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Numero do processo: 11020.915469/2009-70
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
COMPENSAÇÃO.
Inexistindo crédito líquido e certo, inexiste o direito à compensação.
Numero da decisão: 3403-002.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Raquel Motta Brandão Minatel.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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score : 1.0
Numero do processo: 11516.002862/2010-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 08/07/2010
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ART. 32, IV DA LEI Nº 8212/91.
Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8212/91 a entrega de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural), sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. AUSÊNCIA DO SINDICATO NA NEGOCIAÇÃO. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO.
Integra o conceito legal de Salário de Contribuição a parcela auferida pelos segurados empregados a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, cuja negociação entre empresa e empregados não contou com a participação de representante do sindicato da categoria.
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32-A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA.
As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32-A à Lei nº 8.212/91.
Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, c do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.504
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória nº 449 de 2008, mais precisamente o art. 32-A, inciso II, que na conversão pela Lei nº 11.941 foi renumerado para o art. 32-A, inciso I da Lei nº 8.212 de 1991
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 08/07/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ART. 32, IV DA LEI Nº 8212/91. Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8212/91 a entrega de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural), sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. AUSÊNCIA DO SINDICATO NA NEGOCIAÇÃO. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. Integra o conceito legal de Salário de Contribuição a parcela auferida pelos segurados empregados a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, cuja negociação entre empresa e empregados não contou com a participação de representante do sindicato da categoria. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32-A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32-A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, c do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. Recurso Voluntário Provido em Parte
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CFL 68. ART. 32, IV DA LEI Nº 8212/91. Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8212/91 a entrega de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural), sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. AUSÊNCIA DO SINDICATO NA NEGOCIAÇÃO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Integra o conceito legal de Salário de Contribuição a parcela auferida pelos segurados empregados a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, cuja negociação entre empresa e empregados não contou com a participação de representante do sindicato da categoria. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 28 62 /2 01 0- 63 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória nº 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei nº 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei nº 8.212 de 1991 Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/01/2006 a 31/01/2007 Data de lavratura do Auto de Infração: 08/07/2010. Data da Ciência do Auto de Infração: 16/08/2010. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Juiz de Fora/MG que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração nº 37.285.8694, decorrente do descumprimento de obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, lavrado em desfavor do Recorrente em virtude de este ter apresentado GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme descrito no Relatório Fiscal da Infração a fls. 06/10. CFL 68 Apresentar a empresa GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural) Art. 284, II na redação do Dec.4.729, de 09/06/2003. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.002862/201063 Acórdão n.º 2302002.504 S2C3T2 Fl. 181 3 Atesta a Autoridade Lançadora que a Autuada deixou de informar em suas GFIP, no período de janeiro/2006 a dezembro/2008 os valores pagos a segurados empregados a título de Participação nos Lucros e Resultados PLR, pagamento este descaracterizado como tal pela Fiscalização em razão de haver sido pago em desacordo com a lei específica de regência. As obrigações tributárias principais correspondentes foram apuradas e lançadas mediante as NFLD nº 37.285.8708, 37.285.8716 e 37.285.8724. Informa o auditor fiscal autuante que a multa foi aplicada em conformidade com o art. 32, §5º da Lei n° 8.212/91 e inciso II do art. 284 e art. 373 do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99. Assim, a multa para cada competência corresponde a 100% (cem por cento) do valor das contribuições sociais previdenciárias devidas ou do valor que seria devido no período em que houvesse a substituição tributária e que não foram declaradas, sendo limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do artigo 32 da Lei nº 8.212/91. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 15/29. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão a fls. 161/166, julgando procedente a presente autuação, mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 09/02/2012, conforme Aviso de Recebimento a fl. 166. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 170/, deduzindo seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: · Que a parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados não possui natureza salarial, uma vez que é completamente dissociada da efetiva prestação de serviço; · Que a participação do sindicato é uma formalidade que em nada modifica a natureza do pagamento; Ao fim, requer o cancelamento integral do Auto de Infração. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Fl. 182DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 09/02/2012. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 07/03/2012, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a inexistência de questões Preliminares a serem dirimidas, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que, em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho. 2.1. DOS FATOS GERADORES O Recorrente concentra seu inconformismo na alegação de que a parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados não possui natureza salarial, uma vez que é completamente dissociada da efetiva prestação de serviço. Propala que a participação do sindicato constituise mera uma formalidade, que em nada modifica a natureza do pagamento. Tais argumentos, contudo, não têm o condão de ilidir o lançamento tributário que ora se opera. Grassa no seio dos que operam no mètier do Direito do Trabalho a serôdia ideia de que a remuneração do empregado é constituída, tão somente, por verbas representativas de contraprestação de serviços efetivamente prestados pelos empregados. A retidão de tal concepção poderia até ter sua primazia aferida ao tempo da promulgação do DecretoLei n.º 5.452 (nos idos de 1943), que aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho. CONSOLIDAÇÃO DAS LEIS DO TRABALHO CLT Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) Fl. 183DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.002862/201063 Acórdão n.º 2302002.504 S2C3T2 Fl. 182 5 §1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de 50% (cinquenta por cento) do salário percebido pelo empregado. (Redação dada pela Lei nº 1.999, de 1.10.1953) §3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por forca do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Redação dada pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) §1º Os valores atribuídos às prestações "in natura" deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do saláriomínimo (arts. 81 e 82). (Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) V – seguros de vida e de acidentes pessoais; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VI – previdência privada; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) VII – (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) §3º A habitação e a alimentação fornecidas como salárioutilidade deverão atender aos fins a que se destinam e não poderão exceder, respectivamente, a 25% (vinte e cinco por cento) e 20% (vinte por cento) do saláriocontratual. (Incluído pela Lei nº 8.860, de 24.3.1994) §4º Tratandose de habitação coletiva, o valor do salárioutilidade a ela correspondente será obtido mediante a divisão do justo valor da habitação pelo número de coabitantes, vedada, em qualquer hipótese, a utilização da mesma unidade residencial por mais de uma família. (Incluído pela Lei nº 8.860/94) Todavia, como bem professava Heráclito de Ephesus, há 500 anos antes de Cristo, Nada existe de permanente a não ser a eterna propensão à mudança. O mundo evolui, as relações jurídicas se transformam, acompanhando..., os conceitos evolvemse... Nesse compasso, a exegese das normas jurídicas não é, de modo algum, refratária a transformações. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Ao contrário, tais são exigíveis. A sucessiva evolução na interpretação das normas já positivadas ajustamnas à nova realidade mundial, resgatandolhes o alcance visado pelo legislador, mantendo dessarte o ordenamento jurídico sempre espelhado às feições do mundo real. Hodiernamente, o conceito de remuneração não se encontra mais circunscrito às verbas recebidas pelo trabalhador em razão direta e unívoca do trabalho por ele prestado ao empregador. Se assim o fosse, o décimo terceiro salário, as férias, o final de semana remunerado, as faltas justificadas e outras tantas rubricas frequentemente encontradas nos contracheques não teriam natureza remuneratória, já que não representam contraprestação por serviços executados pelo obreiro. Paralelamente, as relações de trabalho hoje estabelecidas tornaramse por demais complexas e diversificadas, assistimos à introdução de novas exigências de exclusividade e de imagem, novas rubricas salariais foram criadas para contemplar outras prestações extraídas do trabalhador que não o suor e o vigor dos músculos. Esses ilustrativos, dentre tantos outros exemplos, tornaram o ancião conceito jurídico de remuneração totalmente démodé. Antenada a tantas transformações, a doutrina mais balizada passou a interpretar remuneração não como a contraprestação pelos serviços efetivamente prestados pelo empregado, mas sim, as verbas recebidas pelo obreiro decorrentes do contrato de trabalho. Com efeito, o liame jurídico estabelecido entre empregador e empregado segue os contornos delineados no contrato de trabalho no qual as partes, observado o minimum minimorum legal, podem pactuar livremente. No panorama atual, a pessoa física pode oferecer ao contratante, além do seu labor, também a sua imagem, o seu não labor nas empresas concorrentes, a sua disponibilidade, sua credibilidade no mercado, ceteris paribus. Já o contratante, por seu turno, em contrapartida, pode oferecer não só o salário stricto sensu como também uma série de vantagens diretas, indiretas, em utilidades, in natura, e assim adiante... Mas ninguém se iluda: Mesmo as parcelas oferecidas sob o rótulo de mera liberalidade, todas elas ostentam, em sua essência, uma nota contraprestativa. Todas elas colimam, inequivocamente, oferecer um atrativo financeiro/econômico para que o obreiro estabeleça e mantenha vínculo jurídico com o empregador. Por esse novo prisma, todas aquelas rubricas citadas no parágrafo precedente figuram abraçadas pelo conceito amplo de remuneração, eis que se consubstanciam acréscimos patrimoniais auferidos pelo empregado e fornecidas pelo empregador em razão do contrato de trabalho e da lei, muito embora não representem contrapartida direta pelo trabalho realizado. Nesse sentido, o magistério de Amauri Mascaro Nascimento: “Fatores diversos multiplicaram as formas de pagamento no contrato de trabalho, a ponto de ser incontroverso que além do saláriobase há modos diversificados de remuneração do empregado, cuja variedade de denominações não desnatura a sua natureza salarial ... (...) Salário é o conjunto de percepções econômicas devidas pelo empregador ao empregado não só como contraprestação pelo trabalho, mas, também, pelos períodos em que estiver à disposição daquele aguardando ordens, pelos descansos remunerados, pelas interrupções do contrato de trabalho ou por força de lei” Nascimento, Amauri M. , Iniciação ao Direito do Trabalho, LTR, São Paulo, 31ª ed., 2005. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.002862/201063 Acórdão n.º 2302002.504 S2C3T2 Fl. 183 7 Registrese, por relevante, que o entendimento a respeito do alcance do termo “remuneração” esposado pelos diplomas jurídicos mais atuais se divorciou de forma substancial daquele conceito antiquado presente na CLT. O baluarte desse novo entendimento tem sua pedra fundamental fincada na própria Constituição Federal, cujo art. 195, I, alínea “a”, estabelece: Constituição Federal de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (grifos nossos) Do marco primitivo constitucional deflui que a base de incidência das contribuições em realce não é mais o salário, mas, sim, “folha de salários”, propositadamente no plural, a qual é composta, segundo a mais autorizada doutrina, pelos lançamentos efetuados em favor do trabalhador e todas as parcelas a este devidas em decorrência do contrato de trabalho, de molde que, toda e qualquer espécie de contraprestação paga pela empresa, a qualquer título, aos segurados obrigatórios do RGPS encontramse abraçadas, em gênero, pelo conceito de Salário de Contribuição. Em reforço a tal abrangência, de modo a espancar qualquer dúvida ainda renitente a cerca da real amplitude da base de incidência da contribuição social em destaque, o legislador constituinte fez questão de consignar no texto constitucional, de forma até pleonástica, que as contribuições previdenciárias incidiriam não somente a folha de salários como também sobre os “demais rendimentos do trabalho, pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício”. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no §11 do artigo 201 da Constituição Federal, que estendeu a abrangência do conceito de SALÁRIO (Instituto de Direito do Trabalho) aos ganhos habituais do empregado, recebidos a qualquer título. Constituição Federal de 1988 Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) (...) Fl. 186DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 §11. Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Portanto, a contar da EC n° 20/98, todas as verbas recebidas com habitualidade pelo empregado, qualquer que seja a sua origem e título, passam a integrar, por força de norma constitucional, o conceito jurídico de SALÁRIO (Instituto de Direito do Trabalho) e, nessa condição, passam a compor obrigatoriamente o SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (Instituto de Direito Previdenciário) do segurado, se sujeitando compulsoriamente à incidência de contribuição previdenciária e repercutindo no benefício previdenciário do empregado. Nesse sentido caminha a jurisprudência trabalhista conforme de depreende do seguinte julgado: TRT7 Recurso Ordinário: Processo: RECORD 53007520095070011 CE 0005300 7520095070011 Relator(a):DULCINA DE HOLANDA PALHANO Órgão Julgador: TURMA 2 Publicação: 22/03/2010 DEJT RECURSO DA RECLAMANTE CTVA NATUREZA SALARIAL CONTRIBUIÇÃO A ENTIDADE DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. A parcela CTVA, paga habitualmente e com destinação a servir de compromisso aos ganhos mensais do empregado, detém natureza salarial, devendo integrar a remuneração para todos os fins, inclusive para o cálculo da contribuição a entidade de previdência privada. RECURSO DO RECLAMADO CEF CTVA. Com efeito, se referidas gratificações são pagas com habitualidade se incorporam ao patrimônio jurídico do reclamante, de forma definitiva, compondo sua remuneração para todos os efeitos. Atentese que a natureza de tal verba não mais será de "gratificação" mas sim de "Adicional Compensatório de Perda de Função" A norma constitucional acima citada não exclui da tributação as rubricas recebidas em espécie de forma eventual. A todo ver, a norma constitucional em questão fez incorporar ao SALÁRIO (instituto de direito do trabalho) todos os ganhos habituais do empregado, a qualquer título. Ocorre, contudo, que o conceito de SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO (instituto de direito previdenciário) é muito mais amplo que o conceito trabalhista mencionado, compreendendo não somente o SALÁRIO (instituto de direito do trabalho), mas, também, os INCENTIVOS SALARIAIS, assim como os BENEFÍCIOS. Assim, as verbas auferidas de forma eventual podem se classificar, conforme o caso, ou como incentivos salariais ou como benefícios. Em ambos os casos, porém, integram o conceito de Salário de Contribuição, nos termos e na abrangência do art. 28 da Lei nº 8.212/91, observadas as excepcionalidades contidas em seu §9º. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Fl. 187DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.002862/201063 Acórdão n.º 2302002.504 S2C3T2 Fl. 184 9 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) II para o empregado doméstico: a remuneração registrada na Carteira de Trabalho e Previdência Social, observadas as normas a serem estabelecidas em regulamento para comprovação do vínculo empregatício e do valor da remuneração; III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). IV para o segurado facultativo: o valor por ele declarado, observado o limite máximo a que se refere o § 5o. (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese que o conceito jurídico de Salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias, foi estruturado de molde a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo obreiro, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho. Advirtase que o termo “remunerações” encontrase empregado no caput do transcrito art. 28 em seu sentido amplo, abarcando todos os componentes atomizados que integram a contraprestação da empresa aos segurados obrigatórios que lhe prestam serviços. Tais conclusões decorrem de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, eis que o texto legal revelase cristalino ao estabelecer, como base de incidência, o “total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título”. Nesses termos, compreendemse no conceito legal de remuneração os três componentes do gênero, assim especificados pela doutrina: 1 Remuneração Básica – Também denominada “Verbas de natureza Salarial”. Referese à remuneração em dinheiro recebida pelo trabalhador pela venda de sua força de trabalho. Diz respeito ao pagamento fixo que o obreiro aufere de maneira regular, na forma de salário mensal ou na forma de salário por hora. 2 Incentivos Salariais São programas desenhados para recompensar funcionários com bom desempenho. Os incentivos são concedidos sob diversas formas, como bônus, gratificações, prêmios, participação nos Fl. 188DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 resultados a título de recompensa por resultados alcançados, dentre outros. 3 Benefícios Quase sempre denominados como “remuneração indireta”. Muitas empresas, além de ter uma política de tabela de salários, oferecem uma série de benefícios ora em pecúnia, ora na forma de utilidades ou “in natura”, que culminam por representar um ganho patrimonial para o trabalhador, seja pelo valor da utilidade recebida, seja pela despesa que o profissional deixa de desembolsar diretamente. Nesse novel cenário, a regra primária importa na tributação de toda e qualquer verba paga, creditada ou juridicamente devida ao empregado, ressalvadas aquelas que a própria lei excluir do campo de incidência. No caso específico das contribuições previdenciárias, a regra de excepcionalidade encontrase estatuída no parágrafo 9º do citado art. 28 da Lei nº 8.212/91, o qual, dada a sua relevância, transcrevemos em sua integralidade: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528/97) (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (grifos nossos) a) Os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) As ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) A parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) As importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) As importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) 1. Previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; Fl. 189DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.002862/201063 Acórdão n.º 2302002.504 S2C3T2 Fl. 185 11 2. Relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FGTS; 3. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. Recebidas a título de incentivo à demissão; 6. Recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. Recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. Recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. Recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) A parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) A ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) As diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinquenta por cento) da remuneração mensal; i) A importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) A participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (grifos nossos) l) O abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) Os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) A importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) As parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Fl. 190DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 p) O valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couberem, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) O valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) O ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) O valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). u) A importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) Os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) O valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Contextualizado nesses termos o quadro jurídiconormativo aplicável ao casoespécie, visualizando com os olhos de ver a questão controvertida ora em debate, sob o foco de tudo o quanto até o momento foi apreciado, verificamos que a alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 estatuiu, de forma expressa, que não integram o Salário de contribuição, as importâncias recebidas a título de participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica, O Programa de Participação nos Lucros ou Resultados PLR consubstancia se numa ferramenta de gestão que visa ao alinhamento das estratégias organizacionais com as atitudes e desempenho dos empregados dentro do ambiente de trabalho. Tratase de um instrumento gerencial bastante utilizado pelas empresas, mundialmente disseminado, que auxilia no cumprimento das metas e diretrizes das organizações, permitindo uma maior participação e empenho dos empregados na produtividade da empresa, proporcionando, dessarte, atração, retenção, motivação e comprometimento dos funcionários na busca de melhores resultados empresariais. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.002862/201063 Acórdão n.º 2302002.504 S2C3T2 Fl. 186 13 Constituise o PLR num tipo de remuneração variável a ser oferecida àqueles que efetivamente colaboraram na obtenção de lucros e/ou no atingimento das metas pré estabelecidas pelo empregador. Tratase de um Direito Social de matriz constitucional, tendo o Constituinte Originário, taxativamente, outorgado à lei ordinária a competência para a estipulação dos parâmetros legais da conformação do Direito dos trabalhadores, in verbis: Constituição Federal de 1988 Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. A Participação nos Lucros é norma constitucional de eficácia limitada. Nesse sentido dispõe o Parecer CJ/MPAS nº 547, de 03 de maio de 1996, aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro do MPAS, ad litteris et verbis: (...) de forma expressa, a Lei Maior remete à lei ordinária , a fixação dos direitos dessa participação. A norma constitucional em foco pode ser entendida, segundo a consagrada classificação de José Afonso da Silva, como de eficácia limitada, ou seja, aquela que depende "da emissão de uma normatividade futura, em que o legislador ordinário, integrandolhe a eficácia, mediante lei ordinária, lhes dê capacidade de execução em termos de regulamentação daqueles interesses". (Aplicabilidade das normas constitucionais, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1968, pág. 150). (Grifamos) Tais diretivas não atritam com entendimento esposado no Parecer CJ/MPAS nº 1.748/99, cujo teor transcrevemos na sequência: DIREITO CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO TRABALHADOR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ART. 7º , INC. XI DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. 1) O art. 7º , inciso XI da Constituição da República de 1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros desvinculado da remuneração é de eficácia limitada. 2) O Supremo Tribunal Federal ao julgar o Mandado de Injunção nº 426 estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória nº 794, de 24 de dezembro de 1994, passou a ser lícito o pagamento da participação nos lucros na forma do texto constitucional. 3) A parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo com essa Fl. 192DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 14 norma, integra o conceito de remuneração para os fins de incidência da contribuição social. (...) 7. No entanto, o direito a participação dos lucros, sem vinculação à remuneração, não é auto aplicável, sendo sua eficácia limitada a edição de lei, consoante estabelece a parte final do inciso anteriormente transcrito. 8. Necessita, portanto, de regulamentação para definir a forma e os critérios de pagamento da participação nos lucros, com a finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela. 9. A regulamentação ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas e dá outras providências, hoje reeditada sob o nº 1.76956, de 8 de abril de 1999. 10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus termos, passou a ser lícito o pagamento de participação nos lucros desvinculada da remuneração, mas, destaco, a desvinculação da remuneração só ocorrerá se atender os requisitos preestabelecidos. 11. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao julgar o Mandado de Injunção nº 426, onde foi Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, que tinha por escopo suprir omissão do Poder Legislativo na regulamentação do art. 7º, inc. XI, da Constituição da República, referente a participação nos lucros dos trabalhadores, julgou a citada ação prejudicada, face a superveniência da medida provisória regulamentadora. 12. Em seu voto, o Ministro ILMAR GALVÃO, assim se manifestou: O mandado de injunção pretende o reconhecimento da omissão do Congresso Nacional em regulamentar o dispositivo que garante o direito dos trabalhadores de participarem dos lucros e resultados da empresa (art. 7º, inc. IX, da CF), concedendose a ordem para efeito de implementar in concreto o pagamento de tais verbas, sem prejuízo dos valores correspondentes à remuneração. Tendo em vista a continuação da transcrição a edição, superveniente ao julgamento do presente WRIT injuncional, da Medida Provisória nº 1.136, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências, verificase a perda do objeto desta impetração, a partir da possibilidade de os trabalhadores, que se achem nas condições previstas na norma constitucional invocada, terem garantida a participação nos lucros e nos resultados da empresa. (grifei) 14. O Pretório Excelso confirmou, com a decisão acima, a necessidade de regulamentação da norma constitucional (art. 7º, inc. XI), ficando o pagamento da participação nos lucros e sua desvinculação da remuneração, sujeitas as regras e critérios estabelecidos pela Medida Provisória. 15. No caso concreto, as parcelas referemse a períodos anteriores a regulamentação do dispositivo constitucional, em que o Banco do Brasil, sem a devida autorização legal, efetuou o pagamento de parcelas a título de participação nos lucros. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.002862/201063 Acórdão n.º 2302002.504 S2C3T2 Fl. 187 15 16. Nessa hipótese, não há que se falar em desvinculação da remuneração, pois, a norma do inc. XI, do art. 7º da Constituição da República não era aplicável, na época, consoante ficou anteriormente dito. (Grifamos) Tratandose de norma constitucional de eficácia limitada, esta depende da integração de documento normativo editado pelo órgão legislativo competente para que suas disposições possam produzir os efeitos jurídicos colimados pelo Constituinte. A polêmica que envolve tal matéria já exigiu a manifestação formal da Suprema Corte, cuja Segunda Turma, no julgamento do Agravo Regimental no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário n° 505.597, pacificou o entendimento que deve prevalecer nas situações desse jaez. EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. ART. 7º, XI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. MP 794/94. Com a superveniência da MP n. 794/94, sucessivamente reeditada, foram implementadas as condições indispensáveis ao exercício do direito à participação dos trabalhadores no lucro das empresas [é o que extrai dos votos proferidos no julgamento do MI n. 102, Redator para o acórdão o Ministro Carlos Velloso, DJ de 25.10.02]. Embora o artigo 7º, XI, da CB/88, assegure o direito dos empregados àquela participação e desvincule essa parcela da remuneração, o seu exercício não prescinde de lei disciplinadora que defina o modo e os limites de sua participação, bem como o caráter jurídico desse benefício, seja para fins tributários, seja para fins de incidência de contribuição previdenciária. Precedentes. Agravo regimental a que se nega provimento. (grifos nossos) Deflui dos termos do julgado suso transcrito que o direito social em debate é dirigido à classe de trabalhadores que laboram mediante o vínculo jurídico de uma relação de emprego, não abraçando as pessoas físicas que, assumindo o risco da atividade econômica, exercem por conta própria, determinada atividade profissional de natureza urbana, como é o caso dos Diretores não empregados, eis que entre estes e as respectivas empresas, não se formaliza vínculo de relação de emprego. Atentese, por relevante, que os direitos sociais estampados no art. 7º da CF/88 são dirigidos àquela categoria de trabalhadores que realizam seu labor profissional sob a égide de um vínculo empregatício, e não para aqueles que, por sua própria conta e risco, exercem atividade econômica de natureza urbana. A assertiva ora alinhada encontra amparo, igualmente, nas disposições insculpidas no §4º do art. 218 de nossa Lei Soberana, cuja norma de caráter programático prevê o apoio e estímulo às empresas que pratiquem sistemas de remuneração que assegurem ao Fl. 194DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 16 empregado, desvinculada do salário, participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade de seu trabalho. Constituição Federal de 1988 Art. 218 O Estado promoverá e incentivará o desenvolvimento científico, a pesquisa e a capacitação tecnológicas. (...) §4° A lei apoiará e estimulará as empresas que invistam em pesquisa, criação de tecnologia adequada ao País, formação e aperfeiçoamento de seus recursos humanos e que pratiquem sistemas de remuneração que assegurem ao empregado, desvinculada do salário, participação nos ganhos econômicos resultantes da produtividade de seu trabalho. (grifos nossos) A Lei nº 8.212/1991, em obediência ao preceito constitucional, honrou estatuir na alínea “j” do §9º do seu art. 28, hipótese de não incidência tributária sempre que verbas rotuladas de PLR forem pagas de acordo com a lei própria de regência. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 28 – (...) §9º Não integram o saláriodecontribuição: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica. A edição da Medida Provisória nº 794/94 veio ao atendimento do comando constitucional em tela, introduzindo no Ordenamento Jurídico os primeiros traços definidores do direito social ora em debate, vindo a sofrer, ao longo do tempo, em suas reedições e renumerações, um volume pouco expressivo de modificações legislativas, até a sua definitiva conversão na Lei nº 10.101/2000. Lei nº 10.101 de 19 de dezembro de 2000 Art.1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (grifos nossos) I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; (grifos nossos) II convenção ou acordo coletivo. §1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo Fl. 195DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.002862/201063 Acórdão n.º 2302002.504 S2C3T2 Fl. 188 17 ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. §2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (grifos nossos) (...) Art.3o A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. §1o Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica poderá deduzir como despesa operacional as participações atribuídas aos empregados nos lucros ou resultados, nos termos da presente Lei, dentro do próprio exercício de sua constituição. §2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. §3o Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. §4o A periodicidade semestral mínima referida no §2o poderá ser alterada pelo Poder Executivo, até 31 de dezembro de 2000, em função de eventuais impactos nas receitas tributárias. §5o As participações de que trata este artigo serão tributadas na fonte, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, como antecipação do imposto de renda devido na declaração de rendimentos da pessoa física, competindo à pessoa jurídica a responsabilidade pela retenção e pelo recolhimento do imposto. Art. 4º Caso a negociação visando à participação nos lucros ou resultados da empresa resulte em impasse, as partes poderão utilizarse dos seguintes mecanismos de solução do litígio: I – Mediação; II – Arbitragem de ofertas finais. §1º Considerase arbitragem de ofertas finais aquela que o árbitro deve restringirse a optar pela proposta apresentada, em caráter definitivo, por uma das partes. §2º O mediador ou o árbitro será escolhido de comum acordo entre as partes. §3º Firmado o compromisso arbitral, não será admitida a desistência unilateral de qualquer das partes. §4º O laudo arbitral terá força normativa independentemente de homologação judicial. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 18 Das disposições plasmadas no inciso I e no §2º do art. 2º do Diploma Legal acima desfiado erguese como fato incontroverso que para a fruição do direito social ora em relevo a lei regulamentadora exige a participação efetiva de um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria dos empregados na negociação entre estes e a empresa, e que o instrumento de acordo celebrado seja arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. As formalidades acima mencionadas não se configuram facultativas na negociação, mas, sim, obrigatórias, por força de lei formal. Não procede a alegação da empresa de que a parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados não possui natureza salarial, uma vez que é completamente dissociada da efetiva prestação de serviço. A regularidade da participação nos lucros e resultados está intimamente associada à efetiva participação dos empregados nos resultados da empresa, tanto que a Lei de regência indica como critério e condição para a sua concessão índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa, programas de metas, resultados e prazos. Não alcançadas as metas previamente fixadas no acordo, não haverá que se falar em PLR. Por tais razões, nos instrumentos decorrentes da negociação coletiva devem constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos dos empregados nos resultados da empresa, além de regras adjetivas, tais como periodicidade da distribuição, período de vigência, prazo para revisão do acordo e, principalmente, mecanismos de aferição do cumprimento dos termos do acordo, não só no que se refere à participação do empregado, mas, também, às obrigações assumidas pela empresa. Não resta dúvida que a verba auferida pelos empregados beneficiários decorre de sua efetiva e individual participação laboral no sucesso do empreendimento. Trata se, pois, de uma rubrica paga pelo trabalho, e não para o trabalho. Anotese, por relevante, que na expressão constitucional aviada no Inciso XI do art. 7º da CF/88, a participação nos lucros ou resultados é desvinculada da remuneração, sendo paga como uma parcela distinta desta, e decorrente não do labor diário ordinário cumprido pelo empregado, mas, sim, da excelência da sua efetiva e individual participação nos lucros obtidos pela empresa, de acordo com os critérios e condições definidos no Instrumento de negociação entre empresa e empregados. Por isso é desvinculada da remuneração ordinária. Tal circunstância, todavia, não implica sua exclusão automática da base de cálculo das contribuições previdenciárias, uma vez que, nos termos do art. 28 da Lei nº 8.212/91, o conceito jurídico de Salário de Contribuição abraça todas as verbas pagas pela empresa aos empregados A QUALQUER TÍTULO, não somente pelos serviços efetivamente prestados, mas, até mesmo, pelo tempo à disposição do empregador. Não procede, portanto, a alegação do Recorrente de que o Salário de Contribuição seja somente aquele destinado a retribuir o trabalho. Nos rigores da lei, até mesmo a verba auferida relativa ao tempo ocioso do trabalhador à disposição do empregador configurase inserida no conceito legal de Salário de Contribuição. Registrese, igualmente, que a Lei nº 10.101/2000 apenas exclui a PLR do campo de incidência de encargos trabalhista, não das contribuições previdenciárias. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.002862/201063 Acórdão n.º 2302002.504 S2C3T2 Fl. 189 19 Avulta de maneira cristalina que a exclusão das rubricas pagas a título de PLR da base de incidência das contribuições previdenciárias não advém, de maneira alguma, da natureza jurídica da verba, tampouco de determinação constitucional, mas, sim, de determinação expressa no Direito Positivo, nos termos assinalados na alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, sempre condicionada à observância estrita dos termos da lei de regência, porém. Cumpre observar que, nos termos do art. 111, II do CTN, devese emprestar interpretação restritiva às normas que concedam outorga de isenção. Nesse diapasão, em sintonia com a norma tributária há pouco citada, para se excluir da regra de incidência é necessária a fiel observância dos termos da norma de exceção, tanto assim que as parcelas integrantes do supraaludido §9º, quando pagas ou creditadas em desacordo com a legislação pertinente, passam a integrar a base de cálculo da contribuição para todos os fins e efeitos, sem prejuízo da aplicação das cominações legais cabíveis. Código Tributário Nacional CTN Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Nessa perspectiva, em virtude da exegese oclusiva exigida pelo CTN, somente serão extirpadas da base de cálculo das contribuições previdenciárias as verbas pagas sob o rótulo de participação nos lucros e resultados (PLR) que forem pagas ou creditadas a segurados empregados, e em estreita e inafastável consonância com a lei específica que rege o benefício em pauta. Do contrário, não. Permanecerão como parcelas integrantes do conceito jurídico de Salário de Contribuição, consoante definição legal estampado no inciso I do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Revelase carente de razoabilidade a alegação de que a participação do sindicato na negociação entre empresa e empregados é uma formalidade que em nada modifica a natureza do pagamento. Negligenciada não pode ser a forma dos atos jurídicos, quando a legislação tributária assim o exige, sob pena de ineficácia e, até mesmo, de nulidade. Da áurea pena da Ministra Carmen Lúcia Antunes Rocha colhemos o ensinamento que reza: “A civilização é formal. As formas desempenham um papel essencial na convivência civilizada dos homens; elas delimitam espaços de ação e modos inteligíveis de comportamento para que a surpresa permanente não seja um elemento de tensão constante do homem em seu contato com o outro em sua busca de equilíbrio na vivência com o outro e, inclusive, consigo mesmo". Não por acaso já prelecionava Ihering: "Inimiga jurada do arbítrio, a forma é a irmã gêmea da liberdade". Um piloto de Fórmula 1 ou de Stock Car sem CNH (mera formalidade) impedido se encontra, legalmente, de dirigir veículos automotores neste país. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 20 Um bacharel em Direito, formado na melhor Universidade, com mestrado, Doutorado, Livre Docência, Notório Saber, etc., mas sem a aprovação formal no Exame da OAB (mera formalidade), também impedido se encontra de atuar no processo judicial. O respeito incondicionado às formalidades fixadas na Lei nº 10.101/2000 configurase como condição sine qua non para a exclusão da rubrica paga sob o rótulo de PLR da base de incidência das contribuições sociais previdenciárias, por determinação taxativa insculpida na alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 111 do CTN. No caso sobre o qual nos debruçamos, a Fiscalização apurou que o sindicato da categoria (Sindicato dos Empregados de Empresas de Processamento de Dados de Santa Catarina) não participou das negociações entre empresa e empregados relativas à participação nos lucros e resultados dos exercícios de 2005 e 2006, tampouco mantém arquivado os respectivos instrumentos dos acordos celebrados. Nesse contexto, não restando integralmente adimplidas as condições e formalidades consignadas na lei específica, excluídas da hipótese de não incidência legal tributária se encontram as verbas pagas pelo Recorrente a seus empregados a título de participação nos lucros e resultados. A competência outorgada a esta 2ª Seção do CARF circunscrevese à perscrutação da sintonia da Decisão Recorrida com os termos dos autos, nos limites cercos da impugnação, e da conformidade do lançamento formalizado pela autoridade fiscal à legislação tributária vigente e eficaz, em honra ao Princípio Constitucional da estrita legalidade. Não pode este Conselho fechar os olhos às exigências legais e regulamentares, nem mesmo se, intimamente, consideralas inconstitucionais, como assim determina o art. 26A do Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Mostrase auspicioso assinalar que as obrigações tributárias principais correspondentes foram apuradas e lançadas na mesma ação fiscal mediante as NFLD nº 37.285.8708, 37.285.8716 e 37.285.8724, as quais foram julgadas integralmente procedentes por esta mesma Turma de Julgamento do CARF. Assim, restando, como de fato restou, consolidado nos julgamentos acima referidos o entendimento de que os fatos jurígenos tributários ora em debate não se subsumem à hipótese de não incidência tributária prevista na alínea ‘j’ do §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, compondo assim, em consequência lógica, a base de cálculo das contribuições previdenciárias, estes deveriam ter sido necessariamente declarados nas GFIP correspondentes, por força de império do inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, mas não o foram. Daí a procedência do Auto de Infração ora em julgamento. A conduta omissiva assim perpetrada pelo sujeito passivo representou ofensa ao dispositivo legal encartado no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, c.c. art. 225, IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, sendo apenada com a multa pecuniária prevista, originariamente, no art. 32, §5º da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.528/97, combinado com os artigos 284, II e 373 do Decreto 3.048/99. Da análise de tudo o quanto se considerou no presente julgado, podese asselar categoricamente que a decisão de primeira instância não demanda, alfim, qualquer reparo no tocante à procedência do Auto de Infração. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.002862/201063 Acórdão n.º 2302002.504 S2C3T2 Fl. 190 21 2.2. DA RETROATIVIDADE BENIGNA Malgrado não haja sido suscitada pelo Recorrente em seu instrumento de Recurso Voluntário, a condição intrínseca de matéria de ordem pública nos autoriza a examinar, ex officio, a questão relativa à penalidade pecuniária aplicada à infração em exame, em honra ao preceito encartado no art. 106, II, ‘c’ do CTN. Urge, de plano, ser destacado que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ocorre, no entanto, que as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades decorrentes da não entrega de GFIP ou de sua entrega contendo incorreções foram alteradas pela Lei nº 11.941/2009, produto da conversão da Medida Provisória nº 449/2008. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator que aquelas então derrogadas. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 22 Nesse panorama, a supracitada Lei federal revogou os §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, fazendo introduzir no bojo desse mesmo Diploma Legal o art. 32A, ad litteris et verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no §3º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). (grifos nossos) §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §2º Observado o disposto no §3º deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação.(Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §3 A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Originariamente, a conduta infracional consistente em apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores era punível com pena pecuniária correspondente a cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do art. 32 da Lei nº 8.212/91. A Medida Provisória nº 449/2009, convertida na Lei nº 11.941/2009, alterou a memória de cálculo da penalidade em tela, passando a impor a multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omissas, mantendo inalterada a tipificação legal da conduta punível. A multa acima delineada será aplicada ao infrator independentemente de este ter promovido ou não o recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes, a teor Fl. 201DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.002862/201063 Acórdão n.º 2302002.504 S2C3T2 Fl. 191 23 do inciso I do art. 32A acima transcrito, fato que demonstra tratarse a ora discutida imputação, de penalidade administrativa motivada, unicamente, pelo descumprimento de obrigação instrumental acessória. Assim, a sua mera inobservância consubstanciase infração e implica a imposição de penalidade pecuniária, em atenção às disposições estampadas no art. 113, §3º do CTN. A Secretaria da Receita Federal do Brasil editou a IN RFB nº 1.027/2010, que assim dispôs em seu art. 4º: Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22/04/2010 Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. §2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista. Óbvio está que os dispositivos selecionados encartados na IN RFN nº 1.027/2010 extravasaram o campo reservado pela CF/88 à atuação dos órgãos administrativos, que não podem ultrapassar o âmbito da norma legal que rege a matéria ora em relevo, tampouco inovar o ordenamento jurídico. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 24 Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008, não vislumbramos existir motivo para serem somadas as multas por descumprimento da obrigação principal e com aquelas decorrentes da inobservância de obrigações acessórias, para, em seguida, se confrontar tal somatório com o valor da multa calculada segundo a metodologia descrita no art. 35A da Lei nº 8.212/1991, para, só então, se apurar qual a pena administrativa se revela mais benéfica ao infrator. Entendo que o exame da retroatividade benigna deve se adstringir ao confronto entre a penalidade imposta pelo descumprimento de obrigação acessória, calculada segundo a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores e a penalidade pecuniária prevista na novel legislação pelo descumprimento da mesma obrigação acessória, não havendo que se imiscuir com a multa decorrente de lançamento de ofício de obrigação tributária principal. Lé com lé, cré com cré. A análise da lei mais benéfica não pode superar tais condições de contorno pois, como já afirmado alhures, tratase de obrigação acessória que é absolutamente independente de qualquer obrigação principal. Notese que o princípio tempus regit actum somente será afastado quando a lei nova cominar ao FATO PRETÉRITO, in casu, o descumprimento de determinada obrigação acessória, penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Dessarte, nos termos do CTN, para fins de retroatividade de lei nova, é incabível a comparação entre (a) o somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 e das multas aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32, ambos da Lei nº 8.212/991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/91, acrescido pela Lei nº 11.941/2009, inexistindo regra de hermenêutica que nos autorize a extrair dos documentos normativos acima revisitados interpretação jurídica que admita a comparação entre a multa derivada do somatório previsto na alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da IN RFB nº 971/2009 e o valor da penalidade prevista na alínea ‘b’ do inciso I do mesmo dispositivo legislativo suso aludido, para fins de retroatividade de lei tributária mais benéfica. De outro eito, mas trigo de outra safra, o art. 97 do CTN estatui que somente a lei formal pode dispor sobre a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos e tratar de hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do §3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.002862/201063 Acórdão n.º 2302002.504 S2C3T2 Fl. 192 25 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Mostrase flagrante que a alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, acrescentado pela IN RFB nº 1.027/2010, é tendente a excluir, sem previsão de lei formal, penalidade pecuniária imposta pelo descumprimento de obrigação acessória nos casos em que a multa de ofício, aplicada pelo descumprimento de obrigação principal, for mais benéfica ao infrator. Tal hipótese não se enquadra, de forma alguma, na situação de retroatividade benigna prevista pelo art. 106, II, ‘c’ do CTN, pois emprega como parâmetros de comparação penalidades de natureza jurídica diversa, uma pelo descumprimento de obrigação principal e a outra, pelo de obrigação acessória. Há que se reconhecer que as penalidades acima apontadas são autônomas e independentes entre si, pois que a aplicação de uma não afasta a incidência da outra e vice versa. Nesse contexto, não se trata de retroatividade da lei mais benéfica, mas, sim, de dispensa de penalidade pecuniária estabelecida mediante Instrução Normativa, favor tributário que somente poderia emergir da lei formal, a teor do inciso VI, in fine, do art. 97 do CTN. É mister ainda destacar que o art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela Medida Provisória nº 449/2008, apenas se refere ao lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 dessa mesma Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a outras entidades e fundos, não produzindo qualquer menção às penalidades administrativas decorrentes do descumprimento de obrigação acessória, assim como não o faz o remetido art. 44 da Lei nº 9.430/96. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 204DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 26 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) (...) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Assim, em virtude da total independência e autonomia entre as obrigações tributárias principal e acessória, o preceito inscrito no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, não projeta qualquer efeito sobre os Autos de Infração lavrados em razão exclusiva de descumprimento de obrigação acessória associada às Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. Uma vez que a penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória encontrase prevista em lei, somente o Poder Legislativo dispõe de competência para dela dispor. A legislação complementar, na forma de Instrução Normativa emanada do Poder Executivo, é pai pequeno no terreiro, não podendo dispor autonomamente de forma contrária a diplomas normativos de mais graduada estatura na hierarquia do ordenamento jurídico, in casu, Fl. 205DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 11516.002862/201063 Acórdão n.º 2302002.504 S2C3T2 Fl. 193 27 a lei formal, e assim extrapolar os limites de sua competência concedendo anistia para exclusão de crédito tributário, em flagrante violação às disposições insculpidas no §6º do art. 150 da CF/88, o qual exige lei em sentido estrito. Vislumbrase inaplicável, portanto, a referida IN RFB nº 1.027/2010, por ser flagrantemente ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, mesmo que o sujeito passivo haja promovido, tempestivamente, o exato recolhimento do tributo correspondente, conforme assentado no art. 32A da Lei nº 8.212/91. Nesse contexto, afastada por ilegalidade a norma estatuída pela IN RFB nº 1.027/2010, por representar a novel legislação encartada no art. 32A da Lei nº 8.212/91 um benefício ao contribuinte, verificase a incidência do preceito encartado na alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN, devendo ser observada a retroatividade benigna, sempre que a multa decorrente da sistemática de cálculo realizada na forma prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91 cominar ao Sujeito Passivo uma penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência da infração. Assim, tratandose o presente caso de hipótese de entrega de GFIP contendo informações incorretas ou com omissão de informações, deverá ser aplicada a penalidade prevista no inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, se esta se mostrar mais benéfica ao Recorrente. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo a penalidade a ser aplicada ao sujeito passivo ser recalculada, tomandose em consideração as disposições inscritas no art. 32A, I da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, somente na estrita hipótese de o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 206DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
Numero do processo: 10120.000956/2010-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008
REUNIÃO DE PROCESSOS PARA JULGAMENTO CONJUNTO –
AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL
Não há previsão legal para que as autuações lavradas em uma ação fiscal
sejam julgadas em conjunto
MOTIVAÇÃO PARA INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL –
JUSTIFICATIVA PARA O CONTRIBUINTE – DESNECESSIDADE
Não cabe ao órgão fiscalizador justificar perante o contribuinte as razões que
levaram à instauração de procedimento fiscal perante este. A Secretaria da
Receita Federal do Brasil, diante de sua competência legal para planejar,
executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à
fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições
sociais tem a prerrogativa de decidir de forma discricionária o momento
oportuno de se efetuar ação fiscal junto ao contribuinte
CERCEAMENTO DE DEFESA – OFENSA AO CONTRADITÓRIO –
ANTES DO LANÇAMENTO – INOCORRÊNCIA
Não se vislumbra cerceamento de defesa ou afronta ao contraditório pelo fato
de não ter sido dada oportunidade ao contribuinte de manifestar-se
durante a
fase oficiosa do levantamento. Somente após a notificação do sujeito passivo
e conseqüente início da fase contenciosa é que são cabíveis alegações da
espécie
CERCEAMENTO DE DEFESA – NULIDADE – INOCORRÊNCIA
Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório
Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a
origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara
AUTUAÇÃO – LAVRATURA – LOCAL DE OCORRÊNCIA – FORA
DAS DEPENDÊNCIAS DO SUJEITO PASSIVO POSSIBILIDADE
Não representa qualquer nulidade o fato da análise da documentação da
empresa, a produção material das peças que compõe a autuação e a efetiva
lavratura ocorrer fora das dependência do sujeito passivo. A lavratura se
formaliza no momento da ciência, que segundo o Decreto 70.235/1972, pode
se dar pessoalmente, por via postal, edital, ou qualquer outro meio com
comprovação de recebimento
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA – ENFRENTAMENTO DE
ALEGAÇÕES – NULIDADE – INEXISTÊNCIA
A autoridade julgadora não está obrigada a decidir de acordo com o pleiteado
pelas partes, mas sim com o seu livre convencimento. Não se verifica
nulidade na decisão em que a autoridade administrativa julgou a questão
demonstrando as razões de sua convicção.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2402-002.651
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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A Secretaria da Receita Federal do Brasil, diante de sua competência legal para planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais tem a prerrogativa de decidir de forma discricionária o momento oportuno de se efetuar ação fiscal junto ao contribuinte CERCEAMENTO DE DEFESA – OFENSA AO CONTRADITÓRIO – ANTES DO LANÇAMENTO – INOCORRÊNCIA Não se vislumbra cerceamento de defesa ou afronta ao contraditório pelo fato de não ter sido dada oportunidade ao contribuinte de manifestarse durante a fase oficiosa do levantamento. Somente após a notificação do sujeito passivo e conseqüente início da fase contenciosa é que são cabíveis alegações da espécie CERCEAMENTO DE DEFESA – NULIDADE – INOCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara Fl. 180DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 AUTUAÇÃO – LAVRATURA – LOCAL DE OCORRÊNCIA – FORA DAS DEPENDÊNCIAS DO SUJEITO PASSIVO POSSIBILIDADE Não representa qualquer nulidade o fato da análise da documentação da empresa, a produção material das peças que compõe a autuação e a efetiva lavratura ocorrer fora das dependência do sujeito passivo. A lavratura se formaliza no momento da ciência, que segundo o Decreto 70.235/1972, pode se dar pessoalmente, por via postal, edital, ou qualquer outro meio com comprovação de recebimento DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA – ENFRENTAMENTO DE ALEGAÇÕES – NULIDADE – INEXISTÊNCIA A autoridade julgadora não está obrigada a decidir de acordo com o pleiteado pelas partes, mas sim com o seu livre convencimento. Não se verifica nulidade na decisão em que a autoridade administrativa julgou a questão demonstrando as razões de sua convicção. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10120.000956/201089 Acórdão n.º 2402002.651 S2C4T2 Fl. 173 3 Relatório Tratase do lançamento de contribuições descontadas dos segurados na competência 12/2008, as quais não foram recolhidas à época própria. A auditoria fiscal informa que foi efetuada Representação Fiscal para Fins Penais em razão da ocorrência de crime, em tese, previsto no inciso I, do § 1º, do art. 168A do Código Penal, a qual foi encaminhada à autoridade competente. Os fatos geradores também não teriam sido declarados em GFIP. Para o cálculo da multa foi observada a Medida Provisória nº 449/2008 que a partir de dezembro de 2008, introduziu na Lei nº 8.212/1991 o artigo 35A que estabeleceu a aplicação da multa de ofício de 75% prevista no art. 44, inciso I da Lei nº 9.430/1996. A autuada teve ciência do lançamento em 01/03/2010 e apresentou defesa (fls. 66/84) onde solicita julgamento conjunto de diversos autos de infração, sob o argumento de que os relatórios que acompanhariam os mesmos, trariam a descrição do mesmo fato gerador ou de fatos geradores semelhantes e interrelacionados. Tece considerações a respeito da conduta da empresa e informa que além da ação fiscal sofrida, ainda estaria enfrentando ação judicial com o objetivo de garantir a moralidade na administração da empresa em razão de práticas criminosas de um de seus sócios com poder de gerência. Questiona a abertura do procedimento fiscal, a qual teria coincidido com questões policiais e judiciais enfrentadas pela empresa o que teria levado a transparecer que a motivação para a ação fiscal seria estas questões. Apresenta suas suspeitas de que as causas para o levantamento se prendeu a denúncias contidas nas ações judiciais. No entanto, entende que tais motivos não poderiam ser considerados para tal mister. Argumenta que sempre atendeu a auditoria fiscal de forma célere e que após longa ação fiscal foi surpreendida com várias autuações sem que tivesse havido qualquer discussão prévia da matéria. Considera que a autoridade fiscal incorreu em vários equívocos. Apresenta considerações doutrinárias sobre o lançamento e invoca princípios dentre os quais o da audiência do interessado, a fim de se respeitar o direito ao contraditório. Alega que a identificação do fato gerador descrito no relatório fiscal não guarda coerência com as normativas do órgão. Manifesta seu inconformismo pelo fato de auditoria da Receita Federal do Brasil ter aplicado um procedimento de avaliação da base tributável por aferição indireta Fl. 182DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 quando a contabilidade e as declarações feitas refletem a realidade dos atos praticados ela empresa. Entende que houve duplicidade de lançamentos. Menciona outros princípios que entende aplicáveis à situação e considera que o lançamento seria nulo pela ausência de descrição clara e precisa dos fatos geradores. Irresignase pelo fato da atividade fiscal não ter sido exercida nas dependências da empresa, situação em que considera que a interpretação dada aos relatórios e informações, por parte da auditoria fiscal, seria completamente diferente. Solicita que lhe seja facultada a apresentação de documentos e informações complementares mesmo após o vencimento do prazo legal tendo em vista a não disponibilização de cópia de documentos integrantes da autuação solicitadas. Solicita ainda que os autos sejam encaminhados em diligência para saneamento dos erros apontados, bem como solicita a realização de perícia. Pelo Acórdão nº 0340.515 (fls. 129/138), o lançamento foi considerado procedente. Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 141/160) onde efetua a repetição das alegações de defesa. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação do recurso interposto. É o relatório. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10120.000956/201089 Acórdão n.º 2402002.651 S2C4T2 Fl. 174 5 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. Quanto à solicitação da recorrente de julgamento em conjunto de diversas autuações, vale dizer que não existe previsão legal que obrigue a tal procedimento. No entanto, cabe esclarecer que o auto em questão trata de contribuições descontadas dos segurados e não recolhidas e não me parece haver qualquer vinculação do presente julgamento aos demais. A recorrente considera que o que motivou o início da ação fiscal teriam sido questões policiais e judiciais enfrentadas pela recorrente à época. Entende que tais questões não poderiam levar à instauração do procedimento fiscal. Cumpre dizer que não cabe ao órgão fiscalizador justificar perante o contribuinte as razões que levaram à decisão de se instaurar um procedimento fiscal frente a este contribuinte. Valendose da competência legal prevista no art. 33 da Lei nº 8.212/1991, pode a Secretaria da Receita Federal do Brasil decidir o momento oportuno para iniciar uma ação fiscal, uma vez que tal dispositivo determina que compete ao citado órgão planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 da mesma lei das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. Da leitura do recurso apresentado verificase que a recorrente apresenta vários argumentos que não são pertinentes aos presentes autos, sobretudo seu inconformismo quanto a uma suposta utilização de aferição indireta para apuração da base de cálculo. Cumpre esclarecer que as bases de cálculo do lançamento em questão não foram apuradas por aferição indireta. De acordo com o Relatório Fiscal, o lançamento referese à contribuição descontada dos segurados, cujos fatos geradores foram retirados das folhas de pagamento elaborada pela própria recorrente, os quais, a auditoria fiscal informa, não foram declarados em GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. O presente lançamento contempla apenas uma competência, 12/2008, a qual foi lavrada em uma autuação separada em razão da multa aplicável obedecer ao disposto no art. 44, Inciso I, da Lei 9.430/1996, a multa de ofício de 75%. Claro, portanto, o equívoco da recorrente ao mencionar que a auditoria fiscal teria se utilizado de informações contidas em reclamatórias trabalhistas ocorridas fora do período do lançamento para apurar a base de cálculo. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 De igual forma, não merece acolhida a alegação de que a auditoria fiscal teria efetuado lançamento da contribuição dos segurados com base na suposição de que estas não teriam sido arrecadadas dos segurados. Na verdade, a auditoria fiscal tão somente transcreveu no Relatório Fiscal o que consta na própria Lei nº 8.212/1991, art. 22, § 5º, os quais transcrevo em sua redação atual: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (...) § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Na verdade, o dispositivo em questão se presta a esclarecer que a empresa é responsável pela recolhimento da contribuição dos segurados tendo ou não efetuado a arrecadação destas contribuições. Além disso, no presente caso, foi verificado que a recorrente efetivamente efetuou a arrecadação das contribuições, portanto, sequer se aplica a alegação. A recorrente manifesta seu inconformismo por ter sido autuada no final da ação fiscal sem que lhe tivesse sido oportunizado inteirarse como também manifestarse a respeito dos trabalhos da auditoria fiscal que resultou nos lançamentos. O procedimento da auditoria fiscal não se consubstancia em cerceamento de defesa. O trabalho da auditoria fiscal junto ao contribuinte para apurar eventuais contribuições não recolhidas ou descumprimento de obrigações acessórias se dá na chamada fase oficiosa do lançamento. A fase oficiosa se encerra com o efetivo lançamento e, a partir de então, iniciase a fase contenciosa, onde o contribuinte tem a oportunidade de contestação. O cerceamento de defesa só é passível de ocorrer na fase contenciosa, quando já existe o lançamento. Não há que se conceder oportunidade para manifestação ao contribuinte durante a fase oficiosa, porque nesse momento, não há do que se defender, haja vista a ausência de lançamento. A recorrente alega que a auditoria fiscal não teria precisado a ocorrência que ensejou o nascimento da obrigação tributária e que a descrição do fato gerador não guardaria semelhança com a base tributável. Considera, também, que a auditoria fiscal não logrou provar a existência do fato gerador Notase o caráter meramente protelatório da alegação. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10120.000956/201089 Acórdão n.º 2402002.651 S2C4T2 Fl. 175 7 Os elementos que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do lançamento, qual seja, contribuições dos segurados descontadas pela emprsa e não recolhidas. Além disso, toda a fundamentação legal que amparou o lançamento foi disponibilizada ao contribuinte conforme se verifica no relatório FLD – Fundamentos Legais do Débito que contém todos os dispositivos legais por assunto e competência. Assim, não há que se falar em cerceamento de defesa e nulidade da notificação. Quanto à alegação de que teria ocorrido multiplicidade de lançamento sobre uma mesma base tributável, vale dizer que a decisão recorrida já tratou tal questão, esclarecendo que o alegado não ocorreu, conforme trecho abaixo transcrito: Não procede a alegação de que houve uma diversidade de lançamentos sobre a mesma base tributável com relação aos autos de infração: 37.257.4084, 37.257.4092, 37.257.4106, relativo ao período de 01/2005 a 11/2008; 37.257.4050, 37.257.4068 e 37.257.4076 relativo às competências 12/2008 e 13º de 1998. Os lançamentos não foram feitos com base na diferença entre o valor recolhido e o arbitrado, mas conforme planilhas e detalhamento feitos no relatório fiscal. Os lançamentos foram desmembrados com relação aos períodos de 01/2005 a 11/2008 e 12/2008 e 13º de 2008, em razão da multa a ser aplicada de acordo com a legislação vigente nos referidos períodos. Quanto a este auto de infração e o auto de DEBCAD nº 37.229.0302, tratase de fatos geradores distintos, decorrentes da verificação de folhas de pagamento e GFIP, sendo que neste auto foram lançados os valores arrecadados dos segurados que não foram recolhimento e no auto de infração DEBCAD nº 37.229.0302 foram lançados os valores que a empresa não arrecadou corretamente nem recolheu. A recorrente manifesta seu inconformismo pelo fato de os trabalhos de auditoria terem sido efetuados fora do estabelecimento da empresa, uma vez que considera que se assim não tivesse ocorrido as conclusões da auditoria fiscal poderiam ser diferentes. Tal alegação não merece melhor sorte. Não há qualquer obrigatoriedade em que os trabalhos de auditoria fiscal ocorram no estabelecimento do sujeito passivo. Asseverese que esta matéria é, inclusive, objeto de súmula emitida pelo CARF, especificamente, a Súmula nº 06, aprovada pela Portaria CARF nº 49/2010, publicada no Diário Oficial da União – DOU em 07/12/2010, in verbis: Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 A recorrente alega que a decisão recorrida foi homologatória onde reafirmou os procedimentos utilizados pelo auditor fiscal para o cálculo dos tributos lançados, sem, contudo, contraditar as diversas alegações e ilegalidades feitas na defesa. A decisão recorrida não merece reparo. O julgador de primeira instância, com base nas informações fornecidas pela auditoria fiscal e razões de defesa apresentadas pela recorrente decidiu pela procedência do lançamento pelos motivos que elenca. Cumpre ressaltar que o órgão julgador não se obriga a apreciar toda e qualquer alegação apresentada pela recorrente, mas tão somente aquelas que possuem o condão de formar ou alterar sua convicção. Tal entendimento encontra respaldo em jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça aplicada subsidiariamente conforme se depreende do Recurso Especial, cuja ementa transcrevo abaixo: “RESP 208302 / CE ; RECURSO ESPECIAL1999/00235967 – Relator: Ministro Edson Vidigal – Quinta Turma – Julgamento em 01/06/1999 – Publicação em 28/06/1999 – DJ pág 150 PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PARA FINS DE PREQUESTIONAMENTO. ADMISSIBILIDADE. REFERÊNCIA A CADA DISPOSITIVO LEGAL INVOCADO. DESNECESSIDADE. 1. Legal a oposição de Embargos Declaratórios para pré questionar matéria em relação a qual o Acórdão embargado omitiuse, embora sobre ela devesse se pronunciar; o juiz não está obrigado, entretanto, a responder todas as alegações das partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para fundar a decisão. 2. Recurso não conhecido.” “REsp 767021 / RJ ; RECURSO ESPECIAL 2005/01171187 – Relator: Ministro JOSÉ DELGADO PRIMEIRA TURMA – Julgamento em 16/08/2005 DJ 12.09.2005 p. 258 PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU FALTA DE MOTIVAÇÃO NO ACÓRDÃO A QUO. EXECUÇÃO FISCAL. ALIENAÇÃO DE IMÓVEL. DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. GRUPO DE SOCIEDADES COM ESTRUTURA MERAMENTE FORMAL. PRECEDENTE. 1. Recurso especial contra acórdão que manteve decisão que, desconsiderando a personalidade jurídica da recorrente, deferiu o aresto do valor obtido com a alienação de imóvel. 2. Argumentos da decisão a quo que são claros e nítidos, sem haver omissões, obscuridades, contradições ou ausência de fundamentação. O nãoacatamento das teses contidas no recurso não implica cerceamento de defesa. Ao julgador cabe apreciar a questão de acordo com o que entender atinente à lide. Não está obrigado a julgar a questão conforme o pleiteado pelas partes, mas sim com o seu livre convencimento (art. 131 do CPC), Fl. 187DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10120.000956/201089 Acórdão n.º 2402002.651 S2C4T2 Fl. 176 9 utilizandose dos fatos, provas, jurisprudência, aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso. Não obstante a oposição de embargos declaratórios, não são eles mero expediente para forçar o ingresso na instância especial, se não há omissão a ser suprida. Inexiste ofensa ao art. 535 do CPC quando a matéria enfocada é devidamente abordada no aresto a quo. (g.n.)” Por fim, a recorrente solicita que os autos sejam baixados em diligência para saneamento dos vícios apontados, bem como a realização de perícia contábil. Não se verifica qualquer necessidade de saneamento. Os argumentos apresentados pela recorrente não demonstram a existência de vícios que ensejassem a necessidade de diligência para o seu saneamento. Quanto à perícia, sua necessidade para o deslinde da questão tem que restar demonstrada nos autos. No que tange à perícia, o Decreto nº 70.235/1972 estabelece o seguinte: Art.16 A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (...) Art.18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Da leitura do dispositivo, verificase que além de ser obrigada a cumprir requisitos para ter o pedido de perícia deferido, tal deferimento só ocorrerá diante do entendimento da autoridade administrativa no que concerne à necessidade da mesma. Nesse sentido, não basta que o sujeito passivo deseje a realização da perícia, esta tem que se considerada essencial para o deslinde da questão pela autoridade administrativa, nos termos da legislação aplicável, o que não se verifica. Não tendo sido demonstrada pela recorrente a necessidade da realização de perícia, não se pode acolher a alegação de cerceamento de defesa pelo seu indeferimento. Nada mais havendo a ser enfrentado e diante do exposto. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 189DF CARF MF Impresso em 11/06/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 09/05/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13855.003821/2008-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário:
2003, 2004, 2005, 2006
IRPJ. AGROINDÚSTRIA. CANA-DE-AÇÚCAR.
DEPRECIAÇÃO
INCENTIVADA. Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira,
integrados ao ativo imobilizado, podem ser apropriados integralmente como
encargos do período correspondente a sua aquisição.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-000.914
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento
ao recurso, para cancelar integralmente as exigências, nos termos do relatório e votos que
passam a integrar o presente julgado. Vencida a Conselheira Albertina Silva Santos de Lima
(relatora) que negava provimento. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro
Antônio José Praga de Souza.
Nome do relator: ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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AGROINDÚSTRIA. CANADEAÇÚCAR. DEPRECIAÇÃO INCENTIVADA. Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, podem ser apropriados integralmente como encargos do período correspondente a sua aquisição. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar integralmente as exigências, nos termos do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado. Vencida a Conselheira Albertina Silva Santos de Lima (relatora) que negava provimento. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Antônio José Praga de Souza. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente e Relatora. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 913DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13855.003821/200854 Acórdão n.º 140200.914 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório DA AUTUAÇÃO Tratase de lançamento das exigências do IRPJ e da CSLL relativos aos anos calendário de 2003 a 2006, em razão da infração de redução indevida do lucro real, em virtude da exclusão do lucro líquido do exercício, das parcelas, a título de “depreciação incentivada”, sem que fossem observados os requisitos legais pertinentes ao exercício da atividade rural (art. 250, I, 313, do RIR/99). Em decorrência, foi glosada a compensação de prejuízos do ano calendário de 2006, no valor de R$ 2.664.930,09 e a compensação de base de cálculo negativa da CSLL, de R$ 785.340,93, no mesmo anocalendário. O item 2 do relatório fiscal, de fls. 3255, referese à atividade rural na produção de açúcar e álcool. Constatou a fiscalização que a partir das informações constantes nas DIPJ, que a contribuinte considera desempenhar atividades rurais, e que a mesma tem como objeto social preponderante a atividade de transformação em que produz açúcar e álcool. Afirma a fiscalização, que do processo produtivo da usina, a produção da canadeaçúcar é própria do setor primário, enquanto que a seqüência e finalização do processo pertencem ao setor secundário, e que a produção da cana é tão somente uma das etapas para a obtenção do álcool combustível e do açúcar cristal. Salienta que o conceito fiscal do desempenho da atividade rural tem seu desenho normatizado pela Lei 8023/90, com as alterações impostas pela lei 9.430/96. No item 2.1, a fiscalização trata da incompatibilidade entre a produção de açúcar e álcool e a transformação permitida na atividade rural. Na atividade preponderante, a da transformação da produção agrícola, a lei exige outras condições: a) que não sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, b) sejam utilizados equipamentos e utensílios usualmente utilizados nas atividades rurais, c) a transformação seja efetivada pelo próprio agricultor e criador; d) que seja utilizada matériaprima, exclusivamente produzida na área rural. Afirma que a limitação imposta atinge a fiscalizada, pois na produção de açúcar cristal e álcool combustível há nítida alteração das características do produto in natura, e que inclusive consta na IN 81/2001, art. 2º, VI, b, item 2, que a atividade permitida como rural é a de moagem de canadeaçúcar para produção de açúcar mascavo, melado e rapadura; e que a norma permite a produção deste açúcar devido à manutenção das características e composição, ao ensejo de que a transformação do produto não derive produto de outra espécie. Acrescenta que no presente caso, o açúcar cristal produzido não mantém a característica, nem a composição do açúcar mascavo, e nos balanços contábeis, “custos de produção”, estaria clara a utilização de produtos químicos para produzir o açúcar e o álcool, de modo a alterar a composição e as características do açúcar fabricado; e que também seria Fl. 914DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13855.003821/200854 Acórdão n.º 140200.914 S1C4T2 Fl. 3 3 impossível esconder a alteração das características e composição da cana de açúcar quando se transforma em álcool combustível. Aduz que quanto à exigência de que sejam utilizados equipamentos e utensílios usualmente empregados na atividade rural, em nada se assemelham às enormes moendas e caldeiras encontradas no processo produtivo da usina para produzir açúcar e álcool como o moinho usado na atividade do produtor rural de açúcar mascavo. Salienta que a diferença do processo da usina com a do produtor rural é também quantitativa. Tratase de processo industrial, o verificado nas usinas com a produção como a deste caso, eis que a quantidade produzida de milhões de litros de álcool e de toneladas de açúcar cristal requer manejo industrial. Acrescenta que o art. 3º, I, da IN 257/02, veda expressamente a inclusão na atividade rural das atividades de industrialização. Destaca que a usina não industrializa apenas o que planta, pois também compra cana de terceiros, uma vez que sua atividade lucrativa é a venda de açúcar e álcool, independendo se tenha que adquirilos de fornecedores ou parceiros. No item 2.2 do relatório fiscal, a fiscalização trata da impossibilidade de adequação da agricultura como atividademeio no conceito legal de atividade rural. Destaca que os dois caminhos possíveis de interpretação das atividades da usina como sendo de atividade rural estão equivocados, quer naquele que se refere ao art. 2º, I, da Lei 8023/90, como agricultor a cultivar a canadeaçúcar, ou ao considerar que executa as atividades de transformação previstas no art. 2º, V, da mesma lei. Salienta a fiscalização, que ao produzir com seu maquinário e sua capacidade e escala industriais, obtém alta rentabilidade do solo, proporcionando ao seu negócio de venda de açúcar e álcool a maior lucratividade possível, assim, a decisão entre produzir ou não cana deaçúcar, não perpassa pela natureza do objeto social, e sim, considera a rentabilidade da produção do açúcar e do álcool. Explica que a fiscalizada foi instada a justificar a conceituação como atividade rural, e a mesma aduziu que explora a atividade rural como atividade meio com o cultivo da cana, e traz o conceito esculpido no ordenamento jurídico previdenciário, art. 201A do Decreto 3048/99, entretanto, de acordo com esse conceito, a agroindústria é a quem industrializa produção própria ou de terceiros, e sofre tributação previdenciária diferenciada, o que atinge a fiscalizada somente, em seus efeitos previdenciários. Ressalta que a legislação do imposto de renda e da contribuição social não utiliza essa conceituação, e que na conceituação da atividade rural, que dista da definição da agroindústria por conter outros limites, antagoniza com a agroindústria ao permitir a industrialização de produção adquirida de terceiros. Reconhece que as receitas de vendas da canadeaçúcar são da atividade rural, mas não aceita que as vendas de açúcar e álcool sejam da atividade rural. Explica o autuante, que na Lei 8023/90, que cuida da tributação da atividade rural, o vocábulo resultado vem significar a diferença entre receitas e despesas da mesma natureza, ou seja, ambas da atividade rural. Fl. 915DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13855.003821/200854 Acórdão n.º 140200.914 S1C4T2 Fl. 4 4 Acrescenta que a lei admite a transformação, mas desde que o produtor ou o criador mantenha esta qualidade intrínseca de rurícola, ao contrário do fato apurado, em que o industrial servese da atividade como produtor rural para dela extrair benefícios fiscais. A usina dedicase a produzir em escala industrial açúcar e álcool a partir da canadeaçúcar comprada ou cultivada, seu insumo industrial, e não o reverso admitido pela legislação, quando o produtor da canadeaçúcar a transformaria para dar vazão à sua produção rural. Sintetiza, dizendo que, a atividade rural envolve os custos e as receitas na produção, sendo que a indústria açucareira simplesmente por produzir a cana utilizada como insumo no processo industrial, não pode se aproveitar dos benefícios da atividade rural para a produção do açúcar e do álcool. A previsão legal é da tributação do resultado como um todo da atividade rural, não quando as receitas de venda envolvem produtos não considerados da atividade rural. O item 3 do relatório fiscal é dedicado ao benefício da depreciação acelerada incentivada. Segundo o mesmo, a empresa utilizouse do benefício da depreciação incentivada disposta no art. 314 do RIR/99, e que por essa norma, os bens do ativo permanente imobilizado, utilizados na atividade rural poderão ser depreciados integralmente no próprio ano de aquisição, e para tanto, pode ser feita uma exclusão na apuração do lucro real no valor do bem quando imobilizado, com as posteriores adições nos anos subseqüentes à medida que a quota de depreciação for sendo incorrida. Esse procedimento foi adotado pela contribuinte, entretanto, a fiscalização entendeu que a conceituação da fiscalizada ao considerar que exerce a atividade rural está errada, e consequentemente, os efeitos fiscais na apuração do lucro real devem ser desfeitos, a começar pelas glosas nas exclusões incorretas, terminando pela desconstituição das adições que também foram incorretas. Constam no Lalur, como exclusões, os valores das aquisições ocorridas no período, tais como, o maquinário adquirido para o trato da canadeaçúcar e para o transporte da cana, os custos incorridos na formação da lavoura sob a rubrica “cana em formação”, tais como mãodeobra dos trabalhadores rurais, encargos previdenciários e trabalhistas, assim como, os custos das prestadoras de serviços. A autoridade fiscal esclarece que a lei tributária permite que as pessoas jurídicas possam depreciar integralmente os bens do ativo permanente, e que a fiscalizada está utilizandose desse benefício não apenas para o maquinário, mas também para a exclusão de custos da cana em formação. Explica que a cana em formação cuida do plantio das mudas de canadeaçúcar plantadas em cada ciclo de cinco anos de produção. Neste qüinqüênio a planta é apenas podada, mas não replantada, assim, neste processo de produção, os custos de formação de lavoura canavieira estão sendo ativados, para depois serem depreciados. No item 3.1 do relatório fiscal aborda a contabilização e apuração do custo referente ao cultivo da canadeaçúcar. Explica que a empresa cultiva canadeaçúcar em terras próprias, mediante arrendamento em terras de terceiros e também a adquire diretamente de produtores rurais, e para tanto, realiza, mensalmente, investimentos diversos com o preparo do solo, plantio e manutenção da lavoura que são registrados na sua escrituração contábil. Salienta que a conta “canaviais em formação”, 152003, classificada pelo contribuinte no ativo permanente imobilizado, contém todos os investimentos realizados para a formação da cultura (até o período imediatamente anterior ao primeiro corte/produção), cujos principais custos são: fungicidas, fertilizantes, combustíveis, mãodeobra, arrendamento de equipamentos, preparo do solo, mudas, etc, e que esta conta, sofrerá depreciação em quotas Fl. 916DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13855.003821/200854 Acórdão n.º 140200.914 S1C4T2 Fl. 5 5 mensais ao tempo da safra (8 meses), considerando o tempo de vida útil de 5 anos, ou seja, o contribuinte amortiza os custos apurados na formação da lavoura canavieira proporcionalmente ao tempo em que irá auferir receitas com o investimento realizado. Acrescenta que após a imobilização dos custos da cana formação, duas modalidades podem ser feitas: a cana planta (127001) – quando são apropriados os gastos com a lavoura correspondente ao período entre o plantio da cana e o primeiro corte, e a cana soca (conta 127002), a qual apresenta os custos aplicados na lavoura canavieira, após o primeiro corte, sendo apropriados diretamente nos custos de produção da safra em andamento. Ambos lançamentos recaem em contas do ativo circulante, em contas de estoque, quando são feitos no período anterior ao da colheita no caso da cana soca. Nessa fase, os custos já não compõem o ativo permanente, sendo a safra fundada caracterizada como “um estoque em andamento”. Destaca que os valores apropriados na conta cana planta serão adicionados ao custo do produto vendido, a partir da expectativa de produção no início da safra. São mensalmente rateados, de modo que ao final da safra esteja no custo de produção de álcool e açúcar o total do estoque em andamento sob a rubrica safra fundada. Quanto aos efeitos fiscais, por não passar por conta do ativo permanente não sofre os efeitos da depreciação, nem possui benefícios fiscais da atividade rural. No item 3.2 do relatório fiscal, trata do benefício fiscal relativo à depreciação integral da conta lavoura em formação. No item 3.2.1, onde aborda o benefício fiscal utilizado pelo contribuinte, afirma que este contabiliza em conta de ativo permanente imobilizado (canaviais em formação) os custos apropriados para a formação da lavoura canavieira, amortizando contabilmente os custos desta conta na taxa de 20% ao ano, mediante lançamentos de depreciação acumulada bens em operação. Salienta o autuante, que o contribuinte entende que por ser uma pessoa jurídica que explora atividade rural, nos termos do art. 58, VI, do RIR/99, teria direito ao benefício fiscal previsto nos arts. 307, II, e 314 do RIR/99, podendo depreciar integralmente, no próprio período de apuração, todos os custos incorridos com a formação da lavoura da canavieira, registrados na conta Lavoura em formação. Assim, o contribuinte excluiu integralmente, nos ajustes do lucro líquido do período, os custos de lavoura em formação. Em contrapartida, o custo excluído é adicionado nos próximos 5 anos, nos ajustes do lucro líquido do período, no Lalur. No item 3.2.2 do relatório fiscal (da infração decorrente da exclusão indevida da depreciação acelerada incentivada da cana em formação), afirma a autoridade autuante que inexiste previsão legal para a dedução integral dos valores aplicados na formação da lavoura canavieira, vez que a lei não permite a dedução integral no cultivo de florestas, bens sujeitos à exaustão. Acrescenta que a lei rural permite exclusivamente a dedução integral da depreciação, e no caso versado deparase com quotas de exaustão. Cita a Solução de consulta da 4ª RF nº 5, de 05.02.2004 e transcreve alguns de seus trechos (onde é citado o PN CST 18/79), a qual conclui que os custos de aquisição e de formação da cultura da canadeaçúcar, excluída a terra nua, devem ser objeto de quotas de exaustão, e que nesse caso, não é legalmente prevista, para pessoas jurídicas que explorem a Fl. 917DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13855.003821/200854 Acórdão n.º 140200.914 S1C4T2 Fl. 6 6 atividade rural, a sua dedução integral no próprio ano da aquisição, visto que aquela só é permitida em se tratando de depreciação propriamente dita dos bens do ativo permanente imobilizado adquiridos para uso na referida atividade. Afirma que nesse mesmo sentido, segue a interpretação técnica contida na Norma Brasileira de Contabilidade nº 19.5 – NBC T 19.5 – depreciação, amortização e exaustão, aprovada pela Resolução nº 1027, de 15.04.2005, do CFC. Acrescenta que, além do art. 314 do RIR/99 não conter a previsão para a exaustão da lavoura em formação, também a permissão legal somente abrange o uso dos bens na atividade rural, sendo que, os bens ativados sob a rubrica “canaviais em formação” não podem ser qualificados como sendo utilizados na atividade rural, uma vez que são compostos por mãodeobra e custos trabalhistas, os quais são diferentes das máquinas e equipamentos propriamente usados na atividade rural. No item 4, aborda a interpretação literal aos benefícios fiscais. Reconhece que a legislação tributária confere tratamento privilegiado aos produtores rurais. Faz duas considerações relevantes. A primeira relativa à interpretação da legislação tributária aos benefícios fiscais. Afirma que a lei delimita com clareza os destinatários do benefício fiscal. Prevê como beneficiários os produtores rurais que transformam sua produção, com as limitações já expostas, assim, a atividade rural de transformação da produção rural sofreu limitação interpretativa legal. A segunda, a norma veiculada no art. 111 do CTN, que dispõe caber a interpretação literal da legislação tributária aos benefícios fiscais. Salienta que é desta forma que deve ser entendida a conceituação da atividade rural. Como benefício fiscal, sua tributação favorecida está restringida à interpretação literal pelo CTN, bem como, limitada pela própria conceituação da atividade de formação do produtor rural, consequentemente, atividades como as agroindustriais, como as desenvolvidas para a produção em escala industrial das usinas de açúcar e álcool não estão beneficiadas em sua tributação. Na apuração da base de cálculo em decorrência do expurgo dos efeitos fiscais da depreciação incentivada, se desconsiderou os efeitos gerados pelas adições e exclusões erradas na apuração do lucro real e da contribuição social, e como a fiscalização foi iniciada no anocalendário de 2003, e tributariamente ocorreu inicialmente uma exclusão, esta foi glosada. As adições posteriores ocorreram a cada período de apuração, sendo que nas adições dos anos calendário de 2003, 2004, 2005 e 2006, a base de cálculo corresponde à diferença entre a exclusão indevida e as adições indevidas em períodos anteriores. Após o lançamento, o prejuízo fiscal que a contribuinte dispunha e compensava com seu resultado teve a reversão do saldo constante no SAPLI, consequentemente, a contribuinte teve prejuízos compensados indevidamente, que também foram objeto de lançamento de ofício, para exigência do IRPJ e da CSLL, acrescidos de juros e multas. DA IMPUGNAÇÃO E DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Fl. 918DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13855.003821/200854 Acórdão n.º 140200.914 S1C4T2 Fl. 7 7 A partir do relatório da decisão de primeira instância, transcrevo a síntese das razões apresentadas na impugnação: 0 incentivo fiscal utilizado encontrase previsto no art. 6° da Medida Provisória n° 2.15970/2001, que determina que o beneficio destinase a qualquer empresa exploradora de atividade rural, quando o bem destinado aos efeitos da depreciação seja utilizado na atividade rural. O dispositivo legal não estabelece nenhuma limitação acerca da necessidade de que a empresa, para usufruir desse beneficio, explore exclusivamente uma atividade rural, vale dizer, a lei não veda o gozo do beneficio pelas empresas que exercem atividades mistas (rural e industrial). O art. 2° da Lei 8.023/90, com a redação dada pela legislação superveniente, é aplicável apenas as pessoas físicas, conforme se infere inclusive pela localização sistemática da norma no RIR199 (arts. 57 e segs.). A legislação conceitua a pessoa jurídica agroindustrial como produtora rural. O art. 22A da Lei 8.212/91, inserido pelo art. 2° da Lei 10.256/2001, definiu a agroindústria como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros. A qualificação da atividade como rural independe da obtenção produtos finais diversos da canadeaçúcar in natura, como o açúcar e o álcool. Há incongruência na argumentação da autoridade autuante ao equiparar a cultura de cana às florestas. Caso se admita tal equiparação, deveria a autoridade autuante qualificar a atividade da impugnante como rural, já que o art. 59 da Lei 9.430/96 considera como tal o cultivo de florestas que se destinem ao corte para comercialização, consumo ou industrialização. A canadeaçúcar possui uma parte subterrânea, onde se localizam as raízes da planta, coração de todo o ciclo da cultura, e uma parte aérea constituída pelos colmos, que são cortados na colheita. Com os sucessivos cortes a plantação resulta inviável economicamente, pela perda dos teores de sacarose. Há dispêndios com a cultura que se aplicam a um único plantio, enquanto outros, diversamente, se estendem a todo o ciclo produtivo. Nos termos do art. 179, IV, da Lei 6.404/76, devem ser registrados no ativo imobilizado os direitos que tenham por objeto bens destinados à manutenção das atividades da companhia, ou exercidos com essa finalidade, inclusive os de propriedade industrial ou comercial. O Pronunciamento VII do IBRACON classifica no imobilizado os bens Fl. 919DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13855.003821/200854 Acórdão n.º 140200.914 S1C4T2 Fl. 8 8 tangíveis ou intangíveis utilizados ou a serem utilizados na manutenção das atividades da entidade, cuja vida útil econômica, em praticamente todos os casos, seja igual ou superior a um ano. Dai a conclusão de que os recursos aplicados na formação da cultura devem ser registrados no ativo imobilizado, conforme reconhece inclusive o Conselho de Contribuintes. Os bens sujeitos a depreciação perdem seu valor econômico por força de desgaste de uso, de seu emprego na atividade social, enquanto aqueles sujeitos a exaustão são bens que se esgotam com o curso do tempo, por força da exploração humana, perdendo as suas propriedades físicas. Embora ambos reflitam a perda da vida útil econômica do bem, no primeiro caso não há seu desaparecimento físico, diferentemente da segunda hipótese. Nos termos do art. 307 do RIR199, a depreciação se aplica aos bens sujeitos a desgaste pelo uso ou por causas naturais ou obsolescência normal. A parte subterrânea da canadeaçúcar permanece viva após os sucessivos cortes. Ocorre que a cultura se torna economicamente inviável, por força do desgaste, deterioração do uso e por ações da natureza, após quatro ou cinco cortes. Diferentemente, os bens sujeitos a exaustão são objeto da própria atividadefim do explorador, tal como ocorre nas jazidas de petróleo ou de minérios e na cultura de florestas para cortes comerciais. A própria SRF, em 1987, na Solução de Consulta n° 33, afirmou com base no Parecer Normativo n° 18/79, que "o encargo a ser contabilizado pelas empresas que cultivam a canadeaçúcar, através de empreendimentos próprios, deve ser denominado depreciação". Ademais, o art. 183, § 2°, "c", da Lei 6.404/76, restringe a exaustão para custos relacionados, exclusivamente, a recursos minerais e florestais, sem reportála à formação de lavouras agrícolas, sendo ilegítima a exigência de exaustão fora das hipóteses veiculadas na norma. Portanto, os custos com a formação das touceiras e soqueiras devem ser submetidos à depreciação integral prevista no art. 6° da Medida Provisória 2.15970/2001, conforme já reconhecido pelo Conselho de Contribuintes. Em decorrência da improcedência da glosa da depreciação incentivada, também é improcedente a glosa dos prejuízos compensados. Por fim, pede o contribuinte que seja cancelada a exigência fiscal contida nos autos de infração lavrados. A Turma Julgadora considerou a impugnação improcedente, tendo proferido as seguintes ementas: Fl. 920DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13855.003821/200854 Acórdão n.º 140200.914 S1C4T2 Fl. 9 9 EXCLUSÃO DA BASE DE CALCULO DO IRPJ CANADE AÇÚCAR EXAUSTÃO DEPRECIAÇÃO ATIVIDADE RURAL Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira estão sujeitos a exaustão e não a depreciação, de modo que não se aplica a depreciação integral prevista no art. 6° da Medida Provisória 2.15970/2001. Exerce atividade agroindustrial a empresa que cultiva canadeaçúcar e a industrializa, produzindo álcool e açúcar refinado. AUTO REFLEXO Quanto à impugnação de auto de infração lavrado como reflexo de fatos apurados para o lançamento do IRPJ, são aplicáveis as mesmas razões que deram fundamento à decisão acerca da impugnação a este, quando não houver alegação especifica no tocante ao auto reflexo. A Turma Julgadora transcreve o art. 6º da MP 215970/2001, para concluir que a regra é clara ao exigir que a pessoa jurídica explore a atividade rural e que o conceito de atividade rural foi previsto no art. 2º da lei 8023/90, e afirma que esse artigo aplicase inclusive às pessoas jurídicas (art. 14 da lei 8023/90), bem como, salientou que descabe a alegação de que o art. 22A da Lei 8212/91, inserido pelo art. 1º da lei 10.256/01, equipara a agroindústria ao produtor rural, pois essa norma somente se aplica às contribuições destinadas à seguridade social, previstas nos incisos I e II da Lei 8.212/91. Diz que a própria legislação previdenciária distingue o tratamento a ser dado à agroindústria e ao produtor rural, e que o mencionado art. 22A da Lei 8.212/91, regula as contribuições devidas pelas agroindústrias, enquanto as contribuições devidas pelos produtores rurais pessoas jurídicas são reguladas pelo art. 25 da Lei 8870/94, com a redação dada pelo art. 2º da Lei 10.256/01. Afirma ainda a Turma Julgadora, que não procede a alegação da impugnante no sentido de que sua atividade deve ser qualificada como rural, já que o art. 59 da lei 9.430/96, considera como tal o cultivo de florestas que se destinem ao corte para comercialização, consumo ou industrialização. Reconhece que a norma qualifica como rural a atividade de cultivo de florestas, mesmo quando destinada ao corte para industrialização, mas que isso não significa que o contribuinte que industrializa a floresta cultivada também exerce atividade rural, ou seja, aquele que cultiva a floresta e também industrializa o produto após o corte qualificase como agroindústria, não como simples produtor rural. Transcreve os artigos 58, VI, 307, II e § único, IV, 314, 334, todos do RIR/99; e ainda o art. 14 da IN SRF 257/2002, e o art. 59 da Lei 9.430/96. Cita trechos da Solução de divergência COSIT 12/2003, que conclui que o benefício consistente na dedução integral dos valores dos bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, no próprio ano de aquisição, não inclui a amortização e nem a exaustão de recursos florestais. A partir dessa premissa perquire sua relação com a cultura da cana de açúcar, para fins de verificar se estaria sujeita a depreciação ou a exaustão. Cita doutrinas e item 10.14.5.6, das Normas Brasileiras de Contabilidade, emitidas pelo CFC, o Parecer Normativo CST 18/1979 e acórdão 10318.812/97. Concluiu que agiu com acerto a autoridade autuante ao glosar as exclusões indevidas de depreciação incentivada, e como conseqüência ao glosar os prejuízos compensados indevidamente. A ciência da decisão de primeira instância se deu em 06.12.2010, e o recurso foi interposto, em 29.12.2010. Fl. 921DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13855.003821/200854 Acórdão n.º 140200.914 S1C4T2 Fl. 10 10 DO RECURSO VOLUNTÁRIO A recorrente afirma que exerce atividade tipicamente rural, por ser uma sociedade agroindustrial, cujo objeto social é a plantação e industrialização da cana de açúcar, que compreende desde a preparação das terras destinadas às lavouras até à obtenção do produto final, no caso, açúcar e álcool, posteriormente comercializados no mercado interno e externo. Explica que sua cadeia produtiva é verticalizada, porém, toda voltada e dependente da cana de açúcar innatura, base de sua existência social, e consequentemente, a empresa faz jus ao benefício fiscal conhecido como depreciação incentivada, previsto na MP 2.15970/2001, art. 6º, sendo aplicável à sua atividade rural o benefício da depreciação acelerada do ativo imobilizado. Argumenta que a decisão recorrida interpretou equivocadamente o sentido e a disposição do art. 59, da Lei 9.430/96, por ter entendido indevidamente que a atividade rural da recorrente poderia ser considerada como cultivo de florestas, já que nessa situação seria considerada como exaustão e não depreciação. Afirma que o art. 2º da Lei 8.023/90, com a redação dada pela Lei 9.250/95, trouxe disposições sobre a atividade rural de forma genérica, para dispor sobre tributação dos resultados, e que a autoridade fiscal entendeu equivocadamente que a atividade rural é apenas privativa do setor primário da economia, mas que, o que pretendeu a recorrente não foi tão somente a utilização de benefícios na tributação de resultados, mas sim a garantia especial prevista na MP 2.15970/2001, de que é possível a depreciação de ativo imobilizado quando da exploração da atividade rural. Conclui que a Lei 8.023/90 trouxe disposição genérica que foi especificada na MP 2.15970/2001, quando esta apresentou situação especial para depreciação de ativo no exercício de atividade rural, como de fato é a atividade da recorrente. Salienta que de acordo com a norma, empresas rurais, são aquelas que exploram a capacidade produtiva do solo por meio do cultivo da terra, da criação de animais e da transformação de determinados produtos agrícolas, e que, para todos os fins legais e contábeis, não importa qual atividade seja especificamente desenvolvida, e que todas elas são rurais (agrícola, animal ou agroindustrial), nos termos do art. 6º da MP 2.15970/2001. Cita acórdão 110100114, proc. 10925.002741/200570. Destaca que permanece equivocado o entendimento de que, uma vez que o objeto social da empresa conteria também as atividades complementares de produção e comercialização de açúcar e álcool, o cultivo da lavoura da cana de açúcar não poderia ser considerado como produção agrícola. Alega que o art. 6º da MP 2.15970/2001, trata expressamente de um benefício especial, no caso, a forma de realização da depreciação do ativo imobilizado na atividade rural; que seria um benefício fiscal objetivo, específico em função da atividade, e não subjetivo como quer fazer crer a autoridade fiscal, e por essa razão, deve ser aplicada nos termos nela dispostos, para atividade rural, sem qualquer distinção quanto a ser esta atividade exercida por pessoa física, jurídica, agrícola, agroindustrial, agropecuária ou qualquer outra diferenciação. Acrescenta que pela inexistência de qualquer especificação para a concessão do mencionado benefício, seria manifestamente indevida qualquer diferenciação para atividade rural, incluindo de ordem financeira, e que a prevalecer o entendimento da autoridade Fl. 922DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13855.003821/200854 Acórdão n.º 140200.914 S1C4T2 Fl. 11 11 lançadora, se estaria diante do impropério de não poder ser exercida atividade rural se o fosse por pessoa jurídica de elevado capital ou faturamento. Cita acórdão proferido no recurso 164.119, de relatoria de Sandra Maria Faroni (13855.000997/200773) e conclui que não está em discussão (i) as determinações da Lei 8.023/90, (ii) se ela seria aplicável a pessoa física ou jurídica, (iii) se o tamanho da empresa ou montante do faturamento diferenciaria o que é produção agrícola ou não. Aduz que o que define a atividade rural é a produção de produtos agrícolas, a partir da utilização do solo, no caso, pelo cultivo da terra, por meio da utilização de produtos naturais dela extraídos. Aborda paralelo com a Lei 11.196/2005, que trata dos benefícios relativos à inovação tecnológica. Salienta que reforça seu entendimento, a análise da Lei 10256/2001, cujo art. 2º inseriu o art. 22A na Lei 8.212/91, que estabeleceu a modalidade de contribuição previdenciária a que se sujeita a agroindústria, definindose esta como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a de industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros. Afirma que o sistema jurídico é uno e como tal deve ser interpretado e que legislação tributária, específica quanto à contribuição social, socorre a recorrente quanto à sua pretensão, ao não distinguir as atividades como não o fez o legislador quando da edição da MP 2.15970, e considerálas únicas para fins previdenciários. Cita também o Estatuto da Terra, Lei 4.504/64, art. 96, onde define o conceito de parceria rural (inclusão pela Lei 11.443/2007). Conclui: Concluise, pois, que a natureza das atividades da Recorrente, previstas em seu objeto social, e de acordo com a legislação aplicável, é de natureza rural, verticalizada. Como produtora rural que é, independentemente da obtenção de produtos finais diversos da canadeaçúcar in natura, no caso, açúcar e álcool, e uma vez que depende fundamentalmente do cultivo da lavoura de canadeaçúcar a partir do qual desenvolve sua atividade agroindustrial, espécie de atividade rural, abrangida pela disposição do artigo 6, da Medida Provisória nº 2.15970/2001, foi autorizada pelo legislador a utilização do beneficio da depreciação incentivada da canadeaçúcar. A seguir, a recorrente aborda a depreciação acelerada, no subitem III.1.2 de seu recurso. Discorda da decisão recorrida sobre a lei não permitir a dedução integral, quando se tratasse de cultivo de florestas, situação em que aplicarseia a dedução, via cotas de exaustão, e que há incongruência nas argumentações e fragilidade jurídica do raciocínio empregado pela decisão, ao equiparar a cultura da cana às florestas, em desacordo com o que resta positivado na legislação pátria. Explica como se desenvolve a cultura da cana de açúcar e a razão sobre ela aplicarse o instituto da depreciação. Destaca que o anexo do recurso voluntário poderá auxiliar na visualização do plantio e colheita dessa cultura. Fl. 923DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13855.003821/200854 Acórdão n.º 140200.914 S1C4T2 Fl. 12 12 Salienta que a cana de açúcar possui, estruturalmente, uma parte subterrânea, na qual se localizam as raízes da planta, coração de todo ciclo da cultura, e uma parte aérea, constituída pelos colmos (além das folhas), que são objeto dos cortes: a cana de açúcar de primeiro corte é chamada de “cana planta” e de segundo corte em diante de “cana soca”, e a cada corte a planta modifica seu sistema de enraizamento. Explica que a touceira, após o primeiro corte da canadeaçúcar, passa a chamarse, soqueira, ingressando a planta em uma fase que propiciará o crescimento das raízes mais e mais superficiais, o que prejudica a nutrição da planta, e que, o valor econômico da plantação da canadeaçúcar reside no caldo do colmo, de onde é obtida, principalmente, a sacarose, sendo que o emprobecimento dos teores de sacarose, derivado dos sucessivos cortes da plantação, resulta, em dado momento, em inviabilidade da continuidade da cultura, encerrandose um ciclo produtivo para início de um novo. Ressalta que para garantir resultados satisfatórios nas colheitas, o produtor da canadeaçúcar, investe em melhorias do solo, procurando garantir adequado suprimento nutricional à planta, o que é possível se fazer, em média, no caso da cana, em até cinco cortes, quando então, a baixa se torna inevitável, finalizando o ciclo de produção, por incapacidade de retorno futuro do investimento. Conclui que há elevados dispêndios com a cultura que se aplica a um único plantio, enquanto outras, diversamente, se estendem a todo ciclo produtivo. A seguir, a recorrente passa a analisar os procedimentos adequados para o registro contábil dos custos incorridos com a formação da lavoura, para identificação dos efeitos tributários daí decorrentes. Salienta que as culturas agrícolas, nos termos das NBC, que cuidam dos aspectos contábeis específicos das entidades agropecuárias, dividemse em (i) temporárias, a que se extingue pela colheita sendo seguidas de novo plantio, e (ii) permanentes, aquelas de duração superior a um ano ou que proporcionam mais de uma colheita, sem necessidade de novo plantio, recebendo somente tratos culturais no intervalo entre as colheitas. Aduz que o registro contábil dos custos com a formação da cultura canavieira começa a se esquadrinhar na Lei 6.404/76, sendo certo que a companhia deverá registrar no ativo imobilizado os direitos representados por bens destinados à manutenção de suas atividades, de acordo com seu artigo 179, IV. Acrescenta ainda, que de acordo com o Pronunciamento VII do IBRACON e de acordo com doutrina que cita, se conclui, que no caso em exame, devem ser registrados no ativo imobilizado os recursos aplicados na formação da cultura, desde o preparo do solo até o encerramento do plantio, uma vez se tratarem de custos dirigidos à manutenção da atividade da companhia, contribuindo para a geração de receitas em diversos exercícios sociais, o que seria reconhecido pelo 1º CC, no acórdão 10318.812/97, e nesse mesmo sentido, o recurso 129.643 (proc. 10865.000415/9817), sendo pacífica a classificação dos recursos aplicados na formação da cultura canavieira no ativo permanente, devendo ser realizada a apropriação dos respectivos custos no decorrer dos períodos que contribuirão na geração de receitas, de acordo com os limites de sua vida útil econômica. Destaca, que no que toca, ao registro periódico da diminuição do valor do ativo imobilizado, o art. 183, § 2º da Lei das sociedades por ações, impõe que o mesmo ocorra nas seguintes contas, além da conta de amortização alheia ao lançamento e ao caso litigado: Fl. 924DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13855.003821/200854 Acórdão n.º 140200.914 S1C4T2 Fl. 13 13 a) depreciação, quando corresponder à perda do valor dos direitos que têm por objeto bens físicos sujeitos a desgastes ou perda de utilidade por uso, ação da natureza ou obsolescência; e b) exaustão, quando corresponder à perda do valor, decorrente da sua exploração, de direitos cujo objeto sejam recursos minerais ou florestais, ou bens aplicados nessa exploração. Argumenta que a “depreciação” e a “exaustão” implicam no reconhecimento de redução do valor do custo de bens tangíveis, por força de desgaste efetivo pelo uso ou perda de sua utilidade, mesmo por ação da natureza ou obsolescência. Cita o acórdão 10194.597, no recurso voluntário 119.769, e reconhece que a linha entre esses dois institutos é muito tênue, mas que na depreciação não há o desaparecimento da cultura, sendo que ela somente não poderá ser mais utilizada em decorrência de sua queda de qualidade, enquanto que na exaustão, há o desaparecimento da cultura pela exploração. Cita o Pronunciamento VII do IBRACON e doutrina, para afirmar que os bens sujeitos à depreciação perdem seu valor econômico por força de desgaste de seu uso efetivo, de seu emprego na atividade social, e por sua vez, os bens sujeitos à exaustão são aqueles que se esgotam com o curso do tempo, por força da exploração humana, perdendo suas propriedades físicas. Aduz que embora ambos reflitam a perda da vida útil de um bem, no primeiro caso, não há o desaparecimento físico do bem, diferentemente da segunda hipótese. Destaca que na cultura da canadeaçúcar, os custos a serem imobilizados são os incorridos do preparo do solo até a cobertura dos toletes com terra, que originarão as touceiras/soqueiras; estas últimas não são destinadas à venda, nem se caracterizam como matéria prima, que no caso, são os colmos. Explica que a touceira/soqueira permanecendo viva continua plantada no solo, não deixando de existir, nem sendo consumida pelo próprio solo ou pela retirada periódica dos colmos. Ali permanece até que seja retirada, quando se inicia a cultura de nova lavoura, com novo plantio, pois não mais poderá ser utilizada pela perda de qualidade da sacarose. Afirma que o art. 307, do RIR/99, é claro ao determinar “que podem ser objeto de depreciação todos os bens sujeitos a desgaste pelo uso ou por causas naturais ou obsolescência normal, e que no caso da cultura canavieira, em que o caule é sucessivamente cortado, provocando o desgaste das touceiras/soqueiras, que permanecem intocados subterraneamente, em situação diversa, no que acontece nos bens sujeitos à exaustão, em que os mesmos são objeto da atividade fim do explorador, tais como, nas jazidas de petróleo ou de minérios, ou ainda, na cultura das florestas, para cortes comerciais. Acrescenta que ainda que os julgadores considerassem o fundamento contido na decisão recorrida, no sentido de que no caso concreto, tratarseía de cultura tipicamente florestal, a legislação prevê a possibilidade de sua classificação como atividade rural, o que garante o direito à depreciação no caso da canadeaçúcar (art. 6º da MP 215970/2001), isto porque o art. 59 da Lei 9.430/96 afasta completamente os argumentos adotados na decisão recorrida, em especial, aquele em que os julgadores afirmam que “quando se trata de floresta própria (ou vegetação em geral), o custo de sua aquisição ou formação (excluindo o solo) será objeto de quotas de exaustão, na medida em que seus recursos forem exauridos (esgotados)”. Fl. 925DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13855.003821/200854 Acórdão n.º 140200.914 S1C4T2 Fl. 14 14 Salienta que ainda por amor ao debate, se a cultura desenvolvida pela recorrente, fosse “florestal”, o cultivo da canadeaçúcar deve ser integralmente depreciado por expressa disposição legal que equipara a sua atividade a atividade rural. Reforça seu entendimento, com o fato de ter sido expedida pela Receita Federal em 1987, a Solução de Consulta nº 33, afirmando com base no PN 18/79, que “o encargo a ser contabilizado pelas empresas que cultivam a canadeaçúcar, através de empreendimentos próprios, deve ser denominado depreciação, o que vincularia a Receita Federal. Conclui ser evidente que os custos com a formação das touceiras/soqueiras devem ser depreciados, uma vez que os sucessivos cortes da planta, não as destroem e não as consomem, e que, subsumemse os fatos apresentados e ocorridos no caso concreto à hipótese contida no art. 6º da MP 2.15970/2001, que permite ao contribuinte, depreciálo aceleradamente, no próprio exercício em que os custos forem incorridos, dos bens do ativo imobilizado, exceto a terra nua, que forem adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural, para uso nessa atividade. Cita o acórdão 10419138 (com a observação do mesmo ter considerado classificação contábil incorreta) e 10196.867 (anexo – pg. 857/). Argumenta ainda que comprovada a possibilidade da realização da depreciação, não há que se falar em glosa, tendo em vista terem sido corretamente compensados os prejuízos fiscais. DAS CONTRARAZÕES DA PFN A PFN, em suas contrarazões argumenta que não podem prosperar as razões apresentadas pela autuada, e afirma que o benefício da depreciação acelerada incentivada para a atividade rural não se aplica porque, no caso dos autos, a atividade exercida é agroindustrial, tratandose de depreciação e não de exaustão. Cita o acórdão 10513.579, em que se assevera a necessidade de cumulatividade dos requisitos para caracterizar a atividade como rural dispostos no inciso V, do art. 2º da Lei 8023/90. Transcrevo trecho das contrarazões: Podese concluir que a atividade da empresa, indústria sucroalcooleira, é a transformação de produtos decorrentes da atividade rural em grande escala, com alteração da composição e das características do produto in natura, para produção do açúcar cristal e álcool. Além disso, a autuada não utiliza equipamentos e utensílios “ usualmente empregados na atividade rural” , mas sim maquinário sofisticado do parque industrial da usina (moendas e caldeiras, que não se assemelham aos moinhos utilizados pelo produtor rural de açúcar mascavo), bem como adquire produtos de terceiros. Assim, a atividade da recorrente se afasta do rol das atividades rurais, não podendo Fl. 926DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13855.003821/200854 Acórdão n.º 140200.914 S1C4T2 Fl. 15 15 a esta se igualar, pois a legislação tributária diferenciou o tratamento dado ao produtor rural e ao industrial, em observância ao princípio da capacidade contributiva. Cite-se, por oportuno, trecho do Acórdão 10513.579, em que o julgador descaracterizou a atividade rural e a enquadrou como industrial, ratificando o lançamento fiscal pela falta de cálculo do adicional do IRPJ, pois se verificou que a atividade não era predominantemente rural, seu grande porte, atuante no mercado externo e interno; ocorrência de alteração da composição e características do produto in natura, bem como utilização de equipamentos típicos da atividade industrial, diverso dos rudimentares, usualmente empregados na atividade rural, em similitude com o caso dos autos (...) Também cita o acórdão 120200390, de 08.11.2010, que manteve o lançamento fiscal de IRPJ e CSLL, decorrentes da glosa de despesas de depreciação acelerada incentivada, com fundamento no art. 314 do RIR/99, também em caso semelhante ao dos presentes autos. No julgado, considerouse que a atividade preponderante da atuada era agroindustrial, descaracterizando a atividade rural, razão pela qual entendeu por indevido o gozo do benefício fiscal, não havendo possibilidade de comparação entre uma indústria de transformação em grande escala, como a agroindústria autuada, e o produtor rural a que a legislação tributária se refere. Argumenta que, subsidiariamente, caso não seja afastado o benefício fiscal, como exposto, tendo em vista o incentivo se direcionar a atividade preponderantemente rural, diversamente da atividade econômica da autuada (industrial), convém firmar que o art. 314 do RIR/99, se refere tão somente à depreciação, e o custo para a formação da lavoura canavieira está sujeita à exaustão, de modo que não se aplica a depreciação acelerada incentivada prevista atualmente no art. 6º do MP 215970/2001. Afirma inexistir previsão legal para dedução integral dos valores aplicados na formação da lavoura canavieira, pois esta se sujeita à exaustão, e a lei não permite a dedução integral no cultivo de florestas, de bens sujeitos à exaustão. A legislação do imposto de renda das pessoas jurídicas dispõe especificamente sobre a amortização dos direitos de exploração de florestas (art. 328 do RIR/99) e exaustão dos recursos florestais (art. 334 do RIR/99). Assim, somente poderá ser deduzido no mesmo ano da aquisição, o valor dos bens sujeitos à depreciação, de que trata o art. 307 do RIR/99. Citou a Solução de Consulta da RF08, nº. 86, de 14.03.2007, e registrou que, contudo, a empresa não está se utilizando deste beneficio apenas para o maquinário, mas também para a exclusão dos custos da cana em formação, mas, a cana em formação cuida do plantio de mudas de canadeaçúcar plantadas em cada cinco anos de produção. Neste qüinqüênio a planta é apenas podada, mas não replantada, de maneira que os custos de formação da lavoura canavieira estão sendo ativados para depois serem depreciados. Fl. 927DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13855.003821/200854 Acórdão n.º 140200.914 S1C4T2 Fl. 16 16 Também citou a solução de consulta da RF04, 5, de 05.02.2004, e o acórdão 10318.812. Conclui que a contribuinte não faz jus ao benefício da depreciação acelerada, previsto no art. 6º da MP 2.15970/2001, segundo o qual, os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural, para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no ano da aquisição, pois, referido benefício visa alcançar a atividade preponderantemente rural, e não a predominantemente industrial, como é o caso da autuada, e o custo da formação da lavoura de canadeaçúcar é bem sujeito à exaustão, e o benefício é para os bens sujeitos à depreciação. Este é o relatório. Voto Vencido Conselheira Albertina Silva Santos de Lima O recurso atende às condições de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de lançamento do IRPJ e da CSLL, relativo aos anoscalendário de 2003 a 2006, em virtude da infração de redução indevida do lucro real, decorrente das parcelas, a título de “depreciação incentivada”, terem sido excluídas do lucro líquido do exercício, sem a observância dos requisitos legais pertinentes ao exercício da atividade rural. Segundo a fiscalização, o objeto social preponderante da recorrente é a produção de açúcar e álcool, atividade agroindustrial, que não se amolda ao conceito de atividade rural de que trata o art. 2º da Lei 8.023/90, e incompatível com a transformação de produtos agrícolas permitida para a atividade rural, de sorte que, a agricultura não pode ser considerada atividademeio para o conceito legal da atividade rural. Concluiu a autoridade fiscal: a) que a contribuinte não pode gozar do benefício da depreciação acelerada incentivada dos bens do ativo permanente imobilizado, utilizados na atividade rural, porque as atividades exercidas não se conceituam como atividade rural; b) o benefício fiscal previsto no art. 5º da MP 174937/99, não alcança os valores incluídos na conta “Canaviais em Formação”, já que tal conta não está sujeita a depreciação, mas a exaustão, pois há declínio da capacidade produtiva causada pelo corte da parte externa do vegetal; c) os benefícios fiscais devem ser interpretados literalmente, nos termos do art. 111 do CTN. Por outro lado, a recorrente argumenta: Fl. 928DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13855.003821/200854 Acórdão n.º 140200.914 S1C4T2 Fl. 17 17 a) que o incentivo fiscal encontrase previsto no art. 6º da MP 2.159 70/2001, e que aplicase a qualquer empresa exploradora da atividade rural, quando o bem destinado aos efeitos da depreciação seja utilizado na atividade rural e que a lei não veda o gozo do benefício pelas empresas que exercem atividades mistas (rural e industrial); b) que o art. 2º da lei 8023/90 é aplicável somente às pessoas físicas, conforme se infere pela localização sistemática da norma no RIR/99 (art. 57 e seguintes); c) que o art. 22a da Lei 8.212/91, definiu a agroindústria como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e a adquirida de terceiros, assim, a qualificação da atividade como rural independeria da obtenção de produtos finais diversos da canadeaçúcar, como o açúcar e o álcool; d) não procede a argumentação do autuante ao equiparar a cultura de cana deaçúcar às florestas, pois se assim fosse, deveria o autuante qualificar a sua atividade como rural, já que o art. 59 da Lei 9.430/96 considera como tal o cultivo de florestas que se destinem ao corte para comercialização, consumo ou industrialização; e) a canadeaçúcar possui uma parte subterrânea, as raízes da planta, e uma parte aérea, “colmos”, que são cortados na colheita, e com os sucessivos cortes a plantação resulta inviável, pela perda dos teores de sacarose, existindo dispêndios com a cultura que se aplicam a um único plantio, enquanto outros se estendem a todo ciclo produtivo; f) Devem ser registrados no ativo imobilizado, nos termos do art. 179, IV, da Lei 6.404/76, os direitos que tenham por objeto bens destinados à manutenção das atividades da companhia, inclusive os de propriedade industrial ou comercial; que o pronunciamento VII do IBRACON classifica no imobilizado os bens tangíveis ou intangíveis utilizados ou a serem utilizados na manutenção das atividades da entidade, cuja vida útil econômica, em praticamente todos os casos, seja igual ou superior a um ano; assim, os recursos aplicados na formação da cultura devem ser registrados no ativo imobilizado, conforme reconhece inclusive o Conselho de Contribuintes; g) que embora a depreciação e a exaustão reflitam a perda da vida útil econômica do bem, no caso da depreciação não há seu desaparecimento físico, diferentemente do caso de exaustão, que se esgotam com o curso do tempo; que nos termos do art. 307 do RIR/99, a depreciação se aplica aos bens sujeitos a desgaste pelo uso ou por causas naturais ou obsolescência normal e que a parte subterrânea da canadeaçúcar permanece viva após os sucessivos cortes, mas inviável economicamente, após quatro ou cinco cortes; h) que os bens sujeitos à exaustão, diferentemente, são objeto da atividade fim do explorador, como no caso, de jazidas de petróleo ou de minérios e na cultura de florestas para cortes comerciais. i) A Receita Federal na SC 33, afirmou, com base no PN 18/79, que “o encargo a ser contabilizado pelas empresas que cultivam a canadeaçúcar, por meio de empreendimentos próprios deve ser denominado “depreciação”, e o art. 183, §2º, c, da Lei 6404/76, restringe a exaustão para custos relacionados, exclusivamente, a recursos minerais e florestais, sem reportála à formação de lavouras agrícolas, sendo ilegítima a exigência de exaustão fora das hipóteses veiculadas na norma; conclui que os custos com a formação das Fl. 929DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13855.003821/200854 Acórdão n.º 140200.914 S1C4T2 Fl. 18 18 touceiras e soqueiras devem ser submetidos à depreciação integral prevista no art. 6º da MP 2.15970/2011, conforme reconhecido pelo Conselho de Contribuintes. j) Cita acórdão proferido no recurso 164.119, de relatoria de Sandra Maria Faroni (13855.000997/200773), que analisou matéria semelhante, e que deu provimento ao recurso nessa parte, e discorda apenas da conclusão da caracterização como exaustão, e não como depreciação. A PFN, em suas contrarazões argumenta que o benefício da depreciação acelerada incentivada para a atividade rural não se aplica porque, no caso dos autos, a atividade exercida é agroindustrial, tratandose de depreciação e não de exaustão. Cita o acórdão 10513.579, em que se assevera a necessidade de cumulatividade dos requisitos para caracterizar a atividade como rural dispostos no inciso V, do art. 2º da Lei 8023/90. Também cita o acórdão 120200390, de 08.11.2010, que manteve o lançamento fiscal de IRPJ e CSLL, decorrentes da glosa de despesas de depreciação acelerada incentivada, com fundamento no art. 314 do RIR/99, também em caso semelhante ao dos presentes autos. No julgado, considerouse que a atividade preponderante da atuada era agroindustrial, descaracterizando a atividade rural, razão pela qual entendeu por indevido o gozo do benefício fiscal, não havendo possibilidade de comparação entre uma indústria de transformação em grande escala, como a agroindústria autuada, e o produtor rural a que a legislação tributária se refere. Argumenta que, subsidiariamente, caso não seja afastado o benefício fiscal, como exposto, tendo em vista o incentivo se direcionar a atividade preponderantemente rural, diversamente da atividade econômica da autuada (industrial), convém firmar que o art. 314 do RIR/99, se refere tão somente à depreciação, e o custo para a formação da lavoura canavieira está sujeita à exaustão, de modo que não se aplica a depreciação acelerada incentivada prevista atualmente no art. 6º do MP 215970/2001. Após essa síntese, passo à apreciação da matéria. De início devese registrar que a contribuinte se equivoca ao argumentar que o art. 2º da Lei 8.023/90 somente se aplicaria às pessoas físicas, em razão da localização da norma no RIR/99 (Seção VII, do Capítulo III, Título IV, Livro I.) isto porque, a lei 8.023/90, que altera a legislação do imposto de renda sobre o resultado da atividade rural, e dá outras providências, não faz qualquer restrição de que a mesma se aplica somente às pessoas físicas, inclusive seu art. 14 determina que o prejuízo apurado pela pessoa física e pela pessoa jurídica poderá ser compensado com o resultado positivo obtido nos anosbases posteriores, e este diz respeito somente ao resultado da atividade rural e o art. 12, posteriormente revogado, diz respeito à tributação na pessoa jurídica. Em relação ao art. 22A da Lei 8.212/91 (inserido pelo art. 2º da Lei 10.256/2001), essa lei dispõe sobre a organização da Seguridade Social e institui plano de custeio, assim, a definição de agroindústria disposta no art. 22A, somente tem aplicação para efeitos previdenciários, e não para fins de conceituação da atividade rural para fins tributários. Fl. 930DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13855.003821/200854 Acórdão n.º 140200.914 S1C4T2 Fl. 19 19 Conforme descrito no Relatório Fiscal, a contribuinte tem como atividade preponderante a produção do açúcar e álcool. A questão em litígio é se o fato da recorrente plantar a canadeaçúcar como atividade meio para utilizála como insumo, em seu processo produtivo, pode ou não usufruir do benefício fiscal da depreciação acelerada de que trata o art. 314 do RIR/99. Transcrevo os artigos 314 e 58 do RIR/99: Art.314.Os bens do ativo permanente imobilizado, exceto a terra nua, adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural (art. 58), para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano de aquisição (Medida Provisória nº 1.74937, de 1999, art. 5º). Art.58.Considerase atividade rural (Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, art. 2º, Lei nº 9.250, de 1995, art.17, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 59): Ia agricultura; IIa pecuária; IIIa extração e a exploração vegetal e animal; IVa exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais; Va transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como a pasteurização e o acondicionamento do leite, assim como o mel e o suco de laranja, acondicionados em embalagem de apresentação; VIo cultivo de florestas que se destinem ao corte para comercialização, consumo ou industrialização. Parágrafo único.O disposto neste artigo não se aplica à mera intermediação de animais e de produtos agrícolas (Lei nº 8.023, de 1990, art. 2º, parágrafo único, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 17). Verificase que o art. 314 do RIR/99, dispõe sobre benefício que se refere a pessoa jurídica que explore a atividade rural. Qual o alcance de explorar a atividade rural? Explorar a atividade rural, para efeitos tributários, é o mesmo que apurar os resultados da atividade rural? A recorrente cita em seu recurso o acórdão 10196.867, de 14.08.2008, que analisou matéria semelhante. Transcrevo o seguinte trecho do voto condutor desse acórdão: O primeiro aspecto a ser observado é que o beneficio fiscal em discussão está previsto no art. 6º da Medida Provisória 2.15970 Fl. 931DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13855.003821/200854 Acórdão n.º 140200.914 S1C4T2 Fl. 20 20 (originalmente, no art. 7º da MP 1459, de 21 de maio de 1996). Não se nata, pois, de analisar a aplicação do beneficio previsto no § 2º do art. 12 da Lei nº 8.023/90, revogado pela Lei nº 9.249, de 1995 Diferentemente da Lei 8.023/90, que trata da tribulação dos resultados provenientes da atividade rural, .o art 6º da MP nº 2.15970, de 2001 não faz qualquer referência a resultados e nem remete à Lei 8.023/90 A norma em questão não limitou o benefício a empresas que explorem exclusivamente ou predominantemente atividade rural. De acordo com o dispositivo transcrito, o beneficio destinase a qualquer empresa que explore atividade rural, e a única limitação é que o bem a ser depreciado seja adquirido para uso nessa atividade. A lavoura da cana é, sem duvida. uma atividade rural Não é relevante, a meu ver, que a produção seja utilizada pela própria empresa, em sua agroindústria, ou seja vendida a terceiros; Como a norma não exige que a empresa aufira receitas de venda da produção rural, não cabe reportarse à Lei 8.023/90 para impor limitações ao gozo do benefício. Nesse caso, o autuante distinguiu onde a lei não o fez. Não apontado que se trata de bem ativado usado em outras atividades da empresa, que não a rural, aplicase, em princípio, o benefício. Respeito essa linha de argumentação, mas ouso dela discordar. Segundo o dicionário Aulete, obtido no sítio da uol na internet, um dos diversos significados da palavra “explorar” é o seguinte: Desenvolver, para extrair resultados econômicos; produzir; cultivar: explorar uma mina de ouro: explorar uma propriedade agrícola: "Lançou a vista para Diamantina, que nessa ocasião atraía os curiosos, e lá se foi ele... explorar o diamante." (Aluísio Azevedo, Coruja)) Segundo o Dicionário Houaiss, obtido no mesmo sítio, um dos significados da palavra “explorar” é o seguinte: extrair lucro, compensação material de, Ex.: está explorando um novo bar na beira da praia. Dos dois significados acima transcritos, verificase que explorar pode significar a obtenção de resultados econômicos e a extração de lucros. Para efeito de tributação de resultados, a Lei 8.023/90, conceituou atividade rural, em seu art. 2º. O art. 12 da mesma lei dispõe sobre a alíquota que incide sobre o lucro da exploração e é dirigido à pessoa jurídica que explora a atividade rural e seu § 2º dispõe que os bens do ativo imobilizado, exceto a terra nua, quando destinados à produção, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano de aquisição, mas, esses dispositivos foram revogados pela Lei 9.249/95. Fl. 932DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13855.003821/200854 Acórdão n.º 140200.914 S1C4T2 Fl. 21 21 Segundo o art. 2º da Lei 9.249/95, a pessoa jurídica que tenha por objeto a exploração da atividade rural pagará o imposto de renda e adicional de conformidade com as normas aplicadas às demais pessoas jurídicas. O art. 512 do RIR/99, determina que o prejuízo apurado pela pessoa jurídica que explorar a atividade rural poderá ser compensado com o resultado positivo obtido em períodos de apuração posteriores, não se lhe aplicando o limite previsto no art. 510 do mesmo RIR, isto porque, prevalece o disposto no art. 14 da Lei 8.023/90 (que prevê que o prejuízo apurado pela pessoa física e pela pessoa jurídica poderá ser compensado com o resultado positivo obtido nos anosbase posteriores). O caput do art. 541 do RIR/99, estabelece que a pessoa jurídica pagará o imposto de renda à alíquota de 15% sobre o lucro real, presumido ou arbitrado, e conforme o disposto no § 1º, aplicase, inclusive, à pessoa jurídica que explore atividade rural de que trata a Lei 8.023/90 (art. 3º, § 3º, da Lei 9.249/95). O caput do art. 542 do RIR/99, que tem como base legal o art. 3º, § 1º , da Lei 9.249/95, e art. 4º da Lei 9.430/96, trata da incidência do adicional de imposto, e dispõe no § 2º que a mesma regra aplicase à pessoa jurídica que explore a atividade rural de que trata a Lei 8.023/90 (art. 3º, § 3º da Lei 9.249/95). O art. 314 do RIR/99, acima transcrito, dispõe que os bens do ativo permanente imobilizado (exceto a terra nua), adquiridos por pessoa jurídica que explore a atividade rural, de que trata o art. 58 do RIR/99 (esse artigo tem como base legal o art. 2º da Lei 8.023/90, o art. 17 da Lei 9.250/95 e o art. 59 da Lei 9.430/96), para uso nessa atividade, poderão ser depreciados integralmente no próprio ano de aquisição (base legal, o art. 5º da MP 174937, de 1999, vigente à época). Por todos esses dispositivos legais citados, verificase que o legislador quando diz “explorar a atividade rural” quer dizer apurar resultados da atividade rural, consequentemente qualquer atividade meio praticada para a obtenção de insumos para serem utilizados no processo produtivo não pode ser caracterizada como exploração da atividade rural, para efeitos tributários. Conforme se constata das cópias das DIPJ acostadas aos autos, a cana de açúcar produzida não gera resultados da atividade rural. Do exposto, concluise que o benefício da depreciação acelerada, não pode ser usufruído pela recorrente. Esta já é razão suficiente para que se negue provimento ao recurso, tornando se desnecessária a discussão sobre depreciação e exaustão. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Relatora Fl. 933DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13855.003821/200854 Acórdão n.º 140200.914 S1C4T2 Fl. 22 22 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza – Redator Designado. Nos debates realizados no julgamento deste processo divergi do posicionamento da ilustre Relatora, que está brilhantemente fundamentado no voto acima. Uma vez que fui acompanhado pelos demais membros do colegiado, coube a mim redigir este voto vencedor. Tanto a fiscalização quanto a DRJ de Ribeirão Preto, argumentam que a recorrente não faz jus ao benefício da depreciação acelerada por não exercer atividade tipicamente rural, o que desqualificaria a pretensão do requerente. Todavia esses argumentos estão equivocados, uma vez que a Usina Batatais é sociedade agrícola cujo objeto social é: a plantação e industrialização de canadeaçúcar, e, portanto, exerce atividade tipicamente rural. O artigo 22A da Lei nº 8.212/91 é claro ao definir que Agroindústrias são produtores rurais que industrializam e comercializa bens de sua propriedade ou de produção própria e adquirida de terceiros, podendo beneficiarse integralmente dos incentivos circunscritos à atividade rural. Esse entendimento foi ratificado por esta mesma Turma no Acórdão 1402 00.271, assim ementado: ATIVIDADE RURAL COMPATIBILIDADE COM EQUIPAMENTOS USUALMENTE EMPREGADOS NA ATIVIDADE EQUIPAMENTOS DE ALTA TECNOLOGIA A lei prevê como condição para caracterizar a atividade como rural, a transformação de produtos, feita pelo próprio produtor, sem que haja alteração da composição e das características do produto in natura, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada. O emprego de equipamentos de alta tecnologia, não é vedado pela lei 8.023/1990. ATIVIDADE RURAL. FRIGORÍFICO DE AVES. Comprovado que a empresa atende todos os pressupostos do art. 2o. da Lei 8.023/1990 para fins de enquadramento na atividade rural, cancelase a exigência. Recurso de Oficio Negado. Recurso Voluntário Provido Equivocamse tanto a fiscalização quanto a DRJ de Ribeirão Preto/SP, ao desconsiderar a atividade rural da Recorrente ao argumento de que: “a regra é clara ao exigir que a pessoa jurídica explore atividade rural” e “ademais, não procede a alegação da Fl. 934DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13855.003821/200854 Acórdão n.º 140200.914 S1C4T2 Fl. 23 23 impugnante no sentido de que sua atividade deve ser qualificada como rural”, tese essa que teria amparo no artigo 2º, da Lei nº 8.023/901, com a redação dada pela Lei nº 9.250/95. A tributação beneficiada dos resultados obtidos na atividade rural, não é privativa apenas do setor primário da economia. Nos termos da Medida Provisória nº 2.159 70/2001, e é possível a depreciação de ativo imobilizado quando da exploração da atividade rural. Nesse diapasão também não merece prosperar o entendimento da douta Procuradoria da Fazenda Nacional, que alega em suas contrarrazões que o benefício previsto seria apto a beneficiar a atividade preponderantemente rural e que o recorrente exerce atividade preponderantemente industrial. No que tange à possibilidade da depreciação da plantações de canadeaçucar da empresa, entendo que não merecem reparos os precisos termos do memorial da recorrente, a seguir transcritos: (..) II. DA DEPRECIAÇÃO Cumpre esclarecer que a “confusão” gerada pela interpretação errônea de que a atividade da recorrente deve ser considerada como exaustão e não depreciação, pois estaria comparada ao cultivo de florestas é um argumento facilmente refutado. O primeiro ponto que deve ser observado é que, conforme exposto em Parecer do Dr. Ariovaldo dos Santos, não há diferença contábil entre depreciação e exaustão, tendo em vista que os ambos recebem o mesmo exatamente o mesmo tratamento. Vale citar trecho do referido Parecer que esclarece o tema, vejamos: “tanto depreciação quanto exaustão referemse a perda de valor de ativos, independente de sua natureza, afinal a perda reconhecida é sobre o ativo imobilizado. E nesse imobilizado estão classificados tanto os direitos cujo objeto são recursos minerais ou florestais, quanto os direitos relativos a bens físicos. A contrapartida do registro dessa perda de valor dos ativos é sempre reconhecida no resultado, seja como custo dos produtos vendidos seja como despesa do exercício. Daí podese concluir que os efeitos nos resultados, do ponto de vista da essência econômica, independente da denominação que recebam, depreciação ou exaustão, serão absolutamente iguais”. 1 Art. 2º Considerase atividade rural: I a agricultura; II a pecuária; III a extração e a exploração vegetal e animal; IV a exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais; V a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como a pasteurização e o acondicionamento do leite, assim como o mel e o suco de laranja, acondicionados em embalagem de apresentação. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à mera intermediação de animais e de produtos agrícolas.” Fl. 935DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13855.003821/200854 Acórdão n.º 140200.914 S1C4T2 Fl. 24 24 Ora, com a explanação acima fica claro que não diferença técnica entre os dois institutos, e que a “confusão” criada não pode prejudicar uma empresa séria que se utilizou tecnicamente de um benefício que lhe permitia adotar a sistemática de depreciação exatamente como ocorreu. Ademais, decisão recorrida afirma incorretamente que a cultura de canadeaçúcar equiparase ao cultivo de “de florestas”, situação em que aplicarseia a dedução via quotas de exaustão (nem para as florestas, ressaltese, o termo exaustão é atualmente cabível). A depreciação ocorre quando o bem do ativo está disponível para uso, sendo que tal “operação contábil” deve ocorrer até que o bem seja baixado do ativo. A ciência contábil, ao buscar traduzir em números a realidade econômica, determina a mensuração e registro da depreciação. Neste sentido, a depreciação é necessária para repor economicamente o capital bruto investido (na ciência econômica, a anterior Formação Bruta de Capital Fixo), evitando a tributação desse capital necessário à atividade produtiva por meio da dedução do montante investido dos tributos sobre a renda, ou seja, em linguagem contábil, permitindo a dedução econômica do custo da produção. A confusão conceitual perpetrada pela d. autoridade fiscal deve ser esclarecida para que seja possível a correta compreensão da aplicação do benefício da depreciação acelerada no cultivo da canadeaçúcar. O produtor da canadeaçúcar, a exemplo de outras culturas, investe em melhorias do solo, procurando garantir adequado suprimento nutricional à planta, o que é possível se fazer, em média, no caso da cana, em até cinco cortes, quando, então, a baixa qualidade se torna inevitável, finalizando o ciclo de produção, por incapacidade de retorno futuro do investimento. Após esse decurso o canavial tornase economicamente inviável pelo seu desgaste, deterioração do seu uso e por ações da natureza de onde se destacam o empobrecimento do solo e a superficialização do sistema radicular da planta, que diminuem a qualidade da sacarose. Assim, no caso de cultivo de canadeaçúcar, devem ser registrados no ativo imobilizado os recursos aplicados na formação da cultura, desde o preparo do solo até o encerramento do plantio, uma vez se tratarem de custos dirigidos à manutenção da atividade da companhia, contribuindo para geração de receitas em diversos exercícios sociais. (...) A Recorrente entende que as decisões proferidas pelo E. Conselho de Contribuintes, bem como os conceitos econômicos e contábeis e principalmente as disposições legais elencadas no recurso voluntário, encerram juridicamente a questão, seja à luz do Direito ou das Ciências Contábeis ou da Ciência Econômica, e demonstram a adequação dos procedimentos adotados pelo contribuinte. (...)” (... A matéria em já era conhecida por mim, pois, pude participar do julgamento de outros recursos na antiga 1a. Câmara do 1o. Conselho de Contribuintes, a exemplo do Acórdão 10196.867, proferido em 14/08/2008, assim ementado: Fl. 936DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA Processo nº 13855.003821/200854 Acórdão n.º 140200.914 S1C4T2 Fl. 25 25 CANADEAÇÚCAR EXAUSTÃO DEPRECIAÇÃO. Os recursos aplicados na formação da lavoura canavieira, integrados ao ativo imobilizado, não obstante sujeitos a exaustão e não a depreciação, podem ser apropriados integralmente como encargos do período correspondente a sua aquisição. (...) ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por: unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL, ao recurso, para cancelar a parcela da exigência correspondente a glosa da depreciação incentivada (...). Vejamos a conclusão do voto condutor do aludido acórdão, quanto a essa matéria, da lavra da ilustre conselheira Sandra Maria Faroni: “O artigo 6º, da Medida Provisória nº 2.15970/2001, ao permitir a apropriação imediata e integral, no próprio ano de sua aquisição, dos bens do ativo imobilizado aplicados na produção, buscou criar incentivo à atividade rural mediante antecipação da apropriação dos encargos correspondentes à sua perda de valor. A motivação da lei foi incentivar investimentos aplicados na atividade rural. Não pretendeu, a lei, distinguir entre bens do ativo imobilizado sujeitos à amortização ou à exaustão. A meu ver, não importa a denominação contábil dada à apropriação das despesas efetuadas com os investimentos incentivados, se depreciação, ou exaustão, mas sim a EFETIVA REALIZAÇÃO DO INVESTIMENTO DESTINADO À ATIVIDADE QUE SE DESEJA FOMENTAR. Pelas razões expostas, dou provimento parcial ao recurso para cancelar a parcela da exigência correspondente à glosa da depreciação incentivada”. (destaquei) Conclusão Diante do exposto oriento meu voto sentido de dar provimento ao recurso, para cancelar integralmente as exigências. É este o voto condutor do presente julgado. (assinada digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 937DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SAN TOS DE LIMA
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Numero do processo: 13808.001591/00-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 31 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1995
Ementa:
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL ACIMA DO LIMITE LEGAL E LUCRO INFLACIONÁRIO ACUMULADO. DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS RETIFICADORA ANTERIOR AO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. NOVA APURAÇÃO COM VALOR DE IMPOSTO NEGATIVO.
Havendo declaração de rendimentos retificadora, apresentada antes do início da ação fiscal, na qual há a redução do lucro tributável compatível com os registros contábeis e fiscais do contribuinte, é imperiosa a realização de nova apuração dos tributos devidos. No caso, o resultado dessa nova apuração demonstrou a existência de saldo negativo de IRPJ a pagar, ainda que se considere a adição de parcela do lucro inflacionário e, também, o limite de 30% previsto para a compensação de prejuízo fiscal.
LANÇAMENTO REFLEXO
A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se ao lançamento decorrente, por resultar dos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 1401-000.940
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias
Matéria: IRPJ - glosa de compensação de prejuízos fiscais
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS RETIFICADORA ANTERIOR AO INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. NOVA APURAÇÃO COM VALOR DE IMPOSTO NEGATIVO. Havendo declaração de rendimentos retificadora, apresentada antes do início da ação fiscal, na qual há a redução do lucro tributável compatível com os registros contábeis e fiscais do contribuinte, é imperiosa a realização de nova apuração dos tributos devidos. No caso, o resultado dessa nova apuração demonstrou a existência de saldo negativo de IRPJ a pagar, ainda que se considere a adição de parcela do lucro inflacionário e, também, o limite de 30% previsto para a compensação de prejuízo fiscal. LANÇAMENTO REFLEXO A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase ao lançamento decorrente, por resultar dos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável. Recurso de ofício negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 15 91 /0 0- 44 Fl. 769DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 2 Jorge Celso Freire da Silva– Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos e Karem Jureidini Dias Fl. 770DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13808.001591/0044 Acórdão n.º 1401000.940 S1C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso de ofício interposto contra o acórdão nº 0343.276, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF, que, por unanimidade de votos, decidiu julgar procedente a impugnação, exonerando o crédito tributário lançado, pelas razões que serão adiante expostas. Por descrever os fatos com a riqueza de detalhes necessária para a compreensão da controvérsia, adoto e transcrevo o relatório elaborado pela DRJ: Contra a contribuinte identificada no preâmbulo foram lavrados os autos de infração às fls. 11 a 19 (numeração digital), formalizando lançamento de ofício do crédito tributário a seguir discriminado, relativo ao anocalendário 1995, incluindo juros de mora calculados até 31/05/2000, perfazendo um total de R$ 7.462.243,68: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ 7.106.898,76 Contribuição para o PIS (Repique) 355.344,92 Os autos de infração decorreram da constatação das seguintes infrações: a) Ausência de adição ao lucro real do percentual mínimo de 10% do Lucro Inflacionário Acumulado Realizado, no valor de R$ 13.171,43; b) Não observância do limite de compensação de prejuízo acumulado de 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões. Não houve aplicação de multa de ofício, pois o lançamento fiscal foi efetuado para prevenir a decadência, nos termos do § 1º do art. 63 da Lei nº 9.430/96. No caso, o contribuinte, amparado em decisão de 1ª instância, consubstanciada em liminar concedida em mandado de segurança (Processo nº 96.00122709), procedeu à utilização plena dos resultados negativos apurados até 31/12/1994, compensandoos com os lucros apurados após janeiro de 1995, sem observar o limite legal de 30%. Tal liminar foi confirmada parcialmente por sentença de primeiro grau que autorizou a compensação integral até a exaustão dos prejuízos fiscais acumulados até 31/12/1994. Cientificada das exigências pessoalmente em 28/06/2000, conforme ciência constante dos autos de infração, a contribuinte apresentou em 27/07/2000 a petição impugnativa acostada às Fl. 771DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 4 fls. 36 a 59, contrapondose ao feito com os argumentos a seguir sumariados: Das Preliminares. Defendeu a interessada que o lançamento está embasado em valores incorretos, uma vez que a autuação teria desconsiderado a declaração retificadora apresentada em 09/08/1996, anteriormente, portanto, ao início do procedimento fiscal. Por meio dessa retificadora, o Lucro Real teria sido alterado de R$ 16.755.683,50 para R$ 4.027.526,26, e, como consequência, ainda que se observasse o limite de 30% determinado pela Lei n° 8.981/95, terseia um valor de IRPJ a pagar de R$ 1.143.885,40, o qual seria totalmente compensado pelo saldo de IR retido na fonte de R$ 1.342.244,82, já reconhecido no auto de infração. Alegou, em vista de a matéria estar sub judice, a inadequação do meio utilizado para o lançamento fiscal, uma vez que, na sua perspectiva, a utilização de auto de infração somente se justifica quando há aplicação de penalidade, e que, como no caso concreto não teria havido violação à legislação tributária, o lançamento deveria ter sido efetuado via notificação de lançamento. Assim, requer a anulação do presente lançamento. Afirmou que o disposto no art. 38 da Lei nº 6.830/80, renúncia à esfera administrativa quando o objeto da discussão judicial é o mesmo dos autos do processo administrativo fiscal, não se aplica ao presente caso, visto que a matéria impugnada administrativamente é mais ampla do que a discutida na esfera judicial. Ainda no tocante à concomitância de ação judicial, sustentou que o art. 38 da Lei nº 6.830/80 foi revogado pelo art. 51 da Lei n° 9.784/99 e que este somente se aplica à hipótese de desistência do processo administrativo quando a propositura da medida judicial é anterior a ele. Argumentou que a autoridade administrativa tem competência para não aplicar a Lei n° 8.981/95, contrária aos princípios constitucionais, sem que isso importe a declaração de inconstitucionalidade, que é monopólio do Poder Judiciário. Do Mérito. A interessada contraditou a exigência sustentando que a limitação da compensação introduzida pela Medida Provisória n° 812, posteriormente convertida na Lei n° 8.981/95, não se aplica ao caso, dado que, em 31 de dezembro de 1994, quando a referida Medida Provisória ainda não produzia efeitos, incorporouse ao seu patrimônio o direito de utilizar a totalidade dos prejuízos fiscais até então verificados. Consignou também que os fatos geradores do IRPJ e da CSLL, obtenção de renda e obtenção de lucro, são de natureza complexiva e correspondem ao lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação pertinente. Como consequência, ao estabelecer limitação à dedução dos prejuízos e das bases de cálculo negativas acumuladas, a Lei n° 8.981/95 Fl. 772DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13808.001591/0044 Acórdão n.º 1401000.940 S1C4T1 Fl. 4 5 alterou o conteúdo e o conceito de lucro, tributando o patrimônio, o que fere o direito de propriedade, além de caracterizar confisco ou empréstimo compulsório. Em relação ao lucro inflacionário, afirmou que na DIRPJ 1991, anocalendário 1990, houve a realização integral de saldo acumulado até essa data e, que, portanto, inexistia saldo de lucro inflacionário acumulado a realizar em 31/12/1995. Acrescentou que no SAPLI foi acrescido indevidamente, para o anocalendário 1991, um valor de Cr$ 94.888.678,00 referente ao saldo credor de correção monetária das demonstrações financeiras ocorrido em 1990 (diferença de IPC/BTNF da Lei n° 8.200/91), uma vez que a impugnante nunca apurou tal saldo credor referente ao diferencial IPC/BTNF. No que concerne aos acréscimos legais, pugnou pela não incidência dos juros moratórios, ao argumento de que o crédito tributário, ao tempo da lavratura do auto de infração, já se encontrava com a exigibilidade suspensa por decisão judicial. Acrescentou que, ainda que fossem devidos, os juros de mora não poderiam ser calculados com base na taxa SELIC, que tem natureza remuneratória. Em vista da alegação do sujeito passivo de que as declarações retificadoras não foram consideradas na autuação, a DRJ Brasília determinou a realização de diligência a fim de se verificar a autenticidade dos recibos de entrega correspondentes. Em atendimento à diligência, a DRF/São Paulo informou que, em relação à declaração do anocalendário de 1990, nada podia responder pois a declaração pertence ao arquivo da jurisdição do Rio de Janeiro e, em relação à declaração do anocalendário de 1995, disse que tal declaração não consta em seus sistemas e que o carimbo de recepção apresentado não possui as características do carimbo correspondente, sendo inválido o recibo de recepção apresentado. Diante disso, determinouse o retorno dos autos à DRF/São Paulo para que a contribuinte fosse intimada a apresentar o original da declaração retificadora de 1995, com o respectivo carimbo de recepção e, caso confirmada a falsificação, fosse reaberto o prazo para apresentação de impugnação complementar. Os autos retornaram com os originais da declaração retificadora do anocalendário de 1995 e com a ratificação da informação quanto à invalidade do carimbo de recepção. A DRJ em Brasília, então, decidiu pela procedência parcial do lançamento (Acórdão nº 17.989 de fls. 444 a 463), nos seguintes termos: QUESTIONAMENTO DA LEGALIDADE DA LIMITAÇÃO DE COMPENSAÇÃO DOS PREJUÍZOS FISCAIS EM 30% (TRINTA POR CENTO) DO LUCRO REAL (LEI N° 8.891/95, ART.42). Fl. 773DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 6 AÇÃO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CONCOMITÂNCIA A propositura de ação judicial importa a renúncia à instância administrativa relativamente à matéria que foi levada a juízo. Se o impugnante aduz outras questões além daquelas que aguardam apreciação judicial, a impugnação administrativa há de ser conhecida apenas com relação à matéria não discutida no âmbito judicial. EXCESSO DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. INOBSERVÂNCIA DO LIMITE LEGAL. CRÉDITO TRIBUTÁRIO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA POR LIMINAR EM MANDADO DE SEGURANÇA. LANÇAMENTO VIA AUTO DE INFRAÇÃO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA (LEI N° 9.430/96, ART. 63, § Io). INSTRUMENTO ADEQUADO. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. A constituição preventiva do crédito tributário para afastar a decadência, na hipótese em que sua exigibilidade esteja suspensa, impõese seja efetuado via auto de infração em ação fiscal externa, sem imposição de multa de ofício, nos termos da legislação de regência. A aplicação do auto de infração, assim lavrado, justificase pela existência, em princípio, de infração à legislação tributária, por isso o lançamento preventivo deverá conter os dispositivos legais violados. Além disso, tal instrumento de lançamento permite, com mais segurança, a defesa do contribuinte, ou seja, permite a ampla defesa e o contraditório, sem mitigações. De modo que, em sendo confirmada judicialmente a pretensão do fisco, o crédito tributário poderá, imediatamente, ser exigido administrativamente ou inscrito em dívida ativa, para execução judicial. DADOS DE SUPOSTA DECLARAÇÃO RETIFICADORA NÃO CONSIDERADOS. INEXISTÊNCIA DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA NOS SISTEMAS INTERNOS DA SRF. NÃO COMPROVAÇÃO DE RECEPÇÃO VÁLIDA. INEXISTÊNCIA DE ERRO NA APURAÇÃO DO VALOR TRIBUTÁVEL. AUSÊNCIA DE NULIDADE Não comprovada a entrega efetiva da declaração retificadora ao Fisco, incabível a alegação de erro na apuração do valor tributável. Além disso, mesmo que houvesse a comprovação da entrega e recepção válida de tal declaração retificadora, o erro na apuração do valor tributável não teria o condão de macular, por completo, o lançamento fiscal, pois tal discrepância, por ser pontual, poderia perfeitamente ser sanada pela autoridade julgadora. JUROS DE MORA TAXA SELIC. ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE A arguição de ilegalidade e inconstitucionalidade da lei ou ato normativo federal não é oponível na esfera administrativa, pois tais matérias estão afetas exclusivamente ao Poder Judiciário, em face do princípio da Unidade de Jurisdição. Além disso, enquanto não declarada a ilegalidade ou inconstitucionalidade em decisão judicial transitada em julgado a favor do contribuinte, inexiste possibilidade de sua não aplicação, pois a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 774DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13808.001591/0044 Acórdão n.º 1401000.940 S1C4T1 Fl. 5 7 LUCRO INFLACIONÁRIO ACUMULADO A REALIZAR EXISTENTE EM 31/12/1995 (SISTEMA SAPLI). DIFERENÇA DE IPC/BTNF DO SALDO DO LUCRO INFLACIONÁRIO ACUMULADO A REALIZAR EM 31/12/1989. COEFICIENTE DE REALIZAÇÃO MÍNIMO OBRIGATÓRIO. DECADÊNCIA PARCIAL CONHECIDA DE OFÍCIO No anocalendário 1995 e seguintes, a pessoa jurídica deverá, anualmente, realizar, no mínimo, dez por cento do lucro inflacionário acumulado a realizar (corrigido), existente em 31/12/95. E, enquanto o saldo do lucro inflacionário diferido (lucro inflacionário não oferecido à tributação) não estiver consumido pelas realizações mínimas obrigatórias, inexiste decadência quanto ao direito do Fisco exigir o IRPJ em relação ao saldo existente. Entretanto, corre prazo decadencial em relação às parcelas mínimas obrigatórias não realizadas e não lançadas tempestivamente, nos termos do art. 173, 1, do CTN. Ainda, o saldo do lucro inflacionário acumulado diferido em 31/12/95, constante do Demonstrativo do Lucro Inflacionário SAPLI (sistema informatizado de acompanhamento do lucro inflacionário), até prova em contrário do contribuinte, considerase prova suficiente para justificar o lançamento fiscal. LANÇAMENTO DECORRENTE: PIS (REPIQUE) O decidido para o lançamento principal estendese ao lançamento reflexo, quando este compartilha com aquele o mesmo fundamento factual, e desde não exista razão de ordem jurídica para lhe conferir julgamento diverso. A contribuinte recorreu da decisão e, em 5/12/2007, foi proferida a decisão da 3ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, Acórdão nº 10323.296 (fls. 536 a 544), no sentido de declarar nula a decisão da primeira instância do contencioso administrativo. A ementa correspondente foi proferida nos seguintes termos: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL OFENSA AO CONTRADITÓRIO E À AMPLA DEFESA É nula a decisão proferida sem a reabertura de prazo para o oferecimento de impugnação suplementar, por ofensa aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa. Segundo teor do voto correspondente, nenhuma das diligências foi plenamente cumprida, pois, na primeira, restou desatendido o quanto determinado em relação à declaração retificadora do anocalendário de 1990 e, na segunda, restou descumprida a determinação de reabertura de prazo para o oferecimento de impugnação complementar. Quanto à declaração relativa ao anocalendário de 1990, a Derat/RJ afirmou que o órgão “não dispõe de elementos para confirmar a autenticidade do recibo”. Ainda em atenção ao determinado pela segunda instância, a requerente foi intimada do resultado das diligências realizadas, motivo pelo qual apresentou impugnação complementar em 21/11/2008, ratificando todos os argumentos aduzidos na Fl. 775DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 8 impugnação apresentada em 27/07/2000 e no recurso interposto ao Conselho de Contribuintes, e reafirmando a autenticidade das declarações entregues. Em seguida, a DRJ Brasília se manifestou em 31/03/2009 (fl. 605 a 608) e entendeu que os autos deveriam retornar à DRF/São Paulo para que se apurasse a razão da inexistência, nos sistemas da RFB, das declarações retificadoras apresentadas pela contribuinte, e a veracidade do carimbo aposto na declaração retificadora referente ao anocalendário de 1995. No que tange à declaração relativa a 1995, a Derat/SP esclareceu que (fl. 613): Em atendimento ao despacho de folha 583, último parágrafo, item a), informo que não consta, em nosso arquivo físico de declarações e nem no arquivo eletrônico, cópia da referida declaração ou recibo. Adicionalmente, informo que comparei o carimbo do recibo à fl. 372 com os outros carimbos de recepção da DRF Centro Norte e encontrei exemplo de utilização de carimbo com as mesmas características do carimbo utilizado conforme demonstrado à fl. 588. Em 1996, a recepção eletrônica estava em fase de transição. Era o primeiro ano em que a transmissão era feita diretamente pelas delegacias e, devido ao pioneirismo, houve muitos problemas e não se pode afastar a possibilidade de extravio. Em nova manifestação (fl. 695), solicitada pela Defis/SP, a Derat/São Paulo reafirmou que o carimbo é verdadeiro e esclareceu que a divergência de informações entre os despachos anteriores deveuse ao fato de que, dentre as milhares de declarações arquivadas, somente se obteve êxito em encontrar uma declaração com carimbo que possui as mesmas características do modelo apresentado quando da segunda solicitação. No tocante às dúvidas sobre a existência e a veracidade das DIPJ retificadoras, a Defis/SP consignou o que segue (fls. 721 e seguintes): 2. O contribuinte alegou na Impugnação ao Auto de Infração, às fls. 52 que, ao se verificar a Declaração de Rendimentos referente ao anobase de 1990, houve a realização integral do saldo do lucro inflacionário acumulado até essa data, juntando a Declaração de Rendimentos do período base de 1.989 às fls. 72 a 79 e a Declaração Retificadora do ano base de 1.990 às fls. 80 a 88, cujos valores de lucro inflacionário, às fls. 77, verso (1.989) e fls. 91 verso (1.990), coincidem com os valores do SAPLI (fls. 28), restando, entretanto, no SAPLI, uma diferença a realizar no período de 1.990 no valor de Cr$ 619,00. 3. Portanto, de acordo com o SAPLI, em 1990 o contribuinte não realizou integralmente o saldo do lucro inflacionário acumulado, pois restou a diferença de Cr$ 619,00 (fls. 28), que com o fator de correção de 5, 7682, esse valor passou a ser, em 1991, de Cr$ 3.570,00 (fls. 28), mais o valor de Cr$ 94.888.678,00 referente a Fl. 776DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13808.001591/0044 Acórdão n.º 1401000.940 S1C4T1 Fl. 6 9 diferença IPC/BTNF, tendo em vista lucro inflacionário a realizar em 1989 no valor de NCz$ 1.732.341,00 (fls. 28). 4. Ocorre que, a DRJ/Brasilia, no seu despacho às fls. 254, informa: i) Dentre as várias alegações trazidas à baila pelo sujeito passivo, este questiona o fato de haver apresentado declarações retificadoras para os anos calendários de 1990 e 1995 e que as mesmas não foram consideradas quando da autuação. ii) Quanto à declaração do ano calendário de 1990, ao que tudo indica, o Sistema SAPLI não foi alimentado com as informações retificadas. 5. Quanto a primeira alegação, que por diversas vezes foi equivocadamente repetida no autos, esclarecemos que o sujeito passivo não alegou na sua Impugnação às fls. 35 a 58 haver apresentado a Declaração Retificadora do ano calendário de 1990 e que a mesma não foi considerada quando da autuação. 6. E não poderia ser de outra maneira, pois o ano sob fiscalização era o de 1995, e não o de 1990, portanto, quando da autuação, a DIPJ analisada pela Fiscalização foi a de 1995, e somente na impugnação o contribuinte apresentou o argumento de que houve a realização integral, no ano de 1990, do saldo do lucro inflacionário, quando juntou a cópia da Declaração Retificadora de 1990 (fls. 80 a 88). 8. Quanto à segunda alegação, de que o SAPLI, ao que tudo indica, não foi alimentado com as informações retificadas pela Declaração Retificadora de 1990, que também por diversas vezes foi equivocadamente repetida nos autos, achamos por bem, para dirimir esta dúvida em definitivo, intimar o contribuinte a apresentar a Declaração de Rendimentos Retificada desse ano (fls. 598), pois somente assim saberíamos se as informações sobre o lucro inflacionário desta Declaração haviam sido retificadas na Declaração Retificadora, e que estas informações retificadas não alimentaram o SAPLI; 9. Com a apresentação da Declaração Retificada de 1990, que juntamos às fls. 613 a 620, verificamos que as informações relativas ao lucro inflacionário NÃO FORAM RETIFICADAS, ou seja, a informação sobre o lucro inflacionário realizado que está na Declaração Retificada (fls. 613 a 620) é a mesma que está na Declaração Retificadora (fls. 80 a 88), não fazendo qualquer diferença ter sido uma ou ter sido a outra que alimentou o SAPLI, pois a informação é exatamente a mesma, sendo equivocada, portanto, a afirmação de que, ao que tudo indica, o SAPLI não foi alimentado com as informações retificadas pela Declaração Retificadora de 1990; 10. Esclarecemos ainda, que o contribuinte apresentou, sob intimação, o LALUR de no. 01, onde encontrase registrado o Lucro Inflacionário Realizado dos anos de 1989 e 1990 (fls. 625 Fl. 777DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 10 e 628), que coincide com o lucro inflacionário realizado declarado nas Declarações desses anos; 11. Assim, considerandose que apesar das diligências realizadas, não restou esclarecido, neste processo, o solicitado pela Terceira Câmara do Conselho de Contribuintes, ou seja, o cumprimento das diligências ordenadas pela DRJ às fls. 254, que seria a verificação da autenticidade dos recibos de entrega das declarações de 1990 e 1995; 12. Entendemos porém, face as informações acima, que a verificação da autenticidade do recibo de entrega da Declaração de 1990 tornouse desnecessária para o julgamento do caso, visto que ficou comprovado que o SAPLI foi alimentado com as informações corretas. [...] B.(...) 2. O contribuinte alegou na Impugnação, que ao deixar de considerar as informações contidas na Declaração Retificadora apresentada em 09/08/1996, a Fiscalização procedeu ao lançamento de oficio baseandose em valores incorretos do Lucro Real; 3. Para tentar esclarecer os fatos, o contribuinte apresentou, sob intimação, o Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) de no. 03, (fls. 637 a 640 ), onde encontrase registrado o Lucro Real do ano calendário de 1995, no montante de R$ 4.027.526,26 (fls. 638), em consonância com o valor declarado na Declaração Retificadora (fls. 216); 4. Também foi apresentado, sob intimação, o Livro Diário do ano calendário de 1995, estando registrado, no Balanço Patrimonial, (fls. 643), o lucro do exercício no valor de R$ 58.238.112,39, em consonância com a Declaração Retificadora (fls.216). [...] 7. Tendo em vista a resposta apresentada pela DERAT/SP ao item B, de que o carimbo É VERDADEIRO, entendemos haver sido atendido ao determinado na primeira parte da letra b, do despacho da DRJ às fls. 583, não sendo mais o caso de se proceder a intimação ao sujeito passivo, fazer oitiva de pessoas, etc..., tendo sido atendido também o determinado pelo despacho do Conselho de Contribuintes às fls. 520. A impugnante foi cientificada de tais fatos, por meio de sua representante legal, em 30/11/2010 (fl. 725). Em resposta, informou que a manifestação relativa à respectiva fiscalização fora protocolada em 21/12/2010, no Centro de Atendimento ao Contribuinte na Derat/SP. Em impugnação complementar, apresentada em 21/12/2010, a requerente reitera os argumentos apresentados na impugnação de 27/07/2000 e acrescenta que, ainda que autenticidade da DIPJ relativa ao anobase de 1995 não fosse motivo suficiente para o cancelamento integral dos autos de infração, estes devem ser cancelados também no que se refere ao crédito tributário constituído com base na parcela de lucro inflacionário não adicionada, tendo em vista que não foi realizada, dentro do Fl. 778DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13808.001591/0044 Acórdão n.º 1401000.940 S1C4T1 Fl. 7 11 prazo decadencial, a necessária revisão de ofício da DIPJ, referente ao anocalendário de 1990, verbis: Noutas palavras, considerando as informações contidas na DIPJ Retificadora e nos registros contábeis da Requerente, o que foi devidamente reconhecido por esta DRF/SP, a Requerente não teria IRPJ a recolher e tampouco PIS/Repique, mas sim um saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 198.409,42 (...). [...] Ainda que tal motivo não fosse, por si só, suficiente para o cancelamento integral dos autos de infração, o que se admite a título de argumentação, não pode prosperar a cobrança do IRPJ em razão da suposta falta de adição, na demonstração do lucro real, do percentual mínimo de 10% do lucro inflacionário realizado no valor de R$ 13.171,43, em razão do transcurso do prazo decadencial para o Fisco questionar tal suposta infração quando foram lavrados os autos de infração, originários do presente processo. [...] Com relação a este tópico, cabe ressaltar, mais uma vez, que houve a realização integral do saldo de lucro inflacionário acumulado até o anocalendário de 1990. Contudo, ainda que assim não fosse, fato é que a Fiscalizarão não poderia questionar em 18/06/2000, data da lavratura dos autos de infração que deram origem ao presente processo administrativo, o saldo de lucro inflacionário tributado no ano calendário de 1990, tendo em vista que já havia decorrido o prazo decadencial do direito do Fisco de constituir eventual crédito tributário, nos termos do artigo 150, § 4°, do CTN, já que transcorridos mais de cinco anos contados do momento da apuração dos saldo de lucro inflacionário pela Requerente, sem que a Autoridade Fiscal tenha realizado a revisão de ofício do lançamento "por homologação". Requer, assim, o cancelamento integral dos autos de infração lavrados. Por fim, cumpre registrar que a competência para julgamento da lide em tela foi conferida à DRJ/Brasília, em face da Portaria SRF n° 1.515/03. É o relatório. Depois de realizadas todas as diligências necessárias para o adequado julgamento do causa, o feito foi submetido à apreciação da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF, que houve por bem julgar totalmente procedente a impugnação apresentada pela contribuinte. O acórdão de fls. 743/757 restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1995 Fl. 779DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 12 PREJUÍZO FISCAL. COMPENSAÇÃO. LUCRO INFLACIONÁRIO ACUMULADO. SALDO DE 1995. REALIZAÇÃO MÍNIMA. NOVA APURAÇÃO COM VALOR DE IMPOSTO NEGATIVO. Cancelase a exigência quando, constatada a veracidade de carimbo de recepção de declaração retificadora que altera o lucro real do período, a nova apuração, decorrente da adição de parcela de realização do saldo de lucro inflacionário em 31/12/95 e da compensação de prejuízo fiscal dentro do limite legal previsto, resulta em valor de imposto a pagar negativo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1995 PIS REPIQUE. LANÇAMENTO DECORRENTE. A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplicase ao lançamento decorrente, por resultar dos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Diante da exoneração do crédito tributário e em razão do valor do crédito em discussão, o d. Relator determinou, de ofício, a remessa dos autos ao presente Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, em conformidade com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Alexandre Antonio Alkmim Teixeira O recurso preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Tratamse de Autos de Infração (fls. 11 a 19) de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ (R$ 7.106.898,76) e de Contribuição para o PIS – Repique (R$ 355.344,92), lançados a fim de prevenir a decadência do crédito tributário, nos termos do §1º do art. 63 da Lei nº 9.430/96, e, em decorrência, sem a aplicação da multa de ofício. Na data do lançamento fiscal, os débitos estavam com a exigibilidade suspensa por decisão judicial proferida em mandado de segurança (processo nº 96.00122709), que autorizava a contribuinte a compensar integralmente os prejuízos fiscais apurados até Fl. 780DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13808.001591/0044 Acórdão n.º 1401000.940 S1C4T1 Fl. 8 13 31/12/1994, compensandoos totalmente com os lucros apurados após janeiro de 1995, isto é, sem observar o limite legal de 30% disposto no art. 42 da Lei nº 8.981/95. Os fundamentos dos autos de infração decorreram de dois pontos principais: a) a não observância do limite de 30% para compensação de prejuízos fiscais com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões e, ainda, b) a falta de adição ao lucro real do percentual mínimo de 10% relativo ao lucro inflacionário acumulado. Intimada sobre a lavratura dos Autos de Infração em 28/06/2000, a contribuinte, inconformada com a exigência dos tributos, apresentou a impugnação em 27/07/2000, na qual defendeu, de início, que “os cálculos considerados no presente auto, para a apuração dos valores exigidos, estão baseados em elementos e dados incorretos, já que a Impugnante retificou a sua Declaração de Rendimentos referente ao anocalendário de 1995, em 09 de agosto de 1996, fato este não considerado pela Autoridade Fiscal, apesar de ter sido levado a seu conhecimento tal retificação”. Essa alegação é extremamente relevante, pois o acolhimento da retificação da declaração de rendimentos do anobase 1995 implica o cancelamento dos Autos de Infração, pelas razões muito bem consignadas pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília/DF. Isso porque, por meio dessa declaração retificadora (fls. 250/267), apresentada em 09/08/1996 (anterior ao início do procedimento fiscal), houve a redução do lucro real declarado de R$16.755.683,50 para R$4.027.526,26. Desse modo, mesmo sem entrar no mérito da discussão judicial relativa à compensação integral dos prejuízos fiscais acumulados até 31/12/1994, é possível concluir que, ainda que se considere a limitação de 30% acima referida, a exigência fiscal não deve prosperar. A razão é simples: remontandose os cálculos necessários para a apuração do IRPJ devido no anocalendário de 1995, verificase que o IRPJ a pagar seria de R$ 1.143.885,40, enquanto o saldo de IRFonte daquele ano foi de R$ 1.342.294,82, já reconhecido no Auto de Infração. Compensandose os dois, não haveria que se falar em IRPJ a pagar, eis que o IRFonte foi superior ao tributo devido, compondo um saldo negativo de R$ 198.409,42. Explicase: Como bem ressaltou a contribuinte em sua impugnação, ainda que se pudesse ignorar toda a discussão acerca da limitação à compensação exposta e mesmo que fosse observado o limite de compensação de 30%, não haveria que se falar em IRPJ a pagar, tornando imperioso o cancelamento do Auto de Infração, com base nas informações constantes da declaração de rendimentos retificadora. Confirase as alegações da contribuinte na sua impugnação: De fato, conforme consta do presente auto de infração, o valor considerado pela Autoridade Fiscal como Lucro Real foi de R$16.755.683,50, o qual constava da Declaração de Rendimento retificada, apresentada em 30 de abril de 1996, e não coincide com aquele apresentado na Declaração Retificadora acima mencionada, R$4.027.526,26. Fl. 781DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 14 Dessa forma, apenas a título argumentativo, ainda que se considere sem respaldo o procedimento adotado pela Impugnante (compensação sem a limitação de 30%), esta não poderia ter sido autuada no valor ora impugnado de R$7.462.243,69, uma vez que o montante de prejuízo fiscal efetivamente compensado foi de R$ 4.027.526,26, conforme consta da Declaração de Rendimentos Retificadora (cópia anexa). Portanto, levandose em conta os valores apresentados na Declaração Retificadora, ou seja, Lucro Real de R$4.027.526,26 e, acatandose a limitação de 30% introduzida pela Lei nº 8.981/95, terseia um valor de Imposto de Renda de R$ 1.143.885,40 o qual seria totalmente compensado pelo saldo de Imposto Retido na Fonte de R$ 1.342.244,82, já reconhecido nos cálculos apresentados no presente auto. [...] Essa alegação trazida pela contribuinte, associada à apresentação da DIPJ retificadora para o anobase de 1995, mostrouse fundamental para o desfecho do caso em exame. Por essa razão, a DRJ de Brasília/DF determinou a realização de diligências diversas, a fim de confirmar a sua efetiva apresentação perante a Receita Federal do Brasil, já que tal declaração retificadora não havia sido localizada na base de dados desse órgão, bem como a fim de comprovar a autenticidade do referido documento. Na eventualidade de ser confirmada a falsificação, deveria ser reaberto o prazo para apresentação de impugnação complementar pela contribuinte. O retorno das diligências, entretanto, não foi satisfatório, como destacou a DRJ no seguinte trecho do seu acórdão nº 17.989: “a declaração retificadora relativa ao ano calendário de 1995 não foi encontrada na base de dados da RFB, não tendo sido, por conseguinte, considerada pela autoridade lançadora no momento da autuação. Além disso, em virtude de ter sido assegurada a invalidade do carimbo de recepção correspondente, os valores ali constantes também foram desconsiderados pela autoridade julgadora.” Assim, concluiu a DRJ de Brasília/DF pela improcedência parcial da impugnação, afastando apenas em parte o lançamento para reconhecer, de ofício, “a decadência das parcelas de realização mínima obrigatória dos anos de 1992, 1993 e 1994 (parcelas que não foram realizadas tempestivamente), o saldo do lucro inflacionário a realizar em 31/12/1995 não é R$ 131.714,30, mas sim R$ 119.158,47, conforme tela do SAPLI, em face da adoção da SCI Cosit nº 23/2004 que reconheceu a decadência parcial automática de parcelas já decaídas (fls. 398/400).” Esse ponto será abordado adiante. Inconformada com o resultado do julgamento, a contribuinte recorreu ao antigo Conselho de Contribuintes. Este, por sua vez, reformou o posicionamento da DRJ e declarou nula a decisão de primeira instância, por considerar (i) que nenhuma das diligências foi plenamente cumprida e, também, (ii) que foi descumprida a determinação de reabertura de prazo para o oferecimento de impugnação suplementar, causando o cerceamento da ampla defesa e do contraditório. Em decorrência, a contribuinte foi novamente intimada e apresentou impugnação complementar em 21/11/2008, ratificando os argumentos da sua impugnação anterior. Além disso, foi determinada a realização de novas diligências, tanto por ordem do E. Conselho, como por determinação da DRJ de Brasília/DF. Fl. 782DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13808.001591/0044 Acórdão n.º 1401000.940 S1C4T1 Fl. 9 15 Cumpridas as determinações, dessa vez os retornos das diligências foram satisfatórios e atestaram que o carimbo de entrega da declaração retificadora é verdadeiro, embora não tenha sido localizada a declaração original no sistema da RFB. Confirase o trecho abaixo, extraído da declaração da DERAT/SP, no que tange à declaração do anocalendário de 1995 (fl. 613 – ou fl. 589 da numeração manual , reiterada pela declaração de fl. 695): Em atendimento ao despacho de folha 583, último parágrafo, item a), informo que não consta, em nosso arquivo físico de declarações e nem no arquivo eletrônico, cópia da referida declaração ou recibo. Adicionalmente, informo que comparei o carimbo do recibo à fl. 372 com os outros carimbos de recepção da DRF Centro Norte e encontrei exemplo de utilização de carimbo com as mesmas características do carimbo utilizado conforme demonstrado à fl. 588 . Em 1996, a recepção eletrônica estava em fase de transição. Era o primeiro ano em que a transmissão era feita diretamente pelas delegacias e, devido ao pioneirismo, houve muitos problemas e não se pode afastar a possibilidade de extravio. Assim, após confirmada a veracidade de sua declaração retificadora, é pertinente a alegação da contribuinte de que a sua DIPJ de 1996 (anocalendário 1995) foi retificada antes do início da ação fiscal, reduzindo o valor do lucro real do período de R$16.755.683,50 para R$4.027.526,26. Inclusive, cumpre destacar que a mesma Auditoria Fiscal (que também lavrou os Autos de Infração) elaborou o termo de prosseguimento de diligência, constatação, ciência e intimação de fls. 711/725, no qual consignou que o lucro real do anocalendário de 1995, informado na DIPJ retificadora (R$4.027.526,26), está em conformidade com os livros contábeis e fiscais da contribuinte. Feitas essas considerações, uma vez admitido que a declaração de rendimentos retificadora pode ser adotada como base para a apuração dos tributos devidos, devese concluir pelo cancelamento do Auto de Infração de IRPJ, como acertadamente fez a DRJ de Brasília/DF. Como dito, essa conclusão é facilmente aferível, mesmo sem enfrentar o fato de, à época, vigorar liminar concedida nos autos do mandado de segurança determinando a compensação integral dos prejuízos fiscais da contribuinte, isto é, dispensandoa de observar a trava de 30% para compensação. A 2ª Turma da DRJ de Brasília expõe de forma muito didática a questão em debate, acolhendo o argumento da contribuinte de que, ainda que se considere a compensação de prejuízos fiscais dentro do limite legal de 30% do lucro ajustado pelas adições e exclusões, o valor do IRPJ a pagar é inferior ao valor já adiantado no período a título de IRFonte. Confirase o quadro ilustrativo abaixo, elaborado pela DRJ: Descrição da DIPJ Retificadora Valor (R$) Lucro Real 4.027.526,26 Fl. 783DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 16 () Compensação (sem o limite de 30%) (1.208.257,88) Lucro Real após a compensação 2.819.268,38 Imposto devido (25%) 704.817,09 Adicional (12%) 72.000,00 Adicional (18%) 367.068,31 IR Total 1.143.885,41 () IRRF (1.342.294,82) IR Devido (198.409,41) Como se percebe, ainda que fosse observada a trava dos 30% para a compensação do prejuízo fiscal, não haveria que se falar em IRPJ devido, justamente pelo fato de o IRFonte ter sido mais que suficiente para cobrir todo o IRPJ daquele anocalendário. Assim, realizada a recomposição da apuração do IRPJ, mesmo sem adentrar na questão da compensação integral dos prejuízos apurados até 31/12/1994, não restam dúvidas de que não há saldo do IRPJ a pagar, ensejando o cancelamento do Auto de Infração examinado, dado que as exigências nele consignadas são indevidas. Quanto aos demais argumentos em discussão, apesar de ter se tornado desnecessário o enfrentamento de todos eles, já que as sobras acima relatadas são suficientes para o pagamento de todo o IRPJ daquele anocalendário, inclusive se considerada a adição ao lucro real do percentual mínimo de 10% relativo ao lucro inflacionário acumulado, vale destacar e reiterar todos os fundamentos do voto da DRJ sobre essa matéria, os quais adoto e transcrevo a seguir: No tocante à falta de adição do lucro inflacionário, a interessada alega que na DIRPJ 1991, anocalendário 1990, realizou integralmente o saldo de lucro inflacionário, e que no SAPLI foi acrescido indevidamente, para o anocalendário de 1990, um valor de Cr$ 94.888.678,00 referente ao saldo credor de correção monetária das demonstrações financeiras ocorrido em 1990 (diferença de IPC/BTNF da Lei nº 8.200/91). Na impugnação suplementar, acrescenta que, ainda que autenticidade da DIPJ relativa ao anobase de 1995 não fosse motivo suficiente para o cancelamento integral dos autos de infração, estes devem ser cancelados também no que se refere ao crédito tributário constituído com base na parcela de lucro inflacionário não adicionada, tendo em vista que não foi realizada, dentro do prazo decadencial, a necessária revisão de ofício da DIPJ, referente ao anocalendário de 1990. Tal matéria foi enfrentada na decisão anterior desta DRJ Brasília, tendo sido adequadamente examinada, motivo pelo qual se transcreve o voto correspondente: Compulsando as DIRPJ acostadas aos autos, observase que, realmente, o sujeito passivo jamais declarou saldo credor de Fl. 784DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13808.001591/0044 Acórdão n.º 1401000.940 S1C4T1 Fl. 10 17 correção monetária (diferença IPC/BTNF – Lei nº 8.200/91) de que trata o art. 38 do Decreto nº 332/91. Na verdade, a diferença IPC/BTNF de Cr$ 94.888.678,00 – lançada no ano base 1991 (SAPLI à fl. 28) – foi calculada em face do saldo de lucro inflacionário a realizar em 31/12/1989 cujo valor era NCz$ 1.732.341,00, conforme demonstrativo do SAPLI à fl. 28. Essa diferença de IPC/BTNF é tratada, especificamente, pelo art. 40 do Decreto nº 332/91, verbis: Art. 40 – Os valores que constituirão adição, exclusão ou compensação a partir do períodobase de 1991, registrados na parte “B” do Livro de Apuração do Lucro Real, desde o balanço de 31 de dezembro de 1989, serão corrigidos na forma deste Capítulo, e a diferença de correção será registrada em folha própria do livro, para adição, exclusão ou compensação na determinação do lucro real, a partir do períodobase em 1993. §1º Tratandose de prejuízos fiscais, a diferença de correção será compensada em quatro períodosbase, à razão de vinte e cinco por cento ao ano, a partir do períodobase de 1993 até o de 1996. §2º Somente poderá ser deduzida a diferença de correção monetária relativa ao ano de 1990, de prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1989, se a pessoa jurídica tiver lucro real nos períodosbase encerrados de 1990 a 1993 suficiente, em cada ano, para a compensação dos valores corrigidos pelo IPC em 1990 e pelo INPC nos anos seguintes. §3º O valor da adição relativa à diferença de correção do lucro inflacionário a tributar será computada na determinação do lucro real de acordo com o critério utilizado para a determinação do lucro inflacionário realizado, a partir do períodobase de 1993. §4º Na hipótese das demais adições, deverão ser observadas as condições previstas na legislação de regência, devendo os efeitos correspondentes aos períodosbase de 1991 e 1992 ser reconhecidos no períodobase de 1993. Como o Interessado não escriturou na parte B do LALUR e não apurou a diferença de IPC/BTNF, em relação ao saldo do lucro inflacionário a realizar em 31/12/1989, essa diferença foi calculada exofficio, adicionada no períodobase 1991, e inserida no Demonstrativo do Lucro Inflacionário – SAPLI (fl. 28). Porém, em face do reconhecimento de ofício da decadência das parcelas de realização mínima obrigatória dos anos de 1992, 1993 e 1994 (parcelas que não foram realizadas tempestivamente), o saldo do lucro inflacionário a realizar em 31/12/1995 não é R$ 131.714,30, mas sim R$ 119.158,47, conforme tela do SAPLI, em face da adoção da SCI Cosit nº Fl. 785DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 18 23/2004 que reconheceu a decadência parcial automática de parcelas já decaídas (fls. 398/400). Por conseguinte, o lucro inflacionário a ser adicionado ex officio na apuração do lucro real do anocalendário 1995 é equivalente a R$ 11.915,84, e não R$ 13.171,43. Por essa razão é cabível a revisão do lançamento fiscal. No entanto, tendo em vista a alteração do valor do lucro real pela declaração retificadora ora reconhecida, há que se proceder à nova apuração do tributo, desta feita, computandose o ajuste decorrente da adição do lucro inflacionário: Descrição da DIPJ Retificadora Valor (R$) Lucro Real 4.027.526,26 (+) Lucro Inflacionário 11.915,84 Lucro Real após a adição do LI 4.039.442,10 () Compensação (sem o limite de 30%) (1.211.832,63) Lucro Real após a compensação 2.827.609,47 Imposto devido (25%) 706.902,36 Adicional (12%) 72.000,00 Adicional (18%) 368.569,70 IR Total 1.147.472,06 () IRRF (1.342.294,82) IR Devido (194.822,76) Do exposto, constatase que, mesmo após os ajustes decorrentes das infrações trazidas a lume pela autuação, quais sejam, a compensação de prejuízos fiscais acima do limite legal estabelecido e a falta de adição de parcela do saldo do lucro inflacionário, o valor do imposto de renda devido é negativo, sendo descabida qualquer exigência relativa a tal período de apuração. Dessa forma, tornase desnecessário o enfrentamento das demais questões suscitadas pela impugnante. Assiste, portanto, razão à requerente, devendo ser cancelado o auto de infração em sua totalidade. LANÇAMENTOS DECORRENTES Quanto ao lançamento do PISRepique, diante do cancelamento do litígio principal, outra sorte não lhe resta que não seja também o seu cancelamento, haja vista que resulta dos mesmos elementos de prova e da mesma matéria tributável. Fl. 786DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 13808.001591/0044 Acórdão n.º 1401000.940 S1C4T1 Fl. 11 19 Diante do exposto, voto pela improcedência do recurso de ofício e mantenho a decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos. A Autoridade de origem deverá verificar o ajuste da presente decisão no SAPLI, caso tal providência não tenha sido realizado pela DRJ, para registrar a compensação de prejuízo em sua totalidade. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. Fl. 787DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/05/2013 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA
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Numero do processo: 10935.720417/2011-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3402-000.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os autos.
RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
SILVIA DE BRITO OLIVEIRA Presidente Substituto.
(Assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Silvia de Brito Oliveira (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Silvia de Brito Oliveira, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), João Carlos Cassuli Junior e Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Nayra Bastos Manatta e Gilson Macedo Rosenburg Filho.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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RESOLVEM os membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) SILVIA DE BRITO OLIVEIRA – Presidente Substituto. (Assinado digitalmente) JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Silvia de Brito Oliveira (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Silvia de Brito Oliveira, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), João Carlos Cassuli Junior e Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Nayra Bastos Manatta e Gilson Macedo Rosenburg Filho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 35 .7 20 41 7/ 20 11 -6 6 Fl. 2420DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVE IRA Processo nº 10935.720417/201166 Resolução nº 3402000.554 S3C4T2 Fl. 2.421 2 Relatório Tratase o processo de Pedidos de Ressarcimento de COFINS nãocumulativa (exportação), relativos aos quatro trimestres dos anos de 2007 a 2009 e aos três primeiros trimestres do ano de 2010, formalizados pelo contribuinte em diversos PER/DCOMP, no valor total de R$36.554.807,74 (trinta e seis milhões, quinhentos e cinqüenta e quatro mil, oitocentos e sete reais e setenta e quatro centavos). Segundo o que se colhe do Despacho proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cascavel/PR, “o crédito pleiteado pelo sujeito passivo pode ser dividido em quatro partes: a) apuração dos créditos sobre a compra de bens por supermercados; b) apuração de créditos sobre bens utilizados como insumos; c) outras operações com direito a crédito; e, d) apuração de crédito presumido da agroindústria.” Os créditos pretendidos foram parcialmente deferidos, tendo a DRF acima mencionada glosado a apropriação de créditos sobre a “compra de insumos sem direito a crédito”, tais como: 1 Compras com alíquota zero Lei 10.865/2004: Compra de produto tributado à alíquota zero denominado “ovos férteis incubáveis”, efetuadas de pessoas físicas em geral; 2 Compras com alíquota zero – Lei 10.925/2004: compra de insumos em geral tributados à alíquota zero, efetuadas de pessoa jurídicas; 3 Compras com alíquota zero – Decretos 5.821/2006 e 6.426/2008: compras de produtos químicos tributados à alíquota zero efetuadas de pessoas jurídicas; 4 Compras de produtos diversos: produtos que não representam aquisição de insumos no processo produtivo da empresa; 5 Com relação ao “Crédito Presumido da Agroindústria”, houve glosa de créditos vinculados à revenda de produtos sem submissão ao processo industrial. Além disso, efetuou ajustes negativos nos montantes de créditos relativos aos meses de mai/2007, abril e set/2008 e janeiro e mai/2009, em vista de estorno de devoluções de compras. Foi também indeferido o pedido de ressarcimento de créditos extemporâneos, ante o fato de terem sido pleiteados valores relativos a mais de um trimestre, contrariando, os artigos 76 e 77 da IN/RFB 900/2008. Em face destas conclusões procedeu ao ajuste dos efeitos de suas decisões no cálculo da proporcionalidade entre receitas do mercado interno e externo, bem como, no percentual de rateio, procedendo ao recálculo do crédito passível de ressarcimento, restringindoos aos créditos vinculados às receitas de exportação. Fl. 2421DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVE IRA Processo nº 10935.720417/201166 Resolução nº 3402000.554 S3C4T2 Fl. 2.422 3 DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do despacho decisório o contribuinte apresentou sua Manifestação de Inconformidade às fls. 23302359 (numeração eletrônica), sustentando a reforma do despacho decisório acima relatado, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: Que em razão de ser uma sociedade cooperativa possui imunidade constitucional; Que além do ressarcimento pleiteado possui o direito à compensação; Que os insumos glosados são imprescindíveis dentro da cadeia produtiva, sendo a restrição do despacho decisório desarrazoada e que o conceito de insumos é ilegal e inconstitucional; Assevera que “insumo é todo custo necessário, usual e normal na atividade da empresa” e que “quaisquer custos ou despesas para a produção do bem ou prestação de serviço deve gerar crédito dessas contribuições”, discorrendo sobre o conceito de insumos segundo o CARF; Defende ainda o direito de crédito presumido da agroindústria, os extemporâneos, ressaltando que dispõe de 5 anos contados do fato gerador para valerse de tal crédito; No tópico seguinte, que chama de “dos ajustes negativos de créditos” diz que houve equívoco do fisco “pois ao realizar a análise dos dados para a apuração dos créditos nas operações de devoluções de compra foram desconsiderados apenas os valores maiores relativos a erro do faturista.” Salienta, contudo, que as devoluções de compras de produtos agropecuários (que geram direito a crédito presumido) foram mantidas e “equivocadamente foram consideradas novamente na apuração da base de cálculo do débito.” Cita exemplo e pede a revisão da decisão quanto a esse aspecto. Por fim, pede a aplicação dos princípios da legalidade e segurança jurídica, reconhecendose integralmente o direito creditório. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise aos argumentos sustentados pelo sujeito passivo em sua defesa,a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba (PR), houve por bem em considerar Improcedente o pleito do contribuinte, ementando seu julgamento nos seguintes termos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO para O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 30/09/2010 AQUISIÇÕES. INSUMOS. CRÉDITO PRESUMIDO. COFINS As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal (listadas expressamente na legislação), destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens, referidos na legislação própria, desde que recebidos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, mediante aplicação, sobre a alíquota legalmente prevista, de percentuais específicos, definidos conforme o tipo de produto. Fl. 2422DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVE IRA Processo nº 10935.720417/201166 Resolução nº 3402000.554 S3C4T2 Fl. 2.423 4 INSUMO. CONCEITO. Para ser considerado insumo, o bem ou o serviço, desde que adquirido de pessoa jurídica, deve ter sido consumido, desgastado, ou ter perdidas as suas propriedades físicas ou químicas em razão de ação diretamente exercida sobre o produto em elaboração. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. AJUSTES NEGATIVOS DE CRÉDITOS. Se a contribuinte não comprova a ocorrência de eventual equívoco no preenchimento de seu Dacon nem a adoção dos procedimentos previstos na legislação para a sua correção não há como considerar créditos passíveis de desconto em relação a períodos anteriores ao apurado nem como corrigir os valores correspondentes aos ajustes negativos de créditos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” A DRJ julgadora, em síntese, considerou que o despacho decisório combatido conferiu amparo ao direito do contribuinte, concedendo ao mesmo o direito creditório sobre todos os créditos legalmente previstos, restando indeferidos apenas aqueles que possuíam expressa vedação legal. Asseverou que a pretensão do sujeito passivo era rediscutir a interpretação fiscal acerca do termo “insumo” referido na legislação, expondo seu entendimento no sentido de considerálo como sendo apenas aquele que tenha emprego ou aplicação direta na atividade econômica. A Turma Julgadora arrazoou que o despacho decisório já havia conferido ao contribuinte todos os créditos passíveis de ressarcimento, motivo pelo qual mantinha o mesmo por seus termos. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificado do Acórdão de 1ª Instância em 22/01/2013, conforme AR de fls. 2386 – numeração eletrônica, o contribuinte apresentou, tempestivamente seu Recurso Voluntário, sinteticamente repisando os mesmos argumentos da manifestação de inconformidade. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a esse relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 01 volume, numerado até a folha 2419 (duas mil, quatrocentos e dezenove páginas), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Fl. 2423DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVE IRA Processo nº 10935.720417/201166 Resolução nº 3402000.554 S3C4T2 Fl. 2.424 5 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. Inicialmente, cumpre delimitar o fato de que a contenda que emana dos autos é relativa, especificamente, a conceituação de insumos na análise da apropriação de créditos não cumulativos de COFINS, segundo a disposição do artigo 3º da Lei 10.833/2003, bem como de credito extemporâneos, créditos da agroindústria e das conseqüências da consideração ou não dos créditos apropriados na base tributável da aludida contribuição, gerando reflexos na proporcionalidade das receitas de mercado interno e externo, e ainda no rateio. Conforme se pode depreender do relatório acima, foi apresentado à Administração Pedido de Ressarcimento dos citados créditos, tendo o mesmo sido parcialmente deferido (havendo o reconhecimento de direito de crédito sobre certas rubricas), sendo a parcela indeferida relativa, basicamente, à divergência no conceito de insumos (sobre o quais foram apropriados os créditos) e também por terem sido constadas divergências nas apurações do contribuinte, procedendose ao ajuste de suas declarações. Consignase também, que o despacho decisório que resultou da análise do pedido do contribuinte versada nestes autos, restou por segregar suas verificações intitulando as sob quatro rubricas já anteriormente citadas, quais sejam: a) apuração dos créditos sobre a compra de bens por supermercados; b) apuração de créditos sobre bens utilizados como insumos; c) outras operações com direito a crédito; e, d) apuração de crédito presumido da agroindústria.”. Deferindo as que entendia amparadas pelo direito e indeferindo parte dos créditos relativos à rubrica “b”, “c” e “d”. Ressaltase ainda, que o referido despacho, segregou novamente a rubrica denominada “b) apuração de créditos sobre bens utilizados como insumos”, sem, no entanto, esclarecer ou esmiuçar quais os “bens” e “direitos” analisados, e entendidos como não empregados no processo produtivo da recorrente, de modo, segundo sua ótica, a não ensejarem o crédito pleiteado. Observase do relatório acima que o despacho resultou num tópico chamado “Compras de produtos diversos: produtos que não representam aquisição de insumos no processo produtivo da empresa”, sem trazer qualquer discriminação dos mencionados “insumos”. Tenho que esta “janela” no processo não pode ser “autointerpretada”, uma vez que os bens e direitos que a compunham não estão discriminados detalhadamente em qualquer documento dos autos, bem como, nem a própria DRJ relacionou os “bens” ou “direitos” sobre os quais analisava o direito perseguido pelo contribuinte; tratando apenas de mencionar que entendia que àqueles passíveis de ressarcimento já havia sido conferido o direito através do despacho decisório proferido, bem como, para os que remanesciam discutidos é por que aviam de expressas vedações legais e do conceito de insumos errôneo do contribuinte, sem, como dito, adentrar em quais seriam estes bens ou direitos. Neste sentido, entendo necessária a baixa dos autos à origem para que seja realizada diligência, a fim de que sejam detalhados e apontados objetivamente cada bem ou direito que compõe a rubrica “b” relacionada anteriormente, para que seja possível identificar Fl. 2424DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVE IRA Processo nº 10935.720417/201166 Resolução nº 3402000.554 S3C4T2 Fl. 2.425 6 detalhadamente quais os “bens ou direitos” a que se refere a apropriação do crédito discutida nestes autos, e ainda, por conseguinte, deverá a diligência esclarecer efetivamente qual o papel dos mesmos no processo empresarial do sujeito passivo. A realização de diligência, acobertada por laudo técnico a ser requisitado pela Autoridade Preparadora, sucedida ainda de parecer conclusivo sobre as fatos apurados, é suficiente para a avaliação do mérito a ser efetuada posteriormente e, obtendose detalhamento pronunciado por profissional tecnicamente responsável e habilitado acerca dos produtos então evidenciados e sua relação (direta ou até mesmo indireta) no processo produtivo, se poderá melhor interpretar os fatos para então se poder aferir a melhor forma para se aplicar o Direito. Observo que a referida diligência se justifica pelo entendimento que possuo de que o conceito de insumo utilizado pelo legislador na apuração dos créditos a serem descontados das contribuições aos PIS e a COFINS, denota maior abrangência do que aquela relacionada à legislação do IPI (MP, PI e ME), mas que também, porém, segundo têm entendido vários pares neste Colegiado, não é tão abrangente quanto aquele conceito interpretado à luz da legislação do IRPJ, a ponto de que sejam abarcados todos os custos de produção e/ou despesas necessárias à atividade da empresa. Nesta esteira, entendo que o processo administrativo que trouxer discussão acerca do conceito de insumos na tomada dos créditos relativos à nãocumulatividade do PIS e da COFINS, de cujas provas não se possa extrair quais são todos esses bens e direitos e a respectiva participação no processo produtivo, deve ter sua análise vinculada a cada item (bem ou direito) relacionado pelo contribuinte interessado como sendo “insumos”, devendose considerar sua efetiva relação, e seu estreito envolvimento no processo produtivo da mesma, para que seja então definida, pelo Colegiado, a possibilidade de aproveitamento dos créditos. Assim, retornando aos autos, tenho que este processo não encontrase em condições de receber um justo julgamento, de forma que deve o mesmo retornar à Autoridade Preparadora, para que seja esclarecido, além de exatamente quais os itens que compõem as rubricas segregadas pela mesma em seu despacho decisório, também qual a efetiva participação no processo produtivo da empresa de cada item (“bem ou direito”) então evidenciado, bem como, que seja efetuado descritivo minucioso do referido processo, a fim de que seja possível aquilatar sua participação em relação ao produto ou serviço ao final gerado. Ao efetuar estas constatações, peço que a autoridade preparadora elabore um parecer conclusivo acerca das determinações solicitadas acima, para possibilitar a análise jurídica a ser efetuada por este Colegiado. Após, seja dada oportunidade para que a Recorrente se manifeste, querendo, sobre Relatório Conclusivo acima mencionado, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, inclusive acostando Laudo Técnico se entender cabível, para que após, sejam retornados os autos ao CARF, para prosseguimento do rito processual. É como voto. (Assinado digitalmente) Joao Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 2425DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 01/08/2013 por SILVIA DE BRITO OLIVE IRA
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Numero do processo: 10840.901885/2009-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3401-000.694
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator JULIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente.
FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator.
EDITADO EM: 16/05/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente) e Fernando Marques Cleto Duarte.
Nome do relator: FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência nos termos do voto do relator JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente. FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Relator. EDITADO EM: 16/05/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Odassi Guerzoni Filho, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente) e Fernando Marques Cleto Duarte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .9 01 88 5/ 20 09 -7 4 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10840.901885/200974 Resolução nº 3401000.694 S3C4T1 Fl. 94 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Compensação no valor de R$ 18.400,70 relativo a crédito de PIS, recolhido a maior em 30.8.2001. A DRF de Ribeirão Preto – SP, através de Despacho Decisório, não homologou a compensação declarada, tendo em vista o fato de que o pagamento a maior indicado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado na quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados no pedido de compensação. A interessada protocolou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese: A totalidade do crédito apurado pela contribuinte e declarado como compensado via PER/DCOMP é originária do indevido recolhimento da contribuição ao PIS sobre receitas não operacionais e financeiras, inseridas na base de cálculo desta contribuição; É de domínio público que o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, proclamando que a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins por lei ordinária violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal. Uma vez afastado o dispositivo que ampliara a base de cálculo da contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins, temse por ilegítima a exação tributária decorrente de sua aplicação. A contribuinte apresentou cópia do balancete analítico para comprovar a alegação de recolhimento indevido sobre as receitas não operacionais e financeiras. Destacou que se a autoridade julgadora entender necessária a realização de perícia contábil, os documentos da empresa estarão à disposição da fiscalização e pediu a homologação da compensação pleiteada. Além disso, solicitou que nas intimações e notificações constasse o nome do advogado da empresa. Em 22.4.2010, a 4ª Turma da DRJ/POR julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, sob os seguintes fundamentos: A realização de perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador, o que não é o caso dos presentes autos, pois tratase de fatos contábeis, que estão no campo de conhecimento do auditor fiscal. A perícia somente se justifica quando a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes. Quanto à solicitação de que em todas as intimações e notificações conste o nome do procurador da contribuinte com o respectivo endereço, não há previsão legal para que a intimação ocorra em nome ou no endereço do procurador do sujeito passivo. No que tange à inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS, os efeitos da decisão do STF, citada pela contribuinte, se restringem às partes que figuram no processo, não beneficiando terceiros. De qualquer forma, mesmo que fosse reconhecida a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS, isso não significaria um reconhecimento automático do direito creditório, pois para comprovar que a totalidade do crédito compensado via Fl. 94DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10840.901885/200974 Resolução nº 3401000.694 S3C4T1 Fl. 95 3 PER/DCOMP neste processo advém do indevido recolhimento do PIS sobre receitas não operacionais e financeiras, a contribuinte inseriu no processo um simples extrato de balancete mensal. Esse documento, por si só, desacompanhado dos livros fiscais, razão e caixa estabelecidos e regularmente preenchidos na forma da lei, não representariam, em qualquer hipótese, prova hábil suficiente para reconhecimento do direito creditório. Em 10.6.2010, a contribuinte foi cientificada da decisão e, em 1º.7.2010, protocolou Recurso Voluntário, tempestivamente, alegando, em síntese: A prova pericial era indispensável neste processo administrativo, uma vez que a contribuinte apresentou mais de 40 PER/DCOMPs, tornando impraticável a juntada da cópia dos livros fiscais Razão e Diário em todos os procedimentos administrativos, ao passo que, em razão das alegações da contribuinte e das préprovas constituídas, já existiam indícios suficientes e necessários para que fosse demandada a perícia contábil ao Fisco, pelo órgão Julgador Administrativo; A recorrente produziu, em sua Manifestação de Inconformidade, prova material apta a comprovar a existência do indébito, oriundo da incidência e recolhimento da contribuição PIS/Pasep sobre receitas não operacionais e financeiras. Dadas as condições para que seja verificada a conformidade do crédito apurado pela contribuinte, nada justifica a não homologação dos créditos apropriados e compensados. É necessária a conversão do presente processo em diligência para o fim da verificação e confirmação da exatidão dos créditos do PIS/Pasep que a recorrente possui. Já é de domínio público que o Supremo Tribunal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98, proclamando que a ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, por lei ordinária, violou a redação original do art. 195, Inc. I, da Constituição Federal, ainda vigente, ao ser editada a mencionada norma legal. A base de cálculo da contribuição para o PIS e Cofins é o faturamento, assim compreendida a receita bruta da venda de mercadorias e serviços, restando afastado o disposto no artigo 3º da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal. Por fim, a recorrente requer: Preliminarmente, que seja declarada a nulidade da decisão administrativa de primeira instância, por cerceamento ao direito de defesa da Recorrente, já que negou o pedido de perícia contábil expressamente formulado e, ainda, impôs que os documentos carreados não conferem prova suficiente do direito alegado. Que o julgamento seja convertido em diligência, para verificação e confirmação da exatidão dos créditos alvo do pedido de compensação, recolhidos indevidamente pela recorrente sobre a base de cálculo “receitas não operacionais e financeiras”. Que seja julgado procedente o recurso, com o fim de conferir regularidade às apurações fiscais realizadas pela contribuinte, como também, a regularidade dos créditos que esta faz jus, homologandose a declaração de compensação realizada. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10840.901885/200974 Resolução nº 3401000.694 S3C4T1 Fl. 96 4 Em atenção ao princípio do contraditório e ampla defesa, requer intimação para apresentação de sustentação oral perante este Egrégio Tribunal. É o Relatório. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE Processo nº 10840.901885/200974 Resolução nº 3401000.694 S3C4T1 Fl. 97 5 Voto Conselheiro Fernando Duarte Marques Cleto Conheço deste recurso por apresentar os requisitos de tempestividade e cumprir os pressupostos de admissibilidade. Em suma, a contribuinte protocolou pedido de ressarcimentos de créditos de PIS/Pasep, recolhidos a maior em 30.8.2001. Não logrando êxito em sua demanda, protocolou Recurso Voluntário, no qual defende a repercussão geral da decisão do STF que reconhece a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98, que proclama o alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins. Além disso, defende a nulidade do julgamento de primeira instância, pois foi negado o pedido de perícia contábil para a confirmação da existência e do valor dos créditos requeridos. Por fim, solicita o reconhecimento de seu Recurso Voluntário, requerendo o reconhecimento da nulidade da decisão da instância anterior e a conversão deste julgamento em diligência. À vista do exposto, voto por converter o julgamento em pedido de diligência a fim de que seja verificada a efetiva existência de crédito, o valor do débito e, por fim, o saldo credor ou devedor. Após o resultado da diligência, cientifiquese a contribuinte no prazo de trinta dias para, caso queira, manifestarse. É como voto! Sala das Sessões, em Fernando Duarte Marques Cleto – Relator. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 20/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, Assinado digitalmente em 1 4/06/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 16/05/2013 por FERNANDO MARQUES CLET O DUARTE
score : 1.0
Numero do processo: 10675.901420/2009-72
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 09 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3802-000.112
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que DRF de origem indique o montante dos créditos hábeis para compensação diante da documentação acostada aos autos, abrindo-se prazo para posterior manifestação do contribuinte.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Solon Sehn, Mara Cristina Sifuentes e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que DRF de origem indique o montante dos créditos hábeis para compensação diante da documentação acostada aos autos, abrindo-se prazo para posterior manifestação do contribuinte. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda - Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Solon Sehn, Mara Cristina Sifuentes e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que DRF de origem indique o montante dos créditos hábeis para compensação diante da documentação acostada aos autos, abrindose prazo para posterior manifestação do contribuinte. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Solon Sehn, Mara Cristina Sifuentes e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. A contribuinte AGROCAFÉ COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0938.544, proferido em primeira instância pela 2ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO EM JUIZ DE FORA – DRJ/JFA, que julgou parcialmente improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 01 42 0/ 20 09 -7 2 Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10675.901420/200972 Resolução nº 3802000.112 S3TE02 Fl. 120 2 Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da Manifestação de Inconformidade, adotase o relatório confeccionado pela autoridade julgadora de primeira instância: “O interessado transmitiu o Dcomp nº 14774.04210.291105.1.3.040190, visando compensar os débitos nele declarados, com crédito oriundo de pagamento a maior de Cofins, efetuado em 15/09/2004; A DRFUberlândia/MG emitiu Despacho Decisório eletrônico, no qual não homologa a compensação pleiteada sob o argumento de que o pagamento foi utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando saldo disponível para compensação; A empresa apresenta manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese, que o crédito foi apurado conforme DIPJ e DCTF retificadoras; É o breve relatório” O órgão julgador a quo esclarece que “a compensação é ação unilateral do sujeito passivo, isto é, cabe a ele apurar o crédito que há de ser líquido e certo para dar suporte à extinção do débito” e que “a mecânica da compensação requer do sujeito passivo que este, ao apresentar a declaração de compensação com a intenção de extinguir débitos tributários, tenha previamente apurado o crédito correspondente em sua contabilidade e comunica à Administração Tributária por meio de DCTF (original ou retificadora).” Prossegue afirmando que “com relação ao débito confessado espontaneamente pela contribuinte em DCTF, vigora a presunção de liquidez e certeza (o débito existe, no exato valor indicado), de modo que, para desconstituílo, a contribuinte deveria apresentar provas contundentes de que a verdade material é outra, o que não ocorre no presente caso.” Os motivos fornecidos pela 2ª TURMA DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO EM JUIZ DE FORA – DRJ/JFA para negar provimento à Manifestação de Inconformidade da contribuinte foram sintetizados na forma da ementa que segue: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE DCTF ANTERIOR À TRANSMISSÃO DA DCOMP. A compensação pressupõe a existência de direito creditório líquido e certo, direito esse evidenciado na DCTF anterior ou, no máximo, contemporânea à Dcomp. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Cientificada acerca do posicionamento acima, a contribuinte interpôs tempestivamente o presente Recurso Voluntário, no qual alega que o direito creditório pleiteado seria decorrente do indevido recolhimento da Cofins em função da redução a zero da Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10675.901420/200972 Resolução nº 3802000.112 S3TE02 Fl. 121 3 alíquota do referido tributo incidente sobre a importação e a receita bruta de venda no mercado interno dos produtos mencionados no art. 1º da Lei nº 10.925/04, juntando aos autos diversos documentos fiscais (DIPJ, DCOMP’s, Notas Fiscais e planilhas com resumo de apuração do período considerado. É o relatório. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Compulsando os autos, constatase que a Recorrente busca reformar a decisão de 1ª instância com base na redução da alíquota da COFINS promovida pela Lei nº 10.925/04, bem como através da juntada de diversos documentos comprobatórios. Afirma a Recorrente, no capítulo pertinente de suas razões (fls. 68 e seguintes), que no ano de 2004, era optante pelo regime de tributação do IRPJ segundo o lucro presumido, de modo que “procedia à apuração dos tributos e contribuições federais, considerando a incidência da COFINS, em todos os produtos que vendia, (...)”. Prossegue a Recorrente explicando que a lei 10.925/2004 alterou a forma de recolhimento do PIS e da COFINS, reduzindo a zero a alíquota de alguns produtos, dentre os quais aqueles objeto de sua atividadefim “(defensivos, adubos, sementes, etc.)”. Apresenta então a Recorrente sua tese central de origem dos créditos: Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 10675.901420/200972 Resolução nº 3802000.112 S3TE02 Fl. 122 4 Ora, o art. 1o da lei 10925/2004, ao reduzir a zero as alíquotas do PIS e da COFINS para diversos produtos, não distingue a redução das alíquotas do PIS e da COFINS para os regimes cumulativo ou não cumulativo, nem mesmo para contribuintes de lucro real ou presumido. Indo mais além, como tal distinção só é feita pela lei no que tange à suspensão de PIS e COFINS para casos distintos (arts. 9o, § 1o, e 15, § 3o), somente fica mais realçada a amplitude da abrangência das disposições do art. 1o. Assim sendo, o fato de a Recorrente ter aplicado a alíquota zero somente a partir do momento em que optou pelo lucro real, não significa que a lei tenha condicionado a redução das alíquotas para tal regime – o que comprometeria a utilização de créditos originados de recolhimentos tidos como a maior, por terem sido feitos em 2004. A única questão prejudicial à análise do crédito fica, portanto, superada. A lide restringese, destarte, à análise da materialidade do crédito. No que tange esse aspecto, temse que a Recorrente teve seu crédito negado em razão de ter retificado a DCTF somente após o despacho decisório, além de não ter juntado, à sua manifestação de inconformidade, toda a documentação necessária para a materialidade do crédito. Ocorre que, em sede recursal, a Recorrente apresenta toda sorte de documentos hábeis a demonstrar a veracidade das suas alegações, que são muito simples: para todos os casos em que houve recolhimento de PIS e COFINS sobre vendas de produtos indicados nos incisos I a IV da lei 10925/2004, desde o início de sua produção de efeitos (26 de julho de 2004), é necessário o reconhecimento de recolhimento indevido – o que permite seu oferecimento à compensação. Ao analisar os documentos juntados, entendo que a contribuinte é bem sucedida em sua tarefa de comprovar o alegado. E, em prestígio à verdade material e consonante com diversos precedentes do CARF (inclusive desta Eg. Turma Especial), excepcionalmente é de se aceitar a retificação da DCTF, ainda que a destempo. Por outro lado, a documentação comprobatória juntada pela Recorrente é deveras numerosa, de modo que este julgador não tem possibilidade de conferirlhe o exercício de cognição de modo exauriente o suficiente para afirmar seu quantum. Assim sendo, diante da impossibilidade concreta de se confirmar, peremptoriamente, o montante líquido e certo passível de compensação, a prudência recomenda a conversão do feito em diligência. Diante disso, voto por CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA, para que a DRF de origem indique o montante dos créditos hábeis para compensação diante da documentação acostada aos autos, abrindose prazo para que a contribuinte também se manifeste a respeito. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 09/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 25/0 7/2013 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 08/08/2013 por REGIS XAVIER HOLANDA
score : 1.0
Numero do processo: 10980.913214/2009-51
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO DE IMPOSTO POR ESTIMATIVA MENSAL. ERRO NA BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. RECOLHIMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO NA DEDUÇÃO DO IMPOSTO ANUAL OU PARA COMPOR O SALDO NEGATIVO DO IMPOSTO. ÓBICE AFASTADO. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO À UNIDADE DE ORIGEM PARA ANÁLISE DO MÉRITO DO DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO NA DCOMP.
Regra geral, os saldos negativos do IRPJ e da CSLL, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a CSLL devidos a partir do mês de janeiro do ano-calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Essa restituição/compensação poderá ser feita no curso do ano-calendário, eis que a apuração do valor pago a maior não depende de evento futuro e incerto.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. (Súmula CARF nº 84).
Numero da decisão: 1802-001.753
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para devolver os autos à DRF de origem.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO DE IMPOSTO POR ESTIMATIVA MENSAL. ERRO NA BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. RECOLHIMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO NA DEDUÇÃO DO IMPOSTO ANUAL OU PARA COMPOR O SALDO NEGATIVO DO IMPOSTO. ÓBICE AFASTADO. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO À UNIDADE DE ORIGEM PARA ANÁLISE DO MÉRITO DO DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO NA DCOMP. Regra geral, os saldos negativos do IRPJ e da CSLL, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a CSLL devidos a partir do mês de janeiro do ano-calendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Essa restituição/compensação poderá ser feita no curso do ano-calendário, eis que a apuração do valor pago a maior não depende de evento futuro e incerto. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. (Súmula CARF nº 84).
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ERRO NA BASE DE CÁLCULO ESTIMADA. RECOLHIMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO NA DEDUÇÃO DO IMPOSTO ANUAL OU PARA COMPOR O SALDO NEGATIVO DO IMPOSTO. ÓBICE AFASTADO. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO À UNIDADE DE ORIGEM PARA ANÁLISE DO MÉRITO DO DIREITO CREDITÓRIO PLEITEADO NA DCOMP. Regra geral, os saldos negativos do IRPJ e da CSLL, apurados anualmente, poderão ser restituídos ou compensados com o imposto de renda ou a CSLL devidos a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, mediante a entrega do PER/Dcomp. A diferença a maior, decorrente de erro do contribuinte, entre o valor efetivamente recolhido e o apurado com base na receita bruta ou em balancetes de suspensão/redução, está sujeita à restituição ou compensação mediante entrega do PER/Dcomp. Essa restituição/compensação poderá ser feita no curso do anocalendário, eis que a apuração do valor pago a maior não depende de evento futuro e incerto. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. (Súmula CARF nº 84). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 32 14 /2 00 9- 51 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10980.913214/200951 Acórdão n.º 1802001.753 S1TE02 Fl. 114 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para devolver os autos à DRF de origem. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10980.913214/200951 Acórdão n.º 1802001.753 S1TE02 Fl. 115 3 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de fls. 68/74 contra decisão da 1ª Turma da DRJ/Curitiba (fls. 60/65) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Quanto aos fatos, consta que em 06/04/2006 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária retificadora nº 12780.51170.060406.1.7.04 7700 (fls.06/10), onde consta: a) débito informado (confessado): IRPJ estimativa mensal, código de receita 2362, do PA novembro/2005, data de vencimento 29/12/2005, assim especificado na DCOMP: principal: R$ 54.782,29; multa moratória: R$ 10.984,65; juros de mora: R$ 1.947,07; Total: R$ 67.714,01. b) crédito utilizado: aproveitamento de suposto direito creditório de R$ 64.458,84 (valor original), referente pagamento indevido ou a maior de IRPJ estimativa mensal, código de receita 2362, do PA outubro/2005, DARF no valor de R$ 135.888,10 (valor original), data do recolhimento 30/11/2005 (fl. 56). O despacho decisório da DRF/Curitiba, de 11/05/2009, não reconheceu o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada. A propósito, transcrevo a fundamentação constante do referido Despacho Decisório eletrônico (fl. 02), in verbis: (...) 3FUNDAMENTAÇAO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 65.920,16. Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido {CSLL) devida ao Fl. 115DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10980.913214/200951 Acórdão n.º 1802001.753 S1TE02 Fl. 116 4 final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...) Enquadramento legal: Arts. 165 e 170 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e art. 10 da Instrução Normativa SRF n° 600, de 2005. Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (...) Inconformada com essa decisão monocrática da qual tomou ciência em 18/05/2009 (fl. 05), a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade de fls. 11/21 em 17/06/2009, aduzindo, em suas razões, em síntese: Preliminar de nulidade por ausência da devida fundamentação legal: a) que da leitura do despacho decisório não se extrai, objetivamente, qual dispositivo normativo traz o impedimento ou vedação à compensação pleiteada, fato que causa ofensa aos princípios constitucionais da legalidade — seja na sua acepção genérica (art. 5°, II), administrativa (art. 37, caput) ou estrita em matéria tributária (art. 150, I) — e do devido processo legal, contraditório e ampla defesa (art. 5°, LV e LIV); b) que a devida fundamentação é exigida a partir da própria Constituição Federal em seu art. 93, IX, aplicável inclusive nos procedimentos administrativos; c) que, sem tomar conhecimento do fundamento legal de não homologação, não tem condições suficientes para promover a mais ampla e plena defesa de seus direitos; d) que, de acordo com o art. 50, I, da Lei n° 9.784, de 1999, os atos administrativos devem ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses; que no despacho decisório, apesar da existência de descrição fática, nada consta a respeito do fundamento legal que impede a compensação declarada; que o art. 59, II, do Decreto n° 70.235, de 1972, dispõe que são nulos os despachos e decisões proferidos com preterição do direito de defesa; e) que o despacho decisório não traz qualquer fundamento legal que se contraponha ao direito subjetivo prescrito pelo art. 170 do CTN c/c o art. 74 da Lei no 9.430, de 1996; No mérito: que o direito creditório pleiteado decorreu de pagamento indevido ou a maior por erro de base de cálculo estimada; que tem direito à restituição e compensação. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10980.913214/200951 Acórdão n.º 1802001.753 S1TE02 Fl. 117 5 Por fim, a contribuinte pediu o recebimento e processamento da manifestação de inconformidade e seu total provimento, mediante homologação integral e incondicional dos créditos e débitos compensados por meio da PER/DCOMP originária. Por sua vez, a DRJ/Curitiba, à luz dos fatos e elementos de prova consantes dos autos, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, cuja ementa do Acórdão, de 22/06/2011 (fls. 60/65), transcrevo, in verbis: (...) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 NULIDADE. Incabível falar em nulidade do despacho decisório por preterição do direito de defesa quando se verifica que nele consta a devida fundamentação legal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA DE IRPJ. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO APRESENTADA NA VIGÊNCIA DA IN SRF N° 600, DE 2005. OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO NA DEDUÇÃO DO IMPOSTO ANUAL OU PARA COMPOR 0 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. Aplicase à declaração de compensação apresentada na vigência da IN SRF n° 600, de 2005, a obrigatoriedade de utilização da estimativa de IRPJ paga indevidamente ou a maior na dedução do imposto devido ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA DE IRPJ. VEDAÇÃO A UTILIZAÇÃO COMO DIREITO CREDITÓRIO. Havendo vedação à utilização de estimativa de IRPJ como direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior, é de se confirmar a não homologação da compensação declarada nos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido (...) Fl. 117DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10980.913214/200951 Acórdão n.º 1802001.753 S1TE02 Fl. 118 6 Ciente desse decisum em 20/07/2011 (fl. 67), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 18/08/2011 (fls.68/74) e juntou documentos (fls. 75/103), cujas razões, em síntese, são as seguintes: que a decisão recorrida não merece prosperar, uma vez que o despacho decisório tem vício de nulidade, devendo ser homologada a compensação tributária pelos seguintes motivos de fato e direito: a) o despacho decisório, que não homologou a compensação, não possibilitou plena defesa dos seus direitos, pois não consignou a fundamentação legal para o indeferimento do direito creditório; b) inequivocamente tem direito creditório a ser restituído, e tem direito líquido e certo à compensação; c) a não aplicação retroativa do art. 11 da IN SRF nº 900/2008 configura manifesta violação ao princípio da legalidade; d) a decisão recorrida deve ser reformada. Por fim, a recorrente pediu provimento integral ao recurso para que a compensação tributária seja homologada. É o relatório. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10980.913214/200951 Acórdão n.º 1802001.753 S1TE02 Fl. 119 7 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de processo de compensação tributária. Vale dizer, em 06/04/2006 a contribuinte transmitiu eletronicamente via internet, por meio do Programa PER/DCOMP, a declaração de compensação tributária (retificadora) nº12780.51170.060406.1.7.04 7700 (fls.06/10), informando que compensara débito do IRPJ estimativa mensal, código de receita 2362, do PA novembro/2005, data de vencimento 29/12/2005, utilizando direito creditório – pagamento indevido ou a maior de IRPJ estimativa mensal, código de receita 2362, do PA outubro/2005, data do recolhimento 30/11/2005. A decisão a quo, na mesma esteira do despacho decisório, não reconheceu o direito creditório pleiteado, pois não seria possível a restituição de IRPJ estimativa mensal, mas sim de saldo negativo do anocalendário. A propósito, nessa parte transcrevo a fundamentação da decissão recorrida (fls.63/64), in verbis: (...) Direito creditório indicado na declaração de compensação 11.Considerando que a compensação declarada pelo sujeito passivo, na qual constam informações relativas aos créditos utilizados e aos débitos a serem compensados, extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação, conforme disposto no art. 74, §§ 1° e 2°, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, para homologação da compensação declarada nos autos é imprescindível a confirmação do direito creditório informado. 12. Assim, verificase que a interessada declarou na Ficha 11 Cálculo do IR Mensal por Estimativa (com base na receita bruta e acréscimos) tanto da DIPJ 2006 original (ND 0635335) como na DIPJ 2006 retificadora (ND 1252211, às fls. 4551), apresentadas em 26/06/2006 e 30/06/2006, respectivamente, que apurou R$ 69.967,94 de estimativa de IRPJ a pagar para o mês de competência outubro/2005. 13. Contudo, na DCTF original do mês de outubro/2005 (ND 1000.000.2005.1890007183), apresentada em 07/12/2005, havia confessado um débito de R$ 135.888,10 de estimativa de IRPJ para esse mês (fls. 5254), cujo valor foi reduzido para R$ Fl. 119DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10980.913214/200951 Acórdão n.º 1802001.753 S1TE02 Fl. 120 8 69.967,94 na DCTF retificadora apresentada em 18/04/2006 (ND 1000.000.2006.1830252518, as fls. 52 e 5556), igualando o ao valor declarado em DIPJ. 14. Tendo efetuado o recolhimento de R$ 135.888,10 em 30/11/2005 (fl. 57), indica esse pagamento como origem do direito creditório de R$ 65.920,16 na declaração de compensação em análise, como pagamento indevido ou a maior. 15. No entanto, não há como se reconhecer esse direito creditório porquanto o recolhimento efetuado em 30/11/2005 somente poderia ter sido utilizado na dedução do IRPJ devido em 31/12/2005 ou para compor o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2005, conforme previsto no artigo 10 da IN SRF n° 600, de 2005, in verbis: "Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a titulo de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período" (Grifou se) 16. Tal dispositivo legal reproduz integralmente a regra originalmente prevista no artigo 10 da IN SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004. 17. Ressaltese que a IN RFB n° 900, de 30 de dezembro de 2008, em seu artigo 11, revogou a IN SRF n° 600, de 2005, e disciplinou a matéria de forma diversa, excluindo a vedação para compensar pagamento indevido ou a maior a titulo de estimativas de IRPJ e CSLL: "Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Art. 99. Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1° de janeiro de 2009. Art.100. Ficam revogadas a Instrução Normativa SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005, a Instrução Normativa SRF n° 728, de 20 de março de 2007, a Instrução Normativa RFB n° 831, de 18 de março de 2008, e os arts. 192 a 239B da Instrução Normativa MPS/SRP n° 3, de 14 de julho de 2005." Fl. 120DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10980.913214/200951 Acórdão n.º 1802001.753 S1TE02 Fl. 121 9 (Grifouse) 18. Contudo, esse diploma legal somente produziu efeitos a partir de 01/01/2009, conforme disposto no seu artigo 99, e não cabe aplicar o artigo 106 do CTN para fazêlo retroagir A data da transmissão da declaração de compensação em análise, haja vista não se tratar de norma expressamente interpretativa e nem de norma que comine penalidade. (...) Entretanto, nas razões do recurso a contribuinte rebelase contra a decisão recorrida, argumentando: que, em face do despacho decisório não conter a fundamentação legal para a denegação do direito creditório, a decisão recorrida deve ser reformada, para que se declare a nulidade do despacho decisório e procedase à homologação da compensação, pois o seu direito creditório seria líquido e certo; que tem direito à restituição e à compensação tributária do que pagara indevidamente, ou a maior po erro de base de cálculo estimada; que é ilegal a não aplicação retroativa do art. 11 da IN SRF nº 900/2008. Compulsando os autos, observase que nos anoscalendário 2005 e 2006 a contribuinte estava submetida ao regime de apuração do IRPJ e da CSLL, com base no Lucro Real anual, com obrigação de antecipação de pagamento dessas exações por estimativa mensal. À luz da legislação tributária federal, sempre que há, comprovadamente, pagamento indevido ou maior, é cabível a repetição do indébito tributário. No caso de pagamento indevido ou a maior de estimativa mensal do IRPJ, cabe observar o seguinte: a) os contribuintes que fizeram opção, para determinado anocalendário, pelo lucro real anual têm obrigação de antecipar pagamento do IRPJ e da CSLL por estimativa mensal com base na receita bruta mensal ou com base em balancete mensal de suspensão/redução, independentemente de eventual apuração de prejuízo no final de ano, na declaração de ajuste; b) não há que se falar ou objetar recolhimentos mensais (pagamentos por antecipação) indevidos dessas exações fiscais quando efetuados em estrita observância da legislação de regência e em estrita observância da base de cálculo (receita bruta mensal ou com base em balancete de suspensão/redução); c) eventual recolhimento a maior do imposto ou contribuição será deduzido do valor apurado no encerramento do anocalendário ou irá compor o saldo negativo; d) entretanto, considerase pagamento indevido o excesso de recolhimento de estimativa mensal quando, de plano, observase que ele não tem relação com a receita bruta ou com o balanço de suspensão/redução. Nessa situação, é cabível a restituição ou devolução/aproveitamento do excesso do pagamento mensal por antecipação do referido Fl. 121DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10980.913214/200951 Acórdão n.º 1802001.753 S1TE02 Fl. 122 10 período de apuração (não relacionado com a receita bruta ou com balancete de suspensão ou redução) sem necessidade de leválo para o ajuste anual ou para compor o saldo negativo, em face da revogação do art. 10, 2ª parte, da IN SRF 600/2005 pelo art. 11 da IN RFB 900/2008. Esse ato normativo tem efeito ou aplicação retroativa. Nesse sentido, é o entendimento do CARF, conforme Súmula CARF nº 84, in verbis: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Como o despacho decisório e a decisão a quo não adentratam na análise do direito creditório pleiteado pela recorrente na DCOMP, pois se limitaram a consignar que o pagamento por antecipação de estimativa mensal não se devolve em qualquer caso, mas apenas saldo negativo, sem fazer a distinção suscitada pela recorrente, entendo cabível, no caso, afastar o óbice do saldo negativo, pois pagamento em excesso (pagamento indevido) por erro de base de cálculo estimada do imposto ou contribuição, é cabível a restituição ainda no decorrer do próprio anocalendário sem necessidade de leválo para o saldo negativo. Ainda, no caso há falhas na instrução do processo; salta aos olhos a falta de elementos de prova para formação de convicção do julgador quanto ao mérito da lide, pois: Quanto ao pretenso direito creditório do IRPJ do PA outubro/2005: a) sequer há cópia completa nos autos da DIPJ 2006, anocalendário 2005 (DIPJ original e retificadora) – fls. 46/54; b) não foi juntada a escrituração contábil: que embora a recorrente alegue erro de base de cálculo do imposto (pagamento em excesso, pagamento indevido ou a maior), não consta dos autos cópia da escrituração contábil do anocalendáro 2005 que comprove, de forma cabal, o erro de base estimada do imposto de outubro/2005 que pudesse justificar a apresentação da DCTF retiticadora e formação do direito creditório pleiteado (DCTF original – fl. 56 e DCTF retiticadora – fl. 58); c) não consta dos autos cópias completas da DCTF original e retificadora; d) em tese, se houver, de fato, o alegado erro de base de cálculo estimada de outubro/2005, a contribuinte não pode ser prejudicada quanto ao seu direito creditório, devendo prevalecer o princípio da verdade material; e) entretanto, como já dito, não há cópia da escrituração contábil (livros razão, Diário e Lalur), para comprovação se os pagamentos antecipados mensalmente foram efetuados correntamente com base na receita bruta e acréscimos ou se com base em balancetes de suspensão/redução. Em face disso, e em observância ao princípio da verdade material, afasto a questão prejudicial, ou seja, afasto o óbice constante do despacho decisório e da decisão recorrida de que somente seria possível a restituição de saldo negativo, pois é possível sim a devolução de direito creditório pago em excesso por erro na base de cálculo estimada do imposto sem necessidade de leválo para o saldo negativo na declaração de ajuste, conforme Súmula CARF nº 84. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10980.913214/200951 Acórdão n.º 1802001.753 S1TE02 Fl. 123 11 Por conseguinte, devolvemse os autos à unidade de origem da RFB, ou seja, à DRJ/Curitiba para análise, no mérito, do direito creditório pleiteado e da compensação efetuada pela recorrente, com os seguintes cuidados: a) verificar, à luz da escrituração contábil e fiscal, se houve, ou não, erro de base de cálculo estimada do PA outubro/2005; b) apurar se houve o alegado excesso de recolhimento do referido PA (pagamento indevido ou a maior); c) na hipótese de excesso de antecipação de pagamento de imposto do mencionado PA, verificar se o valor do direito creditório pleiteado compôs ou não o saldo negativo do anocalendário 2005; d) ainda, caracterizado o excesso de recohimento do imposto por antecipação do citado PA, além de apurar o respectivo valor, informar, demonstrar, à luz da escrituração contábil, se decorreu de recolhimento sem relação com a receita bruta mensal, sem relação com o balancete mensal de suspensão/redução (erro de base estimada), ou se decorreu de mera antecipação de pagamento nos termos da legislação de regência. Vale dizer, apurar, verificar, se é hipótese de restituição de excesso de antecipação de pagamento por erro de base de cálculo estimada ou se trata de hipótese de mera devolução de saldo negativo por antecipação de pagamento efetuada na forma da legislação de regência. Diante do exposto, voto para DAR provimento PARCIAL ao recurso, para afastar o óbice suscitado, ou seja, afastar a questão prejudicial constante da fundamentação do despacho decisório e da decisão a quo que implicou na não análise de mérito do direito creditório da recorrente pelas citadas decisões, devendo, então, a unidade de origem da RFB enfrentar o mérito do direito creditório pleiteado. Devolvemse, por conseguinte, os autos do processo à DRF/Curitiba para que prossiga no julgamento, enfrentando o mérito do direito creditório pleiteado e da compensação tributária efetuada pela contribuinte. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 123DF CARF MF Impresso em 22/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 22/07/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 21/07/2013 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 10865.908875/2009-81
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/06/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA
Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional.
DESPACHO DECISÓRIO - NULIDADE
Não é nulo o despacho decisório que contenha informação que, mesmo de modo resumido, informe ao contribuinte os motivos da não-homologação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-001.961
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flavio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente) Marcos Antonio Borges, Paulo Guilherme Déroulède (Suplente), , Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel E Eu, Sidney Eduardo Stahl
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente) Marcos Antonio Borges, Paulo Guilherme Déroulède (Suplente), , Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel E Eu, Sidney Eduardo Stahl
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. DESPACHO DECISÓRIO NULIDADE Não é nulo o despacho decisório que contenha informação que, mesmo de modo resumido, informe ao contribuinte os motivos da nãohomologação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 88 75 /2 00 9- 81 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente) Marcos Antonio Borges, Paulo Guilherme Déroulède (Suplente), , Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel E Eu, Sidney Eduardo Stahl Fl. 88DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10865.908875/200981 Acórdão n.º 3801001.961 S3TE01 Fl. 88 3 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório da Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto, assim expresso: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório, em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS/Pasep. Por intermédio do despacho decisório de fls. 6, não foi reconhecido qualquer direito credit6rio a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade de fls. 10/20, na qual alegou, em síntese: 1. Preliminar de nulidade: a DRF de Limeira simplesmente limitouse a aduzir de forma vaga e genérica que não reconheceu como declaradas ou transmitidas as PER/DCOMPs acima especificadas. A decisão recorrida sequer se deu ao trabalho de detalhar e especificar minuciosamente porque o contribuinte não possuiria o crédito que alega possuir, eis que haviam nos autos outros fartos documentos que, se analisados, lhe permitiria inferir de modo diverso. Assim sendo é incontroversa a afronta basilar ao principio da ampla defesa do contribuinte: primeiro porque as decisões em um processo administrativo devem obedecer a um mínimo formalismo, tendo que possuir fundamentação legal, exposição de raciocínio lógico e análise detida de toda a documentação; segundo, porque a decisão recorrida é genérica, não apresenta dados específicos sobre suas razões de decidir e não faz alusão a outros documentos que seguem carreados ao processo administrativo. A falta destes elementos concretos implicam na anulação da decisão, que avilta também o principio do devido processo legal; 2. Fez uma longa exposição, citando juristas, ato declaratório normativo e copiosa jurisprudência de diversos Tribunais Regionais Federais e do Superior Tribunal de Justiça defendendo a tese de que o prazo para restituição e compensação de tributos pagos indevidamente ou a maior do que devido é decenal (dez anos) e não qüinqüenal, por se tratar de autolançamento; Fl. 89DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 3. No mérito, alegou que o ADIN n° 14170 declarou inconstitucional a expressão contida no art. 17, da Lei n° 9.715, de 1998: "aplicandose aos fatos geradores a partir de 01/10/1995" sendo que, posteriormente o Secretário da Receita Federal reconheceu em parte esta inconstitucionalidade através da Instrução Normativa n.° 6, de 2000, que vedou a constituição de crédito tributário e determinou o cancelamento de lançamento baseado na aplicação do disposto na Medida Provisória n° 1212, de 1995, a fatos geradores ocorridos no período compreendido entre 1 de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996; 4. Com a inconstitucionalidade parcial do artigo 18, se estabelece a impossibilidade total de cobrança do tributo, seja pelo estabelecimento do elemento temporal do fato gerador, a partir da publicação da Lei 9.715/98, seja pela impossibilidade da aplicação da Lei Complementar n° 07/70, ao mesmo tempo da vigência da MP n° 1212, de 1995. Assim, durante todo o período em que se sucedem as diversas republicações da MP n° 1212/95, o fisco não possui hipótese de incidência para embasar sua cobrança; 5. Efetivamente temse que a Lei 9.715, de 1998, após a conversão da MP n° 1212, de 1995, somente entrou em vigor em 1998, permanecendo sob vaccatio legis o período compreendido entre 10/1995 a 10/1998; 6. A esfera administrativa equivocouse, de forma acintosa, ao não homologar as supramencionadas compensações de créditos tributários a que efetivamente a recorrente faz jus; 7. O poder público não pode descumprir o principio da legalidade dos atos administrativos sonegando ao ora contribuinte fruição de um direito assegurado de suspensão da exigibilidade dos créditos em tela, como prevê também o artigo 151, do Código Tributário Nacional. Assim, deve ficar sobrestada a cobrança das compensações realizadas até o julgamento em definitivo no âmbito administrativo do referido processo. 8. Requer o regular processamento, ulterior apreciação e provimento total à presente manifestação de inconformidade, com homologação de todas as compensações pleiteadas nos autos. A DRJ não conheceu da manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/06/2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase definitiva, na esfera administrativa, a exigência relativa a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Fl. 90DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10865.908875/200981 Acórdão n.º 3801001.961 S3TE01 Fl. 89 5 Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a Recorrente interpôs o presente Recurso Voluntário que resumidamente aponta que a parte não tem condições de se defender porque a autoridade julgadora não informou o por quê o contribuinte não possuiria o crédito que alega possuir, eis que haviam nos autos outros fartos documentos que, se analisados, lhe permitiria inferir de modo diverso. Que a r. decisão não possibilita à contribuinte, condições ideais para combatêla. No mérito, cita uma gama de conteúdo doutrinário e jurisprudência acerca do lançamento sujeito à homologação, decadência e o direito de compensar, requerendo, a final o provimento do recurso voluntário. Apresentado o Recurso Voluntário a DRF de Limeira entendeu por negar seguimento ao mesmo considerando o fato de que a DRJ não havia conhecido da manifestação de inconformidade. Em face dessa decisão a Recorrente interpôs Mandado de Segurança que determinou que se desse seguimento aos recursos da mesma e a sua remessa a esse Conselho. É o que importa relatar, Fl. 91DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Conheço do recurso. Pelo que se pode defluir da peça recursal a Recorrente entende ser nulo o despacho decisório porque o mesmo não informou o motivo pelo qual a Fazenda concluiu que não sobreviera crédito para a compensação pleiteada. É verdade, conforme tenho e manifestado reiteradamente, que os malfadados “despachos eletrônicos” não correspondem ao mais adequado mecanismo de prestação de informações ao contribuinte/cidadão. Sabemos que as decisões devem ser suficientemente motivadas, não bastando que nelas se tenha um ‘porque sim’ ou um ‘porque não’ para darlhes validade, ou, como em casos semelhantes em “tem” ou “não tem” crédito. A ausência de fundamentação da decisão ou o semsentido dos argumentos utilizados para a sua fundamentação atentam contra a possibilidade de se recorrer da mesma, pois a ausência dos motivos que conduziram o julgador a seu ato decisório impedem a possibilidade de refutação do raciocínio, pois não é possível acesso ao raciocínio, e, conseqüentemente, à construção lógica que culminou na decisão. Entretanto, no caso em concreto, não é o que se opera. Estamos diante de uma declaração de compensação que se opera nos termos do artigo 74 da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, assim expresso (os destaques são nossos): Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. O despacho decisório nãohomologou a compensação sob o seguinte fundamento: “Diante da inexistência de crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada” Assim, de modo didático, se me permitem apontar meu raciocínio dessa forma, temos em confronto, por um lado, uma declaração da Contribuinte na qual informou um crédito e, por outro lado, uma decisão da autoridade que informou que esse crédito não existe em seus arquivos. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10865.908875/200981 Acórdão n.º 3801001.961 S3TE01 Fl. 90 7 Temos também a informação prestada pela contribuinte de que nos autos existem ‘fartos’ documentos que, se analisados, nos permitiria inferir a existência do crédito. Como é sabido, na sistemática existente é a contribuinte que informa à Receita Federal os seus débitos e créditos através de inúmeras declarações e cabe à autoridade, se lhe interessar, fiscalizar a sua veracidade. Assim, se a autoridade não homologou a declaração da contribuinte pela inexistência de crédito é porque a própria contribuinte informou que esses créditos já haviam sido utilizados de algum modo, provavelmente na DCTF, que tem caráter de confissão de dívida. E é essa a informação do despacho decisório: a que não havia crédito disponível, é essa suficiente para avisar ao contribuinte o motivo da não homologação – a inexistência de crédito e ao contribuinte caberia contrapor essa informação demonstrando que tinha crédito. Nesse sentido, entendo não haver falta de fundamento que implique em nulidade. No mais, compulsando os autos, não fui capaz de encontrar um documento sequer que se relacione com a escrituração da Recorrente, cópia de pagamento, DCTF, DACON, uma planilha que informe a origem do crédito ou qualquer apontamento que possa nos dizer qual é esse crédito que a contribuinte está querendo compensar. Lembremonos que estamos diante de um pedido de compensação e que cabe ao contribuinte, no mínimo, informar a origem de seu crédito, o Contribuinte administrado deve apresentar as provas do seu direito creditório porque foi ele que declarou que o tinha. Tratase de postulado do Código de Processo Civil, subsidiariamente aplicável ao PAF, vejamos: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. No processo administrativo fiscal, temse como regra que cabe àquele que pleiteia o direito, provar os fatos, prevalecendo o princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Portanto, no caso em apreço, compete ao sujeito passivo, a ora Recorrente, a comprovação de que preenche os requisitos para fruição do ressarcimento, por intermédio da presente compensação. Ademais, do mesmo modo que o Decreto nº 70.235/1972 estabelece, em seu artigo 9°, a obrigatoriedade da autoridade fiscal traduzir por provas os fundamentos do lançamento, também atribui ao contribuinte, no inciso III do artigo 16, o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 8 Assim, na hipótese da compensação declarada, recai sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida. Logo, é imprescindível que provas e argumentos sejam carreados aos autos no sentido de refutar o procedimento fiscal e que essas se revistam de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Do exame desse litígio administrativo, verificase que a Recorrente, apesar de ter apresentado Recurso Voluntário carregado de doutrina e jurisprudência escrito em linguagem profundamente empolada – quase um soneto de Francisco de Vasconcelos –, não apresentou sequer um demonstrativo de cálculo do seu crédito, de que sorte o pedido de compensação nos moldes requeridos não deve prosperar. Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para compensação que o crédito seja líquido e certo. No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não comprovou por meio de demonstrativos, da escrituração fiscal e dos lançamentos contábeis ou quaisquer outros documentos o valor de seu crédito. Nesse sentido, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 94DF CARF MF Impresso em 12/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 05/07/2013 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 09/07/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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