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Numero do processo: 10166.902175/2008-80
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/12/1999 COMPENSAÇÃO: ERRO EM DCTF. FALTA DE COMPROVAÇÃO. O reconhecimento de suposto direito creditório integralmente vinculado a pagamento de débito em DCTF depende de prova contábil, cujo ônus é do contribuinte
Numero da decisão: 1801-001.299
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA
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FALTA DE COMPROVAÇÃO. O reconhecimento de suposto direito creditório integralmente vinculado a pagamento de débito em DCTF depende de prova contábil, cujo ônus é do contribuinte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira – Relator. Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Carmen Ferreira Saraiva, João Carlos de Figueiredo Neto, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Fl. 103DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 10166.902175/200880 Acórdão n.º 1801001.299 S1TE01 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão que manteve despacho decisório, que não homologou a PERDCOMP transmitida em 19/11/2004, para compensar débitos de COFINS no valor de R$ 1449,58, referente Março de 2000, com créditos de IRPJ, referente ao período de apuração de 31/12/1999, no valor original de R$ 1395,17. Com efeito, consta no despacho decisório, que o alegado crédito original de R$ 1395,17 foi integralmente utilizado para o pagamento do IRPJ, PA 31/12/1999, não restando saldo a ser compensado. Inconformado o contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade alegando em síntese: Que o crédito passível de restituição referese ao IRPJ pago em 31012000. Que a DIPJ do exercício 2000, ano calendário de 1999, apura o IRPJ, na forma do Lucro Real Trimestral equivalente a R$ 1649,81 (2 trimestre) e R$ 1.111,91 (4 trimestre). Que conforme extratos para o período em referência foram recolhidos R$ 60.932,36, sendo 58.170,54 indevidos. Que portanto o crédito total utilizado na perdcomp, originário da DARF paga 31/01/2000, no valor de R$ 1395,17 está efetivamente disponível e por isso a PERDCOMP deve ser homologada. A decisão da DRJ de Brasília manteve o despacho decisório baseandose fundamentalmente no argumento da falta de provas do crédito do contribuinte, suficientes para infirmar as informações contidas em sua DCTF, que possuiria natureza constitutiva do crédito tributário. Intimada em 05/07/2011, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário tempestivo na data de 03/08/2011, alegando, preliminarmente; (i) que a decisão recorrida seria nula vez que as alegações sobre a multiplicidade do crédito seriam falsas; (ii) que a DCTF não pode implicar em constituição definitiva do crédito antes de procedimento de auditoria interna no âmbito da Receita Federal ou decurso do prazo de 5 anos do fato gerador. No mérito sustenta que seu crédito é líquido e certo na medida em que demonstra que recolheu valor superior ao declarado em sua DIPJ. E o relatório. Voto Conselheiro Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Relator Conheço do recurso por tempestivo. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 10166.902175/200880 Acórdão n.º 1801001.299 S1TE01 Fl. 4 3 Afasto as preliminares de nulidade. De fato, a apuração do alegado crédito do contribuinte depende da análise de vário pagamentos, em referência a diferentes competências, que resultariam no valor pleiteado. Outrossim, a alegação de não definitividade e insuficiência da DCTF para constituição do crédito tributário é questão que se confunde com o mérito, que passo a analisar. No mérito, a decisão recorrida não merece reparos. Observase que em vários outros processos a contribuinte apresentou PERDCOMP fundada em suposto erro de fato ao recolher o IRPJ e a CSLL pelo código de Estimativa, tendo declaradose como sujeita ao regime de apuração do Lucro Real Trimestral em DIPJ e DCTF. Ou seja, a contribuinte vem alegando incorrer no mesmo erro de fato, de forma contínua e repetitiva por anos seguidos. Esta conduta, por si só, já poderia desacreditar a sua boafé, pois o que alega ser mero erro de fato, em verdade se revela como sendo o padrão de sua conduta por considerável período de tempo. Além disso, em nenhum dos outros processos analisados a contribuinte apresentou prova contábil de seu crédito, alegando mera diferença entre os valores recolhidos e os informados como devidos em DIPJ. É cediço neste Tribunal que a simples alegação de erro em DCTF, não retificada a tempo, não é suficiente ao reconhecimento de direito creditório, não bastando para tanto as informações contidas em DIPJ. Com efeito, exigese do contribuinte a prova cabal de seu crédito, evidenciado por documentação contábil idônea que o ratifique. No caso em tela o contribuinte limitase a alegar que o seu direito creditório decorre do cotejo entre os valores declarados em DIPJ e os demonstrativos de pagamento anexados aos autos, sem fazer prova contábil de seu crédito, suficiente a infirmar a DCTF, pela qual imputa seu suposto pagamento a maior ao valor declarado como devido em 121999 O ônus da prova para retificar informações constantes em DCTF é do contribuinte e na fase litigiosa demandam documentação contábil idônea, conforme tem decidido esta 1ª Seção: CARF 1a. Seção / 3a. Turma Especial / ACÓRDÃO 180300.315 em 09/03/2010 IRPJ E OUTRO ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRRT EMENTA Exercício: 2002 DCTF , ERRO DE PREENCHIMENTO, ÔNUS DA PROVA. Eventuais erros de preenchimento na DCTF devem ser comprovados pelo contribuinte que detém todos os elementos necessários, ou seja, a escrituração contábil e os documentos que lhe dão sustentação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA Processo nº 10166.902175/200880 Acórdão n.º 1801001.299 S1TE01 Fl. 5 4 Publicado no DOU em: 30.05.2011 Recorrente: MADESUL MADEIREIRA SUL DE MINAS LTDA. Diante do exposto e por tudo mais que dos autos consta voto por negar provimento ao Recurso Voluntário, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. ( assinado digitalmente) Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira Fl. 106DF CARF MF Impresso em 06/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA, Assinado digitalment e em 13/03/2013 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 16/04/2013 por LUIZ GUILHERME DE MEDEIROS FERREIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.008541/2005-41
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. DESPESAS DE PEQUENO VALOR.
Tanto de acordo com o acórdão recorrido quanto com o acórdão paradigma, todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Portanto, a apresentação tão-somente de recibos pode ou não ser suficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada.
No caso, analisando as provas dos autos, a câmara a quo entendeu que parte das despesas pleiteadas estavam razoavelmente justificadas apenas pela documentação apresentada.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-002.661
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
EDITADO EM: 13/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (Suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2000 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. DESPESAS DE PEQUENO VALOR. Tanto de acordo com o acórdão recorrido quanto com o acórdão paradigma, todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Portanto, a apresentação tão-somente de recibos pode ou não ser suficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada. No caso, analisando as provas dos autos, a câmara a quo entendeu que parte das despesas pleiteadas estavam razoavelmente justificadas apenas pela documentação apresentada. Recurso especial não conhecido.
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DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. DESPESAS DE PEQUENO VALOR. Tanto de acordo com o acórdão recorrido quanto com o acórdão paradigma, todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Portanto, a apresentação tãosomente de recibos pode ou não ser suficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada. No caso, analisando as provas dos autos, a câmara a quo entendeu que parte das despesas pleiteadas estavam razoavelmente justificadas apenas pela documentação apresentada. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 85 41 /2 00 5- 41 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 10680.008541/200541 Acórdão n.º 9202002.661 CSRFT2 Fl. 118 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator EDITADO EM: 13/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior (Suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório O Acórdão nº 2201 00.838, da 1a Turma Ordinária da 2a Câmara da 2a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 70 a 72v), julgado na sessão plenária de 23 de setembro de 2010, pelo voto de qualidade, deu provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, para restabelecer dedução de R$ 169,50 de despesa médica. Transcrevese a ementa do julgado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2000 Ementa: IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Em condições normais, o recibo é documento hábil para comprovar o pagamento de despesas médicas. Entretanto, diante de indícios de irregularidades, é lícito ao Fisco exigir elementos adicionais que comprovem a efetividade dos serviços prestados e dos pagamentos realizados, sem os quais é devida a glosa da dedução. Recurso parcialmente provido. Cientificada do acórdão em 18/01/2011 (fl. 73), a Fazenda Nacional apresentou, no dia seguinte, recurso especial de divergência (fls. 77 a 90), para questionar a parte do acórdão que restabeleceu a dedução de algumas despesas médicas apenas com a apresentação de recibos. Para comprovar a divergência jurisprudencial, apresentouse o Acórdão no 280100.197, da 1a Turma Especial da 2a Seção de Julgamento, cuja a ementa é abaixo transcrita na parte de interesse à discussão: Fl. 2DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 10680.008541/200541 Acórdão n.º 9202002.661 CSRFT2 Fl. 119 3 DESPESAS MÉDICAS APRESENTAÇÃO DE RECIBOS SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO POSSIBILIDADE Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados e dos correspondentes pagamentos. Nessa hipótese, a apresentação tãosomente de recibos é insuficiente para comprovar o direito à dedução pleiteada. A Recorrente explicita a divergência de interpretação entre os acórdãos recorrido e paradigma da seguinte maneira (fls. 79 e 80): A divergência ocorre em relação à solução jurídica. O acórdão paradigma admite os recibos fornecidos por profissional legalmente habilitado como prova idônea do pagamento dos serviços médicos, com a ressalva de que, em qualquer caso, a apresentação desses documentos não ilide o direito de o Fisco solicitar que o contribuinte comprove ou justifique a dedução declarada por outros meios. Por sua vez, o acórdão recorrido afirma que, em relação aos pagamentos de valores relativamente baixos, é possível a comprovação das despesas médicas mediante tãosomente a apresentação de recibos médicos. Com efeito, de acordo com o voto condutor do acórdão recorrido, "em condições normais", quando há proporcionalidade entre a dedução pleiteada e os rendimentos declarados, os valores e os procedimentos envolvidos são compatíveis com o que se verifica entre as pessoas comuns, não se verificando nenhum outro indício de irregularidade, devese aceitar o recibo como elemento plenamente suficiente para comprovar a despesa médica. O recurso foi admitido pelo despacho de fls. 91 a 95. Cientificado do acórdão e do recurso especial da Fazenda Nacional em 2/8/2011 (fl. 107), o contribuinte não apresentou recurso especial da parte que lhe foi desfavorável ou contrarrazões ao especial da Fazenda (fl. 116). É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, porém – no entender deste Conselheiro – não atende aos demais requisitos de admissibilidade, conforme passo a expor. Segundo a recorrente, a discussão cingirseia à possibilidade de se comprovar despesas médicas de pequeno valor apenas com recibos, ou se, mesmo para essas, é necessário se comprovar a efetividade da prestação do serviço e do pagamento. Isso porque o acórdão recorrido não admitiu a quase totalidade das despesas médicas pleiteadas porque o contribuinte buscou sua comprovação apenas com recibos e declarações dos profissionais, apesar de ter sido intimado a comprovar o efetivo pagamento. Entretanto, deixou de utilizar tal critério para as despesas de pequeno valor (R$ 120,00, R$ Fl. 3DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 10680.008541/200541 Acórdão n.º 9202002.661 CSRFT2 Fl. 120 4 34,50 e R$ 15,00). Ao passo que, de acordo com a ementa do acórdão paradigma “Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação”. Em face do exposto, não vejo divergência de critérios jurídicos entre o que restou decidido no acórdão recorrido e no paradigma, mas – tão somente – uma valoração da prova em desacordo com a expectativa da recorrente. Com efeito, em ambos os casos admitese como critério jurídico a necessidade de comprovação da efetividade da prestação do serviço e do pagamento; a câmara a quo apenas considerou – no caso concreto – comprovada a efetividade do serviço e o pagamento pela convergência entre os valores, os serviços e a renda do contribuinte e pela existência de recibos atendendo os requisitos. Entendo que as despesas médicas dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda restringemse aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, e se limitam a serviços comprovadamente realizados, bem como a pagamentos especificados e comprovados. Nesse sentido, é oportuno, conferir o estabelecido na Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, que traz essas condições para dedução desse tipo de despesa: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...). II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...). § 2º O disposto na alínea “a” do inciso II: (...). II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Complementando a necessidade dessa comprovação, o Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, Regulamento do Imposto de Renda, RIR/1999, em seu art. 73, dispõe que (a) as deduções estão sujeitas à comprovação e (b) deduções exageradas poderão ser glosadas inclusive sem audiência do contribuinte, conforme a seguir reproduzido: Art.73. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). Fl. 4DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS Processo nº 10680.008541/200541 Acórdão n.º 9202002.661 CSRFT2 Fl. 121 5 §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Por certo, a legislação, em regra, estabelece a apresentação de recibos como forma de comprovação das despesas médicas, a teor do que dispõe o art. 80, § 1º, III, do RIR/1999, mas não restringe a ação fiscal apenas a esse exame. Em uma visão sistêmica da legislação tributária, verificase, inclusive, que a indicação do cheque nominativo, apesar de conter muito menos informação que o recibo, é também eleita como meio de prova, evidenciando a força probante da efetiva comprovação do pagamento. Portanto, em vista do exposto, podemos concluir que a dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está, sim, condicionada ao preenchimento de alguns requisitos legais: (a) efetiva prestação do serviço, tendo como beneficiário o declarante ou seu dependente, e (b) que o pagamento tenha se realizado pelo próprio contribuinte. Assim, havendo qualquer dúvida em um desses requisitos, é direito e dever da Fiscalização exigir provas adicionais da efetividade do serviço, do beneficiário deste e do pagamento efetuado. E é dever do contribuinte apresentar comprovação ou justificação idônea, sob pena de ter suas deduções não admitidas pela autoridade fiscal. Salientese que a autoridade, apenas quando tiver dúvidas acerca dos recibos, para elaborar juízo de valor, é que irá exigir provas adicionais. Portanto, não cabe rediscutir o entendimento da câmara a quo que, analisando as provas dos autos, decidiu que as despesas de menor monta, estavam razoavelmente comprovadas com a documentação apresentada. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 5DF CARF MF Impresso em 21/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SA NTOS
score : 1.0
Numero do processo: 13227.000586/2007-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2007
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. REGULARIZAÇÃO.
Verificado que o sujeito passivo excluiu a atividade vedada, que motivou o indeferimento de seu termo de opção ao Simples Nacional, de seu objeto social, no prazo prescrito, deve ser ele reintegrado ao regime simplificado.
Numero da decisão: 1302-000.903
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. REGULARIZAÇÃO. Verificado que o sujeito passivo excluiu a atividade vedada, que motivou o indeferimento de seu termo de opção ao Simples Nacional, de seu objeto social, no prazo prescrito, deve ser ele reintegrado ao regime simplificado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) MARCOS RODRIGUES DE MELLO Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Rodrigues de Mello (presidente da turma), Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (vicepresidente), Eduardo de Andrade, Diniz Raposo e Silva, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 18/05/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13227.000586/200784 Acórdão n.º 130200.903 S1C3T2 Fl. 136 2 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 2ª Turma da DRJ/BEL, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, julgar a manifestação de inconformidade improcedente. A ementa foi dispensada em razão do valor do crédito tributário impugnado, com base na portaria SRF nº 1.364/2004. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: A Interessada, já qualificado nos autos, teve negada a sua solicitação de inclusão no Simples Nacional de 20/08/2007 (fl. 06). O Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (fl. 06) acusa atividade econômica vedada (transporte rodoviário coletivo, com itinerário fixo, intermunicipal em região metropolitana). O mesmo Termo dispõe que se as pendências forem solucionadas no período de 02/07/2007 a 20/08/2007 a empresa deverá, se for de seu interesse ingressar no Simples Nacional, formalizar nova opção até as 20:00hs do dia 20/08/2007. O contribuinte apresenta manifestação de inconformidade (fl. 01) em que aduz que já foi providenciada sua correção no cadastro CNPJ (comprovante de fl. 12). A DRJ, ao analisar o comprovante anexado pela recorrente verificou que a atividade vedada (transporte rodoviário coletivo, com itinerário fixo, intermunicipal em região metropolitana) permanecia, não podendo, assim, a contribuinte optar pelo Simples Nacional em 2007. A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, reitera que, a despeito do quanto alegado no acórdão da DRJ, regularizou a situação impeditiva com base na sua 4ª alteração contratual e termo de opção pelo Simples Nacional encaminhado via internet em 20/08/2007. A atividade que permanece é a de transporte rodoviário coletivo de passageiros, com itinerário fixo, municipal (e não intermunicipal), a qual é permitida pelo Simples Nacional. É o relatório. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 18/05/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13227.000586/200784 Acórdão n.º 130200.903 S1C3T2 Fl. 137 3 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. Atividade de prestação de serviços de transporte coletivo municipal A recorrente teve indeferido seu pedido de ingresso no Simples Nacional por incorrer na vedação constante do inciso VI do art. 17 da LC nº 123/2006 (fl. 06), in verbis: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: ... VI que preste serviço de transporte intermunicipal e interestadual de passageiros; Na peça impugnatória alegou que o motivo do indeferimento havia sido o atraso na comunicação da JUCER (Junta Comercial do Estado de Rondônia) de sua 4ª alteração contratual junto ao cadastro do CNPJ, a qual foi registrada em 17/08/2007, antes, portanto, do prazo para opção ao Simples Nacional, que era 20/08/2007. Todavia, o atraso no processamento determinou a conclusão da alteração somente após 20/08/2007 junto aos computadores da Receita, gerando o indeferimento de forma indevida. Todavia, anexou a referida quarta alteração (fls.07/10), na qual, de fato não consta de seu objeto social a atividade vedada, mas tão somente as atividades (relativamente ao tópico controvertido) de transporte rodoviário coletivo de passageiros, com itinerário fixo, municipal e transporte rodoviário coletivo de passageiros, sob regime de fretamento, municipal, atividades estas que não constam de vedação expressa para ingresso no regime simplificado nacional. Tais atividades foram devidamente inseridas no cadastro do CNPJ (fl.12). Também junta comprovante de solicitação de ingresso ao Simples Nacional na data de 20/08/2007 (fl.05/06). As alegações da recorrente são verossímeis, e o equívoco praticado no julgamento a quo pareceme evidente, vez que demonstrado que a atividade vedada foi efetivamente excluída do objeto social da recorrente. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 18/05/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO Processo nº 13227.000586/200784 Acórdão n.º 130200.903 S1C3T2 Fl. 138 4 Assim, voto para dar provimento ao Recurso Voluntário, e cancelar o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (fl.06). Sala das Sessões, 9 de maio de 2012. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 138DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 18/05/2012 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por MARCOS RODRIGUES DE MELLO
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Numero do processo: 19515.001350/2010-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2007
OMISSÃO NO RELATÓRIO FISCAL. SANEAMENTO MEDIANTE RELATÓRIO COMPLEMENTAR. CIÊNCIA DO CONTRIBUINTE. VALIDADE.
Havendo omissões/erros no relatório fiscal, é válido, antes da decisão de primeira instância, o saneamento, mediante a emissão de relatório complementar, desde que deste seja dada ciência ao contribuinte, com reabertura do prazo de defesa.
ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. VIGÊNCIA DO ART. 55 DA LEI N.º 8.212/1991. NECESSIDADE DE REQUERIMENTO À ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA PARA RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO.
Respeitado o direito adquirido, na vigência do art. 55 da Lei n. 8.212/1991, as entidades beneficentes de assistência social deveriam, além de comprovar o cumprimento de todos os requisitos da referida norma, requerer a Administração Tributária o reconhecimento da isenção.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.502
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) negar provimento ao recurso.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2007 OMISSÃO NO RELATÓRIO FISCAL. SANEAMENTO MEDIANTE RELATÓRIO COMPLEMENTAR. CIÊNCIA DO CONTRIBUINTE. VALIDADE. Havendo omissões/erros no relatório fiscal, é válido, antes da decisão de primeira instância, o saneamento, mediante a emissão de relatório complementar, desde que deste seja dada ciência ao contribuinte, com reabertura do prazo de defesa. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. VIGÊNCIA DO ART. 55 DA LEI N.º 8.212/1991. NECESSIDADE DE REQUERIMENTO À ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA PARA RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO. Respeitado o direito adquirido, na vigência do art. 55 da Lei n. 8.212/1991, as entidades beneficentes de assistência social deveriam, além de comprovar o cumprimento de todos os requisitos da referida norma, requerer a Administração Tributária o reconhecimento da isenção. Recurso Voluntário Negado.
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SANEAMENTO MEDIANTE RELATÓRIO COMPLEMENTAR. CIÊNCIA DO CONTRIBUINTE. VALIDADE. Havendo omissões/erros no relatório fiscal, é válido, antes da decisão de primeira instância, o saneamento, mediante a emissão de relatório complementar, desde que deste seja dada ciência ao contribuinte, com reabertura do prazo de defesa. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. VIGÊNCIA DO ART. 55 DA LEI N.º 8.212/1991. NECESSIDADE DE REQUERIMENTO À ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA PARA RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO. Respeitado o direito adquirido, na vigência do art. 55 da Lei n. 8.212/1991, as entidades beneficentes de assistência social deveriam, além de comprovar o cumprimento de todos os requisitos da referida norma, requerer a Administração Tributária o reconhecimento da isenção. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a preliminar de nulidade; e II) negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Fl. 805DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Lourenço Ferreira do Prado, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 806DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.001350/201000 Acórdão n.º 2401002.502 S2C4T1 Fl. 806 3 Relatório Tratase do Auto de Infração n.º 37.221.6501, para exigência das contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT, incidentes sobre as remunerações pagas pela empresa aos segurados empregados. De acordo com o Relatório Fiscal, fls. 32/35, os fatos geradores incluídos no lançamento foram declarados na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. Acrescenta que a autuada se declarava isenta do recolhimento das contribuições apuradas. A Auditoria explicita que o lançamento teve origem em fiscalização específica, conforme determinada por decisão judicial, para verificação da regularidade das entidades que tiveram o Certificado de Entidade de Assistência Social – CEAS renovado pela Medida Provisória MP n.º 446/2008. Cientificada do lançamento a entidade apresentou impugnação, alegando em síntese cerceamento ao seu direito de defesa pela falta de apresentação no Relatório Fiscal dos motivos que teriam levado ao cancelamento da sua imunidade relativa ao recolhimento das contribuições lançadas. Afirma que o lançamento não poderia ter sido efetuado sem que antes houvesse um ato cancelando a imunidade. Defende que outra causa de nulidade foi a falta de assinatura do Chefe da Unidade de Administração Tributária, conforme exige a norma de regência. Advoga que, desde sua constituição, é imune ao recolhimento das contribuições sociais, sempre atendendo na íntegra os ditames da Constituição e da legislação infraconstitucional. Segundo a autuada, os certificados que possui cobrem o período de 2004 a 2009, não sendo admissível lançamento fiscal para competências ali abrangidas. Assevera que os efeitos da MP n.º 446/2008, conforme entendimento da própria Advocacia Geral da União, garantem a renovação dos CEAS produzindo todos as consequências tributárias em benefício das entidades que requereram os certificados e foram amparadas pelo referido ato legal. O processo foi baixado em diligência para que o Fisco se pronunciasse acerca da decisão judicial mencionada no seu relato, bem como sobre o ato cancelatório de isenção, que daria guarida à exigência das contribuições lançadas. Em atendimento à solicitação de diligência, a Auditoria lançou as seguintes considerações em Relatório Fiscal Complementar: Fl. 807DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 a) que a entidade possui certificados de utilidade pública federal, estadual e municipal; b) que sofreu cancelamento da isenção das contribuições previdenciárias com efeitos a partir de 29/11/1999, tendo após esse marco sido fiscalizada duas vezes, sob a qualidade de empresa sem benefícios fiscais quanto ao recolhimento das contribuições lançadas. Assevera que não há, depois desses fatos, nenhum requerimento de isenção das contribuições sociais protocolizado pela autuada junto à Administração Tributária; c) que a entidade apresentou Certidão do CNAS de 03/04/2009 atestando o deferimento da renovação do CEAS pelo art. 37 da MP 446/2008, para os processos 71010.001.943/200330 para o período de 01/01/2004 a 31/12/2006 e processo 71010.004.067/200646 para o período de 01/01/2007 a 31/12/2009. Apresentou ainda Atestado de Registro no Conselho de Assistência Social de 01/06/2000, processo 56.289/1965; d) que a autuada figura no polo passivo da Ação Civil Pública n° 2008.34.00.038.3144, proposta pelo Ministério Público Federal, para a qual foi prolatada a decisão judicial n° 70 de 03/04/2009, que determina fiscalização nas entidades favorecidas pela Medida Provisória n° 446 de 07/11/2008; e) que a multa foi aplicada no presente lançamento no patamar de 24%, por ter se mostrado mais benéfica ao sujeito passivo; f) que, em tese, foi verificada a existência do crime de sonegação fiscal, fato que motivou a lavratura de Representação Fiscal para Fins Penais. A empresa se contrapôs as afirmações do Fisco, acrescentando que: a) conforme de depreende da Lei n.º 12.101/2009, não subsiste a obrigatoriedade das empresas requerem ao órgão fazendário o benefício da imunidade; b) o Fisco é contraditório, pois afirma que a empresa cumpria os requisitos para o gozo da imunidade, todavia, entende exigíveis às contribuições, sem que, ao menos, indique quais os ditames legais que a autuada descumpriu; c) continua sem justificativa a constituição do crédito; d) teve reconhecido o cumprimento de todos os requisitos para gozo da imunidade desde janeiro de 2004, antes mesmo da emissão do citado ato cancelatório; e) o ato declaratório não tem função constitutiva do direito, mas apenas declaratória; f) quanto à ação civil pública nº 2008.34.00.0383144, em que supostamente o Instituto Presbiteriano Mackenzie figurava como réu, a fiscalização olvidouse de destacar que tal ação já foi extinta por pedido de desistência do próprio Ministério Público, além de que não consta da ação que a autuada não seria entidade de assistência social; g) há no relato fiscal a errônea afirmação de que a entidade seria ré no processo citado, todavia, a mesma jamais foi citada nesta ação; h) requer a redução da multa no Auto de Infração relativo ao descumprimento da obrigação acessória de declarar as contribuições patronais na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. Fl. 808DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.001350/201000 Acórdão n.º 2401002.502 S2C4T1 Fl. 807 5 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I declarou improcedente a impugnação, mantendo integralmente o crédito tributário. Na decisão, foram afastadas as preliminares, principalmente por ter entendido o órgão de primeira instância que não se configurou o cerceamento ao direito de defesa da autuada, uma vez que possíveis lacunas do relatório fiscal foram supridas após a realização da diligência. Sustentase que a empresa, pelos termos da defesa e do seu aditivo, pode compreender os motivos que levaram à lavratura. No mérito, a DRJ manifestou o entendimento de que, tendo sido cancelada a isenção, a empresa teria que formular novo pedido, conforme previa o art. 55 da Lei n.º 8.212/1991, vigente no período da autuação. Inconformada a autuada apresentou recurso, no qual em síntese apertada, alegou que: a) mantémse irresignada com o não acolhimento da preliminar de nulidade, posto que, se houve vícios no relatório, o lançamento deveria ter sido anulado e não emendado, além de que, o relatório complementar continua a não esclarecer as perguntas lançadas na diligência fiscal; b) o cancelamento da imunidade não tem justificativa, sendo arbitrário e incompreensível, conforme se pode ver da transcrição de excerto da peça do Fisco. A falta de motivação do ato administrativo prejudicou irremediavelmente o seu direito de defesa, sendo induvidosa a nulidade suscitada; c) o relato da Auditoria fere o art. 142 do CTN, bem como o art. 10 do Decreto n.º 70.235/1972 e as instruções normativas exaradas pela Administração Tributária; d) não há procedimento relativo ao cancelamento da imunidade, a qual foi chancelada pela MP n.º 446/2008; e) aplicase ao caso o art. 32 da Lei n.º 9.430/1996, segundo o qual somente após o cancelamento da imunidade pode ser efetivado lançamento dos tributos devidos por conta da suspensão do benefício fiscal. A própria Lei 12.101/2009 também prevê essa exigência, na medida que remete às regras processuais vigentes qualquer ato de cancelamento de imunidade; f) a ação civil pública referida pelo Fisco foi extinta por desistência do Ministério Público, além de que a decisão liminar que determinava a fiscalização das entidades beneficiadas pela MP n.º 446/2008 foi cassada pelo Tribunal Federal da 1.ª Região, permanecendo incólumes os efeitos da referida MP. Assim, seria ilegítima a ação fiscal que deu ensejo aos lançamentos efetuados contra a recorrente; g) o próprio CARF, seguindo a Súmula 405/STF, reconhece que os efeitos de uma decisão que cassa medida liminar devem retroagir para afastar os efeitos do provimento precário; h) a AGU reconheceu todos os benefícios dados pela MP n.º 446 às entidades beneficentes de Assistência Social; Fl. 809DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 i) conforme se verifica dos documentos da entidade, tanto a época dos fatos geradores apontados como agora, são preenchidos todos os requisitos para o gozo da imunidade, não podendo subsistir o lançamento; j) os certificados concedidos com base na MP n.º 446/2008 compreendem o período de 01/2004 a 12/2009, conforme evidenciado nas Resoluções n.º 03 e 07 do CNAS. Portanto, não podem ser mantidas exigências de contribuições para o mesmo período, posto que há ato do Poder Público em sentido diametralmente oposto. Ao final, requer a reforma da decisão da DRJ para que o crédito, por consequência, seja anulado. É relatório. Fl. 810DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.001350/201000 Acórdão n.º 2401002.502 S2C4T1 Fl. 808 7 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Cerceamento ao direito de defesa De fato, não se pode deixar de reconhecer que o Relatório Fiscal apresentou se omisso e lacunoso quando tratou de descrever as circunstâncias em que ocorreram os fatos geradores, mormente quanto à condição de isenta da entidade autuada. Tal situação revelase muito claramente quando o órgão de primeira instância, ao requerer a diligência lança vários questionamentos sobre fatos narrados no relato da Auditoria e pugna pela emissão de relatório complementar, necessário ao saneamento das lacunas presentes na descrição inicial. Com o novo pronunciamento fiscal, todavia, verifico que foram apresentados todos os elementos necessários a boa compreensão dos motivos que deram ensejo ao lançamento. Senão vejamos. Os fatos geradores já haviam sido suficientemente descritos desde a peça acusatória inicial, na qual se indica que os mesmos foram as remunerações pagas a segurados empregados, as quais foram declaradas pelo sujeito passivo na GFIP. As bases de cálculo constam do Discriminativo do Débito, onde também estão demonstradas as contribuições devidas e os acréscimos legais decorrentes. O relato também indica que a autuação teve por motivo o auto enquadramento da recorrente como entidade isenta do recolhimento das contribuições, sem que a mesma cumprisse os requisitos legais necessários à fruição do benefício, gerando declarações que suprimiram as contribuições lançadas. Sem dúvida, com essas informações a empresa passou a dispor de todos os elementos necessários à preparação de sua defesa, o que efetivamente ocorreu, posto que os autos estão a demonstrar que foram apresentadas, na manifestação contra o relatório complementar e no recurso, diversos argumentos, os quais atacaram pontos diversos do lançamento, ficando claro que a empresa teve pleno entendimento da acusação que lhe foi feita pela Autoridade Fiscal. Entendo ser perfeitamente cabível a emissão de relatório complementar quando o órgão julgador, percebendo algum ponto controverso na elaboração da peça inaugural do processo administrativo tributário, baixa o processo em diligência com os questionamentos que entende necessários a boa compreensão do lançamento. Fl. 811DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 É de se ressaltar que, após a emissão do relatório adicional, o sujeito passivo teve a oportunidade de novamente apresentar o seu inconformismo, não se configurando qualquer prejuízo ao direito de defesa ou ao contraditório, posto que todas as vezes em que o Fisco se pronunciou foi facultada a parte adversa possibilidade de contraatacar. Não seria exagero dizer que a realização da diligência foi uma forma de homenagear o princípio da ampla defesa, na medida em que foram trazidos ao processo elementos que propiciaram ao sujeito passivo uma melhor compreensão da exigência que lhe foi dirigida. Assim, entendo que devo enveredar pelo mérito da contenda, não sendo razoável impor ao Fisco o castigo do cancelamento do crédito já nesse momento, posto que, digo mais uma vez, embora a princípio houvesse falhas na descrição de fatos relevantes necessários ao entendimento da lavratura, após a realização da diligência determinada pelo órgão a quo, os pontos nebulosos foram elucidados, afastandose qualquer prejuízo ao direito de defesa do contribuinte. Essa própria Turma de Julgamento tem afastado a tese da nulidade por falta de motivação quando o Fisco, em relatório complementar, elimina alguma omissão/equívoco cometido quando da emissão do relato original e o contribuinte é cientificado do pronunciamento fiscal, podendo contraditar o mesmo. Vejamos a ementa abaixo, em que, acerca da nulidade, negouse provimento ao recurso voluntário por unanimidade: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1996 a 30/11/2004 CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO NFLD NULIDADE DO LANÇAMENTO FALTA DE MOTIVAÇÃO AFASTADO A emissão de relatório fiscal complementar, com a descrição dos motivos que ensejaram a autuação, com a devida cientificação para apresentação de nova defesa afasta a falta de motivação. (...) (Acórdão n.º 240101.150 — 4' Câmara / 1' Turma Ordinária, de 24/03/2010, Rel. Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira). Quanto à perda de autorização judicial para execução do procedimento fiscal que deu ensejo à lavratura, por força da cassação de medida liminar, é de se ter em conta que não há necessidade da existência de provimento judicial para que a RFB execute sua programação de fiscalização. Na verdade, a seleção de empresas para serem auditadas encontrase no campo da discricionariedade e no caso em tela poderia ser feita a qualquer tempo, independentemente de decisão do Poder Judiciário. Diante do exposto, voto por afastar a suscitada nulidade, eis que não vislumbrei o prejuízo à defesa da recorrente. Da suposta condição de isenta da entidade autuada no período do débito Para as contribuições destinadas à Seguridade Social, o legislador constituinte reservou o § 7.º do art. 195 quando pretendeu tratar de imunidade/isenção: Fl. 812DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.001350/201000 Acórdão n.º 2401002.502 S2C4T1 Fl. 809 9 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) § 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. (...) Para regulamentar esse preceptivo da Carta Magna foi inserido no ordenamento o hoje revogado art. 55 da Lei n. 8.212/1991, o qual regulou a matéria na época da ocorrência dos fatos geradores, 12/2007 a 12/2007. Eis o texto: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; II seja portadora do Registro e do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, fornecidos pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. § 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. § 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. (...) É cediço que nos termos do CTN, art. 105, as consequências tributárias dos fatos sociais são regidas pela legislação vigente no momento da ocorrência dos mesmos. Eis o texto: Fl. 813DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Art. 105. A legislação tributária aplicase imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não esteja completa nos termos do artigo 116. Diante dessa regra, para fins de verificação da isenção das contribuições sociais é de se aplicar o art. 55 da Lei n.º 8.212/1991 até o dia 30/11/2009, data em que este foi revogado pela Lei n.º 12.101/2009. Os autos revelam que a empresa comprovou possuir o CEAS para o período objeto do lançamento, conforme Certidão acostada à fl. 326, em que o Conselho Nacional de Assistência Social atesta que foram deferidos, por força do art. 37 da MP n.º 446/2008, o processo n.° 71010.001943/200330, período de validade da renovação:01/01/2004 a 31/12/2006, e o processo n.º 71010.004067/200646, período de validade da renovação: 01/01/2007 a 31/12/2009. Quanto aos demais requisitos necessários à isenção, previstos no art. 55 da Lei n.º 8.212/1991, o Fisco e a decisão recorrida tiveram como descumprido tão somente o § 1.º, posto que não consta dos autos qualquer requerimento de isenção à Administração Tributária. Há um aspecto registrado pela Autoridade Fiscal em seu relatório complementar que merece transcrição: O Instituto Presbiteriano Mackenzie teve a isenção de contribuições previdenciárias cancelada em 20/09/2004, com efeitos a partir de 29/11/1999, através do processo 21.401.1/0003/2004. Esse fato é incontroverso, posto que não foi contestado pela recorrente. Assim, considerando que, desde 1999, a entidade houvera perdido o direito a isenção, por ato do INSS, para que voltasse a fazer jus ao benefício teria que comprovar o cumprimento de todos os requisitos do art. 55 da Lei n.º 8.212/1991, além de ser necessário o requerimento previsto no seu § 1.º. Também é fato que não existe nos autos qualquer prova de que, sob a vigência do art. 55 da Lei n.º 8.212/1991, houve qualquer pedido de reconhecimento do direito à isenção, fato que me leva a concluir que, no período da autuação (12/2006 a 12/2007), a entidade autuada não gozava desse benefício fiscal, sendo por isso, legítima a autuação guerreada. É de se notar que toda a argumentação da recorrente quanto à obtenção dos CEAS por força da MP n.º 446 é em vão, uma vez que a certificação do CNAS era apenas um dos elementos necessários ao reconhecimento da isenção, dentre os quais destacavase a necessidade de requerimento ao INSS. Vejase que no presente caso não há o que se falar em direito adquirido à isenção, uma vez que a Administração já havia cassado da autuada, mediante ato cancelatório, o direito de não recolher a cota patronal previdenciária. Fl. 814DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 19515.001350/201000 Acórdão n.º 2401002.502 S2C4T1 Fl. 810 11 Conclusão Diante do exposto, voto por afastar a preliminar suscitada e, no mérito, por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 815DF CARF MF Impresso em 11/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/06 /2012 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10920.901918/2008-13
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon May 13 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, em reconhecimento do direito creditório informado em DCTF retificadora. A ausência de análise e pronunciamento acerca dos elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos implica na apreciação dos mesmos.
Numero da decisão: 3803-004.054
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
ALEXANDRE KERN - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator.
EDITADO EM: 03/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALEXANDRE KERN (Presidente), BELCHIOR MELO DE SOUSA, JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA, JULIANO EDUARDO LIRANI, HÉLCIO LAFETÁ REIS, e JORGE VICTOR RODRIGUES..
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) ALEXANDRE KERN - Presidente. (Assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator. EDITADO EM: 03/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALEXANDRE KERN (Presidente), BELCHIOR MELO DE SOUSA, JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA, JULIANO EDUARDO LIRANI, HÉLCIO LAFETÁ REIS, e JORGE VICTOR RODRIGUES..
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ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Cabe à autoridade administrativa autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, em reconhecimento do direito creditório informado em DCTF retificadora. A ausência de análise e pronunciamento acerca dos elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos implica na apreciação dos mesmos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) ALEXANDRE KERN Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 19 18 /2 00 8- 13 Fl. 382DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN 2 (Assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. EDITADO EM: 03/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ALEXANDRE KERN (Presidente), BELCHIOR MELO DE SOUSA, JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA, JULIANO EDUARDO LIRANI, HÉLCIO LAFETÁ REIS, e JORGE VICTOR RODRIGUES.. Relatório A contribuinte apresentou Declaração de Compensação (DComp) com suposto aproveitamento de pagamento a maior de PIS à repartição fiscal, que emitiu despacho decisório eletrônico de não homologação da compensação (fl. 07), em razão de o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do próprio contribuinte, não restando saldo credor disponível para a compensação dos débitos informados no Per/DComp. Irresignada a contribuinte manifestou a sua inconformidade na qual alegou que o débito de Cofins referente ao mês de março/2004 é zero, entretanto efetuou o recolhimento desse tributo por meio de DARF no valor de R$ 51.552.30, sendo o pagamento informado na DCTF referente ao 1o trimestre/2004, incorretamente. Após a ciência do teor do despacho decisório em 31/07/08, uma vez constatado o erro material, procedeu à retificação da respectiva DCTF em 08/08/08, para postular pela insubsistência e improcedência do ato administrativo. Conclusos foram os autos submetidos à apreciação da 4ª Turma da DRJ/FNS, quando em sessão realizada em 26/07/11, proferiram decisão por meio do Acórdão nº 07 25.719, adiante transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. INDÉBITO ASSOCIADO A ERRO EM VALOR DECLARADO EM DCTF. REQUISITO PARA HOMOLOGAÇÃO. Nos casos em que a existência do indébito incluído em declaração de compensação está associada à alegação de que o valor declarado em DCTF e recolhido é maior do que o devido, só se pode homologar tal compensação, independentemente de eventuais outras verificações, nos casos em que o contribuinte, previamente à apresentação da DCOMP, retifica regularmente a DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10920.901918/200813 Acórdão n.º 3803004.054 S3TE03 Fl. 5 3 A contribuinte tomou ciência do teor da decisão de primeira instância em 08/11/11 (vide AR) e irresignada interpôs contra a mesma recurso voluntário protocolado na DRF/JoinvilleSC em 07/12/11, conforme atesta o carimbo do órgão recebedor, para alegar sucintamente: Que apresentou a DCTF referente a Cofins do mês de março/2004 pelo regime cumulativo, quando a apuração desse período deveria ser pelo regime não cumulativo, tal fato resultou em valor a pagar, criando um débito que não existia. O indébito pode ser comprovado às fls. 440 a 443 do Livro Diário nº 12, bem como o pagamento indevido do tributo, conforme o DARF quitado, por meio do Livro Diário nº 13 (fl. 91) e Livro Razão, fl. 228. Por decorrência, em 28/07/04 apresentara o Per/DComp para o aproveitamento do crédito gerado indevidamente e, em face do não reconhecimento do mesmo, apresentou a DCTF retificadora, amparado pelo art. 2º da IN SRF nº 432/04. A recorrente colacionou aos autos os seguintes documentos: DCTF’s original e retificadora, Per/DComp; DACON do 1º trimestre/04; DIPJ/2004; fotocópia de DARF pago;, fotocópia autenticada das fls. 91, 441 e 443, do Livro Diário; fotocópia autenticada da fl. 273 do Livro Razão; além de fotocópia de procuração pública, para aduzir que a demonstração de todos esses documentos são suficientes para a comprovação da existência de crédito proveniente de recolhimento indevido ou a maior, o que deve acarretar o reconhecimento do direito creditório e, por conseqüência a homologação da compensação declarada e o cancelamento do débito fiscal. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele tomo conhecimento. Como dito, o contribuinte pretendeu compensar crédito indevido ou a maior, com débitos próprios no período de apuração de março/2004, não logrando êxito nesse desiderato perante o juízo a quo, que concluiu a partir de análise efetuada nos autos pela insuficiência de crédito, considerando, inclusive que o sujeito passivo não acostou aos autos documentos que demonstrassem inequivocamente a comprovação de sua existência. Ademais disso documentos outros foram apresentados pela interessada após a decisão de primeira instância e da DCTF retificada depois do despacho decisório. O deslinde da querela circunscrevese, então, à matéria probatória acerca do reconhecimento da existência de direito creditório alegado pelo contribuinte, matéria que foi devolvida para esta Corte, em razão de não restar pacificada em sede de primeira instância. É cediço que a DCOMP tem a finalidade de informar acerca do encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, bem assim que a responsabilidade da emissão desse documento é de exclusividade da contribuinte, de igual modo o sendo em relação à liquidez e certeza dos créditos e créditos informados por meio de Per/DComp. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN 4 De outra parte cabe à autoridade tributária a necessária verificação da documentação e da origem desses débitos/créditos e correspondente validação e, se for o caso, sobrevém a homologação confirmando a extinção da obrigação tributária. O juízo a quo ao analisar a compensação declarada pela contribuinte se ateve a um aspecto específico qual seja: a não homologação da compensação declarada em função da não retificação prévia da DCTF à transmissão da DComp. Não obstante a não retificação prévia da DComp é certo que o momento oportuno para a apresentação de provas acerca do direito alegado dáse simultaneamente com oposição da manifestação de inconformidade, na data de sua protocolização na repartição fiscal preparadora, em face da instauração do contencioso, de acordo com a previsão contida no artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, não podendo o sujeito passivo fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses de superveniências contidas no § 4o deste mandamus. In casu constatouse que os elementos probantes do direito alegado foram colacionados aos autos pela ora recorrente inoportunamente, bem assim que os motivos ensejadores da impossibilidade de fazêlo em consonância com o disposto no texto normativo não se fazem presentes em seu apelo, sendo estas razões o bastante para se pugnar pelo não provimento do recurso voluntário interposto. O disposto no artigo 16 do Dec. nº 70.235/72 estabelece que da impugnação deverá constar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta o pleito formalizado, como também as razões da discordância e as provas que comprovem o direito a que faz jus o interessado. Igualmente não logrou infirmar o conteúdo do decidido no despacho decisório eletrônico, ou mesmo demonstrar a existência de liquidez, certeza e disponibilidade do crédito informado no Per/DComp, para a satisfação da compensação, mediante a homologação e extinção do crédito, nos termos do art. 156, II, do CTN, oportunamente. Ante o exposto nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 385DF CARF MF Impresso em 13/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 08/05/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 10/05/2013 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10510.903651/2009-01
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.212
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel.
Relatório
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, José de Oliveira Ferraz Correa e Nelso Kichel. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 10 .9 03 65 1/ 20 09 -0 1 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903651/200901 Resolução nº 1802000.212 S1TE02 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA), que por unanimidade de votos julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte. Inicialmente a interessada transmitiu em 19/04/2006 o PER/DCOMP eletrônico n° 36094.94426.190406.1.3.046420, visando utilizar direito creditório fundado em indébito de Simples, código 6106, onde consta: a) débito compensado Simples (código de receita 6106) Período de apuração: março/2006; vencimento: 20/04/2006 principal: R$ 56,84; multa moratória: R$ 0,00; juros de mora: R$ 0,00; Total: R$ 56,84. b) crédito utilizado: Nº do PER/DCOMP Inicial: 36094.94426.190406.1.3.046420 Valor Original do Crédito Inicial: R$ 3.512,65 Crédito Original na Data da Transmissão: R$ 3.512,65 Crédito Atualizado: R$ 6.002,77 Total dos débitos desta DCOMP: R$ 56,84 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 33,26 Saldo do Crédito Original: R$ 3.479,39 A DRF/Aracajú emitiu Despacho Decisório (fl. 10), onde não homologou a compensação, sob o argumento de que o pagamento fora integralmente utilizado na quitação de débito da contribuinte, não restando assim crédito disponível para a compensação conforme se observa: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão Informado no PER/DCOMP: 3.512,65. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903651/200901 Resolução nº 1802000.212 S1TE02 Fl. 4 3 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Inconformada com essa decisão, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que foi excluída do Simples no anocalendário 2002, ficando obrigada a apurar os impostos pelo lucro presumido, conforme Declaração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica DIPJ entregue em 02/09/2003. Porém, como apresentara em 03/04/2003 a Declaração Simplificada DSPJ, cancelada em virtude da apresentação da DIPJ, houve erro nos sistemas da RFB ao continuar vinculando o DARF do crédito à declaração anterior. A DRJ de Salvador (BA) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 19/04/2006 COMPENSAÇÃO. Não cabe reparo a despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integralmente alocado para a quitação de débito confessado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 23/08/2011, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 13/09/2011 onde traz suas argumentações e ao fim requer que o acórdão seja reformado de tal forma a ser homologada a totalidade dos pedidos de restituição/compensação efetuados pela recorrente. É o relatório. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903651/200901 Resolução nº 1802000.212 S1TE02 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O presente recurso é tempestivo, portanto dele tomo conhecimento. O presente processo tem origem no PER/DCOMP n.° 36094.94426.190406.1.3.046420, com objetivo de ver reconhecida a compensação de crédito decorrente de pagamento indevido e/ou a maior de Simples (código 6106), no valor original de R$ 3.512,65, com débito de mesma natureza, referente ao período de março/2006. A DRF de Aracajú não homologou a compensação efetuada pela contribuinte alegando que (fl. 10): “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” O DARF mencionado no despacho acima foi alocado para quitar o débito do Simples (código 6106) referente ao período de apuração de 01/03/2002. A DRJ de Salvador (BA) entendeu em seu acórdão que o despacho não merecia qualquer reparo. Ao contrário da DRJ, não consigo entender da mesma forma. Isto porque alega a Recorrente, e não refuta a DRJ, que foi excluída do Simples retroativamente a 01/01/2002. Ora, se de fato houve a exclusão, parece ilógico que haja qualquer alocação na forma defendida pela DRF, tendo em vista que o lançamento não ocorreu nesta modalidade e com esse código, eis que como efeito da exclusão, todos os seus tributos são recalculados com base no lucro real ou no lucro presumido. Com efeito, tudo indica que houve uma antecipação dos tributos nos Simples, não homologados pela Receita Federal do Brasil, o que não gerou o pretenso crédito tributário na modalidade do Simples, tendo havido portanto o lançamento de ofício pela autoridade administrativa, conforme prevê o CTN, art. 142 e seguintes. Ressalvadas as situações do parágrafo 3º (créditos não compensáveis) do artigo 74 da Lei nº 9.430/96 que disciplina a matéria relativa à compensação no âmbito federal, o sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo e/ou contribuição administrados pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos vencidos ou vincendos próprios do contribuinte, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração do mencionado órgão administrativo, vejamos: “Artigo 74 O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903651/200901 Resolução nº 1802000.212 S1TE02 Fl. 6 5 débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão. ... § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pelo sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) I o saldo a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física; (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) II os débitos relativos a tributos e contribuições devidos no registro da Declaração de Importação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) III os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal que já tenham sido encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União; (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003) IV o débito consolidado em qualquer modalidade de parcelamento concedido pela Secretaria da Receita Federal SRF; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V o débito que já tenha sido objeto de compensação não homologada, ainda que a compensação se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa; e (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) VI o valor objeto de pedido de restituição ou de ressarcimento já indeferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal SRF, ainda que o pedido se encontre pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) VIIos débitos relativos a tributos e contribuições de valores originais inferiores a R$ 500,00 (quinhentos reais); (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) VIIIos débitos relativos ao recolhimento mensal obrigatório da pessoa física apurados na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 1988; e (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008) IXos débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa JurídicaIRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro LíquidoCSLL apurados na forma do art. 2o. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008)” Como visto os fundamentos para o indeferimento do PER/DCOMP, tanto pela DRF quanto pela DRJ, por si só, não encontram amparo na norma legal que rege a matéria. Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10510.903651/200901 Resolução nº 1802000.212 S1TE02 Fl. 7 6 A questão é saber se de fato resta caracterizado o indébito do pagamento do Simples, comprovado mediante escrituração contábil e fiscal, para que se possa aferir a certeza e liquidez do crédito tributário como dispõe o artigo 170 da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional CTN). Isto posto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que a DRF Aracajú: a) preste esclarecimentos sobre o ato declaratório executivo que contém o despacho decisório que excluiu a contribuinte do Simples, juntando cópia do mesmo; b) informe se porventura o crédito em questão foi alocado de ofício nos tributos englobados no Simples por ocasião do recálculo na sistemática do lucro presumido. c) informe se esses créditos foram vinculados ao pagamento de qualquer outro tributo administrado pela RFB; d) junte cópia da DIPJ do anocalendário de 2002 e da DCTF referente a março de 2002. e) dê ciência ao contribuinte do resultado da diligência para que ele querendo possa se manifestar. Concluída a diligência fiscal, a DRF Aracajú deverá lavrar relatório circunstanciado, pormenorizado e conclusivo dos resultados apurados. (documento assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/05/2013 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 13820.000349/2004-71
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 Não Cumulatividade. Insumos. Rateio. Vendas ao exterior. Receitas de produtos sujeitos ao regime Monofásico. Inexistência de direito a crédito. Em relação aos fatos geradores ocorridos anteriormente à vigência da nova redação do inciso IV do § 3º do art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, dada pelo art. 37 da Lei nº 10.865, de 2004, não dão direito a crédito da contribuição para o PIS/Pasep, nos termos do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, os custos, despesas ou encargos vinculados à receita de vendas, no mercado interno ou externo, e produtos de que trata a Lei nº 10.485, de 2002. Recurso Negado.
Numero da decisão: 3403-001.460
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho. Designada a Conselheira Liduína Maria Alves Macambira. Esteve presente ao julgamento a Dra. Fernanda Ramos Pazello. OAB/SP nº 195.745.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2003 a 31/07/2003 Não Cumulatividade. Insumos. Rateio. Vendas ao exterior. Receitas de produtos sujeitos ao regime Monofásico. Inexistência de direito a crédito. Em relação aos fatos geradores ocorridos anteriormente à vigência da nova redação do inciso IV do § 3º do art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, dada pelo art. 37 da Lei nº 10.865, de 2004, não dão direito a crédito da contribuição para o PIS/Pasep, nos termos do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, os custos, despesas ou encargos vinculados à receita de vendas, no mercado interno ou externo, e produtos de que trata a Lei nº 10.485, de 2002. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho. Designada a Conselheira Liduína Maria Alves Macambira. Esteve presente ao julgamento a Dra. Fernanda Ramos Pazello. OAB/SP nº 195.745. Antonio Carlos Atulim Presidente Domingos de Sá Filho Relator Liduína Maria Alves Macambira – Relatora Designada Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Domingos de Sá Filho, Antonio Carlos Atulim, Liduina Maria Alves Macambira, Robson José Bayerl, Raquel Motta Brandão Minatel e Marcos Tranchesi Ortiz. Fl. 215DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela empresa General Motors do Brasil S/A contra a decisão que homologou parcialmente o pedido de compensação e restituição de crédito de PIS/PASEP decorrrentes de exportação de produtos industrializados relativo ao período de Extraíse do Despacho Decisório que o motivo do indeferimento decorre de irregularidades no tocante ao critério adotado, vez que, a Interessada fez incluír no cálculo receitas de exportação de veículos automotores, as quais estão sujeitas a incidência cumulativa do PIS e da COFINS. Assim, encontra empresso na decissão ora hostilizada de que a Recorrente não pode incluir no cálculo da determinação do crédito receita de exportação de veículos automotores por estar sumbmetida a sistemática cumulativa, de modo que, há irregularidade na apuração dos valores utilizados no que diz respeito ao critério de rateio dos montantes de PIS/Pasep a que teria direito, relativos aos insumos aplicados nos produtos em relação a totalidade das exportações realizadas no período de apuração. Assim sendo, adoto como relatório o consignado no Acórdão recorrido por revelar a situação dos autos, vejamos: “Em 28/01/2004 a contribuinte protocolou Declaração de Compensação —DCOMP de fl. 01, compensando debito próprio com crédito de PIS originado da sistemática não cumulativa, apurado em operações de exportação e não aproveitado na dedução da contribuição devida, como indicado à fl. 02. Abriuse procedimento fiscal com o objetivo de averiguar a regularidade da compensação declarada. Do procedimento, resultou o TERMO DE VERIFICAÇÃO PARCIAL que integra os autos, no qual a autoridade responsável pela auditoria aponta o que constatou do exame da documentação apresentada pela empresa, bem como se posiciona a respeito da existência do crédito utilizado em compensação: 1) DIFERENÇAS ENTRE OS DEMONSTRATIVOS ANALÍTICOS ELABORADOS PELO PRÓPRIO CONTRIBUINTE E OS DACON: Comparandose os demonstrativos com os Dacon, constatouse algumas diferenças, especialmente na linha 03 das fichas 04. Essas diferenças, por si só, já ensejariam a reconstituição dessas fichas no intuito de se apurar os valores corretos dos créditos. 2) DISTORÇÕES NOS CÁLCULOS DOS PERCENTUAIS DE RATEIO: No entanto, apurouse ainda irregularidades no tocante ao critério de rateio dos créditos relativos aos insumos aplicados em produtos exportados. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA Processo nº 13820.000349/200471 Acórdão n.º 340301.460 S3C4T3 Fl. 2 3 [...] na apuração dos percentuais de rateio dos créditos relativos a insumos aplicados em produtos, mercadorias e serviços exportados, o contribuinte o fez com base na relação percentual das receitas. No entanto, no caso das exportações, o contribuinte considerou a receita da totalidade dos produtos exportados de forma incorreta. Isto porque, durante o período fiscalizado, a maior parte de suas receitas de exportação foram de veículos automotores, os quais eslavani sujeitos a incidência cumulativa do PIS e da Cofins. Neste sentido, confirase o parágrafo 7° do art. 3º das Leis n° 10.637/02 (PIS) e 10.833 (COFINS): § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. A fim de apurar o correto percentual de rateio dos insumos, solicitamos [...] que o contribuinte nos informasse os valores das exportações de veículos separadamente dos demais produtos, mercadorias e serviços. A resposta se deu pelo fornecimento de planilhas [.] Com base nessas planilhas, elaboramos demonstrativo de recalculo dos percentuais de rateio a serem aplicados nos insumos utilizados em produtos exportados. 0 Termo de Verificação segue com tabela de recálculos dos percentuais de mos para fins de apuração dos créditos da sistemática da não cumulatividade. O fiscal, referindose a irregularidades constatadas quanto aos montantes de fls. 3) FRETES 3.1) CRÉDITO INDEVIDO DE PIS SOBRE FRETE EM JAN/04 Constatouse que o contribuinte informou valores de fretes [.] no Dacon de forma indevida. A Lei 10.637/02, que introduziu a sistemática da não cumulatividade para o PIS a partir de 01/12/02 não permitia o creditamento sobre fretes. O creditamento de valores de frete passou a ser permitido pela Lei 10833/03, que introduziu a sistemática da não cumulatividade para a Cofins a partir de 01/02/04 e estendeu esse beneficio também para o PIS. Referido valor foi por nós glosado. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA 4 3.2) CRÉDITO INDEVIDO DE PIS SOBRE FRETE EM FEV/04 E MAR/04: Solicitouse que o contribuinte explicasse as diferenças entre os valores da linha 13 informados nas fichas 04 (PIS) e 06 (Cofins) do Dacon nos meses de fev/04 e mar/04, visto que, em principio, os valores deveriam ser iguais. Em resposta, o contribuinte apresentou demonstrativos analíticos mais detalhados dessas linhas, onde se verifica que houve o creditamento indevido de PIS (ficha 04, linha 13) sobre fretes incorridos em 2003. 0 mesmo não se verificou com relação à Cofins (Ficha 06, linha 13). Igualmente, referidos valores foram por nós glosados. Ante todo o exposto, reconstituímos os preenchimentos das fichas 04 e 06 dos Dacons do período fiscalizado, utilizandose dos percentuais de rateio por nós recalculados e das bases de cálculo informadas nos demonstrativos analíticos fornecidos pelo contribuinte bem como os demonstrativos detalhados das PIS (linhas 13 fichas 04 e 06 dos meses de fev/04 e mar/04). Continuando o TERMO, a autoridade fiscal inclui os demonstrativos de recálculo dos valores dos créditos sobre insumos aplicados em produtos exportados, apurando diferenças nos montantes de R$ 10.521.817,05 para o PIS e R$ 3.460.613,03 em relação Cofins. Parte dos créditos de PIS apurados a maior pela contribuinte (R$ 907.512,82), esclarece o auditor, foi indevidamente utilizada como dedução do PIS devido sobre operações no mercado interno. Na sequência, afirma o fiscal que: A diferença de RS 9.614.304,23 foi utilizado mediante compensação, assim resumida (...) No final, conclui a auditoria: Ante todo o exposto, ratificamos a glosa de todas as diferenças apuradas devendo as compensações indevidas serem objeto de não homologação expressa por parte do Setor de Orientação e Análise Tributária (Seort) desta Delegacia. O Seort da unidade de origem, por sua vez, no Despacho Decisório que segue ao Termo de Verificação Fiscal, orientandose pela recomendação dada pela auditoria, não homologou a compensação declarada que se utilizou de crédito acima do valor como recalculado pela fiscalização. Notificada do teor do despacho decisório em 27/05/2009, em 26/06/2009 a protocolou manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese o que Ao impugnar os percentuais de rateio utilizados pela contribuinte dos créditos sobre insumos a autoridade fiscal deixou de observar que, por pertencer motivo, a Requerente está sujeita a uma sistemática de PIS e de Cofins especifica, denominada incidência monofásica, para a qual não há qualquer vedação para a utilização de abatimento na Fl. 218DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA Processo nº 13820.000349/200471 Acórdão n.º 340301.460 S3C4T3 Fl. 3 5 apuração da base de cálculo de tais exações no caso de exporta cão de um produto (veículos, por exemplo). Diz que, por pertencer ao setor automotivo, sujeitavase às disposições da Lei n° 10.485, de 2002, na questão da tributação do PIS e da Cofins. Prossegue afirmando que nos termos do art. 10 da Lei n° 10.485, de 2002, os veículos acabados sujeitamse à alíquota zero para o PIS e a Cofins, sendo devidas apenas nas saídas efetuadas pelas montadoras para o mercado interno, as alíquotas de 1,47% e 6,79% respectivamente para o PIS e a Cofins. Continua: Entretanto, importante destacar que, no presente caso, não estamos lidando com a venda de produtos acabados para o mercado interno, mas com receitas decorrentes de veículos que são objeto de exportação e, portanto, imunes a incidência do PIS e da Cofins, nos termos do art. 149, §2°, inciso I da CF/88 (imunidade tributária as receitas de exportação). Assim, não havendo incidência do PIS e da Cofins na operação de exportação dos veículos acabados, não há que se falar em sujeição ao regime de recolhimento monofásico previsto na Lei n° 10.485/02, ou mesmo em sistemática cumulativa ou não cumulativa, como pretendeu a D. Autoridade Fiscal por intermédio do Termo de Verificação Fiscal. Em outras palavras, pelo fato de não haver recolhimento de PIS e COFINS na saída dos veículos exportados (e, portanto, não ocorrer a incidência monofásica, cumulativa ou não cumulativo), resta evidente a inaplicabilidade da regra prevista no art. 3°, §7°, da Lei n° 10.637/2002, como pretenderam fazer as DD Autoridades Fiscais. Nos casos como de que ora se cuida, tendo em vista que a Lei n° 10.485/2002 não trata expressamente da hipótese (de produto destinado à exportação, é evidente a necessidade de aplicação da regra prevista no artigo 5°, §1°, da Lei n° 10.637/02, que trata especificamente dos casos de exportação de produtos (onde não há incidência das contribuições sociais) e que reconhece, nessas hipóteses, o direito do contribuinte a manter e aproveitar os créditos decorrentes das etapas anteriores da cadeia produtiva. Frisese que, enquanto o art. 3°, §7°, da Lei n° 10.637/02 é uma regra geral, que dispõe que nas saídas para o mercado interno só darão direito a créditos as operações compreendidas na sistemática não cumulativa do PIS, o §1° do artigo 5° desse mesmo dispositivo é unia regra específica (ou seja, prevalente), que trata do direito a manutenção e aproveitamento dos créditos nos casos de exportação, como é o caso da Requerente (apuração de créditos de PIS/COFINS decorrente de receitas auferidas com as operações de exportação de veículos). A esse respeito, a Requerente anexa a presente decisão proferida nos autos do Processo Administrativo 13820.000358/200462, Fl. 219DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA 6 ocasião que restou homologada à compensação de créditos com COFINS apurados sobre as exportações realizadas em fevereiro c/c 2004. Ou seja, pela interpretação sistemática dos artigos 3°, §7°c 5°, §1°, ambos da Lei n° 10.637/02, percebese que, no caso com exportação de veículos acabados, deve ser aplicada a regra específica que trata da exportação de produtos e que, portanto, a Requerente, ao fazer o rateio proporcional dos valores a serem, creditados, deverá considerar a totalidade das receitas auferidas com as operações de exportação. Em outra vertente de sua manifestação a contribuinte argumenta que obstar o aproveitamento dos créditos dos insumos utilizados na fabricação dos produtos exportados é ir contra a desoneração das exportações que está na base da imunidade constitucional inscrita no art. 149, §2°, inciso I da CF de 1988. Alega, ainda, que o impedimento ao direito do crédito da sistemática não cumulativa não se coaduna com a racionalidade em que se funda esse regime de apuração. Nesse contexto, reitera que, por pertencer ao setor automotivo, estava sujeita a regras de tributação especificas dispostas na Lei n° 10.485, de 2002. Lembra que os produtos relacionados nos anexos I e II da referida norma estavam sujeitos à alíquota zero de PIS e de Cofins, sendo essas contribuições devidas apenas nas saídas dos veículos acabados das montadoras para o mercado interno sofrendo as alíquotas de 1,47% e 6,79% respectivamente para o PIS e a Cofins. Portanto, prossegue a contribuinte, passou a se sujeitar a uma alíquota global de 8,26% a titulo de PIS e Cofins sem qualquer direito à redução da base de cálculo dessas contribuições, o que invalida o modelo concebido para a não cumulatividade do PIS e da Cofins. E conclui: Ora. DD. Autoridades Julgadoras, resta evidente que a vedação do abatimento constante do artigo 3°, §7°, das Leis n° 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (COFINS), o qual em nenhum momento foi excepcionado pela legislação especifica aplicável Requerente (Lei n° 10.485/2002), implica majoração da alíquota do PIS e COFINS. Da análise da decisão transcrita acima, no que interessa a presente, depreendese que, a partir da instituição do que se denominou "regime não cumulativo" para a apuração do PIS/COFINS, a elevação das alíquotas dessas contribuições só faz sentido se vier acompanhada de abatimentos legais ("créditos') que neutralizem o impacto econômico sofrido pelos contribuintes, sob pena de haver acréscimo de ônus tributário sendo o correspondente aumento da capacidade contributiva. Desta forma, não restam dúvidas de que a limitação ao aproveitamento dos créditos de PIS e COFINS em razão da incidência monofásica (entendimento da r. decisão recorrida), em respeito a própria finalidade para que foram promulgadas, jamais poderia restringir o aproveitamento integral dos créditos. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA Processo nº 13820.000349/200471 Acórdão n.º 340301.460 S3C4T3 Fl. 4 7 ASSIM, revelase inválida, além de incompatível com a técnica da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, a vedação aos créditos nessas circunstancias, sob pena de implicar majoração da alíquota do PIS e da COFINS e inconstitucional imposição de um ônus fiscal ao contribuinte. Passa então a contestar a glosa efetuada pela fiscalização quanto aos valores despendidos com frete. Primeiramente, discorre sobre o conceito de insumos, concluindo que nele se incluem as despesas com frete. Depois, cita haver formulado Consulta Administração Tributária com o objetivo de indagar a respeito da correta aplicação da legislação federal no tocante à apuração de créditos de PIS e de COFINS relacionados contratação de serviços de transporte na aquisição dos insumos destinados ao seu processo produtivo (processo n° 13820.000524/200421). Referida consulta resultou favorável contribuinte no sentido de que o valor do frete pago pelo adquirente à pessoa jurídica para transportar bens adquiridos para serem utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda compõe o custo do bem, podendo, portanto ser utilizado como crédito a ser descontado do PIS/Pasep e da Coluna nãocumulativos. Ressalta o efeito vinculante da consulta em relação ao contribuinte e as autoridades fiscais e observa que a auditoria contrariou o entendimento disposto na solução de consulta pela administração tributária ao não acatar os créditos da contribuinte calculados sobre fretes. Por fim, alega que a não homologação das declarações de compensação não pode ser acompanhada de multa e de juros moratórios, em razão da comprovada suspensão da exigibilidade do crédito no caso de apresentação de recurso administrativo”. Assim, o debate se refere a possibilidade de incluir as receitas de exportações de produtos do setor automotivo no cálculo para determinar o crédito em decorrência das disposições da Lei nº 10.485/02, incidência monofásica do PIS/COFINS, de aproveitamento créditos decorrentes de aquisição de insumos das etapas anteriores da cadeia produtiva sujeitos a nãocumulatividade. Em razões recursais reprisa os argumentos tecidos em sua impugnação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho Relator. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA 8 Tratase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, em sendo assim, tomo conhecimento. A irresignação demonstrada no presente recurso se refere à exclusão das receitas de exportação de veículos do cálculo na determinação do crédito da contribuição, bem como, possível crédito de frete e incidência de multa e juros em relação à falta de pagamento dos créditos indevidamente compensados. A questão central colocada neste caderno processual administrativo concentra em saber se as pessoas jurídicas contribuintes do PIS e COFINS que exercem atividade mista, isto é, parte de suas receita sujeitas ao regime não cumulativo e outra ao cumulativo, no caso essa indagação se estende a determinado produto que o legislador ordinário submeteu à incidência monofásica da Contribuição do PIS/COFINS. O Contribuinte que comercialize mercadorias ou produtos cuja receita de venda esteja sujeita ao modelo monofásico de apuração das contribuições do PIS e COFINS pode apurar créditos tãosomente em relação aos demais custos/despesas elencadas nos arts. 3º das Leis nº 10.637/02 10.833/03. No caso vertente as receitas provenientes de comercialização de produtos, veículos automotores, no mercado interno encontram submetidos à sistemática cumulativa de apuração sujeitas à tributação concentrada. O fisco entendeu que as receitas provenientes de exportação de veículos automotores deveriam ser afastadas da determinação do rateio em razão de que esse produto encontra submetido à incidência monofásica. Há de se indagar se as receitas de exportação estão sujeitas à incidência de tributos, no caso específico deste caderno em relação ao PIS e COFINS. É de sabença comum que as receitas provenientes de exportação de produtos industrializados foram alçadas à imunidade constitucional pelo art. 149, § 2º, I., inexistindo qualquer dispositivo infraconstitucional a fazer incidir tributos sobre as receitas. Se admitir à impossibilidade de creditamento de PIS e COFINS de aproveitamento de créditos decorrentes de aquisição de insumos das etapas anteriores da cadeia produtivos sujeitos a nãocumulatividade estarseia indiretamente onerando as receitas provenientes de exportação. O Legislador constitucional buscou por meio de imunidade assegurar a desoneração ampla das receitas provenientes da exportação, garantindo a maior competividade dos produtos nacionais no mercado externo. É sempre bom lembrar que o Supremo Tribunal Federal já assentou entendimento de que critérios de classificação previstos na legislação infraconstitucional não podem ser usados na definição do âmbito de incidência das imunidades tributárias. A desoneração das exportações antes da Emenda Constitucional nº 33/01 já assegurava que as receitas decorrentes de exportação, em geral, estão imunes a contribuições sociais bem como a contribuições de intervenção no domínio econômico conforme redação da Lei 9.004/95 que alterou a Lei nº 7.714/88, que excluiu da base de cálculo da contribuição ao PIS à receita da exportação de mercadorias nacionais. Em sendo assim, a legislação infraconstitucional não possui o condão de onerar as receitas provenientes de exportação, negando o direito ao creditamento das contribuições incidentes sobre os insumos nas etapas anteriores. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA Processo nº 13820.000349/200471 Acórdão n.º 340301.460 S3C4T3 Fl. 5 9 As regras contidas na Lei nº 10.485/02 em relação à incidência do PIS e COFINS se referem ao comércio de veículos automotores no mercado interno, tratandose de comércio exterior impõe a observância das normas fixadas pelos artigos 5º, § 1º da lei nº 10.637/02 em relação ao PIS e 6º, § 1º, da Lei 10.833/03 referente ao COFINS. Se as operações de exportação não estão sujeitas à incidência das contribuições sociais não cumulativas, vedar a utilização dos créditos apurados oriundo dos insumos em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, desde que, observados critérios de apuração do crédito, adquiridos na compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da receita Federal do Brasil, verdadeiramente implicam em majoração indireta da carga tributária já fixada mediante Lei. O crédito presumido é assegurado a toda empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais como ressarcimento das contribuições, o qual se estende a operação de venda a empresa comercial exportadora, desde que seja com o fim específico de exportação para o exterior. Em sendo assim, as vendas realizadas para exterior não estão submetidas às regras da Lei nº 10.485/02, mas, sim, as normas das Leis nºs 10.637/02 e da Lei 10.833/03, que assegura o direito ao crédito. Arcabouço legal infraconstitucional construído é no sentido de desonerar as receitas de exportação com um único objetivo, tornar os produtos industrializados no Brasil competitivos no mercado externo. De modo que, a regra instituída para o mercado interno não interfere com a modalidade desenhada para o produtor exportador de mercadorias nacionais, para tanto, desenvolveuse instituto próprio cujo crédito fiscal se dá por meio do ressarcimento destinado a compensar o custo representado pelas contribuições sociais. Não há qualquer dúvida de que a determinação constitucional direcionada à desoneração das exportações afasta incidência das contribuições para o PIS e a COFINS sobre as exportações, existindo norma legal, há de reconhecer a inclusão das receitas de exportação de veículos na determinação do cálculo, mesmo estando o contribuinte sujeito à sistemática monofásica no mercado interno. Assim, tenho como certo o direito da recorrente de incluir no cálculo a totalidade das receitas provenientes da exportação de veículos automotores, e, acolho os argumentos tecidos em defesa ao instituto do credito fiscal destinados ao produtor exportador de mercadorias nacionais. No que tange ao direito ao cálculo de crédito de não cumulatividade sobre frete cabe destacar que a mesma não foi objeto de glosa, portanto, não encontra em debate nestes autos. Não assiste razão a recorrente quanto ao argumento de que é ilegítima a cobrança de multa e de juros de mora sobre o débito cuja compensação deixou de ser homologada. O fato de impugnar tempestivamente não afasta o direito da Fazenda Nacional de exigir multa e juros de mora sobre possível diferença apurada decorrente de Fl. 223DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA 10 homologação parcial de compensação, constatando insuficiência de recolhimento impõe a exigência de encargo conforme prevê a legislação inerente. Diante do exposto, conheço do recurso dou provimento parcial para reconhecer o direito da recorrente de incluir a totalidade das receitas de vendas externas de veículos automotores no cálculo da determinação do crédito das contribuições sociais referentes às aquisições de insumos. É como voto. Domingos de Sá Filho Voto Vencedor Com o devido respeito, discordo do voto do conselheiro relator em reconhecer o direito de a recorrente de incluir a totalidade das receitas de vendas externas de veículos automotores no cálculo da determinação do crédito das contribuições sociais referentes às aquisições de insumos. A pretensão da recorrente não pode ser acolhida. A recorrente, empresa pertencente ao setor automotivo, submetiase conforme previsão legal, a incidência monofásica para as Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público(PIS/Pasep) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), prevista na Lei nº 10.485, de 03 de julho de 2002, durante o período do crédito aqui discutido. O crédito aqui discutido tem sua formação anterior a vigência de lei da Lei nº 10.865, de 2004, já que se trata de crédito referente a período anterior a 01 de maio de 2004, portanto, antes de surtir efeito as disposições da Lei nº 10.865, de 2004. Mencionada norma legal, como aponta o voto condutor da decisão recorrida, em seus artigos 21 e 37, alterou dispositivos das Leis nº10.637, de 2002, nº 10.833, de 2003 e nº 10.485, de 2002, de modo que as receitas das vendas dos produtos de que trata a Lei nº 10.485, de 2002, passaram a se submeter à incidência dessas contribuições segundo o regime nãocumulativo a partir da vigência dessas alterações, no caso 1º de agosto de 2004, conforme o art. 46, incisos I e IV, da Lei nº 10.865, de 2004, se não houver opção pela antecipação para 1º de maio de 2004, prevista no seu art. 42. A pretensão da recorrente já encontrava óbices no inciso IV do § 3º do art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, e, igualmente, o inciso IV do § 3º do art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003, expressamente excluíam do regime cumulativo as receitas decorrentes das vendas dos produtos submetidos à incidência monofásica da contribuição, como é o caso dos veículos automotores, tratados na Lei nº 10.485, de 2002. Portanto, havia previsão legal expressa dizendo que as receitas decorrentes das vendas dos produtos submetidos à incidência monofásica das contribuições PIS/Pasep e Cofins não integrariam a base de calculo do regime da não cumulatividade. Por sua vez, o art. 8º, inciso VII, alínea "a", da Lei nº 10.637, de 2002, e o art. 10, inciso VII, alínea "a”, da Lei nº 10.833, de 2003, determinavam que as receitas das vendas Fl. 224DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA Processo nº 13820.000349/200471 Acórdão n.º 340301.460 S3C4T3 Fl. 6 11 dos produtos listados nesses incisos, nos quais se incluiu as vendas dos produtos da recorrente, permaneciam sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins vigentes anteriormente a essas leis. Ademais, embora a recorrente argumente como fundamento para inclusão das receitas das vendas no regime não cumulativo, por se tratar de saídas para o externo não seriam disciplinadas pela Lei nº 10.485, de 2002, não há como prevalecer essa tese. Não prevalece porque o foco da norma não é a destinação do produto, mas natureza do produto vendido. A pretensão da recorrente é vedada por lei. O § 7º do art. 3º, das Lei nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, estabelece que, na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. Sem razão a recorrente, como bem fundamentou o voto condutor da decisão recorrida que adoto e tomo a liberdade de transcrevêlo parcialmente: Anteriormente às alterações promovidas pela Lei nº 10.865, de 2004, o inciso IV do § 3º do art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, e, igualmente, o inciso IV do § 3º do art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003, expressamente excluíam do regime cumulativo as receitas decorrentes das vendas dos produtos submetidos à incidência monofásica da contribuição, como é o caso dos veículos automotores, tratados na Lei nº 10.485, de 2002: Lei nº 10.637, de 2002 Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. [...] § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: IV de venda dos produtos de que tratam as Leis no 9.990, de 21 de julho de 2000, no 10.147, de 21 de dezembro de 2000, e no 10.485, de 3 de julho de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; [...] Lei nº 10.833, de 2003: Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. [...] Fl. 225DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA 12 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: [...] IV de venda dos produtos de que tratam as Leis nos 9.990, de 21 de julho de 2000, 10.147, de 21 de dezembro de 2000, 10.485, de 3 de julho de 2002, e 10.560, de 13 de novembro de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; [...] Assim, já no desenho tributário formatado por essas leis as receitas decorrentes das vendas de veículos já estavam fora do regime da não cumulatividade. Coerentemente com essas disposições, o art. 8º, inciso VII, alínea "a", da Lei nº 10.637, de 2002, e o art. 10, inciso VII, alínea "a”, da Lei nº 10.833, de 2003, determinavam que as receitas das vendas dos produtos listados nesse inciso permaneciam sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins vigentes anteriormente a essas leis. Lei nº 10.637, de 2002: Art. 8o Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 6o: [...] VII – as receitas decorrentes das operações: a) referidas no inciso IV do § 3o do art. 1o; [...] Lei nº 10.833, de 2003: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: [...] VII as receitas decorrentes das operações: a) referidas no inciso IV do § 3o do art. 1o; [...] Com base no que até aqui foi exposto, é possível concluir que já no próprio desenho legal traçado pelas Leis nºº10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, ficaram excluídas do regime da não cumulatividade da contribuição ao PIS e da Cofins, as receitas decorrentes das vendas de veículos acabados produzidos pelas montadoras. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA Processo nº 13820.000349/200471 Acórdão n.º 340301.460 S3C4T3 Fl. 7 13 Anotese, dessa forma, o equívoco da contribuinte em pretender que a inclusão no regime tome por base a destinação das mercadorias –no caso, vendas ao exterior– e não, ao contrário do que estabelecido pela legislação, a natureza das receitas– decorrentes, na situação dos autos, de vendas de produtos excluídos expressamente do regime da não cumulatividade. As Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, ao estipularem que as receitas de vendas dos produtos de que trata Lei nº 10.485, de 2002, não integram a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins e permanecem sujeitas às normas anteriores à sua vigência, referemse tanto às vendas no mercado interno quanto no mercado externo. É evidente que o que importa, no contexto dessas leis, é o produto vendido, e não a destinação do produto (mercado interno ou externo). As receitas decorrentes de sua venda, portanto, quer se trate de venda no País ou de exportação, não seguem as normas da cobrança nãocumulativa. Desse modo, os insumos vinculados à produção das receitas decorrentes das vendas dos produtos assinalados na Lei nº 10.485, de 2002, não dão direito à apuração de créditos do regime não cumulativo, de que tratam os art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003. Essa vedação fica clara pela leitura do que diz, em ambas as leis, o § 7º do art. 3º. O dispositivo estabelece que, na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas: Lei nº 10.637, de 2002: Art. 3º ............................ § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, em relação apenas a parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. (...) Lei nº 10.833, de 2003: § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. [...] Nesse contexto, as receitas decorrentes da exportação de veículos acabados não podem compor o montante das receitas não cumulativas para efeito de definição de percentual de rateio Fl. 227DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA 14 dos insumos passives de geração de créditos da não cumulatividade. (...) Em resumo, correto o recálculo do percentual de rateio promovido pela fiscalização, diante da constatação de que a contribuinte incluiu indevidamente no montante das receitas da não cumulatividade, receitas decorrentes da exportação de veículos prontos, as quais estavam expressamente fora do regime da não cumulatividade no período de formação dos créditos aproveitados em DCOMP. Cabe destacar, ainda, que a argumentação construída com o objetivo de evidenciar supostas incoerências ou injustiças fiscais no sistema da não cumulatividade pela vedação à apropriação de créditos sobre insumos utilizados na fabricação de produtos exportados não se sobrepõe às disposições das Leis nº 10.637, de 2002 e nº 10.833, de 2003. Reiterese, tais diplomas excluem do regime não cumulativo as receitas com origem em exportação de veículos acabados e vedam a geração de créditos sobre insumos utilizados na fabricação de produtos que não se sujeitam a essa sistemática. Por oportuno trago à colação oportunas lições do professor Celso Antônio Bandeira de Mello [1], in verbis: (...) o princípio da legalidade é o da completa submissão da Administração às leis. Esta deve tão somente obedecêlas, cumprilas, pôlas em prática. Daí que a atividade de todos os seus agentes, desde o que lhe ocupa a cúspide, isto é, o Presidente da República, até o mais modesto dos servidores, só pode ser a de dóceis, reverentes, obsequiosos cumpridores das disposições gerais fixadas pelo Poder Legislativo, pois esta é a posição que lhes compete no Direito brasileiro. (...) O princípio da legalidade, no Brasil, significa que a Administração nada pode fazer senão o que a lei determina. Ao contrário dos particulares, os quais podem fazer tudo o que a lei não proíbe, a Administração só pode fazer o que a lei antecipadamente autorize. Donde, administrar é prover aos interesses públicos, assim caracterizados em lei, fazendoo na conformidade dos meios e formas nela estabelecidos ou particularizados segundo suas disposições. Seguese que a atividade administrativa consiste na produção de decisões e comportamentos que, na formação escalonada do Direito, agregam níveis maiores de concreção ao que já se contém abstratamente nas leis. Com essas considerações, nego provimento ao recurso voluntário. Liduína Maria Alves Macambira 1 BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 26. ed. rev. e atual. São Paulo: Malheiros, 2009, p. 101 e 105. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA Processo nº 13820.000349/200471 Acórdão n.º 340301.460 S3C4T3 Fl. 8 15 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 12/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 21/05/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/05/2012 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado d igitalmente em 28/05/2012 por LIDUINA MARIA ALVES MACAMBIRA
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Numero do processo: 11065.101417/2008-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
BASE DE CÁLCULO, RECEITAS DE CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DE ICMS A TERCEIROS.
As receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) a terceiros, auferidas até 31 de dezembro de 2008, integram a base de cálculo da Cofins com incidência não-cumulativa.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3301-001.375
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Antônio Lisboa Cardoso, Andrea Medrado Darzé e Maria Teresa Martínez Lópes.
Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Adão Vitorino de Morais.
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1829; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 174 1 173 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.101417/200816 Recurso nº 01 Voluntário Acórdão nº 330101.375 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 20 de março de 2012 Matéria COFINS Recorrente INDUSTRIA E COMÉRCIO DE CALÇADOS MALU LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 BASE DE CÁLCULO, RECEITAS DE CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DE ICMS A TERCEIROS. As receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) a terceiros, auferidas até 31 de dezembro de 2008, integram a base de cálculo da Cofins com incidência nãocumulativa. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Antônio Lisboa Cardoso, Andrea Medrado Darzé e Maria Teresa Martínez Lópes. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro José Adão Vitorino de Morais. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Presidente. ANTÔNIO LISBOA CARDOSO Relator. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 26/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 2 JOSÉ ADÃO VITORINO DE MORAIS Redator designado. EDITADO EM: 23/04/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Alan Fialho Gandra, Andréa Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Cuidase de recurso em face do acórdão da DRJ de Porto AlegreRS, assim ementado (fls. 147/148): “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 Ementa: BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIAS DE CRÉDITOS DE ICMS. A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a COFINS até a vigência dos arts. 7º, 8° e 9° da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” A recorrente foi cientificada do acórdão em 20/07/2010 (AR fl. 150), protocolizando o recurso de fls. 151/164, em 11/08/2010, alegando, em síntese, que a cessão de créditos de ICMS não devem compor a base de cálculo do PIS/PASEP, por não se caracterizar receita decorrente da atividade própria da empresa, citando alguns acórdãos dos Conselhos de Contribuintes, unificados e transformados no atual CARF, in verbis: "PIS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS E COFINS. Não há incidência de Pis e Co fins sobre a cessão de créditos de ICMS, por se tratar esta operação de mera mutação patrimonial." (Ac. 20179.962). Dentre outros, cita ainda acórdão da CSRF, que igualmente, que o valor do ICMS transferido para terceiros não integra a base de cálculo da COFINS (Processo Administrativo nº13. 005.000684/200564). Cita, ainda, o processo nº 11065.100352/200719, julgado pela 4ª Câmara da 3ª Seção deste E. CARF. É o relatório. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 26/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 11065.101417/200816 Acórdão n.º 330101.375 S3C3T1 Fl. 175 3 Voto Vencido Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso ICMS. BENEFÍCIO FISCAL. CESSÃO DE CRÉDITOS DE ICMS. Não deve haver incidência de PIS e de Cofins sobre a cessão de créditos de ICMS, por se tratar de operação de mera mutação patrimonial, não devendo por isto, compor a base de cálculo das referidas contribuições. O recurso merece ser conhecido, porquanto interposto dentro do trintídio e respeitados os demais requisitos legalmente estabelecidos. O objeto discutido no presente processo, incidência ou não do PIS/COFINS sobre a cessão de créditos de ICMS, é por demais conhecido no âmbito deste colegiado. A despeito de a lei dispor sobre base de cálculo do PIS e Cofins não cumulativa, como sendo a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, e da superveniência legislativa que resultou na exclusão da base de cálculo da referida contribuição as transferências onerosas de créditos de ICMS originados de operações de exportação, a que se referem a Lei Complementar nº 87, de 1996, tudo indica que os referidos créditos não devem integrar a base de cálculo da Cofins, vez que na referida sistemática, por definição da própria Lei nº 10.833, de 2003, os créditos nela previstos não constituem receita bruta da pessoa jurídica. O art. 155, § 2º, inciso X, da Constituição Federal, dispõe que o mesmo não incidirá sobre as operações que destinem mercadorias para o exterior, sendo assegurada a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações anteriores. Nesse sentido a Lei Complementar nº 87, 13 de setembro de 1996 (Lei Kandir), ao dispor sobre o ICMS, possibilitou às empresas exportadoras a possibilidade de transferências dos créditos excedentes de ICMS para outros contribuintes, nos seguintes termos: “Art. 24. A legislação tributária estadual disporá sobre o período de apuração do imposto. As obrigações consideramse vencidas na data em que termina o período de apuração e são liquidadas por compensação ou mediante pagamento em dinheiro como disposto neste artigo: I as obrigações consideramse liquidadas por compensação até o montante dos créditos escriturados no mesmo período mais o saldo credor de período ou períodos anteriores, se for o caso; II se o montante dos débitos do período superar o dos créditos, a diferença será liquidada dentro do prazo fixado pelo Estado; III se o montante dos créditos superar os dos débitos, a diferença será transportada para o período seguinte. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 26/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 4 Art. 25. Para efeito de aplicação do disposto no art. 24, os débitos e créditos devem ser apurados em cada estabelecimento, compensandose os saldos credores e devedores entre os estabelecimentos do mesmo sujeito passivo localizados no Estado. (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000) § 1º Saldos credores acumulados a partir da data de publicação desta Lei Complementar por estabelecimentos que realizem operações e prestações de que tratam o inciso II do art. 3º e seu parágrafo único podem ser, na proporção que estas saídas representem do total das saídas realizadas pelo estabelecimento: I imputados pelo sujeito passivo a qualquer estabelecimento seu no Estado; II havendo saldo remanescente, transferidos pelo sujeito passivo a outros contribuintes do mesmo Estado, mediante a emissão pela autoridade competente de documento que reconheça o crédito. § 2º Lei estadual poderá, nos demais casos de saldos credores acumulados a partir da vigência desta Lei Complementar, permitir que: I sejam imputados pelo sujeito passivo a qualquer estabelecimento seu no Estado; II sejam transferidos, nas condições que definir, a outros contribuintes do mesmo Estado.” Portanto, independentemente da classificação contábil que é dada, os referidos créditos não se caracterizam como receita, por expressa disposição legal (art. 3º, § 10, da Lei nº 10.833, de 2003), que ao definir a natureza dos créditos apurados de acordo com o estabeleceu que os mesmos não constituem receita da pessoa jurídica: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: § 9º O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8º, será aplicado consistentemente por todo o anocalendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. § 10. O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido da contribuição.” Ainda no âmbito do Segundo Conselho de Contribuintes, citado pela Recorrente, conforme se depreende do trecho do acórdão nº 20179.962, julgado na sessão de 24/01/2007, quando por unanimidade de votos, deuse provimento quanto à exclusão da base de cálculo da cessão de créditos do ICMS, razão pela qual peço vênia para transcrever o seguinte trecho do voto do Conselheiro Gileno Gurjão Barreto (esta parte foi provida por unanimidade dos julgadores da Primeira Câmara), com a qual estou de pleno acordo, in verbis: “Superada esta primeira questão, passamos ao dos créditos do ICMS. Quanto a este tocante, vêse que se trata de operação Fl. 177DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 26/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 11065.101417/200816 Acórdão n.º 330101.375 S3C3T1 Fl. 176 5 meramente patrimonial, não repercutindo em lançamento à conta de resultado. É sabido que nas operações de venda de mercadorias, quando da emissão da nota fiscal, destacase o ICMS devido e lançase em conta de passivo exigível. Por sua vez, em obediência ao princípio da nãocumulatividade, a contribuinte creditase dos valores utilizados em etapas anteriores da cadeia produtiva. Quando o saldo de créditos supera o de débitos, a contribuinte apura saldo de ICMS a Recuperar para ser compensado dos débitos do imposto em períodos posteriores. De acordo com o Manual de Contabilidade da FIPECAFI, 6ª edição, página 334, “o ICMS é um imposto incidente sobre o valor agregado em cada etapa do processo de industrialização e comercialização da mercadoria, até chegar ao consumidor final. O valor do imposto a ser pago pelas empresas é representado pelas diferenças entre o imposto incidente nas vendas e o imposto pago na aquisição das mercadorias que integram o processo produtivo, ou para serem revendidas.” Prossegue, “por definição legal, o ICMS integra o preço de venda a ser cobrado do comprador”. Exemplifica os respectivos cálculos e arremata afirmando que, apesar de não haver recolhimento do ICMS (em casos de apuração de saldo credor), em nada isso altera o resultado, já que, conforme foi visto, o ICMS não é receita nem despesa. Traduzindo, na apuração do resultado do exercício, o valor que constará do demonstrativo contábil será sempre o valor do “débito” do ICMS, sem que seja cotizado com os “créditos” decorrentes das aquisições. Aqueles créditos já foram “débitos” de outra pessoa jurídica, cuja receita fora tributada pelo PIS e está no preço da mercadoria pago por esta contribuinte. Os créditos serão ativo próprio, a ser deduzido do passivo, em contas patrimoniais. Afirmar que a cessão de créditos seria receita seria o mesmo que tentar tributar os créditos de ICMS como se receitas fossem, o que seria absolutamente incoerente do ponto de vista contábil e, consequentemente, jurídico. Previu o legislador hipótese de transferência de créditos acumulados de ICMS para outra pessoa jurídica em especial quando o próprio contribuinte não encontra meios para realizar seu saldo de créditos , desde que atendidas as condições constantes no Regulamento do ICMS do EstadoMembro em questão. Assim, até por ser o ICMS um tributo estadual, inexistindo previsão legal para compensação deste com tributos federais, a contribuinte ora recorrente transferiu créditos de ICMS para seus fornecedores, em operação denominada cessão de créditos. Assim, em verdade, tal operação não transitou, nem deveria, em contas de resultado e tampouco representa ingresso de receita para a contribuinte, senão mera operação Fl. 178DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 26/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 6 patrimonial, utilizandose de créditos de ICMS registrados em seu Ativo como meio de pagamento para liquidar operações com seus fornecedores, em virtude do princípio da livre convenção entre as partes, basilar do Direito Comercial, para satisfazer sua obrigação para com seus fornecedores, mediante dação em pagamento, na figura de cessão de créditos. Ora, apenas se houvesse algum incremento nesta operação (ágio) é que se poderia cogitar em receita, ou existência de ganhos para a contribuinte, e se discutir a eventual incidência de PIS sobre este hipotético ganho. No entanto, não é esta a hipótese dos autos, razão pela qual entendo não subsistir hipótese de incidência para a tributação dos referidos valores pelo PIS. Apenas a título ilustrativo, a operação em si de cessão de tais créditos poderia redundar em ganho, caso com ágio, tributável, sim, pelo Imposto de Renda e pela contribuição social sobre o lucro, quando poderíamos discutir sua tributação pela contribuição ao PIS. Caso haja deságio, será uma despesa dedutível dos primeiros tributos e nada significaria na apuração da contribuição ao PIS. Ou seja, o que pretendeu a autoridade não encontra respaldo jurídico, tampouco dos princípios fundamentais de contabilidade.” A propósito, transcrevo, por pertinente, o seguinte excerto extraído do voto proferido pelo Juiz Federal Leandro Paulsen, do TRF/4ª Região, por ocasião do julgamento do Agravo de Instrumento n.º 2006.04.00.0146112/RS, em 29082006: "Efetivamente, o entendimento do Fisco, no sentido de que o crédito de ICMS seria passível de tributação a título de PIS e COFINS restringe indevidamente o alcance da imunidade expressamente assegurado aos exportadores pelo art. 155, § 2º, X, "a", da CRFB/88. Mas não é só este óbice à incidência. Nem tudo o que contabilmente é considerado receita pode sêlo para fins de tributação. Isso porque a receita, na norma concessiva de competência tributária, denota uma revelação de riqueza. É preciso considerar a receita sob a perspectiva do princípio da capacidade contributiva. Vejase a lição de JOSÉ ANTÔNIO MINATEL: "... há equívoco nessa tentativa generalizada de tomar o registro contábil como o elemento definidor da natureza dos eventos registrados. O conteúdo dos fatos revela a natureza pela qual esperase sejam retratados, não o contrário. [...] Equivocase a administração pública na tentativa de tributar a receita segundo os mesmos critérios que determinam o seu registro contábil para a tributação do lucro." (MINATEL, José Antônio. Conteúdo do Conceito de Receita e Regime Jurídico para sua Tributação. MP, 2005, p. 244 e 258). Os créditos de ICMS ou mesmo os valores correspondentes à sua transferência a terceiros não constituem receita tributável, reveladora de riqueza e, portanto, de capacidade contributiva. Cuidase de mero ressarcimento ou compensação por custo tributário suportado pelo exportador enquanto contribuinte de fato. O direito à manutenção do crédito vem minimizar os efeitos econômicos da sua incidência, fazendo com que o exportador que suportou o ônus tributário seja ressarcido quanto a tal custo. Não se cuida, pois, de receita no sentido a que se possa Fl. 179DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 26/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 11065.101417/200816 Acórdão n.º 330101.375 S3C3T1 Fl. 177 7 atribuir ao art. 195, I, a, da CF. Neste sentido, aliás, cabe transcrever novamente a obra já referida: "Em qualquer hipótese, tratandose de despesa ou custo anteriormente suportado, sua recuperação econômica em qualquer período posterior, enquanto suficiente para neutralizar a anterior diminuição patrimonial, não ostenta qualidade para ser rotulada de receita, pela ausência do requisito da contraprestação por atividade ou de negócio jurídico (materialidade), além de faltar o atributo da disponibilidade de riqueza nova. A recuperação de custo ou de despesa pode ser equiparada aos efeitos da indenização, pela similitude no caráter de recomposição patrimonial... [...] A recuperação de um valor anteriormente registrado como encargo tributário não tem o condão de transformálo automaticamente de despesa em receita, ainda que a forma adotada para sua escrituração em conta credora possa contribuir para a configuração de aumento do resultado do exercício da pessoa jurídica no momento da recuperação, efeito que, de concreto, traduz o retorno ao status quo ante, não reunindo condições de materializar ingresso de elemento novo que se qualifique no conceito de receita. [...] ... se o tributo a ser ressarcido incidiu em etapa econômica do processo produtivo e foi suportado como parte integrante do preço de insumos adquiridos pela empresa, o crédito assim concedido tem função de minimizar os custos de fabricação de produtos em razão de determinada política governamental. Dessa forma, tem nítida natureza de recuperação de custos..., pelo que o valor do ressarcimento do tributo embutido no preço, ou do correspondente direito escriturado como crédito, melhor evidencia a sua índole se contabilizado em conta redutora dos próprios custos, jamais de conta de receita, por faltarlhe os predicados para tal configuração. [...] 32. Não se qualifica como receita o ingresso financeiro que tem como causa o ressarcimento, ou recuperação de despesas e de custo anteriormente suportado pela pessoa jurídica, enquanto suficiente para neutralizar a anterior diminuição patrimonial. Equiparase aos efeitos da indenização e, portanto, não ostenta qualidade para que possa ser rotulada de receita, pela ausência do requisito da contraprestação por atividade ou de negócio jurídico (materialidade), além de faltar o animus para obtenção de disponibilidade de nova riqueza. 33. A recuperação de tributo, anteriormente registrado como encargo, não tem o condão de transformálo automaticamente de despesa em receita." (MINATEL, José Antônio. Conteúdo do Conceito de Receita e Regime Jurídico para sua Tributação. MP, 2005, p. 218/219, 222, 224 e 259). Impende que se atende, ainda, para o princípio federativo, na medida em que tributar crédito de ICMS implica intervir na tributação estadual, afetando a eficácia das imunidades e incentivos concedidos e fazendo com que, à impossibilidade de tributação ou renúncia tributária dos Estados corresponda tributação pela União, em transferência de recursos absolutamente desarrazoada e violadora da forma federativa de estado, bem como contrária à finalidade das normas de imunidade ou de incentivos." Ademais disto, tributar cessão de créditos de ICMS originados de operações de exportação, seria o mesmo que tributar as receitas decorrentes de exportações, o que é vedado pelo ordenamento constitucional e infraconstitucional, conforme concluiu a Segunda Turma do colendo Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis: “EMENTA: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. OPERAÇÕES DE EXPORTAÇÃO. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. 1. A inclusão dos valores provenientes da transferência de saldo credor do ICMS, obtido em razão do benefício fiscal concedido às empresas exportadoras, a fornecedores ou terceiros, na base Fl. 180DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 26/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 8 de cálculo das contribuições PIS e COFINS, consoante entendimento manifestado pelo Fisco, ofende a regra de imunidade prevista no art. 155, § 2º, inciso X, da Constituição Federal e regulamentada pelo art. 25, §§ 1º e 2º, da Lei Complementar n.º 87/96, o princípio federativo e o da proibição do bis in idem. Precedentes desta Corte. 2. Por operação de exportação devese entender não só o produto da venda realizada ao exterior, mas toda a receita ou resultado decorrente do complexo mecanismo de exportação, inclusive aquela decorrente da transferência dos eventuais créditos de ICMS incidentes nas operações anteriores. 3. Sentença mantida. (TRF4, APELREEX 000866676.2008.404.7108, Segunda Turma, Relator Otávio Roberto Pamplona, D.E. 02/06/2010)”. Em relação ao alcance do § 10, do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, que define a natureza dos créditos de ICMS, os quais como visto, não devem compor a base de cálculo do PIS e Cofins, todavia, isso não quer dizer que tais créditos estão imunes à tributação, ao contrário, comporão a base de cálculo do IPRJ e da CSLL, conforme teve ocasião de decidir o colendo TRF da 4ª Região, nos seguintes termos: “EMENTA: PIS E COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS APURADOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL. IMPOSSIBILIDADE. 1. A nova sistemática de tributação nãocumulativa do PIS e da COFINS, prevista nas Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003, confere ao sujeito passivo do tributo o aproveitamento de determinados créditos previstos na legislação, excluídos os contribuintes sujeitos à tributação pelo lucro presumido. 2. O sistema de não cumulatividade das contribuições não é o mesmo aplicado aos tributos indiretos, como o ICMS e o IPI. A nãocumulatividade das contribuições permite uma apropriação "semidireta" das contribuições incidentes em fase anterior, por meio da admissão de créditos decorrentes de insumos utilizados na produção, os quais são deduzidos das contribuições a recolher. 3. A impetrante busca modificar a forma de utilização dos créditos de PIS/COFINS nãocumulativa a fim de deduzilos do lucro líquido, com reflexos na apuração do IRPJ e CSLL. 4. O § 10 do art. 3º da Lei nº 10.833/03 limitase ao âmbito de tributação da COFINS, não refletindo na base de cálculo do IRPJ e CSLL. A interpretação extensiva adotada pela impetrante subverte a lógica do sistema concebido, já que ao pagar menos tributo, terá menos despesa, arcando com o IRPJ e CSLL calculados sobre o lucro líquido então apurado. 5. Se tal sistema de não cumulatividade implica aumento da carga tributária, refoge ao âmbito de atuação do Poder Judiciário qualquer ingerência nos motivos levaram a adoção dessa política fiscal, ao menos na estreita via do mandamus. 6. As hipóteses de exclusão do lucro líquido vêm expressamente dispostas em lei (art. 97, CTN), sendo inviável instituir nova forma exclusão do lucro líquido, sob pena de ofensa ao princípio da separação de poderes. (TRF4, AC 000286378.2009.404.7205, Segunda Turma, Relatora Vânia Hack de Almeida, D.E. 02/06/2010)” O voto condutor do acórdão acima citado, entendeu ainda que a mesma sistemática aplicada à Cofins, por expressa previsão no §10, do art. 3º da lei nº 10.833/2003, deve ser aplicado extensivamente ao PIS, tendo em vista a paridade dos regimes da não cumulatividade, nos seguintes termos: Fl. 181DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 26/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 11065.101417/200816 Acórdão n.º 330101.375 S3C3T1 Fl. 178 9 “Em relação ao PIS, não obstante a ausência de disposição semelhante ao § 10 do art. 3º da Lei n.º 10.833/2003, os argumentos ora expostos são plenamente aplicáveis, tendo em vista a paridade dos regimes de nãocumulatividade instituídos.” No mesmo sentido, em caso similar, merece ser destacado ainda, o seguinte fundamento adotado pelo voto condutor do REsp nº 1.025.833, de relatoria do Exmo. Sr. Ministro Francisco Falcão, julgado pela 1º Turma do E. STJ, na sessão de 6/11/2008 (DJ: 17/11/2008), nos seguintes termos: “Destaco, ainda, trecho do voto proferido no acórdão recorrido, cujo fundamento adoto como razão de decidir, litteris: "Mesmo a redação das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 não produz o efeito de transmutar em receita aquilo que seja mero ressarcimento de despesa anterior (tributo pago), concedida na forma de crédito fiscal escriturável. O oposto resultaria no total desprezo pela própria natureza das verbas constantes na escrituração contábil, e a desvinculação da realidade não é opção conferida ao legislador. Este raciocínio não é desconhecido da própria lei tributária, que o acolhe ao estabelecer a necessidade de respeito a definições, conteúdo e alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado utilizadas pelo legislador tributário" (grifos acrescidos) Portanto, tributar cessão de créditos de ICMS originados de operações de exportação, seria o mesmo que tributar as receitas decorrentes de exportações, o que é vedado pelo ordenamento constitucional e infraconstitucional, conforme concluíram os arestos acima citados. Em face do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso, para no mérito DARLHE PROVIMENTO. Antônio Lisboa Cardoso Relator Fl. 182DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 26/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 10 Voto Vencedor Conselheiro José Adão Vitorino de Morais, RelatorDesignado Discordo do Ilustre Relator quanto ao direito de a recorrente excluir da base de cálculo da Cofins não cumulativa as receitas decorrentes de cessão onerosa de créditos de ICMS para terceiros. A Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que instituiu o regime com incidência nãocumulativa para a Cofins, adotado pela recorrente, assim dispõe: “Art. 1º. A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); II nãooperacionais, decorrentes da venda de ativo permanente; III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda de álcool para fins carburantes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 413, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.727, de 2008) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição que tenham sido computados como receita. (...).” Fl. 183DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 26/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS Processo nº 11065.101417/200816 Acórdão n.º 330101.375 S3C3T1 Fl. 179 11 Do exame desse dispositivo, concluise que a opção do legislador foi a generalização do alcance da incidência da Cofins nãocumulativa, excluindo de sua incidência apenas as receitas e ingressos expressamente elencados no parágrafo 3º acima transcrito. As receitas e/ ou os ingressos decorrentes da cessão de créditos de ICMS a terceiros, mediante dinheiro e/ ou pagamento na aquisição de matérias primas e insumos empregados no processo produtivo de mercadorias, não foram contempladas. A cessão de crédito de ICMS a terceiros constitui um negócio jurídico entre o cedente, no caso a requerente, e o cessionário, neste caso, o fornecedor/vendedor de matérias primas adquiridas por aquele. Tanto é que foi efetuada mediante a emissão de nota fiscal, salvo prova em contrário com pagamento à vista. O fato de operação, por opção da requerente, transitar ou não por conta de resultado não significa nem prova que não houve ingresso no patrimônio da pessoa jurídica. Independentemente da forma de escrituração, sempre haverá ingresso em dinheiro, título e/ ou mercadorias. Na aquisição de mercadorias, matérias primas, insumos, etc, tributados com o ICMS, na realidade ocorre duas operações: a compra de mercadorias, matérias primas e insumos, propriamente dita; e a compra do crédito do ICMS embutido naqueles produtos. Assim, ao realizar a venda dos produtos, vendese também o crédito referente àquele imposto neles embutidos. Isto ocorre sem que, necessariamente, se escriturem contas de resultados. Dessa forma, a apuração de saldo credor trimestral da Cofins nãocumulativa deve ser efetuada levandose em conta que a contribuição tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. A título de informação, cabe destacar que com a edição da Lei nº 11.945, de 04/06/2009, art. 17, que deu nova redação ao art. 1º da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, que incluiu no § 3º deste artigo o inciso VI, com produção de efeitos a partir de 1º de janeiro de 2009, as receitas de cessão onerosa de créditos de ICMS para terceiros deixaram de integrar a base de cálculo da Cofins. Assim, até aquela data, inexistia amparo legal para excluir tais receitas da base de cálculo desta contribuição ou as isentando. No presente caso, como o ressarcimento complementar pleiteado decorre exclusivamente do fato de a recorrente não ter incluído na base de cálculo da contribuição as receitas de cessão onerosa de ICMS para terceiro, no período de competência de julho a setembro de 2008, correta a glosa efetuada pela autoridade administradora competente. Em face do exposto e de tudo o mais que consta dos autos, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Fl. 184DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 26/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS 12 Fl. 185DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 23/05/20 12 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 26/04/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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Numero do processo: 11080.934225/2009-81
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MATÉRIA NÃO CONTESTADA.
Glosa de crédito que não tenha sido expressamente contestada na manifestação de inconformidade é considerada não impugnada e não integra a fase litigiosa do processo.
IPI. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA.
O contribuinte que pleiteia ressarcimento de créditos do IPI deve provar os fatos constitutivos de seu direito com documentos que comprovem os lançamentos efetuados em seus livros de escrituração fiscal. Não realizada a comprovação durante a ação fiscal ou em outro momento autorizado pelo Decreto nº 70.235, de 1972, e não demonstrada ocorrência de alguma condição excludente da preclusão, deve-se manter a decisão que não reconheceu o direito creditório e não homologou compensação a ele vinculada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-001.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo que convertiam o processo em diligência. Designado o Conselheiro Paulo Sérgio Celani para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora Vencida.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
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Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Glosa de crédito que não tenha sido expressamente contestada na manifestação de inconformidade é considerada não impugnada e não integra a fase litigiosa do processo. IPI. RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA. O contribuinte que pleiteia ressarcimento de créditos do IPI deve provar os fatos constitutivos de seu direito com documentos que comprovem os lançamentos efetuados em seus livros de escrituração fiscal. Não realizada a comprovação durante a ação fiscal ou em outro momento autorizado pelo Decreto nº 70.235, de 1972, e não demonstrada ocorrência de alguma condição excludente da preclusão, devese manter a decisão que não reconheceu o direito creditório e não homologou compensação a ele vinculada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao Recurso. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel (Relatora) e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo que convertiam o processo em diligência. Designado o Conselheiro Paulo Sérgio Celani para redigir o voto vencedor. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 42 25 /2 00 9- 81 Fl. 445DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.934225/200981 Acórdão n.º 3801001.345 S3TE01 Fl. 446 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel – Relatora Vencida. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. . Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado por Ferramentas Gerais Comércio e Importação S/A, contra decisão exarada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre (RS) que julgou como improcedente Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente. Pelo o que se denota dos autos, a Recorrente efetuou pedido de ressarcimento de IPI perante a Receita Federal do Brasil e, com os aludidos créditos, pretendia quitar outros débitos administrados pela RFB, através de pedido de compensação apresentado. Contudo, este foi indeferido, sob o argumento de que a Recorrente não fazia jus aos pretendidos créditos do IPI. Em sua decisão, a DRJ de Porto Alegre se ateve às argumentações da fiscalização, que, ao receber os pedidos de ressarcimento, entendeu que a Recorrente não faria jus aos créditos de IPI, uma vez que declarou, quando intimada para tanto, que não efetuava industrialização, realizando tãosomente comercialização de produtos. Com base nas declarações e escriturações da Recorrente, a fiscalização reclassificou créditos ressarcíveis informados no PER/DCOMP para não ressarcíveis e, assim, indeferiu o pedido de compensação analisado. Na decisão recorrida, a DRJ de Porto Alegre argumentou que: ‘Em que pese os argumentos acima expendidos, relativamente ao estabelecimento realizar ou não processo de industrialização, o fato é que a controvérsia neste processo limitasse a reclassificação de créditos ressarcíveis, informados no PER/DCOMP equivocadamente sob os CFOPs 1.101, 2.101 e Fl. 446DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.934225/200981 Acórdão n.º 3801001.345 S3TE01 Fl. 447 3 3.101 – compras para industrialização, para créditos não ressarcíveis, já que tratasse de créditos decorrentes das aquisições de produtos para comercialização, conforme notas fiscais registradas nos livros do contribuinte sob os CFOPs 1.102, 2102 e 3102, que não geram direito a ressarcimento.” Mais a frente, concluiu: “No presente caso, o próprio interessado registrou em sua contabilidade aquisições de mercadorias nos CFOPs 1102, 2102 e 3102 (compras para comercialização). Assim, caberia a ele demonstrar que as mercadorias adquiridas para revenda, na verdade, não seriam para revenda, e sim para industrialização. Todavia, o interessado não trouxe aos autos qualquer elemento de prova, ainda que indiciária, para demonstrar que efetuou erroneamente a contabilização destas operações. Alías, nem cogitou sobre a hipótese de erro de fato na escrituração das notas fiscais de aquisição de produtos sob os CFOPs mencionados no livro de IPI, o que poderia ensejar o direito ao ressarcimento de tais créditos.” Por outro lado, a decisão da DRJ de Porto Alegre considerou como não recorridas as glosas dos créditos ressarcíveis efetuadas pela fiscalização, quais sejam créditos de produtos adquiridos de empresas optantes pelo SIMPLES e créditos de produtos adquiridos de empresas consideradas inidôneas. Não concordando com as conclusões da decisão da DRJ, a Recorrida, Ferramentas Gerais Comércio e Importação S/A, apresentou Recurso Voluntário alegando, em síntese: (i) – a ilegalidades das glosas realizadas, face a idoneidade do procedimento realizado pela Recorrente; (ii) – em que pese ter omitidose quanto a idoneidade das Notas Fiscais que levaram ao legítimo creditamento do IPI, invoca os princípios da verdade material e da ampla defesa que devem nortear o procedimento administrativo fiscal (iii) por fim, invoca situação análoga de julgamento proferido pelo Tribunal Administrativo de Recursos Fiscais do Rio Grande do Sul, que reconheceu créditos de ICMS da Recorrente em situação semelhante à travada nestes autos. É o relatório. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.934225/200981 Acórdão n.º 3801001.345 S3TE01 Fl. 448 4 Voto Vencido Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Conforme mencionado alhures, a manifestação de inconformidade do Recorrente não foi provida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre, uma vez que esta considerou como razões da decisão relatório da fiscalização realizada, que, por sua vez, não reconheceu o direito creditório da Recorrente, sob o argumento de que esta não efetua industrialização e, por isso, não faz jus ao creditamento de IPI. Ocorre, contudo, que o Recorrente, ao apresentar a sua Manifestação de Inconformidade, informou o equívoco na informação prestada de que não efetua industrialização. Neste sentido, juntou aos autos extensa planilha com a classificação dos seus produtos (nos mesmos moldes requeridos pela fiscalização). Ademais, apresentou Notas Fiscais de fornecedores que, a princípio, comprovam que, de fato, a Recorrente faz industrialização e não só comercialização de produtos. Como se não bastasse, em seu Recurso Voluntário, a Recorrente afirma que providenciou a retificação de suas declarações, para que haja identidade entre o que foi declarado em sua escritura fiscal e os pedidos de ressarcimento. Pelo cronograma apresentado pela Recorrente, todos os livros fiscais já foram retificados. Neste sentido, no julgamento da Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, a Delegacia de Julgamento de Porto Alegre (RS) poderia, de ofício, independentemente da fiscalização anteriormente realizada, ter feito diligências para aferir autenticidade dos créditos declarados pela Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72. Confirase: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A ilação do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes, o que, data venia, não foi feito no presente caso. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.934225/200981 Acórdão n.º 3801001.345 S3TE01 Fl. 449 5 Devese ressaltar, sobre o processo administrativo fiscal, que ele é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos do ilustre Professor James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifouse). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) Sobre o princípio da verdade material, também ensinam os ilustres professores Celso Antônio Bandeira de Mello e José dos Santos Carvalho Filho, respectivamente: Princípio da verdade material. Consiste em que a Administração, ao invés de ficar restrita ao que as partes demonstrem no procedimento, deve buscar aquilo que é realmente a verdade, com prescindência do que os interessados hajam alegado e provado (...). (...) O princípio da verdade material estribase na própria natureza da atividade administrativa. Assim, seu fundamento constitucional implícito radicase na própria qualificação dos Poderes tripartidos, consagrada formalmente no art. 2º da Constituição, com suas inerências. Deveras, se a Administração tem por finalidade alcançar verdadeiramente o interesse público fixado na lei, é óbvio que só poderá fazêlo buscando a verdade material, ao invés de satisfazerse com a verdade formal, já que esta, por definição, prescinde do ajuste substancial com aquilo que efetivamente é, razão porque seria insuficiente para proporcionar o encontro com o interesse público substantivo. Demais disto, a previsão do art. 37, caput, que submete a Administração ao princípio da legalidade, também concorre para a fundamentação do princípio da verdade material no procedimento (...). (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de direito administrativo. 24. ed. rev. atual. São Paulo: Malheiros Editores, 2007. p. 489, 493 e 494) ......................................................................................................... ................. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.934225/200981 Acórdão n.º 3801001.345 S3TE01 Fl. 450 6 É o princípio da verdade material que autoriza o administrador a perseguir a verdade real, ou seja, aquela que resulta efetivamente dos fatos que a constituíram. (...) Pelo princípio da verdade material, o próprio administrador pode buscar as provas para chegar à sua conclusão e para que o processo administrativo sirva realmente para alcançar a verdade incontestável, e não apenas a que ressai de um procedimento meramente formal. Devemos lembrarnos de que nos processos administrativos, diversamente do que ocorre nos processos judiciais, não há propriamente partes, mas sim interessados, e entre estes se coloca a própria Administração. Por conseguinte, o interesse da Administração em alcançar o objeto do processo e, assim, satisfazer o interesse público pela conclusão calcada na verdade real, tem prevalência sobre o interesse do particular. (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 21. ed. rev. ampl. atual. Rio de Janeiro: Editora Lúmen Juris, 2009. p. 933 e 934) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confirase: IPI. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Nos termos do § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/72, é facultado ao sujeito passivo a apresentação de elementos probatórios na fase impugnatória. A não apreciação de documentos juntados aos autos ainda na fase de impugnação, antes, portanto, da decisão, fere o princípio da verdade material com ofensa ao princípio constitucional da ampla defesa. No processo administrativo predomina o princípio da verdade material, no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. Deve ser anulada decisão de primeira instância que deixa de reconhecer tal preceito. Processo anulado. (13896.000730/0099, Recurso Voluntário n°. 132.865, ACÓRDÃO 20312338, Relator Dalton Cesar Cordeiro de Miranda) Fl. 450DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.934225/200981 Acórdão n.º 3801001.345 S3TE01 Fl. 451 7 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE PROCESSUAL E A BUSCA DA VERDADE MATERIAL A não apreciação de provas trazidas aos autos depois da impugnação e já na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o princípio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário. "No processo administrativo predomina o princípio da verdade material no sentido de que aí se busca descobrir se realmente ocorreu ou não o fato gerador, pois o que está em jogo é a legalidade da tributação. O importante é saber se o fato gerador ocorreu e se a obrigação teve seu nascimento". (Ac. 10318789 3ª. Câmara 1º. C.C.). Precedente: Acórdão CSRF/0304.371 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (10950.002540/200565, Recurso Voluntário n°. 136.880, Acórdão 30239947, Relatora Judith do Amaral Marcondes) IRPJ PREJUÍZO FISCAL IRRF RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 Câmara: Quinta Câmara Número do Processo: 13877.000442/200269 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 Primeira Câmara Número do Processo:10768.100409/200368 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 Acórdão 10196829). Assim, devem ser considerados, in casu, os documentos apresentados pela Recorrente, que, a princípio, em uma análise superficial, demonstram os créditos passíveis de compensação. Por outro lado, também devem ser levadas em consideração as retificações dos livros fiscais. E só através de diligência, que deverá ser realizada pela DRF, é que se poderá ter certeza de que os créditos são mesmo passíveis de ressarcimento. De toda forma, é importante ressaltar que os créditos de produtos adquiridos de empresas optantes pelo SIMPLES não dão direito ao ressarcimento do IPI, uma vez que existe expressa vedação legal neste sentido. Esta era a orientação do Decreto 4.544/2002 (artigo 166), que tinha a mesma orientação do Decreto 7.212/2012, atualmente em vigor. Confirase: Art. 228. As aquisições de produtos de estabelecimentos optantes pelo Simples Nacional, de que trata o art. 177, não ensejarão Fl. 451DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.934225/200981 Acórdão n.º 3801001.345 S3TE01 Fl. 452 8 aos adquirentes direito a fruição de crédito do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem Este conselho já proferiu inúmeros julgados vedando o referido creditamento. Confirase julgado que foi proferido recentemente: CARF 3a. Seção / 3a. Turma Especial / ACÓRDÃO 3803 01.329 em 02/03/2011 RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO ASSUNTO: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI EMENTA Período de apuração: 01/10/1999 a 31/12/1999 SALDO CREDOR. RESSARCIMENTO. AQUISIÇÕES DE PRODUTOS DE FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. A aquisição de insumos de estabelecimento optante pelo Simples não enseja direito à fruição de crédito do IPI, por expressa vedação legal. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. Argüições de inconstitucionalidade refogem à competência da instância administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Publicado no DOU em: 28.03.2012 Recorrente: USEAÇO CONSTRUÇÕES METÁLICAS LTDA. Recorrida: FAZENDA NACIONAL Portanto, caso haja pedidos de ressarcimento de créditos oriundos da aquisição de produtos de empresas optantes do SIMPLES, a glosa realizada pela fiscalização deverá ser mantida. Por outro lado, com relação às glosas de empresas consideradas inidôneas pela fiscalização, na apuração dos créditos ressarcíveis, esta deverá pautar sua análise no julgado proferido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo abaixo transcrito: TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE ICMS. APROVEITAMENTO. NOTAS FISCAIS POSTERIORMENTE DECLARADAS INIDÔNEAS. COMPROVAÇÃO DA REALIZAÇÃO DA OPERAÇÃO COMERCIAL. SÚMULA 7/STJ. A jurisprudência desta Corte de Justiça, em acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC, e da Resolução STJ 8/2008, Fl. 452DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.934225/200981 Acórdão n.º 3801001.345 S3TE01 Fl. 453 9 firmouse no sentido de que o "comerciante que adquire mercadoria, cuja nota fiscal (emitida pela empresa vendedora) tenha sido, posteriormente declarada inidônea, é considerado terceiro de boafé, o que autoriza o aproveitamento do crédito do ICMS pelo princípio da nãocumulatividade, desde que demonstrada a veracidade da compra e venda efetuada (em observância ao disposto no artigo 136, do CTN), sendo certo que o ato declaratório da inidoneidade somente produz efeitos a partir de sua publicação" (REsp 1.148.444/MG, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 14.4.2010, DJe 27.4.2010). Incidência da Súmula 7/STJ. Agravo regimental improvido. (AgRg no AREsp 91004/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/02/2012, DJe 27/02/2012) Tendo em vista o acima exposto, voto por converter o julgamento em diligência à DRF para que esta, considerando a vedação ao creditamento de IPI de produtos adquiridos de empresas optantes pelo SIMPLES, bem como o julgamento do STJ acima transcrito com relação ao creditamento de empresas consideradas inidôneas: 1. Apure os créditos de IPI da Recorrente, considerando a documentação já acostada nestes autos e, também, as retificações dos livros fiscais realizados, para verificar se os créditos indicados no pedido de compensação são suficientes para liquidar os débitos apontados pela Recorrente; 2. Retornar os presentes autos ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Voto Vencedor Conselheiro Paulo Sergio Celani, Redator Designado. Divirjo do entendimento da Conselheira Relatora, com base nos seguintes fundamentos. Tratase de pedido de ressarcimento de IPI, decorrente de saldo credor apurado com base no art. 11 da Lei nº 9.779, de 19/01/1999, ao qual se vinculou declaração de compensação. Fl. 453DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.934225/200981 Acórdão n.º 3801001.345 S3TE01 Fl. 454 10 O direito creditório não foi reconhecido e a compensação não foi homologada em relação a créditos em duplicidade e outros decorrentes de aquisições de empresas optantes pelo SIMPLES ou cuja inscrição no CNPJ havia sido baixada. Também não foram admitidos créditos decorrentes de aquisições de mercadorias que não se destinavam à industrialização. Apresentada manifestação de inconformidade, esta foi julgada improcedente pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre DRJ/POA. Em sua decisão, a unidade de primeira instância administrativa assentou que apenas foi contestada pela contribuinte a glosa de créditos por aquisições de mercadorias que não se destinariam à industrialização. Após compulsar os autos, verifico ser verdadeira esta assertiva. Além disso, no Recurso Voluntário, a recorrente reconhece não ter contestado as glosas referentes a créditos em duplicidade e a aquisições de empresas do SIMPLES ou irregulares perante a RFB. Vejase o seguinte trecho deste recurso. “Poderia a Recorrente discorrer quanto à natureza de sua irresignação inicial, o pedido amplo de cancelamento do despacho decisório, que levaria, via reflexa, ao cancelamento das glosas tidas por não contestadas, mas nada supriria a ausência da demonstração do direito, mediante prova documental ou mesmo pericial. Com efeito, a Recorrente omitiuse em demonstrar a idoneidade das notas fiscais que a levaram ao legítimo creditamento do IPI que foi glosado, naquela oportunidade e, de forma direta, não contrapôs o resultado da ação fiscal, neste ponto.” Matéria não questionada na manifestação de inconformidade não integra o contencioso. Por isso, não pode ser objeto deste julgamento. O Decreto nº 70.235, de 6/3/72, norma com status de lei que rege o processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários da União e que se aplica ao caso, por força do art. 74, §11, da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, dispõe: “Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento.” “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” Esta turma não pode decidir contrariamente ao disposto nestes artigos, tendo em vista o artigo 62 do Regimento Interno do CARF (RICARF). Por se tratar de matéria que não pertence à fase litigiosa do processo, a ela não se aplica o art. 62A do RICARF, motivo pelo qual o julgado proferido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), citado no voto da relatora, também não se aplica. Fl. 454DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.934225/200981 Acórdão n.º 3801001.345 S3TE01 Fl. 455 11 Ainda que se entendesse aplicável o art. 62A do RICARF, a decisão do STJ trazida pela relatora não poderia ser reproduzida neste julgamento, porque diz respeito a outro tributo, o ICMS, e prescindiria de o contribuinte ter demonstrado a veracidade da compra e venda efetuada, o que não ocorreu. Portanto, devese manter a decisão de primeira instância quanto às glosas não contestadas. Sobre a matéria litigiosa, a recorrente nada diz contra o entendimento segundo o qual as compras para comercialização não geram direito ao crédito. Logo, neste julgamento, esta matéria não está em discussão. A única questão que cabe discutir é sobre a comprovação de que as aquisições foram para industrialização. Inicialmente, o pleito da contribuinte foi indeferido porque ela declarou não exercer atividade industrial e porque seus livros fiscais demonstravam que as mercadorias foram adquiridas para comercialização. A recorrente afirma ter errado ao prestar informação sobre sua atividade industrial, o que a teria levado a não entregar documentos substanciais para comprovar seu direito; diz que “está reprocessando todos os seus livros fiscais”, alterando os CFOP, de modo a demonstrarem que as aquisições se destinavam à industrialização; e “pede vênia para juntar parte do Livro de IPI do Mês de dezembro de 2007 reprocessado, com CFOP 2101 e 1101”. Requer que os autos sejam baixados em diligência para juntada de notas fiscais e que o resultado do reprocessamento seja objeto de nova auditoria fiscal, para que sejam confirmados os créditos de IPI, com a sua reclassificação para passíveis de ressarcimento. Por se tratar de pedido de ressarcimento, entendo que, no momento do pedido, a contribuinte deveria ser capaz de comprovar com documentos os créditos que declarou possuir. Se é verdade que os livros fiscais foram preenchidos incorretamente, conforme afirma a recorrente, então somente os documentos que acobertaram a entrada das mercadorias poderiam fazer prova em seu favor. Entretanto, a contribuinte não apresentou as notas fiscais referentes às aquisições de mercadorias que seriam utilizadas em processo industrial e que poderiam gerar o direito ao crédito do IPI na ação fiscal e em nenhum outro momento, na forma autorizada pelo Decreto nº 70.235, de 1972. Vejamse os seguintes dispositivos deste decreto, que estabelecem momentos para apresentação de provas, observandose que a manifestação de inconformidade e o recurso voluntário seguem o rito nele estabelecido: Fl. 455DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.934225/200981 Acórdão n.º 3801001.345 S3TE01 Fl. 456 12 “Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I – a autoridade julgadora a quem é dirigida; II – a qualificação do impugnante; III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; ... §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. A contribuinte não apresentou documentos comprobatórios dos créditos alegados e não demonstrou ter ocorrido alguma das condições que excluiriam a preclusão. Nem mesmo ao recurso voluntário foram anexadas notas fiscais referentes a compras de mercadorias para industrialização passíveis de ressarcimento. As notas fiscais constantes deste processo, na maioria, são referentes a retorno de mercadorias remetidas para industrialização; retorno de mercadorias remetidas para conserto; retorno de bem do ativo. Há algumas notas de venda de mercadorias para a contribuinte, mas estas se deram sem o destaque do IPI, porque a vendedora se enquadrava no SIMPLES. Tal matéria foi considerada não impugnada, por isso, não afeta este julgamento. Assim, não há aqui uma verdade material em contraposição a um formalismo exagerado. Simplesmente, a contribuinte que alegou ter um direito, não provou o fato constitutivo deste direito. A simples retificação de livros comerciais e fiscais não é suficiente para comprovação do direito, pois os lançamentos nestes livros devem estar amparados em documentos. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11080.934225/200981 Acórdão n.º 3801001.345 S3TE01 Fl. 457 13 Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão que não reconheceu o direito creditório pleiteado e não homologou a compensação a ele vinculada. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 16/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/04/2013 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILV A MURGEL, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10830.006183/2002-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/1997 a 31/12/1997
COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DIANTE DA EXISTÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL A PROIBINDO
Tendo a ora Recorrente optado por pleitear ao Poder Judiciário o reconhecimento expresso do seu direito à compensação e tendo aquele órgão indeferido o seu pedido, não cabe a este colegiado, ignorar a existência de pronunciamento judicial específico nesse sentido, sob pena de descumprimento de decisão judicial, o que é vedado pelo sistema brasileiro.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-001.419
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/1997 a 31/12/1997 COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DIANTE DA EXISTÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL A PROIBINDO Tendo a ora Recorrente optado por pleitear ao Poder Judiciário o reconhecimento expresso do seu direito à compensação e tendo aquele órgão indeferido o seu pedido, não cabe a este colegiado, ignorar a existência de pronunciamento judicial específico nesse sentido, sob pena de descumprimento de decisão judicial, o que é vedado pelo sistema brasileiro. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/1997 a 31/12/1997 COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DIANTE DA EXISTÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL A PROIBINDO Tendo a ora Recorrente optado por pleitear ao Poder Judiciário o reconhecimento expresso do seu direito à compensação e tendo aquele órgão indeferido o seu pedido, não cabe a este colegiado, ignorar a existência de pronunciamento judicial específico nesse sentido, sob pena de descumprimento de decisão judicial, o que é vedado pelo sistema brasileiro. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora. [assinado digitalmente] Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (presidente), José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez Lopez e Antônio Lisboa Cardoso. Relatório Fl. 167DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE 2 Tratase de Recurso Voluntário contra a decisão da DRJ em Campinas que deixou de apreciar parte do mérito, em face da concomitância parcial com ação judicial e, relativamente ao restante, considerar procedente em parte a impugnação para manter os valores principais remanescentes da revisão de oficio e exonerar a multa de oficio sobre eles aplicada. Em 10 de dezembro de 1996, a ora Recorrente ajuizou Ação Ordinária com pedido de tutela antecipada, protocolado sob o n.° 96.06074390, visando a declaração do seu direito de compensar os valores indevidamente recolhidos a título de FINSOCIAL com parcelas vincendas de COFINS. Em 17 de junho de 1998, foi proferida sentença julgando procedente o pedido da autora, declarando seu direito de proceder à compensação dos valores pagos indevidamente a titulo de FINSOCIAL, com prestações subsequentes e vencidas da COFINS até a absorção do crédito existente, na forma da fundamentação acima, resguardando o direito da autoridade fiscal em verificar a correção dos lançamentos efetuados, por ocasião da homologação dos lançamentos. Em seguida, foram interpostos Recurso de Apelação pela União e pela ora Recorrente, apenas no que se refere à fixação dos honorários de sucumbência. O TRF da 3ª Região, em 18.08.04 (DOU 28.11.07) proferiu acórdão nos seguintes termos: DIREITO TRIBUTÁRIO. FINSOCIAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. MAJORAÇÃO DA ALÍQUOTA. LEIS N° 7.689/88, 7.787/89, 7.894/89 E 8.147/90. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. AFASTADA A INCIDÊNCIA DO IPC DE JANEIRO DE 1989. TAXA SELIC. HONORÁRIOS. I. Em se tratando de tributo cujo lançamento se dá por homologação, o termo "a quo" do lapso prescricional iniciase depois se decorrido o prazo previsto no § 4° do Art. 150 do CTN. Precedentes do C. STJ. Prescrição inocorrente. II. Inconstitucionalidade da majoração das alíquotas do FINSOCIAL, constante das Leis 7.689/88, 7.787/89, 7.894/8 e 8.174/90 reconhecida pelo STF. III. Compensação do FINSOCIAL com parcelas da COFINS, observandose o disposto no art. 74 da Lei nº 9430/96, com redação dada pela Lei nº 10.637/02. Aplicabilidade do art. 170A do CTN. IV. Correção monetária, de conformidade com os critérios do Provimento n°24/97, excluindose o IPC de janeiro de 1989, não alcançado pela lide. V. Aplicabilidade da Taxa SEL1C, a partir de 1° de janeiro de 1996, com exclusão de quaisquer outros índices de juros ou correção monetária. VI. Verba honorária fixada em 10% (dez por cento) sobre o valor da causa, a cargo da União. VII. Apelação da autoria, da Unido Federal e remessa oficial parcialmente providas. Nesse ínterim, ora Recorrente foi intimada da lavratura de Auto de Infração para exigir a diferença de COFINS não pagas, relativas aos 3° e 4° trimestres de 1997, vinculados em DCTF à Ação Judicial n° 96.06074390. Inconformada com a exigência, a ora Recorrente apresentou impugnação alegando, em apertada síntese, que: (i) ajuizou ação ordinária (n° 96.06074390) objetivando a declaração do direito de compensar os valores recolhidos indevidamente a título de FINSOCIAL com parcelas vincendas de COFINS; (ii) o pedido de tutela antecipada foi concedido pelo TRF em sede de AI n° 97.03.00224318, em 18.03.97, decisão confirmada por Acórdão de 29/10/97; (iii) houve interposição de apelação por parte da Unido e da Autora Fl. 168DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 10830.006183/200228 Acórdão n.º 3301001.419 S3C3T1 Fl. 93 3 matéria que ainda não foi analisada pelo Tribunal, o que significa que a tutela, confirmada por sentença está vigente e o crédito tributário suspenso por força do artigo 151, V, do CTN; (iv) constituise descumprimento de ordem judicial a lavratura do auto de infração pela fiscalização; (v) inaplicabilidade da multa de oficio, quer porque o principal não é devido, quer em decorrência da aplicação do art. 63 da Lei 9.430/96; (vi) são inconstitucionais as alterações e majorações de alíquota de Finsocial. As fls. 55/69, a autoridade preparadora juntou pesquisas ao sistema de acompanhamento processual da Justiça Federal relativas à ação judicial de n° 96.06074390, informando: Na documentação juntada, consta as fls. 31 cópia da decisão proferida em 18/03/1997, no agravo de instrumento n° 97.03.0224318, interposto contra decisão que indeferiu a antecipação de tutela na ação ordinária n°96.06074390, suspendendo os efeitos da decisão agravada, concedendo a antecipação de tutela, para compensar crédito referente aos valores indevidamente recolhidos ao FINSOCIAL, no que excederem ao valor devido a alíquota de 0,5%, com débitos da COFINS. O acórdão as fls. 32/39 confirmou tal decisão. As fls. 40/47 consta cópia da sentença proferida em 17/06/1998, nos autos da referida ação ordinária, julgando procedente o pedido, determinando que a correção do crédito se dará pelos índices do provimento n° 24 do TRF da 3ª Região. Nas informações extraídas do sitio do Tribunal Regional Federal da 3° Regido as fls. 55/69, consta cópia do acórdão, publicado em 28/11/2007, em que a 4° Turma, por maioria, deu parcial provimento a apelação da autora, a apelação da União e à remessa oficial, nos termos do voto da Desembargadora Alda Bastos (fls. 63/69), vencido o relator, para manter, em relação a sentença, os principais pontos que interessam a análise deste processo, salientando, entretanto, a aplicabilidade do artigo 170A do CT1V, que veda a compensação antes do trânsito em julgado. Diante do exposto e tendo em vista que os débitos as fls. 17/19 não estão com sua exigibilidade suspensa pela medida judicial vinculada, proponho o encaminhamento do presente à ARF/Mogi Guaçu/SP Ainda, em análise prévia, a autoridade preparadora alocou pagamento e promoveu a revisão de oficio do lançamento, para reduzir o valor principal relativo ao período de apuração de setembro/97. A DRJ em Campinas a impugnação procedente em parte, apenas para relevar a multa de ofício, nos seguintes termos: DCTF. REVISÃO INTERNA. COMPENSAÇÃO. PROCESSO JUDICIAL NÃO CONFIRMADO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. LANÇAMENTO. A propositura de ação judicial antes da lavratura do auto de infração, ainda que restasse confirmada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, não obstaculiza a formalização do lançamento, mas impede a apreciação, pela autoridade administrativa a quem Fl. 169DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE 4 caberia o julgamento, das razões de mérito submetidas ao Poder Judiciário. DÉBITOS DECLARADOS. MULTA DE OFÍCIO. Embora ausente prova da suspensão da exigibilidade do crédito tributário à época do lançamento, para se afirmar a inaplicabilidade da multa de oficio, sua exoneração se impõe em face do principio da retroatividade benigna, dado que compensações não comprovadas, apuradas em declaração prestada pelo sujeito passivo, configuram hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória n° 135/2003, convertida na Lei no 10.833/2003, com a nova redação dada pelas Leis n° 11.051/2004 e no 11.196/2005. Irresignada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário alegando (i) a nulidade do AI em função de existência decisão judicial autorizando a compensação; (ii) inaplicabilidade do art. 170A do CTN ao caso concreto; e (iii) inexistência de renuncia à esfera administrativa. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, três foram os argumentos apresentados pela Recorrente para a reforma do acórdão da DRJ que manteve a autuação. Passemos à analise de cada um deles. Primeiramente afirma a Recorrente que procedeu à compensação dos créditos amparada em decisão judicial. Por conta disso, conclui que não há que se falar em insuficiência de recolhimento da COFINS. Ora, não se sustenta a presente alegação. Mesmo que se admitisse, por qualquer razão jurídica, a possibilidade de realizar a compensação em análise antes do trânsito em julgado da decisão judicial que reconheceu como indevidos os pagamentos do FINSOCIAL, certo é que o acórdão do TRF da 3ª Região foi bastante enfático ao determinar a aplicabilidade do art. 170A do CTN no caso concreto. Dispondo de forma tão clara, não há espaço para dúvida: a atitude da contribuinte não estava amparada em medida judicial, vez que esta condicionou, de forma expressa, a compensação ao trânsito em julgado da decisão, reafirmando a necessidade de observância do art. 170A do CTN no caso concreto. Da mesma forma não procede a alegação de que a lavratura do AI foi efetuada sob a condição de suspensão da exigibilidade do crédito tributário determinada pelo Poder Judiciário, de acordo com o artigo 151, V, do CTN, e a cobrança está sendo feita como se a COFINS relativa ao terceiro e quarto trimestre de 1997, tivesse simplesmente deixado de ser recolhida. Com efeito, a decisão judicial, não transitada em julgado, reafirmese, apenas declarou a inconstitucionalidade da majoração das alíquotas do FINSOCIAL, constante das Fl. 170DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 10830.006183/200228 Acórdão n.º 3301001.419 S3C3T1 Fl. 94 5 Leis nº 7.689/88, 7.787/89, 7.894/8 e 8.174/90 e reconheceu o direito de compensar os pagamentos indevidos a este título com parcelas da COFINS, observandose o disposto no art. 74 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei 10.637/02 e o art. 170A do CTN. Dispondo de forma tão clara, resta evidente que apenas com o pedido administrativo de compensação, transmitido após o trânsito em julgado, é que se poderia falar em suspensão da exigibilidade da COFINS válida, o que não é o caso. Por outro lado, mesmo na remota hipótese de se defender que a própria decisão judicial teria suspendido a exigibilidade da COFINS, também não há como se defender a nulidade do AI, já que nesses casos de medida preventiva não definitiva, mas que mera autorização, o Fisco tem o dever de lançar sob pena de decadência. O segundo argumento levantado pela ora Recorrente foi no sentido da inaplicabilidade do art. 170A, do CTN, ao caso concreto. Para sustentar sua alegação, defende que (i) o art. 66 da Lei 8.383/91 não estabelece tal limitação e (ii) que os valores pagos indevidamente a titulo de FINSOCIAL referemse períodos anteriores à edição da Lei Complementar n.° 104/2001, que introduziu o art. 170A no CTN. É de hialina clareza que não se pode afastar a incidência de uma lei complementar posterior (LC n° 104/01 que introduziu o art. 170A no CTN) com base em uma lei ordinária anterior. Os princípios da hierarquia e da posterioridade impedem iniciativas desta natureza. Sendo assim, carece de qualquer lastro jurídico o presente argumento da Recorrente. Da mesma forma não procede a alegação no sentido de que o art. 170A, do CTN, não se aplicaria ao caso concreto por ter sido introduzido no sistema após os pagamentos indevidos de FINSOCIAL. Tratandose de norma que versa sobre os requisitos para a compensação, ou seja, de norma que regula os aspectos processuais para repetição do indébito tributário e não para a configuração do indébito tributário propriamente dito, o marco temporal que se deve tomar como referência é a data da transmissão das declarações/pedidos de compensação e não dos pagamentos indevidos. Sendo assim, como os pedidos foram apresentados quando já estava em vigor o art. 170A, do CTN, perfeitamente válida a sua aplicação ao caso sob exame. Tecidos esses comentários a conclusão é única: diante da inexistência de qualquer razão jurídica para afastar a aplicação do requisto prescrito no art. 170A, do CTN, ao caso concreto e o que é pior, existindo comando judicial expresso e específico nesse sentido, não se pode autorizar a compensação dos presentes valores antes do trânsito em julgado da Ação Judicial n° 96.06074390. Por fim, alega a Recorrente que não poderia a DRJ em Campinas ter deixado de apreciar o mérito da impugnação, sob o argumento da concomitância, tendo em vista que o AI foi lavrado mais de seis anos após a propositura da Ação Judicial, o que, no seu entender, afastaria a configuração da renúncia à esfera administrativa. Notese que o único argumento levantado pela Recorrente foi a anterioridade da propositura da ação perante o Poder Judiciário, não apresentando qualquer elemento que pudesse conduzir ao entendimento de ausência de identidade, total ou parcial, entre as medidas administrativa e judicial. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE 6 Ocorre que a presente matéria foi pacificada por este Conselho por meio da Súmula nº 01, a qual deixa evidente que a propositura de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo implica renúncia à instancia administrativa: SÚMULA CARF nº 01. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de oficio, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Postas essas razões jurídicas, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 172DF CARF MF Impresso em 13/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 22/05/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE
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