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Numero do processo: 10930.903603/2012-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jan 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 19/01/2006
PIS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas.
PIS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO.
Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-003.573
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negar-lhe provimento.
(Assinado com certificado digital)
Antônio Carlos Atulim - Presidente e Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do Fato Gerador: 19/01/2006 PIS. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazê-lo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. PIS - IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado.
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REPETIÇÃO DO INDÉBITO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não se reconhece o direito à repetição do indébito quando o contribuinte, sobre quem recai o ônus probandi, não traz aos autos nenhuma prova de que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, não se justificando, portanto, o pedido de diligência para produção de provas. PIS IMPORTAÇÃO SERVIÇOS. PER. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o recolhimento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e negarlhe provimento. (Assinado com certificado digital) Antônio Carlos Atulim Presidente e Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Antônio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 36 03 /2 01 2- 60 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10930.903603/201260 Acórdão n.º 3402003.573 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata os presentes autos de Pedido de Restituição (PER), por meio do qual a Recorrente solicita a restituição do crédito decorrente do pagamento de PIS/PASEP IMPORTAÇÃO. No Despacho Decisório, a autoridade competente da DRF em Londrina/PR, indeferiu o pleito da interessada, uma vez que o DARF informado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação de débitos da própria contribuinte, "não restando crédito disponível para restituição". Inconformada com a decisão proferida, a empresa apresentou manifestação de inconformidade na qual esclarece tratarse de pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi. Consigna que a Lei nº 10.865/2004 instituiu as contribuições do PIS e da COFINS sobre a importação de bens e serviços, mas não foi clara em relação à incidência sobre as quantias remetidas ao exterior a representantes comerciais a título de comissões sobre vendas, o que fez com que a Recorrente optasse por recolher as contribuições sobre essas operações. Entretanto, a Receita Federal do Brasil, em resposta a diversas consultas (cita duas), passou a vazar o entendimento de que as comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior, não estão sujeitas à incidência do PIS e da COFINS Importação. Isso porque, anota a Recorrente, essas operações não configuram hipótese de serviços prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Assim, uma vez ter efetuado o pagamento de tributo indevido, tem o direito à restituição na forma prevista no art. 165 do Código Tributário Nacional CTN, devidamente corrigido pela taxa SELIC, conforme prescreve a Lei nº 9.250, de 1995, "ainda que informado o débito em DCTF". Sobreveio, então, o Acórdão nº 06045.945, da DRJ em Curitiba (PR), negando provimento à Manifestação de Inconformidade. Irresignada com a referida decisão, foi interposto o presente recurso voluntário, cujas razões, em suma, são as seguintes: (i) diferente do que entendeu a autoridade julgadora, a empresa recorrente comprovou ser pessoa jurídica de direito privado que tem como atividade principal a indústria, comércio e exportação de couros de boi; (ii) que demonstrou que a Lei n° 10.865, de 2004, que instituiu as contribuições ao PIS/Pasep e COFINS sobre a importação de bens e serviços, não foi clara ao determinar a incidência sobre as quantias pagas, ou remetidas ao exterior, a representantes comerciais domiciliados no exterior a título de comissões sobre vendas; Fl. 57DF CARF MF Processo nº 10930.903603/201260 Acórdão n.º 3402003.573 S3C4T2 Fl. 4 3 (iii) para não sofrer sanções, optou por recolher as contribuições sobre as quantias remetidas ao exterior (para representantes domiciliados no exterior) incidentes sobre comissões sobre vendas, conforme (DARF's) apresentados; (iv) ocorre que, posteriormente, a própria RFB, através de inúmeras respostas a Soluções de Consultas, passou a definir que as "comissões de vendas pagas e/ou creditadas a representantes comerciais residentes ou domiciliados no exterior não estão sujeitas à incidência da COFINS/PISImportação", por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique. Reproduz algumas dessas Solução de Consulta. (v) que o processo administrativo sempre deve buscar a verdade real ou material relativa aos fatos tributários, em decorrência da estrita legalidade tributária, que devem nortear todos os atos da administração fiscal. Com isto, não basta simplesmente argumentar que "prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido", para negar a existência do direito creditório; (vi) frisa que os erros contidos em declaração podem e devem ser retificados de ofício, por força da estrita legalidade tributária e nos moldes do art. 147, § 2º do CTN. (vii) que seja reconhecido que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis em valores devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95; (viii) requer que seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova ou esclarecimento de dúvidas relativas aos fatos trazidos neste processo. À vista do exposto, espera e requer seja julgado integralmente procedente o presente recurso, a fim de que seja reconhecido o direito creditório e assegurada a restituição das quantias recolhidas indevidamente. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402003.529, de 13 de dezembro de 2016, proferido no julgamento do processo 10930.903656/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402003.529): Fl. 58DF CARF MF Processo nº 10930.903603/201260 Acórdão n.º 3402003.573 S3C4T2 Fl. 5 4 Emerge do relatado, que o objeto do pedido de ressarcimento tem como fundamento o indébito de PIS/Pasep sobre comissão de venda paga a representantes comerciais residentes/domiciliados no exterior. No referido Despacho Decisório restou consignado que, "(...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição". Consta dos autos que o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. Ou seja, ao que tudo indica, o contribuinte não retificou a DCTF no que pertine ao pleito em questão, por isso a conclusão do despacho decisório vestibular que o valor sob pedido de ressarcimento foi "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte". Por outro lado, a Recorrente tenta demonstrar em seu recurso, que não há incidência de contribuições para o PIS Importação sobre remessas realizadas para o exterior para pagamento de comissões à agentes no exterior a título de comissões ali realizadas, por não configurarem hipótese de serviço prestado no Brasil ou cujo resultado aqui se verifique, e que os valores indevidamente recolhidos a este título são restituíveis e em montantes devidamente acrescidos de juros equivalentes à taxa referencial SELIC, na forma da Lei n° 9.250/95. Tudo com base na Lei nº 10.865, de 2004 e Soluções de Consultas emitidas pela RFB que cita. Contudo, se de um lado a decisão recorrida tenha asseverado que "(...) como se vê uma das hipóteses de ocorrência do fato gerador das contribuições ao PIS e a COFINS, sobre importação de serviços, é a remessa de valores a residentes ou domiciliados no exterior como contraprestação pelo serviço prestado", como alega a peticionante, por outro giro, deixou patente que o ônus da prova quanto ao indébito seria da ora Recorrente, nos seguintes termos: "(...) Mas, para a verificação se os valores remetidos ao exterior atendem às condições estabelecidas em lei para a incidência das contribuições sobre a importação de serviços ou, não se caracterizando o fato gerador da obrigação tributária, há, de fato, o indébito reclamado pela interessada, é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. Ocorre que, no presente caso, prova alguma foi trazida aos autos que comprovassem de que teria havido pagamento a maior ou indevido. Nesse sentido, é bom lembrar que não se permite, depois de iniciado qualquer procedimento fiscal, que seja retificada declaração quando vise a reduzir ou a excluir tributo, a não ser mediante a comprovação do erro em que se funde. É o que Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10930.903603/201260 Acórdão n.º 3402003.573 S3C4T2 Fl. 6 5 determina o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966. E, como visto, o Despacho Decisório questionado está respaldado em informações prestadas pela própria interessada em DCTF, que encontrase ativa até o momento no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil. (sublinhei) E conclui a decisão a quo: "(...) Assim, instaurado o contencioso administrativo, as alegações quanto ao suposto crédito decorrente de recolhimento indevido ou a maior, como no caso em análise, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da contribuinte. Dessa forma, uma vez que a conclusão emitida pela autoridade administrativa teve como pressuposto as informações prestadas pela própria interessada em declarações fiscais válidas a produzir efeitos na data da emissão do Despacho Decisório e não havendo prova hábil que contrarie as informações prestadas espontaneamente, demonstrando o pagamento indevido do tributo, é de se manter o indeferimento da restituição pleiteada". Portanto, a lide se resume na questão de atendimento de condições estabelecidas em lei e provas documentais trazidos aos autos, pois para o deslinde do litígio é crucial que se tenha em mãos documentos que demonstrem a real situação aventada, mormente quando o pedido versa sobre suposto pagamento indevido. No caso em análise, por se tratar de pedido de restituição, devem estar comprovadas pela demonstração inequívoca do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, consistente na escrituração contábil/fiscal da recorrente. Documentação essa, frisese, de posse da recorrente por determinação legal, como contratos firmados com os agentes externos, comprovantes de remessa de valores ao exterior, cópias de notas fiscais, recibos, dentre outros, além da própria escrituração contábil da empresa que reflita essas operações. É de conhecimento que a regra fundamental do sistema processual adotado pelo legislador nacional, quanto ao ônus da prova, encontrase cravada no art. 373 do novo Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, posto que a obrigação de provar está expressamente atribuída para o Fisco quando realiza o lançamento tributário e para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 10930.903603/201260 Acórdão n.º 3402003.573 S3C4T2 Fl. 7 6 E, no presente caso, é fato que prova alguma foi trazida aos autos pela Recorrente que comprovem que teria havido pagamento a maior ou indevido, embora ela tenha tido mais de uma oportunidade processual para fazêlo, quer na impugnação, quer agora na fase recursal. Demais disso, o fundamento da decisão recorrida foi justamente este, qual seja, a falta de prova. Mas, contrariando os ditames do ônus da distribuição da prova para provar fato constitutivo de seu direito, insiste que "seja determinada a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja oportunizada apresentação de elementos considerados necessários à complementação da prova". Ora, se toda a documentação para provar o direito que alega está em seu poder, deveria ter a Recorrente produzido tal prova quando da manifestação de inconformidade, ou mesmo em sede de recurso voluntário, o que não ocorreu. Diante desse quadro, entendo que a decisão da DRJ é merecedora de ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Conclusão Assim, concluo que por falta de prova hábil acostadas nos autos, ônus seu de produzir, deve ser negado seu pleito. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.900745/2008-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
Ementa:
COMPENSAÇÃO. PIS E COFINS. PROVA
Após conversão do julgamento em diligência o contribuinte foi intimado e re-intimado para apresentar documentos fiscais hábeis para comprovar a certeza e liquidez do seu crédito. Todavia, o contribuinte ficou inerte, razão pela qual apenas parte do seu crédito é aqui reconhecida com base na documentação acostada em sede de impugnação administrativa.
Numero da decisão: 3402-003.677
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário interposto, de modo a reconhecer o crédito no valor de R$ 376,21, nos termos da informação fiscal de fls. 137/140.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 Ementa: COMPENSAÇÃO. PIS E COFINS. PROVA Após conversão do julgamento em diligência o contribuinte foi intimado e re-intimado para apresentar documentos fiscais hábeis para comprovar a certeza e liquidez do seu crédito. Todavia, o contribuinte ficou inerte, razão pela qual apenas parte do seu crédito é aqui reconhecida com base na documentação acostada em sede de impugnação administrativa.
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Recorrida União ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 Ementa: COMPENSAÇÃO. PIS E COFINS. PROVA Após conversão do julgamento em diligência o contribuinte foi intimado e re intimado para apresentar documentos fiscais hábeis para comprovar a certeza e liquidez do seu crédito. Todavia, o contribuinte ficou inerte, razão pela qual apenas parte do seu crédito é aqui reconhecida com base na documentação acostada em sede de impugnação administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário interposto, de modo a reconhecer o crédito no valor de R$ 376,21, nos termos da informação fiscal de fls. 137/140. Antonio Carlos Atulim Presidente. Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 07 45 /2 00 8- 05 Fl. 144DF CARF MF 2 1. Por bem retratar os fatos controvertidos no presente processo administrativo, me valho do relatório desenvolvido pelo então Conselheiro Sidney Eduardo Stahl na oportunidade em que proferida a resolução n. 3801000.265 (fls. 111/116), o que passo a fazer nos seguintes termos: Trata o presente processo administrativo de compensação não homologada, declarada em PER/DCOMP transmitida em 24/05/2004 (fls. 07/12), referente a crédito decorrente de valor supostamente recolhido a maior a título de PIS (cód. 8109) por meio de guia DARF (fls. 05), com débito de PIS (Cod. 81092) do período de apuração de junho de 2004. A compensação não foi homologada conforme despacho decisório da DRF de origem (fls. 06), sob a alegação de inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para quitar outros débitos da contribuinte, resultando na cobrança de imposto remanescente no montante de R$ 2.394,18. Intimada acerca do despacho decisório acima mencionado, apresentou o contribuinte a manifestação de inconformidade de fls. 01/02, cujas razões, como bem apontado pela DRJ de origem, apenas repetem as informações constantes do PER/DCOMP transmitido, não tendo sido anexados documentos suficientes para a verificação do crédito a que faria jus. Ao analisar as razões supra transcritas, julgou a DRJ de origem pela improcedência da manifestação de inconformidade do contribuinte, não reconhecendo o direito creditório pleiteado através do acórdão recorrido de fls. 29/32, cuja ementa restou assim redigida, verbis: Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/Pasep AnoCalendário 2003 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Diante da manifestação de inconformidade que discorre sobre a existência de crédito tributário em discussão sem trazer qualquer prova documental que proporcione suporte à alegação, resta manter o despacho decisório que não homologou a compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Regularmente intimado do acórdão acima ementado em 28.06.2011 (fls. 38), interpôs o contribuinte o presente recurso voluntário às fls. 39/56, através do qual sustenta, em síntese: i) serem os pagamentos indevidos a título de PIS oriundos da ausência de sua apuração conforme a sistemática “monofásica” de recolhimento das contribuições ao PIS e a COFINS instituída pela Lei nº 10.147/2000 e posteriores, que estabeleceu alíquota zero para os contribuintes varejistas de produtos farmacêuticos, concentrando o recolhimento das contribuições na etapa inicial da cadeia tributária. Com o fito de comprovar os pagamentos Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10166.900745/200805 Acórdão n.º 3402003.677 S3C4T2 Fl. 152 3 indevidos, traz aos autos relatórios de vendas por amostragem dos produtos cuja receita foi tomada como base de cálculo do PIS, bem assim das notas fiscais de entrada e saída dos produtos, através das quais busca a comprovação de que a responsabilidade de recolhimento do tributo é das Indústrias Farmacêuticas que figuram como produtoras ou importadoras, sendo a recorrente apenas revendedora atacadista / varejista desses produtos; ii) discorre acerca da origem dos débitos compensados e da previsão legal para a sua compensação e, por fim iii) alega que a decisão recorrida não foi precisa quanto a análise dos fatos e do seu direito quanto à compensação realizada. (...). 2. Devidamente processado o recurso voluntário interposto, seu julgamento foi convertido em diligência (resolução n. 3801000.265 fls. 111/116), para que fossem tomadas as seguintes medidas pela unidade preparadora: a) Examine os documentos existentes e a escrita fiscal da interessada em relação à compensação requerida identificando os produtos sujeitos ao regime monofásico e os pagamentos indevidamente realizados e apure se a contribuinte dispunha de crédito para efetuála; b) Cientificar a interessada do resultado da diligência, abrindo prazo para manifestação, se assim desejar; c) Retornar o processo a este CARF para julgamento. 3. Referida diligência foi cumprida, conforme se observa da informação fiscal de fls. 137/140, oportunidade em que se reconheceu parte do crédito vindicado pela Recorrente. 4. Intimado para se manifestar do resultado da diligência, o contribuinte deixou que o prazo transcorresse in albis. 5. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 6. O recurso voluntário interposto pelo contribuinte é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. 7. Como fora relatado alhures, a controvérsia da presente demanda consiste em saber se a documentação apresentada pelo contribuinte em sede de manifestação de inconformidade é ou não suficiente para atestar o direito creditório aqui vindicado. 8. Segundo consta das razões recursais, o contribuinte recolheu indevidamente PIS, uma vez que os produtos que comercializa produtos farmacêuticos Fl. 146DF CARF MF 4 estariam sujeitos ao regime monofásico, ou seja, o recolhimento do PIS ficaria concentrado na etapa inicial da cadeia. 9. Com o fito de provar seu direito a recorrente apresentou o comprovante de pagamento do tributo indevido (guia DARF), bem como acostou diversos documentos relacionados às suas operações, com especial destaque para os relatórios de vendas por amostragem dos produtos cuja receita foi tomada como base de cálculo do PIS e, ainda, notas fiscais de entrada e saída dos produtos, as quais atestariam a responsabilidade de recolhimento do tributo pelas indústrias farmacêuticas no início da cadeia produtiva. 10. Não obstante, conforme já mencionado no relatório, o presente caso foi convertido em diligência, oportunidade em que a unidade preparadora intimou (fls. 118/122) e reintimou (fls. 123/127) o contribuinte para que apresentasse os seguintes documentos e informações: (...). a) relatórios de vendas de produtos beneficiados com alíquota zero para todos os meses em que alega ter havido o recolhimento indevido do PIS e da Cofins (junho de 2003 a março de 2004, conforme Tabela 1), devendo estar identificado o produto com o código de sua classificação fiscal, de acordo com a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), além do número da nota fiscal de venda, da data de sua emissão, do valor da venda e do valor dos pagamentos da Cofins e do PIS; b) notas fiscais de venda correspondentes aos produtos de que trata o item “a” acima; c) lançamentos contábeis (diário ou razão) relativos às vendas dos produtos de que trata o item “a” acima; d) notas fiscais de compra dos produtos de que trata o item “a” acima. (...). (grifos constantes no original). 11. O contribuinte, por sua vez, permaneceu inerte, de modo que a unidade preparadora cumpriu a diligência com base na documentação acostada nos autos, bem como nas informações obtidas junto ao sistema eletrônico da própria Receita Federal. É o que se observa dos seguintes trechos da informação fiscal de fls. 137/140: (...). 4. Primeiramente, visando identificar o pagamento realizado pela Contribuinte (Darf em fls. 6), bem como a eventual disponibilidade de saldo, foram realizadas pesquisas nos sistemas informatizados da RFB. O pagamento foi confirmado (fls. 128), porém, não possui saldo disponível, tendo sido totalmente utilizado para quitar o débito declarado em DCTF. 5. Logo, tratase, em princípio, de pagamento devido, alocado ao seu respectivo débito e, consequentemente, não passível de repetição. Assim, em resposta aos argumentos da Interessada, quanto à falta de clareza dos motivos que levaram a não homologação da compensação, verificase que foi declarado em DCTF e pago o débito que a Contribuinte reputa como indevido. Portanto, justificase as razões de não homologação da presente Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10166.900745/200805 Acórdão n.º 3402003.677 S3C4T2 Fl. 153 5 compensação, referidas no despacho decisório de fls. 7, emitido eletronicamente em 24/04/2008 e com nº de rastreamento 757714480, pois, o pagamento efetuado vinculouse ao respectivo débito com a consequente ausência de saldo para compensação. 6. Em seguida, foram examinados os documentos apresentados pela Contribuinte e existentes no processo, observandose que: 6.1. o objeto social da empresa (fls. 23) é o comércio varejista e atacadista de artigos médicos e ortopédicos, entre outros. Em consulta ao sistema CNPJ (fls. 130), podese confirmar que a empresa tem por atividade econômica o “comércio atacadista de instrumentos e materiais para uso médico, cirúrgico, hospitalar e de laboratórios” (CNAE 4645101); 6.2. os documentos apresentados com o objetivo de comprovar o crédito alegado foram: i) relatório de vendas (doc 1, fls. 61/68); ii) lançamentos das notas fiscais (NF) de saída (doc 2, fls. 69/89); iii) NF de saída (doc 3, fls. 90/99); e iv) NF de entrada (doc 4, fls. 100/108). Sua análise revela que: 6.2.1. o relatório de vendas, por si só, nada comprova, pois, além de estar limitado às transações realizadas no mês de julho/2003, traz apenas o nome técnico do produto, sem qualquer liame com sua classificação fiscal, característica necessária para identificar a possibilidade de direito ao benefício fiscal alegado, em conformidade com os arts. 55 e 59 da IN SRF nº 247/2002; 6.2.2. os lançamentos das NF de saída trazem a classificação fiscal do produto vendido, o que permite identificar se a pessoa jurídica faz jus ou não ao benefício fiscal alegado. Observese que os lançamentos apresentados fazem referência a algumas NF emitidas em agosto/2003, novembro/2003 e dezembro/2003. Neste processo, pleiteiase o crédito do PIS de novembro/2003. Na Tabela 3 (fls. 133/134), observase que as vendas de mercadorias redundaram em PIS no total de R$ 376,21, para o mês de novembro/2003. Logo, tendo por base apenas as informações disponíveis nos autos, o direito pleiteado relativo ao PIS de novembro/2003 totaliza R$ 376,21 (vide Tabela 4 em fls. 136, para detalhes de cálculo); 6.2.3. as NF de venda não trazem a classificação fiscal dos produtos vendidos, sendo insuficientes para apreciar o pleito; 6.2.4. as NF de entrada, emitidas pelas empResas produtoras/importadoras, indicam a classificação fiscal dos produtos adquiridos pela Interessada. Entretanto, tratase de informações insuficientes para embasar quaisquer conclusões, conforme se nota na Tabela 2. (..). 7. Tendo em vista a insuficiência das informações presentes nos autos, visando caracterizar de forma inequívoca a certeza e a Fl. 148DF CARF MF 6 liquidez do direito creditório pleiteado, a Interessada foi intimada (Termo de Intimação nº 111/2015, em fls. 118/120) a apresentar relatórios de vendas dos produtos beneficiados com alíquota zero, notas fiscais de venda e de compra de tais produtos, além dos lançamentos contábeis correspondentes, para todos os meses em que alega ter havido o recolhimento indevido do PIS e da Cofins (junho de 2003 a março de 2004). 8. Não tendo apresentado resposta à referida intimação, a Interessada foi reintimada por meio do Termo de Reintimação nº 139/2015 (fls. 123/125). Entretanto, até a presente data as exigências não foram atendidas, de modo que a presente análise restringese aos dados confirmados e disponíveis nos sistemas da RFB, em conformidade com o § único do art. 39 da Lei nº 9.784/1999. 9. Assim sendo, diante da ausência de certeza e liquidez relativamente ao total do crédito alegado, reconhecese o direito creditório do PIS de novembro/2003 no montante de R$ 376,21, conforme análise precedente, redundando em uma diferença não compensável no valor de R$ 1.143,91. É importante observar que a Tabela 4 traz informações sobre o valor do crédito compensado no presente processo, juntamente com a utilização do saldo em outro processo, quando cabível. (...). 12. Percebese, portanto, que ante a não apresentação de documentos fiscais e informações solicitados junto ao contribuinte e, ainda, levando em consideração as provas apresentadas em impugnação, a unidade preparadora reconheceu parte do crédito pleiteado, o que também se reconhece por intermédio da presente decisão. 13. Por sua vez, a ausência de prova suficiente para atestar a certeza e liquidez do valor remanescente impede o seu reconhecimento nesta seara judicativa. Dispositivo 14. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário interposto, de modo a reconhecer o crédito no valor de R$ 376,21, nos termos da informação fiscal de fls. 137/140. 15. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator Fl. 149DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.001653/2007-74
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 01/07/2003, 31/12/2005
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.668
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 16 53 /2 00 7- 74 Fl. 1461DF CARF MF Processo nº 10865.001653/200774 Acórdão n.º 9202004.668 CSRFT2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10660.722287/201173. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo ofereceu contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.650, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10660.722287/201173, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.650): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 1462DF CARF MF Processo nº 10865.001653/200774 Acórdão n.º 9202004.668 CSRFT2 Fl. 4 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 1463DF CARF MF Processo nº 10865.001653/200774 Acórdão n.º 9202004.668 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdãonº9202004.499, de 29/09/2016: Fl. 1464DF CARF MF Processo nº 10865.001653/200774 Acórdão n.º 9202004.668 CSRFT2 Fl. 6 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 1465DF CARF MF Processo nº 10865.001653/200774 Acórdão n.º 9202004.668 CSRFT2 Fl. 7 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 1466DF CARF MF Processo nº 10865.001653/200774 Acórdão n.º 9202004.668 CSRFT2 Fl. 8 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 1467DF CARF MF Processo nº 10865.001653/200774 Acórdão n.º 9202004.668 CSRFT2 Fl. 9 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 1468DF CARF MF Processo nº 10865.001653/200774 Acórdão n.º 9202004.668 CSRFT2 Fl. 10 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 1469DF CARF MF Processo nº 10865.001653/200774 Acórdão n.º 9202004.668 CSRFT2 Fl. 11 10 Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1470DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.999767/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO ELETRÔNICAS. CRÉDITOS DE SALDOS NEGATIVOS DE IRPJ E CSLL. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO DEPENDENTE DE AUTUAÇÕES IMPUGNADAS E JULGADAS IMPROCEDENTES. CONEXÃO. CABIMENTO.
Diante das impugnações às autuações que sofreu a recorrente, esta alega que deveria ser aguardado o julgamento final da lide, dada a conexão, pois a procedência ou não de tais autos de infração influenciarão diretamente na homologação da compensação pleiteada. A recorrente possui razão em sua argumentação.
INCORPORAÇÃO. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. IMPUGNAÇÃO JULGADA IMPROCEDENTE EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA INADMITIDA.
Em que pese a conexão entre o presente caso e as autuações anteriores sofridas pela recorrente, fato é que, se naquelas autuações que já foram impugnadas e julgadas, o auditor-fiscal entendeu irregular a compensação de prejuízos fiscais que ultrapassem os 30%, não se mostra competente este Conselho para modificar o que já decido está. Há reflexos das decisões já proferidas em primeira instância no caso em tela. Contudo, alterar decisão já proferida em outro processo, colocaria o presente processo sob potencial nulidade por desvio de competência.
INCORPORAÇÃO DA FONTE PAGADORA PELA RECEBEDORA. POSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO REGULAR.
Da extinção, pelo ato de incorporação, da pessoa jurídica incorporada, nada mais natural que a incorporadora (sucessora) cumprir a obrigação do recolhimento. Havendo a incorporação, se no momento do pagamento a incorporada for a titular, sua DIRF deve ser emitida pela incorporadora.
INFORME DE RENDIMENTOS. DIVERGÊNCIAS. FATOS NOTÓRIOS. VÍCIOS SANÁVEIS.
É natural que quando uma empresa adquire outra, o nome de ambas persista no vocábulo corriqueiro de todos. Tal confusão, quando manifestada nos informes de rendimentos ou outros documentos requisitados do contribuinte pela fiscalização constitui vício sanável, sobretudo quando a fusão ou incorporação das empresas é fato notório.
Numero da decisão: 1402-002.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, não conhecer da matéria relativa à compensação de prejuízos acima de 30% na incorporação e, na parte conhecida, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito adicional no montante de R$ 384.879,09 e homologar a compensação pleiteada até esse limite, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Goncalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO ELETRÔNICAS. CRÉDITOS DE SALDOS NEGATIVOS DE IRPJ E CSLL. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO DEPENDENTE DE AUTUAÇÕES IMPUGNADAS E JULGADAS IMPROCEDENTES. CONEXÃO. CABIMENTO. Diante das impugnações às autuações que sofreu a recorrente, esta alega que deveria ser aguardado o julgamento final da lide, dada a conexão, pois a procedência ou não de tais autos de infração influenciarão diretamente na homologação da compensação pleiteada. A recorrente possui razão em sua argumentação. INCORPORAÇÃO. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. IMPUGNAÇÃO JULGADA IMPROCEDENTE EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA INADMITIDA. Em que pese a conexão entre o presente caso e as autuações anteriores sofridas pela recorrente, fato é que, se naquelas autuações que já foram impugnadas e julgadas, o auditor-fiscal entendeu irregular a compensação de prejuízos fiscais que ultrapassem os 30%, não se mostra competente este Conselho para modificar o que já decido está. Há reflexos das decisões já proferidas em primeira instância no caso em tela. Contudo, alterar decisão já proferida em outro processo, colocaria o presente processo sob potencial nulidade por desvio de competência. INCORPORAÇÃO DA FONTE PAGADORA PELA RECEBEDORA. POSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO REGULAR. Da extinção, pelo ato de incorporação, da pessoa jurídica incorporada, nada mais natural que a incorporadora (sucessora) cumprir a obrigação do recolhimento. Havendo a incorporação, se no momento do pagamento a incorporada for a titular, sua DIRF deve ser emitida pela incorporadora. INFORME DE RENDIMENTOS. DIVERGÊNCIAS. FATOS NOTÓRIOS. VÍCIOS SANÁVEIS. É natural que quando uma empresa adquire outra, o nome de ambas persista no vocábulo corriqueiro de todos. Tal confusão, quando manifestada nos informes de rendimentos ou outros documentos requisitados do contribuinte pela fiscalização constitui vício sanável, sobretudo quando a fusão ou incorporação das empresas é fato notório.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2462; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 687 1 686 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.999767/200911 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402002.262 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 9 de agosto de 2016 Matéria IRPJ COMPENSAÇÃO DE PREJUIZOS Recorrente COMPANHIA BRASILIANA DE ENERGIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO ELETRÔNICAS. CRÉDITOS DE SALDOS NEGATIVOS DE IRPJ E CSLL. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO DEPENDENTE DE AUTUAÇÕES IMPUGNADAS E JULGADAS IMPROCEDENTES. CONEXÃO. CABIMENTO. Diante das impugnações às autuações que sofreu a recorrente, esta alega que deveria ser aguardado o julgamento final da lide, dada a conexão, pois a procedência ou não de tais autos de infração influenciarão diretamente na homologação da compensação pleiteada. A recorrente possui razão em sua argumentação. INCORPORAÇÃO. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. IMPUGNAÇÃO JULGADA IMPROCEDENTE EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA INADMITIDA. Em que pese a conexão entre o presente caso e as autuações anteriores sofridas pela recorrente, fato é que, se naquelas autuações que já foram impugnadas e julgadas, o auditorfiscal entendeu irregular a compensação de prejuízos fiscais que ultrapassem os 30%, não se mostra competente este Conselho para modificar o que já decido está. Há reflexos das decisões já proferidas em primeira instância no caso em tela. Contudo, alterar decisão já proferida em outro processo, colocaria o presente processo sob potencial nulidade por desvio de competência. INCORPORAÇÃO DA FONTE PAGADORA PELA RECEBEDORA. POSSIBILIDADE. COMPENSAÇÃO REGULAR. Da extinção, pelo ato de incorporação, da pessoa jurídica incorporada, nada mais natural que a incorporadora (sucessora) cumprir a obrigação do recolhimento. Havendo a incorporação, se no momento do pagamento a incorporada for a titular, sua DIRF deve ser emitida pela incorporadora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 99 97 67 /2 00 9- 11 Fl. 687DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 26/08/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 INFORME DE RENDIMENTOS. DIVERGÊNCIAS. FATOS NOTÓRIOS. VÍCIOS SANÁVEIS. É natural que quando uma empresa adquire outra, o nome de ambas persista no vocábulo corriqueiro de todos. Tal confusão, quando manifestada nos informes de rendimentos ou outros documentos requisitados do contribuinte pela fiscalização constitui vício sanável, sobretudo quando a fusão ou incorporação das empresas é fato notório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, não conhecer da matéria relativa à compensação de prejuízos acima de 30% na incorporação e, na parte conhecida, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito adicional no montante de R$ 384.879,09 e homologar a compensação pleiteada até esse limite, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado Leonardo de Andrade Couto Presidente. Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Demetrius Nichele Macei, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Caio Cesar Nader Quintella, Paulo Mateus Ciccone, Luiz Augusto de Souza Goncalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 688DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 26/08/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.999767/200911 Acórdão n.º 1402002.262 S1C4T2 Fl. 688 3 Relatório Trata o presente processo de Declarações de Compensação eletrônicas transmitidas pela Interessada, COMPANHIA BRASILIANA DE ENERGIA, CNPJ 04.128.563/000110, em decorrência de direito adquirido na incorporação da empresa AES TIETÊ EMPREENDIMENTOS S.A., CNPJ 02.670.218/000189 (fls. 95 e 96), realizada em 31/12/2006. Nos PER/DCOMPs, abaixo listados foram, utilizados os saldos credores de IRPJ e CSLL de 2006, apurados pela incorporada (fl. 93 e 94): TABELA 01 PER/DCOMP TIPO CRÉDITO PERÍODO DE APURAÇÃO VALOR TOTAL DÉBITO DT TRANSMISSÃ O 09505.40390.240409.1.3.0 28947 Saldo Negativo de IRPJ EXERCÍCIO 2006 26.368.789,61 24/04/2009 TABELA 02 PER/DCOMP TIPO CRÉDITO PERÍODO DE APURAÇÃO VALOR TOTAL /DÉBITO DT TRANSMISSÃ O 00404.02484.240409.1.3.0 33484 Saldo Negativo de CSLL EXERCÍCIO 2006 9.327.818,29 24/04/2009 A Autoridade Administrativa, por meio do Despacho Decisório de fls. 121/130, analisou os saldos negativos de IRPJ e de CSLL, nos seguintes termos, em síntese: DIPJ2006 Anocalendário 2006 10. Em consulta à DIPJ2006 (n° 1380390), constatouse que a forma de tributação utilizada foi a do lucro real, com apuração anual. Essa. declaração foi liberada da malha cadastro em 31/01/2007 (fl. 98). 11. Antes de prosseguirmos na análise, devemos atentar que o interessado foi alvo de uma ação fiscal em que foram constatadas compensações indevidas de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL no período compreendido entre 01/01 a 31/12 de 2006, conforme a representação fiscal de fis. 15 a 92. Dessa forma, os valores de IRPJ e CSLL a pagar passaram a ser os seguintes: 12. Ficha 12ACálculo do IR sobre lucro real Item Descrição Valor Declarado (RS) Valor Recalculado (RS) 1 IR 15% 0,00 12.044.593,76 3 Adicionai 0.00 8.005.729,17 13 1RRF 393.467,84 393.467,84 17 IR mensal estimativa 20.388.087,72 20.046.712,83 19 IR a Pagar 20.781.555,56 389.857,74 Fl. 689DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 26/08/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 Ficha 17 Cálculo da CSLL Item Descrição Valor Declarado (RS) Valor Recalculado (RS) 1 Lucro Líquido antes da CSLL 155.809.051.31 155.809.051,31 42 CSLL 0.00 7.226.756.26 52 () CSLL mensal paga por estimativa 7.347.631,58 7.224.736.62 54 CSLL a Pagar 7.347.631,58 2.019,64 IRPJ IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA 12. A partir da análise do cálculo do imposto de renda desse ano (fl. 105), verificouse que o saldo negativo alegado pelo contribuinte é resultado, basicamente, do imposto de renda retido na fonte e do imposto mensal pago por estimativa, que foram deduzidos do imposto de renda devido, de acordo com o quadro a seguir: Ficha I2A Cálculo do IR sobre lucro real Item Descrição Valor (RS) 1 IR 15% 12.044.593.76 3 Adicional 8.005.729,17 13 IRRF 393.467,84 17 IR mensal estimativa 20.046.712,83 19 IR a Pagar 389.857,74 Do imposto de renda retido na fonte 13. Verificouse, à linha 13 da Ficha 12A (fl. 105) DIPJ 2006, o montante de R$ 393.467,84, deduzido a título de IRRF. 14. Analisando as informações prestadas pelas fontes pagadoras nas Declarações de Imposto de Renda Relido na Fonte (DIRF), fis. 112 a 114, constatouse que o valor total de IRRF constante nessas declarações não é condizente com o declarado pelo interessado na Ficha 50 (fl. 111). 15. Abaixo segue tabela com os valores constantes na Ficha 50 da DIPJ 2006 e nas DIRF: CNPj da fonte pagadora Ficha SO da DIPJ 2006 (fl 111) Código da receita DIRF (fls. 112 a 114) Códig o da receita Rend. Bruto (RS) IRRF (RS) Rend. Bruto (RS) IRRF (RS) 02.625.222/0001 25 926.862,58 208.544,08 3426 Não consta 02.998.609/0001 27 14.057.448,61 2.108.617,29 5706 14.057.449,63 2.108.617,44 5706 06.995.285/0001 24 75.077,82 13.471,83 3426 3.298.317,42 743.831,48 6800 60.394.079/0001 04 1.163.136.58 567.496,47 3426 Total I6.222.S2S.S9 2.898.129,67 17.355.767,05 2.852.448,92 Fl. 690DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 26/08/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.999767/200911 Acórdão n.º 1402002.262 S1C4T2 Fl. 689 5 16. Em uma análise inicial, confrontando os valores da Ficha 50 com os da DIRF, obteríamos os seguintes resultados: TABELA 04 CNPJ da fonte pagadora Ficha 50 da DIPJ 2006 (fl III) Código da receita Rend. Bruto (RS) IRRF (RS) 02.998.609/000127 14.057.448.61 2.108.617,29 5706 06.995.285/000124 75.077.82j 13.471,83 6800 60.394.079/000104 1.163.136.58 567.496,47 6800 Total 15.295.663,01 2.689.585,59 17. Porém, cabe lembrar que para que seja deferido o saldo credor de imposto de renda, constituído de IRRF, é necessário que, além das retenções de IRRF serem comprovadas, os rendimentos dessas retenções tenham sido oferecidos à tributação. 18. Observase na tabela abaixo que o interessado ofereceu à tributação montante compatível com o rendimento bruto declarado pelas fontes pagadoras nas DIRF quanto às receitas de juros sobre o capital próprio e de aplicações financeiras: 19. D1PJ/2006 Valores confirmados Ficha 06A (fl. 99) SIEF/DIRF (fis. 112 a 114) Natureza Rendimento bruto (RS) Linh a Rendimento bruto (RS) IRRF (RS) Código(s) de receita Rendimento bruto (RS) IRRF (RS) JCP 14.057.448.61 23 14:057.448,61 2.108.617,29 5706 14.057.448.61 2.108.617,29 Aplicações Financeir as 4.798.626,03 24 1.238.214,40 580.968,30 6800 1.238.214,40 580.968,30 TOTAL 1689.585,59 Do imposto de renda mensal por estimativa 19. Segundo a Ficha 11 da DIPJ 2006 (fls. 101 a 104), houve imposto a pagar (linha 12) nos meses de maio, novembro e dezembro. Constatouse que alguns débitos de estimativa foram quitados com IRRF. 20. Feitas estas considerações, para efeito de cálculo do saldo a restituir/compensar, recalculouse o Imposto de Renda a Pagar: TABELA 06 1RPJ DECLARADO CALCULADO IMPOSTO SOBRE 0 LUCRO REAL 01. A ALÍQUOTA DE 15% 12.044.593,76 12.044.593,76 03. ADICIONAL 8.005.729,17 8.005.729,17 DEDUÇÕES 13. () IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE 393.467,84 184.923,76* 17. () IMPOSTO DE RENDA MENSAL PAGO POR ESTIMATIVA 20.046.712,83 20.388.087,72 19. IMPOSTO DE RENDA APAGAR 389.857,74 522.688,55 * RS 2.689.585,59 RS 2.504.661,83 Fl. 691DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 26/08/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 6 21. Assim, para fins de restituição e compensação, foi apurado que a empresa possui como crédito a compensar / restituir o saldo negativo de R$ 522.688,55 (quinhentos e vinte e dois mil, seiscentos e oitenta e oito reais e cinqüenta e cinco centavos). CSLL CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO 22. Conforme já explicado no item 11 deste despacho, o interessado foi alvo de uma ação fiscal por parte da RFB, em que foi constatada a compensação indevida da base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores. Com o recalculo da CSLL, verificouse que não há crédito a compensar no ano^calendário 2006. 23. Concluindo, em vista de tudo o que foi exposto, verificase que o valor de crédito disponível para as compensações declaradas é o seguinte: 24. a) se reconheça o direito creditório contra a Fazenda Nacional a COMPANHIA BRASILIANA DE ENERGIA, CNPJ 04.128.563/000110, na importância de RS 522.688,55 (quinhentos e vinte e dois mil, seiscentos e oitenta e oito reais e cinqüenta e cinco centavos), correspondente ao saldo credor de IRPJ apurado no ano calendário 2006 pela empresa AES TIETÊ EMPREENDIMENTOS. CNPJ 02.670.218/000189, sobre a qual incide o acréscimo de juros da taxa referencial SELIC, nos termos do art. 72 da IN/RFB n° 900/2008; b) se homologuem as compensações declaradas na DCOMP eletrônica da Tabela 01, vinculadas ao crédito de IRPJ aqui analisado, até o limite do valor do direito creditório reconhecido conforme Tabela 07 (R$ 522.688,55), nos termos do disposto no § T do art. 34 da IN/RFB «° 900/08, sendo que os PER/DCOMPs só devem utilizar crédito do período indicado nos mesmos; c) não se homologuem as compensações declaradas na DCOMP eletrônica da Tabela 02, vinculadas ao crédito de CSLL aqui analisado, nos termos do disposto no § 2o do art. 34 da IN/RFB n° 900/08." A Recorrente tomou ciência do despacho decisório (fl. 131), e apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade (fls. 132/153), alegando, em síntese, que: 1. A existência dos saldos negativos de IRPJ e da CSLL que se pretende compensar è questão dependente do resultado final que se dará nos autos dos processos administrativos n°s 19515.005446/200903 e 19515.005447/200940. de modo que seria ilegal o prosseguimento da cobrança do débito compensado na DCOMP, por intermédio do presente processo administrativo, antes de ser proferida decisão final nos processos administrativos acima citados 2. Com relação ao montante de IRRF de RS 208.544,08 (tabela de IRRF acima), correspondente a um rendimento bruto de RS 926.862,58, que não foi considerado pelo Sr. Auditor Fiscal, o mesmo decorre de um contrato de mútuo firmado entre a Requerente e a AES Transgás Empreendimentos S/A. Tendo esta última transferido à Requerente o valor total devido a título de pagamento daquele mútuo, sem proceder à retenção e recolhimento do IRRF incidente na operação a própria Requerente houve por bem proceder diretamente àquele recolhimento, salientando que, neste meio tempo, a AES Transgas foi incorporada conforme se verifica da documentação ora apresentada. 3. No caso do IRRF relativo ao Banco Itaubank S/A (CNPJ n" 60.394.079/000104), par fim, o Sr. Auditor Fiscal, não obstante ter identificado os RS 743.831,48 recolhidos pela fonte pagadora, somente considerou os RS 567.496,47 declaradas Fl. 692DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 26/08/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.999767/200911 Acórdão n.º 1402002.262 S1C4T2 Fl. 690 7 pela Requerente, simplesmente desconsiderando o recolhimento efetivamente realizado e por ele próprio identificado1. A Requerente apresenta o Informe de Rendimentos Financeiros, referente ao anocalendário de 2006, emitida pela fonte pagadora Banco Itaubank S/A (CNPJn° 60.394.079/000104), comprovando a pagamento de rendimentos financeiros no valor de RS 3.298.317,42, bem como a retenção do IRRF no valor de RS 743.831,50 (doe. 08). A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO DA APURAÇÃO DO LUCRO REAL E DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL. DCOMP. CRÉDITO DE SALDO NEGATIVO DE IRPJ E CSLL. JUNTADA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Em não havendo norma prevendo a juntada de processos, seja por apensação, seja por anexação, de processo que trata de compensação com processos de autos de infração que afetam o lucro real e a base de cálculo da CSLL, resultando em diminuição ou extinção dos saldos negativos do IRPJ e da CSLL constantes da DCOMPs, não se acolhe o pedido da manifestante de juntar os processos em questão. REPERCUSSÃO DOS AUTOS DE INFRAÇÃO DE IRPJ E CSLL. JULGAMENTO DE 1a. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. DECORRÊNCIA DO DECIDIDO. Prevalecem as alterações das apurações do imposto de renda sobre o lucro real e da contribuição social sobre o lucro líquido, realizadas pela Fiscalização, por meio de lançamento de ofício, cujas impugnações foram julgadas improcedentes pela autoridade de primeira instância. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. IRRF. INFORME DE RENDIMENTOS. OPERAÇÃO DE MÚTUO ENTRE EMPRESAS LIGADAS. INCORPORAÇÃO. PRINCÍPIO DA ENTIDADE. DESRESPEITO ÀS NORMAS CONTÁBEIS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. 0 imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, sendo a DIRF e outros elementos de prova de modo a corroborar sua Fl. 693DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 26/08/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 8 autenticidade. Não restando demonstrada a regularidade da operação de mútuo, a devida retenção e sua correta SALDO NEGATIVO. IRRF. OFERECIMENTO DAS RECEITAS. Glosase o IRRF cujo oferecimento da receita correspondente não restou demonstrado nos autos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 AUTO DE INFRAÇÃO. ALTERAÇÃO DA APURAÇÃO DA CSLL A PAGAR. JULGAMENTO. MANUTENÇÃO. COMPENSAÇÃO. DCOMP. DECORRÊNCIA. CRÉDITO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. AUSÊNCIA. Prevalecendo a autuação no processo que alterou a apuração da base de cálculo da CSLL, com a conseqüente cobrança de CSLL, mantémse o decidido pela autoridade administrativa, que não homologou as compensações constantes de DCOMP, cujo crédito era saldo negativo de CSLL que deixou de existir correta contabilização, de modo a não afetar o resultado das pessoas envolvidas, constatandose o desrespeito ao princípio da prevalece a glosa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em virtude da negativa da DRJ o ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário que, na prática, reiterou os mesmos argumentos postos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Fl. 694DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 26/08/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.999767/200911 Acórdão n.º 1402002.262 S1C4T2 Fl. 691 9 Voto O recurso foi tempestivamente apresentado, firmado por procurador regulamente constituído e, portanto, dele conheço. A Interessada enviou Declarações de Compensação eletrônicas informando créditos de saldos negativos de IRPJ (DCOMP n° 09505.40390.240409.1.3.028947) e CSLL (DCOMP n° 00404.02484.240409.1.3.033484), apurados no anocalendário de 2006 (SNIRPJ2006 e SNCSLL2006), pela empresa AES TIETÊ EMPREENDIMENTOS S.A., a qual foi incorporada em operação realizada em 31/12/2006 (fls. 95 e 96). A Autoridade Administrativa, ao proceder à análise dos Saldos Negativos de IRPJ 2006 e CSLL 2006, constatou a existência de autuações na qual se verificou a ocorrência de compensações indevidas de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL no exercício de 2006, conforme a representação fiscal (fls. 15 a 92.) Em se considerando os autos de infração lavrados, houve alteração dos Cálculos do IR sobre o Lucro Real e da CSLL, o que implicou em redução do saldo negativo do IRPJ e CSLL a pagar. No tocante à DCOMP n° 09505.40390.240409.1.3.028947, a Autoridade Administrativa analisou o direito creditório, partindo do valor de SNIRPJ2006 recalculado, e realizou glosa no total do Imposto de Renda Retido na Fonte informado declaração. O IRRF total foi reduzido de R$ 2.898.129,67 (Ficha 50 da DIPJ), para R$ 2.689.585,29 (itens 15 a 18 do despacho decisório). No tocante às estimativas, por outro lado, foi considerado os valores constantes de DCTF, recolhidos por meio de DARF, mais os quitados como IRRF acima calculado. O valor de IRRF restante é o aposto na linha 13 do demonstrativo de fl. 127 (item 20 R$ 184.923,76). Observese que, no que se refere à DCOMP n° 00404.02484.240409.1.3.03 3484, passou a haver "CSLL a Pagar", não havendo crédito a título de saldo negativo de CSLL no anocalendário de 2006, após a ação fiscal. Ajuste de saldos negativos decorrentes de autos de infração A Recorrente alega que as autuações em comento foram impugnadas e que deveria ser aguardado o julgamento final da lide, dada a conexão. A procedência ou não de tais autos de infração (19515.005446/200903 e 19515.005447/200940), influenciarão diretamente na homologação da compensação pleiteada. Este é o principal argumento de defesa, considerando que é, sem dúvida, o que causa o impacto mais relevante. Pois bem. Os referidos processos foram julgados por este Conselho, inclusive por esta mesma Turma Julgadora, em sede de Recurso Voluntário, e ambos foram julgados totalmente improcedentes em 2014. Vejase a ementa de um deles, abaixo transcrita Fl. 695DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 26/08/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 10 (final 5446), a qual uso como de referência para o outro (final 5667 Acórdão nr. 1402 001.816) julgado no mesmo sentido, in verbis: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2007 INCORPORAÇÃO. LIMITAÇÃO DE 30% NA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL EXCEPCIONANDO A REGRA GERAL. A compensação de prejuízos fiscais não é elemento inerente ao cálculo da base de cálculo do imposto de renda, constituindose, ao contrário, como benesse tributária, a qual deve ser gozada, pelo contribuinte, nos estritos limites da lei. À míngua de qualquer previsão legal, não há como se afastar a aplicação da trava de 30% na compensação de prejuízos fiscais da empresa a ser incorporada. Recurso Voluntário Negado." Diante desse fato, reconheço a argumentação da Recorrente de que este processo depende dos autos de infração acima mencionados (um deles com a ementa acima transcrita), e portanto, forçoso reconhecer que foi correto o procedimento da fiscalização ao proferir seu despacho decisório, posto que com base nestes mesmos autos de infração, reviu e corrigiu os saldos negativos excedentes, correspondentes ao percentual superior a 30% na sua utilização por conta da incorporação noticiada nos autos. Destaco que não cabe aqui rever o posicionamento daqueles autos, tão pouco estou aqui concordando com aquelas decisões, ou seja, não estou aqui ratificando ou não a possibilidade de compensar 100% de prejuízo no caso de extinção (por incorporação) de pessoa jurídica, mas simplesmente reconhecendo que, uma vez julgados aqueles autos de infração por este Conselho, tenho o dever de considerálos aqui. Em função disso, deixo de conhecer o contido no item IV.1 do Recurso Voluntário, intitulado "DA POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO INTEGRAL DOS PREJUÍZOS FISCAIS E DAS BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS ACUMULADOS NAS HIPÓTESES DE INCORPORAÇÃO". Faço isso justamente por entender que o tema foi discutido em sede de auto de infração e não cabe a esta Turma rediscutir o assunto já submetido a este Colegiado, sob pena de nulidade. Ademais, relativamente a este tema autos de infração relacionados , a Recorrente formulou preliminar em seu Recurso Voluntário argumentando que o despacho decisório seria nulo por falta de motivação. Desenvolve raciocínio no sentido de que a falta de intimação dos autos de infração ao tempo da sua defesa (via manifestação de inconformidade) obrigava à autoridade decisória que motivasse o seu ato e não apenas citasse as ementas dos referidos autos. Entendo que não pode prevalecer tal argumento. A motivação é requisito do ato administrativo independentemente de ter havido a referida intimação ou não. Ou seja: o "motivo", agora da Recorrente, para arguir sua nulidade seria decorrente da falta de intimação. Fl. 696DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 26/08/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.999767/200911 Acórdão n.º 1402002.262 S1C4T2 Fl. 692 11 Em outras palavras, pergunto: se houvesse intimação o ato seria válido? Presumo que não. Dessa forma, me parece que o ato foi suficientemente motivado e fundamentado. De todo modo, considerando que os autos de infração foram efetivamente julgados e providos, me parece prejudicada e absolutamente superada esta questão. Glosas de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) Como argumento subsidiário, a Recorrente aponta que o despacho decisório deixou de considerar determinados recolhimentos Conforme constante da "Tabela 03", inserida à fl. 06 do r. despacho decisório, a Recorrente declarou a importância de R$ 2.898.129,67 a título de IRRF retido e recolhido em seu nome pelas fontes pagadoras (i) AES Transgas Empreendimentos S/A (CNPJ n° 02.625.222/000125); (ii) AES Tietê S/A (CNPJ n° 02.998.609/000127); (i ii) Banco Itaú BBA S/A (CNPJ n° 06.995.285/000124) e (iv) Banco Itaubank S/A (CNPJ n° 60.394.079/000104): TABELA 0 3 CNPJ d a f o n t e p a g a d o r a F i c h a 6 0 d a D IP J 2 0 0 6 ( f l . 1 1 1 ) C d . R e c D IRF ( f i s . 1 1 2 a 1 1 4 ) C d . R e c . R e n d . B r u t o ( R $ ) I RRF ( R $ ) R e n d . B r u t o ( R $ ) I RRF ( R $ ) 02.625.222/000125 926.662,58 208.544,08 3426 Nã o c o n s t a 02.998.609/000127 14.057.448,61 2.108.617,29 5706 14.057.449,63 2.108.617,44 5706 06.995.285/000124 75.077,82 13.471,83 3426 3.298.317,42 743.831,48 6800 60.394.079/000104 1.163.136,58 567.496,47 3426 To t a l 1 6 . 2 2 2 . 6 2 5 , 5 9 2 . 8 9 8 . 1 2 9 , 6 7 1 7 . 3 5 5 . 7 6 7 , 0 5 2 . 8 5 2 . 4 4 8 , 9 2 Diante disso, conforme também informado na tabela retrocitada, o Sr. Auditor Fiscal: (i) identificou a retenção do IRRF pela AES Tietê S/A no valor R$ 2.108.617,44 e de R$ 13.471,83 pelo Banco Itaú BBA S/A para o CNPJ da Recorrente; (ii) reconheceu como comprovado apenas parte do recolhimento procedido pelo Banco Itaubank S/A (R$ 567.496,47), mesmo tendo identificado pagamento no valor de R$ 743.831,48; bem como (iii ) não localizou o pagamento feito pela AES Transgas Empreendimentos S/A. Com relação ao montante de IRRF de R$ 208.544,08, correspondente ao rendimento bruto de R$ 926.862,58, que não foi considerado pelo Auditor Fiscal, a DRJ apresentou a seguinte conclusão: No presente caso, o que se tem nos autos, é um recolhimento da Manifestante, e não da AES Transgás, sem demonstração cabal, Fl. 697DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 26/08/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 12 por meio de contratos, livros Diário e Razão, dos fatos alegados, bem como da correção dos procedimentos da Manifestante. (...) Observese que nem se discutiu a questão da necessidade do regular oferecimento dos rendimentos respectivos na apuração do resultado da empresa, o que seria necessário também ser comprovado (item 17 do despacho decisório fls. 126 dos autos), se ultrapassada questão da possibilidade de considerar o valor recolhido como retido. Por todos esses motivos, o IRRF no valor de R$ 208.544,08 não pode ser aceito como dedutível na apuração do IRPJ, mantendo se a glosa da Autoridade Administrativa." (fl. 509) Segundo a Recorrente, o IR/Fonte no valor de R$ 208.544,08 decorre de um contrato de mútuo firmado entre a AES Trangás Empreendimentos S/A ("AES Transgás" CNPJ n° 02.625.222/000125) e a AES Tietê Empreendimentos (CNPJ n° 02.670.218/000189), mediante o qual a AES Transgás pagou a AES Tietê Empreendimentos rendimentos financeiros no importe de R$ 926.862,56. De fato, tanto os referidos rendimentos, como o IRRF, foram contabilizados e compuseram o resultado da AES Tietê Empreendimentos. Alega ainda que o pagamento do IRRF no valor de R$ 208.544,08 não foi pago pela AES Transgás, mas sim pela Recorrente em 06/11/2006 (guia DARF anexa à Manifestação de Inconformidade fls. 447). Isso porque, conforme se pode verificar dos quadros ilustrativos nos autos, à época do pagamento do IRRF, a AES Transgás já havia sido incorporada pela Recorrente. Entendo equivocada a decisão da DRJ. De fato, chama a atenção que quem recolhe é o próprio contribuinte. Ocorre que a fonte pagadora (AES Transgás) realizou o pagamento no mês de OUTUBRO/2006. Sendo assim, sua obrigação de recolher o IRFonte seria no mês seguinte, isto é, em meados de NOVEMBRO/2006. Porém nesse mesmo mês de OUTUBRO/2006 a fonte pagadora (AES Transgás) foi incorporada pela recebedora (ORA RECORRENTE). Sendo assim, a recorrente, na qualidade de sucessora das obrigações da fonte pagadora (AES Transgás) efetuou o pagamento. Estes fatos estão amplamente comprovados nos autos, por meio do recolhimento do imposto dos atos societários de incorporação, documentos estes que não sofreram impugnação pela fiscalização. Erroneamente entendeu a DRJ que, mesmo havendo a incorporação, se no momento do pagamento foi a AES Transgás a titular, sua DIRF deveria refletir o pagamento, e o comprovante de rendimento também. Prossegue afirmando que o fato pagamento ocorresse após o fato incorporação, simplesmente não haveria pagamento algum, pois a destinatária do pagamento já haveria sido extinta, e mais, pela própria recebedora que a incorporou. Seria um pagamento para si mesmo, o que não faz nenhum sentido. Não compartilho deste entendimento, pois mesmo que a situação seja inusual (fonte pagadora incorporada pela recebedora) isto é possível e, uma vez que a Fl. 698DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 26/08/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10880.999767/200911 Acórdão n.º 1402002.262 S1C4T2 Fl. 693 13 incorporada foi extinta pelo ato de incorporação, nada mais natural do que a incorporadora (sucessora) cumprir a obrigação do recolhimento respectivo. Alega ainda que, para o Banco Itaubank S/A (CNPJ n° 60.394.079/000104), não obstante a Fiscalização ter identificado os R$ 743.831,48 recolhidos pela fonte pagadora, a DRJ manteve inalterado o entendimento do despacho decisório, somente considerando os R$ 567.496,47 declarados pela Recorrente. Destaquese que, pelo razão contábil apresentado, não há histórico com a receita financeira em nome do Banco Itaubank, mas sim em nome de Bank Boston. Isto porque, como é de notório conhecimento, o Bank Boston foi comprado pelo Grupo Itaú no ano de 2006. Em razão disso, o informe de rendimentos, apresentado na Manifestação de Inconformidade apresentada pela Requerente, está em nome do Banco Itaubank e não mais em nome do Bank Boston. Destaca a DRJ que se a empresa sequer fez constar o IRRF e sua receita na Ficha 50, é razoável concluir que não ofereceu esse rendimento nas declarações entregues (o rendimento da operação informado na Ficha 50 foi de R$ 1.238.214,40 e deveria ser de R$ 3.298.317.42). Neste item entendo que mais uma vez não foi acertada a decisão da DRJ ao desconsiderar o fato, incontroverso, de que Bank Boston e Itau Bank são a mesma pessoa jurídica. Em resumo, entendo que deve ser concedido crédito adicional no valor de R$ 384.879,09, resultante do IRFonte relativo a R$ 208.544,88 (fls. 447 proc. fisico Vol 03 origem: AES Transgás) e R$ 176.335,01 (R$ 743.831,48 R$ 567.496,47 origem: Itaubank) nos temos da fundamentação. Diante do exposto, NÃO CONHEÇO da matéria relativa à compensação de prejuízos acima de 30% na incorporação, e dou PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para reconhecer o direito ao crédito adicional de R$ 384.879,09, homologando a compensação até este limite. É o voto. Demetrius Nichele Macei Relator Fl. 699DF CARF MF Impresso em 05/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 26/08/2 016 por DEMETRIUS NICHELE MACEI, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10882.903350/2008-61
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9303-004.113
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SHERWINWILLIAMS DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 33 50 /2 00 8- 61 Fl. 204DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.903350/200861 Acórdão n.º 9303004.113 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 340101.527, que deu provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela não incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificada do mencionado acórdão a Procuradoria da Fazenda apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o sujeito passivo apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas Fl. 205DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.903350/200861 Acórdão n.º 9303004.113 CSRFT3 Fl. 4 3 sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.903350/200861 Acórdão n.º 9303004.113 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.903350/200861 Acórdão n.º 9303004.113 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 208DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.903350/200861 Acórdão n.º 9303004.113 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.903350/200861 Acórdão n.º 9303004.113 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.903350/200861 Acórdão n.º 9303004.113 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose ao presente processo as razões de decidir e o voto acima transcrito, do processo paradigma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dáse provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 211DF CARF MF Impresso em 18/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10976.000102/2009-06
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Dec 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9202-004.674
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14, DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 6. 00 01 02 /2 00 9- 06 Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10976.000102/200906 Acórdão n.º 9202004.674 CSRFT2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 10660.722287/201173. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo ofereceu contrarrazões, pugnando pela negativa de provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202004.650, de 12/12/2016, proferido no julgamento do processo 10660.722287/201173, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202004.650): O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10976.000102/200906 Acórdão n.º 9202004.674 CSRFT2 Fl. 4 3 Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De início, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime, pacificou o entendimento de que, na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61, da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262, de 23/06/2016, cuja ementa a seguir se transcreve: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10976.000102/200906 Acórdão n.º 9202004.674 CSRFT2 Fl. 5 4 Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, é necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o parágrafo anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA, somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP, não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que, na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A, da Lei n° 8.212, de 1991, correspondente aos 75% previstos no art. 44, da Lei n° 9.430, de 1996. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32, da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingido pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime, proferido no Acórdãonº9202004.499, de 29/09/2016: Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10976.000102/200906 Acórdão n.º 9202004.674 CSRFT2 Fl. 6 5 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10976.000102/200906 Acórdão n.º 9202004.674 CSRFT2 Fl. 7 6 § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10976.000102/200906 Acórdão n.º 9202004.674 CSRFT2 Fl. 8 7 que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10976.000102/200906 Acórdão n.º 9202004.674 CSRFT2 Fl. 9 8 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Nesse passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212, de 1991, com as alterações promovidas pela MP 449, de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10976.000102/200906 Acórdão n.º 9202004.674 CSRFT2 Fl. 10 9 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10976.000102/200906 Acórdão n.º 9202004.674 CSRFT2 Fl. 11 10 Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, doulhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Em face do acima exposto, voto por conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 327DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13811.001905/98-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1997
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO EM PER-DCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O § 4º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/02, segundo o qual os pedidos de compensação pendentes de apreciação em 01/10/2002 convertem-se em Declaração de compensação para efeitos de aplicação das regras do mencionado artigo, não é aplicável a compensações com créditos de terceiros. Portanto, para tais créditos não é aplicável o §5º do dispositivo em referência, que estabelece o prazo para homologação da compensação declarada de 5 (cinco) anos contado da data da apresentação do pedido.
IRPJ. SALDO NEGATIVO. SUCESSÃO UNIVERSAL NA INCORPORAÇÃO. A sociedade incorporadora, na qualidade de sucessora universal, tem direito à restituição do saldo negativo apurado pela incorporada desde que comprove, cumulativamente, que esta sofreu as retenções de IRRF e computou os respectivos rendimentos na base de cálculo do imposto.
Numero da decisão: 1401-001.686
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. O Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes votou pelas conclusões em relação à preliminar de não conversão em Dcomp das compensações com débitos de terceiros.
(assinado digitalmente)
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
LIVIA DE CARLI GERMANO - Relatora.
EDITADO EM: 18/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Aurora Tomazini de Carvalho e Livia De Carli Germano.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2120; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 557 1 556 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13811.001905/9836 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1401001.686 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 9 de agosto de 2016 Matéria Restituição de saldo negativo de IRPJ Recorrente Chase Manhattan Holdings Ltda. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CONVERSÃO EM PERDCOMP. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. O § 4º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/02, segundo o qual os pedidos de compensação pendentes de apreciação em 01/10/2002 convertemse em Declaração de compensação para efeitos de aplicação das regras do mencionado artigo, não é aplicável a compensações com créditos de terceiros. Portanto, para tais créditos não é aplicável o §5º do dispositivo em referência, que estabelece o prazo para homologação da compensação declarada de 5 (cinco) anos contado da data da apresentação do pedido. IRPJ. SALDO NEGATIVO. SUCESSÃO UNIVERSAL NA INCORPORAÇÃO. A sociedade incorporadora, na qualidade de sucessora universal, tem direito à restituição do saldo negativo apurado pela incorporada desde que comprove, cumulativamente, que esta sofreu as retenções de IRRF e computou os respectivos rendimentos na base de cálculo do imposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. O Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes votou pelas conclusões em relação à preliminar de não conversão em Dcomp das compensações com débitos de terceiros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 19 05 /9 8- 36 Fl. 557DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 18/08/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 2 (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) LIVIA DE CARLI GERMANO Relatora. EDITADO EM: 18/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Aurora Tomazini de Carvalho e Livia De Carli Germano. Relatório Tratase de pedido de restituição de valores recolhidos a maior a título de imposto de renda referentes ao anocalendário de 1997, cumulado com pedidos de compensação com débito de terceiros, formulados em 26/10/1998. Em 28/06/2006 a Recorrente foi intimada do despacho decisório que indeferiu seus pedidos, sob a justificativa de não haver crédito a ser restituído. Após a apresentação de manifestação de inconformidade, parte dos créditos que haviam sido negados pela DERAT/DIORT acabaram por ser reconhecidos pela 5a Turma da DRJSPI, no entanto o pedido de restituição permaneceu indeferido porque ainda assim não existiria valor a ser restituído. Neste sentido, o acórdão 1615.243 observa que o crédito pleiteado, no valor histórico de R$4.672.067,73, decorre do seguinte cálculo: Todavia, ao apurar a quitação do imposto sobre o lucro real devido (no valor de R$1.815.528,48), o acórdão recorrido considera que "o imposto passível de ser computado no cálculo do montante a ser restituído/compensado corresponde a R$1.625.907,06", nos seguintes termos: Fl. 558DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 18/08/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13811.001905/9836 Acórdão n.º 1401001.686 S1C4T1 Fl. 558 3 Quanto ao IRRF de R$4.672.067,13, o acórdão recorrido considera que este não pode ser aceito por se tratar de imposto retido da empresa Chase Manhattan Participações e Empreendimentos Ltda. (CMPE), incorporada pela Recorrente em 31/12/1997. Como justificativa, aduz o seguinte: Intimada do acórdão da DRJSPI em 02/01/2008, a Recorrente tempestivamente apresentou sua peça recursal, em 01/02/2009, alegando, em síntese o quanto segue. Preliminarmente, aborda argumento não levantado na manifestação de inconformidade, de que houve a homologação tácita do pedido de restituição/compensação, formulado em 1998 e indeferido apenas em 2006. Isso porque, segundo a Recorrente, a partir da nova redação do artigo 74 da Lei 9.430/1996, dada pela Lei 10.637/2002, a compensação declarada passou a extinguir o crédito tributário sob condição resolutória de sua posterior homologação, sendo que, nos termos do §4o deste artigo, os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa seriam considerados declaração de compensação desde o seu protocolo. No mérito, sustenta que os valores de R$1.815.528,48 e R$4.672.067,13 são legítimos, conforme segue. (i) Quanto ao valor de R$1.815.528,48: (i).1 O montante de R$19.520,42 corresponde a IRRF retido da CMPE, incorporada pela Recorrente em 31/12/1997, operação que será abordada no tópico seguinte. (i).2 A diferença de R$170.100,90 corresponde a tributos com exigibilidade suspensa, para os quais a Recorrente não pretendeu a restituição, mas tão somente pleiteou o reconhecimento de que tal valor não deveria integrar o montante de IRPJ a pagar no período ou seja, a Recorrente apurou como IR a pagar o valor de R$1.815.528,48, dos quais R$170.100,90 correspondiam a tributos com exigibilidade suspensa, logo o montante devido em 1997 correspondia efetivamente a R$1.625.907,06. Nesse ponto, a Recorrente observa que cometeu um equívoco ao indicar tal valor na Ficha 8 da DIPJ na linha 17 (Imposto de Renda Mensal por Estimativa), quando deveria ter sido indicado na linha 24 (Exigibilidade suspensa). (ii) Quanto ao montante de R$4.672.067,13, alega que este valor é parte do saldo negativo apurado pela CMPE, incorporada pela Recorrente em 31/12/1997. Neste sentido, sustenta que no anocalendário de 1997 a incorporada apurou lucro real no montante de R$5.760.140,53, tendo sofrido retenções de IRRF sobre aplicações financeiras no montante de R$10.976.540,53, restando assim um saldo negativo de Fl. 559DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 18/08/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 4 R$5.216.400,28, sendo que parte desse valor teria sido transferido para a Recorrente, na qualidade de sua sucessora universal. Sobre a alegação da DRJSPI de que não teria sido comprovada a tributação do referido valor, a Recorrente sustenta que o Fisco tem meios hábeis para, por si só, comprovar essa informação. Não obstante, afirma que a DIPJ comprova que o valor de R$73.463.276,41 (rendimento bruto referente a aplicações financeiras) integra o montante de R$291.454.386,70 (Outras Receitas Financeiras Linha 07 da Ficha 06 da DIPJ da Incorporada). Por fim, observa que, por equívoco, o valor de R$4.672.067,13 foi indicado na Ficha 8 da DIPJ na linha 15 (Imposto de Renda Retido na Fonte), quando deveria ter sido indicado na linha 21 (Saldo Negativo de Períodos Anteriores). Em 27/06/2011, a Recorrente apresentou laudo técnico elaborado pela empresa KPMG Tax Advisors Ltda., datado de maio daquele ano, sustentando que o valor de R$4.672.067,73 "está comprovado documentalmente". É o relatório. Voto Conselheira Relatora Livia De Carli Germano O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Tratase de pedido de restituição cumulado com pedidos de compensação com débito de terceiros formulados em 26/10/1998, tendo sido dada ciência do despacho decisório à ora Recorrente em 28/06/2006. Na época em que foram formulados tais pedidos, estava em vigor a redação original do artigo 74 da Lei 9.430/1996, o qual permitia ao sujeito passivo a utilização dos créditos para a quitação de quaisquer tributos administrados pela Receita Federal, inclusive de terceiros, sendo necessário, porém, prévio requerimento e análise do direito creditório pela autoridade administrativa. Este cenário mudou com as Medidas Provisórias convertidas nas leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A primeira alterou o artigo 74 da Lei 9.430/1996 e acrescentou os parágrafos 1o a 4o para possibilitar a compensação mediante a apresentação, pelo contribuinte, de uma declaração extintiva do crédito tributário informado, sob condição resolutória de sua posterior homologação, restringindo porém o regime a débitos próprios do contribuinte. Por sua vez, a Lei 10.833/2003 acrescentou parágrafos ao artigo 74, dentre eles o §6o, que qualificou tal declaração de compensação como confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, e o §5o, que definiu o prazo para a homologação da compensação declarada como sendo de 5 anos contados de sua entrega. O regime aplicável aos pedidos de restituição e compensação formulados antes de tais alterações legislativas foi objeto do §4o do artigo 74 da Lei 9.430/1996, que assim dispõe: Fl. 560DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 18/08/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13811.001905/9836 Acórdão n.º 1401001.686 S1C4T1 Fl. 559 5 "§ 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002)" (grifamos) Como se percebe, os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa e que se encaixassem no novo regime passaram a ser tratados como declaração de compensação, com efeito de extinguir o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela autoridade administrativa competente, no prazo de 5 anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. De fato, pelo princípio tempus regit actum, os pedidos de restituição e compensação formulados antes da comentada alteração legislativa não perdem sua validade, eis que, quando apresentados, estavam de acordo com a lei então em vigor. Todavia, por força de disposição expressa da nova legislação sobre a matéria, alguns deles (i.e., os que se encaixassem no novo regime) não apenas não perderam a validade como também passaram a ser considerados como se tivessem sido apresentados no âmbito da nova regulamentação. A administração pública reconhece o direito à homologação da compensação nesses casos. Vejase entendimento expresso da COSIT sobre o tema (grifos nossos): Parecer COSIT na SCI nº 1, de 04/01/2006: EMENTA: PEDIDO DE COMPENSAÇÃO CONVERTIDO EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO DE CINCO ANOS PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA DA COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA PARA PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO NÃO CONVERTIDOS EM DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE EXAME DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CABIMENTO DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE CONTRA O NÃO RECONHECIMENTO DO CRÉDITO OBJETO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. O prazo para a homologação de compensação requerida à Secretaria da Receita Federal tem sua contagem iniciada na data do protocolo do pedido de compensação convertido em declaração de compensação. Será considerada tacitamente homologada, mediante despacho proferido pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal, a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito. Não foram convertidos em declaração de compensação os pedidos de compensação de créditos de terceiros, “créditoprêmio” instituído pelo art. 1º do DecretoLei nº 491, de 1969, título público, crédito decorrente de decisão judicial não transitada em julgado e crédito que não se refira a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Os pedidos de compensação não convertidos em Declaração de Compensação não estão sujeitos à homologação tácita e devem ser deferidos ou indeferidos pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal. Na hipótese de pedido de compensação convertido em declaração de compensação, a autoridade competente da Secretaria da Receita Federal, após reconhecer a Fl. 561DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 18/08/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 6 homologação tácita da compensação declarada, deve se posicionar quanto à procedência e ao montante do crédito do sujeito passivo para com a União. Quando o crédito for reconhecido e tiver valor superior ao total do débito objeto da compensação tacitamente homologada, a autoridade competente da Secretaria da Receita Federal deverá promover a restituição do saldo creditório remanescente que foi objeto de pedido de restituição, desde que inexistam outros débitos a serem compensados com o referido crédito. Ainda que haja o reconhecimento da homologação tácita da compensação pela autoridade competente da Secretaria da Receita Federal, é cabível a apresentação de manifestação de inconformidade contra o nãoreconhecimento do direito creditório quando o crédito informado pelo sujeito passivo em seu pedido de compensação convertido em declaração de compensação não for integralmente reconhecido. A DRJ, ao apreciar manifestação de inconformidade contra o nãoreconhecimento do crédito objeto do pedido de restituição cumulado com pedido de compensação, pode reconhecer o exato valor do crédito do sujeito passivo para com a União, bem como o exato valor do débito compensado. Portanto, quanto ao argumento de que os créditos teriam sido tacitamente homologados, mesmo que se superasse a questão da preclusão na medida em que tal matéria não foi apreciada pela decisão recorrida entendo que este não procede, eis que, por se tratar de pedidos de compensação de supostos créditos da Recorrente com débitos de terceiros, não se aplica o regime inaugurado pelo artigo 74 da Lei 9.430/1996, na redação dada pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Passo a análise do mérito. Como se relatou, a Recorrente apurou IR a pagar no valor total de R$1.815.528,48, sendo este valor exatamente o montante declarado a título de recolhimentos por estimativa, o que teria resultado em um saldo a restituir de R$4.672.067,73, apurado em sua DIRPJ a título de saldo negativo de imposto de renda da pessoa jurídica, cf. fl. 124: Indagada a comprovar o valor de IRRF retido, a Recorrente apresenta comprovantes de retenção em nome de Chase Manhattan Participações e Empreendimentos Ltda. (CMPE) e explica que esta sociedade foi por ela incorporada em 31/12/1997. A jurisprudência deste E. CARF não tem negado a possibilidade de a empresa incorporadora, na qualidade de sucessora universal, utilizar o saldo negativo apurado pela sociedade incorporada como crédito para pagamento do imposto devido pela primeira. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 18/08/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13811.001905/9836 Acórdão n.º 1401001.686 S1C4T1 Fl. 560 7 Todavia, isso não exime a incorporadora de comprovar a regularidade dos valores assim declarados. No caso sob análise, a operação que resultou na incorporação da CMPE teve início com a cisão desta empresa, conforme protocolo de cisão de fls. 316319. A Recorrente sustenta que no anocalendário de 1997 a CMPE apurou lucro real no montante de R$5.760.140,53, tendo sofrido retenções de IRRF sobre aplicações financeiras no montante de R$10.976.540,53(*), restando assim um saldo negativo de R$5.216.400,28, conforme tabela a fls. 217, apresentada com a Manifestação de Inconformidade, reiterada no recurso a fl. 387: (*) não obstante, foram juntados informes de rendimentos em nome da CMPE que totalizam IRRF retido de R$11.017.256,15, conforme segue: fls. Rendimentos (R$) IRRF (R$) 218 63.086.522,03 9.462.978,66 219 4.383.363,47 657.504,42 220 26.509,00 3.976,35 221 31.239,54 4.685,93 222 5.180.106,94 777.014,69 223 738.994,93 110.847,99 224 16.540,50 248,11 Total 73.463.276,41 11.017.256,15 Ocorre que na DIRPJ da CMPE constou o valor de IRRF de apenas R$665.757,65, conforme fl. 232: Fl. 563DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 18/08/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO 8 Mesmo que se suponha tratarse de mero equívoco no preenchimento da DIRPJ da CMPE (fl. 230), e que o valor correto na linha 15 da Ficha 8 seria R$11.017.256,15, conforme comprovam os informes de rendimentos acostados aos autos, a validação do crédito ainda dependeria da comprovação de que esta empresa ofereceu os respectivos rendimentos à tributação. Tal conclusão pode ser extraída da interpretação da Súmula CARF n. 80: Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. (grifamos). De fato, embora a Súmula trate especificamente de dedução, o raciocínio vale para a restituição e compensação do imposto sobre a renda. Nesse ponto, a Recorrente alega que o valor de R$73.463.276,41 integra o montante de R$291.454.386,70 constante da Linha 07 (Outras Receitas Financeiras) da Ficha 06 da DIRPJ da CMPE, porém não traz qualquer documentação que comprove tal inclusão. O laudo técnico elaborado pela empresa KPMG Tax Advisors Ltda. e apresentado em 27/06/2011 também não contempla tal quesito. Tal estudo se limita a analisar o IRRF da CMPE a partir dos informes de rendimento e da DIRPJ por ela apresentada, não se debruçando sobre a apuração propriamente dita, ou seja, tal estudo não se preocupou em comprovar o oferecimento dos rendimentos à tributação. Verificase portanto que a decisão recorrida não merece reparos, eis que não restou comprovado que os rendimentos que deram ensejo às retenções que formaram o saldo negativo foram oferecidos à tributação. Diante do exposto nego provimento ao recurso. Livia De Carli Germano Relatora Fl. 564DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 18/08/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 12466.004000/2004-22
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Nov 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 17/05/1999 a 01/09/1999
RECURSO ESPECIAL. MATÉRIAS NÃO ENFRENTADAS PELA TURMA A QUO. IMPOSSIBILIDADE.
Só podem ser objetos de recurso especial de divergência as matérias específicas decididas em deliberação pela turma julgadora recorrida. Se essas matérias não foram enfrentadas no acórdão recorrido ocorre a perda de objeto do recurso especial.
SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ART. 135, INCISO III, DO CTN.
São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poder ou infração de lei, contrato social ou estatutos, dentre outros, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado (CTN, artigo 135, inciso III). Estando comprovada a prática do ato infracional pela pessoa jurídica, a qual não possui ato de vontade, deve se atribuir a responsabilidade ao sócio-gerente, sobretudo se ele consta nos registros da Receita Federal nessa condição e não trouxe aos autos nenhum início de prova que não exercia essa função.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-004.256
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que o conheceram integralmente e deram-lhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Marcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Marcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello (Relatora) e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 17/05/1999 a 01/09/1999 RECURSO ESPECIAL. MATÉRIAS NÃO ENFRENTADAS PELA TURMA A QUO. IMPOSSIBILIDADE. Só podem ser objetos de recurso especial de divergência as matérias específicas decididas em deliberação pela turma julgadora recorrida. Se essas matérias não foram enfrentadas no acórdão recorrido ocorre a perda de objeto do recurso especial. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ART. 135, INCISO III, DO CTN. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poder ou infração de lei, contrato social ou estatutos, dentre outros, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado (CTN, artigo 135, inciso III). Estando comprovada a prática do ato infracional pela pessoa jurídica, a qual não possui ato de vontade, deve se atribuir a responsabilidade ao sócio-gerente, sobretudo se ele consta nos registros da Receita Federal nessa condição e não trouxe aos autos nenhum início de prova que não exercia essa função. Recurso Especial do Contribuinte Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 32; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2088; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 3.968 1 3.967 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 12466.004000/200422 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303004.256 – 3ª Turma Sessão de 14 de setembro de 2016 Matéria II IPI Responsabilidade Tributária Recorrente ISAAC SVERNER Interessado FAZENDA NACIONAL E OUTROS ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 17/05/1999 a 01/09/1999 RECURSO ESPECIAL. MATÉRIAS NÃO ENFRENTADAS PELA TURMA A QUO. IMPOSSIBILIDADE. Só podem ser objetos de recurso especial de divergência as matérias específicas decididas em deliberação pela turma julgadora recorrida. Se essas matérias não foram enfrentadas no acórdão recorrido ocorre a perda de objeto do recurso especial. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. ART. 135, INCISO III, DO CTN. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poder ou infração de lei, contrato social ou estatutos, dentre outros, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado (CTN, artigo 135, inciso III). Estando comprovada a prática do ato infracional pela pessoa jurídica, a qual não possui ato de vontade, deve se atribuir a responsabilidade ao sóciogerente, sobretudo se ele consta nos registros da Receita Federal nessa condição e não trouxe aos autos nenhum início de prova que não exercia essa função. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em conhecer parcialmente do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que o conheceram integralmente e deramlhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Marcio Canuto Natal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 40 00 /2 00 4- 22 Fl. 3969DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.969 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora (assinado digitalmente) Andrada Marcio Canuto Natal Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Erika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello (Relatora) e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Fl. 3970DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.970 3 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto por Isaac Sverner (responsável solidário de Kapal Comércio Exterior Ltda ME) (fls. 3.781 a 3.807) com fulcro nos artigos 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 310200.903 (fls. 3.599 a 3.650) proferido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de julgamento, em 04 de fevereiro de 2011, no sentido de dar parcial provimento aos recursos voluntários para excluir a multa por inexistência de fatura comercial. O acórdão foi ratificado pelo despacho s/nº (fls. 3.897 a 3.904), de 23 de abril de 2015, que não admitiu os embargos de declaração opostos pela autuada Kapal Comércio Exterior Ltda (fls. 3.661 a 3.689). A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 17/05/1999 a 01/09/1999 AUTO DE INFRAÇÃO. LITISCONSÓRCIO PASSIVO. ATENDIMENTO DE REQUISITOS FORMAIS E MATERIAIS. NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. Caracterizada a solidariedade de fato, por interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal (art. 124,I, do CTN), devem compor o pólo passivo da exigência fiscal o contribuinte e os responsáveis solidários. DECISÃO PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. Não caracteriza preterição do direito de defesa, a decisão administrativa de primeiro grau que contenha as razões de decidir de forma clara e coerente. A falta de análise, de forma pormenorizada, de todos os argumentos suscitados na peça impugnatória não implica cerceamento do direito de defesa, quando suficiente os fundamentos da decisão nela apresentados. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 17/05/1999 a 01/09/1999 VALOR ADUANEIRO. SUBFATURAMENTO NO PREÇO. REJEIÇÃO DO PRIMEIRO MÉTODO. APLICAÇÃO DO 6º MÉTODO. FLEXIBILIDADE DO 2º E 3º MÉTODOS. POSSIBILIDADE. Caracterizada a impossibilidade de utilização do valor de transação (1º método), por se revelarem inidôneos (subfaturados) os preços declarados, e diante da impossibilidade de utilização dos métodos precedentes (2º ao 5º), é legítimo a adoção do 6º método de valoração, mediante a flexibilização dos critérios de valoração utilizados nos 2º e 3º métodos e utilização, como Fl. 3971DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.971 4 paradigma, dos preços de produtos idênticos e similares das importações precedentes, disponíveis na base de dados da Administração aduaneira do País. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 17/05/1999 a 01/09/1999 PRAZO DE DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE E SIMULAÇÃO. TERMO INICIAL. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário somente se opera após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. MULTA DE OFÍCIO. MAJORAÇÃO. OCORRÊNCIA DE FRAUDE. POSSIBILIDADE. A prática de subfaturamento nos preços, mediante o uso de documentos inidôneos, com o fim de não pagar ou pagar valor a menor de tributos, caracteriza artifícios dolosos na prática de fraude, que justificam o agravamento da multa de ofício aplicada. MULTA POR INFRAÇÃO ADMINISTRATIVO AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES. COMPROVADO O SUBFATURAMENTO. APLICAÇÃO ADMITIDA. O subfaturamento dos preços dos produtos importados caracteriza a infração administrativa ao controle das importações, sancionada com a multa de 100% (cem por cento) do valor diferença de preço subfaturada (art. 169, II, do Decretolei nº 37, de 1966). ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 17/05/1999 a 01/09/1999 Ementa:. MULTA REGULAMENTAR. INEXISTÊNCIA DE FATURA COMERCIAL. REVOGAÇÃO. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. RELEVAÇÃO. Nos presentes autos, a infração por falta de apresentação de fatura comercial, prevista na alínea “a” do inciso IV do art. 106 do Decretolei nº 37, de 1966, encontrase devidamente materializada, todavia a dita infração foi expressamente revogada pelo inciso I do art. 94 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. No presente caso, tratandose de ato não definitivamente julgado, com respaldo no princípio da retroatividade benigna, previsto na alínea “a” do inciso II do artigo 106 do CTN, a multa aplicada deve ser relevada. Recurso Voluntário Provido em Parte. A controvérsia tem origem em procedimento de Revisão Aduaneira realizado pela Receita Federal, a qual apontou a existência de irregularidades nas importações de Fl. 3972DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.972 5 mercadorias efetuadas por Kapal Comércio Exterior Ltda, com a informação de valores inverídicos e a adoção de conduta para ludibriar mecanismos de controle aduaneiro. Reportandose ao relato dos fatos encartado no acórdão de primeira instância, a decisão recorrida traz em detalhes retrospecto do presente processo administrativo, passando a integrar o presente relatório, in verbis: [...] Trata, o presente processo, de quatro Autos de Infração, lavrados para a exigência de Imposto de Importação, no valor de R$ 3.282.783,29, e de Imposto sobre Produtos Industrializados, no montante de R$ 3.185.760,21, acrescidos de multa agravada de 150% e juros de mora, bem como da multa por infração ao controle administrativo das importações, na quantia de R$ 11.574.856,33 e da multa por falta de fatura, no valor de R$ 354.900,77. Em todos os Autos de Infração, foram arrolados os seguintes responsáveis solidários: Rodrigo Cunha Lima – CPF 751.308.90787, Guy Alexandre Lemos Fernandes – CPF 829.699.65704, NHTP Assessoria Aduaneira Ltda. – CNPJ 03.119.273/000148, Jairo Dias de Souza – CPF 039.808.69822, Vera Regina Ribeiro Ferreira – CPF 272.531.63320, DM Eletrônica da Amazônia Ltda. – CNPJ 01.523.413/000113, Daniel Lewin – CPF 943.505.82800, Fisel Perl – CPF 458.230.14872, David Perl – CPF 132.938.88879, Isaac Sverner – CPF 004.843.85887. Segundo consta relatado nos quadros destinados à Descrição dos Fatos dos Autos de Infração de fls. 6 a 14, 47 a 55, 104 a 112, e 145 a 153, a autoridade lançadora, em ato de Revisão Aduaneira, apurou que a interessada efetuou importações de mercadorias informando valores inverídicos, além de adotar conduta com vista a burlar os mecanismos de controle aduaneiro. As declarações prestadas pelos administradores da autuada revelam que houve a cessão do uso do nome da empresa para acobertar operações de terceiros, caracterizandose a inidoneidade da documentação apresentada para o despacho aduaneiro, uma vez que tais documentos não refletem as transações efetivamente ocorridas. Por meio do Relatório de Valoração Aduaneira SAFIA nº 01/2000 e seus anexos (fls. 229 a 454), a autoridade fiscal consignou as razões da não aceitação dos valores informados pela interessada nas declarações de importação. Cientificada do relatório, a contribuinte prestou esclarecimentos que, no entanto, foram considerados insuficientes pela autoridade fiscalizadora a fim de demonstrar a veracidade dos valores de transação declarados, bem como para demonstrar a regularidade das respectivas importações. A autoridade lançadora apontou diversas irregularidades, adiante detalhadas, as quais possibilitaram que 41 das 44 DI’s analisadas fossem direcionadas para o canal verde de conferência aduaneira: 97% das mercadorias importadas foram enquadradas em posição tarifária incorreta, nas quais não se exigia a informação de atributos NVE – Fl. 3973DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.973 6 Nomenclatura de Valor Estatístico, conseqüentemente, as importações não eram selecionadas para o Canal Cinza; utilização de “unidade de medida” incorreta, que consistia em anotar, por exemplo, no campo destinado ao número de unidades de determinado produto, o número de caixas contendo o mesmo produto, burlando assim o controle que compara o valor de cada unidade com o valor de referência registrado no Siscomex. A autoridade lançadora constatou, também, que a interessada disponibilizou documentos próprios em favor de terceiros, efetuando importações de terceiros em seu próprio nome, com o objetivo de se valer dos incentivos financeiros do FUNDAP. Restou evidente que coube a NHTP – Assessoria Aduaneira Ltda. o gerenciamento, de fato, de todo o processo de importação e nacionalização das mercadorias, compreendendo os ajustes entre o exportador e o adquirente, os registros das DI’s no Siscomex, inclusive utilização de conta corrente da NHTP para o débito automático dos tributos devidos nas importações, o fornecimento das faturas comerciais e dos demais dados relativos a Kapal Comércio Exterior Ltda., para a emissão de notas fiscais de entrada e saída de mercadorias, determinando valores, adquirentes ou consignantes, bem como o destino dos bens importados. A fiscalização esclarece que o despachante aduaneiro e seu ajudante, se efetuarem em nome próprio ou de terceiro, a importação e o comércio interno de mercadorias estrangeiras, sujeitamse ao pagamento dos tributos e das multas aplicáveis, caracterizandose a responsabilidade solidária, com o importador, da empresa NHTP e seus sócios Jairo Dias de Souza e Vera Regina Ribeiro Ferreira. A empresa DM Eletrônica da Amazônia Ltda. é apontada como a real importadora dos bens nacionalizados pela Kapal, implicando na sua responsabilidade pelos tributos devidos, em solidariedade com os seus sócios gerentes Daniel Lewin, Fisel Perl, David Perl e Isaac Sverner. Os bens nacionalizados, constituídos de aparelhos eletrônicos, são em sua maioria da marca Lenoxx Sound, importados e distribuídos no País pela Topmar até meados de 1999, quando então entrou em funcionamento a empresa DM Eletrônica, sucedendo de fato a primeira, passando a produzir, em tese, referidos produtos Lenoxx na Zona Franca de Manaus. Foram apuradas irregularidades no fechamento dos contratos de câmbio, pois em apenas três dos vinte e dois contratos formalizados entre o Banco do Brasil e a Kapal foram observadas as disposições normativas, onde mencionam que o pagamento do contravalor em moeda nacional deverá, obrigatoriamente, ser efetuado por meio de cheque ou débito em conta do próprio comprador da moeda. Os pagamentos irregulares foram debitados em uma conta transitória interna do Banco do Brasil, sem titularidade, a qual recebeu créditos de diversas fontes, demonstrando que a Kapal se prestou, tão somente, a ceder seu nome para a realização fraudulenta das operações em questão, não tendo participado da negociação que promoveu a compra e venda internacional, nem participado da revenda subseqüente das mercadorias no mercado interno, assim como do gerenciamento dos recursos que envolveram as respectivas importações. As faturas comerciais apresentadas, com exceção daquelas relativas às Declarações de Importação nº 99/06926864 e 99/06539739, não se Fl. 3974DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.974 7 encontram assinadas, carecendo de formalidade essencial prevista em lei, fator este que somado a inexpressividade dos valores declarados e as irregularidades apontadas nos contratos de câmbio, demonstram a falta de idoneidade das referidas faturas comerciais. A autoridade autuante verificou, também, que nas notas fiscais de saída das mercadorias importadas, emitidas pela empresa Kapal, figuram como principais clientes, responsáveis por 85% do valor consignado nesses documentos, três empresas, as quais não foram localizadas, por não existirem de fato. São empresas de “fachada”, utilizadas para ocultar o real comprador, a destinação dos bens, assim como os preços efetivamente praticados, comprovando, demonstrando, desta feita, a ocorrência de fraude. A autoridade lançadora assevera, ainda, que diante da comprovada ocorrência de sonegação, por meio da utilização de documentos ideologicamente falsos, que visam ocultar o verdadeiro valor das transações, e restando caracterizado o conluio das empresas DM Eletrônica da Amazônia Ltda. e NHTP – Assessoria Aduaneira Ltda. com a autuada, o prazo decadencial deve ser contado segundo estabelece o artigo 173, inciso I, da Lei no 5.172/66 (Código Tributário Nacional). Tratando da valoração aduaneira das mercadorias importadas, no Relatório de Valoração Aduaneira SAFIA no 001/2000, a autoridade arrola os motivos que a levaram a entender inaplicável o 1º Método de Valoração Aduaneira, os quais, examinados em conjunto, atestam que a documentação que amparou as importações é inidônea, não refletindo a transação comercial efetivamente ocorrida, conforme já tratado no presente relatório. É enfatizado, no mesmo relatório, que a quase totalidade dos preços praticados nas importações são absolutamente inverossímeis, e que a autuada adotou, de maneira deliberada/intencional, uma série de práticas com o claro intuito de burlar os mecanismos de controle do valor aduaneiro. Afastada a aplicação do 1º Método de Valoração Aduaneira, foram examinadas as condições para a aplicação dos métodos substitutivos, em ordem seqüencial, conforme a seguir demonstrado: 2º e 3º Métodos: a utilização de tais métodos pressupõe a existência de importações que tenham sido aceitas pela autoridade aduaneira como referências válidas de valor aduaneiro declarado, no entanto, ainda não foi concluída a construção de um banco de dados de declarações de importação paradigmas, razão pela qual não é possível a aplicação de tais métodos; 4º Método valor de revenda: a aplicação do método em apreço requer que a fiscalizada forneça elementos materiais que indiquem os compradores efetivos e os contratos firmados, para a determinação do valor de revenda praticado, no entanto, restou demonstrado que a interessada não efetuou, de fato, operações de revenda, revelandose inaplicável o 4º Método de Valoração Aduaneira; 5º Método: a utilização do método em referência é improvável, pois requer farta documentação produzida pelo fabricante dos bens e demais intervenientes no comércio internacional das mercadorias, os quais não estão obrigados a fornecêla, nos termos do item 2, do art. 6º, do Acordo de Valoração Aduaneira AVA; Fl. 3975DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.975 8 6º Método: este método foi utilizado para a determinação do valor aduaneiro de 85 produtos, mediante flexibilização do 2º e 3º métodos, tendo sido atendidos todos os requisitos legais previstos no AVA. Para cada produto submetido a revaloração, foi indicado o modelo e a marca do produto similar utilizado como padrão de valor, respeitando os níveis comerciais praticados, as marcas envolvidas, e a obrigatoriedade de inexistir vinculação entre comprador e vendedor que afete o valor de transação, exceção feita aos poucos casos em que não foi possível identificar importações de bens idênticos ou similares, em tempo aproximado, do mesmo País, sendo então utilizada uma importação alternativa. Todas as informações a respeito das importações que serviram como paradigma constam no Anexo VII, juntado às fls. 275 a 376. Considerando que as práticas adotadas pela interessada resultaram em bases de cálculo dos tributos intencionalmente diminuídas, com vistas a ilidir o pagamento dos tributos, caracterizouse a ocorrência de subfaturamento, sujeitando a interessada à penalidade prevista no artigo 526, inciso III, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto no 91.030/85. Comprovado, ainda, o evidente intuito de fraude, a multa de ofício foi agravada para o percentual de 150%, e efetuada a “Representação Fiscal para Fins Penais”, nos termos do processo no 12466.004001/200477. Tendo sido a autuada e os responsáveis solidários cientificados dos lançamentos, apresentaram impugnações, as quais foram assim juntadas aos autos: DM Eletrônica da Amazônia Ltda. (fls. 1.716 a 1.749), Isaac Sverner (fls. 1.822 a 1.854, 1.928 a 1.961, 2.017 a 2.048, e 2.120 a 2.152), NHTP – Assessoria Aduaneira Ltda. (fls. 2.211 a 2.243) e Kapal Comércio Exterior Ltda. (fls. 2.257 a 2.295). A empresa Kapal Comércio Exterior Ltda. alegou, em síntese, que: o dolo, fraude ou simulação não podem ser presumidos, mas devem ser provados, como de fato restou comprovado em relação aos reais importadores e destinatários das mercadorias, arrolados no presente processo, no entanto, em relação à impugnante e seus sócios não há prova de fraude, sendo inaplicável o disposto no artigo 173, inciso I, do CTN, tendo ocorrido a decadência do direito do Fisco proceder ao lançamento dos créditos tributários objeto do presente processo; somente foi validamente notificada em 06/01/2005, pois o Edital afixado em 13/12/2004 não foi precedido da intimação pessoal e por via postal, conforme determina o § 3º, do artigo 23, do Decreto no 70.235/72, tendo também por este aspecto ocorrida a decadência do crédito tributário; deve ser excluída, bem como seus sócios, do pólo passivo da obrigação tributária, pois agiu apenas na condição de empresa fundapiana, consignatária das mercadorias, conforme reconhece o próprio Fisco no Relatório da Fiscalização; as empresas DM Eletrônica e NHTP são contribuintes e não responsáveis solidários, pois a legislação estabelece que importador é qualquer pessoa que promove a entrada de mercadoria no território aduaneiro, e tendo referidas empresas efetuado a compra no exterior, a contratação do transporte, providenciado a documentação que instruiu o despacho e ainda Fl. 3976DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.976 9 disponibilizado as mercadorias a seus destinatários finais, resta demonstrado que promoveram a entrada da mercadoria, como diz a lei; o fato de não ter informado, no campo próprio da DI, o CNPJ da empresa adquirente, é mero erro formal, que não pode se sobrepor à verdade material, de que os atos infracionários foram praticados pelas demais empresas autuadas, sem qualquer participação da impugnante; a inidoneidade das faturas, por falta de assinatura, não é da responsabilidade da impugnante, e sim, dos reais importadores e das empresas consignantes, que contrataram a Kapal para importar com os benefícios do FUNDAP; na condição de empresa fundapiana, funcionava em conformidade com o sistema, à época, em vigor, não lhe cabendo fiscalizar o destino das mercadorias importadas e seus adquirentes, assim, emitiu as notas fiscais de saída com base nos dados fornecidos pela empresa NHTP; na ocasião da contratação das importações, as empresas para as quais as mercadorias foram destinadas estavam com sua situação regular, não eram inaptas perante o CNPJ, portanto, se fraude houve, tal somente ocorreu depois das importações, não podendo alcançar a empresa fundapiana; o suposto dolo atribuído aos administradores da impugnante, sob o argumento de que conscientemente cederam o nome da empresa para acobertar operações de terceiros, não procede, pois o nome foi cedido ao amparo da legislação do FUNDAP; os sócios da impugnante devem ser excluídos do pólo passivo da presente exigência tributária por não preencherem as condições tipificadoras de sujeitos passivos, não podendo ser responsabilizados pelos tributos, e nem mesmo pelas infrações, tendo em vista que não se enquadram em nenhuma das hipóteses previstas nos artigos 134, 135 e 137 do CTN, e não promoveram nenhum despacho aduaneiro (inciso IV, do artigo 500, do RA); a rejeição dos valores de transação calcouse em presunções advindas de indícios, não havendo provas contundentes para amparar as conclusões que conduziram aos Autos de Infração; as relações ou operações comerciais entre vendedores e fabricantes no exterior e as reais importadoras são alheias à impugnante, para a qual o preço contratado e pago foi o constante nos documentos oficialmente prescritos: fatura comercial, contrato de câmbio e declaração de importação, sendo os indícios insuficientes para se concluir que ocorreram remessas complementares de numerário para pagamento de importações; não competiam às empresas fundapianas fiscalizar os atos das contratantes nem a idoneidade ou licitude de suas operações; o Fisco aplicou o Regulamento Aduaneiro vigente à época das importações, mas aplicou indevidamente a legislação penal/tributária editada posteriormente, que trata das importações por conta e ordem de terceiros; na época da ocorrência das infrações, o inciso III do artigo 526, do RA, que trata das infrações ao controle administrativo das importações, prescrevia a Fl. 3977DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.977 10 multa de 100% da diferença por subfaturar ou superfaturar o preço ou valor da mercadoria, sem mencionar a palavra “importação”; a penalidade acima referida é a mesma tipificada no artigo 44, da Lei no 9.430/96, como infração tributária, tanto é assim que a autoridade autuante buscou os elementos fáticos e jurídicos para a sua cominação no Relatório de Valoração Aduaneira SAFIA no 001/2000, que foi o mesmo que embasou a infração tributária de declaração inexata de valor (Valor de Transação incorreto); na importação, a infração administrativa atinente ao licenciamento, câmbio e controle de preços somente pode ocorrer na hipótese de superfaturamento, que acarreta remessa a maior de divisas, caracterizando lavagem de dinheiro; na exportação, a infração ocorre no subfaturamento, visando o menor ingresso de divisas, ficando o diferencial à disposição do exportador brasileiro no exterior; a multa de natureza administrativa é inaplicável ao caso, porque não foram transgredidas as normas administrativas de controle das importações, mas apenas apurada infração de natureza fiscal, praticada com o fim de reduzir a base de cálculo dos tributos, e também porque a apuração de base de cálculo nos termos do Acordo de Valoração Aduaneira visa exclusivamente à percepção dos tributos incidentes na importação, não se reportando a parte cambial e administrativa das operações; à época da ocorrência do fato gerador, a legislação do Imposto de Importação previa penalidade específica para a inexatidão da declaração quanto ao valor, conforme artigo 524 do Regulamento Aduaneiro, não se aplicando ao caso, no que tange ao Imposto de Importação, a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei no 9.430/96; conforme legislação em vigor, a apuração do valor aduaneiro era feita com base no que dispunha o artigo 2º do AVA, no entanto, a fiscalização efetuou um arbitramento nos moldes do disposto no artigo 88 da MP no 2.158/01, o qual é aplicável para situações que passaram a ser consideradas fraudulentas, as quais anteriormente não tinham essa conotação, como é o caso das operações por conta e ordem de terceiros; deve ser mantida a base de cálculo declarada nas importações do ano de 1999, pois indevido o arbitramento do valor aduaneiro na forma como feita pelo Fisco, afastandose a responsabilidade da impugnante pelos créditos tributários decorrentes das diferenças apontadas. A impugnante tece, ainda, considerações a respeito da aplicação do princípio da responsabilidade objetiva, o qual, no seu entender, fere o princípio da isonomia, ao tratar contribuintes zelosos e contribuintes que nunca cumprem suas obrigações tributárias de forma idêntica. Neste sentido, defende que não está sujeita à multa qualificada, pois as infrações originaramse de ações praticadas pelos reais importadores. Alega, também, que somente a partir de 2001 a legislação foi aperfeiçoada, dando efetividade ao princípio da subjetivação da responsabilidade no direito penal tributário. Por fim, a autuada (Kapal) requer a desconstituição total do crédito tributário lançado, através da decretação da improcedência dos Autos de Infração. Fl. 3978DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.978 11 A responsável solidária NHTP – Assessoria Aduaneira Ltda., em sua peça impugnatória, argumenta, em resumo, que: são nulos os Autos de Infração, pois não houve observância das formalidades previstas nos artigos 9º e 10 do Decreto nº 70.235/72, segundo os quais é vedada a lavratura de vários Autos de Infração, em um mesmo processo, contra sujeitos passivos diferentes; não mantém qualquer vínculo, exceto eventual relacionamento comercial, com a empresa Kapal, não podendo a autoridade lançadora aproveitar os Autos de Infração lavrados contra a Kapal, estendendoos à empresa impugnante, criando assim um novo instrumento fiscal não previsto em lei; houve flagrante violação aos princípios do contraditório em ampla defesa, pois os Autos de Infração foram lavrados fora da jurisdição fiscal da impugnante, onde também tramita o processo administrativo, e os documentos que o embasaram pertencem à empresa Kapal, impossibilitando a adequada defesa da impugnante; para a lavratura dos Autos de Infração, a autoridade autuante não efetuou quaisquer diligências ou fiscalizações junto à impugnante, embasando os Autos de Infração exclusivamente nos documentos da empresa Kapal, caracterizando, também, por este aspecto, o cerceamento do direito de defesa, pois a impugnante não pode devassar os documentos da empresa Kapal, para elaborar sua defesa; cada pessoa jurídica tem autonomia em relação às demais, e é responsável pelos atos que pratica, também os estabelecimentos de uma mesma empresa são autônomos, para fins fiscais, não podendo o Fisco atribuir à impugnante responsabilidade por ato ilícito ou criminoso praticado por outra pessoa jurídica; é parte ilegítima, pois o PAF impede que os autuantes a “chamem ao processo”, ou a intimem para que forme, com a autuada Kapal, um esdrúxulo e anômalo “litisconsórcio”, não previsto na lei processual administrativa; inexiste a alegada responsabilidade tributária da impugnante, pois não há lei que caracterize tal solidariedade, pelo contrário, a legislação mencionada pela autoridade lançadora dispõe claramente que a responsabilidade tributária, como regra, é exclusiva da empresa importadora, no caso, a empresa Kapal, que deu causa a ocorrência do fato gerador; a situação examinada nos autos não se enquadra nas hipóteses de responsabilidade solidária previstas em lei, e nem mesmo a ela se aplica o inciso I, do artigo 124, do CTN, pois o “interesse comum” não é suficiente para caracterizar a solidariedade, que desta forma alcançaria sempre compradores e vendedores, ou prestadores de serviços e seus tomadores; o artigo 135 do CTN alcança somente as pessoas físicas que tenham cargo de gestão, tanto que não menciona sócios, e sim diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas, atribuindolhes responsabilidade pessoal pela prática intencional de ilícitos de natureza subjetiva; no caso dos autos, não restou demonstrado que os sócios arrolados como responsáveis solidários praticassem atos de gerência, e que tivessem poderes Fl. 3979DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.979 12 para tanto, e nem mesmo restou provada a autoria de ato ilícito, devendo ser afastados do pólo passivo da obrigação tributária; em relação à impugnante, foram feitas apenas acusações genéricas e vazias, sendo impossível defenderse de generalidades ou apresentar provas negativas; ao tratar da decadência, os autuantes não se referiram expressamente à defendente e seus sócios, mas apenas à empresa Kapal e seus sócios, pois efetivamente não há qualquer prova de que a impugnante tenha agido com dolo, fraude ou simulação, não se aplicando a exceção prevista no parágrafo 4º, do artigo 150, do CTN; o crédito tributário ora exigido foi extinto pela decadência, tendo em vista que a contagem do prazo se inicia na data da ocorrência do fato gerador; tendo em vista que as autuações foram baseadas em meras presunções, foi violado o princípio da verdade material, pois a simples desconfiança não tem o condão de gerar obrigação tributária, a lei exige a existência concreta de um fato; o Fisco tenta transferir para a impugnante o ônus da prova em sua integralidade, pois lhe autua sem lhe solicitar que apresente quaisquer documentos, ou mesmo sem fazer qualquer diligência em seu estabelecimento, impondolhe o encargo de provar que nada tem que ver com os atos praticados pela autuada Kapal; a responsabilidade pela emissão de notas fiscais ideologicamente falsas deve ser atribuída exclusivamente à empresa Kapal, pois a aplicação de punições, em nosso sistema jurídico, depende da prova concreta do fato e da sua autoria; define como ilegal e impertinente a menção que a autoridade lançadora faz a atos alheios a autuação, que os fiscais consideram ilícitos e que lhe imputam, pois os autos deveriam se restringir, tão somente, aos fatos apurados na presente fiscalização. Sobre outros ilícitos, a impugnante se reserva o direito de produzir a competente defesa no devido processo legal; tratandose da acusação de que exerceu a função de “gerenciamento de fato” de todo o processo de importação e nacionalização de bens em benefício da Kapal, aduz que esta é a sua função enquanto prestadora de serviço de assessoria aduaneira. Para caracterizar a infração, deveria o Fisco indicar, com detalhes, onde e porquê foi extrapolado o mandato que a Kapal lhe outorgou; não aceita que a autuação seja fundamentada em simples declaração de um dos administradores da Kapal, que com tal declaração procura se isentar de responsabilidades; não há nos autos um só ato atribuído ao despachante aduaneiro que possa ser considerado doloso ou ilícito, não podendo ser responsabilizados por eventuais documentos fiscais emitidos por terceiros que, embora formalmente legais, contenham algum dado incorreto. Fl. 3980DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.980 13 Ao final, a impugnante requer que, diante das preliminares argüidas, sejam aos Autos de Infração declarados nulos, e caso assim não entenda a autoridade julgadora, seja determinada a exclusão da impugnante e de seus sócios do presente processo. A empresa DM Eletrônica da Amazônia Ltda., em sua defesa, apresenta alegações tendentes a demonstrar a nulidade do lançamento, utilizando argumentos semelhantes aos apresentados na impugnação da empresa NHTP Assessoria Aduaneira Ltda. afirmando também que não tem qualquer vínculo com a empresa Kapal, a não ser eventual relacionamento comercial, não podendo ser responsabilizada por infrações cometidas por outra empresa. Afirma, igualmente, que houve cerceamento do seu direito de defesa, pois o processo foi instaurado e tramita longe do seu domicílio tributário. A impugnante alega que é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da presente relação jurídico processual, porque os Autos de Infração foram lavrados contra a empresa Kapal, com fundamento nos documentos e livros contábeis daquela empresa. Aduz que a responsabilidade solidária que a autoridade lançadora pretende lhe atribuir não tem respaldo na lei, e nem mesmo a responsabilidade por sucessão, que teria origem em indícios de que seus sócios eram titulares de uma outra empresa denominada Topmar. Prosseguindo em seus argumentos, a empresa DM afirma que não é sucessora da empresa Topmar, e que o Fisco não apresentou prova de que seus sócios façam parte do quadro societário das empresas CCE e Topmar, bem como não provou que tais sócios têm cargos de gerência e que, em decorrência de tais cargos, tenham praticado os atos mencionados nos Autos de Infração. Assim, entende que os artigos 132 e 133 do CTN não se enquadram no fato descrito, pois a impugnante não se originou de transformação ou alienação da empresa Topmar. Outrossim, alega que até mesmo a Topmar não tem a responsabilidade tributária que lhe está sendo atribuída, pois segundo os próprios fiscais “os bens nacionalizados... foram importados e distribuídos no País pela Topmar até meados de 1999”, e os fatos infracionários ocorreram durante todo o ano de 1999. A impugnante entende, com fundamento nos mesmos argumentos trazidos pela empresa NHTP, que se operou a decadência do direito de o Fisco exigir o crédito tributário em apreço, que a autuação foi baseada somente em presunções, e que a autoridade lançadora tenta transferir o ônus da prova para o autuado. O acusado conluio entre a autuada Kapal, a Topmar e a impugnante, que a autoridade autuante afirma estar evidenciado no fato de que os bens importados foram, de fato, revendidos pela Topmar e pela DM Eletrônica, não para os pretensos adquirentes informados nas notas fiscais de saída de mercadorias emitidas pela Kapal, mas sim para grande empresas nacionais, por valores superiores aos informados nas notas fiscais, não ocorreu. O fato descrito pela autoridade lançadora apenas confirma que a empresa Kapal emitiu notas fiscais suspeitas, não havendo qualquer prova de ajuste doloso com a impugnante. Diante do exposto, a impugnante requer seja o Auto de Infração declarado nulo, e não sendo este o entendimento da autoridade lançadora, seja determinada a exclusão da impugnante e de seus sócios do presente processo. Fl. 3981DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.981 14 Também o responsável solidário Sr. Isaac Sverner apresentou impugnação, alegando, em resumo, que: as operações evidenciadas nos autos são de inteira responsabilidade da empresa Kapal, que em nada se relaciona com a empresa DM, e muito menos com o impugnante; não tem nenhuma vinculação com o fato gerador (desembaraço aduaneiro de mercadorias), sobre o qual se pretende exigir o imposto e acréscimos, não tendo legitimidade passiva para figurar como responsável solidário do Auto de Infração; não existem provas suficientes capazes de comprovar o suposto envolvimento entre as empresas Kapal e DM Eletrônica, baseandose as autuações em deduções e meros indícios, que maculam a ação fiscal de nulidade, ilegalidade e arbitrariedade; com meras alegações, o Fisco buscou envolver na infração o impugnante, que jamais fez parte do quadro societário da empresa Topmar, e sequer exercia poderes de gerência na empresa DM Eletrônica, restando afastada a aplicação do artigo 135, inciso III, do CTN; os lançamentos referentes às importações realizadas no mês de maio de 1999 e seguintes são nulos, pois fulminados pela decadência, nos termos do artigo 150, § 4o, do CTN; ainda que se aceite a equivocada suposição de que houve dolo quando do recolhimento do tributo, é de se esclarecer que o parágrafo único, do artigo 173, do CTN, determina que o prazo será contado a partir da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário, que no caso da importação de mercadorias é a data do registro da DI, operandose, também na hipótese examinada, a decadência do direito do Fisco constituir o crédito tributário; caso se admitisse a existência de responsabilidade solidária atingindo a DM Eletrônica, esta não alcançaria as multas lançadas, pois nos termos do artigo 137 do CTN, a responsabilidade é pessoal do agente quanto às infrações em cuja definição o dolo específico do agente seja elementar; assim, tendo a empresa Kapal, enquanto importadora, tentado fraudar o Fisco, não há como atribuir responsabilidade solidária, com relação às multas, a outras empresas e pessoas físicas, por expressa determinação do CTN; a empresa DM foi constituída em outubro de 1996, e durante um longo período conviveu no mercado com a empresa Topmar, explorando, cada uma a sua maneira, o negócio de aparelhos eletrônicos, não procedendo à alegação de que a empresa DM sucedeu a Topmar, até porque a Topmar não foi extinta em 1999, não se tratando da hipótese prevista no artigo 132, § único, do CTN, de sócio remanescente de pessoa jurídica extinta que dá continuidade à exploração da atividade dessa; a responsabilização da empresa Topmar em relação às importações realizadas pela Kapal é uma nítida alusão à operação que atualmente foi denominada de “importação por conta e ordem”, cujas regras somente Fl. 3982DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.982 15 entraram em vigor com a edição da Medida Provisória no 2.15835/01, e não podem alcançar importações efetuadas em data anterior; se, à época dos fatos, o ordenamento jurídico atribuísse à empresa Topmar responsabilidade pelas importações efetuadas pela Kapal, a legislação não precisaria ter sido alterada como ocorreu, razão pela qual impõese o afastamento da Topmar do pólo passivo da infração por total ilegitimidade; a regra do artigo 124, inciso I, do CTN, não pode ser aplicada à situação dos autos, por ser regra genérica sobre a qual prevalecem regras mais específicas, determinadas por Decretoslei que regem as operações de importação, mostrandose impossível responsabilizar o impugnante pela suposta infração; não existindo premissa da qual decorra a não aplicação do primeiro método de valoração aduaneira, o que certamente se aplica às operações tratadas nos presentes autos, e estando comprovado que o valor declarado pela importadora corresponde ao valor efetivamente pago, não pode o Fisco exigir diferenças, como pretendeu nos presentes autos, em decorrência da comparação entre o preço praticado em outras operações semelhantes; ainda que inaplicável o 1o Método de Valoração Aduaneira, é incorreta a forma com que os preços das mercadorias foram obtidos, mediante paradigmas insuficientes ou inadequados, que não retratam a realidade das operações no mercado. O impugnante conclui sua defesa requerendo o cancelamento das autuações lavradas, ou quando menos, a exoneração das multas aplicadas. Considerando o disposto no art. 22, § 2º, da Portaria MF nº 258, de 2001 a 1ª Turma de Julgamento desta delegacia, por maioria de votos, converteu o julgamento em diligência, por meio da Resolução DRJ/FNS no 0007/2005 (fls. 2.349), nos termos do despacho do relator designado (fls. 2.347/2.348), a fim de que a unidade de preparo diligenciasse junto ao proprietário do imóvel situado na rua Barão de Itapemirim, nº 209, sala 407, Centro, Vitória/ES, a fim de que seja demonstrada a autenticidade das informações constantes no contrato de locação, firmado em 01/09/2004 (fls. 2.336) e na 5ª Alteração do Contrato Social e Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral (CNPJ), todos relativos à empresa Kapal Comércio Exterior Ltda., uma vez que referida contribuinte alega que somente foi notificada em 06/01/2005, haja vista que o edital afixado em 13/12/2004 não havia sido precedido de intimação pessoal e por via postal, tendo, portanto, decaído o direito de a Fazenda Federal constituir o crédito tributário. Quanto aos demais cientificados, argúem, também, a decadência do crédito tributário em litígio, porém, por razões outras. Tal demonstração se mostra imprescindível, haja vista que as informações colhidas pela fiscalização, por meio do Termo de Constatação de fls. 1.627, contradizem as veiculadas no retrocitado contrato de aluguel, na medida que demonstra que a autuada (Kapal) não se encontrava devidamente estabelecida no citado imóvel no período que a fiscalização aduaneira envidou esforços no sentido de proceder à ciência pessoal da autuação em trato. Fl. 3983DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.983 16 Por conseqüência, a SEFIA/ALF/VIT/ES, determinou a execução do referido procedimento por meio do Mandado de Procedimento FiscalDiligência de nº 07.2.76.002005001782 de fls. 2.353, que ensejou a expedição do Relatório de Diligência de fls. 2.351/2.352, acompanhado dos documentos de fls. 2.354 a 2.380. Tendo em vista a solicitação de fls. 2.381, a Kapal, por meio de seu sócio gerente (Rodrigo Cunha Lima) obteve as cópias dos autos do processo (fls. 1.692 a 2.380). Por fim, a autoridade preparadora, por meio do despacho de fls. 2.384, uma vez mais, encaminhou, em 24/05/2005, os autos do presente processo para a DRJ/FNS/SC para prosseguimento e apreciação. Após as referidas Impugnações, sobreveio o Acórdão recorrido, sendo dele cientificados a Autuada e os Responsáveis Solidários, nos termos das Intimações de fls. 2.415/2.425 (Vol. X). Irresignados com a decisão de primeiro grau, interpuseram Recurso a contribuinte (Kapal) e os seguintes Responsáveis Solidários: o Sr. Isaac Sverner (fls. 2.537/2.579 Vol. X) e a DM Eletrônica da Amazônia Ltda. (fls. 2602/2637 Vol. XI). Da peça recursal da Autuada, a importadora Kapal Comércio Exterior Ltda. Em 01/09/2005, a Autuada foi cientificada do Acórdão recorrido (fl. 2.415v). Inconformada, em 29/09/2005 (fl. 2.426), opôs o Recurso Voluntário de fls. 2.427/2.482 (Vol. X), em que a Autuada reitera os argumentos de defesa aduzidos na peça impugnatória, trazendo de novo, em síntese, o seguinte: a) quanto a preliminar de decadência, alegou que: (i) a diligência realizada não logrou descaracterizar o caráter de ilegalidade da sua intimação por edital; (ii) houve descumprimento do disposto no § 3º do art. 23 do PAF, pois, não logrando êxito na intimação pessoal, a Fiscalização deveria ter feito uma segunda tentativa ou tentado a intimação pela via postal; (iii) a intimação por edital somente poderia ser utilizada como último recurso; (iv) a Turma de Julgamento de primeiro grau não aplicou a firme jurisprudência dos extintos Conselhos de Contribuintes, nem especificou porque discordava dos Acórdãos indicados; (v) a única ciência válida dos contestados Autos de Infração seria aquela ocorrida em 06/01/2005, quando o crédito tributário já se encontrava fulminado pela decadência; e (vi) a data do registro da DI seria o único termo inicial do prazo decadencial de 5 (cinco) anos, fixado no § 1º do art. 150 CTN, combinado com o disposto no art. 3º da Lei Complementar 118, de 9 de fevereiro de 2005; b) quanto a inaplicabilidade do art. 173 do CTN, alegou que: (i) não se lhe aplicava a exceção prevista no § 4º, in fine, do art. 150 do CTN, pois não participou da negociação envolvendo a compra e venda internacional, da revenda subseqüente das mercadorias no Pais e do gerenciamento dos recursos gerados na importação; e (ii) a simulação fora praticada apenas pela Solidária DM Eletrônica da Amazônia Ltda. e sua incorporada, a pessoa jurídica Topmar; c) quanto a ilegitimidade passiva, alegou que: (i) faltavalhe capacidade contributiva, pois, na condição de empresa fundapiana, não realizara, nem de Fl. 3984DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.984 17 fato nem de direito, as referidas importações, mas apenas prestara serviços de intermediação, com fim de viabilizar o incentivo fiscal atinente ao Fundap; (ii) havia inadequação entre o fato jurídico in concretu (registro da DI) e o ato administrativo de lançamento que resultou no elevado crédito tributário apurado; e (iii) os presentes lançamentos seriam procedentes apenas em relação aos responsáveis solidários, autênticos sujeitos passivos; d) quando ao Fundap alegou que agira de conformidade com os atos editados pelos órgãos públicos incumbidos da sua regulamentação, vigentes na época das importações; e) quanto a vinculação com as demais solidárias alegou que: (i) no presente caso, não havia vinculo por interesse comum, nos termos do art. 124, I, do CTN, pois, na condição de empresa fundapeana, os seus interesses não eram coincidentes com os dos importadores contratantes dos seus serviços; e (ii) os únicos contribuintes, no caso, seriam as pessoas jurídicas que lhe contrataram para figurar na DI como importadora (consignatária), pois foram elas quem adquiriram a mercadoria no exterior, pagaram ao exportador e revenderam a mercadoria no mercado interno; e f) quanto ao mérito alegou que: (i) embora ainda não vigente a legislação que instituíra a importação por conta e ordem de terceiro, na condição de empresa fundapeana, as presentes importações teriam a mesma natureza; (ii) não houve o alegado conluio entre ela (Autuada) e as demais pessoas jurídicas solidárias, uma vez que os ilícitos descritos foram praticados por estas últimas e as pessoas jurídicas, para quem foram revendidas mercadorias no mercado interno, ainda estavam inaptas na época transações; (iii) não cometera a infração administrativa ao controle das importações por subfaturamento (art. 526, III, do RA/851), pois as fraudes, se ocorridas, não eram de seu conhecimento e foram perpetradas desde a origem, pelas empresas que negociaram as importações do exterior, emitiram as faturas, conhecimentos de carga, pagaram os fornecedores, etc.; e (iv) na condição de empresa fundapiana não teria possibilidade material de contestar os preços praticados, pois não fora ela quem realizou a transação comercial, nem negociara a mercadoria com o fornecedor estrangeiro e não os conhecia, sendo apenas titular da DI, cujos dados lhe foram fornecidos pela NHTP e pelos reais importadores. No final, requereu o provimento do seu Recurso, para que os presentes Autos de Infração fossem declarados insubsistentes em relação a ora Recorrente e aos seus sócios. Da peça recursal do Sr. Isaac Sverner (Responsável Solidário). Em 01/09/2005, o Sr. Isaac Sverner, na condição de Responsável Solidário, foi cientificado do Acórdão recorrido (fl. 2.416v). Inconformado, em 03/10/2005 (fl. 2.537), opôs o Recurso Voluntário de fls. 2.539/2.579 (Vol. X), em que reproduziu os argumentos de fato e de direito aduzidos na peça impugnatória, trazendo de novo, em síntese, o seguinte: a) no que tange à responsabilidade pessoal de sócio, alegou que: (i) a decisão recorrida havia inovado o fundamento legal dos lançamentos, ao asseverar que a legitimidade passiva do ora Recorrente teria fundamento no art. 124, I, ao invés do art. 135, ambos do CTN; (ii) seria ilegítima a inclusão do ora Recorrente no pólo passivo da presente autuação, independentemente do Fl. 3985DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.985 18 enquadramento legal; (iii) o novo fundamento legal apresentado pelo Órgão julgador a quo seria um reconhecimento de que os presentes Autos de Infração não lhe alcançariam; (iv) jamais participou do quadro societário da pessoa jurídica Topmar, não podendo ser responsabilizado pelos atos praticados em nome dessa empresa; (v) somente a partir de maio de 1999, deuse a sua participação quadro societário da DM Eletrônica, porém, jamais atuara como seu gerente; e (vi) não poderia ser responsabilizado pelos atos da pessoa jurídica DM Eletrônica, com base no art. 135, III, do CTN, onde nunca exercera cargo de gerência; b) era descabida a alegação da fiscalização de que as atividades praticadas pela Topmar, supostamente extinta, foram assumidas pela DM Eletrônica. Argumento ainda que essa imputação somente lhe fora feita com o objetivo de configurar a responsabilidade prevista no art. 132, parágrafo único, do CTN; c) por falta de previsão legal, na época das mencionadas operações de importação, não poderia o Fisco responsabilizar pelo crédito tributário a Topmar e DM Eletrônica, mas apenas a importadora Kapal; somente a partir da vigência MP 2.15835, de 2001, que introduziu o regime de importação por conta e ordem de terceiro, a figura da responsabilidade tributária solidária foi estendida ao real importador; d) embora a responsabilidade solidária já fosse prevista expressamente no art.124, I, do CTN, por se tratar de regra genérica, seria inaplicável aos tributos e infrações aduaneiros, sujeito a regramento específico, prescrito no DL nº 37, de 1966, que também seria inaplicável ao caso, pois essa nova previsão legal somente entrou vigor a partir de agosto de 2001, data posterior ao período em que ocorrera as supostas infrações; e) carecendo de fundamento legal a responsabilização tributária da Topmar e da DM Eletrônica, relativamente às operações de importação realizadas pela Kapal, era também de se concluir pela impossibilidade de responsabilização do ora Recorrente; f) também inexistiria solidariedade com relação às multas lançadas, uma vez que a responsabilidade é pessoal quanto às infrações em cuja definição o dolo específico do agente fosse elementar; g) ainda que a arguição de inexistência de solidariedade quanto à totalidade das multas lançadas não fosse acolhida, seria incabível a solidariedade em relação à multa por infração administrativa ao controle das importações, posto que as disposições do CTN restringirseiam apenas aos tributos e acessórios, não alcançando tais tipos de multa; h) ainda que a diferença de tributos fosse devida, a multa agravada aplicada na presente autuação não teria cabimento, pois não existiam nem indícios, muito menos prova de fraude praticada pelo ora Recorrente; i) a multa por falta de fatura (art. 521, III, do RA/85) não poderia ser aplicada, pois o próprio fisco admite que as faturas existem, porém, com irregularidades. Quando muito seria aplicada a multa por apresentação de fatura em desacordo com as exigências legais, prevista no art. 521, IV, do RA/85; e Fl. 3986DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.986 19 j) em relação a decadência e ao método de valoração aduaneira, a Recorrente reafirmou os argumentos aduzidos na fase de impugnatória. No final, pede o provimento do Recurso em tela e o reconhecimento da insubsistência do lançamento contra o Recorrente. Da peça recursal do DM Eletrônica da Amazônia Ltda. (Responsável Solidária). Em 06/09/2005, a Responsável Solidária em epígrafe foi cientificada do Acórdão recorrido (fl. 2.420v). Inconformado, em 03/10/2005 (fl. 2.609), opôs o Recurso Voluntário de fls. 2.603/2.637 (Vol. XI), em que reproduziu os argumentos de fato e de direito aduzidos na peça impugnatória, trazendo de novo, em síntese, as seguintes alegações: a) o Acórdão recorrido seria nulo, porque incorrera no mesmo erro formal da autuação, ao não observar os requisitos mínimos de validade, legitimidade e legalidade, previstos em nosso ordenamento jurídico, violando princípios constitucionais fundamentais; b) o Voto condutor do referido Acórdão seria uma “teratologia jurídica”, uma monstruosidade processual, uma vez que se refere genericamente a todas as impugnações apresentadas e não apreciou todas as alegações de defesa aduzidas na Impugnação; c) o Relator do citado Acórdão confundiu o motivo do ato de lançamento (ato lícito) com ato punitivo (infração cometida); d) fora mencionada uma absurda modalidade de “responsabilidade solidária de terceiro por infração”, pretendendo consolidar em uma só as responsabilidades previstas no art. 124 (solidária), no art.134 (de terceiro) e nos arts. 136 e 137 (por infração), todos do CTN; e) como não inexistia lei atribuindo “responsabilidade tributária solidária por infração”, o Relator apontou o DL 37/66, art.32, II, b, como suposta base legal para tal solidariedade “especial”, todavia, no art. 32 não existe alínea “b”, e o inciso II faz referência ao “transportador”, enquanto substituto tributário, que nada tem a ver com os fatos sob análise; f) ao utilizar o exemplo da responsabilidade solidária do transportador, o Relator procurou justificar a equivocada utilização da “interpretação extensiva”, repudiada pelo ordenamento jurídico tributário, no que concerne à exigência tributo e multa; g) não havia nos autos qualquer prova de conluio entre os responsáveis pela Kapal e pela Recorrente, mas apenas indícios, devendo ser aplicado ao caso o “in dubio pro reo”; h) o conluio, a fraude e o dolo seriam atribuíveis apenas às pessoas físicas. Seria uma aberração jurídica imputar tais infrações de natureza subjetiva à pessoa jurídica, porque esta seria uma mera ficção legal; i) o presente procedimento fiscal somente poderia ser instaurado contra a Kapal, logo, o litisconsórcio forçado na presente autuação, com o Fl. 3987DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.987 20 beneplácito dos julgadores de primeiro grau, seria uma inovação nefasta, sem previsão no PAF, e j) somente uma prova inequívoca de cometimento do delito poderia autorizar a consideração de “coautoria”, termo originário do direito penal. No final, requereu o conhecimento e a procedência presente Recurso, a reforma do Acórdão recorrido, declarando a improcedência dos citados Autos de Infração e o cancelamento do crédito tributário lançado, bem como das multas e dos acréscimos legais decorrentes. Em atenção ao despacho de fls. 2.646 (Vol. XI), os presentes autos foram enviados ao extinto Terceiro Conselho de Contribuintes e, em seguida, distribuído para a Terceira Câmara do citado Conselho, onde foi designado Relator, o Conselheiro Zenaldo Loibman (fl. 2.647 – Vol. XI). Na Sessão de 16 de outubro de 2007, por meio do Voto encartado na Resolução no 30301.369 (fls. 2.648/2.690 – Vol. XI), os membros da Terceira Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converteram o julgamento dos presentes Recursos em diligência à Unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) de origem, para as seguintes providências, in verbis: 1. A autoridade aduaneira promova a intimação do Sr. Isaac Sverner, e também da empresa DM Eletrônica Ltda, para tomar ciência das irregularidades constatadas, e descritas no RVA SAFIA Nº 001/2000 (às fls.228/454, Volume 2), de modo a colocar o valor de transação sob suspeita da autoridade aduaneira, tendente a desconsiderar o valor de transação declarado. Deve ser concedido prazo para que tais interessados possam manifestar suas contrarazões e apresentar os documentos que a fiscalização julgar pertinentes, bem como aqueles outros que a seus critérios considerem válidos a elucidar o valor de transação efetivamente praticado nas operações de compra e venda internacional que originaram as importações sob exame, ou alternativamente, possam ser úteis à escolha do método de valoração substitutivo; 2. Também se deve requerer ao Sr. Isaac Sverner, em face da possibilidade de eventual não acatamento das contrarazões que vierem a ser apresentadas, com possibilidade de haver descarte do valor de transação declarado, que especifique as razões da sua alegação, feita no recurso voluntário, de serem os paradigmas considerados pela fiscalização aduaneira, na busca de valor aduaneiro por método substitutivo do primeiro, insuficientes e inadequados. O mesmo procedimento deve ser observado em relação à empresa DM Eletrônica Ltda; 3. Depois de obtidas as respostas dos interessados ou, na ausência delas dentro do prazo legal a ser concedido, deve a autoridade fiscal aduaneira apresentar suas conclusões de modo a especificar se é o caso de insistir no abandono do primeiro método de avaliação, e neste caso justificar o método substitutivo adotado bem como o valor aduaneiro considerado, expondo seus fundamentos. (os grifos são originais) Em atenção ao disposto na citada Resolução, a Autoridade Fiscal da Unidade da RFB de origem, por meio dos Termos de Intimação Fiscal de fls. 2.694/2.697 (Vol. XI), intimou os mencionados Responsáveis Solidários a Fl. 3988DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.988 21 apresentar, no prazo máximo de 30 (trinta) dias, todos os documentos e elementos necessários aos esclarecimentos solicitados no referenciado pedido de diligência. Em resposta, os Responsáveis Solidários, no prazo estabelecido, assim se manifestaram sobre as questões que lhe foram apresentadas: Da resposta do Sr. Isaac Sverner. Na petição de fls. 2.704/2.727 (Vol. XI), o Sr. Isaac Sverner reapresentou as razões de defesa aduzidas na peça recursal (o que não lhe fora facultado). No que tange ao objeto da diligência, no item 4 da referida Petição (fls. 2.724/2.727), alegou que (i) os critérios de valoração utilizados pela Fiscalização foram desarrazoados e não correspondiam ou se aproximavam do verdadeiro valor da operação; (ii) a amostragem utilizada pela Fiscalização foi insignificante diante da elevada quantidade de mercadorias importadas; (iii) o motivo apresentado (inexistência de banco de dados), para não utilização dos 2º e 3º métodos de valoração aduaneira, era insuficiente, posto que o Fisco dispunha de outros meios para obtenção dos dados necessários para a realização do valoração, pois os produtos importados seriam comuns, inexistindo dificuldade para identificar outras operações de importação dos mesmos tipos de produto; (iv) o 6º método de valoração, utilizado pela fiscalização, além de ser o menos preciso de todos, seria insuficiente, subjetivo e arbitrário; e (v) apesar do 6º método fosse aceito, no caso presente, a Fiscalização utilizara paradigmas insuficientes e inadequados. Embora lhe tenha sido facultado a apresentação de documentos válidos a elucidar o valor de transação efetivamente praticado nas operações de importação sob exame, o peticionário não trouxe aos autos qualquer documento. Da resposta do DM Eletrônica da Amazônia Lida. Por intermédio da Petição de fls. 2.731/2.734 (Vol. XI), a pessoa jurídica em epígrafe reapresentou algumas considerações sobre o mérito da presente autuação (o que não lhe fora facultado). Em relação ao objeto da presente diligência, em síntese, alegou que (i) o Termo de Intimação que lhe fora entregue não veio acompanhado do Relatório de Valoração Aduaneira de SAFIA nº 001/2000 (fls. 228/454), o que tornaria impossível a ciência das irregularidades nele contidas e, por conseguinte, de se pronunciar sobre elas; e (ii) deixava de apresentar os novos documentos solicitados, porque não era parte legítima para integrar a presente relação jurídico processual. Da manifestação da Autoridade Fiscal. Por sua vez, a Autoridade Fiscal, através da Informação de fls. 2.736/2.738 (Vol. XI), apresentou as seguintes considerações: (i) de acordo com a Decisão nº 6.12 do Comitê de Valoração Aduaneira, da Organização Mundial de Comércio (OMC), em caso de apuração de fraude nos preços, como no caso em tela, a Administração aduaneira deve comunicar o fato apenas ao Importador, dandolhe oportunidade razoável para se manifestar a respeito; (ii) não havia previsão nem determinação para que oportunidade de manifestação fosse facultada aos demais interessados, incluindo; e (iii) foi dado a conhecer o inteiro teor do processo aos responsáveis solidários, Fl. 3989DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.989 22 oportunizandolhes o amplo direito de defesa sobre todos os pontos da autuação, inclusive no tocante aos critérios de valoração, que fora exercido mediante as impugnações e os recursos apresentados. No que se refere aos resultados da diligência, a Autoridade Fiscal limitouse apenas em relatar as alegações suscitadas pelos Responsáveis Solidários, sem emitir juízo de valor acerca do assunto. No dia 06/06/2008, em cumprimento ao despacho de fl. 2.739, o presentes autos retornaram a este e. Conselho, para prosseguimento do julgamento do feito. Na Sessão do mês de junho de 2010, em cumprimento ao disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, foram distribuídos, mediante sorteio, para este Conselheiro. É o relatório. [...] Conforme depreendese do relatório, apresentaram recurso voluntário a autuada Kapal Comércio Exterior Ltda e os seguintes responsáveis solidários: DM Eletrônica da Amazônia Ltda. e o Sr. Isaac Sverner. Os demais, embora intimados do acórdão de primeiro grau, não recorreram. Os recursos voluntários das Contribuintes foram parcialmente providos pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por meio do Acórdão nº 310200.903 (fls. 3.599 a 3.650), de 04 de fevereiro de 2011, ora recorrido, para excluir apenas a multa por inexistência de fatura comercial. O responsável solidário, Sr. Isaac Sverner, apresentou embargos de declaração, com pedido de efeitos modificativos, para sanar supostos vícios de omissão e contradição no acórdão nº 310200.903, os quais foram rejeitados nos termos do despacho s/nº, de 29 de maio de 2014 (fls. 3.592 a 3.597). Também a autuada Kapal Comércio Exterior Ltda. interpôs embargos de declaração objetivando sanar vícios de obscuridade, omissão e contradição no acórdão de julgamento dos recursos voluntários. Os embargos de declaração foram rejeitados por meio do despacho s/nº , de 23 de abril de 2015 (fls. 3.897 a 3.904). Nessa linha relacional, o Sr. Isaac Sverner, na condição de responsável solidário, interpôs recurso especial (fls. 3.781 a 3.807), alegando divergência jurisprudencial com relação às seguintes matérias: (a) inovação da decisão da DRJ em relação ao auto de infração; (b) inaplicabilidade do art. 124, inciso I do CTN e (c) necessidade de atos de gestão para imputação de responsabilidade com base no artigo 135, inciso III do CTN. Trouxe como paradigmas para as matérias impugnadas os acórdãos nºs 10192.978, 10323.649 e 1202 00.362, respectivamente. Em suas razões recursais, aduz que: (a) o fundamento da responsabilidade solidária imputada ao recorrente no auto de infração foi apenas o art. 135, inciso III do CTN, ocorrendo Fl. 3990DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.990 23 inovação na decisão proferida pela DRJ ao consignar que a atribuição de responsabilidade aos sócios teria fulcro no art. 135, inciso III combinado com o inciso I do art. 124, do CTN; (b) a solidariedade do art. 124 do CTN não se confunde com aquela estampada no art. 135, pois enquanto na primeira a responsabilidade decorre de interesse comum na situação que constitui o fato gerador, sendo todos os envolvidos sujeitos passivos da obrigação, a segunda advém da prática de ato pessoal do agente com excesso de poderes ou de infração à lei, contrato social ou estatuto, sendo pessoalmente responsável pela obrigação em substituição ao próprio sujeito passivo; (c) a inovação dos fundamentos da autuação afronta os artigos 142 e 146, ambos do Código Tributário Nacional; (d) o art. 124, inciso I do CTN aplicase às hipóteses de sujeição passiva direta, e não a situações de responsabilidade de terceiro que não seja contribuinte. A expressão "interesse comum" constante no dispositivo exige a participação como agente formador do fato gerador. Diferentemente, a responsabilidade tributária decorre de um fato externo vinculado a um terceiro ou da própria determinação legal; (e) a condição de sócio por si só não é suficiente para a imputação da responsabilidade tributária com base no art. 135, inciso III do CTN, pois imprescindível a comprovação inequívoca que houve poderes de gestão/administração por parte deste sujeito constante do contrato social da pessoa jurídica; (f) por fim, faz arrazoado para afastar a responsabilidade solidária que lhe foi imputada, em razão da não incidência dos artigos 124, inciso I e 135, inciso III, ambos do CTN, colacionando doutrina e jurisprudência para lastrear seus argumentos. Foi admitido o recurso especial de Isaac Sverner por meio do despacho s/nº, de 03 de agosto de 2015 (fls. 3.913 a 3.918), proferido pelo ilustre Presidente da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época, por entender comprovada a divergência jurisprudencial. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 3.920 a 3.933) postulando a negativa de provimento ao recurso especial. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado em 17/03/2016, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 3991DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.991 24 Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte atende os pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ser conhecido. No mérito, centrase a controvérsia em três pontos relativos basicamente à responsabilidade solidária do recorrente Sr. Isaac Sverner: (a) a inovação da decisão de primeira instância proferida pela DRJ em relação à fundamentação constante do auto de infração; (b) a inaplicabilidade do art. 124, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN; e (c) necessidade de atos de gestão para imputação da responsabilidade com base no art. 135, inciso III do CTN. Necessidade de atos de gestão para imputação da responsabilidade com base no art. 135, inciso III, do CTN No procedimento de revisão aduaneira, do qual resultou o auto de infração combatido neste processo administrativo, entendeu a Fiscalização ter ocorrido a intenção da autuada Kapal de burlar os mecanismos de controle aduaneiro, por meio do SISCOMEX, pela prática dos seguintes atos: [...] (a) classificação incorreta das mercadorias — 97% dos bens foram enquadrados em posição tarifária incorreta, para os quais não se exigia a informação de atributos NVE — Nomenclatura de Valor Estatístico, com vistas a fugir do Canal Cinza de conferência aduaneira, que verifica os valores declarados a partir de uma base estatística de dados; (b) utilização de "unidade de medida" incorreta — como o controle de valor conjuga a unidade de medida informada com o VUCV Valor Unitário na Condição de Venda, o importador descreveu os bens, a exemplo da Dl/Adição n. 2 99/03972725/001, como 408 caixas de rádio relógio ao preço de US$ 6,50 a caixa. Contudo, cada caixa continha 30 unidades do produto, o que implica dizer que o valor unitário era de US$ 021 (e não US$ 6,50 como se fez crer ao SISCOMEX, que interpretou este último valor como aceitável). Os procedimentos fraudulentos mencionados permitiram que 41 das 44 declarações de importação analisadas fossem direcionadas para o Canal Verde de conferência aduaneira, que possibilita a retirada automática das cargas pelo importador sem qualquer tipo de verificação (física, documental ou de valor) O total de bens importados saltou de 207.529 unidades declaradas para 489397, reduzindo ainda mais o valor unitário dos bens importados, que já se mostrava irrisório antes mesmo do ajuste de quantidades, conforme comprovado no Relatório de Valoração Aduaneira. [...] Pelas irregularidades apuradas na conduta da autuada, foram responsabilizadas solidariamente as empresas DM ELETRÔNICA DA AMAZÔNIA LTDA. e NHTP Fl. 3992DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.992 25 ASSESSORIA ADUANEIRA LTDA, com fulcro no art. 124, inciso I, do CTN, por terem demonstrado interesse comum na promoção das operações fiscalizadas, pois contribuíram com recursos financeiros e operacionais, in verbis: [...] XI Da Solidariedade Passiva Ao dispor sobre a responsabilidade solidária pelo pagamento do tributo ou penalidade pecuniária o Código Tributário Nacional informa: Art. 124— São solidariamente obrigadas: I — As pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal (grifo nosso); II — As pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo Único — A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. A obrigação principal, nos termos do art. 121, caput, do mesmo diploma legal, diz respeito à. responsabilidade pelo pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. O fato gerador do imposto de importação, conforme definido no Decretolei n.° 37, de 1966, art. 1º, com a redação dada pelo Decretolei n.° 2.472, de 1988, art. 1°, ocorre com a entrada de mercadoria estrangeira no território aduaneiro. No caso do Imposto sobre produtos industrializados, o fato gerador se da com o desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira, consoante art. 2.° da Lei 4.502, de 1964. Depreendese do acima exposto, que as pessoas que tenham real e direto interesse, quer na entrada de mercadoria estrangeira no País, quer com seu o desembaraço, poderão assumir a condição de responsáveis solidários pelo pagamento de tributos e penalidades que decorram desses fatos. Entendemos plenamente demonstrado o interesse das empresas abaixo arroladas, que concorreram com recursos financeiros e operacionais na promoção das operações em comento, sem os quais não teria ocorrido a entrada e desembaraço dos bens no País, o que lhes impõe a condição de SOLIDARIAMENTE RESPONSÁVEIS pelo pagamento dos tributos e penalidades incidentes sobre as operações de comércio exterior realizadas em nome da KAPAL COMÉRCIO EXTERIOR LTDA.: a) DM ELETRÔNICA DA AMAZÔNIA LTDA. b) NHTP ASSESSORIA ADUANEIRA LTDA. De outro lado, foram pessoalmente responsabilizados os administradores das empresas KAPAL, NHTP, TOPMAR e DM ELETRÔNICA, forte na disposição contida no art. Fl. 3993DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.993 26 135, inciso III, do CTN, pois teriam praticado atos com infração de lei. Seguem os termos do auto de infração (fl. 68): [...] XII Da Responsabilidade Pessoal Assim dispõe o Código Tributário Nacional sobre o assunto: Art. 135 São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributarias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração da lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado (grifo nosso). Os fatos e provas até então apresentados não deixam dúvidas que os atos praticados pelos administradores das empresas KAPAL, NHTP, TOPMAR e DM ELETRÔNICA, abaixo identificados, foram cometidos com infração de lei, caracterizando, em tese, a prática de crimes contra a ordem tributaria, contra o sistema financeiro, de descaminho, de falsidade e de formação de quadrilha, razão pela qual são ora arrolados como RESPONSÁVEIS pelo pagamento dos tributos e penalidades devidos pela KAPAL COMERCIO EXTERIOR LTDA: a) RODRIGO CUNHA LIMA (KAPAL); b) GUY ALEXANDRE LEMOS FERNANDES (KAPAL); c) MIRO DIAS DE SOUZA (NHTP); d) VERA REGINA RIBEIRO FERREIRA (NHTP); e) PIS EL PERL (TOPMAR e DM ELETRÔNICA); O DANIEL LEWIN (TOPMAR e DM Fl ETRÔNICA); g) ISAAC SVERNER (DM ELETRÔNICA E CCE); h) DAVID PERL (DM ELETRÔNICA). Inequivocamente a atribuição de responsabilidade pessoal aos administradores das empresas citadas, dentre eles o Sr. Isaac Sverner, deuse com fundamento tão somente no art. 135, inciso III, do CTN. A responsabilização passiva solidária dos administradores foi justificada pela autoridade lançadora na descrição de irregularidades e infrações à lei, que culminaram com a lavratura do auto de infração em face da empresa KAPAL, não havendo qualquer referência ou descrição específica à condutas daqueles considerados como pessoalmente responsáveis pelas obrigações tributárias e penalidades aplicadas. Fl. 3994DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.994 27 Conforme o art. 135, inciso III do CTN, serão considerados como pessoalmente responsáveis "pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, [...] os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado." A aplicação do art. 135 do CTN requer a individualização da conduta dos solidariamente responsáveis, com a indicação precisa do ato infracional que gerou o enquadramento naquele dispositivo de lei. Ainda, a infração à lei capaz de atrair a incidência da norma em comento deve ser de natureza societária, tendo em vista constituirse o objetivo da regra responsabilizar o administrador que atua à revelia dos interesses da pessoa jurídica. Na hipótese de o ato praticado pelo administrador não contrariar as normas societárias, contrato social ou estatuto, o agente será a própria sociedade, e não o sócio/administrador, cabendo a esta responder pelo pagamento dos tributos e consectários legais resultantes da autuação. Com fulcro nesses argumentos e da análise dos autos do processo administrativo, depreendese não ter havido a identificação da prática de atos pelo administrador da DM ELETRÔNICA, o recorrente Sr. Isaac Sverner, a justificar a sua responsabilização solidária tratada no art. 135, inciso III do CTN. Por esta razão, há de ser dado provimento ao recurso especial para excluir o Sr. Isaac Sverner da relação jurídicotributária na qualidade de responsável solidário. Tendo em vista o afastamento da responsabilidade solidária do Sr. Isaac Sverner pelo art. 135, inciso III, do CTN, excluindoo da relação jurídicotributária dos presentes autos, resta prejudicado o exame das demais matérias aduzidas no recurso especial. Dispositivo Diante do exposto, dáse provimento ao recurso especial do contribuinte, Sr. Isaac Sverner para excluílo do pólo passivo da autuação, por não se subsumir a situação fática à norma contida no art. 135, inciso III do CTN, restando prejudicado o exame das demais matérias. É o Voto. Vanessa Marini Cecconello Relatora Fl. 3995DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.995 28 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, Redator Designado Com a devida vênia ao voto da ilustre relatora Conselheira Vanessa Marini Cecconello, da análise dos autos minha conclusão é diferente da sua. Conhecimento do Recurso Especial do Contribuinte Conforme despacho de admissibilidade, o recurso especial foi recebido em relação às seguintes matérias: 1) mudança de critério jurídico da decisão da DRJ; 2) Divergência de entendimento quanto a aplicabilidade do art. 124 do CTN; e 3) Necessidade de atos de gestão para imputação da responsabilidade do art. 135, III do CTN. A conselheira relatora entendeu por conhecer das três matérias. Porém, da análise do presente processo e do acórdão recorrido, a primeira matéria, mudança de critério jurídico da decisão da DRJ, não foi objeto de enfrentamento específico do acórdão recorrido e, por essa razão, não pode ser objeto de julgamento em sede de recurso especial. O acórdão recorrido não possui matéria a ser rebatida quanto à suposta acusação de mudança de critério jurídico da decisão da DRJ. O que fez o acórdão foi afastar todas as alegações de nulidade apresentadas no recurso voluntário do recorrente. De fato, ao analisar a decisão da DRJ não se vislumbra que tenha havido mudança de critério jurídico quanto à responsabilização solidária do Sr. Isaac Sverner. O recorrente alega que a sua responsabilidade solidária foi trazida aos presentes autos com base no art. 135, inc. III do CTN e que a DRJ teria mudado a tipificação de sua responsabilidade para o art. 124 do CTN. É verdade que houve um pequeno equívoco por parte da DRJ ao fazer referência expressa ao art. 124 do CTN, mas sem dúvida ela manteve a responsabilidade dos sócios com base no art. 135, III do CTN, fato que pode ser confirmado pela leitura de parte da ementa do acórdão da DRJ, fl. 3111, abaixo transcrita: (...) RESPONSABILIDADE CRÉDITO TRIBUTÁRIO DECORRENTE DE INFRAÇÕES. Os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes as obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. (...) Fl. 3996DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.996 29 Ora, esse trecho da ementa coincide exatamente com a responsabilidade solidária prevista no art. 135, III do CTN. Confira a sua redação: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. (destaquei) Portanto, apesar da referência incorreta da DRJ ao art. 124 do CTN, certo é que ela manteve a responsabilidade solidária do Sr. Isaac Sverner com base no art. 135, III do CTN, em consonância com o lançamento fiscal efetuado pela fiscalização. Por sua vez, o Acórdão nº 310200903, fls. 3495/3546, entendendo da mesma forma, manteve a responsabilidade solidária do Sr. Isaac Sverner com base no art. 135, III do CTN. Ou seja, confirmou o entendimento esposado no lançamento e na decisão da DRJ. Portanto não existe mudança de critério jurídico a ser debatido no presente processo. O que existe é a discussão se está correta ou não a imputação de responsabilidade do Sr. Isaac Sverner com base no art. 135, III do CTN que é objeto da terceira matéria do recurso especial. Por razão parecida também não deve ser conhecido o recurso especial em relação à segunda matéria, divergência de entendimento quanto a aplicabilidade do art. 124 do CTN. Acontece que essa matéria, a imputação de responsabilidade tributária com base no art. 124 do CTN está presente nos autos somente em relação às pessoas jurídicas envolvidas nas operações fraudulentas. Ela não está presente em relação ao Sr. Issac Sverner, autor do presente recurso especial. Como visto, no tópico anterior, a responsabilidade solidária foi aplicada ao recorrente com base no art. 135, III do CTN. Assim, o recurso especial do responsável solidário, Sr. Isaac Sverner, só deve ser conhecido em relação à terceira matéria, qual seja a imputação da responsabilidade solidária prevista no art. 135, III do CTN aos sócios administradores. Portanto voto por conhecer parcialmente o recurso especial apresentado pelo responsável solidário, Sr. Isaac Sverner. Mérito Responsabilidade solidária Art. 135, III do CTN De acordo com o recorrente para a imputação dessa responsabilidade é necessário que esteja comprovada a participação do sócio nos atos de gestão dos quais a pessoa jurídica teria incorrido nas fraudes. Na sua opinião deveria haver provas de que o mesmo exercia atividade de gerência, como, por exemplo, outorgava procuração, movimentava conta bancária da empresa, entre outras atividades que comprovariam a sua gestão. Acrescenta que é imprescindível que ele possua poder de gerência, não basta a qualidade de sócio. Fl. 3997DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.997 30 Penso que as afirmativas acima não estão de todo incorretas. Para a imputação da responsabilidade do art. 135, III do CTN tem que haver a prova da infração à Lei, contrato social ou estatutos. Comprovado que a empresa ou a pessoa jurídica praticou estes atos há de se responsabilizar certamente a pessoa física que possua o poder de gerência. Penso que tal ideia é incontroversa, pois não é de se admitir a responsabilização de pessoas, mesmo que sócias, que não tinham qualquer poder de gerência na pessoa jurídica praticante do delito. Porém, os fatos constantes do presente processo, comprovam e isto não está mais em julgamento que a pessoa jurídica DM Eletrônica da Amazônia Ltda, da qual é sócio gerente o Sr. Isaac Sverner, praticou juntamente com outras pessoas jurídicas uma série de atos com fraudes a importação que levaram à constituição do crédito tributário constante do presente processo. Os fatos estão bem detalhados na acusação fiscal e foram objetos de julgamento administrativo tendo sido concluído definitivamente pela sua ocorrência. A título de ilustração, transcrevo abaixo parte da acusação constante do termo de verificação fiscal do auto de infração, fl. 64,: (...) Importante Importante frisar que em quatro Notas de Despesa da NHTP consta não a referência "TOP MAR", mas sim "CCE", seguramente referindose ao Grupo CCE, à época presidido por seu acionista, Sr. ISAAC SVERNER, também sócio da DM ELETRÔNICA, conglomerado esse composto por uma série de empresas (doc. 32), dentre as quais a CCE DA AMAZÔNIA S/A. Não se pode olvidar que os titulares da DM e CCE referenciados respondem pela prática, em tese de crimes contra a ordem tributária, lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, descaminho e outros, pelo suposto envolvimento dessas duas empresas na fraude conhecida como "Maquiagem na Zona Franca de Manaus", desbaratada em 2002 em função de operação realizada pela Secretaria da Receita Federal e Polícia Federal, que resultou na apreensão de milhões de reais em bens de origem estrangeira (Hong Kong, Taiwan, China e Coréia), de "marcas" CCE e LENOXX, etiquetados e identificados como se produzidos na Zona Franca de Manaus fossem, conforme descrito nos artigos e consulta processual em anexo e (doc. 33). (...) Para complementar, segue também um pequeno trecho do voto, fl. 3521, do acórdão recorrido: (...) ... a pessoa jurídica DM Eletrônica da Amazônia Ltda. (Responsável Solidária), juntamente com a sucedida Topmar Eletrônica, apontadas como sendo as reais importadoras, mediante o fornecimento dos recursos financeiros indispensáveis para financiamento do esquema fraudulento em destaque. Assim, fica demonstrado que a participação de cada uma das pessoas jurídicas foi fundamental para concretização da fraude em apreço, a qual fora perpetrada com o nítido objetivo de não pagar os tributos devidos na operação de importação, também com grave prejuízo financeiro ao Fundap. É evidente a contribuição de cada participante na realização da presente empreitada fraudulenta, ficando clara a participação de cada integrante no esquema, seja fornecendo o conhecimento intelectual, indispensável para burlar os sistemas de Fl. 3998DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.998 31 controle aduaneiro, cambial e administrativo das importações; seja fornecendo os recursos materiais, logísticos, financeiros e operacionais para realização dos negócios viciados; ou seja fornecendo o próprio nome, atuando como interposta pessoa, com a finalidade de ocultar os reais importadores. Usando de linguagem metafórica, poderseia afirmar que, nessa máquina de fraude, cada pessoa jurídica funcionava como uma peça essencial, sendo indispensável a participação de cada uma delas no funcionamento do esquema. Sem qualquer uma delas a referida engrenagem de fraude não funcionaria. (...) Restou comprovada então a participação ativa da empresa DM Eletrônica da Amazônia Ltda, da qual é sócio o Sr. Isaac Sverner que no recurso alega, sem trazer qualquer início de prova, que nunca participou da gerência da sociedade. Note que na acusação da fiscalização consta um elemento adicional esses fatos já não são mais objeto de discussão administrativa que entre os objetos da fraude estão produtos fabricados pela CCE, cujo grupo societário era presidido na época pelo acionista Isaac Sverner, que também era sócio de uma das empresas atuantes na fraude a DM Eletrônica da Amazônia Ltda. Do que consta dos autos entendo que está demonstrado que efetivamente, na data da ocorrência dos fatos geradores, 17/05 a 01/09/1999, o Sr. Isaac Sverner fazia parte do quadro societário da DM Eletrônica da Amazônia Ltda na condição de sóciogerente. Esta demonstração consta da ficha CNPJ da empresa junto à Receita Federal, fls. 1955 e 1976. Na ficha CNPJ consta que o Sr. Isaac Sverner é sóciogerente da DM Eletrônica da Amazônia Ltda desde 09/03/1999. O que se observa é que mesmo diante da gravidade da acusação, o Sr. Isaac Sverner não trouxe aos autos nenhum início de prova de que os registros constantes da Receita Federal estariam incorretos. Ressaltese que a alimentação desses registros é efetuada pelo próprio contribuinte, a DM Eletrônica da Amazônia Ltda da qual indubitavelmente o recorrente é sócio. O grau de influência do Sr. Isaac Sverner na referida empresa é tão significante que o próprio recorrente apresentou a relação de bens para arrolamento, fl. 3333, na qual relaciona empréstimo a ela no montante de R$ 4.645.628,78, valor esse que correspondia a cerca de 87,5% do seu patrimônio declarado total no anocalendário 2004. Observe que de certa forma, o STJ no julgamento do REsp 1104900 ES, julgado em 25/03/2009 no regime dos recursos repetitivos entendeu da mesma forma, de que cabe ao recorrente demonstrar que não ficou caracterizada nenhuma das circunstâncias previstas no art. 135 do CTN já que constava o nome do sócio na CDA. Portanto, coerentemente, se o próprio contribuinte incluiu nos registros da Receita Federal que era sócio gerente da DM Eletrônica da Amazônia Ltda, caberia a ele trazer elementos simples que pudessem afastar a evidência. Transcrevese abaixo a ementa do REsp 1104900 ES: 1. A orientação da Primeira Seção desta Corte firmouse no sentido de que, se a execução foi ajuizada apenas contra a pessoa jurídica, mas o nome do sócio consta da CDA, a ele incumbe o ônus da prova de que não ficou caracterizada nenhuma das circunstâncias previstas no art. 135 do CTN, ou seja, não houve a prática de atos "com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos".(destaquei) Fl. 3999DF CARF MF Processo nº 12466.004000/200422 Acórdão n.º 9303004.256 CSRFT3 Fl. 3.999 32 2. Por outro lado, é certo que, malgrado serem os embargos à execução o meio de defesa próprio da execução fiscal, a orientação desta Corte firmouse no sentido de admitir a exceção de préexecutividade nas situações em que não se faz necessária dilação probatória ou em que as questões possam ser conhecidas de ofício pelo magistrado, como as condições da ação, os pressupostos processuais, a decadência, a prescrição, entre outras. 3. Contudo, no caso concreto, como bem observado pelas instâncias ordinárias, o exame da responsabilidade dos representantes da empresa executada requer dilação probatória, razão pela qual a matéria de defesa deve ser aduzida na via própria (embargos à execução), e não por meio do incidente em comento. (REsp 1104900 ES, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 25/03/2009, DJe 01/04/2009) A pessoa física, quando pertencente ao quadro societário de uma determinada empresa, ao aceitar a atribuição de sócio administrador, passa a ser responsável pela sua gestão. Hora, estando comprovado à demasia que a empresa praticou atos com infração à lei consequentemente estes atos são atribuíveis à responsabilidade de quem a gerencia, sendo evidente que a pessoa jurídica não possui atos de vontade. Nestes termos fica caracterizada a responsabilidade tributária, estabelecida pelo inciso III do artigo 135 do CTN. Neste mesmo sentido, transcrevo abaixo recente julgado do CARF: SÓCIO DIRETOR. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poder ou infração de lei, contrato social ou estatutos, dentre outros, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado (CTN, artigo 135, inciso III).(Acórdão nº 3301002917, de 26/04/2016, relatoria do Conselheiro Francisco José Barroso Rios, Processo nº 10580.723686/201494.) Assim, diante do exposto, voto por conhecer parcialmente o recurso especial apresentado pelo Sr. Isaac Sverner, e na parte conhecida por negarlhe provimento. Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado. Fl. 4000DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.720643/2008-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregório, Luciana Yoshihara Argangelo Zani, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Aurora Tomazini de Carvalho, Lívia de Carli Germano e Antonio Bezerra Neto..
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregório, Luciana Yoshihara Argangelo Zani, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Aurora Tomazini de Carvalho, Lívia de Carli Germano e Antonio Bezerra Neto.. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 83 .7 20 64 3/ 20 08 -6 3 Fl. 1181DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10283.720643/200863 Resolução nº 1401000.422 S1C4T1 Fl. 1.364 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário e recurso de ofício no Acórdão nº 0114.684 da da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em BelémPA. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância para compor em parte este relatório: Versa o presente processo sobre o(s) Auto(s) de Infração de fls. 025030 e 033 038, relativo(s) ao Imposto de Renda Pessoa JurídicaIRPJ e Contribuição Social Sobre o Lucro LíquidoCSLL, ano(s)calendário 2003, com crédito total apurado no valor de R$ 35.578.212,37, incluindo o principal (IRPJ e CSLL), a multa de ofício e os juros de mora, atualizados até 30/05/2008. O(a) contribuinte tomou ciência do(s) lançamento(s) em 02/07/2008 (fls. 25 e 33). De acordo com a Descrição dos Fatos do(s) Auto(s) de Infração, o contribuinte incorreu na(s) seguinte(s) infração(ões): 1.Custos não comprovados — decorrente da falta de comprovação, por parte do sujeito passivo, da parcela do custo dos produtos vendidos informado na DIPJ 2004, ac 2003; 2.Falta de adição dos excessos de custos relativos ao preço de transferência — decorrente da falta de adição ao lucro líquido, para fins de determinação do lucro real, da diferença positiva entre o preço dos insumos/mercadorias importados de pessoas vinculadas e o preço parâmetro calculado com base no método do Preço de Revenda menos Lucro (PRL). O(a) contribuinte apresentou sua(s) impugnação(ões) ao(s) lançamento(s) em 25/07/2008 (fls. 314368), na(s) qual(is) alegou em síntese que: Da falta de fundamentação do lançamento 1.Não há no lançamento fundamentos que justifiquem as exações, isto porque o AFRFB deixou de analisar as respostas e documentos apresentados; 2.Com relação aos custos não comprovados, apresentou todos os documentos que suportam os valores informados na DIPJ. Contudo o AFRFB, sem analisar os documentos, efetuou a glosa de parte do custo com base na simples afirmação de haver divergência entre os valores lançados na DIPJ e no Balancete de Conferência Sintético; 3.No que diz respeito aos excessos de custos relativos ao preço de transferência, apresentou as planilhas de cálculo de acordo com os métodos (PIC, PRL e CPL) que lhe seriam mais favorável, bem como os documentos que os suportam, conforme se depreende das repostas apresentadas em 22/04/2008 e 13/06/2008. Dessa forma, o AFRFB não poderia ter desconsiderado os métodos utilizados, sem apresentar justificativa para tanto; 4.Em nenhum momento o AFRFB contestou os valores apresentados pela Impugnante ou solicitou novas informações para sanar eventuais dúvidas; Da ausência da verdade material 5.Tendo em vista que o AFRFB não comprovou (i) a inexistência de custos declarados na DIPJ e (ii) a necessidade de Fl. 1182DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10283.720643/200863 Resolução nº 1401000.422 S1C4T1 Fl. 1.365 3 adição de valores mais gravosos de preços de transferência, o auto de infração deve ser cancelado por ofensa ao principio da verdade material; Da glosa de custos 6.Na apuração do lucro do ano 2003, incorreu em custos (conta 41) de R$ 117.107.695,27 e despesas (conta 42) de R$ 126.690.879,14, contabilizados no Balancete de Conferência Sintético; 7.As despesas, por sua vez, foram divididas em despesa produtivas, no valor de R$ 19.166.665,21, e outras despesas, no valor de R$ 107.524.213,93; 8.Quando do preenchimento da DIPJ 2004 (ac 2003), incluiu as despesas produtivas nos custo do produto vendido; 9.Ao somar as despesas produtivas o saldo da conta custos, chegase ao valor e R$ 136.274.360,40, que é maior que o declarado na Linha 18 da DIPJ 2004; 10.Dessa forma, o AFRF deixou de considerar, na verificação dos custos, o valor de R$ 19.166.665,21, relativo as despesas de produção; Do preço de transferência 11.No que se refere a escolha do método de cálculo do preço parâmetro, apresentou planilhas de cálculo contendo a aplicação de todos os métodos, indicando o que lhe seria mais benéfico, conforme cartas respostas de 26/10/07, 22/04/08 e 13/06/08. Todavia o AFRFB alterou, sem fundamento, os métodos indicados pela impugnante; 12. Uma vez que apurou o preço parâmetro por todos métodos, tem direito ao uso do mais benéfico, nos termos do ar. 18, § 4o, da Lei n° 9.430/96 e art. 4o, §2°, da IN SRF n° 243/2002; 13.0 Autoridade Lançadora tinha a obrigação de apurar e demonstrar o método mais benéfico a ser aplicado ao caso. O que não foi feito. Nesse sentido o AC. 103 22.017 do Conselho de Contribuintes; 14. Os valores apurados pela fiscalização apresentam os seguintes erros: a.No cálculo do preço praticado, a fiscalização não somou o saldo existe em estoque no início do período de apuração com o custo CIF + II das importações ocorridas no ano, conforme determina o § 3o do art. 12 da IN SRF 243/2002; b.Para cada produto final em que há participação da matériaprima importada de vinculada foi apurado um preço parâmetro, contrariando, assim, o disposto nos artigos 4o e 12 da IN SRF n° 243/2002, que determina que o preço parâmetro deva ser calculado como a média aritmética ponderada sobre a participação da matériaprima nos preços de venda do bem produzido, apurando um único PRL60; c.O ajuste fiscal foi aplicado a itens importados em anos anteriores, mas que ainda estavam em estoque, pois apurado por meio da multiplicação do ajuste unitário pela quantidade vendida, quando deveria multiplicar a quantidade importada no ano menos a quantidade que permanecia em estoque, contrariando, assim, o disposto no art. 5o da IN SRF n° 243/2002; d.Não foi considerada a margem de divergência de 5% estabelecida no art. 38 da IN SRF n° 243/2002; Fl. 1183DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10283.720643/200863 Resolução nº 1401000.422 S1C4T1 Fl. 1.366 4 15.A fiscalização apurou o preço parâmetro com base na IN SRF n° 243/2002. Todavia este diploma normativo criou um nova metodologia de cálculo não prevista na Lei n° 9.430/96, restando maculada de ilegalidade; 16.Como o Autoridade Lançadora se baseou em dados/informações incompletos para apurar a suposta glosa de custos, bem como de preços parâmetros completamente distorcidos, o auto de infração é nulo por absoluta falta de liquidez e certeza; 17.A DRJ, ao reconhecer a inconsistência da aplicação dos métodos PRL 20 e PRL 60, não poderá refazer as autuações em questão com o intuito de constituir eventuais créditos tributários decorrentes da aplicação de outros métodos de preços de transferência; Da taxa de juros SEL1C 18.A taxa SELIC não pode ser utilizada como juros moratórios, uma vez que possui natureza jurídica remuneratório e, não, moratória; 19.A referida taxa foi não foi criada por lei, mas por Resolução do BACEN, o que ofende o princípio constitucional da legalidade; 20.Nos termos do art. 161, § Io, do CTN, não existindo lei ordinária criando a taxa SELIC, os juros a serem aplicado ao lançamento deveriam se limitar a 1% ao mês. É o relatório. A DRJ MANTEVE EM PARTE o lançamento, nos termos da ementa abaixo, RECORRENDO DE OFÍCIO DA PARTE CANCELADA: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 Ementa: DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados administrativos trazidos pelo sujeito passivo, pois tais decisões não constituem normas complementares do Direito Tributário, já que foram proferidas por órgãos colegiados sem, entretanto, uma lei que lhes atribuísse eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, do Código Tributário Nacional. INSTRUÇÃO NORMATIVA. ILEGALIDADE. As Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil não possuem competência para apreciar a ilegalidade da Instrução Normativa editada pela autoridade hierárquica superior. INSTRUÇÃO NORMATIVA. OBSERVÂNCIA. As Instruções Normativas gozam de presunção de legalidade e são de observância obrigatória pelos servidores subordinados à autoridade que expediu o ato normativo. NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. GLOSA DE CUSTO. COMPROVAÇÃO. Comprovado que o contribuinte transferiu parcela das despesas operacionais de Fl. 1184DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10283.720643/200863 Resolução nº 1401000.422 S1C4T1 Fl. 1.367 5 produção ao custo do produto vendido, o valor transferido deve ser considerado na comprovação respectivo custo. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MÉTODO MAIS BENÉFICO. Na hipótese de utilização de mais de um método de cálculo do preço parâmetro por parte do contribuinte, a fiscalização deve escolher, dentre os utilizados, aquele mais benéfico ao contribuinte, desde que este forneça toda a documentação hábil e idônea de suporte dos cálculos. PREÇO PRATICADO DE TRANSFERÊNCIA. Na determinação da média ponderada dos preços praticados, devem ser computados os valores e as quantidades relativos aos estoques existentes no início do período de apuração (art. 12, §3°, da IN SRF 243/2002). PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MOMENTO DA TRIBUTAÇÃO. O excesso relativo ao preço do bem importado de vinculada deve ser adicionado à base de cálculo do IRPJ e da CSLL até a alienação ou baixa do bem. Não sendo o excesso adicionado ao lucro no período de aquisição, ele deve ser mantido em subconta própria e fica sujeito a adição de ofício se o contribuinte não o fizer até a alienação ou baixa do bem. PREÇO DE TRANSFERÊNCIA. MARGEM DE DIVERGÊNCIA. Nenhum ajuste será exigido do preço praticado na importação, cujo excesso não seja superior cinco por cento (art. 38 da IN SRF n° 243/2002). SELIC. Tendo a cobrança dos juros de mora com base na Taxa SELIC previsão legal, não compete aos órgãos julgadores administrativos apreciar arguição de sua inconstitucionalidade. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO VEDADA. ENTENDIMENTO ADMINISTRATIVO. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a arguição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade dos preceitos legais que embasaram o ato de lançamento. As leis regularmente editadas segundo o processo constitucional gozam de presunção de constitucionalidade e de legalidade até decisão em contrário do Poder Judiciário. As alegações de inconstitucionalidade ou de ilegalidade somente são apreciadas nos julgamentos administrativos quando houver expressa autorização. No caso, a DRJ cancelou parte da autuação, nos seguintes termos: (i) a parte dos custos glosados que o contribuinte logrou demonstrar terem sido extraídos da despesa operacional, com redução desta na mesma proporção; (ii) a necessidade de se considerar os valores e quantidades relativos aos estoques de bens/insumos importados existentes no início do período de apuração, para a correta determinação da média ponderada dos preços praticados; (iii) à inexigibilidade de ajuste, nos casos em que a diferença entre o preçoparâmetro e o preço praticado seja inferior a 5%, conforme o art. 38 da IN SRF n° 243/2002. Fl. 1185DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10283.720643/200863 Resolução nº 1401000.422 S1C4T1 Fl. 1.368 6 Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação na parte mantida, reforçando a defesa da infração relacionada à glosa de custos apontando, nos seguintes termos: Sustenta a Recorrente que a Turma Julgadora apesar de ter reconhecido o equívoco cometido pelo Sr. Agente Fiscal, teria efetuado a análise de maneira incompleta e superficial, deixando de analisar a correta correspondência entre os valores apurados pela Recorrente e os valores declarados, considerando remanescente o saldo de R$ 7.395.970,80 supostamente não comprovado. De acordo com o Recorrente a ficha 05A contém mais uma linha que não compõe a conta de Despesas Operacionais (conta 4201), e deveria ter sido excluída pela DRJ. Tratase da linha 05A/21 — Perdas em Operações de Créditos (R$ 7.933.989,98), que compõe a conta 42060104 (integrante do grupo 4206 — Despesas não Operacionais). A este valor, segundo a Recorrente, deveria ser acrescido o montante de R$ 538.019,18, que foi declarado na ficha 06A, linha 06A/48 a título de participação de Empregados. Se tal medida fosse implementada, segundo a Recorrente, teria chegado a DRJ ao valor comprovado de R$ 18.796.267,43 como diferença entre o valor constante da conta 4201 Despesas Operacionais (R$ 91.774.919,78) e o valor declarado na DIPJ a título de Despesas Operacionais (R$ 72.978.652,35). O processo foi então baixado em diligência através da Resolução n. 1401 000.235 a fim de investigar acerca da ocorrência de erro material no valor da glosa de custos remanescente R$ 7.395.970,80 (sete milhões, trezentos e noventa e cinco mil novecentos e setenta reais e oitenta centavos). O processo retornou com resultado de diligência favorável à Recorrente na parte relativa a glosa de custos. É o relatório. Fl. 1186DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10283.720643/200863 Resolução nº 1401000.422 S1C4T1 Fl. 1.369 7 VOTO Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Admitido os pressupostos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Conforme relatado, a exigência foi parcialmente provida pela DRJ/BEL, que deu provimento a irresignação quanto: (i) à parte dos custos glosados que o contribuinte logrou demonstrar terem sido extraídos da despesa operacional, com redução desta na mesma proporção; (ii) à necessidade de se considerar os valores e quantidades relativos aos estoques de bens/insumos importados existentes no início do período de apuração, para a correta determinação da média ponderada dos preços praticados; (iii) à inexigibilidade de ajuste, nos casos em que a diferença entre o preçoparâmetro e o preço praticado seja inferior a 5%, conforme o art. 38 da IN SRF n° 243/2002. Foco da Diligência O Foco da diligência limitase apenas ao Recurso voluntário: aos ajustes relativos ao excesso de custos em operações vinculadas (preços de transferência), e mais especificamente aos produtos que a Recorrente afirma que também calculou pelos ouros métodos alternativos que não o PRL (20 E 60), ou seja, pelos métodos PIC e CPL, o que não geraria ajustes, logo, mais benéfico a ela. Tabela 1 Produtos calculados pelo método PIC e PRL Produto Descrição Preço PIC médio apurado pelo contribuinte (em R$) Preço PRL médio , apurado pelo contribuinte (em R$) 000000000700163279 MASTERROLL FUJIC.PRO VALUE 200 135F 27,95 20,70 000000000700168238 MAGAZINE PARA PAPEL MG180Y 15008919 1.772,20 1.076,56 000000000700191116 SCANNER E PROCESS.DE IMAGEM SP2000 220.220,26 73.169,51 000000000700192600 MAQ.PROCESSADORA FILMES FP363FA AL 55.272,14 35.115,82 000000000701000452 MASTERROLL FUJICOLOR QUALITY 100 135 24,88 13,91 000000000701000641 MASTERROLL FUJIC. SUPERIA/400135F D 42,60 22,23 000000000701000812 PAPEL COL. CRY ARCH BRIL TYPE ONE P 4,24 1.72 000000000701000813 PAPEL COL. CRY ARCH BRIL TYPE ONE G 4,24 1,84 000000000701000822 PAPEL COL. CRY ARCH MATT TYPE ONE P 4,26 1,71 000000000701000842 PAPEL COL CRYSTAL ARCHIVE MATTE N 4,26 1,78 000000000701000843 PAPEL COL CRYSTAL ARCHIVE BRILHANTE N 4,24 1,81 000000000701001022 PAPEL COL CRYSTAL ARCHIVE BRILHO 4,24 1,73 000000000701001023 PAPEL COL CRYSTAL ARCHIVE MATTE N 4,26 1,69 000000000701001063 PAPEL COL. CA TYPE ONE BRILHO FA NEW 4,24 1,75 000000000705002114 SCANNER E IMPRESSORA LASER SLP 800 SC 544.748,88 116.746,02 Tabela 2 Produtos calculados pelo método CPL e PRL Produto Descrição ; Preço CPL médio apurado pelo ' contribuinte (em R$) Preço PRL médio ; apurado pelo contribuinte (em R$) 000000000701000992 MASTERROLL FUJIC. SUPERIA NE/400 135 25,82 17,81 Obs: Valores extraídos do arquivo eletrônico D4_Planilhas e memórias de calculo_09.06.2008.xls do CD à fl. 307 e planilha impressa à fl. 134 do Anexo I. Fl. 1187DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10283.720643/200863 Resolução nº 1401000.422 S1C4T1 Fl. 1.370 8 O motivo da diligência é obter um melhor esclarecimento dos fatos e provas de forma a permitir a formação de convicção deste julgador a respeito da lide. Em seu recurso, em resumo o contribuinte alega: Falta de motivação no lançamento e ofensa ao princípio da verdade material, por não ter o fiscal justificado a desconsideração dos cálculos pelos métodos PIC apresentados nas planilhas do contribuinte; A fiscalização teria, sem nenhuma fundamentação, alterado os métodos escolhidos pela fiscalizada; A fiscalizada equivocouse ao preencher a DIPJ, apurando apenas durante a fiscalização que os métodos PIC lhe seriam mais benéficos; A escolha do método a ser aplicado é uma faculdade para o contribuinte, mas é dever funcional do Fisco apurar e demonstrar o método que melhor aproveita ao fiscalizado, o que não ocorreu na hipótese; Em resumo, para o que interessa, a Recorrente alega que apurou o preço parâmetro por todos os métodos, por isso teria direito ao uso do mais benéfico nos termos do art. 18, § 4o, da Lei n° 9.430/96 e art. 4o, §2°, da IN SRF n° 243/2002. Em seu Recurso apresenta as tabelas abaixo para demonstrar seu direito, elaborada, segundo ela, pela Errest & Young: Tabela comparativa Elaborada pela Ernst & Young (doc. anexado à impugnação) PRL60 Vs. P ICeCPL Cálculo Fujifllm (cálculo apresentado em 22 de abril de 2008 fls lidos autos) Cálculo Fiscalização Documentos que Suportaram os cálculos (does. apresentados à fiscalização em 13 de junho de 2008 fls 21 dos autos) Item do Auto de InfracSo Cod. Material Método Selecionado Ajuste Fiscal Método Selecionado Ajuste Fiscal Origem das Invoces Número das Invoces „ 2 700163279 PIC 0 PRL 60 1.134.066,30 Japão 91201092/ 91238506/ 91382594/ 91406330 3 701000452 PIC 0 PRL 60 3.623.305,17 Japão 91162789/ 91201094/ 91382596/ 91406331/ 91201091 4 701000641 PIC 0 PRL 60 103.989,57 Japão 91201093/ 91344721 5 701000812 PIC 0 PRL 60 3.033.250,56 Alemanha 2491541/ 3517153/ 3559096/ 3594812/ 3594813 6 701000813 PIC 0 PRL 60 7.721.266,02 Alemanha 2491541/ 3517153/ 3559096/ 3594812/3594813 7 701000822 PIC 0 PRL 60 2.536.862,64 Alemanha 2491541/ 3594812/ 3594813 8 701000842 PIC 0 PRL 60 786.302,23 Alemanha 2491541/ 3594812/ 3594813 9 701000843 PIC 0 PRL 60 2.744.779,24 Alemanha 2491541/ 3517153/ 3559096/ 3594812/3594813 11 701001022 PIC 0 PRL 60 3.135.488,97 Alemanha 2491541/ 3517153/ 3559096/ 3594812/3594813 12 701001023 PIC 0 PRL 60 209.681,57 Alemanha 2491541/ 3594812/ 3594813 13 701001063 PIC 0 PRL 60 15.528,59 Alemanha 2491541/ 3517153/ 3559096/ 3594812/ 3594813 Total 0 25.044.520,86 cálculo Fujifilm Cálculo Fiscalização Item do ■ Auto de Infração Cód. Material Método Selecionado Ajuste Fiscal Método Selecionado Ajuste Fiscal Diferença 10 701000992 CPL 0 PRL 60 681,99 681,99 Total 0 681,99 681,99 Fl. 1188DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10283.720643/200863 Resolução nº 1401000.422 S1C4T1 Fl. 1.371 9 Tabela comparativa Elaborada pela Ernst & Young (doc. anexado à impugnação) PRL 20 Vs. PIC Cálculo Fujifilm (cálculo apresentado em 22 de abril de 2008 fls lidos autos) Cálculo Fiscalização Documentos que Suportaram os cálculos , (does. apresentados â fiscalização em 13 de junho de • , , ' 2008fls 21 dos autos) .^X > '■' Item do Autode Infração Cód. Material Método Selecionado Ajuste Fiscal Método Selecionado Ajuste Fiscal Origem das Invoces Número das Invoces¿ , 6 700168238 PIC 0 PRL 20 18.574,15 Tailândia 0927632/ 0924745/ 0924742/ 0916297/0912861/ 0912846/ 0910606/ 0909974/ 0902147/ 0898601/ 0897312/ 0897062/ 11 700191116 PIC 0 PRL 20 122.025,85 Espanha 843525/ 862435/ 879695/ 883573/ 919075/ 926745 13 700192600 PIC 0 PRL 20 31.970,54 Canadá 90700107/ 90711939/ 90725763/ 90774077/90811085/90815445 14 705002114 PIC 0 PRL 20 34.733,87 Canadá 90710798/ 90720844/ 90793468/ 90768577/90794873/90941137 Total 0 207.304,41 Em princípio,, a DRJ não discorda desse entendimento, verbis: Sobre o assunto, é entendimento desta unidade julgadora que, na hipótese de utilização de mais de um método de cálculo do preço parâmetro por parte do contribuinte, a fiscalização deve escolher, dentre os utilizados, aquele mais benéfico ao contribuinte, desde que este forneça toda a documentação hábil e idônea de suporte dos cálculos. A DRJ, por sua vez, contrariando ao que sustenta a Recorrente, aponta algumas inconsistência, mas fundamentalmente para o que interessa afirma que: Para os produtos listados nas Tabelas 1 e 2, a que o contribuinte teria utilizado os métodos PIC ou CPL, não há nos autos documentos que dêem suporte a estas metodologias de cálculo. Em outras palavras, não há evidências que a recorrente tenha entregue a fiscalização os documentos de suporte dos métodos PIC e CPL, tão pouco que tenha anexada a sua impugnação tais elementos. Ou seja, a DRJ, não afasta as alegações de direito da contribuinte, pelo contrário, dá a entender que elas seriam admissíveis, todavia, não as aceitou por falta de provas. A Recorrente, por sua vez, tanto em recurso voluntário como em memorial alega que "...em diversas respostas apresentadas à Fiscalização (26/10/07, 22/04/08 e 13/06/08, fls. 11, 21 e 22 dos autos), a Recorrente apresentou planilhas de cálculo demonstrativas dos métodos adotados, acompanhadas dos respectivos documentos de suporte, nos exatos termos do artigo 40 da então vigente Instrução Normativa SRF nº 243/02. " Averiguando tais folhas dos autos, verifiquei apenas que foi entregue CD em que a Recorrente indica que conteria memorial de cálculo para a apuração do preço de transferência, conforme abaixo: Arquivos com Planilhas e Memórias de Cálculo referente ao Preço de Transferência ano 2003 conforme abaixo: Relação das PJ ou PF Vinculadas; Relação das PJ ou PF domiciliadas em paises com tributação favorecida; Relação Importação de Vinculadas; Fl. 1189DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10283.720643/200863 Resolução nº 1401000.422 S1C4T1 Fl. 1.372 10 .Planilhas e memórias de cálculo; Termo de fiscalização de 08 de agosto de 2007 com: Relação dos Fornecedores Estrangeiros Vinculados e Não vinculados, e Relação dos Produtos Fabricados. Porém, tais dados não estão acessíveis no eprocesso para se fazer a devida avaliação dos mesmos. Diante desse contexto ainda de incerteza em relação aos fatos e provas constantes dos autos bem assim em respeito ao princípio da verdade material orientador do Processo Administrativo Fiscal, inclinome pela conversão do julgamento em diligência, para que seja a fiscalização: Esclareça os fatos acima referidos, a respeito da afirmação da DRJ de que "... não há evidências que a recorrente tenha entregue a fiscalização os documentos de suporte dos método PIC e CPL, tão pouco que tenha anexada a sua impugnação tais elementos." Se for o caso, a depender da resposta do quesito anterior, justificar o porquê desconsiderou os outros métodos alternativos para os produtos constantes das Tabelas 1 e 2 acima. Se for o caso, anexar aos autos a transcrição do conteúdo do referido CD naquilo que for pertinente, fazer a validação do método mais favorável ao contribuinte (PIC) art. 8ª a 11 da IN nº 243/2002, se de fato consta dos autos todos os documentos necessários para a validação, bem assim refazer as bases de cálculo dos tributos; O Autuante pode trazer aos autos quaisquer outras informações que entenda importantes para o deslinde da matéria. Elaborar relatório conclusivo das verificações, ressalvado o fornecimento de informações adicionais e a juntada de outros documentos que entender necessários, entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este Conselho para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 28/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 11075.720472/2012-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jan 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Período de apuração: 05/01/2009 a 16/12/2011
NULIDADES. LANÇAMENTO DE OFÍCIO CALCADO NA DESQUALIFICAÇÃO DE CERTIFICADOS DE ORIGEM DA MERCADORIA. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. VÍCIO MATERIAL.
A utilização, como fundamento do auto de infração, de ato declaratório executivo expedido ao cabo do processo de investigação de origem no qual a Administração Tributária não especifica os fatos e as razões que conduziram à desqualificação dos certificados de origem eiva o auto de infração de nulidade insanável, por vício material, rendendo ensejo à decretação de sua nulidade por cerceamento do direito de defesa.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3402-003.700
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire e Waldir Navarro Bezerra, que votaram no sentido de negar provimento, por considerarem que o lançamento foi corretamente motivado no Relatório Fiscal de fls. 154/171. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que discordou do relator apenas em relação à natureza do vício, entendendo que se trata de vício formal e não material. Sustentou pela recorrente o Dr. Rafael de Paula, OAB/DF nº 26.345.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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LANÇAMENTO DE OFÍCIO CALCADO NA DESQUALIFICAÇÃO DE CERTIFICADOS DE ORIGEM DA MERCADORIA. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. VÍCIO MATERIAL. A utilização, como fundamento do auto de infração, de ato declaratório executivo expedido ao cabo do processo de investigação de origem no qual a Administração Tributária não especifica os fatos e as razões que conduziram à desqualificação dos certificados de origem eiva o auto de infração de nulidade insanável, por vício material, rendendo ensejo à decretação de sua nulidade por cerceamento do direito de defesa. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire e Waldir Navarro Bezerra, que votaram no sentido de negar provimento, por considerarem que o lançamento foi corretamente motivado no Relatório Fiscal de fls. 154/171. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que discordou do relator apenas em relação à natureza do vício, entendendo que se trata de vício formal e não material. Sustentou pela recorrente o Dr. Rafael de Paula, OAB/DF nº 26.345. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 72 04 72 /2 01 2- 77 Fl. 2021DF CARF MF 2 Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de auto de infração com ciência pessoal do contribuinte em 27/03/2012, lavrado para exigir o imposto sobre a importação, relativo às importações do produto denominado "herbicida a base de glifosato", efetuadas junto à Atanor SCA da Argentina, no período compreendido entre maio de 2009 e dezembro de 2011. Segundo o Relatório de Fiscalização de fls. 154/171, o contribuinte importou do fornecedor Atanor SCA, localizado na Argentina, o produto "herbicida a base de glifosato", classificado na NCM 3808.93.24 com os benefícios do Acordo de Complementação Econômica (ACE) nº 18, aprovado pelo Decreto nº 550/92 (redução integral do imposto de importação). Para tanto, o contribuinte instruiu os despachos de importação com os Certificados de Origem do Mercosul arrolados às fls. 172/197, emitidos pela Argentina. Entretanto, para que o produto possa ser importado com tratamento tributário preferencial para mercadorias originárias dos Estados Partes do Mercosul, ele deve satisfazer os requisitos de origem estabelecido no XLIV (quadragésimo quarto) Protocolo Adicional ao ACE nº 18, Anexo I, quais sejam: a) mudança de posição tarifária e 60% de valor agregado regional. No caso concreto, com base na IN SRF nº 149/2002, a CoordenaçãoGeral de Administração Aduaneira (COANA) instaurou o procedimento aduaneiro de investigação de origem, cujo objetivo é verificar o cumprimento das regras de origem para determinada mercadoria, quando houver suspeitas de irregularidade relacionada à veracidade ou observância das disposições do Regime de Origem do Mercosul (ROM). O procedimento de investigação de origem foi instaurado por meio do Ato Declaratório Executivo COANA (ADE) nº 02, de 23 de março de 2011 e encerrado por meio do ADE COANA nº 22, de 21 de dezembro de 2011, cuja transcrição parcial é feita a seguir: O COORDENADORGERAL DE ADMINISTRAÇÃO ADUANEIRA, no uso da atribuição que lhe confere o art. 129, inciso IV, da Portaria MF nº 587, de 21 de dezembro de 2010, e tendo em vista o disposto nos artigos 27 e 32, Anexo, do Quadragésimo Quarto Protocolo Adicional ao Acordo de Complementação Econômica nº 18 ACE 18, internalizado por meio do Decreto nº 5.455, de 02 de junho de 2005, e nos artigos 19 e 20, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 149, de 27 de março de 2002, declara: Art. 1º Concluída, com base no Relatório Fiscal Coana/Cotac/Dinom nº 2011/2, o Processo Aduaneiro de Investigação de Origem da mercadoria "herbicida à base de glifosato", classificada no código tarifário da Nomenclatura Comum do Mercosul 3808.93.24, produzida pela empresa Atanor S.C.A., na Argentina, aberto por meio do ADE Coana nº2, de 23 de março de 2011, e prorrogado pelo ADE Coana nº14, de 22 de setembro de 2011. Art. 2º Desqualificados os Certificados de Origem, abaixo relacionados, com conseqüente exclusão do tratamento tarifário Fl. 2022DF CARF MF Processo nº 11075.720472/201277 Acórdão n.º 3402003.700 S3C4T2 Fl. 3 3 preferencial, por ter sido comprovado que a mercadoria por eles amparada não cumpriu com o requisito específico estabelecido no XLIV Protocolo Adicional ao ACE 18 Anexo I: [Relação de Certificados: omissis...] Art. 3º Desqualificados os Certificados de Origem, abaixo relacionados, por não terem sido fornecidas as informações necessárias para determinar a veracidade dos dados neles contidos: [Relação de certificados: omissis...] Art. 4º Com base no art. 32 do Anexo do ROM, denegar o tratamento preferencial para o desembaraço aduaneiro de novas importações referentes a herbicida à base de glifosato", classificada no código tarifário da Nomenclatura Comum do Mercosul 3808.93.24, produzida pela empresa Atanor S.C.A., na Argentina até que se demonstre que as condições de produção foram modificadas de forma a cumprir as regras do Regime de Origem do Mercosul. (Grifei) Em face da desqualificação dos Certificados de Origem do Mercosul apresentados para a instrução dos despachos aduaneiros do "herbicida à base de glifosato", entendeu a fiscalização que o imposto de importação tornouse devido, pois a desqualificação dos certificados excluiu o tratamento tributário preferencial anteriormente concedido. Foi lançado o imposto de importação acrescido de multa de mora e juros de mora. Em sede de impugnação, o contribuinte alegou, em síntese, o seguinte: a) nulidade do auto de infração por cerceamento de defesa, em virtude de falta de motivação e de prova acerca de quais requisitos foram descumpridos pela recorrente e também pela falta de indicação de quais informações que não teriam sido prestadas para determinar a veracidade dos dados contidos nos certificados de origem; b) violação do art. 29 do XLIV Protocolo Adicional ao ACE 18, que obriga a autoridade competente do Estado Parte importador a comunicar ao importador o encerramento da investigação, bem como a medida adotada em relação à origem da mercadoria, com exposição dos motivos que determinaram a decisão; c) cerceamento do direito ao contraditório e à ampla defesa no processo de investigação de origem, pois o contribuinte dele não participou e desconhece os motivos que conduziram à desqualificação dos certificados apresentados; d) nulidade em razão da prorrogação do processo de investigação de origem ter ocorrido com violação do art. 15 da IN SRF nº 149/2002; e) impetrou Mandado de Segurança nº 000419443.2012.4.01.3400/DF buscando a decretação de nulidade dos Atos Declaratórios da COANA e de todo o processo administrativo de investigação de origem; f) inexistência de concomitância entre este processo e o Mandado de Segurança, pois os objetos são distintos; g) foi concedida liminar suspendendo os efeitos do ADE COANA nº 22/2011; h) impossibilidade de aplicação de penalidade, de correção da base de cálculo do tributo e de aplicação de juros de mora, em razão da incidência do art. 100, III, do CTN. Tendo em vista que o desembaraço aduaneiro foi efetuado normalmente pela Receita Federal com base nas declarações prestadas, ai incluída a redução tarifária decorrente do ACE 18, houve homologação expressa do lançamento e prática reiterada da administração. Requereu a suspensão do processo administrativo até que sobrevenha o desfecho do mandado de segurança ou que seja julgada procedente a impugnação para o fim de que seja reconhecida a Fl. 2023DF CARF MF 4 nulidade do auto de infração. Sucessivamente, que sejam afastadas as multas, juros e atualização monetária da base de cálculo do tributo, com base no art. 100, III, do CTN. Por meio do Acórdão nº 29.396, de 27 de junho de 2012, a 1ª Turma da DRJ FLORIANÓPOLIS julgou a impugnação improcedente, ficando decidido o seguinte: a) os argumentos quanto à validade do ADE COANA nº 22/2011 não podem ser apreciados na via administrativa, em razão de concomitância com o processo judicial; b) os argumentos voltados ao ataque do processo de investigação de origem não podem ser considerados na via administrativa porque aquele processo não está sujeito ao rito do PAF. Sendo assim, só cabe ao julgador administrativo observar o ADE COANA nº 22/2011 sem tecer considerações sobre a sua validade; c) que o fato de o Relatório Fiscal não ter declinado os motivos e fundamentos que levaram à desqualificação dos Certificados de Origem não maculam o auto de infração de nulidade; d) a motivação do auto de infração consiste na retirada do benefício da alíquota preferencial, em razão da desqualificação dos certificados de origem; e) o despacho aduaneiro de importação não configura homologação do lançamento; f) o art. 100, III, do CTN é inaplicável ao caso concreto. Regularmente notificado do acórdão de primeira instância em 05/07/2012 (AR de fls. 1899/1900), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 06/08/2012 (fl. 1926), no qual reprisou as alegações de impugnação, contestando pontos específicos das razões de decidir adotadas pelo acórdão da DRJ. Por meio da Resolução nº 3402000.687, o julgamento foi convertido em diligência à repartição fiscal de origem, por proposta do então relator Conselheiro João Carlos Cassuli Júnior, a fim de que fossem juntados a este processo as cópias de todos os documentos que embasaram a expedição do Ato Declaratório Executivo COANA nº 22/2011. Os autos retornaram com a informação fiscal de fls. 2004/2009 emitida pela COANA, dando conta de que as informações contidas no processo de investigação de origem são confidenciais e que, por falta de dispositivo legal permissivo, não há amparo para o fornecimento de todos os documentos que instruíram a expedição do Ato Declaratório Executivo COANA nº 22/2011, nos moldes solicitados na diligência. Entretanto, considerando que o objetivo da diligência solicitada é apurar a natureza jurídica do ato administrativo de desqualificação dos certificados de origem, a fim de avaliar seus efeitos (se ex tunc ou ex nunc), foi aberto processo de acesso sigiloso nº 10168.720847/201469, apensado a estes autos, no qual foi anexado o Relatório Fiscal Coana/Cotac/Dinon nº 2011/2, tomandose a cautela de ocultar as informações sensíveis. A COANA informou, ainda, que os documentos sigilosos do processo de investigação de origem foram anexados ao Mandado de Segurança interposto, o qual passou a tramitar em segredo de justiça. A referida ação foi julgada extinta sem julgamento de mérito, por ilegitimidade ativa da impetrante. A documentação sigilosa foi desentranhada. A impetrante, Atanor SCA da Argentina, apelou ao TRF da 1ª Região e o recurso aguarda julgamento. Em sede de Medida Cautelar Inominada nº 0034207 69.2014.4.01.0000/DF, foi concedida liminar que revigorou a liminar originariamente concedida no Mandado de Segurança 419443.2012.4.01.3400/DF, suspendendo os efeitos do ADE COANA nº 22/2011 até o julgamento final da ação. Com a renúncia ao mandado do Conselheiro João Carlos Cassuli Júnior, o processo foi sorteado à Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Em virtude do término do mandado da referida conselheira antes de que o processo fosse colocado em pauta, houve novo sorteio tendo sido contemplado este relator. É o relatório. Fl. 2024DF CARF MF Processo nº 11075.720472/201277 Acórdão n.º 3402003.700 S3C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Conforme deflui do relatório, realmente não existe concomitância entre o Mandado de Segurança 419443.2012.4.01.3400/DF e este processo administrativo, em razão dos seguintes motivos: a) no Mandado de Segurança a impetrante é a ATANOR SCA da Argentina (exportador), enquanto que neste processo o sujeito passivo é a ATANOR DO BRASIL S/A (importador); e b) o objeto do writ é a concessão de segurança para anular o processo administrativo de investigação da origem e os atos declaratórios da COANA, ao passo que o objeto deste processo administrativo é a exigência do imposto de importação, com fundamento na desqualificação dos certificados de origem. Tratandose de processos nos quais as partes e os objetos são distintos, não há que se cogitar de uma relação de concomitância entre eles, pois essa relação pressupõe a existência de identidade entre as partes e os objetos dos processos judicial e administrativo. O que existe entre o Mandado de Segurança e este processo administrativo é uma relação de prejudicialidade, pois se ao final do processo judicial a segurança for concedida nos moldes em que fora pleiteada pelo exportador, o ADE COANA nº 22/2011 será declarado nulo, fato que tornará insubsistente o auto de infração albergado neste processo. Por outro lado, se a segurança for denegada com julgamento de mérito, a higidez do ADE COANA nº 22/2011 estará declarada com a eficácia da coisa julgada, fato que por si não implica a manutenção automática do auto de infração em julgamento, pois nos recursos administrativos existem outros argumentos voltados exclusivamente ao ataque da autuação. Nos recursos apresentados neste processo a defesa bateu firme no auto de infração e no processo administrativo de investigação de origem. Mas os argumentos voltados ao ataque do processo de investigação de origem e do ADE COANA nº 22/2011 não podem ser apreciados no processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários. Nesse sentido, com razão a turma de julgamento da DRJ na parte em que deixou de conhecer dos argumentos relativos ao processo de investigação de origem e dos Atos Declaratórios expedidos pela CONA, pois aquele processo não está sujeito ao rito do Decreto nº 70.235/72. Se o contribuinte não tem direito de participar daquele processo e nem de impugnar o ADE que desqualificou os certificados de origem, não há sentido em que a DRJ ou o CARF tomem conhecimento de tais argumentos, pois nenhum desses órgãos possui competência legal para alterar a decisão contida no ADE COANA nº 22/2011. Fl. 2025DF CARF MF 6 A competência dos órgãos administrativos de julgamento (DRJ e CARF) limitase à aferição da legalidade do auto de infração albergado neste processo, com base no litígio que foi instaurado pelo contribuinte ao impugnálo (art. 15 do Decreto nº 70.235/72). Nesse sentido, cabe apenas a análise dos argumentos voltados diretamente ao ataque do auto de infração, quais sejam: a) nulidade por cerceamento de defesa; b) suspensão deste processo com base na liminar deferida no Mandado de Segurança até o desfecho da ação judicial; e c) exclusão dos acessórios por aplicação do art. 100, III, do CTN. No que se refere à nulidade por cerceamento de defesa, o art. 5º, LV, da Constituição estabelece que a garantia do contraditório e da ampla defesa se aplica tanto aos processos judiciais quanto aos administrativos. Concretizando essa garantia, o art. 10, III, do Decreto nº 70.235/72 e o art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99 determinam a indicação dos fatos e fundamentos que lastreiam a expedição de atos administrativos, bem como que a motivação seja clara, explícita e congruente. No caso concreto, a fiscalização motivou o lançamento de ofício do imposto de importação em outro ato administrativo (o ADE COANA nº 22/2011), por meio do qual a Administração Tributária desqualificou os certificados de origem apresentados pelo contribuinte em razão de dois fatos a saber: a) ter sido comprovado que a mercadoria amparada por parte dos certificados de origem não cumpriu com o requisito específico estabelecido no XLIV Protocolo Adicional ao ACE 18 Anexo I (art. 2º); e b) por não terem sido fornecidas as informações necessárias para determinar a veracidade dos dados contidos em outra parcela dos certificados de origem (art. 3º). Observem senhores conselheiros que o art. 2º do ADE COANA nº 02/2011 não especifica qual foi o requisito estabelecido no XLIV Protocolo Adicional ao ACE 18 que deixou de ser cumprido pelo exportador. Segundo a transcrição abaixo, a fiscalização apenas indicou quais são os requisitos estabelecidos no XLIV do Protocolo Adicional ao ACE 18, mas não declinou qual deles não teria sido cumprido pelo exportador e nem as razões pelas quais a Administração considerou que o requisito não teria sido cumprido (fl. 158): "(...) (...)" Relativamente aos certificados desqualificados pelo art. 3º do ADE COANA nº 02/2011, verificase que nem o seu texto e nem o texto do Relatório de Fiscalização declinaram quais teriam sido as informações necessárias que não foram prestadas e nem quem teria deixado de prestálas. Fl. 2026DF CARF MF Processo nº 11075.720472/201277 Acórdão n.º 3402003.700 S3C4T2 Fl. 5 7 Portanto, este relator entende que o ato administrativo de lançamento tributário foi efetuado sem motivação, fato que não permitiu ao contribuinte exercer plenamente seu direito ao contraditório e à ampla defesa, uma vez que é impossível contestar fatos desconhecidos que não foram mencionados explicitamente no lançamento. É flagrante a violação frontal do art. 10, III, do PAF e do art. 50, II, § 1º da Lei nº 9.784/99, caracterizando nítido cerceamento do direito ao contraditório e à ampla defesa (art. 5º, LV, da CF/88 e art. 59, II, do PAF). Não se pode concordar com o acórdão recorrido na parte em que consignou que o lançamento de oficio estaria motivado na desqualificação dos certificados promovida pelo ADE COANA nº 02/2011, porquanto, conforme a informação prestada pela própria COANA, o processo de investigação da origem é sigiloso e o contribuinte ora autuado dele não participou. Tivesse o contribuinte participado e exercido o direito de defesa no processo de investigação de origem, ai sim estaria correto o entendimento da DRJ, mas como aquele processo é confidencial, o direito de defesa só pode ser exercido pelo contribuinte neste processo de auto de infração. Por tal motivo é que se torna imprescindível que os fatos e as razões que levaram a Administração Tributária a desqualificar os certificados de origem sejam declinados de forma explícita, clara e congruente na motivação deste lançamento. O cerne da violação do direito ao contraditório e à ampla defesa neste processo de auto de infração reside na omissão dos fatos e dos motivos que levaram à desqualificação daqueles certificados, pois tal omissão impediu o contribuinte de opor defesa de mérito contra a questão de fundo que sustenta o lançamento. O raciocínio engendrado pelo Acórdão da DRJ pressupõe a infalibilidade da Administração, pois toma como verdade absoluta o conteúdo do ADE COANA nº 02/2011. O problema é que além de a experiência demonstrar que Administração é falível, no processo administrativo de determinação e exigência de créditos tributários o contribuinte não está obrigado a aceitar nenhuma afirmação do fisco com caráter de verdade absoluta, a teor do art. 5º, LV, da CF e dos arts. 16 e 33 do PAF. Este colegiado, com a composição anterior a março de 2015, baixou o processo em diligência com o objetivo de ter acesso ao processo de investigação de origem. A leitura da Resolução nº 3402000.687 revela que o relator à época provavelmente se inspirou no voto vencido do Acórdão 310200.218, da ilustre Conselheira Beatriz Veríssimo Sena, pois pretendia colher subsídios que permitissem a fixação da eficácia no tempo do ADE nº 22/2011. Esclareço que este relator jamais teria concordado em baixar este processo em diligência para tal fim. A diligência solicitada é desnecessária ao deslinde deste processo de auto de infração. A uma porque a aferição da eficácia no tempo do ADE nº 22/2011 só seria exigida caso se superasse a preliminar de nulidade por cerceamento de defesa. E a duas, porque a teoria dos motivos determinantes1 impede que a ausência de motivação, a motivação errada 1 “(...) A teoria dos motivos determinantes fundase na consideração de que os atos administrativos, quando tiverem sua prática motivada, ficam vinculados aos motivos expostos, para todos os efeitos jurídicos. Tais motivos é que determinam e justificam a realização do ato, e, por isso mesmo, deve haver perfeita correspondência entre eles e a realidade. Mesmo os atos discricionários, se forem motivados, ficam vinculados a esses motivos como causa determinante de seu cometimento e se sujeitam ao confronto da existência e legitimidade dos motivos Fl. 2027DF CARF MF 8 ou a motivação deficiente sejam supridas por meio de diligência, uma vez que nos atos administrativos motivados, a autoridade sempre fica vinculada à existência e à validade dos motivos expostos por ocasião da expedição do ato. No caso de auto de infração, tratase de um ato administrativo que se enquadra na categoria dos atos vinculados, e, assim, a existência de motivação é requisito necessário para que se possa efetuar o controle de legalidade e para que o contribuinte possa se defender. Se a motivação é inexistente ou insuficiente, o ato deve ser considerado nulo, não sendo passível de convalidação por meio de diligência solicitada em segunda instância de julgamento. Por tais motivos é que a juntada tardia do Relatório Fiscal Coana/Cotac/Dinon nº 2011/2, que se encontra anexado ao processo de acesso sigiloso apensado a estes autos, não supre a falta de motivação do lançamento, sendo de rigor a declaração de nulidade do auto de infração em debate. Verificada a nulidade do lançamento, é preciso declinar se é caso de nulidade por vício formal ou de nulidade por vício material, a teor do Acórdão nº 9303004.325, relatado pela ilustre Conselheira Vanessa Cecconello, por meio do qual foi provido recurso especial da Fazenda Nacional, restando decidido que é dever dos colegiados indicar a natureza do vício invocado como causa de nulidade dos lançamentos. A discussão sobre a distinção entre vícios materiais e formais dos atos administrativos é daquelas que estão longe de serem solucionadas pela doutrina. No âmbito do CARF existem basicamente duas grandes correntes. A primeira considera que os requisitos formais do lançamento de ofício se encontram no art. 142 do CTN e nos artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72, entendimento encampado pela Solução de Consulta Interna Cosit nº 08/2013. Qualquer defeito em um desses elementos caracterizaria o vício formal, conforme se pode conferir nos Acórdãos nº 3102 00.554, 310200.780, 1402000.538 e 180100.157. Por sua vez, a segunda corrente, que predomina na Segunda Seção do CARF, considera que se o vício estiver contido em um dos elementos relacionados no art. 142 do CTN será o caso de vício material, a exemplo dos Acórdãos nº 2401004.145 e 2402004.950, colhidos na página de jurisprudência do CARF entre centenas de outros. A crítica que este relator faz a essas duas correntes é que certos requisitos constam tanto do art. 142 do CTN, quanto dos arts. 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72, o que não resolve o problema de distinguir o que é vício material e o que é vício formal. Este relator filiase a entendimento próximo ao da segunda corrente, mas com os fundamentos declinados pelo Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima no Acórdão nº 110300.015, os quais adoto como se aqui estivessem transcritos (art. 50, § 1º, da Lei nº 9784/99), e cuja ementa transcrevo a seguir: Assunto: Normas Geris de Direito Tributário indicados. Havendo desconformidade entre os motivos e a realidade o ato é inválido. (...)” (Hely Lopes Meirelles. Curso de Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo: Malheiros, 25 ed., pp. 186/187). Fl. 2028DF CARF MF Processo nº 11075.720472/201277 Acórdão n.º 3402003.700 S3C4T2 Fl. 6 9 NULIDADE VICIO FORMAL E MATERIAL O lançamento tributário pode ser visto como ato administrativo, cujo conteúdo expressa uma norma individual e concreta. A produção desse ato pressupõe um procedimento formal regido pela legislação tributária. Assim, a disciplina do lançamento compõese de normas substanciais (que descrevem o fato jurídico tributário e estabelecem os elementos do vinculo obrigacional) e outras formais (que tratam do procedimento para produção da norma substancial). São perspectivas distintas da mesma ação: uma estática e outra dinâmica. O exame da norma individual e concreta introduzida pelo ato de lançamento e do preenchimento dos critérios da regra matriz de incidência permite entender as causas de invalidade dos lançamentos tributários. Qualquer violação de um desses critérios constituirá razão necessária e suficiente para que o julgador administrativo invoque vicio substancial do lançamento tributário, para decretar a sua nulidade. No caso objeto de análise, o vicio do lançamento original referese a quantificação do tributo, dimensão que expressa o critério quantitativo da regra matriz de incidência. Logo, não falar em vicio formal, pois o descumprimento a lei se localiza no próprio conteúdo da obrigação tributária que tem natureza substancial. Recurso de oficio negado Mutatis mutandis, no caso concreto o vício do lançamento ocorreu na motivação do ato administrativo, a qual se identifica com o critério material contido no antecedente da regramatriz de incidência tributária e que, neste caso, também interfere na fixação do critério quantitativo contido no consequente normativo, uma vez que a constatação ou não da validade da desclassificação dos certificados de origem, determina ou não o afastamento da aplicação da alíquota de 14% de imposto de importação, que normalmente incidiria sobre o produto. Portanto, tratase de vício material, uma vez que afeta os critérios material e quantitativo da regramatriz de incidência, maculando a substância do ato administrativo de lançamento. Com esses fundamentos, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para anular o auto de infração por cerceamento do direito de defesa, em razão de vício material decorrente da inexistência de motivação. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Fl. 2029DF CARF MF 10 Fl. 2030DF CARF MF
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