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Numero do processo: 10218.000015/2007-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 16 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2202-000.494
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Relatora
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Pedro Anan Junior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Fábio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Pedro Anan Junior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Fábio Brun Goldschmidt.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1463; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 52 1 51 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10218.000015/200761 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2202000.494 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 18 de junho de 2013 Assunto Solicitação de diligência Recorrente SALVIANO MACHADO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga – Relatora Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Jimir Doniak Junior (suplente convocado), Pedro Anan Junior e Pedro Paulo Pereira Barbosa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Fábio Brun Goldschmidt. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 18 .0 00 01 5/ 20 07 -6 1 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10218.000015/200761 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.494 S2C2T2 Fl. 53 2 Relatório Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fl. 6 a 12, pelo qual se exige a importância de R$5.779,53, a título de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, anocalendário 2001, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora. Em consulta ao Demonstrativo das Infrações de fl. 8, verificase que o lançamento deuse em razão da apuração de omissão de rendimentos recebidos da Companhia Vale do Rio Doce, no valor de R$43.130,51. Houve ainda a alteração do desconto simplificado para R$8.000,00 e o aumento do imposto de renda retido na fonte para R$7.929,75, em razão da inclusão do IRRF sobre os rendimentos omitidos. DA IMPUGNAÇÃO Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1 a 3, instruída com os documentos de fls. 4 a 12, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 16): Cientificado do lançamento, o interessado apresentou, impugnação à exigência fiscal (fl. 01/03) de onde se destaca as seguintes alegações: a) Que, padece o citado AI do vicio de bitributação, que há de ser afastado, em nome do principio da legalidade; b) Que, os rendimentos apontados no AI em destaque — pagos pela Companhia Vale do Rio Doce , em parte, são os mesmos especificados pelo impugnante em sua Declaração de Ajuste Anual (exercício de 2002, ano calendário de 2001). Incorre a autuação, portanto, em bis in idem; c) Isto porque, sobre tais rendimentos não se pode cobrar novo imposto, haja vista que já foram oferecidos à tributação quando da entrega da Declaração de Ajuste Anual. Tratase, em síntese, de dupla incidência sobre fato gerador idêntico. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Apreciando a impugnação apresentada, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém (PA) manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão no 0114.945 (fls. 15 a 17), de 25/08/2009, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 DIRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10218.000015/200761 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.494 S2C2T2 Fl. 54 3 Impõese a manutenção da exigência tributária quando o sujeito passivo não logra afastar a omissão de rendimentos apontada no lançamento. DO RECURSO Cientificado do Acórdão de primeira instância, em 04/11/2009 (vide AR de fl. 21), o contribuinte apresentou, em 04/12/2009, tempestivamente, o recurso de fls. 25 a 28, acompanhado dos documentos de fls. 29 a 37, firmado por seu procurador (vide instrumento de mandato de fl. 29), expõe as razões de sua irresignação a seguir sintetizadas. 1. A fiscalização apurou omissão de rendimentos tomando por base a DIRF entregue pela Companhia Vale do Rio Doce, CNPJ 33.592.510/000154, na qual consta o pagamento feito ao contribuinte, no montante de R$ 43.130,51, sem observar que na Declaração de Ajuste Anual foi informado R$30.430,31, de rendimentos recebidos pela Companhia Vale do Rio Doce, CNPJ 33.592.510/037074. 2. No entanto, deixouse de observar se a fonte pagadora Companhia Vale do Rio Doce, CNPJ 33.592.510/037074, entregou DIRF, no valor de R$30.430,31, ou ainda analisado, a possibilidade de erro na Declaração de Ajuste apresenta pelo contribuinte. 3. Sustenta que a fonte pagadora, Companhia Vale do Rio Doce, havia centralizado todas as atividades financeiras na sua Matriz, com sede na cidade de Rio de Janeiro, enviando as informações fiscais no CNPJ 33.592.510/000154, da Matriz e informando o valor dos pagamentos e rendimentos de todos os seus prestadores de serviço, no anocalendário 2001. 4. Como não havia recebido o comprovante de rendimentos da Matriz, na ocasião, e já havia entregue a Declaração de Ajuste Anual, deixou apresentar retificadora, alterando o valor dos rendimentos declarados de R$30.430,51 para R$43.130,51, e o CNPJ 33.592.510/037074 para CNPJ 33.592.510/000154. 5. Para comprovar suas alegações, o recorrente afirma ter anexado os seguintes documentos: (a) Procuração; (b) Declaração de ajuste Anual Simplificada, referente ao anocalendário 2001, retificando os valores e CNPJ da fonte pagadora; (c) extrato emitido pela Companhia Vale do Rio Doce, informando a existência do pagamento pelo CNPJ 33.592.510/000154, no valor de R$ 43.130,51, no ano calendário de 2001; e (d) extrato do Bradesco, Agência 13889, conta corrente no 80063, única conta bancária do contribuinte, onde recebe os valores pagos pelos serviços prestados à Companhia Vale do Rio Doce, referente ao período de 01/01/2001 a 31/12/2001, comprovando a existência do valor acima creditado. 6. Ao final, requer (fl. 28): Ante o exposto, requer que seja a presente interposição processada, na forma da Lei, e o acórdão suspenso e auto de infração cancelado, através da exclusão dos rendimentos tributáveis. Requer que seja aceita a Retificadora da Declaração de Ajuste Simplificada do Exercício de 2002, ano calendário de 2001 e refeitos os cálculos da restituição do imposto de renda, considerando os valores retidos na época. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10218.000015/200761 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.494 S2C2T2 Fl. 55 4 Na oportunidade esclarece que deixar de apresenta de imediato os documentos constantes dos itens, C e D, para o quais pede prazo de 20 dias, para juntar a presente interposição. Em 22/01/2010, a contribuinte apresentou petição (fl. 40) requerendo a juntada dos documentos de fls. 41 a 50. DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o Lote no 02, distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 07/02/2012, veio numerado até à fl. 51 (última folha digitalizada)1. 1 Não foi encaminhado o processo físico a esta Conselheira. Recebido apenas o arquivo digital. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA Processo nº 10218.000015/200761 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2202000.494 S2C2T2 Fl. 56 5 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Tratase de lançamento decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos da Companhia Vale do Rio Doce, no valor de R$43.130,51. Em sua defesa, o recorrente afirma que parte dos rendimentos (R$30.430,51) já teria sido informado na Declaração de Ajuste Anual, alegando que houve erro no preenchimento de sua declaração no que diz respeito ao valor e CNPJ da fonte pagadora informados. Numa análise preliminar dos autos, não foi localizado nos autos cópia da Declaração de Ajuste entregue pelo contribuinte que serviu de base para o lançamento nem o extrato emitido pela Companhia Vale do Rio Doce, mencionado pelo recorrente. Tampouco foi anexado cópia das DIRF entregue pelas fontes pagadoras. Diante da plausibilidade das alegações do contribuinte e da precária instrução do processo, existem dúvidas quanto ao montante efetivamente omitido pela contribuinte. Por todo o exposto, para que se possa formar convicção acerca da matéria, voto no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora: 1. Junte cópia da Declaração de Ajuste Anual do anocalendário 2001 que serviu de base para o presente lançamento e de todas as DIRF em que o contribuinte aparece como beneficiário, no mesmo ano. 2. Intime a Companhia Vale do Rio Doce a informar o total dos rendimentos tributáveis efetivamente pagos ao contribuinte e o respectivo imposto de renda retido na fonte, esclarecendo se houve ou não a centralização dos pagamentos na matriz. 3. Ao final, antes da devolução dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o recorrente deve ser cientificado do relatório elaborado pela fiscalização para que se manifeste, se assim o desejar, no prazo de 30 dias. Ressaltese que as cópias de documentos a serem anexadas ao presente processo deverão ser autenticadas a vista do original, com a devida identificação do servidor responsável. (Assinado digitalmente) Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga Fl. 58DF CARF MF Impresso em 16/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado di gitalmente em 09/07/2013 por MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, Assinado digitalmente em 05/08/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10283.902975/2008-64
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DO RECURSO. PEREMPÇÃO.
Não se conhece das razões do recurso apresentado fora do prazo previsto no art. 33 do Decreto n° 70.235/72.
Numero da decisão: 1802-001.428
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso intempestivo, nos termos do voto Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o Conselheiro Marco Antônio Nunes Castilho.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DO RECURSO. PEREMPÇÃO. Não se conhece das razões do recurso apresentado fora do prazo previsto no art. 33 do Decreto n° 70.235/72.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1609; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 293 1 292 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.902975/200864 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1802001.428 – 2ª Turma Especial Sessão de 06 de novembro de 2012 Matéria Saldo Negativo do IRPJ. Compensação Tributária. Recorrente KEIHIN TECNOLOGIA DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRAZO PARA APRESENTAÇÃO DO RECURSO. PEREMPÇÃO. Não se conhece das razões do recurso apresentado fora do prazo previsto no art. 33 do Decreto n° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso intempestivo, nos termos do voto Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Ausente o Conselheiro Marco Antônio Nunes Castilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 29 75 /2 00 8- 64 Fl. 293DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10283.902975/200864 Acórdão n.º 1802001.428 S1TE02 Fl. 294 2 Relatório Cuidam os autos de Recurso Voluntário de fls. 249/251 contra decisão da 1ª Turma da DRJ/Belém (fls. 213/219) que julgou a Manifestação de Inconformidade procedente em parte, reconhecendo direito creditório em parte quanto ao saldo negativo do IRPJ do ano calendário 2003. Quanto aos fatos: em 24/04/2006, a contribuinte transmitiu pela internet a declaração de compensação tributária, por intermédio do programa gerador PER/DCOMP nº 38225.43423.240406.1.7.025408, utilizando direito creditório – saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2003 – para quitação dos débitos tributários próprios informados/confessados (fls. 02/08); informou como origem do crédito o saldo negativo do IRPJ do ano calendário 2003 no valor de R$ 1.552.618,90; a título de informação, acrescentou que em outras 12 DCOMP também utilizou, como crédito, esse saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2003 (fls. 33/100). Por intermédio do Despacho Decisório de 26/08/2008 (fls.9/15), o direito creditório não foi reconhecido e a compensação não homologada, por falta de certeza e liquidez do crédito pleiteado, pois na DIPJ 2004 (anocalendário 2003) consta apurado saldo negativo de IRPJ no valor de (R$ 1.478.286,52), porém no PER/DCOMP foi informado saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2003 (R$ 1.552.618,90). Tendo tomado ciência do Despacho Decisório em 01/09/2008 via postal (fl.15), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 30/09/2008 (fls.16/18), via procurador (fls.19/20 e 183/193). A contribuinte, em sua manifestação de inconformidade, reconheceu que: a) o valor correto do saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2003 é o constante da DIPJ 2004, anocalendário 2003 (R$ 1.478.286,52), e não o valor constante do PER/DCOMP; b) há divergência, sim, entre os valores informados na DIPJ 2004, ano calendário 2003, e o constante do PER/DCOMP; c) que o crédito apurado na DIPJ 2004, anocalendário 2003, é o correto e que, de fato, existe; d) utilizou, indevidamente, como crédito a diferença de R$ 74.332,38 (crédito inexistente). A DRJ/Belém, enfrentando o mérito da lide, reconheceu, a título de saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2003, a quantia de R$ 1.438.214,37, com base no voto condutor (fls. 213/215). Fl. 294DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10283.902975/200864 Acórdão n.º 1802001.428 S1TE02 Fl. 295 3 A propósito, transcrevo a conclusão do referido voto condutor: (...) Dos Débitos Compensados A Tabela 2, a seguir, discrimina todos os débitos compensados nas declarações de compensação relacionadas no Despacho Decisório (fl.8): (...) O demonstrativo de compensação simulação (fls.204/209) revela que o crédito reconhecido é insuficiente para compensar todos os débitos indicados nas declarações de compensação. Do Direito Creditório Indevidamente Utilizado em Compensação Na manifestação de inconformidade apresentada (fls.16/18), o próprio contribuinte reconhece ter se utilizado indevidamente direito creditório no montante de R$ 74.332,38 em declaração de compensação. Notese que este valor corresponde à diferença entre o pleiteado na DIPJ/2004 e na DCOMP. Assim, reconhece o contribuinte que o valor correto do saldo negativo IRPJ ano calendário 2003 é o apurado na DIPJ. Foi a partir desse reconhecimento que partimos para a análise do direito creditório a que faz jus o contribuinte tendo como referência o saldo negativo de R$ 1.478.286,52 (fl.l 18). Considerando que a compensação deve ser efetuada na ordem indicada pelo sujeito passivo na DCOMP (§7° do art.26 da IN SRF600/2005, norma vigente à época de apresentação das DCOMP’s) e conforme a ordem cronológica das DCOMP’s, é legítimo supor que esse crédito indevido (R$ 74.332,38) foi utilizado nas últimas compensações dentre as efetuadas pelo contribuinte. Sendo indevida a utilização do crédito, também restam indevidas as compensações que se aproveitaram deste crédito. Portanto, os débitos compensados mediante a utilização deste crédito devem ser considerados como não amparados pela suspensão da exigibilidade dos débitos a que se refere o §11 do artigo 74 da Lei 9.430/96 (efeito da manifestação de inconformidade). A simulação de utilização do crédito indevido em compensação (fls.210/212) mostra que os seguintes débitos foram compensados mediante a utilização do crédito de R$ 74.332,38: • IRPJ, 2362, 02/2006, venc.31/03/2006, R$ 26.154,83; • IRPJ, 2362, 08/2006, venc.29/09/2006, R$ 51.968,69; • IRPJ, 2362, 05/2006, venc.30/06/2006, R$ 8.409,40 (valor parcial). Fl. 295DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10283.902975/200864 Acórdão n.º 1802001.428 S1TE02 Fl. 296 4 Referidos débitos, compensados com crédito indevido conforme reconhecimento do contribuinte, devem ser apartados e imediatamente cobrados eis que não amparados pela suspensão da exigibilidade via manifestação de inconformidade. Conclusão Isto posto, voto no sentido de reconhecer o direito creditório referente a saldo negativo IRPJ anocalendário 2003 no valor de R$ 1.438.214,37 e declaro parcialmente homologadas as compensações conforme demonstrativo de fls.204/209. Os débitos relacionados a seguir devem ser apartados e imediatamente cobrados eis que não amparados pela suspensão da exigibilidade via manifestação de inconformidade haja vista sua compensação mediante utilização de crédito indevido (R$ 74.332.38): • IRPJ, 2362, 02/2006, venc.31/03/2006, R$ 26.154,83; • IRPJ, 2362, 08/2006, venc.29/09/2006, R$ 51.968,69; •IRPJ, 2362, 05/2006, venc.30/06/2006, R$ 8.409,40 (valor parcial). (...) A contribuinte tomou ciência desse decisum em 27/04/2011, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 220). Em 14/09/2011, constada a não apresentação de Recurso Voluntário, foi lavrado o Termo de Perempção (fl.227), in verbis: (...) TERMO DE PEREMPÇÃO Tendo em vista que o contribuinte tomou ciência do Acórdão 01 21.238 da 1ª Turma da DRJ/BEL em 27.04.2011, consoante AR à fl. 216, e tendo expirado o prazo legal previsto para a interposição de RECURSO VOLUNTÁRIO ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais lavro, nesta data, o presente termo para os devidos efeitos. Uma vez que o controle da cobrança do(s) débito(s) neste re lacionado (s) está a cargo do processo 10283.903076/200889, proponho, ainda, o encaminhamento deste a SAMF/AM, para arquivamento pelo prazo de 05 (cinco) anos. (...) Ainda, em 14/09/2011, foram transferidos, do processo nº 10283.903076/200889 para o processo nº 10283.720926/201119, os débitos citados acima (débitos não passíveis de suspensão da exigibilidade), conforme Termo de Transferência de Crédito Tributário e Termo de Inclusão (fls. 221/222). Fl. 296DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10283.902975/200864 Acórdão n.º 1802001.428 S1TE02 Fl. 297 5 Em 18/10/2011, a contribuinte protocolizou petição de inconformidade na DRF/Manaus (fls. 249/251), insurgindose contra a Carta de Cobrança nº 97/2011, de 21/09/2011, de débitos em aberto controlados no Processo nº 10283.903076/200889, aqueles passíveis de suspensão da exigiblidade (fls. 238/241). Essa petição de inconformidade da contribuinte foi juntada aos presentes autos pela autoridade preparadora, como sendo Recurso Voluntário apresentado intempestivamente, conforme despacho de 06/09/2012 (fl. 292), in verbis: (...) Embora tenha tomado ciência do Acórdão 0121.238 exarado pela 1ª Turma da DRJ/BEL em 27/abr/2011, apenas em 18/out/2011 apresentou a interessada a documentação acostada aos autos às fls. 249291, intitulada “Manifestação de Inconformidade”, através da qual protesta contra a Carta Cobrança nº 097/2011, referente ao saldo devedor do processo 10283.903076/200889. Por referirse à carta cobrança, e não ao acórdão anteriormente mencionado, tal documentação foi mantida nos autos do processo 10283.903076/200889, e este último apensado ao 10283.902975/200864. O despacho às fls. 245247 relata não ter sido juntado o Recurso Voluntário, quando do encaminhamento deste processo ao CARF. Desta forma, por ignorar se esta afirmação decorre do fato de tal “Recurso” não ter sido visualizado pelo CARF, ou se pelo fato da documentação apresentada não ter sido considerada como tal (por ter sido denominada 'manifestação'?), proponho o reencaminhamento deste ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para apreciação do pleito, ou devolução do processo para prosseguimento na cobrança dos débitos indevidamente compensados. (...) É o relatório. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10283.902975/200864 Acórdão n.º 1802001.428 S1TE02 Fl. 298 6 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator Recurso Voluntário intempestivo. Em 14/09/2011, a autoridade preparadora/saneadora dos autos, na unidade de origem da RFB (DRFManaus), constatou que a contribuinte não apresentara Recurso Voluntário contra a decisão a quo, lavrando o Termo de Perempção (fl.227), in verbis: (...) TERMO DE PEREMPÇÃO Tendo em vista que o contribuinte tomou ciência do Acórdão 01 21.238 da 1ª Turma da DRJ/BEL em 27.04.2011, consoante AR à fl. 216, e tendo expirado o prazo legal previsto para a interposição de RECURSO VOLUNTÁRIO ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais lavro, nesta data, o presente termo para os devidos efeitos. Uma vez que o controle da cobrança do(s) débito(s) neste re lacionado (s) está a cargo do processo 10283.903076/200889, proponho, ainda, o encaminhamento deste a SAMF/AM, para arquivamento pelo prazo de 05 (cinco) anos. (...) Não obstante, em 18/10/2011 a contribuinte protocolizou petição de inconformidade na DRF/Manaus (fls. 249/251), insurgindose contra a Carta de Cobrança nº 97/2011, de 21/09/2011, de débitos em aberto controlados no Processo nº 10283.903076/2008 89 (aqueles passíveis de suspensão da exigibilidade), em face de compensações homologadas parcialmente pela decisão a quo até o limite do crédito deferido (fls. 238/241). Essa petição de inconformidade da contribuinte foi juntada aos presentes autos pela autoridade preparadora, como sendo Recurso Voluntário apresentado intempestivamente, conforme despacho de 06/09/2012 (fl. 292), in verbis: (...) Embora tenha tomado ciência do Acórdão 0121.238 exarado pela 1ª Turma da DRJ/BEL em 27/abr/2011, apenas em 18/out/2011 apresentou a interessada a documentação acostada aos autos às fls. 249291, intitulada “Manifestação de Inconformidade”, através da qual protesta contra a Carta Cobrança nº 097/2011, referente ao saldo devedor do processo 10283.903076/200889. Por referirse à carta cobrança, e não ao acórdão anteriormente mencionado, tal documentação foi mantida nos autos do Fl. 298DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10283.902975/200864 Acórdão n.º 1802001.428 S1TE02 Fl. 299 7 processo 10283.903076/200889, e este último apensado ao 10283.902975/200864. O despacho às fls. 245247 relata não ter sido juntado o Recurso Voluntário, quando do encaminhamento deste processo ao CARF. Desta forma, por ignorar se esta afirmação decorre do fato de tal “Recurso” não ter sido visualizado pelo CARF, ou se pelo fato da documentação apresentada não ter sido considerada como tal (por ter sido denominada 'manifestação'?), proponho o reencaminhamento deste ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para apreciação do pleito, ou devolução do processo para prosseguimento na cobrança dos débitos indevidamente compensados. (...) Ainda que apresentado intempestivamente, o recurso subirá ao CARF para julgamento da perempção – Decreto nº 70.235/72 (art. 35), in verbis: Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Nesse passo, o Decreto n° 70.23/72, diploma legal que regula o Processo Administrativo Tributário Federal, no seu art. 33 dispõe que da decisão proferida pela autoridade julgadora de primeira instância, quando contrária ao contribuinte, caberá Recurso Voluntário, dentro do prazo de trinta dias contado a partir da sua ciência, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. A propósito, trancrevo o disposto no art.33 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Do texto legal citado sobressaem dois pressupostos básicos a serem, necessariamente, observados pelo contribuinte, quando no exercício do direito ao recurso, quais sejam: a) que o recurso seja dirigido à autoridade competente para apreciar e decidir sobre a matéria recorrida; b) que o recurso seja apresentado no órgão competente, dentro do prazo de trinta dias, quando muito, contado a partir da ciência da decisão de primeira instância. O descumprimento de qualquer dos pressupostos citados acarreta a ineficácia do recurso, impedindo o seu conhecimento por parte da autoridade a quem foi dirigido. No caso em tela, restou caracterizada a inobservância do prazo legal para interposição do recurso. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 27/04/2011 (quartafeira), conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 220), tendo, todavia, protocolizado o encaminhamento de suas razões do Recurso Voluntário a este Colegiado Fl. 299DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10283.902975/200864 Acórdão n.º 1802001.428 S1TE02 Fl. 300 8 somente no dia 18/10/2011, terçafeira (fls. 249/251), tudo conforme registro ou carimbo de protocolo aposto na peça recursal (fl. 249). A contagem do prazo aponta o dia 27/05/2011 (sextafeira) como data fatal para apresentação da peça recursal com suas razões, o que, no caso, não foi observado, pois foi recepcionada somente em 18/10/2011 (terçafeira), ou seja, muito meses após expirado o prazo para apresentação tempestiva. Portanto, tratase de recurso serôdio (apresentado a destempo). A não observância do prazo legal para interposição do recurso voluntário impede o seu conhecimento, na medida em que a tempestividade constitui um dos pressupostos objetivos de admissibilidade. Por tudo que foi exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 300DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 02/08/2013 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 36514.001348/2006-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Jul 07 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁR1AS
Período de apuração: 01/12/1997 a 31/12/1998
DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO. SEGURADOS. SAT. RAT.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2301-00495
Decisão: ACORDAM os membros da 3a. Câmara / 1a. Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Edgar Silva Vidal acompanhou o relator somente pelas conclusões. Entendeu que se aplicava o artigo 150, §4° do CTN.
Nome do relator: Damião Cordeiro de Moraes
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-09-03T12:34:51Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-09-03T12:34:50Z; Last-Modified: 2009-09-03T12:34:51Z; dcterms:modified: 2009-09-03T12:34:51Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-09-03T12:34:51Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-09-03T12:34:51Z; meta:save-date: 2009-09-03T12:34:51Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-09-03T12:34:51Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-09-03T12:34:50Z; created: 2009-09-03T12:34:50Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2009-09-03T12:34:50Z; pdf:charsPerPage: 824; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-09-03T12:34:50Z | Conteúdo => o S2-C3T1 Fl. 532 "In MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 36514.001348/2006-75 Recurso n° 147.781 Voluntário Acórdão n° 2301-00.495 — 3' Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 07 de julho de 2009 Matéria Decadência Recorrente VOLVO DO BRASIL VEÍCULOS LTDA E OUTRO Recorrida DRP/CURITIBA/PR ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁR1AS Período de apuração: 01/12/1997 a 31/12/1998 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO. SEGURADOS. SAT. RAT. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. \NI -Cç Processo n°36514.001348/2006-75 S2-C3T1 Acórdão n.° 230140.495 Fl. 533 ACORDAM os membros da 3' Câmara / 1' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Edgar Silva Vidal acompanhou o relator so ente • elas conclusões. Entendeu que se aplicava o artigo 150, §4° do CTN. !A JULI t\ii ES t GOMES Presid, e DAMIÂO CORDEIRO DE MORAES Relator Participaram do julgamento os conselheiros: Damião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vidal (Suplente), Maria Helena Lima dos Santos (Suplente), Bemadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes e Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente). 2 • Processo n°36514.001348/2006-75 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.495 Fl. 534 Relatório 1. Trata-se de recurso voluntário interposto pela empresa VOLVO DO BRASIL VEICULOS LTDA E OUTRO contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal de contribuições previdenciárias, nas rubricas segurados, quota patronal e SAT/GIIL-RAT (Seguro Acidente de Trabalho/ Grau de incidência de Incapacidade Laborativa de corrente dos Riscos Ambientais do Trabalho) e em razão da responsabilidade solidária na condição de tomadora de serviços realizados mediante cessão de mão de obra pela prestadora PSW INFORMÁTICA LTDA. 2. O julgado restou assim ementado: "PREVIDENCIÁRIO. LANÇAMENTO ARBITRADO. CESSÃO DE MÃO DE OBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO TOMADOR DE SERVIÇOS PELO RECOLHIMENTO DOS VALORES DEVIDOS PELO PRESTADOR DE SERVIÇOS. DECADÊNCIA. O arbitramento é o método utilizado pelo Agente Fiscal com respaldo no parágrafo 3° do artigo 33 da Lei 8.212/91, através do qual, este pode apurar por aferição indireta, a importância que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. O contratante de serviços prestados mediante cessão de mão de obra responde solidariamente com o contratado pelas obrigações para com a Seguridade Social, não se aplicando o beneficio de ordem. Para a empresa tomadora de serviços isentar-se da responsabilidade solidaria, é necessário que demonstre que a empresa prestadora de serviços procedeu ao efetivo recolhimento das contribuições previdenciáriets. A lei ordinária federal pode fixar prazo decadencial e prescricional específico para as contribuições previdenciárias. Fixação de prazo desvinculada da hipótese de norma geral. Expressa autorização contida no §4° do art. 150 do CTN. Válida a decadência decenal prescrita no artigo 45 da Lei de Custeio. LANÇAMENTO PROCEDENTE." 3. Inconformadas com a decisão, as empresas apresentaram recurso voluntário tempestivo reiterando os mesmos fundamentos alegados em sede de impugnação. Nesse sentido, a empresa tomadora alegou, em síntese, o seguinte: a) preliminarmente alega que os créditos estariam decaídos integralmente, seja pelo prazo qüinqüenal, seja pelo decenal; 3 Processo n° 36514.001348/2006-75 52-C3T1 Acórdão o.° 2301-00.495 Fl. 535 b) discorda que esteja presente vinculo de solidariedade entre as empresas; alega haver responsabilidade subsidiária do contratante; c) afirma não existir cessão de mão de obra no contrato entre a recorrente e a empresa prestadora de serviços; inclusive o auditor não caracterizou a cessão de mão de obra em seu relatório. 4. Em relação a argumentação da empresa prestadora, peço vênia para reproduzir trecho das contra-razões conforme abaixo: "Da Decadência - que as contribuições sociais em comento comportam o chamado lançamento por homologação, também conhecido como auto-lançamento, nos termos do artigo 173 combinado com o parágrafo 4° do artigo 150 do CTIsl • e que o prazo de decadência das contribuições sociais ora exigidas começa afluir a partir da ocorrência do fato gerador, considerando-se o mês da competência; - que o dispositivo legal que embasa a NFLD é inconstitucional, pois é hierarquicamente inferior ao CTN, que tem força de lei complementar, e que os Tribunais, inclusive a Corte Superior, vem decidindo pelo prazo de cinco anos para a constituição do crédito tributário. Transcreve inúmeras ementas de Tribunais Federais e diz que a decadência do direito da SRP de lançar o crédito é qüinqüenal e não decenal como consta na NFLD e na decisão recorrida; Do Mérito Da Responsabilidade Tributária/Solidariedade - que conforme se observa nos autos, o que a SRP buscou foi responsabilizar a Volvo, como tomadora de serviços pelo pagamento das contribuições sociais devidas pela prestadora, isso antes do advento da Lei n° 9.711/98 que modificou o artigo 31 da Lei n° 8.212/91, o que não encontra nenhum amparo legal, conforme se depreende da decisão proferida pelo TRF da 4 Região; - que a responsabilidade tributária somente pode decorrer de lei plenamente válida como dispõe o inciso 11 do parágrafo único do artigo 121 do C77V, e que a solidariedade tributária também decorre do comando legal, sendo que a NFLD contraria o disposto no inciso ff do artigo 124 do CTN; - que jamais existiu o inadimplemento apontado pelo agente fiscal, o qual admitiu o pagamento das contribuições previdenciárias, e que este não agiu publicamente, mantendo em segredo sua conclusão acerca do levantamento, só no agi de punir, porém sem saber efetivamente porque o fazia, se as irregularidades existiam, sendo que a sua conduta atingiu todos os princípios inerentes à Administração Pública conforme doutrina, que transcreve aos autos; 1:11" 4 Processo n°36514.001348/2006-75 S2-C3T1 Acórdão n.• 2301-00.495 Fl. 536 - que o demonstrativo em anexo comprova que foi efetuado o pagamento de todas as contribuições sociais, por conseguinte, os valores lavrados foram efetivamente pagos, e que os sócios prestavam serviços pessoais no período fiscalizado. Acosta aos autos todas as GRPS que comprovam o recolhimento integral das contribuições previdenciá rias devidas referentes as folhas de salários e pagamento à autónomos; - não deve o crédito tributário ser exigido, preliminarmente, porque não recebeu a notificação do lançamento tributário, além disso, o mesmo já caducou, e, no mérito, em decorrência do pagamento integral das contribuições previdenciá rias procede a juntada aos autos dos livros razão e diário que trazem pagamentos e receitas decorrentes da prestação de serviços." 5. Por fim, o fisco apresentou suas contra-razões defendendo a manutenção da decisão recorrida. É o relatório. tr3C • Processo n° 36514.001348/2006-75 S2-C3T1 Acórdão 2301-00495 Fl. 537 Voto Conselheiro DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, Relator ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. Acolho o recurso, uma vez que é tempestivo a atende aos pressupostos de admissibilidade. DECADÊNCIA 2. Sobre a decadência, cumpre dizer que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12106/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal - STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: "Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91 e o parágrafo único do art.5° do Decreto-lei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém se !agida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitam-se, entre outros, aos artigos 150, § 4°, 173 e 174 do C77V. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5° do Decreto-lei n° 1.569/77, frente ao § 1° do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". CSIY- Processo n°36514.001343/2006-75 S2-C3T1 Acórdão n." 2301-00.495 jr.l 538 3. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103-A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, ia verbis: "Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional n°45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103-A da Constituição Federal e altera a Lei re 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. Art. 2Q O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. sç 1 O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão." 4. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Assim sendo, independente de meu entendimento pessoal sobre a matéria, manifestado em meus votos anteriores, inclino-me à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08. 5. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional - CTN se aplicar ao caso concreto. Compulsando os autos, constata-se no Discriminativo Analítico de Débito que a recorrente não efetuou o pagamento de suas obrigações, devendo-se, portanto, prevalecer a regra trazida pelo artigo 173, inciso I, do CTN. 6. Assim sendo, tendo sido cientificado o recorrente do lançamento fiscal em 16/12/2005, referente às contribuições do período de 01/12/1997 a 31/12/1998, fica alcançado pela decadência qüinqüenal o lançamento fiscal em sua totalidade. 7 Processo n• 36514.001348/2006-75 52-C3T1 AcárdAo rt.• 2301-00.495 fl. 539 7. Em razão do exposto, acato a preliminar de decadência para dar provimento ao recurso interposto. CONCLUSÃO 8. Assim, voto por dar PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. Sala das Sessões, em 07 de ju lo de 2009 DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES, Relator 8 Page 1 _0020300.PDF Page 1 _0020400.PDF Page 1 _0020500.PDF Page 1 _0020600.PDF Page 1 _0020700.PDF Page 1 _0020800.PDF Page 1 _0020900.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 15504.017502/2010-56
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. IMPUGNAÇÃO. PRAZO.
Impugnação apresentada após trinta dias, contados da data em que o sujeito passivo tornou ciência do lançamento, deve ser considerada intempestiva, e dela não se toma conhecimento, uma vez não instaurado o litígio.
Recurso Não Conhecido
Numero da decisão: 2802-002.193
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
EDITADO EM: 24/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Marcio de Lacerda Martins, Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. IMPUGNAÇÃO. PRAZO. Impugnação apresentada após trinta dias, contados da data em que o sujeito passivo tornou ciência do lançamento, deve ser considerada intempestiva, e dela não se toma conhecimento, uma vez não instaurado o litígio. Recurso Não Conhecido
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INTEMPESTIVIDADE. IMPUGNAÇÃO. PRAZO. Impugnação apresentada após trinta dias, contados da data em que o sujeito passivo tornou ciência do lançamento, deve ser considerada intempestiva, e dela não se toma conhecimento, uma vez não instaurado o litígio. Recurso Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. EDITADO EM: 24/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Marcio de Lacerda Martins, Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández e Carlos André Ribas de Mello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 75 02 /2 01 0- 56 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 11/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 25/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento de fls. 42/48, com exigência de Imposto de Renda Pessoa Física — Suplementar, multa e juros de mora calculados até 31/08/2010, no montante de R$ 16.855,63, correspondente a dedução indevida de despesas médicas, pensão alimentícia judicial e com instrução. Cientificado do lançamento em 02/09/2010 (fl. 40), o Recorrente apresentou impugnação somente em 08/10/2010 (fl. 1), ou seja após transcorrido o prazo legal para sua formalização, consoante previsto nos arts. 14 a 17 e 23 do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, com as alterações dadas pelos art. 10 da Lei n° 8.748, de 09 de dezembro de 1993, art. 67 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e art. 113 da Lei n° 11.196, de 21 de novembro de 2005, razão pela qual ela não foi conhecida e o lançamento mantido sob o fundamento de que: “Ora, a impugnação apresentada extemporaneamente equivale a sua não apresentação. Por isso: além de não instaurar o litígio fiscal administrativo, impede que as razões de mérito sejam examinadas pela autoridade julgadora”. Nas razões de Voluntário (fl. 66/67), o Recorrente reconhece a intempestividade da impugnação, mas requere que em razão dos princípios da economicidade e da razoabilidade, o lançamento seja revisto, vez que comprovada a efetividade das despesas declaradas e para tanto, anexa documentos de fls. 84/97. Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator Conforme relatório acima, cientificado do lançamento em 02/09/2010 (fl. 47), o Recorrente apresentou impugnação somente em 08/10/2010 (fl. 1), ou seja após transcorrido o prazo legal para sua formalização, consoante previsto nos arts. 14 a 17 e 23 do Decreto n° 70.235/72, razão pela qual ela não pode ser conhecida, fato que impediu a instauração da fase litigiosa e o conseqüente conhecimento do Recurso Voluntário. Nesse sentido: CARF 2a. Seção / 2a. Turma da 2a. Câmara / ACÓRDÃO 2202 09.825 em 19/10/2010. IMPUGNAÇÃO APRESENTADA FORA DO PRAZO. Comprovado nos autos que a impugnação foi apresentada após o prazo de trinta dias, contados da data em que foi feita a intimação da exigência, conforme previsto no artigo 15 do Decreto n° 70.235, de 1972, correta a decisão do Colegiado de primeiro grau que rejeitou a preliminar de tempestividade. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. PRECLUSÃO PROCESSUAL A declaração de intempestividade da impugnação , pelo Acórdão Fl. 110DF CARF MF Impresso em 11/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 25/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 15504.017502/201056 Acórdão n.º 2802002.193 S2TE02 Fl. 110 3 de primeiro grau, além de impedir a instauração da fase litigiosa do procedimento, restringe o mérito a ser examinado no âmbito do recurso voluntário, que fica limitado à contrariedade oferecida a essa declaração. Ante o exposto, não conheço do Recurso Voluntário interposto em razão da intempestividade da peça impugnatória. É o meu voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 111DF CARF MF Impresso em 11/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 25/04/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 07/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10680.013526/2005-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001
ENTIDADES DE EDUCAÇÃO. CNAS E ISENÇÃO. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. ABRANGÊNCIA.
À vista da decisão do Supremo Tribunal Federal na medida cautelar na ADI
2.028, os requisitos de exclusividade e gratuidade na prestação de serviços
não podem ser exigidos das entidades de assistência social para a
caracterização da imunidade constitucional às contribuições sociais. Assim, o
conceito de “receitas de atividades próprias”, para efeito da isenção de PIS e
Cofins das entidades que tenham certificado de entidade beneficente de
assistência social, abrange também as receitas retributivas destas entidades.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001
DECRETO. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
É vedado ao Carf afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo
internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3302-001.563
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento
ao recurso voluntário, nos termos do voto da redatora designada. Vencido o conselheiro José Antonio Francisco, relator. Designado a conselheira Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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CNAS E ISENÇÃO. RECEITAS DE ATIVIDADES PRÓPRIAS. ABRANGÊNCIA. À vista da decisão do Supremo Tribunal Federal na medida cautelar na ADI 2.028, os requisitos de exclusividade e gratuidade na prestação de serviços não podem ser exigidos das entidades de assistência social para a caracterização da imunidade constitucional às contribuições sociais. Assim, o conceito de “receitas de atividades próprias”, para efeito da isenção de PIS e Cofins das entidades que tenham certificado de entidade beneficente de assistência social, abrange também as receitas retributivas destas entidades. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001 DECRETO. INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. É vedado ao Carf afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da redatora designada. Vencido o conselheiro José Antonio Francisco, relator. Designado a conselheira Fabiola Cassiano Keramidas para redigir o voto vencedor. Fl. 0DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 2 (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator (Assinado digitalmente) Fabiola Cassiano Keramidas RedatoraDesignada. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, José Evande Carvalho Araújo, Helio Eduardo de Paiva Araújo e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso recurso voluntário (fls. 213 a 255) apresentado em 12 de fevereiro de 2009 contra o Acórdão no 0218.906, de 01 de setembro de 2008, da 1ª Turma da DRJ/BHE (fls. 199 a 209), cientificado em 10 de fevereiro de 2009, que, relativamente a auto de infração de Cofins dos períodos de janeiro de 2000 a dezembro de 2001, considerou procedente o lançamento efetuado, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001 Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembleia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. A argüição de ilegalidade e de inconstitucionalidade não é oponível na esfera administrativa por transbordar os limites da sua competência. Lançamento Procedente O auto de infração foi lavrado em 21 de setembro de 2005, de acordo com o termo de fls. 12 a 19. Segundo o relatório citado, “Em 17/05/05, sob a alegação de que até aquela data a Secretaria da Receita Federal não havia se pronunciado a respeito de seu pleito administrativo, ajuizou ação ordinária na justiça federal sob. n 2 2005.38.00.0172322, em que requereu a declaração da inexistência de relação jurídica que obrigue a autora ao recolhimento da COFINS correspondente aos períodosbase de abril a setembro de 1999, em decorrência da imunidade constitucional e, em consequência, a condenação da ré na repetição do indébito dos valores indevidamente recolhidos”. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10680.013526/200514 Acórdão n.º 330201.563 S3C3T2 Fl. 258 3 A seguir, esclareceu que a isenção prevista no art. 6º, III, da Lei Complementar n. 70, de 1991, fora revogado pela MP n. 2.15835, de 2001, permanecendo apenas o isenção da MP n. 2.15835, art. 14, X, relativa às receitas oriundas das atividades próprias das entidades do art. 13, o que não abrangeria as receitas decorrentes de contribuições escolares, contribuições de expediente, contribuições de promoção, aulas de recuperação, aluguéis, renda de praça de esportes, juros, descontos, contribuições diversas e correção monetária sobre investimentos. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: Lavrouse contra o contribuinte identificado o Auto de Infração de fls. 02/11, relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, totalizando um crédito tributário de R$ 3.855.238,75, incluindo multa de ofício e juros moratórios, correspondente aos períodos especificados em fls. 03/05. A autuação ocorreu em virtude de falta de recolhimento da Cofins referentes às receitas não próprias, decorrentes de contribuições escolares, de alugueis, além das receitas financeiras e outras, por corresponderem à contraprestação dos serviços prestados pela entidade. O enquadramento legal encontrase citado em fls. 05. Segundo consta do Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 12/16, a associação não declarou em DCTF e tampouco fez recolhimentos da contribuição referente ao período de apuração de janeiro de 2000 a dezembro de 2001. Cientificado em 21/09/2005 (fls. 09), o interessado apresentou, em 19/10/2005, impugnação ao lançamento, conforme arrazoado de fls. 150/179, acompanhado dos documentos de fls. 180/197, com as suas razões de defesa assim resumidas: A impugnante é pessoa jurídica de direito privado, e segundo as novas exigências estabelecidas pela legislação citada pela autoridade autuante, passaria a sofrer a incidência da Cofins prevista na Lei Complementar 70/91, sobre as receitas que segundo a IN 247/2002 não são consideradas como “derivadas de atividades próprias”. Conforme se vê pelos atos constitutivos, ora anexados, a impugnante é entidade que presta exclusivamente serviços de assistência social e de educação, sendo beneficiária da imunidade constitucional prevista no art. 150, VI, “c” e 195, § 7º da CF/88. A impugnante preenche todos os requisitos para a fruição dos benefícios de imunidade tributária insculpidos na CF de 1988, eis que a própria fiscalização constatou tal evidência. Portanto, a impugnante é entidade beneficente dedicandose à atividade prevista na Constituição Federal como beneficiária de imunidade tributária e de contribuições para a seguridade social previstas no art. 150, VI, “c” e 195, § 7º. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 4 Desde a sua constituição a impugnante vem se beneficiando da imunidade tributária prevista na CF, sendo que os novos e inusitados contornos para o gozo do benefício traçado pela legislação em que se fundamenta o AI objeto da presente impugnação, são conflitantes com o dispositivo constitucional, causando óbices ao benefício imunitório em desacordo com o disposto na Carta Magna. Da mesma forma, a jurisprudência já é unânime no sentido de que as normas insculpidas no art. 195, § 7º, da Constituição Federal referemse à imunidade, e como tal a sua interpretação tem sentido amplo. Por outro lado, também a norma que regula a imunidade foi trazida ao mundo jurídico pela Lei Complementar nº 70/91, não podendo ser alterada por Medida Provisória. A Instrução Normativa nº 247/2002 ainda extrapola todos os limites quando define o que sejam “receitas vinculadas à atividade”. Atualmente a imunidade tributária garantida às entidades de educação e assistência social encontrase inserta no art. 150, VI, “c” da Constituição Federal promulgada em 05/10/1988,, na seção II, que trata “DAS LIMITAÇÕES DO PODER DE TRIBUTAR”. Na parte que diz respeito às contribuições sociais, o preceito imunitório encontrase insculpido no art. 195, § 7º da CF. Por outro lado, a Constituição vigente, repetindo a anterior, determina que as entidades favorecidas devem atender “os requisitos da lei”. No passado, essa parte final do preceito constitucional gerou entendimento equivocado, conforme se verá dos fundamentos a seguir, sendo que uma parte da doutrina defendia a possibilidade de serem fixados requisitos exigíveis dos imunes, por lei ordinária dos entes impositores. A prevalecer o duvidoso entendimento, qualquer legislador ordinário, na esteira de sua visão subjetiva, poderia criar e exigir requisitos vários, criando obstáculos ao reconhecimento da imunidade, dificultando e desvirtuando mesmo o benefício outorgado pela Lei Suprema. E, ainda, pretender a extravagância de alterar preceito de Lei Complementar, fato inadmissível face ao princípio da hierarquia das leis. A Cofins foi instituída pela LC 70/91, com a finalidade de financiar a seguridade social. Em seu art. 6º trata da isenção da contribuição para as entidades beneficentes de assistência social. Aqui não é feita qualquer restrição quanto a este tipo de benefício, apenas que se cumpram os requisitos legais. Entretanto, com o advento da MP 215835/01, são isentas da Cofins as receitas relativas às atividades próprias das entidades sem fins lucrativos. Percebese que o mencionado diploma legal restringe a isenção, excluindo do benefício aquelas receitas que não derivam das atividades próprias das entidades sem fins lucrativos. A CF/88, não autoriza a manutenção da tese de que a lei ordinária possa cumprir o papel de regular as imunidades , exigindo expressamente que tal regulação se dê por meio de Lei Fl. 3DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10680.013526/200514 Acórdão n.º 330201.563 S3C3T2 Fl. 259 5 Complementar, conforme se depreende do preceito insculpido no art. 146, II. É fácil concluir que a Constituição, ao conceder no art. 150, VI, “C”, imunidade aos partidos políticos, entidades sindicais de trabalhadores e entidades de educação e de assistência social, reduziu, mutilou, excepcionou a norma atributiva de poder, proibindo às pessoas políticas da Federação que fizessem incidir imposto sobre a renda, o patrimônio e os serviços daquelas pessoas imunes. No campo das contribuições sociais, o constituinte determinou da mesma forma que no tocante aos impostos, sendo interessante ressaltar que a redação do parágrafo 7º do art. 195 da CF de 1988, é expressa no sentido da isenção, entretanto, seguindo as regras de hermenêutica veremos que tal figura exonerava não é própria da constituição, e sim da legislação ordinária. Portanto, a interpretação que deve ser dada é de que a Carta Magna trata de imunidade também no tocante às contribuições sociais. A Medida Provisória nº 2.15835 acabou por revogar o art. 6º da LC 70/91 que foi veiculado por Lei Complementar, e posteriormente disciplinou a imunidade, impropriamente chamada de isenção, limitandoa às receitas derivadas de suas atividades próprias, colidindo frontalmente com os preceitos constitucionais. O raciocínio lógico nos conduz à interpretação de que também a impugnante se beneficia da imunidade estabelecida no art. 195, I, parágrafo 7º da CF/88, também no campo das contribuições sociais (que segundo o atual conceito constitucional, tem natureza tributária), sendo absolutamente inconstitucionais as alterações elencadas. O art. 146, II, da CF, estabelece que a regulamentação das limitações constitucionais ao poder de tributar é de competência de lei complementar. E a imunidade é uma forma de delimitar o âmbito de legislação tributária. Os requisitos necessários para que seja usufruído o benefício da imunidade pelas entidades sem fins lucrativos são os previstos no art. 14 do CTN. A atividade própria é aquela descrita em seu estatuto, que lhe permite angariar fundos para a manutenção de seu fim social, motivo pelo qual foi constituída. Todavia, a Receita Federal, por meio das INs/SRF 247 e 543/05, apresentou um conceito distinto para o termo receitas derivadas das atividades próprias das entidades sem fins lucrativos: aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 6 O conceito de instituição de assistência social foi explicitado, ficando evidenciado que a matéria já foi deslindada pelo poder judiciário em várias ocasiões, destacandose a célebre questão em que a imunidade das entidades fechadas de previdência primada foi discutida. Por força do magnífico voto do então Ministro do TRF, Ilmar Galvão, houve por bem acatar, aquele Colendo Pretório, a tese de que tais entidades fechadas eram instituições de assistência social, alargando a concepção restrita de entidade Filantrópica, para uma concepção mais lata. Não restam dúvidas de que a MP 215835 e demais dispositivos legais e regulamentares em que se fundamentou a fiscalização paga a emissão do Auto de Infração objeto da presente impugnação padecem de flagrantes e incontestáveis inconstitucionalidades formais e materiais na parte em que redefine, restringe e limita a ampla noção das entidades elencadas no art. 150, III, “c” e cria requisitos que restringem o alcance das imunidades asseguradas às entidades beneficentes, estabelecendo a incidência da Cofins sobre parte de suas receitas. É interessante salientar que conforme consta de sua contabilidade, a totalidade de suas receitas é aplicada na atividadefim da entidade. O art. 146, III, diz que cabe à lei complementar estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária especialmente definição de tributos, suas espécies, bem como em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuinte, obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributária, adequar o tratamento tributário ao ato cooperativo praticado pelas sociedades cooperativas. Então o regime jurídico dessas contribuições é o regime jurídico dos tributos. O art. 150, I, veda que a União, os Estados, os Municípios e o DF exijam ou aumentem tributos sem que a lei os estabeleça. Então, essas contribuições estão plenamente sujeitas ao princípio da legalidade, e também ao princípio da anterioridade, inc. II, a e b ... (ou ao § 6º do art. 195). O tema relativo à natureza jurídica das contribuições sociais também já não comporta maiores discussões, pois tanto a doutrina quanto a jurisprudência brasileiras, mormente depois da CF/1988, são unânimes em reconhecerlhes a natureza tributária. Do pedido: Requer o cancelamento das exigências contidas no auto de Infração, em vista dos fundamentos jurídicos e das provas carreadas aos autos, em especial com fulcro nas conclusões a seguir: a) o art. 195, § 7º, da CF, concede às entidades sem fins lucrativos imunidade às contribuições sociais, dentre elas a Cofins, desde que preenchidos os requisitos em lei. Estes requisitos, indiscutivelmente são aqueles presentes no art. 14 do CTN. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10680.013526/200514 Acórdão n.º 330201.563 S3C3T2 Fl. 260 7 b) A MP 2.15835/01 trouxe a isenção da Cofins apenas para as receitas relativas às atividades próprias das entidades, contrariando o dispositivo constitucional, pois restringe o conceito de imunidade previsto no texto magno. c) Ainda que por absurdo não seja reconhecida a inconstitucionalidade da restrição albergada pela MP 2.158 35/01, teríamos a inexigência da Cofins das entidades sem fins lucrativos apenas das receitas derivadas das atividades próprias das entidades sem fins lucrativos; d) A IN/SRF 247/02 definiu receitas derivadas de atividades próprias como aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais; e recentemente a IN/SRF 543/05 não só confirmou este conceito como também exigiu a apresentação do Dacon para as entidades sem fins lucrativos. Em virtude do Princípio da Estrita Legalidade em matéria tributária, resta evidente que IN/SRF 247/02 não tem a competência para trazer a definição do que seja receita decorrente da atividade das entidades sem fins lucrativos. Qualquer restrição feita por Instruções Normativas sem amparo legal padece de vício formal, devendo ser considerada ilegal, sem que produza efeitos. No recurso, alegou ser entidade imune à Cofins, repetindo as alegações da impugnação. Contestou, ainda, a definição de “receitas de atividade próprias” adotada pela Fiscalização. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. No presente processo, é indiscutível a caracterização da Interessada como entidade beneficente de assistência social, uma vez que o Decreto n. 4.524, de 2002, estabelece o seguinte em seu art. 46, parágrafo único, conforme destaques a seguir efetuados: Art. 46. As entidades relacionadas no art. 9º deste Decreto (Constituição Federal, art. 195, § 7º, e Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 13, art. 14, inciso X, e art. 17): I não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e II são isentas da Cofins com relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 8 Parágrafo único. Para efeito de fruição dos benefícios fiscais previstos neste artigo, as entidades de educação, assistência social e de caráter filantrópico devem possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos, de acordo com o disposto no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. Vale dizer, embora o art. 55 da Lei no 8.212, de 1992, regule o art. 195, § 7º, da Constituição, a legislação infralegal trata as entidades de educação que possuam o certificado de entidade beneficente de assistência social (fl. 46 dos autos) como isentas da Cofins somente em relação às suas atividades próprias. No caso, aplicase o art. 62 do Regimento Interno do Carf, aprovado pela Portaria MF no 256, de 2010, conforme abaixo destacado: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Portanto, a interpretação do Decreto de que a entidade seria restritamente isenta e não imune não pode ser afastada pelo Carf. O que se pode discutir e o que se discute, portanto, no âmbito do presente recurso é o conceito de atividades próprias, efetuado pela IN SRF no 247, de 2002. Para analisar a questão, valeme inicialmente do voto proferido no âmbito do Recurso no 123.425, muito embora lá se tenha discordado do entendimento do Regulamento do PIS/Pasep e Cofins: Ocorre que há duas situações distintas. Primeiramente, há a isenção prevista na MP n. 2.15835, de 2001, art. 14, X, que diz respeito às entidades relacionadas no art. 13: “Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: “I templos de qualquer culto; “II partidos políticos; “III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; “IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; “V sindicatos, federações e confederações; “VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; “VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; Fl. 7DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10680.013526/200514 Acórdão n.º 330201.563 S3C3T2 Fl. 261 9 “VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; “IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e “X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu § 1º da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971.” Outra situação é a da imunidade prevista no art. 195, § 7º, da Constituição Federal: “7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei.” A disposição, na realidade, caracteriza uma imunidade subjetiva, já que a regra de não incidência está prevista no texto constitucional. Dispõe o no art. 150, VI, c, da Constituição: “Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: “(...) “VI instituir impostos sobre: “(...) “c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei;” A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal firmouse no sentido de que as limitações do art. 150, VI, não se aplicam às contribuições sociais, uma vez que especificamente trata de impostos1. Ademais, sendo a Cofins contribuição incidente sobre o faturamento, não está abrangida por essa imunidade, que se refere apenas ao patrimônio, renda e serviços das entidades de assistência social. 1 EMENTA: Imunidade tributaria. Contribuições para o financiamento da seguridade social. Sua natureza jurídica. Sendo as contribuições para o FINSOCIAL modalidade de tributo que não se enquadra na de imposto, segundo o entendimento desta Corte em face do sistema tributário da atual Constituição, não estão elas abrangidas pela imunidade tributaria prevista no artigo 150, VI, "d", dessa Carta Magna, porquanto tal imunidade só diz respeito a impostos. Dessa orientação divergiu o acórdão recorrido. Recurso extraordinário conhecido e provido. (RE 141715 / PE. Relator(a): Min. MOREIRA ALVES. Publicação: DJ DATA25081995 PP26031 EMENT VOL0179705 PP00838.) Fl. 8DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 10 Portanto, para que seja imune à incidência da Cofins, a entidade deve ser de assistência social, nos termos do art. 195, § 7º, da Constituição e atender aos requisitos previstos em lei. No tocante à imunidade, a Lei n. 8.212, de 1991, encarregouse de dispor sobre as exigências, para sua fruição. A isenção a que se refere a MP n. 2.15835, de 2001, art. 14, aplicase às instituições de educação e de assistência social (art. 12 da Lei n. 9.532, de 10 de dezembro de 1997) e às instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações (art. 15 da Lei n. 9.532, de 1997). Dispõem os mencionados artigos: “Art. 12. Para efeito do disposto no art. 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição, considerase imune a instituição de educação ou de assistência social que preste os serviços para os quais houver sido instituída e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado, sem fins lucrativos. (Vide artigos 1º e 2º da Mpv 2.189 49, de 2001) “(...) “Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos. “§ 1º A isenção a que se refere este artigo aplicase, exclusivamente, em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, observado o disposto no parágrafo subsequente.” Portanto, o art. 12 definiu o que seriam as instituições de educação e as entidades de assistência social, para efeito da imunidade do art. 150, VI, c, da CF, enquanto que o art. 15 estabeleceu uma isenção para as entidades filantrópicas sem fins lucrativos. A MP n. 2.15835, de 2001, portanto, estendeu a isenção da Cofins às entidades relacionadas nos arts. 12 (imunes do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro) e 15 (isentas do imposto de renda e contribuição social sobre o lucro) da Lei n. 9.532, de 1997, sem distinguir as entidades beneficentes de assistência social abrangidas pela imunidade do art. 195, § 7º, da CF. Portanto, as entidades beneficentes de assistência social, que satisfaçam as exigências legais (art. 55 da Lei n. 8.212, de 1991) são imunes das contribuições sociais. Já as instituições de assistência social, que satisfaçam as exigências legais (art. 12 da Lei n. 9.532, de 1997) são isentas da Cofins, somente em relação às receitas próprias da atividade, ainda que não se enquadrem nas condições de imunidade. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10680.013526/200514 Acórdão n.º 330201.563 S3C3T2 Fl. 262 11 Há que se observar que o disposto no art. 17 da MP n. 2.15835, de 2001, não prejudicou a conclusão, pois o dispositivo referese à entidades beneficentes de assistência social, e não à instituição de assistência social. “Art. 17. Aplicamse às entidades filantrópicas e beneficentes de assistência social, para efeito de pagamento da contribuição para o PIS/PASEP na forma do art. 13 e de gozo da isenção da COFINS, o disposto no art. 55 da Lei no 8.212, de 1991.” [...] Já a entidade beneficente de assistência social, além dessas condições, deve ainda satisfazer os outros requisitos do art. 55 da Lei n. 8.212, de 1991. Antes da Lei n. 9.732, de 1998, deveria ser reconhecida como e utilidade pública federal ou estadual (ou municipal), portar o certificado de filantropia do CNAS, promover a assistência social beneficente, não remunerar os diretores e aplicar o resultado operacional na manutenção de seus objetivos. Com a Lei n. 9.732, de 1998, passou a ser exigida a condição de prestar gratuitamente seus serviços. [...] Em relação às disposições da Lei n. 9.732, de 1998, que alteraram o art. 55 da Lei n. 8.212, de 1991, foram apresentadas as ADI n. 2028 e 2036 ao Supremo Tribunal Federal, que se manifestou da seguinte forma, no julgamento da medida cautelar na ADI 20282: “EMENTA: Ação direta de inconstitucionalidade. Art. 1º, na parte em que alterou a redação do artigo 55, III, da Lei 8.212/91 e acrescentoulhe os §§ 3º, 4º e 5º, e dos artigos 4º, 5º e 7º, todos da Lei 9.732, de 11 de dezembro de 1998. Preliminar de mérito que se ultrapassa porque o conceito mais lato de assistência social e que é admitido pela Constituição é o que parece deva ser adotado para a caracterização da assistência prestada por entidades beneficentes, tendo em vista o cunho nitidamente social da Carta Magna. De há muito se firmou a jurisprudência desta Corte no sentido de que só é exigível lei complementar quando a Constituição expressamente a ela faz alusão com referência a determinada matéria, o que implica dizer que quando a Carta Magna alude genericamente a ‘lei’ para estabelecer princípio de reserva legal, essa expressão compreende tanto a legislação ordinária, nas suas diferentes modalidades, quanto a legislação complementar. No caso, o artigo 195, § 7º, da Carta Magna, com relação a matéria específica (as exigências a que devem atender as entidades beneficentes de assistência social para gozarem da imunidade aí prevista), determina apenas que essas exigências sejam estabelecidas em lei. Portanto, em face da referida jurisprudência desta Corte, em lei ordinária. É certo, porém, que há forte corrente doutrinária que entende que, sendo a imunidade uma limitação constitucional ao poder de tributar, 2 Relator: Min. Moreira Alves. Publicação: DJ DATA16062000 PP00031 EMENT VOL0199501 PP00150. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 12 embora o § 7º do artigo 195 só se refira a ‘lei’ sem qualificála como complementar e o mesmo ocorre quanto ao artigo 150, VI, ‘c’, da Carta Magna , essa expressão, ao invés de ser entendida como exceção ao princípio geral que se encontra no artigo 146, II (‘Cabe à lei complementar: .... II regular as limitações constitucionais ao poder de tributar’), deve ser interpretada em conjugação com esse princípio para se exigir lei complementar para o estabelecimento dos requisitos a ser observados pelas entidades em causa. A essa fundamentação jurídica, em si mesma, não se pode negar relevância, embora, no caso, se acolhida, e, em consequência, suspensa provisoriamente a eficácia dos dispositivos impugnados, voltará a vigorar a redação originária do artigo 55 da Lei 8.212/91, que, também por ser lei ordinária, não poderia regular essa limitação constitucional ao poder de tributar, e que, apesar disso, não foi atacada, subsidiariamente, como inconstitucional nesta ação direta, o que levaria ao nãoconhecimento desta para se possibilitar que outra pudesse ser proposta sem essa deficiência. Em se tratando, porém, de pedido de liminar, e sendo igualmente relevante a tese contrária a de que, no que diz respeito a requisitos a ser observados por entidades para que possam gozar da imunidade, os dispositivos específicos, ao exigirem apenas lei, constituem exceção ao princípio geral , não me parece que a primeira, no tocante à relevância, se sobreponha à segunda de tal modo que permita a concessão da liminar que não poderia darse por não ter sido atacado também o artigo 55 da Lei 8.212/91 que voltaria a vigorar integralmente em sua redação originária, deficiência essa da inicial que levaria, de pronto, ao nãoconhecimento da presente ação direta. Entendo que, em casos como o presente, em que há, pelo menos num primeiro exame, equivalência de relevâncias, e em que não se alega contra os dispositivos impugnados apenas inconstitucionalidade formal, mas também inconstitucionalidade material, se deva, nessa fase da tramitação da ação, trancála com o seu nãoconhecimento, questão cujo exame será remetido para o momento do julgamento final do feito. Embora relevante a tese de que, não obstante o § 7º do artigo 195 só se refira a ‘lei’, sendo a imunidade uma limitação constitucional ao poder de tributar, é de se exigir lei complementar para o estabelecimento dos requisitos a ser observados pelas entidades em causa, no caso, porém, dada a relevância das duas teses opostas, e sendo certo que, se concedida a liminar, revigorarse ia legislação ordinária anterior que não foi atacada, não deve ser concedida a liminar pleiteada. É relevante o fundamento da inconstitucionalidade material sustentada nos autos (o de que os dispositivos ora impugnados o que não poderia ser feito sequer por lei complementar estabeleceram requisitos que desvirtuam o próprio conceito constitucional de entidade beneficente de assistência social, bem como limitaram a própria extensão da imunidade). Existência, também, do "periculum in mora". Referendouse o despacho que concedeu a liminar, na ADIN 2028, para suspender a eficácia dos dispositivos impugnados nesta ação direta, ficando prejudicada a requerida na ADIN 2036.” Fl. 11DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10680.013526/200514 Acórdão n.º 330201.563 S3C3T2 Fl. 263 13 A decisão do STF foi a seguinte3: “Decisão: O Tribunal, por unanimidade, referendou a concessão da medida liminar para suspender, até a decisão final da ação direta, a eficácia do art. 1º, na parte em que alterou a redação do art. 55, inciso III, da Lei nº 8.212, de 24/7/1991, e acrescentoulhe os § § 3º, 4º e 5, bem como dos arts. 4º, 5º e 7º, da Lei nº 9.732, de 11/12/1998. Votou o Presidente. Ausente, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello. Plenário, 11.11.99.” Também reproduzo, para maior esclarecimento, a parte final do voto do Ministro Moreira Alves: “[...] Com efeito, a Constituição, ao conceder imunidade às entidades beneficentes de assistência social, o fez para que fossem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios auxiliados nesse terreno de assistência aos carentes por entidades que também dispusessem de recursos para tal atendimento gratuito, estabelecendo que a lei determinaria as exigências necessárias para que se estabelecessem os requisitos necessários para que as entidades pudessem ser consideradas beneficentes de assistência social. É evidente que tais entidades, para serem beneficentes, teriam de ser filantrópicas (por isso, o inciso II do artigo 55 da Lei 8.212/91, que continua em vigor, exige que a entidade “seja portadora do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social, renovado a cada três anos”), mas não exclusivamente filantrópica, até porque as que o são não o são para o gozo de benefícios fiscais, e esse benefício concedido pelo § 7° do artigo 195 não o foi para estimular a criação de entidades exclusivamente filantrópicas, mas, sim, das que, também sendo filantrópicas sem o serem integralmente, atendessem às exigências legais para que se impedisse que qualquer entidade, que praticasse atos de assistência filantrópica a carentes, gozasse da imunidade, que é total, de contribuição para a seguridade social, ainda que não fosse reconhecida como de utilidade pública, seus dirigentes tivessem remuneração ou vantagens, ou se destinassem elas a fins lucrativos. Aliás, são essas entidades – que, por não serem exclusivamente filantrópicas, têm melhores condições de atendimento aos carentes a quem o prestam – que devem ter sua criação estimulada para o auxílio ao Estado nesse setor, máxime em época em que, como a atual, são escassas as doações para a manutenção das que se dedicam exclusivamente à filantropia. “De outra parte, no tocante às entidades sem fins lucrativos educacionais e de prestação de serviços de saúde que não pratiquem de forma exclusiva e gratuita atendimento a pessoas carentes, a própria extensão da imunidade foi restringida, pois só gozarão desta ‘na proporção do valor das vagas cedidas 3 Sítio do STF na Internet: <http://www.stf.gov.br/Jurisprudencia/It/imagem1.asp?classe=ADI%2DMC&processo=2028&tipo=221&ORIGE M=IT&cod_classe=555&ministro=0&remonta=1&disco=22&pagina=149&contador=1&ementa=1995&tipo_cole cao=EMENTARIO> Acesso em 25/05/2005. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 14 integral e gratuitamente a carentes, e do valor do atendimento à saúde de caráter assistencial’, o que implica dizer que a imunidade para a qual a Constituição não estabelece limitação em sua extensão o é por lei. “5. Também ocorre, para a concessão da liminar, o requisito do ‘periculum in mora’, tendo em vista a circunstância de que inúmeras entidades deixarão de ser consideradas como entidades beneficentes de prestação de serviços de saúde e de educação, com danos irreparáveis para a coletividade carente que vem sendo atendida por elas. “6. Em face do exposto, e pelas razões expostas, voto no sentido de ser referendado o despacho do eminente Ministro Marco Aurélio que concedeu a liminar requerida, concessão esta que, por aproveitar à requerida na ADIN 2.036, torna prejudicada a pedida nesta.” Foram, portanto, duas as alegações fundamentais trazidas ao exame do STF: 1) inconstitucionalidade formal, por não se tratar de lei complementar, e 2) inconstitucionalidade material, por ter a lei limitado o conceito de assistência social, como definido pela Constituição. A redação atual do art. 55 da Lei n. 8.212, de 1991, é a seguinte: “Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: (Vide Lei nº 9.429, de 26.12.1996) “I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; “II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada pela Lei nº 9.429, de 26.12.1996) (Vide Medida Provisória nº 2.18713, de 24.8.2001) “III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) e (Vide Adin 20285, de 20.11.98) “IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; “V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) “§ 1º Ressalvados os direitos adquiridos, a isenção de que trata este artigo será requerida ao Instituto Nacional do Seguro Fl. 13DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10680.013526/200514 Acórdão n.º 330201.563 S3C3T2 Fl. 264 15 SocialINSS, que terá o prazo de 30 (trinta) dias para despachar o pedido. “§ 2º A isenção de que trata este artigo não abrange empresa ou entidade que, tendo personalidade jurídica própria, seja mantida por outra que esteja no exercício da isenção. “§ 3º Para os fins deste artigo, entendese por assistência social beneficente a prestação gratuita de benefícios e serviços a quem dela necessitar. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) “§ 4º O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) “§ 5º Considerase também de assistência social beneficente, para os fins deste artigo, a oferta e a efetiva prestação de serviços de pelo menos sessenta por cento ao Sistema Único de Saúde, nos termos do regulamento. (Incluído pela Lei nº 9.732, de 11.12.98) “§ 6o (Vide Medida Provisória nº 2.18713, de 24.8.2001)” Os dispositivos em negrito foram suspensos pela medida cautelar, inclusive o § 5º, que exigia, para as entidades que prestassem serviços de saúde, a prestação de no mínimo 60% ao Sistema Único de Saúde – SUS. A redação anterior do inciso III era a seguinte: “III promova a assistência social beneficente, inclusive educacional ou de saúde, a menores, idosos, excepcionais ou pessoas carentes;” No acórdão 20177.757, votei com a divergência, manifestada em declaração de voto da Eminente Conselheira Adriana Gomes Rêgo Galvão. A divergência assentouse na descaracterização, como assistência social, de prestação de serviços não gratuitos, conforme demonstra a reprodução abaixo da declaração de voto: “É de se observar que, não obstante a recorrente possuir certificado de filantropia, o mesmo não significa dizer que se trata de entidade beneficente de assistência social, pois a assistência social envolve, como a própria Constituição consagra, a universalidade do serviço (‘a quem dela precisar’) e a gratuidade do mesmo (‘independentemente de contribuição à seguridade social’), de forma que se a empresa cobra pelo serviço prestado, não se pode falar em assistência social, e, por conseguinte, tais receitas devem ser tributadas.” Essa questão está explicitada no inciso III e no § 3º do art. 55 da Lei n. 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei n. 9.732, de 1998, dispositivos esses que foram suspensos pela medida cautelar concedida pelo Supremo Tribunal Federal. Fl. 14DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 16 A questão tem os seguintes contornos: as disposições do art. 55 da Lei n. 8.212, de 1991, determinam que somente se caracterizam como de assistência social as entidades que prestem serviços gratuitos; tais disposições foram suspensas pelo STF, em razão de ter entendido que o conceito de assistência social contida na Constituição é mais amplo (conteúdo material); a questão formal, de que somente lei complementar poderia ter instituído as limitações, embora considerada tese relevante, não determinou a concessão da medida cautelar4. Reproduzo parte do voto do Ministrorelator, que evidencia o afirmado (http://www.stf.gov.br/Jurisprudencia/It/frame.asp?classe=ADI MC&processo=2028&origem=IT&cod_classe=555): “Entendo que, em casos como o presente, em que há, pelo menos num primeiro exame, equivalência de relevâncias, e em que não se alega contra os dispositivos impugnados apenas inconstitucionalidade formal, mas também inconstitucionalidade material, se deva, nessa fase da tramitação da ação, trancála com o seu nãoconhecimento, questão cujo exame será remetido para o momento do julgamento final do feito.” Nas restrições implementadas pela nova lei está a questão da obrigatoriedade da prestação de serviços gratuito, para que a entidade seja imune à Cofins. Portanto, a decisão do STF eliminou virtualmente as distinções que poderiam ser feitas, relativamente às duas situações analisadas, no que tange à gratuidade dos serviços (instituição de assistência social, isenta da Cofins, relativamente às receitas de atividades próprias; entidade beneficente de assistência social, imune à Cofins), permanecendo apenas os demais requisitos exigidos pela Lei n. 8.212, de 1991, que, no presente caso, são preenchidos pela recorrente, ao menos para parte do período objeto do pedido de restituição. A questão de mérito levantada nos presentes autos, portanto, está em discussão no Supremo Tribunal Federal, a quem caberá a última palavra. Se o Supremo Tribunal Federal decidir que as alterações da Lei n. 9.732, de 1998, são inconstitucionais, não se poderá negar o direito à restituição. Se decidir que são constitucionais, então a incidência da Cofins estaria correta, pois a isenção prevista na MP n. 2.15835, de 2001, não abrangeria as receitas de prestação de serviço. O que se conclui da análise acima é que a gratuidade não é condição para considerar uma entidade como “beneficente de assistência social”, tanto assim que as alterações da Lei no 9.732, de 1998, foram consideradas inconstitucionais. O fato é que, ainda que preste serviços de forma remunerada, a entidade pode ser considerada “beneficente de assistência social”. Portanto, não há como desqualificar a 4 Fl. 15DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10680.013526/200514 Acórdão n.º 330201.563 S3C3T2 Fl. 265 17 receita de atividade remunerada como “própria” da entidade, pelo fato de ser contraprestacional. Por força do Regimento Interno, não se pode afastar a interpretação de que as entidades de educação não são imunes mas apenas isentas da Cofins em relação às receitas de atividades próprias. Entretanto, sendo plenamente possível a apreciação dessa última matéria e não havendo definição legal do que seja “receita de atividade própria”, há que se afastar a interpretação contida na IN da Receita Federal, diante de tudo o que foi acima exposto. Por fim, devese citar o que já foi decidido pelo antigo 2o Conselho de Contribuintes e pela Câmara Superior de Recursos Fiscais em relação à Fundação Universidade do Vale do Itajaí no processo 10909.000846/0043: COFINS IMUNIDADE As entidades beneficentes que prestam assistência social no campo de educação, para gozarem da imunidade constante do parágrafo 7° do art. 195 da Constituição, devem atender ao rol de exigências determinado pelo art. 55 da Lei n°8.212/91. Recurso provido. (Ac. 20309.843) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS PERÍODO DE APURAÇÃO: 30/06/1994 a 31/01/1999 IMUNIDADE DAS ENTIDADES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. REQUISITOS. Anteriormente à Lei n" 9.732, de 1998, considerada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em medida cautelar que suspendeu parte de seus dispositivos, a legislação não exigia a gratuidade de todos os serviços das instituições de educação para terem direito à imunidade subjetiva do art. 195, § 7, da Constituição Federal. O certificado expedido pelo CNAS constitui prova da satisfação dos requisitos legais para a fruição da imunidade, que somente poderia ser elidida por contraprova especifica produzida pelo fisco. Recurso Especial do Procurador Negado (Ac. CSRF 0203.493) Dessa forma, em relação às receitas vinculadas à prestação de serviços de ensino, incide a isenção relativa às atividades próprias. Tais receitas referemse às mencionadas contribuições escolares, contribuições de expediente, contribuições de promoção e aulas de recuperação. Quanto às receitas financeiras, juros, descontos, contribuições diversas e correção monetária sobre investimentos, caberia sua exclusão à vista da inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo da Cofins promovida pelo art. 3º da Lei no 9.718, de 1998 Fl. 16DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 18 O art. 62 do novo Regimento Interno do Carf, Anexo II da Portaria MF nº 256, de 2009, dispõe o seguinte: Art. 62. [...] Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Dessa forma, se o STF já houver se pronunciado definitivamente pelo seu plenário a respeito da inconstitucionalidade de lei, o parágrafo único, I, do artigo acima citado permite que a aplicação da lei seja afastada. Em 15 de agosto de 2006, publicouse decisão do Pleno do STF no âmbito dos recursos extraordinários 357.950 e 358.273, transitada em julgado em 5 de setembro, que considerou inconstitucionais as alterações das bases de cálculo do PIS e da Cofins promovidas pela Lei nº 9.718, de 1998, art. 3º, § 1º. Quanto aos aluguéis e renda de praça de esportes, no entanto, não se trata de receitas de atividade própria, no sentido de que não se referem às atividade de educação. Tais receitas, ademais, enquadramse no conceito de faturamento, pois representam o produto de vendas não relacionados à educação. Vejase que o STF, no agravo regimental no RE n. 371258/SP (DJ 2710 2006 PP00059, VOL0225304 PP00722), decidiu o seguinte: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. COFINS. Locação de bens imóveis. Incidência. Agravo regimental improvido. O conceito de receita bruta sujeita à exação tributária envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Dessa forma, enquadramse no conceito de faturamento e não estão abrangidos pela isenção. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, mantendo o lançamento apenas em relação às receitas de aluguel e de locação de quadras. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 17DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10680.013526/200514 Acórdão n.º 330201.563 S3C3T2 Fl. 266 19 Voto Vencedor Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas, Redatora Designada Pedi vista dos autos para aprofundar a análise da questão. É cediço que a legislação referente às entidades sem fins lucrativos é um complexa pela sua quantidade de dispositivos, conceitos e diversidade de interpretações, tendo sido a matéria conceituada de forma particular pela Receita Federal (por meio de instruções normativas e respostas à consultas), pelo Supremo Tribunal Federal (em Ações Diretas de Inconstitucionalidades – ADI – e análise de Recursos Extraordinários) e pelas entidades sem fins lucrativos. Tratase de entidade sem fins lucrativos que exerce a atividade de educação, nos termos de seu estatuto social, a saber: “Conforme consta do Art. 1° de seu Estatuto Social, a Recorrente é "uma ASSOCIAÇÃO, de caráter beneficente, educacional, cultural, de assistência social e promoção humana", e tem por finalidade, nos termos do art. 4° do Estatuto Social: ‘Art. 4° A ASSOCIAÇÃO tem por finalidade, na medida de suas possibilidades: I) dedicarse à educação, ao ensino em todos os níveis e à difusão ilimitada das ciências, letras, artes, filosofia e religião, por todos os meios que oferece a palavra escrita, falada e exemplificada, e a imagem, inclusive os Meios de Comunicação Social, contribuindo para o desenvolvimento integral do ser humano; II) contribuir para a instrução, educação e promoção das pessoas, colaborando ou fundando e mantendo escolas, em todos os níveis, e outras práticas de educação e promoção humana; III) promover a assistência social através da proteção à família, à maternidade, à criança, ao adolescente, à juventude e à velhice, prestandolhes atendimento e amparo; IV) colaborar ou empreender movimentos ou eventos cívicos, sociais, religiosos, culturais, educacionais, artísticos, recreativos, esportivos e congêneres; V) promover a prática da solidariedade humana, moral e material, coordenando, incentivando e colaborando com ações, movimentos e atividades em favor de pessoas ou grupos em todos os níveis de desamparo, da infância à velhice.’” (Transcrição das fls. 218/219 dos autos destaquei.) Consta dos autos que a Recorrente possui todos os certificados e documentos comprobatórios do desempenho de sua atividade e do atendimento das finalidades sociais, posto que inexiste qualquer discussão acerca da regularidade de sua constituição e manutenção Fl. 18DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 20 como entidade sem fins lucrativos. Registro ainda que o próprio Conselheiro Relator registra esta condição “no profits” da entidade em questão, inclusive pontuando pela impossibilidade de raciocínio adverso. Desta forma, admito a premissa da forma como apresentada. A autuação pretende exigir a COFINS – Contribuição ao Financiamento da Seguridade Social, nos termos da Lei Complementar 70/91 (LC 70/91) e da Lei Ordinária nº 9.718/98, que seria supostamente devida e não recolhida sobre valores recebidos pela Recorrente a título de (a) contribuições escolares, contribuições de expediente, contribuições de promoção, aulas de recuperação; (b) alugueis, renda de praça de esportes e (c) receitas financeiras: juros, descontos, contribuições diversas e correção monetária sobre investimentos. Vários são os argumentos a serem analisados: (i) imunidade ou isenção; (ii) gratuidade obrigatória; (iii) conceito de atividade própria. (i) Imunidade ou Isenção A Recorrente apresentou longo arrazoado sobre a condição de imune da Recorrente, e toda a discussão doutrinária e jurisprudencial que alcança o § 7º do artigo 1955. Trouxe à baila as questões relativas à inconstitucionalidade formal e/ou material das leis ordinárias (especificamente da MP 2.15835, art. 14, inc. X) que, ao “regulamentar” o mencionado parágrafo 7º, teriam restringido a imunidade constitucional das entidades sem fins lucrativos. A despeito do posicionamento pessoal desta relatora, concordo com o d. Conselheiro Relator que lembrou que “Por força do Regimento Interno, não se pode afastar a interpretação de que as entidades de educação não são imunes mas apenas isentas da Cofins em relação às receitas de atividades próprias.” A questão atinente à constitucionalidade das Leis que dispõe sobre o assunto, não podem ser analisadas no foro administrativo, por expresso impedimento regimental. Trata se de entendimento sumulado neste Conselho, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Nestes termos, por estar impedida de analisar a constitucionalidade de leis que restrinjam o conceito de imunidade, acompanho a decisão do ilustre relator. Todavia, lembro que a tese, impossibilidade de lei ordinária restringir direito garantido constitucionalmente (inconstitucionalidade formal e material), é objeto de diversas Ações Diretas de Inconstitucionalidades – ADI, dentre elas a ADI 1.8023 DF, por meio da qual o Rel. Min. Sepúlveda Pertence suspendeu os §§ 1º e 2º, alínea ‘f’ do art. 12, caput do art. 13 e art. 14 da Lei nº 9.532/976 e a ADI 2.0285 e 2.0366, em que o Ministro Moreira Alves suspendeu os arts. 1º, 4º, 5º e 7º da Lei nº 9.732/98. 5 "Art. 195. (...) §7° São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei." 6 "Trecho do voto do Ilmo. Min. Sepúlveda Pertence, que concedeu a medida liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 1.80203: (...) Inconstitucionalidade formal, porque a norma atinente à delimitação do objeto da imunidade supera a alçada à Lei Ordinária e se reserva segundo o parâmetro do precedente acolhido à Lei Complementar. Fl. 19DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10680.013526/200514 Acórdão n.º 330201.563 S3C3T2 Fl. 267 21 (ii) Da Gratuidade Obrigatória Outra razão que justificou a autuação foi o entendimento, pelos agentes fiscais, de que a atividade desenvolvida pela Recorrente teria que ser obrigatoriamente gratuita (aplicação da Instrução Normativa – IN/SRF – 247/02). Nos termos da mencionada IN, o fato de parte de seus serviços ser remunerado, de existir uma contraprestação, seria razão para a incidência contribuição à COFINS. Define a Instrução Normativa n° 247/2002 em seu art. 47, verbis: "Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9° desta Instrução Normativa: (...) II são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. (...) § 2° Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais." – destaquei. O posicionamento que tenho externado em outros julgados similares7 está de acordo com a conclusão apresentada pelo ilustre Relator. Assim como se verifica do voto do d. Conselheiro, o entendimento apresentado é pela possibilidade de a entidade sem fins lucrativos desenvolver atividades remuneradas, isto é, obter uma contraprestação por parte de seus Mas ao primeiro exame há também a constitucionalidade material: "rendimentos e ganhos de capital em aplicações financeiras" são renda, alcançados, depois, pela imunidade constitucional, quando beneficiada dela a instituição imune e, portanto, não suvtraíveis, sequer por lei complementar, do âmbito da vedação constitucional de tributar. Uma das informações prestadas questiona (sic) é se as aplicações do mercado financeiro são atividades próprias de instituição beneficiente sem finalidade lucrativa. Como antes ficou dito, o que descaracteriza, para o fim da imunidade, a instituição de fins não lucrativos não é que ela possa ter resultados financeiros positivos, mas, sim, que se destine a distribuir esses resultados como lucros a seus associados. Esse o quadro, defiro parcialmente a cautelar para o fim de suspender, até a decisão final da ação direta, a vigência do §1º e da alínea 'f' do §2º, ambos do art. 12, além dos art.13, caput, e 14, da Lei 9.532/97, indeferindoa quanto mais." 7 RE 130.378 Relatora Conselheira Fabiola Cassiano Keramidas "COFINS – ENTIDADE SEM FINS LUCRATIVOS – ATIVIDADE DE ENSINO – CONCEITO DE ATIVIDADE PRÓPRIA As entidades sem fins lucrativos estão isentas do recolhimento da COFINS sobre a sua atividade própria (MP 2.15835, art. 14, inc. X, c/c o art. 13, inc. IV e Decreto 4.524/02, artigo 46, inc. II, parágrafo único). Devese entender como atividade própria todos os valores que são aplicados no desenvolvimento da atividade da entidade sem fins lucrativos. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI Nº 9.718/98 IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO A Lei nº 9.718/98 já foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal – STF. Não é possível considerar devida, pelo contribuinte, contribuição decorrente de lei nula. RECURSO PROVIDO." Fl. 20DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 22 serviços. O ilustre Conselheiro fundamenta seu posicionamento na decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal nos autos da ADI 20285 (Ação Direta de Inconstitucionalidade), que suspendeu a eficácia dos dispositivos legais que descaracterizavam, como fins lucrativos, as entidades que prestavam serviço remunerado, quais sejam: arts. 1º, 4º, 5º e 7º da Lei nº 9.732/98. O entendimento da Suprema Corte – como não poderia deixar de ser – é no sentido de que as entidades filantrópicas podem e devem ter outra receita além daquela decorrente de doações, conforme voto proferido pelo Ministro Moreira Alves na mencionada ADI, verbis: “É evidente que tais entidades, para serem beneficentes, teriam de ser filantrópicas (por isso, o inciso II do artigo 55 da Lei 8.212/91, que continua em vigor, exige que a entidade “seja portadora do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social, renovado a cada três anos”), mas não exclusivamente filantrópica, até porque as que o são não o são para o gozo de benefícios fiscais, e esse benefício concedido pelo § 7° do artigo 195 não o foi para estimular a criação de entidades exclusivamente filantrópicas, mas, sim, das que, também sendo filantrópicas sem o serem integralmente, atendessem às exigências legais para que se impedisse que qualquer entidade, que praticasse atos de assistência filantrópica a carentes, gozasse da imunidade, que é total, de contribuição para a seguridade social, ainda que não fosse reconhecida como de utilidade pública, seus dirigentes tivessem remuneração ou vantagens, ou se destinassem elas a fins lucrativos. Aliás, são essas entidades – que, por não serem exclusivamente filantrópicas, têm melhores condições de atendimento aos carentes a quem o prestam – que devem ter sua criação estimulada para o auxílio ao Estado nesse setor, máxime em época em que, como a atual, são escassas as doações para a manutenção das que se dedicam exclusivamente à filantropia. (...)” – destaquei. Ainda, a interpretação pretendida pela Secretaria da Receita Federal vai de encontro com a própria legislação, que não apenas vislumbra a possibilidade de a entidade obter receitas, como prevê a destinação que estas receitas deverão ter. Neste está raciocínio o Ilmo. Min. Sepúlveda Pertence, ao analisar a ADI nº 1.80203, interposta contra dispositivo de lei que pretendeu tributar as receitas financeiras das entidades sem fins lucrativos, a saber: “A objeção de que as instituições de saúde de fins não lucrativos – objeto das normas discutidas – não integrariam categoria econômica é de recusar: conforme a própria característica de “entidades sem fins lucrativos” constante do art. 3º do art. 12 da lei questionada – “a que não apresente superavit em suas contas, ou caso os apresente em determinado exercício, destine o referido resultado integralmente ao incremento de seu ativo imobilizado” – faz claro que não as descaracteriza o exercício da atividade econômica, desde que o saldo positivo não se converta em lucro a ser distribuído aos associados.” – destaques no original, grifos meus. Fl. 21DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10680.013526/200514 Acórdão n.º 330201.563 S3C3T2 Fl. 268 23 A meu sentir, é mais do que claro que, ao complementar a função do Estado, as entidades sem fins lucrativos, desenvolvem papel importantíssimo para a sociedade, correspondente à uma contribuição muito maior do que o tributo que deixaram de recolher. É uma atividade imprescindível e que, exatamente por isso, é – e tem que ser incentivada, sendo defeso à administração pública restringir direito constitucional e legalmente garantido. Neste sentido, tomo as sempre precisas lições de outro Conselheiro desta casa, Fernando da Gama Lobo D‘Eça8, a saber: “Sob o ponto de vista subjetivo de sua aplicação concreta, verificase que a imunidade tributária é concedida ‘intuitu personae’ às instituições de educação, de saúde e de assistência social sem fins lucrativos e, por consubstanciar uma exceção aos princípios da generalidade, da igualdade, da uniformidade e da universalidade da tributação, somente se justifica sob o primordial ‘interesse público’ existentes nas atividades e serviços por ela desenvolvidos e desinteressadamente prestados à coletividade, nas respectivas áreas sociais de atuação (saúde, educação, assistência social, cultura, habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência, desenvolvimento científico,artístico e tecnológico, desporto e lazer, etc) que, por corresponderem ao atendimento de ‘direitos sociais’ assegurados pela Constituição, o Estado tem o dever de prestar e de estimular (arts. 194,196, 205, 206, 208 e 215 a 218 da CF/88) e, se viesse a prestar com a mesma amplitude e eficiência do setor privado, ou a subvencionar na mesma medida, como deveria, incorreria em custos muito superiores ao valor da tributação inibida.” – destaquei. Ante o exposto, concordo com o Ínclito Conselheiro Relator que reconheceu a suspensão dos dispositivos legais que permitiam à administração pública tributar as receitas advindas da contraprestação de serviços das entidades sem fins lucrativos. (iii) Do Conceito de Atividade Própria Por fim, justifica a autuação a conceituação realizada pela fiscalização de atividade própria das entidades sem fins lucrativos. Para melhor compreensão, passo a apresentar brevemente a evolução histórica da legislação. A não incidência da COFINS em relação às atividades próprias das associações sem fins lucrativos já existia quando da vigência da contribuição ao FINSOCIAL, criada pelo DecretoLei nº 1.940/82. O Regulamento trazido pelo Decreto nº 92.698/86, retirava do campo de incidência do FINSOCIAL as receitas de operações próprias daquelas entidades, posto que as mesmas não se situavam no conceito de empresa a que se refere a citada matriz legal do FINSOCIAL. Com a declaração de inconstitucionalidade da contribuição ao FINSOCIAL e a conseqüente instituição da COFINS pela Lei Complementar nº 70/91, algumas dúvidas 8 in "PIS e COFINS à luz da jurisprudência do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais", MP Editora, artigo "Aspectos Constitucionais das Contribuições Sociais Incidentes Sobre a Receita e o Faturamento das Empresas", fls. 185/186. Fl. 22DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 24 surgiram a respeito da incidência da COFINS em relação às receitas das associações, sindicatos, federações e confederações, organizações reguladoras de atividades profissionais e outras entidades classistas. Para dirimir tais dúvidas foi editado, pela Secretaria da Receita Federal SRF, o Parecer Normativo nº 05/92, que esclareceu que a COFINS (instituída e aplicável de acordo com as disposições contidas na Lei Complementar nº 70/91) não incidia sobre as contribuições, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatutos das entidades sem fins lucrativos. Entretanto, o mesmo Parecer previu em seu item 6 que são incluídas, na base de cálculo da referida contribuição, as receitas decorrentes de prestação de serviço e/ou venda de mercadorias, mesmo que exclusivamente para seus associados. No ano de 1999, foi publicada a Medida Provisória nº 1.856 (29/06/99), posteriormente convertida na Medida Provisória nº 2.15835/01 (24/08/01), a qual em seu artigo 14, inciso X9, tratava especificamente da isenção da COFINS às atividades próprias das entidades sem fins lucrativos, referidas no artigo 13 daquele mesmo dispositivo legal (dentre elas, as associações civis). O dispositivo, por determinação legal, foi aplicado aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999. No âmbito administrativo, na intenção de complementar o entendimento da Secretaria da Receita Federal (PN nº 05/92), editouse a já mencionada Instrução Normativa SRF nº 247/02, a qual estabelece que define receita de atividade própria as receitas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades, e exclui deste conceito as receitas de caráter contraprestacional, a saber: “Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9º 10 desta Instrução Normativa: I – não contribuem para o PIS/Pasep incidente sobre o faturamento; e 9 A Medida Provisória n° 1.8586, de 1999, e reedições (redação final MP 2.15835), assim dispôs em seu art. 14: "Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1° de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13." (Grifouse) O art. 13 citado, aponta essas entidades: “Art. 13. 1 templos de qualquer culto; II partidos políticos; III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei No 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei No 9.532, de 1997; V sindicatos, federações e confederações; VI serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; VII conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; IX condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; e X a Organização das Cooperativas Brasileiras OCB e as Organizações Estaduais de Cooperativas previstas no art. 105 e seu §1º da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971." 10 Art. 9º São contribuintes do PIS/Pasep incidente sobre a folha de salários as seguintes entidades: ...omissis... IV – instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, que preencham as condições e requisitos do art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997; (...) Fl. 23DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10680.013526/200514 Acórdão n.º 330201.563 S3C3T2 Fl. 269 25 II – são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. (...) § 2º Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembléia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais.” – destquei. Assim, conforme o supra transcrito artigo e de acordo com o entendimento que vem sendo apresentado pelos Agentes Fiscais, este confirmado pela decisão de primeira instância administrativa11, a isenção da COFINS para as entidades sem fins lucrativos abrangeria apenas as receitas descritas nos termos da Instrução Normativa. As demais receitas auferidas pelas entidades sem fins lucrativos, incluindo àquelas de caráter contraprestacional ou financeiro, mesmo que estejam voltadas ao desenvolvimento do objeto social da entidade, sujeitamse ao recolhimento da COFINS. Desta forma, pareceme claro que o citado artigo da IN 247/02 alterou (na medida em que restringiu) o benefício tributário de isenção concedido às entidades sem fins lucrativos pelo artigo 14, inciso X, da Medida Provisória nº 2.15835/01 (i.e. isenção em relação às receitas de atividades próprias). Todavia, tal restrição não pode ser levada a efeito, uma vez que, nos termos do artigo 111, inciso II, do Código Tributário Nacional (CTN) a legislação tributária que dispõe sobre isenção deve ser interpretada de forma literal. Ademais, retirar o benefício fiscal resulta em criar exação, o que gera a conseqüência de criar tributo por instrução normativa, o que também não é possível. In casu, a Recorrente é entidade educacional, voltada única e exclusivamente à atividade de educação, o que foi comprovado por seu contrato social e pela própria fiscalização, que não fez qualquer ressalva a este respeito. Registrese que a autuação alcançou as receitas decorrentes de (a) contribuições escolares, contribuições de expediente, contribuições de promoção, aulas de recuperação; (b) alugueis, renda de praça de esportes e (c) receitas financeiras: juros, descontos, contribuições diversas e correção monetária sobre investimentos. Necessário mencionar que todos os valores autuados foram aplicados no desenvolvimento das atividades da própria entidade. No que se refere às receitas mencionadas no item (a), em vista do objeto social da entidade, não resta dúvida de que são receitas decorrentes do exercício da atividade da Recorrente. 11 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2001 Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembleia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. A argüição de ilegalidade e de inconstitucionalidade não é oponível na esfera administrativa por transbordar os limites da sua competência. Lançamento Procedente Fl. 24DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 26 Em relação ao item (b), receitas de aluguel, em vista do disposto no estatuto social a título de objeto social, não vejo como interpretar os valores como sendo decorrentes de atividade própria. No que se refere ao item (c), receitas financeiras, entendo que, por sua vez, não implicam exercício de atividade diversa daquela própria da associação, constituindo mero mecanismo para a boa gestão dos ativos da entidade de modo a ensejar o cumprimento das suas finalidades12. Melhor explicando, ainda que as receitas da Recorrente sejam provenientes de aplicações financeiras, entendoas vinculadas ao objetivo social da entidade sem fins lucrativos, mesmo porque oriundas dos cursos ou doações recebidas. No meu entender, tratase de acessório do principal, e se o principal é isento, da mesma forma não se deve tributar o acessório. Caso assim não fosse, as entidades seriam obrigadas a ficar com seu capital estagnado, sem aproveitar de simples aplicações financeiras que têm como objetivo único e exclusivo aumentar o capital já existente e que será investido na própria entidade. Neste caso estarseia tratando de irresponsabilidade do gestor administrativo da entidade. Em relação a esta forma de interpretação, cito decisão proferida pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região Fiscal (Porto Alegre – RS): “TRIBUTÁRIO. COFINS. ASSOCIAÇÕES SEM FINS LUCRATIVOS. ATIVIDADES PRÓPRIAS. ISENÇÃO. Os arts. 13 e 14, inciso X, da MP 2.158/2001 c/c art. 15 da Lei 9.532/97 outorgam isenção da COFINS relativamente às receitas de associações sem fins lucrativos oriundas das atividades próprias das entidades. Serviços atinentes ao cumprimento das finalidades estatutárias se inserem dentre as atividades próprias da entidade. (AMS 2004.71.01.0010553/RS, Acórdão 875854 de 25/10/05)” (grifos nossos) (iv) Da Tributação pela Lei nº 9.718/98 Como se não bastasse, há ainda a questão de que todos os valores restantes nesta autuação se referem ao alargamento da base de cálculo realizado pela Lei 9718/98, já considerada inconstitucional pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal. Realmente, é do domínio público, “ao julgar os RREE 346.084, Ilmar; 357.950, 358.273 e 390.840, Marco Aurélio, Pleno, 9.11.2005 (Inf./STF 408), o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei 9.718/98, por entender que a ampliação da base de cálculo da COFINS por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal, ainda vigente ao ser editada a mencionada norma legal”, redação esta anterior a EC nº 20/98 (cf. Ac. da 1ª Turma do STF no Ag.Reg. no RE nº 330.226 PR, em sessão de 23/05/06, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, publ. in DJU de 16/06/06, pág. 17 EMENT VOL0223703 PP00481; Ac. da 1ª Turma do STF nos Emb. Dec. no RE nº 368.468PR, em sessão de 23/05/2006, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, publ. in DJU de 23062006, pág. 52 EMENT VOL0223803 PP00428; Ac.da 1ª Turma nos Emb. Dec. no RE 12 Parte da decisão proferida nos autos da Apelação em Mandado de Segurança nº 2004.71.01.0010553/RS, Acórdão 875854 de 25/10/05, TRF 4ª Região, Relator: Juiz Federal Leandro Paulsen. Fl. 25DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10680.013526/200514 Acórdão n.º 330201.563 S3C3T2 Fl. 270 27 nº 410.691MG, em sessão de 23/05/2006, Rel. Min. SEPÚLVEDA PERTENCE, publ. in DJU de 23/06/2006, pág. 52, EMENT VOL0223803 PP00538). Parafraseando o Conselheiro Fernando Lobo D’Eça cito “Por seu turno, analisando os efeitos reflexos da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 sobre os lançamentos fiscais, o E. STJ recentemente esclareceu que “a inconstitucionalidade é vício que acarreta a nulidade ex tunc do ato normativo, que, por isso mesmo, já não pode ser considerado para qualquer efeito” e, “embora tomada em controle difuso, a decisão do STF tem natural vocação expansiva, com eficácia imediatamente vinculante para os demais tribunais, inclusive para o STJ (CPC, art. 481, § único), e com a força de inibir a execução de sentenças judiciais contrárias (CPC, art. 741, § único; art. 475 L, § 1º, redação da Lei 11.232/05). Afastada a incidência do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, que ampliou a base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, é ilegítima a exação tributária decorrente de sua aplicação. Conseqüentemente, a base de cálculo das referidas contribuições continua sendo a definida pela legislação anterior, nomeadamente a LC 70/91 (art. 2º), por decorrência da qual o conceito de faturamento tem sentido estrito, equivalente ao de receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, conforme reiterada jurisprudência do STF”. (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no RESP nº 828.106SP, Reg. nº 200600690920, em sessão de 02/05/06, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, publ. in DJU de 15/05/06, pág. 186) Consubstanciando atividade essencialmente realizadora do Direito, inteira mente vinculada e subordinada ao princípio da legalidade do tributo (art. 150, inc. I da CF/88; arts. 97 e 142 do CTN), a atividade administrativa do lançamento tributário necessariamente há de conformarse com a Constituição e com a interpretação que lhe empresta a Suprema Corte, só podendo se efetivar nas condições e sob os pressupostos estipulados em lei válida, donde decorre que ante a formal declaração de inconstitucionalidade ou invalidade da lei pela Suprema Corte, deslegitimamse todos os lançamentos fundados nas referidas disposição e base de cálculo inconstitucionais (§ 1º do art. 3º da Lei 9.718/98); em suma, são ilegítimos todos os lançamentos que refujam às base de cálculos do COFINS e PIS/PASEP adotadas pela legislação anterior e ao conceito de faturamento em sentido estrito por ela adotado e equivalente à receita bruta decorrente de vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços, ou de serviços de qualquer natureza.” No caso concreto verificase que as acusações fiscais do lançamento fiscal excogitado, se fundamentam na disposição legal inconstitucional e versam sobre receitas não operacionais (“receitas financeiras e receita de aluguel”) que se inserem na base de cálculo julgada inconstitucional, o que, nos termos da Jurisprudência citada “torna ilegítima a exação tributária decorrente de sua aplicação”. Ainda, na hipótese de entenderse que nenhuma receita autuada referese à atividade da Recorrente, conseqüência inevitável seria entendêlas, também, não operacionais e, portanto, excluídas da base de cálculo do PIS e Cofins. Em face do exposto, peço vênia para divergir parcialmente do ilustre relator para o fim de dar provimento ao recurso voluntário, para que seja reformada a r. decisão proferida pela DRJ porque (i) não há impedimento de as entidades sem fins lucrativos prestarem serviços remunerados; (ii) as receitas estão abarcadas pelo conceito de atividade própria da Recorrente e (iii) a exação é inconstitucional e já foi desta forma declarada pelo Fl. 26DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO 28 STF, sendo inadmissível manterse cobrança fundada em norma nula; devendo ser cancelado o auto de infração lavrado contra a Recorrente. É como voto. (Assinado digitalmente) Fabiola Cassiano Keramidas Fl. 27DF CARF MF Impresso em 16/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 04/06/20 12 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Ass inado digitalmente em 08/05/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Numero do processo: 13818.000094/2001-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 18 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jun 18 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES
Período de apuração: 01/01/1990 a 31/03/1992
Ressalvada a opinião deste Conselheiro, é pacifica jurisprudência do Terceiro Conselho de Contribuintes no sentido de que o prazo para pleitear restituição do Finsocial recolhido em montante superior a 0,5% encerrou-se no dia 31 de
agosto de 2000.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
Numero da decisão: 3201-00208
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Anelise Daudt Prieto, que afastou a decadência relativa aos fatos geradores ocorridos após 30/07/1991.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
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RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2' Câmara / P Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Anelise Daudt Prieto, que afastou a decadência relativa aos fatos geradores ocorridos após 30/07/1991. UIS ARCELO GUERRA DE CASTRO Presidente e Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nanci Gama, Nilton Luiz Bartoli, Vanessa Albuquerque Valente, Heroldes Bahr Neto, Irene Souza da Trindade Torres e Celso Lopes Pereira Neto. 1 Processo n° 13818.000094/200143 S3-C2T1• Acórdão n.° 3201-00.208 A. 99 Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que deu suporte à decisão recorrida, que passo a transcrever: Trata-se de Pedido de Restituição de fl. 01, protocolado em 13/07/2001, no valor de R$ 10.214,49, correspondente a recolhimentos feitos a título de Contribuição para o Fundo de Investimento Social — Finsocial, relativos aos períodos de apuração janeiro/1990 a março/1992, conforme planilha de cálculo à fl. 04. Ao direito creditório postulado, a contribuinte vinculou débitos tributários mediante apresentação de pedidos e/ou declarações de compensação neste processo e em dois outros — n° 13818.000314/2002-10 e 13818.000315/2002-64 — que a este estão apensados. A DRF em Santo André emitiu o Despacho Decisório de fls. 55/57, indeferindo o pedido de restituição e não homologando as compensações dos débitos, sob a fundamentação de que: • Inexistem indébitos a restituir, visto que a declaração de inconstitucionalidade da majoração das aliquotas do FINSOCIAL foi proferida pelo STJ em sede de controle difuso, com eficácia inter pars, não sendo o contribuinte parte daquela lide; • Além da inexistência de recolhimentos indevidos, na data da protocolização do presente já tinha ocorrido a extinção do direito a pleitear a restituição dos recolhimentos em questão, nos termos do Ato Declaratório SRF n°96, de 26/11/1999. Cientificado desse despacho em 28/06/2006 (fl. 60-verso), a interessada apresentou manifestação de inconformidade em 24/07/2006 (lh. 61/74), na qual alega, em síntese: • Como não houve publicação da Resolução do Senado para que se conferisse efeito erga omnes à declaração de inconstitucionalidade do FINSOCIAL, editou-se a MP n° 1.110/95 para regular o assunto. Posteriormente, a MP n° 1.621/98 alterou o conteúdo daquela MP, deixando de constar óbice à restituição dos valores em tela pelo contribuinte. Portanto, somente a partir de 1998 iniciou-se a contagem do prazo para pedir essa restituição; • Há ainda decisões que consideram que a contagem do referido prazo teve início com a publicação da Instrução Normativa SRF n°31/97; • Conforme entendem a doutrina e a jurisprudência, a extinção do crédito tributário operar-se-ia com a homologação 67 2 Processo n° 13818.000094/2001-43 S3-C2T1• Acórdão n°3201-00.208 Fl. 100 do lançamento, o que, na prática, resultaria num prazo de dez anos: cinco para a homologação tácita e mais cinco para o exercício do direito à restituição de recolhimento indevido; • O disposto no artigo 3° da Lei Complementar n° 118/2005 somente pode ser aplicado a situações que venham a ocorrer a partir de sua vigência; • Requer a manutenção das vincula ções dos débitos compensados ao presente processo, para que restem suspensos nos termos do artigo 17, §11, da Lei n°11.833/03. Ponderando tais argumentos e as demais razões expostas no voto condutor do acórdão recorrido, decidiu o órgão julgador de P instância pelo indeferimento integral do pedido de restituição/compensação, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/1990 a 31/03/1992 RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. EXTINÇÃO DO DIREITO. O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data do pagamento. Rest./Ress. Indeferido. Compensação não homologada Mantendo sua irresignação, comparece o sujeito passivo mais uma vez aos autos para, em sede de recurso voluntário, sinteticamente, reiterar as razões de inconformidade formuladas por ocasião da instauração da fase litigiosa É o Relatório. sC42 3 Processo n° 13818.000094/2001-43 S3-C2T1 Acórdão n°3201-00.208 Fl. 101 Voto Conselheiro LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Relator O recurso é tempestivo e trata de matéria afeta à competência desta Terceira Seção. Dele se deve tomar conhecimento, portanto. A matéria é há muito conhecida deste Colegiado, onde se consolidou um norte jurisprudencial no sentido de que, independentemente da modalidade de controle da constitucionalidade, considera-se como inicio da contagem do prazo prescricional a data da ' publicação da lei que dispense os agentes públicos de adotar providências tendentes à cobrança dos tributos declarados inconstitucionais. Vislumbra-se, nessa medida, ao meu ver voltada para a organização da administração tributária, um ato de reconhecimento da ilegalidade da exação, ou, por via indireta, do próprio indébito, igualmente capaz de irromper nova fluência do prazo prescricional, por meio de renúncia tácita à prescrição. Nessa linha, no que se refere à restituição do Finsocial cobrado em aliquota superior a 0,5%, a posição majoritária é a que define como dies a quo do prazo decadencial a edição da medida provisória n° 1.110, de 30/08/1995, publicada no Diário Oficial da União de 31/08/1995, em cujo art. 17, III se lia: Art. 17. Ficam dispensados a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Dívida Ativa da União, o ajuizamento da respectiva execução fiscal, bem assim cancelados o lançamento e a inscrição, relativamente: iii - à contribuição ao Fundo de Investimento Social - FINSOCIAL, exigida das empresas comerciais e mistas, com fulcro no artigo 9' da Lei n° 7.689, de 1988, na aliquota superior a 0,5% (meio por cento), conforme Leis es 7.787, de 30 de junho de 1989, 7.894, de 24 de novembro de 1989, e 8.147, de 28 de dezembro de 1990; A meu ver, o dies a quo da contagem do prazo outorgado ao sujeito passivo para pleitear reátituição se inicia no momento da extinção do crédito, pelo seu pagamento. Incidindo, na hipótese, o art. 168 do CTN (Lei n°5.172, de 1966), que diz: Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: 1 - nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; De se notar, nessa esteira, que, qualquer que fosse a metodologia de contagem do prazo prescricional (seguida por este relator ou adotada pela 3' Câmara), quando 4 , • Processo n° 13818.000094/2001-43 S3-C2T1 Acórdão n°3201-00.208 Fl. 102 da formalização do presente processo: 04/07/2001, o prazo prescricional já se encontrava encerrado. Com essas considerações, acosto meu voto ao do i. relator a guo, que adoto independentemente de transcrição e me posiciono pela improcedência do recurso voluntário. Sala das Sessões, em 18 de junho de 2009 LUIS MAÇCaEL-0 1?—A DE CASTRO - Relator
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Numero do processo: 19679.002452/2003-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Sat Jun 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1998
ESTIMATIVA NÃO RECOLHIDA.EXIGÊNCIA:
Aplica-se in casu a Súmula CARF nº 82, cujo verbete dispõe que: Após o encerramento do ano-calendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas
Numero da decisão: 1302-001.093
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
EDUARDO DE ANDRADE - Presidente.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade (presidente da turma), Márcio Frizzo, Guilherme Pollastri, Luiz Tadeu Matosinho, Paulo Cortez e Alberto Pinto.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. EDUARDO DE ANDRADE - Presidente. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade (presidente da turma), Márcio Frizzo, Guilherme Pollastri, Luiz Tadeu Matosinho, Paulo Cortez e Alberto Pinto.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. EDUARDO DE ANDRADE Presidente. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade (presidente da turma), Márcio Frizzo, Guilherme Pollastri, Luiz Tadeu Matosinho, Paulo Cortez e Alberto Pinto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 9. 00 24 52 /2 00 3- 32 Fl. 362DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Versa o presente processo sobre recursos de ofício e voluntário em face do Acórdão n˚ 1634.211 da 3ª Turma da DRJ/SP1, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 FALTA DE PAGAMENTO DO PRINCIPAL. DCTF. ERRO DE FATO. NÃO COMPROVAÇÃO DA COMPENSAÇÃO INDICADA. Restou evidenciado nos autos que o contribuinte equivocouse ao preencher a DCTF. Expurgados os erros, detectáveis pela análise das DCTFs e da DIPJ relativas ao anocalendário sob análise, resta valor apagar em razão da não demonstração da efetividade da compensação dos débitos restantes com crédito líquido e certo, cuja comprovação incumbe, in casu, ao sujeito passivo, que deu causa às discrepâncias. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1998 MULTA DE OFÍCIO. EXONERAÇÃO. ACRÉSCIMOS LEGAIS. DEVIDOS. MULTA E JUROS DE MORA. Tendo em vista o princípio da retroatividade benigna, consagrado no art. 106, inc. II, da Lei n° 5.172, de 25/10/1966 CTN há que se proceder à exoneração da multa de ofício vinculada aplicada de 75% , mantendose a exigência do principal com os acréscimos legais devidos, multa de mora no limite de 20% e juros de mora. Impugnação Precedente em Parte Credito Tributário Mantido em Parte Com relação à parte do crédito objeto do recurso de ofício, consta, no acórdão recorrido, a seguinte fundamentação para o cancelamento dessa parte do lançamento: “Compulsandose as DCTFs ativas constantes dos bancos de dados da RFB (fls. 136/151), que guardam identidade com as cópias anexadas aos autos pelo contribuinte (fls. 22/61) é possivel perceber que a Impugnante declarou o débito pelo período inteiro, calculado por meio de levantamento de balancetes de redução/suspensão, forma escolhida para apurar as estimativas, conforme DCTFs e DIPJ/1999 (fls. 62/119), entregues. Ou seja, o balancete de redução/suspensão leva em consideração todos os meses do período, desde janeiro ao mês para o qual se apura a estimativa. Desse valor se reduz as estimativas devidas e deduções a título de incentivos fiscais (linhas 06 e 07 da Ficha 12 da DIPJ/1998 AC 1998 f1s. 72/77 ou 152/174). Se o valor for menor ou igual a zero, não ha a obrigatoriedade do contribuinte recolher valor algum a título de estimativa. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19679.002452/200332 Acórdão n.º 1302001.093 S1C3T2 Fl. 363 3 A empresa procedeu corretamente ao preencher a DIPJ/1999, mas na DCTF, que, em regra, é entregue antes do envio da DIPJ, constou que era devido o valor total do período considerado (janeiro ao mês da estimativa calculada com base em balanço do redução e suspensão), o que não condiz com o prescrito na legislação.”. Com relação à parte mantida, a autoridade julgadora de primeira instância assim se manifesta: “Cumpre salientar que, no anoCalendário de 1998, existia a possibilidade de fazer compensações desse tipo sem processo. Entretanto, ausente a comprovação sobre a efetividade da compensação, na escrita, lançada em conta contábil representativa do direito (saldo negativo de IRPJ), bem como a que anocalendário em que foi este apurado, não se pode verificar a efetividade e validade dessa compensação, bem como a existência ou não de saldo negativo de IRPJ (não poderia ser de CSLL art. 66 da Lei n° 8.383/1991), razão pcla qual os valores a pagar, após expurgados os erros narrados anteriormente, serão mantidos,...” Diante disso, do total de IRPJ sobre base estimada (cód. 2362) lançado no valor de R$ 706.653,20, foi exonerado o valor de R$ 626.849,54 e mantido R$ 79.803,66, referente, respectivamente, aos meses de abril, maio, julho e agosto de 1998. A decisão recorrida cancelou a multa de ofício no valor de R$ 514.029,19 e determinou a aplicação de multa de mora. A recorrente tomou ciência da decisão recorrida m 13/12/2011 (AR a fls. 193) e apresntou recurso voluntário em 12/01/2012 (doc. a fls. 214), no qual alega as seguintes reazões de defesa: a) que da análise do decisum, depreendese que todos os ajustes solicitados pela Recorrente para a suas DCTF relativas aos segundo e terceiro trimestres de 1998 (cf. fls. 07 e 09 dos presentes autos e tabelas acima ilustradas) foram acatados pelas d. autoridades julgadoras, senão as 'linhas' das Solicitações de Retificação que tratam das 'compensações sem Darf; b) que grande parte dos débitos tributários remanescentes do AIIM foram fulminados pela decadência tributária, nos termos do artigo 150, §4°, do Código Tributário Nacional; c) que a mera e preliminar análise da DIPJ da Recorrente referente ao ano calendário 1997 ("DIPJ98") se presta a demonstrar o inequívoco Saldo Negativo apropriado pela Recorrente para a compensação com os débitos de IRPJ apurados em suas DCTF dos trimestres ora debatidos. É o relatório. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior Conheço do recurso de ofício, pois atende aos pressupostos legais de admissibilidade, para, no mérito lhe negar provimento, uma vez que se encontra devidamente demonstrado, nos autos, pelo cotejo das DCTF com as DIRPJ/99 a fls. 80/83 que tem razão a autoridade julgadora de primeira instância sobre o mero erro material no preenchimento das DCTF. Ademais, ainda que assim não fosse, seria o caso de aplicação ex officio da Súmula CARF nº 82, conforme a seguir tratado. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por advogado com poderes para tal (doc. a fls. 195), razão pela qual dele conheço. Deixo de apreciar a preliminar de decadência suscitada, pois, ao caso, aplica se o entendimento sumulado no CARF de que sequer o lançamento tributário poderia ter sido efetuado, se não vejamos o que segue. Com efeito, tratase de lançamento de ofício, datado de 12/08/2003, para exigir o IRPJ sobre as bases estimadas dos meses de abril, maio, julho e agosto de 1998. In casu, aplicase de ofício o estabelecido na Súmula CARF nº 82, in verbis: Súmula CARF nº 82: Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento ao recurso voluntário, exonerando a contribuinte de todo o crédito tributário lançado no auto de infração a fls. 12 e segs destes autos. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 365DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/0 6/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 15/05/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10070.000349/00-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 1998, 1999, 2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.
Constatado flagrante lapso manifesto, a exigir a imediata reparação, acolhem-se os Embargos para que seja adotada a providência processual adequada à situação dos autos.
Numero da decisão: 2201-002.043
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos Declaratórios para anular o Acórdão nº 2201-00.406, de 23/09/2009, e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento-DRJ, para proferir decisão em Primeira Instância, inclusive acerca da tempestividade da Manifestação de Inconformidade.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Relator.
EDITADO EM: 16/04/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Ricardo Anderle (Suplente convocado), Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ACOLHIMENTO. Constatado flagrante lapso manifesto, a exigir a imediata reparação, acolhem se os Embargos para que seja adotada a providência processual adequada à situação dos autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos Declaratórios para anular o Acórdão nº 220100.406, de 23/09/2009, e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de JulgamentoDRJ, para proferir decisão em Primeira Instância, inclusive acerca da tempestividade da Manifestação de Inconformidade. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator. EDITADO EM: 16/04/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Ricardo Anderle (Suplente convocado), Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Gustavo Lian Haddad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 0. 00 03 49 /0 0- 17 Fl. 893DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Em sessão plenária de 23 de setembro de 2009 foi proferido o Acórdão nº 220100.406 com a seguinte ementa: FALTA DE INTIMAÇÃO. NULIDADE DE ATOS POSTERIORES. INOBSERVÂNCIA AO DECRETO 70.235/72. REABERTURA PARA APRESENTAÇÃO DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. Devem ser cancelados os atos posteriores à observância de falha processual que não observe os ditames do PAF e, por conseguinte, ser reaberto prazo para apresentação da manifestação de inconformidade da contribuinte, nos termos do Decreta 70.2.35/72. Recurso Voluntário Provido. Contra o aresto supra interpôs o Presidente da 5a Turma da Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro/RJ II, fls. 661/663 (processo digital fls.755/758), Embargos Inominados devido a lapso manifesto, nos seguintes termos: 1. Em 14/03/2007, a interessada apresentou petição ao Delegado da DRF – Brasília, fls. 714/722 (numeração digital), solicitando a informação do prazo e do local para interpor sua manifestação de inconformidade, quanto à não homologação de Dcomp apresentadas, Despachos Decisórios de fls.577/580, 606/609 (numeração digital). 2. É de se observar que na petição de fls. 714/722, mais especificamente, em fl. 716, a interessada faz a seguinte afirmação: “Observase portanto, que o Despacho anterior da DERATRJ é datado de 08/07/2005, ao passo que a Contribuinte só veio a ser cientificada em 19/12/2006, ou seja, mais de um ano após aquele despacho”. Também, fl. 721: “A bem ver, fundase integralmente o Despacho Decisório no Parecer Conclusivo n.º 194/05, o qual opinou pela não homologação da declaração de compensação de fl. 535, ......”. Assim, s.m.j., a interessada tinha conhecimento dos 2(dois) Despachos exarados, conforme citação da mesma. 3. Quanto ao conhecimento do prazo para impugnar e local de entrega de sua petição, estes foram esclarecidos em fl. 726, cuja cópia foi recebida pela interessada, fl. 713, e citação pela própria interessada em sua petição, fl. 713 (numerações digitais). 4. Em 04/09/2007, a interessada apresenta recurso ao Carf, fls.735/736, o qual proferiu o Acórdão n.º 220100.406, fls. 755/758. Neste momento, há que ser observado que o recurso não foi com relação a uma Decisão de Delegacia de Julgamento e sim de uma informação da Diort da DRFBrasília, fl.729, não tendo o processo, à época, transitado pela Delegacia de Julgamento. 5. Com relação ao Acórdão citado, este cancelou os atos após às fls. 529, dentre eles, o próprio Despacho Decisório n.º 194, fls. 552/555 (digital fls. 606/609). Face a todo o exposto, solicito a admissão deste embargo e da possibilidade de revisão do Acórdão n.º 220100.406, de 23/09/2009, fls. 755/758 (do processo digital), caso entenda procedentes as afirmações acima, em especial quanto: a Fl. 894DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10070.000349/0017 Acórdão n.º 2201002.043 S2C2T1 Fl. 3 3 ciência referida nos itens 2 e 3; ao recurso examinado e julgado por esta Turma da 2ª Câmara do Carf sem Decisão de Delegacia de Julgamento e do cancelamento de parte do processo referido no item 5. É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator Os embargos são tempestivos, dele tomo conhecimento. Conforme visto do relatório a Embargante aponta, entre outras alegações, que houve manifestação do CARF contra Despacho a Diort da Delegacia da Receita Federal de Brasília, fl.729, sem que houvesse a decisão em primeira instância. De fato, o Acórdão nº 220100.406, de 23 de setembro de 2009, manifestou se sobre a ciência do Parecer Conclusivo de fls. 528/555, todavia, o processo não tramitou na Delegacia de Julgamento. Neste caso, não poderia ser objeto de análise do CARF, conforme art. 1º, Anexo I, do RICARF (Portaria MF nº 256/2009): Art. 1° O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (grifei) Pelo que se vê, a decisão proferida pelo acórdão embargado foi contrária ao rito do Decreto nº 70.235/1972 (inciso II do art. 25, c/c art. 74 da Lei nº 9.430/1996), razão pela configurase flagrante lapso manifesto, a exigir a imediata reparação, na forma do art. 66 do RICARF (Portaria nº 256/2009). Ante a todo o exposto, voto por acolher os Embargos Declaratórios para anular o Acórdão nº 220100.406, de 23/09/2009, e determinar o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal de JulgamentoDRJ, para proferir decisão em Primeira Instância, inclusive acerca da tempestividade da Manifestação de Inconformidade. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 895DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Fl. 896DF CARF MF Impresso em 14/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 23/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10680.008587/2005-60
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jul 29 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONTRADIÇÃO.
Embargos admitidos por contradição entre o conteúdo do voto e o acórdão proferido.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. REFORMA. MOLÉSTIA GRAVE.
Tratando-se de rendimentos de reforma auferidos por portador de moléstia grave, que são isentos do imposto de renda, o lançamento por omissão deve ser cancelado. Além disso, a SUMULA 43 também já considerava os proventos da reserva remunerada como isentos do imposto de renda.
DA OBRIGAÇÃO DE INDENIZAR.
Atendidas as disposições que regem o Processo Administrativo, assim como os princípios constitucionais, o pronunciamento de decisão contrária ao contribuinte não caracteriza irregular prestação de serviços.
Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 2802-001.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos CONHECER e ACOLHER os embargos declaratórios, para retificar a parte dispositiva do acórdão nº 2802-00.724, no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, apenas para cancelar o lançamento, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior Redator ad hoc.
EDITADO EM: 19/07/2013
(Acórdão formalizado extemporaneamente. A relatora não mais integra o CARF)
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martin Fernandez e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: LUCIA REIKO SAKAE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONTRADIÇÃO. Embargos admitidos por contradição entre o conteúdo do voto e o acórdão proferido. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. REFORMA. MOLÉSTIA GRAVE. Tratando-se de rendimentos de reforma auferidos por portador de moléstia grave, que são isentos do imposto de renda, o lançamento por omissão deve ser cancelado. Além disso, a SUMULA 43 também já considerava os proventos da reserva remunerada como isentos do imposto de renda. DA OBRIGAÇÃO DE INDENIZAR. Atendidas as disposições que regem o Processo Administrativo, assim como os princípios constitucionais, o pronunciamento de decisão contrária ao contribuinte não caracteriza irregular prestação de serviços. Embargos acolhidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos CONHECER e ACOLHER os embargos declaratórios, para retificar a parte dispositiva do acórdão nº 2802-00.724, no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, apenas para cancelar o lançamento, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Redator ad hoc. EDITADO EM: 19/07/2013 (Acórdão formalizado extemporaneamente. A relatora não mais integra o CARF) Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martin Fernandez e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
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FEDERAL DO BRASIL EM BELO HORIZONTE Interessado MARCOS FLAVIO DE CASTRO VALE ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONTRADIÇÃO. Embargos admitidos por contradição entre o conteúdo do voto e o acórdão proferido. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. REFORMA. MOLÉSTIA GRAVE. Tratandose de rendimentos de reforma auferidos por portador de moléstia grave, que são isentos do imposto de renda, o lançamento por omissão deve ser cancelado. Além disso, a SUMULA 43 também já considerava os proventos da reserva remunerada como isentos do imposto de renda. DA OBRIGAÇÃO DE INDENIZAR. Atendidas as disposições que regem o Processo Administrativo, assim como os princípios constitucionais, o pronunciamento de decisão contrária ao contribuinte não caracteriza irregular prestação de serviços. Embargos acolhidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos CONHECER e ACOLHER os embargos declaratórios, para retificar a parte dispositiva do acórdão nº 2802 00.724, no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, apenas para cancelar o lançamento, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 85 87 /2 00 5- 60 Fl. 213DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior – Redator ad hoc. EDITADO EM: 19/07/2013 (Acórdão formalizado extemporaneamente. A relatora não mais integra o CARF) Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martin Fernandez e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório A DELEGADA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM BELO HORIZONTE embargou o acórdão nº 280200.724, proferido na sessão de 16/03/2011 pela 2ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, que deu provimento parcial ao recurso voluntário nos seguintes termos “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, nos termos do voto da relatora, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso interposto, apenas para cancelar o lançamento que considerou tributável a importância de R$ 40.852,25 (quarenta mil, oitocentos e cinqüenta e dois reais e vinte e cinco centavos), por tratarse de proventos de reserva remunerada percebidos por portador de moléstia grave, que são isentos do imposto de renda.” (grifo acrescentado) Sustenta a embargante que o acórdão foi contraditório ao se considerar que: o sujeito passivo ao apresentar a sua declaração do imposto de renda do anocalendário de2002, exercício de 2003, considerou como rendimento isento e não tributáveis a importância de R$42.852.25 (Quarenta e dois mil, oitocentos e vinte e cinco centavos), recebida como "Pensão .Proventos de Aposentadoria e Reforma por Moléstia Grave e Aposentadoria ou Reforma por Acidente de Serviço, conforme consta no documento de fls. 16.; Ao proferir a sua decisão o r. Relator, em seu voto, assim se manifestou: "Desta feita, resta reconhecida a isenção do rendimento, devendo ser cancelado o auto de infração". no entanto, ao dar provimento parcial ao recurso voluntário, a decisão foi no sentido de "... apenas para cancelar o lançamento que considerou tributável a importância de R$40.852,25...".sendo essa a contradição. Reconhecida a contradição apontada, e presentes os demais requisitos de admissibilidade, foi elaborado despacho com encaminhamento para nova votação. Nesse sentido, transcrevese o relatório: “Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido na 1ªinstância administrativa, pela Delegacia da Fl. 214DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10680.008587/200560 Acórdão n.º 2802001.316 S2TE02 Fl. 110 3 Receita Federal de Julgamento, de fls. 42/ 45, que considerou procedente o lançamento relativo a rendimentos, auferidos em 2.002, indevidamente declarados como isentos por moléstia grave, uma vez que a reforma do contribuinte se deu em 2.003. (grifos constam do original). Na descrição da infração de fls. 18 constou que: ‘Rendimentos indevidamente Considerados como isentos por moléstia grave. A Lei isenta proventos de aposentadoria ou reforma. No caso, a reforma do contribuinte deuse em 2003. Portanto, é tributável a importância de R$ 42.852,25 ainda que conste no 'Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte Ano Calendário 2002' tal valor como rendimento isento e nãotributável. Em tempo : de acordo com artigo 111 do Código Tributário Nacional, interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de Isenção”.(grifei) (grifos originais) Em sua impugnação, argumentou ser capitão reformado da PMMG desde 28/04/93 e que, no anocalendário 2002, conforme laudo emitido por serviço médico oficial era portador de moléstia grave. Em 14/10/2002, foi publicado no Diário do Executivo do jornal Minas Gerais n° 195, com transcrição na página 3625 do BGPM n° 078, de 17/10/2002, a título de promoção retroativa do recorrente à patente de major, ocasião em que foi transferido do quadro de oficiais reformados da PMMG para o quadro de oficiais da reserva da PMMG, como a seguir: (grifo consta do original). ‘CORONEL PM COMANDANTE GERAL DA POLICIA MILITAR DE MINAS GERAIS, no uso da competência que lhe confere o inciso VII, do art. 10 do Decreto N° 36.885, de 23 de maio de 1.995, e em razão de sentença judicial prolatada pelo MM Juiz de Direito da 7a Vara de Fazenda Pública e Autarquias. em Ação Ordinária No 024.98.038.3690, confirmada pela Apelação Civil No 000.171.3460/00, que determinou a anulação da reforma disciplinar do servidor, resolve transferir para a reserva remunerada, com todos os direitos, bem como promover ao Posto de Major PM, a partir de 20 de fevereiro de 1.997, o no 039.7440, Capitão PM MARCOS FLAVIO DE CASTRO VALE, inativo do CAP, de conformidade com o art. 204 da Lei N°5.301, de 160ut69 (EPPM), c/c o art. 11 do Decreto No 12.460170.”(grifei) (grifos constam do original). Na decisão de 1ª instância ressalva que o vocábulo "reserva" não se confunde com a "reforma" mencionada no artigo 6° da Lei n° 7.713, de 1988, e alterações posteriores. Reserva é a situação de inatividade dos militares, mas ainda com possibilidade de reconvocação. Reforma é o afastamento em definitivo do militar.”, mantevese o lançamento considerando que “no anocalendário em comento, o contribuinte não auferiu proventos de reforma. Por conseguinte, não faz jus à isenção de Fl. 215DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 que trata art. 6°, inc. XIV, da Lei n°7.713, de 1988 e alterações, transcrito.”. A ciência de tal julgado se deu por via postal em 18/05/2009, consoante o AR – Aviso de Recebimento – de fl. 52. À vista da decisão, foi protocolizado, em 16/06/2009, recurso voluntário de fls. 53/72, no qual o pólo passivo questiona a decisão proferida. Na peça recursal, o contribuinte, objetivando a revisão e anulação da decisão colegiada, apresentou recurso voluntário resumindo no item 2 a, preliminarmente, a ratificação do pedido pleiteado na impugnação (fls. 3 /4) e no item 2b a reforma da decisão, como transcrito: ‘1) "Ex posilis", requer que, além das providências pertinentes, decorrentes das determinações contidas no art. 40 do CPP e no art. 1° da Lei n°5.249/67, seja proclamada a nulidade, "ex tunc", desse, já sobremaneira e irrefutavelmente impugnado, acórdão (fls. 42/45); e que seja providenciado o consectário pagamento ao Recorrente do valor monetário de R$ 11.366,20, devidamente corrigido pela TAXA SELIC (art. 406 do Código Civil cc o art. 953 do Decreto 3000/99), a partir de 29/5/2009, dentro do prazo de 30 (trinta) dias contados do protocolo deste recurso impugnação/reconvenção (segundo caso do art. 940, do Código Civil). 2) Requer, que a decisão deste recurso/reconvenção ao Primeiro Conselho de Contribuintes seja proferida conforme os princípios jurídicos (art. 145, da LC N°59/2000; arts 128, 131, 165, 334 e 458 do CPC; no art. 381 do CPP; no ad. 297 do CPPM; no art. 93, IX, da CF; e ad. 98, IX, CEMG).”(grifei) (grifos originais). É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Redator ad hoc Tendo em vista que a relatora Conselheira Lúcia Reiko Sakae não mais integra o CARF, coube a este Conselheiro a tarefa de redigir o presente acórdão, que foi assim discutido e decidido pelos integrantes da 2º Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento do CARF à época: “A contradição apontada que justifica a admissibilidade dos embargos se encontra entre o texto constante do voto em que reconhecendo a isenção do rendimento, entendeu que o auto deveria ser cancelado e o texto final do acórdão ao indicar o valor do rendimento isento. Nesse sentido considerando que o equívoco se restringiu apenas á indicação do valor no acórdão, ratifico a decisão proferida no voto, reproduzindoa: ‘O recurso voluntário é tempestivo e presentes, ainda, os demais requisitos formais de admissibilidade, dele conheço. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10680.008587/200560 Acórdão n.º 2802001.316 S2TE02 Fl. 111 5 Tratase de recurso voluntário em face da decisão que manteve o lançamento por omissão de rendimentos, com o fundamento de que se tratava de reserva e não reforma, como dispõe o artigo 39 do RIR/99, a seguir: ‘Art.39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (....) Proventos de Aposentadoria por Doença Grave XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, §2º);’ Cabe registrar que a questão da reserva remunerada já está pacificada na CSRF entendendo que “os proventos recebidos por militar em decorrência de sua transferência para a reserva remunerada, que está contida no conceito de aposentadoria/reforma, são da mesma forma isentos porquanto presente a mesma natureza dos rendimentos, ou seja, decorrentes da inatividade”, o que resultou, inclusive, na edição da Súmula CARF nº 43 que dispõe: "Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda." (g.n) Desta feita, resta reconhecida a isenção do rendimento, devendo ser cancelado o auto de infração. No tocante ao pleito da impugnação ratificado de fls03/04 em que, com base no artigo 940 do Código Civil e por desrespeito ao artigo 6°, inciso X do Código de Defesa do Consumidor, requer o pagamento do que lhe está sendo exigido, devidamente corrigido pela taxa Selic, além do valor do dano moral de noventa salários mínimos, além da multa em montante não inferior a duzentas e não superior a três milhões de vezes o valor da unidade Fiscal de referência ou índice equivalente, decorrente de cada parecer e decisão denegatória restritiva de direitos, há que registrar que se encontra pacificado neste Conselho a Súmula CARF de n° 51 o entendimento de que “As multas previstas no Código de Defesa do Consumidor não se aplicam às relações de natureza tributária”. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Ainda, nesse sentido como entende que as exigências se fundamentavam no Código de Defesa do Consumidor diante do direito da adequada e eficaz prestação de serviços públicos, registrese que a Administração Pública além de obedecer aos princípios constitucionais, respeitando o contraditório, a ampla defesa, o devido processo legal com os meios e recursos a ela inerentes, deve atender a Lei n° 9.784/99, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, bem como mais especificamente o determinado no Decreto n° 70.235/1972 que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, o que resta plenamente atendido. Conclusão. Ante o exposto, voto por CONHECER e ACOLHER os embargos declaratórios, para retificar a parte dispositiva do acórdão nº 280200.724, no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, apenas para cancelar o lançamento. Ressaltese que o provimento só foi parcial por negar o pleito do contribuinte em requerer o que lhe estava sendo exigido, devidamente corrigido pela Taxa Selic, além do dano moral e multa, com base no Código de Defesa do Consumidor.” É o voto proferido pela Conselheira Lúcia Reiko Sakae. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 218DF CARF MF Impresso em 29/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/07/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/07/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002661/2008-54
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 10/10/2008
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. RETENÇÃO DE 5%,
REPASSE DE VERBAS. CLUBES DE FUTEBOL.
Constitui infração deixar a empresa de reter para recolhimento o percentual
de 5% incidente sobre as importâncias por ela repassadas a associações
desportivas que mantenham equipe de futebol profissional, a título de
patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade,
propaganda e transmissão de espetáculos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-001.259
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: Cid Marconi Gurgel de Souza
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 10/10/2008 OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. RETENÇÃO DE 5%, REPASSE DE VERBAS. CLUBES DE FUTEBOL. Constitui infração deixar a empresa de reter para recolhimento o percentual de 5% incidente sobre as importâncias por ela repassadas a associações desportivas que mantenham equipe de futebol profissional, a título de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos. Recurso Voluntário Negado.
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RETENÇÃO DE 5%, REPASSE DE VERBAS. CLUBES DE FUTEBOL. Constitui infração deixar a empresa de reter para recolhimento o percentual de 5% incidente sobre as importâncias por ela repassadas a associações desportivas que mantenham equipe de futebol profissional, a título de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente. Cid Marconi Gurgel de Souza – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto às fls. 96 a 108 contra decisão da 12 turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro I (fls.85 a 90) que julgou PROCEDENTE o lançamento constante no Auto de Infração 37.195.2948 no valor consolidado e originário de R$ 25.097,54 (vinte e cinco mil, noventa e sete reais e cinquenta e quatro centavos). Segundo o relatório fiscal às fls. 22 a 28, a cobrança referese à atitude da empresa em ter repassado recursos à associação desportiva, que mantém equipe de futebol profissional, a título de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade e propaganda sem reter 5% (cinco por cento) da receita bruta, desrespeitando o previsto no §9°do art.22 da Lei n 8.212/91 e do art.205 §3° do Regulamento da Previdência Social. Na ação fiscal, verificouse que a recorrente repassou ao Clube Botafogo, a título de patrocínio, a quantia de R$ 508.000,00 (quinhentos e oito mil reais), no período de janeiro a junho de 2003 e também fez o mesmo com o Clube de Regatas Vasco da Gama, repassou R$ 150.148,90 (cento e cinquenta mil, cento e quarenta e oito reais e noventa centavos) a título de publicidade, no período de janeiro a dezembro de 2003, não tendo efetuado, nos repasses citados a retenção obrigatória de 5% (cinco por cento), infringindo a legislação previdenciária. Em razão desse descumprimento legal, a empresa foi autuada com base nos art.92 e 102 da Lei n° 8.212/91 combinado com o art.283, inciso II, alínea "m" e artigo 373, ambos do Decreto n° 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social), atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF n° 77, de 11/03/2008; que remete ao valor da infração no montante de R$ 12.548,77. Ocorre que, em razão da reincidência verificada, o valor da multa foi duplicado, ficando o valor final da autuação em R$ 25.097,54 (vinte e cinco mil, noventa e sete reais e cinquenta e quatro centavos). Desta autuação, a recorrente foi notificada em 10/10/2008 e apresentou impugnação às fls.49 a 59 alegando: Que na mesma ação fiscal foi lavrada NFLD com base na ausência de recolhimento dos 5% (cinco por cento) incidentes sobre o repasse à associação desportiva; Não poder exigir do responsável tributário, na hipótese de falta de retenção, a responsabilidade pelo pagamento do tributo, vez que a exação deve ser exigida do próprio contribuinte; Ser necessária a leitura em conjunto dos parágrafos §5° e §6° do art.205 do Regulamento da Previdência Social; Que o disposto §6° do art.205, só é aplicável aos casos em que não possa exigir a contribuição previdenciária do responsável tributário; Fl. 144DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18471.002661/200854 Acórdão n.º 2403001.259 S2C4T3 Fl. 144 3 Ser a multa do art. 283, inciso II, alínea "m" do Regulamento da Previdência Social viciada, visto que importa na dupla cobrança de multa em razão do mesmo fato, pois à empresa já foi exigida a contribuição que deixou de ser retida, além da correspondente multa devida pelo descumprimento da obrigação principal; Terem sido desrespeitados os princípios da razoabilidade e proporcionalidade na previsão e aplicação da multa, restando configurado o efeito confiscatório da cobrança, violando o art.150, VI, da Constituição Federal. Por fim, requereu que a anulação da autuação. Instada a manifestarse acerca da matéria, a 12 turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro I/RJ proferiu decisão (acórdão 1223.872) nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 10/10/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETER 5% DAS IMPORTÂNCIAS DESTINADAS A CLUBES DE FUTEBOL. FORO ADMINISTRATIVO. ANALISE DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Constitui infração deixar a empresa de reter para recolhimento o percentual de 5% incidente sobre as importâncias por ela repassadas a associações desportivas que mantenham equipe de futebol profissional, a título de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos. 0 foro administrativo é inapropriado para as discussões relativas A inconstitucionalidade ou ilegalidade de Leis ou atos normativos, sendo defeso A autoridade administrativa afastar a aplicação de normas que gozem de plena eficácia. Lançamento Procedente. Irresignada com a decisão supra, a recorrente interpôs recurso voluntário às fls. 96 a 108, ratificando os argumentos apresentados em impugnação. No final, requereu que fosse julgado extinto o auto de infração, tendo em vista que a obrigação acessória foi cumprida dentro dos moldes estabelecidos pela legislação especifica vigente à época do fato gerador. É o relatório. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator. DO MÉRITO: I – DAS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS – CONVERSÃO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA EM PRINCIPAL: A recorrente afirma que a exigência do AI 37.195.2948 é indevida em razão da empresa já ter sido cobrada pela infração legal do mesmo fato e por ser a obrigação do contribuinte, entidade desportiva, e não do responsável tributário. Ocorre que a multa imposta pela ausência de recolhimento do valor de 5% (cinco por cento) incidente sobre o repasse de quantia aos clubes de futebol Botafogo e Vasco possui natureza jurídica diversa da multa que se estar exigindo no presente processo. Uma, possui natureza moratória (mora no recolhimento da obrigação principal) e a outra é punitiva (por ter deixado de proceder à retenção do percentual previsto em lei), ou seja, há diferença nos valores cobrados, pois o motivo de duas autuações está relacionado ao descumprimento por parte da empresa da obrigação tributária principal (ausência de recolhimento) e da obrigação tributária acessória (deixar de reter 5% incidente sobre a receita bruta do repasse). A obrigação principal, segundo definição do Código Tributário Nacional, é toda obrigação do sujeito passivo que se reporte a um pagamento em pecúnia, é uma obrigação de dar. Já a acessória, é toda conduta positiva ou negativa do contribuinte/responsável que não constitua pagamento de quantia em dinheiro, é uma obrigação de fazer. Todavia, o descumprimento de uma obrigação acessória convertese em principal, tendo em vista que o resultado dessa infração é o pagamento de uma multa, valor em pecúnia. Então vejamos a previsão do Código Tributário Nacional: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Pelos fatos que já foram narrados, percebese que a recorrente descumpriu determinação legal e deve, por esta infração, realizar pagamento da multa, em respeito ao art.205 § 3º do Regulamento da Previdência Social: Fl. 146DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18471.002661/200854 Acórdão n.º 2403001.259 S2C4T3 Fl. 145 5 Art.205. A contribuição empresarial da associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional, destinada à seguridade social, em substituição às previstas no inciso I do caput do art. 201 e no art. 202, corresponde a cinco por cento da receita bruta decorrente dos espetáculos desportivos de que participe em todo território nacional, em qualquer modalidade desportiva, inclusive jogos internacionais, e de qualquer forma de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos desportivos. (...) § 3º Cabe à empresa ou entidade que repassar recursos a associação desportiva que mantém equipe de futebol profissional, a título de patrocínio, licenciamento de uso de marcas e símbolos, publicidade, propaganda e transmissão de espetáculos, a responsabilidade de reter e recolher, no prazo estabelecido na alínea "b" do inciso I do art. 216, o percentual de cinco por cento da receita bruta, inadmitida qualquer dedução. Destacouse. O pagamento da multa encontra ainda amparo na legislação: Lei nº 8.212/91 (arts.92 e 102) e Decreto nº 3.048/99 (arts.283 e 373). No caso em tela, a alínea infringida do art.283, II, foi a “m”, in verbis Decreto n 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social) Art.283.Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) (...) IIa partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos)nas seguintes infrações: (...) m) deixar a empresa ou entidade de reter e recolher a contribuição prevista no § 3º do art. 205; * * * Art.373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices Fl. 147DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. No mesmo sentido, é a Lei n. 8.212/91 (arts.92 e 102): Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. 24 Vale destacar que tal dispositivo foi atualizado conforme indicativo nº 24,vejamos: 24 Valores atualizados pela Portaria MPAS nº 4.479, de 4.6.98, a partir de 1º de junho de 1998, para, respectivamente, R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) e R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos) Além disso, previu o art.102 que os valores desta legislação seriam reajustados nos mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Art.102.Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Ante o exposto e considerando que a recorrente infringiu norma legal tributária, sobre a qual não conseguiu se provar o contrário, entendo pela manutenção da cobrança em todos os seus termos. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18471.002661/200854 Acórdão n.º 2403001.259 S2C4T3 Fl. 146 7 Fl. 149DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/05/2012 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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