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Numero do processo: 19515.001350/2010-00
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 04 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2007
RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA.
O conhecimento do recurso especial de divergência pressupõe que o entendimento consagrado no acórdão paradigma seja suficiente para, se adotado na situação dos autos, resultar em reforma do acórdão recorrido.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-003.601
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad Relator
EDITADO EM: 08/03//2015
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada).
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA. O conhecimento do recurso especial de divergência pressupõe que o entendimento consagrado no acórdão paradigma seja suficiente para, se adotado na situação dos autos, resultar em reforma do acórdão recorrido. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 13 50 /2 01 0- 00 Fl. 938DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 EDITADO EM: 08/03//2015 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Tereza Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira (suplente convocada). Relatório Em face de Instituto Presbiteriano Mackenzie, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 02/35, para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas a Seguridade Social correspondentes à parte da empresa, inclusive para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – RAT, no período de 12/2006 a 12/2007. A Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° 2401002.502, que se encontra às fls.828/838 e cuja ementa é a seguinte: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2006 a 31/12/2007 OMISSÃO NO RELATÓRIO FISCAL. SANEAMENTO MEDIANTE RELATÓRIO COMPLEMENTAR. CIÊNCIA DO CONTRIBUINTE. VALIDADE. Havendo omissões/erros no relatório fiscal, é válido, antes da decisão de primeira instância, o saneamento, mediante a emissão de relatório complementar, desde que deste seja dada ciência ao contribuinte, com reabertura do prazo de defesa. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. VIGÊNCIA DO ART. 55 DA LEI N.º 8.212/1991. NECESSIDADE DE REQUERIMENTO À ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA PARA RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO. Respeitado o direito adquirido, na vigência do art. 55 da Lei n. 8.212/1991, as entidades beneficentes de assistência social deveriam, além de comprovar o cumprimento de todos os requisitos da referida norma, requerer a Administração Tributária o reconhecimento da isenção. Recurso Voluntário Negado.” A anotação do resultado do julgamento indica que a turma, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de nulidade. No mérito, por maioria de votos, negou provimento ao recurso. Intimado do acórdão em 02/08/2012 (fls. 842), o contribuinte interpôs recurso especial (fls. 843/850), sustentando divergência entre o acórdão recorrido e o acórdão Fl. 939DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 19515.001350/201000 Acórdão n.º 9202003.601 CSRFT2 Fl. 7 3 n° 230200.308, no tocante à possibilidade de convalidação do lançamento por meio de relatório fiscal complementar em caso de falha na descrição dos fatos geradores. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2400 058/2013, de 15/01/2013 (fls. 912/915). Intimada sobre a admissão do recurso especial interposto pelo contribuinte, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões (917/924). É o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Analiso a admissibilidade do Recurso Especial interposto pelo contribuinte. O recurso foi interposto em razão da divergência entre o acórdão recorrido e o acórdão nº 230200.308 no tocante à possibilidade de convalidação do lançamento por meio de relatório fiscal complementar. O acórdão paradigma possui a seguinte ementa: “(...) CARACTERIZAÇÃO EMPREGADO. VÍCIO NO RELATÓRIO FISCAL, INCOMPLETO. Não se pode confundir o órgão fiscalizador com o julgador Cabe à Receita Federal fiscalizar e lançar os tributos, e cabe ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF a tarefa de verificar a regularidade da decisão de primeira instância, e não efetuar ou complementar o lançamento. A formalização do auto de infração tem como elementos os previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235. O erro, a depender do grau, em qualquer dos elementos pode acarretar a nulidade do ato por vicio formal. Entre os elementos obrigatórios no auto de infração consta a descrição do fato (art. 10, inciso III do Decreto n 70,235). A descrição implica a exposição circunstanciada e minuciosa do fato gerador, devendo ter os elementos suficientes para demonstração, de pelo menos, da verossimilhança das alegações do Fisco. De acordo com o princípio da persuasão racional do julgador, o que deve ser buscado com a prova produzida no processo é a verdade possível, isto é, aquela suficiente para o convencimento do juízo. Auto de infração anulado. Crédito Tributário Exonerado.” A meu ver o acórdão recorrido e o acórdão paradigma adotaram a mesma interpretação não havendo, assim, divergência de teses a permitir o conhecimento do recurso especial de divergência. Explico. Ao analisar a preliminar de nulidade do lançamento o acórdão recorrido considerou que o lançamento original de fato continha lacunas e omissões. Entendeu, no Fl. 940DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 entanto, que tais vícios foram devidamente sanados por meio do Relatório Fiscal Complementar, proferido em atendimento à solicitação de diligência efetuada antes da decisão de primeira instância, nos termos do que determina o artigo 18, parágrafo 3º do Decreto 70.235/1972. Assim o acórdão recorrido rejeitou a preliminar de nulidade do lançamento O acórdão paradigma, por sua vez, foi expresso em afirmar que não cabe ao CARF (órgão julgador de segunda instância) complementar o lançamento em caso de existência de vícios, na medida em que tal providência, nos termos do artigo 18, parágrafo 3º do Decreto 70.235/1972, compete à autoridade de primeira instância. De fato, no acórdão paradigma, o voto condutor entendeu que diante dos vícios ali presentes, a complementação do lançamento determinada pelo julgador de primeira instância deveria exatamente ter sido a providência a ser adotada. Ausente tal providência determinouse o cancelamento do lançamento. Isto consta expressamente em longo trecho do paradigma: “Diante da irregularidade constatada, há que ser aplicado o Decreto n.° 70.235/1972 devendo ser efetuado novo lançamento, conforme previsto no 18, §3º, nestas palavras: “Art. 18 §3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada (Redação dada pelo art.1º da Lei n.º 8.748/93)” Tal complementação tem que ser comandada pelo órgão de primeira instância, mesmo que de oficio, pois o caput do art. 18 é determinante para a autoridade julgadora de primeira instância. É como é sabido os parágrafos e incisos devem ser interpretados em conformidade com o caput do dispositivo, que determina a regra geral. É possível a complementação do relatório fiscal por decisão de primeira instância, entretanto não cabe tal complementação pela segunda instância, pois enquanto a primeira instância aprecia a impugnação quanto ao lançamento, a segunda aprecia o recurso quanto à decisão a quo.” Para que não restem dúvidas confronto a seguir trechos dos votos do acórdão recorrido e acórdão paradigma que apontam para a adoção por ambos da mesma tese, in verbis: Acórdão recorrido (2401002.502) Acórdão paradigma (230200.308) De fato, não se pode deixar de reconhecer que o Relatório Fiscal apresentouse omisso e lacunoso quando tratou de descrever as Entendo que o lançamento possui um vício na formalização. Não restou caracterizado o enquadramento dos segurados como Fl. 941DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 19515.001350/201000 Acórdão n.º 9202003.601 CSRFT2 Fl. 8 5 circunstâncias em que ocorreram os fatos geradores, mormente quanto à condição de isenta da entidade autuada. empregados. O relatório fiscal está incompleto, uma vez que não houve detalhamento acerca da subordinação, para a maioria dos casos o Auditor sequer indicou qual seria a atividade prestada pelo segurado, fl. 37. Tal situação revelase muito claramente quando o órgão de primeira instância, ao requerer a diligência lança vários questionamentos sobre fatos narrados no relato da Auditoria e pugna pela emissão de relatório complementar necessário ao saneamento das lacunas presentes na descrição inicial. Com o novo pronunciamento fiscal, todavia, verifico que foram apresentados todos os elementos necessários a boa compreensão dos motivos que deram ensejo ao lançamento. Diante da irregularidade constatada, há que ser aplicado o Decreto nº 70.235/1972 devendo ser efetuado novo lançamento, conforme previsto no 18, § 3º, nestas palavras: (...) Tal complementação tem que ser comandada pelo órgão de primeira instância, mesmo que de ofício, pois o caput do art. 18 é determinante para a autoridade julgadora de primeira instância. E como é sabido os parágrafos e incisos devem ser interpretados em conformidade com o caput do dispositivo, que determina a regra geral. Entendo ser perfeitamente cabível a emissão de relatório complementar quando o órgão julgador, percebendo algum ponto controverso na elaboração da peça inaugural do processo administrativo tributário, baixa o processo em diligência com os questionamentos que entende necessários a boa compreensão do lançamento. É de se ressaltar que, após a emissão do relatório adicional, o sujeito passivo teve a oportunidade de novamente apresentar o seu inconformismo, não se configurando qualquer prejuízo ao direito de defesa ou ao contraditório, posto que todas as vezes em que o Fisco se pronunciou foi facultada a parte adversa possibilidade de contraatacar. É possível a complementação do relatório fiscal por decisão de primeira instância, entretanto não cabe tal complementação pela segunda instância, pois enquanto a primeira instância aprecia a impugnação quanto ao lançamento, a segunda aprecia o recurso quanto à decisão a quo. O trecho constante do paradigma no sentido de distinguir entre erros/vicios que podem ou não ser complementados como resultado de diligência acabou caracterizando, em seu contexto, obter dictum e não razão de decidir, já que naquele caso concreto o voto condutor demonstrou que aceitaria a complementação em diligência determinada a partir da decisão de primeira instância, fato que aconteceu no acórdão recorrido mas não no paradigma. Destarte, tanto o acórdão recorrido quanto o acórdão colacionado como paradigma entendem que nas respectivas hipóteses seria possível a efetivação de lançamento por meio de relatório complementar a partir de diligência determinada em primeira instância. A Fl. 942DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 diferença é que no caso do acórdão recorrido tal providencia se deu enquanto no paradigma ela não aconteceu, disto decorrendo resultado diverso nos respectivos julgamentos. Em outras palavras, não é possível dizer que a adoção da tese do acórdão paradigma aos fatos do acórdão recorrido seria capaz de reverter seu resultado. Este, a meu ver o “teste” para se caracterizar a divergência, não presente na espécie. Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso especial interposto. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 943DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2015 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/03/2 015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por GUSTAVO LIAN HADDAD
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Numero do processo: 10183.721818/2009-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00.
A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17-O, §1º, da Lei n.º 6.938/81.
A partir do exercício de 2.002, regra geral, a localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental competente, observando-se a função social da propriedade e os critérios previstos no §4º do art. 16 do Código Florestal.
A averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel é, regra geral, necessária para sua exclusão da base de cálculo do imposto.
A jurisprudência do CARF tem entendido que documentos emitidos por órgãos ambientais e a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel suprem referida exigência.
Hipótese em que o Recorrente não apresentou o ADA, mas averbou na matrícula do imóvel parte da área de reserva legal.
ITR. VALOR DA TERRA NUA - VTN. ARBITRAMENTO.
Nos termos do artigo 14, §1o., da Lei 9.393/96, combinado com o artigo 12 da Lei n. 8.629/93, o arbitramento do VTN, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve observar, dentre outros critérios, o VTN médio por aptidão agrícola.
VTN. VALOR INCONTROVERSO. O Valor da Terra Nua admitido pelo contribuinte, para a propriedade, está expresso no laudo técnico que juntou aos autos e que é superior ao declarado na DIAT.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2101-002.612
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para: (a) restabelecer a área de Reserva Legal de 605 ha e (b) reconhecer como valor da terra nua o montante admitido no laudo de avaliação apresentado pelo contribuinte, de (3.630 ha - 605 ha) * R$ 420,00 = R$ 1.270.500,00.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
Relator
(assinado digitalmente)
MARIA CLECI COTI MARTINS
Redatora designada
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Antonio Cesar Bueno Ferreira e Daniel Pereira Artuzo.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2006 ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17-O, §1º, da Lei n.º 6.938/81. A partir do exercício de 2.002, regra geral, a localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental competente, observando-se a função social da propriedade e os critérios previstos no §4º do art. 16 do Código Florestal. A averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel é, regra geral, necessária para sua exclusão da base de cálculo do imposto. A jurisprudência do CARF tem entendido que documentos emitidos por órgãos ambientais e a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel suprem referida exigência. Hipótese em que o Recorrente não apresentou o ADA, mas averbou na matrícula do imóvel parte da área de reserva legal. ITR. VALOR DA TERRA NUA - VTN. ARBITRAMENTO. Nos termos do artigo 14, §1o., da Lei 9.393/96, combinado com o artigo 12 da Lei n. 8.629/93, o arbitramento do VTN, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve observar, dentre outros critérios, o VTN médio por aptidão agrícola. VTN. VALOR INCONTROVERSO. O Valor da Terra Nua admitido pelo contribuinte, para a propriedade, está expresso no laudo técnico que juntou aos autos e que é superior ao declarado na DIAT. Recurso provido em parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para: (a) restabelecer a área de Reserva Legal de 605 ha e (b) reconhecer como valor da terra nua o montante admitido no laudo de avaliação apresentado pelo contribuinte, de (3.630 ha - 605 ha) * R$ 420,00 = R$ 1.270.500,00. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator (assinado digitalmente) MARIA CLECI COTI MARTINS Redatora designada Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Antonio Cesar Bueno Ferreira e Daniel Pereira Artuzo.
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ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. A apresentação do ADA, a partir do exercício de 2001, tornouse requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, passando a ser, regra geral, uma isenção condicionada, tendo em vista a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17O, §1º, da Lei n.º 6.938/81. A partir do exercício de 2.002, regra geral, a localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental competente, observandose a função social da propriedade e os critérios previstos no §4º do art. 16 do Código Florestal. A averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel é, regra geral, necessária para sua exclusão da base de cálculo do imposto. A jurisprudência do CARF tem entendido que documentos emitidos por órgãos ambientais e a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel suprem referida exigência. Hipótese em que o Recorrente não apresentou o ADA, mas averbou na matrícula do imóvel parte da área de reserva legal. ITR. VALOR DA TERRA NUA VTN. ARBITRAMENTO. Nos termos do artigo 14, §1o., da Lei 9.393/96, combinado com o artigo 12 da Lei n. 8.629/93, o arbitramento do VTN, apurado com base nos valores do Sistema de Preços de Terra (SIPT), deve observar, dentre outros critérios, o VTN médio por aptidão agrícola. VTN. VALOR INCONTROVERSO. O Valor da Terra Nua admitido pelo contribuinte, para a propriedade, está expresso no laudo técnico que juntou aos autos e que é superior ao declarado na DIAT. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 18 18 /2 00 9- 69 Fl. 388DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721818/200969 Acórdão n.º 2101002.612 S2C1T1 Fl. 389 2 Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para: (a) restabelecer a área de Reserva Legal de 605 ha e (b) reconhecer como valor da terra nua o montante admitido no laudo de avaliação apresentado pelo contribuinte, de (3.630 ha 605 ha) * R$ 420,00 = R$ 1.270.500,00. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator (assinado digitalmente) MARIA CLECI COTI MARTINS Redatora designada Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), Maria Cleci Coti Martins, Eduardo de Souza Leão, Antonio Cesar Bueno Ferreira e Daniel Pereira Artuzo. Relatório Tratase de recurso voluntário (efls. 366/380) interposto em 06 de setembro de 2011 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) (efls. 324/346), do qual o Recorrente teve ciência em 10 de agosto de 2011 (efl. 354), que, por unanimidade de votos, julgou procedente a notificação de lançamento de efls. 02/14, lavrada em 30 de novembro de 2009, em virtude da falta de recolhimento do ITR (não comprovação da área de reserva legal e do valor da terra nua), verificada no exercício de 2006. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721818/200969 Acórdão n.º 2101002.612 S2C1T1 Fl. 390 3 O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006 NIRF: 5.118.3706 Fazenda Boa Sorte VALIDADE DO LANÇAMENTO. Não há nulidade do lançamento quando não se configura óbice à defesa ou prejuízo ao interesse público. MULTA E JUROS. INCONSTITUCIONALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. DILAÇÃO PROBATÓRIA. Em regra, a prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão, com exceção apenas das hipóteses do § 4° do art. 16 do Decreto n.° 70.235/1972. ÁREA DE RESERVA LEGAL E ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. A exclusão da área tributável do imóvel rural, da área de reserva legal e da área de preservação permanente, para efeito de apuração do ITR, está condicionada à protocolização tempestiva do Ato Declaratório Ambiental ADA perante o IBAMA ou órgão conveniado. VALOR DA TERRA NUA. PROVA. O valor da terra nua, apurado pela fiscalização em procedimento de ofício nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96, não é passível de alteração quando o contribuinte não apresenta elementos de convicção que justifiquem reconhecer valor menor. É do sujeito passivo o ônus da prova do valor da terra nua do imóvel quando sua omissão tiver dado ensejo ao lançamento pela técnica do arbitramento, nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96. ÁREA UTILIZADA. EXPLORAÇÃO EXTRATIVA. PLANO DE MANEJO FLORESTAL SUSTENTADO. A prova da exploração extrativa objeto de Plano de Manejo Florestal Sustentado (PMFS) se faz mediante comprovação de autorização pelo IBAMA e do cumprimento do respectivo cronograma de execução. ÁREA DE PRODUTOS VEGETAIS E ÁREA EM DESCANSO. As áreas de produtos vegetais e áreas em descanso declaradas são consideradas áreas utilizadas pela atividade rural e não foram alteradas no lançamento. Impugnação Improcedente Fl. 390DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721818/200969 Acórdão n.º 2101002.612 S2C1T1 Fl. 391 4 Crédito Tributário Mantido” (efl. 324/326). Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (efls. 366/380), pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o lançamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Verificase que a fiscalização ao analisar a DITR do Recorrente houve por bem glosar a área de reserva legal declarada de 2.904 ha., além de corrigir o Valor da Terra Nua – VTN/ha. declarado de R$ 36.000,00 para R$ 5.562.757,20, de acordo com o “Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido” (efl. 12). Tendo em vista que a matéria no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) é recorrente, cumpre tecer alguns breves esclarecimentos antes de adentrar na questão especificamente debatida nestes autos. De fato, como é cediço, o imposto sobre a propriedade territorial rural, de competência da União, na forma do art. 153, VI, da Constituição, incide nas hipóteses previstas no art. 29 do Código Tributário Nacional, ora trazido à baila, in verbis: “Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município.” À guisa do disposto pelo Código Tributário Nacional, a União promulgou a Lei Federal n.º 9.393/96, que, na esteira do estatuído pelo art. 29 do CTN, instituiu, em seu art. 1º, como hipótese de incidência do tributo, a “propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município”. Sem adentrar especificamente na discussão a respeito da eventual ampliação do conceito de propriedade albergado pela Constituição Federal pelo disposto nos artigos citados, ao incluírem como fato gerador do ITR o domínio útil e a posse (cum animus domini), tema que não releva na análise do presente recurso, verificase que não há qualquer discussão a respeito da incidência do tributo no que toca às áreas de preservação permanente ou de reserva florestal legal. Com efeito, muito embora em tais áreas a utilização da propriedade deva observar a regulamentação ambiental específica, disso não decorre a consideração de que referida parcela do imóvel estaria fora da hipótese de incidência do ITR. Isso porque, como se sabe, o direito de propriedade, expressamente garantido no inciso XXII do art. 5º da CF, possui limitação constitucional assentada em sua função social (art. 5º, XIII, da CF). Fl. 391DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721818/200969 Acórdão n.º 2101002.612 S2C1T1 Fl. 392 5 Nesse sentido, consoante salienta Gilmar Mendes (et. al.), possui o legislador uma relativa liberdade para conformação do direito de propriedade, devendo preservar, contudo, “o núcleo essencial do direito de propriedade, constituído pela utilidade privada e, fundamentalmente, pelo poder de disposição. A vinculação social da propriedade, que legitima a imposição de restrições, não pode ir ao ponto de colocála, única e exclusivamente, a serviço do Estado ou da comunidade.” (MENDES, Gilmar Ferreira (et. al.). Curso de direito constitucional. 4ª ed. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 483). No que atine à regulação ambiental, deste modo, verificase que a legislação, muito embora restrinja o uso do imóvel em virtude do interesse na preservação do meio ambiente ecologicamente equilibrado, na forma como estabelecido pela Constituição da República, não elimina as faculdades de usar, gozar e dispor do bem, tal como previstas pela legislação cível. Com fundamento no exposto, não versando os autos sobre hipótese de não incidência do tributo, mas, sim, de autêntica isenção ou, como querem alguns, redução da base de cálculo do ITR, dispôs a Lei Federal n.º 9.393/96, em seu art. 10, o seguinte: “Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989” (grifei). Havendo referido dispositivo legal feito expressa referência a conceitos desenvolvidos em outro ramo do Direito, mais especificamente no que toca à seara ambiental, oportuno se faz recorrer ao arcabouço legislativo desenvolvido neste campo específico, na forma indicada pelo art. 109 do CTN, para o fim de compreender, satisfatoriamente, o que se entende por áreas de preservação permanente e de reserva legal, estabelecidas como hipótese de isenção do ITR (redução do correspondente aspecto quantitativo). A respeito especificamente da chamada “área de preservação permanente” (APP), dispõe o Código Florestal, Lei n.º 4.771/65, atualmente regulada, também, pelas Resoluções CONAMA n. 302 e 303 de 2002, o seguinte: “Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; Fl. 392DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721818/200969 Acórdão n.º 2101002.612 S2C1T1 Fl. 393 6 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, observarse á o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanente, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. § 1° A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for Fl. 393DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721818/200969 Acórdão n.º 2101002.612 S2C1T1 Fl. 394 7 necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. § 2º As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujeitas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei.” Verificase, à luz do que se extrai dos artigos em referência, que a legislação considera como área de preservação permanente, trazendo à baila a lição de Edis Milaré, as “florestas e demais formas de vegetação que não podem ser removidas, tendo em vista a sua localização e a sua função ecológica” (MILARÉ, Edis. Direito do ambiente: doutrina, jurisprudência, glossário. 5ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007. p. 691). Vale notar, nesse sentido, que nas áreas de preservação permanente, consoante esclarece o disposto pelo §1º do art. 3º, citado supra, não há qualquer possibilidade de supressão das florestas, apenas excetuada tal regra nos casos de execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. Não se confunde com a área de preservação permanente, no entanto, a chamada área de reserva legal, ou reserva florestal legal, cujos contornos são estabelecidos igualmente pelo Código Florestal, mais especificamente em seu art. 16, que, na redação vigente, isto é, com a redação que lhe foi dada pela MP 2.16667/2001, assim dispõe: “Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: I oitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; II trinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; III vinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas demais regiões do País; e IV vinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. § 1o O percentual de reserva legal na propriedade situada em área de floresta e cerrado será definido considerando separadamente os índices contidos nos incisos I e II deste artigo. § 2o A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. § 3o Para cumprimento da manutenção ou compensação da área de reserva legal em pequena propriedade ou posse rural familiar, podem ser computados os plantios de árvores frutíferas ornamentais ou industriais, compostos por espécies exóticas, cultivadas em sistema intercalar ou em consórcio com espécies nativas. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721818/200969 Acórdão n.º 2101002.612 S2C1T1 Fl. 395 8 § 4o A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Área de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. § 5o O Poder Executivo, se for indicado pelo Zoneamento Ecológico Econômico ZEE e pelo Zoneamento Agrícola, ouvidos o CONAMA, o Ministério do Meio Ambiente e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, poderá: I reduzir, para fins de recomposição, a reserva legal, na Amazônia Legal, para até cinqüenta por cento da propriedade, excluídas, em qualquer caso, as Áreas de Preservação Permanente, os ecótonos, os sítios e ecossistemas especialmente protegidos, os locais de expressiva biodiversidade e os corredores ecológicos; e II ampliar as áreas de reserva legal, em até cinqüenta por cento dos índices previstos neste Código, em todo o território nacional. § 6o Será admitido, pelo órgão ambiental competente, o cômputo das áreas relativas à vegetação nativa existente em área de preservação permanente no cálculo do percentual de reserva legal, desde que não implique em conversão de novas áreas para o uso alternativo do solo, e quando a soma da vegetação nativa em área de preservação permanente e reserva legal exceder a: I oitenta por cento da propriedade rural localizada na Amazônia Legal; II cinqüenta por cento da propriedade rural localizada nas demais regiões do País; e III vinte e cinco por cento da pequena propriedade definida pelas alíneas "b" e "c" do inciso I do § 2o do art. 1o. § 7o O regime de uso da área de preservação permanente não se altera na hipótese prevista no § 6o. § 8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. § 9o A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário. § 10. Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da Fl. 395DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721818/200969 Acórdão n.º 2101002.612 S2C1T1 Fl. 396 9 reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicandose, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. § 11. Poderá ser instituída reserva legal em regime de condomínio entre mais de uma propriedade, respeitado o percentual legal em relação a cada imóvel, mediante a aprovação do órgão ambiental estadual competente e as devidas averbações referentes a todos os imóveis envolvidos. (...) Art. 44. O proprietário ou possuidor de imóvel rural com área de floresta nativa, natural, primitiva ou regenerada ou outra forma de vegetação nativa em extensão inferior ao estabelecido nos incisos I, II, III e IV do art. 16, ressalvado o disposto nos seus §§ 5o e 6o, deve adotar as seguintes alternativas, isoladas ou conjuntamente: I recompor a reserva legal de sua propriedade mediante o plantio, a cada três anos, de no mínimo 1/10 da área total necessária à sua complementação, com espécies nativas, de acordo com critérios estabelecidos pelo órgão ambiental estadual competente; II conduzir a regeneração natural da reserva legal; e III compensar a reserva legal por outra área equivalente em importância ecológica e extensão, desde que pertença ao mesmo ecossistema e esteja localizada na mesma microbacia, conforme critérios estabelecidos em regulamento. § 1o Na recomposição de que trata o inciso I, o órgão ambiental estadual competente deve apoiar tecnicamente a pequena propriedade ou posse rural familiar. § 2o A recomposição de que trata o inciso I pode ser realizada mediante o plantio temporário de espécies exóticas como pioneiras, visando a restauração do ecossistema original, de acordo com critérios técnicos gerais estabelecidos pelo CONAMA. § 3o A regeneração de que trata o inciso II será autorizada, pelo órgão ambiental estadual competente, quando sua viabilidade for comprovada por laudo técnico, podendo ser exigido o isolamento da área. § 4o Na impossibilidade de compensação da reserva legal dentro da mesma microbacia hidrográfica, deve o órgão ambiental estadual competente aplicar o critério de maior proximidade possível entre a propriedade desprovida de reserva legal e a área escolhida para compensação, desde que na mesma bacia hidrográfica e no mesmo Estado, atendido, quando houver, o respectivo Plano de Bacia Hidrográfica, e respeitadas as demais condicionantes estabelecidas no inciso III. § 5o A compensação de que trata o inciso III deste artigo, deverá ser submetida à aprovação pelo órgão ambiental estadual competente, e pode ser implementada mediante o arrendamento de área sob regime de servidão florestal ou reserva legal, ou aquisição de cotas de que trata o art. 44B. (...)” O Código Florestal estabelece, em sua essência, como lembra MILARÉ, a idéia de disciplinar a supressão tanto das florestas e demais formas de vegetação nativa, excetuadas as áreas de preservação permanente, vistas anteriormente, como, igualmente, das Fl. 396DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721818/200969 Acórdão n.º 2101002.612 S2C1T1 Fl. 397 10 florestas não sujeitas ao regime de utilização limitada, ou já objeto de legislação específica (MILARÉ, Edis. op. cit. p. 702). Nesse sentido, lembra o referido ambientalista que “ao permitir tal supressão [de florestas] determina que se mantenha obrigatoriamente uma parte da propriedade rural com cobertura florestal ou com outra forma de vegetação nativa”, delimitando, assim, “a porção a ser constituída como Reserva da Floresta Legal” (Op. cit. p. 702). A reserva florestal legal, portanto, sendo um percentual determinado por lei para a preservação da vegetação nativa do imóvel rural, constitui, como afirma Paulo de Bessa Antunes, “uma obrigação que recai diretamente sobre o proprietário do imóvel, independentemente de sua pessoa ou da forma pela qual tenha adquirido a propriedade”, estando, assim, “umbilicalmente ligada à própria coisa, permanecendo aderida ao bem” (ANTUNES, Paulo de Bessa. Poder Judiciário e reserva legal: análise de recentes decisões do Superior Tribunal de Justiça. In: Revista de Direito Ambiental n.º 21. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001, p. 120). À luz do exposto, verificase que as restrições ambientais, tanto nos casos de áreas de preservação permanente, como naqueles em que há reserva legal, decorrem, explicitamente, da ocorrência ou verificação, in loco, dos pressupostos legais apontados pela legislação, inexistindo, portanto, qualquer discricionariedade por parte do proprietário ou agente público. Nesse passo, consoante se extrai da legislação ambiental trazida à baila, não há a exigência, para o cumprimento das normas relativas às áreas de preservação permanente ou de reserva legal, de qualquer ato público que as constitua, mas, apenas e tãosomente, da ocorrência das hipóteses legais previstas pelo Código Florestal, bem como pelos demais atos normativos primários que disponham sobre o tema. Portanto, a averbação à margem da matrícula do imóvel da área de reserva florestal legal, com a devida vênia daqueles que entendem de forma diversa, não tem natureza constitutiva, mas simplesmente declaratória, tendo em vista que, excetuadas as hipóteses especificamente mencionadas na legislação, a observância do percentual de 20% previsto em lei independe de qualquer averbação, estando apenas sujeita à aprovação da sua localização por órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, na forma do §4º do art. 16 da Lei n.º 4.771/65. Nesse sentido, oportuno afirmar que, muito embora a legislação preveja a necessidade de averbação da reserva legal, de acordo com o que dispõe o §8º do art. 16 da Lei n.º 4.771/65, a sanção decorrente da falta de averbação da área de reserva legal, prevista pelo art. 55 do Decreto n.º 6.514/2008, encontrase atualmente prorrogada para 2011, de acordo com o que estatui o Decreto Federal n.º 7.029/2009, razão pela qual se infere que a legislação concedeu um período de adaptação aos proprietários, a fim de que possam cumprir referida determinação legal, deixando de cominarlhes qualquer penalidade em decorrência da falta de averbação de referida área. Por tais razões, especialmente por entender que a observância dos percentuais fixados em lei para exploração de área rural decorre de normas de ordem pública, que não podem ser afastadas pelo contribuinte pelo simples fato de que não procedeu este à competente averbação, tenho para mim que esta última possui caráter nitidamente declaratório, sendo Fl. 397DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721818/200969 Acórdão n.º 2101002.612 S2C1T1 Fl. 398 11 necessária para conferir publicidade ao gravame fixado que, como já se verberou oportunamente, decorre diretamente da legislação ambiental. Além da desnecessidade de averbação, para o fim específico de constituir as áreas de reserva florestal legal, igualmente não havia, até o exercício de 2000, qualquer fundamento legal para a exigência da entrega do Ato Declaratório Ambiental (ADA) para o fim de reduzir a base de cálculo do ITR. Nesse sentido, aliás, dispunha o art. 17O, da Lei Federal n.º 6.938/81, com a redação que lhe foi conferida pela Lei n. 9.960/2000, o seguinte: "Art. 17O. Os proprietários rurais, que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama 10% (dez por cento) do valor auferido como redução do referido Imposto, a título de preço público pela prestação de serviços técnicos de vistoria." (AC) "§ 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é opcional." Por esta razão, portanto, isto é, por inexistir qualquer fundamento legal para a entrega tempestiva do ADA, como requisito para a fruição da redução da base de cálculo prevista pela legislação atinente ao ITR, a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovou a seguinte súmula, extraída do texto da Portaria n.º 106/2009: “A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.” Pois bem. Muito embora inexistisse, até o exercício de 2000, qualquer fundamento para a exigência da entrega do ADA como requisito para a fruição da isenção, com o advento da Lei Federal n.º 10.165/2000 alterouse a redação do §1º do art. 17O da Lei n.º 6.938/81, que passou a vigorar da seguinte forma: “Art. 17O. (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.” Assim, a partir do exercício de 2001, a exigência do ADA passou a ter previsão legal com a promulgação da Lei n.º 10.165/00, que alterou o conteúdo do art. 17O, §1º, da Lei n.º 6.938/81, para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural. Feita esta observação, relativa, portanto, à obrigatoriedade de apresentação do ADA, cumpre mover à análise do prazo em que poderia o contribuinte protocolizar referida declaração no órgão competente. No que toca a este aspecto específico, tenho para mim que é absolutamente relevante uma digressão a respeito da mens legis que norteou a alteração do texto do art. 17O da Lei n.º 6.938/81. Analisandose, nesse passo, o real intento do legislador ao estabelecer a obrigatoriedade de apresentação do ADA, podese inferir que a mudança de paradigma deveu Fl. 398DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721818/200969 Acórdão n.º 2101002.612 S2C1T1 Fl. 399 12 se a razões atinentes à efetividade da norma isencional, especialmente no que concerne à aferição do real cumprimento das normas ambientais pelo contribuinte, de maneira a permitir que este último possa usufruir da redução da base de cálculo do ITR. Em outras palavras, a efetiva exigência do ADA para o fim específico da fruição da redução da base de cálculo do ITR foi facilitar a fiscalização por parte da Receita Federal da preservação das áreas de reserva legal ou de preservação permanente, utilizandose, para este fim específico, do poder de polícia atribuído ao IBAMA. Em síntese, podese afirmar que a alteração no regramento legal teve por escopo razões de praticabilidade tributária, a partir da criação de um dever legal que permita, como afirma Helenílson Cunha Pontes, uma “razoável efetividade da norma tributária” (PONTES, Helenílson Cunha. O princípio da praticidade no Direito Tributário (substituição tributária, plantas de valores, retenções de fonte, presunções e ficções, etc.): sua necessidade e seus limites. In: Revista Internacional de Direito Tributário, v. 1, n.º 2. Belo Horizonte, jul/dez2004, p. 57), no caso da norma isencional. De fato, no caso da redução da base de cálculo do ITR, mais especificamente no que atine às áreas de interesse ambiental lato sensu, além da necessidade de fiscalizar um número extenso de contribuintes, exigirseia, não fosse a previsão de entrega do ADA, que a Receita Federal tomasse para si o dever de fiscalizar o extenso volume de propriedades rurais compreendido no território nacional, o que, do ponto de vista econômico, não teria qualquer viabilidade. Por esta razão, assim, passouse, com o advento da Lei Federal n.º 10.165/00 a exigir, de forma a inverter o ônus da prova, a apresentação do ADA para o fim de permitir a redução da base de cálculo do ITR, declaração esta sujeita ao poder de polícia do IBAMA. Tratandose, portanto, da interpretação do dispositivo em comento, deve o aplicador do direito, neste conceito compreendido o julgador, analisar o conteúdo principiológico que norteia referido dispositivo legal, a fim de conferirlhe o sentido que melhor se amolda aos objetivos legais. Partindose desta premissa basilar, verificase que o art. 17O da Lei n.º 6.938/81, em que pese o fato de imprimir, de forma inafastável, o dever de apresentar o ADA, não estabelece qualquer exigência no que toca à necessidade de sua protocolização em prazo fixado pela Receita Federal para o fim específico de permitir a redução da base de cálculo do ITR. A exigência de protocolo tempestivo do ADA, para o fim específico da redução da base de cálculo do ITR, não decorre expressamente de lei, mas sim do art. 10, §3º, I, do Decreto n.º 4.382/2002, que data de setembro de 2002. Querse com isso dizer, portanto, que, muito embora a legislação tratasse a respeito da entrega do Ato Declaratório Ambiental, para o fim específico da redução da base de cálculo do ITR, não havia disposição alguma a respeito do prazo para sua apresentação, e, menos ainda, que possibilitasse à Receita Federal desconsiderar a existência de áreas de preservação permanente ou de reserva legal no caso de apresentação intempestiva do ADA. Com efeito, sendo certo que a instituição de tributos ou mesmo da exclusão do crédito tributário, na forma como denominada pelo Código Tributário Nacional, são Fl. 399DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721818/200969 Acórdão n.º 2101002.612 S2C1T1 Fl. 400 13 matérias que devem ser integralmente previstas em lei, na forma como estatuído pelo art. 97, do CTN, mais especificamente no que toca ao seu inciso VI, não poderia sequer o poder regulamentar estabelecer a desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação intempestiva do ADA. O prazo de seis meses, contado da entrega da DITR, foi instituído apenas por instrução normativa, muito posteriormente embasada pelo Decreto n.º 4.382/2002, o que, com a devida vênia, não merece prosperar. Em virtude, portanto, da ausência de estabelecimento de um critério rígido quanto ao prazo para a apresentação do ADA, eis que não se encontra previsto em lei, cumpre recorrer aos mecanismos de integração da legislação tributária, de maneira a imprimir eficácia no disposto pelo art. 17O da Lei n.º 6.398/81. Dentre os mecanismos de integração previstos pelo ordenamento jurídico, dispõe o Código Tributário Nacional, em seu art. 108, I, que deve o aplicador recorrer à analogia, sendo referida opção vedada apenas no que toca à instituição de tributos não previstos em lei, o que, ressaltese, não é o caso. Nesse esteio, recorrendose à analogia para o preenchimento de referida lacuna, devese recorrer à legislação do ITR relativa às demais declarações firmadas pelo contribuinte, mais especificamente no que atine à DIAT e à DIAC, expressamente contempladas pela Lei n.º 9.393/96, aplicadas ao presente caso tendose sempre em vista o escopo da norma inserida no texto do art. 17O da Lei n.º 6.398/81, isto é, imprimir praticabilidade à aferição da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, para o fim específico da isenção tributária. Pois bem. Sendo certo que a apresentação do ADA cumpre o papel de imprimir praticabilidade à apuração da área tributável, verificase que cumpre o escopo da norma a sua entrega até o início da fiscalização, momento a partir do qual a apresentação já não mais cumprirá seu desiderato, passando o ônus da prova a ser do contribuinte. De fato, até o início da fiscalização em face do contribuinte, verificase que a entrega do ADA possibilitará a consideração, por parte da Receita Federal, da redução da base de cálculo do ITR, submetendo as declarações do contribuinte ao pálio do órgão ambiental competente e retirando referida aferição do âmbito da Receita Federal do Brasil. A entrega, portanto, ainda que intempestiva, muito embora pudesse ensejar a aplicação de uma multa específica, caso existisse referida norma sancionatória, seria equivalente à retificação das demais declarações relativas ao ITR, isto é, da DIAT e da DIAC, devendo, pois, ter o mesmo tratamento que estas últimas, em consonância com o que estatui o brocardo jurídico “ubi eadem ratio, ibi eaedem legis dispositio”, isto é, onde há o mesmo racional, a legislação não pode aplicar critérios distintos. À guisa do exposto, portanto, no que toca à entrega do ADA, tenho para mim que cumpre seu desiderato até o momento do início da fiscalização, a partir do qual a omissão do contribuinte ensejou a necessidade de fiscalização específica relativa ao recolhimento do ITR, o que implica nos custos administrativos inerentes a este fato. Assim, aplicase ao ADA, de acordo com este entendimento basilar, a regra prevista pelo art. 18 da Medida Provisória n.º 2.18949/01, que assim dispõe, verbis: Fl. 400DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721818/200969 Acórdão n.º 2101002.612 S2C1T1 Fl. 401 14 “Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa.” De acordo com a interpretação que ora se sustenta, pois, é permitida a entrega do ADA, para o fim de inverter o ônus da prova, ainda que intempestivamente, desde que o contribuinte o faça até o início da fiscalização. Após o início da fiscalização, o contribuinte deve comprovar os dados constantes da DITR, por outros documentos que provem efetivamente as áreas de preservação permanente e de reserva legal, à luz do que se extrai do próprio “Manual de Perguntas e Respostas” do Ato Declaratório Ambiental (ADA) editado pelo IBAMA em 2010. De fato, de acordo com a pergunta e resposta n. 10, não seria possível a apresentação retroativa do ADA, o qual, a partir do exercício de 2007, tornouse anual. Assim, a pergunta e resposta n. 11 orienta o administrado a adotar o seguinte procedimento, em virtude da impossibilidade de apresentação retroativa do ADA: “Em virtude da impossibilidade de procederse à apresentação de ADA, de um ou mais Exercícios anteriores – por não haver retroatividade –, recomendase que seja efetuado o preenchimento do formulário referente ao Exercício em vigor, mesmo porque a apresentação, a partir do ADA – Exercício 2007 tornouse ANUAL. É necessário, também, munirse de mapa(s) georreferenciado(s) da propriedade e respectivos laudos técnicos, se disponíveis. Sua apresentação, em um primeiro momento, não é necessária ao Ibama, porém, caso haja notificação pela Receita Federal do Brasil ao proprietário rural – pela não apresentação do ADA no Exercício devido –, à ela deverão ser apresentados.” Mais adiante, em resposta à pergunta n. 40 (“Que documentação pode ser exigida para comprovar a existência das áreas de interesse ambiental?”), o IBAMA relaciona os seguintes documentos: “● Ato Declaratório Ambiental – ADA e o comprovante da entrega do mesmo; ● Ato do Poder Público declarando as florestas e demais formas de vegetação natural como Área de Preservação Permanente, conforme dispõe o Código Florestal em seu artigo 3.; ● Laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, que especifique e discrimine as Áreas de Interesse Ambiental (Área de Preservação Permanente; Área de Reserva Legal; Reserva Particular do Patrimônio Natural; Área de Declarado Interesse Ecológico; Área de Servidão Florestal ou Ambiental; Áreas Cobertas por Floresta Nativa; Áreas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas); ● Laudo de vistoria técnica do Ibama relativo à área de interesse ambiental; Fl. 401DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721818/200969 Acórdão n.º 2101002.612 S2C1T1 Fl. 402 15 ● Certidão do Ibama ou de outro órgão de preservação ambiental (órgão ambiental estadual) referente às Áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada; ● Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Reserva Legal; ● Termo de Responsabilidade de Averbação da Área de Reserva Legal (TRARL) ou Termo de Ajustamento de Conduta (TAC); ● Declaração de interesse ecológico de área imprestável, bem como, de áreas de proteção dos ecossistemas (Ato do Órgão competente, federal ou estadual – Ato do Poder Público – para áreas de declarado interesse ecológico): Se houver uma área no imóvel rural que sirva para a proteção dos ecossistemas e que não seja útil para a agricultura ou pecuária, pode ser solicitada ao órgão ambiental federal ou estadual a vistoria e a declaração daquela como uma Área de Interesse Ecológico. ● Certidão de registro ou cópia da matrícula do imóvel com averbação da Área de Servidão Florestal; ● Portaria do Ibama de reconhecimento da Área de Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN).” Podese concluir, portanto, que a própria Administração Pública, que não pode venire contra factum proprium, entende que tanto o ADA como a averbação da reserva legal têm efeito meramente declaratório, não sendo os únicos documentos comprobatórios das áreas de preservação permanente e de reserva legal, o que remete a solução da controvérsia, nas hipóteses em que ausentes a apresentação do referido ADA ou a averbação da reserva legal, à análise de cada caso concreto. No presente caso, verificase que o contribuinte não apresentou o ADA em relação ao imóvel em questão. Dessa forma, o ônus passou a ser seu acerca da comprovação da efetiva existência da área de reserva legal Nesse sentido, conforme reconheceu a própria DRJ, foi averbada a área de reserva legal de 605 ha., em 22 de junho de 1981 (efl. 302), motivo pelo qual, quanto a este aspecto, o recurso deve ser provido em parte. A legislação que rege a atividade de avaliação de imóveis, no que diz respeito ao Valor da Terra Nua – VTN, condiciona a utilização do Sistema de Preços de Terras SIPT à observância do art. 14, caput e §1º, da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, que autoriza o arbitramento do VTN nos casos de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas: “Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. §1º. As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, §1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de Fl. 402DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721818/200969 Acórdão n.º 2101002.612 S2C1T1 Fl. 403 16 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios.” Referido dispositivo faz expressa menção aos critérios do art. 12, §1º, inciso II, da Lei nº 8.629/93, que eram originariamente os seguintes: “Art. 12. Considerase justa a indenização que permita ao desapropriado a reposição, em seu patrimônio, do valor do bem que perdeu por interesse social. §1º A identificação do valor do bem a ser indenizado será feita, preferencialmente, com base nos seguintes referenciais técnicos e mercadológicos, entre outros usualmente empregados: I valor das benfeitorias úteis e necessárias, descontada a depreciação conforme o estado de conservação; II valor da terra nua, observados os seguintes aspectos: a) localização do imóvel; b) capacidade potencial da terra; c) dimensão do imóvel. §2º Os dados referentes ao preço das benfeitorias e do hectare da terra nua a serem indenizados serão levantados junto às Prefeituras Municipais, órgãos estaduais encarregados de avaliação imobiliária, quando houver, Tabelionatos e Cartórios de Registro de Imóveis, e através de pesquisa de mercado.” A partir de 2001, com a edição da Medida Provisória n° 2.18356, de 24 de agosto de 2001, referido art. 12 da Lei n.º 8.629/93 passou a ter a seguinte redação: "Art. 12. Considerase justa a indenização que reflita o preço atual de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e acessões naturais, matas e florestas e as benfeitorias indenizáveis, observados os seguintes aspectos: I localização do imóvel; II aptidão agrícola; III dimensão do imóvel; IV área ocupada e ancianidade das posses; V funcionalidade, tempo de uso e estado de conservação das benfeitorias. § 1º Verificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel, proceder seá à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a serem pagas em dinheiro, obtendose o preço da terra a ser indenizado em TDA. § 2º Integram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do imóvel. § 3º O Laudo de Avaliação será subscrito por Engenheiro Agrônomo com registro de Anotação de Responsabilidade Técnica ART, respondendo o subscritor, civil, penal e administrativamente, pela superavaliação comprovada ou fraude na identificação das informações." Fl. 403DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721818/200969 Acórdão n.º 2101002.612 S2C1T1 Fl. 404 17 Extraise dos mencionados dispositivos que o arbitramento do valor da terra nua, nos termos do art. 148 do CTN, deve observar os parâmetros fixados pelo artigo 12 de Lei n. 8.629/93, inclusive capacidade potencial da terra ou aptidão agrícola. Nesse sentido, a Câmara Superior de Recursos Fiscais proferiu o Acórdão 9202003.144, relatado pelo Conselheiro Gustavo Lian Haddad, que teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 1999 ... ITR VALOR DA TERRA NUA ARBITRAMENTO. Para aplicação do Sistema Integrado de Preços de Terras – SIPT é imprescindível que o contribuinte tenha acesso aos critérios e parâmetros utilizados para arbitramento do VTN de modo a permitir verificar o atendimento aos requisitos da legislação aplicável (art. 14 da Lei n. 9.393/1996 c/c art. 12, §1º, inciso II, da Lei no 8.629/1993). Recurso especial provido em parte” (Processo 13116.001484/200318, j. 27 de março de 2014). No presente caso, o VTN foi calculado sem aptidão agrícola (efl. 16). Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento EM PARTE ao recurso, para restabelecer a área de reserva legal de 605 ha. e o VTN declarado pelo contribuinte. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Voto Vencedor Conselheira Maria Cleci Coti Martins, Redatora designada Com a devida vênia ao voto do Conselheiro Relator, divirjo no que tange ao valor da terra nua aceito pelo contribuinte no ano em questão. Na contestação do lançamento, o recorrente apresentou laudo técnico aonde informa um Valor da Terra Nua, para a propriedade, superior ao declarado na DIAT. Conforme art. 334 da lei 5869/72, a informação contida no laudo foi admitida como correta pelo contribuinte, tornandose então incontroversa. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Processo nº 10183.721818/200969 Acórdão n.º 2101002.612 S2C1T1 Fl. 405 18 Art. 334. Não dependem de prova os fatos: ... II afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária; III admitidos, no processo, como incontroversos; Desta forma entendo que, dadas as condições do imóvel antes relatadas, o VTN informado no laudo técnico, apresentado pelo contribuinte e juntado aos autos, deve ser utilizado para fins da tributação da propriedade rural. Conselheira Maria Cleci Coti Martins Redatora designada Fl. 405DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 13/02/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/02/2015 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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Numero do processo: 10516.720008/2012-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 25/06/2007 a 06/11/2009
INOVAÇÃO DO LANÇAMENTO NO JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
À autoridade julgadora não é permitido ajustar o lançamento para complementar a sua fundamentação legal, eis que, além de faltar-lhe competência para tanto, implicaria cerceamento do direito de defesa à recorrente.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3402-002.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO - Presidente
(assinado digitalmente)
MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Maria Aparecida Martins de Paula (Relatora), Alexandre Kern, João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente o Conselheiro Fernando Luiz da Gama D Eça.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 25/06/2007 a 06/11/2009 INOVAÇÃO DO LANÇAMENTO NO JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. À autoridade julgadora não é permitido ajustar o lançamento para complementar a sua fundamentação legal, eis que, além de faltarlhe competência para tanto, implicaria cerceamento do direito de defesa à recorrente. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para anular a decisão de primeira instância, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Maria Aparecida Martins de Paula (Relatora), Alexandre Kern, João Carlos Cassuli Júnior e Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente o Conselheiro Fernando Luiz da Gama D Eça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 6. 72 00 08 /2 01 2- 81 Fl. 553DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APAREC IDA MARTINS DE PAULA 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I que julgou improcedente a impugnação, mantendo integralmente o crédito tributário. Por retratar os fatos que sucederam no processo até a apresentação da impugnação, adotase aqui o relatório da decisão recorrida, que abaixo se transcreve: (...) Cuidase de processo administrativo fiscal, no qual as Autoridades Aduaneiras, por meio de Auto de Infração (fls. 02 a 24; e anexos; e Relatório de Fiscalização às fls. 306 a 359 do e processo, e documentos acostados), constituíram crédito tributário em face da empresa GIGA IMPORTADORA E DISTRIBUIDORA DE ADITIVOS ALIMENTARES LTDA., doravante por vezes designada simplesmente GIGA, e como responsável solidário, a empresa LUCHEBRAS LABORATÓRIO DE PROCESSOS INDUSTRIAIS LTDA., doravante por vezes designada simplesmente LUCHEBRAS. O valor total do crédito tributário lançado em face da GIGA perfaz a soma de R$ 1.358.059,93 (um milhão, trezentos e ciquenta e oito mil, cinquenta e nove reais e noventa e três centavos), consoante se observa por exemplo do Resumo do Crédito Tributário Apurado à fl. 359 do eprocesso. E, conforme se verifica do mesmo documento, o valor total do crédito tributário lançado em face da LUCHEBRAS perfaz a soma de R$ 422.194,33 (quatrocentos e vinte e dois mil, cento e noventa e quatro reais e trinta e três centavos). Oportuno salientar, no entanto, que nos presentes autos (PAF 10516.720.008/201281), o valor total é de R$ 1.358.059,93. O referido valor de R$ 422.194,33 restou constituído nos autos do PAF 10516.720.007/201237). O contribuinte Giga Importadora e Distribuidora de Aditivos Alimentares Ltda teve ciência editalícia do Auto de Infração em 30/07/2012 (fl. 474). Não impugnou o ato fiscal e consequentemente foi lavrado o Termo de Revelia de fl. 467. O contribuinte Luchebras Laboratório de Processos Industriais Ltda EPP, responsável solidário, teve ciência da autuação em 31/07/2012 (fls. 459 e 460). Interpôs a impugnação de fls. 382 a 412 (380 a 410 do eprocesso) em 31/07/2012, juntamente com os documentos de fls. 413 a 457. Os Autos de Infração Nos termos da autuação fiscal e dos documentos que instruem o processo, asseveram as Autoridades Aduaneiras que a subscreveram haverem constatado, em apertada síntese, que: No ano de 2009, o Departamento de Polícia Federal (DPF) realizou a operação “HÉRCULES”. O Relatório sobre a operação identificou condutas criminosas contra o sistema financeiro nacional praticadas de forma contumaz pelos responsáveis das casas de câmbio CASA BRANCA CÂMBIO E TURISMO LTDA e VASQUES TURISMO, bem como por muitos de seus clientes. Por meio desse Relatório, foram identificados pela Receita Federal do Brasil (RFB) integrantes de Fl. 554DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APAREC IDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10516.720008/201281 Acórdão n.º 3402002.628 S3C4T2 Fl. 554 3 várias sociedades empresárias importadoras, principalmente do Rio Grande do Sul, mas também de algumas sociedades paulistas e catarinenses, que cometeram ilícitos contra o sistema financeiro nacional, ordenando o envio de divisas ao exterior à margem do sistema oficial de câmbio brasileiro. A fim de apurar a participação de tais integrantes e de suas sociedades importadoras em fraudes no comércio exterior brasileiro, foi deflagrada, em novembro de 2011, operação conjunta do DPF e da RFB, chamada “HERÁCLIDAS”. Este Relatório trata da fiscalização das sociedades importadoras LUCHEBRÁS LAB. DE PROCESSOS INDUSTRIAIS LTDA.EPP., CNPJ 06.910.888/000186, e GIGA IMPORTADORA E DISTRIBUIDORA DE ADITIVOS ALIMENTARES LTDA., CNPJ 02.286.065/000170, identificadas na operação “HÉRCULES” e que foram alvos da operação “HERÁCLIDAS”, obedecendo ao Mandado de Busca e Apreensão (MBA) n° 7284110, fls. 025 e 026, o qual foi cumprido apenas na sede da sociedade LUCHEBRÁS. O referido MBA também mandava que se realizasse busca e apreensão na sede da sociedade GIGA, mas a mesma encontravase fechada no dia do cumprimento do MBA, permanecendo fechada até a data da última visita ao seu endereço, dia 02/07/2012. Que após a apreensão, o DPF copiou os documentos e arquivos magnéticos apreendidos e disponibilizou essas cópias para a equipe de fiscalização aduaneira da RFB, para avaliação de seus conteúdos, a fim de se verificar se esses documentos e arquivos magnéticos continham provas de fraudes praticadas por LUCHEBRÁS e GIGA em suas operações de importação. Realizadas as análises, a equipe de AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil responsável por esta fiscalização verificou a existência de provas de: a) gerenciamento fraudulento nas sociedades LUCHEBRÁS e GIGA, pois quem efetivamente comandava estas sociedades eram: GIOVANNA PINTO LUCHESE, CPF 000.588.14043, um dos sócios da sociedade LUCHEBRÁS; seu pai, CLÓVIS BENEDITO LUCHESE, CPF 263.866.66020, sócio até 26/11/1999 da GIGA; e MODESTO CARRO LOUREIRO, CPF 430.708.17068, sócio de 08/01/2007 a 11/06/2007 da LUCHEBRÁS. NAIR TORNUS LUCHESE, CPF 492.401.45087, sócia majoritária da LUCHEBRÁS é mãe de CLÓVIS; b) subvaloração fraudulenta, que é quando o importador declara em suas declarações de importação (Dl), de forma intencional, valor aduaneiro inferior ao valor aduaneiro real; e c) evasão de divisas, na forma de pagamentos efetuados ao exterior à margem do sistema regular de câmbio. Que GIGA e LUCHEBRÁS não eram duas sociedades empresárias independentes, pois na verdade eram uma sociedade composta, chamada aqui por esta fiscalização de grupo GIGALUCHEBRÁS, utilizando definição empregada por GIOVANNA ao se referir a atuação das duas sociedades... Este grupo vai ganhar mais tarde a companhia da sociedade PH LÍQUIDO DO BRASIL. Que a administração desse grupo cabia a três pessoas: CLÓVIS e MODESTO, duas pessoas estranhas aos quadros sociais das duas sociedades; e GIOVANNA, sócia administradora da LUCHEBFRÁS. Que “Identificamos dois graves problemas nas operações de importação realizadas pelo grupo GIGALUCHEBRÁS. O primeiro problema foi quanto ao valor aduaneiro dessas importações. Os valores aduaneiros declarados pelo grupo em suas declarações de importação (Dl), base de cálculo dos tributos incidentes nessas operações, eram bem mais baixos do que os valores efetivamente negociados com o exterior. O segundo problema identificado é um Fl. 555DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APAREC IDA MARTINS DE PAULA 4 efeito necessário (criminosamente necessário) do primeiro. Falamos dos pagamentos remetidos ao exterior, à margem do sistema oficial brasileiro de câmbio, das diferenças entre os valores realmente negociados e os valores declarados pelo grupo GIGALUCHEBRÁS”. Com base nos fatos narrados, e documentos carreados ao processo, foram lavrados os Autos de Infração ora em exame, do qual os autuados, conforme mencionado linhas atrás, tomaram ciência, mas tãosomente impugna as autuações a empresa LUCHEBRAS. A Impugnação Conforme salientado, o contribuinte Giga Importadora e Distribuidora de Aditivos Alimentares Ltda. teve ciência do Auto de Infração em 30/07/2012 (fl. 377). Não impugnou o ato fiscal e consequentemente foi lavrado o Termo de Revelia de fl. 467. O contribuinte Luchebras Laboratório de Processos Industriais Ltda. EPP, responsável solidário, teve ciência da autuação em 31/07/2012 (fls. 459 e 460). Interpôs a impugnação de fls. 382 a 412 em 31/07/2012, juntamente com os documentos de fls 413 a 457. Em sua impugnação, a LUCHEBRAS alega, em apertado resumo: Que demonstrará, “ao longo da inconformidade ora apresentada as seguintes questões: (a) quanto à sujeição passiva da Impugnante relativamente às operações realizadas pela Giga: (a.1) a ausência de formação de grupo econômico entre as empresas; e (a.2) a falta de suporte fático para enquadrar a Impugnante como contribuinte solidário; (b) quanto aos créditos tributários exigidos: (b.1) a improcedência dos autos de infração lavrados no presente processo administrativo; e (b.2) subsidiariamente, a inaplicabilidade da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria na hipótese em exame” (fl. 382). Que restará provado inequivocamente que a relação havida entre as empresas (LUCHEBRAS e GIGA) sempre foi estritamente comercial, afastandose, por conseguinte, a existência do indigitado grupo econômico GigaLuchebras e, consequentemente, a responsabilidade da Impugnante pelo suposto crédito tributário exigido nos autos; Que a relação havida entre as empresas era meramente comercial, decorrente, em especial, de contrato de industrialização por encomenda firmado entre as partes em 03.01.2005, acrescido do adendo 1, de 03.01.2006, e do adendo 2, de 10.06.2008 (doc. 01 – juntado à impugnação); que, conforme se extrai do referido contrato, a Impugnante foi contratada para proceder à industrialização dos produtos encomendados pela Giga; nos termos da cláusula “b),2” do instrumento particular em comento, a Giga fornecia as matérias primas e insumos necessários à industrialização. Que justamente essa era a relação existente entre as empresa. Ou seja, a Giga adquiria os insumos no mercado internacional e, após o devido ingresso dos produtos no país, remetiaos à Impugnante, que, por sua vez, realizava o processo de industrialização para, em seguida, devolver os produtos àquela; que a Giga era, portanto, simples cliente da Impugnante; Com vistas a provar o acima alegado, Impugnante junta notas fiscais emitidas pela Giga entre 04.05.2007 e 29.07.2007, a fim de mostrar a efetiva remessa dos produtos por ela importados para a Impugnante para fins de industrialização (doc. 02). Outrossim, acosta aos autos as notas fiscais emitidas pela Impugnante que atestam o retorno das Fl. 556DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APAREC IDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10516.720008/201281 Acórdão n.º 3402002.628 S3C4T2 Fl. 555 5 referidas mercadorias para a Giga após o processo de industrialização (doc. 03). Com amparo nesses elementos probatórios, resta claro – conforme alega – que o registro no fluxo de caixa da Impugnante de movimentações relacionadas às notas fiscais mencionadas, antes de militar em favor da existência de grupo econômico, prova a real relação única e exclusivamente comercial existente entre as empresas. Em adição, cumpre fazer referência a email enviado por funcionário da Impugnante, em 07.08.2009, no qual há uma planilha de controle das pendências do cliente Giga. Depreendese de tal documento a existência de cobranças bancárias e, inclusive, de protestos, por parte de Impugnante, de duplicatas emitidas pela Giga em seu favor (doc. 04). Nesse contexto, assevera a impugnante que: “Ora, soa, no mínimo, extremamente inverossímil que determinada empresa proteste em cartório título de crédito emitido por outra integrante do mesmo grupo econômico. Tal elemento, com efeito, constitui indicio forte e contundente acerca da inexistência do grupo GigaLuchebras, fantasiado pelo Fisco”. Nessa linha, afirma que “fulminada a pretensa existência de fato do suposto grupo GigaLuchebras, é manifesta a ilegitimidade da Impugnante para figurar no pólo passivo das obrigações tributárias veiculadas nos autos, uma vez que sua responsabilização partiu da referida premissa, agora desconstituída por prova clara e convincente”. Também contesta a capitulação legal utilizada pelas Autoridades Aduaneiras em relação à sujeição passiva tributária. Alega que: “mesmo que se aceitassem as falsas inferências sobre a formação de um suposto grupo econômico, a atribuição de sujeição passiva à Impugnante encontra óbice diante do equivocado enquadramento da Impugnante como contribuinte no lançamento fiscal. Consoante se depreende do Relatório de Fiscalização, a Impugnante foi enquadrada na condição de contribuinte solidário, com base nos arts. 121. I, c/c 124, I, ambos do CTN, relativamente aos tributos e penalidades exigidos em razão das operações realizadas pela Giga. De acordo com as razões expostas pelo Fisco, a Impugnante, ao formar um suposto grupo econômico com a Giga, teria interesse comum nos fatos geradores que ensejaram as autuações (art. 124, I, CTN). Assim, no entendimento da Autoridade Aduaneira, a Impugnante, por tais fundamentos, teria relação pessoal e direta com a entrada no Brasil dos produtos importados pela Giga, resultando daí sua condição de contribuinte (art. 121, I, CTN). Entretanto, é incontroverso que os fatos descritos no Relatório de Fiscalização, ainda que se mostrassem verossímeis, jamais poderiam ensejam a autuação da impugnante como contribuinte (art. 121, I, CTN) das obrigações tributárias da Giga. A situação descrita pelo Fisco poderia autorizar, no máximo, a verificação de alguma hipótese de responsabilidade tributária (art. 121, II, CTN) apta a justificar, em um plano abstrato, a sujeição passiva da Impugnante. Isso porque, não existem dúvidas a respeito da condição de terceiro quanto aos supostos fatos geradores em análise” (fl. 388 e 389). Alega ainda a não ocorrência de subvaloração fraudulenta e de remessa ilegal de divisas para o exterior nas importações, ao asseverar que: “Mesmo que se pudesse admitir a sujeição passiva da Impugnante no presente caso o que se afirma apenas a hipoteticamente e a título argumentativo é certo que as ditas infrações que serviram de base para o lançamento fiscal não estão suficiente e Fl. 557DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APAREC IDA MARTINS DE PAULA 6 satisfatoriamente provadas, motivo pela qual os autos de infração estão eivados de manifesta nulidade”. E que “nesse sentido, são basicamente duas as acusações que o Relatório de Fiscalização atribui à Importadora e que fundamentam as exigências fiscais veiculadas no presente processo administrativo: (a) subvaloração fraudulenta na importação de mercadorias pela não declaração dos royalties supostamente pagos ao exportador; e (b) remessa ilegal de divisas para o exterior a fim de realizar o pagamento dos alegados royalties que não teriam sido incluídos no valor aduaneiro {base de cálculo dos tributos incidentes nas operações). Acontece que, ao contrário do sustenta o Fisco, não se encontra nos autos a comprovação de que houve o efetivo pagamento de royalties para o fornecedor estrangeiro PH Liquid Belgium em função das aquisições de PH Liquid...” (grifos ora acrescidos). Que em relação aos fatos referentes à alegada evasão de divisas, afirma que “o primeiro indício que aparenta sustentar a presunção elaborada pelo Fisco sobre o ponto em questão consiste no relatório da Polícia Federal sobre a Operação Hércules. Contudo, tal documento sequer menciona a Importadora, tampouco faz qualquer referência à empresa. Em suma, o indigitado relatório policial não aponta a realização de qualquer operação financeira irregular pela Importadora por meio da casa de câmbio investigada (fl. 349). Ademais, conforme se depreende do próprio relatório lavrado pela Autoridade Policial, parcialmente transcrito nos autos, o proprietário da aludida casa de câmbio forneceu a relação dos 63 (sessenta e três) clientes que utilizavam sua empresa como instrumento para a realização de operações financeiras irregulares e nessa lista não figurava a Importadora tampouco a Impugnante (fl. 349). Desse modo, como então aceitar a presunção do Fisco no sentido de que nas operações de importação da Importadora houve remessa ilegal de divisas se a própria prova indiciária (relatório da Polícia Federal) não aponta para a ocorrência de qualquer operação financeira ilegal?”. Por derradeiro, defende a inaplicabilidade da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria aos casos de subfaturamento. Nessa linha, afirma que “supondose ... a ocorrência do alegado subfaturamento, a penalidade aplicável ao caso seria a multa administrativa de 100% (cem por cento) sobre a diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação, mas, em hipótese alguma, a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias” visto que há previsão dessa penalidade específica para os casos de subfaturamento, contida no art. 88, parágrafo único, da MP 2.15835/2001, e nos arts. 108, parágrafo único, e 169, II, do DecretoLei 37/66 (v. fls. 403 a 406). Pelo esposado, a impugnante requer seja acolhida a impugnação para cancelar, ao menos em relação à impugnante, o lançamento tributário em sua integralidade ou, subsidiariamente, para afastar a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias. Esta, a síntese das alegações da impugnante, acima qualificada. É o breve relato do essencial. (...) Fl. 558DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APAREC IDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10516.720008/201281 Acórdão n.º 3402002.628 S3C4T2 Fl. 556 7 Mediante o Acórdão nº 1652.252, de 31/10/2013, a 11ª Turma da DRJ/São Paulo I, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela Luchebras Laboratório de Processos Industriais Ltda. EPP, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Importação II Período de apuração: 25/09/2007 a 06/11/2009 SUBFATURAMENTO. SOLIDARIEDADE PASSIVA. SOLIDARIEDADE. Segundo a legislação do Comércio Exterior, a pessoa, física ou jurídica, que concorra, de alguma forma, para a prática de atos fraudulentos ou deles se beneficie responde solidariamente pelo crédito tributário decorrente. Exegese do art. 95 do Decretolei 37/1966. MERCADORIA IMPORTADA IRREGULAR OU FRAUDULENTAMENTE. ENTREGA A CONSUMO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR DA MERCADORIA. Incorrerão em multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente. As empresas Giga e Luchebrás foram regularmente cientificadas, por via postal, da decisão de primeira instância em 17/12/2013. Em 14/01/2014, a empresa LUCHEBRAS LABORATÓRIO DE PROCESSOS INDUSTRIAIS LTDA. apresentou recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) com alegações semelhantes àquelas da Impugnação (vide Relatório da decisão recorrida), acrescentando também algumas insurgências em face da decisão recorrida. O referido recurso, abaixo sintetizado, foi subdividido nos seguintes tópicos: 1. Dos fatos: A recorrente apresentou impugnação, mediante a qual sustentou e provou: (a) quanto à sujeição passiva da Impugnante relativamente às operações realizadas pela Giga: (a.1) erro crasso no seu enquadramento como contribuinte solidário e (a.2) ausência de formação de grupo econômico entre as empresas; (b) quanto aos créditos tributários exigidos: (b.1) a improcedência dos autos de infração e (b.2) a inaplicabilidade da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias. Sobreveio o Acórdão nº 1652.252, no qual os julgadores praticamente repisaram os argumentos da autoridade autuante, com exceção da questão atinente à sujeição passiva, em relação à qual houve manifesta alteração dos fundamentos jurídicos do lançamento. O referido acórdão não deu o tratamento adequado ao caso, pois: 1°) é evidente a alteração do fundamento legal para a sujeição passiva; 2º) inexiste grupo econômico entre a recorrente e a Giga; 3º) não se vislumbra a ocorrência de subfaturamento nas importações; e 4º) é inaplicável a multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias. 2. Das razões para reforma do Acórdão: Fl. 559DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APAREC IDA MARTINS DE PAULA 8 2.1. Da ilegitimidade passiva da recorrente: 2.1.1. Do erro na atribuição de sujeição passiva à recorrente na qualidade de contribuinte solidário: No lançamento fiscal, a recorrente foi considerada contribuinte solidário com base nos arts. 121, I c/c 124, I do CTN, relativamente aos tributos e penalidades exigidos em razão das operações de importação realizadas pela Giga. Segundo o Fisco, o interesse comum nos fatos geradores seria em face da recorrente formar um suposto grupo econômico com a Giga (art. 124, I do CTN), de forma que teria relação pessoal e direta com a entrada no Brasil dos produtos importados pela Giga, resultando daí sua condição de contribuinte (art. 121, I do CTN). No entanto, os fatos descritos no processo jamais poderiam ensejar a autuação da recorrente como contribuinte (art. 121, I do CTN), mas, no máximo, a verificação de alguma hipótese de responsabilidade tributária (art. 121, II do CTN). Com relação ao imposto sobre importação e ao PIS/Pasepimportação e à Cofinsimportação, somente poderia ser enquadrado como contribuinte o importador, assim considerado aquele que promove a entrada de mercadorias estrangeiras no território nacional (art. 31, I do Decretolei nº 37/66), que, no caso concreto, é, indiscutivelmente, a Giga. Ademais, não é correto imputar a condição de contribuinte à recorrente com base no art. 124, I do CTN em razão de um suposto interesse comum, pela alegada formação de grupo econômico. Isto porque, a solidariedade a que se refere a norma é entre as pessoas que corealizam o fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na situação, conforme precedentes colacionados. Desse modo, afastada sua condição de contribuinte solidário em relação às importações realizadas pela Giga, inferese que somente poderia ser conferida, em tese, a condição de responsável tributário à recorrente, no que o Fisco não logrou êxito. Evidenciado o erro na identificação do sujeito passivo, que se apresenta como vício material do lançamento (art. 142 do CTN), o qual não permite a contagem especial do prazo de decadência previsto no art. 173, II do CTN. Por último, é de se enfatizar a invalidade da pretensão do acórdão recorrido de alterar o fundamento legal da sujeição passiva da recorrente de contribuinte (art. 121, I c/c art. 124, I do CTN) no auto de infração para responsável solidário (art. 95, I do Decretolei nº 37/66), o que não é lícito. As delegacias de julgamento não têm competência para celebrar o lançamento, nem para agraválo ou para aperfeiçoálo. Razão pela qual o acórdão guerreado é nulo na parte em que alterou a espécie de sujeição passiva atribuída à recorrente no lançamento de ofício. 2.1.2. Da inexistência do alegado grupo GigaLuchebras: A relação havida entre as empresas era meramente comercial, decorrente, em especial, de contrato de industrialização por encomenda firmado entre as partes, conforme comprovam os documentos acostados na impugnação: contrato de industrialização e notas fiscais de remessas e de retorno de mercadorias. A recorrente foi contratada para proceder à industrialização dos produtos encomendados pela Giga, que fornecia as matérias primas e insumos necessários à industrialização. A Giga adquiria os insumos no mercado internacional e, após o devido ingresso dos produtos no país, remetiaos à Impugnante, que, por sua vez, realizava o processo de industrialização para, em seguida, devolver os produtos àquela. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APAREC IDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10516.720008/201281 Acórdão n.º 3402002.628 S3C4T2 Fl. 557 9 Com amparo nesses elementos probatórios, resta claro que o registro no fluxo de caixa da recorrente de movimentações relacionadas às notas fiscais apresentadas, antes de militar em favor da existência de grupo econômico, prova a real relação única e exclusivamente comercial existente entre as empresas. Em adição, cumpre fazer referência ao email enviado por funcionário da recorrente, em 07.08.2009, no qual há uma planilha de controle das pendências do cliente Giga. Depreendese de tal documento a existência de cobranças bancárias e, inclusive, de protestos, por parte da recorrente, de duplicatas emitidas pela Giga em seu favor. Nesse contexto, assevera que: “Ora, soa, no mínimo, extremamente inverossímil que determinada empresa proteste em cartório título de crédito emitido por outra integrante do mesmo grupo econômico. Tal elemento, com efeito, constitui indício forte e contundente acerca da inexistência do grupo GigaLuchebras, fantasiado pelo Fisco (...)”. Conclui a questão com a afirmação que “fulminada a pretensa existência de fato do suposto grupo GigaLuchebras, é manifesta a ilegitimidade da Impugnante para figurar no pólo passivo das obrigações tributárias veiculadas nos autos, uma vez que sua responsabilização partiu da referida premissa, agora desconstituída por prova clara e convincente”. 2.2. Da não ocorrência de subvaloração nas importações: A decisão atacada não levou em consideração os argumentos apresentados na impugnação da recorrente, deixando de analisar os fatos e provas relacionados às quatro importações realizadas pela Giga, que são objeto do presente feito, limitandose a transcrever os termos do Relatório de Fiscalização acerca de uma das operações, referente ao processo administrativo nº 10516.720007/201237. Pelo que é clara, no caso, a preterição do seu direito de defesa. São basicamente duas as acusações que o Relatório de Fiscalização atribui à Importadora e que fundamentam as exigências fiscais veiculadas no presente processo administrativo: subvaloração fraudulenta na importação de mercadorias pela não declaração dos royalties supostamente pagos ao exportador; e remessa ilegal de divisas para o exterior a fim de realizar o pagamento dos alegados royalties que não teriam sido incluídos no valor aduaneiro. Acontece que, ao contrário do sustenta o Fisco, não se encontra nos autos a comprovação de que houve o efetivo pagamento de royalties para o fornecedor estrangeiro PH Liquid Belgium em função das aquisições de PH Liquid. Os supostos fatos indiciários trazidos a lume pelo Fisco resumemse a meras trocas de mensagem eletrônicas, nas quais o fornecedor estrangeiro exige o pagamento de valores a esse título, e simples planilhas apócrifas e sem identificação com dados das operações, que, aparentemente, evidenciariam a cobrança de royalties. Não há, nos autos, a prova direta da prática de irregularidades pela Giga nas operações de importação, sendo que tampouco os supostos indícios são capazes de justificar a lavratura dos autos de infração. Em relação à alegada evasão de divisas, é incontroverso que não se pode concluir pela sua ocorrência tão somente com amparo nos fatos delineados pela autoridade lançadora. Salienta a recorrente que “o primeiro indício que aparenta sustentar a presunção elaborada pelo Fisco sobre o ponto em questão consiste no relatório da Polícia Federal sobre a Operação Hércules. Contudo, tal documento sequer menciona a Importadora, tampouco faz qualquer referência à empresa. Em suma, o indigitado relatório policial não aponta a realização Fl. 561DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APAREC IDA MARTINS DE PAULA 10 de qualquer operação financeira irregular pela Importadora por meio da casa de câmbio investigada (fl. 349). Ademais, conforme se depreende do próprio relatório lavrado pela Autoridade Policial, parcialmente transcrito nos autos, o proprietário da aludida casa de câmbio forneceu a relação dos 63 (sessenta e três) clientes que utilizavam sua empresa como instrumento para a realização de operações financeiras irregulares e nessa lista não figurava a Importadora (Giga), nem a Recorrente (fl. 349). Desse modo, como então aceitar a presunção do Fisco no sentido de que nas operações de importação da Importadora houve remessa ilegal de divisas se a própria prova indiciária (relatório da Polícia Federal) não aponta para a ocorrência de qualquer operação financeira ilegal?”. Sem a prova cabal da remessa de recurso ao exterior, descabe falar em evasão de divisas, que se caracterizaria pelo envio de dinheiro a outrem no exterior à margem do sistema de câmbio oficial brasileiro. Também inexiste no processo a referência a Declarações de Importação de outros importadores que pudessem servir de parâmetro para evidenciar a subvaloração fraudulente que se pretende atribuir à importadora e à recorrente. Conforme pesquisa efetuada pela recorrente no sistema Aliceweb o produto de NCM 29181100 tem o preço médio de 2,04 euros/kg, semelhantes aos declarados nas DI´s ora sob questionamento. 2.3. Da inaplicabilidade da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadorias aos casos de subfaturamento: Mostrase evidente a inaplicabilidade da multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, com base no art. 23, IV e §3º do Decretolei nº 1.455/76 c/c o art. 105, VI e XI do Decretolei nº 37/11, pela apresentação de faturas comerciais ideologicamente falsas em relação ao valor aduaneiro, abaixo daquele efetivamente pago ao exportador. À luz do critério da especialidade, quando se estiver diante de subfaturamento em razão de falsa declaração de valor, a consequência deve ser a aplicação da multa no valor de 100% da diferença entre o preço declarado e o preço efetivamente praticado na importação, conforme previsto no art. 88, parágrafo único, da MP 2.15835/2001, e nos arts. 108, parágrafo único, e 169, II, do DecretoLei 37/66. Requereu a responsável solidária, ao final, o conhecimento e o provimento do recurso voluntário para cancelar, ao menos em relação a si, o lançamento tributário em sua integralidade, ou, subsidiariamente, para afastar a aplicação da multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias. É o relatório. Voto Conselheira MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA O recurso atende aos requisitos de admissibilidade e dele se toma conhecimento. Passo a analisar a preliminar de ilegitimidade passiva da recorrente. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APAREC IDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10516.720008/201281 Acórdão n.º 3402002.628 S3C4T2 Fl. 558 11 Conforme consta no Relatório de Fiscalização (fl. 349) e no Termo de Ciência de Sujeição Passiva Solidária (fls. 459/460), cujos trechos foram transcritos abaixo, no presente processo, em que as importações foram efetuadas pela empresa Giga, esta seria a contribuinte principal, nos termos do art. 121, I do CTN, sendo a recorrente Luchebrás "contribuinte solidário", por interesse comum na situação que constitui o fato gerador, nos termos do art. 124, I do CTN: [Relatório de Fiscalização] (...) 110. Formalmente, existe o limite entre LUCHEBRÁS E GIGA, mas materialmente este limite nunca existiu, havendo uma confusão entre as duas sociedades. Tal relação jurídica indica o caminho a ser seguido na responsabilização das sociedades integrantes do esquema fraudulento de importações do grupo GIGALUCHEBRÁS: LUCHEBRÁS como contribuinte principal quanto às suas operações de importação e GIGA, como contribuinte solidário nestas operações, invertendose a relação nas operações de importação registradas em nome da GIGA. A condição de solidariedade entre LUCHEBRÁS e GIGA vem do Código Tributário Nacional (grifo nosso): Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...) [Termo de Ciência de Sujeição Passiva] (...) Face ao exposto (...), ficou perfeitamente caracterizada a responsabilidade solidária de que trata o inciso I do artigo 124 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN), abaixo in verbis: (...) Fica, portanto, a sociedade LUCHEBRÁS LABORATÓRIO DE PROCESSOS INDUSTRIAIS LTDA. EPP, CNPJ 06.910.888/000186, na condição de RESPONSÁVEL SOLIDÁRIACONTRIBUINTE, (...) Ao que se depreende da leitura da autuação, a recorrente não foi incluída no processo como o "responsável" a que se refere o art. 121, II do CTN, mas como Fl. 563DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APAREC IDA MARTINS DE PAULA 12 "solidariamente obrigada" com a contribuinte Giga, nos termos do art. 124, I do CTN, em face da constatação, nos autos, de uma sociedade de fato, denominada "Grupo GigaLuchebrás". Neste ponto, cabe citar a doutrina de Leandro Paulsen (Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 10. ed. rev. atual. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2008, p. 909), acerca da interpretação do art. 124 do CTN: Não é forma de inclusão de terceiro, mas grau de responsabilidade dos coobrigados, sejam contribuintes, ou contribuinte e responsável tributário. "4. A solidariedade não é forma de eleição de responsável tributário. A solidariedade não é espécie de sujeição passiva por responsabilidade indireta, como querem alguns. O Código Tributário Nacional, corretamente, disciplina a matéria em seção própria, estranha ao Capítulo V, referente à responsabilidade. (...)"(Derzi, Misabel Abreu, Atualização da obra de Aliomar Baleeiro, Direito Tributário Brasileiro. 11ª ed. Rio de Janeiro: Forense, p. 729). Sustenta a recorrente a invalidade do acórdão recorrido por ter alterado o fundamento legal da sujeição passiva da recorrente de contribuinte (art. 121, I c/c art. 124, I do CTN) no auto de infração para responsável solidário (art. 95, I do Decretolei nº 37/66). Neste ponto, verificase que, realmente, a decisão de primeira instância inseriu o art. 95, I do Decretolei nº 37/66 para a responsabilização da recorrente no presente processo, em caráter complementar aos arts. 121, I e 124, I do CTN, que já constava na autuação, conforme trechos abaixo transcritos da ementa e do voto do Relator: Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação II Período de apuração: 25/09/2007 a 06/11/2009 SUBFATURAMENTO. SOLIDARIEDADE PASSIVA. SOLIDARIEDADE. Segundo a legislação do Comércio Exterior, a pessoa, física ou jurídica, que concorra, de alguma forma, para a prática de atos fraudulentos ou deles se beneficie responde solidariamente pelo crédito tributário decorrente. Exegese do art. 95 do Decretolei 37/1966. (...) Voto DA SOLIDARIEDADE PASSIVA. Questão tangente ao mérito e abordada com profundidade na peça impugnatória referese à solidariedade passiva tributária. Sobre a sujeição passiva tributária, dispõe o Código Tributário Nacional (CTN) que: “Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Fl. 564DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APAREC IDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10516.720008/201281 Acórdão n.º 3402002.628 S3C4T2 Fl. 559 13 Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei.” “Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem.” Ou seja, a pessoa obrigada ao pagamento de penalidade pecuniária é considerada sujeito passivo de obrigação principal. Chamase “contribuinte” aquele que possua “relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador”. A leitura do artigo 121 implica a conclusão de que para o CTN o “infrator” é também “contribuinte”, se possuir “relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador”. Além disso, sendo diversos os coautores da infração sujeita a pena pecuniária, são todos responsáveis solidários, por possuírem interesse jurídico comum no ilícito que dá azo à penalidade pecuniária (obrigação principal), nos termos do artigo 124, inciso I, do CTN. Em complemento às disposições do Código Tributário Nacional, o DecretoLei nº 37/1966 definiu especificamente a responsabilidade pelas infrações aduaneiras. É o que se observa da letra de seus artigos 94 e 95, in verbis: (...) Nos termos do Decretolei 37/1966, comete infração toda a pessoa física ou jurídica que, por ação ou omissão, voluntária ou involuntária, não observe norma estabelecida no Decretolei, em seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. Consoante se verifica da legislação acima referenciada, o enquadramento legal da sujeição tributária passiva, na seara do Direito Aduaneiro, embora obviamente tenha sustentáculo no CTN (norma geral de Direito Tributário), deve obedecer aos ditames da norma legal específica, qual seja, o Decretolei nº 37, de 1966. Isto posto, passase a analisar a sujeição tributária no caso concreto. Fl. 565DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APAREC IDA MARTINS DE PAULA 14 Estaria correta em parte a sustentação da impugnante – no sentido de que a situação descrita pelo Fisco poderia autorizar, no máximo, a verificação de alguma hipótese de responsabilidade tributária (art. 121, II, CTN) – se não houvesse ficado devidamente demonstrado e provado, nestes autos, como será pormenorizado linhas adiante, a existência de uma sociedade de fato, formada pelas empresas GIGA, LUCHEBRAS e, ainda, por seus DIRIGENTES, sociedade de fato denominada, na autuação, de “Grupo GIGALUCHEBRÁS”. Dessa forma, pela aplicação do inciso I do art. 95 do Decretolei nº 37, de 1966, entende este relator que a responsabilidade tributária é, neste processo, conjunta, entre as empresas GIGA, LUCHEBRÁS e seus dirigentes de fato. (...) Em obediência aos princípios da ampla defesa, do contraditório e da segurança jurídica, prescritos no art. 2º da Lei nº 9.784/99, não pode a autoridade julgadora alterar ou complementar a motivação ou capitulação legal do lançamento fornecida pela autoridade autuante. Assim não fosse, estaria havendo claro cerceamento do direito de defesa dos interessados, os quais não poderiam presumir, na apresentação da impugnação ou do recurso, qual seria a futura fundamentação legal do órgão julgador para eventualmente manter o lançamento. Nesse sentido, sustentando a impossibilidade de inovação do lançamento pela autoridade julgadora, há precedentes do então Primeiro Conselho de Contribuintes, cujas ementas abaixo se transcreve: Acórdão nº 10322.569 do Primeiro Conselho de Contribuintes/3ª Câmara, de 27/07/2006: (...) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – INOVAÇÃO IMPOSSIBILIDADE O deverpoder de decidir conferido ao Delegado da Receita Federal de Julgamento está adstrito aos termos do lançamento efetuado pela autoridade fiscal, não lhe sendo permitido aperfeiçoálo ou transformálo de qualquer forma, sob pena de transposição de sua competência legal. Recurso Voluntário a que se dá provimento. Publicado no D.O.U. nº de 30/08/06. Acórdão nº 10809.256 do Primeiro Conselho de Contribuintes/8ª Câmara, de 28/03/2007: (...) ERRO NA MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPOSSIBILIDADE DE AJUSTE PELA AUTORIDADE JULGADORA – À autoridade julgadora (DRJ ou Conselho de Contribuintes) não é permitido ajustar o lançamento, ainda que na motivação constante da descrição dos fatos, por faltarlhe competência para tanto e também por implicar cerceamento do direito de defesa. Embargos acolhidos. Acórdão nº 10516.834 do Primeiro Conselho de Contribuintes/5ª Câmara, de 22/01/2008: Fl. 566DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APAREC IDA MARTINS DE PAULA Processo nº 10516.720008/201281 Acórdão n.º 3402002.628 S3C4T2 Fl. 560 15 (...) LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO INOVAÇÃO IMPOSSIBILIDADE É insubsistente a parcela de crédito tributário, tida como “mantida” pela autoridade administrativa julgadora, quando se constata que ela está fundada em elementos não considerados no lançamento original. Nos termos do art. 59, II do Decreto nº 70.235/72, são nulos "os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa", sendo que está nulidade deve ser declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade, em conformidade com o art. 61 desse mesmo Decreto. No caso presente, a inovação do lançamento pela autoridade julgadora deuse com a complementação da fundamentação legal da responsabilidade solidária disposta no lançamento. No entanto, a fundamentação original (art. 121, I c/c art. 124, I do CTN) poderia, em tese, ser suficiente para arrolar a recorrente como "solidariamente obrigada" com a contribuinte, desde que comprovado, nos autos, o seu "interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal". Assim, a eventual análise da preliminar de exclusão de responsabilidade da recorrente por este Conselho Administrativo, em conformidade com a autuação fiscal, com saneamento da irregularidade/nulidade da decisão de primeira instância, poderia acarretar à recorrente a supressão de uma instância de julgamento no que concerne a essa matéria. Pelo que meu voto é no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja declarada a nulidade do Acórdão de primeira instância, devendo o processo retornar à Delegacia de Julgamento para que seja proferida nova decisão com saneamento da irregularidade ora apontada. É como voto. Sala das Sessões, em 29 de janeiro de 2015. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relator Fl. 567DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 13/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 07/02/2015 por MARIA APAREC IDA MARTINS DE PAULA
score : 1.0
Numero do processo: 15504.018522/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
SALÁRIO INDIRETO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. EMPRESA NÃO INSCRITA NO PAT. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), conforme entendimento contido no Ato Declaratório n° 03/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.547
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário
Nereu Miguel Ribeiro Domingues Presidente em Exercício
Luciana de Souza Espíndola Reis- Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente os Conselheiros Julio César Vieira Gomes e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 SALÁRIO INDIRETO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. EMPRESA NÃO INSCRITA NO PAT. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), conforme entendimento contido no Ato Declaratório n° 03/2011 da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Recurso Voluntário Provido.
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ALIMENTAÇÃO IN NATURA. EMPRESA NÃO INSCRITA NO PAT. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre os valores de alimentação fornecidos in natura sem inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), conforme entendimento contido no Ato Declaratório n° 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 85 22 /2 00 9- 19 Fl. 677DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por NEREU MIGUE L RIBEIRO DOMINGUES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário Nereu Miguel Ribeiro Domingues – Presidente em Exercício Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reis, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente os Conselheiros Julio César Vieira Gomes e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 678DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por NEREU MIGUE L RIBEIRO DOMINGUES Processo nº 15504.018522/200919 Acórdão n.º 2402004.547 S2C4T2 Fl. 678 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão n.º 0228.723 da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte (MG), fl. 200202 (doc. incompleto), com ciência ao sujeito passivo em 25/02/2011, que julgou improcedente a impugnação apresentada contra o Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado sob o Debcad no 37.234.5409, do qual o sujeito passivo foi cientificado pessoalmente em 03/12/2009, fl. 2. De acordo com o relatório fiscal, fl. 2026, o lançamento trata de exigência de contribuições patronais, destinadas à Seguridade Social, inclusive a destinada ao custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), incidentes sobre a parcela in natura referente à alimentação fornecida aos empregados (café, lanches, refeições e cestas básicas), sem a inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), no período de 01/2005 a 12/2005. A autuada apresentou impugnação, fl. 154184, solicitando o cancelamento do crédito tributário, alegando, em síntese, não incidência de contribuições previdenciárias sobre alimentação in natura concedida aos seus empregados, conforme decisões judiciais, inconstitucionalidade da taxa Selic e ausência de razões para emissão de Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP). A decisão de primeira instância julgou a impugnação improcedente e manteve o crédito tributário lançado. Em 29/03/2011, a autuada interpôs recurso voluntário, fl. 206220, solicitando seu provimento, alegando, em síntese, não incidência de contribuições previdenciárias sobre alimentação in natura concedida aos seus empregados, conforme decisões judiciais colacionadas, e efeito confiscatório das multas e dos juros aplicados. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, os autos foram enviados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 679DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por NEREU MIGUE L RIBEIRO DOMINGUES 4 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Recurso Voluntário Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Alimentação in natura fornecida pela empresa aos empregados. Não incidência A interpretação literal do art. 28, § 9o, alínea "c", da Lei 8.212/1991 combinado com a Lei 6.321/1976, leva ao entendimento de que só ocorre isenção da parcela in natura quando concedida nos termos do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), pois, do contrário, a verba paga a título de alimentação in natura é considerada salário indireto e, por consectário lógico, integra a remuneração do trabalhador: Lei 8.212/91 § 9o Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei no 9.528, de 10.12.97) ... c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei n° 6.321, de 14 de abril de 1976; Entretanto, o Superior Tribunal de Justiça passou a interpretar esse dispositivo legal à luz dos arts. 195, I, alínea "a", e 201, § 11, da Constituição Federal, pacificando o entendimento de que este pagamento se trata de verba indenizatória não sujeita à incidência de contribuição social previdenciária, sendo irrelevante o fato de a empresa estar ou não inscrita no PAT. O entendimento de que o pagamento in natura não configura hipótese de incidência de contribuição previdenciária por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no PAT, foi adotado pelo Ato Declaratório n° 03/2011 da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), publicado no D.O.U. de 22/12/2011, que dispõe o seguinte: A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5° do Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/N° 2117/2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 24.11.2011, DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: Fl. 680DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por NEREU MIGUE L RIBEIRO DOMINGUES Processo nº 15504.018522/200919 Acórdão n.º 2402004.547 S2C4T2 Fl. 679 5 "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária". JURISPRUDÊNCIA: Resp n° 1.119.787SP (DJe 13/05/2010), Resp n° 922.781/RS (DJe 18/11/2008), EREsp n° 476.194/PR (DJ 01.08.2005), Resp n° 719.714/PR (DJ 24/04/2006), Resp n° 333.001/RS (DJ 17/11/2008), Resp n° 977.238/RS (dJ 29/11/2007). Conforme previsão do art. 62, parágrafo único, II, “a”, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº256, de 22 de junho de 2009, é permitido aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de lei com base em ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. Assim, a parcela do pagamento in natura de que trata este processo não integra o salário de contribuição independente de a empresa ter ou não efetuado adesão ao Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), uma vez que o pagamento não possui natureza salarial. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, darlhe provimento. Luciana de Souza Espíndola Reis. Fl. 681DF CARF MF Impresso em 24/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 12/03/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 19/03/2015 por NEREU MIGUE L RIBEIRO DOMINGUES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000985/2007-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004
CONEXÃO. DISTRIBUIÇÃO POR DEPENDÊNCIA. FALTA DE REQUISITOS. INDEFERIMENTO.
Não há como acolher a preliminar de dependência de julgamento, quando não estão presentes os requisitos legais, mormente se as partes envolvidas são diversas e integram relações jurídicas distintas.
PRELIMINAR. ILEGITIMIDADE PASSIVA.
Evidenciado que o contribuinte figura como titular de fato de conta bancária na qual foram movimentados recursos, não há como prosperar a alegação de erro na identificação do sujeito passivo.
PEDIDO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
O pedido de diligências e/ou perícias podem ser indeferidos pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide.
SIGILO BANCÁRIO. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.
Sigilo bancário não pode ser oposto quando há decisão judicial que autorizou a quebra.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO.
Todos os co-titulares da conta bancária devem ser regularmente intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - FLUXO FINANCEIRO - INCLUSÃO DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS E REPASSES BANCÁRIOS
A inclusão, no fluxo financeiro para apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, de depósitos bancários (como origens) e repasses bancários (como dispêndios) descaracteriza a metodologia de apuração de acréscimo patrimonial a descoberto (presunção de omissão de rendimentos), tendo em vista, que para os casos da existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos, existe a imposição de tributação especifica (art. 42 da Lei n° 9.430/96), e que deve prevalecer nestes casos.
Numero da decisão: 2202-003.030
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
ANTONIO LOPO MARTINEZ - Presidente.
Assinado digitalmente
MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada) e RAFAEL PANDOLFO.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004 CONEXÃO. DISTRIBUIÇÃO POR DEPENDÊNCIA. FALTA DE REQUISITOS. INDEFERIMENTO. Não há como acolher a preliminar de dependência de julgamento, quando não estão presentes os requisitos legais, mormente se as partes envolvidas são diversas e integram relações jurídicas distintas. PRELIMINAR. ILEGITIMIDADE PASSIVA. Evidenciado que o contribuinte figura como titular de fato de conta bancária na qual foram movimentados recursos, não há como prosperar a alegação de erro na identificação do sujeito passivo. PEDIDO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. O pedido de diligências e/ou perícias podem ser indeferidos pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide. SIGILO BANCÁRIO. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Sigilo bancário não pode ser oposto quando há decisão judicial que autorizou a quebra. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO. Todos os co-titulares da conta bancária devem ser regularmente intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO - FLUXO FINANCEIRO - INCLUSÃO DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS E REPASSES BANCÁRIOS A inclusão, no fluxo financeiro para apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, de depósitos bancários (como origens) e repasses bancários (como dispêndios) descaracteriza a metodologia de apuração de acréscimo patrimonial a descoberto (presunção de omissão de rendimentos), tendo em vista, que para os casos da existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos, existe a imposição de tributação especifica (art. 42 da Lei n° 9.430/96), e que deve prevalecer nestes casos.
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DISTRIBUIÇÃO POR DEPENDÊNCIA. FALTA DE REQUISITOS. INDEFERIMENTO. Não há como acolher a preliminar de dependência de julgamento, quando não estão presentes os requisitos legais, mormente se as partes envolvidas são diversas e integram relações jurídicas distintas. PRELIMINAR. ILEGITIMIDADE PASSIVA. Evidenciado que o contribuinte figura como titular de fato de conta bancária na qual foram movimentados recursos, não há como prosperar a alegação de erro na identificação do sujeito passivo. PEDIDO DE PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. O pedido de diligências e/ou perícias podem ser indeferidos pelo órgão julgador quando desnecessários para a solução da lide. SIGILO BANCÁRIO. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Sigilo bancário não pode ser oposto quando há decisão judicial que autorizou a quebra. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. INTIMAÇÃO. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser regularmente intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO FLUXO FINANCEIRO INCLUSÃO DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS E REPASSES BANCÁRIOS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 09 85 /2 00 7- 86 Fl. 839DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 A inclusão, no fluxo financeiro para apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, de depósitos bancários (como origens) e repasses bancários (como dispêndios) descaracteriza a metodologia de apuração de acréscimo patrimonial a descoberto (presunção de omissão de rendimentos), tendo em vista, que para os casos da existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos, existe a imposição de tributação especifica (art. 42 da Lei n° 9.430/96), e que deve prevalecer nestes casos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente ANTONIO LOPO MARTINEZ Presidente. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANTONIO LOPO MARTINEZ (Presidente), JIMIR DONIAK JUNIOR (Suplente convocado), PEDRO ANAN JUNIOR, MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, DAYSE FERNANDES LEITE (Suplente convocada) e RAFAEL PANDOLFO. Relatório Por bem sintetizar os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância, reproduzo o relatório do acórdão de impugnação formalizado pela Terceira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo II (DRJ/SP2). Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado o auto de infração de fls. 410 a 417, referente aos anoscalendário de 2001 a 2003, para a constituição do crédito tributário no montante de R$ 19.937.957,21, sendo R$ 7.739.004,13 a título de imposto, R$ 6.394.699,99, de multa de ofício, e R$ 5.804.253,09, de juros de mora, calculados até 30/04/2007. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 415 a 417) que foram apuradas as seguintes infrações: omissão de rendimentos caracterizada por variação patrimonial a descoberto, por ter sido verificado excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados/comprovados. Enquadramento legal: arts. Io , 2o e 3 o e §§, da Lei n° 7.713/88; arts. I o e 2o , da Lei n° 8.134/90; arts. 55, inciso XIII e parágrafo único, 806 e 807 do Decreto n° 3.000/1999 RIR/99; art. I o da Medida Provisória n° Fl. 840DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000985/200786 Acórdão n.º 2202003.030 S2C2T2 Fl. 840 3 22/2002, convertida na Lei n° 10.451/2002; art. 173, inciso I, da Lei n° 5.172/1966 (Código Tributário Nacional CTN); omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. Enquadramento legal: art. 849 do RIR/1999, art. 42 da Lei n° 9.430/1996; art. 4 o da Lei n° 9.481/1997; art. I o da Lei n° 9.887/1999; art. I o da Medida Provisória n° 22/2002, convertida na Lei n° 10.451/2002; art. 173, inciso I, do CTN. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 486 a 489, que integra o auto de infração, consignouse o que segue, em síntese: conforme Representação Fiscal n° 15/05/MTBCBCHUDSON BANK "Doleiro", de 14 de setembro de 2005, encaminhada pela Equipe Especial de Fiscalização constituída pela Portaria SRF n° 463/04, foram identificadas operações financeiras no exterior, realizadas por meio da conta n° 30172829, denominada Raintree Ltd., mantida no MTBCBCHUDSON BANK, que tinha como titular, dentre outros, o Sr. Enrique Javier Rivas Blanco; Em 16 de dezembro de 2003, o Juízo da Suprema Corte do Estado de Nova Iorque, Estados Unidos da América, expediu "Order to Disclose" e permitiu a liberação para as autoridades brasileiras de informações acerca de investigações sobre lavagem de dinheiro naquele país; em 29 de abril de 2004, em decisão no Processo n° 2004.70000082670, o Juízo da 2a Vara Criminal Federal de Curitiba/PR decretou a quebra do sigilo bancário e autorizou o Ministério Público Federal a utilizar documentos e mídias eletrônicas recebidas da "CPMI do Banestado", relativos a contas mantidas nas instituições financeiras: MTBCBCHUDSON BANK, Safra Bank e Lespan; no item "26" da citada decisão judicial, o Juízo autoriza o compartilhamento de todos os dados com a Receita Federal, o Banco Central e o COAF, para instruir as atividades específicas desses órgãos; os documentos foram objeto de análise técnica pelo Instituto Nacional de Criminalística do Departamento de Polícia Federal, que emitiu diversos laudos técnicos, dentre os quais o Laudo de Exame EconômicoFinanceiro N° 703/2000 INC (fl. 73); conforme o citado laudo, os exames realizados com base nos dados da conta n° 30172829, denominada "Raintree Ltda.", restringiramse às transferências eletrônicas (wire transfers), tendo sido analisadas as ordens de pagamento recebidas (I e C) ou remetidas (O e D); os principais campos existentes nessas ordens de pagamento (planilhas eletrônicas) estão descritos no item 10 do Laudo de Exame EconômicoFinanceiro (fl. 75); foram anexadas ao presente procedimento planilhas impressas, com a movimentação financeira da conta citada (fls. 195 a 307); segundo o Relatório de Identificação de Conta Mantida no MTBCBCHUDSON BANK, contido na Representação Fiscal 15/05/MTBCBCHUDSON BANK "Doleiro", de 14 de setembro de 2005 (fl. 70), foram identificados como titulares da conta já citada os contribuintes Elvira Sanchez Pluchino, CPF n° 022.824.42857, e Enrique Javier Rivas Blanco, CPF 033.320.17870, ambos com domicílio em São Paulo, pelos motivos a seguir: Fl. 841DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 no documento HUB 0059019, intitulado "CERTIFICATION OF BENEFICIAL OWNERSHIP" (fl. 85), os dois diretores são indicados como proprietários da Raintree Ltd.; são eles os diretores, sócios, etc, conforme documento HUB 0057511 (fl.103); o documento HUB 0057515 (fl. 107) é cópia do Cartão de Assinaturas dos dois titulares; o documento HUB 0057518 (fl. 110), continuação do documento denominado "ACOUNT AGREEMENT", contém nomes e assinaturas de ambos os titulares da conta"; diante das evidências da existência de movimentação financeira no exterior, o contribuinte Enrique Javier Rivas Blanco foi intimado, por via postal, a comprovar com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em data e valor, a origem dos recursos movimentados no exterior, no MTBCBCHUDSON BANKHUB, a crédito na conta n° 030172829, cujos valores estão descritos nos Anexos ao Termo de Intimação (fls. 353/373), e, ainda, a apresentar cópia dos documentos constitutivos e esclarecimentos relativos à empresa Raintree Ltd.; em resposta à intimação, o fiscalizado alegou que era apenas funcionário do Sr. Francisco Fernandez Bernardez, o qual era o responsável pela administração, que jamais teve acesso a documentos bancários da conta mencionada e que não integrou o quadro social da empresa, e requereu o fornecimento de cópias de todos os documentos em que conste sua assinatura ou que façam menção ao seu nome; com vistas a propiciar ao contribuinte a mais ampla possibilidade de esclarecimento dos fatos, foramlhe encaminhados, em anexo ao Termo de Intimação datado de 19/03/2007, os documentos solicitados (fls. 380/389), tendo sido o fiscalizado reintimado a comprovar, com documentos hábeis e idôneos, coincidentes em data e valor, a origem dos recursos movimentados no exterior, no MTBCBCHUDSON BANKHUB, a crédito na conta Raintree Ltd, n° 030172829, cujos valores constam dos "Anexos ao Termo de Início de Fiscalização", lavrado em 15/12/2006; os esclarecimentos prestados pelo fiscalizado (transcrição de fl. 06 do Termo de Verificação Fiscal, fl. 402) contradizem os fatos descritos nos documentos que lhe foram disponibilizados pela Fiscalização (enumerados à 07 do mesmo Termo, fl. 403); com base nos documentos analisados, concluise que o fiscalizado Enrique Javier Rivas Blanco, CPF n° 033.320.17870, era de fato um dos titulares da conta n° 030172829, denominada Raintree Ltd., mantida no MTBCBCHUDSON BANK de Nova Iorque, Estados Unidos da América; ante a falta de comprovação da origem dos recursos movimentados na referida conta, foi apurada a omissão de rendimentos, nos termos do art. 42, § 4 o e § 6o , da Lei n° 9.430/1996; na cópia do Cartão de Assinaturas n° HUB 0057526 (fl. 118), da conta n° 030172829, constam os nomes de três titulares: Elvira Sanchez Pluchino, Enrique Javier Ribas Blanco e Francisco Fernandez Bernardez, fato que demonstra tratarse de conta mantida em conjunto; uma vez que os titulares da conta apresentaram declaração de rendimentos em separado nos anos de 2001, 2002 e 2003, o valor dos rendimentos omitidos provenientes dos créditos de origem não comprovada foi imputado a cada titular Fl. 842DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000985/200786 Acórdão n.º 2202003.030 S2C2T2 Fl. 841 5 mediante a divisão do total de rendimentos omitidos pela quantidade de titulares (demonstrativos de fls. 09 e 10 do Termo de Verificação Fiscal, fls. 405 e 406); foi efetuada também a análise da variação patrimonial do contribuinte, considerando as ordens de pagamento a crédito da conta (I ou C) como origens de recursos e as ordens de pagamento a débito (O ou D) como aplicações de recursos; no Demonstrativo de Variação Patrimonial Fluxo Financeiro Mensal (fls. 392 a 394), foram considerados apenas os recursos movimentados no exterior, uma vez que não houve comprovação de que os rendimentos em reais oferecidos à tributação foram utilizados para suprir as ordens de pagamento a crédito ou a débito da conta mantida no MTBCBC HUDSON UNITED BANKHUB; foi apurada omissão de rendimentos proveniente de acréscimo patrimonial a descoberto para os anoscalendário de 2002 e 2003. O contribuinte foi cientificado do lançamento em 01 de junho de 2007, por via postal, conforme Aviso de Recebimento (AR) de fl. 419). Em 27 de junho de 2007, apresentou a impugnação de fls. 421 a 452, na qual alega o que segue, em síntese: DAS PRELIMINARES: Não há tributação sobre valores movimentados fora do território nacional Nos Autos de Infração e Termos que os integram, ficou demonstrado que os valores em moeda estrangeira não foram movimentados em território nacional, mas sim no exterior. Não há quaisquer indícios ou provas de que os valores saíram ou entraram no Brasil, não havendo, portanto, remessas de valores para fora do País. Segundo alega o Fisco, toda movimentação de valores no exterior foi feita por uma firma denominada Raintree Ltd., cuja existência legal não foi comprovada neste procedimento fiscal. Aliás, o fiscal autuante exigiu que fossem apresentados os documentos que provassem a existência jurídica da referida firma. Mas isso não foi feito pelos impugnantes, que eram apenas empregado e esposa, respectivamente, do Sr. Francisco F. Bernardez, que morreu. Pelas razões acima, vislumbrase uma aberração jurídica incontornável, visto que o fisco pretendeu, mas não conseguiu, autuar a Raintree Ltd., pessoa jurídica responsável acusada de ter movimentado dinheiro fora do Brasil. Uma vez que a legislação pátria não prevê a tributação de valores que não entraram no Brasil e não saíram do território nacional e que se movimentaram por empresa juridicamente inexistente, os Autos de Infração, inclusive o lavrado contra a impugnante, não podem prosperar, seja por falta de objeto e, principalmente, porque não ocorreram os fatos geradores previstos na legislação do imposto de renda, na medida em que há apenas notícia, indício (não prova) de movimentação de dinheiro estrangeiro fora do território nacional e cuja titularidade não foi comprovada. Cerceamento do direito de defesa O impugnante era apenas empregado de confiança do falecido Sr. Francisco Bernardez, mas sem qualquer poder de gerência e sem conhecimento da língua inglesa, razões pelas quais ficou impossibilitado de responder adequadamente ao Fisco. Fl. 843DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 A impossibilidade fática e jurídica de a impugnante se defender e exercer plenamente o direito de defesa garantido pelo art. 5o , XXXIV da Constituição, caracteriza o cerceamento de defesa, gerando nulidade do Auto de Infração, nos termos do art. 59 do Decreto n° 70.235/72. Ilegitimidade de parte a) responsabilidade pessoal do sóciogerente infrator O sujeito passivo da relação jurídica tributária é a pessoa jurídica Raintree e não o mero procurador da empresa autuada. Todavia, o fisco transferiu a responsabilidade tributária da empresa Raintree ao procurador, Sr. Francisco, porque considerou erroneamente que tal pessoa praticou atos com infração de lei, quando movimentou dinheiro em outro país, sem anuência do Fisco nacional. Agora, no presente Auto de Infração, transfere tal responsabilidade a outro procurador, o impugnante, que nem mesmo exercia a gerência ou administração dos negócios da Raintree. Houve aplicação indevida do art. 135 do CTN, tendo sido considerada a responsabilidade do procurador Francisco F. Bernardez, de forma tácita. Embora não haja prova cabal, alega o Fisco no primeiro AI que, ao movimentar dólares no exterior ao arrepio da lei, o Sr. Francisco Bernardez cometeu infração à lei. Concluise, pois, que a responsabilidade é pessoal, excluindose a responsabilidade da pessoa jurídica da qual era o procurador, bem como a responsabilidade dos demais procuradores, inclusive do ora impugnante, que era na verdade simples empregado. Nosso ordenamento jurídico determina que o Fisco tem o dever de descrever minuciosamente as infrações cometidas pela pessoa física, determinando com clareza a autoria, efetuando a capitulação legal, sem deixar de mencionar o fator tempoespaço (dia, hora, local). A lei tributária exige, para caracterizar a responsabilidade pessoal, nos termos do art. 135 do CTN, que o procurador deve agir com excesso de poder ou com infração de lei. Tais irregularidades, se existirem, só podem ser imputadas, exclusivamente, à empresa Raintree Ltd. e/ou seus verdadeiros sócios constituídos no Contrato Social, mas não ao impugnante ou à esposa dr Sr. Francisco, d. Elvira, nem mesmo ao próprio Sr. Francisco Bernardez (já falecido). (Cita entendimento doutrinário acerca da responsabilidade de que cuida o art. 135 do CTN). Requer seja considerado parte ilegítima na presente relação jurídicoprocessual, visto que não era administrador ou gerente da empresa Raintree, cuja existência não foi comprovada pelo Fisco e porque, para o Fisco, somente o falecido Francisco poderia, se vivo fosse, responder por possíveis infrações a ele imputadas. b) Aplicação do Princípio da Intranscendência e a extinção da punibilidade Se o Fisco optou pela autuação da pessoa física do Espólio de Francisco F. Bernardez é porque reconheceu que a Raintree Ltd. e demais sócios constituídos no Contrato Social não têm qualquer responsabilidade tributária. Ficou claro que o impugnante não praticou quaisquer atos ilícitos, mesmo porque nunca exerceu atividade de gerente da empresa, era simples empregado. Não se comprovou nos autos que o dinheiro movimentado pertencia ao impugnante. A Constituição Federal garante que a pena não ultrapassa a pessoa do infrator e o nosso código de processo penal e o código penal reconhecem a "extinção da punibilidade" com a morte do infrator. Fl. 844DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000985/200786 Acórdão n.º 2202003.030 S2C2T2 Fl. 842 7 Se o patrão do impugnante é parte ilegítima, o empregado tem a mesma sorte, porquanto não pode responder por infração de natureza meramente administrativa cometida por outrem. Para o fisco afirmar que o dinheiro movimentado pertencia ao impugnante, ao patrão Francisco, a lei exige mais do que meros indícios, exige prova cabal e definitiva, que não existe nos autos. Se não há prova alguma contra o falecido Francisco, com muito mais razão inexiste prova ou indícios contra o empregado ou contra a viúva. Requer o reconhecimento da intranscendência da punibilidade e da ilegitimidade da parte, com a consequente extinção do processo. Lançamento fundamentado em documentos inidôneos O Fiscal conclui, sem juntar quaisquer documentos de existência efetiva da empresa, que os documentos em língua inglesa anexados aos autos comprovam ser o impugnante proprietário da firma Raintree Ltd. e titular de conta bancária no exterior. Todavia, de forma conflitante, exige nos termos de intimação que o contribuinte apresente documentos idôneos que comprovem a existência da firma Raintree Ltda. e a existência de depósitos bancários. Ficou demonstrado nos Termos lavrados que os documentos em língua inglesa nada provam, pois, se provassem as propriedades da empresa e dos depósitos, o fisco não pediria que o próprio autuado apresentasse tais "provas". A autoridade fiscal lavrou o presente Auto de Infração porque o impugnante não teve condições de explicar as operações consideradas irregulares pelo Fisco, que acusa seu falecido patrão de têlas efetuado, apresentando como prova documentos em língua estrangeira. Tais documentos não atendem aos requisitos de validade da tradução juramentada e da autenticação pela autoridade brasileira. Não há também descrição detalhada dos fatos ocorridos e sim meros demonstrativos baseados em cópias de documentos alienígenas e não traduzidos, impedindo a contestação ou impugnação. Não se afirme que há presunção de legitimidade nos atos praticados pelos agentes públicos, uma vez que sempre devem ser praticados dentro dos ditames legais, sob pena do "excesso de exação", tipo penal presente em nosso ordenamento jurídico para o caso da ocorrência de lançamento com valores exagerados ou ilegítimos. Os laudos somente terão validade se acompanhados dos documentos originais. O perito da Administração Pública, seja servidor do Fisco ou da Polícia, não tem competência para traduzir documento feito em língua estrangeira. Não se vê nos autos nenhum documento original que comprove que o impugnante, que dona Elvira, ou mesmo seu falecido esposo Francisco F. Bernardez, tenham efetuado movimentação de dinheiro fora do país. Os meros indícios trazidos aos autos pelos documentos estrangeiros apenas fazem referência à empresa Raintree Ltd., que o impugnante nem se lembra mais quando o seu patrão pediu sua assinatura para o que quer que seja relacionado a tal empresa. O impugnante nunca teve contato com quaisquer empresas ou bancos estrangeiros citadas nas "xerocópias" que acompanham o auto de infração. Não entende porque seu patrão é acusado de movimentar dinheiro fora do Brasil, pois sempre o Fl. 845DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 considerou pessoa responsável e idônea. Se tal fato ocorreu, com certeza o dinheiro era dos verdadeiros titulares da Raintree Ltda. Levandose em conta a legislação pátria, a autoridade estrangeira invadiu a privacidade dos impugnantes sem autorização judicial e sem prévia existência de processo administrativo ou procedimento fiscal em curso. Aplicase, por isso, o art. 59 do Decreto 70.235/1972, que trata das regras da nulidade (Cita decisões dos tributais pátrios, que teriam fundamento no art. 13 da Constituição Federal., no art. 224 do Código Civil e nos arts. 156 e 157 do Código de Processo Civil, e, ainda, o art. 129, item 6o , da Lei n° 6.015/1973, bem como o Provimento n° 58/89, capítulo XIX, item 5, "f, expedido pela Justiça Paulista. Traz, ainda, à colação entendimentos doutrinários acerca do tema em foco). Inexistindo prova (documentos enviados pelas autoridades norteamericanas), o processo não pode prosseguir e deve, por isso, ser arquivado, pois os demonstrativos feitos pelo próprio Fisco e as cópias dos documentos estrangeiros não traduzidos são impertinentes e imprestáveis. Requer seja o presente processo declarado nulo, por estar embasado em demonstrativos elaborados pelos próprios fiscais e documentos sem valor probatório. DO MÉRITO: Autuação com base em mera presunção Não há nos autos prova alguma da existência de "depósito bancário" em nome do impugnante ou de seu falecido patrão Francisco. Há referência (e não prova) de "movimentações" de dinheiro pela empresa Raintree Ltd. Mas o real depósito, a efetiva existência de dinheiro e da quantia exata, a prova da titularidade e a qualificação do correntista não existem, apenas mera presunção. A descrição dos fatos é bastante vaga e fundamentada exclusivamente em demonstrativos feitos pelo próprio fiscal e documentos estrangeiros de conteúdo indecifrável. A capitulação legal da autuação também é vaga e inadequada. A descrição dos fatos constante no Auto de Infração não se enquadra, de forma perfeita, nos dispositivos legais citados pelo autuante. A autuação partiu da falsa presunção de que o dinheiro movimentado no exterior são depósitos em conta bancária do infrator, sem mencionar a titularidade dos depósitos e os valores exatos. Tratase, portanto, de autuação fiscal por mera presunção, procedimento execrado pela Justiça, pelos julgadores administrativos e pela doutrina, que entendem prevalecer o princípio da verdade real ou material. A Administração não pode aplicar o princípio da verdade presumida ou ficta. A doutrina atual insiste em aplicar o princípio da verdade material no processo administrativo (cita lições de Hely Lopes Meirelles e Celso Antonio Bandeira de Mello). No caso em espécie, não ocorreu o fato gerador da obrigação tributária. O fisco não provou que o contribuinte Francisco, quando vivo, tenha auferido renda ou obtido vantagem econômica, ou seja, não há prova de omissão de receita e, sobretudo, da operação de movimentação de dinheiro próprio fora do país. Se não há prova contra o patrão Francisco, muito menos há contra o impugnante. Fl. 846DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000985/200786 Acórdão n.º 2202003.030 S2C2T2 Fl. 843 9 Não houve o fenômeno da subsunção do fato à norma, mesmo porque não ocorreu, no mundo fenomênico, o fato (omissão de receita e depósito/crédito de dólares) mencionado nos autos, pois o dinheiro movimentado não pertencia ao contribuinte falecido, muito menos a seu exempregado, ora impugnante. Houve, no caso, flagrante desrespeito ao princípio da legalidade. Ter o nome numa relação emitida em documento estrangeiro (não traduzido), que nem ao menos foi juntado aos autos, não é fato jurídico tributário, tipificado na lei tributária. Mesmo se o fisco provasse a existência concreta dos depósitos, estes, por si só, não têm o condão de fundamentar o lançamento tributário, na medida em que a jurisprudência judicial e administrativa entende que os depósitos bancários não representam aquisição de disponibilidade econômica (transcreve ementas de julgados da Câmara Superior de Recursos Fiscais, fls. 441 a 443). Transferência do ônus da prova ao autuado Cabe ao contribuinte comprovar a origem dos depósitos bancários somente quando o fisco lhe apresenta os extratos bancários obtidos de forma legal. Nestes autos, não ficou provada a movimentação irregular ou depósito ilegal, através de documento idôneo. Nem há documento comprovando que o impugnante depositou ou recebeu dólares em banco estrangeiro ou que movimentou dinheiro fora do Brasil irregularmente. Na autuação em exame, o fisco não pediu ao contribuinte que provasse a origem dos depósitos, mas que provasse o próprio depósito ou movimentação de dinheiro. Pediu, ainda, que o autuado provasse a existência da empresa Raintree Ltd. e que é realmente titular da pessoa jurídica. Absurdamente, a Administração Fiscal exigiu nos Termos de Início de Fiscalização e Intimação Fiscal, que o impugnante confessasse eventual depósito feito no exterior, a movimentação de dólares, ser "titular" de empresa e confessasse em qual estabelecimento fez o eventual depósito e qual quantia foi depositada, Tal pretensão é inconstitucional, consoante art. 5o , LVII e LXIII, da Carta Magna. Se os documentos juntados pelo fisco fossem provas contundentes, seria totalmente desnecessária a lavratura do Termo de Início de Fiscalização e do Termo de Intimação. Cabe ao Fisco provar, através de documento idôneo, a existência de depósito bancário e da efetiva movimentação de dólares no exterior, pertencentes ao autuado. Requer, por esse motivo, que declare nulo o presente processo por absoluta falta de provas hábeis e idôneas. Não ocorrência do fato gerador Não ficou provado nos autos que o impugnante, o seu patrão Sr. Francisco e muito menos a sua viúva Elvira tenham movimentado dólares de suas propriedades ou que tenham feito depósito em banco no exterior em suas contas. Não se provou o depósito, muito menos a titularidade. Cabe à Administração Fiscal efetuar diligências a fim de apurar a verdade material, sendo lhe defeso exigir do contribuinte qualquer tipo de confissão ou de auto acusação. Fl. 847DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 O Fisco simplesmente relacionou os valores em demonstrativos com base em documentos inidôneos, calculando o imposto de renda sobre tal "base de cálculo", por arbitramento, procedimento esse não mais admitido pela jurisprudência administrativa (transcreve decisões do Primeiro Conselho de Contribuintes e menciona os seguintes dizeres de Hugo de Brito Machado: "Não há renda, nem provento, sem que haja acréscimo patrimonial"). Decadência O ocorreu a decadência do direito de o Fisco proceder ao lançamento em relação aos fatos geradores ocorridos no período de 31 de janeiro de 2001 a 30 de abril de 2002, à luz do disposto no art. 150, § 4o , do CTN, bem como da doutrina e da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (transcrições às fls. 449 a 460). REQUERIMENTO: Requer seja julgada procedente a impugnação, seja em relação às preliminares arguidas, seja quanto ao mérito, determinandose a anulação do Auto de Infração e o cancelamento do crédito tributário nele consubstanciado. Pelo despacho de fls. 470 a 473, desta Terceira Turma de Julgamento, foi o feito baixado em diligência para que se providenciasse a tradução de alguns dos documentos constantes dos autos, o que foi feito, conforme se verifica às fls. 484 a 565. O contribuinte foi cientificado do resultado da diligência (fls. 574 a 654) e apresentou a manifestação de fl. 655, na qual alega que restariam corroboradas as alegações de que seria mero procurador da empresa. A DRJ/SP2 julgou improcedente a impugnação, por unanimidade de votos, em decisão consubstanciada no acórdão nº 1748.548, da 3ª Turma, que foi assim ementado: Assunto : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2001, 2002, 2003 PRELIMINAR. ILEGITIMIDADE PASSIVA. Evidenciado que o contribuinte figura como titular de fato de conta bancária na qual foram movimentados recursos, não há como prosperar a alegação de erro na identificação do sujeito passivo. PRELIMINAR. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Uma vez que o auto de infração foi lavrado com estrita observância das normas reguladoras da atividade de lançamento, não há que se cogitar de nulidade ou ocorrência de cerceamento do direito de defesa. PRELIMINAR. NULIDADE. INIDONEIDADE DE DOCUMENTOS. Não constitui irregularidade a juntada aos autos de documentos em língua estrangeira, seja por terem sido disponibilizados nos moldes de Acordo de Assistência Judiciária em Matéria Penal, seja por haver referências expressas a eles em português, no Termo de Verificação Fiscal, ou porque os principais documentos que comprovam a titularidade da conta bancária no exterior examinada têm o nome/assinatura do impugnante. Ademais, providenciada a tradução juramentada dos documentos e dela cientificado o contribuinte, este nada acrescentou à defesa. Já os demonstrativos elaborados pela Fiscalização baseiamse em planilha resultante do exame, realizado pelo Instituto de Criminalística do Departamento de Polícia Federal, em mídia digital disponibilizada por autoridades estrangeiras, após quebra de sigilo bancário autorizada judicialmente. Portanto, não se vislumbra a existência de vícios na instrução do feito. Fl. 848DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000985/200786 Acórdão n.º 2202003.030 S2C2T2 Fl. 844 11 LANÇAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. Nas hipóteses em que estiver presente o evidente intuito de fraude, a contagem do prazo de que dispõe o Fisco para efetuar o lançamento é disciplinada pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. A existência de obstáculo judicial, que impeça a ação da autoridade fiscal para a formalização da exigência tributária, suspende o curso do prazo previsto para a prática do ato administrativo de lançamento. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Configura omissão de rendimentos a variação patrimonial a descoberto, apurada no cotejo das movimentações a crédito e a débito da conta bancária no exterior da qual o contribuinte é titular, não cabendo considerar como origem os rendimentos em reais oferecidos à tributação, sem a comprovação de que estes foram utilizados para suprir as ordens de pagamento a crédito ou a débito da referida conta. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão em 26 de abril de 2011 (fl. 690), o contribuinte, por meio de procurador legalmente habilitado, interpôs recurso voluntário em 25 de maio de 2011 (fls. 697 a 731), com as seguintes alegações, em resumo: Conexão entre os processos dos sócios da empresa: Foram efetuados três lançamentos, um em face do recorrente, outro em face de Elvira Sanchez Pluchino, e o terceiro em face de Francisco Fernandez Bernardez (espólio), intitulados como beneficiários da conta mantida pela empresa Raintree Ltd, perante o MTC CBCHudson Bank, em Nova Iorque (EUA); o lançamento efetuado contra o espólio de Francisco Fernandez Bernardez já teve seu recurso apreciado pelo CARF, com provimento para cancelar o crédito tributário, conforme Acórdão nº 220200.385, Relator Nelson Mallmann; tornase imperativo que o presente recurso seja distribuído por dependência ao Conselheiro Nelson Mallmann, considerando a conexão entre os processos, sob pena de ensejar decisões conflitantes baseadas nos mesmos eventos; a decisão proferida no Acórdão nº 220200.385 deve ser considerada com efeito vinculante, para propiciar um desfecho uníssono, sob pena de ferir o princípio da segurança jurídica. Ilegitimidade passiva Fl. 849DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 12 o Fisco ignorou o fato de que a empresa Raintree Ltd se fazia representar por pessoas físicas, dentre elas o recorrente, que figurava como um dos procuradores, e baseado em suposições não comprovadas nos autos entendeu por autuar os procuradores da empresa em seu lugar, afrontando o artigo 135 do CTN; os documentos de constituição da empresa encontramse no processo e mostram que o senhor Luiz Alberto Lerena Lopez, único conselheiro e acionista majoritário, outorgou procuração a Francisco Fernandez Bernardez, Elvira Sanchez Pluchino e Enrique Javier Rivas Blanco; a própria decisão recorrida ressalta que a única razão pela qual o documento Certification of Beneficial Ownership foi preenchido e enviado pelos procuradores da empresa ao banco era cumprir as exigências da legislação local, ou seja, a legislação americana exige a identificação dos beneficiários das contas privadas; em cumprimento ao USA Patriot Act, os representantes da conta mantida pela empresa Raintree Ltd foram obrigados a assinar o Certification of Beneficial Ownership, para fins de identificar os representantes da empresa perante aquela conta corrente mantida no MTCCBCHudson Bank e assim o fizeram com base estrita na procuração outorgada pelo Conselheiro da Raintree em seu nome; observandose a movimentação bancária da conta em questão, verificase com facilidade a quantidade de entradas e saídas sempre de terceiras pessoas, o que denota o exercício das atividades da empresa no ramo de turismo e câmbio, de acordo com seu contrato social; não há qualquer indício de beneficiamento das pessoas físicas autuadas, não ocorrendo o fato gerador do imposto, pois os autuados assinaram o Certification of Beneficial Ownership como procuradores (p.o.a. power of attorney); a empresa também teve de providenciar informações vindas de advogados confirmando a regularidade da pessoa juídica nas Ilhas Virgens Britânicas (BVI), conforme carta enviada pelo banco à empresa em 31/10/2002 (HUB 0059021); a existência legal da empresa é indiscutível e não há qualquer indício de beneficiamento dos seus representantes ou de utilização da pessoa jurídica para benefício da pessoa física; as possíveis irregularidades deveriam ser apuradas junto ao sócio gerente da empresa, sendo que a empresa e seu diretor são estrangeiros, sem domicílio fiscal no Brasil; conforme se verifica pela documentação acostada aos autos, a empresa sempre atuou de forma regular; em 16/12/1986, através da deliberação do único sócio Conselheiro, sr. Luiz Alberto Lerena Lopez, foram constituídos procuradores da empresa o sr. Francisco Fernandez Bernardez, sua esposa Elvira Sanchez Pluchino e o sr. Enrique Javier Rivas Blanco, bem como emitidos 4 Certificados de Ações ao Portador, sendo: "Certificado nº 1 1 ação ao Portador Certificado nº 2 1 ação ao Portador Certificado nº 3 1 ação ao Portador Fl. 850DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000985/200786 Acórdão n.º 2202003.030 S2C2T2 Fl. 845 13 Certificado nº 4 49.997 ações ao Portador." fica claro o caráter fiduciário das ações emitidas em favor dos três procuradores da empresa, que se tornaram sócios para fins de representação da mesma na ausência do sócio Conselheiro; a ilegitimidade passiva do recorrente é indiscutível, pois ainda que tivessem sido observados os requisitos do artigo 135 do CTN, esta responsabilidade não seria solidária ou subsidiária, mas sim pessoal. Elenca duas decisões do CARF. Omissão de rendimentos Não pode a autoridade fiscal basear uma autuação apenas em depósitos bancários, pois o fato gerador é a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda, ou seja, acréscimo patrimonial, e esse acréscimo deve ser provado pelo ente administrativo; Não há nos autos demonstração pelo Fisco de sinais aparentes de riqueza a motivar o lançamento; a acusação é baseada unicamente em depósitos e transações bancárias entre terceiros no exterior em conta corrente de empresa estrangeira; não existe nos autos nada que demonstre que qualquer dos três autuados tenha se beneficiado com tais transações; falta motivação do ato administrativo, uma vez que houve acusação de omissão de receita sem demonstração de fato a configurar a exigibilidade do crédito tributário; não há evidência da ocorrência do fato gerador e o Fisco desprezou a própria prova que produziu, pois não se aprofundou nas informações que dispunha através do laudo do INC, que transcreve todas as entradas e saídas da conta corrente; os princípios da legalidade, moralidade, impessoalidade, publicidade e eficiência, insculpidos no artigo 37 da Constituição Federal impedem que o Fisco lavre auto de infração com base em informações elaboradas pela própria autoridade autuante; cita trecho do voto vencedor do acórdão referente ao processo do espólio de Francisco Fernandez Bernardez, em que é afastada a infração relativa a acréscimo patrimonial a descoberto, pois se entendeu que a autoridade fiscal desvirtuou o objetivo do fluxo financeiro ao misturar depósitos bancários na sua apuração; a aplicação distorcida do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 pela autoridade autuante beira a máfé e afronta os mais basilares princípios da administração pública; cita doutrina. Acréscimo patrimonial a descoberto Transcreve trecho do voto vencedor do acórdão referente ao processo do espólio de Francisco Fernandez Bernardez que excluiu da tributação o acréscimo patrimonial a descoberto, uma vez que foi apurado de forma incorreta, não tendo o autuante comparado as situações patrimoniais do contribuinte ao final e início do período; Fl. 851DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 14 afirma que o lançamento não cumpriu os requisitos necessários, seja no aspecto formal ou material. Inobservância da Lei Complementar 105/2001 e seu decreto regulamentador Uma das exigências instituídas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou a Lei Complementar 105/2001, é que a requisição de dados bancários seja formalizada mediante o documento Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), que deve ser elaborado com base em relatório circunstanciado pelo Auditor Fiscal encarregado da execução do MPF, demonstrando que se trata de situação enquadrada em hipótese de indispensabilidade, nos termos do artigo 3º do referido decreto; o processo não foi instruído com o competente RMF, pois o que consta dos autos são laudos do instituto de criminalística apontando as movimentações financeiras realizadas pela empresa Raintree Ltd, cujos relatórios foram anexados na língua inglesa, sem a respectiva tradução; os documentos foram juntados aos autos sem observância às formalidades legais, afrontando o devido processo legal (art. 5º, LIV, CF); o presente auto de infração não pode subsistir, posto que não observou os dispositivos da LC 105/2001 e o decreto que a regulamenta; tratase de uma prova emprestada, uma vez que a Receita Federal se serviu dos elementos colhidos pela CPMI do Banestado para lavrar o auto de infração, em especial os decorrentes de quebra de sigilo fiscal; para lavrar o auto de infração com base em prova emprestada, seria necessário submeter os elementos colhidos ao contraditório,ou seja, deveria ter sido determinada a realização de perícia técnica, para indicação das movimentações financeiras sem lastro, a origem do acréscimo patrimonial a descoberto e os depósitos que no entender da Receita caracterizaram a omissão de rendimentos, dandose oportunidade ao recorrente de nomear assistente técnico, em observância ao princípio do contraditório e ampla defesa. Cita julgados de tribunais e doutrina; não foram respeitados os requisitos para uso de prova emprestada, como coincidência das partes e observância do contraditório, pois o recorrente não foi parte na investigação que determinou a quebra do sigilo bancário e, assim, jamais pode se defender sobre os dados apresentados. Ausência de jurisdição do Fisco para lavrar o auto de infração O recorrente nunca foi titular da conta bancária em referência, mas tão somente a empresa Raintree Ltd; a empresa está sediada em BVI British Virgin Islands e os respectivos fatos geradores que supostamente apuraram imposto a pagar foram todos praticados no exterior; a Fazenda Pública brasileira não possui jurisdição para lavrar auto de infração sobre fatos geradores realizados no exterior por pessoa jurídica que sequer tem domicílio fiscal aqui; Fl. 852DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000985/200786 Acórdão n.º 2202003.030 S2C2T2 Fl. 846 15 É de se aplicar o princípio da territorialidade, que significa que o Estado da fonte não pode estender o âmbito espacial das suas leis a rendimentos obtidos no exterior por pessoas que não residam em seu território; o auto de infração deve ser declarado nulo de pleno direito pois se fundamenta em fatos geradores que não produzem efeito no Brasil; cita doutrina. Erro de enquadramento legal Uma vez comprovada a existência legal da empresa, bem como a utilização por ela da conta corrente em questão para o estrito exercício de suas atividades de câmbio e turismo, e não havendo entrada ou saída de numerário em nome do recorrente, o ilícito que poderia ter sido apurado pelo Fisco não seria omissão de rendimentos ou acréscimo patrimonial a descoberto, mas sim omissão na declaração de bens e direitos, isto é, o recorrente teria deixado de declarar apenas e tão somente a titularidade das ações que possuiria na referida sociedade; como não há qualquer indício de rendimentos pagos para qualquer conta corrente de sua titularidade, não estaria caracterizado o fato gerador do tributo, ou seja, a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de rendas ou proventos de qualquer natureza, ainda que o documento que embasa a autuação (Certification of Beneficial Ownership) esteja qualificandoo como beneficiário final da conta corrente; a conta pertencia a uma pessoa jurídica , da qual o recorrente detinha apenas e tão somente uma quota de participação, em caráter fiduciário, em um universo de 50.000 quotas representativas do capital social do titular da conta. Dessa forma, sua responsabilidade deveria limitarse à sua participação no capital social da empresa. Ao final, requer o cancelamento do crédito tributário e, alternativamente, a conversão em diligência para realização de perícia técnica, para indicação das movimentações financeiras sem lastro, a origem do acréscimo patrimonial a descoberto e os depósitos que no entender da Receita caracterizaram a omissão de rendimentos, dandose oportunidade ao recorrente de nomear assistente técnico. Se assim não entender o Conselho, que seja cancelado o auto de infração e lavrado outro que apure apenas e tão somente os créditos tributários decorrentes de sua participação no capital social da empresa. Reitera, ainda, o pedido para intimação dos seus patronos para sustentação oral por ocasião do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, deve ser conhecido. Fl. 853DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 16 PRELIMINARES Inicialmente cabe analisar o pedido do recorrente para intimação dos patronos para sustentação oral na sessão de julgamento. Não há previsão legal para tal, porém o parágrafo único do art. 55 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF) dispõe que a pauta de julgamento deve ser publicada no Diário Oficial da União com dez dias de antecedência, bem como no sítio da internet do CARF, sendo perfeitamente possível ao patrono do autuado acompanhar tais publicações para, caso lhe aprouver, formular sustentação oral na sessão de julgamento. Conexão entre os processos dos sócios da empresa Raintree Ltd: O recorrente requer que este recurso seja distribuído por dependência ao Conselheiro Nelson Mallmann, considerando a conexão entre os processos, sob pena de ensejar decisões conflitantes baseadas nos mesmos eventos, referentes aos outros dois sócios da empresa Raintree Ltd, intitulados como beneficiários da conta mantida pela mesma, perante o MTCCBCHudson Bank. Solicita também que seja dado efeito vinculante à decisão proferida no Acórdão nº 220200.385, cujo autuado é o espólio de Francisco Fernandez Bernardez, sob pena de se ferir o princípio da segurança jurídica. Incabível a pretensão do recorrente, posto que não existem razões para a conexão entre os processos referidos. A alegada possibilidade de decisões conflitantes é consequência natural do modo como está estruturado o sistema processual brasileiro, tanto o judicial como o administrativo. A concentração de todas as ações sobre um mesmo tema para julgamento por um único julgador não é a solução adotada pelo sistema, existindo outras formas para uniformização dos entendimentos, como, por exemplo, o recurso especial de divergência no caso do processo administrativo fiscal. No caso concreto, mesmo que sejam idênticos os fundamentos expostos e os pedidos efetuados, as partes envolvidas são diversas e integram relações jurídicas distintas. Notese que no caso de Francisco Fernandez Bernardez, o recurso voluntário já foi julgado. Ademais, o lançamento foi efetuado no espólio, que possui características bem peculiares em relação à pessoa física. Tanto é que o lançamento relativo à omissão de rendimentos por depósitos bancários de origem não justificada foi cancelado levando em conta justamente a condição de espólio. Naquele caso, a turma entendeu que a obrigação de justificar a origem dos depósitos era personalíssima e não poderia ser transferida ao espólio. Assim, não há que se falar em conexão nem em distribuição por dependência, devendo ser obedecido o procedimento previsto no Regimento Interno do CARF (RICARF), que prevê a distribuição por sorteio. Também não existe previsão legal para que seja dado efeito vinculante à decisão proferida no Acórdão nº 220200.385, cujo sujeito passivo é o espólio de Francisco Fernandez Bernardez. O sistema normativo prevê a possibilidade de interposição de recursos, com o intuito de promover a uniformização de entendimentos e evitar decisões conflitantes sobre a mesma matéria, conforme já exposto acima. Portanto, não há como acolher essa pretensão do recorrente. Ilegitimidade passiva Fl. 854DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000985/200786 Acórdão n.º 2202003.030 S2C2T2 Fl. 847 17 Alega o contribuinte que os documentos de constituição da empresa demonstram que o senhor Luiz Alberto Lerena Lopez, único conselheiro e acionista majoritário, outorgou procuração a Francisco Fernandez Bernardez, Elvira Sanchez Pluchino e Enrique Javier Rivas Blanco, sendo esses apenas procuradores, não podendo ser autuados pela movimentação bancária da empresa. Argumenta que não há qualquer indício de beneficiamento das pessoas físicas autuadas e que, observandose a movimentação bancária da conta em questão, verificase com facilidade a quantidade de entradas e saídas sempre de terceiras pessoas, o que denota o exercício das atividades da empresa no ramo de turismo e câmbio, de acordo com seu contrato social. Pela análise da documentação que consta dos autos, concluise que a empresa Raintree Ltd foi constituída por meio de ações ao portador, em um paraíso fiscal, as Ilhas Virgens Britânicas (BVI). Empresas dessa espécie normalmente são operadas por seus procuradores, assim como ocorreu no presente caso, onde figuram como procuradores da empresa os srs. Francisco Fernandez Bernardez, Elvira Sanchez Pluchino e Enrique Javier Rivas Blanco. Pelo fato de as ações ao portador não identificarem nominalmente os reais proprietários da empresa constituída, a legislação norteamericana exige que se informe às instituições financeiras onde ela mantém conta bancária os nomes dos beneficiários finais da conta. Foi exatamente o que aconteceu no caso em análise, no qual a empresa Raintree Ltd informou ao MTBCBCHudson United Bank, mediante o documento Certification of Beneficial Ownership, que os reais beneficiários finais da conta corrente nº 030172829 eram os srs. Francisco Fernandez Bernardez, Elvira Sanchez Pluchino e Enrique Javier Rivas Blanco, ora recorrente. O documento Certification of Beneficial Ownership encontrase às fls. 83, 85, 382 e 383, com tradução à fl. 503. Além desse documento, observase pelos documentos abaixo que o recorrente é de fato um dos titulares e um dos reais beneficiários da conta em referência. HUB 0057509 e HUB 0057511: Application/Business Accounts (fls. 101 a 103); HUB 0057515 e HUB 0057526: Signature Card (fls. 107 e 118); HUB 0057516 a 0057518: Account Agreement (fls. 108 a 110). Regularmente intimado a apresentar os documentos e informações relativos à empresa e a sua relação com a mesma, o contribuinte limitouse a alegar que era apenas empregado do sr. Francisco Fernandez Bernardez e que não tinha acesso a qualquer documento de constituição, contábil ou financeiro da empresa. Pelo conjunto probatório apresentado, não resta dúvidas de que o recorrente, Enrique Javier Rivas Blanco, era de fato um dos beneficiários finais da conta corrente nº 030172829, do MTBCBCHudson United Bank, sendo que a empresa Raintree Ltd era utilizada apenas para ocultar os reais beneficiários dos recursos financeiros movimentados. Assim, não há ilegitimidade passiva do recorrente. Sigilo bancário Lei Complementar nº 105/2001 Fl. 855DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 18 O recorrente aduz que não foram observados os requisitos da Lei Complementar nº 105/2001 e do decreto que a regulamenta, Decreto nº 3.724/2001, por não ter sido emitida a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) pela autoridade fiscal. Afirma, ainda, que por se tratar de prova emprestada, deveria ter sido oportunizado a ele o contraditório, com a realização de perícia técnica, para indicação das movimentações financeiras sem lastro, a origem do acréscimo patrimonial a descoberto e os depósitos que no entender da Receita caracterizaram a omissão de rendimentos. Entretanto, não procedem as alegações do recorrente, uma vez que toda a documentação referente à conta bancária em exame e à empresa Raintree Ltd foi obtida mediante autorização judicial, tanto da Justiça Federal do Paraná como da Justiça dos Estados Unidos da América (EUA), por meio de acordo de assistência judiciária firmado entre os dois países. Às fls. 54 a 58 consta a decisão proferida pelo Juiz federal da 2ª Vara Criminal de Curitiba/PR que determinou a quebra de sigilo bancário das contas do MTBCBC Hudson United Bank e autorizou a utilização do material encaminhado pelas autoridades públicas dos EUA. A autorização para o compartilhamento desse material com a Receita Federal do Brasil (RFB), para instrução de suas atividades específicas, foi informado à RFB por meio do Ofício nº 146/2004GJ, de 06/05/2004 (fl. 23). Se a quebra do sigilo bancário foi determinada pela autoridade judicial, não houve necessidade de emissão de RMF, pois esse documento somente é essencial nos casos em que não há autorização judicial, nos quais a análise da imprescindibilidade das informações bancárias para utilização no procedimento fiscal é feita pelo AuditorFiscal e submetida ao Delegado da RFB, nos termos do Decreto nº 3.724/2001. Quanto à alegação de que se utilizou prova emprestada sem obediência ao princípio do contraditório, não há como acolher essa afirmativa, visto que lhe foram dadas várias oportunidades de manifestação acerca de toda a documentação, tanto durante a ação fiscal, como por ocasião da impugnação e do recurso voluntário. Sobre a necessidade de realização de perícia, também não lhe assiste razão, pois a autoridade julgadora poderá indeferir o pedido de perícia, quando considerála prescindível ou impraticável. Ou seja, é possível que a perícia seja considerada desnecessária quando os elementos presentes nos autos são suficientes para a formação da convicção do julgador. Assim, somente se falará na conveniência da prova pericial em caso de dúvida na matéria de fato e na convicção do julgador, o que não ocorreu no presente caso. O artigo 18 do Decreto nº 70.235/72, com redação dada pelo art. 10 da Lei nº 8.748/93, dispõe: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante a realização de perícias ou diligencias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no artigo 28, in fine.” Dessa forma, não tem razão o recorrente em sua afirmação de que não foram obedecidos os requisitos legais nesse ponto. Ausência de jurisdição do Fisco para lavrar o auto de infração Fl. 856DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000985/200786 Acórdão n.º 2202003.030 S2C2T2 Fl. 848 19 Alega o recorrente que a Fazenda Pública brasileira não possui jurisdição para lavrar auto de infração sobre fatos geradores realizados no exterior por pessoa jurídica que não possui domicílio fiscal aqui no país, em virtude do princípio da territorialidade. Entretanto, diversamente do alegado, a tributação em comento foi efetuada no contribuinte Enrique Javier Rivas Blanco, ora recorrente, e não na empresa Raintree Ltd, essa sim domiciliada no exterior, em paraíso fiscal. Sendo o contribuinte Enrique Javier Rivas Blanco domiciliado no Brasil, deve ele submeterse às normas de tributação deste país, que dispõe que o imposto de renda é um imposto que incide sobre a totalidade das receitas auferidas pelo contribuinte, alcançando inclusive os obtidos no exterior. Assim, não procedem as argumentações do recorrente sobre a nulidade do lançamento. Falta de intimação dos cotitulares das contas bancárias conjuntas O contribuinte alega que somente o falecido, Sr. Francisco Fernandez Bernardez, poderia, se vivo fosse, responder por possíveis infrações imputadas à conta corrente mantida pela empresa Raintree Ltd. Verificase que os reais beneficiários finais da conta corrente nº 030172829 e, em conseqüência, cotitulares da conta bancária em comento, eram os srs. Francisco Fernandez Bernardez, Elvira Sanchez Pluchino e Enrique Javier Rivas Blanco. Em relação ao contribuinte Francisco Fernandez Bernardez, o lançamento foi efetuado no espólio (Processo nº 19515.000984/200731), tendo sido cancelado em virtude do entendimento já pacificado neste Conselho, sobre a impossibilidade da aplicação da presunção legal do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 pela intimação ao espólio acerca de depósitos anteriores ao falecimento do contribuinte. Ou seja, um dos cotitulares da conta conjunta, o sr. Francisco Fernandez Bernardez, não foi regularmente intimado. Assim dispõe o caput do artigo 42, da Lei nº 9.430/96: Art. 42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (grifei) Como, no presente caso, um dos cotitulares da conta bancária (um dos reais beneficiários) não foi regularmente intimado a comprovar a origem dos recursos nela creditados, é de se aplicar a Súmula nº 29 do CARF: Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Portanto, entendo que o lançamento relativo à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada deve ser cancelado. MÉRITO Fl. 857DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 20 Acréscimo patrimonial a descoberto Nesse ponto, o contribuinte defende que o lançamento não cumpriu os requisitos necessários, seja no aspecto formal ou material, assim como cita trecho do voto vencedor do acórdão referente ao processo do espólio de Francisco Fernandez Bernardez, no qual foi afastada a infração relativa a acréscimo patrimonial a descoberto. Compulsando os autos, constatase que a autoridade fiscal cometeu um equívoco na apuração da variação patrimonial do autuado. A verificação baseouse em levantamentos mensais de origens e aplicações de recursos (fluxo financeiro de caixa), contudo lançou como origens os depósitos bancários efetuados na conta mantida no exterior e como dispêndios as ordens de pagamento a débito dessa conta, conforme se observa pelo Demonstrativo da Variação Patrimonial elaborado pelo AuditorFiscal (fls. 392 a 394) e pela descrição contida no Termo de Verificação Fiscal (fls. 395 a 409). Peço vênia para transcrever trecho do voto condutor do Acórdão nº 2202 00.385, desta turma (Processo nº 19515.000984/200731), da lavra do ilustre Conselheiro Relator Nelson Mallmann. Tratase do processo relativo ao espólio e Francisco Fernandez Bernardez, um dos sócios da empresa Raintree Ltd., no qual a tributação ocorreu da mesma forma do caso em análise. No presente caso, a tributação levada a efeito baseouse em levantamentos mensais de origem e aplicações de recursos (fluxo financeiro ou de caixa), onde, a principio, constatase que houve a disponibilidade econômica de renda maior do que a declarada pelo suplicante, caracterizando omissão de rendimentos passíveis de tributação. Por outro lado, é entendimento pacifico, nesta Câmara, que quando a fiscalização promove o fluxo financeiro ("fluxo de caixa") do contribuinte, através de demonstrativos de origens e aplicações de recursos devem ser considerados todos os ingressos (entradas) e todos os dispêndios (saídas), ou seja, devem ser considerados todos os rendimentos, retornos de investimentos e empréstimos, (já tributados, tributados de oficio, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte) declarados ou não, bem como todos os dispêndios/aplicações/investimentos/aquisições possíveis de se apurar, a exemplo de: despesas bancárias, aplicações financeiras, água, luz, telefone, empregada doméstica, cartões de crédito, juros pagos, pagamentos diversos, aquisições de bens e direitos (móveis e imóveis), etc., apurados mensalmente. Porém, no presente lançamento, não é isso que se constata. A autoridade lançadora simplesmente se baseou nas entradas e saídas registradas em conta bancária. A mistura de depósitos bancários na apuração de acréscimo patrimonial desvirtua totalmente o objetivo do "fluxo financeiro", que é para verificar se o contribuinte está aplicando ou consumindo mais do que tem de origem em recursos já tributados, não tributáveis ou isentos. Ora, notase, no levantamento de acréscimo patrimonial a descoberto, que a autoridade lançadora considerou, tão somente, como origens os depósitos bancários e como dispêndios os repasses bancários. Este procedimento é incorreto, já que para os depósitos bancários existe uma legislação especifica demonstrando a sua forma de tributar (art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996), não é razoável misturar depósitos bancários como sendo origem (entradas) no demonstrativo de acréscimo patrimonial e como dispêndios (saídas) os repasses bancários. [...] Fl. 858DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 19515.000985/200786 Acórdão n.º 2202003.030 S2C2T2 Fl. 849 21 Ademais, a inclusão, no fluxo financeiro para apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, tão somente, de depósitos bancários (como origens) e repasses bancários (como dispêndios) descaracteriza a metodologia de apuração de acréscimo patrimonial a descoberto (presunção de omissão de rendimentos), tendo em vista, que para os casos da existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos, existe a imposição de tributação especifica (art. 42 da Lei no 9.430/96), e que deve prevalecer nestes casos. Neste linha de pensamento, concluo que o lançamento, neste item, não foi realizado dentro dos parâmetros legais, portanto, da mesma forma, deve ser excluído da exigência tributária. Compartilho do entendimento acima exposto. Dessa forma, deve ser excluída do lançamento a infração de omissão de rendimentos caracterizada por variação patrimonial a descoberto. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA Relator Fl. 859DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 21/03/2015 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 24/03/2015 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 15374.001899/2004-49
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2002
EXCLUSÃO DO SIMPLES FEDERAL. VEDAÇÃO LEGAL.
Não pode permanecer no Simples Federal a empresa que possuir em seu quadro societário sócio com 10% de cotas de outra empresa, cujas receitas ultrapassem o limite legal permitido para optar e pemanecer no regime de tributação diferenciado, favorecido e simplificado regido pela Lei nº 9.713/96.
Numero da decisão: 1801-002.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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VEDAÇÃO LEGAL. Não pode permanecer no Simples Federal a empresa que possuir em seu quadro societário sócio com 10% de cotas de outra empresa, cujas receitas ultrapassem o limite legal permitido para optar e pemanecer no regime de tributação diferenciado, favorecido e simplificado regido pela Lei nº 9.713/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório Trata de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 0320.654/07, proferido pela Quarta Turma de Julgamento da DRJ em Brasília/DF, efls. 102 e 103, mantendo o Ato Declaratório Executivo (ADE) de Exclusão do Simples Federal, efls. 11, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 18 99 /2 00 4- 49 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 emitido em razão do sócio da empresa, Luciano Fraga Pinheiro da Silva, CPF 503.799.25672, ser sócio de outra empresa, com mais de 10% de cotas e a receita das duas empresas ultrapassarem o limite legal para esta permanecer no regime de tributação simplificado, diferenciado e favorecido do Simples Federal (inciso IX do art. 9o da Lei nº 9.317/96). O ADE constata a situação excludente desde o anocalendário de 2000, mas estabelece os efeitos da exclusão a partir de 01/01/2002. A empresa limita sua defesa em solicitar que os efeitos do ADE de Exclusão não retroajam a 2002 e 2003 e explica que em novembro de 2004 a situação excludente deixou de existir, com o registro da 4ª Alteração Contratual. A Turma de Julgamento de Primeira Instância assim fundamentou o voto condutor e ementou o aresto: Opção pelo Simples Condição Vedada Impossibilidade. Não pode optar pelo Simples a pessoa jurídica que incorre em uma ou mais das vedações à opção estabelecidas em lei. "[...] O argumento trazido à baila pela empresa não a socorre para o fim de mantê la na sistemática do Simples, visto que se encontrava em condição não permitida para permanecer no Sistema, nos termos do inciso IX do art. 9o da Lei 9.317/1996 (sócio principal com mais de 10% do capital de outra empresa e a receita bruta global ultrapassa o limite estabelecido). No que tange aos efeitos da exclusão, registrese que, no caso, a exclusão do Simples surte efeito a partir do mês subseqüente ao que incorrida a situação excludente, nos termos da Medida Provisória n° 2.15834, de 27/07/2001, art. 73. A situação excludente só deixou de existir em novembro/2004. Portanto, em 2002, 2003 e 2004 não poderia estar no Simples. Ex positis, voto no sentido de indeferir a manifestação de inconformidade para manter o Ato Declaratório Executivo, dc exclusão." A empresa interpôs tempestivamente1 o Recurso de efls. 118, reiterando os termos da defesa exordial. É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. 1 AR – 23/08/07, efls. 115; Recurso – 24/09/07, efls. 131 (envelope) Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo. A recorrente não apresentou nenhuma defesa hábil para afastar a causa impeditiva para permanecer no Simples Federal. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 15374.001899/200449 Acórdão n.º 1801002.285 S1TE01 Fl. 3 3 Os fatos demonstram que o sócio da empresa possui 10% de cotas de outra empresa, sendo que a receita de ambas supera o limite legal para permanecer no regime, desde o ano de 2000, sendo que a situação excludente durou até novembro de 2004. Portanto, a recorrente não pode optar e permanecer no Simples para os anos calendários de 2002, 2003 e 2004, nos termos da legislação tributária vigente. Voto em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 146DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2015 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 12/03/2 015 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 16327.001965/2003-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Período de apuração: 19/02/1997 a 22/01/1999, 23/06/1999 a 31/12/1999
PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA PARCIAL. PERDA DE OBJETO. NÃO CONHECIMENTO.
A opção do contribuinte a parcelamento após a lavratura do lançamento importa em desistência da discussão administrativa e renúncia ao direito sobre o qual se funda a defesa, impondo-se o não conhecimento do recurso nesta parte.
DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL DE CINCO ANOS A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR QUANDO HÁ ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO E A PARTIR DO 1º DIA DO ANO SEGUINTE AO FATO GERADOR QUANDO NÃO SE ANTECIPOU PAGAMENTO. PRECEDENTES DO STJ EM RECURSO REPETITIVO. APLICAÇÃO DO ART. 62-A, DO RI-CARF.
Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o Poder Público dispõe do prazo de 05 (cinco) anos para constituir o crédito tributário pelo lançamento, contados do fato gerador, quando há antecipação de pagamento ou do 1º dia do ano seguinte ao fator gerador, quando não se antecipou pagamento, nos termos do art. 150, §4º, e do art. 173, I, do CTN. Aplicação do entendimento exarado pelo STJ, no Recurso Especial Representativo de Controvérsia nº 566.621, nos termos do art. 62-A, do RI-CARF.
Numero da decisão: 3402-002.588
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso em face do parcelamento e, na parte conhecida, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Alexandre Kern e Maria Aparecida Martins de Paula. Apresentará declaração de voto o conselheiro Alexandre Kern. Fez sustentação oral dr Luis Eduardo Pereira Almeida Neder OAB 234718.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Júnio Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Alexandre Kern, Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF Período de apuração: 19/02/1997 a 22/01/1999, 23/06/1999 a 31/12/1999 PEDIDO DE PARCELAMENTO. DESISTÊNCIA PARCIAL. PERDA DE OBJETO. NÃO CONHECIMENTO. A opção do contribuinte a parcelamento após a lavratura do lançamento importa em desistência da discussão administrativa e renúncia ao direito sobre o qual se funda a defesa, impondo-se o não conhecimento do recurso nesta parte. DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL DE CINCO ANOS A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR QUANDO HÁ ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO E A PARTIR DO 1º DIA DO ANO SEGUINTE AO FATO GERADOR QUANDO NÃO SE ANTECIPOU PAGAMENTO. PRECEDENTES DO STJ EM RECURSO REPETITIVO. APLICAÇÃO DO ART. 62-A, DO RI-CARF. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o Poder Público dispõe do prazo de 05 (cinco) anos para constituir o crédito tributário pelo lançamento, contados do fato gerador, quando há antecipação de pagamento ou do 1º dia do ano seguinte ao fator gerador, quando não se antecipou pagamento, nos termos do art. 150, §4º, e do art. 173, I, do CTN. Aplicação do entendimento exarado pelo STJ, no Recurso Especial Representativo de Controvérsia nº 566.621, nos termos do art. 62-A, do RI-CARF.
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso em face do parcelamento e, na parte conhecida, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Alexandre Kern e Maria Aparecida Martins de Paula. Apresentará declaração de voto o conselheiro Alexandre Kern. Fez sustentação oral dr Luis Eduardo Pereira Almeida Neder OAB 234718. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Júnio Relator Participaram do julgamento os conselheiros Alexandre Kern, Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva.
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DESISTÊNCIA PARCIAL. PERDA DE OBJETO. NÃO CONHECIMENTO. A opção do contribuinte a parcelamento após a lavratura do lançamento importa em desistência da discussão administrativa e renúncia ao direito sobre o qual se funda a defesa, impondose o não conhecimento do recurso nesta parte. DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTAGEM DO PRAZO DECADENCIAL DE CINCO ANOS A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR QUANDO HÁ ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO E A PARTIR DO 1º DIA DO ANO SEGUINTE AO FATO GERADOR QUANDO NÃO SE ANTECIPOU PAGAMENTO. PRECEDENTES DO STJ EM RECURSO REPETITIVO. APLICAÇÃO DO ART. 62A, DO RICARF. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o Poder Público dispõe do prazo de 05 (cinco) anos para constituir o crédito tributário pelo lançamento, contados do fato gerador, quando há antecipação de pagamento ou do 1º dia do ano seguinte ao fator gerador, quando não se antecipou pagamento, nos termos do art. 150, §4º, e do art. 173, I, do CTN. Aplicação do entendimento exarado pelo STJ, no Recurso Especial Representativo de Controvérsia nº 566.621, nos termos do art. 62A, do RI CARF. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso em face do parcelamento e, na parte conhecida, em darlhe provimento. Votaram pelas conclusões conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Alexandre Kern e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 19 65 /2 00 3- 28 Fl. 6588DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalm ente em 24/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 2 Maria Aparecida Martins de Paula. Apresentará declaração de voto o conselheiro Alexandre Kern. Fez sustentação oral dr Luis Eduardo Pereira Almeida Neder OAB 234718. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Júnio – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Alexandre Kern, Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Maria Aparecida Martins de Paula, João Carlos Cassuli Júnior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Relatório Tratase de Auto de Infração referente à Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira – CPMF, dos períodos de 19/02/1997 a 22/01/1999 e de 23/06/1999 a 31/12/1999, com um valor de contribuição de R$ 64.699.702,14, juros de mora calculados até 30/04/2003 de R$ 55.667.398,46, multa de R$ 97.049.553,10, totalizando R$ 217.416.653,70. O Contribuinte foi autuado por não ter retido e recolhido a CPMF incidente em operações financeiras promovidas por conta e ordem de 170 clientes, relacionados aos períodos citados acima. DA IMPUGNAÇÃO O contribuinte apresentou Impugnação, em 18/06/2003, às fls. 285 (numeração eletrônica), alegando, em apertada síntese, que ocorreu a decadência do direito de constituir parte do suposto crédito tributário, em razão do transcurso do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Aduz ainda que os serviços contratados pelos seus clientes eram “práticas bancárias corriqueiras”, como serviço de coleta de valores a domicílio, serviço de cobrança de valores e serviço de pagamentos, e em geral, os recursos destes serviços podem ter diferentes destinos, conforme o interesse do cliente. Após a descrição da operação contratada, a questão fiscal consiste em saber se os valores entregues pelos clientes ou cobrados pelo banco dos devedores, antes de serem utilizados para pagamento de suas obrigações (ou utilizados para compra de cheques OP), deveriam ou não transitar pela conta corrente dos clientes. Se, no caso, o crédito na conta corrente do cliente seguido do débito fosse obrigatório, haveria (no débito) incidência da CPMF. E, aí sim, o não trânsito pela conta corrente seria um caminho contrário à lei que se usado, implicaria fugir, ilicitamente, ao pagamento da CPMF. Não sendo obrigatório o trânsito pela conta corrente, inexiste incidência da contribuição, diante da não ocorrência do fato gerador, tendo em vista que o lançamento a débito na conta “depósito vinculado” não é fato gerador da CPMF. Quanto à multa, o Contribuinte alega que jamais poderia ser aplicada, pois se tivesse ocorrido o fato gerador, teria havido mera falta de pagamento de tributo, o que afasta a aplicação da multa agravada. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Fl. 6589DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalm ente em 24/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16327.001965/200328 Acórdão n.º 3402002.588 S3C4T2 Fl. 6.589 3 A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo – SP, proferiu Acórdão n° 4.032 (fls. 443 e ss.), de 29/09/2003, nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira CPMF Período de apuração: 19/02/1997 a 22/01/1999, 23/06/1999 a 31/12/1999 Ementa: DECADÊNCIA. O prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário relativo à CPMF é de dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. CPMF. FATO GERADOR. Ocorre o fato gerador da CPMF nos pagamentos efetuados por instituição financeira, por conta e ordem de seus clientes, mediante a utilização de recursos entregues ao banco e não creditados nas contas arroladas no inciso I do art. 2º, da Lei nº 9.311/1996, de titularidade dos clientes, ainda que custodiados em conta de depósitos vinculados, consoante legislação tributária de regência. Incide a CPMF mesmo que tais pagamentos sejam efetuados mediante cheque administrativo ou cheque ordem de pagamento. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A conduta reiterada da instituição financeira tendente a dificultar o conhecimento do Fisco sobre a ocorrência do fato gerador da CPMF, ao prestar serviços de pagamentos com recursos provenientes da conta de depósitos vinculados, denota o intuito de fraude, nos termos dos artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/1964. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO. A evidência do intuito de fraude a que se refere o artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/1996, impõe a aplicação da multa de ofício agravada de 150%. Lançamento Procedente. A DRJ entendeu que, quanto à decadência, é de 10 anos o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário relativo à CPMF, tendo em vista que, segundo o §4º do art. 150 do CTN, o prazo de 5 anos nele previsto, seria apenas aplicável aos casos que a lei não fixasse prazo à homologação. Entende a DRJ que não procede a alegação do Contribuinte de que a IN nº 66/1998, estaria criando nova hipótese de incidência, afrontando o princípio tributário constitucional da estrita legalidade, em razão de a instrução apenas regulamentar hipótese expressamente prevista na Lei nº 9.311/1996. Quanto à multa, ficou evidenciado que os contratos entre o banco e os seus clientes foram firmados para impedir dolosamente o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador. Diante dos fatos, entendeu a DRJ que se justifica o agravamento da multa de ofício, de 75% para 150%. DO RECURSO Fl. 6590DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalm ente em 24/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 4 Cientificado do Acórdão de Primeira Instância, às fls. 487, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 10/12/2003, às fls. 489 e ss., suscitando, resumidamente, sobre a decadência parcial do direito de lançar, em razão do transcurso do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, e também quanto ao reconhecimento de que a operação autuada é prática legítima e usual e quanto ao fato do Contribuinte, mediante condutas lícitas, ter optado pelo caminho fiscalmente menos oneroso, não pode gerar imposição de multa agravada, pois estaria diante de elisão fiscal, e não de evasão fiscal. Ao final, requereu o acolhimento do presente Recurso para que seja cancelado os autos. O Contribuinte, em 04/02/2010, às fls. 1422 (numeração eletrônica), acostou aos autos uma petição informando que efetuou o recolhimento da CPMF dos anos de 1998 e 1999, pelo parcelamento da Lei 11.941/09, conforme DARF anexo. Assim, desiste parcialmente do Recurso Voluntário, requerendo que a discussão administrativa permaneça apenas com relação ao ano de 1997, uma vez ocorrida a decadência nos termos do art. 173, I, do CTN. Em 28/09/2011, às fls. 1477, o Contribuinte juntou aos autos nova petição, informando que sobre o prazo decadencial para constituição de créditos tributários relativos a contribuições sociais, tal como a CPMF, o STF reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, pacificando a matéria ao editar a Súmula Vinculante nº 8. Assim, reitera as alegações trazidas no Recurso Voluntário e requer seja dado provimento com o consequente cancelamento do lançamento fiscal. Às fls. 4919, em 18/10/2012, o Contribuinte, novamente juntou aos autos petição informando que juntou os comprovantes de recolhimento da CPMF do ano de 1997, que juntamente com as DCTF’s do período mencionado, comprovam a existência de pagamento antecipado. Dessa forma, requer seja reconhecida a decadência dos créditos tributários, cancelando definitivamente o lançamento fiscal. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 01 (um) Volume, numerado até a folha 5088 (cinco mil e oitenta e oito), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária da Terceira Seção do CARF. É o relatório. Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior – Relator. Inicialmente consigno que houve desistência parcial do recurso apresentado às fls. 487 – n.e, conforme petição apresentada pelo contribuinte nestes autos, de modo que do referido recurso, tomo apenas parcial conhecimento, considerando cumpridos seus pressupostos de admissibilidade e tempestividade. Conforme se depreende da leitura do relatório acima, versa o processo de auto de auto de infração de CPMF, exigida do sujeito passivo por ter o mesmo deixado de recolher nos anos de 1997 a 1999 a referida Contribuição Provisória, quando incidente esta em operações realizadas por seus clientes/correntistas. Fl. 6591DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalm ente em 24/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16327.001965/200328 Acórdão n.º 3402002.588 S3C4T2 Fl. 6.590 5 Afora a discussão acerca da natureza destas operações, restou discutida nos autos apenas a ocorrência ou não de decadência do direito de lançar o período de 1997, tendo em vista que os outros anos (1998 e 1999), também autuados, foram parcelados pelo contribuinte nos moldes da Lei 11.941/2009. A superveniência de pedido de desistência a fim de aderir a programa de parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009, importa em desistência do recurso, de modo que diante deste cenário, imperioso se faz observar ao que determina o artigo 78 do Regimento Interno desta Casa, in verbis: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. Logo, o fato do contribuinte ter pedido o parcelamento quanto aos períodos de 1998 e 1999 contidos no lançamento, e que portanto reconhece serem devidos em sua essência, implica, nos termos da regulamentação acima, em desistência de qualquer discussão que possa ter o sujeito passivo trazido aos autos quanto a tais períodos de apuração. Consequentemente, não conheço do Recurso Voluntário no que diz respeito aos valores lançados com relação aos períodos de apuração 1998 e 1999, restando a controvérsia apenas no que tange à argüição de decadência do período de 1997. Neste tocante, ao meu ver, merece reforma a decisão da Delegacia de Julgamento de Piso, tendo em vista que esta considerou aplicável o prazo de 10 (dez) anos previsto no artigo 45 da Lei 8.212/91, sendo porém, inequívoco que é o mesmo inconstitucional, à luz da Súmula Vinculante nº. 8, do Supremo Tribunal Federal, in verbis: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário. Desta forma, o prazo para lançamento dos impostos e ou contribuições, por parte da Fazenda Pública, regese na forma do artigo 150 e/ou do artigo 173, do Código Tributário Nacional, sendo definida qual a regra de início desta contagem (se pela do §4º do artigo 150, ou se pelo inciso I, do artigo 173), com a verificação da existência de dolo, fraude, ou simulação, ou ainda, de pagamentos antecipados. Neste sentido, entendo que não houve fraude ou dolo, pois que todos os atos estavam respaldados à época por instrução do próprio Banco Central do Brasil, não transitando Fl. 6592DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalm ente em 24/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 6 nas contas correntes a que se referiam as operações, mas sim, apenas em contas de depósito vinculado, conforme determinava a Circular vigente à época. Assim, restou demonstrado que o serviço de coleta de valores a domicílio não possuía determinação para trânsito em conta corrente, não ocorrendo assim, ao meu ver, intuito doloso ou fraudulento do sujeito passivo em não recolher a contribuição em questão; e ainda, que seriam estas operações respaldadas pelo Banco Central do Brasil, na forma em que realizadas. O que houve foi divergência de interpretação quanto à extensão dos efeitos da mencionada Circular, tendo a Autoridade Fiscal entendido que teria havido a incidência da CPMF, divergindo, neste ponto, da interpretação que o contribuinte empregava aos efeitos jurídicos das mesmas, porém, sem que isso signifique, ao meu ver, evidente intuito de fraude ou sonegação. Assim sendo, considerando não haver evidente intuito de fraude ou sonegação, e por ter havido pagamento antecipado nos meses ao longo de 1997, tenho que o prazo regulamentar para a contagem da decadência no caso em tela é aquele do artigo 150, §4º, do CTN, nos termos do que já sedimentou a jurisprudência da Corte Superior deste país, ao qual, por força do artigo 62A do RICARF, deve esta Casa se submeter. Considerando que o contribuinte foi cientificado do lançamento em 21/05/2003, relativos períodos de 1997, 1998 e 1999, pela contagem de 5 anos a contar da data do fato gerador (conforme previsão do §4º do artigo 150 do CTN), todos os períodos do ano de 1997 estariam extintos pela decadência. Com se disse, esse entendimento é decorrência da aplicação da jurisprudência em vigor emanada do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento pelo rito dos Recursos Repetitivos (art. 543C, do CPC), a qual é expressa em frisar o prazo de 05 (cinco) anos começa a fluir do fato gerador, desde que tenha havido antecipação de pagamento, ainda que parcial, de tributo sujeito a lançamento por homologação, ou do primeiro dia do exercício seguinte ao fato gerador, para os casos em que não haja comprovação de antecipação de pagamento, de dolo, fraude ou simulação, conforme mencionado acima. A se verificar: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, §4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo incorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fl. 6593DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalm ente em 24/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 16327.001965/200328 Acórdão n.º 3402002.588 S3C4T2 Fl. 6.591 7 Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra de decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito tributário” 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no art. 173, I, do CTN, sendo certo que o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º e 173, do Codex tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, “Do lançamento no Direito Tributário Brasileiro”, 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, “Direito Tributário Brasileiro” 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, “Decadência e Prescrição no Direito Tributário”, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) obrigação ex lege de pagamento antecipado de contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne os fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733 SC 2007/01769940. Rel. Min. Luiz Fux. Dt. Jul. 12/08/2009) Feitos os esclarecimentos necessários, ante o exposto, voto por prover o recurso na parte relativa a decadência, para determinar a exclusão dos valores relativos aos períodos do ano de 1997 deste lançamento tributário e cancelar o auto de infração em face de que os demais períodos já foram parcelados pelo contribuinte. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator. Fl. 6594DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalm ente em 24/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO 8 Declaração de Voto Conselheiro Alexandre Kern Analisando os autos, julguei que o esquema de movimentação de depósitos vinculados, descrito na fl. 217, representou artifício doloso tendente a dificultar o conhecimento do Fisco sobre a ocorrência do fato gerador da CPMF, circunstância qualificativa da infração, a ensejar a exasperação da penalidade aplicada. Nesse sentido, a regra de contagem do prazo decadencial deve ser aquela estampada no inc. I do art. 173 do CTN, e não a do § 4° do art. 150. Por essa razão, acompanhei o voto do relator, ínclito Conselheiro João Carlos Cassuli Júnior, apenas por suas conclusões. Sala de sessões, em 27 de janeiro de 2015 Fl. 6595DF CARF MF Impresso em 26/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 11/02/2015 por A LEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 16/02/2015 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalm ente em 24/02/2015 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 10640.721804/2011-25
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. CONDIÇÕES. LEI Nº 7.713/1988. SÚMULA CARF Nº 63. PROVA DOCUMENTAL
Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. A isenção passa a ser reconhecida a partir da presença cumulativa desses dois requisitos.
ALIENAÇÃO MENTAL. CURATELA.
Os princípios gerais de direito privado utilizam-se para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para a definição dos respectivos efeitos tributários.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. FORMALISMO MODERADO. VERDADE MATERIAL.
Conforme ensinou o Mestre Hely Lopes Meirelles: "o princípio do informalismo dispensa ritos sacramentais e formas rígidas para o processo administrativo, principalmente para os atos a cargo do particular.... Garrido Falla lembra, com oportunidade, que este princípio é de ser aplicado com espírito de benignidade e sempre em benefício do administrado, para que por defeito de forma não se rejeitem atos de defesa e recursos mal qualificados." (in Direito Administrativo Brasileiro, 32ª edição, atualizada. São Paulo: Malheiros, 2006, p.687)
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-003.963
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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ISENÇÃO. CONDIÇÕES. LEI Nº 7.713/1988. SÚMULA CARF Nº 63. PROVA DOCUMENTAL Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. A isenção passa a ser reconhecida a partir da presença cumulativa desses dois requisitos. ALIENAÇÃO MENTAL. CURATELA. Os princípios gerais de direito privado utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para a definição dos respectivos efeitos tributários. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. FORMALISMO MODERADO. VERDADE MATERIAL. Conforme ensinou o Mestre Hely Lopes Meirelles: "o princípio do informalismo dispensa ritos sacramentais e formas rígidas para o processo administrativo, principalmente para os atos a cargo do particular.... Garrido Falla lembra, com oportunidade, que este princípio é de ser aplicado com espírito de benignidade e sempre em benefício do administrado, para que por defeito de forma não se rejeitem atos de defesa e recursos mal qualificados." (in Direito Administrativo Brasileiro, 32ª edição, atualizada. São Paulo: Malheiros, 2006, p.687) Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 18 04 /2 01 1- 25 Fl. 210DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10640.721804/201125 Acórdão n.º 2801003.963 S2TE01 Fl. 210 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Flavio Araujo Rodrigues Torres, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/JFA/MG. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Para AMARYLLES DELGADO, já qualificada nos autos, foi lavrada em 4/4/2011 a Notificação de Lançamento de fls. 67/74, que lhe exige o recolhimento de um crédito tributário no valor de R$ 9.175,82, sendo R$ 4.779,04 de imposto de renda pessoa física – suplementar (código 2904), R$ 3.584,28 de multa de ofício (passível de redução), R$ 492,71 de juros de mora calculados até abril/2011, R$ 245,41 de imposto de renda pessoa física (código 0211), R$ 49,08 de multa de mora (não passível de redução) e R$ 25,30 de juros de mora calculados até abril/2011. Decorreu o citado lançamento da revisão efetuada na declaração de ajuste anual entregue pela contribuinte, relativa ao exercício financeiro de 2010, anocalendário de 209, quando foram apuradas as seguintes infrações, conforme a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 69/72: 1. Omissão de rendimentos do trabalho assalariado, no valor de R$ 331.137,36, segundo a DIRF (Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte) do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais. Esclareceu a autoridade fiscal que “De acordo com o Parecer Médico Pericial nº 031310, emitido em 30 de maio de 2010, pela Junta Médica do Núcleo de Saúde e Perícia, Divisão de Recursos Humanos, Gerência Regional de Administração do Ministério da Fazenda/MG, cuja cópia consta anexada ao dossiê, a contribuinte não se enquadra como portadora de doença grave elencada na Lei nº 7.713/88 com as alterações posteriores”. 2. Omissão de rendimentos, no valor de R$ 1.495,16, recebidos a título de resgate de contribuições à previdência privada, PGBL e Fapi da Caixa Vida e Previdência S/A. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10640.721804/201125 Acórdão n.º 2801003.963 S2TE01 Fl. 211 3 3. Omissão de rendimentos, no valor de R$ 795,19, recebidos a título de benefícios ou resgates de planos de seguros de vida (VGBL) do Itaú Vida e Previdência S/A. 4. Compensação indevida de imposto de renda, no valor de R$ 4.119,93, de acordo com a DIRF do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais. A notificada, por intermédio de procurador habilitado, apresenta a impugnação de fls. 2/12, instruída pelos elementos de fls. 20/45 e 47/66, argumentando, em resumo, o que segue: I) Do cabimento da presente impugnação • Após transcrever o art. 5º, LV, da CF/88, alega que a “... a presente impugnação, que também pode ser considerada um pedido de revisão e de reexame da decisão prolatada pela unidade da Secretaria da Receita Federal, é plenamente cabível no caso em tela, devendo, inclusive, ser possibilitado à contribuinte todos os meios e recursos ao seu contraditório e ampla defesa, sob pena de não serem observados os princípios constitucionais expressos na CF/88”. II) Breve histórico dos fatos • “A contribuinte é portadora de moléstia grave, capitulada na Lei nº 7.713/88, tendo efetuado sua Declaração de Imposto de Renda – Exercício 2010, AnoCalendário 2009, com intuito de pleitear a restituição de todo o imposto retido indevidamente”. • “A requerente apresentou os laudos comprobatórios do transtorno bipolar, conforme determina o artigo 6º, XIV, da Lei 7.713/88, com redação dada pela Lei 8.541/92, alterada pela Lei 9.250/95 e Lei 11.052/04, que prevê: Para a caracterização da moléstia é necessário apresentação da laudo com base na conclusão da medicina especializada”. • “Todavia, mesmo apresentando a documentação comprobatória teve como resultado o indeferimento do pedido, por meio da notificação de lançamento que tomou por base o Parecer Médio Pericial de nº 031310 (cópia anexa – doc. 01), emitido em 30 de maio de 2010, pela Junta Médica do Núcleo de Saúde e Perícias, Divisão de Recursos Humanos, Gerência Regional de Administração do Ministério da Fazenda/MG”. III) Dos equívocos do Parecer Médico Pericial nº 031310 • No curso dos processos administrativos (10640.000404/201000 e 10640.000403/201057), com pedidos de restituição relativos aos exercícios 2007 e 2006, “houve de início a solicitação de emissão de novo laudo oficial com transcrição legível, além do esclarecimento acerca do conteúdo da informação ‘de acordo com a família’, que é vinculada ao campo ‘exposição das observações, estudos, exames efetuados e registros das conclusões’ do laudo”. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10640.721804/201125 Acórdão n.º 2801003.963 S2TE01 Fl. 212 4 • “Ora, não é necessário ser médico para saber que é impossível precisar qual é a data de início dessa doença. Não se trata de moléstia diagnosticada por exame, como é o caso de cardiopatia grave ou neoplasia maligna. O transtorno afetivo bipolar, como no caso da contribuinte, somente foi diagnosticado tardiamente, quando os familiares já não conseguiam mais controlar a situação”. • “Diante disso, sabendo dos relatos da família, e após análise de todo o seu histórico e do quadro clínico, assim como o registro das consultas e da medicação utilizada, o profissional emitiu o laudo. Para reforçar essa situação segue, em anexo, atestado emitido por outro profissional da área consultado anos antes da emissão do laudo, o psiquiatra Dr. Guilherme de Souza, CRMMG 3689, que em 05/Agosto/1970 já relatava distúrbios mentais e psicológicos da contribuinte”. • “Assim, resta devidamente provado que a requerente conviveu com esses distúrbios durante anos, tendo a doença se agravado ainda mais nos últimos tempos, configurando a moléstia grave, preconizada pela Lei”. • “Diante desse questionamento infundado pela Receita Federal, o profissional retirou a informação ‘de acordo com a família’ para sanar a dúvida quanto ao início da moléstia. Assim, restou evidente no novo laudo que a doença da contribuinte já se arrasta há vários anos”. • “Porém, mesmo com esse novo laudo, houve o indeferimento arbitrário do pedido da requerente, com base em diversos equívocos que destacamos doravante:” (a seguir serão listados os “equívocos” mencionados pela impugnante, cuja íntegra das razões de mérito para cada um deles leio em sessão). • III.1) Do equívoco do indeferimento baseado na assinatura • III.2) Da ausência de especialização dos médicos em psiquiatria • III.3) Do equívoco do indeferimento do pedido com base no controle da doença • III.4) Do equívoco do indeferimento do pedido com base na dependência de terceiros • III.5) Do equívoco do indeferimento do pedido com base na necessidade de curatela IV) Da análise de mérito do Parecer Médico • A contribuinte não foi submetida a nenhuma avaliação ou análise médica por parte da Junta que emitiu o Parecer, ou sequer lhe foi solicitado qualquer outro tipo de relatório, o que revela a total inconsistência das declarações dos médicos da Junta. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10640.721804/201125 Acórdão n.º 2801003.963 S2TE01 Fl. 213 5 • “Sendo assim, esses profissionais descumpriram o Código de Ética Médica, de modo que são passíveis de sanções disciplinares pelo Conselho Regional de Medicina, onde estão afiliados”. • “Juntamos ao presente processo administrativo mais um documento para conhecimento dos nobres julgadores: o relatório médico de avaliação neuropsicológica, realizado em 30 de setembro de 2009, pela especialista em neuropsicologia pela USP, Dra. Érika Olívia Rodrigues de Souza, CRP 14840/4ª”, cuja conclusão transcreve. • “Ora, se a Junta Médica tivesse a mínima coerência para emitir um parecer médico pericial, confiável e seguro, notificaria a contribuinte para que esta pudesse comparecer em uma perícia para confirmar a existência da moléstia grave prevista na lei de restituição do IR. Mas não foi o que ocorreu, pois, como visto, num ato arbitrário e infundado, a Junta indeferiu o pleito da Requerente sem sequer avaliar pessoalmente o estado de saúde da contribuinte”. V) Do erro do indeferimento do pedido sem a análise da documentação comprobatória • “O laudo apresentado à Junta Médica foi emitido por instituição pública municipal ‘Departamento de Saúde Mental / SUS’, com a assinatura e o reconhecimento de firma dos médicos, onde os profissionais declaram ser a contribuinte portadora de transtorno afetivo bipolar CID F 31.6, moléstia referida no art. 6º da Lei 7.713/88 sob a rubrica de alienação mental”. • “Ocorre que, com todo o respeito ao servidor que avaliou o laudo apresentado antes de encaminhálo à Junta Médica, certamente houve equívoco em sua conclusão ao afirmar que o laudo apresentado não é válido”. • “Está mais que comprovado que a contribuinte é portadora de moléstia grave e que o seu direito está assegurado pela lei. Como pode então o servidor, por razão não justificada, afirmar que a contribuinte não se enquadra nos requisitos da doença, sem bem analisar a documentação enviada à unidade, que comprova cabalmente se tratar de doença grave, incluída na Lei 7.713/88? Fica evidenciado, portanto, a total inconsistência do parecer da nº 031310”. VI) Da necessidade de realização de perícia na requerente • “Haja vista que não foi observado o que preceitua o Código de Ética Médica e, para dirimir quaisquer questionamentos da Receita Federal, a contribuinte invoca o inciso IV do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 06 de Março de 1972, para requerer a realização da perícia para confirmação da existência da moléstia grave”. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10640.721804/201125 Acórdão n.º 2801003.963 S2TE01 Fl. 214 6 • “Para tanto, desde já, a requerente indica o profissional Roberto Dimas Costa, CRMMG– médico especialista em psiquiatria – com endereço na Avenida Barão do Rio Branco, 2406/Sala 204, bairro Centro, Juiz de Fora – MG”. • Os requisitos propostos são: 1) A moléstia transtorno afetivo bipolar se enquadra no conceito de alienação mental?; 2) Existe a possibilidade de controle da doença sem a utilização de medicação?; 3) O transtorno afetivo bipolar impede que uma pessoa assine determinado documento com firmeza?; 4) É necessário curatela para todos os casos de transtorno bipolar?; 5) Pode um profissional médico, de acordo com o código de ética médica, assinar parecer médico pericial quando não tenha realizado pessoalmente o exame?; 6) É possível determinar com precisão qual a data de início do transtorno bipolar nos pacientes? VIII) Dos pedidos • “A) A realização de perícia médica na contribuinte ... para que não haja mais dúvidas sobre a existência da moléstia grave ... B) Demonstrada a insubsistência e arbitrariedade do parecer da Junta de nº 031310, requer a impugnante que seja acolhida a presente impugnação para o fim de se decidir favoravelmente à contribuinte, uma vez que está amplamente provada a existência da moléstia grave, com a consequente restituição dos valores que lhe são de direito.” A impugnação não foi conhecida, conforme Acórdão de fls. 132/140, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA. REPRESENTAÇÃO. ABSOLUTAMENTE INCAPAZ. Não se conhece da impugnação ao lançamento dada a ilegitimidade do subscritor, pois, tendo em vista tratarse de absolutamente incapaz, deveria ter sido apresentado junto à defesa o devido Termo de Curatela. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido Regularmente cientificada daquele, o Procurador Rodrigo Souza Lima subscreveu, juntamente com a contribuinte interessada, Recurso voluntário apresentado em 24 de abril de 2012. Em sede de recurso, rebate os fundamentos do Acórdão recorrido, falando de interdição civil, incapacidade civil, curatela, necessidade de decisão judicial, interdição de Fl. 215DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10640.721804/201125 Acórdão n.º 2801003.963 S2TE01 Fl. 215 7 portadores de transtorno bipolar e capacidade da recorrente para assinar o presente recurso para, por fim, PEDIR que seja recebido e provido seu recurso para reformar o Acórdão combatido, cancelandose o débito fiscal em litígio. Posteriormente, encaminhou cópia do Acórdão 10422.142, do 1º Conselho de Contribuintes, que trata de exigência de curatela para a caracterização da alienação mental, para fins de isenção do IRPF. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o Relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. O voto vencedor da decisão recorrida não conheceu da impugnação ao concluir que não se pode se pode aceitar, como termo de representação legal perante à RFB, a Procuração de fl. 23, lavrada em 26/03/2008, e tampouco a de fls. 101/102, lavrada em 10/05/2011, as quais nomeiam como procurador o Sr. Rodrigo Souza Lima, signatário da impugnação, apresentada em 05/05/2011. Isto porque, nos termos do art. 1.767 do Código Civil/2002, a Sra. Amarylles Delgado, por ser portadora de Alienação mental, está sujeita à curatela, sendo necessário, consequentemente, que seu representante seja um curador, judicialmente nomeado, com o propósito de cuidar dos interesses da contribuinte, que não pode exercitálos pessoalmente. Observase, tanto no Voto vencido quanto no Voto vencedor do Acórdão combatido que a Turma Julgadora admitiu que a Contribuinte é portadora de moléstia grave definida em lei e que se manifestou em 2004. Verificase, também, que a Requerente é aposentada pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais desde 1982, conforme cópia de Diário Oficial, à fl. 129, sendo, portanto, seus proventos provenientes de aposentadoria. Conforme manifestou o Nobre Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada no julgamento do processo nº10640.721534/201152 da mesma Contribuinte, realizado na sessão de 03 de dezembro de 2014, a discussão passou então para outro plano, uma vez que se entendeu, majoritariamente, que sendo portadora de moléstia grave mental, seria a mesma incapaz para realizar atos da vida civil, como por exemplo dar uma Procuração para que terceiro subscrevesse a Impugnação administrativa, sem que se demonstrasse a curatela. Assim, peço vênia para adotar, como razões de decidir, os fundamentos utilizados pelo Ilustre Conselheiro no Acórdão nº 2801003.892, de 03 de dezembro de 2014: Fl. 216DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10640.721804/201125 Acórdão n.º 2801003.963 S2TE01 Fl. 216 8 O Recurso rebate esse entendimento, dizendo que a curatela somente é estabelecida por ato judicial e que a doença não é incapacitante para "todos os atos da vida civil". A ciência do Auto de Infração foi dada por via postal..., sendo o recebedor Ronaldo Almeida, que não é o curador. É pacífico neste CARF que a notificação entregue no endereço informado pelo contribuinte é válida como ciência, ainda que o recebedor não seja o próprio, mas entendo que tal raciocínio não se aplicaria a uma pessoa reputada plenamente incapaz. ... mas não se conhece da Impugnação subscrita pelo mesmo, por não ser curador de pessoa reputada "plenamente incapaz". Pareceme que existe uma incongruência ao se reputar válidos os atos do Fisco, efetuados através de terceiros que não são o "curador judicial" de pessoa acometida de doença mental, mas se reputar inválidos os atos dessa pessoa e de seus procuradores constituídos, pelos mesmos motivos, ou seja, a ausência de curatela. Creio que bastava isso para se entender então que os atos praticados pela contribuinte e seus procuradores, que a Administração reputou inválidos, como a ciência do Auto de Infração e do Acórdão recorrido anulariam todo o procedimento fiscal. Mas entendo de forma diversa, a partir da realidade dos autos, e, seguindo a doutrina de Hely Lopes Meirelles, temos que: "o princípio do informalismo dispensa ritos sacramentais e formas rígidas para o processo administrativo, principalmente para os atos a cargo do particular.... Garrido Falla lembra, com oportunidade, que este princípio é de ser aplicado com espírito de benignidade e sempre em benefício do administrado, para que por defeito de forma não se rejeitem atos de defesa e recursos mal qualificados." (in Direito Administrativo Brasileiro, 32ª edição, atualizada. São Paulo: Malheiros, 2006, p.687) Temeroso o Julgador partir para conceitos e conteúdos do direito civil, como a incapacidade civil absoluta/relativa e a curatela, para rechaçar uma reclamação de cunho administrativotributário, estabelecendo, a partir de Laudo Médico que tem o objetivo de enquadrar a doença como moléstia grave isenta do imposto de renda, que seja a Recorrente absolutamente incapaz e passível de curatela, para invalidar atos por ela praticados, sem que haja prova de vício de vontade ou de forma tampouco sentença judicial declarando a medida da incapacidade e a necessidade da curatela. O que se observa é que os atos praticados nos autos visam a defender de fato os interesses da Contribuinte. Se já foi reconhecida a presença dos requisitos formais para o gozo da isenção, injustificável a não aceitação da impugnação, que assim enriquece sem causa o Fisco. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10640.721804/201125 Acórdão n.º 2801003.963 S2TE01 Fl. 217 9 Com efeito, filiome ao entendimento do voto vencido na decisão recorrida, ratificando sua fundamentação e conclusões, que transcrevo: Quanto à infração intitulada “rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave”, temse que a autoridade fiscal norteouse no Parecer Médico Pericial nº 031310, fl. 90, emitido pela Junta Médica da SAMF/MG – Divisão de Recursos Humanos – Núcleo de Saúde e Perícia, a pedido da DRF/JFA, cuja conclusão foi de que a Sra. Amarylles Delgado “não se enquadra como portadora de doença grave elencada na Lei”. A compensação indevida de IRRF está também diretamente relacionada a esta questão, pois o valor glosado referese ao imposto de renda incidente sobre o 13º salário (ou gratificação natalina). Inferese da Descrição dos Fatos de fl. 69 que a condição de ser a contribuinte aposentada já fora admitida pela Fiscalização. O cerne da discussão prendese tão somente à comprovação, ou não, de ser a requerente portadora de alienação mental. No processo nº 10640.721534/201152, em nome da mesma interessada, esse assunto foi examinado, cuja conclusão desta relatora foi que a notificada (aposentada) é portadora de moléstia grave (alienação mental), desde janeiro/2004. Concluise, pois, que a situação da peticionária, em relação aos proventos de aposentadoria recebidos, no anocalendário de 2009, do TJMG, bem assim a gratificação natalina (ou 13º salário), enquadrase, efetivamente, naquela prevista no art. 39, XXXIII, do RIR/99. Tais rendimentos, portanto, estão isentos de tributação. Diante do exposto, não tendo a decisão de piso analisado o mérito da questão, entendo que a mesma deveria ser anulada, para que outra fosse proferida, com manifestação sobre a questão da isenção por moléstia grave. Entretanto, considerando o art. 59 § 3º do Decreto nº 70.235, de 1972, voto por dar provimento ao recurso para reconhecer a isenção dos proventos de aposentadoria recebidos, no anocalendário de 2009, do TJMG, bem assim a gratificação natalina (ou 13º salário). Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 218DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10640.721804/201125 Acórdão n.º 2801003.963 S2TE01 Fl. 218 10 Fl. 219DF CARF MF Impresso em 20/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 19/02/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 13657.000188/2006-17
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Feb 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITO DO IPI.
O direito ao aproveitamento dos créditos de IPI decorrentes da aquisição de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem utilizados na industrialização, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos pelo estabelecimento do contribuinte a partir de 1º de janeiro de 1999.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-004.875
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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CRÉDITO DO IPI. O direito ao aproveitamento dos créditos de IPI decorrentes da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem utilizados na industrialização, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos pelo estabelecimento do contribuinte a partir de 1º de janeiro de 1999. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Cássio Schappo, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 7. 00 01 88 /2 00 6- 17 Fl. 304DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13657.000188/200617 Acórdão n.º 3801004.875 S3TE01 Fl. 305 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: "Trata o presente processo de PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE SALDO CREDOR DE IPI de fl. 01, segundo planilhas de fls. 02/07, relativo ao 3o Trimestre do anocalendário de 2002, formulado, em08/03/2006, no montante de R$10.514,63, com fulcro no artigo 11 da Lei n ° 9.779, de 19/01/1999. Instruída pelo Relatório de Verificação Fiscal de fls. 59/61, a autoridade competente da Delegacia da Receita Federal em Varginha, MG, exarou, às fls. 64/65, Despacho Decisório indeferindo o ressarcimento. No citado relatório, o auditor fiscal encarregado de proceder à análise da legitimidade do presente pleito , manifestouse contrariamente à pretensão do requerente de obter o reconhecimento de saldo credor de IPI, tendo em vista que manteve em sua escrita fiscal o saldo credor de IPI existente em 31/12/1998 e os créditos de IPI oriundos de aquisições a partir de 01/01/1999, com utilização concomitante desses valores. Regularmente notificado, o requerente apresenta, por meio de seu procurador (fl. 71) a manifestação de inconformidade de fls. 67/70, para aduzir que: "os créditos acumulados de IPI existentes em 31/12/1998 estão sendo abatidos débitos de IPI e os créditos acumulados posteriormente a esta data evidentemente que poderão ser ressarcidos ou compensados. No processo em lide o pedido foi referente ao 3o trimestre de 2002, não havendo impedimento para o ressarcimento ou a compensação. Diante do exposto requer a V. Exa. que seja conhecido e provido o presente recurso deferindo e havendo débitos que seja efetuada a compensação." A DRJ em Juiz de Fora/MG, indeferiu a solicitação do contribuinte com base na seguinte ementa: Assunto: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 RESSARCIMENTO IPI. IMPOSSIBILIDADE. O ressarcimento de saldo credor de IPI, conforme dispuseram o art. 11 da Lei n" 9.779, de 19/01/1999, e o art 5o da IN SRF n° 33, de 04/03/1999, demanda o esgotamento dos créditos existentes em 31/12/1998, seja pela sua utilização na dedução de Fl. 305DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13657.000188/200617 Acórdão n.º 3801004.875 S3TE01 Fl. 306 3 débitos decorrentes da saída de produtos acabados em estoque naquela data ou de produtos elaborados a partir de 01/01/1999 com os insumos geradores de tal saldo credor ou, finalmente, pelo simples estorno do saldo credor conforme admitido no ADI SRF n° 15, de 2002. Não atendidas estas condições, impossível é deferir saldo credor em favor do contribuinte. Inconformada, a contribuinte apresentou tempestivamente recurso voluntário, no qual traz as seguintes alegações, em resumo: •A DRJ, apesar de reconhecer a existência do direito ao ressarcimento, indeferiu o pedido da recorrente pela existência do saldo em 31/12/98; •A DRJ deveria julgar parcialmente procedente o pedido, estornando o saldo de 31/12/98, aplicando a súmula 8 do Segundo Conselho; •Os créditos acumulados posteriormente a 31/12/98 poderão ser ressarcidos ou compensados. Em face do bom direito da recorrente, o processo, em julgamento unânime, foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a correção do saldo calculado pelo contribuinte para o 3o trimestre/2002, reconstituindo sua escrita fiscal, desconsiderando o saldo credor relativo aos períodos anteriores a janeiro/1999. A DRF de origem em cumprimento ao solicitado na Resolução exarou Termo de Verificação Fiscal no qual conclui que “Do total de créditos referente ao 4° trimestre de 2001 no valor de R$ 19.749,00 subtraindose o total de débitos referente ao 4°trimestre de 2001 no valor de R$ 8.933,08 verificamos que o contribuinte em tela tem um crédito excedente a ressarcir referente ao 4o trimestre de 2001 no total de R$ 10.815,92.” (sic). Para sanear o processo, o julgamento foi novamente convertido em diligência para que a Delegacia de origem atendesse ao solicitado na Resolução n° 380100.069, de 30 de setembro de 2010, desta 1a Turma Especial. A DRF de origem em cumprimento ao solicitado na Resolução anexou o Termo de Verificação Fiscal no qual conclui que “Do total de créditos referente ao 3o trimestre de 2002 no valor de R$ 22.630,51 subtraindose o total de débitos referente ao 3°trimestre de 2002 no valor de R$ 12.115,88 verificamos que o contribuinte em tela tem um crédito excedente a ressarcir referente ao 3o trimestre de 2002 no total de R$ 10.514,63.” A contribuinte foi devidamente cientificada do teor da diligência por via postal e se manifestou concordando com o resultado da mesma. Assim, os autos administrativos retornaram a esse colegiado para julgamento. É o relatório. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13657.000188/200617 Acórdão n.º 3801004.875 S3TE01 Fl. 307 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. Assiste razão à recorrente e adoto a razão de decidir exarada na Resolução n° 380100.069, de 30 de setembro de 2010, desta 1a Turma Especial: Sobre o ressarcimento do IPI, dispõe a Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999: Art 11, O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendario, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei n~ 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. (Grifo nosso) Disciplinando tal matéria, a IN/SRF n° 33, de 4 de março de 1999, estabeleceu: Art. 4o O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei No 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1o de janeiro de 1999. Art. 5o Os créditos acumulados na escrita fiscal, existentes em 31 de dezembro de 1998, decorrentes de excesso de crédito em relação ao débito e da saída de produtos isentos com direito apenas à manutenção dos créditos, somente poderão ser aproveitados para dedução do IPI devido, vedado seu ressarcimento ou compensação. § 1o Os créditos a que se refere este artigo deverão ficar anotados à margem da escrita fiscal do IPI. § 2o O aproveitamento dos créditos do IPI de que trata este artigo somente poderá ser efetuado com débitos decorrente da saída dos produtos acabados, existentes em 31 de dezembro de 1998, e dos fabricados a partir de 1o de janeiro de 1999, com a utilização dos insumos originadores desses créditos, considerandose que os produtos que primeiro saírem foram industrializados com a utilização dos insumos que primeiro entraram no estabelecimento. § 3o O aproveitamento dos créditos, nas condições estabelecidas no artigo anterior, somente será admitido após esgotados os créditos referidos neste artigo. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13657.000188/200617 Acórdão n.º 3801004.875 S3TE01 Fl. 308 5 Assim, a partir de janeiro de 1999 passou a ser possível ao contribuinte do IPI a utilização do saldo credor do imposto, que não puder ser compensado na saída, para fins de ressarcimento ou compensação, previstos na Lei n° 9.430/96. No entanto, tal direito alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial a partir de 01/01/1999, limitação reconhecida pela Súmula CARF n° 16: Súmula CARF nº 16: O direito ao aproveitamento dos créditos de IPI decorrentes da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na fabricação de produtos cuja saída seja com isenção ou alíquota zero, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos pelo estabelecimento do contribuinte a partir de 1º de janeiro de 1999. Quanto ao saldo credor acumulado existente no estabelecimento em 31/12/1998, dispôs a IN acima transcrita que somente poderia ser aproveitado para dedução do IPI devido, não sendo possível sua utilização por meio de ressarcimento ou compensação, devendo sua contabilização ser feita à margem da escrita fiscal do imposto, ou seja, seu controle deveria ser feito à parte do saldo apurado a partir de janeiro de 1999. Além disso, sua utilização estava restrita aos débitos decorrentes da saída de produtos acabados, existentes em 31/12/1998, e dos fabricados a partir de 01/01/1999, com a utilização dos insumos originadores desses créditos. Por fim, a mesma norma define que o estabelecimento industrial somente poderia se beneficiar do disposto na Lei n° 9.779/99 após esgotar seus créditos anteriores a janeiro de 1999. Nesse aspecto a SRF editou o Ato Declaratório Interpretativo n° 15, de 25 de setembro de 2002, nos seguintes termos: Artigo único. Será considerado esgotado, nas condições previstas no § 3o do art. 5o da Instrução Normativa SRF n° 33/99. o saldo credor que remanescer do aproveitamento previsto no § 2o do mencionado artigo, quando o contribuinte optar pelo estorno daquele saldo. Portanto, caso não fosse utilizada a totalidade do saldo anterior a 1999, poderia o contribuinte estornar o restante e, a partir daí, utilizarse do ressarcimento e/ou compensação, previstos na referida Lei. No presente caso, a escrita fiscal do contribuinte demonstra que tais previsões normativas não foram por ele observadas, considerando que consta registrado, em 31/12/98, um saldo credor de IPI no valor de R$ 30.075,41 (fl. 49), para o qual não foi efetuado um controle paralelo, à parte do saldo apurado a partir de 1999, permanecendo, ao contrário, aquele valor na composição dos saldos apurados para os períodos posteriores (fls. 10 a 26 e 50 a 57). No entanto, tais incorreções em sua escrita não lhe retiram o direito relativo aos períodos posteriores a 1998, como é o caso dos presentes autos (3o trimestre de 2002). A vedação à utilização do ressarcimento previsto na Lei n° 9.779/99 quando não esgotados os créditos anteriores a 1999, ou não estornados, é prevista unicamente no § 3o do artigo 5o da IN/SRF n° 33/99, nada dispondo a Lei que a originou quanto a tal questão. O contribuinte relacionou as notas fiscais referentes ao período mencionado no pedido (fls. 02 a 05), apresentou planilhas de apuração do IPI devido no trimestre (fl. 06), bem como das saídas (fl. 07), calculando o saldo credor (fl. 07) objeto do processo. Observese que consta na planilha de fl. 07 o saldo relativo ao período anterior, no qual estava incluído o valor referente aos períodos anteriores a jan/1999. Fl. 308DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13657.000188/200617 Acórdão n.º 3801004.875 S3TE01 Fl. 309 6 Porém, tal saldo não foi considerado pela empresa no cálculo do saldo credor do 3o trimestre/2002. Por outro lado, o indeferimento do pedido fundamentouse tão somente na vedação prevista na IN/SRF n° 33/99, não tendo sido, em conseqüência verificada a correção do valor apurado e requerido pelo contribuinte, conforme destacou a autoridade de Ia instância. Conforme relatado, o presente processo foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a correção do saldo calculado pelo contribuinte para o 3o trimestre/2002, reconstituindo sua escrita fiscal, desconsiderando o saldo credor relativo aos períodos anteriores a janeiro/1999. A DRF de origem em cumprimento ao solicitado na Resolução exarou Termo de Verificação Fiscal no qual conclui que “Do total de créditos referente ao 3o trimestre de 2002 no valor de R$ 22.630,51 subtraindose o total de débitos referente ao 3°trimestre de 2002 no valor de R$ 12.115,88 verificamos que o contribuinte em tela tem um crédito excedente a ressarcir referente ao 3o trimestre de 2002 no total de R$ 10.514,63.”. Assim sendo, pelos documentos comprobatórios colacionados aos autos, e em especial a diligência fiscal realizada pela Delegacia de origem, reconhecesse como legítimo o saldo credor de IPI a ressarcir referente ao 3o trimestre de 2002 no total de R$ 10.514,63. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário no sentido de reconhecer um crédito originário no valor pleiteado pela recorrente. .É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 309DF CARF MF Impresso em 23/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 05/02/201 5 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 11030.722167/2011-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS VALORES EXTRA-FOLHA
Integram o salário de contribuição dos segurados empregados os valores contidos em recibos de pagamentos "por fora" examinados pelo Fisco, que inclusive apresentavam os descontos referentes à parte dos empregados.
RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO
A incorreção fática permite a alteração do lançamento, não implicando em violação ao princípio da imutabilidade do lançamento tributário. Trata-se somente de corrigir erros de cálculos, sem prejudicar a essência, o motivo da autuação.
DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I.
Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do Código Tributário Nacional, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado.
MULTA MORATÓRIA E MULTA DE OFÍCIO
A multa moratória deve ser aplicada conforme previa o art. 35, II, da Lei n ° 8.212/1991, com a redação vigente à época dos fatos geradores para as competências até 11/12008. Para a competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35-A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, multa de ofício.Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento.
MULTA QUALIFICADA
É cabível a aplicação da multa constante do artigo 44, inciso I, da Lei n.º 9.430/96, duplicada na forma como disposto pelo parágrafo 1º, quando restar comprovada a situação fraudulenta, visando a elisão do recolhimentos das contribuições previdenciárias.
AUTO-DE-INFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES.
Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91.
RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA.
As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212.
Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Recurso de Ofício Negado
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-003.583
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, acatando as retificações propostas pelo Fisco, mantendo o lançamento apenas quanto às diferenças entre as bases de salário de contribuição declaradas em GFIP e as efetivamente pagas, conforme apurado nos recibos extra-folha. Por unanimidade de votos, pelo provimento parcial do Recurso Voluntário, para que a multa dos Autos de Infração de Obrigação Principal DEBCAD's 37.340.907-9 e 37.340.908-7, seja aplicada considerando às disposições contidas no artigo 35, II da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n.º 449 de 2008, ou seja até a competência 11/2008 e para que no Auto de Infração de Obrigação Acessória, DEBCAD 37.340.906-0, lavrado no CFL 68, a multa aplicada seja recalculada considerando as disposições do artigo 32-A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação da Lei n.º 11.941/2009, somente na estrita hipótese de o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, 'c' do CTN.
Fez sustentação oral: Rafael Veríssimo Siquerolo OAB/PR 65.740
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), André Luis Mársico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Leo Meirelles do Amaral.
l
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS VALORES EXTRA-FOLHA Integram o salário de contribuição dos segurados empregados os valores contidos em recibos de pagamentos "por fora" examinados pelo Fisco, que inclusive apresentavam os descontos referentes à parte dos empregados. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO A incorreção fática permite a alteração do lançamento, não implicando em violação ao princípio da imutabilidade do lançamento tributário. Trata-se somente de corrigir erros de cálculos, sem prejudicar a essência, o motivo da autuação. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do Código Tributário Nacional, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. MULTA MORATÓRIA E MULTA DE OFÍCIO A multa moratória deve ser aplicada conforme previa o art. 35, II, da Lei n ° 8.212/1991, com a redação vigente à época dos fatos geradores para as competências até 11/12008. Para a competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35-A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, convertida na Lei n.º 11.941/2009, multa de ofício.Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. MULTA QUALIFICADA É cabível a aplicação da multa constante do artigo 44, inciso I, da Lei n.º 9.430/96, duplicada na forma como disposto pelo parágrafo 1º, quando restar comprovada a situação fraudulenta, visando a elisão do recolhimentos das contribuições previdenciárias. AUTO-DE-INFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Provido em Parte
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS VALORES EXTRAFOLHA Integram o salário de contribuição dos segurados empregados os valores contidos em recibos de pagamentos "por fora" examinados pelo Fisco, que inclusive apresentavam os descontos referentes à parte dos empregados. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO A incorreção fática permite a alteração do lançamento, não implicando em violação ao princípio da imutabilidade do lançamento tributário. Tratase somente de corrigir erros de cálculos, sem prejudicar a essência, o motivo da autuação. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do Código Tributário Nacional, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. MULTA MORATÓRIA E MULTA DE OFÍCIO A multa moratória deve ser aplicada conforme previa o art. 35, II, da Lei n ° 8.212/1991, com a redação vigente à época dos fatos geradores para as competências até 11/12008. Para a competência 12/2008, há que ser aplicado o artigo 35A, da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela MP n.º 449/2008, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 72 21 67 /2 01 1- 55 Fl. 7297DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 convertida na Lei n.º 11.941/2009, multa de ofício.Não recolhendo na época própria o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. MULTA QUALIFICADA É cabível a aplicação da multa constante do artigo 44, inciso I, da Lei n.º 9.430/96, duplicada na forma como disposto pelo parágrafo 1º, quando restar comprovada a situação fraudulenta, visando a elisão do recolhimentos das contribuições previdenciárias. AUTODEINFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso de Ofício Negado Recurso Voluntário Provido em Parte Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício, acatando as retificações propostas pelo Fisco, mantendo o lançamento apenas quanto às diferenças entre as bases de salário de contribuição declaradas em GFIP e as efetivamente pagas, conforme apurado nos recibos extrafolha. Por unanimidade de votos, pelo provimento parcial do Recurso Voluntário, para que a multa dos Autos de Infração de Obrigação Principal DEBCAD's 37.340.9079 e 37.340.9087, seja aplicada considerando às disposições contidas no artigo 35, II da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n.º 449 de 2008, ou seja até a competência 11/2008 e para que no Auto de Infração de Obrigação Acessória, DEBCAD 37.340.9060, lavrado no CFL 68, a multa aplicada seja recalculada considerando as disposições do artigo 32A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação da Lei n.º 11.941/2009, somente na estrita hipótese de o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, 'c' do CTN. Fez sustentação oral: Rafael Veríssimo Siquerolo OAB/PR 65.740 Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Fl. 7298DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11030.722167/201155 Acórdão n.º 2302003.583 S2C3T2 Fl. 7.298 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), André Luis Mársico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Leo Meirelles do Amaral. Fl. 7299DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 l Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância, consubstanciada no Acórdão de fls. 7240/7269, que julgou procedente em parte o lançamento constante dos seguintes Autos de Infração, lavrados em 23/11/2011 e cientificados ao sujeito passivo em 25/11/2011: Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.340.9079, relativo às contribuições patronais e para o seguro acidente do trabalho incidentes sobre valores pagos aos segurados empregados através de recibos e não constantes das folhas de pagamento, tampouco informados em GFIP, nas competências de 01/2006 a 12/2008; Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.340.9087, relativo às contribuições previdenciárias referentes à cota dos segurados empregados incidentes sobre valores pagos através de recibos e não constantes das folhas de pagamento, tampouco informados em GFIP, nas competências de 01/2006 a 12/2008; Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP DEBCAD 37.340.9095, relativo às contribuições arrecadadas para as terceiras entidades incidentes sobre valores pagos através de recibos e não constantes das folhas de pagamento, tampouco informados em GFIP, nas competências de 01/2006 a 12/2008, e Auto de Infração de Obrigação Acessória – AIOA, DEDCAD 37.340.9060, lavrado no Código de Fundamento Legal 68, em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispõe o artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por não ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s do período de 01/2006 a 12/2008, todos os valores pagos ao segurados empregados O Acórdão recorrido assim se manifesta quanto à motivação do lançamento: O Relatório Fiscal (fls. 105/121) informa, em síntese, que: 1) A auditoria fiscal foi demandada pelo Ministério Público Federal de Erechim, que relatou a existência do Procedimento Investigatório Criminal nº 1.29.018.000026/201075, iniciado a partir de Relatório de Fiscalização do Ministério do Trabalho e Emprego, que noticiou supostos fatos ilícitos praticados pela administração da empresa e realizou a apreensão de diversos recibos com pagamento de salários “por fora”. 2) Através de procedimento de busca e apreensão realizado pelos auditores do Ministério do Trabalho e Emprego com autorização da Justiça Federal de Erechim, teriam sido apreendidos junto ao sujeito passivo diversos recibos de pagamentos de salários a empregados, de valores “extrafolha” sem o lançamento na contabilidade da empresa, evidenciando a tentativa do sujeito passivo de frustar, de maneira fraudulenta, o conhecimento pelo Fisco do fato gerador. Fl. 7300DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11030.722167/201155 Acórdão n.º 2302003.583 S2C3T2 Fl. 7.299 5 3) Os recibos apreendidos foram disponibilizados pelo Ministério Público Federal à autoridade fazendária para que houvesse a constituição do crédito tributário e a elaboração da Representação Fiscal para Fins Penais em caso de constatação, em tese, de ilícitos penais. 4) Os documentos apreendidos foram analisados pela Fiscalização que constatou o pagamento de valores “extra folha” a empregados. A relação dos segurados beneficiados com os referidos pagamentos, consta em planilhas por estabelecimento e competência, a partir de 01/2006 até 02/2010. As planilhas estariam anexadas ao presente processo e identificam os empregados por nome e PIS e contém os valores extraídos dos recibos de pagamentos apreendidos na empresa. Os documentos que originaram os lançamentos teriam sido copiados e estariam integrando o processo, separados por competência do pagamento. 5) Os valores pagos através dos recibos apreendidos não constariam nas folhas de pagamentos e não estariam contabilizados nas contas que identificam os gastos da empresa com pessoal no período de 2006 a 2010. A contabilidade registra somente os lançamentos referentes à folha de pagamento, que estaria devidamente declarada para a Secretaria da Receita Federal do Brasil em GFIP. 6) O lançamento das contribuições sociais previdenciárias a cargo da empresa foi feito com base nos valores contidos nos recibos apreendidos (item 6.4 do Relatório Fiscal). 7) Os recibos de pagamentos "por fora" examinados pela Fiscalização apresentavam os descontos referentes à parte dos empregados. Para apurar o valor devido pela empresa a título de contribuição dos empregados foi efetuado o cálculo dos valores devidos considerando a soma dos salários declarados na GFIP com o valor pago “extrafolha”, para fins de enquadramento na alíquota correta e do teto do salário de contribuição em cada período. 8) Não houve qualquer recolhimento ou declaração em GFIP por parte do sujeito passivo, em relação às contribuições lançadas no presente Auto de Infração, visto que pagas "extra folha". 9) A Fiscalização teria constatado a ocorrência de fraude nas relações trabalhistas e previdenciárias estabelecidas entre o sujeito passivo e seus empregados, razão pela qual aplicou os prazos previstos no inciso I, art. 173 do CTN com relação à decadência e duplicou a multa de ofício nas competências 12/2008 e 13/2008, amparada no parágrafo único do art. 44 da Lei 9.430/1996. A recorrente impugnou a autuação e do exame da mesma a DRJ em Porto Alegre/RS, entendeu por converter o julgamento em diligência, fls. 6445/6446, para que fosse Fl. 7301DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 elaborado um relatório conclusivo onde ficasse evidenciado que os recibos apreendidos disponibilizados pelo Ministério Público Federal à autoridade fazendária, correspondiam, efetivamente, a pagamentos de valores extrafolha. Em resposta, ao solicitado o Fisco elaborou relatório explicitando os motivos que o levaram a concluir pela existência de pagamentos extrafolha. Informa, ainda, que em diligência realizada na Justiça do Trabalho em Erechim constatou que diversos empregados do contribuinte confirmaram a prática de salários por fora e junta cópias das peças processuais. O contribuinte foi cientificado do resultado da diligência, se manifestou e através da Resolução de fls. 6803/ 6809, a DRJ converteu novamente o julgamento em diligência para que o Fisco retificasse os lançamentos pelo que expõe: As ações trabalhistas trazidas aos autos pela fiscalização, corroboram a existência de pagamentos “extrafolha”, porém os valores postulados e reconhecidos em sentença se referem, via de regra, a diferenças de remuneração paga “por fora” na ordem de R$ 150,00 a R$ 250,00 (aproximadamente 20% a 30% da remuneração do segurado). Estas informações, cotejadas com os valores constantes nas folhas de pagamento e com os valores dos recibos apurados nos autos, autorizam concluir que a remuneração efetiva do segurado no período autuado era aquela constante no recibo. Portanto, os valores dos recibos apreendidos não devem ser somados aos das folhas de pagamento para compor a remuneração de cada segurado. Assim, os recibos apreendidos correspondem à remuneração real e, como parte desta remuneração foi reconhecida em folha de pagamento, contabilizada e declarada em GFIP, apenas a diferença, ou o excedente aos valores já declarados em GFIP é que deve ser considerado remuneração/saláriodecontribuição não declarado e passível de lançamento fiscal. Tendo em vista o exposto, e considerando a falta de elementos nos autos que possibilite o recálculo das contribuições devidas, a Turma vota por baixar esse processo em diligência para que a autoridade lançadora retifique o crédito, na forma a seguir especificada: REMUNERAÇÃO 1) O Auditor Fiscal deverá recalcular as Bases de Cálculo da parte patronal, desta feita considerando os valores contidos nos recibos e os valores informados em GFIP: 1.1) Quando o valor constante no recibo for maior que o valor declarado em GFIP, considerar que a remuneração total do segurado é o valor do recibo, caso em que o lançamento deve se resumir à diferença entre o valor do recibo e o da GFIP; 1.2) Quando o valor constante no recibo for menor que o valor declarado em GFIP, considerar que a remuneração total do segurado é o valor da GFIP e para os segurados nesta situação não haverá lançamento; 1.3) Quando houver recibo para segurado que não está declarado na GFIP, o lançamento deverá ser do valor integral constante no recibo. Fl. 7302DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11030.722167/201155 Acórdão n.º 2302003.583 S2C3T2 Fl. 7.300 7 Obs: Na hipótese de ocorrência de outras situações não contempladas nos itens 1.1 a 1.3, relatálas, detalhando o procedimento adotado. A manifestação fiscal deverá vir acompanhada dos seguintes demonstrativos: a) das diferenças de base de cálculo, por segurado e somadas mensalmente, indicando a remuneração total, a remuneração declarada e a remuneração omitida, e b) da retificação dos levantamentos, onde deverá constar mensalmente, a base de cálculo lançada, a base de cálculo subtraída e a base de cálculo remanescente CONTRIBUIÇÃO DO SEGURADO 2) O Auditor Fiscal deverá recalcular as diferenças de contribuições devidas pelos segurados considerando como saláriodecontribuição os valores contidos nos recibos. Calcular a contribuição conforme as alíquotas aplicáveis, deduzindo as contribuições descontadas dos segurados já declaradas em GFIP. A manifestação deve vir acompanhada do demonstrativo de retificação do lançamento onde deve constar, por segurado, a contribuição devida, o desconto já efetivado e o valor não descontado, acompanhado do somatório mensal, além de outras informações que julgar relevantes para a demonstração solicitada. 3) MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA O lançamento abrange competências anteriores à modificação da Lei nº 8.212/1991 pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Verificar se a retificação do crédito provocou alterações na multa (percentual), considerandose as disposições da alínea “c” do inciso II do artigo 106 do CTN, que determina a aplicação da legislação posterior se cominar penalidade menos severa do que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Em caso afirmativo, reelaborar o demonstrativo da multa aplicada, recalculando o seu valor. 4 MULTA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. OMISSÃO DE FATOS GERADORES Recalcular e demonstrar a multa por descumprimento de obrigação acessória, objeto do Auto de Infração Debcad nº 37.340.9060. O contribuinte deverá ser cientificado desta diligência e de seu resultado, abrindolhe prazo para manifestação. Fl. 7303DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 Informação Fiscal de fls. 6816/6818, retifica os valores lançados mantendo apenas as diferenças apuradas entre o valor constante dos recibos extrafolha e os valores declarados em GFIP como salário de contribuição. Aduz que para atender ao solicitado elaborou planilhas que junta e recalculou as multas aplicadas nos autos de infração de obrigação acessória. O contribuinte foi cientificado do resultado da diligência e se manifestou, fls. 7122/7124, dizendo que os recálculos mencionados são jurídica e faticamente inconsistentes porque a retificação do lançamento sob novos critérios jurídicos em decorrência de outra valoração dos fatos colide com o artigo 146, do Código Tributário Nacional e contradita todos os tópicos apontados pela diligência. Acórdão de fls, 7240/7269, julgou o lançamento procedente em parte, acatando a retificação proposta, à exceção da nulidade do Auto de Infração de Obrigação Acessória lavrado no CFL 68, mantendo a multa aplicada, por entender que a aplicação da multa mais benéfica somente tem lugar quando da quitação do débito. Frente ao valor exonerado com a retificação, foi interposto Recurso de Ofício a este Colegiado. Ainda inconformado com a decisão exarada, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, onde alega em síntese: a) a argüição de nulidade já oposta na impugnação, em vista das inconsistências formais do lançamento, porque os recibos não são recibos, não contém assinaturas e contém borrões, rasuras, emendas e informações genéricas. São papéis de trabalho, cuja compreensão exata só pode ter quem os elaborou; b) que a autoridade fiscal cometeu erros porque o Fiscal do Ministério do Trabalho se utilizou da força coercitiva do Estado para tomar à força milhares de documentos, entre eles os recibos; c) que os documentos não foram solicitados à empresa e esta não impediu, nem dificultou a fiscalização; d) que o Fisco deu crença incondicional a versões insubsistentes e maliciosas; e) que a verdade relatada pelo fisco do Ministério do Trabalho é fruto de ilações pessoais; f) que os recibos são apenas papéis de trabalho e que do confronto com as folhas se vê que os descontos do INSS e IRPF são exatamente iguais; g) que os recibos não tem força probatória e a doutrina e a jurisprudência são claras ao dizer que a prova documental deve demonstrar a totalidade da verdade ou fato que se queira demonstrar; Fl. 7304DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11030.722167/201155 Acórdão n.º 2302003.583 S2C3T2 Fl. 7.301 9 h) que os lançamentos carecem de certeza e não podem se basear em presunções; i) que a decisão de primeira instância é nula porque adota critérios divergentes em relação aos lançamentos; j) que não foi exarado nenhum ato anulando os AI's e tampouco existe AI complementar para formalizar a nova situação jurídica; k) que é inadmissível a retificação pelo órgão julgador; l) que a reconstituição das bases tributáveis através de planilhas é ato nulo; m) que como conseqüência da retificação temos a decadência, porque a ciência da decisão se deu em 12/12/2013, estando decadentes os novos lançamentos de 2006 e 2007; n) que a descrição dos fatos está ausente na peça autuatória; o) que a multa pelo descumprimento de obrigação acessória não pode ser aplicada porque é vedada a aplicação cumulativa de penalidades; p) a multa não tem suporte legal e deve ser cancelada; q) que não pode subsistir a multa de 150% porque as eventuais falhas ou deficiências havidas são apenas fatos culposos que não tipificam a prática de crime tributário; r) que inexiste omissão de receita, inexistindo sonegação e por isso a multa deve ser cancelada; s) que não houve intuito doloso de ocultar rendimentos ao Fisco, ou impedir o conhecimento do fato gerador, porque as imputações promovidas tem assento em dados extraídos da escrituração e do vasto documentário apreendido que estava arquivado no estabelecimento. t) Por fim requer a nulidade ou improcedência do lançamento. u) É o relatório. Fl. 7305DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Os recursos de Ofício e Voluntário cumpriram com os requisitos de admissibilidade, frente ao valor de alçada e a tempestividade, respectivamente, devendo ser conhecidos e examinados. RECURSO DE OFÍCIO A decisão a quo acatou a retificação proposta pela autoridade fiscal autuante que manteve no lançamento apenas as diferenças apuradas entre os valores declarados em GFIP como saláriodecontribuição dos segurados e aqueles constantes dos recibos extrafolha de pagamento. De acordo com o exame dos autos é de se ver que procede a retificação efetuada e amparada na Informação Fiscal de fls. 6816/6818, que especificou nas planilhas e discriminativos juntados os valores que serviram de base para o lançamento, os valores excluídos e os valores mantidos. Com efeito, como a base do lançamento foram as diferenças apuradas do confronto efetuado entre as folhas de pagamento, as GFIP's e os recibos onde constavam valores que não estavam nas folhas de pagamento, os valores constantes do auto de infração deveriam se restringir apenas às diferenças e não a totalidade do consignado nos recibos. Portanto, está correta a retificação e frente ao valor exonerado com a retificação, foi interposto Recurso de Ofício a este Colegiado, que deve negar provimento ao mesmo. RECURSO VOLUNTÁRIO Nulidade da Autuação A recorrente alega em sua razões a nulidade da autuação porque os documentos que serviram de base para o lançamento são impróprios, uma vez que se tratam apenas de papéis de trabalho apócrifos, rasurados e com informações genéricas. Informo à recorrente que do exame dos autos, onde estão colacionados o relatório fiscal, as informações fiscais prestadas em sede de diligência e várias cópias de documentos que sustentaram o lançamento, entendo que está mais do que provada a existência de valores pagos aos segurados que prestaram serviço à sociedade empresária e que não constavam das suas folhas de pagamento. O fato dos ditos "recibos" não conterem assinatura dos segurados não desvirtua a sua natureza que foi formalizar o pagamento de valores pela prestação de serviços efetuada. Ademais, os autos trazem diversas informações da forma como eram pagos os valores, de como eram controlados tais pagamentos, que constavam de recibos que ficavam acondicionados em lugares diversos daqueles onde estavam os demais Fl. 7306DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11030.722167/201155 Acórdão n.º 2302003.583 S2C3T2 Fl. 7.302 11 documentos que integrariam a folha de pagamento normal da empresa, o funcionário responsável pela confecção e guarda de tais documentos confirmou os fatos para a Justiça do Trabalho e estes valores foram lá reclamados e decidido que sim, se referiam à remuneração por serviços prestados. Portanto, se os documentos foram obtidos através de fiscalização realizada pelo Ministério do Trabalho isto em nada altera o lançamento, ao contrário, reforça a presente autuação, já que inclusive naquela esfera já foi decidido que existia remuneração extrafolha. Por isso, também é inócua a assertiva de que o lançamento se baseou em ilações do Fiscal do Trabalho e em manifestações insubsistentes e maliciosas dos reclamantes na Justiça do Trabalho supondo que existiam valores pagos fora da folha. Os fatos foram apurados pela fiscalização trabalhista, houve manifestação da Justiça do Trabalho quando provocada, existem provas documentais que comprovam a existência de pagamento de salários e a Receita Federal do Brasil foi comunicada para proceder a cobrança das contribuições previdenciárias devidas, bem como observar o cumprimento das obrigações acessórias, o que foi feito através da presente autuação. Ademais, a força probante dos documentos é inerente aos mesmos, ou seja, é irrelevante se foi a Fiscalização do Trabalho ou da Receita Federal do Brasil que primeiro obteve as provas, mas elas são válidas e sustentam as respectivas autuações de um ou outro órgão, conforme a finalidade de cada um. Quanto ao fato de que não obstaculizou a ação fiscal e por isso o Fisco errou ao autuar, entendo totalmente inócua a assertiva, porquanto o Fisco tem o dever legal de provar a existência do fato gerador e o lançamento fiscal goza de presunção de legitimidade, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. O Fisco provou a existência do fato gerador com base nos documentos que embasaram autuação também do Ministério do Trabalho e que foram levados à Justiça Trabalhista, onde foram reconhecidos como capazes de sustentar o pagamento efetuado a segurados. Portanto, o Fisco não atuou discricionariamente, até porque o lançamento foi precedido de regular procedimento de fiscalização, com a análise minuciosa de documentação, que tem por finalidade a busca da verdade material, que é um dos pilares e uma decorrência do princípio da legalidade. Foram identificados perfeitamente os elementos que serviram de base para a apuração dos fatos geradores, ao que, sem sombra de dúvida, atende o relatório fiscal e informações fiscais prestadas ao longo do procedimento administrativo. Retificação do Débito pelo Órgão Julgador A recorrente alega também a nulidade da decisão de primeira instância porque não poderia ter retificado o débito e porque adotou critérios divergentes do que expostos na autuação, além do que não foi exarado qualquer ato anulando os autos de infração e tampouco existe auto complementar para formalizar a nova situação jurídica. Sobre o assunto é de se ver que de acordo com o Código Tributário Nacional, a constituição do crédito tributário é de competência da autoridade administrativa e uma vez constituído o crédito tributário, através do lançamento, e regularmente notificado o sujeito passivo, a autoridade fiscal não mais poderá modificálo, por força do chamado princípio da imutabilidade do lançamento tributário, consagrado no artigo 145 do CTN: “Art. 145. O lançamento regularmente modificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: Fl. 7307DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 I – impugnação do sujeito passivo; II – recurso de ofício; III – iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no art. 149”. Portanto, tendo sido o sujeito passivo regularmente notificado do lançamento, não há possibilidade de sua alteração, salvo nas hipóteses constantes do artigo transcrito, como destaca Rosa Junior do Manual de Direito Financeiro & Direito Tributário. Rio de Janeiro: Renovar, 2007, pp. 478/479: “O princípio da imutabilidade do lançamento está consagrado no art. 145 do CTN, ao prescrever que o lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado nos seguintes casos: a) impugnação do sujeito passivo, administrativa ou judicialmente, visando a beneficiálo; b) recurso de ofício, porque quando a autoridade reconhecer, total ou parcialmente, o direito do contribuinte, é obrigada a recorrer de sua decisão à autoridade superior, por contrária à Fazenda; c) iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no art. 149. O princípio da imutabilidade do lançamento decorre de um princípio maior, enunciado no art. 5º, XXXVI, da Constituição Federal, pelo qual a lei não poderá prejudicar o ato jurídico perfeito”. Destarte, se a autoridade fiscal cometeu qualquer irregularidade, contrária ao interesse do sujeito passivo, ele tem a oportunidade de anulálo por meio do exercício da defesa administrativa ou através de ação judicial. E, da mesma forma, a autoridade administrativa julgadora entendendo que o lançamento tributário não traduz a realidade dos fatos, seja pelo fato de contribuinte comprovar o pagamento da obrigação tributária, seja em razão do provimento das razões formuladas voltadas a demonstrar a existência de vícios ocorridos no lançamento fiscal ou ainda no exercício da verdade material, o lançamento deve ser retificado e de tal decisão recorrido de ofício à autoridade hierarquicamente superior, desde que ultrapassado o limite liberatório previsto na legislação tributária, para reexame da matéria. No caso em exame, dizse que ocorreu erro de fato, porque os elementos foram erroneamente avaliados pelo auditor fiscal quando examinou as situações existentes no sujeito passivo. Ou seja, o fiscal corretamente constatou a existência de pagamentos efetuados aos segurados, através de recibos, sem a sua inclusão nas folhas de pagamento, mas quando do lançamento no auto de infração, lançou os valores totais da remuneração percebida, quando deveria ter descontado aqueles que já tinham sido informados em GFIP pelo sujeito passivo como salário de contribuição. Frente a estas circunstâncias avaliadas e percebidas pela autoridade julgadora de primeira instância, é que os autos baixaram em diligência para manifestação fiscal sobre o assunto, sobrevindo a retificação efetuada para descontar da base de cálculo os valores já informados em GFIP e que, portanto, já haviam sido oferecidos à tributação previdenciária, restando no lançamento apenas os valores efetivamente pagos extrafolha. Assim sendo, é improcedente a assertiva da recorrente de que a decisão a quo alterou os critérios jurídicos do lançamento, porque tal fato não ocorreu. O erro direito pressupõe a avaliação equivocada dos fundamentos jurídicos que autorizam o Fisco a realizar o lançamento tributário e isto não aconteceu no presente procedimento. Não houve alteração proveniente da incorreção dos critérios e conceitos jurídicos que fundamentaram o lançamento. Fl. 7308DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11030.722167/201155 Acórdão n.º 2302003.583 S2C3T2 Fl. 7.303 13 No caso em questão, apenas ocorreu uma incorreção fática que permitiu a alteração do lançamento, sem que o fato implicasse em violação ao princípio da imutabilidade do lançamento tributário. Tratouse somente de corrigir erros de cálculos, sem que fosse prejudicada a essência do lançamento. Pelo exposto, é também inócua a alegação de que o auto de infração não foi anulado e nem lavrado um substituto, porque não é o caso de nulidade, já que não ocorreu erro de direito, ou seja, concernente à incorreção dos critérios e conceitos jurídicos que fundamentaram o lançamento Ademais, a própria lei tributária confere a possibilidade da autoridade administrativa rever seus atos ou modificar os atos administrativos tributários praticados, como conferem os artigos 145, 146 e 149 do Código Tributário Nacional. Assim, não vislumbro a tese de nulidade da autuação, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Fl. 7309DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Em razão de todo o exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 7310DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11030.722167/201155 Acórdão n.º 2302003.583 S2C3T2 Fl. 7.304 15 Decadência É totalmente improcedente a alegação de decadência do crédito lançado, eis que as competências abrangidas pelo lançamento estão compreendidas no período de 01/2006 a 12/2008 e o Auto de Infração foi cientificado ao sujeito passivo em 25/11/2011. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do Código Tributário Nacional. Havendo o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do Código Tributário Nacional. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do Código Tributário Nacional . Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do Código Tributário Nacional. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do Código Tributário Nacional, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. No caso presente, por tudo o que consta do Relatório Fiscal e foi constatado no exame dos autos, vêse que a recorrente ocultou do Fisco valores que eram base de cálculo da contribuição previdenciária, o que somente foi apurado após denúncia do Ministério do Trabalho e também confirmado pelas reclamações trabalhistas opostas pelos empregados da recorrente, devendo aplicarse, assim, o artigo 173, I do Código Tributário Nacional, onde não se configura período abrangido pela decadência. Quanto à inconformidade da recorrente acerca da multa aplicada, temos que a Medida Provisória n° 449/08, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, excluiu do ordenamento jurídico a gradação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, conferindolhe outras condições, eis que se tratando de recolhimento espontâneo pelo contribuinte de contribuições previdenciárias pagas em atraso, a multa de mora a ser aplicada será de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, contados a partir do primeiro dia Fl. 7311DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento, limitado a vinte por cento: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2 O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Quando se tratar de lançamento de ofício, como no caso dos presentes Autos de Infração de Obrigação Principal, a legislação superveniente determinou a incidência de multa de ofício, correspondente a 75% da totalidade ou diferença de imposto ou contribuição devidos e não recolhidos, podendo, inclusive ser duplicado o valor em caso de fraude, simulação ou conluio: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 7312DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11030.722167/201155 Acórdão n.º 2302003.583 S2C3T2 Fl. 7.305 17 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) §1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) §2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Portanto, no exame do caso em questão é de se ver que o Fisco agiu de acordo com a legislação vigente e frente à demonstração de que houve intenção de se evadir do integral recolhimento das contribuições previdenciárias, foi correta a aplicação da multa de ofício agravada, nos termos anteriormente descritos. Fl. 7313DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 Ainda no que se refere à multa, não procede a alegação da recorrente de que não podem ser aplicadas concomitantemente as multas por descumprimento de obrigação principal e acessória. Em decorrência da relação jurídica existente entre o contribuinte e o Fisco, o Código Tributário Nacional, em seu art. 113, abaixo transcrito, prevê duas espécies de obrigações tributárias: uma denominada principal, outra denominada acessória. “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária”. A obrigação principal consiste no dever de pagar tributo ou penalidade pecuniária e surge com a ocorrência do fato gerador. Tratase de uma obrigação de dar, consistente na entrega de dinheiro ao Fisco. A obrigação acessória surge do descumprimento de dever instrumental a cargo do sujeito passivo, consistindo numa prestação positiva (fazer), que não seja o recolhimento do tributo, ou negativa (não fazer). A obrigação tributária principal decorre da lei, ao passo que a obrigação tributária acessória decorre da legislação tributária. O descumprimento da obrigação tributária principal (obrigação de dar/pagar) obriga o Fisco a constituir o crédito tributário por meio do Auto de Infração de Obrigação Principal e descumprida obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer) possui o Fisco o poder/dever de lavrar o Auto de Infração de Obrigação Acessória, cuja penalidade pecuniária exigida dessa forma convertese em obrigação principal, conforme § 3º do art. 113 do CTN. Entretanto, é de se notar que no caso em tela, o fisco ao promover a aplicação da multa, efetuou uma comparação entre a multa de 24%, prevista no artigo 35, inciso II, acrescida da multa pelo descumprimento de obrigação acessória e pela multa imposta pela legislação vigente quando do lançamento, multa de ofício de 75%, prevista no artigo 44, da Lei n.º 9.430/96, a fim de apurar o percentual mais benéfico ao contribuinte, que do resultado se mostrou a multa de ofício, sendo então aplicada. Contudo, meu entendimento é que à luz da legislação vigente, as multas devem ser aplicadas de forma isolada, conforme o caso, por descumprimento de obrigação principal ou de obrigação acessória, da forma mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o disposto no artigo 106, do Código Tributário Nacional. Embora, em algumas vezes, a obrigação acessória descumprida esteja diretamente ligada à obrigação principal, isto não significa que sejam únicas para aplicação de Fl. 7314DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11030.722167/201155 Acórdão n.º 2302003.583 S2C3T2 Fl. 7.306 19 multa conjunta. Pelo contrário, uma subsiste sem a outra e mesmo não havendo crédito a ser lançado, é obrigatória a lavratura de auto de infração se houve o descumprimento de obrigação acessória. As condutas são tipificadas em lei, com penalidades específicas e aplicação isolada. O art. 44 da Lei n º 9.430/96, traz que a multa de ofício de 75% incidirá sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento , de falta de declaração e nos de declaração inexata. Portanto, está claro que as três condutas não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) Quando o contribuinte tiver recolhido os valores devidos antes da ação fiscal, não será aplicada a multa de 75% prevista no art. 44 da Lei n º 9.430; porém, se apesar do pagamento não tiver declarado em GFIP, é possível a aplicação da multa isolada do art. 32A da Lei n º 8.212, justamente por se tratar de condutas distintas. Se o contribuinte tiver declarado em GFIP não se aplica a multa do art. 44 da Lei n º 9.430, sendo aplicável somente a multa moratória do art. 61 da Lei n º 9430, pois os débitos já estão confessados e devidamente constituídos, sendo prescindível o lançamento. A multa do art. 44 da Lei n º 9.430 somente se aplica nos lançamentos de ofício. Desse modo, se o contribuinte tiver declarado em GFIP, mas não tiver pago, o art. 44 da Lei 9.430 não é aplicado pelo motivo de o contribuinte não ter recolhido, mas ter declarado.Neste caso, não se aplica o art. 44 em função de não haver lançamento de ofício, pois o crédito já está constituído pelo termo de confissão que é a GFIP. E nas hipóteses em que o contribuinte não tiver recolhido e não tiver declarado em GFIP, há duas condutas distintas: por não recolher o tributo e ser realizado o lançamento de ofício, aplicase a multa de 75%; e por não ter declarado em GFIP a multa prevista no art. 32A da Lei n º 8.212. Conforme já foi dito, a multa será aplicada ainda que o contribuinte tenha pago as contribuições, conforme previsto no inciso I do art. 32 A. Pelo exposto, é de fácil constatação que as condutas de não recolher ou pagar o tributo e não declarar em GFIP não estão tipificadas no mesmo artigo de lei, no caso o art. 44 da Lei nº 9.430/96. A lei ao tipificar essas infrações, inclusive em dispositivos distintos, demonstra estar tratando de obrigações, infrações e penalidades tributárias distintas, que não se confundem e tampouco são excludentes. Portanto, no exame do caso em questão é de se ver que a aplicação do artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores até 11/2008, traz percentuais variáveis, de acordo com a fase processual em que se encontre o processo de constituição do crédito tributário e mostra mais benéfico ao contribuinte, uma vez em que se aplicando a redação dada pela Lei n.º 11.941/2008, mais precisamente o artigo 35 A da Lei n.º 8.212/91, o valor da multa seria mais oneroso ao contribuinte, pois deveria ser aplicado o artigo 44, I da Lei n.º 9430/96, já transcrito anteriormente. Fl. 7315DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 Já quanto ao Auto de Infração de Obrigação Acessória, lavrado no CFL Código de Fundamento Legal 68, pela falta de informação em GFIP de toda a remuneração paga aos segurados empregados, foi infringido o artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, pois a empresa é obrigada a informar, mensalmente, ao INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações do interesse do Instituto, sendo que a apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada. E, a multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração, estava contida no artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99: Art.284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: I valor equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no caput do art. 283, em função do número de segurados, pela não apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, independentemente do recolhimento da contribuição, conforme quadro abaixo: 0 a 5 segurados ½ valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo Acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; e (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) Fl. 7316DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11030.722167/201155 Acórdão n.º 2302003.583 S2C3T2 Fl. 7.307 21 III cinco por cento do valor mínimo previsto no caput do art. 283, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. § 1º A multa de que trata o inciso I, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue, sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração. § 2º O valor mínimo a que se refere o inciso I será o vigente na data da lavratura do autodeinfração. Era considerado, por competência, o número total de segurados da empresa, para fins do limite máximo da multa, que será apurada por competência, somandose os valores da contribuição não declarada, e seu valor total será o somatório dos valores apurados em cada uma das competências. Entretanto, nete caso, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do Código Tributário Nacional As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, já na redação da Lei n.º 11.941/2009, nestas palavras: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 7317DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Conforme previsto no art. 106, inciso II do , a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Destarte, deve ser aplicado o contido no art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional. Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao Recurso de Ofício, acatando as retificações propostas pelo Fisco, mantendo o lançamento apenas quanto às diferenças entre as bases de salário de contribuição declaradas em GFIP e as efetivamente pagas, conforme apurado nos recibos extrafolha. Voto pelo provimento parcial do Recurso Voluntário, para que a multa dos Autos de Infração de Obrigação Principal DEBCAD's 37.340.9079 e 37.340.9087, seja aplicada considerando às disposições contidas no artigo 35, II da Lei n.º 8.212/91, na redação dada pela Lei n.º 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória n.º 449 de 2008, ou seja até a competência 11/2008 e para que no Auto de Infração de Obrigação Acessória, DEBCAD 37.340.9060, lavrado no CFL 68, a multa aplicada seja calculada considerando as disposições do artigo 32A, inciso I, da Lei n.º 8.212/91, na redação da Lei n.º 11.941/2009. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 7318DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11030.722167/201155 Acórdão n.º 2302003.583 S2C3T2 Fl. 7.308 23 Fl. 7319DF CARF MF Impresso em 25/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2015 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 25/02/201 5 por LIEGE LACROIX THOMASI
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