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Numero do processo: 15504.720017/2013-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008, 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NOVA DISCUSSÃO DE MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE.
Os Embargos de Declaração servem para a correção de eventuais obscuridades, omissões ou contradições da decisão embargada.
É impossível trazer nova discussão de mérito em sede de Embargos de Declaração, sendo que no caso de inconformismo com decisões de turmas ordinárias do CARF, a via adequada é o Recurso Especial dirigido à CSRF, nas hipóteses em que cabível segundo do Regimento Interno do CARF.
Numero da decisão: 1201-001.486
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes.
(assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIS FABIANO ALVES PENTEADO - Relator.
.
EDITADO EM: 25/09/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Ronaldo Apelbaum.
Nome do relator: LUIS FABIANO ALVES PENTEADO
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NOVA DISCUSSÃO DE MÉRITO. IMPOSSIBILIDADE. Os Embargos de Declaração servem para a correção de eventuais obscuridades, omissões ou contradições da decisão embargada. É impossível trazer nova discussão de mérito em sede de Embargos de Declaração, sendo que no caso de inconformismo com decisões de turmas ordinárias do CARF, a via adequada é o Recurso Especial dirigido à CSRF, nas hipóteses em que cabível segundo do Regimento Interno do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes. (assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Presidente. (assinado digitalmente) LUIS FABIANO ALVES PENTEADO Relator. . AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 00 17 /2 01 3- 14 Fl. 869DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 25/ 09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 2 EDITADO EM: 25/09/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida (Presidente), Luis Fabiano Alves Penteado, Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães e Ronaldo Apelbaum. Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Contribuinte em face do acórdão n. 1201001.117 desta Turma que por maioria de votos negou provimento ao Recurso do Contribuinte. Em suma, esta turma decidiu por manter a autuação referente à aplicação pela Contribuinte de percentual incorreto para fins de cálculo do IRPJ e da CSLL pela sistemática do lucro presumido. Isso porque, no entendimento desta Turma, os percentuais utilizados pela Contribuinte de 8% e 12%, seriam aplicáveis somente nas atividades de construção civil por empreitada na modalidade total, se, e somente se, o contrato para a realização da obra previr que a totalidade dos materiais a serem empregados e incorporados a ela sejam fornecidos pelo empreiteiro contratado. Segundo o acórdão, caso o contrato não preveja o fornecimento de materiais pelo empreiteiro, ou preveja o fornecimento parcial, as bases de cálculo das duas exações, na sistemática do lucro presumido, corresponderão a 32% da receita bruta auferida com o contrato, sendo certo que a atividade desempenhada pela Contribuinte de simples fornecimento de concreto usinado não configura contrato de empreitada. Contudo, segundo a ora Embargante, o acórdão teria incorrido em CONTRADIÇÃO, vez que: i) decidiu contra a lei n. 9.249/95 e IN SRF 93/97 ao não aplicar percentuais distintos nas receitas de atividades devidamente diferenciadas e comprovadas; ii) valeuse de normas legais não relacionadas à matéria discutida e iii) a ementa diverge dos fundamentos do voto vez que cria conceito inexistente na legislação para tributação de serviço com fornecimento parcial de materiais. Além disso, a Embargante aponta, de forma confusa, OBSCURIDADE do acórdão vez que: i) omitiuse na apreciação da atividade de preparação do concreto, o seu fornecimento, como auxiliar da construção civil, desconhecendo que existe a aplicação de insumos; ii) trouxe considerações confusas quanto à atividade de Contrução Civil por Empreitada com e sem emprego de material, não tendo sido este o mérito do lançamento e iii) não se conseguiu enquadrar a atividade de fornecimento de concreto usinado como ao do tipo de atividade produtiva. Por fim, a Embargante apontou OMISSÃO do acórdão, pois, a decisão: i) deixou de apreciar as razões quanto à presunção de fatos utilizadas pelo Auditor Fiscal que utilizouse de uma ferramenta estatística; ii) ignorou no acórdão a contradição entre a ementa do acórdão da DRJ e os fundamentos utilizados para manutenção do Auto de Infração; iii) não se pronunciou quanto ao pedido de diligência requerido pela Contribuinte para que o Fisco demonstrasse, de forma segregada cada Receita Operacional e iv) não se pronunciou quanto à ilegalidade da aplicação da Taxa Selic. Os Embargos foram admitidos por este Relator. Fl. 870DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 25/ 09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 15504.720017/201314 Acórdão n.º 1201001.486 S1C2T1 Fl. 3 3 É o Relatório. Voto Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado Relator Tendo os pressupostos para admissibilidade dos embargos já sido avaliados no despacho de admissibilidade, passo diretamente à análise do vício apontado. Das Contradições Segundo a embargante, o acórdão decidiu contra a lei, violando o parágrafo 2º. do artigo 15 da Lei 9.429/95 (IN SRF 93/97), ao não observar a aplicação dos percentuais diversificados na apuração do Lucro Presumido nas receitas de atividades também diferenciadas e comprovadas (são elas o fornecimento de concreto usinado, transporte de cargas, o bombeamento de concreto, e a prestação de serviços) nas obras e de acordo com os Contratos e Notas Fiscais. Discordo. O acórdão embargado partiu da definição de conceitos relacionados à atividade da ora Embargante para, após isso, aplicar tais conceitos ao caso em concreto, definido pelos elementos trazidos ao autos, o que inclui as notas fiscais emitidas e, após isso, concluir pela aplicação das alíquotas corretas de Lucro Presumido. O que se tem aqui é a interpretação da lei pelos julgadores, somada à ponderação sobre a documentação apresentada. No caso em tela, o resultado disso foi a conclusão de que a atividade da Embargante se reveste de natureza de prestação de serviços em geral e não de empreitada global, daí porque correta a aplicação das alíquotas efetuada pelo ente tributante. Assim, concluo que o acórdão, simplesmente, se baseou em normas legais vigentes e, após o trabalho interpretativo do julgador, concluiu de forma coerente pela correção do lançamento tributário. Alega também a Embargante que o acórdão utilizou atos legais sem relação à matéria litigada percentual aplicável na apuração do Lucro Presumido. E de atos Legais e Administrativos posteriores aos fatos geradores do lançamento (2008 e 2009) e ainda de Atos Legais não vinculados com a matéria litigada ( IN RFB 971/09). O ponto aqui trazido pela Embargante não é matéria de embargo, mas, quem sabe, de Recurso Especial. Isso porque, ao arguir a Embargante que os atos legais que serviram de suporte para a decisão não trazem relação com a matéria, quer na realidade trazer de volta a interpretação do mérito da questão decidida no acórdão. Ora, o acórdão embargado se valeu de legislação e normas relacionadas ao cálculo do Lucro Presumido das Pessoas Jurídicas que é exatamente a matéria central em Fl. 871DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 25/ 09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 4 discussão neste caso, bem como, de legislação que diz respeito à atividade desempenhada pela Embargante e também à atividade que esta alega desempenhar. Portanto, não me parece aqui presente a alegada contradição do acórdão. Por fim, enfrento aqui a alegação de que a ementa do Acórdão dá guarida aos serviços com emprego de material, e cria um novo conceito para tributação com fornecimento parcial de materiais, divergindo dos fundamentos do voto e de toda legislação pertinente, não tendo sido considerados os serviços prestados com aplicação de materiais (insumos na fabricação de concreto). Pela própria leitura da síntese dos argumentos trazidos pela Embargante, percebese que se trata aqui de tentativa de nova discussão de mérito, o que não pode ser feito através de Embargos de Declaração. O Acórdão definiu, com base nos elementos de prova dos autos, qual é a atividade da empresa e, passo seguinte, concluiu qual o correto tratamento tributário. Neste trabalho em nada inovou, até porque, a conclusão foi a mesma adotada tanto pelo ente tributante quanto pelos julgadores de primeira instância. Assim, concluo que inexiste qualquer contradição no acórdão recorrido que pudesse ser sanado através do instrumento de Embargos de Declaração, sendo improcedentes as alegações da embargante neste sentido. Das Obscuridades Em síntese, a embargante enumera as seguintes obscuridades do acórdão: "Omitiuse na apreciação da atividade de preparação do concreto, o seu fornecimento, como auxiliar da construção civil, desconhecendo que existe a aplicação de insumos, e não se tratando de prestação de serviços fornecimento apenas de mão de obra; b. Considerações confusas quanto à atividade de Construção Civil por Empreitada com e sem emprego de material, não sendo este o mérito do lançamento, versus a atividade de fornecimento de Concreto como atividade complementar da construção civil. A Construção Civil é caracterizada com aplicação de materiais em qualquer quantidade; c. Não se conseguiu enquadrar atividade de fornecimento de Concreto Usinado como ao tipo de atividade produtiva como apenas aplicação de mão de obra." (nosso grifo) Neste ponto, transcrevo aqui um trecho do acórdão embargado: As bases de cálculo do IRPJ e da CSLL serão, respectivamente, de 8% (oito por cento) e 12% (doze por cento), nas atividades de construção civil por empreitada na modalidade total, se, e somente se, o contrato para a realização da obra previr que a totalidade dos materiais a serem empregados e incorporados a ela sejam fornecidos pelo empreiteiro contratado. Caso o Fl. 872DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 25/ 09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 15504.720017/201314 Acórdão n.º 1201001.486 S1C2T1 Fl. 4 5 contrato não preveja o fornecimento de materiais pelo empreiteiro, ou preveja o fornecimento parcial, as bases de cálculo das duas exações, na sistemática do lucro presumido, corresponderão a 32% (trinta e dois por cento) da receita bruta auferida com o contrato. No presente caso, os contratos de prestação de serviço celebrados com os clientes e juntados aos autos demonstram o fornecimento do material para a construção, entretanto, conforme exposto, o ponto que deve ser analisado é se a natureza destes contratos se enquadrariam no conceito de empreitada na modalidade total ou de mera prestação de serviço. A responsabilidade pela obra e pela a sua execução de forma direta é que configura e consagra o contrato de empreitada e tal situação, não foi apresentada pela Contribuinte. Para melhor elucidação, cabe aqui transcrever trechos do art. 322 da IN RFB 971/09: “Art. 322. ConsideraseI obra de construção civil, a construção, a demolição, a reforma, a ampliação de edificação ou qualquer outra benfeitoria agregada ao solo ou ao subsolo, conforme discriminação no Anexo VII; (...) X serviço de construção civil, aquele prestado no ramo da construção civil, tais como os discriminados no Anexo VII; (...) XIX empresa construtora, a pessoa jurídica legalmente constituída, cujo objeto social seja a indústria de construção civil, com registro no Crea ou no CAU, conforme o caso, na forma prevista no art. 59 da Lei nº 5.194, de 24 de dezembro de 1966, ou no art. 10 da Lei nº 12.378, de 31 de dezembro de 2010; (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.477, de 3 de julho de 2014) (...) XXVII contrato de construção civil ou contrato de empreitada (também conhecido como contrato de execução de obra, contrato de obra ou contrato de edificação), aquele celebrado entre o proprietário do imóvel, o incorporador, o dono da obra ou o condômino e uma empresa, para a execução de obra ou serviço de construção civil, no todo ou em parte, podendo ser: a) total, quando celebrado exclusivamente com empresa construtora, definida no inciso XIX, que assume a responsabilidade direta pela execução de todos os serviços necessários à realização da obra, compreendidos em todos os projetos a ela inerentes, com ou sem fornecimento de material; b) parcial, quando celebrado com empresa construtora ou prestadora de serviços na área de construção civil, para Fl. 873DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 25/ 09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 6 execução de parte da obra, com ou sem fornecimento de material; XXVIII contrato de subempreitada, aquele celebrado entre a empreiteira ou qualquer empresa subcontratada e outra empresa, para executar obra ou serviço de construção civil, no todo ou em parte, com ou sem fornecimento de material; (...) XXX empreiteira, a empresa que executa obra ou serviço de construção civil, no todo ou em parte, mediante contrato de empreitada celebrado com proprietário do imóvel, dono da obra, incorporador ou condômino; (...) § 1º Será também considerada empreitada total: I o repasse integral do contrato, na forma do inciso XXXIX do caput; II a contratação de obra a ser realizada por consórcio, constituído de acordo com o disposto no art. 279 da Lei nº 6.404, de 1976, desde que pelo menos a empresa líder seja construtora, conforme definida no inciso XIX do caput; III a empreitada por preço unitário e a tarefa, cuja contratação atenda aos requisitos previstos no art. 158.” Concluise assim que, as descrições dos serviços caracterizados pelo simples fornecimento de concreto usinado não configuram contrato de empreitada. Cabe aqui, destacar alguns trechos de interessante julgado do STF (RE 82.505SP) “(...) O concreto resulta de uma simples mistura de componentes, fenômeno físico, não se caracterizando como produto industrializado. No caso em exame, a mistura é aplicada diretamente na obra, onde se solidifica. Não constitui, também, mercadoria, o que ocorreria na hipótese de se fornecer o concreto sólido sob a forma de vigas, lajotas, postes e outros prémoldados” Por fim, a Contribuinte alega que a atividade de transporte de carga estaria sujeita à alíquota de 8%. Para tanto, a Contribuinte segrega os valores relativos ao transporte de carga tanto rodoviário que seriam aqueles efetuados por caminhões betoneiras, como os verticais caracterizados pelo bombeamento. No entanto, uma vez mais, o que se discute neste processo é o conceito que os dispositivos legais trazem para a definição das atividades que fariam jus a esta alíquota. O transporte de carga definido pela lei referese a atividade de deslocamento de mercadorias com caráter econômico, ou seja, é Fl. 874DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 25/ 09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 15504.720017/201314 Acórdão n.º 1201001.486 S1C2T1 Fl. 5 7 inerente a serviço, a transportar, carregar de um lugar para outro, determinada mercadoria. Notase aqui que, os transportes mencionados são evidentemente caracterizados pelo carregamento do próprio material objeto de prestação de serviço da Contribuinte, sendo portanto, inerente a efetivação de seu contrato a entrega deste material, afastandose assim, a alíquota de 8%. Vejamos decisão do STJ neste sentido: RECURSO ESPECIAL Nº 505.343 RS (2002/01753186) EMENTA TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. FORNECIMENTO DE CONCRETO PARA CONSTRUÇÃO CIVIL. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. INCIDÊNCIA DE ISS. SÚMULA N. 167/STJ. 1. "O fornecimento de concreto, por empreitada, para construção civil, preparado no trajeto até a obra em betoneiras acopladas a caminhões, é prestação de serviço, sujeitandose apenas à incidência do ISS" (Súmula n. 167/STJ). 2. Recurso especial provido" Vemos aqui que o acórdão, diferentemente do alegado pela embargante, apreciou sim, a atividade de preparação de concreto como auxiliar de construção civil, contudo, chegaram à conclusão distinta da embargante e isso não pode ser combatido através de Embargos de Declaração. Aliás, num primeiro momento, alega a Embargante que o acórdão deixou de apreciar a relação entre a atividade de preparação de concreto como auxiliar da construção civil para, na alegação seguinte, argüir que foram confusas e desconectadas do mérito da discussão, as considerações do acórdão sobre a atividade de construção civil. Resta claro aqui a intenção infringente dos embargos apresentados e a ausência de vício que pudesse ser sanada através destes Embargos. Assim, rejeito também, a alegação de obscuridades do acórdão vez que inexistentes. Das Omissões Alega ainda a Embargante que presentes omissões no acórdão, conforme trechos dos Embargos que abaixo transcrevo: a. Deixouse de apreciar as razões quanto à presunção de fatos utilizadas pelo Auditor Fiscal, ou seja, utilizouse de uma ferramenta estatística, uma pequena amostra aleatória de Notas Fiscais de Serviços, para justificar a caracterização de toda a Fl. 875DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 25/ 09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA 8 Receita Bruta (método estatístico de amostragem para determinação de uma população, sem base legal); b. Ignorou no Acórdão a contradição entre a Ementa do Acórdão DRJ quanto a matéria do lançamento e os Fundamentos utilizados para a manutenção do Auto de Infração; c. Não se pronunciaram os Julgadores quanto ao Pedido de Diligência para que o fisco demonstrasse as segregadamente cada Receita Operacional – fornecimento de concreto, transporte de cargas, bombeamento e fornecimento de mão de obra – segundo as Notas Fiscais emitidas e Contrato de Prestação de Serviços; d. Não se pronunciaram quanto a Ilegalidade da taxa de Juros SELIC, arguida no Recurso Voluntário. Quanto aos itens "a" e "b" acima, não vejo qualquer omissão do acórdão, pois, a matéria central em julgamento decorre da interpretação dos documentos e informações trazidos pela Embargante aos autos para a correta definição sobre qual a natureza de suas atividades e conseqüente tributação. Não houve, portanto qualquer omissão do acórdão embargado acerca da correção do trabalho do auditor fiscal, bem como, sobre a análise deste trabalho pelos julgadores de primeira instância. Pelo contrário, entenderam os julgadores desta Turma que a documentação acostada aos autos deixa claro que a atividade da Embargante tem natureza de serviços em geral, não se confundindo com contratação de empreitadas, que pudesse gozar de tributação mais favorável. Cabe ressaltar, se houve contradição entre a Ementa do acórdão da DRJ e os fundamentos utilizados, isso deveria ter sido apreciado em sede de Embargos de Declaração sobre o acórdão da DRJ e não sobre o acórdão emanado por esta Turma. O que a decisão ora Embargada fez, foi a nova análise de toda a matéria de fato e de direito para, passo seguinte, chegar à conclusão sobre a procedência ou não do lançamento fiscal. Quanto ao pedido de diligência, a leitura completa do acórdão permite concluir que os julgadores tinham nos autos, todos os elementos suficientes e necessários para tomar uma decisão, caso fosse necessária uma diligência, os julgadores haveriam de ter convertido o julgamento em diligência, o que não ocorreu. Cabe ressaltar, é o julgador e não as partes que decidem se a diligência é ou não necessária. Assim, entendo não haver qualquer necessidade de diligência neste ponto. Por fim, quanto à omissão da alegação de ilegalidade da aplicação da Taxa Selic, devo concordar, o acórdão fora omisso quanto a este ponto. Assim, deveria o acórdão ter mencionado a aplicação da Súmula CARF n. 4 que assim dispõe: Fl. 876DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 25/ 09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Processo nº 15504.720017/201314 Acórdão n.º 1201001.486 S1C2T1 Fl. 6 9 Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Conclusão Diante do exposto, ACOLHO os Embargos de Declaração apresentados apenas para suprir a omissão do acórdão embargado no tangente à aplicação da Taxa Selic, fazendo constar no voto a aplicação ao caso em tela da Súmula CARF n. 4, mantendose a conclusão da decisão embargada, sem efeitos infringentes. É como voto! (assinado digitalmente) Luis Fabiano Alves Penteado Relator Fl. 877DF CARF MF Impresso em 30/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 25/ 09/2016 por LUIS FABIANO ALVES PENTEADO, Assinado digitalmente em 29/09/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
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Numero do processo: 10830.010517/2007-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato Gerador: 30/11/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DA CONDUTA INFRINGIDA. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR VÍCIO MATERIAL.
A Autoridade Fiscal realizou o lançamento por infração ao art. 225, §13 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto Nº 3.048/99, sem, contudo, apontar qual das condutas teria sido realizada pelo contribuinte, se a prevista no inciso I ou II. Ainda, os fatos narrados no Relatório Fiscal não condizem com a infringência de qualquer dos incisos do mencionado art. 225, § 13 do RPS, razão pela qual é nulo o lançamento, por vício material, pela ausência de demonstração da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 142 do CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-004.090
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento para tornar insubsistente o lançamento, por vício material, por ausência de fundamentação fática no Relatório Fiscal, que não especificou a formalidade descumprida pelo contribuinte (artigo 215, parágrafo 13, RPS). Vencida a relatora e os conselheiros Cleberson Alex Friess e Arlindo da Costa e Silva, que negavam provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Carlos Alexandre Tortato fará o voto vencedor.
André Luis Marsico Lombardi - Presidente
Luciana Matos Pereira Barbosa - Relatora
Carlos Alexandre Tortato - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA
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DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DA CONDUTA INFRINGIDA. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR VÍCIO MATERIAL. A Autoridade Fiscal realizou o lançamento por infração ao art. 225, §13 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto Nº 3.048/99, sem, contudo, apontar qual das condutas teria sido realizada pelo contribuinte, se a prevista no inciso I ou II. Ainda, os fatos narrados no Relatório Fiscal não condizem com a infringência de qualquer dos incisos do mencionado art. 225, § 13 do RPS, razão pela qual é nulo o lançamento, por vício material, pela ausência de demonstração da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 142 do CTN. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 05 17 /2 00 7- 72 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS ALEXANDR E TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento para tornar insubsistente o lançamento, por vício material, por ausência de fundamentação fática no Relatório Fiscal, que não especificou a formalidade descumprida pelo contribuinte (artigo 215, parágrafo 13, RPS). Vencida a relatora e os conselheiros Cleberson Alex Friess e Arlindo da Costa e Silva, que negavam provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Carlos Alexandre Tortato fará o voto vencedor. André Luis Marsico Lombardi Presidente Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Carlos Alexandre Tortato Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luis Marsico Lombardi, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Arlindo da Costa e Silva, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS ALEXANDR E TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10830.010517/200772 Acórdão n.º 2401004.090 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Período de apuração: 30/11/2007 Data de lavratura do Auto de Infração: 30/11/2007 Data de ciência dos Autos de Infração: 11/12/2007 Tratase de Recurso Voluntário, tempestivo, interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela 14ª Turma de Julgamento da DRJ/SPOI em São Paulo/ SP, que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração ( DEBCAD Nº 37.140.8989, de 30/11/2007) lavrado em face do descumprimento da obrigação acessória, prevista no artigo 33§ 2º e 3º da Lei 8.212/91, combinado com os artigos 232 e 233, parágrafo único do Decreto nº 3.048/99, com suas alterações posteriores, tendo em vista que o Livro Diário do ano de 2007, não atende as exigências legais constantes no artigo 225, §13º do Regulamento da Previdência Social. Os documentos necessários à ação fiscal, entre eles os Livros Diários do período fiscalizado – 1997 a 2007 – foram regularmente solicitados através do Termo de Início da Ação Fiscal – TIAF (fls. 13/14) e do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (fl. 15). A ciência do lançamento fiscal se deu em 11/12/2007 (fl. 27), inconformado o contribuinte apresentou impugnação (fls. 28/35). Entretanto, o órgão julgador de primeira instância administrativa fiscal, por intermédio do Acórdão nº 1620.463, proferido pela 14º Turma da DRJ/SPOI, considerou procedente o lançamento (fls. 124/131), em face do descumprimento de obrigação prevista em Lei e deliberou pela manutenção integral do lançamento consubstanciado no respectivo Auto de Infração. O contribuinte foi cientificado da decisão proferida pela instância a quo em 07/04/2009 (Fls. 133) e, inconformado, interpôs recurso voluntário em 06/05/2009 (fls. 134/143), alegando em síntese: a) Que não há violação legal a ensejar a aplicação da multa, tendo em vista que a Recorrente prestou todas as informações financeirocontábeis necessárias à atividade de fiscalização desenvolvida pela Administração Fazendária, atendendo a finalidade da lei. b) Que inexiste violação legal, pois conforme seu entendimento, o § 13º do art. 225 do RPS não exige o registro do Livro Diário na Junta Comercial, mas apenas sua escrituração, o que foi efetivado e apresentado à Fiscalização durante a ação fiscal; c) Que, os registros contábeis em Livros referentes aos três primeiros semestres de 2007 foram impressos e registrados consoante documentação anexada aos autos; Fl. 157DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS ALEXANDR E TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 4 d) Que atende aos dispositivos da legislação tributária, em especial ao artigo 177 da Lei nº 6.404/76 e adota registros auxiliares, razão pela qual se possibilitou a identificação dos valores pela Fiscalização, não subsistindo qualquer violação a ensejar a aplicação da multa em debate; e) Que a própria Delegacia de Julgamento, no Acórdão ora Recorrido, afirma que os documentos apresentados pela Recorrente não obstram a açõa fiscal, possibilitando constatar as bases das contribuições, de tal sorte que a finalidade emanada pela norma que obriga o cumprimento dos deveres instrumentais foi atingida de forma plena; f) Que o preceito legal insculpido no artigo 33, caput, da Lei nº 8.212/91, que embasa a presente autuação dispõe que à SRF compete arrecadar e fiscalizar o recolhimento das contribuições sociais, e que resta patente que a conduta da Recorrente possibilitou o exercício das atividades do Fisco previstas em lei, de modo a satisfazer os ditames normativos almejados pelo dispositivo ora citado; g) Que restou cumprida a obrigação principal, dessa forma, a norma tributária atingiu sua finalidade – o recolhimento do tributo não havendo que subsistir a tipificação da infração pela suposta falta das obrigações acessórias; h) Que a Administração Fazendária tem atuação discricionária, porém está submetida ao princípio da razoabilidade, razão pela qual considera que pelo fato de ter sido possível a identificação de todas as bases de contribuição, e não ter havido qualquer prejuízo ao desenvolvimento do trabalho fiscal, esse princípio deveria ser observado e afastado a aplicação da multa; i) Que seja totalmente reformado Acórdão de 1ª instância ou, subsidiariamente, sejam reduzidas as multas ao patamar máximo permitido pelo direito. Enfim, repete os argumentos expendidos na Instância Regional para ao final requerer a reforma do Acórdão de 1ª instância ou, subsidiariamente, que sejam reduzidas as multas ao patamar máximo permitido pelo direito. Após, sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Egrégio Conselho. É o relatório. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS ALEXANDR E TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10830.010517/200772 Acórdão n.º 2401004.090 S2C4T1 Fl. 4 5 Voto Vencido Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa, Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate no dia 07/04/2009, conforme AR juntado à fl. 133, e o presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, no dia 06/05/2009, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. 2. DO MÉRITO Em que pese os esforços da Recorrente em suas razões de recurso, seus argumentos não podem prosperar, conforme se demonstrará a seguir. O Auto de Infração ora guerreado foi regularmente lavrado em virtude do descumprimento de obrigação acessória estabelecida em lei. Conforme se observa do Relatório Fiscal (fl. 18) o presente lançamento referese ao não atendimento das exigências do art. 225, § 13º do Regulamento da Previdência Social, relativamente à falta de registro do Livro Diário do ano de 2007. A empresa foi fiscalizada pelo período de 01/1997 a 01/2007, conforme Mandado de Procedimento Fiscal à fl.10 e Mandado de Procedimento Fiscal Complementares à fls. 11 e 12. A inscrição em dívida ativa originase de crédito constituído pelo lançamento de multa por infração ao art. 33, §§ 2 e 3º, da Lei Nº 8.212/91. Observase que a Lei Nº 11.941/09, modificou redação do respectivo dispositivo sem, contudo, acarretar mudança para a caracterização da infração objeto do auto ora em apreço: Art. 33 À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. § 2º A empresa, o segurado da previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta lei. §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS ALEXANDR E TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 6 No mesmo sentido, o Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, dispõe, em seus arts. 232 e 233, parágrafo único: Art. 232 A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art. 233 Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. Ainda neste Regulamento, prediz o art. 225, II e §13º, II do mesmo artigo: Art. 225 A empresa é também obrigada a: II – Lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; § 13º Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diários e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo obrigatoriamente: II – Registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. Assim, prevendo a lei a necessidade de preenchimento das formalidades legais e a obrigatoriedade de escrituração e registro de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, foi correto o entendimento conformado em 1ª instância de que a autoridade fiscal não pode se quedar inerte ante a constatação de irregularidade na escrituração contábil, do contrário estaria a autoridade desprestigiando a norma regulamentar em seus preceitos de formalização do ato. Tratase a autuação de ato vinculado e obrigatório, devendo observar o princípio da legalidade e ser praticado nos termos, forma, conteúdo e critérios determinados pela lei, sendo obrigatória e indispensável a sua execução. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS ALEXANDR E TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10830.010517/200772 Acórdão n.º 2401004.090 S2C4T1 Fl. 5 7 No entanto, é errônea a afirmação de que não cabe qualquer margem de discricionariedade ou mesmo aplicação do princípio da razoabilidade ou proporcionalidade no ato em questão. Para melhor absorção, fazse necessário compreender o conceito de Poder de Polícia, do qual decorre a correta aplicação de sanções aos administrados. A seu respeito versa o art. 78 do Código Tributário Nacional, no qual: Art. 18 Considerase poder de polícia atividade da administração pública que, limitando ou disciplinando direito, interesse ou liberdade, regula a prática de ato ou obtenção de fato, em razão de interesse público concernente à segurança, higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da produção e do mercado, no exercício das atividades econômicas dependentes de concessão ou autorização do poder público, à tranquilidade pública ou o respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos. Depreendese da leitura deste artigo que o Poder de Polícia tem como função limitar ou disciplinar direitos do particular quando estes forem de encontro ao interesse coletivo, seja qual for o interesse coletivo afrontado. Assim, as afrontas que um indivíduo causa à Administração, que resulte em algum dano ou prejuízo ao interesse público, são abusos e deve, por isso, ser penalizado. Desse modo, não é porque o particular tem seus direitos restringidos em favor do interesse público que essa atuação do poder estatal é ilimitada. A Administração, ao exercitar o Poder de Polícia, deve estar em obediência aos princípios da legalidade e da proporcionalidade. O princípio da legalidade indica que só pode ser feito o que a lei permite. Quaisquer medidas e decisões administrativas têm de estar em conformidade com a lei. Enquanto o princípio da proporcionalidade estima que se deve evitar sejam cometidos excessos como abuso de poder ou desvio de finalidade. A restrição de direitos pode se dar de forma vinculada ou discricionária. Vinculada ocorre quando o administrador cumpre com o texto legal, não podendo agir de outra maneira, já discricionária consiste em uma margem de escolha, observando conveniência e oportunidade. Quando o Poder Executivo, no exercício de sua função regulamentar, complementa a lei para que a mesma possa ser fielmente executada e, por conseguinte, prevê para o cálculo do valor da multa os arts. 283, II, “j” e 373 do Decreto 3.048/99 Regulamento da Previdência Social – estáse possibilitando margem de discricionariedade a ser dimensionada pela autoridade administrativa com base na gravidade do ato: Art. 283 Por infração a qualquer dispositivos das Leis Nº 8.212 E 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e Fl. 161DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS ALEXANDR E TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 8 trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos art. 290 a 292, e de acordo com os seguinte valores: II – A partir de R$ 6.361,73 (seis mil, trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: j) deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça ou o titular de serventia extrajudicial,o síndico ou seus representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial, de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento ou apresentalos sem atender às formalidade exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira; Art. 373 Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Da análise dos autos inferese que a autuação do Recorrente foi motivada pelo não atendimento de uma das formalidades exigidas, qual seja a do registro do Livro Diário ano 2007. É importante consignar que a simples existência de escrituração não cumpre aos comandos da legislação que rege a matéria; os requisitos bem como as formalidades legais, intrínsecas e extrínsecas, devem ser atendidos, inclusive quanto ao registro do Livro Diário no órgão competente. Nesse descortino observase que, a apresentação de documentos diversos ao solicitado pela autoridade fiscal; a inexistência de dolo em lesar o Fisco; a eventual constatação das bases de contribuição, não constituem elementos capazes de motivarem o cancelamento ou redução da multa, já que os requisitos autorizadores são objetivos e previstos na Lei e no Regulamento, não podendo esse Colegiado inovar em sua aplicação. Salientese que a finalidade de apresentação do Livro Diário é possibilitar à fiscalização a análise dos dados e informações nele lançados, possibilitandose verificar o cumprimento de obrigação tributária principal prevista em lei, na época da ocorrência do fato, e não a posteriori; assim não se pode confundir a sua existência, com sua apresentação; somente a exibição do Livro Diário, dentro do prazo de impugnação e desde que atendidas as formalidades legais, seria passível de comprovar a correção da infração, esse entendimento encontrase sedimentado no artigo 16, § 4º do Decreto nº 70.235/72, que determina que a prova documental deve ser apresentada na impugnação. MULTA Noutro giro, no que se refere ao valor da multa aplicada, constatase que esse foi arbitrado em consonância com o disposto no artigo 283, inciso II, alínea “j” do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, com valor atualizado nos termos dos artigos 92 e 102, todos da Lei nº 8.212/91 e da Portaria MPS nº 142, de 11 de abril de 2007, na qual o Ministro de Estado da Previdência Social, no uso da atribuição que lhe confere o art. 87, parágrafo único, inciso II, da Constituição Federal, resolve no art. 9º, VI, que: Art. 9º A partir de 1º de abril de 2007: Fl. 162DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS ALEXANDR E TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10830.010517/200772 Acórdão n.º 2401004.090 S2C4T1 Fl. 6 9 VI – O valor da multa indicado no inciso II, do art. 283 do RPS é de R$ 11.951,21 (onze mil, novecentos e cinquenta e um reais e vinte e um centavos). Ante o exposto, concluise que o valor da multa aplicada ao recorrente já se encontra no patamar mínimo legal, agindo a autoridade fiscal em correspondência com os princípios da legalidade e proporcionalidade, merecendo, pois, prosperar o Acórdão proferido pela 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Paulo quando da existência de violação legal a ensejar a aplicação da penalidade. 3. CONCLUSÃO Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, mantendo integralmente o lançamento da instância a quo. É como voto. Luciana Matos Pereira Barbosa. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS ALEXANDR E TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI 10 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Redator Designado Em que pese os argumentos apresentados pela ilustre relatora, ousei divergir no presente processo quanto à manutenção do presente lançamento e em face do entendimento apresentado ter sido acompanhado pela maioria dos conselheiros, fui designado redator do voto vencedor que ora apresento. Conforme bem relatado, tratase de Auto de Infração lavrado em face do descumprimento da obrigação acessória, prevista no artigo 33§ 2º e 3º da Lei 8.212/91, combinado com os artigos 232 e 233, parágrafo único do Decreto nº 3.048/99, com suas alterações posteriores, tendo em vista que o Livro Diário do ano de 2007, não atende as exigências legais constantes no artigo 225, §13º do Regulamento da Previdência Social. O dispositivo legal que embasa a aplicação da multa do presente lançamento está assim disposto: Art. 225 A empresa é também obrigada a: II – Lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; § 13 Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diários e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo obrigatoriamente: I atender ao princípio contábil do regime de competência; e II – registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. Ocorre que, apesar de aplicada multa por infringência ao “art. 225, § 13º”, o AFRFB além de não individualizar a conduta do contribuinte autuado, ou seja, demonstrar se o recorrente (i) deixou de atender ao princípio contábil do regime de competência ou (ii) não registrou em contas individuais todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do salário decontribuição, aponta como irregularidade o fato de “relativamente ao ano de 2007, o Diário não atende as exigências do art. 225, § 13º do RPS” (fl. 18). Ora, o recorrente apresentou à fiscalização todos os documentos solicitados, o Relatório Fiscal (fls. 1819) menciona, ainda, que o último Livro Diário com autenticação na Fl. 164DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS ALEXANDR E TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI Processo nº 10830.010517/200772 Acórdão n.º 2401004.090 S2C4T1 Fl. 7 11 Junta Comercial conteria escrituração até dezembro de 2006, o que, digase, também não é fundamento para aplicação da multa relativa a conduta do artigo 225 acima transcrito. Ocorre que o lançamento do crédito tributário precisa ser claro e preciso o suficiente para emitir ao contribuinte, inclusive, o seu amplo acesso à ampla defesa e contraditório, o que não se observa no presente caso, pois além de não ser mencionada a conduta específica (qual inciso do § 13 do art. 225 do Decreto 3.048/99 foi infringido?), os fatos narrados (ausência de registro na junta comercial) não condizem com as condutas tipificadas como irregulares. Assim, vemos clara violação ao artigo 142 do Código Tributário Nacional: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (grifamos) No presente caso, a autoridade fiscal não demonstrou a ocorrência do fato gerador, posto que sequer individualizou a conduta do contribuinte autuado com as duas hipóteses previstas no § 13 do art. 225 do Decreto 3.048/99, tornando o lançamento nulo, por vício material. Conclusão Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para o fim de anular o lançamento, por vício material. É como voto. Carlos Alexandre Tortato. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 2 9/07/2016 por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 29/07/2016 por CARLOS ALEXANDR E TORTATO, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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Numero do processo: 10166.000152/2003-24
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Aug 30 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 1995
IRPJ. IRRF. CSLL. OMISSÃO DE RECEITAS - A falta de escrituração das receitas de vendas de unidades imobiliárias caracteriza omissão de receitas.
IRPJ. IRRF. CSLL. OMISSÃO DE RECEITAS - LEI N° 8.541/92 As exigências sobre as receitas omitidas, previstas nos arts. 43 e 44 da Lei n. 8.541/92 não se configuram como aplicação de penalidade, pois tratam-se de hipótese de incidência de imposto, devendo serem aplicadas se vigentes à época do fato gerador.
Recurso Especial da Fazenda Nacional Provido.
Numero da decisão: 9101-002.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO
Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rego, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Luis Flávio Neto, Cristiane Silva Costa e Nathália Correia Pompeu. Ausente, Justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rego, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Luis Flávio Neto, Cristiane Silva Costa e Nathália Correia Pompeu. Ausente, Justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
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CSLL. OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado GRUPO OK CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES S.A. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1995 IRPJ. IRRF. CSLL. OMISSÃO DE RECEITAS A falta de escrituração das receitas de vendas de unidades imobiliárias caracteriza omissão de receitas. IRPJ. IRRF. CSLL. OMISSÃO DE RECEITAS LEI N° 8.541/92 As exigências sobre as receitas omitidas, previstas nos arts. 43 e 44 da Lei n. 8.541/92 não se configuram como aplicação de penalidade, pois tratamse de hipótese de incidência de imposto, devendo serem aplicadas se vigentes à época do fato gerador. Recurso Especial da Fazenda Nacional Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento. (Assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, André Mendes de Moura, Adriana Gomes Rego, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Luis Flávio Neto, Cristiane Silva Costa e Nathália Correia Pompeu. Ausente, Justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 00 01 52 /2 00 3- 24 Fl. 3979DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 3.979 2 Relatório Em sessão de 11 de junho de 2003, os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes acordaram, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de decadência e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário para: 1. cancelar os lançamentos referentes à postergação; 2. cancelar os lançamentos fundados nos arts 43 e 44 da Lei nr 8 541/92 , nos termos do relatório e voto que integram o Acórdão nº 10194.224 às folhas 3314/3426. Vencidos os Conselheiros Sandra Maria Faroni (Relatora) e Paulo Roberto Cortez que mantiveram os lançamentos fundados nos mencionados dispositivos legais. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro Kazuki Shiobara, após formalizados os votos vencido e vencedor, interpôs Embargos de Declaração, pelo qual retificouse a decisão constante da folha de rosto do acórdão embargado, resultando na decisão acima exposta, conforme consta às folhas 3436/3444, cuja ementa é a seguinte: "DECADÊNCIA. ANO CALENDÁRIO DE 1995. Constatado evidente intuito de fraude, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário é contado a partir do 1° dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (regra geral — art. 173 do CTN). Rejeitada a preliminar de decadência. IRPJ. IRRF. CSLL. OMISSÃO DE RECEITAS A falta de escrituração das receitas de vendas de unidades imobiliárias caracteriza omissão de receitas, devendo ser tributada de acordo com a legislação vigente no momento da ocorrência do fato gerador. Entretanto, a tributação em separado da omissão de receitas, para o anocalendário de 1995, na forma artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/92 foi revogada pelo artigo 36, inciso IV, da Lei n° 9.249/95 e tendo em vista as alterações introduzidas anteriormente pelo artigo 97, § único da Medida Provisória nº 812/94, convertida na Lei n° 8.891/95 e confirmada pelo artigo 24 da Lei n° 9249/95, de 26.12.1995, aplicase esta revogação o disposto no artigo 106, inciso II, letra 'b', do Código Tributário Nacional. INEXATIDÃO QUANTO AO PERÍODOBASE DE ESCRITURAÇÃO DE RECEITA. Tendo o julgador aperfeiçoado o lançamento para adequálo às disposições legais vigentes (Lei 9.430/96), o que não lhe era dado fazer cancelase a exigência. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. COFINS — A decisão proferida no lançamento principal estendese aos demais lançamentos reflexivos. Rejeitada a preliminar e provido no mérito". Por bem descrever os fatos, adoto, com adendos e pequenas modificações para maior clareza, o Relatório do acórdão recorrido, o qual, por sua vez, adotou excertos da decisão de primeira instância: Contra GRUPO OK CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES S/A, foram lavrados autos de infração com a conseqüente formalização de créditos tributários relativos ao Imposto de Fl. 3980DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 3.980 3 Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ), ao Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) do anocalendário de 1995, incluindo multa por lançamento de ofício. Segundo consta da Descrição dos Fatos e dos Termos de Verificação e Constatação Fiscal nela referidos, integrante do Auto de Infração do IRPJ, do qual os demais são tratados como decorrentes, as irregularidades apontadas pela fiscalização consistiram em : 1 omissão de receitas, caracterizada pela falta de contabilização das receitas oriundas de alienação de unidades imobiliárias dadas em garantia à SIMPLEXCODEARA S/A, quando da materialização das transações comerciais envolvendo as duas empresas; 2Custos ou despesas não comprovadas; 3Pagamentos sem causa; 4 Contribuições e Doações indedutíveis, por inobservância dos requisitos legais para tanto; 5 Insuficiência na apuração do lucro bruto nas operações imobiliárias; 6 Inobservância do regime de competência na apropriação de receitas do anocalendário de 1995, tributadas indevidamente no mês de dezembro de 1998, ocasionando postergação de imposto; 7Falta de recolhimento do imposto sobre o lucro inflacionário. (...) Cientificada em 07/12/2000, a interessada impugnou tempestivamente parte das exigências (infrações 01, 05 e 06), dando origem à fase litigiosa do procedimento, alegando, em síntese : • decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo a fatos geradores ocorridos até novembro de 1995; • utilização indevida de presunções, em prejuízo à impugnante; • inadequação dos critérios e metodologia utilizados no lançamento; • não atendimento aos pressupostos exigidos para o lançamento; • duplicidade de lançamento; • carência de suporte fático para o lançamento dos tributos reflexos; • inexistência de fundamento para imposição de qualquer multa; • descabimento da utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros; • existência de erros materiais no lançamento. A parte litigiosa da exigência se relaciona com operações envolvendo uma área rural Fazenda Santa Terezinha e 73 Fl. 3981DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 3.981 4 unidades imobiliárias do Grupo OK (o primeiro contrato envolvendo a área rural data de 23/12/93) e com a apuração do lucro bruto da empresa. Sobre essas matérias, registram os Termos de Verificação e Constatação Fiscal. Termos de Verificação e Constatação Fiscal n° 01 : 'V CONSIDERAÇÕES SOBRE AS OPERAÇÕES DESCRITAS NO PRESENTE RELATÓRIO V.I AQUISIÇÃO DE UM IMÓVEL RURAL NO ESTADO DO MATO GROSSO 1. O CONTRATO DE COMPROMISSO DE VENDA E COMPRA DE IMÓVEL, firmado entre as partes, tendo como vendedora do imóvel rural a empresa CODEARA e como compradoras, as empresas GRUPO OK CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES S/A e MONTEIRO DE BARRROS CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES LTDA., não menciona a participação de cada compradora na fazenda (doc. anexo II, tis 14/29); 2. A compra teria sido realizada exclusivamente com recursos da venda de 73 apartamentos do GRUPO OK CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES S/A, sem que fosse apresentado qualquer instrumento celebrado entre as duas compradoras, indicando a forma de reembolso por parte da empresa MONTEIRO DE BARROS CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES LTDA., do valor correspondente à sua participação na operação. 3. Em 28 de maio de 1997 as empresas GRUPO OK CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES S/A e MONTEIRO DE BARROS CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES LTDA. teriam celebrado "CONTRATO PARTICULAR DE CONSOLIDAÇÃO E AJUSTE DE CONTRATAÇÕES E ACORDOS EFETIVADOS, SOB A MODALIDADE DE ENCONTRO DE CONTAS, ANTE O DISPOSICIONAMENTO DE RECURSOS FINANCEIROS EM MOEDA NACIONAL E UNIDADES IMOBILIÁRIAS, VISANDO A AQUISIÇÃO DE IMÓVEIS RURAIS E OUTROS PACTOS...", Anexo II, fls. 64/68, onde se destaca: (...) 4. Segundo o documento apresentado, em 30 de maio de 1997, posteriormente à lavratura das Escrituras Públicas em 28/05/97, teria sido lavrado INSTRUMENTO PARTICULAR DE CESSÃO DE DIREITOS, pelo qual a empresa MONTEIRO DE BARROS CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES S/A se declara, na CLÁUSULA PRIMEIRA, titular dos direitos decorrentes do Contrato de Compromisso de Venda e Compra de Imóvel firmado por ela e o GRUPO OK CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES S/A com a CODEARA em 22/12/93, objeto da área rural correspondente a 53.964 hectares (doc. anexo II fls. 62/63) (...) 5. Os recursos, que segundo o GRUPO OK CONSTRUÇÕES E INCORPORAÇÕES S/A, se referem a pagamento do Grupo Monteiro de Barros, pela compra da fazenda — parte I e parte Fl. 3982DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 3.982 5 II, item 2 , deste Termo — constam do quadro reproduzido do Relatório da CPI, onde se pode destacar. 5.1. A multiplicidade de empresas beneficiárias, todas integrantes do "GRUPO OK" e as empresas emitentes, pertencentes ao Grupo Monteiro de Barros; 5.2. A forma com que esses pagamentos foram contabilizados, nas empresas emitentes dos cheques, como, por exemplo "adiantamento a fornecedores", "investimentos no exterior", etc. 6. Tendo em vista que o sujeito passivo firmou com a empresa CODEARA, contrato de compromisso de venda e compra de inúmeros imóveis mencionados no item 2 retro, em 20/07/2000, a empresa Grupo OK Construções e Incorporações S/A foi intimada a apresentar por escrito — Termo de Intimação n° 08 , os períodos em que as receitas provenientes da alienação dos referidos imóveis (73 apartamentos permutados) foram apropriadas, inclusive indicando os correspondentes lançamentos em sua contabilidade, Em resposta ao Termo de Intimação n°08, o contribuinte apresenta em 17/08/2000, os seguintes esclarecimentos(docs. Fls. 59/67) (...) Argumentos esses, que, na realidade não comprovam nada, uma vez que as receitas ditas como realizadas no ano de 1998, não encontram correspondência nos lançamentos apropriados como receitas, quando do encerramento em 31/12/98 da Conta 220.105.0001 — Contrato de Mútuo V. Imóveis — código reduzido 60126. Portanto, é de se entender que as receitas oriundas da alienação dos 73 imóveis, relativas à transação comercial com a empresa CODEARA, não foram oferecidas à tributação. VI CONCLUSÃO 1 Por oportuno, vai reproduzido adiante, trechos do pronunciamento dos Senadores Paulo Souto e José Eduardo Dutra, na reunião do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado Federal, realizada em 15/06/2000, referente ao andamento do processo de cassação do exsenador Luiz Estevão, cujo Relatório foi encaminhado à Secretaria da Receita Federal: a) Senador Paulo Souto: (...) Com relação à fazenda, objeto aqui de muitas explicações, há uma pergunta, eu diria que uma dúvida, que foi colocada e que, até hoje, para mim, não foi suficientemente explicada. Aqui, foi reconhecido que houve realmente a transferência do controle acionário, ou seja, ela passou a pertencer ao Grupo OK e, se pagou 15 milhões pela fazenda, não vou entrar, aqui, no mérito da discussão desse preço, os dois terços da fazenda, hoje, ainda continuam pertencendo ao Grupo OK, pelo menos com os dados que foram, aqui, apresentados. Então, receberam 15 milhões pela fazenda e o controle da fazenda ainda pertence a esse grupo. Fl. 3983DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 3.983 6 No decorrer das explicações ainda não foi dada nenhuma explicação plausível que indicasse o porquê disso. Quer dizer, eu pelo menos esperava que se dissesse, ao retomar o controle para a empresa do grupo OK, ou paguei essa fazenda pelo valor tal e etc., e isso malmente não foi explicado. Ou seja, a fazenda, pelo menos pelas informações aqui colocadas, 2/3 dela continuam ainda pertencendo ao mesmo grupo que recebeu por ela alguma coisa da ordem de US$ 15 milhões." b) Senador José Eduardo Dutra: (...) A peça da Defesa é uma grande obra de meias verdades A defesa disse que todos esses negócios foram regularmente contabilizados —meia verdade. Qual a verdade completa? O Senador Paulo Souto já adiantou uma parte. Em 24 de setembro de 1999, a Receita Federal intimou o Grupo OK Construções e Incorporações a apresentar relatório discriminativo das contas e registros contábeis relativos aos lançamentos. Em sua resposta Receita Federal, o Grupo OK Construções e Incorporações apresentou Informações de que tais transferências figuram como lançados na conta contrato de mútuos sobre vendas de imóveis. Em 16 de novembro de 1999, às 22.20 horas, foi entregue à CPI um oficio onde a Receita Federal afirma que, examinando o livrodiário n° 142 do Grupo OK Construções e Incorporações, autenticado em 20 de outubro de 1999, na Junta Comercial, foi constatado que o saldo constante da conta, contrato de mútuo, foi baixado em 31 de dezembro de 1998, tendo como contrapartida as contas de resultado, alienação de imóveis, terminal Rio de Janeiro, juros e multa recebidas. Mas o relatório da Receita diz que somente no livrodiário referente ao ano de 1998, autenticado em 20 de outubro de 1999, é feita referência a esse negócio. Por que 20 de outubro? 20 de outubro é o dia em que foi aprovado o requerimento da Comissão Parlamentar de Inquérito aprovando uma diligência da Receita Federal nas empresas do Grupo OK. Aprovase o requerimento da devassa no Grupo OK em 19 de outubro e, no da 20, aparecem todos os registros, tudo contabilizado... (omissis) 2 Cabe ressaltar que nenhum dos contratos aqui mencionados foi submetido a qualquer tipo de registro. 3 Após tantos 'enganos' e 'meias verdades' é de se lembrar que as operações em causa remontam a 1992, quando recursos oriundos de empresas do Grupo Monteiro de Barros passaram a ser transferidos para empresas ligadas ao Grupo OK. Todos esses valores foram contabilizados na conta '220.105.0001 Contratos de mútuo V. Imóveis', classificada no passivo exigível à longo prazo da empresa Grupo OK Construções e Incorporações S/A e respectivas contrapartidas em contas de passivo e ativo circulante e realizável a longo prazo (ativo). Contas essas classificadas como patrimoniais. Em nenhum momento, nos anos de 1994 a 1998 —período sob ação fiscal a empresa apropriou tais valores em contrapartida às contas de resultado, exceção ocorrida somente quando da baixa integral Fl. 3984DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 3.984 7 da conta 220.105.0001, em 31 de dezembro de 1998. É também verdade que, ao longo desse período, esse saldo também sofreu reduções decorrentes de débitos por negócios aqui relatados como, por exemplo, a dita recompra do terreno no Morumbi. Para justificar essas transferências, lançouse mão de várias operações as quais as partes envolvidas não lograram comprovar, seja pela forma não usual e normal de se realizar negócios ou empreendimentos entre empresas, seja pela fragilidade da documentação apresentada e até mesmo pelo desencontro com que cada uma das empresas registrou as operações em sua contabilidade, ou seja, ambos os grupos, Monteiro de Barros e OK escrituraram as operações como sendo referentes a outros negócios. (...) É notório que a escrituração da fiscalizada não retrata os fatos que ela diz ter ocorrido, haja vista que não foi localizado nos seus registros contábeis, ao longo dos períodos analisados, nenhuma referência às compras do imóvel rural já citado, do terreno no Morumbi, do Terminal de Cargas, tampouco da receita oriunda dos imóveis dados em permuta pela área rural. Também não lhe socorre a contabilidade das demais empresas envolvidas nas operações descritas, pois à exceção da CODEARA, onde se constata de fato a venda do imóvel rural, as demais operações por ela arroladas não constam dos registros contábeis das empresas do Grupo Monteiro de Barros. A documentação apresentada não suporta qualquer análise critica e sua debilidade está provada pelas inúmeras incongruências nela contidas e já observadas neste Termo. O fato, é que receitas, cuja origem não ficou claramente explicada, apesar do empenho da fiscalização, foram postergadas, através de expedientes engenhosos, desde 1992 até 31 de dezembro de 1998, causando prejuízo significativo aos cofres públicos. Releva acentuar que a alíquota do Imposto de Renda Pessoa Jurídica praticada era, no ano de 1995, 25% e, em 1998, 15%. E quando oferecida à tributação, sofreu a incidência apenas do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro, não sendo adicionada às bases de cálculo do PIS e COFINS. (grifei) Inferese do exposto que a fiscalizada deixou de observar o regime de competência para reconhecimento de receitas auferidas no ano de 1995 e só oferecidas à tributação em 31/12/98, infringindo o artigo 219, incisos I e II do RIR/94. (...) 4 Pelos resultados obtidos com as diligências realizadas, e por todos os demais elementos aqui reunidos e discutidos, fica evidente que a fiscalizada envidou todos os esforços no sentido de impedir ou retardar o conhecimento do fisco da ocorrência do fato gerador dos impostos e contribuições por ela devidos. Inequivocamente, está configurado o evidente intuito da fiscalizada de esquivarse do pagamento de tributos, especificamente, do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Fl. 3985DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 3.985 8 Contribuição Social sobre o Lucro, Imposto de Renda na Fonte, PIS e COINS, situação tipificada nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, o que enseja a aplicação da multa prevista no inciso II do artigo 44 da Lei n° 9.430/96. Termos de Verificação e Constatação Fiscal n° 02: APURAÇÃO DO LUCRO 1. A empresa opera no ramo de incorporação imobiliária, sujeitandose por isso, para o pagamento do Imposto de Renda, ao Regime do Lucro Real, por força do disposto no art. 5° da Lei 8.541/92, matriz legal do art. 190 do Regulamento do Imposto de Renda ...(RIR/94); (...) 6. Portanto, em decorrência do não atendimento do regime de competência, o lucro bruto declarado pela empresa em sua Declaração de Rendimentos (DIRPJ), relativa ao anocalendário de 1995, foi inferior ao apurado pela fiscalização conforme aquele regime, considerando os valores registrados em sua contabilidade. Assim em 1995, para um lucro bruto informado de R$ 5.853.851,51, a fiscalização apurou lucro de R$ 14.193.374,29, conforme demonstrado abaixo:(grifei) (...) 7. Em decorrência do exposto, fica caracterizada INSUFICIÊNCIA NA APURAÇÃO DO LUCRO BRUTO no ano calendário de 1995. Esta insuficiência corresponde à diferença entre o lucro bruto apurado pela fiscalização e o informado pelo contribuinte, o que resulta no presente lançamento de ofício para exigência do Imposto de Renda Pessoa jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, cujo valor atinge R$ 7.548.810,90. (...) A 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Brasília, conforme Acórdão 2.613, de 23/08/2002, julgou procedente em parte os lançamentos, em decisão assim ementada: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa JurídicaIRPJ Ano calendário: 1995 Ementa: DECADÊNCIA (...) IRPJ CSLL. PIS. COFINS. POSTERGAÇÃO DE IMPOSTO. COMPRA E VENDA. PERMUTA. O contrato de compra e venda não se confunde com o de permuta. Diante da avença na qual se adquire a propriedade de um imóvel com o produto do pagamento de outras unidades imobiliárias não há que falar em permuta, mas em compra e venda Escrituradas as receitas provenientes da venda destas unidades em momento posterior ao determinado na legislação, está caracterizada a postergação no recolhimento de tributo. Não escrituradas as receitas provenientes da venda destas, está caracterizada a omissão de receitas. Fl. 3986DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 3.986 9 CSLL ANOCALENDÁRIO DE 1995 TRIBUTAÇÃO EM SEPARADO Na vigência do art. 43, § 2° da Lei n° 8.541/1992 alterados pelo artigo 3° da Lei n°9.064/1995, a receita omitida é considerada resultado liquido e tributada em separado, não compondo a base de cálculo da CSLL. (...) IRPJ. CSLL ANOCALENDÁRIO DE 1995 POSTERGAÇÃO DE RECOLHIMENTO DE CONTRIBUIÇÃO Uma vez que o contribuinte impugna os fatos e fundamentos legais do auto de infração, não o cálculo em si, a falta de observância, na realização de lançamento tendo por base a postergação no pagamento do IRPJ e da CSLL, das disposições da legislação tributária, especialmente as previstas no PN n° 02/1996, deve ser sanada pelo Julgador Administrativo, dispondo este de todos os elementos necessários para tanto, quando o reconhecimento implicar impossibilidade de lançamento adequado pela Fiscalização. IRPJ.. PIS. COFINS. IRRF. INSUFICIÊNCIA DE LUCRO BRUTO. ATIVIDADES IMOBILIÁRIAS. A escrituração do registro do custo dos imóveis vendidos, pela empresas que exploram atividades imobiliárias, não é requisito para usufruir da possibilidade de diferimento do lucro bruto para a tributação à medida do recebimento uma vez que tal exigência é feita para todas as empresas nesse ramo de atividade e não somente para aquelas que optarem pelo diferimento. INFRAÇÕES NÃO IMPUGNADAS. Consideramse procedentes as infrações não impugnadas pelo contribuinte. Lançamento Procedente em Parte." No voto condutor do acórdão [da 2ª Turma de Julgamento da DRJ em Brasília,] o Relator demonstra seu entendimento no sentido de terem ocorrido efetivamente às infrações descritas no Termo de Verificação e Constatação n° 01 (infrações 1 e 6 supra: omissão de receitas caracterizada pela não escrituração das decorrentes de vendas de unidades imobiliárias havidas em operações com a Companhia de Desenvolvimento do Araguaia CODEARA e inobservância do regime de competência na apropriação de receitas). Quanto à infração descrita no Termo de Verificação e Constatação n° 02 (infração 5: Insuficiência na apuração do lucro bruto nas operações imobiliárias), cancelou a exigência, uma vez que a fiscalização tributou toda a receita bruta no ano calendário da venda, procedimento que não encontra amparo na legislação.(grifei) Afinal, assim resultou a decisão de primeira instância: 1) Quanto ao IRPJ; a) Mantida integralmente a tributação sobre omissão de receitas (25%, tributação em separado)(grifei) b) Reduzida a exigência no que se refere à matéria relacionada com a postergação no reconhecimento de receitas; c) Cancelada a exigência a título de insuficiência de lucro bruto; Fl. 3987DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 3.987 10 d) Mantidas as exigências relativas às infrações não impugnadas. 2) Quanto ao IRRF — Mantida a exigência 3) Quanto ao PIS Reduzidas as exigências para adequação ao decidido quanto ao IRPJ; 4) Quanto à CSLL: a) Em relação à postergação no reconhecimento das receitas, reduzida a parcela da exigência, conforme apurado pelo órgão julgador, em razão da não observância do PN 02/96; b) Em relação à omissão de receitas, reconhecido erro na determinação do montante apurado no Auto de Infração, mas, considerando a adequação da descrição dos fatos e a correção do enquadramento legal, ratificada a apuração e reduzida a exigência. 5) Quanto à COFINS, mantida a exigência. Tendo em vista a parcela do crédito exonerada, foi interposto recurso de ofício. Ciente da decisão em 03/11/2002, a empresa protocolizou recurso voluntário em 18/11/2002, no qual alega, em síntese, que: (...) Quanto às infrações apuradas conforme Termo de Verificação e Constatação n°1: Articula suas razões de recurso sob os seguintes títulos: Presunções; Dos Contratos; Dos Critérios e da Metodologia Utilizados no Lançamento; Do não Atendimento aos Pressupostos do Lançamento; Das Duplicidades de Lançamento.(...) Acrescenta que, (...) o trabalho fiscal, (...) procedeu ao lançamento das "receitas oriundas das vendas dos imóveis dados em garantia à SIMPEXCODEARA" como omissão de receitas. Ora, os valores pela venda das unidades imobiliárias foram recebidos pela CODEARA e pelo Grupo Monteiro de Barros, este referente às notas promissórias emitidas pelo mesmo à CODEARA. Portanto, a Fiscalização baseouse em presunções, meras opiniões, tanto assim que os créditos foram duplamente lançados (como omissão de receitas e como imposto postergado). (...) Resume a situação ao final da operação, como a seguir: a) A CODEARA vendeu a fazenda, recebendo o preço ajustado, dividido entre permuta com imóveis notas promissórias emitidas pelo Grupo Monteiro de Barros em montante correspondente a algumas unidades imobiliárias; b) O Grupo OK recebeu o imóvel rural, entregando em permuta 73 unidades imobiliárias. Posteriormente, o Grupo OK entregou a totalidade do imóvel rural ao grupo Monteiro de Barros, recebendo deste, pagamentos parcelados; Fl. 3988DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 3.988 11 c) O Grupo Monteiro de Barros, por sua vez, recebe, através de suas empresas ligadas — Recreio e Agropecuária — a totalidade da área rural, pagando pela mesma ao Grupo OK como dito. De outra parte, em operação que nada tem a ver com o Grupo PK o Grupo Monteiro de Barros emitiu 45 notas promissórias à CODEARA, subrogandose no direito de receber o resultado da venda das unidades imobiliárias, no valor das notas promissórias emitidas. (...) Assim, pondera que, quanto à operação com a CODEARA, ou se entende que foi efetuada em 1993, como atestam os documentos, ou constatase que referida operação só foi concluída, para efeito do disposto no ordenamento jurídico pátrio, quando do implemento da condição suspensiva contratada, o que, in casu, teria se verificado no momento em que foram lavradas as escrituras públicas (maio de 1997). Invoca os artigos 114 e 118 do Código Civil e os arts. 116. II e 117, I, do CNT (sic) para concluir que, ao não observar o momento do implemento (1977)(sic) nem o momento da permuta (1993), o lançamento pecou sob todos os aspectos, para o único fim de ensejar a tributação no anobase de 1995. (...) Finalmente, quanto à omissão de receitas (...).Quanto ao imóvel rural, esclarece que não foram contabilizadas as receitas decorrentes das unidades imobiliárias porque foram dadas em permuta, não se tratando de receitas da Recorrente. E diferentemente do afirmado, foram encontrados os registros contábeis decorrentes da venda do imóvel rural, tanto que foram objeto de lançamento fulcrado em postergação. (...) No que se refere a regimes (competência mensal, competência anual ou caixa), ressalta que no lançamento, cuja capitulação legal não pode ser alterada pelo julgador, os auditores procederam ao enquadramento no art. 219 do RIR/94, portanto no regime de competência anual. Para o cálculo do imposto postergado, o lançamento considerou os valores relativos à conta 'contrato de mútuo venda de imóveis', oferecidos à tributação em 1998, por entender que deveriam ter sido contabilizados em 1995, os valores recebidos naquele ano, oriundos do Grupo Monteiro de Barros, relativamente à parte do pagamento da Fazenda Santa Terezinha. Assim, diz que o lançamento referente à postergação apresenta falta de conexão entre a capitulação legal e o critério adotado, pois que: (...) Acrescenta que, apesar de o lançamento ter sido parcialmente corrigido pela decisão recorrida, deve o mesmo ser cancelado, não apenas pela necessidade de correção de outros erros, mas também pela impossibilidade de agravar na decisão. (...) Fl. 3989DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 3.989 12 Sobre a omissão de receitas, diz que a transação relativa às 73 unidades ocorreu em 1993, sob a modalidade permuta (...). Assim, se houvesse alguma omissão de receitas relativa à transação, esta seria referente a período anterior ao do lançamento em questão (1993), ou ao período de 1997, quando houve o implemento da condição suspensiva. (...) Acrescenta que, por outro lado, é incorreto o critério adotado pela fiscalização de considerar o total das vendas mensais, (...). Além disso, não se considerou o custo dos imóveis permutados (considerados pela fiscalização como vendidos). Ainda que as receitas fossem tributadas por ocasião das vendas, desconsiderandose que foram vendidas a prazo, deveria ter sido computado o custo orçado também de uma só vez. O Colegiado a quo, por unanimidade de votos, REJEITOU a preliminar de decadência e, no mérito, por maioria de votos, deram PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para: 1. cancelar os lançamentos referentes à postergação; 2. cancelar os lançamentos fundados nos arts 43 e 44 da Lei nr 8 541/92. O voto da relatora do acórdão recorrido sinteticamente assim dispõe: (...) No caso, tendo a ciência do auto de infração ocorrido em 07 de dezembro de 2000, afastase a preliminar de decadência.(grifei) (...) As razões de recurso desenvolvidas quanto às parcelas das exigências que permanecem litigiosas relacionamse com as seguintes matérias: a) omissão de receitas e postergação no reconhecimento de receitas, apuradas conforme Termo de Verificação e Constatação Fiscal n° 01, e relacionadas com a operação envolvendo área rural adquirida da CODEARA e 73 unidades imobiliárias da Recorrente; b) alíquota da CSLL; c) tributação pelo IRRF da omissão de receitas; d) não incidência da COFINS sobre vendas de imóveis; e) descabimento da multa agravada; f) descabimento dos juros calculados segundo a SELIC. POSTERGAÇÃO Quanto à parcela relacionada com a postergação no reconhecimento de receitas, registra o voto condutor:(grifei) "A jurisprudência administrativa vem se firmando no sentido de que o descumprimento do Parecer Normativo n° 02/96 é motivo ensejador da nulidade do lançamento. Entretanto, entendo que, na busca da verdade material, estando os fatos perfeitamente narradas, bem assim a capitulação legal corretamente determinada, o cancelamento tendo em vista o descumprimento a método de cálculo deve ser apreciado pelo Julgador com cautela. (...) Fl. 3990DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 3.990 13 Isso porque o contribuinte não se defende do cálculo ressalvada a hipótese de erro em seu prejuízo mas dos fatos narrados no auto de infração, com a correspondente capitulação legal. (...) Estando o Julgador em condições de apurar o montante correto, repito, não há que se falar em prejuízo. (...)" A seguir, passa a demonstrar o valor do imposto postergado e reduz o valor da exigência a esse título. (...)a decisão de primeira instância, na realidade, refez o lançamento, não se tratando, simplesmente, de refazimento dos cálculos em razão de descumprimento do Parecer Normativo n° 02/96. Até porque o PN 02/96 trata da consideração dos efeitos da correção monetária das demonstrações financeiras nas bases de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido nos ajustes correspondentes a todos os períodos base compreendidos no prazo em que tiver ocorrido postergação do pagamento do imposto e da contribuição. E nada a respeito desses efeitos consta no cálculo refeito no voto condutor do acórdão. (...) não se trata simplesmente de descumprimento, no lançamento, das determinações do Parecer Normativo 02/96, registro que, caso se tratasse simplesmente retificação de cálculo, mas não de descumprimento das normas que devem reger o lançamento, concordo com o entendimento de que a retificação em favor do contribuinte poderia (e deveria) ser feita pelo julgador. (...) Analisando o lançamento frente apenas ao que dispõe o Decreto lei n° 1.598/77, observamse algumas irregularidades, a saber: a) No auto de infração foi indevidamente imputada a multa de mora. O Decretolei n° 1.598/77 prevê apenas a exigência de correção monetária e juros de mora. O artigo 16 do Decretolei n° 1.967/82 só poderia servir de amparo à imposição da multa se antes do Decretolei n° 1.598/77 não houvesse previsão legal para a sua exigência. Se assim fosse, poderseia entender que o Decretolei n° 1.598/77 não falou em multa de mora porque não havia previsão legal para sua exigência, mas lei superveniente que a instituísse para todos os pagamentos espontâneos em atraso alteraria aquele Decretolei. Todavia, tal não corresponde à realidade, eis que já a Lei n° 2.354/54, art. 32, continha previsão nesse sentido. b) Outro equívoco cometido no auto de infração consistiu em não considerar o adicional pago sobre o imposto postergado. Além das irregularidades acima referidas, o que de fato é relevante, no presente caso, é que o lançamento deixou de observar as prescrições legais vigentes. (...): (...) Fl. 3991DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 3.991 14 Assim, o que a decisão de primeira instância fez foi aperfeiçoar o lançamento para adequálo às disposições legais vigentes (Lei 9.430/96), o que não lhe era dado fazer, não só em razão da decadência, mas também por não se revestir, o órgão julgador, da condição de autoridade lançadora. Deve, pois, ser cancelada a exigência em relação a esse item. (grifei) OMISSÃO DE RECEITAS [VOTO VENCIDO] Essa matéria está relacionada com operação envolvendo área rural adquirida da CODEARA e 73 unidades imobiliárias da Recorrente. O aspecto central do litígio gira em tomo da caracterização da operação. Enquanto a decisão recorrida, confirmando a acusação da fiscalização, entendeu ter ocorrido compra e venda da área rural, tendo as unidades imobiliárias sido dadas em garantia, a Recorrente afirma ter ocorrido permuta. Na peça recursal, diz a Recorrente que a fiscalização utilizouse de presunção para afirmar não ter ocorrido permuta, (...). Inicialmente, é de se considerar que a fiscalização não se utilizou de presunção, mas caracterizou a operação de acordo com os documentos e registros contábeis existentes. Assim, o compromisso de venda e compra de imóvel rural firmado entre CODEARA (na qualidade de vendedora) e Grupo OK e Grupo Monteiro de Barros (na qualidade de compradores) registra que o preço ajustado foi o equivalente a US$ 2.000.000,00 (Cláusula IV) e o pagamento do preço seria feito pelas Compradoras à Vendedora com o produto da venda de cada uma das unidades imobiliárias constantes do Mexo IV (cláusula V.2), tendo a vendedora a opção de, ao invés de receber o produto da venda, obter para si a escritura definitiva das unidades imobiliárias que indicar (Cláusula V.5). Portanto, não diz o instrumento que o pagamento seria feito mediante permuta com as unidades imobiliárias, ou por dação das referidas unidades, ou qualquer outra forma que indicasse que todos os direitos sobre aquelas unidades passavam, desde já, para a compromissária vendedora do imóvel rural. Por outro lado, as unidades imobiliárias continuaram registradas no ativo permanente da Recorrente, o que denota não terem sido permutadas. (grifos do original) Pondera a Recorrente que (...) não poderia ter recebido de volta as unidades após o pagamento, porque foram vendidas (pela Recorrente, representada por sua procuradora, a CODEARA) a terceiros e foram exatamente essas vendas que permitiram o pagamento, conforme previsto no contrato. (...) Diz ainda a Recorrente que não permaneceu com as unidades imobiliárias, e que não recebeu pelas mesmas, outra coisa senão o imóvel rural. Essa afirmação não encontra respaldo nos autos. As unidades continuaram registradas no seu ativo até serem vendidas aos terceiros adquirentes. E (...) não contabilizou a operação, não tendo como provar que deu as unidades e recebeu a gleba rural, como alega. E pelos documentos, com a operação praticada, recebeu o terreno e assumiu uma dívida.(...) que as Fl. 3992DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 3.992 15 parcelas do preço serão pagas no escritório da Promitente Vendedora (0K) ou em outro local por ela determinado. Dessa forma, se repassou à CODEARA valor superior ao seu débito, fê lo por liberalidade. (...) Portanto, não restou provado que os valores transferidos do Grupo Monteiro de Barros para o Grupo OK e contabilizados na conta 'Contrato de Mútuo V. Imóveis', que serviu de base para o lançamento relacionado com postergação no reconhecimento de receitas, se refiram à venda da Fazenda. Ao contrário, como registrou o Termo de Constatação, tratase de receitas cuja origem não ficou claramente explicada. (...) Também a alegação a duplicidade de lançamento não pode prosperar, pois como já referido neste Voto, não ficou provado que os valores transferidos pelo Grupo Monteiro de Barros ao Grupo OK (e que foram tributados como postergação) referem se à venda do imóvel rural. Portanto, correta a exigência relativa à matéria omissão de receitas.(grifei) Este lançamento, como verificaremos mais abaixo, foi cancelado pelo colegiado. Continuemos com a síntese do voto da relatora. LANÇAMENTOS REFLEXOS (...) quanto aos lançamentos reflexos: (...) A questão da dedutibilidade da CSLL de sua própria já foi tratada neste Voto, quando ficou esclarecido que, em se tratando de fatos geradores ocorridos em 1995, às receitas omitidas eram tributadas pelo IRPJ e pela CSLL em separado, não integrando o lucro real ou lucro líquido ajustado.(grifei) Quanto à não incidência da Cofins sobre venda de imóveis, (...) a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça uniformizou o entendimento ao apreciar os Embargos de Divergência em REsp n° 156.384 — Rio Grande do Sul (2000/00093947),(...) (...) Considerando, pois, o entendimento da mais alta Corte do País competente para interpretar matéria infraconstitucional, não há como acatar a argüição de não incidência[da Cofins] (grifei). Não prospera, também, a alegação de impossibilidade de incidência do IRRF (art. 739 do RIR) sobre a parcela de omissão de receita. (...) ao contrário do que afirma a Recorrente, não restou comprovado que os valores não foram por ela recebidos. Não tendo sido devidamente contabilizadas, o que existe a respeito das operações são os instrumentos contratuais que estão no processo (Compromisso Particular de Venda e Compra e escrituras). (...) Dessa forma, a eventual determinação de que o pagamento fosse efetuado a outra pessoa não desnatura o fato de que a recorrente é a recebedora. (grifei) Fl. 3993DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 3.993 16 Correta, também, a aplicação da multa qualificada. Como já dito na apreciação da preliminar de decadência, é notória, no caso, a intenção de impedir ou retardar o conhecimento, pelo fisco, da ocorrência do fato gerador dos impostos e contribuições por devidos. Entre os muitos outros fatos a evidenciar o intuito de fraude, basta mencionar a realização de operação de vultoso valor (US$ 2.000.000,00), envolvendo extensa área rural e 73 unidades imobiliárias da Recorrente por com a participação do Grupo OK e do Grupo Monteiro de Barros como compradores, sem contabilização em nenhuma das empresas dos grupos, e cujos contratos não especificam a participação de cada comprador. (grifei) Quanto aos juros de mora, sua cobrança decorre do art. 161 do Código Tributário Nacional, que prescreve que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, (...) O parágrafo 1° do mesmo dispositivo estabelece que, se a lei não dispuser de modo diverso, serão os juros de 1% ao mês (destaque do original). Portanto, não viola o CTN a aplicação de taxa superior a 1%, desde que haja previsão legal. (...) Pelas razões declinadas, dou provimento parcial ao recurso para excluir das exigências à matéria tributável relacionada com a postergação no reconhecimento das receitas. Este foi, em síntese, o voto da relatora Sandra Maria Faroni. Após a sessão de julgamento, o conselheiro Kasuki Shiobara foi designado relator do voto vencedor sobre o tema omissão de receitas e aplicação do disposto nos artigos 43 e 44 da Lei nº 8.541/82, sobre o qual foi decidido que os dispositivos legais citados não tem aplicação no anocalendário de 1995. No seu voto vencedor, o relator designado alude em síntese ao seguinte: De fato, os artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/92 foram revogados pelo artigo 36, inciso IV, da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, publicado no Diário Oficial da União, do dia 27 de dezembro de 1995, quando entrou em vigor. (...) A mesma Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, no artigo 35 determinou que a mesma lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1° de janeiro de 1996. A ressalva contida no final do artigo quanto aos efeitos a partir de 1° de janeiro de 1996, diz respeito ao artigo 24 da mesma lei que veio a disciplinar de forma diversa a tributação de omissão de receitas e, portanto, face ao disposto no artigo 104 do Código Tributário Nacional, só se aplica e produz efeitos a partir de 1° de janeiro de 1996. Assim, não há dúvida que a revogação estabelecida no artigo 36 entrou em vigor na data de sua publicação, ou seja, no dia 27 de dezembro de 1995. (...) Fl. 3994DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 3.994 17 ... de acordo com o artigo 6°, da Lei de Introdução ao Código Civil, a lei publicada entra em vigor e tem efeito geral e imediato, sob o aspecto de revogação expressa ou porque tratou inteiramente da matéria relacionada com a omissão de receitas e há incompatibilidade entre os artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/82 com o artigo 24 da Lei n° 9.249/95. (...) Aliás, a bem da verdade, os artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/92 vêm sendo contestados pelos contribuintes e tem merecido atenção especial por parte do Primeiro Conselho de Contribuintes, face à peculiaridade do tipo de tributação estabelecida, contrariando as regras normais estabelecidas na legislação tributária e legislação comercial. (...) Estes dois artigos foram objetos de interpretação pelas diversas Câmaras do Primeiro Conselho de Contribuintes e o entendimento assentado foi no sentido de que os mesmos não estavam consoante com as regras estabelecidas no Código Tributário Nacional e nem na Lei das Sociedades Anônimas. O artigo 44 do Código Tributário Nacional determinava que a base de cálculo é o lucro real, presumido ou arbitrado da renda ou proventos tributáveis e como o § 2°, do artigo 43, da Lei n° 8.541/92, com a redação dada pela Medida Provisória n° 492/94 convertida na Lei n° 9.064/95 estabelece que a receita omitida não comporá a determinação do lucro real, presumido ou arbitrado, bem como a base da contribuição social sobre o lucro líquido e que o imposto e a contribuição incidentes sobre a omissão serão definitivo, restou duvidosa a tributação pretendida. (...) Entre outros acórdãos, merecem destaque as seguintes ementas sobre o tema em exame: "TRIBUTAÇÃO EM SEPARADO. OMISSÃO DE RECEITA. A tributação em separado da omissão de receita criada pela Lei n° 8.541/92 não se legitima quando, no período da omissão, o contribuinte apura prejuízo porque, no fundo, então desvirtuase o fato gerador do imposto (Ac. 10320.190, de 25/01/2000 — DOU de 28/02/2000)." "OMISSÃO DE RECEITAS FATO GERADOR E BASE DE CÁLCULO DO IMPOSTO DE RENDA WXVI DOS ARTS. 43 E 44 DO CTN. O art. 43 do Código Tributário Nacional definiu o fato gerador do imposto como a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, sendo que essa disponibilidade ocorre, para as empresas, de forma continuada e integrada. A base de cálculo do imposto é o montante real, arbitrado ou presumido de renda. Só é renda o acréscimo de patrimônio que possa ser consumido sem reduzir ou fazer desaparecer o patrimônio que o produziu: do contrário, a renda se confundiria com o capital(Ac. 103 19.499/98)." Fl. 3995DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 3.995 18 (...) ... o Decretolei n° 1.598/77 quando veio a estabelecer a forma de apuração do lucro real, não deixou dúvida que o lucro real será apurado com base na escrituração mantida pelo contribuinte com observância das leis comerciais e fiscais. (...) ... pelas regras de apuração do lucro real, tanto a legislação comercial e societária como a legislação fiscal estabelece que os prejuízos apurados no exercício e os prejuízos acumulados de exercícios anteriores podem ser compensados, observados os requisitos estabelecidos. (...) ... a Lei n° 8.541/92, incluiu os artigos 43 e 44, no Capítulo II, do Título IV que trata DAS PENALIDADES e este fato foi objeto de interpretação por algumas Câmaras deste Primeiro Conselho de Contribuintes no sentido de que a revogação dos artigos citados, exatamente, pelo caráter penal de tributação explicitada, teria aplicação retroativa, face ao comando expresso no artigo 106, inciso II, letra 'c', do Código Tributário Nacional. Entre outros acórdãos, transcrevo ementas estão redigidas nos seguintes termos: "IRPJ. CSLL IRRF. A tributação em separado prevista nos artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/92, tem natureza de penalidade, aplicandose retroativamente o artigo 36 da Lei n° 9.249/95 que os revogou. Em conseqüência, tratandose de ato não definitivamente julgado, deve ser afastada sua aplicação, excluindose do lançamento aquilo que constitui acréscimo penal. (Ac. 10806.018, de 23/02/2000 DOU de 17/04/2000 e 10806.036, de 14/03/2000 dou de 17/04/2000)." "OMISSÃO DE RECEITA COMPROVADA. INCLUSÃO DO VALOR NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL REVOGAÇÃO DA LEI 8.541/92 QUE DETERMINAVA A TRIBUTAÇÃO DO VALOR OMITIDO SEPARADAMENTE. PENALIDADE INTELIGÊNCIA DO ART. 106, II, 'c', DO CTN. A Lei n° 9.249/95, que revogou a Lei n° 8.541, deve ter aplicação retroativa, a rigor do disposto no art. 106, II, 'c', do CTN, vez que referido dispositivo impunha penalidade ao contribuinte que tivesse omitido receita, no sentido de não legar tal valor para apuração do lucro tributável. Considerando que, com a omissão, a empresa apenas diminuiu o prejuízo fiscal, o auto há de ser cancelado nessa parte. (Ac. 10805.902, de 21/10/1999 DOU de 14/12/1999)." (...) Se já era difícil interpretar e aplicar corretamente os artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/92, a Medida Provisória n° 812, de 30 de dezembro de 1994, convertida na Lei n° 8.891, de 20 de janeiro de 1995, em seu artigo 97 veio a estabelecer "verbis': Fl. 3996DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 3.996 19 "Art. 97 A falta ou insuficiência de pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro está sujeita aos acréscimos legais previstos na legislação tributária federal. § único No caso de lançamento de oficio, no decorrer do ano calendário, será observada a forma de apuração da base de cálculo do imposto adotada pela pessoa jurídica." (...) Este comando explicita que, se no decorrer do anocalendário, a fiscalização apurar omissão de receitas, esta receita omitida deveria compor a base de cálculo do lucro real, presumido ou arbitrado e não mais separadamente como disposto nos artigos 43 e 44, da Lei n° 8.541/92. A confusão era total e na impossibilidade de conseguir uma interpretação razoável desta legislação, foi expedida a Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, publicado no Diário Oficial da União do dia 27 de dezembro de 1995, veio a estabelecer o seguinte: "Art. 24 — Verificada omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. ... § 2° O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social — COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Publico — PIS/PASEP " A administração fiscal, consciente destas inconsistências de ordem legal e da impossibilidade de interpretação ou integração destes textos contraditórios entre si e, portanto, de impossível aplicação, optou pela revogação dos mencionados artigos 43 e 44, da Lei n° 8.541/92. Assim, o artigo 37 da Lei n° 9.249/95 colocou o trem nos trilhos, revogando os artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/92 'verbis': "Art. 36 Ficam revogadas as disposições em contrário, especialmente: IV os arts. 43 e 44 da Lei n°8.541, de 23 de dezembro de 1992." Este entendimento não conduz a nenhum absurdo e, muito pelo contrário, é a mais correta e não traz qualquer contradição para qualquer das partes. (...) Quanto ao Imposto sobre a Renda Retido na Fonte, descaracterizada a tributação com fundamento no artigo 44 da Lei n° 8.541/92, a legislação vigente não estabelecia outra forma de tributação na fonte. (...) Fl. 3997DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 3.997 20 Por outro lado, dois fatos estão claramente definidos: as vendas das 73 unidades imobiliárias (apartamentos) não foram escrituradas pela autuada e as receitas de vendas daquelas unidades imobiliárias foram escrituradas pela SIMPEX CODEARA S/A e que serviu de base para a quantificação do valor da receita omitida. Da conjugação destes dois fatos, emerge claro que as unidades imobiliárias saíram do patrimônio da autuada e, embora esta saída não possa ser tributada como omissão de receitas, face à revogação dos artigos 43 e 44 da Lei n°7 8.541/92, existem outros efeitos tributários, especialmente, quanto a incidência de COFINS que, aliás, foi examinada com extremo cuidado pela Conselheira Relatora e que, neste momento, endosso em todos os seus termos. Outrossim, quanto à exigência não impugnada, inexistindo litígio estabelecido, deve prosseguir na cobrança, quanto ao lançamento principal como os lançamentos reflexivos, tendo em vista que o relator foi designado para redigir o votovencedor, apenas no tange a revogação dos artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/92. De todo o exposto e tudo o mais que consta dos autos, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário relativamente à tributação da receita omitida no ano de 1995, quanto do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, Imposto sobre a Renda Retido na Fonte e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, com fundamento nos artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/92. A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão nº 101 94.224, de 11/06/2003, rerratificado pelo nº 10194.720, de 20/10/2004, ingressou com a petição de recurso especial de fls. 3436/3444, com fulcro no artigo 5º, I, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 55/98. Conforme Despacho PRESI nr. 101111/2005, constante à folha 3484, o presidente da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes deu seguimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional no que tange ao cancelamento dos lançamentos de IRPJ, IRF e CSL, fundados nos arts. 43 e 44 da Lei nº 8.541/92. A Fazenda Nacional alega, em síntese que: (...) 11 De fato, consoante o documento de fls. 99 [633 do e.processo] e seguintes, o Recorrido apurou o IRPJ e a CSSL, no ano de 1995, com base no lucro real. Mas, data máxima vênia, o e. conselheiro se equivocou ao afirmar que o Recorrido optou por apurar o lucro real anual em 1995, eis que não há nenhuma prova nos autos de que esse fato tenha ocorrido. 12 Não se encontra nos autos a declaração de imposto de renda do Recorrido para o ano de 1995, que pudesse confirmar a sua suposta opção pelo lucro real anual naquele período.( grifos do original) 13 Ausente, nos autos, qualquer prova de que o Recorrido tenha optado por apurar, no ano de 1995, o lucro real anual, resta clara a improcedência do fundamento aduzido pela e. Câmara a quo para anular a exigência fiscal. Fl. 3998DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 3.998 21 (...) 17 Na hipótese da receita omitida, o legislador optou pelo mesmo sistema, fixando, expressamente, que a tributação da receita omitida é definitiva, e que não comporá a determinação do lucro real, presumido ou arbitrado. Basta conferir o art. 43, §2°, da Lei 8.541/92. 18 Ora, se a tributação da receita omitida é definitiva, a opção do contribuinte por apurar lucro real mensal ou anual é irrelevante, pois o imposto decorrente da omissão de receitas não irá compor o cálculo do lucro real anual ou mensal. Trata se de tributação definitiva, exclusiva, sobre o ganho do contribuinte omitido à Fazenda. (...) 20 Contudo, poderia restar alguma dúvida apenas quanto à receita omitida no mês de dezembro de 1995, tendo em vista que, consoante o e. conselheiro relator, a Lei 9.249/95, que revogou os arts. 43 e 44 da Lei 8.541/92, foi publicada em 26/12/1995. Desse modo, há o argumento de que, para o mês de dezembro de 1995, a Lei 8.541/92 não estava mais em vigor, e não poderia mais fundamentar a cobrança de imposto sobre a receita omitida naquele mês. 21 Esse argumento não procede, em face do disposto no art. 35 da Lei 9.249/95, verbis: "Art. 35. Esta lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1º de janeiro de 1996" (Grifos não constantes do original). (...) 23 Em suma, não há que se falar em impedimento à aplicação dos arts. 43 e 44 da Lei 8.541/92 como fundamento para a exigência de tributos sobre receita, omitidas pelo Recorrido no ano de 1995, pois, como ficou demonstrado, não há prova nos autos de que o Recorrido tenha optado pelo lucro real anual em 1995, e, mesmo assim, essa opção seria irrelevante, pois a tributação da receita omitida é definitiva, e não compõe o lucro real, presumido ou arbitrado. Por outro lado, a Lei 9.249/95 somente produziu efeitos a partir de 1º de janeiro de 1996, restando claro que, durante todo os meses do ano de 1995, estava em vigor a Lei 8.541/92. 24 A e. Câmara a quo julgou também que, a superveniência de norma revogadora dos arts. 43 e 44 da Lei 8.541/92 importaria na aplicação, ao caso, do art. 106, II, 'c' do Código Tributário Nacional, que atribui efeitos retroativos a norma fiscal que imponha penalidade menos gravosa ao contribuinte, pois os arts. 43 e 44 da Lei 8.541/92 não instituíram tributos, mas penalidade. Confirase o seguinte trecho do voto condutor do r. acórdão: (...) 27 Portanto, vêse que a e. Câmara a quo decidiu que os arts. 43 e 44 da Lei 8.541/92 teriam instituído penalidade, porque a Fl. 3999DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 3.999 22 base de cálculo e a alíquota prevista para os tributos seriam "muito elevadas". 28 Ora, data máxima vênia, dizer que um determinado imposto teria a natureza de penalidade, apenas porque a sua base de cálculo e alíquota seriam "muito elevadas", e assim cancelar a tributação mediante a aplicação de norma posterior, com fundamento no princípio da retroação da norma penal mais benéfica, é um equívoco extremo. (...) 43Portanto, não há dúvida de que os arts. 43 e 44 da Lei 8.541/92 instituíram forma diferenciada de tributação das receitas omitidas, e não uma penalidade, não havendo, data máxima vênia, justificativa para a aplicação retroativa da Lei n.° 9.249/95. 44A e. Câmara a quo declarou ainda que o art. 24 da Lei n.°9.249/95 deveria retroagir, porque a Lei 9.249/95 teria caráter interpretativo.Confirase: "A confusão era total e na impossibilidade de conseguir uma interpretação razoável desta legislação, foi expedida a Lei n° 9249, de 26 de dezembro de 1995 (...) veio a estabelecer o seguinte: (...) Entendo que este dispositivo legal foi editado como texto interpretativo e não vejo como entender de forma diversa porque tornouse impossível a coexistência entre os artigos 43 e 44 da Lei 8.541/92 com o art. 97, § único da Medida Provisória n° 812/94, convertida na Lei n° 8.981/95". 45 Data máxima vênia, a e. Câmara a quo cometeu outro equívoco. 46 Primeiramente, não há que se falar em aplicação retroativa da Lei 9.249/95, porque teria caráter "interpretativo". É que o art. 106, I, do CTN, que, se infere, estaria baseando o entendimento da e. Câmara a quo, dispõe que: "A lei aplicase a ato ou fato pretérito (...) quando seja expressamente interpretativa". (grifos do original) 47 A Lei 9.249/95 não é interpretativa, nem expressa e nem tacitamente, e portanto não há, no caso em tela, o pressuposto para a aplicação do art. 106,1, do CTN. Por fim, a Fazenda Nacional defende a legalidade e constitucionalidade dos artigos 43 e 44 da Lei nº 8.541/92, vigentes à época dos fatos geradores. Devidamente cientificado do despacho de folha 3484, o contribuinte interpôs suas contrarrazões ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, conforme constam às folhas 3512/3546. O contribuinte também interpôs recurso especial da parte que o acórdão recorrido lhe foi desfavorável, o qual, contudo não foi admitido, conforme despacho de fls. 13231329, da lavra do P. da 1ª Câmara do CC. É o Relatório. Fl. 4000DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 4.000 23 Voto Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator Conheço do recurso pois preenchem os requisitos de admissibilidade. Os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes acordaram, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de decadência e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso voluntário para: 1. cancelar os lançamentos referentes à postergação; 2. cancelar os lançamentos fundados nos arts 43 e 44 da Lei nr 8 541/92 , nos termos do relatório e voto que integram o Acórdão nº 10194.224 às folhas 3314/3426. Vencidos os Conselheiros Sandra Maria Faroni (Relatora) e Paulo Roberto Cortez que mantiveram os lançamentos fundados nos mencionados dispositivos legais. A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior referese apenas aos lançamentos fundados nos arts 43 e 44 da Lei nr 8 541/92. Consideradas as razões expostas pela recorrente no r. especial e aquelas aduzidas em contrarrazões pelo contribuinte, passo à análise do tema. A maioria do colegiado do acórdão recorrido concordou que os artigos 43 e 44 da Lei nº 8.541/92 foram revogados retroativamente pela Lei nº 9.249/95, publicada em 27/12/1995. No seu voto vencedor, o relator do Acórdão nº 10194.224, de 11 de junho de 2003, entende que os artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/92 foram revogados pelo artigo 36, inciso IV, da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, publicado no Diário Oficial da União, do dia 27 de dezembro de 1995, quando entrou em vigor. Apesar de o artigo 35 da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, ter determinado que a mesma Lei entra em vigor na data de sua publicação (27/12/95), produzindo efeitos a partir de 1° de janeiro de 1996, defende o relator que, "a ressalva contida no final do artigo quanto aos efeitos a partir de 1° de janeiro de 1996, diz respeito ao artigo 24 da mesma lei que veio a disciplinar de forma diversa a tributação de omissão de receitas e, portanto, face ao disposto no artigo 104 do Código Tributário Nacional, só se aplica e produz efeitos a partir de 1° de janeiro de 1996". Com esta justificativa o relator entende que "não há dúvida que a revogação estabelecida no artigo 36 entrou em vigor na data de sua publicação, ou seja, no dia 27 de dezembro de 1995". Completa sua argumentação afirmando que "de acordo com o artigo 6°, da Lei de Introdução ao Código Civil, a lei publicada entra em vigor e tem efeito geral e imediato, sob o aspecto de revogação expressa ou porque tratou inteiramente da matéria relacionada com a omissão de receitas e há incompatibilidade entre os artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/82 com o artigo 24 da Lei n° 9.249/95". Pelos termos do acórdão recorrido, temos que o art. 24 da Lei nº 9.249/95 deveria retroagir, porque a Lei 9.249/95 teria caráter interpretativo. Confirase: Se já era difícil interpretar e aplicar corretamente os artigos 43 e 44 da Lei n° 8.541/92, a Medida Provisória n° 812, de 30 de Fl. 4001DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 4.001 24 dezembro de 1994, convertida na Lei n° 8.891, de 20 de janeiro de 1995, em seu artigo 97 veio a estabelecer "verbis': (...) A confusão era total e na impossibilidade de conseguir uma interpretação razoável desta legislação, foi expedida a Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, publicado no Diário Oficial da União do dia 27 de dezembro de 1995, veio a estabelecer o seguinte: "Art. 24 — Verificada omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. ... § 2° O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social — COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Publico — PIS/PASEP " Entendo que este dispositivo legal foi editado como texto interpretativo e não vejo como entender de forma diversa porque tornouse impossível a coexistência entre os artigos 43 e 44 da Lei 8.541/92 com o art. 97, § único da Medida Provisória n° 812/94, convertida na Lei n° 8.981/95". O artigo 97, parágrafo único, da MP nº 812/94 citada no parágrafo acima diz o seguinte: "Art. 97 A falta ou insuficiência de pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro está sujeita aos acréscimos legais previstos na legislação tributária federal. § único No caso de lançamento de oficio, no decorrer do ano calendário, será observada a forma de apuração da base de cálculo do imposto adotada pela pessoa jurídica." Esta Medida Provisória foi publicada dia 31 de dezembro de 1994 e convertida na Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, publicada em 23/01/1995 e o dispositivo acima entrou em vigência em 01 de janeiro de 1995. Eis a confusão interpretativa aludida pelo acórdão recorrido. No entanto, isto não caracteriza a Lei nº 9.249/95 como interpretativa a ponto de retroagir seu comando do artigo 24, conforme disposto no artigo 106 do Código Tributário Nacional, até mesmo porque em seu § 3º foi estabelecida um agravamento da multa de lançamento de ofício para trezentos por cento sobre a totalidade ou diferença dos tributos ou contribuições devidos o que, por si só, não poderia retroagir a atos ou fatos pretéritos. Assim, o lançamento não poderia se fundamentar no artigo 24, § 2º da Lei nº 9.249/95, até mesmo porque seus efeitos, conforme artigo 35 da mesma Lei, passaram a vigorar a partir de 01 de janeiro de 1996. E quanto à confusão interpretativa aludida pelo acórdão recorrido para o ano calendário de 1995? Fl. 4002DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 4.002 25 Ora, o próprio parágrafo único do artigo 97 da Lei nº 8.981/95 prescreve que no caso de lançamento de oficio, no decorrer do anocalendário, seria observada a forma de apuração da base de cálculo do imposto adotada pela pessoa jurídica. Contudo o lançamento ora questionado foi constituído no ano de 2000, portanto, deveriam ser aplicados os artigos 43 e 44 da Lei nº 8.451/92, que ainda estavam válidos no mundo jurídico quando dos acontecimentos dos fatos geradores analisados, sendo revogados pela Lei nº 9.249/95 a partir de 01 de janeiro de 1996, como determina seu artigo 35. Não cabe ao aplicador da lei, diante de uma aparente antinomia jurídica, dizer qual norma está certa ou errada, sendo ambas válidas formalmente, vigentes e contidas num mesmo ordenamento, mas sim aplicar aquela mais se adequa ao caso concreto. E foi o que aconteceu neste caso. Assim, a discussão ora apresentada se restringe a retroatividade ou não da revogação dos artigos 43 e 44 da Lei nº 8.541/92 pelo artigo 36, IV, da Lei nº 9.249/95 por cominar "penalidade" menos severa que a prevista na Lei vigente ao tempo da sua prática, o que estaria de acordo com a alínea 'c', inciso II do artigo 106 do CTN. O acórdão recorrido traz jurisprudências do próprio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF que entendem que os referidos artigos 43 e 44 da Lei nr. 8.541/92 têm natureza de penalidades. Há decisões do STJ no sentido que pretende o contribuinte, (REsp 801.447/PR, de 26/10/2009 e AgREsp nº 1.106.260/PR). Vejase que neste Agravo Regimental do STJ, no que se refere a revogação do art. 43 da Lei 8.541/92 pela Lei 9.249/92, o julgado do TRF da 4ª Região apresentou o seguinte fundamento: "Não prospera outrossim o argumento de que devem ser consideradas as novas disposições sobre a matéria trazidas pela Lei nº 9.249/95. Embora referido normativo tenha revogado o art. 43 da Lei nº 8.541/92, devese ter presente que as regras nele previstas não dizem respeito a infrações propriamente ditas, e sim ao cálculo da obrigação tributária principal. A retroatividade da norma mais benéfica somente ocorre em relação a infrações tributárias, ao passo que as regras acerca da incidência e da forma de cálculo da obrigação principal obedecem a legislação vigente na época do fato. Isso é o que se extrai das disposições contidas no art. 106 do CTN:" (...) Em que pese a decisões do STJ e até mesmo do próprio CARF, não entendo desta maneira o caso colocado em discussão. A Lei nº 8.541/1992 definiu em seu artigo 1º que, a partir do mês de janeiro de 1993, o imposto sobre a renda e adicional das pessoas jurídicas, em relação aos resultados obtidos em suas operações ou atividades estranhas a sua finalidade, seria devido mensalmente, à medida em que os lucros fossem sendo auferidos. Expressamente no seu artigo 2º vinha a previsão de que a base de cálculo do imposto seria o lucro real, presumido ou arbitrado, apurada mensalmente, convertida em quantidade de Unidade Fiscal de Referência (Ufir) (Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991, art. 1°) diária pelo valor desta no último dia do períodobase. O artigo 3º da Lei em comento obrigava a PJ tributada com base no lucro real a apurar mensalmente os seus resultados, com observância da legislação comercial e fiscal. Sobre o resultado (lucro real) deveria ser aplicada a alíquota de 25%. Conforme artigo 23, as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real poderiam optar pelo pagamento do imposto mensal calculado por estimativa e, neste caso, Fl. 4003DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 4.003 26 as pessoas jurídicas deveriam apurar o imposto na declaração anual do lucro real, e a diferença verificada entre o imposto devido na declaração e o imposto pago referente aos meses do períodobase anual, poderia ser paga em quota única, até a data fixada para entrega da declaração anual quando positiva ou compensada, corrigida monetariamente, com o imposto mensal a ser pago nos meses subseqüentes ao fixado para a entrega da declaração anual se negativa, assegurada a alternativa de restituição do montante pago a maior corrigido monetariamente. Todos estes dispositivos legais são normas direcionadas ao sujeito passivo do IRPJ. Esperase que, conhecendo a lei, o sujeito passivo se comporte de acordo com suas determinações e efetive o cálculo, o lançamento e o recolhimento dos tributos sujeitos a homologação da autoridade tributária. A empresa opera no ramo de incorporação imobiliária, sujeitandose por isso, para o pagamento do Imposto de Renda, ao Regime do Lucro Real, por força do disposto no art. 5° da Lei 8.541/92, matriz legal do art. 190 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/94). Em que pese não encontrarmos nos autos prova da opção pela estimativa mensal para apuração do lucro real anual relativo ao anocalendário de 1995, a própria autuada, em suas contrarrazões, confirma que seu regime de tributação para aquele anocalendário era obrigatoriamente o Lucro Real. Em sendo obrigada ao Lucro Real, a autuada deveria ter apurado mensalmente ou ao final do períodobase anual o seu resultado, o Lucro Real, ou melhor, a base de cálculo para o IRPJ e tributos reflexos. Os valores que devem compor a base de cálculo do tributo são, em síntese, as receitas tributáveis e as despesas dedutíveis. Portanto, a autuada deveria incluir receitas e despesas que entendia compor a base de cálculo do IRPJ e aplicar a alíquota correta, que era de 25% (art. 3º). De acordo com o Termo de Verificação e Constatação Fiscal nº 02 emitido pela autoridade tributária, o lucro bruto declarado pela empresa em sua Declaração de Rendimentos (DIRPJ), relativa ao anocalendário de 1995, foi inferior ao apurado pela fiscalização, haja vista a existência de receitas omitidas detectadas em auditoria fiscal. Uma receita omitida desta base declarada e somente encontrada em auditoria fiscal pela autoridade tributária após entrega da declaração anual do IRPJ aumenta a base de cálculo justamente no valor da receita omitida e somente sobre esta diferença é que deve ser lançado o tributo devido, por não estar declarado no lançamento sujeito à homologação. Portanto, a base de cálculo para lançamento de ofício do IRPJ, neste caso, deve ser exatamente o valor da receita omitida, a não ser que a ficasse comprovado que o resultado de 1995 tenha sido um prejuízo fiscal, ou que comprovadamente houvesse despesa omitida, o que não consta destes autos e nem foi motivo de argumentação. O artigo 43 da Lei nº 8.541 realmente está logisticamente inserido no Título IV, "Das Penalidades", que contém dois capítulos, "Disposições Gerais" e "Da Omissão da Receita". O Título IV desta Lei disciplina normas voltadas quase que exclusivamente para a autoridade tributária em caso de lançamento de ofício. Desta maneira, este título não trata exclusivamente das penalidades. Trata, também, da constituição de ofício de tributos sujeitos a lançamentos por homologação. Tanto que os artigos 40 e 41 dispõe sobre a hipótese de falta ou insuficiência de recolhimento do tributo, mas sem omissão de receita na base de cálculo, o que implicará no lançamento, de ofício, dos referidos valores (tributos) com acréscimos e penalidades legais. Fl. 4004DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 4.004 27 Por sua vez, o artigo 43 determinava que verificada omissão de receita, a autoridade tributária deveria lançar o Imposto de Renda, à alíquota de 25%, de ofício, com os acréscimos e as penalidades de lei, considerando como base de cálculo o valor da receita omitida. E seu §2º determinava que o valor da receita omitida não comporá a determinação do lucro real e o imposto incidente sobre a omissão será definitivo. Neste caso foi o que aconteceu. A autoridade tributária lançou o IRPJ e seus reflexos, à alíquota de 25%, a mesma prevista no artigo 3º da mesma Lei, com os acréscimos e as penalidades de lei, tomando por base de cálculo a receita omitida. E, obedecendo o mandamento do §2º do citado artigo, o valor da receita omitida não compôs a determinação do lucro real e, como demonstrado acima, nem faria diferença sua composição na base de cálculo, pois a parte tributável seria apenas o valor da diferença que, no caso, é a receita omitida (não contabilizada). A parte final do §2º determinava que o imposto sobre a omissão será definitivo. Mas, a tributação em definitivo ou em separado não pode ser considerada, per si, uma penalidade. Na mesma Lei nº 8.541/92, em seu artigo 36, foi instituída a tributação exclusiva na fonte sobre os rendimentos auferidos pelas pessoas jurídicas, inclusive isentas, em aplicações financeiras de renda fixa iniciadas a partir de 1° de janeiro de 1993, sendo que o valor que servisse de base de cálculo do imposto deveria ser excluído do lucro líquido para efeito de determinação do lucro real. No caso da tributação sobre o lucro real, mesmo que houvesse uma diferença para receber após o ajuste, esta poderia ser compensada, corrigida monetariamente, com o imposto mensal a ser pago nos meses subseqüentes ao fixado para a entrega da declaração anual, assegurada a alternativa de restituição do montante pago a maior corrigido monetariamente. Assim, a tributação definitiva não pode ser tida como uma penalidade. Cabe ressaltar que, com a nova redação dada pela Medida Provisória nº 1.003, de 1995, o § 2º passou a determinar a não composição da receita omitida também do lucro presumido ou arbitrado (a redação original tratava somente do lucro real). Apenas para raciocínio, já que não estamos tratando de lucro presumido ou arbitrado, só poderseia dizer em "penalidade" nos casos em que a receita omitida fosse da atividade operacional da autuada, sujeita a aplicação do índice legal de presunção e/ou arbitramento de lucro, pois nos demais casos, a receita omitida (ou seu resultado, se houvesse custos) seria tributada integralmente caso integrasse a base de cálculo do lucro presumido ou arbitrado. Conforme foi dito antes, a consideração da receita omitida como base de cálculo somente desnatura o conceito de renda nos casos em que houver prejuízo fiscal, quando da tributação pelo lucro real, ou quando a receita omitida seja de atividade normal da empresa sujeita a aplicação dos índices legais de presunção ou arbitramento de lucro, nos demais casos de tributação da pessoa jurídica. No caso analisado, como já vimos, não consta dos autos que houve prejuízo fiscal a ser considerado na base de cálculo da receita omitida. Demonstrado está em face dos argumentos apresentados que a autuação com base no art. 43 da Lei nº 8.541/92 merece prosperar e no mesmo sentido, pelas razões expostas, no que se lhe aplica, também o art. 44 da mesma Lei. Adicionalmente reitero os argumentos por mim expostos no AC. 9101 002.045, desta 1ª T. da CSRF, de minha relatoria, julgado em 11/11/2014, e no qual a tese da viabilidade da aplicação dos arts. 43 e 44 da Lei nº 8.541/92 no anocalendário de 1995 prevaleceu, cujo voto vencedor, na parte que interessa ao presente caso, reproduzo abaixo in verbis: Fl. 4005DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 4.005 28 Considerados os argumentos do recorrido, do recurso especial e as contrarrazões, tenho que o acórdão recorrido não merece ser reformado, por duas razões centrais, como segue. 1 A Lei n. 9.249/95, que em seu art. 36, inciso IV, revogou os arts. 43 e 44 da Lei nº 8.541/92, só surtiu efeitos a partir de 1o de janeiro de 1996, conforme dispõe seu art. 35: "Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1º de janeiro de 1996." Ou seja, de acordo com a própria Lei revogadora, expressamente seus efeitos só se aplicam a partir de 1o de janeiro de 1996, como o lançamento se reporta ao exercício de 1995 o lançamento está plenamente consoante com os arts. 144 e 149 do CTN. Como os fatos descritos no TFV se subsomem às hipóteses previstas na Lei, o lançamento só pode ser afastado caso se entenda que a referida lei é inconstitucional – o que não é aplicável em sede de julgamento administrativo, mormente no CARF, por força da Súmula CARF n. 2. 2 Os artigos 43 e 44 Lei nº 8.541/92 tem a seguinte redação “Da Omissão de Receita Art. 43. Verificada omissão de receita, a autoridade tributária lançará o Imposto de Renda, à alíquota de 25%, de ofício, com os acréscimos e as penalidades de lei, considerando como base de cálculo o valor da receita omitida.(Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) § 1° O valor apurado nos termos deste artigo constituirá base de cálculo para lançamento, quando for o caso, das contribuições para a seguridade social. (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) § 2º O valor da receita omitida não comporá a determinação do lucro real e o imposto incidente sobre a omissão será definitivo. § 2º O valor da receita omitida não comporá a determinação do lucro real, presumido ou arbitrado, nem a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, e o imposto e a contribuição incidentes sobre a omissão serão definitivos. (Redação dada pela Lei nº 9.064, de 1995) (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) § 3º A base de cálculo de que trata este artigo será convertida em quantidade de Unidade Fiscal de Referência UFIR pelo valor desta fixado para o mês da omissão. (Redação dada pela Lei nº 9.064, de 1995) (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) § 4º Consideramse vencidos o imposto e as contribuições para a seguridade social na data da omissão. (Incluído pela Lei nº 9.064, de 1995) (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) Art. 44. A receita omitida ou a diferença verificada na determinação dos resultados das pessoas jurídicas por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido será considerada automaticamente recebida pelos sócios, acionistas ou titular da empresa individual e tributada exclusivamente na fonte à alíquota de 25%, sem prejuízo da incidência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica. (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) Fl. 4006DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 4.006 29 § 1° O fato gerador do imposto de renda na fonte considerase ocorrido no mês da omissão ou da redução indevida. § 1º O fato gerador do imposto de renda na fonte considerase ocorrido no dia da omissão ou da redução indevida. (Redação dada pela Lei nº 9.064, de 1995) (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995) § 2° O disposto neste artigo não se aplica a deduções indevidas que, por sua natureza, não autorizem presunção de transferência de recursos do patrimônio da pessoa jurídica para o dos seus sócios. (Revogado pela Lei nº 9.249, de 1995)” Da simples leitura dos dispositivos defluise que se trata de norma que traz presunções legais em situação específica (omissão de receita), determinando o modo como é lançado o tributo na situação que especifica. Não se trata de norma tributária sancionadora. não se trata de penalidade, portanto, não podem ser interpretadas à luz do art. 106, II, do CTN, que não atinge as normas que estabelecem critérios de lançamento do tributo e suas alíquotas, ou seja, cuida de hipótese de incidência de imposto, devendo ser aplicada quando vigente à época do fato gerador. Essas razões por si só seriam suficientes para afastar o especial e confirmar a decisão recorrida. Mas há outros argumentos que se somam a este, aos quais me alinho, consubstanciados nas razões do C. Marcos Vinicius Neder no Ac. CSRF/0105.183 (decido em, 18 de março de 2005) em, que sustenta em seu voto (vencido) o seguinte: “Os arts. 43 e 44 da Lei 8.541/92, bem como todos os outros constantes daquela rubrica, estabelecem formas de tributação para situações diferenciadas, notadamente de falta de recolhimento do imposto devido. E o artigo 3o do CTN já estabelece que tributo não é sanção , tanto que a própria redação do art. 43 deixa explícita a falta de correspondência do título com o conteúdo, ao determinar que sobre as receitas omitidas serão lançados o imposto , com os acréscimos legais e as penalidades de lei, estas sim as verdadeiras. Não há falar, portanto, em retroatividade benigna da Lei 9.249/95, uma vez que não se verifica qualquer das hipóteses do art. 106 do CTN. De outro lado, argumentações no sentido de que o imposto incide com caráter de penalidade, ou que ressaltam a onerosidade da tributação do dispositivo revogado frente à estabelecida pela lei revogadora, não autoriza a retroação da lei posterior que reduziu a incidência do imposto. É usual em nosso ordenamento jurídico a redução da base de cálculo ou de alíquotas de tributo sem que isso acarrete sua aplicação retroativa e a restituição de tributo pago sob a vigência da lei revogada. Ressaltese que os que defendem a aplicação retroatividade da Lei n° 9.249/95 com fulcro no artigo 106 do CTN referemse não apenas ao cálculo da penalidade cabível em razão da omissão de receita, mas do tributo em si, aplicando alíquotas e base de cálculo previstos na nova lei a fatos geradores ocorridos antes de sua introdução. Fl. 4007DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10166.000152/200324 Acórdão n.º 9101002.401 CSRFT1 Fl. 4.007 30 Resta analisar, por fim, o posicionamento de alguns dos meus pares no sentido de que art. 43 e 44 da Lei n° 8.541/92 ofende ao conceito de renda estabelecido no artigo 43 do CTN. Sustentam os defensores dessa tese, que a tributação apartada da omissão de receita não considera os custos a ela correspondentes, tributando a receita integral e não a renda (mais valia). Ora, a Suprema Corte tem dito que o conceito de renda na Constituição Federal é polissêmico e não ontológico2. Para efeitos tributários, o conceito de renda é o definido na lei. No CTN, corresponde à disponibilidade econômica ou jurídica do produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, o que, ao fim, representa o acréscimo de valor patrimonial. A Lei n° 8.541/92, por sua vez, definiu que a tributação do imposto sobre a renda sobre a totalidade da receita omitida, por considerar que o contribuinte não apropriou as despesas em momento próprio ou as teria considerado em resultado de período anterior. De fato, a omissão de receita é identificada pelo Fisco posteriormente ao momento em que ela efetivamente ocorre. No caso presente, evidenciouse a omissão pela falta de recursos no caixa para realizar as saídas nele escrituradas (saldo credor de caixa). Daí o legislador considerar não há como precisar o momento de sua ocorrência e se as despesas já poderiam ter sido aproveitadas anteriormente pelo contribuinte. Por isso, opta por estabelecer que a receita mantida à margem da escrituração representa o acréscimo patrimonial do contribuinte e exigir o tributo sobre sua totalidade. Discutir, nessa esfera, a justiça ou a injustiça da lei federal refoge a nossa competência para se inserir na área de atuação de outros Poderes da República.” Assim, com os fundamentos acima, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Fl. 4008DF CARF MF Impresso em 30/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 29/08/2016 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10109.000073/2001-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 1997
IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE
Comprovada nos termos da legislação a existência da área declarada como de preservação permanente, há de ser restabelecida a glosa efetuada durante procedimento de ofício
Numero da decisão: 2201-003.349
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
EDITADO EM: 06/10/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA (Suplente convocado), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE Comprovada nos termos da legislação a existência da área declarada como de preservação permanente, há de ser restabelecida a glosa efetuada durante procedimento de ofício Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Carlos Henrique de Oliveira Presidente. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. EDITADO EM: 06/10/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA (Presidente), CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA (Suplente convocado), DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 10 9. 00 00 73 /2 00 1- 36 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente e m 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HE NRIQUE DE OLIVEIRA 2 O presente processo trata de Auto de Infração de ITR, relativo ao exercício 1997, fl. 09, em que o contribuinte proprietário da FAZENDA MACIEL CUE, registrada na Receita Federal do Brasil sob o número 3.034.4158, foi instado ao recolhimento do montante de R$ 2.709,04, valor esta já atualizado até 29 de dezembro de 2010. Além do valor relativo ao ITR, a autoridade fiscal aplicou multa por atraso na entrega da declaração, no valor originário de R$ 101,05, por entender que a mesma teria sido apresentada em 23/12/1997, sustentando que o prazo limite foi 19/12/1997. Em apertada síntese, a descrição dos fatos contida a partir de fl. 11 evidencia que o lançamento decorreu da não comprovação das áreas declaradas como de preservação permanente, num total de 482,9 ha, já que o contribuinte não apresentou o necessário laudo técnico que atestasse a existência efetiva de tal área. Ademais, considerou a fiscalização regular as áreas declaradas a título de utilização limitada,, através da Reserva Legal averbada, acompanhada do Ato Declaratório Ambiental ADA protocolado junto ao IBAMA no prazo então fixado pela legislação, fl. 27. Discordando tos termos do lançamento do qual tomou ciência nos termos do AR de fl. 41, em 08 de março de 2001 o contribuinte apresentou a impugnação de fl. 44 e 45, acompanhada de documentos que, em tese, amparariam seus argumentos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande MS, relatou assim a questão: Com base na Lei n° 9.393, de 19 de dezembro de 1996, artigos Io , 6o , 7o , 8o , 9o, 10, 11 e 14 e da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, artigos 44, inciso I, exigese, da interessada, o pagamento do crédito tributário lançado em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, relativamente ao ITR, aos juros de mora, e multa regulamentar por atraso na entrega da Declaração do ITR, no valor total de R$ 2.709,04 (dois mil, setecentos e nove reais e quatro centavos), referente ao imóvel rural denominado Fazenda Maciel Cuê, com área total de 5.614,2 ha, com Número na Receita Federal NIRF 3.034.4158, localizado no município de Laguna Carapã MS, conforme Auto de Infração de fls. 01 a 12.. Inicialmente, com a finalidade de viabilizar a análise dos dados declarados na DIAC/DIAT/1997, fls. 16 e 17, a interessada, conforme documentos de fls. 18 a 14, 21 intimada a comprovar a área de preservação permanente (482,9 ha) e área de utilização limitada (1.122,8 ha). A contribuinte atendeu à intimação trazendo os documentos de fls. 22/29. (fl 26 a 38 do processo digital) Destaque Acrescido. Conforme a descrição dos fatos e enquadramento legal, analisando a documentação trazida pela contribuinte, a autoridade fiscal concluiu que a propriedade rural possui área de reserva legal averbada, acompanhada do Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado junto ao Ibama em 21/09/1998, dentro do prazo legal, perfazendo um total de 1.122,8 ha. Concluiu também que não foi apresentado o "Laudo Técnico" emitido por Engenheiro Agrônomo/Florestal, acompanhado da ART, devidamente registrada no CREA, conforme exigido pela Fl. 159DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente e m 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HE NRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10109.000073/200136 Acórdão n.º 2201003.349 S2C2T1 Fl. 159 3 fiscalização, comprovando a existência de área de preservação permanente de 482,9 ha, o que levou à glosa da mencionada área isenta declarada. Assim, foi apurado o crédito tributário em questão, com o enquadramento legal relacionado no Auto de Infração ás fls. 03 e 12. (fl. 6 a 18 do processo digital) Destaque Acrescido. A interessado tomou ciência do lançamento em 07/02/2001, de acordo com. o Aviso de Recebimento — AR, fl. 32 ( fl. 41), e, tempestivamente, em 07/02/2001, apresentou impugnação (fls.34/36) (fl. 44/45), acompanhada de documentos (fls. 37/50) (46 a 61), alegando resumidamente que: (processo digital Destaque Acrescido). Anexou documentação complementar comprobatória da existência física e inquestionável da área de preservação permanente, quais sejam, Laudo Técnico emitido por engenheiro agrônomo e Mapa Descritivo utilizado para informação do ITR do anobase 1997; Reportandose às provas produzidas quando da apresentação da documentação exigida pela fiscalização, como se ao presente recurso tivessem sido anexadas, restaria comprovado não ter praticado ato que pudesse ser tratado ou tido como contrário a qualquer dos dispositivos legais ditos infringidos; a conclusão fiscal não pode ser admitida como correta, pois ela exige a satisfação de uma obrigação fiscal que teve sua exigência de cumprimento suspensa por decisão da Justiça Federal, em 26/05/1998, acatando argumentação apresentada pela Federação da Agricultura de Mato Grosso do Sul (Famasul). Finaliza requerendo o cancelamento do auto de infração. A Delegacia de Julgamento, após se debruçar sobre a lide administrativa, considerou procedente em parte o lançamento, cancelando a multa por atraso e mantendo a glosa das áreas declaradas como de preservação permanente. Entendeu o julgador de 1ª Instância que o Laudo Técnico apresentado pelo contribuinte, emitido por engenheiro agrônomo, e o Levantamento Topográfico cuja imagem não permite atestar sua autoria, não foram acompanhados da Anotação de Responsabilidade Técnica devidamente registrada no CREA/MS. Ademais, tais documentos não fariam menção à data do fato gerador do tributo (1997), não podendo, portanto, serem acatados, pois não atendem à exigência da Fiscalização. Afirma, ainda, a DRJ que indevida a alegação de que a fiscalização estaria exigindo obrigação fiscal suspensa, já que o contribuinte não juntou aos autos qualquer comprovante. Ciente do Acórdão da DRJ, em 29/12/2003, ainda inconformado, no prazo legal, o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fl. 74 a 76, na qual reitera os argumentos já expressos na impugnação, recorrendo às provas já juntadas aos autos e pontuando que não havia exigência prévia de ART, que o laudo técnico indica claramente ser Fl. 160DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente e m 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HE NRIQUE DE OLIVEIRA 4 relativo a dezembro de 1997 e invoca os benefícios concedidos em decisão judicial exarada no MS nº 98.00631, que determinou que a autoridade impetrada não exigisse o ADA tampouco promovesse lançamento lastreado em tal exigência, juntando cópia da decisão, bem assim do comprovante de que é filiado à FAMASUL. Em fl. 129/133, os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, acatando por unanimidade o voto da Conselheira Relatora Maria Helena Trajano D'Amorim, resolveram converter o julgamento em diligência para que o contribuinte fosse intimado para apresentar a Anotação de Responsabilidade Técnica do laudo técnico apresentado, bem como a referência à data do fato gerador do tributo a que se refere ao Laudo. Regularmente intimado, o contribuinte informou apresentou a ART em questão e informou a data do fato gerador seria o mesmo exercício de 1997, fl. 147/148. É o relatório necessário. Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Por ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade conheço do presente Recurso Voluntário. Inicialmente, cumpre destacar que o argumento do contribuinte que invoca os benefícios decorrentes da Decisão Judicial exarada nos autos do MS nº 98.00631 não traz qualquer efeito prático para a presente demanda, Notase que o cerne da lide judicial está restrito à exigência do Ato Declaratório Ambiental ADA protocolado junto ao IBAMA. Não obstante, a questão resta superada, já que tal documento foi apresentado e foi acatado pela autoridade fiscal. Ademais, a exigência do ADA para exercícios até o ano de 2000 é uma questão sobre a qual este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já se manifestou uniforme e reiteradamente, tendo, inclusive, emitido Súmula de observância obrigatória, nos termos do art. 72 de seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 343, de 09 de junho de 2015, cujo conteúdo transcrevo abaixo: Súmula CARF nº 41: A não apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA) emitido pelo IBAMA, ou órgão conveniado, não pode motivar o lançamento de ofício relativo a fatos geradores ocorridos até o exercício de 2000. Assim, limitase a controvérsia administrativa à análise da procedência ou não dos valores declarados pelo contribuinte a título de preservação permanente, sendo, portanto, oportuno verificarmos os preceitos da Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, Código Florestal, vigente na época do fato gerador em discussão: Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de outro qualquer curso d'água, em faixa marginal cuja largura mínima será: Fl. 161DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente e m 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HE NRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10109.000073/200136 Acórdão n.º 2201003.349 S2C2T1 Fl. 160 5 1 de 5 (cinco) metros para os rios de menos de 10 (dez) metros de largura: 2 igual à metade da largura dos cursos que meçam de 10 (dez) a 200 (duzentos) metros de distancia entre as margens; 3 de 100 (cem) metros para todos os cursos cuja largura seja superior a 200 (duzentos) metros. 1. de 30 (trinta) metros para os rios de menos de 10 (dez) metros de largura; (Redação dada pela Lei nº 7.511, de 1986) 2. de 50 (cinqüenta) metros para os cursos d’água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinqüenta) metros de largura; (Redação dada pela Lei nº 7.511, de 1986) 3. de 100 (cem) metros para os cursos d’água que meçam entre 50 (cinqüenta) e 100 (cem) metros de largura; (Redação dada pela Lei nº 7.511, de 1986) 4. de 150 (cento e cinqüenta) metros para os cursos d’água que possuam entre 100 (cem) e 200 (duzentos) metros de largura; igual à distância entre as margens para os cursos d’água com largura superior a 200 (duzentos) metros; (Incluído dada pela Lei nº 7.511, de 1986) b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, mesmo nos chamados "olhos d'água", seja qual for a sua situação topográfica; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos taboleiros ou chapadas; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, nos campos naturais ou artificiais, as florestas nativas e as vegetações campestres. a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; Fl. 162DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente e m 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HE NRIQUE DE OLIVEIRA 6 b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. i) nas áreas metropolitanas definidas em lei. Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, observarseá o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. § 2º As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujeitas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei. Já o artigo 10 da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, também nos termos vigentes à época de ocorrência do fato gerador tratado no presente, era claro ao estabelecer que para fins de apuração do ITR, considerase área tributável a área total do imóvel excluídas as áreas de preservação permanente e de reserva legal previstas na Lei 4.771/65. Assim, já considerando as especificidades das áreas citadas no Código Florestal, a intimação enviada ao contribuinte no curso do procedimento fiscal ressaltou que, no caso das áreas especificadas em seu art. 2º, a comprovação se daria mediante apresentação de Laudo técnico emitido por Engenheiro Agrônomo ou Florestal e do Ato Declaratório Ambiental. Portanto, tendo em vista as questões já citadas sobre a inexigibilidade do ADA para os exercícios até o ano de 2000, resta saber se as áreas de preservação permanente então declaradas estão claramente evidenciadas no laudo apresentado pelo contribuinte. A Análise de tal documento, acostado às folhas 46 a 58, da lavra do Engenheiro Agrônomo Sandro de Lima Constantino, CREA 6264/D MS, emitido de acordo com as regras definidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas, não deixa dúvidas da existência de 482,9035 ha da propriedade ocupados por área de preservação permanente, com as características detalhadamente descritas no item 6, fl. 53/24. Ressalvase que o documento afirma que as informações nele dispostas refletem a situação encontrada em dezembro de 1997 e está acompanhado da Anotação de Responsabilidade Técnica juntada às fl. 148. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente e m 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HE NRIQUE DE OLIVEIRA Processo nº 10109.000073/200136 Acórdão n.º 2201003.349 S2C2T1 Fl. 161 7 Embora não tenha condições de afirmar a regularidade do registro da ART apresentada no CREA/MS, já que as consultas disponíveis na Internet, decerto, não alcançam documentos tão antigos, penso que a riqueza de detalhes e a verossimilhança do laudo técnico apresentado, o zelo do contribuinte com a apuração do tributo, o baixo valor do crédito tributário envolvido e o tempo de tramitação do presente processo justificam minha convicção de que a área de preservação permanente declarada é regular e deve ser restabelecida em sua integralidade. Pelo quê dou provimento ao recurso voluntário para exonerar integralmente o crédito tributário ainda em discussão no presente processo. Conclusão Tendo em vista tudo que consta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais acima expostos, voto por dar provimento ao recurso voluntário. CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO Relator Fl. 164DF CARF MF Impresso em 06/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente e m 06/10/2016 por CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO, Assinado digitalmente em 06/10/2016 por CARLOS HE NRIQUE DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 19515.722631/2013-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Sep 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/10/2009
PARECER TÉCNICO. JUNTADA APÓS APRESENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE
A juntada de parecer pelo contribuinte após a interposição de Recurso Voluntário é admissível. O disposto nos artigos 16, §4º e 17, ambos do Decreto nº 70.235/1972 não pode ser interpretado de forma literal, mas, ao contrário, deve ser lido de forma sistêmica e de modo a contextualizar tais disposições no universo do processo administrativo tributário, onde vige a busca pela verdade material, a qual é aqui entendida como flexibilização procedimental-probatória. Ademais, referida juntada está em perfeita sintonia com o princípio da cooperação, capitulado no art. 6o do novo CPC, o qual se aplica subsidiariamente no processo administrativo tributário.
CONCOMITÂNCIA PARCIAL ENTRE AS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL.
A concomitância entre as instâncias administrativa e judicial impede o conhecimento do Recuso Voluntário no tópico em que coincide com a discussão judicial, mas não impede o conhecimento dos demais fundamentos que subsistem de forma autônoma.
CAPITAL SOCIAL. ÁGIO NA SUBSCRIÇÃO DE NOVAS AÇÕES E FORMAÇÃO DE RESERVA DE CAPITAL. EXIGÊNCIA DE PIS E COFINS. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos do que dispõe a Lei da S.A. e pronunciamentos do CPC, o ágio na subscrição de novas ações de uma sociedade anônima deve ser registrado como reserva de capital no seu patrimônio líquido. Trata-se, portanto, de modalidade de capital social, i.e., de valor decorrente do investimento patrimonial de acionistas de uma dada empresa com o fito de fomentar seu objeto social. Logo, não se enquadra no conceito de receita, o qual pressupõe, além de (i) ingresso financeiro (ii) em caráter definitivo, que (iii) o valor aportado seja decorrente da atividade empresarial da pessoa jurídica, o que não é o caso da reserva de capital. Admitir, portanto, a tributação da reserva de capital pelo PIS e pela COFINS implicaria em estender, indevidamente, os conceitos delineados jurídico-contabilmente de reserva de capital e de receita, o que redundaria em ofensa ao princípio da legalidade e seu consectário lógico, tipicidade cerrada, bem como ao disposto no art. 110 do CTN.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/10/2009
Ementa:
PARECER TÉCNICO. JUNTADA APÓS APRESENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE
A juntada de parecer pelo contribuinte após a interposição de Recurso Voluntário é admissível. O disposto nos artigos 16, §4º e 17, ambos do Decreto nº 70.235/1972 não pode ser interpretado de forma literal, mas, ao contrário, deve ser lido de forma sistêmica e de modo a contextualizar tais disposições no universo do processo administrativo tributário, onde vige a busca pela verdade material, a qual é aqui entendida como flexibilização procedimental-probatória. Ademais, referida juntada está em perfeita sintonia com o princípio da cooperação, capitulado no art. 6o do novo CPC, o qual se aplica subsidiariamente no processo administrativo tributário.
CONCOMITÂNCIA PARCIAL ENTRE AS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL.
A concomitância entre as instâncias administrativa e judicial impede o conhecimento do Recuso Voluntário no tópico em que coincide com a discussão judicial, mas não impede o conhecimento dos demais fundamentos que subsistem de forma autônoma.
CAPITAL SOCIAL. ÁGIO NA SUBSCRIÇÃO DE NOVAS AÇÕES E FORMAÇÃO DE RESERVA DE CAPITAL. EXIGÊNCIA DE PIS E COFINS. IMPOSSIBILIDADE.
Nos termos do que dispõe a Lei da S.A. e pronunciamentos do CPC, o ágio na subscrição de novas ações de uma sociedade anônima deve ser registrado como reserva de capital no seu patrimônio líquido. Trata-se, portanto, de modalidade de capital social, i.e., de valor decorrente do investimento patrimonial de acionistas de uma dada empresa com o fito de fomentar seu objeto social. Logo, não se enquadra no conceito de receita, o qual pressupõe, além de (i) ingresso financeiro (ii) em caráter definitivo, que (iii) o valor aportado seja decorrente da atividade empresarial da pessoa jurídica, o que não é o caso da reserva de capital. Admitir, portanto, a tributação da reserva de capital pelo PIS e pela COFINS implicaria em estender, indevidamente, os conceitos delineados jurídico-contabilmente de reserva de capital e de receita, o que redundaria em ofensa ao princípio da legalidade e seu consectário lógico, tipicidade cerrada, bem como ao disposto no art. 110 do CTN.
Numero da decisão: 3402-003.196
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire e Waldir Navarro Bezerra. Estiveram presentes ao julgamento o Dr. Tácio Lacerda Gama, OAB/SP 219.045, e o Dr. Gileno Gurjão Barreto, OAB/DF 18.802.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
RELATOR DIEGO DINIZ RIBEIRO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2009 a 31/10/2009 PARECER TÉCNICO. JUNTADA APÓS APRESENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE A juntada de parecer pelo contribuinte após a interposição de Recurso Voluntário é admissível. O disposto nos artigos 16, §4º e 17, ambos do Decreto nº 70.235/1972 não pode ser interpretado de forma literal, mas, ao contrário, deve ser lido de forma sistêmica e de modo a contextualizar tais disposições no universo do processo administrativo tributário, onde vige a busca pela verdade material, a qual é aqui entendida como flexibilização procedimental-probatória. Ademais, referida juntada está em perfeita sintonia com o princípio da cooperação, capitulado no art. 6o do novo CPC, o qual se aplica subsidiariamente no processo administrativo tributário. CONCOMITÂNCIA PARCIAL ENTRE AS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. A concomitância entre as instâncias administrativa e judicial impede o conhecimento do Recuso Voluntário no tópico em que coincide com a discussão judicial, mas não impede o conhecimento dos demais fundamentos que subsistem de forma autônoma. CAPITAL SOCIAL. ÁGIO NA SUBSCRIÇÃO DE NOVAS AÇÕES E FORMAÇÃO DE RESERVA DE CAPITAL. EXIGÊNCIA DE PIS E COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos do que dispõe a Lei da S.A. e pronunciamentos do CPC, o ágio na subscrição de novas ações de uma sociedade anônima deve ser registrado como reserva de capital no seu patrimônio líquido. Trata-se, portanto, de modalidade de capital social, i.e., de valor decorrente do investimento patrimonial de acionistas de uma dada empresa com o fito de fomentar seu objeto social. Logo, não se enquadra no conceito de receita, o qual pressupõe, além de (i) ingresso financeiro (ii) em caráter definitivo, que (iii) o valor aportado seja decorrente da atividade empresarial da pessoa jurídica, o que não é o caso da reserva de capital. Admitir, portanto, a tributação da reserva de capital pelo PIS e pela COFINS implicaria em estender, indevidamente, os conceitos delineados jurídico-contabilmente de reserva de capital e de receita, o que redundaria em ofensa ao princípio da legalidade e seu consectário lógico, tipicidade cerrada, bem como ao disposto no art. 110 do CTN. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2009 a 31/10/2009 Ementa: PARECER TÉCNICO. JUNTADA APÓS APRESENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE A juntada de parecer pelo contribuinte após a interposição de Recurso Voluntário é admissível. O disposto nos artigos 16, §4º e 17, ambos do Decreto nº 70.235/1972 não pode ser interpretado de forma literal, mas, ao contrário, deve ser lido de forma sistêmica e de modo a contextualizar tais disposições no universo do processo administrativo tributário, onde vige a busca pela verdade material, a qual é aqui entendida como flexibilização procedimental-probatória. Ademais, referida juntada está em perfeita sintonia com o princípio da cooperação, capitulado no art. 6o do novo CPC, o qual se aplica subsidiariamente no processo administrativo tributário. CONCOMITÂNCIA PARCIAL ENTRE AS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. A concomitância entre as instâncias administrativa e judicial impede o conhecimento do Recuso Voluntário no tópico em que coincide com a discussão judicial, mas não impede o conhecimento dos demais fundamentos que subsistem de forma autônoma. CAPITAL SOCIAL. ÁGIO NA SUBSCRIÇÃO DE NOVAS AÇÕES E FORMAÇÃO DE RESERVA DE CAPITAL. EXIGÊNCIA DE PIS E COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos do que dispõe a Lei da S.A. e pronunciamentos do CPC, o ágio na subscrição de novas ações de uma sociedade anônima deve ser registrado como reserva de capital no seu patrimônio líquido. Trata-se, portanto, de modalidade de capital social, i.e., de valor decorrente do investimento patrimonial de acionistas de uma dada empresa com o fito de fomentar seu objeto social. Logo, não se enquadra no conceito de receita, o qual pressupõe, além de (i) ingresso financeiro (ii) em caráter definitivo, que (iii) o valor aportado seja decorrente da atividade empresarial da pessoa jurídica, o que não é o caso da reserva de capital. Admitir, portanto, a tributação da reserva de capital pelo PIS e pela COFINS implicaria em estender, indevidamente, os conceitos delineados jurídico-contabilmente de reserva de capital e de receita, o que redundaria em ofensa ao princípio da legalidade e seu consectário lógico, tipicidade cerrada, bem como ao disposto no art. 110 do CTN.
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JUNTADA APÓS APRESENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE A juntada de parecer pelo contribuinte após a interposição de Recurso Voluntário é admissível. O disposto nos artigos 16, §4º e 17, ambos do Decreto nº 70.235/1972 não pode ser interpretado de forma literal, mas, ao contrário, deve ser lido de forma sistêmica e de modo a contextualizar tais disposições no universo do processo administrativo tributário, onde vige a busca pela verdade material, a qual é aqui entendida como flexibilização procedimentalprobatória. Ademais, referida juntada está em perfeita sintonia com o princípio da cooperação, capitulado no art. 6o do novo CPC, o qual se aplica subsidiariamente no processo administrativo tributário. CONCOMITÂNCIA PARCIAL ENTRE AS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. A concomitância entre as instâncias administrativa e judicial impede o conhecimento do Recuso Voluntário no tópico em que coincide com a discussão judicial, mas não impede o conhecimento dos demais fundamentos que subsistem de forma autônoma. CAPITAL SOCIAL. ÁGIO NA SUBSCRIÇÃO DE NOVAS AÇÕES E FORMAÇÃO DE RESERVA DE CAPITAL. EXIGÊNCIA DE PIS E COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos do que dispõe a Lei da S.A. e pronunciamentos do CPC, o ágio na subscrição de novas ações de uma sociedade anônima deve ser registrado como reserva de capital no seu patrimônio líquido. Tratase, portanto, de modalidade de capital social, i.e., de valor decorrente do investimento patrimonial de acionistas de uma dada empresa com o fito de fomentar seu objeto social. Logo, não se enquadra no conceito de receita, o qual pressupõe, além de (i) ingresso financeiro (ii) em caráter definitivo, que (iii) o valor aportado seja decorrente da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 26 31 /2 01 3- 34 Fl. 1847DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 atividade empresarial da pessoa jurídica, o que não é o caso da reserva de capital. Admitir, portanto, a tributação da reserva de capital pelo PIS e pela COFINS implicaria em estender, indevidamente, os conceitos delineados jurídico contabilmente de reserva de capital e de receita, o que redundaria em ofensa ao princípio da legalidade e seu consectário lógico, tipicidade cerrada, bem como ao disposto no art. 110 do CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2009 a 31/10/2009 Ementa: PARECER TÉCNICO. JUNTADA APÓS APRESENTAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE A juntada de parecer pelo contribuinte após a interposição de Recurso Voluntário é admissível. O disposto nos artigos 16, §4º e 17, ambos do Decreto nº 70.235/1972 não pode ser interpretado de forma literal, mas, ao contrário, deve ser lido de forma sistêmica e de modo a contextualizar tais disposições no universo do processo administrativo tributário, onde vige a busca pela verdade material, a qual é aqui entendida como flexibilização procedimentalprobatória. Ademais, referida juntada está em perfeita sintonia com o princípio da cooperação, capitulado no art. 6o do novo CPC, o qual se aplica subsidiariamente no processo administrativo tributário. CONCOMITÂNCIA PARCIAL ENTRE AS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. A concomitância entre as instâncias administrativa e judicial impede o conhecimento do Recuso Voluntário no tópico em que coincide com a discussão judicial, mas não impede o conhecimento dos demais fundamentos que subsistem de forma autônoma. CAPITAL SOCIAL. ÁGIO NA SUBSCRIÇÃO DE NOVAS AÇÕES E FORMAÇÃO DE RESERVA DE CAPITAL. EXIGÊNCIA DE PIS E COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Nos termos do que dispõe a Lei da S.A. e pronunciamentos do CPC, o ágio na subscrição de novas ações de uma sociedade anônima deve ser registrado como reserva de capital no seu patrimônio líquido. Tratase, portanto, de modalidade de capital social, i.e., de valor decorrente do investimento patrimonial de acionistas de uma dada empresa com o fito de fomentar seu objeto social. Logo, não se enquadra no conceito de receita, o qual pressupõe, além de (i) ingresso financeiro (ii) em caráter definitivo, que (iii) o valor aportado seja decorrente da atividade empresarial da pessoa jurídica, o que não é o caso da reserva de capital. Admitir, portanto, a tributação da reserva de capital pelo PIS e pela COFINS implicaria em estender, indevidamente, os conceitos delineados jurídico contabilmente de reserva de capital e de receita, o que redundaria em ofensa ao princípio da legalidade e seu consectário lógico, tipicidade cerrada, bem como ao disposto no art. 110 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire e Waldir Navarro Bezerra. Estiveram presentes ao julgamento o Dr. Tácio Lacerda Gama, OAB/SP 219.045, e o Dr. Gileno Gurjão Barreto, OAB/DF 18.802. Fl. 1848DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.722631/201334 Acórdão n.º 3402003.196 S3C4T2 Fl. 1.847 3 ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. RELATOR DIEGO DINIZ RIBEIRO Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório 1. Tratamse de Autos de Infração lavrados para exigir pretensos créditos tributários referentes à COFINS, no valor de R$ 85.423.790,19, e ao PIS, no importe de R$ 18.545.954,45 (fls. 564/569), estando nesses valores incluídos principal, multa e juros. Não obstante, também foram cobradas outras multas administradas pela RFB no valor de R$ 3.500,00 (fls. 570/572) em razão de erros no cumprimento de obrigações acessórias. 2. Segundo relata a autoridade fiscal no Termo de Verificação Fiscal TVF (fls. 539/551), os lançamentos aqui tratados são decorrentes dos seguintes fatos: (...). Lançamento de Crédito Tributário no valor de R$ 18.145.954,45, decorrente do valor do PIS devido e não declarado pelo sujeito passivo, em relação ao valor de R$ 527.129.034,12 contabilizado como Ágio na Emissão das Ações pela Foz do Brasil S/A, o qual referiase à Parte do Preço de Emissão das Ações sem Valor Nominal destinada à formação de Reserva de Capital. Lançamento de Crédito Tributário no valor de R$ 85.423.790,19, decorrente do valor da COFINS devida e não declarada pelo sujeito passivo, em relação ao valor de R$ 527.129.034,12 contabilizado como Ágio na Emissão das Ações pela Foz do Brasil S/A, o qual referiase à Parte do Preço de Emissão das Ações sem Valor Nominal destinada à formação de Reserva de Capital. Lançamento de Crédito Tributário no valor de R$ 3.500,00, decorrente da multa aplicada devido às omissões, erros e incorreções cometidos pelo sujeito passivo na elaboração dos Dacon(s) do anocalendário de 2009, transmitidos à RFB Receita Federal do Brasil, conforme Demonstrativo do Cálculo da Multa Aplicada. (...). 3. Importante desde já registrar que as exigências aqui tratadas foram veiculadas exclusivamente em face da empresa Odebrecht Ambiental S/A ("Odebrecht Ambiental"), conforme se extrai dos Autos de Infração lavrados e que se encontram as fls. 558/563 (COFINS), 564/569 (PIS) e fls. 570/572 (outras multas). Fl. 1849DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 4. Devidamente notificada, a Odebrecht Ambiental apresentou impugnação de fls. 577/606, oportunidade em que, em suma, alegou o seguinte: "(...). De fato houve acréscimo em seu patrimônio líquido, contudo, este acréscimo nada mais é do que capital que ingressou na pessoa jurídica, e não receita, esta sim a base de cálculo das contribuições em questão. Acrescenta, o ágio na emissão de ações em questão somente poderia ser tributado pelo PIS/COFINS se ele representasse receita e não acréscimo de capital. A legislação de todos os ramos do direito aplicável ao caso concreto (direito tributário, direito societário e direito contábil), assim como toda a doutrina convergem para um único ponto: a reserva de capital e, consequentemente, o ágio na emissão de ações que a compõe, não é, e não pode, sob qualquer aspecto ou pretexto, ser considerada como uma receita. Enfim, a Impugnante demonstrou, neste tópico, que a legislação de todos os ramos do direito aplicável ao caso concreto (direito tributário, direito societário e direito contábil), assim como toda a doutrina convergem para um único ponto: a reserva de capital e, consequentemente, o ágio na emissão de ações que a compõe, não é, e não pode, sob qualquer aspecto ou pretexto, ser considerada como uma receita. A natureza jurídica da reserva de capital constituída mediante "ágio na emissão de ações" é a de transferência de capitais do investidor (acionista) para a pessoa jurídica (sociedade), para que esta possa cumprir adequadamente o seu objeto social. É a forma de financiamento do empreendimento via contribuição de capital; todavia, destinado à reserva específica, tal como prevista pelas legislações societária e tributária. Não se trata de receita ou renda que são produtos da aplicação do capital. Antes pelo contrário, representam o capital em si mesmo, entretanto como uma reserva livre, já tributada, cuja aplicação pela pessoa jurídica gera receita ou renda a serem, estas sim, passíveis de tributação pelos impostos ou contribuições incidentes sobre a receita e o lucro. As Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03 não definiram expressamente o conceito, mas ele pode ser construído a partir de uma interpretação histórica e sistemática da legislação. Assim é que a Lei n° 4.506, de 1964, art. 44, e o DecretoLei n° 1.598, de 1977, art. 12, matriz legal do art. 279 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99 explicita o que seja uma receita bruta e os critérios para que possa ser identificada como tal. A legislação de direito privado também dá a nota característica do termo ao vinculálo a uma operação de troca efetuada pela pessoa jurídica ou ainda, de um ganho obtido a partir de aplicações ou uso do capital e cujo produto integre o patrimônio da pessoa jurídica de forma definitiva e permanente. A Lei n° 6.404/76, embora também não conceitue expressamente o termo "receita", nos incisos I e II do art. 187 vincula a Fl. 1850DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.722631/201334 Acórdão n.º 3402003.196 S3C4T2 Fl. 1.848 5 expressão "receita bruta" às vendas e serviços, ou seja, como produto resultante de uma troca de bens ou serviços produzidos ou prestados pela pessoa jurídica por uma determinada quantia em dinheiro. Da mesma forma, o conceito de receitas financeiras está vinculado a um ganho da entidade representado por um resultado positivo gerado a partir da aplicação ou uso de um capital préexistente. Todas essas definições fornecem ou, pelo menos, circunscrevem o conteúdo semântico mínimo do vocábulo "receita", que indica uma "entrada", um "ingresso" com sentido de permanência no patrimônio da pessoa jurídica, resultante de uma troca de bens ou serviços ou, ainda, um resultado positivo oriundo da aplicação ou uso de um capital préexistente, que são denominadas de "receitas financeiras". Se houve algum ganho na transação sob análise este, definitivamente, não foi auferido pela Impugnante, que recebeu recursos com o compromisso de realizar o seu objeto social e, no caso concreto, como vimos, sob severas condições e limitações impostas pelo novo acionista FIFGTS, quanto à utilização dos recursos. Repitase: isto, em lugar de receita ou ganho, representa um passivo com o referido acionista, portanto jamais alcançável pela Contribuição ao PIS e COFINS. Finalmente, cabe finalizar lembrando que o capital aportado pelo FIFGTS tem destinação pré determinada. Esta particular situação faz com que a Impugnante deixe de ser simplesmente uma contribuinte e passe, sob a ótica da União, a assumir a condição de agente estratégico para o desenvolvimento do País e, mais do que isso, se torne o canal condutor dos recursos governamentais destinados ao desenvolvimento dos setores contemplados pelo Regulamento do FIFGTS. Não se pode ignorar o fato de que o termo "receita" é um conceito de direito privado que foi absorvido pelo art. 195, I, "b" da Constituição Federal e pelos arts. 1o. das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03 para definir a competência da União Federal em relação ao fato gerador das Contribuições ao PIS e COFINS. Ao tentar equiparar o ágio na emissão de ações (contribuição de capital) a uma receita auferida pela pessoa jurídica, a autoridade fiscal não faz outra coisa senão alterar um conceito de direito privado para exigir tributo sobre fato gerador inexistente, algo que nem a lei pode fazer. A autoridade fiscal também fundamentou a autuação sob o falso fundamento de que o ágio na emissão de ações é receita, pois do contrário não teria sido necessário que o art. 442, I do RIR/99 (art. 38 do DL n° 1.598/77) determinasse a sua não adição ao lucro líquido contábil para fins de apuração do lucro real. (reproduzido no art. 442, I do RIR/99) seria uma norma de isenção, já que o ágio na pessoa jurídica emissora de ações, no seu entendimento, seria uma receita. Fl. 1851DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Conforme anteriormente demonstrado, o art. 58 da Lei n° 4.728/65 (em vigor até hoje), considera o ágio na emissão de ações como capital (e não receita) da pessoa jurídica, desde que destinado a reserva específica. (lembrando que, à época, a lei societária Decretolei n° 2.627/40 não fazia distinção entre reservas e tampouco contemplava a reserva de capital). Com o advento da Lei n° 6.404/76 surgiram então as diversas reservas (de reavaliação, de lucros, etc), dentre elas a reserva de capital, destinada ao registro do ágio na emissão de ações (art. 182, § 1o, "a"). Daí a redação do art. 58 do DL n° 1.598/77 (reproduzido no art. 442 do RIR/99), que, mantendo a coerência com a essência do ágio na emissão de ações como capital (art. 58 da Lei n° 4.728/65), apenas condicionou o seu registro à conta de reserva de capital. Finalmente, e para afastar de vez a equivocada interpretação da autoridade fiscal, cabe destacar a importante alteração trazida pela Lei n° 11.638/07, que, ao dar nova redação ao art. 182 da Lei n° 6.404/76, excluiu das reservas de capital o prêmio na emissão de debêntures e as doações para subvenção para investimento (alíneas "c" e "d", do § 1o do art. 182) realocando as para a reserva de incentivos fiscais (art. 195A), mantendo, contudo o ágio na emissão de ações como reserva de capital (alínea "a"). Por outro lado, ainda que a toda a linha de argumentação aqui desenvolvida, a qual, sem dúvida alguma, comprova e demonstra a ausência de qualquer característica ou natureza de "receita" por parte do valor do aporte de recursos realizado pelo FIFGTS ao capital e reserva de capital da Impugnante, fato é que o montante aportado pelo FIFGTS goza de isenção tributária, não podendo ser tributado o capital dele decorrente, pelos motivos a seguir aduzidos. A Lei n°. 8.036/1990, através de seu art. 28, isentou de tributos federais, os atos e operações relativos ao FGTS, praticados pela Caixa Econômica Federal, pelos trabalhadores e seus dependentes ou sucessores, pelos empregadores e pelos estabelecimentos bancários. Dessa forma, sendo o PIS e a COFINS, considerados tributos federais nos termos do artigo 3o., do Código Tributário Nacional, tributar o valor do aporte realizado pelo FIFGTS como pretende a autoridade fiscal, além de contrariar o dispositivo acima transcrito, implicaria na tributação das próprias verbas recolhidas a título de FGTS em favor de todos os trabalhadores do País. Em consonância com esse entendimento, já se manifestou o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em caso análogo, ao negar provimento ao Recurso de Ofício interposto pela Fazenda, por meio do Acórdão n° 20403464, cuja ementa segue abaixo colacionada, onde restou reconhecida a isenção do PASEP, nos termos do artigo 28, da Lei n° 8.036/1990. Colacionou ementa. No caso em tela, tal qual a situação análoga julgada por meio do acórdão acima ementado, intentase a tributação (exigência Fl. 1852DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.722631/201334 Acórdão n.º 3402003.196 S3C4T2 Fl. 1.849 7 do PIS e da COFINS) de operação realizada por Fundo de Investimento instituído por lei federal e composto por recursos advindos do FGTS de todos os trabalhadores do país. E diante disso, tributar tais recursos, ainda que aportados no patrimônio líquido da Impugnante, além de configurar manifesta afronta ao comando presente no artigo 28, da Lei n° 8.036/1990, equivaleria a exigir o PIS e a COFINS de toda a parcela recolhido a título de FGTS dos trabalhadores do Brasil. Ainda que se entenda adequada a utilização da taxa Selic para cobrança dos juros de mora incidentes sobre o tributo supostamente devido, o que alegase à guisa de argumentação, os juros calculados com base nessa taxa não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício, por absoluta ausência de previsão legal. A multa tem natureza de sanção, que é aplicada em decorrência do descumprimento de uma obrigação (principal ou acessória), estando, portanto, expressamente excluída do conceito de tributo indicado no artigo 3o do CTN. Nem se alegue, ainda, que a cobrança dos juros sobre a multa, no presente caso, estaria amparada pelo artigo 43 da Lei n° 9.430/96, já que referido dispositivo autoriza a cobrança apenas em relação à multa exigida isoladamente, o que não é a hipótese dos autos. 5. Não obstante, nesta mesma oportunidade, a Odebrecht Ambiental reconhece os equívocos no preenchimento do DACON e, por conseguinte, promove o recolhimento da multa aplicada no valor de R$ 3.500,00, apresentando nos autos os correlatos comprovantes. 6. Devidamente processada, a Impugnação é julgada improcedente pela DRJ Belém, conforme se observa do acórdão de fls. 660/670 e que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2009 a 31/10/2009 Ementa: RECEITA DECORRENTE DE ÁGIO NA EMISSÃO DE AÇÕES. TRIBUTAÇÃO. As importâncias relativas ao ágio na emissão de ações ou a parte do preço de emissão de ações sem valor nominal, destinadas à formação de reservas de capital, embora seja classificado contabilmente como Reserva de Capital integrante do Patrimônio Líquido, por determinação da legislação societária, de fato, caracterizase essencialmente como RECEITA da empresa emitente das ações, e assim, devem ser tributadas e compor a base de cálculo de apuração da Cofins devida pela empresa que Fl. 1853DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 realizou a emissão das novas ações, pois a contribuição tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2009 a 31/10/2009 Ementa: RECEITA DECORRENTE DE ÁGIO NA EMISSÃO DE AÇÕES. TRIBUTAÇÃO. As importâncias relativas ao ágio na emissão de ações ou a parte do preço de emissão de ações sem valor nominal, destinadas à formação de reservas de capital, embora seja classificado contabilmente como Reserva de Capital integrante do Patrimônio Líquido, por determinação da legislação societária, de fato, caracterizase essencialmente como RECEITA da empresa emitente das ações, e assim, devem ser tributadas e compor a base de cálculo de apuração do Pis devido pela empresa que realizou a emissão das novas ações, pois a contribuição tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. 7. Após o advento do referido acórdão, foi vinculado no eprocesso decisão liminar proferida pelo Tribunal Regional Federal da 3a. Região (fls. 677/680) em sede de agravo de instrumento (autos n. 0029103.42.2014.4.03.0000) e veiculada em favor da empresa UVR Grajaú S/A. ("UVR") que, segundo consta, seria uma empresa nascida da cisão parcial da Odebrecht Ambiental. 8. Pelo teor da decisão liminar, o débito discutido no presente processo administrativo estaria sendo imputado à empresa UVR na qualidade de pretensa responsável solidária, o que decorreria da sobredita cisão. Assim, a empresa UVR impetrou mandado de segurança para ver reconhecida a inexistência de sua responsabilidade em relação ao débito aqui discutido ou, subsidiariamente, para que pudesse ingressar no presente processo administrativo para exercer seu direito ao contraditório e a ampla defesa. Não obstante, pleiteou decisão liminar para o ingresso imediato no presente feito, bem como para obter certidão de regularidade fiscal, sendo ambos os pedidos de tutela provisória deferidos. 9. Neste interregno, a empresa Odebrecht Ambiental apresentou o Recurso Voluntário de fls. 681/744. Referido recurso, todavia, não foi processado, uma vez que a decisão judicial alhures comentada foi cientificada no presente processo administrativo, o que autorizou e motivou a empresa UVR apresentar a Impugnação de fls. 913/938, a qual foi processada e julgada improcedente pela DRJBelém, conforme se observa agora do segundo acórdão proferido nos autos (fls. 1.301/1.313) e que restou assim ementado: Fl. 1854DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.722631/201334 Acórdão n.º 3402003.196 S3C4T2 Fl. 1.850 9 CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2009 a 31/10/2009 Ementa: RECEITA DECORRENTE DE ÁGIO NA EMISSÃO DE AÇÕES. TRIBUTAÇÃO. As importâncias relativas ao ágio na emissão de ações ou a parte do preço de emissão de ações sem valor nominal, destinadas à formação de reservas de capital, embora seja classificado contabilmente como Reserva de Capital integrante do Patrimônio Líquido, por determinação da legislação societária, de fato, caracterizase essencialmente como RECEITA da empresa emitente das ações, e assim, devem ser tributadas e compor a base de cálculo de apuração da Cofins devida pela empresa que realizou a emissão das novas ações, pois a contribuição tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2009 a 31/10/2009 Ementa: RECEITA DECORRENTE DE ÁGIO NA EMISSÃO DE AÇÕES. TRIBUTAÇÃO. As importâncias relativas ao ágio na emissão de ações ou a parte do preço de emissão de ações sem valor nominal, destinadas à formação de reservas de capital, embora seja classificado contabilmente como Reserva de Capital integrante do Patrimônio Líquido, por determinação da legislação societária, de fato, caracterizase essencialmente como RECEITA da empresa emitente das ações, e assim, devem ser tributadas e compor a base de cálculo de apuração do PIS devido pela empresa que realizou a emissão das novas ações, pois a contribuição tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. 10. Diante deste quadro, no mínimo curioso, as duas empresas aqui referidas foram intimadas a respeito desta segunda decisão. Fl. 1855DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 11. A empresa Odebrecht Ambiental apresentou então um segundo Recurso Voluntário (fls. 1.330/1.372), oportunidade em que, em síntese, repisou os fundamentos invocados em sua Impugnação. 12. Por sua vez, a empresa UVR interpôs seu Recurso Voluntário de fls. 1.664/1.686) repisando as alegações anteriormente apresentadas em sede de Impugnação e que, em linha gerais, se aproximam das considerações impugnatórias e recursais desenvolvidas pela empresa Odebrecht Ambiental. 13. Neste interregno, adveio sentença no sobredito mandamus concedendo parcialmente a ordem pleiteada. Diante deste quadro, a Recorrente UVR interpôs recurso de apelação autuado perante o Tribunal Regional Federal da 3a. Região sob o n. 0021526 46.2014.4.03.6100, o qual foi totalmente provido nos termos da ementa abaixo transcrita: PROCESSUAL CIVIL MANDADO DE SEGURANÇA TRIBUTÁRIO RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA NA CISÃO EMPRESARIAL ART. 132 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL RETORAÇÃO DOS EFEITOS DO PROTOCOLO DO ATO SOCIETÁRIO NA JUNTA COMERCIAL ARTIGO 34 DA LEI N. 8.394/1994. 1 Conforme jurisprudência do STJ, no regime de que tratava o artigo 543C, do CPC/1973, a sucessão empresarial não é real, mas legal. Não há transferência automática de responsabilidade tributária. 2 O contribuinte não poder prejudicado pela demora no processamento do registro empresarial. Observado o prazo do artigo 36 da Lei no. 8.934/1994, há retroação dos efeitos do ato societário. 3 Necessidade de intimação específica da nova empresa, já constituída, com relação às imposições tributárias. 4 Apelação da Impetrante provida. Apelo da União e remessa oficial, improvidos. Agravo prejudicado. 14. E assim restou prescrita a parte final do julgado: (...) A impetrante insurgese contra autos de infração lavrados contra a empresa cindida nas datas de 03 de junho de 2014 (Pa n. 19515.720533/201443) e 21 de janeiro de 2014 (PA n. 19515.72263/201334), ciência em 27 de janeiro. (...). Considerandose que a eficácia do arquivamento do ato societário retroagiu à data da cisão (31 de dezembro de 2013), é necessária a intimação específica da nova empresa, já existente, com relação a ambas imposições tributárias. Ante o exposto, dou provimento .à apelação da Impetrante e nego provimento à apelação da União e à remessa oficial, concluindo ser necessária a intimação em ambos processos administrativos. Prejudicado o Agravo. Fl. 1856DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.722631/201334 Acórdão n.º 3402003.196 S3C4T2 Fl. 1.851 11 (...). 15. Por fim, a empresa UVR vinculou aos autos substancioso Parecer (fls. 1.728/1.778) desenvolvido pelos contabilistas e Professores Sérgio de Iudícibus e Eric Aversari Martins. 16. Diante da juntada do sobredito trabalho pela Recorrente já após a interposição de Recurso Voluntário, este Relator, com fundamento nos artigos 6o e 10 do novo CPC1, aplicados subsidiariamente no processo administrativo, determinou a intimação da União, por intermédio da Procuradoria da Fazenda Nacional, para que tivesse a oportunidade de se manifestar a respeito de tal trabalho. 17. Ao invés de se manifestar a respeito do aludido parecer, a Procuradoria (fls. 1.839/1.840) se limitou a questionar a juridicidade da sua juntada nessa fase processual, pleiteando que este julgador se manifestasse a respeito. Não obstante, pleiteou, ainda, na hipótese de se entender como válida a apresentação do trabalho técnico, que fosse dada oportunidade para a PFN (i) apresentar contrarrazões aos Recursos Voluntários interpostos e, em prazo não coincidente, vista específica para se manifestar a respeito do sobredito parecer. 18. É o relatório. 1 "Art. 6o Todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. (...). Art. 10. O juiz não pode decidir, em grau algum de jurisdição, com base em fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de se manifestar, ainda que se trate de matéria sobre a qual deva decidir de ofício." Voto I. Preliminarmente I.a Da manifestação da PFN de fls. 1.839/1.840 19. Preliminarmente, antes de seguir adiante no julgamento do presente caso e já com o fito de evitar eventuais alegações de omissão, mister se faz, neste momento processual, apresentar uma resposta às considerações da União retratadas na petição de fls. 1.839/1.840. Fl. 1857DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 20. Conforme se observa de tal petição, uma vez instada a se manifestar a respeito do conteúdo do citado parecer, a União se limitou a questionar a juridicidade da sua juntada nos autos nesta fase processual, uma vez que, segundo a União, tal juntada neste momento estaria em descompasso com o disposto nos artigos 16, §4º e 17, ambos do Decreto nº 70.235/19722. 21. Não há dúvida que a literalidade dos dispositivos citados pela União, em especial o disposto no art. 16, §4º do Decreto nº 70.235/1972 poderia, a priori, redundar na conclusão lá alcançada, i.e., de que a juntada do mencionado parecer nesta fase processual seria indevida. Acontece que a interpretação literal, no âmbito jurídico, é prelúdio de todo e qualquer processo hermenêutico, não podendo, por conseguinte, ser tratado como um fim em si mesmo. Neste diapasão são as lições do Professor Paulo de Barros Carvalho, in verbis: O desprestígio da chamada interpretação literal dispensa meditações mais profundas, bastando recordar que, prevalecendo com o método de interpretação do direito, seríamos forçados a admitir estarem os meramente alfabetizados, quem sabe co m o auxílio de u m dicionário de tecnologia jurídica, credenciados a outorgar substância às mensagens legisladas, explicitando as proporções de significado da lei. O reconhecimento de tal possibilidade subtrairia à Hermenêutica Jurídica e à Ciência do Direito todo o teor de suas conquistas, relegando o ensino universitário a um esforço sem expressão e sentido prático de existência3. 22. Assim, a interpretação dos citados dispositivos do Decretolei n. 70.235/72 deve ser feita de forma sistemática e, em especial, contextualizando o nicho processual em que tais dispositivos estão inseridos. 23. Neste diapasão, convém desde já registrar que o Decretolei n. 70.235/72, ao regular o processo administrativo, se vale, ainda que por outras palavras, de inúmeras disposições processuais consagradas no Código de Processo Civil brasileiro. O art. 16, §4º do Decretolei, por exemplo, é fruto de uma leitura dos atuais artigos 434 e 435 do NCPC4, os quais, por seu turno, estão historicamente presentes nos diferentes Códigos de Processo Civil que já vigoraram no país. 2 "Art. 16. A impugnação mencionará: (...). § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...). Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante." 3 CARVALHO, Paulo de Barros. "Entre a forma e o conteúdo na desconstituição dos negócios jurídicos". "in" Revista da Faculdade de Direito da USP vol. 105. jun./dez. 2010. p. 413. 4 "Art. 434. Incumbe à parte instruir a petição inicial ou a contestação com os documentos destinados a provar suas alegações. (...). Art. 435. É lícito às partes, em qualquer tempo, juntar aos autos documentos novos, quando destinados a fazer prova de fatos ocorridos depois dos articulados ou para contrapôlos aos que foram produzidos nos autos. Parágrafo único. Admitese também a juntada posterior de documentos formados após a petição inicial ou a contestação, bem como dos que se tornaram conhecidos, acessíveis ou disponíveis após esses atos, cabendo à parte que os produzir comprovar o motivo que a impediu de juntálos anteriormente e incumbindo ao juiz, em qualquer caso, avaliar a conduta da parte de acordo com o art. 5o." Fl. 1858DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.722631/201334 Acórdão n.º 3402003.196 S3C4T2 Fl. 1.852 13 24. Acontece que a utilização de disposições do processo civil brasileiro no âmbito do processo administrativo fiscal não pode se dar pela simples transposição de dispositivos de um ambiente para o outro. Em outros termos, é imprescindível que tais disposições sejam contextualizadas. 25. Destaquese, desde já, que referida contextualização decorre da função primordialmente exercida por todo e qualquer processo, qual seja, resolver, com justiça, problemas de convivência humana. O que se afirma aqui é que uma relação processual, independentemente da sua natureza, só existe em razão da prévia existência de um relação jurídica de direito material conflituosa, tendo por objetivo resolvêla de forma conteudística, i.e., com justiça. Daí advém a consagrada ideia de instrumentalidade do processo, que expressa, claramente, a aptidão que a relação jurídica de direito material tem para conformar e conduzir a relação processual daí decorrente. 26. Pois bem, quando falamos em processo civil os diferentes tipos de direitos materiais que dão origem a uma específica relação processual são preponderantemente de natureza cível, ou seja, são relações jurídicas que majoritariamente apresentam um caráter privado e, portanto, pressupõem (no âmbito do direito material) atos de vontade convergentes emitidos por partes capazes. Daí a existência da embolorada ideia de que no processo civil se busca a chamada verdade formal, o que explica a existência de dispositivos como os artigos 434 e 435 do NCPC, cujo conteúdo é fonte inspiradora para os artigos 16, §4º e 17 do Decreto nº 70.235/1972. 27. Acontece que no âmbito do processo administrativo fiscal a relação jurídico processual daí decorrente não provém de um convergente ato de vontade das partes que figuram na relação de direito material que lhe dá origem. Ao contrário, tal relação exsurge da imposição, manu militare, do dever da fiscalização em tutelar a coisa pública, aqui retratada pela exigência do crédito tributário. Percebese, portanto, que a similaridade do processo administrativo fiscal é, em maior grau, com o processo penal e não com o processo civil, embora, no âmbito normativo, este último nicho processual lhe seja importante fonte de inspiração. Daí, inclusive, advém a ideia de que no processo administrativo fiscal vige o secular princípio da verdade material. 28. Neste momento convém aqui abrir um parêntese para afirmar que quando se apregoa o sobredito princípio da verdade material não se faz no sentido de equiparar este importante valor normativo a uma ferramenta mágica, semelhante a uma "varinha de condão" dotada de aptidão para "validar" preclusões e atecnias e transformar tais defeitos em um processo administrativo "regular". Com a devida vênia, este tipo de interpretação a respeito do princípio da verdade material só se presta a apequenar e, até mesmo, achincalhar esta importante norma. 29. Assim, quando se fala em verdade material o que se quer aqui exprimir é a possibilidade de reconstruir a relação jurídica de direito material conflituosa por intermédio de uma metodologia jurídica mais flexível, ou seja, menos apegada à forma, o que se dá pelas características peculiares do direito material vindicado processualmente, i.e., pela sua contextualização. Em outros termos, "verdade material" é sinônimo de uma maior flexibilização probante em sede de processos administrativos, o que, se for usado com a devida prudência à luz do caso decidendo, só tem a contribuir para a qualidade da prestação jurisdicional atipicamente prestada em processos administrativos fiscais. 30. Ademais, não custa lembrar que o processo administrativo tributário retrata uma exigência da Administração Pública, a qual deve nortear suas ações pelos Fl. 1859DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 14 princípios da moralidade, da eficiência e pela defesa do interesse público, este último empregado como sinônimo de interesse público primário. Assim, não é crível admitir que, por uma questão exclusivamente formal (em um processo repitase que tende a ser procedimentalmente mais flexível) a União prefira preterir a análise de um importante documento (parecer) para a solução mais justa e o consequente exaurimento da lide apenas sob o equivocado pretexto de estar defendendo um interesse público que, nestes termos, apresenta nítido caráter secundário. 31. Por fim, não é demais lembrar a disposição do art. 6o. do NCPC, o qual prevê o chamado princípio da cooperação. Referido princípio acaba de vez com o mito do juiz Hércules, na medida em que reconhece que o julgador não é um ser onisciente. Logo, toda e qualquer colaboração das partes no sentido de contribuir na formação do convencimento do juízo é sempre salutar, na medida em que promove uma dialética não só formal, mas materialmente válida e, por conseguinte, perfaz a construção de uma decisão judicativa efetivamente democrática. 32. Forte em tais premissas, defiro a juntada do parecer de fls. 1.728/1.778, o qual poderá servir de subsídio para a formação do convencimento desta Turma julgadora. 33. No mais, indefiro o pedido da União para abertura de prazo para apresentar contrarrazões recursais, haja vista a preclusão para tanto, exatamente como prevê o disposto no art. 48 do RICARF5. Da mesma forma, indefiro a abertura de novo prazo para a União manifestarse a respeito do conteúdo do parecer já mencionado, uma vez que teve oportunidade para tanto e se limitou a tratar de velhos dogmas processuais aqui rechaçados, o que, por sua vez, implicou a preclusão de tal manifestação. I.b Da concomitância parcial de instâncias e da inexistência de prejuízo para o conhecimento do Recurso Voluntário interposto pela empresa "UVR" 34. Conforme já exposto ao longo do relatório do presente voto, a empresa UVR foi introduzida, a posteriori, no presente processo administrativo, em razão de expressa ordem judicial neste sentido. 35. Embora não conste nos autos cópia da inicial do Mandado de Segurança, é possível depreender do teor das decisões judiciais exaradas (fls. 1.799/1.832), em especial da sentença prolatada no mandamus, que um dos pedidos formulados pela empresa UVR foi no sentido de ver reconhecida a inexistência de responsabilidade tributária no caso em tela. É o que se conclui do seguinte trecho da sentença judicial: (...). Quanto à responsabilidade tributária por sucessão em razão de cisão parcial esta decorre da aplicação por analogia dos arts. 132 do CTN e 5o do Decretolei n. 1.598/77 e 233 da lei n. 6.404/76. (...). 5 "Art. 48. Será disponibilizada, mensalmente ao Procurador da Fazenda Nacional a relação dos novos processos ingressados no CARF. § 1º O Procurador da Fazenda Nacional terá prazo de 15 (quinze) dias, a partir da data do recebimento da relação mencionada no caput, para requisitar os processos, os quais serão colocados à sua disposição. § 2º Fica facultado ao Procurador da Fazenda Nacional apresentar, no prazo de 30 (trinta) dias contado da data da disponibilização dos processos requisitados, contrarrazões ao recurso voluntário e razões ao recurso de ofício." Fl. 1860DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.722631/201334 Acórdão n.º 3402003.196 S3C4T2 Fl. 1.853 15 Ademais. a cisão pardal é de interesse da empresa cindida, que deve zelar pelo cumprimento das obrigações anteriores de forma a viabilizar a disponibilidade patrimonial da nova empresa, o que inclusive assume perante esta em contrato, não cabendo a invocação da oneração desta como escusa de responsabilidade, deixandose os débitos simplesmente em aberto. (...). (fl. 1.809 grifos constantes no original). 36. É bem verdade que referida questão (ausência de responsabilidade) não foi objeto do Recurso Voluntário da empresa UVR, o que, em princípio, poderia afastar a discussão quanto a eventual concomitância das instâncias administrativas e judiciais. Ledo engano, pois eventual discussão quanto à legitimidade passiva em processo administrativo tributário decorrente de responsabilização tributária é questão de ordem pública, podendo ser reconhecida de ofício pelo julgador, nos termos do prevê o art. 485, inciso VI, § 3º do NCPC6, aqui aplicado subsidiariamente. E, em princípio, me parece que este seria o caminho natural para resolver a presente demanda em relação à empresa UVR. Acontece que, como visto alhures, esta questão já está sendo abordada na esfera judicial e, digase de passagem, com decisão desfavorável a Recorrente UVR. 37. Percebese, portanto, que em relação a tal matéria em específico há concomitância entre a instância judicial e a instância administrativa, razão pela qual deve prevalecer aquela em detrimento desta, exatamente como prevê a Súmula n. 01 deste Tribunal Administrativo7. 38. Nesse diapasão, deixo de conhecer, ainda que de ofício, questão afeta a legitimidade passiva da Recorrente UVR para figurar na presente demanda. II. Mérito II.a Dos fatos que permeiam a presente autuação 39. Antes de promover um aprofundamento das questões essenciais para o julgamento da presente lide, mister se faz, neste instante, detalhar algumas circunstâncias fáticas que gravitam em torno da presente autuação. 40. Nesse esteio, não é demais lembrar que a presente exigência fiscal tem por fito a cobrança de PIS e COFINS supostamente incidentes sobre o ágio na subscrição de novas ações da empresa Oderbrecht Ambiental, uma das Recorrentes. 41. Em 09/10/2009, a integralidade das ações ordinárias da empresa Odebrecht Ambiental S.A. era detida pela empresa Odebrecht Engenharia Ambiental S.A 6 "Art. 485. O juiz não resolverá o mérito quando: (...). VI verificar ausência de legitimidade ou de interesse processual; § 3o O juiz conhecerá de ofício da matéria constante dos incisos IV, V, VI e IX, em qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto não ocorrer o trânsito em julgado. (...)." 7 "Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Fl. 1861DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 16 OEA, sua controladora. O valor patrimonial de cada ação individualmente era de R$ 0,946278, o que equivalia a divisão do seu patrimônio líquido (R$ 340.268.747,19) pelo total de ações existentes (359.586.423) à época. 42. Em 11/09/09 foi firmado acordo de investimento entre a OEA (controladora), a Odebrecht Ambiental (controlada e uma das autuadas) e o Fundo de Investimento Fundo de Garantia do Tempo de Serviço FIFGTS, o que implicou um aporte de capital na empresa autuada na grandeza de R$ 650.000.000,00. Logo, o FIFGTS passou a ser acionista da Oderbrecht Ambiental, detendo 26,53% das suas ações. 43. Em outros termos, foram emitidas 129.846.574 novas ações da Recorrente Odebrecht Ambiental, as quais foram adquiridas pelo FIFGTS pela importância de R$ 650.000.000,00. Tendo em vista o valor das ações à época do negócio (aproximadamente R$ 0,95) é possível, desde já, vislumbrar que houve um sobrepreço, i.e., um ágio de R$ 527.129.034,20. 44. Referido ágio não encontra qualquer vedação legal. Pelo contrário, conforme se abordará em tópico próprio, apresenta, inclusive, regulação legal para fins jurídicos e contábeis. Em verdade, o pagamento de ágio decorre de uma análise econômica que as partes fazem a respeito do negócio envolvido. Conforme bem exposto pelos autores do parecer de fls. 1.728/1.778: (...). A decisão de fazer ou não o investimento dentro das condições impostas é de natureza privada entre as partes envolvidas. E não poderia ser diferente. Primeiro, porque o Acionista Original pode querer ter um rendimento diferenciado para não somente remunerar o seu exercício de controle mas para também remunerar a sua ideia original do negócio, o seu esforço inicial de fazer a empresa crescer antes da entrada de um novo sócio ou qualquer outra razão econômica. Segundo, uma vez revogada a correção monetária do Capital Social, tal obrigatoriedade traria uma distorção muito grande na comparação dos montantes investidos: um aporte de $ 1.000 realizado no ano de 1996 não pode ser comparado com um aporte de $ 1.000 realizado no ano de 2016 com mais de 200% de inflação acumulada no período tornando tais cifras incomparáveis nominalmente. (...). 45. Diante desta operação, a empresa Odebrecht Ambiental passou a ter como acionistas a empresa OEA, com 73,47% das ações e, ainda, o FIFGTS, detentor de 26,53% das suas ações. 46. O valor do ágio na subscrição das novas ações emitidas foram registrados contabilmente como reserva de capital no patrimônio líquido da empresa Odebrecht Ambiental. A fiscalização, por seu turno, exige PIS e COFINS exatamente sobre o ágio da referida operação societária, ou seja, sobre a reserva de capital. II.b Da natureza jurídicocontábil da reserva de capital 47. Seguindo adiante no presente voto é indispensável, neste momento, definir a natureza jurídicocontábil da reserva de capital para, ato contínuo, confrontála com a ideia de receita e, por conseguinte, verificar se tal reserva se enquadra ou não no conceito de receita para fins de incidência das exações aqui tratadas. Fl. 1862DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.722631/201334 Acórdão n.º 3402003.196 S3C4T2 Fl. 1.854 17 48. Todavia, para se delimitar a natureza da reserva de capital é necessário dar um passo atrás e conformar o conceito de capital social, o qual pode ser compreendido como o investimento, em dinheiro ou bens, que os sócios/acionistas fazem em proveito da pessoa jurídica por eles constituída para fomentar a sua atividade social8. Em se tratando de uma sociedade anônima, exatamente como ocorre no caso aqui examinado, o capital social está legalmente regulado pelos arts. 5o e s.s. da Lei n. 6.404/76 (Lei da S.A.), in verbis: Art. 5º O estatuto da companhia fixará o valor do capital social, expresso em moeda nacional. Parágrafo único. A expressão monetária do valor do capital social realizado será corrigida anualmente (artigo 167). Art. 6º O capital social somente poderá ser modificado com observância dos preceitos desta Lei e do estatuto social (artigos 166 a 174). Art. 7º O capital social poderá ser formado com contribuições em dinheiro ou em qualquer espécie de bens suscetíveis de avaliação em dinheiro. 49. Contabilmente, o capital social (subscrito ou ainda pendente de realização) e a reserva de capital devem ser registrados no patrimônio líquido da empresa, exatamente como perpetrado pela Recorrente Odebrecht Ambiental e como determina o art. 182 da Lei da S.A.9. 50. Aliás, a forma como a Recorrente registrou sua reserva de capital é ponto incontroverso na presente demanda, conforme se observa do seguinte trecho do relatório fiscal: 8 Em outros termos, "é a soma representativa das contribuições dos sócios.(...). A sua função precípua é constituir o fundo inicial, o patrimônio originário, com o qual se tornará viável o início à vida econômica da sociedade." (REQUIÃO, Rubens. "Curso de direito comercial 1o. volume. 25a. ed. São Paulo: Saraiva, 2003. pp. 388/392.). 9 "Art. 182. A conta do capital social discriminará o montante subscrito e, por dedução, a parcela ainda não realizada. § 1º Serão classificadas como reservas de capital as contas que registrarem: a) a contribuição do subscritor de ações que ultrapassar o valor nominal e a parte do preço de emissão das ações sem valor nominal que ultrapassar a importância destinada à formação do capital social, inclusive nos casos de conversão em ações de debêntures ou partes beneficiárias; b) o produto da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; c) (revogada); (Redação dada pela Lei nº 11.638,de 2007) (Revogado pela Lei nº 11.638,de 2007) d) (revogada). (Redação dada pela Lei nº 11.638,de 2007) (Revogado pela Lei nº 11.638,de 2007) § 2° Será ainda registrado como reserva de capital o resultado da correção monetária do capital realizado, enquanto nãocapitalizado. § 3° Serão classificadas como ajustes de avaliação patrimonial, enquanto não computadas no resultado do exercício em obediência ao regime de competência, as contrapartidas de aumentos ou diminuições de valor atribuídos a elementos do ativo e do passivo, em decorrência da sua avaliação a valor justo, nos casos previstos nesta Lei ou, em normas expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários, com base na competência conferida pelo § 3o do art. 177 desta Lei. § 4º Serão classificados como reservas de lucros as contas constituídas pela apropriação de lucros da companhia. 5º As ações em tesouraria deverão ser destacadas no balanço como dedução da conta do patrimônio líquido que registrar a origem dos recursos aplicados na sua aquisição." Fl. 1863DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 18 51. Seguindo adiante e tratandose de uma S.A., o capital social que lhe é atribuído é divido em ações, as quais podem ter ou não valor nominal, exatamente como prevê o art. 11 da Lei da S.A: Art. 11. O estatuto fixará o número das ações em que se divide o capital social e estabelecerá se as ações terão, ou não, valor nominal. § 1º Na companhia com ações sem valor nominal, o estatuto poderá criar uma ou mais classes de ações preferenciais com valor nominal. § 2º O valor nominal será o mesmo para todas as ações da companhia. § 3º O valor nominal das ações de companhia aberta não poderá ser inferior ao mínimo fixado pela Comissão de Valores Mobiliários. (grifos nosso). 52. Em se tratando de ações com valor nominal, a emissão de novas ações nunca poderá ter valor inferior àquele destinado para as ações previamente emitidas. Por sua vez, na hipótese de emissão de novas ações sem valor nominal, competirá à AssembleiaGeral ou ao Conselho de Administração delimitar qual o montante referente ao capital social e qual o importe destinado à reserva de capital. É que estabelecem os artigos 13 e 14 da Lei da S.A.: Art. 13. É vedada a emissão de ações por preço inferior ao seu valor nominal. § 1º A infração do disposto neste artigo importará nulidade do ato ou operação e responsabilidade dos infratores, sem prejuízo da ação penal que no caso couber. § 2º A contribuição do subscritor que ultrapassar o valor nominal constituirá reserva de capital (artigo 182, § 1º). Art. 14. O preço de emissão das ações sem valor nominal será fixado, na constituição da companhia, pelos fundadores, e no aumento de capital, pela assembléiageral ou pelo conselho de administração (artigos 166 e 170, § 2º). Parágrafo único. O preço de emissão pode ser fixado com parte destinada à formação de reserva de capital; na emissão de ações preferenciais com prioridade no reembolso do capital, somente a parcela que ultrapassar o valor de reembolso poderá ter essa destinação. (g.n.). 53. Percebese que, tanto na hipótese de ações com valor nominal como naquelas sem valor nominal, o sobrepreço pago pelas ações (ágio) é tratado, sob uma perspectiva jurídicocontábil, como reserva de capital, integrando, portanto, o patrimônio líquido da emitente das ações. Logo, nos valendo das lições dos pareceristas já citados, reserva de capital pode ser conceituada como: ...valores recebidos pela companhia e que não transitam pelo Resultado como receitas, por se referirem a valores destinados a reforço de seu capital, sem terem como contrapartidas qualquer Fl. 1864DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.722631/201334 Acórdão n.º 3402003.196 S3C4T2 Fl. 1.855 19 esforço da empresa em termos de entrega de bens ou de prestação de serviços. Constam como tais reservas o ágio na emissão de ações, a alienação de partes beneficiárias e de bônus de subscrição. Essas são transações de capital com os sócios. (grifos dos Autores fls. 1.736/1.737). 54. Referida conceituação está em perfeita sintonia com o que dispõe o art. 182 da Lei da S.A.: Art. 182. A conta do capital social discriminará o montante subscrito e, por dedução, a parcela ainda não realizada. § 1º Serão classificadas como reservas de capital as contas que registrarem: a) a contribuição do subscritor de ações que ultrapassar o valor nominal e a parte do preço de emissão das ações sem valor nominal que ultrapassar a importância destinada à formação do capital social, inclusive nos casos de conversão em ações de debêntures ou partes beneficiárias; b) o produto da alienação de partes beneficiárias e bônus de subscrição; c) (revogada); (Redação dada pela Lei nº 11.638,de 2007) (Revogado pela Lei nº 11.638,de 2007) d) (revogada). (Redação dada pela Lei nº 11.638,de 2007) (Revogado pela Lei nº 11.638,de 2007) § 2° Será ainda registrado como reserva de capital o resultado da correção monetária do capital realizado, enquanto não capitalizado. 55. Diante deste quadro jurídicocontábil é possível concluir que capital social em sentido genérico pode se subdividir em duas subespécies, sendo elas: (i) capital social em sentido estrito e (ii) reserva de capital. 56. Referida classificação demonstra existir diferenças entre capital social e reserva de capital, as quais se referem, mais precisamente, (i) àquilo que pode ser registrado sob cada uma dessas rubricas, bem como (ii) a destinação que tais rubricas podem ter. Tais pontos de divergência, entretanto, não são capazes de desnaturar aquilo que une tais rubricas em torno de um mesmo gênero (capital social): ambas são transações patrimoniais (de capital) de uma determinada sociedade anônima e seus acionistas configurando, por conseguinte, patrimônio líquido da pessoa jurídica. 57. Em suma, tanto sob uma perspectiva contábil como sob uma análise jurídica, reserva de capital é modalidade de capital social e, portanto, patrimônio líquido de uma pessoa jurídica. II.c O conceito de faturamento e receita para fins de incidência de PIS e COFNS 58. A discussão a respeito do conceito de faturamento e receita para fins de incidência de PIS e COFINS não é nova e também não parece próxima de um final. Aliás, o Fl. 1865DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 20 histórico desta discussão foi bem pontuado pelo Conselheiro Antonio Carlos Atulim, quando da declaração de voto proferida no Acórdão n. 3402003.072 e cujo trecho transcrevo abaixo: (...). Historicamente essas contribuições sempre incidiram sobre o faturamento, entendido como o produto da venda de mercadorias e da prestação de serviços. A tentativa de a União incluir no rol de incidência das contribuições todas as receitas operacionais da pessoa jurídica tornouse uma odisseia que teve início em julho de 1988, quando se pretendeu alterar a base de cálculo do PIS por meio da edição de dois decretosleis. O PIS foi instituído por meio da Lei Complementar n. 7, de 7 de setembro de 1970, a qual previa que as empresas privadas passariam a contribuir para o fundo com duas parcelas, sendo uma com base na dedução do imposto de renda devido e outra com base no faturamento (arts. 1º e 3º). Esse quadro legislativo se manteve até julho de 1988, quando foram editados os DecretosLeis nº 2.445, de 29 de junho de 1988, e n. 2.449, de 21 de julho de 1988, por meio dos quais as contribuições mensais até então devidas sobre o faturamento, passariam a incidir sobre a receita operacional bruta (art. 1º, V, do DecretoLei nº 2.445/88). A tentativa de a União ampliar a base de cálculo do PIS por essa via foi rechaçada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do RE nº 148.754, por meio do qual o Tribunal declarou a inconstitucionalidade formal dos DecretosLeis n. 2.445 e 2.449, ambos de 1988. Relativamente ao financiamento da Seguridade Social, a odisseia teve início com a instituição do Fundo de Investimento Social FINSOCIAL, por meio da edição do DecretoLei nº 1.940, de 25 de maio de 1982, quando foi criada uma contribuição devida pelas empresas equivalente a 0,5% (cinco décimos por cento) do faturamento (art 1º, § 1º). Sobreveio então a Constituição Federal de 1988 e com o passar dos anos a alíquota inicial de 0,5% do FINSOCIAL foi sendo elevada ao mesmo tempo em que foi criada a Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988). Houve contestação judicial por parte dos contribuintes e o Supremo Tribunal Federal mais uma vez foi chamado a intervir. No julgamento do RE nº 150.764, o Tribunal manteve a cobrança do FINSOCIAL com a configuração existente na data da promulgação da CF/88, declarando inconstitucionais as majorações procedidas em sua alíquota após o advento da nova ordem constitucional. Diante da inviabilidade do aumento da contribuição ao FINSOCIAL, foi editada a Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, por meio da qual foi revogado o FINSOCIAL, instituindose a Contribuição para o Financiamento da Fl. 1866DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.722631/201334 Acórdão n.º 3402003.196 S3C4T2 Fl. 1.856 21 Seguridade Social COFINS, com alíquota de 2% incidente sobre o faturamento (art. 2º). Esse quadro legislativo se manteve até a edição da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, por meio da qual a União mais uma vez tentou ampliar as bases de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS redefinindo o conceito de faturamento (art. 3º, § 1º). E mais uma vez a União viu sua tentativa frustrada, pois por meio do RE nº 390.840 o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Desse breve retrospecto legislativo, resulta a comprovação da assertiva inicial deste voto, no sentido de que historicamente essas contribuições sempre incidiram sobre o faturamento e que a intenção da União, pelo menos a partir de 1988, sempre foi ampliar o campo de incidência para abarcar a receita operacional. 59. Com o advento da Emenda Constitucional n. 20/98 e alteração do art. 195, inciso I, alínea "b" da Constituição Federal, restou ainda mais claro que faturamento e receita são realidades distintas e com conteúdos semânticos próprios. E, com base na nova redação constitucional, surgiram as leis n. 10.637/02 e 10.833/03 que assim prescreveram: Art. 1o A Contribuição para o PIS/Pasep, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica com os respectivos valores decorrentes do ajuste a valor presente de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976. § 2o A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep é o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, conforme definido no caput e no § 1o. Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta de que trata o art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica com os seus respectivos valores decorrentes do ajuste a valor presente de que trata o inciso VIII do caput do art. 183 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976 Fl. 1867DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 22 § 2 o A base de cálculo da Cofins é o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, conforme definido no caput e no § 1o. 60. Uma primeira leitura de tais disposições poderia levar a uma conclusão, precipitada, de que todo e qualquer ingresso financeiro se enquadraria no conceito de receita para fins de tributação de PIS e COFINS. Todavia, tal interpretação seria uma verdadeiro equívoco. Nesse sentido, Marco Aurélio Greco assim professa: ...nesta depuração conceitual do termo "receita" no âmbito de PIS e COFINS cabe acentuar que a própria Constituição reconhece haver uma diferença entre receita e mera movimentação financeira ou transmissão de valores, créditos e direito de natureza financeira. Embora atualmente não esteja mais em vigor a CPMF, a cláusula constitucional que a autorizava é elemento relevante de interpretação. Com efeito, o Ato das Disposições Constitucionais Transitórias contempla a figura da CPMF como contribuição destinada a gerar recursos para a seguridade social em sentido lato. Portanto, dentro do conjunto de contribuições destinadas à seguridade social, "movimentação financeira" e "receita" são conceitos distintos, pois utilizados para discriminar competências diversas, submetidas a regimes jurídicos diferentes10. 61. E assim arremata o citado professor: Em suma, nem todo "dinheiro" que "entra" no universo das disponibilidades da pessoa jurídica integra a base de cálculo de PIS e COFINS. Não basta ser uma "entrada" (mera movimentação financeira), é preciso que se configure um ingresso novo com sentido de permanência e que resulte da exploração da atividade que corresponda ao seu objeto social (ou dele decorrente) impactando positivamente o patrimônio do beneficiário. 11 62. Logo, já é possível delimitar uma primeira qualidade do signo receita: tratase de um ingresso financeiro com fins de definitividade patrimonial12. Ressaltese, entretanto, que essa repercussão patrimonial de caráter definitivo não é suficiente para delimitar o conteúdo semânticojurídico do signo receita. Para tanto, é indispensável que tal entrada seja uma riqueza nova13 e, ainda, tenha uma relação de pertinência com a atividade empresarial daquele que aufere o ingresso. Aliás, essa relação de pertinência entre a causa do ingresso e a atividade empresarial desenvolvida pela pessoa jurídica não passou despercebida pelo Conselheiro Antonio Carlos Atulim no já citado voto e cujo novo trecho transcrevo abaixo: 10 GRECO, Marco Aurélio. "PIS e COFINS créditos acumulados de ICMS". 'in' "PIS e COFINS à luz da jurisprudência do CARF volume 02". São Paulo: MP Editora. 2013. pp.329/330. 11 "Op. cit.". p. 330 (grifos e sublinhas do Autor). 12 É por isso que, 'v.g.', o arrendamento mercantil não é tratado como receita, exatamente como orienta CPC n. 06: "Os pagamentos do arrendamento mercantil operacional devem ser reconhecidos como despesa numa base de linha reta durante o prazo do arrendamento mercantil, a não ser que outra base sistemática seja mais representativa do modelo temporal do benefício do usuário." 13 Nesse sentido são as lições de Fábio Pallaretti Calcini, quando aduz que para precisra o conceito de receita "é preciso identificar a relação de causalidade entre a origem da entrada e seu reflexo patrimonial. Somente pode ser considerada receita o ingresso que compreenda a uma causa inicial ou primária, isto é, receita nova. ('in' "PIS. COFINS. Faturamento. Receita. Ingressos obtidos de fornecedores." 'in' "Revista Dialética de Direito Tributário n. 213. São Paulo: Dialética, junho2013. pp.170/171. Fl. 1868DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.722631/201334 Acórdão n.º 3402003.196 S3C4T2 Fl. 1.857 23 (...) embora exista autorização na constituição para a tributação da "receita" em geral, o legislador não se valeu dessa faculdade, pois não só vinculou "a totalidade das receitas" ao termo "faturamento", mas também excluiu expressamente da incidência as receitas não operacionais nos parágrafos 3º dos arts. 1º dessas duas leis. Nas cabeças dos arts. 1º de ambas as leis, a menção ao termo "faturamento", limita a amplitude do "total das receitas auferidas" ao total das receitas operacionais, uma vez que as receitas nãooperacionais não se identificam com faturamento, já que não decorrem da execução do objeto social da pessoa jurídica. Tal afirmação parece ser confirmada pelos parágrafos 3º dos dois dispositivos citados, que se encarregaram de excluir da incidência das contribuições as receitas não operacionais, nos seguintes termos: (...). 63. Ainda no mesmo sentido é o voto da Conselheira Maria Teresa Martínez López (acórdão n. 9303002.618), in verbis: (...). De se observar, a partir desta definição, a receita ainda traz consigo a característica de ser o produto que vem de fora do patrimônio empresarial, mas que é derivado de dentro, por decorrer de atos, operações ou atividades da empresa, ou do emprego de recursos que compõem esse patrimônio, e de que resulte algum benefício direto para a pessoa que o remunera por isso. (...). (g.n.). 64. A conclusão alhures transcrita também apresenta guarida sob uma perspectiva contábil, conforme se depreende do CPC n. 30, in verbis: Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período observado no curso das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto os aumentos de patrimônio líquido relacionados às contribuições dos proprietários. (g.n.). 65. Diante do exposto é possível concluir que receita é (i) ingresso financeiro (ii) com caráter patrimonial que (iii) apresenta uma relação de pertinência com as atividades empresariais desenvolvidas por uma determinada pessoa jurídica. Todos esses elementos configuradores do conceito de receita devem estar concomitantemente presentes para que, de fato, exista receita para fins exacionais. II.d A exigência fiscal no caso em concreto 66. Repisando as premissas aqui fixadas, convém destacar que reserva de capital, i.e., ágio na subscrição de ações, é espécie do gênero capital social. Tratase, portanto, Fl. 1869DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 24 de investimento perpetrado pelo sócios de uma determinada empresa com o fito de fomentar seu objeto social. Logo, sob uma perspectiva da empresa que recebe a reserva de capital, é possível concluir que se está diante de (i) ingresso financeiro (ii) com caráter patrimonial. Aliás, em relação a esta última característica (patrimonialidade), não é demais lembrar que reserva de capital é contabilizado como patrimônio líquido da pessoa jurídica, exatamente como determina o já citado art. 182 da Lei da S.A.. 67. Percebese, pois, que reserva de capital apresenta dois dos três elementos essenciais para a configuração de receita. Todavia, lhe carece a última característica primordial para tanto, haja vista que o valor ingressado na empresa a título de reserva de capital não decorre das atividades empresariais por ela desenvolvidas, mas sim de um investimento realizado pelos sócios com o fito de fomentar o objeto social da pessoa jurídica. Nesse sentido é a lição de Ricardo Mariz de Oliveira: Coerentemente com o que já foi exposto, mas para melhor elucidação, podemos acrescentar que as transferências patrimoniais distinguemse das receitas porque, ao contrário destas, que são produtos do esforço do próprio patrimônio ou do seu titular, aquelas são injetadas de fora para dentro do seu patrimônio, para que este passe a contar com novos recursos necessários à produção de suas receitas e, por conseguinte, para frutificar. (..). Ora, as injeções de capital visam propiciar meios de produção de frutos, mas não são nem nunca foram frutos e daí a sua nítida distinção em relação às receitas, à renda e ao lucro. Na verdade, passam a integrar a fonte produtora de receitas e lucros, tal como o fertilizante colabora para manter viva a árvore e incrementar a sua capacidade produtiva. 14 (g.n.). 68. Aliás, a tentativa em concreto por parte da fiscalização em desnaturar essa classificação jurídicocontábil, a qual repitase apresenta amparo na lei da S.A. e nos pronunciamentos técnicos do CPC, é frágil. Da mesma forma o entendimento da DRJ, na medida em que pauta seu acórdão nas mesmas razões apontadas pela fiscalização. 69. O fundamento essencialmente desenvolvido pela fiscalização e repisado pela DRJ15 é no sentido de que os §§ 3o dos artigos 1o das leis n. 10.637/02 e 10.833/03, ao estabelecerem exclusões da base de cálculo do PIS e da COFINS não contemplaram a reserva de capital no seu rol, o que, na visão da fiscalização, ensejaria a sua submissão à incidência de tais exações. 70. Tal entendimento é absolutamente equivocado, o que se dá por dois motivos em especial. 71. Primeiramente, quando tais dispositivos promovem tal exclusão, partem do pressuposto que estão excluindo receitas das bases de calculo de tais exações. Por outro 14 OLIVEIRA, Ricardo Mariz. "Fundamentos do Imposto de Renda." São Paulo: Quartier Latin, 2008. pp. 150/151. 15 É o que se obseva do seguinte trecho da decisão recorrida: "Se o legislador não fez constar, entre as exclusões da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, a receita decorrente de ágio na emissão de ações, classificada contabilmente como Reserva de Capital integrante do Patrimônio Líquido por determinação da legislação societária, é porque sobre tal receita incide as Contribuições. Não tributar tal receita, estarseia proporcionando ao contribuinte benefício sem amparo legal." (fl. 1.311). Fl. 1870DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.722631/201334 Acórdão n.º 3402003.196 S3C4T2 Fl. 1.858 25 giro verbal, só é passível excluir de tais bases imponíveis algo que, em princípio, se enquadre no conceito de receita, o que, como visto ao longo deste voto, não é o caso da reserva de capital. 72. O segundo motivo para afastar a pretensão exacional é no sentido que o supracitado rol de exclusão não é exauriente, haja vista que existem outros inúmeros ingressos que, por não configurarem receita, não estão lá inseridos e, nem por isso, são objeto de tributação pelo PIS e pela COFINS. Neste diapasão mais uma vez me socorro do já referido voto do Conselheiro Antonio Carlos Atulim: Ao contrário do entendimento de alguns, esse rol de exclusões das receitas não operacionais não é exaustivo, pois o legislador, no momento da elaboração da norma, não tem condições de prever todas as hipóteses de receitas não operacionais que podem se apresentar no mundo real. Tanto isso é verdade que com o advento da Lei nº 12.973, de 13 de maio de 2014, houve alteração na técnica de redação dos artigos 1º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, pois ao mesmo tempo em que o legislador especificou e limitou a incidência às receitas estabelecidas no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77 e no art. 183, VIII da Lei nº 6.404/76, houve ampliação do rol de exclusões de receitas nãooperacionais das bases de cálculo, fato que comprova que o rol de exclusões anteriormente existente não era exaustivo. Se fosse exaustivo, não seria necessário e nem logicamente possível que uma lei posterior viesse a ampliálo. (..). (g.n.). 73. Tal fundamento também é muito bem trabalhado no parecer acostado nos autos, o qual é novamente citado no presente voto não apenas em razão da qualidade do trabalho técnico em si considerado, mas em especial pela envergadura dos seus subscritores no universo doutrináriocontábil. Vejamos o trecho a que me refiro: (...). Notese que na lei não são excluídos das bases de cálculo, por exemplo, valores recebidos a títulos de recebimentos de empréstimos bancários, por uma simples razão: não são receitas! Também não estão excluídos os valores referentes ao aumento de capital pela mesma razão: não são receitas, portanto, não é necessário, e não faz sentido, que estes valores estejam listados como exclusão da base de cálculo do PIS e da COFINS. Ainda, não há questionamento algum por parte da Autoridade Fiscal exigindo a tributação do montante referente ao aumento da conta Capital Social; pela lógica da fiscalização, tais montantes não estão excluídos explicitamente, portanto, talvez devessem também ser tributados, já que possuem mesmíssima natureza dos ágios na emissão de ações. Não há sentido algum nessa linha de argumentação. (...) Fl. 1871DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 26 Notese que todas as exclusões listadas possuem a nítida natureza de receita. Não estão listadas todas as outras operações possíveis de entradas de recurso que não são receitas. A lei define a base de cálculo das contribuições como sendo receitas auferidas pela entidade; com isso já exclui dessa base de cálculo tudo aquilo que não é receita. Não é pelo fato de uma determinada transação não estar listada como exclusão explícita que deve ser automaticamente considerada receita. Imagine se o legislador tivesse que colocar na lei tudo aquilo que ele entende não ser receita: tarefa simplesmente impossível, além de absolutamente desnecessária. (grifos dos Autores, sublinhas nossa fls. 1.768/1.769). 74. Assim, percebese, claramente, que o valor contabilizado como reserva de capital não se enquadra no conceito de receita o que, por conseguinte, afasta qualquer pretensão de tributálo a título de PIS e COFINS. 76. Em reforço a tais conclusões, convém analisar o disposto no art. 200 da Lei de S.A., in verbis: Art. 200. As reservas de capital somente poderão ser utilizadas para: I absorção de prejuízos que ultrapassarem os lucros acumulados e as reservas de lucros (artigo 189, parágrafo único); II resgate, reembolso ou compra de ações; III resgate de partes beneficiárias; IV incorporação ao capital social; V pagamento de dividendo a ações preferenciais, quando essa vantagem lhes for assegurada (artigo 17, § 5º). Parágrafo único. A reserva constituída com o produto da venda de partes beneficiárias poderá ser destinada ao resgate desses títulos. 77. Conforme se observa do supra transcrito dispositivo legal, o valor registrado na qualidade de reserva de capital apresenta finalidades próprias, previamente "carimbadas" pela Lei da S.A. Em outros termos, o valor registrado na rubrica "reserva de capital" não pode ser livremente aproveitado pela pessoa jurídica, mas deve aterse às finalidades acima, as quais, digamse de passagem, sempre se referem à transação de capital com acionistas e investidores. 78. Ora, se de fato o valor registrado como reserva de capital fosse receita não haveria que se falar em tais restrições, podendo o valor então auferido ser livremente utilizado pela pessoa jurídica, o que não acontece na prática em razão do disposto no art. 200 da Lei da S.A e, antes disso, pela natureza jurídicocontábil da reserva de capital. 79. Por fim, admitir como válida a ilação fiscal, i.e., de que reserva de capital pode se enquadrar no conceito de receita na medida em que qualquer tipo de ingresso financeiro em uma dada pessoa jurídica seria receita implicaria, em última análise, atentar contra o princípio da legalidade e seu consectário lógico, tipicidade cerrada, bem como contra o disposto no art. 110 do CTN. Mais do que isso, tais normas seriam duplamente atingidas. Fl. 1872DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 19515.722631/201334 Acórdão n.º 3402003.196 S3C4T2 Fl. 1.859 27 80. Primeiro porque promoveria uma distorção extensiva do conceito de reserva de capital, o qual é muito bem definido pela Lei da S.A, tanto por uma perspectiva contábil como por um viés jurídico. Conforme demonstrado ao longo deste voto e a esteira da citada legislação, reserva de capital é modalidade de capital social de uma dada empresa e, por isso, deve ser registrado contabilmente no seu patrimônio líquido. 81. Não obstante, haveria uma segunda e indevida distorção, na medida em que a interpretação fiscal também promove uma equivocada ampliação do conceito de receita, o qual possui um conteúdo semântico próprio, depreendido de uma interpretação sistemática do ordenamento jurídico nacional e reforçada por consagradas regras contábeis. 82. Aliás, tratando do assunto, assim já se manifestou o STF: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (STF; RE 390.840, Relator: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214 215) (g.n.). 83. Patente está, portanto, a injuridicidade do trabalho fiscal perpetrado no caos em comento, o que aqui reconheço. Dispositivo Fl. 1873DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM 28 84. Ex positis, voto por dar integral provimento aos Recursos Voluntários interpostos, exonerando, portanto, o crédito tributário indevidamente lançado. 85. É como voto. Fl. 1874DF CARF MF Impresso em 21/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/08/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 05/09/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10882.900421/2009-54
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2000 a 31/10/2000
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.992
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente SHERWINWILLIAMS DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2000 a 31/10/2000 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 04 21 /2 00 9- 54 Fl. 246DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900421/200954 Acórdão n.º 9303003.992 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3801004.958, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 247DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900421/200954 Acórdão n.º 9303003.992 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900421/200954 Acórdão n.º 9303003.992 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900421/200954 Acórdão n.º 9303003.992 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 250DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900421/200954 Acórdão n.º 9303003.992 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900421/200954 Acórdão n.º 9303003.992 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900421/200954 Acórdão n.º 9303003.992 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 253DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 35166.000503/2007-51
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Oct 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. COMPROVAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN.
O § 2º do art. 62 do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com que a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nas demais situações.
Recurso especial conhecido e provido.
Numero da decisão: 9202-004.441
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
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Recorrente VENERAVEL ORDEM TERCEIRA DE SÃO FRANCISCO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. COMPROVAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN. O § 2º do art. 62 do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com que a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nas demais situações. Recurso especial conhecido e provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, em darlhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 16 6. 00 05 03 /2 00 7- 51 Fl. 477DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 35166.000503/200751 Acórdão n.º 9202004.441 CSRFT2 Fl. 478 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório Trata o presente processo de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, DEBCAD nº 37.084.8802, às efls. 02 a 71, no qual foi constituído crédito de contribuições previdenciárias sobre remunerações pagas devidas ou creditadas a segurados empregados, apenas da parte descontada dos segurados empregados correspondentes a rubricas não consideradas pela empresa como de incidência de contribuições previdenciárias. O crédito foi consolidado em 23/03/2007, no valor de R$ 86.196,72, com ciência à contribuinte em 27/03/2007 (efl. 02), e o correspondente relatório fiscal está posto às efls. 98 a 110 dos autos. A instituição, uma associação sem fins lucrativos, apresentou impugnação em 24/07/2007, efls. 112 a 128. Em 26/10/2007, a 4ª Turma da DRJ/BEL, no acórdão nº 01 9.618, às efls. 328 a 334, por unanimidade, considerou procedente o lançamento. Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário (efls. 339 a 355), em 04/01/2008. Nele, repisa argumentação trazida na impugnação que, em resumo, abaixo se arrola: 1. o julgador de 1ª instância, ao considerar procedente o lançamento, não considerou a condição de associação beneficente, de natureza filantrópica da recorrente, e toda a titularidade da qual é possuidora; 2. a recorrente está cumprindo regularmente com todas as obrigações exigidas, motivo pelo qual não pode prosperar o argumento da fiscalização de que há excesso na administração da recorrente, bem como que a contabilidade encontrase imprestável; 3. alega inconstitucionalidade da Lei 8.212/91 em relação ao prazo legal para o fisco efetuar o lançamento, defendendo a aplicação do disposto no artigo 150 do CTN; 4. admite que, de fato, existem na contabilidade da recorrente as despesas apontadas na NFLD, mas que Fl. 478DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 35166.000503/200751 Acórdão n.º 9202004.441 CSRFT2 Fl. 479 3 foram criadas por antigas contadoras da recorrente, que tinham interesse fraudar a associação e o fisco, e que essas despesas por elas criadas não existem, o que torna indevida a cobrança da contribuição previdenciária. O recurso voluntário foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, em 19/08/2009, no acórdão 230100.550, às efls. 377 a 383, que tem a seguinte ementa: CUSTEIO CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SEGURADOS EMPREGADOS. A empresa está obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados a seu serviço. DECADÊNCIA De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Recurso Voluntário Provido em Parte O acórdão, por sua vez, tinha a seguinte redação: ACORDAM os membros da 3ª Camara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, com fundamento no artigo 173, I do CTN, acatar a preliminar de decadência de parte do período a que se refere o lançamento para provimento parcial do recurso, vencido o Conselheiro Edgar Silva Vidal que aplicava o artigo 150, §4° e no mérito, por unanimidade de votos, manter os demais valores lançados, nos termos do voto do relatora. No corpo do voto ficou ainda explicitado que: A cientificação da NFLD ao sujeito passivo se deu em 12/04/2007, conforme tela de fl. 318 e o débito em discussão se refere ao período de 01/1999 a 09/2004. Dessa forma, considerando o exposto acima, constatase que se operara a decadência do direito de constituição do crédito para as competências compreendidas entre 01/1999 a 11/2001. Para a competência 12/2001, o crédito poderia ter sido lançado em 01/2002, iniciandose a contagem do prazo em 01/01/2003, que Fl. 479DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 35166.000503/200751 Acórdão n.º 9202004.441 CSRFT2 Fl. 480 4 é o primeiro dia do exercício seguinte aquele que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos temos do dispositivo legal transcrito acima. Portanto, para as competências objeto da NFLD em comento, a Previdência Social se encontra ainda no direito de cobrar as contribuições devidas lançadas nas competências 12/2001 a 09/2004. RE da contribuinte A contribuinte recebeu a intimação ECOF/SECAT/DRF/BEL 356/2010 (e fls. 388), para ciência do acórdão do recurso voluntário, em 08/09/2010 (efl. 389), e em face dele interpôs recurso especial de divergência RE em 23/09/2010, às efls. 390 a 406. Em resumo, a divergência se estabelece relativamente à apreciação da necessidade ou não da existência de antecipação de pagamento para haver incidência do art. 150, § 4º, do CTN, em vez do art. 173 do mesmo Códex, adotado pelo acórdão recorrido. Os dois primeiros paradigmas indicados pela contribuinte são os acórdãos nº 10196.733 e 10196.712, ambos da 1ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Neles se entendeu que, para incidência do art. 150, § 4º basta que o tributo seja sujeito ao lançamento por homologação, independentemente da apresentação de declarações ou da realização de pagamentos; no recorrido, se entendeu que o fato gerador que ensejou a lavratura da NFLD é o pagamento de verbas que a empresa entendia como não integrantes da base de calculo da contribuição previdenciária, e não declaradas em GFIP, assim, não há pagamento antecipado em relação a essas contribuições, sendo aplicável a contagem decadencial pelo disposto no inciso I do art. 173 do CTN. O Presidente da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF através do Despacho nº 2300045/2011, às efls. 444 a 446, deu seguimento ao RE por entender preenchidos os requisitos legais para sua admissibilidade em 16/06/2011, já com fundamento no artigos 68, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009. Contrarrazões da Fazenda Cientificada do RE da contribuinte em 05/07/2011, a Procuradoria da Fazenda apresentou contrarrazões na mesma data, às efls. 450 a 456. Naquela peça, a Procuradora afirma que a incidência da norma posta no § 4º do art. 150 do CTN depende da existência antecipação de pagamento do tributo que se pretende ver homologado, conforme já julgado inclusive em sede de recurso repetitivo junto ao STJ, devendo, inclusive, este entendimento ser reproduzido pelos conselheiros do CARF, com base no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009. Nesse sentido, tratandose de tese superada na Câmara Superior de Recursos Fiscais Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, o RE da contribuinte não deveria nem mesmo ser conhecido, com base no § 10 d0 art. 67 do mesmo RICARF. Por essas razões solicita que seja negado conhecimento ao RE da contribuinte ou, caso assim não se entenda, que a ele seja negado provimento, para manter o acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 35166.000503/200751 Acórdão n.º 9202004.441 CSRFT2 Fl. 481 5 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. A discussão trazida pelo RE centrouse na necessidade ou não da existência de pagamentos relativos a fatos geradores que ensejam a NFLD a fim de que se realize a contagem do prazo decadencial a partir da ocorrência destes e não do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Como bem afirmou a Procuradora da Fazenda, para os conselheiros do CARF essa discussão não tem mais prosseguimento, uma vez que, de acordo com o disposto à época no art. 62A1 do RICARF aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009 que hoje também se encontra patente no § 2º do art. 622 do RICARF aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015 , as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STJ na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, devem ser por eles reproduzidas. Apesar disso, entendo que se há de conhecer do RE da contribuinte, haja vista que a obrigatoriedade de reproduzir as decisões do STJ ou do STF, conforme o caso, não implicava em estar a tese superada na Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF na época da interposição do RE (23/09/2010) e mesmo quando da análise da admissibilidade deste (16/06/2011), ambos albergados na vigência do RICARF aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009. Apenas quando entrada em vigor do RICARF aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, surge o § 12 do art. 67, que afasta os paradigmas que contrariem as decisões do STJ transitadas em julgado na sistemática dos recursos repetitivos. Conhecido do recurso, passo à sua análise. A decadência dos tributos lançados por homologação é questão tormentosa que vem dividindo a jurisprudência administrativa e judicial há tempos. No âmbito dos antigos Conselhos de Contribuintes, e agora no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, praticamente todas as interpretações possíveis já tiveram seu espaço. É notório que as inúmeras teses que versam sobre o assunto surgiram do fato do nosso Código Tributário Nacional CTN possuir duas regras de decadência, uma para o direito de constituir o crédito tributário (art. 173), e outra para o direito de não homologar o pagamento antecipado de certos tributos previstos em lei (art. 150, §4o). Apesar de serem situações distintas, o efeito atingido é o mesmo, pois, uma vez homologado tacitamente o 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. 2 (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 481DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 35166.000503/200751 Acórdão n.º 9202004.441 CSRFT2 Fl. 482 6 pagamento, o crédito tributário estará definitivamente extinto, não se permitindo novo lançamento, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Na verdade, a celeuma não está no prazo da decadência, que é de cinco anos nas duas situações, mas na data de início de sua contagem. Enquanto o art. 173 fixa essa data no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ou no dia em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o art. 150, §4o, determina o marco inicial na ocorrência do fato gerador. Pacificando essa discussão, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, órgão máximo de interpretação das leis federais, firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/0176994 0), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). Fl. 482DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 35166.000503/200751 Acórdão n.º 9202004.441 CSRFT2 Fl. 483 7 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Observese que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada pelas instâncias inferiores do Poder Judiciário. A Portaria MF no 152, de 2016, deu nova redação ao § 2º do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, com a seguinte redação: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Desta forma, este CARF forçosamente deve abraçar a interpretação do Recurso Especial nº 973.733 – SC, de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173 nos demais casos. A polêmica, no caso em questão, em verdade, está na existência ou não de pagamento antecipado. Quanto à existência de pagamentos, importante colocar que ela não é utilizada como fundamento do recurso pelo contribuinte. Entretanto, em cotejo aos autos, especificamente à efl. 49, pela leitura do documento RDA Relatório de Documentos Apresentados, que houve recolhimento, ainda que parcial, de valores nos períodos objeto de lançamento. Reparase que o referido documento esclarece que "Este relatório relaciona, por estabelecimento e por competência, as parcelas que foram deduzidas das contribuições apuradas, constituídas por recolhimento, valores espontaneamente confessados pelo sujeito Fl. 483DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 35166.000503/200751 Acórdão n.º 9202004.441 CSRFT2 Fl. 484 8 passivo e, quando for o caso, por valores que tenham sido objeto de notificações anteriores." em seguida, temos a relação de competências com informação de pagamento na GRPS. Portanto, há prova de recolhimento parcial. Coerentemente, no termo de verificação fiscal, é esclarecido que estão sendo exigidas diferenças, relativas a apenas algumas rubricas, conforme a seguir: Nesta Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD estão apropriadas as diferenças devidas A Seguridade Social correspondentes EXCLUSIVAMENTE d parte descontada dos segurados empregados correspondentes a rubricas não consideradas pela empresa como de incidência de contribuições previdenciárias. Assim, é de se aplicar ao caso o disposto no § 4o do art. 150, da Lei n° 5.172, de 1968 (Código Tributário Nacional), contandose o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício subsequente àquele em que o tributo poderia ser lançado. Como a ciência do auto de infração se deu em 12/04/2007, conforme fl. 318 e o débito em discussão dizem respeito ao período de 01/1999 a 09/2004, encontramse alcançados pela decadência as competências até 03/2002. Conclusão Pelas razões acima expostas, voto por dar provimento ao recurso especial de divergência da contribuinte, para reconhecer a decadência do direito de lançamento até a competência de 03/2002, pela aplicação da regra de contagem decadencial insculpida no § 4o do art. 150 do Código Tributário Nacional. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 484DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 35166.000503/200751 Acórdão n.º 9202004.441 CSRFT2 Fl. 485 9 Fl. 485DF CARF MF Impresso em 14/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/10/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10730.007723/2006-42
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL DO JULGADO. CABIMENTO.
Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição deve-se proferir novo Acórdão, para retificar o Acórdão embargado.
Hipótese em que, na decisão do acórdão embargado, informava-se incorretamente o resultado do julgado.
Numero da decisão: 9202-004.407
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher e prover os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 9202-03.980, de 10/05/2016, alterar a decisão, que passa a ser: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a decadência relativamente às apurações dos meses de fevereiro e outubro de 2001, com retorno dos autos ao colegiado a quo, para apreciação das demais questões trazidas no Recurso Voluntário."
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL DO JULGADO. CABIMENTO. Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição deve-se proferir novo Acórdão, para retificar o Acórdão embargado. Hipótese em que, na decisão do acórdão embargado, informava-se incorretamente o resultado do julgado.
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ERRO MATERIAL DO JULGADO. CABIMENTO. Constatada, mediante embargos de declaração, a ocorrência de obscuridade, omissão ou contradição devese proferir novo Acórdão, para retificar o Acórdão embargado. Hipótese em que, na decisão do acórdão embargado, informavase incorretamente o resultado do julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher e prover os Embargos de Declaração para, sanando o vício apontado no Acórdão nº 920203.980, de 10/05/2016, alterar a decisão, que passa a ser: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a decadência relativamente às apurações dos meses de fevereiro e outubro de 2001, com retorno dos autos ao colegiado a quo, para apreciação das demais questões trazidas no Recurso Voluntário." (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 00 77 23 /2 00 6- 42 Fl. 380DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10730.007723/200642 Acórdão n.º 9202004.407 CSRFT2 Fl. 381 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório O Acórdão nº 920203.980, da 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, julgado na sessão plenária de 10 de maio de 2016, por unanimidade de votos, deu provimento ao parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, na forma de ementa e decisão a seguir (efls. 370 a 376): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 IRPF. DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. GANHO DE CAPITAL. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN, APENAS QUANDO EXISTIR PAGAMENTO PARCIAL. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. Verificase que, neste processo, não existiu pagamento parcial do imposto referente ao ganho de capital apurado sob litígio para os períodos de 02/2001 e 10/2001. Assim, aplicável a tais períodos a regra do art. 173, inciso I, do CTN, iniciandose a contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Desta forma, para os fatos geradores do ganho de capital sob litígio ocorridos em 02/2001 e 10/2001, o prazo decadencial só começou a contar em 01/01/2002, sendo possível o lançamento até 31/12/2006. Tendo a ciência do lançamento ocorrido em 01/12/2006, essa parte do crédito tributário não havia sido fulminada pela decadência. Decisão: por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para manter a decadência relativamente às apurações dos meses de fevereiro e outubro de 2001, com retorno dos autos ao colegiado a quo, para apreciação das demais questões trazidas no Recurso Voluntário. Entretanto, o Conselheiro relator observou a existência de nítida contradição a ser sanada na decisão, constante da ata da sessão e reproduzida na parte dispositiva do Fl. 381DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10730.007723/200642 Acórdão n.º 9202004.407 CSRFT2 Fl. 382 3 Acórdão formalizado, uma vez que, enquanto o voto vencedor decide no sentido de afastar a decadência do lançamento quanto às infrações relativas ao ganho de capital apurado nos meses de fevereiro e outubro de 2001, a decisão constante do Acórdão, formalizado de acordo com a versão final de ata lavrada, fala em manter a decadência relativamente às apurações realizadas nos referidos meses. Sendo patente a contradição, o despacho foi recebido como embargos de declaração, através de despacho de efl. 378 e incluído em pauta para correção. É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. É patente a contradição no teor da decisão, no que diz respeito à divergência entre o dispositivo constante do Acórdão embargado e aquele do voto vencedor, sendo, assim, necessária sua correção por meio deste novo Acórdão. Diante do exposto, voto por acolher os embargos de declaração, para retificar o decisum constante do Acórdão no 920203.980, de 10 de maio de 2016, com efeitos infringentes, a fim de que passe a constar em sua decisão: " (...), por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a decadência relativamente às apurações dos meses de fevereiro e outubro de 2001, com retorno dos autos ao colegiado a quo, para apreciação das demais questões trazidas no Recurso Voluntário." É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 382DF CARF MF Impresso em 23/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/ 09/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 22/09/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002145/2003-24
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Sep 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 30/06/2001 a 31/03/2003
RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS
É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusão díspares. Sendo distinta a legislação analisada pela recorrida em confronto com aquela versada nos pretendidos paradigmas, ou opostas as situações fáticas, não se admite o recurso apresentado.
Numero da decisão: 9303-004.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso do contribuinte.
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
Júlio César Alves Ramos - Relator.
EDITADO EM: 19/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Valcir Gassen, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 30/06/2001 a 31/03/2003 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusão díspares. Sendo distinta a legislação analisada pela recorrida em confronto com aquela versada nos pretendidos paradigmas, ou opostas as situações fáticas, não se admite o recurso apresentado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso do contribuinte. Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício Júlio César Alves Ramos - Relator. EDITADO EM: 19/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Valcir Gassen, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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REQUISITOS Recorrente ARNO S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 30/06/2001 a 31/03/2003 RECURSO ESPECIAL. REQUISITOS É condição para que o recurso especial seja admitido que se comprove que colegiados distintos, analisando a mesma legislação aplicada a fatos ao menos assemelhados, tenham chegado a conclusão díspares. Sendo distinta a legislação analisada pela recorrida em confronto com aquela versada nos pretendidos paradigmas, ou opostas as situações fáticas, não se admite o recurso apresentado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso do contribuinte. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício Júlio César Alves Ramos Relator. EDITADO EM: 19/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Valcir Gassen, Charles Mayer de Castro Souza, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 21 45 /2 00 3- 24 Fl. 496DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/09/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório O sujeito passivo acima identificado insurgese contra decisão proferida pela Primeira Câmara desta Seção que manteve lançamento contra ela lavrado que visa à exigência da COFINS devida nos meses de junho de 2001 a março de 2003. Segundo a interpretação dos fatos posta no recurso especial apresentado, este processo decorreria da glosa de compensações postuladas em outro processo administrativo. Por isso, ainda segundo a defesa, foi aqui negado o direito à rediscussão da matéria atinente à compensação lá postulada, o que o faria semelhante ao paradigma apresentado. Da descrição dos fatos constante do recurso colhese, porém: (...) em 23.12.1998, a RECORRENTE protocolizou na Delegacia da Receita Federal em São Paulo — Leste (atual DERAT/SPO) a petição que instaurou o processo administrativo n° 10880,03350219862, solicitando autorização para compensar os valores que, obedecendo aos Decretosleis n°s 2.445/88 e 2.449/88, bem como á Lei n° 7.691/88, que revogou o regime de bases de cálculo semestrais previsto no art. 60 da Lei Complementar 7/70, pagara indevidamente a titulo de contribuição para o PIS sobre receitas auferidas nos períodos de outubro de 1988 a fevereiro de 1996. (...) Em 16.08.2000, porém, o Chefe da EQPTD SIPE 17618 daquela Delegacia da Receita Federal, invocando a competência que lhe teria sido delegada para tal e afirmando que a ora RECORRENTE não trouxe ao processo elementos que comprovassem a existência do seu crédito, deixou de tomar conhecimento daquela petição, proferindo o Despacho Decisório n° 1154, que já instruiu o presente feito, assim resumido em ementa.: "PIS/PASEP Pedido de Anuência ã Proposta de Crédito Restituível, Cumulado ao de Autorização para Compensar Eventual Valor com Débitos Futuros dessa Contribuição. O esclarecimento de dúvidas do contribuinte quanto a determinado dispositivo da legislação tributária sujeitase às normas da legislação própria, cujos requisitos deverão ser obrigatoriamente atendidos, sob pena de não produzir efeito. Processo de consulta regulado pelo Decreto n° 70.235/72, arts. 46 a 53 e Lei n° 9 430/96, arts. 48 a 50, e regulamentado nas IN SRF n's 02/97 e 49/97, alteradas pela IN SRF n° 83/97. PEDIDO INDEFERIDO. PIS/PASEP Questões que Emergem do Processo ou São Suscitadas pela Interessada: Restituição de Pagamento Efetuados com Base nos Decretosleis Declarados Inconstitucionais e Compensação do Valor com Fl. 497DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/09/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19515.002145/200324 Acórdão n.º 9303004.219 CSRFT3 Fl. 497 3 Débitos Futuros dessa Contribuição Possibilidade. A restituição/compensação deverá ser efetuada mediante processo administrativo, pois implica a revisão dos lançamentos anteriores do PIS Receita Operacional (DL n's 2.445/88 e 2_449/88), respeitado o prazo decadencial de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário. A Lei n° 7,691/88 revogou o parágrafo único do art. 6º da Lei Complementar n' 7/70, não mais subsistindo a partir daí o prazo de seis meses entre o fato gerador e o pagamento da contribuição. Eventuais créditos passíveis de restituição/compensação são atualizados monetariamente pela UFIR até 31.12.95, acrescidos dos juros SELIC a partir de janeiro/96." Como se extrai dessas passagens, a petição original do contribuinte não foi apreciada como se de pedido de compensação se tratasse. É ainda ele quem descreve: Como se vê, naquele despacho, seu autor não apreciou o mérito da solicitação feita pela RECORRENTE, nem diligenciou para apurar o montante que ela pretendia reaver, como lhe facultava o parágrafo único do artigo 7° da IN/SRF n° 21/974, que regulamentava a matéria. Desse ato a RECORRENTE apresentou, em 01.11.2000, a Manifestação de Inconformidade apreciada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Curitiba, que, em 27.03.2001, invocando as mesmas razões, exarou o Acórdão DRJ/CTA n o 202, dela também não tomando conhecimento e, portanto, deixando de emitir qualquer juizo de valor sobre o mérito do direito creditório vindicado e seu montante. 4.4.1. Em seu veredicto, contudo, aquele órgão julgador resguardou acertadamente o direito de a RECORRENTE pleitear a recuperação dos créditos de PIS em comento pela via adequada prevista á época, qual seja o preenchimento dos formulários de Pedido de Compensaçãos, observadas as formalidades previstas na IN SRF n° 21/97 , nos seguintes termos: (...) E essa não apreciação prosseguiu no Conselho de Contribuintes e na Câmara Superior de Recursos Fiscais, findando aquele processo sem qualquer exame da pretendida compensação. E tanto é assim que: (...) 4.6. Paralelamente a essa iniciativa, a RECORRENTE deu início à compensação dos seus créditos com débitos vincendos da própria contribuição para o PIS e da COFINS, instaurando este processo, de acordo com o entendimento daquela autoridade administrativa, mediante apresentação, à Delegacia da Receita Fl. 498DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/09/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Federal de São Paulo (sucedida pela DERAT/SPO), nos prazos adequados: a) dos Pedidos de Compensação de débitos próprios de COFINS até o período de apuração referente a Agosto de 2002, e b) das Declarações de Compensação de débitos próprios de COFINS dos períodos de Setembro de 2002 a Março de 2003, seguindo, desse modo a orientação constante do Acórdão DRJ/CTA n° 202/2001 (subitem 4.4.1) Decorrente dessa interpretação, traz como paradigma acórdão que consigna: PIS. COMPENSAÇÃO. ANÁLISE EM PROCESSO ESPECÍFICO. POSSIBILIDADE DE EXAME INCIDENTAL EM PROCESSO NO QUAL SE DISCUTE DÉBITO OBJETO DE AUTO DE INFRAÇÃO, INEXISTÊNCIA DE COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. SEMESTRALIDADE. A compensação pode ser examinada em processo administrativo no qual se ataca débito inscrito em auto de infração, não obstante tenha sido matéria específica de outro processo administrativo. A semestralidade do PIS deve ser admitida pelo Fisco para efeito de encontro de contas. O recurso foi admitido consoante despacho do Presidente da Câmara Recorrida que entendeu semelhantes os fatos e sobrevieram contrarrazões. É o Relatório. Voto Conselheiro Júlio César Alves Ramos Relator Apesar do entendimento manifestado no despacho de admissibilidade não ter sido expressamente contestado nas contrarrazões ofertadas pela Fazenda Nacional, retomo tal análise, pois concluo dessemelhantes as situações a ponto de não merecer ser examinado o recurso do contribuinte, como procurei deixar claro com as longas transcrições que incluí no relatório. Espero que tenha restado claro que neste processo não houve, em momento algum, o exame do direito creditório postulado prazo prescricional, montante, critério de cálculo e atualização etc já que desde o princípio se entendeu não se tratar de adequado pedido de compensação, por não cumprir as disposições da IN SRF 21/97 que à época regulava a figura. Já no paradigma se concluiu que o crédito foi analisado e considerado insuficiente porque não atendido o critério da semestralidade na apuração do indébito. Ou seja, o auto de infração lá sim decorreu de uma compensação indeferida, enquanto aqui, da ausência de compensação, simples falta de recolhimento, portanto. Notese que foi isso o que a DRJ afirmou no outro processo: até aquele momento (27 de março de 2001) inexistia qualquer compensação, uma vez que ela exige a formalização de processo nos termos da IN. E sendo aquela decisão anterior à constituição dos créditos objeto deste processo, que apenas se deu em 2003, teve o contribuinte aproximadamente dois anos para Fl. 499DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/09/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 19515.002145/200324 Acórdão n.º 9303004.219 CSRFT3 Fl. 498 5 "cumprila", formalizando os pedidos de compensação antes de qualquer lançamento sobre os débitos que pretendia compensar. Não o fez e sobreveio o lançamento. Já no acórdão paradigma, depreendo, houve um regular pedido de compensação que foi indeferido porque o direito creditório seria insuficiente. Assim, o que o julgador do paradigma fez foi discordar da conclusão expressa no outro processo que afastara a semestralidade ao passo que aqui não há do que discordar, porquanto não há nenhuma apreciação do direito. Com essas considerações, voto por não conhecer do recurso apresentado. Júlio César Alves Ramos Relator Fl. 500DF CARF MF Impresso em 16/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 05/09/2 016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 24/08/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 10925.002677/2005-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Oct 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/03/1999 a 31/05/2005
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF-F). PRORROGAÇÃO
Constatado que o MPF foi devidamente prorrogado, como revela o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação deste instrumento, não há que se cogitar de sua extinção por decurso de prazo.
COFINS. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO
Constatado que, em alguns meses, a base de cálculo apurada pela Recorrente revelou-se inferior à apurada pelo Fisco, não abalada pelo recurso trazido, correto o lançamento de ofício das diferenças apontadas.
DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL DE 05 ANOS. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR
Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, e desde que tenha havido antecipação, total ou parcial, de pagamento do tributo calculado pelo contribuinte, o Poder Público dispõe do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador, para constituir o crédito tributário pelo lançamento, nos termos do art. 150, §4º, do CTN.
MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996.
TAXA SELIC. A partir de 10/04/1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administra os pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Sumula Carf nº 4.
PERÍCIAOUDILIGÊNCIA.INDEFERIMENTO.
Indefere-seopedidodeperíciaoudiligênciaquandoasuarealizaçãorevele-se prescindível.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/03/1999 a 31/05/2005
PIS. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO
Constatado que, em alguns meses, a base de cálculo apurada pela Recorrente revelou-se inferior à apurada pelo Fisco, não abalada pelo recurso trazido, correto o lançamento de ofício das diferenças apontadas.
Recurso Voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3402-003.437
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência dos fatos geradores de PIS e da COFINS ocorridos até a competência novembro de 2000. Vencida a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, que deu provimento em maior extensão por entender que a fiscalização deveria ter feito a compensação de ofício nos meses em que foi apurada base de cálculo inferior à declarada pelo contribuinte.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Esteve presente na sessão de julgamento o Dr. Alessandra Rodrigues Jordão, OAB/DF nº 41.089.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/03/1999 a 31/05/2005 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPFF). PRORROGAÇÃO Constatado que o MPF foi devidamente prorrogado, como revela o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação deste instrumento, não há que se cogitar de sua extinção por decurso de prazo. COFINS. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Constatado que, em alguns meses, a base de cálculo apurada pela Recorrente revelouse inferior à apurada pelo Fisco, não abalada pelo recurso trazido, correto o lançamento de ofício das diferenças apontadas. DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. PRAZO DECADENCIAL DE 05 ANOS. OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, e desde que tenha havido antecipação, total ou parcial, de pagamento do tributo calculado pelo contribuinte, o Poder Público dispõe do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador, para constituir o crédito tributário pelo lançamento, nos termos do art. 150, §4º, do CTN. MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. TAXA SELIC. A partir de 10/04/1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administra os pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Sumula Carf nº 4. PERÍCIAOUDILIGÊNCIA.INDEFERIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 26 77 /2 00 5- 27 Fl. 2566DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Indefereseopedidodeperíciaoudiligênciaquandoasuarealizaçãorevelese prescindível. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/03/1999 a 31/05/2005 PIS. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Constatado que, em alguns meses, a base de cálculo apurada pela Recorrente revelouse inferior à apurada pelo Fisco, não abalada pelo recurso trazido, correto o lançamento de ofício das diferenças apontadas. Recurso Voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a decadência dos fatos geradores de PIS e da COFINS ocorridos até a competência novembro de 2000. Vencida a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, que deu provimento em maior extensão por entender que a fiscalização deveria ter feito a compensação de ofício nos meses em que foi apurada base de cálculo inferior à declarada pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Esteve presente na sessão de julgamento o Dr. Alessandra Rodrigues Jordão, OAB/DF nº 41.089. Relatório Contra a empresa qualificada nos autos, foi formalizada a exigência de crédito tributário relativo à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e à contribuição para o Programa de Integração Social (PIS/Pasep) decorrente dos fatos geradores ocorridos no período entre março de 1999 e maio de 2005, conforme autos de infração e demonstrativos às fls. 7/21 (COFINS) e 1.215/1.219 (PIS), cuja ciência da autuada ocorreu em 19/12/2005. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 078.592, da DRJ/Florianópolis (SC), a seguir transcrito na sua integralidade (fls. 2.412/2.422): "(...) Por meio dos Autos de Infração às folhas 06 a 17 e às fls.1.195 a 1.209, foram exigidas da contribuinte acima qualificada as importâncias de R$ 254.997,33 e de R$ 96.225,85 Fl. 2567DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.002677/200527 Acórdão n.º 3402003.437 S3C4T2 Fl. 2.567 3 a título, respectivamente, de COFIN S e de Contribuição para o PIS, acrescidas de multa de ofício de 150% e encargos legais devidos à época do pagamento, referente a fatos geradores ocorridos em período compreendido entre 31/03/1999 e 31/05/2005. O lançamento referido no Auto de Infração da Contribuição para o PIS estava contemplado no processo administrativo fiscal de n° 10925.002676/200582, o qual, por força do disposto na Portaria SRF de n° 6.129, de 02/12/2005, foi anexado ao presente processo, conforme despachos de fls. 1.187 a 1.189. Assim sendo, o presente processo contempla e onde serão analisadas as impugnações correspondentes a estas exigências. Em consulta à "Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is)", às folhas 15/16, e ao "Relatório da Atividade Fiscal" às folhas 20 e fls. 40, verificase que no período compreendido entre 31/03/1999 a 31/12/2004, a contribuinte teve seu lucro arbitrado em vários anos calendário (processo n° 10925.002675/200538. apenso a este) sendo a presente autuação se efetivado por falta e/ou insuficiência de recolhimento destas contribuições e, relativamente aos fatos geradores ocorridos em 2005, em procedimento de Verificações Obrigatórias, onde se apurou divergências entre os valores declarados e escriturados (para fatos geradores de 30/04/2005 e 31/05/2005). A seguir se resume a constatação dos autuantes, conforme Relatório (fl.40): [...]Neste ponto, cabe observar que, uma vez definida a tributação via arbitramento dos lucros, não subsiste o regime de tributação não cumulativo adotado pela Fiscalizada para o cálculo das contribuições do PIS e COFINS. Especificamente quanto à COFINS, observese o contido na Lei n° 10.833, de 29/12/2003, que instituiu o regime de não cumulatividade: Art.10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1°a 8°: (...) II as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; (grifos nossos) Assim, teve a Fiscalização que recalcular todos os valores devidos relativos à COFINS, deduzindose os valores declarados nas DCTFs entregues pela Contribuinte à Receita Federal. Nessa dedução, foram considerados os valores da última DCTF retificadora de cada período ou da DCTF original, nos casos de inexistência de retificadora. As diferenças apuradas podem, então, ser assim resumidas: Fl. 2568DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 Diferenças de janeiro de 1999 a janeiro de 2004: provém da base de cálculo a maior apurada pela Fiscalização e/ou de erro na apuração da contribuição por parte da Contribuinte; Diferenças a partir de fevereiro de 2004: provém do cálculo da contribuição pelo regime cumulativo realizado pela Fiscalização em confronto com o cálculo pelo regime nãocumulativo adotado pela Fiscalizada, podendo incluir ou não diferenças entre a base de cálculo apurada pela Fiscalização e a base de cálculo declarada pela Contribuinte. Demonstramos, no ANEXO IV, o cálculo das diferenças apuradas e, no quadro abaixo, apresentamos um resumo anual dessas diferenças. [...] 11. DAS VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS As verificações obrigatórias abrangeriam o período de 08/2000 a 06/2005, conforme especificado no MPF e demais dispositivos que tratam da matéria. Entretanto, o período 08/2000 a 12/2004 ficou integrado ao objeto fiscalizado em razão da desclassificação da escrita e da conseqüente autuação pelo regime do lucro arbitrado. O período residual, de 01 a 06/2005, foi verificado pela Fiscalização, comparandose a COFINS a recolher registrado na contabilidade (fl. 1.102) com a COFINS declarada em DCTF do período (fls. 1.103 1.116). A cópia da DCTF do 1º semestre de 2005 foi fornecida pela Contribuinte, após regularmente intimada (fls.277279). Desse exame, emergiram algumas diferenças, demonstradas no ANEXO V. [...]O procedimento relativo à Contribuição para o PIS segue nesta mesma linha, conforme Relatório de fls.1.232 e 1.236. Em preliminar, a contribuinte apresentou suas razões (fl. 1.133 e fl .2.324) de irresignação que a seguir se resume: Do uso irregular do MPFF Espontaneidade cita e transcreve artigos da extinta portaria 1.265/99, para concluir que não houve prorrogação do MPFF inicial, emitido em 08/07/2005, com término previsto para 05/11/2005, portanto o MPFF extinguiuse nesta data; a Portaria estabelece que, extinto o MPFF por decurso de prazo, os auditores responsáveis pela execução do mandado extinto não poderão ser indicados para o novo MPF; além do decurso de prazo do MPFF, ainda que tenham supostamente havido prorrogações, os mesmos AFRFs, responsáveis pelo MPFF decaído, continuaram, irregularmente, o procedimento fiscal até a lavratura do Auto de Infração; os mesmos AFRFs foram ambos nomeados no dia 08/07/2005 e mantiveramse atuando e ATUANDO em 11/12/2005, com ciência do contribuinte em 19/12/2005, PORTANTO COMPLETAMENTE FORA DO PRAZO e das regras legais de substituição; Fl. 2569DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.002677/200527 Acórdão n.º 3402003.437 S3C4T2 Fl. 2.568 5 após arrazoado acerca da criação do MPFF, conclui que "Demonstrado que o MPFF que originou o presente auto de infração foi irregularmente prorrogado, por não obedecer o disposto no § do art.16 da Port. 1.265/99, restou configurado em favor da impugnante a figura da 'denúncia espontânea', que lhe deveria ter sido oferecida para resgatar os tributos se existissem, razão pela qual devem ser excluídas as multas de oficio aplicadas, e claro anulando todo o ato fiscal, ou no máximo que sejam aplicadas as multas moratórias dos 20% ". No mérito, na impugnação apresentada (fls.1.132 a 1.167 COFINS e fls.2.328 a 2.359 PIS) a contribuinte traz seus argumentos acerca de arbitramento de lucro, da tributação de omissão receitas, que aqui não se resumem, tendo em vista que estas questões foram tratadas em outros processos administrativos (apensos). Assim, aqui irá se relatoriar os argumentos trazidos pela contribuinte naquilo que se referem apenas ao lançamento das diferenças de COFINS (fls.1.149) e de PIS (fls.2.341): • Na reapuração da base de cálculo de PIS e Cofins, com o (sic) já consumado no arbitramento, o fisco não considerou o montante correto de devoluções de mercadorias em todos os períodos, por uma razão óbvia: a fiscalização não dispunha e não solicitou os livros de entrada da empresa fiscalizada. Como poderia a fiscalização obter tal informação sem examinar os livros sobre os quais seriam normalmente extraídas estas informações? Talvez o fisco nem pretendesse efetuar levantamentos nos livros de entrada, visto que ali somente encontraria créditos de tributos e custos a serem deduzidos numa efetiva apuração de lucro real. que, "numa planilha absurda, o fisco computa mês a mês as diferenças entre o apurado em favor do fisco e lança em seu favor, mas não relaciona os valores onde o contribuinte é credor para deduzir ou compensar nos cálculos finais." A conta Especifica na Planilha Equivocada e a Decadência para demonstrar os valores que fazem parte do auto de infração, o fisco elabora os chamados anexos III e IV e neles, talvez por equívoco, porque sabe perfeitamente que como foi feito não está correto, o fisco deixa de registrar os créditos; apenas para citar um exemplo, pois uma planilha completa será juntada aos autos, podemos referirnos ao ano de 2004, quando em fevereiro, o fisco comparando a apuração que ele mesmo fez na coluna "Valor líquido apurado" um total de RS 21.680,70 e tendo encontrado na coluna "Créditos apurados" do contribuinte, num total de R$ 7.902,83 lançou na coluna "Tributo" o valor de R$ 13.777,87, valor este que utilizou para a lavratura e apuração do ato fiscal; ENTRETANTO, no mesmo ano, no mês de dezembro, vamos encontrar na coluna "Valor líquido apurado" um total de R$ 78.382,52 e tendo encontrado na coluna "Créditos apurados" do contribuinte, um total de R$ 125.299,21, O FISCAL NAO Fl. 2570DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 LANÇOU NUMA COLUNA DE CRÉDITOS, o valor de R$ 46.916,69. E ASSIM FEZ SUCESSIVAMENTE NOS CINCO ANOS. A CONTA ESTÁ ERRADA. embora a rigor nada seja devido, porque a escrita não poderia ser desclassificada, de qualquer forma, com certeza no presente caso, no mínimo os Srs. Julgadores determinarão uma diligência para apurar os valores regulares e constatar que se dívida houver, será de valor muitíssimo menor. Nossa planilha evidencia que entre 2000 e 2004 em vez de dever R$ 179.900,00 o contribuinte deveria R$ 68.500,00; deixamos de abordar acima o ano de 1999, porque o entendemos já alcançado pela decadência, porque na condição de tributo, que se paga e aguarda a homologação, deve obedecer as regras do art.173 do CTN, nunca as regras da Lei 8.212/91, conforme já vem julgando os tribunais, inclusive o STJ; também não abordaremos aqui o ano de 2005, porque neste caso os julgadores necessitarão determinar que o fisco reexamine os cálculos para apurar todos os valores que não foram deduzidos na aplicação de alíquota não cumulativa. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram totalmente acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 31/03/1999 a 30/11/2004 Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPFF). Prorrogação da Fiscalização. Constatado que o MPF foi devidamente prorrogado, como revela o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação deste instrumento, não há que se cogitar de sua extinção por decurso de prazo. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 31/03/1999 a 30/11/2004 Ementa: Contribuições Sociais. Decadência. O direito de a Fazenda Pública apurar e constituir seus créditos relativos à COFINS e PIS extinguese após dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 31/03/1999 a 30/11/2004 Ementa: Insuficiência de Recolhimento. Constatado que, em alguns meses, a base de cálculo apurada pela contribuinte revelouse inferior à apurada pela Fiscalização, não abalada pela impugnação trazida, correto o lançamento de ofício das diferenças apontadas. Fl. 2571DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.002677/200527 Acórdão n.º 3402003.437 S3C4T2 Fl. 2.569 7 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 30/04/2005, 31/05/2005 Ementa: Verificações Obrigatórias. Diferenças a recolher. Verificado que os valores declarados em DCTF diferem para menor dos valores da contribuição registrada na escrituração contábil, correto o lançamento de ofício das diferenças apontadas. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 31/03/1999 a 30/11/2004 Ementa: Insuficiência de Recolhimento. Constatado que, em alguns meses, a base de cálculo apurada pela contribuinte revelouse inferior à apurada pela Fiscalização, não abalada pela impugnação trazida, correto o lançamento de ofício das diferenças apontadas. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/04/2005, 31/05/2005 Ementa: Verificações Obrigatórias. Diferenças a recolher. Verificado que os valores declarados em DCTF diferem para menor dos valores da contribuição registrada na escrituração contábil, correto o lançamento de ofício das diferenças apontadas. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 31/03/1999 a 30/11/2004 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DUPLICAÇÃO DO PERCENTUAL DA MULTA DE OFÍCIO. CONDIÇÃO INOCORRENTE. Constatado que não ocorreram as condições previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, incabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art.44 da Lei n° 9.430/96 (com a nova redação do artigo dada pela Medida Provisória n° 303, de 29/06/2006, DOU de 30/06/2006). Lançamento Procedente em Parte Contra essa decisão foi interposto o recurso (fls. 2.433 a 2.445), para reiterar a preliminar de nulidade argüida na peça impugnatória sobre irregularidades concernentes ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), trazer alegações relativas à impossibilidade de desclassificação da escrita, reportandose à peça impugnatória para invocar os mesmos argumentos e a jurisprudência ali citada e, quanto ao mérito, alegar, em síntese, que: Fl. 2572DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 (i) há flagrantes erros na planilha da fiscalização em que se apurou o tributo devido, pois não se utilizaram os valores relativos a diferenças a favor da recorrente para deduzir ou compensar com as diferenças a favor do Fisco (lançadas). Comparese, por exemplo, na planilha de 2004, os valores de fevereiro (crédito a favor do Fisco) e de dezembro (crédito a favor da recorrente que não foi considerado); (ii) que deve ser considerado que o PAF n° 10925.002678/200571, que trata do lançamento decorrente de omissão de receita, foi anulado pela DRJ em Florianópolis; (iii) na impugnação, deixouse de tratar do mérito da exigência relativa aos fatos geradores de 1999 e de 2000, por estarem fulminados pela decadência, em conformidade com o art. 173 da Lei n° 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional (CTN), não sc lhes aplicando a Lei n° 8.212, de 1991, como sustentado na decisão recorrida; (iv) não foram consideradas pela instância de piso as alegações relativas ao arbitramento do lucro e enquadramento legal. A recorrente relacionou também, os itens da decisão da instância recorrida, cujos fundamentos considerou inconsistentes, para requerer que sejam reexaminados à vista da peça impugnatória: a) irregularidades do MPFF; b) desclassificação da escrita, sobre o que não se manifestaram os julgadores; c) equívocos na elaboração da planilha, e d) decadência dos fatos geradores entre janeiro de 1999 a outubro de 2000. Ao final, solicita o arquivamento dos autos, em face do equivocado fundamento na desclassificação da escrita, ou que sejam refeitos os cálculos para consideração dos seus créditos na apuração do tributo para o lançamento ou, nesse ponto, seja autorizada perícia para constatar que existiam na contabilidade, informações suficientes para apuração de resultados, sem necessidade de arbitramento. Requereu ainda redução da multa de 75% para 20% e o afastamento da taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), visto que tal acréscimo é indevido, nos termos do que já decidiu o Superior Tribunal de Justiça (STJ). Verificase que foram arrolados bens, conforme informação da Delegacia da Receita Federal em Joaçaba (SC), à fl. 2.446/2.448, controlado no PAF nº 10925.0002680/200541 (informação fl. 2.449). Pois bem. O recurso chegou a este Conselho e em 26/04/2007, o então Segundo Conselho de Contribuintes (Terceira Câmara), resolveram, por unanimidade de votos, converter o julgamento em DILIGÊNCIA, conforme Resolução nº 20300.806, nos seguintes termos (fls. 2.451/2.455) grifamos: "(...) Assim, a decisão administrativa no processo n° 10925.002675/200538, que cuida do IRPJ e da CSLL, tributos cuja base imponível é o lucro, pode refletir na decisão destes autos, conforme considerar ou não procedente o arbitramento do lucro. Em face disso, para a solução do litígio, entendo necessário aguardar o julgamento do recurso n° 155.202, que se Fl. 2573DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.002677/200527 Acórdão n.º 3402003.437 S3C4T2 Fl. 2.570 9 encontra na Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. Destarte, voto por converter o julgamento do recurso em diligência para que a unidade de origem, após a definitividade da decisão administrativa no processo supracitado, dela anexe cópia a estes autos e elabore demonstrativos com vista a segregar os valores do PIS e da Cofins de que cuidam estes autos que decorrem da exclusão da recorrente do regime não cumulativo dessas contribuições. Por fim, salientese que deve ser dada ciência à recorrente dessa diligência com o respectivo resultado, concedendolhe prazo para sobre ela se manifestar. Os autos, então, foram encaminhados à DRF/Joaçaba (SC), para cumprimento da referida Resolução (fl. 2.456). Quanto ao atendimento do solicitado no item 1 acima, a DRF de Joaçaba, em seu despacho às fl. 2.508, cumpriu e informou o seguinte: "(...) Informamos que foram juntadas às fls. 2.460/2.480 cópia do Acórdão nº 10517.154 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), que julgou o recurso nº 155.202, e, às fls. 2481/2490, cópia da Decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais relativa ao julgamento do Recurso Especial da Fazenda Nacional. Também juntamos cópia da ciência da Fazenda Nacional, fl. 2.491, e do contribuinte, fls. 2.492/2.496, em relação a esta última decisão. Conforme consta às fls. 2.497/2.507, o interessado aderiu a parcelamento especial da lei nº 11.941/2009, que foi reaberto pela lei nº 12.996/2014, e os débitos do processo nº 10925.002675/2000538 poderão ser incluídos no parcelamento pleiteado. No momento o parcelamento especial ainda está aguardando a prestação de informações para a consolidação. Considerando que as providências desta Seção já foram tomadas, proponho o encaminhamento à Safis desta Delegacia para continuidade, conforme Despacho de fl. 2.458. No entanto, quando ao item 2 da solicitação, a DRF de Joaçaba (SC), em sua Informação Fiscal de fls. 2.510/2.511, consignou que: "(...) Trata o presente processo de Auto de Infração para exigência da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins. Em atendimento ao despacho de folhas nº 2.508 a 2.509, analisamos o pedido de diligência requestado pelo Segundo Conselho de Contribuintes, conforme Resolução nº 203 00.806, Recurso nº 137.529, em especial o contido na folha nº 2.455 (folha nº 2.428 do volume 13, numeração original do processo físico) que reza sejam elaborados demonstrativos com vista a segregar os valores do PIS e da COFINS de que cuidam estes Fl. 2574DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 10 autos que decorrem da exclusão da recorrente do regime não cumulativo dessas contribuições. Aqui, fazemos uma observação: o pedido de diligência faz referência ao PIS e a Cofins, porém o presente processo trata exclusivamente da Cofins (...). Ocorre que, tanto no Relatório do acórdão recorrido (DRJ à fl. 2.414), como na Resolução prolatada pelo 2º CC (fl. 2.452), consta claramente que nestes autos estão sendo julgados as duas Contribuições, quais sejam, o PIS e a Cofins. Vejase os trechos abaixo reproduzidos (primeiro da DRJ, depois 2º CC): "(...) O lançamento referido no Auto de Infração da Contribuição para o PIS estava contemplado no processo administrativo fiscal de n° 10925.002676/200582, o qual, por força do disposto na Portaria SRF de n° 6.129, de 02/12/2005, foi anexado ao presente processo, conforme despachos de fls. 1.187 a 1.189". "(...) Contra a pessoa jurídica qualificada nos autos deste processo foi formalizada a exigência de crédito tributário relativo à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e à contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) decorrente dos fatos geradores ocorridos no período entre março de 1999 e maio de 2005, conforme autos de infração e demonstrativos às fls. 5 a 17 (Cofins) e 1.194 a 1.199 (PIS), cuja ciência da autuada ocorreu em dezembro de 2005. Ademais disso, o processo nº 10925.002676/200582, referente ao PIS, encontrase apensado a este, conforme despacho de fl. 2.459. Portanto, o presente processo contempla (o Recurso Voluntário correspondente) as exigências do PIS e da Cofins. Assim, considerando todas as informações relatadas acima e ainda novas informações que foram trazidos aos autos, como as cópias do processo nº 10925.002675/2000538 (referente ao IRPJ e CSLL), bem como os resultados de julgamentos prolatados pelo CARF e pela CSRF (fls. 2.460/2.490), e também juntada de documentos informando que foi solicitado adesão ao parcelamento especial da Lei nº 11.941/2009, que foi reaberto pela lei nº 12.996/2014 (fls. 2.497/2.507) referente ao processo do IRPJ e CSLL, este Colegiado decidiu pelo retorno do processo em Diligência, conforme consta da Resolução nº 3402000.778, de 27/04/2016 (fls. 2.516/2.526), determinando o retorno dos autos à DRF de Joaçaba (SC), para que se proceda o seguinte: (1) Complementar as informações solicitadas na Resolução emanada pelo 2º CC, quanto ao PIS, qual seja, elaborar demonstrativo com vista a segregar os valores de que cuidam estes autos, que decorrem da exclusão da recorrente do regime nãocumulativo dessa contribuição; (2) Analisar e elaborar parecer sobre a procedência da seguinte alegação no recurso "(...) que há flagrantes erros na planilha da fiscalização em que se apurou o tributo devido, pois não se utilizaram os valores relativos a diferenças a favor da recorrente para deduzir ou compensar com as diferenças a favor do Fisco (lançadas). Comparese, por exemplo, na planilha de 2004, os valores de fevereiro (crédito a favor do Fisco) e de dezembro (crédito a favor da recorrente que não foi considerado)"; Fl. 2575DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.002677/200527 Acórdão n.º 3402003.437 S3C4T2 Fl. 2.571 11 (3) Informar, se procede o argumento da Recorrente de que "(...) deve ser considerado que o processo n° 10925.002678/200571, que trata do lançamento decorrente de omissão de receita, foi anulado pela DRJ de Florianópolis (SC)"; (4) Outras informações que julgar pertinentes para o deslinde desta questão; e (5) Por fim, salientese que deve ser dada ciência à recorrente dessa diligência com o respectivo resultado, concedendolhe prazo para sobre ela se manifestar. Em cumprimento a solicitação deste Colegiado (CARF), em 25/05/2016, a fiscalização realizou a Diligência e formalizou suas conclusões constante na Informação Fiscal de fls. 2.529/2.533. Cientificada da conclusão da Diligência, a Recorrente manifestouse, conforme documento de fls. 2.546/2.547. Após o cumprimento do disposto na Resolução nº 3402000.778, o processo retornou a este CARF para prosseguimento. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Relator 1. Da Admissibilidade dos Recursos Como já verificado quando da Resolução, o recurso satisfaz os requisitos legais de admissibilidade, por isso dele deve ser conhecido. 2. DAS PRELIMINARES Primeiramente, é importante ressaltar que o PAF nº 10925.002676/200582, relativo a PIS, foi unificado com este de COFINS e o Recurso se refere a ambos os casos. O principal argumento do Fisco, para lavrar o Auto de Infração contra a Recorrente, foram centradas em diferenças mensais da análise de bases de cálculo de PIS e da COFINS. A desclassificação da sua escrita fiscal, consta de processo específico PAF nº 10925.002675/200538 (desclassificação de escrita fiscal), referente ao IRPJ e CSLL, reflexos do arbitramento, cuja cópia foram anexadas a este às fls. 2.460 e seguintes. Tal procedimento foi considerado procedente naqueles autos conforme julgamento realizado pela CSRF no Acórdão nº 9101002.065, de 12/11/2014 (fls. 2.481/2.490). Ainda em processo próprio, que trata sobre omissão de receitas, foi lavrado o processo nº 10925.002678/200571 (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS). Tal questão encontrase muito bem esclarecida quando do atendimento ao pedido de diligência requestado por esta 2ª Turma Ordinária conforme Resolução nº 3402 000.778, de 27/04/2016, em especial o contido na folha nº 2.526, que roga especificamente: Fl. 2576DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 12 3) Informar, se procede o argumento da Recorrente de que “(...) deve ser considerado que o processo nº 10925.002678/200571, que trata do lançamento decorrente de omissão de receita, foi anulado pela DRJ de Florianópolis (SC)”: "Não procede o argumento da recorrente de que deve ser considerado que o processo nº 10925.002678/200571, que trata de omissão de receita foi anulado pela DRJ de Florianópolis (SC). O lançamento estampado no processo nº 10925.002678/200571 trata do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e os lançamentos decorrentes de PIS, COFINS e CSLL. Portanto, o PIS e a COFINS incidentes sobre a omissão de receitas foram lançados como reflexos da infração ao IRPJ e tratados exclusivamente no âmbito do processo nº 10925.002678/200571. A base de cálculo utilizada para o lançamento da omissão de receitas é distinta da base de cálculo utilizada para o lançamento agora sob análise. Em resumo, a questão do arbitramento de lucro, da tributação de omissão receitas, aqui não se discutem, tendo em vista que estas questões foram tratadas em outros processos administrativos. Assim, aqui irá se analisar os argumentos trazidos pela Recorrente naquilo que se referem apenas ao lançamento das diferenças de PIS e da COFINS. 2.1. Da alegada irregularidade do MPFF Aduz a Recorrente que "demonstrou que existiam irregularidades no que concerne ao e MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL FISCALIZAÇÃO (MPFF), com base nas determinações da Portaria SRF n.° 1.265, de 22/11/1999 e suas respectivas atualizações até 08.07.2005, bem como indicou jurisprudência e argumentos fortes em seu favor, no sentido de invalidade do prosseguimento da fiscalização após o prazo expirado". Como se vê, argumenta a Recorrente a nulidade do procedimento fiscal, em face de irregularidades, por sua ótica, quanto ao MPF e respectivas atualizações. Invocando a Portaria SRF n° 1.265/99, afirma que, não tendo sido prorrogado o MPF originalmente emitido em 08/07/2005, estaria extinto em 05/11/2005, e nulo seria o procedimento a partir daí. No Acórdão recorrido, a autoridade julgadora demonstrou o equivoco do entendimento esposado pela Recorrente, posto que à época dos fatos já estava revogada a Portaria SRF n° 1265, de 1999, e em vigor a Portaria SRF n° 3.007/2001, com as alterações introduzidas pela Portaria SRF nº 1.468/2003. Segundo as disposições então vigentes, a prorrogação do MPF seria feita por registro eletrônico, à disposição da interessada pela internet. Às fls. 03/06, se encontra o Demonstrativo de emissão e prorrogação de MPF, mediante o qual se constata que a validade do MPFF originalmente emitido foi estendida até 04/01/2006. Visto que a ciência do lançamento se deu em 19/12/2005, não há que se falar em MPF não prorrogado, nem de lançamento efetuado ao desamparo de autorização administrativa. E mais. O ato de lançamento, entendido como procedimento administrativo voltado à constituição do crédito tributário, deve obedecer a imperativos de forma que garantam a sua conformação jurídica, o que ocorre perfeitamente no caso dos autos. Fl. 2577DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.002677/200527 Acórdão n.º 3402003.437 S3C4T2 Fl. 2.572 13 Reputo, assim, correta a decisão a quo, ao não acolher essa preliminar de nulidade do lançamento. 2.2. DECADÊNCIA Alega a Recorrente que "Na impugnação, deixamos de abordar os anos de 1999 e 2000, porque entendemos já alcançado pela decadência, pois na condição de tributo, que se paga e aguarda a homologação, deve obedecer as regras do art.173 do CTN, nunca as regras da Lei 8.212/91, conforme já vem julgando os tribunais, inclusive o Superior Tribunal de Justiça". De fato, quanto a decadência, aplicável ao período entre janeiro de 1999 e dezembro 2000, da seguinte forma decidiu a DRJ/FNS (fl. 2.420): A decadência não alcança os lançamentos de PIS e da COFINS, uma vez que o prazo decadencial destas contribuições sociais é de dez anos. A decadência destas exações está disciplinada, não pelo artigo 173 do CTN, mas pelo inciso I do artigo 45 da Lei n.° 8.212, de 24 de julho de 1991. Tais são os termos deste dispositivo" (...). "Notese que, muito embora a contribuição social ao PIS não esteja expressamente listada na Lei n.° 8.212/91 como uma das contribuições destinadas à seguridade social, certo é que, apesar das inúmeras discussões ainda hoje postas no âmbito doutrinário e jurisprudencial, o prazo decadencial de dez anos também a ela se aplica". Portanto, entendo que, mesmo não tendo sido abordada em sua impugnação, por ser questão de ordem pública, cabe examinar as alegações da recorrente quanto à decadência. Pela ótica da Recorrente a legislação aplicável à espécie é o § 4° do art. 150 de CTN, e tem por inconstitucional o prazo decadencial de dez anos, fixado pelo art. 45 da Lei n° 8.212/1991. Posto que a ciência do auto de infração se deu em 19/12/2005, a aplicação do prazo qüinqüenal levaria à decadência do direito da Fazenda Nacional de constituir créditos tributários sobre todos os fatos geradores ocorridos no anocalendário de 1999 e até 19/12/2000 para os tributos objeto deste lançamento (PIS e da COFINS). A questão da aplicação do artigo 45 da Lei n.° 8.212, de 24 de julho de 1991, adotada pela decisão DRJ, já se encontra resolvida conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal, consubstanciado na Súmula Vinculante n° 8, publicada no D.O.U. do dia 20/06/2008, com a seguinte redação: Súmula vinculante nº 8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 50 do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n" 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de créditos tributário. Diante do entendimento definitivo e expresso da Corte Suprema e, ainda, à luz do art. 103A da Constituição Federal em vigor e, do que dispõe o Decreto n° 2.346/1997, não se há de aplicar, em qualquer caso, o prazo decenal do art. 45 da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 2578DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 14 Resolvido essa questão, chegase então, à seguinte regra: quando constatado pagamento antecipado do tributo e não havendo a constatação de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário contase a partir da data de ocorrência do fato gerador, na forma do artigo 150, §4º do CTN. Vejase o contido no Acórdão CSRF nº 9202003.755: DECADÊNCIA. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ SOBRE A MATÉRIA. O Superior Tribunal de Justiça STJ, em acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC (Recurso Especial nº 973.733 SC) definiu que o prazo decadencial para o Fisco constituir o crédito tributário contase do fato gerador, quando constatado o pagamento antecipado do tributo (artigo 150, §4º, do CTN). Entendo que a regra geral para a decadência é a estabelecida pelo artigo 173, inciso I, do CTN: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: 1 do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Por outro lado, ao tratar das modalidades de lançamento, o mesmo CTN estabelece regras específicas para o lançamento por homologação, em seu artigo 150, § 4°: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Parágrafo 4º. Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Os tributos exigidos no presente processo tratase de PIS e de COFINS, assim, os mesmos submetemse ao lançamento por homologação, como, de resto, é o caso da grande maioria dos tributos em nosso sistema tributário. Então, o motivo que vislumbro para que seja deslocado o termo inicial para a contagem do prazo decadencial da data da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4° do CTN), para o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (art. 173, I, do CTN) é outro, se há ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Nessas situações, retomase à regra geral do art. 173, I. Ocorre que na decisão recorrida, a turma julgadora considerou que não ocorreram as condições previstas nos arts.71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964 e portanto, incabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430/96, de forma que, em face do exposto, considerou inaplicável a duplicação da multa de ofício, devendo ser considerada a multa de ofício típica, de 75%. Fl. 2579DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.002677/200527 Acórdão n.º 3402003.437 S3C4T2 Fl. 2.573 15 Em face da não identificação das circunstâncias de dolo, fraude ou simulação, e verificando que tenha havido antecipação, total ou parcial, de pagamento do tributo (conforme Demonstrativo das Diferenças Apuradas fls. 58/59 e 1.261/1.262), e também que as DCTF (apenso aos autos) constitui uma declaração do débito e do crédito e que a autoridade fiscal possui então, todos os elementos necessários à atividade de homologação. Portanto, o prazo decadencial deve ser contado na forma do §4º do artigo 150 do CTN, o que implica a necessidade de rever decisão a quo. Nesse contexto, assiste razão a Recorrente e cumpre esclarecer que foi verificada a eventual ocorrência de decadência quanto a parte dos lançamentos, especificamente quanto às competências anteriores a data de 19.12.2000. Consta dos autos, que a ciência da Recorrente quanto ao lançamento de ofício, se deu em 19/12/2005 (às fls. 7/21, da COFINS e 1.215/1.219, do PIS), de modo que, encontrarseiam decaídos os valores lançados relativos a fatos geradores do PIS e da COFINS anteriores a 05 (cinco) anos, ou seja, fatos geradores dos meses de janeiro a dezembro de 1999 até a competência/mês de novembro de 2000 e respectivos encargos legais. 3. Da impossibilidade de desclassificação da Escrita Alega a Recorrente em seu recurso que "CONSIDERANDO, que os valores aqui apurados, decorreram direta ou indiretamente da desclassificação da escrita, que NO PRESENTE CASO, contêm Relatório inicial, igual ao de outros processos, se fez necessário responder em todos os seus pontos, INCLUSIVE PORQUE OS MESMOS ARGUMENTOS E JURISPRUDÊNCIAS SERVEM AQUI. Ficou na impugnação evidenciado, que a construção dos argumentos dos fiscais, possui lógica, mas são falsas suas premissas. Por exemplo, que não tendo obtido por escrito um depoimento, sobre a autenticação dos livros diz questionamos o contabilista a esse respeito que, verbalmente, nos afiançou estarem "É o fisco 'inventando' argumentos baseado em 'verbalmente' o que definitivamente não existe em matéria de exigência fiscal". E finaliza, à fl. 2.439, argumentando que, "(...) Não se manifestaram os julgadores na DRJ/FNS, como dito antes, talvez por entender que esta matéria, deveria ser tratada apenas no processo específico sobre arbitramento ou presumida sonegação fiscal. De qualquer forma, um outro processo que continha falhas insanáveis, foi totalmente anulado pelos julgadores. (10925.002678/200571)". Quanto a propalada anulação do processo acima, vejase o que foi respondido pelo Fisco (fl. 2.532), quando da indagação feita por este Colegiado, no item '3' da 2ª solicitação de Diligência (Resolução nº 3402000.778, de 27/04/2016) grifei: "(...) 3) Não procede o argumento da recorrente de que deve ser considerado que o processo nº 10925.002678/200571, que trata de omissão de receita foi anulado pela DRJ de Florianópolis (SC). O lançamento estampado no processo nº 10925.002678/200571 trata do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e os lançamentos decorrentes de PIS, COFINS e CSLL. Portanto, o PIS e a COFINS incidentes sobre a omissão de receitas foram lançados como reflexos da infração ao IRPJ e tratados exclusivamente no âmbito do processo nº 10925.002678/200571. A base de cálculo utilizada para o lançamento da omissão de receitas é distinta da base de cálculo utilizada para o lançamento agora sob análise. Fl. 2580DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 16 Como pode ser verificado, não está correta a alegação da Recorrente. E mais. Entendo que, como informado na Diligência, essa matéria já foi discutida no processo nº 10925.002676/200582 (cópia anexado a este às fls. 2.459 e sgts), e que o procedimento fiscal foi considerado procedente naqueles autos, conforme julgamento realizado pela CSRF no Acórdão nº 9101002.065, de 12/11/2014 (fls. 2.481/2.490). Subscrevo as considerações tecidas pelo Relator daquela decisão, adotando as como razão de decidir, com forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, passando as mesmas a fazer parte integrante desse voto. "(...) Seguem nesse mesmo diapasão as diversas outras dúvidas levantadas no curso da ação fiscal e que, em boa hora, foram trazidas pela recorrente no seu arrazoado, as quais me dispenso de relatar por se mostrarem repetitivas, mas que poderão ser facilmente consultadas na referida peça recursal e, se assim preferir, no próprio Relatório Fiscal, parte integrante do Auto de Infração. Faço, pois, minhas as palavras declinadas pelo representante da Fazenda Nacional no seu bem elaborado recurso, nos excertos já transcritos no relatório e que reproduzo a seguir, verbis: ∙ 75. As pessoas jurídicas sujeitas à tributação com base no lucro real devem possuir escrituração contábil completa e atualizada, com obediência à legislação vigente e aos princípios e convenções geralmente aceitos em contabilidade. A escrituração é imprescindível nestes casos para demonstrar a apuração dos lucros ou prejuízos. ∙ 76. Por isso, quando intimados pelos auditores fiscais, devem exibir os documentos e os livros comerciais e fiscais que lhes foram solicitados, em boa ordem, escriturados e em dia. ∙ 77. Se não o fizerem, não estiverem em condições de fazêlo, ou o fizerem com vícios, erros ou deficiências que tornem a escrituração imprestável, inviável, ou impossível se torna verificar o verdadeiro lucro real, ou prejuízo, e, por conseqüência, se pagaram ou estão pagando o tributo devido. ∙ 78. Daí a autorização legal para o arbitramento do lucro. O arbitramento é sim medida drástica, porém não punitiva. Portanto, não é aplicado só nos casos de má fé ou em que haja intenção de lesar o fisco. É o que se depreende da leitura do acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF): (..) Sendo certo que o ato administrativo de lançamento é um ato vinculado, exigese para sua validade o atendimento de certos pressupostos objetivos (no caso, a ocorrência das hipóteses previstas em lei para o arbitramento do lucro) e também subjetivos (competência do agente, etc.). Todavia, uma vez atendidos esses pressupostos objetivos e subjetivos, isto é, regularmente constituído o crédito somente se modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou excluída, nos casos previstos em lei, fora dos quais não podem ser dispensadas, sob pena de responsabilidade funcional, na forma da lei, a sua efetivação ou as respectivas garantias, segundo o Fl. 2581DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.002677/200527 Acórdão n.º 3402003.437 S3C4T2 Fl. 2.574 17 art. 141 do Código Tributário Nacional (Lei n° 5172, de 25/10/1966 e Ato Complementar n° 36, de 13/03/1967, art. 7°). ∙ 78. À fiscalização não restou alternativa senão aplicar a legislação que rege a matéria, devidamente capitulada no enquadramento legal, e arbitrar os lucros da empresa. Portanto, não há que se falar em apresentação de elementos comprobatórios pela autoridade, pois a fiscalização já fez a prova que lhe cabia: a imprestabilidade da escrituração. Por essas razões, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, para restabelecer o lançamento de ofício efetuado com base no lucro arbitrado e que antes fora declarado insubsistente pela decisão recorrida, propugnando pela manutenção do quanto foi decidido na decisão recorrida em relação à desqualificação da multa de ofício e sua consequente redução para 75%, bem como para considerar alcançado pela decadência o lançamento de ofício efetuado sobre fatos geradores ocorridos até o quatro trimestre de 1999, aplicando se ao caso a contagem do prazo decadencial disciplinado pelo art. 150, § 4º, do CTN". 4. Do alegado equívocos na elaboração das planilhas Na verificação e apuração da receita bruta da contribuinte, a Fiscalização utilizouse, conforme informa em seu Relatório Fiscal, fl. 41, dos demonstrativos elaborados pela própria Recorrente (Demonstrativo de Faturamento, fls. 328/334), do Razão e dos Livros de Saída e Apuração de ICMS. Do quadro comparativo entre as receitas declaradas pela Recorrente e as apuradas pelo Fisco, podese perceber que foram consideradas as vendas canceladas, devoluções e descontos incondicionais concedidos (fl. 41, coluna exclusões legais). Das várias intimações que constam nos autos, podese verificar que a Fiscalização, contrariamente ao alegado, teve conhecimento dos Livros de Entradas e Saídas da Recorrente, conforme documentos de fls. 65/72. No Anexo IV (fls. 58/63 e fls. 1.261/1.266) Demonstrativo das Diferenças Apuradas encontrase a COFINS e a Contribuição para o PIS , respectivamente, apuradas e ora lançadas de ofício, correspondente ao faturamento do período de 1999 a 2004 e o 1º semestre de 2005. Em complemento, vejase o que se depreende da Informação Fiscal elaborada pelo Fisco quando da solicitação da 2ª diligência (fl. 2.530/2.531) e nas planilhas reproduzidas no corpo do mesmo documento: "(...) Extraise dos autos, mais precisamente do Relatório da Atividade Fiscal de folha nº 1.245 (folha nº 1.232 do volume 7, numeração original do processo físico) que os valores do PIS de que cuidam estes autos que decorrem da exclusão da recorrente do regime nãocumulativo dessa contribuição foram apurados a partir de dezembro de 2002, ou seja de dezembro de 2002 até dezembro de 2004, e constam demonstrados nas planilhas de folhas nº 1.264 a 1.266 (folhas nº 1.251 a 1.253 do volume 7, numeração original do processo físico), abaixo reproduzidas: (...)". Fl. 2582DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 18 No mesmo sentido, quanto a COFINS, consta da Informação Fiscal elaborada pelo Fisco quando da solicitação da 1ª diligência (fl. 2.511) e na planilha reproduzida no corpo do mesmo documento: (...) Extraise dos autos, mais precisamente do Relatório da Atividade Fiscal de folha nº 42 (folha nº 40 do volume 1, numeração original do processo físico) que os valores da Cofins de que cuidam estes autos que decorrem da exclusão da recorrente do regime não cumulativo dessa contribuição foram apurados a partir de fevereiro de 2004, ou seja de fevereiro de 2004 até dezembro de 2004, e constam demonstrados na planilha de folha nº 63 (folha nº 61 do volume 1, numeração original do processo físico), conforme abaixo reproduzido (...)". E, quanto à alegação da Recorrente de que a planilha de cálculos elaboradas pelo Fisco estaria errada, pois não se considerou eventuais créditos no abatimento das contribuições devidas, de se dizer que o procedimento fiscal, também neste aspecto, está correto. Tomese o exemplo trazido pela Recorrente em seu recurso. Verificase no demonstrativo que no mês de dezembro de 2004, para a COFINS, temse a seguinte apuração, valores em reais (fl. 63): No caso, a Recorrente entende que possui um crédito de R$ 46.916,69 [B () A], que deveria ser deduzido do total da contribuição devida. Nada mais equivocado. No mês em referência, a Fiscalização nada cobrou neste Auto de Infração, uma vez que a COFINS que apurou como devida foi inferior à declarada pela contribuinte em DCTF e, acertadamente, não tinha mesmo que considerar esta diferença para deduzir contribuições em períodos de apuração onde fosse devida, porque aí já estaria procedendo à uma compensação, algo que deve ser de iniciativa dos contribuintes e nos termos da legislação que rege o instituto da compensação e da restituição. Também, quanto aos valores apurados, quando do atendimento ao despacho de folhas nº 2.528 (pedido de diligência requestado por esta 2ª Turma Ordinária) conforme Resolução nº 3402000.778, de 27/04/2016, em especial o contido na folha nº 2.526, roga especificamente: 2) Analisar e elaborar parecer sobre a procedência da seguinte alegação no recurso “(...) que há flagrantes erros na planilha da fiscalização em que se apurou o tributo devido, pois não se utilizaram os valores relativos a diferenças a favor da recorrente para deduzir ou compensar com as diferenças a favor do fisco (lançadas). Comparese, por exemplo, na planilha de 2004, os valores de fevereiro (crédito a favor do Fisco) e de dezembro (crédito a favor da recorrente que não foi considerado)”. Vejase o que o Fisco esclarece sobre esta questão (grifei): "O trabalho realizado pela fiscalização consistiu em recompor as bases de cálculo do PIS e da COFINS para apurar eventuais faltas de declaração/recolhimento. Não se Fl. 2583DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.002677/200527 Acórdão n.º 3402003.437 S3C4T2 Fl. 2.575 19 trata no âmbito da fiscalização de efetuarse imputação de pagamentos tampouco de efetuar se compensação de valores eventualmente declarados a maior pela recorrente. No exemplo apontado pela recorrente constatase que relativamente ao mês de fevereiro a fiscalização apurou base de cálculo maior do que aquela apurada pela recorrente, logo efetuou o lançamento de ofício para constituir o respectivo crédito tributário sobre a diferença não declarada/recolhida. Ainda seguindo o exemplo apontado pela recorrente, constatase que relativamente ao mês de dezembro, a fiscalização apurou base de cálculo menor do que aquela apurada pela recorrente, logo não efetuou o lançamento para aquele período de apuração e tampouco considerou os valores supostamente declarados/recolhidos a maior pela recorrente para compensar com períodos anteriores ou posteriores por falta de previsão legal para a compensação de ofício em sede de procedimento fiscal de fiscalização. Uma vez declarado valor maior do que aquele apurado pelo fisco, simplesmente o fisco deixa de efetuar lançamento de ofício, porém, cabe ao contribuinte buscar as retificações/compensações/restituições que julgar cabíveis, até porque, há de considerarse a possibilidade do próprio contribuinte estar oferecendo a tributação algo que o fisco não logrou êxito em alcançar". Este entendimento é aplicável em relação às alegações trazidas pela Recorrente em seus recursos, tanto ao que se refere à contribuição para o PIS como para a COFINS. Assim, as planilhas feitas pela Fiscalização (Anexo IV, (fls. 58/63 e fls. 1.261/1.266)) Demonstrativo das Diferenças Apuradas da COFINS e da Contribuição para o PIS), com a utilização de dados dos registros e livros fiscais da própria Recorrente, não merecem reparos, à luz do que foi alegado e que ora se rebateu, de forma que os "créditos" que a Recorrente reclamou e que destacou em suas "Planilha de Débitos e Créditos" relativa à COFINS e de PIS (fls. 2.383/2.384) não podem ser, como já comentado, aproveitado no curso do procedimento fiscal, na dedução destas contribuições, quando devidas, ora lançadas. Eventuais pedidos de restituição ou compensação, há que ser requeridos em procedimentos próprios que são regrados com legislação específica para o caso. Quanto ao prazo decadencial, este tema já foi abobadado em tópico próprio deste voto (item 2.2). 5. Da Multa de Ofício redução de 75% para 20% Conforme já relatado, a Recorrente teve seu lucro arbitrado em vários anos calendário, conforme consta em outro processo administrativo fiscal citados, onde foi constatado que ocorreram várias irregularidades, dentre as quais, algumas que deram causa ao lançamento da multa de ofício qualificada (de 150%). Fl. 2584DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 20 No caso destes autos, a decisão a quo, já decidiu pela não qualificação da multa de ofício aplicada, como ficou muito bem asseverado no voto conforme trecho abaixo reproduzido (fl. 2.421). Vejase (grifei): "Neste sentido, a Fiscalização apurou que houve diferenças em seis anos calendários, conforme tabela a fl.40 (COFINS) e para o PIS (tabela a fl. 1.232), onde podese perceber que os valores apontados como devidos (diferenças) são de pouca expressão, considerado o porte da empresa e a extensão do período fiscalizado, de forma que para estas exigências, a gravidade do ocorrido no lançamento de IRPJ não contamina a apuração destas contribuições, de forma que, em face do exposto, entendo inaplicável a duplicação da multa de ofício, devendo ser considerada a multa de ofício típica, de 75%. Nos lançamentos de ofício para constituição de diferenças de tributos devidos, não pagos ou não declarados, via de regra, é aplicada a multa proporcional de 75%, nos termos do art. 44, inciso I, da Lei 9.430/1996. Portanto, quanto a solicitação da redução da multa de ofício 75% para 20%, não merece guarida por falta de previsão legal, uma vez que a Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 44, I, determinou este percentual, e portanto entendo correta a manutenção desta multa de ofício para o caso nos autos aqui tratados. Quanto à pugnada inconstitucionalidade da multa no patamar de 75% por ter, no entender da recorrente, natureza confiscatória, a questão não comporta dissensão. Como dito acima, a Lei determinou este percentual. Estando tal lei vigendo, descabe a este colegiado manifestarse acerca de sua constitucionalidade. Nesse sentido, a matéria encontrase sumulada pelo CARF, nos termos abaixo transcrito. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 6. Do afastamento da taxa SELIC Requereu ainda o afastamento da taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), visto que tal acréscimo é indevido, nos termos do que já decidiu o Superior Tribunal de Justiça (STJ). A Lei n° 9.430/1996, em seu artigo 61, § 3°, estabelece a aplicação de juros equivalentes à taxa SELIC sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos não pagos, nos seguintes termos: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrente:.; de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1 de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de uni por cento no mês do pagamento. Fl. 2585DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10925.002677/200527 Acórdão n.º 3402003.437 S3C4T2 Fl. 2.576 21 O mesmo entendimento utilizado para redução de multas vale para a aplicação da taxa SELIC, como juros moratórios, pois tal matéria, igualmente encontrase sumulada pelo CARF, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Não acolho, pois, o pedido de desconsideração dos valores decorrentes da aplicação da taxa SELIC. 7. Solicitação de Diligência/perícia Em relação ao pedido de diligência/perícia, cumpre esclarecer que apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de pleitear a realização de diligências e perícias, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as consideradas prescindíveis ou impraticáveis, conforme disposto no art.18, caput, do Decreto nº 70.235, de 1972. Os procedimentos de perícia não podem ter por objetivo a complementação do conjunto probatório, suprindo, a destempo, eventuais lacunas do trabalho do fisco ao lançar o crédito ou da Impugnação apresentada pela interessada. Tais instrumentos se prestam tão somente a esclarecer dúvidas técnicas ou fáticas surgidas ao julgador no exame do litígio. No presente caso houve, por duas vezes, por decisão deste Colegiado a conversão dos autos em Diligência (Resolução nº 20300.806 e Resolução nº 3402000.778), tendo a Recorrente oportunidade de manifestar suas contrarazões em todas essas oportunidades. Portanto, relativamente ao pedido de diligência ou de perícia, entendo que sua realização revela prescindível para a formação de convicção pela autoridade julgadora, conforme prescreve o art. 29 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessária. Por fim, e para que não se alegue omissão no julgado, com exceção da material decadencial, ratifico e, supletivamente, adoto todos os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (forte no art. 50, § 1º, da Lei no 9.784, de 1991). 8. Conclusão Face ao todo acima exposto, VOTO por dar provimento parcial ao recurso voluntário, da seguinte forma: a) rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento, pelas alegadas irregularidades no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), e Fl. 2586DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 22 b) reconhecer a decadência dos fatos geradores de PIS e da COFINS ocorridos até a competência novembro de 2000, e c) manter na íntegra os demais pontos decididos pelo acórdão recorrido. É como voto. (Assinatura Digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 2587DF CARF MF Impresso em 05/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 04/10/20 16 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/10/2016 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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