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Numero do processo: 10768.011773/2002-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1997
IRRF. RECOLHIMENTOS NÃO LOCALIZADOS. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA.
Comprovado o recolhimento de IRRF lançado de ofício, cancela-se a exigência fiscal correspondente.
MULTA ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Exclui-se a multa de oficio lançada, com fundamento no art. 106, II, c, do CTN, pela aplicação retroativa do disposto no art. 14 da Lei 11.488 de 2007, que deu nova redação ao art. 44 da Lei 9.430, de 1996.
Numero da decisão: 2301-004.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não reconhecer a prejudicial de mérito da decadência e, quanto às demais questões de mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
JOÃO BELLINI JÚNIOR Presidente e Relator.
EDITADO EM: 18/12/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Nathalia Correa Pompeu (suplente), Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente) e Marcelo Malagoli da Silva (suplente).
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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RECOLHIMENTOS NÃO LOCALIZADOS. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Comprovado o recolhimento de IRRF lançado de ofício, cancelase a exigência fiscal correspondente. MULTA ISOLADA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Excluise a multa de oficio lançada, com fundamento no art. 106, II, c, do CTN, pela aplicação retroativa do disposto no art. 14 da Lei 11.488 de 2007, que deu nova redação ao art. 44 da Lei 9.430, de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não reconhecer a prejudicial de mérito da decadência e, quanto às demais questões de mérito, dar parcial provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. JOÃO BELLINI JÚNIOR – Presidente e Relator. EDITADO EM: 18/12/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes (Presidente Substituto), Alice Grecchi, Ivacir Júlio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Nathalia Correa Pompeu (suplente), Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente) e Marcelo Malagoli da Silva (suplente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 01 17 73 /2 00 2- 73 Fl. 289DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão 1244.419, exarado pela 2ª Turma da DRJ neo Rio de Janeiro (fls. 213 a 225, numeração dos autos eletrônicos). Pelo auto de infração (fls. 98 a 120), lavrado em 09/05/2002, foi exigido Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF) no valor de R$35.897,41, acrescido de multa de ofício de 75% e de juros de mora, além de multa paga a menor no valor de R$185,57 e juros a menor de R$38,95. A autuação decorreu da auditoria interna na DCTF dos 3° e 4° trimestres do anocalendário de 1997, na qual se constatou: (a) falta de recolhimento de IRRF: Código de receita Período de apuração Data de vencimento Débito declarado (DCTF) Darfs não localizados 1 0561 0507/1997 06/08/1997 38.980,83 1.676,08 2 0561 0208/1997 13/08/1997 3.394,87 1.509,37 3 0561 0408/1997 27/08/1997 350,47 152,00 4 0561 0508/1997 03/09/1997 34.587,78 13.632,99 5 0561 0209/1997 17/09/1997 129,29 129,29 6 0561 0409/1997 01/10/1997 1.922,04 1.922,04 7 0561 0509/1997 08/10/1997 48.073,71 1.951,74 8 0588 0509/1997 08/10/1997 2.275,00 2.275,00 9 1708 0509/1997 08/10/1997 385,45 361,00 10 8045 0307/1997 23/07/1997 1.542,97 19,26 11 8045 0509/1997 08/10/1997 74,74 74,74 12 0561 0510/1997 05/11/1997 42.654,31 90,96 13 0561 0511/1997 03/12/1997 39.199,16 319,92 14 0561 0312/1997 24/12/1997 33.752,66 10,28 15 1708 0112/1997 10/12/1997 2.873,65 2.380,35 16 0561 0512/1997 07/01/1998 42.858,08 3.669,65 17 0588 0412/1997 02/01/1998 3.106,67 246,67 18 1708 0410/1997 29/10/1997 255,75 12,07 19 1708 0512/1997 07/01/1998 761,69 611,06 20 8045 0510/1997 05/11/1997 1.045,03 53,92 21 8045 0411/1997 26/11/1997 241,72 241,72 22 8045 0511/1997 03/12/1997 3.897,99 3.897,99 23 8045 0412/1997 02/01/1998 778,79 322,99 24 8045 0512/1997 07/01/1998 1.917,37 336,12 (b) recolhimento após o prazo, com insuficiência dos encargos moratórios de IRRF, código de receita 8045: Período apuração Data vcnto Data pagto IRRF Multa mora devida Multa mora recolhida Multa mora a pagar Juros mora devidos Juros recolhi dos Juros a pagar 0311/97 19/11/97 03/12/97 1.049,92 186,85 1,28 185,57 39,06 0,11 38,95 Na impugnação (fls. 03 a 23) foi alegado que: 1. cópias dos correspondentes Darfs comprovam os recolhimentos dos tributos exigidos (relativamente a dois recolhimentos, requereu a juntada posterior dos respectivos Darfs); Fl. 290DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10768.011773/200273 Acórdão n.º 2301004.401 S2C3T1 Fl. 290 3 2. caso não tivesse realizado os recolhimentos, seria indevido o lançamento de multa de ofício; 3. na hipótese de tributo declarado em DCTF, modalidade de confissão de dívida, não há falar em penalidade de ofício; 4. é incabível a aplicação de taxa de juros SELIC; 5. não houve recolhimento em atraso do IRRF código 8045 (sobre comissões e corretagens), apenas erro de fato no preenchimento da DCTF, na qual constou, erroneamente, o período de apuração imediatamente anterior ao real período de apuração, o que é comprovado pela comparação entre a DCTF e os recibos emitidos pelos beneficiários dos pagamentos por si realizados; 6. os tributos foram pagos integralmente, ainda que fora dos prazos de vencimento, enquadrandose no instituto da denúncia espontânea, de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN) conforme jurisprudência do 1° Conselho de Contribuintes, ac. 1086.160, de 2000); 7. os critérios de cálculo da multa de ofício isolada imputada ao interessado carecem de fundamento tanto legal quanto constitucional, existindo violação ao art. 44 da Lei 9.430, de 1996 e ao art. 113, § 1°, do CTN; 8. créditos tributários declarados em DCTF e não recolhidos não devem ser objeto de lançamento de ofício, devendo ser encaminhados diretamente para cobrança executiva, sendo essa a orientação da Norma Conjunta COSIT/COSAR/COFIS 535, de 23/12/1997; autos de infração contrários a referida norma vêm sendo afastados pelo Conselho de Contribuintes e pelos Tribunais Superiores; 9. sobre quantias declaradas e não recolhidas cabem unicamente a cobrança de multa moratória e juros de mora, nos termos do disposto no art. 13 da Lei 9.065, de 1995 e legislação de multa de mora; 10. o inciso IV, do art. 44, da Lei 9.430, de 1996, que autorizava o lançamento da multa de ofício para tributo lançado mas não pago, foi revogado pelo art. 7° da Lei 9.716, de 1998. A Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro I efetuou a revisão de ofício (fl. 157), o que resultou na manutenção parcial da exigência (fls. 128 a 156), conforme os seguintes demonstrativos: (a) falta de recolhimento de IRRF: Código de receita Período de apuração Data de vencimento Valor lançado Valor após revisão de ofício 1 0561 0507/1997 06/08/1997 1.676,08 61,68 2 0561 0508/1997 03/09/1997 13.632,99 343,90 3 0561 0509/1997 08/10/1997 1.951,74 1.951,74 Fl. 291DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 4 0561 0510/1997 05/11/1997 90,96 90,96 5 0561 0511/1997 03/12/1997 319,92 319,92 6 0561 0512/1997 07/01/1998 3.669,65 3.669,65 7 1708 0512/1997 07/01/1998 611,06 38,87 8 8045 0411/1997 26/11/1997 241,72 241,72 9 8045 0511/1997 03/12/1997 3.897,99 3.897,99 (b) recolhimento após o prazo, com insuficiência dos encargos moratórios de IRRF, código de receita 8045: Período apuração Data vcnto Data pagto IRRF Multa mora devida Multa mora recolhida Multa mora a pagar Juros mora devidos Juros recolhi dos Juros a pagar 0311/97 19/11/97 03/12/97 1.049,92 186,85 1,28 185,57 39,06 0,11 38,95 Cientificada da revisão de lançamento em 29/08/2011, a contribuinte aditou a impugnação (fls. 165 a 186), alegando, em síntese: 1. a nulidade da revisão de lançamento, por não esclarecer os argumentos que condicionaram a autoridade fiscal a julgar em parte procedente o lançamento; 2. a não localização dos Darf não é suficiente para presumir que não foram realizados os devidos recolhimentos; 3. as datas dos efetivos pagamentos de comissões e corretagens (código 8045) demonstradas nos recibos emitidos pelos beneficiários dos pagamentos realizados pelo interessado pertencem à semana posterior da informada na DCTF para a retenção de fonte pertinente; 4. erro cometido quando do cumprimento de obrigação acessória não pode macular o seu direito; 5. impossibilidade de aplicação da multa de ofício de 75% sobre o valor do principal pago; 6. ser a multa aplicada confiscatória, irrazoável e desproporcional, até mesmo em relação aos acréscimos moratórios apurados. A DRJ julgou a impugnação procedente em parte, para (a) considerar devido o IRRF no valor de R$10.616,63, acrescido da multa de 75% e dos encargos moratórios e (b) Fl. 292DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10768.011773/200273 Acórdão n.º 2301004.401 S2C3T1 Fl. 291 5 cancelar a exigência da multa de mora isolada (R$185,57) e juros de mora isolados (R$38,95). O acórdão da DRJ recebeu as seguintes ementas: FALTA DE RECOLHIMENTO DE IRRF. É de se manter a exigência fiscal, uma vez não confirmada a existência de pagamento vinculado a débito declarado em DCTF. ACRÉSCIMOS LEGAIS. SUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. Ante a comprovação de erro no preenchimento da DCTF e do recolhimento de imposto no prazo legal, ou com o devido encargos moratórios, rejeitase o lançamento de multa e juros de mora. A ciência dessa decisão ocorreu em 18/06/2012 (aviso de recebimento EBCT, fl. 279). Em 18/07/2012, foi apresentado recurso voluntário (fls. 255 a 265), afirmandose, em síntese: (a) a decadência do direito de realizar a revisão de ofício; (b) o recolhimento, ainda que parcial, do IRRF, códigos 0561, 0588 e 1708, tendo ocorrido erro de preenchimento da DCTF; (c) impossibilidade de aplicação da multa de ofício, em face da aplicação retroativa do art. 18 da Lei 10833, de 2003. O pedido consiste no provimento do recurso voluntário para reformar a decisão recorrida, cancelando a exigência. É o relatório. Voto Conselheiro Relator João Bellini Júnior QUESTÃO PRELIMINAR DE MÉRITO – DECADÊNCIA DE EFETIVAR A REVISÃO DE OFÍCIO A recorrente alegou que foi certificada do auto de infração em 11/06/2002, que exige créditos tributário de 1997. Em 24/08/2011, foi realizada a revisão do lançamento, ou seja, oito anos depois do auto de infração e quase catorze anos da ocorrência do fato gerador. Assevera ter ocorrido a decadência do poderdever de efetivar a revisão de ofício. Penso não lhe assistir razão. A consequência que a contribuinte quer extrair da alegada decadência – a extinção do crédito tributário – é inviável, uma vez que, conforme o próprio litigante nos lembra, o crédito tributário foi constituído, pelo lançamento, em 11/06/2002, data de sua Fl. 293DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 ciência do auto de infração, não tendo ocorrido a decadência dos créditos que lhes estão exigidos, todos relativos ao segundo semestre de 1997. Ademais, a aludida revisão de ofício se deu em benefício da contribuinte, na qual foram reconhecidos diversos recolhimentos de IRRF que lhe estavam sendo exigidos, os quais foram cancelados. Admitir ter ocorrido a decadência de revisar o lançamento tem como consequência não reconhecer a eficácia desse ato de revisão, e, em decorrência, a voltar a exigir o crédito tributário que foi cancelado por ter sido provado o seu recolhimento. Caso fosse reconhecida a decadência do poderdever de efetivar a revisão de ofício, tal procedimento, na melhor das hipóteses, seria inútil, pois, como o crédito tributário está impugnado, caso fosse declarada a decadência da revisão de ofício, as instâncias julgadoras, se concordassem com aos termos em que ocorreu a revisão de ofício, reconheceriam a eficácia dos recolhimentos já comprovados e novamente cancelálosia, o que redundaria, se assim fosse feito, que seria exigido da contribuinte crédito tributário equivalente ao que se está exigindo presentemente. Em uma hipótese menos favorável à contribuinte, as instâncias julgadoras poderiam não se convencer das provas do recolhimento do crédito tributário já cancelado, e continuar a exigilo. Assim, não acolho a prejudicial de mérito em apreço. DO RECOLHIMENTO, AINDA QUE PARCIAL, DO IRRF, CÓDIGOS 0561, 0588 E 1708 Nessa questão a recorrente assevera ter realizado diversos recolhimentos, (Darfs das fls. 269 a 277), e que houve erro no preenchimento da DCTF. Porém, não há qualquer referência, sequer indireta, do qual teria sido o referido erro no preenchimento da DCTF. Não obstante, os seguintes recolhimentos restaram comprovados pelos Darfs juntados aos autos, não tendo havido alocação de seu pagamento nos demonstrativos das fls. 128 a 158, e, portanto, devem ser cancelados: Código de receita Período de apuração Data de vencimento Valor após revisão de ofício Valor confirmado Fl. 0561 0508/1997 03/09/1997 343,90 343,90 269 0561 0509/1997 08/10/1997 1.951,74 1.951,74 269 0561 0511/1997 03/12/1997 319,92 319,92 270 Quando ao seguinte recolhimento, não é indicado nos autos como teria sido alocado. Por outro lado, o exame do Darf (fl. 277), demonstra que houve erro de seu preenchimento, sendo trocadas as datas dos campos “período de apuração” e “data de vencimento”, o que teria impedido a alocação ao respectivo débito informado em DCTF. Deve, portanto, ser cancelado: Código de receita Período de apuração Data de vencimento Valor após revisão de ofício Valor confirmado Fl. 1708 0512/1997 07/01/1998 38,87 38,87 277 Os seguintes recolhimentos, que somados, correspondem ao débito de R$3.898,99, foram recolhidos tempestivamente e foram alocados, no auto de infração, ao débito 8045, período de apuração 0311/1997, vencimento 19/11/1997, de valor R$5.632,86 (fls. 112 a 115): Fl. 294DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10768.011773/200273 Acórdão n.º 2301004.401 S2C3T1 Fl. 292 7 Código de receita Período de apuração Data de vencimento Valor após revisão de ofício Alocação fl. Débito objeto da alocação 8045 0511/1997 03/12/1997 3.747,33 115 8045, PA 0312/1997 8045 0511/1997 03/12/1997 102,40 114 8045, PA 0312/1997 8045 0511/1997 03/12/1997 11,62 113 8045, PA 0312/1997 8045 0511/1997 03/12/1997 11,66 112 8045, PA 0312/1997 8045 0511/1997 03/12/1997 11,66 112 8045, PA 0312/1997 8045 0511/1997 03/12/1997 13,32 113 8045, PA 0312/1997 Na data em que foi realizado tal compensação de ofício, 09/05/2002 (fl. 98), vigia a Instrução Normativa SRF nº 21, de 10 de março de 1997 (revogada pela IN SRF 210, de 30/09/2002, art. 46), que previa no § 2º do art. 12, que a compensação de ofício seria precedida de “notificação ao contribuinte para que se manifeste sobre o procedimento, no prazo de quinze dias, contado da data do recebimento, sendo o seu silêncio considerado como aquiescência”: Art. 12. Os créditos de que tratam os arts. 2º e 3º, inclusive quando decorrentes de sentença judicial transitada em julgado, serão utilizados para compensação com débitos do contribuinte, em procedimento de ofício ou a requerimento do interessado. § 1º A compensação será efetuada entre quaisquer tributos ou contribuições sob a administração da SRF, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional. § 2º A compensação de ofício será precedida de notificação ao contribuinte para que se manifeste sobre o procedimento, no prazo de quinze dias, contado da data do recebimento, sendo o seu silêncio considerado como aquiescência. Não consta dos autos prova de que tal procedimento tenha sido obedecido, pelo que devem tais recolhimentos serem alocados ao débito a eles vinculado, IRRF 8045, período de apuração 0511/199, com vencimento em 03/12/1997, no valor de R$3.897,99 (DCTF à fl. 211). Não há alegação de recolhimento em relação aos seguintes débitos, que, em decorrência, devem ser mantidos: Código de receita Período de apuração Data de vencimento Valor após revisão de ofício 0561 0507/1997 06/08/1997 61,68 0561 0510/1997 05/11/1997 90,96 0561 0512/1997 07/01/1998 3.669,65 8045 0411/1997 26/11/1997 241,72 DA MULTA DE OFÍCIO, EM FACE DA RETROAÇÃO DO ART. 18 DA LEI 10833, DE 2003 No que tange à aplicação da multa de ofício de débitos declarados em DCTF, em 1997, ano dos fatos geradores em comento, era aplicável o art. 44 da Lei 9439, de 1996. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 Posteriormente, o art. 90 da Medida Provisória 2.15835, de 24/08/2001, regulou o lançamento de ofício das diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados: Medida Provisória 2.15835, de 2001: Art. 90. Serão objeto de lançamento de ofício as diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados, relativamente aos tributos e às contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal A Medida Provisória 135, de 30/10/2003, transformada na Lei 10.833, de 2003, alterou a redação do art. 90, nos seguintes termos: Medida Provisória 135, de 2003: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Tal redação, por sua vez, restou alterada pelo art. 18 da Lei 11.488, de 2007: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007) Ou seja, a multa de ofício aplicável a “diferenças apuradas, em declaração prestada pelo sujeito passivo, decorrentes de pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, indevidos ou não comprovados” se restringe, a partir da entrega em vigor do art. 18 da Lei 11.488, de 2007 à “imposição de multa isolada em razão de não homologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo”. No presente caso, foi lançada tãosomente a multa de ofício vinculada (art. 44, I, da Lei 9430, de 1996), aplicável à época dos fatos geradores (fls. 98 e 116). O CTN, no art. 106, II, a e c, determina a retroação de norma sancionatória que deixe de definir determinado ato como infração, bem como quando lhe comine penalidade menos severa que a vigente no tempo de sua prática: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: Fl. 296DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10768.011773/200273 Acórdão n.º 2301004.401 S2C3T1 Fl. 293 9 a) quando deixe de definilo como infração; (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Tal retroação benigna é aplicável ao caso, uma vez que não estamos diante de “nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo”. No mesmo sentido, o Acórdão CSRF 920202.058 (com a ressalva de que trata da retroação do art. 18 da Lei 10.833, de 2003, e não do art. 18 da Lei 11.488, de 2007), do qual transcrevo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2000 IRRF. NORMAS PROCESSUAIS. DÉBITOS DECLARADOS EM DCTF. POSSIBILIDADE LANÇAMENTO. INAPLICABILIDADE DE MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. ARTIGO 18 DA LEI Nº 10.833/2003. De conformidade com a legislação de regência, especialmente artigo 142 do Código Tributário Nacional, inexiste óbice legal para o lançamento de ofício exigindo tributos declarados pelo contribuinte mediante Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF, efetuado anteriormente à vigência do artigo 18 da Lei nº 10.833/2003, ainda sob o manto dos preceitos contidos no artigo 90 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, o qual expressamente exigia o lançamento de ofício para as hipóteses relativas à ausência de comprovação do pagamento de tributo declarado. Entrementes, em face de legislação posterior afastando a aplicabilidade da multa de ofício para lançamentos de créditos declarados em DCTF, objetos de pedido de compensação indeferido, impõese rechaçar a manutenção de referida multa, conquanto que não constatada a prática das infrações previstas nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/1964, em observância ao princípio da retroatividade benigna da norma, insculpida no artigo 106, inciso II, alínea "c", do Código Tributário Nacional. Desse modo, deve ser cancelada a multa de ofício incidente sobre os débitos remanescentes, quais sejam: Código de receita Período de apuração Data de vencimento Valor após revisão de ofício 0561 0507/1997 06/08/1997 61,68 0561 0510/1997 05/11/1997 90,96 0561 0512/1997 07/01/1998 3.669,65 8045 0411/1997 26/11/1997 241,72 Fl. 297DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 10 Voto, portanto, por julgar parcialmente procedente o auto de infração, para cancelar integralmente os créditos tributários relativos aos períodos a seguir elencados e, em relação aos demais períodos de apuração, cancelar a multa de ofício. Código de receita Período de apuração Data de vencimento Valor lançado Valor após revisão de ofício 0561 0508/1997 03/09/1997 13.632,99 343,90 0561 0509/1997 08/10/1997 1.951,74 1.951,74 0561 0511/1997 03/12/1997 319,92 319,92 1708 0512/1997 07/01/1998 611,06 38,87 8045 0511/1997 03/12/1997 3.897,99 3.897,99 (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Relator Fl. 298DF CARF MF Impresso em 10/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 18471.001064/2007-21
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 07 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
AUTO DE INFRAÇÃO. OFENSA DOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, AMPLA DEFESA E VERDADE MATERIAL. NULIDADE INEXISTENTE.
Inexiste nulidade no lançamento por ausência de motivação nos casos em que a Fiscalização demonstra as operações realizadas, apresenta o que entende estar sendo dissimulado e colaciona a fundamentação legal correspondente. Inexiste ofensa aos princípios do Contraditório e da Ampla Defesa quando a autuada demonstra conhecer os motivos da autuação. Não se pode falar em ofensa ao Princípio da Verdade Material sem a análise do mérito da acusação fiscal.
Numero da decisão: 9101-002.145
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos, negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
EDITADO EM: 08/01/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rêgo, Luis Flávio Neto, André Mendes de Moura, Lívia de Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araújo, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 AUTO DE INFRAÇÃO. OFENSA DOS PRINCÍPIOS DO CONTRADITÓRIO, AMPLA DEFESA E VERDADE MATERIAL. NULIDADE INEXISTENTE. Inexiste nulidade no lançamento por ausência de motivação nos casos em que a Fiscalização demonstra as operações realizadas, apresenta o que entende estar sendo dissimulado e colaciona a fundamentação legal correspondente. Inexiste ofensa aos princípios do Contraditório e da Ampla Defesa quando a autuada demonstra conhecer os motivos da autuação. Não se pode falar em ofensa ao Princípio da Verdade Material sem a análise do mérito da acusação fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos, negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Adriana Gomes Rêgo Relatora EDITADO EM: 08/01/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 10 64 /2 00 7- 21 Fl. 1928DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Cristiane Silva Costa, Adriana Gomes Rêgo, Luis Flávio Neto, André Mendes de Moura, Lívia de Carli Germano (Suplente Convocada), Rafael Vidal de Araújo, Ronaldo Apelbaum (Suplente Convocado), Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório RAIZEN COMBUSTÍVEIS S.A., recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial interposto em 23/01/2012, contra Acórdão nº 10709.615, de 4 de fevereiro de 2009, fls. 716/727, que, após embargos do Relator, passou a ser o Acórdão nº 110300.546, fls. 741/742, o qual, assism decidiu: “NULIDADE. LANÇAMENTOS DE TRIBUTOS O motivo dos atos de lançamento, seja sob o ângulo da presença de causa, seja sob o da concreta fundamentação, não se coloca como etérea ou inexistente nos lançamentos em dissídio, embora ela não se revele encadeada da forma mais adequada. O encadeamento do motivo não interdita seu entendimento, tanto que a contribuinte pôde reagir, no mérito, contra a pretensão deduzida nos lançamentos. Não há mera suposição, no sentido de especulação, de ausência de presunção de certeza e liquidez dos lançamentos. Ainda que possa vir a se revelar equivocado, meritum causae, há . pressuposição, ou pressuposto de fato para o direito aplicável na r materialização da pretensão fiscal nos lançamentos. Inexistência de nulidade dos lançamentos dos tributos. NULIDADE. LANÇAMENTOS DE MULTAS As multas de ofício foram concretamente exigidas à alíquota de 75%, embora a acusação figurasse com a multa qualificada. Houve erro de cálculo, mas não se pode olvidar que a exigência concreta da multa se deu à alíquota de 75%, e não à alíquota de 150%. Por outro lado, tratase de vício que não fulminam os autos de infração de nulidade parcial. Não se impediu, diante do ocorrido, o exercício do direito de defesa e do contraditório pela contribuinte,que foi por ela efetivamente levado a efeito. As multas isoladas majoradas foram concretamente exigidas à alíquota de 150%o, embora a acusação tenha lançado esteio na nova redação da lei, segundo a qual a multa isolada majorada é de 100%. Erro de cálculo, cujo vício não fulmina os autos de infração de nulidade, pois não inibiu a possibilidade de reação da contribuinte contra a exigência. Efetivamente, a contribuinte exerceu o direito de defesa e do contraditório, no mérito, combatendo não só a exigência majorada das multas isoladas, como invocando a retroatividade benigna na aplicação das multas. Inexistência de nulidade dos lançamentos das multas. Fl. 1929DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 18471.001064/200721 Acórdão n.º 9101002.145 CSRFT1 Fl. 3 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os EMBARGOS e retificar a decisão adotada no Acórdão 10709.615 para "dar provimento ao recurso de ofício, por maioria, vencidos os Conselheiros Hugo Correia Sotero e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira" além de alterar a parte conclusiva do voto condutor do acórdão original para "... dou integral provimento ao recurso de ofício nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.” Alega a recorrente que teve que apresentar uma impugnação de 93 páginas porque, em função da grande quantia exigida e da “deficiente redação do lançamento tributário”, se viu obrigada a expor todas as razões relacionadas às operações e alterações societárias relativas à compra global da Enterprise Oil PLC pelo grupo Royal Dutch/Shell Group. Complementa que a própria DRJ reconheceu a “completa falta de inteligibilidade” das redações dos autos de infração ora discutidos, mas que, em sede de recurso de ofício, a 7ª Câmara do antigo Primeiro de Contribuintes entendeu pela inexistência de nulidade, em divergência com os Acórdãos nº 230101.001 e nº 30335.559, que foram, respectivamente, assim ementados: Acórdão nº 230101.001, de 26 de janeiro de 2010: Acórdão nº 30335.559, de 13 de agosto de 2008: Fl. 1930DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO 4 Por fim, pede pela reforma da decisão proferida pela então 7ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, para que seja acolhida a preliminar de nulidade do Auto de Infração “por inequívoca carência de motivação, tendo em vista que a Fiscalização não logrou êxito em comprovar a dissimulação utilizada para consubstanciar o lançamento, não suprindo requisitos básicos do ato administrativo”, em flagrante ofensa aos princípios da Ampla Defesa, do Contraditório e da Verdade Material. O recurso foi admitido por meio do Despacho nº 110100.171, de 2/7/2012, que, em apertada síntese, concluiu: Não obstante os acórdãos confrontados tratarem de contextos empíricos distintos, podese concluir neste juizo de cognição sumária, â. luz dos votos acima transcritos, pela caracterização da divergência de interpretação suscitada. Os paradigmas contemplaram a tese de que a motivação deficiente do ato administrativo levaria à declaração de sua nulidade,diferentemente do acórdão recorrido, para quem, mesmo sendo a redação do Termo de Verificação Fiscal "infeliz" e "dificultando inclusive o entendimento das operações precipitadas pela interessada", saber se a motivação ou fundamentação se encontra adequada ou suporta a pretensão fiscal é questão de mérito, a não implicar em nulidade dos lançamentos. Tal admissibilidade levou a Fazenda Nacional a apresentar Contrarrazões, para aduzir: a) impossibilidade de se conhecer deste recurso em face do disposto no art. 67, §2º, do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, por ser contra decisão que, na apreciação de matéria preliminar, decidiu pela anulação da decisão de primeira instância; e, b) que inexiste vício capaz de anular o auto de infração, visto ser possível extrair facilmente do relatório quais foram as infrações detectadas e que deram origem à autuação e das peças de insurgência apresentadas pelo autuado, que ele “compreendeu perfeitamente” a acusação fiscal. Fl. 1931DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 18471.001064/200721 Acórdão n.º 9101002.145 CSRFT1 Fl. 4 5 A Fazenda colaciona, ainda, jurisprudência e doutrina para defender a manutenção da decisão recorrida, e pede, na “hipótese remota desse Colegiado concluir pela ocorrência de vício”, que seja declarada a nulidade por vício formal. Por meio das efls 1.748/1.910 a Recorrente apresenta “Parecer Técnico Especializado” o qual foi juntado aos autos como memoriais, conforme consignado no Despacho de efls. 1.911/1.912. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo O recurso é tempestivo. Contudo, em que pese o Despacho de Admissibilidade nº 110100.171 (fls. 1.729 a 1733) ter concluído pelo conhecimento do presente, cumpre apreciar as razões trazidas pela Fazenda Nacional que, ao oferecer contrarrazões ao recurso especial do sujeito passivo ora apreciado, defende que o mesmo não deve ser conhecido em razão do disposto no art. 67, § 2°, do Anexo II do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, vigente ao tempo da interposição do recurso e da apresentação das contrarrazões. O dispositivo em questão estabelecia descaber esse recurso quando o acórdão recorrido, na apreciação de matéria preliminar, decidisse pela anulação do julgado de primeira instância. Analisando, então, o acórdão recorrido, constato que, embora a parte dispositiva do voto condutor, com as correções resultantes dos embargos de declaração, tenha consignado o integral provimento ao recurso de ofício, devendo os autos "retornar ao órgão julgador de origem para que seja enfrentada a matéria de mérito, salvo na hipótese de a recorrente intentar recurso voluntário à CSRF contra o acórdão", não há que falar na "anulação da decisão de primeira instância" expressa no § 2º do art. 67 do Anexo II do RICARF. Ora, se a decisão da DRJ (fls. 698 e seguintes) anulou o auto de infração por vício (na motivação) que implica nulidade do ato, o acórdão recorrido, na sua essência, não anulou essa decisão, mas, enfrentando suas razões, reformou o juízo de nulidade do auto de infração e, como consequência lógica, comandou o retorno dos autos para a DRJ para que aquele órgão julgador pudesse prosseguir no julgamento do mérito, afastada a nulidade que obstou o enfrentamento da materialidade do lançamento fiscal. Vejase que em nenhum momento o acórdão recorrido apontou qualquer vício na decisão da DRJ, que, eivada de nulidade, devesse ser anulada pela Turma julgadora. Nenhuma referência é feita a dispositivo do Decreto nº 70.235, de 1972 ou mesmo à Lei nº 9.784, de 1999 nesse sentido. É que não houve, a toda evidência, juízo de inobservância de algum dos requisitos formais das decisões estabelecidos para o processo administrativo fiscal ou, mais genericamente, em processo administrativo em geral, como ocorreu, convém repetir, com o auto de infração, declarado nulo pela DRJ por deficiência de motivação. É dizer, se houve vício Fl. 1932DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO 6 a ensejar nulidade do ato administrativo, esse teria ocorrido no auto de infração, mas não na decisão que o anulou. A inteligência do art. 67, §2º, do então Regimento Interno, ao impedir subir para a CSRF recursos contra decisões anuladas é, sem dúvidas, devolver o processo para apreciação da primeira instância e, a partir daí, seguir todo o fluxo normal. Pensar diferente é impedir que a decisão de Câmara Ordinária do CARF possa ser revista pela CSRF. Convém destacar que o novo Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, deixa mais claro que o vício que torna descabido o recurso especial é o da decisão de primeira instância em si e não do ato que esta decisão venha a anular (in casu, o auto de infração). Confirase (sublinhouse): Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. (...) § 4º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que, na apreciação de matéria preliminar, decida pela anulação da decisão de 1ª (primeira) instância por vício na própria decisão, nos termos da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. Portanto, esta 1ª Turma da CSRF não poderia deixar de conhecer o presente recurso especial, de forma a apreciar a decisão da 7ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes que proferiu juízo contrário à anulação do auto de infração decidida pela DRJ. Ou seja, uma vez instado pela via do recurso especial, se tal recurso preenche todos os requisitos de admissibilidade, este colegiado não poderia se abster de enfrentar o cabimento ou não da anulação do auto de infração por deficiência de motivação. Superada a questão relativa ao conhecimento do recurso, analiso a preliminar de nulidade do lançamento e a afasto, haja vista que, pelos Autos de Infração e Termo de Verificação de fls. 118/130, é possível, sim, identificar o que a Fiscalização concluiu como ilícito tributário, ou seja, à recorrente foi facultada, sim, a ciência exata dos motivos que fundamentaram a autuação. É que nos autos de infração foram consignadas as seguintes infrações com respectivos enquadramentos legais: a) Para o IRPJ 1) Amortização – Valores Não Amortizáveis. Descrição: Valor apurado conforme Termo de Verificação.... Enquadramento Legal: Art. 13, inciso III, da Lei nº 9.249/95; arts. 249, inciso I, 251 e parágrafo único, 299, 324, §§2º e 4º, e 325, do RIR/99. 2) Ganhos e Perdas de Capital – Baixa de Bens do Ativo Permanente. Descrição: Valor apurado conforme Termo de Verificação.... Enquadramento Legal: Art. 3º, §2º, inciso IV, da Lei nº 9.718/98; arts. 247, 248, 251 e parágrafo único, e 418 e parágrafos, do RIR/99. Fl. 1933DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 18471.001064/200721 Acórdão n.º 9101002.145 CSRFT1 Fl. 5 7 3) Multas Isoladas – Falta de Recolhimento do IRPJ sobre Base de Cálculo Estimada. Descrição: Valor apurado conforme Termo de Verificação.... Enquadramento Legal: Arts. 222, 843, e 957, parágrafo único, inciso IV, do RIR/99. b) Para a CSLL 1) CSLL – Falta de Recolhimento da CSLL. Descrição: Valor apurado conforme Termo de Verificação.... Enquadramento Legal: Art. 2º e §§, da Lei nº 7.689/88; art. 1º da Lei nº 9.316/96 e art. 28 da Lei nº 9.430/96; art. 27 da Lei nº 10.637/02 Do Termo de Verificação Fiscal, destaco alguns trechos com grifos: 1) O foco das operações analisadas pela Fiscalização e aspectos relacionados ao procedimento fiscal, demonstrando o que foi solicitado e o que não restou comprovado: Na parte dos fatos, é de pronto esclarecido que, “em decorrência do exame das informações e documentos apresentados quanto à incorporação da empresa ENTERPRISE OIL DO BRASIL LTDA ( EODB) pela SHELL BRASIL LTDA, foi verificado (...)” e a partir daí o fiscal apresenta um quadro com os eventos sucessórios e outro com a descrição dos documentos que lastream as operações de alteração societária. Na seqüência, o fiscal destaca os procedimentos de fiscalização que realizou para analisar a constituição do ágio na aquisição da Entreprise Oil do Brasil Ltda e ressaltou que não houve comprovação do pagamento das quotas e, por conseguinte, do ágio, nos seguintes termos: “4CONSTITUIÇÃO DE ÁGIO NA AQUISIÇÃO DA ENTERPRISE OIL DO BRASIL LTDA: Intimado(fls.) desde 22/nov/2006 para comprovar a aquisição da ENTERPRISE OIL DO BRASIL LTDA, o contribuinte aduziu apenas informações verbais a respeito da transação . Reintimado (fls.) a apresentar, NO PRAZO DE CINCO DIAS (úteis), os documentos e esclarecimentos abaixo elencados, com as seguintes especifidades (ano 2002): Documentos comprobatórios (inclusive do pagamento) da aquisição da Enterprise Oil do Brasil Ltda (EOB), por empresa ligada no exterior. Em caso de operação integrada, apresentar os critérios para o valor atribuído especificamente à EOB.O contribuinte ratificou (item 1 ,fls.) informação verbal que a operação em questão estava contida numa aquisição global do Grupo Enterprise OIL, alegando impossibilidade de especificar o valor atribuído às quotas da ENTERPRISE OIL DO BRASIL LTDA. Paradoxalmente e no mesmo documento, ao responder à segunda parte da mesma reintimação (reproduzida abaixo), haja vista as quotas da EOB terem sido objeto do aumento de capital (vide ata de fls. a ), o contribuinte afirma(item2, fls.) que o valor Fl. 1934DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO 8 recebido como aumento de capital foi o valor pago no exterior, pelo investimento. Justificar a valorização do aumento de capital recebido da Shell Brasil Holding BV, com quotas da Enterprise Oil do Brasil Ltda, haja vista a diferença para mais entre este e o Patrimônio Líquido da EOB, operação que decorreu na classificação em investimento e ágio, a respectiva contrapartida. Justificar também esta classificação e o fundamento do ágio registrado. O fato é que, até o momento, não foi apresentado nenhum comprovante do pagamento global nem tão pouco específico, relativo à aquisição da ENTERPRISE OIL DO BRASIL LTDA no exterior, e conseqüentemente, que o valor recebido como aumento de capital foi o valor pago no exterior, pelo investimento, conforme afirmativa desprovida de comprovação material. Estranhamente a Ata da Assembléia Geral Extraordinária de Quotistas, de 29 de novembro de 2002, determina o exame, discussão e deliberação relacionada com aumento de capital em questão em valor ESTIMADO em até R$ 2.700.000.000,00. Aprovada a AVALIAÇÃO pela empresa contratada, em R$ 2.677.029.000,00, ratificouse o aumento de capital de R$264.230.376,96 para R$2.941.259.376,00. Em sua informação contábil(fls.) denotase o item Valor atribuído à EODB após inc. d a OOG e OBSUS $743.000.000,00(R$2.677.029.000,00) A empresa considera "irrelevante e desnecessária " (fls.) a informação fundamental para justificar a classificação em Investimento e Ágio na aquisição original do investimento, ficando implícito nesta consideração que independentemente do valor da transação no exterior, o aumento de capital seria uma operação equivalente, pois a SHELL BRASIL LTDA estaria"adquirindo" as quotas, por valor superior ao do Patrimônio Líquido e classificando a diferença com o ágio(com base na rentabilidade futura), que por sua vez produziria os efeitos fiscais após a incorporação da ENTERPRISE OIL DO BRASIL LTDA. Destaca, também a Fiscalização que parcela do ativo adquirido no exterior e que foi utilizado para aumento de capital foi, alguns meses depois da aquisição, baixados sem contrapartida de receita: Registrese ainda que a informação de contábil de julho de 2003(fls.), denota também as parcelas(Bloco Incorporado) do ativo adquirido no exterior, utilizado para aumento de capital e depois incorporado,com suas respectivas parcelas de ágio denominadas, como VALOR DE COMPRA, entretanto, com a informação que foram calculados "com base no fluxo de caixa descontado de cada bloco", ainda que em apenas alguns meses depois da aquisição setembro, novembro e dezembro – sete dos oito Blocos foram baixados sem produzir nenhuma receita.” 2) Conclusão do Procedimento Fiscal: Fl. 1935DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 18471.001064/200721 Acórdão n.º 9101002.145 CSRFT1 Fl. 6 9 O que se conclui finalmente é que o contribuinte : 1 –Classificou a contrapartida do aumento de capital recebido da SHELL BRAZIL HOLDING BV como : a ) INVESTIMENTO o valor patrimonial das quotas da ENTERPRISE OIL DO BRASIL LTDA. b ) ÁGIO a diferença entre o valor patrimonial das quotas da ENTERPRISE OIL DO BRASIL LTDA e o valor total do aumento de capital, resultado de avaliação própria, sem nenhum vínculo com a operação o r i g i n á r i a**, cujo pagamento não foi comprovado até o momento. **operação originária Informada como uma compra de um grupo de empresas no exterior, incluindo a ENTERPRISE OIL DO RASIL LTDA, pelo Shell (Internacional). (O que se tem de concreto é que a ENTERPRISE OIL OVERSEAS HOLDINGS cedeu e transferiu pelo valor patrimonial, as quotas à SHELL BRAZIL HOLDING BV, que por sua vez aumentou o capital da fiscalizada (SHELL BRASL LTDA) por valor superior). II –Incorporou a investida ENTERPRISE OIL DO BRASIL LTDA mantendo a classificação (item I), entendendo que o fundamento deste seria a rentabilidade futura (fls.), passando a amortizar o ágio(itemb) assim como deduzir abaixa de alguns dos Blocos Incorporados(fls.).Registrese que as parcelas referentes ao ágio destes blocos são parte integrante do "ÁGIO"(item lb), e o valor atribuído a cada um, pelo contribuinte, foi feito"com base no fluxo de caixadescontado de cada bloco" (fls.) III Não reuniu os elementos necessários suficientes a permitir a dedução dos valores referentes à amortização e baixa do ágio: De forma preliminar, o valor da transação e a comprovação do pagamento do investimento no exterior, e de forma específica, por falta da previsão legal da, empresa SHELL BRASIL LTDA recebedora do investimento proveniente do exterior, desdobrá lo, e considerar a equivalência da contra partida do aumento de capital recebido (vide item 1 acima), como ágio com fundamento na rentabilidade futura, justificado na avaliação encomendada(vide ata da AGE Shell Brasil Ltda de 20/11/2002 fls.), após a operação originária**. A convicção da não dedutibilidade da diferença denominada como “ ágio” (iteml b), é "reforçada também pela ótica da equivalência patrimonial, haja vista(em tese)ser devedora a contrapartida do ajuste entre o valor patrimonial da ENTERPRISE OIL DO BRASIL LTDA e o valor de sua avaliação via aumento de capital, que se traduziria em perda que não seria computada na determinação do lucro real. Sobre o assunto intimamos ainda( fls.) e finalmente a informação contida na 40ª ALTERAÇÃO DO CONTRATO SOCIAL DA ENTERPRISE OIL DO BRASIL LTDA abaixo(fls.), apresentada em 01/08/2007,denota o valor da transação, esclarecendo definitivamente que a classificação do valor denominado como Fl. 1936DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO 10 ágio pelo contribuinte, não decorreu do desdobramento do custo de aquisição do investimento, e portanto não poderia produzir os efeitos fiscais previstos na legislação. RESOLVEM, de comum acordo ,alterar o Contrato da Sociedade, mediantes as seguintes disposições: Com a expressa anuência do sócio ALDO ANTÔNIO CASTELLI, manifestada por este instrumento, a sócia ENTERPRISSE OIL OVERSEAS HOLDINGS LIMITED , neste ato retirando – se da Sociedade, cede e transfere ,como de fato cedido e transferido tem, todas as suas 873.344.572(oitocentos e setenta e três milhões ,trezentos e quarenta e quatro mil,quinhentos e setenta e seis) quotas do capital da Sociedade, pelo valor que as mesmas representam, a Sociedade. Cedente e cessionária, por este instrumento,dão urna a outra a mais plena, geral e irrevogável quitação, para nada mais reclamarem urna do outra, a qualquer tempo, seja a que título for. 3) O que a Fiscalização entendeu como simulação: A partir desta informação, ficou claro que o objetivo dos procedimentos: A legislação permite a dedução da amortização do ágio na aquisição de quotas somente após eventos específicos, dentre eles a incorporação. As operações de aumento de capital denotam o início da implementação da estratégia de aproveitamento desta benesse legal em relação á amortização do ágio. Ainda que a empresa tivesse motivos adicionais para proceder desta forma, este foi objetivo principal sob a ótica tributária. A SHELL BRAZIL HOLDING B.V. detinha a totalidade (menos1) das 873.344.5 7 3 quotas da ENTERPRISE OIL DO BRASIL LTDA e após a incorporação passou a deter a totalidade (menos 73) das 1.114.113.400 da SHELL BRASIL LTDA. Todo o encadeamento das operações acima foi inócuo do ponto de vista da propriedade das empresas, menos do ponto de vista tributário.” (Grifei) E conclui a Fiscalização que “Ainda que válida e até mesmo operacional, a transferência dos ativos para a empresa, não houve pagamento de ágio. É explícita a dissimulação com o objetivo de ajustar a possibilidade jurídica do aumento de capital aos prérequisitos formais e legais da economia fiscal, mesmo que a operação não tenha sido feita somente com esse objetivo.” Mais adiante a Fiscalização cita o parágrafo único do art. 116 do CTN, bem como os arts. 105 e 149, inciso VII do mesmo diploma legal e acrescenta: (..) É impossível não considerar que tenha se dissimulado a reavaliação do ativo pela forma pela qual a operação foi contabilizada e depois, o tratamento fiscal dispensado à operação. Ao avaliar o patrimônio líquido de R$ 873.344.574,00 por R$ 2.677.029.000,00 antes de sua transferência (vide Ata da AGE do Aumento de Capital e 40ª ALTERAÇÃO DO Fl. 1937DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 18471.001064/200721 Acórdão n.º 9101002.145 CSRFT1 Fl. 7 11 CONTRATO SOCIAL DA ENTERPRISE OIL DO BRASIL LTDA, fls a ), como uma aquisição com ágio (ainda que a cedente fosse proprietária de ambas as empresas e a operação pudesse ter sido feita pelo valor de R$ 873.344.574,00). Ato contínuo, promoveram a incorporação, condição para a produção dos efeitos fiscais planejados. Sob este manto de ágio na contrapartida devedora e sem a figura da reavaliação na contrapartida credora, as amortizações e baixas foram deduzidas, entretanto, sem a tributação prevista na legislação para a realização desta reavaliação oculta. Vejamos então o §3º do art. 35 do DecretoLei nº 1.598/77, prevista na parte final do item 6 do Parecer Normativo CST nº 107/78 (abaixo). O art. 4º da Lei 9.950/00 determina o momento da tributação:” Ou seja, demonstra a Fiscalização que a operação normal seria computar na apuração do lucro o aumento do valor resultante da reavaliação da participação, ainda que a contrapartida constitua reserva de reavaliação. Na seqüência, destaca o §1º do art. 24 do DecretoLei nº 1.598/77, segundo o qual o ajuste do valor do patrimônio líquido correspondente à reavaliação de bens diferentes dos que serviram de fundamento ao ágio só não integra a apuração, se a contrapartida ao ajuste for registrada como reserva de reavaliação. Após transcrever a legislação retrocitada e trecho do parecer mencionado, o autuante monta uma planilha com os valores anuais das amortizações e também dos valores baixados relativos aos ágios registrados com base no fluxo de caixa descontado de cada bloco, vinculados aos Blocos baixados do ativo. Até aqui, tudo foi narrado no Termo de Verificação Fiscal como “Os fatos”. Na seqüência, o autuante descreve “O Direito” e nesta parte transcreve, dentre outros dispositivos legais, os artigos 385 (desdobramento do custo de aquisição em investimento e ágio e que o lançamento contábil do ágio deve indicar o fundamento econômico), 391 (amortização do ágio ou deságio), 426 (avaliação do patrimônio líquido), 386 (tratamento tributário do ágio ou deságio nos casos de incorporação, fusão ou cisão), 439 (contrapartida do aumento do valor de bens do ativo, na subscrição em bens de capital social) , 440 (contrapartida do aumento do valor dos bens do ativo em virtude de reavaliação na fusão, incorporação ou cisão) e 441 do RIR/99, que dispõem sobre todo o tratamento contábil e tributário dispensado ao ágio. Acrescenta que lavra multa de ofício isolada em decorrência da falta de adição dos valores às bases de cálculo levantadas nos balancetes de suspensão/redução do IRPJ/CSLL. E conclui o Termo afirmando que a constituição do crédito tributário era imperativa e que a “complexidade na identificação da matéria tributável, visa resguardar os interesses da Fazenda Pública, de comprovações supervenientes em decorrência da falta de fornecimento de elementos por parte do contribuinte, relativos à operação que significou cerca de 80% do seu patrimônio.” Ora, não se pode dizer que os fatos não foram narrados, pois a Fiscalização descreveu todas as operações; não se pode dizer que a autuação carece de motivação, pois ela afirma que autua porque não houve prova do pagamento do ágio, porque os bens do ativo Fl. 1938DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO 12 foram baixados sem contrapartida de receita e que justifica também a cobrança da multa isolada, além de afirmar que não havia base legal para a dedutibilidade e que as baixas também não poderiam ter ocorrido e esclarecer por que considerava a operação um negócio simulado. Também não se pode afirmar que há ausência de fundamentação legal, pois a Fiscalização trouxe à tona no termo todos os dispositivos legais que regem o assunto, e no auto de infração, aqueles relativos à conseqüência tributária que estava sendo imputada à autuada em razão das infrações detectadas. O fato de o termo de verificação consignar que estava resguardando os interesses da Fazenda de eventuais comprovações supervenientes não macula o lançamento, pois, em razão da ausência de comprovação dos fatos no curso do procedimento fiscal, o autuante quis fazer um registro de que foram aquelas as conclusões a que chegou com os elementos de prova de que dispunha, até porque, em decorrência da autuação, procedeu também a uma representação fiscal para fins penais, por meio da qual se comunica ao Ministério Público Federal, crime em tese. Oportuno se faz esclarecer que a robustez ou não das provas não está sendo discutida aqui, pois seria enfrentar o mérito. Analisando ainda a impugnação de fls. 380 a 473 (volume III) dos autos, é possível verificar a que a Recorrente compreendeu e se defendeu da acusação fiscal, conforme trechos que ora destaco: A autoridade responsável pela lavratura do documento que ora se impugna adota como fundamento para a autuação, suposta prática de dissimulação por parte da Impugnante em operação de natureza societária usual e regular, pretendendo aplicar a disposição contida no parágrafo único do art. 116, do Código Tributário Nacional (CTN), introduzido pela Lei Complementar nº 104, de 10 de janeiro de 2001, e com isso desconsiderála. ................................................................................................ Preliminarmente, é importante registrar que ao contrário do que pretende fazer crer a autoridade fiscal em sua descrição contida no Termo de Verificação, o qual antecedeu a lavratura do Auto de Infração, a operação em tela, em nenhum momento foi realizada com o objetivo primordial de utilizar eventual benefício tributário previsto na legislação brasileira. E a partir daí explica e detalha toda a operação, esclarece porque a realizou, destaca que tudo havia sido exaustivamente discutido com o autuante no curso do procedimento fiscal, enfrenta os dispositivos legais trazidos pela Fiscalização e destaca: (i)os atos societários de incorporação e o reconhecimento de ágio com base na lucratividade futura da empresa incorporada não foram procedimentos adotados sem cunho econômico/operacional, apenas para se aproveitar de previsão normativa que viesse a representar redução da carga tributária; ao contrário, conforme já demonstrado, tratouse meramente de um ajuste decorrente de uma operação mundial (aquisição do Grupo Enterprise pelo Grupo Shell em Londres); e Fl. 1939DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 18471.001064/200721 Acórdão n.º 9101002.145 CSRFT1 Fl. 8 13 (ii) por sua vez, ao utilizarse da benesse tributária (amortização de ágio) a Impugnante o fez fundamentada na legislação e em laudo técnico exarado por empresa competente e idônea. Assim, da leitura desses destaques é flagrante a compreensão, por parte da então impugnante, da acusação fiscal. Mas ela ainda discorre acerca da nulidade do auto de infração por ausência de motivação da “decisão administrativa”, por equívoco no apontamento de valores, por dissociação do fundamento legal das multas e por cerceamento do direito de defesa, bem como sobre a impossibilidade de desconsideração dos negócios jurídicos e da impossibilidade de existência de cláusula geral antielisiva e acrescenta comentários sobre o ônus da prova da Fazenda. Além de todos esses argumentos, a então impugnante apresenta inúmeras laudas na defesa da dedutibilidade da amortização do ágio, enfrentando os artigos 385 e 386 do RIR/99, comentando, inclusive, as Instruções da CVM, bem como na defesa da baixa do ágio e no afastamento das multas isoladas, alegando não só a ausência de fundamentação no tocante a essas, a ensejar o cerceamento do direito de defesa, como também a aplicação da retroatividade benigna em virtude da alteração legal promovida pela Lei nº 11.488, de 2007 e a impossibilidade de concomitância de multas isoladas e proporcional. Assim, não resta a menor dúvida de que a autuação fiscal foi motivada e que a autuada teve pleno conhecimento e condições de se defender. Inexiste, portanto, qualquer ofensa aos princípios da Ampla Defesa ou Contraditório. A averiguação se a Fiscalização logrou ou não comprovar que houve simulação, para fins de qualificação ou não da multa, se as infrações estão corretamente caracterizadas, enfim, repiso, é matéria do mérito e não pode ser trazida como preliminar de nulidade. Assim, descabe também falar em ofensa ao princípio da Verdade Material sem analisar o mérito da acusação fiscal. Em face do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do contribuinte, determinando que os autos retornem para julgamento pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, para apreciação do mérito do lançamento, inclusive no tocante à qualificação da multa. Adriana Gomes Rêgo Relatora Fl. 1940DF CARF MF Impresso em 25/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 08/01/2016 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 12/01/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 08/01/2016 por ADRIANA GOMES REGO
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Numero do processo: 11618.002648/2007-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 23 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 26/06/2006
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO .32,
IV, § 5° E ARTIGO 41 DA LEI Nº 8,212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO Nº 3.048/99 - OMISSÃO EM GFIP
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
Inobservância do art. 32, IV, § 5° da Lei n ° 8,212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3,048/1999,: " informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social-INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS (Incluído pela Lei
9.528, de 10.12,97)".
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 26/06/2006
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32,
IV, § 5º E ARTIGO 41 DA LEI N.° 8,212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 - NFLD CORRELATAS -
SALÁRIO - SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES
INDIVIDUAIS
A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está
diretamente relacionado ao resultado das NFLD lavradas sobre os mesmos fatos geradores,
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32,
IV, § 5° E ARTIGO 41 DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 284, II D0 RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 - OMISSÃO EM GFIP -
MULTA - RETROATIVIDADE BENIGNA
Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE.
Numero da decisão: 2401-001.408
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial para determinar que seja recalculado o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996. deduzidos os
valores levantados a titutio de multa na NFLD correlata.
Nome do relator: Kleber Ferreira de Araujo
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Inobservância do art. 32, IV, § 5° da Lei n ° 8,212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 284, II do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3,048/1999,: " informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social-INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12,97)". ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 26/06/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, § 5 0 E ARTIGO 41 DA LEI N.° 8,212/91 C/C ARTIGO 284, II DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N." 3.048/99 - NFLD CORRELATAS - SALÁRIO - SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS A sorte de Autos de Infração relacionados a omissão em GFIP, está diretamente relacionado ao resultado das NFLD lavradas sobre os mesmos fatos geradores, PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 32, IV, § 5° E ARTIGO 41 DA LEI N.' 8.212/91 C/C ARTIGO 284, J1,D0 RPS, APROVADO PELO DECRETO N.' 3.048/99 - OMISSÃO EM GFIP - MULTA - RETROATIVIDADE BENIGNA Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, faz-se necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para determinar que seja recalculado o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo c m disciplinado no art. 44, I da Lei if 9.430, de 1996. deduzidos os valores levantados a titutio de 6rulta na NFLD correlata. ELIAS SAMPAIO FREIRE - Presidente ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVK VIEIRA - Relatora Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Wilson Antônio Souza Corrêa, Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Ausente os Conselheiros Cleusa Vieira de Souza e Marcelo Freitas de Souza Costa. 2 Processo n°11618 002648/2007-63 S2-C4T1 Acórdão n," 2401-01.408 El 333 Relatório Trata-se de retorno de diligência comandada por meio da Resolução n° 2401- 00.063 da Primeira Turma da 4' Câmara da 2' Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscal — CARF, no intuito de identificar o resultado final das NFLD lavradas durante o mesmo procedimento fiscal, para que se possa identificar os fatos geradores constantes em cada uma delas e sua relação com o auto de infração ora em análise, FL. 2538 a 2546. Importante, destacar que a lavratura do AI deu-se em 23/06/2006, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 26/06/2006. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 04/2001 a 03/2006, conforme planilha constante fl. 06 a 29.. Para retomar as informações pertinentes ao processo , importante destacar as informações acerca do lançamento efetuado. Trata-se do Auto de Infração — AI n." 35.609.727-7, com lavratura em 23/06/2006, posteriormente cadastrado na RFB sob o número de processo constante no cabeçalho. A penalidade aplicada foi de R$ 51.218,65 (cinquenta e um mil, duzentos e dezoito reais e sessenta e cinco centavos). De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, J7 06, a empresa deixou de declarar na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GF1P os fatos geradores relativos às remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais relacionados em planilha anexa. A autuada apresentou impugnação, Ils, 33, na qual alega a correção da falta e requer a dispensa da multa. O órgão de primeira instância acatou parcialmente a pretensão da autuada, tendo declarado a releva ção parcial da multa, com redução da penalidade para R$ 46.105,30 (quarenta e seis mil e cento e cinco reais e trinta centavos), fls. 136/140. Não se conformando, a autuada interpôs recurso voluntário, fls. 145/163, no qual alega que é inconstitucional a exigência de depósito para seguimento do recurso. No mérito, afirma que houve erro na fixação da penalidade. Argumenta que no período da autuação possuía entre 16 e 50 segurados a seu serviço, portanto, o limite para aplicação da penalidade, nos termos da legislação de regência, deveria ser o dobro do valor mínimo (R$ 636,17), totalizando, por conseguinte, R$ 1,272,34, Além de que o valor previsto na Portaria MPS/GM n," 119/2006 não pode ser aplicado na espécie, posto que a multa deve ser baseada nos valores da época da ocorrência dos .fatos geradores da infração. Ao final pede a anulação da decisão a quo e a declaração de improcedência da autuação É o relatório. A autoridade fiscal emitiu informação fiscal, ti. 328 esclarecendo que no procedimento fiscal em questão foram lavrados além do AI em questão, dois outros que acabaram "baixados por liquidação" e um Lançamento de Débito Confessado — LDC. O LDC refere-se ao período de 04/2000 a 04/2006. Tendo cumprindo os termos da diligência, retornou o processo a este conselho para continuidade do julgamento. É o relatório. 4 1 Processo n° 11618.002648/2007-63 52-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.408 PT 334 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Em se tratando de retorno de diligência, comandada no intuito de identificar o resultado das NFLD conexas com os fatos geradores deste AI, abstenho-me de avaliar a tempestividade, tendo em vista já ter sido objeto de apreciação anteriormente, DO MÉRITO Conforme descrito na resolução que converteu em diligência a decisão da procedência ou não do presente auto-de-infração está ligado à sorte das Notificações Fiscais lavradas sob fatos geradores de mesmo fundamento„ Assim, para evitar decisões discordantes fez-se imprescindível a análise tendo por base o resultado de outros lançamentos realizados no mesmo procedimento. No recurso em questão, o contribuinte resumiu-se a atacar a improcedência da multa aplicada, considerando o número de trabalhadores e que o valor previsto na Portaria MPS/GM n.° 119/2006 não pode ser aplicado na espécie, posto que a multa deve ser baseada nos valores da época da ocorrência dos fatos geradores Contudo, não há como prosperar a alegação do recorrente, tendo em vista, ser a legislação previdenciária é clara no sentido de que os fatos geradores de contribuições devem ser devidamente informados em GFIP. Conforme prevê o art. 32, IV da Lei n ° 8.212/1991, o contribuinte é obrigado informar ao INSS, por meio de documento próprio, informações a respeito dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, nestas palavras: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (,) IV - informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social-INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos .fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS, (Inchddo pela Lei 9,528, de 10,12,97)- (grifo nosso) O Auto de Infração ao ser aplicado no presente caso, não se transforma em meio obtuso de arrecadação, nem possui efeito confiscatório. Pelo contrário, na legislação previdenciária, a aplicação de auto de infração não possui a natureza meramente an-ecadatória, o que se demonstra pela possibilidade de atenuação ou até mesmo de relevação da multa, Nesta última hipótese, o infrator não pagará nenhum valor, desde que cumpridas as disposições legais Nesse sentido, dispõe o art, 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n 0 3.048/1999: Art. 291.. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente, § 1° A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. § 2° O disposto no parágràfo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento, § 3" A autoridade que atenuar ou relevar multa recorrerá de oficio para a autoridade hierarquicamente superior, de acordo com o disposto no art. 366, Os valores aplicados em auto de infração pela omissão justificam-se pelo fato da importância dos esclarecimentos para administração previdenciária. As informações prestadas auxiliarão na fiscalização das contribuições arrecadadas em prol da Previdência Social. Quanto à argumentação da recorrente de que a multa aplicada possui valor exacerbado, tendo a autoridade fiscal aplicado penalidade de forma mais gravosa, também não lhe confiro razão. Pelo contrário, as questões trazidas aos autos fizeram-me crer ser verdadeira a alusão da autoridade previdenciária, em sua contra-razões, de tratar-se de recurso meramente protelatório, visto que a própria recorrente disserta acerta dos dispositivos que fundamentam o valor da multa aplicada. Conforme descrito no próprio art. 373 do RPS, quanto ao reajuste das multas: Art. 373, Os valores expressos em moeda corrente referidos neste regulamento, exceto aqueles referidos no art, 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos beneficias de prestação continuada da previdência social Destaca-se que o Decreto 5,443/2005 dispõe acerca dos percentuais de reajuste de benefícios e que consubstanciado nos índices estabelecidos no referido decreto foi editada a portaria 822/2005, que assim dispõe: PORTARIA MPS N" 822, DE 11 DE MAIO DE 2005 — DOU DE 12/05/2005 O MINISTRO DE ESTADO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL, no usa da atribuição que lhe confere o art. 87, parágrafo único, inciso da Constituição Federal, CONSIDERANDO as Emendas Constitucionais n° 20, de 15 de dezembro de 1998, e n° 41, de 19 de dezembro de 2003, que nzodificaram o sistema de previdência social; CONSIDERANDO as Leis n's 8,212 e 8,213, ambas de 24 de julho de 1991, que dispõem, respectivamente, sobre a organização da Seguridade Social e institui o Plano de Custeio e as Planos de Beneficias da Previdência Social; Processo n° 11618 002648/2007-63 S2-C4T1 Acórdão n 2401-01.408 Fl 335 CONSIDERANDO as Medidas Provisórias e 2.187-13, de 24 de agosto de 2001, que dispõe sobre o reajuste dos benefícios da Previdência Social, e n a 248, de 20 de abril de 2005, que dispõe sobre o salário mínimo a partir der' de maio de 2005; CONSIDERANDO o Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n" 3.048, de 6 de maio de 1999; CONSIDERANDO o Decreto n" 5.443, de 9 de maio de 2005, que dispõe sobre o reajuste dos benefícios mantidos pela Previdência Social a partir de 1' de maio de 2005, resolve Art. 8°Ã partir del a de maio de 200.5: V - o valor da multa pela infração a qualquer dispositivo do Regulamento da Previdência Social - RPS, para a qual não haja penalidade expressamente cominada (art. 283), varia, conforme a gravidade da infração, de R$ 1.101,7.5 (um mil cento e um reais e setenta e cinco centavos) a R$ 110.174,67 (cento e dez mil cento e setenta e quatro reais e sessenta e sete centavos); (grifo nosso) Nesse sentido, cumpre-nos, por fim, apenas apreciar a procedência da autuação a luz do resultado dos demais lançamentos realizados durante o procedimento fiscal, lavradas sobre fatos geradores de mesmo fundamento. Neste sentido a informação prestada pela autoridade fiscal, fl. 328 no sentido de que além do AI em questão, dois outros que acabaram "baixados por liquidação" e um Lançamento de Débito Confessado — LDC. O LDC refere-se ao período de 04/2000 a 04/2006, é que constituem pontos fundamentais ao julgado do AI em questão. Ou seja, em havendo o reconhecimento dos fatos geradores por meio de parcelamento de débito, outro não poderá ser o resultado, além de determinar a procedência do Auto de Infração correlato. Não obstante a correção do auditor fiscal em proceder ao lançamento nos termos do normativo vigente à época da lavratura do AI, foi editada a Medida Provisória MP 449/09, convertida na Lei 11.941/2009, que revogou o art. 32, § 4°, da Lei 8.212/91. Assim, no que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da referida MP, convertida em lei„ A citada MP alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a MP 449/2008, inseriu o art. 32-A, o qual dispõe o seguinte: "Art. 32-A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do capta do art 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentá-la ou a prestar esclarecimentos e sujeitar- se-á às seguintes multas: 1 — de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e — de 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3" deste artigo. § I' Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo ,fixado para entrega da declaração e como termo .final a data da efetiva entrega ou, no caso de não- apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento, § 2 Observado o disposto no § 3' deste artigo, as multas serão reduzidas: I — à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio; ou II — a 75% (Setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3' A multa mínima a ser aplicada será de,' — R$ 200,00 (duzentos reais), tratando-se de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e — R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos." Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art, 35-A que dispõe o seguinte, "Art. 35-A. Nos casos de lançamento de oficio relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplica-se o disposto no art, 44 da Lei n' 9,430, de 27 de dezembro de 1996," O inciso I do art. 44 da Lei 9,430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: "Art 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas; I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de oficio, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado. As contribuições decorrentes da omissão em GFIP foram objeto de lançamento, por meio da notificação já mencionada e, tendo havido o lançamento de oficio, não se aplicaria o art. 32-A, sob pena de bis in idem, Considerando o principio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea "c", do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. 8 Processo n° 11618002648/2007-63 S2-C4T1 Acórdão n '2401-01.408 Fl. 336 No caso da notificação conexa e já julgada, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 35, inciso II, revogado pela MP 449/2008, convertida na Lei 11„941/2009, No caso da autuação em tela, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. .32, inciso IV, § 5°, da Lei n° 8212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de cem por cento da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4° do mesmo artigo. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5°, observada a limitação imposta pelo § 40 do mesmo artigo, ou Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. Diante o exposto e de tudo o mais que dos autos consta. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para no mérito DAR- LHE PROVIMENTO PARCIAL, para recalcular o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 44, I da Lei d- 9.430, de 1996, deduzidos os valores levantados a título de multa nas NFLD correlatas, É corno voto, Sala das Sessões, em 23 de setembro de 2010 CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA - Relatara 9 /MINISTÉRIO DA FAZENDA tp, -CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 11618.002648/2007-63 .-Recurso n": 144.245 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão tf 2401-01,408 Brasília, 20 d outubro de 2010 ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ Apenas com Ciência E I Com Recurso Especial [ Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 10073.721345/2011-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Mar 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
I) DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL: AIOP Debcad nº 37.318.929-0 (patronal e SAT), AIOP Debcad nº 37.318.930-3 (parcela segurados) e AIOP Debcad nº 37.318.931-1 (Outras Entidades/Terceiros).
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal, o Parecer Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa tanto a origem do lançamento como os fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais, não há que se falar em nulidade.
DILIGÊNCIA. APROPRIAÇÃO VALORES NO LANÇAMENTO. RECOLHIMENTOS REALIZADOS. DOCUMENTOS ACOSTADOS AOS AUTOS. CONFIRMADOS PELO FISCO.
Quando da baixa do processo em diligência, o Fisco evidenciou que a Recorrente realizou o recolhimento, em parte, dos valores lançados por meio de Guias de Recolhimento à Previdência Social (GPS) e propôs a retificação do lançamento fiscal, fundamentada em documentos que constatam o equívoco do Fisco, conforme Parecer Fiscal.
CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO.
A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007).
JUROS(TAXA SELIC. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE.
O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.
II) DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA: AIOA Debcad nº 37.318.928-1 (CFL 68).
OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO.
Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas.
LEGISLAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO.
A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Em decorrência das alterações promovidas pela MP 449 quanto às modificações dos artigos 32 e 35 da Lei 8.212/91, o Fisco apresentou comparativo das penalidades previstas à época dos fatos e à época da autuação, em cumprimento ao previsto no inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional, aplicando a multa benéfica ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.900
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir: (a) o valor de R$240,00 (duzentos e quarenta reais) nas competências 05/2007 a 12/2007, relativo ao AIOP DEBCAD 37.318.929-0 e pertinente aos levantamentos FC e FC1; e (b) o valor de R$132,00 (cento e trinta e dois reais) nas competências 01/2007 a 12/2007, relativo ao AIOP DEBCAD 37.318.930-3 e pertinente ao item lF-Contrib Indiv.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal, o Parecer Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa tanto a origem do lançamento como os fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais, não há que se falar em nulidade. DILIGÊNCIA. APROPRIAÇÃO VALORES NO LANÇAMENTO. RECOLHIMENTOS REALIZADOS. DOCUMENTOS ACOSTADOS AOS AUTOS. CONFIRMADOS PELO FISCO. Quando da baixa do processo em diligência, o Fisco evidenciou que a Recorrente realizou o recolhimento, em parte, dos valores lançados por meio de Guias de Recolhimento à Previdência Social (GPS) e propôs a retificação do lançamento fiscal, fundamentada em documentos que constatam o equívoco do Fisco, conforme Parecer Fiscal. CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO. A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007). JUROS/TAXA SELIC. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 13 45 /2 01 1- 61 Fl. 1803DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. II) DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA: AIOA Debcad nº 37.318.9281 (CFL 68). OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, contendo informações incorretas ou omissas. LEGISLAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL. APLICAÇÃO EM PROCESSO PENDENTE JULGAMENTO. A lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Em decorrência das alterações promovidas pela MP 449 quanto às modificações dos artigos 32 e 35 da Lei 8.212/91, o Fisco apresentou comparativo das penalidades previstas à época dos fatos e à época da autuação, em cumprimento ao previsto no inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional, aplicando a multa benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir: (a) o valor de R$240,00 (duzentos e quarenta reais) nas competências 05/2007 a 12/2007, relativo ao AIOP DEBCAD 37.318.9290 e pertinente aos levantamentos FC e FC1; e (b) o valor de R$132,00 (cento e trinta e dois reais) nas competências 01/2007 a 12/2007, relativo ao AIOP DEBCAD 37.318.9303 e pertinente ao item lFContrib Indiv. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 1804DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10073.721345/201161 Acórdão n.º 2402004.900 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, relativas às contribuições desses segurados não descontadas em época própria e parcela patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT) e as contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros, bem como diferenças de acréscimos legais decorrentes de Guia de Recolhimento da Previdência (GPS) recolhida em atraso, para as competências 01/2007 a 12/2007. Também há o lançamento pelo descumprimento de obrigação acessória. O Relatório Fiscal (fls. 150/164) informa que o fato gerador decorre de diferença de remuneração apurada quando do confronto entre as informações prestadas em folhas de pagamentos, Livros Diários e Guias de Recolhimento à Previdência Social (GPS). Esclarece que o lançamento foi apurado com base nas folhas de pagamento apresentadas e Livros Razões e Diários nºs. 54 a 57, e recibos de pagamentos efetuados a autônomos. Esse Relatório Fiscal informa ainda que os créditos tributários foram constituídos por meio dos seguintes lançamentos fiscais: 1. DEBCAD 37.318.9290 à parcela patronal, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT); 2. DEBCAD 37.318.9303 à referese às contribuições relativas à parcela dos segurados não descontada em época própria; 3. DEBCAD 37.318.9311–à referese às contribuições destinadas aos terceiros (FNDE, INCRA, SENAT, SEST, SEBRAE); 4. DEBCAD 37.318.9281 à referese à aplicação da multa no Código de Fundamento Legal CFL 68 (descumprimento de obrigação acessória). Quanto à multa aplicada, houve comparação entre as multas cabíveis antes da Medida Provisória (MP) 449/08 (multa anterior + AIOA 68) e após esta MP (multa atual) que foi convertida na Lei 11.941/09 e, portanto, a multa aplicada e discriminada no DD decorreu da observância do princípio da retroatividade benigna (art.106, II, alínea “c”, do CTN), conforme discriminado nas planilhas de comparação de multas. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 29/11/2011 (fls. 01 e 658), mediante correspondência postal com Aviso de Recebimento (AR). A Recorrente interpôs impugnação (fls. 660/1083) requerendo a total improcedência do lançamento e alegando, em síntese, que: Fl. 1805DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 1. Da Nulidade. Como o Auditor Fiscal considerou que as cestas básicas possuem natureza salarial no lançamento da obrigação acessória, este deve ser declarado nulo; 2. Do Mérito. Alega que, após uma análise complexa (já que os autos de infração são confusos) tanto o motivo como a motivação utilizados pelo Auditor correspondem à realidade fática do presente caso. Como exemplo especifica a competência 06/2007, que teve lançada a quantia de R$132,00 e R$240,00, correspondente a contribuição de segurados e patronal, respectivamente, incidente sobre o total dos valores pagos ou creditados, no decorrer do mês aos Contribuintes Individuais, além dos valores de juros e multa de ofício de 75%. Elabora uma tabela com os valores devidos à Previdência Social na competência 06/2007, concluindo que o valor devido à Previdência é R$53.216,27, sendo certo que nesta quantia já está incluso o valor de R$132,00 (11% de R$1.200,00) e o valor de R$240,00 (20% de R$ 1.200,00), lançados equivocadamente nos AI, pois que estes constam das GFIP enviadas pelo contribuinte em 04/07/2007. Assim, afirma que o valor devido de R$53.216,27 foi quitado através das GPS mencionadas (R$5.950,11 e R$47.266,16), não existindo nenhum valor a ser cobrado na referida competência nem nas demais; 3. Das Diferenças Acréscimos Legais (DAL). Alega que o Auditor novamente não informa o motivo e a motivação dos lançamentos a título de acréscimos legais, além de não informar os índices utilizados para o cálculo da multa e dos juros; 4. Da Falta de abatimento dos Créditos recolhidos pelo Contribuinte. Argumenta que os valores recolhidos por meio das DCG 36.225.8350, 36.225.8341 e 36.101.1768 não foram considerados para o abatimento dos valores lançados pela fiscalização, sendo mais um motivo para a nulidade A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) no Rio de Janeiro/RJ– por meio do Acórdão no 1246.819 da 14a Turma da DRJ/RJ1 (fls. 1685/1703) – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, eis que, em relação ao AIOA DEBCAD nº. 37.318.9281, houve a exclusão dos valores de multa correspondentes ao fornecimento de alimentos in natura. A Notificada apresentou recurso, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Agência da DRF em Barra do Piraí/RJ encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processo e julgamento. Posteriormente, o CARF determinou a realização de diligência fiscal para averiguar as matérias fáticas registradas na peça recursal. A informação fiscal (diligência, Parecer Fiscal) apontou que o Fisco cometeu um equívoco na apuração da contribuição previdenciária e sugere a sua retificação. É o relatório. Fl. 1806DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10073.721345/201161 Acórdão n.º 2402004.900 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DA PRELIMINAR: A Recorrente alega que não consta no lançamento fiscal a necessária e adequada descrição dos fatos e motivação da autuação, existindo dúvidas quanto ao lançamento, o qual, diante de tais irregularidades, deve ser declarado nulo. Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do fato gerador das contribuições sociais lançadas, que foram as relativas à parcela dos segurados e parcela patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT) e as contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros, bem como diferenças de acréscimos legais decorrentes de Guia de Recolhimento da Previdência (GPS) recolhida em atraso, para as competências 01/2007 a 12/2007. Também há o lançamento pelo descumprimento de obrigação acessória (CFL 68). Os valores das contribuições sociais decorrem da remuneração paga ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais, e foram devidamente delineados no Relatório Fiscal e no Parecer Fiscal. Verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado está em conformidade aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01/45) todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da contribuição previdenciária devida; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, Fl. 1807DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. ......................................................................................................... Decreto 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O Relatório Fiscal (fls. 150/164) e seus anexos (fls. 01/149), complementados pelos documentos acostados pela Recorrente (fls. 660/1083), são suficientemente claros e relacionam os dispositivos legais aplicados ao lançamento fiscal ora analisado, bem como descriminam o fato gerador da contribuição devida. A fundamentação legal aplicada encontrase no Relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD, que contém todos os dispositivos legais por assunto e competência. Há o Discriminativo Analítico de Débito (DAD), que contém todas as contribuições sociais devidas, de forma clara e precisa. Ademais, constam outros relatórios que complementam essas informações, tais como: Discriminativo Sintético do Débito (DSD); Relatório de Lançamentos (RL); diligência fiscal (parecer fiscal); dentre outros. Esses documentos, somados entre si, permitem a completa verificação dos valores e cálculos utilizados na constituição do crédito tributário. Além disso – no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD) e no Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal (TEPF) –, todos assinados por representantes da empresa, constam a documentação utilizada para caracterizar e concretizar a hipótese fática do fato gerador das contribuições lançadas e a informação de que o sujeito passivo recebeu toda a documentação utilizada para caracterizar os valores lançados no lançamento fiscal. Posteriormente, isso foi confirmado pelo Relatório Fiscal de fls. 6150/164. Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o lançamento fiscal foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias dos segurados empregados e contribuintes individuais, fazendo constar nos relatórios que o compõem (fls. 01/1083) os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão acatadas. Fl. 1808DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10073.721345/201161 Acórdão n.º 2402004.900 S2C4T2 Fl. 5 7 DO MÉRITO: I) DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL: AIOP Debcad nº 37.318.9290 (patronal e SAT), AIOP Debcad nº 37.318.9303 (parcela segurados) e AIOP Debcad nº 37.318.9311 (Outras Entidades/Terceiros). Com relação aos recolhimentos realizados pela Recorrente, constatase que os documentos juntados aos autos comprovam, em parte, a efetividade dos pagamentos da contribuição previdenciária lançada pelo Fisco. Na espécie, diante da alegação de que o lançamento estaria equivocado, já que os valores apurados pelo Fisco teriam abarcados cifras já devidamente recolhidas ao Erário por meio de Guias de Recolhimento à Previdência Social (GPS), os autos foram baixados em diligência para manifestação do Fisco sobre a possível necessidade de retificação do lançamento, conforme Resolução nº 2402000.357 do CARF. Em Informação Fiscal, consubstanciada pelo Parecer Fiscal (diligência fiscal), consta que as alegações da Recorrente, em parte, são pertinentes, e o Fisco concluiu que os valores inicialmente apurados deverão ser retificados, nos seguintes termos: “[...] 6. Da análise pormenorizada dos valores encontrados, em confronto com os valores dos Autos de Infração em questão, podemos chegar às seguintes conclusões: 6.1 No Auto de Infração DEBCAD 37.318.9290, que corresponde à parcela patronal, no levantamento FP Folha de Pagamento Empregados, que abrange as competências 01 a 04/2007, nada há a ser alterado, uma vez que os recolhimentos em GPS nessas competências foram todas aproveitados no levantamento referente aos segurados e os créditos constituídos em DCG referemse às outras entidades e fundos ("terceiros"). Já no Levantamento FC/FC1 Folha de Pagamento Contribuintes Individuais, observase que, nas competências 05 a 12/2007 os recolhimentos em GPS não foram integralmente aproveitados, sendo que o valor referente ao Prolabore (item "Salário de Contribuição Prolabore" das Folhas de Pagamento) foram recolhidos; sendo assim, devem ser mantidos nesse levantamento os valores das competências 01 a 04/2007, (nessas competências não foram efetuados recolhimentos suficientes, conforme explicado acima), e os valores de 421,41 na competência 08/2007, 258,01 na competência 10/2007 e 86,42 na competência 11/2007, os quais se referem a contribuição incidente sobre o pagamento a autônomos, não declaradas em GFIP e recolhidas. O levantamento DAL Diferença de Acréscimos Legais, integrante do mesmo Auto de Infração, será tratado em item próprio abaixo. 6.2No Auto de Infração DEBCAD 37.318.9303, que se refere às contribuições relativas à parcela dos segurados, observase que os valores do item "11 Segurados" originaramse do item "INSS Retidos dos Funcionários" das Folhas de Pagamento, os quais já incluem os valores descontados referente ao pagamento Fl. 1809DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 do Prolabore. Sendo assim o item ÍFContrib Indiv (valor de 132,00 por mês) está em duplicidade, devendo ser excluído. 6.3 No Auto de Infração DEBCAD 37.318.9311, que se refere às contribuições destinadas aos terceiros (FNDE, INCRA, SENAT, SEST, SEBRAE), e que abrange as competências 01 a 04/2007 e 07/2007, nada há a ser alterado, uma vez que os recolhimentos em GPS nessas competências foram todas aproveitadas no levantamento referente aos segurados e os créditos constituídos em DCG foram devidamente abatidos, conforme demonstrado na coluna crédito do relatório "DD Demonstrativo do Débito", integrante do citado Auto de Infração. 6.4 Quanto à afirmação de que os valores recolhidos por meio dasDCG 36.101.1768, 36.225.8350 e 36.225.8341 não foram considerados para o abatimento dos valores lançados pela fiscalização, constatamos que: a) Os valores do DCG 36.101.1768 foram corretamente abatidos nas competências 01 a 04/2007, conforme descrito no item 6.3 acima; b) Os DCGs 36.225.8350 e 36.225.8341 abrangem competências não abrangidas pelos Autos de Infração aqui tratados, lembrando que na competência 12/2007 não está sendo constituído crédito. c) Para maior clareza, juntamos a esse Parecer extratos de valores originais por competência dos DCGs citado nos itens anteriores. (...) 8 Em resumo, nosso parecer é pelas seguintes alterações nos Autos de Infração aqui analisados: 8.1 No Auto de Infração DEBCAD 37.318.9290 Levantamento FC/FC1: nas competências 05 a 12/2007 deve ser excluído o valor de R$ 240,00 em cada competência, pelos motivos descritos no item 6.1 acima, mantendose nesse levantamento inalterados os valores lançados nas competências 01 a 04/2007 e permanecendo os valores de 421,41 na competência 08/2007, 258,01 na competência 10/2007 e 86,42 na competência 11/2007. 8.2 No Auto de Infração DEBCAD 37.318.9303, deve ser deve ser excluído o valor de R$ 132,00 em cada competência (Item IFContrib Indiv) pelos motivos descritos no item 6.2 acima. 8.3 Considerando as retificações propostas acima, concluímos que assiste razão ao contribuinte quanto ao seu cálculo referente à competência 06/2007. 8.4 Ressalvado o exposto nos itens anteriores, todos os demais créditos do contribuinte, seja oriundos de recolhimentos em GPS, seja constituídos por meio de DCG, foram corretamente considerados pela Fiscalização. Fl. 1810DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10073.721345/201161 Acórdão n.º 2402004.900 S2C4T2 Fl. 6 9 8.5 Os recolhimentos em atraso que deram origem aos lançamentos a título de acréscimos legais estão detalhadamente relacionados no Relatório "DAL Diferença de Acréscimos Legais", que é parte integrante do Auto de Infração, onde estão discriminadas todas as GPS recolhidas em atraso, com as competências, datas de recolhimento, valores recolhidos e cálculo individualizado das atualizações monetárias, juros e multas. Os fundamentos legais, os índices de correção, os juros e as multas estão detalhadamente explicitados no Relatório FLD Fundamentos Legais do Débito, que é parte integrante do Auto de Infração. [...]” (itens “6 e 8” do Parecer Fiscal, Diligência Fiscal) Em relação a este ponto, simplesmente acato a proposta de retificação feita pelo próprio Fisco, conforme subitens “8.1” e “8.2” do Parecer Fiscal, Diligência Fiscal. Diante disso, acatase a alegação da Recorrente de que é indevida, em parte, a contribuição previdenciária, já que ela apresentou documentos para se eximir dos valores lançados, fato este admitido, posteriormente, pelo próprio Fisco, consoante Parecer Fiscal. Assim, deverá ser excluída da contribuição previdenciária inicialmente apurada: (i) o valor de R$240,00 (duzentos e quarenta reais) nas competências 05/2007 a 12/2007, relativo ao AIOP DEBCAD 37.318.9290 e pertinente aos levantamentos FC e FC1; e (ii) o valor de R$132,00 (cento e trinta e dois reais) nas competências 01/2007 a 12/2007, relativo ao AIOP DEBCAD 37.318.9303 e pertinente ao item lFContrib Indiv (subitens “8.1” e “8.2” do Parecer Fiscal). No que tange à arguição de inconstitucionalidade, ou ilegalidade, de legislação previdenciária que dispõe sobre a utilização taxa de juros (taxa SELIC), frise se que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as normas reguladas na Lei 8.212/1991. Isso está em consonância com o Enunciado nº 2 de Súmula do CARF: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Esclarecemos que foi correta a aplicação do índice pelo Fisco, pois o art. 144 do CTN dispõe que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e regese pela lei então vigente, ainda que modificada ou revogada, e a cobrança de juros (taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC) estava prevista em lei específica da previdência social, art. 341 da Lei 8.212/1991. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. 1 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Fl. 1811DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996 (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. A propósito, convém mencionar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 4 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança de juros, estando os valores descritos no lançamento fiscal, em consonância com o prescrito pela legislação previdenciária, eis que o art. 34 da Lei 8.212/1991 dispunha que as contribuições sociais não recolhidas à época própria ficavam sujeitas aos juros SELIC e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Isso está em consonância com o próprio art. 161, § 1°, do CTN2, pois havendo legislação especifica dispondo de modo diverso, abrese a possibilidade de que seja aplicada outra taxa e, no caso das contribuições previdenciárias pagas com atraso, a taxa utilizada é a SELIC. O disposto no art. 161 do CTN não estabelece norma geral em matéria de legislação tributária. Portanto, sendo materialmente lei ordinária pode ser alterado por outra lei de igual status, não havendo necessidade de lei complementar. Ainda, conforme estabelecia os arts. 34 e 353 da Lei 8.212/1991, sem as alterações da Lei 11.941/2009, a multa de mora é bem aplicável pelo não recolhimento em 2 Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. 3 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Fl. 1812DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10073.721345/201161 Acórdão n.º 2402004.900 S2C4T2 Fl. 7 11 época própria das contribuições previdenciárias. Além disso, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato. Na espécie, o Fisco aplicou a norma mais benéfica, a teor do art. 106, II, alínea “c”, do CTN, na apuração da multa exigível sobre a contribuição não recolhida tempestivamente, mediante cotejo, competência a competência, entre a soma da multa moratória incidente sobre a contribuição devida com a multa por descumprimento da obrigação acessória (não declaração, em GFIP, da contribuição devida), calculadas de acordo com a legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, e a multa de ofício de 75% sobre a contribuição devida, prevista no art. 35A da Lei 8.212/91, acrescido pela Lei 11.941/2009. Além disso, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato. Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança da multa, estando os valores descritos no lançamento fiscal, bem como os seus fundamentos legais, em consonância com o prescrito pela legislação previdenciária. II) DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA: AIOA Debcad nº 37.318.9281 (CFL 68). Com relação ao procedimento utilizado pela auditoria fiscal, a Recorrente alega que não houve cumprimento da legislação vigente. Tal alegação não será acatada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência de a Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme os fatos e a legislação a seguir delineados. Verificase que a Recorrente não informou ao Fisco, por intermédio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais. Os valores da remuneração dos segurados foram devidamente delineados no Relatório Fiscal e nos AIOP’s Debcad nº 37.318.9290 (patronal e SAT) e Debcad nº 37.318.9303 (parcela dos segurados). a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). (...) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99) Fl. 1813DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 12 Com isso, a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, transcrito abaixo: Lei 8.212/1991 – Lei de Custeio da Previdência Social (LCPS): Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (...) § 5º. A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Esse art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991 é claro quanto à obrigação acessória da empresa e o Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, complementa, delineando a forma que deve ser observada para o cumprimento do dispositivo legal, como, por exemplo, o preenchimento e as informações prestadas são de inteira responsabilidade da empresa, conforme preceitua o seu art. 225, inciso IV e §§ 1o a 4o: Decreto 3.048/1999 – Regulamento da Previdência Social: Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. § 2º A entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social deverá ser efetuada na rede bancária, conforme estabelecido pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, até o dia sete do mês seguinte àquele a que se referirem as informações. (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/1999) Fl. 1814DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10073.721345/201161 Acórdão n.º 2402004.900 S2C4T2 Fl. 8 13 § 3º A Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social é exigida relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1999. § 4º O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social são de inteira responsabilidade da empresa. Nos termos do arcabouço jurídicoprevidenciário acima delineado, constata se, então, que a Recorrente – ao não incluir na GFIP todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais – incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, c/c o art. 225, inciso IV e §§ 1o a 4o, do Regulamento da Previdência Social (RPS). Cumpre esclarecer que a Medida Provisória (MP) 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, revogou o artigo 32, parágrafo 5º da Lei 8.212/91, alterou o artigo 35 e incluiu os artigos 32A e 35A nessa mesma lei, e, com isso, houve modificação nas regras para aplicação de multa decorrente do descumprimento de obrigações acessórias relativas à GFIP, que é o caso dos autos. Em decorrência das modificações promovidas pela MP 449 nos artigos 32 e 35 da Lei 8.212/91, convertida na Lei 11.941/2009, o Fisco apresentou comparativo das penalidades previstas à época dos fatos e à época da autuação, e aplicou a multa benéfica ao contribuinte, conforme previsão do inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional. Diante desse quadro, somente houve a aplicação da multa oriunda da obrigação acessória, AIOA Debcad nº 37.318.9281 (CFL 68), para as competências 01/2007 a 04/2007 e 12/2007, e de forma simultânea a aplicação da multa de mora pelo não cumprimento da obrigação principal no tempo oportuno, com fundamento no artigo 35 da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, além do recolhimento do valor referente à própria obrigação principal. Para as demais competências (05/2007 a 11/2007), aplicouse a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei 9.430/1996, na redação dada pela Lei 11.488/2007, além do lançamento do valor relativo às contribuições devidas. Assim, afastamse tanto a alegação da Recorrente de que deveria ser aplicada a multa prevista no art. 32A da Lei 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, para a obrigação acessória, como a alegação de que não se deveria aplicar a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei 9.430/1996, na redação dada pela Lei 11.488/2007, já que a situação apresentada pelo Fisco, no quadro comparativo entre o total da multa anterior e o total multa atual (item 68 do Acórdão 1246.819 da 14a Turma da DRJ/RJ1, fls. 1685/1703), representa um contexto fático mais benéfico ao contribuinte, conforme preconiza o princípio da retroatividade benéfica tributária, previsto no inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional. Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente embasado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não se verificou a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. Fl. 1815DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 14 CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DAR PARCIAL PROVIMENTO, para excluir dos valores inicialmente apurados: 1. o valor de R$240,00 (duzentos e quarenta reais) nas competências 05/2007 a 12/2007, relativo ao AIOP DEBCAD 37.318.9290 e pertinente aos levantamentos FC e FC1; e 2. o valor de R$132,00 (cento e trinta e dois reais) nas competências 01/2007 a 12/2007, relativo ao AIOP DEBCAD 37.318.9303 e pertinente ao item lFContrib Indiv, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 1816DF CARF MF Impresso em 18/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 10315.900426/2011-36
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Sep 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PREMISSA FÁTICA EQUIVOCADA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA.
Nula a decisão que adota como premissa fática produto final diferente daquele objeto do direito creditório pleiteado.
Ao considerar que o contribuinte é produtor de livros, ao invés de água mineral, a decisão recorrida contém vício material insanável, devendo haver novo julgamento que considere os fatos efetivamente ocorridos, sob pena de se configurar cerceamento de defesa.
Decisão de primeira instância anulada.
Numero da decisão: 3802-004.082
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, para que nova seja proferida saneando o vício cometido.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mercia Helena Trajano Damorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco José Barros Rios e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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PREMISSA FÁTICA EQUIVOCADA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. Nula a decisão que adota como premissa fática produto final diferente daquele objeto do direito creditório pleiteado. Ao considerar que o contribuinte é produtor de livros, ao invés de água mineral, a decisão recorrida contém vício material insanável, devendo haver novo julgamento que considere os fatos efetivamente ocorridos, sob pena de se configurar cerceamento de defesa. Decisão de primeira instância anulada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em anular a decisão de primeira instância, para que nova seja proferida saneando o vício cometido. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 90 04 26 /2 01 1- 36 Fl. 343DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Mercia Helena Trajano Damorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco José Barros Rios e Solon Sehn. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 342), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. O contribuinte SÃO GERALDO ÁGUAS MINERAIS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 1442.417, proferido em primeira instância pela 2ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto/SP, que não acolheu sua Manifestação de Inconformidade, na qual afirma ter direito a ressarcimento de IPI nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999. Por bem explicitar as questões de fato pertinentes ao caso, adotase o quanto consta da Informação Fiscal apresentada pela SARAC de Fortaleza/CE (fls. 4/16): (...) 2 – DO OBJETO SOCIAL No ato constitutivo original da São Geraldo Águas Minerais Ltda, datado de 13/01/1995, consta como objetivo social a extração, beneficiamento e comercialização de bens minerais. Através do 6.° Aditivo contratual datado de 01/06/2009, o objeto social foi alterado para: Extração, Engarrafamento e Gaseificação de Águas Minerais. 3 – DOS PRODUTOS FABRICADOS No item 2 da Descrição do Processo Produtivo apresentado a fiscalização, a São Geraldo Águas Minerais Ltda indica a fabricação dos seguintes produtos:ProdutoRegistro MS Código de Barra Garrafão 20L6.0980.000200137898193940202 Garrafão 10L6.0980.000200137898193940103 Garrafas 500 ML6.0980.000200137898193940226 Garrafas 1.500 ML 6.0980.000200137898193940219 No subitem 2.1, a fiscalizada enquadra os produtos por ela fabricados no Código NCM 2201.10.00 EX 01 e EX 02, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI. Os rótulos dos produtos fabricados pela São Geraldo Águas Minerais Ltda, as cópias das Notas Fiscais de Vendas mais relevantes dos meses de outubro, novembro e dezembro do ano de 2006, bem como as informações colhidas nos livros fiscais e nos arquivos digitais de notas fiscais (Convênio 57/95 – SINTEGRA) apresentados mediante autenticação através do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais, referentes aos anos de 2007, 2008, 2009, demonstram que a citada empresa atua na fabricação e comercialização de ÁGUA Fl. 344DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10315.900426/201136 Acórdão n.º 3802004.082 S3TE02 Fl. 344 3 MINERAL NATURAL (SEM GÁS), conforme definido no item 2.1 do Anexo do Regulamento Técnico para Águas Envasadas e Gelo, aprovado pela Resolução RDC N.° 274, de 22 de setembro de 2005, da ANVISA. (...)Temos, portanto, que a São Geraldo Águas Minerais Ltda não pode se creditar do IPI referente a aquisição de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem empregados na industrialização de ÁGUA MINERAL NATURAL (SEM GÁS), tendo em vista que tal produto além de ser classificado como nãotributável (NT) impede o enquadramento da fiscalizada como “estabelecimento industrial” para estas operações, ficando impossibilitada de utilizar eventual saldo credor do IPI nas formas previstas no Art.73 e Art.74 da Lei N.° 9.430/96. (...) (grifo nosso). Referida Informação Fiscal embasou o Despacho Decisório, nos termos abaixo (fls. 247/248): "(...) 1. Em ação fiscal realizada em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal n.° 03.1.02.002011003620, deuse reclassificação e glosa de diversos créditos apresentados para ressarcimento, tendo como fundamento a utilização de matéria prima. Produto intermediário e material de embalagem, que geraram os supostos créditos de IPI, na fabricação de produtos não tributáveis. 2. Como os produtos classificados como nãotributáveis (NT) não podem gerar créditos do IPI, por força do Art.164, inciso I e Art.190, § 1.° do Decreto n.° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 e do Art.226, inciso I e Art.251, § 1.° do Decreto n.° 7.212, de 15 de junho de 2010, a fabricação de ÁGUA MINERAL NATURAL (SEM GÁS) impede a utilização de eventual saldo credor do IPI nas formas previstas no Art.73 e Art.74 da Lei N.° 9.430/96, conforme Art.2.°, inciso I do Ato Dec laratório Interpretativo SRF N.° 5, de 17 de abril de 2006. 3. Verificouse também que os insumos adquiridos e os produtos fabricados são os mesmos durante os anos de 2006, 2007, 2008 e 2009, conforme Livro de Registro de Inventário, cópias das Notas Fiscais e planilhas, ANEXO I E ANEXO II, confeccionadas com base nos Arquivos Digitais de Notas Fiscais(Convênio 57/95 – SINTEGRA). 4. Assim, lavrouse representação propondo o não reconhecimento da legitimidade dos créditos básicos de IPI e a nãohomologação das compensações realizadas com respaldo nestes créditos. 5. Em face do exposto, proponho seja indeferido o pedido de ressarcimento 21197.86221.141209.1.1.016664 e considerada nãohomologada a compensação declarada no documento 34103.02755.151209.1.3.017353. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 Indeferida a Manifestação de Inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a procedência do crédito tributário na forma da ementa que segue: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em mercadorias nãotributadas (N/T) pelo imposto. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 2ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto – DRJ/RPO, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual requer (i) o processamento do recurso sem efetivação de depósito recursal ou arrolamento de bens; (ii) da adequada interpretação ao art. 11, da Lei nº 9.779/99, diante do princípio da não cumulatividade do IPI; (iii) da contrariedade da dita norma regulamentar aos princípios da isonomia e da seletividade; ilegalidade e inconstitucionalidade do art. 254 do RIPI/2.010, da IN SRF 33/99 e do ADI 05/2006; e, por fim, (iv) o consequente reconhecimento do direito creditório pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 342), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa mesma situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso Voluntário e passo à análise de apenas parte das razões recursais. De início friso que o relatório da DRJ contém erro quanto às premissas fáticas, pois aduz serem os produtos finais do Recorrente tratarse de livros. Segue transcrito abaixo o sucinto relatório: "(...) O interessado em epígrafe pediu o ressarcimento do saldo credor do IPI, apurado no período em destaque, para ser utilizado na compensação dos débitos que declarou. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10315.900426/201136 Acórdão n.º 3802004.082 S3TE02 Fl. 345 5 A autoridade competente indeferiu o pedido em razão dos produtos, que a empresa produz e comercializa, serem livros classificados como NT (não tributado) na TIPI. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, encaminhada pelo órgão de origem como tempestiva, na qual alegou, em suma, que tem direito ao ressarcimento por força do princípio da nãocumulatividade previsto no artigo 153,§3º, II, da Constituição Federal e que o direito pleiteado encontra amparo na Lei nº 9.779, de 1999, art. 11, conforme doutrina e julgados que cita. (grifei) O Recurso Voluntário não suscita esse vício, e a rigor a questão de mérito poderia ser facilmente resolvível ante a Súmula CARF nº 20. Veja se: Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Contudo, como se trata de questão de fato, a premissa inicial da DRJ pode ser considerada como tendente a promover cerceamento de defesa – causa de nulidade, nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. Esse vício pode levar, portanto, a uma anulação de todo o processo administrativo, desde o julgamento pela DRJ, estendendose todos os demais atos posteriores. E tal pode ser suscitado inclusive judicialmente, nada obstante a conclusão me parecer ser a mesma – pois tanto o livro quanto a água mineral são considerados produtos NT pela legislação. Conclusão Dessa forma, para assegurar a higidez processual e, em última análise, o próprio crédito tributário em si, conheço do Recurso Voluntário e, de ofício, voto pela anulação da decisão recorrida, a fim de que profira novo julgamento considerando o efetivo produto final do Recorrente – água mineral natural (sem gás). Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 Fl. 348DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 11/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 11/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 10283.004940/2007-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1301-000.308
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Houve sustentação oral proferida pelo Dr. Harone Prates Villas Bôas, OAB/SP nº 315.301.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente
(assinado digitalmente)
Hélio Eduardo de Paiva Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista (suplente convocado) e Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Houve sustentação oral proferida pelo Dr. Harone Prates Villas Bôas, OAB/SP nº 315.301. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente (assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista (suplente convocado) e Wilson Fernandes Guimarães. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 83 .0 04 94 0/ 20 07 -8 7 Fl. 1119DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10283.004940/200787 Resolução nº 1301000.308 S1C3T1 Fl. 1.120 2 Relatório LG ELETRONICS DO BRASIL LTDA (Sucessora por incorporação de LG ELETRONICS DA AMAZÔNIA LTDA), já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 0126.104, de 04/04/2013, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém (PA), recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito. Versa o presente processo sobre PER/DCOMP`s em que o contribuinte indica crédito de saldo negativo CSLL anocalendário 2006 no valor de R$ 6.174.699,13 para compensar débitos próprios. As declarações de compensação (fls.4/30) são as seguintes: Os débitos compensados são: Fl. 1120DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10283.004940/200787 Resolução nº 1301000.308 S1C3T1 Fl. 1.121 3 Por intermédio do Parecer SEORT/DRF/MNS nº 342 e respectivo Despacho Decisório de 27/06/2011 (fls.214/222), o direito creditório não foi reconhecido e as compensações, por conseguinte, restaram não homologadas. Como fundamento para o não reconhecimento do direito creditório, a unidade de origem afirma que “NÃO HOUVE A CORRETA APURAÇÃO DA CSLL para o ano calendário de 2006”. Ainda segundo a unidade de origem foram observadas as seguintes divergências de valores: 1) Diferença a menor na receita lançada na DIPJ/2007 de R$ 16.299.115,33; 2) Diferença a maior no custo lançado na DIPJ/2007 de R$ 114.254.620,81. As duas divergências acima citadas resultaram numa redução do lucro líquido antes da CSLL de R$ 130.553.736,14. Por sua vez, a recomposição do ajuste anual resultou em “CSLL a Pagar” de R$ 5.575.137,12 como mostra a Tabela abaixo constante do Parecer/Despacho Decisório: Fl. 1121DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10283.004940/200787 Resolução nº 1301000.308 S1C3T1 Fl. 1.122 4 Tendo tomado ciência do Parecer/Despacho Decisório em 30/06/2011 (fl.223), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 29/07/2011 (fls.228/248) via procuradores (fls.250/273), alegando em síntese que: 1) Conforme consta no Parecer nº 342/2011, a fiscalização supostamente teria apurado que a recorrente informara na DIPJ um valor correspondente ao custo de suas mercadorias em valor superior ao informado no curso da fiscalização, bem como receita bruta na DIPJ 2007 inferior ao efetivamente apurado com base no informado no curso da fiscalização, resultando na apuração de CSLL a menor; 2) Além da fiscalização não ter sido realizada como preconizado na legislação de regência, os valores apontados pela fiscalização como divergências resultam tão somente da adequação dos valores registrados na contabilidade da recorrente à forma de preenchimento da DIPJ 2007; 3) Tratase, portanto, de simples alocação de valores em fichas diferentes da DIPJ, sendo certo que o resultado final apontado no curso da fiscalização é exatamente igual ao declarado e oferecido à tributação, não tendo havido a redução do lucro tributável indicada no Parecer; 4) A reconstituição da base de cálculo da CSLL somente pode ser realizada em sede de fiscalização após um rigoroso exame da contabilidade do contribuinte, seja in loco ou por meio do fornecimento dos documentos contábeis da sociedade, para análise na própria repartição pública; 5) Não se pode admitir que em sede de processo de restituição/compensação se reconstitua a base de cálculo da CSLL de forma superficial. Há entendimento pacífico do Conselho de Contribuintes nesse sentido; (transcreve jurisprudência) 6) Tais processos não comportam a revisão de lançamentos, mas sim a legitimidade dos créditos do contribuinte; Fl. 1122DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10283.004940/200787 Resolução nº 1301000.308 S1C3T1 Fl. 1.123 5 7) O processo de fiscalização é legítimo, minucioso, exaustivo e lídimo, visando identificar a realidade tributária e chancelar ou cobrar os impostos devidos; (transcreve opinião da doutrina a respeito) 8) O simples pedido de compensação não oferece a possibilidade de verificação da realidade contábil da empresa, sendo a reconstituição da DIPJ uma violação aos mais básicos princípios de direito fundamental, dentre eles, o princípio da verdade material; 9) Após a suposição de divergências, a fiscalização não se preocupou em analisar a verdade material dos fatos e não intimou a recorrente a se manifestar sobre esses valores; 10) Caso tivesse havido a intimação, as supostas divergências encontradas teriam sido esclarecidas; 11) Inexistem as divergências apontadas; 12) Todo o lucro tributável do período foi devidamente oferecido à tributação da CSLL; 13) Os documentos que foram apresentados aos cuidados da fiscalização em 22/11/2010 (balancetes) detêm uma dinâmica e sistemática de apresentação diferente do que se tem na DIPJ anocalendário 2006; 14) Os documentos contábeis/societários refletem o resultado do período em tela; 15) Cada contribuinte pode adotar sistemática diversa para a elaboração de seus documentos contábeis, de acordo com suas necessidades, observando os parâmetros e diretrizes previstos na legislação aplicável; 16) Os lucros contábil e tributável diferem em sua sistemática de apresentação. Na DIPJ temos a disposição de informações com base no MAJUR; 17) No que tange à questão dos custos dos bens e serviços, que a Fiscalização entendeu como majorado na DIPJ/2007, o que ocorreu foi que a apresentação das informações com critérios diferentes no balancete e na DIPJ, mas não em efetiva diferença do resultado final oferecido à tributação; 18) O resultado do período em questão, qual seja, R$ 34.246.205,56 na DIPJ/2007, é exatamente igual no cômputo das contas de resultado do balancete de 31/12/2006 da recorrente (contas 41010101 a 77010101 Doc. 06). Esse valor corresponde também àquele informado na Parte A do LALUR (Doc.07); 19) A diferença de valores supostamente identificada pela Fiscalização, portanto, não resultou em diferença do oferecido à tributação; 20) Sendo assim, não houve, em momento algum, majoração de custos e tampouco supressão da receita bruta no anocalendário 2006; 21) Subsiste a apuração correta da CSLL no AC 2006, especialmente no tocante ao valor da receita bruta e custos de bens e serviços; 22) A fiscalização concluiu que teria sido apurada uma suposta redução do lucro oferecido à tributação no valor de R$ 114.254.620,81 em razão da suposta majoração dos custos dos produtos e serviços; 23) Ocorre que neste procedimento não foram levados em consideração as demais fichas da DIPJ que contém informações sobre os custos; Fl. 1123DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10283.004940/200787 Resolução nº 1301000.308 S1C3T1 Fl. 1.124 6 24) Além da Ficha 04A, única considerada pela Fiscalização, também devem ser contemplados os valores indicados na Ficha 06A; 25) Caso tivessem sido analisadas as Fichas 05A e 06A, teria sido observado que a diferença se reflete em 12 (doze) lançamentos que integram diferentes campos da Ficha 06A; (contribuinte apresenta planilha) 26) A recorrente acosta à manifestação de inconformidade os lançamentos contábeis individualizados que compõem as Fichas 04A, 05A e 06A da DIPJ/2007, nos quais é possível identificar de maneira individualizada cada um dos lançamentos apontados e que compõem a diferença apontada pela Fiscalização; 27) A suposta diferença a menor (R$ 16.299.115,33) na receita lançada na DIPJ somente ocorreu porque a Fiscalização considerou somente os valores dos lançamentos contábeis de crédito, sem considerar os respectivos valores de débito; 28) Os valores que deveriam ter sido utilizados correspondem aos constantes no campo “saldo” do balancete; 29) Requer seja declarada a nulidade do Despacho Decisório por não ter sido observado o procedimento correto para a revisão de lançamentos; 30) Requer o reconhecimento do direito creditório e homologação das compensações; 31) Protesta pela juntada posterior de quaisquer documentos que se façam necessários e pela produção de todas as provas em direito admitidas. Constam ainda dos autos os seguintes documentos que merecem destaque: DCTF mensal (fls.31/37), termo de diligência/solicitação de documentos (fls.45/46), documentos apresentados pelo contribuinte (fls.48/55), termo de ciência e de continuação de procedimento fiscal (fls.56 e 58), documentos apresentados pelo contribuinte (fls.59/61), termo de diligência fiscal (fl.62), resposta (fls.63/70), termo de diligência/solicitação de documentos (fl.71), resposta (fl.73), termo de intimação fiscal (fl.74), balancete e razão (fls.75/76), termo de intimação (fls.77/78), documentos (fls.79/97), termo de intimação (fl.98), documentos apresentados (fls.99/108), DIPJ/2007 (fls.189/198), balancete 2006 (fls.199/204), termo de Fl. 629 Processo 10283.004940/200787 Acórdão n.º 0126.104 DRJ/BEL Fls. 630 7 encerramento de diligência (fl.206), Relatório de Ação Fiscal (fls.207/211), documentos apresentados com a manifestação de inconformidade (fls.249/575), Informação Fiscal (fl.611), despacho (fl.613) e cópia Acórdão nº 26.060 da DRJ/BEL (fls.614/623). A 1ª Turma da DRJ/BEL analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 0126.104, de 04/04/2013 (fls. 624/635), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 SALDO NEGATIVO. RECOMPOSIÇÃO DIPJ. TRIBUTO DEVIDO SUPERIOR ÀS ANTECIPAÇÕES. CRÉDITO INEXISTENTE. Fl. 1124DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10283.004940/200787 Resolução nº 1301000.308 S1C3T1 Fl. 1.125 7 Tendo sido comprovado o excesso de custo dos produtos vendidos, a adição deste à base de cálculo do imposto resultou na inexistência do crédito pleiteado. SALDO NEGATIVO CSLL. ANÁLISE DE DADOS DECLARADOS PARA FINS DE RECONHECIMENTO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE. A legislação tributária autoriza ao Fisco a análise de dados declarados na DIPJ para fins de reconhecimento de direito creditório de saldo negativo. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Sendo o crédito inexistente, a compensação resulta não homologada. No recurso interposto (fls. 640/1028), a recorrente reitera, mais ou menos com as mesmas palavras, os argumentos trazidos em sede de impugnação. É o Relatório. Fl. 1125DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10283.004940/200787 Resolução nº 1301000.308 S1C3T1 Fl. 1.126 8 Voto Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo O recurso é tempestivo e dele conheço. Do exame dos autos, considero que o processo não reúne condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. Versa o presente processo sobre PER/DCOMP`s em que o contribuinte indica crédito de saldo negativo CSLL anocalendário 2006 no valor de R$ 6.174.699,13 para compensar débitos próprios. No entender da fiscalização, a compensação seria indevida por inexistentes os saldos negativos utilizados pelo contribuinte. Por intermédio do Parecer SEORT/DRF/MNS nº 342 e respectivo Despacho Decisório de 27/06/2011 (fls. 214/222), o direito creditório não foi reconhecido e as compensações, por conseguinte, restaram não homologadas. Como fundamento para o não reconhecimento do direito creditório, a unidade de origem afirma que “não houve a correta apuração da CSLL para o anocalendário de 2006”. Ainda segundo a unidade de origem foram observadas as seguintes divergências de valores: 1) Diferença a menor na receita lançada na DIPJ/2007 de R$ 16.299.115,33; 2) Diferença a maior no custo lançado na DIPJ/2007 de R$ 114.254.620,81. As duas divergências acima citadas resultaram numa redução do lucro líquido antes da CSLL de R$ 130.553.736,14. Por sua vez, a recomposição do ajuste anual resultou em “CSLL a Pagar” de R$ 5.575.137,12. Além da insuficiência de saldo negativo acima apontada, há autuação de IRPJ e de CSLL por ajustes pelo método PRL60, segundo formulação da IN SRF 243/02, para este mesmo anocalendário de 2006. É o processo administrativo nº 16561.720068/201154. O referido processo foi julgado no CARF pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta Seção, com negativa de provimento ao recurso voluntário, através do Acórdão nº 1302 001.162, da sessão de 10 de setembro de 2013. Foi interposto recurso especial pela contribuinte, cuja admissibilidade foi aceita. Portanto, será julgado pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) do CARF. Constato também a existência de outro Processo de nº 16048.720011/201245 relativo à declarações de compensação apresentadas pela recorrente, no montante de R$ 8.609.714,26, referente à compensação do crédito de saldo negativo de CSLL também do ano base de 2006. Portanto, fica evidenciado que a diferença entre o controle do Fisco e o controle do contribuinte sobre o alegado saldo negativo de CSLL restou consubstanciado em outros procedimentos, todos vinculados a este processo, quais sejam os autos dos processos administrativos nº 16561.720068/201154 (preço de transferência) e 16048.720011/201245. Fl. 1126DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10283.004940/200787 Resolução nº 1301000.308 S1C3T1 Fl. 1.127 9 Principalmente no que tange ao processo nº 16561.720068/201154, este cuida, conforme dito alhures, de autuação de IRPJ e de CSLL por ajustes pelo método PRL60, segundo formulação da IN SRF 243/02, no anocalendário de 2006. Neste processo, a Autoridade Administrativa competente procedeu à revisão das bases de cálculo de cada um dos tributos, revertendo o resultado, que passou de base de cálculo negativa de CSLL para CSLL a pagar (e, respectivamente, de prejuízo fiscal para IRPJ a pagar). Por relevante, informo, desde já, que no processo nº 16561.720068/201154, como se viu, já houve acórdão da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta Seção, em que se negou provimento ao recurso voluntário. Nesta instância, o processo em questão já teve seu desfecho desfavorável à contribuinte. O recurso especial foi admitido para julgamento. Pende ainda seu exame pela 1ª Turma da CSRF deste CARF. O valor de principal de CSLL exigido nos autos do referido processo administrativo é de R$ 71.203.849,35 – montante muito superior ao saldo negativo de CSLL propugnado. Quanto ao processo nº 16048.720011/201245, em sessão de 26/11/2014, o mesmo foi baixado em diligência através da Resolução de nº 1103000.163 para que aqueles autos sejam remetidos ao órgão de origem, para que lá aguardem o transito em julgado do processo administrativo nº 16561.720068/201154. Como se observa, pelo menos no que toca ao anocalendário 2006, a origem das diferenças objeto de discussão no presente processo reside em outros processos. Por certo que, no mérito, a decisão que se há de proferir aqui depende fundamentalmente do que vier a ser decidido lá. Se, por hipótese, vier a ser decidido no outro processo pela improcedência dos ajustes feitos pelo Fisco e pela correção do quanto apurado pelo sujeito passivo, isso implicará diretamente o restabelecimento dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas de CSLL do anocalendário 2006, com efeitos sobre as não homologações de compensações no ano calendário 2007, aqui discutidas. Caso, na hipótese contrária, lá vier a ser decidida a correção dos ajustes do Fisco, a decisão aqui deverá ser pela procedência das não homologações. Com essas considerações, tenho por claro que não se há de examinar, neste processo, questões discutidas nos outros processos, especificamente acerca da correção ou não dos ajustes feitos pelo Fisco na apuração do resultado do anocalendário 2006. A correção ou não de tais ajustes é objeto dos processos nº 16561.720068/201154 (IRPJ e CSLL) e 16048.720011/201245. Lá é que foi feita a redução do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL no anocalendário 2006 e, por isso mesmo, lá é o foro adequado para essa discussão. A situação sob exame, à luz do Regimento Interno do CARF em vigor, pode ser caracterizada como “decorrência”, tal como prevê o art. 6º do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, verbis: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; Fl. 1127DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10283.004940/200787 Resolução nº 1301000.308 S1C3T1 Fl. 1.128 10 II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º, se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. [...] Diante do exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que: 1. Os autos sejam encaminhados à Unidade Preparadora, para que lá aguardem a decisão definitiva na instância administrativa do processo nº 16561.720068/201154. 2. A Unidade Preparadora faça acostar aos presentes autos cópia da decisão definitiva na instância administrativa do processo nº 16561.720068/201154. 3. A Unidade Preparadora faça acostar aos autos extrato do sistema SAPLI, atualizado após o cumprimento das decisões definitivas na instância administrativa dos processos nº 16651.720068/201154. Fl. 1128DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES Processo nº 10283.004940/200787 Resolução nº 1301000.308 S1C3T1 Fl. 1.129 11 4. A Unidade Preparadora junte a estes autos o processo de nº 16048.720011/201245 para que ambos sejam apreciados em conjunto. Concluída a diligência, deve ser dada ciência à recorrente do relatório conclusivo, concedendolhe prazo adequado para se manifestar nos autos, caso assim deseje. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguimento do feito. Sala de Sessões, 21 de janeiro de 2016 (assinado digitalmente) Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Relator Fl. 1129DF CARF MF Impresso em 29/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 2 7/01/2016 por HELIO EDUARDO DE PAIVA ARAUJO, Assinado digitalmente em 28/01/2016 por WILSON FERNANDE S GUIMARAES
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Numero do processo: 10783.724324/2011-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3402-000.737
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a fiscalização: a) Requisite Laudo Técnico, para detalhamento, por profissional habilitado, da atividade exercida pela recorrente, em especial, se algumas de suas filiais exerce efetivamente a atividade de "cerealista", tal como definida no art. 8º, §1° da Lei nº 10.925/04, antes de comercializar os seus produtos in natura de origem vegetal; b) Considerando vigente no período de apuração a suspensão prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004, analise conclusivamente se a contribuinte faz jus ou não ao benefício de suspensão pleiteado e, sendo o caso, efetue o ajuste do saldo do valor a ressarcir ou compensar; e c) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendo-lhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Sustentou pela recorrente a Dra. Ana Carolina Saba Uttimati, OAB/SP nº 207.382.
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente
(assinado digitalmente)
MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que a fiscalização: a) Requisite Laudo Técnico, para detalhamento, por profissional habilitado, da atividade exercida pela recorrente, em especial, se algumas de suas filiais exerce efetivamente a atividade de "cerealista", tal como definida no art. 8º, §1° da Lei nº 10.925/04, antes de comercializar os seus produtos in natura de origem vegetal; b) Considerando vigente no período de apuração a suspensão prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004, analise conclusivamente se a contribuinte faz jus ou não ao benefício de suspensão pleiteado e, sendo o caso, efetue o ajuste do saldo do valor a ressarcir ou compensar; e c) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Sustentou pela recorrente a Dra. Ana Carolina Saba Uttimati, OAB/SP nº 207.382. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .7 24 32 4/ 20 11 -9 1 Fl. 796DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10783.724324/201191 Resolução nº 3402000.737 S3C4T2 Fl. 797 2 Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Juiz de Fora que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada em face do despacho decisório. Trata o processo de Pedido de Ressarcimento – PER nº 28109.26962.300107.1.1.082562, de crédito da Contribuição ao PIS/Pasep Não Cumulativo Exportação, nos termos do §1º do art. 5º da Lei nº 10.637/2002, relativo ao 1º trimestre de 2006, no montante de R$ 687.045,63. O saldo a ressarcir foi objeto da Declaração de Compensação nº 26236.74068.310107.1.3.089721. A DRF/Vitória reconheceu em parte o direito creditório e homologou parcialmente as compensações. Foi homologado o montante de R$ 55.917,33 (cinqüenta e cinco mil, novecentos e dezessete reais e trinta e três centavos); e não homologado o valor de R$ 631.128,30 (seiscentos e trinta e um mil, cento e vinte e oito reais e trinta centavos). Por retratar os fatos que sucederam no processo até a apresentação da manifestação de inconformidade, adotase aqui o relatório da decisão recorrida, que abaixo se transcreve: (...) Da análise do pleito em questão resultou o Parecer Sefis nº 175/2011, do qual se destaca o seguinte: ...Informa o contribuinte que no 1° trimestre de 2006, no que se refere ao Pis/Pasep – incidência nãocumulativa, gerou créditos relativos a importações ou aquisições no mercado interno vinculados a receitas de exportação, ou vendas a empresa comercial exportadora com fim específico de exportação, em montante superior às deduções decorrentes de operações tributadas no mercado interno, nos termos do art. 5°, §1°, da Lei n° 10.637, de 2002, como demonstrado na tabela abaixo: ...o objetivo da diligência fiscal foi verificar os procedimentos adotados pelo contribuinte no sentido de apuração dos débitos e créditos, manifestandose sobre procedência ou não dos saldos objeto de pedido de ressarcimento e respectiva compensação. Para a análise foram considerados os valores informados nos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais – Dacon, as planilhas com o detalhamento dos valores totalizados no Dacon, e os respectivos registros contábeis. Cumpre acrescentar que, apesar de o pedido de ressarcimento objeto deste procedimento referirse ao 1° trimestre de 2006, há referência a saldos a ressarcir apenas em relação aos meses 02/2006 e 03/2006, como demonstrado na Tabela I. Fl. 797DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10783.724324/201191 Resolução nº 3402000.737 S3C4T2 Fl. 798 3 ... DOS DÉBITOS Venda de Mercadoria com Suspensão (Soja e milho) O contribuinte, no 1° trimestre de 2006, comercializou produtos in natura de origem vegetal (soja e milho), destinados a fabricação de produtos destinados a alimentação humana ou animal, com suspensão do Pis/Pasep, nos termos do art. 9° da Lei n° 10.925, de 2004. Entretanto, de acordo com art. 9°, §2°, da Lei n° 10.925, de 2004, na redação da Lei n° 11.051, de 2004, a suspensão seria aplicada nos termos e condições estabelecidos pela então Secretaria da Receita Federal; o que ocorreu com a edição da Instrução Normativa SRF n° 636, de 24/03/2006, publicada no DOU em 04/04/2006, posteriormente IN SRF n° 660, de 17/07/2006. Ou seja, tratava o dispositivo legal de uma norma de eficácia limitada, produzindo efeitos apenas a partir da edição da norma regulamentadora, cuja publicação ocorreu em 04/04/2006. Desse modo, as vendas relativas a soja e milho, efetuadas no 1° trimestre de 2006, classificadas pelo contribuinte como vendas com suspensão, foram incorporadas à basedecálculo do Pis/Pasep para apuração da contribuição devida, como detalhado abaixo: Os dados estão apresentados detalhadamente no anexo I. DOS CRÉDITOS Bens utilizados Insumos ... especificamente em relação aos bens utilizados como insumos, constante da linha 2, da ficha 6A do Dacon, referente a apuração dos créditos do Pis/Pasep, objeto deste tópico, foram desconsiderados os itens classificados pelo contribuinte como insumos que não tiveram ação direta sobre o produto fabricado (os insumos indiretos) e os bens contabilmente registrados no ativo imobilizado, como detalhados no anexo II. Foram excluídos os itens contidos nas contas relativas a material de limpeza, vestuários (incluindo uniformes e equipamentos de segurança dos trabalhadores, uniformes), alimentação (incluindo refeições de trabalhadores, mesmo quando abrangido pelo Programa de Alimentação do Trabalhador, almoços de negócios, bebidas, despesas de copa e cozinha), treinamentos, entretenimentos, despesas médicas, viagens (incluindo hospedagem, combustíveis, feiras e eventos). Para essas despesas, apesar de sua importância na rotina da empresa, não há previsão legal para apropriação de créditos na sistemática da não cumulatividade do Pis/Pasep. Foram também excluídos os itens Fl. 798DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10783.724324/201191 Resolução nº 3402000.737 S3C4T2 Fl. 799 4 relativos a materiais de laboratório, de escritório, suprimentos de informática, telefonia, também importantes como suporte às atividades operacionais da empresa, mas apenas indiretamente relacionadas à planta produtiva, não havendo previsão legal para apropriação de créditos na sistemática da nãocumulatividade do Pis/Pasep. No que tange especificamente à conta 133020.502, relativa ao suprimento lenha, as exclusões referemse a aquisições de pessoas físicas e a despesas relativas ao corte da madeira. Com relação às aquisições de lenha de pessoas físicas, como se sabe, um dos pressupostos para a obtenção de créditos na sistemática da não cumulatividade do Pis/Pasep é a aquisição de pessoas jurídicas domiciliadas no País, com as exceções previstas na lei (o que não foi o caso do item sob análise), de acordo com o art. 3°, §3°, I, da Lei n° 10.637, de 2002. Quanto às despesas referentes a corte de madeira, tratase de serviços prestados na floresta, sem relação direta com o produto em elaboração na indústria... As contas 133160.501 e 616018.501 contemplam uma ampla variedade de itens, enquadradas pelo contribuinte a título de manutenção e conservação: materiais de limpeza, conservação, segurança, escritório, e pequenos reparos, para os quais não se verificou a vinculação direta com o produto em elaboração. Desse modo, foram também excluídos da basedecálculo da apuração dos créditos. Quanto aos itens contabilizados no ativo imobilizado, grupo 180000, há expressa vedação, no que se refere a bens utilizados como insumos, à sua apropriação para fins de apuração de créditos, nos termos do art. 8°, §4°, I, “a”, da IN SRF n° 404, de 2004. Serviços utilizados como Insumos ...especificamente em relação aos serviços utilizados como insumos, constante da linha 3, da ficha 6A do Dacon, referente a apuração dos créditos do Pis/Pasep, objeto deste tópico, foram desconsiderados os itens classificados pelo contribuinte como insumos que, no caso da indústria, não foram aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, ou no caso da unidade prestadora de serviços, não tenham sido aplicados ou consumidos na prestação do serviço, tais como: fretes (fiscal/diversos e transferência entre unidades da ADM); e serviços diversos como limpeza, jardinagem, mãodeobra sem especificação, manutenção de florestas, corte de madeira, combate a insetos, serviços de inspeção e supervisão, manutenção de ar condicionado, análises laboratoriais, calibração de equipamentos laboratoriais, auditorias e consultorias, manutenção de máquinas e equipamentos fora da fábrica, manutenção efetuada por pessoa física, representação comercial, transporte de funcionários, aplicação de pavimentação, aluguel de toalhas, serviço de água e esgoto, etc. Os dados estão expressos detalhadamente no anexo III. ... No que se refere aos créditos apropriados em relação aos serviços utilizados como insumos na filial Santos Armazenadora, cabe o esclarecimento de que a unidade atua na armazenagem e na prestação de serviços relacionados ao comércio exterior e atende tanto à própria Fl. 799DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10783.724324/201191 Resolução nº 3402000.737 S3C4T2 Fl. 800 5 ADM quanto a terceiros (outras empresas que contratam seus serviços em razão da sua estrutura física e de sua expertise). Quando atende a terceiros, a unidade atua efetivamente como prestadora de serviços. Quando atende à própria ADM, as despesas relativas aos serviços portuários caracterizamse como despesas vinculadas à comercialização, não havendo, neste caso, previsão legal para apropriação de créditos na sistemática da nãocumulatividade do Pis/Pasep. Nesse sentido, foram glosados os créditos apurados sobre despesas classificadas como “condomínio portuário, movimentação, classificação, água (CODESP)”, para as quais não foi possível identificar sua vinculação inequívoca com serviços prestados a terceiros, nos termos do art. 8°, §4°, II ”b”, da IN SRF n° 404, de 2004, combinado com o art. 3°, II, da Lei n° 10.637, de 2002. Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado ... O contribuinte, na filial Rondonópolis, apropriouse de créditos relativos a depreciação de vagões, como detalhado no anexo IV. Os vagões atendem a parte da demanda de transporte do contribuinte. São, portanto, úteis e necessários às atividades da empresa, entretanto operam fora da fábrica, não sendo propriamente utilizados na produção de bens destinados à venda ou à prestação de serviços, como pressupõe o art. 3°, VI, da Lei n° 10.637, de 2002. Crédito Presumido ... Dos documentos analisados e das informações prestadas pelo contribuinte, verificouse que o crédito presumido foi apurado, em parte, com base nas aquisições realizadas nos respectivos períodos, considerandose a data de emissão das notas fiscais pelos fornecedores e os valores nelas expressos. Mas também apurou o contribuinte crédito presumido com base no preço médio da unidade da soja estocada, quando de sua transferência do armazém para a indústria (calculado em relação ao estoques armazenados decorrentes de aquisições pretéritas, que, de acordo com o contribuinte, remonta ao ano de 2003). Entretanto, estabelece o art. 8°, §2°, da Lei n° 10.925, de 2004, que “o direito ao crédito presumido” do Pis/Pasep “só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País (...)”. ... No anexo V estão discriminados os valores relativos às glosas efetuadas a título de créditos presumidos indevidamente apropriados pelo contribuinte. CONSIDERAÇÕES FINAIS O somatório das glosas efetuadas, discriminadas mensalmente, estão expressas na tabela abaixo: Fl. 800DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10783.724324/201191 Resolução nº 3402000.737 S3C4T2 Fl. 801 6 Na homologação dos créditos, considerando os dados expressos no pedido de ressarcimento formalizado pelo contribuinte, concluiuse o seguinte: Cumpre registrar que, com relação ao mês 02/2006, apesar de serem glosados valores superiores ao saldo a ressarcir informado pelo contribuinte, não foi constituído crédito tributário do saldo remanescente, uma vez que, não caracterizadas as hipóteses de dolo, fraude ou simulação, impôsse a aplicação da decadência, tal como disposto no art. 150, §4°, do Código Tributário Nacional, Lei n° 5.172, de 1966. PROPOSIÇÃO Pelo que foi exposto, proponho o deferimento apenas parcial do direito creditório requerido pelo contribuinte no pedido de ressarcimento n° 28109.26962.300107.1.1.082562, relativo a créditos originados da sistemática da nãocumulatividade do Pis/Pasep nos meses de fevereiro e março de 2006, apurado nos termos da Lei n° 10.637, de 2002 e, conseqüentemente, a fim de que surta os efeitos previstos no art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, proponho que seja homologada apenas parcialmente a respectiva compensação, objeto da declaração n° 26236.74068.310107.1.3.089721, nos seguintes termos: homologar R$ 55.917,33 (cinqüenta e cinco mil, novecentos e dezessete reais e trinta e três centavos); e não homologar R$ 631.128,30 (seiscentos e trinta e um mil, cento e vinte e oito reais e trinta centavos). Com lastro no Parecer acima, a DRF/VITÓRIA exarou o Despacho Decisório de fl. 45, assim decidindo: APROVO o Parecer DRF/VIT/Sefis n° 175/2011 e, de acordo com o seu teor, nos termos do disposto no art. 280, VI, da Portaria do Ministério da Fazenda nº 125, de 2009, DEFIRO PARCIALMENTE o direito creditório do contribuinte relativo à nãocumulatividade do Pis/Pasep de que trata a Lei n° 10.637, de 2002, apurada nos meses de fevereiro e março de 2006. Conseqüentemente, HOMOLOGO PARCIALMENTE A COMPENSAÇÃO objeto da declaração n° 26236.74068.310107.1.3.089721, nos seguintes termos: valor homologado R$ 55.917,33 (cinqüenta e cinco mil, novecentos e Fl. 801DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10783.724324/201191 Resolução nº 3402000.737 S3C4T2 Fl. 802 7 dezessete reais e trinta e três centavos); e valor não homologado R$ 631.128,30 (seiscentos e trinta e um mil, cento e vinte e oito reais e trinta centavos). Cientificada do Despacho Decisório, em 18/10/2011 (fls. 506 a 508), a contribuinte apresentou, em 04/08/2009, a Manifestação de Inconformidade de fls. 411 a 476, na qual alega, em preliminar, a nulidade do Despacho Decisório recorrido por cerceamento do direito de defesa. No mérito, a manifestante apresenta,. em síntese as seguintes razões de defesa: a despeito de o parágrafo 2º do art. 9º da Lei 10.925/2004, com a redação dada pela Lei nº 11.051/2004, fazer menção a “termos e condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal – SRF”, é claro que a Receita Federal somente poderia se limitar a regulamentar os procedimentos para aplicação da suspensão de PIS e Cofins, não podendo criar novas regras ou alterar o benefício fiscal definido em Lei, sob pena de afronta ao princípio da legalidade; a IN 636/2006, regulamentando a aplicação da suspensão do PIS e da Cofins, confirmou a produção dos efeitos retroativos a 1º de agosto de 2004 (vigência original da Lei nº 10.925/2004); a leitura da IN nº 660/2006, que revogou a IN nº 636/2006, revela que não houve qualquer alteração na forma de aplicação da suspensão do PIS e da Cofins, exceto, quanto à vigência da suspensão; o STJ reconheceu a vigência da suspensão das contribuições desde de dezembro de 2004, afastando a aplicação do art. 11 da IN nº 660/2006; a defendente entende que todos os bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no Brasil e utilizados, direta ou indiretamente, na produção de bens ou na prestação de serviços devem ser considerados como insumos para fins de determinação dos créditos de PIS e Cofins. Foi esse o claro intuito do legislador ao criar o sistema de créditos e débitos dessas contribuições, sendo equivocada e ilegal, ante a falta de embasamento em lei, a utilização de conceitos próprios do IPI para tanto; a legislação do PIS e da COFINS não traz conceito de insumos e não faz referência à legislação do IPI, portanto, deve ser utilizado o conceito genérico de insumo; o PIS e a COFINS incidem sobre a receita da pessoa jurídica, de forma que a não cumulatividade dessas contribuições deve considerar os elementos físicos e funcionais que colaboram para a formação dessa receita, não se restringindo aos insumos aplicados diretamente e consumidos no curso do processo produtivo; a título de argumentação, vale ressaltar que a materialidade do PIS e da COFINS é muito mais próxima da do IRPJ do que da do IPI. Se fosse necessário buscar fundamento em legislação tributária anterior para definir os elementos geradores de créditos de PIS e COFINS (o que se admite para fins de argumentação), deverseia utilizar a legislação do IRPJ; Fl. 802DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10783.724324/201191 Resolução nº 3402000.737 S3C4T2 Fl. 803 8 o entendimento de que o conceito de insumos na sistemática da não cumulatividade das contribuições deve ser entendido como todo e qualquer custo ou despesa necessários para a atividade da empresa já vem sendo adotado pelo CARF; apesar de o serviço de frete não ser aplicado diretamente no processo de produção, é incontestável que ele é absolutamente necessário e intrínseco a essa atividade de produção. Aliás, se não há a transferência das matériasprimas dos armazéns para a fábrica, a fase de produção não pode ser sequer iniciada; para garantir que os créditos de PIS e COFINS sejam apropriados somente com relação aos bens e serviços portuários utilizados na prestação de serviços a terceiros, a interessada utiliza dois métodos, dependendo da natureza dos custos ou despesas; para os serviços de classificação, inspeção, controle de qualidade, lancha (leitura de calado) e para os valores pagos à Companhia Docas CODESP relacionados à quantidade de mercadoria embarcada no porto e ao tempo em que o navio ficou atracado no porto, a segregação dos serviços prestados a terceiros dos serviços prestados à própria interessada é feita a cada embarque; a impugnante realiza o levantamento da quantidade embarcada, verifica a proporção entre os produtos próprios e os produtos de terceiros e aplica a proporção com relação aos custos e despesas relacionados ao embarque. Então, somente a parte dos custos e despesas correspondente aos produtos de terceiros gera créditos de PIS e COFINS; para custos e despesas não diretamente relacionados aos embarques, tal como almoxarifado, combustível, condomínio portuário, manutenção e limpeza, a segregação dos serviços prestados a terceiros dos serviços prestados à própria interessada é feita com base no volume total movimentado por mês. a impugnante verifica o volume total movimentado na filial no mês, obtém a proporção entre o volume próprio e o volume de terceiros e aplica a proporção sobre os custos e despesas mencionados acima. Novamente, somente a parte dos custos e despesas associados à movimentação de produtos de terceiros gera crédito de PIS e COFINS; ou seja, apesar de não ser possível uma vinculação exclusiva dos gastos cujos créditos de PIS e COFINS foram glosados pelas autoridades fiscais aos serviços prestados a terceiros, é incontestável que essa vinculação existe, de forma que os créditos devem ser admitidos; transporte dos produtos da fábrica para o porto é absolutamente essencial às suas atividades fabris, de forma que a depreciação dos vagões deve dar direito a crédito do PIS e da COFINS; o artigo 3o, inciso IX, da Lei n.° 10.833, de 2003, prevê a geração de créditos sobre fretes de produtos acabados. Assim, se o pagamento a terceiros de frete gera direito a crédito, não há porque negar o crédito Fl. 803DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10783.724324/201191 Resolução nº 3402000.737 S3C4T2 Fl. 804 9 de depreciação de vagão que faz exatamente a mesma função que um transportador terceirizado; o artigo 8o da Lei n.° 10.925, de 2004, determina que as pessoas jurídicas produtoras de determinados produtos de origem animal e vegetal fazem jus a crédito presumido de PIS e de COFINS sobre aquisições de produtos in natura de pessoas físicas ou de pessoas jurídicas sujeitas à suspensão dessas contribuições em suas operações; considerando que adquire soja in natura para a produção de derivados, tais como óleo de soja e farelo de soja, a interessada registrou, com base no dispositivo legal acima, créditos presumidos de PIS e COFINS sobre as operações realizadas nas condições estabelecidas na legislação; a operação de soja é realizada, essencialmente, em cinco fábricas (filiais) da interessada: Rondonópolis, Uberlândia, Campo Grande, Três Passos e Joaçaba. As fábricas de Três Passos e Joaçaba adquirem a soja in natura diretamente dos fornecedores. Já as fábricas de Rondonópolis, Uberlândia e Campo Grande, que são consideradas sedes regionais da empresa, recebem a soja in natura em transferência de outras filiais que adquirem o produto dos fornecedores; o valor das Notas Fiscais que acompanham a entrega dos produtos adquiridos pelas filiais comerciais da Impugnante, por não refletir o efetivo preço de aquisição desses produtos, não pode servir como base para a apuração dos créditos presumidos de PIS e COFINS; o valor constante das Notas Fiscais emitidas pelos fornecedores no curso dos contratos de compra e venda de soja não consiste no preço da soja — que somente é determinado no encerramento do contrato, após a entrega total dos produtos — mas uma mera estimativa, uma vez que celebra contrato de compra e venda com preço a fixar. Ou seja, há diferença temporal entre o recebimento da soja e a determinação do preço, que somente é ajustada no momento do fechamento do contrato; decidiu adotar como base para a determinação desses créditos o preço médio da soja para cada filial comercial. Os créditos presumidos de PIS e COFINS somente são apropriados pela Interessada no momento da transferência entre a filial e a fábrica, com base no preço médio acumulado nesse momento. Pela peculiaridade da operação, a metodologia não está prevista na legislação fiscal. Ao final requer preliminarmente, o reconhecimento da nulidade do Despacho Decisório em vista do claro cerceamento de defesa decorrente da não indicação do critério utilizado na valoração dos créditos glosados e reconhecidos pelas autoridades fiscais. No mérito, requer a reforma parcial do Despacho Decisório recorrido para que seja reconhecido, integralmente, o crédito de PIS relativo ao 1o trimestre de 2006 e, assim, homologadas as respectivas compensações. A interessada apresentou, em 19/12/2013, as razões adicionais de defesa, fls. 553 a 555, acompanhadas dos documentos de fls. 559 a 604. Fl. 804DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10783.724324/201191 Resolução nº 3402000.737 S3C4T2 Fl. 805 10 (...) Mediante o Acórdão nº 0950.011, de 27/02/2014, a 1ª Turma da DRJ/Juiz de Fora indeferiu a manifestação de inconformidade da contribuinte, conforme ementa abaixo transcrita: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. Deve ser rejeitada a preliminar de nulidade, quando o Despacho Decisório contém a fundamentação legal e as informações e orientações necessárias ao exercício da plena defesa do contribuinte, em observância estrita ao rito do processo administrativo fiscal. REGIME NÃO CUMULATIVO. VENDAS COM SUSPENSÃO. VIGÊNCIA. Somente a partir de 04/04/2006, como estabelecido pela IN SRF nº 660, de 2006, é que entraram em vigor as regras para a suspensão da exigibilidade do PIS nãocumulativo em relação às vendas efetuadas nos moldes previsto no art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004. PIS/PASEP NÃO CUMULATIVO. CRÉDITOS. INSUMOS. Para fins de apuração de créditos da não cumulatividade, consideram se insumos os bens e serviços diretamente aplicados ou consumidos na fabricação do produto. INSUMOS. TRANSPORTE. MOVIMENTAÇÃO INTERNA. Os gastos com transporte do produto, acabado ou em elaboração, entre estabelecimentos industriais ou distribuidores da mesma pessoa jurídica não geram direito a crédito a ser descontado da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apuradas de forma não cumulativa, por não se classificarem como insumos do produto. RATEIO. DESPESAS COMUNS. Não há previsão legal para rateio de despesa, encargo ou custo comuns quando apenas uma parte poderia gerar crédito e outra parte são despesas vinculadas à comercialização. CRÉDITOS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. Os encargos de depreciação de bens incorporados ao ativo imobilizado apenas geram direito a crédito se esses bens forem diretamente utilizados na produção de bens destinados à venda. Diante disso, os encargos de depreciação dos vagões utilizados no transporte de insumos, não são passíveis de gerar crédito da contribuição. CREDITO PRESUMIDO. CONTRATO DE PREÇO A FIXAR. Fl. 805DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10783.724324/201191 Resolução nº 3402000.737 S3C4T2 Fl. 806 11 A apuração do crédito presumido com base no preço médio da soja para cada filial comercial não encontra amparo legal. A contribuinte foi regularmente cientificada da decisão de primeira instância com a abertura dos arquivos correspondentes no sistema eprocesso em 18/03/2014. Em 01/04/2014 deuse a ciência por decurso de prazo. Em 15/04/2014, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), alegando, em síntese, que: PRELIMINARMENTE Da nulidade da decisão de primeira instância administrativa As autoridades julgadoras de primeira instância desconsideraram as alegações e documentos apresentados pela Recorrente em sede de defesa e proferiram sua decisão de forma desvinculada aos argumentos e provas e, portanto, de forma totalmente desmotivada. Essa reprovável conduta fica bastante clara no que concerne aos serviços portuários prestados pela filial de Santos, pois, a despeito de a Recorrente ter demonstrado, em sua manifestação de inconformidade, a metodologia utilizada para a apropriação das despesas com serviços utilizados como insumo na prestação de serviços portuários a terceiros e, ainda, ter apresentado petição juntando toda a documentação necessária para a quantificação e verificação da regularidade dos créditos de PIS advindos de tais despesas, as autoridades julgadoras desconsideraram o que foi apresentado nos autos e preferiram, à margem dos fatos e dos documentos, concluir que não haveria como se autorizar a tomada dos referidos créditos eis que decorrentes de um "rateio de custos" sem autorização legal. Não há como se aceitar que a disputa seja resolvida em primeira instância através da mera transcrição de dispositivos legais, a qual, nem de longe, pode ser considerada como sendo suficiente para provêla da mandatória motivação. A falta de motivação de uma decisão configura cerceamento de defesa, da ampla defesa e do contraditório, em afronta ao previsto no artigo 5º, LV da Constituição Federal. Assim, resta clara a nulidade da decisão de primeira instância administrativa, a qual deve ser substituída por nova decisão, que, desta vez, traga a devida motivação aos diversos pontos em disputa. NO MÉRITO: a. Da suspensão do PIS sobre vendas de soja e milho A despeito de o parágrafo 2º do art. 9º da Lei 10.925/2004, com a redação dada pela Lei nº 11.051/2004, fazer menção a “termos e condições estabelecidas pela Secretaria da Receita Federal – SRF”, é claro que a Receita Federal somente poderia se limitar a regulamentar os procedimentos para aplicação da suspensão de PIS e Cofins, não podendo criar novas regras ou alterar o benefício fiscal definido em Lei, sob pena de afronta ao princípio da legalidade. Fl. 806DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10783.724324/201191 Resolução nº 3402000.737 S3C4T2 Fl. 807 12 A IN 636/2006, regulamentando a aplicação da suspensão do PIS e da Cofins, confirmou a produção dos efeitos retroativos a 1º de agosto de 2004 (vigência original da Lei nº 10.925/2004). A leitura da IN nº 660/2006, que revogou a IN nº 636/2006, revela que não houve qualquer alteração na forma de aplicação da suspensão do PIS e da Cofins, exceto, quanto à vigência da suspensão. Fixouse o entendimento de que a referida suspensão aplicase desde 1º de agosto de 2004 nos Acórdãos do CARF nºs 3401002.070, .071, .072 e .078. Também o STJ reconheceu a vigência da suspensão das contribuições desde de dezembro de 2004, afastando a aplicação do art. 11 da IN nº 660/2006. b. Do conceito de insumos para fins de registro de crédito de PIS no regime não cumulativo: A Recorrente entende que todos os bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no Brasil e utilizados, direta ou indiretamente, na produção de bens ou na prestação de serviços devem ser considerados como insumos para fins de determinação dos créditos de PIS e COFINS. Por outro lado, as dd. autoridades fiscais e julgadoras, entendem que somente poderiam ser considerados como insumos, para fins de geração de créditos de PIS e COFINS, os bens e serviços aplicados diretamente na produção de bens, ou seja, com a aplicação da legislação do IPI para a definição de insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS. A legislação do PIS e da COFINS não traz conceito de insumos, dessa forma, atendendo ao determinado no artigo 109 do Código Tributário Nacional, devese utilizar o conceito genérico de insumo, qual seja, todos os bens corpóreos ou incorpóreos aplicados direta ou indiretamente na produção de bens ou serviços. A legislação do PIS e da COFINS afastase implicitamente da legislação do IPI pela própria natureza dos créditos admitidos, pois admite créditos com relação a diversos elementos que certamente não seriam passíveis de crédito de IPI, como é o caso de serviços, combustíveis e lubrificantes. A materialidade do PIS e da COFINS não é semelhante à materialidade do IPI. O PIS e a COFINS incidem sobre a receita da pessoa jurídica, de forma que a não cumulatividade dessas contribuições deve considerar os elementos físicos e funcionais que colaboram para a formação dessa receita, não se restringindo aos insumos aplicados diretamente e consumidos no curso do processo produtivo. A própria regulamentação da Receita Federal do Brasil indica que custos, despesas e encargos geram créditos de PIS e COFINS passíveis de ressarcimento, sem que haja qualquer restrição aos bens aplicados e consumidos diretamente na produção de bens e serviços. Dessa forma, no presente caso, devem ser admitidos os créditos de PIS relativos a bens e serviços pertinentes à produção de bens e à prestação de serviços, como é o caso dos vestuários, material de limpeza, material de laboratório, treinamentos, fretes, serviços portuários, etc. Fl. 807DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10783.724324/201191 Resolução nº 3402000.737 S3C4T2 Fl. 808 13 Despesas com fretes para transporte de matériaprima entre armazéns e fábricas da Recorrente As dd. autoridades fiscais glosaram os créditos relativos a frete sobre transferências entre estabelecimentos da Recorrente. Nos Pareceres SEFIS, as dd. autoridades fiscais reconhecem expressamente que se tratam de "deslocamentos entre as unidades da própria ADM, como o envio da matériaprima do armazém para a fábrica" e que "os produtos são transportados dos armazéns para as fábricas com notas fiscais de simples remessa emitidas pela própria ADM." Dessa forma, mesmo reconhecendo que as despesas com fretes foram incorridas para o transporte de matéria prima para dentro de suas unidades fabris e que, portanto, referidas despesas estão intrinsecamente vinculadas à produção do farelo e do óleo de soja fabricados e vendidos pela Recorrente, as dd. autoridades fiscais preferiram aterse a uma interpretação estritamente literal do artigo 3o, IX da Lei n.° 10.833/2003 para denegar o direito ao crédito de PIS e COFINS sobre tais despesas. Na mesma linha, foi a decisão recorrida. No entanto, sem o transporte da matériaprima entre os estabelecimentos da empresa, não haveria produção e, assim, não seria possível a posterior venda das mercadorias. De forma que, mesmo sendo antes da efetiva operação de venda de mercadorias, os fretes entre estabelecimentos da mesma empresa na situação específica são despesas extremamente necessárias para a manutenção das atividades de comercialização de produtos. O frete entre estabelecimentos da empresa consiste em um genuíno insumo na fabricação dos produtos da Recorrente e, portanto, devem gerar créditos de PIS e COFINS. Esse frete compõe o custo da mercadoria, nos termos do artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda, conforme já decidido nos Acórdãos 3403002.753, 3403002.750, 3403002.751 e outros. Insumos na prestação de serviços portuários a terceiros As dd. autoridades fiscais glosaram parcela dos créditos de PIS e COFINS apropriados pela filial de Santos alegando que "foram glosados os créditos apurados sobre despesas classificadas como 'condomínio portuário, movimentação, classificação, água (CODESP)' para as quais não foi possível identificar sua vinculação inequívoca com os serviços prestados a terceiros ". Diante das alegações de defesa apresentadas pela Recorrente, as dd. autoridades julgadoras analisaram a questão da glosa de créditos de serviços portuários e, inovando com relação ao próprio Despacho Decisório, concluíram que a razão pela não aceitação dos créditos em disputa residiria no presumido fato de que se teria em mãos um "rateio de despesas" na forma prevista no artigo 3o, §§ 7o, 8°e9° da Lei n.° 10.637/2002. Contudo, bastaria a leitura dos autos para que os dd. julgadores a quo observassem que a disputa em exame não se trata de "rateio de despesas". A Recorrente presta serviços portuários através de sua filial de Santos, sendo que parte desses serviços se reverte em benefício próprio (transporte de mercadorias da própria ADM) e parte desses serviços é prestado a terceiros, não vinculados à Recorrente. Os custos e despesas relacionadas aos insumos adquiridos para a prestação desses serviços, diferentemente do que concluíram os d. julgadores, não são rateadas com outras pessoas jurídicas mas, sim, integralmente arcadas pela Recorrente, sendo que apenas e tão somente a parcela dos referidos insumos que dizem com a prestação de serviços a terceiros é que foi considerada para fins de cálculos dos créditos de PIS e COFINS ora em disputa. Fl. 808DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10783.724324/201191 Resolução nº 3402000.737 S3C4T2 Fl. 809 14 Para os serviços de classificação, inspeção, controle de qualidade e lancha (leitura de calado) contratados pela Recorrente e para os valores pagos à Companhia Docas do Estado de São Paulo ("CODESP") relacionados à quantidade de mercadoria embarcada no porto e ao tempo em que o navio ficou atracado no porto, a segregação entre os serviços portuários prestados a terceiros daqueles prestados à própria Recorrente é feita a cada embarque. Para custos e despesas não diretamente relacionados aos embarques, tais como, almoxarifado, combustível, condomínio portuário, manutenção e limpeza, a segregação entre os serviços portuários prestados pela filial de Santos a terceiros daqueles prestados à própria Recorrente é feita com base no volume total de produtos movimentado por mês. Essas atividades e o critério para registro dos créditos de PIS e COFINS são facilmente comprovados através dos registros mantidos pela Recorrente, que demonstram, detalhadamente, o procedimento adotado para a segregação dos custos e despesas relacionados ao embarque de produtos próprios e de terceiros em navios atracados no Porto, os quais são juntados novamente aos autos. A recorrente cita como exemplo o mês de fevereiro de 2006 para comprovação da proporcionalidade dos créditos. A legitimidade dessa parcela dos créditos foi reconhecida pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mediante o Acórdão 3403002.750, de 25 de fevereiro de 2014, em outro processo em que a Recorrente é parte, cujos documentos são idênticos aos juntados nestes autos. Depreciação de vagões As dd. autoridades fiscais e julgadoras alegam que, por não estarem dentro da fábrica, os vagões não participariam do processo de industrialização dos bens, de forma que esse crédito não poderia ser admitido. No entanto, na linha já exposta no recurso voluntário, a Recorrente reforça que o transporte dos produtos da fábrica para o porto é absolutamente essencial às suas atividades fabris, de forma que a depreciação dos vagões deve dar direito a crédito do PIS e da COFINS, devendose ressaltar que o artigo 3º, inciso IX da Lei n.° 10.833/2004 prevê a geração de créditos sobre fretes de produtos acabados. Assim, se o pagamento a terceiros de frete gera direito a crédito, não há porque negar o crédito de depreciação de vagão que faz exatamente a mesma função que um transportador terceirizado. c. Crédito presumido As dd. autoridades fiscais glosaram parte do crédito presumido de PIS registrado pela Recorrente no 1° trimestre de 2006, com base no artigo 8o da Lei n.° 10.925/2004. De acordo com as dd. autoridades, apesar de a Recorrente ter direito de calcular referido crédito nas aquisições de soja realizadas diretamente através de seus estabelecimentos fabris, não poderia ter registrado esse mesmo tipo de crédito sobre as aquisições de soja efetuadas através de seus estabelecimentos comerciais (silos), eis que, nessa situação específica, foram os créditos calculados com base em notas fiscais de transferência dos silos para a fábricas, fora do período da aquisição da soja. O valor constante das Notas Fiscais emitidas pelos fornecedores no curso dos contratos de compra e venda de soja não consiste no preço da soja que somente é determinado Fl. 809DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10783.724324/201191 Resolução nº 3402000.737 S3C4T2 Fl. 810 15 no encerramento do contrato, normalmente após a entrega total dos produtos mas uma mera estimativa, de forma que há diferença temporal entre o recebimento da soja e a determinação do preço, que somente é ajustada no momento do fechamento do contrato. Em outras palavras, o valor constante da Nota Fiscal emitida pelo produtor pode ser inferior ou superior ao preço do produto, que é fixado no fechamento do contrato, de acordo com um preço médio de compra pela Recorrente. Essa forma de contratação é padrão para o mercado de commodities e é decorrente da significativa oscilação do preço desse tipo de produto em curtos espaços de tempo. O preço da soja pode variar significativamente dentro de uma mesma safra, sendo que a celebração de contratos com preço a fixar consiste em uma forma de resguardar os direitos tanto dos produtores quanto dos adquirentes. Nesse contexto, concluise que o valor das Notas Fiscais que acompanham a entrega dos produtos adquiridos pelas filiais comerciais da Recorrente, por não refletir o efetivo preço de aquisição desses produtos, não pode servir como base para a apuração dos créditos presumidos de PIS e COFINS. O artigo 8º, §3° da Lei n° 10.925/2004 determina a forma de apuração desses créditos sobre o valor das aquisições, o que, na operação da Recorrente, não corresponde ao valor individual de cada Nota Fiscal recebida pelas filiais comerciais. Dessa forma, para evitar distorções nos cálculos dos créditos presumidos de PIS e COFINS, a Recorrente decidiu adotar como base para a determinação desses créditos o preço médio da soja para cada filial comercial. Pela peculiaridade da operação, não obstante a essa metodologia não esteja expressamente prevista na legislação fiscal, ela é, sem dúvida, a mais consistente e razoável, tanto para a Recorrente como para o fisco Federal. E nem se diga, como tentaram as dd. autoridades fiscais, que a Recorrente não teria como identificar a origem dos créditos presumidos de PIS e COFINS, pois a Recorrente tem controle (e apresentou todos os documentos no curso do procedimento fiscal) das entradas em suas filiais, das devoluções e da apuração do preço médio acumulado. A Recorrente apresentou parecer elaborado pelo Professor Roque Carrazza especificamente com relação ao crédito presumido de PIS e COFINS previsto na Lei n.° 10.925/2004, no qual foi confirmado que a Recorrente tem direito a apropriação de tais créditos presumidos nas operações em que a soja in natura é adquirida pelos estabelecimentos comerciais da empresa (silos) e que, diante da complexidade dos contratos de compra e venda de soja, tal crédito presumido pode ser calculado sobre o custo médio das aquisições da soja. Alternativa e subsidiariamente, a Recorrente requer, com relação ao crédito presumido de COFINS, que, caso seja rejeitado o método adotado para apuração de tal crédito, seja o julgamento convertido em diligência para a apuração do crédito presumido sobre o volume total de aquisições de soja por suas filiais comerciais para o período. É o relatório. Voto Fl. 810DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10783.724324/201191 Resolução nº 3402000.737 S3C4T2 Fl. 811 16 Conselheira MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA O recurso atende aos requisitos de admissibilidade e dele se toma conhecimento. A primeira questão controversa diz respeito ao início da vigência da suspensão das contribuições não cumulativas prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004, que segue transcrito: Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de produtos de que trata o inciso I do § 1º do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1º do art. 8º desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6º e 7º do art. 8º desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Conforme expresso no art. 17 da própria Lei nº 10.925/2004, a referida suspensão deveria produzir efeitos a partir de 1º de agosto de 2004: Art. 17. Produz efeitos: (...) III a partir de 1º de agosto de 2004, o disposto nos arts. 8º e 9º desta Lei; (...) A então Secretaria da Receita Federal veio regulamentar a referida suspensão, nos termos do §2º do art. 9º acima transcrito, com a Instrução Normativa SRF nº 636, de 24/03/2006, que entrou em vigor na data de sua publicação 04/04/2006, mas produzia efeitos desde 1º de agosto de 2004, em consonância ao disposto no art. 17 da Lei. Fl. 811DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 10783.724324/201191 Resolução nº 3402000.737 S3C4T2 Fl. 812 17 Ocorre que, posteriormente, essa Instrução Normativa foi revogada pela IN SRF nº 660/2006, a qual veio dispor que a suspensão das contribuições produziria efeitos a partir de 04/04/2006, data da publicação da primeira regulamentação (Instrução Normativa SRF nº 636/2006). Assim, a fiscalização excluiu o benefício da recorrente relativo ao primeiro trimestre de 2006, pois anterior a 04/04/2006. Não obstante isso, a questão de a recorrente fazer jus ou não ao benefício da suspensão previsto na Lei não foi analisada pela fiscalização da Unidade de origem ou pela Delegacia de Julgamento, tratandose de matéria que não integrou a lide até o presente momento, embora possa, eventualmente, ser decorrente deste julgamento se este Colegiado venha entender por reconhecer a vigência da suspensão no período de apuração. Nesse ponto, é relevante informar que a condição de "cerealista" da recorrente para a fruição da referida suspensão é matéria controversa nos processos nºs 11543.003201/200561 e 15578.000293/200912, também distribuídos a esta Relatora. Assim, considerando que possa ser necessário ao julgamento final da lide por este Colegiado, entendo que, poderá a fiscalização da Unidade RFB de origem analisar se, acaso afastada, em caráter preliminar, a restrição disposta na Instrução Normativa SRF nº 660/2006 à vigência do art. 9º da Lei nº 10.925/2004, a recorrente faz jus ou não ao benefício de suspensão pleiteado. Pelo exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para solicitar à fiscalização da DRF/Vitória que: a) Requisite Laudo Técnico, para detalhamento, por profissional habilitado, da atividade exercida pela recorrente, em especial, se algumas de suas filiais exerce efetivamente a atividade de "cerealista", tal como definida no art. 8º, §1° da Lei nº 10.925/04, antes de comercializar os seus produtos in natura de origem vegetal. b) Considerando vigente no período de apuração a suspensão prevista no art. 9º da Lei nº 10.925/2004, analise conclusivamente se a contribuinte faz jus ou não ao benefício de suspensão pleiteado e, sendo o caso, efetue o ajuste do saldo do valor a ressarcir ou compensar. c) Cientifique a interessada do resultado da diligência, concedendolhe o prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574/2011. d) Devolva os autos a este Conselho Administrativo para prosseguimento após decorrido prazo de manifestação da interessada. É como voto. (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora. Fl. 812DF CARF MF Impresso em 02/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 01/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA
score : 1.0
Numero do processo: 10930.000961/2009-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. GLOSA. RESTABELECIMENTO.
Se o conjunto probatório evidencia que o recebimento dos rendimentos e a retenção do imposto respectivo ocorrem em determinado ano-calendário, mas o recolhimento do tributo aos cofres públicos foi realizado em outro, por força de determinação judicial, cabe o restabelecimento do imposto supostamente não recolhido e que fora glosado pela Fiscalização.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2201-002.799
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer o Imposto de Renda retido na fonte no valor de R$ 46.354,67.
Assinado digitalmente
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente em Exercício.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente em exercício), Eduardo Tadeu Farah, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente).
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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GLOSA. RESTABELECIMENTO. Se o conjunto probatório evidencia que o recebimento dos rendimentos e a retenção do imposto respectivo ocorrem em determinado anocalendário, mas o recolhimento do tributo aos cofres públicos foi realizado em outro, por força de determinação judicial, cabe o restabelecimento do imposto supostamente não recolhido e que fora glosado pela Fiscalização. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para restabelecer o Imposto de Renda retido na fonte no valor de R$ 46.354,67. Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Presidente em Exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente em exercício), Eduardo Tadeu Farah, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 09 61 /2 00 9- 13 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10930.000961/200913 Acórdão n.º 2201002.799 S2C2T1 Fl. 127 2 (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o “Relatório” da decisão de primeira instância (fls. 28/29 deste processo digital), reproduzido a seguir: Tratase de impugnação à Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física IRPF N° 2007/609430139162062, fls. 01/02, resultante de revisão da Declaração de Ajuste Anual DAA exercício 2007, ano calendário 2006, que apurou R$ 38.161,63 de imposto de renda, R$ 7.632,32 de multa de mora e R$ 8.082,63 de juros de mora (calculados até 27/02/2009), totalizando crédito tributário no valor de R$ 53.876,58, em virtude da glosa de compensação de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF. 2. A autoridade fiscal considerou indevida a compensação de R$ 46.354,67 à titulo de IRRF, valor este correspondente à diferença entre o valor declarado pelo interessado em sua DAA e o valor declarado pela fonte pagadora Elevadores Atlas Schindler S/A, CNPJ 00.028.986/000108 na Declaração do Imposto Retido na Fonte Dirf, conforme descrição constante as fls. 15 dos autos. 3. Regularmente cientificado do lançamento, o interessado apresentou impugnação tempestiva, alegando que: a) Recebeu o valor de R$ 197.337,94 em 24/02/2006 à titulo de indenização, por meio de ação trabalhista movida contra a empresa Elevadores Atlas Schindler S/A; b) Ofereceu o valor de R$ 154.519,82 à tributação, na sua Declaração de Imposto de Renda exercício 2007, anocalendário 2006, uma vez que o valor de R$ 43.449,04 referiase a pagamento de honorários advocatícios; c) A empresa Elevadores Atlas Schindler S/A, ou a quem de direito, não informou a quantia ao Fisco no referido ano, informando no ano seguinte, como pode ser constatado no sistema da Receita Federal; d) O contribuinte informou o valor de R$ 46.354,67 como imposto retido, valor real da época, porém o valor de retenção no momento é de R$ 60.835,12, como pode ser consultado no sistema da Receita Federal ou no documento que anexa; e) A Receita Federal glosou a retenção informada e considerou os rendimentos mas, para que haja justiça, ambos devem ser analisados, já que os rendimentos também não constam do banco de dados referente ao calendário de 2006, e sim 2007. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10930.000961/200913 Acórdão n.º 2201002.799 S2C2T1 Fl. 128 3 4. Para concluir, requer: o recebimento e processamento do recurso, a exclusão dos rendimentos no valor de R$ 154.519,82 para o anocalendário 2006 e consequente cancelamento da notificação de lançamento e, por fim, que os rendimentos no valor de R$ 154.519,82 e o valor retido de R$ 60.835,12 sejam considerados, para efeito de tributação, no anocalendário 2007, por meio de declaração retificadora. 5. Anexa, em seguida, cópias não autenticadas dos seguintes documentos: Cálculos de Atualização Extrato Analítico (fl. 05), Consulta a Solicitações Judiciais (fl. 06), Recibo de Honorários Advocatícios (fl. 07), Comprovante de Retenção de Imposto de Renda (fl. 08). A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada improcedente por meio do acórdão de fls. 27/30, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2006 RETENÇÃO NA FONTE. COMPENSAÇÃO. AJUSTE ANUAL. Mantémse o lançamento decorrente de glosa de compensação de Imposto de Renda Retido na Fonte quando não ficar demonstrado, nos autos, que tal retenção se refere a rendimento sujeito ao ajuste anual. Cientificado pessoalmente da decisão em 12/12/2011 (fl. 33), o Interessado apresentou recurso em 09/01/2012 (fls. 39/44), acompanhado dos documentos de fls. 45/95. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Recebeu os valores na Ação Trabalhista n° 1529/89, no dia 01/03/2006, conforme cópia do Alvará de Levantamento (ANEXO III). Os cálculos apresentados pelo Reclamante foram homologados pela MM. Juíza que julgou o processo trabalhista (ANEXO IV). Com base nos mesmos foi feito o bloqueio judicial dos valores na conta da empresa ELEVADORES ATLAS SCHINDLER S/A. O Recorrente recebeu em 01/03/2006 somente o valor considerado incontroverso, continuando a Execução contra o restante do valor. O juízo da 28ª Vara do Trabalho de São Paulo inquiriu a ELEVADORES ATLAS SCHINDLER S/A se a mesma teria alguma oposição a respeito de efetuarse a transferência dos valores devidos a título de IRPF diretamente para os cofres da União. A empresa Reclamada aduziu que não se opunha a tal transferência (ANEXO V). Com a anuência da fonte pagadora em efetuar a transferência dos valores depositados em juízo diretamente à União, o Recorrente declarou os valores recebidos na DIRPF do anocalendário de 2006 (ANEXO VI), por ter recebido os valores em 01/03/2006, certo de que a fonte pagadora faria o mesmo. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10930.000961/200913 Acórdão n.º 2201002.799 S2C2T1 Fl. 129 4 Por sua vez, o juízo da 28ª Vara do Trabalho de São Paulo somente autorizou a transferência dos valores referentes ao IRPF e ao INSS em 02/05/2007 (ANEXO VII), ou seja, quando ocorreu a autorização o anocalendário já era 2007, motivo pelo qual a ELEVADORES ATLAS SCHINDLER S/A declarou o pagamento e a consequente retenção na fonte no anocalendário de 2007. Não há que se falar em falta de documentação apta a comprovar o acima alegado. Certo é que o Recorrente recebeu os rendimentos em 01/03/2006 e os valores referentes ao IRPF e INSS foram transferidos aos cofres da União no mês de maio de 2007, motivo pelo qual razão não assiste ao Fisco na cobrança de qualquer crédito tributário a esse respeito, uma vez que já foram devidamente quitados. Manter a decisão que ora se combate é dar guarida a uma cobrança dupla sobre um rendimento que somente fora recebido uma vez, o que é vedado pelo ordenamento jurídico, haja vista que tal conduta acarretaria enriquecimento ilícito por parte do Estado e traria danos incomensuráveis para o Recorrente, devendo assim ser refutada a manutenção do crédito tributário. Ao final, requer o recebimento e processamento do presente recurso voluntário, para os seguintes fins: a) Declarar insubsistente a notificação de lançamento e declarar inexistente o crédito tributário dela advindo. b) Subsidiariamente, excluir dos rendimentos do anocalendário de 2006 o valor de R$ 154.519,82 e cancelar a notificação de lançamento. c) Acatar a retificação do valor de R$ 154.519,82 a título de renda auferida e o valor de R$ 60.835,12 à título de retenção na fonte, sendo os mesmos considerados para efeitos de tributação no anocalendário de 2007, através de declaração retificadora. Por intermédio da Resolução nº 2801000.335, de 20/01/2015, da extinta 1ª Turma Especial da 2ª Seção, o julgamento foi convertido em diligência a fim de que a DRF de origem juntasse aos autos os seguintes documentos: a) Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF da empresa ATLAS SCHINDLER S/A, relativa aos anoscalendários de 2006 e 2007, nas quais constem rendimentos pagos ao Interessado e respectivos IRRF; b) Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF do Recorrente referente ao anocalendário de 2007, exercício de 2008. Cumprida a providência, o Recorrente deveria ser intimado para, caso fosse de seu interesse, se manifestar sobre os pontos abordados na Resolução. Embora tenha sido intimado (fls. 120/121), o Interessado não se pronunciou. O processo tornou a este Conselho em 15/04/2015. Pedi a inclusão em pauta de julgamento. Voto Fl. 129DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10930.000961/200913 Acórdão n.º 2201002.799 S2C2T1 Fl. 130 5 Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital. O Interessado lançou em sua declaração de ajuste anual (fls. 12/14), ano calendário de 2006, a título de imposto de renda retido na fonte incidente sobre rendimentos recebidos em decorrência de ação na Justiça trabalhista, o valor de R$ 46.354,67, que fora glosado pela fiscalização (fl. 6). O Recorrente alega que a parte incontroversa dos rendimentos foi recebida em 01/03/2006, conforme cópia do Alvará de Levantamento de Depósito Judicial que apresenta (fl. 71), mas que o imposto de renda retido somente foi transferido aos cofres da União em maio de 2007 (documentos de fls. 92/95), motivo pelo qual a fonte pagadora declarou o pagamento e a respectiva retenção na DIRF do anocalendário de 2007. O julgamento foi convertido em diligência a fim de que a DRF de origem juntasse aos autos as DIRF relativas aos rendimentos pagos ao Interessado, anoscalendários de 2006 e 2007, bem como a DIRPF do Recorrente referente ao anocalendário de 2007, exercício de 2008. À fl. 113 foi juntada a DIRF com código de receita 5936 (Rendimento decorrente de decisão Justiça do Trabalho), relativa ao anocalendário de 2007, cujos rendimentos e IRRF não foram lançados na declaração de ajuste anual do Interessado no referido anocalendário. Por outro lado, o Alvará de fl. 71 evidencia que a parte incontroversa realmente foi recebida no anocalendário de 2006 e o despacho de fl. 92 revela que o Magistrado trabalhista determinou o recolhimento aos cofres públicos do imposto de renda que já havia sido retido, no valor de R$ 46.354,67, somente no ano de 2007. Nesse contexto, entendo que deve ser atendido o pedido principal formulado pelo Interessado no sentido de se restabelecer o imposto de renda retido na fonte no valor R$ 46.354,67, haja vista que, não obstante os rendimentos terem sido declarados em DIRF do ano calendário de 2007 e o recolhimento do imposto aos cofres públicos ter acontecido no mesmo ano, a retenção ocorrera em anocalendário anterior. O Recorrente pleiteia, em pedidos subsidiários, a exclusão dos rendimentos declarados no anocalendário de 2006 e a retificação da declaração do anocalendário de 2007. Conquanto este pleito possa parecer o mais correto, se considerada as informações constantes da DIRF da fonte pagadora, penso que esta solução escapa à competência desta Turma recursal, que deve se restringir ao objeto do lançamento, na espécie, à infração de compensação indevida de imposto de renda na fonte no anocalendário de 2006. Assim, a melhor solução que se apresenta, em meu entendimento, é o restabelecimento do imposto de renda retido declarado pelo Interessado e que fora glosado pela Fiscalização, porquanto restaura a relação de correspondência temporal que deve haver entre o recebimento de rendimentos e a respectiva retenção de imposto de renda na fonte. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10930.000961/200913 Acórdão n.º 2201002.799 S2C2T1 Fl. 131 6 Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso para restabelecer o imposto de renda retido na fonte declarado no valor de R$ 46.354,67. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 131DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI
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Numero do processo: 13819.000875/2001-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1996
BASE NEGATIVA DE CSLL - LIMITAÇÃO À COMPENSAÇÃO - INCONSTITUCIONALIDADE - JUROS SELIC
Não cabe ao CARF declarar inconstitucionalidade de lei tributária, conforme Súmula 2 dessa Corte. Em relação à aplicabilidade dos Juros SELIC, é jurisprudência pacífica dessa Corte sua aplicação a partir de janeiro de 1995.
Numero da decisão: 1201-001.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
MARCELO CUBA NETTO - Presidente.
RONALDO APELBAUM - Relator.
EDITADO EM: 01/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (presidente da turma), Ronaldo Apelbaum (vice-presidente), João Otavio Opperman Thome, Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada), Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: RONALDO APELBAUM
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1996 BASE NEGATIVA DE CSLL LIMITAÇÃO À COMPENSAÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE JUROS SELIC Não cabe ao CARF declarar inconstitucionalidade de lei tributária, conforme Súmula 2 dessa Corte. Em relação à aplicabilidade dos Juros SELIC, é jurisprudência pacífica dessa Corte sua aplicação a partir de janeiro de 1995. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. MARCELO CUBA NETTO Presidente. RONALDO APELBAUM Relator. EDITADO EM: 01/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (presidente da turma), Ronaldo Apelbaum (vicepresidente), João Otavio Opperman Thome, Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada), Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Figueiredo Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 00 08 75 /2 00 1- 28 Fl. 463DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório constante de decisão anteriormente exarada pela 8a Câmara do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes: Contra a empresa RASSINI NHK AUTOPEÇAS S.A. foi lavrado o auto de infração de CSLL, doc.fls.51/59, por ter a fiscalização constatado a irregularidade, descrita às fls.57 com o título: Base De Cálculo Negativa De Períodos Anteriores Compensação Indevida De Base De Cálculo Negativa De Períodos Anteriores. Inconformada com a exigência a autuada apresentou impugnação protocolizada em 25/05/2001, em cujo arrazoado de fls 63/107, alega em apertada síntese o seguinte: Em preliminar, da nulidade do auto de infração decorrente da inexistência de demonstração do valor apurado pelo fisco; infração ao princípio do devido processo legal; decadência do direito de constituir o crédito tributário. No mérito alega a inconstitucionalidade da limitação em 30% para compensação de prejuízos fiscais. Em 02/12/2003, foi prolatado pela DRJ/CPS o Acórdão n° 5.472, fls.122/133, onde a Autoridade Julgadora "a quo" considerou procedente a exigência, expressando seu entendimento por meio da seguinte ementa: "Decadência Na forma do art. 45 da Lei n°8.212, de 1991, o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Nulidade. Cerceamento do direito de Defesa. Não é possível reconhecer cerceamento do direito de defesa relativo à falta de demonstração da base de cálculo, quando esta se refere exatamente ao valor da base de cálculo da CSLL decorrente do lucro líquido, ajustado pelas adições e exclusões, valores informados pela própria contribuinte, na declaração de rendimentos apresentada em cumprimento a dever instrumental previsto na legislação. A defesa não teria sido prejudicada pela falta de entrega à contribuinte do Relatório de Malha da Fazenda, já que os fatos se encontram perfeitamente descritos na autuação e no termo de encerramento, documentos dos quais a defesa foi cientificada, tendo ainda lhe sido oferecidas as cópias correspondentes. Imposto Concomitância entre Processos Administrativo e Judicial. Princípio da Unicidade de Jurisdição. NãoConhecimento da Impugnação. Compensação de Bases de Cálculo Negativas. Limite A propositura de ação judicial, antes ou após a lavratura do auto de infração, com o mesmo objeto, Fl. 464DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13819.000875/200128 Acórdão n.º 1201001.281 S1C2T1 Fl. 3 3 além de não obstaculizar a formalização do lançamento, impede a apreciação, pela autoridade administrativa a quem caberia o julgamento, das razões de mérito submetidas ao Poder Judiciário. Inconstitucionalidade. Apreciação. Incompetência das Autoridades Administrativas. Compensação de Bases de Cálculo Negativas. Limite. Estando o julgamento administrativo estruturado como uma atividade de controle interno dos atos praticados pela administração tributária, sob o prisma da legalidade e da legitimidade, não poderia negar os efeitos de lei vigente, pelo que estaria o Tribunal Administrativo indevidamente substituindo o legislador e usurpando a competência privativa atribuída ao Poder Judiciário. A autoridade administrativa não tem competência para decidir sobre a constitucionalidade de leis e o contencioso administrativo ao é o foro próprio para discussões dessa natureza, haja vista que a apreciação e a decisão de questões que versarem sobre inconstitucionalidade dos atos legais é competência do Supremo Tribunal Federal." Cientificada da decisão de primeira instância e novamente irresignada, apresenta seu recurso voluntário, protocolizado em 11 de março de 2004, em cujo arrazoado de fls.137/182 repisa os mesmos argumentos expendidos na peça impugnatória, ou seja. Em preliminar a decadência do direito de constituir créditos tributários. No mérito, argüi a inconstitucionalidade e ilegalidade da limitação valoratícia à compensação de prejuízos fiscais prevista nos artigos 42 da Lei 8.981/95, 12 e 15 da Lei 9.065/95 e a inconstitucionalidade da taxa selic. Foi efetuado o arrolamento para seguimento do recurso voluntário, doc. fls180/182, e despacho da DRF, fls. 199. É o Relatório Em julgamento realizado em sessão em 16/06/2005, a Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes assim decidiu: PRELIMINAR DECADÊNCIA — CSLL — No caso da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, por ser tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, o direito de constituir o crédito tributário é de 05(cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador• de acordo com o artigo 150, parágrafo 4°, do Código Tributário Nacional. Preliminar acolhida. Apresentado Recurso Especial de Divergência pela d. Procuradoria, após admitido, em sessão de 12/08/2008 a CSRF, em voto de lavra do Doutor Marcos Vinicius Neder de Lima, assim decidiu: Fl. 465DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO 4 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LIQUIDO CSLL Exercício: 1996 TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. SEGURIDADE SOCIAL. PRAZO PARA CONSTITUIÇÃO DE SEUS CRÉDITOS. DECADÊNCIA. Em se tratando de tributo sujeito ao regime do lançamento por homologação, o poderdever do Fisco de efetuar o lançamento de oficio deve obedecer ao prazo Decadencial estipulado pelo artigo 150, do CTN, segundo o qual o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador do tributo. Recurso especial negado. Irresignada com tal decisão, a Fazenda Nacional mais uma vez recorreu dessa decisão, em sede de Recurso Extraordinário, visando a aplicação do art. 173, I do CTN ao invés do artigo 150 do mesmo Código para fins de contagem do prazo decadencial. Nesse objetivo, teve sucesso em seu apelo, conforme decisão exarada em sessão de 07/11/2011: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1996 DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 173, I, DO CTN. O art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 2009, obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No presente caso, não houve pagamento antecipado, sendo obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 173, inciso I, do CTN, que fixa o marco inicial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Como o fato gerador da CSLL se completa no último instante do dia 31 de dezembro de um anocalendário, o lançamento de ofício somente pode ocorrer no instante seguinte, ou seja, no início do primeiro dia do anocalendário seguinte, e o termo inicial da contagem do prazo decadencial é o primeiro dia do segundo anocalendário a partir da ocorrência do fato gerador. No caso, como o lançamento se refere ao ano calendário de 1995, diante da ausência de antecipação de pagamento, o prazo decadencial se iniciou em 01/01/1997 e terminou em 31/12/2001. Como a ciência do lançamento se deu em 26/04/2001, o crédito tributário não havia sido fulminado pela decadência. Portanto, encontrase consolidada aqui a aplicação do art. 173, I do CTN para o auto de infração em discussão. As razões preliminares do Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte, portanto, encontramse definitivamente resolvidas nos presentes autos. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 13819.000875/200128 Acórdão n.º 1201001.281 S1C2T1 Fl. 4 5 Restam, portanto, as questões de mérito a serem resolvidas. Aduz, de forma sucinta, que a limitação à compensação de prejuízos fiscais (ou base negativa de CSLL) prevista no art. 42 da Lei 8.981/95 e seguintes seria inconstitucional, infringiria o conceito de renda do art. 43 do CTN, representaria confisco e caracterização de empréstimo compulsório. Adicionalmente, alega a ainda a inaplicabilidade da Taxa SELIC, por sua inconstitucionalidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ronaldo Apelbaum, Relator As questões referentes à admissibilidade do Recurso foram verificadas quando de seu primeiro julgamento, razão pela qual deve seguir para análise de mérito. Conforme apontado no relatório, são duas as questões a serem analisadas: (i) inconstitucionalidade relativas à limitação na compensação de prejuízos fiscais e (ii) inconstitucionalidade da aplicação da Taxa SELIC à infração em discussão. Em ambas as argumentações, a solução é idêntica, qual seja, a aplicação da Súmula 2 do CARF, fundamentada também no art. 26A do Decreto 70.235/72: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Não está inserida no rol de competências desse Conselho se pronunciar sobre a constitucionalidade de leis vigentes e aplicáveis observadas pela fiscalização. Ademais, acerca da aplicação da Taxa SELIC como índice de juros moratórios, o CARF também editou Súmulas a respeito, conforme se seguem: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO 6 Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Ante o exposto CONHEÇO do Recurso e, no mérito, voto por NEGARLHE provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Apelbaum Relator Fl. 468DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 13770.000224/2005-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005
Ementa:
ÔNUS DA PROVA. GLOSAS. DIREITO CREDITÓRIO.
Cabe à recorrente, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 333, II do Código de Processo Civil, comprovar a eventual existência de elemento modificativo ou extintivo da decisão que não reconheceu motivadamente o seu direito creditório.
Recurso Voluntário negado
Numero da decisão: 3402-002.838
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, que votou por converter o julgamento em diligência para que fosse apurado se os créditos glosados guardam pertinência com o processo produtivo. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro.
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente
(assinado digitalmente)
MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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GLOSAS. DIREITO CREDITÓRIO. Cabe à recorrente, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 333, II do Código de Processo Civil, comprovar a eventual existência de elemento modificativo ou extintivo da decisão que não reconheceu motivadamente o seu direito creditório. Recurso Voluntário negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, que votou por converter o julgamento em diligência para que fosse apurado se os créditos glosados guardam pertinência com o processo produtivo. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 0. 00 02 24 /2 00 5- 65 Fl. 537DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento no Rio de Janeiro II que julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Por retratar os fatos que sucederam no presente processo até a apresentação da manifestação de inconformidade, transcrevese abaixo o relatório da decisão recorrida: Relatório 1 Tratase no presente processo de exame das declarações de compensação do interessado acima identificado (Dcomp´s às fls. 36/47 e fl. 49, retificadora da Dcomp à fl. 01), por intermédio da qual se pleiteia o reconhecimento da existência de crédito da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS referente ao período de apuração fevereiro de 2005 (PA 02/2005; valor: R$ 4.485.158,64, v. fls. 02/03), apurado segundo o regime da nãocumulatividade, a ser compensado com débitos de outros tributos e contribuições federais. 2 Inicialmente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES (DRF/VIT/ES) exarou o Parecer SEORT/DRF/VIT/ES nº 1.423/2009 e Despacho Decisório (fls. 134/159), reconhecendo apenas parcialmente (valor: R$ 2.831.691,57) o direito creditório pleiteado pelo interessado, e homologando também parcialmente, até o limite do crédito reconhecido, as compensações de que tratam as Dcomp´s acima citadas, sob os seguintes fundamentos: · os valores devidos mensalmente a título de COFINS não cumulativa foram calculados tomandose por base os montantes constantes dos balancetes mensais, partindose, para efeitos de conferência, dos demonstrativos analíticos apresentados pelo contribuinte, em complemento às informações constantes dos Dacon´s, sendo que, do exame levado a cabo, constatouse a não inclusão dos valores contabilizados na conta 415350 (Outras Receitas Eventuais), cuja natureza, segundo informou o contribuinte, revestese de valores percebidos por uso de marca (royalties), indenização por servidão administrativa (passagem de gasoduto) e atualização monetária de contas a receber, os quais, à exceção desses últimos, que tiveram suas alíquotas reduzidas a zero pelo Decreto nº 5.164/04, não têm base legal para a sua exoneração, motivo pelo qual foram objeto de auto de infração, pelo quê também os débitos apurados pelo contribuinte foram admitidos sem qualquer ajuste, remetendose as diferenças à autuação; · já no que concerne aos créditos da nãocumulatividade, e no que se refere à rubrica “Bens utilizados como insumos”, as exclusões ficaram por conta (v. planilha analítica das notas fiscais excluídas do cálculo às fls. 120/124) de: combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos e embarcações (transporte Fl. 538DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 13770.000224/200565 Acórdão n.º 3402002.838 S3C4T2 Fl. 538 3 de papel e celulose), por, nessa condição, não se enquadrarem no conceito de insumo; insumos agrícolas utilizados na operação florestal, que tiveram suas alíquotas reduzidas a zero pelos Decretos nºs 5.195/04 e 5.630/05, e do carvão mineral utilizado para geração de energia, que também teve sua alíquota reduzida a zero por força do art. 2º da Lei nº 10.312/01; óleo lubrificante, utilizado na retífica das facas do picador de cavacos, agente de limpeza e agente hidrofílico, aplicados na limpeza das máquinas do processo produtivo, que não se fazem diretamente aplicados no processo industrial, não atendendo o requisito para a sua configuração como insumo; notas fiscais de importação de insumos sob o regime aduaneiro de drawback (CFOP 3.127), que, como tal, não sofrem a incidência, na nacionalização, do PIS/Pasep e da COFINS nãocumulativos; · já em relação ao item “Serviços utilizados como insumos”, somente assim se consideram aqueles aplicados diretamente na produção, não se confundindo com aqueles prestados na área de produção, motivo pelo qual foram glosados um sem número de serviços adquiridos, tais como: os serviços relacionados às áreas de centros de custos denominados “Apoio”, “Administração”, “Pesquisa e Silvicultura”, “Ações Sociais”, “Comunicação Interna”, etc, enfim, uma série de serviços relacionados aos centros de custo enumerados pelo Parecer Fiscal às fls. 152/153, que se entendem como não aplicados diretamente no processo produtivo, mesmo critério adotado para os serviços vinculados às contas de razão enumeradas à fl. 153 do Parecer Fiscal (planilha demonstrativa das exclusões perpetradas às fls. 125/129); · foram ainda objeto de glosa, na citada rubrica “Serviços utilizados como insumos”: serviços atinentes à operação florestal, tais como a manutenção/abertura de estradas, os serviços topográficos e o inventário florestal; serviços de apoio, análise, assessoria, consultoria e outros serviços afins, descritos no Parecer Fiscal às fls. 153/154, porquanto não aplicados diretamente no processo produtivo; serviços de empilhadeiras, retroescavadeiras, guinchos e guindastes, não admitidos pela mesma razão, ressalvandose a locação destes mesmos equipamentos, devido a previsão explícita de admissão de crédito pelo aluguel de máquinas e equipamentos, mas não como insumos; serviços de construção, reparo e manutenção civil, pintura, hidrojateamento, limpeza e lubrificação realizadas na área de produção, manutenção de elevadores, segurança, meio ambiente, remoção de resíduos e cascas, aterros e serviços administrativos (confecção de placas, carteiras, diagramação, “folders”, reprografia, desenhos, despesas de viagens, etc), não aplicados diretamente no processo produtivo; · ainda nesta categoria (serviços) e pelos mesmos motivos, foram glosadas as aquisições de combustíveis para utilização em veículos da empresa, além de outras que se limitaram à descrição “serviços”, ou que trouxeram em sua indicação o reajuste/adicionais de contratos, rateios, migração de saldos Fl. 539DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 4 contábeis, bem como pagamento de horas extras de mãode obra, ao entendimento de que não configuram serviços, propriamente ditos, mas ajustes contratuais complementares ou acertos contábeis, além do que, ainda que como serviços pudessem ser tidos, não há como definir, nestas situações, quais foram os serviços efetivamente prestados, o que impede seu reconhecimento como insumo; · na operação florestal foram excluídos os gastos com topografia, cartografia, inventário, vigilância, manutenção e abertura de estradas, construção e manutenção de cercas e viveiros, coleta de dados, confecção de porteiras e torres de vigilância, dentre outros, sendo mais esclarecedor especificar os serviços admitidos, que foram os serviços de manutenção das máquinas e equipamentos, derrubada/colheita, roçada, corte/descasque/baldeio, silvicultura e preparo de solo e mudas, tudo em conformidade com a consulta formulada pela Unidade (DRF/VIT/ES) à Superintendência (SRRF/7ª. RF/Disit), descrita resumidamente no Parecer Fiscal (fls. 145/149); · foram glosadas as despesas relativas a serviços de carga, descarga, baldeio, de empilhadeiras e manuseio de mercadorias em elaboração e/ou insumos, enfim, a movimentação destes materiais dentro do estabelecimento da pessoa jurídica, bem como o transporte entre suas unidades, pois não aplicados diretamente na produção, e também porque não subsumíveis às espécies de fretes admitidos, cuja aceitação somente se admite para os casos em que é textual, ou seja, para aqueles incidentes sobre as vendas, ou implícita, como custo de aquisição, para aqueles cobrados sobre as compras, desde que, em qualquer caso, seja tal gasto arcado pelo requerente (além daqueles referenciados, foram estornados todos os fretes da VIX Transportes e Logística Ltda., Gafor Ltda. e Júlio Simões Transportes e Serviços Ltda., sendo que, desta última, forma excepcionados aqueles referentes ao transporte de toras de eucalipto entre a Veracel e a Aracruz, ressalvandose ainda o frete entre as unidades fabris e os armazéns portuários, onde a mercadoria é destinada ao embarque de exportação, pois, nestes casos, os fretes incidem sobre a operação internacional de venda, e desde que o pagamento tenha sido feito em benefício de pessoa jurídica nacional; v. também planilha de exclusões às fls. 125/129); · em linha semelhante, ou seja, por não guardarem referência com o conceito de serviço prestado como insumo, as despesas de carregamento (carga, descarga e movimentação), as despesas com pedágios, taxas de utilização portuária, limpeza e conservação de armazéns, empilhadeiras, marcação de fardos, mãodeobra de terceiros relacionados a tais atividades, foram expurgadas em sua integralidade; · quanto aos créditos que se referem às despesas apropriadas com energia elétrica, aquelas que dizem respeito à consultoria prestada no mercado livre de energia, as contribuições para a Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia – ABRACE, e as taxas de fiscalização de serviços de energia elétrica – TFSEE cobradas pela Agência Nacional de Fl. 540DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 13770.000224/200565 Acórdão n.º 3402002.838 S3C4T2 Fl. 539 5 Energia Elétrica ANEEL (vide demonstrativo de fl. 130), por não se qualificarem como gastos específicos com energia elétrica e, também, por falta de previsão legal para sua absorção como crédito da nãocumulatividade, não puderam ser admitidas; · no item “Despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas”, foram glosados os lançamentos relativos à locação de veículos, ambulâncias e o arrendamento de veículos para transporte de pessoal, por não se enquadrarem tais despesas no conceito estreito de aluguel de máquinas e equipamentos (cf. fl. 131); · os valores apropriados pelo interessado na rubrica “Outros valores com direito a crédito”, tais como despesas com hospedagem de empregados, material de escritório, proteção ao trabalhador, manutenção de móveis e utensílios, programas de formação profissional, materiais de escritório e propaganda e publicidade, devem ser expurgados, porquanto não são passíveis de inclusão por inexistência de permissivo legal (demonstrativo de glosas à fl. 132). 3 Cientificado da decisão da autoridade administrativa local acima mencionada em 05/10/2009 (v. fl. 170), o contribuinte, irresignado, apresentou, em 04/11/2009, a Manifestação de Inconformidade de fls. 171/183 e demais documentos a ela anexados às fls. 184/207 (cópia de carteira de identidade do procurador da empresa, procuração, atas e estatuto social), alegando, em síntese, que: a) o conceito de insumo deve ser entendido como toda e qualquer matériaprima, cuja utilização na cadeia produtiva seja necessária à consecução do produto final, sendo que, no ciclo produtivo do impugnante, as árvores são cortadas e colhidas, processos estes realizados através de diversas atividades (roçada précorte; corte e processamento manual e corte e processamento mecanizado), nas quais durante toda a fase de silvicultura e de colheita, ocorre o consumo de combustíveis em veículos, máquinas e equipamentos próprios e arrendados ou locados, ou ainda de propriedade e operados por terceiros que são contratados para a prestação de serviços intrinsecamente ligados à produção, além do que todos os itens ligados a peças de manutenção, itens de reposição e os imprescindíveis equipamentos de segurança são consumidos em significativo valor durante todo o processo produtivo da empresa; b) o combustível, bem como as peças de reposição e de manutenção adquiridos pelo impugnante são totalmente consumidos em máquinas e veículos próprios, locados, arrendados e de propriedade de terceiros quando da execução dos serviços contratados na área do impugnante e exclusivamente para o impugnante, sendo que, sem eles não há como produzir a celulose, revestindo dessa forma não apenas o Fl. 541DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 6 combustível, mas também todos os demais insumos equivocadamente glosados pela fiscalização de indiscutível essencialidade no processo produtivo da empresa, conforme entendimento das: Solução de Consulta nº 260, de 26/09/2008; Solução de Consulta nº 85, de 07/04/2008; Solução de Consulta nº 72, de 04/09/2006; c) também não há que se falar em glosa de créditos de COFINS, decorrentes da aquisição de insumos de pessoas supostamente tributadas pela COFINS pela sistemática da cumulatividade, conforme entendimento do STJ para fins de crédito presumido de IPI (Resp nº 1008021/CE; Resp nº 617.733/CE; Resp nº 813.280/SC), conceito posto para insumo que o impugnante toma emprestado para a apuração da COFINS; d) ante o exposto, requerse a reforma do Parecer SEORT/DRF/VIT/ES nº 1.423//2009 (na Manifestação referese, erroneamente, ao Parecer nº 1.529/2009), para que sejam homologados todo o ressarcimento de crédito de COFINS e a integralidade das compensações constantes deste processo nº 13770.000224/200565, ou, caso não seja esse o entendimento, que o referido processo seja convertido em diligência, para que todos os equívocos cometidos ao longo do procedimento de fiscalização sejam sanados. Mediante o Acórdão nº 1330.781, de 12 de agosto de 2010, a 5ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro II julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, conforme ementa abaixo: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 COFINS. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS. Na aquisição de bens e serviços, não efetivamente aplicados ou consumidos na fabricação de produtos destinados à venda, ou na prestação de serviços, é cabível a manutenção da glosa promovida na base de cálculo de créditos da COFINS. COFINS. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS DA PESSOA JURÍDICA. O transporte de insumos, produtos acabados ou em elaboração entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não gera direito a crédito a ser descontado da COFINS com incidência nãocumulativa. COFINS. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. AQUISIÇÕES SUJEITAS À ALÍQUOTA ZERO. FERTILIZANTES E CONGÊNERES. CARVÃO MINERAL. A partir do advento da Lei nº 10.865, de 2004, que deu nova redação ao art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, não mais se poderá apropriar créditos relativos à COFINS, decorrentes de aquisições de mercadorias não sujeitas ao pagamento da contribuição, inclusive quando adquiridas com alíquota zero, Fl. 542DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 13770.000224/200565 Acórdão n.º 3402002.838 S3C4T2 Fl. 540 7 utilizadas na produção ou fabricação de produtos destinados à venda. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGÊNCIAS. A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá as diligências que considerar prescindíveis ou impraticáveis, fazendo constar do julgamento o seu indeferimento fundamentado. A contribuinte foi regularmente cientificada, por via postal, da decisão de primeira instância em 27/10/2010. Em 26/11/2010, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, mediante o qual alega, em síntese, que: Entendese por insumo toda e qualquer matériaprima, cuja utilização na cadeia produtiva seja necessária à consecução do produto final. Para a produção de celulose de fibra curta branqueada, o processo industrial da recorrente se inicia no viveiro florestal, onde são produzidas as mudas de eucalipto que irão formar as futuras florestas renováveis mantidas pela empresa. As mudas são selecionadas e enviadas para o plantio no campo. Após o tempo de maturação, as árvores são cortadas e colhidas, processos estes realizados através de diversas atividades (Roçada Précorte; Corte e Processamento Manual e Corte e Processamento Mecanizado). Durante toda a fase de silvicultura e de colheita ocorre consumo de combustíveis em veículos, máquinas e equipamentos próprios e arrendados ou locados, ou ainda de propriedade e operados por terceiros que são contratados para prestação de serviços intrinsecamente ligados à produção. Todos os itens ligados a peças de manutenção, itens de reposição e os imprescindíveis equipamentos de segurança são consumidos em significativo valor durante todo o processo produtivo. Desde a fase de preparação do viveiro até a introdução da madeira no ciclo de produção, a recorrente utiliza caminhões, máquinas e diversos equipamentos operados em sua quase totalidade por terceiros, que irão formar o custo de produção da celulose. Tais custos integram a cadeia de produção de forma indireta por representarem ora custos de formação da matériaprima, ora insumos consumidos para a realização do objeto social da empresa. O combustível, bem como as peças de reposição e de manutenção adquiridos pela recorrente são totalmente consumidos em máquinas e veículos próprios, locados, arrendados e de propriedade de terceiros quando da execução dos serviços contratados na área da recorrente e exclusivamente para a recorrente, sendo que, sem eles não há como produzir a celulose, revestindo dessa forma não apenas o combustível, mas também todos os demais insumos equivocadamente glosados pelo autuante, de indiscutível essencialidade no processo produtivo da recorrente. Por atender à lógica da não cumulatividade, creditouse a recorrente da COFINS incidente sobre o combustível, itens de manutenção, itens de reposição, equipamentos de segurança, entre outros equivocadamente glosados pelo agente fiscal. Esse entendimento é respaldado por diversos precedentes e soluções de consulta. Fl. 543DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 8 Também não há que se falar em glosa de créditos de COFINS decorrentes da aquisição de insumos de pessoas supostamente tributadas pela COFINS pela sistemática da cumulatividade, conforme entendimento do STJ para fins de crédito presumido de IPI, conceito posto para insumo que a recorrente, assim como feito pelo autuante, pega emprestado para a apuração da COFINS. Com efeito, resta completamente assentado que não se pode impedir o creditamento presumido do IPI, bem como no caso em tela da COFINS em razão do fato de estar ou não o fornecedor direto do exportador sujeito ao pagamento destas contribuições. Assim, tentou o autuante inovar e impor regras e conceitos para fins de creditamento da COFINS na sistemática da não cumulatividade, extrapolando sua competência no intuito de limitar o disposto na Lei 10.833/2003, razão pela qual não pode prosperar também nesse ponto a alegação fiscal. Ao final, requereu a recorrente: i) a reforma da decisão recorrida para que seja confirmada a homologação da compensação e também todo o ressarcimento de crédito de COFINS constante no processo. ii) Caso não seja esse o entendimento imediato do julgador, a conversão em DILIGÊNCIA, para que todos os equívocos cometidos ao longo do procedimento de fiscalização sejam sanados e ao final seja CONFIRMADA A HOMOLOGAÇÃO na integralidade da compensação. Posteriormente, foi juntado ao processo o Laudo/Parecer Técnico das fls. 275/468 acerca da cadeia produtiva do sistema agroindustrial de produção de celulose, elaborado por professores da Esalq/USP. É o relatório. Voto Conselheira MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA O recurso é tempestivo e foi apresentado por legítimo representante da contribuinte, pelo que dele se toma conhecimento. Não pode prosperar o conceito de insumo proposto pela recorrente que seria toda e qualquer matériaprima, cuja utilização na cadeia produtiva fosse necessária à consecução do produto final. O direito ao crédito das contribuições não cumulativas deve ser interpretado com as peculiaridades e restrições que lhe são próprias, dispostas no art. 3º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 e nas demais normas aplicáveis à espécie. Este Conselho Administrativo não tem adotado, para fins de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, a interpretação restrita de insumos veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004, e nem tão amplo, de acordo com a legislação do Imposto de Renda, conforme bem esclarece o Acórdão nº 3403002.656, julgado em 28/11/2013, cujo Relator foi Conselheiro Rosaldo Trevisan, cuja ementa ora se transcreve: ASSUNTO:CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração:01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: Fl. 544DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 13770.000224/200565 Acórdão n.º 3402002.838 S3C4T2 Fl. 541 9 PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Filiome ao entendimento deste Conselho Administrativo que tem aceitado os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que neles sejam empregados indiretamente, conforme ilustra a ementa abaixo do Acórdão nº 3403003.052, julgado em 23/07/2014, por voto condutor do Relator Conselheiro Alexandre Kern: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 DIREITO DE CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. (...) Com relação à insurgência genérica ao conceito de insumo aplicado nas glosas, devese ressaltar que o fato de este Colegiado ter entendimento divergente da autoridade de primeira instância no que concerne ao conceito de insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas não acarreta, de forma alguma, a revisão total das glosas mantidas pela decisão recorrida, a qual foi legitimamente emitida em conformidade com a regulamentação trazida pelas referidas Instruções Normativas. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 10 Não há que se olvidar que cada órgão julgador age, dentro da sua esfera de competência, segundo o princípio da livre persuasão racional. Com relação à alegação da recorrente de que seu processo industrial se inicia no viveiro florestal, é de se esclarecer que o entendimento da fiscalização não é dela divergente. A fiscalização considera que os custos incorridos na fase agrícola da produção são insumos para fins de creditamento das contribuições não cumulativas. Com efeito, registrou a fiscalização que a DRF/Vitória já havia formulado consulta à Divisão de Tributação desta Superintendência quanto à correta interpretação do art. 66 da IN SRF 247/02 em relação às pessoas jurídicas que realizam atividades agroindustriais, a qual solucionou a questão em abono quase integral da proposta submetida por aquela Unidade, conforme trecho abaixo extraído do Despacho Decisório: (...) É pertinente registrar a realização de consulta à Divisão de Tributação desta Superintendência quanto à correta interpretação do art. 66 da IN SRF 247/02 em relação às pessoas jurídicas que realizam atividades agroindustriais, cujos termos se transcrevem na íntegra: "DESCRIÇÃO DETALHADA DA QUESTÃO Em procedimento de verificação de ressarcimento de créditos da não cumidatividade das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, realizada junto a pessoa jurídica que exerce atividade de fabricação de celulose juntamente com a produção de toras de eucalipto, esta a principal matériaprima na industrialização daquele produto, deparouse a fiscalização com dúvidas acerca do real alcance do termo "insumo " para fins de apropriação de créditos daquela natureza na operação realizada pela empresa. Assim como na atividade sucroalcooleira, é comum no setor de fabricação de celulose que as indústrias desenvolvam o cultivo de eucalipto para garantia do fornecimento de matériaprima, o que a caracteriza como típica agroindústria. (...) SOLUÇÃO PROPOSTA PELA CONSULENTE Quanto ao primeiro questionamento, entende esta Unidade que, sendo princípio comezinho de direito que a lei não utiliza palavras vãs, os termos "produção" e fabricação" possuem sentidos distintos, não podendo serem tomados como sinônimas no contexto legal sob enfoque. O vocábulo "fabricação", sem maiores controvérsias, guarda relação com "industrialização" na concepção do art. 4o do RIPI/02, aprovado pelo Decreto n° 4.544/02, segundo o qual corresponde a "qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo". Tanto assim que a IN SRF 247/02 buscou a noção de insumo no Parecer CST 65/79 que demarca os conceitos de matériasprimas, produtos intermediários e de embalagem, indiscutivelmente espécies do gênero "insumo ". Produção, por sua vez, não se enquadra como industrialização, ainda que do ponto de vista econômico o possa ser. Este entendimento encontrase pacificado na seara administrativa, tendo, inclusive, o próprio Conselho de Contribuintes firmado posição neste sentido, quando, ao analisar o direito ao crédito presumido de IPI da Lei n° Fl. 546DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 13770.000224/200565 Acórdão n.º 3402002.838 S3C4T2 Fl. 542 11 9.363/96 a pessoa jurídica exportadora de café em grão, reafirmou a inexistência de qualquer processo industrial, do ponto de vista legal, que lhe fosse possível conferir o beneplácito, uma vez que as operações se resumiam a limpar, secar, classificar e ensacar o produto (café) destinado ao mercado internacional (vide acórdãos 20179.068 e 201.79.070). (...) Nesta senda e já adentrando à segunda indagação, encarada a produção como algo distinto de industrialização, temse que as Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03 conferiram, sim, o direito ao aproveitamento de créditos incidentes sobre insumos bens e serviços utilizados na produção, no caso em apreço, entendida como a atividade rural empreendida como acessória à industrialização de celulose, não se erigindo em óbice a tal conclusão a simples omissão da IN SRF 247/02 em conceituar os bens utilizados como insumos em relação à produção, mesmo porque ao definir serviços como insumos estipulou que seriam aqueles aplicados ou consumidos na produção ou na fabricação de bens destinados à venda. Não faria sentido lógicojurídico que se permitisse a apropriação de créditos na produção, exclusivamente em relação serviços tomados como insumos, refutada quanto aos bens, o que leva a crer que houve certa mistura terminológica, em princípio, nada impedindo que, adotando uma interpretação sistemática, apliquese a analogia in bonam partem para se concluir que é possível, na atividade agroindustrial, a tomada de créditos pela utilização de bens e serviços que são consumidos/aplicados na produção. Outrossim, não parece haver dúvida que, acaso a operação florestal fosse realizada em pessoa jurídica distinta e não em processo integrado, como sói ocorrer, os créditos em comento poderiam ser apropriados sem qualquer censura. Isto posto, resta a terceira questão, qual seja, admitidos os créditos, quais seriam os insumos passíveis de admissão no cômputo da apuração dos créditos. Em relação aos bens, dúvida não surge quanto aos herbicidas, fertilizantes e corretivos de solo, eis que consumidos diretamente na produção de toras de eucalipto; entretanto, a mesma facilidade não se repete no que concerne aos serviços, de forma que aqueles relacionados à silvicultura, assim entendido como o cultivo de árvores florestais, e de topografia, visando o levantamento das áreas a serem cultivadas, haveriam de ser admitidos no cálculo. Já os serviços de manutenção de estradas para escoamento da produção e os serviços de satélite para acompanhamento das áreas cultivadas, assim como, a vigilância patrimonial e a construção de cercas divisórias, o mesmo raciocínio não seria aplicável porquanto são serviços que, nada obstante a utilidade na atividade desenvolvida, não se aplicam diretamente na produção, mas apenas de maneira indireta. Nesta linha exegética, "o termo 'insumo' não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tão somente, como aqueles bens e serviços que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos Fl. 547DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 12 na produção de bens destinados à venda ou na prestação do serviço" (SC SRRF/7a RF/Disit n° 69/2007). Na Solução de Consulta SRRF/7" RF/Disit n° 05/2007, destaca se que "( ...) segundo a nova sistemática de apuração não cumulativa da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, os contribuintes a elas sujeitos podem apurar um crédito correspondente à aplicação das respectivas alíquotas sobre determinados custos, para ser abatido do que for devido, num mesmo período, a título das referidas contribuições. Como a utilização desse crédito resultará em redução da contribuição devida, equivalendo a uma renúncia de receita, cumpre salientar o dever de obediência ao princípio da interpretação literal, sendo vedada a extensão da norma a casos nela não previstos, consoante o disposto no art. 111 da Lei n°. 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional." Com estas considerações, submetese o posicionamento retro a esta Divisão de Tributação para que o referende ou, caso contrário, forneça a interpretação mais consentânea com o direito posto, pugnandose desde já, na medida do possível, por uma breve solução, em razão da pendência de análise de pedidos de ressarcimento. " Em abono quase integral da exegese submetida, referida Divisão solucionou a questão no sentido proposto, a exceção dos serviços topográficos, que não vislumbrou hipótese para seu aproveitamento, por falta de respaldo legal, isto é, não se verificava ali a prestação de um serviço diretamente realizado na produção. Fixadas tais premissas, destacase que do exame da escrita contábil/fiscal e dos mapas demonstrativos da composição das contribuições sob exame foram detectados alguns pontos divergentes entre a interpretação levada a cabo pelo contribuinte e a engendrada pela fiscalização, não no que concerne à exatidão dos números fornecidos, mas sim em relação à inclusão/exclusão de certos itens (insumos e/ou receitas)no cálculo dos valores aproveitados na apuração do tributo sob exame. Por força dos princípios do contraditório e da ampla defesa impõese a segregação e exame apartado de todos os pontos de discordância (rectius questões), que foram alvo de glosa ou acréscimo na base de cálculo, em relação aos valores apurados pelo contribuinte. (...) No que concerne aos combustíveis, alega a recorrente que eles são consumidos em veículos, máquinas e equipamentos, durante toda a fase de silvicultura e de colheita, de forma que são essenciais no seu processo produtivo. No despacho decisório observase que as glosas a título de combustíveis foram somente relativas àqueles utilizados em veículos e embarcações, em face da sua não utilização direta no processo produtivo, conforme se vê abaixo: (...) Fl. 548DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 13770.000224/200565 Acórdão n.º 3402002.838 S3C4T2 Fl. 543 13 Nesta rubrica as exclusões ficaram por conta dos combustíveis e lubrificantes utilizados em veículos e embarcações (transporte de papel e celulose), por, nessa condição, não se qualificarem como insumo, visto sua influência indireta no processo produtivo; (...) Nesta categoria (serviços) também foram relacionadas aquisições de combustíveis para utilização em veículos da empresa, redundando em sua glosa, não pelo equívoco da classificação proposta (insumo bem x serviço), mas sim, por não possuir este combustível a natureza de insumo, haja vista sua não utilização direta no processo produtivo. (...) No entanto, a mera alegação de que os combustíveis seriam essenciais à produção de celulose não é suficiente para afastar a glosa correspondente. Caberia à recorrente, por ocasião da manifestação de inconformidade, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 333, II do Código de Processo Civil, comprovar a eventual existência de elemento modificativo ou extintivo da decisão que glosou, motivadamente, o crédito decorrente de combustíveis. Embora esta Relatora pudesse, em conformidade com precedentes deste CARF, reconhecer, por exemplo, o crédito decorrente dos combustíveis utilizados em veículos ou embarcações em relação ao transporte ou manuseio de insumos ou produtos inacabados dentro do contexto do seu processo produtivo, nele incluído a fase agrícola, a recorrente não trouxe aos autos, até a manifestação de inconformidade, a comprovação de que os combustíveis questionados estariam inseridos nessa situação ou, eventualmente, em outra que ensejasse o referido creditamento. A recorrente, no recurso voluntário e na manifestação de inconformidade, restringiuse à alegação de que o combustível seria essencial ao seu processo produtivo e seria consumido em veículos, máquinas e equipamentos na fase de silvicultura e de colheita. No Laudo posteriormente apresentado há a informação de que toda a atividade silvicultural e fabril depende da movimentação de veículos leves, ônibus, vans, tratores, caminhões, máquinas leves e pesadas, todos consumidores de combustível. Não resta mesmo dúvida de que o combustível seja essencial à atividade produtiva da recorrente, entretanto, ela não comprovou que as despesas relativas às aquisições tributadas de combustíveis glosadas seriam, efetivamente, aplicadas nos veículos, máquinas e equipamentos do seu processo produtivo, mas não em outras operações que, embora sejam da atividade da empresa como um todo, não gerariam direito ao crédito das contribuições. A apuração dessa questão exigiria dilação probatória, não mais cabível neste momento processual, quando já preclusa a produção de provas pela recorrente, sem olvidar que seria dela o ônus da prova do seu direito creditório. Pelo que entendo que devem ser mantidas as glosas correspondentes aos combustíveis. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM 14 Alega a recorrente também a essencialidade no seu processo produtivo de todos os itens ligados a peças de manutenção, a itens de reposição e aos equipamentos de segurança, bem como caminhões, máquinas e diversos equipamentos operados em sua quase totalidade por terceiros. Entretanto, além de os bens não constarem expressamente no Parecer Seort como glosados, acerca dos itens ligados à manutenção, há menção no Parecer Seort de que foram admitidos os créditos relativos a "serviços de manutenção das máquinas e equipamentos, derrubada/colheita, roçada, corte/descasque/baldeio, silvicultura e preparo de solo e mudas, tudo isso em conformidade, como já dito, com a consulta formulada por esta Unidade", mas também de que foram efetuadas várias glosas relativas a manutenção, como, por exemplo, 'manutenção de moveis e utensílios", "manutenção de cercas e viveiros" e "manutenção de moveis e utensílios". Não se sabe, pela leitura do recurso voluntário, quais seriam, especificamente, os itens recorridos. Tratase de defesa muito genérica, deficiente e desprovida de comprovação. Assim, diante da ausência da delimitação da discordância e dos seus correspondentes fundamentos de fato e de direito respaldados em provas, conforme exige o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, deixo de conhecer essa alegação. O Parecer Seort também não trata de qualquer questão quanto à "glosa de créditos de COFINS decorrentes da aquisição de insumos de pessoas supostamente tributadas pela COFINS pela sistemática da cumulatividade", alegada pela recorrente no recurso voluntário. Por fim, requereu a recorrente, a conversão em diligência "para que todos os equívocos cometidos ao longo do procedimento de fiscalização sejam sanados", entretanto, não logrou êxito em demonstrar quais seriam esses equívocos, conforme acima analisado, além do que, a diligência não se presta a suprir a deficiência probatória da requerente de reconhecimento de direito creditório. A autoridade julgadora administrativa, a teor do art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, pode determinar, de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligências ou perícias, mas somente quando entendêlas necessárias ao seu convencimento, devendo indeferir as prescindíveis ao julgamento. No entanto, essas previsões legais não existem com o propósito de suprir o ônus da prova colocado às partes, mas sim de elucidar questões pontuais mantidas controversas mesmo em face dos documentos trazidos pela requerente. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de indeferir o pedido de diligência e negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinatura digital) Fl. 550DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM Processo nº 13770.000224/200565 Acórdão n.º 3402002.838 S3C4T2 Fl. 544 15 MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Fl. 551DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 31/01/2016 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente em 01/02/2016 por ANTONIO C ARLOS ATULIM
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