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Numero do processo: 12448.731264/2013-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Nov 01 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1302-000.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora..
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Ana de Barros Fernandes Wipprich, Rogério Aparecido Gil, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento na realização de diligências, nos termos do voto da Relatora.. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Ana de Barros Fernandes Wipprich, Rogério Aparecido Gil, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Talita Pimenta Félix e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). RELATÓRIO Trata de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 1458.839/15, proferido pela 15ª Turma de Julgamento da DRJ em Ribeirão Preto/SP, que decidiu manter os lançamentos tributários de IRPJ e CSLL, relativos aos anoscalendários de 2009 e 2010, consubstanciados nos Autos de Infração de efls. 435 a 454, lavrados em conformidade com os fatos explicitados no Termo de Verificação Fiscal de efls. 431 a 434. As infrações tributárias detectadas pela fiscalização consistem em despesas operacionais incorridas nos anos em questão consideradas indedutíveis dadas as suas naturezas. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 24 48 .7 31 26 4/ 20 13 -6 1 Fl. 1232DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 3 2 A fiscalização constatou que a contribuinte, cuja atividade é extração de petróleo e gás natural, em consórcio com as empresas Petrobrás S/A e Amerada Hess Ltda., ganhou a concessão para a perfuração do bloco BMS22 (contrato nº 48610.010707/2001), sendo a responsável pela execução das operações relativas à exploração do referido bloco. Estando em fase préoperacional, nos anos em questão, contabilizou indevidamente a título de despesas operacionais, os valores de R$ 85.919.782,60, para 2009, e R$ 11.454.225,41, para 2010, sendo que o correto seria registrar estes valores, como despesas préoperacionais, no Ativo Diferido, pois referemse aos serviços relativos à exploração de poços e somente poderia apropriarse das despesas incorridas, a título de amortização, à medida que as receitas operacionais correlatas começassem a ser auferidas com a venda de petróleo ou gás. Também houve a glosa de 'outras despesas', nos valores de R$ 157.955.581,89, para 2009, e R$ 222.812.309,92, para 2010, em razão da empresa ter dado baixa de poços considerados secos (poços 1, 2 e 3), antes de a empresa haver enviado à ANP (Agência Nacional de Petróleo) o pedido de devolução integral da área recebida em concessão, em 03/04/2012, salientandose que a decisão da extinção somente ocorreu em 03/08/2012. As referidas infrações tributárias somaram valor tributável de R$ 243.875.364,49, para 2009, e R$ 234.266.535,33, para 2010, sendo que parte dos valores foram compensados com o saldo de prejuízo fiscal/base de cálculo negativa acumulados da empresa, remanescendo o crédito tributário total de R$ 55.351,91 a pagar, a título de IRPJ e CSLL (com multa de ofício regular e juros moratórios). A empresa impugnou o feito fiscal argumentando as razões que a seguir transcrevo do relatório do acórdão recorrido, por bem minucioso: Depois de defender a tempestividade do oferecimento da peça contestatória e descrever os fundamentos das autuações questionadas, tece “considerações sobre as fases que compreendam a produção de petróleo e de gás natural”, o qual envolve três fases: • Exploração: conjunto de operações ou atividades destinadas a avaliar áreas, objetivando a descoberta e a identificação de jazidas de petróleo ou gás natural; • Desenvolvimento: conjunto de operações e investimentos destinados a viabilizar as atividades de produção de um campo de petróleo ou gás natural; • Produção: conjunto de operações coordenadas de extração de petróleo ou gás natural de uma jazida e de preparo para a sua movimentação. Explica que, para a consecução dos seus objetivos sociais, realiza estudos e pesquisas com a finalidade de verificar a existência de jazidas de petróleo bem como a viabilidade econômica da exploração delas. É o que se denomina fase de exploração, “que têm início na obtenção, através de leilão, pela empresa concessionária, do direito à pesquisar/explorar uma determinada área (bloco)”. Sobre a fase de exploração, expõe que ela envolve a “perfuração de poços individuais tendo, cada um deles, dentro do bloco objeto da concessão, características próprias de geologia e requerimentos individuais de engenharia”. A individualidade decorre de exigência do contrato de concessão, o qual obriga o concessionário a comunicar, no prazo de 72 horas, qualquer descoberta de hidrocarbonetos naquele poço. “Da mesma forma, faculta que se faça, durante este período, devoluções parciais à Fl. 1233DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 4 3 ANP das áreas nas quais não sejam identificadas reservas, mediante comunicação formal (Cláusula 3.3)”. Informa que, “nos casos de total insucesso em todos os poços perfurados” ou de inviabilidade econômica da produção, a área adquirida no leilão é devolvida. Assim, quando forem encontrados poços cuja produção seja economicamente viável, a concessionária comunica tal fato à Agência Nacional do Petróleo (ANP) por meio da intitulada Declaração de Comercialidade e dá início à fase de produção. Explana que, no caso em tela, a exploração do Bloco BMS22 foi iniciada em 29/08/2001, “conforme contrato de concessão, com o comprometimento de perfuração de 4 poços em dois períodos distintos, sendo encerrada em 06.08.2012, com a formalização da devolução integral da área concedida e consequente extinção do contrato (docs. 06), hajavista que em nenhum dos poços perfurados foram encontradas descobertas de petróleo quejustificassem investimentos para a próxima fase (produção)”. Informa que ao longo do processo de pesquisa efetuou quatro devoluções parciais: em 05/05/2009 (poço Azulão 1), 04/09/2009 (poços Guarani 1 e Guarani 1 desviado) e 10/03/2011 (poço Sabiá 1), as quais foram realizadas na forma facultada em contrato sem que a ANP tenha oferecido qualquer questionamento a respeito. Posteriormente, em 06/08/2012, a devolução total da área foi ratificada pela ANP. Tece comentários acerca do panorama mundial de exploração de petróleo, relatando que a média mundial de poços exploratórios mal sucedidos representa de 70% a 80% do total perfurado e que, no Brasil, a média tem sido de 80%. Estes poços, normalmente, são perfurados por empresas subcontratadas, cabendo ao concessionário “somente determinar o local da perfuração e o modelo de perfuração desejado”. Diz que esta teria sido exatamente a situação ocorrida. No entanto, a Fiscalização considerou indedutíveis os custos/despesas incorridos na fase de exploração de cada poço considerado seco. E argumenta: A Fiscalização partiu de premissa equivocada, desalinhada com as práticas internacionais contábeis e com a prática local da indústria de petróleo e gás natural – e também desalinhada com o Regulamento do Imposto de Renda, como se verá adiante. Entendeu a fiscalização que os custos e despesas com “poços secos” e despesas operacionais incorridos na fase de exploração deveriam ter sido contabilizados no ativo diferido, a serem amortizados a partir do primeiro ano em que fosse auferida receita operacional na venda de petróleo e gás e não como fez corretamente a Impugnante ao leválas a resultado, enquadrandoas como custos/despesas operacionais no período em que se confirmou a inexistência de expectativa de receitas oriundas daqueles investimentos. Na continuação, traz um arrazoado sobre os padrões internacionais de contabilidade utilizados na indústria petrolífera, com o objetivo de sustentar a improcedência da conclusão da Fiscalização. Inicia salientando que o Brasil não possui uma diretriz expressa sobre as práticas contábeis e fiscais para a indústria de O&G. No entanto, a seu ver, o movimento de alinhamento com os métodos contábeis internacionais promovido pela Lei nº 11.638, de Fl. 1234DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 5 4 2007, permitiria trazer à discussão a prática internacional desta indústria, a qual estaria consolidada há décadas. Expõe: Basicamente, consolidaramse como melhores práticas da indústria os seguintes métodos contábeis para o reconhecimento e baixa de custos: método dos Esforços Bem Sucedidos Successful Efforts (SE) e o método do Custo Total Total – Full Cost (FC), previstos nas normas do Financial Accounting Standard Board (FASB) – Statement of Financial Accounting Standards (SFAS) nos. 19 e 25 (docs. 09); nas normas da Securities and Exchange Commission (SEC) Accounting Series Release (ASR) nos 257 e 258 e no Pronunciamento Técnico Contábil CPC n° 34, que muito embora não aprovado, serve de base para o entendimento do tratamento contábil dado pela Impugnante às despesas com “poços secos”. Antes de discutir as duas técnicas contábeis apresentadas, assevera que os gastos incorridos nas atividades de exploração de produção de petróleo e gás são classificados em quatro categorias, abaixo apresentadas: • Os custos de aquisição incluem os gastos incorridos para adquirir, alugar, usar ou qualquer outra forma de aquisição dos direitos de uso de determinada área e ainda abrange o bônus de assinatura, taxas de agenciamento/intermediação, taxas de registro, custos legais e outros; • Os custos de exploração envolvem os gastos incorridos na identificação de áreas potenciais e nos exames específicos de áreas com potencial de reserva de óleo e gás natural, incluindo perfuração de poços exploratórios e testes estratigráficos, bem como gastos com estudos topográficos, geológicos e geofísicos. Os gastos de exploração podem ocorrer tanto antes como depois da aquisição da área ou mesmo incorridos sem que a área nunca seja adquirida (no caso de pesquisas gerais); • Os custos de desenvolvimento são aqueles incorridos para obter acesso às reservas provadas e para prover instalações para extração, tratamento, recolhimento e estocagem do óleo e do gás natural e ainda os custos das instalações de produção, tais como linhas de escoamento, separadores, tratadores, aquecedores, tanques de estocagem, sistemas de recuperação e instalações de processamento de gás natural; • Os custos de produção são aqueles incorridos para a extração, como por exemplo os incorridos para transportar óleo e gás à superfície e coletálos, tratálos, processálos e armazenálos. De maneira geral são incorridas para a operação e manutenção de poços, equipamentos e instalações relacionados à produção. Apresentados os custos envolvidos na atividade, descreve os métodos contábeis utilizados pela indústria de O&G, os quais “podem gerar diferentes resultados temporais e efetivos nos lucros”: pelo método dos Esforços Bem Sucedidos, somente os custos e despesas resultantes da exploração de poços bem sucedidos (descoberta de reservas provadas de óleo e gás) é que são mantidos como ativos. Os custos e despesas referentes à exploração de poços que resultem em não descoberta ou aquelas inviáveis economicamente são tratados como custos/despesas, no momento em que for determinado o insucesso de cada poço perfurado. pelo método do Full Cost (Custo Total), estes custos e despesas, sejam relativos a poços com sucesso ou não, seriam totalmente capitalizados e lançados à resultado, Fl. 1235DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 6 5 via amortização a partir do Primeiro Óleo produzido ou baixados integralmente quando da Devolução total do Bloco. Acredita que a prática contábil adotada no exterior passará a ser seguida no Brasil, tendo em vista “a conhecida redação do CPC n° 34, ainda em fase de discussão, mas que expressamente avança nesta linha” e as orientações existentes no CPC 04 (intangível) e 27 (imobilizado), que expressamente excluem da sua aplicação as operações de O&G. Traduz o SFAS nº 19 da seguinte forma: Se o poço tiver reservas provadas, os respectivos custos de perfuração tornamse parte efetivados custos do poço e dos equipamentos e instalações relacionadas a ele. Se, entretanto, não forem encontradas reservas provadas mediante a perfuração deste poço, os custos e despesas capitalizados de perfuração, deduzidos todos os valores residuais, devem ser lançados no resultado. E argumenta que a US SEC acatou a recomendação e considerou que o método dos Esforços Bem Sucedidos é o mais adequado para contabilização das operações pela indústria do petróleo, principalmente para as empresas de grande porte. Registra a impugnante que esta orientação foi por ela seguida. Alega, em seguida, que, se adotasse o método de Custo Total, o qual “requer que todos os custos/despesas sejam alocados em centros de custos estabelecidos com base em empresas, países ou áreas geográficas”, haveria óbices ao seu controle interno e dificuldades de organização entre as empresas que participam de consórcios, muito comuns na exploração de petróleo no Brasil. Sintetiza em uma tabela como determinadas operações são contabilizadas pelos dois métodos: [tabela] Arremata a contribuinte: 57. Como exposto, e com base não só nas normas internacionais mas também seguindo a tendência das discussões locais sobre o tema, a Impugnante adotou como base de sua contabilização o método dos Esforços Bem Sucedidos (Successful Efforts SE), o qual considera os gastos exploratórios de “poços secos” como custos/despesas. 58. Assim a Impugnante, nos anoscalendários de 2009 e 2010, contabilizou como despesas operacionais os valores de R$ 157.955.581,89 e R$ 222.812.309,92, relativos a baixas dos “poços secos” na fase de exploração do Bloco BMS22, bem como despesas operacionais na fase de exploração os valores de R$ 85.919.782,60 (2009) e R$ 11.454.225,41 (2010), sendo uma parte baixada em junho de 2009 e outra em dezembro de 2010, ainda que a devolução total do bloco tenha sido formalizada perante a ANP em 06/08/2012, 11 anos após a obtenção de sua licença de Concessão. 59. Submetese à análise desta Turma de Julgamento o fato de que a forma de contabilização adotada parte da premissa de que, em decorrência da identificação de “poços secos”, o investimento feito em cada um dos poços perfurados não geraria qualquer receita futura, devendo os custos e despesas a eles inerentes serem imediatamente reconhecidos no resultado e deduzidos para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. Fl. 1236DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 7 6 Prossegue com argumentações sobre a influência da prática fiscal internacional no Brasil e da importância das Leis nos 11.638, de 2007, e 11.941, de 2009, no processo de mudança de paradigmas. Além disso, adotados os procedimentos internacionais, empresas brasileiras poderiam se lançar no mercado internacional de capitais, propiciando, também, um ambiente favorável para que sociedades estrangeiras investissem no mercado brasileiro. Entende, portanto, incabível que as autoridades fiscais e julgadoras ignorem essa influência e glosem as despesas em questão, considerando indevida a dedutibilidade dos valores despendidos. Considera, portanto, imprópria a premissa em que se baseou a Fiscalização. Transcreve ementa do acórdão nº 1401000.993 proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara de Julgamento do CARF: ATIVO DIFERIDO. O objetivo da existência do ativo diferido era a equivalência, no tempo, da amortização das despesas incorridas pela empresa na fase préoperacional, às receitas decorrentes de referida operacionalização. Assim, quando a empresa incorria em despesas relacionadas ao desenvolvimento, construção e implantação de projetos antes de estes apresentarem receitas, deveriam referidas despesas ser registradas como ativo diferido. No futuro, quando surgissem as receitas referentes a referido ativo diferido, este seria passível de amortização. Assim, o objetivo da escrituração do ativo diferido não era tornar a despesa permanentemente indedutível, mas sim permitir a dedutibilidade do dispêndio quando o projeto que lhe deu causa estiver produzindo receitas. REGISTRO NO ATIVO DIFERIDO. O registro de determinado dispêndio como ativo diferido demanda a identificação de duas condições, a saber: 1º) o dispêndio deve referir se a projetos cuja operação não tenha iniciado: 2º) deve haver razoável segurança da realização de receitas futuras. Não se trata de ativação pura e simples do gasto, mas sim a transmutação provisória de um custo ou despesa (pré)operacional em ativo (diferido), com objetivo de amortização futura. Não é concebível alocar no ativo diferido os gastos das atividades operacionais (que já estão em andamento) e que nem se sabe se vão gerar receitas futuras. Destaca que, segundo o Conselheiro Relator, para que determinadas despesas sejam ativadas é necessário que haja “razoável segurança da realização de receitas futuras com o projeto”, o que não teria acontecido no caso concreto, em face da inexistência de hidrocarbonetos ou da verificação da não comercialidade de todos os poços explorados. Transcreve parte do voto exarado pelo mencionado Conselheiro: Enfim, há diversos gastos que contribuirão para a formação de exercícios futuros. Todavia, para classificar um gasto no ativo diferido é necessário uma relação direta, identificada e documentada entre os custos e despesas incorridos e as receitas a serem obtidas em períodos futuros. Este é o posicionamento do Instituto dos Auditores Independentes do Brasil esboçado por meio da NPC VIII (Normas e Procedimentos de Contabilidade), que trata especificamente do grupo “Diferido” e somente foi revogada Fl. 1237DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 8 7 em 24/05/2011, tendo em vista a convergência da contabilidade brasileira às normas internacionais. Confirase: O conceito de “formação do resultado de diversos períodos”, que caracteriza os itens classificáveis como ativos diferidos, pode ser definido como uma relação direta, identificada e documentada, entre certos custos ou despesas incorridos em um certo momento, geralmente não identificáveis com ativos físicos, e receitas a serem obtidas em períodos futuros. (...) Neste ponto, é necessário insistir na importância da relação entre as despesas diferidas e as receitas esperadas, para cuja geração essas despesas devem contribuir de forma inequívoca. O conceito de diferimento de despesas nasce com a esperança de se obter receitas em períodos futuros que não se poderiam originar se as despesas diferidas não tivessem sido incorridas. Portanto, não poderão diferirse aqueles itens vinculados a projetos abandonados e que, consequentemente, não produzirão receitas, nem tampouco os itens ligados a projetos de viabilidade duvidosa. Neste último caso, a amortização total e imediata das despesas diferidas atende ao princípio básico de conservadorismo. Daí é que a interpretação sistemática do dispositivo permite aferir que o conteúdo das contas que integram o Ativo Diferido têm relação a projetos futuros dos quais certamente irão decorrer receitas. Frisase: é necessária a vinculação direta, identificada e documentada entre os gastos que serão diferidos e as receitas que serão auferidas no futuro. Desta forma, é interessante notar que o próprio art. 325 do RIR dá essa ideia, pois o § 1°, que dispõe quando deveria iniciar a amortização do ativo diferido, remete ao início das operações do projeto cujas despesas foram registradas sob referida conta. Tendo em vista que os poços explorados não poderiam gerar receitas futuras, acredita a interessada que o procedimento por ela adotado está em consonância com o entendimento adotado pelo CARF. Caso o órgão julgador não aceite as argumentações apresentadas, alega que o artigo 416 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) “expressamente determina a faculdade de que custos e despesas incorridos na prospecção e extração de petróleo sejam deduzidos no período em que forem incorridos”: Art. 416. A Petróleo Brasileiro S.A. – PETROBRÁS poderá deduzir, para efeito de determinação do lucro líquido, as importâncias aplicadas, em cada período de apuração, na prospecção e extração de petróleo cru (DecretoLei nº 62, de 21 de novembro de 1966, art. 12). Sustenta que o mencionado dispositivo aplicase a todas as empresas que desenvolvem atividade de extração de petróleo e gás natural, sob pena de afronta a um dos princípios basilares do ordenamento jurídico tributário: a isonomia. Em 1966, quando foi publicado o DecretoLei nº 62, a Petrobrás, a extração de petróleo e gás natural era atividade desenvolvida em regime de monopólio pela Petrobrás. Com a Emenda Constitucional nº 9, de 1995, empresas privadas poderiam atuar na pesquisa e na lavra de jazidas de petróleo e gás natural, o que foi regulado pela Lei nº 9.478, de 1997. Fl. 1238DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 9 8 Dado este novo panorama, sustenta que a incidência do artigo 416 do RIR/99 não se restringe mais apenas à Petrobrás, devendo se aplicado a todas as empresas que exercem atividades de extração de petróleo e gás. [...] Tendo em vista as alegações aduzidas pela impugnante e os elementos trazidos aos autos, a 13ª Turma da DRJ Ribeirão Preto decidiu baixar os autos em diligência para que a Fiscalização informasse “qual o valor das despesas declaradas nas DIPJ 2010 e 2011 que correspondem a gastos atrelados aos poços 1ESSO3SPS, 3ESSO4SPS e 3ESSO4ASPS, devolvidos em 2009”. [...] Em suma, a contribuinte confirmou que as despesas informadas na linha 60 da Ficha 06A da DIPJ 2010 (R$ 157.955.581,89) e na linha 63 da Ficha 06A da DIPJ 2011 (R$ 222.812.309,92) estão relacionadas à baixa dos aludidos poços secos. O votocondutor do acórdão recorrido iniciouse apresentando uma retrospectiva sobre as mudanças ocorridas em 2007 na legislação que disciplina a escrituração contábil das empresas, no sentido de aproximar a contabilidade nacional às práticas internacionais (artigo 177, § 5º, da Lei nº 6.404/76, com redação dada pela Lei nº 11.638/07). O relator do voto destacou a importância dos artigos 15 e 16 da Lei nº 11.941/09 ao instituir o princípio da neutralidade tributária com o objetivo das mudanças na escrituração comercial das empresas não causarem insegurança jurídica na esfera tributária. Assim, as pessoas jurídicas que optassem pelo Regime de Transição Tributária RTT devem considerar para efeitos tributários os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. A adoção do RTT foi opcional para os anoscalendários de 2008 e 2009 e obrigatório para o anocalendário de 2010. Salienta que, embora a empresa venha a defender que a legislação fiscal brasileira não tenha norma específica aplicável ao ramo em que opera, indústria de extração/exploração gás/petróleo (O&G), e que no direito comparado há significativa evolução das normas contábeis tecendo extenso arrazoado sobre as metodologias do "Custo Total" e "Esforço Bem Sucedido" (a qual teria aderido e aplicado em sua contabilidade), na DIPJ/10, consta explícita a opção da contribuinte pelo RTT. Caso o órgão julgador não aceite as argumentações apresentadas, alega que o artigo 416 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) “expressamente determina a faculdade de que custos e despesas incorridos na prospecção e extração de petróleo sejam deduzidos no período em que forem incorridos”: Art. 416. A Petróleo Brasileiro S.A. – PETROBRÁS poderá deduzir, para efeito de determinação do lucro líquido, as importâncias aplicadas, em cada período de apuração, na prospecção e extração de petróleo cru (DecretoLei nº 62, de 21 de novembro de 1966, art. 12). Sustenta que o mencionado dispositivo aplicase a todas as empresas que desenvolvem atividade de extração de petróleo e gás natural, sob pena de afronta a um dos princípios basilares do ordenamento jurídico tributário: a isonomia. Fl. 1239DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 10 9 Em 1966, quando foi publicado o DecretoLei nº 62, a Petrobrás, a extração de petróleo e gás natural era atividade desenvolvida em regime de monopólio pela Petrobrás. Com a Emenda Constitucional nº 9, de 1995, empresas privadas poderiam atuar na pesquisa e na lavra de jazidas de petróleo e gás natural, o que foi regulado pela Lei nº 9.478, de 1997. Dado este novo panorama, sustenta que a incidência do artigo 416 do RIR/99 não se restringe mais apenas à Petrobrás, devendo se aplicado a todas as empresas que exercem atividades de extração de petróleo e gás. [...] Tendo em vista as alegações aduzidas pela impugnante e os elementos trazidos aos autos, a 13ª Turma da DRJ Ribeirão Preto decidiu baixar os autos em diligência para que a Fiscalização informasse “qual o valor das despesas declaradas nas DIPJ 2010 e 2011 que correspondem a gastos atrelados aos poços 1ESSO3SPS, 3ESSO4SPS e 3ESSO4ASPS, devolvidos em 2009”. [...] Em suma, a contribuinte confirmou que as despesas informadas na linha 60 da Ficha 06A da DIPJ 2010 (R$ 157.955.581,89) e na linha 63 da Ficha 06A da DIPJ 2011 (R$ 222.812.309,92) estão relacionadas à baixa dos aludidos poços secos. O votocondutor do acórdão recorrido iniciouse apresentando uma retrospectiva sobre as mudanças ocorridas em 2007 na legislação que disciplina a escrituração contábil das empresas, no sentido de aproximar a contabilidade nacional às práticas internacionais (artigo 177, § 5º, da Lei nº 6.404/76, com redação dada pela Lei nº 11.638/07). O relator do voto destacou a importância dos artigos 15 e 16 da Lei nº 11.941/09 ao instituir o princípio da neutralidade tributária com o objetivo das mudanças na escrituração comercial das empresas não causarem insegurança jurídica na esfera tributária. Assim, as pessoas jurídicas que optassem pelo Regime de Transição Tributária RTT devem considerar para efeitos tributários os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. A adoção do RTT foi opcional para os anoscalendários de 2008 e 2009 e obrigatório para o anocalendário de 2010. Salienta que, embora a empresa venha a defender que a legislação fiscal brasileira não tenha norma específica aplicável ao ramo em que opera, indústria de extração/exploração gás/petróleo (O&G), e que no direito comparado há significativa evolução das normas contábeis tecendo extenso arrazoado sobre as metodologias do "Custo Total" e "Esforço Bem Sucedido" (a qual teria aderido e aplicado em sua contabilidade), na DIPJ/10, consta explícita a opção da contribuinte pelo RTT. Este procedimento da empresa em optar deliberadamente pelo RTT afasta a possibilidade de admitirse que, Caso o órgão julgador não aceite as argumentações apresentadas, alega que o artigo 416 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99) “expressamente determina a faculdade de que custos e despesas incorridos na prospecção e extração de petróleo sejam deduzidos no período em que forem incorridos”: Art. 416. A Petróleo Brasileiro S.A. – PETROBRÁS poderá deduzir, para efeito de determinação do lucro líquido, as importâncias Fl. 1240DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 11 10 aplicadas, em cada período de apuração, na prospecção e extração de petróleo cru (DecretoLei nº 62, de 21 de novembro de 1966, art. 12). Sustenta que o mencionado dispositivo aplicase a todas as empresas que desenvolvem atividade de extração de petróleo e gás natural, sob pena de afronta a um dos princípios basilares do ordenamento jurídico tributário: a isonomia. Em 1966, quando foi publicado o DecretoLei nº 62, a Petrobrás, a extração de petróleo e gás natural era atividade desenvolvida em regime de monopólio pela Petrobrás. Com a Emenda Constitucional nº 9, de 1995, empresas privadas poderiam atuar na pesquisa e na lavra de jazidas de petróleo e gás natural, o que foi regulado pela Lei nº 9.478, de 1997. Dado este novo panorama, sustenta que a incidência do artigo 416 do RIR/99 não se restringe mais apenas à Petrobrás, devendo se aplicado a todas as empresas que exercem atividades de extração de petróleo e gás. [...] Tendo em vista as alegações aduzidas pela impugnante e os elementos trazidos aos autos, a 13ª Turma da DRJ Ribeirão Preto decidiu baixar os autos em diligência para que a Fiscalização informasse “qual o valor das despesas declaradas nas DIPJ 2010 e 2011 que correspondem a gastos atrelados aos poços 1ESSO3SPS, 3ESSO4SPS e 3ESSO4ASPS, devolvidos em 2009”. [...] Em suma, a contribuinte confirmou que as despesas informadas na linha 60 da Ficha 06A da DIPJ 2010 (R$ 157.955.581,89) e na linha 63 da Ficha 06A da DIPJ 2011 (R$ 222.812.309,92) estão relacionadas à baixa dos aludidos poços secos. O votocondutor do acórdão recorrido iniciouse apresentando uma retrospectiva sobre as mudanças ocorridas em 2007 na legislação que disciplina a escrituração contábil das empresas, no sentido de aproximar a contabilidade nacional às práticas internacionais (artigo 177, § 5º, da Lei nº 6.404/76, com redação dada pela Lei nº 11.638/07). O relator do voto destacou a importância dos artigos 15 e 16 da Lei nº 11.941/09 ao instituir o princípio da neutralidade tributária com o objetivo das mudanças na escrituração comercial das empresas não causarem insegurança jurídica na esfera tributária. Assim, as pessoas jurídicas que optassem pelo Regime de Transição Tributária RTT devem considerar para efeitos tributários os métodos e critérios contábeis vigentes em 31 de dezembro de 2007. A adoção do RTT foi opcional para os anoscalendários de 2008 e 2009 e obrigatório para o anocalendário de 2010. Salienta que, embora a empresa venha a defender que a legislação fiscal brasileira não tenha norma específica aplicável ao ramo em que opera, indústria de extração/exploração gás/petróleo (O&G), e que no direito comparado há significativa evolução das normas contábeis tecendo extenso arrazoado sobre as metodologias do "Custo Total" e "Esforço Bem Sucedido" (a qual teria aderido e aplicado em sua contabilidade), na DIPJ/10, consta explícita a opção da contribuinte pelo RTT. Este procedimento da empresa em optar deliberadamente pelo RTT afasta a possibilidade de admitirse que, contrariamente, sujeitese à qualquer outra forma de apurar Fl. 1241DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 12 11 custos e resultados que não aquelas impostas pelas normas contábeis brasileiras, aplicáveis em 31/12/2007. Partindo desta premissa, passa o votocondutor a analisar se os gastos incorridos com a perfuração e exploração de poços/baixa destes devam, ou não, ser considerados nos resultados dos exercícios, ou ativados no diferido, sujeitandose às devidas amortizações. Aproveitando o acórdão administrativo citado pela recorrente, que traz ilações sobre o Ativo Diferido, e também apresentando a doutrina de Sérgio de Iudícibus, Eliseu Martins e Ernesto Rubens Gelbeke, conclui que as despesas incorridas na fase de exploração deveriam ser contabilizadas no ativo diferido para posterior amortização, nos termos dos artigos 324 e 325 do RIR/99 (quando houver percepção das receitas futuras). Ao se concluir pelo fracasso do empreendimento, os bens ativados e gastos préoperacionais devem ser baixados na conta de resultados. Seguindo o raciocínio, conclui que, no caso dos poços secos, o procedimento da empresa demonstrariase correto em dar baixa na conta de resultados, dado restar frustrada qualquer geração de receita futura. Cita a cláusula 3.3 do contrato de concessão que prevê a devolução de parte da área adquirida em virtude da inviabilidade de produção e reproduz o artigo 43, inciso VI, da Lei nº 9.478/97, norma que rege a matéria (monopólio de exploração de petróleo e ANP). Passa a discorrer sobre a realização das diligências solicitadas para verificar as despesas relacionadas aos poços secos: Por conseguinte, qualquer poço que tenha sido perfurado em área devolvida não gerará lucros à empresa, podendo os gastos a ele relacionados ser baixados do ativo e transferidos para as despesas do período. Resta, agora, examinar quais os valores das despesas relacionadas aos poços secos, que poderiam ser deduzidas na apuração do lucro real. Para isso, é necessário se analisarem as informações requisitadas na Resolução nº 2.968, a qual expressamente solicitou à impugnante que informasse os “gastos atrelados aos poços 1ESSO3SPS, 3ESSO4SPS e 3ESSO4ASPS, devolvidos em 2009”. Notese que, na aludida resolução, não foram solicitados os gastos atinentes ao poço 3ESSO5SPS, pois, tendo em vista que a comunicação do seu abandono à ANP somente ocorreu em 04/03/2011, conforme Carta ESSO nº 017/2011/BMS22, a fls. 767, entendeu este relator, na oportunidade, que não havia, nos autos, elementos que permitissem concluir que o mencionado poço fosse tido como seco em 31/12/2010. Além de a devolução do poço ter sido comunicada à ANP em março de 2011 (fls. 767), o trecho abaixo transcrito do “Relatório Final sobre a Avaliação da Descoberta de Petróleo Poço 1ESSO3SPS Bloco BMS22 Bacia de Santos” (fls. 674) indica que, no encerramento do ano calendário 2010, ainda havia perfurações a serem realizadas, não havendo conclusão definitiva sobre a viabilidade econômica de sua exploração: A perfuração do poço 3ESSO5SPS foi iniciada em 11 de novembro de 2010 e concluída em 6 de janeiro de 2011 na PF=4536m em rochas vulcânicas da Fm. Camboriú. Uma notificação de descoberta de petróleo foi apresentada em 15 de dezembro de 2010. Depois de operações de teste de perfilagem e de teste a cabo, o poço foi tamponado e abandonado. As análises de perfis e os resultados de teste Fl. 1242DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 13 12 a cabo (MDT) indicaram volumes de petróleo nãocomerciais na acumulação. Na resposta fornecida pela interessada, juntada aos autos a fls. 992/1044, foram apresentadas diversas planilhas, as quais demonstrariam como os valores informados na linha 60 da Ficha 06A da DIPJ 2010 e na linha 63 da Ficha 06A da DIPJ 2011, “outras despesas não relacionadas nas linhas anteriores”, estariam associadas aos três poços devolvidos em 2009. No entanto, as informações prestadas pela interessada são inconsistentes. Verificase que despesas que compuseram o valor informado na linha 60 da Ficha 06A da DIPJ 2010 também contribuíram para a formação do valor informado na linha 63 da Ficha 06A da DIPJ 2011. Cito exemplos: [tabela descritiva] Acrescentase a isso que as despesas declaradas pela interessada na linha 63 da Ficha 06A da DIPJ 2011, relativamente aos três poços devolvidos em 2009, têm valor superior ao declarado na linha 60 da Ficha 06A da DIPJ 2010, ou seja, declarou a interessada que a maior parte da baixa ocorreu no ano calendário seguinte à devolução dos poços. Diante das incoerências da explicação fornecida pela contribuinte em resposta a diligência fiscal requerida pela DRJ, não há como se considerar demonstrada a legitimidade das despesas declaradas em DIPJ. Não obstante a interessada tenha convencido este relator de que as despesas relacionadas aos poços secos poderiam compor o resultado auferido ao final do ano calendário, ela não trouxe aos autos, mesmo depois de intimada em diligência fiscal, elementos que comprovassem precisamente os valores informados na linha 60 da Ficha 06A da DIPJ 2010 e na linha 63 da Ficha 06A da DIPJ 2011, ônus que lhe é atribuído por força do inciso III do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972: [...] Por não terem sido apresentadas provas robustas que afastem o crédito tributário exigido pelo Fisco, é forçosa a conclusão pela manutenção dos lançamentos fiscais. Cumpre salientar, ao final, que, quanto às despesas operacionais indicadas nas DIPJ 2010 a 2011, a interessada, em resposta à diligência fiscal, não as vinculou aos três poços secos devolvidos em 2009. A contrário senso, podemos inferir que não há despesas operacionais relacionadas aos três poços. Sem provas de que as despesas informadas na linha 38 da Ficha 06A DIPJ 2010 (R$ 85.919.782,60) e na linha 40 da Ficha 06A da DIPJ 2011 (R$ 11.454.225,41) estão relacionadas a poços considerados secos em 31/12/2010, as autuações devem remanescer nesta parte também, uma vez que a contribuinte, por não ter auferido receitas até àquele momento, deveria ter contabilizado tais gastos no ativo diferido para posterior amortização, como sói acontecer com as empresas em fase préoperacional, segundo as regras contábeis vigentes em 31/12/2007. Inviável, portanto, a dedutibilidade de tais despesas. Por fim, afasta a aplicação do artigo 416 do RIR/99 às demais empresas que desenvolvem a atividade de extração de petróleo e gás, entendendo que a ampliação do alcance da norma, para alcançar outras empresas privadas além da Petrobrás, após a Emenda Constitucional nº 9/95, é matéria de ordem constitucional e não pode ser discutida no âmbito administrativo. Fl. 1243DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 14 13 A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de efls. 1128 a 1157, instruído com as planilhas de efls. 1175 a 1195, reiterando os termos da defesa exordial, e acrescentando: [...] [...] A recorrente apresenta, pois, duas novas planilhas demonstrando os gastos e baixas ao longo do tempo de cada um dos poços perfurados que influenciam no litígio, mês a mês, pretendendo afastar as argumentações do acórdão recorrido de que tais custos vinculados aos poços baixados do Ativo não foram comprovados, ou que haveria duplicidade nas despesas informadas nas DIPJ/09 e 10, em suma. Acrescenta que o documento intitulado "Relatório Final de Poço Exploratório" esclarece que o abandono definitivo do poço 3ESSO5SPS (poço Sabiá), bem como o término de operações ocorreu, na verdade, em 23 de dezembro de 2010, por ter sido declarado poço subcomercial, ou seja, cuja produção de petróleo e/ou gás natural é considerada deficitária à época da sua avaliação, em contrarresposta ao fundamento da decisão recorrida que os gastos atinentes a este poço não poderiam ser aproveitados em 2010 porque a 1 AR – 08/06/2015, efls. 1109; Recurso – 03/07/2015, efls. 1128 Fl. 1244DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 15 14 comunicação de abandono do referido poço à ANP somente ocorreu em 2011. Reportase novamente às referidas planilhas que comprovam que todos os gastos com este determinado poço incorreram no período compreendido entre fevereiro de 2009 e dezembro de 2010. Requer a aplicação do princípio da verdade material para o provimento do recurso voluntário. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Fl. 1245DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 16 15 VOTO Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo. Primeiramente, haja vista o extenso recurso apresentado, reiterando todas as matérias apresentadas na defesa inicial, cumpre destacar que, de plano, adotase as razões de decidir esposadas em primeira instância de julgamento a respeito dos critérios e metodologias contábeis que deveriam ter sido aplicados pela empresa nos anoscalendários de 2009 e 2010, ao invés da metodologia da contabilidade internacional EBS (Esforços Bem Sucedidos). Acrescento aos bem colocados argumentos decisórios que, se a empresa com toda experiência no ramo em que atua (O&G), com todo o cabedal de conhecimento que vem amplamente defender a aplicação do método contábil usualmente adotado internacionalmente, fez a opção consciente pela neutralidade tributária, pelo Regime Tributário de Transição2 na DIPJ/10 (visto que no ano subsequente estava sujeita, por lei, ao RTT), não pode após exercer a escolha aventar engano ou arrependimento. Desde o anocalendário de 2008 poderia ter medido as consequências de sua livre opção e rejeitado continuar aplicando as normas contábeis brasileiras vigentes em 31 de dezembro de 2007, porém optou pelo RTT e este regime deve ser observado, por conseguinte. Correto, pois, no plano geral, que as despesas préoperacionais, ainda que pertinentes ao específico caso das atividades de prospecção e extração petrolífera e do gás natural, sejam ativadas no então "Ativo Diferido" e apropriadas à medida que as receitas esperadas advindas da exploração dos produtos venham a ser auferidas. Irreparável, neste tópico, as autuações realizadas. Todavia, ao verificarse o insucesso do projeto que ensejou os gastos pré operacionais, de forma inequívoca, mais que justo que a baixa daqueles gastos seja efetivada contra a conta de resultado do exercício financeiro, assim como os bens que não serão mais úteis (que foram ativados), sejam devidamente baixados na contabilidade da empresa e componham o resultado. Este assunto foi amplamente discorrido pela recorrente e no acórdão recorrido, tornandose incontroversas as conclusões. Entendimento que se comunga, pois os ensinamentos a respeito dos registros contábeis a serem realizados no Ativo Diferido, dado a sua natureza, foram convincentes não havendo razão para manterse despesas, a serem amortizadas, nesta conta contábil que jamais gerarão receitas. A questão devolvida a esta fase recursal, relevante, centralizase, então, no momento em que estas despesas podem compor o resultado do exercício financeiro e o momento da baixa dos bens ativados que mostraramse improducentes, no caso, os tais poços secos, especificados como poços 1,2, 3 e 4: 1Esso3SPS, 3Esso4SPS, 3Esso4ASPS, 3 Esso5SPS. 2 O Regime Tributário de Transição tem por objetivo preservar o princípio da neutralidade fiscal por conta das mudanças inseridas no padrão contábil brasileiro. Na prática, o RTT é um modo de apuração da base de cálculo dos tributos no qual as alterações que modificaram o critério de reconhecimento de receitas, custos e despesas computadas na apuração do lucro líquido do exercício não terão efeitos para apuração do lucro real da pessoa jurídica, devendo ser considerados os métodos e critérios vigentes em 31 de dezembro de 2007.(http://basewd.pactum.com.br/) Fl. 1246DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 17 16 A primeira instância de julgamento, ao confrontar a acusação fiscal com a defesa da recorrente, baixou os autos em diligência, pois verificou que, de fato, a devolução da área toda do bloco dado em concessão para ser explorado em 03/04/2012, para a ANP, e a decisão da extinção da referida concessão tomada pela ANO, em 03/08/2012, não corresponde à constatação de que os poços abertos foram declarados abandonados ou não comerciais, podendo ter ocorrido em datas anteriores. Na minuciosa Resolução nº 2.968/14, efls. 963 a 986, foi destacado, em suma: a) a necessidade de comprovarse as datas de baixas dos poços 2 (como pretensamente ocorrida em junho de 2009), 3 e 1 (em dezembro de 2010), bem como relacionar esta numeração com aquela específica tratada no contrato de concessão (já acima referida), haja vista as cartas constantes dos autos informarem que os abandonos dos poços teriam ocorrido em 05/05/09 (1Esso3SPS) e 04/09/2009 (3Esso4SPS e 3Esso4ASPS), enquanto o poço 3Esso5SPS foi abandonado em 10/03/2011; b) comprovação dos gastos glosados, de forma inequívoca, estarem atrelados aos referidos poços secos (abandonados), nos seguintes termos: Há uma divergência de datas que gera dúvidas a respeito da informação de que os valores constantes na linha “outras despesas não relacionadas nas linhas anteriores” da Ficha 06A das DIPJ 2010 e 2011 corresponderiam, exatamente, à baixa de poços secos. Ante o exposto, entendo que os autos devam ser devolvidos à Fiscalização a fim de informe qual o valor das despesas declaradas nas DIPJ 2010 e 2011 que correspondem a gastos atrelados aos poços 1ESSO3SPS, 3ESSO4SPS e 3ESSO 4ASPS, devolvidos em 2009. Para tanto, a contribuinte deve ser intimada a prestar informações detalhadas e precisas, apresentadas de forma segregada de modo a não deixar dúvidas sobre quais os valores lançados como despesas nas DIPJ que estão inequivocamente vinculados aos poços secos, justificando inclusive os valores negativos constantes na tabela abaixo: [reproduz os valores das fichas 06A das DIPJ/10 e 11 baixas de poços secos e bens do Ativo] Em resposta às diligências solicitadas, a empresa, às efls. 992, esclareceu: Fl. 1247DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 18 17 Da análise das planilhas referenciadas, a autoridade designada à realização das diligências, restringiuse a relatar: Em resposta de 241120I4, o contribuinte enviou as planilhas (seis), nas quais foram demonstrados de forma segregada, por mês e por conta, os valores declarados nas DIPJ 2010 e 2011. Para cada planilha foi enviado também uma planilha complementar, detalhando, entre outros, os totais mensais por desembolso. Verificamos que os demonstrativos enviados estão de acordo com a solicitação fiscal, inclusive com os esclarecimentos sobre os valores negativos. Em função do exposto, damos ciência ao contribuinte do presente relatório e também da resolução da DRJ/RPO, anexa, concedendolhe o direito de manifestarse pelo prazo de 30(dias). Apesar da Turma Julgadora de Primeira Instância ter admitido como realizada a intento as diligências solicitadas, embora tenha chegado à conclusão que não fora suficiente para que a recorrente comprovasse os custos, ouso divergir que assunto de tamanha complexidade possa ter sido solucionado pala autoridade fiscal diligente de tal forma. Afinal, a recorrente afirma e reafirma que da concessão do bloco BMS22, as únicas atividades da empresa nos anoscalendários de 2009 e 2010 foram as perfurações dos poços nºs 1Esso3, 3Esso4, 3Esso4A, que mostraramse improducentes e, por esta razão, foram declarados secos e abandonados (ou sem comercialidade dada a baixa qualidade do produto encontrado). Indiscutivelmente a decisão final da ANP a respeito do abandono dos poços e devolução integral da área (presumese Bloco BMS22) ocorreu em 2012, mas comprovouse por todo o estudo debruçado sobre o assunto que esta devolução integral da área e a extinção da concessão ocorrem em momentos totalmente diversos da constatação dos poços serem secos ou sem comercialidade. Também é inadmissível, frente ao esforço da recorrente em apresentar documentos, desde a fiscalização, que a prospecção dos referidos poços tenha se dado a custo zero nos anos em questão e que estes custos sejam in totum desprezados, porque não se chega à Fl. 1248DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 19 18 conclusão de estarem de fato relacionados aos declarados poços secos. E "quando" se verificou que estes poços não gerariam qualquer receita, por incontroversamente declarados 'secos'. A fiscalização em resposta à diligência simplesmente acatou a resposta da recorrente, sem sequer verificar a duplicidade de lançamentos que o relator do votocondutor reparou. Mas, observese, foi prontamente explicada, de forma plausível, no recurso voluntário, como sendo valores idênticos que se referem "(...) a serviços prestados e faturados em mesmos documentos, todavia com valores divididos igualmente para cada um dos poços que sofreram tais intervenções." A recorrente anexa nova planilha descritiva com os referidos valores na tentativa de elucidar os pontos de dúvida suscitados no acórdão recorrido. Pelo exposto, ao analisar o litígio temse por um lado, talvez, a apropriação de despesas de forma antecipada pela recorrente, pois não considerou as despesas de prospecção e perfuração de postos como ativáveis e diferíveis, mas sim despesas operacionais no ato de suas realizações. No entanto, temse de outro lado despesas relevantes que, de fato ocorreram, que não podem ser somente glosadas, porque não se consegue averiguar o momento da sua devida apropriação. As despesas não foram glosadas pela fiscalização por inexistentes, mas sim porque não poderiam ter sido consideradas incorridas naquele período fiscal. A questão é complexa e tortuosa e os valores muito significativos em torno de R$500.000.000,00 a ponto de, se os documentos apresentados pela recorrente ainda geram dúvidas, ser avaliado se a Agência Nacional de Petróleo não deva se manifestar a respeito das devoluções dos poços. Ademais, a autuação fiscal ocorreu em dezembro de 2013, quando, comprovadamente a área Bloco BMS22 já havia sido devolvida e extinta a concessão, o que justificaria a fiscalização haver realizado os ajustes necessários em razão de ter havido mera postergação do IRPJ e CSLL devidos, em se comprovando que, de fato, as despesas são pertinentes à exploração da referida área, uma vez já restar decidido que a empresa faz jus à baixa dos poços registrados no Ativo e às despesas correspondentes (inclusive às de reparação de área em momento posterior ao abandono dos poços) assim que constatado que não gerariam receita (poços secos). Em pesquisa a notícias sobre a exploração do Bloco BMS22 foi público e notório que alguns poços desta área foram constatados secos em 2009: Esclarecimento sobre BMS22 10/07/20093 Rio de Janeiro, 10 de julho de 2009 – PETRÓLEO BRASILEIRO S/A PETROBRAS, em resposta ao oficio da Comissão de Valores Mobiliários CVM/SEP/GEA2/n.204/2009 esclarece sobre notícias veiculadas nos jornais O Globo e Valor Econômico, sob o titulo “Poço no pré sal não tem petróleo” e de “Papéis da Petrobras caem com notícia sobre poço seco”. O Bloco BMS22 localizado na Bacia de Santos, é operado pelo Consórcio formado pela Exxon Mobil (40% operadora), Hess Corporation (40%) e Petrobras (20%). Segundo cláusulas dos contratos do Consórcio (como o Joint Operation Agreements) e cláusula do contrato de concessão assinado pelo Consórcio junto a Agencia Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis ANP somente o operador da área pode comunicar eventos, tais como resultado de perfuração de poços, ao ente regulador, assim como ao mercado em geral. 3 http://www.investidorpetrobras.com.br/pt/comunicadosefatosrelevantes/esclarecimentosobrebms22 Fl. 1249DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 20 19 O Consórcio comunicou a ANP, através do Operador, a conclusão da perfuração do segundo poço na área do BMS22. Porém, como não foi detectado indícios de óleo, não se torna necessário o envio de nenhuma comunicação adicional à ANP, conforme determina a legislação vigente e nem ao mercado. Além disso, a Companhia vem informando ao mercado de forma recorrente a impossibilidade de se pronunciar sobre os blocos operados por outras empresas. É importante ressaltar que, em toda atividade exploratória do petróleo, existe o risco do poço ser seco (não se encontrar hidrocarbonetos em quantidade adequada à comercialização). Um poço seco, portanto, é algo recorrente da indústria do petróleo e não fato extraordinário. Adicionalmente, o resultado de um poço seco não torna conclusiva a comercialidade do bloco. (grifos não pertencem ao original) Exxon acha óleo no BMS22 17/12/20104 A ExxonMobil, através de sua subsidiária Esso Brasil, informou novamente à ANP indícios de petróleo no bloco BM S22, no cluster do présal da Bacia de Santos. A empresa está perfurando na área o poço de extensão 3ESSO5SPS, que atingirá profundidade final de 4.574 m, em lâmina d´água de 2.272 m. Os trabalhos são conduzidos pela sonda West Polaris, da Seadrill. Esta é a terceira vez que a petroleira indica a existência de petróleo no BMS22. Nas duas primeiras vezes em janeiro e fevereiro de 2009 os trabalhos não comprovaram a existência de uma descoberta. (grifos não pertencem ao original) As duas notícias veiculadas na imprensa, citadas por exemplo (e há outras), dão indícios que existiram poços secos em trabalhos desenvolvidos pela recorrente em 2009, bem como também indicam que o poço 3ESSO 5SPS ainda não havia sido declarado improducente, ou prestes a ser declarado abandonado em dezembro de 2010, mas, é claro, que estas notícias não tem qualquer valor probatório nem em favor, nem de forma contrária às pretensões da recorrida. Constituem somente indícios que não devem ser ignorados, por públicos e notórios. Destarte, requerse da fiscalização as seguintes diligências em face de tantas dúvidas e dos documentos e esclarecimentos apresentados pela recorrente, a serem confrontados com a contabilidade, em novo procedimento: 1) Intimar a Agência Nacional de Petróleo ANP a esclarecer, com vista em seus registros, a respeito do bloco BMS22, explorado pelo consórcio "Exxon/Hess/Petrobrás", contrato de concessão nº 48610.010707/2001, quais os poços que foram declarados secos e quando foi comunicada (por carta ou operador) pela primeira vez de cada inviabilidade da extração de petróleo/gás natural de cada poço, em si considerado (especificandoos); 2) intime a recorrente a esclarecer: 2.a) quantos poços foram abertos pela recorrente na área BMS22? 4 http://www.kincaid.com.br/clipping/6743/ExxonachaleonoB.html Fl. 1250DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 21 20 2.b) quantos poços foram encontrados na condição de produzir/gerar receita? 2.b.1) em caso de resposta afirmativa, a autoridade fiscal deverá verificar se a contabilidade da recorrente permite segregar as despesas dos postos produtivos e dos declarados secos; 2.c) a autoridade fiscal deverá verificar se a contabilidade da recorrente permite distinguir se há outras atividades nos anoscalendários objeto da autuação, 2009 e 2010, que não a exploração da área BMS22; 2.c.1) em caso de resposta afirmativa, há segregação de receitas e despesas próprias de cada atividade? 2.d) a autoridade fiscal deverá se manifestar se as despesas que constaram das planilhas apresentadas às efls. 993 a 1044 devem ser admitidas como relacionadas aos poços secos "1Esso3, 3Esso4, 3Esso4A"? Há alguma vinculação destas despesas também com o poço 3Esso5? (todos os poços SPS) 3) tendo em vista que a área foi totalmente devolvida, em 2012, e no caso de haverse constatado que os poços que foram sendo abertos foram sendo declarados secos, intimar a recorrente a apresentar documentos/comunicações à ANP, relacionados a cada poço que comprove a exata data de abandono ou que foi constatada a inviabilidade comercial (consoante exigências das Resoluções ANP nºs 27/06 e 13/11); 4) intimar a contribuinte a discriminar, por poço e por mês, cada despesa incorrida com os poços secos; 4.1) a autoridade fiscal deverá conferir as informações prestadas com a contabilidade e documentos comprobatórios das despesas, a fim de afastar a utilização de mesma despesa em duplicidade, consoante aventado na decisão de primeira instância; 4.2) intimar a contribuinte a contrapor estas despesas à data efetiva das comunicações de abandono dos poços em questão; 4.3) em vista das respostas acima, a autoridade fiscal deverá proceder aos ajustes necessários para considerálas, enquanto não possível a baixa, ativadas no Ativo Diferido, e, em seguida, esclarecendo em que valores deveriam ter sido apropriadas, nos anos calendários de 2009, 2010, 2011 e 2012; 4.4) verificar a postergação do pagamento dos tributos exigidos nestes autos; 5) se a contabilidade e documentos apresentados pela recorrente inviabilizar a apuração dos fatos, prejudicando que a verdade material seja conhecida, resultando na impossibilidade da apuração das despesas incorridas com os poços secos, consoante defendido no acórdão recorrido, ou impedindo de apurarse a postergação dos tributos, a autoridade fiscal deverá esclarecer este ponto em relatório circunstanciado. A recorrente deverá tomar ciência do Relatório Conclusivo elaborado pela fiscalização e manifestarse a respeito em prazo regulamentar, se assim desejar. Após, os autos deverão retornar para julgamento. Fl. 1251DF CARF MF Processo nº 12448.731264/201361 Resolução nº 1302000.449 S1C3T2 Fl. 22 21 (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 1252DF CARF MF
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Numero do processo: 13975.000183/2010-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2202-000.716
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório, em parte, aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ), fl. 230 e seguintes, complementandoo ao final: Tratase de Notificação de Lançamento (fl. 05/11), no qual está sendo alterado o imposto de renda a restituir declarado pelo contribuinte no valor de R$ 1.849,44, para imposto de renda suplementar de R$ 10.392,78, acrescido de multa de ofício e juros de mora, relativo ao ano calendário 2007. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 75 .0 00 18 3/ 20 10 -7 8 Fl. 260DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13975.000183/201078 Resolução nº 2202000.716 S2C2T2 Fl. 261 2 O lançamento fiscal é decorrente de glosa de despesas médicas, no valor de R$ 39.388,70, por não atendimento a intimação para prestar esclarecimento e consequente falta de comprovação. Consta também da exigência fiscal omissão de rendimentos, no valor de R$ 16.067,20, das seguintes fontes pagadoras: a) Drogaria e Farmacia Gemballa Ltda, CNPJ 85.778.611/000118, sendo que na Dirf apresentada pela fonte pagadora o rendimento foi de R$ 30.285,00, e a contribuinte informou em sua declaração o valor de R$ 15.142,50, o que resultou na omissão de R$ 15.142,50. b) Banco ABN AMRO REAL SA, CNPJ 33.066.408/000115, sendo que a fonte pagadora informou em Dirf o valor de R$ 28.093,72 e consta da declaração do contribuinte o valor de R$ 27.169,02, o que ensejou a omissão de R$ 924,70. (...) Com relação à omissão de rendimentos, alega que se trata de rendimentos de aluguel. Que em decorrência da ausência do competente Informe de Rendimentos, veio a ocorrer erro de fato na informação da receita auferida. Cita que computou os valores que possuía em seus controles com evidente erro de fato, motivado pelo locatário. Que a falta de fornecimento dos rendimentos pela fonte pagadora não deve resultar em exigência da multa de ofício. Com relação a despesas médicas, alega que em decorrência de seu estado precário, a contribuinte era tratada em sua residência, por profissionais de enfermagem, fisioterapeutas e médicos, alem das internações hospitalares. Cita que os comprovantes não foram apresentados oportunamente mas que são agora anexados, e que as despesas devem ser admitidas na declaração de ajuste. Apresenta, fl. 7, relação com diversos pagamentos efetuados a titulo de despesas médicas, o que, a seu ver, totaliza um montante de R$ 63.406,70 e que por erro de fato informou valores menores em sua declaração, devendo ser aproveitados os valores não considerados.... Requer o cancelamento da exigência fiscal em sua integra e a retificação das despesas medicas de R$ 39.388,70 para R$ 63.406,70, conforme comprovantes em anexo. Em decorrência da ausência de atendimento à intimação por parte do contribuinte, o qual apresentou documentos somente em sede de impugnação, o processo foi encaminhado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau/SC, a qual emitiu Termo Circunstanciado e Despacho Decisório, fls. 192/195. (...) Informa que após revisão da documentação anexada, do total declarado a titulo de despesas médicas, R$ 39.388,70, restou comprovado o valor de R$ 20.140,70, sendo que deve permanecer a glosa do montante de R$ 19.248,00. Apresenta demonstrativo do imposto devido após a revisão, fl. 193, o qual passa para imposto suplementar de R$ 4.854,10. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13975.000183/201078 Resolução nº 2202000.716 S2C2T2 Fl. 262 3 Foi procedida a retificação do lançamento, conforme extrato de processo fl. 196. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade ao Despacho Decisório, fls. 201/219, no qual, em síntese apresenta os seguintes argumentos, conforme segue. Informa que o contrato de locação comercial objeto do rendimento tido como omitido não foi celebrado somente com a impugnante. Cita que anexa cópia dos contratos de locação em que são partes Aurena Maria Krieck, CPF 277.324.44868 e Enaura Maria Krieck de Iasi, CPF 625.625.76853. Que as informações apresentadas pelo locatário estão equivocadas e que este deveria ter informado os pagamentos para cada locador, por seus respectivos CPFs. Que a impugnante apresentou a tributação o valor de 50% dos rendimentos, não sendo responsável pela parte das demais locadoras. Cita que o pagamento do imposto correspondente aos 50% dos demais locadores já foram oferecidos à tributação, conforme declarações apresentadas à Receita Federal. No caso das despesas médicas, cita que as despesas efetivamente ocorreram e devem ser admitidas na declaração de ajuste, posto se tratar de erro de fato no computo das mesmas. Cita que informou valores menores do que o efetivamente gasto e apresenta relação de despesas médicas, fls. 212/213, o que somam um total dedutível de R$ 67.554,40. Sustenta a tese de que no caso de erro de fato é aceitável a retificação da declaração de rendimentos e discorre sobre o tema. Por ultimo requer que seja mantido o valor do aluguel declarado e alterado o valor das despesas médicas informadas na declaração de ajuste para R$ 67.554,40. A DRJ ao analisar a impugnação da contribuinte, manteve o determinado pela revisão de ofício procedida pela Delegacia da Receita Federal, em resumo, nos seguintes termos: 1 Verificase, portanto, que deve ser mantida a glosa das deduções declaradas a título de despesas médicas, por ausência de previsão legal para a dedutibilidade, relativos à prestação de serviço de enfermagem domiciliar, ainda que seja um gasto necessário à pessoa idosa e/ou enferma. 2 Compulsando os autos, se constata que não foram apresentados para exame os citados contratos de aluguel. Não consta também qualquer elemento de comprovação de que Aurena Maria Krieck, e Enaura Maria Krieck de Iasi, sejam proprietárias do imóvel alugado para a locatária Drogaria e Farmacia Gemballa Ltda, CNPJ 85.778.611/000118. Por definitivo, se constata que a fonte pagadora não procedeu qualquer retificação com relação aos valores informados em sua Dirf. Assim, considerando as discrepâncias de informações apresentadas pela impugnante, bem como a precariedade de suas alegações, as quais se mostram desacompanhadas de elementos de provas documentais, considero que deve ser mantida a exigência com relação a este fato gerador. Cientificada dessa decisão em 20/05/2013 (AR na folha 240), a contribuinte, através de inventariante (fl. 16), apresentou recurso voluntário em 18/06/2013. Em sede de Fl. 262DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13975.000183/201078 Resolução nº 2202000.716 S2C2T2 Fl. 263 4 recurso, alega, em suma, que a contribuinte encontravase enferma e evidente que seu estado requeria cuidados médicos; que as despesas com enfermagem, no valor de R$ 19.248,00 devem ser acatadas; requer ainda que seja aumentado o valor das despesas medicas dedutíveis, apresentadas na DIRPF, em face dos comprovantes em valor superior apresentados no curso desta lide. Com relação aos rendimentos de aluguel, diz que "as declarações de imposto de renda do exercício de 2008 das proprietárias e beneficiárias" Enaura Terezinha Krieck de Biaggi e Aurena Maria Krieck de Iasi, tratam do rendimento considerado "não declarado" na notificação de lançamento aqui em discussão. Diz ser desnecessária sua juntada, uma vez que tais declarações estão "em poder do Fisco". É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais disposições legais, dele tomo conhecimento. Neste momento, antes de proferir qualquer juízo de valor sobre a questão das despesas médicas, inclusive aquelas que a recorrente pretende aditar à sua declaração, na fase litigiosa do procedimento, entendo necessário ser tratada a "omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica" (rendimentos de aluguéis), descrita na Notificação de Lançamento, na folha 42. Como já assentou a DRJ, em relação à fonte ABN AMRO REAL S/A, não houve questionamento expresso e a questão está preclusa, nos termos do artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972. Porém, em relação à fonte Drogaria e Farmácia Gemballa Ltda, a contribuinte declarou um rendimento de R$ 15.142,50, quando a locatária informou em DIRF (fl. 191) um pagamento de R$ 30.285,00. Como se pode observar, a relação é de exatos 50%. Desde a impugnação, como registrado pela DRJ, a alegação da recorrente é de que o imóvel alugado não lhe pertencia integralmente e que declarou apenas a parcela que lhe coube dos rendimentos de aluguel. A alegação não foi aceita porque, primeiro, em fase preliminar a contribuinte havia alegado "erro de fato" e na impugnação estava alterando seu argumento; segundo porque não apresentava qualquer documentação que pudesse subsidiar suas alegações, sobre a existência de terceiros interessados e beneficiários da relação locatícia. A recorrente aponta, no recurso, que os outros 50% dos rendimentos de aluguel foram recebidos e declarados por Enaura Terezinha Krieck de Biaggi CPF: 625.625.76853 e por Aurena Maria Krieck de Iasi CPF: 277.324.44868. E razoável a alegação de que a DIRF tenha sido feita em nome apenas de um dos beneficiários, mesmo havendo três. Não seria a primeira vez que se veria situação como esta. Também admissível a alegação da recorrente de que não seria necessário que ela anexasse a declaração de rendimentos das outras duas beneficiárias, porque o Fisco as detém em seus arquivos. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13975.000183/201078 Resolução nº 2202000.716 S2C2T2 Fl. 264 5 Assim sendo, VOTO pela conversão do julgamento em diligência para que a DRF de origem providencie o seguinte: a) anexe a DIRPF/2008 da contribuinte recorrente, Helga Ana Cordeiro Krieck, que não localizei nestes autos; b) verifique nas DIRPF/2008 de Enaura Terezinha Krieck de Biaggi CPF: 625.625.76853 e Aurena Maria Krieck de Iasi CPF: 277.324.44868 se consta a informação de rendimentos recebidos da fonte DROGARIA E FARMACIA GEMBALLA LTDA, CNPJ: 85.778.611/000118 (fl. 42), e em que valores, elaborando relatório circunstanciado sobre as informações; c) verifique a existência de Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias – Dimob, para a contribuinte Helga Ana Krieck, relativa ao ano calendário de 2007, anexandoa a estes autos; d) dê ciência à recorrente (através da inventariante) sobre o resultado da diligência para, querendo, manifestarse no prazo legal, inclusive com a apresentação do contrato de aluguel ou registro da propriedade do imóvel locado, a fim de subsidiar suas alegações. Após, retornem os autos a este CARF para prosseguimento do julgamento. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 264DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 13855.002820/2010-15
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Dec 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
ADMISSIBILIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO. DIVERGÊNCIA NÃO DEMONSTRADA.
O recurso especial interposto, para ser conhecido, deve demonstrar, em cotejo entre a decisão recorrida e paradigma, que a legislação tributária foi interpretada de forma divergente. O descumprimento do requisito regimental, previsto no art. 67, Anexo II do RICARF, impede a admissibilidade do recurso.
Numero da decisão: 9101-002.463
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (relator), Rafael Vidal de Araújo e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
(Assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Relator e Presidente em Exercício
(Assinado digitalmente)
ANDRÉ MENDES DE MOURA - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal De Araujo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Nathália Correia Pompeu).
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 ADMISSIBILIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO. DIVERGÊNCIA NÃO DEMONSTRADA. O recurso especial interposto, para ser conhecido, deve demonstrar, em cotejo entre a decisão recorrida e paradigma, que a legislação tributária foi interpretada de forma divergente. O descumprimento do requisito regimental, previsto no art. 67, Anexo II do RICARF, impede a admissibilidade do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidos os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (relator), Rafael Vidal de Araújo e Demetrius Nichele Macei (suplente convocado). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. (Assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator e Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 28 20 /2 01 0- 15 Fl. 1522DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.523 2 (Assinado digitalmente) ANDRÉ MENDES DE MOURA Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal De Araujo, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Demetrius Nichele Macei (suplente convocado em substituição à conselheira Nathália Correia Pompeu). Relatório Por bem descrever os fatos, reproduzo parte do relatório da decisão recorrida, no que interessa à presente lide (efls. 1.401 a 1.432, destaques do original): Tratamse de Autos de Infração lavrados pela fiscalização federal, que cobra da empresa contribuinte IRPJ, CSLL, Pis e Cofins dos anoscalendário de 2005 a 2008, conforme as descrições abaixo: [...]. 3) Receita não operacional não escriturada, decorrente do acordo de associação com a Cardif, no qual houve acréscimo patrimonial obtido na aquisição de participação societária na Luizaseg. Em razão disso, lavraramse as seguintes autuações: [...]. Vejamos o resumo dos fatos no Termo de Verificação Fiscal trazido pela decisão da DRJ: [...]. 3) Foi celebrado, em 13/12/2005, Contrato de Aliança Estratégica entre o ML, a Cardif e a Cardif do Brasil Seguros e Previdência (que posteriormente alterou sua razão social para Luizaseg), para a criação de joint venture entre uma rede de varejo e uma seguradora de expressão mundial. Nesse acordo, ficou estipulado que a Cardif pagaria para o ML um montante de R$ 50.000.000,00 como contrapartida pelos direitos de exclusividade. Inicialmente, previuse que o ML participaria da Luizaseg comprando metade das ações pelo valor nominal de R$ 3.683.957,00, ao valor de R$ 1,00, passando a deter metade do capital social. Fl. 1523DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.524 3 Em seguida, houve aumento de capital com a emissão de duas ações com valor nominal de R$ 1,00 cada, classificadas como preferencial classe A (direito de receber dividendo especial de 25% do valor equivalente ao benefício fiscal gozado pela Luizaseg relativamente à amortização do goodwill de R$ 50.000.000,00) e B (direito de dividendo especial de 75% sobre a mesma base). A ação classe B foi integralizada pelo ML e, na subscrição da ação preferencial classe A pela Cardif, houve o pagamento de ágio de R$ 50.000.000,00 pela NCVP (empresa controlada integralmente pela Cardif). O acertado entre as partes foi de que o ML receberia, depois de aportar metade do capital social em valor igual ao integralizado pela Cardif, R$ 50.000.000,00 em espécie, e mais a participação societária de metade da seguradora formada Luizaseg, que atua nas dependências e com a clientela do ML. O desenho da realidade dos fatos indica que quem comprou o direito de exclusividade do ML foi a Cardif, de acordo com a página 5 do Contrato (fl. 331), no item Goodwill, para, em seguida, aportálo nos ativos da Luizaseg. Nessa operação foi que, a despeito de titularizar integralmente o direito de exclusividade, cede, a título contraprestacional, a metade do seu direito a fim de formar a “joint venture”. E, nessa ocasião, houve o acréscimo patrimonial do ML na metade da participação ganha na Luizaseg. Financeiramente, basta perceber que, no caixa da Luizaseg, a NCVP contribuiu com metade mais R$ 50.000.000,00 e que, não obstante esta contribuição, detém apenas metade da participação societária na empresa. Isto porque o ML contribuiu com o valor da cessão dos direitos da clientela, pelo qual recebeu também a participação societária. Caso não houvesse a montagem da “joint venture”, o valor de venda do direito de exclusividade da clientela, a fim de que fossem oferecido os planos de seguro, seria outro, eis que na empresa que explorasse este direito, o ML não teria qualquer participação. Assim, o ML teve dois acréscimos patrimoniais, vale dizer: um monetário, de R$ 50.000.000,00; e outro não monetário, de R$ 25.000.0000,00, no valor da metade da participação societária ganha com a injeção de capital exclusiva pela NCVP. Por fim, a descaracterizar a existência do ágio descrito no acordo, cabe trazer a informação da integralização, pelas duas acionistas da Luizaseg, da quantia de R$ 1.357.728,00, ocorrida em 14/08/2006. Na ocasião, houve a deliberação societária de aprovar o aumento de capital social em R$ 2.715.456,00, com a emissão de 2.715.456 ações ordinárias nominativas ao preço de R$ 1,00 (fl. 419). As partes integralizaram ações ao valor nominal em partes iguais, implicando igualdade de participação societária, fato completamente diferente daquele visto anteriormente em que uma paga ágio em favor da outra. [...]: Fl. 1524DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.525 4 [...]. Intimada dos Autos de Infração em 24/11/2010, a contribuinte apresentou impugnação em 23/12/2010, alegando, em síntese, que: [...]. • Aliança Estratégica com a Cardif Item 2.3 do Termo: O Magazine Luíza e a Cardif acordaram em estabelecer uma aliança estratégica, que se perfaz numa estrutura híbrida composta por: 1) uma joint venture, que se dedicará ao desenvolvimento, venda e administração de garantias estendidas para qualquer tipo de produto vendido no Brasil, por meio da rede de distribuição do Magazine Luiza S/A; e 2) uma parceria para desenvolver, vender e administrar qualquer tipo de produtos de seguro, com exclusividade, por meio do telemarketing ou diretamente nos estabelecimentos do Magazine Luiza (conforme contrato de aliança estratégica anexo, doc. 08); Referida Joint venture deuse por meio de estrutura societária envolvendo a Cardif (que detinha integralmente as ações da Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A), que tinha participação na NCVP. A Cardif, em assembléia da NCVP (doc. 09), aprovou aumento de capital desta sociedade em R$ 57.367.914,00 (com emissão de 57.367.914 ações ordinárias) e, ato subsequente, a NCVP vendeu 50% das ações na Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A para o Magazine Luiza S/A, ao valor de R$ 3.683.957,00 (doc. 10). Em seguida, o Magazine Luiza e a NCVP deliberaram o aumento de capital da Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A num valor de R$ 2,00, mediante a emissão de 1 ação preferencial classe A e 1 ação preferencial classe B, cada uma valendo R$ 1,00 (doc. 11). A ação preferencial classe A foi integralizada pela NCVP, que pagou um ágio na subscrição de R$ 50 milhões, num total integralizado de R$ 50.000.001,00, e a ação preferencial classe B foi integralizada pelo Magazine Luiza por R$ 1,00. Tais ações dão direito a dividendo especial, relativo à distribuição de eventual benefício fiscal alcançado pela Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A na amortização do referido ágio. A Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A, finalmente, tem sua razão social alterada para Luizaseg Seguros S/A, conforme Acordo de Acionistas datado de 13/12/2005 (doc. 12). A par do ágio pago na subscrição, a Cardif (sociedade francesa) se compromete a pagar R$ 50 milhões para o Magazine Luiza S/A, em remuneração pela cessão do direito de exclusividade de distribuição das garantias estendidas. O contrato de Aliança Estratégica, em sua cláusula 6.1, explicita que, embora a Cardif se comprometa a tal pagamento, considerando que será a Luizaseg quem será a beneficiada pelos direitos de Fl. 1525DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.526 5 exclusividade, será esta a responsável pelo pagamento, que ocorrerá em duas parcelas de R$ 25 milhões. Desta maneira, a NCVP subscreve a ação preferencial classe A com ágio, e os recursos provenientes dessa subscrição serão utilizados pela sociedade investida (Luizaseg) para honrar o compromisso de remunerar o Magazine Luiza S/A pela cessão do direito de exclusividade. Notese que são dois momentos jurídicos distintos: 1) a subscrição com ágio pela NCVP na Luizaseg; e 2) o pagamento pela Luizaseg de R$ 50 milhões, em duas parcelas de R$ 25 milhões, ao Magazine Luiza. A fim de operacionalizar tal aliança estratégica, cinco são os documentos fundamentais: 1) Contrato de Aliança Estratégica; 2) Acordo de acionistas; 3) Acordo Operacional; 4) Contrato de Distribuição; 5) Contrato de Prestação de Serviços. • Subscrição com ágio e os efeitos no Magazine Luiza S/A: Equivalência Patrimonial A subscrição da ação preferencial A pela NCVP, com ágio de R$ 50 milhões na Luizaseg, foi contabilizado como reserva de capital (doc. 16). O Magazine Luiza S/A, detentor de 50% da Luizaseg, avaliou esse investimento pelo Método da Equivalência Patrimonial (MEP), ressaltandose que o resultado obtido por esse método não deve compor o lucro real, e não deve ensejar efeitos tributários quanto ao IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, esses dois últimos com fundamento nos arts. 1º , § 3º , V, “b”, das Leis nºs 10.833, de 2003, e 10.637, de 2002. • Da Remuneração pelo Direito de Exclusividade pago pela Luizaseg: o chamado “Goodwill”: “Goodwill”, nos termos do Contrato de Aliança Estratégica, é o montante de R$ 50 milhões pago pela Cardif ao Magazine Luiza S/A, em contrapartida aos direitos de exclusividade na distribuição de produtos de seguro e produtos ampliados de seguro, ou seja, não se trata de ágio. Tal valor foi pago pela Luizaseg ao Magazine Luiza, e foi oferecido à tributação, conforme trânsito pelo resultado, em duas parcelas de R$ 25 milhões, atestado por seu Razão contábil (doc. 17). Assim, por tudo quanto exposto no que tange à Aliança Estratégica firmada, não há que prosperar a pretensão da fiscalização quanto à constituição dos créditos tributários pertinentes ao IRPJ e CSLL. [...]. A DRJ manteve o lançamento fiscal nos seguintes termos, reconhecendo inclusive como extintos os débitos fiscais pagos pela empresa no curso do processo administrativo: [...]. Fl. 1526DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.527 6 Aliança Estratégica com a Cardif. A contribuinte alega que é detentora de 50% da Luizaseg e avaliou esse investimento pelo Método da Equivalência Patrimonial (MEP), ressaltandose que o resultado obtido por esse método não deve compor o lucro real e não deve ensejar efeitos tributários. A esse respeito, cabe registrar, conforme consta no TVF, que, na associação com a Cardif para a formação da “joint venture”, a contribuinte, depois de aportar metade do capital social em valor igual ao integralizado por aquela empresa, receberia R$ 50.000.000,00 e mais a participação societária de metade da seguradora formada, a Luizaseg. Referido valor de R$ 50 milhões, pago em contrapartida aos direitos de exclusividade na distribuição de produtos de seguro e produtos ampliados de seguro, conforme esclarece a contribuinte, foi oferecido à tributação, conforme trânsito pelo resultado, em duas parcelas de R$ 25 milhões, atestado por seu razão contábil (doc. 17). Informa o autuante que, na realidade, quem comprou o direito de exclusividade do ML foi a Cardif, conforme consta no contrato à fl. 331, para, em seguida, aportálo nos ativos da Luizaseg. Financeiramente, no caixa da Luizaseg a NCVP contribuiu com metade mais R$ 50.000.000,00 e, não obstante essa contribuição, detém apenas metade da participação societária na empresa. Isto porque o ML contribuiu com o valor da cessão dos direitos da clientela, pelo qual recebeu também a participação societária. Relata a fiscalização que, caso não houvesse a montagem da “joint venture”, o valor de venda do direito de exclusividade da clientela, a fim de que fosse oferecido os planos de seguro, seria outro, pois, na empresa que explorasse este direito, o ML não teria qualquer participação. Assim, o ML teve dois acréscimos patrimoniais: um monetário, de R$ 50.000.00,00, e outro não monetário, de R$ 25.000.000,00, no valor da metade da participação societária ganha com a injeção de capital exclusiva pela NCVP. Acrescenta que, descaracterizando a existência do ágio descrito no acordo, ocorreu a integralização, em 14/08/2006, em partes iguais, pelas duas acionistas da Luizaseg, da quantia de R$ 1.357.728,00, implicando igualdade de participação societária, fato completamente diferente daquele visto anteriormente. Constatou o autuante que a investidora NCVP não considerou, como ágio, a parcela de R$ 25.000.000,00, subscrita pela ação preferencial classe A, a despeito do contrato assim considerar, e considerou como indedutíveis as deduções anuais no valor de R$ 5.000.000,00, amortizadas do ágio, isso porque essa parcela do chamado “goodwill” foi acrescida ao patrimônio do ML sem a correspondente tributação. Fl. 1527DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.528 7 Verificase, do exposto, que não se trata de receita de equivalência patrimonial, mas sim de receita não operacional auferida na formação da “joint venture”, sujeita à tributação. Inicialmente, a riqueza da impugnante (ML) era constituída por 50% de 7.367.914 ações ao valor de R$ 1,00, ou seja, possuía 3.683.957 ações por R$ 3.683.957,00. No instante seguinte, passa a ser proprietária de R$ 50.000.000,00 (cinquenta milhões de reais) em espécie, e ainda 50% de 7.367.916 ações, só que agora majoradas para R$ 57.367.916,00 de sorte que seus 50% correspondem a R$ 28.683.958,00. Ora, quando comparadas as riquezas que a contribuinte possuía antes e depois do momento aqui referido, é inequívoco que sua riqueza cresceu de R$ 3.683.957,00, para R$ 28.683.958,00, ou seja, adquiriu a disponibilidade econômica relativamente [à] importância de R$ 25.000.001,00. Correta, portanto, a sua tributação e a exigência do IRPJ e CSLL. [...]. A contribuinte foi intimada em 25 de julho de 2011. Inconformada com a decisão, interpôs Recurso Voluntário em 23 de agosto de 2011, alegando, em síntese, que: Fatos e acusação fiscal quanto ao item 2.3 do TVF Aliança Estratégica com a Cardif S/A (“Cardif”) Item 2.3 do Termo Conforme entendimento do Sr. AuditorFiscal, foi firmado Contrato de Aliança Estratégica, em 13.12.2005, entre a Recorrente, a Cardif e a Cardif do Brasil Seguros e Previdência S/A (“Cardif do Brasil”). Entendeu a Fiscalização tratarse de joint venture entre a rede de varejo, ora Recorrente, e uma seguradora de expressão mundial. Nestes termos, afirmouse que havia “de um lado, a rede varejista de escala nacional trouxe as centenas de pontos de venda de mercadorias e produtos financeiros presentes em vários estados com a sua clientela”, enquanto “de outra parte, a seguradora de origem francesa disponibilizará seus conhecimentos na área de seguros” (item 2.3 do Termo de Verificação Fiscal). Observou o Sr. AuditorFiscal, em sua análise, que, nos pontos de venda da Recorrente, ficou consignado o direito de exclusividade no oferecimento de produtos de seguro. Identificou também que ficou estabelecido o pagamento de montante sob a rubrica de “goodwill” pela Cardif à Recorrente por tal cessão de direito de exclusividade. A forma do pagamento de referida monta estaria descrita no Anexo D do Contrato de Aliança Estratégica. Nas palavras e no entendimento do Sr. Auditor Fiscal, assim teriam se dado os fatos: “Este pagamento direto da Cardif para a fiscalizada foi feito na forma preconizada no anexo D do Contrato de Aliança Fl. 1528DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.529 8 Estratégica. Inicialmente previuse que o ML participaria da empresa Luizaseg, comprando a metade das ações de emissão da sociedade pelo valor nominal de R$ 3.683.957,00, ao valor de R$ 1,00 por ação, passando a deter metade do capital social. Em seguida, houve o aumento de capital com a emissão de duas ações emitidas com valor nominal de R$ 1,00 cada, classificadas como preferencial classe A e B. Cabe destacar que ambas possuem direitos distintos, pois a preferencial classe A tem direito a receber um dividendo especial de 25% do valor equivalente ao benefício fiscal gozado pela Luizaseg relativamente à amortização do goodwill pago de R$ 50.000.000,00. Já a preferencial classe B tem direito ao dividendo especial de 75% sobre a mesma base. Destarte, a ação preferencial classe B, integralizada pelo ML, tem valor significativamente maior do que a integralizada pela Cardif na contramão do ágio pago. Na subscrição da ação preferencial classe A houve o pagamento de ágio no valor de R$ 50.000.000,00 pela NCVP, empresa controlada integralmente pela Cardif. Por sua parte, o Magazine Luiza subscreveu a sua ação preferencial classe B pelo valor de R$ 1,00. Mesmo ao final desta subscrição, em que ambas aportaram quantias tão díspares, os investidores permaneceram com metade da participação societária. A diferença abissal foi o pagamento de ágio por apenas uma delas. Assim está descrito no citado Contrato de Aliança Estratégica.” (item 2.2.1 do Termo de Verificação Fiscal) Sob a perspectiva do Sr. AuditorFiscal, “o artificialismo fica claro”, na medida em que “soa desarrazoado imaginar tamanha perda de uma parte em detrimento do ganho de outra corporação”. Em sua leitura, referido ágio não é mais do que “parte do preço pago pela Cardif no Contrato de Aliança Estratégica”. De modo a respaldar seu racional, a Fiscalização traz à baila informações contábeis da NCVP Participações Societárias S/A (“NCVP”), publicadas no Diário Oficial do Estado de São Paulo. Nelas se verifica que a NCVP reconheceu, como investimento, na Luizaseg Seguros S/A (“Luizaseg”), a quantia de R$ 25 milhões, sendo somente os R$ 25 milhões reconhecidos como ágio. Em seu entendimento, essa seria uma prova de que, em verdade, não houve subscrição da ação preferencial classe B pela NCVP com ágio de R$ 50 milhões, justamente por não corresponder tal valor a efetivo ágio. Outro argumento utilizado pelo Sr. AuditorFiscal para sustentar seu ponto de vista, seria o fato de que a NCVP considerou indedutíveis as deduções anuais no valor de R$ 5 milhões, correspondentes à amortização do ágio então registrado. Por fim, sustentou a Fiscalização que o reflexo contábil da participação societária na Recorrente, como receita não operacional, registrada sob a rubrica “Receita de Equivalência Patrimonial”, está equivocado. Isto porque, em seu entender, Fl. 1529DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.530 9 “não se trata de receita de equivalência patrimonial. Mas sim, consoante retro identificado, representa a parcela do ganho de metade da participação societária na Luizaseg, negociada na aliança estratégica.” No que tange a este terceiro tópico, especificamente, foram constituídos os seguintes créditos tributários: [...]. II.2 Aliança Estratégica com a Cardif Item 2.3 do Termo A respeito deste tópico, entendeu a Turma Julgadora, no mesmo sentido das Autoridades Fiscais, que a Recorrente não ofereceu à tributação o montante de R$ 25 milhões, que teria acrescido ao seu patrimônio. Nesses termos, eis o que consignou a Turma Julgadora: “Verificase, do exposto, que não se trata de receita de equivalência patrimonial, mas sim de receita não operacional auferida na formação de ‘joint venture’, sujeita à tributação. Inicialmente, a riqueza da Impugnante (ML) era constituída por 50% de 7.367.914 ações ao valor de R$ 1,00, ou seja, possuía 3.683.957 ações por R$ 3.683.957,00. No instante seguinte, passa a ser proprietária de R$ 50.000.000,00 (cinquenta milhões de reais) em espécie, e ainda 50% de 7.637.916 ações, só que agora majoradas para R$ 57.367.916,00 de sorte que seus 50% correspondem a R$ 28.683.958,00. Ora, quando comparadas as riquezas que a contribuinte possuía antes e depois do momento aqui referido, é inequívoco que sua riqueza cresceu de R$ 3.683.957,00 para R$ 28.683.958,00, ou seja, adquiriu a disponibilidade econômica relativamente à importância de R$ 25.000.000,00.” (fls. 960 e 961 dos autos) Contudo, não pode subsistir a alegação da Turma Julgadora, haja vista que, como já expresso na impugnação, o montante de R$ 25 milhões, registrado na contabilidade da Recorrente, ao qual fazem referência a Autoridade Fiscal e os Srs. Julgadores, não configura receita tributável, e, sim, resultado positivo de equivalência patrimonial, sem quaisquer efeitos tributários. Ademais, o valor de R$ 50 milhões pago pela Luizaseg, em duas parcelas de R$ 25 milhões, como remuneração pela cessão do direito de exclusividade de distribuição das garantias estendidas, foi levado a resultado pela Recorrente, sendo devidamente tributado, conforme os ditames da legislação tributária. A Recorrente e a Cardif acordaram em estabelecer uma Aliança Estratégica (“Aliança Estratégica”), que se perfaz numa estrutura híbrida composta por: (i) uma joint venture, dedicada ao desenvolvimento, venda e administração de garantias estendidas para qualquer tipo de produto vendido no Brasil através da rede de distribuição (i.e. lojas) da Recorrente; e (ii) uma parceria para desenvolver, vender e administrar qualquer tipo de produtos de Fl. 1530DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.531 10 seguro, com exclusividade, por meio do telemarketing ou diretamente nos estabelecimentos da Recorrente (conforme Contrato de Aliança Estratégica que se encontra nos autos do processo administrativo de que se trata). Referida joint venture se deu por meio de estrutura societária envolvendo a Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A, cujas ações eram inicialmente integralmente detidas pela Cardif e suas afiliadas. Além da Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A, a Cardif também tem participação societária na NCVP. A estrutura societária em comento tem início na aprovação, pela Cardif, em assembléia de acionistas da NCVP, de aumento de capital desta sociedade em R$ 57.367.914,00, mediante a emissão de 57.367.914 ações ordinárias. Tal montante seria integralizado (i) R$ 50 milhões em dinheiro; e (ii) R$ 7.367.914,00 por meio da transferência das ações então detidas pela Cardif na Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A para NCVP. Ato subsequente, a NCVP vendeu 50% das ações na Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A para a Recorrente, ao valor de R$ 3.683.957,00, operação que foi devidamente comprovada pela juntada do respectivo contrato aos autos do processo, em sede de impugnação. Uma vez adquiridos 50% das ações da Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A pela Recorrente, esta e NCVP deliberaram o aumento de capital da referida sociedade num valor R$ 2,00, mediante a emissão de 1 ação preferencial classe A e 1 ação preferencial classe B, cada uma valendo R$ 1,00. A ação preferencial classe A foi integralizada pela NCVP, que pagou um ágio na subscrição de R$ 50 milhões, num total integralizado de R$ 50.000.001,00. Já a ação preferencial classe B foi integralizada por R$ 1,00 pela Recorrente. Tais ações dão direitos a dividendo especial, relativo à distribuição de eventual benefício fiscal alcançado pela Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A na amortização do referido ágio. A Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A, finalmente, tem sua razão social alterada para Luizaseg Seguros S/A (já identificada para fins do presente recurso voluntário simplesmente como “Luizaseg”), conforme cláusula 3.3 do Acordo de Acionistas datado de 13.12.2005, devidamente juntado aos autos do presente processo administrativo. A par do ágio pago na subscrição, a Cardif (sociedade francesa) se comprometeu a pagar R$ 50 milhões para a Recorrente, em remuneração pela cessão do direito de exclusividade de distribuição das garantias estendidas. O Contrato de Aliança Estratégica, em sua cláusula 6.1, explicita que, embora a Cardif tenha se comprometido a tal pagamento, considerandose que a Luizaseg seria a empresa beneficiada pelos direitos de Fl. 1531DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.532 11 exclusividade, a ela caberia a responsabilidade pelo pagamento, que ocorreria em duas parcelas de R$ 25 milhões. Desta maneira, NCVP subscreve a ação preferencial classe A com ágio, e os recursos provenientes dessa subscrição são utilizados pela sociedade investida (i.e. Luizaseg, antes Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A) para honrar o compromisso de remunerar a Recorrente pela cessão do direito de exclusividade. Notese que, embora possa se argumentar que “o dinheiro seja o mesmo”, dois momentos jurídicos distintos estão relacionados ao evento: (i) a subscrição com ágio pela NCVP na Luizaseg; e (ii) o pagamento pela Luizaseg de R$ 50 milhões, em duas parcelas de R$ 25 milhões, à Recorrente. Este ponto será retomado oportunamente. É importante, ainda, ter em mente que, a fim de operacionalizar tal Aliança Estratégica, cinco são os documentos fundamentais, os quais foram apresentados pela Recorrente no momento da impugnação: (i) Contrato de Aliança Estratégica, datado de 13.12.2005, firmado entre a Recorrente, Cardif e Cardif do Brasil, com o objetivo de desenvolver e distribuir produtos de seguro e garantias estendidas com exclusividade na rede de distribuição da Recorrente; (ii) Acordo de Acionistas (Anexo B ao Contrato de Aliança Estratégica), firmado entre a Recorrente e Cardif, que regula a relação de ambas no que tange às suas participações societárias na Luizaseg (atual razão social da Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A); (iii) Acordo operacional, firmado entre a Recorrente e Cardif do Brasil para desenvolver, vender e administrar qualquer tipo de produtos de seguro vendidos no Brasil através da rede de distribuição da Recorrente. Neste sentido, dentro do conceito de estrutura híbrida da Aliança Estratégica acima referido, este Acordo operacional perfaria a chamada parceria entre a Recorrente e Cardif; (iv) Contrato de Distribuição, firmado entre a Recorrente e Luizaseg (ainda antes da mudança de sua razão social para tal), de modo a regular o relacionamento entre ambas no que tange ao desenvolvimento, comércio e administração das garantias estendidas para qualquer produto comercializado na rede de distribuição da Recorrente. Tendo em mente a estrutura híbrida supra referida, tal Contrato de Distribuição está relacionado à joint venture, que é a própria Luizaseg; (v) Contrato de Prestação de Serviços, firmado entre Luizaseg (ainda antes da mudança da razão social) e Cardif do Brasil. Tal Contrato se justifica pelo fato de que a Luizaseg não tem sua própria estrutura para desenvolver as atividades que lhe competem dentro da Aliança Estratégica firmada. Desta forma, conta com a prestação de serviços da Cardif do Brasil para Fl. 1532DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.533 12 atingir esse objetivo. Referida prestação abarca os seguintes serviços: backoffice, call center, processamento e manutenção de tecnologia da informação, gestão de contenciosos (jurídico), contabilidade e tesouraria, auditoria interna e atuariais. Mais uma vez, dentro da lógica da estrutura híbrida, este Contrato estaria relacionado à joint venture, que é a própria Luizaseg, tomadora dos serviços em questão. II.2.1 Da Subscrição com Ágio e os efeitos na Recorrente: Equivalência Patrimonial Como visto anteriormente, houve, de fato, a subscrição da ação preferencial A pela NCVP com ágio de R$ 50 milhões na Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A (posteriormente, Luizaseg). Referido valor foi contabilizado, como de fato é devido, pela Luizaseg (então sociedade investida), em reserva de capital. A questão que emerge, e que será enfrentada nos subtópicos seguintes, é o efeito que referida subscrição gera, reflexamente, por equivalência patrimonial, na Recorrente, detentora de 50% da Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A (posteriormente, Luizaseg). Equivocado está o Sr. AuditorFiscal, ao entender que referido valor é pagamento de preço pela Cardif à Recorrente. Da mesma forma, não procede a alegação da Turma Julgadora de que se está, no caso concreto, diante de “receita não operacional auferida na formação da ‘joint venture’, sujeita à tributação”. (fls. 960 dos autos) Em verdade, conforme descritivo supra, houve, sim, o pagamento de uma remuneração pela cessão do direito de exclusividade pela Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A (posteriormente, Luizaseg) à Recorrente. E essa remuneração, como se demonstrará no tópico II.2.2 infra, foi efetivamente levada a resultado pela Recorrente e tributada nos termos da legislação em vigor. No entanto, os reflexos decorrentes da avaliação do investimento da Recorrente na Luizaseg, por equivalência patrimonial, são neutros fiscalmente. (...) Assim, os efeitos reflexos na Recorrente, em observância do MEP, pela variação do patrimônio líquido (no caso específico, registro de R$ 50 milhões em reserva de capital) da Luizaseg, sua coligada, não deve ensejar efeitos tributários de qualquer natureza (IRPJ, CSLL, PIS ou COFINS), motivo pelo qual não podem prosperar as autuações fiscais em questão, tampouco as alegações da Turma Julgadora que as mantiveram. II.2.2 Da Remuneração pelo Direito de Exclusividade pago pela Luizaseg: o chamado “Goodwill” “Goodwill”, nos termos do Contrato de Aliança Estratégica, é o montante de R$ 50 milhões pago pela Cardif à Recorrente, em contrapartida aos direitos de exclusividade na distribuição de Fl. 1533DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.534 13 produtos de seguro e produtos ampliados de seguro; ou seja, não se trata do conceito decorrente da tradução literal do termo para o português: “ágio”. O mesmo Contrato, em sua cláusula 6.1, no entanto, estabelece que “tendo em vista que a Sociedade (Luizaseg, outrora Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A) é quem será beneficiada pelos direitos de exclusividade (...), a Sociedade então pagará ao ML o valor correspondente a tal Goodwill, em duas parcelas (...)”, tudo nos termos ainda mais explícitos do Anexo D do referido Contrato. Importante destacar, mais uma vez, que o pagamento realizado pela Luizaseg à Recorrente corresponde à remuneração desta pela cessão do direito de exclusividade na exploração da sua rede de distribuição na distribuição dos produtos de seguro. E referida remuneração foi devida e corretamente oferecida à tributação, conforme trânsito pelo resultado da Recorrente, em duas parcelas de R$ 25 milhões, tal como acordado entre as partes, e conforme atesta seu razão contábil, já juntado aos autos do processo administrativo ora discutido. Assim, por tudo quanto exposto no que tange à Aliança Estratégica firmada, não há que prosperar a pretensão da Fiscalização quanto à constituição de créditos tributários pertinentes a IRPJ e CSLL, devendo a decisão recorrida ser reformada por este E. Conselho. [...]. Em sessão de julgamento realizada por essa Colenda Turma, entendemos pela baixa dos autos em diligência, para certificarmos que os dois valores pagos pela Luizaseg foram tributados pela autuada. Vejamos a decisão: Antes de adentrar ao julgamento, a Recorrente aponta, em seus petitórios, a informação de que teria tributado, em duas oportunidades, os valores relativos ao pagamento da carteira de clientes paga pela Luizaseg, perfazendo o montante de R$ 50 milhões. Vejamos: Importante destacar, mais uma vez, que o pagamento realizado pela Luizaseg à Recorrente corresponde à remuneração desta pela cessão do direito de exclusividade na exploração da sua rede de distribuição na distribuição dos produtos de seguro. E referida remuneração foi devida e corretamente oferecida à tributação, conforme trânsito pelo resultado da Recorrente, em duas parcelas de R$ 25 milhões, tal como acordado entre as partes, e conforme atesta seu razão contábil, já juntado aos autos do processo administrativo ora discutido. Fl. 1534DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.535 14 A contribuinte juntou, em seus petitórios, cópia do Livro Razão, que contempla a adição de dois valores de R$ 25 milhões em conta de resultado, informando da tributação dos valores pagos à autuada. Não tenho dúvidas de que a autuação fiscal que exige os tributos objeto do lançamento se baseou em um desses dois pagamentos de R$ 25 milhões, pois os mesmos não foram contabilizados pela autuada. Já o valor relativo ao método de equivalência patrimonial, no mesmo montante de R$ 25 milhões, fora escriturada pela autuada, ou seja, houve o registro na contabilidade da Recorrente, não sendo esse o valor objeto da autuação, pois a acusação fiscal aponta a seguinte descrição: 3) Receita não operacional não escriturada, decorrente do acordo de associação com a Cardif, no qual houve acréscimo patrimonial obtido na aquisição de participação societária na Luizaseg. Diante disso, como forma de termos a certeza de que os dois valores pagos pela Luizaseg foram tributados pela autuada, o primeiro pagamento, no valor de R$ 25 milhões, registrado em 21 de dezembro de 2005 no Livro Razão, e o segundo pagamento, no valor de R$ 25 milhões, registrado em 30 de junho de 2006, conforme informação extraída no documento 17 da defesa administrativa (fls. 942 e 943 dos autos), entendo pela baixa dos autos em diligência, para que a fiscalização ateste e confirme a tributação desses dois pagamentos. Essa decisão foi duramente criticada pela fiscalização e pela Procuradoria da Fazenda Nacional, considerando erro desses julgadores em considerar que foi autuado um dos R$ 25 milhões relativos ao ágio pago, ao invés de considerar o valor de R$ 25 milhões escriturado como não passível de tributação em razão do Método de Equivalência Patrimonial, apresentado relatório e petições nesse sentido. Com todo o respeito à fiscalização e à Procuradoria em relação aos seus comentários e indignações, mas a questão foi respondida pela fiscalização de forma muito econômica no sentido de considerar que a Recorrente levou à conta de resultado e tributou os dois valores de R$ 25 milhões cada, pagos a título de ágio, a despeito de tentar sustentar que a autuação se deu em relação ao valor não tributado em razão do MEP. A resposta dada pela diligência é suficiente para a formação da convicção e julgamento por este Relator. A Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF proferiu o Acórdão nº 1201001.070, de 26 de agosto de 2014, cujas ementa e decisão transcrevo, respectivamente, no que interessa à presente lide (efls. 1.400 e 1.401): ERRO NO LANÇAMENTO QUANTO À RECEITA NÃO OPERACIONAL NÃO ESCRITURADA Fl. 1535DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.536 15 A fiscalização autuou, como receita não operacional não escriturada, valores que passaram pela conta de resultado decorrentes de ágio. Se a intenção da fiscalização era autuar ganho patrimonial registrado nos termos do Método de Equivalência Patrimonial, não descreveu dessa forma no lançamento fiscal. [...]. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, MANTIVERAM a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos o Relator e os Conselheiros João Carlos de Lima Junior e Luis Fabiano Alves Penteado. Designado o conselheiro Roberto Caparroz de Almeida para redigir o voto vencedor. Quanto às demais questões, por unanimidade de votos, DERAM provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator. Da referida decisão, destaco os seguintes trechos de seu voto condutor, quanto à matéria em litígio, no que interessa à presente lide (efls. 1.432 e 1.440): O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Apenas para fins de limitar o escopo do que restou nos autos para serem julgados, cumpre registrar que o presente acórdão enfrentará os seguintes argumentos trazidos pelo Recorrente, sendo que os demais decorrem de parte do débito fiscal quitado pela contribuinte, não fazendo mais parte desta presente lide. Ficaram para ser analisados neste Recurso: [...]; c) Aliança com a Cardif Item 2.3 do TVF, em que se analisa a subscrição com ágio e a remuneração do direito de exclusividade; [...]. Seguiremos a ordem acima mencionada: [...]. B.2) DA ALIANÇA COM A CARDIF Quanto à aliança com a CARDIF, cumpre analisar alguns pontos da operação. A recorrente alega que é detentora de 50% da Luizaseg e avaliou esse investimento pelo MEP, ressaltando que o resultado obtido por esse método não deve compor o lucro real e não deve ensejar efeitos tributários. Os fatos denotam que a Recorrente, depois de aportar metade do capital social em valor igual ao integralizado pela Cardif, Fl. 1536DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.537 16 receberia R$ 50 milhões e mais a participação societária de metade da seguradora Luizaseg. O razão contábil da empresa atesta que os R$ 50 milhões foram pagos em contrapartida aos direitos de exclusividade na distribuição de produtos de seguro. A baixa em diligência atestou, inclusive, que a Recorrente levou à tributação os R$ 50 milhões pagos, em conta de resultado, sofrendo, portanto, a tributação, pois o valor entrou como receita do exercício e compôs a apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL. Ao analisarmos a acusação fiscal, a fiscalização é clara em autuar o valor não registrado pela Recorrente, que é justamente os R$ 50 milhões decorrentes da aquisição dos direitos de exclusividade na distribuição de produtos do seguro, pois os outros R$ 25 milhões foram registrados e contabilizados sem tributação, em razão da sistemática do Método de Equivalência Patrimonial. Diante disso, se, em algum momento, a fiscalização tributou o valor dos R$ 25 milhões relativos ao ganho quanto ao MEP, não constou essa descrição no lançamento fiscal, pois, ao nos depararmos com a imputação fiscal e descrição do fato jurídico tributado no lançamento, a autuação se deu em relação à receita não operacional não escriturada: 3) Receita não operacional não escriturada, decorrente do acordo de associação com a Cardif, no qual houve acréscimo patrimonial obtido na aquisição de participação societária na Luizaseg. Portanto, se a fiscalização pretendeu, em algum momento, tributar o acréscimo patrimonial ou ganho na empresa autuada, o fez de forma errada, pois descreveu fatos que não condizem com os fundamentos e descrições trazidas no lançamento fiscal, tratando o valor como receita não operacional não escriturada de forma incorreta. Foram interpostos embargos de declaração pela Fazenda Nacional (efls. 1.446 a 1.450), não admitidos (efls 1.456 a 1.462). Inconformada, a Fazenda Nacional apresenta recurso especial por divergência, argumentando, em síntese (efls. 1.464 a 1.471): a) que é nula a decisão recorrida, em virtude da falta de fundamentação; b) que a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF deu provimento parcial ao recurso voluntário, embora não tenha se manifestado expressamente no voto sobre os fatos arguidos pela Fazenda Nacional no documento de efls. 1.389; c) que a Turma rejeitos os embargos de declaração apresentados pela Fazenda Nacional, questionando essa omissão; Fl. 1537DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.538 17 d) que a decisão recorrida divergiu de acórdãos paradigmas que defendem a anulação da decisão que não aprecia todas as razões de inconformidade; e) que, no caso dos acórdãos paradigmas, a decisão anulada foi a proferida pela DRJ, no entanto, o mesmo raciocínio cabe para o CARF; f) que este Tribunal tem a obrigação de apreciar as razões levantadas pela União, sob pena de violação do direito de ampla defesa; g) que, como a Turma não se manifestou expressamente sobre o requerimento de efls. 1.389, concluise, levando em consideração o entendimento dos paradigmas, que o item B.2 do julgado recorrido deve ser anulado, por cerceamento do direito de defesa da União; e h) que, na remota hipótese dessa Câmara não acolher o entendimento anterior, o julgamento recorrido divergiu também do posicionamento de outras Câmaras que defendem que a imprecisão na descrição dos fatos geradores, ou seja, a contrariedade ao art. 142 do CTN, gera nulidade por vício formal; e i) que o acórdão recorrido mostrase equivocado, pois a falha apontada pelo relator acarreta a anulação por vício formal do item 002 do auto de infração (que corresponde ao item “B.2 Da aliança com a CARDIF” do acórdão recorrido), e não o seu cancelamento. O recurso foi admitido pelo presidente da Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF. Do correspondente despacho de exame de admissibilidade de recurso especial, transcrevo o seguinte trecho (efls. 1.478 e 1.479): NULIDADE POR OMISSÃO Compulsando os autos, observase que o primeiro exame do recurso voluntário resultou na Resolução nº 1201000.111, de 07/08/2013, demandando realização de diligência pela Delegacia de origem (efls. 1226/1255). Cumprida a diligência, a contribuinte apresentou manifestação em relação às suas conclusões (efls. 1279/1384), complementando o recurso voluntário que havia interposto anteriormente. Da mesma forma, após ser cientificada do resultado da diligência, a PGFN ingressou com petição para registrar os esclarecimentos que entendia pertinentes ao caso. Essa manifestação, às efls. 1389/1397, configura contrarrazões ao recurso voluntário, conforme previsto no § 2º do art. 48 do RI CARF aprovado pela Portaria MF nº 256/2009. O atual regimento interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, também prevê essas contrarrazões, em dispositivo com a mesma numeração. Fl. 1538DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.539 18 A PGFN alega que o voto que orientou o acórdão recorrido não se manifestou expressamente sobre os fatos por ela arguidos nas contrarrazões ao recurso voluntário, e que a decisão sobre os embargos de declaração (em despacho monocrático) não reconheceu a presença desse vício, que deveria ensejar a nulidade do acórdão recorrido. Os embargos de declaração da PGFN, na verdade, foram rejeitados porque foi julgado o seu mérito. A decisão monocrática não reconheceu o vício de nulidade gerado pela não apreciação dos argumentos trazidos nas referidas contrarrazões ao recurso voluntário. Vêse que os acórdãos paradigmas, diante de situação semelhante, reconheceram a nulidade de decisão por vício de omissão na apreciação dos argumentos trazidos pela parte interessada (vício que resulta na violação do contraditório). Vale ressaltar que, no caso sob exame, a alegada omissão envolve toda uma petição de contrarrazões. Embora a parte final do relatório contido no acórdão recorrido tenha feito menção às “duras críticas” apresentadas pela PGFN (contrarrazões), o voto que orientou essa decisão realmente não examinou o conteúdo da referida peça processual. Nesse contexto, concluo que a primeira divergência está comprovada, devendose admitir o recurso especial da PGFN em relação à nulidade por vício de omissão e violação do contraditório. Devidamente cientificado (efls. 1.483 a 1.485), o contribuinte não apresentou contrarrazões (efls. 1.510 e 1.511). É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO O recurso é tempestivo, entendo que a divergência restou comprovada e, por isso, conheço do especial. A matéria posta à apreciação desta Câmara Superior referese, de início, à existência, ou não, no presente processo, de cerceamento do direito de defesa e violação do contraditório da Fazenda Nacional por parte da decisão recorrida. Adianto, desde logo, o meu posicionamento no sentido de ter havido, inegavelmente, esse cerceamento do direito de defesa e violação do contraditório da Fazenda Nacional, no presente caso. Explico. Fl. 1539DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.540 19 Conforme se verifica dos autos, por meio da Resolução nº 1201000.111, de 7 de agosto de 2013, a Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção do CARF deliberou por converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator (efls. 1.226 a 1.255). Do relatório de diligência elaborado pela repartição fiscal (efls. 1.257 a 1.260), foi devidamente reaberto o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação pela autuada, o que se deu pela petição de efls. 1.279 a 1.293. O primeiro cerceamento do direito de defesa e violação do contraditório se deu, a meu ver, pela não abertura de prazo para a manifestação da Fazenda Nacional, após a devida oitiva do sujeito passivo sobre os resultados da diligência procedida. Por meio da petição de efls. 1.387, requereu a Fazenda Nacional, por seu procurador, em abril de 2014, que o julgamento do recurso interposto no presente processo administrativo fosse adiado para a sessão ordinária do mês de junho de 2014, bem como fosse concedida vista dos autos fora da secretaria da Câmara, a fim de que pudesse analisar os documentos constantes dos autos e elaborar os memoriais com as suas razões e a sustentação oral. Como decorrência, pois, exclusivamente da iniciativa da Fazenda Nacional, apresentou esta as contrarrazões de efls. 1.389 a 1.397, das quais extraio o seguinte excerto (destaques do original): “Data maxima venia” ao entendimento da E. Turma exposto na Resolução nº 1201000.111, a qual determinou a diligência cujo resultado ora se comenta, correta é a conclusão do Auditor de que, a despeito da questão que lhe foi proposta (confirmar se os pagamentos em dinheiro recebidos pelo autuado foram tributados), a controvérsia que envolve a aliança estratégica com a Cardif NÃO ABRANGE os pagamentos de R$ 25 milhões feitos em dinheiro, MAS SIM o valor de R$ 25 milhões que o contribuinte reconheceu a título de RECEITA DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL, o qual a Fiscalização considerou como “PAGAMENTO NÃO MONETÁRIO”. Portanto, em que pese esta Turma ter ressaltado, quando da elaboração da Resolução, a “certeza” de que a autuação fiscal acerca da aliança estratégica com a Cardif recai sobre um dos pagamentos em dinheiro no valor de R$ 25 milhões, requerse que este EQUÍVOCO seja reavaliado, a fim de que a real controvérsia seja resolvida. Nesse sentido, será aqui reforçado o que foi ressaltado pela diligência quanto à conclusão fiscal, demonstrando que não houve qualquer tentativa de “salvar” o lançamento, assim como o total e completo conhecimento pelo contribuinte da autuação que lhe fora imposta, não havendo, portanto, que se falar em nulidade do lançamento por violação a qualquer dos direitos fundamentais do autuado. O segundo cerceamento do direito de defesa e violação do contraditório se deu, a meu ver, pela total falta de análise do conteúdo das contrarrazões apresentadas pela Fazenda Nacional, por parte da decisão recorrida. Fl. 1540DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.541 20 Constou do voto condutor da decisão recorrida, quanto à matéria em litígio, o seguinte (efls. 1.432, negritei): Apenas para fins de limitar o escopo do que restou nos autos para serem julgados, cumpre registrar que o presente acórdão enfrentará os seguintes argumentos trazidos pelo Recorrente, sendo que os demais decorrem de parte do débito fiscal quitado pela contribuinte, não fazendo mais parte desta presente lide. Pergunto: e quanto aos “argumentos trazidos” pela Fazenda Nacional, em suas contrarrazões? Não deveriam, também, no presente caso, ter sido devidamente “enfrentados” pela decisão recorrida? A única alusão feita às contrarrazões apresentadas pela Fazenda Nacional constou, não no voto condutor do acórdão recorrido, quanto à matéria em litígio, mas em seu relatório (efls. 1.432, destaquei): Essa decisão foi duramente criticada pela fiscalização e pela Procuradoria da Fazenda Nacional, considerando erro desses julgadores em considerar que foi autuado um dos R$ 25 milhões relativos ao ágio pago, ao invés de considerar o valor de R$ 25 milhões escriturado como não passível de tributação em razão do Método de Equivalência Patrimonial, apresentado relatório e petições nesse sentido. Com todo o respeito à fiscalização e à Procuradoria em relação aos seus comentários e indignações, mas a questão foi respondida pela fiscalização, de forma muito econômica, no sentido de considerar que a Recorrente levou à conta de resultado e tributou os dois valores de R$ 25 milhões cada, pagos a título de ágio, a despeito de tentar sustentar que a autuação se deu em relação ao valor não tributado em razão do MEP. A resposta dada pela diligência é suficiente para a formação da convicção e julgamento por este Relator. Nenhuma referência, entretanto, ao conteúdo das contrarrazões apresentadas pela Fazenda Nacional... Nenhuma transcrição extraída de sua peça de nove páginas... Nada! Ora, o fato de a decisão tomada na Resolução nº 1201000.111, de 7 de agosto de 2013, pela Turma julgadora, ter sido “duramente criticada pela fiscalização e pela Procuradoria da Fazenda Nacional” não exime o relator, e o respectivo Colegiado, de enfrentar, também, os “argumentos trazidos” por ambos, como, aliás, foi feito com os “argumentos trazidos pelo Recorrente”. Apenas afirmar, a decisão recorrida, que, “com todo o respeito à fiscalização e à Procuradoria em relação aos seus comentários e indignações”, a questão teria sido “respondida pela fiscalização” no atendimento ao questionado na Resolução, equivale a nada “enfrentar”, uma vez que aqueles “comentários e indignações” se dirigiram, precipuamente, não contra o questionamento em si, mas contra a premissa sobre a qual se assentou aquele questionamento. E essa premissa está estampada na ementa que encimou a decisão recorrida (efls. 1.401): Fl. 1541DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.542 21 ERRO NO LANÇAMENTO QUANTO À RECEITA NÃO OPERACIONAL NÃO ESCRITURADA A fiscalização autuou, como receita não operacional não escriturada, valores que passaram pela conta de resultado decorrentes de ágio. Se a intenção da fiscalização era autuar ganho patrimonial registrado nos termos do Método de Equivalência Patrimonial, não descreveu dessa forma no lançamento fiscal. Embora não seja necessário, em face de se limitar a discussão, nesta Câmara Superior, apenas à existência, ou não, no presente processo, de cerceamento do direito de defesa e violação do contraditório da Fazenda Nacional por parte do acórdão recorrido — o que, creio, tenha ficado cabalmente demonstrado acima —, peço licença aos meus Pares para avançar ainda mais um pouco no exame deste caso. E o faço tendo em vista a fundamentação que constou no despacho de admissibilidade de embargos, de efls. 1.456 a 1.462, relatado por integrante da mesma Turma prolatora do acórdão recorrido, no sentido de que (efls. 1.461): Ademais, conforme jurisprudência pacífica, seja judicial seja administrativa, o órgão julgador não é obrigado a manifestarse sobre todas as teses apresentadas pela defesa, bastando que aponte fundamentadamente as razões de seu convencimento. Convém ressaltar que o julgador, ao decidir, não está obrigado a examinar todos os fundamentos de fato e de direito trazidos à discussão, podendo conferir aos fatos qualificação jurídica diversa da atribuída pelas partes, não se encontrando, pois, obrigado a responder a todas as suas alegações, cumprindo a ele entregar a prestação jurisdicional, considerando as teses discutidas no processo, enquanto necessárias ao julgamento da causa. Sucede, porém, que, como bem deixou expresso o art. 489, § 1º, inciso IV, do novo Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 16 de março de 2015): Art. 489. [...]: [...]; § 1o Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: [...]; IV não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; Contudo, estou convicto de que os argumentos deduzidos no processo são capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo Colegiado recorrido, por envolver — como no caso do Acórdão nº 2301002.150, de 2011, citado como paradigma pela Fazenda Nacional — aspectos fundamentais ao deslinde do litígio (efls. 1.466, grifei): Fl. 1542DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.543 22 INOBSERVÂNCIA AOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA Deve ser apreciada, pela primeira instância administrativa, aspectos fundamentais trazidos na impugnação, em respeito aos princípios do Contraditório e Ampla Defesa. A viabilidade do saneamento do vício enseja a anulação do Acórdão de primeira instância. Decisão Recorrida Nula Nem é preciso ir muito longe para se chegar a essa convicção. Ainda que abstendome de analisar o conteúdo das contrarrazões apresentadas pela Fazenda Nacional, do próprio relatório da decisão recorrida, já lido anteriormente, destaco os seguintes trechos (negritei): Tratamse de Autos de Infração lavrados pela fiscalização federal, que cobra da empresa contribuinte IRPJ, CSLL, Pis e Cofins dos anoscalendário de 2005 a 2008, conforme as descrições abaixo: [...]. 3) Receita não operacional não escriturada, decorrente do acordo de associação com a Cardif, no qual houve acréscimo patrimonial obtido na aquisição de participação societária na Luizaseg. [...]. Vejamos o resumo dos fatos no Termo de Verificação Fiscal trazido pela decisão da DRJ: [...]. O desenho da realidade dos fatos indica que quem comprou o direito de exclusividade do ML foi a Cardif, de acordo com a página 5 do Contrato (fl. 331), no item Goodwill, para, em seguida, aportálo nos ativos da Luizaseg. Nessa operação foi que, a despeito de titularizar integralmente o direito de exclusividade, cede, a título contraprestacional, a metade do seu direito a fim de formar a “joint venture”. E, nessa ocasião, houve o acréscimo patrimonial do ML na metade da participação ganha na Luizaseg. Financeiramente, basta perceber que, no caixa da Luizaseg, a NCVP contribuiu com metade mais R$ 50.000.000,00 e que, não obstante esta contribuição, detém apenas metade da participação societária na empresa. Isto porque o ML contribuiu com o valor da cessão dos direitos da clientela, pelo qual recebeu também a participação societária. [...]. Assim, o ML teve dois acréscimos patrimoniais, vale dizer: um monetário, de R$ 50.000.000,00; e outro não monetário, de R$ Fl. 1543DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.544 23 25.000.0000,00, no valor da metade da participação societária ganha com a injeção de capital exclusiva pela NCVP. É indubitável que se está a tratar — tanto no auto de infração, quanto no respectivo Termo de Verificação Fiscal — do “acréscimo patrimonial obtido na aquisição de participação societária na Luizaseg”, ou seja, “metade da participação ganha na Luizaseg”, correspondendo ao acréscimo patrimonial “não monetário, de R$ 25.000.0000,00, no valor da metade da participação societária ganha com a injeção de capital exclusiva pela NCVP”. Dessa conclusão, aliás, não diverge a própria autuada, não só em sua Impugnação (trecho extraído do próprio relatório da decisão recorrida, já lido anteriormente, destaquei): A subscrição da ação preferencial A pela NCVP, com ágio de R$ 50 milhões na Luizaseg, foi contabilizado como reserva de capital (doc. 16). O Magazine Luiza S/A, detentor de 50% da Luizaseg, avaliou esse investimento pelo Método da Equivalência Patrimonial (MEP), ressaltandose que o resultado obtido por esse método não deve compor o lucro real, e não deve ensejar efeitos tributários quanto ao IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, esses dois últimos com fundamento nos arts. 1º , § 3º , V, “b”, das Leis nºs 10.833, de 2003, e 10.637, de 2002. como também em seu Recurso Voluntário (trechos extraídos do próprio relatório da decisão recorrida, já lido anteriormente, grifei): Por fim, sustentou a Fiscalização que o reflexo contábil da participação societária na Recorrente, como receita não operacional, registrada sob a rubrica “Receita de Equivalência Patrimonial”, está equivocado. Isto porque, em seu entender, “não se trata de receita de equivalência patrimonial. Mas sim, consoante retro identificado, representa a parcela do ganho de metade da participação societária na Luizaseg, negociada na aliança estratégica.” No que tange a este terceiro tópico, especificamente, foram constituídos os seguintes créditos tributários: [...]. [...]. A respeito deste tópico, entendeu a Turma Julgadora, no mesmo sentido das Autoridades Fiscais, que a Recorrente não ofereceu à tributação o montante de R$ 25 milhões, que teria acrescido ao seu patrimônio. Nesses termos, eis o que consignou a Turma Julgadora: “Verificase, do exposto, que não se trata de receita de equivalência patrimonial, mas sim de receita não operacional auferida na formação de ‘joint venture’, sujeita à tributação. [...].” Fl. 1544DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.545 24 Contudo, não pode subsistir a alegação da Turma Julgadora, haja vista que, como já expresso na impugnação, o montante de R$ 25 milhões, registrado na contabilidade da Recorrente, ao qual fazem referência a Autoridade Fiscal e os Srs. Julgadores, não configura receita tributável, e, sim, resultado positivo de equivalência patrimonial, sem quaisquer efeitos tributários. [...]. A questão que emerge, e que será enfrentada nos subtópicos seguintes, é o efeito que referida subscrição gera, reflexamente, por equivalência patrimonial, na Recorrente, detentora de 50% da Cardif do Brasil Seguros Gerais S/A (posteriormente, Luizaseg). Equivocado está o Sr. AuditorFiscal, ao entender que referido valor é pagamento de preço pela Cardif à Recorrente. Da mesma forma, não procede a alegação da Turma Julgadora de que se está, no caso concreto, diante de “receita não operacional auferida na formação da ‘joint venture’, sujeita à tributação”. (fls. 960 dos autos) [...]. No entanto, os reflexos decorrentes da avaliação do investimento da Recorrente na Luizaseg, por equivalência patrimonial, são neutros fiscalmente. (...) Assim, os efeitos reflexos na Recorrente, em observância do MEP, pela variação do patrimônio líquido (no caso específico, registro de R$ 50 milhões em reserva de capital) da Luizaseg, sua coligada, não deve ensejar efeitos tributários de qualquer natureza (IRPJ, CSLL, PIS ou COFINS), motivo pelo qual não podem prosperar as autuações fiscais em questão, tampouco as alegações da Turma Julgadora que as mantiveram. Ou seja, a matéria em discussão — por parte da autuada — se relaciona, iniludivelmente, à “subscrição da ação preferencial A pela NCVP, com ágio de R$ 50 milhões na Luizaseg”, tratado por ela “pelo Método da Equivalência Patrimonial (MEP)”, entendimento do qual divergem a Fiscalização e a turma julgadora da DRJ, considerando tributável a respectiva receita como “parcela do ganho de metade da participação societária na Luizaseg” e “pagamento de preço pela Cardif à Recorrente”. Nada a ver, portanto, com a matéria referente ao acréscimo monetário de R$ 50 milhões pago pela Luizaseg, em duas parcelas de R$ 25 milhões, à autuada, a título de remuneração pela cessão do direito de exclusividade, pela exploração da sua rede de distribuição, na distribuição das garantias estendidas (o contratualmente denominado goodwill), equivocadamente considerada pela decisão recorrida. Por outro lado, causa espécie o seguinte trecho da Resolução nº 1201 000.111, de 7 de agosto de 2013, proferida pelo Colegiado recorrido (efls. 1.254, negritei): Fl. 1545DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.546 25 A contribuinte juntou, em seus petitórios, cópia do Livro Razão, que contempla a adição de dois valores de R$ 25 milhões em conta de resultado, informando da tributação dos valores pagos à autuada. Não tenho dúvidas de que a autuação fiscal que exige os tributos objeto do lançamento se baseou em um desses dois pagamentos de R$ 25 milhões, pois os mesmos não foram contabilizados pela autuada. Ora, se a contribuinte juntou, em seus petitórios, “cópia do Livro Razão, que contempla a adição de dois valores de R$ 25 milhões em conta de resultado”, como pode o relator “não ter dúvidas” de que estes pagamentos “não foram contabilizados pela autuada”? O livro Razão, por acaso, não faz parte da contabilidade? E, mais adiante, naquela mesma Resolução (efls. 1.254 e 1.255, destaque do original): Já o valor relativo ao método de equivalência patrimonial, no mesmo montante de R$ 25 milhões, fora escriturada pela autuada, ou seja, houve o registro na contabilidade da Recorrente, não sendo esse o valor objeto da autuação, pois a acusação fiscal aponta a seguinte descrição: 3) Receita não operacional não escriturada, decorrente do acordo de associação com a Cardif, no qual houve acréscimo patrimonial obtido na aquisição de participação societária na Luizaseg. Ora, o “valor relativo ao método de equivalência patrimonial” foi, sim, escriturado pela autuada, mas em conta de reserva de capital — não em conta de resultados, como as duas parcelas de R$ 25 milhões anteriormente citadas —, conforme trechos da Impugnação e do Recurso Voluntário, respectivamente, extraídos do próprio relatório da decisão recorrida (destaquei): A subscrição da ação preferencial A pela NCVP, com ágio de R$ 50 milhões na Luizaseg, foi contabilizado como reserva de capital (doc. 16). [...]. Referido valor foi contabilizado, como de fato é devido, pela Luizaseg (então sociedade investida), em reserva de capital. Ou seja, tratase, efetivamente, esse valor, relativo ao método de equivalência patrimonial — como bem descreveu a fiscalização — de “receita não operacional não escriturada” (não escriturada em conta de resultados, esclareço). Já as duas parcelas de R$ 25 milhões, anteriormente citadas, pagas a título de remuneração pela cessão do direito de exclusividade na distribuição das garantias estendidas, foram, ao contrário, escrituradas em conta de resultados. Por fim, vejase, por oportuno — afugentandose quaisquer dúvidas que ainda remanescessem a esse respeito —, o seguinte trecho do Termo de Verificação Fiscal, ao indicar o fato gerador da exigência fiscal (efls. 66, grifei): Fl. 1546DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.547 26 Destarte, será considerada como fato gerador a receita não operacional ganha com a aquisição da participação societária na empresa Luizaseg, no valor de R$ 25.000.000,00, ocorrido em 13/12/2005, com a subscrição, pelas partes, do Acordo de Acionistas, fato que resultou em acréscimo patrimonial não declarado. Assim, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida em sua ementa, “a intenção da fiscalização era autuar ganho patrimonial registrado nos termos do Método de Equivalência Patrimonial”, tendo sido descrito dessa forma no lançamento fiscal. Por sinal, muito distante da realidade estava o Colegiado recorrido, ao pretender ter, como fato gerador da exigência fiscal, valor referente a datas diversas (Resolução nº 1201000.111, de 7 de agosto de 2013, efls. 1.255, negritei): Diante disso, como forma de termos a certeza de que os dois valores pagos pela Luizaseg foram tributados pela autuada, o primeiro pagamento, no valor de R$ 25 milhões, registrado em 21 de dezembro de 2005 no Livro Razão, e o segundo pagamento, no valor de R$ 25 milhões, registrado em 30 de junho de 2006, conforme informação extraída no documento 17 da defesa administrativa (fls. 942 e 943 dos autos), entendo pela baixa dos autos em diligência, para que a fiscalização ateste e confirme a tributação desses dois pagamentos. Reitero que todas essas elucubrações se fizeram necessárias apenas no sentido de demonstrar que os “argumentos trazidos” pela Fazenda Nacional, em suas contrarrazões, devem, também, no presente caso, ser devidamente “enfrentados” pela decisão recorrida, por serem, como visto, capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo Colegiado recorrido, por envolver aspectos fundamentais ao deslinde do litígio. Como decorrência do acima explanado, fica prejudicado o pedido subsidiário da Fazenda Nacional, de ser considerado vício formal a suposta falha apontada pela decisão recorrida no lançamento fiscal. Do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso especial da Fazenda Nacional, para anular o item “B.2 – Da Aliança com a Cardif”, da decisão recorrida (efls. 1.440 e 1.441) , para que outra seja proferida, quanto a essa parte, com a devida análise do conteúdo das contrarrazões apresentadas pela Fazenda Nacional, de efls. 1.389 a 1.397. (Assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Relator Fl. 1547DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.548 27 Voto Vencedor Conselheiro André Mendes de Moura Não obstante as considerações substanciosas expostas pelo relator quanto ao mérito, entendo que cabe um exame mais detalhado a respeito da admissibilidade. Vale destacar a legislação divergente apontada pela PGFN: art. 93, IX da CF; art. 59, II do Decreto nº 70.235/72; art. 142 do CTN: CF/1988 Art. 93. Lei complementar, de iniciativa do Supremo Tribunal Federal, disporá sobre o Estatuto da Magistratura, observados os seguintes princípios: (...) IX todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade, podendo a lei limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade do interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação; .............................................................. PAF Art. 59. São nulos: (...) II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. .............................................................. CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 1548DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.549 28 Discorre a recorrente que a decisão recorrida teria incorrido em nulidade, nos seguintes termos: A 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF deu provimento parcial ao recurso voluntário, embora não tenha se manifestado expressamente no voto sobre os fatos arguidos pela Fazenda Nacional no documento de efls. 1389. A e. Turma rejeitou os Embargos de Declaração apresentados pela Fazenda Nacional questionado essa omissão. Portanto, verificase que a decisão recorrida divergiu dos acórdãos paradigmas nºs 2301002.150 e 340101.271, na medida em que esses defendem a anulação da decisão, que não aprecia todas as razões de inconformidade.(...) Ou seja, entendeu que a decisão recorrida não se manifestou expressamente sobre todos os fatos do processo, e, por isso, ao não ter apreciado todas as razões de inconformidade, teria divergido dos acórdãos paradigma, que defendem a anulação da decisão que não aprecia todas as razões de inconformidade. Parte a recorrente de uma premissa, de que a decisão recorrida não teria se manifestado sobre todas as razões de inconformidade, para concluir que, por isso, a decisão seria nula, de acordo com a conclusão apresentada pelos acórdãos paradigma de que decisão que não aprecia todas as razões de inconformidade é eivada de nulidade. Ora, caso prevalecesse a premissa suscitada pela PGFN, todas as decisões proferidas pela câmara baixa poderiam ser reapreciadas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Bastaria a recorrente entender, por si só, que sua razões não foram integralmente apreciadas pela turma a quo, e apresentar paradigma afirmando o óbvio, de que o princípio do contraditório e ampla defesa deve ser respeitado sob pena de nulidade. O que se verifica no presente caso é um inconformismo da recorrente em face da decisão da turma da câmara baixa. E a situação já foi enfrentada pela turma recorrida em sede de embargos, que foram rejeitados. E, no presente momento, pretende a recorrente transformar o inconformismo em uma divergência na interpretação da legislação tributária, para se adequar ao requisito previsto no art. 67, Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF). Os acórdãos paradigma aplicam, de maneira correta, os princípios do contraditório e da ampla defesa, reproduzidos na Lei Maior e legislação processual. Contudo, não se amoldam ao caso tratado nos presentes autos. Isso porque já partem de um fato consumado, detectado pelo Colegiado, e decidido pelo Colegiado, qual seja, de que efetivamente ocorreu o cerceamento do direito de defesa e, por isso, haveria nulidade na decisão proferida. No caso em tela, o efetivo cerceamento do direito de defesa não é fato consumado. Pelo contrário, tem origem em uma interpretação exclusiva extraída pela PGFN. Na realidade, pretende a recorrente assumir a posição do julgador. Com a devida vênia, compete às partes apresentar a argumentação e razões de defesa. A outra etapa, de se construir a decisão, cabe à autoridade julgadora. Fl. 1549DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.550 29 Tampouco se aplica o vício formal por nulidade. Vale transcrever o que relata a recorrente: A 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF deu provimento parcial ao recurso voluntário para cancelar o item 002 do lançamento (B.2 Da aliança com a CARDIFF), em virtude de deficiência na descrição dos fatos imputados à contribuinte. Vejamos: Ao analisarmos a acusação fiscal, a fiscalização é clara em autuar o valor não registrado pela Recorrente, que é justamente os R$ 50 milhões decorrentes da aquisição dos direitos de exclusividade na distribuição de produtos do seguro, pois os outros R$ 25 milhões foram registrados e contabilizados sem tributação em razão da sistemática do Método de Equivalência Patrimonial. Diante disso, se em algum momento a fiscalização tributou o valor dos R$ 25 milhões relativos ao ganho quanto ao MEP, não constou essa descrição no lançamento fiscal, pois ao nos depararmos com a imputação fiscal e descrição do fato jurídico tributado no lançamento, a autuação se deu em relação a receita não operacional não escriturada: 3) Receita não operacional não escriturada, decorrente do acordo de associação com a Cardiff, no qual houve acréscimo patrimonial obtido na aquisição de participação societária na Luizaseg. Portanto, se a fiscalização pretendeu em algum momento tributar o acréscimo patrimonial ou ganho na empresa autuada, o fez de forma errada, pois descreveu fatos que não condizem com os fundamentos e descrições trazidas no lançamento fiscal, tratando o valor como receita não operacional não escriturada de forma incorreta. (Destaque nosso) Por outro lado, os acórdãos paradigmas sinalizam que a falha na descrição do fato gerador, ou seja, a contrariedade ao art. 142 do CTN gera nulidade por vício formal. Verificase, portanto, que diante de equívoco semelhante, acórdãos, recorrido e paradigmas, chegaram a conclusões divergentes. Enquanto um cancelou parte do auto de infração, os outros anularam, por vício de forma. Observase, com isso, que a e. Turma recorrida ao se deparar com uma falha na motivação do lançamento, interpreta de modo divergente o art. 142 do CTN, pois cancelou a exigência em vez de anular. Ocorre que os paradigmas tratam de situações diferentes da decisão recorrida. No paradigma n° 320100.248, falase em confusa contextualização dos elementos de prova, e no de nº 20309.332, em imprecisa descrição dos fatos, pela falta de motivação do ato administrativo, impedindo a certeza e segurança jurídica. Fl. 1550DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.551 30 No caso dos presentes autos, o que se fala é em incorreta subsunção do fato à norma. Vale transcrever o excerto da decisão: Diante disso, se em algum momento a fiscalização tributou o valor dos R$ 25 milhões relativos ao ganho quanto ao MEP, não constou essa descrição no lançamento fiscal, pois ao nos depararmos com a imputação fiscal e descrição do fato jurídico tributado no lançamento, a autuação se deu em relação a receita não operacional não escriturada: 3) Receita não operacional não escriturada, decorrente do acordo de associação com a Cardiff, no qual houve acréscimo patrimonial obtido na aquisição de participação societária na Luizaseg. Portanto, se a fiscalização pretendeu em algum momento tributar o acréscimo patrimonial ou ganho na empresa autuada, o fez de forma errada, pois descreveu fatos que não condizem com os fundamentos e descrições trazidas no lançamento fiscal, tratando o valor como receita não operacional não escriturada de forma incorreta. Cumpre destacar ainda que nos termos dos artigos 384 e 387 do RIR/99, as pessoas jurídicas investidoras deverão avaliar pelo valor de patrimônio líquido, em cada balanço, os investimentos relevantes em sociedades controladas e coligadas sobre cuja administração tenha influência, ou de que participe com 20% ou mais do capital social. Por conta disso, para fins de determinação do resultado de investimento aviado pelo MEP, haverá ao final de cada período definido na legislação aplicável uma comparação entre (a) o valor do patrimônio líquido da subsidiária, nesta data, devidamente convertido para a moeda nacional; com (b) o montante registrado como investido a esta época pela Investidora. Da comparação destes dois valores resultará um valor positivo ou negativo (receita ou despesa) a ser registrado na contabilidade da Investidora no Brasil como resultado de equivalência patrimonial. A contrapartida em resultado do ajuste de investimento avaliado pelo método de equivalência patrimonial não deve compor o Lucro Real, não servindo inclusive de base de cálculo para o Pis e a Cofins, nos termos do artigo 1º, parágrafo 3º, inciso V, alínea “b” das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Nestes termos, entendo pelo cancelamento do lançamento fiscal nessa parte. (grifei) De acordo com a decisão recorrida, tratase de erro de direito na autuação fiscal. Interpretouse incorretamente o fato, aplicouse indevidamente a legislação, o que deu ensejo ao afastamento da infração tributária. E, nos paradigmas, falase em imprecisão da descrição dos fatos e confusa contextualização dos elementos de prova. Definitivamente, não Fl. 1551DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.552 31 há que se falar em divergência de interpretação de legislação tributária entre parâmetros de comparação que não se comunicam. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer o recurso da PGFN. (Assinado Digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 1552DF CARF MF Processo nº 13855.002820/201015 Acórdão n.º 9101002.463 CSRFT1 Fl. 1.553 32 Declaração de Voto Tendo em vista que não foi apresentada no prazo regimental, considerase não formulada a declaração de voto do Conselheiro Rafael Vidal de Araújo 1. 1 Conforme Regimento Interno do CARF (RICARF), Anexo II, art. 63, §§ 6º e 7º: Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. (...) § 6º As declarações de voto somente integrarão o acórdão ou resolução quando formalizadas no prazo de 15 (quinze) dias do julgamento. § 7º Descumprido o prazo previsto no § 6º, considerase não formulada a declaração de voto. Fl. 1553DF CARF MF
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Numero do processo: 13502.000175/2008-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Sep 08 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1302-000.440
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência., nos termos do voto do Relator.
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA - Relator.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência., nos termos do voto do Relator. LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (assinado digitalmente) MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA Relator. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (Relator), Marcelo Calheiros Soriano, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Relatório Por bem relatar o processo, adoto o relatório da DRF de Porto Alegre, constante às fls. 1099/1123, complementandoo ao final, para adequada síntese do processo. Vejamos: Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade apresentada contra decisão proferida pela DRF de Camaçari, que através do Despacho Decisório 017/2009 emitido pelo seu titular, indeferiu parcialmente os pedidos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 02 .0 00 17 5/ 20 08 -7 3 Fl. 1793DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13502.000175/200873 Resolução nº 1302000.440 S1C3T2 Fl. 1.794 2 de compensação abaixo relacionados, que objetivavam a quitação de débitos de tributos federais com o saldo negativo do IRPJ no valor de R$ 11.330.633,95, apurado no anocalendário de 2003. O presente processo foi formalizado em 14/02/2008 para análise e tratamento manual da PERDCOMP n º 23598.61 138.270204.1.3.029621 (fls. 02 a 10). Foram localizadas e juntadas ao presente processo cópias de outros PER/DCOMP relativos ao crédito acima mencionadas demonstradas na tabela abaixo, com valores apresentados em reais: Esclarece a Autoridade Fiscal designada para analisar a procedência do pleito, que segundo a DIPJ apresentada pelo próprio contribuinte, no final do período no balanço de ajuste anual do anocalendário de 2003, a ficha 12 A de Cálculo do Imposto de Renda sobre Lucro Real, apresentava o seguinte quadro: Fl. 1794DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13502.000175/200873 Resolução nº 1302000.440 S1C3T2 Fl. 1.795 3 Em seu despacho de fls. 1004 a 1015, a Autoridade Fiscal convalida todos os valores utilizados na dedução do IRPJ devido, glosando, entretanto, parte do valor informado como estimativa paga no período (de R$ 15.087.056,84 para R$ 12.147.319,89) bem como o valor informado como dedução relativa ao IRPJ retido na fonte (de R$ 9.897.944,85 para R$ 3.990.218,41). As citadas glosas reduziram o saldo negativo informado pelo contribuinte de R$ () 11.330.633,92 para R$ () 2.483.170,53, montante efetivamente reconhecido como direito creditório passível de compensação. O não reconhecimento pela fiscalização dos valores referentes ao IRPJ retido na fonte e está nativa pagas no período, teve sustentação nos seguintes argumentos: 1 O IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE "O interessado informou na DIPJ/2004, Ficha 12A, às fls. 21, linha 13Imposto e Renda Retido na Fonte o valor de R$ 9.897.944,85 que somado ao valor utilizado para reduzir o saldo a pagar do IRPJ, estimativas mensais, conforme Ficha 11 Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa, fls. 17 a 20, PA Janeiro a maio, julho, agosto, outubro e novembro de 2003, de R$ 9.135.911,28, perfaz o total de R$ 19.033.856,13 (dezenove milhões, trinta e três mil, oitocentos e cinquenta e seis reais e treze centavos)". 2 COMPOSIÇÃO DA FICHA 53 DEMONSTRATIVO DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE "Foi indicado pelo interessado na DIPJ/2004, Ficha 53, às fls. 23 a 25, o valor de R$ 95.169.280,75 (noventa e cinco milhões, cento e sessenta e nove mil, duzentos e oitenta reais e setenta e cinco centavos) a título de receitas financeiras e R$ 19.033.856,15 (dezenove milhões, trinta e três mil, oitocentos e cinquenta e seis reais e quinze centavos) a título de IRRF, conforme demonstra a tabela abaixo. Por meio de consulta as DIRF, entregues pelas fontes pagadoras, cópia às fls. 26 a 33, bem como dos informes de rendimentos trazidos aos autos pelo interessado após intimação, foram confirmados, a título de IRRF, o montante de R$ 18.677.703,73”. 3 COMPOSIÇÃO DA LINHA 24 / FICHA 06A DIPJ 2004 OUTRAS RECEITAS FINANCEIRAS Fl. 1795DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13502.000175/200873 Resolução nº 1302000.440 S1C3T2 Fl. 1.796 4 "De forma a se confirmar a tributação da totalidade das receitas acima indicadas, verificouse na Ficha 06A, DIPJ 2004, linha 24 Outras Receitas Financeiras, anexada ao presente às fls. 13, a informação de R$ 25.753.796,55 (vinte e cinco milhões, setecentos e cinquenta e três mil, setecentos e noventa e seis reais e cinquenta e cinco centavos). Outras Receitas Financeiras DIPJ12004 Ficha 06 Linha 24(Reais) Var Mon Depósitos para Recursos conta 362101 48.181,87 Juros sI Aplicações Financeiras conta 36220 I 65.630.576,54 Juros de Mora Clientes conta 362206 380.231,17 Outros Juros Ativos conta 362299 1.36$.263 ,72 Descontos Financeiros Obtidos conta 362301 236.706,42 Resultado Operações SWAP 362303 5.014 .312,73 Resultado Operações Hedge Cambial: 362304 36.895.850,44 Total 25.753.796,55 "Intimado, conforme fls. 121 e 122, a demonstrar a tributação da totalidade das receitas formadas na Ficha 53, DIPJ/2004, alegou o interessado na petição de fls. 124 a 129, que o montante de R$ 25.753.796,55 (vinte e cinco milhões, setecentos e cinquenta e três mil, setecentos e noventa e seis reais e cinquenta e cinco centavos) representa o total líquido de outras receitas financeiras", em razão de ter obtido resultados negativos nas operações de Swap e Hedge Cambial e que a diferença entre o valor total das receitas, indicado na referida ficha (R$ 95.169.280,75), e o indicado na tabela acima como Juros SI Aplicações Financeiras (R$ 65.630.576,54) decorre do fato de que parte das receitas financeiras percebidas pelo interessado teria sido apropriada em exercícios anteriores, em conformidade com o regime de competência". "De forma a comprovar o resultado negativo suscitado pelo interessado, em atenção à intimação de fls. 245 e 246, foram anexados ao presente os seguintes documentos: Fls. 258 a 322 resumo das operações mensais (novas contratações e resgate) de operações de Swap e Hedge, no ano de 2003, acompanhadas de amostras de confirmações de operação, contratos e extratos de liquidação; Fls. 325 a 406 cópias do Livro Razão, das quais constam os lançamentos correspondentes às operações de Swap e Hedge, relativas ao ano de 2003; Fls. 407 a 888 cópias de contratos e extratos de liquidação correspondentes às operações de Swap e Hedge". "A presente análise tem, portanto, como objetivo apenas identificar o montante das receitas, sujeitas ao IRRF relativo ao ano calendário de 2003, que foram levadas à tributação, cabendo reconstituição do resultado do referido período a procedimento fiscalizatório diverso". "Não obstante os valores indicados pelo interessado na composição da referida linha 24, referentes a operações de Swap e de Hedge Cambial, terem sido originados Fl. 1796DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13502.000175/200873 Resolução nº 1302000.440 S1C3T2 Fl. 1.797 5 do saldo indicado no Livro Razão, contas 362303 e 362304, fls. 229 e 232, respectivamente, a composição dessas contas e as declarações do interessado não demonstram a devida tributação dos resultados positivos obtidos". "Conforme exposto pelo interessado, às fls. 910, os resultados das operações em comento, quando do seu vencimento, eram apropriados nas referidas contas e, em observância ao regime de competência, levandose em consideração valores já apropriados em períodos anteriores, essas contas eram ajustadas, conforme o explicitado na referida folha 910, de forma a manter em seu saldo apenas o valor das apropriações de resultados relativos às operações ainda em andamento. Não foi indicado, contudo, em que período os resultados positivos desses contratos, tributados na fonte em 2003, foram efetivamente contabilizados". Conforme o intimado pelo interessado, da composição da mencionada linha 24, Ficha 06, DIPJ/2004, consta também o valor de R$ 65.630.576,54(sessenta e cinco milhões, seiscentos e trinta mil, quinhentos e setenta e seis reais e quatro centavos) referente a juros sobre aplicação financeira”. "Em reposta a intimação de fls. 121 e 122, o interessado informou às fls 128 que a diferença entre o valor acima referido (R$ 65.630.576,54) e a totalidade de receitas informadas na Ficha 53 DlPJ/2004 (R$ 95.169.208,75), decorre da apropriação dos resultados de alguns investimentos também ter se dado por regime de competência. Por essa razão parte da receita teria sido apropriada em exercício anterior à liquidação e o restante no momento do resgate, incidindo com o IRRF sobre a totalidade da sua receita”. “Conforme a intimação de fls.900, foi o interessado solicitado a apresentação de forma detalhada, os investimentos e valores relativos ao ano de 2003, que sofrem apresentação em exercícios anteriores, com indicação, inclusive, da linha e Ficha da DIPJ e que os referidos valores teriam sido levados à tributação”. "Em resposta, o interessado, às fls. 912 a 916, item 04, indicou como origem de tais receitas operações de SWAP e hedge, demonstrando a forma de apropriação dos resultados dessas operações, referentes ao ano calendário de 2003, algumas com vencimento inclusive no ano de 2004, digase, alegando, contudo, ser inviável a demonstração da apropriação deste tipo de resultado em períodos anteriores. Cabe aqui citar, por oportuno, que das receitas informadas na Ficha 53, DIPJ/2004, no total de R$ 95.169.280,00, o montante de R$ 88.921.275,25 (IRRF vinculado de R$ 17.784.255,03) corresponde a receitas decorrentes de aplicações financeiras: de renda fixa (cód. 3426) e em fundos de investimentos renda fixa (cód. 6800), portanto, totalmente diversas das operações de SWAP e Hegde cambial, citadas pelo contribuinte como origem das receitas reconhecidas em exercícios anteriores”. "Dessa forma, face às informações imprecisas e genéricas, prestadas pelo interessado e não tendo sido demonstrada a tributação da diferença entre o valor acima referido (R$ 65.630.576,54) e a totalidade de receitas informadas na Ficha 53, DlPJ/2004 (R$ 95.169.280,75), qual seja, R$ 29.538.632,21, resta impossibilitada a utilização de todo o IRRF relativo à diferença de receitas acima referida, no montante de R$ 5.907.726,44 correspondente a 20% das receitas cuja tributação não restou demonstrada, conforme alíquota prevista no MAFON Fl. 1797DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13502.000175/200873 Resolução nº 1302000.440 S1C3T2 Fl. 1.798 6 2003, atendendo o quanto disposto no art. 2°, § 4°, inc. lII, da Lei nº 9.43011996": "Após a dedução do valor descrito no parágrafo acima, temse como IRRF disponível à utilização pelo interessado na DIPJ12004 a quantia de R$ 13.126.129,69 (treze milhões, cento e vinte e seis mil, cento e vinte e nove reais e sessenta e nove centavos), correspondente à diferença entre o IRRF confirmado, no valor de R$ 18.677.703,73 (vide parágrafo 18) e a parcela glosada, no valor de R$ 5.907.726,44, conforme parágrafo anterior". 4 DO IRPJ PAGO POR ESTIMATIVA MENSAL 4.1 ESTIMATIVAS MENSAIS/IRRF "Cumpre destacar que o valor da dedução efetivada pelo interessado, a título de Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa linha 17, Ficha 12A, DIPJ/2004 (fl. 21), foi originado das parcelas de estimativa mensal do anocalendário de 2003 efetivamente quitadas, somadas ao IRRF do próprio período, utilizado para reduzir o saldo a pagar dessas parcelas, totalizando o montante de R$ 15.087.056,84 (quinze milhões, oitenta e sete mil, cinquenta e seis reais e oitenta e quatro centavos), conforme tabela a seguir ( em Reais)”. "As parcelas de estimativas mensais com PA Janeiro, fevereiro, março e parte da parcela de abril de 2003, conforme o demonstrado acima, foram compensadas com Saldo Negativo de IRPJ/2002, cuja análise foi realizada no processo n° 13501.000297/200284, sendo a ele anexados ao processo n° 13502.000493/200320 e a Dcomp nº 18806.08862.310703.1.3.024103, conforme se infere do Parecer DRF/CCI/SAORT n º173/2006, cópia às fls. 942 a 948". "Por meio do Despacho Decisório DRF/CCI nº 0173/2006, cópia às fls. 949 e 950, a compensação da parcela de estimativa referente ao PA de Jan/2003 foi parcialmente homologada, no valor de R$ 449.047,76 (quatrocentos e quarenta e nove mil, quarenta e sete reais e setenta e seis centavos), sendo que não foram homologadas as demais parcelas de estimativas relativas ao ano calendário de 2003. O referido Despacho Decisório foi confirmado pela 2 3 Turma da DRJ/SDR, conforme o Acórdão n° 1512.665, cuja cópia encontrase anexada às fls. 951 a 965". "As estimativas mensais de IRPJ, parcela de abril/2003 no valor de R$ 667.313,13, e a de maio/2003 no valor de Fl. 1798DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13502.000175/200873 Resolução nº 1302000.440 S1C3T2 Fl. 1.799 7 R$ 1.895.047,72, incluídas na Dcomp n° 34401.01468.310703.1.3.026520, tratada no processo administrativo n° 13502.9001281200660, conforme Parecer DRF/CCUSAORT nº 201/2006, cópia às fls. 995 a 1001, por sua vez, tiveram sua compensação integralmente homologada, conforme se infere do Despacho Decisório DRF/CCI nº 20112006, cópia às fls. 1002 a 1003". "Após as confirmações acima descritas, a tabela abaixo demonstra O valor a ser levado para a Ficha 12A, linha 17, da DIPJ em apreço, referente às parcelas de estimativa mensal efetivamente quitadas". 5 DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE Conforme se infere do parágrafo 14, procedeu o interessado à dedução do IRPJ/2004 devido, o valor de R$ 9.897.944,85 (nove milhões, oitocentos e noventa e sete mil, novecentos e quarenta e quatro reais e oitenta e cinco centavos) inserido na linha 13 – Imposto de Renda na fonte, da Ficha 12ª, DIPJ/2004. Após as confirmações relativas às retenções e tributações das respectivas receitas, concluise, no parágrafo 34, pela utilização por parte do interessado na DIPJ/2004 da quantia de R$ 13.129,69 (treze milhões, cento e vinte e seis mil, cento e vinte e nove reais e sessenta e nove centavos), a título de IRRF. O Interessado, ao longo do ano calendário de 2003, utilizou se de R$ 9.135.911,28 (nove milhões, cento e trinta e cinco mil, novecentos e onze reais e vinte e oito centavos) para reduzir o IRPJ, estimativas mensais, conforme o exposto no parágrafo 41, do presente Parecer. Dessa forma, pode ser utilizado na linha 13, da Ficha 12ª, DIPJ/2004, apenas o valor de R$ 3.990.218,41 (três milhões, novecentos mil, duzentos e noventa mil, duzentos e dezoito reais r quarenta e um centavos). Fl. 1799DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13502.000175/200873 Resolução nº 1302000.440 S1C3T2 Fl. 1.800 8 Nesses termos, refizemos o demonstrativo de apuração do imposto de renda sobre o lucro real, a partir das informações prestadas pelo contribuinte na respectiva DIPJ, observados, ainda, os valores acima demonstrados, que foram objeto de confirmação: DIPJ/2003. Tempestivamente o contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, trazendo ao PAF os seguintes questionamentos: a) "A requerente é empresa sujeita à Lei das SIA e deve registrar seus lançamentos contábeis de acordo com o regime de competência (Lei 6.404/76, art. 177). A NPC (Norma e Procedimento de Contabilidade) n. 27 do IBRACON confirma essa obrigação, ao dispor que "as entidades devem elaborar suas demonstrações contábeis em conformidade com o regime de competência; b) O regime de competência preconiza que as receitas e despesas devem ser apropriadas no período em que incorridas, independentemente do efetivo recebimento, no caso das receitas, ou desembolso, no caso das despesas; c) No Regulamento do Imposto de Renda (Dec. 3.000/99), diversos são os dispositivos que atrelam a tributação dos resultados que influenciam a formação do lucro real ao princípio da competência; d) Em obediência aos referidos dispositivos, a requerente registra em sua contabilidade, a cada mês, os rendimentos de suas aplicações financeiras de renda fixa, bem como o resultado líquido de suas operações de swap e hedge, independentemente de ter havido (i) resgate ou efetivo creditamento de rendimentos sobre as aplicações financeiras de renda fixa ou (ii) liquidação das posições nos contratos de swap e hedge; e) Para exemplificar, suponhase que a empresa tenha realizado duas aplicações financeiras no ano de 2003, uma com resultado final positivo no ano e outra com resultado negativo, mas que, mensalmente, os rendimentos dessas aplicações tenham sido ora negativos, ora positivos; e que tenha firmado dois contratos de swap/hedge, ambos apresentando, no encerramento do exercício, resultados finais negativos, muito embora, no decorrer do ano, tenham Fl. 1800DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13502.000175/200873 Resolução nº 1302000.440 S1C3T2 Fl. 1.801 9 registrado resultados positivos. Suponhase, ainda, que as aplicações de renda fixa não tenham sido resgatadas e que os contratos de swap/hedge não tenham sido liquidados, ou seja, que no encerramento do ano, todos permaneçam em curso; f) Em ambos os casos (aplicações de renda fixa e operações de swap/hedge), mesmo que não haja liquidação das posições, a contabilidade da empresa deverá apurar os respectivos rendimentos e resultados líquidos do mês e levá los em conta para fins de apuração do IRPJ a pagar; g) Independente e paralelamente à contabilização dos resultados das aplicações de renda fixa, o titular da carteira ou o administrador do respectivo fundo deverá proceder à retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre os respectivos rendimentos. Essa retenção ocorre por ocasião do pagamento dos rendimentos de aplicações em renda fixa ou quando da alienação do título em que se baseia a aplicação (resgate), como preconiza o art. 732, II do RIR; h) Já nas operações de swap/hedge, a retenção do IRRF será feita na data da liquidação do respectivo contrato (art. 756, § 50 do RlR/99). Vêse, desde logo, que os valores registrados na contabilidade da empresa, que levam em conta os rendimentos das aplicações em renda fixa e os resultados líquidos das operações de swap e hedge independentemente de ter havido ou não resgate ou liquidação (ou seja, registram, em conformidade com o regime de competência, receitas tanto das operações em curso como aquelas encerradas no período), não serão iguais aos valores sobre os quais as fontes calculam o lRRF o que, nas aplicações em renda fixa, ocorre apenas no resgate ou no momento em que são creditados os rendimentos e no casos de swap/hedge, verificase quando são liquidadas as posições; i) Assim, o valor indicado na linha 24 da ficha 6A da DIP J/2004 referente a "outras receitas financeiras" contempla, dentre outros, (i) os rendimentos das aplicações financeiras da requerente em renda fixa (ii) e os resultados líquidos de suas operações de swap e hedge cambial. E ambos incluem não só os valores relativos às aplicações e operações resgatadas/liquidadas no próprio ano, mas também quantias referentes a aplicações e operações a serem resgatadas/liquidadas em anos posteriores; j) Por outro lado, o valor indicado na ficha 53 da DIPJ/2004 (R$95.169.280,65) referese aos rendimentos e resultados líquidos positivos auferidos pela empresa, desde o início das aplicações financeiras em renda fixa e operações de swap/hedge (ainda que contratadas em períodos anteriores a 2003), tributados na fonte quando de seu resgate ou liquidação, em 2003; k) Tudo isso foi explicado pela requerente nas manifestações que antecederam a decisão ora combatida, nas quais se esclareceu, em última análise, que:(i) o valor apontado na DIPJ/04 ficha 53 (R$95.168.280,75) diz respeito à totalidade das receitas financeiras que serviram de base à retenção de IRF pelas fontes pagadoras e que foram apropriadas pela empresa não só em 2003 ,mas também em períodos anteriores (por força do regime de competência); e (ii) o valor de R$65.630.576,54, que compõe o resultado apontado na DIPJ/04 Fl. 1801DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13502.000175/200873 Resolução nº 1302000.440 S1C3T2 Fl. 1.802 10 ficha 06 (R$25.753.796,55),correspondente exclusivamente às receitas decorrentes de aplicações financeiras apropriadas em 2003 l) Portanto, a diferença entre os valores acima apontados é fruto da contabilização, via regime de competência, dos resultados das aplicações financeiras em renda fixa e das operações de cobertura (swap/hedge), que contemplam não só as receitas apropriadas em 2003, mas também aquelas apropriadas em períodos anteriores e, acertadamente, não incluídas na DIPJ/04. Todavia, a DRFB/Camaçari entendeu que a requerente teria que ter demonstrado em que períodos os resultados das suas operações financeiras (aplicações em renda fixa e operações de cobertura via swap/hedge) resgatadas e liquidadas em 2003 teriam sido contabilizados e tributadas; m) Não obstante, ao atender às intimações da DRFB/Camaçari, toda a sistemática de contabilização e tributação das receitas financeiras foi demonstrada pela requerente, tomando como exemplo as operações de swap e hedge no mês de mar/2003. Às fls, a requerente discriminou, mês a mês, produto por produto, os rendimentos de suas aplicações financeiras de renda fixa e de suas operações de cobertura (swap/hedge) do ano de 2003. Em seguida, atendendo à indagação específica da DRFB/Camaçari, a requerente detalhou a composição dos resultados das operações de cobertura de swap/hedge também com base no mês de mar/2003; n) Ao saldo inicial daquele mês calculado a partir do saldo final de fev/2003, igualmente discriminado pela requerente foram computados os resgates e os resultados das contas de swap e hedge formandose, assim, o saldo final do mês, levado à tributação com base no regime de competência. O valor das operações liquidadas no mês foi obtido a partir da discriminação de cada um dos contratos resgatados, em quadro demonstrativo indicando o banco onde realizado o investimento, as datas de sua realização e de seu vencimento, o vencimento da ponta ativa e o vencimento da ponta passiva; o) Na sequência, a requerente decompôs o valor da linha 24 da ficha 6A da DIPJ/2004, de modo a comprovar a inclusão das receitas das aplicações como um todo na base tributável do ano de 2003. Para respaldar suas informações, a requerente juntou cópias dos Livros Razão de mar/2003 indicativas das contas de onde foram extraídos os resultados que instruíram sua manifestação; p) A demonstração por amostragem pautouse no mês de mar/2003, sem prejuízo de a fiscalização examinar os demais meses do ano que julgasse conveniente, eis que a reunião e exibição dos correspondentes documentos mostravase impraticável, dado o volume de dados a manusear. Não obstante, como a DRFB/Camaçari entendeu que a prova deve ser minuciosa, mês a mês, contrato a contrato, aplicação por aplicação, afigurase mais apropriada a realização de perícia, a ser conduzida por profissional com conhecimentos técnicos específicos nas áreas contábil, fiscal e de tesouraria; q) Assim, caso essa DRJ entenda insuficientes os documentos já apresentados e necessária a demonstração detalhada das operações financeiras da empresa, requerse desde logo a realização de perícia técnica, indicandose como assistente da requerente o Sr. Reginaldo Luís Turci, brasileiro, administrador, Fl. 1802DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13502.000175/200873 Resolução nº 1302000.440 S1C3T2 Fl. 1.803 11 casado, com endereço comercial na Av. Brigadeiro Luís Antônio, n. 1.343, 80 andar, ala B, telefone: (11) 31776474, email rturci@ultra.com.br, portador do RG 12.314.3238, SSP/SP e CPF 032.525.81809 e formulandose os quesitos anexados à presente; r) Além das supostas inconsistências nos valores de receitas financeiras declarados pela requerente, a auditoria discordou igualmente do valor de IRPJ estimativa pago no decorrer do ano de 2003. Sustentou que no PAF I 3502.000493/200320 e na Dcomp 18806.08862.310703.1.3.024103, anexados ao PAF 13501.000297/200284, indicados pela requerente para fins de quitação do IRPJestimativa dos períodos de apuração de janJ03, fev/03, mar/03 e parte de abr/03, a compensação fora apenas parcialmente homologada. Diante disso, a fiscalização concluiu que o IRPJ pago por estimativa pela requerente não teria sido de R$15.087.056,84, mas sim, de R$12.l47.319,89. Ou seja, a auditoria partiu do pressuposto equivocado de que aquelas compensações não teriam sido autorizadas por decisão administrativa proferida no PAF nº 13501.000297/200284. s) Erro que não existe decisão administrativa final contrária ao contribuinte os autos do PAF nº 13501.000297/200284, inexistindo, portanto, causa que autorize o restabelecimento do suposto débito. É que referido processo administrativo de compensação encontrase em andamento, aguardando julgamento de recurso voluntário interposto pela empresa em 31/07/2007 (doc. 04). Inalterado esse status (doc. 05), os valores lançados permanecem extintos, a não ser que sobrevenha eventual decisão definitiva contrária aos pedidos de compensação. t). Nesse sentido, no que pretendeu, por vias indiretas, constituir crédito fiscal objeto de pedido de compensação em andamento em outro processo, o despacho decisório é desprovido de qualquer validade e eficácia. É que a compensação feita pelo contribuinte extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (art. 156, II do CTN e art. 74 da Lei 9.430/96). Ou seja, as compensações surtiram efeitos desde o momento em que declaradas. Apenas sobrevindo decisões não homologatórias, em definitivo, é que as compensações deixariam de ter esse efeito extintivo do crédito, a teor do art. 156, 11 e § único do CTN; art. 74, § 20, da Lei 9.430/96 e art. 26, § 20, da IN SRF 600/05. u) Nem se diga que o pedido de compensação (PAF 13501.000297/200284) poderia ter sido desconsiderado pela auditoria ao argumento de que já teria sido indeferido, pois a exigibilidade desse crédito permanece suspensa pela apresentação da manifestação de inconformidade (e subsequente recurso voluntário) (art. 151, IlI, do CTN), que segue os mesmos trâmites do processo administrativo fiscal federal (Dec. 70.235/72), podendo ser levada a julgamento até a última instância administrativa, consoante o art. 74 da Lei 9.430196, com redação dada pela Lei 10.833/02. v) Ao desconsiderar o recurso interposto pela requerente nos autos do mencionado processo de compensação, a DRFB/Camaçari atropelou os trâmites do próprio processo administrativo, ferindo todos os direitos da Fl. 1803DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13502.000175/200873 Resolução nº 1302000.440 S1C3T2 Fl. 1.804 12 requerente à ampla defesa e ao contraditório, constitucionalmente assegurados pelo art. 50, inc. LV da CF/88, e, ainda, o direito à compensação "que é decorrência natural da garantia dos direitos de crédito, que consubstanciam parcelas do direito de propriedade, combinada com outros preceitos constitucionais". w) E não é só. Admitir a existência de processo administrativo (como o presente) desconsiderando a compensação objeto de outro procedimento implica, no mínimo, a possibilidade de decisões contraditórias. Basta verificar que na hipótese aventada apenas para argumentar de ser mantida a decisão que desconsidera a compensação nestes autos e de, paralelamente, ao final do processo de compensação (PAF 13501.000297/200284), ser homologado o procedimento adotado pela requerente, ocorrerá verdadeiro conflito de decisões administrativas: uma homologando a extinção do crédito e outra tendo o crédito por não extinto. Por essas razões, é de rigor a reforma do despacho decisório para que sejam igualmente reconhecidos os créditos que são objeto do referido processo administrativo de compensação, ainda pendentes de decisão final. x) Demonstrativos do IR Fonte O despacho decisório consignou, ainda, que apesar de ter sido "indicado pelo interessado na DIPJ/2004, Ficha 53, o valor de R$19.033.856,15 (dezenove milhões, trinta e três mil, oitocentos e cinquenta e seis reais e quinze centavos) a título de IRRF", "por meio de consulta às DIRF, entregues pelas fontes pagadoras bem como dos informes de rendimentos trazidos aos autos pelo interessado após intimação, foram confirmados, a título de IRRF, o montante de R$18.677. 703, 73". Ou seja, o auditor fiscal entendeu que a requerente teria deixado de comprovar a retenção de IRF no importe de R$356.152,42 (R$19.033.856,15 R$18.677.703,73). y) Sem embargo das evidencias já produzidas em suas manifestações anteriores, dando contas da retenção da totalidade dos valores informados na DIPJ/04 (R$19.033.856,15), a requerente logrou obter novo "Informe de Rendimentos Financeiros" emitido pelo Banco Itaú (doe. 06), referente ao "AnoCalendário 2003", onde consta expressamente, entre outros, o recolhimento de TRRF nos importes de R$7.968,41 (mai/03) e R$348.183,99 (jull03), cuja soma totaliza exatamente os R$356.152,40 não localizados pela auditoria. De rigor, pois, sejam esses valores também devidamente considerados na apuração do saldo negativo de IRPJ objeto das compensações em causa. z) Por essas sobejas razões, não pode prevalecer a decisão da DRFB/Camaçari que homologou apenas parcialmente a compensação do saldo negativo de IRPJ apurado do anocalendário de 2003. Requerse, pois, o acolhimento da presente manifestação de inconformidade e a homologação integral da referida compensação. Caso assim não entenda essa I. DRJ, requerse a realização de perícia para comprovar que as receitas financeiras do anocalendário de 2003 foram integralmente tributadas e que todo o TRRF declarado na DIPJ/2004 pode ser usado na composição do saldo negativo de IRPJ de 2003 que representa o crédito cuja compensação se requer no presente procedimento. Termos em que, requerendo, ainda, a produção das demais provas pertinentes, notadamente a juntada de documentos". Fl. 1804DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13502.000175/200873 Resolução nº 1302000.440 S1C3T2 Fl. 1.805 13 A DRJ ao julgar a Manifestação de Inconformidade da recorrente, deu parcial provimento, afim de retificar a apuração do saldo negativo do contribuinte do anocalendário de 2003, para inclusão dos valores glosados a título de estimativas pagas (R$ 2.939.736,95). Vejamos o voto do relator. VOTO I DA LIDE Conforme já relatado, a presente lide envolve o pedido de restituição e consequente compensação, do saldo negativo do ano calendário de 2003. O contribuinte alega ser credor perante a Fazenda Pública Nacional, do valor de R$ 11.330.633,92 relativo a apuração do IRPJ do já citado ano calendário, cujo saldo negativo decorreu de pagamentos excesso de estimativas e retenções na fonte. Segundo informações da respectiva DIPJ, a empresa teria deduzido do IRPJ apurado os valores de R$ 19.033.856,13 a título de IRPJ retido na fonte e R$ 15.087.056,84 a título de estimativas pagas no período. A Autoridade Fiscal encarregada da análise do direito creditório confirmou apenas os valores de R$ 13.126.129,69 e 12.147.319,89 como recolhimentos efetivos de IRRF e estimativas mensais respectivamente, reduzindose assim, o saldo negativo de R$ 11.330.633,92 para R$ 2.483 .170,53. Sobre tal diferença (R$ 8.847.463,39) instaurase o contraditório e definese os limites do presente julgamento. II IR, RETIDO NA FONTE SOBRE RECEITAS FINANCEIRAS Com referência ao IRPJ retido na fonte, há que se esclarecer que a autoridade efetivou a glosa de parte dos valores que o contribuinte utilizou como dedução do IRPJ apurado no anocalendário de 2003 R$ (5.907.726,44), convalidando apenas R$ 13.126.29,69 dos R$ 19.033.856,13 informados pelo contribuinte em sua DIPJ. A glosa é justificada pelo fato de que, para utilização do IRPJ retido na fonte como dedução do IRPJ apurado no ajuste anual, se faz necessário que as receitas correspondentes também tenham sido oferecidas à tributação. Para utilizarse integralmente do IRPJ retido na fonte no montante de R$ 19.033.856,13, o contribuinte deveria comprovar o oferecimento à tributação de receitas financeiras correspondentes no montante de R$ 95.169.280,75 quando no anocalendário de 2003, declarou receitas Financeiras de apenas R$ 65.630.576,54. Em razão da diferença constatada (R$ 29.538.632,21) o contribuinte foi intimado em 10109/2008 (fls. 121/123) para, entre outras coisas, apresentar" discriminação detalhada da composição da Linha 24 Outras Receitas FinanceirasFicha 06 A da DIPJ de 2004, na qual foi declarado o valor de R$ Fl. 1805DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13502.000175/200873 Resolução nº 1302000.440 S1C3T2 Fl. 1.806 14 25.753.796,55". Em resposta apresenta a planilha abaixo reproduzida (fls. 199), com seguinte composição: Intimado em 20103/2008 (fls. 121 e 122), a demonstrar a tributação da totalidade das receitas informadas na Ficha 53, DIPJ12004, alegou o interessado na petição de fls. 124 a 129, que o montante de R$ 25.753.796,55 representa o total líquido de "outras receitas financeiras", em razão de ter obtido resultados negativos nas operações de SWAP e Hedge Cambial e que a diferença entre o valor total das receitas, indicado na referida Ficha 53 (R$ 95.169.280,75), e o indicado na tabela acima como Juros S/ Aplicações Financeiras (R$ 65.630.576,54) decorre do fato de que parte das receitas financeiras percebidas pelo interessado teria sido apropriada em exercício anteriores, em conformidade com o regime de competência. Considerando a informação de que parte das receitas financeiras obtidas, teriam sido apropriadas em exercícios anteriores, em 10/09/2008 o contribuinte foi novamente intimado para "apresentar demonstrativo detalhado indicando os investimentos e valores, relativos ao anocalendário de 2003, cuja tributação tenha ocorrido em exercícios anteriores a 2004 (contrato a contrato), a DIPJ em que foi declarada a respectiva receita, bem como a composição detalhada da respectiva linha (da DIPJ), acompanhada dos Livros Razão respectivos “( fls 900/901). Em atendimento à intimação, o contribuinte informa às fls. 912 a 916, item que as receitas são originárias de operações de SWAP e hedge. Demonstra a forma de apropriação dos resultados dessas operações, referentes ao ano calendário de 2003 detalhando, apenas o mês de março, algumas com vencimento inclusive no ano de 2004, concluindo ao final "que a composição detalhada da DIPJ que abrange a declaração dessas receitas apropriadas periodicamente em exercícios anteriores, demandaria levantamento e análise impraticáveis de múltiplas operações de SWAP e HEDGE da empresa, iniciadas e finalizadas em diferentes momentos, eis que, como demonstrado, em cada período de apuração diversas operações são contratadas, enquanto outras são resgatadas, e outras, ainda, remanescem de períodos anteriores, não havendo pois, como delimitar essa demonstração apenas a vista do resgate dessas operações no ano de 2003". Ressaltese, que consta no Despacho Decisório, a informação de que "das receitas informadas na Ficha 53, DIPJ/2004, no total de R$ 95.169.208,75, o Fl. 1806DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13502.000175/200873 Resolução nº 1302000.440 S1C3T2 Fl. 1.807 15 montante de R$ 88.921.275,25 (IRRF vinculado de R$ 17.784.255,03) corresponde a receitas decorrentes de aplicações financeiras: de renda fixa (cód. 3426) e em fundos de investimentos renda fixa (cód. 6800), portanto, totalmente diversas das operações de SWAP e Hegde cambial, citadas pelo contribuinte como origem das receitas reconhecidas em exercícios anteriores. Percebese assim, que 93, % das fontes utilizadas pelo contribuinte em 2003, referemse a receitas de outras aplicações financeiras diferentes de Hegde e Swap, não sendo razoável a justificativa apresentada”. Conclui a Autoridade Fiscal que "face às informações imprecisas e genéricas, prestadas pelo interessado e não tendo sido demonstrada a tributação da diferença entre o valor acima referido (R$ 65.630.576,54) e a totalidade de receitas informadas na Ficha 53, DIP J/2004 (R$ 95.169.208,75), qual seja, R$ 29.538.632,21 , resta impossibilitada a utilização de todo o IRRF relativo à diferença de receitas acima referida, no montante de R$ 5.907.726,44 (cinco milhões, novecentos e sete mil, setecentos e vinte e seis reais e quarenta e quatro centavos; correspondente a 20% das receitas cuja tributação não restou demonstrada, conforme alíquota prevista no MAFON 2003)". A matéria é tratada nos arts 231, 770 e 773 do Decreto 3.000, de 26 de março de 1999 RIR/I 999, da seguinte forma: Art. 231. Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor (Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º, § 4º): I Dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os respectivos limites, bem assim o disposto no art. 543; II Dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III Do imposto pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV Do imposto pago na forma dos arts. 222 a 230. Art. 770. Os rendimentos auferidos em qualquer aplicação ou operação financeira de renda fixa ou de renda variável sujeitamse à incidência do imposto na fonte, mesmo no caso das operações de cobertura hedge, realizadas por meio de operações de swap e outras, nos mercados de derivativos (Lei nº 9.779, de 1999, art. 5º). (...) § 2º Os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável e os ganhos líquidos (Lei n2 8.981, de 1995, art. 76, § 22, Lei n2 9.317, de 1996, art. 32, e Lei n2 9.430, de 1996, art. 51): I Integrarão o lucro real, presumido ou arbitrado; II Serão tributados de forma definitiva no caso de pessoa física e de pessoa jurídica optante pela inscrição no SIMPLES ou isenta. Art. 773. O imposto de renda retido na fonte sobre os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa e de renda variável ou pago sobre os ganhos líquidos Fl. 1807DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13502.000175/200873 Resolução nº 1302000.440 S1C3T2 Fl. 1.808 16 mensais será (Lei nº 8.981, de 1995, art. 76, incisos I e 11, Lei nº9.317, de 1996, art. 3E, § 3°, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 51): I Deduzido do devido no encerramento de cada período de apuração ou na data da extinção, no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, presumido ou arbitrado; II(...) Como se vê, a regra geral é que os valores referentes ao IRPJ retidos na fonte, só poderão ser utilizados como dedução do IRPJ a pagar, se as receitas correspondentes já estiverem sido oferecidas à tributação mediante sua inserção na apuração do lucro real. Por outro lado, dispondo sobre receitas e despesas financeiras, o art. 373 do RlR/1999 ao tratar das operações ou títulos com vencimento posterior ao período de apuração, determina que a apuração destas receitas se faça pro rata tempore: Art. 373. Os juros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, ganhos pelo contribuinte, serão incluídos no lucro operacional e, quando derivados de operações ou títulos com vencimento posterior ao encerramento do período de apuração, poderão ser rateados pelos períodos a que compelirem (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 17, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 76, § 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 11, § 3º). No anocalendário de 2003 a impugnante deduziu do seu IRPJ a pagar o montante de R$ 19.033.856,13 a título de IRPJ retido na fonte, valor correspondente a receitas financeiras de R$ 95.169.280,75. Ocorre que neste período, foi oferecido à tributação, apenas R$ 65.630.576, 54.Intimada a se manifestar sobre a diferença apontada R$ (29.538.632,21), a empresa esclarece que a diferença entre o valor informado pelos bancos e o que foi efetivamente apropriado como receita financeira no período, decorreu do fato de ter oferecido tais receitas à tributação segundo o regime de competência, ocorrendo a efetiva retenção do IRPJ na fonte, em momento diferente, ou seja, no resgate da aplicação. Da legislação acima citada, depreendese que o procedimento adotado pela empresa ao apropriar suas receitas financeiras pelo regime de competência tem respaldo na legislação tributária, e tais valores não precisam necessariamente guardar relação com os valores de IRPJ retidos na fonte em um determinado anocalendário, já que as apropriações ocorrem nos momentos distintos das efetivas retenções. Entretanto, os livros e documentos contábeis ao contribuinte, deverão estar habilitados para espelhar de forma clara insofismável, o efetivo oferecimento à tributação, mesmo que em períodos anteriores, de receitas apropriadas em outros períodos, cuja fonte está sendo integralmente utilizada num determinado anocalendário. No caso específico, a Autoridade Fiscal intimou o contribuinte em 20/03/2008 (fis. 121 e 122) e em 10/09/2008 (fl. 900), a demonstrar a tributação da totalidade das receitas cuja fonte estava utilizando como dedução no ano calendário de 2003. Em atendimento às intimações, este respondeu que "a Fl. 1808DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13502.000175/200873 Resolução nº 1302000.440 S1C3T2 Fl. 1.809 17 demonstração por amostragem pautouse no mês de mar/2003, sem prejuízo de a fiscalização examinar os demais meses do ano que julgasse conveniente, eis que a reunião e exibição dos correspondentes documentos mostravase impraticável, dado o volume de dados a manusear. Não obstante, como a DRFB/Camaçari entendeu que a prova deve ser minuciosa, mês a mês, contrato a contrato, aplicação por aplicação, afigurase mais apropriada a realização de perícia, a ser conduzida por profissional com conhecimentos técnicos específicos nas áreas contábil, fiscal e de tesouraria". Observase assim, que a impugnante já tinha conhecimento desde 20/03/2008, da imprescindibilidade da demonstração da apropriação em períodos anteriores, das receitas financeira cuja fonte utilizou integralmente no anocalendário de 2003. Tais comprovações ainda poderiam ser apresentadas na defesa, cujo protocolo ocorreu em 06/03/2009, praticamente 01 anos depois, onde a impugnante, além de não trazer nenhuma prova, limitouse a reafirmar que " a reunião e exibição dos correspondentes documentos mostravase impraticável, dado o volume de dados a manusear", requerendo a realização de perícia técnica para demonstração da liquidez e certeza do seu crédito tributário objeto do pedido de compensação. Este também é o entendimento do atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme decisões abaixo: ACÓRDÃO 10809.163 Órgão: 1º Conselho de Contribuintes / 8a. Câmara 1º Conselho de Contribuintes /8a. Câmara / ACÓRDÃO 10809.163 em 07.12.2006 IRPJ EXS. 1998 a 2002 PAF ÔNUS DA PROVA Cabe ao sujeito passivo comprovar suas alegações. Não prospera o argumento de que: "A própria Secretaria da Receita Federal poderia ter verificado em seus arquivos e documentos e comprovado a certeza e liquidez da existência do montante do crédito alegado". ACÓRDÃO 10517.266 Órgão: 1º Conselho de Contribuintes / 5ª. Câmara 1º Conselho de Contribuintes /5a. Câmara / ACÓRDÃO 105 17.266 em 15/10/2008. IRPJ EX: 1999 e 2000 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercícios: 1999, 2000 Ementa: COMPENSAÇÃO SALDO NEGATIVO DE IRPJ AUSÊNCIA DE. CERTEZA E LIQUIDEZ – Se o contribuinte não comprova as retenções na fonte. Assim, verificase incabível o pedido de perícia que visa a produzir prova documental que deveria ter sido apresentada no decorrer do procedimento fiscalizatório ou no momento da impugnação, no caso da manifestação de inconformidade, especialmente quando não foi demonstrada a impossibilidade de produzila por motivo de força maior, não se refira a fato ou direito superveniente e não se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos atos. Dessa forma, pela competência atribuída pelo artigo 18 e em consonância com o art.16, § 1º do PAF, acima transcrito, indefiro o pedido de realização de perícia. IV. DAS ESTIMATIVAS Fl. 1809DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13502.000175/200873 Resolução nº 1302000.440 S1C3T2 Fl. 1.810 18 Com referência às estimativas pagas no período, a Autoridade Fiscal efetivou a glosa de parte dos valores que o contribuinte utilizou como dedução do IRPJ apurado no anocalendário de 2003 (R$ 2.939.736,95) convalidando apenas R$ 12.147.319,89 dos R$ 15.087.056,84 informados pelo contribuinte em sua DIPJ. A Autoridade Fiscal justifica a glosada efetuada, pelo fato de que as parcelas de estimativas mensais com período de apuração Janeiro, fevereiro, março e parte da parcela de abril de 2003, foram compensadas com Saldo Negativo de IRPJ/2002, cuja análise foi realizada no processo n° 13501.000297/200284. Através do "Despacho Decisório DRF/CCI n° 0173/2006, cópia às fls. 949 e 950, a compensação da parcela de estimativa referente ao PA de Jan/2003 foi parcialmente homologada, no valor de R$ 449.047,76, sendo que não foram homologadas as demais parcelas de estimativas relativas ao ano calendário de 2003. O referido Despacho Decisório foi confirmado pela 2ª Turma da DRJ/SDR, conforme o Acórdão nº 1512.665, cuja cópia encontrase anexada às fls. 951 a 965". Em sua defesa O contribuinte argumenta que "não existe decisão administrativa final contrária nos autos do PAF nº 13501.000297/2002 84, inexistindo, portanto, causa que autorize o restabelecimento do suposto débito. É que referido processo administrativo de compensação encontrase em andamento, aguardando julgamento de recurso voluntário interposto pela empresa em 31/07/2007 (doc. 04). Inalterado esse status (doc. 05), os valores lançados permanecem extintos, a não ser que sobrevenha eventual decisão definitiva contrária aos pedidos de compensação". De fato, a compensação declarada a Receita Federal do Brasil extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação, na forma do que dispõe o § 2° do art. 49 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Incluído pela Lei nº 10.63 7, de 2002) § 2" A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluindo pela Lei nº 10.637, de 2002) § 3º (...) § 4º (...) § 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5(cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003). Fl. 1810DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13502.000175/200873 Resolução nº 1302000.440 S1C3T2 Fl. 1.811 19 O processo 13501.000297/200284 foi protocolado em 20/11/2002 e efetivamente extinguiu os débitos declarados até ulterior deliberação da Receita Federal do Brasil o que ocorreu através do Despacho Decisório DRF/CCI nº 0173/2006, (fls. 949 e 950), de 17/12/2006 operandose assim a condição resolutória, momento a partir do qual, estariam tais débitos em condição de exigibilidade e consequente cobrança. O referido Despacho Decisório foi confirmado pela 2ª Turma da DRJ/SDR, conforme o Acórdão nº 1512.665, cuja cópia encontrase anexada às fls. 951 a 965". Os recursos apresentados pelo contribuinte aos órgãos julgadores, suspendem a exigibilidade do crédito a que tem direito a Fazenda Pública Federal, mas não devolvem aos débitos do contribuinte, a sua condição de extintos, por já ter havido deliberação da RFB negando a sua homologação. A suspensão da exigibilidade também não confere ao crédito tributário, a liquidez e certeza que o tomaria habilitado a operar a compensação. Ocorre, entretanto, que em 12 de março de 2009, julgando o recurso voluntário do contribuinte, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda reformou a decisão da 2ª Turma de Julgamento da DRJ de Salvador, proferindo o seguinte acórdão: 5 RECEITAS FINANCEIRAS APROVEITAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. Restando comprovado que o contribuinte ofereceu à tributação a integralidade das receitas financeiras auferidas no período, descabe negarlhe o aproveitamento também integral do imposto de renda retido na fonte sobre essas receitas. Eventual questionamento sobre a comprovação de perdas em operações de cobertura (hedge) não pode alterar esse direito: a uma, porque trazido somente por ocasião do julgamento de primeira instância; a duas, porque o imposto de renda retido na fonte não diz respeito a receitas auferidas nessas operações. (Recurso Voluntário 160.943, Acórdão 130100.043 3a Câmara/1ª Turma Ordinária, sessão de 12 de março de 2009). Assim, considerandose a decisão proferida pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, há que se restituir ao contribuinte, os valores glosados referentes às estimativas cujas compensações não foram acatadas em função do processo 13501.0002971200284 (R$ 2.939.736,95), considerandose como estimativas pagas período, o montante de R$ 15.087.056,84 na forma da planilha a ser inserida ao final deste voto. 6 DA DIFERENÇA ENTRE OS VALORES INFORMADOS EM DIRF E INFORMADOS PELO CONTRIBUINTE Em seu Despacho Decisório, informa a Autoridade Fiscal, que o contribuinte informou como IRRF no anocalendário de 2003, o montante de R$ 19.033.856,15 mas foram confirmados em DIRF R$ 18.677.703,73, havendo assim uma diferença de R$ 356.152,42. Entretanto ao refazer o novo demonstrativo de apuração do IRPJ em função das glosas efetuadas, a fiscalização não levou em conta a diferença encontrada (R$ 356.152,42), já partiu do valor total informado pelo contribuinte a título de fonte (R$ 9.897.944,85) para dedução do IRPJ anual. Como a empresa já tinha utilizado Fl. 1811DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13502.000175/200873 Resolução nº 1302000.440 S1C3T2 Fl. 1.812 20 R$ 9.135.911,28 para pagamento das estimativas mensais, nenhuma glosa foi efetuada em função da citada diferença. Em sua defesa o contribuinte traz ao PAF "novo Informe de Rendimentos emitido pelo Banco Itaú, referente ao anocalendário 2003, onde consta expressamente, entre outros, o recolhimento de IRRF nos importes de R$7.968,41 (maio/03) e R$348.183,99 jul/03), cuja soma totaliza exatamente os R$356.152,40 não localizados pela auditoria. De fato, no informe de rendimentos emitido pelo Banco Itaú (fls. 1.062), constam as retenções informadas pelo contribuinte, suprindo assim, a diferença apontada pela fiscalização. Conforma anteriormente informado, tal diferença não foi a causa determinante da glosa efetuada neste PAF, e sua retificação não provocará nenhuma alteração nos valores, cuja glosa decorreu da não comprovação do oferecimento das respectivas receitas financeiras à tributação em anoscalendário anteriores, motivo pelo qual acato as alegações da defesa para considerar o informe de rendimentos apresentado apenas para fins escriturais, já que sua retificação não interfere nos valores apurados na presente decisão. 7 CONCLUSÃO Assim, em decorrência das razões acima apresentadas, há que se retificar a apuração do saldo negativo do contribuinte do anocalendário de 2003, para inclusão dos valores glosados a título de estimativas pagas (R$ 2.939.736,95), decorrentes da aplicação da decisão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais proferida no processo 13501.0002971200284 através do Acórdão 130100.043, pelo que reconheço o direito creditório relativo ao saldo negativo de 2003 no valor de R$ 5.422.907,48, conforme planilha abaixo: . Diante do indeferimento do seu pedido de perícia contábil para confirmar que suas receitas financeiras foram oferecidas à tributação em períodos anteriores, a recorrente apresentou recurso voluntário requerendo a produção de prova técnica, “para oferecer os elementos de evidência que a decisão recorrida reputou necessários e que jamais poderiam ser Fl. 1812DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13502.000175/200873 Resolução nº 1302000.440 S1C3T2 Fl. 1.813 21 amealhados sem o envolvimento de vários profissionais, nem em curto lapso temporal.” (vide fls. 1.140 a 1.145 dos autos). No dia 16 de dezembro de 2010, a recorrente atravessou petição às folhas 1.157 a 1.162 dos autos, noticiando que havia finalizado seus levantamentos afim de demonstrar o seu direito creditório perante a União Federal, e com base no princípio da verdade material, pleiteou que fosse recebida a documentação anexa a referida peça, a qual comprovaria de fato que fora oferecida a tributação toda a receita financeira das aplicações resgatadas no exercício de 2003. (vide fls. 1.163 e seguintes). É o relatório. Voto Conselheiro MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA. O recurso é tempestivo, portanto, dele conheço. Compulsando os autos, verifico que o objeto de análise do presente recurso diz respeito ao IRRF relativo à diferença de receitas financeiras consideradas tributadas pela fiscalização (R$ 65.630.576,54 Ficha 53, DIPJ/2004) e o consequente aproveitamento do IRRF, e a totalidade de receitas financeiras que a fiscalização entendeu ser necessário (R$ 95.169.208,75) para a recorrente ter direito a quantia de IRRF conforme pleiteado, no valor de R$ 19.033.856,13, sendo convalidado pela fiscalização somente a quantia de R$ 13.126.129, 69, gerando uma diferença de R$ 5.907.726,44 (cinco milhões, novecentos e sete mil, setecentos e vinte e seis reais e quarenta e quatro centavos, decorrente da aplicação do percentual de 20% sobre a quantia de R$ 29.538.32,21 (R$ 95.169.208,75 R$ 65.630.576,54)). O argumento utilizado pela decisão recorrida para aceitar a glosa efetuada pela fiscalização foi a seguinte: “a impugnante já tinha conhecimento desde 20/03/2008, da imprescindibilidade da demonstração da apropriação em períodos anteriores, das receitas financeiras cuja fonte utilizou integralmente no anocalendário de 2003. Tais comprovações ainda poderiam ser apresentadas na defesa, cujo protocolo ocorreu em 06/03/2009, praticamente 01 anos depois, onde a impugnante, além de não trazer nenhuma prova, limitouse a reafirmar que " a reunião e exibição dos correspondentes documentos mostravase impraticável, dado o volume de dados a manusear", requerendo a realização de perícia técnica para demonstração da liquidez e certeza do seu crédito tributário objeto do pedido de compensação”. Como se percebe da descrição acima, a controvérsia gira em torno da comprovação do oferecimento à tributação das receitas de aplicações financeiras. Fl. 1813DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO Processo nº 13502.000175/200873 Resolução nº 1302000.440 S1C3T2 Fl. 1.814 22 Já é conhecido por esta Primeira Seção do CARF dos problemas de aproveitamento do IRRF no resgate de aplicações financeiras em razão do descompasso existente entre o reconhecimento das receitas de aplicações financeiras, que ocorre pelo regime de competência, e o aproveitamento do IRRF por ocasião do resgate dessas aplicações, que se dá pelo regime de caixa. É de se concordar, em parte, com a decisão exarada, todavia, a recorrente na sua Manifestação de Inconformidade, Recurso Voluntário e esclarecimentos posteriores faz contundente indício de prova que contabilizou e ofereceu a tributação a receita financeira glosada pela fiscalização em períodos anteriores ao resgate, quando efetivouse a retenção integral do IR. Percebo que para aferir o direito de crédito pleiteado pela recorrente o processo carece de maiores esclarecimentos sobre os documentos apresentados (inclusive posteriormente à manifestação de inconformidade) para a comprovação do saldo dos valores de Imposto de Renda retidos na Fonte. Assim, para dirimir o conflito mister é que a recorrente seja intimada a: a) apresentar nova planilha analítica das receitas financeiras auferidas que serviram para justificar o aproveitamento do IRRF na composição do saldo negativo do Imposto de Renda do anocalendário de 2003, apontando as folhas do Razão em que foram contabilizadas, bem como juntandoas aos autos ou informando em quais folhas elas se encontram já anexadas; b) decompor, analiticamente, os valores informados nos campos próprios ("outras receitas financeiras") nas DIPJ´s dos referidos exercícios anteriores, destacando os valores que compõe a rubrica devidamente contabilizados (apontando novamente as folhas do Razão); c) de posse destas planilhas e livros contábeis da recorrente, a autoridade fiscal designada ao cumprimento das diligências deverá elaborar um relatório fiscal demonstrando a veracidade, ou não, das alegações suscitadas de que a integralidade das receitas financeiras auferidas em virtude de aplicações financeiras (montante de R$ 95.169.208,75), vinculadas ao IRRF em análise nestes autos, foram efetivamente oferecidas à tributação, ainda que em períodos anteriores; A recorrente deverá tomar a devida ciência deste Relatório Fiscal, podendo se manifestar no prazo regulamentar, se assim o desejar, retornando os autos a este Conselheiro, após expirarse o prazo. É o voto. MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA – Relator. Fl. 1814DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por MARCOS ANTONIO NEPOMUCENO FEITOSA, Assinado digitalmente em 08/09/2016 por LUIZ TA DEU MATOSINHO MACHADO
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Numero do processo: 11080.723702/2010-19
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010
Ementa:
AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INTERNO.
Deve ser mantida a glosa da despesa de amortização de ágio que foi gerado internamente ao grupo econômico, sem qualquer dispêndio, e transferido à pessoa jurídica que foi incorporada.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9101-002.390
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento. Vencidos os Conselheiros Luis Flávio Neto, Ronaldo Apelbaum, Nathalia Correia Pompeu, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa e Hélio Eduardo de Paiva Araújo, que lhe negaram provimento. O Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo votou apenas quanto ao mérito em virtude de ter sido convocado para ocupar a vaga da Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez, que já havia proferido seu voto em sessão anterior.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helio Eduardo de Paiva Araújo, André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rêgo, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Luis Flávio Neto, Ronaldo Apelbaum, Nathalia Correia Pompeu e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 Ementa: AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO INTERNO. Deve ser mantida a glosa da despesa de amortização de ágio que foi gerado internamente ao grupo econômico, sem qualquer dispêndio, e transferido à pessoa jurídica que foi incorporada. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento. Vencidos os Conselheiros Luis Flávio Neto, Ronaldo Apelbaum, Nathalia Correia Pompeu, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa e Hélio Eduardo de Paiva Araújo, que lhe negaram provimento. O Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo votou apenas quanto ao mérito em virtude de ter sido convocado para ocupar a vaga da Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez, que já havia proferido seu voto em sessão anterior. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helio Eduardo de Paiva Araújo, André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rêgo, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Luis Flávio Neto, Ronaldo Apelbaum, Nathalia Correia Pompeu e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 37 02 /2 01 0- 19 Fl. 1709DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.709 2 Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial (efls. 1.515/1.547), contra o acórdão de nº 110100.709 (efls. 1.446/1.512), que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, nos termos da decisão cuja ementa ora colaciono: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 ÁGIO. REQUISITOS DO ÁGIO. 0 art. 20 do DecretoLei n° 1.598, de 1997, retratado no art. 385 do RIR11999, estabelece a definição de ágio e os requisitos do ágio, para fins fiscais. 0 ágio é a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor patrimonial das ações adquiridas. Os requisitos são a aquisição de participação societária e o fundamento econômico do valor de aquisição. Fundamento econômico do ágio é a razão de ser da mais valia sobre o valor patrimonial. A legislação fiscal prevê as formas como este fundamento econômico pode ser expresso (valor de mercado, rentabilidade futura, e outras razões) e como deve ser determinado e documentado. ÁGIO INTERNO. A circunstancia da operação ser praticada por empresas do mesmo grupo econômico não descaracteriza o ágio, cujos efeitos fiscais decorrem da legislação fiscal. A distinção entre ágio surgido em operação entre empresas do grupo (denominado de ágio interno) e aquele surgido em operações entre empresas sem vinculo, não é relevante para fins fiscais. ÁGIO INTERNO. INCORPORAÇÃO REVERSA. AMORTIZAÇÃO. Para fins fiscais, o ágio decorrente de operações com empresas do mesmo grupo (dito ágio interno), não difere em nada do ágio que surge em operações entre empresas sem vinculo. Ocorrendo a incorporação reversa, o ágio poderá ser amortizado nos termos previstos nos arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532, de 1997. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006, 2007, 2008, 2009, 2010 ART. 109 CTN. ÁGIO. ÁGIO INTERNO. É a legislação tributária que define os efeitos fiscais. As distinções de natureza contábil (feitas apenas para fins contábeis) não produzem efeitos fiscais. 0 fato de não ser considerado adequada a contabilização de ágio, surgido em operação com empresas do mesmo grupo, não afeta o registro do ágio para fins fiscais. Fl. 1710DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.710 3 DIREITO TRIBUTÁRIO. ABUSO DE DIREITO. LANÇAMENTO. Não há base no sistema jurídico brasileiro para o Fisco afastar a incidência legal, sob a alegação de entender estar havendo abuso de direito. 0 conceito de abuso de direito é louvável e aplicado pela Justiça para solução de alguns litígios. Não existe previsão do Fisco utilizar tal conceito para efetuar lançamentos de oficio, ao menos até os dias atuais. 0 lançamento é vinculado a lei, que não pode ser afastada sob alegações subjetivas de abuso de direito. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. ELISÃO. EVASÃO. Em direito tributário não existe o menor problema em a pessoa agir para reduzir sua carga tributária, desde que atue por meios lícitos (elisão). A grande infração em tributação é agir intencionalmente para esconder do credor os fatos tributáveis (sonegação). ELISÃO. Desde que o contribuinte atue conforme a lei, ele pode fazer seu planejamento tributário para reduzir sua carga tributária. 0 fato de sua conduta ser intencional (artificial), não traz qualquer vicio. Estranho seria supor que as pessoas só pudessem buscar economia tributária licita se agissem de modo casual, ou que o efeito tributário fosse acidental. SEGURANÇA JURÍDICA. A previsibilidade da tributação é um dos seus aspectos fundamentais. A Recorrente aponta divergência jurisprudencial em relação ao acórdão 130100.058, cuja ementa, na parte afeta à matéria, ora transcrevo: DESPESA DE ÁGIO. DESCARACTERIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE — Não há que se falar em despesas de ágio na situação em que os montantes correspondentes decorrem de expectativas de rentabilidade daquele que se beneficiou da redução do lucro tributável. Fundamenta o seu recurso, em apertada síntese, na impossibilidade de aproveitamento de ágio que foi gerado artificialmente, entre empresas que estavam sob controle comum, vez que as operações ocorreram entre as seguintes pessoas jurídicas: a) Gerdau S.A; b) Siderúrgica Riograndense AS (alterada para Gerdau Participações S.A); c) Gerdau Açominas S.A; e d) Gerdau Comercial de Aços S.A. A Fazenda descreve os fatos analisados pela Fiscalização desde a aquisição, em 2001, pela Gerdau S.A, de participação na Aço Minas Gerais S.A. Tal participação teria sido aumentada em 2002, e reestruturada em 2003, com a transferência de alguns ativos da Gerdau S.A para a Açominas, depois denominada Gerdau Açominas S.A. Fl. 1711DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.711 4 Aduz a Recorrente que: a) em 2004 foi iniciada a reorganização societária do grupo Gerdau, sendo o primeiro passo a reativação da Siderúrgica Riograndense, que estava praticamente desativada, mas recebeu um aporte de capital com integralização de ações efetuada pela Gerdau S.A., passando tal siderúrgica a se denominar Gerdau Participações S.A.; b) o capital dessa siderúrgica foi aumentado de R$ 422.360,00 para R$ 15.227.078.630,00, por meio de ações que a Gerdau S.A tinha na Gerdau Açominas S.A. e na Gerdau Internacional Empreendimentos Ltda.; c) antes da integralização, essas ações foram reavaliadas, por meio de um Laudo de Avaliação Econômica fundamentado em expectativa de rentabilidade futura, elaborado em 22/12/2004; d) a Gerdau S.A., que teve o seu patrimônio aumentado em decorrência dessas reavaliações, não reconheceu ganho de capital, em razão do diferimento que era autorizado por meio do art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002; e) em 28 de abril de 2005, a Gerdau S.A, a Gerdau Participações S.A e a Gerdau Açominas S.A., firmaram “Protocolo de Intenções” pactuando a futura incorporação da Gerdau Participações S.A pela Gerdau Açominas S.a, que iria se efetivar no dia 9 de maio de 2005; f) em 9 de maio de 2005, a Gerdau Açominas S.A. incorporou a Gerdau Participações, passando seu capital a ser aumentado em R$ 1.224.645.638, 74, havendo, ainda, sido constituída uma Reserva Especial de Ágio no montante de R$ 3.134.243.953,83; g) a partir desta incorporação, a incorporadora Gerdau Açominas S.A passou a amortizar o ágio (esta amortização está sendo discutida por meio do PAF 10680.724392/201028); h) três meses após essa incorporação, a Gerdau Açominas S. A foi cindida parcialmente, havendo o seu patrimônio sido vertido para quadro novas sociedades: Gerdau Aços Especiais S.A., Gerdau Aços Longos S.A., Gerdau América do Sul Participaçoes S.A., e Gerdau Comercial de Aços S.A. Em resumo, a Recorrente argumenta que o aumento de capital na Gerdau Participações pela Gerdau S.A, utilizandose de suas participações societárias na Gerdau Açominas S.A e na Gerdau Internacional Empreendimentos Ltda, “não teve qualquer respaldo fáticonegocial, consistindo, nas palavras da Fiscalização, artifício contábil.”, já que a Gerdau Participações serviu de empresa veículo para tãosomente reduzir o lucro tributável da Gerdau Açominas S.A, porque foi criada com “o único objetivo de criar artificialmente um ágio a ser deduzido” e destaca a proximidade temporal entre a reativação da antiga Siderúrgica Riograndense (que virou a Gerdau Participações) e sua incorporação (vida efêmera de 5 meses). Rebate os argumentos da recorrida no tocante às suas justificativas para a operação, colaciona doutrina de Luís Eduardo Schoueri a respeito de Planejamento Tributário e Fl. 1712DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.712 5 Propósito Negocial, transcreve parte do voto vencido da lavra da Conselheira Edeli Pereira Bessa, bem como outros acórdãos do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes. Além disso, a Recorrente aponta erro no voto condutor do acórdão recorrido, haja vista que este afirmou que a Fiscalização, ao basear o lançamento em artigo doutrinário de Eliseu Martins, não reproduziu com fidelidade o entendimento do ilustre professor e o texto do professor defende que a contabilidade não pode se dissociar dos valores éticos, concluindo, ao contrário do voto vencedor do acórdão recorrido, que o professor Eliseu Martins repudia a contabilidade “manipulável e nefasta” e interpreta que o professor entende que o “ágio em si mesmo” deve ser expurgado da contabilidade, pois não encontra guarida nas regras e nos princípios que governam os registros contábeis. Assim, estaria completamente equivocado o voto condutor do acórdão recorrido porque entendeu, em outras palavras, que “a lei teria causado, de modo proposital, a erosão tributária mediante a criação de despesas artificiais!”. Ao final, pede que seja reformado o acórdão recorrido, restabelecendose a decisão de primeira instância. O recurso foi admitido pelo Presidente da Primeira Câmara por meio do Despacho de efls. . 1.550/1.553, do qual transcrevo o seguinte trecho: “Verificase ser idêntico o contexto fático entre as situações contrapostas. Com efeito, em ambas houve a presença de empresa controladora (ou grupo controlador) que subscreveu (eram) capital social em empresa ‘veículo’ com ações da controlada avaliadas por valor maior do que o patrimonial, gerando ágio com base em rentabilidade futura naquela ‘veículo”. Em ato de incorporação societária posterior a empresa veículo’ é absorvida pela controlada, que passa a contabilizar a amortização do ágio”. A contribuinte devidamente cientificada desse despacho apresenta Contrarrazões de fls 1.601/1.647, por meio da qual refuta, não só a admissibilidade, como também o mérito do recurso da Fazenda. No que diz respeito à admissibilidade, afirma que, ainda que a matéria fática em ambos os acórdãos seja reorganização societária com aproveitamento de ágio nela gerado, enquanto no acórdão paradigma é questionada a existência do próprio ágio, no acórdão recorrido, o fundamento econômico da avaliação do ágio é inquestionável, daí porque inexistiria dissídio jurisprudencial. Por oportuno, destaco trecho que reproduz uma síntese de seus argumentos: “No Acórdão Paradigma, a Terceira Câmara examinou e decidiu por não admitir os efeitos fiscais almejados com o ‘planejamento tributário engendrado pela Recorrente’.No Acórdão Paradigma, a Terceira Câmara não apreciou, particularmente, o alcance, tampouco interpretou as regras jurídicas dos artigos 7º e 8º da Lei 9.532/97, à vista de carência de fundamento econômico para a avaliação suficiente à existência de ágio. No Acórdão Recorrido, a Primeira Câmara apreciou o alcance, interpretou e decidiu sobre a aplicação das normais inseridas nos artigos 7º e 8º da Lei 9.532/97 na hipótese de ‘denominado ágio interno”. Fl. 1713DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.713 6 No mérito, contraargumenta a Fazenda, aduzindo que não existe no caso concreto qualquer ofensa aos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, pois a única motivação para o lançamento foi o ágio interno, ou seja, o fato de “os efeitos contábeis da geração do ágio amortizado ter sido gerado em operações efetuadas entre pessoas jurídicas pertencentes ao mesmo grupo econômico”, e tal fato restou evidenciado no acórdão recorrido como “irrelevante ao comando legal inserido no art. 7º da Lei 9.532/97”. Acrescenta que quando a Recorrente chama a reorganização das empresas de “operações estruturadas”, ela está se afastando e inovando a motivação dos lançamentos, até porque os AuditoresFiscais não contestaram os objetivos de sua reestruturação, não contestaram o fundamento econômico do laudo, nem sua veracidade, tendo, portanto, o laudo de avaliação sido admitido como verdadeiro e eficaz, e que a Recorrente não logrou infirmar tal laudo, tampouco o fundamento econômico que gerou o ágio. A respeito das referências à doutrina do prof. Eliseu Martins, aduz que ele mesmo esclareceu, em obra posterior, que não estava dizendo que o que se fazia contrariava norma em vigor, de forma que o mencionado professor rechaçava a interpretação dos AuditoresFiscais; também cita trechos da obra de Luis Eduardo Schoueri, na parte que faz referência aos profissionais Eliseu Martins e Jorge Vieira da Costa Júnior. Defende que a lei aplicase a qualquer pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, nas condições enumeradas, e que no caso houve a subscrição e integralização de capital social na Gerdau Participações S.A pelo Banco Itaú BBA S.A, e, que o princípio da legalidade obsta a utilização da chamada interpretação econômica pelo aplicador da lei, que foi feita pelos AuditoresFiscais. Sustenta que o próprio STJ já se pronunciou que é impossível, em função do princípio da legalidade, ampliar a base de cálculo de tributo por meio de interpretação jurisprudencial, como está a pretender a Recorrente em suas razões recursais. Por fim, requer que seja negado conhecimento ou, no mínimo, negado provimento ao recurso especial da Fazenda, em razão dos argumentos acima aduzidos. É o relatório. Fl. 1714DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.714 7 Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Relatora. Pressupostos de Admissibilidade do Recurso O recurso é tempestivo porém, como a Recorrida traz em contrarrazões argumentos no sentido do seu não conhecimento, passo a analisálos. A síntese dos argumentos da Recorrida no que toca ao conhecimento diz respeito à ausência de dissídio jurisprudencial, porque entende que no acórdão paradigma o laudo foi questionado e, no acórdão recorrido, o laudo não foi questionado. Entretanto este entendimento está equivocado por duas razões: i) a motivação para o acórdão paradigma não aceitar como dedutível a despesa de amortização do ágio decorreu de situações que se encontram presentes no acórdão recorrido. O fato de a Fiscalização, no caso do acórdão paradigma, trazer à tona ressalva feita pela empresa de consultoria responsável pelo laudo quanto ao seu conteúdo foi encarado pelo relator como sem tanta relevância, pois ele apenas citou o laudo como “discutível” mas, sem sombra de dúvidas, o que foi decisivo para o julgamento foi o fato de as operações terem sido realizadas entre empresas sob controle comum e do ágio ter sido gerado artificialmente, conforme trechos do voto do acórdão paradigma e, na seqüência, conforme a própria ementa do acórdão, por meio da qual normalmente o relator resume a essência do seu voto: O que se observa é que os administradores da Recorrente e de outras empresas a ela ligadas, em um prazo de cinco dias, tomando por base uma avaliação discutível do seu patrimônio, aproveitaramse de uma reorganização societária para fazer surgir uma despesa vultosa, classificada como ÁGIO, e, a partir daí, reduzir o lucro tributável. ......................................................................................................... O que salta aos olhos é que, como bem ressaltou a autoridade fiscal, a intenção da Recorrente foi, paralelamente aos interesses estritamente societários, forjar a existência de um ágio para, a partir da conseqüente redução da incidência tributária, propiciar ganhos para os seus acionistas. ........................................................................................................ A meu ver, outra não poderia ser a conclusão, pois, no caso vertente, em que a despesa apropriada decorreu de mais valia do patrimônio daquela que almeja beneficiarse de sua dedutibilidade, não há que se falar em ágio decorrente de aquisição de participação societária.(Grifei) Fl. 1715DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.715 8 Ementa: DESPESA DE ÁGIO. DESCARACTERIZAÇÃO. INDEDUTIBILIDADE — Não há que se falar em despesas de ágio na situação em que os montantes correspondentes decorrem de expectativas de rentabilidade daquele que se beneficiou da redução do lucro tributável. ii) na acusação fiscal do acórdão recorrido, ao contrário do que afirma a recorrida, o fundamento econômico do laudo foi questionado, sim, indiretamente, porque se diz que o ágio é sem substrato econômico, artificial. Questionase algo bem anterior ao próprio laudo, conforme trechos que do Termo de Verificação Fiscal ora colacionados (efls. 1.802 e seguintes): ......................................................................................................................................................... ......................................................................................................................................................... ....................................................................................................................................................... Fl. 1716DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.716 9 ........................................................................................................................................................ ........................................................................................................................................................ Assim, quando a Recorrida quer dizer que ninguém questionou o fundamento do seu ágio, ela na verdade está querendo já adentrar no mérito da questão, para defender a legalidade das despesas que efetuou. Mas não se pode dizer que essas não foram questionadas, porque o foram e de forma bastante contundente. Não há como conceber que a Fiscalização validou e considerou correto o ágio, porque, a partir do momento que ela questiona o seu surgimento, o seu artificialismo, ela está criticando algo até maior do que o seu fundamento econômico. Aliás, a discussão se a despesa é dedutível ou não, no caso do recorrido, é uma decorrência de como surgiu esse ágio. Assim, quando, em suas contrarrazões, apresenta um quadro comparando as decisões, na verdade, a Recorrida está comparando duas decisões que, de fato, deram entendimentos diversos, porque quem não questiona o laudo e o fundamento econômico do seu Fl. 1717DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.717 10 surgimento é a decisão recorrida e é justamente por isso que a Fazenda tenta demonstrar a divergência jurisprudencial. Portanto, conforme demonstrado, ambos os colegiados se debruçaram sobre uma acusação fiscal de impossibilidade de dedutibilidade da despesa de amortização de um ágio que teria sido criado em operações entre empresas sob o mesmo controle, sem que houvesse qualquer dispêndio, posto que para nenhum deles a Fiscalização identificou que houve pagamentos, e em ambos, a Fiscalização também identificou ter havido o uso de “empresas veículos": no paradigma, a Magenta, no recorrido, a Gerdau Participações S.A. A similitude decorrente do controle comum e de ambos os casos não ter havido o pagamento é tão flagrante, que o próprio voto vencido no acórdão recorrido, quando aduz que para haver ágio propriamente dito, tem que haver pagamento, cita o próprio acórdão paradigma: No mesmo sentido são as conclusões do I. Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães ao analisar caso semelhante, expressas no Acórdão n° 130100.058 e acolhidas por unanimidade pela 1a Turma Ordinária da 3 a Camara desta 1a Seção de Julgamento, em sessão de 13 de maio de 2009: O que se observa é que os administradores da Recorrente e de outras empresas a ela ligadas, em um prazo de cinco dias, tomando por base uma avaliação discutível do seu patrimônio, aproveitaramse de uma reorganização societária para fazer surgir uma despesa vultosa, classificada como AGIO, e, a partir dai, reduzir o lucro tributável. O planejamento tributário engendrado pela Recorrente, que ao menos no que tange aos seus efeitos fiscais revela o lado perverso das práticas adotadas sob esse manto, representou, em síntese, a criação de uma despesa que tem por base a própria mais valia do seu patrimônio, isto é, a contribuinte, a partir de unia avaliação encomendada por ela própria, fez refletir no seu ativo os resultados de uma suposta rentabilidade futura e, por meio de uma reorganização societária, sem despender uni único centavo, transformou essa mais valia em uma despesa.(..) Saliento que vislumbro similitude fática, inclusive, pelo fato de no acórdão recorrido a Fiscalização não ter questionado o propósito negocial da operação de reorganização societária como um todo, e idêntica situação ter ocorrido no acórdão paradigma, como destaco do acórdão nº 130100.058: Notese que a autoridade fiscal, ainda que tenha tratado o ágio apropriado como fruto de artificialismo, não questionou os motivos alegados pela Recorrente para promover as operações aqui tratadas, ou seja, diferentemente do arguido por ela, não se imiscuiu em seus negócios, declarandoos ilegais ou ilegítimos. Apenas e tãosomente demonstrou que os efeitos fiscais buscados pela empresa, a luz da legislação do imposto de renda, não poderiam ser admitidos. Ou seja, até sob esse aspecto (não questionamento, pela Fiscalização, do propósito negocial das operações de reorganização societária), os casos são semelhantes. Fl. 1718DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.718 11 Em razão disso, afasto a alegação de ausência de dissenso jurisprudencial e conheço do recurso. Análise do mérito No mérito, entendo que assiste razão à Fazenda Nacional porque a Lei nº 9.532, de 1997, em seus artigos 7º e 8º, jamais pode ser interpretada como permissiva de dedutibilidade de uma despesa que foi “inventada”! E aqui chamo a atenção que o que classifico de “invenção” é incontroverso pois, em que pese a recorrente dizer que o ágio é legítimo, em nenhum momento a Recorrida demonstrou que houve pagamento ou qualquer transferência de recursos relativa ao ágio que aproveitou. A discussão que se trava aqui é se a lei exige ou não pagamento, custo, onerosidade, e partes independentes. Recapitulando um pouco a operação de onde surgiu o ágio, verificase: 1 – Siderúrgica Riograndense, empresa praticamente inativa, com capital social de R$ 422.360,00 passa a se chamar Gerdau Participações e a deter um capital de R$ 15.227.078.630,00. E a primeira pergunta que surge: como se deu este aumento de capital? 2 – Gerdau S.A subscreveu ações que Siderúrgica Riograndense emitiu. E como subscreveu? 3 – Subscreveu com as ações que Gerdau S.A tinha na Gerdau Açominas, no valor de R$ 13.698.283.480,00 (subscreveu com a totalidade das ações que detinha na Açominas) e na Gerdau Internacional, no valor de R$ 1.528.372.790,00 (aqui só usou 22,8% da participação que detinha). E como surge a Gerdau Comercial de Aços S.A? 4 – Foi constituída em 15/04/2005, com capital social de R$ 10.000,00, subscrito por Gerdau Açominas S/A (R$ 9.900,00) e Grupo Gerdau Empreendimentos Ltda (R$ 100,00). E como surge o ágio na Gerdau Comercial de Aços S.A? 5 – Em 30/07/2005, Gerdau Açominas é cindida parcialmente, e uma parte do seu patrimônio vai para a Gerdau Aços Especiais (de acordo com o laudo, a ora autuada incorporou R$ 517.835.604,32 dos bens, direitos e obrigações da cindida). Portanto houve uma cisão, seguida de incorporação. 6 – Desse valor, R$ 359.177.779,52 corresponde, segundo a Fiscalização, ao ágio herdado pela Gerdau Açominas, quando incorporou a Gerdau Participações. É que, em 2004, o investimento que a Gerdau S.A tinha na Gerdau Açominas estava contabilizado por R$ 4.479.918.909,94. Mediante um Laudo de Avaliação Econômica na Gerdau Açominas, esse investimento passou a ser avaliado por R$ 4.479.918.909,94, acrescido de um “goodwill” de R$ 13.698.283.480,00. Fl. 1719DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.719 12 Quando Gerdau S.A subscreveu o capital de Gerdau Participações S.A com a totalidade das ações da Gerdau Açominas, Gerdau Açominas passou a ser controlada de Gerdau Participações, que por sua vez era controlada de Gerdau S.A, ou seja, o controle de tudo continuou com Gerdau S.A. Na contabilidade de Gerdau Participações S.A é registrado o valor contábil da Gerdau Açominas, acrescido do ágio decorrente da reavaliação. Quando Gerdau Açominas incorpora Gerdau Participações, passa a amortizar uma parte desse ágio, e quando é cindida e incorporada pela Gerdau Aços Especiais, o ágio é transferido. Logo, quem recebeu este ativo reavaliado, que foi a Gerdau Participações S. A, nada entregou à Gerdau S.A, senão suas próprias ações, as quais apenas permitiram à suposta alienante manter o controle que já detinha sobre a Gerdau Açominas. Assim, Gerdau Participações S.A tem contabilizado um ágio sem ter tido qualquer dispêndio para aquisição das ações. E quando a ora autuada (Gerdau Aços Especiais S.A) passa a amortizar o ágio? 7 – Quando ela incorpora parte de Gerdau Açominas (a partir de agosto de 2005). Isso aconteceu cinco meses após Gerdau Participações S.A ter surgido como tal (conforme item 1 acima). A Recorrida alega que isso ocorreu em razão de ser um estágio intermediário do processo de reorganização societária. A Fiscalização diz que não questiona quais são os objetivos maiores da reorganização do Grupo Gerdau, mas aduz que isso não afasta o fato de Gerdau Participações S.A ter servido de veículo para transferência de um ágio, porque, consultando as DIPJs, verificou que essa empresa até então apresentava resultados irrisórios, foi alçada à condição de holding, com expressivo capital, para logo depois ser extinta. Entendo que a discussão se Gerdau Participações S.A foi ou não empresa veículo é um argumento pequeno em relação ao que considero muito mais grave neste processo, que é alguém deduzir uma despesa de amortização de um ágio que foi artificialmente criado. Isso porque considero desarrazoado alguém conceber que a legislação permite uma erosão de base tributável de forma tão flagrante! O argumento de que como o legislador não vedou o ágio surgido de operações intragrupo, tudo seria possível, é mais absurdo ainda, porque a Lei nº 9.532, de 1997 trata expressamente de participações adquiridas com ágio ou deságio e ágio pressupõe um pagamento (ou que se arque com um dispêndio) maior do que um valor contabilizado (como deságio pressupõe pagamento a menor), reforçandose ainda, quando o caput do art. 7º faz referência ao DecretoLei nº 1.598, de 1977, o qual, também de forma expressa, define o ágio como diferença entre custo de aquisição e o valor do PL ao tempo dessa aquisição: Lei nº 9.532, de 1997 Fl. 1720DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.720 13 Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: ......................................................................................................... III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998).(Negritei) Decretolei nº 1.598, de 1977 (redação vigente ao tempo dos fatos geradores) Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I.(Negritei) É oportuno registrar que não se está aqui a ampliar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, como quis fazer crer a Recorrida em suas contrarrazões, mas simplesmente interpretando o que dispôs o legislador. E nem mesmo a se fazer uma interpretação econômica dos fatos ou da lei. É que não faz o menor sentido tratar como “custo” o que não representou qualquer dispêndio! Até ouso dizer que o que está a se fazer aqui é uma interpretação literal da lei, porque sequer consigo vislumbrar custo diferente de dispêndio e dispêndio diferente de se arcar com um ônus. Aliás, a definição de Custo de Aquisição trazida pelo Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações elaborado pela FIPECAFI (item 10.3.2.a, da 7ª ed., 2008), não deixa dúvidas: “a) CUSTO DE AQUISIÇÃO O custo de aquisição é o valor efetivamente despendido na transação por subscrição relativa a aumento de capital, ou ainda pela compra de ações de terceiros, quando a base do custo é o preço total pago. Vale lembrar que esse valor pago é reduzido dos valores recebidos a título de distribuição de lucros (dividendos), dentro do período de seis meses após a aquisição das cotas ou ações da investida.” (Grifei) Ou seja, os valores a serem registrados como custo de aquisição, como preço pago, deve corresponder ao valor despendido, pago, nas transações com agentes externos, para obtenção do investimento. Fl. 1721DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.721 14 Ainda do referido Manual, 7ª ed., destaco todas as menções feitas a valor pago e aquisição de ações, no sentido de demonstrar o que a teoria contábil considera custo de aquisição e ágio: “11.7.1 – Introdução e Conceito Os investimentos, como já vimos, são registrados pelo valor da equivalência patrimonial e, nos casos em que os investimentos foram feitos por meio de subscrições em empresas coligadas ou controladas, formadas pela própria investidora, não surge normalmente qualquer ágio ou deságio. Vejase, todavia, caso especial no item 11.7.6. Todavia, no caso de uma companhia adquirir ações de uma empresa já existente, pode surgir esse problema. O conceito de ágio ou deságio, aqui, não é o da diferença entre o valor pago pelas ações e seu valor nominal, mas a diferença entre o valor pago e o valor patrimonial das ações, e ocorre quando adotado o método da equivalência patrimonial. Dessa forma, há ágio quando o preço de custo das ações for maior que seu valor patrimonial, e deságio, quando for menor, como exemplificado a seguir. 11.7.2 Segregação Contábil do Ágio ou Deságio Ao comprar ações de uma empresa que serão avaliadas pelo método da equivalência patrimonial, devese, já na ocasião da compra, segregar na Contabilidade o preço total de custo em duas subcontas distintas, ou seja, o valor da equivalência patrimonial numa subconta e o valor do ágio (ou deságio) em outra subconta.(...) 11.7.3 Determinação do Valor do Ágio ou Deságio a)GERAL Para permitir a determinação do valor do ágio ou deságio, é necessário que, na database da aquisição das ações, se determine o valor da equivalência patrimonial do investimento, para o que é necessária a elaboração de um Balanço da empresa da qual se compraram as ações, preferencialmente na mesma database da compra das ações ou até dois meses antes dessa data. Todavia, se a aquisição for feita com base num Balanço de negociação, poderá ser utilizado esse Balanço, mesmo que com defasagem superior aos dois meses mencionados. Ver exemplos a seguir. b) DATABASE Na prática, esse tipo de negociação é usualmente um processo prolongado, levando, às vezes, a meses de debates até a conclusão das negociações. A database da contabilização da compra é a da efetiva transmissão dos direitos de tais ações aos novos acionistas; a partir dela, passam a usufruir dos lucros gerados e das demais vantagens patrimoniais.(...) 11.7.4 Natureza e Origem do Ágio ou Deságio (...) c) ÁGIO POR VALOR DE RENTABILIDADE FUTURA Fl. 1722DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.722 15 Esse ágio (ou deságio) ocorre quando se paga pelas ações um valor maior (menor) que o patrimonial, em função de expectativa de rentabilidade futura da coligada ou controlada adquirida. Esse tipo de ágio ocorre com maior frequência por envolver inúmeras situações e abranger diversas possibilidades. No exemplo anterior da Empresa B, os $ 100.000.000 pagos a mais na compra das ações representam esse tipo de ágio e devem ser registrados nessa subconta específica. Sumariando, no exemplo anterior, a contabilização da compra das ações pela Empresa A, por $ 504.883.200, seria (...). 11.7.5 Amortização do Ágio ou Deságio CONTABILIZAÇÃO V – Amortização do ágio (deságio) por valor de rentabilidade futura O ágio pago por expectativa de lucros futuros da coligada ou controlada deve ser amortizado dentro do período pelo qual se pagou por tais futuros lucros, ou seja, contra os resultados dos exercícios considerados na projeção dos lucros estimados que justifiquem o ágio. O fundamento aqui é o de que, na verdade, as receitas equivalentes aos lucros da coligada ou controlada não representam um lucro efetivo, já que a investidora pagou por eles antecipadamente, devendo, portanto, baixar o ágio contra essas receitas. Suponha que uma empresa tenha pago pelas ações adquiridas um valor adicional ao do patrimônio líquido de $ 200.000, correspondente a sua participação nos lucros dos 10 anos seguintes da empresa adquirida. Nesse caso, tal ágio deverá ser amortizado na base de 10% ao ano. (Todavia, se os lucros previstos pelos quais se pagou o ágio não forem projetados em uma base uniforme de ano para ano, a amortização deverá acompanhar essa evolução proporcionalmente).(...) Nesse sentido, a CVM determina que o ágio ou o deságio decorrente da diferença entre o valor pago na aquisição do investimento e o valor de mercado dos ativos e passivos da coligada ou controlada deverá ser amortizada da seguinte forma (...). 11.7.6 Ágio na Subscrição (...) por outro lado, vimos nos itens anteriores ao 11.7 que surge o ágio ou deságio somente quando uma empresa adquire ações ou quotas de uma empresa já existente, pela diferença entre o valor pago a terceiros e o valor patrimonial de tais ações ou quotas adquiridas dos antigos acionistas ou quotistas. Poderíamos concluir, então, que não caberia registrar um ágio ou deságio na subscrição de ações. Entendemos, todavia, que quando da subscrição de novas ações, em que há diferença entre o valor de custo do investimento e o valor patrimonial contábil, o ágio deve ser registrado pela investidora. Fl. 1723DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.723 16 Essa situação pode ocorrer quando os acionistas atuais (Empresa A) de uma empresa B resolvem admitir novo acionista (Empresa X) não pela venda de ações já existentes, mas pela emissão de novas ações a serem subscritas, pelo novo acionista. Ou quando um acionista subscreva aumento de capital no lugar de outro. O preço de emissão das novas ações, digamos $ 100 cada, representa a negociação pela qual o acionista subscritor está pagando o valor patrimonial contábil da Empresa B, digamos $ 60, acrescido de uma maisvalia de $ 40, correspondente, por exemplo, ao fato de o valor de mercado dos ativos da Empresa B ser superior a seu valor contabilizado. Tal diferença representa, na verdade, uma reavaliação de ativos, mas não registrada pela Empresa B, por não ser obrigatória. Notemos que, nesse caso, não faz sentido lógico que o novo acionista ou mesmo o antigo, ao fazer a integralização do capital, registre seu investimento pelo valor patrimonial das suas ações e reconheça a diferença como perda não operacional. Na verdade, nesse caso, o valor pago a mais tem substância econômica bem fundamentada e deveria ser registrado como um ágio, baseado no maior valor de mercado dos ativos da Empresa B.” É de se observar, ainda, que mesmo na subscrição de ações, falase em preço e pagamento de valor. É bem verdade que no item 38.6.1.2, ao tratar da Incorporação Reversa com Ágio Interno, o referido Manual, ao analisar o art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002, aduz que o referido diploma legal admitia a reavaliação de participações societárias, quando da integralização de ações subscritas, com o diferimento da tributação do IRPJ e da CSLL e concluem os autores da obra: “Questionase, desse modo, a racionalidade econômica do art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002, pelo lado do ente tributante, que permite que grupos econômicos, em operações de combinação de negócios, criem artificialmente, ágios internamente, por intermédio da constituição de ‘sociedades veículos’, que surgem e são extintas em curso lapso temporal, ou pela utilização de sociedades de participação denominadas ‘casca’, com finalidade meramente elisiva. Do ponto de vista tributário, à luz do art. 36, e dependendo da forma pela qual a operação é realizada, a Fazenda pública perde porque permite a dedutibilidade da quota de ágio amortizada para fins de IRPJ e base de cálculo da CSLL e difere a tributação do ‘ganho de capital’ registrado pela companhia que subscreve e integraliza aumento de capital em ‘sociedade veículo’ ou de participação ‘casca’, a ser em seguida incorporada”. Com a devida vênia aos autores, é de se verificar e como a própria Recorrida aduz em suas Contrarrazões, que existe permissão legal, sim, de integralização de capital social com ações de outra empresa, que há permissão legal de avaliação de investimentos em sociedades coligadas e controladas com o desdobramento do custo de aquisição em ágio; Fl. 1724DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.724 17 contudo, o que não há é autorização legal para, em virtude dessa integralização, lançar em contrapartida o desdobramento do custo como ágio, pois, em operações internas, sem que um terceiro se disponha a pagar uma maisvalia, não há ágio; a contrapartida é uma reavaliação de ativos. E é isso que os autores confundem quando tratam do art. 36 da Lei nº 10.637, de 2002, porque essa lei sequer fala em ágio. Assim, o que tal dispositivo tratava é da possibilidade de diferimento do ganho de capital, quando uma companhia A, que possui participação societária em B, resolve constituir C, subscrevendo capital com ações reavaliadas de B. Ocorre que essa reavaliação de B é puramente uma reavaliação, quando as operações ocorrem dentro de um mesmo grupo. A lei não autoriza que a contrapartida da reavaliação seja uma conta de ágio. Só existe ágio se um terceiro se dispõe a reconhecer esse sobrepreço e a pagar por ele. Sem onerosidade, descabe falar em maisvalia. E é nessa linha que os autores acabam concluindo às fls. 599 e 600 da 7ª edição: “Para admitirse o registro da parcela legalmente dedutível do ágio gerado internamente, devese enxergála tecnicamente, abstraindo outras questões, similarmente a um ativo fiscal diferido advindo de estoques de prejuízos fiscais e de bases negativas de contribuição social. Poderseia advogar que seu registro encontra amparo no fato de haver uma evidência persuasiva de sua substância econômica: um diploma legal que corrobora o seu surgimento. E ainda dentro dessa corrente de pensamento, seria admitido como critério de mensuração contábil inicial, por analogia, o mesmo dispensado a um ativo fiscal diferido advindo de estoques de prejuízos fiscais e de bases negativas de contribuição social, qual seja, mensuração a valores de saída, utilizando o método do fluxo de benefícios futuros trazidos a valor presente, no limite de benefícios nominais projetados para dez anos. Por outro lado, haveria também como refutar o registro da parcela legalmente dedutível do ágio gerado internamente, ao se enxergála tecnicamente como um intangível gerado internamente. Dentro do Arcabouço Conceitual Contábil em vigor, considerando a mensuração a valores de entrada, não se admite o reconhecimento de um ativo que não seja por seu custo de aquisição. Um intangível gerado internamente, como no caso em comento, embora gere benefícios econômicos inquestionáveis para uma dada entidade, tem o seu reconhecimento contábil obstado por uma simples razão: a ausência de custo para ser confrontado com benefícios gerados e permitir, com isso, a apuração de lucros consentâneos com a realidade econômica da entidade. (...) Só que, no caso desses créditos tributários derivados de operações societária entre empresas sob controle comum, não há, na essência, e também na figura das demonstrações consolidadas, qualquer desembolso que lhes dê suporte. Direitos obtidos sem custo, como direitos autorais, por exemplo, não são contabilizados; o goodwill (fundo de comércio) desenvolvido sem custo ou com custo diluído ao longo de vários anos na forma Fl. 1725DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.725 18 de despesas já reconhecidas também não é contabilizado; patentes criadas pela empresa são registradas apenas pelo seu custo etc. Por que os direitos de pagar menos tributos futuros, advindos de operações com ausência de propósito negocial e permeadas por abuso de forma, seriam registrados? Essas seriam discussões no campo técnico e conceituai a serem travadas. Contudo, estimulando um pouco mais o debate, deve se atentar para uma questão sobremaneira crucial para a Contabilidade. Do ponto de vista institucional e moral da profissão contábil, e por que não político, admitirse o registro do ativo fiscal implica estimular o surgimento de uma indústria do ágio? Assim, à parte possíveis controvérsias conceituais, o procedimento mais adequado, técnica e eticamente, é não se proceder ao reconhecimento do ativo fiscal diferido nessas operações."(Grifei) Por oportuno, trago ainda a versão do Manual de Contabilidade Societária, após as normas internacionais e os pronunciamentos do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (edição de 2010, pág. 442), que reforça ainda mais o que entendiam os autores do Manual: "Considerando que na época não havia uma normatização contábil similar ao CPC 15, a consequência direta da prática desse tipo de incorporação (reversa) era a geração de um benefício fiscal bem como o reconhecimento contábil de um ágio gerado internamente (contra o qual, nós, os autores deste Manual, sempre nos insurgimos). Dessa forma, era fortemente criticada a racionalidade econômica do art. 36 da Lei ne 10.637/02, que permitia que grupos econômicos, em operações de combinação de negócios (sob controle comum) criassem artificialmente ágios internamente por intermédio da constituição de "sociedades veículo", que surgem e são extintas em curto lapso de tempo, ou pela utilização de sociedades de participação denominadas "casca", com finalidade meramente elisiva. Nesse sentido, vale lembrar que a CVM vedava fortemente esse tipo de prática (vide OfícioCircular CVM SNC/SEP nQ 01/2007), uma vez que a operação se realizava entre entidades sob controle comum e, portanto, careciam de substância econômica (nenhuma riqueza era gerada efetivamente em tais operações). Além disso, o ágio fundamentado em rentabilidade futura (goodwill) proveniente de combinações entre entidades sob controle comum era eliminado nas demonstrações consolidadas da controladora final, tornando inconsistente o reconhecimento desse tipo de ágio gerado internamente (na ótica do grupo econômico não houve geração de riqueza). Atualmente, o art. 36 da Lei na 10.637/02 foi revogado pela Lei na 11.196/05 (art. 133, inciso III), bem como com a entrada em vigor do CPC 15, para fins de publicação de demonstrações contábeis, não mais será possível reconhecer contabilmente um ágio gerado internamente em combinações de negócio envolvendo entidades sob controle comum." Fl. 1726DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.726 19 Convém observar que tudo isso foi escrito antes mesmo da MP nº 627, de 2013! É importante também destacar que o próprio Conselho Federal de Contabilidade estabeleceu, por meio da Resolução nº CFC nº 750, de 1993, que as essências das transações devem prevalecer sobre a forma, e que a avaliação dos componentes patrimoniais deve ser efetuada com base nos valores de entrada, considerandose como tais aqueles resultantes do consenso com os agentes externos ou da imposição destes, senão vejamos: Art. 1º. Constituem PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DE CONTABILIDADE (PFC) os enunciados por esta Resolução. § 1º. A observância dos Princípios Fundamentais de Contabilidade é obrigatória no exercício da profissão e constitui condição de legitimidade das Normas Brasileiras de Contabilidade (NBC). § 2º. Na aplicação dos Princípios Fundamentais de Contabilidade há situações concretas e a essência das transações deve prevalecer sobre seus aspectos formais. (...) Art. 7º. Os componentes do patrimônio devem ser registrados pelos valores originais das transações com o mundo exterior, expressos a valor presente na moeda do País, que serão mantidos na avaliação das variações patrimoniais posteriores, inclusive quando configurarem agregações ou decomposições no interior da ENTIDADE. Parágrafo único. Do Princípio do REGISTRO PELO VALOR ORIGINAL resulta: I a avaliação dos componentes patrimoniais deve ser feita com base nos valores de entrada, considerandose como tais os resultantes do consenso com os agentes externos ou da imposição destes; II – uma vez integrado no patrimônio, o bem, direito ou obrigação não poderão ter alterados seus valores intrínsecos, admitindose, tãosomente, sua decomposição em elementos e/ou sua agregação, parcial ou integral, a outros elementos patrimoniais; III – o valor original será mantido enquanto o componente permanecer como parte do patrimônio, inclusive quando da saída deste; IV – os Princípios da ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA e do REGISTRO PELO VALOR ORIGINAL são compatíveis entre si e complementares, dado que o primeiro apenas atualiza e mantém atualizado o valor de entrada V – o uso da moeda do País na tradução do valor dos componentes patrimoniais constitui imperativo de homogeneização quantitativa dos mesmos.” (Grifei) O Conselho Federal de Contabilidade editou, ainda, a Resolução CFC nº 1.110/2007 para aprovar a NBC T 19.10 – Redução ao Valor Recuperável de Ativos, aplicável Fl. 1727DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.727 20 aos exercícios encerrados a partir de dezembro de 2008, cujo item 120 determina expressamente: “120. O reconhecimento de ágio decorrente de rentabilidade futura gerado internamente (goodwill interno) é vedado pelas normas nacionais e internacionais. Assim, qualquer ágio dessa natureza anteriormente registrado precisa ser baixado”. O Comitê de Pronunciamentos Contábeis, também repudiou o ágio interno por meio do CPC nº 04, aprovado em 2010, que, ao se manifestar sobre ativo intangível, dedicou os itens 48 a 50 para tratar do “Ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente”, deixando bastante claro que tal ágio sequer deve ser reconhecido como ativo: Ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente 48. O ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente não deve ser reconhecido como ativo. 49. Em alguns casos incorrese em gastos para gerar benefícios econômicos futuros, mas que não resultam na criação de ativo intangível que se enquadre nos critérios de reconhecimento estabelecidos no presente Pronunciamento. Esses gastos costumam ser descritos como contribuições para o ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente, o qual não é reconhecido como ativo porque não é um recurso identificável (ou seja, não é separável nem advém de direitos contratuais ou outros direitos legais) controlado pela entidade que pode ser mensurado com confiabilidade ao custo.(Grifei) Também em 2010, o Conselho Federal de Contabilidade por meio da Resolução CFC nº 1.303, de 2010, aprovou a NBC TG 04, que tem como base o mencionado Pronunciamento Técnico CPC 04 já acima transcrito : Ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente 48. O ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente não deve ser reconhecido como ativo. 49. Em alguns casos incorrese em gastos para gerar benefícios econômicos futuros, mas que não resultam na criação de ativo intangível que se enquadre nos critérios de reconhecimento estabelecidos na presente Norma. Esses gastos costumam ser descritos como contribuições para o ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente, o qual não é reconhecido como ativo porque não é um recurso identificável (ou seja, não é separável nem advém de direitos contratuais ou outros direitos legais) controlado pela entidade que pode ser mensurado com confiabilidade ao custo. Fl. 1728DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.728 21 50. As diferenças entre valor de mercado da entidade e o valor contábil de seu patrimônio líquido, a qualquer momento, podem incluir uma série de fatores que afetam o valor da entidade. No entanto, essas diferenças não representam o custo dos ativos intangíveis controlados pela entidade. (Grifei) Também a Comissão de Valores Mobiliários, por meio do OfícioCircular CVM/SNC/SEP nº 1, de 2007, no item 20.1.7 tratou o ágio interno nos seguintes termos: 20.1.7“Ágio” gerado em operações internas A CVM tem observado que determinadas operações de reestruturação societária de grupos econômicos (incorporação de empresas ou incorporação de ações) resultam na geração artificial de “ágio”. Uma das formas que essas operações vêm sendo realizadas, iniciase com a avaliação econômica dos investimentos em controladas ou coligadas e, ato contínuo, utilizarse do resultado constante do laudo oriundo desse processo como referência para subscrever o capital numa nova empresa. Essas operações podem, ainda, serem seguidas de uma incorporação. Outra forma observada de realizar tal operação é a incorporação de ações a valor de mercado de empresa pertencente ao mesmo grupo econômico. Em nosso entendimento, ainda que essas operações atendam integralmente os requisitos societários, do ponto de vista econômicocontábil é preciso esclarecer que o ágio surge, única e exclusivamente, quando o preço (custo) pago pela aquisição ou subscrição de um investimento a ser avaliado pelo método da equivalência patrimonial, supera o valor patrimonial desse investimento. E mais, preço ou custo de aquisição somente surge quando há o dispêndio para se obter algo de terceiros. Assim, não há, do ponto de vista econômico, geração de riqueza decorrente de transação consigo mesmo. Qualquer argumento que não se fundamente nessas assertivas econômicas configura sofisma formal e, portanto, inadmissível. Não é concebível, econômica e contabilmente, o reconhecimento de acréscimo de riqueza em decorrência de uma transação dos acionistas com eles próprios. Ainda que, do ponto de vista formal, os atos societários tenham atendido à legislação aplicável (não se questiona aqui esse aspecto), do ponto de vista econômico, o registro de ágio, em transações como essas, somente seria concebível se realizada entre partes independentes, conhecedoras do negócio, livres de pressões ou outros interesses que não a essência da transação, condições essas denominadas na literatura internacional como “arm’s length”. Portanto, é nosso entendimento que essas transações não se revestem de substância econômica e da indispensável independência entre as partes, para que seja passível de registro, mensuração e evidenciação pela contabilidade. (Grifei) Em 2011, inclusive, o Comitê quando aprova o CPC nº 15, que trata das demonstrações contábeis acerca da combinação de negócios e seus efeitos, deixa expresso que Fl. 1729DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.729 22 o Pronunciamento não alcança a combinação de negócios de entidades ou negócios sob controle comum: Objetivo 1. O objetivo deste Pronunciamento é aprimorar a relevância, a confiabilidade e a comparabilidade das informações que a entidade fornece em suas demonstrações contábeis acerca de combinação de negócios e sobre seus efeitos. Para esse fim, este Pronunciamento estabelece princípios e exigências da forma como o adquirente: (a) reconhece e mensura, em suas demonstrações contábeis, os ativos identificáveis adquiridos, os passivos assumidos e as participações societárias de não controladores na adquirida; (b) reconhece e mensura o ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill adquirido) advindo da combinação de negócios ou o ganho proveniente de compra vantajosa;e (c) determina quais as informações que devem ser divulgadas para possibilitar que os usuários das demonstrações contábeis avaliem a natureza e os efeitos financeiros da combinação de negócios. ........................................................................................................ Combinação de negócios de entidades sob controle comum – aplicação do item 2(c) B1. Este Pronunciamento não se aplica a combinação de negócios de entidades ou negócios sob controle comum. A combinação de negócios envolvendo entidades ou negócios sob controle comum é uma combinação de negócios em que todas as entidades ou negócios da combinação são controlados pela mesma parte ou partes, antes e depois da combinação de negócios, e esse controle não é transitório. B2. Um grupo de indivíduos deve ser considerado como controlador de uma entidade quando, pelo resultado de acordo contratual, eles coletivamente têm o poder para governar suas políticas financeiras e operacionais de forma a obter os benefícios de suas atividades. Portanto, uma combinação de negócios está fora do alcance deste Pronunciamento quando o mesmo grupo de indivíduos tem, pelo resultado de acordo contratual, o poder coletivo final para governar as políticas financeiras e operacionais de cada uma das entidades da combinação de forma a obter os benefícios de suas atividades, e esse poder coletivo final não é transitório. E não é só isso: até este voto do acórdão recorrido, a jurisprudência do CARF também trilhava o mesmo caminho, isto é, o CARF não admitia a dedutibilidade da amortização de ágio surgido em operações internas ao grupo econômico, nem com o uso de Fl. 1730DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.730 23 empresas veículos, conforme acórdãos trazidos pela Fazenda em seu Recurso, todos de decisões unânimes na matéria ágio: 10196724, 10323.290, 10517.219. Por conseguinte, não se pode afirmar agora, como suscitado da sessão passada, que o ágio interno só deixou de ser dedutível a partir da Lei nº 12.973, de 2014, ou melhor, da MP nº 627, de 2013, da qual referida lei resultou por conversão. Na verdade, a nova lei, ao dispor expressamente assim, nada mais fez do que esclarecer que, por óbvio, ágio pressupõe sobrepreço pago por partes independentes, ou seja, a indedutibilidade do ágio interno para fins fiscais decorre do fato de ele não ser aceito sequer contabilmente. Aliás, é nesta linha que se verifica já na própria exposição de motivos da MP nº 637, de 2013, que ora colaciono: EM nº 00187/2013 MF Brasília, 7 de Novembro de 2013 Excelentíssima Senhora Presidenta da República, Submeto à apreciação de Vossa Excelência a Medida Provisória que altera a legislação tributária federal e revoga o Regime Tributário de Transição RTT instituído pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, bem como dispõe sobre a tributação da pessoa jurídica domiciliada no Brasil, com relação ao acréscimo patrimonial decorrente de participação em lucros auferidos no exterior por controladas e coligadas e de lucros auferidos por pessoa física residente no Brasil por intermédio de pessoa jurídica controlada no exterior; e dá outras providências. 1. A Lei nº 11.638, de 28 de dezembro de 2007, alterou a Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976 Lei das Sociedades por Ações, modificando a base de cálculo do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. A Lei nº 11.941, de 2009, instituiu o RTT, de forma opcional, para os anoscalendário de 2008 e 2009, e, obrigatória, a partir do anocalendário de 2010. 2. O RTT tem como objetivo a neutralidade tributária das alterações trazidas pela Lei nº 11.638, de 2007. O RTT define como base de cálculo do IRPJ, da CSLL, da Contribuição para o PIS/PASEP, e da COFINS os critérios contábeis estabelecidos na Lei nº 6.404, de 1976, com vigência em dezembro de 2007. Ou seja, a apuração desses tributos tem como base legal uma legislação societária já revogada. 3. Essa situação tem provocado inúmeros questionamentos, gerando insegurança jurídica e complexidade na administração dos tributos. Além disso, traz dificuldades para futuras alterações pontuais na base de cálculo dos tributos, pois a tributação tem como base uma legislação já revogada, o que motiva litígios administrativos e judiciais. 4. A presente Medida Provisória tem como objetivo a adequação da legislação tributária à legislação societária e às normas contábeis e, assim, extinguir o RTT e estabelecer uma nova forma de apuração do IRPJ e da CSLL, a partir de ajustes que Fl. 1731DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.731 24 devem ser efetuados em livro fiscal. Além disso, traz as convergências necessárias para a apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS. (...) 15.9. O art. 20, com o intuito de alinhálo ao novo critério contábil de avaliação dos investimentos pela equivalência patrimonial, deixando expressa a sua aplicação a outras hipóteses além de investimentos em coligadas e controladas, e registrando separadamente o valor decorrente da avaliação ao valor justo dos ativos líquidos da investida (maisvalia) e a diferença decorrente de rentabilidade futura (goodwill). O § 3º determina que os valores registrados a título de maisvalia devem ser comprovados mediante laudo elaborado por perito independente que deverá ser protocolado na Secretaria da Receita Federal do Brasil ou cujo sumário deve ser registrado em Cartório de Registro de Títulos e Documentos até o último dia útil do décimo terceiro mês subsequente ao da aquisição da participação. Outrossim, em consonância com as novas regras contábeis, foi estabelecida a tributação do ganho por compra vantajosa no período de apuração da alienação ou baixa do investimento; (...) Os arts. 19 e 20 dispõem sobre o tratamento tributário a ser dado à mais ou menosvalia que integrará o custo do bem que lhe deu causa na hipótese de fusão, incorporação ou cisão da empresa investida. Tendo em vista as mudanças nos critérios contábeis, a legislação tributária anterior revelouse superada, haja vista não tratar especificamente da mais ou menosvalia, daí a necessidade de inclusão desses dispositivos estabelecendo as condições em que os valores poderão integrar o custo do bem para fins tributários. Os referidos dispositivos devem ser analisados juntamente com o disposto nos arts. 35 a 37. 32. As novas regras contábeis trouxeram grandes alterações na contabilização das participações societárias avaliadas pelo valor do patrimônio líquido. Dentre as inovações introduzidas destacamse a alteração quanto à avaliação e ao tratamento contábil do novo ágio por expectativa de rentabilidade futura, também conhecido como goodwill. O art. 21 estabelece prazos e condições para a dedução do novo ágio por rentabilidade futura (goodwill) na hipótese de a empresa absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detinha participação societária adquirida com goodwill, apurado segundo o disposto no inciso III do art. 20 do Decreto Lei nº 1.598, de 1977. Esclarece que a dedutibilidade do goodwill só é admitida nos casos em que a aquisição ocorrer entre empresas independentes. (Grifei) É importante destacar que esse novo regramento contido na Lei nº 12.973/2014 é decorrente dos novos métodos e critérios contábeis introduzidos pelas Leis nº 11.638/2007 e 11.941/2009, e pelos pronunciamentos contábeis decorrentes. Fl. 1732DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.732 25 No que diz respeito à questão de ágio, ocorreram mudanças significativas, como a nova definição de coligada (alteração do art. 243 da Lei nº 6.404/76), a alteração sobre o Método da Equivalência Patrimonial (art. 248 da Lei nº 6.404/79), além da edição de atos pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis CPC sobre o assunto (em especial, o CPC nº 18 – “Investimento em Coligada, em Controlada e em Empreendimento Controlado em Conjunto” e CPC nº 15 – “Combinação de Negócios”, já citada acima). De acordo com essa nova concepção contábil, o ágio (que passou a ser denominado de goodwill) é determinado como sendo o excedente pago, após os ativos líquidos da investida serem avaliados a “valor justo” (conceito que aliás é bem mais amplo do que “valor de mercado”). Em razão dessa alteração, o custo de aquisição do investimento passou a ser desdobrado em: a) valor do patrimônio líquido da investida; b) mais ou menos valia; e c) ágio por rentabilidade futura (goodwill) ), conforme destaco: Art. 20. O contribuinte que avaliar investimento pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014)(Vigência) I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II mais ou menosvalia, que corresponde à diferença entre o valor justo dos ativos líquidos da investida, na proporção da porcentagem da participação adquirida, e o valor de que trata o inciso I do caput; e(Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014)(Vigência) III ágio por rentabilidade futura (goodwill), que corresponde à diferença entre o custo de aquisição do investimento e o somatório dos valores de que tratam os incisos I e II do caput.(Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014)(Vigência) Por tudo isso, é de se perceber que não é possível se fazer uma associação exata entre a nova sistemática de identificação e apuração do ágio com a anterior. De forma que, o que era ágio antes, pode ser agora somente “mais valia”, mesmo que anteriormente tivesse sido identificado como decorrente de expectativa de rentabilidade futura. A possibilidade de se apurar uma “menos valia” também influi na existência ou não do ágio. Além disso, as situações em que o Método da Equivalência Patrimonial se torna obrigatório também foram alteradas, o que tem influência direta sobre a necessidade ou não de se determinar a existência de ágio. Portanto, é um grande equívoco de interpretação se utilizar das disposições contidas no art. 7º da Lei 9.532/1997, a partir do constante nos arts. 20 a 22 da Lei nº 12.973/2014, uma vez que disciplinam efeitos tributários de procedimentos contábeis totalmente distintos. Não fossem apenas essas diferenças, mas o fato mais curioso ainda é que o próprio conceito de partes dependentes estabelecido pelo art. 25 da Lei nº 12.973, de 2014 é bem mais amplo do que o conceito de ágio interno: Art. 25. Para fins do disposto nos arts. 20 e 22, consideramse partes dependentes quando: (Vigência) Fl. 1733DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.733 26 I o adquirente e o alienante são controlados, direta ou indiretamente, pela mesma parte ou partes; II existir relação de controle entre o adquirente e o alienante; III o alienante for sócio, titular, conselheiro ou administrador da pessoa jurídica adquirente; IV o alienante for parente ou afim até o terceiro grau, cônjuge ou companheiro das pessoas relacionadas no inciso III; ou V em decorrência de outras relações não descritas nos incisos I a IV, em que fique comprovada a dependência societária. Ou seja, não apenas as operações que envolvem duas pessoas jurídicas sob controle comum caracterizamse como partes dependentes: a nova lei incluiu as pessoas físicas, com situações, por exemplo, em que o alienante é parente ou afim até o terceiro grau do sócio acionista da empresa. Assim, passa a ser possível a existência de um ágio contábil (diferente do ágio interno), mas que ao teor da nova legislação, a sua dedutibilidade fica vedada. Por oportuno, também considero equivocado o entendimento de quem concebe que existe um ágio fiscal e um ágio contábil, ou que a legislação societária permitiu algo diferente da contabilidade nesse aspecto. É que a legislação tributária, no artigo 20 do DecretoLei nº 1.598/77, trata do ágio apurado na aquisição de participações em Sociedades Coligadas ou Controladas Avaliado pelo Valor de Patrimônio Líquido nos seguintes termos (destaque acrescido): Desdobramento do Custo de Aquisição Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. Fl. 1734DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.734 27 Essas disposições contidas no art. 20 do Decretolei nº 1.598/77 estão em perfeita sintonia com as normas contábeis contemporâneas à expedição do Decretolei nº 1.598/77, conforme se pode constatar no disposto na Instrução CVM nº 01 de 27 de abril de 1978, conforme destaco: (...) Desdobramento do custo de aquisição de investimento XX Para efeito de contabilização, o custo de aquisição de investimento em coligada ou em controlada deverá ser desdobrado e os valores resultantes desse desdobramento contabilizados em subcontas separadas: a) equivalência patrimonial baseada em balanço patrimonial ou em balancete de verificação levantado até, no máximo, sessenta dias antes da data da aquisição pela investidora ou pela controladora, consoante o disposto no Inciso XI b) ágio ou deságio na aquisição, representado pela diferença para mais ou para menos, respectivamente, entre o custo de aquisição do investimento e a equivalência patrimonial. XXI o ágio ou deságio computado na ocasião da aquisição do investimento deverá ser contabilizado com indicação do fundamento econômico que o determinou: a) diferença para mais ou para menos entre o valor de mercado de bens do ativo e o valor contábil desses mesmos bens na coligada ou na controlada; b) diferença para mais ou para menos na expectativa de rentabilidade baseada em projeção do resultado de exercícios, futuros; c) fundo de comércio, intangíveis ou outras razões econômicas. XXII O ágio ou o deságio decorrente da diferença entre o valor de mercado de bens do ativo e o valor contábil na coligada ou na controlada desses mesmos bens deverá ser amortizado na proporção em que for sendo realizado na coligada ou na controlada por depreciação, por amortização ou por exaustão dos bens, ou por baixa em decorrência de alienação ou de perecimento desses mesmos bens. XXIII O ágio ou o deságio decorrente da expectativa de rentabilidade deverá ser amortizado no prazo e na extensão das projeções que o determinaram ou quando houver baixa em decorrência de alienação ou de perecimento do investimento antes de haver terminado o prazo estabelecido para amortização. (...) Portanto, o ágio a que se refere a legislação fiscal é exatamente o mesmo tratado pela legislação societária, possuindo conteúdo puramente econômico/contábil. Analisando o voto vencedor do acórdão recorrido, verificase que ele afirma que é um “grave erro confundir fundamento econômico com pagamento”. Fl. 1735DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.735 28 O Decretolei nº 1.598, de 1977, por sua vez, abordava fundamento econômico no §2º do art. 20 (redação vigente à época dos fatos), nos seguintes termos: § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico : a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas.(Negritei) Como se pode depreender, o legislador chamou de “fundamento econômico” do lançamento contábil do ágio, as três “justificativas” acima listadas, e, de fato, não é a partir dessa definição que se está a dizer que é preciso haver pagamento, ou melhor, que é preciso ter havido um custo arcado. A razão para existência do pagamento, ou de um custo arcado, está no próprio conceito de ágio, cujo inciso II, do art. 20 definiu como diferença entre custo de aquisição e o valor que consta do PL. E continua o voto vencedor: “Pagamento é a contrapartida da compra e venda, uma das formas de aquisição da participação”. Com efeito, compra e venda é apenas uma das formas de aquisição. Porém, “custo de aquisição”, seja qual for a forma como se dá essa aquisição, pressupõe “ônus”, “dispêndio”. E é aqui que está o equívoco deste voto vencedor: conceber que a lei não exige “ônus”, “dispêndio” para quem está adquirindo a participação societária. E conclui o exconselheiro Carlos Guerreiro, relator do voto vencedor: De qualquer modo, fica evidenciado os equívocos teóricos constante da autuação: 1 0) limitar o conceito de aquisição ao de compra; 2°) confundir fundamento econômico do ágio com pagamento de compra ou entrega de ações, por terceiros estranhos ao grupo. Sem mencionar a pretensão de impor para fins fiscais percepções de cunho exclusivamente contábil. Pois bem, a Fiscalização não limitou o conceito de aquisição à compra e sequer confundiu fundamento econômico do ágio com pagamento de compra e entrega de ações. O que ela disse foi que o ágio não existiu e quando cita o que vislumbrou como equivocado, o faz de forma indistinta, usando expressões como “ausência de desembolso real”, “ausência de suporte econômico”, “não ingresso de recursos”, além, é claro, de “ausência de pagamentos”, conforme trechos que mais uma vez colaciono: Fl. 1736DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.736 29 ......................................................................................................................................................... No item 5 do Relatório da Ação Fiscal intitulado “Da impossibilidade do surgimento de ágio interno em grupo societário”, os AuditoresFiscais afirmaram expressamente que “é necessário que haja dispêndio”: Fl. 1737DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.737 30 Como se vê, é bastante forçoso dizer que houve “equívoco teórico” por parte da Fiscalização, porque ela mencionou, sim, “ausência de dispêndio”, de forma que o equívoco se encontra é na decisão recorrida. Assim, ao contrário do que aduz a Recorrida em suas contrarrazões, a Fiscalização questionou de forma bastante contundente a formação do ágio nas operações, que, como já dito na admissibilidade do recurso, é um argumento maior e anterior ao próprio laudo, já que esse não tem como respaldar uma operação entre partes não dependentes, de forma que nem o laudo, nem o registro contábil do ágio fazem prova dos fatos escriturados pelo contribuinte. Isso porque o laudo representa tão somente uma reavaliação de ativos e nenhum registro contábil faz prova a favor de quem o escritura, sem a documentação comprobatória que o lastreia, nos termos do art. 923 do RIR/99 (art. 9º, §1º, do DecretoLei nº 1.598, de 1977). E, ainda assim, é preciso observar a já citada Resolução nº CFC nº 750, de 1993, que as essências das transações devem prevalecer sobre a forma. Ora, qual o valor de um laudo que reflete uma rentabilidade futura, sem que haja um terceiro que reconheça essa projeção e arque com o ônus de pagar um valor maior? Como se pode defender isso entre partes pertencentes a um mesmo grupo? E aqui cumpre esclarecer que quando a Fiscalização diz que o ágio é artificial, e glosa a sua amortização, ela não o faz pelo simples fato de ser em operações envolvendo sociedades sob controle comum, mas sim porque, em razão de ser entre empresas sob o mesmo controle, não ter havido aquisição, não ter havido dispêndio. Uma coisa está associada a outra. É importante também esclarecer que, em relação à subscrição e integralização de capital pelo Banco Itaú BBA S.A, conforme está consignado nos autos desde a decisão de primeira instância, não houve qualquer pagamento de ágio, porque o patrimônio da Gerdau Participações S.A já estava, naquela ocasião, avaliado a valor de mercado. Fl. 1738DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 11080.723702/201019 Acórdão n.º 9101002.390 CSRFT1 Fl. 1.738 31 O fato também de o Banco ter adquirido as participações societárias já com o valor atualizado não tem o condão de “validar” a dedutibilidade da amortização do ágio, vez que o que se está discutindo nos autos é a dedutibilidade de um ágio que surgiu dentro de uma operação interna a um grupo econômico, em que nem incorporada, nem incorporadora arcaram com qualquer ônus sobre qualquer valor. O Banco Itaú BBA S.A não fazia parte das pessoas jurídicas relacionadas às operações de surgimento, transferência e amortização do ágio. No que tange aos argumentos da Recorrida de que a Recorrente teria inovado, no Recurso Especial, ao falar em falta de “respaldo fáticonegocial” e de “affectio societatis nas operações”, pondero que não se trata de uma inovação propriamente dita porque o que a PFN fez foi destacar o trecho do TVF que comenta o “estágio intermediário” da criação da Gerdau Participações S.A, e nesta parte a Fiscalização disse que não tinha dúvida de que tal empresa seria uma empresa veículo, “ainda que esse ‘ estágio intermediário’ esteja incluído num contexto maior cujos objetivos não são contestados no presente relatório. “ Ao transcrever essa parte, a Recorrente fez essa interpretação de que a Fiscalização estava demonstrando não ter havido qualquer affectio societatis. E sob esse aspecto, a Fiscalização afirmou mesmo se tratar de uma empresa veículo. Contudo, essas afirmações da PFN estão longe de serem uma inovação no critério jurídico, até porque o cerne da discussão sequer passou, desde o lançamento, e passa, no presente voto, pelos propósitos negociais da reorganização societária. Em essência, o que não se pode aceitar e validar nos autos ora em análise é que um Grupo Econômico, por meio de um laudo de reavaliação de ativos com base em rentabilidade futura, aumente o valor de seus ativos, crie o ágio, transfira esse ágio, e depois deduza a amortização desse ágio do IRPJ e da CSLL sem ter, sequer, efetuado qualquer dispêndio sobre esse ágio. É inimaginável aceitar isso como uma mens legis! E se não é essa a “mens legis”, como dizer que o contribuinte agiu conforme a lei? Por essas razões, entendo que o lançamento de ofício deve ser restabelecido. Conclusão Em face a todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Adriana Gomes Rêgo Relatora. Fl. 1739DF CARF MF Impresso em 12/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/07/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 27/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10882.900954/2008-55
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-004.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente SHERWINWILLIAMS DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 31/01/2003 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 09 54 /2 00 8- 55 Fl. 160DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900954/200855 Acórdão n.º 9303004.022 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3801004.986, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 161DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900954/200855 Acórdão n.º 9303004.022 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900954/200855 Acórdão n.º 9303004.022 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900954/200855 Acórdão n.º 9303004.022 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 164DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900954/200855 Acórdão n.º 9303004.022 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900954/200855 Acórdão n.º 9303004.022 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900954/200855 Acórdão n.º 9303004.022 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 167DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13855.001762/2010-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
IRPF. DECADÊNCIA. PRAZO PARA PEDIDO DE RESTITUIÇÃO.
O pedido de restituição pleiteado administrativamente em data posterior a 9 de junho de 2005 (vigência da Lei Complementar nº 118, de 2005), no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, somente alcança indébitos ocorridos nos cinco anos anteriores, contados da data do pagamento.
A LC nº 118/05, embora tenha se auto proclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido, conforme jurisprudência do STF e STJ e precedentes deste CARF (Acórdão 2202-003.359, dentre outros).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2202-003.482
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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DECADÊNCIA. PRAZO PARA PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. O pedido de restituição pleiteado administrativamente em data posterior a 9 de junho de 2005 (vigência da Lei Complementar nº 118, de 2005), no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, somente alcança indébitos ocorridos nos cinco anos anteriores, contados da data do pagamento. A LC nº 118/05, embora tenha se auto proclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido, conforme jurisprudência do STF e STJ e precedentes deste CARF (Acórdão 2202 003.359, dentre outros). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 17 62 /2 01 0- 02 Fl. 128DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13855.001762/201002 Acórdão n.º 2202003.482 S2C2T2 Fl. 129 2 Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório O contribuinte em epígrafe moveu ação na Justiça Federal, em desfavor do INSS, tendo como objeto a revisão de seu benefício previdenciário. Conforme Alvará de levantamento, que consta da folha 17, em fevereiro de 2001 o Juiz Federal determinou à CEF que entregasse ao autor a importância de R$ 80.768,98 (já descontados os honorários advocatícios) e que "o recolhimento do imposto de renda deveria ser feito mediante DARF que acompanha o Alvará, devolvendose cópia do Alvará e DARF com a autenticação e recibo do valor pago à Secretaria" daquele Juízo. O DARF em questão, no valor de R$ 21.959,89, tem cópia na folha 16, com autenticação de pagamento em 16/02/2001. Tanto o valor desse rendimento quanto do DARF, a título de "imposto pago", foram incluídos na declaração de rendimentos do ano calendário de 2001, exercício de 2002, como se observa na folha 94, entregue em 03/04/2002. Em 02/06/2010, o contribuinte apresenta formulário com pedido de restituição do valor pago nesse DARF, sob a alegação, em resumo, de que a jurisprudência se consolidara no sentido de ser incabível a tributação dos rendimentos recebidos feita acumuladamente, no mês do recebimento. Tratando do "prazo prescricional" para o pedido, citou jurisprudência com a chamada tese dos "5+5" do STJ. A Delegacia da Receita Federal competente indeferiu sua solicitação, conforme folha 65 e seguintes. Tratou da tributação com base nos rendimentos recebidos acumuladamente e da extinção do crédito pelo pagamento antecipado da exação. Insatisfeito, o contribuinte apresentou impugnação à Delegacia da Receita Federal de Julgamento DRJ, que, resumidamente, disse que a restituição do imposto de renda retido na fonte se dá mediante apresentação de declaração retificadora e não por meio de pedido de restituição; que o direito de pleitear a restituição de valores retidos em valores a maior que o devido extinguese em cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário, nos termos da Lei Complementar n° 118/2005, para os pedidos formalizados após 09/06/2005 e que os rendimentos recebidos acumuladamente pelo contribuinte em decorrência de ação judicial visando à revisão de benefício previdenciário estão sujeitos à tributação na fonte e na declaração de ajuste anual, sujeitandose ao regime de caixa no ano calendário 2001. Cientificado dessa decisão em 29 de abril de 2013 (AR na folha 111), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 29 de maio de 2013, conforme protocolo na folha 113. Em sede de recurso, basicamente, alega que o imposto incidiulhe sobre um pagamento acumulado de benefício previdenciário atrasado, decorrente de decisão judicial; houve uma indevida retenção e que ele apresentou pedido de restituição. Explica porque, no caso, não se utilizou de declaração retificadora e sim de formulário, em face da mudança que somente possibilitou campos específicos para a declaração de rendimentos recebidos acumuladamente, após o exercício de 2012; diz que seu pedido se baseia na "tese prescricional Fl. 129DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13855.001762/201002 Acórdão n.º 2202003.482 S2C2T2 Fl. 130 3 dos cinco mais cinco", ou seja no prazo prescricional decenal. Diz que o Acórdão recorrido equivocouse nesse ponto. Entende que o disposto na LC nº 118, de 2005 "só tem aplicação para os casos de pagamentos ou fatos geradores efetuados a partir de sua vigência, em 09/06/2005". É o Relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. Primeiro, destaco que no caso não houve lançamento de ofício exigindo o tributo sobre o rendimento recebido acumuladamente. Não há Notificação de Lançamento ou Auto de Infração, ensejando essa pretensão, pelo Fisco. Assim sendo, não há que se julgar procedimento fiscal, se está certo ou errado, de acordo com a estrita legalidade nossa missão imediata , porque não houve atuação fiscal nesse sentido. O DARF com a importância sobre a qual recai o pedido de restituição foi determinado pelo Juiz Federal, conforme relatado. O contribuinte o recolheu e declarou voluntariamente em DIRPF. Não observo, pelo que consta do Alvará, que seja uma situação de retenção pela fonte pagadora (no caso a CEF). Repousa a lide em questão, então, em pedido de restituição de importância que o contribuinte aduz ser indevida, ou maior que o devido, uma vez que a jurisprudência do STJ orientouse pela inaplicabilidade da tributação acumulada, na forma do artigo 12 da Lei nº 7.713, de 1988, e o STF entendeu da mesma forma, declarando a inconstitucionalidade do dispositivo. Vejamos: “TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa ou de competência – vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no Fl. 130DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13855.001762/201002 Acórdão n.º 2202003.482 S2C2T2 Fl. 131 4 entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC.” (STF, RE 614406 AgRQORG, Relatora: Min. Ellen Gracie, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03/03/2011). Em 23/10/2014, a Suprema Corte assim decidiu, em relação à matéria: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Contudo, os pedidos de restituição tem um prazo para ser formulados e, antes de se partir para a análise do mérito, é necessário verificar se esse prazo foi observado. A jurisprudência é dinâmica e suas alterações não podem alcançar, indefinidamente, fatos pretéritos, o que acarretaria enorme insegurança. Alega o Interessado, no entanto, que o Superior Tribunal de Justiça – STJ já pacificou o entendimento acerca do prazo do pedido de restituição, devendo prevalecer o prazo de cinco anos a partir do fato gerador mais cinco anos, desde que o "pagamento ou o fato gerador" tenham ocorrido antes de 09/06/2005, data de vigência da Lei Complementar 118, de 9 de fevereiro de 2005. Não assiste razão ao Recorrente. A matéria relativa ao prazo para pedido de repetição do indébito tributário sofreu, sob o ponto de vista jurisprudencial, alterações substanciais a partir da edição da Lei Complementar nº 118/2005. O STJ reformou seu entendimento acerca dos arts. 3º e 4º da LC 118/2005 para acompanhar a interpretação exarada pelo Supremo Tribunal Federal – STF no julgamento do RE nº 566.621/RS, em que reconhecida a repercussão geral do tema, julgado em 04/08/2011. A mudança de posição ocorreu em julgamento sob o rito do artigo 543C do Código de Processo Civil – CPC (recurso repetitivo). Anteriormente, o STJ adotava, como critério para fins do prazo de repetição do indébito, a data do pagamento em confronto com a data da vigência da LC nº 118/2005. O entendimento superado era no sentido de que, para os pagamentos efetuados antes de 9 de junho de 2005, o prazo para a repetição do indébito era de cinco anos (CTN, artigo 168, I) contados a partir do fim do outro prazo de cinco anos a que se refere o artigo 150, parágrafo 4º, do CTN, totalizando dez anos a contar da data da ocorrência do fato gerador (tese dos 5 + 5). Já para os pagamentos efetuados a partir de 9 de junho de 2005, o prazo para a repetição do indébito era de cinco anos a contar da data do pagamento (CTN, artigo 168, I). Essa tese havia sido fixada pela Primeira Seção no julgamento do Recurso Especial nº 1.002.932, também julgado sob o rito do art. 543C do CPC. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13855.001762/201002 Acórdão n.º 2202003.482 S2C2T2 Fl. 132 5 Entretanto, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621, o Supremo Tribunal Federal STF estabeleceu que deve ser levada em consideração a data do ajuizamento da ação. Assim, nas ações ajuizadas antes da vigência da LC nº 118/2005, aplica se o prazo de dez anos a contar da data da ocorrência do fato gerador (tese dos 5 + 5). Já nas ações ajuizadas a partir de 9 de junho de 2005, aplicase o prazo de cinco anos contados da data do pagamento antecipado de que trata o § 1º do artigo 150 do CTN. Esse entendimento atual das cortes superiores é de reprodução obrigatória nestes julgamentos administrativos. Vejamos que o Supremo Tribunal Federal – STF, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621/RS, em 11 de outubro de 2011, decidiu pela inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º da Lei Complementar nº 118/2005, mas estabeleceu que a nova lei passa a ter aplicação para as ações ajuizadas a partir da data de sua vigência, em 09 de junho de 2005, conforme ementa a seguir reproduzida: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se auto proclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. (destaquei) Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova.´ (...) Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º , segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005.(destaquei) Assim, para pedidos protocolizados após a vigência da citada lei, como é o caso aqui do pedido formulado em 2010, o prazo decadencial contase "do pagamento antecipado" e será de cinco anos. Citese a jurisprudência recente desta Turma Julgadora: Acórdão 2202 003.359 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de abril de 2016 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 13855.001762/201002 Acórdão n.º 2202003.482 S2C2T2 Fl. 133 6 DECADÊNCIA. PRAZO PARA PLEITEAR RESTITUIÇÃO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente em data posterior a 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 05 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário. Em conclusão, considerando que o DARF em questão, no valor de R$ 21.959,89, tem autenticação de pagamento em 16/02/2001 e que somente em 02/06/2010 o contribuinte apresentou formulário com pedido de restituição do valor pago nesse DARF, VOTO por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 133DF CARF MF Impresso em 22/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /08/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22/08/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 19515.006650/2008-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2004
NULIDADE DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FUNDADO EM PRESUNÇÃO. INADMISSIBILIDADE.
O auto de infração de imposto de renda retido na fonte não foi calcado em meras presunções, mas em fatos e provas colacionados aos autos que demonstram a inexistência das operações de compra e venda de soja, industrialização e exportação. Indevida a alegação de nulidade.
OPERAÇÃO PERFORMANCE DE EXPORTAÇÃO. LANÇAMENTO DE IRRF POR OCORRÊNCIA DE PAGAMENTOS SEM COMPROVAÇÃO DAS OPERAÇÕES E/OU SUA CAUSA. ALEGAÇÃO DE BOA-FÉ. INSUBSISTÊNCIA.
As alegações da recorrente quanto a sua boa-fé nas operações não podem servir como fundamento para excluir sua responsabilidade nas operações em que figure como sujeito passivo de obrigações tributárias. Comprovada a inexistência das operações de compra e venda de soja, beneficiamento e posterior exportação. As operações foram simuladas e inexistentes.
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. EXCLUSÃO COM RELAÇÃO AOS PAGAMENTOS EFETUADOS A BENEFICIÁRIOS IDENTIFICADOS E COM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU SUA CAUSA.
Devem ser excluídos do lançamento o imposto incidente sobre os pagamentos efetuados a beneficiários identificados e devidamente comprovadas as operações correspondentes.
LANÇAMENTO ANTERIOR DE IRPJ SOBRE AS MESMAS BASES DE CÁLCULO DO IRRF. INCOMPATIBILIDADE INEXISTENTE
Não há incompatibilidade entre o lançamento anterior de IRPJ e a cobrança de IRRF com base no disposto no artigo 61, § 1º, da Lei n. 8.981, de 20 de janeiro de 1995 que prevê a incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte para as situações especificamente definidas na norma de incidência.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.484
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, por maioria, dar provimento parcial, para excluir do lançamento o imposto incidente sobre os pagamentos feitos às empresas Globalbank e Deloitte, para as quais foi identificada a causa do pagamento. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato (relator) e Rayd Santana Ferreira que davam provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Maria Cleci Coti Martins e Márcio de Lacerda Martins que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor a conselheira Andréa Viana Arrais Egypto.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Relator
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Marcio de Lacerda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2004 NULIDADE DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FUNDADO EM PRESUNÇÃO. INADMISSIBILIDADE. O auto de infração de imposto de renda retido na fonte não foi calcado em meras presunções, mas em fatos e provas colacionados aos autos que demonstram a inexistência das operações de compra e venda de soja, industrialização e exportação. Indevida a alegação de nulidade. OPERAÇÃO PERFORMANCE DE EXPORTAÇÃO. LANÇAMENTO DE IRRF POR OCORRÊNCIA DE PAGAMENTOS SEM COMPROVAÇÃO DAS OPERAÇÕES E/OU SUA CAUSA. ALEGAÇÃO DE BOA-FÉ. INSUBSISTÊNCIA. As alegações da recorrente quanto a sua boa-fé nas operações não podem servir como fundamento para excluir sua responsabilidade nas operações em que figure como sujeito passivo de obrigações tributárias. Comprovada a inexistência das operações de compra e venda de soja, beneficiamento e posterior exportação. As operações foram simuladas e inexistentes. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. EXCLUSÃO COM RELAÇÃO AOS PAGAMENTOS EFETUADOS A BENEFICIÁRIOS IDENTIFICADOS E COM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU SUA CAUSA. Devem ser excluídos do lançamento o imposto incidente sobre os pagamentos efetuados a beneficiários identificados e devidamente comprovadas as operações correspondentes. LANÇAMENTO ANTERIOR DE IRPJ SOBRE AS MESMAS BASES DE CÁLCULO DO IRRF. INCOMPATIBILIDADE INEXISTENTE Não há incompatibilidade entre o lançamento anterior de IRPJ e a cobrança de IRRF com base no disposto no artigo 61, § 1º, da Lei n. 8.981, de 20 de janeiro de 1995 que prevê a incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte para as situações especificamente definidas na norma de incidência. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2004 NULIDADE DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FUNDADO EM PRESUNÇÃO. INADMISSIBILIDADE. O auto de infração de imposto de renda retido na fonte não foi calcado em meras presunções, mas em fatos e provas colacionados aos autos que demonstram a inexistência das operações de compra e venda de soja, industrialização e exportação. Indevida a alegação de nulidade. OPERAÇÃO PERFORMANCE DE EXPORTAÇÃO. LANÇAMENTO DE IRRF POR OCORRÊNCIA DE PAGAMENTOS SEM COMPROVAÇÃO DAS OPERAÇÕES E/OU SUA CAUSA. ALEGAÇÃO DE BOAFÉ. INSUBSISTÊNCIA. As alegações da recorrente quanto a sua boafé nas operações não podem servir como fundamento para excluir sua responsabilidade nas operações em que figure como sujeito passivo de obrigações tributárias. Comprovada a inexistência das operações de compra e venda de soja, beneficiamento e posterior exportação. As operações foram simuladas e inexistentes. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. EXCLUSÃO COM RELAÇÃO AOS PAGAMENTOS EFETUADOS A BENEFICIÁRIOS IDENTIFICADOS E COM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU SUA CAUSA. Devem ser excluídos do lançamento o imposto incidente sobre os pagamentos efetuados a beneficiários identificados e devidamente comprovadas as operações correspondentes. LANÇAMENTO ANTERIOR DE IRPJ SOBRE AS MESMAS BASES DE CÁLCULO DO IRRF. INCOMPATIBILIDADE INEXISTENTE Não há incompatibilidade entre o lançamento anterior de IRPJ e a cobrança de IRRF com base no disposto no artigo 61, § 1º, da Lei n. 8.981, de 20 de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 66 50 /2 00 8- 52 Fl. 2648DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO, Assinado digitalmente em 13/1 0/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por ANDREA VIANA ARRAIS EGY PTO, Assinado digitalmente em 15/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI 2 janeiro de 1995 que prevê a incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte para as situações especificamente definidas na norma de incidência. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, por maioria, dar provimento parcial, para excluir do lançamento o imposto incidente sobre os pagamentos feitos às empresas Globalbank e Deloitte, para as quais foi identificada a causa do pagamento. Vencidos os conselheiros Carlos Alexandre Tortato (relator) e Rayd Santana Ferreira que davam provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Maria Cleci Coti Martins e Márcio de Lacerda Martins que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor a conselheira Andréa Viana Arrais Egypto. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Maria Cleci Coti Martins, Marcio de Lacerda Martins, Andrea Viana Arrais Egypto, Carlos Alexandre Tortato, Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess e Rayd Santana Ferreira. Fl. 2649DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO, Assinado digitalmente em 13/1 0/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por ANDREA VIANA ARRAIS EGY PTO, Assinado digitalmente em 15/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 19515.006650/200852 Acórdão n.º 2401004.484 S2C4T1 Fl. 2.649 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF em decorrência de verificação, segundo a autoridade fiscal, de operações simuladas com derivados de soja, ensejando o lançamento do IRRF sobre pagamentos de operações não comprovadas pelo contribuinte. Ainda segundo o Termo de Verificação Fiscal TVF de fls. 2137/2158, foram realizados lançamentos relacionados às glosas de créditos de PIS e COFINS, bem como do prejuízo fiscal obtido com as referidas operações tidas por fictícias, formalizandose estas glosas no PAF nº. 19515.003051/200615, o qual encontrase arquivado desde 05/12/2008. No presente processo administrativo fiscal, a acusação fiscal é a de que a contribuinte, ora recorrente, envolveuse em operação denominada "Performance de Exportação", cujo objetivo seria "gerar crédito de ICMS, PIS e COFINS". Segundo o AFRFB, a operação "consistiria na compra de soja em grãos, que seria remetida diretamente pelo fornecedor para empresas beneficiadoras, com vistas à extração de óleo bruto degomado e de farelo de soja.. Após processamento, os derivados de soja seriam encaminhados diretamente para empresa comercial exportadora, para o fim específico de exportação" Nos termos do TVF, a conclusão a que chegou a autoridade fiscal foi a de que as operações efetuadas foram, no entender daquela, fraudes praticadas com a finalidade de reduzir o pagamento de tributos federais, através da criação de créditos irregulares de PIS e COFINS e da geração de prejuízos fiscais inexistentes. Assim, o TVF apresenta os seguintes argumentos que indicariam a existência dos ilícitos cometidos pela recorrente que foram acima indicados (numerase os tópicos abaixo com a mesma numeração apresentada no TVF de fls. 2137/2158, para melhor didática): 1.2 Duplicidade de notasfiscais (fls. 2138/2139): Existiriam notas fiscais apresentadas pela recorrente como sendo das exportações indiretas por ela realizadas que, na verdade, têm idêntica numeração e dados de exportações realizadas pela mesma empresa exportadora que, porém, seria aquisições de outra empresa, que não a recorrente; 1.5 Da análise dos documentos apresentados (fls. 2145 e ss.): Os documentos apresentados pela SUCO DEL VALLE trazem fatos que comprovam que as empresas participantes da operação de ´Performance de Exportação´ estavam totalmente ligadas na fraude que foi praticada para reduzir o pagamento de tributos federais"; 12. (fl. 2153) "Do total de R$ 16,3 milhões devidos pela SUCOS DEL VALLE à SANTA CRUZ , pela compra de soja em grãos, teriam sido pagos somente R$ 2,4 milhões, valor que corresponde a apenas 14,6% da dívida; Fl. 2650DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO, Assinado digitalmente em 13/1 0/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por ANDREA VIANA ARRAIS EGY PTO, Assinado digitalmente em 15/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI 4 15. "O fato de as operações serem deficitárias vai de encontro à alegação de que o "objetivo da DEL VALLE, na implantação dessa nova atividade foi, de forma transparente, o de comercializar soja e seus derivados, objetivando auferir lucro". Isso demonstra que as operações foram, na verdade, criadas para gerar prejuízos inexistentes. Com base nas alegações acima, que ensejaram o já mencionado PAF nº. 19515.003051/200615, onde foram glosados os créditos de PIS e COFINS e os prejuízos fiscais gerados na operação, foi realizada nova fiscalização, que deu ensejo ao presente processo administrativo, com o fito de se realizar o lançamento do IRRF sobre os desembolsos efetuados pela ora recorrente em suas transações com as empresas envolvidas nas operações apontadas como fraudulentas, sendo estes os valores e as empresas envolvidas (fl. 2155): Os valores acima serviram de base de cálculo para o presente lançamento, o qual fora realizado com fundamento nos artigo 61 da Lei nº. 8.981/95 e 674 do RIR/99: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas Fl. 2651DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO, Assinado digitalmente em 13/1 0/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por ANDREA VIANA ARRAIS EGY PTO, Assinado digitalmente em 15/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 19515.006650/200852 Acórdão n.º 2401004.484 S2C4T1 Fl. 2.650 5 jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). § 1º A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). § 2º Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 2º). § 3º O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 3º). Ainda, os valores lançados foram acompanhados da aplicação da multa de ofício de 150%, com fulcro no art. 44 da Lei nº. 9.430/96 c/c com os artigos 71 e 72 da Lei nº. 4.502/64, sob o seguinte fundamento (fl. 2157): "Em 2004, a auditada praticou operações irregulares com evidente intuito de fraude, conforme disposto nos, acima reproduzidos, artigos 71 e 72 da Lei nº. 4.502/64. Consequentemente as infrações apuradas foram penalizadas com a multa qualificada de 150%". Em sede de impugnação (fls. 2171/2193) a contribuinte autuada apresentou as seguintes razões visando a desconstituição do auto de infração: a) Nulidade do Auto de Infração, por estar fundado em presunção, já que não comprovado que a então impugnante teria participado ativamente do suposto esquema de evasão fiscal denominado "Performance de Exportação"; b) A impossibilidade de aplicação do art. 61 da Lei nº. 8.981/95 em virtude da existência de auto de infração anterior, que glosou a dedutibilidade das despesas decorrentes dos mesmos pagamentos discutidos nos presentes autos, sendo exigido o cancelamento das bases negativas da CSLL e dos prejuízos fiscais relacionados a tais despesas; c) A sua boafé nas operações apontadas como fraudulentas pela fiscalização, ao passo que contou com consultoria especializada da empresa Deloitte, a qual atestava a legitimidade da operação e dos respectivos documentos; d) A inexistência de pagamentos sem causa por parte da impugnante, como decorrência da sua boafé nas operações, já que não há comprovação cabal de que teria participado de um esquema de fraude, sendo portanto vítima daqueles que arquitetaram o esquema de fraude e, assim, suas operações devem ser consideradas válidas e existentes para todos os fins de direito; e) A descaracterização do evidente intuito de fraude e o afastamento da aplicação da multa agravada de 150%, ante a ausência de comprovação pela fiscalização de que a impugnante esteve "dolosamente" envolvida no esquema de fraude descrito no TVF. Fl. 2652DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO, Assinado digitalmente em 13/1 0/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por ANDREA VIANA ARRAIS EGY PTO, Assinado digitalmente em 15/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI 6 Na análise da peça impugnatória pela DRJ São Paulo I (DRJ/SPOI), foi proferido o acórdão 1621.162 (fls. 24522471), assim ementado: IRRF. OPERAÇÕES FICTÍCIAS. PAGAMENTO DE DESPESA DE OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA. PAGAMENTO COM CAUSA ILÍCITA. Sendo comprovado que os pagamentos foram destinados para liquidação de débitos relativos a operações não realizadas e a serviços prestados sobre operações fictícias, é legítimo o lançamento que enquadrou as operações como pagamentos sem causa ou operações não comprovadas, sujeitandose à incidência do imposto exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%. MULTA AGRAVADA. A infração à legislação tributária praticada com evidente intuito de fraude impõe a aplicação de multa de ofício qualificada. Intimada do referido acórdão em 03/08/2009 (fl. 2476), a recorrente apresentou tempestivamente o seu recurso voluntário em 31/08/2009 (2477/2500), trazendo novamente os seguintes argumentos: a) Nulidade do Auto de Infração, por estar fundado em presunção, já que não comprovado que a então impugnante teria participado ativamente do suposto esquema de evasão fiscal denominado "Performance de Exportação"; b) A impossibilidade de aplicação do art. 61 da Lei nº. 8.981/95 em virtude da existência de auto de infração anterior, que glosou a dedutibilidade das despesas decorrentes dos mesmos pagamentos discutidos nos presentes autos, sendo exigido o cancelamento das bases negativas da CSLL e dos prejuízos fiscais relacionados a tais despesas; c) A sua boafé nas operações apontadas como fraudulentas pela fiscalização, ao passo que contou com consultoria especializada da empresa Deloitte, a qual atestava a legitimidade da operação e dos respectivos documentos; d) A inexistência de pagamentos sem causa por parte da impugnante, como decorrência da sua boafé nas operações, já que não há comprovação cabal de que teria participado de um esquema de fraude, sendo portanto vítima daqueles que arquitetaram o esquema de fraude e, assim, suas operações devem ser consideradas válidas e existentes para todos os fins de direito; e) A descaracterização do evidente intuito de fraude e o afastamento da aplicação da multa agravada de 150%, ante a ausência de comprovação pela fiscalização de que a impugnante esteve "dolosamente" envolvida no esquema de fraude descrito no TVF. É o relatório. Fl. 2653DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO, Assinado digitalmente em 13/1 0/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por ANDREA VIANA ARRAIS EGY PTO, Assinado digitalmente em 15/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 19515.006650/200852 Acórdão n.º 2401004.484 S2C4T1 Fl. 2.651 7 Voto Vencido Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Preliminar – Da nulidade por uso de presunção A recorrente pleiteia a declaração de nulidade do presente processo administrativo alegando que este estaria fundamentado na presunção de que teria “participado ativamente do suposto esquema de evasão fiscal denominado ´Performance de Exportação´”. Segundo a recorrente, não haveria a imputação de responsabilidade “específica” da sua conduta ilegítima, mas somente a “alegação genérica de que a mesma teria participado da operação” e “não houve a individualização da conduta da Recorrente, mas uma mera presunção de que esta teria conhecimento da suposta ilegalidade da operação”. Em resumo, defende a recorrente que seria, verdadeiramente, uma vítima do suposto esquema, e não um agente partícipe da operação apontada e demonstrada pela autoridade fiscal. Em que pese os argumentos da recorrente, não vislumbro a nulidade apontada no presente processo administrativo fiscal. Primeiramente, é necessário destacar duas questões distintas: a primeira é a alegação e tentativa de demonstração, por parte da autoridade fiscal, de que a ora recorrente teria participado de um esquema fraudulento de operações fictícias de comercialização e industrialização de soja com o fito único e exclusivo de gerar economia tributária; a segunda é o presente lançamento se tratar de imposto de renda retido na fonte, com fulcro no artigo 61 da Lei nº. 8.981/95, ante a demonstração de que os pagamentos realizados pela ora recorrente não teriam a comprovação das operações a que estariam vinculados. Assim, as razões e os elementos trazidos pelo AFRFB sobre a mencionada operação “Performance de Exportação”, são elementos baseados não só em presunções, mas também em fatos e provas (contratos, notas fiscais, registros contábeis etc) que levam a conclusão sobre a natureza dos pagamentos realizados, por não comprovação das operações ou a sua causa. Caberia à recorrente apontar que os pagamentos por ela realizados, ou parte deles, possuíam sim correspondência com uma efetiva prestação de serviço ou venda de produtos, desconstituindo a conclusão da autoridade fiscal, que com base no conjunto probatório da fiscalização concluiu que as operações seriam fictícias. Por estas razões, não vislumbro estar o auto de infração de imposto de renda retido na fonte calcado simplesmente em meras presunções, mas em fatos e provas Fl. 2654DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO, Assinado digitalmente em 13/1 0/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por ANDREA VIANA ARRAIS EGY PTO, Assinado digitalmente em 15/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI 8 colacionados aos autos que demonstram a inexistência das operações de compra e venda de soja, industrialização e exportação, razão pela qual indefiro o pedido de nulidade do auto de infração. Mérito a) Da operação “Performance de Exportação” e o lançamento do IRRF por ocorrência de pagamentos sem comprovação das operações e/ou sua causa a.1) Da questão fática e a inexistência de fato das operações apontada pela Autoridade Fiscal Conforme se depreende do presente processo administrativo fiscal, temos que o mesmo decorre da fiscalização sobre a empresa recorrente e onde fora verificado, pela autoridade fiscal, que esta estaria se utilizando de uma operação denominada "Performance de Exportação", também conhecida como "Soja Papel", com o objetivo de obter vantagens e benefícios tributários. De forma bastante sintética, a operação poderia ser assim resumida: a) A empresa ora recorrente (1) realiza a compra de soja em grãos de uma determinada empresa fornecedora (2); b) Esta empresa fornecedora de soja em grãos (2) remeteria os produtos comprados pela recorrente (1) diretamente para uma empresa beneficiadora (3), também contratada pela recorrente (1), que faria a extração de óleo bruto degomado e de farelo de soja; c) Após a realização do processamento, a empresa beneficiadora (3) remeteria os derivados da soja diretamente a uma empresa comercial exportadora (4), também contratada pela recorrente (1), com o fim específico de exportação; d) Toda essa operação pela recorrente (1), de compra de soja em grãos, envio para beneficiamento e posterior venda com fim específico de exportação era assessorada por empresas de consultoria (5), que faziam todo o controle e gerenciamento dessas operações. Pois bem. Não há dúvidas que se todas essas operações tivessem de fato ocorrido, não haveria qualquer irregularidade a ser apontada como fraude, simulação ou qualquer outra nomenclatura que indicasse se tratar de uma prática ilegal da recorrente. A controvérsia se instaura quando após a realização de diversas diligências e fiscalizações nestas empresas acima indicadas (12345), que se relacionaram diretamente com a recorrente, bem como também nesta última, se constata por meio da análise dos documentos, informações fornecidas e obtidas que estas seriam inexistentes. Melhor dizendo, que não teriam ocorrido compra e venda de soja, tampouco beneficiamento desta e consequente exportação. Na verdade, seriam todas operações simuladas com o fito de se gerar créditos de PIS, COFINS e ICMS, além de prejuízos fiscais, de modo a reduzir a carga tributária das empresas envolvidas. Em resumo, as operações só teriam ocorrido no "campo documental", razão pela qual estas operações também se convencionaram chamar de "Soja Papel". Importante destacar que se existentes as operações, se de fato houvesse a compra da soja com remessa direta para a empresa beneficiadora, com o envio desta última para a trading exportadora, mas com a existência física da circulação destas mercadorias, não haveria qualquer irregularidade ou ilegalidade a ser imputada à recorrente, a qual bastaria realizar a comprovação da existência das referidas importações. A consequente economia de tributos que se obteria ao final destas operações não resultaria em infração à qualquer norma da legislação pátria. Fl. 2655DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO, Assinado digitalmente em 13/1 0/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por ANDREA VIANA ARRAIS EGY PTO, Assinado digitalmente em 15/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 19515.006650/200852 Acórdão n.º 2401004.484 S2C4T1 Fl. 2.652 9 Assim, no caso específico, temos que o contexto apresentado no relatório fiscal levou o AFRFB à conclusão de que inexistentes as operações e, consequentemente, teria a recorrente incorrido em pagamentos para os quais não haveria comprovação da existência das operações que o lastreariam, fazendose, assim, incidir o IRRF previsto no artigo 61 da Lei nº. 8.981/95, a seguir reproduzido: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. A incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte se dá nos seguintes casos: a) pagamentos efetuados a beneficiários não identificados; b) pagamentos sem causa, quando não comprovada a efetividade da operação relacionado ao pagamento e; c) concessão de benefícios indiretos, nos termos do § 2º do art. 74 da Lei nº. 8.383/91. Portanto, para a incidência do referido tributo é necessária a comprovação da efetividade da saída de recursos da empresa para pagamento de terceiros e que não haja comprovação da operação que ensejou este pagamento, por exemplo. Segundo a recorrente, que deveria apresentar provas e documentos a da efetividade das operações que ensejaram os pagamentos, ela teria sido, na verdade, vítima da empresa de consultoria Deloitte, que atestava a legitimidade da operação e da documentação respectiva. Eis o excerto do recurso voluntário (fls. 2489/2490): Conforme já se salientou anteriormente, para realizar as transações aqui discutidas aquisição de soja, remessa para industrialização e venda de derivados para empresa comercial exportadora , a Recorrente contou com consultoria especializada da Deloitte, empresa esta que atestou a legitimidade da operação e da documentação respectiva, revestindo de aparente legalidade a operação em comento. Aliás, várias foram as reportagens que ratificaram o papel da Deloitte nessas operações (doc. 20 da Impugnação). Assim, julgando estar diante de operações líticas, a Recorrente adquiriu soja da empresa Santa Cruz Industrial, Comercial, Agrícola e Pecuária Ltda. ("Santa Cruz"), determinando, nos termos dos contratos trazidos aos autos (doc. 06 da Impugnação), que os grãos fossem entregues diretamente no Fl. 2656DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO, Assinado digitalmente em 13/1 0/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por ANDREA VIANA ARRAIS EGY PTO, Assinado digitalmente em 15/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI 10 estabelecimento da Sperafico da Amazônia S.A. ("Sperafico"), para a realização de industrialização por encomenda. Estas e outras passagens do recurso voluntário (por ex.: "emitiram a Recorrente os competentes documentos fiscais, os quais, ao menos formalmente, preenchiam todos os requisitos legais" fl. 249) demonstram que a própria recorrente não reuniu condições de afastar a conclusão fática apontada pelo AFRFB: a de que as operações de compra a venda, beneficiamento e exportação de soja, na verdade, eram todas fictas e portanto não existiram! As alegações da recorrente quanto a sua boafé nas operações não podem servir como fundamento para excluir sua responsabilidade nas operações em que figure como sujeito passivo de obrigações tributárias. Tampouco há qualquer fundamento legal que afaste a sua responsabilidade pelo pagamento do tributo objeto do presente lançamento. Assim, o conteúdo probatório apresentado pela fiscalização, com a demonstração de inexistência das operações de compra e venda de soja, beneficiamento e posterior exportação, nos leva a concluir, inequivocamente, que as transações da chamada operação "Performance de Exportação" foram na verdade todas simuladas e inexistentes. a.2) Da inexistência de causa dos pagamentos e a aplicação do art. 61 da Lei nº. 8.981/95 Conforme mencionado anteriormente, a incidência do imposto de renda retido na fonte se dá nos seguintes casos: a) pagamentos efetuados a beneficiários não identificados; b) pagamentos sem causa, quando não comprovada a efetividade da operação relacionado ao pagamento e; c) concessão de benefícios indiretos, nos termos do § 2º do art. 74 da Lei nº. 8.383/91. No presente caso, nos termos do TVF e auto de infração, temos que a conclusão da autoridade fiscal foi pela ausência de comprovação de efetividade das operações, já que, conforme exposto no subtópico anterior, a conclusão da fiscalização foi a de que a ora recorrente estava envolvida na operação "Performance de Exportação" e a compra e venda de soja, posteriormente beneficiamento e exportação era toda ficta, existindo somente documentalmente e, assim, todos os pagamentos realizados pela ora recorrente não teriam comprovação da efetividade da operação. Para a autuada, é descabida a alegação de inexistência das operações que ensejaram o lançamento, posto que os desembolsos por ela realizados foram sempre revestidos na boafé e acreditando na lisura e legalidade das operações, bem como das demais empresas envolvidas. Como já mencionado no tópico anterior, as alegações de boafé e lisura da recorrente não possuem o condão de afastar a sua responsabilidade sobre os atos verificados, tampouco de não ensejar eventuais lançamentos se verificada a ocorrência de hipóteses de incidências tributárias em que tenha incorrido. Todavia, ainda assim, para os pagamentos tidos como sem comprovação de operação, a recorrente relaciona a seguinte comprovação documental: Fl. 2657DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO, Assinado digitalmente em 13/1 0/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por ANDREA VIANA ARRAIS EGY PTO, Assinado digitalmente em 15/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 19515.006650/200852 Acórdão n.º 2401004.484 S2C4T1 Fl. 2.653 11 No tocante aos pagamentos realizados às empresas Santa Cruz e Sperafico, nos termos de toda a argumentação já apresentada nos tópicos anteriores, não há dúvidas que as operações que teriam ensejado os pagamentos ("aquisição de soja" e "remuneração de serviços de industrialização") de fato não ocorreram. Diferente é a situação dos pagamentos realizados às empresas Globalbank e Deloitte, posto que o objeto dos contratos com as respectivas empresas e os consequentes pagamentos eram em virtude da prestação do serviço de consultoria relacionados, justamente, à operação "Performance de Exportação". Foram trazidos aos autos os documentos e planilhas que demonstram a efetiva realização deste serviço (ex.: fls. 944; 945; 948; 949; 951; 952; 956; 957), que inegavelmente foi prestado. Tanto é inequívoca a efetiva prestação deste serviço (independente se as operações com a soja foram fictícias, a consultoria existiu, é fato) que a DRJ/SPOI utilizou o seguinte argumento para manter a autuação (fl. 2471): "No caso dos pagamentos às empresas de assessoria "Deloitte" e "Globalbank", como também já mencionado, se referiram a despesas relacionadas com atividades ilícitas. A causa do pagamento, prevista na legislação, implica que seja lícita". Ocorre que, ao contrário do douto julgador de primeira instância, não vislumbro na legislação a exigência que a operação seja lícita, tampouco, a que não se admita que atividades ilícitas sejam aqui admitidas, não há ilicitude na relação entre a recorrente e as empresas de consultoria, posto que o serviço contratado fora efetivamente realizado e os pagamentos realizados. Fl. 2658DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO, Assinado digitalmente em 13/1 0/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por ANDREA VIANA ARRAIS EGY PTO, Assinado digitalmente em 15/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI 12 Desse modo, votaria por dar parcial provimento ao recurso voluntário para o fim de excluir da base de cálculo do lançamento os pagamentos realizados as empresas "Globalbank" e "Deloitte", todavia, por uma questão lógica, esta conclusão tornase prejudicada com as razões e a conclusão do tópico a seguir. b) Da existência de lançamento anterior de IRPJ sobre as mesmas bases de cálculo e a impossibilidade de aplicação do artigo 61 da Lei nº. 8.981/95 Alega a recorrente que o presente lançamento, com base no art. 61 da Lei nº. 8.981/95 não poderia subsistir ante a existência de lançamento anterior que, sobre os mesmos fatos, ou seja, sobre os pagamentos tidos como sem causa pela fiscalização, ocasionou a redução do lucro líquido. Para a recorrente, estaria caracterizado o bis in idem, não permitido pelo texto constitucional, posto que estaria sendo apenada e tributada duas vezes em relação aos mesmos fatos (pagamentos), devendo ser cancelado o presente auto de infração. Primeiramente, antes de adentrarmos no exame da referida alegação, necessário se faz a verificação da questão fática, ou seja, se realmente preexistiu lançamento sobre os mesmos pagamentos que ora são base de cálculo para lançamento do IRRF. Tal verificação se faz, facilmente, pelo mencionado pelo próprio AFRFB no TVF à fl. 2154: Como se vê, no PAF nº. 19515.003051/200615 foram glosados prejuízos fiscais da ora recorrente, como decorrência da desconsideração dos pagamentos referentes à operação "Performance Exportação" na dedução do lucro líquido da empresa autuada. Para que não restem dúvidas quanto a efetiva glosa dos prejuízos da ora recorrente, a própria DRJ/SPOI na decisão a quo assim dispôs (fl. 2468): Fl. 2659DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO, Assinado digitalmente em 13/1 0/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por ANDREA VIANA ARRAIS EGY PTO, Assinado digitalmente em 15/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 19515.006650/200852 Acórdão n.º 2401004.484 S2C4T1 Fl. 2.654 13 Portanto, não há dúvidas acerca da efetiva existência de dois lançamentos sobre os mesmos pagamentos realizados: (1) IRPJ, no bojo do PAF nº. 19515.003051/200615; e (2) IRRF no presente PAF nº. 19515.006650/200852. Diante de tal contestação, passamos a analisar a legalidade ou não do lançamento do IRRF posteriormente ao lançamento do IRPJ sobre os mesmos fatos que ensejaram a tributação pelo imposto de renda da pessoa jurídica. A fim de exemplificar a questão debatida, a título de exemplo, pensemos num pagamento específico à empresa "Santa Cruz", no valor de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais). A Sucos del Valle, como decorrência deste pagamento, que havia classificado contabilmente como uma despesa operacional, deduziu tal valor da sua apuração do lucro líquido, resultando, num lucro líquido menor do que o que seria apurado se este pagamento não existisse, ou mesmo num prejuízo maior do que o apurado. Em razão da fiscalização e da constatação pela autoridade fiscal de que as operações seriam fictas, inexistentes e todo o contexto já apresentado, foi lavrado Auto de Infração na empresa ora recorrente, anterior ao presente processo administrativo, onde o prejuízo fiscal da referida empresa foi glosado em virtude da exclusão dos referidos pagamentos. A título de exemplo, é como se o pagamento acima indicado fosse considerado inexistente e aquele valor de R$ 50.000,00 tivesse sido excluído do total do prejuízo e, portanto, o prejuízo seria menor do que o declarado pela empresa. Já no presente processo, o que se apresenta é que sobre aquele mesmo (exemplificativo) pagamento de R$ 50.000,00 que fora glosado lá na apuração do lucro real e revisão do IRPJ da ora recorrente, foi lançado o Imposto de Renda Retido na Fonte com fulcro no artigo 61 da Lei nº. 8.981/95, mais uma vez reproduzido: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. Fl. 2660DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO, Assinado digitalmente em 13/1 0/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por ANDREA VIANA ARRAIS EGY PTO, Assinado digitalmente em 15/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI 14 § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. Este Egrégio Conselho já enfrentou algumas vezes esta matéria e possui um posicionamento assente sobre o tema. Pela clareza, precisão e robustez dos argumentos, reproduzo a seguir excertos do voto vencedor do Acórdão nº. 1401001.344, cuja relatoria é do então conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, da 1ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção deste Conselho, em 26/11/2014: "Quanto ao lançamento do IRRF, este ponto precisa ser apreciado com cautela, com o intuito de evitar distorções e excessos na exigência de obrigações tributárias em relação aos contribuintes, principalmente quando se está diante da escrituração contábil de pagamentos que podem ter sido registrados como custos ou despesas pelas empresas, no que diz respeito às hipóteses em que os beneficiários não estejam adequadamente identificados ou, ainda, quando não apurada a causa para pagamento ou a operação que lhe deu suporte. A incidência do IRRF, tendo como esteio o art. 61 da Lei nº 8.981/95, foi enfrentada pela Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais na sessão de 03 de novembro de 2008, no Recurso número 104144.45, relatado pela ilustre Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. Naquela ocasião, a decisão foi sintetizada por meio da seguinte ementa: ´ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário: 1999. IR FONTE PAGAMENTO SEM CAUSA ART. 61 DA LEI Nº. 8.981/95 LUCRO REAL REDUÇÃO DE LUCRO LÍQUIDO MESMA BASE DE CÁLCULO INCOMPATIBILIDADE. A aplicação do art. 61 está reservada para aquelas situações em que o fisco prova a existência de um pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, desde que a mesma hipótese não enseje tributação por redução do lucro líquido, tipicamente caracterizada por omissão de receita ou glosa de custos/despesas, situações próprias da tributação do IRPJ pelo lucro real. Recurso Especial do Procurador Negado, (Acórdão nº CSRF/0401.094. Jul. 03/11/2008. Rel. Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro) Fl. 2661DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO, Assinado digitalmente em 13/1 0/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por ANDREA VIANA ARRAIS EGY PTO, Assinado digitalmente em 15/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 19515.006650/200852 Acórdão n.º 2401004.484 S2C4T1 Fl. 2.655 15 Ainda sobre esse assunto, a Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu foi o Acórdão nº. 920200.686, em 14 de maio de 2010, o qual restou assim ementado: IRFONTE PAGAMENTO SEM CAUSA ART. 61 DA LEI Nº 8.981, DE 1995 LUCRO REAL REDUÇÃO DE LUCRO LÍQUIDO MESMA BASE DE CÁLCULO INCOMPATIBILIDADE. A aplicação do art. 61 da Lei nº. 8.981, de 1995, está reservada para aquelas situações em que o Fisco prova a existência de um pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, desde que a mesma hipótese não enseje tributação por redução do lucro líquido, tipicamente caracterizada por omissão de receita ou glosa de custos/despesas, situações próprias da tributação do IRPJ pelo lucro real. Precedente da CSRF. Acordão n°.CSRF/0401.094. Jul. 03/11/2008. Rel. Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro Tratase, portanto, de entendimento, o qual reforço, que o art. 61 da Lei nº. 8.981/95 está reservado àquelas situações em que o fisco prova a existência de um pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, desde que a mesma hipótese não enseje tributação por redução do lucro líquido tipicamente caracterizada por omissão de receita ou glosa de custos/despesas situações próprias da tributação do IRPJ pelo lucro real. O fundamento da impossibilidade de coexistência da glosa de custos/despesas com a exigência do IRRF, basicamente, está no fato de que não se pode considerar o art. 61 da Lei nº. 8.981/95 de forma isolada e incoerente com as demais normas do sistema tributário brasileiro. Ademais, não cabe considerar o artigo 61 da Lei nº. 8.981, de 1995, como sendo algo isolado do sistema tributário brasileiro, cuja tributação das pessoas jurídicas, em relação ao imposto de renda. Verificase, no caso em análise que os valores glosados a título de pagamentos sem causa foram utilizados para fins de aplicação do disposto no Art. 61 da referida lei. ASsim, em razão da glosa, houve o aumento do lucro real tributável de IRPJ e CSLL, e, ao mesmo tempo, a tributação a título de IRRF. Com efeito, uma vez realizada a glosa de determinada despesa, aumentase o lucro, e, consequentemente, sobre este lucro há incidência de IRPJ. Desta forma, em sendo glosada determinada despesa, não se pode tributar o pagamento de tal "despesa" com base no art. 61 da Lei nº. 8.981, de 1961 (sic). [...] Em sendo assim, a aplicação do mencionado dispositivo legal está reservada para aquelas situações em que o fisco prova a existência de um pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado e, desde que o mesmo fato que Fl. 2662DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO, Assinado digitalmente em 13/1 0/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por ANDREA VIANA ARRAIS EGY PTO, Assinado digitalmente em 15/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI 16 servir de base não configure hipótese de glosa de despesas, como é o caso, ou omissão de receitas, tipicamente submetidas ao IRPJ segundo as normas pertinentes à tributação pelo lucro real. Por fim, é dizer que o IRRF decorrente do Art. 61 da Lei nº. 8.981/95 tem natureza de sanção, em virtude de decorrer do descumprimento de dever do contribuinte, no que diz respeito à prova da regularidade de despesas realizadas. [...] É farta a jurisprudência administrativa no sentido de que ´revela caráter de penalidade a tributação, prevista no art. 44 da Lei nº. 8.451/92, incidente sobre o lucro indevidamente reduzido e presumido distribuído ao sócio da pessoa jurídica tributada com base no lucro real´(acórdão 101.94129) Tendose em mente a identidade entre as hipóteses de incidência do IRRF e da própria natureza da cobrança, deve ser reconhecido o caráter de penalidade da aplicação do disposto no art. 61 da Lei nº. 8.981/95. No mesmo sentido, temos os demais acórdãos já proferidos por este Colendo Conselho: IRFONTE PAGAMENTO SEM CAUSA ART.61 DA LEI N°8.981, DE 1995 LUCRO REAL REDUÇÃO DE LUCRO LIQUIDO MESMA BASE DE CÁLCULO INCOMPATIBILIDADE. A aplicação do art. 61 da Lei n° 8.981, de 1995, está reservada para aquelas situações em que o Fisco prova a existência de um pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, desde que a mesma hipótese não enseje tributação por redução do lucro líquido, tipicamente caracterizada por omissão de receita ou glosa de custos/despesas, situações próprias da tributação do IRPJ pelo lucro real. Precedente da CSRF. Acórdão n° CSRF/0401 094. Jul. 03/11/2008 Rel. Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. (CARF, Acórdão nº. 1401001.104 04/12/2013. 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção) IRFONTE PAGAMENTO SEM CAUSA ART. 61 DA LEI N°8.981, DE 1995 LUCRO REAL REDUÇÃO DE LUCRO LIQUIDO MESMA BASE DE CÁLCULO INCOMPATIBILIDADE. A aplicação do art. 61 da Lei n° 8.981, de 1995, está reservada para aquelas situações em que o Fisco prova a existência de um pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, desde que a mesma hipótese não enseje tributação por redução do lucro líquido, tipicamente caracterizada por omissão de receita ou glosa de custos/despesas, situações próprias da tributação do IRPJ pelo lucro real. Precedente da CSRF. Acórdão n° CSRF/0401 094. Jul. 03/11/2008 Rel. Conselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. No caso concreto, por presunção, foi considerado omissão de receita o dinheiro creditado em conta bancária da empresa no dia 18/02/97. Assim, se houve receita omitida aumentouse o lucro e exigiuse IRPJ, CSLL, COFINS, PIS. Todavia, quando o dinheiro saiu do caixa da empresa para pagar, com juros, o valor que foi considerado receita omitida, tal importância não pode ser considerada pagamento sem causa, sob pena de efetivamente confirmar que não se tratava de receita omitida, mas sim empréstimo com obrigação de restituição dos valores. (CSRF, Acórdão nº. 920200.686. 13/04/2010. 2ª Turma) Fl. 2663DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO, Assinado digitalmente em 13/1 0/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por ANDREA VIANA ARRAIS EGY PTO, Assinado digitalmente em 15/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 19515.006650/200852 Acórdão n.º 2401004.484 S2C4T1 Fl. 2.656 17 Por estas razões, ante a existência de lançamento pretérito, a título de IRPJ (via glosa de prejuízo fiscal) e o presente auto de infração de IRRF, ambos sobre os mesmos pagamentos realizados pela ora recorrente, julgo procedente o recurso voluntário para o fim excluir o lançamento de IRRF pelos fundamentos acima apresentados. Conclusão. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato. Fl. 2664DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO, Assinado digitalmente em 13/1 0/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por ANDREA VIANA ARRAIS EGY PTO, Assinado digitalmente em 15/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI 18 Voto Vencedor Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Redatora Designada Em que pese as bem fundamentadas razões do ilustre Conselheiro Relator, peço vênia para manifestarme de forma divergente, por vislumbrar na hipótese em tela conclusão diversa da adotada pelo nobre julgador, quanto a exclusão do lançamento de IRRF em face da existência de lançamento anterior do IRPJ. Segundo o eminente Conselheiro, no tocante aos pagamentos realizados às empresas Santa Cruz e Sperafico, não restam dúvidas de que as operações que teriam ensejado tais pagamentos ("aquisição de soja" e "remuneração de serviços de industrialização") de fato não ocorreram. Diferente da situação dos pagamentos realizados às empresas Globalbank e Deloitte, na medida em que o objeto dos contratos com as respectivas empresas e os consequentes pagamentos se deram em virtude das prestações dos serviços de consultoria efetivamente prestados, relativos à operação "Performance de Exportação". No entanto, concluiu que, diante da existência de lançamento anterior à título de IRPJ e o presente auto de infração de IRRF, ambos sobre os mesmos pagamentos realizados pela ora recorrente, o recurso voluntário deveria ser julgado totalmente procedente para o fim excluir o lançamento de IRRF. Pois bem. Não me parece ter o lançamento ora em debate a mesma materialidade de incidência tributária do lançamento de imposto de renda das pessoas jurídicas – IRPJ, na medida em que possuem hipóteses de incidência diversas, com fundamentos diferentes e contribuintes distintos. Cumpre observar que no IRPJ, a empresa se situa na condição de contribuinte, respondendo pelo fato gerador por ela mesma praticado, ao passo que, no IRRF, a lei atribui a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto que seria devido pelo beneficiário dos pagamentos à fonte pagadora, conforme disposição estabelecida nos artigos 121 e 128 do Código Tributário Nacional. Nessa vertente, a tributação na fonte constitui forma autônoma estabelecida pelo legislador, em que o contribuinte é o beneficiário dos pagamentos, e o responsável, sem revestir a condição de contribuinte, é obrigado ao cumprimento da obrigação tributária em face de disposição expressa em lei. Assim, o fato de existir auto de infração relativo à cobrança de IRPJ não interfere na verificação da subsunção ao disposto no artigo 61, § 1º, da Lei n. 8.981, de 20 de janeiro de 1995 que prevê a incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte para as situações especificamente definidas na norma de incidência. Ademais, a justificativa para a aplicação da referida norma se configura em razão da falta de identificação do beneficiário do rendimento, ou a não comprovação da efetividade da operação relacionada ao pagamento, ou a sua causa, quando o Fisco se vê impedido de alcançálo de forma direta, impondose a tributação na pessoa da fonte pagadora na qualidade de responsável (art. 121, II e 128 do CTN). Fl. 2665DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO, Assinado digitalmente em 13/1 0/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por ANDREA VIANA ARRAIS EGY PTO, Assinado digitalmente em 15/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI Processo nº 19515.006650/200852 Acórdão n.º 2401004.484 S2C4T1 Fl. 2.657 19 Nessa toada, não há que se falar em incompatibilidade do lançamento ora em apreço e o lançamento de IRPJ. No presente caso, as materialidades são completamente distintas, tanto que o beneficiário da renda do IRPJ é o contribuinte, e no caso do IRRF, a empresa autuada é apenas a responsável pela retenção e pagamento do imposto devido pelo beneficiário dos pagamentos, justamente pelo fato de não ter comprovado a efetividade das operações que ensejaram referidos pagamentos. Ultrapassada essa questão, necessário se faz analisar se os pagamentos efetuados às empresas Globalbank e Deloitte, decorreram efetivamente dos contratos de prestação de serviços de consultoria relativos à operação "Performance de Exportação", cumprindo identificar a comprovação da causa dos pagamentos. Conforme bem esclarecido pelo Conselheiro Relator, foram trazidos aos autos os documentos e planilhas que demonstram que os pagamentos realizados às empresas Globalbank e Deloitte decorreram da efetiva realização dos respectivos serviços por elas inegavelmente prestados (ex.: fls. 944; 945; 948; 949; 951; 952; 956; 957), quais sejam, contrato de prestação de serviço de consultoria relativos à operação "Performance de Exportação" em que resta identificada a causa dos pagamentos e os beneficiários. Acerca da matéria, a redação do caput do artigo 61 da Lei nº 8.981/1995, e do seu § 1º, mencionam a incidência do imposto de renda retido na fonte à alíquota de 35%, quando: houver pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiários não identificados; houver pagamento sem comprovação da operação ou a sua causa; e ainda, na hipótese de que trata o § 2º do art. 74 da Lei nº. 8.383/91: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. Assim determina o disposto no § 2° do art. 74 da Lei n° 8.383/91, que trata da tributação exclusiva na fonte pela inobservância do disposto no referido art. 74: Art. 74. Integrarão a remuneração dos beneficiários: II as despesas com benefícios e vantagens concedidos pela empresa a administradores, diretores, gerentes e seus assessores, pagos diretamente ou através da contratação de terceiros, tais como: a) a aquisição de alimentos ou quaisquer outros bens para utilização pelo beneficiário fora do estabelecimento da empresa; b) os pagamentos relativos a clubes e assemelhados; c) o salário e respectivos encargos sociais de empregados postos à disposição ou cedidos, pela empresa, a administradores, diretores, gerentes e seus assessores ou de terceiros; Fl. 2666DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO, Assinado digitalmente em 13/1 0/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por ANDREA VIANA ARRAIS EGY PTO, Assinado digitalmente em 15/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI 20 d) a conservação, o custeio e a manutenção dos bens referidos no item I. § 2º A inobservância do disposto neste artigo implicará a tributação dos respectivos valores, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e três por cento. Ora, ao se verificar, de forma inequívoca, a efetiva prestação dos serviços de consultoria por parte das empresas Globalbank e Deloitte, restam comprovadas as causas dos pagamentos, tendo como consequência da sua identificação afastar a incidência do disposto no artigo 61 e seu parágrafos 1º, da Lei nº 8.981/95. Assim, assiste razão ao recorrente nesse aspecto, devendo portanto ser excluído do lançamento o imposto incidente sobre os pagamentos efetuados às empresas Globalbank e Deloitte, para as quais foram identificadas as causas dos pagamentos. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário para excluir do lançamento o imposto incidente sobre os pagamentos efetuados às empresas Globalbank e Deloitte, para as quais foram identificadas as causas dos pagamentos. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto. Fl. 2667DF CARF MF Impresso em 18/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2016 por ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO, Assinado digitalmente em 13/1 0/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por ANDREA VIANA ARRAIS EGY PTO, Assinado digitalmente em 15/10/2016 por MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI
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Numero do processo: 16643.000098/2009-16
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005
IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotando-se a proporção do bem importado no custo total, e aplicando-se a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontra-se um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência.
Numero da decisão: 9101-002.415
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Nathalia Correia Pompeu e Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio). Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Luís Flávio Neto.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Nathália Correia Pompeu e Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005 IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotando-se a proporção do bem importado no custo total, e aplicando-se a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontra-se um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Nathalia Correia Pompeu e Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio). Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Luís Flávio Neto. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente em Exercício (assinado digitalmente) André Mendes de Moura - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Nathália Correia Pompeu e Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio).
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ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotandose a proporção do bem importado no custo total, e aplicandose a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontrase um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto, Nathalia Correia Pompeu e Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio). Solicitou apresentar declaração de voto o conselheiro Luís Flávio Neto. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão – Presidente em Exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 00 00 98 /2 00 9- 16 Fl. 7587DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000098/200916 Acórdão n.º 9101002.415 CSRFT1 Fl. 7.588 2 (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente em Exercício), Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Nathália Correia Pompeu e Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela SANDVIK DO BRASIL S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO (efls. 1151 e segs) em face da decisão proferida no Acórdão nº 1401000.802 (efls. 1099/1146), pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção, na sessão de 12/06/2012, no qual foi negado provimento ao recurso voluntário interposto pela Contribuinte. Resumo das matérias Tratou a autuação fiscal de ajustar a base de cálculo efetuada pela Contribuinte, nos anoscalendário de 2004 e 2005, para os preços de transferência relativos a importação apurados mediante os métodos PRL 20 e PRL 60. A Contribuinte apresentou impugnação discorrendo sobre a (1) ilegalidade da IN SRF 243, de 2002, para a apuração do PRL 60, e (2) concordância com os ajustes realizados pela autoridade fiscal no PRL 20, inclusive efetuando o recolhimento dos tributos apurados. A primeira instância (DRJ), ao apreciar a matéria devolvida (ilegalidade da IN SRF 243, de 2002, para a apuração do PRL 60) julgou a impugnação improcedente. Foi interposto pela contribuinte recurso voluntário, apreciado pela segunda instância (Turma Ordinária do CARF), que manteve a decisão da DRJ na integralidade. A Contribuinte interpôs recurso especial e a PGFN apresentou contrarrazões. O recurso foi admitido por despacho de exame de admissibilidade, para dar seguimento à matérias arguidas em sede de impugnação: (1) ilegalidade da IN SRF 243, de 2002, para a apuração do PRL 60. A seguir, maiores detalhes sobre a fase contenciosa. Da Fase Contenciosa Fl. 7588DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000098/200916 Acórdão n.º 9101002.415 CSRFT1 Fl. 7.589 3 A contribuinte apresentou impugnação (efls. 645 e segs), que foi julgada improcedente pela 5ª Turma da DRJ/São Paulo I (efls. 1031/1038), conforme ementa a seguir. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. ILEGALIDADE DA INSTRUÇÃO NORMATIVA. Não compete à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplica se tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. Foi interposto recurso voluntário (efls. 1048 e segs) pela Contribuinte, apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Primeira Seção do CARF, na sessão de 12/06/2012. Decidiu o Acórdão nº 1401000.802 (efls. 1099/1146) negar provimento ao recurso voluntário, conforme ementa a seguir. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 Ementa: MÉTODO PRL60. CÁLCULOS SEGUNDO INSTRUÇÃO NORMATIVA. ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE. DESCABIMENTO. AUSÊNCIA DE INCOMPATIBILIDADE ENTRE A LEI Nº. 9.959/2000 E A INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº. 243/2002. A normatização do denominado método “PRL60”, empreendida no art. 12 da IN SRF nº. 243/2002, se analisada sob o prisma de uma interpretação gramatical, lógica, finalística e sistemática se mostra em perfeita consonância com as normas veiculadas no art. 18 da Lei nº. 9.430/97, com a redação estatuída pelo art. 2º da Lei nº. 9.959/2000. MÉTODO PRL60. IN 243/2002. PONDERAÇÃO DE CUSTOS. ISOLAMENTO. EFEITO BENÉFICO. A roupagem da fórmula adotada pela IN 243/2002 (PPn=%nPL 60%x(%nPL)) se modifica em relação à sua formulação genérica prevista na literalidade da Lei (PP= PLV – 60%PLV – VA) ao incorporar a técnica da ponderação, contudo esse aspecto específico visto de forma isolada, ao contrário do apregoado diminui os ajustes se comparado com a sua formulação genérica, além do que essa nova “roupagem” também não macula sua essência que é provocar o surgimento do “preço parâmetro de comparação” a partir do expurgo do Valor Agregado e assim, manter a técnica do máximo isolamento para cada um dos insumos importados que fazem parte do Fl. 7589DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000098/200916 Acórdão n.º 9101002.415 CSRFT1 Fl. 7.590 4 produto final a ser revendido, o que não acontece na fórmula da IN 32/2001 (((PP= PLV – 60%(PLV – VA ) nem na formulação genérica encontrada na literalidade Lei ((PP= PLV – 60%PLV – VA)). CSLL. Aplicase à CSLL, no que couber, o que foi decidido para o IRPJ, dada a intima relação de causa e efeito que os une. Foi interposto pela Contribuinte recurso especial (efls. 1151 e segs.), (1) protestando sobre o método adotado pela IN SRF nº 243, de 2002, que contraria o disposto na Lei nº 9.430, de 1996 e teria incorrido em inovação não prevista em lei, e (2) que o art. 38 da Lei nº 12.715, de 2012, ao alterar a redação dos arts. 18, 19 e 22 da Lei n 9.430, de 1996, e introduzir o critério de proporcionalização previsto no inciso 12, da IN SRF nº 243, de 2002, confirma que, de fato, a IN SRF nº 243, de 2002 não tinha previsão legal. O Despacho de Exame de Admissibilidade de efls. 7550/7557 deu seguimento ao recurso. Foram apresentadas contrarrazões pela PGFN (efls. 7559/7585), no qual discorre que a sistemática do PRL 60 definida pela IN SRF nº 243/02 (1) viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado aplicado na produção, considerado por si só, (2) observa a margem de lucro bruto estabelecida pela lei, (3) reduz a margem de manipulação dos preços que era conferida pela IN SRF nº 32/01 às partes vinculadas, e, por essas razões, (4) dificulta a transferência de lucros ao exterior, consubstanciandose em instrumento eficaz para a proteção da base tributável nacional. É o relatório. Fl. 7590DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000098/200916 Acórdão n.º 9101002.415 CSRFT1 Fl. 7.591 5 Voto Conselheiro André Mendes de Moura Adoto as razões do Despacho de Admissibilidade de efls. 7550/7557, com fulcro no art. 50, § 1º da Lei nº 9.784, de 1999 1, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, para conhecer o recurso da Contribuinte. Sobre a legalidade de IN SRF nº 243, de 2002, em face do art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996, tratase de assunto já bastante debatido, sendo objeto de profundas análises pela jurisprudência e pela doutrina. A normatização dos preços de transferência no Brasil inserese no contexto do fenômeno da globalização, em que a competição se desenvolve em escala global, e por consequência as empresas vem empreendendo esforços no sentido de reduzir a tributação das operações internacionais. Nesse contexto, vem sendo desenvolvidos mecanismos de planejamento, nem sempre adequados, dentre os quais o conhecido como transfer pricing, no qual são realizadas operações de compra e venda entre empresas vinculadas com sítio em países diferentes, no qual as fiscalizações tributárias tem verificado, em determinadas ocasiões, a utilização de preços artificiais, de modo a deslocar a tributação para países com carga tributária menor. Para monitorar tal sistemática, controles tem sido desenvolvidos pelos países, no sentido de comparar as operações transnacionais entre empresas e suas vinculadas, com operações no qual as mesmas empresas transacionam com outras sem qualquer espécie de vínculo. Verificase, assim, se o preço praticado nas operações entre a empresa e suas vinculadas tem similitude com o preço de mercado negociado entre empresas independentes, adotandose o princípio do arm's lenght. Não por acaso, a OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico) editou convençãomodelo sobre os preços de transferência, no sentido de que, uma vez não observado o preço arm’s length nas transações entre empresas vinculadas em diferentes países, tem o Fisco a prerrogativa de tributar o lucro que teria sido obtido pela empresa em condições regulares de negociação, a preço de mercado. O assunto também foi tratado pela Organização das Nações Unidas, no Conselho Econômico e Social, resultando na elaboração do UN Practical Manual for Developing Countries 2. 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V decidam recursos administrativos; (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 7591DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000098/200916 Acórdão n.º 9101002.415 CSRFT1 Fl. 7.592 6 No Brasil, a matéria referente aos preços de transferência foi introduzida pelo legislador por meio dos artigos 18 a 24 da Lei nº 9.430, de 1996, dispondo sobre operações relativas à importação e exportação de bens, serviços e direitos. Certamente que o legislador brasileiro, ao positivar a matéria, levou em consideração a realidade e as particularidades do país, mas não se pode deixar de verificar a adoção das diretrizes das organizações internacionais, principalmente sob a égide do princípio do arm's length. E, delimitando a discussão do presente voto às operações de importação, tratadas no caso concreto, observase que foram adotados pelo legislador brasileiro os métodos PIC (Preços Independentes Comparados), PRL (Preço de Revenda Menos Lucro) e CPL (Custo de Produção mais Lucro), inspirados, respectivamente, nos métodos internacionais Comparable Uncontrolled Price (CUP), Resale Price Method e o Cost Plus Method. Especificamente em relação ao método PRL, vale transcrever a redação em vigor à época dos fatos objeto da autuação: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (...) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. (Redação dada pela Lei nº 9.959, de 2000) Foram empreendidas grandes discussões em torno dos limites que a administração tributária teria que obedecer para encontrar um modelo matemático compatível com as diretrizes estabelecidas pela lei. 2 United Nations Practical Manual on Transfer Pricing for Developing Countries, http://www.un.org/esa/ffd/documents/UN_Manual_TransferPricing.pdf. Acesso em 15/03/2016. Fl. 7592DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000098/200916 Acórdão n.º 9101002.415 CSRFT1 Fl. 7.593 7 E de fato, em razão da complexidade da matéria, foram editados vários atos administrativos, buscando encontrar um modelo adequado para a devida apuração do preço parâmetro. Debates intensos se sucederam analisando se os atos administrativos, editados com base no art. 100, inciso I do CTN 3, extrapolaram os limites da lei. Assunto tratado pela jurisprudência e doutrina, pelo vênia para transcrever as valiosas lições de Luís Eduardo Schoueri 4 : 3.11 Em certas circunstâncias, a regulamentação dos preços de transferência pode, sim, exigir a edição de ato administrativo para que se torne viável sua aplicação. (...) 3.12.2 Com efeito, a mera leitura dos dispositivos que tratam dos preços de transferência na Lei nº 9.430/96 revela que sua disciplina foi bastante enxuta. O legislador limitouse a definir os métodos aplicáveis e as consequências de os preços praticados superarem os limites legais. (...) 3.12.2.2 Obviamente, se a Instrução Normativa extrapolar a lei, será esta, e nunca aquela, que prevalecerá. Mas como saber se a Instrução Normativa ultrapassou a lei? 3.12.3 Surge, aqui, a importância do princípio do arm's lenght. Como já ficou esclarecido, é este princípio o bastião de constitucionalidade da Lei nº 9.430/96 5 Os ajustes impostos por esta lei se consideram constitucionais porque concretizam aquela princípio. 3.12.4 Nesse passo, surge a seguinte regra: a regulamentação da Lei nº 9.430/96 estará conforma a própria lei se estiver concretizando o princípio arm's length. 3.12.5 Quando, por outro lado, a regulamentação da Lei nº 9.430/96 emprestarlhe interpretação que se afaste do referido princípio, então há que se investigar a existência de outro princípio que justifique tal construção normativa. O desvio poderá indicar a concretização de outro valor constitucional, igualmente prestigiado pelo Ordenamento. Tal será o caso, por exemplo, quando a norma, desviandose do princípio arm's length, tiver sua justificativa em sua função indutora, ao buscar fomentar o desenvolvimento da economia nacional. 3 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; (...) 4 SCHOUERI, Luís Eduardo. Preços de Transferência no Direito Tributário Brasileiro 3. ed. rev. a atual. São Paulo : Dialética, 2013, p. 5759 5 Cf. Ricardo Lobo Torres, "O Princípio Arm's Length, os Preços de Transferência e a Teoria de Interpretação do Direito Tributário", Revista Dialética de Direito Tributário nº 48, setembro de 1999, pp. 122135 (123) Fl. 7593DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000098/200916 Acórdão n.º 9101002.415 CSRFT1 Fl. 7.594 8 3.12.6 Não se encontrando a norma assim construída apoiada nem no princípio arm's length nem em outro fundamento constitucional, então tal interpretação será repudiada, denunciandose a ilegalidade da Instrução Normativa. Exemplos de tal afastamento não faltam. (grifei) Não obstante o autor, no decorrer de sua obra, entender pela ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, entendo que a premissa colocada, no sentido de se verificar se o ato normativo concretizou o princípio do arm's length, mostrase como uma referência a ser prestigiada. A redação do artigo em debate foi construída de maneira a amparar diferentes modelos matemáticos, desde que estejam em consonância com o princípio arm's length. E é precisamente o que se verifica no decorrer das instruções normativas editadas visando regulamentar o previsto no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. De fato, optou o legislador, ao positivar a matéria, dispor sobre diretriz a ser seguida pelo método, e não adentrar na fórmula matemática, que, por consequência, foi tarefa delegada a tarefa para o ato administrativo complementar. Natural, portanto, movimento no sentido de se buscar um modelo matemático adequado à realidade e ao espírito da norma. Tanto que a lei primeiro foi regulamentada pela IN SRF nº 113, de 2000, depois pela IN SRF nº 32, de 2001, e, sem seguida, pela IN SRF nº 243, de 2002. Discussões foram empreendidas no sentido de compreender com quem a expressão do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção estaria fazendo referência, se à redação dada pelo art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996 (1) do caput do inciso II, PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos:, ou (2) da alínea "d", "1", sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e (...). No primeiro caso, discorreuse que se trataria de erro técnica legislativa inapropriada, ou seja, a expressão do valor agregado estaria correta, mas deveria estar inserida como uma nova alínea. Na segunda situação, falouse em erro gramatical, no sentido de que não se quis dizer do valor agregado, e sim o valor agregado, que estaria concordando com a expressão deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e (...) 6. Aplicandose as orientações do modelo matemático proposto pela IN SRF nº 32, de 2001, quaisquer das interpretações conduziram a uma distorção na apuração do preço parâmetro, principalmente em razão do tratamento conferido ao valor agregado, considerado de maneira isolada, completamente desconectado do processo produtivo. Admitindose a técnica legislativa inapropriada, a fórmula teria os seguintes contornos: PP = PL 0,6xPL VA Desenvolvendo a equação, terseia: 6 GREGÓRIO, Ricardo Marozzi. Preços de Transferência: uma avaliação da sistemática do método PRL. In: Tributos e Preços de Transferência. 3º vol. São Paulo: Dialética, 2009. p. 170195. Fl. 7594DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000098/200916 Acórdão n.º 9101002.415 CSRFT1 Fl. 7.595 9 PP = 0,4xPL VA onde PP: preço parâmetro, PL: preço líquido de revenda, VA: valor agregado no país. Percebese PP e VA na condição de grandezas inversamente proporcionais. Com um VA elevado, o preço parâmetro poderia atingir um valor negativo. Ao ser tratado de maneira isolada, descontextualizada do processo produtivo, conferiuse ao valor agregado um peso desproporcional na equação. Ou seja, o modelo matemático não se prestaria a refletir a realidade da situação em análise. Por outro lado, admitindose um erro gramatical, terseia a fórmula: PP = PL 0,6x(PL VA) Desenvolvendo a equação: PP = 0,4xPL + 0,6xVA onde PP: preço parâmetro, PL: preço líquido de revenda, VA: valor agregado no país. Neste caso a distorção seria tão evidente quanto a anterior, mas para um outro extremo. O PP e o VA estariam na condição de grandezas diretamente proporcionais. Da mesma maneira que na equação anterior, foi conferido ao valor agregado um peso desproporcional na equação. Percebese que, agregandose valor ao produto produzido no país, eventual distorção no preço do produto importado seria completamente neutralizada. O resultado implicaria em ausência de ajuste do preço do preço parâmetro mesmo diante da manipulação dos preços de produtos importados, quando o valor agregado respondesse por uma proporção significativa do produto. Várias demonstrações foram elaboradas, visando credenciar ou descredenciar a validade das fórmulas diante de vários casos concretos. Fato é que, com a IN SRF nº 243, de 2002, a nova fórmula desenhada mostrouse, indiscutivelmente, mais adequada e apta a refletir com maior realidade a metodologia do PRL, levando em consideração que a diminuição do valor agregado, a ser aplicada sobre o preço de revenda do bem ou direito, darseá de maneira proporcional, na medida da participação do custo do bem importado em relação ao preço do custo total do bem. Define com clareza que o valor agregado é parte da composição do custo total do bem, e não uma grandeza isolada, como na equação da IN SRF nº 32, de 2001. Não poderia ser diferente. O custo total é resultado da soma do custo do bem importado e do valor agregado no país. O valor agregado integra o custo, vez que agrega ao produto uma qualidade, um diferencial, que, por consequência, irá compor o custo total7. Assim, construiuse a fórmula no sentido de encontrar a proporção do custo do bem importado em relação ao custo total, dividindose o custo do bem importado pela soma do custo bem importado e o valor agregado: (custo do bem importado) / (custo do bem importado + valor agregado). A proporção encontrada foi aplicada para o cômputo do preço de transferência. Vale transcrever o § 11, do art. 12, da IN SRF nº 243, de 2002: 7 Ver Acórdão nº 9101002.175 (p. 22), do Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão. Fl. 7595DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000098/200916 Acórdão n.º 9101002.415 CSRFT1 Fl. 7.596 10 § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. (grifei) O modelo matemático proposto pode ser apresentado na seguinte equação: PP = PLxPPart 0,6xPLxPPart Considerando PLxPPart = PBProd, então a fórmula seria: PP = PBProd 0,6xPBProd, ou PP = 0,4 x PBProd onde PP: preço parâmetro; PL: preço líquido de venda, PPart: percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido e PBProd: participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido. Destrinchando os elementos da equação, o PL (preço líquido de venda) é definido nos seguintes termos: PL = média aritmética ponderada de PV D I C onde PV: preços de venda do bem produzido, D: descontos incondicionais concedidos, I: impostos e contribuições sobre as vendas, C: comissões e corretagens pagas, e N: quantidade de produtos importados Fl. 7596DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000098/200916 Acórdão n.º 9101002.415 CSRFT1 Fl. 7.597 11 Por sua vez, o PPart (percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido), é definido por: CII PPart = CTBP ou, ainda, por: CII PPart = CII + valor agregado onde CII: custo do valor do bem, serviço ou direito importado e CTBP: o custo total do bem produzido, resultado da soma entre o CII e o valor agregado. A diminuição do valor agregado, pretendida pela lei, foi modelada na equação pela introdução do valor agregado no denominador da divisão. Quanto maior a participação no valor agregado, obviamente, menor a participação do preço do produto importado na composição do custo total e, por isso, menor a sua colaboração na composição do preço de transferência. Observase que, numa situação limite, se não houvesse valor agregado (que receberia o valor zero), o percentual de participação do produto importado seria CII dividido por CII, resultando em 1, ou seja, 100%. Registrese que se trata de situação hipotética, que se presta a mostrar a validade do modelo proposto, isso porque a legislação trata da situação em que não há agregação de valor no art. 18, inciso II, alínea "d", item 2 da Lei nº 9.430, de 1996. Retomando à equação, de acordo com a definição da instrução normativa, a PBProd (participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido) é assim definida: CII PBProd = (média aritmética ponderada de PV D I C) x CTBP Enfim, o Preço Parâmetro, definido no inciso V, § 11, do art. 12, da IN SRF nº 243, de 2002, é a diferença entre a PBProd e o percentual de margem de lucro aplicado sobre o PBProd. Ou seja: PP = PBProd margem de lucro x PBProd Desenvolvendo a fórmula, temse: PP = PBProd x (1 margem de lucro) Observase que o PBProd é o preço de revenda do produto importado, calculado a partir de sua participação no preço de revenda do produto produzido que teve agregação de valor no país. E, aplicandose o percentual de presunção de margem de lucro de 60%: Fl. 7597DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000098/200916 Acórdão n.º 9101002.415 CSRFT1 Fl. 7.598 12 PP = PBProd x (1 0,6) PP = 0,4 x PBProd No mencionado UN Practical Manual for Developing Countries 8, ao discorrer sobre o Resale Price Method (que se trata do PRL), a fórmula empregada é a mesma. Vale transcrever o item 6.2.6.3 do documento: 6.2.6.3. . Consequently, under the RPM the starting point of the analysis for using the method is the sales company. Under this method the transfer price for the sale of products between the sales company (i.e. Associated Enterprise 2) and a related company (i.e. Associated Enterprise 1) can be described in the following formula: TP = RSP x (1 GPM), where: TP = the Transfer Price of a product sold between a sales company and a related company; RSP = the Resale Price at which a product is sold by a sales company to unrelated customers; and GPM = the Gross Profit Margin that a specific sales company should earn, defined as the ratio of gross profit to net sales. Gross profit is defined as Net Sales minus Cost of Goods Sold. Na equação TP = RSP x (1 GPM), TP é o preço praticado, RSP é o preço de revenda do produto importado, e o GPM o percentual de presunção de lucro aplicado sobre o preço de revenda. Vale transcrever, novamente, a fórmula empregada pela IN SRF nº 243, de 2002: PP = PBProd x (1 margem de lucro), onde PP é o preço praticado, PBProd é o preço de revenda do insumo importado levandose em consideração sua participação no preço de revenda total do produto, e a margem de lucro é o percentual de presunção do lucro aplicado sobre o preço de revenda. Aplicandose nas fórmulas o percentual de presunção de lucro de 60%, temos: UN Practical Manual for Developing Countries IN SRF 243, de 2002 TP = RSP x (1 0,6) TP = 0,4 x RSP, onde RSP é o preço de revenda do produto importado e o TP é o preço de transferência. PP = PBProd x (1 0,6) PP = 0,4 x PBProd, onde PBProd é o preço de revenda do produto importado e PP é o preço de transferência. 8 United Nations Practical Manual on Transfer Pricing for Developing Countries, http:www.un.org/esa/ffd/documents/UN_Manual_TransferPricing.pdf. Acesso em 15/03/2016. Fl. 7598DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000098/200916 Acórdão n.º 9101002.415 CSRFT1 Fl. 7.599 13 Percebese que o modelo matemático adotado pela IN SRF nº 243, de 2002, guarda consonância com os padrões internacionais, e não foge das diretrizes estabelecidas pelo art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. Na realidade, a normatização empreendida pela instrução normativa foi uma evolução do modelo matemático perseguido pela lei. Primeiro, porque considerou, acertadamente, que a apuração do custo total do produto revendido consiste na soma do preço produto importado e mais o valor agregado no país, tornado possível calcular a efetiva participação do preço do produto importado na composição do custo total do produto revendido, base sobre a qual se aplica o preço de revenda e a margem de lucro presumida. Segundo, tratase de modelo em harmonia com as diretrizes internacionais, estabelecidas com sob a égide do princípio do arm's length. Tampouco há que se falar que os preços de transferência, no Brasil, tiveram como outro objetivo, além do princípio do arm's length, ser instrumento de fomento à indústria nacional, razão pela qual se poderia recepcionar entendimento de que teria havido o erro gramatical na redação da lei, o que conduziria o preço parâmetro à fórmula "PP = PL 0,6x(PL VA)". A exposição de motivos da Lei nº 9.430, de 1996, ao discorrer sobre os artigos 18 a 24, esclarece que a norma é instrumento de combate à elisão internacional: As normas contidas nos artigos 18 a 24 representam significativo avanço da legislação nacional face ao ingente processo de globalização experimentado pelas economias contemporâneas. No caso específico, em conformidade com as regras adotadas da OCDE. São propostas normas que possibilitem o controle dos denominados “Preços de Transferência”, de forma a evitar a prática, lesiva aos interesses nacionais, de transferências de recursos para o Exterior, mediante a manipulação dos preços pactuados nas importações ou exportações de bens, serviços ou direitos, em operações com pessoas vinculadas, residentes ou domiciliadas no Exterior. De qualquer maneira, há que se considerar que o modelo preconizado pela OCDE trata de diretrizes, sem o condão de retirar a autonomia que cada país tem para dispor sobre a matéria em seu ordenamento jurídico. (grifei) Tratase de norma com objetivo primordial de corrigir distorções entre o preço praticado nas operações de uma empresa e suas vinculadas, adotandose como parâmetro o preço de mercado negociado entre empresas independentes, em referência clara ao princípio do arm's length. Não há, portanto, que se falar em ilegalidade da IN SRF nº 243, de 2002, em face do disposto no art. 18 da Lei nº 9.430, de 1996. A jurisprudência vem ratificando tal entendimento. Recentemente, na sessão de janeiro de 2016, o presente Colegiado julgou, por maioria de votos, pela legalidade da IN SRF nº 243, de 2002, tendo o Acórdão nº 9101002.175 apresentado a seguinte ementa: Fl. 7599DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000098/200916 Acórdão n.º 9101002.415 CSRFT1 Fl. 7.600 14 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO PRL60. AJUSTE, IN/SRF 243/2002. ILEGALIDADE. INEXISTÊNCIA. Descabe a argüição de ilegalidade na IN SRF nº 243/2002 cuja metodologia busca proporcionalizar o preço parâmetro ao bem importado aplicado na produção. Assim, a margem de lucro não é calculada sobre a diferença entre o preço líquido de venda do produto final e o valor agregado no País, mas sobre a participação do insumo importado no preço de venda do produto final, o que viabiliza a apuração do preço parâmetro do bem importado com maior exatidão, em consonância ao objetivo do método PRL 60 e à finalidade do controle dos preços de transferência. O voto faz referência a jurisprudência judicial, como, por exemplo, da Terceira Turma Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que decidiu rever seu entendimento anterior e decidir pela legalidade da sistemática do PRL 60 estabelecida na IN SRF nº 243/2002, por unanimidade de votos, no julgamento do processo nº 2003.61.00.0173814/SP: APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA. MÉTODO DE PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL. LEI Nº 9.430/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 243/02. APLICABILIDADE. 1. Caso em que a impetrante pretende apurar o Método de Preço de Revenda menos Lucro PRL, estabelecido na Lei n.º 9.430/96, sem se submeter às disposições da IN/SRF n.º 243/02. 2. Em que pese sejam menos vantajosos para a impetrante, os critérios da Instrução Normativa n. 243/2002 para aplicação do método do Preço de Revenda Menos Lucro (PRL) não subvertem os paradigmas do art. 18 da Lei n. 9.430/1996. 3. Ao considerar o percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido, a IN 243/2002 nada mais está fazendo do que levar em conta o efetivo custo daqueles bens, serviços e direitos na produção do bem, que justificariam a dedução para fins de recolhimento do IRPJ e da CSLL. 4. Apelação improvida. (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 18/2/2011. A Terceira Turma rejeitou os embargos opostos contra o acórdão, e manteve a orientação pela legalidade da IN nº 243/2002, em 5/5/2011.) Vale também transcrever ementa de decisão do processo nº 2003.61.00.0061258/SP, da Sexta Turma do TRF3: Fl. 7600DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000098/200916 Acórdão n.º 9101002.415 CSRFT1 Fl. 7.601 15 TRIBUTÁRIO TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS ENTRE PESSOAS VINCULADAS MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO PRL 60 APURAÇÃO DAS BASES DE CÁLCULO DO IRPJ E DA CSLL EXERCÍCIO DE 2002 LEIS NºS. 9.430/96 E 9.959/00 E INSTRUÇÕES NORMATIVAS/SRF NºS. 32/2001 E 243/2002 PREÇO PARÂMETRO MARGEM DE LUCRO VALOR AGREGADO LEGALIDADE INOCORRÊNCIA DE OFENSA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DEPÓSITOS JUDICIAIS. 1. Constitui o preço de transferência o controle, pela autoridade fiscal, do preço praticado nas operações comerciais ou financeiras realizadas entre pessoas jurídicas vinculadas, sediadas em diferentes jurisdições tributárias, com vista a afastar a indevida manipulação dos preços praticados pelas empresas com o objetivo de diminuir sua carga tributária. 2. A apuração do lucro real, base de cálculo do IRPJ, e da base de cálculo da CSLL, segundo o Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL, era disciplinada pelo art. 18, II e suas alíneas, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/00 e regulamentada pela IN/SRF nº 32/2001, sistemática pretendida pela contribuinte para o ajuste de suas contas, no exercício de 2002, afastandose os critérios previstos pela IN/SRF nº 243/2002. 3. Contudo, ante à imprecisão metodológica de que padecia a IN/SRF nº 32/2001, ao dispor sobre o art. 18, II, da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe deu a Lei nº 9.959/00, a qual não espelhava com fidelidade a exegese do preceito legal por ela regulamentado, baixou a Secretaria da Receita Federal a IN/SRF nº 243/2002, com a finalidade de refletir a mens legis da regramatriz, voltada para coibir a evasão fiscal nas transações comerciais com empresas vinculadas sediadas no exterior, envolvendo a aquisição de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. 4. Destarte, a IN/SRF nº 243/2002, sem romper os contornos da regramatriz, estabeleceu critérios e mecanismos que mais fielmente vieram traduzir o dizer da lei regulamentada. Deixou de referirse ao preço líquido de venda, optando por utilizar o preço parâmetro daqueles bens, serviços ou direitos importados da coligada sediada no exterior, na composição do preço do bem aqui produzido. Tal sistemática passou a considerar a participação percentual do bem importado na composição inicial do custo do produto acabado. Quanto à margem de lucro, estabeleceu dever ser apurada com a aplicação do percentual de 60% sobre a participação dos bens importados no preço de venda do bem produzido, a ser utilizada na apuração do preço parâmetro. Assim, enquanto a IN/SRF nº 32/2001 considerava o preço líquido de venda do bem produzido, a IN/SRF nº 243/2002, considera o preço parâmetro, apurado segundo a metodologia prevista no seu art. 12, §§ 10, e 11 e seus incisos, Fl. 7601DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000098/200916 Acórdão n.º 9101002.415 CSRFT1 Fl. 7.602 16 consubstanciado na diferença entre o valor da participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido, e a margem de lucro de sessenta por cento. 5. O aperfeiçoamento fezse necessário porque o preço final do produto aqui industrializado não se compõe somente da soma do preço individuado de cada bem, serviço ou direito importado. À parcela atinente ao lucro empresarial, são acrescidos, entre outros, os custos de produção, da mão de obra empregada no processo produtivo, os tributos, tudo passando a compor o valor agregado, o qual, juntamente com a margem de lucro de sessenta por cento, mandou a lei expungir. Daí, a necessidade da efetiva apuração do custo desses bens, serviços ou direitos importados da empresa vinculada, pena de a distorção, consubstanciada no aumento abusivo dos custos de produção, com a consequente redução artificial do lucro real, base de cálculo do IRPJ e da base de cálculo da CSLL a patamares inferiores aos que efetivamente seriam apurados, redundar em evasão fiscal. 6. Assim, contrariamente ao defendido pela contribuinte, a IN/SRF nº 243/2002, cuidou de aperfeiçoar os procedimentos para dar operacionalidade aos comandos emergentes da regra matriz, com o fito de determinarse, com maior exatidão, o preço parâmetro, pelo método PRL60, na hipótese da importação de bens, serviços ou direitos de coligada sediada no exterior, destinados à produção e, a partir daí, comparandoseo com preços de produtos idênticos ou similares praticados no mercado por empresas independentes (princípio arm's length), apurarse o lucro real e as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 7. Em que pese a incipiente jurisprudência nos Tribunais pátrios sobre a matéria, ainda relativamente recente em nosso meio, temna decidido o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, do Ministério da Fazenda, não avistando o Colegidado em seus julgados administrativos qualquer eiva na IN/SRF nº 243/2002. Confirase a respeito o Recurso Voluntário nº 153.600 processo nº 16327.000590/200460, julgado na sessão de 17/10/2007, pela 5ª Turma/DRJ em São Paulo, relator o conselheiro José Clovis Alves. No mesmo sentido, decidiu a r. Terceira Turma desta Corte Regional, no julgamento da apelação cível nº 001738130.2003.4.03.6100/SP, Relator o e. Juiz Federal Convocado RUBENS CALIXTO. 8. Outrossim, impõese destacar não ter a IN/SRF nº 243/2002, criado, instituído ou aumentado os tributos, apenas aperfeiçoou a sistemática de apuração do lucro real e das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, pelo Método PRL60, nas transações comerciais efetuadas entre a contribuinte e sua coligada sediada no exterior, reproduzindo com maior exatidão, o alcance previsto pelo legislador, ao editar a Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 9.959/2000, visando coibir a elisão fiscal. [...] (Divulgado no Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3ª Região, em 1/9/2011. Grifos nossos) Fl. 7602DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000098/200916 Acórdão n.º 9101002.415 CSRFT1 Fl. 7.603 17 Portanto, não há que se falar em ilegalidade na IN SRF nº 243/2002, cujo modelo matemático é uma evolução das instruções normativas anteriores. A metodologia leva em conta a participação do valor agregado no custo total do produto revendido. Adotandose a proporção do bem importado no custo total, e aplicando a margem de lucro presumida pela legislação para a definição do preço de revenda, encontrase um valor do preço parâmetro compatível com a finalidade do método PRL 60 e dos preços de transferência. Quanto ao argumento de que a Lei nº 12.715, de 2012 (convertida pela MP nº 563, de 2012), ao reproduzir dispositivos da IN SRF nº 243, de 2002 confirmaria a ilegalidade da instrução normativa, não resiste a uma análise mais precisa da exposição de motivos da medida provisória: 62. Entre essas alterações, merecem destaque as seguintes: a) substituição dos atuais métodos do Preço de Revenda menos Lucro PRL20 e PRL60, aplicáveis, respectivamente, a hipóteses nas quais os bens importados sejam exclusivamente revendidos ou sejam submetidos a processos produtivos no Brasil, a um único método de cálculo de preço parâmetro, o que fará com que os controles em questão não mais sejam relevantes na tomada de decisões quanto à forma de atuação das entidades sujeitas aos controles de preços de transferência no Brasil, bem como eliminará inúmeros litígios concernentes à conceituação do que venha a ser “submissão a processo produtivo no País”, fator este de enorme insegurança jurídica no que toca à matéria; b) aplicação, para fins de cálculo do PRL, de margens de lucro diferenciadas por setores da atividade econômica;(grifei) c) não consideração de montantes pagos a entidades não vinculadas ou a pessoas não residentes em países de tributação favorecida ou ainda a agentes que não gozem de regimes fiscais privilegiados a título de fretes, seguros, gastos com desembaraço e impostos incidentes sobre as operações de importação para fins de cálculo do preço parâmetro pelo método PRL, vez que tais montantes não são suscetíveis de eventuais manipulações empreendidas com o intuito de esvaziar a base tributária brasileira; No que concerne ao PRL 20 e PRL 60, deixa clara a exposição de motivos que o cerne da alteração em relação à lei anterior é o estabelecimento de um único método de cálculo de preço parâmetro, entendendo ser uma melhoria em relação à situação pretérita, no qual havia diferença de tratamento entre (i) os bens importados exclusivamente revendidos e (ii) aqueles submetidos a processos produtivos no Brasil. Discorre, de maneira expressa, sobre a preocupação com litígio que provocava a "conceituação" da expressão “submissão a processo produtivo no País”, o que, de acordo com o legislador, tratavase de "fator este de enorme insegurança jurídica". Ora, não se fala, em nenhum momento, em se dissipar qualquer eventual dúvida sobre a legalidade do art. 18 da IN SRF nº 243, de 2002. Tanto que, na sequência, discorre a exposição de motivos sobre a aplicação de margens de lucro diferenciadas por setores de atividade econômica, e sobre nova sistemática na apuração do Fl. 7603DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000098/200916 Acórdão n.º 9101002.415 CSRFT1 Fl. 7.604 18 preço de transferência para os valores a título de fretes, seguros, gastos com desembaraço e impostos incidentes sobre as operações de importação. E se o legislador aproveitou a oportunidade para positivar, em texto legal, interpretação dada pela IN SRF nº 243, de 2002, tratase de procedimento que em nada altera a norma tributária em análise (método de cálculo do preço parâmetro pelo PRL 60), sob uma perspectiva substancial (material). A alteração é apenas no campo formal, tomandose como referência a data de vigência da Lei nº 12.715, de 2012: antes, a norma tinha previsão em lei e em norma complementar (instrução normativa autorizada pelo art. 100 do CTN); após, a previsão apenas em lei. Enfim, aplicase à CSLL o decidido no IRPJ, vez que compartilham o mesmo suporte fático e matéria tributável. Portanto, diante de todo o exposto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso da Contribuinte. Assinado Digitalmente André Mendes de Moura Fl. 7604DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000098/200916 Acórdão n.º 9101002.415 CSRFT1 Fl. 7.605 19 Declaração de Voto Conselheiro Luís Flávio Neto. Na reunião de agosto de 2016, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (doravante “CSRF”) analisou o recurso especial interposto por SANDVIK DO BRASIL S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO (doravante “SANDVIK”, “contribuinte” ou “recorrente”), em que é parte a Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante “PFN” ou “recorrida”), no processo n. 16643.000098/200916. Em tal recurso, a recorrente requer a reforma do acórdão n. 1401000.802 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela r. 1a Turma Ordinária da 4a Câmara desta 1a Seção (doravante “Turma a quo”). O acórdão recorrido, proferido pela Turma a quo, restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 Ementa: MÉTODO PRL60. CÁLCULOS SEGUNDO INSTRUÇÃO NORMATIVA. ALEGAÇÃO DE ILEGALIDADE. DESCABIMENTO. AUSÊNCIA DE INCOMPATIBILIDADE ENTRE A LEI Nº. 9.959/2000 E A INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº. 243/2002. A normatização do denominado método “PRL60”, empreendida no art. 12 da IN SRF nº. 243/2002, se analisada sob o prisma de uma interpretação gramatical, lógica, finalística e sistemática se mostra em perfeita consonância com as normas veiculadas no art. 18 da Lei nº. 9.430/97, com a redação estatuída pelo art. 2º da Lei nº. 9.959/2000. MÉTODO PRL60. IN 243/2002. PONDERAÇÃO DE CUSTOS. ISOLAMENTO. EFEITO BENÉFICO. A roupagem da fórmula adotada pela IN 243/2002 (PPn=%nPL 60%x(%nPL)) se modifica em relação à sua formulação genérica prevista na literalidade da Lei (PP= PLV – 60%PLV – VA) ao incorporar a técnica da ponderação, contudo esse aspecto específico visto de forma isolada, ao contrário do apregoado diminui os ajustes se comparado com a sua formulação genérica, além do que essa nova “roupagem” também não macula sua essência que é provocar o surgimento do “preço parâmetro de comparação” a partir do expurgo do Valor Agregado e assim, manter a técnica do máximo isolamento para cada um dos insumos importados que fazem parte do produto final a ser revendido, o que não acontece na fórmula da IN 32/2001 (((PP= PLV – 60%(PLV – VA ) nem na formulação genérica encontrada na literalidade Lei ((PP= PLV – 60%PLV – VA)). CSLL. Aplicase à CSLL, no que couber, o que foi decidido para o IRPJ, dada a intima relação de causa e efeito que os une. Fl. 7605DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000098/200916 Acórdão n.º 9101002.415 CSRFT1 Fl. 7.606 20 No julgamento do recurso especial interposto, o Colegiado da 1a Turma da CSRF decidiu manter o acórdão da Turma a quo, subsistindo a cobrança do tributo, multa e juros lançados no AIIM. Nesta declaração de voto, permissa venia, apresento os fundamentos que me fizeram votar pelo PROVIMENTO do recurso especial interposto pelo contribuinte, especialmente em relação à ilegalidade da IN 243/2002 quanto ao método de cálculo PRL60. 1. A evolução legislativa do método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL). A legislação brasileira dos preços de transferência deve ser observada por pessoas jurídicas nacionais que realizem operações com pessoas jurídicas vinculadas residentes no exterior. Suas normas encontram fundamento especialmente nos princípios da igualdade e da capacidade contributiva, de forma a estabelecer, por meio de fórmulas prédeterminadas pelo legislador ordinário, um preço parâmetro àqueles praticados por partes independentes (“preço parâmetro” ou “preço arm’s length”), de tal forma que operações realizadas entre partes vinculadas, que destoem desse padrão, sejam tributadas como se houvessem praticado o preço parâmetro. A título ilustrativo, se, em uma operação de importação entre partes vinculadas, o importador brasileiro realizar o pagamento de $25,00 por um bem cujo preço parâmetro seja de $10,00, a legislação dos preços transferência determinará um ajuste na base de cálculo do IRPJ e da CSL. Deverá ser adicionada a parcela excedente ao preço parâmetro($15,00), considerada indedutível pela legislação de preços de transferência, a fim de acrescer a base tributável e consequentemente aumentar o montante dos tributos devidos. O preço parâmetro, nesse exemplo, corresponde ao limite da dedutibilidade do custo do bem, serviço ou direito importado de parte vinculada. Por meio do controle dos preços de transferência, o sistema jurídico não procura majorar o percentual de tributos cobrados da sociedade, mas simplesmente garantir, nas operações internacionais, tratamento tributário isonômico, de forma que, independente de relações societárias mantidas entre as partes, todos que se encontrem em situação semelhante tenham a sua capacidade contributiva tributada de forma equivalente. A matriz legal da legislação brasileira dos preços de transferência é a Lei n. 9.430/96, com as sucessivas alterações que lhe foram realizadas. Nela estão contemplados os diferentes métodos de controle dos preços de transferência, que consistem em fórmulas e regras para a determinação se deve ou não ser realizado ajustes na base de cálculo do IRPJ e da CSL e, ainda, de quanto seria o referido ajuste. Entre os referidos métodos, interessa ao recurso especial em julgamento o Preço de Revenda menos Lucro (PRL). Em sua redação original, o art. 18. II, da Lei n. 9.430/96, previa apenas a margem de lucro de 20% para o cálculo do preço parâmetro conforme o método PRL (doravante “PRL20”): Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (…) Fl. 7606DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000098/200916 Acórdão n.º 9101002.415 CSRFT1 Fl. 7.607 21 II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) de margem de lucro de vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda; Em 1999, por meio da Medida Provisória nº 2.0134, convertida na Lei n. 9.959/2000, foi introduzida alteração na alínea “d” desse dispositivo, que passou a dispor quanto à possibilidade da adoção da margem de lucro de 60% para o cálculo do método PRL dos preços de transferência (PRL60), com especial destaque à parte em negrito: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (…) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; 2. vinte por cento, calculada sobre o preço de revenda, nas demais hipóteses. Na sequência, foi editada pela Secretaria da Receita Federal (doravante “SRF”) a IN 113/2000, que dispunha “sobre as hipóteses de utilização do Método do Preço de Revenda menos Lucro”. Em 2001, foi editada a IN 32, que incorporou os enunciados da IN 113/2000 ao indicar a adoção da seguinte fórmula para o cálculo do PRL 60, com especial destaque à parte em negrito: Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens; b) sessenta por cento, na hipótese de bens importados aplicados na produção. § 1º Os preços de revenda, a serem considerados, serão os praticados pela própria empresa importadora, em operações de venda a varejo e no atacado, com compradores, pessoas físicas ou jurídicas, que não sejam a ela vinculados. § 2º Os preços médios de aquisição e revenda serão ponderados em função das quantidades negociadas. § 3º Na determinação da média ponderada dos preços, serão computados os valores e as quantidades relativos aos estoques existentes no início do período de apuração. Fl. 7607DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000098/200916 Acórdão n.º 9101002.415 CSRFT1 Fl. 7.608 22 § 4º Para efeito desse método, a média aritmética ponderada do preço será determinada computandose as operações de revenda praticadas desde a data da aquisição até a data do encerramento do período de apuração. § 5º Se as operações consideradas para determinação do preço médio contiverem vendas à vista e a prazo, os preços relativos a estas últimas deverão ser escoimados dos juros neles incluídos, calculados à taxa praticada pela própria empresa, quando comprovada a sua aplicação em todas as vendas a prazo, durante o prazo concedido para o pagamento. § 6º Na hipótese do parágrafo anterior, não sendo comprovada a aplicação consistente de uma taxa, o ajuste será efetuado com base na taxa: I referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), para títulos federais, proporcionalizada para o intervalo, quando comprador e vendedor forem domiciliados no Brasil; II Libor, para depósitos em dólares americanos pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizada para o intervalo, quando uma das partes for domiciliada no exterior. § 7º Para efeito deste artigo, serão considerados como: I incondicionais, os descontos concedidos que não dependam de eventos futuros, ou seja, os que forem concedidos no ato de cada revenda e constar da respectiva nota fiscal; II impostos, contribuições e outros encargos cobrados pelo Poder Público, incidentes sobre vendas, aqueles integrantes do preço, tais como ICMS, ISS, Pis/Pasep e Cofins; III comissões e corretagens, os valores pagos e os que constituírem obrigação de pagar, a esse título, relativamente às vendas dos bens, serviços ou direitos objeto de análise. § 8º A margem de lucro a que se refere o inciso IV, alínea "a" do caput será aplicada sobre o preço de revenda, constante da nota fiscal, excluídos, exclusivamente, os descontos incondicionais concedidos. § 9º O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento somente será aplicado nas hipóteses em que não haja agregação de valor no País ao custo dos bens , serviços ou direitos importados, configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos bens, serviços ou direitos importados. § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens aplicados à produção. § 11. Na hipótese do parágrafo anterior, o preço a ser utilizado como parâmetro de comparação será a diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de sessenta por cento, considerandose, para este fim: I preço líquido de venda, a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II margem de lucro, o resultado da aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a média aritmética dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas, das comissões e corretagens pagas e do valor agregado ao bem produzido no País. Em 2002, embora nenhuma reforma tenha sido implementada pelo legislador, a IN 243 tornou público que a SRF conduziria uma ampla mudança na metodologia de cálculo do PRL60, com o abandono das fórmulas anteriormente adotadas na IN 113/2000 e na IN 32/2001. Fl. 7608DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000098/200916 Acórdão n.º 9101002.415 CSRFT1 Fl. 7.609 23 Devem ser destacados os seguintes dispositivos da IN 243/2002, com destaque à parte em negrito: MÉTODO DO PREÇO DE REVENDA MENOS LUCRO (PRL) Art. 12. A determinação do custo de bens, serviços ou direitos, adquiridos no exterior, dedutível da determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, poderá, também, ser efetuada pelo método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL), definido como a média aritmética ponderada dos preços de revenda dos bens, serviços ou direitos, diminuídos: I dos descontos incondicionais concedidos; II dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; III das comissões e corretagens pagas; IV de margem de lucro de: a) vinte por cento, na hipótese de revenda de bens, serviços ou direitos; b) sessenta por cento, na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados na produção. § 1º Os preços de revenda, a serem considerados, serão os praticados pela própria empresa importadora, em operações de venda a varejo e no atacado, com compradores, pessoas físicas ou jurídicas, que não sejam a ela vinculados. § 2º Os preços médios de aquisição e revenda serão ponderados em função das quantidades negociadas. § 3º Na determinação da média ponderada dos preços, serão computados os valores e as quantidades relativos aos estoques existentes no início do período de apuração. § 4º Para efeito desse método, a média aritmética ponderada do preço será determinada computandose as operações de revenda praticadas desde a data da aquisição até a data do encerramento do período de apuração. § 5º Se as operações consideradas para determinação do preço médio contiverem vendas à vista e a prazo, os preços relativos a estas últimas deverão ser escoimados dos juros neles incluídos, calculados à taxa praticada pela própria empresa, quando comprovada a sua aplicação em todas as vendas a prazo, durante o prazo concedido para o pagamento. § 6º Na hipótese do § 5º, não sendo comprovada a aplicação consistente de uma taxa, o ajuste será efetuado com base na taxa: I referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), para títulos federais, proporcionalizada para o intervalo, quando comprador e vendedor forem domiciliados no Brasil; II Libor, para depósitos em dólares americanos pelo prazo de seis meses, acrescida de três por cento anuais a título de spread, proporcionalizada para o intervalo, quando uma das partes for domiciliada no exterior. § 7º Para efeito deste artigo, serão considerados como: I incondicionais, os descontos concedidos que não dependam de eventos futuros, ou seja, os que forem concedidos no ato de cada revenda e constar da respectiva nota fiscal; II impostos, contribuições e outros encargos cobrados pelo Poder Público, incidentes sobre vendas, aqueles integrantes do preço, tais como ICMS, ISS, PIS/Pasep e Cofins; III comissões e corretagens, os valores pagos e os que constituírem obrigação a pagar, a esse título, relativamente às vendas dos bens, serviços ou direitos objeto de análise. § 8º A margem de lucro a que se refere a alínea "a" do inciso IV do caput será aplicada sobre o preço de revenda, constante da nota fiscal, excluídos, exclusivamente, os descontos incondicionais concedidos. § 9º O método do Preço de Revenda menos Lucro mediante a utilização da margem de lucro de vinte por cento somente será aplicado nas hipóteses em Fl. 7609DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000098/200916 Acórdão n.º 9101002.415 CSRFT1 Fl. 7.610 24 que, no País, não haja agregação de valor ao custo dos bens, serviços ou direitos importados, configurando, assim, simples processo de revenda dos mesmos bens, serviços ou direitos importados. § 10. O método de que trata a alínea "b" do inciso IV do caput será utilizado na hipótese de bens, serviços ou direitos importados aplicados à produção. § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: I preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; II percentual de participação dos bens, serviços ou direitos importados no custo total do bem produzido: a relação percentual entre o valor do bem, serviço ou direito importado e o custo total do bem produzido, calculada em conformidade com a planilha de custos da empresa; III participação dos bens, serviços ou direitos importados no preço de venda do bem produzido: a aplicação do percentual de participação do bem, serviço ou direito importado no custo total, apurado conforme o inciso II, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com o inciso I; IV margem de lucro: a aplicação do percentual de sessenta por cento sobre a " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado de acordo com o inciso III; V preço parâmetro: a diferença entre o valor da " participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido" , calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com o inciso IV. É evidente a distinção dos textos adotados, de um lado, pela IN 243/2002, e de outro lado, pela IN 32/2001 e especialmente pela Lei n. 9.430/96, com as alterações introduzidas pela Lei n. 9.959/2000. O quadro a seguir compara os dispositivos mais dessas três fontes do Direito mais relevantes à solução do presente caso concreto: FONTE PRIMÁRIA: Lei n. 9.430/96, com as alterações introduzidas pela Lei n. 9.959/2000 FONTE SECUNDÁRIA: IN 32/2001 FONTE SECUNDÁRIA: IN 243/2002 II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: (...) d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; § 11. Na hipótese do parágrafo anterior, o preço a ser utilizado como parâmetro de comparação será a diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de sessenta por cento, considerandose, para este fim: § 11. Na hipótese do § 10, o preço parâmetro dos bens, serviços ou direitos importados será apurado excluindose o valor agregado no País e a margem de lucro de sessenta por cento, conforme metodologia a seguir: (...) V preço parâmetro: a diferença entre o valor da "participação do bem, serviço ou direito importado no preço de venda do bem produzido", calculado conforme o inciso III, e a margem de lucro de sessenta por cento, calculada de acordo com Fl. 7610DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000098/200916 Acórdão n.º 9101002.415 CSRFT1 Fl. 7.611 25 o inciso IV. Notese que, em 2012, por meio da Medida Provisória nº 563, convertida na Lei n. 12.715/2012, foram introduzidas amplas alterações ao art. 18 da Lei n. 9.430/96, tornandoo mais apto a justificar a adoção da fórmula indicada pela IN 243/02 para o cálculo do PRL60: Art. 18. Os custos, despesas e encargos relativos a bens, serviços e direitos, constantes dos documentos de importação ou de aquisição, nas operações efetuadas com pessoa vinculada, somente serão dedutíveis na determinação do lucro real até o valor que não exceda ao preço determinado por um dos seguintes métodos: (…) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética ponderada dos preços de venda, no País, dos bens, direitos ou serviços importados, em condições de pagamento semelhantes e calculados conforme a metodologia a seguir: a) preço líquido de venda: a média aritmética ponderada dos preços de venda do bem, direito ou serviço produzido, diminuídos dos descontos incondicionais concedidos, dos impostos e contribuições sobre as vendas e das comissões e corretagens pagas; b) percentual de participação dos bens, direitos ou serviços importados no custo total do bem, direito ou serviço vendido: a relação percentual entre o custo médio ponderado do bem, direito ou serviço importado e o custo total médio ponderado do bem, direito ou serviço vendido, calculado em conformidade com a planilha de custos da empresa; c) participação dos bens, direitos ou serviços importados no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido: aplicação do percentual de participação do bem, direito ou serviço importado no custo total, apurada conforme a alínea b, sobre o preço líquido de venda calculado de acordo com a alínea a; d) margem de lucro: a aplicação dos percentuais previstos no § 12, conforme setor econômico da pessoa jurídica sujeita ao controle de preços de transferência, sobre a participação do bem, direito ou serviço importado no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido, calculado de acordo com a alínea c; e 1. (revogado); 2. (revogado); e) preço parâmetro: a diferença entre o valor da participação do bem, direito ou serviço importado no preço de venda do bem, direito ou serviço vendido, calculado conforme a alínea c; e a "margem de lucro", calculada de acordo com a alínea d; e (…) É importante observar que, por se tratar de alteração das fórmulas até então vigentes para o cálculo do método PRL, com incremento do ônus tributário, o art. 78, da Lei n. 12.715/2012, expressamente resguardou a sua vigência para o dia 01.01.2013, em respeito ao princípio da anterioridade. Conhecidos esses marcos normativos, é preciso compreender com clareza quais as diferentes fórmulas estão em discussão para o cálculo do PRL60, aplicável às operações praticadas pelo contribuinte. Fl. 7611DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000098/200916 Acórdão n.º 9101002.415 CSRFT1 Fl. 7.612 26 2. As fórmulas adotadas em cada etapa dessa evolução legislativa para o cálculo do PRL 60. O inciso II do art. 18 da Lei n. 9.430/96, conforme a sua redação mantida entre 2000 e 2012 por força da Lei n. 9.959/2000, prescrevia de forma imediata a adoção da seguinte fórmula para o cálculo do preço parâmetro, para fins de possíveis ajustes no cálculo do IRPJ e da CSL: PP = PR – L L = 60% (PR − VA) Em que: PP à preço parâmetro, preço arm’s lenght. PR à preço de revenda líquido. VAà valor agregado na produção nacional L à lucro Considerando o valor líquido da operação de revenda (PR), conhecido pelo contribuinte, e a margem de lucro (L), apurada conforme a fórmula legal, determinase o preço parâmetro (PP). É relevante destacar que: quanto maior o valor agregado no Brasil (“VA”), menor será “L” (lucro). Como o lucro deverá ser subtraído do preço de revenda (“PR”) para a composição preço parâmetro (“PP”), quanto menor “L”, maior será “PP”. E , quanto maior “L” e, portanto, o lucro tributável, menor será o “PP”. para a composição de “L”, o percentual de 60%, adotado pelo legislador ordinário para o cálculo do PLR, deveria ser aplicado sobre a totalidade do preço de venda do bem ao qual tenha sido agregado o insumo importado e sujeito ao controle dos preços de transferência. Nesse seguir, quanto maior for o preço parâmetro (“PP”), mais liberdade terá o contribuinte para negociar com a empresa fornecedora (vinculada) sem a interferências das regras de preços de transferência. Quanto maior for “PP”, menor serão as chances do contribuinte necessitar realizar ajustes nas bases de cálculo do IRPJ e da CSL para adicionar parcela dos custos de bens, serviços e direitos que, por ultrapassar o preço parâmetro, passa a ser indedutível. Essa fórmula foi acatada pela administração fiscal tanto na IN 113/2000 quanto na IN 32/2001. A sua adoção como política tributária encontrava justificativa por diferentes perspectivas, por exemplo: Equilíbrio. A adoção de uma margem de lucro elevada, de 60%, seria balanceada pela subtração do valor agregado no Brasil; Indução positiva. Para o incentivo à produção nacional, o legislador ordinário teria aliado o controle de preços de transferência com medidas indutoras de comportamento, de forma que, quanto maior fosse a agregação de valor no Fl. 7612DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000098/200916 Acórdão n.º 9101002.415 CSRFT1 Fl. 7.613 27 Brasil, maior seria o preçoparâmetro e, consequentemente, menor seria o ajuste na base de cálculo do IRPJ e da CSL. A referida fórmula estabelecida pela Lei n. 9.959/2000 foi submetida a críticas, em especial por não considerar a proporção do insumo importado de parte vinculada aplicada ao bem produzido no Brasil. Convencida que esse fator deveria ter sido considerado pelo legislador, editouse, em 2002, a IN 243, com a adoção de uma outra fórmula para o cálculo do PRL60, diferente daquela que até então se compreendia como a correta aplicação da Lei n. 9.959/2000 (IN 113/2000 e na IN 32/2001). Supõese que a intenção da SRF seria possibilitar a verificação da proporcionalidade do insumo importado agregado à produção nacional, pois isso não teria sido contemplado pelo legislador. Tornouse notório o “Estudo comparativo dos normativos da legislação brasileira para o cálculo do preço parâmetro de bem importado usado em produção”, elaborado por VLADIMIR BELITSKY, “Ph.D em Matemática Aplicada pelo Instituto Tecnológico de Israel, Professor Associado do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo, USP”. O referido estudo abstrai a seguinte fórmula da IN 243/2002: PP =VDBI * 100% * PR – L60% * VDBI * 100% * PR) VDBI + VA VDBI + VA Em que: VDBI à valor declarado do bem importado PP à preço parâmetro, preço arm’s lenght. PR à preço de revenda líquido. VAà valor agregado na produção nacional L à lucro A partir da publicação da IN 243/2002, sem que nenhuma alteração legal tenha sido realizada, a PFN também passou a sustentar que o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, possibilitaria a construção de uma segunda fórmula: PP = PR − L − VA L = 60% PR Como se pode observar, de qualquer forma, a fórmula indicada pela IN 243/2002 alterou fatores na fórmula abstraída dos enunciados prescritivos do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96 e pela IN 32/2001. Na fórmula que se abstrai imediatamente da Lei n. 9.430/96, com as alterações introduzidas pela Lei n. 9.959/2000, na linha do que indicava a IN n. 32/2001, o percentual de 60% deve ser aplicado sobre a totalidade do preço de venda do bem ao qual o insumo importado tenha sido agregado. Já a “segunda fórmula”, que supostamente encontra fundamento na IN 243/2002, estabeleceria que a margem de lucro de 60% incidiria apenas Fl. 7613DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000098/200916 Acórdão n.º 9101002.415 CSRFT1 Fl. 7.614 28 sobre a parte do preço líquido de venda do produto referente à participação do bem, serviço ou direito importados: o percentual legal em questão seria aplicável tão somente sobre a parcela do preço líquido de venda proporcional ao custo do bem importado. Conforme o citado estudo elaborado pelo Prof. Dr. VLADIMIR BELITSKY, in verbis: “Constatação 4. O cálculo de PP segundo a fórmula da IN 243 pode ser visto como um procedimento de duas etapas consecutivas, sendo que: (i) a primeira etapa baseiase, plena e exclusivamente, no princípio da proporcionalidade em participação ao lucro; e (ii) a segunda baseiase, plena e exclusivamente, no postulado de que a margem de lucro em cima de bem importado é de 60%”. O quadro a seguir procura sistematizar algumas características das normas, a fim de evidenciar a diferença entre elas: Primeira interpretação da Lei 9.430/96 e IN 32/01 Segunda interpretação da Lei 9.430/96 (IN 243/2002) Fórmula de cálculo do PRL60 ü PP = PR – L ü L = 60% (PR − VA) ü PP = PR − L − VA ü L = 60% * PR Analítico da fórmula para o cálculo da “margem de lucro” 60% sobre o valor integral do preço líquido de venda diminuído do valor agregado no Brasil. 60% apenas da parcela do preço líquido de venda do produto proporcional à participação dos bens, serviços ou direitos importados. Analítico da fórmula para o cálculo do “preço parâmetro” Totalidade do valor líquido de venda diminuído da margem de lucro de 60%. Percentual da parcela dos insumos importados no preço líquido de venda diminuído da margem de lucro de 60%. Um exemplo poderá tornar mais clara a distinção entre essas duas fórmulas. Para tanto, considerese que um determinado produto, produzido no Brasil a partir de insumos nacionais e outros importados de partes vinculadas, seja vendido por R$ 100,00 (ou seja, PR = 100,00) e que o valor agregado no Brasil seja de R$ 50,00 (ou seja, VA = 50,00). Aplicandose as duas fórmulas, chegaremos a resultados muito distintos: Primeira interpretação da Lei 9.430/96 e IN 32/01 Segunda interpretação da Lei 9.430/96 (IN 243/2002) Fórmula de cálculo do PRL 60: ü PP = PR – L ü L = 60% (PR − VA) ü PP = PR − L − VA ü L = 60% * PR Aplicação das fórmulas ao exemplo proposto: L = 60% (100,00 – 50,00) PP = 100,00 – 30,00 L = 60% * 100,00 PP = 100,00 – 60,00 – 50,00 RESULTADO 70,00 10,00 Como se sabe, a função dessas fórmulas é determinar se deverá ser realizado ajuste na base de cálculo do IRPJ e da CSL. Se o custo do bem, serviço ou direito importado de parte vinculada for superior aos valores em questão, a parcela excedente deverá ser adicionada à base de cálculo do IRPJ e da CSL, pois não seria considerada dedutível. O exemplo demonstra que as referidas fórmulas conduzem a preços parâmetro muito distintos, o que, por si, atenta conta o princípio da segurança e da previsibilidade que norteiam o Direito tributário. Fl. 7614DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000098/200916 Acórdão n.º 9101002.415 CSRFT1 Fl. 7.615 29 No caso, operações consideradas arm’s length, conforme a primeira fórmula, seriam aquelas praticadas até o limite de “R$ 70,00”. No entanto, aplicandose a segunda fórmula, possivelmente todas as importações estariam sujeitas a ajustes, pois o valor resultante como “PP” seria negativo, qual seja, “ R$ 10,00”, como se o importador pudesse, em condições de mercado, deixar de pagar pelos bens, serviços ou direitos e, ainda, receber troco. A doutrina há tempos denuncia essa divergência entre a IN 243/2002 e a Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00, como se observa da análise de LUÍS EDUARDO SCHOUERI9, em obra de referência acadêmica sobre o tema: “7.8.2.2. A diferença pode ser explicada pelos seguintes motivos: Cálculo da ‘margem de lucro’: a divergência dos resultados da Lei n. 9.959/00 e da IN n. 243/02 decorre, em parte, porque a Lei, ao prescrever a fórmula de cálculo da ‘margem de lucro’, determina que o percentual de 60% incida sobre o valor integral do preço líquido de venda do produto diminuído do valor agregado no país. Já a Instrução Normativa, para o cálculo da mesma ‘margem de lucro’, determina que o percentual de 60% seja calculado apenas sobre a parcela do preço líquido de venda do produto referente à participação dos bens, serviços ou direitos importados, atingindo um resultado invariavelmente menor. Atua assim a IN n. 243/02 de forma inovadora e em flagrante excesso à Lei. Cálculo do ‘preçoparâmetro’: a expressão ‘preçoparâmetro’ é utilizada na legislação dos preços de transferência para denominar o preço obtido através do cálculo de um dos métodos prescritos e com o qual se deverá comparar o preço efetivamente praticado entre as partes relacionadas, na transação denominada ‘controlada’. O ‘preçoparâmetro’ é obtido de forma diversa na Lei n. 9.959/00 e na IN n. 243/02. Enquanto na Lei o limite do preço é estabelecido tomandose por base a totalidade do preço líquido de venda, a Instrução Normativa pretende que o limite seja estabelecido a partir, apenas, do percentual da parcela dos insumos importados no preço líquido de venda, o que claramente acaba por restringir o resultado almejado pelo legislador.” Do mesmo modo, distinções em relação a essas fórmulas foram bem sintetizadas por LUCIANA ROSANOVA GALHARDO e ANA CAROLINA MONGUILOD10, in verbis: “(i) enquanto a Lei n. 9.959/00 estabelece o cálculo da margem de lucro de 60% sobre o valor do preço líquido de venda, diminuindose o valor agregado, a IN 243/02 determinou a incidência da margem de 60% sobre a parcela do preço líquido de venda do produto referente à participação do bem importado; e (ii) enquanto a Lei determina que o preçoparâmetro corresponde à diferença entre o preço líquido de venda e a margem de lucro de 60%, a IN 243/02 estabeleceu que corresponde à diferença entre o valor da participação do bem importado no preço de venda do bem produzido e a margem de lucro de 60%. Assim, o preço parâmetro calculado sob a sistemática da IN 243/02 será menor, resultando em maior risco de ajustes nos lucros tributáveis da empresa brasileira, tendo em vista o provável excesso de preço pago no exterior”. Restando evidenciado que a IN 243/02 veicula fórmula diversa, supostamente vocacionada a “melhor” tratar do problema da proporcionalidade do insumo utilizado na produção do produto nacional, surge uma questão crucial para o julgamento deste recurso 9 SCHOUERI, Luís Eduardo. Preços de transferência no Direito tributário brasileiro. São Paulo : Dialética, 2006, p. 169. 10 GALHARDO, Luciana Rosanova; MONGUILOD, Ana Carolina. A ilegalidade do mecanismo de aplicação do método PRL sob a IN 243/02, in Manual dos Preços de Transferência – celebração dos 10 anos de vigência da lei. São Paulo : MP, 2007, p. 241. Fl. 7615DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000098/200916 Acórdão n.º 9101002.415 CSRFT1 Fl. 7.616 30 especial: a administração fiscal possui competência para “melhorar” a fórmula prescrita pelo legislador? Foi legítimo o pretenso exercício de criatividade evolutiva intentado pela IN 243/2002? A resposta a tais questões, com respeito à estrutura normativa das fontes do Direito tributário adotada pela Constituição, é categoricamente negativa. 3. As fontes formais do Direito tributário e o extravasamento das funções da IN 243/2002. O tema das fontes é fundamental ao Direito tributário pátrio. Nosso ordenamento apresenta peculiar complexidade estabelecida pela Constituição Federal, com elevado número de espécies normativas, cada qual com uma função própria, vocacionadas à impressão juridicidade, eficiência, segurança jurídica, inteligibilidade, coesão, coerência e completude ao sistema jurídico. Sob uma perspectiva formalística11, as referidas espécies normativas podem ser organizadas em fontes primárias12 e fontes secundárias13 do Direito tributário. A Lei n. 9.430/96 é fonte primária do Direito tributário. Em face do princípio da reserva legal, o legislador ordinário possui competência privativa para estabelecer o método de cálculo do preço parâmetro para possíveis ajustes à base de cálculo do IRPJ e da CSL, adotando como diretriz fundamental a tributação da renda conforme o acréscimo patrimonial. Como a fórmula de cálculo do PRL60 irá influenciar na composição da base de cálculo desses tributos, com potencial de redução dos custos dedutíveis na apuração do acréscimo patrimonial tributável, tratase de matéria sob a competência privativa do legislador ordinário. É o que se depreende da Constituição Federal, art. 150, I, e do Código Tributário Nacional, art. 97. A IN 243/2002, por sua vez, é fonte secundária do Direito Tributário, cuja função subalterna é de aclarar ou atribuir maior operacionalidade à norma prescrita pela Lei n. 9.430/96, que é a fonte primária. Notese que não parece haver discordância quanto à função limitada e secundária das Instruções Normativas. A questão que realmente desafia antagônicas posições neste processo administrativo é saber se a IN 243/02 extravasou os limites da Lei n. 9.430/96, descumprindo a sua função e, portanto, restando despida de validade jurídica. De um lado, a administração fiscal atualmente argumenta que do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00, seria possível abstrair ao mesmo tempo duas diferentes fórmulas, ainda que estas possam conduzir a resultados muito diferentes: a primeira fórmula seria aquela admitida pela IN 32/2001 e, uma segunda, atinente à IN 243/2002. De outro lado, o contribuinte argumenta que apenas a fórmula indicada pela IN 32/2001 seria compatível com o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00. Assim, nenhuma das partes discorda que as normas prescritas pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com as alterações da Lei n. 9.959/2000, comportam a fórmula indicada pela IN 32/2001 para o cálculo do preço parâmetro apurado pelo método PRL60. A 11 As fontes do Direito tributário podem também ser observada por uma perspectiva material, a qual não contribui imediatamente para o tema em análise. 12 Em especial: Constituição Federal, Lei Complementar, Lei Ordinária, Medida Provisória, Tratados Internacionais, Decreto legislativo, Decreto (casos especiais), Convênio, Resolução. 13 Em especial: Decreto regulamentar; Instruções Normativas; Portarias; Normas complementares. Fl. 7616DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000098/200916 Acórdão n.º 9101002.415 CSRFT1 Fl. 7.617 31 discordância se dá apenas em relação à fórmula prevista pela IN 243/2002, que é diferente e tem o potencial de conduzir a resultados muito díspares. A discordância em questão exige o enfrentamento das seguintes questões: O legislador ordinário poderia outorgar à administração fiscal a escolha de uma entre diversas fórmulas para o cumprimento do método PRL60 de controle de preços de transferência? Se a resposta à questão precedente for positiva, o legislador ordinário efetivamente conferiu à administração fiscal tal outorga na vigência da Lei n. 9.430/96, com as alterações que lhe foram introduzidas com a Lei n. 9.959/2000? Se a resposta à questão precedente for positiva, a IN 243/2001 teria ou não adotado uma das possíveis fórmulas matemáticas comportadas pelos enunciados prescritivos do 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00? 4. A (im)possibilidade da outorga de discricionariedade à administração para o preenchimento de regras legais e a Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00. O princípio da legalidade em matéria tributária não requer que o conteúdo semântico de todos os elementos necessários à operacionalização de uma norma tributária esteja expressa e exaustivamente previsto em lei ordinária. A adoção de cláusulas gerais ou conceitos indeterminados não representa uma ofensa a priori ao princípio da legalidade, pois não se pode exigir do legislador ordinário o fechamento da totalidade dos conceitos14. Também não se pode afastar, a priori, a possibilidade de o legislador ordinário outorgar à administração fiscal dispor sobre elementos que favoreçam a aplicação da norma tributária, com procedimentos que lhe tornem mais operacionais, palatáveis e socialmente mais eficazes. No entanto, é comezinho que o Poder Legislativo não pode delegar ao Poder Executivo a competência para a seleção dos elementos componentes da hipótese de incidência ou do consequente normativo (obrigação tributária). Tratase de vedação que decorre do princípio da legalidade, prescrito pelos arts. 5o e 150 da Constituição Federal, bem como pelo art. 97 do CTN. A indelegabilidade da competência tributária, norma constitucional tão bem delineada na obra de ROQUE ANTONIO CARRAZZA15, impede que o legislador ordinário transfira à administração fiscal a eleição dos critérios componentes da base de cálculo do tributo ou de outros elementos atinentes à ocorrência do fato gerador do tributo, à sua quantificação ou à identificação do sujeito passivo. 14 Nesse sentido, vide: SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. São Paulo : Saraiva, 2012, p. 290 e seg. 15 CARRAZZA, Roque Antonio. Curso de direito constitucional. São Paulo : Ed. Malheiros, 2003, p. 425. “As competências tributárias são indelegáveis. Cada pessoa política recebeu da Constituição a sua, mas não a pode renunciar, nem delegar a terceiros. É livre, até, para deixar de exercitala; não lhe é dado, porém, permitir, mesmo que por meio de lei, que terceira pessoa a encampe.” Fl. 7617DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000098/200916 Acórdão n.º 9101002.415 CSRFT1 Fl. 7.618 32 Como a fórmula de cálculo do PRL60 irá tutelar o controle dos preços de transferência e influenciar na composição do lucro real (IRPJ) e da base de cálculo da CSL, apenas a lei ordinária é competente para prescrever os seus termos. Aceita essa premissa, qualquer divergência de uma instrução normativa em relação à lei deverá ser solucionada indubitavelmente com a vitória da lei, pois o legislador ordinário possui a competência privativa e indelegável de decidir sobre a matéria. Logo, diante de uma divergência entre a IN 243/2002 e a Lei n. 9.430/96, esta última deveria ser aplicada sem questionamentos. Uma observação é necessária por dever de ofício: ainda que a assertiva do parágrafo anterior possa ser inconteste, caso o legislador ordinário descumpra o seu dever e delegue a sua competência à administração fiscal para a eleição dos elementos da base de cálculo do IRPJ e da CSL, em tese, os julgadores do CARF, por força regimental, poderiam vir a ser constrangidos ao acatamento dessa lei ordinária e ao cumprimento da norma infralegal, editada diretamente pelo fisco. Ocorre que o RICARF16 reserva ao Poder Judiciário reconhecer inconstitucionalidades. Ao aceitarse tal situação em tese, tornase imediatamente relevante ao julgador administrativo a análise do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, para verificar se, no caso concreto, há em seus enunciados a decisão clara do legislador ordinário de delegar à administração fiscal a escolha da fórmula inerente ao método PRL60). No entanto, não há outorga expressa do legislador ordinário no art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/00, para que a administração fiscal compusesse uma fórmula que “melhor” se prestasse ao controle dos preços de transferência. Pelo contrário, a referida fórmula foi expressamente prescrita pelo legislador ordinário no aludido dispositivo. Conforme evidenciado acima, o legislador ordinário conscientemente elegeu a função de cada um dos fatores componente da fórmula para o cálculo do PRL60, não deixando espaço de discricionariedade para a administração fiscal. A Lei n. 9.430/96 veicula normas autoaplicáveis para a composição de cálculo do PRL60, não tendo a sua eficácia condicionada a instruções normativas ou outros atos infralegais. Por consequência, a administração fiscal tem o dever de observar a fórmula compreendida imediatamente da Lei n. 9.430/96 para o cálculo do PRL60. 4.1. A tese da pluralidade semântica da Lei 9.430/96 e do papel integrativo da IN 243/2002. Se não houve outorga expressa do legislador ordinário à SRF, o intérprete persistente poderia cogitar da adoção, pelo legislador ordinário, de termos dotados de indeterminação semântica que implicitamente conferisse à administração fiscal a prerrogativa de arquitetar uma nova forma de cálculo do PLR60. Naturalmente tal expediente poderia ser questionado mesmo no âmbito do CARF, pois coerentes argumentos poderiam colocar em dúvida uma delegação implícita de tal 16 RICARF, art. 62: “Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade” Fl. 7618DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000098/200916 Acórdão n.º 9101002.415 CSRFT1 Fl. 7.619 33 nível. Ainda assim, não me furto de expor essa investigação: os enunciados prescritivos da Lei n. 9.430/96 seriam eivados de dubiedade suficiente para comportar pluralidade de fórmulas matemáticas capazes de conduzir a resultados muito diferentes o método PRL60? Um único elemento de dúvida parece surgir dos enunciados prescritivos do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com as alterações que lhe foram introduzidas pela Lei n. 9.959/2000. Ocorre que o legislador ordinário acresceu ao artigo “o” a preposição “de”, no seguinte trecho abaixo sublinhado: “d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção;” Ao que tudo indica, tal fator não altera a conclusão de que a fórmula que decorre imediatamente do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com as alterações da Lei n. 9.959/2000, é aquela indicada pela IN 32/01. Tratase, ao que tudo indica, de mero erro de grafia do legislador, que não enseja pluralidade de sentidos quanto aos enunciados em questão. No entanto, a administração fiscal passou a suscitar que a preposição “de” teria o mérito de assegurar que a parcela do valor agregado fosse deduzida do próprio preço de venda e não da base de cálculo da margem de lucro. O passo seguinte a essa assunção seria a reestruturação do enunciado prescritivo, para “melhorálo” e tornálo compatível com a fórmula adotada pela IN 243/2002. Notese que o acatamento desse argumento, para a legitimação da IN 243/2001, demanda que o intérprete reordene a forma como as alíneas foram dispostas pelo legislador ordinário no art. 18, II, da Lei n. 9430/96, de modo a excluir a participação de parte do texto do item 1 da alínea “d” e, assim, “criar” uma nova alínea “e”, inexistente no texto aprovado pelo Congresso Nacional. Ou seja, para que a fórmula proposta pela IN 243/2001 pudesse ser suportada pela Lei n. 9.430/96 vigente à época dos fatos, o seu art. 18, II, deveria ser visualizado como se possuísse a seguinte redação: (…) II Método do Preço de Revenda menos Lucro PRL: definido como a média aritmética dos preços de revenda dos bens ou direitos, diminuídos: a) dos descontos incondicionais concedidos; b) dos impostos e contribuições incidentes sobre as vendas; c) das comissões e corretagens pagas; d) da margem de lucro de: 1. sessenta por cento, calculada sobre o preço de revenda após deduzidos os valores referidos nas alíneas anteriores e do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; (…) e) do valor agregado no País, na hipótese de bens importados aplicados à produção; A referida tese fazendária não esconde a sua complexidade. Concluída essa reestruturação do texto da art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, ainda não se chegaria à fórmula da IN Fl. 7619DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000098/200916 Acórdão n.º 9101002.415 CSRFT1 Fl. 7.620 34 243/2002, pois novas concessões ainda deveriam ser feitas para acomodar as inovações na fórmula indicada pela SRF. Nesse seguir, a IN 243/2002 não assumiria apenas a função que originalmente lhe seria rotineira, de imprimir maior operacionalidade, tornar palatável a sua compreensão aos agentes fiscais. Essa instrução normativa teria função mais sofisticada, de traduzir uma linguagem do legislador ordinário que a todos se apresentava como inteligível, de forma a expressar, de forma escorreita, a verdadeira mensagem que, embora de dificílima compreensão para a sociedade em geral, não teria passado desapercebida aos olhos da SRF. Tal como um oráculo, a IN 243/2002, então, conduziria a um rearranjo do art. 18, II, da Lei n. 9430/96, com a reconstrução estrutural do texto legal e a adoção de novos fatores nas fórmulas traduzidas pela IN 243/2002. Em uma espiada muito brusca, o referido exercício pode aparentar tratarse de “interpretação” ou mesmo assumir o propósito de “integração”. Contudo, a análise mais acurada evidencia que a IN 243/02 NÃO leva a cabo qualquer expediente de integração, mas realmente inova em matéria inserida no âmbito de competência privativa do legislador ordinário. O expediente da integração, tutelado pelo art. 108 do CTN, “pressupõe uma lacuna a ser preenchida, i.e., a falta de decisão do legislador acerca de determinada situação”17. No caso, não há verdadeira lacuna no art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000. O legislador ordinário efetivamente manifestou decisão consciente quanto à formula a ser adotada para o cálculo do PRL60. A IN 243/02, em verdade, veicula uma segunda fórmula, capaz de alcançar resultados diversos da primeira e, com isso, desviase do plano normativo. Notese que um mero fator textual (acréscimo da preposição “de” ao objeto “o”), não é suficiente para se cogitar que esteja presente uma atribuição do legislador à SRF para que arquitetasse uma fórmula “melhor” ou de qualquer outra forma “diversa” daquela que se pode construir imediatamente do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000. Merece destaque o seguinte trecho, do acima referido estudo elaborado pelo Prof. Dr. VLADIMIR BELITSKY, in verbis: “3. Quesito. A Procuradoria da Fazenda Nacional argumenta que a fórmula da Lei 9.430 é plurívoca e sugere que a IN 243 apenas decorre de uma das interpretações possíveis da Lei 9.430. Do ponto de vista da matemática, é possível afirmar que a IN 243 apenas interpreta a Lei 9.430? É possível deduzir a fórmula da IN 243 dos comandos contidos na Lei 9.430? Conforme já afirmamos na Constatação 3, não é verdade que a IN 243 é uma interpretação possível da Lei 9.430. Em sua defesa, a Fazenda Nacional emprega a fórmula em situações hipotéticas e dessas situações extrai conclusões genéricas. Essas conclusões são incorretas do ponto de vista matemático.” 17 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito Tributário. São Paulo: Saraiva, 2012, p. 675 e seg. Fl. 7620DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000098/200916 Acórdão n.º 9101002.415 CSRFT1 Fl. 7.621 35 Na doutrina nacional, uma série de autores se opõe a essa (re)construção normativa. Nesse sentido, LUÍS EDUARDO SCHOUERI18 leciona, in verbis: “7.8.3.5.1. De imediato, devese notar que tal entendimento contrariaria a própria literalidade do método. Afinal, o legislador da Lei n. 9.430/96, com a redação da Lei n. 9.959/00, não acrescentou um quarto método àqueles aceitos para a apuração dos preços de transferência. Ou seja: o artigo 18 da referida Lei continuou contemplando, em seus três incisos, apenas três métodos. Nesse sentido, o que se teve foi, apenas, um desdobramento de um mesmo método: o método denominado, pelo próprio legislador, ‘Preço de Revenda menos Lucro’. Assim, pressupõese, pela literalidade do método, que se apure o preço parâmetro pela fórmula ‘preço de revenda (líquido de tributos, descontos e comissões) menos margem de lucro’. Tivesse o legislador a intenção de modificar a fórmula, para passar a ser fórmula ‘preço de revenda (líquido de tributos, descontos e comissões) menos margem de lucro menos valor agregado’, então no mínimo deveria ele, por coerência, deixar de chamar o método de ‘Preço de Revenda menos Lucro’.” Nesse mesmo sentido, GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JR.19, in verbis: “Se compararmos as fórmulas acima, é possível verificar que a Instrução Normativa SRF 243/2002 reduziu consideravelmente o preço parâmetro que configura o limite de dedutibilidade para fins de IRPJ e CSLL, o que aumenta a base de cálculo das exações, sem qualquer fundamentação legal, ocasionando uma total incongruência com as disposições contidas na Lei n. 9.430/1996”. Colocodos os argumentos das partes na balança, concluise que a tese da pluralidade semântica do 18, II, da Lei n. 9.430/96, tal como colocada, não socorre a PFN para a procedência de suas alegações quanto à validade da IN 243/01. É possível observar que a tese da pluralidade semântica do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96 parte de uma construção argumentativa complexa para incluir nessa fluída moldura a fórmula da IN 243/2002. Essa excessiva complexidade, por si só, coloca em dúvida a correção dessa tese. Em sua essência, a tese da pluralidade semântica, sustenta pela PFN, adota a premissa que o intérprete possuiria discricionariedade para escolher um entre os diversos sentidos possíveis de uma lei e, no caso, a IN 243/2002 teria escolhido entre uma das fórmulas matemáticas possíveis prescritas pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96. Além disso, não me parece que a indeterminação semântica do 18, II, da Lei n. 9.430/96, presente em quaisquer signos linguísticos, seja tão elevada a ponto de permitir tamanha incerteza, fluidez e poder de escolha da à administração fiscal para a adoção de fórmulas matemáticas tão diferentes e capazes de conduzir a resultados tão díspares. Se outra fórmula poderia ser construída a partir dos enunciados prescritivos da lei, não me parece ser aquela indicada pela IN 243/2002. 18 SCHOUERI, Luís Eduardo. Preços de transferência no Direito tributário brasileiro. São Paulo: Dialética, 2006, p. 169. 19 MOREIRA JR., Gilberto de Castro. Método do preço de revenda menos lucro no caso de agregação de valor no país. Confronto entre a Lei n. 9.430/1996 e a Instrução Normativa n. 243/2002, in Tributos e Preços de Transferência – 3o Volume. São Paulo: Dialética, 2009, p. 105. Fl. 7621DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000098/200916 Acórdão n.º 9101002.415 CSRFT1 Fl. 7.622 36 Tais constatações evidenciam que aceitar a fórmula para o cálculo do PRL60 estabelecida pela IN 243/2002 exige, no mínimo, que nos coloquemos em uma linha extremamente tênue entre a “execução da lei” (função típica da administração fiscal) e a alteração do seu conteúdo (função privativa do Poder Legislativo). Em meu entendimento, contudo, esse limite foi ultrapassado, com ofensa ao princípio da legalidade. Os tópicos seguintes apresentam abundantes evidências de que a instrução normativa extravasou os limites semânticos da lei e, assim, incorreu em ilegalidade. É possível concluir com clareza que a administração fiscal não possuiria discricionariedade para adotar a fórmula indicada pela IN 243/2001. Há, na verdade, vedação legal à sua adoção. 5. A (in)compatibilidade da fórmula indicada pela IN 243/2002 com a norma do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação da Lei n. 9.959/2000. A fórmula indicada pela IN 243/2002, para o cálculo do método PRL60, é considerada por alguns como uma “melhoria” ao texto veiculado pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96: supostamente, terseia uma fórmula “melhor” para regular a aplicação da legislação de preços de transferência. Tais “melhorias”, no caso, converteriam os “preços de revenda menos lucro” (“PRL”) em “PRLVA” (preço de revenda menos lucro menos valor agregado). Mas ainda que se considere, por hipótese, que o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, comporta mais do que uma fórmula matemática, seria preciso verificar se a IN 243/2002 teria adotado alguma destas (como sustenta a PFN) ou se teria extravasado os limites a que estaria adstrita (como sustenta o contribuinte). Os subtópicos seguintes apresentam fundamentos que conduzem à conclusão de que a fórmula indicada pela IN 243/02 para o cálculo dos preços de transferência é incompatível com a norma do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação da Lei n. 9.959/2000. 5.1. Incompatibilidades formais e a ofensa ao princípio da legalidade aferida por critérios objetivos. Não vem ao caso, nesse subtópico, saber se o comparativo de superioridade que adjetiva a fórmula indicada pela IN 243/02 seria “melhor” ou “pior”. Interessa, aqui, constatar que ambos os adjetivos comparativos pressupõem que a fórmula indicada pela IN 243/02 seja de algum modo ou grau diferente daquela estabelecida no art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000. É por si só relevante ou mesmo decisivo ao julgador aferir que a fórmula indicada pela IN 243/2002 é diferente daquela veiculada no art. 18, II, da Lei n. 9.430/96. Ocorre que a IN 243/2002 deveria assumir tão somente a função de tornar mais operacional a norma do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, possibilitar a intelecção dos agentes fiscais mais simples e dotar a norma legal de maior eficácia. Diante do monopólio reservado ao legislador ordinário para a decisão quanto à fórmula que deve ser adotada para o método PLR 60, os pontos de distinção da IN 243/02 em relação à Lei 9.430/96 têm a validade fulminada de plano. Fl. 7622DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000098/200916 Acórdão n.º 9101002.415 CSRFT1 Fl. 7.623 37 Como se pôde observar acima, a Lei n. 9.430/96, com a redação dada pela Lei n. 9.959/2000, NÃO autoriza uma série de elementos constantes na IN 243/2001, em especial: a exclusão do valor agregado no Brasil no cálculo do preço parâmetro. Conforme decisão do legislador ordinário, o valor agregado no País deveria ser subtraído do preço líquido de venda apenas para o cálculo da margem de lucro; atribuirse relevância ao percentual de participação dos bens importados no custo total do bem produzido e participação dos bens importados no preço de venda do produzido como fatores determinantes da margem de lucro e do preço parâmetro. Contudo, por meio da IN 243/2002, a SRF não só tomou a decisão de eleger como fator determinante o percentual de participação dos bens importados no custo total do bem produzido na composição da fórmula de cálculo do PRL60, como também interferiu em qual seria esse percentual de participação. Merece destaque o seguinte trecho, do já referido estudo elaborado pelo Prof. Dr. VLADIMIR BELITSKY, in verbis: “Constatação 3. A IN não pode seguir como uma direta interpretação da Lei 9.430/96; é inevitável o acréscimo de alguns postulados, pressupostos ou comandos à lei para que desta possa ser derivada a IN 243. Do ponto de vista da lógica matemática, esta constatação é a consequência da combinação de dois fatos já provados acima: de um lado, sabemos (cf. Constatação 2) que a fórmula da IN 243 é diferente da da Lei 9.430/96; de outro lado, sabemos (cf. Constatação 1 e sua demonstração) que cada fórmula é expressão algébrica, única e fiel, do respectivo normativo. Logo, nenhum dos normativos pode ser derivado do outro”. Como o tema em análise envolve fórmulas matemáticas, é contundente o parecer do referido Ph.D em Matemática Aplicada pelo Instituto Tecnológico de Israel e Professor Associado do Instituto de Matemática e Estatística da USP. Se os matemáticos derivam uma determinada fórmula do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, mas uma outra fórmula da IN 243/2002, bem como afirmam que, sob o ponto de vista matemático, “nenhum dos normativos pode ser derivado do outro”, há evidência eloquente de que a Instrução Normativa divergiu da Lei, extravasando o seu âmbito de competência e infringindo a reserva legal. A IN 243/2001, como fonte secundária, teria a função de apenas atribuir maior operacionalidade, clareza e, assim, executar com fidelidade a fonte primária, que é a Lei 9.430/96. No entanto, a IN 243/2002 claramente nega eficácia à decisão do legislador ordinário, que supostamente não teria sido técnico o suficiente e dado ensejo a desequilíbrios. Cabe ao Poder Legislativo o monopólio da decisão sobre como será o controle dos preços de transferência no Direito tributário brasileiro. Antes de 1996, precisamente por decisão do legislador ordinário, sequer havia, no Brasil, qualquer controle sobre os preços de transferência. A ele, legislador ordinário, cabe decidir privativamente sobre a tema em discussão. Dessa forma, por obstaculizar que os agentes fiscais executem adequadamente a decisão do legislador ordinário, veiculada pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação dada pela Lei n. 9.959/2000, a IN 243/2001 merece imediata repulsa. Fl. 7623DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000098/200916 Acórdão n.º 9101002.415 CSRFT1 Fl. 7.624 38 Como julgador administrativo, não afastar a aplicação da IN 243/2001 redundaria igualmente em negar eficácia à decisão enunciada pelo único agente competente para prescrever a fórmula de cálculo do PRL60, que é o legislador ordinário. Recusome a isso. Não se trata de saber qual das fórmulas é “melhor”: tratase de respeitar o monopólio da decisão detido pelo legislador ordinário. Esse entendimento encontra fundamento na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, como se observa desse trecho do conhecido voto do Min. ALIOMAR BALEEIRO, no RE 69784, in verbis: “A justiça é uma idéiaforça, no sentido de FOUILLÉ, mas varia no tempo e no espaço, senão de indivíduo. Fixao o legislador e o juiz há de aceitála como um autômato. Inúmeros Acórdãos do Supremo Tribunal Federal, declaram que lhe não é lícito corrigir a justiça intrínseca na lei, substituindose as escolhas do legislador.” A IN 243/2002 realmente violou o princípio da legalidade. Ao adotar fórmula diversa daquela prevista pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96 e extravasar a sua função secundária e meramente regulamentar, a IN 243/2002 majorou tributos com o cerceamento da dedutibilidade do custo de bens, direitos e serviços importados de partes relacionadas e aplicados à produção em território brasileiro. Como a função precípua da CSRF é uniformizar entendimentos divergentes adotados pelas Turmas Ordinárias do CARF, insta observar que há uma série de decisões deste Tribunal que também concluíram ser ilegal a fórmula indicada pela IN 243/02 para o cálculo do método PLR60, como se observa das seguintes ementas: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004 Ementa: AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. NÃO CONHECIMENTO DA MATÉRIA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo, implica na desistência de discutir essa matéria na esfera administrativa. Aplicação da Súmula CARF nº 1. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DEFINITIVIDADE. Considerase definitiva, na esfera administrativa, matéria não expressamente contestada. CÁLCULO DO PREÇO PARÂMETRO. MÉTODO PRL60 PREVISTO EM INSTRUÇÃO NORMATIVA. INAPLICABILIDADE. A função da instrução normativa é de interpretar o dispositivo legal, encontrandose diretamente subordinada ao texto nele contido, não podendo inovar para exigir tributos não previstos em lei. Somente a lei pode estabelecer a incidência ou majoração de tributos. A IN SRF nº 243, de 2002, trouxe inovações na forma do cálculo do preço parâmetro segundo o método PRL60%, ao criar variáveis na composição da fórmula que a lei não previu, concorrendo para a apuração de valores que excederam ao valor do preço parâmetro estabelecido pelo texto legal, o que se conclui pela ilegalidade da respectiva forma de cálculo. (CARF, Acórdão 1202000.835, sessão de 07.08.2012) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. LEI. NORMAS COMPLEMENTARES. As normas postas pelo executivo para operacionalizar ou interpretar lei devem estar dentro do que a lei propõe e ser com ela compatível. FÓRMULAS PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. PRL 60%. LEI N° 9.430. IN SRF N°32. IN SRF N°243. A IN SRF n° 32, de 2001, propõe fórmula idêntica a posta pela lei no 9.430, de 1996. A IN SRF n° 243, de 2002, desborda da lei, pois utiliza fórmula diferente da prevista na lei, inclusive mencionando variáveis não Fl. 7624DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000098/200916 Acórdão n.º 9101002.415 CSRFT1 Fl. 7.625 39 cogitadas pela lei. LANÇAMENTO. IN SRF N° 243. Os ajustes feitos com base na fórmula estabelecida na IN SRF n° 243, de 2002, que sejam maiores do que o determinado pela fórmula prevista na lei, não têm base legal e devem ser cancelados. (CARF, Acórdão 1101000.864, sessão de 07.03.2013) Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006 PESSOAS JURÍDICAS. EXTINÇÃO. RESULTADOS NEGATIVOS ACUMULADOS. COMPENSAÇÃO. LIMITE DE 30%. Os arts. 15 e 16 da Lei n° 9.065/95 autorizam a compensação de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas da CSLL acumulados em períodos anteriores, desde que o lucro líquido do período, ajustado pelas adições e exclusões previstas nas legislações daqueles tributos, não seja reduzido em mais de 30%. O limite à compensação aplicase, inclusive, ao período em que ocorrer a extinção da pessoa jurídica, haja vista a inexistência de norma, ainda que implícita, que o excepcione. Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2006 SUCESSÃO. MULTA DE OFÍCIO. IMPOSIÇÃO. Devese afastar a multa de ofício imposta por infração cometida pela sucedida, mas lançada somente após ocorrida a sucessão, quando o Fisco não demonstra que sucedida e sucessora estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. (CARF, Acórdão 1201000.803, sessão de 07.05.2013) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2007 RECURSO DE OFÍCIO. EXONERAÇÕES PROCEDENTES. Não é digna de reparo a decisão que, amparada por diligência fiscal efetuada pela própria autoridade autuante, acolhe argumento da contribuinte acerca da ocorrência de erro de fato no fornecimento de dados utilizados na determinação da matéria tributável, e, por meio de controles internos, apura que parte das exigências formalizadas já são objeto de outro feito administrativo, caracterizando, assim, duplicidade de lançamento. RECURSO VOLUNTÁRIO. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. PRL60. ILEGALIDADE DA IN SRF 243/2002. Restando reconhecida a ilegalidade das disposições da IN SRF 243/2002, especificamente no que se refere aos critérios por ela indicados para a quantificação do preçoparâmetro e os conseqüentes ajustes na aplicação do método PRL60 (sobretudo antes da publicação da Lei 12.715/2012), é de reconhecer, portanto, a completa invalidade do lançamento. (CARF, Acórdão 1301001.235, sessão de 13.06.2013) Por todos esses fundamentos já expostos, parece certo que a fórmula de cálculo do PRL60 indicada pela IN 243/2002 deve ser desconsiderada. 5.2. Incompatibilidades formais e o princípio da anterioridade em matéria tributária. Com o reforma de 2012, empreendida pela Lei n. 12.715 (dez anos após a edição da IN 243/2002), o legislador ordinário finalmente adotou enunciados que claramente prescrevem a adoção de uma fórmula diversa daquela adotada com a Lei n. 9.959/2000, mais apta a lidar com a proporção do insumo importado aplicado na produção nacional. Desse modo, somente após 10 anos da publicação da IN 243/2002 é possível identificar respaldo à fórmula então indicada pela SRF. Fl. 7625DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000098/200916 Acórdão n.º 9101002.415 CSRFT1 Fl. 7.626 40 Conforme dispõe a Constituição Federal e o Código Tributário Nacional, alterações legislativas: como regra, devem respeitar o princípio da irretroatividade sempre que houver agravamento de ônus fiscal (CF, art. 150, III, “a”); como regra, devem respeitar o princípio da anterioridade sempre que houver agravamento de ônus fiscal (CF, art. 150, III, “b”); excepcionalmente, podem ter eficácia retroativa “quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados” ou, ainda, quando forem benéficas ao contribuinte (CTN, art. 106). A Lei n. 12.715/2012 inaugurou uma nova sistemática de cálculo do método PLR, com a decisão consciente do legislador de inovar o regime até então vigente e com o assumido potencial de aumento da carga tributária. Diante dessas características, a fórmula para o cálculo do PRL60, que se obtém da norma enunciada pelo legislador ordinário na Lei n. 12.715/2012, submetese a dois corolários básicos do princípio da segurança jurídica: anterioridade e irretroatividade. A fim de cumprir o princípio da anterioridade, o art. 78, da Lei n. 12.715/2012, expressamente resguardou a vigência da novel fórmula de cálculo do PLR, introduzida em seu art. 48, para o dia 01.01.2013: Art. 48. Os arts. 12, 18, 19 e 22 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a vigorar com a seguinte redação: (…) Art. 78. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: (…) § 1. Os arts. 48 e 50 entram em vigor em 1 de janeiro de 2013. Caso a Lei n. 12.715/2012 apenas confirmasse a norma introduzida pela Lei n. 9.959/2000, ratificando os método PLR60 até então vigente, sem incremento do ônus tributário, então não seria necessário observar o princípio da anterioridade. A exposição de motivos da MP n. 563/2012, que foi convertida na aludida Lei n. 12.715/12, demonstra com nitidez a decisão do legislador em alterar a norma até então vigente para o cálculo do PLR e adotar vacatio legis em respeito ao princípio da anterioridade, de aplicação obrigatória na hipótese de majoração do ônus de IRPJ e CSL: “56. A medida proposta também visa a aperfeiçoar a legislação aplicável ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL no tocante a negócios transnacionais entre pessoas ligadas, visando a reduzir litígios tributários e a contemplar hipóteses e mecanismos não previstos quando da edição da norma, atualizandoa para o ambiente jurídico e de negócios atual. Destarte, a legislação relativa aos controles de preços de transferência aplicáveis a operações de importação, exportação ou de mútuo, empreendidas entre entidades vinculadas, ou entre entidades brasileiras e residentes ou domiciliadas em países ou dependências de tributação favorecida, ou ainda, que gozem de regimes fiscais privilegiados, Fl. 7626DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000098/200916 Acórdão n.º 9101002.415 CSRFT1 Fl. 7.627 41 restará atualizada e aperfeiçoada com as alterações propostas. (...) 61. Como fruto de toda a experiência até então angariada no que concerne à aplicação de referidos controles, com o intuito de minimizar a litigiosidade FiscoContribuinte até então observada, e objetivando alcançar maior efetividade dos controles em questão, propõese alterações na legislação de regência. (...) 63. Como algumas das alterações introduzidas pelos arts. 38 e 40 da Medida Provisória podem implicar em aumento do tributo, em atenção ao princípio da anterioridade, foi estabelecido que a produção de efeitos ocorreria em 2013. O art. 42 do Projeto Medida Provisória possibilita que a pessoa jurídica opte pela aplicação das disposições contidas nos arts. 38 e 40 na apuração das regras de preços de transferência relativas ao anocalendário de 2012. A opção implicará na obrigatoriedade de observância de todas as alterações introduzidas pelos arts. 38 e 40.” (grifouse) Se o art. 48 da Lei n. 12.715/2012 apenas confirmasse aclarasse uma interpretação que já seria possível a partir da Lei n. 9.959/2000, referida norma poderia ser considerada meramente interpretativa, com efeitos retroativos. Mas não é o caso: justamente por se tratar de decisão consciente do legislador ordinário em alterar a metodologia do PLR com potencial de aumentar o ônus tributário imposto à sociedade, a referida alteração legal sujeitouse expressamente à anterioridade e não pode, por certo, ser aplicada retroativamente. No caso concreto, o período de apuração relevante compreende 2004 e 2005, de forma que aplicação da Lei n. 12.715/2012, atentaria contra o princípio da irretroatividade da lei tributária. É necessário aplicar diretamente a norma prescrita pelo art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000, tal como interpretada pela IN 32/2001, que restou incontroversa. 5.3. Incompatibilidades materiais e a ofensa ao princípio da igualdade e da capacidade contributiva. Embora evidências matemáticas e demais constatações expostas nos subtópicos anteriores sejam suficientes para afastar a validade da fórmula indicada pela IN 243/02 para o cálculo do PRL60, há ainda outras evidências jurídicas que corroboram para essa conclusão. Há incompatibilidades materiais da IN 243/02 em face da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 9.959/2000. A administração fiscal deve agir nos estritos limites normativos atinentes à matéria dos preços de transferência, respeitando os princípios e regras consagrados pelo legislador ordinário. E há, no caso da legislação dos preços de transferência, princípios e regras que não podem ser ignorados, pertinentes à igualdade tributária e à capacidade contributiva. Nesse ponto, é importante fazer referência à seguinte passagem do estudo de LUÍS EDUARDO SCHOUERI20, que toca alguns dos elementos essenciais para a solução do recurso especial em análise, in verbis 20 SCHOUERI, Luís Eduardo. Preços de transferência no Direito tributário brasileiro. São Paulo : Dialética, 2006, p. 1415. Fl. 7627DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000098/200916 Acórdão n.º 9101002.415 CSRFT1 Fl. 7.628 42 “1.3.9. É, pois, sob pena de caracterizar o arbítrio, que o legislador se vê obrigado a eleger princípios e, uma vez escolhidos, aplicálos conscientemente. 1.3.10. Especialmente em matéria tributária, surge como princípio parâmetro, escolhido pelo próprio constituinte, a capacidade contributiva. Nesse sentido, deve a tributação partir de uma comparação das capacidades econômicas dos potenciais contribuintes, exigindose tributo igual de contribuinte em equivalente situação. Por óbvio, tal princípio somente se concretiza quando é possível compararemse os contribuintes. 1.3.11. No caso de transações entre pessoas vinculadas, entretanto, as realidades econômicas comparadas são diversas, frustrandose qualquer comparação. 1.3.12. A diversidade acima apontada resulta da circunstância de as transações entre partes vinculadas não terem passado pelo mercado, como o fizeram as empresas independentes. 1.3.13. Assim, podese dizer que enquanto a moeda constante nas contas das empresas com transações controladas está expressa em unidades ‘reais de grupo’, empresas independentes têm seus resultados expressos em ‘reais de mercado’. 1.3.14. Nesta perspectiva, o papel da legislação de preços de transferência é apenas ‘converter’ valores expressos em ‘reais de grupo’ para ‘reais de mercado’, possibilitando, daí, uma efetiva comparação entre contribuintes com igual capacidade econômica. 1.3.15. Nesse sentido, verificase que a legislação de preços de transferência não distorce resultados da empresa. Apenas ‘converte’ para uma mesma unidade de referência (‘reais de mercado’) a mesma realidade expressa noutra unidade. 1.3.16. Nesse contexto, as disposições de controle de preços de transferência da Lei n. 9.430/96 somente se justificam caso corroborem essa conversão acima referida, o que se dá mediante a aplicação do princípio arm’s length, que será verificado mais profundamente nos capítulos posteriores. Vale dizer, caso a aplicação da lei ou de sua regulamentação em um caso concreto extrapole os limites dessa conversão, isso deverá ser considerado uma desobediência ao princípio constitucional da igualdade e da capacidade contributiva e, portanto, a aplicação nesse caso deverá ser corrigida ou até mesmo desconsiderada.” (negrito acrescido ao original) É fundamental para a matéria em análise, então, compreender que a legislação brasileira dos preços de transferência busca precisamente neutralizar a desigualdade nas operações entre partes vinculadas. Nos casos em que o método PLR60 seria aplicável, a aludida norma se voltaria exclusivamente às operações de importação realizadas por empresas vinculadas e que, por meio de ajuste no preços de venda de bens, serviços ou direitos, apresentassem a potencialidade de transferir resultados ao exterior sem a correspondente tributação. A legislação tem eficácia, portanto, para garantir que situações semelhantes sejam tributadas de maneira equivalente. Se era esse o objetivo do legislador ordinário, é de difícil aceitação que o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96 adotasse critérios de eliminação de desigualdades tão voláteis e indeterminados, que possibilitassem à administração fiscal escolher ajustes a partir de preços parâmetros compreendidos em intervalos tão amplos e incertos, com variações, por exemplo, entre “ R$10,00” e “R$ 70,00”. Ocorre que o princípio da igualdade, vivificado pelo padrão arm’s length, pressupõe a eleição consciente, pelo legislador ordinário, de critérios de distinção aptos a tratar Fl. 7628DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000098/200916 Acórdão n.º 9101002.415 CSRFT1 Fl. 7.629 43 semelhantes de forma equivalente, com ajustes que se façam necessários na base de cálculo do IRPJ e CSL para a corrigir diferenciações injustificadas. A tese de que, dos enunciados do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, seria possível abstrair duas fórmulas capazes de conduzir a preços parâmetros tão dispares (“10,00” ou “70,00”, por exemplo), conflita com o princípio da igualdade, pois torna insustentável a sua concretização, conduzindo à sua antítese (desigualdade, incerteza, insegurança). Nesse seguir, ao advogar que a Lei n. 9.430/96 teria concedido tamanha discricionariedade à administração, a PFN pode estar suscitando a ocorrência de delegação de competência tributária, o que, como se viu, é vedado pela Constituição Federal (art. 150) e pelo CTN (art. 97). Se a lei houvesse permitido a adoção de fórmulas tão dispares, possivelmente a sua constitucionalidade não resistiria à criteriosa análise do Poder Judiciário. Na verdade, o art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, elegeu expressamente critérios de distinção que, conforme a sua decisão, seriam aptos para vivificar o princípio da igualdade e da capacidade contributiva. A “segunda fórmula” indicada pela IN 243/2002, então, enfraquece arbitrariamente o princípio da igualdade, pois nega eficácia jurídica aos critérios de distinção eleitos pelo legislador ordinário (art. 18, II, da Lei n. 9.430/96), a quem compete o monopólio da decisão quanto à fórmula que deve ser adotada para o método PLR60. 5.4. Incompatibilidades materiais e a falácia dos “fins” que justificariam os “meios”. O julgamento do presente recurso especial pode dar ensejo a um deslize no processo de concretização do Estado de Direito: relativizar o princípio da legalidade (meio), para que o Brasil conte com uma norma de preço de transferência supostamente “melhor” e vocacionada a aferir adequadamente os preços de mercado, inclusive com a consideração proporcional dos insumos importados de partes vinculadas (fins). Como já se constatou acima, esse argumento de que “os fins justificam os meios” esbarra no princípio da estrita legalidade em matéria tributária. No entanto, tendo em vista a importância do tema, não se pode deixar de investigar se os referidos “fins” apregoados para a legitimação da IN 243/2002 realmente teriam potencial de concretização. Ou seja: as normas da IN 243/2002 realmente seriam “melhores”? Sob a perspectiva matemática, o estudo desenvolvido pelo Prof. Dr. VLADIMIR BELITSKY, acima citado, apresentou as seguintes conclusões: “2. Quesito. A Fazenda Nacional alega que a fórmula da IN 243 corrige defeitos da Lei 9.430. Essa afirmação é correta do ponto de vista da matemática? Não. Essa manobra é parecida com os argumentos desvendados no quesito anterior, mas ela precisa ser tratada separadamente pois a derivação de sua conclusão é mais complexa. Na essência do método, mostrase que a fórmula da Lei 9.430 apresenta falhas as quais são corrigidas na fórmula da IN 243. A inadequação deste método como argumento em prol da eficácia da IN 243 está na omissão do fato de que a fórmula definida por esse normativo possui falhas semelhantes às da fórmula da Lei 9.430.” Também merece destaque o seguinte trecho, colhido da citada “Constatação 5” do mesmo estudo, in verbis: Fl. 7629DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 16643.000098/200916 Acórdão n.º 9101002.415 CSRFT1 Fl. 7.630 44 “(i) a fórmula da IN 243 resulta no valor de PP menor que o valor declarado do bem importado se e somente se a margem de lucro em cima de todos os insumos em conjunto for de 60%; (ii) a fórmula da IN 243 resulta no valor de PP igual ao valor declarado do bem importado se e somente se a margem de lucro em cima de todos os insumos em conjunto for menor que 60%; (iii) a fórmula da IN 243 resulta no valor de PP maior que o valor declarado do bem importado se e somente se a margem de lucro em cima de todos os insumos em conjunto for maior que 60%;” Notese, ainda, a conclusão do mesmo matemático em relação a esse outro quesito que lhe foi apresentado, in verbis: “1. Quesito. A Fazenda Nacional alega que a aplicação da IN 243 pode ser benéfica aos contribuintes. Essa afirmação tem sustentação matemática? A alegação da Fazenda Nacional de que ‘... a metodologia prevista na IN SRF n. 243/2002 pode ser considerada benéfica ao importador’ (...) está errada pois sabemos, conforme provado em minha Constatação 5, que a fórmula da IN 243 acarreta ajuste tributário e, consequentemente, tributação, toda vez que a lucratividade da produção for inferior a 60%. (...)” Conclui o matemático que “a fórmula da IN 243 falha em apurar o valor justo do Preço Parâmetro a partir de valores de produtos corretamente declarados pelo contribuinte quando a margem de lucro efetiva sobre o PLV for menor que 60%”. A evidência matemática, então, aclara que a fórmula indicada pela IN 243/2002 não soluciona problemas presentes na fórmula legal, imediatamente construída a partir do art. 18, II, da Lei n. 9.430/96, com a redação dada pela Lei n. 9.959/2000. Além disso, como evidenciou o matemático, a fórmula da IN 243/2002 tem o potencial de agravar o ônus fiscal sobre o contribuinte. 6. Dispositivo do voto. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial interposto pelo contribuinte quanto à matéria analisada nesta declaração de voto. (assinado digitalmente) Conselheiro Luís Flávio Neto. Fl. 7630DF CARF MF Impresso em 04/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 12/09/201 6 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assinado digitalmente em 26/09/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digi talmente em 03/10/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10860.900280/2008-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
Ementa:
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS. PROVA DO CRÉDITO EM DCTF E DIPJ RETIFICADORAS APRESENTADAS EM SEDE RECURSAL
Em sede de recurso voluntário o contribuinte apresentou DCTF e DIPJ retificadoras que atestam seu direito creditório, o que foi chancelado por meio de diligência fiscal. Crédito reconhecido.
Numero da decisão: 3402-003.785
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer o direito de crédito nos termos da diligência efetuada.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 Ementa: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS. PROVA DO CRÉDITO EM DCTF E DIPJ RETIFICADORAS APRESENTADAS EM SEDE RECURSAL Em sede de recurso voluntário o contribuinte apresentou DCTF e DIPJ retificadoras que atestam seu direito creditório, o que foi chancelado por meio de diligência fiscal. Crédito reconhecido.
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Recorrida UNIÃO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 Ementa: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE PIS. PROVA DO CRÉDITO EM DCTF E DIPJ RETIFICADORAS APRESENTADAS EM SEDE RECURSAL Em sede de recurso voluntário o contribuinte apresentou DCTF e DIPJ retificadoras que atestam seu direito creditório, o que foi chancelado por meio de diligência fiscal. Crédito reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer o direito de crédito nos termos da diligência efetuada. Antonio Carlos Atulim Presidente. Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Por bem retratar os fatos aqui analisados, me valho do Relatório desenvolvido por este Tribunal administrativo quando da resolução n. 3801000.472 (fls. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 02 80 /2 00 8- 47 Fl. 447DF CARF MF 2 128/134), da lavra do Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, o qual adoto como meu nos termos abaixo: (...). “Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) com aproveitamento de suposto pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação (fl. 8), tendo em vista que o pagamento apontado como origem do direito creditório estaria integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte. Cientificada do despacho decisório em 05/05/2008 (fl. 9), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 03/06/2008 (fl. 7/15), na qual alegou que o despacho decisório decorre do fato de não terem sido retificadas as DCTFs que identificam os pagamentos realizados durante o ano de 2003 e em janeiro de 2004 em relação aos débitos de PIS, e informa que estava apresentando as correspondentes declarações retificadoras, conforme cópia que anexava aos autos. A interessada alegou, ainda, que, em conformidade ao disposto no § 1° do art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 786, de 2007, a declaração retificadora substitui integralmente a original, sendo que os valores corretos devidos a titulo de PIS são aqueles declarados na DIPJ 2004. Assim, conclui que os créditos decorrentes de pagamento indevido ou a maior de PIS foram devidamente demonstrados por meio das DCTF retificadoras, restando comprovado que o crédito que possui é suficiente para compensar os débitos da DCOMP. Ao final, entendendo que o procedimento adotado estava em consonância com a legislação vigente à época, a contribuinte requer a nulidade do despacho decisório.” A Delegacia de Julgamento em Campinas (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 DCOMP. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. PROVA. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. O reconhecimento do direito creditório aproveitado em DCOMP não homologada requer a prova de sua existência e montante. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos elementos que permitam a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido”. Fl. 448DF CARF MF Processo nº 10860.900280/200847 Acórdão n.º 3402003.785 S3C4T2 Fl. 454 3 Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 3543, onde reprisa as razões apresentadas na manifestação de inconformidade de fls. 1116. Aduz ainda que a autoridade competente não observou o procedimento previsto no art. 65 da Instrução Normativa nº 900, de 2008, devendo ser aplicado ao caso o princípio da verdade material, uma vez que ocorreu erro material na apuração do crédito, por parte da recorrente, o que foi levado a conhecimento da DRF posteriormente através da apresentação regular da PER/DCOMP, requerendo seja conhecido e provido o recurso para seja reconhecido o direito creditório relativo aos pagamentos efetuados a maior ou indevidos de IPI, acrescidos de juros equivalentes a taxa SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do mês subseqüente ao do pagamento indevido ou a maior que o devido até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada, podendo ainda estes valores serem compensados com quaisquer tributos ou contribuições sob a administração da SRF, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional. (...). 2. Uma vez distribuído o recurso voluntário interposto neste tribunal, o então Relator do caso, acompanhado pela turma julgadora, baixou o processo diligência nos seguintes temos: (...). Não obstante a ausência de parte da documentação comprobatória necessária na origem, motivo do indeferimento do pedido de homologação, a contribuinte recorre a este Conselho de Contribuintes anexando às suas razões a integralidade da documentação comprobatória necessária, o que justifica uma nova análise do seu pedido de homologação da compensação. Desta forma, verificada a documentação apresentada juntamente com o presente recurso, fazse necessária a análise do seu conteúdo probatório. (...). No caso dos autos, ainda que juntada posteriormente ao despacho decisório, bem como à decisão da DRJ de origem, a prova trazida aos autos deve ser apreciada para a melhor solução da controvérsia, uma vez que, de fato, comprova o alegado. Se o contribuinte alega ter o direto ao crédito,o qual requer a compensação, e traz aos autos, ainda que somente nesta fase processual, a prova deste direito, não há razão para negarlhe a homologação da compensação. Fl. 449DF CARF MF 4 Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) aprecie e informe a existência de créditos e débitos, especialmente pela análise da DIPJ onde consta o crédito apontado e a alegada a veracidade das suas informações; b) cientifique a interessada quanto ao teor da diligência para, desejando, manifestarse no prazo de dez dias.julgamento. É assim que voto. 3. Realizada a diligência, assim concluiu a fiscalização (fls. 439/440): (...). Primeiramente, cabe destacar que com o advento da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro real e cujas receitas não se enquadrassem naquelas para as quais a forma de apuração foi mantida nos moldes da legislação anterior, passaram a apurar o PIS, a partir de dezembro de 2002, sob o regime nãocumulativo. Assim, a única possibilidade do interessado (optante do Lucro Real) haver apurado débitos de PIS para o período de 2003 seria no caso de ter auferido alguma das receitas dentre aquelas que permaneceram no regime cumulativo. Verificando as DIPJ/2004 apresentadas à Receita Federal do Brasil pelo interessado, constatase que foram apresentadas três DIPJ, a saber: ® DIPJ Original – apresentada em 29/06/2004 (fls. 179/259); ® DIPJ Retificadora – apresentada em 01/09/2004 (fls. 260/340); ® DIPJ Retificadora – apresentada em 29/08/2008 (fls. 341/421). Da análise dos dados informados em cada uma das DIPJ, em especial na ficha 21 – Cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP – Regime Nãocumulativo, verificase que desde a DIPJ original, cuja apresentação à RFB se deu em junho de 2004, não fora apurado qualquer valor de PIS a pagar, seja na modalidade cumulativa ou na nãocumulativa. As alterações efetuadas por intermédio das DIPJ Retificadoras, em relação ao PIS e a COFINS, resumemse no aumento do valor das referidas contribuições no mês de dezembro/2003. As outras alterações efetuadas referiramse ao IRPJ e a CSLL. Da mesma sorte, os DACON apresentados pelo interessado, conforme tela de consulta à fl. 152, foram todos entregues entre os meses de março e setembro de 2004 e sem qualquer valor de PIS a pagar apurado (fls. 159/178). (...). As DCTF Retificadoras, cancelando os débitos de PIS informados nas ORIGINAIS (entregues entre os meses de maio Fl. 450DF CARF MF Processo nº 10860.900280/200847 Acórdão n.º 3402003.785 S3C4T2 Fl. 455 5 de 2003 e fevereiro de 2004), foram apresentadas à RFB em 03/06/2008 quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade (fls. 431/438). Analisando as informações acerca do PIS e da COFINS constantes nas DCTF originais observase que foram informados débitos de PIS como se a pessoa jurídica estivesse no regime cumulativo, ou seja, sem o desconto de créditos permitido pelo novo regime (art. 3º da Lei nº 10.637/2002), porém com a alíquota nãocumulativa de 1,65%, pois conforme se constata pelos valores, a seguir demonstrados, a relação percentual entre os valores declarados de PIS e de COFINS é a mesma entre os valores das alíquotas utilizadas pelo interessado na apuração das referidas contribuições (1,65 / 3,00 => 0,55 %). (...). Portanto, verificase que o erro na apuração dos valores do PIS deuse em função do interessado, quando da apuração dos débitos a serem informados nas DCTF, não ter se atentado para o desconto dos créditos previstos no art. 3º da Lei nº 10.637/2002, situação essa que não ocorreu nas apurações constantes na DIPJ e respectivos DACON. Em 19/11/2013 o interessado foi intimado a declarar, sob as penas da Lei, se se enquadrou, no período de 2003, nas hipóteses previstas no art . 8º da Lei nº 10.637/2002 (fls. 138/140). Em resposta, o interessado declarou, em 03/12/2013, sob as penas da Lei, não haver se enquadrado, no período de 2003, nas hipóteses previstas no art. 8º da referida Lei, exceto no caso das receitas previstas no item “a” do inciso VII do seu art. 8º (receitas decorrentes da venda de produtos de que trata a Lei 10.485/2002), cuja alíquota à época era 0 (zero) (fls. 141/143). (...). 4. Diante deste quadro, o contribuinte foi intimado para se manifestar a respeito, ficando inerte. 5. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Diniz Ribeiro 6. O recurso sub judice preenche os pressupostos formais de admissibilidade, motivo pelo qual passo ao seu conhecimento. I. Do crédito compensado 7. Em suma, o contribuinte apresentou Compensação (DCOMP) alegando que houve equívoco no preenchimento da DCTF remetida à Receita Federal, o que foi Fl. 451DF CARF MF 6 posteriormente corrigido por intermédio da entrega da DCTF retificadora, corroborada pelas informações constantes nas DIPJ's original e retificadoras apresentadas. 8. A Delegacia da Receita Federal entendeu por não homologar a compensação ao fundamento que o pagamento apontado como origem do direito creditório fora integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. 9. Em manifestação de inconformidade o contribuinte não apresentou toda a documentação necessária para atestar seu crédito, em especial DCTF retificadora e DIPJ's retificadoras, o que só foi realizado em sede de recurso voluntário, fato este, inclusive, que motivou a diligência aqui tratada. 10. Referida diligência foi conclusiva no sentido de que, diante da retificação alhures mencionada, o contribuinte não possuía débito de PIS para o período mencionado, o que redundou no crédito utilizado na presente compensação e indevidamente glosado pela fiscalização. Dispositivo 11. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário, de modo a reconhecer o crédito pleiteado pelo contribuinte. Diego Diniz Ribeiro Relator Fl. 452DF CARF MF
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