regular a matéria trouxe dispositivo legal específico contemplando a obrigação de retenção do imposto de renda na fonte nas hipóteses de ganho de capital de não residentes no País, na condição de adquirente. Em 30/10/2003, foi publicada Medida Provisória n° 135, posteriormente convertida na Lei n° 10.833, de 29/12/2003, que em seu artigo 26 estabelece o seguinte: “Art. 26. O adquirente, pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no Brasil, ou o procurador, quando o adquirente for residente ou domiciliado no exterior, fica responsável pela retenção e recolhimento do imposto de renda incidente sobre o ganho de capital a que se refere o art. 18 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, auferido por pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior que alienar bens localizados no Brasil.” A própria exposição de motivos da Medida Provisória n° 135/2003 é por demais enfática no sentido de que referida norma representaria uma alteração no regime jurídico quanto ao tema, destacando que “atualmente cabe ao alienante a apuração e recolhimento do tributo”, consoante se positiva do excerto abaixo citado: “21. O art. 24 tem por objetivo reduzir a possibilidade de não pagamento pelo contribuinte nãoresidente do imposto de renda incidente sobre os ganhos de capital apurados na alienação de seus bens localizados no Brasil, pois atualmente cabe ao alienante a apuração e recolhimento do tributo, o que dificulta a fiscalização do cumprimento da obrigação tributária, sobretudo pela nãoresidência do contribuinte em território nacional. [...]” A norma desloca a sujeição passiva do alienante situado no exterior para o adquirente localizado no Brasil. Tratase de norma de substituição por conveniência do Fisco, não por sanção. Na hipótese da norma, o critério material é o ganho de capital de pessoa residente no exterior em virtude de alienação de bens no Brasil. Os critérios temporal e espacial são os mesmos da norma de incidência. O consequente é o deslocamento da sujeição passiva da norma de incidência para o adquirente. Cabe registrar que o consequente da regra matriz de incidência importa na obrigação de pagamento de tributo. Isso já decorre do artigo 3º do CTN, pelo que o tributo é obrigação pecuniária, ou seja, obrigação de pagar. Não se pode dizer, então, que o consequente é a retenção, uma vez que cabe ao responsável o efetivo adimplemento da obrigação tributária. Entendo, portanto que após a vigência da Lei n° 9.249, de 1995, e antes da Lei n° 10.833, de 2003, o imposto sobre o ganho de capital na alienação de bens localizados no Brasil, por alienante residente no exterior, deveria ser recolhido pelo procurador do alienante. Fl. 1771DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 16327.720648/201203 Acórdão n.º 2202003.012 S2C2T2 Fl. 17 31 Não havia previsão legal para a retenção e recolhimento do imposto pelo adquirente. Entretanto quando do fato gerador 08/05/2008, não tenho dúvidas, de que a responsabilidade seria do adquirente, no caso concreto da BM&F Bovespa. Com efeito, a lei pode atribuir a responsabilidade tributária a uma pessoa qualquer, tornandoa sujeito passivo da obrigação tributária, ainda que seja pessoa diversa daquela que possui relação direta com o ato, fato ou negócio tributado. É a figura da responsabilidade por substituição ou substituição tributária, onde, no caso em comento, o adquirente é o substituto e o alienante (aquele que pode ter auferido ganho de capital) é o substituído. Na apuração do ganho de capital serão consideradas operações que importem alienação a qualquer título, inclusive permuta. Nem a legislação, nem a jurisprudência e nem a orientação das autoridades administrativas reconhecem a inexistência de ganhos de capital em operações de permuta de bens, independentemente do âmbito em que formalizadas e da natureza dos bens permutados. É fácil perceber que o adquirente de bem ou direito localizado no Brasil, pertencente a pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no exterior, além de pagar o preço e de tomar todos os cuidados próprios da aquisição, deve apurar corretamente e recolher o imposto incidente sobre o ganho auferido pelo alienante, descontando do valor da transação o pago a título de IRPF sobre Ganhos de Capital. Ao apreciar o caso concreto assim se pronunciou a autoridade recorrida no seu acórdão: Também deve ser esclarecido que os investidores estrangeiros receberam o valor de alienação das ações da Bovespa Holding sob a forma de ações da Nova Bolsa, razão pela qual não procede a alegação da impugnante de que não teria havido o efetivo recebimento do valor da alienação. Consequentemente, também não procedem as alegações de inexistência de fato gerador do imposto de renda e de deferimento de tributação do ganho de capital. O referido valor de alienação, por ocasião da operação de incorporação de ações pela Nova Bolsa, consta no item 5.5 da ata da AGE de 08/05/2008, o qual informa que o montante das ações da Bovespa Holding, atestado por laudo de avaliação de empresa de consultoria, foi de R$17.942.090.162,46, sendo R$24,82 o preço por ação (fls.10261094). Assim, o valor de alienação das ações que cada investidor detinha é dado pela quantidade de ações vendidas multiplicada por R$24,82. Em relação ao custo de aquisição das ações custodiadas na CBLC (investidores 2698), os dados foram extraídos das planilhas apresentadas pela contribuinte às fls.602614, e transcritos na planilha da fiscalização de fls.10951111. A contribuinte informou na planilha de fls.616 as posições acionárias dos investidores estrangeiros diretos (investidores 4131) em 05/08/2008, conforme o anexo do Termo de Fl. 1772DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 32 Constatação Fiscal de fls.829, enquanto que os custos de aquisição, exceto para os investidores Lehman e Citigroup, foram informados pela contribuinte às fls.618625. Quanto aos custos de aquisição das ações da Bovespa Holding detidas pelos investidores Lehman e Citigroup, a contribuinte informou que tais ações decorriam dos títulos patrimoniais da Bovespa por eles detidos (fls. 715718 e 10201021). Frisese, novamente, que na operação de desmutualização houve a efetiva devolução do patrimônio dos associados da Bovespa, entre estes os investidores estrangeiros Lehman e Citgroup, extinguindose os títulos patrimoniais. Tais associados receberam as ações da Bovespa Holding e, posteriormente, alienaramnas na operação de incorporação de ações realizada pela Nova Bolsa, sendo o respectivo ganho de capital objeto de tributação. Portanto, o ganho de capital em análise ocorreu na venda das ações da Bovespa Holding. Assim, não procede a alegação da impugnante de que deveria ser considerado o custo de aquisição dos extintos títulos patrimoniais. Uma vez que não tenho reparos a realizar no arrazoado da autoridade recorrida, não vejo qualquer motivação para uma alteração do lançamento tal como efetuado. Também não se pode esperar que o ganho de capital ocorra apenas com o pagamento exclusivamente em dinheiro. O art. 18 da Lei nº 9.249/95 prevê que as pessoas jurídicas sediadas no exterior serão tributadas como as pessoas físicas residentes no Brasil. Nesse sentido, o artigo 23 da mesma lei deixa claro que, em integralização de capital de pessoa jurídica por pessoa física com bens, estes serão considerados pelo valor constante ao da respectiva declaração ou pelo valor de mercado. Se a transferência se dá por valor maior, a diferença será tributável como ganho de capital. No mesmo sentido o art. 722 do RIR deixa claro que “A fonte pagadora fica obrigada ao recolhimento do imposto, ainda que não o tenha retido”. O que a lei exige, portanto, é que o mecanismo de retenção na fonte possibilite que o ônus econômico do tributo seja transmitido do responsável para o contribuinte, seja por retenção propriamente dita ou por ressarcimento. Na constituição de sociedades ou no aumento de capital, o contrato social ou a sua alteração, com registro na Junta do Comercio, é titulo translativo para permitir os registros públicos transmitir o domínio de bens, conforme prevê o art. 64, da Lei n° 8.934, de 1994. Art. 64. A certidão dos atos de constituição e de alteração de sociedades mercantis, passada pelas juntas comerciais em que foram arquivados, será o documento hábil para a transferência, por transcrição no registro público competente, dos bens com que o subscritor tiver contribuído para a formação ou aumento do capital social. Contudo, no caso destes autos, a transmissão da titularidade das ações à incorporadora, ocorre pela Escritura Publica de incorporação. E essa integralização do capital Fl. 1773DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 16327.720648/201203 Acórdão n.º 2202003.012 S2C2T2 Fl. 18 33 pela escritura pública foi procedida por preço superior ao custo de aquisição. A diferença é ganho de capital. A diferença entre um e outro critério – transferência pelo custo de aquisição ou por valor atualizado para posterior com aumento de capital, esta apenas na modalidade e no momento de tributação na pessoa física ou na pessoa jurídica e da carga tributária. Enfim, pela forma escolhida pelo Recorrente de incorporar o bem ao capital por valor superior ao custo de aquisição ou atualizado, significar obter ganho de capital na alienação. Não cabe também a alegação de que o recorrente não teria como reter o valor do beneficiário, arcando com o ônus com seu patrimônio. Esclareçase que além da retenção existem outros mecanismos mediante o qual o responsável pode se ressarcir do imposto pago. Pode, por exemplo, o responsável assumir o ônus do tributo devido pelo contribuinte, oportunidade em que a importância paga será considerada líquida e haverá reajustamento do valor bruto sobre o qual recairá o imposto (art. 725 do RIR/99). Observar que esse valor de imposto pago pelo adquirente é dedutível na determinação do lucro real da pessoa jurídica tal como prescreve o § 3o. do artigo 344 do RIR/99. Pessoalmente, entendo que não há impedimentos a retenção no caso da incorporação de ações, tal como argumenta o recorrente. Em que pese o pagamento se dar em bens, este tem valor determinado por laudo de avaliação e podem ser retidos. O responsável, poderia realizar a retenção de partes das ações incorporadas. Uma vez que a norma de retenção é autorizativa, o responsável tem a opção alternativa de assumir o ônus do imposto e manejálo em sua escrita fiscal. Entendese que esse regime de retenção em bens, possa parecer estranho, entretanto isso não é novidade no nosso sistema, observese, por exemplo, o caso do artigo 63 da Lei No. 8.981/95, com redação da Lei N. 9065/95, que submete ao pagamento de prêmios distribuídos sob forma de bens e serviços, em virtude de concursos e sorteios, à incidência do imposto de renda na fonte. Em suma, a retenção seria a oportunidade de transferência do ônus econômico do tributo ao contribuinte de direito é não ao responsável. O pagamento em bens é possível. Ainda que não se efetue a retenção, poderá o responsável aproveitar o ônus econômico como despesa na apuração da base de cálculo do próprio imposto de renda. A título de análise registrese que estrutura de retenção na fonte demanda a incidência de três normas interdependentes. A primeira é a norma de incidência do Imposto de Renda; a segunda é a norma de substituição tributária que afeta a sujeição passiva do tributo, transferindoa do contribuinte aos responsáveis, a terceira é a norma de retenção que autoriza o responsável reter o valor pago a título de tributos no pagamento efetuado ao contribuinte. No caso corrente, a legislação além de autorizar a retenção, permite que o responsável assuma o ônus econômico do tributo, quando poderá utilizar esses valores a título de despesa na apuração do lucro real. Desse modo, legitima a utilização do regime de retenção na fonte no recolhimento de Imposto sobre a Renda decorrente de incorporação de ações. Acrescentese por pertinente, que não identifico uma possibilidade de bi tributação, uma vez que o eventual alienante não residente se desfazendo das suas ações da BM&F Bovespa poderia se aproveitar do ajuste do custo de aquisição ao valor no qual as suas ações da Bovespa Holding foram incorporadas nas BM&F Bovespa. Registrese que o lançamento relativo ao IRRF sobre ganho de capital é um lançamento por homologação, ao qual cabe ao recorrente apurar o valor. Não vejo como poderia a autoridade fazendária se dispor a cobrar duplamente o valor, mas caso venha a realizar cabe ao não residente questionar Fl. 1774DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 34 essa bitributação, mediante um processo administrativo, mas estaríamos analisando outro fato gerador. Isto posto não identifico qualquer vício ou irregularidade no lançamento. Do Juros calculado pela Selic Aplico a Sumula Carf No. 4 Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Da Incidência de Juros Sobre a Multa de Ofício Acompanho o entendimento da legalidade da incidência de juros sobre a multa de ofício. Uma análise sistemática dos arts. 113, 139 e 161 do CTN revela que a multa de ofício (penalidade pecuniária), por integrar o crédito tributário, recebe igualmente o acréscimo moratório de juros. Dos eventos subsequentes e efeitos no presente processo A recorrente arguiu em razão adicionais o direito a um tratamento equânime a aquele aplicado sobre o pagamento ou o parcelamento de débitos para com a Fazenda Nacional, relativos ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido decorrentes de ganho de capital, de que trata o art. 42 da Lei nº 13.043, de 13 de novembro de 2014, na redação dada pelo art. 145 da Lei nº 13.097, de 19 de janeiro de 2015. Urge registrar, preliminarmente, que a legislação referendada voltase especificamente para o ganho de capital que tenham sido originadas da conversão de títulos patrimoniais de associações civis sem fins lucrativos. Destaquese, adicionalmente, o fato de que na supracitada legislação discute se hipóteses de remissão dos referidos créditos tributários. Oportuno deixar patente que a remissão só pode ocorrer se expressamente autorizada ou concedida diretamente pela lei. A referida autorização legislativa haverá de ser objetiva e específica. Ainda que entenda a indignação da recorrente, que adverte para a necessidade de equidade no tratamento tributário, não identifico respaldo legal em aplicar ao caso concreto, um entendimento que implique em nulidade do referido lançamento. Nestes termos, posicionome no sentido indeferir o pedido de diligência, rejeitar as preliminares, e no mérito, negar provimento ao recurso de voluntário. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 1775DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 16327.720648/201203 Acórdão n.º 2202003.012 S2C2T2 Fl. 19 35 Declaração de Voto Conselheiro Pedro Anan Junior O voto do nobre relator conselheiro Antonio Lopo Martinez, está muito bem fundamentado. Apesar das razões e fundamentos que o levaram a chegar a tal conclusão, tenho entendimento diverso do dele em alguns pontos, daí a razão de abrir a divergência que culminou na declaração de voto. Conforme podemos verificar no presente caso a autoridade lançadora ao analisar a operação realizada pelo contribuinte, entendeu como sendo uma alienação em sentido amplo que gerou ganho de capital tributado pelo imposto de renda. A incorporação de ações é uma figura típica do direito societário, cuja previsão legal encontrase no artigo 252, da Lei n. 6.404, de 15 de dezembro de 1976 (“Lei de S/A”)1 “Art. 252 A incorporação de todas as ações do capital social ao patrimônio de outra companhia brasileira, para convertêla em subsidiária integral, será submetida à deliberação da assembleia geral das duas companhias mediante protocolo e justificação, nos termos dos arts. 224 e 225.(...)” A esse respeito, ensina DANIEL KALANSKY2: “A operação de incorporação de ações, por outro lado, conforme estabelecido no art. 252 da Lei das S.A, é aquela em que, por decisão adotada pela maioria de votos dos acionistas das companhias nelas envolvidas, todas as ações de emissão de uma delas são compulsoriamente transferidas em aumento de capital da outra, sem que ocorra a extinção de qualquer das respectivas sociedades e sem que venha a ser cancelada uma só ação de emissão da companhia, que, em virtude da operação, tornase subsdiária integral da outra. 2Incorporação de Ações, Editora Saraiva, págs 36 a 38. Fl. 1776DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 36 Como não decorre da incorporação de ações, a extinção da sociedade que se torna subsidiária integral da outra, esta mantém na sua integridade o patrimônio de que era titular antes da realização da operação, razão pela qual seus ativos permanecem, continuando responsável pela solução de suas obrigações. Assim, a sucessão não ocorre na incorporação de ações, uma vez que a sociedade cujas ações são incorporadas continua existindo com personalidade jurídica distinta. Diferentemente na incorporação de ações, todas as ações de emissão de uma companhia são transferidas compulsoriamente para outra sociedade, em aumento do seu capital social, de forma a transformar a primeira sociedade em subsidiária integral da segunda. Apenas com a particularidade de que permanece existindo como pessoa jurídica, que continua titular de todos os seus ativos, permanecendo obrigada a liquidar os seus passivos sem que haja sucessão de direitos e obrigações entre as sociedades envolvidas na operação” A incorporação de ações, quando aprovada pelas sociedades, autoriza o aumento do capital social da incorporadora, com as ações da companhia cujas ações serão incorporadas. Como consequência, haverá a substituição, no patrimônio dos acionistas da incorporada por ações emitidas pela incorporadora, tratandose, portanto, de uma mera sub rogação real. Tratase simplesmente de um mecanismo criado para converter uma companhia em subsidiária integral de outra, sem que haja transferência do patrimônio ou extinção da companhia cujas ações foram incorporadas. É o que se confirma na leitura da exposição de motivos do PL nº196/76, que originou a Lei das S/A, verbis: “A incorporação de ações, regulada no art. [252], é meio de tornar a companhia subsidiária integral, e equivale à incorporação de sociedade sem extinção da personalidade jurídica da incorporada. A disciplina legal da operação é necessária porque ela implica – tal como na incorporação de uma companhia por outra – em excepcionar o direito de preferência dos acionistas da incorporada de subscrever o aumento de capital necessário para efetivar a incorporação. Em compensação, para evitar que a subsidiária integral possa servir de instrumento para prejudicar acionistas minoritários da companhia controladora, o art. 254 assegura direito de preferência para a aquisição ou subscrição de ações do capital da subsidiária integral" (Grifamos) Como se nota, de plano, a incorporação de ações é um instituto jurídico que tem suas características e tipificação legal próprias, que não deve ser confundido com outras figuras legais existentes, em especial, com incorporação de sociedade ou com a alienação de bens. As diferenças entre a incorporação de ações e a alienação de bens tornamse ainda mais claras quando se examinam as lições de NELSON EIZIRIK que aduz: “(...) Ainda que a incorporação de ações não acarrete a transferência de controle da incorporada, não é obrigatória a oferta pública por alienação de controle (OPA). Para que se caracterize a alienação de controle acionário, para os efeitos da Lei das S.A., é necessária a presença cumulativa dos seguintes Fl. 1777DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 16327.720648/201203 Acórdão n.º 2202003.012 S2C2T2 Fl. 20 37 elementos: (i) que da operação resulte o aparecimento de um terceiro como novo acionista controlador; (ii) que a transferência de controle apresente caráter oneroso; e (iii) que tenha ocorrido a transferência da totalidade ou de parte das ações pertencentes ao antigo controlador. Como no caso da incorporação de ações inexiste transferência de ações do antigo para o novo controlador, não se caracteriza a alienação do controle acionário, não sendo obrigatória a formulação da OPA. A operação de incorporação de ações, aliás, é inteiramente incompatível com o instituto da oferta pública, pois, uma vez concluída a incorporação, os acionistas da incorporada já são acionistas da incorporadora. (...)” (Grifamos) Como se verifica, para que ocorra a alienação de ações, determinados elementos básicos devem ser verificados de forma cumulativa: (i) aparecimento de um terceiro como novo acionista controlador; (ii) que a transferência de controle em caráter oneroso; e (iii) que tenha ocorrido a transferência da totalidade ou de parte das ações pertencentes ao antigo controlador. Todavia, no caso de uma incorporação de ações, tais elementos não se verificam, pois operação consiste em um negócio jurídico entre duas sociedades, a incorporadora e aquela que terá suas ações incorporadas (e não com os acionistas desta última). Ademais, verificamos que a incorporada subsistirá como subsidiária integral da primeira; e que como consequência da operação, os acionistas da empresa incorporada têm substituídas as antigas ações por ações da incorporadora, independentemente de sua vontade, por força do negócio celebrado entre incorporadora e incorporada. Por essa razão, a própria CVM já se manifestou acerca da natureza jurídica da incorporação de ações através dp Processo Administrativo CVM nº RJ 2010/13425, cujo teor embasou, inclusive, o PARECER PGFN/CAS/Nº 253/2013, no qual ficou sedimentado o entendimento de que referida operação tem a função de criar uma subsidiária integral, não se confundindo, sequer, com instituto com aumento de capital com conferência de bens, vejamos: “O objetivo da operação de "incorporação de ações" é de unificar, em seus aspectos econômicos, duas sociedades, sendo a subsidiária sempre revestida da forma de sociedade anônima, conforme caput do art. 251, e também a sociedade controladora, sem a absorção e extinção da incorporada, como ocorre na incorporação de sociedade, preservando suas personalidades jurídicas e seus patrimônios distintos. De qualquer forma, a sua criação não poderá ser utilizada de maneira a excluir o poder de fiscalização da minoria acionária. Diferentemente da figura de aumento de capital com subscrição em bens, no caso as ações da companhia controlada, em que se exigiria, de forma individual, a participação de cada acionista dessa sociedade no aumento de capital da controladora, a "incorporação de ações" é compulsória e determinada pela maioria do capital votante de cada uma das companhias Fl. 1778DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 38 envolvidas em deliberação assemblear.” (Cf. Voto do Diretor Eli Loria) (Destacamos) Assim a operação de incorporação de ações não visa à mutação patrimonial do proprietário das ações, mas sim a unificação econômica de duas empresas. Neste contexto, o proprietário da empresa que teve suas ações incorporadas passará a ser titular das ações da empresa incorporadora, em outras palavras, haverá uma mera substituição das ações detidas, por meio de uma subrogação real. É nesse sentido que ensina JOSÉ LUIZ BULHÕES PEDREIRA: ‘Os acionistas da companhia cujas ações houverem de ser incorporadas, participam da reunião da Assembleia Geral da companhia no exercício da função de membros desse órgão social. Não praticam ato de disposição das ações como elementos de seus patrimônios e a incorporadora não adquire as ações por efeito de alienação, quer da companhia cujas ações devam ser incorporadas, quer dos seus acionistas: as ações incorporadas são substituídas por ações da incorporadora por subrogação real – como efeito legal do negócio jurídico societário de incorporação de ações.’(Direito das Companhias, Rio de Janeiro, Forense, v. II, ed. de 2009, p. 1994) Desta feita, não pairam dúvidas acerca da natureza e dos efeitos da incorporação de ações. Tendo em vista se tratar de uma mera substituição de ações, não há elementos capazes de tornála ou equiparála a uma alienação, sendo sua natureza, efetivamente de subrogação real. Destaquese, aliás, que a própria Receita Federal do Brasil, por meio do Parecer Normativo CST nº 39/81, reconheceu a procedência da caracterização da subrogação real de títulos patrimoniais de uma sociedade pelas suas respectivas ações. Vejamos: “3.2 – Como define PEDRO NUNES, a subrogação real ocorre no caso de substituição de uma coisa por outra, que fica em lugar da primeira com a transferência implícita, para o sub rogado, de todos os direitos e ações do subrogante (Dic. Técn. Jurídica). Por outras palavras, um bem fica no lugar do outro, juridicamente, sem que o patrimônio, ou os patrimônios, tenham deixado de ser, em qualquer momento, universalidades, como ocorre nos casos mencionados de fusão, incorporação e cisão. 4. Deduzse, daí, que o direito obtido em subscrição ou aquisição não se extingue com as citadas operações, mas, ao contrário, mantémse em relação ao patrimônio que absorveu o primitivo. Desta forma, as quotas ou ações que venham a substituir títulos de participação societária, na mesma proporção das anteriormente possuídas, não podem ser consideradas novamente ‘subscritas ou adquiridas’, donde Fl. 1779DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 16327.720648/201203 Acórdão n.º 2202003.012 S2C2T2 Fl. 21 39 dever ser contada como data inicial do quinquênio aquela indicada no ar. 4º, ‘d’, do DL n. 1510/76.” (Grifouse.) Outro ponto que reforça a distinção entre a incorporação de ações e uma alienação reside no elemento volitivo. Em uma incorporação de ações não há manifestação de vontade por parte dos acionistas, mas sim apenas pelas sociedades envolvidas,não há dúvidas de que a incorporação de ações não se confunde com qualquer espécie de alienação de ações pelos acionistas, seja em sentido restrito, seja em “sentido amplo”. Na incorporação de ações, o acionista não pratica nenhum ato ou negócio jurídico em seu nome, sendo possível, inclusive, que a Assembleia Geral aprove deliberação da qual determinado acionista discorde; Ora, como podemos afirmar que alguém alienou algo se, nem sequer, teve o direito de manifestar sua vontade acerca da operação? Toda e qualquer alienação pressupõe a vontade do alienante o que, claramente, não ocorre na incorporação de ações. A irrelevância da vontade dos acionistas na operação de incorporação de ações também foi analisada por SACHA CALMON NAVARRO COELHO3, que, igualmente, sustenta, com base nesse aspecto, a impossibilidade de se confundir esse instituto jurídico com a figura jurídica da alienação de ações: “(...) na incorporação de ações, o contribuinte pessoa física não pratica qualquer ato; não vende, nem aliena as suas ações. Quem pratica todos os atos são as pessoas sociais (pessoas jurídicas envolvidas), motivo pelo qual os sócios pessoas físicas, independentemente de terem aprovado a operação ou dela discordado na assembleia de acionistas que a aprovou, limitar seão a modificar, nas respectivas declarações de bens, a qualificação da participação, que antes era na incorporada e agora passa ser na incorporadora” (Os destaques são nossos) Desta maneira, ausente a manifestação de vontade por parte do acionista, é juridicamente impossível a caracterização de um negócio jurídico de alienação de ações, que, intrinsecamente, depende da vontade dos acionistas. Como se vê, a ausência do elemento volitivo, por parte dos acionistas, é determinante para afastar o entendimento de que, na incorporação de ações, estas seriam objeto de alienação pelos acionistas. Sobre o assunto, destaca se o entendimento de JOSÉ ANTÔNIO MINATEL: 3 Lei das S/A. Art. 252 (...)§ 2º A assembleiageral da companhia cujas ações houverem de ser incorporadas somente poderá aprovar a operação pelo voto de metade, no mínimo, das ações com direito a voto, e se a aprovar, autorizará a diretoria a subscrever o aumento do capital da incorporadora, por conta dos seus acionistas; os dissidentes da deliberação terão direito de retirarse da companhia, observado o disposto no art. 137, II, mediante o reembolso do valor de suas ações, nos termos do art. 230” (Grifouse.) Fl. 1780DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 40 “Como se viu, essa troca dos títulos representativos do investimento é fruto da deliberação das sociedades envolvidas e não de seus sócios, circunstância que contribui para afastar qualquer tentativa de caracterizar o negócio jurídico como alienação de participação societária, seja ele implementado como ‘incorporação de sociedades, ou como mediante ‘incorporação de ações’”4 (Os destaques são nossos) Não obstante as questões retro mencionadas, outro elemento a ser considerado para a análise do caso em questão reside na ausência de transferência de patrimônio líquido entre sociedade. Quando se analisa uma operação desta natureza, notase que não há incorporação ou extinção da sociedade cujas ações serão incorporadas, ou seja, as sociedades envolvidas na operação permanecem com sua personalidade jurídica autônoma e com patrimônios próprios, não ocorrendo qualquer sucessão universal de bens, direitos e obrigações. Sobre o assunto, são pertinentes as seguintes considerações de ALBERTO XAVIER5: “[Na incorporação de ações] Não ocorre a transmissão de um patrimônio líquido global, como universalidade, mediante sucessão a título universal, mas simplesmente uma operação que tem por objeto não a totalidade de um patrimônio, mas tão somente a totalidade das ações do capital de uma companhia préexistente. Não corre também a extinção da sociedade cujas ações são objeto da ‘incorporação’ a que se refere o art.252, precisamente porque a operação tem o objetivo oposto de manter a expectativa de personalidade jurídica, pressuposto lógico necessário da conversão da sociedade préexistente em subsidiária integral da ‘companhia incorporadora’ das ações Como se nota, a operação, além de não se confundir com uma alienação de ações, também não pode ser equiparada de forma alguma a outras figuras típicas societárias, tais como a fusão ou a incorporação de sociedades. Desta forma, temos, de forma clara e inequívoca, a incorporação de ações como uma figura típica própria, de sorte que, equiparála a uma alienação e pretender tributar seus supostos resultados, implicaria o emprego de analogia, o que é terminantemente rechaçado em matéria tributária, por constituir ofensa ao princípio da legalidade que rege no ordenamento. 4 MINATEL, José Antonio. “Incorporação de Ações e Regime Tributário”. In: ANAN JR., Pedro. Planejamento Fiscal. Volume VIII. Análise de Casos. São Paulo: Quartier Latin, 2013. p. 645. 5XAVIER, Alberto. “Incorporação de Ações: Natureza Jurídica e Regime Tributário”. In: CASTRO, Rodrigo Monteiro de; ARAGÃO, Leandro Santos de (coord.). Sociedade Anônima – 30 anos de Lei 6.404/76. São Paulo: Quartier Latin, 2007, p.122. Fl. 1781DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 16327.720648/201203 Acórdão n.º 2202003.012 S2C2T2 Fl. 22 41 Estávamos diante da violação do princípio da legalidade e da tipicidade tributária previstos no inciso I, artigo 150 da CF6, pois a norma deve definir claramente o fato gerador do tributo, não podendo se aplicar a analogia para esse fim, o que está expressamente proibido pelo artigo 108 do CTN7. A utilização da analogia para fins tributários no preenchimento de lacunas por parte do Fisco ou do contribuinte pode ser admitida desde que não resulte em cobrança de tributo não previsto pela norma legal. Gostaria de destacar que o antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda e o Poder Judiciário por várias ocasiões já se manifestaram a respeito do assunto, vedando a aplicação da analogia para fins tributários que tenham, por conseqüência, exigência de tributo não previsto em lei8. 6Artigo 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; (...) 7Artigo 108. Na ausência de disposição expressa, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária utilizará sucessivamente, na ordem indicada: I a analogia; II os princípios gerais de direito tributário; III os princípios gerais de direito público; IV a eqüidade. § 1º O emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. § 2º O emprego da eqüidade não poderá resultar na dispensa do pagamento de tributo devido. 8 “ACÓRDÃO 10320.498 “CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. ALÍQUOTA MAJORADA CORRETORAS DE SEGURO Em prestígio à estrita legalidade, certeza e segurança jurídica, as corretoras de seguro não podem ser equiparadas aos agentes autônomos de seguro, tendo em vista tratarse de pessoas jurídicas submetidas a diferentes regimes e institutos jurídicos, revestindose cada uma das atividades de natureza e características específicas, sendo vedado o emprego de analogia para estender o alcance da lei, no tocante à fixação do polo passivo da relação jurídicotributária, a hipóteses que não esteja legal e expressamente previstas. Recurso provido. Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso voluntário.” (grifo nosso) “ACÓRDÃO 20173825 ANALOGIA PRODUTOS NÃO SUJEITOS AO SELO DE CONTROLE Não se pode usar analogia, conforme estabelece o artigo 108 do CTN, para a cobrança do IPI com base em dispositivos legais relativos a selo de controle, quando o produto não se encontra sujeito a esse tipo de controle. Recurso de ofício a que se nega provimento.” (grifo nosso) “ACÓRDÃO 10415.653 IRPJ EQUIPARAÇÃO Legalmente incabível a equiparação a pessoa jurídica, para efeitos tributários, do exercício individual de ocupações e prestação de serviços não comerciais reconhecidos como tais pelas próprias autoridades lançadora e julgadora (DL n.º 5.844/43, artigo 6º, b).IRPJ A tipicidade cerrada do fato gerador e a estrita legalidade são impeditivas a interpretações da legislação para a efetivação ou sustentação de lançamento tributário em condições ou circunstâncias legais e expressamente não autorizadas, sendo, neste contexto, incabível o emprego de analogia (C.T.N., artigo 108, § 1º).Recurso provido.” (grifo nosso) “TRF AMS01209047/93 16.12.1997 EMENTA: Constitucional Tributário. Imposto Sobre Operações Financeiras. Incidência sobre Depósito Judicial. Ilegalidade da Instrução Normativa N. 62, Do Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento, de 19.04.1990. Lei N. 8.033, De 12.04.1990, Artigo 1., I. Ilegitimidade do Gerente do Posto da Caixa Econômica Federal Na Justiça Federal. DecretoLei 2.471/88, Artigo 3. 1. Competindo a Receita Federal a arrecadação e fiscalização do Imposto Sobre Operações Financeiras, e legitima a presença do Delegado da Receita Federal nas Ações Mandamentais em que se discute a exigibilidade deste tributo, não o sendo, entretanto, o Gerente da CEF, mero executor material do ato hostilizado. (...) Fl. 1782DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 42 O princípio da legalidade em matéria tributária, nas palavras de JOSÉ EDUARDO SOARES DE MELLO9, “implica o princípio da tipicidade, que tem como caracteres a observância de numerus clausus (vedação à utilização de analogia e à criação de novas situações tributáveis), taxatividade (enumeração exaustiva dos elementos necessários à tributação), exclusivismo (elementos suficientes), determinação (conteúdo da decisão rigorosamente prevista em lei), na temática de Alberto Xavier.” Como se percebe, como corolário da legalidade vigora ainda no país como mencionamos, o princípio da tipicidade cerrada. ROQUE CARRAZZA10 nos explica que os mesmos: "[...] como que fecham a realidade, não podendo ser alargados por meio de presunções, ficções, ou meros indícios. Inadmissível que o agente fiscal abra aquilo que o legislador, atento aos ditames constitucionais, cuidadosamente restringiu. afinal, o afã arrecadador não legitima o arbítrio." Ambos os princípios, o da tipicidade cerrada e o da estrita legalidade aplicamse para garantir o respeito a um sobreprincípio, qual seja, o da segurança jurídica. A segurança jurídica é um dos que pilares do nosso ordenamento jurídico, assim como de qualquer Estado democrático de direito, garantindo aos membros da sociedade a certeza do direito, previsibilidade das situações jurídicas. Em resumo, a única conclusão a que podemos chegar é que somente pode ser tributado um fato jurídico que corresponda perfeitamente ao tipo previamente descrito no antecedente da regra matriz de incidência tributária. A tipicidade é, em última instância, uma garantia da legalidade e da segurança jurídica, pois impede que a administração tributária aja ao seu bel prazer, criando e tributando fatos jurídicos tributários não previstos na legislação. No caso em tela, não estando a operação de incorporação de ações sujeita como fato gerador de ganho de capital tributável, não pode a autoridade lançadora entender dessa forma. 3. O emprego da analogia não pode resultar na exigência de tributo não previsto em lei (CTN, artigo 108, i, c/c o seu parágrafo 1.).4. apelação da CEF a que se da provimento para excluir seu preposto. 5. apelação da união federal e remessa oficial improvidas.” “TRF REO04196173/92 05.10.1995 EMENTA: TRIBUTARIO. LEI7713/88, ART51. IMPOSTO DE RENDA. REPRESENTANTES COMERCIAIS. MICROEMPRESA. 1.A representação comercial não e assemelhada a corretagem, pois não exige habilitação profissional e entre o representante e o representado se estabelece um vinculo de caráter não eventual. 2. O art108, par1 veda o emprego da analogia que resulte na exigência de tributo não previsto em lei. (...).” (grifo nosso) 9Curso de Direito Tributário. São Paulo: Dialética, 1997, p. 2 10 Imposto Sobre a Renda: Perfil Constitucional e Temas Específicos. São Paulo: Malheiros Editora, 2005. p. 442 Fl. 1783DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 16327.720648/201203 Acórdão n.º 2202003.012 S2C2T2 Fl. 23 43 Esse assunto já foi objeto de análise pelo antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, através do Acórdão nº 10617.104, conforme podemos verificar na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA 1RPF Anocalendário: 2004 IRPF OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL. A figura da incorporação de ações, prevista no artigo 252 da Lei n° 6.404/76, difere da incorporação de sociedades e da subscrição de capital em bens. Com a incorporação de ações, ocorre a transmissão da totalidade das ações (e não do patrimônio) e a incorporada passa a ser subsidiária integral da incorporadora, sem ser extinta, ou seja, permanecendo com direitos e obrigações. Neste caso, se dá a substituição no patrimônio do sócio, por idêntico valor, das ações da empresa incorporada pelas ações da empresa incorporadora, sem sua participação, pois quem delibera são as pessoas jurídicas envolvidas na operação. Os sócios, pessoas físicas, independentemente de terem ou não aprovado a operação na assembléia de acionistas que a aprovou, devem, apenas, promover tal alteração em suas declarações de ajuste anual. Ademais, nos termos do artigo 38, § único, do RIR/99, a tributação do imposto sobre a renda para as pessoas físicas está sujeita ao regime de caixa, sendo que, no caso, a contribuinte não recebeu nenhum numerário em razão da operação autuada. Não se aplicam à incorporação de ações o artigo 3°, § 3°, da Lei n° 7.713/88, nem tampouco o artigo 23 da Lei n° 9.249/95. Inexistência de fundamento legal que autorize a exigência de imposto de renda pessoa física por ganho de capital na incorporação de ações em apreço. Recurso voluntário provido. O voto do relator no caso o conselheiro Gonçalo Bonet Allaje é esclarecedor sobre o tema: Embora, em um primeiro momento, este julgador estivesse inclinado a concluir que a exigência fiscal é procedente, querme parecer que o caso em apreço não se enquadra nas previsões do artigo 3°, § 3°, da Lei n° 7.713/88 e do artigo 23, § 2°, da Lei n° Fl. 1784DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 44 9.249/95, de modo que a decisão de primeira instância merece ser reformada. Sob minha ótica, "incorporação de ações" não se confunde com "incorporação de sociedades" nem tampouco com "subscrição de capital em bens" e, portanto, inexiste fundamento legal que dê sustentação ao lançamento. Passo a explicar, brevemente, este pontodevista. Na incorporação de empresas, ocorre a transmissão do patrimônio da incorporada para a incorporadora, com a extinção daquela. Já pela figura da incorporação de ações, transmitese a totalidade das ações (e não do patrimônio), sendo que a incorporada passa a ser subsidiária integral da incorporadora, sem, obviamente, ser extinta, ou seja, permanecendo com direitos e obrigações. Neste caso, se dá a substituição no patrimônio do sócio, por idêntico valor, das ações da empresa incorporada pelas ações da empresa incorporadora, sem sua participação, pois quem delibera são as pessoas jurídicas envolvidas na operação. Os sócios, pessoas fisicas, independentemente de terem ou não aprovado a operação na assembléia de acionistas que a aprovou, deverão, apenas, promover a alteração acima referida em suas declarações de ajuste anual. Por sua vez, a subscrição de capital em bens é ato de alienação praticado entre o sócio e a empresa, por intermédio do qual um bem que fazia parte do patrimônio do acionista passa a fazer parte do patrimônio da pessoa jurídica. Em contrapartida, ele recebe ações da do capital da empresa. O artigo 23 da Lei n° 9.249/95 trata de operações de transferência de bens e direitos a titulo de integralização de capital, sendo, pois, inaplicável ao caso, segundo penso, na medida em que incorporação de ações não representa subscrição de capital em bens. Pela não ocorrência de alienação, mas de mera substituição, de participação societária, entendo que não pode dar sustentação à exigência o artigo 3°, § 3°, da Lei n° 7.713/88. Não se pode olvidar que de acordo com o artigo 5°, inciso II, com o artigo 37 e com o artigo 150, inciso I, todos da Constituição Federal, ao que se soma o artigo 97, incisos I e III, e § 1°, do Código Tributário Nacional — CTN, somente a lei pode instituir ou majorar tributos, bem como definir o fato gerador da obrigação tributária. É exclusividade de lei determinar a hipótese de incidência tributária e seus elementos quantitativos — base de cálculo e alíquota. Apenas a lei pode fixar as situações que, ocorridas no mundo fático, geram a obrigação de pagar tributo e o quantum debeatur. Fl. 1785DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 16327.720648/201203 Acórdão n.º 2202003.012 S2C2T2 Fl. 24 45 (...) Salvo engano, a figura da incorporação de ações está contemplada com beneficio semelhante, embora não expresso; àquele previsto no artigo 121, inciso II, do RIR199, segundo o qual não se sujeita à apuração de ganho de capital tributável a permuta de unidades imobiliárias sem recebimento de torna. Tal regra estabelece o regime de caixa para as pessoas fisicas e, inquestionavelmente, o sujeito passivo não recebeu nenhum numerário com a incorporação das ações da Insol ao capital social da MSB. Haverá ganho de capital, sim, quando a contribuinte alienar, por valor superior ao custo de aquisição, a participação societária recebida em razão da incorporação de ações ora apreciada. Gostaríamos de destacar que essa decisão foi objeto de recurso especial por parte da Procuradoria de Fazenda, e foi reformada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, por voto de qualidade, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 IRPF OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES GANHO DE CAPITAL. As operações que importem alienação a qualquer titulo, de bens e direitos, estão sujeitos a apuração do ganho de capital. A incorporação de ações constitui uma forma de alienação em sentido amplo. O sujeito passivo transferiu ações, por incorporação de ações, para outra empresa, a título de subscrição e integralização das ações que compõem seu capital, pelo valor de mercado. A diferença a maior (entre o valor de mercado e o valor constante na declaração de bens) deve ser tributada como ganho de capital. Recurso especial provido Gostaria de destacar trechos do voto do conselheiro Elias Sampaio Freire que levaram a fundamentar o voto que foi acolhido pelo voto de qualidade pela CSRF: Aliás, parcela da doutrina entende que na incorporação de ações há uma transferência de bens (no caso, ações), em realização de Fl. 1786DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 46 capital da incorporadora, acarretando a incidência de imposto sobre o ganho de capital. Fran Martins, em seu livro "Comentários à Lei das Sociedades Anônimas", Forense, 1975, vol. 3, p. 316, leciona que na operação de incorporação de ações há um aumento de capital na sociedade incorporadora com a subscrição das ações pelos acionistas que vai tornarse subsidiária integral: "Pois, na verdade, a conversão de uma sociedade anônima em subsidiária integral mediante a chamada incorporação das ações da primeira no patrimônio da segunda nada mais é do que um aumento de capital da sociedade controladora, ou, na expressão da lei, incorporadora, com a subscrição das ações desse aumento pelos acionistas da sociedade que vai tornarse subsidiária integral, sendo o pagamento dessas ações feito não em dinheiro, mas com as ações dos acionistas da sociedade que vai ser incorporada". Edmar Oliveira Andrade Filho, in Imposto de de Renda das Empresas, São Paulo, Ed. Atlas, p. 461/462, considera que a incorporação de ações constitui uma forma de alienação em sentido amplo e posicionase favoravelmente a incidência de imposto de renda sobre ganho de capital quando a subscrição realizarse por valor superior ao valor contábil: "No campo tributário, existem algumas controvérsias da eventual tributação do ganho de capital eventualmente apurado por ocasião da "troca" de ações ou quotas nos casos de incorporação de ações regidas pelo artigo 252 da Lei n°6.404/76. Sob a perspectiva daquele que realiza da "troca" das ações ou quotas, há substituição de investimento que pode acarretar ou não a apuração de ganho ou perda de capital; tudo fica a depender do valor a ser atribuído à operação, se maior ou menor que o valor contábil do investimento primitivo, que é substituído por outro. Esta operação pode ser qualificada como sendo passível de produzir uma alienação ou uma liquidação do investimento. A incorporação de ações constitui uma forma de alienação em sentido amplo; com efeito, o detentor das ações ou quotas as entrega sob a forma de conferencia de bens para subscrição de capital e recebe ações ou quotas da sociedade que teve o seu capital aumentado e que passou a ser a única acionista da sociedade convertida em subsidiária integral. Todavia, não se pode olvidar que o fenômeno possui afinidade funcional com a liquidação de investimento por incorporação de sociedade nostermos do artigo 227 da Lei n° 6.404/76; de fato, o investimento na antiga sociedade (aquela que se tornou a subsidiária integral) deixa de existir em razão do cancelamento das antigas ações ou quotas que são substituídas por ações da controladora (única acionista ou quotista) da subsidiária integral. Os negócios jurídicos que compõem o instituto da incorporação de ações ocorrem em razão de manifesta deliberação dos sócios ou acionistas das sociedades envolvidas mediante assembléias, nos termos do artigo 252 da Lei n° 6.404/76; portanto, são os acionistas que determinam os valores pelas quais as operações serão realizadas (observadas as prescrições legais tendentes a Fl. 1787DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 16327.720648/201203 Acórdão n.º 2202003.012 S2C2T2 Fl. 25 47 proteger acionistas minoritários) de modo que se a operação de subscrição realizarse por valor superior ao valor contábil haverá apuração de ganho de capital tributável(...)" De acordo com a legislação tributária, as operações que importem alienação a qualquer título, de bens e direitos, estão sujeitos a apuração do ganho de capital e, as pessoas físicas poderão transferir a pessoas jurídicas, a titulo de integralização de capital, bens e direitos, pelo valor constante da respectiva declaração ou pelo valor de mercado e, se a transferência não se fizer pelo valor constante da declaração de bens, a diferença a maior será tributável como ganho de capital, nos termos em que dispõe o artigo 3°, § 3°, da Lei n°7.713/88 e o artigo 23, § 2°, da Lei n° 9.249/95, in verbis: (…) Ademais, não merece prosperar o entendimento que só há a obrigação de reconhecer eventual ganho de capital na operação de substituição de ações quando houver fluxo financeiro ou circulação de valores. O fato de o sujeito passivo não ter recebido nenhum numerário não afasta a hipótese de incidência prevista no artigo 23, § 2°, da Lei n° 9.249/95, que prevê justamente a tributação em situação em que, apesar de não haver recebimento de numerário, a pessoa fisica transfere a pessoa jurídica, a titulo de integralização de capital, bens e direitos em valor superior ao constante da declaração de bens. Recentemente o CARF ao analisar novamente a matéria, entendeu que não haveria a figura do ganho de capital tributável pelo Imposto de Renda na Incorporação de ações, através do Acórdão nº 2202002.000, proferido pela 2ª Câmara, da 2ª Turma Ordinária, da 2ª Seção: “OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. DELIBERAÇÃO POR CONTA DAS PESSOAS JURÍDICAS ENVOLVIDAS NA OPERAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE FATO GERADOR DE GANHO DE CAPITAL NA PESSOA FÍSICA DOS SÓCIOS. A figura da incorporação de ações, prevista no artigo 252 da Lei n° 6.404, de 1976, difere da incorporação de sociedades e da subscrição de capital em bens. Com a incorporação de ações, ocorre a transmissão da totalidade das ações (e não do patrimônio) e a incorporada passa a ser subsidiária integral da incorporadora, sem ser extinta, ou seja, permanecendo com direitos e obrigações. Neste caso, se dá a substituição no patrimônio do sócio, por idêntico valor, das ações da empresa incorporada pelas ações da empresa incorporadora, sem sua Fl. 1788DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 48 participação, pois quem delibera são as pessoas jurídicas envolvidas na operação.” Vejamos o que dispõe o voto esclarecedor do relator no caso o conselheiro Nelson Mallmann acerca da questão: “Não há dúvidas de que a essência da incorporação de ações é a conversão de uma sociedade anônima em subsidiária integral de outra, mediante a transferência compulsória de todas as ações de sua emissão, em aumento de capital, à companhia incorporadora. Essa, por sua vez, passa a ser a única e integral titular das ações da companhia incorporada. Em relação aos acionistas, em substituição às ações transferidas compulsoriamente à incorporadora, os acionistas da sociedade cujas ações houverem de ser incorporadas recebem ações da incorporadora, operandose a união dos acionistas de ambas as companhia na companhia incorporadora, com a manutenção da personalidade jurídica e do patrimônio da sociedade convertida em subsidiária integral. A subsidiária integral é a sociedade anônima cujas ações são integralmente detidas por outra sociedade anônima brasileira. (...) Como visto, a incorporação de ações tem como principais efeitos (i) o aumento de capital da incorporadora, realizado com as ações a serem incorporadas; (ii) a substituição das ações de emissão da sociedade cujas ações serão incorporadas por ações de emissão da incorporadora; (iii) a subrogação legal dos acionistas da sociedade cujas ações houverem de ser incorporadas, nas ações da incorporadora; (iv) a conversão da sociedade cujas ações serão incorporadas em subsidiária integral da incorporadora; e (v) a unificação das bases acionárias de ambas as sociedades na incorporadora. Ora, na incorporação de ações não há a alienação de ações ou mesmo uma incorporação ficta, mas sim a subrogação legal dos acionistas da sociedade cujas ações houveram de ser incorporadas, nas ações da incorporadora. É de se ressaltar, que o protocolo da operação não constitui um instrumento de alienação de ações, mas apenas o meio jurídico Fl. 1789DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 16327.720648/201203 Acórdão n.º 2202003.012 S2C2T2 Fl. 26 49 pelo qual são estabelecidos os termos da incorporação de ações ajustados entre as companhias. Da mesma forma é de se ressaltar, que a natureza jurídica da incorporação de ações reside nos efeitos do protocolo da operação sobre os acionistas das sociedades envolvidas, em especial da sociedade a ser convertida em subsidiária integral. Isto porque, não obstante o fato do instrumento de protocolo ser celebrado entre as companhias – vale dizer, sem a participação necessária de seus acionistas – o mesmo produz efeitos não somente sobre as partes do negócio jurídico, mas também sobre seus acionistas, que deverão transferir compulsoriamente suas ações à sociedade incorporadora, uma vez aprovada a incorporação de ações pela maioria dos acionistas das companhias envolvidas. (...)” (os destaques são nossos) Percebese, portanto, que o voto acima mencionado com grande acerto analisa a natureza jurídica da operação para concluir, ao final, não se tratar de uma alienação e que, portanto, não há que se falar na geração de ganhos tributáveis, em linha do que havia decidido o conselheiro Gonçalo Bonet Allaje. Apesar de respeitar o entendimento do conselheiro Elias Sampaio Freire, não comungo do mesmo entendimento. Gostaria de destacar que a Câmara Superior Recursos Fiscais – CSRF, em 03 de março de 2015, negou provimento ao recurso especial da fazenda Nacional, através do acórdão 9202003.579, que visava a reforma do Acórdão nº 2202002.000. Por todas essas razões, a conclusão inarredável é que a incorporação de ações não é, nem pode ser equiparada a uma alienação, razão pela qual não cabe falar em incidência de tributos em tal operação. Assim sendo, qualquer pretensão tributária sobre esse fato decorreria única e exclusivamente do emprego de analogia, o que é, terminantemente, rechaçado em matéria tributária, por constituir ofensa ao art. 108, §1º, do Código Tributário Nacional. Como vimos, entendemos que as operações de incorporação de ações não podem ser consideradas como alienação ou qualquer outra figura jurídica considerada como tributável pela legislação tributária, razão pela qual descabe qualquer pretensão por parte das autoridades fiscais federais. Todavia, ainda que se pudesse equiparar a incorporação de ações a uma espécie de alienação em sentido amplo (o que se admite somente para fins de argumentação), não caberia falar em tributação por ausência de acréscimo patrimonial decorrente da operação. É sabido que a ocorrência do fato gerador de Imposto de Renda depende precipuamente da aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda e ou de proventos de qualquer natureza, nos termos do que prevê o art. 43 do CTN, in verbis: Fl. 1790DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 50 “Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior” (Grifamos) Desta feita, somente incide o Imposto de Renda quando houver acréscimo patrimonial. Assim, no caso das operações de incorporação de ações, devese definir o momento em que se deve considerar adquirida a disponibilidade econômica ou jurídica sobre a suposta variação patrimonial positiva decorrente operação de incorporação de ações. A esse respeito RICARDO MARIZ DE OLIVEIRA11defende que, para que determinado ganho se torne efetivo, para fins de incidência de imposto de renda, é necessário que o respectivo investimento seja efetivamente negociado, nos seguintes termos: “Enfim, a realização significa que um acréscimo patrimonial se tornou efetivo, sempre instantaneamente, embora muitas vezes as causas geradoras do aumento tenham se formado antes, num único instante ou ao longo do tempo. Por exemplo, quando se adquire um bem por valor inferior ao que ele efetivamente vale no mercado, a compra assim feita acrescenta um valor ‘escondido’ (latente, não declarado nem contabilizado) de acréscimo patrimonial, que se diz ‘não realizado’ porque, para se tornar efetivo, depende da realização de um novo negócio pelo qual aquele ganho potencial se tornará efetivo e ‘realizado’, isto é, o acréscimo patrimonial depende de uma venda por valor superior ao da aquisição. Neste caso, o ganho de capital ocorrido e ‘realizado’ nesta segunda operação já estava latente e potencial no patrimônio da pessoa desde o ato de compra do bem, mas dependia, primeiramente, de não haver uma reviravolta na sua cotação de mercado, e, em segundo lugar, da sua efetivação (concretização atual) pela venda a preço maior do que o da compra, a conclusão satisfatória do negócio. Assim, somente pela venda e pela aquisição da disponibilidade jurídica sobre o ganho, embutido no preço da venda, ocorre a realização da renda. E, antes disso, não há o que tributar.” (Grifamos) 11OLIVEIRA, Ricardo Mariz. Fundamentos do Imposto de Renda. São Paulo: Quartier Latin, 2008. p. 374. Fl. 1791DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 16327.720648/201203 Acórdão n.º 2202003.012 S2C2T2 Fl. 27 51 Desta feita RUBENS GOMES DE SOUSA12 definia o conceito de renda, para fins de Imposto de Renda, como acréscimo patrimonial que pode ser consumido ou reinvestido, nos seguintes termos: “Em outras palavras “renda é, para efeitos fiscais, o acréscimo patrimonial líquido verificado entre duas datas predeterminadas. Nesta última frase, a palavra chave é “acréscimo”: com efeito, a característica fundamental da renda (termo genérico que, como vimos, inclui a espécie “lucro”) é a de configurar uma aquisição de riqueza nova que vem aumentar o patrimônio que a produziu e que pode ser consumida ou reinvestida sem o reduzir” (Grifamos) No mesmo sentido, BULHÕES PEDREIRA13 defende que não há disponibilidade sobre renda, para fins de Imposto de Renda, antes da efetiva “realização” do respectivo investimento: “A aquisição de renda financeira não consiste no fato jurídico da aquisição de direitos patrimoniais, mas na disponibilidade do objeto desses direito, que é a moeda ou valor em moeda (v. obs. 1 ao n.110). Se os direitos recebidos na troca são dinheiro não há dúvida de que o lucro está realizado. Mas se não têm valor em dinheiro determinável com precisão, ou não podem, com facilidade, ser convertidos em dinheiro, ainda não há lucro real ou efetivo. É o caso, por exemplo, de permuta de um bem por outro cuja realização em dinheiro, ou em direitos com liquidez, depende de nova troca no mercado. Nesse caso não há realização do lucro potencial, mas sua transferência de um bem para outro.” (Grifamos) Como se conclui, a disponibilidade jurídica ou econômica da renda somente se verifica quando o contribuinte verificar um ganho, cujo valor é determinado ou determinável, cuja liquidez pode ser auferida. Não cabe falar em disponibilidade no caso de ganho potencial, que não seja economicamente mensurável. É o que se pode concluir das lições de JOSÉ ARTHUR LIMA GONÇALVES14: 12SOUSA, Rubens Gomes de. “Pareceres1 Imposto de Renda”. Ed. Resenha Tributária, 1975, p 66. 13 PEDREIRA, José Luiz Bulhões. Imposto de Renda – Pessoas Jurídicas. Volume I Rio de Janeiro: Editora Justec, 1979, p. 281. Fl. 1792DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 52 “Outro ponto, sobre o qual parece não haver dúvida séria, diz respeito ao conteúdo mínimo do conceito de renda como sendo categoria que corresponde a um acréscimo, um algo mais, um aumento, e tudo isto constatado ao cabo de um dado período considerado. E este acréscimo – que é economicamente mensurável – é precisamente o elemento que manifesta a capacidade contributiva de quem o percebe, e por isso a titula – a capacidade contributiva.” Assim, tanto a legislação, quanto a doutrina, consagraram como fato imponível para fins de imposto de renda, a aquisição de riqueza nova, de majoração de patrimônio Somente é tributável o ganho, quando este for realizado. Aliás, este é o entendimento que se encontra plasmado na legislação base do Imposto de Renda, consoante se verifica na Exposição de Motivos do Ministério da Fazenda do projeto do Decretolei 1.598/1977: “(...) o presente (projeto) adota a orientação geral de submeter os ganhos de capital ao imposto somente quando realizados, isto é, quando a pessoa jurídica tem condições financeiras para suportar o ônus tributário” (Grifamos) Assim, considerase o ganho como realizado quando o contribuinte tiver condições financeiras de suportar o respectivo ônus tributário, o que justifica, por exemplo, a não tributação de ganhos potenciais. A tributação somente tem o condão de alcançar fatos nos quais ocorre a transformação de ativos em moeda. Ressaltese que a própria ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) em ocasiões anteriores já entendeu de maneira semelhante, manifestandose sobre a inexistência de disponibilidade sobre a renda nos casos de variação positiva de participação societária não realizada. Nesse sentido, ao analisar a questão referente à tributação da permuta de ações, a PGFN concluiu, no Parecer PGFN nº 970/91, que em matéria de tributação da variação positiva de participação societária, somente há renda tributável no momento da efetiva negociação das ações, e não na sua permuta. Vejamos: “15. Ainda que se quisesse, ad argumentandum, ver um ganho de capital entre a aquisição do título por 40 e o valor 100 conferido na troca, creio que haveria obstáculos jurídicos, relativamente ao aspecto temporal do fato gerador e própria base de cálculo. (...) Fl. 1793DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 16327.720648/201203 Acórdão n.º 2202003.012 S2C2T2 Fl. 28 53 16. É evidente que o momento não seria aquela da troca, mas sim quando o particular vendesse a participação acionária trocada. E, ainda, não existiria base de cálculo, pois o valor referencial em cruzeiros no leilão existe somente como estímulo à troca dos bens (papéis públicos). 17. Esta tributação, ainda, seria iníqua, pois como não foram recebidos cruzeiros, não haveria disponibilidade líquida do contribuinte, e, em consequência, naquele momento nenhuma base de cálculo para o fato gerador, pois a renda fica sujeita à tributação quando realizada e quantificada; evidentemente não é a hipótese sob exame.” (Grifamos) Posteriormente, a PGFN, no Parecer PGFN nº 454/92, reiterou que antes da negociação da participação societária não há incidência de Imposto de Renda, acrescentando que o valor atribuído aos bens permutados não corresponde aos seus respectivos preços, tendo em vista tratarse de mera substituição de bens, e não da sua compra e venda. Confirase: 20. O momento do fato gerador do imposto sobre maisvalia é o da alienação do bem por um preço que ultrapasse a reposição do capital, realizandose só neste momento o ganho de capital. Ora, como bem acentuou Pontes de Miranda, na troca há correspectividade sem preço, porque os figurantes da relação jurídica não entram com dinheiro, conseqüentemente inexiste fato gerador do tributo. Poderseia dizer, no caso da permuta, sem torna de dinheiro, que o momento da incidência seria deferido no tempo. 21. Criarse, fictamente, na permuta de bens, um ganho de capital é violar o próprio patrimônio A sua tributação configuraria, por conseguinte, imposto sobre a propriedade e não sobre a renda e proventos de qualquer natureza. Não existe lei mandando cobrar imposto na permuta de bens, não onerosa Ainda que existisse tal diploma legal, seria fulminado pelo vicio insanável da inconstitucionalidade. (...) Ressalta notar que na permuta pura e simples os contratantes não são movidos pelo valor monetário ou, em outras palavras, preço dos bens envolvidos, mas sim pelo caráter hedonístico, ou seja, o valor intrínseco de utilidade que os bens permutados terão para cada uma das partes individualmente. É por isso que a doutrina afirma que em cada um dos patrimônios, o que ocorre é mera substituição de um bem de uma natureza por outro de natureza diferente, independente de qualquer referência a preço de mercado, seja este amplo e aberto ou restrito e dirigido como ocorre no leilão.”(Grifamos) Fl. 1794DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 54 Como se pode concluir, a PGFN, em seus pareceres,concluiu de maneira irretocável e com clareza ímpar, que não incide tributo nas situações de troca de ativos, seja pela ausência de disponibilidade sobre renda, seja porque referidas operações não tem cunho monetário, na medida em que, nelas, considerase somente o valor intrínseco da utilidade dos bens permutados (e não o seu preço). As conclusões dos pareceres da PGFN se aplicam integralmente às operações de incorporações de ações, pois nelas verificamos, tanto a ausência de preço quanto a não manifestação da vontade individual dos acionistas, de forma que podemos considerala como uma troca de ativos sem cunho monetário, incapaz de gerar, de per si, acréscimo patrimonial. O grande acerto dos pareceres da PGFN baseiase no fato de que, nas operações de trocas de ativos, por não haver um ganho efetivo, qualquer exação imposta acabaria por atingir o patrimônio do contribuinte, o que, claramente fere todos os princípios que balizam a incidência do Imposto de Renda. Gostaria de destacar que em 19 de janeiro de 2015, a Lei 13.097, alterou a redação do artigo 42 da Lei 13.043, de 2014: Art. 42. Os débitos para com a Fazenda Nacional relativos ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL decorrentes do ganho de capital ocorrido até 31 de dezembro de 2008 pela alienação de ações que tenham sido originadas da conversão de títulos patrimoniais de associações civis sem fins lucrativos, poderão ser: (Redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015) I pagos à vista com redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício e de 100% (cem por cento) dos juros de mora; (Redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015) II parcelados em até 60 (sessenta) prestações, sendo 20% (vinte por cento) de entrada e o restante em parcelas mensais, com redução de 80% (oitenta por cento) da multa isolada e das multas de mora e de ofício, de 40% (quarenta por cento) dos juros de mora. (Redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015) § 1o Na hipótese do caput, fica remitido, sob condição resolutória até que se efetive o pagamento de que trata o inciso I ou seja quitado o parcelamento de que trata o inciso II, o valor do IRPJ e da CSLL incidente sobre a parcela do ganho de capital relativa a diferença entre o valor atribuído à ação na subscrição de capital e considerado na apuração do referido ganho, ainda que em eventual lançamento de ofício, e o valor verificado na data de início das negociações da ação em operação regular em bolsa de valores, independentemente da existência de cláusula de restrição de comercialização ou transferência. (Redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015) § 2o O disposto neste artigo aplicase à totalidade dos débitos, constituídos ou não, com exigibilidade suspensa ou não, inscritos ou não em Dívida Ativa da União, mesmo que em fase de execução fiscal já ajuizada, ou que tenham sido objeto de Fl. 1795DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 16327.720648/201203 Acórdão n.º 2202003.012 S2C2T2 Fl. 29 55 parcelamento anterior não integralmente quitado, ainda que excluído por falta de pagamento. (Redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015) § 3o Para efeito de consolidação dos débitos de que trata o caput, após o ajuste referido no § 1o, poderão ser deduzidos os valores do IRPJ e da CSLL que tenham sido recolhidos, até 31 de dezembro de 2013, em função da alienação posterior das ações decorrentes da conversão de títulos patrimoniais de associações civis sem fins lucrativos pelo próprio sujeito passivo, por empresa controladora ou por empresa controlada de forma direta, desde que: (Redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015) I tenha sido utilizado o custo original dos respectivos títulos patrimoniais na apuração do ganho; (Incluído pela Lei nº 13.097, de 2015) II seja limitado ao valor do IRPJ e da CSLL incidentes sobre o ganho de capital apurado considerando como valor de venda o valor verificado das ações na data de início das negociações em operação regular em bolsa de valores. (Incluído pela Lei nº 13.097, de 2015) § 4o Os depósitos existentes vinculados aos débitos a serem pagos ou parcelados nos termos deste artigo serão automaticamente convertidos em pagamento definitivo, aplicandose as reduções previstas no caput ao saldo remanescente a ser pago ou parcelado. (Redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015) § 5o O contribuinte poderá, mediante requerimento, utilizar créditos de prejuízos fiscais e de base negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL próprios, apurados até 31 de dezembro de 2013 e declarados até 30 de junho de 2014, para a quitação do saldo remanescente dos débitos após as reduções previstas no caput. (Redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015) § 6o Para usufruir dos benefícios previstos neste artigo, a pessoa jurídica deverá comprovar a desistência expressa e irrevogável de todas as ações judiciais que tenham por objeto os débitos que serão pagos ou parcelados na forma deste artigo e renunciar a qualquer alegação de direito sobre as quais se fundam as referidas ações. (Redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015) § 7o As reduções previstas no caput não serão cumulativas com quaisquer outras reduções admitidas em lei. (Redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015) § 8o Na hipótese de anterior concessão de redução de multas ou de juros em percentuais diversos dos estabelecidos no caput, prevalecerão os percentuais nele referidos, aplicados sobre o saldo original das multas ou dos juros. (Redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015) Fl. 1796DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 56 § 9o Enquanto não consolidada a dívida, em relação às parcelas mensais referidas no inciso II do caput, o contribuinte deve calcular e recolher mensalmente o valor equivalente ao montante dos débitos objeto do parcelamento dividido pelo número de prestações pretendidas. (Redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015) II (revogado). (Redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015) § 10. O pagamento ou o pedido de parcelamento deverá ser efetuado até o 15o (décimo quinto) dia após a publicação desta Lei e independerá de apresentação de garantia, mantidas aquelas decorrentes de débitos transferidos de outras modalidades de parcelamento ou de execução fiscal. (Redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015) § 11. Implicará imediata rescisão do parcelamento, com cancelamento dos benefícios concedidos, a falta de pagamento: (Redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015) I de 3 (três) parcelas, consecutivas ou não; ou (Redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015) II de até 2 (duas) prestações, estando pagas todas as demais ou estando vencida a última prestação do parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015) § 12. É considerada inadimplida a parcela parcialmente paga. (Redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015) § 13. Rescindido o parcelamento: (Redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015) I será efetuada a apuração do valor original do débito, restabelecendose os acréscimos legais na forma da legislação aplicável à época da ocorrência dos respectivos fatos geradores; (Redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015) II serão deduzidas do valor referido no inciso I as prestações pagas. (Redação dada pela Lei nº 13.097, de 2015) § 14. Aplicase ao parcelamento de que trata este artigo o disposto no caput e nos §§ 2º e 3º do art. 11, no art. 12, no caput do art. 13 e no inciso IX do art. 14 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002. (Incluído pela Lei nº 13.097, de 2015) § 15. Ao parcelamento de que trata este artigo não se aplicam: (Incluído pela Lei nº 13.097, de 2015) I o § 1o do art. 3o da Lei no 9.964, de 10 de abril de 2000; e (Incluído pela Lei nº 13.097, de 2015) II o § 10 do art. 1o da Lei no 10.684, de 30 de maio de 2003. (Incluído pela Lei nº 13.097, de 2015) § 16. Não será computado na base de cálculo do IRPJ, da CSLL, do PIS e da Cofins a parcela equivalente à redução do valor do montante principal dos tributos, das multas, dos juros e dos Fl. 1797DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 16327.720648/201203 Acórdão n.º 2202003.012 S2C2T2 Fl. 30 57 encargos legais em decorrência do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 13.097, de 2015) § 17. A Secretaria da Receita Federal do Brasil e a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, no âmbito de suas competências, editarão os atos necessários à execução do parcelamento de que trata este artigo. (Incluído pela Lei nº 13.097, de 2015) A Portaria PGFN/RFB 148 de 2015, alterada pela Portaria PGFN/RFB 202 de 2015 regulamentou a matéria. Gostaria de destacar o parágrafo 7°, do artigo 3°, abaixo transcrito: Art. 3º Fica remitido, sob condição resolutória até que se confirme o pagamento de que trata o inciso I do caput do art. 2º, ou até que seja quitado o parcelamento de que trata o inciso II do caput do art. 2º, o valor do IRPJ e da CSLL incidente sobre a parcela do ganho de capital relativa a diferença entre o valor atribuído à ação na subscrição de capital e considerado na apuração do referido ganho, ainda que em eventual lançamento de ofício, e o valor verificado na data de início das negociações da ação em operação regular em bolsa de valores, independentemente da existência de cláusula de restrição de comercialização ou transferência. § 1º A remissão de que trata o caput não alcança valores já pagos. § 2º Para fazer jus à remissão de que trata o caput, o sujeito passivo deverá indicar pormenorizadamente, na forma prevista nos Anexos II ou III, conforme o órgão que administra os débitos, os débitos que se enquadrem na situação ali descrita, anexando também memória de cálculo que demonstre os valores informados. § 3º Os débitos de que trata este artigo serão definitivamente remitidos após a verificação pela RFB: I das informações prestadas na forma prevista nos Anexos II, III e IV; e II do efetivo pagamento ou da quitação do parcelamento. § 4º Na hipótese de constatação de irregularidade quanto às informações prestadas na forma prevista nos Anexos II ou III, os valores não confirmados serão restabelecidos em cobrança, devendo ser pagos no prazo de 30 (trinta) dias, contado da intimação realizada pela RFB, não podendo ser incluídos no parcelamento de que trata o inciso II do caput do art. 2º. § 5º Não ocorrendo o pagamento de que trata o § 4º no prazo ali estipulado, os débitos remitidos serão integralmente restabelecidos em cobrança, com acréscimo de juros moratórios a partir do mês seguinte ao da consolidação. Fl. 1798DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 58 § 6º Para fins do cálculo do valor remitido de que trata o caput, deve ser considerado o preço de fechamento na data de início das negociações. § 7º Para as operações de incorporação de ações de Bovespa Holding, deve ser considerado como valor de alienação de cada ação de Bovespa Holding subscrita o preço de R$ 11,84 (onze reais e oitenta e quatro centavos), que corresponde ao preço de fechamento de pregão da ação BM&FBovespa em 20 de agosto de 2008, data de início das negociações da referida ação. No meu entender a Portaria da PGFN em conjundo com a RFB o fixar a data de 20 de agosto de 2008 e o valor de R$ 11,84 como condições da incorporação de ações efetuada pelo Recorrente, demonstra de maneira clara que houve nulidade no lançamento efetuado pela autoridade lançadora, uma vez que ela utilizou como base do lançamento o valor de R$ 24,82 e fixou como data da operação 08 de maio de 2008. Diante do exposto podemos concluir que a incorporação de ações realizada pelo contribunte: i. é uma figura jurídica prevista na Lei das S/A, especificamente em seu artigo 252; ii. não pode ser equiparada a uma alienação de bens ou incorporação de sociedades, tendo em vista que não há liquidação das sociedades envolvidas na operação, apenas , havendo uma mera subrogação de direitos, entre as sociedades envolvidas na operação; iii. não esta sujeita ao imposto de renda tendo em vista que não há fato gerador tributável no momento da sua realização, pois não há disponibilidade jurídica e econômica de renda ou efetivo acréscimo patrimonial; e, iv. A Portaria em conjunto da PGFN/RFB ao fixar a data e valor diferente dos valores e datas utilizados pela autoridade lançadora, demonstram de maneira clara e inequívoca que houve nulidade no lançamento. Desta forma, entendo que o recurso do contribuinte deve ser provido. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Fl. 1799DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 16327.720648/201203 Acórdão n.º 2202003.012 S2C2T2 Fl. 31 59 Declaração de Voto Conselheiro Jimir Doniak Junior O tratamento tributário da operação de incorporação de ações vem gerando bastante debate. Compreendese a razão. Além de outros motivos, tratase de tema que propicia argumentos relevantes tanto para a conclusão de que acarretaria a tributação, como no sentido oposto. De minha parte, em estudos anteriores, havia concluído no primeiro sentido. Mais recentemente, em função de reflexões a partir de novos trabalhos jurídicos sobre o tema, alterei meu entendimento. Gostaria de consignar, brevemente, as razões. Sempre me impressionaram as manifestações doutrinárias, no âmbito do direito societário, no sentido de a incorporação de ações ser uma forma de criação de subsidiária integral, que se dá por meio da integralização de aumento de capital da sociedade incorporadora das ações, embora submetida a certas especificidades. Ou seja, ainda que com um objetivo específico regulado pela legislação e com forma específica, haveria a integralização de aumento capital com a entrega de bens. Para fins tributários, portanto, deveria ser aplicado o artigo 23 da Lei nº 9.249/95 quando envolvida pessoa física: sendo entregues bens por valor distinto do constante da declaração de bens, a diferença a maior seria tributável, como ganho de capital. Esse raciocínio, que parece claro e escorreito, deixa, porém e a meu ver, de atentar para características importantes da tributação. A hipótese de incidência do imposto sobre a renda é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda e de proventos. A par de discussões quanto à diferenciação entre disponibilidade econômica e jurídica, temse entendido que, para legitimar se a tributação, para a incidência da norma, a renda deve estar disponível, deve ter se realizado. É decorrência não só do artigo 43 do CTN, mas também do princípio da capacidade contributiva. A despeito de ponto relevante, até aqui não é solucionada nenhuma questão, pois somos conduzidos à indagação de quando a renda estaria disponível, quando ela teria se realizado. Em trabalhos teóricos, chegase a afirmar que, em relação à renda derivada da venda de um bem produzido pelo contribuinte, poderseia considerála em diferentes momentos, a depender do objetivo que se tem em vista: quando da contratação da venda, ou quando da produção do bem (momento em que nasce uma nova riqueza, o novo bem formado a partir de outros bens e de valor superior a esses), ou quando da entrega desse bem ao comprador, ou quando do recebimento do pagamento. Em qual ou quais desses momentos poderseia reputar realizada a renda para fins de tributação? Vários elementos devem ser considerados para firmar uma posição. Entre eles estão o cumprimento das obrigações para fazer jus ao direito de receber o preço e a mensurabilidade e liquidez do direito recebido. Sem o cumprimento de obrigações, renda nenhuma se adquiriu (pode ter se adquirido a propriedade do novo bem produzido, mas não a renda) e sem mensurabilidade e liquidez não se sabe que renda teria sido adquirida. É Fl. 1800DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 60 obedecida, assim, a exigência de segurança, de certeza, para evitar a tributação de suposto ganho que poderia não se confirmar. Penso, porém, que não bastam esses pontos. É imprescindível aprofundar mais. A tributação sobre a renda difere da tributação sobre o patrimônio, entre outras razões, porque naquela temse uma visão dinâmica da realidade, enquanto nesta a visão é estática. Percebese bem isso na própria dicção da hipótese de incidência do IR: a aquisição da disponibilidade da renda. Para verificar se houve ou não renda, fazse a comparação entre o momento inicial e o momento final de certo período, devendo existir uma diferença consistente em antes não se ter adquirido tal disponibilidade e depois ela ter sido adquirida. Por isso, particularmente em regime de caixa / disponibilidade econômica, situações que caracterizem uma continuidade, sem alteração consistente na aquisição da disponibilidade da renda, não propiciam a incidência da norma de IR. Somos conduzidos, então, a uma nova indagação: que continuidade seria essa e que alteração seria essa? A meu ver, a resposta deve ser encontrada nas noções fundamentais da tributação pelo IR. A aquisição de disponibilidade da renda seria um fato jurídico? Bastaria verificar se teria ocorrido uma alteração da situação patrimonial jurídica do contribuinte, ou seja, uma alteração no seu catálogo de direitos e obrigações? Desse modo, bastaria ter surgido um direito antes inexistente, para estar configurada a falta de continuidade? Ou a aquisição de disponibilidade de renda seria um fato econômico, devendo ser verificada uma alteração do patrimônio do contribuinte sob o ponto de vista econômico, não bastando a substituição de um direito por outro se, em substância econômica, nada de relevante teria sido alterado? Somos de opinião que a hipótese de incidência do imposto sobre a renda é um tipo funcional e não estrutural, na classificação divulgada por Alberto Xavier. Ou seja, tratase de uma circunstância de fato e não um ato ou negócio jurídico. Assim, a despeito de muitas vezes a legislação, ao regrar situações específicas que afetarão a formação da base de cálculo do IR, utilizar atos ou fatos jurídicos – portanto, utilizandose de tipos estruturais (a demonstrar a complexidade da apuração do IR) –, em seu fundamento/base o IR é um tributo de tipo funcional. É o que explica Bulhões Pedreira, com a precisão habitual: “A aquisição do direito à renda não se confunde, todavia, com a aquisição da disponibilidade da renda: aquisição de direito é o fato jurídico de a pessoa ocupar a posição de sujeito ativo e de o direito aderir à pessoa que ocupa essa posição; enquanto que a aquisição da disponibilidade de renda é o fato econômico de a pessoa obter o poder de dispor do objeto do direito adquirido. A aquisição da disponibilidade da renda pode também ser analisada como fato jurídico, porque a atividade econômica social é organizada pelo Direito e todo fato econômico é causa de criação, modificação ou extinção de direitos patrimoniais; mas a lei, que faz a obrigação tributária nascer de situações de fato e não como efeito de fatos jurídicos, considera a aquisição da disponibilidade da renda na sua natureza de fato econômico, e não de fato jurídico.” (“Imposto de renda – Pessoa jurídica”, vol. I, Justec, 1979, p. 196 – sublinhamos). Se a aquisição da disponibilidade da renda é fato econômico, também a realização, configuradora de tal aquisição, é realização econômica e não jurídica. E a situação de continuidade, não caracterizadora de aquisição de disponibilidade e de realização, é a continuidade econômica, não sendo a nota definidora a falta de continuidade jurídica (embora, por óbvio, essa não seja irrelevante, pois pode indicar a falta de continuidade econômica). Fl. 1801DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 16327.720648/201203 Acórdão n.º 2202003.012 S2C2T2 Fl. 32 61 É essa posição que em minha opinião explica em parte porque ao menos certas operações de permuta não significam realização de eventual ganho potencial contido no bem permutado e disponibilidade de nova renda, apta a ser tributada (mesmo quando é feita uma avaliação do valor de mercado dos bens permutados). Nelas não ocorre uma mudança da posição patrimonial sob o ponto de vista econômico. Embora sem destacar explicitamente a perspectiva econômica, Victor Borges Polizelli, em sua justamente elogiada obra “O princípio da realização da renda”, lembra Brandão Machado ao tratar do requisito de mudança da posição patrimonial para que se dê a realização: “Notase, portanto, que a realização da renda exige a mudança da posição patrimonial, ou, como resumido por Brandão Machado, a ‘mudança na forma ou na substância da propriedade do contribuinte (ou dos direitos), (...). Neste particular, Klaus Tipke menciona que a ausência de mudança na posição patrimonial costuma ser a justificativa para que determinadas operações de permuta de bens similares sejam eximidas de tributação, pois tais transações deixam o contribuinte na mesma posição patrimonial anterior” (IBDT/Quartier Latin, 2012, p. 260 e 261). Mais à frente em sua obra, o mesmo autor trata em um tópico das chamadas “situações de continuidade (realização incompleta)” e especificamente de atos de reorganização societária, como incorporação, fusão e cisão: “Voltando a atenção para a própria empresa que será incorporada, fusionada ou cindida, podese falar de continuidade da situação patrimonial no sentido de que, antes e depois das operações, os patrimônios empresariais envolvidos nas operações continuarão a ser substancialmente os mesmos (com relação a seus elementos, embora, não quanto a seus titulares diretos), sem que se verifique qualquer acréscimo de direito novo ou transação com o mercado que pudesse gerar mudança da posição patrimonial” (ob. cit., p. 331 – sublinhamos). O autor lembra, então, antigos Pareceres Normativos que foram na mesma direção. No PNCST 6/85 afirmase ser entendimento consagrado da Secretaria da Receita Federal o de que nas operações de incorporação, fusão e cisão não acontece descontinuidade na vida das empresas, havendo transposição de patrimônio de uma pessoa jurídica para outra. Já no PNCST 39/81 concluise que também nos casos de incorporação, fusão e cisão as novas ações recebidas pelo acionista não levam ao reinício da contagem do prazo de 5 anos para benefício fiscal de desoneração do imposto em eventual ganho de capital. Os casos parecem ter em comum a inexistência de uma mudança na posição patrimonial econômica. Também podem ser lembrados aqui os pareceres da PGFN na época do processo de desestatização. No Parecer PGFNPGA nº 970/91 foi afirmado que o Estado pretendia também diminuir o déficit público. Por isso, ele se desfazia de um bem de seu ativo e, em troca, recebia um título de crédito que onerava seu passivo. Por isso, os particulares e o Estado participavam de uma operação de troca (permuta). Já no Parecer PGFNPGA n. 454/92 o tema é retomado e a doutrina de Pontes de Miranda é lembrada para afirmar que na troca há correspectividade sem preço, porque os figurantes da relação jurídica não entram com dinheiro. Acrescentase também que na permuta os contratantes não são movidos pelo valor monetário, pelo preço dos bens envolvidos, mas, sim, pelo próprio bem, pelo valor intrínseco da utilidade dos bens permutados. Essas diferentes situações parecem ter em comum com a incorporação de ações: (a) a falta de busca em transformar a riqueza potencial latente em um bem em riqueza realizada (e não mais potencial), (b) a inexistência de mutação patrimonial econômica Fl. 1802DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 62 (substituise a participação societária em uma empresa por participação societária em outra empresa no bojo de uma reorganização societária), (c) a consequente continuidade da situação patrimonial econômica e (d) a não movimentação pelo valor econômico do bem, por seu preço, mas, sim, pelo próprio bem, pelo valor intrínseco de sua utilidade. Cabe, então, indagar se, na incorporação de ações, o acionista que tem suas ações incorporadas tenciona desfazerse dessa parte de seu patrimônio e se substancialmente dela se desfaz. A resposta é negativa. No caso concreto, os acionistas da sociedade cujas ações foram incorporadas não tencionavam se desfazer de suas ações. A intenção era de juntar forças, que o patrimônio que já dispunham continuasse com eles, mas agora em conjunto com o de outra empresa, formando uma entidade maior e potencialmente mais valiosa. Não tencionavam se desfazer do patrimônio e dele não se desfizeram, ao menos não economicamente. De certa forma, embora a incorporação de ações aproximese de uma permuta, nela parece estar ainda mais distante a realização. De qualquer modo, em alguns aspectos incorporação de ações e permuta entre bens de idêntica natureza se aproximam. Aplicase à incorporação de ações o que a PGFN falou quando da desestatização: o leilão estava “(...) desvinculado da moeda (cruzeiro) e sim diretamente vinculado à quantidade de títulos oferecidos em troca da participação acionária, (...)” e o objetivo final do leilão “(...) não são os cruzeiros, mas a maior quantidade de títulos públicos” (Parecer PGFNPGA n. 970/91). Igualmente na incorporação de ações não se quer uma quantidade de reais, não se trata de uma dívida de dinheiro. Em outras palavras, tal qual a permuta, as partes não são movidas pelo valor monetário das ações, mas, sim, pelo próprio bem, pelo valor intrínseco da utilidade dos bens permutados. Nesta parte, com as devidas vênias que os autores merecem, pareceme que Luís Eduardo Schoueri e Luiz Carlos de Andrade Júnior seguem por caminho equivocado em seu estudo sobre o tema (“Incorporação de ações: natureza societária e efeitos tributários”, RDDT 200/4472). Os autores procuram diferenciar o que ocorre, de um lado, no processo de incorporação de ações e, de outro, na permuta. Argumentam, então, que na incorporação de ações há subscrição de aumento de capital, pelo qual alguém se comprometeria a entregar recursos à companhia. Indagam, então, se alguém poderia prometer entregar imóveis, equipamentos ou ações à sociedade emissora das ações. Respondem negativamente. Quem subscreve o capital comprometerseia a por à disposição da companhia certa quantia em dinheiro (lembrando que subscrever o capital é diferente de integralizálo, o que poderia ser feito em bens). Logo, a subscrição não envolveria, por essência, a troca de bens por ações. Ao ler o estudo referido, poderseia ter a impressão que na incorporação de ações, por envolver subscrição de aumento de capital, haveria como que o mero cumprimento de obrigação que poderia se dar mediante diferentes formas, como a entrega de dinheiro ou até de outro bem qualquer. Bem ao inverso, porém, no bojo de uma operação de incorporação de ações, a empresa incorporadora, que tem seu capital aumentado, não aceita na integralização de tal capital qualquer outra coisa senão as ações da sociedade que deverá se transformar em subsidiária integral. Os autores parecem dar menor importância ao fato de a incorporação de ações só ocorrer se forem entregues as ações da sociedade que se transformará em subsidiária integral. No entanto, seria no mínimo esdrúxulo que um dos acionistas da sociedade cujas ações serão incorporadas pretendesse entregar qualquer outra coisa senão essas ações. Mesmo dinheiro não será aceito pela sociedade incorporadora. Assim é justamente porque não se almeja o simples aumento de capital. Almejase o recebimento daquele bem específico, as ações da sociedade que passará a ser subsidiária integral (nas palavras da PGFN, almejase o próprio bem, pelo valor intrínseco de sua utilidade). Por conseguinte, notase a diferença com a simples subscrição e integralização de aumento de capital. Fl. 1803DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 16327.720648/201203 Acórdão n.º 2202003.012 S2C2T2 Fl. 33 63 Na verdade, na incorporação de ações há, sim, subscrição de aumento de capital. No entanto, não se trata de subscrição comum. Nela, há a obrigação específica de serem entregues ações de uma empresa particular, recebendose em troca ações da sociedade “incorporadora”. Não é uma obrigação de dinheiro. Perceptível, então (contrariamente ao que dizem os dois autores), a diferença entre operações como incorporação de ações ou de permuta, sob o signo da continuidade patrimonial, com a dação em pagamento com bens, eventualmente para a integralização de um aumento de capital. Nesta não há continuidade da situação patrimonial. O devedor tem uma dívida de dinheiro, mas que é paga com bens. Há modificação da situação patrimonial e a riqueza potencial eventualmente presente no bem se realiza. Não à toa, o CARF tem diferenciado operações de permuta e a dação em pagamento: “OMISSÃO DE RENDIMENTOS PESSOA FÍSICA – DAÇÃO EM PAGAMENTO – PERMUTA. Não podemos confundir a dação em pagamento onde há ingresso de rendimento no patrimônio do contribuinte com a permuta que é mera troca patrimonial de bens que não representaria acréscimo patrimonial, ressalvando os casos em que há o pagamento de torna.” (ac. 340200.048, sessão de 05.03.2009, 4ª Câm., 2ª Turma Ordinária, 3ª Seção, rel. o Cons. Pedro Anan Jr.). “IRPJ. CSLL. LANÇAMENTO. VENDA DE UNIDADE IMOBILIÁRIA. RECEITA OPERACIONAL. A realização de receita operacional pela venda de unidade imobiliária construída pelo sujeito passivo, mediante recebimento de parte de pagamento em imóveis a título de dação em pagamento, cuja transação foi celebrada por contrato de promessa de compra e venda de imóveis, não caracteriza permuta de imóveis para fins de exclusão a título de permuta.” (ac. 110200.020, sessão de 26.08.2009, 1ª Câm., 2ª Turma Ordinária, 1ª Seção, rel. o Cons. José Carlos Passuelo). Na doutrina, em seu livro sobre o tema de incorporação de ações, Ricardo Mariz de Oliveira também cuida de diferenciar, de um lado, a dação em pagamento e, de outro lado, operações como a de permuta: “Esta distinção é essencial para compreender o art. 65, porque dação em pagamento não é ato jurídico (como o é a incorporação de ações) nem negócio jurídico (como o é a permuta), mas, sim, é modalidade de extinção de obrigação” (“Incorporação de ações no direito tributário”, Quartier Latin, 2014, p. 132). Há, portanto, diferença relevante entre operações que envolvem dação em pagamento, como a integralização de aumento de capital em bens, e outras operações, como a incorporação de ações, em que não se almeja a realização da riqueza potencial do bem e na qual este continua, ainda que de forma diferenciada, no patrimônio do contribuinte. O tema levanta ainda outras reflexões. Destaco uma, à qual, penso, os debates não estão dando a importância devida. Qual teria sido a razão para o legislador, criador da Lei nº 6.404/76, ter chamado a operação societária ora em análise de “incorporação de ações”? Poderia têla batizado com outro nome. Ao invés disso, adotou o nome de “incorporação”. Fl. 1804DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 64 Lembremonos que a Lei das S/A é uma das normas tecnicamente melhor feitas em nosso ordenamento. Até hoje, quase 40 anos depois, ela continua a ser objeto de admiração dos especialistas da área e muitas vezes ainda os surpreende com soluções originais que não tinham sido devidamente percebidas. É possivelmente um equívoco pressupor que o legislador tenha atuado de forma descuidada, descompromissada ou disparatada na escolha do nome dessa operação societária. Por conseguinte, o ponto vale uma reflexão. A justificativa do Projeto de Lei que deu origem à Lei nº 6.404/76 assim comenta: “A incorporação de ações, regulada no artigo 253 é meio de tornar a companhia subsidiária integral, e equivale à incorporação de sociedade sem extinção da personalidade jurídica da incorporada”. Com efeito, sob certa ótica podese dizer que a incorporação de ações equivale à incorporação normal (ou que ambas compartilham características importantes), diferenciandose desta por não acarretar a extinção da incorporada. Tal como na incorporação normal a integralidade do patrimônio da sociedade cujas ações são incorporadas passa a ser detida pela sociedade incorporadora. Em uma operação, na incorporação normal, o patrimônio da sociedade incorporada passa a ser integralmente de propriedade direta da incorporadora, na outra operação, incorporação de ações, o patrimônio da sociedade “incorporada” também passa ser integralmente de propriedade da incorporadora, embora indiretamente. Não se está, aqui, afirmando que as operações se igualam, ou que a diferença entre elas é irrelevante. É óbvio que são diferentes. O que se afirma é que, sob certos pontos de vista, não se diferenciam tanto assim. E, justamente, sob a ótica do acionista proprietário das ações que são incorporadas não parece existir diferença com a incorporação normal. Seja na incorporação normal, seja na incorporação de ações, ele, que até certo momento era detentor de ações de uma empresa, deixa de sêlo e passa a ser sócio de outra empresa. Para ele, é irrelevante o fato de a empresa da qual ele era acionista deixar de existir por ter sido incorporada, ou passar a ser subsidiária integral porque teve suas ações incorporadas. Não só, na incorporação normal também ocorre um aumento de capital da sociedade incorporadora. Na incorporação de ações igualmente será avaliado o valor do patrimônio que ingressará na sociedade incorporadora, pois os acionistas da sociedade a ser incorporada não aceitarão que se ignore o valor de mercado de seus bens (as ações), adotandose o valor histórico e, com isso, transferindo riqueza para os acionistas da sociedade incorporadora. Outra coincidência entre incorporação normal e incorporação de ações sob a ótica do acionista, pessoa física (e, por extensão, do domiciliado no exterior): em ambos os casos não há previsão legal específica e expressa do tratamento tributário aplicável. No entanto, entendese que na incorporação normal não há aquisição de disponibilidade, não há realização da riqueza potencial contida na ação da sociedade incorporada (nessa linha, inclusive, os antigos PNsCST antes mencionados). Frente a isso se pergunta: qual a razão para reservar para a incorporação de ações um tratamento tributário distinto? Apenas em razão de uma diferença totalmente externa ao acionista, qual seja, a sociedade ser incorporada ou passar a ser subsidiária integral da sociedade incorporadora? Em minha opinião e com a devida vênia, não parece haver fundamento racional para concluir, via interpretação, que seria razoável esse tratamento distinto. Fl. 1805DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 16327.720648/201203 Acórdão n.º 2202003.012 S2C2T2 Fl. 34 65 Acredito que a linha de interpretação aqui sustentada casa melhor com toda a sistemática do imposto sobre a renda. Afirmar que toda e qualquer alienação de bem tem o potencial de ser realização da riqueza potencial e, por isso, aquisição de disponibilidade da renda a meu ver deixa sem resposta porque sempre se entendeu que na incorporação normal não haveria realização, aquisição de disponibilidade e prática da hipótese de incidência do IR. O mesmo se diga da permuta. Na incorporação normal e na permuta, como visto, ocorre alienação “formal” (na falta de palavra melhor): aquele que era detentor do bem “A” deixa de sêlo e passa a ser o detentor do bem “B”. Por que algumas alienações levariam à tributação e outras não? A questão não pode ficar sem resposta. A meu ver, a resposta é que, em algumas operações, mesmo ocorrendo uma alienação há uma continuidade da situação patrimonial econômica, não há realização e, por via de consequência, a hipótese de incidência do IR não se materializa. Não ignoro que a operação de incorporação de ações pode ser utilizada em planejamentos fiscais destituídos de substância, por exemplo, para somente propiciar o registro de um ágio e sua posterior amortização, mas sem gerar ganho de capital. No entanto, casos assim (que não é a hipótese concreta em análise) geralmente podem ser – como têm sido – impugnados com base em outras razões mais fundamentadas. Talvez fosse o caso de se pensar em uma alteração legislativa. No entanto, não cabe pretender dar certo tratamento tributário inadequado genericamente, apenas devido à potencialidade de gerar abusos. Assim, tenho por lamentáveis as razões de veto da Presidência da República ao artigo 10 do Projeto de Lei de Conversão n. 18/2014. Mais uma vez preferese cometer uma injustiça tributária com muitos em razão dos abusos praticados por uma minoria, sendo que o problema poderia ser eficazmente combatido com uma norma elaborada com mais esmero e com maior dedicação no trabalho de fiscalização por parte da Administração Fiscal. Preferese, no entanto, o caminho fácil, mas injusto, de um tratamento geral inapropriado para a maioria. Ademais e com a devida vênia, penso ser irrelevante o fato do veto mencionado. Se de um lado temse o Poder Executivo manifestando seu entendimento de que operações societárias como a incorporação de ações geraria acréscimo patrimonial tributável pelo IR, de outro lado o Poder Legislativo, ao incluir o artigo 10 no Projeto de Lei de Conversão como uma lei de caráter interpretativo, expressamente consignou seu entendimento de que essas operações não acarretariam tal acréscimo patrimonial. A meu ver é despropositado pretender dar mais relevância a uma das posições em função de originarse do Executivo ou do Legislativo. A posição que importa é a dos órgãos encarregados de aplicar a legislação, como este CARF e o Poder Judiciário. O entendimento ora sustentado saise bem quando colocado à prova frente a complexidades muitas vezes inesperadas da realidade. Entender que a incorporação de ações envolvendo acionista domiciliado no exterior representaria realização da riqueza potencial inserida nas ações incorporadas e, portanto, aquisição de disponibilidade traz dificuldades práticas inegáveis, que chegam a gerar certa perplexidade. Pressupor, como fez a Autoridade Autuante, que a sociedade incorporadora seria a responsável pelo recolhimento do IR leva à indagação de como ela deveria agir para desincumbirse de sua obrigação tributária, de modo consistente com a sistemática de responsabilidade tributária. Deveria ela reter parte das ações que inicialmente seriam entregues ao acionista e tentar revendêlas no mercado para obter recursos para efetuar o recolhimento? Talvez isso seja inviável, se a “incorporadora” for uma sociedade de capital fechado. Então, Fl. 1806DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR 66 para evitar a eventual inviabilidade de alienar ações a terceiros ou a possibilidade de não encontrar compradores para o valor pretendido para as ações, talvez devesse aprovar um aumento de capital superior, a ser integralizado parte em dinheiro, para ter recursos para o recolhimento? Ou seja, o tratamento tributário seria capaz de obrigar àqueles que realizam certa operação societária a fazer também outra? A alternativa de reter em tesouraria parte das ações emitidas com o aumento de capital decorrente da incorporação de ações igualmente não parece uma solução adequada. Novamente, o tratamento tributário estaria interferindo na operação societária e o acionista cujas ações estariam sendo incorporadas receberia uma quantidade de ações da sociedade incorporadora inferior ao que seria de se esperar. Não só, a sociedade incorporadora com acionistas domiciliados no exterior verseia obrigada a ter ações em tesouraria. A artificialidade dessas alternativas e a criação de obrigações sem base em leis indicam a falta de um tratamento adequado. A meu ver, a falta de um mecanismo apropriado para a retenção e recolhimento não é mera dificuldade prática. É sintoma da, com a devida vênia, inconsistência da compreensão de que teria ocorrido aquisição da disponibilidade e realização. A dificuldade de retenção advém justamente da inexistência de riqueza realizada a ser retida. Ademais, talvez decorra das dificuldades inerentes na retenção de IR em operações com domiciliados no exterior a determinação de aplicação da mesma sistemática reservada ao contribuinte pessoa física, ou seja, o regime de caixa. Essa regra foi criada justamente porque se requer, para esses tipos de contribuinte, uma realização especial e mais segura. Por fim, breves considerações sobre a nova redação dada ao artigo 42 da Lei nº 13.043/2014 pelo artigo 145 da Lei nº 13.097/2015. O § 1º passou a ter redação determinando a remissão, sob condição resolutória até que se efetive pagamento, do IRPJ e da CSL “(...) incidente sobre a parcela do ganho de capital relativa a diferença entre o valor atribuído à ação na subscrição de capital e considerado na apuração do referido ganho, ainda que em eventual lançamento de ofício, e o valor verificado na data de início das negociações da ação em operação regular em bolsa de valores, independentemente da existência de cláusula de restrição de comercialização ou transferência”. Esse benefício fiscal, restrito para o IRPJ e a CSL devidos, não alcança domiciliados no exterior, onerados que são pelo IRF. O dispositivo desperta a atenção por variados motivos. Seria uma remissão determinada por lei, quando o CTN (art. 172) prevê que a lei pode autorizar a autoridade administrativa a conceder a remissão e sendo atendidas condições específicas expressamente elencadas, como situação econômica do sujeito passivo, erro ou ignorância escusáveis do sujeito passivo quanto a matéria de fato, diminuta importância do crédito tributário, considerações de equidade em relação com as características pessoais ou materiais do caso e condições peculiares a determinada região. O transcrito § 1º do artigo 42 da Lei nº 13.043/2014 não trata de nada disso. Ele soa contrário ao CTN. Não só. A Presidência da República aparentemente é sempre muito ciosa em não aprovar medidas que possam implicar renúncia fiscal sem medidas compensatórias, sob pena de contrariar a Lei de Responsabilidade Fiscal. Na própria promulgação da Lei nº 13.097/2015 foram vários vetos por essa razão. Estranhamente, porém, a nova redação do artigo 42 da Lei nº 13.043/2014 e a remissão nela contidas não foram vetadas, a despeito de, ao que eu tenha conhecimento, não terem sido previstas medidas compensatórias. Esses dois pontos levam a refletir se o § 1º do artigo 42 da Lei nº 13.043/2014 realmente concedeu uma remissão a um só tempo contrária ao CTN e à Lei de Responsabilidade Fiscal. Fl. 1807DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 16327.720648/201203 Acórdão n.º 2202003.012 S2C2T2 Fl. 35 67 O parecer proferido pelo relator da Comissão Mista no Congresso Nacional que analisou a conversão da Medida Provisória nº 656/2014 na Lei nº 13.097/2015 lança alguma luz. Foi observado que as ações da Bovespa Holding foram incorporadas pelo valor de R$ 24,82, contudo, as ações resultantes da incorporação não podiam ser negociadas logo a seguir. No primeiro dia em que tais títulos poderiam ser negociados em bolsa, em 20/08/2008, o valor da ação foi de R$ 11,84, menos da metade. Declara, então, o parecer: “Assim, houve pagamento de imposto sobre um ganho que não foi realizado” (sublinhamos). A conclusão a que se chega é que, a despeito da literalidade do § 1º do artigo 42 da Lei nº 13.043/2014, não houve remissão alguma. A função do intérprete e aplicador da lei é compreendêla, ou seja, sem ir além dela, desvendar seu verdadeiro conteúdo, muitas vezes um pouco escondido sob palavras mal escolhidas pelo legislador. No caso do § 1º do artigo 42, tratase, isto sim, da intenção de se fazer, de forma envergonhada, uma norma de conteúdo interpretativo. Daí não se falar em aplicar a Lei de Responsabilidade Fiscal: estarse ia apenas reconhecendo como, desde o início, deveria ser calculado o suposto ganho de capital e os tributos alegadamente devidos. Não concordamos com essa interpretação dada pelas Leis nºs 13.043/2014 e 13.097/2015, pois entendemos, como antes exposto, que não houve realização alguma. Todavia, não nos parece adequado que aqueles que entendem que a incorporação de ações geraria ganho tributável ignorem seus termos. O ganho somente ocorre quando está disponível e a disponibilidade só teria ocorrido a partir do momento em que as ações poderiam ser negociadas e sobre o valor da ação neste momento, ou seja, R$ 11,84. É isto o que atualmente impõe lei juridicamente válida, em nossa interpretação. Disso decorre que o Auto de Infração ora em julgamento adota data do fato gerador e base de cálculo errôneas, em desacordo com o que veio a ser reconhecido – embora de uma maneira transversa e envergonhada – pelo § 1º do artigo 42 da Lei nº 13.043/2014. A conclusão a que se chega é que o lançamento também deve ser cancelado por essa razão. Por todos esses motivos e novamente com vênia pelas respeitáveis opiniões em sentido contrário, voto pelo provimento do Recurso Voluntário. Jimir Doniak Junior Fl. 1808DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/04/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 24/04/201 5 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por PEDRO ANAN JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13857.000079/2007-24
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2003, 2004, 2005
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SÚMULA CARF N° 26. NÃO CONHECIMENTO.
Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, bem como não se admite o uso como paradigma de acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, independentemente da reforma específica do paradigma indicado.
No caso, o recurso busca defender a impossibilidade de caracterizar omissão de rendimentos exclusivamente em depósitos bancários, matéria já pacificada em sentido contrário ao da defesa pela Súmula CARF n° 26.
Além disso, o paradigma admitido para comprovar a divergência cancelou lançamento escorado na legislação anterior à lei que autorizou a presunção de omissão de receitas por depósito bancário.
Assim, não é possível se encontrar divergência autorizadora de recurso especial entre decisões fundadas em bases normativas diversas.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-002.483
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Luiz Eduardo de Oliveira Santos
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. SÚMULA CARF No 26. NÃO CONHECIMENTO. Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF, bem como não se admite o uso como paradigma de acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, independentemente da reforma específica do paradigma indicado. No caso, o recurso busca defender a impossibilidade de caracterizar omissão de rendimentos exclusivamente em depósitos bancários, matéria já pacificada em sentido contrário ao da defesa pela Súmula CARF no 26. Além disso, o paradigma admitido para comprovar a divergência cancelou lançamento escorado na legislação anterior à lei que autorizou a presunção de omissão de receitas por depósito bancário. Assim, não é possível se encontrar divergência autorizadora de recurso especial entre decisões fundadas em bases normativas diversas. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 7. 00 00 79 /2 00 7- 24 Fl. 1757DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 13857.000079/200724 Acórdão n.º 9202002.483 CSRFT2 Fl. 6 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator EDITADO EM: 04/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) e Elias Sampaio Freire. Relatório O Acórdão nº 220100.608, da 1a Turma Ordinária da 2a Câmara da 2a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 646 a 652), julgado na sessão plenária de 14 de abril de 2010, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte para desqualificar a multa de ofício. Transcrevese a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003, 2004, 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. Restando comprovada nos autos a percepção de rendimentos não devidamente declarados pelo interessado, deve ser efetuado o lançamento de oficio do imposto de renda sobre os valores omitidos, independentemente da sua denominação. PRESUNÇÃO LEGAL DO ART. 42 DA LEI 9430/96. FALTA DE PROVAS. CARACTERIZAÇÃO DE RENDIMENTOS OMITIDOS. Fl. 1758DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 13857.000079/200724 Acórdão n.º 9202002.483 CSRFT2 Fl. 7 3 Não comprovadas as origens dos depósitos bancários por meio de documentos fiscais hábeis e idôneos, tornase perfeita a presunção legal prevista no Art.42 da Lei 9.430/96, uma vez que os valores depositados em instituições financeiras passaram a ser considerados receita ou rendimentos omitidos. MULTA QUALIFICADA. FALTA DE PROVAS DA AÇÃO OU OMISSÃO DOLOSA. SÚMULA CARF N° 14. Cabe ao auditorfiscal provar que a ação ou omissão do contribuinte foi dolosa, requisito indispensável para a aplicação da penalidade qualificada com base nos tipos descritos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/1964. Tratase de matéria sumulada neste CARF Súmula CARF n° 14. Recurso Voluntário Provido em Parte. A Fazenda Nacional não apresentou recurso especial da parte que lhe foi desfavorável (fl. 653). Cientificado do acórdão em 14/02/2011 (fl. 662), o contribuinte manejou, em 28/02/2011, recurso especial de divergência (fls. 665 a 678), onde afirmava que os valores tributados são oriundos de indenização, e que os depósitos bancários não são passíveis de tributação. O recurso especial foi admitido por meio do despacho de fls. 681 a 685, que considerou comprovada a divergência jurisprudencial quanto à impossibilidade de caracterizar omissão de rendimentos exclusivamente em depósitos bancários com base no seguinte paradigma: Acórdão no CSRF/0102.741 IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS Os depósitos bancários, embora possam refletir indícios de auferimento de renda, não caracterizam, por si só, disponibilidade de rendimentos, não podendo ser considerados como "aplicações" no fluxo de "entradas" e "saídas" para apuração de variação patrimonial, cabendo à fiscalização aprofundar seu poder investigatório a fim de demonstrar que os depósitos representam efetivamente gastos suportados pelo contribuinte. Cientificada desse despacho em 30/06/2011 (fl. 685), a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões no dia 08/07/2011 (fls. 688 a 710v), defendendo que o paradigma não estava apto a configurar divergência de interpretação da legislação tributária, pois analisou lançamento efetuado com base no art. 6o da Lei 8.021/90, e não no art. 42 da Lei 9.430/96, como ocorreu no acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 1759DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 13857.000079/200724 Acórdão n.º 9202002.483 CSRFT2 Fl. 8 4 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator O recurso especial de divergência é tempestivo. Entretanto, discordo do despacho do Presidente 2ª Câmara da 2a Seção que admitiu a divergência. Isso porque o acórdão admitido para comprovar a divergência cancelou lançamento escorado no art. 6o da Lei n° 8.021, de 12 de abril de 1990, que é a legislação anterior à lei que autorizou a presunção de omissão de receitas por depósito bancário. Assim, não é possível se encontrar divergência autorizadora de recurso especial entre decisões fundadas em bases normativas diversas. Ora, se a legislação anterior não trazia a presunção de omissão de receitas com base em depósitos bancários, natural que os julgados dos lançamentos efetuados com fulcro naquele arcabouço normativo não validassem essa prática. De outro modo, com o advento da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro 1996, que criou a citada presunção de omissão de receitas, as decisões administrativas passaram a admitir esse tipo de lançamento, agora expressamente autorizado pela lei. Desse modo, a divergência entre as decisões comparadas decorre justamente da diferença entre as legislações subjacentes, e não de interpretação divergente da lei tributária, requisito primordial do recurso especial previsto no art. 67 do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Ademais, esse assunto já está pacificado, no âmbito do CARF, no sentido do acórdão recorrido, desde 08/12/2009, com a edição da Súmula CARF nº 26, que possui o seguinte enunciado: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. E o art. art. 67, §2o, do anexo II do RICARF, determina que não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que aplique súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da Câmara Superior de Recursos Fiscais ou do CARF. Além disso, o §10 do mesmo artigo proíbe o uso como paradigma de acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, independentemente da reforma específica do paradigma indicado. Ora, o recurso especial foi apresentado após a edição da súmula citada e busca provimento em sentido oposto ao seu conteúdo, não sendo possível seu conhecimento pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Fl. 1760DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 13857.000079/200724 Acórdão n.º 9202002.483 CSRFT2 Fl. 9 5 Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Fl. 1761DF CARF MF Impresso em 16/06/2015 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/03/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 08/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13888.902833/2013-43
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
Ementa:
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO OBJETO DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO.
A homologação da compensação enseja o reconhecimento do crédito do contribuinte, objeto do Pedido de Restituição. Desta forma, não há que se falar no acatamento do Pedido de Restituição, sob pena de o contribuinte beneficiar-se duas vezes com o mesmo crédito.
Numero da decisão: 3801-005.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos por negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2006 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO OBJETO DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. A homologação da compensação enseja o reconhecimento do crédito do contribuinte, objeto do Pedido de Restituição. Desta forma, não há que se falar no acatamento do Pedido de Restituição, sob pena de o contribuinte beneficiar-se duas vezes com o mesmo crédito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
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COAN & CIA. LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO OBJETO DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. A homologação da compensação enseja o reconhecimento do crédito do contribuinte, objeto do Pedido de Restituição. Desta forma, não há que se falar no acatamento do Pedido de Restituição, sob pena de o contribuinte beneficiarse duas vezes com o mesmo crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 28 33 /2 01 3- 43 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 08/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por MARIA I NES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Relatório O presente processo trata de PerDcomp transmitido com o objetivo de pedir a restituição de crédito de PIS/PASEP, decorrente de recolhimento indevido a maior. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi indeferida. O contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade, ocasião em que demonstrou no PER/DCOMP que realizou o recolhimento a maior da contribuição em tela, tendo inclusive apresentado o Comprovante de Arrecadação. Acostou aos autos a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF e o Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais – DACON que atestam o valor correto da contribuição, de forma a comprovar o recolhimento indevido e a maior e, por conseguinte, a existência do crédito e a legitimidade do seu pedido de restituição formulado através do PER/DCOMP, nos termos da legislação de regência. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) não acolheu a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, ao argumento de que: As razões de defesa ficam prejudicadas, porque o despacho contestado já reconhece o valor alegado para o pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF identificado no PER/DCOMP em questão. A razão da não homologação contestada é outra: consta do despacho em litígio que a restituição foi indeferida, porque o crédito já foi todo utilizado em compensações. Inconformado, o contribuinte apresentou o seu Recurso Voluntário, reforçando as razões já apresentadas em sede de sua Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel O Recurso foi apresentado tempestivamente e preenche os demais requisitos para sua admissão. Portanto, dele conheço. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 08/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por MARIA I NES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 13888.902833/201343 Acórdão n.º 3801005.211 S3TE01 Fl. 12 3 Verificase que o Pedido de Restituição foi negado pelo fato de a Recorrente ter utilizado o crédito em compensação. Ocorre que, consoante demonstrado pela Recorrente, o crédito oriundo do recolhimento indevido e a maior informado no PER e nas respectivas DCTF e DACON, entregues à Secretaria da Receita Federal do Brasil, foi, realmente, utilizado na compensação com débito da Recorrente informado em PER/DCOMP. Vejase, pois, que tratamse de dois pedidos: o primeiro deles relativo ao crédito oriundo do pagamento indevido ou a maior (Pedido de Restituição, apenas) e o segundo, atrelado ao primeiro, atinente à compensação do referido crédito com débito da Recorrente (Declaração de Compensação). E o que se está a se analisar aqui é o Pedido de Restituição. A princípio, caso se indeferisse o presente Pedido de Restituição, onde a Recorrente informou o crédito oriundo do recolhimento indevido ou a maior, conseqüentemente a declaração de compensação a ele atrelada seria não homologada. E, se assim procedêssemos, estaríamos também negando o direito do contribuinte à compensação. E o contribuinte, por sua vez, muito embora pudesse fazer jus ao direito creditório, teria esse direito tolhido sem sequer vêlo apreciado. É claro, contudo, que essa lógica só se mantém para o caso de a compensação não ter sido ainda homologada. De se salientar, porém, que a decisão da DRJ destaca expressamente que a compensação listada foi totalmente homologada. A homologação da compensação ensejou, via de consequência, o reconhecimento do crédito do contribuinte, objeto do Pedido de Restituição ora analisado. Tendo a autoridade fiscal homologado a compensação declarada na DCOMP, de fato, não há mais que se falar no acatamento do Pedido de Restituição, sob pena de o contribuinte beneficiarse duas vezes com o mesmo crédito. Isto posto, nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 141DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 08/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/05/2015 por MARIA I NES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
score : 1.0
Numero do processo: 10860.903214/2009-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue May 12 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1301-000.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA,nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA,nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA,nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 60 .9 03 21 4/ 20 09 -1 8 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10860.903214/200918 Resolução nº 1301000.262 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório O presente feito já foi por mim antes devidamente relatado, nos termos constantes da Resolução n. 1301000.180, adotada por este Colegiado na sessão realizada no dia 05 de Dezembro de 2013, quando restou aqui decidido pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para fins de verificação, pelos agentes do competente órgão preparador, a respeito da "liquidez e certeza" do apontado saldo de prejuízos fiscais apontados nos autos pela contribuinte, devendo os autos serem restituídos, de forma conclusiva, para este relator. Baixados os autos, conforme definido na referida Resolução, fora eles então encaminhados à SAORT DRF/TaubatéSP, sendo então distribuído ao ilustre Sr. AFRFB Helmar Tabosa Sarandy (Mat. 16521), que, tecendo considerações gerais a respeito da competência própria daquela unidade, propôs a devolução dos autos a este Conselho para que, diante de suas considerações, "defina a real abrangência da diligência solicitada". Retornados os autos, trago para apreciação da Turma. É o que há, aqui, a ser relatado. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10860.903214/200918 Resolução nº 1301000.262 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, relator. A questão que se verifica nos presentes autos no atual momento processual referese, especificamente, à análise do despacho proferido pela douta Seção de Orientação e Análise Tributária SAORT da DRF Taubaté/SP, que, tendo recebido a diligência determinada por esta Turma Julgadora por meio da Resolução n. 1301000.180, argui a sua incompetência para a análise apontada, devolvendo ao CARF o presente feito sem que quaisquer das providências solicitadas tenham sido sequer analisadas, quiçá atendidas. Pois bem. Inicialmente, cumpre destacar que, nos termos da mencionada Resolução n. 1301000.180, em momento algum fora determinado ou mesmo indicado por este julgador, ou mesmo pela Turma Julgadora respectiva, qual seria o órgão responsável pela análise pretendida. Na verdade, resolveuse pela conversão do julgamento em diligência para que a autoridade competente, nos termos das disposições normativas de regência, promovesse a análise das informações apresentadas pela contribuinte, e, nessas circunstâncias, pronunciasse a respeito da liquidez e certeza o crédito por ela reclamado, o que, acreditase, encontrase pois devidamente delimitado, sendo necessário, sobretudo, a verificação das informações contidas nos autos do presente processo. Analisando as informações contidas nas disposições da IN RFB 1300/2012, que trata, especificamente, das competências próprias a respeito do processamento de pedidos de compensação/restituição, verificase, em seu art. 69, o seguinte e específico mandamento: CAPÍTULO VI DA COMPETÊNCIA PARA APRECIAR PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, RESSARCIMENTO OU REEMBOLSO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Art. 69. A decisão sobre o pedido de restituição de crédito relativo a tributo administrado pela RFB, o pedido de ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, da Cofins, relativo ao Reintegra e o pedido de reembolso, caberá ao titular da Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF), da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (Derat), da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes no Rio de Janeiro (Demac/RJ) ou da Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Instituições Financeiras (Deinf) que, à data do reconhecimento do direito creditório, tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo, ressalvado o disposto nos arts. 70 e 72. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 10860.903214/200918 Resolução nº 1301000.262 S1C3T1 Fl. 5 4 Parágrafo único. A restituição, o reembolso ou o ressarcimento dos créditos a que se refere o caput, bem como a compensação de ofício desses créditos com os débitos do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, caberão à DRF, à Derat, à Demac/RJ ou à Deinf que, à data da restituição, do reembolso, do ressarcimento ou da compensação, tenha jurisdição sobre o domicílio tributário do sujeito passivo. Nesses termos, verificase que, não havendo qualquer determinação deste colegiado de que o presente feito fosse encaminhado à SAORT, o que se verifica é que o envio promovido acabou por se apresentar equivocado, causando, por força disso, todo o imbróglio e o indevido atraso na análise das informações apresentadas. Apenas a título de destaque, cumpre ressaltar que, ao invés de propor a devolução dos autos a este Conselho, poderia/deveria a douta autoridade simplesmente promover o seu encaminhamento ao órgão ou autoridade respectivamente competente, nos termos das normas internas daquela própria Delegacia, evitando, com isso, o desnecessário custo da demora no atendimento da diligência determinada. Em face dessas considerações, encaminho o meu voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM NOVA DILIGÊNCIA, nos mesmo e exatos termos contidos na Resolução n. 1301000.180, antes exarada por esta turma julgadora, devendose atentar para a específica competências das autoridades destinatárias da solicitação ali contida, evitandose, com isso, a indevida e desarrazoada demora de seu atendimento, da forma como aqui até agora verificado. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator Fl. 131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 15/04/2015 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10920.003143/2002-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA - CPMF
Data do fato gerador: 25/08/1999
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE. CONTRIBUINTE.
A responsabilidade pela retenção e recolhimento da CPMF é das instituições financeiras envolvidas na movimentação dos recursos. Mantida, em caráter supletivo, a responsabilidade do contribuinte pelo seu pagamento, no caso de falta de retenção da Contribuição pela responsável.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 25/08/1999
MULTA DE OFÍCIO. EXIGÊNCIA.
Sobre os créditos tributários constituídos em auto de infração por falta de pagamento ou declaração inexata será exigida a multa no percentual de setenta e cinco por cento do valor do tributo devido, por expressa previsão legal.
JUROS DE MORA. EXIGIBILIDADE.
Sobre os créditos tributários constituídos em auto de infração serão exigidos juros de mora com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC.
Súmula CARF nº 4
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-01.706
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA - CPMF Data do fato gerador: 25/08/1999 SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE. CONTRIBUINTE. A responsabilidade pela retenção e recolhimento da CPMF é das instituições financeiras envolvidas na movimentação dos recursos. Mantida, em caráter supletivo, a responsabilidade do contribuinte pelo seu pagamento, no caso de falta de retenção da Contribuição pela responsável. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 25/08/1999 MULTA DE OFÍCIO. EXIGÊNCIA. Sobre os créditos tributários constituídos em auto de infração por falta de pagamento ou declaração inexata será exigida a multa no percentual de setenta e cinco por cento do valor do tributo devido, por expressa previsão legal. JUROS DE MORA. EXIGIBILIDADE. Sobre os créditos tributários constituídos em auto de infração serão exigidos juros de mora com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC. Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado
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RESPONSABILIDADE. CONTRIBUINTE. A responsabilidade pela retenção e recolhimento da CPMF é das instituições financeiras envolvidas na movimentação dos recursos. Mantida, em caráter supletivo, a responsabilidade do contribuinte pelo seu pagamento, no caso de falta de retenção da Contribuição pela responsável. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 25/08/1999 MULTA DE OFÍCIO. EXIGÊNCIA. Sobre os créditos tributários constituídos em auto de infração por falta de pagamento ou declaração inexata será exigida a multa no percentual de setenta e cinco por cento do valor do tributo devido, por expressa previsão legal. JUROS DE MORA. EXIGIBILIDADE. Sobre os créditos tributários constituídos em auto de infração serão exigidos juros de mora com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC. Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 31 43 /2 00 2- 15 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 20/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho, Winderley Morais Pereira e Helder Massaaki Kanamaru. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Em virtude do procedimento de revisão interna de declarações apresentadas nos termos da Medida Provisória n.º 2.11330, de 2001, a empresa em referência foi autuada e intimada a recolher crédito tributário no valor total de R$66.895,35, sendo R$29.396,80 a título de Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira – CPMF, e o restante a título de multa de ofício e de juros de mora. Segundo descreve a fiscalização, à fl. 05 do presente processo, a pessoa jurídica em epígrafe deixou de recolher valor devido a título de CPMF, relativamente a fato gerador ocorrido em 25 de agosto de 1999. Em conseqüência, foi lavrado, em 05/12/2002, o Auto de Infração, de fls. 02 a 05, nos termos dos artigos 5º, 15, 16 e 17, do Decreto n.º 70.235/1972, com nova redação dada pela Lei n.º 8.748/1993, e alterações introduzidas pela Lei n.º 9.532/1997, tendo por objeto os fatos geradores acima descritos, e com arrimo na seguinte base legal: Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF): com base nos artigos 2º, 4º, 5º, 6º e 7º, da Lei n.º 9.311/1996, e art. 1º da Lei n.º 9.539/1997 c/c o art. 1º da Emenda Constitucional n.º 21/1999, art. 45, parágrafo único, da Medida Provisória n.º 2.11330, de 2001. Multa Lançada de Ofício: com fulcro no art. 44, inciso I, da Lei n.º 9.430/1996. Juros de Mora: com base no art. 61, § 3º, da Lei n.º 9.430/1996. Regularmente cientificado por AR (fl. 10), em 09/12/2002, o contribuinte irresignado apresentou, em 02/01/2003, a impugnação de fls. 12 a 29, juntamente com os documentos colacionados às fls. 30 a 39, onde, em síntese: Fl. 104DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10920.003143/200215 Acórdão n.º 3102001.706 S3C1T2 Fl. 3 3 1) alega que o auto de infração em exame é nulo por não satisfazer os requisitos de validade previstos no art. 10 do Decreto n.º 70.235, de 1972, referentes à descrição do fato e à disposição legal infringida, bem assim a penalidade aplicável, encontrandose o autuado em posição de dúvida, uma vez que não sabe que rumo tomar, já que a descrição da ocorrência não oferece condições de entendimento e a conseqüente produção de uma defesa segura. 2) em tópico onde discorre sobre o abuso do direito como limite ao exercício dos poderes discricionários, alega que o agente, no exercício de seu poder discricionário, deve verificar as circunstâncias de fato que legitimam o ato administrativo, não podendo fundamentar este ato em motivo inexistente e impróprio, razão pela qual entende se impor a desconstituição do presente auto de infração, em face da ilegalidade e da ilegitimidade que lhe deram origem. 3) na mesma linha, aduz que o feito ora hostilizado omitiu requisito material intrínseco que o macula de nulidade por afrontar o princípio do contraditório e da ampla defesa inscrito no inciso LV do art. 5º da Constituição Federal. 4) no tópico seguinte, discorre sobre a impossibilidade de cobrança de multa de mora em face da disposição contida no art. 63, § 2º, da Lei n.º 9.430, de 1996, e argumenta que, muita embora a MP 2.11330 determinasse o recolhimento da contribuição acrescida de juros e multa de mora, as instituições financeiras não estavam obrigadas a fazer tal recolhimento antes de serem editadas pelo Poder Executivo as normas complementares necessárias ao cumprimento desta determinação, não podendo o contribuinte ser, portanto, penalizado em face da omissão do Poder Executivo. 5) ainda neste tópico, argumenta que, à época da publicação da precitada MP, ainda se encontrava dentro do prazo previsto pelo § 2º do art. 63 da Lei 9.430, de 1996, e tinha o direito de recolher a CPMF sem a incidência de multa de mora, não o fazendo por imposição da própria medida provisória que determinou que os recolhimentos fossem feitos pelas instituições financeiras, na data por ela fixada. 6) em complemento, aduz ainda que, ao elaborar a Medida Provisória 2.037 21 (sic), o legislador (sic) não fez menção expressa ao direito de recolher a CPMF sem a incidência da multa moratória por considerála desnecessária, uma vez que tal direito estava explicitamente consagrado na Lei 9.430, de 1996, razão pela qual alega que, a respeito da incidência da multa de mora na espécie, só há duas alternativas, quais sejam, ou se conclui pela omissão do legislador (sic) em regular a situação vivida pelo autuado (o que não poderia, de modo algum, dar causa à sua penalização), ou se entende que o legislador não regulou a matéria por considerála pacífica diante da previsão contida na Lei 9.430, de 1996. 7) em outro plano, argumenta que, mesmo na hipótese de se considerar devida a multa de mora, em virtude do não recolhimento da CPMF no prazo de trinta dias contados da cassação da liminar, esta obrigação não pode ser imputada ao autuado, uma vez que este, no limite de suas possibilidades, disponibilizou os valores para que as instituições apontadas na MP 2.03721 (sic) fizessem o recolhimento. 8) em longo arrazoado, onde transcreve excertos de doutrina jurídica acerca dos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, bem assim arestos coligidos junto a diversas Cortes de Justiça, conclui por argüir a constitucionalidade das multas pecuniárias veiculadas no feito ora combatido, por assumirem valores de caráter nitidamente confiscatórios, desrespeitando o princípio do nãoconfisco previsto na Constituição Federal. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA 4 Posteriormente, colimando o saneamento dos autos, esta DRJ/CURITIBA retornou o processo à SACAT da DRF/JOINVILLE, nos termos do despacho colacionado às fls. 45/46, com a solicitação para que fossem tomadas as providências seguintes: a) juntar ao processo a declaração prestada pela instituição financeira, nos termos do art. 45 da MP 2.113, de 2000, e que serviu de base para a identificação do fato gerador da CPMF e respectivo lançamento de ofício; b) atendida a instrução processual solicitada, proceder à intimação do contribuinte, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para que se manifeste acerca dos esclarecimentos aditados pelo procedimento instrutório requerido, antes de os autos retornarem a esta DRJ/CURITIBA para julgamento. Atendida a solicitação, mediante a juntada do documento de fl. 48, o impugnante foi cientificado da instrução processual e intimado a manifestarse sobre o teor do procedimento preparatório, havendo precluído o direito de fazêlo após o transcurso do prazo de 30 (trinta) dias, sem que fosse encaminhada qualquer manifestação complementar por parte do interessado. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 25/08/1999 Ementa: PRELIMINAR. AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS DE VALIDADE. PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Presentes os requisitos de validade do auto de infração e saneada a omissão documental, relativa ao ato de ofício, com a conseqüente devolução de prazo para a defesa não se cogita de nulidade. PENALIDADE TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. ESFERA ADMINISTRATIVA. INCABIMENTO. O exame da legalidade e da constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional compete ao Poder Judiciário, restando inócua e incabível qualquer discussão, nesse sentido, na esfera administrativa. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a empresa apresenta Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Alega que a conta corrente na qual houve movimentação financeira passível de tributação nos termos em que foi constituída no Auto de Infração é de titularidade de pessoa jurídica diversa, pertencente ao mesmo grupo econômico da ora Recorrente. Mais uma vez, que o Auto de Infração “encontrase viciado por não atender aos seus requisitos de validade ao não descrever claramente o fato e as disposições legais infringidas, conforme disposto nos incisos III e IV art. 10 do Decreto 70.235/72”, causando preterição ao direito de defesa. Que, conforme dispunha o inc. II, alínea "a", do artigo 45 da Medida Provisória 2.11330/01 competia à instituição financeira a responsabilidade pela CPMF não recolhida por força de decisão judicial posteriormente revogada. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10920.003143/200215 Acórdão n.º 3102001.706 S3C1T2 Fl. 4 5 Quanto à penalidade aplicada, considera que “sendo o responsável tributário, nos termos da legislação competente, a instituição financeira, e esta, mas somente esta, tendo dado causa ao descumprimento do disposto em Lei, seria então esta (Banco Sudameris S/A) quem deveria arcar com ônus da penalidade, sob pena de estarse penalizando pessoa jurídica estranha a relação tributária em questão”. Protesta quanto à incidência de juros pela Taxa Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do Recurso. A Recorrente inova em sede de Recurso Voluntário ao alegar ausência de sujeição passiva, matéria não contemplada na impugnação ao lançamento. Por se tratar, contudo, de uma prejudicial ao exame do mérito, com possível repercussão na própria validade da exigência fiscal, aprecio a matéria. No Auto de Infração, o CNPJ informado é o de número 00.063.697/000140. A identidade entre o autuado e o titular da conta deve ser buscada no ofício encaminhado pela instituição financeira à Secretaria da Receita Federal em obediência às disposições da MP 2.15831/01, artigo 45, inciso IV, como segue. Art. 45. As instituições responsáveis pela retenção e pelo recolhimento da CPMF deverão: (...) IV encaminhar à Secretaria da Receita Federal, no prazo de trinta dias, contado da data estabelecida para o débito em conta, relativamente aos contribuintes que se manifestaram em sentido contrário à retenção, bem assim àqueles que, beneficiados por medida judicial revogada, tenham encerrado suas contas antes das datas referidas nas alíneas do inciso II, conforme o caso, relação contendo as seguintes informações: a) nome ou razão social do contribuinte e respectivo número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ; b) valor e data das operações que serviram de base de cálculo e o valor da contribuição devida. Parágrafo único. Na hipótese do inciso IV deste artigo, a contribuição não se sujeita ao limite estabelecido no art. 68 da Lei no 9.430, de 1996, e será exigida do contribuinte por meio de lançamento de ofício. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA 6 Conforme transcrição supra, a teor do Relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, neste adotado, o documento não constava nos autos, razão pela qual o julgamento de primeira instância foi convertido em diligência. Reproduzo mais uma vez excerto no qual a ocorrência é relatada. Posteriormente, colimando o saneamento dos autos, esta DRJ/CURITIBA retornou o processo à SACAT da DRF/JOINVILLE, nos termos do despacho colacionado às fls. 45/46, com a solicitação para que fossem tomadas as providências seguintes: a) juntar ao processo a declaração prestada pela instituição financeira, nos termos do art. 45 da MP 2.113, de 2000, e que serviu de base para a identificação do fato gerador da CPMF e respectivo lançamento de ofício; (...) Também do Relatório a informação de que o documento foi carreado aos autos, à folha 48 do processo. Lá encontrase o extrato intitulado “Valores Informados pelos Declarantes”, fazendo remissão à Declaração número 0800120. O CNPJ informado é o mesmo que consta no Auto de Infração em exame. A simples alegação de não possuir conta bancária na instituição que prestou a informação à Secretaria da Receita Federal, destituída de qualquer elemento probante, não pode lançar dúvida sobre a sujeição passiva. O lançamento, afinal, está baseado em informação prestada pelo banco, que, presumese, detém preciso conhecimento sobre seus correntistas. O reconhecimento da ausência de sujeição exigiria que a defesa fosse acompanhada de algum elemento de prova, capaz contrapor aqueles encontrados nos autos. Seria de se esperar, por exemplo, que uma carta emitida pela instituição financeira, a pedido da recorrente, declarasse expressamente a condição alegada. Ausentes tais elementos, não vejo como acolher a defesa. Também em sede de preliminar, a empresa alega preterição ao direito de defesa. Considera que o Auto de Infração contém vício insanável por não atender aos requisitos de validade ao não descrever claramente o fato e as disposições legais infringidas. Embora bastante resumida, entendo que a Descrição dos Fatos do Auto de Infração oferece condições à compreensão da acusação veiculada. Reproduzo a seguir sua íntegra. CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA S/ MOVIM. OU TRANSM. VAL. E CRÉD. E DIR. DE NAT. FINANC. A PARTIR DE 17/06/1999 FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIB. PROV. S/ MOVIM. OU TRANSM. VAI. E CRÉD. E DIR. DE NAT. FINANC. A PARTIR DE 17/06/1999 VALOR INFORMADO PELA INSTITUIÇÃO RESPONSÁVEL PELA RETENÇÃO E PELO RECOLHIMENTO DA CPMF, EM CUMPRIMENTO AO DISPOSTO NO INCISO IV DO ART. 45 DA MEDIDA PROVISÓRIO N° 2.113 30, DE 26 DE ABRIL DE 2001. É possível compreender que tratase de exigência decorrente da notificação de falta de recolhimento de CPMF feita pela instituição financeira à Secretaria da Receita Federal em cumprimento ao disposto no artigo 45 da MP 2.11330, mais tarde 2.15835/01, Fl. 108DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10920.003143/200215 Acórdão n.º 3102001.706 S3C1T2 Fl. 5 7 relativamente aos contribuintes beneficiados por medida judicial revogada ou contrários à retenção. Outrossim, a preterição ao direito de defesa do administrado somente pode ser cogitada se existirem evidências de que tenha de fato ocorrida. Não vejo como admitila em tese. As inúmeras questões suscitadas pela defesa em sede de Recurso Voluntário permitem inferir que a empresa tinha pleno conhecimento da acusação que lhe está sendo imputada. Também não procedem os protestos dirigidos à ausência de responsabilidade pelo crédito tributário em decorrência das disposições do inc. II, alínea "a", do artigo 45 da Medida Provisória 2.11330/01, que, conforme entende, estabeleceu responsabilidade à instituição financeira pela CPMF não recolhida por força de decisão judicial posteriormente revogada, do que resultaria não responder pela dívida epigrafada. A própria Lei 9.311/96, ao definir função supletiva ao contribuinte da Contribuição, determina expressamente que, uma vez não adimplida a responsabilidade atribuída à instituição financeira, fica mantida a responsabilidade do contribuinte pelo seu pagamento. Art. 5° É atribuída a responsabilidade pela retenção e recolhimento da contribuição: I às instituições que efetuarem os lançamentos, as liquidações ou os pagamentos de que tratam os incisos I, II e III do art. 2° ; II às instituições que intermediarem as operações a que se refere o inciso V do art. 2° ; III àqueles que intermediarem operações a que se refere o inciso VI do art. 2° . § 1° A instituição financeira reservará, no saldo das contas referidas no inciso I do art. 2° , valor correspondente à aplicação da alíquota de que trata o art. 7° sobre o saldo daquelas contas, exclusivamente para os efeitos de retiradas ou saques, em operações sujeitas à contribuição, durante o período de sua incidência. § 2° Alternativamente ao disposto no parágrafo anterior, a instituição financeira poderá assumir a responsabilidade pelo pagamento da contribuição na hipótese de eventual insuficiência de recursos nas contas. § 3° Na falta de retenção da contribuição, fica mantida, em caráter supletivo, a responsabilidade do contribuinte pelo seu pagamento. (grifos meus) O caráter supletivo, que, conforme dicionário Houaiss da língua portuguesa encontra melhor definição naquilo “que completa ou que serve de suplemento” está relacionado à sistemática de arrecadação do tributo, que dá primazia à retenção e recolhimento feitos pela própria instituição financeira. Contudo, se isso não acontecer (como no caso não aconteceu), fica mantida a responsabilidade do contribuinte pelo seu pagamento. É nesse momento que a Fiscalização Federal busca a solução pela responsabilidade garantida em caráter complementar, ou, suplementar. De qualquer forma, o contribuinte do Imposto nunca deixou de ser o detentor dos recursos movimentados na instituição financeira. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA 8 Uma vez que seja responsabilidade do contribuinte efetuar o pagamento da Contribuição, a inadimplência remete à exigência de multa de ofício, por falta de pagamento – artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/96 e alterações posteriores. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. De se dizer que a propositura de ação judicial afasta a incidência da multa de mora e de ofício, mas apenas até momento determinado em Lei e nas condições especificadas. Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício § 1º O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. § 2º A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. Quanto aos juros de mora, o Código Tributário Nacional, em seu artigo 161, caput e § 1º, dispõe que o crédito tributário não pago no vencimento será acrescido de juros de mora, calculados à taxa de 1%, se a lei não dispuser de modo diverso. A Lei n.º 9.065/95 prevê, em seu artigo 13, a utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros de mora, não havendo, portanto, razão para protesto. Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Lei 8.981, de 20 de janeiro de 1995. CAPÍTULO VIII Das Penalidades e dos Acréscimos Moratórios Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; (Vide Lei nº 9.065, de 1995 II multa de mora aplicada da seguinte forma: a) dez por cento, se o pagamento se verificar no próprio mês do vencimento; Fl. 110DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10920.003143/200215 Acórdão n.º 3102001.706 S3C1T2 Fl. 6 9 b) vinte por cento, quando o pagamento ocorrer no mês seguinte ao do vencimento; c) trinta por cento, quando o pagamento for efetuado a partir do segundo mês subseqüente ao do vencimento. § 1º Os juros de mora incidirão a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento, e a multa de mora, a partir do primeiro dia após o vencimento do débito. § 2º O percentual dos juros de mora relativo ao mês em que o pagamento estiver sendo efetuado será de 1%. § 3º Em nenhuma hipótese os juros de mora previstos no inciso I, deste artigo, poderão ser inferiores à taxa de juros estabelecida no art. 161, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, no art. 59 da Lei nº 8.383, de 1991, e no art. 3º da Lei nº 8.620, de 5 de janeiro de 1993. § 4º Os juros de mora de que trata o inciso I, deste artigo, serão aplicados também às contribuições sociais arrecadadas pelo INSS e aos débitos para com o patrimônio imobiliário, quando não recolhidos nos prazos previstos na legislação específica. § 5º Em relação aos débitos referidos no art. 5º desta lei incidirão, a partir de 1º de janeiro de 1995, juros de mora de um por cento ao mêscalendário ou fração. § 6º O disposto no § 2º aplicase, inclusive, às hipóteses de pagamento parcelado de tributos e contribuições sociais, previstos nesta lei. § 7º A Secretaria do Tesouro Nacional divulgará mensalmente a taxa a que se refere o inciso I deste artigo. § 8o O disposto neste artigo aplicase aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. (Incluído pela Lei nº 10.522, de 2002). Ainda mais, tratase de matéria sumulada neste Conselho Administrativa de Recursos Fiscais, de observação obrigatória por todos seus integrantes. Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. VOTO POR NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. Sala de Sessões, 29 de janeiro de 2013. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA 10 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 21/03/2013 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 20/03/2013 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 13896.002871/2010-52
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. LEGITIMIDADE PARA RECORRER. AVALIAÇÃO DAS PROVAS EM SEDE DE JULGAMENTO. RECURSO VOLUNTÁRIO DO RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO.
Por falta de legitimidade para representar as pessoas físicas arroladas como responsáveis tributários, não se conhecem das alegações veiculadas pelo contribuinte quanto à matéria.
O responsável tributário, no processo administrativo tributário, tem legitimidade para recorrer, em concretização às garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa. O fato de constar como sócio, ou mesmo como beneficiário econômico de atos que, salvo prova em contrário, não foram por ele praticados, não justifica a sua inclusão como sujeito passivo indireto, ainda que solidariamente. Recurso voluntário do responsável tributário provido.
Prescinde a realização de diligência/perícia quando constam dos autos os elementos necessários à resolução da controvérsia e o Recorrente busca, com tal providência, apenas carrear provas que já poderiam ter sido apresentadas quando do recurso voluntário. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar a realização de diligências e perícias quando entenda necessárias ao deslinde da controvérsia.
MULTA DE OFÍCIO. ENTREGA DE DCTF E FORMALIZAÇÃO DE PARCELAMENTO APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. INEFICÁCIA.
É cabível, por expressa disposição legal, o lançamento da multa de ofício, ainda que o contribuinte tenha entregue DCTF retificadoras e formalizado parcelamento dos respectivos débitos durante o procedimento fiscal. Aplica-se, à espécie, da Súmula CARF nº 33 (A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício).
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO.
A utilização de Sociedade em Conta de Participação, inexistente de fato, com o único intuito de reduzir o pagamento de tributo, infração esta admitida pelo contribuinte, bem como a utilização de notas fiscais inidôneas, algumas emitidas inclusive por laranjas, para lastrear despesas incorridas em sociedades outras, denota o firme propósito, livre e consciente, de impedir ou retardar o conhecimento por parte das autoridades fazendárias da natureza e circunstâncias materiais do fato gerador, o que justifica a qualificação da multa de ofício nos termos do art.44 da Lei nº 9.430/96.
APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA.
Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano-calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional, sobre os quais incidem juros de mora calculados com base na taxa Selic, tese confirmada em reiterada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (AgRg no REsp 1.335.688-PR, julgado em 4/12/12).
JUROS DE MORA. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL.
O decidido no lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ é aplicável aos autos de infração reflexo, em razão da íntima relação de causa e efeito.
Numero da decisão: 1103-000.834
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado em DAR provimento PARCIAL ao recurso da Catho Online Ltda para excluir as multas de ofício isoladas por falta de pagamento de IRPJ e CSLL sobre bases de cálculo mensais estimadas, por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro (Relator) e André Mendes de Moura, e DAR provimento ao recurso do Sr. Adriano Aparecido Bento de Arruda para excluir a sua responsabilidade tributária, por unanimidade. Os Conselheiros Marcos Shigueo Takata e Hugo Correia Sotero votaram pelo afastamento da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
(assinado digitalmente)
Sergio Luiz Bezerra Presta Relator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. LEGITIMIDADE PARA RECORRER. AVALIAÇÃO DAS PROVAS EM SEDE DE JULGAMENTO. RECURSO VOLUNTÁRIO DO RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. Por falta de legitimidade para representar as pessoas físicas arroladas como responsáveis tributários, não se conhecem das alegações veiculadas pelo contribuinte quanto à matéria. O responsável tributário, no processo administrativo tributário, tem legitimidade para recorrer, em concretização às garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa. O fato de constar como sócio, ou mesmo como beneficiário econômico de atos que, salvo prova em contrário, não foram por ele praticados, não justifica a sua inclusão como sujeito passivo indireto, ainda que solidariamente. Recurso voluntário do responsável tributário provido. Prescinde a realização de diligência/perícia quando constam dos autos os elementos necessários à resolução da controvérsia e o Recorrente busca, com tal providência, apenas carrear provas que já poderiam ter sido apresentadas quando do recurso voluntário. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar a realização de diligências e perícias quando entenda necessárias ao deslinde da controvérsia. MULTA DE OFÍCIO. ENTREGA DE DCTF E FORMALIZAÇÃO DE PARCELAMENTO APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. INEFICÁCIA. É cabível, por expressa disposição legal, o lançamento da multa de ofício, ainda que o contribuinte tenha entregue DCTF retificadoras e formalizado parcelamento dos respectivos débitos durante o procedimento fiscal. Aplica-se, à espécie, da Súmula CARF nº 33 (A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício). MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. A utilização de Sociedade em Conta de Participação, inexistente de fato, com o único intuito de reduzir o pagamento de tributo, infração esta admitida pelo contribuinte, bem como a utilização de notas fiscais inidôneas, algumas emitidas inclusive por laranjas, para lastrear despesas incorridas em sociedades outras, denota o firme propósito, livre e consciente, de impedir ou retardar o conhecimento por parte das autoridades fazendárias da natureza e circunstâncias materiais do fato gerador, o que justifica a qualificação da multa de ofício nos termos do art.44 da Lei nº 9.430/96. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano-calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional, sobre os quais incidem juros de mora calculados com base na taxa Selic, tese confirmada em reiterada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (AgRg no REsp 1.335.688-PR, julgado em 4/12/12). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL. O decidido no lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ é aplicável aos autos de infração reflexo, em razão da íntima relação de causa e efeito.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 54; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2658; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 9.320 1 9.319 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.002871/201052 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1103000.834 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 9 de abril de 2013 Matéria Autos de infração de IRPJ, CSLL e Multa Isolada glosas de despesas e adição de receitas Recorrente CATHO ONLINE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 DESPESAS. NÃO COMPROVAÇÃO PELO CONTRIBUINTE DOS REQUISITOS PARA A DEDUÇÃO. GLOSA PROCEDENTE. Procede a glosa de despesas quando o Fisco, à vista de provas diretas e indiretas, e após intimar o contribuinte a apresentar o lastro probatório da escrituração, constata que não estão presentes os requisitos legais que autorizam a dedução (v.g., necessidade, usualidade e normalidade). SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO (SCP). INEXISTÊNCIA DE FATO. ADIÇÃO DE SUAS RECEITAS NA COMPOSIÇÃO DO LUCRO DA AUTUADA. INFRAÇÃO ADMITIDA. DEDUÇÃO DE DESPESAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A adição das receitas na composição do lucro da autuada, registradas originalmente na contabilidade de Sociedade de Conta de Participação (SCP), inexistente de fato, criada de forma fraudulenta, não foi contestada pelo contribuinte, que, inclusive, recolheu os tributos decorrentes. A pretensão de dedução de despesas mostrase inviável não apenas em razão da preclusão lógica, mas diante da falta de comprovação de que tais valores já não teriam reduzido o lucro da autuada, limitandose a defesa a apresentar planilhas, desprovidas da necessária comprovação documental de suporte. MULTA DE OFÍCIO. ENTREGA DE DCTF E FORMALIZAÇÃO DE PARCELAMENTO APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. INEFICÁCIA. É cabível, por expressa disposição legal, o lançamento da multa de ofício, ainda que o contribuinte tenha entregue DCTF retificadoras e formalizado parcelamento dos respectivos débitos durante o procedimento fiscal. Aplica se, à espécie, da Súmula CARF nº 33 (“A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício”). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 28 71 /2 01 0- 52 Fl. 9320DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.321 2 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. A utilização de Sociedade em Conta de Participação, inexistente de fato, com o único intuito de reduzir o pagamento de tributo, infração esta admitida pelo contribuinte, bem como a utilização de notas fiscais inidôneas, algumas emitidas inclusive por “laranjas”, para lastrear despesas incorridas em sociedades outras, denota o firme propósito, livre e consciente, de impedir ou retardar o conhecimento por parte das autoridades fazendárias da natureza e circunstâncias materiais do fato gerador, o que justifica a qualificação da multa de ofício nos termos do art.44 da Lei nº 9.430/96. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional, sobre os quais incidem juros de mora calculados com base na taxa Selic, tese confirmada em reiterada jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (AgRg no REsp 1.335.688PR, julgado em 4/12/12). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). LANÇAMENTO REFLEXO. CSLL. O decidido no lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ é aplicável aos autos de infração reflexo, em razão da íntima relação de causa e efeito. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 PROVAS. APRESENTAÇÃO. MOMENTO. No processo administrativo tributário federal, não basta o recorrente alegar fatos. Deve necessariamente instruir sua defesa com as respectivas provas. PEDIDO DE PERÍCIA. DILIGÊNCIA. Prescinde a realização de diligência/perícia quando constam dos autos os elementos necessários à resolução da controvérsia e o Recorrente busca, com Fl. 9321DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.322 3 tal providência, apenas carrear provas que já poderiam ter sido apresentadas quando do recurso voluntário. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar a realização de diligências e perícias quando entenda necessárias ao deslinde da controvérsia. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. LEGITIMIDADE PARA RECORRER. AVALIAÇÃO DAS PROVAS EM SEDE DE JULGAMENTO. RECURSO VOLUNTÁRIO DO RESPONSÁVEL TRIBUTÁRIO. Por falta de legitimidade para representar as pessoas físicas arroladas como responsáveis tributários, não se conhecem das alegações veiculadas pelo contribuinte quanto à matéria. O responsável tributário, no processo administrativo tributário, tem legitimidade para recorrer, em concretização às garantias constitucionais do contraditório e da ampla defesa. O fato de constar como sócio, ou mesmo como beneficiário econômico de atos que, salvo prova em contrário, não foram por ele praticados, não justifica a sua inclusão como sujeito passivo indireto, ainda que solidariamente. Recurso voluntário do responsável tributário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado em DAR provimento PARCIAL ao recurso da Catho Online Ltda para excluir as multas de ofício isoladas por falta de pagamento de IRPJ e CSLL sobre bases de cálculo mensais estimadas, por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro (Relator) e André Mendes de Moura, e DAR provimento ao recurso do Sr. Adriano Aparecido Bento de Arruda para excluir a sua responsabilidade tributária, por unanimidade. Os Conselheiros Marcos Shigueo Takata e Hugo Correia Sotero votaram pelo afastamento da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator (assinado digitalmente) Sergio Luiz Bezerra Presta – Relator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 9322DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.323 4 Relatório Tratase de autos de infração de IRPJ, CSLL e de Multas Isoladas por insuficiência de recolhimentos de estimativas (anocalendário 2005), no valor total original de R$ 8.538.037,84 (oito milhões, quinhentos e trinta e oito mil, trinta e sete reais e oitenta e quatro centavos), com aplicação de multa de ofício proporcional no percentual de 150% (fls.961/982). A ciência do contribuinte efetivouse em 16/12/10 (fl.1.007). As infrações, conforme campo “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, foram as seguintes: “001 – CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS. GLOSA DE DESPESAS NÃO COMPROVADAS OU INDEDUTÍVEIS. Valores apurados conforme relatado no ‘TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL – MPF 0812800.2010.00120.7/07’, anexo ao presente AUTO DE INFRAÇÃO. ..... 002 – ADIÇÕES NÃO COMPUTADAS NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL. REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL. Adição ao lucro real de receitas auferidas pelo CONTRIBUINTE, indevidamente contabilizadas em conta de apuração do resultado de SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO – SCP simulada entre o CONTRIBUINTE e a empresa CYWC, conforme relatado no TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL MPF 0812800.2010.00120.7/07’, anexo ao presente AUTO DE INFRAÇÃO. ..... 003 – MULTAS ISOLADAS. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. Valores apurados conforme relatado no TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL MPF 0812800.2010.00120.7/07’, anexo ao presente AUTO DE INFRAÇÃO.” A fiscalização detalhou as razões fáticas e jurídicas no “Termo de Verificação e Encerramento do Procedimento de Fiscalização” (fls.2.944/2.964), que serão abordadas no decorrer do voto. Fl. 9323DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.324 5 Foram arrolados como responsáveis tributários, com base no art.124, I, e 135 do Código Tributário Nacional (CTN), as pessoas físicas abaixo, conforme Termos de Sujeição Passiva (fls.1.008, 1.010, 1.013 e 1.015): Ciência Nome CPF Forma Data Folhas Thomas Amos Case 385.185.38734 Postal 21/12/10 1.009 Adriano Aparecido Bento de Arruda 191.661.89870 Ana Paula Gonçalves da Silva 388.312.36415 Postal 21/12/10 1.014 Mario Augusto Pacheco Aguiar 118.150.60263 Postal 22/12/10 1.016 Contribuinte e responsáveis tributários apresentaram impugnações (fls. 1.020/1.062, 1.440/1.443, 1.512/1.516, 1.587/1.591 e 1.694/1.712). Conforme petição encaminhada ao Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil em Barueri (SP), protocolizada em 30/03/11, o contribuinte informa que durante o procedimento fiscal resolveu, com relação aos créditos tributários que vieram a ser constituídos, efetuar pagamento parcial e incluir alguns no parcelamento especial regido pela Lei nº 11.941/09 (“Refis da crise”) (fls.8.900/8.903 – numeração eletrônica): “[...]Débitos do Processo 13896002.871/201052 Em 16.12.2010, as Autoridades Fiscais lavraram Auto de Infração para exigir débitos de IRPJ e CSL, e multas isoladas, relativos ao período de 2005, no valor total de R$ 20.295.336,29 (doc. nº 6 acima). 8. A ora Requerente também aproveita para ressaltar que neste item específico os débitos não estão discriminados por período, o que impossibilita a futura seleção dos débitos a serem incluídos no parcelamento. 9. Além disso, por ocasião da lavratura da autuação, a ora Requerente optou por pagar à vista parte dos débitos em questão, no valor total de R$ 5.445.208,55, aproveitandose da redução de 50% da multa de ofício (art.44 da Lei nº 9.430/1996) (doc. nº.8). 10. Dessa forma, os valores de principal, multa e juros indicados em relação ao Processo nº 13896002.871/201052 desconsideraram (i) os valores já exigidos no item ‘Débitos não agrupados em processo’; e (ii) os valores extintos pelo pagamento à vista realizado pela ora Requerente.” Os lançamentos foram integralmente mantidos pela Quinta Turma da DRJ – Campinas (SP), conforme acórdão nº 0534.236, de 13/07/11 (fls.2.660/2.753), cientificado ao contribuinte em 06/08/11 (fl.8.913 – numeração eletrônica) e, aos responsáveis tributários, nas seguintes datas: Nome Data Folha – numeração eletrônica Thomas Amos Case 27/07/11 9.260 Mario Augusto Pacheco Aguiar 29/07/11 9.262 Ana Paula Gonçalves da Silva 27/07/11 9.259 Adriano Aparecido Bento de Arruda 29/07/11 9.261 Fl. 9324DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.325 6 O contribuinte interpôs tempestivamente Recurso Voluntário em 19/08/11 (fl.8.916/8.957 – numeração eletrônica), em que alega, em síntese: Da inclusão de débitos no parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/09 no curso do procedimento fiscal constatara que determinadas despesas, no valor de R$1.288.011,46, haviam sido deduzidas indevidamente, o que o levou a retificar DCTF e formalizar a inclusão dos débitos no parcelamento especial (R$ 437.923,90), conforme autorização do art.4º da IN RFB nº 1.049/10; não teria se beneficiado da denúncia espontânea, pois os débitos foram pagos com acréscimo de multa moratória (20%), nos termos do art.61 da Lei nº 9.430/96; a multa de ofício seria incabível, pois os débitos foram incluídos no parcelamento ainda durante o procedimento fiscal, antes, portanto, da lavratura dos autos de infração, momento a partir do qual seria exigível; teria atuado de boafé, com base em norma da Secretaria da Receita Federal do Brasil (IN RFB nº 1.049/10, art.4º), editada com base no art.1º, §1º, da Lei nº 11.941/09, “...que expressamente permitiu a inclusão de débitos não declarados ainda que sob fiscalização no parcelamento do Refis da Crise”; conforme art.111 do CTN, a interpretação quanto a benefícios fiscais deveria ser restrita e literal, devendo as autoridades fiscais aplicar as disposições da IN RFB nº 1.049/10 e da Lei nº 11.941/09; “...a manutenção da multa de ofício no presente caso seria equivalente a privilegiar aqueles contribuintes que tiveram Autos de Infração lavrados contra si, inclusive cobrados judicialmente, em detrimento daqueles que estavam ainda sob procedimento de fiscalização”; Da dedutibilidade das despesas incorridas com pagamentos efetuados a pessoas jurídicas determinadas despesas já teriam sido reconhecidas por autoridades fiscais previdenciárias como sendo pagamentos de remuneração/salário a funcionários/colaboradores, conforme NFLD nº 37.032.9856, lavrada para exigir contribuições referentes ao período de janeiro de 2001 a outubro de 2006, o que permitiria a dedutibilidade nos termos do art. 299 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR 99; a fiscalização não poderia tratar os pagamentos como remuneração/salário em um primeiro momento e, depois, impedir a dedutibilidade, mormente após a unificação das Administrações tributárias; no processo nº 13839.005782/200747, que trata das exigências de IRPJ e CSLL apuradas nos anoscalendário 2002 a 2004, as glosas das despesas teriam sido afastadas pelo CARF, exatamente com base na natureza remuneratória dos pagamentos; as contas contábeis utilizadas pelas autoridades fiscais para formalizar as exigências coincidiriam com aquelas objeto da NFLD nº 37.032.9856; o fato de o lançamento de contribuições previdenciárias ter sido realizado por aferição não afetaria “...a constatação quanto à ocorrência do fato gerador, qual seja, os pagamentos de remunerações/salários para empregados/colaboradores pela Recorrente”; ainda que se considere ter havido simulação, caracterizada pela ocultação dos pagamentos de verbas remuneratórias por meio da utilização de terceiras pessoas jurídicas, a fiscalização deveria ter considerado válidos os efeitos, nos termos do art.167 do Código Civil, quando Fl. 9325DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.326 7 caberia observar a efetividade de tais pagamentos “...a empregados/colaboradores e segurados contribuintes individuais (fato jurídico subjacente), o que assegura a integral dedutibilidade dos valores pagos pela Recorrente [...]. Logo, se o Código Civil determina que, em operações em que ocorre uma simulação, o negócio jurídico subjacente deve permanecer válido e legal, o Direito Tributário não pode desconsiderar tal determinação legal”; “...as D.D. Autoridades Fiscais, ao lavrarem os Autos de Infração ora questionados, não questionaram em momento algum a efetividade da despesa incorrida. Ou seja, foi reconhecido que os pagamentos foram efetivamente realizados”; por corresponderem a pagamentos feitos a empregados e colaboradores, as despesas glosadas seriam necessárias para a geração de receitas, sendo, também, normais e usuais, considerando se o tipo de atividade exercida (prestação de serviços), que demanda o trabalho de pessoas físicas; eventual erro de indicação da pessoa, pois “...conforme comprovado pelas D.D. Autoridades Fiscais Previdenciárias, os pagamentos realizados pela Recorrente se referiam a pessoas físicas, empregados ou colaboradores, mas que por erro foram atribuídos a pessoas jurídicas”, não impediria a dedução das despesas, pois mantémse o efeito da relação jurídica subjacente, conforme art.142 do Código Civil; caso se entenda que os pagamentos feitos às pessoas jurídicas não correspondem a salários, não incidindo, portanto, contribuição previdenciária, os valores recolhidos por força da NFLD nº 37.032.9856 deveriam ser compensados com os ora exigidos; Da dedutibilidade das despesas incorridas pela SCP “...a Recorrente e a empresa CYWC Serviços de Informática Ltda (“CYWC”) formalizaram a constituição de uma SCP, que, no anobase de 2005, tributou suas receitas pelo IRPJ e CSL de acordo com a sistemática do lucro presumido. [...] Contudo, as D.D. Autoridades Fiscais entenderam que a SCP não teria um propósito negocial e, por isso, desconsideraram a sua existência, determinando que as suas receitas fossem consideradas da Recorrente. Desse modo, as D.D. Autoridades Fiscais exigem da Recorrente os débitos de IRPJ e CSL que decorrem da diferença de valores existente entre a aplicação da sistemática de tributação com base no lucro presumido, já pagos pela SCP, e a apuração das receitas com base no lucro real”; não obstante de efetuado o recolhimento dos respectivos débitos de IRPJ e CSLL, a fiscalização deveria ter considerado as despesas dedutíveis, incorridas na Sociedade em Conta de Participação (SCP), no total de R$ 862.634,28, que se refeririam a despesas com remunerações/salários para empregados/colaboradores, sendo, portanto, necessárias para a geração das receitas; “...as despesas em questão foram contabilizadas na Conta 51102001 – ‘Serviços Prestados de Terceiros PJ’, mesma conta que foi objeto de fiscalização pelas D.D. Autoridades Fiscais Previdenciárias na NFLD nº 37.032.9856, as quais caracterizam os respectivos pagamentos como salário”; Da improcedência da imposição das multas isoladas as multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas mensais, que consistiriam em meras antecipações, deveriam ser afastadas, pois o fato gerador do IRPJ e da CSLL ocorreria apenas em 31 de dezembro, não podendo ser aplicadas após o encerramento do ano; Fl. 9326DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.327 8 “...se ao final do anobase o IRPJ e a CSL apurados com base no lucro real forem regularmente pagos pela pessoa jurídica, não há como se falar em aplicação de multa, uma vez que tal penalidade pressupõe a existência de tributo não recolhido, nos termos do artigo 44, incisos I e II, da Lei nº 9.430/96”; a multa isolada deveria incidir somente sobre o montante apurado ao final do anocalendário objeto da autuação; de acordo com a Lei nº 9.430/96, vedarseia a cobrança concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas e de multa de ofício proporcional; Da impossibilidade de aplicação da multa majorada de 150% as autoridades fiscais não teriam comprovado o evidente intuito de fraude; não realizara qualquer ato fraudulento: “...não falsificou documentos ou contratos, não deixou de registrar em sua contabilidade cada um dos passos tomados, não suprimiu recursos ou sonegou informações, ou seja, não praticou qualquer ato simulado”; seria inconstitucional e ilegal a aplicação do percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), por ferir o princípio da proporcionalidade e da vedação do confisco, não sendo suficiente a simples previsão legal para legitimála; Da inaplicabilidade da taxa SELIC e da aplicação de juros sobre a multa de ofício seria inconstitucional a aplicação de juros de mora calculados com base na taxa SELIC, vez que não foi criada para fins tributários; seria ilegal a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, conforme decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (acórdão nº 202131351); Da necessidade de realização de diligência/perícia o deferimento de diligência seria “...indispensável no caso dos presentes autos para comprovar as alegações da Recorrente, sob pena de desprezo aos princípios da ampla defesa e do contraditório, previstos no artigo 5º, incisos LV, da Constituição Federal”, devendo a decisão de primeira instância ser reformada para que se analise a documentação contábil, para: “(i) apontar se os débitos em discussão estão relacionadas com os mesmos lançamentos contábeis que ensejaram a lavratura da NFLD nº 37.032.9856; (ii) em relação à SCP, esclarecer se na apuração do lucro real foram levadas em consideração as despesas incorridas por aquela sociedade no anobase 2005, e (iii) informar se as despesas da SCP em discussão estão incluídas nos mesmos lançamentos contábeis que ensejaram a lavratura da NFLD nº 37.032.985”; Da impossibilidade de indicação de coresponsáveis pelos débitos constituídos a decisão recorrida teria considerado “...que a Recorrente não poderia se manifestar sobre a questão da coresponsabilidade das pessoas físicas em razão da ausência de legitimidade para tanto”; o cumprimento da obrigação tributária somente poderia recair sobre os coresponsáveis em sede de execução fiscal; Fl. 9327DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.328 9 a indicação de responsáveis tributários seria medida extrema, que dependeria da comprovação de determinados requisitos, “...da relação do coresponsável com os fatos que culminaram na autuação”; nos termos dos artigos 134 e 135 do CTN, “...(i) os sócios de sociedade de pessoas respondem pelas obrigações fiscais, na hipótese de liquidação da empresa; e (ii) os gerentes e administradores das sociedades comerciais e civis respondem pelas dívidas trabalhistas, no caso de ‘obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos’”; o Superior Tribunal de Justiça firmara entendimento no sentido de que a responsabilidade tributária dos sócios e administradores, prevista no artigo 135, III, do CTN, seria subjetiva; conforme contrato social, o Sr. Adriano Aparecido Bento de Arruda não exercera, de 27/07/01 a 13/03/06, poder de gerência e administração da sociedade, que cabia ao Sr. Mario Augusto Pacheco Aguiar e à Sra. Ana Paula Gonçalves da Silva, devendo a sua responsabilidade ser excluída, inclusive para fins de liberação dos registros de arrolamento. O responsável tributário Adriano Aparecido Bento de Arruda interpôs tempestivamente Recurso Voluntário em 26/08/11 (fls.9.289/9.311 – numeração eletrônica), em que sustenta: em razão de não ter exercido gerência ou tido poder de mando no período fiscalizado, não poderia ser responsabilizado, tampouco ter sofrido arrolamento de bens e direitos; sequer figuraria como sócio quotista do contribuinte; a administração da Catho Online Ltda, no período de 29/07/01 a 13/03/06, teria sido exercida pelo Sr. Mario Augusto Pacheco Aguiar e pela Sra. Ana Paula Gonçalves da Silva, nos termos do contrato social; o mero inadimplemento de crédito tributário não caracterizaria infração à lei, entendimento já pacificado no Superior Tribunal de Justiça; inexistiria prova nos autos de que tenha agido com excesso de poder ou infração à lei, contrato social ou estatuto; a responsabilidade com fundamento no artigo 134, I, demandaria cabal demonstração de que o contribuinte não seria capaz de honrar o pagamento dos tributos; não seria possível imputar responsabilidade quando ausente a liquidação do contribuinte; para o art.124, I, do CTN, “...necessário se faz que os devedores solidários estejam dentro da mesma situação do fato gerador da obrigação principal”. Conforme jurisprudência, tal responsabilidade seria imputável apenas aos sóciosgerentes. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. De início, vale reiterar a observação da Quinta Turma da DRJ – Campinas (SP), de que o litígio, à vista da impugnação apresentada, limitase a parte dos lançamentos Fl. 9328DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.329 10 tributários, considerandose “...a concordância da autuada com parcelas das exigências, com o recolhimento de parte dos valores de IRPJ e de CSLL devidos no ajuste de 31/12/2005, bem como com o parcelamento de outros itens da autuação”. A seguir, será apreciado o recurso voluntário do contribuinte, deixandose para o final a análise do recurso interposto pelo Sr. Adriano Aparecido Bento de Arruda, único responsável tributário a se insurgir contra o acórdão de primeira instância. DO RECURSO VOLUNTÁRIO DO CONTRIBUINTE O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e dele se toma conhecimento, à exceção da imputação de responsabilidade tributária a pessoas físicas, como se verá adiante. 1. Da glosa de despesas (Infração 001) De acordo com Termo de Verificação Fiscal: o contribuinte buscou anteciparse à constatação de irregularidade na escrituração de despesas, tendo retificado, no curso do procedimento fiscal, DCTF para reconhecer os respectivos débitos e incluílos em parcelamento especial, “basicamente relacionadas a pagamentos às empresas PASSOS E TREVISAN, PROLINK, SECA, RUFRA e reembolsos de mensalidades de faculdades de colaboradores dos GRUPO CATHO”, contabilizadas nas seguintes contas: CONTA CONTÁBIL DESCRIÇÃO 5.1 1.01.0005 Verbas Rescisórias 5.1 1.02.0001 Serviços Prestados de Terceiros PJ 5.1 1.02.0003 Serviços Prestados de Estagiários 5.1 1.02.0004 Serviços de Captação de Vagas PJ 5.1 1.02.0006 Assessoria Contábil e Jurídica PJ 5.1 1.02.0008 Comissões s/ Vendas 5.1 1.02.0009 Direitos Autorais 5.1 1.02.0011 Outros Serv.de Terceiros PJ 5.1 1.03.0001 Alugueis e Condomínio 5.1 1.03.0009 Táxi, Condução e Kilometragem 5.1 1.03.0012 Despesas de Correio 5.1 1.03.0038 Participação em Cursos e Treinamentos 5.1 1.03.0039 Despesas Franquia Rio 5.1 2.04.0001 Internet a despeito do reconhecimento de irregularidade na escrituração de suas despesas, não procedeu à retificação da DIPJ 2006; “tendo procedido à análise da documentação contábil disponibilizada pelo CONTRIBUINTE dentro de suas instalações, esta fiscalização lavrou o ‘TERMO DE RETENÇÃO – MPF 0812800.2010.00120.7/03’, anexado à folha 518, através do qual reteve 753 documentos originais em 18/10/2010, na forma prevista no art.915 do Decreto 3.000/99 (RIR 99), rubricados e numerados de 01 a 753”, que compõem o Anexo I, composto por quatro volumes; após análise da documentação, constataramse vários indícios de irregularidade na apuração, tendo o contribuinte sido intimado a fornecer documentos e esclarecimentos sobre os fatos ali relatados; Fl. 9329DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.330 11 para completo entendimento dos fatos, é indispensável a leitura do Termo de Intimação – MPF nº 0812800.2010.00120.7/04; apurouse “...uma grande mescla entre as operações da CATHO ONLINE LTDA e as operações de outras empresas que formam o GRUPO CATHO”, demonstrando os documentos retidos que a contabilidade “...prestouse ao sistemático lançamento de despesas de outras empresas, a exemplo da LOCER SERVIÇOS EMPRESARIAIS, JOELI, RUFRA, SECA, GELRE INFORMÁTICA S/C LTDA, MANAGER ONLINE SERVIÇOS DE INFORMÁTICA S/C LTDA, CASE CONSULTING, C&S SERVIÇOS LTDA – ME, CERCES COM. E SERVIÇOS EMPRESARIAIS LTDA, GOB CONSULTORIA EM RECURSOS HUMANOS LTDA etc.”; apesar de reiteradamente intimado, o contribuinte apenas informou que parte das despesas relacionadas em Termo de Intimação relacionarseiam a remunerações pagas a empregados/colaboradores e a segurados contribuintes individuais/autônomos, tendo a fiscalização previdenciária constatado tal fato conforme NFLD nº 37.032.9856. ; o contribuinte “...não relacionou as contas contábeis e os respectivos lançamentos contábeis, bem como não apresentou a sua documentação comprobatória. O CONTRIBUINTE afirmou que parte das contas contábeis utilizadas como base de cálculo das contribuições previdenciárias indicadas na NFLD 37.032.985 seria coincidente com as contas contábeis mencionadas na fiscalização ora em curso, no entanto, limitouse apenas a citar, ‘a título exemplificativo’, nas suas palavras, sete contas contábeis, sem apresentar qualquer documentação comprobatória dos lançamentos e sem estabelecer qualquer vínculo com os subitens dos itens 3 e 4 do ‘TERMO DE INTIMAÇÃO – MPF 0812800.2010.00120.7/04”; da análise da cópia da NFLD nº 37.032.985, observase que no curso da auditoria previdenciária também deixou de ser apresentada a maior parte da documentação solicitada, “...fato que conduziu ao lançamento de contribuições previdenciárias por aferição, com base nos lançamentos contábeis e não com base em documentos comprobatórios”; não poderia o contribuinte “...esquivarse de apresentar a documentação solicitada na presente fiscalização, relativa às obrigações do IRPJ, sob suposto pretexto de ter sido requisitada em procedimento previdenciário anterior, até mesmo porque, conforme visto, tais documentos também não foram apresentados no curso da fiscalização previdenciária, fato que coloca em dúvida a própria existência e efetividade das despesas”; “...Uma vez que as obrigações previdenciárias foram lançadas por aferição, justamente pela insuficiência da documentação comprobatória, bem como, conforme visto anteriormente, a contabilidade do CONTRIBUINTE foi sistematicamente utilizada para lançar despesas relativas a empregados e colaboradores de outras empresa, tornandoas absolutamente indedutíveis na apuração do resultado da CATHO ONLINE”; “...ao mesmo tempo em que invoca a dedutibilidade incondicional das contas de despesas utilizadas como base das obrigações previdenciárias, o próprio CONTRIBUINTE se contradiz em sua tese, ao apresentar uma relação de despesas que considerou irregulares por conta própria, listadas às folhas 590 a 596, contendo, dentre outros, lançamentos nas contas 5.1.1.02.0001 Serviços Prestados de Terceiros PJ, 5.1.1.02.0006 Assessoria Contábil e Jurídica PJ, 5.1.1.02.0008 Comissões s/ Vendas, 5.1.1.02.0009 Direitos Autorais e 5.1.1.03.0038 Participação em Cursos e Treinamentos, contas que coincidem com as que supostamente serviram de base para lançamentos previdenciários”; em que pese ter afirmado que as despesas seriam relativas a pagamentos de salários/remunerações a empregados/colaboradores, o contribuinte “não apresentou a documentação comprobatória de tais despesas, formalmente solicitada por esta fiscalização Fl. 9330DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.331 12 do IRPJ, em procedimento legalmente autorizado, de modo que não comprovou a existência e efetividade, bem como não comprovou os requisitos legais para sua dedutibilidade na base de cálculo do IRPJ”. Também deixou de individualizar, após ser intimado para tal, as despesas lançadas por totais na conta contábil 511020001 – Serviços Prestados de Terceiros PJ, no montante de R$6.123.695,79. Acrescentou a fiscalização, in verbis: “Observase que o CONTRIBUINTE efetuou procedimento contábil através do qual parte de suas despesas foi lançada por totais cuja individualização não é possível identificar, uma vez que, inicialmente, o pagamento de despesas era lançado a crédito da conta ‘BANCOS’ e a débito de contas do passivo ‘SERVIÇOS DE TERCEIROS A PAGAR’, a exemplo de parte dos lançamentos mostrados na tabela do item 4.4) do ‘TERMO DE INTIMAÇÃO MPF 0812800.2010.00120.7/04’, a seguir transcrita. ..... O CONTRIBUINTE efetuava a baixa dos valores lançados nas contas do passivo por totais, mediante crédito nas contas ‘SERVIÇOS DE TERCEIROS A PAGAR’ e débito das contas de despesas ‘SERVIÇOS PRESTADOS DE TERCEIROS PJ’, impedindo desse modo a identificação individualizada da composição dos valores lançados como despesas. Ocorre que boa parte dos lançamentos envolvendo a empresa PASSOS E TREVISAN, cuja irregularidade e indedutibilidade foi admitida pelo próprio CONTRIBUINTE em sua relação de despesas desconsideradas, foi efetuada através desse procedimento contábil, conforme pode ser visto na tabela constante do item 4.14 do ‘TERMO DE INTIMAÇÃO MPF 0812800.2010.00120.7/04’, na qual observase que os pagamentos efetuados à empresa PASSOS E TREVISAN lançados contra a conta do passivo 211020001 e contra as contas de despesas totalizam R$ 2.301.615,07, no entanto, somente a parcela lançada contra as contas de despesas é identificável, no valor de R$ 939.162,57, ou seja, resta evidente que a parcela não identificada, no valor de R$1.362.452,50, também é irregular, cabendo ao CONTRIBUINTE apresentar prova em contrário. A análise da contabilização contida nas tabelas dos itens 4.3, 4.4, 4.5, 4.7, 4.8, 4.9, 4.10, 4.11, 4.12, 4.13, 4.16, 4.18, 4.22, 4.24, 4.25 e 4.29, mostra que o CONTRIBUINTE efetuou o mesmo tipo de contabilização para parte das despesas envolvendo as empresas AVEC, ARRUDA LTDA C&S OHL, CABRAL SERVIÇOS, ETAL, CLS, ACLL, CHADAD, FERNANDO MONTERO COSTA ME EXPRESS, CEZZARE & QUIOZINI, PIXEL, SYSTEM PLUS, CONSFER e AMS, dificultando a identificação e a regularidades das despesas efetivamente lançadas. Fl. 9331DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.332 13 Em suma, a despeito de supostamente terem servido para lançamento de obrigações previdenciárias por aferição, a gama de irregularidades encontradas na contabilidade e na documentação do CONTRIBUINTE enseja a glosa, na apuração da base de cálculo do IRPJ, das despesas cuja documentação comprobatória não tenha sido apresentada a esta fiscalização na forma prevista nos itens 3 e 4 do ‘TERMO DE INTIMAÇÃO MPF 0812800.2010.00120.7/04’. Os indícios de irregularidades relatados nos itens 3 e 4 do ‘TERMO DE INTIMAÇÃO MPF 0812800.2010.00120.7/04’ mostram a utilização de artifícios fraudulentos nas notas fiscais emprestadas pelas empresas PASSOS E TREVISAN, AVEC, T&I, ARRUDA SERVIÇOS e ITAMAMBUCA, mostram que as notas fiscais das empresas PASSOS E TREVISAN, AVEC, T&I foram utilizadas para quitar impostos devidos por outras empresas, mostram a utilização de pessoas interpostas na constituição de sociedades de interesse no GRUPO CATHO, a exemplo das empresas CYWC, RUFRA, SECA e C&S, mostram o pagamento de aluguéis fictícios às empresas RUFRA e SECA, mostram a utilização de prestadores de serviço, funcionários e colaboradores comuns a várias empresas do GRUPO CATHO, mostram a utilização de funcionários e colaboradores à margem da folha de pagamento, mostram a quitação de despesas estranhas à empresa, tais como o carnê do INSS de supostos colaboradores, reformas em pistas de aeromodelismo, viagens para Orlando e Miami etc, bem como mostram, de modo inequívoco, o lançamento indevido de despesas pertencentes a outras empresas do GRUPO CATHO, tais como a LOCER, JOELI, RUFRA, SECA, GELRE INFORMÁTICA, MANAGER ONLINE, CASE CONSULTING, C&S, CERCES, GOB CONSULTORIA etc. Diante da extensa relação de irregularidades, resta provado que a dedutibilidade das despesas lançadas pelo CONTRIBUINTE, para fins de apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, deve ser obrigatoriamente condicionada à apresentação de documentos hábeis a comprovar, de forma inequívoca, a existência, efetividade, necessidade e legalidade das mesmas, minimamente composta pelas notas fiscais de serviço, pelos recibos e comprovantes bancários dos pagamentos efetuados aos prestadores de serviços, coincidentes em nomes, datas e valores, pelos contratos firmados, bem como por demonstrativos e relatórios dos serviços prestados, nos quais reste evidenciada a vinculação única e exclusiva com as operações da empresa CATHO ONLINE LTDA. Cabe observar que o CONTRIBUINTE foi alertado de que, diante das irregularidades constatadas por esta fiscalização, a simples apresentação de notas fiscais com discriminação genérica a serviços prestados, ainda que em nome da CATHO ONLINE LTDA., seria considerada insuficiente como elemento probatório, devendo ser apresentados documentos complementares para comprovar a estrita vinculação dos serviços com as operações da CATHO ONLINE. Fl. 9332DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.333 14 Tendo considerado insatisfatórios os documentos e esclarecimentos apresentados pelo CONTRIBUINTE em atendimento ao ‘TERMO DE INTIMAÇÃO MPF 0812800.2010.00120.7/04’, esta fiscalização lavrou o ‘TERMO DE INTIMAÇÃO MPF 0812800.2010.00120.7/05’, anexado às folhas 773 a 775, através do qual intimou o mesmo a complementar os documentos e esclarecimentos solicitados. Em atendimento ao ‘TERMO DE INTIMAÇÃO MPF 081280.2010.00120.7/05’, o CONTRIBUINTE apresentou a carta anexada às folhas 779 a 785, acompanhada dos documentos que foram anexados às folhas 786 a 875, através da qual, em síntese, reitera suas alegações anteriores, sem apresentar quaisquer documentos para comprovar a existência, efetividade e dedutibilidade das despesas relacionadas nos itens 3 e 4 do ‘TERMO DE INTIMAÇÃO MPF 0812800.2010.00120.7/04’. Revestese de interesse em sua carta a desenvoltura para admitir irregularidades fiscais e previdenciárias de várias espécies, visando obter uma espécie de salvoconduto para as infrações relativas ao IRPJ e à CSLL. Assim, a carta do CONTRIBUINTE reitera que a sua ‘Relação de despesas desconsideradas anexo da carta recebida em 12/08/2010’ contém despesas indedutíveis referentes às empresas PASSOS E TREVISAN, PROLINK, SECA e RUFRA, sendo esta lista não exaustiva, posto que há outras despesas em sua relação de despesas desconsideradas, ou seja, o CONTRIBUINTE novamente se julga no direito de decidir quais despesas esta fiscalização deve ou não considerar como irregulares. Segue a carta do CONTRIBUINTE dizendo que repisa sua afirmação anterior de que parte das despesas questionadas por esta fiscalização é referente à remuneração paga a empregados, colaboradores e autônomos, no entanto, novamente não esclarece que "parte” seria essa, nem tampouco apresenta documentos para comprovar para quem de fato trabalhavam essas pessoas, se para a CATHO ONLINE ou para a LOCER, JOELI, RUFRA, SECA, GELRE INFORMÁTICA, MANAGER ONLINE, CASE CONSULTING, C&S, CERCES, GOB CONSULTORIA etc. O CONTRIBUINTE afirma que a fiscalização previdenciária teria se baseado em intenso procedimento investigatório baseado em documentos fiscais, no entanto, o próprio apresenta extenso relato em sua carta mostrando que a fiscalização foi obrigada a basearse em indícios e amostras de documentos, posto que a maior parte da documentação deixou de ser apresentada, a exemplo do que está novamente ocorrendo na presente fiscalização do IRPJ. O CONTRIBUINTE prossegue sua carta anexando cópias de autos de apreensão da fiscalização previdenciária, cujo teor e autenticidade é de sua inteira responsabilidade, na pretensão de Fl. 9333DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.334 15 substituir tais autos pelos documentos solicitados por esta fiscalização, no entanto, deixou de estabelecer qualquer vínculo entre a relação de documentos dos autos de apreensão e os itens 3 e 4 do ‘TERMO DE INTIMAÇÃO MPF 0812800.2010.00120.7/04’. Por fim, o CONTRIBUINTE encerra qualquer possibilidade de apresentar a documentação comprobatória solicitada por esta fiscalização nos itens 3 e 4 do ‘TERMO DE INTIMAÇÃO MPF 0812800.2010.00120.7/04’, posto que afirma em sua carta que a comprovação da dedutibilidade para fins de apuração do IRPJ e da CSLL já foi feita na fiscalização previdenciária no passado, bem como afirma que a prova documental já se encontra em poder desta fiscalização, em completa dissonância com a realidade dos fatos. ..... Apesar de reiteradamente intimado, o CONTRIBUINTE não apresentou a documentação comprobatória da existência, efetividade, dedutibilidade e inequívoca vinculação com a CATHO ONLINE das despesas relacionadas nos itens 3 e 4 do ‘TERMO DE INTIMAÇÃO MPF 0812800.2010.00120.7/04’, motivo pelo qual esta fiscalização procederá à glosa das mesmas na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, em montante que totaliza R $9.731.181,54.” (destaquei) No Termo de Intimação – MPF 0812800.2010.00120.7/04 (fls.543/589), em que foram expostos os indícios que levaram a fiscalização a exigir a comprovação de determinadas despesas, estas foram relacionadas sob os seguintes títulos: “4.1) Demonstrativo da composição das despesas lançadas por totais, relacionadas na sequência, debitadas na conta 511020001 Serviços Prestados de Terceiros PJ e creditadas na conta 211020001 Serviços de Terceiros a Pagar PJ, formado pelos lançamentos contábeis individuais a débito da conta 211020001 Serviços de Terceiros a Pagar PJ, acompanhado de documentação comprobatória das despesas de forma individualizada. O demonstrativo deverá ser fornecido impresso, assinado pelo representante legal, e em arquivo magnético gravado em disco tipo CD/DVD, acompanhado do recibo gerado no sistema SVA. ..... 4.2) Documentação comprobatória das despesas listadas na sequência, relacionadas com o pagamento de aluguéis. ..... 4.3) Documentação comprobatória dos pagamentos e despesas listadas na sequência, relacionadas com a empresa AVEC EVENTOS PROMOCIONAIS. ..... Fl. 9334DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.335 16 4.4) Documentação comprobatória dos pagamentos e despesas listadas sequência, relacionadas com a empresa ARRUDA SERVIÇOS. ..... 4.5) Documentação comprobatória dos pagamentos e despesas listadas sequência, relacionadas com a empresa C&S SERVIÇOS. ..... 4.6) Documentação comprobatória dos pagamentos e despesas listadas sequência, relacionadas com a empresa PROLINK. ..... 4.7) Documentação comprobatória dos pagamentos e despesas listadas sequência, relacionadas com a empresa OHL CONSULTORIA. ..... 4.8) Documentação comprobatória dos pagamentos e despesas listadas sequência, relacionadas com a empresa CABRAL SERVIÇOS. ..... 4.9) Documentação comprobatória dos pagamentos e despesas listadas sequência, relacionadas com a empresa ETAL SERVIÇOS. ..... 4.10) Documentação comprobatória dos pagamentos e despesas listadas sequência, relacionadas com a empresa CLS CONSULTORIA. ..... 4.11) Documentação comprobatória dos pagamentos e despesas listadas sequência, relacionadas com a empresa ACLL. ..... 4.12) Documentação comprobatória dos pagamentos e despesas listadas sequência, relacionadas com a empresa CHADAD. ..... 4.13) Documentação comprobatória dos pagamentos e despesas listadas sequência, relacionadas com a empresa FERNANDO MONTERO DA COSTA – ME. ..... 4.14) Documentação comprobatória dos pagamentos e despesas listadas sequência, relacionadas com a empresa PASSOS E TREVISAN. ..... 4.15) O CONTRIBUINTE efetuou o lançamento de despesas relativas ao pagamento de mensalidades de cursos em faculdades para colaboradores do GRUPO CATHO, listadas na sequência, não adicionadas ao lucro real, para as quais o CONTRIBUINTE deverá apresentar, caso considere oportuno, Fl. 9335DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.336 17 esclarecimentos e documentos que justifiquem a sua necessidade específica para a atividade da empresa ou para manutenção da fonte produtora de suas receitas. ..... 4.16) Documentação comprobatória dos pagamentos e despesas listadas sequência, relacionadas com a empresa EXPRESS LTDA. ..... 4.17) Documentação comprobatória dos pagamentos e despesas listadas sequência, relacionadas com a empresa PRADO E MANARA. ..... 4.18) Documentação comprobatória dos pagamentos e despesas listadas sequência, relacionadas com as empresas CEZZARE & QUIOZINI e CAIO & QUIOZINI. ..... 4.19) Documentação comprobatória dos pagamentos e despesas listadas sequência, relacionadas com a empresa APPLY. ..... 4.20) Documentação comprobatória dos pagamentos e despesas listadas sequência, relacionadas com a empresa SCHIAVO. ..... 4.21) Documentação comprobatória dos pagamentos e despesas listadas sequência, relacionadas com a empresa ROCHA. ..... 4.22) Documentação comprobatória dos pagamentos e despesas listadas sequência, relacionadas com a empresa PIXEL COMUNICAÇÕES. ..... 4.23) Documentação comprobatória dos pagamentos e despesas listadas sequência, relacionadas com a empresa CAUA SERVIÇOS. ..... 4.24) Documentação comprobatória dos pagamentos e despesas listadas sequência, relacionadas com a empresa SYSTEM PLUS. ..... 4.25) Documentação comprobatória dos pagamentos e despesas listadas sequência, relacionadas com a empresa CONSFER. ..... 4.26) Documentação comprobatória dos pagamentos e despesas listadas sequência, relacionadas com a empresa SYNERGY. ..... 4.27) Documentação comprobatória dos pagamentos e despesas listadas sequência, relacionadas com a empresa SYDNEY SANCHES ADVOGADOS. Fl. 9336DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.337 18 ..... 4.28) Documentação comprobatória dos pagamentos e despesas listadas sequência, relacionadas com o pagamento de direitos autorais, com cheques emitidos para a própria CATHO ONLINE. ..... 4.29) Documentação comprobatória dos pagamentos e despesas listadas sequência, relacionadas com a empresa AMS SERVIÇOS. ..... 4.30) Documentação comprobatória dos pagamentos e despesas listadas sequência, lançadas na conta relativa a associações de classe, bem como esclarecimentos sobre a sua necessidade para a atividade da empresa. ..... 4.31) Documentação comprobatória dos pagamentos e despesas listadas sequência, lançadas na conta ‘DESPESAS CASE CONSULTING RJ’, cabendo ao CONTRIBUINTE esclarecer a motivação para pagamento de despesas da empresa LOCER, identificada como CASE CONSULTING no documento anexado à folha 740 do anexo do ‘TERMO DE RETENÇÃO MPF 0812800.2010.00120.7/03’. ..... 4.32) Documentação comprobatória dos pagamentos e despesas listadas sequência, lançadas na conta DESPESAS DE FRANQUIA RIO, cabendo ao CONTRIBUINTE esclarecer a motivação para pagamento de despesas da empresa GOB e LOCER, conforme atestam os documentos anexados às folhas 697 a 747 do anexo do ‘TERMO DE RETENÇÃO MPF 0812800.2010.00120.7/03’. ..... 4.33) Documentação comprobatória dos pagamentos e despesas listadas sequência, lançadas na conta IMPOSTOS E TAXAS DIVERSAS, cabendo ao CONTRIBUINTE esclarecer a motivação para pagamento de carnê do INSS de terceiros, conforme visto nos documentos anexados às folhas 625 e 626 do anexo do ‘TERMO DE RETENÇÃO MPF 0812800.2010.00120.7/03’. ..... 4.34) Documentação comprobatória dos pagamentos e despesas listadas sequência, cabendo ao CONTRIBUINTE esclarecer a necessidade de despesa relativa à compra de toldos, mesas e bancos, bem como gerenciamento de projeto destinado à pista de aeromodelismo do Parque do Ibirapuera, conforme visto nos documentos anexados às folhas 118 a 124 do anexo do ‘TERMO DE RETENÇÃO MPF 0812800.2010.00120.7/03’. ..... Fl. 9337DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.338 19 4.35) Documentação comprobatória dos pagamentos e despesas listadas sequência, cabendo ao CONTRIBUINTE esclarecer a necessidade do pagamento de despesas da empresa CERCES, citada como ‘NOVA CASE’ nos documentos anexados às folhas 652 e 653 do anexo do ‘TERMO DE RETENÇÃO MPF 0812800.2010.00120.7/03’. ..... 4.36) Documentação comprobatória dos pagamentos e despesas listadas na sequência, cabendo ao CONTRIBUINTE comprovar a necessidade e os compromissos profissionais relativos à viagem de THOMAS AMOS CASE e SILVANA CASE para as cidades de ORLANDO e MIAMI, conforme visto nos documentos anexados às folhas 134 a 137 do anexo do ‘TERMO DE RETENÇÃO MPF 0812800.2010.00120.7/03’. Conforme mencionado também no Termo de Verificação Fiscal, o seu Anexo I (fls. 983/1.005), “...relaciona 922 lançamentos, referenciados com numerações de 01 a 922, relativos às despesas ora glosadas e mostra sua relação com itens 3 e 4 do ‘TERMO DE INTIMAÇÃO MPF 0812800.2010.00120.7/04’”. Estas, então, foram as despesas glosadas, para as quais o contribuinte deixou de apresentar as provas sobre os requisitos que permitiriam a sua dedução da base de cálculo do IRPJ. O Recorrente, a seu turno, reitera informação prestada no curso do procedimento fiscal, de que deduzira indevidamente determinadas despesas que totalizaram R$ 1.288.011,46 (um milhão, duzentos e oitenta e oito mil, onze reais e quarenta e seis centavos), o que o levou a retificar as DCTF e incluir os respectivos débitos em parcelamento especial (“Refis da Crise”). A respeito das demais despesas, cuja glosa entendeu indevida, limitouse a asseverar que representariam pagamentos a título de remuneração/salário a empregados/colaboradores, conforme teriam reconhecido autoridades fiscais previdenciárias quando da lavratura da NFLD nº 37.032.9856. Da leitura do Termo de Verificação Fiscal e do Termo de Intimação – MPF 0812800.2010.00120.7/04, considerado essencial ao entendimento dos fatos arrolados pela fiscalização na imputação das infrações, aliado ao teor do recurso voluntário, extraise que o contribuinte teve a perfeita compreensão de que, para fins de dedução das despesas, não bastava apenas comprovar a existência, efetividade, dos pagamentos, como quer fazer crer o Recorrente, mas, principalmente, comprovar a necessidade de tais dispêndios, nos termos da legislação de regência. Pois bem. O contribuinte, agora em sede de recurso voluntário, uma vez mais deixou de apresentar documentação que pudesse comprovar os requisitos legais que autorizam a dedução das despesas escrituradas. Considerando que seus registros fiscais e contábeis, para servirem de prova, devem estar acompanhados dos respectivos documentos de lastro, concluise que o exercício de tal ônus processual pela defesa seria uma tarefa desprovida de complexidade, ainda que tais pagamentos tenham sido efetuados a pessoas físicas, como insistentemente assegura. Fl. 9338DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.339 20 Importa sublinhar que no processo administrativo tributário não basta a alegação de fatos. Estes devem, obrigatoriamente, vir acompanhados de provas, conforme dispõem os artigos 15, caput, e art.16, III, do Decreto nº 70.235/72: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) Art. 16. A impugnação mencionará: ..... III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). Apenas por tal razão, as glosas já se manteriam incólumes. Vamos adiante. De acordo com relato da fiscalização, chamam à atenção alguns fatos, levantados durante o procedimento fiscal, e que permaneceram sem esclarecimento pelo contribuinte, em especial o reconhecimento de despesas decorrentes de pagamentos a funcionários/colaboradores/prestadores de serviços, relacionadas a operações de terceiros. Por exemplo, podem ser mencionados os seguinte pagamentos: de “bônus” ao Sr. Fernando Montero da Costa, relativo à evolução das vendas das pessoas LOCER, CATHO ONLINE e demais franquias, estando discriminado na respectiva nota fiscal “Prestação de Serviços”, sem detalhamento da tarefa ou do contrato a que se refere; por serviços prestados por SUCHODOLSKI ADVOGADOS ASSOCIADOS, a título de consultoria societária, relativa à JOELI, e particular ao Sr. Thomas Amos Case; por serviços advocatícios prestados pelo Sr. Antonio Bento de Arruda às pessoas GELRE INFORMÁTICA S/C LTDA, CURRICULUM TECNOLOGIA LTDA e MANAGER ONLINE SERVIÇOS DE INFORMÁTICA S/C; realizados à pessoa ITAMAMBUCA, relativos a suposto bônus pago ao Sr. Luiz Wagner e a título de prestação de serviços, sem qualquer referência sobre a natureza dos serviços; a título de alugueis para RUFRA CONSULTORIA LTDA, SECA CONSULTORIA E ASSESSORIA EM RH, INFORMÁTICA E PESQUISAS DE MERCADO LTDA, cujos sócios e administradores seriam os mesmos do contribuinte, constando, por exemplo, em uma das notas fiscais a discriminação “Desenvolvimento de Estratégias de Terceirização de Recursos Humanos”, não tendo sido apresentado qualquer contrato ou recibo de quitação; realizados à AVEC EVENTOS PROMOCIONAIS S/C, que não diriam respeito a serviços tomados, mas, por exemplo, a “reembolso de impostos sobre notas emprestadas pela empresa AVEC” ou para “efetuar pagamentos a colaboradores ou despesas de qualquer um das empresas do chamado GRUPO CATHO”, como, por exemplo, à sociedade LOCER SERVIÇOS EMPRESARIAIS LTDA; Fl. 9339DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.340 21 realizados à PROLINK ASSESSORIA CONTÁBIL S/C LTDA, relativos a pagamentos de impostos e obrigações de terceiros (ADVANCED, RODAN, PARIS, LOUISE, CAROLLS, IMAGE ART, ESTÚDIOS CRIATIVOS, LC DESIGN, OCEAN MOON, APJR, NEOVIRTUA, HSA, VERVE, LOTHUS, SIM DESIGN, AFFLARE, DESIGNLAB E ALFA OMEGA); realizados à PASSOS E TREVISAN SERVIÇOS S/C LTDA e à T & I SERVIÇOS LTDA ME, relativos a serviços não tomados, mas representativos, na verdade, de honorários contábeis e tributos devidos por terceiros (VCM CONSULTORIA, DEL CONS, LMLT, MIND ENGINE, TATIANA PEINEMANN, ALCM ASSESSORIA CONFERÊNCIA ALTO NÍVEL, INTELLIGENT SYSTEMS, DANI & PRI, YESHUA, NALDHI, JCC INFORMÁTICA, LOCER PROPAGANDA, KAJA EMPREENDIMENTOS, ALMEIDA SERVIÇOS DE DIGITAÇÃO, CRISTINA’S SERVIÇOS DE DIGITAÇÃO, MASSAFELLI, CENTRO DE RECOLOCAÇÃO E PROPAGANDA, VISINBITT, INTERSERV, SARAN SERVIÇOS, LILIAN SERVIÇOS, BC CONSULTORIA, PAUL CONSULTORES, EXPRESS WAY, BRC NOMES E BRASÕES, BELVIS PARTICIPAÇÕES E CASE CONSULTORES, DENIS MENDES, ROGÉRIO PRADO, GIULIANA CAT PRINCE, TATIANE JEREMIAS, RIO, ROGÉRIO M. VITA, DÉBORA GROSSI, AGOSTINHO F. DIAS ASSESSORIA, THAIS AMANDA, CAMILA MARIANA, ELISABETE, NEL CONS, THATIANA GUIMARÃES, DAN MARK PRINTES, BERTOLUCCI, ELIANE ZOCHER, THALULA OLIVEIRA, JULIANE ALVES, CLAÚDIA YUMI, RAFAEL FRANCISCO, MAIRA LATORRE, BC CONS EM RH); a título de locação de impressoras para a LOCER; de aquisição de equipamento telefônico para a CASE CONSULTING; de aluguel e IPTU da LOCER; de contribuição previdenciária da Sra. Suzi Santos Moniz, que figura no quadro social da C & S; de manutenção, telefone, aluguel e honorários contábeis da CERCES COM. E SERVIÇOS EMPRESARIAIS LTDA; de manutenção, telefone, aluguel e pessoal da GOB CONSULTORIA EM RECURSOS HUMANOS LTDA; de implantação de software antivírus nos sistemas de todo o GRUPO CATHO. Diante de tantos fatos que escancaram um permanente modo de agir fraudulento, é natural que sobre as demais despesas escrituradas, devidamente arroladas pela fiscalização, pairasse durante o procedimento fiscal a suspeita de que teriam suporte em documentos que igualmente não retratavam a realidade das operações nele consignadas, até mesmo porque envolviam sociedades que compunham o mesmo grupo societário. Daí a razão de o contribuinte ter sido várias vezes intimado para disponibilizar recibos, contratos etc, que permitissem atestar não apenas a existência de tais negócios jurídicos como escriturados, mas, principalmente, a usualidade, normalidade e necessidade para a atividade da empresa e manutenção da fonte produtora, enfim, dos requisitos que pudessem caracterizar as despesas como operacionais. Considerando, agora, o Relatório Fiscal da NFLD nº 37.032.9856 (fls.615/662 e 1.248/1.294), mencionada pelo Recorrente, verificase que quando daquele procedimento fiscal o contribuinte também deixou de apresentar a integralidade da documentação solicitada, o que já coloca em cheque a sua afirmação de que a fiscalização previdenciária teria qualificado, como pagamentos de salários/remuneração todas as despesas arroladas pela fiscalização do IRPJ. Fl. 9340DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.341 22 Além disso, não é possível firmar identidade entre as despesas ora glosadas e aquelas que, no entender do contribuinte, teriam sido caracterizadas pela fiscalização previdenciária como pagamentos de salários/remunerações. No Anexo I do Termo de Verificação Fiscal, as despesas glosadas dizem respeito às seguintes contas contábeis: 511020004 – Serviços de Captação de Vagas PJ 511020006 – Assessoria Contábil e Jurídica PJ 511030001 – Aluguéis e Condomínio 511030015 – Impostos e Taxas Diversas 511020001 – Serviços Prestados de Terceiros PJ 511020008 – Comissões s/Vendas 511030038 – Participação em Cursos e Treinamentos 511020011 – Outros Serv. de Terceiros PJ 511030004 – Telefones – Voz 511030006 – Limpeza e Manutenção 511030018 – Associações de Classe 511030019 – Manutenção de Sistemas 511030011 – Viagens e Estadias 511020009 – Direitos Autorais 512040001 – Internet 511030009 – Táxi, Condução e Kilometragem 511030012 – Despesas de Correio 511030039 – Despesas Franquia Rio 511030040 – Verbas de Representação 511030007 – Material de Escritório e Informática 511030042 – Despesas Case Consulting RJ 511010005 – Verbas Rescisórias 511030027 – Despesas de Cobrança – C & S Por sua vez, no Relatório de Lançamentos (fls.1.225/1.227), que acompanha a NFLD nº 37.032.9856, foram consideradas, na apuração do crédito previdenciário relativo ao anocalendário 2005, as seguintes contas contábeis: 511020004 – Representantes Comerciais – PJ 511030006 – Limpeza e Manutenção 511020006 – Assessoria Contábil e Jurídica – PJ 511020008 – Comissões sobre Vendas 511010007 – Acordos Trabalhistas 511020003 – Serviços Prestados de Estagiários 511020001 – Serviços Prestados de Terceiros PJ Fl. 9341DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.342 23 Assim, infirmase a alegação do Recorrente de que haveria identidade entre as contas contábeis consideradas pelas duas fiscalizações tributárias. Vêse que, no máximo, a tese de defesa poderia, quando muito, caso prosperasse, ser aplicada para afastar as glosas de valores escriturados apenas nas seguintes contas: 511020004 – Representantes Comerciais – PJ (*esta conta está identificada no Anexo I do Termo de Verificação Fiscal como Serviços de Captação de Vagas – PJ) 511030006 – Limpeza e Manutenção 511020006 – Assessoria Contábil e Jurídica – PJ 511020008 – Comissões sobre Vendas 511020001 – Serviços Prestados de Terceiros PJ Quanto à conta “511030006 – Limpeza e Manutenção”, verificase no Relatório Fiscal da NFLD nº 37.032.9856 que apenas uma amostragem dos lançamentos contábeis foi selecionada pela fiscalização, tendo, na oportunidade, o contribuinte apresentado documentação que permitiu concluir pela identificação da realização de pagamentos, não a título de limpeza e conservação, mas relativamente a gastos com mãodeobra de construção civil (pintura, colocação de gesso, reforma etc.): “[...] 1.2. Quanto á documentação e os lançamentos contábeis da conta: 5.1.1.03.0008 Limpeza e Manutenção, é relevante esclarecer os seguintes procedimentos adotados na Auditoria Fiscal: a) Para esta conta a empresa apresentou todos os documentos que deram origem aos lançamentos selecionados na Auditoria Digital; b) Assim sendo, com base na documentação apresentada, foi possível a fiscalização proceder à depuração efetiva dos fatos geradores, conforme consta da Tabela de Lançamento do Anexo n°. 08 do presente Relatório Fiscal. Ou seja, proceder ao lançamento efetivo dos pagamentos de mãodeobra de construção civil (pintura, colocação de gesso, reforma, etc) efetuados a pessoas físicas (fatos geradores de contribuições previdenciárias, nos termos do Art. 22, inciso III da Lei n°8212/91), conforme exposto no item 1.1., letra " g”;” Ainda que na oportunidade o contribuinte tenha entregue documentação que possibilitou a identificação dos pagamentos a título de serviços de engenharia, a conclusão sobre a existência de tais dispêndios não autoriza, per si, a dedução para fins de apuração do IRPJ. Caberia ao contribuinte demonstrar que tais despesas seriam necessárias, nos termos da legislação de regência: Art.299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). §1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, §1º). Fl. 9342DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.343 24 §2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, §2º). §3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Art.300. Aplicamse aos custos e despesas operacionais as disposições sobre dedutibilidade de rendimentos pagos a terceiros (Lei nº 4.506, de 1964, art. 45, §2º). Com relação à conta “511030004 – Representantes Comerciais – PJ/ Serviços de Captação de Vagas”, a fiscalização previdenciária foi enfática ao afirmar, com base em amostragem, que ali se registraram transações com suporte em elementos inexatos. Foram detectados, por exemplo, registros relativos a pagamentos lastreados em notas fiscais de “...papelaria, bazar, loja de sapato, loja de moda, loja de bijuteria”. Ainda que, para fins de exigência de contribuições previdenciárias, tenham sido considerados tais pagamentos como se houvessem sido realizados a representantes comerciais, caberia ao Recorrente, agora que sustenta ter sido exato o procedimento fiscal anterior, ter apresentado, por exemplo, os respectivos contratos de representação comercial e as notas fiscais de serviços emitidas por aqueles profissionais liberais, o que poderia comprovar a usualidade, normalidade e necessidade de tais pagamentos para a atividade do contribuinte. Igual raciocínio aplicase quanto à comprovação das demais despesas glosadas, escrituradas nas demais contas. Acrescentese, relativamente à conta “511020001 – Serviços Prestados de Terceiros PJ”, o que a fiscalização previdenciária constatou, por exemplo, pagamentos de remuneração a empregado/colaborador vinculado a diversas pessoas jurídicas, bem como que servia para a escrituração de “...Reembolso de todas as despesas de constituição e manutenção (impostos, contribuições, escrituração contábil e demais encargos ) das ‘PJ(s)’ e diversas empresas ‘laranjas’ utilizadas pela Catho Online Ltda., na simulação do negócio jurídico”. Por exemplo, constam de tal conta os pagamentos realizados à PASSOS E TREVISAN SERVIÇOS S/C LTDA, considerados pelo próprio contribuinte como não sendo passíveis de dedução. Quanto às outras despesas registradas naquela conta contábil, caberia ao Recorrente apresentar a documentação que comprovasse os requisitos para fins de dedutibilidade. O fato de ter admitido a procedência da ação fiscal com relação a determinadas despesas não implica, por óbvio, que as demais seriam usuais, normais e necessárias. A decisão a quo em várias passagens ressaltou a necessidade de tal comprovação: “[...] Relevante consignar que a escrituração da pessoa jurídica, no que se refere às despesas incorridas no anocalendário de 2005, a exemplo dos demais períodos submetidos a procedimento fiscal (anos de 2002 a 2004), apresentase igualmente repleta de inconsistências, várias inclusive reconhecidas pela própria impugnante, tanto que apurou os tributos devidos sobre parcelas das despesas glosadas, recolhendo e parcelando valores admitidos como devidos, fato que vem reforçar a fragilidade na escrituração de seus dispêndios no período. Fl. 9343DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.344 25 ..... Acentuese, por relevante, que no presente litígio documentação alguma traz a impugnante no sentido de demonstrar o atendimento dos requisitos legais de dedutibilidade de despesas, limitandose a destacar aquelas que reconhece como indedutíveis, procedendo inclusive ao recolhimento/parcelamento dos correspondentes tributos e insistindo nas razões já registradas junto ao autuante. ..... Por conseguinte, cumpre ressaltar que no entendimento desta turma de julgamento o fato de a própria recorrente não argumentar de forma evidente que não houve a utilização de notas fiscais emprestadas, e reiterar, tanto em fase impugnatória como recursal, que as despesas seriam dedutíveis, não supre a falta de apresentação de documentação hábil a comprovar a natureza dos serviços prestados, bem como a necessidade de sua realização para atendimento do objeto social da empresa, sobretudo considerando as inúmeras irregularidades cometidas na documentação fiscal e na escrituração de despesas (inclusive de terceiros) pela contribuinte. ..... Logo, há que se concluir que o fato de ter a impugnante reconhecido a irregularidade de 746 lançamentos dos 922 glosados pelo Fisco não torna os demais 176 regulares, sem que seja apresentada a devida comprovação documental que justifique a necessidade de tais despesas para o alcance do objeto social da empresa. Ao contrário, o reconhecimento de irregularidades na maioria dos lançamentos questionados pelo Fisco vem ratificar a falta de respaldo quanto à necessidade das despesas registradas pela pessoa jurídica no total glosado de R$ 9.731.181,54, mesmo porque muitos dos demais valores de glosas, dentre o montante ainda questionado, referemse a pagamentos feitos a empresas cujas despesas, na grande maioria, a impugnante admitiu como indedutíveis, a exemplo da Arruda Serv. Ltda, Passos Ltda., Avec S/C Ltda. ..... Portanto, ainda que todas as despesas estivessem respaldadas em documentação de sua efetiva realização e pagamento, não seriam automaticamente dedutíveis sem antes se demonstrar a usualidade, necessidade e normalidade à execução das atividades da empresa, sobretudo quando comprovados registros de despesas de outras empresas do GRUPO CATHO na apuração do resultado da empresa autuada. Nesse sentido, importa registrar que a legislação tributária determina às pessoas jurídicas a manutenção da escrituração obrigatória contábil e fiscal exigida pela sistemática de Fl. 9344DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.345 26 apuração do lucro a que se enquadra a empresa, a qual deve, necessariamente, estar respaldada em documentação hábil correspondente, e ser disponibilizada à fiscalização para auditoria dos dados declarados à RFB no período fiscalizado. ..... Assim, a pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 7º art.251 do RIR/1999), a qual deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei nº 2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 25, parágrafo único do art. 251 do RIR/1999). Notase, pois, no que se refere aos custos e despesas, os quais afetam diretamente a base tributável (lucro líquido ajustado), que a legislação fiscal estabelece requisitos específicos para que possam ser considerados dedutíveis do lucro líquido do período quando da determinação do lucro real. ..... Logo, a dedutibilidade de receitas [sic] decorre de vários requisitos, quais sejam: a comprovação de sua efetiva realização, a necessidade e a usualidade para o desenvolvimento das atividades econômicas da empresa, cuja vinculação à receita só é possível mediante a regular escrituração de documentos hábeis e idôneos, aptos a comprovar tanto a efetividade do serviço como a natureza do mesmo para verificação da sua necessidade para o empreendimento a que se propõe a sociedade. Portanto, tornase imprescindível que os argumentos carreados aos autos pela impugnante, no sentido de refutar o procedimento, se revistam de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento da autoridade julgadora, de forma a restar comprovada documentalmente a regularidade do procedimento adotado pela empresa, para que o lançamento possa ser, por conseqüência, descaracterizado. ..... Por óbvio, como qualquer outra despesa operacional, a documentação comprobatória de prestação de serviços para fins de dedutibilidade engloba, além da efetiva comprovação de sua realização, sua vinculação à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora, a comprovação do efetivo pagamento, considerados, sobretudo, os aspectos da normalidade, usualidade e necessidade. Os dispêndios realizados a título de remuneração por prestação de serviços a pessoas jurídicas, bem como as demais despesas, que não atendam aos requisitos impostos pela lei tornam os pagamentos Fl. 9345DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.346 27 mera liberalidade, indedutíveis, pois, na determinação da base tributável. Por conseguinte, uma simples relação elaborada pela impugnante admitindo como indedutível parte das despesas escrituradas, infirmando a glosa de poucos lançamentos restantes, não tem o condão de comprovar a regularidade de tais despesas considerando a necessidade dos dispêndios para a obtenção das receitas tributadas, visto que a escrituração da contribuinte, da forma em que adotada por sua livre escolha, afastou tal possibilidade. ..... Logo, fica mantida a exigência de IRPJ sobre a glosa de despesas com prestação de serviços no ano de 2005, em virtude de a contribuinte não ter observado todos os requisitos legais para dedutibilidade dos valores despendidos a esse título, cuja necessidade para a realização do empreendimento não restou comprovado nos autos, tendo em conta a ausência de documentação hábil e eficaz que demonstre que os serviços pagos a pessoas jurídicas do grupo visavam, exclusivamente, o interesse da empresa autuada. ..... Evidente, pois, a patente irregularidade no procedimento da empresa com utilização de pessoas interpostas na constituição de sociedades de interesse no GRUPO CATHO, inclusive com o reconhecimento expresso de inconsistência de grande parte das operações historiadas nos lançamentos questionados pelo Fisco. Ademais, do confronto entre os termos firmados pela fiscalização previdenciária e os presentes autos, concluise não haver a alegada coincidência entre todos valores dos dispêndios ora glosados, visto que as infrações imputadas recaíram sobre pagamentos que não tinham por contrapartida serviços comprovadamente prestados à empresa fiscalizada, com ou sem vínculo empregatício, diversamente do que registrado na rubrica na qual foram contabilizados. ...... Por fim, é de se ressaltar que a incumbe à contribuinte a comprovação de atendimento aos requisitos legais de dedutibilidade das despesas levadas a resultado, devendo ser providenciada mediante a guarda e apresentação de documentos com as respectivas especificações que permitam demonstrar de sua vinculação e necessidade às atividades da empresa.” Quanto ao acórdão proferido no processo nº 13839.005782/200747, relativo aos anoscalendário 2002, 2003 e 2004, a decisão recorrida esclareceu que o parcial provimento do recurso voluntário quanto às despesas glosadas não se fundamentou, contrariamente ao afirmado pelo Recorrente, na natureza de remuneração/salários dos pagamentos, mas na falta de comprovação, pela fiscalização, de que “...as despesas não Fl. 9346DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.347 28 existiram, que não seriam usuais e, principalmente, que não seriam necessárias ao auferimento das receitas pela autuada”. Conforme muito bem observado pela DRJ: “[...] A divergência constatada entre a conclusão expressa pelas primeira e segunda instâncias do contencioso administrativo reside, pois, no ônus quanto à insuficiência das provas trazidas aos autos, uma vez que a fiscalização e a relatora do acórdão recorrido entendem que os documentos e argumentos apresentados pela contribuinte naquele litígio não justificam a necessidade das despesas glosadas e o conselheiro relator conclui pela lógica da necessidade de tais pagamentos em razão de não ter o Fisco questionado a sua efetividade, bem como não demonstrado a dispensabilidade de sua realização para o alcance dos objetivos sociais da empresa. “ No presente processo, a fiscalização, conforme visto alhures, consignou no Termo de Verificação Fiscal, após apontar as inconsistências detectadas, que o contribuinte não havia comprovado os requisitos que permitiriam deduzir as despesas contabilizadas. In verbis: “[...] Apesar de reiteradamente intimado, o CONTRIBUINTE não apresentou a documentação comprobatória da existência, efetividade, dedutibilidade e inequívoca vinculação com a CATHO ONLINE das despesas relacionadas nos itens 3 e 4 do ‘TERMO DE INTIMAÇÃO MPF 0812800.2010.00120.7/04’, motivo pelo qual esta fiscalização procederá à glosa das mesmas na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, em montante que totaliza R$ 9.731.181,54. O demonstrativo anexo ao presente termo, intitulado ‘ANEXO 01 DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL MPF 0812800.2010.00120.7 / 07’, formado por 21 páginas, relaciona 922 lançamentos, referenciados com numerações de 01 a 922, relativos às despesas ora glosadas e mostra sua relação com itens 3 e 4 do ‘TERMO DE INTIMAÇÃO MPF 0812800.2010.00120.7/04’. A questão, portanto, não se refere a negar, sem qualquer justificativa, a produção de efeitos, na seara tributária, dos vários negócios jurídicos supostamente celebrados pelo contribuinte, mas de, à luz de tantas irregularidades constatadas e das fundadas suspeitas sobre registros de despesas deduzidas da apuração do IRPJ, exigir, no exercício da competência legal atribuída à fiscalização, a comprovação pelo contribuinte dos requisitos legais. Reiterese, não basta o Recorrente afirmar que as despesas seriam usuais e necessárias pelo simples fato de a fiscalização previdenciária ter considerado, por amostragem, tais valores como sendo pagamentos a supostos empregados e colaboradores. Caberlheia, comprovar com documentação hábil e idônea que tais dispêndios seriam, por exemplo, necessários à sua atividade, informação que não se extrai pelo simples fato de o pagamento ter sido para algum de seus funcionários ou colaboradores. Voltemos, a título ilustrativo, àqueles pagamentos por serviços de construção civil (pintura, aplicação de gesso, reforma etc.), indevidamente escriturados na conta “511030006 – Limpeza e Manutenção” . Ora, pelo fato de os prestadores terem sido pessoas físicas não implica, automaticamente, que tais gastos tenham sido necessários para o desenvolvimento da atividade empresarial. Fl. 9347DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.348 29 Ao contrário do que entendeu o Recorrente, as glosas, conforme todo o exposto, não decorreram de suposto erro na indicação, nas notas fiscais, dos beneficiários dos pagamentos (pessoas jurídicas em vez de pessoas físicas). Finalmente, o pedido de aproveitamento dos supostos valores recolhidos a título de contribuição previdenciária, constituídas por meio da NFLD nº 37.032.9856, também não pode ser acolhido. Além de ausente a comprovação de que tais exigências serias indevidas, apenas pode ser concretizado nos moldes traçados pela legislação tributária acerca de compensação, cabendo à análise à autoridade competente da Secretaria da Receita Federal do Brasil em procedimento fiscal específico. Mantêmse, portanto, as glosas das despesas. 2. Da adição não computada – Sociedade em Conta de Participação (Infração 002) O contribuinte foi intimado a apresentar documentos e esclarecimentos relacionados à constituição de determinada Sociedade em Conta de Participação (SCP). Fatos relatados pela fiscalização apontaram “...que a existência da SCP limitouse às formalidades jurídicas, sendo sua operação apenas simulada com o propósito de reduzir de forma indevida a tributação do IRPJ e da CSLL sobre as receitas normais da empresa”. Após descrever uma íntima relação entre os sócios e representantes da CYWC e da CATHO ONLINE, a fiscalização constatou que as receitas escrituradas na SCP teriam sido, na verdade, auferidas pelo contribuinte: “[...] Apesar de reiteradamente intimado o CONTRIBUINTE não apresentou até a presente data quaisquer dos documentos ou esclarecimentos solicitados relativos aos itens 1) e 1.1) a 1.11) do ‘TERMO DE INTIMAÇÃO MPF 0812800.2010.00120.7/04’, de modo que não demonstrou qual era o projeto específico desenvolvido pela SCP, não esclareceu quais eram suas receitas e despesas exclusivas, não detalhou a motivação técnica para justificar a presença da CWYC na CATHO ONLINE, não demonstrou a vinculação entre as atividades desenvolvidas pela CYWC e as receitas exclusivas auferidas pela SCP, não esclareceu quais eram as receitas e despesas exclusivas da SCP, não demonstrou a diferença entre as receitas auferidas pela SCP e as receitas normalmente auferidas pela CATHO ONLINE, não esclareceu porque a empresa CYWC, tendo participado do fundo social com apenas R$120,00, recebeu 94% do lucro apurado na SCP, no valor de R$8.145.920,54, não esclareceu a necessidade da existência da SCP, uma vez que as pessoas e os recursos envolvidos já estavam disponíveis dentro da própria CATHO ONLINE LTDA., não demonstrou a composição das receitas auferidas pela SCP, bem como não apresentou as notas fiscais correspondentes às receitas da SCP, não esclareceu porque as receitas da SCP e as receitas da CATHO ONLINE possuem o mesmo histórico, a saber, ‘RECEITAS DE CV ONLINE’, não demonstrou a composição das despesas lançadas na apuração da SCP, bem como não apresentou a documentação comprobatória dessas despesas, não apresentou as notas fiscais de aquisição dos Fl. 9348DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.349 30 equipamentos cuja depreciação foi contabilizada na SCP, não esclareceu os indícios de manipulação nos valores lançados como receitas da SCP, observados nas suas planilhas, anexadas às folhas 02, 06, 11, 19 e 20, 27, 29, 35 e 60 da documentação retida através do ‘TERMO DE RETENÇÃO MPF 0812800.2010.00120.7/03’, não afastou os indícios de que as receitas da SCP não eram específicas, mas tão somente um percentual sobre as receitas normais obtidas pela CATHO ONLINE, não esclareceu a participação de ADRIANO ARRUDA na SCP e na CATHO ONLINE, não esclareceu porque ADRIANO ARRUDA recebia uma participação de 6% sobre as supostas receitas da SCP, não esclareceu porque os chamados ‘BÔNUS AA’ e ‘BÔNUS ADRIANO ARRUDA’ eram pagos para as empresas ‘ARRUDA SERVIÇOS S/C LTDA – ME’, ‘ARRUDA CONSULTORIA E INFORMÁTICA E ADMINISTRAÇÃO DE BENS PART LTDA’, bem como porque tais pagamentos eram lançados como despesas da CATHO ONLINE, uma vez que, supostamente, seriam despesas da SCP, bem como também não esclareceu porque parte dos supostos adiantamentos de lucros, para a CYWC foram creditados na conta bancária da empresa ‘E M CONSULTORIA S C LTDA’. Considerando o silêncio do contribuinte, a fiscalização procedeu à adição das receitas escrituradas na SCP, no valor de R$ 10.549.241,23 (dez milhões, quinhentos e quarenta e nove mil, duzentos e quarenta e um reais e vinte e três centavos). O contribuinte, conforme salientado na decisão de primeira instância, admitiu como correta tal adição, não tendo sido instaurado litígio a respeito. No recurso voluntário, igualmente não contesta a infração. Ao revés, afirma que recolheu os respectivos créditos tributários de IRPJ e CSLL constituídos de ofício. Pretende, no entanto, que sejam consideradas as respectivas despesas contabilizadas na SCP, “necessárias para geração da receita da Recorrente e, consequentemente, dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSL”, discriminadas nas planilhas anexas à impugnação. Ora, em que pese tal pretensão ser incompatível com sua confissão anterior, acompanhada do pagamento dos créditos tributários exigidos, restando configurada, portanto, a preclusão lógica, não pode ser acolhida em razão, novamente, da falta de apresentação de provas hábeis e idôneas. Como visto anteriormente, os artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72 impõe ao Recorrente o ônus de comprovar as alegações veiculadas. As planilhas anexadas, quando desprovidas do respectivo lastro probatório, não têm vigor probatório suficiente a favor da defesa. Tal falta processual acompanha o contribuinte desde a ação fiscal, conforme esclarece o Termo de Verificação Fiscal: “Cabe observar que, apesar de reiteradamente intimado, o CONTRIBUINTE não apresentou a composição e a documentação comprobatória das despesas lançadas na SCP, restando não comprovada a sua existência e tampouco a sua necessidade para a atividade do CONTRIBUINTE, de modo que não serão consideradas dedutíveis do lucro real para fins de apuração do IRPJ.” Fl. 9349DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.350 31 Após análise da documentação acostada na impugnação, a Quinta Turma da DRJ – Campinas (SP) concluiu de igual maneira: “[...] Todavia, nesse sentido a pretensa comprovação de existência de despesas vinculadas à atividade da empresa, e que a defesa pretende dedutíveis do lucro real apurado sobre as receitas adicionadas ao resultado da CATHO ONLINE, restringese a impugnante a apresentar planilhas demonstrativas de composição de valores sem qualquer suporte documental e vinculação às referidas receitas ora tributadas pelo lucro real. Concluise, portanto, pelo não afastamento da defesa das observações consignadas expressamente no Termo de Verificação Fiscal de que a contribuinte: •não esclareceu quais eram as receitas e despesas exclusivas da SCP, • não demonstrou a composição das despesas lançadas na apuração da SCP, bem como não apresentou a documentação comprobatória dessas despesas, • não apresentou as notas fiscais de aquisição dos equipamentos cuja depreciação foi contabilizada na SCP, • não justificou porque tais pagamentos eram lançados como despesas da CATHO ONLINE, uma vez que, supostamente, seriam despesas da SCP. A única conclusão que se depreende das alegações trazidas pela defesa é a de que as ‘supostas despesas da SCP’ encontramse escrituradas juntamente às despesas da empresa fiscalizada, não sendo plausível que a defesa restrinjase a pleitear a dedução dos correspondentes pagamentos de despesas sem apresentar quaisquer documentos de sua efetividade e necessidade, bem como de sua não consideração de fato nos resultados da impugnante oferecidos à tributação. Diante da falta de comprovação documental das referidas despesas, bem como da efetividade, usualidade e necessidade e, sobretudo considerando a confusão escritural na contabilidade da empresa fiscalizada, contendo despesas de funcionários e colaboradores comuns a várias empresas do GRUPO CATHO e despesas estranhas à fiscalizada, não há como se reduzir a base tributável apurada pela auditoria fiscal nos autos, diante da falta de atendimento aos requisitos legais de dedutibilidade de eventuais despesas da fiscalizada vinculadas às receitas ora tributadas de ofício com base no lucro real anual.” Assim, não tendo o contribuinte insurgidose com relação à imputação de irregularidade na constituição da SCP e à tributação das receitas, tampouco comprovado com documentação hábil a existência e necessidade de despesas escrituradas naquela sociedade, que agora pleiteia ver deduzidas das base de cálculo, mantémse a autuação nos moldes definidos pela fiscalização. Fl. 9350DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.351 32 3. Da exigência da multa de ofício O Recorrente pretende, em razão de ter admitido a procedência de algumas infrações, apresentado DCTF e incluído no parcelamento especial os respectivos débitos, ver afastada a multa de ofício. Admite que não se beneficiara da denúncia espontânea, tendo efetuado o pagamento da multa moratória, incluída no parcelamento. Sustenta que se valeu do artigo 4º da IN RFB nº 1.049/10, editada com base no artigo 1º, §1º, da Lei nº 11.941/09, que permitiu a inclusão de débitos não declarados no parcelamento do “Refis da Crise”, sendo que a multa de ofício apenas foi constituída posteriormente, quando da lavratura dos autos de infração. Realmente, não há se falar em denúncia espontânea, sendo incontroverso que a entrega das DCTF e a decisão de parcelar parte dos débitos ocorreram após o início da ação fiscal. Nos termos do art.44 da Lei nº 9.430/96, não restaria outra opção à fiscalização, senão proceder à lavratura dos autos de infração com a imposição da multa de ofício legalmente prevista, sob pena de responsabilidade funcional (art.142, parágrafo único, do CTN). Dada a clareza do acórdão recorrido, prestigiase uma vez mais como razão de decidir um outro excerto, por muito bem ter equacionado a controvérsia: “[...] Na listagem extraída do sistema ‘DCTFCons’ consta que a contribuinte retificou todas as DCTF relativas aos períodos de apuração de janeiro a dezembro de 2005, originalmente apresentadas no ano de 2007, no dia 30/07/2010, para inclusão de débitos de IRPJ e de CSLL levantados pela auditoria fiscal, visando regularizar a apuração antes declarada, mediante inclusão de despesas não comprovadas na base de cálculo dos tributos. Em relação aos novos valores apurados como devidos, em 13/08/2010 protocolou o Processo nº 13896.001806/201018 visando incluir parte dos valores devidos no Parcelamento instituído pela Lei nº 11.941, de 27/05/2009, conforme ANEXO III à fl.1.130 (IRPJ e CSLL do ano 2005), e procedendo ao recolhimento em 30/12/2010 de outra parcela dos débitos (DARF fls.1.117/1.118). Portanto, quando do início da ação fiscal, as declarações ativas da contribuinte não apresentavam tais débitos, não havendo a necessária constituição do crédito tributário via DCTF. As retificadoras entregues após a ciência do Termo de Intimação e a adesão ao parcelamento não têm o condão de modificar tal situação, uma vez excluída a espontaneidade. Tal fato não é alterado pelo benefício instituído pela referida Lei nº 11.941, de 2009, devendo ser tratado na forma prevista na legislação específica, de modo a evitar a duplicidade de cobrança dos valores principais dos tributos parcelados (mediante auto de infração e processo de parcelamento), mas com prevalência da multa de ofício lançada, adequandose o percentual imposto aos benefícios previstos no referido parcelamento especial. Tendo o AuditorFiscal competência outorgada por lei para fiscalizar e constituir o crédito tributário pelo lançamento, por dever de ofício e sob pena de responsabilidade funcional, o fato Fl. 9351DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.352 33 de ser permitido à contribuinte aderir a determinado programa de parcelamento não dispensa o competente lançamento e aplicação da penalidade correspondente. ..... O lançamento, neste contexto, deve desconsiderar os atos não espontâneos do contribuinte, e assim refletir as infrações então existentes, recaindo a autuação sobre a falta de declaração e recolhimento constatada segundo a situação existente no início do procedimento fiscal. A respeito da questão assim dispõe a Súmula 33 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF Nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Por conseguinte, ausentes a confissão de débitos e o recolhimento dos tributos devidos antes do início do procedimento, a autoridade fiscal, considerando os efeitos da exclusão da espontaneidade, corretamente lavrou o auto de infração em comento para constituir o crédito tributário decorrente de todas as irregularidades detectadas, inclusive com a aplicação da penalidade [...]. Assim, a admissão de regularidade na inclusão dos débitos exigidos de ofício no parcelamento disposto na Lei nº 11.941, de 2009 não altera o afastamento da espontaneidade da contribuinte antes consolidada, cabendo à Administração Tributária adotar as devidas providências, em fase posterior à solução do litígio, observando a repercussão do parcelamento invocado pela contribuinte de forma a evitar a duplicidade de cobrança.” O art.1º, §1º, da Lei nº 11.941, de 27/05/09, resultante da conversão da MP nº 449, de 03/12/08, não confere os efeitos desejados pelo Recorrente. Vejamos: “Art. 1o Poderão ser pagos ou parcelados, em até 180 (cento e oitenta) meses, nas condições desta Lei, os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e os débitos para com a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, inclusive o saldo remanescente dos débitos consolidados no Programa de Recuperação Fiscal – REFIS, de que trata a Lei no 9.964, de 10 de abril de 2000, no Parcelamento Especial – PAES, de que trata a Lei no 10.684, de 30 de maio de 2003, no Parcelamento Excepcional – PAEX, de que trata a Medida Provisória no 303, de 29 de junho de 2006, no parcelamento previsto no art. 38 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e no parcelamento previsto no art. 10 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002, mesmo que tenham sido excluídos dos respectivos programas e parcelamentos, bem como os débitos decorrentes do aproveitamento indevido de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI oriundos da aquisição de matériasprimas, material de embalagem e produtos intermediários relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Fl. 9352DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.353 34 Industrializados – TIPI, aprovada pelo Decreto no 6.006, de 28 de dezembro de 2006, com incidência de alíquota 0 (zero) ou como nãotributados. § 1o O disposto neste artigo aplicase aos créditos constituídos ou não, inscritos ou não em Dívida Ativa da União, mesmo em fase de execução fiscal já ajuizada, inclusive os que foram indevidamente aproveitados na apuração do IPI referidos no caput deste artigo.” Na realidade, autoriza a inclusão de débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, constituídos ou não quando da adesão. Apenas isso. Não dispensa a constituição da multa de ofício pelo fato de adesão ao parcelamento. Uma coisa é a possibilidade de, o contribuinte, sob ação fiscal, ter optado por parcelar determinados débitos que já sabia que iriam ser constituídos, haja vista o teor das intimações recebidas antes da lavratura dos autos de infração; outra, a necessária submissão à multa aplicada em razão de a denúncia não ter sido espontânea. Por sua vez, o art.4º da IN RFB nº 1.049/10, vigente à época da opção pelo parcelamento, dispunha: Art. 4º O sujeito passivo que aderiu aos parcelamentos de que trata a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 2009 , e pretende parcelar débitos vencidos até 30 de novembro de 2008, correspondentes a períodos de apuração objeto de procedimento de fiscalização por parte da RFB, iniciado até 30 de julho de 2010 e não concluído até o momento da consolidação, deverá prestar informações relativas às modalidades de parcelamento nas quais pretende incluir os respectivos débitos, independentemente de estar ou não obrigado à entrega de declaração específica. (Revogado pela Instrução Normativa RFB nº 1.109, de 24 de dezembro de 2010 ) Parágrafo único. As informações de que trata o caput deverão ser prestadas na forma e no prazo de que trata o art. 15 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 2009 . (destaquei) Vêse, que tal dispositivo normativo não dispensa a multa de ofício, mas apenas estabelece procedimento específico para a hipótese de parcelamento de débitos objeto de ação fiscal iniciada até julho de 2010 e não concluída até o momento da consolidação. Portanto, agiu bem a fiscalização em lavrar a multa de ofício. Quanto ao percentual, será objeto de análise adiante. 4. Das multas isoladas por falta/insuficiência de recolhimentos de estimativas Em razão das infrações apontadas, a fiscalização procedeu aos ajustes das bases de cálculo estimadas do IRPJ e da CSLL, tendo procedido ao lançamento das multas isoladas por insuficiência de recolhimento no curso do anocalendário 2005. Não obstante o contribuinte sustentar que os fatos geradores do IRPJ e da CSLL darseiam apenas ao final do anocalendário, que a base de cálculo limitarseia ao montante apurado anualmente, e que sua aplicação estaria vedada quando houvesse lançamento da multa de ofício, há dispositivo legal que assegura a exigência de tais penalidades. Fl. 9353DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.354 35 A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, estabelece hipóteses de incidência distintas para a multa proporcional e a multa por insuficiência/falta de recolhimento de estimativas. São previsões não excludentes, de tal modo que podem ser exigidas concomitantemente, “ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativas para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente”. Vejamos: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: .... b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Há vários julgados administrativos neste sentido, proferidos por colegiados do CARF, como por exemplo: “(...) MULTA ISOLADA. FALTA/INSUFICIÊNCIA DE. RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. MULTA PROPORCIONAL, CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA Não há que se falar em aplicação concomitante sobre a mesma base de incidência quando resta evidente que as penalidades, não obstante derivarem do mesmo preceptivo legal, decorrem de obrigações de naturezas distintas (...)” (1ª SJ, 3ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Acórdão nº 130200.083, de 29/09/09). “(...) MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS CONCOMITÂNCIA COM A MULTA DE OFICIO SOBRE O TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANO. Não há entre as estimativas e o tributo devido no final do ano uma relação de meio e fim, ou de parte e todo (porque a estimativa é devida mesmo que não haja tributo devido). Por isso, a multa pela falta de estimativas não se confunde com a multa pela falta de recolhimento do tributo apurado em 31 de dezembro, além disso, não há no direito tributário algo semelhante ao principio da consunção (absorção) do direito penal, o que também afasta os argumentos sobre a concomitância de multas (...)” (1ª SJ, 2ª Turma Especial, Acórdão nº 180200.610, de 30/08/10) “(...) INSUFICIÊNCIA NO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA ISOLADA. Em função de expressa previsão legal, deve ser aplicada a multa isolada sobre os pagamentos que deixaram de ser realizados concernentes ao imposto de renda a título de estimativa, seja qual for o resultado Fl. 9354DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.355 36 apurado no ajuste final do período de apuração” (1º CC, 3ª Câmara, Acórdão nº 10323510, Rel. Leonardo de Andrade Couto, Sessão de 26/06/08). “(...) CONCOMITÂNCIA ENTRE A MULTA ISOLADA E A MULTA VINCULADA AO TRIBUTO Em virtude de se tratarem de infrações distintas, a multa de ofício aplicada isoladamente, pela falta de recolhimento da CSLL apurada por estimativa, pode ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício, aplicada sobre a contribuição devida sobre a base cálculo anual da CSLL”. (1º CC, 3ª Turma Especial, Acórdão nº 19300017, Rel. Ester Marques Lins de Souza, Sessão de 13/10/08). A base de cálculo, por sua vez, é apurada mês a mês, não se relacionando com o tributo apurado ao final do anocalendário. Nos dizeres da decisão a quo: “[...] Reiterese: a obrigatoriedade da antecipação mensal somente é afastada mediante a elaboração de balanços e balancetes acumulados e mensais de suspensão e redução dos recolhimentos devidos, não havendo qualquer disposição que suporte a interpretação de que a antecipação não seria devida, quando no ajuste anual não houvesse IRPJ/CSLL devidos. Temse assim que a multa isolada em questão, que decorre da falta de pagamento mensal das estimativas devidas no curso do anocalendário, é aplicada em função do descumprimento de uma obrigação tributária acessória (falta de recolhimento de antecipações obrigatórias), e é completamente autônoma em relação à obrigação tributária principal a ser constituída, ou não, no final do período.” Devem, portanto, ser mantidas, como constituídas, as exigências das multas isoladas. 5. Da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício e da taxa aplicável Com relação à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, o Código Tributário Nacional autoriza tal exigência. Dispõe o art.161 do CTN: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. (destaquei) Fl. 9355DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.356 37 Nesse contexto, não se pode olvidar que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta (art.139, CTN), que tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária (art.113, CTN). Por sua vez, a Lei nº 9.430/96 dispõe que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, incidirão juros de mora à taxa SELIC. Vejamos: Art.5º O imposto de renda devido, apurado na forma do art. 1º, será pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração. ..... §3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. ..... Art.61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seupagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) A expressão “débitos para a União, decorrentes de tributos e contribuições”, contemplada no caput do art.61 da Lei nº 9.430/96, inclui todas as rubricas, dentre as quais se inclui a multa de ofício, que, como a própria lei dispõe, decorre da falta de pagamento de tributos. Neste sentido, podem ser mencionados os seguintes precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais: JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Fl. 9356DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.357 38 Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o ‘crédito’ a que se refere o caput do artigo. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. (Segunda Turma, Acórdão nº 920201.806, de 24/10/2011, Redator designado Cons. Elias Sampaio Freire) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Primeira Turma, Acórdão nº 910100.539, de 11/03/2010, Redatora Designada Cons. Viviane Vidal Wagner) JUROS DE MORA MULTA DE OFICIO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Quarta Turma, Acórdão nº 0400.651, de 18/09/07, Rel. Cons. Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho) Recentemente, a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça reiterou entendimento no sentido de ser “legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário” (AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/12), tendo o acórdão recebido a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.” (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min.Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido. (destaquei) Colhese do respectivo voto condutor: “[...] Quanto ao mérito, registrou o acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região à fl. 163: ‘... os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. Verificado o inadimplemento do tributo, é possível a aplicação da multa punitiva que passa a integrar o crédito fiscal, ou seja, o montante que o contribuinte deve recolher ao Fisco. Se ainda assim há atraso na quitação da dívida, os juros de mora devem incidir sobre a totalidade do débito, inclusive a multa que, neste momento, constitui crédito titularizado pela Fazenda Pública, não Fl. 9357DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.358 39 se distinguindo da exação em si para efeitos de recompensar o credor pela demora no pagamento.’” Mantémse, portanto, a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Quanto ao percentual, não há mais discussão. O cálculo pela taxa SELIC já se consolidou no âmbito administrativo, sendo, inclusive, objeto de enunciado da súmula de jurisprudência dominante do CARF, de observância obrigatória por seus membros: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. 6. Da qualificação da multa de ofício A multa de ofício proporcional foi aplicada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento) com base nos seguintes fundamentos: “O CONTRIBUINTE praticou atos que caracterizam sonegação e fraude, nos termos dos arts. 71 e 72 da Lei 4.502/64, cujo teor transcrevese na sequência. Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. A irregularidade descrita no item 3.1) do presente termo mostra que a existência da SCP envolvendo a CATHO ONLINE e a CWYC limitouse às formalidades jurídicas, sendo sua operação meramente simulada, com o propósito de reduzir de forma indevida a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, mediante subtração de receitas, com vistas a ocultar das autoridades fazendárias o lucro real tributável, em procedimento que caracteriza sonegação e fraude nos termos dos arts. 71 e 72 da Lei 4.502/64. Os itens 3 e 4 do ‘TERMO DE INTIMAÇÃO MPF 0812800.2010.00120.7/04’, mostram a utilização de artifícios fraudulentos nas notas fiscais emprestadas pelas empresas PASSOS E TREVISAN, AVEC e T&I, visando à quitação de Fl. 9358DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.359 40 impostos devidos por outras empresas, mostram a utilização de pessoas interpostas na constituição de sociedades de interesse do GRUPO CATHO, a exemplo das empresas CYWC, RUFRA, SECA e C&S, mostram o pagamento de aluguéis fictícios às empresas RUFRA e SECA, mostram a utilização de prestadores de serviço, funcionários e colaboradores comuns a várias empresas do GRUPO CATHO, mostram a quitação de despesas estranhas à empresa, bem como mostram o lançamento indevido de despesas pertencentes a outras empresas do GRUPO CATHO, tais como a LOCER, JOELI, RUFRA, SECA, GELRE INFORMÁTICA, MANAGER ONLINE, CASE CONSULTING, C&S, CERCES e GOB CONSULTORIA. A redução indevida do lucro tributável, mediante lançamento de despesas irregulares ou fraudulentas, caracteriza a prática de sonegação e fraude, nos termos dos arts. 71 e 72 da Lei 4.502/64. Por fim, tendo sido caracterizada a prática de sonegação e fraude, nos termos dos arts. 71 e 72 da Lei 4.502/64, esta fiscalização aplicará multa qualificada sobre os créditos tributários decorrentes das irregularidades descritas nos itens 3.1) e 3.2) do presente termo, conforme previsão do §1º do art. 44 da Lei 9.430/96, cujo teor atual segue transcrito na seqüência. §1° O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.” O Recorrente sustenta que a multa qualificada apenas poderia ser aplicada quando presente o evidente intuito de fraude, conduta não caracterizada pela fiscalização. Afirma que não teria realizado qualquer ato fraudulento, vez que “...não falsificou documentos ou contratos, não deixou de registrar em sua contabilidade cada um dos passos tomados, não suprimiu recursos ou sonegou informações, ou seja, não praticou qualquer ato simulado”. Ademais, o percentual de 150% seria inconstitucional por violar o princípio da proporcionalidade, sendo “...imprescindível que exista um vínculo claro entre o ilícito cometido e a pena prevista e que a sanção imposta não represente uma expropriação do patrimônio do contribuinte de forma desproporcional ao objetivo da sua aplicação”. Conforme visto, o contribuinte valeuse, sem quaisquer amarras de consciência, de uma sociedade desprovida de um mínimo propósito negocial, criada unicamente para esquivarse da tributação, pelo lucro real, de uma parcela considerável de suas receitas. Agiu, livre e conscientemente, para impedir ou retardar o conhecimento por parte das autoridades fazendárias, da natureza e circunstâncias materiais do fato gerador. De tal conduta, não se pode extrair conclusão diversa. Quanto às despesas glosadas, farto e convergente acervo probatório comprova a utilização de notas fiscais inidôneas, muitas das quais emitidas por pessoas que compõem o denominado GRUPO CATHO. Serviram para lastrear operações que não se referiam ao contribuinte, seja por serem relativas a despesas incorridas por outras sociedades, Fl. 9359DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.360 41 seja porque as transações nela descritas não teriam efetivamente ocorrido. Identificadas pela fiscalização tais transações, o contribuinte sequer comprovou a realidade de tais negócios jurídicos. A própria tese da defesa, de que parte daquelas despesas seriam referentes a pagamentos de remuneração/salário a seus funcionários/colaboradores, apenas confirma que os respectivos documentos fiscais eram, de fato, imprestáveis. Nesse contexto, é relevante lembrar que o próprio contribuinte confessou ter indevidamente escriturado 742 lançamentos a título de despesa, dos 922 lançados pelo Fisco, o que equivale a 80,47%. Inverídica, portanto, à vista da criação fictícia de uma sociedade e do pagamento de despesas de outras sociedades, a assertiva do Recorrente, de que o contribuinte não teria praticado qualquer ato simulado. Das provas coligidas pela fiscalização, podese afirmar com tranqüilidade que as declarações de vontade do contribuinte, consubstanciadas em sua escrituração, visaram aparentar negócio jurídico diverso do efetivamente ocorrido, restando evidente o intuito de burlar a lei, fraudar o Fisco. O ordenamento jurídico por vezes exemplifica ações consideradas fraudulentas. A Lei nº 8.137, de 27/12/90, que define crimes contra a ordem tributária, econômica e contra as relações de consumo, é um bom e pertinente exemplo: Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: ….. II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; Por conseguinte, é cabível a multa de ofício no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), prevista no art.44, II, da Lei nº 9.430/96, que tinha a seguinte redação quando da ocorrência dos fatos geradores: Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Como complemento às razões de decidir deste voto, aqui se vale mais uma vez de parte da fundamentação do acórdão recorrido: Fl. 9360DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.361 42 “[...] constatouse dedução de centenas de lançamentos de pagamentos a título de despesas operacionais da pessoa jurídica, sem o devido atendimento dos requisitos legais de dedutibilidade, descritos como gastos ocorridos no desenvolvimento das atividades da empresa, pagos a interpostas pessoas mediante a constituição de pessoas jurídicas por pessoas físicas ligadas ao grupo de empresas, inclusive de sociedade em conta de participação cuja inexistência restou reconhecida pela contribuinte, configurando diversos procedimentos adotados para fraudar tanto a incidência de contribuições previdenciárias como reduzir a base tributável do imposto de renda e da contribuição social incidentes sobre o lucro líquido ajustado, uma vez inexistente qualquer adição nesse sentido no LALUR quando da apuração do lucro real. É inegável que a Fiscalização identificou a fraude cometida mediante exame dos lançamentos contábeis, revelando a intenção em retardar o conhecimento do fato gerador por parte da autoridade administrativa e, ainda, ao entregar DIPJ informando apuração no período apenas parcial de seu efetivo lucro, fazendo essa supor, pelo princípio da boafé, que estaria cumprindo com suas obrigações, desviando seu foco do Fisco para outros que nem mesmo apresentaram as devidas declarações. Até porque, não resta dúvida a qualquer pessoa de senso comum de que ele, contribuinte, sabia perfeitamente a natureza das despesas que contabilizava, e reiteradamente assumiu o risco de atribuirlhes outras características para viabilizar sua dedutibilidade e, assim, recolher apenas parte dos tributos devidos. ..... É bem verdade que a falsidade material deixa exposto o evidente intuito de fraude, porém, o dolo, elemento subjetivo do tipo qualificado tributário ou do tipo penal, já está presente quando a consciência e a vontade do agente para prática da conduta (positiva ou omissiva) emerge da reiteração de atos que tenham por escopo, iniludivelmente, impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador e de suas circunstâncias materiais, necessárias a sua mensuração. ..... No presente caso, restou provada a fraude mediante constatações fiscais de constituição de SCP envolvendo a fiscalizada e empresas de pessoas a ela ligadas para desenvolvimento de operação meramente simulada, bem como a utilização de artifícios fraudulentos nas notas fiscais emprestadas pelas empresas identificadas nos autos, utilização de pessoas interpostas na constituição de sociedades de interesse do grupo, utilização de prestadores de serviço, funcionários e colaboradores comuns a várias empresas, quitação de despesas estranhas à autuada, lançamento indevido de despesas pertencentes a outras empresas, circunstâncias que justificam a Fl. 9361DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.362 43 qualificação da multa no percentual de 150% sobre os tributos constituídos.” Quanto à violação do princípio da proporcionalidade, sustentada pelo Recorrente, vale evidenciar uma limitação característica do contencioso administrativo tributário federal, qual seja, de ser defeso negar aplicação a dispositivo legal plenamente vigente. O Decreto nº 70.235/72 estabelece, como regra, a proibição de os órgãos de julgamento afastarem lei, ainda que sob fundamento de inconstitucionalidade: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) ..... § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) A propósito, após reiteradas decisões, a matéria foi objeto do Enunciado nº 2 da súmula de jurisprudência dominante no CARF, que recebeu a seguinte redação: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Mantémse, portanto, a qualificação da multa de ofício. 7. Do pedido de diligência/perícia Relativamente à diligência/perícia requerida, com vistas à “...realização de prova pericial, para que seja demonstrada a veracidade dos fatos alegados, em respeito aos princípios da ampla defesa e do contraditório”, não podem os pleitos ser acolhidos, pois o Recorrente busca o esclarecimento de fatos que já deveria ter sido providenciado desde a impugnação, conforme arts.15 e 16 do Decreto nº 70.235/72. Fl. 9362DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.363 44 Nos termos deste mesmo Decreto, a realização de diligências ou perícias justificase somente quando necessárias, a juízo da autoridade julgadora: Art.18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências, ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art.28, in fine. ..... Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Não tendo o Recorrente anexado qualquer elemento que pudesse servir para justificar a utilidade de uma diligência ou perícia, indeferese o pedido. 8. Da responsabilidade tributária A fiscalização imputou responsabilidade tributária solidária e pessoal às pessoas físicas Thomas Amos Case, Adriano Aparecido Bento de Arruda, Ana Paula Gonçalves da Silva e Mário Augusto Pacheco Aguiar, nos termos dos artigos 124, I, e 135, I, do CTN, tendo lavrado Termos de Sujeição Passiva e oportunizado o contraditório. A Quinta Turma da DRJ – Campinas (SP) bem observou a falta de legitimidade do contribuinte para pleitear em nome próprio direito das pessoas físicas arroladas como responsáveis tributários, frisando a falta de interesse recursal: “Depreendese que a impugnante pessoa jurídica pretende seja afastada a coresponsabilidade tributária, atribuída pela fiscalização pelo crédito tributário formalizado na empresa ao sócio Adriano Aparecido Bento de Arruda, sob alegação de não ter interesse comum no fato gerador (artigo 124, I do CTN), bem como por não ter agido com dolo ou fraude, até porque não exercia função de administrador, (art. 135 I do CTN) no período autuado, admitindo, por outro lado, a solidariedade atribuída aos senhores Mário Augusto Pacheco Aguiar e Ana Paula Gonçalves da Silva. Contudo, imprópria é a pretensão de, em nome da pessoa jurídica, questionar tal matéria. Isto porque, dentre os requisitos da impugnação contidos no já mencionado art. 16 do Decreto 70.235, de 1972, consta, expressamente, como inciso II, a necessária menção à qualificação do impugnante [destaque acrescido]: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; Fl. 9363DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.364 45 III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] Também do Código de Processo Civil, instituído pela Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, extraise que para propor ou contestar ação é necessário ter interesse e legitimidade (art. 3º). E mais: que ninguém poderá pleitear, em nome próprio, direito alheio, salvo quando autorizado por lei (art. 6º). Desse modo, em caso de pluralidade de sujeitos no pólo passivo do lançamento tributário, cada qual poderá defenderse em nome próprio da exigência fiscal assim constituída, quer pessoalmente quer por meio de representante regularmente constituído nos autos, por competente instrumento de mandato.” Acrescentese que nos instrumentos anexos aos autos (fls.1.067/1.069) os patronos não detêm poderes para também representar os sujeitos passivos indiretos. Pelas razões acima, não podem ser conhecidas as alegações do contribuinte quanto à responsabilidade das pessoas físicas indicadas pela fiscalização. DO RECURSO VOLUNTÁRIO DO SR. ADRIANO APARECIDO BENTO DE ARRUDA O recurso voluntário interposto pelo Sr. Adriano Aparecido Bento de Arruda limitouse à questão da responsabilidade tributária, ausente qualquer juízo sobre as infrações apuradas. A análise da responsabilidade tributária deve restringirse aos fundamentos expostos pela fiscalização, até mesmo porque delimitam a acusação, parâmetro para o exercício do contraditório. Não se pode em sede de julgamento, por mais que documentos colhidos durante o procedimento fiscal possam indicar o “interesse comum” ou a prática de “de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos”, responsabilizar pessoas por fatos que especificamente não lhe foram imputados. À fiscalização cabe expor, com provas, as condutas que a levaram a concluir pela sujeição passiva. Tomandose como base os fundamentos adotados, o CTN exige a caracterização do “interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal” (art.124, I – responsabilidade solidária), e a comprovação de que as obrigações tributárias tenham resultado “de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos” (art.135, I – responsabilidade pessoal): Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; ..... Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, Fl. 9364DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.365 46 respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: I os pais, pelos tributos devidos por seus filhos menores; II os tutores e curadores, pelos tributos devidos por seus tutelados ou curatelados; III os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes; IV o inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio; V o síndico e o comissário, pelos tributos devidos pela massa falida ou pelo concordatário; VI os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício, pelos tributos devidos sobre os atos praticados por eles, ou perante eles, em razão do seu ofício; VII os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas. Parágrafo único. O disposto neste artigo só se aplica, em matéria de penalidades, às de caráter moratório. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A respeito do “interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal” a implicar na responsabilidade solidária, não basta a fiscalização apontar, para caracterizálo, a condição de administrador/gerente, pois se assim fosse, todos os sócios, acionistas, administradores de pessoa jurídica estariam sujeitos a arcar com créditos tributários da pessoa jurídica, em frontal burla à separação patrimonial das pessoas físicas e jurídicas, adotada, em regra, pelo ordenamento jurídico. Quanto à responsabilidade pessoal, exige o art.135, III, do CTN, a inequívoca comprovação do excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, por parte de diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Em que pese a responsabilidade do Sr. Thomas Amos Case já estar consolidada no âmbito administrativo, haja vista a ausência de recurso voluntário, sobre ela cabem algumas considerações, até mesmo para fins de comparação com as provas coligidas pela fiscalização contra o Sr. Adriano Aparecido Bento de Arruda. Os documentos anexados às folhas 77 a 170 do “Termo de Retenção – MPF 0812800.2010.00120.7/03” atestam que o Sr. Thomas Amos Case, apesar de não constar formalmente do quadro societário ou ser mandatário do contribuinte, detinha o poder máximo de administração da sociedade, vez que autorizava pagamentos de bônus financeiros, compra de equipamentos e veículos, doações etc. Vejamos: Fl. 9365DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.366 47 a) na folha de pagamentos do contribuinte, os custos relativos a Thomas Amos Case foram alocados sob o título “16.01.001 Presidência e Secretária” (fls.72/79 do Anexo I); b) mensagens eletrônicas (fls.80/83 do Anexo I) evidenciam que o Sr. Thomas Amos Case, na qualidade de “Founder The Catho Group”, autorizou executivos do GRUPO CATHO a comprarem onze servidores para a CASE CONSULTING; c) documentos atestam que o Sr. Thomas Amos Case: autorizou o gerente de recursos humanos do contribuinte a pagar bônus ao gerente geral de franquia do GRUPO CATHO (fls.84/87 e 100/101 do Anexo I); autorizou o pagamento de bônus à colaborada Fabiana Schvarcz (fls.88/89 do Anexo I), ao Sr. Adriano Aparecido Bento de Arruda (fls.90/91 do Anexo I) e ao diretor de operações, Sr. Fernando Costa (fls.102/107 do Anexo I); autorizou o diretor de operações a doar R$ 1.000,00 (um mil reais) para um evento de interesse social (fls.97/99 do Anexo I); autorizou a compra de um veículo para o contribuinte (fl.108 do Anexo I); aprovou orçamento para a realização de obras da CASE CONSULTING na cidade do Rio de Janeiro, pago com cheque do contribuinte (fls.109/110 do Anexo I); consultou supostos colaboradores do GRUPO CATHO sobre o interesse de serem sócios da ABTD (fls.114/115 do Anexo I); autorizou o projeto e a compra de mesas e toldos para o clube desportivo de aeromodelismo do Parque de Ibirapuera (fls.118/124 do Anexo I); autorizou a viagem do Sr. Leandro Cabral para o Chile, país onde o contribuinte também operava (fls.125/126 do Anexo I); teve suas despesas pessoais e da Sra. Silvana Case pagas pelo contribuinte: faturas de cartões de crédito (fls.127/133 do Anexo I) e viagem para Miami e Orlando (fls.134/137 do Anexo I); tratou, em diversas reuniões com advogados do contribuinte, de assuntos relevantes da sociedade; da marca “THOMAS CASE”; da JOELI, pessoa jurídica da qual é proprietário; do pagamento de bônus ao Sr. Adriano Aparecido Bento de Arruda; bem como esclareceu ao Sr. Luiz Wagner que, dos R$ 38.107,50 cobrados pelo escritório de advocacia e pagos pelo contribuinte, R$ 18.492,00 eram para trabalhos pessoais (fls.138/170 do Anexo I). Concluise, portanto, ao menos das provas dos autos, que o Sr. Thomas Amos Case era realmente quem, de fato, administrava a sociedade autuada. Conforme documentos mencionados, exerceu, com desenvoltura, no anocalendário 2005, a administração do contribuinte, autorizando, por exemplo, o pagamento de vultosos bônus e de diversos outros pagamentos a pessoas físicas, de despesas pessoais e de outras sociedades. Quanto à SCP, sua criação, como a própria fiscalização comprovou, contou efetivamente com sua participação, constando também, em conjunto com a Sra. Carlinda Yasuko Watanabe, como sócio da CYWC, conforme ficha cadastral arquivada na JUCESP. A respeito do Sr. Adriano Aparecido do Bento Arruda, a fiscalização informou que era um dos sócios do contribuinte, em conjunto com a pessoa jurídica ORVAL HOLDING S.A, sediada em Luxemburgo. Também sustentou a sua participação efetiva na administração do contribuinte em 2005, conforme atestariam documentos retidos (Anexo I). Fl. 9366DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.367 48 Consoante ficha cadastral na JUCESP (fl.926 e ss.), tal pessoa constava como sócio da Catho On Line Ltda, o que per si, como já deduzido, não basta para a imputação de sujeição passiva indireta. Vejamos os documentos que fundamentaram a conclusão da fiscalização: Descrição do documento Fl. Anexo 01 Planilha e cheque nominal à Arruda Serviços S/C Ltda – ME, a indicarem pagamento de R$ 4.509,47, a título de bônus ao Sr.Adriano Arruda, referente a resultados da SCP. 06 Planilha e cheque nominal à CYWC Serviços de Informática Ltda, a indicarem pagamento de R$ 405.950,00, a título de bônus ao Sr. Adriano Arruda, referente a resultados da SCP. 11 Solicitação de emissão de cheque pela Sra. Carla Rosa, do departamento financeiro do GRUPO CATHO, e cheque nominal à Arruda Serviços S/C Ltda – ME, com a finalidade de pagamento de R$ 63.003,19 a título de bônus ao Sr. Adriano Arruda, referente a resultados da SCP em abril/05. 26/27 Solicitação de emissão de cheque pela Sra. Carla Rosa, do departamento financeiro do GRUPO CATHO, e cheque nominal à Arruda Consultoria Informática e Administração de Bens Part Ltda, com a finalidade de pagamento de R$ 42.763,18 a título de bônus ao Sr. Adriano Arruda. 28 Solicitação de emissão de cheque pela Sra. Carla Rosa, do departamento financeiro do GRUPO CATHO, e cheque nominal à Arruda Consultoria Informática e Administração de Bens Part Ltda, com a finalidade de pagamento de R$ 43.842,91 a título de bônus ao Sr. Adriano Arruda. 34/36 Formulário de Solicitação de Pagamento à Copygool Copiadora Ltda – EPP, aprovada pelos Srs. Maurício Colella, Celso Alexandre da Silva e Álvaro Mello, no valor de R$ 3.680,90, para a encadernação e impressão de livros, constando do campo “centro de custo” o nome do Sr. Adriano Arruda, relacionado à conta contábil 16.01.002 (“Diretor”). 77/78 Mensagens (email) entre o Srs. Ivan Vinícius Braga e Adriano Arruda, que ordenou a aquisição de servidores e softwares. 83 Mensagens (email) entre o Srs. Adriano Arruda e Thomas Case, que autorizou o pagamento de R$ 10.257,96 a título de bônus sobre o recorde de vendas ao Sr. Adriano Arruda para as franquias Locer, Catho Online e demais Franquias. 102 Mensagem (email) do Sr. Thomas Case, com cópia ao Sr. Adriano Arruda, para os Srs. Constantino e Rodolfo, convidandoos para serem sócios da ABTD – Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento. 114 Cheque no valor de R$1.690,00, referente ao pagamento de anuidade à ABTD, solicitado pelo Sr. Rodolfo Ohl, e supostamente autorizado pelo Sr. Adriano Arruda, conforme indicação de sua rubrica pela fiscalização. 115 Solicitação de emissão de cheque pela Sra. Liliane, para o departamento financeiro/constas a pagar do GRUPO CATHO, no valor de R$ 1.743,37, tendo como finalidade pagamento de passagens aéreas ao Sr. Leandro Cabral, autorizada pelo Sr. Thomas Case e supostamente autorizado pelo Sr. Adriando Arruda, conforme indicação de sua rubrica pela fiscalização. 125 Documentos emitido por Suchodolski Advogados Associados, relativo a faturas por serviços advocatícios prestados, com a descrição de “Entendimentos com o Sr. Adriano Arruda, Dra. Gisele”; “Conferência com Dr. Thomas Case e Sr. Adriano Arruda”; “Reunião com Srs. Thomas Case, Adriano, Dr. Marcos Zaguery e Sra. Gisele”. 150, 166, 169 Relação, sem qualquer data, em que o Sr. Adriano A. B. Arruda está vinculado para fins de rateio de custo à conta 1.16.01.002 – Diretor Geral. 171 Solicitação de emissão de cheque pela Sra. Carla Rosa, do departamento financeiro/contas a pagar do GRUPO CATHO, e cheque nominal à Arruda Serviços S/C Ltda – ME, com a finalidade de pagamento de R$ 11.396,49 a título de bônus ao Sr. 191 Fl. 9367DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.368 49 Adriano Arruda. Cheque nominal à Arruda Serviços S/C Ltda – ME, no valor de R$ 20.750,00, destinado ao Sr. Adriano A. B. Arruda. 192 Solicitação de emissão de cheque pela Sra. Carla Rosa, do departamento financeiro/contas a pagar do GRUPO CATHO, e cheque nominal à Arruda Serviços S/C Ltda – ME, com a finalidade de pagamento de R$ 31.915,00 a título de bônus ao Sr. Adriano Arruda. 193 Solicitação de emissão de cheque pela Sra. Carla Rosa, do departamento financeiro/contas a pagar do GRUPO CATHO, e cheque nominal à Arruda Serviços S/C Ltda – ME, com a finalidade de pagamento de R$ 2.298,00 a título de complemento de bônus ao Sr. Adriano Arruda. 194 Solicitação de emissão de cheque pela Sra. Carla Rosa, do departamento financeiro/contas a pagar do GRUPO CATHO, e cheque nominal à Arruda Serviços S/C Ltda – ME, com a finalidade de pagamento de R$ 1.232,94 a título de bônus ao Sr. Adriano Arruda. 195/196 Solicitação de emissão de cheque pela Sra. Carla Rosa, do departamento financeiro/contas a pagar do GRUPO CATHO, e cheque nominal à Itamambuca Serv Dig Ltda ME, com a finalidade de pagamento de R$ 53.250,87 a título de bônus ao Sr. Adriano Arruda. 197 Mensagens entre o Srs. Adriano Arruda e Luiz Wagner, em que aquele instrui este a emitir o cheque no valor de R$ 53.250,87, relativo ao pagamento de bônus, em nome da Itamambuca Serv Dig Ltda ME. 198/199 Solicitação de emissão de cheque pela Sra. Carla Rosa, do departamento financeiro/contas a pagar do GRUPO CATHO, e cheque nominal à Itamambuca Serv Dig Ltda ME, com a finalidade de pagamento de R$ 43.613,69 a título de bônus ao Sr. Adriano Arruda. 200 Solicitação de emissão de cheque pela Sra. Carla Rosa, do departamento financeiro/contas a pagar do GRUPO CATHO, e cheque nominal à Itamambuca Serv Dig Ltda ME, no valor de R$ 47.579,44, relativo à prestação de serviços. 201/202 Mensagens entre o Srs. Adriano Arruda e Luiz Wagner, em que aquele requer a liberação do pagamento do bônus, no valor de R$ 13.353,78, “referente ao recorde de recebimentos do BPO (Catho Online + Locer)”, e consequente aprovação pelo requerente, tendo sido tal pagamento realizado mediante cheque nominal para Fernando Montero da Costa – ME, lastreado em nota fiscal emitida por tal microempresa. 584/586 Solicitação de Cheque pelo Sr. Ivan Vinicius Braga ao Departamento Financeiro, referente a pagamento de fornecedores (locação de impressoras), tendo como Solicitante a Sra. Liliane Costa e constando um carimbo (“Adriano Arruda – Diretor Geral”), sem aposição de assinatura. 748 Solicitação de Cheque pelo Sr. Ivan Vinicius Braga ao Departamento Financeiro/Constas a Pagar, referente a pagamento de fornecedor (primeira parcela da implementação da política de antivírus no Grupo Catho), tendo como Solicitante a Sra. Liliane e supostamente autorizado pelo Sr. Adriando Arruda, conforme indicação de sua rubrica pela fiscalização. 751 Apesar de os documentos, em sua maioria, comprovarem o recebimento de bônus, ainda que por intermédio de pessoas jurídicas indicadas pelo próprio Sr. Adriano Aparecido do Bento Arruda, não têm força suficiente para atestar a condição de administrador que lhe fora imputada, diferentemente caso as ordens de pagamento houvessem sido por ele autorizadas. Ao menos, esta hipótese não emerge do acervo probatório indicado pela fiscalização para fins de responsabilização. De igual maneira, participações em reuniões com advogados não necessariamente atestam o poder de administração, tampouco a indicação de 3 Fl. 9368DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.369 50 (três) rubricas, sem comprovação pericial, e a aposição de um carimbo com registro do cargo de “DiretorGeral”. Considerando, ainda, que a tributação envolveu a glosa de 922 registros de despesas e a adição de receitas fraudulentamente contabilizadas em uma SCP, além de a fiscalização ter caracterizado à exaustão o poder de administração do Sr. Thomas Amos Case, as provas mencionadas acima não têm força suficiente para a manutenção da responsabilidade tributária do Sr. Adriano Aparecido Bento de Arruda. Assim, com a devida vênia ao entendimento da fiscalização e da Quinta Turma da DRJ – Campinas (SP), em que pese o Sr. Adriano Aparecido do Bento Arruda poder, quem sabe, ter participado de todo esse concerto de burla à tributação, ora desvendado, as provas indicadas no Termo de Verificação Fiscal, particularmente no item 6, não permitem concluir por sua participação ativa na administração do contribuinte. Também, pelo simples fato de ser sócio, ou mesmo beneficiário econômico a partir de atos que, salvo prova em contrário, não foram por ele praticados, não pode ser responsabilizado, ainda que solidariamente, por débitos tributários da pessoa jurídica, decorrentes das infrações apontadas. Quanto ao cancelamento de suposto arrolamento de bens, não pode ser conhecido nesta instância, vez que não compõe o litígio. O pedido ser direcionado diretamente à respectiva unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Por fim, cabe ressaltar que o decidido no lançamento de IRPJ aplicase ao auto de infração de CSLL, dada a íntima relação de causa e efeito existente. Por todo o exposto, voto no sentido de: a) NEGAR PROVIMENTO ao recurso do contribuinte; b) DAR PROVIMENTO ao recurso do Sr. Adriano Aparecido Bento de Arruda para excluir a sua responsabilidade tributária. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 9369DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.370 51 Voto Vencedor Conselheiro SÉRGIO LUIZ BEZERRA PRESTA – Relator Designado Não obstante a coerente fundamentação contemplada no voto do Ilustre Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, a quem rendo minhas homenagens, tão bem exposto à Turma em relação ao recurso voluntário, onde os membros do colegiado deram provimento parcial ao recurso, para apenas para cancelar a multa isolada sobre estimativas não pagas. Observando tudo que consta dos autos, não tenho como concordar com as razões de decidir do Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro em relação ao tema da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais, neste ponto considero procedentes os argumentos da Recorrente tendo em vista que a questão da multa em razão de falta ou insuficiência de pagamento das estimativas mensais já está pacificada no âmbito do processo administrativo fiscal federal. Dos inúmeros julgados a respeito do tema uma maioria esmagadora entende que é impossível à imposição da multa isolada, nos termos do inciso IV do §1º, independe do resultado apurado no encerramento do exercício financeiro, devendo ser aplicada sempre sobre o valor da estimativa não recolhida. E, isso demonstra que encerrado a ano calendário, não mais cabe aplicar a multa isolada por falta ou insuficiência de estimativas, pois essas ficam absorvidas pelo tributo incidente sobre o resultado anual. Até porque, encerrado o ano calendário, não há mais base de cálculo para exigência da multa, eis que, com o deslocamento do fato gerador da obrigação tributária para 31 de dezembro de cada ano, para as empresas que optem por recolher o imposto de renda e a contribuição social sobre o lucro real anual, desaparece o bem tutelado pela norma jurídica, no caso as antecipações que deveriam ter sido recolhidas no decorrer do ano calendário, surgindo, com a apuração do lucro real ao final do ano calendário, o imposto efetivamente devido, única base imponível que sofrerá a sanção caso o mesmo não seja recolhido pelo sujeito passivo da obrigação tributária. Na verdade, os dispositivos legais previstos nos incisos III e IV, § 1º. do art. 44 da Lei nº. 9.430/96 têm como objetivo obrigar o sujeito passivo da obrigação tributária ao recolhimento mensal de antecipações de um provável imposto de renda e contribuição social que poderá ser devido ao final do ano calendário. Ou seja, é inerente ao dever de antecipar a existência da obrigação cujo cumprimento se antecipa, e sendo assim, a penalidade só pode ser exigida durante aquele ano calendário, de vez que, com a apuração do tributo e da contribuição social efetivamente devida ao final do ano calendário (31/12), desaparece a base imponível daquela penalidade (antecipações), pela ausência da necessária ofensa a um bem juridicamente tutelado que a justifique. A partir daí, surge uma nova base imponível, esta já com base no tributo efetivamente apurado ao final do ano calendário, surgindo assim à hipótese da aplicação tão somente do inciso I, § 1º. do art. 44 da Lei nº. 9.430/96, caso o tributo não seja pago no seu Fl. 9370DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.371 52 vencimento e apurado exoffício, mas jamais com a aplicação concomitante da penalidade prevista nos incisos III e IV, do § 1º do mesmo diploma legal. Até porque a dupla penalidade afronta o disposto no artigo 97, V, c/c o artigo 113 do CTN, que estabelece apenas duas hipóteses de obrigação de dar, sendo a primeira ligada diretamente à prestação de pagar tributo e seus acessórios, e a segunda, relativamente à obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações pecuniárias por descumprimento de obrigação acessória. As turmas ordinárias e a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF têm reiteradas decisões no sentido da impossibilidade de aplicação concomitante das duas multas, conforme pode ser visto abaixo: “EMENTA: MULTA DE OFICIO ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFICIO. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a penalidade quando existir concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual (mesma base)” (CARF Processo nº 19515.002094/200926 Acórdão nº 140201.081 – 1ª Seção 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária – Julg 14/06/2012). “EMENTA: MULTA DE OFICIO ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFICIO. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a penalidade quando existir concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual (mesma base)”. (CARF Processo nº 19515.002090/200948 Acórdão nº 140201.078 1ª Seção – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária – Julg 14/07/2012). “EMENTA: APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação” (CARF Processo nº 18471.001020/200611 Acórdão nº 180301.263 – 1ª Seção – 4ª Câmara – 3ª Turma Especial – Julg 10/04/2012). “EMENTA: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. (...) MULTA DE OFICIO ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFICIO. Fl. 9371DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.372 53 INAPLICABILIDADE. É inaplicável a penalidade quando existir concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual”. (CSRF Processo nº 11020.003681/200992 Acórdão nº 910101.402 – 1ª Turma – Julg 17/07/2012). “EMENTA: MULTA ISOLADA APLICAÇÃO CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFICIO — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação” (CSRF Processo nº 10480.004535/200317 Acórdão nº 9101001.307 – 1ª Turma; julg 24/04/2012). Diante dos sólidos argumentos e das claras decisões acima e de muitas outras proferidas pelas turmas ordinárias e pela Câmara Superior de Recursos Fiscais do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF demonstram a ampla, geral e irrestrita impossibilidade de exigência concomitante de multa de oficio por falta de recolhimento de tributo devido ao final do exercício e por falta de recolhimento de estimativas no mesmo período. Tais argumentos e decisões têm lastro nas determinações contidas no art. 44 da Lei n° 9.430/96 que autoriza e disciplina a aplicação da multa isolada, conforme pode ser visto abaixo: “Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; §1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: I – juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; (...); IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente”. O Art. 2° da Lei n° 9.430/96 assim determina: “Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimado, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, Fl. 9372DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 13896.002871/201052 Acórdão n.º 1103000.834 S1C1T3 Fl. 9.373 54 observado o disposto nos §§ 1° e 2° do art. 29 e nos arts 30 a 32,34 e 35 da Lei n°8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei n°9.065, de 20 de junho de 1995”. As remissões relevantes contidas nos diplomas legais acima são as seguintes: “Art. 35 (Lei n° 8.981/95) A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado excede o valor do imposto, calculado com base no lucro real do período em curso. (...) §2° Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de base de cálculo negativas fiscais apurados a partir do mês de janeiro do ano calendário”. Diante do exposto e principalmente observado as razões de decidir acima, não tenho como deixar de reformar o acórdão recorrido, tendo em vista que não pode subsistir a aplicação de penalidade isolada decorrente da falta de pagamento de exações fiscais, cujos débitos não foram confessados na DCTF original ou primitiva; e, a outra, em decorrência da falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL, ambos sobre a base de calculo estimada. Assim, diante do exposto, observando tudo que consta nos autos, voto no sentindo de dar provimento parcial ao recurso, única e tão somente, para afastar a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais, mantendo os demais termos do voto vencido. (assinado digitalmente) Sérgio Luiz Bezerra Presta Fl. 9373DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 07/0 4/2015 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 06/04/2015 por SERGIO LUIZ BEZER RA PRESTA, Assinado digitalmente em 13/05/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10909.004208/2008-93
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 30 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3403-000.491
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso até que sobrevenha decisão definitiva no RE 606.107.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Alexandre Kern, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Ivan Allegretti e Marcos Ortiz Tranchesi.
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso até que sobrevenha decisão definitiva no RE 606.107. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Domingos de Sá Filho - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Alexandre Kern, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Ivan Allegretti e Marcos Ortiz Tranchesi. Relatório
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1951; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 2 1 1 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10909.004208/200893 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3403000.491 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Data 21 de agosto de 2013 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente ITAPINUS IND E COMERCIO DE MADEIRAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso até que sobrevenha decisão definitiva no RE 606.107. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Alexandre Kern, Mônica Monteiro Garcia de los Rios, Ivan Allegretti e Marcos Ortiz Tranchesi. Relatório Cuida de Recurso Voluntário em decorrência do Acórdão que manteve na integra a decisão contida no Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o direito do contribuinte tomar crédito da COFINS para deduzir dos débitos do período de 01.07.2007 a 30.09.2007. Ciente da decisão em 16 de março de 2012 protocolou o recurso em 10 de abril de 2012, conforme certidão de fls. 287. Irresignado sustenta que o frete incorrido entre as filiais deve ser computado para o cálculo para tomada do crédito em razão de que são em sua totalidade produtos a serem exportados, que em razão da deficiência da infraestruturar de armazenagem na área portuária foi obrigado locar espaços físico cujo custo da operação lhe assegura o direito de tomar crédito. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 09 .0 04 20 8/ 20 08 -9 3 Fl. 812DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10909.004208/200893 Resolução nº 3403000.491 S3C4T3 Fl. 3 2 Deixa de demonstrar inconformismo com a glosa dos créditos das aquisições de pessoas físicas, antes apontada em Manifestação de Inconformidade. A decisão recorrida afastou os argumentos da Recorrente em relação ao frete por ausência de prova, como se extraí da ementa: “ementa: APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS DE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Os valores das despesas efetuadas com fretes contratados, ainda que pagos ou creditados a pessoas jurídicas domiciliadas no país para as transferências de mercadorias (produtos acabados) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, somente geram direito a créditos a serem descontados da Cofins devida quando houver prova de que se referem efetivamente a operações de venda já efetivadas pelo estabelecimento remetente”. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator. Neste caderno uma das matérias discutidas é a inclusão à base de cálculo de receita proveniente de cessão de saldo credor de ICMS a terceiros. É de conhecimento geral que esse assunto encontra submetido à repercussão geral perante o Supremo Tribunal Federal – STF – Recurso Extraordinário número 606.107. De modo que, cabe propor o sobrestamento do recurso voluntário interposto, nos termos do art. 62A do RICARF (Portaria MF 256/09), até superveniente manifestação definitiva do Supremo Tribunal Federal no RE 606.107. Diante do exposto, constatado de que um dos assuntos se refere à inclusão à base de cálculo cessão de direito creditório decorrente de saldo credor de ICMS, voto no sentido de sobrestar o julgamento até que sobrevenha decisão definitiva do julgamento do recurso extraordinário nº RE 606.107. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 813DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/08/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 27/08/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 10120.720855/2010-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu May 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007, 2008
Ementa:
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. SÚMULA CARF Nº 32
Quando restar comprovado nos autos que a movimentação financeira não pertencia ao titular da conta bancária, mas sim a terceiros que a movimentavam - inclusive com a outorga de procuração para este fim - cabe o lançamento em nome dos terceiros responsáveis por esta movimentação, e não em nome do titular da conta. Aplicação do enunciado nº 32 da Súmula deste CARF: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros.
Numero da decisão: 2102-003.282
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. A conselheira Núbia Matos Moura acompanhou pelas conclusões.
Assinado Digitalmente
Joao Bellini Junior - Presidente Substituto
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 06/04/2015
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOAO BELLINI JUNIOR (Presidente Substituto), ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, LIVIA VILAS BOAS E SILVA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. A conselheira Núbia Matos Moura acompanhou pelas conclusões. Assinado Digitalmente Joao Bellini Junior - Presidente Substituto Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora EDITADO EM: 06/04/2015 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOAO BELLINI JUNIOR (Presidente Substituto), ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, LIVIA VILAS BOAS E SILVA.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INTERPOSIÇÃO DE PESSOA. SÚMULA CARF Nº 32 Quando restar comprovado nos autos que a movimentação financeira não pertencia ao titular da conta bancária, mas sim a terceiros que a movimentavam inclusive com a outorga de procuração para este fim cabe o lançamento em nome dos terceiros responsáveis por esta movimentação, e não em nome do titular da conta. Aplicação do enunciado nº 32 da Súmula deste CARF: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. A conselheira Núbia Matos Moura acompanhou pelas conclusões. Assinado Digitalmente Joao Bellini Junior Presidente Substituto Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 06/04/2015 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 08 55 /2 01 0- 28 Fl. 492DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 27/05/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOAO BELLINI JUNIOR (Presidente Substituto), ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, LIVIA VILAS BOAS E SILVA. Relatório Em face da Contribuinte acima identificada, foi lavrado Auto de Infração constante às fls. 378/460, apurandose o valor do crédito tributário no importe de R$7.878.161,98 (sete milhões, oitocentos e setenta e oito mil, cento e sessenta e um reais e noventa e oito centavos), incluindo multa de ofício de 75% e juros de mora, tendo em vista a instauração de Procedimento Fiscal para fiscalização do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, Exercícios 2006 a 2008, período: janeiro/2005 a dezembro/2007. Da ação fiscal, restou a constatação da seguinte irregularidade: Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado, efetuamos o Lançamento de Ofício, nos termos do art. 926 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda 1999), tendo em vista que foram apuradas as infração(ões) abaixo descrita(s), aos dispositivos legais mencionados. 001 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta de depósito, mantida no banco do Brasil S/A., em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Verificação Fiscal e documentos que integram este Auto de Infração. A ação fiscal encontrase esmiuçada no Termo de Verificação Fiscal, acostado às fls. 388/392, no qual deve ser destacado os seguintes trechos: Como se pode observar das declarações da contribuinte, a contacorrente nº 18.0807 na Agência nº 40576 do Banco do Brasil S/A., foi abeta com o seu consentimento, as procurações ao Sr. Dalvo Ramos da Silva para movimentação da referida contacorrente, foram outorgadas por ato espontâneo e em nenhum momento a contribuinte mencionou qualquer providência no sentido de reverter os poderes concedidos, fato este que lhe remete toda a responsabilidade pelos atos praticados em seu nome, recursos movimentados e informações à Receita Federal sobre a justificativa da origem desses recursos assim como a comprovação por meio de documentos idôneos, de todas as operações realizadas. É estranho que diante do grave fato da movimentação de recursos em sua contacorrente ao longo dos anos de 2005, 2006 e 2007, supostamente desconhecidos, ora interpelados pela Fl. 493DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 27/05/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI Processo nº 10120.720855/201028 Acórdão n.º 2102003.282 S2C1T2 Fl. 493 3 Receita Federal, a contribuinte nunca compareceu pessoalmente a esta instituição para esclarecer os motivos pelos quais consentiu em abrir uma contacorrente para movimentação de recursos que, como informa, não lhe pertenciam e comprovar os seus argumentos para a necessária vinculação dos recursos a quem de direito, não obstante as implicações tributárias e até penais dos fatos. (...) Em relação à movimentação financeira verificada em sua conta corrente nº 08.0807, movimentada no Banco do Brasil S/A., Agência nº 40576, conforme demonstrativos, as informações encaminhadas a esta Delegacia pela contribuinte são precárias e sem consistência não comprovando nem justificando a origem de uma só operação. Dessa forma, consideramos de Origem Não Comprovada todos os créditos que constam dos DEMONSTRATIVOS DOS CRÉDITOS RECEBIDOS EM CONTASCORRENTES encaminhados à contribuinte, considerados OMISSÃO DE RECEITA OU DE RENDIMENTO com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96”. Cientificada do lançamento fiscal e inconformada, a Contribuinte apresentou a Impugnação de fl. 465, por meio do qual alegou que: Em relação a movimentação financeira da conta corrente do Banco do Brasil, e já informado anteriormente, esta foi feita a pedido de meu filho MAURICIO ANTONIO DUARTE PORTO para a finalidade de comercialização de compra e venda informal de produtos de artesanato, atividade exercida na época por ele. Cabia a ele, única e exclusivamente a ele, todo o acompanhamento de extratos bancários, depósitos, retiradas, enfim, toda movimentação da referida conta. Para tanto solicito o acolhimento da mesma. Na análise das alegações apresentadas em sede de Impugnação, os integrantes da 3ª Turma da DRJ/BSB decidiram, por unanimidade de votos, julgála improcedente, mantendose integralmente o crédito tributário exigido, sendo extraída a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizamse como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantidas junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Impugnação Improcedente Fl. 494DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 27/05/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI 4 Crédito Tributário Mantido A Contribuinte teve ciência de tal decisão, e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 484, pelo qual reiterou integralmente as alegações contidas em sua Impugnação, ressaltando ainda que: Reitero as informações anteriores de que toda movimentação bancária que resultou em auto de infração era de responsabilidade de meu filho MAURICIO ANTONIO DUARTE PORTO, CPF: 274 058 93104, que fora aberta com a finalidade de comercialização de artesanato, sua atividade a época, cabendo a ele o acompanhamento de extratos, depósitos e retiradas. O obvio não se discute, como titular da mesma e claro que assinava a pedido dele todas as documentações necessárias, porém a ele cabia todo o controle bem como os lucros e no caso específico, o prejuízo, que decorreu destas operações a mim informada por ele. Acredito que para o bom andamento do mesmo seria prudente apensar este ao acórdão de meu filho n. 0347.335 do processo n. 10120720.854/201083 afim de uma análise JUSTA dos fatos. O que certamente acabara por reparar o auto e arquivar a ambos os procedimentos. Assim, os autos foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora A contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 19.03.2012, como atesta o AR de fls. 488. O Recurso Voluntário foi interposto em 27.03.2012 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão que manteve lançamento para exigência de IRPF em razão da presunção de omissão de rendimentos decorrentes da existência de depósitos bancários cuja origem deixou de ser comprovada. Desde a fase de fiscalização, a Recorrente vem alegando simplesmente que não movimentava as contas que ensejaram o lançamento, pois outorgara procuração ao Sr. Dalvo Ramos da Silva – funcionário indicado por seu filho Mauricio Antonio Duarte Porto. Esta é, então, a única alegação de defesa e por isso mesmo a única questão trazida para apreciação desta turma julgadora. Consta do Termo de Verificação Fiscal que instrui este lançamento que após ser intimada diversas vezes a apresentar os extratos bancários das contas que mantinha no Banco do Brasil a Recorrente quedouse inerte, o que ensejou a expedição de RMF aos bancos. Como resultado, o banco apresentou os extratos bancários e informou a existência de uma procuração outorgada ao Sr. Dalvo Ramos da Silva, que teria poderes para movimentar a conta Fl. 495DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 27/05/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI Processo nº 10120.720855/201028 Acórdão n.º 2102003.282 S2C1T2 Fl. 494 5 180807 da agência 34835. É o que demonstra o seguinte trecho extraído do Termo de Verificação: A autoridade fiscal então deu seguimento ao procedimento fiscal, com os seguintes procedimentos (por ela mesma narrados): (...) E ainda: Com base nos fatos até então apurados, a autoridade fiscal – ao invés de proceder à intimação do procurador nomeado para atuar perante o Banco do Brasil (Dalvo) ou do filho da contribuinte – decidiu por efetuar intimações de pessoas físicas e jurídicas que tivessem efetuado depósitos na conta bancária em questão. As intimações e respectivas respostas não constam dos autos, mas apenas uma delas, relacionada a um depósito de R$ 12.738,88, verbis: Fl. 496DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 27/05/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI 6 E assim o procedimento fiscal foi encerrado, sendo imputada à Recorrente a responsabilidade sobre a totalidade da movimentação financeira em questão. A decisão recorrida, por seu turno, entendeu que o lançamento deveria ser mantido em razão da falta de provas de que a Recorrente não tivesse movimentado a referida conta. Este entendimento merece ser reformado. Isto porque, ao contrário do que entenderam a autoridade fiscal e a decisão recorrida, o que há nos autos é a negativa da Recorrente de ter movimentado as contas em questão, inclusive com a cópia das procurações outorgadas a terceiro, com amplos poderes para realizar a movimentação financeira em tela. Caberia então à autoridade fiscal ter trazido outras provas de que os procuradores não eram responsáveis por movimentação nenhuma – o que poderia ter sido feito, por exemplo, através de cópias de cheques ou ordens de transferência assinados pela própria Recorrente. No entanto, o único fato trazido aos autos em desfavor da Recorrente (como indício de que ela movimentava a referida conta bancária) foi o recibo apresentado por uma das pessoas jurídicas que efetuou um depósito na conta em questão. Entretanto, tal documento, por si só, não se mostra suficiente para comprovar que a movimentação bancária nas referidas contas realmente era feita por ela. Vale reiterar que desde o início do procedimento fiscal a Recorrente afirmou à autoridade fiscal que a movimentação em questão não lhe pertencia, e a autoridade fiscal em nenhum momento intimou qualquer um dos demais envolvidos mencionados por ela – seja o filho da Recorrente, seja o Sr. Dalvo. Ao contrário, a autoridade fiscal presumiu que por ter outorgado a procuração a terceiros, a contribuinte (ora Recorrente) se tornaria a verdadeira responsável pela movimentação efetuada nas referidas contas. Ora, é sabido que a titularidade de uma conta não é prova absoluta de que a mesma seja movimentada por uma determinada pessoa (seu titular). Tanto é assim que o § 5º do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996 prevê a possibilidade de se efetuar o lançamento em face de um terceiro que efetivamente tenha movimentado a conta bancária, verbis: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente Fl. 497DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 27/05/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI Processo nº 10120.720855/201028 Acórdão n.º 2102003.282 S2C1T2 Fl. 495 7 intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. Assim, é inegável que não há como imputar a movimentação financeira em questão à Sra. Terezinha, restando comprovada a ocorrência de interposição de pessoa, razão pela qual tem aplicação aqui o disposto no § 5º do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Vale lembrar ainda o conteúdo do Enunciado nº 32 da Súmula deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, segundo o qual: “A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros.”. Tal enunciado é de aplicação obrigatória, nos termos do art. 72 do Regimento Interno deste Conselho. Diante do exposto, VOTO no sentido de DAR provimento ao recurso, para cancelar o lançamento. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 498DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 27/05/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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Numero do processo: 16327.001137/2004-71
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 1996, 1997
EMBARGOS DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES.
O deferimento dos embargos de declaração pode ter, em alguns casos, efeitos infringentes, no sentido de determinar a modificação do julgamento anteriormente realizado (Acórdão CSRF/0104.539), razão pela qual retifica-se o Acórdão nº 330100.783, restabelecendo os efeitos do Acórdão nº 330100.198, passa a ter a seguinte redação.
Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1996, 1997
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula CARF n° 11).
ANISTIA FISCAL. LEI N° 9.779, DE 1999. PAGAMENTO PARCIAL.
Em observância aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, deve ser concedido o benefício fiscal previsto na Lei n° 9.779/99, relativamente aos valores efetivamente recolhidos pela contribuinte.
Embargos de Declaração Acolhidos e Providos
Recurso Parcialmente Provido.”
Numero da decisão: 3301-001.322
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em acolher os embargos dos embargos de declaração, com efeito infringentes, razão pela qual retifica-se o Acórdão nº 330100.783 restabelecendo os efeitos do Acórdão nº 330100.198, alterando-se o resultado e decisório no sentido dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela parte Embargante o Advogado Dr. Mário Junqueira Franco Júnior, OAB/SP nº 140.284
Nome do relator: Antônio Lisboa Cardoso
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 1996, 1997 EMBARGOS DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. O deferimento dos embargos de declaração pode ter, em alguns casos, efeitos infringentes, no sentido de determinar a modificação do julgamento anteriormente realizado (Acórdão CSRF/0104.539), razão pela qual retifica-se o Acórdão nº 330100.783, restabelecendo os efeitos do Acórdão nº 330100.198, passa a ter a seguinte redação. Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 1996, 1997 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula CARF n° 11). ANISTIA FISCAL. LEI N° 9.779, DE 1999. PAGAMENTO PARCIAL. Em observância aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, deve ser concedido o benefício fiscal previsto na Lei n° 9.779/99, relativamente aos valores efetivamente recolhidos pela contribuinte. Embargos de Declaração Acolhidos e Providos Recurso Parcialmente Provido.”
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EFEITOS INFRINGENTES. O deferimento dos embargos de declaração pode ter, em alguns casos, efeitos infringentes, no sentido de determinar a modificação do julgamento anteriormente realizado (Acórdão CSRF/0104.539), razão pela qual retifica se o Acórdão nº 330100.783, restabelecendo os efeitos do Acórdão nº 3301 00.198, passa a ter a seguinte redação: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 1996, 1997 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula CARF n° 11). ANISTIA FISCAL. LEI N° 9.779, DE 1999. PAGAMENTO PARCIAL. Em observância aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, deve ser concedido o benefício fiscal previsto na Lei n° 9.779/99, relativamente aos valores efetivamente recolhidos pela contribuinte. Embargos de Declaração Acolhidos e Providos Recurso Parcialmente Provido.” Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em acolher os embargos dos embargos de declaração, com efeito infringentes, razão pela qual retificase o Acórdão nº 330100.783, Fl. 636DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 16327.001137/200471 Acórdão n.º 330101.322 S3C3T1 Fl. 92 2 restabelecendo os efeitos do Acórdão nº 330100.198, alterandose o resultado e decisório no sentido dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela parte Embargante o Advogado Dr. Mário Junqueira Franco Júnior, OAB/SP nº 140.284. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Maurício Taveira e Silva, Andrea Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pela contribuinte em epígrafe, em face do acórdão nº 330100.783, prolatado na sessão de 08 de dezembro de 2010, sintetizado na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1996, 1997 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. O deferimento dos embargos de declaração pode ter, em alguns casos, efeitos infringentes, no sentido de determinar a modificação do julgamento anteriormente realizado (Acórdão CSRF/0104.539), razão pela qual retificase o Acórdão n 331 00.198 3 a Câmara / I a Turma Ordinária, cuja ementa passa a ter a seguinte redação: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 1996, 1997 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula CARF n° 11). ANISTIA FISCAL. LEI Nº 9.779, DE 1999. PAGAMENTO PARCIAL. Para a fruição da anistia fiscal instituída pelo art. 17, da Lei nº 9.779/99, mesmo ante o pagamento parcial, nos termos Fl. 637DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 16327.001137/200471 Acórdão n.º 330101.322 S3C3T1 Fl. 93 3 do § 6º do referido dispositivo, todavia, no caso de pagamento insuficiente ou a menor, não asse, manutenção do beneficio. Recurso Impróvido." Embargos de declaração acolhidos e providos. O acórdão originário, de nº330100.198, ao qual a PFN embargara, foi proferido na sessão de 14 de agosto de 2009, recebeu a seguinte ementa: "Assunto: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Anocalendário: 1996, 1997 Ementa: PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula nº 7 do 2º Conselho de Contribuintes). ANISTIA FISCAL. LEI Nº 9.779, DE 1999. PAGAMENTO PARCIAL. Em observância aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, deve ser concedido o beneficio fiscal previsto na Lei nº 9.779/99, relativamente aos valores efetivamente recolhidos pela contribuinte. Recurso Parcialmente Provido.” Desta forma, este Colegiado acolheu os Embargos da PFN por entender que no presente caso por se tratar de pagamento insuficiente não daria direito ao benefício da anistia instituída pela Lei nº 9.779, de 1999. Os Embargos de Declaração que estão sendo analisados, têm os seguintes fundamentos: “(...) Fl. 638DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 16327.001137/200471 Acórdão n.º 330101.322 S3C3T1 Fl. 94 4 Fl. 639DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 16327.001137/200471 Acórdão n.º 330101.322 S3C3T1 Fl. 95 5 Fl. 640DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 16327.001137/200471 Acórdão n.º 330101.322 S3C3T1 Fl. 96 6 É o relatório. Voto Conselheiro ANTÔNIO LISBOA CARDOSO, Relator Os Embargos de Declaração atendem as condições de admissibilidade, inclusive quanto à tempestividade. Pior que a insegurança jurídica que possa provocar este julgamento é este Colegiado manter uma decisão que contraria só a jurisprudência deste CARF, como também as próprias consciências dos nobres julgadores. Desta forma, submeto à apreciação deste nobre Colegiado, a presente proposta para que sejam acolhidos os Embargos de Declaração tempestivamente opostos pelo Contribuinte em epígrafe. Revendo o processo, convém recordar que o acórdão prolatado pela 8ª Turma da DRJ de São Paulo (fls. 452/465), que indeferiu o benefício da anistia requerida, em decorrência de “pequenas diferenças no recolhimento do tributo”, conforme depreendese da ementa de fl. 452, in verbis: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 1996, 1997 Ementa: INCENTIVO FISCAL. ANISTIA. REQUISITOS. Considerando que as normas relativas a concessão de benefícios fiscais devem ser interpretadas literalmente, mesmo a ocorrência de pequenas diferenças no recolhimento do tributo caracteriza a falta de cumprimento de requisitos legais, impedindo a concessão desses benefícios fiscais. Solicitação Indeferida. Fl. 641DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 16327.001137/200471 Acórdão n.º 330101.322 S3C3T1 Fl. 97 7 Realmente, em que pese os argumentos da douta PFN no sentido de que o caso em questão se refere a pagamento insuficiente e não de pagamento parcial, não vejo como subsistir esse argumento. Acresce ainda que, o Contribuinte, ora Embargante, procedeu ao recolhimento da diferença com os acréscimos legais pertinentes, isto é, com juros e multa de mora. Conforme bem citou a Recorrente, ora Embargante, chamando a atenção para a aplicação do princípio da proporcionalidade, peço vênia para novamente aqui transcrever a seguinte ementa: "2ºo Conselho de Contribuintes / 3a. Câmara / ACÓRDÃO 203 09125 em 13/08/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Depósitos judiciais insuficientes. Os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade são de fundamental importância na aplicação do Direito e satisfação da Justiça. A razoabilidade contrapõese a racionalidade, diante da insuficiência de seus critérios, permitindo soluções que não seriam possíveis no estrito campo do formalismo, e auxiliando na fundamentando das decisões jurídicas razoáveis. Devido, portanto, a exclusão dos juros e da multa somente sobre a parcela depositada. Recurso parcialmente provido. (Publicado no DOU em: 28.07.2004, rel. Conselheira MARIA TERESA MARTÍNEZ LOPEZ) Em face do exposto, voto no sentido de acolher os embargos de declaração, a fim de restabelecer os efeitos do Acórdão n° 330100.198, que havia sido modificado pelo Acórdão nº 330100.783, prolatados respectivamente nas sessões de 14 de agosto de 2009 e 08 de dezembro de 2010, retificandose, porém o seu decisório, que constou, equivocadamente, como tendo sido declinado da competência para a Primeira Seção do CARF, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1996, 1997 EMBARGOS DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS INFRINGENTES. O deferimento dos embargos de declaração pode ter, em alguns casos, efeitos infringentes, no sentido de determinar a modificação do julgamento anteriormente realizado (Acórdão CSRF/0104.539), razão pela qual retificase o Acórdão nº 3301 00.783, restabelecendo os efeitos do Acórdão nº 330100.198, passa a ter a seguinte redação: "Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 1996, 1997 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. PROCESSO ADMINISTRATIVO. Fl. 642DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 16327.001137/200471 Acórdão n.º 330101.322 S3C3T1 Fl. 98 8 Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula CARF n° 11). ANISTIA FISCAL. LEI N° 9.779, DE 1999. PAGAMENTO PARCIAL. Em observância aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, deve ser concedido o benefício fiscal previsto na Lei n° 9.779/99, relativamente aos valores efetivamente recolhidos pela contribuinte. Embargos de Declaração Acolhidos e Providos Recurso Parcialmente Provido.” É como voto. Antônio Lisboa Cardoso Relator Sala das Sessões, em 15 de fevereiro de 2012 Fl. 643DF CARF MF Impresso em 16/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 15/03/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/02/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 15374.721967/2008-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri May 29 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1201-000.170
Decisão: Resolução
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolveram os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rafael Correia Fuso Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Lima Junior.
Nome do relator: RAFAEL CORREIA FUSO
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decisao_txt : Resolução Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolveram os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Lima Junior.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1430; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15374.721967/200813 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1201000.170 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 25 de março de 2015 Assunto Declaração de Compensação Recorrente BHP BILLITON METAIS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolução Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolveram os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo – Presidente (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rafael Vidal de Araújo (Presidente), Marcelo Cuba Netto, Rafael Correia Fuso, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Lima Junior. Relatório Vejamos os fatos segundo as descrições da decisão da DRJ: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .7 21 96 7/ 20 08 -1 3 Fl. 367DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/04 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 15374.721967/200813 Resolução nº 1201000.170 S1C2T1 Fl. 3 2 Trata o processo de DCOMP Eletrônica, abaixo listadas, onde a interessada pretende compensar débitos mediante aproveitamento de crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002, no valor original de R $ 10.727.456 ,57. Em 18/09/2008, após análise, foi emitido Despacho Decisório pela DERAT/DIORT, fl. 84, com base no Parecer Conclusivo n° 386/2008, fls.81/83, não reconhecendo o direito creditório e não homologando as compensações. O indeferimento do pleito teve como motivo as seguintes constatações: 1) A interessada apresentou Declaração Retificadora, alterando o resultado de imposto a pagar de R $ 2.711.016,50 para saldo negativo de R$ 10.727.456,57. 2) Também, por meio do processo administrativo de n° 10768.909285/200621, a interessada compensa também crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, código 2430 ajuste final, no valor de R$ 11.746.710,67. 3) Para apurar a certeza e liquidez do crédito, nos termos do artigo 170 do CTN, foi realizada diligência fiscal, através da qual se verificou que o Consórcio Alumar é uma sociedade de fato, distinta da interessada, e que realiza toda a produção. 4) Portanto, concluiuse pela nulidade, extunc, do laudo constitutivo n° 30/2003, não possuindo a interessada direito a quaisquer benefícios fiscais, sendo nula a Isenção e Redução do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, originário do Lucro da Exploração da Atividade com Redução de 37,50 %. 5) Diante de tal conclusão, a DERAT não reconheceu o direito creditório no processo administrativo de n° 10768.909285/200621. 6) Assim, procedendo às retificações na Ficha 12 A Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real , excluindose o incentivo fiscal a título de Lucro da Exploração (linha 10 da mesma Ficha), apurase um imposto a pagar de R $ 8.744.424,99. Inconformada, apresentou manifestação de inconformidade em 22/10/2008, fls.118/139, com as seguintes alegações: I Alega a tempestividade da manifestação de inconformidade. II Histórico das Compensações • Para o desenvolvimento de suas atividades, constituiu o Consórcio de Alumínio do Maranhão (ALUMAR) juntamente com outras sociedades. • Por preencher os requisitos do artigo 14 da Lei n° 4.239/1963, foi concedido incentivo fiscal consistente na redução do Imposto de Renda e adicionais não restituíveis, aplicandose a alíquota de 37,5 % para o anocalendário de 2002. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/04 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 15374.721967/200813 Resolução nº 1201000.170 S1C2T1 Fl. 4 3 • Aplicando a redução, apurou saldo negativo de I R P J em razão de haver procedido a adiantamentos retenções na fonte e pagamentos mensais por estimativa. • O indeferimento do pedido tomou por base única e exclusivamente a Decisão emitida no processo administrativo de n ° 10768.909285/2006 21. • Traz os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade quanto à Decisão daquele processo. • Alega que a DEFIS/RJ deixou de analisar os documentos trazidos naquele processo por conta da proximidade do fim do prazo previsto no artigo 74, §5° da Lei n° 9.430/96, adotando como exclusivo fundamento a decisão da Fiscalização de Poços de Caldas relativa a contribuinte diverso, concluindo que o Consórcio Alumar é uma sociedade de fato, distinta das demais, que realiza toda a produção, que é comercializada pela BHP Billiton Metais S.A., opinando pela nulidade das Isenção e Redução do Imposto sobre o Lucro Real, originário do Lucro da Exploração da Atividade com redução de 37,50 % . II O Direito à compensação • O direito à compensação do saldo negativo decorre do reconhecimento do direito à redução do imposto sobre a renda e adicionais não restituíveis, calculados com base no lucro da exploração, tendo em vista o Laudo Constitutivo n° 030/2003, expedido pelo Ministério da Integração Nacional (Inventariança Extrajudicial da SUDENE). • Tendo efeito retroativo a 2002, a interessada procedeu á retificação da DIPJ fazendo nela constar a informação correta, apurando saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 10.727.456,00. • Esclarece que uma parcela do referido crédito foi objeto de compensação do processo administrativo de n° 10768.909285/200621. • O fundamento exclusivo da negativa de homologação da compensação reside na consideração de que o objeto de redução do imposto usufruída estaria ocorrendo no âmbito do Consórcio Alumar, não podendo a interessada se beneficiar da redução d o imposto de renda. • A recaracterização do Consórcio Alumar como Sociedade de Fato tem sua origem em Representação Fiscal originária da DRF de Poços de Caldas /MG, decorrente de fiscalização junto ao contribuinte ABALCO S / A . • Assim, com base em "prova emprestada" de processo referente a outro contribuinte e ainda não encerrado na esfera administrativa, e sem qualquer outra fundamentação adicional, que a DERAT/RJ negou a existência do Consórcio Alumar e recusou a compensação pleiteada, subscrevendo uma "declaração de nulidade com efeitos retroativos da isenção parcial de IRPJ", que foi devidamente reconhecida em Fl. 369DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/04 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 15374.721967/200813 Resolução nº 1201000.170 S1C2T1 Fl. 5 4 processo regular pelos órgãos competentes do Poder Executivo Federal, inclusive a Receita Federal. • O Acórdão n° 0914271, da 2ª Turma da DRJ/JFA fundamenta a caracterização do Consórcio Alumar como sociedade de fato posto que deixou cumprir o requisito legal de ser "constituído para executar determinado empreendimento", já que foi verificado a "abrangência da finalidade da constituição", a "amplitude do objeto empreendido pelo consórcio" e a "possibilidade de ser reiteradamente prorrogado", sendo que cada item será atacado. III A Natureza Jurídica do Consórcio e a correta interpretação do requisito do "empreendimento determinado". • O Consórcio Alumart em por objeto um empreendimento determinado. • No direito brasileiro, consórcio é o contrato pelo qual duas ou mais sociedades se obrigam, entre si, de forma coordenada, a executar determinado empreendimento, não resultando a criação de um novo ente dotado de personalidade. • Regulamento nos artigos 278 e 279 da Lei n° 6.404/76. • Empreendimento consiste num objetivo econômico a ser perseguido na produção, industrialização ou comercialização de bens e serviços. • Traz doutrina quanto à definição de "determinado empreendimento" para fins de caracterização do consórcio. • Conclui que atendem plenamente ao requisito da lei aqueles consórcios que abrangem mais de uma operação em base permanentes, sendo este o caso da Consórcio Alumar, conforme objeto do contrato, ficando evidenciada a absoluta precariedade jurídica das razões que fundamentaram o citado Acórdão. • O Consórcio Alumar como consórcio operacional para execução de negócios jurídicos relativos à atividade industrial determinada. • Rebate a afirmação na ementa no referida Acórdão, segundo a qual: " E necessário que o empreendimento seja determinado quanto ao contrato ou negócio jurídico especificamente envolvido". • Afirma que o contrato traz que o Consórcio Alumar é um consórcio operacional constituído para execução de um empreendimento determinado consistente na prática de negócios jurídicos relacionados com a exploração de u m a atividade industrial de transformação de recursos minerais. • Existência de prazo determinado • A lei não exige a fixação de um prazo determinado, devendo apenas constar no contrato sua duração, no caso, em 31/03/2050, compatível com o empreendimento, e determinado com base em estudos econômicos. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/04 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 15374.721967/200813 Resolução nº 1201000.170 S1C2T1 Fl. 6 5 I V D o pedido: requer que seja dado provimento à manifestação de inconformidade, reconhecendose a extinção dos créditos tributários. A DRJ manteve a não homologação da compensação, conforme acórdão abaixo transcrito: Considerando a legislação acerca do assunto, o direito à restituição, para que seja procedida à compensação, requer que o crédito seja líquido e certo, conforme prevê o artigo 170 do CTN, abaixo transcrito: "Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir a autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública." Neste contexto, a fim de comprovar a certeza e liquidez do suposto crédito, a interessada, obrigatoriamente, deveria ter instruído sua manifestação de inconformidade com documentos que respaldassem suas afirmações, considerando o disposto nos Art. 15 e 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, a seguir transcritos: "Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4°... A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Redação dada pelo art. 1° da Lei n.° 8.748/93) No caso concreto, o crédito pleiteado referese ao saldo negativo de IRPJ de 2002, no valor original de R$ 10.727.456,00. Afirma a interessada que, por preencher os requisitos do artigo 14 da Lei n° 4.239/1963, foi concedido incentivo fiscal consistente na redução do Imposto de Renda e adicionais não restituíveis, aplicandose a alíquota de 37,5% para o anocalendário de 2002, por meio do Laudo Constitutivo n° 30/2003, expedido pelo Ministério da Integração Nacional. Assim, procedeu à retificação da DIPJ/2002, alterando o resultado original de imposto a pagar, no valor de R $ 2.711.016,50 para imposto a recuperar, referente ao saldo negativo no valor já citado. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/04 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 15374.721967/200813 Resolução nº 1201000.170 S1C2T1 Fl. 7 6 Da análise da DIPJ/2003 retificadora, verificase que a interessada preencheu a Ficha 08 Demonstração do Lucro da Exploração. Segundo Manual de Preenchimento da DIPJ/2003, devem preencher esta ficha as pessoas jurídicas submetidas à apuração trimestral ou anual do imposto de renda com base no lucro real que gozem de benefícios fiscais calculados com base no lucro da exploração. Especificamente, com relação à redução do imposto de renda em 37,5%, assim orienta o manual: Linha 08/05 Receita Líquida da Atividade com Redução de 37,5% Informar o valor da receita líquida das atividades referentes a empreendimentos industriais ou agrícolas enquadrados em setores da economia considerados, em ato do Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional, mantidos em operação nas áreas de atuação das extintas Sudam e Sudene, ou sediados na Zona Franca de Manaus, reconhecidos como de interesse para o desenvolvimento da região(MP nº 2.058, de 2000, art. 2"). Atenção: 1) A fruição do benefício fiscal dáse a partir da data em que a pessoa jurídica apresentar ao órgão competente do Ministério da Integração Nacional requerimento solicitando a declaração de que satisfaz as condições estabelecidas para gozo do favor fiscal. 2) As pessoas jurídicas devem pleitear reconhecimento do direito à redução à Secretaria da Receita Federal, cujo pedido deve ser instruído com a declaração de que trata o item 1 (MP nº2.058, de 2000, art 2 e reedições); (grifei) 3) a pessoa jurídica que se utilizar indevidamente do beneficio se sujeita ao pagamento do imposto em relação a cada período de apuração, acrescido de juros e multa, sem prejuízo das sanções penais cabíveis. Regulamentando os procedimentos acerca do reconhecimento do direito à redução do IRPJ em 37,5% , a Instrução Normativa n° 267, de dezembro de 2002, assim orienta: Art. 59. O reconhecimento do direito aos incentivos de redução de que trata este Capítulo será submetido ao disposto nos arts. 60 e 61, obedecidas as demais normas vigentes sobre a matéria. Art 60. A competência para reconhecer o direito será da unidade da SRF a que estiver jurisdicionada a pessoa jurídica, devendo o pedido estar instruído com laudo expedido pelo MI. (grifei) §1º titular da unidade da SRF decidirá sobre o pedido em cento e vinte dias contados da apresentação do requerimento à repartição fiscal competente. § 2º Expirado o prazo indicado no § 1º, sem que a requerente tenha sido notificada da decisão contrária ao pedido e enquanto não sobrevier decisão irrecorrível, considerarseá a interessada automaticamente no pleno gozo da redução pretendida, a partir da data de expiração do prazo. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/04 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 15374.721967/200813 Resolução nº 1201000.170 S1C2T1 Fl. 8 7 § 3º Do despacho que denegar, parcial ou totalmente, o pedido da requerente, caberá manifestação de inconformidade para a Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ), dentro do prazo de trinta dias, a contar da ciência do despacho denegatório. § 4º Tornase irrecorrível, na esfera administrativa, a decisão da DRJ que denegar o pedido. § 5º Na hipótese do § 4º, a repartição competente procederá ao lançamento das importâncias que, até então, tenham sido reduzidas do imposto devido, efetuandose a cobrança do débito. § 6º A cobrança prevista no § 5º não alcançará as parcelas correspondentes às reduções feitas durante o período em que a pessoa jurídica interessada esteja em pleno gozo da redução de que trata o § 2º. § 7º O pedido de que trata este artigo deve estar completo em todos os requisitos formais e materiais, sem o quê não será admitido, podendo o requisitante, depois de sanado o vício, peticionar novamente. § 8º Na hipótese de não admissibilidade do pedido não fluirá o prazo de que trata o § 1º, enquanto não sanado o vício. Art. 61. Fica aprovado o formulário "Pedido de Reconhecimento do Direito à Redução do IRPJ", constante do Anexo Único desta Instrução Normativa. Parágrafo único. A SRF disponibilizará, no endereço <www.receita.fazenda.gov.br>, o formulário a que se refere o caput (...) Art. 78. As pessoas jurídicas que mantenham empreendimentos considerados, em ato do Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional, em operação na área de atuação da extinta Sudene, pagarão o imposto, inclusive adicional, com redução calculada de acordo com os seguintes percentuais: I 37,5% (trinta e sete e meio por cento), para os períodos de apuração compreendidos entre 1de janeiro de 2001 e 31 de dezembro de 2003; II 25% (vinte e cinco por cento), para os períodos de apuração compreendidos entre de 1 de janeiro de 2004 e 31 de dezembro de 2008; III 12,5% (doze e meio por cento), para os períodos de apuração compreendidos entre 1 de janeiro de 2009 e 31 de dezembro de 2013. § 1 O beneficio de redução somente se aplica ao imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro da exploração (art. 57) do empreendimento. § 2 A redução do imposto não impede a aplicação em incentivos fiscais (Finam, Finor e Funres) nas condições previstas nesta Instrução Normativa, com relação ao montante de imposto a pagar. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/04 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 15374.721967/200813 Resolução nº 1201000.170 S1C2T1 Fl. 9 8 § 3 Fica extinto, relativamente aos períodos de apuração encerrados a partir de 1º de janeiro de 2014, o beneficio fiscal de que trata este artigo. Art. 79. Fica extinto, relativamente ao período de apuração iniciado a partir de 1º de janeiro de 2001, o benefício fiscal de redução do imposto de que trata o art. 14 da Lei nº 4.239, de 27 de junho de 1963, para os empreendimentos industriais ou agrícolas em operação na área da extinta Sudene não enquadrados, em ato do Poder Executivo, como prioritários para o desenvolvimento regional, a que se refere o caput do art. 78. Art. 80. As pessoas jurídicas titulares de empreendimentos enquadrados em setores da economia considerados, em ato do Poder Executivo, prioritários para o desenvolvimento regional, na área de atuação da extinta Sudene, que usufruíram até 31 de dezembro de 2000 do beneficio extinto na forma do art. 79, poderão pleitear o beneficio de que trata o art. 78, ficando o reconhecimento submetido ao disposto nos arts. 60 e 61. 1 A fruição do benefício fiscal darseà a partir da data em que a pessoa jurídica apresentar ao órgão competente do MI requerimento solicitando a declaração de que satisfaz as condições estabelecidas para gozo do favor fiscal. § 2 As pessoas jurídicas deverão pleitear reconhecimento do direito à redução à SRF, cujo pedido será instruído com a declaração de que trata o § 1º, observado o disposto nos § 8º do art 61. Logo, com base na legislação supra, concluise que não basta obter do Ministério da Integração Social o Laudo Constitutivo concedendo o benefício fiscal. Deve a interessada requerer junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil o reconhecimento deste direito, devendo seguir o rito próprio previsto na IN SRF n° 267/2002. Desta forma, considerando que o presente processo trata de Declaração de Compensação, o objeto da lide é apurar a certeza e liquidez do crédito nos termos do artigo 170 do CTN. Não se deve tratar, nesta instância de julgamento, se a interessada faz jus ou não à redução do IRPJ, pois, segundo o rito previsto, cabe ao titular da unidade da Secretaria da Receita Federal a que estiver jurisdicionada a pessoa jurídica. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento só possui competência, quanto aos processos de reconhecimento de isenção, quando apresentada a manifestação de inconformidade no caso de negação do pedido, nos termos do artigo 60, §§ 3º e 4º da IN SRF n° 267/2002. Cabe ainda esclarecer que a atividade de julgamento é vinculada às leis vigentes no ordenamento jurídico, não podendo delas nunca se afastar (art. 142, § único, CTN), devendo sempre atender ao Princípio da Legalidade. Logo, cabe a ela, obrigatoriamente, observar o disposto na legislação que rege o reconhecimento ao direito à redução do imposto de renda. Em outras palavras, a análise quanto ao direito à redução do imposto de renda, passando pela validade ou não do Laudo Constitutivo, o u Fl. 374DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/04 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 15374.721967/200813 Resolução nº 1201000.170 S1C2T1 Fl. 10 9 até mesmo se o Consórcio Alumar é uma sociedade de fato ou não, estaria suprimindo uma instância de julgamento, que se daria na Delegacia da Receita Federal que jurisdiciona a interessada, indo de encontro ao ordenamento jurídico. Por fim, cabe ressaltar que não consta nos autos a comprovação de que a interessada teria solicitado, administrativamente, e seguindo as determinações da IN SRF n°267/2002, o reconhecimento do direito à redução do imposto de renda. Não consta sequer, nos autos, cópia do Laudo Constitutivo emitido pelo Ministério da Integração Social. Portanto, uma vez que não ficou comprovado o reconhecimento pela Secretaria da Receita Federal do Brasil do direito à redução do imposto de renda, concluo que se deixou de cumprir os requisitos indispensáveis para o reconhecimento do direito creditório: a demonstração da certeza e liquidez do crédito. Por todo acima exposto, meu voto é pelo indeferimento do pedido de restituição e pela não homologação das compensações. Devidamente intimada da decisão da DRJ em 31/03/2009, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 09/04/2009, alegando em síntese que: Fl. 375DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/04 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 15374.721967/200813 Resolução nº 1201000.170 S1C2T1 Fl. 11 10 Fl. 376DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/04 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 15374.721967/200813 Resolução nº 1201000.170 S1C2T1 Fl. 12 11 Fl. 377DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/04 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 15374.721967/200813 Resolução nº 1201000.170 S1C2T1 Fl. 13 12 Este é o relatório! Voto Conselheiro Rafael Correia Fuso O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Inicialmente, quanto aos documentos trazidos no Recurso, não tenho nenhuma dúvida que os mesmos devem ser aceitos, visto que servem para contrapor argumentos trazidos na decisão da DRJ, atendendo perfeitamente o disposto no artigo 16, parágrafo 4º, inciso, alínea “c”, do PAF. Em consulta formulada ao sistema comprot, identificamos que o processo nº 10320.000791/200360, relativo à redução do IRPJ, encontrase arquivado na SAMFRJ, pelo prazo de 10 anos. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/04 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO Processo nº 15374.721967/200813 Resolução nº 1201000.170 S1C2T1 Fl. 14 13 Entendo que para a análise do direito creditório objeto da compensação realizada pela Recorrente é necessário ter informações do processo nº 10320.000791/200360, para que possamos identificar o que ocorreu com o pedido de redução do IRPJ feito pela BHP. Diante do exposto, entendo pela baixa dos autos em diligência, para que a fiscalização encaminhe ao CARF cópia integral do processo administrativo nº 10320.000791/200360. Somente após a análise do referido processo poderemos enfrentar a questão da detentora do direito à redução do IRPJ. É como voto! (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator Fl. 379DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2015 por POLIANNA DA SILVA RIBEIRO, Assinado digitalmente em 27/04 /2015 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 28/05/2015 por RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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