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Numero do processo: 19311.000150/2009-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1401-000.262
Decisão: Por unanimidade de votos, Sobrestaram o julgamento, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
Assinado digitalmente
Maurício Pereira Faro Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos Sérgio Luiz Bezerra Presta e Mauricio Pereira Faro.
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
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decisao_txt : Por unanimidade de votos, Sobrestaram o julgamento, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro Relator Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos Sérgio Luiz Bezerra Presta e Mauricio Pereira Faro.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1251; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 2 1 1 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19311.000150/200984 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1401000.262 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 10 de setembro de 2013 Assunto SOBRESTAMENTO Recorrente VALKI PLASTICOS E MAQUINAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONL Por unanimidade de votos, Sobrestaram o julgamento, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Jorge Celso Freire da Silva – Presidente Assinado digitalmente Maurício Pereira Faro – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Jorge Celso Freire da Silva, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos Sérgio Luiz Bezerra Presta e Mauricio Pereira Faro. Conforme se verifica do relatório elaborado pela DRJ, as fls. 982 “Como os extratos bancários não foram entregues pela fiscalizada, à exceção do Banco Itaú, foram emitidas as Requisições de Informação sobre Movimentação Financeira (RMFs) para as demais instituições que administravam as contas bancárias da fiscalizada, e os extratos por elas entregues foram anexados ao processo”.grifei RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 93 11 .0 00 15 0/ 20 09 -8 4 Fl. 1448DF CARF MF Processo nº 19311.000150/200984 Resolução nº 1401000.262 S1C4T1 Fl. 3 2 Dessa forma. dentre as questões em discussão no presente feito, encontrase a utilização da Requisição de Movimentação Financeiras – RMF, por parte da Autoridade Fiscal, como forma de conhecer os extratos bancários da Recorrente. A constitucionalidade de referido instrumento está em julgamento perante o Supremo Tribunal Federal, nos autos do RE 601.314, sob regime de repercussão geral. Segundo o art. 62, § 1º Código de Processo Civil, “Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543b, do CPC”. Ainda, nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal, o reconhecimento da repercussão geral conduzirá |à aplicado no art. 543B do CPC. Senão, veja se: Art. 328. Protocolado ou distribuído recurso cuja questão for suscetível de reproduzirse em múltiplos feitos, o Presidente do Tribunal ou o Relator, de ofício ou a requerimento da parte interessada, comunicará o fato aos tribunais ou turmas de juizado especial, a fim de que observem o disposto no art. 543 B do Código de Processo Civil, podendo pedirlhes informações, que deverão ser prestadas em 5 (cinco) dias, e sobrestar todas as demais causas com questão idêntica. Parágrafo único. Quando se verificar subida ou distribuição de múltiplos recursos com fundamento em idêntica controvérsia, o Presidente do Tribunal ou o Relator selecionará um ou mais representativos da questão e determinará a devolução dos demais aos tribunais ou turmas de juizado especial de origem, para aplicação dos parágrafos do art. 543B do Código de Processo Civil. (sem grifos no original). Ainda, a Portaria nº 138, de 23 de julho de 2009, do Supremo Tribunal Federal, impõe que todo processo onde tiver havido repercussão geral deverá ser sobrestado, independentemente de determinação expressa nesse sentido. Leiase o dispositivo, in verbis: PORTARIA Nº 138, DE 23 DE JULHO DE 2009 O PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, no uso de suas atribuições legais e tendo em vista o disposto no art. 543B, § 5º, do Código de Processo Civil, com a redação da Lei nº 11.418/06, e no art. 328, parágrafo único, do Regimento Interno, com redação da Emenda Regimental nº 21/07, RESOLVE: Art. 1º Determinar à Secretaria Judiciária que devolva aos Tribunais, Turmas Recursais ou Turma Nacional de Uniformização dos Juizados Especiais os processos múltiplos ainda não distribuídos relativos a matérias submetidas à análise de repercussão geral pelo STF, os encaminhados em desacordo com o disposto no § 1º do art. 543B, do Código de Processo Civil, bem como aqueles em que os Ministros tenham determinado sobrestamento ou devolução. Fl. 1449DF CARF MF Processo nº 19311.000150/200984 Resolução nº 1401000.262 S1C4T1 Fl. 4 3 Pelo exposto, entendo deva o presente feito ficar sobrestado até ulterior análise da questão constitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Transitada em julgada a decisão do Excelso Pretório, retornem os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Maurício Pereira Faro Relator De acordo: (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente Fl. 1450DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721028/2014-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009
AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO APÓS INCORPORAÇÃO, FUSÃO OU CISÃO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO, POR MEIO EXTRA-CONTÁBIL, DE PARCELAS JÁ AMORTIZADAS CONTABILMENTE.
A partir da ocorrência do evento de fusão, incorporação ou cisão, a amortização do ágio ou deságio anteriormente pago deve ser registrada contabilmente, na escrituração comercial da pessoa jurídica, sem a necessidade de ajustes, por adição ou exclusão ao lucro líquido, para fins fiscais. A amortização contábil do ágio ou deságio, a partir da ocorrência do evento que determinou a extinção da participação societária, produz efeitos fiscais. Não é possível aproveitar, para fins exclusivamente fiscais, as parcelas do ágio ou deságio já amortizado contabilmente em períodos anteriores.
Recurso de Ofício Provido.
Numero da decisão: 1402-002.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso de ofício e restabelecer a exigência, nos termos do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Caio Cesar Nader Quintella que votaram por negar provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
DEMETRIUS NICHELE MACEI - Relator.
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2009 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO APÓS INCORPORAÇÃO, FUSÃO OU CISÃO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO, POR MEIO EXTRA-CONTÁBIL, DE PARCELAS JÁ AMORTIZADAS CONTABILMENTE. A partir da ocorrência do evento de fusão, incorporação ou cisão, a amortização do ágio ou deságio anteriormente pago deve ser registrada contabilmente, na escrituração comercial da pessoa jurídica, sem a necessidade de ajustes, por adição ou exclusão ao lucro líquido, para fins fiscais. A amortização contábil do ágio ou deságio, a partir da ocorrência do evento que determinou a extinção da participação societária, produz efeitos fiscais. Não é possível aproveitar, para fins exclusivamente fiscais, as parcelas do ágio ou deságio já amortizado contabilmente em períodos anteriores. Recurso de Ofício Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso de ofício e restabelecer a exigência, nos termos do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Caio Cesar Nader Quintella que votaram por negar provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente. (assinado digitalmente) DEMETRIUS NICHELE MACEI - Relator. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ ANOCALENDÁRIO: 2009 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO APÓS INCORPORAÇÃO, FUSÃO OU CISÃO. IMPOSSIBILIDADE DE EXCLUSÃO, POR MEIO EXTRA CONTÁBIL, DE PARCELAS JÁ AMORTIZADAS CONTABILMENTE. A partir da ocorrência do evento de fusão, incorporação ou cisão, a amortização do ágio ou deságio anteriormente pago deve ser registrada contabilmente, na escrituração comercial da pessoa jurídica, sem a necessidade de ajustes, por adição ou exclusão ao lucro líquido, para fins fiscais. A amortização contábil do ágio ou deságio, a partir da ocorrência do evento que determinou a extinção da participação societária, produz efeitos fiscais. Não é possível aproveitar, para fins exclusivamente fiscais, as parcelas do ágio ou deságio já amortizado contabilmente em períodos anteriores. Recurso de Ofício Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso de ofício e restabelecer a exigência, nos termos do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Caio Cesar Nader Quintella que votaram por negar provimento ao recurso. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 10 28 /2 01 4- 45 Fl. 5244DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16327.721028/201445 Acórdão n.º 1402002.250 S1C4T2 Fl. 5.245 2 (assinado digitalmente) DEMETRIUS NICHELE MACEI Relator. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 5245DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16327.721028/201445 Acórdão n.º 1402002.250 S1C4T2 Fl. 5.246 3 Relatório Contra o interessado foram lavrados autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ no valor total de R$ 748.963.031,69 (fl. 2) e Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL no valor total de R$ 314.564.473,28 (fl. 2), em função das seguintes irregularidades que se encontram descritas no Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 5022/5043: 1 Exclusões indevidas de ágio amortizado antes da incorporação de Pessoa Jurídica; 2 Insuficiência de pagamento mensal da estimativa do IRPJ e da CSLL Incidência da multa isolada; 3 Houve exigência da Multa de Ofício no percentual de 75%. A fiscalização relata no Termo de Verificação Fiscal TVF, em síntese, o que se segue: Na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL do anocalendário de 2009, o Banco Santander excluiu o valor de R$ 1.150.506.855,54 sob o título de "Amortização de ágio Banco Real". O referido valor corresponde à despesa de amortização de ágio, oriundo da aquisição do Banco Abn Amro Real S.A. (Banco Real), e consta nos balancetes de 2008 e de 2009 da seguinte forma: Mês de laçamento Conta Cosif / Conta interna Descrição da conta Valor RS Dez/2008 8.1.9.99.006/946.229 Despesa de amortização de ágio Banco Abn Amro Real 554.954.912,02 Março/2009 8.1.9.99.006/946.229 Despesa de amortização de ágio Banco Abn Amro Real 446.663.957,65 Abril/2009 8.1.9.99.006/946.229 Despesa de amortização de ágio Banco Abn Amro Real 148.887.985,88 Total 1.150.506.855,54 A amortização contábil acima indicada corresponde ao período entre a data da incorporação de ações do Banco Real, em evento realizado no dia 29 de agosto de 2008, e a sua incorporação, ocorrida no dia 30 de abril de 2009, pelo Banco Santander. Na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, de 2008 e de 2009, essas despesas de amortização de ágio nos valores de R$ 554.954.912,02 e R$ 595.551.943,53, respectivamente, foram adicionadas. Porém, a partir de junho de 2009, nas bases estimadas do imposto e da contribuição, o Banco Santander procedeu à reversão dessas adições, gradativamente, sendo que, no ano, o valor total da exclusão foi de R$ 1.150.506.855,54. Faz uma breve análise dos fatos e da legislação aplicável concluindo que o caso em discussão enquadrase no art. 386 do RIR/99, face à incorporação do Banco Real pelo Banco Santander. Ressalva porém, que após a incorporação, à pessoa jurídica incorporadora é permitida a amortização contábil do ágio limitada à razão máxima de um sessenta avos, por mês, e que não se pode deduzir na contabilidade um ágio já amortizado anteriormente ao evento, não havendo nenhuma autorização para que, na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, possa ser "excluído" esse ágio já amortizado, por expressa falta de disposição legal. Fl. 5246DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16327.721028/201445 Acórdão n.º 1402002.250 S1C4T2 Fl. 5.247 4 Acrescenta que o ágio decorrente do valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros, poderá ser amortizado nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração. O art. 386 do RIR/99 especifica a forma pela qual o ágio ou deságio deve ser contabilizado em decorrência da absorção de patrimônio de pessoa jurídica, bem como determina a amortização contábil, para efeitos fiscais, a partir do evento que extinguiu a participação societária. Ou seja, o referido artigo trata somente da escrituração comercial da pessoa jurídica. E não há nenhum comando na lei que autorize ou determine o aproveitamento do ágio ou deságio já amortizado contabilmente por meio de exclusão ou adição no lucro real. Salienta que o art. 426 do RIR/99 (que trata da alienação ou liquidação do investimento) contém uma disposição explícita quanto à possibilidade do aproveitamento do ágio já amortizado contabilmente, disposição esta que não se repete no art. 386. Cientificada pessoalmente, em 22/10/2014, fls. 5064/5067, a empresa apresentou impugnação, em 19/11/2014, fls. 5070/5122, argumentando, em síntese, o que se segue: Em preliminar: alega que a fiscalização não poderia questionar a legalidade dos atos que originaram o direito ao aproveitamento do ágio, que surgiu em 29/08/2008, em lançamento com ciência em 22/10/2014. Apresenta doutrina em seu favor. Em seguida, discorre sobre o princípio da legalidade para defender que a fiscalização somente poderia autuála diante de fato expressamente previsto em lei como tributável. Cita o CTN, em especial o art. 108, que prescreve que o emprego da analogia não poderá resultar na exigência de tributo não previsto em lei. Questiona o argumento da fiscalização de que "não há nenhum comando de lei que autorize ou determine o aproveitamento do ágio ou deságio já amortizado contabilmente por meio de exclusão ou adição no lucro real', afirmando que "não existe dispositivo de lei que proíba tal tratamento". Discorre sobre a natureza do ágio e sobre a necessidade de se permitir a dedução do ágio amortizado contabilmente antes da incorporação, e também, da necessária isonomia de tratamento para contribuintes em situação semelhante. Ad argumentandum, defende a inexistência de previsão legal para a adição à base de cálculo da CSLL da despesa com a amortização de ágio considerada indedutível pela fiscalização. Defende a impossibilidade de aplicação da multa isolada de 50% concomitantemente com a multa de ofício de 75%, sobretudo após o encerramento do anocalendário. Cita doutrina. Defende a ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa. Cita jurisprudência. Ao final, pede o cancelamento do auto de infração, em preliminar, pelo reconhecimento da decadência. No mérito, defende a procedência da impugnação. A DRJ afastou a preliminar de decadência, contudo, no mérito, deu total procedência à defesa Fl. 5247DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16327.721028/201445 Acórdão n.º 1402002.250 S1C4T2 Fl. 5.248 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2009 ÁGIO AMORTIZADO CONTABILMENTE. DEDUTIBILIDADE. Se cumpridos os requisitos legais para a amortização do ágio com fundamento na rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados dos exercícios futuros, não há impedimento legal para o aproveitamento das parcelas do ágio já amortizadas contabilmente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A decisão relativa ao auto de infração matriz deve ser igualmente aplicada no julgamento do auto de infração conexo, decorrente ou reflexo, no que couber, uma vez que ambos os lançamentos, matriz e reflexo, estão apoiados nos mesmos elementos de convicção. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 DECADÊNCIA. ÁGIO. FATO GERADOR. O fato gerador do IRPJ é constituído por uma série de eventos jurídicos, ocorridos ao longo do anobase. Em 31 de dezembro, encerrase a apuração do imposto. Nessa data, ocorre o fato gerador e surge a obrigação tributária. A data da aquisição com ágio não influencia na contagem do prazo decadencial que tem como marco inicial a data de ocorrência do fato gerador do imposto lançado. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Face à decisão acima, a Delegacia de Julgamento recorreu de ofício a este Conselho. É o Relatório. Fl. 5248DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16327.721028/201445 Acórdão n.º 1402002.250 S1C4T2 Fl. 5.249 6 Voto Vencido Conselheiro Demetrius NIchele Macei O recurso é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Muito resumidamente, toda a controvérsia se verifica nas etapas abaixo: 1) No período de Agosto 2008 (aquisição) a Abril de 2009 (incorporação) o contribuinte amortizou contabilmente o valor de R$ 1.150.506.855,54. Este valor foi adicionado ao lucro e controlado na parte B do LALUR, ou seja, não produziu efeito fiscal. 2) No período de Maio a Dezembro de 2009 o contribuinte amortizou contabilmente o valor de R$2.213.333.021,60 e fiscalmente o valor de R$ 3.363.839.877,14 sendo que a diferença entre os dois se refere a reversão do valor lançado na parte B do LALUR. 3) A fiscalização entendeu que os valores que foram contabilizados até abril de 2009, ou seja, já amortizados contabilmente e não produziram efeito fiscal (diferença) não podem ser utilizados para redução do IRPJ e CSLL Em regra, a legislação fiscal proíbe a dedução fiscal das contrapartidas da amortização do ágio decorrente de avaliação de investimentos pelo patrimônio líquido na determinação do lucro real (RIR/1999, art. 391). Como exceção, à época da ocorrência dos fatos geradores, o mesmo RIR/1999 previa, no art. 386, a possibilidade de amortização do valor do ágio pela pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, desde que o fundamento do ágio seja o valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros. A Administração Tributária defende que o ágio para ser amortizável requer a existência de substrato econômico e o atendimento dos seguintes pressupostos: a) efetivo pagamento; b) partes não ligadas; e c) laudo técnico tempestivo, autônomo e confiável. Nenhum destes requisitos, entretanto, são discutidos no TVF deste processo. A formação do ágio na operação de aquisição das ações de emissão do Banco Real pelo Banco Santander não foi questionada pela fiscalização. Em 30/04/2009 o contribuinte, Banco Santander, incorporou o Banco Real. É incontroverso nos autos que essa operação faz nascer o direito ao benefício fiscal de aproveitamento do ágio na apuração do Lucro Real, de acordo com a Lei 9.532, de 1997, art. 7°, com redação dada pela Lei n° 9.718, de 1998. No Regulamento do Imposto de Renda RIR, de 1999, este benefício fiscal está assim descrito: Fl. 5249DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16327.721028/201445 Acórdão n.º 1402002.250 S1C4T2 Fl. 5.250 7 Art. 386. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no artigo anterior (Lei n°9.532, de 1997, art. 7°, e Lei n°9.718, de 1998, art. 10): I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata o inciso I do § 2° do artigo anterior, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso III do § 2° do artigo anterior, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata o inciso II do § 2° do artigo anterior, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração;(grifos acrescidos) Entretanto, entendeu a fiscalização, que apenas o saldo existente em abril/2009 na conta contábil que registrava o ágio gerado na operação de aquisição das ações, em agosto/2008, poderia ser amortizado com reflexos no lucro real, nos termos do inciso III supra. Isso porque, as parcelas amortizadas no período decorrido entre a aquisição e a incorporação, não estariam contidas na definição de "valor do ágio" veiculada pela norma. A fiscalização utilizou a apuração do Resultado na Alienação de Investimento Avaliado pelo Valor de Patrimônio Líquido, na qual há previsão expressa de que as parcelas do ágio amortizado na escrituração comercial do contribuinte compõem o valor contábil utilizado para determinar o ganho ou perda de capital, para concluir, à contrário senso, que essas mesmas parcelas não compõem o valor do ágio referido no citado art. 386, III, porque aqui elas não foram explicitadas pelo legislador. Veja o texto do artigo 426, do RIR, a seguir: Subseção V Resultado na Alienação de Investimento Avaliado pelo Valor de Patrimônio Líquido Art. 426. O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 384), será a soma algébrica dos seguintes valores (DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 33, e DecretoLei n° 1.730, de 1979, art. 1°, inciso V): I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; Fl. 5250DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16327.721028/201445 Acórdão n.º 1402002.250 S1C4T2 Fl. 5.251 8 II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real; III provisão para perdas que tiver sido computada, como dedução, na determinação do lucro real, observado o disposto no parágrafo único do artigo anterior.(grifos acrescentados) De acordo com a fiscalização não há nenhum comando na lei que autorize ou determine o aproveitamento do ágio ou deságio já amortizado contabilmente, nem que possa dar a entender que as amortizações registradas contabilmente a partir do evento devam ser "revertidas" (por adição ou exclusão ao lucro líquido) para fins fiscais. De fato, conforme afirmou o contribuinte em sua defesa, analisandose a literalidade dos dispositivos legais que governam a matéria, não há qualquer vedação ao aproveitamento do ágio amortizado contabilmente antes da incorporação. Não se trata de caso de ausência de previsão legal. A previsão existe: o ágio a ser amortizado em razão dos eventos de incorporação, fusão e cisão é aquele apurado nos termos do artigo 20 do DecretoLei n° 1.598/77, qual seja, custo de aquisição menos o valor de patrimônio líquido do investimento adquirido, sem a exclusão de qualquer outra parcela, uma vez que o ágio amortizado na escrituração contábil antes dos referidos eventos não teve nenhuma repercussão de natureza fiscal, tendo sido adicionado ao lucro líquido e controlado na Parte B do Lalur". A decisao de primeira instancia, corretamente, corroborou com tal entendimento. Esclareceu a decisao da DRJ que não existe lacuna a ser preenchida. O esforço hermenêutico realizado para entender qual é o valor passível de amortização com efeitos fiscais do art. 386, III, do RIR, é desnecessário porque o texto da lei não dá margem para tal exercício. O comando referese ao valor do "Ágio". Não fala em valor atualizado, não fala em valor contábil, não fala em saldo de ágio, não fala em parcelas amortizadas ou não amortizadas. Neste ponto, exige somente que o fundamento do ágio seja a rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercício futuros. Ágio é a diferença, o sobrepreço. Não é a parcela ainda não amortizada deste sobrepreço. Se a intenção do legislador fosse permitir a amortização apenas das parcelas ainda não amortizadas, ele deveria ter feito essa ressalva. Não cabe ao intérprete restringir onde a lei não o fez. O artigo 426 do Regulamento do Imposto de Renda tem fundamento legal no artigo 33 do DecretoLei 1.598, de 1977. Pelos fundamentos da autuação, neste artigo houve o tratamento explícito do que fazer com as parcelas do ágio já amortizadas na escrituração comercial do contribuinte. Tal fato, levou a fiscalização a concluir que o artigo 386, também, deveria ter tratado essas parcelas de maneira explícita. Como não o fez, criou uma lacuna a ser preenchida por meio da interpretação. Não há dúvida que por valor do ágio quis dizer sua integralidade. Em nenhum momento a fiscalização defende a tese de que as parcelas do ágio já amortizadas contabilmente estão excluídas do valor do ágio a ser amortizado fiscalmente com base na permissão do artigo 386 do RIR. Fl. 5251DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16327.721028/201445 Acórdão n.º 1402002.250 S1C4T2 Fl. 5.252 9 Exatamente o ponto discutido neste processo, teve o texto alterado recentemente pela MP 627, de 2013, convertida na Lei 12.973, de 2014. A MP tentou alterar para saldo existente na data do evento "incorporação", o valor do ágio passível de amortização. Essa alteração não foi acolhida, e na lei, o texto ficou saldo existente na data da aquisição. Confirase: Medida Provisória 627, de 11 de novembro de 2013. Incorporação, Fusão ou Cisão Goodwill Art. 21. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detinha participação societária adquirida com ágio por rentabilidade futura (goodwill) decorrente da aquisição de participação societária entre partes não dependentes, apurado segundo o disposto no inciso III do caput do art. 20 do Decreto Lei n° 1.598, de 1977, poderá excluir para fins de apuração do lucro real dos períodos de apuração subseqüentes o saldo do referido ágio existente na contabilidade na data do evento, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração. (Vigência) Lei 12.973, de 13 de maio de 2014. Goodwill Art. 22. A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detinha participação societária adquirida com ágio por rentabilidade futura (goodwill) decorrente da aquisição de participação societária entre partes não dependentes, apurado segundo o disposto no inciso III do caput do art. 20 do Decreto Lei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, poderá excluir para fins de apuração do lucro real dos períodos de apuração subsequentes o saldo do referido ágio existente na contabilidade na data da aquisição da participação societária, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período de apuração. (Vigência) Se tivesse permanecido na redação da MP "saldo na data do evento", apenas o saldo atualizado, descontado das parcelas já amortizadas na contabilidade, seria passível de amortização fiscal. Entretanto, ao prevalecer o "saldo na data de aquisição", o legislador, mais uma vez, confirma a decisão de conceder o benefício da amortização fiscal ao valor integral do ágio. De acordo com o TFV, fl. 5027, o ágio contabilizado na operação de incorporação da totalidade das ações de emissão do Banco Real foi de R$ 26.012.090.253,38. O artigo 386 do RIR estabelece o limite máximo para a amortização fiscal à razão de um sessenta avos para cada mês do período de apuração. No caso concreto o limite máximo para amortização mensal é de R$ 433.534.837,56, totalizando R$ 5.202.418.050,68 em 1 ano. Fl. 5252DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16327.721028/201445 Acórdão n.º 1402002.250 S1C4T2 Fl. 5.253 10 A seguir, quadro extraído do TVF, fl. 5026, com as amortizações realizadas de maio a dezembro de 2009. Como se pode observar, elas respeitaram o limite estabelecido pela lei. Período Amortização Contábil Saldo "Parte B" Amortização Dedutível Limite 1/60 Set a Dez 2008 554.954.912,02 554.954.912,02 1.734.139.350,23 Jan a Abr 2009 595.551.943,53 1.150.506.855,54 1.734.139.350,23 Mai a Dez 2009 2.213.333.021,60 3.363.839.877,14 3.468.278.700,45 2010 3.103.496.000,04 3.103.496.000,04 5.202.418.050,68 2011 3.103.500.000,04 3.103.500.000,04 5.202.418.050,68 2012 3.636.895.253,76 3.636.985.253,76 5.202.418.050,68 2013 3.636.895.253,76 3.636.895.253,76 5.202.418.050,68 Vejase que o valor amortizado foi até mesmo inferior ao que poderia ser, de até 1/60, se considerarmos somente o período após incorporação (maio a dez/09 x R$ 443.534.837,56 = R$ 3.548.278.700,48). Também no TVF, fl. 5038, a fiscalização confirma que não houve excesso nas amortizações: "O Banco Santander, por sua vez, observou tais critérios, inclusive ao considerar o art. 7, § 1° da Circular n° 3017/00, do Banco Central do Brasil, o art. 14, § 2°, alínea "a", da Instrução CVM n°247/96 e a Instrução CVM n°285/98, os quais resultaram em uma amortização contábil bem abaixo do limite máximo de um sessenta avos, ao mês, da parcela do ágio não amortizado, não gerando, portanto, um excesso". Em suma, entendo que o ágio mesmo já amortizado contabilmente deve produzir efeito fiscal. Que a rentabilidade que futura da sociedade cuja participação foi adquirida, pode ser amortizada para fins de apuração do IRPJ e da CSLL (fiscalmente), à razão de até 1/60 ao mês após extinção da participação societária adquirida por incorporação, fusão ou cisão, independentemente da amortização contábil. Em relação aos demais itens julgados pela DRJ, por terem sido desfavoráveis ao contribuinte e por não haver recurso voluntário a esse respeito, deixo de examinálos. Diante do exposto, considero irretocável a decisão da DRJ que afastou as glosas das exclusões das parcelas do ágio amortizadas contabilmente no período de Agosto/2008 a Abril/2009 e, portanto, julgo IMPROCEDENTE o recuso de ofício. É o voto. Demetrius NIchele Macei – Relator Fl. 5253DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16327.721028/201445 Acórdão n.º 1402002.250 S1C4T2 Fl. 5.254 11 Voto Vencedor Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Redator Designado. Em que pesem os valorosos argumentos do ilustre Conselheiro Relator, ouso discordar do seu entendimento. Este colegiado já teve a oportunidade de se pronunciar sobre este tema na análise do Acórdão 1402001.876, hipótese em que se entendeu correto o entendimento externado no Acórdão 1102000.873, de lavra do eminente Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé, em relação ao qual, transcrevo os trechos de interesse: [...] Vejamos agora como a legislação fiscal tratou da matéria. Inicialmente, foi editado o DecretoLei no 1.598/77, o qual, no seu art. 20, assim dispôs a respeito do desdobramento do custo de aquisição do investimento e da indicação dos fundamentos: “Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; Fl. 5254DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16327.721028/201445 Acórdão n.º 1402002.250 S1C4T2 Fl. 5.255 12 c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. (...)” Vêse, assim, que os fundamentos indicados nas alíneas ‘a’ e ‘b’ do § 2º acima transcrito correspondem aos mesmos fundamentos apontados pela legislação societária/contábil. Já quaisquer outros fundamentos que a legislação societária/contábil possa vir a reconhecer e expressamente normatizar a respeito, encontramse albergados pela alínea ‘c’ do § 2º acima transcrito (“outras razões econômicas”), a exemplo do ágio decorrente da aquisição do direito de exploração, concessão ou permissão delegadas pelo Poder Público. E, quanto à amortização, inicialmente previa o art. 25 do DecretoLei no 1.598/77 uma regra específica para a amortização do ágio ou deságio fundamentado na diferença entre o valor de mercado e o valor contábil dos bens, que diferia daquela aplicada aos demais fundamentos. Contudo, o Decretolei nº 1.730/79, ao dar nova redação ao art. 25 do DecretoLei no 1.598/77, desfez esta ressalva e determinou que, ao ágio com este fundamento (diferença entre o valor de mercado e o valor contábil dos bens), fosse aplicada a mesma regra que o diploma legal já previa para os demais fundamentos. Assim, consolidouse o tratamento dispensado à amortização do ágio, para fins fiscais, nos seguintes termos: “Art. 25 As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o artigo 20 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no artigo 33. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979)” O art. 33 trata da apuração de ganho de capital na alienação ou liquidação do investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido. Vejase que a lei fiscal deixou, assim, de possuir qualquer comando relativo à forma como deveria ser feita a amortização do ágio ou deságio, deixando tal regulamentação inteiramente a cargo da legislação societária e contábil. Dito de outra forma, qualquer que fosse a forma ou critério utilizado contabilmente, o que importa é que, para fins fiscais, o valor desta amortização deveria ser “estornado” ou “revertido” na apuração do lucro real. Contudo, a lei fiscal previu algumas hipóteses específicas, vinculadas à apuração de ganho de capital, em que a amortização do ágio ou deságio poderia ter reflexos fiscais. Fl. 5255DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16327.721028/201445 Acórdão n.º 1402002.250 S1C4T2 Fl. 5.256 13 Inicialmente, vejase o que dispôs o art. 31 do DecretoLei no 1.598/77 a respeito do ganho de capital: “Art 31 Serão classificados como ganhos ou perdas de capital, e computados na determinação do lucro real, os resultados na alienação, inclusive por desapropriação (§ 4º), na baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo permanente. § 1º Ressalvadas as disposições especiais, a determinação do ganho ou perda de capital terá por base o valor contábil do bem, assim entendido o que estiver registrado na escrituração do contribuinte, corrigido monetariamente e diminuído, se for o caso, da depreciação, amortização ou exaustão acumulada. (...)” O art. 33 contém justamente uma disposição especial a respeito do ganho ou perda de capital, nos seguintes termos: “Art 33 O valor contábil, para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 20), será a soma algébrica dos seguintes valores: I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados, nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) III (Revogado pelo Decretolei nº 1.730, 1979) IV provisão para perdas (art. 32) que tiver sido computada na determinação do lucro real. (...)” Portanto, no caso específico de alienação ou liquidação do investimento, determinou a lei fiscal que o ágio ou deságio anteriormente amortizado contabilmente fosse considerado, para fins fiscais, na apuração do Fl. 5256DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16327.721028/201445 Acórdão n.º 1402002.250 S1C4T2 Fl. 5.257 14 ganho de capital, a par da consideração no cálculo deste ganho de capital, também, do ágio ou deságio ainda não amortizado. Por força desta disposição específica da lei fiscal é que o RIR/99, a exemplo dos Regulamentos anteriores, traz inserto, em parágrafo ao art. 391, a determinação para que seja mantido controle, no LALUR, da amortização contábil do ágio ou deságio, nos seguintes termos: “Art. 391. As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o art. 385 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no art. 426 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 25, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso III). Parágrafo único. Concomitantemente com a amortização, na escrituração comercial, do ágio ou deságio a que se refere este artigo, será mantido controle, no LALUR, para efeito de determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento (art. 426).” Outra ocorrência específica, à qual a lei fiscal também determina a apuração de ganho de capital, e em que a amortização do ágio ou deságio pode vir a ter reflexos fiscais, é tratada no art. 34 do DecretoLei no 1.598/77, nos seguintes termos: “Art 34 Na fusão, incorporação ou cisão de sociedades com extinção de ações ou quotas de capital de uma possuída por outra, a diferença entre o valor contábil das ações ou quotas extintas e o valor de acervo líquido que as substituir será computado na determinação do lucro real de acordo com as seguintes normas: I somente será dedutível como perda de capital a diferença entre o valor contábil e o valor de acervo líquido avaliado a preços de mercado, e o contribuinte poderá, para efeito de determinar o lucro real, optar pelo tratamento da diferença como ativo diferido, amortizável no prazo máximo de 10 anos; II será computado como ganho de capital o valor pelo qual tiver sido recebido o acervo líquido que exceder o valor contábil das ações ou quotas extintas, mas o contribuinte poderá, observado o disposto nos §§ 1º e 2º, diferir a tributação sobre a parte do ganho de capital em bens do ativo permanente, até que esse seja realizado. § 1º O contribuinte somente poderá diferir a tributação da parte do ganho de capital correspondente a bens do ativo permanente se: Fl. 5257DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16327.721028/201445 Acórdão n.º 1402002.250 S1C4T2 Fl. 5.258 15 a) discriminar os bens do acervo líquido recebido a que corresponder o ganho de capital diferido, de modo a permitir a determinação do valor realizado em cada períodobase; e b) mantiver, no livro de que trata o item I do artigo 8º, conta de controle do ganho de capital ainda não tributado, cujo saldo ficará sujeito a correção monetária anual, por ocasião do balanço, aos mesmos coeficientes aplicados na correção do ativo permanente. § 2º O contribuinte deve computar no lucro real de cada períodobase a parte do ganho de capital realizada mediante alienação ou liquidação, ou através de quotas de depreciação, amortização ou exaustão deduzidas como custo ou despesa operacional.” Retornando ao art. 31 do DecretoLei no 1.598/77, acima transcrito, vejase que a lei fiscal determinou que fosse feita a apuração de ganho de capital nas seguintes hipóteses: a) Alienação; b) Liquidação; c) Baixa – por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão. Conforme visto, o art. 33 determinou regras próprias para a apuração do ganho de capital na alienação ou liquidação do investimento, e previu o aproveitamento, nestes eventos, mesmo do ágio já amortizado contabilmente. Já o art. 34, conforme visto, considera que, na fusão, incorporação ou cisão de sociedades, o que ocorre é a extinção do investimento. Neste caso, as regras próprias ali previstas para a apuração do ganho de capital são as seguintes: a) se o acervo líquido recebido exceder o valor contábil das ações ou quotas extintas, temse o ganho de capital, que pode ser diferido nos termos dos §§ 1º e 2º, caso contrário, deverá ser oferecido à tributação imediatamente; b) somente será admitida como perda de capital a diferença entre o valor contábil e o valor de acervo líquido avaliado a preços de mercado, sendo esta diferença deduzida imediatamente como perda, ou então, à opção do contribuinte, tratada como ativo diferido amortizável pelo prazo máximo de 10 anos. Fl. 5258DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16327.721028/201445 Acórdão n.º 1402002.250 S1C4T2 Fl. 5.259 16 Portanto, no caso de fusão, incorporação ou cisão de sociedades, com extinção de ações ou quotas de capital de uma possuída por outra, a lei fiscal não previu a consideração do valor do ágio ou deságio já amortizado contabilmente no cálculo do ganho de capital, valor o qual, conforme referido, encontravase registrado na parte B do LALUR para ser utilizado na determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento, eventos os quais não mais poderão ocorrer, em face dos eventos de reorganização societária retrocitados. Em síntese, da aplicação do quanto até aqui exposto (situação vigente antes da Lei no 9.532/97) a um caso de ágio fundamentado em expectativa de resultados futuros, (como é o fundamento do caso concreto), tínhamos a seguinte configuração: 1) A lei fiscal não continha regra determinando a forma de amortização deste ágio no tempo, deixando à cargo da lei societária/contábil dispor acerca da sua amortização, apenas ressalvando que esta amortização não seria aceita para fins fiscais, ou seja, que deveria o seu valor ser adicionado para a apuração do lucro real. 2) A lei societária/contábil determinava que o ágio fosse amortizado no prazo e na extensão das projeções de resultados futuros que o determinaram, ou, excepcionalmente, por ocasião da baixa do investimento em decorrência de sua alienação ou perecimento. Trata se, no caso, da aplicação do princípio contábil do confronto das despesas com as receitas (“matching principle”): à medida que os lucros vão sendo gerados na investida (e vão sendo reconhecidos na investidora por equivalência patrimonial, na proporção que lhe pertencem), as despesas pagas para ter direito a esses lucros vão sendo amortizadas. No limite do acerto das projeções feitas, o resultado contábil é nulo, na medida em que os lucros auferidos correspondem ao quanto por eles foi pago antecipadamente pela investidora. E o resultado fiscal também é nulo, na medida em que tanto as receitas de equivalência patrimonial, quanto as despesas com a amortização do ágio, devem ser “estornadas” (excluídas e adicionadas, respectivamente), para fins de apuração do lucro real. 3) Em caso de alienação, liquidação ou baixa do investimento, antes do término do prazo previsto de amortização, determina a lei societária/contábil que o saldo ainda não amortizado pela investidora seja lançado integralmente contra conta de resultado. Vale dizer, apenas o ágio ainda não amortizado entra no cálculo do ganho de apital (resultado não operacional). A parte já Fl. 5259DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16327.721028/201445 Acórdão n.º 1402002.250 S1C4T2 Fl. 5.260 17 amortizada não mais configura custo de aquisição para fins de apuração do resultado, na medida em que já foi “recuperada” pelos lucros até então gerados pela investida. 4) A legislação fiscal, contudo, deu tratamentos distintos a essas ocorrências: no caso de alienação ou liquidação do investimento, permitiu o aproveitamento do ágio já amortizado contabilmente no cálculo do ganho (ou perda) de capital; já no caso de extinção da participação societária por força de fusão, incorporação ou cisão, previu apenas o aproveitamento do ágio ainda não amortizado contabilmente, e, ainda, para fins de dedutibilidade fiscal de eventual perda de capital, exigiu que a avaliação do acervo líquido recebido fosse feita a preços de mercado. Em 11.12.1997 foi editada a Lei no 9.532/97, cujos artigos 7o e 8o trouxeram novas regras relativas à amortização do ágio ou deságio, específicas para os casos em que há a extinção da participação societária por força de fusão, incorporação ou cisão. Neste sentido, os referidos artigos derrogaram o disposto no art. 34 do DecretoLei no 1.598/77, no que diz respeito às participações societárias adquiridas com ágio ou deságio. Vale registrar que o citado art. 34 do Decreto Lei no 1.598/77 (atual art. 430 do RIR/99) permanece vigente, contudo, aplicável tão somente às hipóteses de participações societárias adquiridas sem registro de ágio ou deságio. Por outro lado, os referidos artigos em nada alteraram as disposições até aqui comentadas relativas ao aproveitamento do ágio ou deságio nas hipóteses de alienação ou liquidação do investimento, as quais continuam reguladas pelo art. 33 do DecretoLei no 1.598/77 (art. 426 do RIR/99). Transcrevemse abaixo os artigos 7o e 8o da Lei no 9.532/97: “Art. 7º A pessoa jurídica que absorver patrimônio de outra, em virtude de incorporação, fusão ou cisão, na qual detenha participação societária adquirida com ágio ou deságio, apurado segundo o disposto no art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: I deverá registrar o valor do ágio ou deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "a" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida à conta que registre o bem ou direito que lhe deu causa; II deverá registrar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "c" Fl. 5260DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16327.721028/201445 Acórdão n.º 1402002.250 S1C4T2 Fl. 5.261 18 do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, em contrapartida a conta de ativo permanente, não sujeita a amortização; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea “b ” do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados em até dez anos calendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no máximo, para cada mês do período de apuração; III poderá amortizar o valor do ágio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2° do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão, à razão de um sessenta avos, no máximo, para cada mês do período de apuração; (Redação dada pela Lei nº 9.718, de 1998) IV deverá amortizar o valor do deságio cujo fundamento seja o de que trata a alínea "b" do § 2º do art. 20 do DecretoLei nº 1.598, de 1977, nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados durante os cinco anoscalendários subseqüentes à incorporação, fusão ou cisão, à razão de 1/60 (um sessenta avos), no mínimo, para cada mês do período de apuração. § 1º O valor registrado na forma do inciso I integrará o custo do bem ou direito para efeito de apuração de ganho ou perda de capital e de depreciação, amortização ou exaustão. § 2º Se o bem que deu causa ao ágio ou deságio não houver sido transferido, na hipótese de cisão, para o patrimônio da sucessora, esta deverá registrar: a) o ágio, em conta de ativo diferido, para amortização na forma prevista no inciso III; b) o deságio, em conta de receita diferida, para amortização na forma prevista no inciso IV. § 3º O valor registrado na forma do inciso II do caput: a) será considerado custo de aquisição, para efeito de apuração de ganho ou Fl. 5261DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16327.721028/201445 Acórdão n.º 1402002.250 S1C4T2 Fl. 5.262 19 perda de capital na alienação do direito que lhe deu causa ou na sua transferência para sócio ou acionista, na hipótese de devolução de capital; b) poderá ser deduzido como perda, no encerramento das atividades da empresa, se comprovada, nessa data, a inexistência do fundo de comércio ou do intangível que lhe deu causa. § 4º Na hipótese da alínea "b" do parágrafo anterior, a posterior utilização econômica do fundo de comércio ou intangível sujeitará a pessoa física ou jurídica usuária ao pagamento dos tributos e contribuições que deixaram de ser pagos, acrescidos de juros de mora e multa, calculados de conformidade com a legislação vigente. § 5º O valor que servir de base de cálculo dos tributos e contribuições a que se refere o parágrafo anterior poderá ser registrado em conta do ativo, como custo do direito. Art. 8º O disposto no artigo anterior aplicase, inclusive, quando: a) o investimento não for, obrigatoriamente, avaliado pelo valor de patrimônio líquido; b) a empresa incorporada, fusionada ou cindida for aquela que detinha a propriedade da participação societária.” Da leitura dos referidos dispositivos, deflui que, a partir da ocorrência do evento que determinou a extinção da participação societária, o ágio ou deságio deverá ser contabilizado pela pessoa jurídica de diversas formas, de acordo com o seu fundamento econômico. Assim, em síntese, temse que: a) se o fundamento for a diferença entre o valor contábil e o valor de mercado de bens do ativo, o ágio ou deságio deve ser contabilizado na própria conta (ou em contrapartida à conta) que registra o bem ou direito que lhe deu causa, de sorte que o ágio ou deságio passa a integrar o valor contábil do bem, tanto para fins de depreciação, amortização, exaustão, quanto para apuração de eventual ganho ou perda de capital; b) caso o bem que tenha dado causa ao ágio ou deságio não tenha sido transferido para o patrimônio da sucessora, o ágio ou deságio deve ser contabilizado em Fl. 5262DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16327.721028/201445 Acórdão n.º 1402002.250 S1C4T2 Fl. 5.263 20 conta de ativo diferido ou de receita diferida, respectivamente, para ser amortizado da mesma forma que deve ser feita a amortização no caso de a fundamentação ser a expectativa de resultados futuros; c) se o fundamento do ágio (ou deságio) for a expectativa de resultados futuros, a sua amortização deve ser feita em no mínimo (no máximo) cinco anos, respeitandose a razão de um sessenta avos, no máximo (no mínimo) para cada mês do período de apuração; d) por fim, se o fundamento do ágio for o fundo de comércio, os intangíveis, ou quaisquer outras razões econômicas, ele deve ser contabilizado em conta de ativo permanente, não sujeita a amortização, podendo apenas ser baixado, para efeito de apuração de ganho ou perda de capital, nas hipóteses de alienação do direito que lhe deu causa, de devolução de capital a sócio ou acionista, ou de encerramento das atividades da empresa. Conforme se observa, o regramento especifica a forma pela qual devem ser feitos os registros contábeis dos valores que antes eram ágio ou deságio, bem como determina que as amortizações registradas contabilmente passam a ter, a partir do evento que determinou a extinção da participação societária, efeitos fiscais (literalmente, diz a lei que o ágio ou deságio será amortizado “nos balanços correspondentes à apuração de lucro real, levantados posteriormente à incorporação, fusão ou cisão”). Não há nenhum comando na lei que autorize ou determine o aproveitamento do ágio ou deságio já amortizado contabilmente, nem que possa dar a entender que as amortizações registradas contabilmente a partir do evento devam ser “revertidas” (por adição ou exclusão ao lucro líquido) para fins fiscais. Os lançamentos referidos na lei dizem respeito tão somente à escrituração comercial da pessoa jurídica. Assim, conquanto tenha a Lei no 9.532/97 alterado profundamente a forma como deve ser feita a amortização do ágio ou deságio em caso de extinção de participação societária em decorrência de fusão, incorporação ou cisão, não modificou o aspecto de que, nesses casos, não deve ser levado em consideração o ágio ou deságio que já havia sido amortizado contabilmente, nos mesmos moldes em que já o fazia o art. 34 do DecretoLei no 1.598/77, parcialmente derrogado. A profunda alteração levada a efeito pela Lei no 9.532/97 consiste no seguinte: antes dela (na vigência do art. 34 do DecretoLei no 1.598/77), era absolutamente irrelevante (nos casos de incorporação, fusão ou cisão) o fundamento no qual baseavase o anterior registro do ágio ou deságio. Bastaria à pessoa jurídica avaliar o acervo líquido recebido a preços de mercado, e toda a diferença entre este acervo e o valor contabilmente registrado, relativo à participação societária extinta, era imediatamente deduzido como perda, para fins fiscais, qualquer que fosse o fundamento daquele ágio. Fl. 5263DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16327.721028/201445 Acórdão n.º 1402002.250 S1C4T2 Fl. 5.264 21 Após a Lei no 9.532/97, nos casos de incorporação, fusão ou cisão, o ágio fundamentado em rentabilidade futura não mais pode ser deduzido imediatamente como perda, senão de forma “parcelada” em, no mínimo, cinco anos; o ágio fundamentado na diferença entre o valor contábil e o valor de mercado de bens do ativo não mais pode ser deduzido imediatamente como perda, senão de forma também “parcelada”, acompanhando a depreciação, amortização, ou exaustão normal do bem; e o ágio baseado em outros fundamentos econômicos não apenas não mais pode ser deduzido imediatamente como perda, como ainda sequer pode ser amortizado ao longo do tempo. A nova lei, portanto, possui caráter manifestamente antielisivo. Não somente pelo seu próprio conteúdo normativo, já que a partir de sua edição foram sensivelmente restringidas as possibilidades de dedução do ágio, conforme acima exposto, como também pela própria manifestação do legislador, contida na exposição de motivos ao art. 8° da MP 1.602/97, posteriormente convertido no art. 7° da Lei no 9.532/97, verbis: “O art. 8º estabelece o tratamento tributário do ágio ou deságio decorrente da aquisição, por uma pessoa jurídica, de participação societária no capital de outra, avaliada pelo método da equivalência patrimonial. Atualmente, pela inexistência de regulamentação legal relativa a esse assunto, diversas empresas, utilizando dos já referidos "planejamentos tributários", vêm utilizando o expediente de adquirir empresas deficitárias, pagando ágio pela participação, com a finalidade única de gerar ganhos de natureza tributária mediante o expediente, nada ortodoxo, de incorporação da empresa lucrativa pela deficitária. Com as normas previstas no Projeto, esses procedimentos não deixarão de acontecer, mas, com certeza, ficarão restritos às hipóteses de casos reais, tendo em vista o desaparecimento de toda vantagem de natureza fiscal que possa incentivar a sua adoção exclusivamente por esse motivo.” [...] conforme também exposto no presente voto, o aproveitamento fiscal do ágio efetivamente pago, mas já amortizado contabilmente, somente é previsto para os casos de alienação ou liquidação do investimento, mas não para os casos de extinção de participação societária por força de fusão, incorporação ou cisão. Não cabe aqui questionar a opção do legislador, mas apenas registrar que assim foi por ele disciplinada a matéria. Além disso, não é demais salientar que, se houver tratamento diverso para o ágio já amortizado contabilmente, o mesmo deveria ser realizado em realização ao eventual deságio já amortizado, ou seja, o deságio já amortizado deveria ser tributado após o evento de incorporação, fusão ou cisão, hipótese jamais aventada pela Receita Federal. Em relação à CSLL, frisese, não há qualquer norma que autorize a dedução ou exclusão do ágio já amortizado contabilmente antes do evento de evento de incorporação, fusão ou cisão. Fl. 5264DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI Processo nº 16327.721028/201445 Acórdão n.º 1402002.250 S1C4T2 Fl. 5.265 22 Por fim, os argumentos referentes ao disposto na Lei nº 12.973/2014 não são aplicáveis ao caso concreto, pois tal diploma legal veio somente disciplina na seara tributária os efeitos tributários advindos das alterações trazidas nas ciências contábeis advindas das Leis nº 11.638/2007 e nº 11.941/2009, não aplicáveis ao período objeto da exigência. Por esses motivos, voto por dar provimento ao recurso de ofício, restabelecendo a exigência. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Redator Designado Fl. 5265DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 23/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI
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Numero do processo: 12448.722837/2012-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
LANÇAMENTO DE TRIBUTO PREVIAMENTE PAGO PELO CONTRIBUINTE. ENTREGA DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA COM A OMISSÃO DE RENDIMENTOS ANTERIORMENTE DECLARADOS E TRIBUTADOS. INAPLICABILIDADE DA MULTA DE OFÍCIO, COM FULCRO NO ART. 44, I, DA LEI Nº. 9.430/96, ANTE A COMPROVAÇÃO DE PRÉVIA EXTINÇÃO DO TRIBUTO VIA PAGAMENTO.
Incabível a aplicação de multa de ofício em lançamento em que se exige tributo, a título de principal, previamente recolhido pelo contribuinte. Ante a verificação de declaração de ajuste anual, acompanhada do respectivo pagamento do tributo, está extinto o crédito tributário. Eventual lançamento posterior, em decorrência de retificação da DIRPF, não pode exigir tributo previamente recolhido e, tampouco, deve prosperar a multa de ofício aplicada com fulcro no art. 44, I, da Lei nº. 9.430/96.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2401-004.321
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário para, no mérito, dar-lhe provimento parcial, nos termos do voto do relator.
André Luís Marsico Lombardi - Presidente
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luís Marsico Lombardi, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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ENTREGA DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA COM A OMISSÃO DE RENDIMENTOS ANTERIORMENTE DECLARADOS E TRIBUTADOS. INAPLICABILIDADE DA MULTA DE OFÍCIO, COM FULCRO NO ART. 44, I, DA LEI Nº. 9.430/96, ANTE A COMPROVAÇÃO DE PRÉVIA EXTINÇÃO DO TRIBUTO VIA PAGAMENTO. Incabível a aplicação de multa de ofício em lançamento em que se exige tributo, a título de principal, previamente recolhido pelo contribuinte. Ante a verificação de declaração de ajuste anual, acompanhada do respectivo pagamento do tributo, está extinto o crédito tributário. Eventual lançamento posterior, em decorrência de retificação da DIRPF, não pode exigir tributo previamente recolhido e, tampouco, deve prosperar a multa de ofício aplicada com fulcro no art. 44, I, da Lei nº. 9.430/96. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 28 37 /2 01 2- 85 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso voluntário para, no mérito, darlhe provimento parcial, nos termos do voto do relator. André Luís Marsico Lombardi Presidente Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luís Marsico Lombardi, Miriam Denise Xavier Lazarini, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Alexandre Tortato, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Arlindo da Costa e Silva e Rayd Santana Ferreira. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 12448.722837/201285 Acórdão n.º 2401004.321 S2C4T1 Fl. 74 3 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 55/63) interposto em face do Acórdão nº. 1247.165 (fls. 4245), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJ1), que julgou improcedente a impugnação (fl. 02) da contribuinte, conforme ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2008 DECLARAÇÃO RETIFICADORA. A Declaração de Ajuste Anual Retificadora tem a mesma natureza da Declaração Original, substituindoa integralmente, sendo correto o lançamento que a teve como objeto. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. Tendo o contribuinte apresentado declaração de rendimentos inexata, legítima é a exigência da multa de ofício sobre o crédito tributário objeto da ação fiscal, mesmo que o débito já tenha sido pago anteriormente. A Notificação de Lançamento nº. 2008/373299767036465 de fls. 04/08 constatou, em virtude de procedimento de revisão da sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF) retificadora do exercício 2008 (fls. 30/33), omissão de rendimentos no valor de R$ 22.245,72, com Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) de R$ 972,20, oriundos da fonte pagadora Instituto Nacional do Seguro Social (CNPJ nº. 29.979.036/000140). Em decorrência do procedimento acima, foi realizado o lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física suplementar de R$ 2.814,60, multa de ofício de R$ 2.110,95, além dos juros de mora de R$ 1.130,06. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 5) a fiscalização informa a verificação da omissão de rendimentos, no valor acima apontado, recebido da fonte pagadora Instituto Nacional do Seguro Social. Em sua peça impugnatória, o sujeito passivo simplesmente alegou que não houve omissão de rendimentos e o imposto de renda devido já havia sido pago (DARF fl. 13). No julgamento proferido pela DRJ/RJ1, a colenda 19ª Turma entendeu que deveria ser mantido o crédito tributário lançado, acrescido da multa de ofício, “independente de prévio recolhimento” pela contribuinte. Ainda, determinou à Unidade de Origem que analisasse a possibilidade de apropriar o DARF de fl. 13 ao crédito tributário em julgamento no presente processo administrativo, desde que não restituído ou compensado previamente. Sem, contudo, que este ato implique na exoneração da multa de ofício decorrente do lanlamento. Após o julgamento de sua peça impugnatória de fl. 2 pela DRJ/RJ1, a ora recorrente foi intimada em 09/06/2014 (A.R. fl. 51) do referido acórdão e, em 07/07/2014 apresentou o seu recurso voluntário (fls. 55/63) alegando, em síntese: Fl. 75DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 4 a) O lançamento decorre de revisão de declaração retificadora de ajuste anual onde, por equívoco, a contribuinte deixou de informar valores previamente declarados na declaração original; b) O imposto sobre a renda devido sobre o rendimento recebido da fonte pagadora Instituto Nacional do Seguro Social (CNPJ nº. 29.979.036/000140) foi recolhido após a transmissão da declaração original (retificada), conforme comprovado pelo DARF de fl. 13; c) Não deve subsistir no presente lançamento a multa de ofício aplicada (75%) por violação ao art. 138 do CTN (denúncia espontânea). É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 12448.722837/201285 Acórdão n.º 2401004.321 S2C4T1 Fl. 75 5 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito A controvérsia do presente processo administrativo restringese ao cabimento ou não da multa de ofício de 75% aplicada na Notificação de Lançamento (fls. 04/08) sobre o montante do tributo devido apurado como devido, decorrente de suposta omissão de receitas da ora recorrente. O fato incontroverso dos autos é que a ora recorrente, quando transmitiu a sua Declaração de Ajuste Anual originária referente ao exercício 2008 (fls. 36/41), ND 07/29.326.107, em 15/04/2008, informou o recebimento da fonte pagadora “INSTITUTO NACIONAL DA SEGURIDADE SOCIAL – INSS” (CNPJ nº. 29.979.036/000140), no valor de R$ 22.245,72, com imposto de renda retido na fonte no montante de R$ 972,20. Tais informações constam na reprodução da mencionada DIRPF à fl. 37. Ato contínuo à entrega da referida declaração, a contribuinte realizou o pagamento do imposto de renda revido (R$ 3.151,78) em 28/04/2008 (DARF fl. 13). Assim, não restam quaisquer dúvidas que o imposto de renda incidente sobre o rendimento obtido junto ao INSS, acima informado, foi devidamente declarado (na DIRPF original) e pago pela Sra. Sueli Lage Moreira dentro do seu prazo de vencimento. Fato, também incontroverso, é que a ora recorrente, em 21/12/2011, apresentou declaração retificadora da sua Declaração de Ajuste Anual (ND 07/37.004.994), fls. 30/33) referente ao exercício 2008 e, nesta retificação, omitiu o rendimento obtido junto ao “INSTITUTO NACIONAL DA SEGURIDADE SOCIAL – INSS” (CNPJ nº. 29.979.036/000140), no valor de R$ 22.245,72, com imposto de renda retido na fonte no montante de R$ 972,20, que havia sido informado na declaração original (retificada). Assim, em decorrência desta omissão de informação, surgiu a Notificação de Lançamento nº. 2008/373299767036465 de fls. 04/08, exigindo o imposto de renda sobre o montante recebido da fonte pagadora INSS acrescido de multa de ofício (75%) e juros de mora. As questões que se contrapõe são: a) A recorrente declarou e pagou, devidamente, o imposto de renda incidente sobre os seus rendimentos tributáveis recebidos da fonte pagadora INSS no anocalendário 2007; Fl. 77DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 6 b) Posteriormente, a contribuinte retifica a sua declaração de ajuste anual e não informa os rendimentos recebidos da fonte pagadora INSS no ano calendário 2007. Nesse contexto, discutese se deve ser mantida ou excluída a multa de ofício (75%) aplicada, com fulcro no art. 44, I, da Lei nº. 9.430/96, objeto do recurso voluntário da recorrente. A entrega de declaração retificadora, como realizada pela Sra. Sueli Lage Moreira, é regulada pela Instrução Normativa nº. 15, da Secretaria da Receita Federal, datada de 06/02/2001, que assim dispõe: Art. 54. O declarante obrigado à apresentação da Declaração de Ajuste Anual pode retificar a declaração anteriormente entregue mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A declaração retificadora referida neste artigo: I tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente; II será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. Como se vê, a declaração retificadora apresentada pela ora recorrente substitui integralmente a declaração original, retificada, ao passo que no momento da transmissão da declaração retificadora, a contribuinte não informa o recebimento de rendimentos junto a fonte pagadora INSTITUTO NACIONAL DA SEGURIDADE SOCIAL – INSS” (CNPJ nº. 29.979.036/000140), no valor de R$ 22.245,72. Ao realizar a revisão da declaração de ajuste anual, via cruzamento de dados, evidentemente que a administração fazendária constatou a diferença entre a informação da ora recorrente e da fonte pagadora (INSS). Nesse momento, a priori, verificarseia o cabimento da realização da revisão do lançamento realizado pela contribuinte, nos termos dos artigos 149, V e 150 do Código Tributário Nacional: Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: [...] V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; [...] Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Ocorre que, no momento em que possível a verificação, pela autoridade fiscal, de incorreção por parte da contribuinte em virtude da retificação da sua declaração de Fl. 78DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 12448.722837/201285 Acórdão n.º 2401004.321 S2C4T1 Fl. 76 7 ajuste anual, havia uma particularidade ao caso concreto, qual seja, a extinção do crédito tributário nos termos do art. 156, I, do CTN, em virtude do pagamento. Se previamente ocorrido o pagamento, como realizar o lançamento de um tributo já pago? Como exigir um crédito tributário, acrescido de multa e juros, se este já fora extinto, via pagamento, pelo contribuinte? No caso específico, entendo que caberia à autoridade administrativa uma melhor investigação do caso concreto, por meio de intimações à contribuinte (as quais, se ocorreram, não se encontram no presente processo administrativo) para verificação e confirmação do pagamento realizado, bem como para correção de eventual equívoco na transmissão da declaração retificadora. Vejase que o CTN prevê procedimento nesse sentido: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. § 2º Os erros contidos na declaração e apuráveis pelo seu exame serão retificados de ofício pela autoridade administrativa a que competir a revisão daquela. Ora, se havia uma declaração original (retificada), um correspondente DARF com recolhimento do tributo (o qual pode ter sua vinculação verificada e atestada pela autoridade fiscal), deveria a ora recorrente ter sido previamente intimada para, no mínimo, tentar esclarecer a incorreção verificada ou, ainda, ter a autoridade fiscal, no ato de lançamento de ofício, ter informado que o pagamento realizado em virtude da declaração originária não estivesse vinculado à declaração de ajuste anual ND 07/29.326.107. Assim, em que pese a evidente ausência de informação dos rendimentos recebidos da fonte pagadora INSS (CNPJ nº. 29.979.036/000140) na sua declaração retificadora, entendo que a multa de ofício aplicada ao presente lançamento e, via de consequência, os juros de mora, devem ser afastados ante o fato do tributo (principal) ter sido extinto, via pagamento, pela ora recorrente ainda no anocalendário de 2008. Destaco que no acórdão proferido pela DRJ/RJ1 (fls. 42/45), a turma julgadora determinou o seguinte comando: “A Unidade de Origem deverá analisar a possibilidade de apropriar o recolhimento do Darf de fl. 13 ao crédito em julgamento, desde que não restituído ou compensado previamente, porém sem que isso implique na exoneração da multa de ofício decorrente do lançamento de ofício, que não foi recolhida neste caso”. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 8 E, na intimação expedida à contribuinte para ciência do referido acórdão, vê se que a Unidade de Origem realizou a apropriação dos valores pagos pelo DARF de fl. 13 ao débito do presente processo administrativo, o que atesta, inequivocamente, a validade do pagamento realizado pela ora recorrente. Para melhor visualização (fl. 48): Não há fundamento para manutenção exclusivamente da “multa de ofício”, prevista no artigo 44, I, da Lei nº. 9.430/96, posto que esta só é cabível quando acompanhada do lançamento do tributo (principal), o qual não pode ser objeto de lançamento nestes autos, em virtude do já informado pagamento por meio do DARF de fl. 13. Isto posto, não sendo exigível o tributo já extinto por meio do pagamento (art. 156, I do CTN), deve ser afastada a aplicação da multa de ofício no presente lançamento, relacionada ao montante verificado pela Unidade de Origem quanto ao pagamento reconhecido por meio do DARF de fl. 13. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para o fim de excluir a multa de ofício aplicada ao presente lançamento, realizandose a devida exclusão limitada ao montante de débito a título de principal exonerado por meio da apropriação do pagamento realizado por meio do DARF de fl. 13. É como voto. Carlos Alexandre Tortato. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
score : 1.0
Numero do processo: 12448.722284/2011-80
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Nov 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
CIÊNCIA POR VIA POSTAL. VALIDADE.
De acordo com a Súmula CARF nº 9 "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário".
Numero da decisão: 2202-003.563
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente
(Assinado digitalmente)
Cecilia Dutra Pillar - Relatora
Participaram desta sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: CECILIA DUTRA PILLAR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. CIÊNCIA POR VIA POSTAL. VALIDADE. De acordo com a Súmula CARF nº 9 "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário".
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (Assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar - Relatora Participaram desta sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada.
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INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de apelo à segunda instância, contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância, quando formalizado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. CIÊNCIA POR VIA POSTAL. VALIDADE. De acordo com a Súmula CARF nº 9 "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário". Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestividade. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente (Assinado digitalmente) Cecilia Dutra Pillar Relatora Participaram desta sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado) e Márcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 22 84 /2 01 1- 80 Fl. 85DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo da Notificação de Lançamento nº 2009/034460864526450 (fls. 06), relativa ao Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas, decorrente de revisão da Declaração de Ajuste Anual do IRPF do exercício de 2009, ano calendário de 2008, por dedução indevida de pensão alimentícia no valor de R$ 55.000,00 e de despesas médicas, no valor de R$ 10.641,03, resultando na diferença de imposto a pagar de R$ 4.156,50 acrescido de multa de ofício proporcional de 75% e mais juros de mora calculados com base na taxa Selic. Inconformado o contribuinte impugnou o lançamento afirmando que o pagamento de pensão alimentícia foi feito nos termos do acordo firmado em 20/06/1996 em que comprometeuse a pensionar os filhos (2) com 15% de seus rendimentos líquidos para cada um e 10% para a exmulher sendo que esta só auferiria os alimentos pelo prazo máximo de um ano (até fevereiro/1997) e que as despesas médicas deduzidas referemse a plano de saúde do próprio declarante e de seus filhos. Juntou documentos: 1) sentença da 3ª Vara de Família ; 2) comprovantes de transferências bancárias para Leila Maria Seixas do Valle no ano de 2008; 3) declaração da empresa Promon Engenharia Ltda de que o valor de R$ 10.641,03 se refere a despesas médicas do Interessado e de seus filhos, com os valores discriminados por beneficiários das contribuições efetuadas para o Plano de Saúde MédicoHospitalar e Odontológico, na modalidade de plano coletivo empresarial através da operadora Mediservice Administradora de Planos de Saúde S/A; 4) carteiras de identidade dos filhos. A 18ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ), por meio do Acórdão nº 1249.794 (fls. 58/60), julgou improcedente a impugnação, cuja decisão foi assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2009 DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Apenas podem ser deduzidos na declaração de ajuste anual os valores de pensão alimentícia determinada por decisão judicial, cujos pagamentos foram devidamente comprovados. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. PLANO DE SAÚDE. Os pagamentos de plano de saúde apenas podem ser deduzidos como despesas médicas na declaração de ajuste anual se comprovadamente efetuados pelo Contribuinte. Cientificado da decisão em 12/06/2014 (A.R. de fl. 65), o Contribuinte vem aos autos em 16/07/2014 (fls. 69/74) com manuscrito onde alega que ao levar seu recurso voluntário na ARF Petrópolis, no dia 15/07/2014, foi surpreendido com a informação de que estaria a destempo pois sua notificação havia sido entregue no dia 12/06/2014 em seu endereço Fl. 86DF CARF MF Processo nº 12448.722284/201180 Acórdão n.º 2202003.563 S2C2T2 Fl. 86 3 residencial e recepcionada pela porteira do condomínio. Que referida pessoa somente lhe entregou a notificação no dia 16/06/2014 pois até então ele se encontrava fora da cidade. Que acreditou que a notificação teria chegado no mesmo dia 16/06, o que tornaria válida a apresentação de recurso voluntário em 16/07/2014. Traz documentos (cupons fiscais e bilhetes de jogos em loterias na região de Petrópolis/RJ) para provar que estava em viagem nos dias 12/06 e 13/06/2014. Argumenta que no dia 12/06/2014 foi feriado no Rio de Janeiro pois ocorreu o jogo da seleção brasileira de futebol, na abertura da copa do mundo. Ao final requer que seu recurso voluntário, apresentado em 15/07/2014, seja aceito como tempestivo e devidamente apreciado. O "recurso" a que se refere o contribuinte não se encontra nos autos. É o relatório. Voto Conselheira Cecilia Dutra Pillar, relatora. No caso em apreço não há recurso a analisar. Acolhese como recurso a petição de fls. 69/74. Cabe apreciar o pedido do contribuinte quanto à tempestividade pois, se ultrapassada esta preliminar caberia a oitiva da ARF quanto à recepção ou não de documentos suplementares no dia 15/07/2014. O Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, assim estabelece: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. [...] Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II – por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] § 2° Considerase feita a intimação: Fl. 87DF CARF MF 4 I – na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II – no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. A ciência da decisão de primeira instância deuse em 12/06/2014 (quinta feira), por via postal, conforme aviso de recebimento (A.R.) às fls. 65, cabendo mencionar a súmula CRF nº 09 que trata da validade da intimação realizada no domicílio eleito pelo contribuinte: Súmula CARF nº 9 "É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário Considerando que os prazos somente se iniciam ou vencem em dias de expediente normal na repartição (parágrafo único do art. 5º do Decreto nº 70.235/1972) e que efetivamente, no dia 12/06/2014 não houve expediente normal nos órgãos da RFB, conforme PT MPOG nº 113, de 03/04/2014 (DOU de 04/04/2014), a intimação do contribuinte então deve ser considerada efetivada no dia 13/06/2014 (sextafeira). Assim, o início da contagem do prazo de 30 dias para apresentação do recurso voluntário iniciou em 16/06/2014 (segunda feira) e exauriuse em 15/07/2014 (terçafeira). Conforme já relatado acima, não há nos autos qualquer prova de que no dia 15/07/2014 o interessado tenha apresentado seu recurso voluntário. Portanto, a petição apresentada após o prazo legal carece do pressuposto processual da tempestividade, razão pela qual não merece ser conhecida. Conclusão Dessa forma, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso do interessado, por intempestivo. Assinado digitalmente Cecilia Dutra Pillar Relatora Fl. 88DF CARF MF Processo nº 12448.722284/201180 Acórdão n.º 2202003.563 S2C2T2 Fl. 87 5 Fl. 89DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.908681/2012-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos que não possuam os atributos da liquidez e certeza.
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-002.299
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos que não possuam os atributos da liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado.
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DCOMP. Recorrente MAUES LOBATO COMERCIO E REPRESENTACOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos que não possuam os atributos da liquidez e certeza. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Cássio Schappo, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 86 81 /2 01 2- 04 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908681/201204 Acórdão n.º 3201002.299 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório MAUES LOBATO COMERCIO E REPRESENTACOES LTDA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito de Contribuição para o PIS/Pasep. A DRF/Recife emitiu o Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade a contribuinte alegou que os créditos em questão seriam "relativos a pagamentos a maior ou indevidos de PIS ou COFINS", originados "da retificação dos DACON da empresa, após a realização de auditoria interna", onde teria sido constatado que diversos créditos, oriundos das contribuições PIS e COFINS não cumulativas, não teriam sido contabilizados. Afirmou que realizou a retificação de suas DACON para, posteriormente, apresentar as respectivas PER/DComp. Assim, sustenta que os créditos oriundos dos alegados indébitos estariam plenamente demonstrados nos DACON retificadores entregues eletronicamente à SRF, o que dispensaria a juntada desta demonstração ao processo, conforme determinaria o Art. 37 da Lei 9.784/99. Ao final, alegou que o erro de não ter retificado tempestivamente suas DCTF´s não implica na inexistência de seus créditos. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão 03059.575, cuja ementa segue transcrita, na parte essencial: APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 69DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908681/201204 Acórdão n.º 3201002.299 S3C2T1 Fl. 4 3 Em seu recurso voluntário a contribuinte traz, em resumo, os seguintes argumentos: a) reitera que a origem de seu direito creditório estaria demonstrada no DACON, e que os valores que originaram os pagamentos a maior e retenções já estariam na base de dados da SRF. Neste ponto, aduz que não lhe foi dada oportunidade de conversão do julgamento em diligência, nem teria sido intimada a juntar novas provas, o que teria prejudicado seu direito ao contraditório e à ampla defesa. Por tudo isto, alega, preliminarmente, que teria havido cerceamento de seu direito de defesa, solicitando a anulação da decisão da DRJ; b) reclama que bastaria uma simples comparação dos DACON com os valores recolhidos pela empresa para verificar a procedência do direito pleiteado, alegando que o parágrafo único do Art. 26 do Decreto 7.574/2011 determina que a prova da inveracidade dos fatos registrados caberia à autoridade fiscal. Desta forma, estaria se impondo um ônus injustificado ao contribuinte; c) reclama, ainda, que não teria havido uma recusa fundamentada acerca do pedido de produção de prova posterior, conforme determinaria o Art. 39, par. único, da Lei 9.784/99, que regula o processo administrativo. Portanto, a decisão recorrida deveria ser anulada, conforme determinaria o Art. 53 do mesmo diploma legal. Neste sentido, sustenta que as diretrizes da verdade material devem ser observadas pelos agentes da administração e transcreve ementas de julgados que ilustram seus argumentos; d) solicita, ao final, a anulação da decisão recorrida por violações aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, informalidade e verdade material. Pede, ainda, que após a anulação da decisão da DRJ seja reconhecido seu direito creditório com a conseqüente homologação das compensações declaradas, ou seja o julgamento convertido em diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.265, de 24/08/2016, proferido no julgamento do processo 10480.908649/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.265): "Observados os pressupostos recursais, a petição de fls. 43 a 52 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Brasília/4ª Turma, nº 0359.543, de 27 de fevereiro de 2014. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908681/201204 Acórdão n.º 3201002.299 S3C2T1 Fl. 5 4 O recorrente invoca, preliminarmente, o princípio processual da verdade material. O que deve ficar assente é que o referido princípio destinase à busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento ou por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito, onde se objetiva a restituição de um alegado crédito, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também em sede de julgamento, se oportunize tais demonstração e comprovação. Com essa introdução, entendo que deve ser afastada a insinuação recursal, implícita no brado pelo princípio da verdade material, de que esta instância de julgamento estaria obrigada a acolher todos e quaisquer documentos que por ventura acompanhem o recurso, primeiro porque existe um evidente limite temporal para a apresentação de provas no rito instituído pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – PAF que no presente caso é o momento processual da apresentação da manifestação de inconformidade, segundo porque o ônus probatório aqui é do contribuinte, quando este pleiteia um ressarcimento ou uma restituição de indébito, tem a obrigação de comprovar inequivocamente o seu alegado direito creditório no momento que contesta o despacho decisório e instaura o contencioso. No caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação do DACON para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar a motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar à reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Novamente, agora já em sede de recurso voluntário, o interessado não aportou aos autos qualquer documentação probatória, limitandose a bradar contra alegadas violações à princípios constitucionais e também a afirmar que todas as informações já constariam na base de dados da SRF, que portanto não haveria necessidade da juntada de quaisquer outros documentos e ainda, que caso tais informações se revelassem insuficientes, deveria ter sido solicitada a realização de diligência. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908681/201204 Acórdão n.º 3201002.299 S3C2T1 Fl. 6 5 Conforme bem apontou a decisão da DRJ, a declaração do contribuinte em DCTF constituise em confissão de dívida, o que confere liquidez e certeza à obrigação tributária. No atual momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na Declaração de Compensação seria imprescindível uma cabal demonstração na escrituração contábilfiscal da contribuinte, baseada em documentos hábeis e idôneos, da alegada diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. As alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, uma vez que a juntada das provas aos autos dever ser praticada no tempo certo, sob pena de preclusão, isto porque o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. Conforme o § 4º do art. 16 do PAF, só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Fl. 72DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908681/201204 Acórdão n.º 3201002.299 S3C2T1 Fl. 7 6 Contudo, no caso desses autos, o recorrente sequer se preocupou em trazer oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36. Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC). Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) no caso concreto deveria ter sido efetuada mediante apresentação oportuna de documentos contábeis e/ou fiscais capazes de efetivamente demonstrar que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não teria atingido o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito) e no DACON retificador, de caráter meramente informativo. Como o contribuinte sequer procurou juntar aos autos qualquer tipo de documentação na intenção de demonstrar que efetivamente seria titular do alegado direito creditório, eventuais créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública ficam sem a devida comprovação de sua certeza e liquidez, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Restam, portanto, descabidas as demais alegações quanto às supostas violações à ampla defesa, bem como aos demais princípios constitucionais da razoabilidade, proporcionalidade e informalidade. Sobre a jurisprudência trazida à colação pelo recorrente, devese contrapor que se tratam de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratamse de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações." Fl. 73DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA Processo nº 10480.908681/201204 Acórdão n.º 3201002.299 S3C2T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Winderley Morais Pereira Fl. 74DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 04/10/2016 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Numero do processo: 11610.001426/2009-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Sep 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO.
São isentos do imposto de renda pessoa física os rendimentos provenientes de aposentadoria, reforma, reserva ou pensão, uma vez comprovado, por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que o interessado é portador de uma das moléstias apontadas na legislação de regência como aptas à concessão do benefício.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.420
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos conhecer do recurso para dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo Presidente
(assinado digitalmente)
Túlio Teotônio de Melo Pereira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Amílcar Barca Teixeira Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho.
Nome do relator: TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. São isentos do imposto de renda pessoa física os rendimentos provenientes de aposentadoria, reforma, reserva ou pensão, uma vez comprovado, por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que o interessado é portador de uma das moléstias apontadas na legislação de regência como aptas à concessão do benefício. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 14 26 /2 00 9- 65 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos conhecer do recurso para darlhe provimento. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo – Presidente (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Mario Pereira de Pinho Filho, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Amílcar Barca Teixeira Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci, Bianca Felicia Rothschild e Theodoro Vicente Agostinho. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO Processo nº 11610.001426/200965 Acórdão n.º 2402005.420 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Inicialmente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (fls. 48/53), que bem retrata os fatos ocorridos até então: Contra a contribuinte, acima identificada, foi lavrada a Notificação de Lançamento Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF n° 2005/608451307235157, fls. 04/09, relativo ao anocalendário de 2004, exercício de 2005, para formalização do crédito tributário original no montante de R$ 5.030,72, adicionados de multa de oficio (R$ 3.773,04) e juros de mora (R$ 2.526,42), totalizando R$ 11.330,18. A infração apurada pela Fiscalização, relatada na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, os dispositivos legais infringidos e a penalidade aplicável encontramse detalhados às fls. 05/09. Foi apurada a seguinte infração: Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício: Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil constatouse omissão de rendimentos do trabalho com vinculo e/ou sem vínculo empregatício, sujeitos â tabela progressiva, no valor de R$ 39.823,56, recebido pelo titular e/ou dependentes, da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 0,00 (sic) Lançado de ofício os rendimentos recebidos do GOVERNO DO ESTADO DE SÃO PAULO, CNPJ 46.379.400/000150, R$ 10.795,93; e da SECRETARIA DE EDUCAÇÃO DO MUNICÍPIO DE SÃO PAULO, CNPJ 46.392.130/000330, R$ 29.027,63, por não ter sido comprovado a condição de portadora de moléstia grave, conforme definida na legislação ao Imposto de Renda. Enquadramento Legal: Artigos 1° a 3°e §§, e 8° da Lei n° 7.713/88; arts. 1° a 4° da Lei n° 8.134/90; arts. 1° e 15 da Lei n° 10.451/2002; arts. 43 e 45 do Decreto n° 3.000/99 RIR/99. Inconformada com a exigência, da qual tomou ciência em 28/01/2009, fls. 22, a contribuinte apresentou impugnação em 26/02/2009, fls. 02, alegando que seus rendimentos são provenientes de aposentadoria por moléstia grave. Requer por fim o cancelamento da notificação. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO 4 A interessada anexou aos autos os seguintes documentos: Identidade; Laudo Médico Pericial e documentação complementar (fls. 10/16); Diário Oficial do Estado de São Paulo concedendo Aposentadoria (fls. 17/20), Comprovantes de Rendimentos do Governo do Estado de São Paulo e da Prefeitura do Município de São Paulo (fls. 41/42). A impugnação foi julgada procedente em parte, conforme Acórdão 08 034.049 1a Turma da DRJ/FOR (fls. 48/53), que reconheceu como isentos os proventos de aposentadoria pagos pelo Governo do Estado de São Paulo, por ser a impugnante portadora de moléstia grave, nos termos da lei. Deixou de reconhecer como isentos os valores recebidos da Prefeitura do Município de São Paulo por não haver prova, nos autos, de sua condição de aposentada. Cientificada da decisão em 21/01/2016, a contribuinte manejou recurso voluntário (fls. 60/61), em 02/02/2016, argumentando que os rendimentos recebidos da Prefeitura do Município de São Paulo são provenientes de aposentadoria. Requer o provimento do recurso e o cancelamento do débito fiscal. Juntou documentos (fls. 62/69). É o relatório. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO Processo nº 11610.001426/200965 Acórdão n.º 2402005.420 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Túlio Teotônio de Melo Pereira Relator O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Temse em pauta recurso voluntário no qual a Interessada pretende que seja reconhecido seu direito à isenção do imposto de renda pessoa física, alegando que é portadora de moléstia grave e que os valores recebidos da Prefeitura do Município de São Paulo são provenientes de aposentadoria. Para o gozo da isenção pleiteada, a Lei no 7.713/1988 estabelece os seguintes requisitos: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente sem serviços, e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerosemúltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 8.541, de 1992) (Vide Lei 9.250, de 1995) (...) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. (Incluído pela Lei nº 8.541, de 1992) (grifouse) Dos dispositivos transcritos, verificase que são dois os requisitos para o exercício do direito à isenção pleiteada: a) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão; b) que o contribuinte seja portador de uma das doenças enumeradas no inciso XIV, do art. 6o, da Lei no 7.713/1988. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO 6 Ademais, partir do anocalendário 1996, a Lei no 9.250/1995 qualificou a comprovação do segundo requisito nos seguintes termos: Art. 30 A partir de 1° de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (grifouse) Na decisão recorrida, houve o reconhecimento de que a recorrente é portadora de doença prevista no inciso XIV, do art. 6o, da Lei no 7.713/1988, diagnosticada desde 1991, conforme laudo pericial. Sobre a fonte pagadora "Secretaria de Educação do Município de São Paulo", a recorrente juntou cópia do Diário Oficial do Município de São Paulo, de 17/03/2000, onde consta a publicação do despacho de deferimento de aposentadoria, como professora titular Ens Fund I. Comprovada, portanto, sua condição de aposentada. Assim, considerando que a contribuinte é portadora de moléstia grave prevista no artigo 6°, inciso XIV, da Lei n° 7.713/1988, faz jus, em razão disso, à isenção do imposto de renda incidente sobre os proventos de aposentadoria da fonte pagadora Secretaria de Educação do Município de São Paulo, CNPJ 46.392.130/000330. Recurso provido na matéria. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e, no mérito, dar lhe provimento, cancelando o lançamento. (assinado digitalmente) Túlio Teotônio de Melo Pereira. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 08/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por TULIO TEOTONIO DE MELO PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/09/2016 por KLEBER FERREI RA DE ARAUJO
score : 1.0
Numero do processo: 10675.004713/2004-03
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2000
ITR. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). EXERCÍCIOS ATÉ 2000. SÚMULA CARF 41.
A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000.
ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DATA DO FATO GERADOR.
Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a área de Reserva Legal deve estar averbada no Registro de Imóveis competente até a data do fato gerador. Hipótese em que a averbação foi realizada de forma tempestiva.
Numero da decisão: 9202-004.599
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercicio
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra.
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ÁREA DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). EXERCÍCIOS ATÉ 2000. SÚMULA CARF 41. A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DATA DO FATO GERADOR. Para fins de exclusão da base de cálculo do ITR, a área de Reserva Legal deve estar averbada no Registro de Imóveis competente até a data do fato gerador. Hipótese em que a averbação foi realizada de forma tempestiva. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercicio (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 47 13 /2 00 4- 03 Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10675.004713/200403 Acórdão n.º 9202004.599 CSRFT2 Fl. 228 2 Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gérson Macedo Guerra. Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 30239.650, prolatado pela 2a. Câmara do então 3o Conselho de Contribuintes, na sessão plenária de 09 de julho de 2008 (efls. 159 a 163). Ali, por maioria de votos, deuse provimento parcial ao Recurso Voluntário, para excluir do lançamento a glosa referente à área de Reserva Legal, na forma de ementa e decisão a seguir: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR EXERCÍCIO: 2000 ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. COMPROVAÇÃO. A comprovação da área de utilização limitada, para efeito de sua exclusão na base de cálculo do ITR, não depende, exclusivamente, da apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA), no prazo estabelecido. Com efeito, em apreço ao Princípio da Verdade Material, é se reputar a comprovação da área de utilização limitada em função da juntada de averbação à margem da matrícula do imóvel e de ADA intempestivo. REVISÃO DO VTN. O VTN somente poderá ser revisto, com base Laudo Técnico de Avaliação, quando este atenda às exigências da NBR nº 8.799/85. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Decisão: Por maioria de votos, deuse provimento ao recurso, nos termos do voto da relatora. Vencido o Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso quanto ao VTN, nos termos do voto da relatora Enviados os autos à Fazenda Nacional, para fins de ciência, em 08/01/2009 (efl. 165), esta apresentou, em 14/01/09 (efl. 166), Recurso Especial (efls. 167 a 174), nos termos do art. 7o., inciso I, do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a quem competia, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão nãounânime de Câmara, quando contrária à lei ou à evidência da prova, uma vez que a decisão do aresto recorrido foi prolatada em 09 de julho de 2008, antes da vigência do RICARF, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, conforme o previsto no art. 4o. deste último Regimento Interno. Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10675.004713/200403 Acórdão n.º 9202004.599 CSRFT2 Fl. 229 3 Contém o pleito da recorrente argumentações quanto à necessidade de apresentação ou protocolização de pedido de Ato Declaratório Ambiental para fins de reconhecimento da área de utilização limitada/Reserva Legal como passível de exclusão da base de cálculo do ITR, da seguinte forma: 1) Discorre, inicialmente, acerca da obrigação estabelecida (para fins de não incidência do ITR sobre as áreas de preservação permanente e utilização limitada/Reserva Legal) pelas INs SRF nos. 43/97, com redação dada pela IN SRF 67/97, 73/2000 e 256/02 e IBAMA 76/05, no sentido da necessidade da informação de tais áreas em Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao IBAMA. Entende que "as áreas de preservação permanente" (sic) devem ser informadas nesta "declaração", necessidade esta que decorreria do próprio §7o. da Lei no. 9.393, de 1996, que não dispensou o contribuinte de apresentar do ADA de forma tempestiva quando exigido pela autoridade fiscal, mas tão somente a comprovação prévia dos dados constantes daquela declaração. Ressalta que, na forma da mencionada IN SRF 73/2000, o ADA, para o exercício em análise, deveria ter sido entregue até 31/03/2001, sendo que, no caso, isto só foi feito em 09/05/2001, daí restar subsistente o lançamento; 2) Ressalta que se deve observar a necessidade de interpretação literal do art. 10 da Lei no. 9.393, de 19 de dezembro de 1996, consoante o art. 111 do CTN. Entende, ainda, que não há como dissociar a exigência da protocolização do ADA do seu aspecto temporal, pois o prazo de seis meses para cumprimento de tal obrigação junto ao IBAMA foi estipulado através de ato normativo ensejador do dever legal, cabendo observar com maior rigor o disposto no art. 111, do CTN, no que diz respeito à interpretação literal da lei tributária que estabelece isenção ou exclui determinado tributo; 3) Encerra seu pleito com breves considerações acerca da extrafiscalidade do ITR, com citações doutrinárias. Requer, assim, que seja reformado o vergastado, restaurandose a decisão de primeira instância. O recurso foi regularmente admitido, consoante despachos de efl. 175 a 177. Cientificado o contribuinte em 20/05/09 (efl. 181), este apresentou: a) Recurso Especial de sua iniciativa, de efls. 185 a 188 e anexos, não admitido conforme exame de admissibilidade de efls. 208 a 212. b) Em 26/05/09, contrarrazões tempestivas de efls. 182 a 184, onde alega que: b.1) Conforme se observa pelos documentos acostados aos autos, o recorrido informou corretamente à repartição competente a área de reserva legal e de preservação permanente. Tais áreas também foram corretamente averbadas na matrícula do imóvel, junto ao Cartório de Registro de Imóveis. A existência dessas áreas também restou comprovada pelo LAUDO TÉCNICO anexado aos autos, devidamente elaborado dentro das normas da ABNT e obedecendo aos padrões estabelecidos pela legislação aplicável à espécie, inclusive com anotação de responsabilidade técnica junto ao CREA. Ressaltese ainda que tal fato não foi, em momento algum, questionado pela recorrente. Portanto, deve ser levada em consideração a área de reserva legal e de preservação permanente declarada pelo recorrido, para excluíla da tributação; Fl. 229DF CARF MF Processo nº 10675.004713/200403 Acórdão n.º 9202004.599 CSRFT2 Fl. 230 4 b.2) Como a existência das áreas é indubitável, não há que se falar na impossibilidade de aproveitamento da isenção pela simples ausência de averbação na data da ocorrência do fato gerador. Ora, se houve algum descumprimento de norma pelo ora Recorrido em relação à averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, tratase, efetivamente, de procedimento acessório, que não pode implicar na imposição do tributo; b.3) Não há que se falar na obrigatoriedade de averbação das áreas, para que o recorrido possa gozar da isenção em relação às mesmas. A não averbação da área junto à matrícula do imóvel, ou sua tardia averbação, poderia, quando muito, caracterizar um mero descumprimento de obrigação acessória, nunca o fundamento legal válido para a glosa da área de Reserva Legal, mesmo porque, tal exigência não é condição ao aproveitamento da isenção destinada a tal área, conforme disposto no art. 3o. da MP n° 2.166, de 2001, que alterou o art. 10 da Lei no. 9.393, de 1996; b.4) O recorrido apresentou tal averbação, registrada em 22/08/2002 junto à matrícula do imóvel, bem como informou a área em Ato Declaratório Ambiental ADA, apresentado ao IBAMA em 09/05/2001. Ademais, cumpre ainda ressaltar que, conforme consta do Laudo Técnico, as áreas de preservação permanente e de Reserva Legal encontramse plenamente preservadas; b.5) Finalmente, considerandose que o tributo tem como definição legal ser uma exigência decorrente de lei, coercitiva, e oriunda do exercício de uma atividade do contribuinte, tipificada na própria lei como FATO IMPONÍVEL, ou FATO GERADOR da obrigação tributária, constatase que no caso em pauta não pode prevalecer a exigência do ITR sobre as áreas consideradas isentas, já que restou evidenciado a sua existência física através do Laudo Técnico, bem como o cumprimento da obrigação por parte do contribuinte. Daí a afirmativa de que o simples descumprimento de uma obrigação acessória, ou seja, a entrega da ADA no prazo legal, não pode ter o condão de fazer nascer a obrigação tributária principal, que é a exigência do tributo. O máximo que poderia ocorrer seria a exigência de uma penalidade, mas nunca do próprio tributo. Requer, assim, que seja negado provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator O recurso é tempestivo e indica a contrariedade à lei/evidência da prova alegada e, assim, o conheço. Passo, destarte, à análise de mérito. Para que todos possam firmar suas convicção quanto ao mérito recursal, destaco os seguintes elementos de interesse acostados aos autos: a) Início da ação fiscal: 22/03/2004 efl. 11; Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10675.004713/200403 Acórdão n.º 9202004.599 CSRFT2 Fl. 231 5 b) Demonstrativo contemplando a glosa efetuada pela autoridade fiscal na DITR efl. 51; c) ADA /1997 protocolizado em 09/05/01 efl. 33; d) Matrículas onde houve averbação de áreas de Reserva Legal de 333,0 ha, em 19/08/98 efls. 15, 18, 21, 23 e 28. Passando à análise do litígio, que se atém exclusivamente ao provimento da área de Reserva Legal como passível de exclusão da base de cálculo do ITR, consoante voto de efls. 162/163. Quanto à área de utilização limitada/Reserva Legal, alinhome aqui aos que entendem ser necessária a averbação da Reserva Legal junto ao Registro de Imóveis até a data do fato gerador, posicionamento, muito bem esclarecido por voto condutor de lavra da Dra. Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, no âmbito do Acórdão 220201.269, prolatado pela 2a. Turma Ordinária da 2a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento deste CARF em 26 de julho de 2011, o qual adoto como razões de decidir, fundamentando meu entendimento acerca do tema, ressalvando que as menções ao art. 16 §8o. do Código Florestal, quanto à obrigatoriedade de averbação, são plenamente aplicáveis aqui, uma vez que o §2o. do mesmo artigo, em sua redação anterior, dada pela Lei no. 7.803, de 1989, estabelecida idêntica obrigatoriedade, verbis: (...) Para fins de apuração do ITR, excluemse, dentre outras, as áreas de reserva legal, conforme disposto no art. 10, § 1o , inciso II, alínea “a”, da Lei no 9.393, de 1996, verbis: Art. 10. [...] § 1o Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; [...] A lei tributária reportase ao Código Florestal (Lei no 4.771, de 15 de setembro de 1965), no qual se deve buscar a definição de reserva legal (art. 1o , §2o , inciso III): Art. 1o [...] §2o Para os efeitos deste Código, entendese por: (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) [...] III Reserva Legal: área localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação Fl. 231DF CARF MF Processo nº 10675.004713/200403 Acórdão n.º 9202004.599 CSRFT2 Fl. 232 6 permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas; (Incluído pela Medida Provisória no 2.16667, de 2001) [...] O Código Florestal define, ainda, percentuais mínimos da propriedade rural que devem ser destinados à reserva legal, para cada região do país (art. 16, incisos I a IV), assim como determina que a referida área seja averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel no Cartório de Registro de Imóveis (art. 16, §8o ). Como se percebe, diferentemente da área de preservação permanente, em que a demarcação de tais áreas encontrase na lei ou em declaração do Poder Público, no caso da reserva legal, a lei fixa apenas percentuais mínimos a serem observados, cabendo ao proprietário/possuidor escolher qual área de sua propriedade será reservada para proteção ambiental. (...) Convém lembrar, ainda, que “os direitos reais sobre imóveis constituídos, ou transmitidos por atos entre vivos, só se adquirem com o registro no Cartório de Registro de Imóveis dos referidos títulos (arts. 1.245 a 1.247), salvo os casos expressos neste Código” (art. 1.227 do Código Civil). Assim, somente a partir da averbação da reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis é que o uso da área corresponde fica restrito às normas ambientais, alterando o direito de propriedade e influindo diretamente no seu valor. Não se trata, portanto, de mera formalidade, mas verdadeiro ato constitutivo. O entendimento acima exposto já foi defendido com muita propriedade no julgamento do Mandado de Segurança no 226889/PB no Supremo Tribunal Federal – STF (publicado no Diário de Justiça de 28/04/2000), pelo Ministro Sepúlveda Pertence, que a seguir transcrevese: A questão, portanto, é saber, a despeito de não averbada se a área correspondente à reserva legal deveria ter sido excluída da área aproveitável total do imóvel para fins de apuração da sua produtividade nos termos do art. 6°, caput, parágrafo, da Lei 8.629/93, tendo em vista o disposto no art.. 10, IV dessa Lei de Reforma Agrária. Diz o art 10: Art. 10. Para efeito do que dispõe esta lei, consideramse não aproveitáveis: (...) IV as áreas de efetiva preservação permanente e demais áreas protegidas por legislação relativa à conservação dos recursos naturais e à preservação do meio ambiente. Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10675.004713/200403 Acórdão n.º 9202004.599 CSRFT2 Fl. 233 7 Entendo que esse dispositivo não se refere a uma fração ideal do imóvel, mas as áreas identificadas ou identificáveis. Desde que sejam conhecidas as áreas de efetiva preservação permanente e as protegidas pela legislação ambiental devem ser tidas como aproveitadas. Assim, por exemplo, as matas ciliares, as nascentes, as margens de cursos de água, as áreas de encosta, os manguezais. A reserva legal não é uma abstração matemática. Há de ser entendida como uma parte determinada do imóvel. Sem que esteja identificada, não é possível saber se o proprietário vem cumprindo as obrigações positivas e negativas que a legislação ambiental lhe impõe. Por outro lado, se sabe onde concretamente se encontra a reserva, se ela não foi medida e demarcada, em caso de divisão ou desmembramento de imóvel, o que dos novos proprietários só estaria obrigado por a preservar vinte cento da sua parte. Desse modo, a cada nova divisão ou desmembramento, haveria uma diminuição do tamanho da reserva, proporcional à diminuição do tamanho do imóvel, com o que restaria frustrada a proibição da mudança de sua destinação nos casos de transmissão a qualquer título ou de desmembramento, que a lei florestal prescreve. Estou assim em que, sem a averbação determinada pelo § 2° do art 16 da Lei n° 4.771/65 não existe a reserva legal. (os destaques não constam do original) Concluise, assim, que a lei tributária ao se reportar ao Código Florestal, está condicionando, implicitamente, a não tributação das áreas de reserva legal a averbação à margem da matrícula do imóvel, pois tratase de ato constitutivo sem o qual não existe a área protegida. Quanto ao prazo para o cumprimento dessa exigência específica, cabe lembrar que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador da obrigação, conforme disposto no art. 144 do CTN, e que fato gerador do ITR o dia 1o de janeiro de cada ano (o art. 1o , caput, da Lei no 9.393, de 1996). Dessa forma, concluise que a averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel deve ser efetivada até a data do fato gerador da obrigação tributária, para fins de isenção do ITR correspondente. (...)" No caso em questão, conforme se depreende dos documentos de efls. 15, 18, 21, 23 e 28 a área de 333,0 ha. de Reserva Legal se encontrava averbada desde 19/08/1998, assim anteriormente ao fato gerador em questão ocorrido em 01/01/00. Quanto à necessidade de apresentação ou protocolização do ADA, além da aplicação da Súmula no. 41 (no sentido de impossibilidade de lançamento com base no cumprimento deste requisito, notese, sendo esta a única acusação que deu origem à glosa Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10675.004713/200403 Acórdão n.º 9202004.599 CSRFT2 Fl. 234 8 destas áreas, consoante efl. 50) também abranger a área de Reserva Legal, ressalto que entendo que, para exercícios anteriores ao ITR/2000 ou mesmo para posteriores, a averbação da Reserva Legal, pública e de natureza constitutiva, na forma acima defendida, supre a obrigatoriedade de apresentação do ADA, interpretandose uma vez mais o dispositivo instituidor da obrigatoriedade sob a ótica teleológica de preservação das áreas de RL e fiscalização desta preservação. Assim, no caso em questão, realizada a averbação em 19/08/1998 (antes do FG, ocorrido em 01/01/2000), de se manter a exclusão concedida pelo recorrido de 333,0 ha. a título de Reserva Legal, não havendo qualquer reparo a ser feito no vergastado. Para os que não comungam este entendimento, ressalto, uma vez mais, a fim de que formem seu entendimento, que o ADA (efl. 33) foi entregue em 09/05/2001, após a ocorrência do fato gerador em questão (01/01/00), mas antes do início da ação fiscal, ocorrida em 22/03/04 (efl. 11). Diante do exposto, a partir do entendimento acima esposado, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, mantendose incólume o Acórdão recorrido. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 234DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.001183/2007-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Nov 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/12/2003
RETORNO DE DILIGÊNCIA. RELATOR DESIGNADO PARA MANDATO EM OUTRA TURMA DE JULGAMENTO. COMPETÊNCIA.
Os processos que retornem de diligência devem ser distribuídos ao mesmo Relator, ainda que tenha sido designado para novo mandato em outra Câmara com competência sobre a mesma matéria (art.49, §§7º e 8º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF).
Numero da decisão: 1103-001.200
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, declinar competência para a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente
(assinado digitalmente)
Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, Carlos Mozart Barreto Vianna, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: Eduardo Martins Neiva Monteiro
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/12/2003 RETORNO DE DILIGÊNCIA. RELATOR DESIGNADO PARA MANDATO EM OUTRA TURMA DE JULGAMENTO. COMPETÊNCIA. Os processos que retornem de diligência devem ser distribuídos ao mesmo Relator, ainda que tenha sido designado para novo mandato em outra Câmara com competência sobre a mesma matéria (art.49, §§7º e 8º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, declinar competência para a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva - Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, Carlos Mozart Barreto Vianna, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva.
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RELATOR DESIGNADO PARA MANDATO EM OUTRA TURMA DE JULGAMENTO. COMPETÊNCIA. Os processos que retornem de diligência devem ser distribuídos ao mesmo Relator, ainda que tenha sido designado para novo mandato em outra Câmara com competência sobre a mesma matéria (art.49, §§7º e 8º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, declinar competência para a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 11 83 /2 00 7- 22 Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10980.001183/200722 Acórdão n.º 1103001.200 S1C1T3 Fl. 114 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fábio Nieves Barreira, Carlos Mozart Barreto Vianna, Breno Ferreira Martins Vasconcelos, Marcos Shigueo Takata e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório Tratase de auto de infração de multa por atraso na entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF), relativa ao quarto trimestre de 2003 (fl.25). Devidamente cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação de fls.1/24, com as seguintes considerações: a autuação teria ferido diversos princípios constitucionais (da equidade, da proporcionalidade, da razoabilidade, da capacidade contributiva, do nãoconfisco); com a entrega das DCTF cumprira a obrigação acessória, não se podendo falar em falta de observância do disposto no art.113, §3°, do Código Tributário Nacional (CTN), de forma que não teria “migrado” para obrigação principal a justificar a exigência de crédito tributário, tal como previsto no art. 139 do CTN; não seria aplicável a mesma sanção voltada àquele que deixou de entregar as declarações e sofreu notificação; o Fisco não sofrera prejuízo, mas, ao contrário, beneficiarase na medida em que o prazo prescricional iniciouse a partir da data definitiva de constituição do crédito tributário, ou seja, da entrega das declarações, conforme decidiu o Superior Tribunal de Justiça; com base no art. 106, II, "c" do CTN, a penalidade a lhe ser aplicada deveria ser a mais benéfica, havendo dúvida na capitulação legal do fato, já que o auto de infração contempla dois dispositivos legais (art. 112, I do CTN), de modo que o valor da penalidade seria de R$57,34 por mês ou fração de atraso, nos termos da IN SRF n.° 126/98;. mesmo na hipótese de atraso no pagamento do tributo, sofreria os acréscimos moratórios, de forma que não poderiam incidir duas multas sobre uma mesma base de cálculo e fato gerador, ou seja, por já ser apenado ao recolher tributos em atraso, não deveria sêlo quando do atraso na entrega das DCTF, mormente quando exagerado o valor cobrado no auto de infração. Ao final, pleiteou o impugnante o cancelamento do lançamento ou, alternativamente, a redução do crédito tributário para R$ 57,34. A Terceira Turma da DRJ – Curitiba (PR), em 14/4/10, considerou o lançamento procedente, conforme acórdão de fls.36/39, que recebeu a seguinte ementa: DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. A contribuinte que, obrigada à entrega da DCTF, a apresenta fora do prazo legal sujeitase a multa estabelecida na legislação de regência. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa não possui competência para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Devidamente cientificado em 30/4/10 (fl.43), o contribuinte interpôs recurso voluntário em 20/5/10 (fls.45/67), em que reiterou os argumentos apresentados na impugnação. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10980.001183/200722 Acórdão n.º 1103001.200 S1C1T3 Fl. 115 3 Em 12/3/14, esta Terceira Turma Ordinária converteu o julgamento em diligência nos termos da Resolução 1103000.139, de 12/3/14 (fls.90/100). O sujeito passivo foi cientificado do resultado da diligência em 29/9/14 (fl.108), não tendo apresentado contrarrazões. O processo foi então distribuído pela Secretaria da Primeira Câmara a este Relator para apreciação (fl.112). É o que importa relatar. Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Os autos foram originariamente distribuídos ao I. Cons. André Mendes de Moura, que pertencia a esta Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento. De acordo com o Regimento Interno do CARF (Anexo II), os processos que retornem de diligência devem ser distribuídos ao mesmo Relator, ainda que tenha sido designado para novo mandato em outra Câmara com competência sobre a mesma matéria. Senão, vejamos: “Art. 49. Os processos recebidos pelas Câmaras serão sorteados aos conselheiros. ..... §7° Os processos que retornarem de diligência, os com embargos de declaração opostos e os conexos, decorrentes ou reflexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio, ressalvados os embargos de declaração opostos, em que o relator não mais pertença ao colegiado, que serão apreciados pela turma de origem, com designação de relator ad hoc. §8° Na hipótese de o conselheiro ter sido designado para novo mandato, em outra Câmara com competência sobre a mesma matéria, os processos já sorteados, inclusive os relatados e ainda não julgados e os que retornarem de diligência, com ele permanecerão e serão remanejados para a nova Câmara” (destaquei) A dúvida que pode surgir diz respeito aos casos em que o Relator foi vencido quanto à decisão da maioria do colegiado de converter o julgamento em diligência, como na espécie, quando surge então a figura do RedatorDesignado para redigir a Resolução, também por força do Regimento Interno (Anexo II): Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10980.001183/200722 Acórdão n.º 1103001.200 S1C1T3 Fl. 116 4 voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. §1° Vencido o relator, na preliminar ou no mérito, o presidente designará para redigir o voto da matéria vencedora e a ementa correspondente um dos conselheiros que o adotar, o qual deverá ser formalizado no prazo de 30 (trinta) dias, contado da movimentação dos autos ao redator designado De toda forma, para fins de aplicação do art.49, §§7º e 8º, do Regimento Interno (Anexo II), o fato de o Relator, em um primeiro momento, discordar da realização de diligência não modifica a sua situação processual. A única exceção contemplada no supracitado §7º referese aos embargos de declaração, que devem ser apreciados pela Turma de origem ainda que o Relator não mais dela participe, situação que ensejará a designação de relator ad hoc. Sendo assim, os autos devem ser encaminhados à Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção de Julgamento, para a qual o I. Cons. André Mendes de Moura, Relator, foi designado para exercer novo mandato. Pelo exposto, voto no sentido de declinar competência para a Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 116DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.933369/2009-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003
ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO.
A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-003.410
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Alargamento da base de cálculo. Recorrente CONSTRUTORA TOMASI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 ART. 3º, §1º DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. RECEITA. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO ART. 62, §2º, do RICARF. RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62, §2º do RICARF. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 33 69 /2 00 9- 12 Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10980.933369/200912 Acórdão n.º 3402003.410 S3C4T2 Fl. 0 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Curitiba/PR que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte, a qual pretendeu a reforma do despacho decisório, que, por sua vez, indeferiu a homologação da compensação de créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. A não homologação se deveu a inexistência do crédito informado, vez que o mesmo havia sido integralmente utilizado. Em sua manifestação a interessada alega que o crédito decorre da declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do §1º do art. 3º da Lei nº9.718, de 1998, e que aproveitou o referido crédito nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e, ressaltando o contido no art. 165 do CTN, insiste no direito à restituição. Ao final, pede a homologação da compensação. Sobreveio então o Acórdão 06041.134, da DRJ/CTA/PR, julgando improcedente a manifestação de inconformidade da Contribuinte. Irresignada, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário a este Conselho repisando os argumentos trazidos em sede de manifestação de inconformidade. É o relatório Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.399, de 29 de setembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10980.911525/201010, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.399): "O recurso voluntário é tempestivo, com base no que dispõe o artigo 33 do Decreto 70.235, de 06 de março de 1972, bem como atende as demais condições de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A questão de direito controversa no presente processo é amplamente conhecida. Tratase do inconstitucional alargamento da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (“Cofins”), sobre o qual cumpre tecer algumas breves explanações. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10980.933369/200912 Acórdão n.º 3402003.410 S3C4T2 Fl. 0 3 A Cofins, sucessora do FINSOCIAL, foi disciplinada pela Lei n. 9.718, de 27 de novembro de 1998 (“Lei n. 9.718/98”). Nos termos do artigo 3º da citada Lei, ficou estabelecido que a Cofins incidiria sobre a receita bruta de pessoa jurídica. Por sua vez, o §1º do mesmo artigo veio definir o que abrangia o termo "receita", dispondo que: entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. Contudo, à época da edição da Lei n. 9.718/98, a Constituição da República brasileira, em seu artigo 195, estabelecia que as Contribuições Sociais a serem recolhidas aos Cofres da União pelos empregadores, dentre as quais se enquadra a Cofins, somente poderiam incidir sobre o “faturamento”. Diante dessa delimitação constitucional, o Supremo Tribunal Federal (“STF”) declarou que o §1º do artigo 3º da Lei n. 9.718/98 é inconstitucional, no julgamento dos Recursos Extraordinários (“RE”) n. 357950, 390840, 358273, 346084 e 336134 em 09 de novembro de 2005. Posteriormente, o Pretório Excelso, no julgamento do RE n. 585.235, publicado em 28/11/2008, julgou pela aplicação da repercussão geral sobre matéria em exame, reconhecendo a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. A ementa do referido julgado foi lavrada nos seguintes termos: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Isto porque, segundo o entendimento dos Ministros do STF, esse dispositivo alargou indevidamente a base de cálculo da COFINS, uma vez que igualou o conceito de faturamento (ou receita operacional) ao conceito de receita . Explicase. Enquanto o faturamento é constituído pelas receitas advindas da venda de bens e serviços, a receita compreende "entrada de recursos financeiros remuneradores dos diferentes negócios jurídicos da atividade empresarial”, segundo a lição de José Antonio Minatel. 1 Assim, o faturamento (espécie) é menos amplo que a receita (gênero). 1 MINATEL, José Antonio. Conteúdo do Conceito de Receita e Regime Jurídico para sua Tributação. MP Editora. São Paulo, 2005, p. 132. Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10980.933369/200912 Acórdão n.º 3402003.410 S3C4T2 Fl. 0 4 Ocorre que tais conceitos não podem ser livremente manejados pelo legislador, pois o artigo 110 do Código Tributário Nacional determina que: A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Destarte, se a Constituição determinava que a COFINS somente poderia incidir sobre o faturamento; e o faturamento constitui as receitas provenientes da venda de bens e serviços pela pessoa jurídica; conclui se pela inconstitucionalidade da lei que determina a incidência sobre a receita sem sentido amplo, pois essa é mais abrangente que o faturamento. 2 Buscando solucionar os vícios constitucionais de que padecia a Lei n. 9.718/98, o Poder Legislativo editou a Emenda Constitucional n. 20, de 15 de dezembro de 1998 (“EC n. 20/98”). Tal Emenda alterou o texto do artigo 195 da Constituição, o qual restou positivado nos seguintes dizeres: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998). Em síntese, a EC n. 20/98 alargou a hipótese de incidência das contribuições sociais devidas pelo empregador, uma vez que a partir de então não só o faturamento pode ser tributado, como também a receita em sentido amplo. 2 Ademais, há de se ressaltar que a Lei n. 9.718/98 tem status jurídico de lei ordinária, o que torna ainda mais patente a sua inconstitucionalidade, tendo em vista que somente por meio de lei complementar é que poderia ser criada outra fonte de custeio da seguridade social (incidente sobre outra materialidade), nos termos do artigo 195, §4 e do artigo 154, inciso I, ambos da Constituição. Disto depreendese que somente seria legítima a cobrança da COFINS sobre a receita, hipótese que na época não estava prevista no rol de incisos do artigo 195 da Constituição, caso tal situação tivesse sido instituída por meio de lei complementar. Afinal, tratarseia de nova fonte de custeio da seguridade social. Como a Lei n. 9.718/98 foi votada e publicada pelo rito legislativo próprio das leis ordinárias, mais uma vez concluise pela inconstitucionalidade da exação. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10980.933369/200912 Acórdão n.º 3402003.410 S3C4T2 Fl. 0 5 Entretanto, essa mudança no texto da Constituição não teve o poder de convalidar os dizeres da Lei n. 9.718/98, pois o sistema jurídico brasileiro não admite a constitucionalidade superveniente, vale dizer, tendo sido promulgada e publicada lei que contraria a Constituição, não é possível que posterior alteração da própria Constituição, por via de emenda, traga de forma retroativa a validade da lei. Foi assim que decidiu o STF. Pois bem. Tendo sido decidida a questão em sede de recurso extraordinário com repercussão geral reconhecida, tornase imperioso o seu acatamento por este Conselho, nos moldes do artigo 62, §2º do Regimento Interno do CARF, o qual prescreve a necessidade de reprodução, pelos Conselheiros, das decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática da repercussão geral: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Nesse sentido, é tranquila a jurisprudência do Conselho a respeito da necessidade de reprodução das decisões proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da Cofins – citadas alhures aos processos administrativos fiscais, nos quais os contribuintes formulam pedidos de restituição de valores indevidamente pagos a título da contribuição social em questão, exatamente como ocorre no presente caso. Destaco a seguir alguns julgados representativos do entendimento sobre a matéria: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/02/1999 a 30/06/2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL. 10 ANOS. PEDIDO REALIZADO ANTES DA ENTRADA EM VIGOR DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. O prazo decadencial para o direito de restituição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de 10 (dez) anos, a contar do fato gerador quando o pedido for realizado antes da entrada em vigor da Lei Complementar 118/2005, conforme entendimento do STF. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzemse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10980.933369/200912 Acórdão n.º 3402003.410 S3C4T2 Fl. 0 6 compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. COFINS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE. Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Recurso Voluntário Provido (Processo 11618.002043/200519, MARCOS ANTONIO BORGES, Nº Acórdão 3801001.835) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 28/02/1999 a 31/05/2000 DECADÊNCIA. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR 118/05. O prazo estabelecido na Lei Complementar 118/05 somente se aplica para os processos protocolizados a partir 9 de junho de 2005, e que anteriormente a este limite temporal aplicase a tese de que o prazo para repetição ou compensação de tributos sujeitos a lançamento por homologação é de dez anos, contado de seu fato gerador, de acordo com decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzemse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. PIS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO DE TRIBUTO. POSSIBILIDADE. Caracterizado o pagamento a maior ou indevido da contribuição, o contribuinte tem direito à repetição do indébito, segundo o disposto no art. 165, I, do Código Tributário Nacional (CTN). Recurso Voluntário Provido. (Processo 13855.001146/200586, Relator(a) FLAVIO DE CASTRO PONTES, Nº Acórdão , 3801001.722) COFINS. ART. 3º, DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. APLICAÇÃO DO Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10980.933369/200912 Acórdão n.º 3402003.410 S3C4T2 Fl. 0 7 ART. 62, §1o, I, do RICARF. RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO. CABIMENTO. A base de cálculo das contribuições ao PIS e a COFINS é o faturamento e, em virtude de inconstitucionalidade declarada em decisão plenária definitiva do STF, devem ser excluídas da base de cálculo as receitas que não decorram da venda de mercadorias ou da prestação de serviços. Aplicação do art. 62A do RICARF. COFINS. ART. 3º, §1º, DA LEI 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. ALARGAMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. RESTITUIÇÃO DO INDÉBITO. CABIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. Em face da inconstitucionalidade da alteração da base de cálculo da contribuição a COFINS, promovida pelo art. 3º, §1º, da Lei nº 19.718/98, é cabível o deferimento da restituição do indébito, devendo a autoridade preparadora verificar a comprovação do pagamento indevido ou a maior para compor o crédito a ser deferido ao contribuinte. Sobre o crédito apurado incide correção pela incidência da SELIC desde a data do pagamento indevido ou a maior, na forma do §4º, do Art. 39, da Lei nº 9.250/95. Recurso Parcialmente Provido. (Processo 10950.000184/200626, Relator(a) JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Acórdão 3402001.697) COFINS. FALTA DE RECOLHIMENTO. Mantémse o lançamento quando constatada a falta de recolhimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, no período compreendido pelo auto de infração. COFINS. COMPENSAÇÃO. PROCEDIMENTO PRÓPRIO. Eventual direito à compensação da COFINS, em razão de recolhimento indevido ou efetuado a maior, deve ser apreciado no procedimento administrativo próprio de restituição/compensação, e não em processo de formalização de exigência de crédito tributário. Todavia, nada impede Requerêla em procedimento próprio. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. APRECIAÇÃO. COMPETÊNCIA. O conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para apreciar pedidos de restituição/compensação. A competência é da unidade da Receita Federal que jurisdiciona o contribuinte. Aos órgãos julgadores do CARF compete o julgamento de recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (art. 1º da Portaria MF nº 256/2009) MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10980.933369/200912 Acórdão n.º 3402003.410 S3C4T2 Fl. 0 8 Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. COFINS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. APLICAÇÃO DE DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL. POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido em Parte (Processo 10680.006962/200880, Relator(a) JOSE LUIZ BORDIGNON, Acórdão 3801000.984) Portanto é incontroverso o bom direito da Recorrente em relação à restituição dos recolhimentos indevidamente feitos a título de Cofins, no período de apuração em questão, haja vista que a presente lide administrativa tem como objeto principal a declaração de inconstitucionalidade do artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 pelo STF (alargamento inconstitucional da base de cálculo da Cofins). Com efeito, como já tive a oportunidade de destacar em dissertação sobre o tema: Tanto a edição de leis inconstitucionais como a cobrança de tributos com base em tais leis tributárias inconstitucionais são atos ilícitos praticados pelo Poder Público. O primeiro constitui ilícito constitucional (edição de lei contrária aos dizeres da Constituição), enquanto o segundo caracteriza ilícito tributário (cobrança pelo Estado e consequente pagamento pelo contribuinte de tributo inválido). Lembrando que as normas jurídicas em sua feição completa são impreterivelmente dotadas de uma sanção em caso de descumprimento, aos citados atos ilícitos o ordenamento jurídico atrela as respectivas sanções: a declaração de inconstitucionalidade, com o objetivo de preservar a integralidade e coerência da ordem jurídica; e a restituição de tributos inconstitucionais, cuja função é conferir segurança jurídica e isonomia aos administrados. 3 Cumpre ainda salientar que à restituição de tributos inconstitucional, cuja natureza e regime jurídico são tributários, são totalmente aplicáveis as regras relativas às demais hipóteses de repetição de indébito dispostas no CTN (artigo 165 a 169). Entretanto, com relação ao quantum devido como restituição do tributo inconstitucional, compete à autoridade administrativa preparadora, com 3 LAURENTIIS, Thais de. Restituição de Tributo Inconstitucional. São Paulo: Noeses, 2015. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10980.933369/200912 Acórdão n.º 3402003.410 S3C4T2 Fl. 0 9 base na documentação apresentada pelo contribuinte no decorrer do processo administrativo, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Por fim, saliento que apurado o crédito, os valores originais devem sofrer correção pela incidência da SELIC, desde a data do pagamento indevido, como impõe o artigo 39, §4º da Lei nº 9.250/95, até a data do efetivo aproveitamento dos créditos pelo contribuinte. Dispositivo Por tudo quanto exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, haja vista a necessidade de liquidação do julgado, nos termos descritos acima." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dáse parcial provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito à restituição dos valores recolhidos com amparo no § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98 (declarado inconstitucional pelo STF), devendo o montante do direito creditório ser apurado pela unidade de origem. assinado digitalmente Antonio Carlos Atulim Fl. 143DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.722577/2013-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Nov 01 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1302-000.447
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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Omissão de Receitas. Arbitramento de Lucro Recorrente FUTURAMA SUPERMERCADO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (documento assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Presidente. (documento assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Marcelo Calheiros Soriano, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão que manteve a decisão quanto à autuação da contribuinte principal (Futurama Supermercados Ltda.) por omissão de receitas relativas a depósitos em contas bancárias de origem não comprovada. Os sócios diretores pessoas físicas foram responsabilizados solidariamente (art. 135, CTN). Posteriormente aos exercícios (2008 e 2009), aos quais se referem os fatos geradores, tais sócios retiraramse da sociedade e constituíram novas empresas (supermercados). Essas empresas foram consideradas sucessoras tributárias da principal recorrente (transferência de estabelecimento). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .7 22 57 7/ 20 13 -2 7 Fl. 1796DF CARF MF Processo nº 19515.722577/201327 Resolução nº 1302000.447 S1C3T2 Fl. 3 2 Lavrouse o Termo de Embaraço à Ação Fiscal n° 03, em relação à contribuinte principal, em virtude do não cumprimento a diversas intimações pessoais e por editais para a apresentação de DIPJ, escritas comerciais, contábeis etc. e por não terem apresentados extratos de movimentação bancária; não terem prestado informações e comprovado a origem de depósitos em conta bancárias efetuados nos bancos, Unibanco União de Bancos Brasileiros S.A., Banco Bradesco S.A. e Banco Safra S.A. referentes aos anos calendário de 2007 e 2008 (fl. 50). Por estarem incompletos, requisitaramse às referidas instituições financeiras, por meio de procedimentos de Requisição de Movimentação Financeira RMF, os extratos bancários, fichas cadastrais, cópias de cheques, informações sobre poderes para movimentação isolada das contas por sócios etc. A análise dos documentos e movimentação financeira culminou no Termo de Constatação e Intimação nº 4, por intermédio do qual a recorrente foram intimados a contribuinte principal, os sócios diretores e as empresas sucessoras, considerados devedores solidários, para que comprovassem, por meio de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados nos anoscalendário de 2008 e 2009, em contas de depósitos ou investimento mantidas pela empresa junto às instituições financeiras ali relacionadas, bem como comprovar que os mesmos foram declarados e oferecidos à tributação. Não houve resposta. Após os trabalhos de fiscalização, os valores totais identificados, cuja origem deveria ter sido comprovada, foram os seguintes (fls. 2319 e seguintes): Banco 2006 2007 Valor Safra 2.006.415,20 2.006.415,20 Bradesco 85.424.380,45 95.113.385,12 180.537.765,57 Unibanco 201.556.491,95 223.423.427,34 424.979.919,29 Total 288.987.287,60 318.536.812,46 607.524.100,06 Com base em tais valores, informações, documentos recebidos de instituições financeiras e diante da não apresentação de DIPJ nos anos 2008 e 2009, houve arbitramento do lucro (art. 530, inciso III, do RIR/99). As quantias elevadas em contas bancárias, sem as devidas escritas contábeis e comerciais, sem a comprovação quanto a sua origem e o fato de não terem sido declaradas em 2008 e 2009, foram consideradas como prática de infrações visando a sonegação de impostos e contribuições federais, com o objetivo de impedir ou ocultar a ocorrência do fato gerador. Com base nesses fatos e fundamentos, houve a aplicação da multa de ofício qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inc. II, da Lei nº 9.430/96 c.c. art. 957, inc. II, do Dec. 3.000/99. Encaminhouse o Termo de Intimação n° 05 (fl. 3608), porém a empresa não foi localizada em seu endereço cadastral, registrado na Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, cito à Avenida Angélica, n° 546, bairro Santa Cecília, São Paulo SP. Houve, assim, intimação via Edital n° 115/2011, cópia anexada à fl. 3607. Intimaramse os referidos devedores solidários por via postal. Não houve resposta. Constatouse alteração no quadro societário da empresa fiscalizada. Houve a retirada dos sócios, Faissal Habka, Fadel Habka, Farize Habka, em virtude de discussão familiar e o ingresso da sócia Julia Szokaes Benko. Fl. 1797DF CARF MF Processo nº 19515.722577/201327 Resolução nº 1302000.447 S1C3T2 Fl. 4 3 Mantevese na sociedade o principal sócio, Elias Brahim Habka (R$3.850.000,00) e incluiuse a Sra. Júlia Szokaes Benko (R$150.000,00). Diante do quadro de sócios à época dos fatos geradores em questão, intimouse, via Termos de Constatação e Intimação n° 06, 07, 08, 09 e 10 (fls. 3613/3622), os então sócios Elias Brahim Habka, Faissal Habka, Fadel Habka, Farize Habka e Julia Szokaes Benko para comprovarem a origem dos recursos nos anoscalendário de 2008 e 2009, em contas de depósito ou de investimento, mantidas pela empresa fiscalizada, na forma solicitada anteriormente através do Termo de Constatação e Intimação n°05. Em junho de 2009, houve o encerramento de todas as filiais do Futurama Supermercados Ltda. Nos meses seguintes, os referidos sócios que haviam se retirado, constituíram novos supermercados, nos mesmos endereços das filiais encerradas. A fiscalização apresentou a seguinte correlação das filias encerradas e as novas empresas no quadro abaixo: Futurama Estabelec. Situação Endereço de ambas Nova Empresa CNPJ 68.361.468/000145 Ativa Av Assembléia, 183 68.361.468/000226 Baixa Rua General Jardim, 384 Supermercado General Jardim 10.842.430/000104 68.361.468/000307 Baixa Rua Casper Libero, 390 Supermercado Casper Libero 10.842.429/000180 68.361.468/000498 Suspensa Av. Assembléia,183 68.361.468/000579 Baixa Rua Pedroso, 382 Supermercado Savana 10.887.035/000148 68.361.468/000650 Baixa Rua Pinheiros, 1518 Supermercado Faria Lima 10.833.715/000189 68.361.468/000730 Suspensa Av. Adolfo Pinheiro, 366 Supermercado Santo Amaro 10.830.772/000104 68.361.468/000811 Suspensa A. Santos, 322 68.361.468/000900 Baixa Rua Guaicurus, 1469 Supermercado Guaicurus 10.842.440/000140 68.361.468/001036 Baixa JC Av. Angelica 546 Supermercado Angélica 10.842.431/000159 Constatouse que esses novos supermercados também utilizavam o nome de fantasia: Futurama Supermercado Ltda.; emitiam cupons fiscais com papel personalizado com esse nome; mantinham os mesmos funcionários; exerciam as mesmas atividades; eram administradas pelos mesmos sócios das empresas encerradas etc. Em virtude desses fatos, os novos supermercados foram considerados sucessores tributários da contribuinte principal e foram considerados responsáveis solidários, com base nas informações e documentos colhidos, conforme Termo de Diligência Fiscal de 06/12/2013, do qual constam GFIPs que apresentam os mesmos empregados das filiais encerradas (fls. 4634/4703). Em todo o processo de fiscalização, mesmo diante de diversas intimações via postal e por edital, em nome da principal contribuinte, dos sócios e de empresas sucessoras, em momento algum foram apresentados documentos e informações sobre a contabilidade e os negócios comerciais da empresa Futurama Supermercados Ltda.; sobre despesas e receitas, impostos pagos ou recolhidos. A fiscalização somente pode se basear nas informações apresentadas pelas referidas instituições financeiras. O Futurama Supermercado Ltda. e Elias Brahim Habka apresentaram Impugnação em 30/09/2011 (fls. 3718/3818). Os interessados Faissal Habka, Fadel Habka e Farize Habka apresentaram impugnação, em 30/10/20011 (fls. 3839/3956). O Supermercado Angélica Ltda. apresentou suas razões de impugnação, em 15/12/2011 (fls. 3961/4096). E, por fim, apresentaram impugnações (15/12/2011) o Supermercado Cásper Líbero Ltda., Supermercado Faria Lima Ltda., Supermercado General Jardim Ltda., Supermercado Fl. 1798DF CARF MF Processo nº 19515.722577/201327 Resolução nº 1302000.447 S1C3T2 Fl. 5 4 Guaicurus Ltda., Supermercado Santo Amaro Ltda. e Supermercado Savana Ltda. As impugnações foram apresentadas tempestivamente. Em linhas gerais, as impugnações apresentam as mesmas alegações. Preliminarmente, alegaram nulidade do lançamento por violação aos princípios constitucionais da ampla defesa, contraditório, publicidade e motivação dos atos administrativos. Apresentaram, ainda, em defesa da nulidade do lançamento, a alegação de inconsistência na descrição dos fatos e nas planilhas utilizadas como provas, e ainda, a decadência do IRPJ e tributos reflexos (PIS, COFINS e CSLL). No mérito, as impugnações alegaram (i) a falta de prova para a constatação de faturamento e arbitramento do lucro, (ii) inconsistência do lançamento, (iii) a exclusão do valor de ICMS nas bases de cálculos para recolhimento de PIS e COFINS, (iv) da inexistência da infração prevista no art. 71 da Lei n. 4.502/64, (v) do não preenchimento da regra de incidência do IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, (vi) do excesso na cobrança dos valores acessórios, (vii) do efeito confiscatório da multa e, por fim, (viii) da incidência de juros de mora nos termos do art. 161 §1º do CTN. O Acórdão nº 1662.362 (fls. 4642/4715), proferido pela 4ª Turma da DRJ em São Paulo, por unanimidade, considerou improcedentes as impugnações apresentadas contra os lançamentos, mantendo o crédito tributário, cuja ementa transcrevese: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 GARANTIA DO EXERCÍCIO DO DIREITO DE DEFESA E CONTRADITÓRIO. DA OBRIGATORIEDADE DE PRESTAR INFORMAÇÕES AO FISCO. Constatouse nos autos que foi garantido ao contribuinte o pleno direito ao exercício de defesa e de contraditar as provas, não tendo se desincumbido do ônus de prestar os devidos esclarecimentos a que estava obrigado pelo ordenamento jurídico. ACESSO AOS DADOS BANCÁRIOS. LICITUDE. É válido o acesso aos dados bancários por parte da fiscalização, desde que atendidos os ditames da legislação em vigor, como no presente caso. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS. PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITA. REQUISITOS DO ART. 42 DA LEI Nº 9.430/1996. ATENDIMENTO. A omissão de receita com base em depósitos bancários cuja origem não resta comprovada é uma presunção legal, contra a qual cabe prova em contrário, o que não ocorreu no presente caso, tendo sido plenamente atendidos os pressupostos do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, para a verificação da omissão. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS. ARBITRAMENTO. O arbitramento é forma de apuração do lucro, com a aplicação de um percentual preferencialmente sobre a receita bruta conhecida, que pode ser, como neste caso, a receita omitida. É técnica legal de Fl. 1799DF CARF MF Processo nº 19515.722577/201327 Resolução nº 1302000.447 S1C3T2 Fl. 6 5 apuração válida do lucro do IRPJ e da CSLL, nos casos previstos na legislação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006, 2007 DECADÊNCIA. NÃO PAGAMENTO. ARTIGO 150, § 1º, C/C 173, I, DO CTN. Quando não ocorre o pagamento não há que se falar de homologação do lançamento, deslocandose a decadência para o prazo contido no art. 173, inciso I, do CTN. Os lançamentos ocorreram dentro do prazo legalmente previsto. DA NÃO REVOGAÇÃO DA MULTA DO ART. 44, II, DA LEI Nº 9.430/1996 DE 150%. Não houve revogação da multa qualificada de 150% do art. 44 da Lei nº 9.430/1.996, mas sim mera reestruturação da redação do artigo como um todo. DA INFRAÇÃO AO ART. 71 DA LEI Nº 4.502/64. DOLO. OCORRÊNCIA. A omissão reiterada de volumosa quantia, por dois anos, sem a apresentação de DIPJ e dos livros contábeis e fiscais é evidentemente dolosa. ELIAS BRAHIM HABKA, FAISSAL HABKA, FADEL HABKA E FARIZE HABKA. SÓCIOS ADMINISTRADORES. RESPONSABILIDADE. ART. 135 DO CTN. Os atos infracionais dos sócios que administravam a sociedade durante o período autuado são enquadráveis no artigo 135 do CTN, devendo ser mantida a sua responsabilidade sobre os créditos lançados na presente autuação. SUPERMERCADOS ANGÉLICA, CÁSPER LÍBERO, FARIA LIMA, GENERAL JARDIM, GUAICURUS, SAVANA E SANTO AMARO. Artigo 133 DO CTN. SUCESSORES. As empresas, que passaram a funcionar nos mesmos endereços das filiais e matriz, com idêntico modus operandi, estrutura e mesmo nome fantasia (Futurama) (até os dias de hoje), caracterizamse como sucessoras de fato do contribuinte. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007 MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. ART. 42, DA LEI Nº 9.430/1996. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. NÃO APRECIAÇÃO. A instância administrativa não se manifesta a respeito de supostas inconstitucionalidades e/ou ilegalidades da legislação tributária. CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Mantémse os lançamentos da CSLL, do PIS e da COFINS que decorrem dos mesmos fatos que implicaram no lançamento do IRPJ, dada a relação de causa e efeito existente entre eles. Fl. 1800DF CARF MF Processo nº 19515.722577/201327 Resolução nº 1302000.447 S1C3T2 Fl. 7 6 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006, 2007 PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. PENDÊNCIA. NÃO DEMONSTRAÇÃO DOS VALORES. NÃO CABIMENTO. Não tendo havido posicionamento vinculante do judiciário sobre o assunto relativo à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS e, nem sequer, havido a demonstração dos valores de ICMS a se descontar, negase o pedido da interessada de considerálos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Devidamente intimados do acórdão da DRJ, a contribuinte, FUTURAMA SUPERMERCADO LTDA. e os devedores solidários, ELIAS BRAHIM e JULIA SZOKAES BENKO interpuseram recurso voluntário, tempestivamente, em 08/10/2014. Todavia, verificase à fl. 59 que esses recorrentes outorgaram procuração à advogada subscritora do recurso voluntário, com validade de seis meses, contados da outorga da procuração, ocorrida em 01/03/2012. O SUPERMERCADO CÁSPER LÍBERO LTDA., SUPERMERCADO FARIA LIMA LTDA., SUPERMERCADO GENERAL JARDIM LTDA., SUPERMERCADO GUAICURUS LTDA., SUPERMERCADO SAVANA LTDA. E SUPERMERCADO SANTO AMARO LTDA., interpuseram recursos voluntários, em conjunto, tempestivamente (fls. 5035/5171), em 18/03/2015, cujas petições reprisaram as razões do recurso interposto pelo SUPERMERCADO ANGÉLICA e arguiram razões defesas com o intuito de afastar a responsabilidade subsidiária, as quais serão analisadas no voto, em sequência. Os devedores solidários, FAISSAL HABKA, FADEL HABKA E FARIZE HABKA, também interpuseram, em conjunto e tempestivamente Recurso Voluntário, em 08/10/2014, com razões consoantes aos recursos acima descritos e arguiram as mesmas razões de defesa apresentadas pelo devedor solidário, o sócio Diretor Superintendente, ELIAS BRAHIM HABKA, com o intuito de afastar a responsabilidade solidária, as quais serão analisadas no voto, em sequência. É o relatório. Voto Conselheiro ROGÉRIO APARECIDO GIL Na forma relatada, os recorrentes interpuseram recursos voluntários tempestivamente. a empresa contribuinte FUTURAMA SUPERMERCADO LTDA. e os devedores solidários, ELIAS BRAHIM e JULIA SZOKAES BENKO não estão regularmente representados, pois na data da interposição do recurso voluntário, já estava vencida a validade da procuração outorgada para sua advogada, fl. 59. Verificase, portanto, o não atendimento ao requisito de admissibilidade do recurso, quanto à representação processual desses recorrentes. Ainda assim, à vista da interposição tempestiva do recurso; da demonstração de fatos e fundamentos de defesa; da possibilidade de ratificação dos termos do recurso; considerando, ainda, a aplicação subsidiária do novo Código de Processo Civil, art. 15 (Lei nº 13.105, 16/03/2015), quanto à necessidade de Fl. 1801DF CARF MF Processo nº 19515.722577/201327 Resolução nº 1302000.447 S1C3T2 Fl. 8 7 intimação das partes para promoverem a regularização da representação processual (art. 76, CPC), voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que retornem os autos à unidade de fiscalização de origem, com a designação de que sejam intimados os referidos recorrentes para que juntem aos autos procurações válidas, sob pena de não conhecimento do recurso voluntário sob exame. ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator Fl. 1802DF CARF MF
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